From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 1 12:36:00 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 1 Jan 2012 12:36:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Assis_Valente=2C_100_anos__-__78_?= =?iso-8859-1?q?RPM_-_Culturabrasil_-_o_portal_de_m=FAsica_brasilei?= =?iso-8859-1?q?ra=2E_______________HOJE_=C9_DOMINGO!__MUSICAS!?= Message-ID: <0A569AD9AE884FAD9F8F205A1CA2B1AD@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Culturabrasil - portal de música brasileira. Assis Valente, 100 anos - 78 RPM, em duas partes, com vários intérpretes : Carmen Miranda, Carmélia Alves, Carlos Galhardo, Francisco Alves, Aurora Miranda, Aracy de Almeida, Aracy Cortes, Orlando Silva, com músicas das décadas de 30, 40 50. Vale a pena ouvir as composições de Assis Valente. clique http://www.culturabrasil.com.br/programas/78rpm/arquivo/assis-valente-100-anos-3 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120101/6db508e1/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120101/6db508e1/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 1 12:36:10 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 1 Jan 2012 12:36:10 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_A_lista_dos_acusados_de_tortura_-_Revi?= =?utf-8?q?sta_de_Hist=C3=B3ria?= Message-ID: <59375D3942634F53AEA6E576E8A9C44C@vcaixe> FacebookCarta O Berro.........................................................repassem Rubens Leite posted in Brasil (Ditadura): Nunca Mais. Rubens Leite A lista dos acusados de tortura - Revista de História www.revistadehistoria.com.br Dos papéis de Luiz Carlos Prestes consta um relatório do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120101/0b36dba1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 3 19:42:45 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 3 Jan 2012 19:42:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_EUA_liberam_documentos_sobre_roub?= =?iso-8859-1?q?o_de_crian=E7as_na_ditadura?= Message-ID: <4E1985A509B640E7BAE5C86650F286C7@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem EUA liberam documentos sobre roubo de crianças na ditadura argentina Embaixada dos EUA na Argentina entregou importante documentação à associação das Avós da Praça de Maio, criada para investigar o paradeiro das crianças roubadas como "botim de guerra" durante a ditadura. Estas crianças foram registradas como filhos próprios pelos membros das forças de repressão, vendidos ou abandonados. Até hoje, a organização conseguiu recuperar a identidade de 103 dos 500 bebês que se acredita que tenham sido apropriados ilegalmente. Francisco Luque - Correspondente da Carta Maior em Buenos Aires A Embaixada dos Estados Unidos na Argentina entregou à organização "Abuelas de Plaza de Mayo" um importante documento sobre a apropriação de crianças durante a última ditadura militar. Através da Chancelaria argentina a representação norte americana pôs à disposição este material, que havia sido parcialmente aberto em 2002 e que, graças à gestão das abuelas, foram abertos três parágrafos inacessíveis até o momento. Este documento havia sido requerido como prova para o processo relativo ao "Plano Sistemático de apropriação de Crianças" pela ditadura, pois seu conteúdo é fundamental para provar a existência de uma política definida e organizada desde os altos comandos das forças armadas para que se levasse a cabo a apropriação de bebês de detidos desaparecidos. O conteúdo do documento se refere a uma comunicação entre o embaixador argentino à época, Lucio Alberto García de Solar e Elliott Abrams, funcionário da Secretaria de Estado desse país, realizada em 1982, em Washington, na qual informa que os desaparecidos estão mortos, mas que seus filhos foram entregues a outras famílias para serem criados e que a decisão do então presidente de fato Reynaldo Bignone era não revisar o tema nem devolver as crianças. A abertura desses documentos ocorre depois de, em maio deste ano, a Câmara de Deputados dos Estados Unidos ter rejeitado o pedido das avós para a abertura dos arquivos deste país sobre a última ditadura na Argentina. Naquela oportunidade, o presidente da Comissão de Inteligência da Câmara estadunidense, o democrata Maurice Hinchey se opôs à abertura dos arquivos, argumentando que "seria uma perda de tempo e de recursos para os organismos estadunidenses de espionagem, que necessitam concentrar esforços para desmantelar organizações como Al Qaeda". Estela de Carlotto, titular das Abuelas de Plaza de Mayo, qualificou de "agressivas" e "ofensivas" essas declarações e que a negativa impede "jogar luz sobre a desaparição de centenas de argentinos que foram roubados e nasceram em cativeiro". A associação civil Abuelas de Plaza de Mayo foi criada com o objetivo de investigar o paradeiro e reparar a memória e identidade das crianças roubadas como "botim de guerra" durante a ditadura. Estas crianças foram registradas como filhos próprios pelos membros das forças de repressão, deixados em qualquer lugar, vendidos ou abandonados em institutos como seres sem nome, NN. Dessa forma, sustentam as Abuelas, os fizeram desaparecer anulando sua identidade, privando-os de viver com sua legítima família, de todos seus direitos e de sua liberdade. Até hoje, a organização conseguiu recuperar a identidade de 103 dos 500 bebês que se acredita terem sido apropriados ilegalmente. A notícia da abertura do documento foi recebida com otimismo. Em um comunicado, as Abuelas celebraram o acesso a esta informação e agradeceram à Chancelaria argentina os mecanismos para obter os documentos, assim como também à embaixadora norte americana, Vilma Martínez, por sua boa disposição para levar adiante a abertura desses arquivos. Esperamos, diz o comunicado, que este seja o início da abertura de todos os documentos que estão nas mãos dos Estados Unidos da América, em particular das agências como a CIA e o FBI, para contribuir para o esclarecimento dos crimes de lesa humanidade ocorridos na Argentina. Tradução: Libório Júnior -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120103/affadaec/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12536 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120103/affadaec/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 3 19:42:53 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 3 Jan 2012 19:42:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Opera=E7=E3o_Condor=3A_as_marcas_d?= =?iso-8859-1?q?a_diplomacia_da_repress=E3o?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Operação Condor: as marcas da diplomacia da repressão Sobreviventes do centro clandestino Automotores Orletti, localizado em Buenos Aires, entregaram ao juiz argentino Norberto Oyarbide cópias de telex e cartas que provam o intercâmbio de informação (entre as ditaduras uruguaia e argentina) para identificar "subversivos". Os documentos fornecem uma radiografia muito clara das operações obscuras e ilegais praticadas pelas sedes diplomáticas uruguaias radicadas na Argentina. A reportagem é de Alejandra Dandan, do Página/12. Alejandra Dandan - Página/12 As caixas contêm documentos reservados da ditadura uruguaia, mensagens de telex trocadas entre os consulados uruguaios localizados na Argentina e o Consulado Geral em Buenos Aires, além do Ministério de Relações Exteriores do Uruguai. Os funcionários desses organismos perguntavam-se nas mensagens sobre o número de uruguaios radicados no país e qual poderia ser, por exemplo, o modo de saber quantos deles eram "subversivos". Os papeis que contêm nomes, listas de proscritos e comunicações sobre os voos ilegais entre os dois países voltam ao presente para fornecer uma radiografia muito clara das operações obscuras e ilegais praticadas pelas sedes diplomáticas uruguaias radicadas na Argentina. Os documentos foram apresentados por um grupo de sobreviventes uruguaios - encabeçados por Sergio López Burgos - ao juiz Norberto Oyarbide, encarregado da investigação do Plano Condor. Na apresentação, os uruguaios pediram para entrar na ação como querelantes, denunciaram mais de vinte diplomatas e pediram que se inicie uma investigação sobre essa linha diplomática. "As mensagens trocadas entre os consulados e as embaixadas mostram, por exemplo, como os funcionários pediam ajuda à Polícia Federal para detectar os 'elementos subversivos' que operavam na Argentina, disse López Burgos, uruguaio e sobrevivente do centro clandestino de Automotores Orletti e de um périplo de detenções no Uruguai. "Isso demonstra para nós que a diplomacia era uma fonte de informação e, ao mesmo tempo, uma armadilha. Ente nós, de alguma maneira, começamos a suspeitar disso e, por essa razão, passamos a evitar passar pela embaixada". Durante a ditadura militar no Uruguai - diz a denúncia apresentada pelas advogadas Mariana Neves e Elizabeth Victoria Gómez Alcorta -, "o Ministério de Relações Exteriores teve ativa participação no Plano Condor. Aquele órgão desempenhava, entre outras funções, a tarefa de investigar cidadãos uruguaios por solicitação de outros governos sem nenhuma decisão judicial. A partir de informações das agências de inteligência e dos comandos militares, se suspendeu e se negou a muitos cidadãos a documentação necessária para mover-se pelo mundo, conformando assim um ferrolho sobre os cidadãos uruguaios. Isso é, de alguma maneira, o que mostram as caixas de documentos que entregaram a Oyarbide, caixas estas que foram resgatadas depois de mais de um ano de trabalho nos arquivos da Chancelaria uruguaia. Entre os denunciados há, pelo menos, 25 diplomatas de primeiro e segunda linha, 13 militares e 12 civis. Um dos nomes mais conhecidos é o do ex-chanceler uruguaio Juan Carlos Blanco, até o momento o único processado e detido no uruguaio. Mas os arquivos também trazem denúncias contra os embaixadores uruguaios na Argentina: Gustavo Magariños (1975-1978) e Luis Posada Monterio (1978-1980). Também há seis ex-cônsules e ex-funcionários, entre eles Arisbel Arocha e Alberto Voss Rubio que ainda são embaixadores. A conexão diplomática também incluiu aqueles que operaram dois voos clandestinos que saíram de Buenos Aires para Montevidéu com os prisioneiros uruguaios que estavam sequestrados. A linha vermelha Um dos documentos mais eloquentes sobre a linha vermelha dos diplomatas é uma carta de 7 de dezembro de 1978, assinada pelo ministro conselheiro do Consulado Geral de Buenos Aires, Alfredo Menini Terra, e dirigida ao "embaixador extraordinário e plenipotenciário da República Luis María Posadas Montero". O documento parece um verdadeiro manual no qual o consulado conta à embaixada quais poderiam ser os melhores modos para transmitir uma informação confidencial. Ou explicam como contar uruguaios em Buenos Aires e como discernir quais deles poderiam ser "subversivos". Neste sentido, em um determinado parágrafo, o cônsul afirma: "Quanto à porcentagem de cidadãos uruguaios que, na avaliação de funcionários consulares, podem ter estado ou estão vinculados a atividades subversivas, naturalmente é uma apreciação muito difícil de fazer. A única orientação que tem o funcionário consular para poder obter essa informação reside em: a) algum tipo de trâmite que motivasse sua intervenção perante as autoridades militares ou policiais, onde se constatasse a atividade subversiva de um cidadão uruguaio; b) a comunicação de Não Autorizado efetuada por nossa Chancelaria ante à solicitação de expedição ou renovação de passaportes". Mais abaixo, o cônsul conta a seu superior que o Consulado de Rosário encontrou em seus arquivos o registo de quatro cidadãos que tiveram recusado o pedido de expedição de passaporte. E o Consulado de Buenos Aires, entre negativas a passaportes e trâmites "motivados por atividades subversivas", tem registrados os nomes de 300 cidadãos. A carta, de várias páginas, fala sobre as mensagens cifradas. "...Cabe constar - diz, por exemplo -, que não existe mecanismo de comunicação cifrado de telegramas entre este Consulado geral e os consulados de distrito, ficando como única alternativa para a comunicação ou recepção de informação confidencial a via postal". Em outro ponto, reflete sobre o que está acontecendo com os uruguaios: "...Chamou a atenção nos últimos tempos que, possivelmente em razão do conhecimento da solicitação prévia de autorização à Chancelaria para expedir ou renovar os passaportes, só se apresentam em nossos consulados na Argentina os cidadãos que não tem nenhum inconveniente...". Entre os primeiros casos de passaportes que a Chancelaria vetou estavam os de Wilson Ferreira Aldunate, Héctor Gutiérrez Ruiz e Zelmar Michelini. Os três estavam sendo perseguidos no Uruguai e estavam radicados em Buenos Aires. Seis meses depois dessa decisão, Gutiérrez Ruiz e Zelmar Michelini foram assassinados. Os voos Os documentos provam também várias atividades desenvolvidas ad hoc pela Chancelaria. Entre essas provas, está a que partiu dali a ordem de translado massivo dos uruguaios sequestrados em Buenos Aires e que voaram clandestinamente a Montevidéu nos chamados primeiro e segundo voo. Uma das provas aparentemente é um telex de 2 de junho de 1976, identificado como C194/24, assinado pelo ex-chanceler Juan Carlos Blanci e dirigido ao então cônsul em Buenos Aires, Alberto Voss Rubio. No telex, Blanco dá "a ordem de garantir o translado para a República Oriental do Uruguai de todos os cidadãos uruguaios requeridos pela autoridade competente". Para López Burgos, a data do telex e o conteúdo do mesmo o convertem em um documento que está falando provavelmente do primeiro voo, uma viagem clandestina e massiva de sequestrados que estavam no centro clandestino de Automotores Orletti e viajaram a Montevidéu. Apesar desse documento ser conhecido no Uruguai, ele não o era para a Justiça argentina. A ação sobre o centro clandestino de Automotores Orletti, seda do Plano Condor em Buenos Aires, terminou no ano passado, mas só se investigou e julgou o que aconteceu dentro das portas do centro clandestino. Tudo o que aconteceu fora dele é matéria de investigação da chamada Causa Condor, que está em mãos de Oyarbide e do promotor Miguel Angel Osorio. Uma das partes dessa ação dorme o sono dos justos aguardando o início da data de julgamento. Tradução: Katarina Peixot -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120103/655b8dab/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12536 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120103/655b8dab/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 5 19:54:07 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 5 Jan 2012 19:54:07 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Li=C3=A7=C3=B5es_cubanas_para_a_sa?= =?utf-8?q?=C3=BAde_do_povo_brasileiro?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem To: beatrice listas Lições cubanas para a saúde do povo brasileiro. terça-feira, 3 de janeiro de 2012 Lições cubanas para a saúde do povo brasileiro Médica e deputada da Assembleia Nacional do Poder Popular, Rebeca Gonzáles, explica funcionamento do Policlínico Docente Capdevila, em Boyeros, Cuba. (Foto: Mara Vieira) Bruno Abreu Gomes Em novembro de 2011, um grupo de 11 médicos brasileiros ? dos estados de Pernambuco, Bahia, Paraíba e Minas Gerais ? foi conhecer em Cuba o Sistema Nacional de Saúde. Todos eram médicos da ?atenção primária? no Sistema Único de Saúde (SUS) e levaram à Ilha uma questão central: o que se pode aprender com o povo cubano para garantia do direito à saúde no Brasil? Por que Cuba Uma pequena ilha, com cerca de 11 milhões de habitantes e um território um pouco maior que o estado de Pernambuco. Nos últimos anos, em meio a crises de qualidade e sustentação financeira dos serviços de saúde em todo o mundo, Cuba tornou-se uma referência. E os resultados objetivos justificam a admiração pela saúde em Cuba. Antes da Revolução, o povo cubano vivia menos de 60 anos, 60 a cada 1.000 crianças morriam até um ano de idade e havia apenas 6 mil médicos no país, 56% dos quais viviam em Havana. Para agravar a situação, metade deles saiu do país após a Revolução Democrática e Popular de 1959. Hoje a expectativa de vida média é 78 anos. A mortalidade infantil é de 4,5 crianças para cada 1.000 nascidos vivos e a mortalidade materna é 30 a cada 100 mil gestações. Foram erradicadas do país a poliomielite em 1962, a difteria em 1979, o sarampo em 1993 e a rubéola em 1995. As doenças que mais matam em Cuba são enfermidades cardiovasculares, tumores malignos e doenças vasculares cerebrais, um padrão típico de países desenvolvidos. Uma pediatra negra atende o filho de uma professora universitária e neto de médica aposentada em um Consultório Médico de Família, em Boyeros, Cuba. São acompanhados por um estudante de medicina procedente da zona rural da Bolívia. (Foto: Vitor Santana) A saúde em Cuba O Sistema Nacional de Saúde em Cuba é universal, integral, gratuito, regionalizado e ao alcance de todos os cidadãos sem discriminações religiosas, políticas, por raça ou etnia. O dever do estado na garantia do direito à saúde está definido na Constituição da República. O sistema é orientado e coordenado pela base ? como costumam se referir à atenção primária. E Cuba investe 18% de seu Produto Interno Bruto em saúde pública (no Brasil, essa cifra é de 3,4%). O direito às creches é universal em Cuba, serviço cujo impacto positivo na saúde de uma criança já está comprovado por evidências científicas. Os chamados Círculos Infantis são serviços providos pelo estado e garantem que as crianças pré-escolares sejam cuidadas durante as horas de trabalho dos pais. O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças menores de um ano é feito por médicos de família em trabalho conjunto com pediatras, que vão às unidades básicas de saúde uma vez por semana. O calendário vacinal compreende 12 agentes patológicos, dentre elas a vacina desenvolvida em Cuba contra a bactéria meningocócica B. A violência social, que adoece famílias no Brasil, é insignificante em Cuba. Tráfico de drogas, assassinatos, conflitos entre facções rivais, mortalidade elevada de jovens por causas externas e disputa entre Estado e grupos paramilitares são temas conhecidos por meio de filmes e histórias brasileiras. As gestantes fazem em média 12 consultas de pré-natal, entre avaliações do médico de família e do obstetra, e todas fazem pelo menos uma ultrassonografia. Os cubanos desenvolveram um serviço chamado Hogar Materno no qual gestantes com risco são acompanhadas todos os dias ou internadas para controle de fatores que podem levar a um mau desfecho gestacional, como baixo peso, anemia, problemas familiares ou longa distância geográfica da maternidade. Além disso, as mulheres que não desejam concluir uma gestação podem interrompê-la com assistência de um serviço de saúde conforme orientação com a equipe médica. A saúde dos idosos é prioridade em Cuba. Em diversos serviços públicos, como escolas e academias populares, são organizados Círculos de Abuelos, onde os idosos fazem exercícios físicos, atividades cognitivas e convivência social. Os idosos sadios que ficam sós enquanto seus familiares trabalham podem ser acompanhados pela Casa de Abuelos, onde fazem trabalhos manuais, horta comunitária, exercício físico e atividades lúdicas sob supervisão de terapeutas ocupacionais e educadores físicos. Já famílias com idosos dependentes e acamados contam com o apoio do estado que oferece um cuidador domiciliar diariamente ou recorrem aos Hogares de Ancianos, equivalentes às instituições de longa permanência no Brasil (conhecidas como asilos), com a diferença de que em Cuba são um direito social garantido pelo estado. Atualmente, Cuba conta com 72,5 mil médicos, sendo que 36 mil deles atuam na atenção primária e 26 mil são especialistas em medicina geral e integral (a especialidade equivalente no Brasil, chamada medicina de família e comunidade, conta com 1.500 especialistas de um universo de 31.500 médicos que trabalham no Programa Saúde da Família). E não faltam bons médicos nos postos de saúde ou regiões rurais de difícil acesso. Um médico e uma enfermeira de família compõem um consultório de família, equivalente a uma equipe de saúde da família no Brasil. São profissionais que vivem nas próprias comunidades em que trabalham e são responsáveis por, no máximo, 1.500 pessoas. Um grupo de até 20 consultórios tem referência em um policlínico, onde se encontram diversas especialidades médicas, outros profissionais de saúde, exames complementares e vacinação. As práticas de medicina popular e tradicional foram incorporadas aos consultórios de médico e enfermeira da família e aos policlínicos. E graças ao desenvolvimento de pesquisas médicas autônomas, Cuba cria tecnologias próprias, como a medicação chamada Heberprot-P para feridas crônicas em pacientes com diabetes melitus que está sendo exportada para outros países. Como se não bastasse, um princípio cubano é a solidariedade: há 17 mil médicos e 23 mil outros trabalhadores da saúde em missões internacionais em 74 países. Idosos de uma Casa de Abuelos cantam a Canção ?Hasta siempre comandante Che Guevara? para receber médicos brasileiros. (Foto: Mara Vieira) São apenas alguns exemplos. Poderíamos citar também os serviços hospitalares descentralizados, os transplantes de órgãos e as tecnologias modernas de diagnóstico e tratamentos disponíveis, apesar do bloqueio norte-americano que impede, por exemplo, o uso de um medicamento para tratamento da leucemia em crianças que não respondem a quimioterápicos usuais. Mas existem desafios. Cuba enfrenta hoje o tema do tabagismo, hábito cultural e fonte de divisas importante para a economia nacional, diretamente relacionado às causas maiores de mortalidade. Além disso, é fundamental valorizar a moeda nacional e o salário dos trabalhadores, inclusive dos profissionais de saúde. O estímulo aos trabalhos por conta própria e a luta contra o bloqueio norte-americano são medidas nesse sentido. Lições para o povo brasileiro Não há fórmulas prontas. O processo histórico de construção de uma sociedade e um sistema de saúde têm singularidades e particularidades. O povo cubano, inclusive, destacou-se na história por não aceitar imposição de modelos e construir suas mudanças com soberania. Mas há lições importantes para os que desejam o direito à saúde para o povo brasileiro. No Brasil, também tivemos conquistas populares no setor saúde com as lutas pela construção do SUS. Ao longo de seus 23 anos, conseguimos aumentar a expectativa de vida para 73,1 anos e reduzir a mortalidade infantil para 21,17 por 1.000 crianças nascidas vivas (vale lembrar as disparidades regionais, a ponto de Alagoas ter uma mortalidade infantil de 46 por 1.000). Resultados modestos se comparados aos cubanos. Nossos desafios são muitos. Nessa vivência em Cuba, ficamos emocionados e inquietos ao lembrar das famílias que cuidamos e muitas vezes sofrem e adoecem por problemas que em Cuba foram superados há 50 anos. No Brasil, e não em Cuba, ainda existe baixa cobertura de serviços de atenção primária, carência de médicos em áreas remotas e periferias urbanas, concentração de médicos em setores privados de saúde, financiamento insuficiente. E aprendemos com o povo cubano duas lições centrais: saúde se conquista com a garantia de outros direitos sociais e somente a vontade política garante saúde como um direito de todos e dever do Estado. Na sociedade brasileira, o direito à saúde somente será garantido com reformas estruturais: educação pública e de qualidade em todos os níveis, rede de proteção e assistência social ampla e eficiente, moradias saudáveis, alimentos acessíveis e sem agrotóxicos, melhores condições de trabalho e bons salários para todos os trabalhadores. Por isso, são fundamentais a ação dos movimentos populares, estudantis e sindicais no Brasil para fortalecer a atenção primária e o SUS, lutar contra as privatizações na saúde, banir o uso de agrotóxicos e fazer avançar as transformações profundas da sociedade brasileira. E façamos a nossa opção soberana por um projeto popular para o Brasil. Bruno Abreu Gomes ? Pedralva Cuba, 3 de dezembro de 2011 Dia Latino-Americano da Medicina -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120105/ff63d7f4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 5 19:54:38 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 5 Jan 2012 19:54:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__=C3=9Altima_sobrevivente_da_cela_4=2C?= =?utf-8?q?_Beatriz_Bandeira=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Última sobrevivente da cela 4 Luiz Antonio Ryff Morreu, aos 102 anos, Beatriz Bandeira, a última sobrevivente da famosa cela 4 ? onde foram presas, na Casa de Detenção, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, as poucas mulheres que participaram da revolta comunista de 1935 no Brasil. Foi na cela 4 que ficaram confinadas Olga Benário (esposa do líder da intentona, Luiz Carlos Prestes), a futura psicanalista Nise da Silveira, a advogada Maria Werneck de Castro e as jornalistas Eneida de Moraes e Eugênia Álvaro Moreyra. Por conta dessa passagem, Beatriz virou personagem de livros como ?Memórias do Cárcere?, o relato biográfico de Graciliano Ramos, que também esteve preso por causa da revolta. Pouco antes, como militante comunista e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), Beatriz conheceu seu marido, Raul, que viria a ser jornalista e secretário de Imprensa do governo João Goulart (1961-1964). Com ele se casou três vezes. Os dois foram exilados duas vezes. Em 1936, depois da libertação, foram expulsos para o Uruguai. Em 1964, após o golpe militar, receberam abrigo na Iugoslávia e, posteriormente, na França. Ao regressar ao Brasil, Beatriz continuou a militância política nos anos 70 e 80. Foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas, que lutou pelo fim da ditadura no País. Beatriz nasceu em uma família positivista. Seu pai, o coronel do exército Alípio Bandeira, foi abolicionista. Como militar, trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e ajudou o Marechal Cândido Rondon na instalação de linhas telegráficas no interior do País e no contato com tribos isoladas ? Alípio liderou o encontro com os Waimiri Atroari em 1911, por exemplo. Além de militante política, Beatriz foi poeta (publicou ?Roteiro? e ?Profissão de Fé?) e professora (foi demitida pelo regime militar da cadeira de Técnica Vocal do Conservatório Nacional de Teatro). Também escreveu crônicas e colaborou para o jornal A Manhã e as revistas Leitura e Momento Feminino. Há dez anos ela contou um pouco de sua história em uma entrevista à TV Câmara. Beatriz morreu na noite de segunda (dia 2) após um AVC. Foi enterrada no final da tarde de hoje (dia 3) no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Uma nota pessoal Beatriz Bandeira Ryff era minha avó. Nos últimos anos de sua vida centenária a senilidade tinha lhe tirado totalmente a visão. Ela quase não falava e mal se comunicava com o mundo. Há uns dez dias, fui visitá-la levado pelo meu filho de 8 anos que queria dar um beijo na ?bisa?. Encontramos ela mais presente do que em todas as visitas nos anos anteriores. Chegou a cantarolar algumas músicas que costumava embalar o sono dos netos quando pequenos, como os hinos revolucionários ?Internacional?, ?A Marselhesa? (embora ela também cantasse obras não políticas, entre elas a ?Berceuse?, de Brahms). Ao me despedir, perguntei-lhe se lembrava o trecho do poema ?Canção do Tamoio?, de Gonçalves Dias, que ela costumava recitar. Ela assentiu levemente com a cabeça e começou, puxando do fundo da memória. Foram suas últimas palavras para mim. ?Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate Que os fracos abate, Que os fortes, os bravos, Só pode exaltar.? (?Canção do Tamoio?, Gonçalves Dias) Autor: Luiz Antonio Ryff -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120105/ff41e98f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 6 20:37:19 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 6 Jan 2012 20:37:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=5BCorreio_da_Cidadania=5D_EDI=C7?= =?iso-8859-1?q?=C3O_ESPECIAL_PROSPECTIVA_2012_-_04_de_JANEIRO_de_2?= =?iso-8859-1?q?012?= Message-ID: <6E1E13A49D5E43F39F17D75CBF8F8963@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 2012: aprofundamento da crise acirra tendências conservadoras e autoritárias ESCRITO POR Valéria Nader Se 2011 chegou ao final com muita história pra contar, com seus diversos acontecimentos marcantes, simbólicos e, ao mesmo tempo, paradoxais, 2012 começa com mais uma encruzilhada histórica. Por um lado, tudo parece indicar que esteja a caminho o famoso'mais do mesmo'- pior até, uma intensificação do mesmo. A crise econômica internacional, que voltou a mostrar sua força em 2011, já trouxe indícios suficientes de que, "como assistimos na Grécia, na Itália, em Portugal, na Espanha, na Inglaterra, a representação democrático-burguesa tradicional já começa a ser crescentemente substituída pelo governo das instituições centrais do grande capital: FMI, Banco Mundial, Banco Central Europeu, OTAN etc.". Este é o entendimento de nosso entrevistado, o historiador Mário Maestri. No plano interno, o olhar de Maestri tampouco contemporiza com o atual governo de Dilma, que, nesse primeiro ano, gestionou o país sob as rédeas do grande capital. Tomando-se a lógica de avanço irrefreável da contra-revolução neoliberal, não há, infelizmente, como tomar este entendimento como catastrofista. Trata-se, antes de tudo, de análise amparada em avaliação sem os filtros ingênuos ou tendenciosos com que somos confrontados pelo sistema dominante de comunicação, intrincado que está aos interesses de grupos econômicos para os quais não interessa o questionamento do status quo. Leia entrevista exclusiva! O que esperar de 2012? é o primeiro editorial do ano. Frei Betto, Wladimir Pomar, Raymundo Araujo Filho, Claudionor Mendonça dos Santos, Léo de Almeida Neves, Emanuel Cancella, Francisco Soriano, D. Demétrio Valentini e Leo Lince analisam o cenário político. Waldemar Rossi traça perspectivas para a atuação dos movimentos sociais e trabalhistas. Virgílio Arraes, Luiz Eça e Grupo São Paulo comentam o cenário internacional. Guilherme C. Delgado e Paulo Passarinho fazem previsões para nossa economia. Rogério Grasseto Teixeira da Cunha escreve sobre meio ambiente. Cassiano Terra Rodrigues: Vida eclipsada em nada no cinema de Antonioni Gabriel Brito avalia o esporte em 2012 . Acompanhe também o Correio da Cidadania no Twitter e no Facebook. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120106/c1ec6e51/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3882 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120106/c1ec6e51/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3232 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120106/c1ec6e51/attachment-0003.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 175580 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120106/c1ec6e51/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 6 20:37:28 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 6 Jan 2012 20:37:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] [Boletim Diplo] Outras Palavras - Boletim 133 - 4/2/2012 Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br bibliotecadiplô e OUTRASPALAVRAS Boletim de atualização de Outras Palavras e Biblioteca Diplô - Nº 133 - 4/2/2012 Por que (re)ver Dersu Uzala Filme de Akira Kurosawa parece mais atual que nunca, ao questionar padrões mercantis de conhecimento e relação com a natureza. Por Arlindenor Pedro Para reler o "velho desenvolvimentismo" José Luís Fiori radiografa corrente que marcou América Latina por décadas e destaca particularidade especial de sua presença no Brasil? __________________________ PONTO DE CULTURA Os primeiros textos da Escola Livre de Comunicação Compartilhada Brasil: a curiosa conversa da oligarquia financeira Afirma-se que é preciso cortar serviços agora, para (mais tarde...) reduzir os juros. Veja o que está por trás deste argumento. Por Antonio Martins Espanha: crônica de um país devastado Muito rapidamente, políticas de "austeridade" multiplicaram desemprego e pobreza. Ninguém desafia mercados -- exceto "indignados", que enfrentarão novos desafios em 2012. Por Pep Valenzuela _____________________ OUTRAS MÍDIAS Uma seleção de bons textos publicados na blogosfera brasileira Um supermercado não-consumista é possível? Em Londres, o ?People's Supermarket? vende mais barato que grandes redes ? e ainda combate desperdício, abre em horários inusitados e se recusa a vender tabaco. Por Roberto Almeida, no Opera Mundi Hobsbawn: revolução egípcia não morreu Em entrevista à BBC, historiador compara Primavera Árabe a movimentos que sacudiram Europa em 1848 ? mas lembra que novas revoltas não serão iguais às previstas pelo marxismo. Por Andrew Whitehead Brasil: a nova lista suja do trabalho escravo Mais 52 proprietários flagrados ? entre eles grandes usinas de açúcar, madeireiras, empresários e até empreiteira envolvida na construção da hidrelétrica de Jirau. No Reporter Brasil Reportagem na Líbia pós-OTAN Com a multiplicação de milícias armadas, centenas de prisões arbitrárias e aumento descontrolado dos preços, país parece incapaz de se reerguer do caos. Por Franklin Lamb, no Conterpunch Wikileaks flagra generalização da vigilância Em nova série de revelações, site negócios milionários entre grandes empresas e governos para tentar manter cidadãos sob controle. No Resistir -- Boletim de atualização dos sites Outras Palavras e Biblioteca Diplô. A reprodução é benvinda. Interessados em recebê-lo devem clicar aqui. Para deixar de receber, aqui. Acompanhe nossas novidades também no Facebook e Twitter -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120106/c0600bf4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 32127 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120106/c0600bf4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 7 16:11:18 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 7 Jan 2012 16:11:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Guerra_do_Iraque=3A_um_milh=C3=A3o_de_?= =?utf-8?q?milh=C3=B5es_de_d=C3=B3lares_e_um_milh=C3=A3o_de_mortos_?= =?utf-8?b?ZGVwb2lzLi4u?= Message-ID: <0C62686D80154CE2BDB9213E3F4BC196@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem --- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Guerra do Iraque: um milhão de milhões de dólares e um milhão de mortos depois... 6 de Janeiro de 2012 octopedia.blogspot.com Fonte: octopedia.blogspot.com Oito anos após o início da ?Operação Liberdade do Iraque? (Operation Iraqi Freedom) a coligação liderada pelos Estados Unidos deixa no país um rasto de morte e destruição. Esta guerra terá tido um custo de um milhão de milhões de dólares, mas é sobretudo o custo humano que tem números arrepiantes: mais de 70 000 soldados americanos e cerca de 1 000 000 de iraquianos mortos, sem contar um número astronómico de feridos e deficientes. A guerra dos números. Nada justifica a perda de uma única vida, aqui estamos perante números aterradores. Oficialmente, terão sido 3 865 os soldados americanos vítimas da guerra do Iraque (1). A Associação dos Antigos Combatentes americanos aponta para mais de 70 000, o seja um número superior ao dos soldados mortos durante a guerra do Vietname que terão sido de 58 195. Segundo essa associação, terão morrido, no Iraque, 73 846 americanos, dos quais 17 847 soldados no campo de batalha e 55 999 do pessoal de apoio. Aparece também um número curioso, para meditar, é o número das chamadas doenças não-diagnosticas que terão sido de 14 874. O número de queixas interposto pelos soldados por deficiência adquirida durante a guerra é de 1 620 906, ao todo 36% dos soldados dizem-se vitimas de uma qualquer deficiência. Um assunto tabu é o número de suicídios de antigos combatentes que o Pentágono procura esconder. Só no ano de 2005, a televisão CBS, após um inquérito, descobriu 6 256, o que dá uma média de 120 suicídios por semana. Mais de um milhão de iraquianos mortos. O número exacto de iraquianos mortos durante esta guerra é difícil de estabelecer. Na realidade, ninguém sabe ao certo quantos iraquianos morreram durante este conflito. A frieza dos números aponta para um valor que varia entre 100 000 e 1,2 milhões de mortos, dependendo da fonte. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o ministério da saúde iraquiano, durante um inquérito realizado durante o ano de 2007, tinham chegado à conclusão de que teria havido 151 000 mortos iraquianos durante os primeiros 3 anos de guerra, ou seja uma média de 120 por dia. Um outro inquérito da revista médica ?The Lancet?, publicado em 2006 dava conta de mais de 600 000 iraquianos mortos. Este número arrepiante, significa mais de 500 mortos por dia e um total de 2,5% da população. Por fim, o instituto de sondagens britânico Opinion Research Business (ORB) dava conta, em 2007, que 16% dos iraquianos entrevistados afirmavam ter tido um membro da família morto, e 5% dois. Chegaram à conclusão que, contas feitas, terá havido mais de um milhão de iraquianos mortos durante a guerra, numa população de 26 milhões de habitantes. Estados Unidos abandonam um Iraque radioactivo. Mais de 1820 toneladas de resíduos radioactivos (urânio empobrecido) rebentaram no solo iraquiano. Um enorme desastre ecológico. Em comparação, a bomba de Hiroshima tinha 64 kg, o que representa mais de 14 000 bombas de Hiroshima. Durante centenas de anos esses resíduos radioactivos irão continuar a matar. Alguns cientistas pensam que actualmente existe matéria radioactiva suficiente para matar um terço da população mundial. Apesar de nunca terem sido encontradas armas de destruição massiva no Iraque, são os Estados Unidos que colocaram agora no terreno essas ditas armas, sob a forma de material radioactivo. A taxa de malformação congénita aumentou 600%. Quanto maior a destruição, maior o negócio da reconstrução. O custo da reconstrução do Iraque está avaliado em 100 mil milhões de dólares. O negócio do século. Praticamente tudo foi destruído pelos bombardeamentos: poços de petróleo, hospitais, estradas, aeroportos, portos, redes eléctricas e de água, escolas... As empresas escolhidas para a reconstrução são apenas seis, todas americanas, todas seleccionadas pelo ministério da defesa americano. A cabecear esta lista: Halliburton, cujo o antigo presidente era o vice-presidente americano Dick Cheney, o qual ainda faz parte do conselho de administração da filial Kellog Brown & Root. Também temos a empresa Bechtel Corp. que era presidida por George Shultz, antigo secretário de estado americano. A principal diferença entre o plano Marshall e a reconstrução do Iraque é que o primeiro destinava-se a reconstruir o que os nazis tinham destruído durante a a guerra, enquanto que no Iraque, foram os próprios Estados Unidos que destruíram as redes de água, electricidade, aeroportos, escolas e hospitais. Tudo leva a crer que essa destruição foi premeditada, senão como explicar, por exemplo, o bombardeamento das redes de água e electricidade em Bagdade, quando os americanos não se cansavam de referir que as suas ?bombas inteligentes? apenas destruíam com grande precisão objectivos bem definidos. Como é o Pentágono que decide quais são as empresas que vão participar na reconstrução, os Estados unidos contrataram-se a eles próprios. Na escolha das empresas de reconstrução não intervêm quaisquer organizações internacionais. Do ponto de vista puramente comercial, o acordo de Camp David, em 1989, previa que as empresas egípcias e israelitas teriam um tratamento preferencial nos casos em fossem necessárias reconstruções em países do Médio-Oriente. O Egipto nunca beneficiou desse tal acordo, enquanto que as empresas de Israel já obtiveram contratos de mais de 7 mil milhões de dólares. Nota: 1- 4484 militares dos EUA mortos no Iraque, segundo icasualties.org (nota do TMI) http://tribunaliraque.info/pagina/artigos/noticias.html?artigo=1033 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120107/dfa46fc9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27986 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120107/dfa46fc9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 7 16:11:29 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 7 Jan 2012 16:11:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Samir_Amin_analisa_a_situa=E7?= =?windows-1252?q?=E3o_da_crise_capitalista_mundial=2C_e_prop=F5e_a?= =?windows-1252?q?_audacia=2C_como_saida_para_as_esquerdas_do_Norte?= =?windows-1252?q?_e_do_sul=2E___Jan_2012?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Audacia, más audacia Samir Amin Traducción: Katu Arkonada y Alejandra Santillana Las circunstancias históricas creadas por la implosión del capitalismo contemporáneo requieren de una izquierda radical, tanto en el Norte como en el Sur, que sea capaz de formular una alternativa política al sistema existente. El propósito de este artículo es mostrar por qué es necesaria la audacia y lo que esta significa. ¿Por qué audacia? 1. El capitalismo contemporáneo es un capitalismo de monopolios generalizados. Con esto quiero decir que los monopolios no son ya más islas grandes en un mar de empresas relativamente autónomas, sino que son un sistema integrado, que controla absolutamente todos los sistemas de producción. Pequeñas y medianas empresas, incluso las grandes corporaciones que no son estrictamente oligopolios, están bajo el control de una red que remplaza a los monopolios. Su grado de autonomía se ha visto reducido al punto de convertirse en subcontratistas de los monopolios. Este sistema de monopolios generalizados es producto de una nueva fase de centralización del capital que tuvo lugar durante los 80 y 90 en los países que componen la Triada (Estados Unidos, Europa y Japón). Los monopolios generalizados dominan ahora la economía mundial. ?Globalización? es el nombre que le han dado al conjunto de demandas mediante las cuales ejercen su control sobre los sistemas productivos de la periferia del capitalismo global (periferia entendida como el mundo por debajo de la Triada). Esto no es más que una nueva fase del imperialismo. 2. El capitalismo de los monopolios generalizados y globalizados es un sistema que garantiza que estos monopolios graven impuestos sobre la masa de plusvalía (transformada en ganancias) que el capital extrae de la explotación del trabajo. En la medida en que estos monopolios están operando en las periferias del sistema global, la renta monopólica es renta imperialista. El proceso de acumulación capitalista ?que define el capitalismo en todas sus sucesivas formas históricas- está determinado por la maximización de la renta monopólica/imperialista que persigue. Este desplazamiento del centro de gravedad de la acumulación del capital es la fuente de la continua concentración del ingreso y la riqueza en beneficio de los monopolios, ampliamente controlada por las oligarquías (plutocracias) que gobiernan los grupos oligopólicos a expensas de la remuneración del trabajo e incluso de la remuneración del capital no monopólico. 