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<BODY bgColor=#ffffff background="">
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6><STRONG>Carta O
Berro.............................................<FONT
size=4>repassem</FONT></STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=beatrice13@oi.com.br href="mailto:beatrice13@oi.com.br">Beatrice</A>
</DIV>
<DIV> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG><IMG
style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 400px" alt="" hspace=0
src="cid:024b01c91201$3cb74200$0200a8c0@vcaixe" align=left
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<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG>Morreu nada, galinha engorda e faz
crescer.</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG>Nessas histórias de raposas e
galinheiros, eu só quero saber é quem comeu as galinhas.</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG>Ok, o mercado comeu as galinhas. Mas
esse mercado não respira? Esse mercado não anda aí pelas
ruas?</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG>Esse mercado não paga imposto? Esse
mercado não tem RG e CPF? Esse mercado não tem endereço?</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><STRONG><FONT face=Arial color=#808000>Esse mercado não tem telefone,
internet, carro? Esse mercado não faz doação de
campanha???</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG>O governo dos
EUA estatizou o galinheiro sem as galinhas e não vai mostrar quem comeu as
galinhas?</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#808000><STRONG>Essa raposa é esperta, ela vive
na democracia das galinhas... am</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial></FONT> </DIV>
<DIV><FONT
face=Arial>__________________________________________________________________________________________________ </FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message ----- </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=mvmeireles@uol.com.br
href="mailto:mvmeireles@uol.com.br">MVM<==>News</A> </DIV>
<DIV><B>Sent:</B> Monday, September 08, 2008 4:57 PM</DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2><FONT color=#000000 size=3>
<P>EUA -- O Mercado morreu. Deixou as dívidas para o Estado
pagar...</P></FONT></FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080
size=2>___________________________________________________</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>08/09/2008</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2><FONT color=#0000ff>Folha de
S.Paulo</FONT> </DIV></FONT></STRONG>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2><A
href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200807.htm">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200807.htm</A><BR><BR>VINICIUS
TORRES FREIRE<BR><BR><FONT color=#800000 size=3>Mercado de mentiras e
seqüestros</FONT> <BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2><FONT color=#0000ff>Atendendo a pedidos
do mercado, EUA estatizam quase metade do mercado de financiamento
imobiliário</FONT> <BR><BR><BR>O GOVERNO dos EUA estatizou quase metade do
mercado de financiamento imobiliário. Não foi estatização? Hum.
</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>O governo americano tem agora 80% das
ações preferenciais das duas maiores empresas do ramo, botou para fora seus
diretores, nomeou os novos, cancelou os dividendos dos acionistas e,
divertidíssimo, as proibiu de fazer lobby no Congresso. </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>Qual o nome disso? Se fosse na
Venezuela, seria estatização, certo? </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>Antes de alguns detalhes, porém, algumas
conclusões: </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>1. O governo Bush, "antiestatista",
termina com a maior intervenção do Estado na economia americana desde a Grande
Depressão dos anos 30. Mas os lucros ficaram com quem criou a lambança
financeira; </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>2. O governo procura evitar mais
quebradeiras. Sim, este é um caso de "risco sistêmico" -o risco de a quebra de
instituição financeira importante provocar um dominó de falências que prejudica
até quem nada tem a ver com o pato. </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>Mas o "racional" e "eficiente" mercado
