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<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
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<DIV>&nbsp;</DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message ----- 
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A 
title=urda@flynet.com.br href="mailto:urda@flynet.com.br">Urda Alice Kluger</A> 
</DIV>
<DIV>&nbsp;</DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV dir=ltr>
<P class=data align=left>16 DE SETEMBRO DE 2008 - 14h06</P>
<H1>Ex-militar divulga novas fotos&nbsp;de guerrilheiros do Araguaia </H1><BR>
<DIV id=lead style="FONT-FAMILY: Arial, Verdana; BACKGROUND-COLOR: #efefef" 
align=left>Jamais encontrados, os corpos de dois guerrilheiros do Araguaia 
estiveram em poder de militares, revela uma seqüência de fotos cujos negativos 
foram obtidos pelo jornal <EM>Folha de S. Paulo</EM> e publicadas na edição 
desta terça-feira (16). As fotografias mostram três homens do Exército junto aos 
cadáveres. Elas exibem ainda a chegada do helicóptero militar que os tirou da 
selva, a arrumação dos cadáveres em lonas e a partida do helicóptero. As fotos 
são mais uma prova de que o Exército praticou assassinatos, torturas&nbsp;e 
ocultamento de cadáveres contra dezenas de militantes de esquerda no início da 
década de 70.</DIV><BR>
<DIV id=imagem><IMG 
src="http://www.vermelho.org.br/ctt/img_upload/haas_araguaia.jpg"><BR></DIV>
<DIV id=artigo>
<P>&nbsp;</P>
<P>&nbsp;</P>
<P>Um dos corpos seria do médico João Carlos Haas Sobrinho, um dos líderes da 
guerrilha do PCdoB. O outro cadáver não está identificado. É possível que seja 
do guerrilheiro Ciro Flávio Salazar de Oliveira, morto no mesmo combate que 
vitimou Haas, em 30 de setembro de 1972. Parte das fotos não é inédita. Algumas 
já foram publicadas em livros e na imprensa nos últimos 20 anos, mas de forma 
isolada, sem o encadeamento proporcionado pelos negativos. Agora é possível 
saber a cronologia dos fatos.</P>
<P><BR>Os negativos estão há 36 anos com o ex-sargento do Exército José Antônio 
de Souza Perez, 60, que mora em Patrocínio, cidade com cerca de 85 mil 
habitantes no Triângulo Mineiro. Ele diz tê-los recebido de um colega soldado, 
do qual não lembra mais o nome. Conta que as fotografias foram batidas no Pará, 
na margem esquerda do rio Araguaia, em um acampamento improvisado na selva 
amazônica, onde os dois trabalharam ao longo de 1972.</P>
<P><BR>Procurados pela <EM>Folha</EM>, o Ministério da Defesa e o Exército 
informaram que não se pronunciariam sobre as fotos.</P>
<P><BR>A guerrilha rural na região do Bico do Papagaio (sudeste do Pará, sul do 
Maranhão e norte do então Estado de Goiás, hoje Tocantins) foi organizada pelo 
então clandestino PCdoB, a partir da segunda metade dos anos 60. Iniciada em 
1972, a repressão militar terminou três anos depois. Houve poucos sobreviventes. 
Os historiadores estimam que cerca de 60 guerrilheiros foram mortos pelos 
militares. Apenas um corpo foi identificado, o de Maria Lúcia Petit, assim mesmo 
passadas duas décadas da morte.</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><STRONG>O recolhimento</STRONG></P>
<P><BR>O ex-sargento Perez lembra que estava no acampamento quando a equipe que 
comandava recebeu uma mensagem por rádio. A informação passada era de que em 
breve seriam levados até o local corpos de guerrilheiros mortos há pouco em 
confronto.</P>
<P><BR>Os dois cadáveres chegaram ao local conduzidos por fuzileiros navais 
amarrados pelos pés e mãos em ripas de madeira. Juca foi logo identificado, por 
causa do diário que carregava. A outra vítima do confronto não tinha qualquer 
indicação de identidade. Perez nunca soube de quem se tratava.</P>
<P><BR>Para remover os corpos, aterrissou no acampamento um helicóptero militar. 
