<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=windows-1252">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV>&nbsp;</DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>

<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT><BR></DIV>
<DIV><EM><FONT color=#620309><FONT size=5><STRONG>ALAI, América Latina en 
Movimiento<BR></STRONG></FONT><BR></FONT></EM>
<DIV id=categorias><B class=rtop3><B class=r1></B><B class=r2></B><B 
class=r3></B><B class=r4></B></B><B class=rbottom3><B class=r4></B><B 
class=r3></B><B class=r2></B><B class=r1><IMG alt="" hspace=0 
src="cid:0da701c91392$261cbba0$0200a8c0@vcaixe" align=baseline border=0><IMG 
alt="" hspace=0 src="cid:0da801c91392$261cbba0$0200a8c0@vcaixe" align=baseline 
border=0><IMG alt="" hspace=0 src="cid:0da901c91392$261cbba0$0200a8c0@vcaixe" 
align=baseline border=0><IMG alt="" hspace=0 
src="cid:0daa01c91392$261cbba0$0200a8c0@vcaixe" align=baseline border=0><IMG 
alt="" hspace=0 src="cid:0dab01c91392$261f2ca0$0200a8c0@vcaixe" align=baseline 
border=0><IMG alt="" hspace=0 src="cid:0dac01c91392$261f2ca0$0200a8c0@vcaixe" 
align=baseline border=0></B></B></DIV><FONT face=Arial size=2></FONT><BR>
<H4 style="COLOR: #620309">Chile</H4>
<H2 style="COLOR: #620309">Salvador Allende, um exemplo que perdura</H2><A 
href="http://alainet.org/active/show_author.phtml?autor_apellido=Castro&amp;autor_nombre=Fidel"><FONT 
color=#620309><I>Fidel Castro</A></FONT></I> 
<HR color=#620309>
<BR>Nasceu há cem anos em Valparaíso, no sul do Chile, em 26 de junho de 1908. 
Seu pai, de classe média, advogado e notário, militava no Partido Radical 
chileno. Quando eu nasci, Allende tinha 18 anos. Realiza seus estudos médios em 
um liceu da cidade natal.<BR><BR>Em seus anos de estudante pré-universitário, um 
velho anarquista italiano, Juan Demarchi, o põe em contato com os livros de 
Marx.<BR><BR>Gradua-se como aluno excelente. Gosta de esporte e o pratica. Entra 
como voluntário no serviço militar no Regimento Coraceros de Viña del Mar. 
Solicita translado ao Regimento Lanceros de Tacna, um enclave chileno no norte 
seco e semi-desértico, posteriormente devolvido ao Peru.<BR><BR>Egressa como 
oficial de reserva do Exército. Já o faz como homem de idéias socialistas e 
marxistas. Não se tratava de um jovem mole e sem caráter. Era como se 
adivinhasse que um dia combateria até a morte defendendo as convicções que já 
começavam a se formar em sua mente.<BR><BR>Decide estudar a nobre carreira de 
Medicina na Universidade do Chile. Organiza um grupo de colegas que se reúnem 
periodicamente para ler e discutir sobre o marxismo. Funda o Grupo Avance em 
1929. É eleito vice-presidente da Federação de Estudantes do Chile em 1930 e 
participa ativamente na luta contra a ditadura de Carlos Ibáñez.<BR><BR>A grande 
depressão econômica nos Estados Unidos já havia se desatado com a crise da Bolsa 
de Valores que estalou em 1929. Cuba entrava na luta contra a tirania 
machadista. Mella tinha sido assassinado. Os operários e os estudantes cubanos 
enfrentavam a repressão. Os comunistas, com Martínez Villena à frente, desatavam 
a greve geral. "Faz falta carga para matar safados, para terminar a obra das 
revoluções..." â€" tinha proclamado em vibrante poema. Guiteras, de profunda 
raiz antiimperialista, tenta derrocar a tirania com as armas. Cai Machado, que 
não pôde resistir ao empurre da nação, e surge uma revolução que os Estados 
Unidos em poucos meses, com luvas de pelica e mão de ferro, esmaga, e seu 
domínio absoluto perdura até 1959.<BR><BR>Durante esse período Salvador Allende, 
em um país onde a dominação imperialista se exercia brutalmente sobre seus 
trabalhadores, sua cultura e suas riquezas naturais, realiza uma luta 
conseqüente que nunca o afastou de sua irrepreensível conduta 
revolucionária.<BR><BR>Em 1933 forma-se como médico. Participa na fundação do 
Partido Socialista do Chile. É já dirigente em 1935 da Associação Médica 