3. Esto pone en riesgo al mismo crecimiento, desequilibrando la fuente de financialización del sistema económico. Con esto me refiero a que el segmento creciente de la plusvalía no puede ser invertido en la expansión y profundización de los sistemas de producción y por consiguiente la inversión financiera de la plusvalía desmedida se vuelve la única opción para sostener la acumulación bajo el control de los monopolios. La implementación que el capital realiza en determinados sistemas, permite que la financialización opere de distintas maneras, generando: (i) la subordinación de la gestión de las empresas al principio del ?valor de las acciones?. (ii) la sustitución del sistema de pensiones basado en la capitalización (fondos de pensión) por sistemas de distribución de las pensiones. (iii) la adopción del principio de ?intercambio de tasas flexibles?. (iv) el abandono del principio bajo el cual los bancos centrales determinan la tasa de interés ?el principio de liquidez- y la transferencia de esta responsabilidad al ?mercado?. La financialización ha transferido la responsabilidad principal en el control de la reproducción del sistema de acumulación a 30 grandes bancos que son parte de la Triada. Los eufemísticamente llamados ?mercados? no son otra cosa más que los lugares donde son desplegadas las estrategias de los actores que dominan la escena económica. Por consiguiente esta financialización, que es responsable del crecimiento de la desigualdad en la distribución del ingreso (y la riqueza), genera la misma plusvalía que la sostiene. La ?inversión financiera? (o mejor dicho la inversión en especulación financiera) continúa creciendo a gran velocidad sin corresponderse con el crecimiento del Producto Interior Bruto (que en la actualidad se está convirtiendo en algo ficticio) o con la inversión en la producción real. El crecimiento explosivo de la inversión financiera requiere, y se alimenta de, la existencia de deuda en todas sus formas, especialmente de la deuda soberana. Cuando los gobiernos que están en el poder dicen estar persiguiendo la reducción de la deuda, están mintiendo deliberadamente. Para concretar la estrategia de financialización de los monopolios se necesita el crecimiento de la deuda, algo que en realidad los monopolios buscan más que combaten, como una manera de absorber la ganancia de los monopolios. Las políticas de austeridad impuestas para ?reducir la deuda?, han tenido como resultado (tal y como se pretendía) el incremento del volumen de la misma. 4. Es este sistema ?llamado popularmente neoliberal, el sistema del monopolio generalizado capitalista, ?globalizado? (imperialista) y financializado (como una necesidad para su propia reproducción) ? que implosiona ante nuestros ojos. Pero este sistema, aparentemente incapaz de derrotar sus crecientes contradicciones internas, está condenado a continuar su salvaje expansión. La ?crisis? del sistema es causada por su propio ?éxito?. En efecto, la estrategia desplegada por los monopolios siempre ha producido los resultados deseados: los planes de ?austeridad? y los llamados planes de reducción social (en realidad anti-social) continúan siendo impuestos, a pesar de la resistencia y las luchas. Actualmente, la iniciativa yace en manos de los monopolios (?los mercados?) y sus siervos políticos (los gobiernos subordinados a las demandas del ?mercado?). 5. Bajo estas condiciones el capital monopólico ha declarado abiertamente la guerra tanto a los trabajadores como a los pueblos. Esta declaración es parte del planteamiento de ?el liberalismo no es negociable?. El capital monopólico seguirá expandiéndose sin reducir su velocidad. La crítica a la ?regulación? que explico a continuación, está basada en este hecho. No estamos viviendo un momento histórico en donde la búsqueda de un ?compromiso social? sea una opción posible. Ha habido momentos en el pasado, como el compromiso social durante la post Guerra entre el capital y el trabajo referente a un Estado social democrático en el oeste, el socialismo actualmente existente en el este, y los proyectos nacionalistas y populares en el sur, pero el actual momento histórico ya no es el mismo. El conflicto actual se produce entre el capital monopólico, y los trabajadores y la gente que es llamada a rendirse incondicionalmente. Las estrategias defensivas de resistencia bajo estas condiciones no son efectivas y eventualmente llevan incluso a ser derrotadas. En la guerra declarada por el capital monopólico, los trabajadores y los pueblos deben desarrollar estrategias que les permitan colocarse a la ofensiva. El periodo de guerra social está necesariamente acompañado por la proliferación de conflictos políticos internacionales e intervenciones militares de las fuerzas imperialistas de la Triada. La estrategia de ?control militar del planeta? por las fuerzas armadas de los Estados Unidos y sus aliados subordinados de la OTAN es, en última instancia, el único medio por el cual los monopolios imperialistas de la Triada pueden continuar su dominio sobre los pueblos, naciones y estados del Sur. Ante este desafío de la guerra declarada por los monopolios, ¿cuáles son las alternativas que se proponen? Primera respuesta: ?regulación de los mercados? (financieros y de otros tipos) Esta regulación es una iniciativa que los monopolios y los gobiernos reivindican. Sin embargo esto es solo retórica vacía, diseñada para confundir a la opinión pública. Estas iniciativas no pueden parar la desenfrenada carrera por el beneficio financiero, resultado de la lógica de acumulación controlada por los monopolios. Son por tanto una falsa alternativa. Segunda respuesta: un retorno a los modelos de la post Guerra. Estas respuestas alimentan una triple nostalgia: (i) la reconstrucción de una verdadera ?socialdemocracia? en Europa occidental, (ii) la resurrección de ?socialismos? basados en los principios que gobernaron el siglo XX (iii) el retorno a fórmulas de nacionalismo popular en la periferia del Sur. Estas nostalgias imaginan que es posible obligar a retroceder al capitalismo monopólico, forzándole a regresar a lo que era en 1945. Pero la historia nunca permite tales retornos al pasado. El capitalismo debe ser confrontado tal y como es hoy, no como nosotros hubiéramos deseado que hubiese sido imaginándonos un bloqueo en su evolución. Sin embargo, estos anhelos siguen atormentando a una buena parte de la izquierda global. Tercera respuesta: la búsqueda de un consenso ?humanista? Yo defino este piadoso deseo de la siguiente manera: la ilusión de que un consenso entre intereses en conflicto puede ser posible. Algunos ingenuos movimientos ecologistas, entre otros, comparten esta ilusión. Cuarta respuesta: las ilusiones del pasado Estas ilusiones invocan ?la especificidad? y ?el derecho a la diferencia? sin preocuparse de entender su alcance y significado. El pasado ya nos ha respondido las preguntas del futuro. Estos ?culturalismos? pueden adoptar varias formas étnicas o para-religiosas. Teocracias y etnocracias se convierten en convenientes substitutos de las luchas sociales democráticas que han visto vaciada su agenda. Quinta respuesta: la prioridad de la ?libertad personal?. La gama de respuestas basadas en esta prioridad, considerada el ?valor supremo?, incluyen entre sus filas a los retrógrados defensores de la ?democracia electoral representativa?, a la que equiparan con democracia en sí misma. La fórmula separa la democratización de las sociedades del progreso social, tolerando incluso una asociación de facto con la regresión social con tal de no poner en riesgo y desacreditar la democracia, reducida ahora al estatus de una trágica farsa. Pero hay variaciones de esta posición incluso más peligrosas. Me refiero aquí a algunos típicos ?post modernos? actuales (como Toni Negri en particular) quienes imaginan que el individuo se ha convertido ya en el protagonista de la historia, como si el comunismo, que permite al individuo ser emancipado de la alienación y convertirse en protagonista de la historia, ya hubiese sido instaurado. Está claro que todas las respuestas de arriba, incluyendo aquellas de derecha (como las ?regulaciones? que no afectan a la propiedad privada de los monopolios) todavía encuentran poderosos ecos en una mayoría de la gente de izquierda. 6. La guerra declarada por el generalizado capitalismo monopólico del imperialismo contemporáneo no tiene nada que temer de las falsas alternativas que acabo de perfilar. ¿Qué hacer entonces? Este momento nos ofrece la oportunidad histórica de ir mucho más lejos; nos demanda como única y efectiva respuesta una audaz y atrevida radicalización en la formulación de alternativas capaces de movilizar trabajadores y pueblos para colocarse a la ofensiva y defenderse de la estrategia de guerra de sus enemigos. Estas formulaciones, basadas en el análisis del capitalismo actualmente existente, deben confrontar directamente el futuro a ser construido, y sacarnos de la nostalgia del pasado y de las ilusiones de la identidad o el consenso. Programas audaces para una izquierda radical Voy a organizar los siguientes planteamientos bajo tres ideas centrales: (i) la socialización de la propiedad de los monopolios, (ii) la des-financialización del manejo de la economía, (iii) des-globalización de las relaciones internacionales. Socialización de la propiedad de los monopolios La efectividad de la respuesta alternativa requiere necesariamente del cuestionamiento del principio de la propiedad privada del monopolio del capital. La propuesta de ?regular? las operaciones financieras, el retorno de los mercados a la ?transparencia? para permitir que las expectativas de los ?agentes? se conviertan en ?racionales? y definan los términos de un consenso de estas reformas sin abolir la propiedad privada de los monopolios no es más que un claro intento de confundir a un público ingenuo. Los monopolios son llamados a ?gestionar? reformas contra sus propios intereses, ignorándose el hecho de que los monopolios mantienen mil y un formas de burlar los objetivos de estas reformas. El proyecto social alternativo debería revertir la dirección del actual orden social (desorden social) producido por las estrategias de los monopolios, con el propósito de asegurar empleo pleno y estable, garantizando salarios decentes al mismo tiempo que genera la productividad de la labor social. Este objetivo es simplemente imposible sin la expropiación del poder de los monopolios. El "software de los teóricos de la economía" debe ser reconstruido (en palabras de François Morin) así como la absurda e imposible teoría económica de que las "expectativas" promueven la democracia porque permiten un mayor control en la toma de decisiones económicas. La audacia en este momento requiere de reformas radicales en la educación para la formación no solo de economistas sino también de aquellos llamados a ocupar cargos de gestión. Los monopolios son cuerpos institucionales que deben ser manejados de acuerdo a los principios de la democracia, en conflicto directo con quienes santifican la propiedad privada. A pesar de que el término ?bienes", importado de la palabra anglo sajona, es en sí mismo ambiguo porque está desconectada del debate sobre el significado de los conflictos sociales (el lenguaje anglo sajón ignora deliberadamente la realidad de las clases sociales), el término aquí puede ser utilizado específicamente para denominar a los monopolios como parte de los ?bienes?. La abolición de la propiedad privada de los monopolios debe tener lugar a través de su nacionalización. Este primer paso legal es inevitable. Pero la audacia implica en este punto ir más allá de este paso legal para proponerse la socialización de la gestión de los monopolios nacionalizados y la promoción de las luchas sociales democráticas articuladas en este proceso. Daré un ejemplo concreto que podría incluirse en estos planes de socialización. Tanto los propietarios de tierra 'capitalistas' (aquellos de los países desarrollados) como los propietarios 'campesinos' (mayormente del Sur) son prisioneros tanto de los monopolios que proveen inputs[1] y créditos, como de los que dependen del proceso de transporte y comercialización de sus productos. Pero ninguno de los dos grupos tiene autonomía real en la toma de decisiones. A esto se suma que la productividad alcanzada es apropiada por los monopolios que reducen a los productores al status de "subcontratistas". Frente a esto, ¿cuál es la alternativa posible? Los monopolios deberían ser substituidos por instituciones públicas que trabajen dentro de un marco legal como parte de su forma de gobernar. Estas instituciones deberían ser constituidas por representantes de: (i) campesinos (los principales interesados), (ii) unidades ascendentes (manufactura de inputs, bancos) y descendentes (industria alimentaria, cadenas comerciales), (iii) consumidores, (iv) autoridades locales comprometidas con el medio ambiente y la sociedad (escuelas, hospitales, planificación urbana, vivienda, transporte), (v) el Estado (los ciudadanos). Estos representantes deberían ser seleccionados de acuerdo a procedimientos correspondientes a su propia manera de gestión social, como por ejemplo unidades de producción de inputs gestionadas por consejos de administración conformados por trabajadores directamente empleados por las unidades concernientes así como por quienes están empleados por unidades de subcontrato. Estas estructuras deberían estar diseñadas de tal manera que asocien la gestión del personal con cada uno de estos niveles, así como con centros de investigación que busquen una investigación independiente, y tecnología apropiada. Podríamos hasta concebir una representación de los proveedores de capital ("pequeños accionistas") heredados de la nacionalización, si es que lo consideramos útil. Estamos hablando por tanto de aproximaciones institucionales que son más complejas que las reformas de autogestión o cooperativas conocidas hasta el momento. Es necesario inventar los caminos de este proceso de tal manera que promuevan el ejercicio de una democracia verdadera en el manejo de la economía, ejercicio basado en negociaciones abiertas entre todos las partes interesadas. Se requiere una formula que vincule sistemáticamente la democratización de la sociedad con el progreso social, en contraste con la realidad del capitalismo que disocia la democracia, reduciéndola al manejo formal de la política, con las condiciones sociales abandonadas al "mercado" dominado por lo que produce el monopolio del capital. Ahí y solo ahí podremos hablar de una verdadera transparencia de los mercados, cuando estos sean regulados bajo formas institucionalizadas de gestión socializada. El ejemplo puede parecer marginal en los países capitalistas desarrollados debido a que los pequeños propietarios de tierra y campesinos son solo una pequeña proporción de los trabajadores (3-7%). Sin embargo, este tema es central para el Sur, en donde la población rural seguirá siendo significativa por algún tiempo. Aquí, el acceso a la tierra, que debe ser garantizado para todos (con la mayor equidad posible en su distribución) es fundamental para avanzar en la agricultura campesina. Esta ?agricultura campesina? no debe ser entendida como sinónimo de "agricultura estática" o ?tradicional y folklórica?. El progreso necesario de la agricultura campesina implica una cierta "modernización" (a pesar de que este término es poco apropiado debido a que inmediatamente sugiere modernización a través del capitalismo). Más inputs efectivos, créditos, y cadenas de producción y distribución son necesarias para impulsar la productividad del trabajo campesino. Las fórmulas propuestas aquí tienen por objetivo avanzar en la modernización bajo formas y orientadas por un espíritu "no-capitalista", es decir, bajo un horizonte socialista. Obviamente, el ejemplo específico escogido aquí en este artículo es uno de los que necesita ser institucionalizado. La nacionalización / socialización de la gestión de los monopolios en los sectores de la industria y el transporte, bancos y otras instituciones financieras, deben ser imaginadas bajo el mismo espíritu, tomando las especificidades de sus propias economías y funciones sociales en la constitución de sus consejos de administración. Como ya se ha señalado, estos consejos deben incluir a los trabajadores de la compañía, así como a los subcontratistas, representantes de las industrias, bancos, institutos de investigación, consumidores y ciudadanos. La nacionalización/ socialización de los monopolios nos señala una necesidad fundamental como eje central del reto que deben encarar los trabajadores y pueblos bajo un capitalismo contemporáneo de monopolios generalizados. Este es el único camino para detener la acumulación por desposesión a la que nos está llevando el manejo de la economía por parte de los monopolios. La acumulación dominada por los monopolios puede ser de hecho reproducida solamente si el área sujeta al "manejo del mercado? está en constante expansión. Esto es posible por la excesiva privatización de los servicios públicos (desposesión de los ciudadanos), y el acceso a recursos naturales (desposesión de los pueblos). La extracción de las ganancias de las unidades económicas ?independientes? por parte de los monopolios es también una desposesión (entre capitalistas!) de la oligarquía financiera. De-financialización: un mundo sin Wall Street La nacionalización/ socialización de los monopolios debería abolir el principio de "valor de las acciones" impuesto por la estrategia de acumulación al servicio de la renta monopólica. El objetivo es esencial para cualquier agenda que quiera escapar del anquilosamiento bajo el cual nos tiene enfangados el actual manejo de la economía. La implementación de un proceso de nacionalización trastoca la financialización del manejo de la economía. Pero ¿estaríamos regresando a la famosa "eutanasia de la renta" acuñada por Keynes en su época? No necesariamente, y desde luego no completamente. Se puede fomentar el ahorro, pero bajo la condición de que su origen (ahorros de los trabajadores, negocios, comunidades) y las condiciones de las ganancias, sean bien definidas. El discurso del ahorro macroeconómico en la teoría económica convencional esconde la pretensión del acceso exclusivo al mercado de capital por parte de los monopolios. La tan llamada ?ganancia generada por el mercado? no es otra cosa que el medio para garantizar el crecimiento de la renta monopólica. Por supuesto la nacionalización / socialización de los monopolios también se puede utilizar para los bancos, al menos para los más grandes. Pero la socialización de su intervención ("políticas de crédito") tiene características específicas que requieren de más precisión en la constitución de sus consejos de administración. La nacionalización en el sentido más clásico se refiere únicamente a la substitución de consejos de administración conformados por accionistas privados por otros definidos por el Estado. Esto permitiría en principio, la implementación de políticas de crédito formuladas desde el Estado, lo cual no es poco. Pero no es suficiente si consideramos que la socialización requiere de la participación de accionistas sociales relevantes en la gestión del banco. Aquí la gestión de los bancos por sus propios trabajadores no sería lo más apropiado. El personal afectado debe ser incorporado en las decisiones sobre sus propias condiciones laborales, pero poco más, debido a que no le corresponde determinar las políticas de crédito que deben ser implementadas. Si los consejos de administración deben lidiar con el conflicto de intereses entre quienes proveen préstamos (los bancos) y aquellos que los reciben (las "empresas"), la fórmula para la composición de los consejos de administración debe ser diseñada tomando en cuenta cuáles son estas empresas y que es lo que necesitan. Necesitamos una restructuración del sistema bancario, sistema que se ha convertido en algo excesivamente centralizado desde que los marcos regulatorios de los últimos dos siglos fueron abandonados en las últimas cuatro décadas. Este es un argumento fuerte que justifica la reconstrucción de la especialización bancaria en función de los requerimientos de los beneficiarios de los créditos, así como de su propia función económica (provisión de liquidez a corto plazo, contribuir a la financiación de inversiones en el mediano y largo plazo). Deberíamos entonces por ejemplo, crear un " banco agrícola" (o un conjunto coordinado de bancos agrícolas) entre cuya clientela se incluyan no solo pequeños propietarios de tierra y campesinos sino también a todos los involucrados en las diferentes entidades de la agricultura descritas arriba. El consejo de administración del banco podría incorporar por un lado a los ?bancarios" (personal del banco, los que han sido reclutados por el consejo de administración) y otros clientes (pequeños propietarios de tierra o campesinos, y otras entidades. Podemos imaginar también otros tipos de sistemas articulados de bancos, adecuados para diferentes sectores industriales, en donde los consejos de administración podrían incluir clientes industriales, así como centros de investigación, tecnología y servicios, para asegurar el control del impacto ecológico de la industria, y de esta manera garantizar el mínimo riesgo (reconociendo claro está que ninguna acción humana está completamente libre de riesgos), y vincularlo a un debate transparente y democrático. La des-financialización de la gestión económica requiere asimismo de dos tipos de legislación. La primera referente a la autoridad de un Estado soberano para prohibir que fondos especulativos (fondos de cobertura) operen en su propio territorio. La segunda es la referida a los fondos de pensiones, los cuales se han convertido actualmente en los mayores operadores en la financialización del sistema económico. Estos fondos fueron designados, en Estados Unidos en primer lugar por supuesto, para transferir a los trabajadores los riesgos normalmente asumidos por el capital, y que constituyen las razones a las que se suele apelar para justificar la remuneración del capital! Esto constituye un arreglo escandaloso, en clara contradicción incluso con la defensa ideológica del capitalismo! Pero esta "invención" es un instrumento ideal para las estrategias de acumulación dominadas por los monopolios. La abolición de los fondos de pensiones es necesaria para el beneficio de sistemas redistributivos de pensiones, los cuales por su propia naturaleza, requieren de un debate democrático para determinar las cantidades y periodos de contribución así como la relación entre las cantidades de las pensiones y los pagos. En una democracia que respeta derechos sociales, los sistemas de pensiones son universalmente accesibles para todos los trabajadores. Todas las medidas de de-financialización sugeridas aquí nos llevan a una conclusión obvia: Un mundo sin Wall Street, tomando prestado el título de un libro de François Morin, es posible y deseable. En un mundo sin Wall Street, la economía está todavía controlada por el mercado. Pero por primera vez estos mercados son verdaderamente transparentes, regulados por una negociación democrática entre actores sociales genuinos (actores que por primera vez ya no son adversarios, como ocurre bajo el capitalismo). Es el ?mercado? financiero, opacado por la naturaleza y el carácter de los requerimientos de la gestión para beneficio de los monopolios, el que desaparece. Podríamos incluso explorar si es que es útil o no terminar con el intercambio de acciones, dado que los derechos a la propiedad (tanto en su forma privada como social) serían dirigidos de otra manera. El simbolismo en cualquier caso?un mundo sin Wall Street- conserva todo su poder. Des-financialización no significa en cualquier caso la abolición de la política macroeconómica y en particular la gestión macro del crédito. Por el contrario, restaura su eficiencia al liberándola de la subyugación a estrategias que buscan la maximización de las rentas de los monopolios. La restauración de los poderes de los bancos centrales nacionales, ya no más ?independientes? sino dependientes tanto del Estado como de los mercados y regulados por la negociación democrática entre los accionistas sociales, nos otorga la formulación de una política macro de crédito capaz de permitir una gestión social de la economía. En el nivel internacional: desconexión En este punto voy a utilizar el término ?desconexión? que propuse hace medio siglo, un concepto que el discurso contemporáneo aparentemente ha sustituido por el sinónimo "des-globalización". Nunca he conceptualizado desconexión como una forma autárquica de refugio, sino como un cambio estratégico de cara tanto a las fuerzas internas como externas en respuesta a los requerimientos inevitables del desarrollo autodeterminado. La desconexión promueve la reconstrucción de una globalización basada en la negociación, en vez de una subordinación a los intereses exclusivos de los monopolios imperialistas. La desconexión hace también posible la reducción de las desigualdades internacionales. La desconexión es necesaria porque sin ésta, las medidas definidas en las dos secciones previas de este artículo no podrán ser jamás implementadas a escala global, o incluso tampoco a nivel regional (por ejemplo en Europa). Estas medidas únicamente podrán empezar a realizarse en el contexto de los estados / naciones a partir de luchas sociales y políticas, comprometidas con un proceso de socialización del manejo de su economía. El imperialismo, bajo la forma adoptó hasta justo después de la Segunda Guerra Mundial, generó un fuerte contraste entre centros imperialistas industrializados y periferias dominadas donde la industria fue prohibida. Las victorias de los movimientos de liberación nacional iniciaron el proceso de industrialización de las periferias, mediante la implementación de políticas de desconexión necesarias para alcanzar el desarrollo endógeno. Asociadas con reformas sociales, que para aquellos tiempos eran reformas radicales, estas desconexiones crearon las condiciones para un eventual "surgimiento" de los países que más lejos habían llegado en esa dirección ? obviamente con China a la cabeza de este bloque de países. Pero el imperialismo del actual momento histórico, el imperialismo de la Triada, está forzado a renegociar y "ajustarse? a las condiciones de este nuevo momento, y por lo tanto a reconstruirse bajo nuevas bases, basadas en "ventajas" mediante las cuales se busca mantener el privilegio de la exclusividad que he clasificado en cinco categorías. Estas se refieren al control de: · tecnología · acceso a recursos naturales del planeta · integración global de los sistemas monetarios y financieros · sistemas de comunicación e información · armas de destrucción masiva. Actualmente, la principal forma de desconexión es aquella definida precisamente por estos cinco privilegios del imperialismo contemporáneo. Los países emergentes están destinados a la desconexión de estos cinco privilegios, con distintos grados de control y auto determinación. Mientras que el éxito temprano en las pasadas dos décadas de desconexión permitió la aceleración de su desarrollo, en particular a través del desarrollo industrial dentro del sistema "liberal" globalizado, es decir "capitalista", este éxito ha alimentado la desilusión sobre la posibilidad de continuar por este camino, es decir, emergiendo como los nuevos ?socios capitalistas de igual nivel?. La intención de "cooptar" a los más prestigiosos de estos países mediante la creación del G20 ha fomentado estas ilusiones. Pero con la actual implosión del sistema imperialista (llamado "globalización"), estas ilusiones deben disiparse. El conflicto entre los poderes imperialistas de la Triada y los países emergentes ya es visible, y se espera que empeore. Si quieren avanzar, las sociedades de los países emergentes se verán forzadas a avanzar hacia modelos de desarrollo autosuficientes mediante planes nacionales y a través del fortalecimiento de la cooperación Sur-Sur. La audacia, en estas circunstancias, incluye un compromiso vigoroso y coherente hasta el final, que vincule las medidas requeridas de desconexión con los avances deseados en el progreso social. El objetivo de esta radicalización implica: la democratización de la sociedad; el consecuente progreso social asociado; y la toma de posiciones antiimperialistas. Un compromiso en esta dirección es posible, no solo para las sociedades de los países emergentes, sino también para los "abandonados" o los ?invisibilizados? del Sur global. Estos países han sido recolonizados a través de los programas de ajuste estructural de los 1980s. Sus pueblos están actualmente movilizados, y o bien han alcanzado algunas victorias (en América del Sur) o no lo han logrado todavía (en el mundo árabe). Audacia significa que la izquierda radical de estas sociedades debe tener el coraje necesario para medir los retos que afronta y apoyar la continuación y radicalización de las necesarias luchas actualmente en marcha. La desconexión del Sur prepara el camino para la deconstrucción del propio sistema imperialista. Esto es específicamente obvio claro en áreas afectadas por el manejo del sistema monetario y financiero global, resultado de la hegemonía del dólar. Pero cuidado: es una ilusión esperar que a este sistema le sustituya ?otro mundo monetario y otro sistema financiero" que sea más equilibrado y favorable para el desarrollo de las periferias. Como suele ocurrir, la búsqueda de un ?consenso? basado en la reconstrucción internacional y producido desde arriba, es un mero deseo en espera de que ocurra un milagro. Lo que está en la agenda ahora es la deconstrucción del sistema existente ? su propia implosión ? y la reconstrucción de sistemas nacionales alternativos (para países, continentes o regiones), algo que ya ha comenzado a suceder en América del Sur. Audacia es tener el coraje de avanzar con la mayor determinación posible, sin preocuparse demasiado por cómo vaya a reaccionar el imperialismo. La misma cuestión de la desconexión es igualmente importante para Europa, que es una especie de sub escenario de globalización dominado por monopolios. El proyecto europeo fue diseñado desde afuera y construido sistemáticamente para desposeer a la gente de su capacidad para ejercer su poder democrático. La Unión Europea fue establecida como un protectorado de los monopolios. Con la implosión de la zona euro, la subordinación a la ganancia de los monopolios ha significado la abolición de la democracia, que ha sido reducida al estatus de farsa y que adopta formas extremas, concentrándose solo en la pregunta: cómo el ?mercado" (o sea los monopolios) y las ?agencias de calificación de riesgos? (es decir, de nuevo los monopolios) reaccionan? Actualmente ese es el único asunto planteado. Ya no es un tema a ser considerado el cómo la gente reacciona. Está claro que ni aquí ni allí existe una alternativa a la audacia: es necesario "desobedecer" las reglas impuestas por la "Constitución Europea" y el ficticio Banco Central Europeo. En otras palabras, no existe otra alternativa que deconstruir las instituciones europeas y la zona euro. Este es el pre requisito insoslayable para la eventual reconstrucción de "otra Europa" de pueblos y naciones. En conclusión: Audacia, más audacia, siempre audacia. En definitiva esto es lo que quiero decir con audacia: (i) Para la izquierda radical de las sociedades de la Triada imperialista, la necesidad de un compromiso para construir un bloque social anti monopólico. (ii) Para la izquierda radical de las sociedades de la periferia, el compromiso de construir un bloque social alternativo anti-comprador. anti-imperialista. Va a tomar tiempo avanzar en la construcción de estos bloques, pero podría darse una aceleración si es que la izquierda radical se mueve con determinación y se compromete en avanzar por el largo camino al socialismo. Es sin embargo necesario proponer estrategias no para ?salir de la crisis del capitalismo? sino para "salir del capitalismo en crisis", como dice el título de uno de mis recientes trabajos. Nos encontramos en un periodo crucial de la historia. La única legitimidad del capitalismo es haber creado las condiciones para transitar al socialismo, que debemos entenderlo como una fase más avanzada de la civilización. El capitalismo es ya un sistema obsoleto, su continuidad solo puede llevarnos a la barbarie. No es posible otro capitalismo. La posibilidad de un choque de civilizaciones es, como siempre, incierto. O la izquierda radical triunfa mediante la audacia de sus propias iniciativas para elaborar avances revolucionarios, o la contra revolución ganará. Todas las estrategias de la izquierda no radical no son de hecho estrategias, sino tan solo ajustes coyunturales a los altibajos de un sistema que implosiona. Y si el poder que se quiere, como Le Guépard, es el de "cambiar todo para que nada cambie", y si los candidatos de la izquierda creen que es posible "cambiar la vida sin tocar el poder de los monopolios", la izquierda no radical no detendrá el triunfo de la barbarie del capitalismo. Ya han perdido la batalla por no querer enfrentarlo. Audacia es lo que hace falta para provocar el otoño del capitalismo, otoño que será anunciado por la implosión del propio sistema y por el nacimiento de una auténtica primavera de los pueblos, una primavera posible. Referencias bibliograficas: Samir Amin, Sortir de la crise du capitalisme ou sortir du capitalisme en crise ; Le temps des cerises, 2009. Samir Amin, Ending the crisis of capitalism or ending capitalism. Pambazuka Press 2011 Samir Amin, Du capitalisme à la civilisation ; Syllepse, 2008. Aurélien Bernier, Désobéissons à l?Union Européenne ; Les mille et une nuits, 2011. Jacques Nikonoff, Sortir de l?euro ; Mes mille et une nuits, 2011. François Morin, Un monde sans Wall Street ; Le seuil, 2011. -------------------------------------------------------------------------------- [1] Sobre los inputs: ?Se empieza considerando, por razones de simplificación, que se produce un sólo bien (o servicio) por una empresa y que para producirlo es necesario una serie de elementos denominados factores de producción (también pueden ser denominados insumos o inputs). El bien o servicio producido recibe el nombre de output. La función que relacionaría las cantidades de la cantidad de factores productivos utilizados con el output obtenido recibe el nombre de función de producción. Los inputs utilizados serían las materias primas, productos intermedios (comprados a otra empresa u obtenidos en otro proceso de producción de la misma empresa), el trabajo humano usado, los suministros de energía, agua y similares, el coste de reponer el capital utilizado, maquinaria, herramientas), ya que sufre desgaste por el uso en el proceso de fabricación. Una simplificación frecuente es reducir a dos los factores: capital y trabajo. Trabajo representaría el trabajo humano, capital el resto? en http://es.wikipedia.org/wiki/Microeconom%C3%ADa -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Senão, vejamos: O fenômeno mais importante e abrangente de 2011: o novo ciclo da crise capitalista, agora afetando diretamente a governos, que não poupa a nenhum governo do centro do capitalismo. Como se poderia explicar, sem uma visão crítica do capitalismo e dos seus mecanismos de crise cíclica? Como explicar se as sociedades norteamericanas e europeias seriam os modelos que deveríamos seguir? Como explicar se no centro da crise estão os sistemas bancários, o FMI, o Banco Central Europeu e o modelo neoliberal? Como explicar que um governo que, tudo o que fez em 2011 foi correr atrás de ministros corruptos, herdados do governo Lula, tenha a mais alta popularidade de um governo no seu primeiro ano? Como explicar, se as políticas econômicas e sociais nao forma incluídas entre as pautas essenciais desse governo? Como explicar que seu ídolo francês, Strauss-Kahn, praticamente escolhido pela velha mídia para dirigir a França, caia em desgraca em um episódio de alguns minutos apenas? Sabia-se desse aspecto da sua vida, mas como era o dirigente máximo do FMI e iria capitalizar o descontentamento com Sarkozy para fazer um governo super moderado, era melhor nao dar destaque, até que nao deu mais para segurar e terminou a carreira do seu ídolo. No Oriente Médio finalmente surgiria a democracia, descoberta por jovens mobilizados pela internet. Os velhos ditadores - todos elogiados ate ali por essa mesma mídia - cairam e forma substituídos por democracias liberais. Nada disso acontece e forças muçulmanas ganham as eleições ou ocupam os novos governos provisórios desses países, demonstrando a distancia entre a realidade dessas sociedades e as ilusões dos liberais. Toda a imoralidade do pais estava concentrada no PT, no governo Lula e nos seus aliados. De repente aparece um livro que revela as maiores negociatas da história do país, por meio da privataria tucana e a velha mídia nao tem o que dizer. Convocados por todos os meios que dispunham, manifestações fajutas cantadas em prosa e verso como a versão cabocla dos "indignados", tiveram vida curta e publico pequeno. Os brasileiros são corruptos? Se deixam comprar por alguns trocados do Bolsa Família? Dificil explicar. A Argentina, governada por dirigentes tresloucados e corruptos, reelege sua presidente no primeiro turno, com três vezes mais votos do que o segundo colocado. Como explicar isso aos leitores? O jovem, dinâmico e flamante dirigente da oposição, Aécio Neves, foi para os jornais não por seus vibrantes pronunciamentos com propostas para o país, mas pelo bafômetro, pela queda do cavalo e outras farras privadas. FHC foi comemorado nos seus 80 anos, mas deu pra se pronunciar pelo abandono das camadas populares definitivamente pelos tucanos, pelo sugestivo lema I care e outras bobagens do ramo, mesmo se saudado como a mente mais lúcida da oposição. O contingente cada vez menos de leitores dessa mídia ficou sem entender o mundo, mesmo se tivesse paciência de ler os balanços do fim de ano. Ficam esperando que o modelo econômico brasileiro imploda, que a inflação dispare, que o desemprego aumente, que o DEM não desapareça definitivamente, que o Serra e o Aécio nao troquem tabefes - pelo menos em publico - e que nao saia a CPI da Privataria. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120108/111bb46f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3755 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120108/111bb46f/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 9 20:26:45 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 9 Jan 2012 20:26:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Por_dentro_do_c=E9rebro_-_Dr_Paul?= =?iso-8859-1?q?o_Niemeyer_Filho_/_Neurocirurgi=E3o________________?= =?iso-8859-1?q?__________________HOJE_=C9_2=BAFEIRA!_MEDICINA=2C_S?= =?iso-8859-1?q?A=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Nelson Lins Por dentro do cérebro - Dr Paulo Niemeyer Filho / Neurocirurgião Não deixem de ler ! Vale a pena... Parte da entrevista da revista PODER, ao neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, abaixo, quando lhe foi perguntado: O que fazer para melhorar o cérebro ? Resposta: Vc. tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto. PODER: Cabeça tem a ver com alma? PN: Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração. PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas? PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up. PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha? PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor. PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro? PN: Todo exagero. Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância,etc. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa. PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia? PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça. PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer? PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente ,com saúde, e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha. PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas? PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando. Você acredita em Deus? PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz: "Ele está salvo". Aí, a família olha pra você e diz: "Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos apenas nós, que existe algo mais independente de religião. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120109/1040f803/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18401 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120109/1040f803/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 9 20:26:55 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 9 Jan 2012 20:26:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Quando o Brasil se tornou um sorvedouro de pessoas Message-ID: <87754458EB0D4F08BB8C0141DDA46D50@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Quando o Brasil se tornou um sorvedouro de pessoas Jan 9th, 2012 by Marco Aurélio Weissheimer. Até os nazistas registravam os mortos. Os funcionários do "sorvedouro de pessoas" da ditadura brasileira aperfeiçoaram essa metodologia macabra. Lendo K., de B.Kucinski, ficamos sabendo por que seguem fazendo isso, trancafiando nomes, existências e afetos. E somos apresentados a um Brasil desmemoriado, violento e perverso. Uma leitura obrigatória. "Até os nazistas, que reduziam suas vítimas a cinzas, registravam os mortos", observa com espanto K., em sua jornada em busca da filha desaparecida em 1974, na ditadura militar brasileira. Professora de Química na Universidade de São Paulo, ela desapareceu sem deixar vestígios, junto com seu marido, militante da ALN (Ação Libertadora Nacional), organização que pegou em armas contra a ditadura que derrubou o governo constitucional de João Goulart, em 1964. Ao contrário dos nazistas, os militares brasileiros não registravam os mortos. O Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985) registra 358 vítimas do período ditatorial, sendo que 138 são desaparecidos políticos no país. É importante fixar bem o significado da palavra "desaparecido". Trata-se de um "sorvedouro de pessoas", como define Kucinski logo no início de "K." (Expressão Popular). Ao contrário dos nazistas, que "a cada morte, davam baixa num livro", os militares e policiais do aparato repressivo da ditadura fizeram muitas pessoas desaparecer, assim como ocorreu na Argentina, no Uruguai, no Chile e em outros países latino-americanos. Nos primeiros dias da invasão da Polônia, assinala o autor, os nazistas praticaram muitas chacinas. "Enfileiravam todos os judeus de uma aldeia ao lado de uma vala, fuzilavam, jogavam cal em cima, depois terra e pronto". Mas os moradores do local sabiam quantos e quais eram os judeus fuzilados. "Não havia a agonia da incerteza". A ditadura brasileira, ao contrário, alimentou e alimentou-se da agonia da incerteza. Agonia alimentada até hoje, aliás. O livro de B. Kucinski deveria ser leitura obrigatória nas escolas brasileiras. Por várias razões. A qualidade da narrativa é uma delas. Qualidade, aqui, entendida não apenas como uma virtude estética, mas também como algo que Ítalo Calvino considerava um valor moral. Quando se percorre um ambiente de trevas, a clareza expressa, entre outras coisas, um gesto de solidariedade, compaixão e compromisso com o outro. Mas, talvez, a principal razão pela qual "K." deva ser lido, principalmente pela juventude brasileira, é que ele fala de um período da história do país até hoje sonegado da ampla maioria da população. Mais do que isso, o livro fala de um país violento, perverso, desmemoriado, obscuro e atravessado por trevas, ambiente, aliás, muito bem retratado pelas ilustrações de Enio Squeff que pontuam a narrativa. Em sua longa jornada trevas adentro, K. se dá uma conta de uma incômoda característica dos nomes de rua no Brasil: "Rua Fernão Dias, diz uma placa. Onde mora, em São Paulo, também há uma placa com esse nome, disseram-lhe que foi um famoso caçador de índios e escravos fugidos. Percorreram algumas ruas com nomes que ele desconhecia. Depois, para espanto de K., uma avenida General Milton Tavares de Souza. Ele sabia muito bem quem foi: jamais esqueceria este nome. Foi quem criou o Doi-Codi, para onde levaram Herzog e o mataram(.)" "Como foi possível nunca ter refletido sobre esse estranho costume dos brasileiros de homenagear bandidos, torturadores e golpistas como se fossem heróis ou benfeitores da humanidade". Recentemente, dois vereadores do PSOL de Porto Alegre (Pedro Ruas e Fernanda Melchiona) apresentaram um projeto na Câmara de Vereadores da cidade, propondo que a avenida Castelo Branco passasse a se chamar Avenida da Legalidade, uma tentativa de suprimir a homenagem feita a um dos ditadores golpistas de 1964. O projeto foi rejeitado, mas serviu ao menos para expor não só as viúvas da ditadura, mas também a permanência de "posições" do sistema repressivo no interior dos meios de comunicação e fora deles. "Centenas de pessoas passam por aqui todos os dias, jovens, crianças, e leem esse nome na placa, e podem pensar que é um herói. Devem pensar isso", pensou K. ao ver a placa "Viaduto General Milton Tavares". "Agora ele entendia por que as placas com os nomes dos desaparecidos foram postas num fim de mundo". Dezenas de brasileiros tiveram seus nomes e suas vidas lançadas para além do fim do mundo. Num determinado dia, eles "desapareceram", ou "foram desaparecidos", simplesmente deixaram de existir. Não é por acaso que os militares brasileiros e seus aliados civis seguem se opondo até hoje ao esclarecimento desses "desaparecimentos". Além de expressar a sobrevivência do sistema repressivo, ainda que de uma forma mais dispersa e dissimulada, essa resistência cumpre ainda o objetivo de manter vivos os sentimentos de culpa e de medo que acompanham e alimentam esse sistema. Uma das contribuições mais preciosas de K. é mostrar, em diferentes episódios narrados no livro, como a culpa e a destruição da memória andam de mãos dadas: "O esclarecimento dos sequestros e execuções, de como e quando se deu cada crime acabaria com maior parte daquelas áreas sombrias que fazem crer que, se tivéssemos agido diferentemente do que agimos, a tragédia teria sido abortada (.)" "O totalitarismo institucional exige que a culpa, alimentada pela dúvida e opacidade dos segredos, e reforçada pelo recebimento de indenizações, permaneça dentro de cada sobrevivente como drama pessoal e familiar, e não como a tragédia coletiva que foi e continua sendo, meio século depois". A oposição à abertura dos arquivos da ditadura, ao julgamento de torturadores e assassinos e à Comissão da Verdade expressa, para usar um jargão caro ao meio, a existência de elementos repressivos positivos e operantes ainda hoje. No final do livro, B.Kucinski dá um testemunho disso ao relatar como, em 2010, recebeu uma nova "pista falsa" sobre o suposto paradeiro da irmã desaparecida, um estratagema utilizado à exaustão contra seu pai, em sua jornada em busca da filha. "Esse telefone - concluí - é uma reação à mensagem inserida nas televisões há alguns meses pela Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, na qual uma artista de teatro personificou o seu desaparecimento [da irmã do autor]. O telefone da suposta turista brasileira veio do sistema repressivo, ainda articulado", afirma. A sobrevivência desse sistema repressivo depende da manutenção das trevas sobre a memória daquele período. Qual seria a reação da população brasileira se ela soubesse, por exemplo, com detalhes que prisioneiros políticos tiveram seus corpos esquartejados para não serem identificados nunca mais. B.Kucinski define seu livro como uma "exumação imprevisível de despojos de memória" que o obrigou "a tratar os fatos como literatura e não como História". Em uma das passagens dessa exumação, Jesuína Gonzaga, após muita resistência, conta a sua terapeuta: "O Fleury já tinha voltado para São Paulo de madrugada. Eu sozinha tomando conta. Então desci até lá em baixo, fui ver. A garagem não tinha janela, e a porta estava trancada com chave e cadeado. Uma porta de madeira. Mas eu olhei por um buraco que eles tinham feito para passar a mangueira de água. Vi uns ganchos de pendurar carne igual nos açougues, vi uma mesa grande e facas igual de açougueiro, serrotes, martelo. É com isso que tenho pesadelos, vejo esse buraco, pedaços de gente. Braços, pernas, cortadas. Sangue, muito sangue". Até os nazistas registravam os mortos. Os funcionários do "sorvedouro de pessoas" brasileiro decidiram aperfeiçoar essa metodologia macabra e fizeram desaparecer também esse registro. Lendo o livro de B.Kucinski ficamos sabendo por que seguem fazendo isso, trancafiando nomes, existências e afetos. E somos apresentados a um Brasil desmemoriado, violento e perverso. Um Brasil com sangue, muito sangue, e muitas verdades encarceradas que precisam vir à luz. Posted in: Ditadura Militar. Tagged: Bernardo Kucinski · Ditadura Milit -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120109/028ccc5b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 37564 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120109/028ccc5b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 10 20:16:40 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 10 Jan 2012 20:16:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_S=EDtio_da_Tortura?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: flávio braga prieto da silva Matéria interessante sobre um sítio em Sampa onde vários militantes foram torturados pela 'ditabranda'. clique http://oestopimba.blogspot.com/2011/08/o-sitio-da-tortura.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120110/9c4e1157/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 10 20:17:04 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 10 Jan 2012 20:17:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] A reportagem em que Amaury Ribeiro Jr desvenda a morte de Baumgarten e + Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem A reportagem em que Amaury Ribeiro Jr desvenda a morte de Baumgarten Como morreu Baumgarten Baumgarten Misteriosamente, dois coronéis ligados ao Garra, grupo secreto de operações do SNI, partiram para o Exterior dias depois da morte do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Ao assumir em 1986 o cargo de ministro-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), a convite do então presidente José Sarney, o general Ivan de Souza Mendes constatou que dois dos principais quadros da agência durante o governo João Baptista Figueiredo (1978-1984) ? os coronéis Ary Pereira de Carvalho, o Arizinho, e Ary de Aguiar Freire ? gozavam de uma prolongada mordomia no Exterior que fugia dos protocolos normais do governo. Homem de confiança do ex-chefe do SNI, general Octávio Medeiros, desde 1969, quando o ajudou na operação que resultou na queda dos militantes de esquerda do Colina (Comando de Libertação Nacional), em Belo Horizonte, Arizinho se encontrava em Buenos Aires, onde engordava sua aposentadoria com abono de US$ 6 mil mensais por serviços de espionagem. A mesma regalia era desfrutada pelo coronel Ary Aguiar ? homem forte de Medeiros na agência central do SNI no Rio de Janeiro ?, lotado em Genebra, na Suíça. ?Ficou claro que eles estavam no Exterior escondidos porque tinham feito algo errado. Por isso pedi que retornassem imediatamente?, disse Ivan de Souza Mendes, recentemente, a um grupo de militares amigos. A conclusão do general estava baseada numa coincidência intrigante. Os dois ?Arys? debandaram dias depois de terem sido envolvidos no assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em outubro de 1982. Dois dias antes de morrer, o jornalista compôs um dossiê que envolvia membros do SNI num plano para assassiná-lo. No chamado Dossiê Baumgarten, os dois oficiais são acusados de terem participado da reunião em que foi decidida a sua morte. A participação dos oficiais do SNI e de qualquer outro suspeito do assassinato do jornalista nunca foi comprovada. Apontado como principal testemunha do processo, o bailarino Claudio Werner Polila, o Jiló, apresentou uma versão fantasiosa alimentada pela imprensa e pela polícia na época, que acabou tirando o foco principal da investigação. Embora sofresse de problemas visuais, Polila declarou ter presenciado o sequestro do jornalista, de sua mulher, Janete Hansen, e do barqueiro Manoel Valente por ninguém menos que o chefe da Agência Central do SNI, o general Newton Cruz. Esse mistério, no entanto, já havia sido desvendado no 14 de outubro, um dia depois do desaparecimento do jornalista, por agentes do CIE de Brasília. Responsável pela análise dos fatos da semana, o então agente no Distrito Federal, Marival Dias, teve acesso a um informe interno que caiu como uma bomba na comunidade de informação. ?A notícia interna dizia que o Doutor César (o coronel José Brant) tinha comandado uma operação do Garra ? braço armado das ações clandestinas do SNI ?, que resultou na morte do Baumgarten?, disse Marival. Os detalhes do assassinato do jornalista foram passados a Marival pelo cabo Félix Freire Dias, o mesmo que cortava os ossos dos presos políticos na Casa de Petrópolis e participou de várias operações de captura e execução com o Doutor César no CIE. De acordo com Marival, o Doutor César recebeu ordens para dar uma dura no jornalista e recuperar as provas que ele estaria usando para chantagear o SNI. ?Mas, ao chegar no Rio, o Doutor César, oficial nervoso recém-chegado do CIE, acabou matando o jornalista, o que o obrigou a eliminar também sua mulher e o barqueiro Manuel.? Pescaria ? Marival esclarece que, quando a notícia chegou ao CIE, o corpo ainda não havia aparecido na praia e a imprensa nem especulava sobre o caso. De fato, o jornalista, que saiu no dia 13 de outubro para uma pescaria ao lado do barqueiro e da mulher, somente apareceu boiando doze dias depois na praia da Macumba, no bairro Recreio dos Bandeirantes. Segundo a perícia, ele não morrera por afogamento e havia marca de três tiros no cadáver. Dias depois, outros dois corpos carbonizados, apontados como sendo de Janete Hansen e do barqueiro, foram localizados em Teresópolis, mas até hoje não foram identificados pela perícia . Antigo colaborador dos serviços de informação do Exército, Baumgarten usava a revista O Cruzeiro, de sua propriedade, para defender teses favoráveis ao regime militar. Pelos serviços prestados, conseguiu que o SNI lhe fornecesse cartas destinadas a empresários nas quais pedia publicidade. Segundo um amigo do jornalista, que não quis se identificar, ele passou a usar o mesmo método para angariar fundos para a candidatura de Medeiros à Presidência da República. ?Aí está a chave do crime?, afirma o amigo. Em seu dossiê, Baumgarten conta que acabou entrando em atrito com o SNI porque a ajuda do órgão à revista não estava sendo suficiente para mantê-la. Emboscada ? Nos órgãos onde trabalhou, Marival sempre atuou nos setores de análise e informações. Sua tarefa consistia no levantamento sobre prisões e mortes de presos políticos e no cruzamento de dados fornecidos pelos interrogados ou pelos chamados ?cachorros?, militantes que colaboravam com a repressão. Essa função estratégica permitiu, segundo ele, acompanhar as principais ações do CIE comandadas pelo Doutor César, o coronel reformado José Brant Teixeira, e pelo Doutor Pablo, o coronel Paulo Malhães. ?Ao contrário do major Sebastião Curió Rodriguez, figura carimbada que teve uma atuação restrita à Guerrilha do Araguaia, os doutores César e Pablo circulavam por todo o País e estavam envolvidos nas principais operações de prisão, execução e ocultação de corpos do CIE. No Araguaia, participaram da Operação Limpeza, escondendo os cadáveres dos guerrilheiros?, disse Marival. O ex-agente conta que os dois coronéis ganharam fama dentro dos órgãos de repressão ao montar uma emboscada em Medianeira, cidade no sudoeste do Paraná, para atrair, no dia 11 de julho de 1974, um grupo argentino de militantes de esquerda e guerrilheiros. Comandados pelo ex-sargento Onofre Pinto, os militantes da VPR fugiram do Chile, acuados pela repressão no país, e passaram pela Argentina antes de regressarem ao Brasil. Malhães era ligado ao Dina, o serviço de inteligência chileno, e ganhou o codinome ?Pablo? ao participar do gigantesco interrogatório seguido de torturas no Estádio Nacional de Santiago, logo após o golpe militar que derrubou o presidente chileno Salvador Allende. Segundo Marival, Malhães montou a emboscada no Paraná com a ajuda da Dina e do ex-sargento Alberi Vieira dos Santos, da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, o responsável por atrair os militantes para uma área de guerrilha fictícia na zona rural de Medianeira. De acordo com Marival, Alberi havia sido preso em 1965, ao comandar uma tentativa de rebelião contra o regime em Três Passos (RS), e acabou se tornando informante do CIE infiltrado na VPR. A chácara usada para a área da falsa guerrilha foi arranjada pelo então capitão Areski de Assis Pinto Abarca, chefe do serviço de inteligência do Quartel do Exército de Foz do Iguaçu, que, após a operação, passou a integrar os quadros do CIE. Comandados pelo ex-sargento Onofre Pinto, o estudante argentino Enrique Ernesto Ruggia, 18 anos, e os guerrilheiros da VPR Daniel José Carvalho, Joel José de Carvalho, José Lavéchia, Vitor Carlos Ramos e Gilberto Faria Lima, o Zorro, foram facilmente dominados pelos agentes do CIE ao chegarem na chácara de Medianeira. ?Presos, os irmãos Carvalho, Lavéchia, Vitor, Ruggia e Zorro foram torturados e executados imediatamente?, conta Marival. Em seu relato, diz que a vida do ex-sargento Onofre seria poupada porque, após ter sido torturado, ele teria aceitado colaborar com o Exército. Mas, ao consultar o implacável general Miltinho Tavares, chefe do CIE, Doutor Pablo recebeu ordem contrária. ?Temos de acabar com ele para dar o exemplo e inibir a possibilidade de novas deserções?, teria respondido o general. Alberi também teria sido assassinado, como queima de arquivo, em 1977, no Paraná. Para o secretário Nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, esse episódio pode ter originado o diálogo entre o presidente Ernesto Giesel, empossado três meses antes da emboscada, e seu segurança, o tenente-coronel Germano Arnoldi Pedrozzo, revelado pelo jornalista Elio Gaspari no livro A ditadura derrotada: ?Nessa hora tem de agir com muita inteligência para não ficar vestígio nessa coisa?, afirmou Giesel ao comentar a prisão e a morte de um grupo de sete pessoas, vindas do Chile e da Argentina, capturadas no Paraná. Comandando uma rede de informantes do CIE, Doutor César e Doutor Pablo, segundo Marival, também foram responsáveis pelo planejamento e execução de uma megaoperação em inúmeros pontos do País para liquidar, a partir de 1973, os militantes das várias tendências da Ação Popular (AP), movimento de esquerda ligado à Igreja Católica. Segundo o ex-agente, entre os mortos estão Fernando Santa Cruz Oliveira, Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho e Honestino Monteiro Guimarães, militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), movimento dissidente da AP. Irmão do reverendo Jaime Wright, Paulo Stuart foi preso e morto em São Paulo, em 1973. Os demais militantes também tombaram naquele ano e em 1974, no Rio. Antes de morrer, Honestino disse a amigos que estava sendo caçado pelos órgãos de informação do Exército em todo o País. Operação Limpeza ? Narradas por Marival, as histórias dos doutores do CIE parecem não ter fim. Em 1974, quando trabalhava em São Paulo, ele diz ter visto o coronel Brant chegar ao DOI-Codi com os dirigentes comunistas José Roman e David Capistrano, presos quando tentavam regressar ao Brasil pela fronteira do Uruguai. Segundo ele, ambos foram transferidos para a Casa de Petrópolis, onde morreram assassinados. Em 1977, quando servia no Batalhão de Infantaria de Selva, Marival diz ter deparado novamente com Brant, que se dirigia ao Araguaia numa operação de controle para evitar a localização dos corpos dos guerrilheiros do PCdoB. Em 1981, a Operação Limpeza foi reforçada com a transferência de André Pereira Leite Filho, o Doutor Edgar, oficial do DOI-Codi de São Paulo, para o CIE de Brasília. Ele integrava a tropa de choque de Aldir Santos Maciel, que eliminou oito dirigentes do Comitê Central do PCB. Preocupados com uma caravana liderada pelo advogado Paulo Fonteles, que se deslocou para o Araguaia na tentativa de localizar as ossadas de guerrilheiros, os agentes do CIE montaram uma operação, no início da década de 80, para amedrontar os moradores que pudessem fornecer informações sobre possíveis cemitérios clandestinos. De acordo com o relatório Hugo Abreu, encontrado entre a papelada do general Bandeira, a Operação Limpeza começou em janeiro de 1975 com ?as transferências dos corpos dos guerrilheiros enterrados junto às bases militares do Exército para diversos outros pontos?. Essa política de ocultação de ossadas se estendeu para outras regiões próximas onde tombaram guerrilheiros de outras organizações. Segundo Marival, em 1980 o Doutor Edgar comandou, por exemplo, uma expedição que retirou de uma fazenda em Rio Verde, em Goiás, as ossadas de Márcio Beck Machado e Maria Augusta Thomas, integrantes do Molipo (Movimento de Libertação Popular), mortos 1973 num confronto com agentes do CIE. De acordo com o fazendeiro Sebastião Cabral, os corpos enterrados em sua propriedade foram exumados por três homens em 1980, que deixaram para trás pequenos ossos e dentes perto das covas. O cortador de ossos ? Ao ser transferido para o CIE de Brasília, em 1981, Marival foi trabalhar ao lado de um dos homens mais sádicos da ditadura: o cabo Félix Freire Dias, cujos codinomes eram ?Doutor Magro? e ?Doutor Magno?. As confissões do agente do CIE, famoso por sua atuação na Casa de Petrópolis, no Rio, contribuíram para que Marival pedisse demissão do Exército, sem nenhum rendimento, no final do governo João Baptista Figueiredo (1979-1985). Durante a rotina de trabalho no CIE, Félix contou a Marival que cortava os corpos das vítimas em Petrópolis. Entre elas estava o ex-deputado federal Rubens Paiva, preso no dia 20 de janeiro de 1971, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI-Codi. ?O Doutor Magno sentia um prazer mórbido em me contar que apostava com outro carcereiro quantos pedaços ia dar o corpo de determinado prisioneiro executado. As impressões digitais eram as primeiras partes a serem cortadas?, conta Marival. O destino daqueles corpos também foi relatado por Doutor Magno: ?Ele me disse que os pedaços dos corpos, cortados nas juntas, eram colocados em sacos plásticos e enterrados em lugares diferentes para dificultar a localização.? Segundo Marival, a frieza e a morbidez de Félix, que começou no DOI-Codi como carcereiro, lhe valeram uma promoção para a tropa de elite do CIE. Designado para a Guerrilha do Araguaia, integrou-se à tropa de execução do Doutor Luquine, codinome do coronel Sebastião Curió Rodriguez. Do mesmo esquadrão passou a fazer parte ainda o cabo José Bonifácio Carvalho. Conhecido até hoje como Doutor Alexandre, Carvalho entrou nas fileiras do Exército no Pará e chegou ao CIE devido ao seu desempenho nos primeiros combates no Araguaia. ?Os dois faziam todo o tipo de trabalho sujo para o Curió, que os presenteou com a presidência e a vice-presidência da Cooperativa de Garimpeiros de Serra Pelada.? De acordo com um documento obtido por ISTOÉ, em 1º de março de 1985, às vésperas da posse de José Sarney, Félix deixou o Exército, aos 36 anos. No ano seguinte, em 31 de abril, assumiu a vice-presidência da cooperativa Mista de Garimpeiros de Serra Pelada, cujo presidente era o Doutor Alexandre. De 1993 a 1995, Doutor Magno trabalhou na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). ?O Félix andava com um uniforme da Polícia Federal e junto com o Doutor Alexandre formava a dupla de Curió que aterrorizava os garimpeiros em Serra Pelada?, afirma Jane Resende, presidente da União Nacional dos Garimpeiros. A história do Doutor Alexandre também é conhecida pelos garimpeiros. Após o término da Guerrilha, ele foi escalado por Curió para lotear as terras que deram origem a Curionópolis, cidade cujo atual prefeito é o próprio Curió. A distribuição de terras fez parte do projeto do Exército para ocupação do território por agentes do CIE, a fim evitar a localização dos corpos. Disposto a esquecer o passado, o coronel Paulo Malhães, que entrou para o Exército em 1958, também foi para a reserva no dia 1º de dezembro de 1985, aos 47 anos, no apagar das luzes do regime militar. A mesma preocupação não teve, porém, seu ex-companheiro José Brant, que até 2001 ocupava um cargo de assessor especial da atual diretora da Abin, Mariza Diniz. Até hoje ele está na folha da Agência. Um homem de decisões corajosas Nos últimos 20 anos, Marival Chaves Dias, ex-agente do DOI-Codi, tem tomado decisões corajosas. Em 1985, com o fim do regime militar, pediu demissão do Exército, sem vencimentos, depois de 25 anos de serviços prestados em órgãos de repressão. Em janeiro deste ano, resolveu finalmente revelar o nome dos militares que executavam presos políticos. ISTOÉ ? Por que o sr. só deixou o Exército após o fim do regime? Marival Dias ? Todos os militares que se insurgiram contra a ditadura, sem exceção, foram mortos. ISTOÉ ? Mas parece que o cabo Anselmo está vivo. Marival ? Ele se tornou um infiltrado especial, porque até os militares infiltrados eram eliminados. Era tão sem escrúpulos que delatou a própria mulher, grávida, morta pela repressão. ISTOÉ ? Por que só agora o sr. resolveu revelar o nome dos matadores que sabem dos cemitérios clandestinos? Marival ? Para garantir a vida de minha família. Soltei aos poucos para perceber a reação. Revelei em solidariedade aos que não podem enterrar seus entes. ISTOÉ ? O sr. sofreu represálias? Marival ? Numa situação absurda da Justiça, estou perdendo minha casa, único bem da família, só por ter atrasado em dez dias uma prestação. ISTOÉ ? E o que tem a ver isso com o seu passado? Marival ? O processo foi politizado com a anexação de uma reportagem em que eu falava dos porões do DOI. ISTOÉ ? E não dá para reverter? Marival ? Está difícil. O autor da ação morreu e o processo não foi extinto. Minha advogada, Lucineide Caliari, depois de receber os honorários, perdeu os prazos de defesa no STJ. Há 40 anos, o golpe militar João Goulart tinha origem nas bases sindicais e assustava os militares desde os tempos em que era ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, nos anos 50. Por isso, só assumiu a Presidência em 1961, depois da renúncia dee Jânio Quadros, porque aceitou a condição das Forças Armadas: teria seus poderes reduzidos num parlamentarismo aprovado às pressas pelo Congresso. No Planalto, Jango anunciou as reformas de base ? agrária, fiscal, administrativa, entre outras. Em 1964, defendendo uma política que para os conservadores cheirava a comunismo, já estava entalado na garganta dos militares. Em 13 de março, assinou sua sentença: na tentativa de provar que tinha o apoio popular, discursou na Central do Brasil, no Rio, para cerca de 200 mil pessoas, ao lado do cunhado esquerdista Leonel Brizola. ?As bandeiras vermelhas pedindo a legalização do PC, as faixas que exigiam a reforma agrária, etc. foram vistas pela televisão, causando arrepios nos meios conservadores?, diz o historiador Boris Fausto, no livro História do Brasil. Foi uma provocação. Os militares o acusaram de tentar um golpe comunista. Quinze dias depois, em 31 de março, tropas de Minas Gerais e de São Paulo marcharam para depor o presidente. Com a derrota inevitável, em 1º de abril Jango rumou para o exílio no Uruguai. Assumiu o cargo para o moderado marechal Humberto Castelo Branco ? o que não impediu a escalada da repressão aos opositores nos primeiros anos. Políticos foram cassados, a União Nacional dos Estudantes entrou na clandestinidade e universidades foram invadidas no dia seguinte ao golpe. Em 1965, estava instaurada a ditadura de fato, quando foi instituída a eleição indireta para a Presidência. Ines Garçoni No IstoÉ - Edição: 1798 | 24.Mar.04 http://contextolivre.blogspot.com/2012/01/reportagem-em-que-amaury-ribeiro-jr.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120110/da6c595f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 11 20:27:57 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 11 Jan 2012 20:27:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Parte I - "Torturei uns trinta" / Esse maldito passado / poblicado na Veja ..http://veja.abril.com.br/091298/p_050.htm/ parte 1 Message-ID: <0BBA48D2B52F42CF82C1FA857DA2C202@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem (Parte I) "Torturei uns trinta" O ex-tenente gostava "muito" de dar choque nos dedos e aprendeu a torturar "vendo" Alexandre Oltramari O ex-tenente Marcelo Paixão de Araújo: herdeiro de uma das grandes fortunas mineiras Foto: Moreira Mariz Marcelo Paixão de Araújo debruçou-se sobre uma mesa de vidro, na sala de seu amplo apartamento, em Belo Horizonte, pediu à empregada para trazer biscoitos, água mineral e café - e prestou a VEJA um histórico depoimento de quase duas horas. Com ele, tornou-se o primeiro agente da repressão a admitir em público que torturava presos políticos durante a ditadura militar. Hoje, passados trinta anos, sua vida é tranqüila. Herdeiro dos fundadores do sólido Banco Mercantil, Marcelo Paixão de Araújo formou-se em direito e trabalha como corretor de seguros, em Betim, a 30 quilômetros de Belo Horizonte, para onde vai dirigindo seu Toyota do ano. Casado, duas filhas, acaba de mudar-se para um apartamento de 300 metros quadrados, na região da Savassi, um dos bairros mais chiques da capital mineira. Apesar dos 15 quilos acima do peso ideal, ele maneja seu barco no lago de Furnas, onde tem uma casa para os fins de semana. De manhã, lê por uma hora, antes de sair para o trabalho. Em casa, tem uma biblioteca de 2.500 volumes, onde se podem encontrar desde clássicos da literatura brasileira até manuais de tortura. Ele gosta de livros de política e de História e, nos últimos tempos, tem-se dedicado à leitura de biografias. Leu A Lanterna na Popa, do ex-ministro Roberto Campos, e Chatô, o Rei do Brasil, do jornalista Fernando Morais. "A tortura causa um desgaste muito grande. Nunca me neguei a torturar alguém, mas só fazia quando havia necessidade. Mas a brincadeirinha não tem a menor graça, viu?" (risos) Em 1968, Marcelo Paixão de Araújo servia como tenente no 12º Regimento de Infantaria do Exército em Belo Horizonte, um dos três centros mais conhecidos de tortura da capital mineira durante a ditadura militar. Ali, permaneceu até 1971. "Fiquei porque achava que a única forma de consertar o país era por meio das Forças Armadas", diz. Ao deixar a caserna, foi trabalhar na empresa do pai, a Minas Brasil, braço de seguros do Banco Mercantil, onde ocupava o cargo de superintendente técnico. Raríssimas vezes usava terno e gravata. Preferia trabalhar de calça jeans. "Ele era diferente do pai e dos irmãos. Era um moleque, uma pessoa muito alegre, que vivia contando piada", diz uma ex-funcionária da empresa. "Descobri que eu não havia nascido para ser executivo", conta Marcelo. Ali, trabalhou seis anos, mas teve tantos problemas que saiu da empresa para o divã do analista. Fez sete anos de análise. Ele garante que não recorreu ao divã em função da passagem pelo porão e diz que vive em paz com seu passado. Na entrevista a VEJA, o ex-tenente alternou estados de humor, indo da descontração à rispidez em segundos. Aqui, ele conta como e por que torturou três dezenas de presos políticos, de 1968 a 1971: O engenheiro Leovi Carísio, hoje com 52 anos, foi uma das vítimas de tortura do ex-tenente. Era militante do grupo Colina/VAR-Palmares, ficou mais de três anos preso e passou pelo pau-de-arara, "esticamento" e tomou choque. Ele explica: "Marcelo me obrigava a deitar de costas numa mesa. Aí, ele amarrava meus punhos e tornozelos aos pés da mesa e puxava de um lado ao outro até envergar meu tronco. Era horrível" Foto: Moreira Mariz Veja - Durante a ditadura, em depoimentos na Justiça Militar, 22 presos políticos acusam o senhor de tortura. É verdade? Araújo - Quem lhe disse isso? Veja - Vi nos processos na Justiça Militar. E, pela quantidade de presos que o citaram, o senhor é o agente da repressão que mais praticou torturas. É verdade? Araújo - Sim. Todos os depoimentos de presos que me acusam de tortura são verdadeiros. Veja - O senhor fez isso cumprindo ordens ou achava que deveria fazê-lo? Araújo - Eu poderia alegar questões de consciência e não participar. Fiz porque achava que era necessário. É evidente que eu cumpria ordens. Mas aceitei as ordens. Não quero passar a idéia de que era um bitolado. Recebi ordens, diretrizes, mas eu estava pronto para aceitá-las e cumpri-las. Não pense que eu fui forçado ou envolvido. Nada disso. Se deixássemos VPR, Polop (organizações terroristas) ou o que fosse tomar o poder ou entregá-lo a alguém, quem se aproveitaria disso seriam os comunistas. Não queríamos que o Brasil virasse o Chile de Salvador Allende. Nessa época, eu tinha 21 anos, mas não era nenhum menino ingênuo (risos). O pau comia mesmo. Quem falar que não havia tortura é um idiota. Ex-militante do PCB, três anos de cadeia, o hoje professor de História Ápio Costa Rosa, 57 anos, carrega marcas físicas da tortura. "Marcelo apagava cigarro no meu corpo, mas a pior coisa que ele fez foi me deitar no chão, colocar um cabo de vassoura no meu pescoço e subir em cima. Aí, quando eu ia respirar, ele derramava óleo no meu rosto. Estou pagando por isso tudo até hoje", diz Veja - Como o senhor aprendeu a torturar? Araújo - Vendo. Veja - O que o senhor fazia? Araújo - A primeira coisa era jogar o sujeito no meio de uma sala, tirar a roupa dele e começar a gritar para ele entregar o ponto (lugar marcado para encontros), os militantes do grupo. Era o primeiro estágio. Se ele resistisse, tinha um segundo estágio, que era, vamos dizer assim, mais porrada. Um dava tapa na cara. Outro, soco na boca do estômago. Um terceiro, soco no rim. Tudo para ver se ele falava. Se não falava, tinha dois caminhos. Dependia muito de quem aplicava a tortura. Eu gostava muito de aplicar a palmatória. É muito doloroso, mas faz o sujeito falar. Eu era muito bom na palmatória. Veja - Como funciona a palmatória? Araújo - Você manda o sujeito abrir a mão. O pior é que, de tão desmoralizado, ele abre. Aí se aplicam dez, quinze bolos na mão dele com força. A mão fica roxa. Ele fala. A etapa seguinte era o famoso telefone das Forças Armadas. Tinha gente que dizia que no telefone vinha inscrito US Army (indicando que era produto das Forças Armadas americanas). Balela. Era 100% brasileiro. O método foi muito usado nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas o nosso equipamento era brasileiro. Veja - E o que é o telefone? Araújo - É uma corrente de baixa amperagem e alta voltagem. Veja - De quanto? Araújo - Posso pegar o manual para informar com certeza. Mas não tem perigo de fazer mal. Eu gostava muito de ligar nas duas pontas dos dedos. Pode ligar numa mão e na orelha, mas sempre do mesmo lado do corpo. O sujeito fica arrasado. O que não se pode fazer é deixar a corrente passar pelo coração. Aí mata. Veja - Qual era o estágio seguinte quando o preso não falava? Araújo - O último estágio em que cheguei foi o pau-de-arara com choque. Isso era para o queixo-duro, o cara que não abria nas etapas anteriores. Mas pau-de-arara é um negócio meio complicado. No Rio e em São Paulo gostavam mais de usar o pau-de-arara do que em Minas Gerais. Mas a gente usava, sim. O pau-de-arara não é vantagem. Primeiro, porque deixa marca. Depois, porque é trabalhoso. Tem de montar a estrutura. Em terceiro, é necessário tomar conta do indivíduo porque ele pode passar mal. Também tinha o afogamento. Você mete o preso dentro da água e tira. Quando ele vai respirar, coloca dentro de novo, e vai por aí afora. É como um caldo, como se faz na piscina. Era eficiente. Mas eu não gostava. Achava que o risco era muito alto. Afogamento não era a minha praia (risos). A geladeira, uma câmara fria em que se coloca o preso, não funcionava em Belo Horizonte. Era muito caro. O que tinha era o trivial caseiro. O menu mineiro. Aos 53 anos, o engenheiro mecânico José Antônio Gonçalves Duarte, ex-militante do Partido Operário Comunista, POC, lembra com clareza seu suplício: "Esse pulha do Marcelo me torturou durante 98 dias. Era choque nos dedos, ouvidos e órgãos genitais, e afogamento. Há seis anos, eu o vi em São Paulo. Pensei: 'Como é fácil matar esse cara'. Minha mulher me puxou pelo braço e fomos embora" Fotos: Egberto Nogueira Veja - O que mais tinha no menu mineiro? Araújo - A dança da lata eu praticava muito. Veja - Como era? Araújo - Eu pegava duas latinhas de ervilha e abria. Depois, colocava o cara de pé, em cima. Veja - Sangrava? Araújo - Não. Ele falava antes disso (gargalhadas). Mas quem era mais leve agüentava mais tempo. Veja - E quem não tinha o que dizer? Araújo - Ia para a lata igual. Mas é muito fácil identificar quem tinha e quem não tinha o que falar. Veja - Como? Araújo - Militante é diferente. Jornalista é diferente de militar, que é diferente de empresário, que é diferente de militante. Ele se deixa trair por uma série de coisas. O linguajar, para começar, é diferente. Então, inocente só era torturado quando o agente era muito cru, sem conhecimento algum da práxis marxista, ou quando era um sádico. É muito fácil identificar uma pessoa que não é de esquerda. Vou dar um exemplo. Há algum tempo fui comprar dólares no Banespa, no câmbio turismo. Como até hoje tenho minha carteira militar, apresentei-a no lugar da identidade. O atendente viu a carteira, olhou para mim e perguntou: - O senhor serviu no colégio militar? - Tive uma época lá. Por quê? Você foi aluno lá? - Não. - Você foi soldado? - Não. - Escuta, eu te prendi? - Não foi bem assim. Fui preso e o senhor foi o único que acreditou em mim. Apanhei com palmatória antes de o senhor chegar e me liberar. - Sorte, hein? Já pensou se fosse o contrário? (risos). Veja - O senhor já reencontrou alguma pessoa que torturou? Araújo - Sim. Eventualmente, eu encontro ex-presos meus, inclusive os que apanharam. E o relacionamento não é muito ruim, não. Não é aquele negócio de dar beijinhos e abraços. Mas é um relacionamento de respeito. Há pouco tempo, aqui em Belo Horizonte, encontrei o Lamartine Sacramento Filho, que é professor em uma faculdade local. Segurei ele no ombro e disse: 'Você não me conhece, não?' Ele levou um susto. Aí eu disse: 'Você tá bom?' Ele disse que sim e não quis mais conversa. Mas também não passa batido, não (risos). Não deixo passar batido (sério). Veja - Por quê? Araújo - É o meu esquema. Não deixo passar batido. Não vai passar batido. Não passa batido. Vou lá, coloco a mão no ombro dele e digo: Não me esqueci de você, não. Você lembra de mim? Estamos aí. A vida continua. Veja - Quantas pessoas o senhor já torturou? Araújo - Não tenho idéia. Não sou igual a matador que faz talho na coronha do revólver para cada um que mata. Mas você quer um número aproximado? Veja - Sim. Araújo - Uns trinta. Veja - O senhor matou alguém em sessões de tortura? Araújo - Não. Já atirei, mas não matei. Veja - Mas morreu gente onde o senhor servia. Araújo - Pouca gente. O João Lucas Alves, que era um ex-sargento da FAB, foi um deles. Ele morreu na tortura. Veja - O senhor participou? Araújo - Não. Isso foi alguns dias antes de eu ser convocado. Depois que eu saí, se morreu alguém eu não sei. Veja - O que é besteira e o que é verdade no que já se escreveu sobre tortura no Brasil? Araújo - Há algumas pequenas inverdades. Mas a maioria dos fatos é correta. Há pouca besteira e muita verdade. As pessoas que participaram desse período até hoje não falaram abertamente. As altas autoridades do país foram as primeiras a tirar o seu da reta. Morri de rir ao ler o livro sobre o Geisel (refere-se ao livro que reúne as memórias do ex-presidente Ernesto Geisel, publicado no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas). Segundo o depoimento de Geisel, ele não sabia de nada, mandava apurar tudo, era um inocente. É uma gracinha isso tudo. Todos os agentes do governo que escreveram sobre a época do regime militar foram muito comedidos. Farisaicos, até. Não sabiam de nada, eram santos, achavam a tortura um absurdo. Quem assinou o AI-5? Não fui eu. Ao suspender garantias constitucionais, permitiu-se tudo o que aconteceu nos porões. É claro que havia diversas pessoas envolvidas nisso. Mas eu não vou citar o nome de ninguém. Falo apenas de mim. José Adão Pinto, que pertencia à Corrente Revolucionária, um braço mineiro da ALN, hoje é dono de uma livraria em São Paulo, tem 51 anos, casado, sem filhos: ele ficou estéril devido às intermináveis sessões de choque nos órgãos genitais e sofre de hemorróidas, pois lhe introduziam um cabo de vassoura no ânus. "Todo mundo me torturava, e não apenas o Marcelo, pois eu era o único negro" Veja - Por que o senhor deixou o Exército? Araújo - Estava numa encruzilhada. Ou eu ia para a academia ou tomava outro rumo na vida. Preferi terminar o meu curso de direito. Veja - A tortura não é uma coisa desumana? Araújo - (Silêncio) Veja - Quem tortura age como um monstro? Araújo - Monstro? (em tom indignado). Não. As pessoas que transitam em determinado meio tendem a se relacionar com seus pares. Então, militar andava com militar, policial andava com policial. Essas práticas eram normais entre nós. Quem eu achava que era monstro eram os sádicos. Eu mesmo afastei dois sargentos. Não queria sádicos trabalhando comigo. Veja - O senhor tem medo de alguma vingança? Araújo - Não. Andei armado de 1973 até 1980. Tinha um Smith & Wesson, calibre 38, de cinco tiros. Hoje não uso mais arma. Minha preocupação era a violência. Achava que tinha obrigação de reagir à violência. Aí descobri que ia armar bandido. Se for para andar armado, vou atirar pelo menos duas vezes por semana, não vou andar no volante, enfim, há uma série de precauções que precisam ser tomadas. Veja - O senhor não tem medo de que aconteça algo para suas filhas? Araújo - Uma das minhas meninas estuda direito na PUC. Há um ano, um débil mental falou para toda a sala que o pai dela tinha sido do Doi-Codi, que torturava gente, esse tipo de coisa. Veja - Ela já sabia do seu passado? Araújo - Sim. Quando uma tinha 13 anos e a outra 14, contei tudo. Foi na época em que saiu o livro Brasil: Nunca Mais. O meu nome está lá, na segunda página, para todo mundo ver (risos). É engraçado. Todo mundo tem o livro, mas pouquíssima gente leu. Veja - Foi difícil essa conversa? Araújo - Não foi muito difícil, não. Sou um bom pai. Minhas filhas foram bem criadas. Conhecem o pai que têm. Eu nunca escondi as coisas. Nunca disse a elas que fui um santinho. Disse a elas que não pensassem que eu não bati em alguém. Bati, sim. Elas ficaram um pouco chocadas e disseram: 'Pai, já sabemos, mas agora pára'. Não queriam detalhes. Eu segui a minha vida. Não adianta esconder esse tipo de coisa. A verdade uma hora vem à tona. Veja - O senhor sofreu algum tipo de crise de consciência em função da tortura? Araújo - Isso sempre deixa dramas na gente. É uma coisa pesada. Não é bom tratar um semelhante dessa forma. Você não quer aproveitar e comer um biscoitinho? (Ele come um biscoito.) Depois de deixar o Exército, tive uma grande crise de depressão. Fiz análise durante sete anos. Mas não foi por isso. Tinha problemas existenciais que não podem ser relacionados com a minha atividade no porão. Tinha problemas na empresa. Queria fazer coisas e o pessoal não queria. Foi problema profissional. Tinha um salário muito bom e ele piorou demais. E dinheiro é uma desgraça. É bom quando não faz falta. Veja - O senhor se arrepende de ter torturado? Araújo - Não me arrependo. Mas se você me perguntar se eu faria de novo, é outra conversa. É como você me perguntar se eu gostaria de voltar a ter 21 anos hoje. Com a experiência e o dinheiro que tenho atualmente, quero (risos). Mas não me arrependo de nada do que fiz. Veja - O senhor faria tudo outra vez? Araújo - Se achasse que não havia outro caminho para livrar o país do comunismo, sim. Mas, em princípio, não. Porque a tortura ou, eufemisticamente, o interrogatório por meios violentos, que não precisa necessariamente ser a porrada, causa um desgaste muito grande. Nunca me neguei a torturar alguém, porém só fazia quando havia necessidade. Mas a brincadeirinha não tem a menor graça, viu (risos). Veja - Por que o senhor fazia isso, então? Araújo - O índice de aproveitamento é de mais de 90%. A primeira vez que vi um interrogatório, como assistente, fiquei chocado. E olha que não tinha agressão. Foi só interrogatório policial duro. Veja - O que o deixou chocado? Araújo - A forma como o interrogado desmontou sem apanhar. Não adianta fazer interrogatório sem saber quem é o sujeito, de onde veio e o que faz. Era bobagem pegar um sujeito que foi flagrado com um folheto que se imaginava ser da ala vermelha do PCBR ou do PC do B. Isso não levava a lugar algum. Sabe o que funcionava demais? Um tapa com força na mesa. O cara levava um susto. E falava. Quando vi esse interrogatório, fiquei com pena do sujeito. Eram cinco pessoas em volta dele, gritando, ameaçando, chamando-o de mentiroso. Achava que o cara era inocente. Perdi a pena quando ele abriu o bico. Aí eu disse: "Ah, seu sem-vergonha, quer dizer que isso funciona". Com o tempo, vi outros interrogatórios mais duros. Em seguida, passei a atuar como agente. Veja - Por que o senhor participou disso tudo? Araújo - Eu achava que havia a necessidade de destruir as organizações de esquerda do país. Era uma convicção íntima. Nunca gostei do marxismo. Sempre fui visceralmente antimarxista. Isso é uma questão de formação. Meu pai sempre foi antimarxista. A coisa complicou quando descobri que o método (a tortura) era rápido. Bastava levar para o porão e pronto. Mas raríssimas vezes deixei de começar um interrogatório conversando com o indivíduo. Não vou dizer que no calor da prisão o cara não tenha ido direto para o porão. Já aconteceu, sim. Mas foram poucas vezes. Por que sabem o meu nome completo? Porque eu nunca escondi o meu nome. Tinha convicção quanto ao que estava fazendo. Eu não tinha codinome, como quase todo mundo. Portanto, não sou o maior torturador do país, mas sim um dos poucos que agiram de cara limpa. Veja - Hoje, quase três décadas depois, o senhor não faz nenhuma ressalva ao passado? Araújo - É preciso admitir que os resultados foram pífios. Atacamos muito a subversão e pouco a corrupção. A única coisa que o Geisel falou em seu livro que eu lhe dou razão é que não se pode fazer um movimento apenas contra. Tem de ser a favor de algo. Faltava isso no movimento. Houve outros equívocos. Para acabar com as lideranças de esquerda, acabaram com as de direita também. Cercearam o movimento estudantil, a política partidária. Foi uma pena. A gente podia ter aproveitado para fazer uma grande remodelação do país. Recentemente, lendo as memórias do Oswaldo Aranha, vi que ele diz o mesmo da Revolução de 1930. Tinha-se de aproveitar aquele período discricionário rapidamente, para impor com agilidade as reformas necessárias. Eu concordo inteiramente com ele. Veja - Por que o senhor só resolveu dar esse depoimento agora? Araújo - Porque ninguém me havia perguntado sobre isso antes. =================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120111/d9987072/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22935 