<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=windows-1252">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV> </DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
<DIV>
<DIV id=conteudo-box-texto><FONT face=Arial size=2>
<DIV id=logo> </DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV><A
href="http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1"
target=_top><IMG height=65
src="http://www.cartamaior.com.br/templates/imagens/globe_rodando_172x65.gif"
width=172 border=0></A></DIV>
<DIV id=banner><!-- <a href="http://www.pa.gov.br" target="_blank"><img src="http://www.cartamaior.com.br/arquivosCartaMaior/FOTO/43/foto_mat_21384.gif" border=0></a> -->
<SCRIPT language=JavaScript>
hoje = new Date()
numero_de_links = 3
segundos = hoje.getSeconds()
numero = segundos % numero_de_links
if (numero == 0)
document.write('<a href="http://www.pa.gov.br" target="_blank"><img src="http://www.cartamaior.com.br/arquivosCartaMaior/FOTO/43/foto_mat_21384.gif" border=0></a>')
else if (numero == 1)
document.write('<OBJECT classid=clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,0,0" WIDTH="468" HEIGHT="60" id="banner_full" ALIGN=""><PARAM NAME=movie VALUE="BA468x60-2.swf"> <PARAM NAME=quality VALUE=high> <PARAM NAME=bgcolor VALUE=#FFFFFF> <EMBED src="BA468x60-2.swf" quality=high bgcolor=#FFFFFF WIDTH="468" HEIGHT="60" NAME="banner_full" ALIGN="" TYPE="application/x-shockwave-flash" PLUGINSPAGE="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer"></EMBED></OBJECT>')
else
document.write('<OBJECT classid=clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,0,0" WIDTH="468" HEIGHT="60" id="banner_full" ALIGN=""><PARAM NAME=movie VALUE="BA468x60.swf"> <PARAM NAME=quality VALUE=high> <PARAM NAME=bgcolor VALUE=#FFFFFF> <EMBED src="BA468x60.swf" quality=high bgcolor=#FFFFFF WIDTH="468" HEIGHT="60" NAME="banner_full" ALIGN="" TYPE="application/x-shockwave-flash" PLUGINSPAGE="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer"></EMBED></OBJECT>')
</SCRIPT>
</EMBED></DIV>
<DIV id=data><A>Sexta-Feira, 05 de Setembro de 2008</A></DIV></FONT></DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV><IMG
src="http://200.169.228.51/arquivosCartaMaior/FOTO/45/foto_mat_21793.jpg">
<P class=chapeu>ASSASSINADO PELA DITADURA</P>
<P class=titulo>Justiça para Luiz Eduardo Merlino</P>
<P class=linhafina>No dia 19 de julho de 1971, o jornalista Luiz Eduardo Merlino
foi assassinado após uma sessão de torturas na sede do DOI-Codi paulista,
comandado pelo então major Brilhante Ustra, que escondia sua identidade dos
prisioneiros e se apresentava como o “major Tibiriçá” para não ser identificado.
</P>
<P class=headline-link>Antônio Augusto*</P>
<P class=texto>Nesta terça, 19 de agosto, o desembargador Hamilton Elliot Akel,
do Tribunal de Justiça de São Paulo, se pronuncia sobre o recurso dos advogados
do coronel Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi paulista, contra a ação
que visa responsabilizar o militar pelas torturas e assassinato do jornalista
Luiz Eduardo Merlino, ocorrido em 19 de julho de 1971. Os outros dois
desembargadores afeitos ao caso já externaram suas decisões: Luiz Antonio de
Godoy manifestou-se favorável a Ustra e Carlos Augusto de Santi Ribeiro, contra.
