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<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><BR></DIV>
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<H1>Fome global </H1><FONT size=4>
<DIV align=right><B>por Michel Chossudovsky <A
href="http://resistir.info/chossudovsky/global_famine_mai08_p.html#asterisco">[*]</A>
</B></DIV><BR><A
href="http://resistir.info/chossudovsky/imagens/crise_alimentar.jpg"></A>
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify><I>Nesta era pós Guerra-Fria a humanidade encontra-se numa
crise económica e social, numa escala sem precedentes, que leva ao rápido
empobrecimento de grandes sectores da população mundial. Economias nacionais
entram em colapso, o desemprego aumenta em flecha. Fomes a nível local
irrompem na Africa subsaariana, no sul da Ásia e em regiões da América Latina.
Esta "globalização da pobreza" – que inverteu consideravelmente os
melhoramentos da descolonização pós-guerra – começou no Terceiro Mundo,
coincidindo com a crise do endividamento no início dos anos 80 e a imposição
das fatais reformas económicas do FMI. <BR><BR>A Nova Ordem Mundial
alimenta-se da pobreza humana e da destruição do ambiente natural. Gera o
apartheid social, encoraja o racismo e o conflito étnico, corrói os direitos
das mulheres e precipita frequentemente os países num confronto destrutivo
entre as nacionalidades. Desde os anos 90 que alargou as suas garras a todas
as principais regiões do mundo, incluindo a América do Norte, a Europa
ocidental, os países do antigo bloco soviético e os "Países
Recém-Industrializados") do sudeste asiático e do extremo oriente.
<BR><BR>Esta crise mundial é mais devastadora do que a Grande Depressão dos
anos 30. Tem consequências geopolíticas muito mais alargadas; a deslocalização
económica também tem sido acompanhada da explosão de guerras regionais, da
fractura de sociedades nacionais e nalguns casos da destruição de países
inteiros. Esta é de longe a crise económica mais grave da história moderna.
(Michel Chossudovsky, The Globalization of Poverty, First Edition, 1997)
</I></P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>Introdução </B><BR><BR>A fome é a consequência do processo
de reestruturação do "mercado livre" da economia global que tem as suas raízes
na crise de endividamento do início dos anos 80. Não é um fenómeno recente como
é sugerido em vários artigos dos meios de comunicação ocidentais. Estes
concentram-se apenas na oferta e procura a curto prazo dos produtos agrícolas, e
ignoram as causas estruturais muito mais amplas da fome global. <BR><BR>A
pobreza e a subnutrição crónica são condições preexistentes. As recentes subidas
dos preços alimentares contribuíram para exacerbar e agravar a crise alimentar.
A subida dos preços tem flagelado uma população empobrecida, que quase não tem
meios para sobreviver. <BR><BR>Têm ocorrido motins por causa do pão quase
simultaneamente em todas as principais regiões do mundo:
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"Os preços dos alimentos no Haiti subiram em média 40 por
cento em menos de um ano, em que o custo de produtos como o arroz duplicou… No
Bangladesh, [nos finais de Abril de 2008], cerca de 20 mil trabalhadores
têxteis saíram para a rua a protestar contra a terrível subida dos preços dos
alimentos e a exigir salários mais altos. O preço do arroz neste país duplicou
em relação ao ano passado, ameaçando com a fome os trabalhadores, que ganham
um salário mensal de apenas 25 dólares… No Egipto, os protestos dos
trabalhadores contra os preços dos alimentos abalaram o centro têxtil de
Mahalla al-Kobra, a norte do Cairo, durante dois dias na semana passada, em
que duas pessoas foram mortas a tiro pelas forças de segurança. Foram presas
centenas de pessoas e o governo enviou polícias à paisana para as fábricas
para obrigar os trabalhadores a retomar o trabalho. Os preços dos alimentos no
Egipto subiram 40 por cento desde o ano passado… No princípio deste mês, na
Costa do Marfim, centenas de pessoas manifestaram-se em frente da casa do
presidente Laurent Gbagbo, cantando "temos fome" e "a vida está cara demais,
vocês estão a matar-nos. <BR><BR>Manifestações, greves e confrontos
semelhantes ocorreram na Bolívia, no Peru, no México, na Indonésia, nas
Filipinas, no Paquistão, no Uzbequistão, na Tailândia, no Iémen, na Etiópia, e
em quase toda a Africa subsaariana". (Bill Van Auken, <I>Amid mounting food
crisis, governments fear revolution of the hungry, </I>Global Research, April
2008) </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>"A Eliminação dos Pobres" </B><BR><BR>Com a existência de
grandes sectores da população mundial já muito abaixo do limiar da pobreza, esta
subida a curto-prazo dos preços dos produtos alimentares é devastadora. Há
milhões de pessoas em todo o mundo que se encontram impossibilitadas de adquirir
alimentos para a sua sobrevivência. <BR><BR>Estes aumentos brutais estão a
contribuir verdadeiramente para a "eliminação dos pobres" através da "morte pela
fome". Nas palavras de Henry Kissinger: "Quem controla o petróleo, controla as
nações; quem controla os alimentos, controla as pessoas". <BR><BR>Quanto a isto,
Kissinger já tinha dado a entender no contexto do Memorando 200 do Estudo de
Segurança Nacional de 1974; "Implications of Worldwide Population Growth for
U.S. Security and Overseas Interests" (Consequências do Crescimento Mundial da
População para a Segurança dos EUA e seus Interesses Ultramarinos), que a
ocorrência repetida de fomes podia constituir de facto um instrumento de
controlo da população. <BR><BR>Segundo a FAO, o preço dos cereais aumentou 88 %
