From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 1 19:36:05 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 1 Sep 2011 19:36:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__MARCOS_ANT=D4NIO_BR=C1Z_DE_CARVALHO__?= =?iso-8859-1?q?____________________________________-CCXXXIII-?= Message-ID: <7ECED95222D045BD8E407C14B8B2B67D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MARCOS ANTÔNIO BRÁZ DE CARVALHO (1940-1969) Filiação: Anna Braz de Carvalho e José de Carvalho Filho Data e local de nascimento: 05/01/1940, Angra dos Reis (RJ) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 28/01/1969, São Paulo (SP) O desenhista mecânico Marcos Antônio Braz de Carvalho, conhecido como Marquito, foi morto no dia 28/1/1969, na sua residência em São Paulo. Os policiais do DOPS, chefiados pelo delegado Raul Nogueira de Lima, o "Raul Careca" (já mencionado no caso José Guimarães), invadiram um apartamento na rua Fortunato, área central da capital paulista, sendo o militante da ALN morto com vários tiros. Os legistas foram Erasmo M. de Castro de Tolosa e Orlando Brandão, que apontaram como causa da morte "hemorragia interna traumática". As condições de sua morte foram assim descritas pelo jornalista Elio Gaspari em A Ditadura Escancarada: "No dia 28 de janeiro, depois de ir a um 'ponto' onde deveria encontrar um colega, resolveu procurá-lo no aparelho. Virou a chave na fechadura, e a polícia caiu-lhe em cima. Foi morto a tiros". Documentos dos órgãos de segurança do regime militar o apontam como pessoa diretamente ligada a Carlos Marighella, com treinamento de guerrilha em Cuba, e que comandava o grupo de fogo do Agrupamento Comunista de São Paulo, depois rebatizado para ALN. Entre as inúmeras ações armadas a ele imputadas está a execução do capitão do exército norte-americano, Charles Rodney Chandler, em 12/10/1968, acusado, pelos executores, de ser agente da CIA. Na CEMDP, o relator André Saboia Martins apresentou o caso em reunião de 11/12/2003. O perito do Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Técnica do Distrito Federal, Celso Nenevê, após analisar vários documentos do processo, constatou que "o depoimento do inspetor Raul Nogueira de Lima não é coincidente com os achados necroscópicos no tocante às regiões atingidas (o depoimento apresenta que Marcos Antônio encontrava-se 'atirado na perna') e na quantidade de disparos efetuados (depreende-se da declaração que foram efetuados apenas dois disparos contra Marcos), enquanto que o depoimento constante do processo efetuado pelo irmão da vítima, João Pedro Braz de Carvalho é coincidente com esses achados no tocante aos orifícios de saída na região peitoral e na ausência de lesões nas pernas". Para o relator, as contradições entre a versão oficial sobre as circunstâncias da morte, expressa no depoimento do inspetor Raul Nogueira de Lima, e os achados do laudo de exame de corpo de delito/exame necroscópico, destacadas em parecer criminalístico, favoreceram a consideração da hipótese de que Marcos Antônio teria sido executado por agentes policiais do DOPS/SP. Concluiu André Saboia que "a despeito da ausência de parecer conclusivo sobre a dinâmica dos eventos que culminaram no homicídio perpetrado contra Marcos Antônio, em 28/1/1969, os elementos existentes não deixam dúvida de que o caso se enquadra na hipótese prevista na Lei nº 9.140/95". ============================================================================================================================ + Informações. MARCO ANTÔNIO BRÁS DE CARVALHO Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NAClONAL (ALN). Nasceu no Estado do Rio de Janeiro, filho de José de Carvalho Filho e Anna Braz de Carvalho. Desenhista mecânico. Fuzilado sumariamente no dia 28 de janeiro de 1969, em sua própria casa, em São Paulo, quando tinha 30 anos de idade. Policiais do DOPS, chefiados pelo delegado Raul Nogueira de Lima, vulgo "Raul Careca", invadiram a casa de Marco Antônio e eliminaram-no com vários tiros, desfechados à queima-roupa pelas costas. Segundo depoimentos de seus companheiros, o autor dos disparos foi o próprio "Raul Careca". Tal delegado é o mesmo que matou o estudante do Colégio Marina Cintra, José Carlos Guimarães, numa passeata em 1968, na Rua Maria Antônia. ===================================================================================================== + Detalhes. quinta-feira, 15 de maio de 2008 A Morte do Capitão Chandler Em 1968, as ações de guerrilha urbana perdiam-se no anonimato de seus autores e, muitas vezes, eram, até, confundidas com as atividades de simples marginais. De acordo com os dirigentes de algumas organizações militaristas, já havia chegado o momento certo para a população tomar conhecimento da luta armada revolucionária em curso, o que poderia ser feito através de uma ação que repercutisse no Brasil e no exterior. Em setembro, Marco Antônio Braz de Carvalho, o "Marquito", homem de confiança de Carlos Marighela - que dirigia o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), futura Ação Libertadora Nacional (ALN) -, e que fazia a ligação com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), levou para Onofre Pinto ("Augusto"; "Ribeiro"; "Ari"; "Bira"; "Biro"), então coordenador geral da VPR, a possibilidade de realizar uma ação de "justiçamento". O Capitão do Exército dos EUA, Charles Rodney Chandler, com bolsa concedida pela "George Olmsted Foundation", era aluno da Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, com previsão de terminar o curso em novembro daquele ano. Chandler morava na cidade de São Paulo, com a esposa, Joan, e seus três filhos, Jeffrey, de 4 anos, Todd, de 3 anos, e Luanne, de 3 meses. Entretanto, segundo os "guerrilheiros", Chandler era um "agente da CIA" e "encontrava-se no Brasil com a missão de assessorar a ditadura militar na repressão". No início de outubro, um "tribunal revolucionário", integrado por três dirigentes da VPR, Onofre Pinto, como presidente, e João Carlos Kfouri Quartim de Morais ("Manoel"; "Mané"; "Maneco") e Ladislas Dowbor ("Jamil"; "Nelson"; "Abelardo"), como membros, condenou o Capitão Chandler à morte. Através de levantamentos realizados por Dulce de Souza Maia ("Judit"), apurou-se, sobre a futura vítima, seus horários habituais de entrada e saída de casa, costumes, roupas que costumava usar, aspectos de sua personalidade e dados sobre os familiares e sobre o local em que residia, numa casa da Rua Petrópolis, nº 375, no tranqüilo e bucólico bairro do Sumaré, em São Paulo. Escolhido o "grupo de execução", integrado por Pedro Lobo de Oliveira ("Getúlio"; "Gegê"), Diógenes José Carvalho de Oliveira* ("Luiz"; "Leandro"; "Leonardo"; "Pedro") e Marco Antônio Braz de Carvalho, nada mais é convincente, para demonstrar a frieza do assassinato, do que transcrever-se trechos do depoimento do próprio Pedro Lobo de Oliveira, um dos criminosos, publicado no livro "A Esquerda Armada no Brasil", de A. Caso: "Como já relatei, o grupo executor ficou integrado por três companheiros: um deles levaria uma pistola-metralhadora INA, com três carregadores de trinta balas cada um; o outro, um revólver; e eu, que seria o motorista, uma granada e outro revólver. Além disso, no carro estaria também uma carabina M-2, a ser utilizada se fôssemos perseguidos pela força repressiva do regime. Consideramos desnecessária cobertura armada para aquela ação. Tratava-se de uma ação simples. Três combatentes revolucionários decididos são suficientes para realizar uma ação de justiçamento nessas condições. Considerando o nível em que se encontrava a repressão, naquela altura, entendemos que não era necessária a cobertura armada." A data escolhida para o justiçamento foi a de 08 de outubro, que assinalava o primeiro aniversário da morte de Guevara. Entretanto, nesse dia, Chandler não saiu de casa e os três guerrilheiros decidiram "suspender a ação". Quatro dias depois, em 12 de outubro de 1968, chegaram ao local às 7 horas. Às 0815h, Chandler dirigiu-se para a garagem e retirou o seu carro, um Impala placa 481284, em marcha a ré. Os revolucionários avançaram com o Volks, expropriado dias antes, e bloquearam o caminho do carro de Chandler. No relato de Pedro Lobo, "nesse instante, um dos meus companheiros saltou do Volks, revólver na mão, e disparou contra Chandler". Era Diógenes José Carvalho de Oliveira, que descarregava, à queima roupa, os seis tiros de seu Taurus de calibre .38. E prossegue Pedro Lobo, que dirigia o Volks: "Quando o primeiro companheiro deixou de disparar, o outro aproximou-se com a metralhadora INA e desferiu uma rajada. Foram catorze tiros. A décima quinta bala não deflagrou e o mecanismo automático da metralhadora deixou de funcionar. Não havia necessidade de continuar disparando. Chandler já estava morto. Quando recebeu a rajada de metralhadora emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto". Quem portava a metralhadora era Marco Antônio Braz de Carvalho. Os três revolucionários fugiram no Volks, em desabalada carreira, deixando, no local, cinco panfletos: - "Justiça revolucionária executa o criminoso de guerra no Vietname, Chandler, e adverte a todos os seus seguidores que, mais dia menos dia, ajustarão suas contas com o Tribunal Revolucionário." - "O assassinato do Comandante Chê Guevara, na Bolívia, foi cometido por ordem e orientação de criminosos de guerra como este Chandler, agente imperialista notório, e responsável pela prática de inúmeros crimes de guerra contra o povo do Vietname." - "O único caminho para a revolução no Brasil é a luta armada." - "A luta armada é o caminho de todo revolucionário no Brasil." - "Criar um, dois, três, vários Vietnames." ================================================================= Ficha Pessoal Marco Antônio Brás de Carvalho Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Marco Antônio Brás de Carvalho Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Desenhista mecânico Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Nome falso: (Codinome) Marquito, Pedrinho Morto ou Desaparecido: Morto 28/1/1969 São Paulo SP Brasil em casa Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social DOPS ou DEOPS Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Raul Nogueira de Lima Raul Careca Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Erasmo M. de Castro de Tolosa, Orlando Brandão Biografia Documentos Artigo de jornal Terrorista revela ligação de brasileiros com grupo internacional. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 19 fev. 1970. Artigo de imprensa do arquivo do DOPS, que segundo depoimento, confirma que o "terrorismo" no Brasil recebe orientações de Cuba. Foto Fotos do corpo de Marco Antônio Brás de Carvalho do IML/SP, tiradas em 29/01/69. Foto Fotos originais do corpo de Marco Antônio Brás de Carvalho, do IML/SP. Relatório Documento sem data, do DOPS, provavelmente parte de inquérito policial. Cita várias pessoas como Yoshitame Fujimori, que se encontra foragido, Hamilton Fernando da Cunha, que teria sido morto por um de seus companheiros em tiroteio com a polícia, e Marco Antônio Brás de Carvalho, que também teria morrido em tiroteio com a polícia. Relatório Parte de informação do Arquivo Geral do DOPS, de 12/11/76. Sobre Marco Antônio Brás de Carvalho consta morte em tiroteio com a polícia em 29/01/69. Sobre Tito de Alencar Lima consta que fora preso no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, e que se encontra indiciado em inquérito. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Parte de documento, encontrado no arquivo do DOPS, de organização de esquerda contendo denúncias de mortes, violências e ilegalidades cometidas pela ditadura militar. Comenta que, para a ditadura defender-se, viola as leis que ela própria elaborou, entregando o comando da repressão a órgãos clandestinos como o DOI-CODI e a OBAN e cita nomes de pessoas mortas ou desaparecidas por estes órgãos, como: Marighella, Edson Luís, José Guimarães, João Roberto, Padre Henrique (Antônio Henrique Pereira Neto), Bernardino Saraiva, João Domingues da Silva, Carlos Schirmer, Marco Antônio Braz Carvalho, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Eremias Delizoicov (considerado aqui como ex-militar morto no Rio), Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, José Wilson Lessa Sabag, José Roberto Spiegner, Dorival Ferreira, José Idésio Brianezi e Juarez P. de Brito. Ficha pessoal Documento do IML/SP, de 03/02/69. Traz dados do óbito. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 29/01/69, realizado por Erasmo M. de Castro de Tolosa e Orlando Brandão. Possui esquemas gráficos. Interrogatório Parte do auto de qualificação e interrogatório de preso político, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. A partir de um álbum de fotografias reconheceu, entre outros, Carlos Lamarca, Onofre Pinto, Hamilton Fernando Cunha, Marco Antônio Brás de Carvalho, Yoshitane Fujimori, Eduardo Leite e Antônio Raymundo Lucena. Requisição de exame de cadáver Documento do IML/SP, de 28/01/69. Consta que Marco Antônio Brás de Carvalho, procurado pelo DOPS, travou tiroteio com policiais, quando veio a falecer. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110901/e51208fc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5452 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110901/e51208fc/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/bmp Size: 13929 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110901/e51208fc/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 1 19:36:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 1 Sep 2011 19:36:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__JUIZA_IGNORA_PEDIDO_DE_OUVIDOR?= =?windows-1252?q?_AGR=C1RIO_NACIONAL_E_MANDA_DESPEJAR_AS_FAM=CDLIA?= =?windows-1252?q?S-_realizado_pela_PM_de_sao_paulo=2C_de_noite=2E?= =?windows-1252?q?=2E_e_no_outro_dia=2E__denuncie?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Por favor, ajudem a divulgar!!! JUIZA IGNORA PEDIDO DE OUVIDOR AGRÁRIO E MANDA DESPEJAR AS FAMÍLIAS 01/09/2011 - 16:30 h Setor de Comunicação - MST - Regional Campinas Fotos: João Zinclar A noite do dia 29 de agosto de 2011 foi tensa no Assentamento Milton Santos e na nova ocupação em Americana. 700 famílias ocupavam a área há 24 dias e no última dia 30 a PM realizou uma reinegração de posse aterrorizante para acampados e assentados. Muitas famílias não puderam entrar no local, que foi fechado pela polícia. O cerco começou no início da noite. Diversas famílias assentadas, impedidas de entrar em suas casas, tiveram que passar a noite em carros. Acampados foram detidos indevidamente só por tentar voltar para o acampamento. Um grupo de assentados e o advogado do movimento Vandré Paladini que vinham de uma audiência pública com a Ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário que ocorreu na Assembléia Legislativa em São Paulo, foram barrados na estrada que liga Americana ao Assentamento. Durante toda a noite a polícia percorreu as estradas internas do Assentamento constrangendo acampados e assentados que passavam no local. Foram disparados tiros de fuzil e lançados rojões com o intuito de intimidar as famílias. O clima de guerra e conflito iminente fez com que os assentados interviessem e acolhessem os acampados em suas casas. Estima-se que cerca de 150 famílias refugiaram-se na área do assentamento. As famílias acampadas não tiveram tempo de retirar os seus pertences. O comandante da operação chegou ao local tentando identificar a coordenação do acampamento, como os acampados e assentados se recusaram a dar informações os policiais receberam ordem de destruição imediata das estruturas. A operação iniciou com uma chuva de balas de borracha que perfuraram os barracos, felizmente ninguém se machucou. Na manhã do despejo a polícia ainda cercava as entradas impedindo, inclusive, a passagem de jornalistas, apoiadores e advogados. O transporte escolar ficou preso na barreira policial e várias crianças não puderam ir a escola, muitas delas assistiram a ação policial aterrorizadas. A rotina dos assentados foi totalmente alterada, cerca de 4 mil Kg de alimentos retirados semanalmente e doados às entidades assistenciais da região não puderam ser entregues e os produtores ficaram no prejuízo. A justiça mais uma vez defendeu os interesses dos latifundiários de terra, usineiros. A juíza de Americana responsável pelo processo emitiu a liminar a favor da Usina Ester, ignorando o fato de que a área pertence ao INSS e, não levando em consideração o pedido do Ouvidor Agrário Nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) desembargador Gercino José da Silva Filho, que solicitou o adiamento do cumprimento da liminar até que a situação da terra ocupada fosse investigada. Durante todo o dia de ontem (31-08) a operação continuou com a destruição de um bambuzal próximo ao local, abertura de valas e remoções de terra. Os pertences dos acampados amontoados no dia anterior, numa área vizinha, foram queimados (colchões, roupas, utensílios e ferramentas). Devido aos abusos cometidos pelos policiais os advogados do movimento estão ouvindo acampados e assentados para buscar responsabilizar os culpados. Solicitamos às autoridades que tomem providências de modo que os direitos dos acampados, assentados e moradores da região (Sobrado Velho e Morada das Carolinas) sejam respeitados. As famílias assentadas temem, inclusive, as retaliações, já que as intimidações por milícias formadas por policiais que fazem a ?segurança particular? da Usina são constantes. Continuaremos denunciando a grilagem de terras públicas para usufruto de particulares e as injustiças cometidas contra os trabalhadores!!! Reforma Agrária Já! Polícia para quem precisa de polícia! (Titãs) Segue link da reportagem da Record sobre a reintegração de posse em Americana http://www.tvb.com.br/balancogeral/videos-exibe.asp?v=16116 Veja depoimentos de acampados sobre a ocupação: UM DEDO DE PROSA 1 : http://www.youtube.com/watch?v=cGMTOWlQmQ8 UM DEDO DE PROSA 2 : http://www.youtube.com/watch?v=EWna2WVEEzM&feature=related AOS APOIADORES E ALIADOS Após a reintegração muito do que tinhamos foi perdido: barracos, colchões, cobertores, roupas, alimentos. Para continuarmos resistindo e lutando pela destinação das terras para a Reforma Agrária necessitamos com urgência de doações de: - LONA - Cobertores - Alimentos - Produtos de higiene pessoal - Colchões Locais de coleta: 1 - Visite o área provisória do acampamento (em frente a área ocupada anteriormente, dentro do Assentamento Milton Santos): entre no KM 128 da Rodovia Anhanguera e siga em rente na Avenida Nicolau João Abdala (ignorar as placas de desvio utilizando as passagens alternativas). Após o Assentamento Milton Santos, pegue a primeira entrada à esquerda. 2 - Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas. Rua Dr. Quirino, 560, CENTRO. Tel. 3775 5555 3 - Centro Acadêmico de Pedagogia (CAP) - Faculdade de Educação - Unicamp, Barão Geraldo, Campinas. Para doar quantias em dinheiro: Banco do Brasil - CONTA POUPANÇA Titular: Caroline Maria Florido Agência: 2447-3 Conta Poupança: 17367-3 Ao realizar doações, por favor, envie um email para: campinasmst at gmail.com informando a quantia depositada e, se desejar, sua própria identificação. ========================================= SECRETARIA REGIONAL CAMPINAS - MST Correio Eletrônico: campinasmst at gmail.com Página: www.mst.org.br REFORMA AGRÁRIA: Por Justiça Social e Soberania Popular!!! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110901/19e8fe8e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 36030 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110901/19e8fe8e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 1 19:36:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 1 Sep 2011 19:36:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] CINEMA PALESTINO : "O outro lado da moeda." Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Rose Nogueira TV ECLA APRESENTA CINEMA PALESTIN0 O outro lado da moeda (clique no link para assistir. Duração 1hora e vinte minutos) http://www.youtube.com/embed/H7mffPSIIZ4 Produção e Apoio REVISTA PALCO http://www.grupos.com.br/group/palco chicolobo at pop.com.br CHICO LOBO PRODUÇÃO E EDIÇÃO DE VÍDEO RABETTI PRODUÇÕES contato at rabetti.com Fone: 11 7231-2582 www.rabetti.com ***** Produção do Blog: CULTURA LATINA culturalatiamerica.blogspot.com/ Jesus Carlos ? Repórter Fotográfico Contato ilatina at uol.com.br http://jesuscarlos-fotografias.blogspot.com/ Fone: (11) 67456803 ? 31419673 ***** -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110901/ba9989b9/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 2 19:59:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 2 Sep 2011 19:59:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__JOS=C9_WILSON_LESSA_SABBAG__________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CCXXXIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ WILSON LESSA SABBAG (1943-1969) Filiação: Maria Lessa Sabbag e Wilson José Sabbag Data e local de nascimento: 25/10/1943, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 03/09/1969, São Paulo (SP) José Wilson Lessa Sabag, estudante do 5º ano de Direito na PUC de São Paulo, era membro de um pequeno grupo de militantes da oposição armada, ligado à ALN. Casado com Maria Tereza de Lucca Sabbag, com quem teve uma filha, foi morto em 03/09/1969, na capital paulista, aos 25 anos de idade. A família requereu os benefícios fora do prazo legal estipulado pela Lei nº 9.140/95, o que ocasionou um indeferimento inicial. Em outubro de 1968, José Wilson havia sido preso no 3º Congresso da UNE em Ibiúna, permanecendo detido por cerca de dois meses e, quando libertado, não se sentiu seguro para retornar às aulas da PUC e ao emprego no Banco do Estado de São Paulo. Chegou a produzir algumas filmagens sobre o Movimento Estudantil de 1967 e 1968. Documentos dos órgãos de segurança registram-no como "namorado" de Maria Augusta Thomaz, que seria morta em maio de 1973, no interior de Goiás, como militante do Molipo. A versão oficial dos fatos registra que, no dia 03/09/1969, após perseguição policial iniciada em um estabelecimento comercial na avenida Ipiranga, José Wilson e Antenor Meyer tentaram se refugiar no apartamento de um amigo naquela região, à rua Epitácio Pessoa. O soldado João Guilherme de Brito, ao tentar prender José Wilson, teria sido atingido por disparo de arma de fogo, vindo a falecer. Enquanto José Wilson trancou-se no banheiro do apartamento, Antenor Meyer, ao tentar fugir, caiu do 4º andar, sendo preso em seguida, com fraturas e ruptura da bexiga. Ainda de acordo com os registros policiais, como José Wilson se recusasse a sair do banheiro, foi acionada a tropa de choque da Força Pública e o DOPS. Agentes policiais atiraram bombas de gás lacrimogêneo e José Wilson teria saído, "travando-se tiroteio que culminou com sua morte". Para o relator do processo na CEMDP, essa versão bastaria para o deferimento do pedido. No entanto, o estudo do processo indicou elementos contraditórios dignos de registro. O Boletim de Ocorrência, aberto às 16h20min de 03/09/1969 pela Força Pública, indica que "os elementos foram detidos", ao mesmo tempo em que informava ter sido o policial ferido. Declaração de Antenor Meyer, anexada ao processo na Comissão Especial, reporta que os ferimentos de José Wilson produziram forte hemorragia e praticamente o prostraram, levando-o a demonstrar evidente fraqueza física, não podendo, portanto, ter efetivado saída violenta do banheiro, como afirma a versão oficial. Segundo o relator, uma curiosidade que se transforma em indício diante dos demais elementos é que o corpo do soldado Brito foi submetido a exame necroscópico ainda no dia 03/09 e o de José Wilson foi para o IML apenas no dia seguinte. A explicação está no relatório oficial do 11º Batalhão Policial, onde consta que "o caso foi entregue a OBAN quando se evidenciou que os indiciados eram elementos suspeitos de participarem de organização terrorista". Há várias outras afirmações nos autos, explica ainda, mostrando que José Wilson estava cercado, ferido e sujeito a um forte aparato policial envolvendo Polícia Civil, Força Pública, Marinha e OBAN. O desenho anexado ao laudo necroscópico, assinado pelos legistas Ruy Barbosa Marques e Orlando Brandão, ofereceu o argumento final à tese da execução, afirma o relator. Nele se mostra a trajetória dos projéteis que atingiram José Wilson. Todas as perfurações têm o mesmo sentido - de cima para baixo - com exceção de um projétil com entrada pelo lábio superior e saída na região temporal esquerda, com sentido de baixo para cima. A lesão provocada por esse projétil foi fundamental para a morte, conforme o laudo, que determina como causa mortis: "lesões crânio encefálicas traumáticas e hemorragia interna aguda". ========================================================================================================================== + Informações. JOSÉ WILSON LESSA SABAG Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Morto aos 25 anos de idade em São Paulo. Casado, estudava na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Ao resistir à prisão no dia 3 de setembro de 1969, quando agentes do DOPS e CENIMAR, apoiados por tropas de choque, tentaram prendê-lo, foi sumariamente fuzilado. O exame necroscópico, realizado no IML/SP, em 10 de setembro, pelos Drs. Ruy Barbosa Marques e Orlando Brandão confirma a morte em tiroteio. ================================================================================================ + Detalhes. 23 de setembro de 2009 Direito à Memória e à Verdade Evento na PUC-SP inaugura memorial em homenagem a estudantes mortos durante a ditadura e lembra os 32 anos da realização do 3º Encontro Nacional de Estudantes, semente para a reconstrução da UNE. A PUC-SP, em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, inaugurou nesta terça-feira, 22, um memorial em homenagem a José Wilson Lessa Sabbag, Maria Augusta Thomaz, Luiz Almeida Araújo, Carlos Eduardo Pires Fleury e Cilon da Cunha Brum, alunos da Universidade mortos durante a ditadura militar. "A placa em memória dos cinco estudantes assassinados chama a atenção da sociedade para o fato de que temos muitos assuntos ainda sem conclusão, passados durante a ditadura militar. Todos nós e as famílias das vítimas temos o direito de saber o que realmente aconteceu, as circunstancias em que brasileiros foram torturados e assassinados", comenta Augusto Chagas, presidente da UNE presente no evento. Chagas acrescenta que a entidade exige que os arquivos da ditadura sejam finalmente abertos. "Temos como tarefa chegar a uma conclusão sobre o tratamento que deverá ser dado aqueles que cometeram crimes durante o período mais tenebroso da história de nosso país", diz Chagas, afirmando que a sociedade merece uma resposta. ============================================================================================================ Ficha José Wilson Lessa Sabag Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Wilson Lessa Sabag Atividade: Estudante universitário Universidade Pontifícia Universidade Católica/São Paulo PUC Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 3/9/1969 São Paulo SP Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Centro de Informações da Marinha CENIMAR Brasil Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social DOPS ou DEOPS Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Orlando Brandão, Ruy Barbosa Marques Biografia Documentos Artigo de jornal Liberdade para os líderes antes do Natal, (sem data e fonte). Trata de campanha que os estudantes prometem começar em todo o país para que se libertem seus líderes, citando trechos do manifesto do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (DCE/UFRJ) que foi lançado em nota oficial. O artigo discorre também sobre o processo contra os acusados de participação no Congresso da UNE, em 1968, em Ibiúna, SP. Dentre os estudantes presos, envolvidos neste processo e citados no artigo, quatro foram mortos posteriormente pela repressão militar: Helenira Rezende de Souza Nazareth, Gildo Macedo Lacerda, Antônio Guilherme Ribeiro Ribas, José Wilson Lessa Sabag. Documento com carimbo do DOPS/SP, de 29/11/68. Relatório Parte de documento, encontrado no arquivo do DOPS, de organização de esquerda contendo denúncias de mortes, violências e ilegalidades cometidas pela ditadura militar. Comenta que, para a ditadura defender-se, viola as leis que ela própria elaborou, entregando o comando da repressão a órgãos clandestinos como o DOI-CODI e a OBAN e cita nomes de pessoas mortas ou desaparecidas por estes órgãos, como: Marighella, Edson Luís, José Guimarães, João Roberto, Padre Henrique (Antônio Henrique Pereira Neto), Bernardino Saraiva, João Domingues da Silva, Carlos Schirmer, Marco Antônio Braz Carvalho, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Eremias Delizoicov (considerado aqui como ex-militar morto no Rio), Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, José Wilson Lessa Sabag, José Roberto Spiegner, Dorival Ferreira, José Idésio Brianezi e Juarez P. de Brito. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Interrogatório Resumo de declarações prestadas por um preso político, em 10, 12 e 14/04/70, em interrogatório ao Exército. Declarou que com a morte de José Wilson Sabag, ficou incumbido de tirar sua esposa Maria Augusta Thomaz de São Paulo, levando-a para Curitiba. Informa que se reunia há dois meses em um armazém de seu pai no Ipiranga com outras pessoas, incluindo "Toledo" (Joaquim Câmara Ferreira). Possui o carimbo do arquivo do DOPS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110902/e68d38aa/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11414 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110902/e68d38aa/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 2 20:00:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 2 Sep 2011 20:00:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Movimentos_sociais_obt=EAm_conquis?= =?iso-8859-1?q?tas_na_Jornada_Nacional_de_Lutas?= Message-ID: <6B83EB13F52A4CE982A60BF1872D8420@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 02.09.11 - Brasil Movimentos sociais obtêm conquistas na Jornada Nacional de Lutas Várias organizações Adital Nas últimas semanas, e com a instalação em Brasília de um Acampamento Nacional, os movimentos sociais da Via Campesina realizaram a Jornada Nacional de Lutas, um conjunto de ações políticas voltadas para apresentar a governos e sociedade suas principais pautas, e pressionar o poder público para que atenda às necessidades populares nas zonas rurais e urbanas. As reivindicações foram apresentadas de diferentes formas pelos movimentos, que consideraram exitosa a mobilização. "A nossa avaliação, enquanto MAB e Via Campesina, é extremamente positiva. Foi correta a ocupação e a pressão sobre o Ministério da Fazenda, e obteve-se conquistas concretas, como a volta da Reforma Agrária à pauta do governo", afirma Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Em 21 de setembro, a presidenta Dilma apresentará um plano de execução de políticas de Reforma Agrária para o próximo período. "A grande leitura é que vale a pena lutar. Houve conquistas concretas, apesar de insuficientes perante a demanda que se tem". Para Cervinski, foi significativa a realização, pela Via Campesina, de lutas unificadas. "Isso é questão importante: as saídas são coletivas, e a Jornada demonstrou isso, com mobilizações em diferentes estados e processo de acampamento em Brasília". Também Rosângela Piovisani Cordeiro, da direção nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e da Via Campesina Brasil, considera positivos os resultados da Jornada, que reuniu quatro mil pessoas no Acampamento em Brasília, e outras 50 mil em ações realizadas em 18 estados. "Foi possível recolocar na pauta a questão da Reforma Agrária, o modelo de agricultura, e com isso a gente tirou o compromisso de destinação de R$ 400 milhões de reais para obtenção de terras", afirma. O Governo Federal anunciou este montante para compor o orçamento do Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para obtenção de terras para a Reforma Agrária, além da liberação dos R$ 15 milhões contingenciados do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). "A demanda do MST é de terras para 70 mil famílias, que estão acampadas. Essa verba atenderá só 20 mil. É muito baixo ainda o recurso que conseguimos, mas é positivo porque recoloca na pauta a questão de obtenção de terra", explica Rosângela. Durante a semana, os movimentos ocuparam o Ministério da Fazenda. Cervinski considera acertada a decisão de dar centralidade na luta às questões econômicas. "A ocupação foi para questionar essa política: destina-se R$ 2 bilhões para pagamento de juros e amortização da dívida por dia, e para os pequenos agricultores R$ 16 bilhões por ano para produzir alimentos", de modo que "os banqueiros recebem em oito dias de juros o equivalente a todo montante repassado para quase cinco milhões de famílias em um ano". No entanto, não foi atendida a reivindicação de renegociação das dívidas dos pequenos agricultores. "A política é inadequada. O governo oferece subsidio para vender veneno e não tem linha de crédito de produtos agroecológicos. É contraditório", entende Cervinsky. Também Rosângela afirma que a resposta do governo à demanda foi "muito ruim", e não aceita pelos movimentos. "Vamos voltar a conversar na primeira quinzena de setembro". Apesar de não terem sido atendidos, a negociação com o governo terá continuidade. "O desafio agora é manter a pressão. Estão em disputa os interesses dos especuladores, dos setores mais rentistas, industrializados, mas a pauta do projeto popular está de fora, o interesse dos trabalhadores só vai entrar em pauta se houver pressão, mobilização popular" afirma Cervinsky. Também foi objeto de luta o uso de agrotóxicos no Brasil, maior consumidor mundial. "Consumimos alimentos carregados de venenos". Essa questão envolve não apenas a população do campo, mas também a urbana, consumidora dos produtos agrícolas. "A Via Campesina tem buscado construir processo de aliança com setores urbanos em torno de alguns pontos, como esse, a diminuição da jornada de trabalho, 10% do PIB para Educação e criação de escolas técnicas no campo, dentre outras", explica Cervinsky. Rosângela afirma que, em relação aos agrotóxicos, a presidenta Dilma se mostrou sensibilizada. "Também esteve em pauta o relatório de Aldo Rebelo referente ao novo Código Florestal. Há compromisso da presidenta de vetar alguns pontos". Ela também elenca a necessidade de avançar na proposta de aquisição de placas de energia solar para as famílias do campo, no assentamento das 12 mil famílias atingidas pelas grandes barragens e na restrição de compra de terra por estrangeiros. Não há também avanço na demarcação de terras indígenas e quilombolas, e problemas referentes ao fechamento das escolas no campo. "Nesta conjuntura em que vivemos, é fundamental enquanto Via Campesina, e organizações do campo e cidade, que se trace estratégia de unidade nacional nas nossas bandeiras". Organizações da sociedade civil Os movimentos consideram fundamental a participação das organizações da sociedade civil nesse processo de luta. "Temos relação muito boa com muitas das organizações, é necessário fortalecer as que representam trabalhadores ou que atuam nesse campo, pois precisamos caminhar para construir unidades", afirma o integrante da coordenação nacional do MAB. Para Cervinsky, vivemos um momento que exige unidade do conjunto dos trabalhadores, que é construída a partir das lutas concretas em que movimentos e organizações se inserem. "Há pontos que geram unidades, e em alguns deles se tem obtido avanços". Rosângela exemplifica com as pautas da educação e da violência contra as mulheres do campo e das cidades. "É interessante a participação de várias organizações do Fórum Nacional pela Reforma Agrária, e a ABONG faz parte desse processo". Ambos também enfatizam que o calendário de lutas prossegue, bem como a importância de engajamento nas mobilizações, que já terão sequência no Grito dos Excluídos, em 7 de setembro. "É um processo de pressão permanente", afirmam. A próxima reunião entre o governo e a Via Campesina já está marcada para 21 de setembro. Respostas do governo à Via Campesina na Jornada - Acréscimo de R$ 400 milhões no orçamento do Incra e MDA para obtenção de terras para a reforma agrária. - Liberação dos R$ 15 milhões contingenciados do Pronera. - Programa de Alfabetização Rural, nos moldes propostos pela Via Campesina. - Agroindústria em assentamentos: R$ 200 milhões para projetos de até R$ 50 mil e outros R$ 250 milhões para projetos até R$ 250 mil, todos esses créditos a fundo perdido. - MDA e Incra devem apresentar entre 7 e 10 de setembro um plano emergencial de assentamento até o fim do ano, mas também com vistas até 2014. - Dívida: crédito de até 20 mil, com juros de 2% ao ano e prazo de pagamento de 7 anos, para quitar as dívidas atuais, liberando o acesso a novos créditos no Pronaf. - Inclusão das áreas de reforma agrária no Programa de Habitação que o governo anunciará semana que vem. - A Produção Agroecologia Integrada e Sustentável (PAIS) terá todos os recursos necessários para todos os projetos apresentados. - Instalação de Grupo de trabalho para laborar nova regulamentação para uso dos agrotóxicos. - Implementação de 20 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs) - Cultura: criação de editais para bibliotecas, cinema e produção audiovisual, específicos para o campo. - Programa de liberação de outorgas para rádios comunitárias em assentamentos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110902/7290bef8/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 3 15:27:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 3 Sep 2011 15:27:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__CASSIMIRO_LUIZ_DE_FREITAS___________?= =?iso-8859-1?q?__________________________________-CCXXXV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CASSIMIRO LUIZ DE FREITAS (1912-1970) Filiação: Benedita Francisca Pires e Leolino Luiz de Freitas Data e local de nascimento: 11/12/1912, Catalão (GO) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 19/03/1970, em Pontalina (GO) O lavrador Cassimiro Luiz de Freitas foi sindicalista e militante da VAR-Palmares. Trabalhava para a formação de uma associação de camponeses em Goiás, tendo anteriormente, nos anos 50, simpatizado com o PCB e mantido ligações com José Porfírio de Souza, desaparecido político que é um dos 136 nomes da lista anexa à Lei nº 9.140/95, líder de importantes mobilizações agrárias na região de Trombas-Formoso. O nome de Cassimiro não constava de nenhuma relação de militantes mortos e desaparecidos antes do exame pela CEMDP. Foi preso em 26 de janeiro de 1970, em Pontalina (GO), junto com o filho Cornélio e mais dois trabalhadores rurais. Morreu no dia 19 de março, em sua casa, três dias depois de ter sido solto. Cornélio e os dois lavradores foram levados para o batalhão Anhanguera,da PM, em Goiânia, onde foram interrogados e soltos dez dias depois. Só voltou a ver o pai 50 dias depois, quando ele foi encontrado na Praça de Pontalina, onde teria sido deixado por um jipe do Exército, em péssimo estado de saúde, apresentando marcas de tortura. Ali foi socorrido e levado para casa por um casal de amigos. Além de declarações escritas, foi juntada cópia de dossiê do arquivo do DOPS, atualmente sob a guarda da Universidade Federal de Goiás, onde constam as prisões efetuadas pela PM. Foi relatada também a sua passagem pelo 10° Batalhão de Caçadores do Exército, em Goiânia. Cassimiro foi inquirido formalmente pela Polícia Federal em 30/01/1970. Não há, nos autos, documento oficial comprovando que Cassimiro permaneceu preso até meados de março. Contudo, declara o relator, o procedimento de manter militantes políticos aprisionados arbitrariamente, por longo período de tempo, era comum. Não havia mecanismos de controle da ação policial na esfera de apuração de delitos contra a Segurança Nacional e os abusos eram praticados impunemente. Foram juntadas três declarações tomadas pelo Procurador da República, Marco Túlio de Oliveira e Silva, que trazem esclarecimentos sobre a prisão e condições de saúde no momento da libertação, quando vomitava sangue, tinha manchas nos braços, estava magro e decaído e contou às testemunhas que, além de lhe 'arrebentarem', deram-lhe um 'chazinho da meia-noite', expressão que no meio rural se refere a veneno. Também foi apresentado relatório do médico que atendeu Cassimiro em casa, no dia 17/03, e que assinou seu atestado de óbito. Mauro Lourenço Borges constatou que o paciente se encontrava em "pré-coma, apático, palidez intensa, respiração ruidosa, desidratado, panículo adiposo diminuído, pele flácida, caquético, apresentando hematomas e escoriações disseminadas pelo corpo, além de vômitos e diarréia sanguinolenta, praticamente em fase terminal. Ao término do exame, sugeri à família o internamento, mas acharam que não resolveria dada a gravidade do estado do paciente. Seu estado clínico era bastante crítico, agravando-se nas horas seguintes, vindo a falecer 24 horas após, em virtude das lesões sofridas, que provocaram anemia profunda, que foi a causa eficiente de seu falecimento em 18 de março de 1970, ocasião em que forneci o atestado de óbito". Segundo o relator, é compreensível, em virtude do tempo decorrido e da simplicidade das pessoas envolvidas, que haja uma ou outra imprecisão nas informações trazidas para os autos, já que os depoimentos divergem quanto ao tempo em que Cassimiro permaneceu vivo em casa. Em relação ao aspecto fundamental do caso, no entanto, os depoimentos são bastante claros. O fato de Cassimiro ter morrido em casa, ou de ter sido solto para que não morresse no interior de estabelecimento prisional, não altera a responsabilidade dos agentes do poder público. =========================================================================================================================== + Detalhes. Memória, verdade e justiça Marina Sant'anna 11 de agosto de 2011 (quinta-feira) Tramita na Câmara dos Deputados, desde maio 2010, o Projeto de Lei 7.376 que cria a Comissão Nacional da Verdade, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República. De acordo com o projeto, a Comissão terá como finalidade "examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período" da ditadura militar, "a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". Após mais de um ano de tramitação e amplo debate, acredito ser este o momento adequado para a aprovação do projeto e a criação da Comissão Nacional da Verdade. Em função disso, segmentos da sociedade civil, instituições públicas e privadas de interesse público, partidos políticos e mandatos parlamentares do campo democrático-popular, constituíram e lançam, em ato público na noite hoje, no auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, o Comitê Goiano da Verdade. Este comitê popular soma-se a 19 de outros Estados da federação que pressionam democraticamente o Congresso Nacional pela aprovação imediata da comissão. O trabalho da comissão possibilitará o resgate da memória, da verdade histórica e a promoção da justiça. Precisam ser esclarecidos os casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria. A população deve saber quais foram as estruturas, os locais, as instituições e as circunstâncias relacionados à prática de violações de direitos humanos, suas eventuais ramificações nos diversos aparelhos estatais e na sociedade. As famílias têm de ter o direito de velar os corpos e restos mortais de desaparecidos políticos. A população precisa saber/rememorar que entre abril de 1964 e março de 1985 o Brasil conheceu os chamados "anos de chumbo", o período da ditadura militar, que deixou um inexorável atraso no processo de desenvolvimento do país. Que centenas de centros de tortura foram instalados pelos militares, consolidando o terrorismo de Estado. Suplícios indescritíveis, esquartejamentos, dezenas de milhares de perseguidos, presos, torturados, assassinados e desaparecidos políticos. Manifesto público do Comitê registra, dentre os assassinados e desaparecidos em Goiás: Arno Preis, Cassimiro Luiz de Freitas, Divino Ferreira de Souza, Durvalino Porfírio de Souza, Honestino Monteiro Guimarães, Ismael Silva de Jesus, James Allen Luz, Jeová de Assis, José Porfírio de Souza, Márcio Beck Machado, Marco Antônio Dias Batista, Maria Augusta Thomaz, Ornalino Cândido, Paulo de Tarso Celestino e Rui Vieira Bebert. Se a opção definitiva do País é pela democracia, torna-se fundamental passar a limpo tudo o que ocorreu nesse 'período de exceção'. Entendemos que esse resgate da verdade e da memória permitirá que o Estado brasileiro adote medidas e políticas públicas para "prevenir violação de direitos humanos, assegurar a sua não repetição e promover a efetiva reconciliação nacional". Essas medidas mínimas previstas no PL 7.376/2010 corroboram com outras estabelecidas em leis, como a nº 9.140/1995, que reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro pela morte dos opositores ao regime de 1964; e as MPs nº 2151-3/2001 e nº 65/2002, convertidas na Lei nº 10.559/2002, que criaram a Comissão da Anistia do Ministério da Justiça. Embora mínimas, são medidas condicionantes para a erradicação definitiva de resquícios dos 'tempos de chumbo', como a tortura que ainda sobrevive ao repúdio social e às ações para mudança desse quadro. O Brasil é signatário da Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU de 1948, marco histórico de uma nova convivência humana no planeta. O País possui uma das mais belas ferramentas garantidoras de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais: a Constituição de 1988. Esse arcabouço legal internacional e nacional precisa ser instrumento da ampliação e fortalecimento de nossa jovem democracia, para o resgate de nossa verdadeira história e a construção de um futuro melhor para todos e todas - livre de amarras do passado. Marina Sant'Anna é deputada federal (PT-GO) e membro do Comitê Goiano da Verdade =========================================================================================================== Ficha. Cassimiro Luiz de Freitas Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Cassimiro Luiz de Freitas Cidade: (onde nasceu) Catalão Estado: (onde nasceu) GO País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 11/12/1912 Dados da Militância Prisão: 26/1/1970 Pontalina GO Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 19/3/1970 Pontalina GO Brasil em casa Clandestinidade -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110903/54a7dcdd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11180 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110903/54a7dcdd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 3 15:27:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 3 Sep 2011 15:27:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Dois_textos_esclarecedores_de_Adr?= =?iso-8859-1?q?iano_Benayon_=3A_=22Fim_do_Imp=E9rio=3F=22___e____?= =?iso-8859-1?q?=22Massacres_imperiais=22?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Fim do Império? - Adriano Benayon 2011-08-24 O colapso financeiro recente, cuja primeira grande crise ocorreu em 2007, vai continuar produzindo incalculáveis danos para a humanidade. De fato, apesar de o colapso ser flagrante, os segmentos sociais revoltados por causa das consequências dele, não lograram organizar-se, nem arrebatar o poder dos que o tem causado. 2. No 2º semestre de 2011 estão presentes novamente os fatores explosivos que fizeram detonar a crise de 2007/2008, como derivativos em montante acima de US$ 600 trilhões, contando só os negociados diretamente entre as partes, sem incluir, portanto, os transacionados em Bolsas. A isso se soma agora a perspectiva de inadimplência dos Estados Unidos e de países da União Europeia em suas dívidas públicas. 3. Seis grandes bancos de Wall Street estão expostos em US$ 1,5 trilhão, só nas dívidas da Espanha e da Itália. Outro tanto, ou quase, de créditos a esses dois países está na carteira de bancos alemães e franceses. 4. As economias e as sociedades desses países afundam cada vez mais na depressão, enquanto o FED nos EUA e o Banco Central Europeu emitem moeda e dão créditos de graça aos banqueiros criadores e detentores de títulos podres privados e públicos, além de comprar esses títulos por muitíssimo mais do que valem. 5. O Escritório de Responsabilização (Accountability) do Governo - GAO, vinculado ao Congresso dos EUA, fez auditoria na Reserva Federal (FED) a pedido do senador dissidente Bernie Sanders. O relatório revelou que, de 01/12/2007 a 21.07.2010, o FED concedeu empréstimos secretos a bancos e corporações financeiras, no montante de 16,1 trilhões de dólares, quantia maior que o PIB dos EUA (US$14,5 trilhões). 6. Esse dinheiro não flui para a economia, vai para a especulação, e a perspectiva é de que a depressão se torne ainda mais trágica, por causa dos cortes nas despesas públicas e dos aumentos de impostos "para reduzir os déficits orçamentários". 7. Observadores apressados animam-se com o fim do império, ao verem a continuada queda de valor do dólar e ao rebaixamento da cotação dos EUA, por parte de uma agência de risco de crédito. 8. Não avaliam que a oligarquia financeira se têm aproveitado do colapso que gerou, para dar imenso salto qualitativo na concentração, demonstrando, ademais, controle total sobre os governos das "democracias representativas", as quais nada têm de democráticas. 9. Mesmo nos países centrais, os donos das finanças - e do poder - já haviam, desde os anos 80, feito crescer muitíssimo a concentração de riqueza real e financeira, determinando políticas públicas, como a fiscal, as quais os favoreceram cada vez mais. Após a virada do século, acumularam quantidades imensas de lucros mediante a fraudulenta explosão dos derivativos, um dos fatores que levou ao colapso. 10. Como o grosso desses derivativos não tem sustentação real, o prejuízo decorrente foi maior do que aqueles lucros. Entretanto, foi pago pelos Tesouros e bancos centrais. 11. A consequência disso é que, além de grandes bancos estarem de novo perto da falência por terem reincidido na bandalheira dos derivativos, agora também ficaram em situação de pré-inadimplência os Estados "soberanos", que salvaram os bancos após a crise de 2007-2008. 12. Os Estados imperiais ainda pagam juros muito baixos em suas dívidas públicas demasiado altas (120% do PIB nos EUA), mas esse não é o caso, da periferia européia, na qual as taxas vêm subindo e agravando muito as coisas. 