Chilena. É preso durante quase meio ano. Impulsiona o esforço para criar a 
Frente Popular, e o elegem subsecretário geral do Partido Socialista em 
1936.<BR><BR>Em setembro de 1939 assume a pasta de Salubridade no governo da 
Frente Popular. Publica um livro seu sobre medicina social. Organiza a primeira 
Exposição da Moradia. Participa no ano 1941 na reunião anual da Associação 
Médica Americana nos Estados Unidos. Ascende em 1942 a Secretário Geral do 
Partido Socialista do Chile.<BR><BR>Vota no Senado, no ano 1947, contra a Lei de 
Defesa Permanente da Democracia, conhecida como "Lei Maldita" por seu caráter 
repressivo. Ascende em 1949 a Presidente do Colégio Médico.<BR><BR>Em 1952 a 
Frente do Povo o postula para Presidente. Tinha então 44 anos. Perde. Apresenta 
no Senado um projeto de lei para a nacionalização do cobre. Viaja à França, 
Itália, União Soviética e a República Popular da China em 1954.<BR><BR>Quatro 
anos depois, em 1958, é proclamado candidato à Presidência da República pela 
Frente de Ação Popular, constituída pela União Socialista Popular, o Partido 
Socialista do Chile e o Partido Comunista. Perde a eleição para o conservador 
Jorge Alessandri.<BR><BR>Assiste em 1959 à tomada de posse de Rómulo Betancourt 
como Presidente da Venezuela, considerado até então como uma figura 
revolucionária de esquerda.<BR><BR>Viaja nesse mesmo ano a Havana e se 
entrevista com o Che e comigo. Respalda em 1960 aos mineiros do carvão, que 
paralisam seu trabalho durante mais de três meses.<BR><BR>Denuncia junto ao Che 
em 1961 o caráter demagógico da Aliança para o Progresso na reunião da OEA que 
aconteceu em Punta del Este, Uruguai.<BR><BR>Designado de novo candidato à 
Presidência, é derrotado em 1964 por Eduardo Frei Montalva, democrata-cristão 
que contou com todos os recursos das classes dominantes e que, segundo dados 
revelados em documentos tornados públicos do Senado dos Estados Unidos, recebeu 
dinheiro da CIA para apoiar sua campanha. Em seu governo, o imperialismo tratou 
de desenhar o que se chamou a "Revolução em Liberdade", como resposta ideológica 
à Revolução Cubana. O que a engendrou foram os fundamentos da tirania fascista. 
Nessa eleição, Allende obtém, no entanto, mais de um milhão de 
votos.<BR><BR>Encabeça em 1966 a delegação que assiste à Conferência 
Tricontinental de Havana. Visita a União Soviética no 50°Aniversário da 
Revolução de Outubro. No ano seguinte, 1968, visita a República Democrática da 
Coréia, a República Democrática do Vietnã, onde tem a satisfação de conhecer e 
conversar com o extraordinário dirigente desse país, Ho Chi Minh. Inclui nesse 
mesmo percurso o Camboja e Laos, em plena efervescência 
revolucionária.<BR><BR>Depois da morte do Che, acompanha pessoalmente até o 
Taiti três cubanos da guerrilha na Bolívia, que sobreviveram à queda do 
Guerrilheiro Heróico e se encontravam já em território chileno.<BR><BR>A Unidade 
Popular, coalizão política integrada por comunistas, socialistas, radicais, 
MAPU, PADENA e Ação Popular Independente, proclama-o seu candidato em 22 de 
janeiro de 1970, e triunfa em 4 de setembro nas eleições desse ano.<BR><BR>É um 
exemplo verdadeiramente clássico da luta por vias pacíficas para estabelecer o 
socialismo.<BR><BR>O governo dos Estados Unidos, presidido por Richard Nixon, 
após o triunfo eleitoral entra de imediato em ação. O Comandante em Chefe do 
Exército chileno, general René Schneider, é vítima de um atentado em 22 de 
outubro e falece três dias depois porque não se submetia à demanda imperialista 
de um golpe de Estado. Fracassa a tentativa de impedir a chegada da Unidade 
Popular ao governo.<BR><BR>Allende assume legalmente com toda dignidade o cargo 
de Presidente do Chile em 3 de novembro de 1970. Começa do governo sua heróica 
batalha pelas mudanças, enfrentando ao fascismo. Tinha já 62 anos de idade. 