desde Março de 2008. O preço do trigo aumentou 181 % num período de três anos. O
preço do arroz aumentou 50% nos últimos três meses (ver Ian Angus, Food Crisis:
" <I>The greatest demonstration of the historical failure of the capitalist
model", </I>Global Research, April 2008):
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"A qualidade mais popular do arroz da Tailândia vendia-se a
198 dólares por tonelada há cinco anos e a 323 dólares por tonelada o ano
passado. Em Abril de 2008, o preço chegou aos 1 000 dólares. Os aumentos ainda
são maiores nos mercados locais – no Haiti, o preço de mercado dum saco de
arroz de 50 quilos duplicou numa só semana em finais de Março de 2008. Estes
aumentos são catastróficos para os 2,6 mil milhões de pessoas em todo o mundo
que vivem com menos de 2 dólares por dia e gastam 60 a 80% dos seus
rendimentos na alimentação. Há centenas de milhões que não têm posses para
comer". (Ibid). </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>Duas dimensões interrelacionadas </B><BR><BR>Há duas
dimensões interrelacionadas para a actual crise alimentar global, que estão a
lançar milhões de pessoas em todo o mundo na fome e na privação crónica, uma
situação em que grupos inteiros de populações deixaram de ter meios para
adquirir alimentos. <BR><BR>Em primeiro lugar, é o processo histórico a longo
prazo de reforma política macroeconómica e de reestruturação económica global
que tem contribuído para baixar os padrões de vida mundiais, tanto nos países em
desenvolvimento como nos países desenvolvidos. <BR><BR>Em segundo lugar, estas
condições históricas preexistentes de pobreza de massas têm sido exacerbadas e
agravadas pela recente subida nos preços dos cereais que, nalguns casos,
chegaram à duplicação do preço de retalho dos produtos alimentares. Estas
brutais subidas de preços resultam sobretudo do comércio especulativo nos
produtos alimentares. <BR><BR><B>A explosão especulativa dos preços dos cereais
</B><BR><BR>Os meios de comunicação têm enganado levianamente a opinião pública
quanto às causas destas subidas brutais de preços, concentrando-se quase
exclusivamente nas questões dos custos de produção, do clima e de outros
factores que resultam numa oferta reduzida e que podem contribuir para aumentar
o preço dos produtos alimentares. Se bem que esses factores possam contribuir
para tal, têm uma relevância limitada para explicar os aumentos brutais e
dramáticos nos preços destes produtos. <BR><BR>Os preços em espiral dos
alimentos são sobretudo consequência da manipulação do mercado. São atribuíveis
sobretudo ao comércio especulativo no mercado. Os preços dos cereais são
inflacionados artificialmente por operações especulativas em grande escala nas
bolsas mercantis de Nova Iorque e Chicago. Vale a pena assinalar que, em 2007,
assistimos à fusão do Chicago Board of Trade (CBOT) com o Chicago Mercantile
Exchange (CME), de que resultou a maior entidade mundial de comércio de produtos
de consumo, incluindo uma ampla gama de instrumentos especulativos (opções,
opções a prazo, fundos indexados, etc.) <BR><BR>O comércio especulativo sobre o
trigo, o arroz ou o milho, pode fazer-se na ausência de transacções reais de
bens. As instituições que especulam no mercado dos cereais não têm que estar
obrigatoriamente envolvidas na venda ou na entrega dos cereais. <BR><BR>As
transacções podem utilizar fundos indexados das mercadorias, ou seja, apostas
sobre os movimentos gerais de subida ou descida dos preços das mercadorias. Uma
"opção de venda" é uma aposta de que o preço vai descer, uma "opção de compra" é
uma aposta de que o preço vai subir. Através duma manipulação concertada, os
comerciantes institucionais e as instituições financeiras fazem o preço subir e
depois fazem as suas apostas num movimento de subida do preço duma determinada
mercadoria. <BR><BR>A especulação gera a volatilidade do mercado. Por seu turno,
a instabilidade que daí resulta encoraja uma maior actividade especulativa.
<BR><BR>Geram-se lucros quando os preços sobem. Em contrapartida, se o
especulador está a descoberto no mercado, ganha dinheiro quando os preços entram
em queda. <BR><BR>Esta recente explosão especulativa nos preços dos alimentos
tem vindo a provocar um processo mundial de formação de fome a uma escala sem
precedentes. <BR><BR><B>A falta de medidas reguladoras desencadeia a fome
</B><BR><BR>Estas operações especulativas não provocam a fome deliberadamente.
<BR><BR>O que provoca a fome é a ausência de procedimentos reguladores em
relação ao comércio especulativo (opções, opções a prazo, fundos indexados). No
actual contexto, o congelamento do comércio especulativo sobre produtos
alimentares, decidido politicamente, contribuiria imediatamente para a baixa dos
preços dos alimentos., <BR><BR>Nada impede que estas transacções sejam
neutralizadas e impedidas através de um conjunto de medidas reguladoras
cuidadosamente concebidas. <BR><BR>Mas, é visível que não é isso o que o Banco
Mundial e o Fundo Monetário Internacional estão a propor. <BR><BR><B>O papel do
FMI e do Banco Mundial </B><BR><BR>O Banco Mundial e o FMI apareceram com um
plano de emergência, para incentivo à agricultura em resposta à "crise
alimentar". No entanto, não querem saber das causas desta crise. <BR><BR>O
presidente do Banco Mundial, Robert B. Zoellick, descreve esta iniciativa como
um "novo contrato", um plano de acção "para o desenvolvimento a longo prazo da
produção agrícola", que consiste, entre outras coisas, na duplicação dos
empréstimos para a agricultura aos agricultores africanos.