13. No Brasil a dívida pública ainda representa percentual tolerável do PIB, mas o "governo" e o BACEN parecem fazer questão de que o Brasil entre no rol dos falidos, pela composição dos juros às taxas absurdamente altas que decretam em prejuízo do País. 14. Voltando à questão nos EUA e Europa, passada a primeira crise do colapso financeiro, graças à incrível e imoral ajuda pública, a oligarquia fez elevar exponencialmente, através da depressão, o grau de concentração. Durante as depressões, o poder relativo dos concentradores cresce muito, com as perdas das empresas menores e dos assalariados, e aqueles se aproveitam para adquirir ativos a preços de liquidação, sem falar nos ganhos com novas especulações financeiras. 15. Com efeito, eles dominam as economias centrais e ainda mais as periféricas, de cujos recursos naturais se apossam celeremente, colocando a humanidade na rota da escravização total, para não dizer do extermínio. 16. Por enquanto, não é o império nem o capitalismo que está acabando. Quem está com a sobrevivência em perigo são as vítimas do capitalismo. Mais importante: às centenas de milhões de pessoas que já se danaram no processo, outro tanto vai sendo acrescentado ao rol dos destituídos e massacrados. 17. O sistema de concentração financeira e econômica nas mãos de poucos grupos e famílias oligárquicas (essa é a definição de capitalismo) prossegue causando estragos em escala crescente: desemprego, miséria, rebeliões de seu interesse, guerras de grande vulto planejadas pelos diretores do capitalismo, conscientes da desconstrução diabólica que estão realizando, a fim de tornar sua tirania cada vez mais absoluta. 18. Não se pode prever quando isso vai parar. Mas se poderia inferir a única maneira possível de conseguir: retirando das mãos dos donos da concentração e da tirania mundial o poder que eles detêm sobre os governos, os aparatos militares e os serviços secretos que comandam. 19. Embora cada vez mais horrores sociais e econômicos estejam acontecendo e gerando revolta, também cresce a repressão policial e o totalitarismo na desinformação. Esses horrores só acabarão, se as sociedades encontrarem um modo de conquistar o Estado e organizá-lo sob princípios do bem comum, somente viável sem bancos privados com direito a criar dinheiro e se forem quebrados os oligopólios e os cartéis. * - Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento", editora Escrituras. abenayon.df at gmail.com. ==================================================================================================== 2º texto. Massacres imperiais Adriano Benayon 2011-08-25 Em outro artigo em que trato do colapso financeiro, ponho em dúvida que o império esteja no fim, inclusive porque ainda é o poder militar que sustenta o dólar. Nessa linha, a oligarquia financeira perpetrou mais um latrogenocídio, para alijar da Líbia um regime cujo crime, aos olhos imperiais, foi melhorar muito as condições de vida de seu povo. 2. Em 24.08.2011, a NATO (organização composta pelas potências imperiais e satélites), relatou ter, nos últimos cinco meses, realizado 20.121 missões aéreas, incluindo 7.597 bombardeios. Não mencionou quantos mísseis destruidores lançou dos navios sobre alvos na Líbia, nem o número de mortes de civis, inclusive crianças, nem ter destruído a infra-estrutura, escolas, hospitais etc. 3. Essa é a "ação humanitária" alegada pelos sucessores de Goebbels. O atual período faz lembrar os anos 30, e as agressões hitleristas contra uma sucessão de países vitimados. Estavam os países centrais em depressão, ganhavam espaço o fascismo e novas empreitadas colonialistas. 4. Uma diferença é que a Alemanha nazista afetava estar de lado contrário ao dos controladores da City de Londres. Isso não era verdade. Hitler adorava a oligarquia britânica, a qual, de resto, patrocinou a ascensão dele ao poder. Banqueiros ligados à finança mundial complotaram para derrubar o chefe do governo, de menos de dois meses, de Kurt von Schleicher, ex-chefe do Estado-maior, apoiado por setores sociais com excelente plano de recuperação econômica, muito superior às idéias de Keynes. 5. A oligarquia jogou a carta de Hitler, que prometera, e cumpriu, atacar a União Soviética. Hoje, os continuadores do nazismo estão todos do mesmo lado, reunidos na OTAN. 6. Estas são algumas das razões pelas quais a Líbia foi covardemente violentada: 1) ter Gaddafi convertido em ouro dólares das reservas líbias e posto esse ouro a salvo de banqueiros estadunidenses; ademais, propôs que os países africanos passassem a realizar transações internacionais através de moeda própria a ser criada regionalmente; 2) ter a Líbia sido considerada, principalmente antes da agressão, presa fácil do ponto de vista militar. Ademais, as divisões tribais deveriam facilitar o êxito da subversão financiada, superarmada pelas potências hegemônicas e executada por tropas especiais da OTAN e do Catar. Não contaram com a resistência popular, favorável ao regime de Gadafi, incomparavelmente mais democrático que as "democracias" ocidentais. Nestas, o sistema representativo não representa os eleitores, mas, sim, quem os controla. Eleições e o pluripartidarismo não passam de engodos. 3) ter Gaddafi facilitado a tarefa criminosa da OTAN, ao fazer, desde há alguns anos, concessões às potências hegemônicas pensando em aliviar pressões. Isso acentuou a fraqueza da vítima, como aconteceu também no caso do Iraque, país militarmente mais poderoso que a Líbia (antes de ser massacrado). Ainda por cima, os sistemas anti-mísseis do Iraque eram britânicos e foram desativados pelos detentores dos códigos dos chips. 4) o objetivo de praticar o genocídio contra a Líbia, como ponto de partida para guerra mais ampla, estendendo-a à Síria e ao Irã. Setores da oligarquia anglo-americana influenciam o Pentágono no sentido de desencadear guerra de maior porte, até como válvula de escape face a movimentos de cidadãos norte-americanos e britânicos (entre outros) revoltados por estar sendo sugados e enganados pela oligarquia. 5) em conexão com o projeto de guerra, testar a China e a Rússia, passivas desde a capitulação de não ter vetado a resolução do Conselho de Segurança da ONU. Se essas duas potências (?) não assumirem posição mais firme, a escalada colonialista prosseguirá. 6) privilegiar as companhias do cartel anglo-americano e afastar as chinesas, russas e indianas do petróleo líbio; além disso, os predadores ocidentais querem saqueio livre e, não um governo, como o de Gaddafi, que cobrava impostos para investir em seu país e menos suaves que os dos protetorados tipo Arábia Saudita, Coveite, Catar, Emirados etc. 7. Dir-se-á: "por que a França participou tão ativamente, tendo suas FFAA, junto com as britânicas, feito a maior parte do trabalho sujo?" Bem, desde Napoleão, à exceção da era De Gaulle, a França sempre foi manipulada pela oligarquia britânica e depois anglo-americana. Ademais, há as águas do Grande Rio, projeto vitorioso de Gaddafi, que as companhas francesas Suez e outras querem fazer privatizar, como têm feito mundo afora. 8. Sarkozy deve sua carreira política à oligarquia anglo-americana. Esta o ajudou de novo, massacrando Dominique Strauss-Kahn, que seria candidato à presidência da França, embora o objetivo principal fosse forçá-lo a deixar a direção do FMI, pois DSK, entre outras coisas, apontou que não existem as alegadas reservas de ouro dos EUA. 9, De fato, O Estado policial dos EUA e serviços secretos foram acionados para prender DSK, em Nova York, de forma humilhante e injusta. Depois, ele ficou em prisão domiciliar, foi substituído no FMI por uma apaniguada de Sarkozy e, só após mais de três meses, acaba de ser liberado para retornar à França, por não haver provas das infames acusações que determinaram sua prisão, efetuada com arbitrariedade nunca antes vista. 10. É sob o impacto de tantas e tão contundentes demonstrações de indecência, que se aproxima o décimo aniversário, em 11 de setembro, de outra conspiração criminosa: a implosão, planejada pelos oligarcas, das torres gêmeas de Nova York, para, junto com outras mentiras, aterrorizar as pessoas e condicioná-las a ver os "islâmicos" como inimigos e causadores do terror. * - Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento", editora Escrituras, abenayon.df at gmail.com. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110903/790809ee/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 4 13:20:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 4 Sep 2011 13:20:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Conhe=E7a_algumas_interpreta=E7?= =?iso-8859-1?q?=F5es_de_Leila_Maria=2E____________________________?= =?iso-8859-1?q?_________________________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASIC?= =?iso-8859-1?q?AS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Conheça algumas interpretações de Leila Maria, uma excelente cantora carioca de jazz e bossa nova, em Minha Bossa Nova: www.minhabossanova.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110904/26adacaf/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 4 13:21:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 4 Sep 2011 13:21:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__AVELMAR_MOREIRA_DE_BARROS__e___JOS?= =?iso-8859-1?q?=C9_ID=C9SIO_BRIANEZI______________________________?= =?iso-8859-1?q?_-CCXXXVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem AVELMAR MOREIRA DE BARROS (1917-1970) Filiação: Vergilina Moreira de Barros e Avelmar de Barros Data e local de nascimento: 11/03/1917, Viamão (RS) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 24/03/1970, em Porto Alegre/RS Chacareiro do ex-tenente Dario Viana dos Reis, membro da VAR-Palmares, também preso e torturado no mesmo período, Avelmar morreu no DOPS de Porto Alegre no dia 25 de março de 1970. Seu nome consta do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. A necropsia, realizada no IML/RS e firmada pelos legistas Gastão E. Schirmer e Nicolau Amaro Guedes, descreve ferimentos no rosto e punhos, além de corte na carótida. A versão oficial é de morte por "suicídio no xadrez do DOPS", com uma lâmina de barbear. O relator do processo na CEMDP fez constar que a participação política de Avelmar ficou comprovada tanto através da nota oficial da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, que informou sua morte, quanto da declaração à imprensa do diretor do DOPS/RS, delegado Firmino Peres Rodrigues. Concluiu afirmando que o exame das peças do processo, especialmente notícias dos jornais, levavam-no a firmar a convicção pessoal de que a versão oficial era verdadeira e que a vítima, caseiro de um militante político, envolveu-se nas atividades deste. Portanto, se tratava de suicídio, na prisão, de um cidadão acusado de participação em atividades políticas. O pedido foi acolhido por unanimidade, mas Nilmário Miranda, Suzana Keniger Lisbôa e Luís Francisco Carvalho Filho fizeram constar formalmente sua desconfiança em relação à versão oficial das autoridades de segurança sobre a morte por suicídio. JOSÉ IDÉSIO BRIANEZI (1946-1970) Filiação: América Tomioto Brianezi e José Paulino Brianezi Data e local de nascimento: 23/03/1946, Londrina (PR) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 13/04/1970, São Paulo (SP) Nascido em Londrina, participou de atividades estudantis em Jandaia do Sul e Apucarana, tendo participado do 19º Congresso Paranaense de Estudantes Secundaristas, em Cornélio Procópio, em 1968. Trabalhou na secretaria do Colégio 7 de Setembro, em Apucarana. Em 1969, integrou-se à ALN de São Paulo, juntamente com Antônio dos Três Reis de Oliveira, que seria morto no mês seguinte. Documentos dos órgãos de segurança registram que ele seria um dos subcomandantes do Grupo Tático Armado da ALN, em São Paulo, no início de 1970. A certidão de óbito traz a versão de que faleceu em 13/04/1970, na pensão onde morava, à rua Itatins, nº 88, no Campo Belo, capital paulista. Os legistas do IML Cypriano Oswaldo Mônaco e Paulo Queiroz Rocha determinaram como causa da morte hemorragia interna traumática. A versão oficial é de que ele morreu em tiroteio com agentes da OBAN (DOI-CODI/SP). Foi encontrada somente uma parte da documentação do IML relativa a essa morte, nos arquivos do DOPS/SP, não havendo informações de horário de entrada do corpo. A prova decisiva examinada pela CEMDP foi a foto de seu corpo, encontrada no arquivo do DOPS, onde aparece o dorso nu, com a barba por fazer há dias, hábito que não era seu e que contrariava as regras de segurança dos militantes, de acordo com depoimento anexado aos autos. Além disso, a foto contradizia informações da única folha do laudo que foi localizada, onde consta que Brianezi dera entrada no IML vestindo "camisa de seda fantasia, calça de brim zuarte, calção". O relator solicitou exame do perito Celso Nenevê, que analisou os documentos, mas não conseguiu reconstituir os fatos em decorrência de imprecisões do laudo, da falta de fotografia da necropsia e de perícia de local, apesar da referência documental de que dois agentes de segurança haviam sido feridos. Nenevê concluiu que o laudo não permite caracterizar a distância dos disparos, mas sustentou que pelo menos dois tiros - o primeiro, que provocou lesão de entrada na região carotidiana esquerda e de saída na região occipital, e o segundo, que penetrou na linha axilar esquerda e se alojou nos músculos dorsais - apresentaram trajetórias de frente para trás, e não de trás para frente como descrito no laudo. O relator descartou a exumação dos restos mortais para exame porque os pais, que retiraram o corpo do Cemitério de Vila Formosa, onde fora enterrado como indigente, levantaram dúvidas se o corpo entregue pertencia realmente ao filho. Concluiu, em seu voto, que o fato de Brianezi medir 1m84, conforme descrito no laudo de necropsia, era um forte indício de execução sumária, pois ele levou três tiros de frente para trás com evidente diferença de nível entre o corpo e os autores dos disparos. ============================================================================================================================= + Informações. AVELMAR MOREIRA DE BARROS Chacareiro. Preso em março de 1970, no Rio Grande do Sul, foi torturado até a morte no DOPS gaúcho, em 25 de março de 1970, segundo denúncia do boletim de março de 1974 da "Amnesty International". A necrópsia, feita no IML/RS,foi firmada pelos Drs. Gastão E. Schirmer e Nicolau Amaro Guedes e descreve ferimentos no rosto e punhos, além de corte na carótida. A versão policial de sua morte é de "suicídio no xadrez do DOPS". JOSÉ IDÉSIO BRIANESI Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em Londrina, filho de José P. Brianesi e América T. Brianesi. Foi morto aos 24 anos de idade em São Paulo. Quando estudante secundarista, participou do XIX Congresso Paranaense de Estudantes Secundaristas. Trabalhava na Secretaria do Colégio 7 de Setembro, em Apucarana, antes de ser obrigado a viver na clandestinidade. Assassinado no dia 14 de abril de 1970 pela equipe do delegado Renato D'Andréa, do DOI/CODI-SP, na pensão onde morava, perto do Aeroporto de Congonhas. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Vila Formosa/SP. Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas Cypriano Osvaldo Monaco e Paulo Augusto de Queiroz Rocha, que confirmam a morte em tiroteio em sua casa à Rua Itatins n° 88F, Campo Belo. Em documento no DOPS/PR "consta que o fichado morreu na cidade de São Paulo (informações da PE)". ============================================================================================== Ficha. Avelmar Moreira de Barros Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Avelmar Moreira de Barros Atividade: Agricultor Dados da Militância Prisão: 0/3/1970 RS Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 25/3/1970 RS Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/RS DOPS/RS ou DEOPS/RS RS Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Gastão E. Schimer, Nicolau Amaro Guedes Biografia Documentos Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/RS, de 25/03/70, realizado por Gastão E. Schirmer e Nicolau Amaro Guedes. Indica morte por suicídio no xadrez do DOPS/RS, no dia anterior, aos 53 anos de idade. ============================================================== Ficha. José Idésio Brianezi Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Idésio Brianezi Cidade: (onde nasceu) Londrina Estado: (onde nasceu) PR País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) /1946 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Nome falso: (Codinome) Mariano Morto ou Desaparecido: Morto 14/4/1970 São Paulo SP Brasil R. Itatins, 88F, Campo Belo Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Operação Bandeirante OBAN Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Renato D'Andréia Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Cypriano Osvaldo Mônaco, Paulo Augusto Queiroz Rocha Biografia Documentos Artigo de jornal Folha de Londrina, Londrina, 21 jul. 1991. "Brianezi, outro apucaranense morto pela repressão". "Tarefa árdua na busca dos desaparecidos". Pai de José Idésio Brianesi investigou fatos sobre a morte de seu filho e de Antônio dos Três Reis nas mãos da repressão. Através dos trabalhos de investigação de Maria Amélia Teles nas fichas do DOPS do Paraná, foi possível descobrir o local onde os restos mortais de Antônio dos Três Reis foi enterrado. Com auxílio da Prefeita de São Paulo, Luíza Erundina, e do Governador do Paraná, Roberto Requião, a possibilidade de exumação e identificação dos corpos paranaenses se amplia, apesar das dificuldades técnicas. Artigo de jornal Artigo incompleto, sem fonte e sem data, intitulado: Encontro de anistia divulga lista com novos desaparecidos. Informa que o Congresso Nacional pela Anistia divulgou lista com nomes de pessoas mortas e desaparecidas a partir de 1964. Foto Foto original e preto e branco do corpo, encontrada no IML/SP. Foto Foto original e preto e branco de rosto. Possui cópia do arquivo do DOPS/SP. Relatório Relatório do arquivo do DOPS/SP, intitulado "Índice", de 14/04/70. Informa que no dia anterior morreu José Idésio Brianesi durante tiroteio com agentes da Operação Bandeirantes (OBAN). Devido a investigações procedidas por este órgão, foi localizada a pensão em que morava Idésio, conhecido por "Mariano", na Rua Itatins, onde foi organizado um cerco. Quando "Mariano" chegou e se deparou com os policiais, sacou sua arma, atirando contra dois sargentos, mas sendo atingido, vindo a falecer no local. O proprietário da pensão informou que "Mariano" estava registrado como José Idésio Brianezi, cuja profissão era vendedor de livros. Relata os documentos considerados suspeitos, encontrados pela polícia, entre seus pertences na pensão. Relatório Instrução para fabricação de bomba caseira, com a indicação "Encontrado entre os pertences de José Idésio Brianezi (morto)". Documento do arquivo do DOPS, com carimbo de 27/05/70. Relatório Parte de documento, encontrado no arquivo do DOPS, de organização de esquerda contendo denúncias de mortes, violências e ilegalidades cometidas pela ditadura militar. Comenta que, para a ditadura defender-se, viola as leis que ela própria elaborou, entregando o comando da repressão a órgãos clandestinos como o DOI-CODI e a OBAN e cita nomes de pessoas mortas ou desaparecidas por estes órgãos, como: Marighella, Edson Luís, José Guimarães, João Roberto, Padre Henrique (Antônio Henrique Pereira Neto), Bernardino Saraiva, João Domingues da Silva, Carlos Schirmer, Marco Antônio Braz Carvalho, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Eremias Delizoicov (considerado aqui como ex-militar morto no Rio), Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, José Wilson Lessa Sabag, José Roberto Spiegner, Dorival Ferreira, José Idésio Brianezi e Juarez P. de Brito. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de José Idésio Brianesi, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 03/05/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 22/10/68, com a palavra "Falecido" datilografada no alto da ficha. Informa que José Idésio participou do XIX Congresso dos Secundaristas Paranaenses, realizado em Cornélio Procópio, de 17 a 21/01/68; é considerado agitador que freqüentemente atacou o Governo; ligado ao grupo subversivo de Apucarana, PR; consta que morreu na cidade de São Paulo. Ficha pessoal Documento do IML, de 11/06/70, com dados do óbito. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML, de 25/05/70, realizado por Cypriano O. Mônaco e Paulo A. de Queiroz Rocha. Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS, em 14/04/70. Indica morte devido a tiroteio travado com a polícia, após ferir gravemente dois sargentos. Solicita ao Instituto de Polícia Técnica (IPT) a fotografia e as impressões digitais do cadáver. Documento do arquivo do DOPS/SP. ===================================================== Memorial homenageia estudantes de Apucarana (PR) mortos durante a ditadura militar Sex, 14 de Maio de 2010 08:48 SEDH O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, inaugura em Apucarana (PR), nesta sexta-feira (14), memorial em homenagem a dois estudantes da cidade que foram mortos pela repressão na ditadura militar. Antes da inauguração, o ministro participa de debate sobre a terceira edição do Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), lançado pelo Presidente da República em dezembro de 2009. O debate sobre o PNDH-3 será às 15h, no cine teatro Fênix, avenida Curitiba, 1.215, Centro. Na ocasião, o ministro fará uma apresentação do programa, que está organizado em seis eixos estratégicos, com 521 ações. A palestra será aberta ao público e contará com a presença do prefeito de Apucarana, João Carlos de Oliveira, do representante do grupo Tortura Nunca Mais do Paraná, Narciso Pires, entre outros convidados. Às 17h, haverá uma caminhada até a praça Central para inauguração do memorial "Pessoas Imprescindíveis", em homenagem aos estudantes José Idésio Brianezi e Antônio dos Três Reis de Oliveira. O memorial é uma iniciativa conjunta da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República com a Prefeitura de Apucarana, a Fundação Luterana de Diaconia e a Agência Livre para Informação e integra o projeto Direito à Verdade e à Memória, conduzido pelo Governo Federal desde 2006 com o objetivo de recuperar e divulgar o que aconteceu durante a ditadura militar no Brasil - 1964/1985 -, período marcado pela violência e violações de direitos humanos. Para o ministro Vannuchi, os memoriais contam à sociedade brasileira histórias de pessoas que deram suas vidas em favor de um regime democrático e livre, em um momento em que no Brasil prevalecia a tortura e execuções. Dezoito memoriais já foram inaugurados, em dez cidades brasileiras, e se consolidam como sinais permanentes da história na vida do brasileiro, informando sobre o passado e despertando a consciência crítica da população. O projeto Direito à Verdade e à Memória, conduzido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, está estruturado em três eixos: a instalação dos memoriais "Pessoas Imprescindíveis", publicações sobre o tema Direito à Memória e à Verdade - que já reúnem quatro títulos -, e a exposição "A Ditadura Militar no Brasil: 1964-1985", que já esteve em mais de 50 cidades brasileiras, sendo vista por um público superior a 2,5 milhões de pessoas. Os homenageados: José Idésio Brianezi (1946-1970) -Filho de América Tomioto Brianezi e José Paulino Brianezi, nasceu em 23 de março de 1946, em Londrina (PR). Estudante da Escola Técnica de Comércio de Apucarana inicia sua militância política na União dos Estudantes de Apucarana (UEA) no ano de 1966. Em 1968, passa a integrar a dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro) em Apucarana. Com a invasão e o fechamento da UEA em dezembro de 1968 pelo regime militar, torna-se insustentável a sua permanência na cidade. Muda-se para São Paulo, para se integrar à ALN (Ação Libertadora Nacional), juntamente com Antônio dos Três Reis de Oliveira. Documentos dos órgãos de segurança registram que ele seria um dos subcomandantes do Grupo Tático Armado da ALN, em São Paulo, no início de 1970. Nesse mesmo ano, foi morto por agentes da Operação Bandeirantes (OBAN). Sua certidão de óbito traz a versão oficial de que faleceu em 13 de março de 1970, na pensão onde morava, no Campo Belo, capital paulista, em tiroteio. Análise pericial dos documentos existentes e de uma foto encontrada no arquivo do DOPS, levo a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos a concluir que José Idésio foi executado sumariamente, tendo levado três tiros de frente para trás, com evidente diferença de nível entre o corpo e os autores dos disparos. Antônio dos Três Reis de Oliveira (1948-1970) - Filho de Gláucia Maria de Oliveira e Argeu de Oliveira, Antônio dos Três Reis de Oliveira nasceu em 1948, em Tiros, Minas Gerais, mas cresceu em Apucarana. Em 1966, estudava na Escola Técnica de Comércio de Apucarana, quando começou suas atividades políticas na UEA (União dos Estudantes de Apucarana). Em 1968, ingressa na Faculdade de Ciências Econômicas de Apucarana. Participou como delegado da UPE (União Paranaense dos Estudantes) do 30° Congresso da UNE, em 1968, em Ibiúna, quando foi preso pela primeira vez. Juntamente com outros estudantes de Apucarana, inclusive José Edésio Brianezi, integra a dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Após a invasão e o fechamento da UEA pelo Exército em dezembro de 1968, muda-se para São Paulo com Brianezi, passando a militar na ALN (Ação Libertadora Nacional). Sua morte foi negada pelas autoridades de segurança, embora conste de um relatório do Ministério da Aeronáutica de 1993 que ele morreu em 17 de maio de 1970, no bairro do Tatuapé, em São Paulo, quando uma equipe dos órgãos de segurança averiguava a existência de um "aparelho" (denominação dada às casas ocupadas por militantes clandestinos). Os documentos acerca de sua morte somente foram encontrados na pesquisa feita no IML/SP em 1991. Conforme depoimento dos presos políticos de São Paulo, Antônio foi assassinado junto com Alceri Maria Gomes da Silva e ambos foram enterrados no Cemitério de Vila Formosa. Seus corpos nunca foram resgatados, apesar das tentativas feitas em 1991, pela comissão de investigação da vala de Perus. Veja aqui o livro Direito à Memória e à Verdade Palestra sobre PNDH-3 Data: 14 de maio de 2010 Horário: 15 horas Local: cineteatro Fênix, av. Curitiba, 1.215, Centro, Apucarana (PR) Caminhada até a praça Central e inauguração de monumento em homenagem a Antonio Três Reis Oliveira e José Idesio Brianesi Data: 14 de maio de 2010 Horário: 17 horas Local: pça Semiramis Braga (ou praça do 28), rua Desembargador Clotário Portugal, bairro 28 de Janeiro, Apucarana (PR) ===================================================== APUCARANA: Monumento vai lembrar líderes estudantis mortos na ... www.youtube.com/watch?v=K98tPmkVzJQ3 min - 27 abr. 2010 - Vídeo enviado por tvtnonline Antônio dos Três Reis de Oliveira e José Idésio Brianezi serão homenageados em memorial de projeto do Governo Federal. Mais vídeos para JOSÉ IDÉSIO BRIANEZI » -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110904/c5705b5d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 186 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110904/c5705b5d/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 4 13:21:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 4 Sep 2011 13:21:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Document=E1rio_hist=F3rico=3A_=22?= =?iso-8859-1?q?_50_anos_da_campanha_da_Legalidade=22?= Message-ID: <7C93C98B259848E3BF6B490A07CD7505@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas Vejam no link abaixo um interessante documentário sobre o movimento em defesa da legalidade, que nestes dias está completando 50 anos. Uma das mais belas passagens da luta do povo brasileiro no século XX. http://www.youtube.com/watch?v=hNIfU8GTz0w Leiam também o artigo do jornalista Luiz Manfredini, publicado no Portal da Fundação Maurício Grabois. Augusto Buonicore A UNE e as armas de 1961 Por Luiz Manfredini Conhecida a notícia da inesperada renúncia do Presidente Jânio Quadros, na manhã de 25 de agosto de 1961, e noticiada a decisão dos ministros militares de impedir a posse do Vice-Presidente João Goulart, a UNE decretou greve geral e seu presidente recém-empossado Aldo Arantes seguiu para Porto Alegre. Foi juntar-se ao Governador Leonel Brizola, que comandava a reação ao golpe. Na época a entidade com maior capacidade de mobilização no País, a UNE lançou nas ruas da capital gaúcha e das principais cidades brasileiras, durante os dias dramáticos da resistência, vagalhões de estudantes. Somados a outros contingentes populares, eles foram decisivos na derrota do golpismo militar. Jango foi à sede da UNE agradecer apoio na luta pela posse. Aldo desembarcou em Porto Alegre acompanhado por seu assessor Herbert José de Souza, o Betinho. A cidade que ambos encontraram era uma praça de guerra. Cinquenta anos depois o cenário ainda é vivo na memória de Aldo. "Era uma paisagem e um clima de guerra civil, eu nunca tinha visto aquilo no Brasil", lembra. Canhões antiaéreos pelas ruas, onde massas de povo marchavam para defender a cidade. O Palácio Piratini, onde Aldo e Betinho apresentaram ao Governador Leonel Brizola o apoio da UNE, estava cercado por sacos de areia, automóveis, jipes, bancos da Praça da Matriz, trincheira defendida por civis armados e milicianos da Brigada Militar. No topo, ninhos de metralhadoras. Para além das barricadas, o povo. Milhares de estudantes e trabalhadores aglomeravam-se em torno do palácio. O que Aldo e Betinho não viram - mas saberiam mais tarde - é que a atmosfera de luta estendia-se por todo o Rio Grande do Sul. Os centros de tradições gaúchas, espalhados pelo Estado, arregimentavam o povo e o armavam com revólveres, espingardas e mesmo lanças e facões. Muitos desses gaúchos, com suas botas, bombachas e lenços no pescoço afluíam para Porto Alegre, preparados para a luta. Comitês de mobilização formaram-se entre estudantes e trabalhadores, intelectuais e artistas. Irreconciliáveis nos campos de futebol, Grêmio e Internacional se uniram em favor da luta. De fato, o Governador Brizola erguera em armas todo o Rio Grande do Sul para garantir a posse do Vice-Presidente João Goulart. A mobilização contagiou mesmo os gaúchos que não haviam votado em Jango. Naqueles dias dramáticos, em que o País beirava a guerra civil, Aldo Arantes, aos 22 anos de idade, recém-empossado na Presidência da UNE, vivia a primeira das tantas provas que lhe reservaria sua extensa e efervescente vida política nos 50 anos seguintes. Jânio: breve e controverso Empossado na Presidência da República em 31 de janeiro de 1961, sete meses depois, na manhã de 25 de agosto, Jânio Quadros renunciou, acusando "forças ocultas" que, garantiu, inviabilizavam o exercício do seu mandato. O episódio nunca foi devidamente esclarecido, pairando até hoje a suspeita de que, com a renúncia, ele pretendia deflagrar um movimento popular por sua permanência com poderes excepcionais. Se esse foi mesmo seu objetivo, falhou. A breve passagem desse político extravagante, quase caricato pelo Palácio do Planalto tem sido lembrada mais pelas medidas excêntricas adotadas: a proibição das rinhas de brigas de galos, de espetáculos de hipnotismo e letargia em auditórios, de corridas de cavalos em dias úteis, de lança-perfume e do uso do biquíni em concursos de beleza pela televisão, entre outras esquisitices. Mas o que o conduziu ao impasse foi seu desprezo pelos partidos e pelo o jogo político-parlamentar e seu relativo isolamento da ortodoxia conservadora que pavimentou seu caminho rumo à Presidência. Se na política interna Jânio rezou pela cartilha conservadora, nas relações externas sua conduta "autônoma e independente" (assim ele próprio a definiu) afrontou os ditames da guerra fria, que estava no auge, e ligavam o Brasil aos interesses dos Estados Unidos. Reatou relações diplomáticas com a União Soviética, votou contra o isolamento de Cuba proposto pelos Estados Unidos, enviou missão especial e plenipotenciária aos países socialistas do Leste europeu, com os quais o Brasil ainda não mantinha relações e autorizou viagem exploratória do Vice-Presidente João Goulart à China. Ao Presidente argentino, Arturo Frondizi, chegou a sugerir a formação de um bloco dos dois países, autônomo e independente em relação aos Estados Unidos, mas sem alinhar-se com o bloco soviético. Era entusiasta do Movimento dos Países não Alinhados, liderado pelo Presidente da Yugoslávia, o ex-guerrilheiro Joseph Broz Tito, cuja foto mantinha à vista de todos em seu gabinete no Planalto. Por fim, num gesto terminal, condecorou o líder cubano Ernesto Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Era o dia 19 de agosto de 1961. Havendo renunciado, os ministros militares vetaram a posse de Jango por se tratar de "um comunista". Expediram ordem para prendê-lo logo ao desembarcar. Às armas, cidadãos! O homem que Aldo Arantes encontrou no Palácio Piratini, comandando a resistência legalista de metralhadora na mão, "era muito determinado, firme, sabia o que queria e exercia uma liderança muito forte no Estado". Ainda novo, cheio de energia, Leonel Brizola transformou-se numa grande liderança nacional ao anunciar, na madrugada de domingo, 27 de agosto de 1961, pelas rádios Guaíba e Farroupilha, sua disposição de resistir ao golpe, à bala se necessário. E convocava o povo a segui-lo. E os gaúchos o seguiram. Brizola mandou a Brigada Militar ocupar as rádios Guaíba e Farroupilha e a Companhia Telefônica, de modo que passou a dominar todas as comunicações em Porto Alegre. Controlou o movimento da Varig, requisitou três mil revólveres calibre 38 da fábrica de armas Taurus e estabeleceu um posto de recrutamento de populares para a resistência na Avenida Borges de Medeiros, um prédio em formato de mata-borrão, por isso assim apelidado. Em apenas cinco dias, 45 mil pessoas se inscreveram no Mata-borrão e entraram em filas para receber armas e treinamento. Um dos líderes dessa mobilização popular era João Amazonas, então dirigente principal do Partido Comunista do Brasil (na época ainda PCB) no Estado. De fora, o movimento recebeu o apoio solitário de um só governador: Mauro Borges, de Goiás. Mas as ruas do Brasil estavam com a resistência gaúcha, que era uma resistência brasileira. E isso encurralou os militares golpistas. Na manhã do dia 28 de agosto, por intermédio do General Orlando Geisel, o Ministro da Guerra ordenou por rádio ao comandante do III Exército, General José Machado Lopes, que contivesse Brizola, usando para tanto toda a tropa disponível no Rio Grande do Sul e a que mais necessitasse de outros pontos do País, inclusive empregando a Aeronáutica para bombardear o Piratini, caso isso fosse necessário. A resposta de Machado Lopes foi lacônica: "Cumpro ordens dentro da Constituição vigente". E abandonou a sala. Dirigindo-se ao Piratini, comunicou a Brizola que o III Exército - antes expectante - aderia formalmente ao movimento de resistência ao golpe e pela posse imediata do Vice-Presidente João Goulart. Aos 61 anos, Machado Lopes não tinha nada de esquerdista. Seu currículo era conservador, de liberal-cristão anticomunista, incluindo oposição ao tenentismo (movimento progressista dos militares nos anos 20) e à sua manifestação mais contundente, a coluna Prestes, além do combate armado contra a insurreição comunista de 1935. Sob suas ordens estavam 120 mil homens no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, então o maior contingente do exército brasileiro. "O apoio do comandante do III Exército foi uma das razões pela quais a luta pela legalidade terminou tendo êxito", comenta Aldo. A UNE nas ruas Aldo Arantes passava os dias no Piratini, articulado com o comando legalista. Saía apenas para ajudar na mobilização dos estudantes gaúchos, dirigidos pela Federação dos Estudantes Universitários do Rio Grande do Sul (FEURG), que jogou papel essencial na resistência. Realizavam passeatas, debatiam nas assembléias gerais, Foram os estudantes que arrancaram os bancos da Praça da Matriz para reforçar as barridas em torno do palácio. Na carroceria de caminhões, chegavam às para a concentração em torno do palácio. Como o Ministro da Guerra ordenara o lacre dos cristais de várias emissoras de rádio de Porto Alegre, Brizola mandou transferir para os porões do Piratini os transmissores da Rádio Guaíba. Tinha início a Cadeia da Legalidade, transmitindo 24 horas mensagens de resistência para todo o Brasil e também para o exterior. A única música transmitida era o Hino da Legalidade, composto por Paulo César Peréio. As principais alocuções eram do entusiasmado Governador gaúcho, dirigindo-se ao povo brasileiro, e de Aldo Arantes que, em nome da UNE, relatava aos estudantes brasileiros a evolução dos acontecimentos, apresentava diretivas de ação, conclamando à mobilização. Em várias capitais os estudantes eram convocados para ouvir, nas praças públicas, a palavra do Presidente da UNE. O povo na rua mudou o curso dos acontecimentos. Na Base Aérea de Canoas, sargentos furaram os pneus e desarmaram os aviões que, sob ordens do Ministro da Aeronáutica, deveriam bombardear o Palácio Piratini. Em todo o Paraná, os quartéis do III Exército ficaram com a legalidade. A exceção foi Santa Catarina, onde a base da Marinha aderira aos golpistas, abastecendo os navios que seguiram para sufocar o movimento legalista. Mas acabou isolada. Jango: a volta e a posse. A renúncia de Jânio Quadros pegou de surpresa o Vice-Presidente João Goulart, que estava em Singapura, retornando de viagem oficial realizada à China. Enquanto Jango cumpria um retorno intencionalmente demorado ao Brasil (Singapura, Paris, Nov York, Buenos Aires, Montevidéu e, finalmente, Porto Alegre), gestava-se no Congresso a solução intermediária e conciliatória para sua posse: a adoção do parlamentarismo, que transferia para o Congresso e o Presidente do Conselho de Ministros boa parte das prerrogativas presidenciais. Jango desembarcou em Porto Alegre no dia 1o de setembro à noite. O jovem Aldo Arantes estava no Palácio Piratini quando o Vice-Presidente chegou acompanhado por Brizola, sob o cerco de uma entourage afobada e barulhenta. O clima, no entanto, não era só de festa. Naquele instante, era mais tenso que festivo. Aldo não presenciou, mas soube de uma discussão áspera, em reunião reservada, entre Jango e Brizola. O governador insistia em não aceitar o acordo parlamentarista. Mas o virtual Presidente já o havia acatado. O homem que Aldo Arantes viu sair na sacada do Palácio Piratini estava calmo, afável, embora cansado. E acenava para a multidão. A ovação que recebeu, ribombando pela Praça da Matriz e cercanias, não ocultou, entretanto, vaias aqui e ali dos que, como Brizola, resistiam à solução parlamentarista. Alguns desses chegaram a atear fogo às faixas e cartazes com o nome de Jango e gritar: "Covarde! Covarde!". Mas a ovação foi soberana. Jango embarcou para Brasília no dia cinco de setembro, a bordo de um Viscount da Varig. Em outro aparelho, Aldo Arantes, Betinho e os membros da comitiva oficial. Soube-se, mais tarde, que oficiais extremistas da aeronáutica pretendiam abater o avião que transportava Jango. Mas qual dos dois seria abatido, ou seriam ambos? Era a chamada "Operação Mosquito", que afinal foi abortada. Aldo e Betinho desembarcaram no aeroporto de Viracopos, em Campinas. João Goulart foi empossado como Presidente da República no dia sete. Brizola não o acompanhou, nem participou das solenidades. Ao discursar no Congresso, "Jango fez uma menção rápida ao governador gaúcho e o movimento da Legalidade, sem citá-lo pelo nome com que ficara conhecido", segundo relato do jornalista Flávio Tavares. Tancredo Neves, Deputado Federal pelo PSD mineiro, foi escolhido Primeiro-Ministro. No Ministério, nenhum nome do Rio Grande do Sul. Aldo Arantes e Leonel Brizola desenvolveram, na breve, porém intensa luta democrática de agosto de 1961, profundos laços de afeto. "Fomos amigos para o resto da vida", diz Aldo. E lembra que, findo o movimento e ao se despedir do Governador gaúcho, dele recebeu um revólver Rossi 38 "como símbolo da resistência". Do presente, ficou apenas a lembrança. "Infelizmente, durante a ditadura militar, eu dei este revólver para um sujeito que estava na luta armada". "A mobilização dos estudantes foi tão forte, tão decisiva para o sucesso da resistência que, dias depois da posse, o Presidente João Goulart e todo seu ministério visitaram a sede da UNE para agradecer", lembra-se Aldo (na foto acima, Aldo é o primeiro da esquerda para a direita). "Foi um ato marcante", diz, "pois pela primeira vez um Presidente da República ia à sede da UNE". Somente 40 anos depois outro Presidente esteve por lá: Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002. Imediatamente após a posse de Jango, a direita militar e civil, embora derrotada, continuou a conspirar, organizada, sobretudo, no secreto Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ipes) e no Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) que, entre outras iniciativas, financiava a eleição de candidatos anticomunistas. Começava, sub-repticiamente, a ser escrita a história do golpe de 1964. ___________ Fonte: Blog do Mafredini -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110904/de59318e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 89498 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110904/de59318e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 5 19:52:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 5 Sep 2011 19:52:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Receita_Para_Ficar_Doente=2E____?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!____MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIM?= =?iso-8859-1?q?ENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Receita Para Ficar Doente (clique) http://www.scribd.com/doc/7710035/Receita-Para-Ficar-Doente -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110905/73342b22/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 5 19:52:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 5 Sep 2011 19:52:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__=C2NGELO_CARDOSO_DA_SILVA___________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCXXXVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ÂNGELO CARDOSO DA SILVA (1943-1970) Filiação: Celanira Machado Cardoso e João Cardoso da Silva Data e local de nascimento: 27/10/1943, Santo Antônio da Patrulha (RS) Organização política ou atividade: M3G Data e local da morte: 23/04/1970, Porto Alegre (RS) Gaúcho de Santo Antonio da Patrulha, residente em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, Ângelo Cardoso da Silva era um motorista de táxi vinculado à organização M3G - Marx, Mao, Marighella e Guevara, pequeno grupo de oposição armada ao regime militar, praticamente circunscrito ao Rio Grande do Sul, que teve como fundador e líder um dos 136 nomes da lista anexa à Lei nº 9.140/95, Edmur Péricles Camargo. Ângelo encontrava-se detido no Presídio Central de Porto Alegre por sua participação política nesse agrupamento clandestino, conforme declaração firmada por outro preso político do período, Paulo de Tarso Carneiro, anexada ao processo formado junto à CEMDP. As autoridades divulgaram que Ângelo teria se enforcado dentro de sua cela, no dia 23/04/1970, às 16h. O laudo da necropsia foi assinado por Izaías Ortiz Pinto e Carlos B. Koch, confirmando a versão oficial. Seu nome consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. O relator da CEMDP, general Oswaldo Pereira Gomes, apresentou voto pelo indeferimento alegando não haver provas de que Ângelo fora preso por motivos políticos. Nilmário Miranda pediu vistas ao processo e em seu relatório esclareceu as dúvidas sobre a existência do M3G e a militância de Ângelo, comprovando a prisão política através de declarações de ex-presos, sendo inquestionável a sua morte em dependência do Estado. Como resultado, o requerimento foi deferido por unanimidade na Comissão Especial. O acerto dessa decisão receberia nova confirmação em abril de 2007, quando se tornou conhecido o chamado "Livro Negro do Terrorismo do Brasil", produzido pelo CIE por orientação do ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves. Na página 356 desse documento, consta uma informação que comprova a militância política de Ângelo: "A partir daí, até o dia 2 de março de 1970, o M3G assaltou mais três estabelecimentos de créditos no Rio Grande do Sul. Foram assaltadas: a agência da União de Bancos, em dezembro, em Cachoeirinha; a agência Tristeza, do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, em 28 de janeiro de 1970, em Porto Alegre; e, finalmente, a agência Viamão, do Banco do Brasil, em 2 de março (...) Participaram desses assaltos: João Batista Rita, Paulo Roberto Telles Frank, Bertolino Garcia Silva, Ângelo Cardoso da Silva e Dario Viana dos Reis. Edmur Péricles tomou parte em todas as ações". ========================================================================================================================== + Informações. ÂNGELO CARDOSO DA SILVA Militante do MARX, MAO, MARIGHELLA E GUEVARA (M3G). Motorista. Assassinado em 23 de abril de 1970, aos 26 anos de idade, quando se encontrava preso em Porto Alegre (RS). As autoridades da época afirmaram que Ângelo suicidou-se em sua cela com um lençol. Sua necrópsia, feita no IML/RS pelos Drs. Izaías Ortiz Pinto e Carlos B. Koch, afirma que o óbito se deu por enforcamento, confirmando a versão oficial da repressão e atesta a morte no Presídio Central de Porto Alegre. Foi enterrado por sua família no Cemitério de Viamão (RS). ============================================================================================= Ficha Ângelo Cardoso da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Ângelo Cardoso da Silva Atividade: Motorista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Marx, Mao, Marighella, Guevara M3G Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 23/4/1970 Porto Alegre RS Brasil Presídio Central Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Carlos B. Koch, Izaías Ortiz Pinto Biografia Biografia Militante do MARX, MAO, MARIGHELLA, GUEVARA (M3G). Motorista. Assassinado em 23 de abril de 1970, aos 26 anos de idade, quando se encontrava preso em Porto Alegre, RS. As autoridades da época afirmaram que Ângelo suicidou-se em sua cela com um lençol. Sua necrópsia, feita no IML/RS pelos Drs. Izaías Ortiz Pinto e Carlos B. Koch, afirma que o óbito se deu por enforcamento, confirmando a versão oficial da repressão e atesta a morte no Presídio Central de Porto Alegre. Foi enterrado por sua família no Cemitério de Viamão, RS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110905/d73db39d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10351 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110905/d73db39d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 6 20:02:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 6 Sep 2011 20:02:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___MARCO_ANT=D4NIO_DIAS_BAPTISTA_______?= =?iso-8859-1?q?____________________________________-CCXXXVIII-?