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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<IMG alt="" hspace=0 src="cid:02de01c92647$f28cd860$0200a8c0@vcaixe"
align=baseline border=0><STRONG>(clique e leia o jornal PÁTRIA
LATINA)</STRONG></FONT><BR></DIV>
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<TR>
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<TR>
<TD class=textospequeno>Brasília - Outubro de 2008 </TD>
<TD class=texto noWrap align=right width="1%"><SPAN
class=creditofoto><A class=editoria
href="http://www.patrialatina.com.br/index.php">Página Inicial </A>|
<A class=editoria
href="mailto:?subject=Indicação de Site&body=Visite www.patrialatina.com.br">Indique
aos amigos</A><A class=editoria
href="mailto:?subject=Indicação de Site&body=Visite www.patrialatina.com.br"></A></SPAN>
</TD></TR></TBODY></TABLE></TD></TR>
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<TD width="1%"><IMG
src="http://www.patrialatina.com.br/colunista/39.gif"> </TD>
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<DIV align=left><SPAN class=titulosinternas><STRONG>Coluna de
Eduardo Galeano</STRONG></SPAN></DIV></TD></TR></TBODY></TABLE>
<P>
<TABLE cellSpacing=2 cellPadding=1 width="100%" border=0>
<TBODY>
<TR>
<TD><SPAN class=tituloscolunas><STRONG>Oitavo mandamento,
mentirás</STRONG></SPAN></TD></TR>
<TR>
<TD class=textos>
<DIV align=justify>Ali os peritos corrigem alguns errinhos dos
relatórios anteriores. Entre outras coisas, ficamos a saber agora
que os pobres mais pobres do mundo, os chamados "indigentes", somam
500 milhões mais do que os que apareciam nas estatísticas. Além
disso, ficamos a saber que os países pobres são bastante mais pobres
do que aquilo que diziam os numerozinhos e que a sua desgraça piorou
enquanto o Banco Mundial lhes vendia a pílula da felicidade do
mercado livre. E como se isso fosse pouco, verifica-se que a
desigualdade universal entre pobres e ricos havia sido mal medida e
à escala planetária o abismo é ainda mais fundo que o do Brasil.
<BR><BR><STRONG>Outra mentira</STRONG> <BR>Ao mesmo tempo, um ex
vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, num trabalho
conjunto com Linda Bilmes, investigou os custos da guerra do Iraque.
O presidente George W. Bush havia anunciado que a guerra poderia
custar, quando muito, 50 bilhões de dólares, o que a primeira vista
não parecia demasiado caro tratando-se da conquista de um país tão
rico em petróleo. Eram números redondos, ou melhor, quadrados. <BR>A
carnificina do Iraque dura há mais de cinco anos e, neste período,
os Estados Unidos gastaram um milhão de milhões de dólares matando
civis inocentes. A partir das nuvens, as bombas matam sem saber
quem. Sob a mortalha de fumo, os mortos morrem sem saber porque.
Aquele número de Bush chega para financiar apenas um trimestre de
crimes e discursos. O número mentia, ao serviço desta guerra,
nascida de uma mentira, que continua a mentir.<BR><BR><STRONG>E mais
outra mentira</STRONG><BR>Quando todo o mundo já sabia que no Iraque
não havia mais armas de destruição maciça do que as que utilizavam
os seus invasores, a guerra continuou, ainda que houvesses esquecido
os seus pretextos. Então, em 14 de dezembro do ano 2005, os
jornalistas perguntaram quantos iraquianos haviam morrido nos dois
primeiros anos de guerra. E o presidente Bush falou do assunto pela
primeira vez. Respondeu: <BR><BR><STRONG>"Uns 30 mil, mais ou
menos".</STRONG> <BR>E a seguir fez uma piada, confirmando o seu
sempre oportuno sentido do humor, e os jornalistas riram-se. <BR>No
ano seguinte, reiterou o número. Não esclareceu que os 30 mil
referiam-se aos civis iraquianos cuja morte havia aparecido nos
diários. O número real era muito maior, como ele bem sabia, porque a
maioria das mortes não se publica, e bem sabia também que entre as
vítimas havia muitos velhos e crianças. <BR><BR>Essa foi a única
informação proporcionada pelo governo dos Estados Unidos sobre a
prática do tiro ao alvo contra os civis iraquianos. O país invasor
só faz contas, detalhadas, dos seus soldados caídos. Os demais são
inimigos, ou danos colaterais que não merecem ser contados. E, em
todo caso, conta-los poderia ser perigoso: essa montanha de
cadáveres poderia causar má impressão. <BR><BR><STRONG>E uma verdade
(Pobre do Mexico por estar tão perto deles..)</STRONG><BR>Bush vivia
seus primeiros tempos na presidência quando, em 27 de julho do ano
2001, perguntou aos seus compatriotas: <BR>"Podem vocês imaginar um
país que não fosse capaz de cultivar alimentos suficientes para
alimentar a sua população? Seria uma nação exposta a pressões
internacionais. Seria uma nação vulnerável. E por isso, quando
falamos da agricultura americana, na realidade falamos de uma
questão de segurança nacional". <BR>Dessa vez, o presidente não
mentiu. Ele estava a defender os fabulosos subsídios que protegem o
campo do seu país. "Agricultura americana" significava e significa
"Agricultura dos Estados Unidos". <BR>Contudo, é o México, outro
país americano, o que melhor ilustra os seus acertados conceitos.