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"Temos que colocar o nosso dinheiro onde está hoje a nossa
boca para que possamos levar comida às bocas famintas". (Robert Zoellick,
director do Banco Mundial, citado pela BBC, 2.Maio.2008) </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify>A "medicina económica" do FMI/Banco Mundial não é uma "solução"
mas é sobretudo a "causa" da fome nos países em desenvolvimento. Mais
empréstimos do FMI-Banco Mundial para "incentivos à agricultura" só servirão
para aumentar os níveis de endividamento e exacerbar a pobreza em vez de a
diminuir. <BR><BR>Os "empréstimos baseados nesta política" do Banco Mundial são
concedidos na condição de que os países obedeçam à agenda política neoliberal
que, desde o início dos anos 80, tem vindo a conduzir ao colapso da agricultura
alimentar a nível local. <BR><BR>A "estabilização macroeconómica" e os programas
de ajustamento estrutural impostos pelo FMI e pelo Banco Mundial aos países em
desenvolvimento (como condição para a renegociação da sua dívida externa)
conduziram ao empobrecimento de centenas de milhões de pessoas. <BR><BR>As
cruéis realidades económicas e sociais subjacentes à intervenção do FMI são a
subida dos preços dos alimentos, as fomes a nível local, os despedimentos
maciços de trabalhadores urbanos e domésticos e a destruição de programas
sociais. O poder de compra interno caiu, foram fechadas escolas e clínicas de
cuidados de saúde contra a fome, há centenas de milhões de crianças a quem tem
sido negado o direito à educação básica. <BR><BR><B>Tratamento de choque do FMI
</B><BR><BR>Historicamente, os preços em espiral dos alimentos a nível
retalhista foram sempre provocados pelas desvalorizações da moeda, que
resultaram invariavelmente numa situação hiper inflacionária. No Peru em Agosto
de 1990, por exemplo, por ordem do FMI, os preços dos combustíveis aumentaram 30
vezes de um dia para o outro. O preço do pão aumentou 12 vezes de um dia para o
outro:
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"Em todo o Terceiro Mundo, a situação é de desespero social e
de desânimo social numa população empobrecida pelos jogos das leis do mercado.
Em 1989, os motins anti-SAP [Programa de Ajustamento Estrutural] e os
levantamentos populares são reprimidos brutalmente: em Caracas, o presidente
Carlos Andres Perez, depois de ter denunciado retoricamente o FMI por praticar
'um totalitarismo económico que mata não apenas com balas mas pela fome',
declara o estado de emergência e envia unidades regulares de infantaria e de
fuzileiros para as áreas pobres ( <I>barrios </I>de ranchos) nas colinas
circundantes da capital. Os motins em Caracas anti-FMI foram ateados por um
aumento de 200 por cento no preço do pão. Foram alvejados indiscriminadamente
homens, mulheres e crianças: 'Noticiou-se que a morgue de Caracas tinha mais
de 200 corpos de pessoas mortas nos três primeiros dias… e esta avisou que
estava a ficar sem caixões'. Não oficialmente foram mortas mais de mil
pessoas. Tunis, Janeiro de 1984, os motins pelo pão foram instigados sobretudo
pela juventude desempregada protestando contra o aumento dos produtos
alimentares; Nigéria, 1989: os motins estudantis anti-SAP levaram ao
encerramento de seis universidades do país pelo Conselho Governamental das
Forças Armadas; Marrocos, 1990: uma greve geral e um levantamento popular
contra as reformas do governo, patrocinadas pelo FMI". (Michel Chossudovsky,
op cit.) </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>A desregulamentação dos mercados de cereais </B><BR><BR>A
partir dos anos 80, os mercados de cereais foram isentos de regulamentação sob a
supervisão do Banco Mundial, e os excedentes de cereais dos Estados Unidos e da
União Europeia (EUA/UE) são utilizados sistematicamente para destruir os
agricultores e desestabilizar a agricultura alimentar nacional. Os empréstimos
do Banco Mundial exigem o levantamento das barreiras comerciais sobre os
produtos agrícolas importados, levando ao abaixamento de preços dos excedentes
de cereais dos EUA/UE nos mercados locais. Estas e outras medidas atiraram os
produtores agrícolas locais para a falência. <BR><BR>O "mercado livre" dos
cereais – imposto pelo FMI e pelo Banco Mundial – destrói a economia dos
agricultores e põe em risco a "segurança alimentar". O Malawi e o Zimbabué já
foram países prósperos com excedentes de cereais. O Ruanda era praticamente
auto-suficiente quanto a alimentos até 1990, quando o FMI ordenou a introdução
dos excedentes de cereais dos EUA e da UE a preços baixos no mercado interno,
provocando a falência dos pequenos agricultores. Em 1991-92, a fome atingiu o
Quénia, a economia do pão com maior êxito da Africa oriental. O governo de
Nairobi fora colocado na lista negra por não obedecer às prescrições do FMI. A
ausência de regulamentação do mercado dos cereais tinha sido exigida como uma
das condições para a reforma da dívida externa de Nairobi com o Clube de Paris
de credores autorizados. (Michel Chossudovsky, <I>The Globalization of Poverty
and the New World Order, </I>Second Edition, Montreal 2003) <BR><BR>Por toda a
Africa, assim como no sudeste asiático e na América Latina, o padrão do
"ajustamento sectorial" na agricultura sob a custódia das instituições do
Bretton Woods tem sido inequivocamente no sentido da destruição da segurança
alimentar. Tem-se reforçado a dependência vis-à-vis o mercado mundial, o que
conduz a uma explosão nas importações comerciais de cereais assim como à subida
no influxo da "ajuda alimentar". <BR><BR>Os produtores agrícolas foram
encorajados a abandonar as culturas alimentares e a virarem-se para culturas de
exportação de "alto valor", quase sempre em detrimento da auto-suficiência
alimentar. Os produtos de alto valor assim como as culturas para ganhar dinheiro
com a exportação foram apoiados por empréstimos do Banco Mundial. <BR><BR>As
fomes na era da globalização são o resultado desta política. A fome não é
consequência da falta de alimentos, muito pelo contrário: os excedentes globais
de alimentos são utilizados para desestabilizar a produção agrícola nos países
em desenvolvimento. <BR><BR>Fortemente regulamentada e controlada pelas
indústrias agrícolas internacionais, esta sobre-produção acaba por conduzir à
estagnação tanto da produção como do consumo dos produtos alimentares essenciais
e ao empobrecimento dos agricultores em todo o mundo. Além disso, na era da
globalização, o programa de ajustamento estrutural do FMI-Banco Mundial tem uma
relação directa com a formação do processo da fome porque corrói
sistematicamente todas as áreas da actividade económica, quer urbana quer rural,
que não sirvam directamente os interesses do sistema do mercado global.
