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<DIV>&nbsp;</DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT 
size=2>&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=2>----- Original 
Message ----- <o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=2>From: "J.Flávio 
Abelha"</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">&nbsp;<o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p>&nbsp;</o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Outubro de 2008 - 8:25 </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><FONT size=6>Leonardo Boff: a 
economia especulativa não tem futuro</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Leonardo Boff em entrevista 
na igreja do Espírito Santo, em Berna. (swissinfo) </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>O teólogo brasileiro Leonardo 
Boff realizou esta semana uma série de conferências na Suíça sobre Igreja, 
movimentos sociais, pobreza, ecologia e Teologia da Libertação.<BR>Em entrevista 
à swissinfo, em Berna, ele falou sobre a atual crise financeira mundial, a falta 
de ética da economia especulativa, os governos esquerdistas da América Latina e 
criticou o papa por sua "opção pelos ricos europeus".</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>swissinfo: Qual é a avaliação 
que o senhor faz da atual crise financeira internacional?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Leonardo Boff: A crise não é 
conjuntural, ela é estrutural. Esse tipo de economia, que transformava tudo em 
mercadoria e se baseava em especulação, distanciada da economia real, não tem 
mais futuro. Ela significou um grande equívoco, porque difamou o Estado e a 
política, e em seu lugar colocava a mão invisível do mercado, a concorrência, as 
grandes corporações multinacionais. Tudo isso não deu certo. As empresas tiveram 
que pedir auxílio do Estado, se deram conta de que a lógica do mercado, que é 
competitiva e nada cooperativa, leva naturalmente para uma grande crise. Foi o 
que ocorreu.<BR>Essa crise poderá ser usada como desculpa para se abandonar de 
vez as metas do milênio, de reduzir à metade a pobreza no mundo até 2015?<BR>As 
metas do milênio, até agora, foram pouco levadas a sério. Foi antes uma retórica 
das grandes empresas. Elas tiraram muito pouco de seu lucros para investir nos 
países pobres. Foi uma espécie de acalmar a consciência, dada a disparidade 
imensa entre ricos e pobres. Mas não mudou a estrutura entre riqueza e pobreza, 
acumulação, processo de destruição da natureza, criação de pobres e famintos, 
por causa desse processo econômico especulativo, devastador das relações sociais 
e ecológicas. Essa máquina continua produzindo pobres. E não há metas de milênio 
que possam superá-las mantendo essa estrutura.<BR>Os governos dizem não ter 
dinheiro para as metas do milênio nem para cumprir as metas do Protocolo de 
Kyoto, mas gastam trilhões para salvar os bancos. <st1:PersonName 
ProductID="O que o" w:st="on">O que o</st1:PersonName> senhor acha 
disso?<BR>Essa prática mostra a profunda falta de ética, de sentido de valor e 
de prioridades, com que esse sistema sem coração, materialista, cruel e sem 
piedade, se organizou e se hegemonizou nos últimos <st1:metricconverter 
ProductID="30 a" w:st="on">30 a</st1:metricconverter> 40 anos. Agora ele está 
mais interessado em salvar-se a si mesmo do que <st1:PersonName 
ProductID="em salvar vidas. Não" w:st="on">em salvar vidas. Não</st1:PersonName> 
era uma economia para produzir meios de vida, mas para produzir acumulação. Esse 
modelo entrou em crise. Não sabemos qual seguirá. Mas seguramente será uma 
economia que vai ser controlada pela política e vai respeitar alguns princípios 
éticos.<BR>O papa disse que o colapso dos bancos mostra que "o dinheiro não vale 
nada"? O senhor partilha essa opinião de Bento 16?<BR>Essa é uma visão 
moralista. O dinheiro não vale nada e vale tudo, porque o Vaticano também tem 
preocupações financeiras. O dinheiro vale, desde que ele seja uma mediação para 
a vida, para a realização das transformações necessárias, para encontrar formas 
de realizar justiça. Não somos contra o dinheiro. Somos contra o dinheiro que se 
faz fim <st1:PersonName ProductID="em sim mesmo. Mas" w:st="on">em sim mesmo. 
