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..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV id=data><A>Sexta-Feira, 05 de Setembro de 2008</A></DIV></DIV>
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<P class=chapeu>DEBATE ABERTO</P>
<P class=titulo>Pós-neoliberalismo na América Latina </P>
<P class=linhafina>A luta contra o neoliberalismo na América Latina depende de
que os governos atuais consigam eleger seus sucessores, mas, principalmente, que
dêem passos efetivos para sair do modelo neoliberal, promovendo a prioridade do
social contra a do ajuste financeiro e consolidando os avanços dos processos de
integração continental.</P>
<P class=headline-link>Emir Sader</P>
<P class=texto>A luta contra o neoliberalismo já tem história na América Latina.
No mesmo ano, 1994, em que os EUA, o Canadá e o México assinavam o Tratado de
Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e FHC ganhava as eleições no Brasil,
os zapatistas faziam sua rebelião em Chiapas e lançavam um grito pela luta
contra o neoliberalismo, a economia mexicana sofria a primeira crise do novo
modelo, tendo que ser imediatamente atendida por um empréstimo gigante por parte
de Washington. Já se podia ver que o novo modelo tinha fôlego curto.
<BR><BR>Quatro anos depois, Hugo Chávez era eleito presidente da Venezuela,
prometendo combater o modelo dominante, em Seattle explodiria um ano depois a
rebelião popular contra a OMC e dois anos mais se organizaria o primeiro Fórum
Social Mundial. A série de eleições de presidentes latino-americanos eleitos
como rejeição dos governos ortodoxamente neoliberais - casos de Menem, FHC,
Lacalle, Sanchez de Losada, Lucio Gutierrez, entre outros - mudou a fisionomia
política da região, gerando a maior quantidade simultânea de presidentes
progressistas que o continente havia conhecido.<BR><BR>Processos novos de
integração surgiram e antigos foram retomadas e ampliados, gerando o único
espaço mundial de integração relativamente autônomo em relação aos EUA, enquanto
governos davam passos claros de construção de modelos pos-neoliberais e outros
flexibilizavam o modelo herdado. <BR><BR>Pega de surpresa pela tônica nas
políticas sociais - vítimas privilegiadas dos governos neoliberais - que os
novos líderes acenavam, a direita passou à defensiva. Órfã de um poder imperial,
carente de políticas para o continente, retrocedeu para reagrupar-se na defesa
de seus espaços estratégicos. Defesa da imprensa privada como seu espaço
estratégico, porque dali poderiam dirigir política e ideologicamente as forças
opositoras, bancos centrais independentes, defesa contra reforma agrária que
afeta o poder sobre a terra, luta contra políticas tributárias que recortem seus
lucros com ações redistributivas, resistência contra qualquer forma de regulação
estatal, contra qualquer forma de fortalecimento do Estado - tais pontos
passaram a ser a plataforma da direita, uma plataforma basicamente defensiva das
imensas conquistas que havia logrado com os governos neoliberais.<BR><BR>Como
não constitui um projeto alternativo de governo - a campanha de Alckmin
demonstrou como sua proposta é de restauração da ortodoxia neoliberal apenas -,
não aparece como inovação, apenas tenta bloquear a capacidade de governar dos
presidentes atuais e diminuir os efeitos altamente populares das políticas
sociais. <BR><BR>Depois da derrota de Chávez no referendo de novembro passado, e
da derrota de Cristina Kirchner na tentativa de elevar os impostos sobre
exportação agrícola neste ano, o triunfo espetacular de Evo Morales no referendo
boliviano, a vitória eleitoral de Fernando Lugo, a perspectiva de triunfo de
Maurício Funes, da Frente Farabundo Marti nas eleições presidenciais de março em
El Salvador, o apoio popular acima de 70% de Lula, os avanços da nova
constituinte no Equador, com perspectivas de alta aprovação no referendo
popular, abrem nova etapa na luta contra o neoliberalismo no continente.
<BR><BR>Essa luta dependerá de que os governos atuais consigam eleger seus
sucessores, mas, principalmente, que dêem passos efetivos para sair do modelo
neoliberal - promovendo a prioridade do social contra a do ajuste financeiro - e
consolidando os avanços dos processos de integração continental. Disso depende o
futuro do continente ao longo de toda a primeira metade do novo século - um
futuro pós-neoliberal, baseado na solidariedade e no humanismo, superando as
políticas fundadas no dinheiro, nas armas e no monopólio da palavra.
<BR><BR><I>Artigo publicado originalmente no Correio Braziliense
</I><BR><BR></P><BR>
<P class=linha-fina>Emir Sader é professor da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (Uerj), coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e
autor, entre outros, de “A vingança da História".</P></DIV></BODY></HTML>