<BR><BR>Os rendimentos dos agricultores, tanto nos países ricos como nos países
pobres, são espremidos por um punhado de empresas globais agro-industriais que
controlam simultaneamente os mercados de cereais, os abastecimentos agrícolas,
as sementes e os alimentos processados. É uma firma gigantesca, a Cargill Inc.,
com mais de 140 filiais e subsidiárias em todo o mundo, que controla grande
parte do comércio internacional de cereais. A partir dos anos 50, a Cargill
tornou-se o principal fornecedor da "ajuda alimentar" americana financiada pela
Lei Pública 480 (1954). <BR><BR>A agricultura mundial tem, pela primeira vez na
história, a capacidade de satisfazer as necessidades alimentares de todo o
planeta; no entanto, a própria natureza do sistema de mercado global impede que
isso aconteça. A capacidade de produzir alimentos é enorme, mas os níveis do
consumo de alimentos mantêm-se extraordinariamente baixos porque uma enorme
porção da população mundial vive em condições de pobreza e de privação extremas.
Além disso, o processo de "modernização" da agricultura levou à espoliação dos
agricultores, aumentou a falta de terras disponíveis e a degradação ambiental.
Por outras palavras, as próprias forças que encorajam a expansão da produção
global de alimentos estão também a provocar contraditoriamente uma contracção
nos padrões de vida e o declínio na procura de alimentos. <BR><BR><B>Sementes
geneticamente modificadas </B><BR><BR>Coincidindo com a instituição da
Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995, ocorreu outra importante mudança
histórica na estrutura da agricultura global. <BR><BR>Ao abrigo dos artigos do
acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC), os gigantes alimentares têm uma
liberdade sem restrições para entrar nos mercados de sementes dos países em
desenvolvimento. A aquisição de "direitos de propriedade intelectual" exclusivos
sobre variedades de plantas pelos interesses agro-industriais internacionais,
também favorece a destruição da biodiversidade. <BR><BR>Agindo em benefício de
um punhado de conglomerados da biotecnologia, as sementes geneticamente
modificadas (GMO) têm vindo a ser impostas aos agricultores, frequentemente no
contexto de "programas de ajuda alimentar". Na Etiópia, por exemplo, na
sequência de uma grande seca, foram entregues conjuntos de sementes GMO a
agricultores empobrecidos, com vista à reabilitação da produção agrícola. As
sementes GMO foram plantadas, permitindo uma boa colheita. Mas depois os
agricultores vieram a saber que as sementes não podiam voltar a ser plantadas,
sem o pagamento de royalties à Monsanto, ao Arch Daniel Midland e a outros. A
seguir, os agricultores descobriram que as sementes só dariam uma boa colheita
se usassem os produtos adequados, incluindo o fertilizante, o insecticida e o
herbicida, produzidos e distribuídos pelas companhias agro-industriais de
biotecnologia. Economias rurais inteiras ficaram presas nas garras dos
conglomerados agro-industriais. <BR><BR><B>A quebra do ciclo agrícola
</B><BR><BR>Com o alastramento da adopção de sementes GMO, ocorreu uma
importante mudança na estrutura e na história da agricultura tradicional desde a
sua origem há 10 000 anos. <BR><BR>A reprodução de sementes a nível da aldeia em
viveiros locais foi interrompida pelo uso de sementes geneticamente modificadas.