Mas</st1:PersonName> somos a favor do dinheiro como meio para conseguir coisas 
necessárias para a vida, para ajudar as pessoas e especialmente para manter o 
planeta Terra vivo, que é a única casa comum que temos para habitar e que essa 
economia especulativa está colocando em risco.<BR>O senhor acusou o papa de 
estar do lado dos ricos e de ser pouco solidário com os pobres. A que o senhor 
atribui isso?<BR>O projeto principal do papa é conferir uma áura cristã à 
globalização, e isso a partir da Europa. O projeto dele é reconverter a Europa, 
para que, uma vez reconvertida, ela dê uma áura religiosa à globalização. Para 
nós que vivemos na periferia do mundo, onde moram mais de 52% de todos os 
católicos, essa opção pela Europa significa uma opção pelos ricos. E a Europa 
mesma não está interessada em assumir essa função religiosa de dar um nimbo de 
espiritualidade à globalização. A Europa é uma cultura crepuscular, 
secularizada, tem o cristianismo pelas costas e não na frente, como uma fonte de 
inspiração. Esse projeto do papa é um grande equívoco e não terá nenhuma 
conseqüência concreta.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>A "opção pela Europa" 
significa que a Igreja esqueceu a "opção pelos pobres"?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Ao optar pela Europa, optou 
pelos ricos, porque a Europa é onde os ricos vivem e estão ao lado de outros 
países do Atlântico norte. Os pobres não têm centralidade. Não é que o papa não 
fale dos pobres. Quando esteve na América Latina, falou dos pobres, dos 
oprimidos, de vez em quando lembra a fome no mundo, mas não é o eixo 
estruturador da pastoral da Igreja. Não é a grande preocupação que move a Igreja 
a dizer, nós queremos ser a voz dos sem voz, queremos ser os advogados dos 
pobres. Isso ela não é. E os pequenos apelos que faz aqui e acolá não corrigem 
essa falta de projeto que venha a beneficiar os pobres.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>"Leonardo Boff - Advogado dos 
pobres" é o título do livro sobre o senhor, que está sendo lançado na Suíça. Há 
muitos políticos e ONGs que também se consideram advogados dos pobres. A questão 
da pobreza para alguns é um bom negócio?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Primeiro, este título é 
excessivo. Há muitas outras pessoas e organizações que são muito mais advogdos 
dos pobres do que eu. Como teólogo, sempre tentei fazer uma Teologia da 
Libertação em favor dos pobres, contra a pobreza. Me mantive fiel a isso nos 
últimos 40 anos, apesar das perseguições. É um destino de vida. Agora, a pobreza 
não faz riqueza. A pobreza é um desafio à generosidade, à humanidade. As 
transformações políticas e sociais é que produzem continuamente e reproduzem a 
pobreza. Se não mudarmos essas estruturas haverá sempre pobres, tenderão a 
aumentar e tornarão a Terra cada vez mais degradada. Porque os pobres, por 
necessidade, degradam porque estão largados à sua própria sorte e porque são 
feitos pobres.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>O que os ricos suíços e 
europeus podem fazer pelos pobres da América Latina?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><SPAN 
style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</SPAN>Eu acho que eles têm que saber que pobre 
existe, que os pobres gritam e que eles também têm que escutar os gritos dos 
pobres. E fazer políticas de ajuda econômica, que é uma forma de reforçar a 
dimensão de cooperação, de solidariedade <st1:PersonName 
ProductID="em nível internacional.&#65532;Em Berna" w:st="on">em nível 
internacional.</st1:PersonName></P><st1:PersonName 
ProductID="em nível internacional.&#65532;Em Berna" w:st="on">
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Em Berna</st1:PersonName>, o 
senhor fez uma palestra sobre três supostos "advogados dos pobres": Lula, 
Fernando Lugo (Paraguai) e Rafael Correa (Equador). O que esses três presidentes 
têm <st1:PersonName ProductID="em comum?&#65532;O" w:st="on">em 
comum?</st1:PersonName></P><st1:PersonName ProductID="em comum?&#65532;O" w:st="on">
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>O</st1:PersonName> que eles 
têm em comum é que vêm de baixo. Eles vêm da grande articulação do poder social, 
que ocorreu a partir dos anos 50 <st1:PersonName 
ProductID="em toda a América Latina." w:st="on">em toda a América 
Latina.</st1:PersonName> Em comum eles têm projetos sociais, que colocam os povo 
e suas demandas básicas de saúde, comida, eduação e habitação no centro. E os 
três se reportam à Igreja da Libertação. Eles se educaram dentro do cristianismo 
libertador. Muitos ministros de Lula vêm da Teologia da Libertação. O presidente 
do Paraguai era um bispo da libertação. Rafael Correa é discípulo de François 
Houtart, que é um dos grandes sociólogos da libertação, na Bélgica, que formou 
muitos quadros na América Latina, na Ásia. Correa tenta na política do Equador, 
como Lula no Brasil e Fernando Lugo no Paraguai, viver essas dimensões que a 
Teologia da Libertação colocou como fundamentais, isto é, colocar o pobre no 
centro. E o pobre precisa de meios de vida, precisa comer, precisa morar, 
precisa ter saúde, e isso eles fizeram. Então, é uma contribuição que a Teologia 
da Libertação deu para a política. E isso é uma glória para essa teologia. 
