From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 1 20:01:28 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 1 Feb 2012 20:01:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Bart=F4=2C_o_mago_da_palavra=2E__?= =?iso-8859-1?q?__Escrito_por_Frei_Betto?= Message-ID: <28B821198EE3410DB572E6AC4B2306B3@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Bartô, o mago da palavra Escrito por Frei Betto Janeiro de 2012 Correio da Cidadania O coração de Bartolomeu Campos de Queirós (1944-2012), pleno de amor e arte, parou na madrugada de 16 de janeiro. Meu querido amigo Bartô transvivenciou. Entrou em "encantamento", diria Guimarães Rosa. Bartô tinha 67 anos e mais de 70 livros publicados. A ele dediquei meu mais recente romance, Minas do ouro: "Para Bartolomeu Campos de Queirós, nascido, como eu, na mesma terra mineira, no mesmo ano, no mesmo mês, no mesmo dia, e condenado, como eu, à mesma sina: escrever". Em 2003, mereci dele a dedicatória do livro Menino de Belém. Era um mago da palavra. Não fazia poesia, não escrevia prosa - criava proesia. Sua prosa é arrebatadoramente poética, como o comprova seu último romance Vermelho amargo, de forte conotação autobiográfica. Sua mãe morreu aos 33 anos, de câncer, quando ele tinha 6. Lembrava-se que ela sofria dores atrozes, a ponto de o bispo autorizar que se apressasse a morte dela com uma injeção. Às vezes a dor era tanta que ela se punha a entoar canto lírico. Bartô, por vezes, ligava para sua amiga Maria Lúcia Godoy, cantora lírica, para que ela cantasse a ele ao telefone. Equivocam-se os que classificam sua obra de literatura infantil, embora tenha angariado os mais importantes prêmios nacionais e internacionais neste gênero. Sua escrita é universal, encanta crianças e adultos. Como artesão da palavra, trabalhava cuidadosamente cada vocábulo, cada frase, até extrair toda a polissemia possível, assim como a abelha suga o néctar de uma flor. Bartô morava em Belo Horizonte, no apartamento que pertenceu à poeta Henriqueta Lisboa - cuja estátua se ergue à porta do prédio, na Savassi. Gostava da solidão. Precisava dela para escrever. Chegava a pedir à cozinheira que saísse mais cedo. E só admitia que o silêncio fosse quebrado pela música, que ele escutava deitado no chão. Nos últimos anos, mais lia do que escrevia. E o fazia com um prazer quase luxurioso. Narrou-me como se deleitava em abrir um novo livro, reformular suas idéias e conceitos, adquirir novos conhecimentos... Tornou-se escritor por acaso. Estudava comunicação e expressão em Paris, quando lhe pediram enviar um texto a um concurso, que o premiou. Mas custou a se assumir como autor. Para ele, isso era secundário. A prioridade era o emprego no MEC, num departamento de investigação de qualidade de ensino, que o obrigava a viajar Amazônia afora. Seu chefe, Abgar Renault, lhe dava toda liberdade. Nos últimos anos, pouco saía de casa. Desde que se viu obrigado a fazer hemodiálise três vezes por semana, caminhava a passos miúdos, os ombros curvados e, no rosto, a perplexidade diante dos mistérios da vida. A fala era contida, proverbial, mesmo quando fazia palestras. Seus silêncios ecoavam. Fazia questão de não abandonar o cigarro e tomar um chope antes de submeter-se à hemodiálise. Dizia que, assim, o tratamento seria compensado... Seu ponto de encontro era a Livraria Quixote, na rua Fernandes Tourinho, onde há um espaço em homenagem a ele. Ali revia amigos, lançava livros, tomava café da manhã. Foi ali que nos vimos pela última vez, na véspera do Ano-Novo, quando me deu de presente o romance epistolar A sociedade literária e a torta de casca de batata, de Ann Shaffer e Annie Barrows. Há três anos ele me propusera um projeto literário a quatro mãos: uma troca de correspondência sobre literatura, conjuntura política, vivências. Nunca o efetivamos. Em nosso encontro de fim de ano respondeu-me quando indaguei o que andava escrevendo: "Cartas para mim mesmo." Bartô contava que, quando criança, ficava intrigado com o mistério de como pouco mais de vinte letras podem registrar na escrita tudo que a cabeça pensa... Orgulhoso, disse que aprendera a escrever com o avô, marceneiro, que morava em Pitangui (MG). Tirara a sorte grande na loteria e, assim, trocou a madeira pela literatura. Ao se sentir inspirado, tomava em mãos o lápis próprio para marcar medidas na madeira e redigia suas histórias nas paredes da casa. Quando o avô morreu, tiraram da parede da sala o relógio em forma de oito. Era o único espaço vazio de textos... Bartô era um artista profundamente espiritualizado. Desde que morou em Paris tornou-se devoto de São Charbel (1828-1898), libanês, canonizado em 1997. Disse que o escolhera porque é um santo de poucos devotos e, portanto, mais disponível para atender às suas preces... E mostrou-me a estampa do monge de longas barbas brancas. Meu único consolo é a certeza de que Bartolomeu Campos de Queirós vive, agora, imortalizado em suas obras literárias. Reproduzo aqui o que escrevi a ele, em maio de 1998, após ler Escritura: "Sua escrita é canto, luz, vereda e afago. Cada frase lindamente esculpida! Proíba-se de tudo o mais para só escrever, porque é a sua única e irrecorrível sentença de vida". . Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros. Website: http://www.freibetto.org/ Twitter: @freibetto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120201/3bd38ea3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 1 20:01:38 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 1 Feb 2012 20:01:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O capital engorda e a pobreza grassa, nos EUA. Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Estados Unidos: Capital financeiro embolsa milhões Assis Ribeiro Enquanto a pobreza e a desigualdade se alastram, os seis maiores bancos norte-americanos registaram lucros de dezenas de milhares de milhões de dólares em 2011, cenário que contrasta com o alastramento da pobreza e das desigualdades no país. De acordo com dados divulgados por agências noticiosas, JPMorgan Chase, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bank of America acumularam mais de 50 mil milhões de dólares em ganhos líquidos durante o ano passado, o que representa um crescimento de cerca de 10 por cento face aos resultados conjuntos anunciados em 2010. No topo da cadeia, JP Morgan Chase, Wells Fargo e Citigroup destacam-se com cifras na ordem dos 19, 16 e 11,5 mil milhões de dólares em lucros, respectivamente. Atrás destes, ficam o Morgan Stanley, com um lucro líquido a rondar os 2,1 mil milhões de dólares, o Goldman Sachs, com 2,5 mil milhões de dólares, e o Bank of América, com 85 milhões de dólares. Em contrastaste, a esmagadora maioria dos norte-americanos arca com as consequências da crise capitalista, estando sujeita ao empobrecimento abrupto, à degradação acelerada das suas condições de vida. ....Dados oficiais indicam que 48,6 por cento dos que vivem numa casa recebem uma qualquer prestação social, e que mais de 46 milhões de norte-americanos subsistem graças às senhas de alimentação. Estima-se, ainda, que menos de 20 por cento dos norte-americanos detenham 85 por cento da riqueza criada. Somente 15 por cento da riqueza foi para os trabalhadores assalariados. Neste contexto, não é de estranhar que uma sondagem recente efectuada pela Gallup indique que metade dos norte-americanos considera a redução do fosso entre ricos e pobres "extremamente" ou "muito importante", e que outra pesquisa semelhante efetuada pelo Centro de Pesquisa Pew garanta que 66 por cento das pessoas acreditam que existe um conflito «forte» ou "muito forte" entre ricos e pobres, contra apenas 47 que assim pensavam em 2009. Recorde-se que, em 2010, o número de norte-americanos que viviam na pobreza era superior a 49 milhões, de acordo com gabinete de estatísticas dos EUA. No território, a linha de pobreza é calculada com base num rendimento anual de 22 mil 350 dólares por ano para uma família de quatro pessoas. O índice é criticado por não contemplar as variações no custo da habitação ou as diferenças nos preços dos géneros essenciais existentes nos vários estados da União. Se esses fatores fossem tidos em conta, em média as famílias de quatro indivíduos necessitaria de aproximadamente 40 mil dólares por ano para fazer face às necessidades básicas. Enquanto a pobreza e a desigualdade se alastram, os seis maiores bancos norte-americanos registaram lucros de dezenas de milhares de milhões de dólares em 2011, cenário que contrasta com o alastramento da pobreza e das desigualdades no país. De acordo com dados divulgados por agências noticiosas, JPMorgan Chase, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bank of America acumularam mais de 50 mil milhões de dólares em ganhos líquidos durante o ano passado, o que representa um crescimento de cerca de 10 por cento face aos resultados conjuntos anunciados em 2010. No topo da cadeia, JP Morgan Chase, Wells Fargo e Citigroup destacam-se com cifras na ordem dos 19, 16 e 11,5 mil milhões de dólares em lucros, respectivamente. Atrás destes, ficam o Morgan Stanley, com um lucro líquido a rondar os 2,1 mil milhões de dólares, o Goldman Sachs, com 2,5 mil milhões de dólares, e o Bank of América, com 85 milhões de dólares. Em contrastaste, a esmagadora maioria dos norte-americanos arca com as consequências da crise capitalista, estando sujeita ao empobrecimento abrupto, à degradação acelerada das suas condições de vida. Dados oficiai s indicam que 48,6 por cento dos que vivem numa casa recebem uma qualquer prestação social, e que mais de 46 milhões de norte-americanos subsistem graças às senhas de alimentação. Estima-se, ainda, que menos de 20 por cento dos norte-americanos detenham 85 por cento da riqueza criada. Somente 15 por cento da riqueza foi para os trabalhadores assalariados. Neste contexto, não é de estranhar que uma sondagem recente efectuada pela Gallup indique que metade dos norte-americanos considera a redução do fosso entre ricos e pobres "extremamente" ou "muito importante", e que outra pesquisa semelhante efetuada pelo Centro de Pesquisa Pew garanta que 66 por cento das pessoas acreditam que existe um conflito «forte» ou "muito forte" entre ricos e pobres, contra apenas 47 que assim pensavam em 2009. Recorde-se que, em 2010, o número de norte-americanos que viviam na pobreza era superior a 49 milhões, de acordo com gabinete de estatísticas dos EUA. No território, a linha de pobreza é calculada com base num rendimento anual de 22 mil 350 dólares por ano para uma família de quatro pessoas. O índice é criticado por não contemplar as variações no custo da habitação ou as diferenças nos preços dos géneros essenciais existentes nos vários estados da União. Se esses fatores fossem tidos em conta, em média as famílias de quatro indivíduos necessitaria de aproximadamente 40 mil dólares por ano para fazer face às necessidades básicas. "A criança que fui agora chora na estrada. Deixei-a ali quando vim ser quem sou. Mas hoje, vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui onde ficou." (FERNANDO PESSOA) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120201/8708f260/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 2 19:51:45 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 2 Feb 2012 19:51:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] PROGRAMA SOBRE A DITADURA -TV BRASIL-HOJE, DIA 2/2 -22h Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Caminhos da Reportagem exibe 'Crimes da Ditadura' nesta quinta O programa da TV Brasil Caminhos da Reportagem da TV BRASIL (canal 4 da NET) vai ao ar nesta quinta-feira, 2 de fevereiro, às 22h, mostrando o que o Brasil vem fazendo para tentar passar a limpo os crimes de Estado cometidos nos anos de chumbo e os desafios que ainda tem pela frente. A equipe de reportagem percorreu antigos centros de tortura, mostrou antigos arquivos secretos e entrevistou nomes como os jornalistas Jarbas Silva Marques, Lucas Figueiredo e Rose Nogueira. A reapresentação será no dia 20 de fevereiro, na madrugada de sábado para domingo, à 1h. Nesta quinta-feira (02/02), às 22 horas, na TV Brasil, o ?Caminhos da Reportagem? mostra o que o Brasil faz para tentar passar a limpo os crimes de Estado cometidos nos anos do Regime Militar (1964-1985). A equipe de reportagem percorreu antigos centros de tortura, onde se praticaram crimes contra brasileiros e estrangeiros contrários ao regime. Mostra antigos arquivos secretos e entrevista vítimas, historiadores e autoridades que lutam para que essa história seja conhecida. Entre os entrevistados estão os jornalistas Jarbas Silva Marques,Lucas Figueiredo e Rose Nogueira; o Brigadeiro Rui Moreira Lima, os pesquisadores Maria Celina d?Araújo e Rubim de Aquino; os advogados Ant????????nio Modesto da Silveira e Cesar Brito; o procurador Marlon Alberto Weichert e a vice-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Vitória Gabrois, presidente da ONG Tortura Nunca Mais, além da coordenadora do Projeto República da UFMG, Heloisa Starling. O programa mostra ainda a ditadura em países vizinhos, como Argentina, Chile e Uruguai. A justiça dos três países já prendeu 700 participantes desses regimes e continua processando mais de mil acusados. Grata pela atenção, Vilma Amaro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120202/25c349a4/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 2 19:51:52 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 2 Feb 2012 19:51:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Salvar vidas ou o capital? por Frei Betto Message-ID: <2767E55573814853913A0818F2E1599C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Salvar vidas ou o capital? Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital O melhor Papai-Noel do mundo mereceram 523 instituições financeiras europeias quatro dias antes do Natal: 489 bilhões de euros (o equivalente a R$ 1,23 trilhão), emprestados pelo BCE (Banco Central Europeu) a juros de 1% ao ano! Curiosa a lógica que rege o sistema capitalista: nunca há recursos para salvar vidas, erradicar a fome, reduzir a degradação ambiental, produzir medicamentos e distribuí-los gratuitamente. Em se tratando da saúde dos bancos, o dinheiro aparece num passe de mágica! Há, contudo, um aspecto preocupante em tamanha generosidade: se tantas instituições financeiras entraram na fila do bolsa-BCE, é sinal de que não andam bem das pernas. Quais os fundamentos dessa lógica que considera mais importante salvar o Mercado que vidas humanas? Um deles é este mito de nossa cultura: o sacrifício de Isaac por Abraão (Gênesis 22, 1-19). No relato bíblico, Abraão deve provar a sua fé sacrificando a Javé seu único filho, Isaac. No exato momento em que, no alto da montanha, prepara a faca para matar o filho, o anjo intervém e impede Abraão de consumar o ato. A prova de fé fora dada pela disposição de matar. Em recompensa, Javé cobre Abraão de bênçãos e multiplica-lhe a descendência como as estrelas do céu e as areias do mar. Essa leitura, pela ótica do poder, aponta a morte como caminho para a vida. Toda grande causa - como a fé em Javé - exige pequenos sacrifícios que acentuem a magnitude dos ideais abraçados. Assim, a morte provocada, fruto do desinteresse do Mercado por vidas humanas, passa a integrar a lógica do poder, como o sacrifício "necessário" do filho Isaac pelo pai Abraão, em obediência à vontade soberana de Deus. Abraão era o intermediário entre o filho e Deus, assim como o FMI e o BCE fazem a ponte entre os bancos e os ideais de prosperidade capitalista dos governos europeus - que, para escapar da crise, devem promover sacrifícios. Essa mesma lógica informa o inconsciente do patrão que sonega o salário de seus empregados sob pretexto de capitalizar e multiplicar a prosperidade geral, e criar mais empregos. Também leva o governo a acusar as greves de responsáveis pelo caos econômico, mesmo sabendo que resultam dos baixos salários pagos aos que tanto trabalham sem ao menos a recompensa de uma vida digna. O deus da razão do Mercado merece, como prova de fidelidade, o sacrifício de todo um povo. Todos os ideais estão prenhes de promessas de vida: a prosperidade dos bancos credores, a capitalização das empresas ou o ajuste fiscal do governo. Salva-se o abstrato em detrimento do concreto, a vida humana. O espantoso dessa lógica é admitir, como mediação, a morte anunciada. Mata-se cruelmente através do corte de subsídios a programas sociais; da desregulamentação das relações trabalhistas; do incentivo ao desemprego; dos ajustes fiscais draconianos; da recusa de conceder aos aposentados a qualidade de uma velhice decente. A lógica cotidiana do assassinato é sutil e esmerada. Aqueles que têm admitem como natural a despossessão dos que não têm. Qualquer ameaça à lógica cumulativa do sistema é uma ofensa ao deus da liberdade ocidental ou da livre iniciativa. Exige-se o sacrifício como prova de fidelidade. Não importa que Isaac seja filho único. Abraão deve provar sua fidelidade a Javé. E não há maior prova do que a disposição de matar a vida mais querida. A lógica da vida encara o relato bíblico pelos olhos de Isaac. Este não sabia que seria assassinado, tanto que indagou ao pai onde se encontrava o cordeiro destinado ao sacrifício. Abraão cumpriu todas as condições para matar o filho. Subjugou-o, amarrou-o, colocou-o sobre a lenha preparada para a fogueira e empunhou a faca para degolá-lo. No entanto, inspirado pelo anjo, Abraão recuou. Não aceitou a lógica da morte. Subverteu o preceito que obrigava os pais a sacrificarem seus primogênitos. Rejeitou as razões do poder. À lei que exigia a morte, Abraão respondeu com a vida e pôs em risco a sua própria, o que o forçou a mudar de território. Se não mudarmos de território - sobretudo no modo de encarar a realidade -, como Abraão, continuaremos a prestar culto e adoração a Mamom. Continuaremos empenhados em salvar o capital, não vidas, e muito menos a saúde do planeta. [Betto é escritor, autor de "Sinfonia Universal - a cosmovisão de Teilhard de Chardin" (Vozes), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120202/1071dbf8/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 3 19:28:28 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 3 Feb 2012 19:28:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Dois filmes para assistir online. Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: ROGÃ?RIO Dois filmes para assistir online. Camponeses do Araguaia: A Guerrilha vista por dentro Documentário Completo. e Cabra marcado para Morrer. clique http://www.youtube.com/watch?v=UhpO4I2O0zs http://www.youtube.com/user/crabastos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120203/36f62d81/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120203/36f62d81/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 3 19:28:38 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 3 Feb 2012 19:28:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Mundo=3A_Atividades_incentivam_a?= =?iso-8859-1?q?_participa=E7=E3o_de_jovens_feministas_no_F=F3rum_A?= =?iso-8859-1?q?wid_2012?= Message-ID: <2B128B5249184DDDA3C2A5D1014F0946@vcaixe> ADITALCarta O Berro.........................................................repassem Sexta-Feira, 03 de fevereiro de 2012 Mundo Atividades incentivam a participação de jovens feministas no Fórum Awid 2012Cuba Comitê Internacional e organizações parceiras preparam novas ações para pedir liberdade dos CincoHonduras Observatório avalia situação de direitos de crianças e jovens em matéria de educação, saúde e proteçãoBrasil Projeto incentiva hábito de leitura entre crianças e adolescentesBrasil Situação de presas grávidas exige medidas urgentes do EstadoBrasil Três Irmãos de SangueMundo A costa del planeta y de los derechos humanosBrasil Uma visita ao inferno dos porões da ditadura militar brasileiraBrasil Termina amanhã o evento "Juventude em Ação" (02/02/2012 a 04/02/2012)Mundo Concurso para escolher a letra do hino oficial da Jornada Mundial da Juventude é prorrogado (03/02/2012 a 03/03/2012)Brasil Estão sendo selecionados estagiários pelos Correios (03/02/2012 a 10/02/2012)Brasil Inscrições para o "1º Concurso Nacional de Composição da UFRJ" vão até março (03/02/2012 a 16/03/12) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120203/ac010cd2/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 4 16:24:37 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 4 Feb 2012 16:24:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Em_breve_nas_livrarias=3A=22_SUC?= =?iso-8859-1?q?URSAL_DO_INFERNO=22___Romance_de_Iza=EDas_Almada=2E?= =?iso-8859-1?q?__Veja_tamb=E9m_o_link_ao_final_sobre_o_livro=2E?= Message-ID: <9063B2D4469B4B89B0E764A2993D3380@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Em breve nas livrarias:" SUCURSAL DO INFERNO" Romance de Izaías Almada. Veja também o link ao final sobre o livro. SUCURSAL DO INFERNO Romance de Izaías Almada As marcas da ditadura civil e militar de 1964 ainda estão presentes na vida e na cultura brasileira. Não se suprime a liberdade de um povo impunemente. Marina Berruel, jornalista ambiciosa, está disposta a se consagrar como celebridade na área de comunicação. Trabalha em um dos principais jornais da cidade de São Paulo e como entrevistadora num canal de TV. O jornalismo "investigativo" lhe cai bem. Através dele consegue levantar a vida e o trabalho de pessoas notáveis, granjeando simpatias e também inimizades. O pastor Hamilton Fernandes, celebridade entre os neopentecostais brasileiros, e que foi - entretanto - educado num orfanato religioso católico, é o alvo atual da investigação jornalística de Manina Berruel. Hamilton é o líder missionário dos Filhos do Tabernáculo e tem por missão arrebanhar o maior número possível de adeptos para a sua igreja. Contudo, por trás das atividades religiosas de Hamilton, cujos cofres encheram-se de dinheiro da noite para o dia, uma rede de intrigas e negócios - esses não exatamente religiosos - se transforma em poderosa e lucrativa atividade de crentes fanáticos... À investigação sobre Hamilton soma-se outra de caráter policial e, ambas, vão dando contornos a uma narrativa que, inicialmente vincada em bases religiosas e de uma discutível psicologia de massas, termina por descobrir o branqueamento de dinheiro do narcotráfico, de remessas ilegais de dólares para o exterior, conspirações políticas, numa trama bem urdida de corrupção, chantagem e busca pelo poder. O terror instala-se no dia a dia de Manina, quando ela descobre que sua investigação escapa-lhe por entre os dedos, desnudando-lhe as entranhas de uma religiosidade sustentada pela maldade e pela negação do cristianismo. Ao investigar o passado de bispo Hamilton, descobre sua origem diabólica, já profetizada por um monge cisterciense italiano que viveu no século XI DC. Mais do que isso: as atrocidades da repressão política da ditadura. Ao contrário da pregação cristã do jovem "baby face" Hamilton, a prática do culto ao demônio e muitos dos seus rituais de maldade e perversão sexual, deixam a descoberto as novas relações de poder que se vão alicerçando entre seitas religiosas e uma nova classe de empresários, políticos, policiais e juízes corruptos... Prontos a explodirem em violência contra aqueles que ameaçam seus interesses. A vida de Manina está em perigo e quase nula a sua possibilidade de sobrevivência. Crimes, suspense, surpresas e revelações preenchem uma narrativa ágil, emocionante, deixando no leitor a sensação de que ficção e realidade se confundem propositadamente para que o mal se anule diante do bem. Será isso possível? Clique no link abaixo: Sucursal do Inferno Book Trailer. - YouTube -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120204/b0c78b1a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 4 16:24:47 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 4 Feb 2012 16:24:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=27O_neoprogressismo_pode_ter_v?= =?iso-8859-1?q?=E1rios_anos_pela_frente=27__entrevista_com_o_jorna?= =?iso-8859-1?q?lista_e_escritor_Ignacio_Ramonet?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 'O neoprogressismo pode ter vários anos pela frente' O jornalista e escritor Ignacio Ramonet diz, em entrevista ao jornal Página/12 que a maioria dos governos da América do Sul cumpre a função dos social-democratas europeus nos anos 50 e que, se não cometerem erros, podem aspirar a um ciclo longo de governo. "A construção do Estado de bem-estar e o aumento do nível de vida acaba com qualquer tipo de recurso para as oposições tradicionais conservadoras. Agora, a população está percebendo como os seus países estão reconstruindo sociedades arrasadas". Martín Granovsky - Página/12 Porto Alegre - Nascido em Pontevedra e emigrado com sua família para a França, Ignacio Ramonet dirige o Le Monde Diplomatique em espanhol. Foi um dos animadores do primeiro Fórum em 2001 e é um dos jornalistas que mais percorrem o mundo, observando suas diferentes realidades. - Sobre o final do Fórum temos direito de perguntar se foi útil e o que mudou com respeito ao primeiro encontro, de 2001. Ramonet -Quando o fórum foi criado não havia outro governo dos que eu chamo neoprogressistas na América Latina que não fosse o de Hugo Chávez, que inclusive veio ao fórum. No ano seguinte, em 2002, pela primeira vez Chávez se declarou socialista. Também veio Lula quando ainda não era presidente, mas candidato. Agora, ao contrário, os governos neoprogressistas estão implementando as políticas de inclusão social e, ao mesmo tempo, o fórum é menos um fórum dos movimentos sociais. É um fórum no qual se discutiu a crise européia, o movimento dos indignados em geral (os chilenos, Wall Street, etc.) e a questão da memória. A jornada da Flacso na sexta-feira, o dia do Holocausto, foi uma das atividades centrais, organizada pelo Fórum Social Temático e o Fórum Mundial da Educação. Até agora esses não eram assuntos do fórum. Os indignados são um tema que não tem mais de um ano, e o debate sobre a memória não havia sido proposto dessa maneira. Dominavam o anti-imperialismo e a denúncia das guerras dos Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão. Está se chegando a um nível diferente. Os governos aqui na América do Sul estão agindo bem em seu conjunto. Mas, cuidado, chega uma nova etapa e é preciso melhorar certos aspectos qualitativos. - O que deveria melhorar na América do Sul? Ramonet - Não acreditar que esta bonança que se está vivendo vai ser duradoura. Depende do êxito norte-americano e europeu e de se há baixa ou não na economia chinesa que afete a potências agrícolas ou de minérios. - Um dos pontos é como a América do Sul aproveita sua atual vantagem pelos preços favoráveis dos produtos primários que vende para que outra vez o lucro principal não sejam palácios franceses no meio da pampa úmida. Ramonet - A economia funciona por ciclos. Na Europa não podemos falar de palácios no meio de nada, mas sim de grandes aeroportos moderníssimos que agora quase não funcionam ou óperas em cidades pequeníssimas. A riqueza passou e nem sempre se sabe aproveitar. Aqui, na América do Sul, a solução é criar mais e mais mercado interno. E mercado interno protegido. E também ampliar os intercâmbios no marco da solidariedade latino-americana. Agora, o mercado latino-americano tem que se articular para que haja massa crítica para todos. Se não, o Brasil se desenvolverá, mas o Uruguai não. Agora que desapareceram 80 milhões de pobres, há uma classe média que consome. O Brasil introduziu o imposto sobre a produção de automóveis frente à China e aumentou essa taxa em 30%. É proteção e é correta. - Que discussão mundial nova apareceu no Fórum? Ramonet - Por agora, muitos constataram que, além das diferentes opiniões, a globalização existe. Se existe, há que analisá-la e descobrir como evitar seus inconvenientes. Em escala mundial, em um debate sobre a crise do capitalismo, uma das opiniões foi que havia que pensar talvez em desglobalizar e reduzir a globalização. Não existe só uma crise econômica. Existe uma crise da política, da democracia, uma crise alimentar, ecológica. Muitos países latino-americanos não estão pensando nas outras crises, em particular na ecológica. Boaventura de Souza Santos sublinhou que não é normal que se acuse comunidades indígenas, chamando-as de "terroristas" quando querem proteger o meio ambiente. As realidades vão mudando. O Movimento dos Sem Terra do Brasil, que antes ocupava terras, não o faz porque não as têm. Qualquer pedaço de terra é soja. E como o MST, quando se assenta, realiza produções ecológicas, é recriminado pelo agronegócio. - A discussão ecológica é chave também porque haverá uma cúpula mundial no Rio de Janeiro em junho. Ramonet - A precaução ecológica é algo que se lembrou e que, em certa medida, faz com que os governos estejam pensando em fazer as coisas certas. Dilma disse que queria dar casas à população. Parece-me muito bem, realmente muito bem. Mas tenhamos cuidado de não chegar ao pragmatismo chinês, que em nome do desenvolvimento destrói o que se oponha a essa idéia, e terminemos entrando sem necessidade em uma grande contradição. - Dilma diria: "Está bem, Ignacio, mas eu tenho que governar o Brasil e terminar com a miséria". Ramonet - As preocupações ecológica e a social não são excludentes. O Fórum apreciou muito que Dilma tenha decidido vir aqui e não tenha viajado ao Fórum de Davos. Quando Lula veio e disse que depois se dirigiria a Davos, alguém lhe disse: "Não se pode servir a dois senhores de uma vez". É uma frase bíblica. "Tem que escolher." - Talvez Lula necessitasse ir a Davos porque isso também ajudava na consolidação política de seu governo e hoje o Brasil não necessita de Davos. Ramonet - Claro, as condições mudam. E o fórum deve mudar também. Antes muitos dirigentes ou presidentes vinham aqui se fortalecer. Chávez e Lula, que já citei. Também Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo. Para algumas discussões, uma reunião do fórum pode ter hoje um maior sentido na Europa, para discutir ali mesmo a tremenda crise. No próximo ano está previsto que tenha lugar em um país árabe, porque lá os movimentos sociais não só estão se desenvolvendo, mas também conseguiram ganhar em dois países. E há novas discussões, por exemplo, entre movimentos sociais laicos e movimentos sociais islâmicos. - O que poderia ser discutido na Europa? Ramonet - Na Europa já há algumas discussões que se produziam na América Latina. Uma é a idéia de que a política está gasta e se necessita uma renovação política. De que o sangue e a vitalidade nova virão dos movimentos sociais. Dessa vitalidade pode surgir uma mudança. Este fórum não teria o mesmo sentido se fosse organizado em Madri, Atenas ou Barcelona, onde há sociedades que sofrem e ao mesmo tempo registram em alguns setores grande vontade de mudança. Na América do Sul, por sorte de vocês, existem situações em que a preocupação é seguir crescendo e como fazê-lo melhor. - Não há um risco de endeusar os movimentos sociais como fatores de mudança? Se não há construção política, não se diluem? Ramonet - Sim, é importante ver como se passa de um momento ao outro. Ainda não estamos nessa etapa na Europa, me parece. Ainda não. Ninguém expressa melhor o sofrimento social que o movimento social. Mas se não se dá o passo para a política, todas as grandes crises sempre servem à extrema direita, que aparece sob a forma de movimentos e de partidos anti-sistema. Prometem as mudanças mais radicais, demagógicas, transformacionais. É importante que o sofrimento social se encarne em movimentos que tenham vocação de se envolver na política. - Por que ainda não acontece esse passo? Ramonet - Entre outras coisas, em minha opinião, porque faltam líderes. Até o momento, o movimento social inclusive reprova ter líderes. São muito igualitaristas do ponto de vista do funcionamento democrático. É como a doença infantil do movimento social. Em breve chegará o momento da adolescência ou a maturidade, quando seguramente se gerarão líderes. Não líderes salvadores. Falo de dirigentes democráticos que possam entender o movimento social e ajudá-lo a encontrar respostas. Depois da crise do sistema político venezuelano, no final do que se chamou o "puntofijismo", teria havido mudanças sem Chávez e o que ele representava? E me faço a mesma pergunta com respeito ao Equador e Correa, à Bolívia e Evo, ao Brasil e Lula, à Argentina e Kirchner. - E como funciona a relação entre os líderes, os movimentos e os partidos nesses países da América do Sul? Ramonet - Minha percepção é que hoje os partidos têm menos influência que há dez anos e os movimentos sociais também porque os governos estão fazendo tudo. Os líderes dos governos conduzem a mudança. Houve uma energia social que produziu a mudança, mas a mudança está tão encarrilhada que às vezes há uma descapitalização da política que paradoxalmente não incomoda muito. - Talvez com as construções políticas aconteça o mesmo que com os ciclos econômicos. Talvez devam ou possam ser realizadas antes que o ciclo atual de governos sul-americanos termine. Ramonet - A função destes governos é muito semelhante a dos governos europeus dos anos 50 que, essencialmente, sendo conservadores ou progressistas, tinham como funções construir o Estado de bem-estar, reconstruir cada país depois da guerra e aumentar o nível de vida da população. Isso lhes deu 40 anos de estabilidade política. Mas terminou. Se os neoprogressistas sul-americanos não cometerem muitos erros, talvez tenham pela frente várias décadas como a social-democracia nórdica. Hoje melhoram estruturas, o nível de vida, criam trabalho. Não é por acaso que são os governos neoprogressistas os que estão trabalhando bem. Assim aconteceu com os velhos partidos social-democratas. Além disso, a construção do Estado de bem-estar e o aumento do nível de vida acaba com qualquer tipo de recurso para as oposições tradicionais conservadoras. Agora a população percebe como os países reconstroem sociedades arrasadas. As favelas eram pensadas como uma fatalidade. Para a direita, era assim porque é assim. Mas a força da direita desapareceu, e também o elemento militar. As leis da memória são as que devem responsabilizar - sem vingança, com documentos e base histórica sólida - e estabelecer responsabilidades. Não vingar-se, mas terminar com a impunidade. Apesar de que o que vou dizer parece escandaloso, estamos no momento mais fácil da América do Sul. Se não cometerem erros e fizerem uma gestão tranquila, os governos de sinal neoprogressista podem ficar no poder muito tempo. Por isso é preciso pensar bem as sucessões políticas. Na Argentina isso funcionou bem. No Brasil, o que fez Lula foi exemplar. É uma lição. E por isso hoje Dilma tem mais aprovação popular do que Lula tinha em seu primeiro ano de governo. (*) Ignacio Ramonet é autor, entre outras obras, de "Fidel Castro: biografia a duas vozes" (Boitempo, 2006). Tradução: Libório Junior -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120204/ce5353ff/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120204/ce5353ff/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5683 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120204/ce5353ff/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 5 13:02:49 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 5 Feb 2012 13:02:49 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Assista_as_m=FAsicas_de_Tito_Madi?= =?iso-8859-1?q?_=2C_por_ele_e_v=E1rios_interpretes_=2E____________?= =?iso-8859-1?q?_______________________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: <9B991562E3134FAEBDF0ACDF817358BF@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Assista as músicas de Tito Madi , por ele e vários interpretes . Clique no link abaixo. www.minhabossanova.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120205/742345bf/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 6 20:00:56 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 6 Feb 2012 20:00:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Tomates_cozidos_podem_diminuir_e_?= =?iso-8859-1?q?at=E9_matar_c=E9lulas_cancerosas=2E________________?= =?iso-8859-1?q?_______________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA?= =?iso-8859-1?q?=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <9AA43F6A760F4870AE0CB189FB839C77@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Tomates cozidos podem diminuir e até matar células cancerosas. Por Natasha Romanzoti Um estudo novo descobriu um nutriente em tomates cozidos que retarda o crescimento de - e até mesmo mata - células do câncer de próstata. Em laboratório, os pesquisadores testaram o efeito do nutriente licopeno, que dá ao tomate sua cor vermelha. Ele tem a capacidade de interceptar o câncer, na hora que o tumor faz as ligações de que necessita para crescer. Agora, os cientistas querem fazer testes para verificar se a mesma reação ocorre no corpo humano. "A reação química simples que o nutriente faz ocorre em concentrações de licopeno facilmente alcançadas através da ingestão de tomates processados", disse o pesquisador do estudo Mridula Chopra. O licopeno está presente em todas as frutas e vegetais vermelhos, mas suas concentrações são mais altas no tomate. Ele fica mais facilmente disponível e biologicamente ativo quando se trata de tomate com uma pequena quantidade de óleo de cozinha ou processado. A pesquisa foi cofinanciada pelo fabricante Heinz, para acompanhar estudos anteriores dos mesmos pesquisadores que mostraram um aumento significativo nos níveis de licopeno em amostras de sangue e sêmen após os participantes comerem 400 gramas de tomate processado por duas semanas. Os cientistas explicam que as células cancerosas podem permanecer dormentes por anos, até que seu crescimento é acionado através da secreção de substâncias químicas que iniciam o processo de vinculação das células cancerosas com células endoteliais que atuam como "portas" que revestem os vasos sanguíneos. Isso permite que as células cancerosas alcançassem e se aproveitem do suprimento de sangue. Nos experimentos de laboratório, o licopeno interrompeu este processo de vinculação, sem o qual as células cancerosas não podem crescer. Os pesquisadores explicaram que todas as células cancerosas usam um mecanismo similar (angiogênese) para se alimentarem de sangue. Mas o mecanismo é especialmente importante para o câncer de próstata porque o licopeno tende a se acumular nos tecidos da próstata. As pessoas processam licopeno de forma diferente, bem como a capacidade do nutriente de interceptar o câncer varia entre os produtos de tomate. Também já foi sugerido em pesquisas anteriores que fumantes podem ter que consumir mais tomates que os não fumantes para obter os mesmos benefícios do licopeno. Alguns medicamentos contra o câncer visam a formação de novos vasos sanguíneos, mas são necessárias mais pesquisas para mostrar como isso poderia ser usado para ajudar pacientes com câncer. O novo estudo não diz diretamente se o licopeno tem algum efeito contra o câncer, mas pode ajudar os cientistas a entender mais sobre como a química afeta a formação dos vasos sanguíneos.[Telegraph] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120206/36d66bc7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 59547 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120206/36d66bc7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 6 20:01:03 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 6 Feb 2012 20:01:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Segundo_Boletim_do_Projeto_=22Mem?= =?utf-8?b?w7NyaWFzIGRhIFJlc2lzdMOqbmNpYSIu?= Message-ID: <5A15D37D48324283A84E614305D40811@vcaixe> FacebookCarta O Berro.........................................................repassem Pedro Russo Segundo Boletim do Projeto "Memórias da Resistência". Quem puder compartilhe, por favor. http://issuu.com/ipra/docs/web_boletim-memorias_02?mode=window&backgroundColor#222222 Memórias da Resistência - Boletim 02 issuu.com Boletim número 02 do projeto Memórias da Resistência, vinculado ao Instituto Práxis de Educação e Cu... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120206/32908417/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 7 19:38:52 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 7 Feb 2012 19:38:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_=C1rvore_dos_Sonhos_=2E________?= =?iso-8859-1?q?__________________________________TER=C7A-FEIRA!_HO?= =?iso-8859-1?q?JE_=C9_FILME!