financeiro oligopolizado ("muito grande para quebrar") tem o monopólio da
desculpa esfarrapada "técnica". Merece o privilégio sistêmico de ser socorrido
quando ameaça todo o resto da economia, mas não paga por isso nos tempos de
bonança. O outro nome dessa desculpa, "risco sistêmico", é seqüestro: se você
não pagar o resgate, eu mato todo mundo; </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>3. O mercadismo critica de boca cheia
"instituições capturadas por grupos de interesse", os quais "politizam a gestão
econômica em busca de rendas". Vivem a dizer que "instituições como bancos
centrais e agências" têm de ser "independentes" e "técnicas", que o Estado não
deve subsidiar empresas etc. Divertido é que, para essa gente, os "rent
seekers", os seqüestradores das instituições públicas e devoradores de subsídios
e impostos, são sempre os outros -nunca a finança. </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>E agora? Ah, ah, ah. Mostrem-me um
liberal. O governo americano estatizou as duas maiores financiadoras
imobiliárias do país a fim de evitar que elas "desmoronassem", como dizia ontem
um ex-diretor do Banco Central americano. </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>Freddie Mac e Fannie Mae, como são
apelidadas, têm ou garantem US$ 5,6 trilhões do mercado de dívida imobiliária
americano, de US$ 12 trilhões. Se quebrassem, poderia ocorrer um "tsunami
financeiro", como dizia na quinta Bill Gross, diretor do maior gestor de fundos
de renda fixa do planeta, o Pimco (US$ 850 bilhões). Gross pedia ainda que o
governo dos EUA comprasse papéis imobiliários podres no mercado. Ontem, além de
estatizar Freddie "Fraudy" Mac e Fannie "Phony" Mae, como eram reapelidadas as
empresas, o governo anunciou que vai comprar papéis imobiliários. Gross, que tem
muitos desses títulos, se dizia ontem "sorridente". </FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>O que fazem Freddie e Fannie? Grosso
modo, concedem, compram e revendem financiamentos imobiliários. Isto é, negociam
títulos de investimento que têm como fonte de renda a prestação da casa própria
(títulos lastreados em hipotecas, "mortgage backed securities", ou MBS). Os
calotes na prestação da casa própria e a perda de valor de tais títulos estão na
origem da crise financeira e bancária que jogou areia nas rodas da economia
mundial. Se Freddie e Fannie fossem à breca, a economia iria ao brejo.
</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2>O que pode acontecer? Quem entende muito
disso dizia ontem que pode tanto haver festa no mercado como mais medo. Bancos,
fundos, hedge funds, BCs pelo planeta e outros detentores e/ou inventores da
complexa dívida imobiliária americana podem respirar um pouco. Por ora, ao
menos, o círculo vicioso de desvalorização pode ser atenuado. O fato de o
governo ter ordenado que as empresas financiem mais hipotecas pode ajudar a
derrubar os juros da prestação, que não caíram com a crise e os cortes do Fed.
Mas muita ente acha que a crise não vai parar enquanto os compradores de casas
endividados não receberem ajuda direta. Outros lembram que muito banco tinha
ações de Freddie e Fannie, que nesta segunda devem valer menos do que
pó-de-traque queimado. Mas o mais importante de tudo é: o governo americano diz
e repete que não vai deixar a peteca cair. <BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><FONT color=#000080 size=2><STRONG><FONT
color=#ff0000>+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++</FONT></STRONG><BR></DIV></FONT>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2><BR>08/09/2008</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2><FONT size=3>A vingança dos
heterodoxos<BR></FONT><A
href="http://www.valoronline.com.br/">www.valoronline.com.br/</A></FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT color=#000080 size=2><A
href="http://blogln.ning.com/forum/topic/show?id=2189391%3ATopic%3A20863">http://blogln.ning.com/forum/topic/show?id=2189391%3ATopic%3A20863</A></FONT></STRONG></DIV><STRONG><FONT
color=#000080 size=2>
<DIV><BR><BR><BR>Analistas como Martin Wolff, do "Financial Times", já
registraram, no início do ano, a morte do sonho liberal de um capitalismo global
regido pelo livre mercado. Faltava um documento oficial para decretar o óbito.