Coube-me a honra de ter compartilhado com ele 14 anos de luta antiimperialista 
desde o triunfo da Revolução Cubana.<BR><BR>Nas eleições municipais de março do 
ano 1971, a Unidade Popular obtém maioria absoluta dos votos com 50,86 por 
cento. Em 11 de julho o presidente Allende promulga a Lei de Nacionalização do 
Cobre, uma idéia que tinha proposto ao Senado 19 anos antes. Foi aprovada no 
Congresso por unanimidade. Ninguém se atrevia a objetá-la.<BR><BR>Em 1972 
denuncia na Assembléia Geral das Nações Unidas a agressão internacional da qual 
é vítima seu país. É ovacionado em pé durante longos minutos. Visita nesse mesmo 
ano a União Soviética, México, Colômbia e Cuba.<BR><BR>Em 1973, ao se realizarem 
as eleições parlamentares de março, a Unidade Popular obtém 45 por cento dos 
votos e aumenta sua representação parlamentar.<BR><BR>Não podem prosperar as 
medidas promovidas pelos ianques nas duas Câmaras para destituir ao 
Presidente.<BR><BR>O imperialismo e a direita agravam uma luta sem quartel 
contra o governo da Unidade Popular e desatam o terrorismo no 
país.<BR><BR>Escrevi-lhe seis cartas confidenciais à mão, com letra pequenina e 
uma caneta de ponta fina entre os anos 1971 e 1973, nas quais lhe abordava temas 
de interesse com a maior discrição.<BR><BR>Em 21 de maio de 1971 
dizia-lhe:<BR><BR>"... Estamos maravilhados com seu extraordinário esforço e 
suas energias sem limites para sustentar e consolidar o triunfo.<BR><BR>"Daqui 
pode-se apreciar que o poder popular ganha espaço apesar de sua difícil e 
complexa missão.<BR><BR>"As eleições de 4 de Abril constituíram uma esplêndida e 
alentadora vitória.<BR><BR>"Foram fundamentais seu valor e decisão, sua energia 
mental e física para levar adiante o processo 
revolucionário.<BR><BR>"Seguramente esperam por vocês grandes e variadas 
dificuldades a serem enfrentadas em condições que não são precisamente ideais, 
mas uma política justa, apoiada nas massas e aplicada com decisão não pode ser 
vencida..."<BR><BR>Em 11 de setembro de 1971, escrevi-lhe:<BR><BR>"O portador 
viaja para tratar contigo os detalhes da visita.<BR><BR>"Inicialmente, 
considerando um possível vôo direto em avião da Cubana, analisamos a 
conveniência de aterrissar em Arica e iniciar o percurso pelo norte. Surgem logo 
duas coisas novas: interesse expressado a você por Velazco Alvarado de um 
possível contato em minha viagem para essa; possibilidade de contar com um avião 
soviético IL-62 com maior rádio. Este último permite, se desejarmos, chegar em 
vôo direto a Santiago.<BR><BR>"Vai um esquema de percurso e atividades para que 
você acrescente, tire e introduza as modificações que estime 
pertinente.<BR><BR>"Tentei pensar exclusivamente no que possa ser de interesse 
político sem me preocupar muito com o ritmo ou a intensidade do trabalho, mas 
tudo em absoluto fica submetido aos seus critérios e 
considerações.<BR><BR>"Desfrutamos muito os sucessos extraordinários de sua 
viagem ao Equador, Colômbia e Peru. Quando teremos em Cuba a oportunidade de 
emular com equatorianos, colombianos e peruanos o enorme carinho e calor com que 
te receberam?"<BR><BR>Naquela viagem, cujo esquema transmiti ao presidente 
Allende, salvei milagrosamente a vida. Percorri dezenas de quilômetros diante de 
uma multidão enorme, situada ao longo do caminho. A Agência Central de 
Inteligência dos Estados Unidos organizou três ações para assegurar meu 
assassinato durante essa viagem. Numa entrevista de imprensa anunciada com 
antecipação, havia uma câmera fornecida por uma emissora televisiva da Venezuela 
equipada com armas automáticas, manejada por mercenários cubanos que com 
documentos desse país tinham entrado ao Chile. A valentia falhou aos que apenas 