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120111/d9987072/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Ex-delegado na cidade, com uma passagem relâmpago pela política, advogado conhecido desde que defendeu o fazendeiro Darli Alves dos Santos, assassino do líder seringueiro Chico Mendes, João Lucena Leal não caminha um quarteirão sem ser abordado por algum passante. Educado e atencioso, ele responde a todos, com um cumprimento respeitoso ou um dedo de prosa. Agradável, bonachão e falante, quando mergulha na década de 60, João Lucena Leal lembra de tempos duros, época em que trabalhava como agente da Polícia Federal em Fortaleza e foi acusado de ser um carrasco do porão. Ele raramente usa a palavra "tortura". Fala em "pau puro", "soco", "pau-de-arara", "ação psicológica", "espancamento" - mas quando fala em "tortura" parece que o peso da palavra o deixa arisco. Ele é acusado de aplicar o "soro da verdade", substância que induz a vítima a falar em estado de sonolência, e de colocar presos no pau-de-arara, golpeando-lhes os rins com cabo de vassoura. Na lista preparada por VEJA, com base no número de acusações feitas contra cada torturador, João Lucena Leal aparece em 11º lugar, formalmente acusado por sete presos. Ele está entre os que admitem ter torturado, mas o faz de maneira indireta, embaralhando tortura com pancadaria. Seu depoimento: Tinha gente que gozava da cara da gente. Aí era porrada. E preso não tem resistência. Vai resistir para quê? Para morrer? Eu dava dez, quinze socos, mas não na cara, pois arrebenta o maxilar, quebra os dentes. Eu batia na barriga, no peito. Não deixa marca, hematoma, nada. Aí eles davam a informação. Eu sempre procurei prender vivo. Assim a gente podia desenvolver a investigação e avançar no trabalho. Pratiquei muita ação psicológica. Levava o cara para a estrada e parava o carro. Aí dizia: "Vamos matar". Ele sabia que matava. Então, naquela situação, o cara dizia até que matou a mãe. Oitenta por cento dos casos, eu resolvia assim. O que eles não queriam era morrer. Quando colocava a mão em terrorista, levava para um descampado, à noite, e dizia: "Ou você confessa ou está rachado. Vamos te matar agora". Dava certo. Eles contavam tudo. Eu estava cumprindo o meu dever. Se não cumprisse, perdia o emprego. Quando a gente participa de operações assim, bate o remorso depois. Mas eu pensava que estava cumprindo o meu dever. Era o meu papel. E a ordem era baixar o pau. Então, eu baixava o pau. Ou me postava ao lado da lei ou virava terrorista. Era o único jeito. Estou dizendo isso porque dei minha contribuição no combate ao terror e agora tenho de contribuir para que fique registrado na História o que realmente aconteceu. Sempre esperei por este momento. Não vejo motivo para o Exército continuar escondendo isso até hoje. Deveria explicar o que estou explicando. Dizer que ninguém morreu ou foi espancado é negar a própria História. O ex-delegado Lucena Leal, 58 anos: no seu vocabulário tem "pau puro", "soco", "pau-de-arara", "espancamento" Há quinze anos, João Lucena Leal, já instalado em Porto Velho, trocou a polícia pela banca de advogado. Especializou-se na defesa de traficantes de drogas. Pelas suas contas, já defendeu "uns 300" e, geralmente, com sucesso. "Eu sei tudo sobre como se monta um inquérito falso", declara. "Por isso, acabo convencendo os juízes de que os inquéritos contra meus clientes são forjados." Fez um belo pé-de-meia. Casado pela segunda vez, três filhos, João Lucena Leal mora numa casa confortável em Porto Velho, tem 40.000 hectares de terra espalhados por diversas fazendas e quatro carros na garagem. Agora, com a eleição de José Bianco, do PFL, para o governo de Rondônia, Lucena Leal está prestes a virar o novo secretário de Segurança Pública do Estado. Católico, ele tem sempre uma Bíblia sobre a mesa, mas não vai à missa. Não se arrepende do que fez, não sofre de perturbações noturnas nem de agulhadas da consciência. "Estou tranqüilo e vivo em paz comigo", diz ele, que tem uma placa de platina na cabeça, depois que levou um tiro em combate com esquerdistas em Pernambuco. "Peço desculpas" - Outro que admite ter torturado, mas também de forma indireta, é o paranaense e ex-sargento do Exército Antonio Benedito Balbinotti, 53 anos. Durante dois anos, ele serviu no Dops e na Polícia do Exército em Curitiba, onde, em vez de Balbinotti, era conhecido como "Bob Not". Nos tempos de chumbo, uma de suas missões era impedir que presos, algemados às grades, pegassem no sono. Jogava-lhes água fria. Sétimo lugar na lista de VEJA, Balbinotti é acusado por doze presos. Chegou até a aplicar choques elétricos nas orelhas de um rapazote de 15 anos, levado direto da escola para a masmorra. Balbinotti atribui os excessos a sua pouca idade na época: Eu não tive culpa de nada. Era apenas um soldado de plantão no quartel. Cumpria ordens, não mandava fazer nada. Hoje a gente entende mais profundamente o que se passou. Eu não achava que aquilo estava certo. E, hoje, também acho que não foi certo. O que fizeram com este país? Se eu participei, infelizmente... Mas o que posso fazer se a gente não tinha uma formação especial para lidar com aquelas pessoas sem ser agressivo? Se alguém foi preso naquela época e se sentiu melindrado, eu peço desculpas. Foram erros, circunstâncias, coisas que aconteceram há trinta anos. Tudo isso aconteceu por causa da euforia da idade e da contingência em que eu vivia. Se eu soubesse, se tivesse cabeça, se mandasse alguma coisa... Eu quero esquecer, quero viver em paz. Atualmente, Balbinotti vive com sua segunda mulher e dois filhos em Barra Velha, praia do norte de Santa Catarina, numa casa modesta a 50 metros do mar. Seu trabalho é intermediar cargas de madeira e gado para as regiões Norte e Centro-Oeste. Ganha de 800 a 1 000 reais por mês e aumenta sua renda no verão, quando aluga a própria casa para turistas. Nesse período, ele e sua mulher se transferem para um cubículo nos fundos da residência. Miguel Lamano, 77 anos, seis acusações: os vizinhos pensam que ele é um velhinho pacato Foto: Antonio Milena Na categoria dos que não admitem nem tocar no assunto está um dos maiores símbolos da repressão: o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974, quando, estima-se, morreram ali dezessete pessoas. Brilhante Ustra era o homem que planejava, assistia, dava ordens - e poucas vezes sujou as próprias mãos, tanto que aparece em 13º lugar na lista, acusado por quatro presos. Além disso, nas lides do porão, Ustra não era Ustra. Apresentava-se com o codinome de "doutor Tibiriçá". Em 1987, entrou para a reserva, ao ter seu nome preterido na promoção para general, e escreveu um livro, Rompendo o Silêncio, no qual percorre a História sobre o fio da navalha: não nega que havia tortura nos porões, mas também não admite que havia. Recluso e discreto, Ustra vive com sua mulher, Maria Joseíta, e as duas filhas numa confortável casa no Lago Norte, região de classe média de Brasília. Não gosta que seu nome apareça em lugar algum - nem na lista telefônica. "Ele sofreu tanto com o estigma de torturador que hoje não tem mais nada em seu nome", conta seu irmão, o coronel da reserva Renato Brilhante Ustra. "Prefiro esquecer" - Outro recluso, quase misterioso, é o ex-sargento da Polícia Militar mineira Leo Machado, oitavo lugar no ranking, acusado por dez presos políticos. Aos 58 anos, casado, uma filha, Leo Machado vive em Belo Horizonte e tem um escritório de advocacia especializado em causas cíveis. Mas vive numa discrição total. Em seu escritório, não há placa na porta nem secretária, ele próprio atende ao telefone e, no edifício em que trabalha, ninguém o conhece. Seus vizinhos num bairro de classe média, onde mora numa casa de dois andares com um alto muro na frente, também não o conhecem direito. O ex-sargento sai de manhã num Gol 1000 e volta no fim da tarde. "Vivo o dia de hoje", diz Leo Machado, que se aposentou como delegado há cinco anos. "Não fico remoendo o passado. Não quero falar nada sobre isso. Prefiro esquecer." Eis um verbo muito conjugado pelos homens acusados de tortura na ditadura: esquecer. Ustra, símbolo da repressão: para fugir do estigma, seu nome não aparece em lugar algum, nem na lista telefônica Foto: Ana Araujo O ex-delegado Antônio Nogueira Lara Resende, 13º da lista, quatro acusações, é outro que faz tudo para não se lembrar dos anos difíceis. Primo em segundo grau de André Lara Resende, que acabou de deixar a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, o ex-delegado diz que jamais praticou tortura, afirma que os depoimentos que o acusam de torturador são fantasiosos, mas acha que os "métodos persuasivos" usados na época eram a única alternativa de combate à subversão. "Naquele contexto, a polícia tinha de ser enérgica", alega Lara Resende. "Afinal de contas, tinha de manter a ordem e dar satisfações à sociedade. Aqueles caras eram um bando de fanáticos que estavam dispostos a fazer qualquer coisa para combater o regime." Lara Resende esteve com o terror quando chefiou a Delegacia de Roubos e Furtos de Belo Horizonte, para onde eram levados os terroristas que promoviam assaltos a banco. "Eu recebia as ordens de cima. Não era um homem da força física, mas da caneta. Apenas cedia celas aos subversivos, obedecendo às ordens do comando do Dops." Mas havia tortura? "Você vai me permitir que eu escureça na minha mente a resposta a esta pergunta", responde ele. Aposentado há cinco anos, Lara Resende tornou-se um "espiritualista monoteísta" e hoje vende jóias numa loja própria. Nos fins de semana, vai para sua casa, num condomínio de luxo a 30 quilômetros de Belo Horizonte. Seu prazer é receber ali a visita de seus cinco filhos e três netos. "O resto é resto" - Na malha de reações diversas, existem os acusados que não reconhecem as acusações, mas tomam uma postura de defesa. O coronel Hilton Paulo da Cunha Portela, hoje com 62 anos, serviu no 12º Regimento de Infantaria do Exército em Belo Horizonte, entre 1969 e 1970, e é apontado como torturador por dezoito presos, ocupando o terceiro lugar da lista, apesar de ter trabalhado no porão com o codinome de "doutor Joaquim". Além de usar o pau-de-arara e os afogamentos, ele é acusado de esbofetear presos até quebrar-lhes os dentes e mandar arrancar-lhes as unhas. Também usava a técnica de ameaçar de morte os familiares dos torturados e, numa das sessões, chegou a apresentar um atestado de óbito falso da mulher de um preso. Obrigava mulheres presas a desfilar nuas diante dos torturadores e espremia seus mamilos até sangrar, para em seguida aplicar choques elétricos ligando os fios nos seios feridos. Na reserva há dez anos, o coronel Portela, como é conhecido, não fala do assunto: "Não tenho que me defender das alegadas acusações. Se tivesse qualquer problema, caberia à Justiça resolver", diz ele. "O maior problema do homem é sua consciência, e eu tenho minha consciência absolutamente tranqüila." Na década de 60, o coronel leu tudo o que pôde sobre a esquerda - "até O Capital", frisa ele, referindo-se à obra clássica de Karl Marx. Casado, dois filhos, o coronel Portela é um homem alto, forte e bronzeado de praia que vive numa ampla cobertura num prédio da Tijuca, bairro de classe média da Zona Norte do Rio de Janeiro. Atualmente, trabalha como sócio de uma corretora de seguros, a SEI, no centro do Rio, e nos finais de semana costuma ir para sua casa na praia, na Região dos Lagos. Ele se irrita quando o assunto é a selvageria da repressão na ditadura. Afirma que só os militares são acusados de tortura porque a imprensa é dominada por uma "esquerda ultrapassada" e, por isso, nunca se fala das vítimas dos terroristas. Outro que não gosta de conversa é o ex-delegado da Polícia Civil Miguel Lamano, senhor de bigodes brancos e olhos azuis que vive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Décimo segundo na lista de VEJA, Miguel Lamano é a expressão perfeita de quem não gosta de ser perturbado nem dar explicações. "Minha versão, já contei para minha família. O resto é resto", disse ele a VEJA. Acusado por seis presos de ser mais duro que os próprios militares, Miguel Lamano chegou a ser excomungado pela Igreja Católica devido a suas atividades no porão. Hoje, aos 77 anos, aposentado há doze, ele passa até oito horas por dia na varanda de sua casa. No início de outubro, um catador de papel parou na esquina de sua casa e ali ficou, sob o sol de domingo. Lamano começou a se irritar com a presença do homem e gritou: "Ei, seu preto sujo! Vamos andando!" O catador permaneceu imóvel. Lamano levantou-se da cadeira, entrou em casa e voltou com uma Winchester 22. Disparou para assustar o homem, que sumiu rápido. O caso está no 1º Distrito Policial de Ribeirão Preto. Não dará em nada, já que nem vítima houve. Só trouxe uma novidade: os vizinhos achavam que o velhinho da varanda, que só troca bom-dia e boa-tarde com moradores da redondeza, era um sujeito pacato e sereno. Os critérios da lista Para produzir o ranking da tortura no regime militar, VEJA consultou as fontes primárias. Entre abril de 1964 e março de 1979, o Superior Tribunal Militar examinou 707 processos abertos contra grupos de esquerda. No início do anos 80, os organizadores do livro Brasil: Nunca Mais conseguiram fotocopiar todos os processos, hoje guardados no arquivo pessoal do reverendo Jaime Wright, da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, um gigante na defesa dos direitos humanos. Na casa do reverendo, em Vitória, no Espírito Santo, VEJA examinou os processos, num trabalho que consumiu 23 horas. Nessa leitura, anotaram-se quantas vezes cada acusado de tortura aparecia. Assim, chegou-se à lista dos catorze mais citados. Em primeiro lugar, com 22 acusações, está o ex-tenente Marcelo Paixão de Araújo. Em último, na 14ª posição, com três acusações, aparecem três militares - um capitão da PM, um capitão-de-mar-e-guerra e um major do Exército. No rol dos mais citados, há 35 nomes. São doze civis, que pertenciam aos quadros da Polícia Federal e da Civil, e 23 militares, ligados às Forças Armadas e à Polícia Militar. A lista de acusações não significa que o ex-tenente Marcelo Paixão de Araújo, número 1 da relação, seja o maior torturador do Brasil, nem que os três militares que comparecem em último lugar, com três acusações cada um, tenham sido pouco ativos nos porões. Isso porque havia torturadores que usavam capuz ou codinome, para dificultar a identificação. E, dos 7 367 presos interrogados nos 707 processos abertos pela Justiça Militar, apenas 1 843, o que equivale a cerca de 25% do total, acusaram algum agente de tortura. Os demais presos, que não denunciaram ninguém, podem não ter sido torturados, mas também podem ter passado por sessões de suplício, porém, temendo pela própria vida, preferiram silenciar sobre seus algozes. Afinal, eles estavam sendo processados sob acusação de subversão, e o regime militar, embora já moribundo no final dos anos 70, ainda não morrera. Por fim, sabe-se que dezenas de presos entraram no porão e saíram mortos e há ainda uma centena de "desaparecidos políticos" - gente que jamais pôde incriminar o torturador. Quanto à autenticidade das acusações contidas nos 707 processos, há poucas dúvidas. Pela lógica, só um desequilibrado preso por uma ditadura faria uma denúncia infundada. Embora isso possa acontecer, a confissão do ex-tenente Marcelo Paixão de Araújo confere à lista o componente final de credibilidade. Com reportagem de Luciano Patzsch, de Curitiba, José Edward e Cláudia Campos, de Belo Horizonte, Virginie Leite, do Rio de Janeiro, e Maurício Lima, de São Paulo -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120111/496990e8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Poucos conhecem ou acompanham sua atuação, pois as atenções nacionais estão concentradas no Supremo Tribunal Federal. No site oficial está escrito que é o tribunal da cidadania. Será? Um simples passeio pelo site permite obter algumas informações preocupantes. O tribunal tem 160 veículos, dos quais 112 são automóveis e os restantes 48 são vans, furgões e ônibus. É difícil entender as razões de tantos veículos para um simples tribunal. Mais estranho é o número de funcionários. São 2.741 efetivos. Muitos, é inegável. Mas o número total é maior ainda. Os terceirizados representam 1.018. Desta forma, um simples tribunal tem 3.759 funcionários, com a média aproximada demais de uma centena de trabalhadores por ministro!! Mesmo assim, em um só contrato, sem licitação, foram destinados quase R$2 milhões para serviço de secretariado. Não é por falta de recursos que os processos demoram tantos anos para serem julgados. Dinheiro sobra. Em 2010, a dotação orçamentária foi de R$940 milhões. O dinheiro foi mal gasto. Só para comunicação e divulgação institucional foram reservados R$11 milhões, para assistência médica a dotação foi de R$47 milhões e mais 45 milhões de auxílio-alimentação. Os funcionários devem viver com muita sede, pois foram destinados para compra de água mineral R$170 mil. E para reformar uma cozinha foram gastos R$114 mil. Em um acesso digno de Oswaldo Cruz, o STJ consumiu R$225 mil em vacinas. À conservação dos jardins - que, presumo, devem estar muito bem conservados - o tribunal reservou para um simples sistema de irrigação a módica quantia de R$286 mil. Se o passeio pelos gastos do tribunal é aterrador, muito pior é o cenário quando analisamos a folha de pagamento. O STJ fala em transparência, porém não discrimina o nome dos ministros e funcionários e seus salários. Só é possível saber que um ministro ou um funcionário (sem o respectivo nome) recebeu em certo mês um determinado salário bruto. E só. Mesmo assim, vale muito a pena pesquisar as folhas de pagamento, mesmo que nem todas, deste ano, estejam disponibilizadas. A média salarial é muito alta. Entre centenas de funcionários efetivos é muito difícil encontrar algum que ganhe menos de 5 mil reais. Mas o que chama principalmente a atenção, além dos salários, são os ganhos eventuais, denominação que o tribunal dá para o abono, indenização e antecipação das férias, a antecipação e a gratificação natalinas, pagamentos retroativos e serviço extraordinário e substituição. Ganhos rendosos. Em março deste ano um ministro recebeu, neste item, 169 mil reais. Infelizmente há outros dois que receberam quase que o triplo: um, R$404 mil; e outro, R$435 mil. Este último, somando o salário e as vantagens pessoais, auferiu quase meio milhão de reais em apenas um mês! Os outros dois foram "menos aquinhoados", um ficou com R$197 mil e o segundo, com 432 mil. A situação foi muito mais grave em setembro. Neste mês, seis ministros receberam salários astronômicos: variando de R$190 mil a R$228 mil. Os funcionários (assim como os ministros) acrescem ao salário (designado, estranhamente, como "remuneração paradigma") também as"vantagens eventuais", além das vantagens pessoais e outros auxílios (sem esquecer as diárias). Assim, não é incomum um funcionário receber R$21 mil, como foi o caso do assessor-chefe CJ-3, do ministro 19, os R$25,8 mil do assessor-chefe CJ-3 do ministro 22, ou, ainda, em setembro, o assessor chefe CJ-3 do do desembargador 1 recebeu R$39 mil (seria cômico se não fosse trágico: até parece identificação do seriado "Agente 86"). Em meio a estes privilégios, o STJ deu outros péssimos exemplos. Em 2010, um ministro, Paulo Medina, foi acusado de vender sentenças judiciais. Foi condenado pelo CNJ. Imaginou-se que seria preso por ter violado a lei sob a proteção do Estado, o que é ignóbil. Não, nada disso. A pena foi a aposentadoria compulsória. Passou a receber R$25 mil. E que pode ser extensiva à viúva como pensão. Em outubro do mesmo ano, o presidente do STJ, Ari Pargendler, foi denunciado pelo estudante Marco Paulo dos Santos. O estudante, estagiário no STJ, estava numa fila de um caixa eletrônico da agência do Banco do Brasil existente naquele tribunal. Na frente dele estava o presidente do STJ. Pargendler, aos gritos, exigiu que o rapaz ficasse distante dele, quando já estava aguardando, como todos os outros clientes, na fila regulamentar. O presidente daquela Corte avançou em direção ao estudante, arrancou o seu crachá e gritou: "Sou presidente do STJ e você está demitido. Isso aqui acabou para você." E cumpriu a ameaça. O estudante, que dependia do estágio - recebia R$750 -, foi sumariamente demitido. Certamente o STJ vai argumentar que todos os gastos e privilégios são legais. E devem ser. Mas são imorais, dignos de uma república bufa. Os ministros deveriam ter vergonha de receber 30, 50 ou até 480 mil reais por mês. Na verdade devem achar que é uma intromissão indevida examinar seus gastos. Muitos, inclusive, podem até usar o seu poder legal para coagir os críticos. Triste Judiciário. Depois de tanta luta para o estabelecimento do estado de direito, acabou confundindo independência com a gastança irresponsável de recursos públicos, e autonomia com prepotência. Deixou de lado a razão da sua existência: fazer justiça. MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (SP). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120112/66a7ea61/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 12 20:18:09 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 12 Jan 2012 20:18:09 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Documentos Revelados. Message-ID: FacebookCarta O Berro.........................................................repassem Olá estou lançando o site Documentos Revelados. É um espaço com documentos dos arquivos da ditadura, recortes de jornais com notícias da época, imprensa clandestina da Resistência ... Acesse http://www.documentosrevelados.com.br/ Favor ajudar a divulgar. Um abraço Aluízio Palmar -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120112/d35d449c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 13 20:22:11 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 13 Jan 2012 20:22:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__FARC_ABRE_NOVO_S=CDTIO_NA_INTERN?= =?iso-8859-1?q?ET?= Message-ID: <6C582100F06C4D56B22674299B05B053@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem FARC ABRE NOVO SÍTIO NA INTERNET (vejam os documentos, artigos, vídeos, músicas e miuto mais) clique Site das FARC-EP: www.farc-ep.co -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120113/18d29f78/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7008 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120113/18d29f78/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120113/18d29f78/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 13 20:22:19 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 13 Jan 2012 20:22:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Henry Engler - O ex-tupamaro que revolucionou os estudos sobre Alzheimer Message-ID: <8FB4CDEB2079428F98379A380E774AA7@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Eli ex-tupamaro que revolucionou os estudos sobre Alzheimer Enviado por luisnassif, dom, 08/01/2012 - 12:46 Por Nicolas Timoshenko http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1031073-henry-engler-o-ex-guer... Henry Engler, o ex-guerrilheiro uruguaio que revolucionou a pesquisa de Alzheimer LUCAS FERRAZ, Enviado Especial ao Uruguai Para demarcar os limites de sua imaginação, Henry Engler traça um círculo que abriga e controla seus pensamentos. Foi assim na prisão, onde ele desenvolveu a técnica intuitivamente, para tentar manter-se são; na vida cotidiana, como na recente briga de trânsito em que terminou agredido; e no trabalho de pesquisa médica, que o fez chegar perto do Prêmio Nobel de Medicina, por desenvolver um dos estudos mais importantes em sua área nos últimos cem anos. Ex-preso político da ditadura uruguaia por 13 anos, 11 dos quais numa solitária, sofrendo alucinações e diagnosticado com psicose delirante crônica, Engler apresentou em 2002, na Conferência Mundial sobre o Alzheimer, em Estocolmo, um trabalho que revolucionou os estudos do cérebro. Ele detectou, pela primeira vez, a proteína amiloide, associada ao Alzheimer, em um homem vivo, passo mais importante no estudo da doença desde que o psiquiatra alemão Alois Alzheimer (1864-1915) detectou o mal, em 1906, na cabeça de um morto. "Claro que houve influência da prisão na minha investigação, ela me deu disciplina e muita paciência", disse Engler à Folha em sua sala de diretor do Cudim (Centro Uruguaio de Imagenologia Molecular), criado por ele em Montevidéu em 2008. "Para o pesquisador, o mais importante não é a inteligência, mas sim a paciência, em primeiro lugar, e depois a intuição. Tanto na prisão como na minha pesquisa, tomei um caminho intuitivo." PRISÃO Ex-dirigente Tupamaro, a maior organização da esquerda armada do Uruguai entre os anos 1960 e 70, Engler foi um dos nove reféns da ditadura instaurada em 1973. Os militares prenderam nove dirigentes e ameaçaram executá-los caso a organização retomasse as ações armadas. Além de Engler, o atual presidente uruguaio, José Pepe Mujica, e o líder e fundador dos Tupamaros, Raúl Sendic, estavam no grupo. Nascido em Paisandú em 1946, Engler era estudante de medicina e um dos dirigentes da organização. Participou de ações armadas e foi acusado pelos militares de ser um dos coautores do assassinato de Dan Anthony Mitrione, agente da CIA executado no Uruguai em 1970. Ele nega. Foi preso em 1972, aos 24 anos. No ano seguinte, acabou trancafiado em uma solitária onde viveria os próximos 11 anos. "Tinha muito problema com as vozes. Nunca vi coisas inexistentes, mas eu tinha uma toalha que se transformava em tapete mágico, cheia de sinais", conta. "Era insuportável ouvir as vozes, era muito agressivo, sentia fisicamente choques elétricos que paravam meu coração, que me seguiam torturando. Sofri isso durante anos." Uma das piores alucinações foi a constatação de que a CIA tinha instalado um dispositivo em seu cérebro. Ao pensar nos companheiros da luta armada, automaticamente o dispositivo da agência de inteligência norte-americana captava a identidade dos colegas, que "caíam" (eram presos) em seguida. Para ele era a morte. "Foi tudo intuitivo. Para controlar meus pensamentos, tratava de fazer um ponto na parede da cela e olhava fixamente para ele", conta. "Em pouco mais de um mês, via o que passava na minha cabeça, imagens que iam se formando. Até que fiz um círculo, e sempre tratava de manter essas imagens e pensamentos dentro do círculo. Seguia escutando vozes, mas agora eu podia controlar minha cabeça." LIBERDADE As alucinações só terminaram em 1984, quando deixou a solitária. Ganhou a liberdade no ano seguinte, já com leve melhora psicológica. Eram tempos de redemocratização no Uruguai. O círculo mudou a maneira de Henry Engler pensar. Aos 65 anos, ele diz ter desenvolvido uma capacidade de não reagir imediatamente a nada. Engler é calmo, ouve o interlocutor com muita atenção e não perde a piada. "Trato de ver o que passa em meu pensamento e o que está passando no do outro. Controlar os pensamentos muda a forma como o cérebro trabalha, você perde a rapidez de reagir irracionalmente. Sempre está vendo o que está pensando, isso é correto, isso não é. A prisão me ajudou a desenvolver parte disso, não podia logicamente pensar no que ia acontecer comigo. Nos momentos de perigo, quando pensava que ia ser morto, precisava muito da intuição. O cérebro vai aprendendo a funcionar de uma maneira mais efetiva, que não é lógica". Na prisão, abandonou o materialismo histórico dos tempos de militância e passou a crer em Deus -segundo diz, para sobreviver. Primeiro pensou em Che Guevara. "Che podia suportar tudo, mas comecei a pensar em uma pessoa que poderia suportar mais, e era Jesus. Comecei a pensar que era bom parecer com Jesus. 'Perdoai, Senhor, eles não sabem o que fazem'. Isso despertou minha admiração. Estive muito alterado mentalmente, e tive uma identificação com Messias, mas depois me dei conta que não seria nenhum Messias, já tinha encontrado Deus". Ao sair da prisão, Engler se mudou para a Suécia, país que recebeu muitos exilados latino-americanos. Decidiu retomar os estudos de medicina, mas a Universidade de Uppsala não aceitou os antigos registros do Uruguai. Recomeçou o curso em 1988, aos 42 anos. Por causa da idade, que ele considerava avançada para atuar como cirurgião, optou por seguir a carreira de pesquisador. "Comecei a trabalhar na universidade, onde havia cientistas de primeira linha. O método não era muito conhecido, mas tive a sorte de entender que era importante para o futuro. A carreira de pesquisador é longa, é como o trabalho para desenvolver o olfato dos cães que procuram drogas: você começa a farejar para encontrar a solução dos problemas." ALZHEIMER Em 1997, já integrado à equipe de investigação de Uppsala, Henry Engler participou de pesquisas com cientistas da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia. Nos Estados Unidos, os pesquisadores conseguiram criar uma substância que era usada em animais. Os estudos com o composto "PiB", como os suecos o nomearam, foram bem-sucedidos. Monitorada até chegar ao cérebro, a substância tornou possível detectar a proteína amiloide, associada à doença de Alzheimer. Na Suécia, a Universidade de Uppsala desenvolveu um avançado exame de imagem, e Engler e seus colegas testaram o "PiB" em homens. "Colocamos uma pequena quantidade de radioatividade nessa substância, a injetamos no corpo humano e a monitoramos até o cérebro. Com as câmeras especiais, foi possível detectar a reação da amiloide, substância do cérebro que produz a doença e vai matando os neurônios". O teste foi feito com cinco pessoas saudáveis e nove doentes. Deu certo. Era a primeira vez na história que a medicina conseguia mostrar a presença do Alzheimer no cérebro de pessoas vivas. ACERTO DE CONTAS Dividindo o tempo atualmente entre a Suécia e o Uruguai, Engler voltou ao seu país para um pequeno acerto de contas. Em 2008, fez um acordo com o governo para a criação do Cudim, erguido em frente ao mítico estádio Centenário. O centro médico é uma organização que atua em regime privado, mas que depende do Estado. "Damos assistência a toda a população do Uruguai, sem cobrar nada, porque o Estado nos deu essa oportunidade", afirma. No Cudim, há uma parceria com as Universidades de Montevidéu e de Uppsala. Os exames são para diagnósticos de câncer (todos os tipos), além de neurologia. O diagnóstico do Alzheimer deve começar a ser feito em breve. "Senti uma obrigação de ajudar, de voltar, o Uruguai estava muito distante nessa área. Senti muita gratidão pelas pessoas que lutaram pelo fim da ditadura e pela minha geração". Engler também dirige o recém-criado Clube Latino de Imaginologia Molecular, cujo objetivo é integrar toda a rede médica da região, e torce para que seu estudo ajude a encontrar uma cura para o Alzheimer, cujos tratamentos, até o momento, são todos paliativos. "Continuo sendo um revolucionário, agora lutando contra as doenças. O socialismo é não um fim, nunca vamos poder experimentá-lo totalmente", diz. E teoriza: "O cérebro está formado por dois componentes essenciais, egoísmo e solidariedade. O egoísmo é necessário para o indivíduo sobreviver. A solidariedade, para a sobrevivência da espécie. Sempre há uma luta entre o egoísmo e a solidariedade. E sempre vai existir muito egoísmo, senão o cérebro deixaria de ser cérebro. O homem precisa controlar seus pensamentos para não deixar o egoísmo prevalecer." http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-ex-tupamaro-que-revolucionou-os-estudos-sobre-alzheimer -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120113/34f2df41/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 35907 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120113/34f2df41/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 14 15:28:23 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 14 Jan 2012 15:28:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Uma_interessante_=22genealogia_?= =?windows-1252?q?da_resist=EAncia=22?= Message-ID: <009686BB8FC64C5FB51357BF3A872755@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Vila Vudu ?Inventando lutas em rede? Excerto do item 1.3 "A Resistência", do Cap. I "A Guerra", in HARDT, Michael e NEGRI, Antonio, Multidão. Guerra e democracia na era do Império [2004], Rio de Janeiro: Record (trad. Clóvis Marques; rev. Técnica Giuseppe Cocco), 2005, pp. 116-126. Voltando a examinar a genealogia das revoluções e dos movimentos de resistência da era moderna, vemos que a ideia de ?povo? tem desempenhado papel fundamental, tanto no modelo de exército popular quanto no da guerrilha, no estabelecimento da autoridade da organização e na legitimação do seu uso da violência. O ?povo? é uma forma de soberania que pretende substituir a autoridade vigente de Estado e tomar o poder. Essa moderna legitimação da soberania, mesmo no caso dos movimentos revolucionários, é na realidade produto de uma usurpação. O povo muitas vezes serve como meio termo entre o consentimento dado pela população e o comando exercido pelo poder soberano, mas de maneira geral a expressão serve apenas como tentativa de validar uma autoridade estabelecida. A moderna legitimação do poder e da soberania, mesmo em casos de resistência e rebelião está sempre assentada num elemento transcendente, seja essa autoridade (segundo as expressões de Max Weber) tradicional, racional ou carismática. A ambiguidade do conceito de povo soberano revela-se uma espécie de duplicidade, já que a relação legitimadora tende sempre a privilegiar a autoridade, e não a população como um todo. Essa relação ambígua entre o povo e a soberania explica a permanente insatisfação que vimos observando com o caráter não democrático das formas modernas de organização revolucionária, o reconhecimento de que as formas de dominação e autoridade contra as quais lutamos permanentemente reaparecem nos próprios movimentos de resistência. Além da violência exercida pelo povo passam pela mesma crise a que nos referimos anteriormente em termos de legitimação da violência de Estado. Também aqui já não têm vigência os tradicionais argumentos jurídicos e morais. Seria hoje possível imaginar um novo processo de legitimação que não se escore na soberania do povo, baseando-se, isso sim, na produtividade [p. 117] biopolítica da multidão? Poderão novas formas organizacionais de resistência e revolta finalmente satisfazer o desejo de democracia implícito em toda a moderna genealogia de lutas? Existiria um mecanismo imanente, que não recorra a qualquer autoridade transcendente, capaz de legitimar o uso da força na luta da multidão para criar uma nova sociedade baseada na democracia, na igualdade e na liberdade? Podemos sequer considerar que faça sentido falar de uma guerra da multidão? Um modelo de legitimação que encontramos na modernidade e que poderia nos ajudar a atacar essas questões é o que anima a luta de classes. Não estamos pensando aqui tanto nos projetos dos Estados e partidos socialistas, que certamente construíram suas formas modernas de soberania, mas nas lutas cotidianas dos próprios trabalhadores, seus atos coordenados de resistência, insubordinação e subversão das relações de dominação no mercado de trabalho e na sociedade de maneira geral. As classes subordinadas organizadas em revolta nunca alimentaram qualquer ilusão sobre a legitimidade da violência de Estado, mesmo quando adotavam estratégias reformistas que as levavam a tratar com o Estado, forçando-o a providenciar mecanismos de previdência social e solicitando-lhe sanção legal, como no caso do direito de greve. Elas nunca esqueceram que as leis que legitimam a violência de Estado são normas transcendentais que mantêm os privilégios da classe dominante (especialmente os direitos dos proprietários) e a subordinação do resto da população. Sabiam que enquanto a violência do capital e do Estado repousa na autoridade transcendente, a legitimação de sua luta de classes baseava-se apenas em seus próprios interesses e desejos.[96] Desse modo, a luta de classes constituía um modelo moderno da base imanente de legitimação, no sentido de que não recorria a qualquer autoridade soberana para justificar-se. Não consideramos todavia que a questão da legitimação das lutas da multidão possa ser resolvida simplesmente estudando-se a arqueologia da guerra de classes ou tentando estabelecer alguma continuidade fixa [p. 118] em relação ao passado. As lutas do passado podem fornecer exemplos importantes, mas as novas dimensões do poder requerem novas dimensões de resistência. Além disso, essas questões não podem ser resolvidas só mediante a reflexão teórica, devendo também ser atacadas na prática. Devemos retomar nossa genealogia onde a deixamos e ver como as próprias lutas reagiram. Depois de 1968, o ano em que um longo ciclo de lutas culminou simultaneamente nas regiões dominante e subordinada do mundo, a forma dos movimentos de resistência e libertação começou a mudar radicalmente ? uma mudança que correspondia às mudanças na força de trabalho e nas formas da produção social. Podemos reconhecer essa mudança primeiro que tudo nas transformações da natureza da guerra de guerrilha. A mudança mais óbvia foi que os movimentos de guerrilha começaram a transferir-se do campo para a cidade, dos espaços abertos para os espaços fechados. As técnicas de guerra de guerrilha passaram a ser adaptadas às novas condições de produção pós-fordista, de acordo com os sistemas de informação e as estruturas em rede. Finalmente, à medida que cada vez mais adotava as características da produção biopolítica, disseminando-se por todo o tecido social, a guerra de guerrilha colocava mais diretamente como sua meta a produção de subjetividade ? subjetividade econômica e cultural, tanto material quanto imaterial. Em outras palavras, não era apenas uma questão de conquistar ?corações e mentes?, e sim de criar novos corações e mentes mediante a construção de novos circuitos de comunicação, novas formas de colaboração social e novos modos de interação. Nesse processo, podemos distinguir uma tendência para ir além do modelo da moderna guerrilha, em direção a formas mais democráticas de organização em rede. Uma das máximas da guerra de guerrilha, compartilhada pelos modelos maoísta e cubano, consistia em privilegiar o rural sobre o urbano. No fim da década de 1960 e ao longo da década seguinte, as lutas de guerrilha tornaram-se cada vez mas metropolitanas, especialmente nas Américas e na Europa.[97] [p. 119] As revoltas nos guetos dos americanos de origem africana na década de 1960 terão talvez constituído o prólogo à urbanização da luta política e do conflito armado na década de 1970. Naturalmente, muito dos movimentos urbanos desse período não adotaram o modelo organizacional policêntrico típico dos movimentos de guerrilha, seguindo em grande parte o velho modelo hierárquico e centralizado das estruturas militares tradicionais. O Partido dos Panteras Negras e a Frente de Libertação do Quebec na América do Norte; os tupamaros uruguaios; e a Ação Libertadora Nacional brasileira, na América do Sul, assim como a Facção do Exército Vermelho alemão e as Brigadas Vermelhas italianas na Europa foram exemplos dessa estrutura militar centralizada e passadista. Nesse período, surgiram também movimentos urbanos descentrados ou policêntricos cujas organizações se assemelhavam ao modelo da guerrilha moderna. Em certa medida, nesses casos, as táticas de guerra de guerrilha eram simplesmente transpostas do campo para a cidade. A cidade é uma selva. Os guerrilheiros urbanos conhecem capilarmente o seu terreno, de modo que podem a qualquer momento unir-se para atacar e em seguida dispersar-se, desaparecendo em seus esconderijos. Cada vez mais, no entanto, o foco não estava em atacar os poderes dominantes, mas em transformar a própria cidade. Nas lutas metropolitanas, tornou-se cada vez mais intensa a estreita relação entre desobediência e resistência, entre sabotagem e deserção, contrapoder e projetos constituintes. As grandes lutas da Autonomia na Itália na década de 1970, por exemplo, conseguiram temporariamente redesenhar a paisagem das grandes cidades, liberando zonas inteiras nas quais novas culturas e novas formas de vida vieram a ser criadas.[98] A verdadeira transformação dos movimentos guerrilheiros nesse período, no entanto, pouco tem a ver com o terreno urbano ou rural ? ou, antes, a aparente mudança para espaços urbanos é um sintoma de uma transformação mais importante. A transformação mais profunda ocorre na relação entre a organização dos movimentos e a organização [p. 120] da produção econômica e social.[99] Como já vimos, os exércitos de operários industriais organizados nas fábricas correspondem às formações militares centralizadas no exército popular, ao passo que as formas guerrilheiras de rebelião estão ligadas à produção camponesa, dispersada pelo campo em seu relativo isolamento. A partir da década de 1970, contudo, as técnicas e as formas organizacionais da produção industrial transferiram-se para unidades de trabalho menores e mais móveis, assim como para estruturas de produção mais flexíveis, mudança frequentemente vista como uma transição da produção fordista para a produção pós-fordista. As pequenas unidades móveis e as estruturas flexíveis da produção pós-fordista correspondem em certa medida ao modelo policêntrico da guerrilha, mas o modelo guerrilheiro é imediatamente transformado pelas tecnologias do pós-fordismo. As redes de informação, comunicação e cooperação ? os eixos fundamentais da produção pós-fordista ? começam a definir os novos movimentos guerrilheiros. Não só esses movimentos utilizam tecnologias como a internet como ferramentas de organização, como também começam a adotar tais tecnologias como modelos para suas próprias estruturas organizacionais. Em certa medida, esses movimentos pós-fordistas pós-modernos completam e solidificam a tendência policêntrica dos anteriores modelos de guerrilha. De acordo com a clássica formulação cubana do foquismo ou guevarismo, as forças guerrilheiras são policêntricas, compostas de numerosos focos relativamente independentes, mas essa pluralidade deve em algum momento ser reduzida a uma unidade, tornando-se as forças guerrilheiras um exército. A ordenação em rede, em contrapartida, baseia-se na pluralidade contínua de seus elementos e redes de comunicação, de tal maneira que a redução a uma estrutura de comando centralizada e unificada é impossível. A forma policêntrica do modelo guerrilheiro evolui assim para uma forma em rede na qual não existe um centro, apenas uma pluralidade irredutível de nodos em comunicação uns com os outros. [pág. 121] Como no caso da produção econômica pós-fordista, uma característica da luta em rede da multidão é que ocorre no terreno biopolítico ? em outras palavras, ela produz diretamente novas subjetividades e novas formas de vida. É verdade que as organizações militares sempre envolveram a produção de subjetividade. O exército moderno produziu o soldado disciplinado capaz de cumprir ordens, como o operário disciplinado da fábrica fordista, e a produção do sujeito disciplinado nas modernas forças guerrilheiras era muito semelhante. Mais uma vez, a luta em rede, como a produção pós-fordista, não recorre da mesma maneira à disciplina: seus valores fundamentais são a criatividade, a comunicação e a cooperação auto-organizada. Naturalmente, esse novo tipo de força resiste e ataca o inimigo como sempre fizeram as forças militares, mas cada vez mais o seu foco é interno ? produzir novas subjetividades e novas formas expansivas de vida dentro da própria organização. Já não se toma o ?povo? como base, e a meta deixou de ser tomar o poder da estrutura do Estado soberano. Os elementos democráticos da estrutura guerrilheira são levados mais longe na forma em rede, tornando-se a organização menos um meio, e mais um fim em si mesma. Dentre os numerosos exemplos de guerra civil nas últimas décadas do século 20, a vasta maioria ainda era organizada de acordo com modelos ultrapassados, fosse o velho modelo moderno de guerrilha ou a tradicional estrutura militar centralizada, entre outros casos no Khmer Vermelho cambojano, entre os mujahedin do Afeganistão, nos casos do Hamás no Líbano e na Palestina, do Novo Exército Popular das Filipinas, do Sendero Luminoso peruano e das guerrilhas das Farc e do ELN na Colômbia. Muitos desses movimentos, sobretudo quando são derrotados, começam a se transformar, assumindo características das organizações em rede. Uma das rebeliões que olham para a frente, ilustrando a transição da organização guerrilheira tradicional para formas em rede, é a Intifada palestina, que começou pela primeira vez em 1987 e voltou a manifestar-se em 2000. São escassas as informações dignas [pág. 122] de crédito sobre a Intifada, mas dois modelos parecem coexistir nessa sublevação.