Essa certidão acaba de ser lavrada - pela mais heterodoxa das organizações
econômicas multilaterais, a Unctad, sigla em inglês da Conferência das Nações
Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. <BR><BR><BR>Críticas como a da Unctad
contra o sonho liberal alimentam-se do socorro desesperado do governo dos EUA a
bancos e às instituições hipotecárias Fanny Mae e Freddy Mac; da nascente
recessão na Europa que se debate entre combater a inflação ou baixar juros; e da
emergência das economia asiáticas fortemente impregnadas pelas digitais do
Estado. Os economistas da ONU tiraram do limbo peritos de linha heterodoxa, como
o neokeynesiano Nicholas Kaldor, para decretar o que chamam de "fracasso do
modelo neoclássico", predominante no Ocidente. <BR><BR><BR>"Embora a maioria dos
economistas concorde que os pressupostos do modelo neoclássico estão longe da
realidade, este modelo continua a servir de base para as prescrições de política
econômica", acusa a agência da ONU, no seu recém-lançado Informe de Comércio e
Desenvolvimento 2008. O documento combate prescrições do modelo neoclássico que
considera baseadas em premissas equivocadas e potencialmente danosas.
<BR><BR><BR>Entre as premissas, está a de que os preços são sinais claros do
mercado para corrigir distorções de oferta e demanda. A Unctad também combate a
idéia de que o investimento para aumentar a produção tem de ser precedido pelo
acúmulo de poupança. Contra a teoria tradicional, por exemplo, os países em
desenvolvimento com mais investimentos são os que enviam ao exterior mais
poupança do que recebem, nota o Informe. <BR><BR><BR>Ao lado de questionamentos
teóricos sobre a teoria neoclássica de formação preços, o documento menciona os
problemas criados com a influência das expectativas nos mercados financeiro
sobre os mercados de mercadorias e a produção real. Os economistas da Unctad não
sabem dizer o quanto a especulação influencia a atual alta de preços de
mercadorias, mas comentam que a lógica de uma parte substancial dos mercados de
futuros e hedge hoje descolou do terreno produtivo e atende a decisões de
"diversificação de portfólios de investidores". <BR></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV><FONT color=#800000 size=3>Unctad vê fracasso do modelo neoclássico</FONT>
<BR></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV>Em linguagem um pouco mais simples (só um pouco; nada no mundo atual é
simples como se gostaria): ao notarem riscos maiores nos mercados de títulos, ou
de ações, por exemplo, uma parte crescente de investidores do mercado financeiro
tem diversificado aplicações comprando contratos de mercadorias no mercado
futuro. Esses operadores não mudam de posições (comprando contratos ou vendendo
os que têm) em função apenas da expectativa de mudança nos preços das
mercadorias; só mexem em suas carteiras com base no que acontece nos outros
mercados. A alteração no humor de investidores ganha efeito desproporcional no
mercado de commodities. <BR><BR><BR>"Em vez de reduzir riscos, os complexos
instrumentos financeiros desenvolvidos recentemente têm servido para espalhar o
impacto de investimentos arriscados através de continentes, instituições e
mercados", alerta a Unctad. A interpenetração dos mercados financeiro e de
mercadorias e a arbitragem com juros e taxas de câmbio provocam movimentos que
contrariam o saber convencional: países com grandes déficits nas contas externas
no Leste Europeu vêem suas moedas se valorizarem e países com grandes superávits
em conta corrente, como Japão e Suíça sofrem desvalorizações. Políticas baseadas
nos pressupostos tradicionais podem exacerbar a crise, acreditam os economistas
da ONU. <BR><BR><BR>"Seguindo a agenda do Consenso de Washington, que visava
'obter os preços corretos', muitos países mantém errados dois dos mais
importantes preços - as taxas de câmbio e de juros", diz a Unctad. "Isso pode
explicar por que o Consenso de Washington não se aplica em Washington: os EUA,
depois de flertar brevemente com a ortodoxia monetária no começo dos anos 80,
voltaram à sintonia fina da taxa de juros e a uma política monetária