tinham que apertar o gatilho durante o longo tempo que durou a entrevista e as 
câmeras me enfocaram. Não queriam correr o risco de morrer. Tinham me 
perseguido, ademais, por todo o Chile, onde não me voltaram a ter tão perto e 
vulnerável. Só pude conhecer os detalhes da covarde ação anos mais tarde. Os 
serviços especiais dos Estados Unidos haviam chegado mais longe do que podíamos 
imaginar.<BR><BR>Em 4 de fevereiro de 1972 escrevi a Salvador:<BR><BR>"A 
delegação militar foi recebida com o maior esmero por todos aqui. As Forças 
Armadas Revolucionárias dedicaram praticamente todo seu tempo durante esses dias 
a atendê-la. Os encontros foram amistosos e humanos. O programa intenso e 
variado. Minha impressão é que a viagem foi positiva e útil, que existe a 
possibilidade e é conveniente continuar desenvolvendo estes 
intercâmbios.<BR><BR>"Com Ariel falei sobre a idéia de sua viagem. Compreendo 
perfeitamente que o trabalho intenso e o tom da contenda política nas últimas 
semanas não tenham te permitido considerá-la para a data aproximada que 
mencionamos nessa. É indubitável que não tínhamos levado em consideração estas 
eventualidades. Por minha parte, naquele dia, vésperas de meu regresso, quando 
jantávamos já de madrugada em sua casa, ante a falta de tempo e a urgência das 
horas, tranqüilizava-me pensar que relativamente logo voltaríamos a nos 
encontrar em Cuba onde íamos dispor da possibilidade de conversar extensamente. 
Tenho, não obstante, a esperança de que você possa levar em consideração a 
visita antes de maio. Menciono este mês, porque no mais tardar, desde meados do 
mesmo, tenho que realizar a viagem, já impostergável, à Argélia, Guiné, 
Bulgária, outros países e a URSS. Esta ampla visita me tomará considerável 
tempo.<BR><BR>"Agradeço-lhe muito as impressões que me dá sobre a situação. 
Aqui, a cada dia todos estamos mais familiarizados, interessados e afetados 
emotivamente com o processo chileno, seguimos com grande atenção as notícias que 
chegam de lá. Agora podemos compreender melhor o calor e a paixão que suscitou a 
revolução cubana nos primeiros tempos. Poderia dizer-se que estamos vivendo 
nossa própria experiência ao inverso.<BR><BR>"Em sua carta posso apreciar a 
magnífica disposição de ânimo, serenidade e valor com que está disposto a 
enfrentar as dificuldades. E isso é fundamental em qualquer processo 
revolucionário, especialmente quando se desenvolve nas condições sumamente 
complexas e difíceis do Chile. Eu voltei com uma extraordinária impressão da 
qualidade moral, cultural e humana do Povo Chileno e de sua notável vocação 
patriótica e revolucionária. A você te correspondeu o singular privilégio de ser 
seu condutor neste momento decisivo da história do Chile e da América, como 
culminação de toda uma vida de luta, como o disse no estádio, consagrada à causa 
da revolução e do socialismo. Nenhum obstáculo pode ser invencível. Alguém disse 
que em uma revolução se marcha adiante com â€˜audácia, audácia e mais 
audácia’. Eu estou convencido da profunda verdade que encerra este 
axioma."<BR><BR>Escrevi-lhe de novo ao presidente Allende em 6 de setembro de 
1972:<BR><BR>"Com Beatriz lhe mandei mensagem sobre diferentes tópicos. Depois 
que ela partiu e com motivo das notícias que estiveram chegando na semana 
passada, decidimos enviar o companheiro Osmany para ratificar nossa disposição 
de colaborar em qualquer sentido, e ao mesmo tempo para que você possa nos 
comunicar através dele sua apreciação da situação e suas idéias com relação à 
viagem projetada a este e outros países. O pretexto da viagem de Osmany será 
inspecionar a Embaixada cubana, ainda que não se lhe dará publicidade alguma. 