= Message-ID: <0A564CF14D8B4C6284262C7918CD78AE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MARCO ANTÔNIO DIAS BAPTISTA (1954-1970) Filiação: Maria de Campos Baptista e Waldomiro Dias Baptista Data e local de nascimento: 07/08/1954, Sorocaba (SP) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: maio de 1970, Goiás Desaparecido político constante da lista anexa à Lei nº 9.140/95, Marco Antonio era paulista de Sorocaba, mas residia desde criança em Goiânia (GO). Preso e presumivelmente morto antes de completar 16 anos, é o mais jovem dentre todos os desaparecidos políticos do regime militar. Era militante da Frente RevoLúcionária Estudantil, vinculada à VAR-Palmares. Estudante secundarista do Colégio Estadual de Goiânia, participou do congresso da UBES, em Salvador, em 1968, sendo também dirigente daquela entidade. Jovem extremamente precoce, trabalhava na Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás no turno da tarde e, pela manhã, dava aulas particulares de inglês e português. Praticava halterofilismo. Em 1969, teria permanecido preso por um dia, após evitar que a polícia efetuasse a prisão de um irmão, também vinculado à VAR, que se entregaria aos órgãos de segurança no segundo semestre de 1970. Não foi possível definir a data precisa de seu desaparecimento. As pesquisas em torno de informações sobre seu desaparecimento, inicialmente, indicaram que ele foi visto pela última vez em Porto Nacional, naquela época estado de Goiás, hoje Tocantins, por volta de marçoabril de 1970. Depoimento de outro ex-militante da época informa que manteve encontro com ele numa praça de Araguaína, em maio. Segundo declarações do médico Laerte Chediac - irmão do ex-delegado da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás, Hibrain Chediac - ao jornal Tribuna Operária, em 1981, Marco Antônio teria sido detido em maio de 1970 pelo "Grupo do capitão Marcus Fleury", e que, ao ter permissão para visitar a família, fugiu e provavelmente estaria morto. O delegado citado nada confirmou. Marcus Fleury era oficial do Exército, no 10º BC, e também comandou a Polícia Federal de Goiás naquele período. O Relatório do Ministério da Marinha, de 1993, informa sobre Marco Antônio que era "líder secundarista goiano, preso e desaparecido em 1970". Em setembro de 2005, a Justiça Federal de Goiás deu prazo de 90 dias para que a União entregasse a ossada de Marco Antônio a sua mãe, autora de uma ação judicial vitoriosa e, em audiência reservada, explicasse as circunstâncias que envolveram a prisão e morte do estudante. A União foi condenada, ainda, a pagar uma indenização de R$ 500 mil à família. No dia 15/02/2006, cumprindo a determinação do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho o então ministro da Defesa e vice-presidente da República, José Alencar, realizou audiência com a família do estudante. A mãe de Marco Antônio, Maria de Campos Baptista, veio a Brasília pedir ao vice-presidente firmeza nas investigações para encontrar o filho ou seus restos mortais. Aquela alta autoridade da República ouviu um relato emocionado da mãe, que contou ter mantido a porta da casa sempre aberta, durante anos e anos, na esperança de que o filho um dia retornasse. Segundo relato da mãe aos jornalistas, o vice-presidente e ministro da Defesa não tinha as informações requeridas pela família e exigidas pelo Poder Judiciário, mas demonstrou boa vontade e interesse em ajudá-la. Aos 78 anos, Dona Santa, como era conhecida em Goiânia, guardava esperanças de enterrar Marco Antônio no jazigo da família. Ao voltar para Goiânia, após a audiência, Dona Santa faleceu em grave acidente rodoviário na BR-060, num trecho conhecido como Sete Curvas. O 31º Congresso da União Estadual dos Estudantes de Goiás, realizado em maio daquele ano, prestou a ela e ao filho desaparecido uma homenagem especial. ================================================================================================================================== + Informações. MARCO ANTÔNIO DIAS BATISTA Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Nascido a 7 de agosto de 1954 em Sorocaba, Estado de São Paulo, filho de Waldomiro Dias Batista e Maria de Campos Batista. Desaparecido desde 1970, quando tinha 15 anos. Estudante secundarista do Colégio Estadual de Goiânia, tendo participado do Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, em Salvador em 1968. Era dirigente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES. Foi visto pela última vez viajando no interior de Goiás, em Porto Nacional, em 1970. O Relatório do Ministério da Marinha diz que era "líder secundarista goiano, preso e desaparecido em 1970." ===================================================================================================== + Informações. (do livro História de meninas e meninos marcados pela ditadura) Do sonho ao pesadelo Marco Antônio Dias Baptista (1954-1970) depoimento de Waldomiro Dias Baptista - Mirinho, como é conhecido em Goiânia, onde vive - foi assombrado durante muitos anos por um pesadelo: ele tentava salvar o irmão mais moço, Marco Antônio, de algum perigo, mas este sempre lhe escapava das mãos. O sonho mau é o espelho dos seus sentimentos. Na adolescência, ambos idealizaram um mundo justo e lutaram por ele na organização Vanguarda Armada Revolucionária Palmares - VAR-Palmares. Mirinho sobreviveu, Marco Antonio sumiu sem deixar rastros, aos 15 anos, tornando-se o mais jovem desaparecido político brasileiro. Os Baptista tinham mais cinco irmãos e pertenciam a uma família de classe média baixa. Ambos debutaram no movimento estudantil protestando contra a morte de um agricultor e eram pouco mais do que crianças quando entraram para a clandestinidade. Marco, apelidado Chinês, costumava andar com o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung (líder da revolução chinesa) debaixo do braço. Mirinho preferia Trotsky (revolucionário soviético). Precoce, Marco filiou-se à Frente Revolucionária Estudantil, ligada à VAR-Palmares. Ainda estudante secundarista do Colégio Estadual de Goiânia, tornou-se dirigente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), onde liderou protestos e um congresso da entidade realizado em Salvador (BA), em 1968. Apesar da pouca idade, também trabalhava. Pela manhã, dava aulas particulares de inglês e português e, à tarde, cumpria expediente na Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás. Ainda achava tempo para praticar halterofilismo. Mergulhados na militância, tanto Marco quanto Mirinho tornaram-se clandestinos. Com os órgãos de repressão nos calcanhares, o mais velho dos Baptista acabou se entregando. Recusou-se, porém, a participar do humilhante espetáculo da retratação pública, que consistia em declarar arrependimento em frente às câmeras de televisão. Marco desapareceu em um dia impreciso de maio de 1970. As pesquisas sobre seu sumiço, inicialmente, indicaram que ele fora visto pela última vez em Porto Nacional - à época pertencente ao estado de Goiás, hoje Tocantins - entre março e abril do mesmo ano. Um colega de militância declarou, mais tarde, tê-lo encontrado em uma praça de Araguaina, no mês de maio. Segundo declarações do médico Laerte Chediac ao jornal Tribuna Operária, em 1981, Marco Antônio teria sido detido em maio de 1970 pelo "Grupo do capitão Marcus Fleury", conhecido torturador. Conforme esta versão, Marco fugiu ao ser liberado para visitar a família. Mirinho, por sua vez, passou de militante da esquerda a ativista do movimento hippie, que pregava Paz e Amor. Mas seu espírito não foi pacificado. Voltou-se, então, para a busca dos restos mortais de Marco Antônio. Vinculado ao grupo Tortura Nunca Mais, fez plantão diante da Casa da Dinda, onde residia o presidente da República de então, Fernando Collor de Mello, e abordava-o durante as corridas matinais. Também costurou uma bandeira verdeamarela de quatro metros com rostos de desaparecidos. E cutucou a todas as pessoas da cena política, capazes de influenciar na abertura dos arquivos do Dops . Em sua busca, chegou a alimentar a louca ilusão de que o mítico Subcomandante Marcos - dos guerrilheiros mexicanos de Chiapas - poderia ser o irmão. Em setembro de 2005, a Justiça Federal de Goiás deu prazo de 90 dias para que a União entregasse a ossada de Marco Antônio a sua mãe, Maria de Campos Baptista, autora de uma ação judicial vitoriosa e, em audiência reservada, explicasse as circunstâncias que envolveram a prisão e morte do estudante. A União foi condenada, ainda, a pagar uma indenização à família. Durante os trâmites judiciais, Maria contou ter mantido a porta da casa sempre aberta, durante anos e anos, na esperança de que o filho um dia retornasse. Aos 78 anos, Dona Santa, como era conhecida em Goiânia, guardava esperanças de enterrar Marco Antônio no jazigo da família. Não conseguiu. Ao voltar para casa, após audiência com o vice-presidente José Alencar, em fevereiro de 2006, em Brasília, ela faleceu em um acidente rodoviário na BR-060, no trecho conhecido como Sete Curvas. ============================================================================================= + Informações. Marco Antonio Dias Baptista, tinha apenas 15 anos quando foi preso em Goiás, em maio de 1970, provavelmente pela equipe do capitão do Exército Marcus Fleury. Durante os 21 anos de regime ditatorial, o País foi governado por militares que se orientavam pela chamada Doutrina de Segurança Nacional. Elaborada após a Segunda Guerra Mundial nos centros militares norte-americanos, essa doutrina enxergava o mundo pelo ângulo restrito do conflito capitalismo- comunismo e considerava, grosso modo, que greves operárias, pregações religiosas denunciando a pobreza, mobilizações estudantis, arte engajada e rebeldia juvenil eram, todas, manifestações do "inimigo interno" dentro de nossa pátria, a serviço de potências estrangeiras. Construiu-se um gigantesco sistema de informação, espionagem e repressão política para controlar todas as possíveis manifestações de descontentamento ou exercício crítico. Siglas como SNI, DOPS, Polícia Federal, DOI-CODI foram sendo idenficadas, comprovadamente, como aparelhos semiclandestinos que violavam as próprias leis da ditadura, utilizando os métodos mais torpes e hediondos. Mas esse aparelho não poderia existir sem mexer em outros pilares da vida social, como o sistema educacional, a comunicação de massa, o controle da imprensa, exigindo-se um Judiciário subjugado e um Legislativo amordaçado. ==================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) MARCO ANTÔNIO DIAS BAPTISTA (1954-1970) Marco Antônio era paulista de Sorocaba, mas residia desde criança em Goiânia (GO). Preso e presumivelmente morto antes de completar 16 anos, é o mais jovem dentre todos os desaparecidos políticos do regime militar. Era militante da Frente Revolucionária Estudantil, vinculada à VARPalmares. Também praticava halterofilismo. Em 1969, teria permanecido preso por um dia, após evitar que a polícia efetuasse a prisão de um irmão, também vinculado à VAR, que se entregaria aos órgãos de segurança no segundo semestre de 1970. Não foi possível definir a data precisa de seu desaparecimento. Foi visto pela última vez em Porto Nacional, naquela época Estado de Goiás, hoje Tocantins, por volta de março ou abril de 1970. Depoimento de outro ex-militante da época informa que manteve encontro com ele numa praça de Araguaína, em maio. Segundo declarações do médico Laerte Chediac ao jornal Tribuna Operária, em 1981, Marco Antônio teria sido detido em maio de 1970 pelo "Grupo do capitão Marcus Fleury", e que, ao receber permissão para visitar a família, fugiu e provavelmente estaria morto. Marcus Fleury era oficial do Exército, no 10º BC, e também comandou a Polícia Federal de Goiás naquele período. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, informa sobre Marco Antônio que era "líder secundarista goiano, preso e desaparecido em 1970". Em setembro de 2005, a Justiça Federal de Goiás deu prazo de 90 dias para que a União entregasse a ossada de Marco Antônio a sua mãe, autora de uma ação judicial vitoriosa e, em audiência reservada, explicasse as circunstâncias que envolveram a prisão e morte do estudante. A União foi condenada, ainda, a pagar uma indenização de 500 mil reais à família. No dia 15 de fevereiro de 2006, o então ministro da Defesa e Vice-Presidente da República, José Alencar, realizou audiência em Brasília com a família do estudante. Nessa ocasião, a mãe de Marco Antônio, Maria de Campos Baptista, conhecida como Dona Santa, contou ter mantido a porta da casa aberta durante anos e anos, na esperança de que o filho retornasse. Terminada a audiência, ela morreu em um acidente rodoviário, ao voltar para sua residência em Goiânia. ========================================================================================================= + Detalhes. sexta-feira, 21 de novembro de 2008 Marcos Antônio: uma breve vida de sonho e luta. Marcos Antônio Dias Batista era um jovem estudante e militante político que desapareceu aos 15 anos de idade em maio de 1970, durante a trágica ditadura militar instalada no Brasil. Durante 36 anos sua mãe, a assistente social Maria Campos Batista, procurou seu filho Marcos Antônio. Ainda com a a esperança de encontrar seus restos mortais, marcou uma audiência em Brasília com o vice- presidente da República e ministro da defesa, José Alencar. A União prometeu empenho para resolver o caso. Na volta a Goiânia, ocorreu um acidente de carro e a senhora Maria faleceu. A luta da senhora Maria foi a de esclarecer as circunstâncias do desaparecimento de seu filho. Marcos começou a atuar no movimento estudantil aos 13 anos, já no final da década de 1960. Ele defendia idéias marxistas e socialistas. Aluno do Colégio Lyceu de Goiânia, um dos principais espaços na capital do Estado para discussão e contestação da ditadura. Marcos foi um dos pricipais líderes estudantis goianos e infelizmente mais uma vítima da terrível violência impotsta aqueles contrários ao regime ditatorial. Por Elcione Afonso Lima, Rosânia e Sérgio Aires, Alunos da 6ª Série da EAJA Postado por Revista Marcos Antônio Dias Batista ================================================================================================= + Detalhes. A ditadura militar em Goiás issuu.com/mestrecascavel/.../a_ditadura_militar_em_goias - Em cache Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer 1 jul. 2011 - 127 Marcos Antônio Dias Batista - Menino enfrentou a ditadura ............... 131 Maria de Campos Batista - Mãe morre procurando o filho ... =============================================================================================================== + Detalhes. terça-feira, 11 de novembro de 2008 Ao Marcos Antônio Estudantes lutadores Na era dos ditadores Lutaram por justiça Se deram por uma nação Estudantes lutadores Vítimas dos agressores Onde vocês estão? Onde vocês estão? Dentre tantos estudantes Um jovemzinho idealista Marcos Antônio Dias Batista Que acreditava na conquista E no fim da opressão, Foi à luta, foi em frente Defendendo sua gente Defendendo o seu País Estudantes lutadores Na era dos ditadores Seu sangue jorrou ao chão Tanto pejo, dor e luto, Triste fim, cruel tributo Mas a luta não foi em vão Vocês estão na memória Vocês fizeram história Em prol desta Nação! Professora Marli Helena de Faria Postado por Revista Marcos Antônio Dias Batista ============================================================================================== Ficha Marco Antônio Dias Batista Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Marco Antônio Dias Batista Cidade: (onde nasceu) Sorocaba Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 7/8/1954 Atividade: Estudante secundarista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Frente Revolucionária Estudantil FRE Brasil Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Prisão: 0/0/1970 Algumas fontes indicam ter sido preso, depois do que, nunca mais foi visto. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1970 Porto Nacional TO Brasil Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Foto de rosto com dados sobre seu desaparecimento. Artigo de revista Reportagem incompleta, sem fonte e data (provavelmente 1990), intitulada "Luta desigual". Com a descoberta da vala clandestina no Cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, SP, os irmãos de Marco Antônio da Silva Lima têm viajado constantemente de Goiás para São Paulo a fim de localizar seu corpo. Marco Antônio desapareceu em 1969, aos quinze anos de idade. Participou da Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares) e da Frente Revolucionária Estudantil (FRE). Através das informações dadas pelo médico da família, Laerte Chediark, cujo irmão era delegado, souberam que Marco Antônio foi preso, e que ao ter permissão para visitar a família, fugiu, e provavelmente estaria morto. O delegado citado nada confirmou. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Cartaz Documento elaborado por familiares de desaparecidos e pelo Comitê Goiano pela Anistia, procurando notícias de Marco Antônio Dias Batista, Honestino Monteiro Guimarães, Paulo de Tarso Celestino da Silva e Ismael de Jesus Silva. 15 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110906/faf61beb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 5028 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110906/faf61beb/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 6 20:03:01 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 6 Sep 2011 20:03:01 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_A_ARTE_=C9_AMEA=C7ADA_NA_COL=D4?= =?windows-1252?q?MBIA?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Comitê de Solidariedade ao Povo Colombiano A ARTE É AMEAÇADA NA COLÔMBIA ?Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? Aquele que cruza tranqüilamente a rua já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados?? Antologia Poética - Bertolt Brecht Doze organizações de Teatro da cidade de Bogotá, capital da Colômbia, foram ameaçadas pelas ?Águilas Negras? que é um dos novos nomes que tomaram em 2006 as estruturas paramilitares (mercenários criados pelo Estado colombiano e financiados pelo narcotráfico), após a suposta desmobilização que fizeram em troca de penas baixas de prisão (menos de 5 anos) por delitos contra a humanidade. As ameaças foram feitas no dia 23 de agosto contra as organizações de teatro que trabalham com a prefeitura de Bogotá (Polo Democrático Alternativo), realizando atividades de promoção cultural e capacitação artísticas com crianças e jovens nas favelas de Bosa, Kennedy, Tunjuelito e Ciudad Bolivar. Nas ameaças feitas por méio de panfletos assinados pelo ?Bloque Capital de las Águilas Negras? afirmam que as organizações artísticas são objetivo militar pois: ?desenvolvem atividades a favor dos direitos humanos?. E deram oito dias, até 31 de agosto de 2011, para as pessoas que integram as organizações artísticas abandonarem a cidade. No mesmo documento afirmam ?hoje iniciamos à limpeza de todas as sujas organizações que se interpõem em nossos passos, (...) às organizações que querem se mostrar defensoras de direitos humanos por méio de expressões artísticas e que se opõem às políticas de nosso governo?. Fazendo alusão ao governo do presidente Juan Manuel Santos. Num comunicado público a Defensoria del Pueblo, que é uma entidade do governo, rechaça as ameaças contra as organizações artísticas e reconhece que na cidade de Bogotá estão acontecendo ameaças de forma sistemática contra as organizações sociais, contra ONGs e organizações de direitos humanos[1]. Já no mês de junho as organizações de direitos humanos, indígenas e afro-descendentes que negociavam garantias para o desenvolvimento de suas atividades denunciaram essa grave situação quando romperam as negociações que adiantavam com o governo de Juan Manuel Santos pela falta de garantias[2]. Até o mês de junho havia mais de 100 ameaças contra pessoas defensoras de direitos humanos e já se contavam mais de 20 assassinatos. As doze organizações de teatro ameaçadas são: Teatrama, Teatro del Sur, Disidencia Teatro, Reciclarte, Teatropical, Piedra Papel y Tijera, Bogotá Dual, Fundación el Contrabajo, Teatrazos, Ciclo Vital, Summum Draco, e Odeón. Elas rechaçaram as ameaças em um escrito elaborado em conjunto: ?Perante agressão infame, desmemoriada e cega dos perseguidores, abrimos humanamente o expediente da vida que se olha somente com olhos de nosso coração e propomos reorientar através dos vôos da imaginação criadora e da prática do amor pela vida o vôo das desorientadas 'Águilas Negras'.? (...) ?Enquanto a lógica da violência que anda pelo campo e a cidade, e que se veste de todas as vestimentas, que declara objetivo militar até as estrelas do firmamento nós seguiremos caminhando no ventre da esperança e tecendo nossa busca de ser e sentido por meio da Arte. (...) Feliz e agridoce vida...Com mais sonhos que sonho...[3]? Agenda Colômbia A solidariedade é dos povos! Se você quer exigir que se respeitem os direitos humanos e o trabalho destas organizações artísticas pode comunicar-se com: * Sr. Juan Manuel Santos, Presidente da República, Carrera 8 # 7-26, Palácio de Nariño, Santa Fe de Bogotá. Fax: + 57 1 566 20 71; E-mail:buzon1 at presidencia.gov.co * Sr. Angelino Garzón, Vice-presidente da República, Tels.: +57 1 334 45 07, +573772 01 30. E-mail: ppdh at presidencia.gov.co * Sr. Germán Vargas Lleras, Ministério do Interior y de Justiça, Carrera 8 No. 13-31 piso 4to. Tels.: 57.1.4443100 Ext. 2410 Fax: +57 1 2827440 E-mail: atencionalciudadano at mij.gov. * Sr. Wolmar Antonio Pérez Ortiz, Defensor del Pueblo, Calle 55 # 10-32, Bogotá. Fax: + 571 640 0491 E-mail: secretaria_privada at hotmail.com; agenda at agenda.gov.co. * Dr. Alejandro Ordóñez Maldonado, Procurador General da Nação, Cra. 5 #. 15-80, Bogotá. Fax: +57 1 342 97 23; + 571 284 79 49 Fax: +571 342 9723; -------------------------------------------------------------------------------- [1]Defensoria del Pueblo condena amenazas. In: , Acesso 31 Agos. 2011 [2]Se suspende la mesa de garantías. In: , Acesso 31 Agos. 2011 [3]Comunicado das organizações de Teatro ameaçadas, In: , Acesso 01 Agos. 2011. http://agendacolombiabrasil.blogspot.com/ -- Outra Colômbia é possível...!! ----------------------------------------------- Esta mensagem é enviada pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Colombiano Porto Alegre - RS, Brasil ------------------------------------------------- Caso não queira mais receber, responda escrevendo no assunto a palavra "excluir". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110906/7da73926/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 7 15:02:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 7 Sep 2011 15:02:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__RAIMUNDO_EDUARDO_DA_SILVA___________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCXXXIX-?= Message-ID: <2E5B0BD8774A4F60B9698C2E3C3F600F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem RAIMUNDO EDUARDO DA SILVA (1948-1971) Filiação: Maria Francisca de Jesus e Pedro Eduardo Data e local de nascimento: 23/03/1948, Formiga (MG) Organização política ou atividade: AP Data e local da morte: 05/01/1971, São Paulo (SP) Mineiro de Formiga, Raimundo Eduardo da Silva era um jovem negro, estudante e operário. Militante da AP na cidade de Mauá, no ABC paulista, estudou no Colégio Visconde de Mauá e atuava junto ao grupo de jovens da Igreja Católica, no Jardim Zaíra, região onde se desenvolveu importante trabalho pastoral orientado pelos preceitos da Teologia da Libertação e onde militava clandestinamente, na época, o legendário Betinho, Herbert José de Souza, que dedicou um texto emocionado ao operário morto. Raimundo foi o mais jovem presidente da Sociedade Amigos do Bairro do Jardim Zaíra. De 1967 a 1970, trabalhou nas empresas Fertilizantes Capuava, Laminação Nacional de Metais e Ibrape. Sua morte terminou alcançando grande repercussão de imprensa quando o padre Giulio Vicini e Yara Spadini, dois assessores de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo metropolitano de São Paulo e símbolo da luta pelos Direitos Humanos durante o regime militar, foram presos e torturados porque portavam impressos denunciando a morte sob torturas de Raimundo. Raimundo Eduardo estava internado em uma casa de saúde da Samcil, de São Paulo, de onde foi retirado por agentes dos órgãos de segurança, no dia 22 de dezembro de 1970. Tinha 22 anos e convalescia de duas operações consecutivas em decorrência de facada recebida ao tentar impedir que seu colega de pensão fosse assassinado em uma briga. Embora seu estado de saúde fosse precário, foi levado para o DOI-CODI/SP e submetido a torturas. Morreu no Hospital Geral do Exército, no bairro do Cambuci, em 5 de janeiro de 1971. A necropsia foi feita no IML/SP, em 22 de janeiro de 1971, pelos legistas João Grigorian e Orlando José Bastos Brandão, que deram como causa mortis "peritonite". É na documentação do IML que a prova da morte em dependência policial ou assemelhada foi estabelecida pela CEMDP, que deferiu o requerimento sobre o caso por unanimidade: "vítima de agressão a faca em data de vinte e três de novembro de setenta às quinze horas, sendo socorrido pela SAMCIL e posteriormente encaminhado ao Hospital Central do Exército, onde veio a falecer às duas horas e quarenta e cinco minutos de cinco de janeiro de setenta e um". ========================================================================================================================== + Informações. RAIMUNDO EDUARDO DA SILVA Militante da AÇÃO POPULAR (AP). Natural de Minas Gerais. Operário metalúrgico na cidade de Mauá, grande São Paulo. De 1967 a 1970 trabalhou nas empresas: Fertilizantes Capuava, Laminação Nacional de Metais e IBRAPE. Estudou no Colégio Estadual Visconde de Mauá. Eduardo estava internado em uma casa de saúde da SAMCIL, de São Paulo, de onde foi retirado à força por policiais, no dia 22 de dezembro de 1970. Ele estava, então, com 22 anos de idade e convalescia de duas operações consecutivas em decorrência de facadas recebidas em uma briga. Embora seu estado de saúde fosse precário, foi levado às câmaras de tortura do DOI-CODI/SP. Conduzido, às pressas, para o Hospital Geral do Exército, morreu no dia 05 de janeiro de 1971. A necrópsia foi feita no IML/SP, em 22 de janeiro de 1971 pelos legistas Dr. João Grigorian e Dr. Orlando José Bastos Brandão, que não relataram as torturas sofridas por Raimundo e deram como causa mortis "peritonite". Foi enterrado pela família no Cemitério de Guaianazes/SP. Os Relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica dizem que ele "faleceu em 05/01/71, em virtude de agressão a faca por parte de outro preso". É interessante notar que esta "justificativa" para a morte de perseguidos políticos parece ter sido adotada a partir de 1971, pois é a mesma dada para Stuart Angel Jones e Antônio de Pádua Costa. =============================================================================================== + Informações. (do livro Catálogo Negro) RAIMUNDO EDUARDO DA SILVA (1948-1971) Filiação: Maria Francisca de Jesus e Pedro Eduardo Data e local de nascimento: 23/03/1948, Formiga (MG) Data e local da morte: 05/01/1971, São Paulo (SP) Raimundo era estudante e operário. Natural de Formiga (MG), tornou-se militante da Ação Popular na cidade de Mauá, no ABC paulista. Desde bem jovem, lutou por justiça social, atuando no grupo de jovens católicos orientados pela Teologia da Libertação. O jovem estava internado em uma casa de saúde da Samcil, de São Paulo quando foi levado por agentes dos órgãos de segurança, no dia 22/12/1970. Ele acabara de sofrer duas cirurgias, após levar uma facada por defender um colega em uma briga. Seu estado de saúde era precário, mas, mesmo assim, passou por sessões de tortura no DOI-CODI/SP. Morreu no Hospital Geral do Exército, no bairro do Cambuci, em 05/01/1971. A necropsia realizada no IML/SP, em 22/01/1971, atestou como causa mortis "peritonite". Seu assassinato causou profunda revolta. O lendário militante Herbert José de Souza, o Betinho, que convivera com ele na militância da AP, escreveu um texto emocionado a respeito. E o padre Giulio Vicini e Yara Spadini - ambos assessores de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo metropolitano de São Paulo e símbolo da luta pelos Direitos Humanos durante o regime militar - foram presos e torturados porque portavam impressos denunciando o assassinato de Raimundo. ===================================================================================================================== + Informações. RAIMUNDO EDUARDO DA SILVA Militante da AÇÃO POPULAR (AP). Natural de Minas Gerais. Operário metalúrgico na cidade de Mauá, na grande são Paulo. De 1967 a 1970 trabalhou nas empresas: Fertilizantes Capuava, laminação Nacional de Metais e IBRAPE. Estudou no Colégio estadual Visconde de Mauá. Eduardo estava internado em uma casa de saúde da SAMCIL, de São Paulo, de onde foi retirado a força por policiais, no dia 22 de dezembro de 1970. Ele estava, então, com 22 anos de idade e convalescia de duas operações consecutivas em decorrência de facadas recebidas em uma briga. Embora seu estado de saúde fosse precário, foi levado às câmaras de tortura do DOI-CODI/SP. Conduzido, às pressas, para o Hospital Geral do Exército, morreu no dia 05 de janeiro de 1971. A necrópsia foi feita no IML/SP, em 22 de janeiro de 1971 pelos legistas Dr. João Grigorian e Dr. Orlando José Bastos Brandão, que não relataram as torturas sofridas por Raimundo e deram como causa mortis "periotonite". Foi enterrado pela família no cemitério de Guaianazes/SP. Os Relatórios dos ministérios da Marinha e Aeronáutica dizem que ele "faleceu em 05/01/71, em virtude de agressão a faca por parte de outro preso". É interessante notar que esta "justificativa" para a morte de perseguidos políticos parece ter sido adotada a partir de 1971, pois é a mesma dada para Stuart Angel Jones e Antônio de Pádua Costa. ====================================================================================================================== + Detalhes. Hansen e Raimundo Silva: dos ideais de liberdade à tortura e morte no DOI-CODI Olavo Hansen nasceu no dia 14 de dezembro de 1937 em São Paulo, de onde mudou em 1954para Mauá (SP). Estudou até o segundo ano na Escola Politécnica da USP. Foi office-boy em várias empresas, trabalhou também como jornaleiro até montar a primeira escola de datilografia de Mauá. Militou no movimento estudantil, sendo membro da União Estadual dos Estudantes, abandonando depois o curso universitário para dedicar-se ao trabalho sindical e político. Foi preso três vezes: em 7 de março de 1963, quando distribuía panfleto sobre Cuba e em 7 de novembro de 1964. A terceira prisão ocorreu no 1º de maio de 1970, com mais 18 companheiros, quando entregava panfletos na praça de esportes de Vila Maria, pela comemoração do dia internacional dos trabalhadores. Levado para o DOI/CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), morreu em consequência de torturas e injeção à base do inseticida Paration. Seu assassinato foi denunciado na Câmara Federal, por 27 sindicatos de diversas categorias, cinco federações classistas, igrejas, intelectuais e por organizações sindicais latino-americanas. Sequestrado no hospital - Também assassinado pela repressão política Raimundo Eduardo da Silva era morador do Jardim Zaíra. Foi preso no dia 22 de dezembro de 1970, quando se recuperava de duas cirurgias no hospital Sancil de Santo André, de onde foi retirado à força pelos agentes da repressão . O estudante e operário metalúrgico foi torturado até a morte, que ocorreu em 5 de janeiro de 1971. Foi enterrado como indigente no cemitério de Guaianazes. Era militante da APML (Ação Popular). Na época, a resistência à ditadura no Grande ABC contava com aproximadamente 450 militantes, entre os quais estudantes, operários e donas de casas ligados à Ação Popular (AP) e outros cerca de 500 ativistas de outras correntes políticas. A organização AP surgiu na região no ano de 1965, em São Bernardo do Campo, nas bases do Sindicato dos Metalúrgico da mesma cidade, expandindo-se depois para Santo André (Vila Palmares), Mauá ( Jardim Zaíra), Diadema e São Caetano do Sul. (Com informações do Grupo Tortura Nunca Mais). ================================================================================================ Zaíra: núcleo de resistência à ditadura O Jardim Zaíra foi um dos núcleos de resistência à ditadura militar (1964-1985). A história de lutas pela democracia começou com a fundação da Sabajazac (Sociedade Amigos de Bairro do Jardim Zaíra e Circunvizinhos), em 1962. "No Zaíra não tinha nada, e nossa associação surgiu para lutar por melhorias no bairro, como saneamento básico, educação e saúde", explicou o tesoureiro e membro-fundador da Sabajazac, Olivier Negri Filho. Com o golpe militar, em 1964, os integrantes da sociedade passaram a ser perseguidos. "Foi um caminho natural. Da reivindicação por melhorias, passamos a lutar pelo direito de nos expressar", disse. No início dos anos 1970, a Sabajazac foi fechada e alguns de seus membros foram presos e torturados pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), que ganhou autonomia de ação no governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Negri ficou 89 dias preso e foi torturado. Na época, viu o então presidente da entidade, Raimundo Eduardo da Silva, sair morto da prisão. A entidade voltou a funcionar em 1976. A distância dos grandes centros também transformou o bairro em abrigo aos perseguidos políticos. A dona de casa Valdete Carvalho se mudou ainda na infância para fugir da perseguição política. "Sou refugiada política. Vim de Osasco com a minha família no início da década de 70. Desde então, o Zaíra é a minha casa", disse. Morador desconhece a história do bairro Os moradores do Jardim Zaíra conhecem pouco a história do bairro. A reportagem do BOM DIA percorreu a rua Raimundo Eduardo da Silva, via que recebeu o nome de um dos integrantes da Sabajazac (Sociedade Amigos de Bairro do Jardim Zaíra e Circunvizinhos), morto pela ditadura militar. ================================================================================================================= Ficha Raimundo Eduardo da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Raimundo Eduardo da Silva Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Operário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Popular AP Brasil Prisão: 22/12/1970 São Paulo SP Brasil casa de saúde da SAMCIL Morto ou Desaparecido: Morto 5/1/1971 São Paulo SP Brasil Hospital Geral do Exército Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) João Grigorian, Orlando Brandão Biografia Documentos Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Raimundo Eduardo da Silva, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 18/04/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Livro Comitê Brasileiro de Anistia e Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos Brasileiros - familiares, amigos e ex-militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). "Onde estão? - desaparecidos políticos brasileiros". 44 p. Possui a foto de Honestino Monteiro Guimarães à capa, presidente da UNE em 1973 e um dos militantes visados pelo regime militar, além da biografia e documentos referentes a outros mortos ou desaparecidos pela repressão de 1968 a 1973. Material produzido por volta de 1983 como homenagem e instrumento de luta para que estes fatos não voltem a acontecer e para que sejam prestadas contas sobre o paradeiro destas e muitas outras pessoas. Inclui transcrição de alguns artigos de jornais sobre desaparecidos políticos e listas com nomes dos desaparecidos e mortos políticos desde 1964. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110907/0d36dde9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12124 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110907/0d36dde9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 7 15:02:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 7 Sep 2011 15:02:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22A_CIA_se_converteu_em_uma_orga?= =?iso-8859-1?q?niza=E7=E3o_paramilitar=22__-__texto__do_historiado?= =?iso-8859-1?q?r_e_cientista_pol=EDtico_Luiz_Alberto_de_Vianna_Mon?= =?iso-8859-1?q?iz?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem "A CIA se converteu em uma organização paramilitar" Em entrevista à Carta Maior, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira aponta a ação clandestina de forças especiais dos Estados Unidos, Inglaterra e França nos conflitos da Líbia e Síria e critica a política externa do governo Barack Obama que usa os direitos humanos para justificar intervenções em qualquer parte do mundo. "A CIA mais e mais se torna uma força paramilitar, deixando de ser uma agência de espionagem e coleta de inteligência. Os drones, aviões sem pilotos, teleguiados pela CIA, já mataram, desde 2001, mais de 2.000 supostos militantes e civis em vários países", afirma Moniz Bandeira. Redação Leia a seguir a entrevista concedida por email pelo professor Moniz Bandeira à Carta Maior, desde a Alemanha. Nela, entre outras coisas, ele defende que "a questão dos direitos humanos e defesa das populações civis virou uma panacéia que serve para que os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha violem os direitos humanos, com rigorosos embargos comerciais, e massacrem populações civis, como o fizeram na Líbia". Além disso, sustenta, o presidente Obama pretende continuar, por outros meios, a política do presidente George W. Bush, mudando o conceito da OTAN e contrariando o próprio tratado que a criou, ao dar-lhe capacidade de polícia global. Carta Maior: Qual sua avaliação sobre a participação das grandes potências ocidentais, especialmente, Estados Unidos, Inglaterra e França nos conflitos da Líbia e da Síria. Há uma mesma lógica atuando nos dois casos? Moniz Bandeira - Não se trata de teoria conspiratória. Mas parece que uma há lógica na sucessão de levantes, que começaram na Tunísia, em dezembro de 2010, depois, simultaneamente, se estenderam ao Egito e à Síria, em 25/26 de janeiro de 2011, e à Líbia, em 17 de fevereiro. As condições econômicas, sociais e políticas estavam maduras. Em todos esses países, há enorme taxa de desemprego, afetando grande parte da juventude, extrema pobreza, inflação, alta dos preços dos alimentos e o ressentimento político provocado pela repressão das ditaduras. Está provado, porém, que militares das forças especiais dos Estados Unidos, Inglaterra e França, vestidos como árabes, os false-flaggers, i. e., um "illegal team", com identidade de outros países, de modo que não sejam identificados como ingleses, americanos ou franceses, estão agindo abertamente na Líbia e não se pode descartar a possibilidade de que agentes da CIA e do M16 estejam também na Síria. É muito pouco provável que as manifestações de protestos, iniciadas em 26 de janeiro, ainda continuem e enfrentem, diariamente, dura repressão, oito meses depois, sem que recebam encorajamento e algum apoio da Santa Aliança - Estados Unidos, Inglaterra e França. O WikiLeak há poucos meses revelou um despacho secreto, da Embaixada dos Estados Unidos em Damasco, sobre "Next Steps For A Human Rights Strategy", informando que, de 2005 até setembro de 2010, os Estados Unidos, com os recursos do Middle East Partnership Initiative (MEPI), tinham destinado secretamente aos grupos da oposição, na Síria, um montante de US$ 12 milhões, bem como financiado a instalação de um canal de TV via satélite, transmitindo para dentro do país programas contra o regime de Bashar al-Assad. Carta Maior - Além desse encorajamento estrangeiro, que outros fatores estariam contribuindo para alimentar os protestos na Síria? Moniz Bandeira - Há fortes fatores religiosos. A maioria da população, na Síria, é salafista, uma das correntes fundamentalistas do Islã, que pretende restabelecer os primitivos princípios religiosos do Corão. É similar ao wahhabismo, doutrina defendida por Muhammad ibn Abd-al-Wahhab e prevalecente, na Arábia Saudita. Bashar al-Assad, porém, é um alauita, outro segmento do Islã, que dissimula sua doutrina com a taqiyya, uma prática xiita, seita islâmica dominante no Irã e da qual mais se aproxima. Os alauitas constituem apenas 10% da população da Siria, mas dominam e controlam todo o aparelho do Estado há várias décadas, pelo menos desde os anos 1970, quando Hafez al-Assad, do Partido Ba'ath, assumiu a presidência da Síria. O Partido Ba'ath, fundado em Damasco, em 1946, mesclava ideais igualitários, socializantes, interesses nacionalistas e objetivos pan-árabes, contrários à política imperialista das potências ocidentais. Alguns dos seus ramos surgiram em outros países do Oriente Médio, como o Iraque, onde deteve o poder até a queda de Sadam Hussein, em 2003. Carta Maior - A Síria tem pouco petróleo. Qual ou quais os interesses dos Estados Unidos, França e Inglaterra na derrubada do regime de Bashar al-Assad? Moniz Bandeira - Esses países têm interesses estratégicos, como, por exemplo, assumir o controle de todo o Mediterrâneo e isolar politicamente o Irã, que está aliado à Síria, bem como restringir a influência de Rússia e China no Oriente Médio. A Rússia, desde 1971, opera o porto de Tartus, na Síria, e projeta reformá-lo e ampliá-lo, como base naval, em 2012, de modo que possa receber grandes navios de guerra, garantindo assim sua presença no Mediterrâneo. Consta que a Rússia também planejava instalar bases navais na Líbia e no Yemen. E, conforme se pode deduzir do telegrama da Embaixada dos EUA em Damasco, publicado pelo WikiLeaks, tudo indica que o financiamento da oposição, na Síria, desde 2005, pelo menos, visou à derrubada do regime de Bashar al-Assad, de modo a impedir o aprofundamento, no âmbito naval, de suas relações com a Rússia. Daí que dificilmente os Estados Unidos conseguirão estender à Síria a mesma estratégia que desenvolveu na Líbia, juntamente com a Grã-Bretanha e a França. A Rússia, ainda percebida pelos Estados Unidos como seu grande rival, e a China opõem-se até mesmo às sanções contra o regime de Bashar al-Assad. Carta Maior - Neste contexto, como pode ser entendida a doutrina do presidente Barack Obama no que se refere à política externa dos EUA? Moniz Bandeira - Em discurso pronunciado na George Washington University, em 28 de março de 2011, o presidente Obama declarou que, mesmo não estando a segurança dos americanos diretamente ameaçada, a ação militar pode ser justificada - no caso de genocídio, por exemplo - e os Estados Unidos podem intervir, mas não atuarão isoladamente. Sua doutrina, ele ainda delineou, claramente, em discurso pronunciado no Parlamento britânico, durante a visita de Estado que fez ao Reino Unido, entre 24 e 16 de maio de 2011. O presidente Obama disse que "we do these things because we believe not simply in the rights of nations; we believe in the rights of citizens". E mais adiante declarou que carece de peso o argumento segundo o qual "a nation's sovereignty is more important than the slaughter of civilians within its borders" e reafirmou que "nós" pensamos de modo diferente, aceitamos uma responsabilidade maior , i. e. que a comunidade internacional deve atuar quando um líder está ameaçando massacrar seu povo. Tais palavras significam que os Estados Unidos, juntamente com a Grã-Bretanha e França, não mais respeitarão as normas do Direito Internacional, estabelecidas desde o Tratado de Westphalia, com base nos princípios de soberania do Estado nação, e poderão intervir em qualquer país, a pretexto de razões humanitárias ou de defesa da população civil, mas para defender seus interesses econômicos e estratégicos. Assim os chefes de governo dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, se quiserem, podem alegar defesa da população indígenas ou do meio ambiente e invadir a Amazônia. A questão dos direitos humanos e defesa das populações civis virou uma panacéia que serve para que os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha violarem os direitos humanos, com rigorosos embargos comerciais, e massacrar populações civis, como o fizeram na Líbia. Também o que pretende o presidente Obama, a continuar, por outros meios, à política do presidente George W. Bush, é mudar o conceito da OTAN, contrariando o próprio tratado que a criou, e dar-lhe capacidade de polícia global (global cop) para enfrentar as "novas ameaças", como "terrorism and piracy, cyber attacks and ballistic missiles". Isto significa que a OTAN deixará de ser uma organização de defesa da Europa Ocidental, objetivo de sua criação no tempo da Guerra Fria, e tornar-se-à um instrumento de agressão, pronta para intervir em todos os continentes, com ou sem autorização da ONU. As sanções contra a Síria são iguais às que foram aplicadas contra a Líbia, logo no início da rebelião. É a primeira forma de intervir num conflito interno em qualquer outro país, onde o governo, que não convém à Santa Aliança, reprima as manifestações para derrubá-lo. Mas evidentemente que as manifestações populares contra as ditaduras na Arábia Saudita, Bahrein e Jordânia, clientes dos Estados Unidos, não podem esperar qualquer ajuda. Carta Maior - Qual seria mais especificamente essa estratégia dos Estados Unidos no Oriente Médio e norte da África e quais as forças especiais estariam atuando na Líbia e, provavelmente, na Síria? Moniz Bandeira - A estratégia atual dos Estados Unidos, implementada pelo presidente Obama, que bem mereceu o Prêmio Nobel da Paz, é ampliar o uso de drones, aviões armados e manejados eletronicamente pela CIA, para matar supostos terroristas, militantes da al-Qa'ida e Talibans, bem como centenas de civis desarmados atingindo-os, como o faz, na Líbia, Afeganistão, Paquistão e Yemen. Essa é a nova tarefa da CIA, que mais e mais se torna uma força paramilitar, deixando de ser uma agência de espionagem e coleta de inteligência. Os drones (General Atomics MQ-1 Predator) esses aviões sem pilotos, teleguiados pela CIA, já mataram, desde 2001, mais de 2.000 supostos militantes e civis, e o Centro Contra-Terrorismo (CTC) dispõe atualmente de cerca de 2.000 empregados que trabalham na localização dos alvos e atacá-los. O presidente Obama incrementou essas operações, sem arriscar a vida de soldados, bem como o emprego de uma outra organização militar, que matou e interrogou mais supostos terroristas e Talibans do que a CIA, desde 2001. Trata-se do Joint Special Operations Command (JSOC), à qual está subordinada a U.S. Navy SEAL's (Sea, Air and Land Teams), integrante do Comando de Operações Especiais (USSOCOM), unidade encarregada de operações terrestres e marítimas, guerra não-convencional, resgate, terrorismo e contra-terrorismo etc. Um comando do SEAL's recebeu a missão de assassinar Osama Bin Laden, no Paquistão, em 2 de maio de 2011. Essa é tarefa da qual o Joint Special Operations Command (JSOC) está incumbida, executando o programa desenvolvido pelo general David Petraeus, atual diretor da CIA, quando comandava as tropas americanas no Afeganistão . O programa consiste em "kill/capture", i. e. matar/capturar, em qualquer região do mundo, terroristas e Talibans, constantes de uma Joint Prioritized Effects List (JPEL), que inclui até americanos, com fundamento em premissa legal ou extra-legal, conforme diretriz classificada do presidente Obama. O tenente-coronel John Nagl, assessor de contra-insurgência do general David Patraeus no Afeganistão, considerou o JSOC uma maquina de matar contra o terrorismo em uma escala quase industrial ("an almost industrial-scale counterterrorism killing machine"). Trata-se, na realidade, de um comando de esquadrões da morte do Pentágono. Comandos do SEAL's atuaram na Líbia, assim como da Direction générale de la sécurité extérieure (DGSE), da Brigade des forces spéciales terre (BFST), subordinada ao Commandement des opérations spéciales (COS), M16 (Inteligence Service) e Special Air Service SAS (Special Air Service) como se fossem árabes, os chamados "rebeldes" não teriam avançado muito além de Benghazi. No dia 20 de agosto, dia em que acabou o jejum do Ramandan, um navio da OTAN desembarcou no litoral da Líbia com armamentos pesados, antigos jihadistas e tropas especiais do JSOC, dos Estados Unidos, BFST, da França, e SAS, do Reino Unido, sob o comando de oficiais da OTAN, que procederam à conquista de Trípoli. O balanço da Operation Odyssey Dawn, após 100 de bombardeios da OTAN, é trágico: 6.121 civis mortos e feridos. De acordo com as estatísticas 3.093 homens foram mortos ou feridos; 260 mulheres mortas e 1.318 feridas; 141 crianças mortas e 641 feridas. A OTAN, por sua vez, informa que nos primeiros 90 dias executou um total de 13.184 saídas, entre as quais 4.963 ataques, danificando ou destruindo mais de 2.500 alvos militares, cerca de 460 instalações militares, 300 sistemas de radar depósitos, além de aproximadamente 170 locais de controle e comando, e cerca de 450 tanques. O informe não se refere aos escombros que os bombardeios deixaram nem às milhares de vítimas civis, mortos, feridos, desabrigados e refugiados. Esse foi o resultado da Resolução 1.973, do Conselho de Segurança Nacional, autorizando a Santa Aliança (Estados Unidos, Inglaterra e França) a proteger os civis na Líbia e que ela aproveitou para legitimar o direito de intervenção humanitária, para defender seus próprios interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos no Mediterrâneo. Este é modo americano de fazer guerra (American Way of War), adotado pelo presidente Obama. Mas os objetivos são os mesmos do presidente George W. Bush, atendendo aos interesses do complexo industrial-militar. Sem agir unilateralmente, ele deseja realizá-los, transformando por meio da OTAN, de forma a repartir os custos com seus membros, principalmente Inglaterra, França e Alemanha, a fim de evitar que a guerra seja percebida como entre os Estados Unidos e a Líbia ou outro qualquer país. Carta Maior - Qual deve ser o futuro da Líbia? O senhor acredita que Kadafi possa resistir e permanecer como um agente político influente no conflito? Moniz Bandeira - É difícil prever. A Líbia é um é um país ainda divido em tribos e a lealdade é essencial entre seus membros. De qualquer modo, vivo ou morto, o espectro de Kadafi, como comandante ou mito, estará por trás da resistência, que mais dias menos dias começará a ocorrer, porque as tribos não aceitarão a presença de tropas estrangeiras no seu território. Porém, uma das conseqüências da "intervenção humanitária" na Líbia será provavelmente a proliferação das armas nucleares. Como muito bem observou Leonam dos Santos Guimarães, especialista em energia nuclear e assistente da presidência da Eletrobrás - Eletronuclear, a queda do regime de Kadafi faz supor que a aquisição de armas nucleares se tornará atraente para países que se sentem ameaçados pelo Ocidente. Kadafi, em dezembro de 2003, concordou em abandonar seu programa de armas nucleares, com base em importações clandestinas de urânio natural, centrífugas e equipamentos de conversão, bem como a construção de instalações em escala piloto. Se ele tivesse avançado no seu programa de armas nucleares, a campanha de bombardeios da OTAN teria ocorrido? - perguntou Leonam dos Santos Guimarães. A resposta seria certamente não. O direito internacional só é respeitado quando certo equilíbrio de poder e as nações ameaçadas têm possibilidade de retaliar. Daí que é quase impossível impedir que o Irã desenvolva suas armas nucleares, não para atacar Israel, mas para defender-se da Santa Aliança ocidental. Carta Maior - No caso da Síria, qual sua avaliação sobre a posição de outras nações árabes e de Israel frente esse conflito? Moniz Bandeira - Não há informações sobre o envolvimento de outras nações árabes nem de Israel na Síria, onde ainda não há propriamente uma guerra civil, mas uma onda de protestos. Todos estão a observar o desdobramento da crise. A Síria é também um país dividido em muitas tribos e o governo conta com o respaldo do Irã, que provavelmente lhe fornece ou pode fornecer armamentos. São muito estreitas suas conexões com o Hizbollah, uma força política e paramilitar xiita, com sede no Líbano. Consta que o Hizbollah dispõe de 30.000 a 40.000 mísseis, apontadas para Israel e difícil de localizar, porque estão instalados em casas de família. Essa é uma das razões - e há outras - pelas quais nem os outros países árabes nem Israel querem envolvimento nos protestos que ocorrem na Síria. Carta Maior - Os tambores da guerra estão soando em Israel, diante da perspectiva do reconhecimento do Estado palestino na ONU, em setembro. Há, na sua avaliação, possibilidade de uma generalização de conflitos no Oriente Médio? Moniz Bandeira - Está previsto que Mahmoud Ridha Abbas (Abu Mazen), como presidente da Autoridade Palestina, pronunciará um discurso, na 66ª Assembléia Geral da ONU, a realizar-se entre 21 e 27 de setembro, no qual solicitará o reconhecimento do Estado palestino. A admissão de um novo membro requer o apoio de 2/3 dos Estados presentes na Assembléia Geral. Se obtiver esse quorum a Autoridade Palestina, como Estado, será admitida apenas na condição de observador, pois o reconhecimento como membro pleno depende de aprovação do Conselho de Segurança da ONU e, por conseguinte, do voto dos Estados Unidos. Há uma enorme expectativa em Israel, com respeito à posição que os Estados Unidos tomarão na Assembléia Geral, posto que, no dia 5 de setembro, vazou para a imprensa a informação de que o ex-secretário de Defesa do presidente Barack Obama, Robert Gates, antes de aposentar-se este ano, criticou duramente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanjahu, em reunião do National Security Council Principals Committee dos Estados Unidos. Gates chamou Israel de "an ungrateful ally" (aliado ingrato) e disse que a política de Netanyahu põe seu país em perigo, recusando-se a negociar, em meio a um crescente isolamento e o desafio demográfico, se mantém o controle da Faixa de Gaza. Presume-se que a notícia vazou, com o beneplácito de Obama, como advertência a Netanyahu. O que se teme, em Tel Aviv, é que milhões de palestinos, exilados nos demais países árabes, marchem para as fronteiras de Israel e avancem sobre seu território, se a Assembléia Geral da ONU reconhecer o Estado palestino, ainda que como observador. Os palestinos exilados não dispõem de outra nacionalidade porque, nos anos 1950, a Liga Árabe decidiu não concedê-la, a fim de manter na agenda a necessidade de criar o Estado palestino. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110907/6a2b8cb0/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 8 20:01:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 8 Sep 2011 20:01:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_RAIMUNDO_GON=C7ALVES_DE_FIGUEIREDO____?= =?iso-8859-1?q?________________________-CCXL-?= Message-ID: <0F05E1D8F562465CA6D31B73C8E845C4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem RAIMUNDO GONÇALVES DE FIGUEIREDO (1939-1971) Filiação: Ana Gonçalves de Figueiredo e Francisco Gonçalves Viana Data e local de nascimento: 23/03/1939, Curvelo (MG) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 28/04/1971, em Recife (PE)| Conhecido como Raimundinho, nasceu em Curvelo, Minas Gerais, iniciando sua militância política na juventude como integrante da AP, em Pernambuco. Trabalhou como bancário. Morreu quando tinha 32 anos e vivia em Jaboatão dos Guararapes (PE). Era casado com Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, morta em 1972, com quem tinha duas filhas. Foi baleado em uma casa do bairro de Sucupira, em Recife (PE), por agentes do DOPS pernambucano, em 27/04/1971, morrendo no dia seguinte. Na casa estavam Áurea Bezerra e seus filhos, além do militante Arlindo Felipe da Silva, que foi preso e, posteriormente, enviou depoimento por escrito à CEMDP, fundamental para a decisão unânime a favor do deferimento. Dirigente da VAR-Palmares, com passagem anterior pela Ala Vermelha, o nome de Raimundo constava do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos dos Políticos, sem maiores informações acerca das circunstâncias de sua morte. A nota oficial comunicando o ocorrido foi publicada pelo Jornal do Brasil somente em 1º de julho, mais de dois meses depois. A Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, ao informar a morte, acusa Raimundo como autor do atentado no Aeroporto de Guararapes, quando morreram o jornalista e secretário de Governo Edson Régis de Carvalho e o Almirante da Reserva Nélson Gomes Fernandes, ficando feridas e mutiladas outras pessoas. O exame necroscópico foi feito sob a identidade falsa de José Francisco Severo Ferreira, pelos legistas Nivaldo José Ribeiro e Antônio Victoriano da Costa. Atestam como causa mortis "hemorragia interna, decorrente de ferimento transfixante de tórax, por projétil de arma de fogo". Descrevem, além do ferimento na região dorsal responsável pela hemorragia, ferimentos à bala no rosto, um no antebraço, um no punho e um na perna, informando a data de sua morte como sendo 28/04/1971. No documento remetido à Comissão Especial, Arlindo Felipe da Silva, irmão do desaparecido político Mariano Joaquim da Silva, detalha o ocorrido. A energia elétrica foi interrompida ou cortada deliberadamente e os policiais chegaram disparando contra a residência no bairro Sucupira. Um tiro atingiu o braço de um dos filhos de Áurea, que tentou fugir com a criança, em pânico, enquanto Raimundo, aos gritos, pedia calma aos agentes de segurança e informava que a casa tinha crianças. Foi atingido e caiu. Todos foram levados presos, vivos, em carros separados para local ignorado. Arlindo foi transferido no dia seguinte para as instalações da Secretaria de Segurança. Soube da morte do companheiro alguns meses mais tarde. O relator da CEMDP concluiu que os fatos expostos permitem a "convicção de que Raimundo Gonçalves, efetivamente, não morreu em confronto armado com os agentes do Estado. Raimundo foi baleado, preso e já sob domínio dos agentes públicos, foi morto". =================================================================================================================================== + Informações. RAIMUNDO GONÇALVES FIGUEIREDO Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Mineiro, conhecido como José Severo. Tinha 33 anos de idade e vivia no município de Jaboatão (PE). Casado com Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, morta em 1972 pela repressão. Tinham duas filhas. Foi baleado quando saía de sua casa, no bairro de Sucupira, em Recife, por agentes do DOPS pernambucano, no dia 27 de abril de 1971. Segundo versão oficial da repressão, foi levado para o Hospital Pronto Socorro, onde faleceu no dia seguinte. O exame necroscópico, realizado no IML/PE pelos Drs. Nivaldo José Ribeiro e Antônio Victoriano da Costa, confirma sua morte em tiroteio. Foi enterrado com o nome de José Francisco Severo. ====================================================================================== + Informações. RAIMUNDO GONÇALVES FIGUEIREDO Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VAR-PALMARES). Mineiro, conhecido como José Severo. Tinha 33 anos de idade e vivia no município de Jaboatão (PE). Casado com Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, morta em 1972 pela repressão. Tinham duas filhas. Foi baleado quando saía de sua casa, no bairro de Sucupira, em Recife, por agentes do DOPS pernambucano, no dia 27 de abril de 1971. Segundo versão oficial da repressão, foi levado para o Hospital Pronto Socorro, onde faleceu no dia seguinte. O exame necroscópico, realizado no IML/PE pelos Drs. Nivaldo José Ribeiro e Antônio Victoriano da Costa, confirma sua morte em tiroteio. Foi enterrado com o nome de José Francisco Severo. ============================================================================================================ + Ficha Raimundo Gonçalves Figueiredo Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Raimundo Gonçalves Figueiredo Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Nome falso: (Codinome) José Severo Morto ou Desaparecido: Morto 27/4/1971 Recife PE Brasil em casa, Bairro de Sucupira Segundo depoimento de Arlindo Felipe da Silva, que estava no local. Clandestinidade Morto 28/4/1971 Recife PE Brasil Hospital Pronto Socorro Segundo versão oficial. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/PE DOPS/PE ou DEOPS/PE PE Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Antônio Victoriano da Costa, Nivaldo José Ribeiro Biografia Documentos Foto Foto de rosto. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Raimundo Gonçalves Figueiredo, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 30/12/71. No histórico, consta que seu nome estava implicado com as atividades da Ação Popular Marxista Leninista do Brasil, foi condenado a revelia e em 24/04/71 faleceu em combate. Legislação Comissão Especial de Desaparecidos Políticos. Diário Oficial, Brasília, n. 45, 6 mar. 1996. p. 3711. Apresenta os nomes de pessoas reconhecidas pela Comissão Especial da Lei 9.140/95. Esta lei reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110908/fcdce5b4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7011 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110908/fcdce5b4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 8 20:01:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 8 Sep 2011 20:01:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__AMANH=C3__-__Homenagem_a_Benetaz?= =?iso-8859-1?q?zo_-__SEXTA-FEIRA?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas e Amig at s, NESTA SEXTA-FEIRA (AMANHÃ) CARAGUATATUBA HOMENAGEIA ANTONIO BENETAZZO - O BENÊ COMPAREÇAM DIVULGUEM PAUTEM CUBRAM PUBLIQUEM O Coletivo Memória Contada, Cida Horta e a família Benetazzo, Alipio Freire e @s camaradas e amig at s do Benê convidam para: O ato em homenagem a Antonio Benetazzo, organizado pelo Coletivo Memória Contada será realizado amanhã, sexta-feira 9 de setembro 18h00 Benetazzo - o Benê, foi assassinado em 27 de outubro de 1972, e este ano completaria 70 anos. na Câmara Municipal de Caraguatatuba A mesa será composta por Coletivo Memória Contada Alipio Freire José Cardoso Pereira Rodoaldo Graciano Facchini Putabraço, Alipio Freire Contamos com sua presença nesse ato de homenagem! Segue convite em anexo. coletivo Memória Contada Benetazzo presente! EXIBIR APRESENTAÇÃO DE SLIDES BAIXAR TUDO Este álbum possui 1 foto no SkyDrive. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110908/eb96ba91/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 8 20:02:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 8 Sep 2011 20:02:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__O_MAIOR_ATENTADO_TERRORISTA_DA_HIST?= =?utf-8?b?w5NSSUE=?= Message-ID: <4B2DB87033B941C2A17096497B119CD4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O MAIOR ATENTADO TERRORISTA DA HISTÓRIA Laerte Braga Cento e sete suicídios de veteranos da guerra do Iraque assombram a base de Fort Hood, nos Estados Unidos. Três vezes durante o conflito a base militar enviou divisões àquele país. O número de suicídios é o maior desde 2003. Melissa Dixon, tatuadora, percebe que os soldados que voltam das guerras travadas mundo afora pelo império norte-americano, trazem consigo um nível alto de stress. ?Alguns deles têm problemas com as mulheres e seus entes queridos, ficam brigando entre e outros têm amigos que cometeram suicídios?. Em outras bases, como a de Fort Bragg, no estado da Carolina do Norte, onde esta a 82ª Divisão Airborne o número de suicídios desde 2003 foi de setenta e sete. A onda de suicídios é generalizado e só no ano passado trezentos soldados, na ativa ou na reserva, se mataram. Há um programa específico das forças armadas para previnir e evitar suicídios de militares nos EUA. O general George Casey foi aposentado e não ficou bem esclarecida a sua passagem para a reserva. A causa teria sido um elevado nível de stress e uma tentativa de suicídio. É uma exceção entre os militares de alta patente, já que o maior número de suicidas é de militares de baixa patente. O general, ano passado, admitiu que passou para a reserva por conta de stress, que segundo ele, ?arrasou com todos os seus relacionamentos?. Entre os suicidas, na cidade de Killeen, cidade militar desde a Segunda Grande Guerra, um massacre. Um veterano entrou num restaurante, matou vinte e três pessoas e suicidou. O fato aconteceu em 1991. A mãe do sargento Gregory Eugene Giger disse que seu filho ficou deprimido após um divórcio que começou quando ele estava o Iraque. Enforcou-se com uma gravata. ?Era um texano alto e quieto, que estava devastado pela separação. Acredito que havia muitas coisas que ele guardava para si mesmo?. Foi a afirmação de Helen Giger, mãe do sargento. Michael Timothy Franklin matou sua mulher e cometeu suicídio. Outro veterano de guerra. Um mês antes Armando Galvan Aguillar Júnior, 26 anos, foi preso pela polícia em Fort Hood após uma perseguição de carro. Era conhecido como ?Mando?, tinha retornado do Iraque e estava em tratamento para stress pós traumático e depressão. Em sua última noite de vida bebeu trinta latas de cerveja e atirou em sua própria cabeça com uma arma calibre 45, que lhe fora emprestada por um amigo também veterano que curiosamente, estava tentando cometer suicídio. Soldados norte-americanos são recrutados por empresas privadas que mantêm contratos de prestação de serviços com o governo do país num processo de terceirização crescente desde a era Bush. Recrutamento, treinamento, administração de bases, serviços de inteligência, toda a parafernália terrorista moldada na cultura da barbárie que permeia o cidadão norte-americano desde o momento que é concebido. Uma sociedade doente e que forma seres doentios. As guerras travadas pelos EUA ? hoje um complexo terrorista controlado e dominado por grupos sionistas (ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A) ? vão bem mais longe que combates a que nos acostumamos nos filmes sobre a Segunda Grande Guerra Mundial. Ou melhor, a crueldade dos soldados nazistas àquela época transferiu-se para os norte-americanos, Israel e seus aliados. Assassinatos seletivos e de adversários. Tortura, estupros, prisões secretas, campos de concentração, toda a boçalidade de um império terrorista. Moldado no terrorismo. Um império falido, mas com milhares de ogivas nucleares capazes de destruir o mundo cem vezes. É possível que tenham sido uma referência a essa desumanização do ser as palavras da mãe do sargento Gregory. ?Acredito que tenha muitas coisas que ele guardava para si mesmo?. Bradd Manning, acusado de liberar documentos secretos dos EUA para o site WIKILEAKS, está preso incomunicável há mais de ano, sem direito algum, submetido a forte tortura psicólogica e física, com base no ATO PATRIÓTICO, um documento legal da época do terrorista George Bush. Permite a tortura e especifica, o ?afogamento simulado?. Autoriza o assassinato de inimigos do país ? a critério deles ? em qualquer lugar do mundo. No filme de Alain Resnais, HIROSHIMA MON AMOUR, o diretor mostra num roteiro de Marguerita Duras, toda estupidez contida nas bombas despejadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki, já no final do conflito e sem necessidade. O Japão estava negociando sua rendição. ?A saída, onde fica a saída?? É uma pergunta aflita e angustiada de uma das vítimas de Hiroshima. Na dimensão da tragédia e na individualidade de uma francesa e um japonês que vivem um amor ?proibido?. O presidente dos EUA à época do atentado contra as duas cidades ? 200 mil vítimas ? era Harry Truman. Democrata, havia assumido o governo com a morte de Franklin Delano Roosevelt. A bomba despejada sobre Hiroshima em seis de agosto pelas forças aéreas dos EUA foi chamada de ?LITTLE BOY? ? pequeno rapaz ? e a que destruiu Nagazaki de ?FAT MAN? ? homem gordo. A operação que acabou com o regime de Saddam Hussein na mentira das armas químicas e biológicas que não existiam foi denominada ?CHOQUE E TERROR? pelo secretário de Defesa Donald Rumsfeld, um executivo de companhias petrolíferas e empresas fabricantes de armas. A imensa e esmagadora maioria dos mortos era de civis. O presidente Truman não havia aceito a rendição condicional dos japoneses. Exigia rendição incondicional e decidiu lançar as duas bombas, com a guerra ganha, para dois atingir três objetivos. A rendição incondicional, mostrar ao mundo a nova face do nazismo, agora nazi/sionismo e fortalecer o líder que em 1948, três anos depois, iria tentar a reeleição. Truman era um político sem prestígio e carisma. No dia das eleições presidenciais o jornal NEW YORK TIMES cometeu uma de suas maiores barrigadas. Saiu, antes do resultado, com a manchete DELAWAY VENCEU. Truman comemorou a vitória com a edição do jornal em suas mãos. As bombas sobre Hiroshima e Nagazaki foram decisivas. Usou a força militar com complexo terrorista que começava a tomar forma para vender aos norte-americanos a idéia que são invulneráveis e senhores do mundo ? ao lado de Israel ? por vontade divina. Truman criou a CIA ? AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA ? em 1947 e em 1950 mandou tropas norte-americanas para garantir a propriedade do seu país sobre a Coréia do Sul. Detém o controle das ações de Seul até hoje, agora na denominação ISRAEL/EUA/TERRORISMO S/A. O IV REICHE ressurreto. Em 1952 Truman e o Congresso criaram a célebre COMISSÃO DE INVESTIGAÇÃO DAS ATIVIDADES ANTI-AMERICANAS no país, um braço do terrorismo que nascia em sua forma atual sob o comando do senador Joseph MacCarthy. Vários intelectuais, atores, diretores, atrizes, roteiristas, cidadãos comuns foram presos acusados de conspirar contra os EUA. O mesmo discurso adotado pelos boçais do golpe de 1964 aqui, ou o do Chile, na Argentina, não varia. MacCarthy terminou seus dias envolvido em grossa corrupção e ligações com gangsters. Truman é lembrado como aquele que sucedeu Roosevelt. Foi, no entanto, o responsável pelo maior atentado terrorista da história, as bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagazaki. O onze de novembro de 2001 foi um ato de guerra, consequência das ações terroristas e das formas que as guerras assumiram, todas elas ditadas pela crueldade e perversidade do império nazi/sionista de ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A. O destaque dado pela grande mídia brasileira, em vários outros países, na verdade, não passa de um espetáculo que esconde o verdadeiro terror que encurrala nações no mundo inteiro e não hesita em destruir o que for necessário para sobreviver intocado na barbárie e na cultura da violência e do ódio, características dos estados terroristas dos Estados Unidos e de Israel. São tumores que não permitem a paz, tampouco transformações que resgatem o ser humano da mediocridade vendida no dia a dia da farsa democrática e capitalista. Se espalham pelo mundo inteiro. Entre nós têm a forma de tucanos, DEMocratas, pastores a soldo de Washington, dignatários de uma igreja romana fascistizada, sustentando banqueiros, grandes corporações e latifundiários. Contam com a complacência de governos supostamente progressistas, caso de Dilma Roussef. É ilusão imaginar que estamos imunes a essa violência do capitalismo. A maior barbárie já cometida em todos os tempos foram as bombas sobre Hiroshima e Nagazaki. Não é difícil, pois, entender o genocídio contra palestinos (genocídio, saque, roubo) praticado pelo estado terrorista de Israel, ou os suicídios crescentes de veteranos de guerra, vítimas também quando robotizados pelo patriotismo canalha que cerca o terrorismo praticado por essa gente. Os campos de concentração de Hitler? Permanecem. Só mudaram os carrascos. Agora estão em Tel Aviv e em Washington. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110908/c3df6432/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 9 19:54:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 9 Sep 2011 19:54:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__STUART_EDGAR_ANGEL_JONES____________?= =?iso-8859-1?q?______________-CCXLI-?= Message-ID: <5B5B8B1E9C9545DA9FF27799CB4E4649@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem STUART EDGAR ANGEL JONES (1945-1971) Data e local de nascimento: 11/01/1945, Salvador (BA) Filiação: Zuleika Angel Jones e Norman Angel Jones Organização política ou atividade: MR-8 Data e local do desaparecimento: 14/05/1971, Rio de Janeiro (RJ) Stuart Edgar Angel Jones foi assassinado sob terríveis torturas na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Morreu na noite de 14 de maio de 1971 e o nome dele consta da lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. O caso gerou grande repercussão nacional e internacional. Filho da estilista de alta costura Zuzu Angel com o norte-americano Norman Angel Jones, irmão da colunista social Hildegard Angel, Stuart nasceu em Salvador e cresceu no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, praticou tênis, natação, capoeira, levantamento de peso e remo. Era estudante de Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo trabalhado também como professor. Em 18/08/1968, havia casado com Sonia Maria Lopes de Moraes, que também seria morta em 1973, em São Paulo. Moravam na Tijuca. Militante do MR-8 desde o período em que a organização tinha o nome de Dissidência da Guanabara, Stuart, conforme documentos dos órgãos de segurança, integrou sua Direção Geral a partir de meados de 1969, ao lado de Daniel Aarão Reis e Franklin de Souza Martins. Também era apontado como participante de diversas ações armadas e se presume que os militares o torturaram com tamanha brutalidade porque pretendiam, através dele, chegar a Carlos Lamarca, recentemente integrado à organização. Stuart foi preso por volta das 9h da manhã do dia 14, na avenida 28 de Setembro, em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, por agentes do CISA. As circunstâncias de sua morte sob torturas foram narradas, em carta a Zuzu, pelo preso político Alex Polari de Alverga, que esteve com ele naquela unidade da Aeronáutica, na Base Aérea do Galeão. "Em um momento retiraram o capuz e pude vê-lo sendo espancado depois de descido do pau-de-arara. Antes, à tarde, ouvi durante muito tempo um alvoroço no pátio do CISA. Havia barulho de carros sendo ligados, acelerações, gritos, e uma tosse constante de engasgo e que pude notar que se sucedia sempre às acelerações. Consegui com muito esforço olhar pela janela que ficava a uns dois metros do chão e me deparei com algo difícil de esquecer: junto a um sem número de torturadores, oficiais e soldados, Stuart, já com a pele semi-esfolada, era arrastado de um lado para outro do pátio, amarrado a uma viatura e, de quando em quando, obrigado, com a boca quase colada a uma descarga aberta, a aspirar gases tóxicos que eram expelidos". Zuzu Angel procurou o filho infatigavelmente, abordando autoridades nacionais e internacionais e concedendo entrevistas a quantos veículos de imprensa tivessem a coragem de publicá-las. Conseguiu fazer chegar sua denúncia ao então senador Edward Kennedy, que levou o caso à tribuna do Senado dos Estados Unidos. Pessoalmente, conseguiu entregar ao secretário de Estado Henry Kissinger, em visita ao Brasil em fevereiro de 1976, uma carta com a denúncia e um exemplar do livro de Hélio Silva, onde era relatada a morte de Stuart. Esse historiador avalia que o afastamento e a posterior reforma do brigadeiro João Paulo Penido Burnier, denunciado como autor do crime, e a própria destituição do ministro da Aeronáutica Márcio de Souza e Mello, foram desdobramentos das pressões internacionais sobre o governo Médici. Todos os principais jornais estrangeiros registraram o fato, em especial o Washington Post e Le Monde. No Brasil, os diários O Estado de São Paulo e Jornal do Brasil conseguiram publicar matérias sobre o caso, apesar da censura. Zuzu foi morta, em março de 1976, sem nunca descobrir qualquer indício do paradeiro do filho. O desaparecimento de Stuart e a luta de Zuzu foram evocados por Chico Buarque e Miltinho na canção Angélica, de 1977, e levados ao cinema, em 2006, pelo diretor Sérgio Rezende, tendo a atriz Patrícia Pilar atuado como a mãe de Stuart. No Relatório do Ministério da Marinha, apresentado ao ministro da Justiça Maurício Corrêa em 1993, consta que Stuart foi morto no Hospital Central do Exército, mas indicando a data incorreta de 5 de janeiro de 1971. O Relatório do Ministério da Aeronáutica faz menção às denúncias feitas por Alex Polari mas, em vez de esclarecer as circunstâncias da morte, estende-se falando sobre as atividades do denunciante. Limita-se a informar: "neste órgão não há dados a respeito da prisão e suposta morte de Stuart Edgar Angel Jones". Passados 17 anos da morte de Stuart, Amílcar Lobo, médico que atuava no DOI-CODI/RJ e que teve seu registro profissional cassado por cumplicidade ou conivência com as torturas, confessou tê-lo atendido no quartel da PE antes de sua transferência para a Base Aérea do Galeão. "Ele tinha equimoses no abdome e tórax causados provavelmente por socos (...) dei a ele analgésicos", relatou. Disse, ainda, que Stuart estava consciente mas se recusou a lhe dirigir a palavra. No livro Desaparecidos Políticos, Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa escrevem: "Para o desaparecimento do corpo existem duas versões. A primeira é de que teria sido transportado por um helicóptero da Marinha para uma área militar localizada na restinga de Marambaia, na Barra de Guaratiba, próximo à zona rural do Rio, e jogado em alto-mar pelo mesmo he licóptero. Mas, de acordo com outras informações, o corpo de Stuart teria sido enterrado como indigente, com o nome trocado, num cemitério de um subúrbio carioca, provavelmente Inhaúma. Os responsáveis: os brigadeiros Burnier e Carlos Afonso Dellamora, o primeiro, chefe da Zona Aérea e, o segundo, comandante do CISA; o tenente-coronel Abílio Alcântara, o tenente-coronel Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena - todos do mesmo organismo; o capitão Alfredo Poeck - do CENIMAR; Mário Borges e Jair Gonçalves da Mota - agentes do DOPS". O caso foi levado também ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que naquele período, e particularmente na gestão do ministro da Justiça Alfredo Buzaid, desempenhou um papel meramente homologatório perante as violências praticadas pelo Estado ditatorial. Em 1972, por 8 votos a 1, o caso foi arquivado, sendo surpreendente o fato de o representante da OAB no órgão, Raymundo Faoro, ter se alinhado em seu voto com essa maioria, onde estava também o senador Filinto Müller, notório torturador durante o Estado Novo. ============================================================================================================================== + Informações. STUART EDGAR ANGEL JONES Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Nasceu a 11 de janeiro de 1946, na Bahia, filho de Norman Angel Jones e Zuleika Angel Jones. Desaparecido desde 1971, aos 26 anos de idade. Casado com Sônia Maria Morais Angel Jones (morta). Estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi preso no Grajaú (próximo à Av. 28 de Setembro), no Rio de Janeiro, em 14 de junho de 1971, cerca das 9:00 horas, por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), para onde foi levado e torturado. Ao cair da noite, após inúmeras sessões de tortura, já com o corpo esfolado, foi amarrado à traseira de um jipe da Aeronáutica e arrastado pelo pátio com a boca colada ao cano de descarga do veículo, o que ocasionou sua morte por asfixia e intoxicação por monóxido de carbono. Em 08 de abril de 1987, a Revista "Isto É", na matéria "Longe do Ponto Final", publica declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo, que reconheceu ter visto Stuart no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data. O preso político Alex Polari de Alverga é testemunha da prisão e tortura até a morte de Stuart, tendo inclusive presenciado a cena em que ele era arrastado por um jipe, com a boca no cano de descarga do veículo, pelo pátio interno do quartel. No Relatório do Ministério da Marinha consta que foi "morto em 5 de janeiro de 1971, no Hospital Central do Exército..." O Relatório do Ministério da Aeronáutica faz referências às denúncias sobre a morte de Stuart feitas por Alex Polari. Ao invés de esclarecer sua morte, dados do relatório falam da vida pregressa de Alex e finaliza dizendo: "neste órgão não há dados a respeito da prisão e suposta morte de Stuart Edgar Angel Jones." Artigo da "Folha de São Paulo" de 2/9/79, assinado por Tamar de Castro, intitulado: "Seu filho está sendo morto, agora": "Zuzu Angel, figurinista morta em circunstâncias ainda não esclarecidas, em 1976, relata em depoimento inédito ao historiador Hélio Silva, agora divulgado, o desaparecimento de seu filho, Stuart Edgar Angel Jones, estudante e professor, que - segundo suas denúncias - foi seqüestrado no dia 14 de julho de 1971 por agentes ligados ao Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), e - ainda segundo as denúncias - torturado e morto na Base Aérea do Galeão. As torturas teriam sido presenciadas por outro preso político, Alex Polari de Alverga que, através de uma carta, informou Zuzu Angel das circunstâncias da morte de Stuart. Alex Polari cumpre atualmente pena de prisão no presídio da Frei Caneca, no Rio. Baseada na carta de Alex e em outras evidências, Zuzu denunciou o assassinato de Stuart - de dupla cidadania, brasileira e norte-americana - ao senador Edward Kennedy, que levou o caso ao Congresso dos Estados Unidos. A mãe do estudante morto entregou também ao secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, - quando este esteve no Brasil, em 1976 - uma carta pessoal, a tradução da carta de Alex e um exemplar do vigésimo volume da série 'História da República Brasileira', de Hélio Silva, onde o autor relata a morte do estudante. Segundo o historiador, o afastamento da 3ª Zona Aérea e posterior reforma do brigadeiro João Paulo Penido Burnier e a própria destituição do então ministro da Aeronáutica, Márcio Souza e Melo, estiveram relacionados com os protestos norteamericanos pela morte de Stuart. O caso Stuart Angel mistura-se com o plano de utilizacão do PARASAR para eliminação de lideranças políticas, concebido pelo brigadeiro Burnier em 1968. O plano foi denunciado pelo capitão Sérgio Miranda Ribeiro de Carvalho que, por este motivo, foi punido com base no Ato Institucional n° 5. O depoimento de Zuzu Angel foi prestado em 10 de fevereiro de l976, um mês antes de sua morte, ao historiador Hé1io Silva na qualidade de diretor do Centro de Memória Social Brasileira, da Faculdade Cândido Mendes, auxiliado por Maria Cecilia Ribas Carneiro, pesquisadora assistente. Nele, Zuzu Angel relata sua peregrinação junto a autoridades militares para ter alguma notícia sobre a prisão de seu filho, os desmentidos de que o estudante estivesse preso, feitos pessoalmente pelo general Sílvio Frota, na época comandante do 1° Exército. Zuzu Angel afirma que as torturas sofridas por seu filho foram confirmadas, inclusive, pela visita que recebeu da sra. Lígia Tedesco, mulher do brigadeiro Tedesco, amigo pessoal de Burnier. A sra. Tedesco reafirmou as torturas sofridas no CISA por 'um rapaz' e procurou diminuir a indignação de Zuzu assegurando-lhe que 'esse rapaz não era o seu filho'. Oficialmente, Stuart Angel Jones foi considerado revel, julgado e absolvido pelos tribunais competentes." ======================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) STUART EDGAR ANGEL JONES (1945-1971) Filho da estilista Zuzu Angel com o norte-americano Norman Angel Jones, Stuart nasceu em Salvador e cresceu no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, praticou tênis, natação, capoeira, levantamento de peso e remo. Estudou Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo trabalhado como professor. Militou no MR-8 desde quando se chamava Dissidência da Guanabara, integrando sua direção a partir de meados de 1969. Stuart foi preso por volta das 9h da manhã do dia 14 de maio de 71, na avenida 28 de Setembro, em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, por agentes do Cisa. As circunstâncias de sua morte sob torturas, nessa mesma noite, foram narradas, em carta a Zuzu, pelo preso político Alex Polari de Alverga, que esteve com ele naquela unidade da Aeronáutica, na Base Aérea do Galeão: [...] Consegui com muito esforço olhar pela janela que ficava a uns dois metros do chão e me deparei com algo difícil de esquecer: junto a um sem-número de torturadores, oficiais e soldados, Stuart, já com a pele semiesfolada, era arrastado de um lado para outro do pátio, amarrado a uma viatura e, de quando em quando, obrigado, com a boca quase colada a uma descarga aberta, a aspirar gases tóxicos que eram expelidos. Anos depois, Amílcar Lobo, médico que atuava no DOI-Codi/RJ, confessaria ter atendido Stuart: "Ele tinha equimoses no abdômen e tórax causados provavelmente por socos [...] dei a ele analgésicos". No livro Desaparecidos Políticos, Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa escrevem: Para o desaparecimento do corpo existem duas versões. A primeira é de que teria sido [...] jogado em alto-mar pelo mesmo helicóptero. Mas, de acordo com outras informações, o corpo de Stuart teria sido enterrado como indigente, com o nome trocado, num cemitério de um subúrbio carioca, provavelmente Inhaúma. Os responsáveis: os brigadeiros Burnier e Carlos Afonso Dellamora, o primeiro, chefe da Zona Aérea e, o segundo, comandante do Cisa; o tenente-coronel Abílio Alcântara, o tenente-coronel Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena - todos do mesmo organismo; o capitão Alfredo Poeck - do Cenimar; Mário Borges e Jair Gonçalves da Mota - agentes do Dops. O crime teve repercussão nacional e internacional, principalmente em razão dos esforços de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que também acabou morta pelos agentes da repressão. Os principais jornais estrangeiros registraram o fato. No relatório da Marinha, de 1993, consta que Stuart foi morto no Hospital Central do Exército, mas a data é incorreta. O relatório da Aeronáutica limita-se a informar: "neste órgão não há dados a respeito da prisão e suposta morte de Stuart Edgar Angel Jones". O caso foi levado também ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que naquele período, e particularmente na gestão do ministro da Justiça Alfredo Buzaid, desempenhou um papel meramente homologatório perante as violências praticadas pelo Estado ditatorial. Em 1972, por 8 votos a 1, o processo foi arquivado, sendo surpreendente o fato de o representante da OAB no órgão, Raymundo Faoro, ter se alinhado em seu voto com essa maioria, onde estava também o senador Filinto Müller, notório chefe de torturador durante o Estado Novo. Em 9 de dezembro de 2010, como parte do projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, foi inaugurado, na sede do Flamengo, no Rio de Janeiro, um memorial em homenagem a Stuart, que pertenceu à sua equipe de remo. =========================================================================================================== + Detalhes. Ter, 08 de Setembro de 2009 03:06 Heróis do Movimento Estudantil Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Nasceu a 11 de janeiro de 1946, na Bahia, filho de Norman Angel Jones e Zuleika Angel Jones. Desaparecido desde 1971, aos 26 anos de idade. Casado com Sônia Maria Morais Angel Jones (morta). Estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi preso no Grajaú (próximo à Av. 28 de Setembro), no Rio de Janeiro, em 14 de junho de 1971, cerca das 9:00 horas, por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), para onde foi levado e torturado. Ao cair da noite, após inúmeras sessões de tortura, já com o corpo esfolado, foi amarrado à traseira de um jipe da Aeronáutica e arrastado pelo pátio com a boca colada ao cano de descarga do veículo, o que ocasionou sua morte por asfixia e intoxicação por monóxido de carbono. Em 08 de abril de 1987, a Revista "Isto É", na matéria "Longe do Ponto Final", publica declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo, que reconheceu ter visto Stuart no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data. O preso político Alex Polari de Alverga é testemunha da prisão e tortura até a morte de Stuart, tendo inclusive presenciado a cena em que ele era arrastado por um jipe, com a boca no cano de descarga do veículo, pelo pátio interno do quartel. No Relatório do Ministério da Marinha consta que foi "morto em 5 de janeiro de 1971, no Hospital Central do Exército..." O Relatório do Ministério da Aeronáutica faz referências às denúncias sobre a morte de Stuart feitas por Alex Polari. Ao invés de esclarecer sua morte, dados do relatório falam da vida pregressa de Alex e finaliza dizendo: "neste órgão não há dados a respeito da prisão e suposta morte de Stuart Edgar Angel Jones." Artigo da "Folha de São Paulo" de 2/9/79, assinado por Tamar de Castro, intitulado: "Seu filho está sendo morto, agora": "Zuzu Angel, figurinista morta em circunstâncias ainda não esclarecidas, em 1976, relata em depoimento inédito ao historiador Hélio Silva, agora divulgado, o desaparecimento de seu filho, Stuart Edgar Angel Jones, estudante e professor, que - segundo suas denúncias - foi seqüestrado no dia 14 de julho de 1971 por agentes ligados ao Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), e - ainda segundo as denúncias - torturado e morto na Base Aérea do Galeão. As torturas teriam sido presenciadas por outro preso político, Alex Polari de Alverga que, através de uma carta, informou Zuzu Angel das circunstâncias da morte de Stuart. Alex Polari cumpre atualmente pena de prisão no presídio da Frei Caneca, no Rio. Baseada na carta de Alex e em outras evidências, Zuzu denunciou o assassinato de Stuart - de dupla cidadania, brasileira e norte-americana - ao senador Edward Kennedy, que levou o caso ao Congresso dos Estados Unidos. A mãe do estudante morto entregou também ao secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, - quando este esteve no Brasil, em 1976 - uma carta pessoal, a tradução da carta de Alex e um exemplar do vigésimo volume da série 'História da República Brasileira', de Hélio Silva, onde o autor relata a morte do estudante. Segundo o historiador, o afastamento da 3ª Zona Aérea e posterior reforma do brigadeiro João Paulo Penido Burnier e a própria destituição do então ministro da Aeronáutica, Márcio Souza e Melo, estiveram relacionados com os protestos norte-americanos pela morte de Stuart. O caso Stuart Angel mistura-se com o plano de utilizacão do PARASAR para eliminação de lideranças políticas, concebido pelo brigadeiro Burnier em 1968. O plano foi denunciado pelo capitão Sérgio Miranda Ribeiro de Carvalho que, por este motivo, foi punido com base no Ato Institucional n° 5. O depoimento de Zuzu Angel foi prestado em 10 de fevereiro de 1976, um mês antes de sua morte, ao historiador Hélio Silva na qualidade de diretor do Centro de Memória Social Brasileira, da Faculdade Cândido Mendes, auxiliado por Maria Cecilia Ribas Carneiro, pesquisadora assistente. Nele, Zuzu Angel relata sua peregrinação junto a autoridades militares para ter alguma notícia sobre a prisão de seu filho, os desmentidos de que o estudante estivesse preso, feitos pessoalmente pelo general Sílvio Frota, na época comandante do 1° Exército. Zuzu Angel afirma que as torturas sofridas por seu filho foram confirmadas, inclusive, pela visita que recebeu da sra. Lígia Tedesco, mulher do brigadeiro Tedesco, amigo pessoal de Burnier. A sra. Tedesco reafirmou as torturas sofridas no CISA por 'um rapaz' e procurou diminuir a indignação de Zuzu assegurando-lhe que 'esse rapaz não era o seu filho'. Oficialmente, Stuart Angel Jones foi considerado revel, julgado e absolvido pelos tribunais competentes." HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO! fonte MEPR ========================================================================================================================= Ditadura Militar Stuart Angel é homenageado por seu combate publicada segunda-feira, 13/12/2010 às 14:46 e atualizada terça-feira, 25/01/2011 às 16:01 Por Juliana Sada Na semana passada, foi realizada uma homenagem à memória de Stuart Edgar Angel Jones. Militante do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e combatente da ditadura, Stuart foi torturado e assassinado pelo regime militar em 1971. Além de militante, o jovem era atleta do clube de regatas do Flamengo e foi bicampeão carioca de remo, nos anos 64 e 65. Sua ligação com o clube extrapola o esporte, enquanto era perseguido pela ditadura, Stuart conseguiu abrigo na sede, ficando escondido por um tempo lá. A homenagem foi realizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Clube de Regatas do Flamengo, o Centro Acadêmico Stuart Angel Jones e a Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação. Para o ministro dos direitos humanos, Paulo Vanucchi, presente no evento, o "momento se fazia necessário há muito tempo. É um dia de alegria, com lágrimas inevitáveis, para fazermos uma homenagem ao herói que foi o Stuart. É importante lembrar tudo o que aconteceu à juventude de hoje, para que isso nunca possa se repetir". Hildegard Angel, irmã de Stuart, esteve presente na homenagem e, emocionada, agradeceu: "É ótimo receber este tipo de carinho e de lembrança de que não há país sem democracia e liberdade". Junto ao monumento, o vice-prefeito Carlos Alberto Muniz, Hildegard Angel, Patrícia Amorim, Zezé Barros e o Min.Paulo Vannuchi Stuart Angel Jones não foi a única vítima na família, sua esposa Sônia também foi morta durante a ditadura. Além disso, diante da morte de seu filho, a estilista Zuzu Angel começou uma investigação sobre o caso e protagonizou uma campanha de denúncia a nível internacional, utilizando-se de sua fama e da cidadania estadunidense do filho. Em 1975, Zuzu morreu em um acidente de carro, vítima de um atentado. A prisão e o desaparecimento Stuart Angel Jones foi preso em maio de 1971 no local onde iria encontrar outro companheiro, Alex Polari. Ele foi levado para o Centro de Informação e Segurança da Aeronáutica. De acordo com Jacob Gorender, no clássico livro Combate nas Trevas, os policias queriam apenas uma informação: a localização de Lamarca. Diante da sua recusa em dar o paradeiro do companheiro, o jovem sofreria uma brutal tortura. "Aplicado sob a chefia do Brigadeiro João Paulo Burnier, os tormentos violentíssimos, como o de arrastamento por um jipe com a boca no cano de descarga, resultaram em mortais e o dirigente do MR-8 somou um nome a mais na lista dos 'desaparecidos'". O relato feito por Gorender é resultado da denúncia feita por seu companheiro Alex Polari, que também estava preso: "Em um momento retiraram o capuz e pude vê-lo sendo espancado depois de descido do pau-de-arara. Antes, à tarde, ouvi durante muito tempo um alvoroço no pátio do CISA. Havia barulho de carros sendo ligados, acelerações, gritos, e uma tosse constante de engasgo e que pude notar que se sucedia sempre às acelerações. Consegui com muito esforço olhar pela janela que ficava a uns dois metros do chão e me deparei com algo difícil de esquecer: junto a um sem número de torturadores, oficiais e soldados, Stuart, já com a pele semi-esfolada, era arrastado de um lado para outro do pátio, amarrado a uma viatura e, de quando em quando, obrigado, com a boca quase colada a uma descarga aberta, a aspirar gases tóxicos que eram expelidos" O livro Desaparecidos Políticos, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, conta mais um pouco do destino do militante: "Para o desaparecimento do corpo existem duas versões. A primeira é de que teria sido transportado por um helicóptero da Marinha para uma área militar localizada na restinga de Marambaia, na Barra de Guaratiba, próximo à zona rural do Rio, e jogado em alto-mar pelo mesmo helicóptero. Mas, de acordo com outras informações, o corpo de Stuart teria sido enterrado como indigente, com o nome trocado, num cemitério de um subúrbio carioca, provavelmente Inhaúma. Os responsáveis: os brigadeiros Burnier e Carlos Afonso Dellamora, o primeiro, chefe da Zona Aérea e, o segundo, comandante do CISA; o tenente-coronel Abílio Alcântara, o tenente-coronel Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena - todos do mesmo organismo; o capitão Alfredo Poeck - do CENIMAR; Mário Borges e Jair Gonçalves da Mota - agentes do DOPS". Assim como Stuart, há outras 135 pessoas que estão na lista dos desaparecidos. A homenagem realizada faz parte da série de memoriais "Pessoas Imprescindíveis", da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que com isso busca resgatar a história daqueles que combateram a ditadura. (Com informações do Clube de Regatas do Flamengo e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) ========================================================================================================================= + Detalhes JEOCAZ LEE-MEDDI - UM POEMA TORTURA E MORTE NOS CALABOUÇOS - PAI, AFASTA DE MIM ESSE CÁLICE Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue No dia 26 de maio de 1973, a USP recebia nos palcos do seu campus o cantor Gilberto Gil. Alunos e professores ainda estavam de luto pela morte do estudante de geologia, Alexandre Vannucchi Leme, torturado e assassinado pelos órgãos repressores do governo militar. Quando Gilberto Gil soltou a voz, cantando os versos acima, ecoava no Brasil o canto proibido, a voz silenciada de uma nação, o grito de dor de quem era torturado e morto nos calabouços da ditadura militar. "Cálice", composição de Gilberto Gil e Chico Buarque, falava daquele momento obscuro da história do Brasil. Seus versos eram mais do que um sentido de protesto, era um grito sufocado, um alerta contra o horror das masmorras, um pedido de socorro dentro de um sistema cruel e truculento, uma denúncia aos assassínios praticados. A canção tinha sido proibida pela censura. Poucos dias antes do show na USP, entre os dias 11 e 13 de maio, Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram os microfones desligados quando, em um festival promovido pela gravadora Polygram, o "Phono 73", tentaram cantar a música. O show histórico de Gilberto Gil na USP selou um momento de ruptura e renascença do movimento estudantil. Ruptura porque os estudantes optavam por enterrar de vez a luta armada dentro das ideologias de esquerda aprendidas nas faculdades; renascença porque o movimento estudantil estava praticamente morto, desde o desfecho do congresso da UNE em Ibiúna, em 1968, que terminou com a prisão dos líderes estudantis, muitos exilados, outros mortos ou desaparecidos pela ditadura. Gilberto Gil, um dos líderes da Tropicália, outrora vaiado e acusado de alienação por parte da esquerda engajada do movimento estudantil, fazia uma reconciliação histórica. O seu show era para durar trinta minutos, durou mais de três horas. E "Cálice" tornou-se o hino daquele momento. Tropicalista e estudantes selavam a paz, daquela vez, os aplausos venceram as vaias, música e movimento estudantil formavam uma só voz contra a ditadura militar. A canção soava na voz do seu autor como um grito de desobediência à repressão, uma rebeldia civil. Os seus versos traziam a denuncia da tortura - "Quero cheirar fumaça de óleo diesel" -, alusão clara à morte de Stuart Angel Jones, torturado e executado em 1971, tendo o corpo arrastado pelo pátio de um quartel da aeronáutica, amarrado em um jipe, com a boca presa ao cano de escapamento. Quando cantada por Gilberto Gil no campus da USP, a canção homenageou Stuart Angel e Alexandre Vannucchi Leme, vítimas das suas ideologias e de um sistema repressivo sanguinário. Através dos versos de "Cálice", traçamos um paralelo entre as mortes do filho de Zuzu Angel e do estudante de geologia da USP, ocorridas em 1971 e 1973, respectivamente. Um paralelo traduzido neste hino contra um tempo obscuro que se desenhou no céu de um Brasil despido dos sonhos de liberdade e democracia. Stuart Angel e a Luta Armada Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta Com a promulgação do Ato Institucional 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, que entre outras arbitrariedades repressivas anulava o direito de habeas corpus aos presos políticos, a ditadura militar entrou no seu período mais duro, suprimindo qualquer diálogo com os que se lhe faziam oposição. Tradicionais partidos de esquerda que se encontravam na clandestinidade, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB), tiveram suas bases esfaceladas, transformadas em pequenas organizações de resistência à ditadura. Estas organizações de esquerda, após o AI-5, também endureceram as suas ações, optando pela luta armada como forma de combate ao regime dos generais. Esquerda e direita iniciaram uma guerra ideológica sangrenta, com vantagens para a direita, que detinha a máquina do Estado a seu favor, manipulando as leis através de atos institucionais, oficializando a repressão como forma de segurança do Estado, regido por uma ditadura escancarada. No auge da guerra repressiva dos militares, até a pena de morte entrou em vigor no Brasil, em 1969, promulgada por um ato institucional, prevendo a execução de terroristas e subversivos de esquerda. Foi neste panorama turbulento da história brasileira que surgiu a figura de Stuart Edgard Angel Jones. Filho do norte-americano Norman Angel Jones e da brasileira Zuleika Angel Jones, Stuart Angel nasceu na Bahia, em 11 de janeiro de 1946. Sua vida poderia ter passado despercebida, ofuscada pelo brilho da mãe, a estilista de moda Zuzu Angel, dona de um grande prestígio dentro da alta costura e da moda brasileira na década de setenta; ou apoiada na proteção de uma expectativa burguesa, delineada nos moldes de uma classe média construída sobre as raízes de uma ditadura. Mas Stuart Angel rompeu com as amarras burguesas, tornando-se muito cedo, militante de organizações de esquerda, envolvendo-se com a luta armada, ideologias consideradas inimigas do regime de então, culminando com uma morte violenta, aos 26 anos de idade. Stuart Angel teve uma vida curta e de intensa militância política. Estudante de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ingressou nos movimentos de resistência à ditadura ainda nos anos sessenta, através do movimento estudantil, ao lado da companheira Sônia Maria Morais Angel Jones, com quem se casara. Juntos, integraram a Dissidência da Guanabara (DI-GB), organização política de esquerda surgida em 1966, originada de uma ruptura com o PCB. Mais tarde, quando fez parte do seqüestro ao embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick, em 1969, a DI-GB passou a usar o nome de Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), organização que teve papel destacado nas guerrilhas urbanas. Perseguido como terrorista pela ditadura militar, Stuart Angel deixou as salas de aula da sua universidade, passando a viver na clandestinidade. Fez parte de várias ações subversivas contra o regime repressivo, como assaltos a bancos, seqüestros e guerrilhas. Tornou-se o elo de ligação com o líder do MR8, Carlos Lamarca, que ao lado de Carlos Marighella, tornara-se o maior inimigo do governo. Diante de uma militância tão intensa, Stuart Angel, que usava o codinome de Paulo, passou a ter a sua imagem impregnada nos cartazes de "Terroristas - Procura-se", espalhados por todo o país. Stuart Angel recusava de vez o mundo burguês e protegido que fora criado, assumindo os seus ideais revolucionários e a luta contra a ditadura que governava o país, luta traduzida naquele momento, na resistência armada. Prisão e Desaparecimento De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta Quanto mais a esquerda mostrava-se ousada, como nos seqüestros efetuados a embaixadores e cônsules de outros países, mais a ditadura endurecia na resposta às ações subversivas, classificando-as de terroristas. Instituída a pena de morte para terrorista, a vida dos militantes de esquerda passou a não ter valor algum diante da polícia repressiva da ditadura. Atos de tortura tornaram-se comuns nos calabouços, adquirindo requintes sádicos e sanguinolentos. Apesar da banalidade da tortura, o regime militar jamais admitia a sua existência, temendo retaliações da comunidade internacional que lutava pelos direitos humanos. Com a morte de Carlos Marighella, assassinado em uma emboscada em 1969, Carlos Lamarca passou a ser o inimigo número um do regime militar, que iniciou contra ele uma caçada intensa. Stuart Angel passou a ser o contacto de ligação entre Lamarca, sendo quem detinha a preciosa informação do seu paradeiro. Esta evidência foi determinante nas violentas torturas que sofreria, quando da sua prisão. No dia 14 de junho de 1971, Stuart Angel caiu nas mãos da ditadura militar, sendo preso no Grajaú, Rio de Janeiro. Sua prisão teria acontecido após o militante Alex Polari de Alverga, preso dois dias antes, ter revelado sob tortura, o local que serviria de ponto de encontro entre eles. Segundo depoimento do próprio Polari, ao ser torturado e revelar o ponto final, tentara ludibriar os torturadores, apelando para uma ínfima tentativa de salvar Stuart Angel, antecipando o horário do encontro em duas horas, jogando com um local perto do combinado. Ainda, segundo esta versão, os agentes já iam embora, quando reconheceram Stuart Angel em um carro, rondando pelas redondezas, adiantado na hora prevista. Na manhã daquele fatídico dia, pouco depois das oito horas, Stuart Angel dirigia um carro, próximo à Avenida 28 de Setembro, quando foi cercado por dois veículos de agentes da polícia política. Com armas em punho e apontadas, Stuart Angel foi retirado do seu carro, sendo enfiado em um dos veículos pelos agentes. Jamais voltaria a ser visto com vida por amigos e familiares. Após a prisão, além do testemunho de Alex Polari de Alverga, que afirmaria ter presenciado a execução do companheiro, apenas um confuso relato do oficial Amílcar Lobo, um médico, que fizera parte de várias sessões de tortura no famoso Açougue Humano de Petrópolis, daria conta de que Stuart Angel tinha passado com vida pelo DOI-CODI do Rio de Janeiro. Stuart Angel, professor e estudante, 26 anos, porte de galã, engrossaria a lista dos desaparecidos da ditadura militar. Deixara o cotidiano burguês para fazer parte de uma vida clandestina, abandonara as salas de aula para pisar nos palcos das guerrilhas urbanas, deixara de ser o filho de uma estilista famosa, para ser filho da nação que o marginalizava e chamava-o de terrorista. Com a Boca Presa ao Cano de Descarga de Um Jipe Após ter caído nas mãos dos agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (CISA), Stuart Angel foi levado para as dependências da Base Aérea do Galeão, onde foi duramente torturado, para que falasse sobre o paradeiro de Carlos Lamarca, de quem era o contacto. Não resistiu às torturas, mas não revelou uma única palavra sobre o paradeiro de Lamarca. Stuart Angel sofreu inúmeras sessões de tortura durante todo o dia, resistindo a dizer qualquer palavra que denunciasse os companheiros, procedimento que irritou profundamente os seus algozes. Ao cair da noite, Stuart Angel trazia o corpo coberto de hematomas e esfolado, foi amarrado à traseira de um jipe militar e arrastado pelo pátio das dependências daquela base da Aeronáutica, tendo a boca colada ao cano de descarga do jipe, o que ocasionou sua morte por asfixia e intoxicação por monóxido de carbono. O seu corpo teria sido atirado ao mar, na restinga da Marambaia. Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguém me esqueça Este relato de crueldade na morte de Stuart Angel foi feito por Alex Polari de Alverga (na fotografia em um ritual do Santo Daime), em carta enviada um ano depois para a sua mãe, Zuzu Angel. Polari teria assistido ao ato macabro através de uma janela da sua cela. Até os dias de hoje, o testemunho de Polari é contestado e desmentido pelos envolvidos no caso e por aqueles que defendem os atos da direita no período do regime militar, que justificam a tortura como necessária à defesa da nação, contra o terrorismo que ameaçava a segurança nacional. Alex Polari tornou-se um místico e adepto da seita do Santo Daime, uma conduta pregressa de vida é utilizada para desqualificar o seu testemunho. O próprio Polari sofreu torturas terríveis como choques elétricos, cadeira do dragão, pau-de-arara e tantas outras atrocidades, com certezas as mesmas que sofrera Stuart Angel. Se Polari inventou isto, teria que ter uma imaginação muito fértil, tamanha originalidade da crueldade imposta a um homem amarrado com a boca presa a um cano de escape de um veículo. Como o caso chegou aos tribunais norte-americanos (Stuart Angel tinha dupla nacionalidade, brasileira e estadunidense) através de denúncias de sua mãe, Zuzu Angel, e o governo militar sofreu forte pressão dos Estados Unidos para esclarecer os fatos, é natural que nunca assumissem o crime e tentassem amenizar as atrocidades vazadas para o mundo, demonstrado existir tortura, veementemente negadas, nos calabouços do regime; para isto, é perfeitamente normal que descaracterizassem o depoimento de Alex Polari, tornando-o absurdo e lunático aos olhos de todos. Não é absurdo que o corpo de Stuart Angel tenha sido jogado no mar, visto que existia à época a idéia da utilização da Operação Parasar, concebida pelo brigadeiro João Paulo Burnier, em 1968, que consistia em eliminar lideranças políticas atirando-as ao mar de um avião; para isto utilizando a unidade Parasar da Aeronáutica, especialista em busca e salvamento. O plano foi denunciado pelo capitão Sérgio Miranda Ribeiro de Carvalho, que, por este motivo, foi punido. O brigadeiro Burnier foi quem comandou o interrogatório e as torturas a Stuart Angel. Morto no mesmo dia que fora preso, Stuart Angel desaparecia para sempre da vida, dos olhos dos amigos e familiares, mas continuaria com o rosto estampado pelas ruas de todo o Brasil por vários anos, com as palavras "Procura-se" debaixo da sua fotografia, numa farsa que o governo militar insistia em manter, fazendo com que se acreditasse que estava vivo e foragido. Na busca pelo corpo do filho e pela verdade nas circunstâncias de sua morte, Zuzu Angel iniciou uma longa jornada investigativa que incomodou profundamente os militares. Morreu em um obscuro acidente automobilístico, na saída do túnel Dois Irmãos (hoje túnel Zuzu Angel), na madrugada de 14 de abril de 1976. Em 1996 o Estado reconheceu a morte de Zuzu Angel como conseqüência das denúncias que fez contra o regime militar sobre a morte do filho, resultante de torturas. ======================================================================================================================== + Detalhes Fonte: O REBATE Amor até as últimas conseqüências: a luta de Zuzu Angel Vanessa Gonçalves "Srs. passageiros, dentro de poucos minutos passaremos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, país onde se torturam e matam jovens estudantes (...)" . Uma declaração dessas, em plena ditadura seria uma audácia, se não fosse uma denúncia indignada de uma mãe que perdeu a vida para espalhar para todo o mundo o assassinato de seu filho na tortura. Muito mais que um exemplo de coragem, a estilista Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, foi uma mãe determinada a dizer ao mundo como é cruel ter um filho assassinado sob torturas e não ter o direito de sepultá-lo com dignidade. Longe de ser uma ativista política, Zuzu Angel era apenas uma estilista reconhecida do Brasil e no exterior preocupada em fazer o seu trabalho. Mas sua vida se transformou completamente em junho de 1971 quando teve conhecimento do desaparecimento de seu filho, o militante político Stuart Edgar Angel Jones, um dos principais dirigentes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). O início do fim Stuart estudava Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro quando abraçou a causa da luta armada. Tornou-se um dos mais importantes dirigentes do MR-8 e foi personagem-chave nas articulações que levaram o Capitão Carlos Lamarca a deixar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e entrar em sua Organização. Era casado com Sônia Maria de Moraes Angel Jones que, posteriormente, teria uma morte tão violenta quanto a sua. Aos 25 anos, Stuart foi preso no dia 14 de junho de 1971, no bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro, por volta das 9 horas, próximo da Av. 29 de setembro, por agentes do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica ( Cisa), para onde foi levado e torturado. Ao cair a noite do mesmo dia, após inúmeras sessões de tortura e com o corpo maculado pelas agressões sofridas, Stuart foi amarrado à traseira de um jipe da Aeronáutica e arrastado pelo pátio com a boca colada ao cano de descarga do veículo, o que ocasionou sua morte por asfixia e intoxicação por monóxido de carbono. O que a ditadura não contava é que tal cena grotesca teria uma testemunha: o também preso político do MR-8, Alex Polari de Alverga. A revolta de uma mãe Desde que soube da prisão, tortura e morte de Stuart, Zuzu Angel tornou-se uma áspera opositora do regime militar. Aproveitando-se de seu prestígio como estilista, passou a denunciar a personalidades do mundo político, diplomático, cultural e das comunicações de vários países o desaparecimento de seu filho. Os órgãos de segurança não sabiam como calar essa mulher, que possuída de tamanha indignação, se lançou em uma campanha de difamação do governo sem tréguas e utilizando formas de denúncia diferentes das usadas por familiares de militantes políticos. Em 1975, Zuzu Angel recebeu uma carta-denúncia de Alex Polari em que soube com detalhes sobre o calvário de Stuart. Indignada e machucada pela dor de perder um filho em tais circunstâncias, conseguiu que o historiador Hélio Silva publicasse a carta de Alex no último volume da História da República e, logo, as denúncias de Zuzu Angel tiveram grande repercussão internacional. Constantemente Zuzu Angel clamava pelo direito de receber o corpo do filho para sepultá-lo. Entretanto, seus apelos foram em vão. Disposta a tudo, teve a oportunidade de furar a segurança do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger e entregar-lhe o "Dossiê Stuart". A estilista acreditava que o governo dos Estados Unidos poderia pressionar a ditadura brasileira a dar-lhe maiores esclarecimentos pelo fato de Stuart ter dupla cidadania, uma vez que seu pai era norte-americano. A repercussão das denúncias de Zuzu Angel incomodaram muito a repressão a ponto de a estilista ser alertada por militares descontentes com o governo de que os órgãos de repressão poderiam usar contra ela o "Código Doze", ou seja, em outras palavras: atentado simulando acidente ou assalto. Sem medo de buscar a verdade As ameaças de morte não abalaram as forças de Zuzu Angel. Embora temesse por sua vida, continuou a incessante busca pelo filho e a divulgação das denúncias contra a ditadura. Sabendo que o fim de sua história poderia estar próximo, escreveu ao amigo e compositor Chico Buarque de Hollanda uma carta em que dizia ter recebido ameaças de morte por parte dos militares e, que, se algum acidente acontecesse com sua pessoa, certamente teria sido provocado pela repressão. No início da madrugada do dia 14 de abril de 1976, Zuzu Angel saiu de uma festa guiando seu Karman Guia rumo sua casa. À saída do Túnel 2 Irmãos seu carro perdeu a direção e chegava ao fim sua vida. A ditadura acabava de calar mais um opositor. Obviamente, o inquérito policial alegou que o acidente ocorrera porque Zuzu Angel dormiu ao volante. Para seus familiares e amigos havia a certeza de que o acidente teria sido provocado pela repressão. Passaram-se muitos anos, até que em 1996, durante a análise dos casos da Lei 9.140 (Lei dos Desaparecidos) ficou provado que o acidente que culminou na morte de Zuzu Angel foi provocado pelo choque com dois carros que a jogaram fora da pista. A Comissão Especial da lei encontrou testemunhas do acidente na época. Enfim, mais uma das mentiras da ditadura caiu por terra. Até os dias de hoje, o corpo de Stuart não foi entregue à família, o que sabem sobre sua morte está apenas no relato de Alex Polari. Zuzu Angel morreu buscando mostrar ao mundo a dor de perder um filho na tortura. Sua história acaba de virar filme (estréia dia 04/08 "Zuzu Angel"), mas sua saga foi contada e cantada por Chico Buaque na música em que fez em homenagem à amiga: "Quem é essa mulher Que canta sempre esse estribilho? Só queria embalar meu filho Que mora na escuridão do mar Quem é essa mulher Que canta sempre esse lamento? Só queria lembrar o tormento Que fez meu filho suspirar Quem é essa mulher Que canta sempre o mesmo arranjo? Só queria agasalhar meu anjo E deixar seu corpo descansar Quem é essa mulher Que canta como dobra um sino? Queria cantar por meu menino Que ele não pode mais cantar" (Angélica - Composição: Miltinho/Chico Buarque) Vanessa Gonçalves da Silva é jornalista formada na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e mestranda em História Social na Universidade de São Paulo (USP) onde realiza uma dissertação sobre o papel e a importância das mulheres na luta armada no Brasil (1964-1985). Contato: vangoncalves at gmail.com ======================================================================================================================= + Detalhes. PDF] ZUZU ANGEL: Uma história de resistência no período da ditadura www.catalao.ufg.br/historia/arquivosSimposios/.../clunes_marcia.pdfSimilares Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida a angústia de Zuzu Angel frente à incerteza sobre o destino de seu filho Stuart Edgar Angel. Jones. Para o desenvolvimento deste artigo foi empregada a fonte ... =============================================================================================================== + Detalhes. Stuart Angel Você acha que Jesus Cristo foi um bandido? Como não? Claro que foi. Afinal, rompeu com o sistema da época. Possuidor de grande aceitação popular, subverteu as normas. Você não acha que ele foi um bandido, não é? Está bem, concordo com você, não foi. Mas você concorda comigo se eu disser que foi um subversivo, não concorda? Foi preso e torturado até a morte. Você já ouviu falar de Antônio Conselheiro? Diante do atraso e descontentamento geral do povo, resolveu formar uma comunidade igualitária (que palavra horrorosa), que rapidamente cresceu e tornou-se uma das maiores cidades do nordeste à época, com 25.000 habitantes. Organizada, religiosa, produtiva e comunitária. A reação das pessoas de posses, dos políticos e de alguns setores da igreja (em outras palavras, a elite), deu início à Guerra de Canudos (1896-1897). Todos os habitantes foram mortos (nem as crianças foram poupadas). Canudos virou cinzas, mas também tornou-se, por seu sonho e resistência, símbolo de luta e esperança de um outro Brasil. A imprensa dos primeiros anos da República e muitos historiadores, para justificar o genocídio, retrataram Antônio Conselheiro como um louco, fanático religioso e contra-revolucionário monarquista perigoso. Morto pelo regime. Nas suas aulas de história voce deve ter ouvido falar muito de um homem chamado Joaquim José da Silva Xavier. Não? E aquele chamado Tiradentes, da Inconfidência Mineira? Pois é, é ele. Vá ao dicionário e verá uma das definições de Inconfidência - falta de fidelidade para com o Estado (está lembrado que o Estado é a ordem, a lei?). Tiradentes era um inconfidente, um bandido. É lógico que tinha que ser punido. Foi executado e esquartejado, a cabeça erguida em um poste e os demais restos mortais foram distribuídos ao longo dos lugares onde fizera seus discursos revolucionários. Hoje, é um herói, cantado em prosa e verso em todas as escolas do Brasil (está lembrado que há um feriado nacional em sua homenagem?). Em todos os tempos, qualquer cidadão que se posiciona contra a autoridade é motivo de cuidados especiais. Está contra a ordem ideológica, econômica e política, contra o establishment. Fora da lei, é bandido. É infindável na história o registro sobre homens e mulheres que se rebelaram contra o sistema e por este foram apontados e mostrados à sociedade como perigosos, subversivos. Por que será que homens assim, banidos da sociedade, muitas vezes eliminados fisicamente, hoje, aos nossos filhos, são mostrados como heróis? A história sempre reserva a esses homens e mulheres uma página especial. Homens e mulheres que, a despeito de serem mostrados como inimigos que ameaçam a segurança nacional, entregaram-se a causas cujo combustível eram os ideais. Você já ouviu falar de Zuleika Angel Jones? Era mais conhecida pelo nome de Zuzu Angel. Estilista carioca (apesar de mineira) de grande sucesso (vestiu estrelas do cinema americano como Liza Minelli, Joan Crawford e Kim Novak), casada com o americano Norman Angel Jones. Teve três filhos, Hildegard Angel (jornalista), Ana Cristina Angel e Stuart Angel. Stuart Angel, foi militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8). Foi preso pelo regime militar aos 24 anos. Após inúmeras sessões de tortura, já com o corpo totalmente esfolado, foi amarrado à traseira de um jipe da aeronática e arrastado pelo pátio da Base Aérea do Galeão com a boca colada ao cano de escape do veículo, o que ocasionou sua morte por asfixia e intoxicação por monóxido de carbono. Enfrentando a ditadura militar, Zuzu tentou encontrar o corpo do filho até os últimos dias de sua vida. Por isso, falou-se da sua grande coragem. "Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade", foi como ela respondeu. A sua luta incessante era em vão; depois de preso, torturado e executado, Stuart Angel teve o seu corpo jogado ao mar (descobriu-se depois). Por sua vez, a morte de Zuzu até hoje não foi explicada (Clique aqui para ouvir a música que Chico Buarque e Miltinho fizeram para ela). Veja a carta que Stuart Angel escreveu para sua mãe. Mãe, Você me pergunta se eu acredito em Deus e eu te pergunto, que Deus? Tem sido minha missão te mostrar Deus dentro do homem, pois, somente no homem ele pode existir. Não há homem pobre ou insignificante que pareça ser, que não tenha uma missão. Todo homem por si só influencia a natureza do futuro. Através de nossas vidas nós criamos ações que resultam na multiplicação de reações. Esse poder, que todos nós possuímos, esse poder de mudar o curso da história, é o poder de Deus. Confrontado com essa responsabilidade divina eu me curvo diante do Deus dentro de mim. Stuart Edgar Angel Jones ================================================================================ Vídeos sobre Stuart Angel e Zuzu Angel (clique nos links) 1 - http://www.youtube.com/watch?v=FJ2xuggqS-w&feature=player_embedded 2 - http://www.youtube.com/watch?v=f97UowUUOy4&feature=player_embedded 3 - http://www.youtube.com/watch?v=_RLUf9CCa2w&feature=player_embedded 4 - http://www.youtube.com/watch?v=jzz0UDps__U&feature=player_embedded -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110909/5ee035ce/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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É a primeira vez que se faz uma análise sobre as acusações e provas sobre José Dirceu no processo. Em suas 160 páginas, o documento relaciona cada uma das acusações feitas contra o ex-ministro e, depois, descreve as provas relacionadas a ele produzidas no curso do processo. Essa análise demonstra que não só são frágeis as acusações contra Dirceu, como que não há nada na conduta do ex-ministro que possa levar a sua condenação. O caso foi exaustivamente investigado. Além do inquérito policial, foram realizadas duas CPIs, buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico, requisições de documentos e foram tomados inúmeros depoimentos. Ainda assim não há quaisquer provas aditadas ao processo pela acusação que demonstrem que José Dirceu é culpado. Um bom exemplo é relativo à acusação de que o ex-ministro controlava as ações da direção do PT. Os depoimentos de dirigentes partidários, de integrantes do governo, de funcionários da Casa Civil e do PT e de políticos de outros partidos não deixam dúvidas de que José Dirceu se afastou dos assuntos relacionados ao Partido dos Trabalhadores quando estava no governo. Mais do que isso, não há qualquer elemento no processo que possa sequer sugerir que José Dirceu tinha conhecimento de questões relacionadas à administração ou finanças do PT no período que esteve à frente da Casa Civil. Em outros casos, o Ministério Público desistiu das acusações que fez no início do processo. Apesar de acusar José Dirceu de beneficiar o banco BMG e de garantir que não houvesse fiscalização de supostas operações de lavagem de dinheiro, a Procuradoria dispensou testemunhos nesse sentido, não produziu nenhuma prova e sequer mencionou a questão em suas alegações finais. Se é insustentável a acusação de formação de quadrilha, a análise do processo demonstra que também não foi provada a existência da imaginada compra de votos ou mesmo a participação de José Dirceu nos repasses de valores que a denúncia tipifica como corrupção ativa. A análise do processo também demonstra a falta de lógica no raciocínio da acusação, uma vez que parlamentares supostamente corrompidos integravam a base aliada, ocupavam ministérios e sempre votaram a favor do governo Lula, que já apoiavam até mesmo durante as eleições de 2002. Além disso, o Ministério Público não consegue estabelecer qualquer relação entre saques e votações, pressuposto indispensável para as acusações de corrupção. Em suas alegações finais, se limita a dizer "houve a entrega de dinheiro a alguns acusados em datas próximas a algumas votações importantes para o governo", sendo que alguns "traíram o acordo firmado e votaram em sentido diverso", sem sequer apontar quais. O pedido de condenação de José Dirceu feito pela Procuradoria Geral da República é fundamentado somente no argumento de que é necessário dar um exemplo à sociedade.Ao pedir a condenação de José Dirceu sem apresentar uma única prova contra ele produzida no processo judicial, o Ministério Público pretende violar a lei (artigo 155 do Código de Processo Penal), os princípios constitucionais do devido processo legal e contraditório, e também a jurisprudência consolidada em todos os tribunais brasileiros. A defesa de Dirceu conclui que ao final da ação penal "um amplo e coeso conjunto probatório se revelou durante o processo para comprovar cabalmente a inocência do ex-Ministro-Chefe da Casa Civil". A defesa de José Dirceu no processo é assinada pelos advogados José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall'Acqua. Segue quadro com o resumo das acusações, provas produzidas no processo e argumentos da defesa de José Dirceu no processo. Sobre o crime de formação de quadrilha: Acusação Processo Defesa Conclusão Beneficiar o banco BMG por intermédio da ação do então Presidente do INSS, Carlos Gomes Bezerra. Nenhuma prova foi produzida. Nenhum depoimento referenda a tese. Por outro lado, testemunhas afirmam que não têm conhecimento de qualquer ato de Dirceu para beneficiar instituições financeiras. José Dirceu não praticou nenhuma conduta para favorecer o BMG. Por isso o Ministério Público abriu mão de tentar provar essa acusação. A PGR desistiu dessa acusação e sequer cita a questão nas alegações finais. Garantir a omissão dos órgãos de controle para que não fiscalizassem as operações de lavagem de dinheiro. Não há uma única prova, indício ou mesmo um simples argumento no sentido de que José Dirceu intervinha perante os órgãos de controle para permitir a prática de lavagem de dinheiro. A acusação de que José Dirceu garantia a omissão dos órgãos de controle é completamente descabida, chegando a ser ignorada e negada pela própria Acusação ao término do processo. Mais uma acusação que foi abandonada pela PGR em suas alegações finais. Não há qualquer referência a esse argumento. Comandar as ações dos dirigentes do Partido dos Trabalhadores. São inúmeros os testemunhos de dirigentes do governo, do PT e de outros partidos que atestam que José Dirceu se afastou completamente das questões partidárias quando assumiu a chefia da Casa Civil. Dirceu não tinha relação com as atividades internas do PT, dedicando-se exclusivamente ao governo. Os testemunhos no processo são unânimes em relação a isso. A PGR sustenta essa afirmação sem nenhuma prova. Foi fartamente comprovado por inúmeros testemunhos que José Dirceu se afastou da administração do PT e não intervinha nos seus atos. Controlar e ter ciência das atividades do secretário de finanças do Partido dos Trabalhadores Ficou provado que a secretaria Financeira do PT agia com plena autonomia e que José Dirceu, afastado do partido, não tinha qualquer interferência em suas ações. Os depoimentos no processo demonstram que mesmo os membros da Executiva do PT não tinham conhecimentos dos empréstimos bancários realizados pelo partido. Todos os testemunhos corroboram as declarações do próprio Delúbio Soares, que sempre negou ter agido sob influência de Dirceu ou outro membro do governo. Nas alegações finais, a PGR não apresenta uma única prova para corroborar essa afirmação. Todas as provas mostram que Delúbio Soares atuava com independência e sem a necessidade de ciência ou anuência de José Dirceu, que se dedicava exclusivamente ao Governo. Ter vínculos com Marcos Valério Os depoimentos do presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Cosa, e do ex-ministro de Obras Públicas de Portugal Antônio Mexia esclarecem que a viagem de Marcos Valério para Portugal não tinha relação com José Dirceu, Governo brasileiro ou partidos políticos. No mesmo sentido, depõe o presidente do Banco Espirito Santo, Ricardo Espirito Santo Silva Salgado. Diversas testemunhas provaram que as audiências do então Ministro José Dirceu com instituições financeiras eram regulares e próprias do exercício do seu cargo. A testemunha Ivan Guimarães garantiu que a negociação do apartamento relacionado com Maria Angela Saragoça não teve nenhuma relação com José Dirceu, que sequer tinha ciência das tratativas daquele imóvel. Da mesma forma, Maria Angela testemunhou ser amiga de Silvio Pereira e que foi exclusivamente através dele que obteve contato com Marcos Valério, sem qualquer atuação ou mesmo ciência do então ministro-chefe da Casa Civil. A PGR não produziu uma única prova durante o processo sobre este tema. As provas demonstram que José Dirceu não mantinha vínculos com Marcos Valério, sendo completamente descabida a alegação de qualquer espécie de relação entre ambos, quanto mais de confiança. A prova testemunhal produzida em Juízo, absolutamente ignorada pela Acusação, demonstra taxativamente que José Dirceu não tinha vínculos com Marcos Valério. Emitir a decisão final sobre indicação de nomes para cargos públicos. Os testemunhos mostram que Silvio Pereira era o representante do PT no processo do qual todos os partidos da base aliada participavam para chegar a um consenso em relação aos nomes que seriam indicados. As provas mostram que ele agia sem nenhuma influência de José Dirceu. Também mostram que a Casa Civil era passagem burocrática obrigatória para verificar a vida pregressa de um nome que fosse indicado, como testemunhou o ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira. Vários depoimentos atestam que esse procedimento não contava com a ingerência de José Dirceu. Provou-se que a Casa Civil era passagem obrigatória de todo e qualquer nome que se cogitasse para ocupar um cargo público. Porém os nomes não eram submetidos ao aval do Ministro-Chefe da Casa Civil, mas ali transitavam para uma burocrática checagem de eventuais impedimentos no currículo do candidato. José Dirceu não interferia nas funções partidárias de Silvio Pereira. A denúncia e as alegações finais da acusação não trazem nenhum fato vinculado a essa acusação, sequer apresentam uma única nomeação que teria sido decidida por José Dirceu. Para sustentar suas acusações, o MP o deturpa o depoimento de José Borba, ao afirmar que ele declarou que parlamentares, para obter nomeações para cargos no governo federal, recorriam a Marcos Valério, confiando na proximidade que ele mantinha com José Dirceu. José Borba jamais disse vislumbrar relacionamento entre Valério e Dirceu. Sobre o crime de corrupção ativa: Corromper parlamentares para obter votação favorável ao governo no Congresso. Os testemunhos mostram que a aliança eleitoral realizada pelo PT com o PL incluía a divisão dos recursos arrecadados para a campanha, como afirmou o então Vice-Presidente José Alencar. Também demonstram que o detalhamento financeiro dessa aliança se deu sem a participação de José Dirceu. Da mesma forma, o PTB, que apoiou a candidatura de Lula no segundo turno e participava do governo, realizou aliança eleitoral com o PT envolvendo ajuda financeira para as próximas campanhas eleitorais. José Múcio Monteiro é categórico ao afirmar em depoimento que José Dirceu não participou desse acordo porque já era ministro, afastado das questões partidárias. Da mesma forma, os depoimentos do processo mostram que o PP sempre esteve aliado ao governo Lula e que José Borba integrava a ala do PMDB que apoiava o governo. A acusação também não conseguiu estabelecer relação entre os saques realizados e as votações no congresso. Pelo contrário, os depoimentos de membros das comissões parlamentares de inquérito que investigaram o caso demonstram que não havia relação entre votações e saques. A acusação de corrupção ativa mostrou-se ilógica e sem fundamento, posto que a prova dos autos evidenciou que os parlamentares supostamente corrompidos já apoiavam o governo federal e, ainda, que não existe relação entre suas votações e os repasses de dinheiro. No curso do processo também se provou que José Dirceu sequer era o interlocutor do Governo junto a Câmara nas votações apontadas pela denúncia. Sem sucesso na tentativa de vincular saques de dinheiro com votações, o MP, ao final do processo, alegou de forma vaga que "houve a entrega de dinheiro a alguns acusados em datas próximas a algumas votações importantes para o governo", sendo que alguns "traíram o acordo firmado e votaram em sentido diverso", sem sequer apontar quais. Além de não conseguir apontar uma única relação entre saques e votações, o MP nas alegações finais afirma que as votações da reforma da previdência e tributária não são objeto do processo, apesar de serem as únicas apontadas na denúncia como objeto da corrupção. As acusações de Roberto Jefferson Os testemunhos no processo mostram que Roberto Jefferson fez as acusações no momento que estava acuado por estar no foco de graves acusações relacionadas com a gravação de Maurício Marinho recebendo dinheiro nos Correios. Provou-se que Jefferson supunha que as denúncias dos Correios haviam sido feitas por um militante do PT. Jefferson alegou que falou sobre a compra de votos antes do escândalo para algumas pessoas, que foram ouvidas como testemunhas e negaram esta afirmação (Miro Teixeira, Walfrido Mares Guia, Ciro Gomes, etc.). Não há nos autos uma única testemunha que confirme a alegação de Roberto Jefferson de que a imaginada compra de votos era um escândalo na Câmara ou que eram perspectiveis os rumores de sua existência. Ao contrário, dezenas de testemunhos colhidos na ação penal negam taxativamente a afirmação de que a compra de votos existia e era comentada. Ficou provado que Jefferson tinha interesse em criar a acusação de compra de votos para sair do foco das acusações que pesavam contra si. Todas as suas acusações foram desmentidas por dezenas de testemunhas ouvidas no processo. A PGR apresenta o depoimento de Roberto Jefferson como a única prova, sem outros testemunhos ou elementos de prova, ignorando o fato de que a condição de acusado já abalava a sua credibilidade e que suas declarações foram desmentidas por dezenas de testemunhas do processo. Conclusão final No Brasil, a Lei e a Constituição Federal exigem que durante o processo sejam produzidas provas contra o réu. Ou seja, não poderá existir condenação com base exclusiva em depoimentos tomados em inquéritos ou CPIs. O Ministério Público não apresentou nenhuma prova contra José Dirceu e dezenas de testemunhas ouvidas na ação penal afastaram cada um dos pontos da acusação e atestaram a inocência do ex-Ministro-Chefe da Casa Civil. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110909/1cd402be/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 10 15:10:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 10 Sep 2011 15:10:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__MARIANO_JOAQUIM_DA_SILVA_____________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CCXLII-?= Message-ID: <8155BE1B02D6429D8F20D4995E00E64C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MARIANO JOAQUIM DA SILVA (1930-1971) Filiação: Maria Joana Conceição e Antônio Joaquim da Silva Data e local de nascimento: 02/05/1930, Timbaúba (PE) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local do desaparecimento: 31/05/1971, no Rio de Janeiro Dirigente da VAR-Palmares conhecido como Loyola, seu nome também faz parte da lista anexa à Lei nº 9.140/95, que relacionou 136 desaparecidos políticos cuja responsabilidade pelas mortes foi assumida automaticamente pelo Estado brasileiro com a publicação da lei. Preso por agentes do DOI-CODI em 01/05/71, na estação rodoviária de Recife, foi levado para o Rio de Janeiro, São Paulo e de volta ao Rio de Janeiro, onde desapareceu. Afrodescendente e filho de uma família camponesa pobre, começou a trabalhar aos 12 anos como assalariado agrícola e, em seguida, como operário da indústria de calçados. Estudou apenas até a 3ª série ginasial. Em 1951, casou-se com Paulina Borges da Silva, com quem teve sete filhos. Militante do PCB a partir de meados dos anos 50, integrou o Comitê Municipal de Recife. Já em 28/10/1954 enfrentou uma primeira experiência de prisão, em Timbaúba (PE), por "atividade subversiva", sendo liberado três dias depois. Foi novamente detido em 05/05/1956. Em 1961, foi eleito secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Timbaúba. Em 1963, era membro do Secretariado Nacional das Ligas Camponesas, que ajudou a implantar na Bahia, Rio de Janeiro, Maranhão e Piauí. Em 1963, instalou-se em Brasília, tendo participado no apoio à rebelião dos sargentos da Aeronáutica, ocorrida na capital federal em setembro daquele ano. Após a deposição de João Goulart, em abril de 1964, mudou-se com a família para Goiás, onde trabalhou na agricultura. Em 1966, foi decretada sua prisão preventiva e, desde então, passou a viver na clandestinidade. Militou também no PCdoB e ligou-se à AP em 1967, sendo o quadro mais importante de sua Comissão de Assuntos Camponeses. Em 1968, sai da AP e mais tarde, incorpora-se à VAR-Palmares, integrando o seu Comando Nacional a partir de 1969. Inês Etienne Romeu, em seu relatório de prisão, afirma que esteve com Mariano no sítio clandestino de Petrópolis (RJ), conhecido como "Casa da Morte". Inês disse ter estado com Mariano três vezes, duas na presença dos carcereiros e uma a sós. Mariano lhe contou que permanecera 24 horas preso em Recife, de onde chegou com o corpo em chagas. Em Petrópolis, foi interrogado durante quatro dias ininterruptamente, sem dormir, sem comer e sem beber. Permaneceu na casa até o dia 31 de maio, fazendo todo o serviço doméstico, inclusive cortando lenha para a lareira. Inês afirma, ainda, que teve contato com Mariano até o dia 31 de maio, quando, na madrugada, ouviu uma movimentação estranha e percebeu que ele estava sendo removido. No dia seguinte, indagou a seus carcereiros sobre Mariano, os quais lhe disseram que ele havia sido transferido para o quartel do Exército no Rio de Janeiro. Desde então, nada mais se soube de seu paradeiro. Em princípio de julho, o carcereiro conhecido por Inês como "Dr. Teixeira" lhe disse que Mariano fora executado, pois pertencia ao comando da VAR-Palmares e era considerado irrecuperável. ============================================================================================================================ + Informações. MARIANO JOAQUIM DA SILVA Dirigente da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Nascido em 2 de maio de 1930, em Timbaúba, Estado de Pernambuco, filho de Antônio Joaquim da Silva e Maria Joana Conceição e desaparecido aos 41 anos. Lavrador e sapateiro, de origem camponesa, filho de família pobre, começou a trabalhar aos 12 anos como assalariado agrícola. E, em seguida, como operário da indústria de calçados. Desde 1951 era casado com Paulina e pai de 7 filhos. Preso em Timbaúba em 28 de outubro de 1954, por "atividade subversiva" foi liberado no dia seguinte. Foi novamente preso em 5 de maio de 1956. Foi eleito, em 1961, secretário do Sindicato Rural de Timbaúba, em Pernambuco e era membro das Ligas Camponesas, chegando a integrar o Secretariado Nacional desta organização. Em 1966 foi decretada sua prisão preventiva, desde então, passou a viver na clandestinidade. Em 1970, foi novamente indiciado em IPM instaurado em Brasília. Em setembro de 1970, a família teve o último contato com Mariano em Brasília. Logo após, ainda em setembro, recebeu informações de que fora preso na Rodoviária de Recife. O Relatório do Ministério do Exército diz que "foi processado e condenado à revelia pela 11ª CJM a 10 anos de reclusão." No livro "Brasil Nunca Mais" está registrado que o órgão que efetuou sua prisão foi o DOI-CODI/SP. Posteriormente, foi transferido para a "Casa da Morte" (em Petrópolis), onde foi visto por Inês Etienne Romeu. Em sua denúncia, Inês afirma ter visto e falado várias vezes com Mariano, que se identificou, tendo-lhe relatado que ali chegara em 02 de maio, proveniente de Recife, onde tenha sido preso. Inês foi acareada com Mariano (...) e relata que teve contato com ele até o dia 31 de maio, quando, na madrugada, ouviu uma movimentação estranha e percebeu que estava sendo removido. No dia seguinte, indagou a seus carcereiros sobre Mariano, os quais lhe disseram que ele havia sido transferido para o quartel do Exército no Rio de Janeiro. Desde então, nada mais se soube de Mariano. Inês afirma ainda que Mariano, quando preso em Recife, foi torturado, o que continuou ocorrendo na "Casa da Morte", onde foi interrogado por quatro dias ininterruptamente, sem dormir, sem comer e sem beber. Permaneceu por quase um mês naquele aparelho clandestino da repressão, fazendo todo o serviço doméstico, inclusive cortando lenha para a lareira. Um dos carrascos da Casa da Morte (Dr. Teixeira) disse a Inês que Mariano fora executado, pois pertencia ao comando da VAR-Palmares e era considerado irrecuperável. ============================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) MARIANO JOAQUIM DA SILVA (1930-1971) Pernambucano de Timbaúba, afrodescendente, Mariano era filho de uma família camponesa pobre e começou a trabalhar aos 12 anos como assalariado agrícola e, em seguida, como operário da indústria de calçados. Militante do PCB a partir de meados dos anos 1950, foi preso em 1954 e 1956. Em 1963, instalouse em Brasília, tendo participado do apoio à rebelião dos sargentos da Aeronáutica, ocorrida na capital federal em setembro daquele ano. Após a deposição de João Goulart, em abril de 1964, mudou-se com a família para Goiás, onde trabalhou na agricultura. Em 1966, foi decretada sua prisão preventiva e, desde então, passou a viver na clandestinidade. Militou também no PCdoB e ligou-se à AP em 1967, na qual ficou até o ano seguinte, quando incorporou-se à VAR-Palmares, integrando o seu Comando Nacional a partir de 1969, sendo conhecido como Loyola. Preso por agentes do DOI-Codi em 1º de maio de 1971, na estação rodoviária de Recife, foi levado para o Rio de Janeiro, São Paulo e de volta ao Rio de Janeiro, onde desapareceu. Inês Etienne Romeu afirma que esteve com Mariano no local clandestino de Petrópolis (RJ), conhecido como "Casa da Morte". Lá, ele fora interrogado durante quatro dias ininterruptamente, sem dormir, sem comer e sem beber. Permaneceu na casa até o dia 31 de maio, quando ela ouviu uma movimentação estranha e percebeu que ele estava sendo removido. No dia seguinte, indagou a seus carcereiros sobre Mariano, os quais lhe disseram que ele havia sido transferido para o quartel do Exército no Rio de Janeiro. Desde então, nada mais se soube de seu paradeiro. Em princípio de julho, o carcereiro conhecido por Inês como "dr. Teixeira" lhe disse que Mariano fora executado, pois pertencia ao comando da VAR-Palmares e era considerado irrecuperável. =============================================================================================== + Informações. (do livro Catálogo Negro) MARIANO JOAQUIM DA SILVA (1930-1971) Filiação: Maria Joana Conceição e Antônio Joaquim da Silva Data e local de nascimento: 02/05/1930, Timbaúba (PE) Data e local do desaparecimento: 31/05/1971, no Rio de Janeiro Dirigente da VAR-Palmares, conhecido como Loyola, foi preso por agentes do DOI-CODI em 01/05/71, na estação rodoviária de Recife, sendo levado para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo. De volta ao Rio, nunca mais foi visto. Em depoimento público, a presa política Inês Etienne Romeu garantiu ter estado com Mariano no sítio clandestino de Petrópolis (RJ), conhecido como "Casa da Morte". Na ocasião ele lhe relatou que permaneceu 24 horas preso em Recife, de onde chegou com o corpo em chagas. Em Petrópolis, fora interrogado durante quatro dias ininterruptamente, sem dormir, comer ou beber. Inês afirmou, ainda, que na madrugada de 31 de maio ouviu uma movimentação estranha e percebeu que ele estava sendo removido. No dia seguinte, indagou a seus carcereiros sobre Mariano, sendo informada a respeito da transferência dele para o quartel do Exército no Rio de Janeiro. Em princípio de julho, o carcereiro avisou Inês sobre a execução de Mariano. Filho de uma família camponesa pobre, começou a trabalhar aos 12 anos como assalariado agrícola e, em seguida, como operário da indústria de calçados. Casou-se com Paulina Borges da Silva, com quem teve sete filhos. Militante do PCB a partir dos anos 50, foi secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Timbaúba e membro do Secretariado Nacional das Ligas Camponesas. Em 1963, instalou-se em Brasília, onde participou no apoio à rebelião dos sargentos da Aeronáutica, em setembro daquele ano. Após a deposição de João Goulart, em 1964, mudou-se com a família para Goiás, onde trabalhou na agricultura. Em 1966, foi decretada sua prisão preventiva e, desde então, passou a viver na clandestinidade. Militou anteriormente no PCdoB e na AP. =========================================================================================================================== + Detalhes. Desaparecidos políticos fonte: DHnet O fenômeno da detenção arbitrária ou seqüestro, seguido do desaparecimento da vitima, se propagou rapidamente na América Latina durante as últimas décadas, em que a maioria dos países foi governada sob a Doutrina de Segurança Nacional. A condição de desaparecido corresponde ao estágio maior do grau de repressão política em um dado pais. Isso porque impede, desde logo, a aplicação dos dispositivos legais estabelecidos em defesa da liberdade pessoal, da integridade física, da dignidade e da própria vida humana, o que constitui um confortável recurso, cada vez mais utilizado pela repressão. O perseguido político, muitas vezes, para manter-se incólume, opta por viver na clandestinidade, longe do grupo comunitário a que pertence, sem contato com a família, e apenas com a esporá­dica ligação com sua agremiação política, também perseguida e obrigada a se manter clandestina. Quando os órgãos de segurança conseguem deter uma pessoa nessas circunstâncias, desse fato não tomam conhecimento a socie­dade, os tribunais, a família, os amigos e os advogados do preso. Isso representa vantagem para os órgãos de repressão, que passam a exercer total poder sobre o preso, para torturá-lo e para exterminá-lo, quando lhes aprouver. Quando se obtém a certeza da prisão, os organismos de segu­rança já eliminaram a vítima e já destruíram todos os vestígios que pudessem levar ao seu paradeiro. A perpetuação do sofrimento, pela incerteza sobre o destino do ente querido, é uma prática de tortura muito mais cruel do que o mais criativo dos engenhos humanos de suplício. No Brasil, alguns desaparecidos foram vistos em dependências oficiais ou clandestinas por outros presos que tiveram melhor sorte. Seus testemunhos constam nos processos analisados pelo Projeto BNM. E sobre os desaparecidos, propriamente ditos, o que emanou de resultado prático na pesquisa realizada, é a certeza de que eram pessoas procuradas pelos órgãos de repressão. Dificilmente os pro­cessos contêm algum tipo de informação que possa levar à desco­berta de seus paradeiros. Isto porque esta forma de repressão pre­tende, de um lado, insinuar que as autoridades governamentais não seriam responsáveis por esses fatos criminosos, e, por outro, per­mitir aos serviços de inteligência maior mobilidade e desenvoltura, sem provocar nenhuma intervenção, quer do Judiciário, quer da imprensa, quer das famílias e dos advogados. O único fato que se sabe sobre um desaparecido é que foi detido por organismos de segurança. O mais se baseia em hipóteses. A vitima quase certamente foi objeto de assassinato impune, sendo enterrada em cemitério clandestino, sob nome falso, geralmente à noite e na qualidade de indigente. No Brasil, existem cerca de 125 cidadãos desaparecidos por mo­tivação política. Os movimentos de anistia e familiares lograram en­contrar alguns deles, sempre enterrados sob falsas identidades, pela policia. Dentre os casos mais significativos, o Projeto BNM destacou alguns exemplares, como o de Mariano Joaquim da Silva, secretário do Sindicato Rural de Timbaúba, Pernambuco, em 1964, e membro do Secretariado Nacional das Ligas Camponesas, lavrador e sapa­teiro, que foi preso no dia 1º de maio de 1971, em Recife, sob a acusação de ser dirigente da VAR-Palmares. O órgão que efetuou sua prisão foi o DOI-CODI-I Exército, tendo sido levado para o Rio de Janeiro. Posteriormente, foi transferido para local clandestino de repres­são em Petrópolis ("Casa da Morte"), onde foi visto por Inês Etienne Romeu. Em seu relatório, Inês afirma ter visto e falado várias vezes com Mariano, que se identificou, tendo-lhe relatado que ali chegara no dia 2 de maio, proveniente de Recife, onde tinha sido preso. Inês foi inclusive "acareada" com Mariano Joaquim da Silva, perante os torturadores, que queriam, por toda a sorte, saber se ambos já se conheciam. Inês relata ter tido contato com Mariano até o dia 31 de maio, quando na madrugada ouviu uma movimen­tação estranha e percebeu que ele estava sendo removido. No dia seguinte, indagou a seus carcereiros sobre Mariano, os quais lhe disseram que ele havia sido transferido para o quartel do Exército no Rio de Janeiro. Desde então, nada mais se soube de Mariano. Na residência que serviu como centro clandestino de torturas, em Petrópolis, referida no capitulo 19, Inês Etienne Romeu viu pessoas que são consideradas "desaparecidas" e ouviu referências sobre outras: 1. Quando fui levada para a casa de Petrópolis, lá já se en­contrava um camponês nordestino, Mariano Joaquim da Silva, cognominado Loyola. Conversamos três vezes, duas na pre­sença de nossos carcereiros e uma a sós. Mariano foi preso no dia primeiro ou dois de maio, em Pernambuco. Após sua prisão, permaneceu vinte e quatro horas no Recife, onde foi barbaramente torturado. Seu corpo estava em chagas. Em se­guida, foi levado para aquele local, onde foi interrogado du­rante quatro dias ininterruptamente, sem dormir, sem comer e sem beber. Permaneceu na casa até o dia 31 de maio, fa­zendo todo o serviço doméstico, inclusive cortando lenha para a lareira. Dr. Teixeira disse-me, em princípio de julho, que Mariano fora executado porque pertencia ao Comando da VAR-Palmares, sendo considerado irrecuperável pelos agentes do Governo. Quando conversei a sós com Mariano, ele rnen­cionou a prisão de Carlos Alberto Soares de Freitas. =============================================================================================================== Ficha. Mariano Joaquim da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Mariano Joaquim da Silva Cidade: (onde nasceu) Timbaúba Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 2/5/1930 Atividade: Operário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ligas Camponesas Brasil Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Partido Revolucionário dos Trabalhadores PRT Brasil Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Nome falso: (Codinome) Mariano José da Silva, Valério, Loiola, Armando, Xavier, José Francisco Xavier Filho, Coronel, Lauro, Madeira, Afonso Prisão: 28/10/1954 Timbaúba PE Brasil Liberado no dia seguinte.5/5/1956 PE Brasil 1/5/1971 Recife PE Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 31/5/1971 Petrópolis RJ Brasil Casa da Morte Segundo depoimento de Inês Etienne Romeu. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Casa da Morte de Petrópolis RJ Brasil Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal A atuação de cada um no terrorismo. O Globo, Rio de Janeiro, 28 set. 1971, p. 15. Lista de pessoas procuradas pelos órgãos de segurança com suas respectivas "atividades subversivas". São citados: Carlos Alberto Soares de Freitas, Sérgio Landulfo Furtado, Getúlio d'Oliveira Cabral, Mariano Joaquim da Silva, José Júlio de Araújo, Stuart Edgard Angel Jones, Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira, Antônio Carlos Bicalho Lana. Artigo de jornal Pequeno artigo publicado pelo jornal Notícias Populares, de São Paulo, a 29/09/71, recortado e colado em ficha da Delegacia de Segurança Social de Pernambuco. O artigo informa os nomes falsos de Mariano e fornece resumo de suas principais ações: atuação nas Ligas Camponesas, participação na reedição do jornal "Ligas"; secretário do Sindicato Rural do Município de Timbaúba, PE, em 1954; membro do Comitê Distrital do Partido Comunista Brasileiro (PCB), de Cordeiro, PE; auxiliou na fundação do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT); e membro do Comando Nacional da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Artigo de jornal STM pede todos os processos para dar anistia aos revéis. Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 set. 1979. Segundo o Superior Tribunal Militar (STM), os réus que foram julgados à revelia devem ser beneficiados pela Lei da Anistia. No Rio de Janeiro já foram anistiadas várias pessoas condenadas por crimes contra a segurança nacional, entre eles: Ruy Carlos Vieira Berbet, Maria Augusta Thomaz, Mariano Joaquim da Silva e Maria Auxiliadora Lara Barcelos. Em Brasília foram beneficiadas quatro pessoas e, em São Paulo, foram concedidos dois livramentos condicionais. Artigo de jornal Artigo incompleto, sem fonte e sem data, intitulado: Encontro de anistia divulga lista com novos desaparecidos. Informa que o Congresso Nacional pela Anistia divulgou lista com nomes de pessoas mortas e desaparecidas a partir de 1964. Foto Cópias de duas fotos de rosto, provavelmente proveniente de algum órgão da repressão, a primeira encontrada em Recife, PE e a segunda apresentada por Mariano em Formosa, GO. Foto Foto original e preto e branco de busto. Relatório Indicações para a localização dos restos mortais de Mariano Joaquim da Silva. Complementa as informações para a Comissão Especial Lei 9.140/95, a fim de que a morte de Mariano seja reconhecida nos termos da lei 9.140/95. