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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> <o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">----- Original Message -----
<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="BACKGROUND: #e4e4e4; MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial">From:</SPAN></B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"> <A title=sepechagas@yahoo.com.br
href="mailto:sepechagas@yahoo.com.br">Fábio Chagas</A> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p> </o:p></P>
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<P class=chapeu style="MARGIN: auto 0cm"><!--~-|**|PrettyHtmlStartT|**|-~--><!--~-|**|PrettyHtmlEndT|**|-~-->ASSASSINADO
PELA DITADURA <o:p></o:p></P>
<P class=titulo style="MARGIN: auto 0cm">Justiça para Luiz Eduardo Merlino
<o:p></o:p></P>
<P class=linhafina style="MARGIN: auto 0cm">No dia 19 de julho de 1971, o
<st1:PersonName ProductID="jornalista Luiz" w:st="on">jornalista
Luiz</st1:PersonName> Eduardo Merlino foi assassinado após uma sessão de
torturas na sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo então major
Brilhante Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se
apresentava como o “major Tibiriçá” para não ser identificado.
<o:p></o:p></P>
<P class=headline-link style="MARGIN: auto 0cm">Antônio Augusto*
<o:p></o:p></P>
<P class=texto style="MARGIN: auto 0cm 12pt">Nesta terça, 19 de agosto, o
desembargador Hamilton Elliot Akel, do Tribunal de Justiça de São
<st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, se pronuncia sobre o
recurso dos advogados do coronel Brilhante Ustra, ex-comandante do
DOI-Codi paulista, contra a ação que visa responsabilizar o militar pelas
torturas e assassinato do <st1:PersonName ProductID="jornalista Luiz"
w:st="on">jornalista Luiz</st1:PersonName> Eduardo Merlino, ocorrido em 19
de julho de 1971. Os outros dois desembargadores afeitos ao caso já
externaram suas decisões: Luiz Antonio de Godoy manifestou-se favorável a
Ustra e Carlos Augusto de Santi Ribeiro, contra. <BR><BR>Antes, ao acolher
a ação movida por Regina Merlino e a historiadora Ângela Mendes de
Almeida, respectivamente, irmã e ex-companheira do jornalista, o juiz
Carlos Henrique Abrão considerou que "o assunto não trata de privilégio
decorrente da lei de anistia, mas disciplina ação de natureza
imprescritível"<WBR>.<BR><BR>Ao morrer, Merlino tinha 23 anos incompletos.
Apesar da juventude, devido ao seu talento, já era muito conhecido no meio
jornalístico de São <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>.
Trabalhou na <I>Folha da Tarde</I>, no <I>Jornal da Tarde</I>, esteve
entre os fundadores do <I>Amanhã</I>, um dos criativos e democráticos
jornais dirigidos por <st1:PersonName w:st="on">Raimundo</st1:PersonName>
Rodrigues Pereira.<BR><BR>Luiz Eduardo, quando ainda secundarista, já
começara a se interessar por política e participara do Centro Popular de
Cultura (CPC) animado pela UNE. Ao ser preso, era militante do Partido
Operário Comunista (POC), um pequeno agrupamento integrante da resistência
democrática ao regime ditatorial.<BR><BR><B>O massacre de Merlino: “Ou
cortavam suas pernas ou morria. Deixa morrer”</B><BR>Merlino foi capturado
sem ordem judicial - claro, na ditadura inexistiam quaisquer garantias
individuais e legais, ainda mais nos anos de chumbo de Médici - na casa de
sua mãe, em Santos, no dia 15 de julho de 1971, quando já passava das 21h.
