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<P class=chapeu style="MARGIN: 0cm 0cm 3.75pt"><FONT color=#666666><FONT
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<P class=chapeu style="MARGIN: 0cm 0cm 3.75pt"><FONT face=Arial size=2>2 de
outubro 2008</FONT></P>
<P class=chapeu style="MARGIN: 0cm 0cm 3.75pt"><FONT color=#666666><FONT
face="Courier New"><STRONG><IMG alt="" hspace=0
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<P class=chapeu style="MARGIN: 0cm 0cm 3.75pt"><FONT color=#666666><FONT
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<P class=chapeu style="MARGIN: 0cm 0cm 3.75pt"><FONT color=#666666><FONT
face="Courier New"><STRONG>A ESTRATÉGIA DO
MEDO<o:p></o:p></STRONG></FONT></FONT></P>
<P class=titulo style="MARGIN: 0cm 0cm 3.75pt"><STRONG><FONT color=#d2512e><FONT
face=Helvetica>Algumas coisas que a mídia não diz sobre a crise nos
EUA<o:p></o:p></FONT></FONT></STRONG></P>
<P class=linhafina style="BACKGROUND: white; MARGIN: 3.75pt 0cm"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT size=2><FONT face=Verdana>Em um artigo intitulado
"Querem nos meter medo", o cineasta Michael Moore (foto) conta como centenas de
milhares de pessoas entupiram os <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>efones e correios eletrônicos dos congressistas
dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise.
E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios)
seguem com a estratégia de atemorizar a
população.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=headline-link style="MARGIN: 0cm 0cm 3.75pt"><STRONG><FONT size=2><FONT
color=#888888><FONT face=Arial>Michael Moore - Página
12<o:p></o:p></FONT></FONT></FONT></STRONG></P>
<P class=texto style="MARGIN: 15pt 0cm 0pt"><FONT size=2><FONT
face=Verdana><I>Quem acompanha a cobertura da crise nos Estados Unidos feita
pela imprensa brasileira pode ser levado a acreditar que a política está
"atrapalhando" a busca de uma solução para o problema. Essa afirmação vem sendo
feita todos os dias por vários jornalistas e colunistas econômicos em todo país,
supostamente especializados no assunto. A aprovação da proposta de ajuda aos
bancos quebrados é apontada como uma condição necessária para evitar o caos. Há
vários silêncios nesta cobertura, aqui e também nos EUA.<BR><BR>Em um artigo
intitulado "Querem nos meter medo", o cineasta Michael Moore conta como centenas
de milhares de pessoas entupiram os <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>efones e correios eletrônicos dos congressistas
dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise.
E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios)
seguem com a estratégia de atemorizar a população, omitindo, entre outras
coisas, que a proposta apresentada ao Congresso não trazia qualquer esperança
para os pobres mortais ameaçados de perder suas casas hipotecadas (Marco Aurélio
Weissheimer)</I><BR><BR><B><I>Tradução do artigo de <A
href="http://www.michaelmoore.com.br" target=_blank>Michael Moore</A> publicado
no jornal <A href="http://www.pagina12.com.ar" target=_blank>Página
12</A>:</I></B><BR><BR><B>Querem nos meter medo</B><BR><BR>Todos diziam que a
lei seria aprovada. Os especialistas do universo já estavam fazendo reservas
para celebrar nos melhores restaurantes de Manhattan. Os compradores
particulares <st1:PersonName w:st="on" ProductID="em Dallas e Atlanta">em Dallas
e Atlanta</st1:PersonName> foram despachados para fazer as primeiras compras de
Natal. Os homens loucos de Chicago e Miami já estavam abrindo as garrafas e
brindando entre eles muito antes do café da manhã.<BR><BR>Mas o que não sabiam
era que centenas de milhares de estadunidenses tinham acordado pela manhã e
decidido que era tempo de se rebelar. Milhares de chamadas <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>efônicas e correios eletrônicos golpearam o
Congresso tão forte como se Marshall Dillon (Comissário Dillon, personagem de
uma série de <st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>evisão) e Elliot Ness
tivessem descido em Washington D.C. para deter os saques e prender os
ladrões.<BR><BR>A Corporação do Crime do Século foi detida por 228 votos contra
205. Foi um acontecimento raro e histórico. Ninguém conseguia lembrar de um
momento onde uma lei apoiada pelo presidente e pelas lideranças de ambos os
partidos fosse derrotada. Isso nunca acontece. Muita gente está se perguntando
por que a ala direita do Partido Republicano se uniu à ala esquerda do Partido
Democrata para votar contra o roubo. Quarenta por cento dos democratas e dois