[100] Por um lado, a revolta é organizada internamente por homens pobres em nível extremamente local, em torno de líderes de vizinhança e comitês populares. Os apedrejamentos e conflitos diretos com policiais e autoridades israelenses que deram início à primeira intifada rapidamente se disseminaram por grande parte de Gaza e da Cisjordânia. Por outro lado, a revolta é organizada externamente pelas diferentes organizações políticas palestinas a maioria das quais estava no exílio no início da primeira intifada, sob controle de homens de uma geração mais velha. Ao longo de suas diferentes fases, a intifada parece ter-se definido por diferentes proporções dessas duas formas organizacionais, uma interna e a outra externa; uma horizontal, autônoma e disseminada e a outra vertical e centralizada. Desse modo, a intifada é uma organização ambivalente, que aponta para trás, em direção a formas centralizadas mais antigas, e também aponta para a frente, para novas formas disseminadas de organização. As lutas contra o apartheid na África do Sul também exemplificam essa transição e a presença simultânea de duas formas organizacionais básicas, mas por um período muito mais longo. A composição interna das forças que desafiaram e acabaram derrubando o regime do apartheid era extremamente complexa e mudava com o tempo, mas é possível identificar claramente, pelo menos a partir de meados da década de 1970, com a revolta de Soweto, e ao longo da década de 1980, uma vasta proliferação de lutas horizontais. O ódio negro contra a dominação branca certamente era comum aos vários movimentos, mas eles se organizavam de forma relativamente autônomas em diferentes setores da sociedade. Os grupos estudantis foram protagonistas importantes, e os sindicatos, com uma longa história de militância na África do Sul, desempenharam um papel central. Ao longo desse período, essas lutas horizontais também mantinham uma relação dinâmica com os eixos verticais das organizações tradicionais e mais antigas de lideranças como o Congresso Nacional Africano (CNA), que se manteve [pág. 123] clandestino e no exílio até 1990. Podemos encarar esse contraste entre a organização autônoma e horizontal e a liderança centralizada como uma tensão entre as lutas organizadas (de trabalhadores, estudantes e outros) e o CNA, mas talvez seja mais esclarecedor reconhecer que também se trata de uma tensão no interior do CNA, uma tensão que em certos sentidos se manteve e ampliou-se desde a chegada do CNA ao poder mediante eleições, em 1994. Como a intifada, portanto, as lutas contra o apartheid assumiram duas formas organizacionais diferentes, assinalando um ponto de transição nessa nossa genealogia. O Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que surgiu em Chiapas na década de 1990, representa um exemplo ainda mais claro dessa transformação: os zapatistas são o pivô entre o velho modelo guerrilheiro e o novo modelo de estruturas biopolíticas em rede. Também demonstram esplendidamente como a transição econômica do pós-fordismo pode funcionar igualmente em territórios urbanos e rurais, ligando experiências locais a lutas globais.103 Os zapatistas, que surgiram como um movimento camponês e nativo, e basicamente continuam a sê-lo, usam a internet e as tecnologias de comunicação não apenas para distribuir seus comunicados para o mundo exterior como também, pelo menos em certa medida, como elemento estrutural dentro de sua organização, especialmente na medida em que ela se estende para fora do sul mexicano, alcançando os níveis nacional e global. A comunicação é elemento central da concepção de revolução dos zapatistas, e eles enfatizam repetidas vezes a necessidade de criar organizações horizontais em rede, em vez de estruturas verticais centralizadas.104 Cabe observar, naturalmente, que esse modelo organizacional descentralizado vai de encontro à nomenclatura militar tradicional do EZLN. Afinal, os zapatistas se consideram um exército, organizando-se de acordo com uma série de títulos e patentes militares. Observando-se mais de perto, contudo, é possível ver que embora adotem uma versão tradicional do modelo guerrilheiro latino-americano, inclusive com suas tendências para a hierarquia militar centralizada [pág. 124], os zapatistas constantemente minam essas hierarquias na prática, descentrando a autoridade com as elegantes inversões e a ironia típica de sua retórica. (Na verdade, eles transformam a própria ironia em estratégia política.105 O paradoxal lema zapatista do ?comandar obedecendo?, por exemplo, objetiva inverter as relações tradicionais de hierarquia dentro da organização. As posições de liderança são rotativas, e parece haver um vazio de autoridade no centro. Marcos, o porta-voz principal e ícone quase mítico dos zapatistas, tem a patente de subcomandante para enfatizar sua relativa subordinação. Além disso, o objetivo do movimento nunca foi derrotar o Estado e invocar autoridade soberana, e sim mudar o mundo sem tomar o poder.106 Em outras palavras, os zapatistas adotam todos os elementos da estrutura tradicional e os transformam, demonstrando da maneira mais clara possível a natureza e a direção da transição pós-moderna das formas organizacionais. Nas últimas décadas do século 20 também surgiram, especialmente nos EUA, numerosos movimentos que costumam ser agrupados sob a rubrica ?políticas de identidade?, nascidos basicamente das lutas feministas, das lutas de lésbicas e gays e das lutas de fundo racial. A característica organizacional mais importante desses diferentes movimentos é a insistência na autonomia e a recusa de qualquer hierarquia centralizada, de líderes ou porta-vozes. De sua perspectiva, o partido, o exército popular e a moderna força guerrilheira parecem igualmente falidos, por causa da tendência dessas estruturas para impor a unidade, negar as diferenças e subordiná-los aos interesses de outros. Se não é possível uma maneira democrática de agregação política que nos permita preservar nossa autonomia e afirmar nossas diferenças, proclamam eles, haveremos de nos manter separados, por nossa própria conta. Essa ênfase na organização democrática e na independência também se manifesta nas estruturas internas dos movimentos, nas quais encontramos uma série de importantes experiências em matéria de processos decisórios colaborativos [pág. 126], coordenação de grupos de afinidade e assim por diante. A esse respeito, o ressurgimento dos movimentos anarquistas, especialmente na América do Norte e na Europa, tem sido muito importante, por sua ênfase na necessidade de liberdade e organização democrática.108 Todas essas experiências de democracia e autonomia, até mesmo nos menores níveis, representam uma enorme riqueza para o futuro desenvolvimento dos movimentos. Finalmente, os movimentos de globalização que se estenderam de Seattle a Gênova e aos Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre e Mumbai, mobilizando os movimentos contra a guerra, constituem o exemplo até hoje mais claro de organizações disseminadas em rede. Um dos elementos mais surpreendentes dos acontecimentos de Seattle em novembro de 1999 e em cada uma das grandes manifestações ocorridas desde então é o fato de que grupos que até então considerávamos diferentes e até contraditórios em seus interesses agiam em comum ? ambientalistas com sindicalistas, anarquistas com grupos religiosos, gays e lésbicas com os que protestavam contra o complexo carcerário-industrial. Os grupos não se apresentam unidos sob qualquer autoridade únicas, antes se relacionando numa estrutura em rede. Os fóruns sociais, os grupos de afinidades e outras formas de processos decisórios democráticos constituem a base desses movimentos, que conseguem agir conjuntamente de acordo com o que têm em comum. Por isso se denominam ?movimento dos movimentos?. A plena expressão da autonomia e da diferença de cada um coincide aqui com a poderosa articulação de todos. A democracia define tanto a meta dos movimentos quanto sua constante atividade. Esses movimentos de protesto da globalização com toda a evidência se mostram limitados sob muitos aspectos. Para começar, embora sua visão e suas metas tenham alcance global, até o momento só têm mobilizado quantidades significativas de pessoas na América do Norte e na Europa. Depois, na medida em que continuarem a ser apenas movimentos de protesto, passando de uma reunião de cúpula a outra, não serão capazes de se transformar numa luta fundadora nem de articular uma organização social alternativa. Tais limitações podem ser apenas obstáculos temporários, e esses movimentos podem descobrir maneiras de superá-los. O que é mais importante para nossa exposição aqui, todavia, é a forma dos movimentos. Esses movimentos são o exemplo mais avançado até hoje de organização em rede. Concluímos assim nossa genealogia das formas modernas de resistência e guerra civil, que evoluiu inicialmente de revoltas e rebeliões disparatadas de guerrilha para um modelo unificado de exército popular; posteriormente, de uma estrutura militar centralizada para o exército policêntrico de guerrilha; e finalmente, do modelo policêntrico para a estrutura de rede disseminada. Essa é a história que ficou para trás. É sob muitos aspectos uma história trágica, cheia de derrotas brutais, mas também é um legado extraordinariamente rico que propulsiona para o futuro o desejo de libertação e influencia de maneira crucial as maneiras de concretizá-lo. (...) A estrutura disseminada em rede constitui o modelo de uma organização absolutamente democrática que corresponde às formas dominantes de produção econômica e social e também vem a ser a mais poderosa arma contra a estrutura vigente de poder. (...) Acreditamos que a multidão coloca o problema da resistência social e a questão da legitimação de seu próprio poder e violência em termos completamente diferentes (pág. 129). Efetivamente já sabemos algumas coisas que podem ajudar a orientar nossa paixão pela resistência (pág. 130). Em primeiro lugar, sabemos que hoje a legitimação da ordem global baseia-se fundamentalmente na guerra. Resistir à guerra, e portanto resistir à legitimação dessa ordem global, torna-se assim uma tarefa ética comum. Em segundo lugar, sabemos que a produção capitalista e a vida (e a produção) da multidão estão associadas de maneira cada vez mais íntima e se determinam reciprocamente. O capital depende da multidão e no entanto está constantemente sendo lançado em crises porque a multidão resiste à autoridade do capital e ao comando do capital. (Esse é um dos temas centrais da Parte 2, adiante.) No corpo-a-corpo que une a multidão e o Império no campo biopolítico, quando o Império recorre à guerra para se legitimar, a multidão recorre à democracia e a sua fundamentação política. A democracia que se opõe à guerra é uma ?democracia absoluta?. Também podemos nos referir a esse movimento democrático como um processo de ?êxodo?, na medida em que envolve o rompimento, pela multidão, dos elos que unem a autoridade soberana imperial ao consentimento dos subordinados. (A democracia absoluta e o êxodo serão os temas centrais do capítulo 3.) +++++++++++++++++++++++++++++++++++++ -------------------------------------------------------------------------------- [96] O ?jovem Marx? elabora uma crítica da transcendência que liga a violência do capital à violência do Estado. Ver por exemplo, Karl Marx, ?Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844? .... [97] Para um breve apanhado da transição para os movimentos de guerrilha urbana em todo o mundo nesse período, ver Ian Beckett, Modern Insurgencies e Counter-insurgencies (Londres: Routledge, 2001), 151-82. [98] Para relatos e análises em língua inglesa sobre a Autonomia na Itália na década de 1970, ver Steve Wright, Storming Heaven: Class Composition and Struggle in Italian Autonomist Marxism (Londres: Pluto, 2002; e Sylvere Lotinger e Christian Marazzi (orgs.) ?Italy: Autonomia?, Semio-text(e) 3, n. 3 (2980). Ver também as longas entrevistas com muitos dos protagonistas encontradas em Guido Borio, Francesca Pozzi e Gigi Roggero (orgs.) Futuro Anteriore (Roma: Derive/Approdi, 2002). [99] Ver Nick Dyer-Witherford, Cyber-Marx (Urbana: University of Illinois Press, 1999). [100] Sobre a primeira intifada ver Robert Hunter, The Palestinian Uprising (Londres: Tauris, 1991). Sobre a segunda intifada ver Roane Carey (org.), The New Intifada (Londres: Verso, 2001). 103 Lynn Stephen explica como os zapatistas misturam a mitologia Tzeltal local com ícones nacionais, como Zapata, em Zapata Lives! Histories and Cultural Politics in Southern Mexico (Berkeley: University of California Press, 2002), p. 158-75. 104 Sobre a organização em rede da estrutura dos zapatistas, ver Roger Burbach, Globalization and postmodern politics (Londres: Pluto: 2001), 116-28; Fiona Jeffries, ?Zapatismo and the Intergalactic Age?, em Roger Burbach, Globalization and postmodern politics, 129-44; e Harry Cleaver, ?The Zapatistas and the Electronic Fabric of Struggle?, em John Holloway e Eloína Paláez (orgs.) Zapatista! (Londres: Pluto, 1998), 81-103. 105 O estilo dos textos do subcomandante Marcos ? ao mesmo tempo militantes e bem-humorados ? é o melhor exemplo da maneira como os zapatistas transformaram a ironia numa estratégia política. Ver subcomandante Marcos, Our World is Our Weapon (Nova York, Seven Histories, 2001). 106 Ver John Halloway, Change the world withou taking power, (Londres: Pluto, 2002). 108 Sobre o ressurgimento de grupos anarquistas, ver David Graeber, ?For a New Anarchism?, New Left Review, 2ª. série, n. 13 [jan.-fev. 2002], 61-73. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120114/3d9425c6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 14 15:28:31 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 14 Jan 2012 15:28:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O_imperialismo_e_o_=93anti-impe?= =?windows-1252?q?rialismo=94_dos_tolos?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Castor Filho O imperialismo e o ?anti-imperialismo? dos tolos por James Petras Um dos grandes paradoxos da história são os políticos imperialistas que apregoam estar empenhados numa grande cruzada humanitária, um "missão civilizadora" histórica destinada a libertar nações e povos, enquanto praticam as mais bárbaras conquistas, guerras destrutivas e banhos de sangue em grande escala de povos conquistados de que há memória histórica. Na moderna era capitalista, as ideologias dos dominadores imperiais variaram ao longo do tempo, desde os primitivos apelos ao ?direito? à riqueza, poder, colônias e grandeza até as afirmações posteriores de uma ?missão civilizadora?. Mais recentemente os dominadores imperiais têm propalado justificações muito diversas, adaptadas a contextos, adversários, circunstâncias e públicos específicos. Este ensaio estará concentrado na análise dos argumentos ideológicos contemporâneos do império estadunidense para legitimar guerras e sanções a fim de manter a dominação. Contextualizando a ideologia imperial A propaganda imperialista varia consoante seja dirigida contra um competidor pelo poder global ou como uma justificação para a aplicação de sanções ou ainda a entrada em guerra aberta contra um adversário sócio-político local ou regional. Em relação a competidores imperiais estabelecidos (Europa) ou em ascensão na economia mundial (China), a propaganda imperial dos EUA variou ao longo do tempo. Antigamente, no século XIX, Washington proclamou a ?Doutrina Monroe?, denunciando esforços europeus para colonizar a América Latina, privilegiando os seus próprios desígnios imperiais naquela região. No século XX, quando os decisores imperiais dos EUA estavam deslocando a Europa dos recursos primários baseados nas colônias no Oriente Médio e África, aproveitou-se de vários temas. Condenou ?formas de dominação colonial? e promoveu transições ?neo-coloniais? que acabaram com monopólios europeus e facilitaram a penetração corporativa de multinacionais estadunidenses. Isto ficou claramente evidente durante e após a IIa. Guerra Mundial, nos países petrolíferos do Oriente Médio. Durante a década de 1950, quando os EUA assumiram o primado imperial e surgiu o nacionalismo anti-colonial, Washington forjou alianças com potências coloniais em declínio para combater um inimigo comum e incentivar poderes pós coloniais a combatê-lo. Mesmo com a recuperação económica pós IIa. Guerra Mundial, com o crescimento e unificação da Europa, ela ainda atuou em conjunto e sob a liderança dos EUA na repressão militar de insurgências e regimes nacionalistas. Quando se verificavam conflitos e competição entre os EUA e regimes, bancos e empresas europeias, os mass media (IMPRENSA) de cada região publicavam ?descobertas de investigação? revelando as fraudes e malfeitorias dos seus competidores ? e as agências reguladoras dos EUA impunham multas pesadas sobre os seus colegas europeus, fazendo vistas grossas à práticas semelhantes das firmas financeiras da Wall Street. Em tempos recentes a maré ascendente do imperialismo militarista e das guerras coloniais alimentadas por procuradores israelenses no estado dos EUA levaram a algumas sérias divergências entre o imperialismo estadunidense e o europeu. Com a exceção da Inglaterra, a Europa assumiu um mínimo compromisso simbólico com as guerras dos EUA e a ocupação do Iraque e Afeganistão. A Alemanha e a França concentraram-se em expandir seus mercados de exportação e suas capacidades econômicas, deslocando os EUA em grandes mercados e locais com recursos. A convergência dos EUA e de impérios europeus levou à integração de instituições financeiras e às subsequentes crises e colapso comuns mas sem qualquer política coordenada de recuperação. Ideólogos dos EUA propagaram a ideia de uma ?União Europeia em declínio e decadência?, ao passo que ideólogos europeus enfatizaram os fracassos dos ?mercados livres? anglo-americanos e as fraudes da Wall Street. Ideologia imperial, potências econômicas em ascensão e desafios nacionalistas Há uma longa história de ?anti-imperialismo? imperialista, condenações, revelações e indignações morais patrocinadas oficialmente dirigidas exclusivamente contra rivais imperialistas, potências emergentes ou simplesmente competidoras, as quais em alguns casos estão simplesmente a seguir as pegadas das potências imperiais estabelecidas. No seu auge, os imperialistas ingleses justificavam sua pilhagem em escala mundial de três continentes perpetuando a "Lenda negra" da ?crueldade excepcional? do império espanhol para com povos indígenas da América Latina, enquanto empenhava-se no maior e mais lucrativo tráfico africano de escravos. Enquanto os colonialistas espanhóis escravizavam os povos indígenas, os colonizadores anglo-americanos exterminavam-nos... Na preparação para a IIa. Guerra Mundial, as potências imperiais europeias e dos EUA, enquanto exploravam colônias asiáticas condenavam a invasão e colonização da China pela potência imperial japonesa. O Japão, por sua vez, afirmava estar a liderar forças da Ásia no combate contra o imperialismo ocidental e projetava uma esfera de ?co-prosperidade? pós colonial de parceiros asiáticos em pé de igualdade. A utilização imperialista da retórica moral ?antiimperialista? foi concebida para enfraquecer rivais e era destinada a diversos públicos. De fato, em momento algum a retórica antiimperialista serviu para ?libertar? qualquer dos povos colonizados. Em quase todos os casos a potência imperial vitoriosa apenas substituía uma forma de domínio colonial ou neocolonial por outra. O ?antiimperialismo? dos imperialistas é destinado aos movimentos nacionalistas dos países colonizados e ao seu público interno. Imperialistas britânicos fomentaram levantamentos entre as elites agro-mineiras na América Latina prometendo ?comércio livre? contra o domínio mercantilista espanhol; eles apoiaram a ?autodeterminação? dos proprietários escravocratas de plantações de algodão nos Sul dos EUA contra a União; eles apoiaram as reivindicações territoriais dos líderes tribais iroqueses contra os revolucionários anticoloniais estadunidenses explorando agravos legítimos para fins imperiais. Durante a IIa. Guerra Mundial, os imperialistas japoneses apoiaram um setor movimento nacionalista anticolonial na Índia contra o Império britânico. Os EUA condenaram o domínio colonial espanhol em Cuba e nas Filipinas e foram à guerra para ?libertar? os povos oprimidos da tirania e ali permaneceram para impor um reino de terror, exploração e domínio colonial... As potências coloniais procuram dividir os movimentos anticoloniais e criar futuros ?dominadores clientes? quando e se tiverem êxito. A utilização da retórica antiimperialista foi concebida para atrair dois conjuntos de grupos. Um grupo conservador com interesses políticos e econômicos comuns com a potência imperial, os quais partilhavam a sua hostilidade para com nacionalistas revolucionários e que procuram acumular maior vantagem ligando as suas fortunas a uma potência imperial e ascensão. Um setor radical do movimento aliava-se taticamente com a potência imperial em ascensão, com a ideia de utilizá-la para assegurar recursos (armas, propaganda, veículos e ajuda financeira) e, uma vez assegurado o poder, descartá-lo. Na maioria dos casos, neste jogo de manipulação mútua entre império e nacionalistas, os primeiros venceram tanto antes como hoje. A retórica imperialista ?antiimperialista? era igualmente destinada ao público interno, especialmente em países como os EUA que valorizavam sua herança anticolonial do século XVIII. O objetivo era ampliar a base da construção do império para além dos empedernidos lealistas, militaristas e beneficiários corporativos do império. O seu apelo procura incluir liberais, pessoas humanitárias, intelectuais progressistas, moralistas religiosos e laicos e outros ?formadores de opinião? que tivessem uma certa influência entre o público mais amplo, as pessoas que teriam de pagar com as suas vidas e dinheiro para impostos pelas guerras inter-imperialistas e coloniais. Os porta-vozes oficiais do império publicitam atrocidades reais e falsificadas dos seus rivais imperiais e destacam os infortúnios das vítimas colonizadas. A elite corporativa e os militaristas empedernidos pedem ação militar para proteger a propriedade, ou tomar recursos estratégicos; as pessoas com sentimentos humanitários e progressistas denunciam os ?crimes contra a humanidade? e refletem os apelos ?a fazer algo concreto? para salvar as vítimas do genocídio. Setores da esquerda juntam-se ao coro, descobrindo um setor de vítimas que se ajusta à sua ideologia abstrata e pedem às potências imperiais para ?armarem o povo para que se liberte? (sic). Ao conceder apoio moral e um verniz de respeitabilidade à guerra imperial, com a deglutição da ?guerra para salvar vítimas? os progressistas tornam-se o protótipo do ?anti-imperialismo dos tolos?. Tendo assegurado vasto apoio público na base do ?antiimperialismo?, as potências imperialistas sentem-se livres para sacrificar vidas de cidadãos e o tesouro público, para prosseguir a guerra, alimentada pelo fervor moral de uma causa justiceira. Quando a carnificina se arrasta e as baixas crescem e o público aborrece-se com a guerra e o seu custo, o entusiasmo de progressistas e esquerdistas transforma-se em silêncio ou pior, hipocrisia moral com afirmações de que ?a natureza da guerra mudou? ou ?que isto não é a espécie de guerra que tínhamos em mente...?. Como se os feitores da guerra alguma vez pretendessem consultar os progressistas e a esquerda sobre como e porque deveriam empenhar-se em guerras imperiais! No período contemporâneo as guerras imperiais ?antiimperialistas? e a agressão foram grandemente ajudadas pela cumplicidade de ?bases? bem financiadas chamadas ?organizações não governamentais?(ONGs) as quais atuam na mobilização de movimentos populares que podem ?convidar? à agressão imperial. (P. ex., é o que a AVAAZ esta fazendo na Síria ? Nota da redecastorphoto) Ao longo das últimas quatro décadas o imperialismo estadunidense fomentou pelo menos duas dúzias de movimentos ?de base? que destruíram governos democráticos ou dizimaram estados de previdência colectivista ou provocaram grandes danos às economias de países alvos. No Chile, durante os anos 1972-73 sob o governo eleito democraticamente de Salvador Allende, a CIA financiou a proporcionou apoio importante ? via AFL-CIO ? a proprietários privados de caminhões para paralisar o fluxo de bens e serviços. Também financiaram uma greve de um setor do sindicato de trabalhadores do cobre (na mina El Teniente) a fim de reduzir a produção de cobre e as exportações, na preparação para o golpe. Depois de os militares tomarem o poder vários responsáveis do sindicato democrata-cristão ?da base? participaram no expurgo de ativistas de esquerda eleitos do sindicato. Não é preciso dizer que imediatamente os proprietários de caminhões e trabalhadores do cobre acabaram a greve, abandonaram suas exigências e a seguir perderam todos os direitos de negociação! Na década de 1980 a CIA, através de canais do Vaticano, transferiu milhões de dólares para apoiar o ?Sindicato Solidariedade? na Polónia, transformando num herói o líder dos trabalhadores dos estaleiros de Gdansk, Lech Walesa, o qual atuou como ponta de lança na greve geral para deitar abaixo o regime. Com o seu derrube também foram derrubadas a garantia de emprego, a segurança social e a militância sindical: os regimes neoliberais reduziram a força de trabalho em Gdansk em cinquenta por cento e finalmente encerraram o estaleiro, dando um pontapé em toda a força de trabalho. Walesa aposentou-se com uma magnífica pensão presidencial, enquanto os seus antigos colegas de trabalho vagueavam nas ruas e os novos dominadores ?independentes? da Polônia proporcionavam bases militares para a NATO e mercenários para guerras imperiais no Afeganistão e no Iraque. Em 2002 a Casa Branca, a CIA, a AFL-CIO e ONGs, apoiadas por militares, homens de negócios e burocratas sindicais venezuelanos dirigiram um golpe ?das bases? que derrubou o presidente Chavez democraticamente eleito. Em 48 horas uma mobilização autêntica com um milhão de pessoas dos pobres urbanos apoiados por militares constitucionalistas derrotou os ditadores apoiados pelos EUA e repôs Chávez no poder. Subsequentemente, executivos do petróleo dirigiram um lockout apoiado por várias ONGs financiadas pelos EUA. Eles foram derrotados pela tomada da indústria do petróleo pelos trabalhadores. O golpe fracassado e o lockout custaram à economia venezuelana bilhões de dólares em rendimento perdido e provocaram um declínio de dois algarismos no PIB. Os EUA apoiaram ?bases? de jihadistas armados para libertar a ?Bósnia? e armaram as ?bases? terroristas do Exército de Libertação do Kosovo para despedaçar a Iugoslávia. Quase toda a esquerda ocidental alegrou-se quando os EUA bombardearam Belgrado, degradaram a economia e afirmaram estar ?respondendo a um genocídio?. O ?livre e independente? Kosovo tornou-se um enorme mercado de escravas brancas, passou a abrigar a maior base militar dos Estados Unidos na Europa, com a mais elevada migração per capita de qualquer país da Europa. A estratégia imperial das ?bases? combina retórica humanitária, democrática e antiimperialista com ONGs pagas e treinadas, com blitzes de IMPRENSA para mobilizar a opinião pública ocidental e especialmente ?prestigiosos críticos morais de esquerda? (caso típico da Anistia Internacional ?Human Rights Watch?? Nota da redecastorphoto) por trás das suas tomadas de poder. A consequência de movimentos imperiais promovidos a ?anti-imperialistas?: Quem ganha e quem perde? O registo histórico dos movimentos ?de base? imperialistas promovidos a ?antiimperialistas? e ?pró democracia? é constantemente negativo. Vamos resumir brevemente os resultados. No Chile a greve ?de base? dos proprietários de caminhões levou à brutal ditadura militar de Augusto Pinochet e a cerca de duas décadas de tortura, assassinatos, prisão e exílio forçados de centenas de milhares, à imposição de brutais ?políticas de mercado livre? e à subordinação às políticas imperiais dos EUA. Em resumo, as corporações multinacionais do cobre estadunidenses e a oligarquia chilena foram os grandes vencedores e a massa da classe trabalhadora e os pobres urbanos e rurais os grandes perdedores. Os EUA apoiaram ?levantamentos da base? na Europa Oriental contra a dominação soviética levou à dominação estadunidense; à subordinação à OTAN ao invés do Pacto de Varsóvia; à transferência maciça de empresas públicas nacionais, bancos e imprensa para multinacionais ocidentais. A privatização de empresas nacionais levou a níveis sem precedentes de desemprego com dois algarismos, disparo de rendas e o crescimento da pobreza entre pensionistas. As crises induziram a fuga de milhões dos trabalhadores mais educados e qualificados e à eliminação da saúde pública gratuita, da educação superior e estabelecimentos de férias para trabalhadores. Nos estados hoje capitalistas da Europa Oriental e da URSS gangs criminosas altamente organizadas desenvolveram prostituição em grande escala e redes de droga; ?empresários gangsters? estrangeiros e locais apresaram empresas públicas lucrativas e formaram uma nova classe de super oligarcas. Políticos de partidos eleitorais, pessoas de negócios locais e profissionais ligadas a ?parceiros? ocidentais foram os vencedores socioeconômicos. Pensionistas, trabalhadores, agricultores coletivos, juventude desempregada foram os grandes perdedores juntamente com os anteriormente subsidiados artistas culturais. Bases militares na Europa Oriental tornaram-se a primeira linha do império para ataque militar à Rússia e o alvo de qualquer contra-ataque. Se medirmos as consequências da mudança no poder imperial, é claro que os países da Europa Oriental tornaram-se ainda mais subservientes sob os EUA e a UE do que sob a Rússia. Crises financeiras induzidas pelo ocidente devastaram suas economias. Tropas da Europa Oriental serviram em mais guerras imperiais sob a OTAN do que sob a influência soviética; a IMPRENSA e a cultura estão sob o controle comercial do ocidente. Acima de tudo, o grau de controle imperial sobre todos os setores econômicos excedeu de longe qualquer coisa que tenha existido sob os soviéticos. O movimento ?de bases? na Europa Oriental teve êxito em aprofundar e estender o Império dos EUA; os advogados da paz, justiça social, independência nacional, de um renascimento cultural e bem-estar social com democracia foram os grandes perdedores. Liberais ocidentais, progressistas e gente de esquerda que se apaixonou pelo ?antiimperialismo? promovido pelos imperialistas são também grandes perdedores. Seu apoio ao ataque da OTAN à Iugoslávia levou ao despedaçar de um estado multinacional e à criação de enormes bases militares da OTAN e a um paraíso para traficantes de escravas no Kosovo. Seu apoio cego à promovida ?libertação? imperial da Europa Oriental devastou o estado previdência, eliminando a pressão sobre os regimes ocidentais da necessidade de competir em disposições de bem-estar. Os principais beneficiários dos avanços imperiais do ocidente via levantamentos ?de base? foram as corporações multinacionais, Pentágono e os neoliberais do livre mercado de extrema direita. Quando todo o espectro político se move para a direita um setor da esquerda e progressistas finalmente salta para o comboio. Os moralistas de esquerda perderam credibilidade e apoio, seus movimentos de paz minguaram, suas ?críticas morais? perderam ressonância. A esquerda e progressistas que foram a reboque dos ?movimentos de base? apoiados pelo império, quer em nome do ?anti-stalinismo?, ?pró democracia? ou ?antiimperialismo? nunca se empenharam em qualquer reflexão crítica; nenhum esforço para analisar as consequências negativas a longo prazo das suas posições em termos de perdas de bem-estar social, independência nacional ou dignidade pessoal. A longa história da manipulação imperialista de narrativas ?antiimperialistas? encontrou expressão virulenta nos dias de hoje. A Nova Guerra Fria lançada por Obama contra a China e a Rússia, a guerra quente que fermenta no Golfo sobre a alegada ameaça militar do Irã, a ameaça intervencionista contra ?redes de droga? da Venezuela e o ?banho de sangue? da Síria são parte integrante da utilização e abuso do ?antiimperialismo? para promover um império em declínio. Esperançosamente, os escritores de esquerda aprenderão com as ciladas ideológicas do passado e resistirão à tentação de terem acesso à IMPRENSA proporcionando uma ?cobertura progressista? a dúbios ?rebeldes? imperiais. Já é tempo de distinguir entre movimentos antiimperialistas e pró democracia genuínos e aqueles promovidos por Washington, OTAN e a IMPRENSA. 30/Dezembro/2011 O artigo original, em inglês, encontra-se em: Imperialism and the ?Anti-Imperialism of the Fools? Esta tradução foi extraída de Resistir -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120114/fdb6312c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1554 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120114/fdb6312c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 15 13:18:36 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 15 Jan 2012 13:18:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__NARA_LE=C3O_=7C_Bem_vindo_ao_sit?= =?iso-8859-1?q?e_oficial=2E_______________________________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________HOJE_=C9_DOMINGOS!_M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Novo site da NARA LEÃO. Toda sua discografia com as músicas e letras. Fotos, textos,documentos e vídeos. clique abaixo http://www.naraleao.com.br/index.php -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120115/57a96beb/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 15 13:18:43 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 15 Jan 2012 13:18:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_M=E1quinas_de_Guerra=3A_Blackwa?= =?windows-1252?q?ter=2C_Monsanto_e_Bill_Gates-_tudo_a_ver=2E=2E=2E?= =?windows-1252?q?_La_Jornada=2C_mexico=2C_janeiro_de_2012?= Message-ID: <4063EB5571394199AADD66710CD9301F@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Máquinas de Guerra: Blackwater, Monsanto e Bill Gates Silvia Ribeiro La Jornada Uma reportagem de Jeremy Scahill publicado em The Nation (Blackwater`s Black Ops, 15/09/2010) revelou que o maior exército mercenário do mundo, Blackwater (agora denominado Xe Services) vendeu serviços clandestinos de espionagem à multinacional Monsanto. A Blackwater mudou de nome em 2009, depois de tornar-se famosa em todo o mundo pelas denúncias sobre seus abusos no Iraque, incluindo os massacres de civis. Continua sendo o maior contratante privado do Departamento de Estado dos Estados Unidos em ?serviços de segurança?, ou seja, para praticar o terrorismo de estado dando ao governo a possibilidade de negar sua autoria. Muitos militares e ex-oficiais da CIA trabalham para a Blackwater ou para alguma de suas empresas vinculadas, que criou para desviar a atenção de sua má fama e gerar mais lucros vendendo seus nefastos serviços ? que vão desde informação e espionagem até infiltração, conspirações políticas e treinamento paramilitar a outros governos, bancos e empresas multinacionais. Segundo Scahill, os negócios com multinacionais - como a Monsanto e a Chevron, e gigantes financeiros como a Barclay`s e Deutsche Bank -, são canalizados através de duas empresas que são de propriedade de Erik Prince, dono da Blackwater:Total Intelligence Solutions e Terrorism Research Center. Estas compartilham oficiais e diretores com a Blackwater. Um deles, Cofer Black, conhecido por sua brutalidade sendo um dos diretores da CIA, foi quem fez contato em 2008 com a Monsanto como diretor da Total Intelligence, negociando o contrato com a companhia para espionar e infiltrar organizações de ativistas pelos direitos dos animais e contra os transgênicos e outras atividades sujas do gigante biotecnológico. Contatado por Scahill, o executivo Kevin Wilson, da Monsanto negou-se a falar, mas mais tarde confirmou a The Nation que tinham contratado Total Intelligence em 2008 e 2009, segundo a Monsanto somente para fazer o acompanhamento de ?informações públicas? de seus opositores. Além disso, disse que a Total Intelligence era uma ?entidade completamente separada da Blackwater?. Contudo, Scahill conta com cópia dos e-mails de Cofer Black posteriores à reunião com Wilson, da Monsanto, onde explica a outros ex-agentes da CIA, usando seus endereços eletrônicos na Blackwater, que a discussão com Wilson foi no sentido de que a Total Intelligence se transformaria no "braço de inteligência? da Monsanto, espionando ativistas e outras ações, inclusive fazendo com que ?nossa gente se integre legalmente a esses grupos?. A Monsanto pagou para a Total Intelligence 127 mil dólares em 2008 e 105 mil dólares em 2009. Não é de assombrar que uma empresa de ?ciências da morte? como a Monsanto, que desde suas origens tem se dedicado a produzir materiais tóxicos e a espalhar venenos, desde o Agente Laranja até os PCB (Policlorobifenilos), agrotóxicos, hormônios e sementes transgênicas se associe a outra empresa de bandidos. Quase ao mesmo tempo em que era publicado esse artigo em The Nation, a Via Campesina denunciou a compra de 500 mil ações da Monsanto, por mais de 23 milhões de dólares, pela Fundação Bill e Melinda Gates, que com isso terminou de tirar sua máscara de ?filantrópica?. É outra associação que não surpreende. Trata-se de um casamento entre os dois monopólios mais brutais da história do industrialismo: Bill Gates controla mais de 90% do mercado de programas patenteados de computação, e a Monsanto perto de 90% do mercado mundial de sementes transgênicas e a maioria do mercado global de sementes comerciais. Não existem em nenhuma outra área industrial monopólios tão vastos, cuja própria existência é uma negação do cacarejado princípio ?competição do mercado? do capitalismo. Tanto Gates como a Monsanto são muito agressivos na defesa de seus mal afamados monopólios. Ainda que Bill Gates tente dizer que a Fundação não está ligada à suas atividades comerciais, tudo o que essa faz demonstra o contrário: grande parte de suas doações termina favorecendo os investimentos comerciais do magnata, além do que ele, na realidade, não doa nada: mas sim, em vez de pagar impostos às arcas públicas, investe seus lucros onde estes o favoreçam economicamente, inclusive em propaganda de suas supostas boas intenções. Ao contrário, seus projetos financiam projetos tão destrutivos como a geoengenharia ou a substituição das medicinas naturais e comunitárias por medicamentos patenteados de alta tecnologia nas áreas mais pobres do planeta. Que coincidência, o ex-secretário de saúde do México, Julio Frenk e Ernesto Zedillo (ex-presidente mexicano) são conselheiros da Fundação. Da mesma forma que a Monsanto, Gates se dedica também a tratar de destruir a agricultura campesina em todo o planeta, principalmente através da chamada ?Aliança para uma Revolução Verde na África (AGRA). Esta funciona como cavalo de Tróia para despojar os agricultores africanos pobres de suas sementes tradicionais, substituindo-as primeiro pelas sementes das empresas e finalmente pelas transgênicas. Para isso a Fundação contratou, em 2006, justamente Robert Horsch, um diretor da Monsanto. Agora, Gates, farejando novos lucros, foi diretamente à fonte. Blackwater, Monsanto e Gates são três caras da mesma figura: a máquina de guerra contra o planeta e a maioria das pessoas que o habitam, sejam campesinos, indígenas, comunidades locais, gente que quer compartilhar informação e conhecimentos ou qualquer outra coisa, que não queira estar na lógica do lucro e destruição do capitalismo. Silvia Ribeiro é investigadora do Grupo ETC. Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120115/609de4d8/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 16 20:08:51 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 16 Jan 2012 20:08:51 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Manual_para_abandonar_o_fumo_=2E_?= =?iso-8859-1?q?________________________________________________HOJ?= =?iso-8859-1?q?E_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7?= =?iso-8859-1?q?=C3O!?