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Ficha pessoal Antecedentes na Delegacia de Segurança Social de Pernambuco citando inicialmente sua prisão em 1954 em Timbaúba, PE, por exercer atividades subversivas; militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e cargo de secretário do Sindicato Rural do Município de Timbaúba, em 1961; indiciamento em 1971, no Inquérito Policial Militar da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) instaurado em Brasília; em 1971, membro do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT); finaliza com informação publicada na imprensa sobre condenação de Mariano à prisão. A última folha está pouco legível. Ficha pessoal Registros de preso de Mariano da Delegacia Auxiliar (PE): uma prisão em 05/05/56 sem data de saída, alegando como motivo ser membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ter sido encontrado com parte do material do Partido, constando também pertencer à Comissão de Campo do Comitê Regional; e outra prisão em 28/09/54 tendo sido solto em 29/10/54, apontando que a detenção era para averiguações. Ficha pessoal Ficha pessoal, de 05/05/56, provavelmente da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, com foto de rosto, qualificação e caracterização física. Ficha pessoal Documento, provavelmente oriundo de órgãos de repressão de Pernambuco, com foto de rosto e dados pessoais de Mariano. Ficha pessoal Fichas pessoais da Delegacia Auxiliar, provavelmente de Pernambuco, de 15/01/56 e 05/05/56, informando que em 05/53 Mariano ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), estava lendo vários livros de literatura marxista, fez parte da greve dos sapateiros, foi delegado à Conferência de Assalariados de Campina Grande e foi tesoureiro do Sindicato. Também informa a detenção, em Timbaúba, PE, como suspeito de exercer atividade comunista (28/10/54) e posto em liberdade no dia seguinte e prisão por pertencer à Comissão do Campo do Comitê Regional do Partido (05/05/56). Acompanha breve autobiografia sobre sua origem pobre e camponesa. Interrogatório Documento da Auditoria da Marinha de 27/05/71. Possui em anexo parte de documento do Conselho Permanente de Justiça, da Auditoria da Marinha de 13/07/71 em que o pedido de prisão de Carlos Alberto, Mariano Joaquim da Silva e Sérgio Emanuel Dias Campos é deferido. Documento pouco legível. Impressões digitais Documento do Gabinete de Identificação de Pernambuco, de 07/05/56, enviando ao delegado auxiliar as impressões digitais e alguns dados gerais de Mariano Joaquim da Silva. Ofício Documento da Primeira Auditoria da Aeronáutica ao juiz Corregedor da Justiça Militar, de 27/01/71, remetendo para a distribuição de autos do Inquérito Policial Militar instaurado pela Aeronáutica para apurar atividades subversivas dos membros da Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), figurando como indiciados Carlos Alberto Soares de Freitas, Sérgio Emanuel Dias Campos, Mariano Joaquim da Silva, Carlos Franklin Paixão, Jorge Eduardo, Fernando Luiz, Claudio Jorge, Edson Lourival Reis. Ofício Comunicado de um investigador de Recife, PE, à Delegacia Auxiliar, de 28/10/54, em que aquele informa ter feito uma diligência no dia anterior ao município de Timbaúba e adjacências no mesmo Estado, tendo encontrado na casa de Manuel Coutinho vários jornais de caráter comunista, mas o mesmo fugiu. Em seguida, comunica ter prendido o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sargento Rui Sá Barreto, o tesoureiro do mesmo Sindicato, Júlio Venâncio do Sá, além de Mariano Joaquim da Silva. Ofício Documento da Delegacia de Segurança Social, de Pernambuco, de 05/08/71, ao secretário de Segurança Pública de Pernambuco, comunicando envio, em anexo, de mandado de prisão contra Celso Crispim, Francisco José de Moura e Mariano Joaquim da Silva, condenados à reclusão de dois anos e meio e à pena de 10 anos de suspensão dos direitos políticos, por unanimidade, pelo Conselho Permanente da Justiça do Exército. Ofício Documento da Delegacia da Segurança Social, de Pernambuco, de 26/12/70, em resposta ao pedido de busca do Serviço Nacional de Informações (SNI), de 24/08/70, informando não ter sido possível encontrar Mariano Joaquim da Silva em Recife e na Grande Recife, nem comprovar sua ligação com João Abrantes Pinheiro Filho, o qual estaria sendo acusado de proteger criminosos em troca de colaboração financeira. Ofício Documento da Delegacia de Segurança Social de Pernambuco, de 11/06/70, ao DOPS/PB, informando ter encontrado em arquivo informações sobre Mariano Joaquim da Silva, das quais citam dados pessoais, prisões e acusações. Ofício Documento da Seção de Arquivos, da Delegacia de Segurança Social de Pernambuco, de 16/10/70, atendendo pedido de busca do IV Exército, MG, no qual informa que Mariano Joaquim da Silva é prontuariado naquele arquivo por atividades consideradas subversivas. Ofício Documento da Seção de Arquivos, da Delegacia de Segurança Social, de Pernambuco, de 20/02/73, atendendo pedido de busca do IV Exército, no qual informa envio, em anexo, de cópia xerox da individual dactiloscópica de Mariano Joaquim da Silva. Ofício Documento da Secretaria de Segurança Pública, de Pernambuco, de 05/06/56, sobre recebimento, da Delegacia Auxiliar, de documentos pertencentes a Mariano Joaquim da Silva. Ofício Parte de documento da Secretaria da Segurança Pública de Pernambuco, pouco legível, informando que Carlos Alberto Soares mantém contatos no Nordeste, provavelmente em Recife, PE, com Mariano Joaquim da Silva, o qual coordena a Regional do Nordeste. Depoimento Documento manuscrito por Mariano sobre sua prisão, em outubro de 1954, em Pernambuco, junto com membros do Sindicato dos Sapateiros, em que conta ter ficado incomunicável e quase ter morrido de fome. Diz que foi interrogado sobre a origem do Sindicato Rural e sobre suas preferências partidárias. Foi elogiado, pois teria um "livro na cabeça" e afirmou ser militante das questões rurais por conhecer a vida difícil do campo. Foi solto e ameaçado de que, se continuasse com o movimento camponês, mandariam buscá-lo para deixá-lo na cadeia de Beberibe e "derretê-lo no cacete". Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110910/1c4ba324/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 5040 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110910/1c4ba324/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 10 15:10:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 10 Sep 2011 15:10:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O VERDADEIRO ONZE DE SETEMBRO Message-ID: <8EC12308BB1F4D10B46B632D7ADD5BBB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O VERDADEIRO ONZE DE SETEMBRO (CLIQUE NO LINK) http://youtu.be/7vrSq4cievs -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110910/48b43a1c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 11 13:02:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 11 Sep 2011 13:02:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_VENCEREMOS!____m=FAsica__________?= =?iso-8859-1?q?_PARA_RETOMAR_A_VIDA_NESTE_11_DE_SETEMBRO__________?= =?iso-8859-1?q?__________________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICA_!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas e Amig at s, VENCEREMOS! Putabraço, Alipio Freire (clique para ouvir) http://youtu.be/d02e_QAUMp8 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110911/bc36d9bc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 11 13:02:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 11 Sep 2011 13:02:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__WALTER_RIBEIRO_NOVAES________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CCXLIII-?= Message-ID: <54EF4E7643FF4F71AF73F2A42A6AD9A8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem WALTER RIBEIRO NOVAES (1939-1971) Filiação: Maria Rosalinda Ribeiro e Arlindo Ribeiro Moraes Data e local de nascimento: 01/08/1939, Estado da Bahia Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 12/07/1971, no Rio de Janeiro Seu nome também integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Baiano de nascimento, conhecido na militância da VPR como "Careca", trabalhava como salva-vidas do Serviço de Salvamento Marítimo do Rio de Janeiro, na praia de Copacabana. Era casado com Atamilca Ortiz Novaes, de origem indígena, com quem tinha dois filhos. Foi preso no dia 13/06/1970, ainda quando trabalhava na praia, e solto dois meses depois, passando a viver na clandestinidade. A partir daí, constam informações de que ele teria assumido, na VPR, a tarefa de cuidar da infra-estrutura do comando da organização, tendo participado inclusive dos seqüestros dos embaixadores alemão e suíço. A segunda prisão, que resultou em desaparecimento, ocorreu em 12/07/1971, às 18:30, no bairro da Penha, Rio de Janeiro, quando ia para um encontro de rua com o simpatizante da organização conhecido como Alípio, que também era salva-vidas e trabalhava na Barra da Tijuca. A família foi alertada da prisão e começou a procurá-lo em diferentes órgãos de segurança. Chegou a fazer contato com um policial que informou, em troca de dinheiro, que ele se encontraria no DOPS. Esse contato foi interrompido, no entanto, quando o policial alegou estar sendo ameaçado de morte. Os ex-presos políticos Alex Polari de Alverga e Lúcia Maurício Alverga, também da VPR, em depoimentos prestados na época à Justiça Militar, denunciaram que os agentes do DOI-CODI/RJ disseram que Walter estava morto após ter sido torturado naquele órgão de repressão. Sabe-se, também, que os agentes policiais leram para outros presos trechos de depoimentos que teriam sido feitos por Walter. Inês Etienne Romeu, em seu relatório de prisão do período em que esteve seqüestrada no sítio clandestino em Petrópolis (RJ), afirma que ali esteve, em julho de 1971, um militante que pensa ser Walter Ribeiro Novais. O carcereiro "Márcio" lhe afirmou que o tinham matado. Agregou que, no período calculado por ela entre 8 e 14 de julho, houve uma ruidosa comemoração dos carcereiros em virtude de sua morte. =============================================================================================================== + Informações. WALTER RIBEIRO NOVAES Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu na Bahia, filho de Arlindo Ribeiro Moraes e Maria Rosalinda Ribeiro. Desaparecido desde 1971. Casado, pai de 2 filhos. Salva-vidas do Salvamar no Rio de Janeiro. Foi preso no bairro da Penha, Rio de Janeiro, em 12 de julho de 1971. Depoimentos dos ex-presos políticos Alex Polari de Alverga e Lúcia Maurício Alverga, feitos, à época, em Auditorias Militares, falam que os torturadores do DOI-CODI/RJ disseram que Walter estava morto após ter sido torturado naquele órgão da repressão. Inês Etienne Romeu, em seu Relatório sobre sua prisão na "Casa da Morte", em Petrópolis, diz que Walter esteve naquele aparelho clandestino da repressão no mês de julho de 1971 e que, no período de 08 a 14 de julho, houve uma ruidosa comemoração em virtude de sua morte. ================================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) WALTER RIBEIRO NOVAES (1939-1971) Baiano de nascimento, conhecido na militância da VPR como Careca, Walter trabalhava como salvavidas do Serviço de Salvamento Marítimo do Rio de Janeiro, na praia de Copacabana. Era casado com Atamilca Ortiz Novaes, de origem indígena, com quem tinha dois filhos. Foi preso no dia 13 de junho de 1970, ainda quando trabalhava na praia, e solto dois meses depois, passando a viver na clandestinidade. A partir daí, segundo consta, ele teria assumido a tarefa de cuidar da infraestrutura do comando da VPR, tendo participado dos sequestros dos embaixadores alemão e suíço. A segunda prisão de Walter ocorreu em 12 de julho de 1971, às 18h30, no bairro da Penha, Rio de Janeiro, quando ele ia para um encontro de rua com um simpatizante da organização conhecido como Alípio, que também era salva-vidas e trabalhava na Barra da Tijuca. A família foi alertada e começou a procurá-lo nos órgãos de segurança. Chegou a fazer contato com um policial, que informou, em troca de dinheiro, que ele se encontraria no Dops. Esse contato foi interrompido, no entanto, quando o policial alegou estar sendo ameaçado de morte. Os ex-presos políticos Alex Polari de Alverga e Lúcia Maurício Alverga, também da VPR, em depoimentos prestados na época à Justiça Militar, denunciaram que os agentes do DOI-Codi/RJ disseram que Walter estava morto após ter sido torturado naquele órgão de repressão. Inês Etienne Romeu, em seu relatório de prisão do período em que esteve sequestrada no sítio clandestino em Petrópolis (RJ), afirma que ali esteve, em julho de 1971, um militante que pensa tratar-se de Walter. O carcereiro "Márcio" lhe afirmou que o tinham matado. Inês acrescentou que, no período calculado por ela entre 8 e 14 de julho, houve uma ruidosa comemoração dos carcereiros em virtude de sua morte. Walter integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. ================================================================================================== Ficha. Walter Ribeiro Novaes Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Walter Ribeiro Novaes Estado: (onde nasceu) BA País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Salva-vidas Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Prisão: 12/7/1971 Rio de Janeiro RJ Brasil Bairro da Penha Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/7/1971 RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Casa da Morte de Petrópolis RJ Brasil Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Quem é quem nos novos cartazes do terror. Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo, São Paulo, (sem data), p. 14. Trata dos cartazes que foram distribuídos pela polícia com a foto de cinqüenta e duas pessoas procuradas por ações políticas. Os órgãos de segurança acreditavam que os movimentos subversivos passavam por uma crise que os levaria à extinção. O artigo traz a lista das organizações de esquerda mais atuantes, além de um rápido comentário sobre cada um dos procurados. Entre eles estão: Hiroaki Torigoi, Iuri Xavier Pereira, Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, Alex de Paula Xavier Pereira, Onofre Pinto, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Stuart Edgard Angel Jones, Antônio Sérgio de Matos, Walter Ribeiro Novaes, Getúlio d'Oliveira Cabral, Sérgio Landulfo Furtado, Carmem Jacomini, José Milton Barbosa. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110911/afb7e83d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6609 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110911/afb7e83d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 11 13:02:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 11 Sep 2011 13:02:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] 11 de SETEMBRO Message-ID: <5C84EFA3136D4F138836465CA3BCF41A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Rildete Pedersen Por Pablo Neruda Nixon, Frei y Pinochet hasta hoy, hasta este amargo mes de septiembre del año 1973, con Bordaberry, Garrastazú y Banzer, hienas voraces de nuestra historia, roedores de las banderas conquistadas con tanta sangre y tanto fuego, encharcados en sus haciendas, depredadores infernales, sátrapas mil veces vendidos y vendedores, azuzados por los lobos de Wall Street, máquinas hambrientas de dolores manchadas en el sacrificio de sus pueblos martirizados, prostituidos mercaderes del pan y del aire americano, cenagales, verdugos, piara de prostibularios caciques, sin otra ley que la tortura. y el hambre azotada del pueblo. SALVADOR ALLENDE En el 34 aniversario de su muerte. Duele, duele la cicatriz que vos dejaste duele en la memoria hasta la sombra duele el día señalado de septiembre hasta perder la soga en el abismo duele no haber pensado en el mar que va y viene con su manto sorpresivo duele el oleaje peninsular de la advertencia con sus maromas de viento íntimo y cuerdo duele el recuerdo de no haber podido todo mientras aguantó tu cuerpo persuasivo duele el vacío del aliento místico perdido la pura democracia débil en volumen duele el beso del adiós en la frente afiebrada hasta dejar la celeste aureola que no huye. Considerando en primavera la constancia sin pensarlo llovieron fuegos en Santiago momentos graves de la vida, cantar de salvamentos a la eternidad pasó Salvador Allende en sus verdades muriendo de cuerpo no de tiempo. Enfrente a La Moneda estuvieron los tanques Rousseau levantó el dedo acusador pero todos miraron al costado. Tanto pienso en la dulzura triunfal y sonriendo tanto, tanto y hoy nada, amada masa afectada tanto, tanto, árboles arrastrados por la corriente con mineros navegando sorprendidos, anunciados socavando adentro, picando tierra roja herrumbre levantando palos rotos y mercadería errante. Considerando en primavera la constancia morir de pie en la inmortal jornada señalado estaba desde cuando tú naciste. Nota: Esta versión de ?Las satrapías? fue escrita por Neruda el 15 de septiembre de 1973, cuando el pueblo chileno recibía el sangriento castigo del Imperio, de sus lacayos y sus sátrapas, por haber tenido la osadía en ensayar, en un mundo dividido en Este-Oeste, su propia vía, pacífica, al Socialismo. En la primera versión de ?Las satrapías?, escrita en 1948, otros eran los destinatarios de la invectiva nerudiana, igualmente verdugos, igualmente repudiables: Trujillo, Somoza, Carias, Moriñigo. Pocos días después, el 23 de septiembre, el poeta del ?Canto general? apagaba su corazón en Isla Negra. Éste es, entonces, el último poema de Neruda. Y sigue fustigando a los verdugos, al cumplirse 34 años del inicio de una larga dictadura en Chile, una dictadura que, en algunos aspectos, todavía no ha terminado -------------------------------------------------------------------------------- __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110911/c8d34800/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 12 19:43:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 12 Sep 2011 19:43:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Batatas_reduzem_press=E3o_arteri?= =?iso-8859-1?q?al_em_pessoas_com_obesidade_e_press=E3o_alta_=2E___?= =?iso-8859-1?q?_________________________________HOJE_=C9_2=BA_FEIR?= =?iso-8859-1?q?A!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <86A89CAB66FD408481BAD24A6AAD82D9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Esqueça o estereótipo da batata de um alimento que faz engordar e do qual devemos fugir para mantermos uma dieta adequada. Cientistas descobriram que apenas uma porção do tubérculo por dia reduz a pressão arterial quase tanto como aveia, e o melhor: sem causar ganho de peso. Mas não se empolgue muito. A pesquisa não foi feita com batatas fritas, que continuam gordurosas e uma vilã para nossa saúde, mas com batatas cozidas sem óleo em um forno de microondas. Embora os pesquisadores tenham utilizado batata roxa, eles acreditam que as demais variedades do tubérculo também têm efeitos similares. A batata, mais do que qualquer outro vegetal, possui uma má e injusta reputação, que tem levado muitas pessoas preocupadas com a saúde a bani-la de sua dieta. É o que explica Joe Vinson, pesquisador-chefe do estudo. Basta mencionar a batata e as pessoas logo pensam "engorda, tem muito carboidrato e calorias demais". Na realidade, quando preparada sem fritura e servida sem manteiga, margarina ou afins, uma batata tem apenas 110 calorias e dezenas de fitoquímicos saudáveis e vitaminas. Os cientistas esperam que a pesquisa ajude a mudar essa imagem nutricional. No novo estudo, 18 pacientes com sobrepeso ou obesidade e com pressão arterial elevada comeram de seis a oito batatas roxas (cada um do tamanho de uma bola de golfe) com pele duas vezes por dia durante um mês. Os cientistas então monitoraram a pressão do sangue dos pacientes, tanto sistólica (o número mais alto em uma leitura da pressão arterial como em "120/80?) e diastólica. A pressão arterial diastólica caiu em média 4,3% e a pressão sistólica diminuiu 3,5%. Nenhum dos participantes do estudo apresentou ganho de peso. Outros estudos já haviam identificado substâncias presentes na batata cujos efeitos no organismo são semelhantes aos princípios ativos dos medicamentos utilizados no tratamento da pressão alta. Alguns fitoquímicos das batatas que auxiliam na diminuição da pressão arterial também são encontrados, em menor quantidade, no brócolis, no espinafre e na couve de Bruxelas. Infelizmente para os fãs de fast-food, as batatas fritas não apresentam a mesma benesse. As altas temperaturas de cozimento destroem a maioria das substâncias saudáveis da batata, deixando apenas amido, gordura e minerais. Cozinhar batatas no microondas, o caso das do experimento, parece ser a melhor maneira de preservar os nutrientes. [ScienceDaily] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110912/4c72f0e4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 37386 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110912/4c72f0e4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 12 19:43:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 12 Sep 2011 19:43:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__EPAMINONDAS_GOMES_DE_OLIVEIRA________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CCXLIV-?= Message-ID: <670DFC50556B4971BB61DBD5D212A7D0@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem EPAMINONDAS GOMES DE OLIVEIRA (1902-1971) Filiação: Ângela Gomes de Oliveira e José Benício de Souza Data e local de nascimento: 16/11/1902, Pastos Bons (MA) Organização política ou atividade: PRT ou PCB Data e local da morte: 20/08/1971, Brasília (DF) Sapateiro de profissão, maranhense de Patos Bons, Epaminondas Gomes de Oliveira morreu aos 68 anos, no Hospital da Guarnição do Exército em Brasília, no dia 20/08/1971. Foi preso por agentes da repressão política do regime militar no dia 09/08/1971, no garimpo de Ipixuna (PA) e levado para a cidade de Jacundá (PA), depois para Imperatriz (MA), e finalmente para Brasília. Nos autos do processo junto à CEMDP, constam depoimentos de três companheiros, dois dos quais testemunhando que estiveram presos com ele. Um terceiro declarou que, sob tortura, foi forçado a indicar a localização de Epaminondas. Na tramitação do processo junto à Comissão Especial, registrou-se a informação de que ele seria militante do PCB. Documentos e depoimentos posteriores, no entanto, apontaram que ele seria, na verdade, militante do PRT, dissidência da AP que teve como principais líderes o padre Alípio Cristiano de Freitas, Vinicius Caldeira Brandt e o legendário líder camponês goiano, ex-deputado estadual José Porfírio, este último, integrante da lista de 136 desaparecidos políticos reconhecidos pela Lei nº 9.140/95. Segundo o depoimento da esposa de Epaminondas, a aposentada Avelina da Rocha, de 83 anos, os militares "não tiveram a coragem" de entregar o corpo, dizendo apenas que ele havia sido enterrado em Brasília, pois ficaria muito caro transportá-lo até sua terra natal. O médico legista Ancelmo Schuingel determinou como causa da morte "coma anêmico, desnutrição e anemia". O general Oswaldo Pereira Gomes pediu vistas do processo ao relator Paulo Gustavo Gonet Branco e elaborou um parecer pelo deferimento da indenização, "por se tratar de morte de pessoa acusada de participação em atividades políticas, causa não natural, de elemento preso em organização militar". Novos dados sobre o caso seriam divulgados sete anos depois de ser tomada essa decisão unânime pela CEMDP. Matérias publicadas no Correio Braziliense, em agosto de 2003, com assinaturas dos jornalistas Eumano Silva, Thiago Vitale Jaime e Matheus Leitão, descreveram com detalhes o conteúdo de documentos secretos da Operação Mesopotâmia, desencadeada pelo Exército entre 2 e 12 de agosto de 1971, sob o comando do general Antonio Bandeira, para localizar e deter subversivos em vários municípios da divisa tríplice entre Pará, Maranhão e Goiás (hoje Tocantins). Nesse furo de reportagem, os jornalistas explicam que se tratava de uma ampla operação militar de investigação, que priorizou a localização de qualquer pessoa sobre a qual houvesse indícios de serem ligadas a distintas organizações de esquerda, como o PRT, AP, VAR, ALN, PCB e PCdoB, oito meses antes de se iniciar o enfrentamento aberto contra militantes desse último partido, que vinham sendo deslocados para aquela região desde 1966, conforme será relatado mais adiante neste livro-relatório, ao tratar da Guerrilha do Araguaia. As matérias jornalísticas trazem duas passagens que provavelmente se referem ao caso em questão: "Ao lado do nome de Epaminondas, outra descrição muito detalhada. 'Velho, baixo, orelhas caídas, magro, moreno, cabelos lisos, mesclados de branco, usa chapéu de couro com abas laterais viradas para cima, olhos amarelados, tem uma chácara em Porto Franco. É militante antigo', afirma o relatório". A reportagem acrescenta outras informações contidas no documento inédito: "9 de agosto de 1971. Prisão do último dos treze 'elementos' durante a Operação Mesopotâmia e descoberta de mais um aparelho". Agrega ainda: "A seguir, na mesma lista, vêm os nomes do Padre Alipio (Mário ou Batista), além de Augusto e David, cujos nomes completos não foram descobertos pelos militares. O relatório aponta ainda os líderes locais supostamente doutrinados pelos guerrilheiros: Epaminondas Gomes de Oliveira (Luiz de França), Pedro Morais, José da Marcelina (José Alecrim), João Ferreira Guimarães e Benedito". ========================================================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) EPAMINONDAS GOMES DE OLIVEIRA (1902-1971) Maranhense de Pastos Bons, sapateiro de profissão, Epaminondas morreu aos 68 anos, no Hospital da Guarnição do Exército em Brasília, no dia 20 de agosto de 1971. Fora preso por agentes da repressão política do regime militar no dia 09 de agosto do mesmo ano, no garimpo de Ipixuna (PA) e levado para a cidade de Jacundá (PA), depois para Imperatriz (MA), e finalmente para Brasília. Nos autos do processo junto à CEMDP, constam depoimentos de três companheiros, dois dos quais testemunharam que estiveram presos com ele. Um terceiro declarou que, sob tortura, fora forçado a indicar a localização de Epaminondas. Na tramitação do processo junto à Comissão Especial, registrou-se a informação de que ele seria militante do PCB. Documentos e depoimentos posteriores, no entanto, apontaram que ele seria, na verdade, militante do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, dissidência da Ação Popular. Segundo o depoimento da esposa de Epaminondas, Avelina da Rocha, de 83 anos, os militares "não tiveram a coragem" de entregar o corpo, dizendo apenas que ele havia sido enterrado em Brasília, pois ficaria muito caro transportá-lo até sua terra natal. O médico legista Ancelmo Schuingel determinou como causa da morte "coma anêmico, desnutrição e anemia". Na CEMDP, o general Oswaldo Pereira Gomes pediu vistas do processo ao relator Paulo Gustavo Gonet Branco e elaborou um parecer pelo deferimento da indenização, "por se tratar de morte de pessoa acusada de participação em atividades políticas, causa não natural, de elemento preso em organização militar". Matérias publicadas no Correio Braziliense, em agosto de 2003, dos jornalistas Eumano Silva, Thiago Vitale Jayme e Matheus Leitão, que descrevem com detalhes o conteúdo de documentos secretos da Operação Mesopotâmia, desencadeada pelo Exército entre 2 e 12 de agosto de 1971, para localizar e deter subversivos em vários municípios da divisa tríplice entre Pará, Maranhão e Goiás (hoje Tocantins), trazem duas passagens que provavelmente se referem a Epaminondas: Ao lado do nome de Epaminondas, outra descrição muito detalhada. 'Velho, baixo, orelhas caídas, magro, moreno, cabelos lisos, mesclados de branco, usa chapéu de couro com abas laterais viradas para cima, olhos amarelados, tem uma chácara em Porto Franco. É militante antigo', afirma o relatório". A reportagem acrescenta ainda: "9 de agosto de 1971. Prisão do último dos treze 'elementos' durante a Operação Mesopotâmia e descoberta de mais um aparelho. [...] O relatório aponta ainda os líderes locais supostamente doutrinados pelos guerrilheiros: Epaminondas Gomes de Oliveira (Luiz de França), Pedro Morais, José da Marcelina (José Alecrim), João Ferreira Guimarães e Benedito. ================================================================================================================================================ + Guerrilha do Araguaia: Operação Mesopotâmia Data: 17/08/2003 Local: Brasília - DF Fonte: Correio Braziliense Link: http://www.correioweb.com.br/ Documentos inéditos revelam que o Exército enviou agentes secretos ao Bico do Papagaio meses antes dos combates contra o movimento armado do PCdoB na região Em agosto de 1971, oito meses antes do início dos combates da Guerrilha do Araguaia, o Exército Brasileiro já fazia operações militares no norte de Goiás (hoje Tocantins) e no sul do Maranhão. Foi a chamada Operação Mesopotâmia, colocada em prática entre os dias 2 e 12 de agosto, segundo documentos das próprias Forças Armadas revelados com exclusividade pelo Correio. O movimento armado no Araguaia, combatido pelas Forças Armadas a partir de abril de 1972, aconteceu na mesma área, na tríplice divisa entre Maranhão, Goiás e, principalmente, Pará, região conhecida como ''Bico do Papagaio''. A Operação Mesopotâmia tinha como objetivo prender qualquer habitante da região que tivesse contato com integrantes de algum partido comunista clandestino, estivesse envolvido em movimentos de esquerda ou contra a ditadura militar. São três os documentos do Exército sobre a Operação Mesopotâmia. O primeiro é do mês de julho de 1971. Ele traça os objetivos da ação, detalha o tipo de transporte e o tipo de armas a serem usadas. Todas as 23 páginas do documento trazem a inscrição ''secreto'' no alto e a assinatura de visto do coronel Henrique Beckmann Filho, que também assina o documento no final. A capa mostra de onde saiu o relatório: ''Ministério do Exército. Comando Militar do Planalto e 11ª Região Militar''. O segundo documento é de 17 de agosto de 1971. O relatório detalha as ações realizadas nas cinco cidades visitadas pelo Exército (leia página ao lado). São 13 páginas. A operação se concentrou na cidade maranhense de Imperatriz e em Tocantinópolis, na época situada no estado de Goiás e hoje no Tocantins. As outras cidades vasculhadas pela Mesopotâmia foram Porto Franco, Araguatins e Gurupi. Trinta e oito oficiais do Exército participaram da ação, além de dezenas que ficaram aquartelados, de plantão, em Goiânia e em Brasília. Todos chefiados pelo general Antônio Bandeira, que viria a ser o principal comandante das investidas do Exército contra a Guerrilha do Araguaia. Este documento seria posteriormente anexado a Inquérito Policial Militar sobre a operação concluído em 11 de setembro de 1971. Militares em trombas e formoso O documento inicial detalha a operação em todos os seus aspectos. Explica como seria feito o transporte dos quatro grupamentos que viriam a compor a operação. A execução da operação foi dividida em quatro fases: deslocamento até o local de ação, duas etapas de investigações e buscas nas cidades definidas e a volta a Brasília com os prisioneiros. Várias cidades usadas pelo PCdoB como base de preparação da Guerrilha do Araguaia ou que serviram de rota para o deslocamento dos militantes comunistas até a região foram investigadas pela Operação Mesopotâmia. O termo usado pelo relatório para definir a busca aos esquerdistas é ''limpeza''. Segundo documento do Exército, a operação ''...realizará a limpeza de Imperatriz, Tocantinópolis e Porto Franco, ao mesmo tempo que elementos do 10º BC previamente deslocados para Santa Tereza, fará (sic) operação semelhante na região de Trombas e Formoso'', afirma o documento. Porto Franco, Tocantinópolis e Imperatriz foram cidades que serviram de apoio aos militantes do PCdoB que se dirigiam para a região da Guerrilha do Araguaia. O médico gaúcho João Carlos Haas Sobrinho, por exemplo, tinha o codinome ''Juca'' e teve uma clínica em Porto Franco durante um ano e meio. O relatório final da Operação Mesopotâmia lista 11 codinomes de ''quadros profissionalizados'' da Ação Popular (AP) na região de Porto Franco e Tocantinópolis. Um deles é identificado por ''Juca''. A AP era uma organização esquerdista ilegal, de origem católica, que fundiu-se com o PCdoB, também clandestino, num processo que teve início nos anos 60 e terminou na década de 70. Na Operação Mesopotâmia, o Exército agiu com três destacamentos. O ''Terra I'' agiu em Imperatriz (MA) e o ''Terra II'' em Tocantinópolis (TO). O ''Terra III'' ficou aquartelado em Imperatriz para socorrer os dois primeiros. Cada destacamento era dividido em três grupos. Em apenas um parágrafo, o relatório define a missão. ''... realizar operações especiais, a fim de capturar grupos de elementos subversivos em atividade nas Regiões SW do Maranhão e N de Goiás.'' Sintonizado na rádio havana O primeiro documento mostra o nível de detalhamento adotado pelos agentes secretos do Comando Militar do Planalto nas investigações. O relatório aponta 52 moradores da região que deveriam ser procuradas pelos militares. A lista é numerada e traz, primeiro, o apelido ou o codinome da pessoa. Ao lado, há um texto destrinchando parte da vida da pessoa. Para João Ferreira, o Exército atribuía as seguintes informações: ''Nome verdadeiro: João Nunes Guimarães. Todas as noites ouve a rádio de Havana. Alvo, cabelos aloirados, franzino, 1,67m de altura, míope, usa bigode, olhos de chinês''. Nem as pessoas que tentaram ajudar o Exército escaparam do crivo militar. Cipriano Louza Cruz escreveu uma carta aos oficiais dando informações, mas recuou. Entrou para lista das pessoas a serem procuradas. ''Escreveu carta ao Min. do Exército denunciando atividades subversivas em Imperatriz; sendo procurado por um agente nosso, não quiz (sic) colaborar, negando que os subversivos estivessem agindo. É dono do bazar Alborina - Av. Presidente Vargas. SABE MUITA COISA, MAS RESOLVEU CALAR'', diz o documento. Ao lado do nome de Epaminondas, outra descrição muito detalhada. ''Velho, baixo, orelhas caídas, magro, moreno, cabelos lisos, mesclados de branco, usa chapéu de couro com abas laterais viradas para cima, olhos amarelados, tem uma chácara em Porto Franco. É militante antigo'', afirma o relatório. Duas pessoas são apontadas pelo Exército como incitadores dos subversivos. Um deles é o ex-deputado estadual goiano José Porfírio. Outra é o padre Alípio de Freitas. ''Os grupos em questão vêm se articulando em áreas rurais e urbanas possivelmente desde a época da abertura da Belém-Brasília, influenciados pela atuação do ex-deputado José Porfírio e, posteriormente, pela ação deletéria do ex-padre Alípio, na região'', relata o documento. O padre Alípio de Freitas era acusado na época de ter participado de um atentado contra o ex-presidente Costa e Silva quando ministro da Guerra, em 1966. O padre era considerado pelo Exército como o maior líder camponês da época. ''Encaminha, por seus quadros profissionalizados, o trabalho de arregimentação, apoiado nas antigas estruturas do Partido Comunista''. ''Os grupos em questão vêm se articulando em áreas rurais e urbanas possivelmente desde a época da abertura da Belém-Brasília" Trecho de documento do Exército ao justificar ação anticomunista na divisa de Tocantins e Maranhão Área boa para a luta armada Investigações feitas em 1971 no norte de Goiás e no Maranhão concluíram que região era propícia à resistência comunista A Operação Mesopotâmia serviu para alertar as Forças Armadas de que a região do Bico do Papagaio oferecia as condições ideais para a organização de uma guerrilha rural. No fim de 31 páginas de dois documentos oficiais sobre a missão no sul do Maranhão e norte de Goiás, o tenente-coronel Ary Pereira de Carvalho, encarregado do Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso, conclui que os revolucionários buscavam áreas rurais pela dificuldade de ligação com os grandes centros urbanos, pela geografia favorável e pelas carências da população. No documento oficial sobre a operação, os militares apontam a distância do Bico do Papagaio das cidades de Brasília (a 1.700 Km), São Luís (a 800 Km) e Belém (a 600 Km). Relacionam os problemas de acesso das tropas pela vegetação ''do tipo cerrado e cocais, embora existam áreas matosas nos grotões das serras''. Os meios de transporte locais são as pequenas embarcações que navegam pelo rio Tocantins. ''É o curso d'água que ainda propicia deslocamentos para muitos lugarejos'', afirma o documento. A inoperância das autoridades O tenente coronel Carvalho escreveu o IPM com base em relatório do comandante da Operação Mesopotâmia, o general Antônio Bandeira. Nele, Bandeira ressalta facilidade de aliciamento da população local para a guerrilha: ''conseqüência da ausência ou inoperância das autoridades federais, estaduais e municipais''. O documento oficial do Ministério do Exército reforça que ''a figura do governo ainda é a de uma organização a temer, por cobrar impostos, prender e tomar terras dos posseiros''. Mais uma característica para, segundo Bandeira, facilitar a ''doutrinação'' da população local. Bandeira descobriu em Imperatriz e Porto Franco, no Maranhão, Trombas, Formoso e Santa Tereza, em Goiás, e Tocantinópolis, no Tocantins (estado criado no norte de Goiás em 1988), que o tempo chuvoso, de outubro a março, dificultava a execução das operações do Exército na zona rural. Documento secreto O documento do 11º regimento da 3ª Brigada da Infantaria, escrito por Bandeira, é dividido em cinco tópicos: finalidade, referência, execução, apreciações sobre a operação e conclusões. Ele é datado de 17 de agosto de 1971. O conteúdo foi anexado ao IPM, texto finalizado em 11 de setembro de 1971, 25 dias depois da entrega do relatório do general Bandeira. O IPM é o desdobramento do primeiro documento. Nas conclusões do IPM, o tenente-coronel Carvalho afirma que dois núcleos formados à beira da Belém-Brasília, um no sul do Maranhão e a outro no norte do Goiás, tinham por objetivo ''assegurar refúgio para elementos perseguidos em outras áreas rurais''. Segundo o militar, as prisões realizadas na Operação Mesopotâmia levantaram ainda ''dados que possibilitam a identificação e prisão de subversivos em outros locais do país''. E, segundo o IPM, desarticulou ''o movimento subversivo na área''. A história corrige o tenente-coronel: oito meses depois, o Exército voltaria à região para combater a Guerrilha do Araguaia, movimento armado do PCdoB. (leia Entenda o Caso na página 4) Contra a ação popular e o PRT As organizações comunistas clandestinas que agiam na região, segundo os militares, eram o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) e a Ação Popular (leia mais na página 4). Os comunistas mais visados pela repressão eram Padre Alípio de Freitas e o ex-deputado estadual de Goiás José Porfírio de Souza. Porfírio era conhecido comunista da região. Foi o líder do movimento popular camponês de Trombas e Formoso, em Goiás, e um dos pensadores do PRT. O movimento obteve sucesso e os posseiros conseguiram o título definitivo de suas propriedades na área. Em 9 de abril de 1964, teve o mandato de deputado estadual cassado pelo Ato Institucional número 1 (AI-1), por participação em Trombas e Formoso. Detido em 1972, no Maranhão, foi transferido para Brasília, onde ficou preso até 7 de julho de 1973. Nesse dia, foi visto pela última vez na Rodoviária, onde embarcaria em um ônibus para Goiânia. Considerado desaparecido político por 22 anos, sua morte só foi reconhecida em 1995. Em 2001, a viúva do ex-deputado foi indenizada pela União em R$ 300 mil. Além da indenização, o governo foi condenado a pagar pensão de R$ 4 mil mensais por dez anos. Porfírio teve 18 filhos em seus dois casamentos. Arregimentação e aliciamento O Inquérito Policial Militar afirma que a AP e o PRT estavam trabalhando nos anos anteriores para ''arregimentação e aliciamento'' de pessoas na região. Além de Alípio e Porfírio, o documento lista outros nomes que trabalharam pelos dois partidos, de 1968 até 1971, nas cidades de Tocantinópolis e Porto Franco: Pedro de Moraes Milhomem, Bartolomeu Casimiro de Oliveira, Linduarte Machado de Moura, Inácio Pereira de Macedo, Antônio Gonçalves Guimarães, José Pereira da Silva, Bartolomeu Gomes da Silva, Leda Franco de Oliveira e Francisco de Assis Castro Gomes. Além destes, mais dez pessoas identificadas apenas pelos codinomes: Augusto, Maria, Davi, Cléa, Neuza, Ana, Benedito, Maria, Raul e Virgínia. Em Imperatriz, foram acrescidos os nomes de Carlos Lima de Almeida e João Nunes Guimarães. Em Trombas e Santa Tereza, adicionou-se Manoel Porfírio de Souza, filho de José Porfírio, Manoel de Souza Castro, Geraldo Marques da Silva, Gilberto Batista de Lima e Otacílio Robeiro da Silveira. Em 11 de setembro de 1971, mesmo dia que foi finalizado, o IPM do tenente- coronel Carvalho foi enviado do Comando Militar do Planalto ao quartel do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas - os Dragões da Independência. Lá, foi recebido pelo 3º sargento Adão Ignácio Lourenço, autor de duas assinaturas que comprovam a chegada dos documentos oficiais sobre a Operação Mesopotâmia. Dia a dia da investigação A Operação Mesopotâmia foi realizada em agosto de 1971 na região sul do Maranhão e norte de Goiás. Durante dez dias, 38 militares caçaram 13 ''subversivos''. Saiba detalhes da missão do Exército Brasileiro de combate a comunistas, segundo relatórios militares, oito meses antes da guerrilha do Araguaia: 4 de agosto de 1971 Prisão de 4 ''elementos'' em Imperatriz, 800 quilômetros ao sul do Maranhão, para interrogatório e descoberta de um núcleo de guerrilha rural 5 de agosto de 1971 Prisão de mais 3 ''elementos'' em Lagoa Verde/MA, 15 quilômetros ao Norte de Imperatriz, na Belém-Brasília Patrulha na propriedade de Maninho, terra de suposto subversivo situada a 60 quilômetros de Imperatriz. Os militares destacados para esta operação percorreram 20 km até as terras de Maninho Busca de barco por ''subversivos'' na Serra Quebrada (uma ilha no rio Tocantins) durante 8 horas 6 de agosto de 1971 Prisão de outro ''elemento'' em Gavião, pequena cidade a 90 quilômetros ao norte de Imperatriz. Os militares demoraram 8 horas, de caminhão, para percorrer 70 quilômetros de uma estrada descrita como ''carroçável'' Saída para Buritis, norte de Goiás, para procurar mais um subversivo. A missão começou à 1h da manhã do dia e durou 30 horas. Os militares utilizaram um barco até São Sebastião. Seguiram para Buritis de caminhão 7 de agosto de 1971 Mais dois comunistas que atuavam na região de Imperatriz são capturados por militares. Já eram dez os presos políticos na região. Os militares levavam os revolucionários para Imperatriz . 9 de agosto de 1971 Prisão do último dos treze ''elementos'' durante a Operação Mesopotâmia e descoberta de mais um aparelho (como era chamadas as casas usadas por militantes de esquerda clandestinos) Militares atuaram nas duas campanhas General Antônio Bandeira e três sargentos que atuaram na Operação Mesopotâmia, fundada basicamente em espionagem, também estavam presentes em ações contra guerrilheiros nos anos seguintes Pelo menos um oficial de alta patente e três sargentos das Forças Armadas Brasileiras participaram da Operação Mesopotâmia e do combate à Guerrilha do Araguaia. O general Antônio Bandeira, o 3º sargento Joaquim Artur Lopes de Souza, o 2º sargento Milburges Alves Ferreira e o 3º sargento José dos Reis foram personagens das duas investidas militares na região que hoje comporta as divisas entre os estados do Maranhão, do Tocantins e do Pará. Bandeira comandou ambas. Essa ligação mostra que militares atuantes na Guerrilha do Araguaia já conheciam a região quando a combateram. Os nomes dos quatro militares estão em dois documentos da época aos quais o Correio teve acesso. A Operação Sucuri foi a última grande ação das Forças Armadas para derrotar os guerrilheiros do Araguaia, já em 1974. A relação de agentes destacados para os combates tem o nome dos quatro militares. O segundo documento é de 1971, que detalha a Operação Mesopotâmia. Os dois relatórios têm, em anexo, a listagem dos combatentes escalados para brigar com os guerrilheiros. Padrinho, Julião, Zezinho e Nêgo No documento de 1971, o nome dos militares está no anexo B, denominado ''Composição dos Meios à Operação Nº 01-SPC/71''. Três anos mais tarde a relação está no ''Plano de Informações Sucuri Nº 1''. Nesse último documento, ainda há uma ''Lista de Codinomes''. Bandeira era chamado, durante os combates, de Camilo, Doutor ou Padrinho. Dos Reis tinha o codinome de Julião, enquanto Lopes de Souza era Zezinho e Alves Ferreira era o Nêgo. Os militares tinham um motivo para adotar codinomes. O caráter de espionagem das ações militares para prender comunistas na Operação Mesopotâmia e derrotar a guerrilha um ano mais tarde consta de todos os relatórios. Militares viajavam para os locais onde concentrava-se o maior número de ''subversivos'' antes de o Exército colocar uma operação em prática. Os relatórios que precediam as ações militares eram recheados de informações que só poderiam ser obtidas por meio de espionagem ou delação. A organização Var-palmares A espionagem foi fundamental para descobrir que organizações comunistas clandestinas agiam na região. O último dos sete parágrafos da página 6 do relatório secreto do general Bandeira aponta os coordenadores dos movimentos que se deslocaram para comandar guerrilha no Maranhão e em Goiás. A lista começa com James Allen, codinome Ciro, Roberto Espinosa (Joaquim) e Carlito José dos Santos (Euclides). Os três são acusados de pertencer à Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). A organização surgiu em 1968 e foi fundada por dissidentes da Organização Revolucionária Marxista e do Movimento Nacionalista Revolucionário. Antes de tentar a luta no campo, a VAR-Palmares realizou um dos maiores assaltos para obtenção de fundos no Brasil para revoluções comunistas. Em 1969, seus integrantes roubaram US$ 2,5 milhões dos cofres da casa de Ana Capriglione, amante do então governador paulista Adhemar de Barros. O dinheiro, segundo o movimento, era resultado de corrupção. A seguir, na mesma lista, vêm os nomes de Padre Alípio (Mário ou Batista), além de Augusto e David, cujos nomes completos não foram descobertos pelos militares. O relatório aponta ainda os líderes locais supostamente doutrinados pelos guerrilheiros: Epaminondas Gomes de Oliveira (Luiz de França), Pedro Morais, José da Marcelina (José Alecrim), João Ferreira Guimarães e Benedito. Marxista-Leninista O documento final da Operação Mesopotâmia descreve duas dissidências comunistas clandestinas em atividade na região. A Ação Popular (AP), segundo o relatório, é de linha marxista-leninista e nasceu em 1962 com ''quadros dissidentes da Ação Católica, Juventude Universitária Católica e membros da UNE''. De acordo com o documento, era ligado ao movimento comunista internacional. ''Disposta a um trabalho político a longo prazo capaz de arregimentar as massas operárias-camponesas-estudantis, conduzindo-as à Guerra Popular e ao Poder Popular'', relata o documento. O partido fundiu-se com o PCdoB anos mais tarde. A segunda ''organização'' identificada pelo Exército é o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Foi fundado pelo padre Alípio, relata o documento, com dissidentes da AP e de outras organizações. Teria sido criado em 1968 ''sob influência chinesa nos mesmo moldes da AP. O PRT desenvolverá a Guerra Popular e buscará o Poder Popular em ritmo mais acelerado''. Presunção de interferência Na 23ª e última página do documento que definiu os objetivos da Operação Mesopotâmia, sob o título de ''Prescrições Diversas'', há instruções sobre a comunicação interna dos combatentes militares. ''Sempre que houver qualquer presunção de interferência e após mensagens codificadas, deverá ser exigida a autenticação dos postos'', determina o documento, no primeiro parágrafo da página. No caso das conversas por rádio, o documento avisa que ''deverá haver pelo menos um contato nas horas pares, para verificação das condições de propagação''. Código de operações Um código de operações deveria ser empregado para confundir possíveis ouvintes indesejados nas transmissões via rádio ou mesmo ao vivo. O documento não traz um dicionário de palavras, como acontece na Operação Sucuri, mas dá um exemplo de como as informações poderiam ser maquiadas. A frase ''Prendemos o cabeça e cinco simpatizantes. Dois foram presos'' é traduzida para ''Abraçamos o mastro e cinco xavantes. Dois foram em viagem''. Logo abaixo, um ''Alfabeto Fonético'' para a necessidade de soletrar palavras. Chama a atenção o número de palavras estrangeiras utilizadas pelos militares brasileiros. ''A - Alfa. B - Bravo. C - Charlie. D - Delta. E - Echo. F - Fox-Trot. G - Golf. H - Hotel. I - Índia. J - Juliet. K - Kilo. L - Lima. M - Mike. N - November. O - Oscar. P - Papa. Q - Quebec. R - Romeu. S - Sierra. T - Tango. U - Uniform. V - Victor. W - Wiskey. X - X Ray. Y - Yanke. Z - Zulu.'' "Abraçamos o mastro e cinco Xavantes. Dois foram em viagem" Exemplo de frase codificada pelo Exército que significa "Prendemos o cabeça e cinco simpatizantes. Dois foram os mortos" Entenda o caso Documentos perdem sigilo No último dia 20, a juíza federal Solange Salgado decreta a quebra de sigilo de todas as informações oficiais existentes sobre o confronto entre as Forças Armadas e cerca de 70 militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) entre 1972 e 1975, dos quais 61 são considerados desaparecidos A ação judicial tramita na Justiça desde 1982 e foi instaurada por familiares de 22 desaparecidos. A magistrada determina que a União tem 120 dias para informar onde estão sepultados os corpos destas 22 pessoas. Em caso de descumprimento da determinação, a União está sujeita ao pagamento de multa diária de R$ 10 mil Os advogados dos parentes dos ex-guerrilheiros são os deputados federais Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e Sigmaringa Seixas (PT-DF). No dia 22 de julho, a decisão é publicada Diário da Justiça. Advocacia-Geral da União e Exército informam que ainda não receberam notificação da Justiça. Só se pronunciarão depois da chegada do aviso do Tribunal Regional Federal (TRF) No dia 23 de julho, o Centro de Comunicação Social do Exército informa que não existem documentos sobre a guerrilha. Um dia depois, o governo é pego de surpresa pela decisão. Abordado durante visita à Câmara dos Deputados, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, se recusa a comentar a decisão No dia 27 de julho, o Correio publica reportagem que mostra todos os passos dos 21 anos de tramitação da ação judicial das famílias dos 22 desaparecidos na Justiça até a decisão da juíza federal Solange Salgado. Um dia depois, a juíza diz que deveria haver (por parte dos integrantes do governo) um comprometimento em resgatar esse ''passado obscuro'' No dia 31 de julho, o Correio publica reportagem com documentos secretos do Exército Brasileiro sobre a Operação Sucuri, organizada em 1974, ano em que a guerrilha foi desmantelada Em 3 de agosto, o Correio publica outra reportagem exclusiva. Dessa vez com os depoimentos dos moradores da região torturados pelo Exército durante os conflitos contra a guerrilha Nos dias 12 e 13 de agosto, nova reportagem exclusiva mostra depoimentos de ex-guerrilheiros quando foram presos e torturados pelo Exército durante o combate à guerrilha Na última quinta-feira, os parentes dos desaparecidos na guerrilha vêm a Brasília e se encontram com ministros do governo para pressioná-los a não recorrerem da decisão da Justiça Os documentos usados nesta reportagem fazem parte do arquivo acumulado pelo deputado Greenhalgh. O cruzamento das Operações Mesopotâmia e Sucuri foi feito pela pesquisadora Myrian Luiz Alves, ex-assessora do Grupo de Trabalho do Araguaia da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Eumano Silva, Thiago Vitale Jayme e Matheus Leitão Copyright © 2011 Amigos da Terra - Amazônia Brasileira. - Todos os direitos reservados. ==================================================================================== Epaminondas Gomes de Oliveira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Epaminondas Gomes de Oliveira Atividade: Camponês Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Revolucionário dos Trabalhadores PRT Brasil Prisão: 6/8/1972 Tocantinópolis TO Brasil em casa Morto ou Desaparecido: Desaparecido Brasiília DF Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Exército Brasileiro EB Brasil -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110912/2c119cc5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28236 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110912/2c119cc5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 12 19:43:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 12 Sep 2011 19:43:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Entrevista_com_Greg=F3rio_Beze?