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Sinopse. Era um tempo diferente... com um cotidiano diferente. Elijah Wood e Kevin Costner estrelam este filme repleto de emoção, do mesmo diretor de Tomates Verdes Fritos, contando a história de uma família muito unida e o inesquecível verão de 1970 no Mississippi. Com a ajuda dos amigos, Stu (Wood) e Lidia Simmons (Lexi Randall) decidem construir uma fantástica casa na árvore, um lugar cheio de sonhos e magia. Seu pai Stephen (Costner), um veterano do Vietnã recém chegado, tem igualmente a esperança de reconstruir sua vida e realizar os desejos de sua família. A Árvore dos Sonhos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120207/d0bfb955/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 7 19:38:58 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 7 Feb 2012 19:38:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Cuba Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Cuba Escrito por Emanuel Cancella e Francisco Soriano Terça, 07 de Fevereiro de 2012 Correio da Cidadania Muito se tem falado sobre Cuba. Os inimigos dizem: Cuba é uma ditadura; persegue os dissidentes; a família Castro monopoliza o poder; lá não existem democracia e liberdade de expressão. Os simpatizantes do regime afirmam: dos milhões de crianças jogadas nas ruas no planeta nenhuma é cubana, Cuba é referência na educação, saúde e no esporte no mundo inteiro. Na verdade, Cuba é uma ilha no Caribe. Com pouco mais de 11 milhões de habitantes, ela incomoda, e muito, os EUA, a Europa, os ricos e os liberais no mundo. Talvez porque ela prove que outro mundo é possível. E pensar que Cuba consegue todos esses avanços sociais e científicos apesar de sofrer, desde 1959, o maior boicote econômico vivido por um país em toda a história da humanidade! Existem equívocos no comando de Cuba, muitos. Todavia, a sobrevivência do regime e o apoio popular a Fidel e a seu irmão, Raul Castro, provam que os acertos são muito maiores. Não existem circulando na Ilha carrões, celulares, roupa de grife, nem divisão de classes sociais. Todos são trabalhadores. Lá, não existem desempregados. Todos têm de fato direito à moradia, que pertence ao Estado. Os latifúndios foram extintos e as terras (a começar pelas da fazenda da família de Fidel) distribuídas aos campesinos. Tudo isso apesar da propaganda massiva contra o regime. Cuba, durante a guerra fria, tinha o apoio da então União Soviética. Com a queda do regime comunista, perdeu o apoio russo e, mesmo isolada, resistiu. Com a ascensão dos governos democráticos e populares na América Latina, Cuba ganhou fôlego. Hugo Chávez e Lula apóiam Fidel e reabrem o debate na defesa de Cuba com o mundo, evocando o princípio da autodeterminação dos povos. Chávez, além do apoio político, tem suprido a Ilha de petróleo e selado vários intercâmbios, principalmente na área de saúde. Recentemente, a presidenta do Brasil visitou Cuba. Essa visita constituiu um momento histórico na política da Ilha. Neste momento, os inimigos do regime, que não são poucos, através da mídia, se aproveitam para ouvir os dissidentes, no sentido de criticar Cuba, e vão tentar ainda dizer que a presidenta Dilma não deveria intervir na questão. Entretanto, estranhamente, a grande mídia não escreve uma linha sequer sobre a prisão política de cinco cubanos, que permaneceram isolados em prisões de segurança máxima, sob cruéis condições de reclusão, violando seus direitos humanos e as próprias leis estadunidenses. Julgados como espiões e condenados a prisão perpétua nos Estados Unidos. Dois deles privados até do direito de receber visitas de suas esposas. Tampouco seria razoável esperar que a grande mídia exigisse a libertação de incontáveis prisioneiros mantidos pelo império americano em Guantánamo. Pergunta que não quer calar: qual a justificativa do boicote econômico a Cuba hoje? Qual a ameaça aos EUA e à Europa? Emanuel Cancella é diretor coordenador da Secretaria de Coordenação Geral do Sindipetro-RJ; Francisco Soriano é diretor coordenador da Secretaria de Finanças do Sindipetro-RJ. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120207/17e5e82a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 8 20:01:22 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 8 Feb 2012 20:01:22 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Meu_nome_=E9_medo___por__Frei_Bet?= =?iso-8859-1?q?to=2E?= Message-ID: <4540166304BC410AA7FA2714FB61362D@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 08.02.12 - Mundo Meu nome é medo Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Meu propósito é dominar corações e mentes. Incutir em cada um o medo do outro. Medo de estender a mão, tocar em cumprimento a pele impregnada de bactérias nocivas. Medo de abrir a porta e receber um intruso ansioso por solidariedade e apoio. Com certeza ele quer arrancar-lhe algum dinheiro ou bem. Pior: quer o seu afeto. Melhor não ceder ao apelo sedutor. Evite o sofrimento, tenha medo de amar. Quero todos com medo da comunidade, do vizinho, do colega de trabalho. Medo do trânsito caótico, das rodovias assassinas, dos guardas que intimidam e achacam. Medo da rua e do mundo. Convém trancar-se em casa, fazer-se prisioneiro da fragilidade e da desconfiança. Reforce a segurança das portas com chaves e ferrolhos; cubra as janelas de grades; espalhe alarmes e eletrônicos por todos os cantos. Faça de seu prédio ou condomínio uma penitenciária de luxo, repleta de controles e vigilantes, e no qual o clima de hostilidade reinante desperte, em cada visitante, uma ojeriza ao prazer da amizade. Tema o Estado e seus tentáculos burocráticos, os pesados impostos que lhe cobra, as forças policiais e os serviços de informação e espionagem. Quem garante que seu telefone não está grampeado? Suas mensagens eletrônicas não são captadas por terceiros? O mais prudente é evitar ser transparente, sincero, bem humorado. Sua atitude pode ser interpretada como irreverência ou mesmo ameaça ao sistema. Fuja de quem não se compara a você em classe, renda, cultura e cor da pele; dos olhos invejosos, da cobiça, do abraço de quem pretende enfiar-lhe a faca pelas costas. Tenha medo da velhice. Ela é prenúncio da morte. Abomine o crescimento aritmético de sua idade. Jamais empregue o termo "velho"; quando muito, admita "idoso". Tema a gordura que lhe estufa as carnes, a ruga a despontar no rosto, a celulite na perna, o fio branco no cabelo. É horrível perder a juventude, a esbeltez, o corpo desejado! Tenha medo da mais terrível inimiga: a morte. Ela se insinua quando você fica doente. Saiba que ninguém está interessado em sua saúde. Em seu bolso, sim. Basta adoecer para verificar como haverão de humilhá-lo os serviços médicos e os planos de saúde. Não se mova! Por que viajar, abandonar o conforto doméstico e se arriscar num acidente de ônibus, navio ou avião? Nunca se sabe quando, onde e como os terroristas atacarão. Quem diria que numa bucólica ilha da pacífica Noruega o terror provocaria um genocídio? Meu nome é medo. Acolha-me em sua vida! Sei que perderá a liberdade, a alegria de viver, o prazer de ser feliz. Mas darei a você o que mais anseia: segurança! Em meus braços, você estará tão seguro quanto um defunto em seu caixão, a quem ninguém jamais poderá infligir nenhum mal, nem mesmo amedrontá-lo. [Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do poder" (Rocco), entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120208/6cd747c1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 8 20:01:31 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 8 Feb 2012 20:01:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Ato_SOMOS_TODOS_PINHEIRINHO_-_Ri?= =?iso-8859-1?q?beir=E3o_Preto-SP?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Carta O Berro.........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120208/bc1d9380/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 9 19:44:55 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 9 Feb 2012 19:44:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_HOJE_NO_CANAL_BRASIL_-_=22Condor?= =?iso-8859-1?q?=22_=28filme_sobre_a_OPERA=C7=C3O_CONDOR=29_22_HORA?= =?iso-8859-1?q?S?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem HOJE NO CANAL BRASIL - "Condor" (filme sobre a OPERAÇÃO CONDOR) 22 HORAS 22:00 Cine Chat Brasil Condor O filme narra as diferentes versões sobre a Operação Condor, conexão entre os serviços de inteligência militar das ditaduras do Cone Sul nos anos 1970. veja mais sobre o episódio -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120209/94a390cb/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 9 19:45:03 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 9 Feb 2012 19:45:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Quando_a_Comissao_da_Verdade_est?= =?iso-8859-1?q?=E1_no_ar=2E=2E_come=E7am_a_aparecer=2E=2E=2E_=2E_R?= =?iso-8859-1?q?eveladora_entrevista_do_Delegado_Bonchristiano_=28M?= =?iso-8859-1?q?r=2E_DOPS=29_a_jornalista_Marina_Amaral=2E=2E=2E_ve?= =?iso-8859-1?q?jam_as_fotos_no_fim_da_materia_=2E=2E?= Message-ID: <459C8B7F0BE3438EB2689B261E9E7DF7@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Conversas com Mr. DOPS 09.02.12 Por Marina Amaral a.. a.. a.. a.. a.. a.. 123456 Nossa repórter passou mais de 15 horas entrevistando um dos poucos delegados do DOPS ainda vivos, entre os que atuaram nos anos mais duros da ditadura. Enfrentou resistência, informações desencontradas e até um suposto pacto de silêncio - um embate que antecipa os desafios da Comissão da Verdade ] Aos 80 anos, José Paulo Bonchristiano conserva o porte imponente dos tempos em que era o "doutor Paulo", delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo, "o melhor departamento de polícia da América Latina", não se cansa de repetir."O DOPS era um órgão de inteligência policial, fazíamos o levantamento de todo e qualquer cidadão que tivesse alguma coisa contra o governo, chegamos a ter fichas de 200 mil pessoas durante a revolução", diz, referindo-se ao golpe militar de 1964, que deu origem aos 20 anos de ditadura no Brasil. Embora esteja aposentado há 27 anos, não há nada de senil em sua atitude ou aparência. Os olhos astutos de policial ainda dispensam os óculos para perscrutar o rosto do interlocutor, endurecendo quando o delegado acha que é hora de encerrar o assunto. Bonchristiano gosta de dar entrevistas, mas não de responder a perguntas que lancem luz sobre os crimes cometidos pelo aparelho policial-militar da ditadura do qual participou entre 1964 e 1983: prisões ilegais, sequestros, torturas, lesões corporais, estupros e homicídios que, segundo estimativas da Procuradoria da República, vitimaram cerca de 30 mil cidadãos. Destes, 376 foram mortos, incluindo mais de 200 que continuam até hoje desaparecidos. Os arquivos do DOPS se tornaram públicos em 1992, mas muitos documentos foram retirados pelos policiais quando estavam sob a guarda do então diretor da Polícia Federal e ex-diretor geral do DOPS, Romeu Tuma. Entre os remanescentes estão os laudos periciais falsos, produzidos no próprio DOPS, que transformavam homicídios cometidos pelos agentes do Estado em suicídios, atropelamentos, fugas. No caso dos desaparecidos, os corpos eram enterrados sob nomes falsos em valas de indigentes em cemitérios de periferia. Globo, Folha, Bradesco - e Niles Bond Bonchristiano é um dos poucos delegados ainda vivos que participaram desse período, mas ele evita falar sobre os crimes. Prefere soltar o vozeirão para contar casos do tempo em que os generais e empresários o tratavam pelo nome. Roberto Marinho, da Globo, diz, "passava no DOPS para conversar com a gente quando estava em São Paulo", e ele podia telefonar a Otávio Frias, da Folha de S. Paulo "para pedir o que o DOPS precisasse". Quando participou da montagem da Polícia Federal em São Paulo, conta, o fundador do Bradesco mobiliou a sede, em Higienópolis: "Nós do DOPS falamos com o Amador Aguiar ele mandou por tudo dentro da rua Piauí, até máquina de escrever". O "doutor Paulo" sorri enlevado ao lembrar dos momentos passados com o marechal Costa e Silva (o presidente que assinou o AI-5 em dezembro de 1968, suspendendo as garantias constitucionais da população). "O Costa e Silva, quando vinha a São Paulo, dizia: 'Eu quero o doutor Paulo Bonchristiano'", e imita a voz do marechal - ele adora representar os casos que conta. "Eu fazia a escolta dele e ele me chamava para tomar um suco de laranja ou comer um sanduíche misto na padaria Miami, na rua Tutóia, vizinha ao quartel do II Exército. Todo mundo querendo saber onde estava o presidente da República, e eu ali", delicia-se. Gaba-se de ter sido enviado para "cursos de treinamento em Langley" nos Estados Unidos, pelo cônsul geral em São Paulo, Niles Bond, que admirava a "eficiência" da polícia política paulista. E o chamava de "Mr. Dops". Orgulha-se também de outro apelido - "Paulão, Cacete e Bala" - que diz ter saído da boca dos "tiras" quando "caçava bandidos" na RUDI (Rotas Unificadas da Delegacia de Investigação), no início da carreira, com um "tira valente" chamado Sérgio Fleury. Anos depois, os dois se reencontrariam na Rádio Patrulha, de onde saiu a turma do Esquadrão da Morte, levada para o DOPS em 1969, quando Fleury entrou no órgão. "Polícia é polícia, bandido é bandido", diz Bonchristiano. "Para vocês de fora é diferente, mas para nós, acabar com marginal é uma coisa positiva. O meu colega Fleury merecia um busto em praça pública", afirma, sem corar. O delegado Sérgio Fleury e sua turma de investigadores se celebrizaram por caçar, torturar e matar presos políticos no DOPS, enquanto continuavam a exterminar suspeitos de crimes comuns no Esquadrão da Morte. Conversas gravadas No decorrer de nove tardes passadas, entre junho de 2010 e janeiro deste ano, em seu apartamento no Brooklin, no 13º andar de um prédio de classe média alta, aprendi a escutar com paciência os "causos" que "doutor Paulo" narra com humor feroz, até extrair informações relevantes. Repetidas vezes eu as confrontava com livros e documentos e voltava a inquiri-lo; a proposta era que ele se responsabilizasse pelo que dizia. De certo modo, meu embate com o "doutor Paulo" antecipava as dificuldades que serão enfrentadas pela Comissão da Verdade, a ser instalada em abril para apurar fatos e responsáveis - sem punição penal prevista - pelas violações de direitos humanos cometidas pelo Estado entre 1946 e 1988, abrangendo o período da ditadura militar. O objetivo da comissão é devolver aos cidadãos brasileiros um passado que ainda não se encerrou, como provam os desaparecidos, e impedir que funcionários públicos sigam mantendo segredo sobre atos praticados a mando do Estado. A fragilidade da lei em pontos cruciais, porém, provoca ceticismo nas organizações de direitos humanos, em especial ao permitir o sigilo de depoimentos - ferindo o direito à transparência pública -, e ao não prever punições aos responsáveis pelos crimes, nem mesmo medidas coercitivas para os que se recusarem a depor. "Não vou depor. Acho bobagem", diz Bonchristiano. "Nunca pratiquei irregularidades, mas não sou dedo duro e não vejo utilidade nessa comissão", justifica o funcionário público, aposentado aos 53 anos, e que recebe hoje 11 mil reais por mês de pensão. Minhas conversas com Mr. DOPS renderam 15 horas de gravação que revelam a mentalidade e as conexões políticas dos policiais que atuaram na repressão do governo militar. E provam que os detentores das informações estão por aí - embora continuem ocultando as circunstâncias exatas em que os crimes foram cometidos e os mandantes de cada um deles. Torturadores e repressores O nome de Bonchristiano - que significa "bom cristão" e veio de Salerno, Itália - não consta das principais listas de torturadores compiladas por organizações de direitos humanos. O Projeto Brasil Nunca Mais, um extenso levantamento realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 com base nos IPMs (inquéritos policiais militares), é até hoje a principal referência, embora muitas vezes liste apenas os "nomes de guerra" dos torturadores, já que os reais eram desconhecidos das vítimas. No tomo II, volume 3, "Os funcionários", Paulo Bonchristiano é citado oito vezes em operações de repressão. Mas seu nome também não consta da chamada Lista de Prestes, de 1978, liberada recentemente pela viúva do líder comunista, que traz vários nomes completos e os cargos de 233 torturadores denunciados por presos políticos - entre eles 58 policiais do DOPS de São Paulo, 21 deles delegados. As lacunas dessa história, porém, não permitem descartar a revelação de novos nomes. Entre 1968 e 1976 - o período mais duro da ditadura -, as torturas faziam parte do cotidiano de todos os policiais e militares envolvidos na repressão. O DOPS era "manejado pelos militares como um órgão federal", como observa o jornalista Percival de Souza no livro "Autópsia do Medo", do qual o Paulo Bonchristiano participa como fonte e personagem, qualificado como "um dos delegados mais conhecidos do DOPS". Nas entrevistas à Pública, o ex-delegado resistiu duas tardes inteiras antes de admitir que se torturava e matava no "melhor departamento de polícia da América Latina" - o que hoje qualquer cidadão pode constatar através dos depoimentos reunidos no "Memorial da Resistência", museu que desde 2002 ocupa as antigas instalações do DOPS, no centro de São Paulo. Nem mesmo o fato de Sérgio Fleury ter se celebrizado como torturador impediu Bonchristiano de tentar isentar o órgão: "O Fleury era do DOPS e não era do DOPS, era o homem de ligação do DOPS com os militares, era delegado das Forças Armadas, do Alto Comando. Não obedecia a ninguém, interrogava presos no DOPS, no DOI-CODI, em delegacias, sítios, no país inteiro. Todo o segundo andar do DOPS era dele, tinha que telefonar antes: 'Fleury eu vou descer pra falar com você'. Se não, a gente não entrava. Ele tinha uma porta lá, todo misterioso". Bonchristiano ainda se lembra, e muito bem, das antigas desavenças com o ex-colega. "O Fleury estava em todas, se metia em tudo, perdi muitos 'tiras' para ele porque lá eles ganhavam mais, tinha um 'por fora'", contou na segunda entrevista. "Uma vez prendi um cara em um aparelho no Tremembé, e quando estava chegando no DOPS, o Fleury pediu o preso emprestado, não lembro o nome dele. Depois de dois dias sem notícias do preso, fui perguntar para o Fleury, e ele me pediu desculpas, tinha matado o cara que eu nem ouvi", relata, como se fosse um contratempo na repartição. "Chegou uma hora que só ele que dominava. Só se falava dele". "Graças a Deus só se fala no Fleury", reagiu dona Vera, a elegante senhora com quem o ex-delegado é casado há 53 anos, que entrava na sala trazendo refrigerantes. E emendou: "Zé Paulo, essa entrevista já não está durando demais?", frase que ela repetiria muitas vezes depois. Foi na terceira entrevista - quando já acumulávamos seis horas de gravação - que o "doutor Paulo", sem dona Vera na sala, finalmente confirmou que "sabia de tudo" o que acontecia no DOPS. E se "justificou": "Eu não podia fazer nada, isso era com o pessoal de lá de cima. Eu era delegado de segunda classe, respondia apenas ao diretor do DOPS, o resto era com eles". Bonchristiano tornou-se delegado de 2ª classe em 1969 e foi promovido "por merecimento" a delegado de 1ª classe em 1971. Naquele mesmo dia, admitiu que frequentava os outros centros de tortura montados em São Paulo a partir de 1969, como a OBAN (Operação Bandeirante) e o DOI-CODI, comandados pelo Exército e compostos de policiais civis e militares instruídos a torturar. Só no período de 1970 a 1974, a Arquidiocese de São Paulo reuniu 502 denúncias de tortura no DOI-CODI paulista, apelidado jocosamente pelos policiais de "Casa da Vovó". Bonchristiano disse então que "alguns da diretoria do DOPS" participaram da montagem da OBAN - "os militares não entendiam nada de polícia, depois aprenderam" - e que cederam três delegados no início das operações, todos incluídos entre os torturadores na Lista de Prestes: Otávio Medeiros, ligado ao CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e à TFP (Tradição, Família e Propriedade), assassinado em 1973 por militantes da resistência armada; Renato d'Andrea, colega de Bonchristiano na Faculdade de Direito da PUC; e Raul Nogueira de Lima, o Raul Careca, ex-investigador subordinado a Bonchristiano e ligado ao CCC, que se tornaria delegado depois. Levaram também os métodos da polícia, incluindo o pau-de-arara - na origem um cabo de vassoura apoiado em duas mesas, onde os policiais deixavam o preso pendurado por pulsos e tornozelos até que a dor insuportável os fizesse "confessar". "O pau-de-arara não é, assim, uma tortura, vai tensionando os músculos, se o cara falar logo não fica nem marca, mas se o cara for macho e segurar.", explicou-me ele certa vez. Diante de minha expressão escandalizada, concedeu: "choques, sim, dependendo". E completou: "Naquela época foi diferente, o governo estava tentando melhorar o país. Aí nós tivemos que fazer essa luta. Nunca considerei os comunistas bandidos, considerava ideologicamente inimigos. Tanto que eu sempre falei, não poderia haver mortes". Bonchristiano disse que frequentava a OBAN e o DOI-CODI para "buscar presos, não para levar", buscando distanciar-se das mal afamadas equipes de captura da OBAN, que realizavam prisões ilegais. Alguns eram soltos sem que sua passagem nos órgãos policiais fosse sequer registrada; outros eram enviados para os cárceres do DOPS, onde assinavam as "confissões" e tinham a "prisão preventiva" decretada. "Maçã Dourada", os paramilitares e o DOPS Em seus primeiros anos no DOPS, Bonchristiano se especializou em infiltrações em movimentos sindicais, mas a partir de 1968 os estudantes se tornaram prioridade. "Quem faz revolução é estudante, operário faz revolução na Rússia", costumava dizer. Uma das operações das quais mais se orgulha, que o levou às páginas de revistas e jornais, foi o desmantelamento do Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, em 12 de outubro de 1968, comandado por ele. "Prendi 1263 estudantes sem disparar um tiro", diz - embora os policiais do DOPS e da Força Pública de Sorocaba tenham comprovadamente anunciado sua chegada com rajadas de metralhadora para o ar. "Coloquei a garotada em 100 ônibus cedidos pela (viação) Cometa e levei todo mundo para o DOPS. Separei os líderes e liberei o resto para ir para casa. Não tínhamos vontade de matá-los, eram estudantes", ironiza. Entre os 11 líderes que Bonchristiano mandou para o Forte de Itaipu, em Santos, estão os ex-ministros Franklin Martins e José Dirceu, e o líder estudantil Luiz Travassos, já falecido. "Eu sabia tudo o que o Dirceu fazia porque ele era metido a galã e eu coloquei uma agente nossa para seduzi-lo", gaba-se o delegado. "Ela era muito bonita, a Maçã Dourada, e me contava todos os passos dele", diz o delegado. A "estudante" Heloísa Helena Magalhães, uma das 40 moças contratadas pelo DOPS para esse tipo de serviço, segundo ele, chegou a ser secretária de Dirceu na UNE. Dias antes, havia acontecido o famoso embate entre estudantes de direita reunidos no Mackenzie e estudantes da Faculdade de Filosofia da USP, na rua Maria Antonia, base de resistência contra a ditadura. Pelo lado da direita, os conflitos foram publicamente liderados por João Marcos Flaquer, fundador do CCC, organização paramilitar idealizada por Luís Antonio Gama e Silva, o jurista que redigiu o AI-5 após se afastar da reitoria da USP para assumir o Ministério da Justiça de Costa e Silva. Flaquer não era do Mackenzie - estava no último ano de Direito na USP - e dividia o comando dos combates com Raul Nogueira de Lima, o Raul Careca, "tira" do DOPS, subordinado a Bonchristiano. Oficialmente, a polícia só entrou no campus no segundo dia de conflitos, depois que um tiro, atribuído a um membro do CCC, Ricardo Osni, atingiu um estudante secundarista. Mas, segundo Bonchristiano, havia outras forças por trás dos conflitos: "Foi o João Marcos que fundou o CCC e salvou os estudantes de passarem todos para o comunismo, por isso os americanos também gostavam dele", diz o ex-delegado. "Ele tinha uma capacidade fabulosa, era forte demais, um cara fora de série, muito meu amigo. Eu o conhecia desde o segundo ano da faculdade, ele queria ser delegado mas a família dele era muito rica e não o queria metido com polícia, então ele vinha para o DOPS comigo. Ele dirigia toda essa parte de estudantes, infiltrava gente entre os esquerdistas. Se tinha alguma coisa que interessava ao DOPS, ele fazia. Mas só com minha anuência", gaba-se o ex-delegado, que diz participado do planejamento do conflito. O CCC começou com cerca de 400 membros e chegou a reunir 5 mil homens - boa parte deles militares e policiais. Andavam armados, espancavam estudantes e artistas que se opunham à ditadura e seus atentados mataram pelo menos duas pessoas. João Marcos Flaquer, Ricardo Osni, João Parisi Filho e José Parisi, "estudantes" do CCC, eram colaboradores do DOI-CODI e constam da lista de torturadores do Brasil Nunca Mais. Os dois primeiros, bem como o mentor Gama e Silva, também participavam de encontros que reuniam policiais da CIA e do DOPS. "A especialidade da CIA era fomentar organizações paramilitares como o CCC. Acho bem possível que eles recebessem, além de apoio, dinheiro", diz a socióloga Martha Huggins, da Tulane University, New Orleans, pesquisadora de programas de treinamento de policiais estrangeiros pela CIA. Afinidades eletivas: o DOPS e a CIA Bacharel de Direito pela PUC-SP, filho de uma farmacêutica e um bancário, José Paulo Bonchristiano não entrou na polícia política por acaso. Ele e a turma de amigos da faculdade - seis deles futuros delegados do DOPS - eram anticomunistas viscerais e católicos conservadores, e representavam a direita no centro acadêmico 22 de agosto. Esse perfil agradava ao experiente delegado Benedito de Carvalho Veras, que os recrutou em 1957 quando cursavam o último ano de Direito e faziam estágio na polícia. Veras, que se tornaria secretário de segurança do governador Jânio Quadros no ano seguinte, estava à procura de quadros para modernizar a polícia, sob orientação do Programa do Ponto IV - idealizado pelo presidente americano, Harry Truman, com o objetivo de prevenir a "infiltração comunista". Isso se traduzia na combinação de ajuda econômica e treinamento das forças policiais dos países da região. A intenção era "profissionalizar" a polícia brasileira - sobretudo os que lidavam com crimes políticos e sociais - para que barrassem o comunismo sob qualquer governo. No mesmo ano em que Veras assumia a secretaria de segurança e nomeava Bonchristiano como delegado substituto de polícia, uma deputada (Conceição da Costa Neves, do PTB, que fazia oposição ao então governador Jânio Quadros) denunciava publicamente ter sido vítima de um grampo telefônico. "Foi o primeiro grampo que se tem notícia em São Paulo", conta o ex-delegado, que conheceu de perto o autor da "inovação tecnológica", o escrivão Armando Gomide, futuro agente do o Serviço Nacional de Informações (SNI). Gomide havia aprendido o "grampo" com os instrutores do Ponto IV, que também forneceram equipamentos para melhorar a qualidade das gravações. Em 1962, o programa passou a ser dirigido pelo OPS - Office of Public Safety - uma "célula da CIA incrustrada dentro da AID (Agency for International Development, no Brasil, mais conhecida como USAID)", nas palavras da professora Martha Huggins. Além de treinar 100 mil policiais no Brasil, a OPS-CIA selecionava policiais e oficiais militares para estudar em suas escolas no Panamá (1962-1964); e nos Estados Unidos, depois que a Academia Internacional de Polícia (IPA) foi inaugurada em 1963 em Washington, funcionando até 1975. No Brasil, o OPS ficou até 1972, quando o Congresso americano começou a investigar as denúncias de que o programa patrocinava aulas de tortura. A IPA foi um das "escolas" nos Estados Unidos que recebeu Bonchristiano antes mesmo do golpe militar. Dois anos antes - logo depois de ser aprovado no concurso para delegado de 5ª classe, o início da carreira, ele já frequentava a casa do diretor DOPS Ribeiro de Andrade, no Jardim Lusitânia, em São Paulo. "Ele estava sempre de portas abertas para nós, ficávamos lá conspirando", ironiza. Foi ali que Bonchristiano conheceu o policial americano Peter Costello, que veio para o Brasil em 1962 como instrutor da OPS depois de treinar 2.500 homens em técnicas de controle de distúrbios na Coréia. "Era um sujeito austero, falava português e entendia de polícia, deu curso de algemas, tiro rápido e outros para os policiais do DOPS, conta, completando: "Alguns meninos do CCC também participaram". Antes de 1964 os delegados do DOPS já contavam com a ajuda dos americanos para identificar os "comunistas", muitos deles presos logo depois do golpe. "A ordem que a gente tinha desde o começo era identificar e prender todos os comunistas. Queríamos acabar com o Partido Comunista", diz Bonchristiano. Para contribuir com essa missão, "o Ponto IV nos contemplou com fotografias dos frequentadores (brasileiros) dos cursos de guerrilha na China", relatou Renato d'Andrea, um dos delegados que foram da turma de Bonchristiano na PUC, ao jornalista Percival de Souza. Na primeira operação importante que Bonchristiano realizou no DOPS, em abril de 1964, foi a vez de retribuir, entregando aos americanos as 19 cadernetas apreendidas na casa do líder comunista Luiz Carlos Prestes. As cadernetas foram xerocadas nos Estados Unidos (aqui ainda não existia o xerox) e retornaram 15 dias depois para o Brasil, servindo de base para a prisão de diversos militantes comunistas. Só sobraram as cópias das cadernetas de Prestes, hoje nos arquivos do DOPS - os originais, segundo o "doutor" Paulo, desapareceram. Por aqui as cadernetas serviram de base a um dos maiores IPMs da primeira fase da ditadura, e foram usadas como justificativa para a prisão de diversos militantes comunistas como Carlos Marighella, que o próprio Bonchristiano foi encarregado de conduzir a São Paulo, depois que ele havia sido preso e baleado em um cinema no Rio, em 1964. Solto em 1965, Marighella foi assassinado em uma emboscada de policiais do DOPS em 1969. "É uma bobagem danada dizer que a CIA mandava no DOPS, que nós éramos agentes da CIA, não era nada disso, nós éramos delegados do DOPS", resmunga o doutor Paulo. "A América do Sul sempre foi o quintal dos Estados Unidos, e eles olhavam muito para nós, tinham medo do Brasil se tornar comunista. E notaram que tinha um departamento de polícia em São Paulo que trabalhava firme nisso. Porque o DOPS de São Paulo fazia todos os levantamentos que conduzissem a algum elemento do Partido Comunista em todo o Brasil, na América Latina inteira". Mr. Dops e Mr. Bond "Depois que o presidente Truman criou a CIA, era a CIA que acompanhava o movimento dos subversivos", continua. "Então trabalhávamos juntos, viajávamos juntos em muitos casos, mas nossas reuniões eram fora do DOPS, na happy hour de bares de hotéis como o Jandaia e o Jaraguá, no centro de São Paulo. O Fleury também ia, o Flaquer, o Gama e Silva e até o Carlos Lacerda (ex-governador do Rio, que conspirou pelo golpe e acabou sendo cassado em 1968). O Niles Bond era chefe lá deles, sujeito bacana, conhecia bem o Brasil, e gostava muito de mim. Me chamava de Mr. Dops, porque eu sempre o atendia em tudo que precisava e era ele que me mandava para Langley", frisa mais uma vez, mostrando uma foto sua com trajes de George Washington ao lado de um colega fantasiado de soldado federalista, tirada durante uma de suas estadas em Washington (FOTO). "Não lembro quando foi tirada porque estive oito vezes em cursos de treinamento nos Estados Unidos (entre 1963 e 1970)", diz ele. "Fiz cursos técnicos, de polígrafo, técnicas de inteligência, infiltração. E sobre o comunismo também, eles tinham verdadeira obsessão. Saí de lá convencido de que eles, sim, são duros, fazem o que for preciso para garantir seus princípios". Entre 1959 e 1969, Niles W. Bond foi adido da embaixada no Rio e cônsul geral em São Paulo, segundo seu currículo na Association for Diplomatic Studies and Training, que também aponta a ligação com a CIA desde 1956, quando era assessor político da embaixada italiana. Langley, frequentemente usado como sinônimo de CIA nos Estados Unidos, é o nome dos arredores da pequena cidade de McLean, na Virginia, onde desde o início da década de 1960 ficam os "headquarters" da agência de inteligência americana, a alguns quilômetros de Washington. Com o tempo, descobri que quando o doutor Paulo se referia a Langley, significava que estava em treinamento em instalações na CIA, não apenas na sede, mas "em muitos outros lugares, até na Flórida", como confirmou depois. As informações sobre a CIA foram reveladas por doutor Paulo quando o inquiri sobre sua transferência, em 1ª de setembro de 1964, para o Ministério da Guerra, lotado no II Exército - informação que obtive checando todas as suas nomeações, transferências e promoções no Diário Oficial (seu currículo oficial omite essa significativa passagem). Ele diz que foi transferido porque havia sido encarregado (com mais três delegados) de montar um plano de estruturação da Polícia Federal pelo general Riograndino Kruel, irmão do comandante do II Exército, Amaury Kruel (ambos também treinados nos Estados Unidos): "O Edgar Hoover (fundador do FBI) é um cara que admiro muito, e os americanos achavam muito importante montar uma polícia como essa no Brasil - o DOPS paulista já atuava como polícia federal, mas era subordinado à secretaria de segurança estadual, o que atrapalhava nossos movimentos", explicou. Até hoje a Polícia Federal registra seus agradecimentos à "revolução de 1964" no site oficial da entidade: "Somente em 1964, com a mudança operada no pensamento político da Nação, a idéia da criação de um Departamento Federal de Segurança Pública, com capacidade de atuação em todo o território, prosperou e veio a tornar-se realidade". O capitão americano e a guerrilheira "Felizmente aqui no Brasil não fizemos como em outros países, matanças. Não houve isso. Houve só morte de quem quis enfrentar a polícia. Isso em qualquer lugar do mundo. Quando uma guerrilha deles lá, um aparelho, matou o nosso colega lá em Copacabana, o Moreira, o que nós tinhamos que fazer? Descobrir os caras e matar também", ri. "Polícia é assim", avalia o "doutor" Paulo. Dulce de Souza Maia, militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) sentiu na carne o peso dessa vingança, quando foi presa na madrugada do dia 25 de janeiro de 1969, enquanto dormia na casa da mãe. Dois dias antes, vários líderes da VPR tinham sido presos e os repressores já sabiam que ela havia participado de um atentado a bomba no II Exército, que matou o sentinela Mario Kozel Filho. Também havia sido erroneamente apontada como uma das autoras do atentado que em 1968 matou o capitão do Exército americano, Charles Chandler, acusado pelos guerrilheiros de dar aulas de tortura no Brasil a serviço da CIA. Dulce não sabe dizer se todos que a torturaram no quartel da Polícia do Exército eram militares, mas sua lembrança mais forte é a cara redonda do homem que a estuprou, depois de dar choques em sua vagina. "Eu aguentei 48 horas", me disse, por telefone. "Depois acabei dando um endereço de um apartamento que eu conhecia porque tinho ido a uma feijoada, não era um aparelho". Foi então levada para o DOPS, metida em uma viatura com uma equipe de policiais dos quais não sabe o nome: "Nem lembro das caras, estava quase morta, sei que eles me levaram para a rua Fortunato e apontei o prédio que só reconheci porque tinha parado o meu carro na frente - eu não sabia que o João Leonardo, que inclusive era de outra organização (ALN), morava ali. Lembro só que o vi quando a porta abriu", lamenta. A versão do delegado Bonchristiano sobre o mesmo episódio omite detalhes significativos. "Nós estávamos atrás dos caras que mataram o Chandler, coitado, executado na porta da casa dele, no Sumaré. Em 36 horas, o Cara Feia, um tira excepcional que já morreu, sabia quem tinha feito. Aí, uma menina que nós prendemos, nos conta de uma reunião na Rua Fortunato, perto da Santa Casa da Misericórdia. Eu fui com a menina. Mandamos ela tocar a campainha. Peguei o professor que era o dono do apartamento, prendemos. "Voltamos para o DOPS, eu, Tiroteio, Cara Feia e a menina e deixei dois tiras, o Raul Careca e o Nicolino Caveira, para ver se acontecia mais alguma coisa. Telefone. 'Doutor, o senhor tem que vir aqui, teve um problema'. 'Muito problema?' 'Demais', quando é demais é que houve morte. Quando cheguei lá, tinha sangue para todo lado. O Raul Careca, que era um ótimo atirador, tinha dado 18 tiros no Marquito (Marco Antonio Brás de Carvalho). Aí que eles me contaram o que tinha acontecido: esse que matou o Chandler tinha chegado e quando abriu a porta, falou assim: "Quem são vocês?" E os tiras: "Nós somos da família". "Ah é?" E puxou a arma. Os tiras revidaram e ele morreu". Bonchristiano jamais mencionou que a "menina" estava quebrada pela tortura. Mas corrigiu a versão que consta do depoimento de Raul Careca em um processo movido pela família de Marquito. Ali ele dizia que foram dois os tiros disparados. Mano nera "O caso Chandler gerou consternação, mas, sobretudo preocupação entre o grupo de assessores policiais, pois estes poderiam tornar-se alvo também. Participaram das investigações e ajudaram a identificar as armas utilizadas, enviando o material para estudo em laboratórios de criminalística do FBI", relata o professor Rodrigo Patto, da UFMG, que estuda a relação entre a USAID e a CIA. Patto, porém, não sabe dizer se Chandler era de fato da CIA como acreditavam os militantes da ALN e da VPR que decidiram matá-lo. "Ele havia estado no Vietnã, e estava oficialmente em viagem de estudos no Brasil, diz. Em seguida ao assassinato de Chandler, um ex-instrutor americano de Bonchristiano, Peter Ellena, veio para o Brasil para acompanhar as investigações, o que melindrou o pessoal do DOPS. "Demos para ele a mano nera (símbolo da máfia), a mão negra ensaguentada", diverte-se, contando que os policiais simularam um bilhete de ameaças dos guerrilheiros para assustar o "gringo". "Ele ficou morrendo de medo". O jornalista Percival de Souza relata que o DOPS produzia relatórios confidenciais diários sobre o caso para o consulado americano, e que descobriram o fio da meada que os levaria a Marquito, "menos de um mês depois do fuzilamento", registrando em seguida a versão que Bonchristiano continua a defender: um acidente ocorrido na BR-116 no dia 8 de novembro de 1968, na altura de Vassouras (RJ), teria matado Catarina e João Antonio Abi-Eçab que estava em um fusca. Ao socorrer o casal, a polícia teria encontrado uma metralhadora INA calibre 35, como a que matou Chandler. O DOPS foi avisado, e Bonchristiano viajou imediatamente a Vassouras. Lá o delegado teria descoberto que o casal, militante da ALN, teria ido ao Rio de Janeiro para encontrar Marighella, e que a metralhadora era a mesma que matou Chandler. Tinha encontrado a arma do crime. O "teatrinho", como os policiais chamavam as versões criadas para encobrir seus crimes, foi desmontado a partir do relato de um ex-soldado do Exército ao jornalista Caco Barcellos, em 2001, em que reconheceu Catarina "como presa, torturada e morta em um sítio em São João do Meriti (município vizinho a Vassouras)" e afirmou que os órgãos de repressão, após a execução, teriam forjado o acidente. Mais uma vez a "eficência" do DOPS veio da tortura. Bonchristiano, que insistiu até o fim na desmentida versão, diz que foi cumprimentado por Niles Bond pelo feito. "O Chandler era um dos nossos, frequentava nossas reuniões, o Bond sabia que eu ia resolver o caso", gaba-se. Esticadinha no chão Em 1983, os ventos democratas extinguiram o DOPS e trouxeram um novo delegado geral, Maurício Henrique Pereira Guimarães, que despachou Bonchristiano para uma obscura seção da Secretaria de Justiça, encarregada das viúvas dos soldados mortos na II Guerra. "Preferi me aposentar, hoje não acredito mais em nada. Fiz o que o presidente queria, os militares queriam, e não ganhei nem aquelas medalhinhas que eles davam para todo mundo", desdenha, referindo-se à Medalha do Pacificador, entregue pelos militares a torturadores famosos. Mas o Mr. Dops não tem muito do que reclamar. Em seus primeiros oito anos de DOPS subiu da 5ª para a 1ª classe, como só acontecia aos que participavam da linha de frente da repressão. Ficou um tempo na "geladeira" quando um desafeto, o coronel Erasmo Dias, assumiu a secretaria de segurança (1974-1979). Mas conseguiu depois a promoção a delegado de classe especial e se aposentou no topo da carreira, em 1984. A família, porém, ainda sofre com o passado do delegado. A filha, uma artista plástica, escolheu o prédio do antigo DOPS como cenário de uma performance acadêmica. No Facebook, comenta que o pai ficou "do lado dos algozes da ditadura", enquanto uma de suas filhas - neta de Bonchristiano - faz campanha pela Comissão da Verdade em seu perfil. Dona Vera sente a distância dos netos e lembra com amargura do tempo em que o marido trabalhava no DOPS. Via-se sozinha dias a fio com três filhos pequenos: "Eu não podia falar com ele nem por telefone, ligava lá e me diziam 'a senhora fica tranquila que ele está bem'", conta. "E eu, apavorada com as ameaças que a gente recebia por telefone, meus filhos iam escoltados para a escola", diz. Ela traz ainda outra lembrança: "Uma vez, minha filha era pequenininha, e quando o Campão, que trabalhava para o Zé Paulo, veio buscá-la para escola, ela desatou a chorar ao ver aquele homão, parecia um índio, vestido de amarelo da cabeça aos pés", diz. "Era o meu motorista no DOPS, depois veio me pedir licença para trabalhar com o Fleury, 'lá a gente ganha mais, né doutor?' Já morreu, coitado", intervém Bonchristiano. José Campos Correia Filho, o Campão, era um conhecido torturador - dos mais cruéis - segundo Percival de Souza, e membro do Esquadrão da Morte. Além motorista do "doutor", ele conduzia cadáveres levados do DOPS na calada da noite para desová-los nos cemitérios de periferia, segundo o próprio Bonchristiano. No final de novembro de 2011, o governador Geraldo Alckmin acatou o lobby da Associação de Delegados de São Paulo (cujo patrono é o falecido delegado Antonio Ribeiro de Andrade, o primeiro chefe de dr. Paulo no DOPS) e mandou para a Assembléia Legislativa um projeto de lei que equipara as carreiras de delegados de polícia, procuradores e promotores, sob o argumento de que a polícia civil é judiciária, e portanto deve ser ligada ao Poder Judiciário e não à Secretaria de Segurança Pública. O projeto, que o "doutor" Paulo muitas vezes defendeu em nossas entrevistas, faria sua aposentadoria pular dos atuais 11 mil reais para cerca de 20 mil reais, de acordo com os cálculos que ele mesmo fez. A partir do momento em que o acalentado projeto foi enviado para a Assembleia, o ex-delegado resolveu encerrar nossas conversas. Retornei uma última vez a seu apartamento, em janeiro deste ano, para checar alguns dados e ele deixou escapar o trecho de uma conversa que tive com um dos meus filhos, por celular. Estava disposto a me assustar. Na despedida, preveniu-me mais uma vez sobre o "perigo" que "nós dois" estaríamos correndo se eu levasse adiante qualquer investigação sobre a localização dos corpos desaparecidos, advertência que fez desde a primeira entrevista. Perdi a paciência: "Mas, doutor, quase todo mundo que o senhor conheceu naquela época já morreu! Nós vivemos em uma democracia, ninguém vai matar assim um jornalista ou um delegado aposentado". "Isso é o que você pensa", retrucou. "Os que hoje ocupam os cargos daqueles, antigos, também assumiram o compromisso de proteger o pacto", afirmou. "Não tem isso de democracia, minha cara jornalista, eles fazem o que precisa ser feito. Se alguém é atropelado ou baleado no trânsito, é uma coisa que acontece, em São Paulo. Não quero ver você esticadinha no chão". Quando entrei no taxi para ir embora, refletindo sobre quem afinal estaria ameaçando quem, lembrei de uma ocasião em que nossas relações eram mais amistosas e pude lhe perguntar por que "eles" tinham enterrado os corpos, em vez de atirá-los ao mar ou incendiá-los para apagar definitivamente as provas. De pé, na sala decorada com os estofados confortáveis, rodeados por mesinhas enfeitadas com fotos de família e bibelôs de inspiração religiosa, Bonchristiano reagiu: "Nós somos católicos, pô!". -- Pública apublica.org -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120209/c7f64009/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 57702 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120209/c7f64009/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 10 19:55:50 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 10 Feb 2012 19:55:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Um_poeta_da_resist=EAncia?