Porque o importante não é a Teologia da Libertação, o importante é a libertação 
concreta dos pobres.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Mas as políticas sociais 
desses governos não acabam alimentando o assistencialismo, a cultura da esmola, 
a indústria da pobreza?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Tudo o que ajuda os pobres é 
bom, é fruto de generosidade. Porque há políticos, há classes sociais, para os 
quais os pobres são carvão a ser gasto na máquina produtiva, o pobre é um zero 
econômico, um peso da história. Tem gente que faz políticas, embora 
assistencialistas, paternalistas, mas ajuda os pobres. Entretanto, não é a 
política mais in<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>igente. Política 
in<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>igente é aquela que ajuda os 
pobres de tal maneira que eles saiam da pobreza, que não fiquem dependentes da 
benemerência pública, mas se desenvolvem até se tornar autônomos. O precesso 
emancipatório, de criar cidadania, criar autonomia, é um momento importante da 
libertação.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Lula, Lugo e Correa são 
católicos esquerdistas. A Igreja está tomando o poder na América Latina?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Graças a Deus, não. Eles são 
cristãos, são leigos que têm a sua autonomia, não têm ligação institucional com 
as conferências dos bispos. Eles têm uma relação que um cristão tem com sua 
Igreja, em democracias laicas, isto é, que têm a separação Igreja-Estado, e 
levam adiante ideais humanitários que têm a sua origem no cristianismo, mas que 
não dependem da hierarquia eclesiástica, nem são controlados pelas instâncias 
hierárquicas da Igreja.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>O que senhor diz de 
neopopulistas como o presidente venezuelano Hugo Chávez, cujo programa social - 
as "missiones" - imita o discurso da Igreja pelo menos no nome?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><SPAN 
style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</SPAN>Chavez fez um bem enorme para o povo. 
Porque ele nacionalizou o petróleo e usou esse imenso dinheiro não para obras 
faraônicas, mas para erradicar o analfabetismo, para criar um vasto projeto de 
saúde, criar políticas sociais, ajudar outros países. Entretanto, como há poucos 
movimentos sociais na Venezuela, a relação dele é mais direta com o povo. E aí 
há o risco do populismo. O ideal seria o presidente articular-se com os 
movimentos sociais, que por sua vez se articulem com as bases, e aí há um 
diálogo, uma resistência, uma negociação, o estabelecimento de uma agenda comum 
- isso faz a democracia participativa e evita o populismo.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>Muitos movimentos sociais 
baseados na Teologia da Libertação também passaram para o lado governista. O 
lado subversivo da Teologia da Libertação acabou?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>É muito curioso que o MST, 
Movimento dos Sem Terra, o Movimento dos Sem Teto, todos eles são movimentos 
autônomos. Apóiam Lula porque dizem Lula é nosso, nós ajudamos a criar o Lula. E 
ao mesmo tempo fazem críticas profundas ao Lula, por não ter feito a reforma 
agrária, por ainda obedecer muito a agenda neoliberal. Eles não se deixam 
conquistar pelo poder. São aliados do poder. Mas não há um submetimento, uma 
aliança fechada. São corpos autônomos, que dialogam, colaboram, têm diferenças, 
mas fundamentalmente assumem o mesmo projeto de base, que é um projeto social 
orientado para as grandes maiorias pobres.<BR>Quais são as suas críticas ao 
governo Lula?</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><SPAN 
style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</SPAN>Eu não faria, deixaria os inimigos de 
Lula fazer porque eles têm muitas a fazer. A única coisa que eu diria é que Lula 
precisaria tentar fazer a reforma agrária. Foi uma promessa de campanha, não foi 
feita essa reforma agrária, e a população espera essa grande</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">revolução que seria a maior da 
história brasileira.</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><U>Entrevista swissinfo, 
Geraldo Hoffmann</U></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR>PERFIL<BR><SPAN 
style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</SPAN>Leonardo Boff nasceu em 14 de dezembro de 
1938, <st1:PersonName ProductID="em Concórdia, Santa Catarina.&#65532;D" w:st="on">em 
Concórdia, Santa Catarina.<BR>D</st1:PersonName>e <st1:metricconverter 
ProductID="1970 a" w:st="on">1970 a</st1:metricconverter> 1991, foi 
<st1:PersonName w:st="on">professor</st1:PersonName> de Teologia Sistemática e 
Ecumênica em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano.<BR>Em 1984, em 
razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro 
"Igreja: Carisma e Poder", foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação 
para a Defesa das Fé, ex-Santo Ofício, no Vaticano. Em 1985, foi condenado a um 
ano de "silêncio obsequioso" e deposto de todas as suas funções editoriais e de 
<st1:PersonName w:st="on">professor</st1:PersonName> de Teologia.<BR>O então 
prefeito da Sagrada Congregação para a Defesa das Fé era o cardeal alemão Joseph 
Ratzinger (hoje papa Bento 16), que foi orientador da tese de doutorado de Boff 
em Munique.<BR>Em 1992, de novo ameaçado com uma segunda punição pelo Vaticano, 
Boff renunciou às suas atividades de padre e se auto-promoveu ao estado 
leigo.<BR>A partir de 1993, foi <st1:PersonName 
w:st="on">professor</st1:PersonName> de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia 
na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde se aposentou.<BR>É 
autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, 
Antropologia, Mística. Suas últimas obras tratam de ecologia e 
Ecoteologia.<BR>Ganhou uma série de prêmios por seu trabalho, entre outros, o 
"Prêmio pela Liberdade na Igreja" (em Lucerna, na Suíça, em 1985) e o Prêmio 
Nobel Alternativo em 2001.<BR style="mso-special-character: line-break"><BR 
style="mso-special-character: line-break"></P></DIV></BODY></HTML>