= Message-ID: <90F598CBB40F42458581F414FDACBE9C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 14/01/12 Manual para abandonar o fumo (do site Dag Vulpi) Se você é mais um daqueles que está pensando ou tentando deixar o fumo, aqui vão algumas regrinhas de ouro que poderão ajudá-lo a abandonar o vício responsável por mais de 30% das mortes relacionadas ao câncer. Nem sempre é fácil largar o hábito de fumar, mas sempre é muito bom para a saúde. Alguns benefícios são imediatos; por exemplo: trinta minutos depois de a pessoa fumar o último cigarro; a pressão arterial, o batimento cardíaco e a temperatura corporal já voltam ao normal. Ao final de oito horas; o nível de oxigênio e gás carbônico do sangue começa a se equilibrar, e a chance de se ter um ataque do coração já começa a cair. Algumas semanas depois de ter abandonado o fumo; o olfato e o paladar voltam a funcionar normalmente, e a respiração já se normaliza. A pessoa que para de fumar sente-se mais energética e o seu risco de desenvolver um ataque cardíaco, após alguns meses, vai cair para menos de 50% do que quando fumava. Depois de 10 anos sem fumar, aquelas pessoas que tinham células pré-cancerosas nos pulmões passam a ter células normais e, após 20 anos de abstinência, passam a ser consideradas não fumantes. Tentações fundamentais a.. A primeira caneca de café: Mude sua rotina de tomar café longe da mesa. b.. Ao finalizar uma refeição: Em vez de permanecer sentado à mesa levante-se e caminhe. c.. O cônjuge que fuma: Todas as manhãs, lembre-se como é o bom não fumar. d.. Horas que demoram a passar: Faça alguns singelos exercícios abdominais ou faça alguns alongamentos. e.. Um amigo que lhe oferece um cigarro: Conteste que você já é um ex fumante e que pensa assim permanecer. Peça ao amigo para que jamais volte a lhe oferecer cigarros. Tentações no Trabalho a.. Conversas no corredor: Aproveite para beber um enorme copo com água ou suco. b.. Chamada telefônica de cliente chato: Use uma caneta para rabiscar uma folha de papel ou faça correntinha de clipes. c.. Cafézinho no escritório: Use a colherzinha para mexer seu café como substituto do cigarro. d.. Prazos de entrega impossíveis: Respire profundamente para relaxar. Aspire profundamente e depois lentamente. Repita este exercício dez vezes. e.. Problemas com o chefe: Analise o que deseja da situação. Fumar não lhe ajudará a encontrar a forma de resolver o problema. Tentações no lar a.. Vendo o programa de TV favorito: Mude de lugar. Sente-se no sofá em vez de seu "cadeirão do papai". b.. Ao falar ao telefone com um amigo: Mantenha suas mãos ocupadas, por exemplo, com a lista telefônica. c.. Crise familiar: Respire profundamente várias vezes. Depois trate de focar-se na solução do problema e não em fumar. d.. Sozinho em casa: Trate de manter-se ocupado. Limpe os armários, recolha o lixo... corte a grama. e.. Após as refeições: Levante da mesa imediatamente e vá escovar os dentes. Tentações sociais a.. Happy Hour após to serviço: Antes de sair, ensaie mentalmente como se portará como ex fumante. Imagine-se pedindo uma bebida, conversando com os amigos, etc. Fazendo tudo, mas sem fumar. b.. Uma festa: Antes de sair faça um pacto com você mesmo e com algum amigo que não fume. c.. Joguinho de baralho com os amigos: Tenha à mão algum substituto, o misturador de bebida, uma goma de mascar ou um palito de dentes. d.. A primeira reunião familiar após deixar de fumar: Trate de manter suas mãos ocupadas; ofereça-se para ajudar a lavar os pratos ou faça a salada. e.. Recebendo visitas que fumam: Enfoque sua atenção nos objetos que lhe rodeiam, um por um, até que o desejo de fumar passe. Tentações ao ir de um lugar a outro a.. Indo para o trabalho: Mude a forma de ir ao trabalho. Caminhe em vez de dirigir; vá de ônibus ou use uma rota alternativa. b.. Sozinho no automóvel: Para ajudá-lo a relaxar, escute uma música suave. Os substitutos orais resultam muito úteis como balas ou gomas de mascar. c.. Suas primeiras férias como não fumante: Faça alguma atividade física que distraia sua atenção, caminhe, ande de bicicleta, nade... Truques que ajudam a fumar menos a.. Comprar uma marca de cigarro que goste menos ou qualquer outra "mata-rato" (se bem que todas matam). b.. Usar piteiras. c.. Espera 5 a 10 minutos antes de acender o cigarro. d.. Lavar as mãos e enxaguar a boca após cada cigarro ajuda ao fumante a perceber como o cigarro é mal cheiroso. e.. Enxaguar a boca, escovar os dentes ou tomar um chá de menta antes de fumar, para mudar o gosto do fumo. f.. Fumar só ao ar livre ou com as janelas abertas. g.. Fumar marcas com baixo teor de nicotina e alcatrão. h.. Não fumar nunca em jejum (é quando mais nicotina se absorve). i.. Guardar o cigarro em lugares onde seja difícil encontrá-lo. j.. Comprar uma carteira por vez. k.. Não agite o cigarro na mão para diminuir sua combustão e para que a nicotina não se acumule. l.. Faça pequenos furos com um alfinete próximo ao filtro de maneira que entre ar e, a cada aspirada, diminua a quantidade de fumaça. m.. Dar menos fumadas em cada cigarro. n.. Atrasar a cada dia meia hora o primeiro cigarro. o.. Apontar diariamente o número de cigarros para estar consciente do quanto fumou. p.. Controlar o número de cigarros diários e fumar um a menos em cada dia. q.. Fumar só a metade do cigarro. r.. Tentar não tragar entre uma fumada e outra. s.. Fixar-se em um número de dias que consegue ficar sem fumar. t.. Não ficar próximo a amigos fumantes. u.. Tomar a decisão de deixar o fumo aproveitando as férias ou durante uma doença - gripe, por exemplo-, quando o fumo é menos apetecível. Motivos para deixar o fumo: a.. Faça as contas: multiplique o preço do número de carteiras que fuma por dia por 365 e vai notar que poderia pagar uma boa limpeza dentária para limpar este amarelo de seus dentes. b.. Você já fez as contas com o quanto gasta com os fumantes "chupins" (parasitas)? c.. O maldito cheiro que faz qualquer um fugir como o diabo foge da cruz. A maioria dos não fumantes se nega a beijar um fumante, dizem que é como lamber um cinzeiro. d.. Por mais que escove e lave os dentes eles permanecem com aquele amarelo pálido, assim como a unha das mãos com aquela marca amarela do alcatrão. e.. Nenhum drops ou spray disfarça de todo o cheiro do fumo. E sua roupa, ainda que esteja impecável, também manterá a fedentina do cigarro. f.. Você já pensou na quantidade de coisas que está deixando de fazer por causa do fumo? Consegue ainda dar um pique na quadra sem que o ar falte? g.. Consegue ficar mais de um minuto debaixo d'água como fazia na aposta com os amigos na infância? h.. Você está economizando uma boa parcela na conta bancária para custear as doenças que virão numa idade mais avançada decorrentes do seu hábito de fumar? i.. Para muita gente, parar de fumar é extremamente difícil. Mas deveriam pensar em todos os benefícios que isso iria trazer, como saúde, bem estar, economia, além de evitar o incômodo e a doença dos indivíduos próximos que não fumam. j.. E a mais importante de todas, quanto tempo seu amiguinho permanece ereto em cada batalha? Já está dando vexame e deixando sua parceira na mão? LEIA TAMBÉM: a.. 9 alimentos que te ajudarão deixar o cigarro b.. Crianças fumantes a beleza dos maus hábitos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120116/b62bc8c5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5216 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120116/b62bc8c5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 16 20:09:00 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 16 Jan 2012 20:09:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_A_crise_da_democracia_na_era_da?= =?windows-1252?q?_globaliza=E7=E3o_armada=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem A crise da democracia na era da globalização armada in HARDT, Michael e NEGRI, Antonio, Multidão. Guerra e democracia na era do Império [2004], Rio de Janeiro: Record (trad. Clóvis Marques; revisão técnica Giuseppe Cocco), 2005, pp. 293-301 (Cap. 3: ?Democracia?; 3.1: ?A longa marcha da democracia?) e 411. Acreditava-se que o fim da guerra fria constituiria a vitória final da democracia, mas hoje o conceito e as práticas da democracia estão em crise por toda parte. Até mesmo nos EUA, o autoproclamado paradigma global da democracia, instituições tão centrais quanto os sistemas eleitorais têm sido seriamente questionadas, e em muitas partes do mundo mal se chega a encontrar um simulacro de sistemas democráticos de governo. E o constante estado de guerra global solapa as débeis formas de democracia existentes. Ao longo de grande parte do século 20, o conceito de democracia foi ao mesmo tempo limitado e promovido pela ideologia da guerra fria. De um lado da linha divisória da guerra fria, o conceito de democracia tendia a ser definido estritamente em termos de anticomunismo, de tal forma que se tornava sinônimo de ?mundo livre?. Desse modo, a palavra democracia pouco tinha a ver com a natureza do governo: qualquer Estado que fizesse parte da muralha de defesa contra aquilo que era encarado como o totalitarismo comunista podia ser considerado ?democrático?, independente de seu efetivo grau de democracia. Do outro lado da linha divisória da guerra fria, os países socialistas também se diziam ?repúblicas democráticas?. Também essa alegação pouco tinha a ver com a natureza do governo, remetendo primordialmente, em vez disso, à oposição ao controle capitalista: qualquer país que fizesse parte da muralha de defesa contra aquilo que era considerado como dominação capitalista podia apresentar-se como uma república democrática. Em nosso mundo posterior à guerra fria, o conceito de democracia foi desvinculado de suas rígidas amarras da guerra fria e passou a navegar sem rumo. Talvez por esse motivo, há alguma esperança de que recobre sua antiga importância. A crise da democracia hoje tem a ver não só com a corrupção e a insuficiência de suas instituições e práticas, mas também com o próprio conceito. Parte da crise está no fato de que não está claro o que significa democracia num mundo globalizado. Certamente, a democracia global terá de significar algo diferente do que significava democracia no contexto nacional ao longo de toda a era moderna. Podemos ter uma ideia dessa crise da democracia pela quantidade de estudos acadêmicos recentes sobre a natureza da globalização e a guerra global em relação à democracia. Os estudiosos continuam partindo do princípio de que há apoio para a democracia, mas divergem muito quando se trata de saber se a atual forma de globalização aumenta ou diminui os poderes e possibilidades da democracia através do mundo. Além disso, desde o 11/9 o aumento das pressões de guerra polarizou as posições e, aos olhos de alguns, subordinou a necessidade de democracia às preocupações de segurança e estabilidade. A bem da clareza, vamos separar essas posições de acordo com sua atitude em relação aos benefícios da globalização para a democracia e a sua orientação política geral. Temos assim quatro categorias lógicas que dividem os que acham que a globalização promove a democracia e os que consideram que ela é um obstáculo, à esquerda e à direita. Devemos ter em mente, é claro, que nesses vários debates existem grandes zonas de superposição quanto ao que significa globalização, além do que significa democracia. As designações de direita e esquerda são apenas aproximações, mas ainda assim úteis para separar as diferentes posições. À esquerda: (a) Os argumentos social-democratas Examinemos primeiro os argumentos social-democratas, segundo os quais a democracia é debilitada ou ameaçada pela globalização, em geral definindo a globalização em termos estritamente econômicos. Tais argumentos sustentam que, a bem da democracia, os Estados-nação deviam retirar-se das forças de globalização. Certos argumentos que se encaixam nessa categoria afirmam que a globalização econômica é na realidade um mito, mas um mito poderoso, com efeitos antidemocráticos. Muitas dessas argumentações sustentam, por exemplo, que a economia internacionalizada de hoje não tem caráter inédito (há muito tempo a economia é internacionalizada); que as corporações autenticamente transnacionais (em contraste com as corporações multinacionais) ainda são raras; e que a vasta maioria do comércio que hoje acontece não é efetivamente global, ocorrendo apenas entre a América do Norte, a Europa e o Japão. Apesar de a globalização ser um mito, prosseguem, sua ideologia serve para paralisar as estratégias políticas nacionais democráticas: o mito da globalização e de sua inexorabilidade é usado para atacar as tentativas nacionais de controlar a economia e facilita os programas neoliberais de privatização, a destruição do Estado de bem-estar social e assim por diante. Esses social-democratas sustentam, em vez disso, que os Estados-Nação podem e devem afirmar sua soberania e assumir maior controle da economia nos níveis nacionais e supranacional. Com isso, seria possível restabelecer as funções democráticas do Estado que vêm sendo desgastadas, sobretudo suas funções representativas e suas estruturas previdenciárias. Essa posição social-democrata é a que se viu mais seriamente solapada pelos acontecimentos que se sucederam aos atentados de 11/9 até a guerra do Iraque. O estado de guerra global parece ter tornado inevitável a globalização (especialmente em termos de segurança e questões militares), sendo portanto insustentável qualquer posição antiglobalização dessa natureza. No contexto do estado de guerra, na realidade, a maioria das posições social-democratas tendem a migrar para uma das duas posições pró-globalização adiante enunciadas. As políticas de Schröder na Alemanha são bom exemplo da maneira como a defesa social-democrata dos interesses nacionais passou a depender fundamentalmente de alianças cosmopolitas multilaterais; e a Grã-Bretanha de Blair constitui a principal ilustração da maneira como se considera que os interesses nacionais são mais bem atendidos pelo alinhamento com os EUA e o apoio a sua hegemonia global. (b) Os argumentos cosmopolitas liberais Em oposição às críticas social-democratas da globalização, mas ainda mantendo uma posição política de esquerda, temos os argumentos cosmopolitas liberais que consideram que a globalização propicia a democracia. Não estamos afirmando que esses autores não têm uma crítica das formas contemporâneas de globalização, pois na realidade têm especialmente no que diz respeito às atividades mas desregulamentadas do capital global. Não encontramos contudo argumentos contra a globalização capitalista como tal, e sim argumentos por uma melhor regulamentação institucional e política da economia. Tais argumentos geralmente enfatizam que a globalização traz efeitos positivos em temos econômicos e políticos, assim como formas de enfrentar o estado de guerra global. Além de maior desenvolvimento econômico, eles consideram que a globalização apresenta maior potencial democrático, basicamente em decorrência de uma relativa nova liberdade em relação ao governo dos Estados-nação ? e neste sentido é evidente seu contraste com as posições social-democratas. Isso é particularmente verdadeiro, por exemplo, nos debates centrados na questão dos direitos humanos, que sob muitos aspectos assumiu um papel mais importante, contra o poder dos Estados-nação ou apesar dele. As noções de uma nova democracia cosmopolita ou de uma governança global também têm como condição de possibilidade o relativo declínio da soberania dos Estados-nação. O estado de guerra global transformou o cosmopolitismo liberal numa importante posição política, aparentemente a única alternativa viável ao controle global americano. Contra a realidade das ações unilaterais norte-americanas, o multilateralismo é o método básico da política cosmopolita, e a ONU, seu mais poderoso instrumento. Também poderíamos incluir no limite dessa categoria aqueles que argumentam simplesmente que os EUA não podem ?agir sozinhos?, devendo compartilhar seus poderes e responsabilidades de domínio global com outras grandes potências, numa espécie de acordo multilateral destinado a preservar a ordem global. À direita (a) Pró hegemonia global dos EUA Os vários argumentos da direita centrados nos benefícios e na necessidade da hegemonia global americana convergem com os cosmopolitas liberais no sentido de que a globalização nutre a democracia, mas o fazem por razões muito diferentes. Esses argumentos, hoje em dia onipresentes nos principais veículos de comunicação, afirmam geralmente que a globalização propicia a democracia porque a hegemonia americana e a expansão do domínio do capital por si mesmas implicam necessariamente a expansão da democracia. Há quem argumente que o domínio do capital é inerentemente democrático, e que portanto a globalização do capital é a globalização da democracia; outros sustentam que o sistema político americano e o ?American way of life? são sinônimos de democracia, sendo portanto a expansão da hegemonia dos EUA uma expansão da democracia, mas em geral esses revelam-se dois lados da mesma moeda. O estado de guerra global tem proporcionado a essa posição uma plataforma política de nova proeminência. A ideologia que veio a ser conhecida como ideologia neoconservadora, que foi forte esteio do governo Bush, pretende que os EUA refaçam ativamente o mapa político do mundo, derrubando regimes párias potencialmente ameaçadores e criando bons regimes. O governo americano enfatiza que suas intervenções globais não se baseiam apenas em interesses nacionais, e sim nos desejos globais e universais de liberdade e prosperidade. Para o bem do mundo os EUA devem agir unilateralmente, livre das amarras dos acordos multilaterais ou do direito internacional. Entre esses conservadores pró-globalização, verifica-se um debate secundário entre aqueles ? geralmente autores britânicos ? que consideram a hegemonia global americana como legítima herdeira dos projetos imperialistas europeus benevolentes e os que ? autores norte-americanos, como se poderia esperar ?, que encaram o domínio global norte-americano como situação histórica radicalmente nova e excepcional. Um autor norte-americano, por exemplo, está convencido de que o excepcionalismo dos EUA apresenta benefícios inéditos para todo o planeta: ?Apesar de todas as nossas trapalhadas, o papel desempenhado pelos EUA é a maior bênção recebida pelo mundo em muitos e muitos séculos, e talvez mesmo em toda a história registrada?. (b) conservadores, a partir de valores tradicionais Finalmente, os argumentos conservadores calcados em valores tradicionais contestam o ponto de vista direitista dominante de que o capitalismo desregulamentado e a hegemonia americana necessariamente trazem a democracia. Em vez disso, concordam com o ponto de vista social-democrata de que a globalização cria obstáculos para a democracia, mas por razões muito diferentes ? primordialmente, porque ameaça os valores conservadores tradicionais. Essa posição assume formas muito diferentes no interior dos EUA e fora deles. Os pensadores conservadores de fora dos EUA que encarnam a globalização como uma expansão radical da hegemonia americana argumentam, nisso convergindo com os sociais-democratas, que os mercados econômicos precisam de regulamentação estatal e que a estabilidade dos mercados é ameaçada pela anarquia das forças econômicas globais. A força básica desses argumentos, no entanto, está centrada nos aspectos culturais, e não nos econômicos. Os críticos conservadores de fora dos EUA sustentam, por exemplo, que a sociedade norte-americana é tão corrompida ? com sua débil coesão social, o declínio das estruturas familiares, os altos índices de criminalidade e encarceramento e assim por diante ? que não tem força política ou fortaleza moral para dominar outros países. No interior dos EUA, os argumentos conservadores escorados em valores tradicionais consideram o crescente envolvimento americano em questões globais e o domínio cada vez menos regulado do capital prejudiciais à vida moral e aos valores tradicionais dos próprios EUA. Em todos esses casos, os valores ou instituições sociais tradicionais (ou aquilo que alguns chamam de civilização) precisam ser protegidos, preservando-se o interesse nacional contra as ameaças da globalização. O estado global de guerra e suas pressões pela aceitação da globalização como fato consumado diminuíram mas não eliminaram as expressões dessa posição. O conservadorismo ligado aos valores tradicionais geralmente assume hoje a forma de um ceticismo em relação à globalização e de um pessimismo quanto aos benefícios que a hegemonia norte-americana afirma proporcionar ao próprio país e ao mundo. Mas nenhum desses argumentos, contudo, parece suficiente para enfrentar a questão da democracia e da globalização. O que está claro, isso sim, a partir de todos eles ? de direita e de esquerda, pró-globalização e antiglobalização ? é que a globalização e a guerra global põem a democracia em questão. Como se sabe, muitas vezes nos últimos séculos a democracia tem sido declarada ?em crise?, geralmente por aristocratas liberais temerosos da anarquia do poder popular ou de tecnocratas incomodados com a desordem dos sistemas parlamentares. Nosso problema da democracia, contudo, é diferente. Em primeiro lugar, a democracia é enfrentada hoje como um salto em escala, do Estado-nação para todo o planeta, sendo com isso desvinculada de seus tradicionais significados e práticas modernos. Como tentaremos demonstrar adiante, a democracia deve ser entendida e praticada de maneira diferente nesse novo contexto e nessa nova escala. Por isso, todas as quatro categorias de argumentos acima delineados são insuficientes: por não encarar de maneira adequada a escala da crise contemporânea da democracia. Uma segunda razão, substancial e mais complexa, pela qual esses argumentos são insuficientes está no fato de que, mesmo quando falam de democracia, sempre a limitam ou a adiam. Hoje, a posição aristocrática liberal consiste em insistir primeiro na liberdade, deixando a democracia talvez para algum momento posterior. Em termos vulgares, o projeto de liberdade primeiro e democracia depois frequentemente se traduz no domínio absoluto da propriedade privada, minando a vontade geral. O que os aristocratas liberais não entendem é que, na era da produção biopolítica, o liberalismo e a liberdade baseados na virtude de poucos ou mesmo de muitos vão-se tornando impossíveis. (Até mesmo a lógica da propriedade privada vem sendo ameaçada pela natureza social da produção biopolítica.) A virtude de todos vai-se tornando hoje a única base para a liberdade e a democracia, que já não podem ser separadas. Os gigantescos protestos contra aspectos políticos e econômicos do sistema global, entre eles o atual estado de guerra, que examinaremos detalhadamente adiante, devem ser encarados como fortes sintomas da crise da democracia. O que esses diferentes protestos deixam claro é que a democracia não pode ser feita ou imposta de cima. Os manifestantes recusam as noções de democracia vinda de cima promovidas por ambos os lados da guerra fria: a democracia não é simplesmente a face política do capitalismo nem o domínio de elites burocráticas. E a democracia não resulta de intervenções militares e mudanças de regime, nem dos vários modelos atuais de ?transição para a democracia?, que geralmente se baseiam em algum tipo de caudilhismo latino-americano e se revelaram mais eficazes para criar novas oligarquias do que para criar qualquer sistema democrático. Todos os movimentos sociais radicais desde 1968 se têm insurgido contra essa corrupção do conceito de democracia, que a transforma numa forma de domínio imposto e controlado de cima. Em vez disso, insistem, a democracia só pode surgir de baixo. Talvez a atual crise do conceito de democracia decorrente de sua nova escala global sirva de oportunidade para que retornemos a seu significado mais antigo, como governo de todos por todos, uma democracia sem ?se? e sem ?mas? [?A democracia da multidão?, objeto do cap. seguinte 3.3, p. 411]. [pág. 411] Os movimentos que expressam queixas contra as injustiças de nosso atual sistema global e as propostas práticas de reforma, que enumeramos na sessão anterior, constituem poderosas forças de transformação democrática, mas além disso precisamos repensar o conceito de democracia à luz dos novos desafio e possibilidades apresentados por nosso mundo. Essa reelaboração conceitual é a tarefa primordial de nosso livro. Não pretendemos apresentar um programa concreto de ação para a multidão, e sim tentar elaborar as bases conceituais sobre as quais se poderá firmar-se um novo projeto de democracia. [Fim do excerto.] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120116/28d3971b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 17 20:13:56 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 17 Jan 2012 20:13:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_DILMA=2C_DA_TORTURA_=C3=80_VIT=C3=93RI?= =?utf-8?q?A?= Message-ID: <481B326A5BCE482E9C3099E567CE01E8@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br DILMA, DA TORTURA À VITÓRIA Por Ricardo Kotscho: ?Acabei de ler agora um dos melhores livros lançados no Brasil nestes últimos anos: ?A vida quer é coragem - A trajetória de Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil?, escrito pelo jornalistaRicardo Batista Amaral e publicado pela ?Editora Sextante?. Recebi um exemplar em dezembro e, automaticamente, eu o coloquei na pilha de livros de amigos que deixo para ler nas férias. O problema é que tenho muitos amigos que escrevem muito e os dias de folga são poucos. Confesso que não me animei muito a ler o livro de Amaral porque imaginava se tratar de uma história que já conhecia, sem muitas novidades. Fui convencido a lê-lo pelo próprio autor num almoço que tivemos no começo desta semana. A insistência de Amaral tinha um motivo: foi por indicação minha que ele se tornou assessor de imprensa da então candidata Dilma Rousseff, primeiro na Casa Civil e depois na campanha presidencial. Por isso, ele queria saber minha opinião sobre o livro. Não pude aceitar o convite feito no começo de 2010 por Dilma, com quem havia trabalhado nos dois primeiros anos do governo Lula, para cuidar da área de imprensa na campanha que então começava. Ao terminar de ler o livro, acho que acertei ao indicar o velho amigo, um dos mais competentes e respeitados jornalistas de Brasília já faz muito anos. Por ter vivido a companha por dentro do início ao fim, pensei que Amaral, mineiro como Dilma, se limitaria a contar bastidores da disputa eleitoral e contar como Dilma chegou lá. Pois o livro é muito mais do que isto. Ao resgatar, desde a infância, a história da menina de alta classe média de Belo Horizonte, mostrando como era a vida na cidade e no país no começo da segunda metade do século passado, e as circunstâncias políticas que a levaram à clandestinidade e à prisão ao se engajar em organizações de esquerda que lutavam contra a ditadura militar, Amaral escreveu o romance da vida real de uma época. Como está no título, a travessia de Dilma, da tortura nos porões do DOI-CODI à vitória nas eleições presidenciais de 2010, é acima de tudo uma história de coragem e de superação das dificuldades, em que a nossa presidente se torna o personagem-símbolo de toda uma geração de brasileiros à qual pertenço. O melhor resumo dessa história de quatro décadas, da ditadura à democracia, é uma foto em preto e branco de Dilma, aos 21 anos, tirada em novembro de 1970, durante um interrogatório na Auditoria Militar, no Rio, após ter sido torturada durante 22 dias seguidos. De cabelos curtos, corpo ereto na cadeira do réu, olhar altivo, não vê a vergonha dos seus interrogadores que escondem o rosto com as mãos. Está na contra-capa do livro, mas deveria ter saído na capa. Com tantos ingredientes dramáticos, Ricardo Amaral escapou da tentação de tratar sua personagem como heroína, retratando-a apenas como uma cidadã brasileira que teve um destino incomum, sem cair na pieguice ou na louvação, alternando as conquistas, os sofrimentos, os acertos e os erros na vida dela até chegar ao Palácio do Planalto. A perda do pai aos 15 anos, os amores e desamores na época da clandestinidade, a vida na prisão com outras mulheres torturadas que a reencontrariam na festa da posse no dia 1º de janeiro do ano passado, a luta contra o câncer no ínicio da campanha eleitoral, a "guerra santa" deflagrada por seu adversário no final do primeiro turno da campanha e que quase lhe custou a vitória, o triste papel da grande imprensa partidária, a sólida aliança política e afetiva com Lula, o primeiro presidente operário que elegeu na sua sucessão a primeira mulher -está tudo lá neste brilhante livro- reportagem de quem testemunhou boa parte da recente história política do país. Acima de tudo, trata-se de livro muito bem escrito, coisa rara no jornalismo atual, com uma narrativa que amarra o leitor da primeira à última linha, mesmo aqueles que já conhecem parte da história. Posso dizer que o livro me ajudou a conhecer melhor a presidente Dilma e o valor que ela dá à lealdade, mesmo correndo risco de vida -e por isso a admiro ainda mais. Este é um livro (são 304 páginas que valem os R$ 39,90 cobrados) que eu gostaria de ter escrito. Não o deixem de ler. É uma história muito bonita que foi muito bem contada. Valeu, xará. Reproduzo abaixo o parágrafo final do livro para vocês terem uma ideia do que escrevi acima: ?Fácil, para ela, nunca foi. Dilma teve de superar todos os desafios que a vida colocou diante dela ao longo do caminho: a condição feminina numa sociedade machista, a militância na clandestinidade, a tortura, a cadeia, a luta tantas vezes áspera pela democracia, o desafio de participar do primeiro governo dirigido por um trabalhador no Brasil, a superação do câncer e uma campanha eleitoral duríssima, em que a candidata estreante enfrentou um dos mais experientes políticos do país. A chave para entender esta trajetória talvez esteja na citação do escritor João Guimarães Rosa, que Dilma escolheu para seu discurso de posse, em 1º de janeiro. No romance "Grande Sertão: Veredas", ela foi buscar o seguinte trecho: ?O correr da vida embaralha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem?.? FONTE: escrito pelo jornalista Ricardo Kotscho, publicado no blog ?Balaio do Kotscho? e transcrito no portal ?Vermelho? (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=173332&id_secao=1) [imagens do google adicionadas por este blog ?democracia&política?]. http://democraciapolitica.blogspot.com/2012/01/dilma-da-tortura-vitoria.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120117/4c9970dd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 36270 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120117/4c9970dd/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 54078 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120117/4c9970dd/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 17 20:14:03 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 17 Jan 2012 20:14:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_El_Pacto=3A_S=E9rie_argentina_mos?= =?iso-8859-1?q?tra_como_principais_=F3rg=E3os_de_comunica=E7=E3o_d?= =?iso-8859-1?q?o_pa=EDs_usaam_a_ditadura_para_ficar_com_a_Papel_Pr?= =?iso-8859-1?q?ensa=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br El Pacto: Série argentina mostra como principais órgãos de comunicação do país usaram a ditadura para ficar com a Papel Prensa . "El golpe cívico militar que se efectuó em 1976 tenía como objetivo cambiar el mapa económico argentino. Repartir más entre los que más teníam. Y terminar com la idea de um país más justo e inclusivo. Para eso necesitaban desaparecer y asesinar a miles de personas, además de la apropriación de bebés y el robo de empresas. Uno de los botines mas preciados fue la fábrica de papel celulosa que se venía desarrollando desde un tiempo antes. Ese despojo fue organizado por la Junta Militar, en complicidad com los dueños de los diarios más importantes del país. Esta serie se refiere a los hechos de ese caso." Assim começa o 13º e último capítulo da série argentina El Pacto, que foi ao ar no último dezembro na TV argentina. "El pacto" es la historia de una abogada especializada en delitos económicos que investiga un caso que cambiará su vida y la de su familia. Lucía Córdova (Cecilia Roth) comienza a investigar el caso de la liquidación de una empresa con el fin de restablecerle a su anterior dueño las garantías del proceso judicial. Pero internándose en los avatares del caso y viendo los nombres que aparecen (todos importantes personajes históricos del pasado más reciente), se da cuenta que detrás de eso hay algo más grande, un delito mayor. Pronto, las víctimas de aquel despojo comienzan a interesarla en continuar y profundizar la investigación, llegando a inquietar al empresario más comprometido en la causa, que es el dueño de un diario muy importante quien cometió uno de los delitos más aberrantes: su complicidad con la dictadura para obtener una empresa. "El pacto" es una serie de 13 capítulos, un thriller de suspenso cruzado por historias melodramáticas. Este unitario es uno de los ganadores del concurso "Ficción para Todos", junto con "Maltratadas", "Historias de la primera vez" y "Vindica" (transmitidos también por América), y "Decisiones de vida", "Televisión por la inclusión", "Proyecto Aluvión", "Los sónicos" (emitidos por Canal 9) y El paraíso, con los cuales el Instituto Nacional de Ciencias y Artes Audiovisuales (INCAA) promueve la realización de programas para ser emitidos en alta definición. La historia se centra en la venta de Papel prensa durante la última dictadura militar, y Mike Amigorena encarna a un controvertido personaje similar a Héctor Magnetto, CEO del Grupo Clarín. [Fonte] Para assistir a todos os 13 capítulos do seriado em alta definição,clique aqui e vá ao site oficial de El Pacto. Enquanto isso, ficamos no aguardo do prometido filme "O dia que durou 21 anos", realizado a partir de material da excelente série apresentada na TV Brasil no ano passado, que comentamos e publicamos aqui. http://blogdomello.blogspot.com/2012/01/el-pacto-serie-argentina-mostra-como.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120117/34aba8b1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 42706 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120117/34aba8b1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 18 19:48:40 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 18 Jan 2012 19:48:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=C1frica=2C_um_continente_sem_his?= =?iso-8859-1?q?t=F3ria=3F___por_Emir_Sader=2E?= Message-ID: <1943200AFF5049418166FA5A35BD0157@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem África, um continente sem história? Não há região do mundo mais vítima da naturalização da miséria do que a África. Na concepção eurocêntrica, bastaria cruzar o Mediterraneo para se ir da "civilização" à "barbárie". Como se a África não tivesse história, como se seus problemas fossem naturais e não tivessem sido resultado do colonialismo, da escravidão e do neocolonialismo. Continente mais pobre, mais marcado por conflitos que aparecem como conflitos étnicos, região que mais exporta mão de obra - a África tem todas as características para sofrer a pecha de continente marcado pelo destino para a miséria, o sofrimento, o abandono. Depois de séculos de despojo colonial e de escravidão, os países africanos acederam à independência política na metade do século passado, no bojo da decadência definitiva das potências coloniais europeias. Alguns países conseguiram gerar lideranças políticas nacionais, construir Estados com projetos próprios, estabelecer certos níveis de desenvolvimento econômico, no marco do mundo bipolar do segundo pós-guerra. Mas essas circunstâncias terminaram e o neocolonialismo voltou a se abater sobre o continente africano, vítima de novo da pilhagem das potências capitalistas. A globalização neoliberal voltou a reduzir o continente ao que tinha sido secularmente: fornecedor de matérias primas para as potências centrais, com a única novidade que agora a China também participa desse processo. Mas o continente, que nunca foi ressarcido pelo colonialismo e pela escravidão, paga o preço desses fenômenos e essa é a raiz essencial dos seus problemas. Mesmo enfrentamentos sangrentos, atribuídos a conflitos étnicos, como entre os tutsis e os hutus, se revelaram na verdade expressão dos conflitos de multinacionais francesas e belgas, com envolvimento dos próprios governos desses países. Hoje a África está reduzida a isso no marco do capitalismo global. Salvo alguns países como a Africa do Sul, por seu desenvolvimento industrial diferenciado e alguns países que possuem matérias primas ou recursos energéticos estratégicos, tem um papel secundário e complementar, sem nenhuma capacidade de assumir estratégias próprias de desenvolvimento e de superação dos seus problemas sociais. A globalização neoliberal acentuou a concentração de poder e de renda no centro em detrimento da periferia. Os países emergentes - em particulares latino-americano e alguns asiáticos - conseguiram romper essa tendência, mas não os africanos, porque não conseguiram eleger governos que rompessem com a lógica neoliberal predominante. Sugestões de leitura Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina Carlos Eduardo Martins - Boitempo Editorial - Teoria critica dos direitos humanos - Carol Proner e Oscar Correas (organizadores) - Editora Fórum - Governança global - André Rego Viana, Pedro Silva Barros e André Bojikian Calixtre (organizadores) - IPEA Postado por Emir Sader -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120118/866ddc3f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10500 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120118/866ddc3f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 18 19:48:48 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 18 Jan 2012 19:48:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_mundo_do_dinheiro_e_seus_her=F3?= =?iso-8859-1?q?is=2E__por_Emir_Sader?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem O mundo do dinheiro e seus heróis Até um certo momento os ricos ou escondiam sua riqueza ou tratavam de passar despercebidos, como se não ficasse bem exibir riqueza em sociedades pobres e desiguais. Ou até também para escapar da Receita. De repente, o mundo neoliberal - esse em que tudo vale pelo preço que tem, em que tudo tem preço, em que tudo se vende, tudo se compra - passou a exibir a riqueza como atestado de competência. Nos EUA se deixou de falar de pobres, para falar de "fracassados". Numa sociedade que se jacta de dar oportunidade para todos, numa "sociedade livre, aberta", quem nao deu certo economicamente, é por incompetência ou por preguiça. Ser rico é ter dado certo, é demonstrar capacidade para resolver problemas, ter criatividade, se dar bem na vida, etc., etc. Até um certo momento as biografias que se publicavam eram de grandes personagens da historia universal - governantes, lideres populares, gênios musicais, detentores de grandes saberes. A partir do neoliberalismo as biografias de maior sucesso passaram as ser as dos milhardários, que supostamente ensinam o caminho das pedras para os até ali menos afortunados. Todos dizem que nasceram pobres, subiram na vida graças à tenacidade, à criatividade, ao trabalho duro, ao espirito de sacrifício. Tiveram tropeços, mas nao desistiram, leram algum guru de auto-ajuda que os fez aumentarem sua auto estima, acreditarem mais em si mesmos, recomeçarem do zero, até chegarem ao sucesso indiscutível. Seus livros se transformam em best-sellers, vendem rapidamente - até que vários deles caem em desgraça, porque flagrados em algum escândalo -, eles viajam o mundo dando entrevistas e vendendo seu saber que, se fosse seguido por seus leitores, produziria um mundo de ricos e de pessoas realizadas e felizes como eles. Quem vai publicar um livro de um "fracassado"? Só mesmo se fosse para que as pessoas soubessem quais os caminhos errados, aqueles que nao deveriam seguir, se querem ser ricos, bonitos e felizes. O mundo do trabalho, da fábrica, do sindicato, dos movimentos de bairro, das comunidades - mundo marginal e marginalizado. Programas de televisão exaltam os ricos, os bem sucedidos, as mulheres que exibem sua elegância, sua falta de pudor de gastar milhões na Daslu e nas viagens a Nova York e a Paris. Ninguém quer ver gente feia, pobre, desamparada, que só frequenta os noticiários policiais e de calamidades naturais. As telenovelas tem como cenários os luxuosos apartamentos da zona sul do Rio e dos jardins de Sáo Paulo, com belas mulheres e homens que não trabalham, no máximo administram empresas de sucesso. Os pobres giram em torno deles - empregadas domésticas, entregadores de pizza, donos de botecos -, sempre como coadjuvantes do mundo dos ricos, que propõem o tipo de vida que as pessoas deveriam ter, se quiserem ser ricos, bonitos, felizes. Esse mundo fictício esconde os verdadeiros mecanismos que geram a riqueza e a pobreza, os meios sociais - os bancos por um lado, as fábricas por outro - em que se geram a riqueza e a fortuna, a especulação e a expropriação do trabalho alheio. Em que estão os vilões e os heróis das nossas sociedades. Postado por Emir Sade -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120118/8e3afd77/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4784 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120118/8e3afd77/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 19 19:52:06 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 19 Jan 2012 19:52:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Colet=E2nea_A_Ditadura_de_Segura?= =?iso-8859-1?q?n=E7a_Nacional_no_Rio_Grande_do_Sul=2E1964-Hist=F3r?= =?iso-8859-1?q?ia_e_Mem=F3ria-1985?= Message-ID: <33B7866E32C748939DD866F727FEEC0D@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Coletânea A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul.1964-História e Memória-1985, publicada pela Assembléia Legislativa do RS. Disponível em formato digital: vol 1 - http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/VOLUME%201%20-%20GOLPE%20revista%20e%20ampliada.pdf vol 2 - http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/volume%202%20-%20chumbo%202%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o.pdf vol 3 - http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/VOLUME3_revista_e_ampliada.pdf vol 4 - http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/volume4_abertura_revista_e_ampliada.pdf -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120119/85b029cd/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 19 19:52:13 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 19 Jan 2012 19:52:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_V=EDdeo_-_General_GIAP_-_Mem=F3ri?= =?iso-8859-1?q?as_Centen=E1rias_da_Resist=EAncia_Vietnamita?= Message-ID: <2E87F5A02F0E4E2291AC4DC0BF49F87A@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Vídeo - GIAP - Memórias Centenárias da Resistência O general Vietnamita Giap completou cem anos no dia 25 de agosto de 2011. O video de Silvio Tendler retrata importantes momentos de sua luta narrados pelo proprio general em depoimento gravado em 2003. Ao maior general do século XX. Um filme de Silvio Tendler. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120119/7c46c13d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 20 19:48:51 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 20 Jan 2012 19:48:51 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Televis=E3o=3A_f=E1brica_de_mais-?= =?iso-8859-1?q?valia_ideol=F3gica=2E?