= =?windows-1252?q?rra_e_debates_de_lan=E7amento_do_livro_=22Mem=F3r?= =?windows-1252?q?ias=22_nas_pr=F3ximas_ter=E7a=2C13_=28RJ=29_e_qua?= =?windows-1252?q?rta_14_=28SP=29?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Companheiros, Segue link do vídeo com entrevista de Gregório Bezerra, realizada em Moscou em 1977. Combativa e bela amostra da personalidade e o caráter de Gregório Bezerra, da sua determinação, sua convicção revolucionária, da sua altivez e coragem perante os seus torturadores e inquisidores, da sua profunda confiança e integração com o povo brasileiro. Um verdadeiro comunista. ?Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil?, como registrou a historiadora Anita Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, no título da apresentação do livro "Memórias", autobiografia do revolucionário comunista Gregório Bezerra, relançado pela Boitempo Editorial. (Anita Prestes participa na próxima terça-feira dos Debates de lançamento das ?Memórias?, que divulgamos abaixo). O vídeo tem a duração de 30 minutos, mas vale a pena conferir: http://video.google.com/videoplay?docid=-8339651336935878860# Debates de lançamento das Memórias, de Gregório Bezerra nova edição acrescida de fotografias, textos inéditos e um único volume 13/09 - 3ª feira - 10h - Rio de Janeiro (RJ) Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ Largo São Francisco, 01 ? Centro Debate com Anita Leocadia Prestes (PPGHC/UFRJ e ILCP), Ivan Pinheiro (PCB), Joba Alves (MST) e Leonilde Servolo de Medeiros (CPDA/UFRRJ). Realização: Arquivo da Memória Operária do Rio/UFRJ, Instituto Luiz Carlos Prestes, Programa de Pós-Graduação em História Comparada/UFRJ e Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia/UFRJ. Apoio: Boitempo Editorial 14/09 - 4ª feira - 18h - São Paulo (SP) FFLCH/USP - Filosofia - Sala 8 Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 - Cidade Universitária - (11) 3091-8592 "Gregório Bezerra e a história do comunismo no Brasil" ? integrando a programação do IV Colóquio Marx e os Marxismos Debate com Antonio Carlos Mazzeo (Unesp e PCB), Francisco de Oliveira (USP), João Quartim (Unicamp) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) Realização: Laboratório de Estudos Marxistas da Universidade de São Paulo (LeMarx-USP) e Boitempo Editorial. *** Os eventos são gratuitos e não há inscrição prévia Haverá sorteio e venda dos livros da Boitempo com descontos *** Título: Memórias Autor(a): Gregório Bezerra Páginas: 648 Ano de publicação: 2011 Preço: R$ 74,00 Preço com desconto de 30% nos Debates de lançamento: R$ 52,00 *** Leia também: http://boitempoeditorial.wordpress.com/... http://www.ilcp.org.br/prestes/... *** A biblioteca do CeCAC possui um exemplar do livro "Memórias" para empréstimo por tempo determinado. Informações: (21) 2524-6042, de 2ª a 6ª feira, das 14 às 18h -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110912/d9f1b57a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 25214 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110912/d9f1b57a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 13 20:01:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 13 Sep 2011 20:01:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__KL=C9BER_LEMOS_DA_SILVA______________?= =?iso-8859-1?q?______________________-CCXLV-?= Message-ID: <9C196A8F61E34C1694000E5CDEE265EE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem KLÉBER LEMOS DA SILVA (1942-1972) Filiação: Karitza Lemos da Silva e Norival Euphrosino da Silva Data e local de nascimento: 21/05/1942, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre 26/06/1972 e 29/06/1972 Nascido no Rio de Janeiro e formado em Economia, Kleber tinha participado do Movimento Estudantil e vinculou-se ao PCdoB através de seu amigo Lincoln Bicalho Roque, dirigente do partido que também seria morto em 1973, no Rio de Janeiro. Antes de transferir-se para a região do Araguaia, onde passou a morar na localidade de Caianos, tinha trabalhado no Instituto de Ciências Sociais. O Relatório do Ministério do Exército, de 1993, registra que Kleber "foi morto no dia 29/01/1972 em confronto com uma patrulha, sendo sepultado na selva sem que se possa precisar o local exato". Esta informação contém um equívoco evidente, pois os confrontos armados no Araguaia só tiveram início a partir do dia 12/04/1972. Já o Relatório do Ministério da Marinha afirma que "foi preso quando se encontrava acampado na mata". Documento dos Fuzileiros Navais menciona que Kleber foi preso pela Brigada de Pára-quedistas no dia 26/06/1972 e, no dia 29/06/1972, sem precisar o local, "foi metralhado quando tentava fugir". Relatório da Operação Sucuri, de maio de 1974, também confirma sua morte. Familiares e entidades que insistem há mais de três décadas na localização dos restos mortais dos desaparecidos políticos possuem a informação de que seu corpo estaria enterrado na localidade chamada Abóbora. O processo sobre o caso na CEMDP também inclui cópias de cartas escritas por seu pai, Norival Euphrosino da Silva. Em 1984, ele escreveu ao ministro da Justiça apelando para que fosse confirmado junto às autoridades militares ou civis do Pará se Kleber está preso ou se foi morto na Guerrilha do Araguaia. José de Andrade, assessor do Ministério, respondeu ao apelo dizendo que, para adoção de medidas cabíveis, o assunto estava sendo analisado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará. Estão anexadas ao processo cópias de reportagens e depoimentos prestados à Justiça Federal, em 1985, por Criméia Alice Schmidt, José Genoíno, Paulo César Fonteneles de Lima, Danilo Carneiro, Dower Moraes Cavalcante, Glênio Fernandes de Sá e Elza Lima Monerat. Segundo o Relatório Arroyo: "Em princípios de julho, Vítor (José Toledo de Oliveira) e Carlito (Kléber Lemos da Silva) saíram para tentar um encontro com a CM. Mas Carlito não pode prosseguir viagem, devido a ter-se agravado uma ferida (leishmaniose) na perna. Sem poder caminhar, ficou num castanhal, próximo à estrada, enquanto Vítor voltava para avisar os companheiros. Nesse meio tempo, passou pela estrada o bate-pau Pernambuco, que ouviu o barulho de alguém quebrando um ouriço de castanha. Levou então o Exército ao local. Ao procurar se defender, Carlito foi alvejado no ombro e em seguida preso. Foi levado para um local chamado Abóbora, e lá foi bastante torturado. Chegou a ser amarrado num burro e por este arrastado. Elementos de massa disseram que o viram praticamente morto sobre o burro. Soube-se depois que Carlito levou os soldados até um velho depósito que nada continha. Pode ser que o tenham matado, mas também pode ser que ficou apenas preso". Novos dados relevantes sobre o caso foram trazidas por dois trabalhos do chamado jornalismo investigativo. Em 06/07/1996, o jornal O Globo estampou fotos tiradas por um militar que participou da repressão à guerrilha do Araguaia, havendo uma de Kleber morto. Finalmente, em 15/04/2007, a citada matéria de Lucas Figueiredo trazia o seguinte trecho da página 720 do livro secreto do Exército: "No dia 26 (de junho de 1972) foi preso, após ser ferido no ombro, o subversivo Kleber Lemos da Silva (Carlito). Dispôs-se a indicar às forças de segurança um depósito de suprimentos. No dia 29, chegou-se a um depósito desativado, onde, apesar de ferido, conseguiu fugir". O livro de Elio Gaspari resume: "O lavrador Pernambuco delatou Carlito (Kleber), que parara num castanhal. Uma fístula de leishmaniose na perna impedia-o de caminhar, e ele pedira aos companheiros que o deixassem. Foi visto surrado, em cima de um burro. Mataram-no três dias depois. Quando seu cadáver foi fotografado, ainda tinha no pescoço a bússola que sempre trazia pendurada. Outro camponês, João Coioió, tocaiou sua amiga Maria (Petit)". Em Operação Araguaia, os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva escrevem: "Ao sair em missão, não conseguiu caminhar e ficou deitado em uma rede no meio da mata. Aguardava o socorro dos companheiros quando foi visto por um morador, que o delatou. Preso pelo Exército em 26 de junho de 1972, morreu três dias depois. Um documento dos Fuzileiros Navais afirma que Carlito morreu ao tentar fugir para não revelar a localização de depósitos de suprimentos dos guerrilheiros". Hugo Studart transcreve trechos do diário que os militares atribuem a Grabois, sem que a autenticidade esteja ainda comprovada. Teria escrito o dirigente comunista: "Carlito veio do Estado da Guanabara. Ali formara-se em Ciências Sociais. Antes de vir para o campo trabalhava como pesquisador do Instituto de Ciências Sociais daquele Estado. Desenvolveu atividade revolucionária no Maranhão e no Pará. Seu verdadeiro nome: Kleber. Embora muito franzino - era excessivamente magro - superou todas as dificuldades. Andava bem na mata e carregava pesadas cargas. Desenvolvia-se como combatente. Muito corajoso, diante do inimigo revelou grande valentia, tendo despertado a admiração do povo da área onde foi detido. Não se dobrou diante de seus algozes. Os soldados o espancaram e torturaram brutalmente. Amarraram-no a um burro que o arrastou num chão coalhado de tocos, cipós e espinhos. Parece que não sobreviveu às sevícias". ========================================================================================================================== + Informações. KLEBER LEMOS DA SILVA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 21 de maio de 1942, no Rio de Janeiro, filho de Norival Euphrosino da Silva e Karitza Lemos da Silva. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia em junho de 1972. Participou do movimento estudantil da década de 60 e em princípios de 70, já formado em Economia, foi residir na região do Araguaia, na localidade de Caiano, onde já residiam outros companheiros, incorporando-se ao Destacamento B da Guerrilha. Em fins de julho de 1972, estava doente, com leishmaniose e impossibilitado de andar. Ficou deitado em sua sede, na mata, enquanto o companheiro com quem estava, foi pedir ajuda aos demais guerrilheiros, quando foi visto por um bate-pau (mercenário que servia de guia às Forças Armadas). Foi baleado no ombro e, ferido, amarrado no lombo de um burro para ser levado a Xambioá. Pelo caminho foi deixando um rastro de sangue e aos moradores que encontrava gritava: "Abaixo a ditadura! Viva a liberdade!", segundo contam alguns moradores. O Relatório do Ministério do Exército diz que Kleber era "militante do PCdoB, participou da Guerrilha do Araguaia, foi morto no dia 29/01/72 em confronto com uma patrulha, sendo sepultado na selva sem que se possa precisar o local exato". Esta informação tem pelo menos um equívoco, pois os confrontos armados no Araguaia só tiveram início a partir do dia 12 de abril de 1972. Já Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi preso quando se encontrava acampado na mata". Documento dos Fuzileiros Navais, diz que Kleber foi preso, no dia 26 de junho de 1972, pela Brigada Paraquedista e que, no dia 29 de junho de 1972, sem precisar o local, foi metralhado quando tentava fugir. É interessante notar que o mesmo documento, em outro trecho, quando trata das recomendações quanto aos prisioneiros de guerra diz: "a) os prisioneiros de guerra deverão ser encaminhados imediatamente ao S-2 e em seguida ao PC da Brigada; b) prisioneiros de guerra falecidos deverão ser sepultados em cemitério escolhido e comunicado. Deverão ser tomados os elementos de identificação (impressões digitais e fotografias)". Por que as autoridades militares ainda insistem em dizer que não têm essas informações? ======================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) KLEBER LEMOS DA SILVA (1942-1972) Carioca, formado em economia, Kleber participou do movimento estudantil e trabalhou no Instituto de Ciências Sociais. Vinculou-se ao PCdoB e transferiu-se para a região do Araguaia, onde passou a morar na localidade de Caianos. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, registra que ele "foi morto no dia 29/01/1972 em confronto com uma patrulha, sendo sepultado na selva sem que se possa precisar o local exato". Esta informação contém um equívoco evidente, pois os confrontos armados no Araguaia só tiveram início a partir do dia 12 de abril de 1972. Já o relatório do Ministério da Marinha do mesmo ano afirma que "foi preso quando se encontrava acampado na mata". Documento dos Fuzileiros Navais menciona que Kleber foi preso pela Brigada de Paraquedistas no dia 26 de junho de 1972 e, no dia 29 de junho de 1972, sem precisar o local, "foi metralhado quando tentava fugir". Relatório da Operação Sucuri, de maio de 1974, também confirma sua morte. Familiares e entidades que insistem há mais de três décadas na localização dos restos mortais dos desaparecidos políticos têm a informação de que seu corpo estaria enterrado na localidade chamada Abóbora. Em 1996, o advogado Paulo Fonteles Filho, durante uma viagem a essa região, teria encontrado uma ossada, que poderia ser a de Kleber Lemos da Silva. Em 06 de julho de 1996, o jornal O Globo estampou fotos tiradas por um militar que participou da repressão à guerrilha do Araguaia, e dentre elas havia uma de Kleber morto. Finalmente, em 15 de abril de 2007, a citada matéria de Lucas Figueiredo trazia o seguinte trecho da página 720 do livro secreto do Exército: "No dia 26 (de junho de 1972) foi preso, após ser ferido no ombro, o subversivo Kleber Lemos da Silva (Carlito). Dispôs-se a indicar às forças de segurança um depósito de suprimentos. No dia 29, chegou-se a um depósito desativado, onde, apesar de ferido, conseguiu fugir". Segundo o Relatório Arroyo: Carlito (Kléber Lemos da Silva) não pôde prosseguir viagem, devido a ter-se agravado uma ferida (leishmaniose) na perna. Sem poder caminhar, ficou num castanhal, próximo à estrada, enquanto Vítor voltava para avisar os companheiros. Nesse meio tempo, passou pela estrada o bate-pau Pernambuco, que ouviu o barulho de alguém quebrando um ouriço de castanha. Levou então o Exército ao local. Ao procurar se defender, Carlito foi alvejado no ombro e em seguida preso. Foi levado para um local chamado Abóbora, e lá foi bastante torturado. Chegou a ser amarrado num burro e por este arrastado. O livro de Elio Gaspari resume: "O lavrador Pernambuco delatou Carlito (Kleber), que parara num castanhal. [...] Foi visto surrado, em cima de um burro. Mataram-no três dias depois. Quando seu cadáver foi fotografado, ainda tinha no pescoço a bússola que sempre trazia pendurada". Em Operação Araguaia, os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva escrevem: "[...] Aguardava o socorro dos companheiros quando foi visto por um morador, que o delatou. Preso pelo Exército em 26 de junho de 1972, morreu três dias depois. Um documento dos Fuzileiros Navais afirma que Carlito morreu ao tentar fugir para não revelar a localização de depósitos de suprimentos dos guerrilheiros". Hugo Studart transcreve trechos do diário que os militares atribuem a Maurício Grabois, sem que a autenticidade esteja ainda comprovada. Teria escrito o dirigente comunista: [...] Embora muito franzino - era excessivamente magro - superou todas as dificuldades. Andava bem na mata e carregava pesadas cargas. Desenvolvia-se como combatente. Muito corajoso, diante do inimigo revelou grande valentia, tendo despertado a admiração do povo da área onde foi detido. Não se dobrou diante de seus algozes. Os soldados o espancaram e torturaram brutalmente. Amarraram-no a um burro que o arrastou num chão coalhado de tocos, cipós e espinhos. Parece que não sobreviveu às sevícias. Documentação de 1º de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra: "Kleber Gomes (sic): foi preso e morto em junho de 1972, a golpes de baioneta por paraquedistas do Rio de Janeiro, na Base Militar de Xambioá, norte de Goiás. Companheiros de prisão de Kleber presenciaram seu assassinato e ouviram da boca dos próprios soldados a confirmação dos fatos" . ========================================================================================== + Informações. Medalha Chico Mendes: Kleber Lemos da Silva Kleber Lemos da Silva Nascido em 21 de maio de 1942, no Rio de Janeiro, filho de Norival Euphrosino da Silva e Karitza Lemos da Silva. Militante do Partido Comunista do Brasil (PcdoB), desapareceu na Guerrilha do Araguaia em junho de 1972. Participou do movimento estudantil na década de 1960 e em princípios de 1970. Kleber Lemos da Silva dá nome a um logradouro no bairro de Bangu, na XVIII Região Administrativo. Já formado em Economia, trabalhou em projetos de pesquisa no Instituto de Ciências Sociais na Rua Marquês de Olinda. Inicialmente, Kleber era moço introvertido, solitário e obstinado. Pensava principalmente em sua carreira profissional. Mas o contato com os ideais que fervilhavam na época e com seu grande amigo Lincoln Bicalho Roque, o arrebataram para a luta revolucionária. Saiu desta vida para cortar lenha e viver no mato. A família entrou em pânico, quando soube de seus planos. Achavam que era de saúde frágil e que não ia agüentar. Foi residir na região do Araguaia, na localidade de Caiano, onde já residiam outros companheiros, incorporando-se ao destacamento B da Guerrilha. Em fins de julho de 1972, estava doente, com leishmaniose e impossibilitado de andar. Ficou deitado em sua sede, na mata, enquanto o companheiro com quem estava, foi pedir ajuda aos demais guerrilheiros, quando foi visto por um bate-pau (mercenário que servia de guia às Forças Armadas). Foi baleado no ombro e, ferido, amarrado no lombo de um burro para ser levado a Xambioá. Pelo caminho foi deixando um rastro de sangue, e aos moradores que encontrava gritava: "Abaixo a ditadura! Viva a liberdade!", segundo contam alguns moradores. O Relatório do Ministério do Exército diz que Kleber era "militante do PcdoB, participou da Guerrilha do Araguaia, foi morto no dia 29/10/1972, em confronto com uma patrulha, sendo sepultado na selva sem que se possa precisar o local exato". Esta informação tem pelo menos um equívoco, pois os confrontos armados na Araguaia só tiveram início a partir do dia 12 de abril de 1972. Já o Relatório do Ministério da Marinha diz que: "foi preso quando se encontrava acampada na mata". Documento do Fuzileiros Navais, diz que Kleber foi preso, no dia 26 de junho de 1972, pela Brigada Paraquedista e que, no dia 29 de junho de 1972, sem precisar o local, foi metralhado quando tentava fugir. É interessante notar que o mesmo documento, em outro trecho, quando trata das recomendações quanto aos prisioneiros de guerra diz: "a) os prisioneiros de guerra deverão ser encaminhados imediatamente ao S-2 e em seguida ao PC da Brigada; b) prisioneiros de guerra falecidos deverão ser sepultados em cemitério escolhido e comunicado. Deverão ser tomados os elementos de identificação (impressões digitais e fotografias)". Em 06 de julho de 1996, é publicado no jornal O Globo uma matéria revelando um dossiê guardado durante 24 anos por um militar que participou da repressão às atividades dos militantes. Neste dossiê existiam fotos de diversos militantes presos e assassinados, entre eles Kleber Lemos da Silva, morto. O dossiê revelava ainda que alguns guerrilheiros não foram mortos em combate, como dizia a versão oficial das Forças Aramadas. As datas de prisão de guerrilheiros que o Exército afirmava estarem desaparecidos comprovam que eles foram executados. ========================================================================================= (aluno do Colégio Pedro II) KLEBER LEMOS DA SILVA ( CPII - Seção Norte até 1963) Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).Nasceu em 21 de maio de 1942, no Rio de Janeiro, filho de Norival Euphrosino da Silva e Karitza Lemos da Silva. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia em junho de 1972. Participou do movimento estudantil da década de 60 e em princípios de 70, já formado em Economia, foi residir na região do Araguaia, na localidade de Caiano, onde já residiam outros companheiros, incorporando-se ao Destacamento B da Guerrilha. O Relatório do Ministério 115 O nome de José Roberto Spiegner aparece no jornal Vanguarda Estudantil de 1965 como um dos redatores-chefe, no exemplar de 1966 como colaborador e também nas reportagens sobre os filmes realizados pelo Grêmio Científico e Literário Pedro II para os festivais de cinema amador que ocorreram naqueles anos. Em 1965 o "filme do aluno do Pedro II, Daniel Chutorianscy, "Manequinho" ganhou o segundo prêmio do Festival Amador do Jornal do Brasil, na mesma ocasião, outros dois filmes, "Caminho", que ganhou um premio especial, de Sergio Rubens e "À Beira da Realidade" de José Roberto Spiegner e de Antonio Carlos Lengruber, também realizados por alunos do CP II, participaram do Festival".(1965: 3).Em 1966 outros dois filmes foram produzidos pelo Grêmio Científico e Literário Pedro II, para o Festival de Cinema Amador JB - Mesbla. O filme "Terceiro Tempo", realizado por Daniel Chutorianscy, Ronald Dreux e Celso Silva, fala sobre o futebol enquanto válvula de escape do povo brasileiro. O filme "Canção Urbana", realizado por José Roberto Spiegner, Antonio Carlos Lengruber, José Paulo Kupfer, Ronald Dória Dreux e Sérgio Rubens Torres. Inspirado no poema mesmo nome, de Fernando Mendes Vianna , quer, de acordo com a sinopse, "observar o trabalhador. Mostrá-lo. seu trabalho, seu comportamento, suas divisões, amigos e locais costumeiros, onde passeia, seus grupos, suas praças.são eles ainda retratados na busca do sexo oposto como possível escape (...) . Inspirado no poema que diz: " os pares entrelaçados / nesta urbe dividida / são brados de luz nos ares / de uma terra escurecida".(...) (1966: 3) do Exército diz que Kleber era "militante do PCdoB, participou da Guerrilha do Araguaia, foi morto no dia 29/01/72 em confronto com uma patrulha, sendo sepultado na selva sem que se possa precisar o local exato". Esta informação tem pelo menos um equívoco, pois os confrontos armados no Araguaia só tiveram início a partir do dia 12 de abril de 1972. Já Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi preso quando se encontrava acampado na mata" (1995: 330). ===================================================================================== Ficha. Kleber Lemos da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Kleber Lemos da Silva Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 21/5/1942 Atividade: Economista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Prisão: 26/6/1972 Brasil Segundo documentos dos Fuzileiros Navais. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/7/1972 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Desaparecido 29/1/1972 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério do Exército. Clandestinidade Desaparecido 29/6/1972 Brasil Documentos dos Fuzileiros Navais. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110913/b3d4fee1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14096 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110913/b3d4fee1/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110913/b3d4fee1/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 13 20:01:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 13 Sep 2011 20:01:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ATO_P=DABLICO_E_CAMINHADA_PELO_ES?= =?iso-8859-1?q?TADO_DA_PALESTINA_J=C1?= Message-ID: <4A1154AB5B024A8AB8D25B0175EE2FAE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Chamado do Ato Publico e Caminhada pelo Estado da Palestina Já, que será no proximo dia 20 de setembro às 17,00 hs. Na praça Ramos de Azevedo. em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. Peço a sua ajuda na divulgação e o que puder fazer para mobilizar o pessoal mais proximo de voce. Forte abraço, Emir Mourad Comite pelo Estado da Palestina Já Diretor da FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110913/8019b437/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 64645 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110913/8019b437/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 14 16:45:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 14 Sep 2011 19:45:17 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__FRANCISCO_MANOEL_CHAVES__e__JOS=C9_T?= =?iso-8859-1?q?OLEDO_DE_OLIVEIRA_______________-CCXLVI-?= Message-ID: <9DD8C9AF5AD2431EAE53E9EAD59B8A65@vcaixe> FRANCISCO MANOEL CHAVES (? - 1972) Número do processo: não foi aberto Filiação: não existem registros Data e local de nascimento: não existem registros Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 21 ou 29/09/1972 Conforme registrado no início deste bloco, seu nome consta do Anexo de 136 desaparecidos políticos da Lei nº 9.140/95, mas não foi requerida indenização porque seus familiares não foram encontrados. Afro-descendente, de origem camponesa, muito jovem ingressou na Marinha de Guerra. Em 03/04/1935, engrossou as fileiras da Aliança Nacional Libertadora, filiando-se em seguida ao Partido Comunista. Preso em 1935, após a derrota da insurreição armada, foi torturado sob a chefia do comandante Lúcio Meira, sendo mais tarde recolhido ao presídio da Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro. O escritor Graciliano Ramos, que conviveu com ele nessa época, narra em Memórias do Cárcere os esforços de Chaves e de outros companheiros, para denunciar as condições desumanas em que viviam os detentos daquele presídio. Em 1937 foi expulso da Marinha, segundo informações encontradas nos arquivos secretos do DOPS/SP. Libertado no início da década de 40, participou da preparação da Conferência da Mantiqueira, em 1943, sendo eleito suplente do Comitê Central do partido, cargo que exerceu até 1946. Perseguido após abril de 1964, militando no PCdoB, foi residir na região de Caianos, no Araguaia. Nessa época, já contava mais de 60 anos de idade, não se conhecendo precisamente sua data de nascimento. Foi morto em 21/09/1972, junto com José Toledo de Oliveira, próximo ao local onde morrera Miguel Pereira dos Santos no dia anterior. Além da referência sobre sua morte constante no Relatório Arroyo, transcrita acima, as páginas do "livro secreto", ou Orvil, do Exército, registra uma outra data: "No dia 29, um grupo de quatro ou cinco terroristas tentou emboscar um GC do 10º BC, Os terroristas montaram uma emboscada numa capoeira. Percebida a ação, em razão dos ruídos produzidos pelos subversivos, foi montada uma contra-emboscada na qual morreram três terroristas: Antonio Carlos Monteiro Teixeira (Antonio), José Toledo de Oliveira (Victor) e José Francisco Chaves (Zé Francisco)" O livro de Hugo Studart transcreve trecho do diário de Maurício Grabois, cuja autenticidade ainda não está firmada, em que o comandante principal da guerrilha teria anotado: "José Francisco, antigo marinheiro, ingressou no P em 1931. O guerrilheiro mais velho e o único preto do D. Tinha 64 anos, mas possuía muito vigor físico. Chaves era o seu sobrenome (não me recordo do seu primeiro nome). Como marinheiro, foguista, participara, em 1935, do movimento da ANL na Armada, sendo condenado a longos anos de prisão no período do Estado Novo. Em 1943, esteve presente à Conferência da Mantiqueira, que reestruturou o P, sendo eleito para o Comitê Central. (...) A idade para ele não era empecilho, embora já sentisse o peso dos anos". Nas exumações feitas no cemitério de Xambioá por uma Comissão de Familiares, parlamentares, legistas e pela Comissão Justiça e Paz de São Paulo, em 1991, foram encontrados ossos de um homem negro com mais de 60 anos que, provavelmente, são de Francisco Manoel. Essa ossada permaneceu no Departamento de Medicina Legal da Unicamp sem ser identificada. Posteriormente foi transferida para o IML de São Paulo. Na hipótese de ser localizado algum parente próximo e consangüíneo seu, será possível efetuar imediatamente a comparação com o perfil genético a ser extraído desses ossos, com boas chances de resultado positivo. JOSÉ TOLEDO DE OLIVEIRA (1941-1972) Filiação: Adaíde de Toledo Oliveira e José Sebastião de Oliveira Data e local de nascimento: 17/07/1941, Uberlândia (MG) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 21 ou 29/09/1972 Mineiro de Uberlândia, advogado e bancário, José Toledo ainda não completara 20 anos quando se tornou funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se filiou ao Sindicato dos Bancários. Como ativista político, editou o jornal Elo com o deputado federal João Alberto. Utilizando o pseudônimo de Sobral Siqueira, tinha uma coluna fixa no periódico. Foi eleito diretor da Associação dos Funcionários do Banco. Nessa época, ingressou no Partido Comunista e mais tarde optou pelo PCdoB. Após abril de 1964, ocorrendo intervenção naquele sindicato, o jornal Elo foi fechado. Apesar das numerosas demissões efetuadas por razões políticas no Banco de Crédito Real, José Toledo permaneceu trabalhando, porque escrevia com pseudônimo e não foi identificado. Em 01/08/1969 foi preso no trabalho, junto com outros bancários, pelo DOPS. Transferido para o Cenimar, na Ilha das Flores, foi submetido a torturas, que denunciou posteriormente na Justiça Militar. Terminaria sendo absolvido no processo, mas deixou o Banco e passou a militar na clandestinidade. Juntou-se então aos outros companheiros do PCdoB que haviam se deslocado para a região do Araguaia. Além da referência do "livro negro" do Exército, transcrita no caso anterior, o Relatório do Ministério do Exército, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, registra que José Toledo era "militante do PCdoB, utilizava o nome falso de José Antônio de Oliveira e os codinomes Vitório e Vítor. Participou da Guerrilha do Araguaia". Já o relatório da Marinha, do mesmo ano, traz mais informações sobre suas atividades políticas anteriores, de oposição ao regime militar: "ABR/68, foi preso na Favela da Rocinha quando distribuía panfletos subversivos conclamando o povo e incitando os trabalhadores contra o arrocho salarial. AGO/69, preso dia 1º de agosto 1969, no Sindicato dos Bancários da Guanabara, durante assembléia da classe ali realizada para aumento salarial. AGO/69, preso e recolhido ao Departamento Especial de Fuzileiros Navais da Ilha das Flores, à disposição do IPM instaurado contra o mesmo. JUL/70, foi posto em liberdade de acordo com o alvará de soltura de 31 JUL 70, do Auditor das Auditorias da Marinha". O livro de Hugo Studart traz um trecho sobre José Toledo de Oliveira, do Diário atribuído a Maurício Grabois: "Outro morto do DC foi seu VC (vice-comandante), o co Vitor. Antigo militante do P, pertenceu ao Secretariado do CR da Guanabara. Antes de chegar à região do Araguaia, fora preso, tendo passado mais de um ano nos cárceres do Cenimar. Torturado, portou-se firmemente, não denunciando ninguém. (...) Seu nome era Vitório. Bom comissário político. Mas pouco dominava a arte da luta armada. Bastante destemido e esforçado. Vinha-se formando como dirigente militar. Cometeu, porém, erros que contribuíram para a sua morte e a de outros co. Seu desaparecimento foi um sério golpe no DC". =========================================================================================================================== + Informações. JOSÉ TOLEDO DE OLIVEIRA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Uberlândia, Estado de Minas Gerais, em 17 de julho de 1941, filho de José Sebastião de Oliveira e Adaíde Toledo de Oliveira. Desaparecido desde 1972 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 31 anos. Advogado e bancário. Não tinha ainda 20 anos quando se tornara funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Ingressou no Sindicato dos Bancários. Foi ativista incansável, editando o jornal 'Elo', juntamente com o deputado federal João Alberto. Com o pseudônimo de Sobral Siqueira, tinha uma coluna fixa no periódico. Foi eleito diretor da Associação dos Funcionários do Banco. Nessa época ingressou também no PCB. Com o golpe de 64, veio a intervenção no sindicato, o jornal 'Elo' foi fechado. São numerosas as demissões no Banco de Crédito Real, mas Toledo permaneceu, porque escrevia com pseudônimo e não foi identificado. Em 1° de agosto de 1969 foi preso pelo DOPS quando se encontrava trabalhando em sua seção. Outros bancários também foram presos. Transferido para o CENIMAR, na Ilha das Flores, foi torturado com selvageria. No tribunal militar, denunciou corajosamente as torturas que sofreu. Foi absolvido, deixou o Banco e foi para a clandestinidade. Soube-se depois que foi juntar-se a outros companheiros na região do Araguaia. Morto em combate em 21 de setembro de 1972, junto com Francisco Chaves, próximo do local onde no dia anterior morrera Miguel Pereira dos Santos. O Relatório do Ministério do Exército diz que utilizava o nome falso de José Antônio de Oliveira. E, com este nome, foi encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP um único documento que diz "Informação do Min. Exército - II Ex./QG - 2ª Seção, datado de 21/05/70, onde consta que o epigrafado é um dos elementos procurados pelo CODI/I Exército." ================================================================================================= FRANCISCO MANOEL CHAVES Constava no antigo Dossiê do CBA/RS como José Francisco Chaves. Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PCdoB). Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 1972. Negro, de origem camponesa, muito jovem ainda, ingressou na Marinha de Guerra, onde sofreu os preconceitos raciais. Em 3 de abril de 1935, engrossou as fileiras da Aliança Nacional Libertadora, filiando-se em seguida ao Partido Comunista. Preso em 1935, após a derrota da insurreição armada, foi torturado sob a chefia do Comandante Lúcio Meira, sendo mais tarde recolhido ao presídio da Ilha Grande. Graciliano Ramos, que com ele conviveu nessa época, narra em seu livro 'Memórias do Cárcere', os esforços de Chaves e outros companheiros para denunciar as condições desumanas em que viviam os presos naquele autêntico campo de concentração. Foi expulso da Marinha em 1937, segundo informações encontradas no Arquivo do DEOPS/SP. Libertado no início da década de 40, participou da preparação da Conferência da Mantiqueira, em 1943, sendo eleito suplente do Comitê Central do Partido Comunista, cargo que exerceu até 1946. Após o golpe de 1964, duramente perseguido, foi residir na região de Caianos e se incorporou às Forças Guerrilheiras do Araguaia, quando já contava mais de 60 anos de idade. Foi morto em combate em 21 de setembro de 1972, junto com José Toledo de Oliveira, próximo ao local onde morrera Miguel Pereira dos Santos, no dia anterior. Nas exumações feitas no Cemitério de Xambioá por uma Comissão de Familiares, parlamentares, legistas e Comissão de Justiça e Paz (CJP) de São Paulo, em 1991, foram encontrados ossos de um homem com mais de 60 anos e negro que, provavelmente, seriam de Francisco Manoel. Essa ossada ainda se encontra no Depto. de Medicina Legal da UNICAMP/SP, sem contudo, ter sido identificada. ========================================================================================= + Informações. (do livro Catálogo Negro) FRANCISCO MANOEL CHAVES (? - 1972) Filiação: não existem registros Data e local de nascimento: não existem registros Data do desaparecimento: 21 ou 29/09/1972 Preso após a derrota da insurreição armada de 1935, foi torturado sob a chefia do comandante Lúcio Meira, sendo mais tarde recolhido ao presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro. O escritor Graciliano Ramos, que conviveu com ele nessa época, narra em Memórias do Cárcere os esforços de Chaves e de outros companheiros para denunciar as condições desumanas em que viviam os detentos. Em 1937 foi expulso da Marinha. Libertado no início da década de 40, participou da Conferência da Mantiqueira, em 1943, sendo eleito suplente do Comitê Central do partido, cargo que exerceu até 1946. Após abril de 1964, militando no PCdoB, foi residir na região de Caianos, no Araguaia, apesar de já passar dos 60 anos. Foi morto provavelmente em 21/09/1972, junto com José Toledo de Oliveira, próximo ao local onde tombou Miguel Pereira dos Santos no dia anterior. O livro "A Lei da Selva", de Hugo Studart, menciona a seguinte anotação, feita por um comandante da guerrilha: "José Francisco, antigo marinheiro, ingressou no P em 1931. O guerrilheiro mais velho e o único preto do D. Tinha 64 anos, mas possuía muito vigor físico. Chaves era o seu sobrenome (não me recordo do seu primeiro nome (...) A idade para ele não era empecilho, embora já sentisse o peso dos anos". Nas exumações feitas no cemitério de Xambioá por uma Comissão de Familiares, parlamentares, legistas e pela Comissão Justiça e Paz de São Paulo, em 1991, foram encontrados ossos de um homem negro com mais de 60 anos que, provavelmente, são de Francisco Manoel, mas ainda não foi possível localizar familiares para comprovar o DNA. =============================================================================================================================== + Informações. do livro Habeas Corpus) JOSÉ TOLEDO DE OLIVEIRA (1941-1972) Mineiro de Uberlândia, advogado e bancário, José Toledo ainda não completara 20 anos quando se tornou funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se filiou ao Sindicato dos Bancários. Como ativista político, editou o jornal Elo com o deputado federal João Alberto. Utilizando o pseudônimo de Sobral Siqueira, tinha uma coluna fixa no periódico. Nessa época, ingressou no Partido Comunista e mais tarde optou pelo PCdoB. Após abril de 1964, ocorrendo intervenção naquele sindicato, o jornal Elo foi fechado. Apesar das numerosas demissões efetuadas por razões políticas no Banco de Crédito Real, José Toledo permaneceu trabalhando, porque escrevia com pseudônimo e não foi identificado. Em 1/8/1969 foi preso no trabalho, junto com outros bancários, pelo DOPS. Transferido para o Cenimar, na Ilha das Flores, foi submetido a torturas, que denunciou na Justiça Militar. Terminaria absolvido no processo, mas se juntou a outros companheiros do PCdoB que haviam se deslocado para a região do Araguaia. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, registra que José Toledo era: militante do PCdoB, utilizava o nome falso de José Antônio de Oliveira e os codinomes Vitório e Vítor. Participou da Guerrilha do Araguaia". Já o relatório da Marinha, do mesmo ano, traz mais informações sobre suas atividades políticas anteriores, de oposição ao regime militar: "ABR/68, foi preso na Favela da Rocinha quando distribuía panfletos subversivos conclamando o povo e incitando os trabalhadores contra o arrocho salarial. AGO/69, preso dia 1º de agosto 1969, no Sindicato dos Bancários da Guanabara, durante assembleia da classe ali realizada para aumento salarial. AGO/69, preso e recolhido ao Departamento Especial de Fuzileiros Navais da Ilha das Flores, à disposição do IPM instaurado contra o mesmo. JUL/70, foi posto em liberdade de acordo com o alvará de soltura de 31 JUL 70, do Auditor das Auditorias da Marinha. O livro de Hugo Studart traz um trecho sobre José Toledo de Oliveira, do diário atribuído a Maurício Grabois: "Outro morto do DC foi seu VC [vice-comandante], o co Vitor. [...] Antes de chegar à região do Araguaia, fora preso, tendo passado mais de um ano nos cárceres do Cenimar. Torturado, portouse firmemente, não denunciando ninguém. [...] Bom comissário político. Mas pouco dominava a arte da luta armada. Bastante destemido e esforçado". Documentação de 01º de julho de 2009 , preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, informa que ele morreu em 1972. Foi uma das primeiras baixas da guerrilha. =========================================================================================================== + Informações.do livro Habeas Corpus) FRANCISCO MANOEL CHAVES (? - 1972) Afrodescendente de origem camponesa, ingressou muito jovem na Marinha. Em 3 de abril de 1935, engrossou as fileiras da Aliança Nacional Libertadora, filiando-se em seguida ao Partido Comunista. Preso em 1935, após a derrota da insurreição armada, foi torturado sob a chefia do comandante Lúcio Meira, sendo mais tarde recolhido ao presídio da Ilha Grande, no Estado do Rio de Janeiro. O escritor Graciliano Ramos, que conviveu com ele nessa época, narra em Memórias do Cárcere os esforços de Francisco e de outros companheiros para denunciar as condições desumanas em que viviam os detentos daquele presídio. Em 1937, Francisco foi expulso da Marinha, segundo informações encontradas nos arquivos secretos do Dops/SP. Libertado no início da década de 1940, participou da preparação da Conferência da Mantiqueira, em 1943, que reorganizou o PCB, sendo eleito suplente do Comitê Central do partido, cargo que exerceu até 1946. Perseguido após abril de 1964, já como militante do PCdoB, foi residir na região de Caianos, no Araguaia. Nessa época, já contava mais de 60 anos de idade, não se conhecendo precisamente sua data de nascimento. Foi morto em 21 de setembro de 1972, junto com José Toledo de Oliveira. Além da referência sobre sua morte constante no Relatório Arroyo, o "livro secreto", ou Orvil, elaborado pelo Exército sob a direção do general Leonidas Pires Gonçalves, registra o fato, mas com outra data: No dia 29, um grupo de quatro ou cinco terroristas tentou emboscar um GC do 10º BC. Os terroristas montaram uma emboscada numa capoeira. Percebida a ação, em razão dos ruídos produzidos pelos subversivos, foi montada uma contraemboscada na qual morreram três terroristas: Antônio Carlos Monteiro Teixeira (Antônio), José Toledo de Oliveira (Victor) e José Francisco Chaves (Zé Francisco). O livro de Hugo Studart transcreve trecho do diário de Maurício Grabois, cuja autenticidade ainda não está confirmada, em que o comandante principal da guerrilha teria anotado: "José Francisco, antigo marinheiro, ingressou no P em 1931. O guerrilheiro mais velho e o único preto do D. Tinha 64 anos, mas possuía muito vigor físico. [...] A idade para ele não era empecilho, embora já sentisse o peso dos anos". Nas exumações feitas no cemitério de Xambioá por uma comissão de familiares, parlamentares, legistas e pela Comissão Justiça e Paz de São Paulo, em 1991, foram encontrados ossos de um homem negro com mais de 60 anos, provavelmente de Francisco. Essa ossada permaneceu no Departamento de Medicina Legal da Unicamp sem ser identificada. Posteriormente, foi transferida para o IML de São Paulo. Na hipótese de ser localizado algum parente próximo e consanguíneo, será possível efetuar imediatamente a comparação com o perfil genético a ser extraído desses ossos, com boas chances de resultado positivo. ====================================================================================================== + Detalhes. Carta O Berro.........................................................repassem Araguaia: do mito ao homem Preto Chaves Há dois anos pesquiso a biografia do dirigente comunista e guerrilheiro do Araguaia Francisco Manoel Chaves, ou apenas Francisco Chaves, ou talvez ainda José Francisco Chaves, ou, como recentemente noticiado, Edmur Bequis de Camargo. Muitos, como João Amazonas e Graciliano Ramos, o chamavam de Preto Chaves, outros por Zé Francisco, ou Preto Velho. Por Agildo Nogueira Junior* Foto Única - Arquivos da Guerra do Araguaia Com tantos nomes pode-se imaginar a dificuldade de tal pesquisa. Mesmo tendo sido suplente do Comitê Central do PC do Brasil, eleito na Conferência da Mantiqueira, são poucas as informações sobre ele. A mais consistente, até o momento, é que era marinheiro e participou do levante de 1935. Preto Chaves viveu quase toda a sua vida adulta na clandestinidade, e foi bom nisso. Mas os primeiros resultados começam a aparecer. Como a foto que ilustra esta matéria, a primeira que encontro. Ela foi publicada em janeiro de 1946 no jornal Hoje, um dos muitos jornais comunistas editados na década de 1940. Ele e os companheiros Carmínio Casamante - do comitê municipal de Sorocaba - e Orlando Burgos de Carvalho, de Barretos, voltavam de uma reunião ampliada do Comitê Nacional do Partido, no Rio de Janeiro. Ao que se sabe, até hoje sua fisionomia era desconhecida da maioria. Até no cartaz que mostra os guerrilheiros do Araguaia, consta o seu nome mas nenhuma foto. Outra descoberta preciosa, que vai dando existência real ao imortal Preto Chaves, é a respeito de sua data e local de nascimento. Os indícios são de que tenha nascido no início do século 20 e que seja mineiro, ao invés de carioca como até agora se supôs. Ainda há muito a ser pesquisado sobre sua história. Foi um período de grande efervescência política, tanto partidária quanto nacional. Uma pesquisa pessoal impõe grandes desafios e investimentos para sua conclusão. Uma grande ajuda pode vir de pessoas que o conheceram pessoalmente e estejam dispostos a dar o seu testemunho. Todas as informações são bem vindas. Escreva para jr.agildo at ig.com.br. * De Campinas ======================================================================================================= Ficha. José Toledo de Oliveira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Toledo de Oliveira Cidade: (onde nasceu) Uberlândia Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 17/7/1941 Atividade: Advogado e bancário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Sobral Siqueira, José Antônio de Oliveira Prisão: 1/8/1969 Morto ou Desaparecido: Desaparecido 21/9/1972 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Centro de Informações da Marinha CENIMAR Brasil Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social DOPS ou DEOPS Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Bancário Toledo, outro morto sem sepultura. Jornal Toledo, (Jornal dos Bancários do Rio de Janeiro), 13 jul. 1986. Biografia de José Toledo com destaque nas atuações políticas no Sindicato dos Bancários, prisão no DOPS e no Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) com as respectivas torturas, morte na Guerrilha do Araguaia e posterior ocultação desta pelo Exército, fazendo dele mais de uma de dezenas pessoas desaparecidas oficialmente. Com depoimentos de companheiros de militância no sindicato e de cárcere sobre sua coragem e determinação. Artigo de jornal "Burguês" ajuda tenente processado como membro do MR-8. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 27 fev. 1970. Sobre o interrogatório interrompido de Jorge Medeiros, conhecido como "Bom Burguês", denunciado no processo MR-8 do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), juntamente com mais trinta pessoas acusadas de assaltos a banco, compra de armas e de terra para prática de guerrilha rural. O interrogatório teve que ser suspenso, pois o denunciado, que se encontrava preso na Ilha das Flores, não apresentou condições de saúde para continuar. Na auditoria do Exército, o Conselho Permanente de Justiça decidiu relaxar a prisão de Sebastião Cardoso, membro da Companhia de Transportes Coletivos (CTC), denunciado com mais onze pessoas por atividades subversivas, entre elas está José Toledo de Oliveira. A vítima se encontra entre as pessoas acusadas. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Foto Foto de busto. Foto Foto de um grupo de pessoas com legenda manuscrita "Recepção aos companheiros bancários cubanos-Rio-25/03/60".José Toledo aparece sob indicação, com seu nome também manuscrito. Foto Duas fotos de rosto ampliada. Relatório Relação manuscrita e pouco legível de militantes do Sindicato dos Bancários. O nome de José Toledo de Oliveira encabeça a lista de contatos na primeira página. Possui carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Documento do Ministério do Exército. Informa que José Toledo de Oliveira está sob a condição de procurado pelo CODI do I Exército. Possui código da pasta de onde foi retirada a informação do parágrafo. Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo ========================================================================== Ficha Francisco Manoel Chaves Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Francisco Manoel Chaves Dados da Militância Organização: (na qual militava) Aliança Nacional Libertadora ANL Brasil Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Prisão: 0/0/1935 Angra dos Reis RJ Brasil Presídio de Ilha Grande Libertado no início da década de 40. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 21/9/1972 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Lúcio Meira Biografia Documentos Artigo de jornal Dossiê revela detalhes da guerrilha. Noptícias (Publicação do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores), São Paulo, n. 2, maio 1996, p. 3. Informa que Maria Lúcia foi a primeira guerrilheira a ser morta e foi a primeira a ser identificada pela equipe de legistas da UNICAMP. Indícios, como tipo de vestimenta e o material que foi encontrado junto à ossada da vítima, auxiliaram no processo de identificação. Um outro corpo foi encontrado junto às ossadas e, segundo Elza Monerat, sobrevivente da guerrilha, pode ser de Francisco Chaves, ex-marinheiro e integrante da guerrilha. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, sem data. Informa que Francisco foi expulso da Marinha, por participar de atividades comunistas. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110914/81e12d78/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 5832 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110914/81e12d78/attachment.