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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman"
size=6><SPAN class=noticiatitulo><IMG alt="" hspace=0
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=+0><SPAN
class=noticiatitulo>sábado, 30 de agosto de 2008</SPAN></FONT></P>
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman"
size=6><SPAN class=noticiatitulo>Neoliberalismo e cultura</SPAN></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman"><SPAN class=noticiatitulo></SPAN><BR><SPAN
class=noticiaautor>Frei Betto *</SPAN><o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman"><SPAN class=noticiacidade></SPAN><SPAN
class=noticiatexto><o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman"> O neoliberalismo não visa a destruir apenas as
instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato,
movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade
reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura
sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera como mero consumidor.
Estende-se, portanto, também à esfera cultural. <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Um dos avanços da modernidade
foi, com o advento da democracia, reconhecer a pessoa como sujeito político.
Este passou a ter, além de deveres, direitos. Dotado de consciência crítica,
livrou-se da condição de servo cego e dócil às ordens de seu senhor,
consciente de que autoridade não é sinônimo de verdade, nem poder de
razão.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman"> Agora, busca-se destituir a pessoa de sua condição
de sujeito. O protótipo do cidadão neoliberal é <st1:PersonName
ProductID="o que se" w:st="on">o que se</st1:PersonName> demite de qualquer
pensamento crítico e, sobretudo, de participar de instâncias comunitárias. E
para essa cultura da demissão voluntária contribui, de modo especial, a TV.
<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Em si, a TV é poderoso
instrumento de formação e informação. Mas pode facilmente ser convertido em
mecanismo de deformação e desinformação, sobretudo se atrelada à máquina
publicitária que rege o mercado. Assim, a própria TV torna-se um produto a ser
consumido e, portanto, centrado no aumento dos índices de
audiência.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Para isso, recorre-se a
todo tipo de apelação, desde que os <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>espectadores sintam-se hipnotizados pelas imagens.
O problema é que a janela eletrônica está aberta para dentro do núcleo familiar.
É ali que ela despeja a profusão de imagens e atinge indistintamente adultos e
crianças, sem o menor escrúpulo quanto ao universo de valores da
família.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Se a TV transmitisse cultura
- tudo aquilo que aprimora a nossa consciência e o nosso espírito -, ela seria o
mais poderoso veículo de educação. É verdade, não deixa de fazê-lo, mas a regra
geral não são os programas de densidade cultural, e sim o mero
entretenimento - distrai, diverte e, sobretudo, abre a caixa de Pandora de
nossos desejos inconfessáveis. A imagem que "diz" o que não ousamos
pronunciar.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Ao superar o diálogo entre
pais e filhos e impor-se como interlocutora hegemônica dentro do núcleo
familiar, a TV altera as referências simbólicas fundamentais do psiquismo
infantil. É pelo falar que uma geração transmite a outra crenças, valores, nomes
próprios, mega-relatos, genealogias, ritos, relações sociais etc. Transmite a
própria aptidão humana de uso da palavra, através do qual se tece a nossa
subjetividade e a nossa identidade. É essa interação, propiciada pelo diálogo
oral, cara a cara, que nos educa às relações de alteridade, faz-nos reconhecer o
eu diante do Outro, bem como as múltiplas conexões que ligam um ao outro,
como emoções, imagens provocadas por gestos, expressões faciais carregadas de
sentimentos etc.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> A fala ou o diálogo demarcam
referências fundamentais ao nosso equilíbrio psíquico, como a identificação do
tempo (agora) e do espaço (aqui), e dos limites do meu ser em relação aos
demais. Se a fala reduz-se a uma enxurrada de imagens que visam a exacerbar os
sentidos, as referências simbólicas da criança correm perigo. Ela tende à
dificuldade de construir seu universo simbólico, não adquirindo sensos de
temporalidade e historicidade. Tudo se reduz ao "aqui e agora", à
simultaneidade. A própria tecnologia que abrange distâncias em tempo real -
Internet, <st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>efone celular etc. -
favorece uma sensação de ubiqüidade: "eu não estou em nenhum lugar porque estou
em todos".<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Muitos <st1:PersonName
w:st="on">professor</st1:PersonName>es se queixam de que os alunos não são tão
atentos às aulas. Claro, o sonho deles seria poder mudar o <st1:PersonName
w:st="on">professor</st1:PersonName> de canal... Muitas crianças e jovens
demonstram dificuldade de se expressar porque não sabem ouvir. Possuem
raciocínio confuso, no qual a lógica derrapa frequentemente no aluvião de
sentimentos contraditórios. Acreditam, sobretudo, que são inventores da roda e,
portanto, pouco interessa o patrimônio cultural das gerações anteriores (o
financeiro sim, sem dúvida). <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Assim, a cultura perde
refinamento e profundidade, confina-se aos simulacros de talk-show, onde cada um
opina segundo sua reação imediata, sem reconhecimento da competência do Outro.
No caso da escola, este Outro é o <st1:PersonName
w:st="on">professor</st1:PersonName>, visto não só como destituído de
autoridade, mas sobretudo como quem abusa de seu poder e não admite que os
alunos o tratem de igual para igual... Ora, já que o <st1:PersonName
w:st="on">professor</st1:PersonName> não "escuta", então só há um meio de
fazê-lo ouvir: a violência. Pois foram educados pela TV, onde não há o
exercício da argumentação paciente, da construção elucidativa, do
aprimoramento do senso crítico. É o perde ou ganha incessante, e quase sempre à
base da coação.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Assim, cai-se numa educação
qualificada por Jean-Claude Michéa de "dissolução da lógica". Deixa-se de
distinguir o prioritário do secundário, de perceber o texto em seu contexto, de
abranger o particular no pano de fundo do geral, para acatar passivamente as
pressões de consumo que buscam transformar valores éticos em meros valores
pecuniários, ou seja, tudo é mercadoria, e é o seu preço que imprime, a quem a
possui, determinado valor social, ainda que destituído de caráter.
<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> Demite-se do ato de pensar,
refletir, criticar e, sobretudo, participar do projeto de transformar a
realidade. Tudo passa a uma questão de conveniência, gosto pessoal, simpatia.
Também são considerados comercializáveis a biodiversidade, a defesa do meio
ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados
de crianças etc.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"> É o apogeu do capitalismo
total, capaz de mercantilizar até mesmo o nosso
imaginário.<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman"><SPAN class=noticiaautor>* Frei dominicano.
Escritor</SPAN><o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P></FONT></DIV></BODY></HTML>