Queremos que sua estadia nessa seja muito breve e discreta.<BR><BR>"Os pontos 
propostos por você através de Beatriz já estão sendo cumpridos...<BR><BR>"Ainda 
que compreendemos as atuais dificuldades do processo chileno, confiamos que 
vocês acharão o modo de vencê-las.<BR><BR>"Pode contar inteiramente com nossa 
cooperação. Receba uma saudação fraternal e revolucionária de todos 
nós."<BR><BR>Em 30 de junho de 1973 enviamos um convite oficial ao presidente 
Salvador Allende e aos partidos da Unidade Popular para comemoração do 20° 
Aniversário do ataque ao Quartel Moncada.<BR><BR>Em carta aparte, 
digo-lhe:<BR><BR>"Salvador:<BR><BR>"O anterior é o convite oficial, formal, para 
a comemoração do 20° Aniversário. O formidável seria que você pudesse dar um 
pulo em Cuba nessa data. Você pode imaginar o que significaria isso de alegria, 
satisfação e honra para os cubanos. Sei que isso, no entanto, depende mais que 
nada dos seus trabalhos e da situação nesse. Deixamos, portanto, para sua 
consideração.<BR><BR>"Ainda estamos sob o impacto da grande vitória 
revolucionária do dia 29 e do seu brilhante papel pessoal nos acontecimentos. É 
natural que muitas dificuldades e obstáculos subsistirão, mas estou certo de que 
esta primeira prova exitosa lhes dará grande fôlego e consolidará a confiança do 
povo.<BR><BR>Internacionalmente deu-se grande destaque aos acontecimentos e 
aprecia-se como um grande triunfo.<BR><BR>"Atuando como o fez em 29, a revolução 
chilena sairá vitoriosa de qualquer prova por difícil que 
seja.<BR><BR>Reitero-te que os cubanos estão ao seu lado e que você pode contar 
com seus fiéis amigos de sempre."<BR><BR>Em 29 de julho de 1973 envio-lhe a 
última carta:<BR><BR>"Querido Salvador:<BR><BR>"Com o pretexto de discutir 
contigo qüestões referentes à reunião de países não alinhados, Carlos e Piñeiro 
realizam uma viagem a essa. O objetivo real é de se informar sobre a situação e 
oferecer-lhe como sempre nossa disposição a cooperar frente às dificuldades e 
perigos que obstaculizam e ameaçam o processo. A estadia deles será muito breve 
porque têm aqui muitas obrigações pendentes e, não sem sacrifício de suas 
atividades, decidimos que fizessem a viagem.<BR><BR>"Vejo que estão agora na 
delicada qüestão do diálogo com a D.C. no meio de acontecimentos graves como o 
brutal assassinato do seu assessor naval e a nova greve dos donos de caminhões. 