= Message-ID: <7BD7EADAC2B544828F3A66995E8A6DE4@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Palavras Insurgentes - [Elaine Tavares] A televisão é uma usina ideológica. Gera milhares de megawatts de ideologia a cada programa, por mais inocente que pareça ser. E ideologia como definiu Marx: encobrimento da realidade, engano, ilusão, falsa consciência. Então, se considerarmos que a maioria da população latino-americana, aí incluída a brasileira, se informa e se forma através desse veículo, pensá-la e analisá-la deveria ser tarefa intelectual de todo aquele que pensa o mundo. Afinal, como bem afirma Chomsky, no seu clássico "Os Guardiões da Liberdade", os meios atuam como sistema de transmissão de mensagens e símbolos para o cidadão médio. "Sua função é de divertir, entreter e informar, assim como inculcar nos indivíduos os valores, crenças e códigos de comportamento que lhes farão integrar-se nas estruturas institucionais da sociedade". Não é sem razão que bordões, modas e gírias penetram nas gentes de tal forma que a reprodução é imediata e sistemática. Um termômetro dessa usina é a famosa "novela das oito", que consolidou um lugar no imaginário popular desde os anos 60, com a extinta Tupi, foi recuperado com maestria pela Globo e vem se repetindo nos demais canais. O horário nobre é usado pela teledramaturgia para repassar os valores que interessam à classe dominante, funcionando como uma sistemática propaganda que visa a manutenção do estado de coisas. É clássica, nos folhetins, a eterna disputa entre o bem e o mal, o pobre e o rico, com clara vinculação entre o bem e o rico. Sempre há um empresário bondoso, uma empresária generosa, um fazendeiro de grande coração, que são os protagonistas. E, se a figura principal começa a novela como pobre é certo que, por sua natural bondade, chegará ao final como uma pessoa rica e bem sucedida, porque o que fica implícito que o bem está colado à riqueza, vide a Griselda de Fina Estampa, a novela da vez. Outro elemento bastante comum nas novelas é o da beleza da submissão. Como os protagonistas são sempre pessoas ricas, eles estão obviamente cercados dos serviçais, que, no mais das vezes os amam e são muito "bem-tratados" pelos patrões. Logo, por conta disso, agem como fiéis cães de guarda. Um desses exemplos pode ser visto atualmente na novela global. É o empregado-amigo (?) da vilã Tereza Cristina. Ele atua na casa da milionária como um mordomo, cúmplice, saco de pancadas, dependendo do humor da mulher. Ora ela lhe conta os dramas, ora lhe bate na cara, ora lhe ameaça tirar tudo o que já lhe deu. E ele, premido pela necessidade, suporta tudo, lambendo-lhe as mãos como um cachorrinho amestrado. Tudo é tão sutil que não há quem não se sinta encantado pelo personagem. Ele provoca o riso e a condescendência, até porque ainda é retratado de forma caricata como um homossexual cheio de maneios, trejeitos e extremamente servil. Mas, se o servilismo de Crô pode ser questionado pela profunda afetação, outros há que aparecem ainda mais sutis. É o caso da turma da praia que, na pobreza, hostilizava Griselda e, agora, depois que ela ficou rica, passou para o seu lado, vindo inclusive trabalhar com a faz-tudo, assumindo de imediato a postura de defensores e amigos fiéis. Ou ainda a relação dos demais trabalhadores com os patrões "bonzinhos", como é o caso do Paulo, o Juan, o homem da barraquinha de sucos, e o Renê. Todos são "amigos" e fazem os maiores sacrifícios pelos patrões, reforçando a ideia de que é possível existir essa linda conciliação de classe na vida real. O grupo que atua com o cozinheiro Renê, por exemplo, foi demitido pela vilã, não recebeu os salários, viveu de brisa por um tempo e retomou o trabalho com o antigo chefe por pura bem-querença. Coisa de chorar. Nesses folhetins também os preconceitos que interessam aos dominantes acabam reforçados sob a faceta de "promoção da democracia". O negro já não aparece apenas como bandido, mas segue sendo subalterno. No geral faz parte do núcleo pobre, mas é generoso e sabe qual é o "seu lugar". É o caso do ético funcionário da loja de motos. Um bom rapaz, que, no máximo, pode chegar a gerente da loja. As pessoas que discutem uma forma alternativa de viver aparecem como gente "sem-noção", no mais das vezes caricaturada, como é o caso da garota que prevê o futuro, a mulher negra que era bruxa, o rapaz que brinca com fogo ou os donos da pousada que em nada se diferem de empresários comuns, a não ser nas roupas exotéricas. Ou o personagem do Zé Mayer, numa antiga novela, que via discos voadores, não aceitava vender suas terras e, no final, "fica bom", entregando sua propriedade para a empresária boazinha que era dona de uma papeleira. Os homossexuais também encontram espaço nas novelas, dentro da lógica da "democratização", mas continuam sendo retratados de forma folclórica, como é o caso do Crô, na novela das oito, ou do transexual da novela das sete. Já o índio, como é invisível na vida real, tampouco tem vez nas tramas novelistas e quando tem, como a novela protagonizada por Cléo Pires, vem de forma folclórica e desconectada da vida real. E assim vai... Gente há que fica indignada com os modelos que as telenovelas reproduzem ano após ano, mas essa é realidade real. Os folhetins nada mais fazem do que reforçar as relações de produção consolidadas pelo sistema capitalista. Até porque são financiados pelo capital, fazendo acontecer aquilo que Ludovico Silva chama de "mais-valia ideológica". Ou seja, a pessoa que está em casa a desfrutar de uma novela, na verdade segue muito bem atada ao sistema de produção dessa sociedade, consumindo não só os produtos que desfilam sob seu olhar atento, enquanto aguardam o programa favorito, mas também os valores que confirmam e afirmam a sociedade atual. Prisioneira, a pessoa permanece em estado de "produção", sempre a serviço da classe dominante. Assim, diante da TV - e sem um olhar crítico - as pessoas não descansam, nem desfrutam. É certo que a televisão e os grandes meios não definem as coisas de forma automática. Como bem já explicou Adelmo Genro, na sua teoria marxista do jornalismo, os meios de comunicação também carregam dentro deles a contradição e vez ou outra isso se explicita, abrindo chance para a visão crítica. Momentos há em que os estereótipos aparecem de maneira tão ridícula que provocam o contrário do que se pretendia ou personagens adquirem tanta força que provocam um explodir da consciência. E, nesses lampejos, as pessoas vão fazendo as análises e podem refletir criticamente. Mas, de qualquer forma, esses momentos não são frequentes nem sistemáticos, o que só confirma a função de fabricação de consenso que é reservada aos meios. Um caso interessante é o do transexual que está sendo retratado na novela da Record, que passa às dez horas. "Dona Augusta" é nascida homem e se faz mulher, sem a folclorização do que é retratado na Globo. É "descoberta" pelo filho que a interna como louca. Toda a discussão do tema é muito bem feita pelos autores, sem estereótipos, sem falsa moral. Mas, é a TV dos bispos evangélicos, que, por sua vez, na vida real pregam a homossexualidade como "doença". São as contradições. De qualquer sorte, a teledramaturgia brasileira deveria ser bem melhor acompanhada pelos sindicatos e movimentos sociais. E cada um dos personagens deveria ser analisado naquilo que carrega de ideologia. Não para ensinar aos que "não sabem", mas para dialogar com aqueles que acabam capturados pelo véu do engano. Assim como se deve falar do que silencia nos meios, o que não aparece, o que não se explicita, também é necessário discutir sobre o que é inculcado, dia após dia, como a melhor maneira de se viver. Pois é nesse entremeio de coisas ditas, malditas e não ditas, que o sistema segue fabricando o consenso, sempre a favor da classe dominante. Elaine Tavares é jornalista. Fonte: Diário Liberdade Televisão: fábrica de mais-valia ideológica a.. Publicado por Paulo Kautscher em 19 janeiro 2012 às 17:13 em CULTURA -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120120/aa33db1b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24644 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120120/aa33db1b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 20 19:48:59 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 20 Jan 2012 19:48:59 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__=22A_causa_fundamental_da_crise_?= =?iso-8859-1?q?financeira_=E9_a_l=F3gica_do_pr=F3prio_capitalismo?= =?iso-8859-1?q?=22?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Brasil de Fato - Edição 463 - de 12 a 18 de janeiro de 2012 Internacional "A causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo" ENTREVISTA Para o professor François Houtart, somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado Nilton Viana da Redação A CRISE QUE vivemos é mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, afirma o professor François Houtart. Segundo ele, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Porém, ressalta que a atual crise não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última. Houtart acredita que o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. E afirma: a causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo. "A crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia". Em entrevista ao Brasil de Fato, Houtart fala também sobre as várias facetas desta crise, inclusive a crise alimentar, a qual, segundo ele, faz parte da mesma lógica. "A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas". Brasil de Fato - O mundo vive hoje uma crise mundial, que tem afetado principalmente os Estados Unidos e a Europa. Como o senhor avalia esse cenário? François Houtart - Eu penso que, primeiro, se trata de uma crise do sistema econômico capitalista, que é muito similar à crise dos anos de 1929-1930 e também a muitas outras crises cíclicas do sistema capitalista onde há subprodução, subconsumo e eventualmente crises financeiras. A crise que vivemos hoje me parece mais profunda e bastante diferente da que conhecemos nos anos 1929 e 1930, porque, primeiro, sua dimensão evidentemente está vinculada ao fenômeno da globalização. Isso significa que hoje há um efeito muito mais global do que nos anos de 1929-1930 e que evidentemente afeta o conjunto da economia. Já está afetando os países emergentes e de uma maneira ou outra afetará outros países do mundo. Porém, o mais importante, e isso é diferente dos anos 1929 e 1930, é essa combinação com vários tipos de crises. Por exemplo, a crise alimentar, que foi conjuntural nos anos 2008-2009 e que correspondeu à crise do capital financeiro. Porque o capital financeiro tem buscado novos lugares de especulação e o lugar foi a alimentação, com conseqüências terríveis. E a crise alimentar é também estrutural e não somente conjuntural, porque precisamente afeta toda a maneira de fazer a agricultura. E a introdução cada vez mais forte do capital dentro da agricultura, com a concentração de terras, gera uma contrarreforma agrária mundial e o desenvolvimento de monocultivos, com todas as consequências ecológicas de destruição de ambiente e também de destruição humana; por exemplo, a exclusão dos camponeses de suas terras. A combinação da crise econômica com a alimentar é algo novo. Porém, são vinculadas. Na verdade, a crise financeira é devida à lógica do capital, que tenta buscar mais lucros para acumular capital, que é, dentro dessa teoria, o motor da economia. Se o capital financeiro é mais proveitoso do que o produtivo, ele faz a lei da economia mundial como é hoje. Assim, essa é evidentemente a lógica do capitalismo que provoca a crise financeira, que tem efeitos econômicos, porque tem efeitos sobre emprego, crédito e toda a economia. Porém, é essa mesma lógica que está provocando a crise alimentar, porque, por uma parte, há uma especulação - o preço do trigo, por exemplo, tem dobrado 100% em um ano, menos de um ano, por razões puramente especulativas. E quais são as conseqüências sociais dessa crise? Na verdade, as consequências sociais da crise financeira são sentidas além das fronteiras da sua própria origem e afetam os fundamentos da economia. Desemprego, custo de vida crescente, a exclusão dos mais pobres, a vulnerabilidade das classes médias, expandindo a lista de vítimas no mundo. Não é apenas um acidente no percurso, ou apenas de abusos cometidos por alguns atores econômicos que precisam ser punidos. Somos confrontados com uma lógica que corre ao longo da história econômica do século passado. O desenrolar dos acontecimentos sempre responde à pressão das taxas de lucro. A crise que vivemos hoje não é nova. Não é a primeira crise do sistema financeiro e muitos dizem que não será a última. A seu ver, qual é a principal causa dessa crise mundial? A causa fundamental da crise financeira é a lógica do próprio capitalismo, que torna o capital motor da economia. E seu desenvolvimento - essencialmente, a acumulação - leva à maximização do lucro. Se a financeirização da economia favorece a taxa de lucro e se a especulação acelerou o fenômeno, a organização da economia como um todo continua dessa forma. Mas um mercado não regulamentado capitalista conduz inevitavelmente à crise. E, como indicado no relatório da Comissão das Nações Unidas, é uma crise macroeconômica. Um dos graves problemas da humanidade hoje é a fome. Como fica essa questão frente a esse cenário de crise? A crise alimentar tem dois aspectos, um cíclico e um estrutural. O primeiro manifestou-se com o aumento dos preços dos alimentos em 2007 e 2008. Sim, para explicar o fenômeno, houve alguma base eficiente, como alguma diminuição fraca em reservas de alimentos, mas a principal razão foi de natureza especulativa, em que a produção de agrocombustíveis não ficou imune (etanol de milho nos Estados Unidos). Assim, o preço do trigo na Chicago Board (Bolsa de Chicago) aumentou para 100%, do milho 98% e do etanol, 80%. Durante esses anos, uma parte do capital especulativo passou de outros setores para investir na produção de alimentos, na busca por lucros rápidos e significativos. Consequentemente, segundo o diretor da FAO, em geral, a cada ano, em 2008 e 2009, mais de 50 milhões de pessoas ficaram abaixo da linha da pobreza e o total de pessoas que viviam nessa situação em 2008 atingiu um valor nunca antes conhecido - de mais de um bilhão de pessoas. Essa situação foi claramente o resultado da lógica do lucro, a lei capitalista do valor. O segundo aspecto é estrutural. É a expansão durante os últimos anos da monocultura, resultando na concentração da terra, ou seja, uma verdadeira contrarreforma. A agricultura familiar foi destruída em todo o mundo sob o pretexto de sua baixa produtividade. Na verdade, as monoculturas têm uma produção que às vezes pode ir até 500% ou mais de 1000%. No entanto, dois fatores devem ser levados em conta. A primeira é a destruição ecológica dessa forma de produzir. Florestas são removidas, solo e água contaminados pelo uso maciço de produtos químicos. Agricultores são forçados a deixar suas terras e há milhões que têm de migrar para as favelas das cidades, aumentando a crise urbana, e aumentando a pressão da migração interna, como no Brasil, ou externa, como em muitos outros países. Então a fome no mundo não tem nada a ver com a produção de alimentos, com a capacidade de produzir? Não. Não tem nada a ver com a produção. A questão é somente especulativa. É a Bolsa de Chicago que fixa os preços internacionais dos grãos. E como o senhor vê as afirmações de alguns estudiosos de que o planeta, com uma população na casa dos 7 bilhões de pessoas, se torna incapaz de produzir alimentos para nutrir tanta gente? Isso é totalmente falso. Segundo a FAO, teoricamente a Terra pode facilmente nutrir 10 ou 12 bilhões de habitantes. E a questão energética, também faz parte desse cenário de crise? A crise de energia vai além da explosão conjuntural dos preços do petróleo e faz parte do esgotamento dos recursos naturais explorados pelo modelo de desenvolvimento capitalista. Uma coisa é clara: a humanidade vai ter que mudar a fonte de sua energia nos próximos 50 anos. Os picos de petróleo, urânio e gás podem ser discutidos em termos de anos precisos, mas ainda assim sabemos que esses recursos não são inesgotáveis e que as datas não estão longe. Com o esgotamento, inevitavelmente vem o aumento dos preços das commodities, com todas as consequências sociais e políticas. Além disso, o controle internacional de fontes de energia fósseis e outros materiais estratégicos é cada vez mais importante para as potências industriais, que não hesitam em usar a força militar para se apropriar deles. É no contexto de escassez de energia no futuro que se insere parte do problema dos agrocombustíveis. Diante da expansão da demanda e da redução esperada em recursos energéticos fósseis, há uma certa urgência de se encontrar soluções. Como novas fontes de energia exigem o desenvolvimento de tecnologias ainda não muito avançadas (como a solar ou à base de hidrogênio) e outras soluções são interessantes, mas economicamente marginais ou não rentáveis (mais uma vez, a solar e a eólica), a dos agrocombustíveis pareceu interessante. Mas a produção dos agrocombustíveis traz também graves consequências. A produção de agrocombustível é feita na forma de monocultura. Em muitos casos, isso envolve a remoção de grandes florestas. Na Malásia e na Indonésia, em menos de 20 anos 80% da floresta original foi destruída pelas plantações da palma e eucalipto. A biodiversidade é removida, com todas as consequências sobre a reprodução da vida. Para produzir é usado não só muita água, mas um monte de produtos químicos, como fertilizantes ou pesticidas. O resultado é uma poluição intensiva de água subterrânea, dos rios que desembocam no mar, e um perigo real de falta de água potável para as populações. Além disso, os pequenos agricultores são expulsos e muitas comunidades indígenas perdem suas terras ancestrais, causando uma série de conflitos sociais, até mesmo violentos. O desenvolvimento de agrocombustíveis corresponde à negligência das externalidades ambientais e sociais, típicas da lógica do capitalismo. E como o senhor vê a questão climática nesse cenário atual? A crise climática é bem conhecida e as informações estão se tornando mais precisas, graças a várias conferências da ONU sobre clima, biodiversidade, geleiras etc. Enquanto o atual modelo de desenvolvimento continuar emitindo gases de efeito-estufa (especialmente CO2), destruindo os sumidouros de carbono, ou seja, sítios naturais de absorção desses gases, especialmente florestas e os oceanos, a crise continuará. A pegada ecológica é de tal ordem que, de acordo com estimativas, em 2010, em meados de agosto, o planeta tinha esgotado a sua reprodução natural. Além disso, de acordo com o relatório do Dr. Nicholas Stern para o governo britânico, em 2006, se as tendências atuais continuarem na metade do século existirão entre 150 e 200 milhões de migrantes climáticos, e os mais recentes números são ainda mais elevados. E como o senhor avalia as medidas adotadas pelas elites e governos para tentar superar essas crises? E quais são as soluções? A primeira solução é a do sistema. Alguns, principalmente preocupados com a crise financeira, propuseram mudar e punir os responsáveis. Essa é a teoria do capitalismo (teoria neoclássica em economia), que vê elementos positivos na crise, porque eles permitem a liberação de elementos fracos ou corruptos para retomar o processo de acumulação em bases saudáveis. Atores são alterados, e não se muda o sistema. Evidentemente não é solução. A segunda visão é propor regulamentos. É reconhecido que o mercado regula a si mesmo e que os organismos nacionais e internacionais têm necessidade de executar essa tarefa. Os Estados e organizações internacionais devem ser envolvidos. O G8, por exemplo, propôs certos regulamentos do sistema econômico global, mas ligeiros e temporários. Em vez disso, a ONU apresentou uma série de regulamentações muito mais avançadas. Propôs a criação de um Conselho de Coordenação Econômica Global, em pé de igualdade com o Conselho de Segurança, e também um painel internacional de especialistas para acompanhar permanentemente a situação econômica global. Outras recomendações tratadas foram a abolição dos paraísos fiscais e do sigilo bancário e, também, maiores requisitos de reservas bancárias e um controle mais rígido das agências de notação de crédito. A profunda reforma das instituições de Bretton Woods foi incluída, bem como a possibilidade de se criar moedas regionais em vez de ter como referência única o dólar. Os regulamentos propostos pela Comissão Stiglitz para reconstruir o sistema financeiro e monetário, apesar de algumas referências a outros aspectos da crise, tais como clima, energia, alimentos - e apesar do uso da palavra sustentável para qualificar o crescimento - não têm a profundidade suficiente para fazer a pergunta: para que reparar o sistema econômico? Para desenvolver, como antes, um modelo que destrói a natureza e é socialmente desequilibrado? É provável que as propostas para reformar o sistema monetário e financeiro serão eficazes para superar a crise financeira, e muito mais do que o que foi feito até agora, mas é suficiente para responder a desafios globais contemporâneos? A solução é dentro do capitalismo, um sistema historicamente esgotado, mesmo que tenha ainda muitos meios de adaptação. A gravidade da crise é tal que devemos pensar em alternativas, não somente em regulações. E, quais seriam, por exemplo, essas outras alternativas? Questionar o próprio modelo de desenvolvimento. A multiplicidade de crises que foram exacerbadas nos últimos tempos é resultado da lógica de mesmo fundo: uma concepção de desenvolvimento que ignora as "externalidades" (danos naturais e sociais); a ideia de um planeta inesgotável; o foco no valor de troca em detrimento do valor de uso; e a identificação da economia com a taxa de acumulação de lucro e do capital que cria, consequentemente, enormes desigualdades econômicas e sociais. Esse modelo resultou em um crescimento espetacular da riqueza global, mas seu papel histórico se perdeu, devido à sua natureza destrutiva e da desigualdade social que resultou. A racionalidade econômica do capitalismo, escreve Wim Dierckxsens, não apenas tende a negar a vida da maioria da população mundial como também destrói a vida natural. Temos que discutir alternativas ao modelo econômico capitalista prevalecente hoje e os meios para rever o próprio paradigma (orientação básica) da vida coletiva da humanidade sobre o planeta, conforme definido pela lógica do capitalismo, que hoje é global. A vida coletiva é composta por quatro elementos que chamamos de base, porque as exigências são parte da vida de toda sociedade, desde as mais antigas até as mais contemporâneas: a relação com a natureza; a produção da base material da vida física, cultural e espiritual; a organização social e política coletiva; e a leitura do real e autoenvolvimento dos atores na sua construção da cultura. Ou seja, cada sociedade tem essa tarefa para realizar. Mas as alternativas necessariamente passam pelo envolvimento do conjunto da sociedade organizada, dos movimentos sociais. Exatamente. As alternativas são tão importantes que não vão chegar por si só. É somente pela pressão dos movimentos sociais, movimentos políticos também, que podemos esperar chegar a redefinir os objetivos fundamentais da presença humana no planeta e o desenvolvimento humano no planeta. E isso significa transformar a relação com a natureza. Passar da exploração ao respeito. Significa outra definição da economia. Não somente produzir um valor agregado senão produzir as bases da vida. Da vida física, cultural, espiritual de todos os seres humanos no planeta. Isso é a economia. Porém, isso não corresponde à definição do capitalismo. Também é preciso generalizar a democracia a todas as instituições, não somente políticas e econômicas mas também na relações humanas, relações entre homens e mulheres etc. É necessário também não identificar desenvolvimento com civilização ocidental e dar a possibilidade a todas as culturas, religiões, filosofias de participar dessa construção. Isso é o que chamo de construir o bem comum da humanidade, que é a vida; assegurar a vida, a vida do planeta e a vida da humanidade. Isso é um projeto alternativo, que pode parecer utópico. Porém não é utópico porque existem milhares de organizações e movimentos sociais que já trabalham para transformar esses aspectos da vida comum da humanidade, para melhorar a relação com a natureza, para ter outro tipo de economia, para ter uma participação, uma democracia que seja participativa e para renovar a cultura. Existem muitas iniciativas. Isso posso chamar de construção do socialismo. Porque socialismo não é uma palavra. É um conteúdo. E eu penso que devemos redefinir o conteúdo do socialismo. Como o senhor analisa a América Latina neste contexto da crise e qual é o papel dos movimentos sociais? É muito interessante porque a América Latina é o único continente do mundo onde temos tido alguns avanços. Não ainda na opção de novo paradigma, nova orientação fundamental, porém, pelo menos avanços, que não existem em outros continentes até agora. Mas não é algo generalizado na América Latina. Há alguns países que só reproduzem o sistema, com sua dependência ao capital internacional, particularmente do norte do continente americano. São países como México, Colômbia, Chile, Panamá, Costa Rica, Honduras etc. São países onde a burguesia local está totalmente vinculada com o sistema internacional e, nesse sentido, não tem outro projeto senão um projeto muito repressivo contra as populações. Subordinação total. Exatamente. Há uma segunda realidade, que são os países que podemos chamar de "adaptações ao sistema". E aí existem dois tipos de países. Há os que dizem: sim, o sistema necessita de mudanças fundamentais e devemos nos adaptar à lógica do capitalismo. E para se ter mais justiça social e repartir parte do lucro, como já dizia Marx, com o rápido avanço das forças produtivas, temos um aumento dos lucros e da destruição da natureza. Nesse tipo de desenvolvimento se inserem Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que possuem programas sociais eficazes. Com resultados indubitáveis porque milhões de pessoas saíram da pobreza, o que não podemos desprezar, porém, esse modelo não transforma profundamente a sociedade; isso representa apenas uma redistribuição de parte do lucro. Não podemos dizer que é uma mudança de paradigma. Entretanto, há países como Venezuela, Equador e a Bolívia, que têm outro discurso, o do socialismo do século 21, que pelo menos faz uma alusão a uma transformação fundamental. Pelo menos no Equador e na Bolívia, entre o discurso e a prática eu vejo grande avanços, em que as práticas dos governos seguem uma orientação das demandas sociais apresentadas pelos movimentos sociais. Então, neste contexto de crise, os países que estão mais vulneráveis sofrem mais as consequências? Não estou seguro. Teoricamente pode-se dizer que sim, esses países serão mais afetados em médio prazo. Porém, no momento é igual em todas as partes. Mas, evidentemente, os países mais vinculados ao sistema serão mais afetados em médio prazo. Entretanto, desgraçadamente, países como Venezuela e Bolívia também são indiretamente dependentes do sistema global e sofrerão as consequências. O que eu acho que é cedo demais pra se dizer, com diz Samir Amin, que eles conseguiram fazer uma desconexão. Não, não conseguiram. Mas é óbvio que as economias mais vinculadas à economia do Norte sofrerão as consequências a curto prazo. No caso da América Latina, uma maior integração dos países seria uma alternativa frente a esse cenário mundial? O papel do Estado é fundamental neste contexto? Absolutamente. Mas, para encerrar a tipologia, eu penso que a Venezuela é um país que avança para um novo modelo, onde as mudanças são mais aprofundadas. O papel do Estado não pode ser concebido sem levar em conta a situação dos grupos mais marginalizados socialmente, os sem-terra, as castas mais baixas ignoradas por milênios, os povos indígenas da América e os excluídos de ascendência africana; e, nesses grupos, as mulheres são muitas vezes duplamente marginalizadas. A expansão da democracia também se aplica para o diálogo entre os movimentos políticos e sociais. A organização de instâncias de consulta e diálogo pertence ao mesmo conceito, respeitando a autonomia mútua. O projeto de um conselho de movimentos sociais na arquitetura geral da Alba é uma tentativa original nessa direção. O conceito de sociedade civil muitas vezes utilizados para esse fim ainda é ambíguo, porque ela é também o lugar da luta de classes: há realmente uma sociedade civil de baixo e de cima e o uso do termo de forma não qualificada permite muitas vezes a criação de uma confusão e a apresentação de soluções que ignoram as diferenças sociais. Por outro lado, as formas de democracia participativa, como os encontrados em vários países latino-americanos, também entram na mesma lógica da democracia em geral. Todas as novas instituições regionais latino-americanas, como o Banco do Sul, a moeda regional (o sucre) e a Alba, serão objeto de atenção especial na direção de propagação da democracia. E o mesmo vale para os outros continentes. QUEM É François Houtart é sociólogo e professor da Universidade Católica de Louvain (Bélgica). É diretor do Centro Tricontinental, entidade que desenvolve trabalho na Ásia, África e América Latina. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120120/8bb26a42/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 25 20:24:59 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 25 Jan 2012 20:24:59 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Caso_algu=E9m_tenha_se_comunicado?= =?iso-8859-1?q?_conosco_nesse_per=EDodo=2C_por_email=2Cfavor_repet?= =?iso-8859-1?q?ir_a_mensagem_pois_muitos_foram_perdidos=2E?= Message-ID: <3788EE17785647ED92E1E2E1A08DD19C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Caras (os) Companheiras (os), em virtude de reparos não autorizados pela Telefônica em nossa rede, alterando as configurações do nosso speedy e por conseqüência afetando o nosso servidor, ficamos "fora do ar" no sábado, domingo, segunda e terça-feira. Caso alguém tenha se comunicado conosco nesse período, por email, favor repetir a mensagem pois muitos foram perdidos. Grato. Abraço. Vanderley Caixe -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120125/a0b3ebec/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 25 20:25:06 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 25 Jan 2012 20:25:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] DOZE MITOS DO CAPITALISMO . . . Message-ID: <3AF40AE81EB84280AE2146B8F8F46741@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br De: ALBERTO SOUZA NÃO DEIXEM DE LER COM CALMA, REFLETIR, DISCUTIR E DIVULGAR! REDIGIDO EM PORTUGUÊS DE PORTUGAL. 12 MITOS DO CAPITALISMO Guilherme Alves Coelho Odiário ? Portugal 07.Jan.2012 São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia burguesa se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos. Um comentário amargo, e frequente após os períodos eleitorais, é o de que ?cada povo tem o governo que merece?. Trata-se de uma crítica errónea, que pode levar ao conformismo e à inércia e castiga os menos culpados. Não existem maus povos. Existem povos iletrados, mal informados, enganados, manipulados, iludidos por máquinas de propaganda que os atemorizam e lhes condicionam o pensamento. Todos os povos merecem sempre governos melhores. A mentira e a manipulação são hoje armas de opressão e destruição maciça, tão eficazes e importantes como as armas de guerra tradicionais. Em muitas ocasiões são complementares destas. Tanto servem para ganhar eleições como para invadir e destruir países insubmissos. São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia capitalista se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos. Foram criadas para apresentar o capitalismo de forma credível perante as massas e obter o seu apoio ou passividade. Os seus veículos mais importantes são a informação mediática, a educação escolar, as tradições familiares, a doutrina das igrejas, etc. (*) Apresentam-se neste texto, sucintamente, alguns dos mitos mais comuns da mitologia capitalista. ? NO CAPITALISMO QUALQUER PESSOA PODE ENRIQUECER À CUSTA DO SEU TRABALHO. Pretende-se fazer crer que o regime capitalista conduz automaticamente qualquer pessoa a ser rica desde que se esforce muito. O objectivo oculto é obter o apoio acrítico dos trabalhadores no sistema e a sua submissão, na esperança ilusória e culpabilizante em caso de fracasso, de um dia virem a ser também, patrões de sucesso. Na verdade, a probabilidade de sucesso no sistema capitalista para o cidadão comum é igual à de lhe sair a lotaria. O ?sucesso capitalista? é, com raras excepções, fruto da manipulação e falta de escrúpulos dos que dispõem de mais poder e influência. As fortunas em geral derivam directamente de formas fraudulentas de actuação. Este mito de que o sucesso é fruto de uma mistura de trabalho afincado, alguma sorte, uma boa dose de fé e depende apenas da capacidade empreendedora e competitiva de cada um, é um dos mitos que têm levado mais gente a acreditar no sistema e a apoiá-lo. Mas também, após as tentativas falhadas, a resignarem-se pelo aparente falhanço pessoal e a esconderem a sua credulidade na indiferença. Trata-se dos tão apregoados empreendedorismo e competitividade. ? O CAPITALISMO GERA RIQUEZA E BEM-ESTAR PARA TODOS Pretende-se fazer crer que a fórmula capitalista de acumulação de riqueza por uma minoria dará lugar, mais tarde ou mais cedo, à redistribuição da mesma. O objectivo é permitir que os patrões acumulem indefinidamente sem serem questionados sobre a forma como o fizeram, nomeadamente sobre a exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo mantêm nestes a esperança de mais tarde serem recompensados pelo seu esforço e dedicação. Na verdade, já Marx tinha concluído nos seus estudos que o objectivo final do capitalismo não é a distribuição da riqueza, mas a sua acumulação e concentração. O agravamento das diferenças entre ricos e pobres nas últimas décadas, nomeadamente após o neoliberalismo, provou isso claramente. Este mito foi um dos mais difundidos durante a fase de ?bem-estar social? pós-guerra, para superar os estados socialistas. Com a queda do émulo soviético, o capitalismo deixou também cair a máscara e perdeu credibilidade. ? ESTAMOS TODOS NO MESMO BARCO. Pretende-se fazer crer que não há classes na sociedade, pelo que as responsabilidades pelos fracassos e crises são igualmente atribuídas a todos e, portanto pagas por todos. O objectivo é criar um complexo de culpa junto dos trabalhadores que permita aos capitalistas arrecadar os lucros enquanto distribuem as despesas por todo o povo. Na verdade, o pequeno número de multimilionários, porque detém o poder, é sempre autobeneficiado em relação à imensa maioria do povo, quer em impostos, quer em tráfico de influências, quer na especulação financeira, quer em off-shores, quer na corrupção e nepotismo etc. Esse núcleo, que constitui a classe dominante, pretende assim escamotear que é o único e exclusivo responsável pela situação de penúria dos povos e que deve pagar por isso. Este é um dos mitos mais ideológicos do capitalismo ao negar a existência de classes. ? LIBERDADE É IGUAL A CAPITALISMO. Pretende-se fazer crer que a verdadeira liberdade só se atinge com o capitalismo, através da chamada autorregulação proporcionada pelo mercado. O objectivo é tornar o capitalismo uma espécie de religião em que tudo se organiza em seu redor e assim afastar os povos das grandes decisões macro-económicas, indiscutíveis. A liberdade de negociar sem peias seria o máximo da liberdade. Na verdade, sabe-se que as estratégias político-económicas, muitas delas planeadas com grande antecipação, são quase sempre tomadas por um pequeno número de pessoas poderosas, à revelia dos povos e dos poderes instituídos, a quem ditam as suas orientações. Nessas reuniões, em cimeiras restritas e mesmo secretas, são definidas as grandes decisões financeiras e económicas conjunturais ou estratégicas de longo prazo. Todas, ou quase todas essas resoluções, são fruto de negociações e acordos mais ou menos secretos entre os maiores empresas e multinacionais mundiais. O mercado é, pois, manipulado e não autorregulado. A liberdade plena no capitalismo existe de facto, mas apenas para os ricos e poderosos. Este mito tem sido utilizado pelos dirigentes capitalistas para justificar, por exemplo, intervenções em outros países não submissos ao capitalismo, argumentando não haver neles liberdade, porque há regras. ? CAPITALISMO IGUAL A DEMOCRACIA. Pretende-se fazer crer que apenas no capitalismo há democracia. O objectivo deste mito, que é complementar do anterior, é impedir a discussão de outros modelos de sociedade, afirmando não haver alternativas a esse modelo e todos os outros serem ditaduras. Trata-se mais uma vez da apropriação pelo capitalismo, falseando-lhes o sentido, de conceitos caros aos povos, tais como liberdade e democracia. Na realidade, estando a sociedade dividida em classes, a classe mais rica, embora seja ultraminoritária, domina sobre todas as outras. Trata-se da negação da democracia que, por definição, é o governo do povo, logo da maioria. Esta ?democracia? não passa, pois de uma ditadura disfarçada. As ?reformas democráticas? não são mais que retrocessos, reacções ao progresso. Daí deriva o termo reaccionário, o que anda para trás. Tal como o anterior, este mito também serve de pretexto para criticar e atacar os regimes de países não-capitalistas. ? ELEIÇÕES IGUAL A DEMOCRACIA. Pretende-se fazer crer que o acto eleitoral é o sinônimo da democracia e esta se esgota nele. O objectivo é denegrir ou diabolizar e impedir a discussão de outros sistemas político-eleitorais em que os dirigentes são estabelecidos por formas diversas das eleições burguesas, como por exemplo, pela idade, experiência, aceitação popular etc. Na verdade, é no sistema capitalista, que tudo manipula e corrompe, que o voto é condicionado e as eleições são actos meramente formais. O simples facto da classe burguesa minoritária vencer sempre as eleições demonstra o seu carácter não-representativo. O mito de que, onde há eleições há democracia, é um dos mais enraizados, mesmo em algumas forças de esquerda. ? PARTIDOS ALTERNANTES IGUAL A ALTERNATIVOS. Pretende-se fazer crer que os partidos burgueses que se alternam periodicamente no poder têm políticas alternativas. O objectivo deste mito é perpetuar o sistema dentro dos limites da classe dominante, alimentando o mito de que a democracia está reduzida ao acto eleitoral. Na verdade, este aparente sistema pluri ou bipartidário é um sistema monopartidário. Duas ou mais facções da mesma organização política, partilhando políticas capitalistas idênticas e complementares, alternam-se no poder, simulando partidos independentes, com políticas alternativas. O que é dado escolher aos povos não é o sistema que é sempre o capitalismo, mas apenas os agentes partidários que estão de turno como seus guardiões e continuadores. O mito de que os partidos burgueses têm políticas independentes da classe dominante, chegando até a ser opostas, é um dos mais propagandeados e importantes para manter o sistema a funcionar. ? O ELEITO REPRESENTA O POVO E POR ISSO PODE DECIDIR TUDO POR ELE. Pretende-se fazer crer que o político, uma vez eleito, adquire plenos poderes e pode governar como quiser. O objectivo deste mito é iludir o povo com promessas vãs e escamotear as verdadeiras medidas que serão levadas à prática. Na verdade, uma vez no poder, o eleito autoassume novos poderes. Não cumpre o que prometeu e, o que é ainda mais grave, põe em prática medidas não enunciadas antes, muitas vezes em sentido oposto e até inconstitucionais. Frequentemente, são eleitos por minorias de votantes. A meio dos mandatos já atingiram índices de popularidade mínimos. Nestes casos de ausência ou perda progressiva de representatividade, o sistema não contempla quaisquer formas constitucionais de destituição. Esta perda de representatividade é uma das razões que impede as ?democracias? capitalistas de serem verdadeiras democracias, tornando-se ditaduras disfarçadas. A prática sistemática deste processo de falsificação da democracia tornou este mito um dos mais desacreditados, sendo uma das causas principais da crescente abstenção eleitoral. ? NÃO HÁ ALTERNATIVAS À POLÍTICA CAPITALISTA. Pretende-se fazer crer que o capitalismo, embora não sendo perfeito, é o único regime político-económico possível e, portanto, o mais adequado. O objectivo é impedir que outros sistemas sejam conhecidos e comparados, usando todos os meios, incluindo a força, para afastar a competição. Na realidade, existem outros sistemas político-económicos, sendo o mais conhecido o socialismo cientifico. Mesmo dentro do capitalismo, há modalidades que vão desde o actual neoliberalismo aos reformistas do ?socialismo democrático? ou socialdemocrata. Este mito faz parte da tentativa de intimidação dos povos de impedir a discussão de alternativas ao capitalismo, a que se convencionou chamar o pensamento único. ? A AUSTERIDADE GERA RIQUEZA Pretende-se fazer crer que a culpa das crises económicas é originada pelo excesso de regalias dos trabalhadores. Se estas forem retiradas, o Estado poupa e o país enriquece. O objectivo é fundamentalmente transferir para o sector público, para o povo em geral e para os trabalhadores, a responsabilidade do pagamento das dividas dos capitalistas. Fazer o povo aceitar a pilhagem dos seus bens na crença de que dias melhores virão mais tarde. Destina-se também a facilitar a privatização dos bens públicos, ?emagrecendo? o Estado, logo ?poupando?, sem referir que esses sectores eram os mais rentáveis do Estado, cujos lucros futuros se perdem desta forma. Na verdade, constata-se que estas políticas conduzem, ano após ano, a um empobrecimento das receitas do Estado e a uma diminuição das regalias, direitos e do nível de vida dos povos, que antes estavam assegurados por elas. ? MENOS ESTADO, MELHOR ESTADO. Pretende-se fazer crer que o sector privado administra melhor o Estado que o sector público. O objectivo dos capitalistas é ?dourar a pílula? para facilitar a apropriação do património, das funções e dos bens rentáveis dos estados. É complementar do anterior. Na verdade o que acontece em geral é o contrário: os serviços públicos privatizados não só se tornam piores, como as tributações e as prestações são agravadas. O balanço dos resultados dos serviços prestados após passarem a privados é quase sempre pior que o anterior. Na óptica capitalista, a prestação de serviços públicos não passa de mera oportunidade de negócio. Este mito é um dos mais ?ideológicos? do capitalismo neoliberal. Nele está subjacente a filosofia de que quem deve governar são os privados e o Estado apenas dá apoio. ? A ACTUAL CRISE É PASSAGEIRA E SERÁ RESOLVIDA PARA O BEM DOS POVOS. Pretende-se fazer crer que a actual crise económico-financeira é mais uma crise cíclica habitual do capitalismo e não uma crise sistémica ou final. O objectivo dos capitalistas, com destaque para os financeiros, é continuarem a pilhagem dos Estados e a exploração dos povos enquanto puderem. Tem servido ainda para alguns políticos se manterem no poder, alimentando a esperança junto dos povos de que melhores dias virão se continuarem a votar neles. Na verdade, tal como previu Marx, do que se trata é da crise final do sistema capitalista, com o crescente aumento da contradição entre o carácter social da produção e o lucro privado até se tornar insolúvel. Alguns, entre os quais os ?socialistas? e sociais-democratas, que afirmam poder manter o capitalismo, embora de forma mitigada, afirmam que a crise deriva apenas de erros dos políticos, da ganância dos banqueiros e especuladores ou da falta de ideias dos dirigentes ou mecanismos que ainda falta resolver. No entanto, aquilo a que assistimos é ao agravamento permanente do nível de vida dos povos sem que esteja à vista qualquer esperança de melhoria. Dentro do sistema capitalista já nada mais há a esperar de bom. NOTA FINAL: O capitalismo há de acabar, mas só por si tal decorrerá muito lentamente e com imensos sacrifícios dos povos. Terá que ser empurrado. Devem ser combatidas as ilusões, quer daqueles que julgam o capitalismo reformável, quer daqueles que acham que quanto pior melhor, para o capitalismo cair de podre. O capitalismo tudo fará para vender cara a derrota. Por isso, quanto mais rápido os povos se libertarem desse sistema injusto e cruel, mais sacrifícios inúteis se poderão evitar. Hoje, mais do que nunca, é necessário criar barreiras ao assalto final da barbárie capitalista, e inverter a situação, quer apresentando claramente outras soluções políticas, quer combatendo o obscurantismo pelo esclarecimento, quer mobilizando e organizando os povos. (*) Os mitos criados pelas religiões cristãs têm muito peso no pensamento único capitalista e são avidamente apropriados por ele para facilitar a aceitação do sistema pelos mais crédulos. Exemplos: ?A pobreza é uma situação passageira da vida terrena.? ?Sempre houve ricos e pobres.? ?O rico será castigado no juízo final.? ?Deve-se aguentar o sofrimento sem revolta para mais tarde ser recompensado." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120125/988fd251/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 26 20:14:42 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 26 Jan 2012 20:14:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Frei_Beto_=3A_Frei_Beto_=3A_=E2=80=9CP?