= Message-ID: <24B8BD5CEAE848A6B906E8DD3D456325@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Sobre o autor deste artigoUrariano Mota - Recife É pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo. Publicado em 09/02/2012 Um poeta da resistência Recife (PE) - Em um belo dia de julho de 2009, o ex-preso político Alípio Freire nos guiou pelo Memorial da Resistência em São Paulo. Ali ele conduziu a mim, a minha esposa e filha pelas celas do Deops paulista e, em lugar da pura exposição do terror estatal, nos mostrou humanidade e sementes de esperança entre mortos e torturados. Enquanto Alípio discorria por entre aquelas paredes, era possível notar que nele residiam juntos um artista plástico, um intelectual, um bom narrador de casos e causos, contados como se surgissem do nada, no meio de pausas de um cigarro e outro. Mas isso, digamos, ainda não estava materializado como um documento íntimo, pessoal da história daqueles anos - eram percepções de passagem entre fumaças. A existência do Memorial era, é objetiva, a sua necessária e dura referência está ao lado de nós. Ali houve e há uma história ocorrida antes e agora pelo rescaldo da ditadura, da sociedade de classes, abjeta e objetiva. Mal sabia eu que outro Memorial da Resistência já se encontrava em gestação, em uma forma imprevisível e original, como agora sei ao ler "Poemas - De Ordem Política e Social". Pois aqui ocorre o lugar de um outro Departamento, que em vez de um Deops se estabelece como um Poeops, mas nada de Poe, de Allan Poe, porque Alípio Freire escreve à sua maneira a Poesia que é uma Resistência daquelas vidas de jovens e velhos, homens e mulheres subversivos contra a Ordem. E o resultado agora todos vão conhecer. Quisera eu poder guiá-los neste momento. Ainda que não tenha o dom do artista Alípio, quando em 2009 nos conduziu pelo Memorial da Resistência, tentarei algo à semelhança de uma apresentação do poeta neste livro que se abre como um fruto maduro, caído do pé da árvore do Brasil. Na primeira revelação, descubro que todo poeta chama, reclama e ensina para o leitor uma nova poética - aquela que o liberta e nos liberta do vício do acostumado, da forma que é fôrma. Os indivíduos mais tradicionais e conservadores - e nada mais burro e estéril que pessoas condenadas à carga desses dois adjetivos - poderiam dizer que em alguns poemas de Alípio há uma tendência de versos que são uma prosa em linhas descontínuas. E com isso o estúpido confunde poesia com determinados temas e canto ao orvalho na flor, por um lado, e por outro, com a obscuridade, que com freqüência é vista como sublime. Mas o que é a poesia? Será ela somente a de significados multívocos, quando não ambíguos, com a dignificação de "poesia aberta?" Ou seria ela, mais propriamente, aquele associada ao sentido de beleza e verdade, verdade e beleza, beleza e verdade, até o sol raiar e noite adentro? Se não for isso, parem aqui e respondam depois da leitura: "Eu tenho uma casinha lá na Marambaia fica na beira da praia onde helicópteros e aviões da Aeronáutica despejavam corpos de opositores do regime. Alguns ainda com vida Outros esquartejados. O terror de Estado contaminou tudo. Até o nosso mais lírico cancioneiro". Na segunda revelação, descubro que este é um livro e lugar onde nasce e se inaugura uma floresta de citações mais adiante, em futuros discursos de políticos iluminados, em poemas vindouros de jovens poetas, em inteligentes conversas de muitos jovens e militantes de todas idades, inconformados com o lixo de mundo que recebem. Se não, olhem alguns versos, como estes: "Da tragédia Nós sobrevivemos ao pau-de-arara. Mas o pau-de-arara também sobreviveu". Então vamos chegando mais perto da poética de Alípio Freire. A sua estética liga o domínio de conquistas cultas ao pensamento maduro, que gera reflexão, pois este é o poeta que não abstrai, não exclui o pensamento da sua poesia. Isso quer dizer: este poeta é um intelectual de esquerda, um pensador que exerce a sua história e cultura em um só corpo: "Coquetel Uma garrafa Uma rolha Gasolina Óleo 30 Pólvora e ácido nítrico Ou uma mecha em chamas... ... e... desde então aquela dificuldade insana de hierarquizar os alvos". E mais esta Prestação de contas: "Para morrer basta estar vivo. Para viver não." A vontade que deixa na gente é de escrever somente com os seus poemas, porque descobrimos neles a expressão de um desconforto nosso, uma angústia que não teve ainda vida expressa. Como nestes versos, vizinhança de um epigrama: "Onde não há igualdade toda liberdade é sempre um excesso de privilégios". Enfim, aqui reside uma poesia que são cravos, mas não são flores. (Do prefácio ao livro "Poemas - De Ordem Política e Social") -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120210/f48e6622/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9614 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120210/f48e6622/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 65935 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120210/f48e6622/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 10 19:55:58 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 10 Feb 2012 19:55:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Fidel: memorias que marchan con botas guerrilleras y estrellas en la frente Message-ID: <7819C334A9684F4A9C459FEFEE84F7B7@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Fidel: memorias que marchan con botas guerrilleras y estrellas en la frente Por Wilkie Delgado Correa* Así soy y así vivo. Fidel La presentación del libro Fidel Castro Ruz, Guerrillero del Tiempo, que recoge las conversaciones de la periodista y escritora Katiuska Blanco con el líder de la Revolución cubana, es el anuncio de que continúa en marcha el proyecto de abordar las Memorias de Fidel en etapas y facetas que responde a una necesidad histórica de dejar un legado escrito que se corresponda con el legado de la obra que ha construido acompañado por el pueblo cubano. Los dos tomos de la presente obra aborda el período de su niñez hasta el triunfo revolucionario, o sea, desde 1926 hasta el primero de enero de 1959. Por lo tanto, una visión de 32 años de su vida. Esta obra, como las precedentes y futuras, irán revelándonos a Fidel a través de la introspección y exteriorización de aquellos aspectos de su vida, en que lo íntimo y lo público, dan integralidad a un líder de enorme trascendencia a nivel nacional e internacional. La necesidad o curiosidad en torno a la información sobre su figura, concitará a la lectura de sus Memorias, y éstas contribuirán a aportar conocimientos y valores de una etapa histórica que proyectará su luz hacia el futuro. Cuando el 17 de mayo de 1977 Fidel concedió una entrevista a la periodista norteamericana Bárbara Walters, hubo de responder múltiples preguntas, muchas con un enfoque provocativo, y no pudieron faltar las preguntas personales, ya que según expresó, ?ya que usted es un hombre de gran misterio para nosotros?O sea, usted es un hombre de secretos y misterios?. Y Fidel respondió, entre otros aspectos, lo siguiente: ?Entonces podríamos decir que estamos frente a la teoría del misterio, ¿no? Y yo me pregunto, yo soy el primero que me pregunto, dónde está el misterio y quiénes son los que inventan el misterio. Porque, bueno, hay algunas cosas que desde el principio de la Revolución tuvimos que hacer. Si se hace un viaje, digamos, ¿para qué le vamos a avisar a la CIA y a sus terroristas que vamos a hacer un viaje? Lógicamente, eso nos obligó a tomar medidas de precaución. [...] ¿Por qué tiene que hacerse un misterio de todo eso? Por lo demás, nada más alejado de mi mente que el misterio, nada más alejado. A mí, al contrario, me gusta que las cosas sean sin protocolo, sin solemnidades, de la manera más sencilla y más normal posible. Así soy y así vivo?. Al referirse a aspectos relacionados con la hermandad en general, además de la sanguínea, señaló: ?Tengo el privilegio de poseer una familia inmensa, infinita: la familia de todos los revolucionarios del mundo?. Y ante la pregunta sobre su conversión en comunista, Fidel contestó: ?Le puedo decir para su información, y no es que tenga especial interés en aclarar esto, ya he hablado de eso otras veces: yo me hice comunista por mi propia cuenta, y me hice comunista antes de leer un libro de Marx, de Engels, de Lenin, ni de nadie. Me hice comunista estudiando economía política capitalista. Y cuando tuve un poco de comprensión de esos problemas, me pareció en realidad tan absurda, tan irracional, tan inhumana, que sencillamente empecé a elaborar por mi propia cuenta fórmulas de producción y de distribución diferentes. Y eso fue cuando era estudiante del tercer año de la Universidad de La Habana, estudiando Derecho. Yo le voy a decir algo más, porque no oculto mi vida, ni mis orígenes, ni tengo por qué inventar absolutamente nada, ¿comprende? [...]; pero cuando la Revolución triunfa mis convicciones eran socialistas, eran comunistas. Yo nací en el seno de una familia terrateniente, estudié en colegios religiosos la enseñanza primaria y la secundaria. Llegué a la Universidad de La Habana siendo un analfabeto político, y nadie me inculcó una idea, fueron producto de mis propios análisis y de mis propias meditaciones. Lamento mucho no haber tenido desde niño quien me hubiera orientado políticamente, quien me hubiera educado políticamente, que eso lo tuve que descubrir por mí mismo. Y llegué a esas convicciones, de tal manera que me convertí en lo que puede llamarse un comunista utópico. Después me encontré con la literatura marxista, con el Manifiesto comunista de Marx y Engels, con las obras de Marx y Engels y de Lenin. Quizás haya en Cuba, e incluso fuera de Cuba, algunos de los que, durante horas a veces, tuvieron la paciencia de escucharme todas las críticas que yo le hacía a la sociedad capitalista, cuando yo ni siquiera había leído un documento marxista. Naturalmente, cuando me encontré con la literatura marxista, tuvo sobre nosotros una enorme influencia inmediata?. A la pregunta de la periodista ¿Cree usted que será presidente hasta que muera?, Fidel respondió: ?No lo deseo?. Y luego brinda argumentos diversos a otras preguntas relacionadas con ésta. Y uno es éste, que muestra su filosofía de ser útil a su país: ?Ahora, mientras tenga capacidad y mientras pueda ser útil en un cargo -en este o en cualquier otro- y me lo exija la Revolución, yo tengo el deber de realizar ese trabajo. ¿Hasta cuándo será? Yo no lo puedo saber. Tal vez, si tengo capacidad hasta que llegue ese momento, estaré hasta el momento que muera. Si voy a ser longevo y voy a vivir muchos años, entonces lo más probable es que yo no sea presidente hasta que me muera?. Por lo tanto, Fidel es hoy el soldado de la Revolución que, desde un punto estratégico, libra hoy día nuevas batallas de ideas, de defensa y de ofensiva, que forman parte de la Revolución Cubana, de la cual sigue siendo su Comandante en Jefe. El presente y el futuro de Cuba y el mundo necesitan de sus ideas como sol y luz inapagables, siendo consecuente con su misión, ya que según confesara en cierta ocasión: ?Toda mi vida lo que hice fue transmitir ideas sobre los sucesos tal como los veía, desde la más oscura ignorancia hasta hoy en que dispongo de más tiempo y posibilidades de observar los crímenes que se cometen con nuestro planeta y nuestra especie.? En dos artículos anteriores me referí a sus memorias. En el primero, publicado en abril de 2010, titulado Fidel Castro: UNA VISIÓN SOBRE MEMORIA, MEMORIAS Y REFLEXIONES, expresé: Tanto en Cuba como en el extranjero se han manifestado las opiniones en torno a la necesidad o conveniencia para la historia de la Revolución Cubana, con vista al futuro, de que Fidel escriba sus Memorias. Que dé riendas sueltas a su prodigiosa memoria y a sus cualidades como escritor, que han despertado la admiración de García Márquez, y sobre lo cual ha resaltado: ?Su devoción por la palabra; los libros reflejan muy bien la amplitud de sus gustos; escribe bien y le gusta hacerlo; tiene un idioma para cada ocasión?y dispone de una información vasta y variada que le permite moverse con facilidad en cualquier medio; no hay un proyecto colosal o milimétrico, en el que no se empeñe con una pasión encarnizada, y en especial si tiene que enfrentarse a la adversidad; su auxiliar supremo es la memoria y la usa hasta el abuso para sustentar discursos o charlas privadas con raciocinios abrumadores y operaciones aritméticas de una rapidez increíble; requiere el auxilio de una información incesante, bien masticada y digerida; su tarea de acumulación informativa principia desde que despierta, otra fuente de vital información son los libros; es un lector voraz; nadie se explica cómo le alcanza el tiempo ni de qué método se sirve para leer tanto y con tanta rapidez; es lector habitual de temas económicos e históricos; es un buen lector de literatura y la sigue con atención?. Esta admiración garcíamarquiana es compartida, por supuesto, por millones de personas que se han relacionado con sus discursos y entrevistas. Todos estos son los presupuestos para anhelar que puedan surgir sus largas o condensadas Memorias, que resulten como fruto de su larga y extraordinaria existencia. Algunos, como Ramonet, en entrevista televisiva con los entrevistadores de Fidel, piensan que no escribirá sus Memorias y creen que el libro titulado CIEN HORAS CON FIDEL viene a ser una especie de su sustituto. Sin embargo, pensamos que en sus Reflexiones están presentes elementos tales como análisis coyunturales actuales y hasta aquellos que son perfectamente identificables como propios de sus Memorias. También existen fragmentos o partes esenciales de ellas en todas sus entrevistas. Ojalá que en las actuales condiciones, Fidel pudiera asumir, con la ayuda de su equipo de trabajo, la escritura y terminación de las tan importantes y esperadas Memorias, pues cuenta para ello con su memoria extraordinaria, la lucidez de ideas, el archivo de sus memorias ya escritas que son sus discursos, entrevistas, artículos, libros, reflexiones y otros documentos. Ojalá pudiera llevar paralelamente ambas tareas: sus Reflexiones para el hoy inmediato y los aspectos de sus Memorias para el hoy mediato y el futuro. Así que esperemos, mientras no tengamos noticias sobre sus Memorias. ? El segundo artículo, publicado en agosto de 2010, titulado FIDEL: LA VICTORIA ESTRATÉGICA Y LA VICTORIA EN MARCHA DE SUS MEMORIAS, comentaba que ?a principios de agosto, próximo a su arribo al ochenta y cuatro cumpleaños, Fidel ha presentado su libro ?POR TODOS LOS CAMINOS DE LA SIERRA: LA VICTORIA ESTRATÉGICA?, que trata sobre la resistencia llevada a cabo por el Ejército Rebelde que comandaba en la Sierra Maestra ante la ofensiva que desarrolló el Ejército del dictador Batista contra aquel bastión de la lucha revolucionaria y, a la vez, ha anunciado la próxima publicación de la ?CONTRAOFENSIVA ESTRATÉGICA FINAL DEL EJÉRCITO REBELDE?. Estos dos libros integrarán sus Memorias sobre la guerra de liberación contra la tiranía, desarrollada en Cuba en el período 2 de diciembre de 1956 hasta el 1 de enero de 1959. Este hecho cobra una importancia extraordinaria para la historia de la Revolución cubana, pues, además de los libros numerosos que se han escrito o escribirán sobre aspectos particulares de la misma por muchos autores, contará con aquellos que se han escrito o escribirán por Fidel, principal protagonista y líder máximo del movimiento revolucionario que la condujo a la victoria y que, ya en el poder, supo construir una obra que no sólo ha sido trascendente para Cuba, sino para el mundo. Por tanto, si estas dos obras tendrán un enorme interés a nivel nacional e internacional, igual sucederá con otras en que se narren los principales hitos de la vida de Fidel, ligada a la construcción del socialismo en el país, a las relaciones internacionales de la revolución y los vínculos con las principales figuras políticas de nuestra época y otras personalidades de variados campos en el mundo, así como la práctica de un internacionalismo consecuente que jamás, en las circunstancias más adversas, cedió principios ni limitó sus alcances solidarios. Hoy sentimos la alegría de ver convertido en realidad el OJALÁ que a modo de conclusión escogí para el artículo titulado ?FIDEL CASTRO: UNA VISIÓN SOBRE MEMORIA, MEMORIAS Y REFLEXIONES?: Hoy concluiríamos sencillamente: ¡OJALÁ se cumplan todos los sueños imaginables e inimaginables para el bien del hombre y del mundo!, que son las nuevas batallas estratégicas de FIDEL en este tiempo borrascoso?. Ahora que hemos visto a Fidel, en un acto de más de seis horas, presentando esta parte de sus Memorias titulado Guerrillero del Tiempo, tenemos la convicción que nada impedirá que él prosiga, a marcha forzada, hilvanando recuerdos y aportando hechos y juicios para irnos contando su historia, que es parte esencial de la de su país y del mundo en la época que le tocó nacer, desarrollarse, librar sus pequeñas y grandes batallas, transformar el escenario político nacional e internacional y diseminar ideas y realidades como si fueran rayos de luz en una noche oscura. Por lo tanto, ha dejado, iluminado el escenario histórico, y aún faltan por descubrirse nuevas estrellas salidas de su frente. *Médico cubano; Profesor de Mérito del Instituto Superior de Ciencias Médicas de Santiago de Cuba. -- Lic. Rosa Cristina Báez Valdés "La Polilla Cubana" Moderadora Lista Cuba coraje, Coord. Red Social Hermes para Cuba y A. Latina y miembro fundador de la Red de Trincheras Amigas @LaPolillaCubana http://cubacoraje.blogspot.com/ http://auto-hermes.ning.com/profile/RosaCBaez http://elblogdelapolillacubana.wordpress.com http://lapolillacubana.blogcip.cu http://lapolillacubana.typepad.com http://bloguerosrevolucion.ning.com/profile/RosaCBaez http://5heroes.multiply.com http://losqueremoslibres.blogspot.com/ ¡JUNTOS PODEMOS LOGRARLO! Libertad a los 5 ¡YA! __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120210/097bbad3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 11 15:53:08 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 11 Feb 2012 15:53:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Sete_anos_ap=F3s_assassinato=2C_D?= =?iso-8859-1?q?orothy_Stang_continua_viva=2C_s=EDmbolo_de_luta_e_r?= =?iso-8859-1?q?esist=EAncia?= Message-ID: <41CBE1A8A5714D108F2711208E8EFD58@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Sete anos após assassinato, Dorothy Stang continua viva, símbolo de luta e resistência Natasha Pitts Jornalista da Adital Adital "Eis a minha alma". Foi com esta frase que a irmã Dorothy Stang deixou a vida terrena, após ser assassinada em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, estado do Pará, Norte do Brasil. A missionária de 73 anos, que lutava pelos direitos dos/as agricultores/as da região e contra as ações dos grileiros no Estado, incomodou os grandes proprietários de terra e sofreu a penalidade máxima por trabalhar junto aos menos favorecidos e em defesa da floresta Amazônica. Quase sete anos após sua partida, os frutos de seu trabalho continuam a germinar. De acordo com Dinailson Benassuly, coordenador do Comitê Dorothy, o trabalho que era feito pela missionária continua sendo realizado pelas irmãs da Congregação das Irmãs de Notre Dame e tem dado resultado. "O trabalho continua a ser realizado e está gerando bons frutos. Os agricultores estão progredindo, muitos já estão construindo suas casas e cuidando dos cultivos de cacau nos PDS [Projetos de Desenvolvimento Sustentáveis] Virola e Esperança, que no futuro vão ser bem grandes. Estamos jogando as sementes para que surjam novas pessoas dispostas e lutar", revela. Dinailson afirmou que irmã Dorothy continua presente no coração das pessoas que a conheciam, conviviam e admiravam. "A memória dela ainda é muito viva", disse. Para relembrar sua vida e trabalhão, no dia em que se completam sete anos de sua morte, diversas atividades serão realizadas. Em Belém (PA), será realizado, um ato político, cultural e interreligioso na Praça da República, a partir da 9h. Em Anapu, acontecerão atividades em São Rafael, onde o corpo de Dorothy foi sepultado. Durante a manhã e a tarde acontecerão atividades com agricultores/as e entidades parceiras. Já em Fortaleza, Ceará, região Nordeste do Brasil, uma missa será rezada às 18h do domingo (12), na Paróquia de Santo Afonso (Igreja Redonda). De acordo com Dinailson, nas atividades realizadas no Pará, haverá espaço para debates sobre temas ambientais como a hidrelétrica de Belo Monte, planejada para ser construída no Rio Xingu. Dorothy também militava contra a construção do mega-projeto, que segundo o coordenador do Comitê, só trará problemas para a população do Estado. Entenda o caso Irmã Dorothy era uma missionária norte-americana que atuava com projetos de reflorestamento e proteção à floresta Amazônica. Também trabalhava junto aos agricultores/as e lutava pela redução dos conflitos fundiários, muito comuns nesta parte do Brasil. Em 12 de fevereiro de 2005, após receber várias ameaças de morte em decorrência de seus trabalhos, a missionária foi assassinada com seis tiros, em Anapu. Sete anos depois, os julgamentos ainda não chegaram ao fim, mas os culpados já estão pagando suas penas. Regivaldo Pereira Galvão, um dos principais envolvidos, apontado como mandante, teve, nesta semana, o pedido de liminar para ser posto em liberdade, negado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), na pessoa do relator do caso, o desembargador Adilson Vieira Macabu, considerou não haver elementos que justificassem a libertação do réu antes da análise do mérito do habeas corpus que sua defesa impetrou no STJ. Regivaldo foi condenado a 30 anos de reclusão. O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), após rejeitar a apelação da defesa, decretou a prisão cautelar do acusado, apesar de o advogado de Regivaldo assegurar que não havia risco de fuga -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120211/432acd63/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 11 15:53:16 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 11 Feb 2012 15:53:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Greves_das_pol=EDcias_no_pa=EDs_e?= =?iso-8859-1?q?ntram_em_nova_fase?= Message-ID: <6E741B679FE64D3D93791AECA911FE7B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Greves das polícias no país entram em nova fase Publicado em 11-Fev-2012 PMs em SalvadorCom a mudança de comportamento das autoridades - desde a forma como encarar o problema à possibilidade de começar a cumprir as punições estabelecidas pela Justiça, e das disciplinares -, as greves nas polícias entram numa nova fase. Paralisações de tropa são consideradas motim e a tendência do Judiciário é negar o direito de greve às polícias. Se a greve não crescer no Rio e esmaecer como se verifica na Bahia, a mudança de comportamento funcionou. Agora entramos em outra etapa. Os governos federal e estaduais têm pela frente a difícil missão de repensar, reorganizar e redefinir a questão policial no país, já que o fracasso das greves não significa problema equacionado. Pelo contrário, as questões centrais continuam na agenda PMs em SalvadorCom a mudança de comportamento das autoridades - desde a forma como encarar o problema à possibilidade de começar a cumprir as punições estabelecidas pela Justiça (na Bahia) e disciplinares (no Rio) - as greves nas polícias no Brasil entram numa nova fase. Na Bahia o movimento esmaece e no Rio ficou na tentativa, obteve inexpressiva adesão. Paralisações de policiais são consideradas motim e a tendência do Judiciário é negar o direito de greve às polícias civis e militares, já que são corpos armados dos Estados, uma policia judiciária das unidades federadas como a Policia Federal (PF) é da União. Pela Constituição, polícias são um efetivo preventivo e de presença ostensiva organizada como reserva das Forças Armadas. No caso da tentativa de greve no Rio, a mudança de comportamento das autoridades já pode ser nitidamente observada e a decisão já esta sendo colocada em prática. PMs em greve são simplesmente detidos e respondem a inquérito policial militar (IPMs), enquadrados por cometerem crime militar. Problema não está equacionado, passa a outra etapa Se a greve não crescer no Rio e esmaecer como se verifica na Bahia, a mudança de comportamento funcionou. Daqui por diante passamos a viver outra etapa. Agora os governos federal e estaduais têm pela frente a difícil missão de repensar, reorganizar e redefinir a questão policial no país, já que o fracasso das greves de PMs e demais polícias não significa que o problema está equacionado. Pelo contrário, as questões centrais continuam na agenda: a politização das entidades; líderes dos policiais candidatos a cargos legislativos nas eleições municipais deste ano e se preparando para as próximas; e a exploração dessa situação tanto por estes postulantes ao pleito, quanto por oportunistas que usam a greve para fazer política. Sem contar outros pontos importantíssimos dessa agenda como os baixos salários; a falta de integração entre as polícias; as condições de trabalho; a função de cada uma dessas forças militares e civis e sua efetividade no combate ao crime e no policiamento; a modernização das policias civis - e por aí vai. Com a palavra os governos federal e estaduais, órgãos e instituições que têm de se debruçar e equacionar item por item de todos os pontos dessa vasta agenda. Foto: Marcello Casal Jr./ABr -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120211/b4dd4ab7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 6514 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120211/b4dd4ab7/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20105 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120211/b4dd4ab7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 11 15:59:02 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 11 Feb 2012 15:59:02 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Um_poeta_da_resist=EAncia?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Sobre o autor deste artigoUrariano Mota - Recife É pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo. Publicado em 09/02/2012 Um poeta da resistência Recife (PE) - Em um belo dia de julho de 2009, o ex-preso político Alípio Freire nos guiou pelo Memorial da Resistência em São Paulo. Ali ele conduziu a mim, a minha esposa e filha pelas celas do Deops paulista e, em lugar da pura exposição do terror estatal, nos mostrou humanidade e sementes de esperança entre mortos e torturados. Enquanto Alípio discorria por entre aquelas paredes, era possível notar que nele residiam juntos um artista plástico, um intelectual, um bom narrador de casos e causos, contados como se surgissem do nada, no meio de pausas de um cigarro e outro. Mas isso, digamos, ainda não estava materializado como um documento íntimo, pessoal da história daqueles anos - eram percepções de passagem entre fumaças. A existência do Memorial era, é objetiva, a sua necessária e dura referência está ao lado de nós. Ali houve e há uma história ocorrida antes e agora pelo rescaldo da ditadura, da sociedade de classes, abjeta e objetiva. Mal sabia eu que outro Memorial da Resistência já se encontrava em gestação, em uma forma imprevisível e original, como agora sei ao ler "Poemas - De Ordem Política e Social". Pois aqui ocorre o lugar de um outro Departamento, que em vez de um Deops se estabelece como um Poeops, mas nada de Poe, de Allan Poe, porque Alípio Freire escreve à sua maneira a Poesia que é uma Resistência daquelas vidas de jovens e velhos, homens e mulheres subversivos contra a Ordem. E o resultado agora todos vão conhecer. Quisera eu poder guiá-los neste momento. Ainda que não tenha o dom do artista Alípio, quando em 2009 nos conduziu pelo Memorial da Resistência, tentarei algo à semelhança de uma apresentação do poeta neste livro que se abre como um fruto maduro, caído do pé da árvore do Brasil. Na primeira revelação, descubro que todo poeta chama, reclama e ensina para o leitor uma nova poética - aquela que o liberta e nos liberta do vício do acostumado, da forma que é fôrma. Os indivíduos mais tradicionais e conservadores - e nada mais burro e estéril que pessoas condenadas à carga desses dois adjetivos - poderiam dizer que em alguns poemas de Alípio há uma tendência de versos que são uma prosa em linhas descontínuas. E com isso o estúpido confunde poesia com determinados temas e canto ao orvalho na flor, por um lado, e por outro, com a obscuridade, que com freqüência é vista como sublime. Mas o que é a poesia? Será ela somente a de significados multívocos, quando não ambíguos, com a dignificação de "poesia aberta?" Ou seria ela, mais propriamente, aquele associada ao sentido de beleza e verdade, verdade e beleza, beleza e verdade, até o sol raiar e noite adentro? Se não for isso, parem aqui e respondam depois da leitura: "Eu tenho uma casinha lá na Marambaia fica na beira da praia onde helicópteros e aviões da Aeronáutica despejavam corpos de opositores do regime. Alguns ainda com vida Outros esquartejados. O terror de Estado contaminou tudo. Até o nosso mais lírico cancioneiro". Na segunda revelação, descubro que este é um livro e lugar onde nasce e se inaugura uma floresta de citações mais adiante, em futuros discursos de políticos iluminados, em poemas vindouros de jovens poetas, em inteligentes conversas de muitos jovens e militantes de todas idades, inconformados com o lixo de mundo que recebem. Se não, olhem alguns versos, como estes: "Da tragédia Nós sobrevivemos ao pau-de-arara. Mas o pau-de-arara também sobreviveu". Então vamos chegando mais perto da poética de Alípio Freire. A sua estética liga o domínio de conquistas cultas ao pensamento maduro, que gera reflexão, pois este é o poeta que não abstrai, não exclui o pensamento da sua poesia. Isso quer dizer: este poeta é um intelectual de esquerda, um pensador que exerce a sua história e cultura em um só corpo: "Coquetel Uma garrafa Uma rolha Gasolina Óleo 30 Pólvora e ácido nítrico Ou uma mecha em chamas... ... e... desde então aquela dificuldade insana de hierarquizar os alvos". E mais esta Prestação de contas: "Para morrer basta estar vivo. Para viver não." A vontade que deixa na gente é de escrever somente com os seus poemas, porque descobrimos neles a expressão de um desconforto nosso, uma angústia que não teve ainda vida expressa. Como nestes versos, vizinhança de um epigrama: "Onde não há igualdade toda liberdade é sempre um excesso de privilégios". Enfim, aqui reside uma poesia que são cravos, mas não são flores. (Do prefácio ao livro "Poemas - De Ordem Política e Social") -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120211/d7a14d57/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9614 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120211/d7a14d57/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 65935 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120211/d7a14d57/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 12 12:47:03 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 12 Feb 2012 11:47:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ASSISTA_LU=CDS_BONF=C1_E_A_INTERP?= =?iso-8859-1?q?RETA=C7=C3O_POR_DIVERSOS_ARTISTAS=2E_______________?= =?iso-8859-1?q?________________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICA!?= Message-ID: <13DE2D047A4543ACAF95AD9238A298C1@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ASSISTA LUÍS BONFÁ E A INTERPRETAÇÃO POR DIVERSOS ARTISTAS. www.minhabossanova.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120212/bb7befa2/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 12 12:47:12 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 12 Feb 2012 11:47:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Document=E1rio_sobre_crise_de_192?= =?iso-8859-1?q?9?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Abaixo vão os links das 2 partes de um excelente documentário sobre os anos 20 e a crise de 1929 nos EUA. Eu assisti há três dias atrás na Rede Brasil, e gostei muito. Não é um documentário econômico, mas sim histórico, que ajuda a dar o contexto da crise econômica de 1929 nos EUA. É bem didático, mesmo para uma pessoa que não tenha referência alguma sobre o assunto. Recomendo ver. Os links do documentário são: http://www.youtube.com/watch?v=6hldit2b1do&feature=related 1ª parte, dura 25 minutos http://www.youtube.com/watch?v=8LohT82uBPg&feature=related 2ª parte, dura 25 minutos O título é Relembrando 1929. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120212/92f1b58e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 13 19:46:48 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 13 Feb 2012 18:46:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Como_emagrecer_comendo_chocolate?= =?iso-8859-1?q?=2E________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENT?= =?iso-8859-1?q?A=C7=C3O!?= Message-ID: <366D64DD6CF34488AAD831FDA5B21F65@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassemComo emagrecer comendo chocolate Por Stephanie D'Ornelas O que você pensaria se te contassem que existe um tipo de chocolate capaz de controlar seu apetite e ajudá-lo a emagrecer? Pesquisadores americanos fizeram um experimento nutricional com consumidores de chocolate amargo, monitorando os indicadores de saúde relacionados à alimentação, e garantem que ele é um redutor natural de apetite. Nem todos os chocolates apresentam esse resultado: apenas o chocolate amargo (conhecido como dark chocolate em inglês), ingerido em doses moderadas, proporciona tal efeito. Os pesquisadores, que publicaram seu estudo na revista Nurition and Diabetes (Nova Iorque, EUA), procuraram 16 homens jovens para uma dieta pontuada com porções de dois tipos de chocolate: ao leite e amargo. A cada trinta minutos, ao longo de cinco horas, os voluntários da pesquisa ingeriam 100 gramas de chocolate amargo ou ao leite, e eram perguntados a respeito de seus níveis de apetite. Aqueles que estavam na "dieta" de chocolate ao leite disseram ter maior vontade de comer alimentos doces e gordurosos. Para que as impressões não ficassem apenas no discurso, todos os participantes ganharam um almoço ao estilo "tudo-o-que-puder-comer" logo depois do período de testes. Aqueles que passaram o dia à base de chocolate amargo consumiram em média 17 calorias a menos que o outro grupo. Mas qual o motivo dessa diferença? Dentro do corpo, o que acontece é o seguinte: uma maior quantidade de gordura ajuda o alimento a passar pelo aparelho digestivo (estômago e intestino) mais rapidamente. Existe mais gordura no chocolate ao leite em relação ao amargo. Por essa razão, o amargo permanece mais tempo em digestão, nos dando a sensação de estarmos saciados, e automaticamente com apetite menor. É preciso, no entanto, tomar cuidado com alguns produtos. O chocolate amargo de fato tem mais cacau e menos gordura que a "concorrência", o que inclusive ajuda a evitar problemas cardiovasculares e diminuir o risco de diabetes. Mas a quantidade de outros componentes, como o açúcar, varia de acordo com a região em que o chocolate é fabricado. O Brasil, por exemplo, é o quarto maior produtor de chocolate do mundo, mas as porcentagens de açúcar nas marcas daqui (inclusive nas de chocolate amargo) estão acima da maioria das outras nações representativas do setor. Para que realmente seja possível perder peso comendo chocolate amargo, é necessário analisar as informações nutricionais no verso da embalagem. [Rodale] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120213/f4594362/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 84335 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120213/f4594362/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 13 19:46:56 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 13 Feb 2012 18:46:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Frei Betto en encuentro con Fidel... Message-ID: <6037FE7D97B34F87A9CE9D74BC8DD724@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Frei Betto en encuentro con Fidel: "La Revolución cubana es una obra Evangélica" Publicado el 11 Febrero 2012 en Especiales, Frei Betto, Opinión Frei Betto en el encuentro con Fidel Castro, en La Habana. Foto: Alex Castro/ Cubadebate Transcripción: Cubadebate Comandante, con profunda tristeza para los enemigos de este país -y enorme alegría para nosotros, los amigos de este país- se constata su excelente estado de salud y brillante lucidez. Usted ha dicho que Chávez se preocupa de cada detalle y a mí me gusta el sistema cubano de división social de trabajo: el pueblo cuida de la producción económica, Raúl de la política y Fidel de la ideología, como todos (hemos apreciado) esta tarde que pasamos aquí. Dos temas quizás no son tratados aquí todavía o no se han tocado. Voy a empezar por el primero, que se tocó brevemente por Pérez Esquivel: Cuando me preguntan cómo logré conocer bien la Revolución cubana, yo digo: No basta conocer la Historia de Cuba, no basta conocer el Marxismo, hay que conocer la vida y la obra de Jose Marti. Para entender a Fidel como lo ha hecho Katiuska (Blanco) hay que conocer la pedagogía de los Jesuitas. Muchos aquí, como Santiago Alba, el compañero de Túnez, ha experimentado lo que significa una prueba oral en una escuela de Jesuitas. Es duro. De ahí viene Fidel. Yo no soy Jesuita, no estoy haciendo ninguna propaganda. Soy Dominico, pero como soy amigo de Fidel, nos pusimos de acuerdo Dominicos y Jesuitas. En la tradición Jesuita hay una costumbre que se llama examen de conciencia, que se hace en este país, con otros nombres. Hubo un tiempo -aquí vengo hace más de 30 años-, que se hablaba de Emulación, después de Rectificación, ahora de Lineamientos. Si Stalin estuviese vigente, la gente de aquí de Cuba iba a ser llamada "rectificacionista". Pero mucha gente no se da cuenta que aquí no se hace cambios en la línea de Lampedusa -cambiar para dejar que quede todo como está-, se hacen los cambios para mejorar esta obra social de la Revolución, que es una obra desde mi punto de vista, no solamente política o ideológica, es una obra Evangélica. ¿Qué significa evangelismo de Jesús? Significa dar comida a quien pasa hambre, salud a quien está enfermo, amparo a quien está desamparado, ocupación a quien está desocupado. Eso está en la letra del Evangelio. Por eso digo que esta es una obra trascendente. Muchas veces nosotros, en los movimientos progresistas, no estamos haciendo lo que hace la Revolución cubana, nuestro examen de conciencia o nuestra autocrítica. ¿Por qué no hay movimientos progresistas en el mundo, con excepción de los de América Latina? Ante la crisis financiera en Europa, ¿qué propuesta tenemos? Se habla de ocupación de Wall Street, que es un movimiento de indignación, pero mucha gente no se da cuenta de que Wall Street significa "La calle del muro", y mientras este muro no venga abajo, nuestra indignación no va a resultar en nada. Va a ser buena para nosotros, no para el pueblo. Dos cosas son fundamentales, y esas dos cosas se han practicado en la historia de la Revolución cubana. Primero: tener un proyecto, no solamente la indignación. Tener una propuesta, metas. Y, segundo, raíces populares, contacto con el pueblo. Gramsci decía: "El pueblo tienen las vivencias, pero muchas veces no comprende su situación". Nosotros, intelectuales, comprendemos la realidad pero no la vivenciamos. Se habló mucho aquí de internet, y creo que hay allí una trinchera de lucha muy importante, pero yo tengo 13 000 seguidores en Twitter, y confieso que me siento mucho más feliz trabajando con 13 campesinos, 13 desocupados, 13 obreros. Muchas veces nuestros movimientos hablan por el pueblo, quieren ser vanguardia del pueblo, escriben para el pueblo, pero no se comprometen con el pueblo. Deberíamos hacer una cierta higienización política. El pueblo no tiene buen olor para nosotros los intelectuales, los artistas, los inteligentes, los cultos. Si el pueblo no va a nosotros, no vamos a ninguna parte. Cuba es el único país de America Latina que tuvo una revolución exitosa, pues hubo hace poco otras revoluciones en Nicaragua, y otras, pero la más exitosa es esta. Pues no es una revolución como la que hubo en Europa, que era un socialismos peluca, que venía de arriba para abajo. Aquí no, aquí es pelo, de abajo para arriba -yo iba a seguir un poco la ecuación del pelo, porque Zuleica (Romay, presidenta del Instituto Cubano del Libro) tiene un pelo breve, Abel tiene un pelo largo y Fidel tiene equilibrio-. Y la virtud está en el medio. La hora va avanzando y yo sé que el Comandante tiene todavía esta noche tres delegaciones, hacer ocho llamadas internacionales, leer tres libros y más o menos 200 cables, porque la receta de esta capacidad de trabajo es un secreto de Estado de Cuba. No esperen saber, porque no vamos a saber nunca. Llamo la atención sobre esto: hay que hacer una autocrítica, preguntarnos cómo está nuestra inserción social para la movilización política y qué proyecto de sociedad estamos elaborando junto con este pueblo, junto con los indignados, campesinos, desocupados. El segundo tema del que no se habló: Por evocación del presidente Lula Da Silva y ahora por acogida de la presidenta Dilma, del 20 al 22 de junio de este año se va a reunir en Rio de Janeiro la (reunión) Río +20, donde estuvo el Comandante en el 92 e hizo su más breve discurso, siete minutos, una sorpresa internacional porque todos pensaban que iba a hablar demasiado, pero dijo una frase que se quedó consagrada: Hay que salvar la principal especie en extinción, el ser humano. ¿Qué tenemos que hacer nosotros de ahora en adelante? Convencer a nuestros gobiernos a estar presentes en Río de Janeiro. No podemos permitir que todos esos jefes de Estado den la espaldas a la cuestión ambiental, porque no se trata de salvar el medio ambiente, se trata de salvar el ambiente todo. La gente del G-8 no tiene ningún interés en eso. Obama ha ido a Copenhagen porque había recibido equivocadamente el premio Nobel de la Paz -para vergüenza de Esquivel-, y tenía que pasar por Copenhagen para llegar a Oslo, tenía que hacer una escala técnica. Fue a la conferencia para hacer una demagogia, mas no está comprometido con eso. Entonces nosotros tenemos dos tareas: movilizar a los jefes de Estado de nuestros países, convencerlos de estar presente en Rio de Janeiro, porque estar presente allí es apoyar todo un proyecto de preservación ambiental efectivo, de salvación de la humanidad, de salvación de este planeta que ha perdido el 30 por ciento de su capacidad de autogeneración. O hay una intervención humana o vamos una apocalipsis. Ahí se va a realizar la Cumbre de los pueblos y la presidenta Dilma nos ha dicho en Porto Alegre, en el Foro Social temático, que esta reunión es más importante que la reunión de los Jefes de Estado. Entonces nuestros movimientos tienen que estar presentes para que esta cumbre pueda sonar muy alto en todo el mundo y cada vez concientizar más gente en este proyecto ambiental que por su urgencia tiene también una dimensión política muy curiosa. El tema de la ecología, de todos los temas curiosos, es el único que no hace distinción de clases. La ecología es como los aviones comerciales, que tienen dos clases, ejecutiva y económica, pero, cuando viene abajo, todos mueren igualito. No hay privilegios. Y termino, Comandante, agradeciéndole por su paciencia, su diálogo con todo este grupo, su capacidad de escuchar. Agradezco, también, a Abel, a Zuleica, a todos los compañeros y compañeras de Cuba, al pueblo que nos escucha, que se interesa por nuestro debate, por nuestra conversación. Pido que Dios bendiga a este país y que cuide la vida de Fidel y su salud. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120213/bf138d1e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 14 19:55:56 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 14 Feb 2012 18:55:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Passageiros=2E___________________?= =?iso-8859-1?q?_________________________________TER=C7A-FEIRA!_HOJ?= =?iso-8859-1?q?E_=C9_FILME!?= Message-ID: <7FD754B7CFE64482B28395914933EF92@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem SINOPSE Após um trágico acidente aéreo, a psiquiatra Claire (Anne Hathaway) é designada a tratar dos sobreviventes. Enquanto ouve os relatos de todos e coleta informações do que pode ter acontecido, Claire começa a desconfiar que a empresa aérea esta escondendo algo sobre o acidente. Então decide investigar o acidente com a ajuda de Eric (Patrick Wilson), o mais enigmático dos passageiros. Mas a relação entre os dois se intensifica e vai além do campo profissional. No decorrer do tempo, os sobreviventes começam a desaparecer misteriosamente. Agora a psiquiatra fará o que for preciso para descobrir toda a verdade. (clique no texto abaixo) Passageiros -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120214/f63ada26/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 14 19:56:05 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 14 Feb 2012 18:56:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Entrevista com Miguel Urbano de Portugal analise a crise do capitalismo mundial. Brasil de Fato. Message-ID: <5BC294A0E6B04D5B931CAE26D0B4D38C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem fevereiro de 2012 ?O socialismo do futuro terá as cores das sociedades que por ele optarem? Miguel Urbano Rodrigues acredita que um socialismo humanizado abrirá ao homem a possibilidade de desenvolver todas as suas potencialidades e de se realizar integralmente, liberto das forças que o oprimem há milênios 01/02/2012 Nilton Viana da Redação ?O mundo está num caos em conseqüência da crise global do capitalismo?. Assim, o jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues define o atual cenário mundial. Para ele, a crise atual do capitalismo é estrutural. Segundo o escritor, a crise, iniciada nos EUA, alastrou à Europa e as medidas tomadas por Bush, primeiro, e Obama depois, em vez de atenuarem a crise, agravaram-na. ?Os EUA, polo do sistema que oprime grande parte da humanidade, mostram-se incapazes de controlar os colossais défices do orçamento e da balança comercial?. Miguel Urbano: crise atual do capitalismo é estrutural - Foto: Miriam Zomer-Alesc Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Urbano diz que o grande capital pouco alterou as práticas criminosas e fraudulentas que originaram a crise. Para ele, a fatura é paga pelos trabalhadores que tiveram os seus salários brutalmente diminuídos e suprimidas conquistas históricas. Taxativo, afirma que as guerras fazem parte das alternativas imperialistas e que as agressões militares são sempre precedidas de uma campanha midiática de âmbito mundial. Embora avesso a profecias, Urbano acredita que o socialismo do futuro terá as cores das sociedades que por ele optarem de acordo com as suas tradições, cultura e peculiaridades de cada uma. Brasil de Fato ? O mundo vive hoje uma de suas maiores crises financeiras. Que avaliação o senhor faz dessa crise que tem se agudizado principalmente nos Estados Unidos e na Europa? Miguel Urbano Rodrigues ? O mundo está num caos em conseqüência da crise global do capitalismo. É uma crise estrutural. Nos países centrais a teoria da acumulação não funciona mais de acordo com a lógica do capitalismo e, na busca de uma solução, os Estados Unidos, polo hegemônico do sistema, multiplicam as guerras contra países do Terceiro Mundo para saquear os seus recursos naturais. As medidas tomadas pelos governos, a seu ver, resolvem os graves problemas dessa crise? E o agravamento dessa crise, que é estrutural do capitalismo, a seu ver, irá enfraquecer ainda mais o imperialismo? A crise, iniciada nos EUA, alastrou à Europa. As medidas tomadas por Bush, primeiro, e Obama depois, em vez de atenuarem a crise, agravaram-na. O objetivo foi salvar a banca, as seguradoras e grandes empresas à beira da falência como as da indústria do automóvel. Mais de mil bilhões foram investidos pelo Estado Federal nessa estratégia com resultados medíocres. Um volume gigantesco de dinheiro (os dólares emitidos) foi encaminhado para os responsáveis pela crise, enquanto a principal vítima, os trabalhadores estadunidenses, foi esquecida. Centenas de milhares de famílias perderam as suas casas, e o desemprego aumentou muito em consequência de despedimentos maciços. O grande capital pouco alterou as práticas criminosas e fraudulentas que originaram a crise. É significativo que o atual secretário do Tesouro, Thimothy Geithner, que goza da total confiança de Obama, seja um homem de Walt Street comprometido com as políticas de desregulamentação que tiveram efeitos funestos. Na União Europeia, que é um gigante econômico mas um anão político, a estratégia adotada para enfrentar a crise foi diferente. A fragilidade do euro é inseparável do fato de o dólar ser, na prática, a moeda universal cujas emissões são incontroláveis. O Banco Central Europeu não pode imitar Washington. A crise atingiu primeiro países periféricos, como a Irlanda, a Grécia e Portugal. A Alemanha e a França, que põem e dispõem em Bruxelas, sobrepondo-se à Comissão Europeia e às instituições comunitárias em geral, impuseram a esses três países ?políticas de austeridade? orientadas para a redução drástica dos défices orçamentais e a salvação da banca. A fatura foi paga pelos trabalhadores que tiveram os seus salários brutalmente diminuídos, suprimidas conquistas históricas como os subsídios de Natal e de férias, enquanto setores sociais como a Educação e a Saúde eram duramente golpeados. A Itália e a Espanha encontram-se também à beira de um colapso, na iminência de pedirem à Comissão Europeia e ao FMI uma ?ajuda? que agravaria extraordinariamente as condições de vida da classe trabalhadora. Na Espanha o desemprego ultrapassa já os 21%. A chanceler Merckel e o presidente Sarkosy estão, porém, conscientes de que os efeitos da crise atingem também perigosamente os seus países. O Reino Unido, fora da zona euro, não é exceção; teme igualmente o agravamento da situação. Neste contexto o futuro do euro e da própria União Europeia apresentam-se sombrios. São a cada semana mais numerosos os políticos e economistas que preconizam a saída do euro de alguns países. Obviamente, as tensões sociais na contestação ao sistema assumem características explosivas, sobretudo na Grécia, em Portugal, na Espanha e na Itália. Os EUA e as grandes potências da União Europeia puseram fim às guerras interimperialistas, substituindo-as por um imperialismo coletivo. O senhor poderia explicar como têm se dado guerras? O imperialismo evoluiu nas últimas décadas para responder à crise do capitalismo. As guerras interimperialistas que na primeira metade do século 20 devastaram a Europa e a Ásia não vão repetir-se; remotíssima essa hipótese. As contradições entre as potências imperialistas mantêm-se. Mas não são hoje antagônicas. Um imperialismo coletivo ? a expressão é do argentino Cláudio Katz ? substituiu o tradicional. Os seus contornos principiaram a definir-se na primeira guerra do Golfo e tornaram-se nítidos com as agressões aos povos do Afeganistão, do Iraque e da Líbia. Hegemonizada pelos Estados Unidos, formou-se uma aliança tática de que participam o Reino Unido, a Alemanha e a França, além de sócios menores como a Itália, a Espanha, o Canadá e a Austrália, inclusive países da Europa do Leste, ex-socialistas. Então é esse bloco imperialista que comanda o mundo hoje e fomenta as guerras? A superioridade militar e tecnológica do bloco imperialista permite-lhe, com um custo de vidas reduzido, atacar e ocupar países do Terceiro Mundo para saquear os seus recursos naturais, nomeadamente os petrolíferos. Isso ocorreu já no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Atinge agora a África com a intervenção militar dos EUA em Uganda. O Africa Comand, por ora instalado na Alemanha, anuncia a criação de um exército permanente para o continente africano, previsto para 100 mil homens. Obama já afirmou que a ?ajuda militar? (leia-se intervenção) ao Sudão do Sul, ao Congo e à República Centro Africana depende de um simples pedido a Washington. As guerras têm sido as saídas para o capitalismo. Com essa crise, teremos novas guerras? As agressões militares são sempre precedidas de uma campanha midiática de âmbito mundial. A receita tem sido repetida com algum êxito. Para impedir a solidariedade internacional com os povos a serem alvo de agressões previamente planejadas e semear a confusão e a dúvida em milhões de pessoas nos países desenvolvidos, os Estados Unidos e seus aliados promovem campanhas de satanização de líderes apresentados como ditadores implacáveis, ou terroristas que ameaçam a humanidade. A invasão do Afeganistão foi precedida da diabolização de Bin Laden ? definido como inimigo número 1 dos EUA ? e a guerra do Iraque, da satanização de Sadam Hussein. No caso da Líbia, Kadafi , que um ano antes era recebido com todas as honras em Paris, Londres, Roma e Madri, e tratado com deferência por Obama, passou de repente a ser apresentado como um monstro sanguinário que submetia o seu povo a uma opressão cruel. O desfecho é conhecido: a aprovação pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de uma ?zona de exclusão aérea? para ?proteger as populações?. Logo depois começaram os bombardeios de uma guerra que durou sete meses, definida como ?intervenção humanitária?. Sabe-se hoje que a ?insurreição? de Benghasi foi preparada com meses de antecedência por comandos britânicos e agentes da CIA, dos serviços secretos britânicos e franceses, e da Mossad israelense. Como o senhor avalia as consequências dessa crise para os países pobres, do chamado Terceiro Mundo? O custo destas agressões imperiais para os países por elas atingidos tem sido altíssimo. Não há estatísticas credíveis sobre as destruições de infraestruturas e o saque de bens culturais e sobre o número de mortos civis resultante das guerras no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Mas o saldo dessa orgia de barbárie ocidental ascende ? segundo grandes jornais da Europa e dos EUA ? a centenas de milhares. A satanização de Bachar Assad e do seu exército gera o temor de que a intervenção imperial na Síria esteja iminente. Mas o grande ?inimigo? a abater é o Irã. Motivo: é o único entre os grandes países muçulmanos que não se submete às exigências do imperialismo. Israel ameaça atacar e incita os EUA a bombardear as instalações nucleares de Natanz. Obama conseguiu que o Conselho de Segurança aprovasse vários pacotes de sanções ao Irã, mas o Pentágono hesita em envolver-se numa nova guerra contra um país que dispõe de uma capacidade de retaliar ponderável. A invasão terrestre está excluída e o bombardeio das instalações subterrâneas de Natanz com armas convencionais poderia, na opinião dos especialistas, ser ineficaz. O balanço das guerras do Afeganistão e do Iraque não é animador para a Casa Branca. O presidente Obama ao anunciar a retirada das últimas tropas estadunidenses do Iraque sabe que mentiu aos seus compatriotas. Num discurso eleitoreiro, triunfalista, que pode ser qualificado de modelo de hipocrisia, afirmou que os Estados Unidos alcançaram ali os objetivos previamente fixados. Na realidade a resistência prossegue e dezenas de milhares de mercenários substituíram as forças do Exercito e da Força Aérea. Mas qualquer previsão sobre futuras agressões é desaconselhável. Tudo se pode esperar da engrenagem do sistema imperial, comandado por um presidente elogiado como humanista e defensor da Paz quando, na realidade, a sua estratégia de dominação planetária configura uma ameaça sem precedentes à humanidade. Como o senhor avalia o papel de organismos como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e a OMC? O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) são instrumentos do sistema imperial, criados para o servir. Quanto à Organização da Nações Unidas (ONU), há que estabelecer a distinção entre a Assembleia-Geral e o seu órgão executivo, o Conselho de Segurança. A primeira, representativa de quase 200 Estados, é uma instituição democrática, mas as suas resoluções somente produzem efeito se referendadas pelo Conselho de Segurança. Ora este, manipulado pelos EUA, com o apoio do Reino Unido e da França, funciona há muito como instrumento da vontade dos três, até porque a Rússia e a China, os outros membros permanentes, não têm exercido o direito de veto, com raríssimas exceções. Como o senhor vê os protestos e as mobilizações que têm ocorrido em vários países, na chamada Primavera Árabe, na Grécia e nos Estados Unidos? Em primeiro lugar é útil esclarecer que a expressão ?Primavera Árabe?, muito divulgada pelos governos ocidentais e pela mídia é, por generalizante, fonte de confusão. Os levantamentos populares no Egito e na Tunísia foram espontâneos e inesperados para o imperialismo. Triunfaram ambos, provocando a queda de Hosni Mubarak e de Ben Ali. No caso da Tunisia, a vitória de um partido islamista moderado nas recentes eleições não representa um problema para o imperialismo. Tudo indica que as relações dos Estados Unidos e os grandes da União Europeia com Tunis serão cordiais como eram com o governo da ditadura. No Egito tudo permanece em aberto, porque o povo não aceitou o governo dos militares comprometidos com o imperialismo e continua a exigir a sua renúncia. No Bahrein e no Iémen não houve qualquer ?primavera?. Washington e os seus aliados abstiveram-se de criticar os regimes que eram alvo dos protestos populares. No tocante ao Bahrein, base da IV Frota da US Navy, os EUA manobraram de modo a que tropas sauditas e dos Emirados do Golfo invadissem o pequeno país e reprimissem com violência as manifestações. Os protestos populares na Europa e nos Estados Unidos contra regimes de fachada democrática, que na prática são ditaduras da burguesia e do grande capital apresentam também características muito diferenciadas. O acampamento inicial dos indignados em Madri funcionou como incentivo a movimentos similares em dezenas de cidades da Europa e dos EUA. Esses jovens sabem o que rejeitam e os motiva a lutar, mas não definem com um mínimo de precisão uma alternativa ao capitalismo. Inspirado pelos espanhóis, o acampamento de Manhattan, realizado sob o lema ?Ocupem Wall Street?, alarmou a engrenagem do poder. A solidariedade de intelectuais progressistas como Noam Chomsky, Michael Moore e James Petras contribuiu para que o movimento alastrasse a muitas cidades. No caso estadunidense, os protestos foram uma surpressa? Como o senhor analisa a reação do governo dos Estados Unidos a estas manifestações? A reação da administração Obama foi inicialmente de surpresa. Mas perante a amplitude assumida pelo movimento recorreu a uma repressão brutal. As conseqüências dessa opção foram inversas das esperadas pelo governo. Os acontecimentos de Oakland, na Costa do Pacífico, demonstraram que a contestação é agora dirigida contra a engrenagem capitalista responsável pela crise que afeta 99% dos cidadãos e beneficia a apenas 1% , tema de um slogan que já corre pelo país. A profundidade do descontentamento popular é transparente. Uma certeza: alarma Obama e Wall Street. Paralelamente aos protestos espontâneos referidos, desenvolvem-se na Europa outros, promovidos pelos sindicatos e por partidos revolucionários. A greve geral de novembro, em Portugal, e as grandes manifestações de protesto ali realizadas traduziram não só a condenação de políticas de direita impostas por Bruxelas e a submissão ao imperialismo, com perda de soberania, como a exigência de uma política progressista incompatível com a engrenagem capitalista. É sobretudo na Grécia que as massas exprimem em gigantescas e permanentes concentrações populares a sua determinação de lutarem contra o sistema capitalista até a sua destruição Quinze greves gerais num ano, empreendidas sob a direção de uma Frente Popular na qual o papel do Partido Comunista da Grécia é fundamental, os trabalhadores da pátria de Péricles batem-se hoje com heroísmo pela humanidade inteira. Frente a esse cenário de crise mundial do capitalismo, qual a alternativa para os povos? Como o senhor vê o futuro da Humanidade? A única alternativa credível à barbárie capitalista é o socialismo. O capitalismo conseguiu superar desde o século 19 sucessivas crises. Desta vez, porém, enfrenta uma crise estrutural para a qual não encontra soluções. Os EUA, polo do sistema que oprime grande parte da humanidade, mostram se incapaze de controlar os colossais défices do orçamento e da balança comercial. Forjaram um tipo de contracultura monstruosa que pretendem impor a todo o planeta. Mas o declínio do seu poder é transparente e irreversível. Por si só, as gigantescas reservas de dólares e os títulos do Tesouro norte-americano que a China e o Japão acumularam, estimados aproximadamente em dois mil bilhões de dólares, são esclarecedores da fragilidade da economia dos Estados Unidos, um colosso com pés de barro, hoje o país mais endividado do mundo. Sou avesso a profecias de qualquer natureza. Mas creio que o socialismo do futuro terá as cores das sociedades que por ele optarem de acordo com as suas tradições, cultura e peculiaridades de cada uma ? um socialismo humanizado que abrirá ao homem a possibilidade de desenvolver todas as suas potencialidades e de se realizar integralmente, liberto das forças que o oprimem há milênios. Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português. Redator e chefe de redação de jornais em Portugal antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal do jornal O Estado de S. Paulo e editor internacional da revista brasileira Visão. Regressando a Portugal após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redação do jornal do Partido Comunista Português (PCP) Avante!, e diretor de O Diário. Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, presidente da Assembleia Municipal de Moura, deputado da Assembleia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado da Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental, tendo sido membro da comissão política desta última. Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120214/3e647908/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 46371 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120214/3e647908/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 50784 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120214/3e647908/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 15 20:49:57 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 15 Feb 2012 19:49:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O novo fetiche por Frei Betto Message-ID: <68C73CFEF564447694C85029DE7CC20E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem O novo fetiche Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital A modernidade, período que se estendeu pelos últimos cinco séculos, está em crise. Vivemos, hoje, não uma época de mudanças, mas uma mudança de época. No milênio que começa emerge algo imprecisamente chamado de pós-modernidade, que se insinua bem diferente de tudo o que nos antecedeu, imprimindo novo paradigma. Na Idade Média, a cultura girava em torno da figura divina, na ideia de Deus. Na modernidade, centra-se no ser humano, na razão e em suas duas filhas diletas: a ciência e a tecnologia. Um dos símbolos que melhor expressa esta passagem é a pintura de Michelangelo -A criação de Adão- no teto da Capela Sistina: Deus Pai, de barba longa, todo encoberto de mantos, representa o teocentrismo da época perante o homem desnudo, fortemente atraído para a Terra. O homem estende o dedo para não perder o contato com o transcendente, com o divino. A desnudez de Adão traduz o advento do antropocentrismo e a revolução que a modernidade representou em nossa cultura. Episódio característico da modernidade ocorreu em 1682, quando mister Halley, baseado exclusivamente em cálculos matemáticos - pois não dispunha de instrumentos óticos -, previu que um cometa voltaria a aparecer nos céus de Londres dentro de 76 anos. Na ocasião, muitos o consideraram louco. Como, fechado em seu escritório, baseado em cálculos feitos no papel, poderia prever o movimento dos astros no céu? Quem, senão Deus, domina a abóbada celestial?". Mister Halley morreu em 1742, antes de se completarem os 76 anos previstos. Em 1758, o cometa, que hoje leva o seu nome, voltou a iluminar os céus de Londres. Era a glória da razão! "Se é assim," disseram, "se a razão é capaz de prever os movimentos dos astros como demonstraram Copérnico e Galileu -e depois Newton, um dos pilares da nossa cultura-, então ela haverá de resolver todos os dramas humanos! Porá fim ao sofrimento, à dor, à fome, à peste. Criará um mundo de luzes, progresso e felicidade!". Cinco séculos depois, o saldo não é dos mais positivos. Muito pelo contrário. Os dados são da FAO: somos 7 bilhões de pessoas no planeta, das quais metade vive abaixo da faixa da pobreza, e 852 milhões sobrevivem com fome crônica. Há quem afirme que o problema da fome é causado pelo excesso de bocas. Em função disso, propõe o controle da natalidade. Oponho-me ao controle, e sou favorável ao planejamento familiar. O primeiro é compulsório, o segundo respeita a liberdade do casal. E não aceito o argumento de que há bocas em demasia. Nem falta de alimentos. Segundo a FAO, o mundo produz o suficiente para alimentar 11 bilhões de bocas. O que há é falta de justiça, de partilha, e excessiva concentração da riqueza. Por atravessarmos um período de muita insegurança, as pessoas buscam respostas fora do razoável. Observe-se, por exemplo, o fenômeno do esoterismo: nunca Deus esteve tão em voga como agora. Suscita paixões e fundamentalismos, a favor ou contra. A crise da modernidade culmina no momento em que o sistema capitalista alcança a sua suprema hegemonia com o fim do socialismo, e adquire um novo caráter, chamado de neoliberal. Quais as chaves de leitura dessa mudança do liberalis­mo para o neoliberalismo? Sob o liberalismo, falava-se muito em desenvolvimento. Na década de 1960, surgiu a teoria do desenvolvimento, que incluía também a noção de subdesenvolvimento; criou-se a Aliança para o Progresso, destinada a "desenvolver" a América Latina. A palavra 'desenvolvimento' tem certo componente ético, porque ao menos se imagina que todos devem ser beneficiados. Hoje, o termo é 'modernização', que não tem conteúdo humano, mas sim forte conotação tecnológica. Modernizar é equipar-se tecnologicamente, competir, lograr que a minha empresa, a minha cidade, o meu país, aproximem-se do paradigma primeiro-mundista, ainda que isso signifique sacrifício para milhões de pessoas. O Mercado é o novo fetiche religioso da sociedade em que vivemos. Outrora, pela manhã nossos avós consultavam a Bíblia. Nossos pais, o serviço de meteorologia. Hoje, consultam-se os índices do Mercado... Diante de uma catástrofe, de um acontecimento inesperado, dizem os comentaristas econômicos: "Vamos ver como o Mercado reage". Fico imaginando um senhor, Mr. Mercado, trancado em seu castelo e gritando pelo celular: "Não gostei da fala do ministro, estou irado". E na mesma hora os telejornais destacam: "O Mercado não reagiu bem frente ao discurso ministerial". O mercado é, agora, internacional, globalizado, move-se segundo suas próprias regras, e não de acordo com as necessidades humanas. De fato, predomina a globocolonização, a imposição ao planeta do modelo anglo-saxônico de sociedade. Centrado no consumismo, na especulação, na transformação do mundo em cassino global. Diante da crise financeira que afeta o capitalismo e, em especial, direitos sociais conquistados nos últimos dois séculos, é hora de se perguntar: qual será o paradigma da pós-modernidade? Mercado ou a "globalização da solidariedade", na expressão do papa João Paulo II? [Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120215/8b71bd9a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5717 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120215/8b71bd9a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 15 20:50:06 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 15 Feb 2012 19:50:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_50_n=C3=BAmeros_estarrecedores_sobre_2?= =?utf-8?q?011?= Message-ID: <4282C6D7CB6041739298FD490EDA8AB1@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br EUA: 50 números estarrecedores sobre 2011 Apesar de a maioria dos norte-americanos estar bastante furiosa com esta economia, a realidade é que grande parte deles continua a não ter ideia do quão intenso tem sido o declínio económico do país Por Redação [13.02.2012 11h30] Publicado no blogue The Economic Collapse. Traduzido por Sofia Gomes para Esquerda.net. Imagem de Reuben Whitehouse/Flickr Apesar de a maioria dos americanos estar bastante furiosa com esta economia, a realidade é que a grande parte deles continua a não ter ideia do quão intenso tem sido o nosso declínio econômico ou quais os problemas que vamos enfrentar se não fizermos mudanças drásticas rapidamente. Se não educarmos o povo norte-americano sobre o quão mortal se tornou a economia dos EUA, então eles vão continuar a seguir as velhas mentiras que os políticos continuam a contar. ?Ajustar? umas coisas não vai consertar esta economia. De fato, precisamos de uma mudança profunda de direção. A América está consumindo muito mais do que aquilo que produz e a nossa dívida está explodindo. Se continuamos por este caminho, o colapso econômico é inevitável. Espero que os números loucos de 2011 que incluí neste artigo sejam suficientemente chocantes para acordar algumas pessoas. Nesta altura do ano, muitas famílias juntam-se e na maioria dos lares, a certa altura, a conversa gira em torno da política. Espero que muitos de vós usem a seguinte lista como ferramenta para ajudar a partilhar com a vossa família e amigos a realidade da crise econômica dos EUA. Se trabalharmos juntos, conseguiremos que milhões de pessoas acordem e percebam que os ?negócios de costume? resultarão no apocalipse econômico nacional. Os 50 números econômicos de 2011 que são quase demasiado loucos para acreditarmos neles... #1 48% dos Americanos são considerados como tendo ?baixos rendimentos? ou vivem na pobreza. #2 Aproximadamente 57% de todas as crianças dos EUA vivem em lares que se consideram de ?baixos rendimentos? ou empobrecidos. #3 Se hoje o número de norte-americanos que ?queriam trabalho? fosse o mesmo que em 2007, a taxa de desemprego ?oficial? do governo chegaria aos 11%. #4 A média de tempo que um trabalhador fica no desemprego nos EUA é agora mais de 40 semanas. #5 Uma sondagem recente descobriu que 77% das pequenas empresas dos EUA não planejam contratar mais pessoas. 6# Hoje existem menos empregos pagos do que em 2000 apesar de termos mais 30 milhões de pessoas desde essa altura. #7 Desde dezembro de 2007, a média dos rendimentos familiares diminuiu 6,8% depois da inflação. #8 De acordo com o Gabinete de Estatística para o Trabalho, em dezembro de 2006, 16,6 milhões de norte-americanos encontravam-se em situação de auto-emprego. Hoje o número diminuiu para 14,5 milhões. #9 Uma sondagem Gallup do início de 2011 revelou que aproximadamente um em cada cinco norte-americanos que têm trabalho consideram-se subempregados. #10 De acordo com o autor Paul Osterman, cerca de 20% de todos os adultos têm empregos onde ganham salários ao nível da pobreza. #11 Em 1980, menos de 30% de todos os empregos dos EUA eram de baixo rendimento. Hoje representam mais de 40%. #12 Em 1969, 95% de todos os homens entre os 25 e os 54 tinham um trabalho. Em julho, apenas 81,2% dos homens nessa faixa etária trabalhavam. #13 Uma sondagem recente revelou que um em cada três norte-americanos não teriam possibilidades de pagar a próxima mensalidade do empréstimo de habitação/renda se de repente perdessem o emprego. #14 O Federal Reserve anunciou recentemente que o total do rendimento líquido dos lares desceu 4,1% apenas no terceiro trimestre de 2011. #15 De acordo com um estudo recente do Instituto de Investimento Black Rock, a razão da dívida/rendimento pessoal é agora de 154%. #16 À medida que a economia abrandou, o mesmo aconteceu ao número de casamentos. Segundo a análise do Pew Research Center, apenas 51% dos americanos que têm pelo menos 18 anos estão casados. Em 1960, 72% dos adultos eram casados. #17 O Serviço Postal dos EUA perdeu mais de 5 bilhões de dólares durante o ano passado. #18 Em Stockton, California, os preços das casas caíram 64% desde o auge do mercado imobiliário. #19 O Estado do Nevada tem a maior taxa de vencimentos de hipotecas (foreclosures) desde há 59 meses consecutivos. #20 Se não acredita, o preço médio de uma casa em Detroit é agora de seis mil dólares. #21 De acordo com o Gabinete dos Censos, 18% de todas as casas no Estado da Florida estão vazias. Isto representa um aumento de 63% nos últimos dez anos. #22 O baixo ritmo de construção de novas casas nos EUA está a caminho de bater um novo recorde em 2011. #23 Como escrevi anteriormente, 19% de todos os homens americanos entre os 25 e os 34 vivem com os pais. #24 Nos últimos cinco anos, as contas de electricidade nos EUA subiram mais depressa que a taxa de inflação. #25 De acordo com o Gabinete de Análise Económica, em 1980, os custos com os cuidados de saúde representavam 9,5% do consumo pessoal. Hoje, representam 16,3%. #26 Um estudo revelou que cerca de 41% de todos os cidadãos capazes de trabalhar têm problemas com custos de saúde ou estão pagando uma dívida médica. #27 Se é possível acreditar, um em cada sete norte-americanos tem no mínimo 10 cartões de crédito. #28 Os EUA gastam cerca de 4 dólares em bens e serviços provenientes da China por cada dólar que a China gasta em bens e serviços provenientes dos EUA. #29 Estima-se que o déficit comercial dos EUA em 2011 seja de 558 bilhões de dólares. #30 A crise das reformas continua piorando. De acordo com o Instituto de Pesquisa dos Benefícios do Empregado, 46% de todos os trabalhadores norte-americanos têm menos de 10 mil dólares poupados para a reforma, e 29% têm menos de mil dólares. #31 Hoje, um em casa seis idosos vive abaixo da linha federal de pobreza. #32 Segundo um estudo recentemente publicado, os salários dos administradores executivos nas maiores empresas subiu 36,5% num período de 12 meses. #33 Hoje, os bancos ?demasiado grandes para cair" são maiores do que nunca. O total de ativos detidos pelos seis maiores bancos dos EUA subiu 39% entre 30 de setembro de 2006 e 30 de setembro de 2011. #34 O seis herdeiros do fundador do Wal-Mart, Sam Walton, têm um rendimento líquido quase igual ao dos 30% de americanos mais pobres. #35 De acordo com a análise do Pew Research Center aos dados reunidos pelo Gabinete dos Censos, a média do rendimento líquido dos lares liderados por cidadãos com 65 anos ou mais é 47 vezes mais alto que a média do rendimento líquido dos lares liderados por cidadãos abaixo dos 35. #36 Se é possível acreditar, 37% de todos os lares nos EUA liderados por alguém abaixo dos 35 anos possuem um rendimento líquido de zero ou abaixo de zero. #37 A percentagem de norte-americanos que vive na pobreza extrema (6,7%) é a maior registrada. #38 A percentagem de crianças sem abrigo é 33% mais alta do que em 2007. #39 Desde 2007, o número de crianças pobres no estado da California subiu 30%. #40 Tristemente, a pobreza infantil está a explodindo pelos EUA fora. De acordo com o Centro Nacional para a Pobreza Infantil, 36,4% de todas as crianças que vivem naFiladélfia estão na pobreza. 40,1% das crianças que vivem em Atlanta estão na pobreza, 52,6% das crianças que vivem em Cleveland estão na pobreza e 53,6% das crianças que vivem em Detroit estão na pobreza. #41 Hoje, um em cada sete americanos e um em cada quatro das crianças usam cupões de comida. #42 Em 1980, as transferências feitas pelo goveno representavam 11,7% de todo o rendimento. Hoje, representam mais de 18%. #43 Uns inacreditáveis 48,5% de todos os norte-americanos vivem num lar que recebe alguma forma de ajuda do governo. Em 1983, o número estava abaixo dos 30%. #44 Atualmente, os gastos do governo federal representam cerca de 24% do PIB. Em 2001, representavam 18%. #45 No ano fiscal de 2011, o déficit federal era de 1,3 trilhão de dólares. É o terceiro ano consecutivo em que o déficit ultrapassa o bilião de dólares. #46 Se o Bill Gates desse toda a sua fortuna ao governo, apenas cobriria o déficit por cerca de 15 dias. # 47 Incrivelmente, o governo acumulou uma dívida total de 15 trilhões de dólares. Quando Barack Obama tomou posse a dívida era de 10,6 trilhões. #48 Se o governo federal começasse a pagar agora a dívida nacional ao ritmo de um dólar por segundo, levaria mais de 440 mil anos para pagar tudo. #49 Desde o início da administração Obama, a dívida nacional tem aumentado a uma média de 4 bilhões de dólares por dia. #50 Durante a presidência de Obama, o governo acumulou mais dívida do que o período entre a presidência de George Washington e a presidência de Bill Clinton. Obviamente, no centro dos nossos problemas econômicos está o Federal Reserve. É uma máquina perpétua, destruiu quase completamente o valor do dólar e tem um registo terrível de incompetência. Se o sistema do Federal Reserve nunca tivesse sido criado, a economia norte-americana estaria em melhor forma. O governo tem de acabar com o Federal Reserve e emitir moeda não baseada em dívida. Seria um passo importante para restaurar a prosperidade dos EUA. Durante 2011, fizemos muitos progressos ao educar o povo americano sobre os nossos problemas econômicos, mais ainda há muito para fazer. http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9720%2Feua%3A-50-numeros-estarrecedores-sobre-2011 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120215/ea800f1f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 16 20:03:54 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 16 Feb 2012 19:03:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Integra=E7=E3o_da_Am=E9rica_Latin?= =?iso-8859-1?q?a?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Integração da América Latina Valter Pomar ____________ Valter pomar Graduado em Historia pela Universidade de Sao Paulo (1996), mestre em Historia Economica pela Universidade de Sao Paulo (2000) e doutor em Historia Economica pela Universidade de Sao Paulo (2006). Tecnico industrial em Artes Graficas, com especializacao em Producao Visual Grafica, formado pelo Senai. Foi secretario municipal de Cultura, Esportes e Turismo da Prefeitura de Campinas, SP (dezembo de 2001 a dezembro de 2004); terceiro vice-presidente nacional (1997-2005) e secretario de Relacoes Inernacionais (2005-2010) do Partido dos Trabalhadores. Membro do conselho editorial da revista Contexto Latinoamericano. Integra o Conselho Curador do Memorial da Anistia Politica no Brasil. Atualmente e membro do Diretorio Nacional do Partido dos Trabalhadores e secretario-executivo do Foro de Sao Paulo. 