O ciclo agrícola, que possibilita aos agricultores armazenar as suas sementes
orgânicas e a plantá-las para conseguir as suas colheitas seguintes, foi
interrompido. Este padrão destrutivo – que resulta invariavelmente na fome – é
repetido país atrás de país levando à morte mundial da economia rural. <BR></P>
<P></P>
<P></P>
<P></P>
<P></P></FONT><BR>-------------------------- <BR></DIV>
<P>
<HR>
<P></P><BR>No virus found in this outgoing message.<BR>Checked by AVG -
http://www.avg.com <BR>Version: 8.0.173 / Virus Database: 270.8.0/1720 - Release
Date: 11/10/2008 15:59<BR>
<P>
<HR>
<P></P>
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<H1>Fome global </H1><FONT size=4>
<DIV align=right><B>por Michel Chossudovsky <A
href="http://resistir.info/chossudovsky/global_famine_mai08_p.html#asterisco">[*]</A>
</B></DIV><BR><A
href="http://resistir.info/chossudovsky/imagens/crise_alimentar.jpg"></A>
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify><I>Nesta era pós Guerra-Fria a humanidade encontra-se numa
crise económica e social, numa escala sem precedentes, que leva ao rápido
empobrecimento de grandes sectores da população mundial. Economias nacionais
entram em colapso, o desemprego aumenta em flecha. Fomes a nível local
irrompem na Africa subsaariana, no sul da Ásia e em regiões da América Latina.
Esta "globalização da pobreza" – que inverteu consideravelmente os
melhoramentos da descolonização pós-guerra – começou no Terceiro Mundo,
coincidindo com a crise do endividamento no início dos anos 80 e a imposição
das fatais reformas económicas do FMI. <BR><BR>A Nova Ordem Mundial
alimenta-se da pobreza humana e da destruição do ambiente natural. Gera o
apartheid social, encoraja o racismo e o conflito étnico, corrói os direitos
das mulheres e precipita frequentemente os países num confronto destrutivo
entre as nacionalidades. Desde os anos 90 que alargou as suas garras a todas
as principais regiões do mundo, incluindo a América do Norte, a Europa
ocidental, os países do antigo bloco soviético e os "Países
Recém-Industrializados") do sudeste asiático e do extremo oriente.
<BR><BR>Esta crise mundial é mais devastadora do que a Grande Depressão dos
anos 30. Tem consequências geopolíticas muito mais alargadas; a deslocalização
económica também tem sido acompanhada da explosão de guerras regionais, da
fractura de sociedades nacionais e nalguns casos da destruição de países
inteiros. Esta é de longe a crise económica mais grave da história moderna.
(Michel Chossudovsky, The Globalization of Poverty, First Edition, 1997)
</I></P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>Introdução </B><BR><BR>A fome é a consequência do processo
de reestruturação do "mercado livre" da economia global que tem as suas raízes
na crise de endividamento do início dos anos 80. Não é um fenómeno recente como
é sugerido em vários artigos dos meios de comunicação ocidentais. Estes
concentram-se apenas na oferta e procura a curto prazo dos produtos agrícolas, e
ignoram as causas estruturais muito mais amplas da fome global. <BR><BR>A
pobreza e a subnutrição crónica são condições preexistentes. As recentes subidas
dos preços alimentares contribuíram para exacerbar e agravar a crise alimentar.
A subida dos preços tem flagelado uma população empobrecida, que quase não tem
meios para sobreviver. <BR><BR>Têm ocorrido motins por causa do pão quase
simultaneamente em todas as principais regiões do mundo:
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"Os preços dos alimentos no Haiti subiram em média 40 por
cento em menos de um ano, em que o custo de produtos como o arroz duplicou… No
Bangladesh, [nos finais de Abril de 2008], cerca de 20 mil trabalhadores
têxteis saíram para a rua a protestar contra a terrível subida dos preços dos
alimentos e a exigir salários mais altos. O preço do arroz neste país duplicou
em relação ao ano passado, ameaçando com a fome os trabalhadores, que ganham
um salário mensal de apenas 25 dólares… No Egipto, os protestos dos
trabalhadores contra os preços dos alimentos abalaram o centro têxtil de
Mahalla al-Kobra, a norte do Cairo, durante dois dias na semana passada, em
que duas pessoas foram mortas a tiro pelas forças de segurança. Foram presas
centenas de pessoas e o governo enviou polícias à paisana para as fábricas
para obrigar os trabalhadores a retomar o trabalho. Os preços dos alimentos no
Egipto subiram 40 por cento desde o ano passado… No princípio deste mês, na
Costa do Marfim, centenas de pessoas manifestaram-se em frente da casa do
presidente Laurent Gbagbo, cantando "temos fome" e "a vida está cara demais,
vocês estão a matar-nos. <BR><BR>Manifestações, greves e confrontos
semelhantes ocorreram na Bolívia, no Peru, no México, na Indonésia, nas
Filipinas, no Paquistão, no Uzbequistão, na Tailândia, no Iémen, na Etiópia, e
em quase toda a Africa subsaariana". (Bill Van Auken, <I>Amid mounting food
crisis, governments fear revolution of the hungry, </I>Global Research, April
2008) </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>"A Eliminação dos Pobres" </B><BR><BR>Com a existência de
grandes sectores da população mundial já muito abaixo do limiar da pobreza, esta
subida a curto-prazo dos preços dos produtos alimentares é devastadora. Há
milhões de pessoas em todo o mundo que se encontram impossibilitadas de adquirir
alimentos para a sua sobrevivência. <BR><BR>Estes aumentos brutais estão a
contribuir verdadeiramente para a "eliminação dos pobres" através da "morte pela
fome". Nas palavras de Henry Kissinger: "Quem controla o petróleo, controla as
nações; quem controla os alimentos, controla as pessoas". <BR><BR>Quanto a isto,
Kissinger já tinha dado a entender no contexto do Memorando 200 do Estudo de
Segurança Nacional de 1974; "Implications of Worldwide Population Growth for