Desde que firmou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos,
o México já não cultiva alimentos suficientes para as necessidades
da sua população, é uma nação exposta a pressões internacionais e é
uma nação vulnerável, cuja segurança nacional corre grave
perigo:<BR>atualmente o México compra aos Estados Unidos 10 bilhões
de dólares de alimentos que poderia produzir; <BR>os subsídios
protecionista tornam impossível a competição; <BR>por esse andar,
daqui a pouco a tortillas mexicanas continuarão a ser mexicanas
pelas bocas que as comem, mas não pelo milho que as faz, importado,
subsidiado e transgénico; <BR>o tratado havia prometido prosperidade
comercial, mas a carne humana, camponeses arruinados que emigram, é
o principal produto mexicano de exportação. <BR>Há países que sabem
defender-se. São poucos. Por isso são ricos. Há outros países
treinados para trabalhar para a sua própria perdição. São quase
todos os demais.
<BR><BR></DIV></TD></TR></TBODY></TABLE></P></TD></TR></TBODY></TABLE></FONT></DIV>
<P>
<HR>
<P><FONT face=Arial size=2></FONT></P>
<P>
<HR>
<P></P><BR>Internal Virus Database is out of date.<BR>Checked by AVG -
http://www.avg.com <BR>Version: 8.0.169 / Virus Database: 270.7.2/1689 - Release
Date: 24/9/2008 18:51<BR>
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aos amigos</A><A class=editoria
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500 milhões mais do que os que apareciam nas estatísticas. Além
disso, ficamos a saber que os países pobres são bastante mais pobres
do que aquilo que diziam os numerozinhos e que a sua desgraça piorou
enquanto o Banco Mundial lhes vendia a pílula da felicidade do
mercado livre. E como se isso fosse pouco, verifica-se que a
desigualdade universal entre pobres e ricos havia sido mal medida e
à escala planetária o abismo é ainda mais fundo que o do Brasil.
<BR><BR><STRONG>Outra mentira</STRONG> <BR>Ao mesmo tempo, um ex
vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, num trabalho
conjunto com Linda Bilmes, investigou os custos da guerra do Iraque.
O presidente George W. Bush havia anunciado que a guerra poderia
custar, quando muito, 50 bilhões de dólares, o que a primeira vista
não parecia demasiado caro tratando-se da conquista de um país tão
rico em petróleo. Eram números redondos, ou melhor, quadrados. <BR>A
carnificina do Iraque dura há mais de cinco anos e, neste período,
os Estados Unidos gastaram um milhão de milhões de dólares matando
civis inocentes. A partir das nuvens, as bombas matam sem saber
quem. Sob a mortalha de fumo, os mortos morrem sem saber porque.
Aquele número de Bush chega para financiar apenas um trimestre de
crimes e discursos. O número mentia, ao serviço desta guerra,
nascida de uma mentira, que continua a mentir.<BR><BR><STRONG>E mais
outra mentira</STRONG><BR>Quando todo o mundo já sabia que no Iraque
não havia mais armas de destruição maciça do que as que utilizavam
os seus invasores, a guerra continuou, ainda que houvesses esquecido
os seus pretextos. Então, em 14 de dezembro do ano 2005, os
jornalistas perguntaram quantos iraquianos haviam morrido nos dois
primeiros anos de guerra. E o presidente Bush falou do assunto pela
primeira vez. Respondeu: <BR><BR><STRONG>"Uns 30 mil, mais ou
menos".</STRONG> <BR>E a seguir fez uma piada, confirmando o seu
sempre oportuno sentido do humor, e os jornalistas riram-se. <BR>No
ano seguinte, reiterou o número. Não esclareceu que os 30 mil
referiam-se aos civis iraquianos cuja morte havia aparecido nos
diários. O número real era muito maior, como ele bem sabia, porque a
maioria das mortes não se publica, e bem sabia também que entre as
vítimas havia muitos velhos e crianças. <BR><BR>Essa foi a única
informação proporcionada pelo governo dos Estados Unidos sobre a
prática do tiro ao alvo contra os civis iraquianos. O país invasor
só faz contas, detalhadas, dos seus soldados caídos. Os demais são
inimigos, ou danos colaterais que não merecem ser contados. E, em
todo caso, conta-los poderia ser perigoso: essa montanha de
cadáveres poderia causar má impressão. <BR><BR><STRONG>E uma verdade
(Pobre do Mexico por estar tão perto deles..)</STRONG><BR>Bush vivia
seus primeiros tempos na presidência quando, em 27 de julho do ano
2001, perguntou aos seus compatriotas: <BR>"Podem vocês imaginar um
país que não fosse capaz de cultivar alimentos suficientes para
alimentar a sua população? Seria uma nação exposta a pressões
internacionais. Seria uma nação vulnerável. E por isso, quando
falamos da agricultura americana, na realidade falamos de uma
questão de segurança nacional". <BR>Dessa vez, o presidente não
mentiu. Ele estava a defender os fabulosos subsídios que protegem o
campo do seu país. "Agricultura americana" significava e significa
"Agricultura dos Estados Unidos". <BR>Contudo, é o México, outro
país americano, o que melhor ilustra os seus acertados conceitos.
Desde que firmou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos,
o México já não cultiva alimentos suficientes para as necessidades
da sua população, é uma nação exposta a pressões internacionais e é
uma nação vulnerável, cuja segurança nacional corre grave
perigo:<BR>atualmente o México compra aos Estados Unidos 10 bilhões
de dólares de alimentos que poderia produzir; <BR>os subsídios
protecionista tornam impossível a competição; <BR>por esse andar,
daqui a pouco a tortillas mexicanas continuarão a ser mexicanas
pelas bocas que as comem, mas não pelo milho que as faz, importado,
subsidiado e transgénico; <BR>o tratado havia prometido prosperidade
comercial, mas a carne humana, camponeses arruinados que emigram, é
o principal produto mexicano de exportação. <BR>Há países que sabem
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Date: 24/9/2008 18:51<BR></BODY></HTML>