<BR><BR>Antes, ao acolher a ação movida por Regina Merlino e a historiadora
Ângela Mendes de Almeida, respectivamente, irmã e ex-companheira do jornalista,
o juiz Carlos Henrique Abrão considerou que "o assunto não trata de privilégio
decorrente da lei de anistia, mas disciplina ação de natureza
imprescritível".<BR><BR>Ao morrer, Merlino tinha 23 anos incompletos. Apesar da
juventude, devido ao seu talento, já era muito conhecido no meio jornalístico de
São Paulo. Trabalhou na <I>Folha da Tarde</I>, no <I>Jornal da Tarde</I>, esteve
entre os fundadores do <I>Amanhã</I>, um dos criativos e democráticos jornais
dirigidos por Raimundo Rodrigues Pereira.<BR><BR>Luiz Eduardo, quando ainda
secundarista, já começara a se interessar por política e participara do Centro
Popular de Cultura (CPC) animado pela UNE. Ao ser preso, era militante do
Partido Operário Comunista (POC), um pequeno agrupamento integrante da
resistência democrática ao regime ditatorial.<BR><BR><B>O massacre de Merlino:
“Ou cortavam suas pernas ou morria. Deixa morrer”</B><BR>Merlino foi capturado
sem ordem judicial - claro, na ditadura inexistiam quaisquer garantias
individuais e legais, ainda mais nos anos de chumbo de Médici - na casa de sua
mãe, em Santos, no dia 15 de julho de 1971, quando já passava das 21h. A mãe, a
irmã Regina e uma tia assistiram à prisão. Dali foi levado para a capital do
estado, rumo ao inferno da Rua Tutóia, sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo
então major Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se apresentava
como o “major Tibiriçá” para não ser identificado.<BR><BR>Segundo o registro do
livro “Direito à Memória e à Verdade”, editado pela Comissão Especial sobre
Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada à Secretaria Especial de Direitos
Humanos, da Presidência da República, Merlino recebeu logo o tratamento.habitual
do DOI-Codi: “<I>foi barbaramente torturado por 24 horas ininterruptas e
abandonado numa solitária, a chamada cela forte, ou xis-zero</I>”. Havia três
turmas de tortura na rotina do DOI-Codi, elas se revezavam a cada 8 horas para
garantir a permanência das torturas durante todo o dia.e toda a
noite.<BR><BR>Guido Rocha, um preso político também estraçalhado fisicamente
pelas torturas, já se encontrava na “cela forte” quando jogaram Merlino lá. Uma
das últimas pessoas a vê-lo com vida, Guido deu depoimento gravado ao jornalista
Bernardo Kucinski a respeito do que presenciou: <BR><BR><I>“Eu também estava
arrebentado, então eles não se importaram comigo e trouxeram ele para minha cela
para fazer o teste de reflexo. Vieram, fizeram o teste de reflexo no joelho e
não tinha resposta nenhuma.”</I><BR><BR><I>“Depois que fecharam a porta Merlino
começou a piorar muito, logo em seguida. À noite começou a se sentir mal, estava
bem pior. Eu não me lembro dele ter comido nem uma vez... porque ele tentava
comer e vomitava sangue. Aí ele começou a mudar, a ficar nervoso, falou que
estava piorando... vomitou sangue outra vez. Eu tentei acalmá-lo. Ele pediu que
eu o colocasse sentado. Merlino nunca ficou em pé desde o primeiro dia. Para ir
a privada precisava carregar ele. Eu e um guarda. Bem, eu tentei acalmá-lo,
comecei a dizer a ele para respirar fundo, fazer a respiração de ioga, manter um
pouco de calma. Mas ele ficou muito nervoso e falou: ‘chama o enfermeiro rápido
que eu estou muito mal, a dormência está subindo, está nas duas pernas e nos
braços também’. Aí eu bati na porta com força e gritei e vieram o enfermeiro e
alguns torturadores, policiais, os mesmos que já haviam me torturado e torturado
a ele também. Vieram e o levaram”.</I><BR><BR><I>“Nunca mais eu vi
ele”</I>.<BR><BR>Guido Rocha tempos depois iria para o Presídio de Linhares.
“<I>Eu dei o nome a minha cela de Luiz Eduardo Merlino; era hábito nosso, os
presos políticos, dar o nome à sua cela de um companheiro que tinha sido
assassinado pela repressão</I>”, ele conta.<BR><BR><B>A herança de
Merlino</B><BR>O escritor, historiador e professor Joel Rufino dos Santos,
ex-preso político, amigo de Merlino, relata outro fato terrível:
<BR><BR><I>“1973. Um torturador da Operação Bandeirante [organismo da repressão
que antecedeu o DOI-Codi, também comandado por Brilhante Ustra], Oberdan, cismou
de falar comigo sobre Merlino. Não morreu como vocês pensam. Foi para o hospital
passando mal. Telefonaram de lá para dizer que ou cortavam suas pernas ou
morria. Fizemos uma votação. Ganhou deixar morrer. Eu era contra. Estou contando