U.S. Security and Overseas Interests" (Consequências do Crescimento Mundial da
População para a Segurança dos EUA e seus Interesses Ultramarinos), que a
ocorrência repetida de fomes podia constituir de facto um instrumento de
controlo da população. <BR><BR>Segundo a FAO, o preço dos cereais aumentou 88 %
desde Março de 2008. O preço do trigo aumentou 181 % num período de três anos. O
preço do arroz aumentou 50% nos últimos três meses (ver Ian Angus, Food Crisis:
" <I>The greatest demonstration of the historical failure of the capitalist
model", </I>Global Research, April 2008):
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"A qualidade mais popular do arroz da Tailândia vendia-se a
198 dólares por tonelada há cinco anos e a 323 dólares por tonelada o ano
passado. Em Abril de 2008, o preço chegou aos 1 000 dólares. Os aumentos ainda
são maiores nos mercados locais – no Haiti, o preço de mercado dum saco de
arroz de 50 quilos duplicou numa só semana em finais de Março de 2008. Estes
aumentos são catastróficos para os 2,6 mil milhões de pessoas em todo o mundo
que vivem com menos de 2 dólares por dia e gastam 60 a 80% dos seus
rendimentos na alimentação. Há centenas de milhões que não têm posses para
comer". (Ibid). </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>Duas dimensões interrelacionadas </B><BR><BR>Há duas
dimensões interrelacionadas para a actual crise alimentar global, que estão a
lançar milhões de pessoas em todo o mundo na fome e na privação crónica, uma
situação em que grupos inteiros de populações deixaram de ter meios para
adquirir alimentos. <BR><BR>Em primeiro lugar, é o processo histórico a longo
prazo de reforma política macroeconómica e de reestruturação económica global
que tem contribuído para baixar os padrões de vida mundiais, tanto nos países em
desenvolvimento como nos países desenvolvidos. <BR><BR>Em segundo lugar, estas
condições históricas preexistentes de pobreza de massas têm sido exacerbadas e
agravadas pela recente subida nos preços dos cereais que, nalguns casos,
chegaram à duplicação do preço de retalho dos produtos alimentares. Estas
brutais subidas de preços resultam sobretudo do comércio especulativo nos
produtos alimentares. <BR><BR><B>A explosão especulativa dos preços dos cereais
</B><BR><BR>Os meios de comunicação têm enganado levianamente a opinião pública
quanto às causas destas subidas brutais de preços, concentrando-se quase
exclusivamente nas questões dos custos de produção, do clima e de outros
factores que resultam numa oferta reduzida e que podem contribuir para aumentar
o preço dos produtos alimentares. Se bem que esses factores possam contribuir
para tal, têm uma relevância limitada para explicar os aumentos brutais e
dramáticos nos preços destes produtos. <BR><BR>Os preços em espiral dos
alimentos são sobretudo consequência da manipulação do mercado. São atribuíveis
sobretudo ao comércio especulativo no mercado. Os preços dos cereais são
inflacionados artificialmente por operações especulativas em grande escala nas
bolsas mercantis de Nova Iorque e Chicago. Vale a pena assinalar que, em 2007,
assistimos à fusão do Chicago Board of Trade (CBOT) com o Chicago Mercantile
Exchange (CME), de que resultou a maior entidade mundial de comércio de produtos
de consumo, incluindo uma ampla gama de instrumentos especulativos (opções,
opções a prazo, fundos indexados, etc.) <BR><BR>O comércio especulativo sobre o
trigo, o arroz ou o milho, pode fazer-se na ausência de transacções reais de
bens. As instituições que especulam no mercado dos cereais não têm que estar
obrigatoriamente envolvidas na venda ou na entrega dos cereais. <BR><BR>As
transacções podem utilizar fundos indexados das mercadorias, ou seja, apostas
sobre os movimentos gerais de subida ou descida dos preços das mercadorias. Uma
"opção de venda" é uma aposta de que o preço vai descer, uma "opção de compra" é
uma aposta de que o preço vai subir. Através duma manipulação concertada, os
comerciantes institucionais e as instituições financeiras fazem o preço subir e
depois fazem as suas apostas num movimento de subida do preço duma determinada
mercadoria. <BR><BR>A especulação gera a volatilidade do mercado. Por seu turno,
a instabilidade que daí resulta encoraja uma maior actividade especulativa.
<BR><BR>Geram-se lucros quando os preços sobem. Em contrapartida, se o
especulador está a descoberto no mercado, ganha dinheiro quando os preços entram
em queda. <BR><BR>Esta recente explosão especulativa nos preços dos alimentos
tem vindo a provocar um processo mundial de formação de fome a uma escala sem
precedentes. <BR><BR><B>A falta de medidas reguladoras desencadeia a fome
</B><BR><BR>Estas operações especulativas não provocam a fome deliberadamente.
<BR><BR>O que provoca a fome é a ausência de procedimentos reguladores em
relação ao comércio especulativo (opções, opções a prazo, fundos indexados). No
actual contexto, o congelamento do comércio especulativo sobre produtos
alimentares, decidido politicamente, contribuiria imediatamente para a baixa dos
preços dos alimentos., <BR><BR>Nada impede que estas transacções sejam
neutralizadas e impedidas através de um conjunto de medidas reguladoras
cuidadosamente concebidas. <BR><BR>Mas, é visível que não é isso o que o Banco
Mundial e o Fundo Monetário Internacional estão a propor. <BR><BR><B>O papel do
FMI e do Banco Mundial </B><BR><BR>O Banco Mundial e o FMI apareceram com um
plano de emergência, para incentivo à agricultura em resposta à "crise
alimentar". No entanto, não querem saber das causas desta crise. <BR><BR>O
presidente do Banco Mundial, Robert B. Zoellick, descreve esta iniciativa como
um "novo contrato", um plano de acção "para o desenvolvimento a longo prazo da
produção agrícola", que consiste, entre outras coisas, na duplicação dos
empréstimos para a agricultura aos agricultores africanos.