extraordinariamente complacente nas últimas duas décadas." <BR><BR><BR>É o tipo
de leitura que, se não for descartada imediatamente com risinhos de desdém,
poderia animar as reuniões do presidente Lula com seus conselheiros econômicos e
o presidente do Banco Central. Mas engana-se quem quiser usar o documento da
Unctad para encurralar o ortodoxo presidente Henrique Meirelles: embora condenem
o aumento de juros como arma contra as atuais pressões inflacionárias, os
autores reconhecem a utilidade da medida onde haja risco de uma espiral de
aumentos de preços e salários - e listam o Brasil entre os países em que essa
mexida nos juros pode, talvez, se justificar. <BR><BR><BR>Já os nacionalistas
encontrarão, no documento, argumentos empíricos para bradar que o petróleo do
pré-sal é nosso. Os ganhos adicionais com o abrupto crescimento de preços
internacionais de petróleo e minerais chegaram a representar entre 4% a 7,5% dos
Produto Interno Bruto dos países exportadores dessas commodities, mas parte
dessas receitas adicionais geraram apenas maiores remessas de lucros feitas
pelas empresas transnacionais envolvidas na exploração de recursos naturais,
afirma a Unctad. Em países como Chile, Peru e Zâmbia, cerca de 60% ou mais dos
ganhos com os aumentos de preços foram convertidos em remessas de lucros ao
exterior. <BR><BR><BR>O Informe dá argumentos em defesa do crédito dirigido para
investimentos, e cita o BNDES brasileiro como bom exemplo. No capítulo de
propostas para lidar com a crise mundial, porém, apela para uma utópica
coordenação multilateral para criar, nos mercados financeiros e na administração
das taxas de câmbio, regras e códigos de conduta como os que a desmoralizada OMC
aplica ao comércio internacional. O relatório completo, em inglês ou espanhol,
está no portal <A href="http://www.unctad.org">www.unctad.org</A> .
<BR><BR><BR>Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às
segundas-feiras <BR></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV><FONT
color=#ff0000>+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++</FONT></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV>08/09/2008</DIV>
<DIV>FSP</DIV>
<DIV><A
href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200802.htm">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200802.htm</A></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV>Crise<BR></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV><FONT color=#800000 size=3>EUA criam ajuda de US$ 200 bi a
imobiliárias</FONT> <BR></DIV>
<DIV><BR><FONT color=#0000ff>Governo anuncia pacote para salvar as duas empresas
que dominam o setor de crédito destinado à compra de imóveis<BR><BR>Gigantes do
mercado estão sob intervenção federal, por tempo indeterminado, e já funcionam
como se fossem duas estatais</FONT></DIV>
<DIV><FONT color=#0000ff></FONT> </DIV>
<DIV><FONT color=#0000ff></FONT> </DIV>
<DIV><BR>FERNANDO RODRIGUES<BR>ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK<BR><BR></DIV>
<DIV>O governo dos Estados Unidos anunciou ontem um pacote de salvamento de até
US$ 200 bilhões para as duas empresas que dominam o setor de crédito imobiliário
do país, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Esse valor será usado para eventualmente
comprar ações preferenciais das gigantes do mercado, que estão desde ontem sob
intervenção federal e já funcionando como se fossem duas estatais. Ficarão nessa
situação por tempo indeterminado.<BR></DIV>
<DIV>Depois de concluída, essa operação de resgate deve ser a maior da história
dos Estados Unidos. No primeiro semestre, o recorde já tinha sido estabelecido
com a participação do Federal Reserve (BC dos EUA) bancando uma operação de
venda do banco de investimento Bear Stearns para o JPMorgan. Nessa ocasião, o
Fed teve de empenhar US$ 29 bilhões.<BR></DIV>
<DIV>Ainda não está claro o custo final, para os contribuintes, do salvamento da
Fannie Mae e da Freddie Mac. Pelo tamanho das empresas, estima-se que o valor
final passará com folga a marca do socorro usado no caso do Bear Stearns.<BR>A
Fannie Mae e a Freddie Mac são empresas que trabalham no mercado de compra e
venda de títulos baseados nos empréstimos imobiliários oferecidos por todo o