Fuzileiros e militares do grupo de Perez trabalharam na preparação dos 
cadáveres, envoltos em lonas listradas e colocados no aparelho, que decolou em 
seguida.</P>
<P><BR>Na opinião do ex-sargento, o helicóptero seguiu possivelmente rumo à base 
militar instalada no campo de pouso de Xambioá, cidade na margem direita do 
Araguaia, em então área de Goiás. Ele afirma que nunca mais soube dos 
corpos.</P>
<P><BR>A publicação das fotos ao longo dos anos é um mistério para Perez. Ele 
imagina que a origem pode ter sido o soldado que bateu as fotografias e era o 
dono da câmera, levada de modo clandestino para o Araguaia, pois os praças eram 
proibidos pelo oficialato de registrar cenas de combate.</P>
<P><BR>Ele também presume que, em algum momento, as fotos podem ter sido 
apreendidas por algum oficial, que, anos depois, as teria divulgado de maneira 
anônima. Perez ficou com os negativos para tirar cópias de fotos em que posava. 
Ele conta que, por causa de circunstâncias do trabalho na mata, jamais teve a 
chance de devolvê-los ao dono.</P>
<P><BR><STRONG>Xambioá</STRONG></P>
<P><BR>O cadáver de João Carlos Haas Sobrinho, o dr. Juca, foi visto em Xambioá 
depois de trazido da selva pelo helicóptero militar, conta a jornalista e 
pesquisadora Myrian Luiz Alves. Moradores da pequena cidade na margem direita do 
rio Araguaia -hoje Estado do Tocantins- mostraram a ela até o local do 
sepultamento.</P>
<P><BR>Em 1972, os militares conseguiram matar oito guerrilheiros, três deles no 
dia 30 de setembro. Eram Juca, Ciro Flávio Salazar de Oliveira, o Flávio, e 
Manoel José Nurchis, o Gil.</P>
<P><BR>A revelação dos negativos obtidos pela Folha mostra o corpo que seria de 
Juca ao lado de um outro, de estatura menor. Dados corporais em poder da 
pesquisadora indicam que Juca media, quando tinha 18 anos, 1,82 m de altura. Gil 
media cerca de 1,75 m; Flávio, já adulto, media de 1,65 m a 1,70 m.</P>
<P><BR>De acordo essa medição, o mais provável é que a outra vítima mostrada na 
foto tenha sido Flávio, mineiro de Araguari, ex-líder estudantil e aluno da da 
Faculdade de Arquitetura da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Tinha 
28 anos quando foi morto.</P>
<P><BR>Nos anos 90 e no início desta década, expedições de parentes e 
pesquisadores a Xambioá encontraram o local onde Juca teria sido enterrado. Uma 
ossada chegou a ser retirada da suposta sepultura de Juca em 1996, mas nunca 
houve conclusão a respeito da identificação desses restos mortais.</P>
<P><BR>Autor de ''A Guerrilha do Araguaia: a Esquerda em Armas'' (editora UFG, 
1997), o historiador Romualdo Pessoa Campos Filho disse à Folha que a descoberta 
dos negativos que mostram integrantes das Forças Armadas ao lado de dois 
cadáveres ''é um prova contundente de que os militares'' estiveram ''com os 
corpos dos guerrilheiros''.</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><STRONG>Direito ao sepultamento</STRONG></P>
<P>&nbsp;</P>
<P>A&nbsp;reportagem da Folha soma-se a uma série de outras evidências que 
comprovam que os militares que comandaram a operação de cerco e aniquilamento da 
Guerrilha do Araguaia, além de promoverem assassinatos covardes&nbsp;e 
torturas,&nbsp;ocultaram e deram sumiço aos corpos dos guerrilheiros que 
tomabaram em combate. </P>
<P>&nbsp;</P>
<P>Entidades de direitos humanos e a própria Secretaria de Direitos Humanos da 
Presidência da República tem cobrado do governo e sugerido aos 
poderes&nbsp;legislativo e judiciário que tomem providências para que os 
arquivos da ditadura sejam abertos para que se possa buscar informações que 
permitam localizar os restos mortais das vítimas da ditadura e, assim, permitir 
às famílias dos mortos que sepultem seus entes de forma digna e honrosa.</P>
<P><STRONG></STRONG>&nbsp;</P>
<P><STRONG><A 
href="http://www.vermelho.org.br/diario/2005/1009/1009_hass-pontocultura.asp" 
target=_blank>Clique aqui para saber mais sobre João Carlos Haas 
Sobrinho<BR></A></STRONG></P>
<P><BR>Com informações da Folha de S. Paulo</P></DIV><BR><BR clear=all><BR>-- 
<BR>"Se você quer falar comigo, defina suas palavras" 
(Voltaire).<BR></DIV></BODY></HTML>