= =?utf-8?q?T_sabe_dialogar=2C_PSDB_manda_pol=C3=ADcia_pra_conversar?= =?utf-8?b?4oCd?= Message-ID: <3C2B02D60CF1410B99DBBE861437A67B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Frei Beto : ?PT sabe dialogar, PSDB manda polícia pra conversar? Foto: Divulgação NO FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO, ELE DEMOSTROU SOLIDARIEDADE COM ACOMUNIDADE DE PINHEIRINHO QUE FOI DESOCUPADA NO ÚLTIMO DOMINGO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E ALERTOU PARA A NECESSIDADE DE ACOMPANHAR COM INTENSIDADE O PROCESSO POLÍTICO DE 2012 26 de Janeiro de 2012 às 08:34 Frei Betto começou a sua fala no Fórum Social Temático, na Mesa Rumo à Rio+20 dos povos, demostrando solidariedade à comunidade de Pinheirinho que foi desocupada no último domingo (22) em São José dos Campos. ?A diferença do PT e do PSDB é que o PT sabe dialogar e o PSDB manda a polícia pra conversar?, comparou. O auditório lotado da Faculdade de Direito da UFRGS aplaudiu fortemente a atitude de Frei Beto. Ele também alertou para a necessidade de acompanhar com intensidade o processo político de 2012. ?A falácia de que devemos torcer o nariz para os políticos e a política é um risco. Infelizmente isso está ganhando campo na juventude. Quem tem nojo de política é governado por que não tem. Tudo que eles querem é que a gente tenha bastante nojo para que eles fiquem com a rapadura na mão?, falou Frei Betto. http://brasil247.com.br/pt/247/brasilia247/38069/Frei-Beto--%E2%80%9CPT-sabe-dialogar-PSDB-manda-pol%C3%ADcia-pra-conversar%E2%80%9D.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120126/931fe72c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 48414 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120126/931fe72c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 26 20:14:49 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 26 Jan 2012 20:14:49 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ren=E9e_de_Carvalho=2C_vi=FAva_de?= =?iso-8859-1?q?_Apol=F4nio=2C_relembra_sua_trajet=F3ria_de_lutas?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Camaradas Renée de Carvalho, viúva de Apolônio, relembra sua trajetória de lutas http://www.grabois.org.br/portal/cdm/noticia.php?id_sessao=30&id_noticia=7901 Um abraço Augusto Buonicore -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120126/d2e33c13/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 26 20:14:55 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 26 Jan 2012 20:14:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_estupro_da_raz=E3o?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem O estupro da razão 26/01/2012 | Por Izaías Almada. Volto ao país depois de merecidas férias. Visto à distância, o Brasil é um país como outro qualquer. É como estar em São Paulo, por exemplo, e ler as notícias sobre países europeus, asiáticos ou sobre nossos vizinhos sul-americanos. As notícias do dia a dia são muitas vezes superficiais, sensacionalistas, procurando encobrir a natureza dos motivos pelos quais elas acontecem ou se desenvolvem. A diferença, é claro, se dará por conta do conhecimento que temos da nossa própria realidade, os interesses e os fatores objetivos e subjetivos que se entrelaçam na informação produzida por jornais, televisões, revistas, sites e blogues. A Rede Globo de Televisão, beneficiária e por isso mesmo defensora do golpe de Estado no Brasil em 1964 (ou seria o contrário?) chamou uma vez mais para si os olhares da nação, muitos deles cada vez mais descontentes com o que ali assistem. Detentora de uma estratégia e de um marketing de comunicação imposto pelo poder econômico que construiu e que a sustenta, a emissora vem atravessando os anos colocando-se acima das leis e da Constituição, uma vez que o seu DNA foi formado no período autoritário mais recente da história política brasileira. Ao se arrogar em fazer o que quer, a Rede Globo finge não ver que a ditadura já terminou e apresenta-se com aquela prepotência dos que fingem que nada de mais se passa à sua volta. Coloca-se acima da própria Constituição do país (consultar os artigos 221 e 223 da Constituição). Talvez o braço mais forte do pequeno grupo que comanda impunemente a informação no Brasil, a "Venus platinada", como alguns a chamaram ou ainda a chamam, não tem pelo país qualquer tipo de consideração, a não ser aquela - é claro - em benefício próprio, quando se proclama líder de audiência em vetustos programas, entre eles alguns já mofados e embolorados como "Fantástico", "Jornal Nacional", "Faustão", "Programa da Xuxa" e a maioria de suas telenovelas, cujo conteúdo, aliás, é de dar enjôo em antiácido. Baseados na antiga falácia de que a televisão produz aquilo que o povo gosta de ver, as emissoras de um modo geral e a Rede Globo em particular, mistura alhos com bugalhos propositadamente, pois sabe que um povo desinformado, confuso, indisciplinado, ignorante de seus direitos constitucionais, iludido por partidos políticos de pouca ou nenhuma expressão ideológica, é um povo paralisado e medroso. A estratégia de desinformação coloca o cidadão diante da dúvida, da negação da própria política, do desânimo, da apatia, do medo. Ainda assim, é possível identificar alguns bolsões de resistência a esse plano de manipulação de consciências e de votos, que transforma o país num amálgama de incertezas. As manifestações de vários setores da sociedade quanto ao possível estupro de uma cidadã brasileira num programa de qualidade cultural zero são sinais de conscientização do entrave que representa para a democracia a existência de uma mídia partidarizada e defensora dos privilégios do poder econômico. Imprensa livre, sim, mas não usurpadora do poder político, também ele livre, dos cidadãos e contribuintes. Condenável sob todos os aspectos, até porque toda a armação foi para aumentar a audiência de um programa lamentável, o maior estupro não é o que a TV Globo mostrou, mas é o estupro que se faz da razão, da nossa inteligência e da própria democracia. *** Izaías Almada, mineiro de Belo Horizonte, escritor, dramaturgo e roteirista, é autor de Teatro de Arena (Coleção Pauliceia da Boitempo) e dos romances A metade arrancada de mim, O medo por trás das janelas e Florão da América. Publicou ainda dois livros de contos, Memórias emotivas e O vidente da Rua 46. Como ator, trabalhou no Teatro de Arena entre 1965 e 1968. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quintas-feiras. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120126/cd7a5168/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 27 19:46:32 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 27 Jan 2012 19:46:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] CARTA MAIOR de 26 de janeiro de 2012 Message-ID: <28BCC74FA6514D62AA4F89A1133EE4F1@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Caso não visualize esse email adequadamente acesse este link Visualização do Boletim Eletrônico - Agência Carta Maior Boletim Carta Maior - 26 de Janeiro de 2012 Ir para o site -------------------------------------------------------------------------- Acompanhe também a cobertura em: Um novo projeto socialista é possível? Na avaliação do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, a grande tarefa dos movimentos e organizações que participam do Fórum Social Mundial hoje é buscar elementos mínimos de unidade para elaborar um programa de resistência e um novo projeto socialista. "A tipologia tradicional dos partidos de esquerda hoje está esgotada e os novos movimentos sociais ainda não conseguiram transcender o nível de mobilização de rua para o de organização política. A esquerda precisa recuperar a ideia de socialismo, mas não há nenhum acordo sobre como fazer isso", defende. > LEIA MAIS | Internacional | 26/01/2012 Criação de cidades sustentáveis é desafio para gover nos e sociedade As cidades consomem 60% da energia gerada no planeta e emitem o equivalente a 70% da poluição global. Entre 1993 e 2002 aumentou em 50 milhões o número de pessoas carentes vivendo em zonas urbanas. Esses números ilustram a importância do tema da sustentabilidade ambiental, objeto de várias atividades em Novo Hamburgo (RS). Fazer com que o ambiente urbano seja mantido dentro de um equilíbrio com a natureza n&a tilde;o é tarefa apenas de governos, apontam especialistas. > LEIA MAIS | Meio Ambiente | 26/01/2012 O universo pós-jornais, a internet e os 'futuríveis' Em debate no Conexões Globais 2.0, o músico, compositor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, citou sua música "Futuríveis para falar da importância da ideia na concretização da ideia de um mundo futuro e possível. Um mundo que nasce a partir de um novo formato de ativismo, cada vez mais ligado à internet e com participação popular intensa. Para Gil, a internet é hoje uma ferramenta fundamental para os movimentos sociais. > LEIA MAIS | Movimentos Sociais | 26/01/2012 América do Sul deve lutar contra Apesar da fragilidade dos países desenvolvidos em função da crise, os governos sul-americanos devem se unir na Rio+20 para despojar os acordos climáticos internacionais obtidos até agora do ranço neoliberal, e colocar no mesmo patamar de prioridade o pagamento de uma dívida social histórica que esses países têm com as suas populações. Essa foi uma das conclusões de um debate promovido pelas fundações Perseu Abramo e João Mangabeira, em Porto Alegre. > LEIA MAIS | Internacional | 26/01/2012 Ministério do Desenvolvimento Agrário lança livros no F&oac ute;rum Social Temático O primeiro lançamento ocorrerá na sexta-feira (27), às 10h. O livro Retrato da Repressão Política no Campo ? Brasil 1962-1985 ? Camponeses torturados, mortos e desaparecidos, fruto de parceria do NEAD com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), conta a história de trabalhadores e líderes rurais que sofreram agressões durante o período da ditadura mi litar no Brasil. Já o livro Transgênicos para quem? Agricultura, Ciência, Sociedade, será lançado no dia seguinte (28). > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 26/01/2012 Diretor da FAO quer tratar a fome como um tema de guerra Em entrevista à Carta Maior, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, fala sobre a prioridade da entidade para os próximos anos: a luta contra a fome no mundo. E Graziano quer transformar essa luta numa guerra: "O século XXI não pode conviver mais com a fome. Estou defendendo que a segurança alimentar seja tratada no mesmo nível dos temas tratados no Conselho de Segurança da ONU, ou seja, como um tema de guerra. Essa é uma guerra que vale a pena". > LEIA MAIS | Internacional | 25/01/2012 Para que o FSM se integre na construção do outro mundo possível O Fórum Social Mundial deveria mudar seu formato, incorporando todas as forças que estão construindo alternativas ao neoliberalismo e mudando a composição das suas direções, deixando para as ONGs um papel secundário e entregando para os movimentos sociais o protagonismo essencial. -23/01/2012 -------------------------------------------------------------- Em Destaque Crise do neoliberalismo e rumos da esquerda em debate Luiz Gonzaga Belluzzo, Samuel Pinheiro Guimarães, Ignácio Ramonet e Mario Búrkún debaterão em Porto Alegre a crise econômica mundial e os desafios políticos e econômicos que ela coloca para a esquerda internacional. Seminário ocorrerá no dia 26 de janeiro, às 9 horas, no auditório da Escola Superior da Magistratura da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris). Atividade faz parte da programação do Fórum Social Temático 2012. - 23/01/2012 O que só a marcha de abertura revela do Fórum Social ?Basta de guerra aos pobres?, dizia uma bandeira. As pessoas se abanavam diante da sensação térmica de 40 graus e a umidade intolerável. Se abanava uma velha, das poucas que integravam a marcha. Havia poucos negros e mulatos. Talvez por isso um negro velho e grisalho sustentava a ponta de uma bandeira: ?Movimento de luta pela reparação para o povo negro e indígena pela escravidão genocida?. - 25/01/2012 Fórum Social: Rio+20 não pode endossar pirataria e economia verde MIlitantes brasileiros e estrangeiros que participam do Fórum Social Mundial Temático preocupam-se com a possibilidade de a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável legitimar 'pirataria' da biodiversidade e capitalismo predatório travestido de 'economia verde'. - 25/01/2012 Redes de ONGs fazem balanço e preparam ofensiva para Rio+20 Lideranças do movimento socioambientalista brasileiro se reúnem em Porto Alegre para iniciar um balanço dessas duas décadas de atuação das principais redes de ONGs no país. Houve consensos, como a análise de que o trabalho é prejudicado pela falta de recursos financeiros. Outro problema é a desarticulação política, provocada por questões como a não renovação da militância ambientalista ou a banalização do discurso verde. - 25/01/2012 Brasil pretende contestar na ONU poder de EUA regular internet No Fórum Social Temático, ministra dos Direitos Humanos contesta poder americano para regular internet, iniciativa que teria impacto mundial. Para ONU, acesso à rede é direito humano básico, e por isso Maria do Rosário diz que Brasil quer discutir tema em fórum global. Debate enfatiza capacidade de mobilização da internet, mas vê risco em dependência de plataformas privadas. - 25/01/2012 -------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120127/2b2800f7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 27 19:46:40 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 27 Jan 2012 19:46:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_JUSTI=C3=87A_ABSOLVE_Z=C3=89_DIRCEU_E_?= =?utf-8?q?D=C3=81_PUX=C3=83O_ORELHAS_NOS_PROMOTORES=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br JUSTIÇA ABSOLVE ZÉ DIRCEU E DÁ PUXÃO ORELHAS NOS PROMOTORES Quem acompanhou o caso e entende o minimo de politica e manipulação midiática, ja sabia disso, mas agora foi a vez da Justiça Federal dizer o que ja sabíamos a tempo, ou seja, a mídia inventou, e o povo acreditou. Por Blog Marivalton A Justiça Federal concluiu ?não haver qualquer indício de ato de improbidade? cometido pelo ex-ministro José Dirceu durante o período em que exerceu a chefia da Casa Civil da Presidência da República, no primeiro governo Lula. Por esse motivo, seu nome foi retirado do processo movido contra ele na 9ª Vara Federal Judiciária do Distrito Federal. A ação por improbidade administrativa havia sido proposta pelo Ministério Público Federal ? o mesmo que, sem relacionar nenhum fato concreto a Dirceu, o acusou de comandar um suposto esquema de compra de votos para que deputados votassem a favor de projetos do governo. A denúncia, que a mídia e o ex-deputado Roberto Jeferson batizaram de ?mensalão?, jamais foi comprovada, mas deu origem a um processo no STF (Supremo Tribunal Federal) contra 40 pessoas, ainda não concluído, e mais cinco contra Dirceu, entre eles este em que agora foi inocentado. Em sentença publicada no Diário da Justiça, o juiz da 9ª Vara, Alaor Piacini, acolheu a defesa prévia apresentada por Dirceu e seu advogado, Rodrigo Alves Chaves, e o excluiu liminarmente da ação. Um dos argumentos em que fundamentou sua sentença, segundo o juiz, é que, de acordo com a jurisprudência do STF, ministros de Estado, cargo que Dirceu ocupava quando teria praticado o ato do qual foi acusado, por atuarem sob a égide da Lei do Crime de Responsabilidade, não se submetem à Lei de Improbidade Administrativa. Além disso, o juiz considerou, ainda, não haver quaisquer indícios de ato de improbidade praticados por Dirceu. Por fim, Piacini, em sua sentença, criticou severamente a postura adotada pelos procuradores da República por proporem cinco ações de improbidade versando sobre os mesmos fatos. A NOTICIA SOBRE O MENSALÃO QUE A VEJA NÃO DEU Deputado petista vai receber 20 mil reais de indenização da Editora Abril - 05/03/2009 A 4ª Turma Cível do TJDFT decidiu manter a sentença do juiz da 16ª Vara Cível de Brasília que condenou a Editora Abril S.A a indenizar por danos morais o deputado federal Carlos Augusto Abicalil (PT/MT). A indenização por danos morais, arbitrada em 20 mil reais, deverá ser paga solidariamente pela editora e pelos autores da reportagem veiculada na revista Veja que deu ensejo à ação judicial. Na inicial, o deputado alega que a edição da revista Veja de nº 1938, veiculada em 11 de janeiro de 2006, publicou matéria com afirmações inverídicas e injuriosas intitulada "Não li e não gostei". Os repórteres responsáveis pelo conteúdo da matéria afirmam que o deputado Carlos Abicalil teria sido escalado para integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios com a incumbência de tentar melar o andamento das investigações em relação ao esquema conhecido como "mensalão". Diz a matéria: "Mesmo com a inclusão de Azeredo, os governistas ainda não desistiram de tentar melar a CPI. Já escalaram até um deputado, Carlos Abicalil, petista de Mato Grosso e integrante da comissão, para o trabalho sujo. Abicalil é um especialista em trabalhos sujos(...)". Ao contestar a ação, a Editora Abril invocou o direito de informar, garantido constitucionalmente, e afirmou que a expressão "trabalho sujo" era apropriada, já que a escalação do deputado para integrar a CPI tinha como objetivo tentar afastar alguns nomes apontados no relatório parcial da comissão como supostos integrantes do "mensalão". Na sentença de 1ª Instância, o juiz considerou que houve manifesta extrapolação da ré no seu direito de informar e noticiar fatos. De acordo com o magistrado, ao atribuírem a pecha de "especialista em trabalhos sujos" ao deputado, os autores do texto jornalístico lançaram conceitos lesivos à honra do requerente. O relator do recurso confirmou a condenação imposta pelo juiz. Em seu voto, ele afirma: A dignidade da pessoa humana é um bem tão importante que está garantido na Constituição Federal. A liberdade de imprensa não autoriza o uso de palavras injuriosas que acarretem danos à honra e à imagem dos indivíduos A decisão da 4ª Turma Cível foi unânime. http://forumzn.blogspot.com/2012/01/dirceu.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120127/a9390833/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120128/4f1d204a/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 28 15:55:26 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 28 Jan 2012 15:55:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Em homenagem aos 85 anos do grande advogado Modesto da Silveira : "Va pensiero", de Verdi ( Coro da Metropolitan House NY) Message-ID: <3A09F73268374973B5E0711C8CAD7A55@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Dr. Adail Ivan Lemos Em homenagem aos 85 anos do grande advogado Modesto da Silveira, o simplesmente maravilhoso "Va pensiero", de Verdi : http://www.youtube.com/embed/DzdDf9hKfJw?rel=0 Na cena, talvez a mais bela da ópera, e com o coro da Metropolitan House dando um espetáculo à parte de interpretação, os hebreus escravizadas estão de joelhos às margens do Eufrates, na Babilonia. Sua oração fervorosa, sua esperança de liberdade, a nostalgia da pátria distante se condensam na inolvidável cena coral de " Va pensiero sull'ali dórate ". Va Pensiero se transformou assim em um hino à liberdade e ao amor à pátria distante que emociona sempre a quem escuta os cantos de Verdi... Voa pensamento !... Ah ! minha Pátria, tão bela e abandonada... (versos cantados pelos hebreus escravizados, metáfora de Verdi também para a Itália sob o domínio austríaco no séc. XIX, poderia ser o Brasil de hoje...) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120129/6dca2553/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 29 13:25:06 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 29 Jan 2012 13:25:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_Cerim=F4nia_de_Doa=E7=E3o?= =?iso-8859-1?q?_do_acervo_de_Apol=F4nio_de_Carvalho_e_as_comemora?= =?iso-8859-1?q?=E7=F5es_do_centen=E1rio_do_seu_nascimento=2E__RJ?= Message-ID: <40DE575AC3D64235A4BB8C2FDD249CDA@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Renée de Carvalho, viúva de Apolônio, relembra sua trajetória de lutas http://www.grabois.org.br/portal/cdm/noticia.php?id_sessao=30&id_noticia=7901 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 84211 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120129/dce12ade/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 30 20:28:06 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 30 Jan 2012 20:28:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Entendendo_os_10_mais_destrutivo?= =?iso-8859-1?q?s_comportamentos_humanos=2E____________HOJE_=C9_2?= =?iso-8859-1?q?=BA_FEIRA!_MEDICINA=2E_SA=DADE=2E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <4755D89D131F4573BD8C26814BE80996@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Entendendo os 10 mais destrutivos comportamentos humanos Ao longo do tempo, a raça humana já inventou muitas formas diferentes de destruir a si mesma. Muitos cientistas já se dedicaram a analisar algumas atitudes que as pessoas tomam, mas grande parte dessa área de conhecimento ainda permanece um mistério para muita gente. Esta lista com dez comportamentos destrutivos é uma tentativa de jogar alguma luz sobre este assunto. 10 - Mentira Contar uma mentira não é tão fácil para quem não está acostumado: um estudo cronometrado concluiu que a mentira leva 30% a mais de tempo para ser falada do que a verdade. Outras pesquisas mensuram quantas vezes uma pessoa mente em um dia, um ano ou na vida inteira, por exemplo. Em uma destas investigações, feita por psicólogos da Universidade de Massachussets (EUA), 60% dos participantes foram flagrados mentindo pelo menos uma vez em uma conversa de dez minutos. Mas ainda não está clara a origem da tendência à mentira. A maior parte dos psiquiatras a atribui a problemas de auto-estima: quanto mais baixa, maiores as chances do uso da mentira para mascarar a situação. Psicólogos de outra universidade americana, a Washington and Lee (Lexington, Virginia), afirmam que a definição de mentira já é algo impreciso. Para eles, a mentira depende de duas coisas: a pessoa que conta deve acreditar que sua frase é falsa, e deve estar com intenções claras de que o interlocutor a aceite como verdade. Se fugir desse perfil, já não pode ser chamada de mentira. 9 - Violência Será que a violência só acontece quando existe um motivo? Ou o cérebro e genes do ser humano são condicionados a uma busca natural por ela? Muitos pesquisadores já acreditaram na segunda opção. Analisando a pré-história, nossos ancestrais tinham hábitos como canibalismo, por exemplo, mas pesquisas recentes indicam que eles eram mais pacifistas do que o homem atual. No mundo animal também existe violência, quase sempre relacionada à luta por comida, parceiros sexuais ou território. Os seres humanos, em maior ou menor escala, apresentam essas mesmas características: estudos de 2008 mostram que existem áreas específicas no cérebro para esse fim. Alguns psicólogos acreditam, por essa razão, que o ser humano é uma das espécies mais violentas do planeta: o mecanismo hormonal responsável por isso é ativado muito facilmente. Mesmo que a situação violenta não tenha uma relação aparente com o instinto de sobrevivência animal. 8 - Roubo Já não é algo novo na sociedade a existência dos cleptomaníacos, pessoas que teriam tendência natural ao roubo. Um estudo com 43 mil pessoas descobriu que 11% admitiram já ter roubado uma loja pelo menos uma vez. Mas se esta atitude nem sempre é motivada por necessidade, é preciso que algum fator emocional a explique: a adrenalina da ação, por exemplo. Uma pesquisa de 2009, conduzida pela Universidade de Minnesota, os participantes foram ministrados ou com um placebo ou com doses de naltrexona, um fármaco que reduz a compulsão por álcool e outros vícios, como drogas e jogo. E o teste mostraria que a substância reduz também a compulsão ao roubo, ou seja, ele também seria uma espécie de vício nocivo instalado em nossas mentes. Fatores neurológicos à parte, também já foi registrado o ato de roubar no mundo animal. Algumas espécies de macaco usam truques para chamar a atenção dos rivais, tirá-los do lugar onde vivem e roubar a comida deles durante a ausência. 7 - Traição Por que o ser humano, já tendo escolhido um parceiro conjugal, continua sujeito à tendência de procurar outra pessoa? Em cada cinco americanos, um acha que a traição é moralmente aceitável ou que essa atitude nada tem a ver com moral. Alguns estudos lançam um paradoxo: são justamente as pessoas com mais integridade moral, em teoria, que tendem a trair mais. E qual seria o motivo? Psicólogos explicam que é justamente porque tais pessoas tiram a traição conjugal da esfera da ética. Em alguns casos, alguma condição ou atitude do parceiro traído seria justificativa suficiente para isso. Fatores de gênero e poder também estão envolvidos nessa balança, mas muitos aspectos sobre a traição continuam obscuros. 6 - Vícios Todos os fumantes sabem, atualmente, que estão fazendo mal a seus pulmões, e mesmo assim fumam. Mas talvez isso não se explique apenas pela dependência química que a nicotina causa no corpo: fatores psicológicos podem levar as pessoas a manter este e outros maus hábitos de vida. Por que, apesar da consciência do mal, as pessoas buscam justificar suas atitudes (dizendo coisas como: minha avó tem 90 anos e fumou a vida inteira)? Uma psicóloga canadense, da Universidade de Alberta, elencou cinco razões além da biologia para afirmar porque as pessoas não largam seus vícios. Seriam elas: rebeldia interna natural, necessidade de ser aceito socialmente, incapacidade de realmente compreender os riscos do vício, visão egocêntrica de mundo (algo como não se preocupar com as pessoas que vão sofrer se você morrer) e predisposição genética. 5 - Bullying A palavra que entrou na moda em um passado recente, no Brasil, serve para explicar uma atitude muito antiga: a discriminação. No caso de crianças, psicólogos ainda divergem sobre a origem deste comportamento entre os dois ambientes que elas freqüentam: a família e a escola. A maioria dos educadores acredita que a influência comece em casa, mas em ambos os cenários a criança encontra condições sociais para praticar o bullying. É claro que esta atitude não se limita às escolas: uma pesquisa afirmou que 30% dos profissionais norte americanos já passaram pela experiência da discriminação no trabalho. Tomando o bullying como uma condição psicológica do ser humano, a maioria dos profissionais acredita que esteja relacionado a questões de status e poder: quando humilhamos uma pessoa, nos colocamos em patamar superior perante o grupo. 4 - Alterações artificiais no corpo Quem nunca fez tatuagem já deve estar cansado de ouvir histórias de como é dolorido e de como foram sofridas as horas que a pessoa passou na cadeira da loja para imprimir um desenho na própria pele. Mesmo assim, essa e outras várias mudanças artificiais no corpo continuam atraindo muitos interessados e estão cercadas de fascinação. Cirurgias plásticas no rosto e no corpo, implantes e adereços pelo corpo fazem parte da história moderna do ser humano. Psicólogos não negam que a principal razão seja mesmo a busca pela beleza e para se ficar mais apresentável na sociedade. Mas não seria apenas isso. A questão, conforme especialistas afirmam, não está apenas na pessoa se sentir bem perante os outros, e sim consigo mesma. Mas uma coisa, obviamente, está ligada à outra. 3 - Stress Será que as pessoas têm a escolha de se estressar ou não diante da vida que levam? Muitos estudos já comprovaram que ele piora a saúde em todos os sentidos e podem levar o corpo a um precoce ataque cardíaco ou um até um câncer. O ambiente do trabalho sempre foi tomado como a maior fonte de stress. E a tecnologia moderna representou, conforme explicam os pesquisadores, uma ameaça em potencial: quanto mais celulares e laptops nós temos, menor fica a linha que separa o trabalho do descanso: levamos trabalho para casa, temos menos tempo para relaxar e acabamos nos estressando mais. As velhas dicas de bom sono, boa alimentação e exercícios físicos regulares ficam cada vez mais válidas diante desta situação. 2 - Jogo Não é apenas o ser humano que tem uma impulsão natural a apostar: até os macacos o fazem. Um experimento concluiu que os primatas se sujeitaram a testes contínuos para conseguir um prêmio, no caso uma tigela de suco de frutas. E se tinham a oportunidade de conseguir um pouco mais, mesmo arriscando perder o que já tinham, eles tentavam. Mas como surge essa tendência? Psicólogos afirmam que o nosso cérebro tente a acreditar nas próprias vitórias. Logo, quando a gente vence por muito pouco, não pensa nisso como uma quase-derrota e que as chances de perda eram muito maiores do que a de ganho. Pensamos que a vitória deve ser repetida, por isso vamos novamente ao jogo sem pensar nas consequências. Muitas histórias de fortunas perdidas em cassinos, por exemplo, foram motivadas por este simples mecanismo mental. 1 - Fofoca O que a vida alheia tem de tão interessante, que nos torna atraídos a falar dela várias vezes e com muitas pessoas? As fofocas criam laços pessoais. Ela é usada socialmente, conforme explicam os especialistas, para aproximar duas pessoas que não gostam de uma terceira. Os psicólogos pensam na boataria como um dos fatores mais destrutivos porque ela está atrelada a outros: quem fofoca nem sempre tem compromisso com a verdade, e a vida dos outros pode ganhar uma versão totalmente distorcida na boca do interlocutor. [LiveScience] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120130/ef61f78f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 30 20:28:14 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 30 Jan 2012 20:28:14 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_MEMORIAL_DAS_LIGAS_CAMPONESA__INF?= =?iso-8859-1?q?ORMA_ATO_P=DABLICO_EM_CELEBRA=C7=C3O_DOS_50_ANOS_DO?= =?iso-8859-1?q?_ASSASSINATO_DE_JO=C3O_PEDRO_TEIXEIRA?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: antonio pereira Olá pessoal! Na reunião geral do Memorial das Ligas Camponesas do dia 28 de janeiro começamos a organizar a celebração dos 50 anos do assassinato de João Pedro Teixeira. Vejam nossos encaminhamentos: I. ATO PÚBLICO EM MEMÓRIA DAS LIGAS CAMPONESAS Local: Sapé da Paraíba (sede das Ligas Camponesas) Data: 02 de abril de 2012 (segunda feira) Hora: 9:00 hs II. Inauguração do Memorial das Ligas Camponesas Local: Barra de Antas (comunidade rural onde moraram J. Pedro e Elizabeth Teixeira) Data: 02 de abril de 2012 Hora: 14:00 hs Comissão organizadora do ato público: Alexsandra, Hygia, Dorival e Marco Mitidiero 1ª reunião: 30/01/2012; às 19:00 hs na casa de Hygia Comissões de Cultura e 50 anos: Pedro Osmar, João Muniz, Eduardo, Ricardo Brindeiro, Pollyanna, Silvinha, Edneusa..... 1ª reunião: 08 de fevereiro, às 19:00 hs em Cabedelo. Comissão de formação e visitas à Barra de Antas: Ivonaldo, Alder Júlio, Lúcia Guerra, Nazaré, Toninho, Genaro, Marlene, Graça, Socorro... 1ª reunião: dia 07 de fevereiro (terça-feira), às 9:00 hs no Núcleo de Direitos Humanos, UFPB - Campus I. Observações: 1) Todas as pessoas de boa vontade que acreditam na luta camponesa por reforma agrária e justiça social estão convidadas a participar. 2) Contamos com a participação de todas as Universidades (alunos e/ou professores), especialmente das Universidades Agrárias tais quais: Bananeiras, Areia e Sousa. 3) Contamos com a participação de professores das Escolas Públicas para ajudar na mobilização das escolas 4) Contamos com a participação de todos os Movimentos Sociais e Sindicais e das Lideranças Camponesas. Outros informes da última reunião geral: 1) Pedro Osmar, músico profissional paraibano juntamente com Paulo Ró, Chico César, Milton Dornelas, Totonho, Adeíldo, Escurinho, Zé Guilherme e outros artistas paraibanos se propõem produzir um disco sobre as Ligas Camponesas, João Pedro e Elizabeth Teixeira.. 2) A desapropriação da casa e terreno onde vai ser instaurado o Memorial das Ligas Camponesas está na mesa do juiz de Sapé. Aguardamos a qualquer momento a desapropriação onde vamos instaurar o Memorial e o Centro de Formação de Campesinato. 3) A eleição da nova diretoria do Memorial será realizada no dia 11/02/2012, na câmara municipal de Sapé. Contamos com a presença e apoio de todos. 4) Já está confirmada a participação de Dom José Maria Pires. Vanderley Caixe não pode participar por problemas de saúde, mas Ayala,sua esposa e Vanderley Junior, seu filho já confirmaram presença. Marco Mitidiero ficou encarregado de convidar Eduardo Coutinho, diretor do filme Cabra Marcado pra Morrer. 5) Já está confirmado a participação da turma do PRONERA do Rio Grande do Norte e do Ceará. 6) A desapropriação da casa e terreno está na mesa do juiz de Sapé; esperamos a qualquer momento sair a desapropriação. 7) Não esqueçam: dia 13 de fevereiro de 2012 Elizabeth Teixeira comemora 88 anos. Próxima reunião da diretoria do Memorial: dia 05/02/2012, às 14:00 hs, em Barra de Antas Próxima reunião geral do Memorial das Ligas Camponesas: dia 10 de março (sábado), às 9:00 hs, no salão comunitário S. José - Café do Vento Telefones para contato: Toninho: 88093287; Genaro: 88728222; Marlene: 99241483; Alan: 93159935. Que as palavras tornadas práxis de nossos mártires nos iluminem! Palavras de Elizabeth Teixeira: Quando eu peguei na mão dele (de João Pedro Teixeira), olhei nos olhos dele cheios de terra, da terra que ele recebeu os tiros, caiu e recebeu terra nos olhos... Então eu entendi e aprendi que deveria lutar, lutar pela terra. Lutar pra libertar os sem terra das mãos do latifúndio. Lutar para os sem terra terem condições de plantarem e sobreviverem na terra Palavras de João Pedro Teixeira: Eu sei que o nego vai morrer. Essa luta vai continuar, mas vai ser abafada; vai ficar como fogo de monturo por baixo. Mas quando ele se levantar, mais tarde, aí não tem água que apague este fogo. Palavras de Che Guevara: Eu sei! Eu sei! Se sair daqui, o rio me engolirá. Há obstáculos, eu reconheço, mas eu não quero sair.Se tenho que morrer, será nesta caverna.Vou vencer o destino. O destino pode ser vencido pela força de vontade. Uma recordação mais duradoura do que meu nome:É lutar, morrer lutando. Palavras de Margarida Alves - (Ato público em Sapé, três meses antes do seu assassinato): Eu sei que querem tirar a minha vida. Eles (referindo-se ao grupo da Várzea) podem me matar, mas da luta eu não fujo. Palavras de Carlos Mariguela: Eu por ti, liberdade, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome. Más de una mano en lo oscuro me conforta y mas de un paso siento marchar comigo: Pero si no tuviera, no importa: Yo sé que hay muertos que alumbran los caminos. Silvio Rodriguez Divulguem nossa luta. Enviem-nos o endereço eletrônico de pessoas que querem participar do Memorial. Pela diretoria do Memorial/Toninho -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120130/fc609a48/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 31 20:04:06 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 31 Jan 2012 20:04:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_F=F3rum_Social_Tem=E1tico_=28FST?= =?iso-8859-1?q?=29_luta_por_mem=F3ria_e_justi=E7a__-__ADITAL_-?= Message-ID: <1F694307B8134D44887BA1259620D6DC@vcaixe> ADITAL Carta O Berro.........................................................repassem Terça-Feira, 31 de janeiro de 2012 Mundo Fórum Social Temático (FST) luta por memória e justiça (Cristiano Morsolin) Mundo Salvar vidas ou o capital? (Frei Betto) América Latina e Caribe Análise da nova política do Brasil ante a migração haitiana (Wooldy Edson Louidor) Cuba Heróis condenados (Frei Betto) Mundo O que motivou o 11 de Setembro? (Leonardo Boff) Haiti Memória de uma Tragédia e Esperança (Pablo Richard) América Latina e Caribe Fernando Morais versus Yoani Sánchez (Altamiro Borges) Mundo Um santo não cristão (Marcelo Barros) Mundo Aumentam protestos contra o Fórum Econômico Mundial (Sergio Ferrari) Brasil Tiro na bandeira (Egon Dionísio Heck) Mundo O terror e a esperança (Marcelo Barros) Mundo Sociedade civil planetária vota contra multinacionais desumanas (Sergio Ferrari) México Governo ratifica compromisso com grandes corporações e ameaça soberania alimentarMundo Control Arms inicia segunda etapa da campanha pelo controle de armasEl Salvador Projeto capacita jovens para cobertura jornalística de eleições municipaisAmérica Latina Cursos e eventos são destaques de oportunidades para jovensHonduras Frente de Resistência e Libre avaliam os dois anos de Governo de Porfirio LoboBrasil Em Fortaleza, Cuca Che Guevara realiza Oficina de Radionovela EducativaBrasil VI Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo recebe inscrições até 15 de fevereiroBrasil As Comunidades Eclesiais de Base: Entrevista com Pe. José Marins e Ir. Teolide TrevisanBrasil Oficinas discutem métodos de abordagem policial em São PauloBrasil Agrotóxicos nocivos aos trabalhadores rurais são colocados em reavaliação pela AnvisaBrasil ONG Repórter Brasil abre vagas para o programa "Escravo, nem pensar!" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120131/206456e9/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 31 20:04:15 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 31 Jan 2012 20:04:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_COMUNA_DE_PARIS=3A_QUANDO_O_PROLE?= =?iso-8859-1?q?TARIADO_TOMOU_O_C=C9U_DE_ASSALTO=2E?= Message-ID: <44BC0B003C8F423F970785FD6483C6B2@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem COMUNA DE PARIS: QUANDO O PROLETARIADO TOMOU O CÉU DE ASSALTO Dentro das comemorações dos 140 anos da Comuna de Paris, ocorridos no ano passado, a editora Anita Garibaldi e a Fundação Maurício Grabois, em parceria com a Editora da PUC-Goiás, lançaram uma segunda edição do livro "Comuna de Paris: o proletariado toma o céu de assalto", escrito pelo professor Silvio Costa. Segundo o autor, o livro tem como objetivo contextualizar a primeira tentativa proletária de organização de um novo tipo de poder político. Por isso, ele foi dividido em duas grandes partes. Na primeira, procura caracterizar, em linhas gerais, o II Império Napoleônico forma assumida pela contrarrevolução aristocrático- burguesa frente ao surgimento do proletariado como força política independente . Na segunda, aborda o surgimento das condições mais imediatas que levaram à instauração do poder proletário em Paris. Para Silvio Costa, "estudar e conhecer com maior profundidade as experiências revolucionárias que marcam o processo de emancipação do proletariado e dos povos explorados e oprimidos assume grande atualidade e urgência e, afinal de contas, a Comuna foi a primeira experiência de governo proletário da história da humanidade. As virtudes e vicissitudes daquela rica experiência só podem ser plenamente entendidas a partir das modificações econômicas, sociais, políticas, culturais, que contribuíram para o aprofundamento das contradições inerentes ao próprio desenvolvimento das sociedades capitalista. Quando parcela significativa da população entende que não é mais possível continuar vivendo sob a égide de uma ordem fundamentada na exploração e opressão". E conclui: "Nesse sentido, apesar das vicissitudes e dificuldades existentes, podemos afirmar que, a cada dia, apresenta-se no horizonte da humanidade, as possibilidades de conquista de um futuro socialista. O estudo da comuna e de outras experiências de poder popular podem no ajudar a trilhar este caminho com menos percalços". Vejam abaixo a apresentação feita pela professora da PUC-SP e coordenadora da Contee, Madalena Guasco Peixoto. IMPORTANTE REFLEXÃO HISTÓRICA Por Madalena Guasco Peixoto (*) Na história da humanidade os acontecimentos se acumulam aos trilhões. Alguns se destacam, outros desaparecem em meio às inúmeras casualidades, próprias da maneira pela qual a história humana é tecida. Compreender a importância de determinados fatos em relação aos demais - guardadas as necessárias correlações, quais sejam: retirar do particular o específico, buscando ultrapassar os limites estreitos do pontual, do cotidiano desprovido de lógica -, é tarefa científica, porque demanda o entendimento da história enquanto processo, conectada, não como uma sucessão de flashes, isolados; exige um mergulho no passado - por intermédio de uma análise -, de maneira a permitir que sejam destacados - entre tantos -, os fatos mais relevantes, os quais representam marcos que suscitam reflexões passíveis de atualização, todas as oportunidades que nos debruçamos sobre eles para estudo. O interesse que move esse mergulho não é apenas teórico-abstrato mas é, sobretudo, ideológico, político e prático. Se o estudo histórico já tivesse sido entendido dessa maneira, a modernidade teria deixado um grande legado, não fossem tantos outros, os quais em nome do fim dessa modernidade e início de uma nova era - pós-moderna -, se reduzem metafisicamente aos dois extremos opostos, ou seja, simplificam o que é processo vulgarizando o estudo da história; pela negação da possibilidade do entendimento das relações e conecções de sua emaranhada teia. Essa, portanto, tem sido a faceta mais sofisticada e sutil da proclamação do "fim da história". Optar pelo estudo da história como ciência traduz-se numa escolha teórico- prática dentro da intrincada luta de ideias que ocorrida desde o final do século 20. A Comuna de Paris é um estrondoso fato histórico, um enorme iceberg impresso na história da humanidade de forma definitiva, porque suscitou todos os tipos de registro e, desde aquela época, vem sendo estudado. O próprio Karl Marx destacou a sua importância, retirando do que chamou "assalto aos céus" conclusões fundamentais, as quais vieram a compor-se como núcleo principal de sua teoria. No ano em que comemoramos 150 anos do Manifesto do Partido Comunista, a Comuna de Paris completa 127. E, a obra de Sílvio Costa nos ajuda a entender melhor a correlação entre estes dois relevantes acontecimentos. Do Manifesto do Partido Comunista - programa maior, de luta pelo socialismo -, a construção em processo da teoria do proletariado decorre da análise das experiências históricas da tomada do poder pela classe operária. O estudo da primeira revolução operária internacional, a Comuna de Paris, tem sempre relevância teórica. As reflexões que nascem desse estudo vão surgindo por meio da fácil leitura desta obra, Comuna de Paris: o proletariado toma o céu de assalto, dada a maneira didática como está construído o texto. O trabalho de Sílvio Costa situa o leitor levando-o a entender o panorama histórico e os importantes fatos nele contidos e a correlação existente entre os acontecimentos, possibilitando ao leitor tirar as conclusões de tais ocorrências. Essa é uma preocupação que esta contida no corpo desta obra. Contudo, ela se expressa mais fortemente nos Anexos, apresentados em destaque ao final de sua edição. A presente obra está marcada pelo empenho simultâneo de formar, informar e refletir. Trata-se de um cuidadoso projeto, o qual, ao ser publicado, traz em si a marca de um formador de opiniões, cujo estudo possui um objetivo prático: reflexão conjunta e crescimento mútuo. (*) Madalena Guasco Peixoto é professora na PUC-SP e Coordenadora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120131/bf2a8cd0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8261 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120131/bf2a8cd0/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3681 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120131/bf2a8cd0/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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