<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=7>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
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<H1 class=documentFirstHeading><FONT size=7><IMG alt="" hspace=0 
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<H1 class=documentFirstHeading><FONT size=7>O começo do fim da 
impunidade</FONT></H1>
<DIV>
<DIV class=documentByLine>&nbsp; 
<DIV class=reviewHistory>Responsabilização civil do coronel da reserva Carlos 
Alberto Brilhante Ustra por torturas abre precedente para ações penais .</DIV>
<DIV class=reviewHistory><FONT size=3>
<P>Entrevista . Esse é o entendimento de juristas, como Flávia Piovesan, 
professora doutora da Faculdade de Direito da 
PUC-SP</P></FONT></DIV></DIV></DIV>
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title=" Responsabilização civil do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra por torturas abre precedente para ações penais&#13;&#10;&#13;&#10;" 
alt=" Responsabilização civil do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra por torturas abre precedente para ações penais&#13;&#10;&#13;&#10;" 
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<P></P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western align=right><I></I>&nbsp;</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><I><STRONG>Tatiana Merlino</STRONG></I></P>
<P class=western><I>da Redação</I></P>
<P class=western align=right><B><I>Leia mais:</I></B></P>
<H1 class=documentFirstHeading align=right><IMG alt="" hspace=0 
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<H1 class=documentFirstHeading align=right><A 
href="http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/nacional/justica-paulista-declara-coronel-ustra-torturador" 
target=_self><FONT color=#000000>Justiça paulista declara coronel Ustra 
torturador</FONT></A></H1>
<P class=western></P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><U>A condenação cível do coronel da reserva Carlos Alberto 
Brilhante Ustra por torturas durante a ditadura civil militar (1964-1985) pode 
abrir caminho também para a sua responsabilização criminal.</U></P>
<P class=western>Esse é o entendimento de juristas, como Flávia Piovesan, 
professora doutora da Faculdade de Direito da PUC-SP. “Esse é um excelente 
precedente para abrirmos a agenda de direitos humanos no Brasil, já com muito 
atraso”, afirma ela, em entrevista ao <B>Brasil de Fato</B>.</P>
<P class=western>Dia 9, a Justiça paulista expediu sentença em que julga 
procedente o pedido de declaração de responsabilidade de Ustra pela tortura dos 
ex-presos políticos Maria Amélia de Almeida Teles, César Augusto Teles e Criméia 
Schmidt de Almeida, que sofreram abusos no DOI-Codi paulista, nos anos de 1970, 
na época sob o comando do coronel.</P>
<P class=western>A decisão foi emitida pelo juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª 
Vara Cível de São Paulo, que afastou o argumento dos advogados do coronel 
reformado de que o processo não poderia seguir em razão da Lei de Anistia.</P>
<P class=western>Para a professora de direito, o momento é propício para que se 
discuta novamente a abrangência da Lei de Anistia, aprovada em 1979, pois ga 
tortura não é passível nem de anistia, nem de prescrição. Temos que impedir que 
essa agenda seja silenciada. Tudo que possa ser feito para dar visibilidade, 
acentuar a polêmica é muito importanteh, defende.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><B>Brasil de Fato – Qual a importância da decisão da Justiça de 
São Paulo de declarar o coronel reformado Brilhante Ustra responsável por 
torturas durante a ditadura?</B></P>
<P class=western><B>Flávia Piovesan </B>– Essa é uma decisão paradigmática, 
emblemática. É um trunfo para nossa democracia o reconhecimento das atrocidades 
do passado e a menção expressa de que a tortura era uma prática clandestina 
ilegal e inadmissível, ainda que nós vivêssemos num Estado de exceção.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><B>Pode se dizer que esse é o primeiro passo para o fim da 
impunidade dos crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura 
militar?</B></P>
<P class=western>Creio que sim, ainda que nesse caso, a família Teles tenha 
entrado com uma ação declaratória, na qual o pedido era o reconhecimento oficial 
do Estado de que teriam sido vítimas de tortura pelo aparato estatal e sob o 
comando do coronel Ustra. Até então, os precedentes judiciais sobre esse assunto 
apontavam para casos envolvendo indenizações contra a União, como a ação da 
Clarice Herzog, e tantas outras. Eram demandas judiciais de indenização por 
danos morais. Nesse caso, não. Há dois diferenciais: a ação foi proposta contra 
um indivíduo específico, o algoz, um agente do Estado, pedindo-se o 
reconhecimento oficial da história brasileira. Esse é um excelente precedente 
para abrirmos a agenda de direitos humanos no Brasil, já com muito atraso.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><B>A decisão abre um precedente para que os torturadores possam 
ser julgados penalmente?</B></P>
<P class=western>Sim. Defendo que tortura não é crime político, mas sim um crime 
que viola a ordem internacional, de lesa humanidade, ao trazer a perversidade de 
um Estado que de responsável por garantir direitos, se converte em assassino e 
delinqüente. E, por isso, a tortura, por sua gravidade não é passível nem de 
anistia, nem de prescrição. Basta lembrar que a própria Convenção Contra a 
Tortura [da qual o Brasil é signatário] prevê que nada pode justificá-la, nem 
guerra, nem comoção nacional, instabilidade, nada. Há o direito absoluto a não 
ser submetido à tortura. Vários penalistas entendem que esses crimes seriam 
prescritos. Eu entendo que não, e que não há como defender uma indiferença ao 
passado. Isso não é só um “acerto de contas” com o passado, mas também uma forma 
de viabilizar um presente e futuro democráticos.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><B>Essa decisão pode pressionar o governo a enfrentar o debate 
acerca da Lei de Anistia novamente, que tinha sido trazido à tona pelos 
ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), e logo 
depois abafado pelo presidente Lula?</B></P>
<P class=western>Acho que sim. O que nós observamos é que o presidente atual, 
Lula, e o anterior, FHC, se manifestaram da mesma maneira em relação ao tema: 
“Esse é um assunto muito delicado”. Essa é a expressão usada por ambos. Eu acho 
que é porque houve uma acomodação das Forças Armadas na transição democrática. 