35 INTEGRACAO DA AMERICA LATINA integraÇÃo da aMériCa Latina A regiao que hoje conhecemos como America Latina contribuiu para o desenvolvimento do capitalismo e, mais especificamente, para a riqueza das potencias ainda hoje dominantes: os Estados Unidos e alguns paises europeus. Numa primeira etapa, o saque e a exploracao da regiao cumpriu um papel decisivo na acumulacao de riquezas que precedeu a industrializacao capitalista das metropoles europeias. Numa segunda etapa, os paises da regiao serviram como fonte de materias primas, mercado consumidor de produtos industriais e espaco receptor dos capitais exportados pelas metropoles. Esta relacao de exploracao se manteve, independente de quem hegemonizava o polo metropolitano: Portugal, Espanha, Holanda, Franca, Inglaterra ou Estados Unidos. A exploracao pelas metropoles nao impediu o desenvolvimento da regiao, mas gerou um tipo de desenvolvimento que reproduzia as condicoes geradoras da exploracao, da dependencia externa e da desigualdade. No limite, as metropoles aceitavam e ate estimulavam o desenvolvimento, desde que fosse associado, subalterno, dependente, periferico. Tanto a exploracao quanto o desenvolvimento assumiram diferentes formas nacionais, a depender: a) das condicoes naturais; b) das caracteristicas das sociedades pre-colombianas e das respectivas metropoles; c) dos diferentes tipos e niveis de exploracao; d) do comportamento da forcas sociais exploradas. As diferencas nacionais e sub-regionais, inclusive etnicas, culturais e linguisticas sao frequentemente utilizadas para questionar a propria existencia de uma America Latina e Caribenha. Foi assim no inicio do seculo XIX e continua assim no inicio do 36 9o CONGRESSO NACIONAL DE SINDICATOS DE ENGENHEIROS - CONSENGE seculo XXI, como se pode verificar no discurso dos que discordam das politicas de integracao impulsionadas desde 1998 e plasmadas em instituicoes como a Alba, Unasul, Celac etc. Nao cabe desconhecer, nem minimizar, as diferencas profundas existentes entre os paises da regiao latino-americana. Ate porque estas diferencas decorrem, ao menos em parte, da acao das metropoles e de seus aliados na regiao. FUtUros possÍVeis Do que se trata e perceber que, ao longo da historia, a regiao sempre manifestou, simultaneamente, um potencial de integracao; mas tambem um potencial de desintegracao em unidades nacionais autonomas e as vezes enfrentadas entre si, mas igualmente subordinadas a centros metropolitanos. Ambos destinos, portanto, estao inscritos entre os futuros possiveis da America Latina: ou bem se tornar uma regiao integrada a partir de fora, a partir dos interesses das potencias centrais; ou bem se tornar uma regiao integrada a partir de dentro. Neste segundo futuro possivel se inscreve um leque de alternativas, que vai desde a integracao impulsionada por uma nacao da regiao, em beneficio dos interesses de sua propria classe dominante; ate uma integracao de corte democratico-popular e, no limite, socialista. Ao longo dos ultimos cinco seculos, prevaleceu a variante dependente, associada e periferica de integracao, combinada com desenvolvimentos nacionais marcados pela desigualdade e por reduzidas liberdades democraticas. Dada as conexoes ja indicadas, cada vez que ocorria uma crise nas metropoles, acentuava-se na regiao a disputa sobre a natureza do desenvolvimento nacional, da integracao regional e das relacoes com o restante do mundo. Entre o final do seculo XVIII e o inicio do seculo XIX, o ciclo de revolucoes burguesas na Europa criou um contexto favoravel as independencias latino-americanas. Mas as republicas independentes, assim como a monarquia brasileira, escaparam da hegemonia iberica em direcao a hegemonia britanica. Na primeira metade do seculo XX, o conflito interimperialista abriu as portas para a fase de industrializacao substitutiva de exportacoes, processo este vinculado tanto ao ciclo revolucionario e populista dos anos 30-50, quanto ao ciclo de golpes e ditaduras iniciado nos anos 60. Mas esta etapa corresponde, tambem, ao fim da hegemonia britanica e a consolidacao da hegemonia estado-unidense. A crise dos anos 70, mais exatamente a atitude dos Estados Unidos para enfrentar esta crise, desencadeou no mundo e na regiao um processo regressivo, caracterizado pela crise da divida externa; pelo colapso da social-democracia europeia, dos nacio37 INTEGRACAO DA AMERICA LATINA nalismos africanos, dos desenvolvimentismos latino-americanos e do socialismo de tipo sovietico; e pela ascensao do neoliberalismo. Nas decadas de 1980 e 1990, o neoliberalismo tornou-se hegemonico na America Latina, acentuando a desigualdade, o conservadorismo politico e a dependencia tao caracteristicas do periodo anterior. Na America Latina, desde o final dos anos 80, a defesa dos interesses nacionais, populares, democraticos e socialistas entrou numa etapa de defensiva estrategica. Noutras palavras: tratava-se de defender as conquistas obtidas no periodo anterior. Paradoxalmente, a partir da segunda metade dos anos 90, a defensiva das forcas populares coincidiu com um periodo de grande instabilidade internacional, decorrente da combinacao entre duas variaveis principais: a crise capitalista internacional e o declinio da hegemonia estado-unidense. De um lado temos uma tipica crise de acumulacao, que se manifesta direta ou indiretamente em todos os terrenos: financeiro, comercial, cambial, energetico, alimentar, ambiental. De outro lado temos uma reacomodacao geopolitica, resultante: das dificuldades que os Estados Unidos enfrentam para manter seu suposto imperio mundial; do agucamento das contradicoes intercapitalistas, crescentes apos a derrota do bloco sovietico; e do fortalecimento de potencias concorrentes, cujo principal exemplo e a China. O periodo de instabilidade causado pela combinacao entre declinio da hegemonia dos EUA e crise capitalista internacional, e marcado por crises, guerras e grandes revoltas sociais. Nao e possivel saber quanto tempo durara este periodo de instabilidade. Isto, bem como o que ocorrera depois, dependera da luta politica, dentro de cada pais, e da luta entre Estados e blocos regionais. A luta internacional entre Estados e blocos regionais e, hoje, travada entre dois grandes polos: de um lado, os Estados Unidos e seus aliados europeus e japoneses; de outro lado, os paises que integram os BRICS e seus aliados. Diferente do que ocorria antes de 1945, trata-se de uma disputa entre a antiga periferia e o antigo centro. Diferente do que ocorria antes de 1990, trata-se de uma disputa nos marcos do capitalismo. A America Latina e um dos cenarios da disputa entre os Estados Unidos e os Brics. No fundamental, trata-se de saber se a regiao continuara sendo hegemonizada pelos EUA; ou constituir-se-a em uma regiao integrada, com politica propria. Apesar de ser uma disputa nos marcos do capitalismo, ha um dado fundamental a ser levado em conta: na America Latina e Caribe, ha forte presenca e ate mesmo hegemonia politica de partidos de esquerda em varios paises da regiao. Assim como esta presente uma importante oposicao de esquerda naqueles paises onde a direita neoliberal segue controlando o governo nacional. Os paises latino-americanos onde governam forcas marcadamente de direita sao: Mexico, Costa Rica, Panama, Colombia, Peru, Chile e Honduras. No caso de Honduras, o atual governo e beneficiario do golpe de Estado que derrubou o anterior presidente, Manuel Zelaya. No dia 5 de junho, ocorrera o segundo 38 9o CONGRESSO NACIONAL DE SINDICATOS DE ENGENHEIROS - CONSENGE turno das eleicoes presidenciais no Peru, entre Ollanta Humala e Keiko Fujimori. Esses governos de direita buscam consolidar um eixo proprio no continente, em concorrencia com a Uniao das Nacoes da America do Sul (Unasul) e com a Comunidade de Estados Latino-americanos e caribenhos (Celac). Guatemala, Belice, Jamaica, Suriname, as duas outras Guianas, as Antilhas Menores e o Haiti, ainda que nao sejam governados por partidos de esquerda, tampouco estao alinhados com a direita, com o elemento adicional de que uma das Antilhas (Dominicana) pertence a Alianca Bolivariana para as Americas (ALBA). Partidos de esquerda apoiam, participam ou dirigem os governos de Cuba, Venezuela, Nicaragua, El Salvador, Brasil, Equador, Bolivia, Uruguai, Paraguai, Argentina e Republica Dominicana. Tirante Cuba - cujo governo e resultado de uma luta armada revolucionaria, num processo que, em 1961, assumiu um carater socialista -, os demais governos resultam de vitorias eleitorais, numa onda iniciada em 1998 com Hugo Chavez (Venezuela) e que se estendeu ate 2009, com Mauricio Funes (El Salvador). Todos estes governos tem em comum tres coisas: a) a heranca do neoliberalismo, do desenvolvimentismo conservador e colonial (como o racismo na Bolivia e no Brasil); b) a oposicao radical que um setor da elite faz a qualquer tipo de politica redistributiva, seja de poder, seja de riquezas, seja de acesso a direitos sociais; c) o conflito das metropoles contra governos que priorizam as relacoes entre si e os processos de integracao regional. Ao mesmo tempo, estes governos mantem importantes diferencas, que vao das diferencas naturais e geograficas, historicas e sociais, ate aquelas produzidas pelas diferentes linhas politicas, tanto da esquerda que chegou ao governo, quanto da direita que passou a oposicao. Uma das diferencas politicas mais relevantes esta relacionada ao impacto do neoliberalismo sobre a estrutura politica nacional. Naqueles paises em que o neoliberalismo foi mais destrutivo, ele solapou inclusive as bases de sustentacao da direita clientelista e dissolveu todo o espectro politico, inclusive a esquerda tradicional. Por isto, quando se esgota a hegemonia neoliberal e a oposicao vence as eleicoes, os novos presidentes antineoliberais tem um perfil diferenciado do "politico profissional"; e sao apresentados por formacoes politicas recentes, como o MVR venezuelano, o MAS boliviano, o PAIS equatoriano. Nao se trata apenas de uma diferenca de perfil partidario ou pessoal: os novos governantes encontram a necessidade e ao mesmo tempo dispoem dos meios para convocar processos constituintes, radicalizando o processo do ponto de vista retorico, politico e institucional. A radicalidade politica nao implica que, nesses paises, as condicoes macro e microeconomicas sejam propicias a construcao de um modelo economico pos-neoliberal. Esta contradicao entre as condicoes subjetivas e objetivas torna estes paises alvo de campanhas de desestabilizacao e golpes. Que nao tiverem sucesso, em 39 INTEGRACAO DA AMERICA LATINA parte devido a forca interna dos governos antineoliberais; mas tambem em parte gracas ao apoio obtido dos demais governos da regiao. Neste sentido, pode-se dizer duas coisas: primeiro, que existem nao uma, nem duas, mas varias esquerdas na America Latina e Caribe; e que o sucesso de cada uma depende, em grande medida, do apoio e do sucesso das demais. Outra maneira de dizer isto e afirmar o seguinte: a diversidade foi uma causa do sucesso das esquerdas latino-americanas e caribenhas. Se fosse apenas uma, se seguisse um unico modelo, a esquerda latino-americana nao teria conseguido vencer as eleicoes em paises tao distintos. Mas, ao mesmo tempo que adota estrategias nacionais distintas, a esquerda latino-americana e caribenha necessita de uma estrategia continental comum, que se traduz no processo de integracao regional. Ha diferentes processos de integracao. Alguns precedem a onda de governos progressistas e de esquerda. E o caso do Mercosul e de outros acordos comerciais subregionais, que em parte respondiam ao proposito da integracao, mas em parte eram vistos como passos para a Area de Livre Comercio das Americas (Alca). Outros processos de integracao sao iniciativa dos governos progressistas e de esquerda: e o caso da Unasul, da Alba e da Celac. A Alba nao e propriamente um projeto de integracao, mas sim um enquadramento institucional para a cooperacao entre governos ideologicamente afins. Ja a Unasul e a Celac sao projetos de integracao regional, que buscam envolver as nacoes latino-americanas e caribenhas, independente da orientacao politico-ideologica de seus governos. A influencia da esquerda faz com que a America Latina seja palco de dois combates simultaneos: o primeiro, de natureza geopolitica, a respeito da relacao entre a regiao e o restante do mundo; o segundo, acerca da natureza politico-social do desenvolvimento dos paises da regiao. Noutras palavras: a influencia da esquerda na America Latina e Caribe tornou possivel combinar, de maneira mais efetiva que nunca em nossa historia, soberania nacional e integracao regional, desenvolvimento economico, igualdade social e democratizacao politica. Para transformar esta possibilidade em realidade, a esquerda politica e social latino-americana e caribenha tera que enfrentar seis desafios fundamentais. O primeiro destes desafios e derrotar o contra-ataque promovido pela direita latino-americana e seus aliados metropolitanos. Este contra-ataque inclui: a) uma campanha midiatica permanente contra a esquerda; b) a tentativa de colocar uma cunha entre os governos de esquerda na regiao, dividindo-os entre "moderados" e "radicais" e jogando-os uns contra os outros; c) a promocao de campanhas de desestabilizacao e inclusive golpes, dos quais ate agora teve sucesso apenas o de Honduras; d) o lancamento de candidaturas eleitoralmente competitivas, tatica que teve exito no Panama, Costa Rica e Chile; d) a pressao militar, atraves do relancamento da IV Frota e da ampliacao do numero de bases militares dos EUA e aliados europeus na regiao. 40 9o CONGRESSO NACIONAL DE SINDICATOS DE ENGENHEIROS - CONSENGE Vale dizer que este contra-ataque da direita e favorecido por dois fatores: por um lado, a eleicao de Obama; por outro, a crise internacional. Obama, embora nao tenha alterado a politica dos EUA para a regiao, gerou, quando de sua eleicao, enormes expectativas, que dao ao mandatorio estado-unidense um capital politico de que Bush nao dispunha. A crise internacional causou dificuldades imensas para alguns paises governados pela esquerda, especialmente aqueles fortemente dependentes das exportacoes, caso de Cuba, Venezuela, Bolivia e Equador. O segundo e o terceiro desafio da esquerda politico-social latino-americana sao os seguintes: a) não perder os governos nacionais conquistados até agora; b) conquistar novos governos nacionais. As proximas eleicoes na regiao sao: Peru, Guatemala, Argentina e Nicaragua. Portanto, tres paises governados pela centro-esquerda e um pais governado pela direita. Se Ollanta Humala for eleito no proximo 5 de junho, teremos duas novidades importantes: sera a primeira vitoria da esquerda em um pais governado pela direita, desde El Salvador; tera sido quebrado o eixo de centro-direita, impulsionado por Chile, Peru, Colombia e Mexico. Posteriormente, teremos duas eleicoes fundamentais: Venezuela e Mexico. O quarto desafio da esquerda politico-social e, nos paises onde controla o governo nacional, impulsionar mudancas estruturais de natureza democratico-popular. Aqui e preciso levar em consideracao o seguinte: a) em ambito mundial, a esquerda ainda se encontra numa etapa de defensiva estrategica; b) eleger governos e realizar revolucoes sao coisas distintas; c) e preciso criar as condicoes para sustentar politicamente as reformas estrutrurais necessarias; d) os governos de centro-esquerda enfrentam a oposicao nao apenas da direita, mas tambem uma oposicao de esquerda (vide a mobilizacao em curso, no mes de abril, na Bolivia); e) parte desta oposicao tem uma causa estrutural: nesta fase, os governos de esquerda sao obrigados a estimular o desenvolvimento capitalista, o que gera conflitos com parte da base popular dos governos de esquerda. Um bom exemplo disto e a situacao brasileira. No Brasil continua a disputa entre duas grandes alternativas de desenvolvimento: a conservadora e a progressista. A alternativa conservadora e aquela onde o capitalismo se desenvolve sem reformas estruturais, com baixos teores de democracia e mantendo o Brasil alinhado aos Estados Unidos. A alternativa progressista e aquela em que o desenvolvimento capitalista e combinado com reformas, democratizacao e soberania nacional. Ao longo de grande parte do seculo XX, a alternativa conservadora foi hegemonica, o que explica a coexistencia de crescimento rapido, num ambiente de ditaduras e desigualdade social crescente. Durante quase todo o seculo XX, a alternativa progressista, alem de minoritaria, foi hegemonizada por forcas capitalistas, tendo algumas forcas socialistas como aliadas. No final dos anos 80, as forcas socialistas, encabecadas pelo PT, passaram a dirigir o bloco de forcas politicas e sociais defensor da alternativa progressista. 41 INTEGRACAO DA AMERICA LATINA Por um breve momento, pareceu que passariamos a ter uma disputa entre duas grandes alternativas: a capitalista-conservadora e a democratico-popular & socialista. Mas este momento durou pouco: num ambiente internacional e nacional marcado pela crise do socialismo e pela ofensiva neoliberal, o Partido dos Trabalhadores e grande parte da esquerda brasileira rebaixaram seus objetivos programaticos e estrategicos. Assim, os anos 90 seguiram marcados pela disputa entre a alternativa conservadora (agora sob hegemonia neoliberal) e a progressista (agora encabecada pelo PT). O periodo neoliberal acentuou as tendencias mais conservadoras do padrao tradicional do desenvolvimento brasileiro, a tal ponto que ocorreram cisoes no bloco hegemonico, cisoes que foram fundamentais para a eleicao de Lula a presidencia da Republica. Uma vez conquistada a presidencia, o grande desafio tatico da esquerda brasileira continuou sendo a superacao da heranca neoliberal, que continua extremamente influente. E o grande desafio estrategico consistia em, mantendo o governo nacional e a hegemonia do PT sobre as forcas progressistas, fazer da alternativa democraticopopular & socialista um dos polos da disputa. A vinculacao entre o desafio tatico e o desafio estrategico esta na realizacao das chamadas reformas estruturais, que alterem a concentracao de renda, propriedade e poder. Noutras palavras: reforma tributaria, reforma agraria, reforma urbana, reforma do sistema financeiro, reforma politica, democratizacao da comunicacao etc. Se um governo de esquerda nao realiza estas reformas, ele nao possui significado estrategico, por mais que ele tenha contribuido para melhorar a vida do povo. Mas para realizar estas reformas, um governo de esquerda precisa de sustentacao politica, sem o que ele pode ser derrubado, como ocorreu com o governo de Honduras. O quinto desafio politico-social da esquerda latino-americana e acelerar o processo de integracao regional, fundamental para reduzir a ingerencia imperialista. Enfrentar exitosamente este desafio depende, em primeiro lugar, da forca que a esquerda politica e social tenha em cada pais; mas depende, tambem, em grande medida, do que ocorra no conjunto da regiao, a comecar de alguns paises estrategicos, entre eles o Brasil. O Brasil ocupa um lugar contraditorio no processo de integracao da America Latina. Por um lado, ele e o principal protagonista da integracao. Por outro lado, corremos o risco, permanentemente, de o Brasil assumir um papel "subimperialista" em relacao a seus vizinhos. O risco do subimperialismo e decorrente, principalmente, do peso relativo da economia brasileira em relacao aos demais paises da regiao. Tal risco nao e evitado, nem denunciando-o, nem desconhecendo-o. O risco do subimperialismo e evitado na medida em que se construa, no Brasil, apoio para um projeto de integracao com duas caracteristicas fundamentais: a) primeiro, alto grau de institucionalizacao; b) segundo, alto grau de investimento brasileiro a fundo perdido na economia dos paises vizinhos, em particular na infraestrutura e nas politicas publicas. 42 9o CONGRESSO NACIONAL DE SINDICATOS DE ENGENHEIROS - CONSENGE Sem um alto grau de institucionalizacao, que inclui a eleicao, pelo voto direto, de um parlamento latino-americano e caribenho, o processo de integracao sera no maximo uma vontade da cupula dos governos e de setores das burocracias estatais, ambas altamente suscetiveis aos interesses das grandes empresas capitalistas existentes na regiao, inclusive as brasileiras, motivadas pelo objetivo do lucro. Sem um imenso investimento em infraestrutura, investimento que deve ser sustentado a fundo perdido pelos paises mais fortes da regiao (como Brasil, Argentina e Venezuela), a regiao continuara especializada na exportacao de produtos primarios, de baixo valor agregado. Deste ponto de vista, e importante perceber o papel contraditorio da abundancia de recursos naturais na America Latina. Pois embora sejam uma riqueza potencial, estimulam uma exploracao predatoria, de curto prazo e extensiva em mao de obra. O sexto e ultimo desafio politico social da esquerda e tornar hegemonica, na regiao, uma cultura popular latino-americana e caribenha. Ainda nao existe uma consciencia latinoamericanista de massa na regiao. Apesar de tudo, o american way of life segue hegemonico. E isto possui uma base material, que reside principalmente na hegemonia privada e no peso do capital metropolitano na industria cultural e de telecomunicacoes. Ao lado disto, existe o deficit teorico das esquerdas latino-americanas, no enfrentamento de tres grandes temas: o balanco das experiencias populares do seculo XX (entre os quais o socialismo e o desenvolvimentismo progressista), a analise do capitalismo do seculo XXI e o debate sobre as estrategias. Especificamente sobre as estrategias, e preciso tomar nota de que vivemos, hoje, em larga escala, aquilo que se tentou fazer nos anos 70, especialmente atraves da experiencia do governo da Unidade Popular no Chile. Como dissemos antes, a atual conjuntura latino-americana e caribenha e distinta de outros momentos da historia e muito mais favoravel, tanto ao projeto de integracao e desenvolvimento autonomos, quanto aos projetos democratico-populares e socialistas. Entretanto, os desafios tambem sao imensos, pois no atual quadro de instabilidade mundial, nao se deve descartar nenhum cenario, nem mesmo o de uma regressao similar ao que vivemos nos anos 80 e 90. Neste sentido, e preciso todo o esforco para que o processo de integracao ora em curso deixe de ser uma iniciativa principalmente das burocracias estatais, dos governos e dos partidos; e passe a ser uma iniciativa dos movimentos movimentos sociais, das centrais sindicais, da intelectualidade progressista e das juventudes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120216/6ee98878/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 16 20:05:41 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 16 Feb 2012 19:05:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Tres artigos sobre a conjuntura economica e politica no Brasil- correio da cidadania 14 fev 12 e Jornal Brasil de fato. Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Dilemas humanos perante a crise econômica: perspectivas Escrito por Guilherme C. Delgado Terça, 14 de Fevereiro de 2012 Pensar que a vida humana em sociedade depende de maneira crescente do funcionamento do sistema econômico é uma idéia que chega a provocar medo, especialmente em momentos de crise funcional ou estrutural da própria economia. Como essas situações críticas ocorrem cada vez mais freqüentemente e de maneira profunda, provavelmente temos problemas de fundamentos não devidamente enfrentados. Veja-se no receituário aviado esta semana pela União Européia para os novos ?ajustes? impostos a Grécia: corte de valores do salário mínimo, das aposentadorias e pensões e demissão expressiva de funcionários públicos, para uma economia que já carrega o mais alto nível de desemprego da Europa, depois de quatro anos de decréscimo da atividade econômica. Tudo isso é imposto, sob pena de exclusão da zona do euro, pela União Européia e, indiretamente, pela própria economia mundial na sua conformação atual. Implícita a essa punição aos gregos, há uma curiosa captura teológica da tese do sacrifício purgatório, mas de maneira completamente invertida do seu significado cristão. A cruz na qual o povo grego está sendo pregado é a mesma que os romanos utilizaram para desmoralizar publicamente os rebeldes do império ? exemplo de crueldade exemplar para punir com morte dolorosa os ?criminosos?, segundo a visão de Roma. Esse sacrifício impõe escravização e morte e nada tem a ver com a experiência de liberdade, Ressurreição e plenitude da vida que é a resposta de Jesus Cristo à cruz romana. O exemplo da Grécia é apenas um caso particular de uma situação mais geral, que em pleno século XXI assume uma densidade nunca dantes verificada na história do capitalismo dos últimos 250 anos. Uma proporção grande demais dos 7 bilhões de seres humanos em todo o mundo depende do funcionamento da economia mercantil para produzir e reproduzir condições essenciais à vida humana em sociedade. Moradias, alimentos, vestuário, água potável, terras, saúde e educação, convertidos em bens mercantis. Dependem de empregos, que em última instância provêem dinheiro ? meio de troca para suprir necessidades. Observe-se que no século 21 a dependência da reprodução da vida humana em relação ao funcionamento da economia capitalista é infinitamente maior do que fora nos anos 30 do século passado. Necessidades humanas básicas quando convertidas em mercadorias de consumo de massa impõem à economia política exigências éticas que são completamente estranhas ao utilitarismo social, fundamento ético da economia capitalista desde Adam Smith até os nossos dias. E não basta, como propunha Keynes na sua obra clássica, uma agenda de justiça social para além da sua ?Teoria Geral?. Hoje há que se pensar a ?idéia da justiça? e da liberdade no cerne do desenvolvimento humano, a exemplo do economista indiano Amartya Sen, sob pena de reproduzirmos uma contradição insanável no processo de crescimento material da economia relativamente às condições de cidadania da maioria da população. Por outro lado, a dinâmica real de crescimento do capital financeiro em escala global e sua absoluta hegemonia nos planos econômico e político nos Estados centrais do sistema mundial obstam a concretização de limites políticos à completa liberalidade de acumulação e circulação desse capital. Em tais condições, crises sucessivas de caráter estritamente financeiro, como foi o caso das hipotecas imobiliárias nos EUA em 2008 e atualmente a crise de endividamento dos países menos desenvolvidos da zona do euro, convertem-se rapidamente em problemas de desemprego em massa, com alto potencial de contaminação para a economia mundial. Em face desse risco iminente, a solução das crises financeiras tem sido pela via da ?socialização das perdas?, sem afetar e responsabilizar seriamente os promotores do super-endividamento das famílias. Os remédios contra o desemprego, a instabilidade e a desigualdade econômica que emergiram nos anos 30 e 40 do século passado, de inspiração keynesiana ? planejamento governamental do investimento, ?Estado do bem Estar?, estrito controle das operações monetário-financeiras pelos Bancos Centrais - continuam válidos para economias nacionais, mas impotentes no plano global. Mesmo nas economias nacionais, estão sob intenso ataque dos arautos do capital e do dinheiro plenamente liberados. Do exposto parece-nos evidenciada a necessidade de reconstrução das próprias bases da economia política contemporânea, no contexto da qual a política social adquiriria centralidade, no sentido da garantia das condições de reprodução da vida humana em sociedade. Isto certamente só é possível sob a égide de um sistema econômico protegido da instabilidade intrínseca da acumulação financeira. Tais assertivas soam evidentemente utópicas quando confrontadas com os poderes globais ora constituídos. O problema maior é que tais poderes em crises sucessivas de dominação não sinalizam bons presságios para a humanidade. Guilherme Costa Delgado é doutor em Economia pela UNICAMP e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. Luta de classes Escrito por Wladimir Pomar Terça, 14 de Fevereiro de 2012 Parece que boa parte da esquerda ainda não saiu da perplexidade de ter um governo central dirigido por uma coalizão política de socialistas e comunistas, da qual participam democratas liberais e conservadores de diferentes tipos. Essa perplexidade, como comentamos em artigos recentes, se reflete na emergência de dois novos tipos de análise, ambos relacionados com a possibilidade ou não do desenvolvimento da luta de classes no Brasil. Uma dessas análises conclui simplesmente que a melhoria das condições de vida do povo amortece seu espírito de luta e é um impeditivo para o crescimento da luta de classes. O exemplo histórico das classes operárias norte-americana e européia, particularmente após a segunda guerra mundial, poderia ser um exemplo a ser esgrimido por essa análise que, no fundo, advoga a tese de que quanto pior, melhor. O problema, que ela não responde, é se estão se criando no Brasil as mesmas condições que permitiram, aos Estados Unidos e à Europa, instaurarem vastos sistemas de exploração e transferência de riquezas dos países do terceiro mundo para eles. Sistemas que permitiram a tais países satisfazer as demandas salariais e de assistência social da maior parte de seus trabalhadores e criar, inclusive, uma aristocracia operária. Embora o Brasil tenha ingressado num processo tentativo de realizar o crescimento econômico com redistribuição de renda, não há indícios de que o capitalismo e a burguesia brasileira tenham condições de explorar países periféricos e organizar um processo mais profundo de redistribuição de grandes migalhas, como fizeram os norte-americanos e europeus, amortecendo as lutas dos trabalhadores. Ainda mais que esses sistemas de transferência de riquezas estão sendo minados, cada vez mais, pelas transformações estruturais do próprio capitalismo, o que começa a obrigar os trabalhadores norte-americanos e europeus a retomarem a luta de classes. A outra análise reconhece que o desenvolvimento do capitalismo está promovendo a conformação da classe trabalhadora brasileira como força ativa, tanto por seu crescimento quantitativo, quanto pela retomada de lutas por aumentos salariais, dignidade no trabalho, melhoria nas condições de transporte, moradia, saúde e segurança. No entanto, ela supõe que as novas lutas que estão surgindo parecem não caber perfeitamente no pacto de poder atualmente existente. No contexto desse pacto de poder inexistiriam canais por onde os movimentos sociais pudessem fazer demandas institucionais. Isso estaria levando o Brasil a um paradoxo. Por um lado, ele parece viver um momento de radicalização em sua base social, fruto do recente crescimento do capitalismo e de suas contradições. Por outro, ele parece assistir às organizações políticas de esquerda engolfadas em disputas institucionais, sem que seus militantes possam diferenciar o desenvolvimento na nação das pretensões individuais de ascensão pessoal. Em outras palavras, essa avaliação comprova que a luta de classes talvez esteja retomando, inclusive de forma radicalizada, enquanto grande parte da militância de esquerda talvez não esteja se dando conta dessa retomada, nem saiba como tratá-la. Isso apenas demonstra que não são as militâncias políticas, por mais esclarecidas e revolucionárias que sejam, que desenvolvem a luta de classes. Esta, historicamente, tem seu próprio ritmo e emerge de contradições econômicas, sociais e políticas reais e determinadas. Em geral, mesmo quando a militância política não está antenada na evolução dessas contradições, a luta de classes rompe com possíveis barreiras ou canais estreitos que impedem a promoção de suas demandas. Muitas vezes faz isso contra as próprias instituições, forja suas próprias lideranças, e conquista suas reivindicações através de diferentes formas de luta. A história da classe operária do ABC, durante o regime militar, é um exemplo bem nosso desse processo. Portanto, se há uma parte da militância e das lideranças engolfada nas disputas institucionais, isso se deve em parte ao fato de que a classe operária emergente no Brasil ainda não sacudiu essa militância e lideranças como deveria. Ela é uma nova classe operária, diferente daquela do ABC, no final dos anos 1970. Está em processo de recomposição, tem pouca experiência de luta, e ainda não mostrou sua potencialidade. É lógico que boa parte da militância de esquerda poderia estar trabalhando na base dessa classe e de outras classes populares da sociedade brasileira, vivenciando e contribuindo para sistematizar suas pequenas experiências de luta, que existem, e para elevar sua consciência de classe. No entanto, mesmo que essa militância esteja empenhada nessa missão estratégica, isto não quer dizer que ela conseguirá alavancar imediatamente grandes movimentos classistas. Ela simplesmente estará junto com essas classes, e em condições de orientá-las, no momento em que decidirem lutar. Nesse sentido, convém analisar com mais atenção as lutas e conflitos recentes envolvendo algumas camadas de trabalhadores e outros setores populares. Em primeiro lugar, eles mostram que, apesar das melhorias nas condições de vida, e talvez principalmente por causa delas, esses trabalhadores já não suportam a continuidade de certas condições herdadas do período neoliberal. Super-exploração, como nos casos de Jirau, Santo Antônio e alguns canteiros de obras; transportes ineficientes, como nos casos de ônibus em Brasília e Goiás, metrô de São Paulo e Supervia, no Rio; educação deficiente, saúde maltratada, salários baixos e outras distorções presentes na sociedade brasileira: tudo isso tem sido motivo para lutas em diversos pontos do território nacional. Por não suportarem mais essas mazelas, e também por falta de lideranças experientes, quase todas as camadas que protagonizaram essas lutas têm apresentado uma radicalização que, aparentemente, se confronta com a postura do governo federal em não criminalizar nenhuma luta democrática e popular. O que deveria alertar a esquerda para o fato de que o desenvolvimento capitalista, mesmo com distribuição de renda, não impede as lutas de classes. Mas, sem uma esquerda participante, para fazer com que tais lutas sejam travadas com razão e com limite, elas podem colocar o governo democrático e popular contra a parede e abrir janelas por onde a direita crie um ambiente de insegurança e pânico. Wladimir Pomar é analista político e escritor. Editorial do jornal Brasil de fato- 14-20 fevereiro 2012 Aves de Rapina Entre os significados de rapina encontra-se o ato de praticar o roubo ardiloso, velhaco, espertalhão. No dia 25/1, no Estádio Pacaembu, em São Paulo, o presidente em exercício da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), José Maria Marin, ao 79anos de idade, tratou de surrupiar uma das medalhas de ouro, destinadas aos jogadores do Corinthians, time campeão da Copa São Paulo de Juniores/2012. Marin já foi deputado estadual, vice-governador de SP, na chapa de Paulo Maluf ? por 10 meses foi governador paulista ? e, em 2008, recebeu do Ministério Público do Estado de São Paulo o ?Colar do Mérito Institucional do Mistério Público?. Ao que indica, o colar foi insuficiente para aplacar a sede medalhas do velho cartola do futebol. No momento em que embolsava a medalha Marin estava representando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Este, está na mira da Policia Federal e do Ministério Público sob suspeita de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e recebimento de propina, junto com outros dirigentes da Fifa (Federação Internacional de Futebol). O futebol brasileiro, e os milionários negócios envolvendo a Copa do Mundo de 2014, estão nas mãos dessa dupla. Para alguns, o roubo da medalha no Pacaembú foi hilário. Ate poderia ser, se o gesto flagrado pelas câmeras de televisão não evidenciasse a facilidade e a impunidade com que as elites promovem a rapinagem da riqueza produzida pelo povo brasileiro. Em 2011 a indústria automobilística, instalada no Brasil, enviou 5,58 bilhões de dólares em lucros e dividendos para suas matrizes no exterior. Esse montante é 36% superior ao valor enviado em 2010. No mesmo período a produção de automóveis aumentou apenas 0,7%. E é essa mesma indústria que reclama incessantemente da carga tributária do nosso país, constantemente reivindica incentivos fiscais e financiamentos públicos de investimentos e não aceita qualquer interferência do Estado nos problemas existentes na cadeia produtiva das montadoras, sejam ambientais ou trabalhistas. E, pasmem, a quantia de US$5.58 bilhões não é resultante do controle do Banco Central sobre as remessas de lucros enviadas ao exterior. Essa foi a quantia que os próprios fabricantes de veículos registraram no BC. O BC não publica nem a lista das empresas que remetem seus lucros e muito menos, os valores individuais envolvidos. Como as empresas também não publicam essas informações, a riqueza é extraída daqui de forma quase sigilosa, prática dos que temem prestar conta dos seus atos. O Banco Itaú se vangloria de ter alcançado, em 2011, o maior lucro da história do sistema financeiro nacional. Açambarcou um lucro de R$ 14,6 bilhões. Essa riqueza concentrada na forma de lucro de um banco, para alguns, atesta a vitalidade da economia brasileira. Mas, esconde e agudiza a gritante e vergonhosa desigualdade social e econômica existente em nosso país. No mesmo período, em 2011, o Itaú fechou 4.058 postos de trabalho. E as tarifas de serviços que ele cobra dos seus clientes cobrem, representam quase uma vez e meia as despesas de pessoal do banco. Será coincidência que esse banco é um dos principais patrocinadores da CBF comandada por Ricardo Teixeira? Em meados do ano passado, o Inesc (Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos) divulgou um estudo onde mostrou que, somente em 2009, cerca de US$ 60 bilhões saíram do Brasil diretamente para os chamados paraísos fiscais. Como se sabe, os países tidos como paraísos fiscais atraem dois tipos de crimes: a lavagem de dinheiro (dinheiro do crime, droga, contrabando, tráfico de armas e seres humanos, corrupção, etc.) e a sonegação fiscal. Em 2004, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banestado ? no processo de privatização foi comprado pelo Banco Itaú ? estimou que o envio irregular de dinheiro aos paraísos fiscais, por meio das contas CC5, chegaria a R$ 150 bilhões. A mesma CPI sugeriu o indiciamento de 91 pessoas envolvidas nessas remessas irregulares de dinheiro ao exterior. Até o momento não há noticias da existência de processos contra essas pessoas e muito menos da recuperação de, pelo menos, parte desse dinheiro depositado no exterior. Aquela CPI, depois de um acordão entre PT e PSDB, perdeu uma oportunidade histórica de punir os que roubam o povo brasileiro. No final de 2011, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. Lançou o livro A Privataria Tucana, com farta documentação mostrando a roubalheira do patrimônio publico que ocorreu através do programa de privatização feito no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e que enriqueceu o ex-governador de SP, José Serra, sua filha e um seleto grupo de pessoas próximas a ele. As acusações são graves e documentadas. Há uma CPI instalada e espera-se que ela não tenha o mesmo fim que teve a CPI do Banestado. Enquanto isso, o ex-governador tucano escafedeu-se num silencio típico dos que sabe que não tem resposta às acusações. Mais estranho ainda é o silencio do Ministério Público Federal, Poder Judiciário e Policia Federal. Só servem para averiguar e punir os ladrões de galinhas? A medalha surrupiada no Pacaembú, continua em poder do cartola, enquanto providenciaram outra para seu legitimo dono,o goleiro do time campeão da Copinha. As bilionárias continuas de dinheiro enviadas para exterior, concentradas nos lucros dos bancos, depositadas em paraísos fiscais, fazem falta na construção de moradias populares, no sistema de saúde e educação, no saneamento e nos transporte públicos. Diminuir a pobreza extrema e combater a desigualdade social existente na 6ª economia mundial, exige enfrentar e combater os privilégios dos que acumulam uma imoral e, não raras vezes, ilegal riqueza. Política que nenhum governo, até o momento, sinaliza disposição e coragem para implementar. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120216/daced2da/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 2281 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120216/daced2da/attachment-0002.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 2200 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120216/daced2da/attachment-0003.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 17 20:53:05 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 17 Feb 2012 19:53:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Dilma critica o neoliberalismo por FREI BETTO Message-ID: <36DBE607B2A548E8BA7811616A68B276@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 17.02.12 - Brasil Dilma critica o neoliberalismo Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital "A senhora, presidenta Dilma, foi corajosa ao escolher participar do Fórum Social Temático de Porto Alegre, e não do Fórum Econômico de Davos", enfatizou João Pedro Stédile, líder do MST, no encontro com dirigentes de movimentos sociais e organizadores do FSM, na capital gaúcha, na tarde de quinta, 26 de janeiro. Pouco antes, na suíte presidencial do Hotel San Rafael, Dilma Rousseff recebeu o ecoteólogo Leonardo Boff e sua mulher, Márcia Miranda, e a mim, acompanhados do ministro Gilberto Carvalho. Boff manifestou ceticismo diante do texto preparado pela ONU para a Rio+20, que reunirá na capital fluminense, em junho, chefes de Estado e a Cúpula dos Povos, evento da sociedade civil. O Esboço Zero, como é conhecido o texto da ONU, é inconsistente; fala em pobreza, mas evita abordar a desigualdade social, e alardeia a "economia verde", mera falácia para evitar atacar a principal causa da devastação ambiental: o atual modelo predatório de desenvolvimento, baseado na prevalência da riqueza privada sobre direitos humanos e direitos da Mãe Terra. Às vésperas da viagem da presidente a Cuba, aproveitei para breve análise da conjuntura daquele país, que passa por mudanças substanciais, e no qual atuo, desde 1981, nos temas relações Igreja e Estado e metodologia da educação popular. No dia 9 de fevereiro, viajei a Cuba para participar do Congresso de Educação Superior e proferir palestra sobre Extensão Universitária e Educação Popular. A propósito, a 26 de março o papa Bento XVI inicia viagem de dois dias à Ilha, num reconhecimento da legitimação da Revolução. Reivindicações e propostas No encontro com 70 líderes de movimentos sociais, Dilma ouviu seis oradores. Enfatizou-se o repúdio às mudanças no Código Florestal aprovadas no Senado; reivindicaram-se o veto à anistia aos produtores rurais responsáveis por crimes ambientais, a manutenção da reserva legal e a exigência de desmatamento zero. Ao responder, a presidente disse, com todas as letras, que o Código Florestal "não será o dos sonhos dos ruralistas". Foram propostos um Programa Nacional de Reflorestamento para a Agricultura Familiar, financiado pelo BNDES; maior empenho na reforma agrária, de modo a assentar 180 mil famílias que continuam acampadas à beira de estradas; e a adoção, em larga escala, da agroecologia, para reduzir drasticamente o volume de agrotóxicos utilizados nas lavouras brasileiras, envenenando o solo e os consumidores. Sublinhou-se ainda a urgência de regularização das terras indígenas e ocupadas por comunidades quilombolas. Dilma iniciou sua intervenção frisando que representa um projeto de governo, iniciado pelo ex-presidente Lula, cujos objetivos centrais são reduzir a desigualdade social e imprimir qualidade aos serviços públicos, em especial à saúde, educação e habitação. Acrescentou que, após o fracasso de governos precedentes e tendo em vista a crise europeia, "o Brasil está vacinado contra o neoliberalismo". Para a presidente, só foi possível tirar da pobreza 40 milhões de brasileiros, nos últimos nove anos, graças ao modelo de desenvolvimento sustentável que combina crescimento econômico com distribuição de renda. Criticou aqueles que consideram razoável o Brasil crescer apenas 2% ou 3% ao ano com baixo índice de inflação. É preciso crescer mais, gerar riquezas e aquecer a economia interna com distribuição de renda. Neste momento, enquanto na Europa se processam uma "perda de direitos sociais" e a adoção de ajustes fiscais, declarou Dilma, o Brasil - para o qual Davos olhou com uma ponta de inveja - adota uma política de subsídios a direitos fundamentais, como o acesso à moradia, e a combinação de transferência de renda com qualificação dos serviços públicos. Dilma considerou "uma barbárie" a desocupação das 1.700 famílias de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), e manifestou a esperança de que a Rio+20, sobretudo através da Cúpula dos Povos, apresente à crise global um novo paradigma, "um outro mundo possível". Alertou ainda que o pós-neoliberalismo não pode coincidir com a pós-democracia... Manifestou, assim, o temor de que medidas tomadas para superar a crise financeira mundial "tornem as agências de risco econômico mais importantes do que os povos que elegeram seus governantes". [Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120217/bd9bf84a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 17 20:53:13 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 17 Feb 2012 19:53:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] A ordem criminosa do mundo- video de 43 minutos sobre conjuntura da crise internacional. Message-ID: <85BF099F4E2A4B1B8E2DB552708911DC@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem A ordem criminosa do mundo- video de 43 minutos sobre conjuntura da crise internacional. O link abaixo é um documentário (43 min) exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler. Pode se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha, Portugal e Grécia. A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo, os sindicatos perdendo poder de negociação e filiações, a redução salarial e a falta de trabalho. O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses. Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo. http://www.youtube.com/watch?v=GYHMC_itckg&feature=youtu.be -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120217/49ebc215/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 18 16:50:33 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 18 Feb 2012 15:50:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Porqu=EA_o_Socialismo=3F?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Porquê o Socialismo? por Albert Einstein Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos económicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões. Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenómenos de forma a tornar a interligação destes fenómenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenómenos económicos observados são frequentemente afectados por muitos factores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido - como é bem conhecido - largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente económicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social. Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de facto o que Thorstein Veblen chamou de "fase predatória" do desenvolvimento humano. Os factos económicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objectivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência económica no seu actual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro. Segundo, o socialismo é dirigido para um fim sócio-ético. A ciência, contudo, não pode criar fins e, muito menos, incuti-los nos seres humanos; quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados fins. Mas os próprios fins são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e - se estes ideais não nascerem já votados ao insucesso, mas forem vitais e vigorosos - adoptados e transportados por aqueles muitos seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade. Por estas razões, devemos precaver-nos para não sobrestimarmos a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos assumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se sobre questões que afectam a organização da sociedade. Inúmeras vozes afirmam desde há algum tempo que a sociedade humana está a passar por uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É característico desta situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar o meu pensamento, permitam-me que exponha aqui uma experiência pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a existência da humanidade, e comentei que só uma organização supra-nacional ofereceria protecção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: "Porque se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?" Tenho a certeza de que há tão pouco tempo como um século atrás ninguém teria feito uma afirmação deste tipo de forma tão leve. É a afirmação de um homem que tentou em vão atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou menos a esperança de ser bem sucedido. É a expressão de uma solidão e isolamento dolorosos de que sofre tanta gente hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma saída? É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com um certo grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora esteja consciente do facto de que os nossos sentimentos e esforços são muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples. O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantess, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade. É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, no essencial, fixada por herança. Mas a personalidae que finalmente emerge é largamente formada pelo ambinte em que um indivíduo acaba por se descobrir a si próprio durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pelo apreço por determinados tipos de comportamento. O conceito abstracto de "sociedade" significa para o ser humano individual o conjunto das suas relações directas e indirectas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações anteriores. O indíviduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade - na sua existência física, intelectual e emocional - que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a "sociedade" que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra "sociedade". É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um facto da natureza que não pode ser abolido - tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as interrelações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel. O homem adquire à nascença, através da hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adopta da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, com a passagem do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode divergir grandemente, dependendo dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que aqueles que lutam por melhorar a sorte do homem podem fundamentar as suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a exterminarem-se uns aos outros ou a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infligido. Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem para tornar a vida humana o mais satisfatória possível, devemos estar permanentemente conscientes do facto de que há determinadas condições que não podemos alterar. Como mencionado anteriormente, a natureza biológica do homem, para todos os objectivos práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que vieram para ficar. Em populações com fixação relativamente densa e com bens indispensáveis à sua existência continuada, é absolutamente necessário haver uma extrema divisão do trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado. Já lá vai o tempo - que, olhando para trás, parece ser idílico - em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes. É apenas um pequeno exagero dizer-se que a humanidade constitui, mesmo actualmente, uma comunidade planetária de produção e consumo. Cheguei agora ao ponto em que vou indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Diz respeito à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas ele não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protectora, mas mesmo como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência económica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egotistas da sua composição estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais, que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egotismo, sentem-se inseguros, sós, e privados do gozo naïve, simples e não sofisticado da vida. O homem pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é, apenas dedicando-se à sociedade. A anarquia económica da sociedade capitalista como existe actualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos perante nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros lutam incessantemente para despojar os outros dos frutos do seu trabalho colectivo - não pela força, mas, em geral, em conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante compreender que os meios de produção - ou seja, toda a capacidade produtiva que é necessária para produzir bens de consumo bem como bens de equipamento adicionais - podem ser legalmente, e na sua maior parte são, propriedade privada de indivíduos. Para simplificar, no debate que se segue, chamo "trabalhadores" a todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção - embora isto não corresponda exactamente à utilização habitual do termo. O detentor dos meios de produção está em posição de comprar a mão-de-obra. Ao utilizar os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista. A questão essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que recebe, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é "livre", o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pelas exigências dos capitalistas para a mão-de-obra em relação ao número de trabalhadores que concorrem aos empregos. É importante compreender que, mesmo em teoria, o pagamento do trabalhador não é determinado pelo valor do seu produto. O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das secções sub-privilegidas da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e mesmo, na maior parte dos casos, completamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objectivas e utilizar inteligentemente os seus direitos políticos. Assim, a situação predominante numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se por dois principais princípios: primeiro, os meios de produção (capital) são privados e os detentores utilizam-nos como acham adequado; segundo, o contrato de trabalho é livre. Claro que não há tal coisa como uma sociedade capitalista pura neste sentido. É de notar, em particular, que os trabalhadores, através de longas e duras lutas políticas, conseguiram garantir uma forma algo melhorada do "contrato de trabalho livre" para determinadas categorias de trabalhadores. Mas tomada no seu conjunto, a economia actual não difere muito do capitalismo "puro". A produção é feita para o lucro e não para o uso. Não há nenhuma disposição em que todos os que possam e queiram trabalhar estejam sempre em posição de encontrar emprego; existe quase sempre um "exército de desempregados. O trabalhador está constantemente com medo de perder o seu emprego. Uma vez que os desempregados e os trabalhadores mal pagos não fornecem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita e tem como consequência a miséria. O progresso tecnológico resulta frequentemente em mais desemprego e não no alívio do fardo da carga de trabalho para todos. O motivo lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e a esse enfraquecimento consciência social dos indivíduos que mencionei anteriormente. Considero este enfraquecimento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo. Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. É incutida uma atitude exageradamente competitiva no aluno, que é formado para venerar o sucesso de aquisição como preparação para a sua futura carreira. Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através da constituição de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objectivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planeada. Uma economia planeada, que adeque a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa actual sociedade. No entanto, é necessário lembrar que uma economia planeada não é ainda o socialismo. Uma tal economia planeada pode ser acompanhada pela completa opressão do indivíduo. A concretização do socialismo exige a solução de problemas socio-políticos extremamente difíceis; como é possível, perante a centralização de longo alcance do poder económico e político, evitar a burocracia de se tornar toda-poderosa e vangloriosa? Como podem ser protegidos os direitos do indivíduo e com isso assegurar-se um contrapeso democrático ao poder da burocracia? A clareza sobre os objectivos e problemas do socialismo é da maior importância na nossa época de transição. Visto que, nas actuais circunstâncias, a discussão livre e sem entraves destes problemas surge sob um tabu poderoso, considero a fundação desta revista como um serviço público importante. - x - Einstein escreveu este trabalho especialmente para o lançamento da Monthly Review , cujo primeiro número foi publicado em Maio de 1949. Tradução de Anabela Magalhães. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120218/76bdccec/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16374 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120218/76bdccec/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 18 16:50:41 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 18 Feb 2012 15:50:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=C1frica=2C_1987=3A_Thomas_Sank?= =?windows-1252?q?ara=2C_=22O_discurso_da_d=EDvida=22_=5B29/7/1987?= =?windows-1252?q?=2C_Addis_Abeba=2C_Eti=F3pia_=28traduzido=29=5D?= Message-ID: <362257560A3E4149A62AD83088C71726@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Vila Vudu África, 1987: ?O discurso da dívida? 29/7/1987, Thomas Sankara (então presidente revolucionário de Burkina Faso[1]) Na Conferência da Organização da Unidade Africana, Addis Abeba, Etiópia http://www.youtube.com/watch?v=jvYM6cGuBo8&feature=related Ver também 18/2/2012, "Paralelismos: Sankara, o herói que desafiou os credores" http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/02/1622012-leonidas-oikonomakis-roarmag.html Não podemos pagar a dívida. E com isso não quero dizer que somos contra a moral, a dignidade e o dever de cumprir nossa palavra. Quero dizer que a moral, a dignidade e o dever de cumprir nossa palavra não são a mesma coisa entre os ricos e os pobres. A Bíblia, o Corão, não podem servir do mesmo modo aos que exploram os pobres e aos explorados. É preciso que haja duas edições da Bíblia e duas edições do Corão. Não podemos aceitar que nos deem lições de dignidade. Que elogiem os que pagam as dívidas, e desqualifiquem os que não pagam, que nos digam que os que não pagam não merecem confiança. Ao contrário disso, devemos dizer que, hoje, os maiores assaltantes são os mais ricos, e que isso é visto como normal. Porque um pobre, quando rouba, comete pequeno crime, um pecadilho. Trata-se de sobreviver, de necessidade. Mas os ricos, quando roubam, têm autoridade fiscal, ou roubam na Alfândega. São os que exploram o povo. Senhor presidente, minha ideia aqui não é provocar, nem fazer espetáculo. Apenas digo aqui o que todos nós pensamos e desejamos. Quem aqui não deseja que essa dívida seja simplesmente cancelada? Quem não desejar que essa dívida seja cancelada, que tome seu avião é vá pagá-la imediatamente, ao Banco Mundial! Tampouco desejo que pensem que a proposta de Burkina Faso é ideia saída da cabeça de jovens inexperientes e imaturos, ou que a ideia de não pagar a dívida seja ideia só dos revolucionários. Digo que a proposta de não pagarmos a dívida é proposta objetiva, e é nossa obrigação. E posso citar muitos exemplos de outros que também disseram que não paguemos a dívida, revolucionários e não revolucionários, jovens e velhos. Cito, por exemplo, Fidel Castro, que já disse que não paguemos. É revolucionário, como eu; e mais velho que eu. Mas posso citar também François Mitterand, que também disse que os países africanos, os países pobres, não podem pagar a dívida. Posso citar a senhora primeira-ministra. Não sei quantos anos tem e não perguntarei, mas é mais um exemplo. Posso citar também o presidente Felix Houphoüet-Boigny, que não é tão jovem e declarou, oficialmente, publicamente, pelo menos em relação ao seu próprio país, que a Costa do Marfim não pode pagar a dívida. Ora, a Costa do Marfim classifica-se entre os países mais ricos da África, ou pelo menos da África ?francófona?. Por isso também, a Costa do Marfim paga contribuição maior aqui [risos]. Mas, senhor presidente, não falo para provocar. É preciso que os senhores nos ofereçam melhores soluções. Gostaria que nossa conferência adotasse como resolução muito necessária, uma declaração de que não podemos pagar a dívida. E que seja resolução conjunta, não declarações individuais. É importante que assim seja, para que não nos exponhamos a ser assassinados. Se Burkina Faso permanecer sozinha, como único país que se recusa a pagar a dívida, eu não estarei aqui, na nossa próxima Conferência. Mas se, ao contrário, obtivermos aqui o apoio de todos, de que eu tanto preciso, conseguiremos não ser obrigados a pagar. Se conseguirmos não pagar essa dívida, poderemos aplicar nossos pequenos recursos ao nosso próprio desenvolvimento. Para terminar, quero dizer que cada vez que um país africano compra uma arma, é arma que será usada contra outro africano. Não será usada contra europeu nem contra país asiático. Será usada contra africanos. Portanto, temos de tirar vantagem da questão da dívida, para lançar, para encaminhar alguma solução para o problema das armas. Sou militar e ando armado. Mas, senhor presidente, sei que o desarmamento é questão inadiável. Eu ando armado, com a única arma que tenho. E muitos têm um arsenal escondido em casa. Assim, queridos irmãos, com o apoio de todos, conseguiremos ter paz em casa. Também conseguiremos usar as imensas potencialidades da África para desenvolver a África. Nosso solo é rico. Nosso subsolo é rico. Temos braços e temos um vasto mercado, do norte ao sul e de leste a oeste. Temos capacidades intelectuais para criar ou, no mínimo, para usar todas as tecnologias e ciências, onde quer que as encontremos. Senhor presidente, façamos dessa Conferência de Addis Abeba uma frente unida contra o pagamento da dívida. Façamos dessa Conferência de Addis Abeba uma frente unida para limitar o comércio de armas entre os países pobres e fracos. Os porretes e facões que se compram por toda parte são inúteis. Façamos também dessa Conferência uma frente a favor do mercado africano, a favor do mercado para os africanos. Produzir na África, transformar na África e consumir na África. Vamos produzir o que nos falta, e consumir nossa produção, em vez de importar tudo. Burkina Faso aqui está para apresentar os tecidos de algodão que nós mesmos estamos produzindo. Algodão plantado em Burkina Faso, tecido em Burkina Faso, modelado e costurado em Burkina Faso, para vestir os burkinabeses. Minha delegação e eu aqui estamos, vestidos por nossos tecelões camponeses. Não há aqui um único fio importado da Europa ou dos EUA. Mas não estou aqui para apresentar desfile de modas. Queria dizer apenas que temos de aprender a viver à africana, porque não há outro meio para vivermos livres e com dignidade. Agradeço a atenção, senhor presidente. Pátria ou morte! Venceremos! -------------------------------------------------------------------------------- [1] Thomas Sankara [1949-1987] foi assassinado três meses depois desse discurso. Lê-se sobre ele, em Mathaba.net: ?Thomas Sankara liderou, entre 1983 e 1987, uma das revoluções mais radicais e criativas que a África produziu em décadas. Sankara inaugurou uma trilha que outros países africanos poderiam seguir, genuína alternativa à modernização conservadora do continente. Como outros líderes africanos radicais, Sankara foi assassinado. O homem que o matou continua no poder, há 24 anos, sempre apoiado pelo ocidente? (em http://www.mathaba.net/www/black/sankara.shtml [traduzido]). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120218/b3312d11/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 18 16:50:48 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 18 Feb 2012 15:50:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Neusah_Cerveira_fala_sobre_a_Oper?= =?iso-8859-1?q?a=E7=E3o_Condor?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Entrevista Neusah Cerveira fala sobre a Operação Condor -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120218/4146efc6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18996 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120218/4146efc6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 19 13:20:26 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 19 Feb 2012 13:20:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_M=DASICAS_!______________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?__HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem BASTA CLICAR NUMA LETRA QUE APARECEM TODOS OS INTERPRETES DE MÚSICA CUJO NOME COMEÇA POR ESSA LETRA. ESCOLHES O TEMA PRETENDIDO, COMEÇA A MÚSICA ACOMPANHADA DE UM VIDEO DESSA CANCÃO. A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z 0...9 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120219/c4128400/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 19 13:20:33 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 19 Feb 2012 13:20:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?EUA=3A__crescem_os_=22acampamentos?= =?iso-8859-1?q?_da_mis=E9ria=22?= Message-ID: <69E43A37FC544CFCB25AEC3F9290347E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem EUA: crescem os "acampamentos da miséria" A BBC visitou nos Estados Unidos alguns acampamentos de sem-teto, cada vez mais numerosos no país desde o início da crise econômica que explodiu em 2008. Da BBC Brasil Dados oficiais apontam que cerca de 47 milhões de americanos vivem abaixo da linha pobreza e este número vem aumentando. Atualmente há 13 milhões de desempregados, 3 milhões a mais do que quando Barack Obama foi eleito presidente, em 2008. Algumas estimativas calculam que cerca de 5 mil pessoas se viram obrigadas nos últimos anos a viver em barracas em acampamentos de sem-teto, que se espalharam por 55 cidades americanas. O maior deles é o de Pinella Hope, na Flórida, região mais conhecida por abrigar a Disney World. Uma entidade católica organiza o local e oferece alguns serviços aos habitantes, como máquinas de lavar roupa, computadores e telefones. Muitos acampamentos são organizados e fazem reuniões para distribuição de tarefas comunitárias. Para alguns com poucas perspectivas de encontrar trabalho, as barracas são habitações semi-permanentes. Mofo Várias destas pessoas tinham vidas confortáveis típicas de classe média até pouco tempo atrás. Agora deitam sobre travesseiros tão mofados quanto suas cobertas, em um inverno no qual as temperaturas baixam a muitos graus negativos. "Esfregamos literalmente nossos rostos no mofo toda noite na hora de dormir", diz Alana Gehringer, residente de um acampamento no Estado de Michigan, ao programa Panorama da BBC. O agrupamento de 30 barracas se formou em um bosque à beira de uma estrada, no limite do povoado de Ann Arbor. Não há banheiros, a eletricidade só está disponível na barraca comunitária onde os residentes se reúnem ao redor de uma estufa de madeira para espantar o frio. O gelo se acumula nos tetos das barracas e a chuva frequentemente as invade. Mesmo assim, cada vez pessoas querem morar ali. A polícia, hospitais e albergues públicos ligam com frequência perguntando se podem enviar pessoas ao acampamento. "Na noite passada, por exemplo, recebemos uma ligação dizendo que seis pessoas não tinham vaga no albergue. Recebemos de 9 a 10 telefonemas por noite", diz Brian Durance, um dos organizadores do acampamento. A realidade dos abrigados da Flórida e de Michigan é a mesma em vários lugares. Na segunda-feira, Obama revelou planos de aumentar os impostos sobre os mais ricos. "Queremos que todos tenham uma oportunidade justa." O presidente norte-americano mencionou os que "lutam para entrar na classe média". Em Pinella's Hope, em Arbor e em outros dezenas de locais no país, além dos que querem entrar na classe média, há os que foram expulsos dela pela crise e que desejam voltar. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120219/a05fa7cc/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 20 19:30:28 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 20 Feb 2012 19:30:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Gripe_pode_impulsionar_o_risco_a?= =?iso-8859-1?q?_Alzheimer=2E______________________________________?= =?iso-8859-1?q?______________HOJE_=C9__2=BA_FEIRA!___MEDICINA=2C_S?= =?iso-8859-1?q?A=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <5A2F9DBDCC784650A0A1BF32ACC5A1E3@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Gripe pode impulsionar o risco a Alzheimer Por Dalane Santos em 19.02.2012 as 16:00 Quando saímos de uma gripe, com dor de garganta e no corpo, costumamos pensar que o pior já passou. Mas algumas infecções virais podem ter efeitos duradouros e invisíveis sobre o cérebro, sugere uma pesquisa recente. O estudo insinua que os vírus como o da gripe e herpes podem deixar as células cerebrais vulneráveis à degeneração quando nos encontramos em idade avança, e aumentar o risco de desenvolver doenças como Alzheimer e Parkinson. Isso porque estes vírus podem entrar no cérebro e desencadear uma resposta imune, uma inflamação, que pode danificar as células cerebrais. De acordo com o Dr. Ole Isacson, professor de neurologia da Escola de Medicina de Harvard, os vírus e outras fontes de inflamação podem ser os fatores iniciais de algumas das doenças neurológicas mais comuns. É improvável que um surto da gripe cause danos significativos. Mas, ao longo da vida, as lesões das células se acumulam, segundo Isacson, e junto com pressões locais, isso pode matar as células e desenvolver doenças no cérebro. A quantidade de infecções obtidas pode ser a diferença entre uma pessoa desenvolver mal de Parkinson com a idade de 65 ou aos 95 anos, afirma Isacson. É possível que o enfraquecimento da inflamação, que ocorre logo após a infecção viral, possa reduzir os danos causados as células e o risco de desenvolver doença cerebral posteriormente. O neurologista apontou para um estudo de 2011, no qual 135 mil homens e mulheres descobriram que aqueles que tomaram ibuprofeno (um medicamento que pode reduzir a inflamação) possuíam 30% menos probabilidade de desenvolver Parkinson ao longo de um período de seis anos em comparação com aqueles que não tomaram a medicação. Infecção cerebral Um dos primeiros elementos que evidenciam a ligação de vírus com doenças cerebrais vem da pandemia de influenza de 1918. Depois do surto, houve um aumento dramático nos casos de uma doença conhecida como parkinsonismo pós encefalite, que tem muitos dos mesmos sintomas que o mal de Parkinson. Em um teste mais rigoroso dessa ligação, um estudo de 2009 mostrou que os camundongos injetados com o vírus da gripe H5N1 desenvolveram infecções celulares em uma região do cérebro conhecida por ser significativamente afetada pelo mal de Parkinson. A investigação também mostrou que a infecção com alguns vírus da herpes pode aumentar o risco de mal de Alzheimer. E muito raramente, encefalite ou inflamação cerebral provocada por vírus pode levar diretamente a uma forma aguda, mas transitória, do mal de Parkinson. Mas cada vez mais as infecções virais em nosso cérebro são silenciosas, diz Isacson. Segundo ele, nós não vemos o impacto destas infecções até a degeneração cerebral ser substancial. Como prevenir Várias semanas após a infecção, as moléculas inflamatórias conhecidas como citocinas atingem um pico de concentração, comenta Isacson. É esta "tempestade de citocinas" que Isacson e seus colegas suspeitam ser responsável pelos danos das células cerebrais associadas a infecções virais. Se os pesquisadores pudessem encontrar uma forma de bloquear o acontecimento deste pico, eles poderiam reduzir o risco de certas doenças neurológicas. Além disso, os pesquisadores também poderiam tentar identificar os vírus que causam as chamadas tempestades de citocina particularmente mais graves, para melhor compreender quais infecções representam maior risco para o cérebro. [LiveScience] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120220/849401e5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 22866 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120220/849401e5/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 161533 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120220/849401e5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 20 19:30:37 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 20 Feb 2012 19:30:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Cartaz_do_Debate_que_ser=E1_promov?= =?iso-8859-1?q?ido_pela_Casa_da_Am=E9rica_Latina=2C_em_29/02=2E?= Message-ID: <22E12A87F73E45B8981D43F8B27408EF@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Cartaz do Debate que será promovido pela Casa da América Latina, em 29/02. Solicitamos que divulgue para seus contatos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120220/3d6fa1b5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 124338 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120220/3d6fa1b5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 21 14:39:35 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 21 Feb 2012 14:39:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_REVELA=C7=C3O=2E_________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_______TER=C7A-FEIRA!_HO0JE_=C9_CINEMA!?= Message-ID: <48C6849022E641D191E3CE56E30EB955@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem SINOPSE Claire Spencer (Michelle Pfeiffer) é uma mulher de sorte.Tem Norman Spencer (Harrison Ford) como marido exemplar, ela está num ótimo momento de relação com o esposo e está para mudar para uma nova vizinhança. Após a mudança, Claire começa a perceber fenômenos estranhos em sua casa e a ver uma mulher morta. Incomodada pelos acontecimentos, ela conta o que está acontecendo ao marido, Norman , que a encaminha a um psiquiatra. Convencida, após a continuidade dos fenômenos, que não está louca, Claire resolve investigar por conta própria e começa a descobrir coisas terríveis sobre o passado do marido e sobre a mulher morta, coisas que colocarão a sua vida em perigo. (clique no nome do filme) Revelação -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120221/83cf92f6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 21 14:39:58 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 21 Feb 2012 14:39:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Prof. Michel Chussudpsky analisa o militanrismo do Governo do Estados unidos. Diario Info. Portugal, 20 de fev 12 Message-ID: <393CFCDF38E04E47A74AB1760AB5B353@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Entrevista Michel Chossudovsky: EUA são piores do que a inquisição espanhola Presidente e diretor do Centro de Pesquisa em Globalização (Centre for Research on Globalization), Michel Chossudovsky conversou com o ODiário.Info sobre a discussão de uma possível terceira guerra mundial, de que fala no seu livro ?Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War?. Por Sara Sanz Pinto* Crítico da fortificação militar que os Estados Unidos estão construindo em torno da China, o professor canadiano da Universidade de Otava defende que a opinião pública é fundamental para evitar uma guerra nuclear. ODiário.Info: Diz no seu livro que a guerra com o Irã já começou e que os Estados Unidos estão apenas à espera de um rosto humano para lhe dar. Acredita que os objetivos políticos e geoestratégicos de Washington podem levar-nos a uma guerra nuclear com consequências para toda a humanidade? Michel Chossudovsky: Não quero fazer previsões e ir além do que aconteceu. Tudo o que posso dizer, e tenho vindo a dizê-lo de forma repetida, é que a preparação para a guerra está a um nível muito elevado. Se será levada a cabo ou não é outro patamar, e ainda não o podemos afirmar. Esperemos que não. Mas temos de considerar seriamente o fato de que este destacamento de tropas é o maior da história mundial. Estamos assistindo o envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, Otan e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da Otan, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de levá-los muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada. Dão espaço a Hollywood, aos crimes e a todo o tipo de acontecimentos banais, mas, no que toca a este destacamento militar que poderá levar-nos a uma terceira guerra mundial, ninguém diz nada. Isso é um dos problemas, porque a opinião pública é muito importante para evitar esta guerra. E isso não está a acontecer, as pessoas não estão se organizando para se oporem à guerra. Isto não é uma questão política, é um problema muito maior, e tenho de dizer que os meios de comunicação ocidentais estão envolvidos em atos de camuflagem absolutamente criminosos. Só o fato de alinharem com a agenda militar, como estão a fazer na Síria, onde sabemos que os rebeldes são apoiados pela Otan, na Arábia Saudita e em Israel, e como fizeram na Líbia, é chocante do meu ponto de vista, porque as mentiras que se criam servem para justificar uma intervenção humanitária. Em vez de uma guerra nuclear, não podemos assistir a um cenário semelhante à Guerra Fria, com os EUA, a União Europeia e Israel de um lado e a China, a Rússia e o Irã do outro? Esse cenário já é visível. A Otan e os EUA militarizaram a sua fronteira com a Rússia e a Europa de Leste, com os chamados escudos de defesa antimíssil ? todos esses mísseis estão apontados a cidades russas. Obama sublinhou em declarações recentes que a China é uma ameaça no Pacífico ? uma ameaça a quê? A China é um país que nunca saiu das suas fronteiras em 2 mil anos. E eu sei, porque investigo este tema há muito tempo, que está sendo construída toda uma fortaleza militar em volta da China, no mar, na península da Coreia, e o país está cercado, pelo menos na sua fronteira a sul. Por isso a China não é a ameaça. Os EUA são a ameaça à segurança da China. E estamos numa situação de Guerra Fria. Devo mencionar, porque é importante para a UE, que, no limite, os EUA, no que toca à sua postura financeira, bancária, militar e petrolífera, também estão a ameaçar a UE. Estão por trás da destabilização do sistema bancário europeu. ODiário.Info: E a colocação de mais tropas em torno da China vai trazer mais tensão à região. MC: Quanto a isso não tenho dúvidas, porque os EUA estão aumentando a sua presença militar no Pacífico, no oceano Índico e estão tentando ter o apoio das Filipinas e de outros países no Sudeste Asiático, como o Japão, a Coreia, Singapura, a Malásia (que durante muitos anos esteve reticente a juntar-se a esta aliança). Portanto, Washington está formando uma extensão da Otan na região da Ásia-Pacífico, direcionada contra a China. Não há dúvidas quanto a isto. E não se vence uma guerra contra a China. É um país com uma população de 1,4 bilhões de pessoas, com um número significativo de forças, tanto convencionais como estratégicas. Por isso, com este confronto entre a Otan e os EUA, de um lado, e a China, do outro, estamos num cenário de terceira guerra mundial. E toda a gente vai perder esta guerra. Qualquer pessoa com um entendimento mínimo de planejamento militar sabe que este tipo de confronto entre superpotências ? incluindo o Irã, que é uma potência regional no Médio Oriente, com uma população de 80 milhões de pessoas ? poderá levar-nos a uma guerra nuclear. E digo isto porque os EUA e os seus aliados implementaram as chamadas armas nucleares tácticas ? mudaram o nome das bombas e dizem que são inofensivas para os civis, o que é uma grande mentira. ODiário.Info: Mentira porquê? MC: Está escrito em todos os documentos que a B61-11 [arma nuclear convencional] não faz mal às pessoas e planeiam usá-la. Tenho examinado estes planos de guerra nos últimos oito anos, e posso garantir que estão prontos a ser usados e podem ser acionados sem uma ordem do presidente dos EUA. Olhe para o que eles designam ?Nuclear Posture Review? de 2001, um relatório fulcral que integra as armas nucleares no arsenal convencional, sublinhando a distinção entre os diferentes tipos de armas e apresentando a noção daquilo que chamam ?caixa de ferramentas?. E a caixa de ferramentas é uma coleção de armas variadas, que o comandante na região ou no terreno pode escolher, onde estão estas B61-11, que são consideradas armas convencionais. Se quiser posso fazer uma analogia, é a mesma coisa que dizer que fumar é bom para a saúde. As armas nucleares não são boas para a saúde, mudaram o rótulo e chamaram?lhes bombas humanitárias, mas têm uma capacidade destruidora seis vezes superior à de Hiroxima. ODiário.Info: Mas a maior parte das pessoas não parece consciente da gravidade do cenário? MC: A ironia é que a terceira guerra mundial pode começar e ninguém estará sequer a par, porque não vai estar nas primeiras páginas. Na verdade, a guerra já começou no Irã. Têm forças especiais no terreno, instigaram todo este tipo de mecanismos para desestabilizar a economia iraniana através do congelamento de bens. Há uma guerra da moeda em curso ? isto faz parte da agenda militar. Desestabilizando-se a moeda de um país desestabiliza-se a sua economia, bloqueiam-se as exportações de petróleo, e isto antecede a implementação de uma agenda militar. Se eles puderem evitar uma aventura militar contra o Irã e ocupar o país através de outros meios, fá-lo-ão. É isso que estão a tentar neste momento. Querem a mudança de regime, o colapso das petrolíferas, apropriar-se dos recursos do país, e têm capacidade para fazer isto tudo sem uma intervenção militar, embora alguma possa vir a ser necessária. Mas o Irã é considerado uma das maiores potências militares da região e basta olharmos para as análises da sua força aérea, a sua capacidade em mísseis, as suas forças convencionais que ultrapassam um milhão de homens (entre ativo e reserva), o que permite que de um dia para o outro consiga mobilizar cerca de metade, ou até mais. Tendo em conta estes números, os EUA e os seus aliados não conseguem vencer uma guerra convencional contra o Irã, daí a razão pela qual estão a tentar fazer a guerra com outros meios, e um desses meios é o pretexto das armas nucleares. ODiário.Info: Acha que o Ocidente pode lançar um ataque preventivo contra o Irão mesmo sem provas? MC: Claro que sim! Olhe para a história dos pretextos para lançar guerras. Olhe para trás, para todas as guerras que os EUA começaram, a partir do século XIX. O que fazem sistematicamente é criar aquilo que chamamos incidente provocado para começar a guerra. Um incidente que lhes permite justificar o início de um conflito por motivos humanitários. Isto é muito óbvio. Em Pearl Harbor, por exemplo, sabe-se que foi uma provocação, porque os EUA sabiam que iam ser atacados e deixaram que tal acontecesse. O mesmo se passou com o incidente no golfo de Tonkin, que levou à guerra do Vietnã. E agora são vários os pretextos que emergem contra o Irã: as alegadas armas nucleares são um, outro é o alegado papel nos atentados 11 de Setembro, pois desde o primeiro dia que acusam o país de apoiar os ataques, a afirmação mais absurda que podem fazer, pois não existem quaisquer provas. Mas os media agarram nestas coisas e dizem ?sim, claro?. ODiário.Info: Pode explicar às pessoas de uma forma simples a relação entre guerra contra o terrorismo e batalha pelo petróleo? MC: A guerra contra o terrorismo é uma farsa, é uma forma de demonizar os muçulmanos e é também a criação, através de operações em segredo dos serviços secretos, de brigadas islâmicas, controladas pelos EUA. Sabemos disso! Estas forças, ligadas à Al-Qaeda, são uma criação da CIA de 1979. Por isso a guerra contra o terrorismo é apenas um pretexto e uma justificação para lançar uma guerra de conquista. É uma tentativa de convencer as pessoas de que os muçulmanos são uma ameaça e de que estão a protegê-las e para isso têm de invadir países perigosos, como o Irã, o Iraque, a Síria e a Coreia do Norte, que perdeu 25% da sua população durante a Guerra da Coreia, mas, no entanto, continua a ser tida como uma ameaça para Washington. É absurdo! Os americanos são um pouco como a inquisição espanhola. Aliás, piores! O que mais me choca é que os EUA conseguem virar a realidade ao contrário, sabendo que são mentiras e mesmo assim acreditando nelas. A guerra contra o terrorismo é uma mentira enorme, mas todas as pessoas acreditam e o mesmo se passava com a inquisição espanhola ? ninguém a questionava. As pessoas conformam-se com consensos e quem assume a posição de que isto não passa de um conjunto de mentiras é considerado alguém em quem não se pode confiar e provavelmente perderá o emprego. Por isso esta guerra é contra a verdade, muito mais séria que a agenda militar. Contra a consciência das pessoas ? parece que ninguém está autorizado a pensar. E depois vêm dizer-nos ?Ah, mas as armas nucleares são seguras para os civis?. E as pessoas acreditam. ODiário.Info: Será Israel capaz de atacar Irã sem o apoio dos EUA? MC: Não. Eles podem enviar as suas forças, por exemplo para o Líbano, mas o seu sistema está integrado no dos EUA e, como o Irã tem mísseis, têm de estar coordenados com Washington. É uma impossibilidade em termos militares. Em 2008, o sistema de defesa aérea de Israel foi integrado no dos EUA. Estamos a falar de estruturas de comando integradas. Quer dizer, Israel pode lançar uma pequena guerra contra o Hezbollah ou até contra a Síria, mas contra o Irã terá de ser com a intervenção do Pentágono. Embora tendo uma fatia significativa de militares, Israel tem uma população de 7 milhões de pessoas e não tem capacidade para lançar uma grande ofensiva contra o Irã. *Por Sara Sanz Pinto é jornalista. Fonte: ODiário.info -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120221/e99e6053/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8534 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120221/e99e6053/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 43928 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120221/e99e6053/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 22 18:51:41 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 22 Feb 2012 18:51:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Fernando Pessoa e outros, online!Toda a biblioteca no site da Casa Fernando Pessoa. Message-ID: <5880D47EF2064913B96DC14041211CAA@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alberto Cosme Gonçalves Toda a biblioteca de Fernando Pessoa online.... Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente online no site da Casa Fernando Pessoa. Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é "riquíssimo", mas com o site, bilingue (português e inglês), e disponível em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet, é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas ? que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros. http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120222/d40c8477/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 22 18:51:48 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 22 Feb 2012 18:51:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Um_dos_tent=C3=A1culos_do_polvo=3A_a_F?= =?utf-8?b?dW5kYcOnw6NvIEZvcmQu?= Message-ID: <61F87F786A8847B4A2CB096D234224E4@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Octopus -------------------------------------------------------------------------------- Um dos tentáculos do polvo: a Fundação Ford. Posted: 20 Feb 2012 08:47 AM PST . A maior organização filantrópica do mundo, a Fundação Ford, é na realidade a maior fachada da CIA par subverter regimes políticos estrangeiros, fomentar revoltas e penetrar nos movimentos alternativos mundiais, tudo em nome da hegemonia económica americana. Uma curiosa fundação filantrópica. A Fundação Ford é uma organização filantrópica, com sede em Nova Iorque, que tem oficialmente como objectivo o financiamento de projectos como os da defesa da democracia e a redução da miséria. Foi criada em 1936 por Henry Ford, figura lendária da indústria automóvel, mas também antissemita militante, que financiou o nacional-socialismo alemão e que detinha uma grande parte do capital da empresa química IG Farben, frabicante do gás zyklon B. Também foi ele que nos anos trinta construiu as primeiras fabricas de produção automóvel para Stalin. Uma fachada da CIA. A Fundação Ford é a maior fundação filantrópica do mundo, mas na realidade, foi fundada para servir de fachada às operações financiadas pela CIA. O objectivo é interferir no regimes políticos dos outros países isolando movimentos de oposição aos interesses americanos. Funciona como uma extensão do governo dos Estados Unidos. Um caso típico, é o financiamento do Congresso para a Liberdade da Cultura (Congress for Cultural Freedom), fundada em 1950, com sede em Paris, que é financiado pela CIA através da Fundação Ford. Durante a "guerra fria" este Congresso tinha por missão a elaboração de uma ideologia anti-comunista aceitável tanto para a direita conservadora, como para a esquerda socialista e reformista. Uma das suas criações foi a retórica da possibilidade da existência de uma "terceira via" que era, nem mais nem menos, uma "desmarxialização" dos meios intelectuais ligados aos Partidos Comunistas europeus. Neutralizar os opositores. Desde a sua criação, a Fundação Ford não mudou os seus objectivos: a defesa dos interesses estratégicos dos Estados Unidos. A diferença, é que actualmente tem vindo a desenvolver um novo método de ingerência: o "soft power", isto é, intervir nos debates internos dos seus adversários, através de subvenções, de modo a favorecer entre os vários grupos rivalidades esterilizantes. Antigamente, os dirigentes da fundação e os da CIA iam-se revezando. Actualmente, a presidente da fundação é Susan Berresford, membro executivo do Chase Manhattan Bank, mas ela também é membro da Comissão Trilateral e do Council on Foreign Relation (CFR). O conselho de administração da Fundação Ford é composto por membros da Xerox, Alcoa, Coca Cola, Levi-Strauss, Reuters, Time warner, CBS, Bank of Enlgand, J.P. Morgan, Texaco,Carlyle,... O combate actual da fundação já não é o perigo comunista, mas sim, formar os futuros dirigentes mundiais para os tornar mais compatíveis com o pensamento económico americano e assegurar-se de que os que se opõem à hegemonia dos Estados Unidos não irão muito para além das suas simples campanhas eleitorais. A Fundação Ford também financia os movimentos de oposição aos regimes inimigos. Financia o National Endowment for Deemocracy e assegura-se da vassalagem dos dirigentes da Nigéria e de Angola por causa do seu petróleo. O controlo da ONU. O outro grande domínio de influência da Fundação Ford é a junto à ONU. Aqui, a fundação promove um modelo menos agressivo do que o dos neo-conservadores, dando a sensação de uma maior abertura à ONU e uma diplomacia menos agressiva. Foi assim que Koffi Annan, com a sua aparência moderada, foi eleito para a ONU. Koffi Annan foi financiado pela fundação Ford para ir estudar nos Estados Unidos, no MIT, antes de prosseguir os seus estudos na Suíça. Próximo de Madeleine Albright, foi nomeado secretário-geral da ONU por ser tido como "o homem dos americanos". Controlo da informação e movimentos alternativos. A Fundação Ford tem um grande peso nos media. No passado financiava os jornais anti-comunistas, actualmente financia jornais alternativos, juntamente com o Instituto de George Soros. A finalidade é penetrar os reservatórios do pensamento critico que constituem esses jornais alternativos, para os sabotar do interior focando a critica sobre temas bem definidos e omitidos informação perturbadora para o sistema americano. A Fundação Ford também financia abundantemente os movimentos e reuniões alter-mundialistas como o Fórum Social Mundial. Esta intrusão permite-lhe ter um peso decisivo nos debates dessas organizações. Para perceber bem essa influência, chegou-se ao ponto de ouvir dizer a alguns militantes desses fórum que punham em causa o FMI e o Banco Mundial, e que seria necessária uma taxa sobre as transacções financeiras que essa deveria ser colectada e gerida pelo....FMI. Convém não esquecer que a Fundação Ford não financia o Fórum Social Mundial por partilhar das suas ideias, mas ao contrário financia-o para o poder neutralizar. O mesmo se passa com os financiamentos de organizações estrangeiras. Estas servem para alimentar os conflitos e as rivalidades internas de um país, enfraquecendo os movimentos anti-americanos e facilitando o triunfo dos mais brandos sobre os mais perturbadores para os Estados Unidos. http://guerre.libreinfo.org/manipulations/mensonges-de-guerre/83-fondation-ford/781-ford-subventionne-contestation.html http://fr.wikipedia.org/wiki/Congr%C3%A8s_pour_la_libert%C3%A9_de_la_culture http://www.voltairenet.org/Quand-la-CIA-financait-les http://www.voltairenet.org/La-Fondation-Ford-paravent [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 28 operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede] Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120222/163ed820/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 23 18:33:01 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 23 Feb 2012 18:33:01 -0300 Subject: [Carta O BERRO] A CRISE DO CAPITALISMO GLOBAL - por James Petras Message-ID: <492D3FAB57E14AC2B18F25A82D68539E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Rose Nogueira De: pcbcomunicsp at ajato.com.br A "crise do capitalismo global" 23 Fevereiro 2012 Classificado em Internacional - Imperialismo Crédito: Resistir.info ? Crise de quem? Quem lucra? por James Petras [*] Desde o Financial Times até à extrema-esquerda, toneladas de tinta têm sido gastas a escrever acerca de alguma variante da "Crise do capitalismo global". Se bem que os autores divirjam quanto às causas, consequências e curas, de acordo com as suas luzes ideológicas, há um acordo comum em que "as crises" ameaçam acabar o sistema capitalista tal como o conhecemos. Não há dúvida de que, entre 2008 e 2009, o sistema capitalista na Europa e nos Estados Unidos sofreu um choque severo que abalou os fundamentos do seu sistema financeiro e ameaçou levar à bancarrota seus "sectores principais". Contudo, argumentarei que as "crises do capitalismo" foram transformadas em "crises do trabalho". O capital financeiro, o principal detonador do crash e da crise, recuperou-se, a classe capitalista como um todo foi fortalecida e, acima de tudo, ela utilizou as condições políticas, sociais e ideológicas criadas em resultado das "crises" para mais uma vez consolidar sua dominação e exploração sobre o resto da sociedade. Por outras palavras, a "crise do capital" foi convertida numa vantagem estratégica para promover os interesses mais fundamentais do capital: a expansão de lucros, a consolidação do domínio capitalista, a maior concentração da propriedade, o aprofundamento de desigualdades entre capital e trabalho e a criação de enormes reservas de trabalho para promover o aumento dos seus lucros. Além disso, a noção de um crise global homogénea do capitalismo passa por alto as profundas diferenças em desempenho e condições entre países, classes e grupos etários. A tese da crise global: O argumento económico e social Os advogados da crise global argumentam que começando em 2007 e continuando até o presente, o sistema capitalista mundial entrou em colapso e a recuperação é uma miragem. Eles mencionam a estagnação e a recessão contínua na América do Norte e na Eurozona. Eles apresentam dados do PIB que variam entre o crescimento negativo e o zero. A sua argumentação é apoiada por dados que mencionam dois dígitos de desemprego em ambas as regiões. Frequentemente corrigem os dados oficiais que minimizam a percentagem desempregada através da exclusão de trabalhadores desempregados em tempo parcial e a longo prazo. O argumento da "crise" é fortalecido com a citação dos milhões de proprietários de casas que foram despejados pelos bancos, pelo aumento agudo da pobreza e da penúria que acompanha perdas de emprego, reduções de salário e a eliminação ou redução de serviços sociais. A "crise" também é associada ao aumento maciço de bancarrotas, principal de pequenos e médios negócios e bancos regionais. A crise global: A perda de legitimidade Críticos, especialmente na imprensa financeira, escrevem acerca de uma "crise de legitimidade do capitalismo" citando inquéritos que mostram maiorias substanciais a questionarem a justiça do sistema capitalista, as vastas e crescentes desigualdades e as regras manipuladas pelas quais bancos exploram a sua dimensão ("demasiado grande para falir") a fim de atacar o Tesouro a expensas de programas sociais. Em suma, os advogados da tese de uma "Crise global do capitalismo" apresentam uma argumentação convincente, demonstrando os efeitos profundos e generalizados do sistema capitalista sobre a vida da grande maioria da humanidade. O problema é que uma "crise da humanidade" (mais especificamente dos trabalhadores assalariados) não é o mesmo que uma crise do sistema capitalista. De facto, como argumentaremos adiante, a adversidade social crescente, o declínio do rendimento e do emprego tem sido um factor importante que facilitou a recuperação rápida e maciça das margens de lucro da maior parte das corporações de grande dimensão. Além disso, a tese de uma crise "global" do capitalismo combina economias, países, classes e grupos etários díspares com desempenhos agudamente divergentes em diferentes momentos históricos. Crise global ou desenvolvimento irregular e desigual? É absolutamente louco argumentar a existência de uma "crise global" quando várias das maiores economias na economia mundial não sofreram uma grande baixa de actividade e outras recuperaram-se e expandiram-se rapidamente. A China e a Índia não sofreram sequer uma recessão. Mesmo durante os piores anos do declínio europeu-estado-unidense, os gigantes asiáticos cresceram a uma média de cerca de 8%. As economias da América Latina, especialmente os maiores exportadores agro-minerais (Brasil, Argentina, Chile) com mercados diversificados, especialmente na Ásia, detiveram-se brevemente (em 2009) antes de assumirem crescimento moderado a rápido (entre 3% e 7%) entre 2010 e 2012. Ao agregar dados económicos da eurozona como um todo os advogados da crise global ignoraram as enormes disparidades de desempenho dentro da zona. Enquanto a Europa do Sul afunda-se numa depressão profunda e constante, por qualquer medida, desde 2008 até o futuro previsível, as exportações alemãs em 2011 estabeleceram um recorde de um milhão de milhões (trillion) de euros; seu excedente comercial atingiu 158 mil milhões de euros, depois de excedentes de 155 mil milhões de euros em 2010. (BBC News, Feb. 8 2012). Enquanto o desemprego agregado da eurozona atinge os 10,4%, as diferenças internas desafiam qualquer noção de uma "crise geral". O desemprego na Holanda é 4,9%, na Áustria 4,1% e na Alemanha 5,5% com reclamações do patronato de escassez de trabalho qualificado em sectores chave para o crescimento. Por outro lado, no explorado Sul da Europa o desemprego caminha para níveis de depressão, Grécia 21%, Espanha 22,9%, Irlanda 14,5% e Portugal 13,6% (FT 1/19/12, p.7). Por outras palavras, "a crise" não afecta adversamente algumas economias, que de facto lucram com a sua dominação de mercado e fortaleza tecno-financeira em relação a economias dependentes, devedoras e atrasadas. Falar de uma "crise global" obscurece as relações fundamentais dominantes e exploradoras que facilitam a "recuperação" e o crescimento das economias de elite sobre e contra os seus competidores e estados clientes. Além disso os teóricos da crise global erradamente amalgamam economias financeiras-especulativas cavalgadas pela crise (EUA, Inglaterra) com economias produtivas exportadoras (Alemanha, China). O segundo problema com a tese de uma "crise global" é que ela ignora profundas diferenças internas entre grupos etários. Em vários países europeus a juventude desempregada (16-25) chega a estar entre 30 e 50% (Espanha 48,7%, Grécia 47,2%, Eslováquia 35,6%, Itália 31%, Portugal 30,8% e Irlanda 29%) ao passo que na Alemanha, Áustria e Holanda o desemprego juvenil vai dos 7,8% para a Alemanha, 8,2% para a Áustria e 8,6% para a Holanda (Financial Times 2/1/12, p2). Estas diferenças fundamentam a razão porque não há um "movimento juvenil global" de "indignados" e "ocupantes". Diferenças de cinco vezes entre juventude desempregada não são propícias à solidariedade "internacional". A concentração dos números do alto desemprego juvenil explica o desenvolvimento desigual dos protestos de rua em massa centrados especialmente no Sul da Europa. Também explica porque o movimento "anti-globalização" no Norte euro-americano é em grande medida um fórum sem vida que atrai explicações académicas pomposas sobre a "crise capitalista global" e a impotência dos "Fóruns Sociais" que são incapazes de atrair milhões de jovens desempregados do Sul da Europa. Eles são mais atraídos para a acção directa. Teóricos globalistas ignoram o modo específico pelo qual a massa de jovens trabalhadores desempregados é explorada nos seus países dependentes cavalgados pela dívida. Eles ignoram o modo específico pelo qual são dominados e reprimidos por partidos capitalistas de centro-esquerda e de direita. O contraste é mais evidente no Inverno de 2012. Trabalhadores gregos são pressionados a aceitar um corte de 20% nos salários mínimos ao passo que trabalhadores da Alemanha estão a exigir um aumento de 6%. Se a "crise" do capitalismo se manifesta em regiões específicas, ela igualmente afecta diferentes sectores etários/raciais das classes assalariadas. As taxas de desemprego da juventude aos trabalhadores mais velhos variam enormemente. Na Itália a proporção é 3,5/1, na Grécia 2,5/1, em Portugal 2,3/1, na Espanha 2,1/1 e na Bélgica 2,9/1. Na Alemanha é 1,5/1 (FT 2/1/12). Por outras palavras, devido aos níveis de desemprego mais altos entre os jovens eles têm maior propensão para a acção directa "contra o sistema", ao passo que trabalhadores mais velhos com níveis de emprego mais altos (e benefícios de desemprego) têm mostrado uma maior propensão para confiar na urna eleitoral e comprometer-se em greves limitadas sobre questões relacionadas com o emprego e o pagamento. A vasta concentração do desemprego entre jovens trabalhadores significa que eles constituem o "núcleo disponível" para a acção constante; mas também significa que só podem alcançar limitada unidade de acção com a classe trabalhadora mais velha que experimenta desemprego de um algarismo. Contudo, também é verdadeiro que a grande massa da juventude desempregada proporciona uma arma formidável, nas mãos dos patrões, para ameaçar substituir trabalhadores empregados mais velhos. Hoje, os capitalistas recorrem constantemente à utilização dos desempregados para reduzir salários e benefícios e intensificar a exploração (baptizada como "aumento de produtividade") para aumentar margens de lucro. Longe de serem simplesmente um indicador da "crise capitalista", os altos níveis de desemprego têm servido juntamente com outros factores para aumentar a taxa de lucro, acumular rendimento, ampliar desigualdades de rendimento as quais aumentam o consumo de bens de luxo para a classe capitalista: as vendas de automóveis e relógios de luxo estão florescentes. Crise de classe: A contra-tese Contrariando os teóricos da "crise capitalista global", emergiu uma quantidade substancial de dados que refuta suas suposições. Um estudo recente informa "Lucros corporativos estado-unidenses estão mais altos em proporção do produto interno bruto do que em qualquer momento desde 1950" (FT 1/30/12). Os saldos de caixa de companhias dos EUA nunca foram maiores, graças à exploração intensificada dos trabalhadores e a um sistema de salários multi-estratificado no qual novos contratados trabalham por uma fracção do que os trabalhadores mais velhos recebiam (graças a acordos assinados por líderes sindicais capachos). Os ideólogos da "crise do capitalismo" ignoraram os relatórios financeiros das principais corporações estado-unidenses. Segundo o relatório de 2011 da General Motors destinado aos seus accionistas, eles celebraram o maior lucro de sempre, revelando um lucro de US$7,6 mil milhões, o que ultrapassa o recorde anterior de US$6,7 mil milhões em 1997. Uma grande parte destes lucros resulta do congelamento dos seus fundos de pensão subfinanciados e da extracção de maior produtividade do menor número de trabalhadores ? por outras palavras, da intensificação da exploração ? e do corte pela metade dos salários horários dos novos contratados. (Earthlink News 2/16/12) Além disso, a importância agravada da exploração imperialista é evidente pois a proporção de lucros das corporações estado-unidenses que é extraída além-mar mantém-se em ascensão a expensas do crescimento do rendimento dos empregados. Em 2011, a economia dos EUA cresceu em 1,7%, mas a mediana dos salários caiu em 2,7%. Segundo a imprensa financeira, "as margens de lucro das S&P 500 saltaram de 6% para 9% do PIB nos últimos três anos. A última vez que foi alcançada tal proporção foi há três gerações. Em linha gerais um terço, a fatia estrangeira destes lucros, mais do que duplicou desde 2000" (FT 2/13/12 P9. Se isto é uma "crise capitalista", então quem é que precisa de um boom capitalista? Inquéritos a corporações de topo revelam que companhias estado-unidenses possuem US$1,73 milhão de milhões em cash, "os frutos do recorde de altas margens de lucro" (FT 1/30/12 p.6). Estas margens de lucro recorde resultam de despedimentos em massa os quais levaram à intensificação da exploração dos restantes trabalhadores. Taxas de juro federais desprezíveis e acesso fácil ao crédito também permitem aos capitalistas explorarem amplos diferenciais entre a contracção de empréstimos e a concessão dos mesmos e o investimento. Impostos mais baixos e cortes em programas sociais resultam numa crescente acumulação de cash das corporações. Dentro da estrutura corporativa, o rendimento vai para o topo onde executivos seniores pagam a si próprios bónus enormes. Dentre as principais corporações S&P 500 a proporção de rendimento que vai para dividendos de accionistas é a mais baixa desde 1900 (FT 1/30/12, p.6). Uma crise capitalista real afectaria adversamente margens de lucro, ganhos brutos e a acumulação de cash. Lucros ascendentes estão a ser amontoados porque quando capitalistas se aproveitam da exploração intensa o consumo das massas estagna. Os teóricos da crise confundem o que é claramente a degradação do trabalho, a degradação das condições de vida e de trabalho e mesmo a estagnação da economia, com uma "crise" do capital: quando a classe capitalista aumenta suas margens de lucros, arrecada milhões de milhões, ela não está em crise. O ponto-chave é que a "crise do trabalho" é um grande estímulo para a recuperação de lucros capitalistas. Não podemos generalizar de uma para a outra. Não há dúvida de que houve um momento de crise capitalista (2008-2009) mas graças à maciça transferência de riqueza, sem precedentes no estado capitalista, do tesouro público para a classe capitalista ? bancos da Wall Street em primeiro lugar ? o sector corporativo recuperou, ao passo que os trabalhadores e o resto da economia permaneceu em crise, foi à bancarrota e ficou sem trabalho. Da crise à recuperação de lucros: 2008/9 a 2012 A chave para a "recuperação" de lucros corporativos tem pouco a ver com o ciclo de negócios e tudo com a tomada de poder em grande escala da Wall Street e a pilhagem do Tesouro dos EUA. Entre 2009-2012 centenas de antigos executivos da Wall Street, administradores e conselheiros de investimento apoderaram-se de todas as principais posições decisiva no Departamento do Tesouro e canalizaram milhões de milhões de dólares para os cofres das principais financeiras e corporações. Eles intervieram em corporações financeiramente perturbadas, como a General Motors, impondo grandes cortes salariais e demissões de milhares de trabalhadores. Os homens da Wall Street no Tesouro elaboraram a doutrina do "Demasiado grande para falir" a fim de justificar a transferência maciça de riqueza. A totalidade do edifício especulativo construído em parte por um aumento de 234 vezes no volume de transacções cambiais entre 1977-2010 foi restaurado (FT 1/10/12, p.7). A nova doutrina argumentou que a primeira e principal prioridade do estado é devolver a lucratividade ao sistema financeiro a qualquer custo para a sociedade, os cidadãos, os contribuintes e os trabalhadores. O "Demasiado grande para falir" é um repúdio completo dos mais básicos princípios do sistema capitalista de "mercado livre": a ideia de que aqueles capitalistas que perdem arquem as consequências; que cada investidor ou presidente de empresa é responsável pela sua acção. Os capitalistas financeiros já não precisam justificar sua actividade em termos de qualquer contribuição para o crescimento da economia ou da "utilidade social". De acordo com os que agora dominam a Wall Street deve ser salva porque é a Wall Street, mesmo se o resto da economia e o povo afundarem (FT 1/20/12, p.11). Os salvamentos e financiamentos do estado são complementados por centenas de milhares de milhões em concessões fiscais, levando a défices fiscais sem precedentes e ao crescimento de desigualdades sociais maciças. O pagamento de um presidente de empresa (CEO) como um múltiplo do trabalhador médio passou de 24 para 1 em 1965 para 325:1 em 2010 (FT 1/9/12, p.5). A classe dominante exibe a sua riqueza e poder com a ajuda conivente da Casa Branca e do Tesouro. Face à hostilidade popular à pilhagem do Tesouro pela Wall Street, Obama chegou ao fingimento de pedir ao Tesouro para impor um teto aos bónus de muitos milhões de dólares que os presidentes de bancos salvos concediam-se a si próprios. Os homens da Wall Street no Tesouro recusaram-se a impor a ordem executiva, os CEOs obtiveram milhares de milhões em bónus em 2011. O presidente Obama continuou, pensando que enganava o público estado-unidense com o seu gesto falso, enquanto arrecadava milhões de fundos de campanha junto à Wall Street! A razão porque o Tesouro foi capturado pela Wall Street é que nas décadas de 1990 e 2000 os bancos se tornaram uma força dominante nas economias ocidentais. Sua fatia do PIB subiu drasticamente (de 2% na década de 1950 para 8% em 2010" (FT 1/10/12, p.7). Hoje é "procedimento operacional normal" para o presidente nomear homens da Wall Street para todas as posições económicas chave e é "normal" para estes mesmos responsáveis prosseguirem políticas que maximizam lucros da Wall Street e eliminam qualquer risco de fracasso, não importa quão aventurosos e corruptos sejam os seus praticantes. A porta giratória: Da Wall Street para o Tesouro e retorno A relação entre a Wall Street e o Tesouro tornou-se efectivamente uma "porta giratória": da Wall Street para o Departamento do Tesouro para a Wall Street. Banqueiros privados assumem compromissos no Tesouro (ou são recrutados) para assegurar que todos os recursos e políticas que a Wall Street são concedidas com o máximo esforço, com o mínimo obstáculo de cidadãos, trabalhadores ou contribuintes. Os homens da Wall Street no Tesouro dão a mais alta prioridade à sobrevivência, recuperação e expansão dos lucros da Wall Street. Eles bloqueiam quaisquer regulamentações ou restrições a bónus ou a repetições das fraudes do passado. Os homens da Wall Street "ganham reputação" no Tesouro e então retornam ao sector privado em posições mais altas, como conselheiros sénior e sócios. Uma nomeação no Tesouro é uma escada para subir na hierarquia da Wall Street. O Tesouro é um posto de abastecimento para a Limusine da Wall Street: o ex homens da Wall Street enchem o tanque, verificam o óleo e então salvam para o assento da frente e correm para um emprego lucrativo, deixando o posto de abastecimento (público) pagar a conta. Aproximadamente 774 executivos saíram do Tesouro entre Janeiro de 2009 e Agosto de 2011 (FT 2/6/12, p. 7). Todos eles proporcionaram "serviços" lucrativos para os seus futuros patrões da Wall Street, descobrindo uma grande maneira de re-entrar nas finanças privadas numa posição lucrativa mais alta. Uma notícia no Financial Times Fev. 6, 2012 (p. 7) adequadamente intitulada "Manhattan Transfer" proporcionava ilustrações típicas da "porta giratória" Tesouro-Wall Street. Ron Bloom passou de banqueiro júnior no Lazard para o Tesouro, ajudando a engendrar um salvamento de um milhão de milhões de dólares da Wall Street e retornou ao Lazard como conselheiro sénior. Jake Siewert foi da Wall Street tornando-se ajudante principal do secretário do Tesouro Tim Geithner e então graduado na Goldman Sachs, tendo servido para solapar qualquer tecto nos bónus da Wall Street. Michael Mundaca, o mais sénior responsável fiscal no regime Obama veio da Street e então passou par um posto altamente lucrativo na Ernst and Young, uma firma corporativa de contabilidade, tendo ajudado a reduzir impostos corporativos durante o seu período no "gabinete público". Eric Solomon, um responsável fiscal sénior na infame isenção de impostos corporativos da administração Bush, fez a mesma comutação. Jeffrey Goldstein que Obama encarregou da regulação financeira e teve êxito em solapar exigências populares, retornou ao seu patrão anterior, Hellman and Friedman, com a adequada promoção pelos serviços prestados. Stuart Levey que dirigiu as sanções da AIPAC contra políticas do Irão a partir da chamada "agência anti-terrorista" do Tesouro foi contratado como advogado geral pelo HSBC para defendê-lo de investigações de lavagem de dinheiro (FT 2/6/12, p. 7). Neste caso Levey passou da promoção dos objectivos de guerra de Israel para a defesa de um banco internacional acusados de lavar milhares de milhões do cartel mexicano. Levey, a propósito gastou tanto tempo a insistir na agenda iraniana de Israel que ignorou totalmente a lavagem de dinheiro dos carteis mexicanos da droga com operações transfronteiriças durante quase uma década. Lew Alexander, conselheiro sénior de Geithner na concepção do salvamento de mil milhões de dólares, é agora responsável sénior no Nomura, o banco japonês. Lee Sachs passou do Tesouro para o Bank Alliance (sua própria "plataforma de concessão de empréstimos"). James Millstein foi do Lazard para o Tesouro, salvou a seguradora AIG dirigida abusivamente por Greenberg e então estabeleceu a sua própria firma privada de investimento tomando consigo um conjunto de responsáveis do Tesouro bem conectados. A "porta giratória" Goldman Sachs-Tesouro continua ainda hoje. Além do passado e actual chefes do Tesouro, Paulson e Geithner, Mark Patterson, antigo sócio da Goldman, foi recentemente nomeado "chefe de equipe" de Geithner. Tim Bowler, antigo administrador director foi nomeado por Obama para chefe da divisão de mercados de capital. Deveria ser perfeitamente claro que eleições, partidos e os mil milhões de dólares de campanhas eleitorais têm pouco a ver com "democracia" e mais a ver com a selecção dos presidente e dos legisladores que nomearão homens não eleitos da Wall Street para tomarem todas as decisões económicas estratégicas para 99% dos americanos. Os resultados da porta giratória Wall Street-Tesouro são claros e proporcionam-nos uma estrutura para entender porque a "crise do lucro" desvaneceu-se e a crise do trabalho aprofundou-se. Os "alcances políticos" da porta giratória O conluio Wall Street-Tesouro (CWST) tem desempenhado um trabalho hercúleo e audacioso para o capital financeiro e corporativo. Face à condenação universal da Wall Street pela vasta maioria do público pelas suas fraudes, bancarrotas, perdas de empregos e arrestos hipotecários, o CWST apoiou publicamente os trapaceiros com um salvamento de um milhão de milhões de dólares. Um movimento ousado face a isto, como se maiorias e eleições contassem para alguma coisa. Igualmente importante é que o CWTS lançou ao lixo toda a ideologia do "livre mercado" que justificava lucros dos capitalistas com base nos seus "riscos", pela imposição do novo dogma do "demasiado grande para falir" pelo qual o tesouro do estado garante lucros mesmo quando capitalistas enfrentam a bancarrota, desde que sejam firmas de milhares de milhões de dólares. O CWST também jogou no lixo o principio capitalista da "responsabilidade fiscal" em favor de centenas de milhares de milhões de dólares de isenções fiscais para a classe dominante corporativo-financeira, provocando défices orçamentais recordes em tempo de paz e tendo então a audácia de culpar os programas sociais apoiados pelas maiorias populares. (Será de admirar que estes ex-responsáveis do Tesouro obtenham ofertas tão lucrativas no sector privado quando abandonam o gabinete público?) Em terceiro lugar, o Tesouro e o Banco Central (Federal Reserve) proporcionam empréstimos a juro próximo de zero que garantem grandes lucros a instituições financeiras privadas as quais tomam emprestado a juro baixo do Fed e concedem empréstimos a juro alto (incluindo o Governo!) especialmente na compra de governos além mar e títulos corporativos. Eles recebem em qualquer lugar de quatro a dez vezes as taxas de juro que pagam. Por outras palavras, os contribuintes proporcionam um monstruoso subsídio à especulação da Wall Street. Com a condição acrescentada de que hoje estas actividades especulativas são agora assegurados pelo governo federal, sob a doutrina do "Demasiado grande para falir". Sob a ideologia da "recuperação da competitividade", a equipe económica de Obama (desde o Tesouro até o Federal Reserve, o Departamento do Comércio e o do Trabalho) encorajaram o patronato a empenhar-se no mais agressivo despedimento acelerado (shedding) de trabalhadores da história moderna. A produtividade e a lucratividade aumentadas não são o resultado de " inovação" como proclamam Obama, Geithner e Bernache; são produto de uma política de estado quanto ao trabalho que aprofunda a desigualdade pela manutenção de salários baixos e margens de lucro em ascensão. Menos trabalhadores a produzirem menos mercadorias. Crédito barato e salvamentos para os bancos de milhares de milhões de dólares e nenhum refinanciamento para casas e firmas de pequena e média dimensão que levam a bancarrotas, absorções (buyouts) e nomeadamente "consolidação", maior concentração de propriedade. Em resultado o mercado de massa estagna mas os lucros corporativos e dos bancos alcançam níveis recorde. Segundo peritos financeiros, sob a "nova ordem" do CWST "os banqueiros são uma classe protegida que desfruta de bónus sem relação com o desempenho, enquanto confia no contribuinte para socializar suas perdas" (FT 1/9/12, p.5). Em contraste, o trabalho, sob a equipe económica de Obama, enfrenta a maior insegurança e a mais ameaçadora situação da história recente: "o que é inquestionavelmente novo é a ferocidade com que os negócios nos EUA sangra o trabalho agora que o pagamento dos executivos e os esquemas de incentivo estão ligados a objectivos de desempenho a curto prazo" (FT 1/9/2012, p. 5). Consequências económicas de políticas de estado Por causa da captura pela Wall Street das posições estratégicas no governo quanto à política económica, podemos entender o paradoxo de margens de lucro recordes em meio à estagnação económica. Podemos compreender porque a crise capitalista, pelo menos a curto prazo, foi substituída por uma profunda crise do trabalho. Dentro da matriz de poder da Wall Street-Departamento do Tesouro, retornaram todas as velhas e corruptas práticas de exploração que levaram ao crash de 2008-2009: bónus multi-bilionários para banqueiros de investimento que conduziram a economia ao crash; bancos "a apanharem rapidamente milhares de milhões de dólares de produtos hipotecários empacotados que recordam a dívida fatiada e jogada aos dados que alguns (sic) culpam pela crise financeira" (FT 2/8/12, p.1). A diferença hoje é que estes instrumentos especulativos são agora apoiados pelo contribuinte (Tesouro). A supremacia da estrutura financeira da economia estado-unidense anterior à crise está em vigor em próspera ... "só" a força de trabalho dos EUA afundou no maior desemprego, declínio de padrões de vida, insegurança generalizada e profundo descontentamento. Conclusão: O processo contra o capitalismo e pelo socialismo A crise profunda de 2008-2009 provocou um jorro de questionamentos do sistema capitalista, mesmo entre muitos dos seus mais ardentes advogados a crítica abunda (FT 1/8/12 a 1/30/12). "Reforma, regulamentação e redistribuição" eram o cardápio de colunistas financeiros. Mas a classe dominante na economia e no governo não lhe presta atenção. Os trabalhadores são controlados por líderes sindicais capachos e falta-lhe um instrumento político. Os pseudo populistas de direita abraçam uma agenda pró capitalista ainda mais virulenta, clamando pela eliminação total de programas sociais e impostos corporativos. Dentro do estado, verificou-se uma grande transformação que efectivamente esmagou qualquer ligação entre capitalismo e estado previdência, entre a tomada de decisões pelo governo e o eleitorado. A democracia foi reatada por um estado corporativo, fundamentado na porta giratória entre o Tesouro e a Wall Street, a qual canaliza riqueza pública para cofres dos financeiros privados. A brecha entre o bem-estar da sociedade e as operações da arquitectura financeira é definitiva. A atividade da Wall Street não tem utilidade social; seus praticantes enriquecem-se sem actividade que os redima. O capitalismo demonstrou conclusivamente que prospera através da degradação de dezenas de milhões de trabalhadores e rejeita as súplicas infindáveis por reforma e regulamentação. O capitalismo real existente não pode ser arreado para elevar padrões de vida ou assegurar emprego livre do medo de despedimentos em grande escala, súbitos e brutais. O capitalismo, como experimentamos ao longo da última década e no futuro previsível, está em oposição polar à igualdade social, à tomada de decisões democráticas e ao bem-estar colectivo. Lucros capitalistas recordes são ampliados pela pilhagem do tesouro público, negando pensões e prolongando "trabalho até que você morra", levando famílias à bancarrota com exorbitantes custos corporativos de medicina e educação. Mais do que nunca na história recente, maiorias recordes rejeitam o domínio por e para os banqueiros e a classe dominante corporativa (FT 2/6/12, p. 6). Desigualdades entre os 1% do topo e a base dos 99% atingiram proporções recordes. Presidentes de empresas ganham 325 vezes mais do que um trabalhador médio (FT 1/9/12, p.5). Desde que o estado tornou-se um "fundamento" da economia dos predadores da Wall Street, e desde que a "reforma" e regulamentação fracassaram tristemente, é tempo de considerar uma transformação sistémica fundamental que abra caminho a uma revolução política a qual forçosamente expulsará as elites financeiras e corporativas não eleitas que dirigem o estado para os seus próprios exclusivos interesses. A totalidade do processo político, incluindo eleições, está profundamente corrompida: cada nível de gabinete tem o seu próprio preço inflacionado. A actual disputa presidencial custará US$2 a US$3 mil milhões de dólares para determinar qual dos servidores da Wall Street presidirá sobre a porta giratória. O socialismo já não é a palavra assustadora do passado. O socialismo envolve a reorganização em grande escala da economia, a transferência de milhões de milhões dos cofres das classes predadoras de nenhuma utilidade social para o bem-estar público. Esta mudança pode financiar uma economia produtiva e inovadora baseada no trabalho e no lazer, no estudo e no desporto. O socialismo substitui o terror diário da demissão pela segurança que traz confiança, segurança e respeito ao lugar de trabalho. A democracia no lugar de trabalho está no cerne da visão de socialismo do século XXI. Começamos por nacionalizar os bancos e eliminar a Wall Street. As instituições financeiras são redesenhadas para criar emprego produtivo, servir o bem-estar social e preservar o ambiente. O socialismo começaria a transição, de uma economia capitalista dirigida por predadores e trapaceiros e um estado sob o seu comando, rumo a uma economia de propriedade pública sob controle democrático. [*] O seu livro mais recente é The Arab Revolt and the Imperialist Counter Attack, Clarity Press, 2012, 2ª edição. O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=29388 Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120223/94610495/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 23 18:33:08 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 23 Feb 2012 18:33:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Not=C3=ADcias_do_Vermelho=3A_Qua_22?= Message-ID: <6D2D23F110744AF0A786AD34F8AC18CE@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Destaques da edição de hoje do Portal Vermelho Jorge Amado Homenagem leva símbolo comunista para a Sapucaí Leia... Espanha Um milhão tomam as ruas contra reforma trabalhista Leia... Após tumulto Mocidade Alegre é declarada campeã do carnaval Leia... Crítica social Em ritmo de protesto, carnaval europeu ganha as ruas Leia... Posição Partido Comunista Sírio face ao ataque imperialista Leia... 