A mãe, a irmã Regina e uma tia assistiram à prisão. Dali foi levado para a
capital do estado, rumo ao inferno da Rua Tutóia, sede do DOI-Codi
paulista, comandado pelo então major Ustra, que escondia sua identidade
dos prisioneiros e se apresentava como o “major Tibiriçá” para não ser
identificado.<BR><BR>Segundo o registro do livro “Direito à Memória e à
Verdade”, editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos
Políticos, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos, da
Presidência da República, Merlino recebeu logo o tratamento.habitual do
DOI-Codi: “<I>foi barbaramente torturado por 24 horas ininterruptas e
abandonado numa solitária, a chamada cela forte, ou xis-zero</I>”. Havia
três turmas de tortura na rotina do DOI-Codi, elas se revezavam a cada 8
horas para garantir a permanência das torturas durante todo o dia.e toda a
noite.<BR><BR>Guido Rocha, um preso político também estraçalhado
fisicamente pelas torturas, já se encontrava na “cela forte” quando
jogaram Merlino lá. Uma das últimas pessoas a vê-lo com vida, Guido deu
depoimento gravado ao jornalista Bernardo Kucinski a respeito do que
presenciou: <BR><BR><I>“Eu também estava arrebentado, então eles não se
importaram comigo e trouxeram ele para minha cela para fazer o teste de
reflexo. Vieram, fizeram o teste de reflexo no joelho e não tinha resposta
nenhuma.”</I><BR><BR><I>“Depois que fecharam a porta Merlino começou a
piorar muito, logo em seguida. À noite começou a se sentir mal, estava bem
pior. Eu não me lembro dele ter comido nem uma vez... porque ele tentava
comer e vomitava sangue. Aí ele começou a mudar, a ficar nervoso, falou
que estava piorando... vomitou sangue outra vez. Eu tentei acalmá-lo. Ele
pediu que eu o colocasse sentado. Merlino nunca ficou em pé desde o
primeiro dia. Para ir a privada precisava carregar ele. Eu e um guarda.
Bem, eu tentei acalmá-lo, comecei a dizer a ele para respirar fundo, fazer
a respiração de ioga, manter um pouco de calma. Mas ele ficou muito
nervoso e falou: ‘chama o enfermeiro rápido que eu estou muito mal, a
dormência está subindo, está nas duas pernas e nos braços também’. Aí eu
bati na porta com força e gritei e vieram o enfermeiro e alguns
torturadores, policiais, os mesmos que já haviam me torturado e torturado
a ele também. Vieram e o levaram”.</I><BR><BR><I>“Nunca mais eu vi
ele”</I>.<BR><BR>Guido Rocha tempos depois iria para o Presídio de
Linhares. “<I>Eu dei o nome a minha cela de Luiz Eduardo Merlino; era
hábito nosso, os presos políticos, dar o nome à sua cela de um companheiro
que tinha sido assassinado pela repressão</I>”, ele conta.<BR><BR><B>A
herança de Merlino</B><BR>O escritor, historiador e <st1:PersonName
w:st="on">professor</st1:PersonName> Joel Rufino dos Santos, ex-preso
político, amigo de Merlino, relata outro fato terrível: <BR><BR><I>“1973.
Um torturador da Operação Bandeirante [organismo da repressão que
antecedeu o DOI-Codi, também comandado por Brilhante Ustra], Oberdan,
cismou de falar comigo sobre Merlino. Não morreu como vocês pensam. Foi
para o hospital passando mal. Telefonaram de lá para dizer que ou cortavam
suas pernas ou morria. Fizemos uma votação. Ganhou deixar morrer. Eu era
contra. Estou contando porque sei que vocês eram amigos”. </I><BR><BR>Um
dos livros de Joel Rufino é dedicado à memória de Merlino.<BR><BR>O
escritor e jornalista Renato Pompeu recorda, além da in<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>igência, a “inusitada” maturidade política
de Merlino para alguém tão jovem.<BR><BR>Michael Löwy, um
in<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>ectual de grande
reconhecimento internacional, foi companheiro de Merlino. Dá um testemunho
emocionado sobre ele: “<I>É destas pessoas que ficam para sempre gravadas
na memória de quem as conheceu, por mais que passem os anos.
<st1:PersonName ProductID="O que o" w:st="on">O que o</st1:PersonName>
levou a tomar a decisão que tomou, e lhe custou a vida, foi simplesmente
um sentimento de dever, uma ética, um compromisso com os companheiros de
luta. É por isto que a memória dele continua tão viva e presente, não só
no Brasil, mas também na França e em outros países em que se conheceu sua
história. A herança que ele nos deixa é a de seguir lutando, para que
nunca mais <st1:PersonName ProductID="o Brasil" w:st="on">o
Brasil</st1:PersonName> conheça a opressão, a violência policial, a
tortura”</I>.<BR><BR>A crueldade contra Merlino se estendeu à sua família.