terços dos republicanos votaram contra a lei.<BR><BR>Eis o que
aconteceu:<BR><BR>A corrida presidencial pode estar ainda muito parelha nas
pesquisas, mas as corridas no Congresso estão assinalando uma vitória esmagadora
dos democratas. Poucos questionam a previsão de que os republicanos receberão
uma surra no dia 4 de novembro. As previsões indicam que os republicanos
perderão cerca de 30 cadeiras na Câmara de Representantes, o que representaria
um incrível repúdio a sua agenda. Os representantes do governo têm tanto medo de
perder seus assentos que, quando apareceu esta “crise financeira” há duas
semanas, deram-se conta que estavam diante de sua única oportunidade de
separar-se de Bush antes da eleição, fazendo algo que fizesse parecer que
estavam do lado da “gente”.<BR><BR>Estava vendo ontem C-Span, uma das melhores
comédias que assisti em anos. Ali estavam, um republicano depois do outro que
apoiaram a guerra e afundaram o país em uma dívida recorde, que tinham votado
para matar qualquer regulação que mantivesse Wall Street sob controle – ali
estavam, lamentando-se e defendendo o pobre homem comum.Um depois do outro,
usaram o microfone da Câmara baixa e jogaram Bush sob o ônibus, para baixo do
trem (ainda que tenham cotado para retirar os subsídios aos trens também),
diabos, teriam jogado o presidente nas águas crescentes de Lower Ninth Ward
(bairro de Nova Orleans) se<BR>pudessem prever outro furacão.<BR><BR>Os valentes
95 democratas que romperam com Barney Frank e Chris Dodd eram os verdadeiros
heróis, do mesmo modo como aqueles poucos que votaram contra a guerra em outubro
de 2002. Reparem nos comentários dos republicanos Marcy Kaptur, Sheila Jackson
Lee e Dennis Kucinich. Disseram a verdade. Os democratas que votaram a favor do
pacote o fizeram em grande parte porque estavam temerosos das ameaças de Wall
Street, que se os ricos não recebessem sua dádiva, os mercados enlouqueceriam e
então adeus às pensões que dependem das ações e adeus aos fundos de
aposentadoria. E adivinhem? Isso é exatamente o que fez Wall Street! A maior
queda em um único dia no índice Dow da Bolsa de <st1:PersonName
w:st="on">Val</st1:PersonName>ores de Nova York.<BR><BR>À noite, os
apresentadores de <st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>evisão gritavam:
os estadunidenses acabaram de perder 1,2 bilhão de dólares na Bolsa! É o Pearl
Harbour financeiro! Caiu o céu! Gripe aviária! Obviamente, quem conhece a bolsa
sabe que ninguém “perdeu” nada ontem, que os valores sobem e baixam e que isso
também acontecerá porque os ricos compraram agora que estão baixo, os segurarão,
depois os venderão e logo em seguida os comprarão novamente quando estiverem
baixos de novo. Mas, por enquanto, Wall Street e seu braço de propaganda (as
redes de TV e os meios de comunicação que possuem) continuarão tratando de nos
meter medo. Algumas pessoas perderão seus empregos. Uma débil nação de fantoches
não suportará muito tempo esta tortura. Ou poderemos suportar?<BR><BR>Eis no que
acredito: a liderança democrata na Câmara baixa esperava secretamente todo o
tempo que esta péssima lei fracassasse. Com as propostas de Bush derrotadas, os
democratas sabiam que poderiam então escrever sua própria lei que não favoreça
apenas os 10% mais ricos que estavam esperando outro lingote de ouro. De modo
que a bola está nas mãos da oposição. O revólver de Wall Street, porém, aponta
para suas cabeças. Antes que dêem o próximo passo, deixem-me dizer no que os
meios de comunicação silenciaram enquanto se debatida essa lei:<BR><BR>1. A lei
de resgate NÃO prevê recursos para o chamado grupo de supervisão que deve
monitorar como Wall Street vai gastar os 700 bilhões de dólares;<BR><BR>2. A lei
NÃO considerava multas, sanções ou prisão para nenhum executivo que roubar
dinheiro público;<BR><BR>3. A lei NÃO fez nada obrigar aos bancos e aos fundos
de empréstimo a renovar as hipotecas do povo para evitar execuções. Esta lei não
deteria uma sequer execução!<BR><BR>4. Em toda a legislação NÃO havia nada
executável, usando palavras como “sugerido” quando se referiam à devolução do
dinheiro do resgate a ser feito pelo governo.<BR><BR>5. Mais de 200 economistas
escreveram ao Congresso e disseram que esta lei poderia piorar a crise
financeira e provocar ainda MAIS uma queda.<BR><BR>É hora de nosso lado
estabelecer claramente as leis que queremos aprovar.<BR><BR></FONT></FONT><FONT
size=2><FONT face=Verdana><I>Tradução para o espanhol: Celita
Doyhambéhére<BR><BR>Tradução para o português: Marco Aurélio
Weissheimer</I><o:p></o:p></FONT></FONT></P>
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