Não houve uma ruptura com o passado, reformas profundas no campo institucional, 
do aparato repressivo, seja da polícia civil, militar, ou das Forças Armadas. O 
próprio presidente Lula diz: “Deixa isso para o Judiciário”.</P>
<P class=western>Ou seja, o Legislativo não pauta porque não há consenso, o 
Executivo não pauta porque não há consenso. Vide a luta intra-governamental 
entre os ministros [Nelson] Jobim (Defesa), Genro e Vannuchi, apaziguada no 
“deixa disso” pelo Lula. Eu creio que a única via é jurisdicional, mas é claro 
que numa agenda provocada.</P>
<P class=western>Foi isso que se passou nos outros países, como na Argentina. 
Lá, houve uma decisão da Corte Suprema Argentina de 2005 que invalidou as leis 
de obediência devida e ponto final, que impediam a punição dos crimes praticados 
durante a ditadura.</P>
<P class=western>Recentemente, na Argentina, decretou-se a prisão e o fim do 
regime domiciliar do ex-ditador [Jorge Rafael] Videla. No Chile e Uruguai houve 
cassação de aposentadorias dos que mataram e torturaram durante a ditadura, e 
aqui os militares continuam sendo nome de rua, de escolas, praças e muitos ainda 
estão em exercício em alta patente. Então, eu acho que o Judiciário tem um papel 
muito importante. Mas tem que ser pressionado a partir de provocações.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><B>Apesar da importância histórica da sentença, duas semanas 
antes da decisão da Justiça paulista de declarar Ustra torturador, uma outra 
ação movida contra ele, por tortura e morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, 
foi extinta.</B></P>
<P class=western>Pois é, e era uma ação da mesma natureza, com o mesmo teor. 
Mas, no Judiciário, cada cabeça é uma sentença. E felizmente, há boas 
cabeças.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western></P>
<P class=western><B>Então, o que pode ser feito para que se movam tais ações 
penais?</B></P>
<P class=western>Uma das medidas é a ação civil que o Ministério Público Federal 
propôs recentemente contra Ustra e Audir Maciel [comandantes do Doi-Codi no 
período de 1970 a 1976]. Um dos pedidos da ação é: devolvam aos cofres públicos 
o que já foi pago no campo indenizatório às vítimas do regime do Doi-Codi. 
Também é uma ação relevante. Dentro do MPF há um debate acerca da 
responsabilização penal. Os dois procuradores que encabeçam a ação civil, Marlon 
Weichert e Eugênia Fávero, atuam no campo civil porque a competência deles é 
nessa área. Mas seria maravilhoso se eles pudessem incorporar essa questão num 
todo, civil e penal.</P>
<P class=western>Também temos que impedir que essa agenda seja silenciada. Tudo 
que possa ser feito para dar visibilidade, acentuar a polêmica é muito 
importante, não só para as vítimas, mas para a história do povo brasileiro e 
construção da nossa identidade coletiva.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><B>Dentro do governo há aqueles que afirmam que a discussão 
sobre a Lei de Anistia pode trazer instabilidade. Essa tese, inclusive, é 
defendida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar 
Mendes.</B></P>
<P class=western>Pois é, um dos grandes medos de se abrir essa discussão é que 
ela poderia causar uma instabilidade, golpismo. No entanto, a pesquisadora dos 
EUA Kathryn Sikking [que esteve recentemente no Brasil] tem um trabalho de 
extrema consistência sobre as ditaduras do Cone Sul, em que ela concluiu o 
oposto. De acordo com ela, não há esse risco de golpe e comprometimento 
institucional, mas sim, o que temos de resultado com a justiça de transição é a 
solidez do Estado democrático de direito, uma democracia mais consolidada.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Quem é</P>
<P class=western><B>Flávia Piovesan</B> é professora doutora na Faculdade de 
Direito da PUC-SP das disciplinas de Direito Constitucional e de Direitos 
Humanos. É professora de Direitos Humanos da pós-graduação na PUC-SP e na 
PUC-PR. Mestre e doutora em Direito Constitucional pela PUC-SP. </P></DIV>
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