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"Temos que colocar o nosso dinheiro onde está hoje a nossa
boca para que possamos levar comida às bocas famintas". (Robert Zoellick,
director do Banco Mundial, citado pela BBC, 2.Maio.2008) </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify>A "medicina económica" do FMI/Banco Mundial não é uma "solução"
mas é sobretudo a "causa" da fome nos países em desenvolvimento. Mais
empréstimos do FMI-Banco Mundial para "incentivos à agricultura" só servirão
para aumentar os níveis de endividamento e exacerbar a pobreza em vez de a
diminuir. <BR><BR>Os "empréstimos baseados nesta política" do Banco Mundial são
concedidos na condição de que os países obedeçam à agenda política neoliberal
que, desde o início dos anos 80, tem vindo a conduzir ao colapso da agricultura
alimentar a nível local. <BR><BR>A "estabilização macroeconómica" e os programas
de ajustamento estrutural impostos pelo FMI e pelo Banco Mundial aos países em
desenvolvimento (como condição para a renegociação da sua dívida externa)
conduziram ao empobrecimento de centenas de milhões de pessoas. <BR><BR>As
cruéis realidades económicas e sociais subjacentes à intervenção do FMI são a
subida dos preços dos alimentos, as fomes a nível local, os despedimentos
maciços de trabalhadores urbanos e domésticos e a destruição de programas
sociais. O poder de compra interno caiu, foram fechadas escolas e clínicas de
cuidados de saúde contra a fome, há centenas de milhões de crianças a quem tem
sido negado o direito à educação básica. <BR><BR><B>Tratamento de choque do FMI
</B><BR><BR>Historicamente, os preços em espiral dos alimentos a nível
retalhista foram sempre provocados pelas desvalorizações da moeda, que
resultaram invariavelmente numa situação hiper inflacionária. No Peru em Agosto
de 1990, por exemplo, por ordem do FMI, os preços dos combustíveis aumentaram 30
vezes de um dia para o outro. O preço do pão aumentou 12 vezes de um dia para o
outro:
<BLOCKQUOTE>
<P align=justify>"Em todo o Terceiro Mundo, a situação é de desespero social e
de desânimo social numa população empobrecida pelos jogos das leis do mercado.
Em 1989, os motins anti-SAP [Programa de Ajustamento Estrutural] e os
levantamentos populares são reprimidos brutalmente: em Caracas, o presidente
Carlos Andres Perez, depois de ter denunciado retoricamente o FMI por praticar
'um totalitarismo económico que mata não apenas com balas mas pela fome',
declara o estado de emergência e envia unidades regulares de infantaria e de
fuzileiros para as áreas pobres ( <I>barrios </I>de ranchos) nas colinas
circundantes da capital. Os motins em Caracas anti-FMI foram ateados por um
aumento de 200 por cento no preço do pão. Foram alvejados indiscriminadamente
homens, mulheres e crianças: 'Noticiou-se que a morgue de Caracas tinha mais
de 200 corpos de pessoas mortas nos três primeiros dias… e esta avisou que
estava a ficar sem caixões'. Não oficialmente foram mortas mais de mil
pessoas. Tunis, Janeiro de 1984, os motins pelo pão foram instigados sobretudo
pela juventude desempregada protestando contra o aumento dos produtos
alimentares; Nigéria, 1989: os motins estudantis anti-SAP levaram ao
encerramento de seis universidades do país pelo Conselho Governamental das
Forças Armadas; Marrocos, 1990: uma greve geral e um levantamento popular
contra as reformas do governo, patrocinadas pelo FMI". (Michel Chossudovsky,
op cit.) </P></BLOCKQUOTE>
<P align=justify><B>A desregulamentação dos mercados de cereais </B><BR><BR>A
partir dos anos 80, os mercados de cereais foram isentos de regulamentação sob a
supervisão do Banco Mundial, e os excedentes de cereais dos Estados Unidos e da
União Europeia (EUA/UE) são utilizados sistematicamente para destruir os
agricultores e desestabilizar a agricultura alimentar nacional. Os empréstimos
do Banco Mundial exigem o levantamento das barreiras comerciais sobre os
produtos agrícolas importados, levando ao abaixamento de preços dos excedentes
de cereais dos EUA/UE nos mercados locais. Estas e outras medidas atiraram os
produtores agrícolas locais para a falência. <BR><BR>O "mercado livre" dos
cereais – imposto pelo FMI e pelo Banco Mundial – destrói a economia dos
agricultores e põe em risco a "segurança alimentar". O Malawi e o Zimbabué já
foram países prósperos com excedentes de cereais. O Ruanda era praticamente
auto-suficiente quanto a alimentos até 1990, quando o FMI ordenou a introdução
dos excedentes de cereais dos EUA e da UE a preços baixos no mercado interno,
provocando a falência dos pequenos agricultores. Em 1991-92, a fome atingiu o
Quénia, a economia do pão com maior êxito da Africa oriental. O governo de
Nairobi fora colocado na lista negra por não obedecer às prescrições do FMI. A
ausência de regulamentação do mercado dos cereais tinha sido exigida como uma
das condições para a reforma da dívida externa de Nairobi com o Clube de Paris
de credores autorizados. (Michel Chossudovsky, <I>The Globalization of Poverty
and the New World Order, </I>Second Edition, Montreal 2003) <BR><BR>Por toda a
Africa, assim como no sudeste asiático e na América Latina, o padrão do
"ajustamento sectorial" na agricultura sob a custódia das instituições do
Bretton Woods tem sido inequivocamente no sentido da destruição da segurança