O DOI-Codi inventou um suicídio fantasioso, historinha costumeira dos
torturadores, relatado à sua mãe, Iracema. O prisioneiro teria se jogado
embaixo de um carro, na BR-116, em Jacupiranga. Dois médicos legistas a
serviço da ditadura, Isaac Abramovitc e Abeylard Orsini, assinaram o laudo
para tentar justificar a farsa. A família não acreditou <st1:PersonName
ProductID="em nenhum momento. A" w:st="on">em nenhum momento.
<BR><BR>A</st1:PersonName> sobrinha de Merlino, a jornalista Tatiana
Merlino, descreveu em artigo recente, no <I>Brasil de Fato</I>, como os
fatos se passaram:<BR><BR><I>“Como o corpo não foi entregue, dois tios e o
cunhado de Merlino, Adalberto Dias de Almeida, então delegado de polícia,
foram ao IML de São <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>. O
diretor do Instituto negou que o corpo estivesse ali, mas usando do fato
de ser delegado, o cunhado burlou a vigilância e foi em busca do corpo de
Merlino. Encontrou-o com marcas de tortura em uma gaveta sem
identificação. O corpo do jornalista foi entregue à família num caixão
fechado".</I><BR><BR>Jornalistas amigos de Merlino foram até Jacupiranga e
não encontraram nenhum sinal do suposto atropelamento ou outro acidente de
trânsito ocorrido naquele ponto, no dia indicado. O veículo que o teria
atropelado nunca foi identificado nem foi feita ocorrência no local do
fato.<BR><BR><B>Reparação é para o Brasil</B><BR><BR>Impedida de noticiar
a morte de Merlino, somente mais de um mês depois, o jornal <I>O Estado de
S.<st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName></I> publicou um anúncio
fúnebre: ‘<I>Os amigos e parentes do <st1:PersonName
ProductID="jornalista Luiz" w:st="on">jornalista Luiz</st1:PersonName>
Eduardo da Rocha Merlino convidam os jornalistas brasileiros e o povo em
geral para a missa de trigésimo dia de seu falecimento a realizar-se
sábado próximo, 28 de agosto, às 18:30 horas, na Catedral da Sé, em São
<st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>’</I>. Cerca de 770
jornalistas compareceram à missa. Na cerimônia, os mesmos três homens que
buscaram Merlino, em Santos, compareceram para dar ‘os pêsames’ à sua mãe
e irmã”.<BR><BR>Brilhante Ustra, o “major Tibiriçá”, com o mesmo cinismo
que diz não passarem de “lorotas” as denúncias de tortura no DOI-Codi da
Rua Tutóia, afirma na sua defesa que o laudo “foi firmado por dois
legistas, tem fé pública”. <BR><BR>Quanto à ficção de suicídio, os
advogados da família Merlino, Fábio Konder Comparato e Aníbal Castro de
Sousa, declaram: “<I>o réu não inovou, pois já há muito tempo é de
conhecimento público que, infelizmente, os órgãos de repressão detinham
absoluto controle do IML (Instituto Médico Legal) e ‘construíam’ versões
absurdas para a causa mortis de suas vítimas. A história está a confirmar
que a alegação de suicídio era a farsa preferida pela repressão, vide o
caso emblemático do jornalista Vladimir Herzog”</I>.<BR><BR>A necessidade
de que se faça justiça não é só da família de Merlino. Corresponde aos
interesses dos brasileiros e do fortalecimento da democracia. Tatiana
Merlino, na sua matéria já citada, mostrou o que está em jogo:<BR><BR>“ ‘O
objetivo da iniciativa é o reconhecimento por parte da Justiça da
responsabilidade de Ustra na tortura e morte de meu irmão’, afirma Regina.
‘Estou movendo essa ação por mim e pela minha mãe, que faleceu, em 1995,
sem que a verdade viesse à tona’, explica.<BR><BR>De acordo com Angela, ‘o
fim da impunidade começa com a memória e o restabelecimento da verdade. A
tortura na ditadura era uma política do Estado brasileiro, mas seus
executores têm nome’, salienta”.<BR><BR><I>* Antônio Augusto é
jornalista</I><SPAN
style="COLOR: red; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="BACKGROUND: white; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><STRONG><SPAN
lang=PT
style="COLOR: #ff4040; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial; mso-ansi-language: PT">“A
única luta que se perde é aquela que se abandona” (Madres de la Plaza de
Mayo)</SPAN></STRONG><SPAN
style="COLOR: red; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p></o:p></SPAN></P></TD></TR></TBODY></TABLE>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><BR><BR><BR><BR
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><IMG height=1
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