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<HTML xmlns:o = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" xmlns:st1 =
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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<P class=MsoNormal style="BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
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<P class=chapeu style="MARGIN: 0cm 0cm 5pt"><FONT face="Courier New"
color=#666666 size=5>DEBATE ABERTO</FONT></P>
<P class=titulo style="MARGIN: 0cm 0cm 5pt"><STRONG><FONT face=Helvetica
color=#d2512e size=3>O impensável aconteceu</FONT></STRONG></P>
<P class=linhafina style="BACKGROUND: white; MARGIN: 5pt 0cm"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT size=3><FONT face=Verdana>O Estado deixou de ser o
problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer
prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da
globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe
racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o
nível de auto-destruição.</FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=linhafina style="BACKGROUND: white; MARGIN: 5pt 0cm"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT size=3><FONT
face=Verdana><o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN> </P>
<P class=headline-link style="MARGIN: 0cm 0cm 5pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><STRONG><FONT color=#888888>Boaventura de Sousa
Santos</FONT></STRONG></SPAN></P>
<P class=headline-link style="MARGIN: 0cm 0cm 5pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><STRONG><FONT
color=#888888><o:p></o:p></FONT></STRONG></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman"
size=3>A palavra não aparece na mídia norte-americana, mas é disso que se trata:
nacionalização. Perante as falências ocorridas, anunciadas ou iminentes de
importantes bancos de investimento, das duas maiores sociedades hipotecárias do
país e da maior seguradora do mundo, o governo dos EUA decidiu assumir o
controle direto de uma parte importante do sistema financeiro.<BR><BR>A medida
não é inédita pois o Governo interveio em outros momentos de crise profunda: em
1792 (no mandato do primeiro presidente do país), em 1907 (neste caso, o papel
central na resolução da crise coube ao grande banco de então, J.P. Morgan, hoje,
Morgan Stanley, também em risco), em 1929 (a grande depressão que durou até à
Segunda Guerra Mundial: em 1933, 1000 norteamericanos por dia perdiam as suas
casas a favor dos bancos) e 1985 (a crise das sociedades de poupança).<BR><BR>O
que é novo na intervenção em curso é a sua magnitude e o fato de ela ocorrer ao
fim de trinta anos de evangelização neoliberal conduzida com mão de ferro a
nível global pelos EUA e pelas instituições financeiras por eles controladas,
FMI e o Banco Mundial: mercados livres e, porque livres, eficientes;
privatizações; desregulamentação; Estado fora da economia porque inerentemente
corrupto e ineficiente; eliminação de restrições à acumulação de riqueza e à
correspondente produção de miséria social.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><FONT face="Times New Roman"
size=3>Foi com estas receitas que se “resolveram” as crises financeiras da
América Latina e da Ásia e que se impuseram ajustamentos estruturais em dezenas
de países. Foi também com elas que milhões de pessoas foram lançadas no
desemprego, perderam as suas terras ou os seus direitos laborais, tiveram de
emigrar.<BR><BR>À luz disto, o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser o
problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer
prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da
globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe
racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o
nível de auto-destruição; o capital tem sempre o Estado à sua disposição e,
consoante os ciclos, ora por via da regulação ora por via da desregulação. Esta
não é a crise final do capitalismo e, mesmo se fosse, talvez a esquerda não
soubesse o que fazer dela, tão generalizada foi a sua conversão ao evangelho
neoliberal.<BR><BR>Muito continuará como dantes: o espiríto individualista,
egoísta e anti-social que anima o capitalismo; o fato de que a fatura das crises
é sempre paga por quem nada contribuiu para elas, a esmagadora maioria dos
cidadãos, já que é com seu dinheiro que o Estado intervém e muitos perdem o
emprego, a casa e a pensão. <BR><BR>Mas muito mais mudará. Primeiro, o declínio
dos EUA como potência mundial atinge um novo patamar. Este país acaba de ser
vítima das armas de destruição financeira massiça com que agrediu tantos países
nas últimas décadas e a decisão “soberana” de se defender foi afinal induzida
pela pressão dos seus credores estrangeiros (sobretudo chineses) que ameaçaram
com uma fuga que seria devastadora para o actual <I>american way of life</I>.
<BR><BR>Segundo, o FMI e o Banco Mundial deixaram de ter qualquer autoridade
para impor as suas receitas, pois sempre usaram como bitola uma economia que se
revela agora fantasma. A hipocrisia dos critérios duplos (uns válidos para os
países do Norte global e outros válidos para os países do Sul global) está
exposta com uma crueza chocante. Daqui em diante, a primazia do interesse
nacional pode ditar, não só proteção e regulação específicas, como também taxas
de juro subsidiadas para apoiar indústrias em perigo (como <st1:PersonName
ProductID="as que o" w:st="on">as que o</st1:PersonName> Congresso dos EUA acaba
de aprovar para o setor automóvel).<BR><BR>Não estamos perante uma
desglobalização mas estamos certamente perante uma nova globalização
pós-neoliberal internamente muito mais diversificada. Emergem novos
regionalismos, já hoje presentes na África e na Ásia mas sobretudo importantes
na América Latina, como o agora consolidado com a criação da União das Nações
Sul-Americanas e do Banco do Sul. Por sua vez, a União Européia, o regionalismo
mais avançado, terá que mudar o curso neoliberal da atual Comissão sob pena de
ter o mesmo destino dos EUA. <BR><BR>Terceiro, as políticas de privatização da
segurança social ficam desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível
acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões trabalhadores humildes e
abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. Quarto, o Estado que
regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente
destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se
cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção. <BR><BR>Isto significa
que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será,
agora sim, um problema sem solução. Quinto, as mudanças na globalização
hegemônica vão provocar mudanças na globalização dos movimentos sociais que vão
certamente se refletir no Fórum Social Mundial: a nova centralidade das lutas
nacionais e regionais; as relações com Estados e partidos progressistas e as
lutas pela refundação democrática do Estado; contradições entre classes
nacionais e transnacionais e as políticas de alianças. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p><FONT
size=3> </FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=linha-fina style="BACKGROUND: white; MARGIN: auto 0cm"><SPAN
style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Boaventura de Sousa
Santos é sociólogo e <st1:PersonName w:st="on">professor</st1:PersonName>
catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
(Portugal).<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p><FONT
size=3> </FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P></FONT></DIV></BODY></HTML>