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Nos evangelhos, Jesus prima por curar física, psíquica e espiritualmente. Ao longo da história ocidental, a Igreja se destacou como provedora da saúde. De sua iniciativa surgiram os primeiros hospitais, sanatórios e, no Brasil, Santas Casas de Misericórdia. Nos santuários, de Aparecida a Juazeiro do Norte, a manifestação de fé do povo na cura -bênção de Deus por intercessão de santos-, aparece das "salas dos milagres", onde se enfileiram os ex-votos. Os bispos reconhecem os avanços da saúde no Brasil, como a redução da mortalidade infantil (na qual a Pastoral da Criança, iniciativa da Dra. Zilda Arns, desempenha papel fundamental). Em 1980, eram registrados 69,12 óbitos por 1.000 nascidos vivos. Em 2010, o índice caiu para 19,88. A expectativa de vida no Brasil apresenta evolução significativa nas últimas décadas. Em 2008, a esperança de vida dos brasileiros, ao nascer, chegou a 72 anos, 10 meses e 10 dias. A média entre homens é de 69,11 anos e, entre mulheres, 76,71. De 1980 a 2000, a população de idosos cresceu 107%, enquanto a dos jovens de até 14 anos apenas 14% (Ministério da Saúde, 2011). Em 1980, as crianças de 0 a 14 anos correspondiam a 38,25% da população e, em 2009, representavam 26,04%. Entretanto, o contingente com 65 anos ou mais de idade pulou de 4,01% para 6,67% no mesmo período. Em 2050, o primeiro grupo representará 13,15%, ao passo que os idosos ultrapassarão os 22,17% da população total. A melhoria, no Brasil, das condições de vida em geral trouxe maior longevidade à população. O número de idosos já chega a 21 milhões de pessoas. As projeções apontam para a duplicação deste contingente nos próximos 20 anos, ou seja, ampliação de 8% para 15%. Porém, o percentual de crianças e jovens está em queda. Uma das causas é a diminuição do índice de fecundidade por casal, que, em 2008, caiu para 1,8 filhos, o que aproxima o Brasil dos países com as menores taxas de fecundidade. Como a mortalidade infantil ainda é alta em relação aos melhores indicadores -19,88/1.000- verifica-se a preocupante diminuição percentual da faixa etária mais jovem. Portanto, uma impactante transição demográfica está em curso no país. A julgar pelas projeções, essa transição demográfica mudará a face da população brasileira. Segundo estimativas, em 2050, haverá 100 milhões de indivíduos com mais de 50 anos, causando reflexos diretos no campo da saúde. Hoje, a hipertensão afeta metade dos idosos. Dores na coluna, artrite, reumatismo são doenças muito comuns entre as pessoas de 60 anos ou mais. O consumismo e a falta de educação nutricional mudam, agora, o padrão físico do brasileiro. O excesso de peso ou sobrepeso e a obesidade explodiram. Segundo o IBGE, em 2009, o sobrepeso atingiu mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos de idade; cerca de 20% da população entre 10 e 19 anos; 48% das mulheres; 50,1% dos homens acima de 20 anos[1] <#_ftn1> . Em suma, 48,1% da população brasileira estão acima do peso, e 15% são obesos. Trata-se de verdadeira epidemia. Desde 2003, a POF (Pesquisa Orçamentária Familiar) indica que as famílias estão substituindo a alimentação tradicional na dieta do brasileiro (arroz, feijão, hortaliças) pela industrializada, mais calórica e menos nutritiva, com reflexos no equilíbrio do organismo, podendo resultar em enfermidades como o descontrole da pressão arterial e o diabetes. Apesar dos avanços, a Campanha da Fraternidade considera o SUS um "caos, sobretudo perante os olhos dos mais necessitados de seus serviços". Garantir à população direitos e recursos previstos na Constituição sobre a Seguridade Social (Assistência Social, Previdência Social e Saúde) é um dos principais desafios na atualidade. Na contramão do que prevê a Constituição, são as famílias que mais gastam com saúde. Dados do IBGE mostram que o gasto com a saúde representou 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, em 2007. Do total registrado, 58,4% (ou R$ 128,9 bilhões) foram gastos pelas famílias, enquanto 41,6% (R$ 93,4 bilhões) ficaram a cargo do setor público. Nos países ricos, 70% dos gastos com saúde são cobertos pelo governo e apenas 30% pelas famílias. Para especialistas na área de Saúde Pública, o gasto total com a saúde, em 2009, foi de R$ 270 bilhões (8,5% do PIB), sendo R$ 127 bilhões (47% dos recursos ou 4% do PIB) de recursos públicos e R$ 143 bilhões (53% dos recursos ou 4,5% do PIB) de recursos privados. O orçamento da União para a Saúde, em 2011, foi de R$ 68,8 bilhões. Deste total, somente R$ 12 bilhões foram investidos na atenção básica à saúde, por meio de programas do Ministério da Saúde. O Brasil conta com mais de 192 milhões de habitantes e 5.565 municípios. Entretanto, vários municípios, principalmente das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, não dispõem de profissionais de saúde para os cuidados básicos, sendo que, em centenas deles, não há médicos para atendimento diário à população. Cerca de 150 (78% da população) milhões de brasileiros dependem do SUS para ter acesso aos serviços de saúde. Pois não têm o privilégio da parcela de 40 milhões que pagam planos privados de saúde, com medo da ineficiência do SUS. "Vim para que todos tenham vida e vida em abundância", disse Jesus (João 10, 10). Se assim não ocorre, resta-nos fazer de nosso voto e cidadania pressão e exigência de uma nação saudável. [Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de "Conversa sobre a fé e a ciência" (Agir). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120224/de1e2aa1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5717 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120224/de1e2aa1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 24 18:56:20 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 24 Feb 2012 18:56:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_As_fam=EDlias_do_acampamento_=22A?= =?iso-8859-1?q?lexandra_Kollontai=22=2C_de_Serrana=2C_na_regi=E3o_?= =?iso-8859-1?q?de_Ribeir=E3o_Preto=2C_ocuparam_no_s=E1bado=2Cdia_1?= =?iso-8859-1?q?1=2C_e_pela_6a_vez=2C_a_Fazenda_Martin=F3polis?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Povo teimoso Frederico Daia Firmiano e Silvia Adoue As famílias do acampamento "Alexandra Kollontai", de Serrana, na região de Ribeirão Preto, ocuparam no sábado, dia 11, e pela 6a vez, a Fazenda Martinópolis, de 1.817 hectares, onde funcionou, a partir de 1975, uma usina de açúcar e álcool . Esse povo, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, está acampado já faz 4 anos. A área da fazenda já foi maior. E a exploração data de mais de um século. Foi fazenda de leite, café, amendoim, milho, arroz, com casa de fubá e rapadura. Contam os ex-colonos que um ramal das linhas férreas da Mogiana atravessava os cultivos, e a "Maria Fumaça" se detinha numa estação pequena. Num dos limites da fazenda, corre o rio Pardo. Hoje só tem cana, excetuando um pequeno roçado de milho e soja. Porém, bem no meio, na baixada, uma área fica sem cana, sem milho, sem rapadura, sem arroz. Mal cresce o mato. Dizem os velhos que ali era a senzala, lugar cheio de pedras, onde ainda se podem ver as argolas nas quais os escravos ficavam acorrentados. Com a imigração, dentro da Martinópolis, se instalaram duas colônias, a São Pedro e a Bebedor, que abrigaram 40 famílias. E havia uma estradinha com duas carreiras de flamboyant, que unia as colônias com a sede. Lembram os velhos colonos que foi em 1972 que virou fazenda de cana, começou a contrair dívidas e, em 1975, com o Pró-álcool, conseguiu se reerguer. Chegou a ter mais de 1000 trabalhadores durante os períodos de safra. Lá pelo ano de 1995 foi o início da decadência. Passou a dever aos trabalhadores (sofrendo inúmeros processos trabalhistas) aos empreiteiros e ao fisco, segundo consta no Cadastro da Dívida Ativa do estado de São Paulo. Por esse último motivo, corre um processo na Vara Pública de Ribeirão Preto. Procuradoria Geral do Estado. A Usina Martinópolis e a Fazenda Martinópolis foram arrendadas pela Usina Nova União quando já estavam afundadas em dívidas. A empresa arrendatária encarregou-se de fazer ainda mais dívidas, continuou com a sonegação de impostos, conforme consta no Cadastro da Dívida Ativa do Estado de São Paulo, e deixou de pagar os trabalhadores, como o indicam os processos trabalhistas que tem que enfrentar. Mas as suas façanhas não ficam por aí. Os cortadores de cana eram contratados por meio de gatos. Consta, segundo informação da FUNAI de Mato Grosso do Sul, que 300 eram indígenas de Mato Grosso do Sul. O Ministério do Trabalho acompanhou e fez a denúncia. Esta informação foi divulgada no jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, e no jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte. A Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região investiga a Nova União por driblar os compromissos trabalhistas: o transporte e o alojamento eram precários, faltavam equipamentos de segurança no trabalho, o ganho por produtividade levava os cortadores à exaustão, não se pagavam as contribuições legais, demitiam-se os trabalhadores em caso de greve. (Esta informação foi divulgada pelos jornais A Cidade e A Tribuna, ambos de Ribeirão Preto.) Além disso tudo, a monocultura produziu um enorme passivo ambiental, e a usina foi multada pela CETESB, que fiscaliza e autua em favor da proteção ambiental no estado de São Paulo. O imbróglio não fica por aqui. O labirinto de irresponsabilidade e ocultamento inclui o arrendamento da empresa arrendatária, a Nova União, entre outras, pela Prince Partner Empreendimentos e Participações Ltda. A lisura desta empresa pode ser avaliada pelo fato de constar como sócio o nome de Humberto Duarte Lopes, jovem investidor que morreu com 4 anos de idade, e que, mesmo depois de desencarnar, recebeu em sua conta corrente o valor de R$ 600.000,00, depositados por Ari Natalino, na época dono da empresa Petroforte. Ari Natalino, também falecido, foi considerado chefe de uma quadrilha investigada por várias CPIs do Congresso Nacional, conforme denúncia apresentada pelo 15º Promotor de Justiça da Comarca de São Paulo Arthur Migliari Jr. em agosto de 2007 perante o Ministério Público Estadual na 18a Vara Cível de São Paulo, Capital. No início de fevereiro, a juíza da Vara Cível de Serrana, Andréia Schiavo, acatou o pedido de recuperação judicial feito pela Nova União, apesar da usina nem ter processado a safra de 2011/2012. A juíza deu 60 dias para a consultora Deloitte Touche Tohmatsu, nomeada administradora judicial, apresentar o plano de recuperação da usina. Foram 5 as empresas que se uniram para solicitar a recuperação judicial: Nova União Açúcar e Álcool, Agropecuária Campo Limpo, Agropecuária Ipê, Santa Maria Agrícola e Sociedade Agrícola Santa Mônica. Quantas oportunidades serão dadas a quem já demonstrou inaptidão para lidar com a terra, a vida, os trabalhadores? Muitas das famílias que disputam a área, para fins de reforma agrária, gastaram parte da sua vida para construir a riqueza da usina. Dona Maria, por exemplo, filha e neta de colonos, que lembra da estradinha dos flamboyants. Seu Silva, que também foi empreiteiro, recrutava 60 trabalhadores por safra, teve que vender os ônibus para pagar os que contratou, e nunca conseguiu reaver um tostão do dinheiro devido pela empresa. Seu João, que chegou a ser ensacador e terminou embaixo da ponte. Descendentes de caboclos, de trabalhadores escravos, de imigrantes italianos que vieram para cuidar das plantações do café, de migrantes nordestinos atraídos pela colheita da cana e pelo boom do Pró-alcool. Eles olham para essa terra onde ficou parte do seu sangue. E, hoje, gentes de todos os estados. Ex-posseiros expulsos de Mato Grosso e Paraná, pelos pastos e pela soja. O povo das periferias que desbordam de desemprego. Todos imaginam o milho, a melancia, o feijão, as cambuquiras despontando, as bananeiras, uma linha de café do lado da mangueira. Bem ali, onde hoje corre só a vinhaça que envenena a terra. Querem um rio Pardo limpo, onde possam pescar. Jagunços modernos atuam na região de Ribeirão Preto Frederico Daia Firmiano e Silvia Beatriz Adoue "Nossas armas atiram de verdade, é melhor se cuidar". Assim disse um dos agentes da empresa de segurança, em Serrana, na região de Ribeirão Preto, para três mulheres do acampamento "Alexandra Kollontai", que disputam a fazenda Martinópolis. As famílias do acampamento tem sofrido pressão psicológica e amedrontamento, através das rondas permanentes de seguranças, além da circulação nas ruas do assentamento Sepé Tiaraju, área federal que fica do lado do acampamento. Movimentam-se em cinco Gols prata sem mais identificação que a placa. Fato semelhante ocorreu em 11 de junho de 2009, quando o MST ocupou a mesma área. Logo pela manhã, dois carros com seguranças armados se aproximaram do acampamento, chamando para uma conversa com o suposto líder e exibindo duas armas. Foram embora e no dia seguinte voltaram à noite e dispararam contra as famílias. Por sorte, ninguém se feriu. Muito tem se falado da modernidade do agronegócio. Muito se argumenta, em seu favor, que teria superado as mazelas do velho latifúndio: a sua ilegalidade para lidar com o público, com o trabalho e o recurso à violência dos pistoleiros. Segundo esse discurso, seria o agronegócio, e não a reforma agrária, quem conseguiria um desenvolvimento desejado no campo. A política fundiária do Estado aponta para impulsionar esses empreendimentos empresariais como ponta de lança do progresso. Assim, os assentamentos conquistados pela luta pela reforma agrária deveriam se adaptar à linha geral, se tornando funcionais ao agronegócio, sob risco de se reduzir a poeira cósmica. Eis que o agronegócio, ali onde aparece mais vigoroso, como é na região canavieira do estado de São Paulo, herda todas as mazelas do latifúndio, com um adicional de prejuízo para o meio ambiente e para o trabalho, pela utilização de tecnologias de alto impacto. O uso da violência no campo também, longe de amainar, vem se tornando mais eficiente. A contratação de empresas de segurança terceirizadas também tem servido para driblar responsabilidades. O assassinato do militante Valmir Mota de Oliveira, o Keno, no Paraná, em 2007, em terras exploradas pela transnacional Syngenta, nas mãos de seguranças de uma empresa terceirizada contratada pela transnacional, assim o atesta. As políticas de direitos humanos pouco podem, se atacam apenas as consequências da estrutura fundiária. Digamos que são políticas compensatórias não "estruturantes". A proteção e a segurança do povo só poderão ser consolidadas com reforma agrária. Isto é, mudando a estrutura fundiária que gera violência. Quanto maiores os interesses, maior a violência. No domingo, dia 19/02, as crianças montaram uma "árvore de livros", com os 300 títulos da biblioteca do acampamento. E foi um dia de leitura. As famílias do acampamento "Alexandra Kollontai" querem cuidar da terra para vida. Não é temeridade. Querem viver, não querem morrer. Mas para viver precisam da terra. E permanecem resistindo na Fazenda Martinópolis. Já começaram o plantio de agrofloresta. E pretendem ali continuar, para produzir alimentos baratos e saudáveis. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120224/46619e35/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 25 16:23:39 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 25 Feb 2012 16:23:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Primeiro_S=E1bado_Resistente_de_2?= =?iso-8859-1?q?012__-_03_de_mar=E7o=3A_A_Resist=EAncia_Parlamentar?= =?iso-8859-1?q?_=E0_Ditadura?= Message-ID: <60CFE4799F2A44249B051A636D2338B9@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Subject: FW: Primeiro Sábado Resistente de 2012 - 03 de março: A Resistência Parlamentar à Ditadura Companheir at s Pelo 4o. ano consecutivo, começamos no proximo sabado dia 3 de março a programação de nossos Sabados Resistentes. O primeiro debaterá A Resistencia Parlamentar durante a ditadura e contará com a presença de Ayrton Soares , advogado e ex deputado federal Também se lançará o livro "Ruptura" do ex deputado Antonio Rezk, com uma homenagem postuma à sua familia pelo economista Luiz Gonzaga Belluzo Vejam os detalhes no convite abaixo Esperamos a presença de tod at s M.Politi Nucleo Memória Governo de São Paulo apresenta no Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 - Luz Auditório Vitae - 5º andar SÁBADO RESISTENTE Dia 3 de março, das 14h às 17h30 A RESISTÊNCIA PARLAMENTAR À DITADURA A ditadura civil-militar, instalada no Brasil a partir de abril de 1964, fez questão de manter a aparência de democracia. Com o parlamento funcionando, apesar de algumas interrupções, havia a impressão de liberdade política no país. No entanto, as forças agrupadas em favor do retorno à democracia insistiam em dar demonstrações ostensivas da existência de um regime autoritário e de uma luta contra a ditadura. Cassações, prisões, torturas e assassinatos conviviam ao lado de uma aparente normalidade, uma vez que a ditadura insistia em negar a existência de presos políticos e afirmava que os desaparecidos nunca foram presos e nem estavam em seu poder. O Parlamento em Brasília e nos Estados, mesmo amordaçado e mantido sob vigilância, contou com a presença de lutadores que denunciavam as atrocidades cometidas pela repressão e desafiavam a ditadura cobrando o paradeiro de desaparecidos, a exigência de tratamento humano aos presos políticos e o fim das torturas. No primeiro Sábado Resistente de 2012, o ex deputado Airton Soares lembrará a luta dentro do Parlamento, onde verdadeiros patriotas enfrentaram o arbítrio. Ao final da palestra e do debate, será prestada homenagem a Antonio Rezk, parlamentar que ousou desafiar a ditadura de dentro da estrutura do Estado usurpado. PROGRAMAÇÃO 14h: Boas vindas - Katia Felipini Coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo Apresentação e Coordenação - Ivan Seixas Presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política 14h15 - 15h30: Palestra e debate com Airton Soares Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo; Curso de Desenvolvimento Econômico da América Latina, Universidade de Harvard, EUA, 1967 e 1969; Advogado de presos políticos durante o regime militar. Deputado Federal entre os anos de 1975 e 1987. Integrou o MDB de 1970 a 1979, fazendo parte do "Grupo dos Autênticos" deste partido. De 1979 a 1985 integrou as filas do PT, filiando-se depois desta data ao PMDB. 16h: Homenagem a Antonio Resk (1933 /2005) Um dos fundadores do MHD (Movimento Humanismo e Democracia) em 1972, Antonio foi líder do então clandestino PCB e, abrigando-se no MDB, por esta sigla é eleito vereador neste mesmo ano, iniciando uma carreira política que se caracterizou pela dignidade e criatividade. A partir de 1978, foi eleito deputado estadual por duas legislaturas consecutivas. Estudioso das questões sociais escreveu o livro "A Revolução do Homem", editado em 2001, no qual estudou com pioneirismo a Antropologia Política. Foi presidente do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO) e primeiro vice-presidente da União Brasileira dos Escritores (UBE). Convidado especial: Luis Gonzaga Belluzo (economista e advogado) - Projeção de vídeo especialmente realizado para esta ocasião - Lançamento do livro "Ruptura - Anomia na civilização do trabalho", com textos de A. Rezk e organização de Marilucia Meireles e Marco Aurélio F. Velloso. Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120225/fd0f9757/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 26 12:40:32 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 26 Feb 2012 12:40:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Pery_Ribeiro=2C_um_compositor_bra?= =?iso-8859-1?q?sileiro!______________________________________HOJE_?= =?iso-8859-1?q?=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Pery Ribeiro, um compositor brasileiro! Por Gutierritos-SP, Para ser um grande intérprete não basta apenas ter uma voz maravilhosa, conhecer música e conseguir, mecanicamente, executá-la. Não! Para ser um brilhante cantor há necessidade de trazer dentro de si muita paixão e externá-la com toda a fidelidade. É essa sensibilidade, a maneira de mostrar seus sentimentos, que faz a diferença. Assim, também acontece com o compositor. Ele brilha quando consegue externar seus sentimentos mais íntimos, o que se passa lá no fundo da alma, o que leva o seu coração apaixonado a gritar forte, num repente emocionado. Nesse sentido, ambos, compositor e intérprete, são partes da obra e acabam até se misturando, de forma que muitas vezes, incrivelmente, não os conseguimos dissociar. Quando Dalva de Oliveira canta Ave Maria no Morro, música de Herivelto, parece que são roseira e rosa, planta e flor, uma beleza só, um único encanto, o mesmo aroma, a mesma cor. Pery Ribeiro é conhecido como um dos maiores intérpretes da música brasileira. Gravou milhares de músicas e tem, na sua biografia, sucessos, que marcaram a sua resplandecente carreira artística. Tem o potencial para ser um luzente compositor, pois ao interpretar inova a obra que executa, de tal forma que, como a sua mãe, acaba fazendo parte da música, como dela fosse parte inseparável. Três momentos na minissérie Dalva e Herivelto, Uma Canção de Amor, levaram-me a refletir sobre a vida do cantor Pery Ribeiro. Um deles foi a cena da separação forçada pela Justiça, que afastou a guarda do casal, levando Pery e seu irmão para o internato, tirando-os da mãe. Depois a revelação, por Dalva de Oliveira, a Pery, de que ele nascera do amor. Finalmente, um instante que levou às lágrimas todo o Brasil, quando Dalva morria, ouvindo Pery cantar, suavemente, a música tema da novela, inserida magicamente na consagração do seu grande amor. Hoje, quando o vejo cantar, sinto que estes momentos estão presentes, a todo instante, em cada nota musical, momentos perenes, que se libertam, presos que estavam dentro da alma, e se externam na voz que emociona, que nasce e renasce na presença da ausência daquele amor. E penso que Pery não se exigiu fazer composições, pois suas interpretações fantásticas compensaram - da mesma maneira - o desejo de mostrar ao mundo seus sentimentos, transportando-os de forma linda em seu cantar. É quando percebo com nitidez que, além dos olhos verdes e a voz, também nele, como herança, está presente o talento de compor. Para minha surpresa, pesquisando acabei por descobrir - muitos ainda não o sabem - que, em alguns momentos de sua vida, Pery Ribeiro fez parcerias e acabou compondo músicas. Primeiro, parceiro de Dora Lopes, compôs Não Devo Insistir. Ainda, com Geraldo Cunha, fez Moça de Azul e a primorosa Bossa na Praia. Ainda, chegou a compor em parceria com seu pai, Herivelto Martins, a música Livre Meu Pai, que gravaram juntos. clique http://www.musicasnanet.com.br/busca/Pery+Ribeiro/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120226/c0b744ea/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120226/c0b744ea/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 26 12:40:39 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 26 Feb 2012 12:40:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Arquivos_brit=E2nicos_comprovam_q?= =?iso-8859-1?q?ue_Chaplin_foi_perseguido_pelos_EUA?= Message-ID: <93FFA8BE803C4AA9B02AE2B670D09534@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Arquivos britânicos comprovam que Chaplin foi perseguido pelos EUA Chaplin que satirizou o fascismo em "O grande ditador", foi vítima de perseguição pelo governo americano, por seus posicionamentos críticos e progressistas Leia MAIS OU cole este endereço em seu navegador: http://palavras-diversas.blogspot.com/2012/02/arquivos-britanicos-comprovam-que.html -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120226/7ebac3af/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 27 19:45:41 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 27 Feb 2012 19:45:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Dormir_bem_agora_previne_perda_de?= =?iso-8859-1?q?_mem=F3ria_mais_tarde=2E___________________________?= =?iso-8859-1?q?_____________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DA?= =?iso-8859-1?q?DE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Dormir bem agora previne perda de memória mais tarde. Um novo estudo concluiu que a quantidade e a qualidade do sono durante a noite pode afetar a memória com o passar dos anos. "O sono interrompido parece estar associado com o acúmulo de placas de amiloide, um traço característico do mal de Alzheimer, nos cérebros de pessoas sem problemas de memória", diz o autor do estudo Yo-El Ju, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, e membro da Academia Americana de Neurologia. "Mais pesquisas são necessárias para determinar por que isso acontece e se as alterações do sono podem prever o declínio cognitivo". Os pesquisadores testaram os padrões de sono de 100 pessoas com idades entre 45 e 80 anos que não apresentavam problemas mentais. Metade do grupo tinha mal de Alzheimer no histórico familiar. Um dispositivo foi colocado nos participantes durante duas semanas para medir o sono. Diários do sono e questionários também foram analisados pelos pesquisadores. Com o estudo, descobriu-se que 25% dos participantes tinham evidência de placas de amiloide, que podem aparecer anos antes dos sintomas da doença começarem. O tempo médio que uma pessoa gastou na cama durante o estudo foi de cerca de oito horas, mas o tempo de sono médio foi de 6,5 horas, por despertarem em curtos períodos de tempo durante a noite. O estudo revelou que as pessoas que acordaram mais de cinco vezes por hora estavam mais propensas a ter acúmulo da proteína amiloide, em comparação com pessoas que não despertaram tanto. A pesquisa também descobriu que as pessoas que dormem de maneira "menos eficaz" eram mais propensas a ter os traços de mal de Alzheimer em estágio inicial do que as que dormiam de forma mais eficiente. Em outras palavras, aqueles que gastaram menos de 85% do seu tempo na cama realmente dormindo eram mais propensos a ter os traços do que aqueles que gastaram mais de 85% do seu tempo na cama realmente dormindo. "A associação entre o sono interrompido e placas de amiloide é intrigante, mas as informações deste estudo não podem determinar uma relação causa-efeito ou o sentido dessa relação. Precisamos de mais estudos de longo prazo, acompanhando o sono dos indivíduos ao longo dos anos, para determinar se o sono interrompido leva a formação das placas ou se as mudanças cerebrais causadas pela doença precoce levam a alterações do sono", disse o pesquisador. "Nosso estudo estabelece as bases para investigar se a manipulação do sono é uma estratégia possível na prevenção ou redução da doença de Alzheimer", finaliza.[ScienceDaily -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120227/5369934a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 33697 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120227/5369934a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 28 19:19:42 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 28 Feb 2012 19:19:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__=5BCorreio_da_Cidadania=5D_Princ?= =?iso-8859-1?q?ipais_entrevistas_de_2011_-_1=BA_semestre?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem -------------------------------------------------------------------------------- Leia hoje no Correio: Principais entrevistas de 2011 - 1º semestre O Correio disponibiliza para seus leitores algumas das principais entrevistas que fizemos no primeiro semestre de 2011. Cobrindo temas variados, a maioria dos temas tratados permanece atual, com avaliações profundas e perspicazes dos contextos retratados, muito além dos debates dominantes. Em breve, enviaremos nova mensagem, com as entrevistas relevantes do segundo semestre. Confira abaixo a primeira parte. Carlos Gilberto Camacho Confirmada, entrada do mercado nos aeroportos precisa ser submetida ao interesse social Para o membro do Sindicato Nacional dos Aeronautas, a entrada do setor privado nos aeroportos viria em bom momento, desde que o Estado saiba estabelecer limites na atuação de tais agentes. Explicou que o mesmo já ocorre em outros países, além de admitir a participação do mercado na construção de novos terminais. Entretanto, alerta que no Brasil as políticas do setor aéreo têm sido excessivamente determinadas pelo interesse empresarial. Paulo Alentejano A despeito das tragédias e por megaeventos, Rio prossegue loteando-se ao capital O geógrafo Paulo Alentejano coloca acima de tudo a necessidade de se debater e promover uma profunda reforma urbana e também agrária, simultaneamente, como única saída verdadeira para o problema do excesso de ocupações irregulares. No entanto, a tendência é de vermos um agravamento de tais situações, pois a prioridade no RJ são os megaeventos, projetos que têm seguido uma cartilha absolutamente excludente e repetidora de processos especulativos e comerciais. Por fim, alerta que as mudanças no Código Florestal vão na mesma direção, "da apropriação cada vez mais totalizante do espaço natural pelo capital". Arlene Clemesha 'Revoltas árabes tendem a resultar em democracias participativas, já um grande avanço' Para Arlene Clemesha, do Centro de Estudos Árabes da USP, apesar da força do levante popular egípcio, acompanhado crescentemente pela população de vários outros países, não se pode considerar que está em curso um processo revolucionário, mas sim a entrada de tais nações no patamar de democracias participativas, "o que já seria uma grande mudança". Celio Bermann 'Sarney segue como o maior articulador da política energética e dos cargos do setor' Logo no início de mais um mandato petista, o país voltou a ser assolado por apagões. Com vistas a dissecar a questão, entrevistamos o estudioso do setor elétrico Célio Bermann, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP. Assim como em sua conversa anterior com o nosso jornal ('Belo Monte é a expressão e o significado do governo Lula-Sarney' ), Bermann apontou que tais eventos são reflexos da (falta de) gestão do setor, aparelhado por Sarney "há mais de 20 anos", com toda a anuência de Lula e, agora, de Dilma Rousseff. Alípio Freire 'Garantir o asilo político e a liberdade de Battisti é tarefa de todo cidadão antifascista' Segundo Alípio Freire, a querela significou a desmoralização de nosso Judiciário, submisso aos desejos de Berlusconi, cujo governo enfrentava uma onda de escândalos e repúdio popular. Ele ainda ressalta sua convicção na ilegitimidade do julgamento na Itália e critica a delação premiada. Mas manteve o otimismo quanto à (concretizada) concessão do refúgio, tanto pela desmoralização do governo italiano como por alguns posicionamentos da presidente Dilma Rousseff em relação aos direitos humanos. Ermínia Maricato 'Questão urbana foi rifada pelo governo Lula, pelo PT, e aparentemente, pelo governo Dilma' No que já se tornou uma regra, o verão brasileiro mais uma vez foi permeado por desastres oriundos de chuvas. Chuvas e catástrofes são praticamente sinônimas nestes tristes trópicos. Em entrevista ao Correio da Cidadania, a urbanista e professora da FAU-USP Ermínia Maricato descreve um panorama desalentador a respeito de gestões que não trazem indícios de reversão das atuais lógicas predatórias de ocupação do solo. Pablo Ortellado Ministério da Cultura começa seqüestrado pela indústria cultural do século passado Principal ponto de discussão até o momento, a posição da ministra Anna de Holanda quanto à reforma da Lei de Direitos Autorais já mostra orientação favorável às grandes indústrias culturais, em clara afinidade com o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). José Arbex 'Entre Kadafi e a OTAN, Líbia está na iminência de uma tragédia' Para o também professor da PUC e um dos editores da revista Caros Amigos, a situação líbia chegou a um estágio no qual só restou a tragédia, pois qualquer dos lados em batalha não tinha a mínima pretensão de atender à totalidade dos interesses do povo deste país. Após a vitória dos 'rebeldes da OTAN', seu prognóstico tem se mostrado certeiro. Joaquim Francisco de Carvalho Investimento nuclear no Brasil é determinado por 'poderoso (e corruptor) lobby' O planeta voltou a se deparar com o fantasma nuclear após o terremoto seguido de tsunami que varreu principalmente o nordeste japonês, causando posteriormente a explosão e vazamento dos reatores da usina de Fukushima. No que se refere ao Brasil, Joaquim Francisco considera um despautério o investimento em novas usinas nucleares, uma vez que nossa matriz hidro-eólica folga em servir às necessidades de consumo interno. Danilo Chammas Troca na direção na Vale é insuficiente para sinalizar retomada em benefício público No começo deste ano, a ex-estatal Vale do Rio Doce esteve no centro das atenções do noticiário, pois o ex-executivo do Bradesco Roger Agnelli foi removido do cargo de presidente da empresa após ocupá-lo por uma década. Para tratar do assunto e tentar colocar um pouco de luz sobre a troca de direção, o Correio da Cidadania entrevistou Danilo Chammas, advogado popular e defensor de movimentos sociais e sindicatos atingidos pela Vale. Milton Temer 'Governo Dilma alimenta despolitização propiciada pelos oito anos de Lula' A despeito da intensidade das atuais discussões sobre a reforma política, Temer não crê que possam redundar em grandes mudanças, ao menos não ainda neste ano e no que se refere à efetivação de mudanças realmente progressistas no quadro. Afinal, trata-se de um quadro que deve ser alterado exatamente por quem tem dele se beneficiado. Luzer David Machtyngier Músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira questionam capacidade do maestro Minczuk No mês de abril, uma enorme crise foi deflagrada na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). O maestro, Robert Minczuk, tentou empreender uma truculenta série de avaliações dos músicos, procedimento desconhecido de toda e qualquer orquestra de "nível internacional". Em protesto, os músicos não concordaram em se submeter a tal procedimento, o que acarretou na demissão por justa causa de 44 dos 82 integrantes da OSB. O Correio da Cidadania entrevistou Luzer David Machtyngier, um dos líderes do movimento que exigiu (e conseguiu, em setembro) a reintegração dos demitidos, além da saída do maestro. Ariovaldo Umbelino Novo Código Florestal é mais um capítulo do histórico domínio do Brasil pelo agronegócio A Câmara dos Deputados aprovou o substitutivo do atual Código Florestal, projeto apresentado pelo deputado do PC do B Aldo Rebelo, em nome de toda a bancada dos empresários ruralistas que ocupam o Congresso. Escaldado com os projetos anti-ambientais do que já cunhou de "agrobanditismo", o geógrafo Ariovaldo Umbelino não se mostrou surpreso com mais essa vitória ruralista, na esteira das MPs 422 e 458, além do programa Terra Legal, todos, a seu ver, contribuintes inequívocos para o aumento da violência no campo. Roberto Romano Caso Palocci ilustra a "oligarquização do PT" e o "disfuncionamento da República" Para o filósofo Roberto Romano, o caso reflete a instabilidade inerente ao Estado brasileiro, calcado na concentração de força pelo Poder Executivo. Assim, nada mais previsível que Palocci tenha se tornado alvo fácil do jogo político violento que permeia nosso Congresso, "que pratica lobby selvagem para si mesmo". Celso Antonio Bandeira de Mello 'O poder público é o grande atravancador do poder Judiciário' O caso Battisti, a legitimação da união civil homoafetiva e também o célebre caso Pimenta Neves, desfechado após longa espera, estão entre os casos polêmicos nos quais esteve envolvido o Judiciário. O jurista destaca o próprio poder público como maior responsável pelo afogamento dos tribunais em processos infindáveis. Clique ainda em http://www.correiocidadania.com.br para ver todas as matérias em destaque. Acompanhe também o Correio da Cidadania no Twitter e no Facebook. -------------------------------------------------------------------------------- Clique aqui e indique um amigo para receber este boletim Se você não quer mais receber mensagens de atualização, por favor, clique aqui e escreva "cancelamento" no campo de assunto. Redação: Av. Pedroso de Moraes, 677, Cj. 151, Pinheiros, São Paulo - SP, CEP: 05419-000 Telefone: 11 - 3031 - 3297 Email - correio at correiocidadania.com.br -------------------------------------------------------------------------------- _______________________________________________ Correiodacidadania mailing list Correiodacidadania at listas.tiwa.net.br http://listas.tiwa.net.br/listinfo/correiodacidadania Descadastrar: envie email a Correiodacidadania-unsubscribe at listas.tiwa.net.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120228/613d4975/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3882 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120228/613d4975/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 29 19:13:19 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Feb 2012 22:13:19 -0000 Subject: [Carta O BERRO] de frei betto CARTA DE QUARESMA FAVOR DIVULGAR E COLABORAR. Message-ID: <0B89F1FA0C624D52AA0EC4C757D02A00@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem São Paulo, Quaresma de 2012 Querido(a) amigo(a), Todos os anos - e já são mais de 20 - promovo esta Campanha de Quaresma em benefício de uma obra social que conheço, acompanho e na qual confio. Este ano a escolhida é o Centro Cultural da Favela de Vila Prudente, na capital paulista. A favela abriga 2 mil famílias - ao todo, cerca de 10 mil pessoas. Muitas crianças e jovens. Ao percorrer a favela, por becos e vielas, avistei a barreira humana formada pelo pessoal do narcotráfico, que em plena tarde de uma sexta-feira exibia armas. Ali trabalha, há 35 anos, o padre Patrick Clarke, irlandês. Há uma comunidade de quatro religiosas, que moram na favela, e um grupo de leigos que atuam nos trabalhos pastorais e sociais. No Centro Cultural, 80 crianças e jovens, de 7 a 17 anos, seguem cursos de artes plásticas (mosaicos, desenho, colagem, pintura de ícones, confecção de quadros e postais); artes marciais (caratê, judô e capoeira) e cênicas (inclusive teatro); vídeo, música (percussão, violão, canto e coral); e computação (há uma sala com 12 computadores). O Centro está interessado em receber doação de peças de cerâmica, às quais os alunos das oficinas possam imprimir valor agregado com suas criações artísticas. Oito jovens da favela têm seus estudos bancados pelo Centro. Fiquei encantado com a oficina de artes sacras e, mais ainda, com a capela de São José Operário, em plena favela, toda ornada com belos mosaicos confeccionados no Centro Cultural. Construída pela comunidade, a capela foi inaugurada há dois anos. Trata-se de um trabalho preventivo, para evitar que os jovens caíam na marginalidade. Um dos principais problemas da favela é a compressão humana, com os barracos praticamente amontoados uns sobre os outros, sem nenhum espaço no qual os jovens possam descarregar sua agressividade. Há ainda no Centro um programa de Psicoterapia Infantil, de Adulto e Aconselhamento às Famílias. O Centro conta com 15 educadores remunerados. A experiência com voluntários não funcionou, por falta de assiduidade dos candidatos. A favela fica defronte ao Viaduto Grande São Paulo. Debaixo dele funciona o Projeto Recicla Favela, que agrega 25 famílias de catadores de material reciclável, todas cooperativadas. Ali funciona o depósito do material coletado em lojas do shopping Mooca Plaza e em empresas da região. Os catadores separam o material e vendem para empresas de reciclagem. Em dezembro do ano passado, coletaram no shopping 40 toneladas de papelão... E só não coletaram mais por falta de espaço no depósito sob o viaduto. O sonho deles é alugar um galpão próximo à favela. Porém, os donos se recusam a "alugar para guardar lixo"... Os cooperados arrecadam, por mês, uma média de R$ 900 reais para cada família. Muito mais poderia ser feito se o Centro Cultural dispusesse de recursos. Portanto, venho convidá-lo a, nesta Quaresma, "jejuar" ainda que seja R$ 1 do seu orçamento, e destiná-lo a este trabalho social. Em vez de adotar antigos procedimentos que perderam seu significado - como os cristãos deixarem de comer carne na sexta-feira santa (e se empanturrarem de frutos do mar...) - melhor destinar recursos a quem investe em atividades não assistencialistas com crianças e jovens de favela. A conta bancária é: CNPJ 54.636.022/0001-71 (Movimento de Defesa do Favelado Região Episcopal Belém). Bradesco - Agência 1362-5 C/C 33321-2 Email para informações, e aviso e solicitação de recibo: mdfsp at uol.com.br Maiores informações pelo blog: http:¤ ¤centroculturalvilaprudente.blogspot.com www.mdf.org.br Minha gratidão e meu abraço amigo de Feliz Páscoa! Frei Betto -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120229/da53102e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 29 19:13:26 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Feb 2012 22:13:26 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Ocupa=E7=E3o_do_MST_na_regi=E3o_?= =?iso-8859-1?q?de_Ribeir=E3o_Preto?= Message-ID: <731092B1EED74B48B702C6CA35494454@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem MST MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA MST/RP Regional Ribeirão Preto/SP REFORMA AGRÁRIA... POR JUSTIÇA SOCIAL E SOBERANIA POPULAR!!! Famílias Pertencentes ao (MST ) Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra . Ocuparam Hoje pela manhã uma area da FEPASA situada no município de Sales de Oliveira. Esta area esta totalmente abandonada, no local ainda resiste ao longo dos anos a estrutura da antiga estação PORANGABA, no qual seu nome foi mudado para Estação Coronel Pereira Lima . Esta area pertencente a antiga rede ferroviaria FEPASA, todas estas areas foram repassadas para União, portanto são area públicas. Esta ocupação esta sendo feita por varias familias vindas de toda região, na conquista da terra para produção de alimentos . Esta ocupação e uma forma de pressão junto ão Incra para que se faça um assentamento, e desempenhe a função social da mesma, sendo que no no momento esta abandonada. o objetivo é tambem fortalecer as renvidicações das familias acampadas no municipio de Orlândia para que o Assentamento seja consolidado, sendo que, já faz 5 anos que estão acampadas . Contatos: MARIA LUCIA (16) 92859776 ou MARCOS(16)91837066 Local: Anhanguera 330 Atrás do posto Gaucho, 3 km para dentro a direita vindo de Ribeirão Preto -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20120229/cd212046/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 29 19:13:33 2012 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Feb 2012 22:13:33 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__convite_lan=E7amento_do_livro_Ta?= =?iso-8859-1?q?pete_do_Sil=EAncio__de_Menalton_Braff_-_dia_5_de_ma?= =?iso-8859-1?q?r=E7o_em_Ribeir=E3o_Preto=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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