Imagino por isso a grande tensão existente e seus desejos de ganhar tempo, 
melhorar a correlação de forças para no caso de que estale a luta e, ser for 
possível, achar um caminho que permita seguir adiante o processo revolucionário 
sem contenda civil, ao mesmo tempo que salvar sua responsabilidade histórica 
pelo que possa ocorrer.<BR><BR>Estes são propósitos louváveis. Mas no caso que a 
outra parte, cujas intenções reais não estamos em condições de avaliar daqui, 
empenhasse-se em uma política pérfida e irresponsável exigindo um preço 
impossível de ser pago pela Unidade Popular e a Revolução, o que é, inclusive, 
bastante provável, não esqueça por um segundo a formidável força da classe 
operária chilena e o respaldo enérgico que te ofereceu em todos os momentos 
difíceis; ela pode, ao seu chamado ante a Revolução em perigo, paralisar aos 
golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir de uma 
vez, se é preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber que está alerta e 
pronta para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a 
balança na capital ao seu favor ainda que outras circunstâncias sejam 
desfavoráveis.<BR><BR>"Sua decisão de defender o processo com firmeza e com 
honra até o preço de sua própria vida, que todos sabem que você é capaz de 
cumprir, arrastarão para seu lado todas as forças capazes de combater e todos os 
homens e mulheres dignos do Chile. Seu valor, sua serenidade e sua audácia nesta 
hora histórica de sua pátria e, sobretudo, sua chefatura firme, resolvida e 
heroicamente exercida, constituem a chave da situação.<BR><BR>"Faça com que 
Carlos e a Manuel saibam como podem cooperar seus leais amigos 
cubanos.<BR><BR>"Reitero-te o carinho e a ilimitada confiança do nosso 
povo."<BR><BR>Isto o escrevi um mês e meio antes do golpe. Os emissários eram 
Carlos Rafael Rodríguez e Manuel Piñeiro.<BR><BR>Pinochet havia conversado com 
Carlos Rafael. Tinha-lhe simulado uma lealdade e firmeza similares às do general 
Carlos Pratts, Comandante em Chefe do Exército durante parte do governo da 
Unidade Popular, um militar digno que a oligarquia e o imperialismo puseram em 
total crise, o que o obrigou a renunciar ao comando, e foi mais tarde 
assassinado na Argentina pelos esbirros da DINA, após o golpe fascista de 
1973.<BR><BR>Eu desconfiava de Pinochet desde que li os livros de geopolítica 
que me obsequiou durante minha visita ao Chile e observei seu estilo, suas 
declarações e os métodos que como Chefe do Exército aplicava quando as 
provocações da direita obrigavam ao presidente Allende a decretar estado de 
sítio em Santiago do Chile. Recordava o que advertiu Marx no 18 
Brumário.<BR><BR>Muitos chefes militares do exército nas regiões e seus estados 
maiores queriam conversar comigo onde quer que chegasse, e mostravam notável 
interesse pelos temas de nossa guerra de libertação e as experiências da Crise 
de Outubro de 1962. As reuniões duravam horas nas madrugadas, que era o único 
tempo livre para mim. Eu acedia por ajudar a Allende, inculcando-lhes a idéia de 
que o socialismo não era inimigo dos institutos armados. Pinochet, como chefe 
militar, não foi uma exceção. Allende considerava úteis estes 
encontros.<BR><BR>Em 11 de setembro de 1973 morre heroicamente defendendo o 
Palácio de la Moneda. Combateu como um leão até o último suspiro.<BR><BR>Os 
revolucionários que resistiram ali à investida fascista contaram coisas 
fabulosas sobre os momentos finais. As versões nem sempre coincidiam, porque 
lutavam de diferentes pontos do Palácio.<BR><BR>Ademais, alguns de seus mais 
próximos colaboradores morreram, ou foram assassinados após o duro e desigual 
combate.<BR><BR>A diferença dos depoimentos consistia em que uns afirmavam que 
os últimos disparos os fez contra si próprio para não cair prisioneiro, e outros 
que sua morte se deu por fogo inimigo. O Palácio ardia atacado por tanques e 
aviões para consumar um golpe que consideravam trâmite fácil e sem resistência. 
Não há contradição alguma entre ambas as formas de cumprir o dever. Em nossas 
guerras de independência houve mais de um exemplo de combatentes ilustres que, 
quando já não havia defesa possível, privaram-se da vida antes de cair 
prisioneiros.<BR><BR>Há muito que dizer ainda sobre o que estivemos dispostos a 
fazer por Allende, alguns o escreveram. Não é o objetivo destas 
linhas.<BR><BR>Hoje se cumpre um século de seu nascimento. Seu exemplo 
perdurará.<BR><BR><BR>Fidel Castro Ruz<BR>Junho 27 de 
2008<BR></DIV></BODY></HTML>