sistema financeiro dos Estados Unidos. Nos últimos dois anos, esse mercado
começou a esfriar, com toda a economia do país.<BR>A inadimplência atingiu 9,2%
dos empréstimos, segundo a Mortgage Bankers Association. Esse é o maior
percentual dos últimos 39 anos, desde que o levantamento começou a ser
realizado. Juntas, tiveram prejuízo de US$ 14 bilhões nos últimos 12
meses.<BR><BR></DIV>
<DIV>Evitar crise maior<BR>As duas empresas entraram em parafuso por causa da
alta concentração dos negócios dentro de suas carteiras, sendo muitos dos papéis
de má qualidade. Em 2005, ambas respondiam por 38% do mercado de compra e venda
de títulos de empréstimos imobiliários.<BR></DIV>
<DIV>Conforme o setor foi se desfazendo dos ativos podres, elas foram
absorvendo-os -segundo informações iniciais disponíveis, de maneira
imprudente.<BR></DIV>
<DIV>Ontem, o jornal "The New York Times" publicou reportagem afirmando que as
empresas maquiaram seus balanços inflando artificialmente o valor das reservas
que teriam para cobrir perdas por inadimplência. Essa contabilidade problemática
acabou sendo um dos fatores principais para que o governo decidisse intervir de
uma vez para evitar uma crise generalizada no mercado.<BR></DIV>
<DIV>De 2005 para cá, a Fannie Mae e a Freddie Mac aumentaram seu domínio do
mercado de 38% para 68%, o que equivale a US$ 5,3 trilhões em garantias a
empréstimos ou empréstimos concedidos. Como comparação, o PIB do Brasil foi
estimado em 2007 em US$ 1,31 trilhão (as duas empresas equivalem a mais de
quatro "brasis").<BR></DIV>
<DIV>Se ficassem apenas à mercê do mercado, haveria risco real de crise
sistêmica, foi o argumento do governo. "Um fracasso de uma das duas poderia
causar grande desarranjo nos nossos mercados financeiros e no mundo todo", disse
Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA (equivalente ao ministro da Fazenda
no Brasil).<BR></DIV>
<DIV>A decisão de fazer uma intervenção federal foi tomada nos últimos dias e
foi apenas comunicada ao público ontem para evitar turbulência maior nos
mercados acionários. O anúncio também foi feito logo cedo nos EUA para que as
Bolsas de Valores na Ásia tivessem tempo de digerir todos os detalhes.<BR></DIV>
<DIV>O comunicado oficial foi feito por Paulson e por James Lockhart, diretor da
agência federal que supervisiona empréstimos imobiliários, a FHFA (do nome em
inglês "Federal Housing Finance Agency"). Caberá a este a responsabilidade pelas
empresas enquanto elas estiverem sob o comando de interventores.<BR></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV>Em resumo, o pacote tem os seguintes itens principais:<BR>1) intervenção:
desde ontem as duas empresas estão sob o controle de dois interventores federais
por tempo indeterminado. Herb Allison responderá pela Fannie Mae e David Moffett
pela Freddie Mac;<BR></DIV>
<DIV>2) demissão: foram afastados os executivos Richard Syron e Daniel Mudd, da
Freddie Mac e da Fannie Mae, respectivamente. Eles aceitaram colaborar com a
transição e devem, em tese, ajudar os interventores na fase inicial do processo
de saneamento. Ambos receberão normalmente as indenizações previstas em seus
contratos (Syron deve embolsar até US$ 15 milhões; Mudd, cerca de US$ 14
milhões);<BR></DIV>
<DIV>3) funcionamento: as duas empresas abrem hoje normalmente;<BR></DIV>
<DIV>4) dividendos: serão suspensos os pagamentos de dividendos para todas as
ações preferenciais e ordinárias. Essa medida deve dar uma economia de US$ 2
bilhões por ano para as duas empresas;<BR></DIV>
<DIV>5) saneamento: para assegurar que as empresas não fiquem sem dinheiro na
fase inicial, o Tesouro comprará US$ 1 bilhão de ações preferenciais de cada uma
delas, imediatamente;<BR></DIV>
<DIV>6) novo modelo: o secretário Paulson deseja remodelar o sistema de títulos
do setor imobiliário. O objetivo será evitar a concentração que ocorreu nos
últimos dois anos. Durante a intervenção, deve ser reduzida à força a hegemonia
das empresas, fator apontado como um dos principais para o descontrole do
mercado.</DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV></FONT></STRONG> </DIV></BODY></HTML>