alimentar. Tem-se reforçado a dependência vis-à-vis o mercado mundial, o que
conduz a uma explosão nas importações comerciais de cereais assim como à subida
no influxo da "ajuda alimentar". <BR><BR>Os produtores agrícolas foram
encorajados a abandonar as culturas alimentares e a virarem-se para culturas de
exportação de "alto valor", quase sempre em detrimento da auto-suficiência
alimentar. Os produtos de alto valor assim como as culturas para ganhar dinheiro
com a exportação foram apoiados por empréstimos do Banco Mundial. <BR><BR>As
fomes na era da globalização são o resultado desta política. A fome não é
consequência da falta de alimentos, muito pelo contrário: os excedentes globais
de alimentos são utilizados para desestabilizar a produção agrícola nos países
em desenvolvimento. <BR><BR>Fortemente regulamentada e controlada pelas
indústrias agrícolas internacionais, esta sobre-produção acaba por conduzir à
estagnação tanto da produção como do consumo dos produtos alimentares essenciais
e ao empobrecimento dos agricultores em todo o mundo. Além disso, na era da
globalização, o programa de ajustamento estrutural do FMI-Banco Mundial tem uma
relação directa com a formação do processo da fome porque corrói
sistematicamente todas as áreas da actividade económica, quer urbana quer rural,
que não sirvam directamente os interesses do sistema do mercado global.
<BR><BR>Os rendimentos dos agricultores, tanto nos países ricos como nos países
pobres, são espremidos por um punhado de empresas globais agro-industriais que
controlam simultaneamente os mercados de cereais, os abastecimentos agrícolas,
as sementes e os alimentos processados. É uma firma gigantesca, a Cargill Inc.,
com mais de 140 filiais e subsidiárias em todo o mundo, que controla grande
parte do comércio internacional de cereais. A partir dos anos 50, a Cargill
tornou-se o principal fornecedor da "ajuda alimentar" americana financiada pela
Lei Pública 480 (1954). <BR><BR>A agricultura mundial tem, pela primeira vez na
história, a capacidade de satisfazer as necessidades alimentares de todo o
planeta; no entanto, a própria natureza do sistema de mercado global impede que
isso aconteça. A capacidade de produzir alimentos é enorme, mas os níveis do
consumo de alimentos mantêm-se extraordinariamente baixos porque uma enorme
porção da população mundial vive em condições de pobreza e de privação extremas.
Além disso, o processo de "modernização" da agricultura levou à espoliação dos
agricultores, aumentou a falta de terras disponíveis e a degradação ambiental.
Por outras palavras, as próprias forças que encorajam a expansão da produção
global de alimentos estão também a provocar contraditoriamente uma contracção
nos padrões de vida e o declínio na procura de alimentos. <BR><BR><B>Sementes
geneticamente modificadas </B><BR><BR>Coincidindo com a instituição da
Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995, ocorreu outra importante mudança
histórica na estrutura da agricultura global. <BR><BR>Ao abrigo dos artigos do
acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC), os gigantes alimentares têm uma
liberdade sem restrições para entrar nos mercados de sementes dos países em
desenvolvimento. A aquisição de "direitos de propriedade intelectual" exclusivos
sobre variedades de plantas pelos interesses agro-industriais internacionais,
também favorece a destruição da biodiversidade. <BR><BR>Agindo em benefício de
um punhado de conglomerados da biotecnologia, as sementes geneticamente
modificadas (GMO) têm vindo a ser impostas aos agricultores, frequentemente no
contexto de "programas de ajuda alimentar". Na Etiópia, por exemplo, na
sequência de uma grande seca, foram entregues conjuntos de sementes GMO a
agricultores empobrecidos, com vista à reabilitação da produção agrícola. As
sementes GMO foram plantadas, permitindo uma boa colheita. Mas depois os
agricultores vieram a saber que as sementes não podiam voltar a ser plantadas,
sem o pagamento de royalties à Monsanto, ao Arch Daniel Midland e a outros. A
seguir, os agricultores descobriram que as sementes só dariam uma boa colheita
se usassem os produtos adequados, incluindo o fertilizante, o insecticida e o
herbicida, produzidos e distribuídos pelas companhias agro-industriais de
biotecnologia. Economias rurais inteiras ficaram presas nas garras dos
conglomerados agro-industriais. <BR><BR><B>A quebra do ciclo agrícola
</B><BR><BR>Com o alastramento da adopção de sementes GMO, ocorreu uma
importante mudança na estrutura e na história da agricultura tradicional desde a
sua origem há 10 000 anos. <BR><BR>A reprodução de sementes a nível da aldeia em
viveiros locais foi interrompida pelo uso de sementes geneticamente modificadas.
O ciclo agrícola, que possibilita aos agricultores armazenar as suas sementes
orgânicas e a plantá-las para conseguir as suas colheitas seguintes, foi
interrompido. Este padrão destrutivo – que resulta invariavelmente na fome – é
repetido país atrás de país levando à morte mundial da economia rural. <BR></P>
<P></P>
<P></P>
<P></P>
<P></P></FONT><BR>-------------------------- <BR></DIV>
<P>
<HR>
<P></P><BR>No virus found in this outgoing message.<BR>Checked by AVG -
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