porque sei que vocês eram amigos”. </I><BR><BR>Um dos livros de Joel Rufino é
dedicado à memória de Merlino.<BR><BR>O escritor e jornalista Renato Pompeu
recorda, além da inteligência, a “inusitada” maturidade política de Merlino para
alguém tão jovem.<BR><BR>Michael Löwy, um intelectual de grande reconhecimento
internacional, foi companheiro de Merlino. Dá um testemunho emocionado sobre
ele: “<I>É destas pessoas que ficam para sempre gravadas na memória de quem as
conheceu, por mais que passem os anos. O que o levou a tomar a decisão que
tomou, e lhe custou a vida, foi simplesmente um sentimento de dever, uma ética,
um compromisso com os companheiros de luta. É por isto que a memória dele
continua tão viva e presente, não só no Brasil, mas também na França e em outros
países em que se conheceu sua história. A herança que ele nos deixa é a de
seguir lutando, para que nunca mais o Brasil conheça a opressão, a violência
policial, a tortura”</I>.<BR><BR>A crueldade contra Merlino se estendeu à sua
família. O DOI-Codi inventou um suicídio fantasioso, historinha costumeira dos
torturadores, relatado à sua mãe, Iracema. O prisioneiro teria se jogado embaixo
de um carro, na BR-116, em Jacupiranga. Dois médicos legistas a serviço da
ditadura, Isaac Abramovitc e Abeylard Orsini, assinaram o laudo para tentar
justificar a farsa. A família não acreditou em nenhum momento. <BR><BR>A
sobrinha de Merlino, a jornalista Tatiana Merlino, descreveu em artigo recente,
no <I>Brasil de Fato</I>, como os fatos se passaram:<BR><BR><I>“Como o corpo não
foi entregue, dois tios e o cunhado de Merlino, Adalberto Dias de Almeida, então
delegado de polícia, foram ao IML de São Paulo. O diretor do Instituto negou que
o corpo estivesse ali, mas usando do fato de ser delegado, o cunhado burlou a
vigilância e foi em busca do corpo de Merlino. Encontrou-o com marcas de tortura
em uma gaveta sem identificação. O corpo do jornalista foi entregue à família
num caixão fechado".</I><BR><BR>Jornalistas amigos de Merlino foram até
Jacupiranga e não encontraram nenhum sinal do suposto atropelamento ou outro
acidente de trânsito ocorrido naquele ponto, no dia indicado. O veículo que o
teria atropelado nunca foi identificado nem foi feita ocorrência no local do
fato.<BR><BR><B>Reparação é para o Brasil</B><BR><BR>Impedida de noticiar a
morte de Merlino, somente mais de um mês depois, o jornal <I>O Estado de
S.Paulo</I> publicou um anúncio fúnebre: ‘<I>Os amigos e parentes do jornalista
Luiz Eduardo da Rocha Merlino convidam os jornalistas brasileiros e o povo em
geral para a missa de trigésimo dia de seu falecimento a realizar-se sábado
próximo, 28 de agosto, às 18:30 horas, na Catedral da Sé, em São Paulo’</I>.
Cerca de 770 jornalistas compareceram à missa. Na cerimônia, os mesmos três
homens que buscaram Merlino, em Santos, compareceram para dar ‘os pêsames’ à sua
mãe e irmã”.<BR><BR>Brilhante Ustra, o “major Tibiriçá”, com o mesmo cinismo que
diz não passarem de “lorotas” as denúncias de tortura no DOI-Codi da Rua Tutóia,
afirma na sua defesa que o laudo “foi firmado por dois legistas, tem fé
pública”. <BR><BR>Quanto à ficção de suicídio, os advogados da família Merlino,
Fábio Konder Comparato e Aníbal Castro de Sousa, declaram: “<I>o réu não inovou,
pois já há muito tempo é de conhecimento público que, infelizmente, os órgãos de
repressão detinham absoluto controle do IML (Instituto Médico Legal) e
‘construíam’ versões absurdas para a causa mortis de suas vítimas. A história
está a confirmar que a alegação de suicídio era a farsa preferida pela
repressão, vide o caso emblemático do jornalista Vladimir Herzog”</I>.<BR><BR>A
necessidade de que se faça justiça não é só da família de Merlino. Corresponde
aos interesses dos brasileiros e do fortalecimento da democracia. Tatiana
Merlino, na sua matéria já citada, mostrou o que está em jogo:<BR><BR>“ ‘O
objetivo da iniciativa é o reconhecimento por parte da Justiça da
responsabilidade de Ustra na tortura e morte de meu irmão’, afirma Regina.
‘Estou movendo essa ação por mim e pela minha mãe, que faleceu, em 1995, sem que
a verdade viesse à tona’, explica.<BR><BR>De acordo com Angela, ‘o fim da
impunidade começa com a memória e o restabelecimento da verdade. A tortura na
ditadura era uma política do Estado brasileiro, mas seus executores têm nome’,
salienta”.<BR><BR><I>* Antônio Augusto é
jornalista</I><BR></P></DIV></DIV></BODY></HTML>