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Chomsky revisita o 11 de Setembro A resposta ao 11 de Setembro, um ataque maciço a uma população muçulmana, conduziu os Estados Unidos à 'armadilha diabólica' estendida por Bin Laden. O resultado foi que Washington continuou a ser o único aliado indispensável de Bin Laden, mesmo após a sua morte. Gastos militares grotescamente aumentados e dependência da dívida... pode ser o mais pernicioso legado do homem que pensou que poderia derrotar os Estados Unidos. O artigo é de Noam Chomsky. Noam Chomsky Estamos a aproximar-nos do 10º aniversário das horrendas atrocidades do 11 de setembro de 2001, que, como se diz habitualmente, mudaram o mundo. No dia 1° de Maio deste ano, o presumível mentor do crime, Osama Bin Laden, foi assassinado no Paquistão por um comando militar de elite dos EUA, os SEALs da Marinha, depois de ter sido capturado, desarmado e indefeso, na Operação Geronimo. Uma série de analistas observaram que Bin Laden, apesar de ter sido finalmente morto, obteve importantes sucessos na sua guerra contra os EUA. ?Ele afirmou muitas vezes que a única maneira de expulsar os EUA do mundo muçulmano e derrotar os seus sátrapas era atrair os americanos para uma série de pequenas mas caras guerras, que acabariam por arruiná-los?, escreve Eric Margolis. ?'Sangrar os EUA', nas suas próprias palavras. Os Estados Unidos, primeiro sob George W. Bush e depois sob Barack Obama, correram diretamente para a armadilha de Bin Laden... Gastos militares grotescamente aumentados e dependência da dívida... pode ser o mais pernicioso legado do homem que pensou que poderia derrotar os Estados Unidos? ? particularmente quando a dívida está a ser cinicamente explorada pela extrema-direita, com a conivência do establishment democrata, para minar o que resta de programas sociais, de educação pública, de sindicatos, e, em geral, das restantes barreiras à tirania empresarial. Logo se tornou evidente que Washington estava inclinado a realizar os mais fervorosos desejos de Bin Laden. Como discuti no meu livro ?9-11?, escrito pouco depois da ocorrência dos ataques, qualquer um que conhecesse a região poderia reconhecer ?que um ataque maciço a uma população muçulmana era a resposta às orações de Bin Laden e dos seus seguidores, e conduziria os Estados Unidos e os seus aliados a uma 'armadilha diabólica', nas palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros francês?. O analista sênior da CIA responsável por perseguir Osama Bin Laden desde 1996, Michael Scheuer, escreveu pouco depois que ?Bin Laden tem dito com precisão as razões que o levaram a desencadear a guerra contra nós. [Ele] pretende mudar de forma drástica as políticas dos EUA e do Ocidente em relação ao mundo islâmico?, e com um amplo sucesso: ?As forças e as políticas dos EUA estão a provocar a radicalização do mundo islâmico, algo que Osama Bin Laden vem tentando fazer com sucesso substancial, mas incompleto, desde o início dos anos 90. O resultado, parece-me justo concluir, é que os Estados Unidos da América continuam a ser o único aliado indispensável de Bin Laden.? E possivelmente continuam a sê-lo, mesmo após a sua morte. O primeiro 11/9 Havia uma alternativa? Há todas as probabilidades de que o movimento jihadista, muito do qual altamente crítico a Bin Laden, pudesse ter sido dividido e minado após o 11/9. O ?crime contra a humanidade?, como era correctamente chamado, poderia ter sido abordado como um crime, com uma operação internacional para deter os presumíveis suspeitos. Na época esta ideia foi reconhecida, mas a sua execução sequer foi considerada. Em ?9-11?, citei a conclusão de Robert Fisk de que ?o crime horrendo? de 11/9 foi cometido ?com maldade e crueldade impressionante,? um juízo exato. É útil ter em mente que os crimes poderiam ter sido ainda piores. Suponham, por exemplo, que o ataque tivesse ido tão longe ao ponto de bombardear a Casa Branca, matando o presidente, de impor uma ditadura militar brutal que matasse milhares e torturasse dezenas de milhares, instalando ao mesmo tempo um centro de terror internacional que ajudasse a impor estados similares de tortura-e-terror noutros países, e executando uma campanha internacional de assassinato; e como um incentivo suplementar, tivesse trazido uma equipa de economistas ? chamemos-lhes de ?os Kandahar boys? ? que rapidamente conduzissem a economia a uma das piores depressões da sua história. Claramente, teria sido muito pior do que o 11/9. Infelizmente, nada disto é especulação. Aconteceu. A única inexatidão neste breve relato é que os números devem ser multiplicados por 25 para produzir equivalentes per capita, a medida apropriada. Refiro-me, naturalmente, àquilo que na América Latina é frequentemente chamado de ?o primeiro 11/9?: o 11 de Setembro de 1973, quando os Estados Unidos culminaram com sucesso os seus esforços para derrubar o governo democrático de Salvador Allende, no Chile, com um golpe militar que levou ao poder o regime brutal do general Pinochet. O objetivo, nas palavras da administração Nixon, era matar o ?vírus? que poderia estimular todos esses ?estrangeiros [que] andam a querer tramar-nos? e que queriam assumir o controle dos seus próprios recursos e aplicar uma política intolerável de desenvolvimento independente. A apoiar esta política estava a conclusão do Conselho de Segurança Nacional que, se os EUA não conseguiam controlar a América Latina, não se podia esperar que conseguissem realizar a sua Ordem ?em qualquer outro lugar no mundo.? O primeiro 11/9, ao contrário do segundo, não mudou o mundo. Não era ?nada de grandes consequências?, como garantiu Henry Kissinger ao seu chefe poucos dias depois. Estes eventos de poucas consequências não se limitaram ao golpe militar que destruiu a democracia chilena e pôs em movimento a história de horror que se seguiu. O primeiro 11/9 foi apenas um ato de um drama que começou em 1962, quando John F. Kennedy alterou a missão dos militares latino-americanos de ?defesa hemisférica? ? um resquício anacrônico da Segunda Guerra Mundial ? para a ?segurança interna?, um conceito com uma interpretação arrepiante nos círculos latino-americanos dominados pelos EUA. Na ?História da Guerra Fria?, recentemente publicada pela Universidade de Cambridge, o acadêmico latino-americano John Coatsworth escreve que daquele tempo até ?ao colapso soviético em 1990, o número de presos políticos, de vítimas de tortura, e de execuções de dissidentes políticos não violentos na América Latina excedeu amplamente os da União Soviética e seus satélites europeus do Leste,? incluindo também muitos mártires religiosos e massacres em massa, sempre apoiados ou iniciado em Washington. O último grande ato violento foi o assassinato brutal de seis importantes intelectuais latino-americanos, sacerdotes jesuítas, poucos dias depois da queda do Muro de Berlim. Os criminosos foram um batalhão de elite salvadorenho, que já tinha deixado um chocante rasto de sangue, recém saído de um treinamento na Escola de Guerra Especial JFK, que actua sob as ordens diretas do Alto Comando do estado cliente dos Estados Unidos. Evidentemente, as consequências desta praga hemisférica ainda ecoam. Dos raptos à tortura e ao assassinato Tudo isto, e muitas coisas semelhantes, são desvalorizadas como sendo de pouca importância, e esquecidas. Aqueles cuja missão é governar o mundo desfrutam de uma imagem mais reconfortante, muito bem articulada na atual edição do prestigiado (e valioso) jornal do Royal Institute of International Affairs, em Londres. O artigo principal discute ?a ordem internacional visionária? da ?segunda metade do século XX? marcada pela ?universalização de uma visão americana da prosperidade comercial?. Eis uma visão que não chega a exprimir a percepção daqueles que estão do lado errado das armas. O mesmo vale para o assassinato de Osama Bin Laden, que põe fim, pelo menos, a uma fase da ?guerra contra o terror? re-declarada pelo presidente George W. Bush no segundo 11/9. Façamos algumas reflexões sobre esse evento e o seu significado. Em 1° maio de 2011, Osama Bin Laden foi morto na sua praticamente desprotegida residência por uma incursão de 79 SEALs da Marinha, que entraram no Paquistão de helicóptero. Depois de muitas histórias sensacionalistas fornecidas pelo governo e retiradas, os relatórios oficiais tornaram cada vez mais claro que a operação foi um assassinato planejado, violando multiplamente as normas elementares do direito internacional, começando com a invasão em si. Não parece ter havido qualquer tentativa de deter a vítima desarmada, como presumivelmente poderia ter sido feito por 79 comandos que não enfrentaram oposição ? excepto, relatam, da sua esposa, também desarmada, contra a qual dispararam em legítima defesa, quando ela ?arremeteu? sobre eles, de acordo com a Casa Branca. A reconstrução plausível dos acontecimentos foi feita pelo veterano correspondente no Oriente Médio, Yochi Dreazen, e colegas na revista Atlantic. Dreazen, ex-correspondente militar do Wall Street Journal, é correspondente sênior do Grupo National Journal, cobrindo assuntos militares e de segurança nacional. De acordo com a sua investigação, o planeamento da Casa Branca não parece ter considerado a opção de capturar Bin Laden vivo: ?O governo deixou claro ao clandestino Comando Conjunto de Operações Especiais que queria Bin Laden morto, de acordo com uma autoridade sênior dos EUA que teve conhecimento das discussões. Um oficial de alta patente militar que foi informado do assalto disse que os SEALs sabiam que a sua missão não era levá-lo vivo.? Os autores acrescentam: ?Para muitos, no Pentágono e na CIA, que tinham passado quase uma década a caçar Bin Laden, matar o militante foi um ato necessário e justificado de vingança?. Além disso, ?a captura de Bin Laden vivo teria também posto a administração diante de uma série de incômodos desafios jurídicos e políticos?. Melhor, então, assassiná-lo, deitar o corpo ao mar sem a autópsia considerada essencial depois de uma morte ? um ato que previsivelmente provocou raiva e ceticismo em grande parte do mundo muçulmano. Como observa a investigação da Atlantic: ?A decisão de matar Bin Laden sem rodeios foi a ilustração mais clara até agora de um aspecto pouco notado da política de contra-terrorismo da administração Obama. O governo Bush capturou milhares de militantes suspeitos e enviou-os para campos de detenção no Afeganistão, no Iraque e na Baía de Guantánamo. A administração Obama, em contraste, tem-se concentrado em eliminar terroristas individuais em vez de tentar capurá-los vivos.? Trata-se de uma diferença significativa entre Bush e Obama. Os autores citam o ex-chanceler da Alemanha Ocidental Helmut Schmidt, que ?disse à TV alemã que a invasão dos EUA foi 'muito claramente uma violação do direito internacional' e que Bin Laden deveria ter sido detido e levado a julgamento?, contrapondo Schmidt ao Procurador Geral dos EUA, Eric Holder, que ?defendeu a decisão de matar Bin Laden, embora este não representasse uma ameaça imediata para os SEALs, dizendo a um painel da Câmara ... que o assalto tinha sido 'legal, legítimo e adequado em todos os sentidos'?. A eliminação do corpo sem autópsia também foi criticada por aliados. O eminente advogado britânico Geoffrey Robertson, que apoiou a intervenção e se opôs à execução em grande parte por razões pragmáticas, considerou no entanto a afirmação de Obama de que ?fora feita justiça? como um ?absurdo?, o que deveria ser óbvio para um ex-professor de direito constitucional. A lei do Paquistão ?exige um inquérito sobre a morte violenta e a legislação internacional de direitos humanos insiste que o 'direito à vida' obriga a um inquérito sempre que ocorre uma morte violenta por acção de um governo ou da polícia. Os EUA têm, portanto, o dever de realizar um inquérito que satisfaça o mundo quanto às verdadeiras circunstâncias desta morte.? Robertson, a propósito, recorda-nos que ?nem sempre foi assim. Quando chegou a hora de decidir o destino de homens muito mais mergulhados na maldade que Osama Bin Laden ? a liderança nazi ? o governo britânico queria que eles fossem enforcados seis horas após a captura. O presidente Truman hesitou, citando a conclusão de Robert Jackson, do Supremo Tribunal, que a execução sumária ?não se sentaria facilmente na consciência americana nem seria lembrada pelos nossos filhos com orgulho... o único caminho é determinar a inocência ou culpa do acusado depois de uma audiência tão desapaixonada quanto os tempos permitam e após um registo que vai deixar claros as nossas razões e motivos?. Eric Margolis comenta que ?Washington nunca publicou provas da sua afirmação de que Osama bin Laden esteve por trás dos ataques do 11 de Setembro?, presumivelmente uma razão pela qual ?as sondagens mostram que pelo menos um terço dos americanos que responderam acredita que o governo de Estados Unidos e/ou Israel estiveram por trás do 11 de Setembro?, enquanto no mundo muçulmano o ceticismo é muito mais alto. ?Um julgamento aberto nos Estados Unidos ou em Haia teria exposto essas afirmações à luz do dia?, continua, razão prática pela qual Washington deveria ter seguido a lei. Em sociedades que professam algum respeito pela lei, os suspeitos são detidos e levados a um julgamento justo. Sublinho "suspeitos". Em junho de 2002, o chefe do FBI Robert Mueller, no que o Washington Post descreveu como ?entre os seus comentários públicos mais detalhados sobre a origem dos ataques?, pôde dizer apenas que ?os investigadores crêem na ideia de que os ataques do 11 de Setembro ao World Trade Center e ao Pentágono vieram de líderes da Al Qaeda no Afeganistão, a maquinação efectiva foi feita na Alemanha, e o financiamento veio através dos Emirados Árabes Unidos a partir de fontes no Afeganistão.? O que o FBI acreditou e pensou em junho de 2002 não o sabia oito meses antes, quando Washington repeliu ofertas provisórias dos Taliban (quão sérias, não sabemos) para permitir um novo julgamento de Bin Laden se lhes fossem apresentadas provas. Assim, não é verdade, como o presidente Obama afirmou nas suas declarações da Casa Branca depois da morte de Bin Laden, que ?rapidamente soubemos que os ataques do 11 de Setembro foram executados pela Al-Qaeda.? Nunca houve alguma razão para duvidar do que o FBI acreditou em meados de 2002, mas isto deixa-nos longe da prova da culpa requerida em sociedades civilizadas ? e quaisquer que as provas fossem, não justificam o assassinato de um suspeito que, parece, teria sido facilmente detido e levado a julgamento. O mesmo é mais ou menos verdade quanto às provas fornecidas desde então. Assim, a Comissão do 11 de Setembro forneceu provas circunstanciais extensas do papel de Bin Laden no 11 de Setembro, baseando-se principalmente no que lhe tinha sido dito sobre confissões de presos de Guantánamo. É duvidoso que muito disso se sustivesse num julgamento independente, tendo em conta as maneiras como as confissões foram extraídas. Mas, em qualquer caso, as conclusões de uma investigação autorizada pelo Congresso, por muito convincentes que se possam achar, claramente ficariam aquém de uma sentença por um tribunal credível, que é o que passa a categoria do acusado de suspeito para condenado. Fala-se muito da "confissão" de Bin Laden, mas aquilo foi uma fanfarronice, não uma confissão, com tanta credibilidade quanto a minha "confissão" de que ganhei a maratona de Boston. A fanfarronice diz-nos muito do seu caráter, mas nada da sua responsabilidade pelo que ele considerou como um grande feito, do qual quis ficar com o crédito. De novo, tudo isso é, de forma transparente, bastante independente do nosso juízo sobre a sua responsabilidade, que pareceu clara imediatamente, mesmo antes do inquérito do FBI, e que ainda parece. Crimes de Agressão Vale a pena acrescentar que a responsabilidade de Bin Laden foi reconhecida na maior parte do mundo muçulmano e condenada. Um exemplo significativo é o do eminente clérigo libanês, xeique Fadlallah, muito respeitado em geral pelo Hezbollah e por grupos xiitas, também fora do Líbano. Ele tinha alguma experiência com assassinatos. Tinha sido visado para assassínio: por um caminhão-bomba fora duma mesquita, numa operação organizada pela CIA em 1985. Escapou, mas 80 outros foram mortos, na maior parte mulheres e meninas ao saírem da mesquita ? um daqueles crimes inumeráveis que não entram para os anais do terror por causa da falácia ?da agência errada.? O xeique Fadlallah condenou marcadamente os ataques do 11 de Setembro. Um dos especialistas principais do movimento jihadista, Fawaz Gerges, sugere que o movimento poderia ter-se dividido, tivessem os Estados Unidos explorado a oportunidade, em vez de mobilizar o movimento, em particular com o ataque ao Iraque, um grande benefício para Bin Laden, que levou a um aumento acentuado do terror, como as agências de espionagem tinham antecipado. Nas audições Chilcot, ao investigar o contexto da invasão do Iraque, por exemplo, o antigo chefe da agência de informações internas britânica MI5 declarou que tanto a agência britânica como a dos Estados Unidos estavam conscientes de que Saddam não representava qualquer ameaça séria, que a invasão provavelmente aumentaria o terror e que as invasões do Iraque e do Afeganistão tiveram partes de uma geração radicalizada de muçulmanos que viram as acções militares como ?um ataque ao Islão?. Como acontece muitas vezes, a segurança não foi uma prioridade alta para a acção do estado. Poderia ser instrutivo perguntarmo-nos como estaríamos reagindo se comandos iraquianos tivessem aterrado no complexo militar de George W. Bush, o assassinassem e lançassem o corpo no Atlântico (depois dos rituais fúnebres devidos, naturalmente). Sem sombra de controvérsia, ele não era um "suspeito" mas sim o "decisor" que deu as ordens para invadir o Iraque ? isto é, cometer ?o crime internacional supremo que só se diferencia de outros crimes de guerra por conter dentro de si a maldade acumulada da totalidade? pelo qual os criminosos nazis foram enforcados: as centenas de milhares de mortes, os milhões de refugiados, a destruição da maior parte do país e do seu patrimônio nacional e o conflito sectário assassino que agora se estendeu ao resto da região. Igualmente de forma incontroversa, esses crimes excederam vastamente tudo o atribuído a Bin Laden. Dizer que tudo isso é incontroverso, conforme é, não quer dizer que não seja negado. A existência de aplanadores da Terra não muda o fato de que, de forma incontroversa, a terra não é plana. De forma semelhante, é incontroverso que Stalin e Hitler foram responsáveis por crimes horrendos, embora os seus partidários o neguem. Tudo isto deveria, de novo, ser demasiado óbvio para ser comentado, e sê-lo-ia, excepto numa atmosfera de histeria tão extrema que bloqueasse o pensamento racional. De forma semelhante, é incontroverso que Bush e seus parceiros cometeram mesmo o ?crime internacional supremo? ? o crime da agressão. Aquele crime foi definido de forma suficientemente clara pelo magistrado Robert Jackson, o Chefe do Conselho dos Estados Unidos em Nuremberga. "Um agressor", propôs Jackson ao Tribunal na sua declaração de abertura, é um estado que é o primeiro a cometer tais ações como a ?invasão pelas suas forças armadas, com ou sem declaração da guerra, do território de outro estado?. Ninguém, nem mesmo o apoiante mais extremo da agressão, nega que Bush e parceiros fizeram precisamente isso. Também faríamos bem em lembrar as palavras eloquentes de Jackson em Nuremberga sobre o princípio da universalidade: ?Se certos atos na violação de tratados são crimes, são crimes sejam os Estados Unidos ou seja a Alemanha fazê-los e não estamos preparados para estabelecer uma regra da conduta criminal contra outros que não estivéssemos dispostos a ter invocado contra nós?. É também claro que intenções anunciadas são irrelevantes, mesmo se nelas se acreditar verdadeiramente. Registos internos revelam que os fascistas japoneses aparentemente acreditaram que, ao assolar a China, se esforçavam por a converter ?num paraíso terrestre?. E embora possa ser difícil imaginar, é concebível que Bush e companhia acreditassem que protegiam o mundo da destruição pelas armas nucleares de Saddam. Tudo irrelevante, embora partidários ardentes em todos os lados possam tentar convencer-se de outra coisa. Deixam-nos duas escolhas: ou Bush e seus parceiros são culpados do ?crime internacional supremo? incluindo de todos os males que se seguem, ou então declaramos que os processos de Nuremberga foram uma farsa e que os aliados eram culpados de assassinato judicial. A Mentalidade Imperial e o 11 de Setembro Alguns dias antes do assassinato de Bin Laden, Orlando Bosch morreu pacificamente na Flórida, onde viveu juntamente com o seu cúmplice Luis Posada Carriles e muitos outros parceiros do terrorismo internacional. Depois de ter sido acusado de dúzias de crimes terroristas pelo FBI, Bosch recebeu um perdão presidencial de Bush I, passando por cima das objecções do Departamento de Justiça que considerou a conclusão ?inevitável de que seria prejudicial para o interesse público dos Estados Unidos fornecer um porto seguro a Bosch?. A coincidência dessas mortes imediatamente traz a doutrina de Bush II à lembrança ? ?já ? uma regra de facto das relações internacionais?, segundo o notável especialista de relações internacional de Harvard Graham Allison ? que renega ?a soberania de estados que fornecem santuário a terroristas?. Allison refere-se à declaração oficial de Bush II, dirigida aos Taliban, de que ?aqueles que abrigam terroristas são tão culpados como os próprios terroristas?. Tais estados, portanto, perderam a sua soberania e são objectivos prontos para bombardeamento e terror ? por exemplo, o estado que abrigou Bosch e o seu parceiro. Quando Bush emitiu esta nova ? regra de fato das relações internacionais,? ninguém pareceu notar que ele apelava à invasão e destruição dos Estados Unidos e ao assassínio dos seus presidentes criminosos. Nada disto é problemático, claro, se rejeitarmos o princípio da universalidade do magistrado Jackson, e adotarmos antes o princípio de que os Estados Unidos são auto-imunes contra o direito internacional e as convenções ? como, de fato, o governo tornou frequentemente muito claro. Vale a pena também pensar no nome dado à operação de Bin Laden: Gerônimo. A mentalidade imperial é tão profunda que poucos parecem capazes de perceber que a Casa Branca está a glorificar Bin Laden chamando-lhe ?Gerônimo? - o chefe índio apache que conduziu a resistência corajosa aos invasores das terras Apache. A escolha descuidada do nome lembra a tranquilidade com que damos nomes às nossas armas de assassinato a partir das vítimas dos nossos crimes: Apache, Blackhawk [1]? Poderíamos reagir diferentemente se a Luftwaffe tivesse chamado aos seus aviões de combate "Judeu" e "Cigano". Os exemplos mencionados caem dentro da categoria ?excepcionalismo americano,? não fosse o facto de uma supressão fácil dos crimes próprios ser virtualmente ubíqua entre estados poderosos, pelo menos naqueles que não são derrotados e obrigados a reconhecer a realidade. Talvez o assassinato tenha sido percebido pela administração como ?um ato de vingança,? como Robertson conclui. E talvez a rejeição da opção legal de um julgamento reflicta uma diferença entre a cultura moral de 1945 e a de hoje, como ele sugere. Qualquer que fosse o motivo, dificilmente podia ter sido apenas a segurança. Como no caso de ?crime internacional supremo? no Iraque, o assassinato de Bin Laden é outra ilustração do fato importante de que a segurança é muitas vezes não uma alta prioridade da ação do estado, ao contrário da doutrina que recebemos. (*) Noam Chomsky é Professor emérito do Instituto no Departamento de Linguística e Filosofia do MIT. É autor de numerosas obras políticas de topo de vendas, incluindo ?9-11: Was There an Alternative?? (Seven Stories Press), uma versão atualizada do seu relato clássico, que acaba de ser publicada esta semana juntamente com um novo ensaio destacado ? a partir do qual este post foi adaptado ? levando em conta os 10 anos desde os ataques do 11 de Setembro. (**) Tradução de Luis Leiria e Paula Sequeiros para o Esquerda.net A partir de texto publicado em Tom Dispatch [1] NT: Blackhawk, líder guerreiro dos nativos Norte-Americanos Sauk que demonstrou ser um poderoso opositor dos invasores colonizadores ingleses http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18461 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110914/35c70366/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10553 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110914/35c70366/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 15 16:37:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 15 Sep 2011 19:37:31 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ANT=D4NIO_ALFREDO_DE_LIMA__e__JO=C3O_?= =?iso-8859-1?q?GUALBERTO_CALATRONE__________________________-CCXLV?= =?iso-8859-1?q?II-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ANDRÉ GRABOIS - vj na série nº CXXI - "Para não esquecer jamais." DIVINO FERREIRA DE SOUZA - vj na série nº CCIII - "Para não esquecer jamais" ANTÔNIO ALFREDO DE LIMA (1938-1973) Filiação: não consta Data e local de nascimento: 1938, no estado do Pará Organização política ou atividade: Forças Guerrilheiras do Araguaia Data do desaparecimento: 13 ou 14/10/1973 Seu nome consta da lista de desaparecidos políticos do anexo da Lei nº 9.140/95 como Antônio Alfredo Campos. Lavrador, natural do estado do Pará, tinha 35 anos quando foi morto pelas forças armadas, no dia 14/10/73, em sua roça, às margens do rio Fortaleza, em São João do Araguaia, conforme registrado no Relatório Arroyo. Foi barqueiro, vaqueiro, tropeiro, castanheiro e lavrador. Vivia com a mulher e três filhos como posseiro, no município de São João do Araguaia, quando foi ameaçado de expulsão e morte por grileiros e intimado a abandonar o local. Resistiu, aderindo à guerrilha. Dizia: "Posseiro que se entrega a grileiro, vira andarilho no mundo, sempre com seus bagulhos nas costas, sem ter onde cair morto". Segundo relatos de pessoas da região, gostava de ensinar e transmitia suas experiências de caçador e mateiro aos companheiros. Alfredo também tinha muita disposição para o aprendizado. Analfabeto, em poucos meses aprendeu a ler e escrever. Aconselhava os outros lavradores a fazerem o mesmo. No início de outubro de 1973, sua mulher, Oneide, e os filhos foram presos e torturados. Mesmo assim Alfredo permaneceu na luta, sendo morto uma semana depois, em companhia de André Grabois, João Gualberto e Divino. Em 17/06/2007, o jornalista Leonel Rocha publicou matéria no Correio Braziliense com informações sobre a possível localização dos corpos de Antonio Alfredo, André e João Gualberto: "Manoel Lima, conhecido como Vanu, foi um dos principais guias do Exército. E também de maior confiança. Ele ficou encarregado de transportar os corpos dos guerrilheiros José Carlos, codinome de André Grabois, desaparecido desde outubro de 1973; Zebão, nome fictício de João Gualberto Calatrone, desaparecido em 1973; e de Antônio Alfredo de Lima, morto em outubro do mesmo ano. 'Eu enterrei os três guerrilheiros aqui, na mesma cova', aponta Manu para o terreno onde os revoltosos tinham construído uma casa. Neste local, a viúva de José Carlos, Criméia Almeida, realizou buscas há cerca de cinco anos, mas nada encontrou. O mateiro garante que as escavações foram feitas em local errado". JOÃO GUALBERTO CALATRONE (1951-1973) Filiação: Osória de Lima Calatrone e Clotildio Bueno Calatrone Data e local de nascimento: 07/01/1951, Nova Venécia (ES) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 13 ou 14/10/1973 Embora sejam muito escassas as informações biográficas que puderam ser colhidas a respeito de João Gualberto Calatrone, sabe-se que teve destacada atuação política no Espírito Santo como estudante secundarista. Formou-se em contabilidade no nível técnico. Em 1970, foi residir no Araguaia na posse do Chega com Jeito, próximo a Brejo Grande, adotando o nome Zebão. Na vida rural, se destacou como tropeiro e mateiro, de acordo com depoimentos de pessoas que conviveram com ele. Calado, ouvia mais que falava, mas sempre tinha uma solução para os problemas que apareciam. Tinha grande capacidade para improvisações. Foi combatente do Destacamento A até sua morte, aos 22 anos de idade, quando foi surpreendido em companhia de André, Antonio Alfredo e Divino. O jornalista Hugo Studart informa em A Lei da Selva que o Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram diretamente da repressão à guerrilha, dá como data de sua morte o dia 13 de outubro de 1973. ============================================================================================================================= + Informações. ANTÔNIO ALFREDO CAMPOS Desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Camponês residente na Região do Araguaia que se incorporou à Guerrilha. Casado, tinha filhos. Desapareceu após cair em uma emboscada em sua roça no dia 14 de outubro de 1973, às margens do Rio Fortaleza, em São João do Araguaia/PA, juntamente com André Grabois, João Gualberto e Divino Ferreira de Souza. Depoimentos de moradores da região dizem haver encontrado, anos depois, uma arcada dentária no local onde provavelmente teriam sido enterrados. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que Alfredo era militante do PCdoB e guerrilheiro, enquanto que o Ministério do Exército diz não possuir registros a seu respeito. JOÃO GUALBERTO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia. Como estudante secundarista, teve grande atuação política no seu estado natal - Espírito Santo. No ano de 1970, foi residir na região do Araguaia, na posse do Chega Com Jeito, próxima a Brejo Grande. No campo, destacou-se como tropeiro e mateiro. Com seu jeito calado, ouvia mais do que falava, mas sempre tinha uma solução para os problemas difíceis que surgiam. Tinha grande capacidade para improvisações. Foi combatente do Destacamento A - Helenira Resende - das Forças Guerrilheiras. Foi morto em combate, em 14 de outubro de 1973, juntamente com André Grabois, Antônio Alfredo e Divino Ferreira de Souza, numa emboscada, na roça de An-tônio Alfredo Campos, às margens do Rio Fortaleza. Depoimentos de moradores da região dizem haver encontrado, anos depois, uma arcada dentária no local onde provavelmente teriam sido enterrados. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Divino teria morrido em 14 de dezembro de 1973, ou seja, 2 meses após ser ferido na referida emboscada. =========================================================================================== + Informações. do livro Habeas Corpus) ANTÔNIO ALFREDO DE LIMA (1938-1973) Foi barqueiro, vaqueiro, tropeiro, castanheiro e lavrador. Vivia com a mulher e três filhos, como posseiro, no município de São João do Araguaia, quando foi ameaçado de expulsão e morte por grileiros e intimado a abandonar o local. Resistiu, aderindo à guerrilha. Dizia: "Posseiro que se entrega a grileiro vira andarilho no mundo, sempre com seus bagulhos nas costas, sem ter onde cair morto". Seu nome consta da lista de desaparecidos políticos, do anexo da Lei nº 9.140/95, como Antônio Alfredo Campos. Lavrador, natural do Estado do Pará, tinha 35 anos quando foi morto pelas Forças Armadas, no dia 14 de outubro de 73, em sua roça, às margens do rio Fortaleza, em São João do Araguaia, conforme registrado no Relatório Arroyo. Segundo relatos de pessoas da região, Antônio gostava de ensinar e transmitia suas experiências de caçador e mateiro aos companheiros. Alfredo também tinha muita disposição para o aprendizado. Analfabeto, em poucos meses aprendeu a ler e escrever. Aconselhava os outros lavradores a fazer o mesmo. No início de outubro de 1973, sua mulher, Oneide, e os filhos foram presos e torturados. Mesmo assim Alfredo permaneceu na luta, sendo morto uma semana depois, em companhia de André Grabois, João Gualberto e Divino. Em 17 de junho de 2007, o jornalista Leonel Rocha publicou matéria no Correio Braziliense com informações sobre a possível localização do corpo de Antônio Alfredo, conforme já transcrito no registro sobre André Grabois JOÃO GUALBERTO CALATRONE (1951-1973) João Gualberto nasceu em Nova Venécia, Espírito Santo, em 1951. Embora sejam muito escassas as informações biográficas que puderam ser colhidas a seu respeito, sabe-se que teve atuação política no seu estado como estudante secundarista. Formou-se em Contabilidade no nível técnico. Em 1970, foi residir no Araguaia, na posse do Chega com Jeito, próximo a Brejo Grande, adotando o nome Zebão. Na vida rural, se destacou como tropeiro e mateiro, de acordo com depoimentos de pessoas que conviveram com ele. Calado, ouvia mais que falava, mas sempre tinha uma solução para os problemas que apareciam. Demonstrava grande capacidade de improvisação. Foi combatente do Destacamento A até sua morte, aos 22 anos de idade, quando foi surpreendido em companhia de André, Antonio Alfredo e Divino. Em O Coronel Rompe o Silêncio, Luiz Maklouf Carvalho informa: O coronel Lício sustenta a versão de que os três mortos e o ferido foram levados, em burros, até o sítio da Oneide, que não sabe localizar, e lá entregues a militares do Pelotão de Investigações Criminais. [...] Em relação ao destino dos corpos, o ex-guia do Exército José Veloso [Vanu] diz que os de Zé Carlos, Zebão e Alfredo ficaram no Caçador, 'entre São José e Chega com Jeito' num castanhal. O jornalista Hugo Studart afirma em A Lei da Selva que o Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram diretamente da repressão à guerrilha, dá como data da morte de João Gualberto o dia 13 de outubro de 1973. O dia seguinte, 14 de outubro, aparece em Bacaba, de José Vargas Jiménez. Uma terceira data, 25 de dezembro, consta das informações recebidas em 1996 pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro, junto a uma descrição física pormenorizada de João Gualberto. ================================================================================================= Antônio Alfredo de Lima Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Antônio Alfredo de Lima Atividade: Camponês Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Desaparecido 14/10/1973 São João do Araguaia PA Brasil região do Araguaia, margens do Rio Fortaleza Clandestinidade Dados da repressão Biografia Biografia Desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Camponês residente na Região do Araguaia que se incorporou à Guerrilha. Casado, tinha filhos. Desapareceu após cair em uma emboscada em sua roça no dia 14 de outubro de 1973, às margens do Rio Fortaleza, em São João do Araguaia, PA, juntamente com André Grabois, João Gualberto e Divino Ferreira de Souza. Depoimentos de moradores da região dizem haver encontrado, anos depois, uma arcada dentária no local onde provavelmente teriam sido enterrados. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que Alfredo era militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e guerrilheiro, enquanto que o Ministério do Exército diz não possuir registros a seu respeito. Documentos Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes ================================================================================= . João Gualberto Calatroni Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: João Gualberto Calatroni Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 14/10/1973 PA Brasil região do Araguaia, margens do Rio Fortaleza Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I.] ======================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110915/f2bc5ed0/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2779 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110915/f2bc5ed0/attachment.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4675 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110915/f2bc5ed0/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 15 16:37:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 15 Sep 2011 19:37:41 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_VII_SEMANA_GRAMSCIANA_-_A_DEMOCRACIA_N?= =?utf-8?q?O_S=C3=89CULO_XXI_-_18_a_23_de_setembro=2E_Local=3A_Memo?= =?utf-8?q?rial_da_Classe_Oper=C3=A1ria_=E2=80=93_UGT=2E_-_Rua_Jos?= =?utf-8?b?w6kgQm9uaWbDoWNpbyBuwrouIDU5IOKAkyBDZW50cm8g4oCTIFJpYmVp?= =?utf-8?q?r=C3=A3o_Preto-SP=29?= Message-ID: <5665935A610E492C89D1D9E3E240B825@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Prezad at s amig at s, Aguardo a presença de vocês nas atividades da VII Semana Gramsciana. Peço, se possível, que divulguem a programação. Grato. Marcelo Pedroso Goulart de Ribeirão Preto VII Semana Gramsciana A DEMOCRACIA NO SÉCULO XXI 18 a 23 de setembro de 2011 PROGRAMAÇÃO Domingo, 18 de setembro, 17h CINE GRAMSCI Antonio Gramsci: os dias do cárcere (Diretor: Lino Del Fra, Italiano, 1977, 127 min.) Coordenação: Luciana Rodrigues (Seminário Gramsci) Segunda, 19 de setembro, 19h MESA Gramsci no Seu e no Nosso Tempo Alberto Aggio (FCHS-UNESP Franca) José Antonio Segatto (FCL-UNESP Araraquara) Coordenação: José Roberto Porto (Seminário Gramsci) Terça, 20 de setembro, 19h Apresentação Cultural: Curta ?Basta? de Vinícius Barros CONFERÊNCIA Crise da Democracia Representativa e Construção da Democracia Real Conferencista: Vladimir Safatle (FFCLCH-USP) Coordenação: José Antônio Lages (Seminário Gramsci) 23h, Apresentação Cultural: 3ª Mostra de Teatro Gira-Sola ? Cia Teatro Riscos ? Espetáculo ?Horácio? Quarta, 21 de setembro, 19h Apresentação Cultural: Músicos Jeziel Paiva e Carlos Tampa MESA Redes Sociais e Cultura Digital Leo Br (Coletivo Fora do Eixo) Pablo Capilé (Coletivo Fora do Eixo) Coordenação: Vinícius Barros (Seminário Gramsci) Quinta, 22 de setembro, 19h Apresentação Cultural: Ribeirão em Cena ? Trecho da Peça ?Mulheres Vermelhas? MESA Comissão Nacional da Verdade e Direito à Memória Alípio Freire (jornalista, escritor, editora Expressão Popular) Andrey Borges de Mendonça (Ministério Público Federal) Coordenação: Ana Cecília Oliveira Silva (Seminário Gramsci) Sexta, 23 de setembro, 19h Apresentação Cultural: Vídeo ?Onde está a democracia?? com José Saramago CONFERÊNCIA Democracia no Século XXI: possibilidades de uma leitura gramsciana Conferencista: Maria Lúcia Duriguetto (FSS-UFJF) Coordenação: Paulo Piu Merli Franco (Seminário Gramsci) PROMOÇÃO: Seminário Gramsci AAMCO-UGT ? PONTÃO SIBIPIRUNA EVENTO GRATUITO Local: Memorial da Classe Operária ? UGT (Rua José Bonifácio nº. 59 ? Centro ? Ribeirão Preto-SP) Certificado para os participantes. MAIS INFORMAÇÕES: seminariogramsci.blogspot.com facebook.com/seminariogramsci __._,_.___ __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110915/b5c2f62b/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 16 20:14:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 16 Sep 2011 20:14:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ARILDO_A=CDRTON_VALAD=C3O____________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCXLVIII-?= Message-ID: <0324140619AB4009BC2655A8081BE52C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ARILDO AÍRTON VALADÃO (1948-1973) Filiação: Helena Almochdice Valadão e Altivo Valadão de Andrade Data e local de nascimento: 28/12/1948, Itaici (ES) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre 24 e 26/11/1973 Arildo estudou em Cachoeiro do Itapemirim (ES) até a conclusão do colegial. Seguiu então para o Rio de Janeiro, em 1968, para estudar Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tornando-se presidente do Diretório Acadêmico do Instituto de Física. Na faculdade conheceu Áurea Elisa Pereira, também desaparecida no Araguaia, com quem se casou em fevereiro de 1970. Moravam num pequeno apartamento no Catete e se mantinham com uma bolsa de estudos do CNPq e com o que ganhava como monitor de classe. Além de participarem das atividades do Movimento Estudantil, incorporaram-se ao PCdoB, sempre em companhia de um terceiro desaparecido do Araguaia, colega na mesma faculdade: Antônio de Pádua Costa, o Piauí. Para o casal, a vida na clandestinidade começou após a invasão de seu apartamento pelos órgãos de segurança. Arildo e Áurea foram viver no Araguaia no segundo semestre de 1970, estabelecendo- se na região de Caianos e integrando-se ao Destacamento C da Guerrilha. Embora não tivesse formação em Odontologia, Arildo extraía dentes e fazia pequenos atendimentos. Segundo o relatório Arroyo, "no dia 24, quando voltavam de um contato com a massa, os companheiros Ari (Arildo), Raul e Jonas pararam próximo de uma grota. Ari e Raul se aproximaram da grota para melhor se orientarem. Jonas ficou de guarda, perto das mochilas. Ouviu-se um tiro e Ari caiu. Em seguida ouviram-se mais dois tiros. Raul correu. O comando do Destacamento BC, que também ouvira os tiros, enviou quatro companheiros para pesquisar o que teria havido. Logo adiante, esses companheiros encontraram o corpo de Ari sem a cabeça. Sua arma, rifle 44, seu bornal e sua bússola tinham sido levados. As mochilas de Ari, Jonas e Raul estavam lá. Raul voltou pela manhã ao acampamento e Jonas desapareceu". Sua morte também é citada no comunicado nº 8 das Forças Guerrilheiras do Araguaia, com o nome de Ari. O ex-colaborador do Exército, Sinésio Martins Ribeiro lembrou, em depoimento prestado em São Geraldo do Araguaia, em 19/07/01, que os guias usavam armas apreendidas pelos militares e descreveu as cenas em que as cabeças de três guerrilheiros foram cortadas: "(...) que o primeiro tiroteio do Exército foi no Pau Preto onde foi morto o Ari; que o depoente estava presente; que Ari não atirou; que Ari teve sua cabeça cortada e levada para a base do Exército em Xambioá; que nesse dia só havia uma equipe de cinco soldados, o comandante era o Piau e os guias eram Iomar Galego, Raimundo Baixinho e o depoente; que a grota do Pau Preto fica dentro do castanhal do Almir Moraes; que isto se deu num encontro casual, que não viram piseiro nem tiveram informações; que após a retirada da cabeça a colocaram num saco plástico e voltaram a pé, até a base do Paulista, na beira do Xambioazinho, junto a OP-2; que a cabeça foi entregue ao Dr. César, do Exército; (...)". O Relatório da Marinha, de 1993, estabelece como data da morte 24/11/74, provavelmente por equívoco a respeito do ano. O codinome Ari aparece também na relação de mortos do Relatório do Exército, igualmente apresentado ao ministro da Justiça naquele ano. Hugo Studart informa que, no já mencionado Dossiê Araguaia, produzido por militares que atuaram diretamente na repressão à guerrilha, o dia de sua morte seria 26, e não 24. Agrega também outras informações constantes do Relatório da Marinha: "MAI/73, invadiu a fazenda 'Paulista' em Xambioá/Araguaia, juntamente com um grupo de aproximadamente 10 guerrilheiros, levando toda a provisão de mantimentos e animais da citada fazenda. Além disso, fez um 'Trabalho de Massa' com os lavradores que estavam por perto, convocando-os para a 'Luta pela Libertação'. Morto em 24 NOV 73". Elio Gaspari também descreve a decapitação de Arildo, em A Ditadura Escancarada, desenvolvendo os seguintes comentários: "A palavra maldita de Canudos e do Contestado chegara ao Araguaia. Poucas semanas depois da morte de Sônia, dois guerrilheiros acercaram-se de uma grota. Um era Ari (Arivaldo Valadão), veterano de três choques com as tropas. O outro, Jonas, um camponês de nome Abel, recrutado na região. Fora preso no final de 1972 e tinha o pai na cadeia. Outros combatentes que estavam nas vizinhanças ouviram três tiros. Aproximaram- se da grota e encontraram o corpo de Ari, sem a cabeça. A degola de Canudos, do Contestado e das volantes do cangaço também chegara ao Araguaia". ================================================================================================================================== + Informações. ARILDO VALADÃO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PCdoB). Nasceu em Itaici/ES, em 28 de dezembro de 1948 e era filho de Altivo Valadão de Andrade e Helena Almochdice Valadão. Desaparecido da guerrilha do Araguaia desde 1973. Estudou até a conclusão do 2° grau em Cachoeiro do Itapemirim/ES e, em 1968, ingressou no Instituto de Física da UFRJ. Aí conheceu Áurea Elisa Pereira Valadão, também desaparecida na Guerrilha do Araguaia, colega de turma com quem se casou em fevereiro de 1970. Moravam num pequeno apartamento no Catete e se mantinham com uma bolsa de estudos do CNPq e com o que ganhava como monitor. Foi presidente do DA de sua escola em 1968. Perseguido pelos órgãos de repressão, que invadiram o apartamento onde morava, passou a viver na clandestinidade, juntamente com sua companheira Áurea Elisa, tendo viajado para a região do Araguaia no segundo semestre de 1970, indo morar na região de Caianos - Destacamento C. Foi morto e decapitado no dia 24 de novembro de 1973, por agentes da repressão, junto a uma grota. No dia seguinte, seu corpo sem cabeça foi visto pelos companheiros. Tinha um ferimento à bala que não era suficiente para matá-lo, o que faz supor que tenha sido decapitado ainda com vida. No Relatório do Ministério da Marinha lê-se "morto em 24 de novembro de 1974." Observar que dia e mês estão corretos, mas o ano não. ================================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) ARILDO AÍRTON VALADÃO (1948-1973) Capixaba de Itaici, Arildo estudou em Cachoeiro do Itapemirim (ES) até a conclusão do colegial. Seguiu então para o Rio de Janeiro, em 1968, para estudar Física na UFRJ, tornando-se presidente do diretório acadêmico do Instituto de Física. Na faculdade, conheceu Áurea Elisa Pereira, também desaparecida no Araguaia, com quem se casou em fevereiro de 1970. Moravam num pequeno apartamento no Catete e se mantinham com uma bolsa de estudos do CNPq e com o que ele ganhava como monitor de classe. Arildo e Áurea militavam no PCdoB. Foram viver no Araguaia no segundo semestre de 1970, estabelecendo-se na região de Caianos e integrando-se ao Destacamento C da guerrilha. Embora não tivesse formação em Odontologia, Arildo extraía dentes e fazia pequenos atendimentos. Segundo o Relatório Arroyo: No dia 24 [ou 26/11/73, segundo o Dossiê Araguaia], quando voltavam de um contato com a massa, os companheiros Ari (Arildo), Raul e Jonas pararam próximo de uma grota. Ari e Raul se aproximaram da grota para melhor se orientarem. Jonas ficou de guarda, perto das mochilas. Ouviu-se um tiro e Ari caiu. Em seguida ouviram-se mais dois tiros. Raul correu. O comando do Destacamento BC, que também ouvira os tiros, enviou quatro companheiros para pesquisar o que teria havido. Logo adiante, esses companheiros encontraram o corpo de Ari sem a cabeça. Sua arma, rifle 44, seu bornal e sua bússola tinham sido levados. As mochilas de Ari, Jonas e Raul estavam lá. Raul voltou pela manhã ao acampamento e Jonas desapareceu. Sua morte também é citada no comunicado nº 8 das Forças Guerrilheiras do Araguaia, com o nome de Ari. O ex-colaborador do Exército Sinésio Martins Ribeiro, em depoimento prestado em São Geraldo do Araguaia, em 19 de julho de 2001, afirma que "[...] Ari não atirou; que Ari teve sua cabeça cortada e levada para a base do Exército em Xambioá". Esta informação é confirmada por José Vargas Jiménez em seu livro Bacaba: "No dia 24 de novembro, na região de Pau Preto, o guerrilheiro Arildo Aírton Valadão (Ari) foi morto e decapitado por um GC comandado por um segundo sargento que servia na 1ª/3ª B Fron, com sede em Clevelândia do Norte (AP), organização militar onde eu servia". Elio Gaspari também descreve a decapitação de Arildo em A ditadura escancarada: "Outros combatentes que estavam nas vizinhanças ouviram três tiros. Aproximaram-se da grota e encontraram o corpo de Ari, sem a cabeça. A degola de Canudos, do Contestado e das volantes do cangaço também chegara ao Araguaia". De acordo com relatório da expedição feita pelo MPF em 2001, "[...] após a retirada da cabeça, a colocaram num saco plástico e voltaram a pé até a base do Paulista, na beira do rio Xambioázinho, junto à OP-238; [...] que a cabeça foi entregue ao 'Dr. Cesar', do Exército". O corpo, sem a cabeça, teria sido enterrado na Grota do Mutum, de acordo com moradores da região. Ex-guias que alegam ter participado da morte de Arildo afirmam que seu corpo foi sepultado em um local chamado Pimenteira. Em 2010, estava sinalizado para futuras escavações do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT). =============================================================================================== Letícia Cardoso e Rodrigo Lira - gazeta online 20/07/2010 Arte: Amarildo Eles sonhavam com um país melhor, livre e democrático. Alimentados por um ideal, foram às ruas, levantaram faixas, lutaram contra a ditadura militar e não foram mais vistos pelos parentes e amigos. Cinco capixabas integram a lista de desaparecidos políticos em um dos períodos mais sombrios da história brasileira. Os familiares de Arildo Valadão, João Gualberto Calatrone, José Maurílio Patrício, Marcos José de Lima e Orlando da Silva Rosa Bonfim Junior buscam, incessantemente, há vários anos, por pistas que levem ao possível paradeiro desses homens que arriscaram suas vidas pelo futuro dos seus irmãos, filhos e netos. A dor da incerteza foto: Reprodução Arildo Valadão desapareceu durante uma passeata no RJ Também marcada pelo drama de ter um parente como desaparecido político, a família de Arildo Valadão - que foi visto pela última vez com a mulher em uma passeata na Avenida Rio Branco, no Rio de janeiro, em 1971 - busca, até hoje, notícias concretas da localização do estudante de Física. O ex-deputado federal Roberto Valadão, irmão de Arildo, chegou a integrar, em Brasília, uma Comissão Externa destinada a atuar na localização dos mortos e desaparecidos políticos. Sem a abertura dos arquivos do Exército na época, destaca o ex-deputado, essa tarefa fica impossível. Mesmo assim, ele não perde a esperança. "Eu tive muitas informações a respeito de tudo, das causas e consequências. E aí, eu tenho assim no meu coração, na minha maneira de ver uma esperança. Parece que tem uma esperança na gente que não morre. Se a gente não achou o corpo dele é possível até que ele esteja vivo, daí nasce uma esperança. Vou carregar pro resto da vida essa esperança", assinala Valadão". Leia outras reportagens da série As aventuras das Jéssicas. Brincando com o perigo Desaparecidos: são mais de nove mil casos no Estado Assim como a esposa de Orlando Bofim Junior, a mãe de Arildo, Helena Valadão, também foi vencida pela dor de não ter em mãos algo que lhe pudesse dar a certeza da situação de seu filho. Em 1973, dois anos após receber uma última carta de Arildo, Helena morreu acometida por um câncer. O psiquiatra e membro da Associação Americana de Psiquiatria, Milton Cots, explica que lidar com o desaparecimento de alguém é muito difícil e gera consequências emocionais. "Por mais doloroso que seja, é muito mais fácil lidar com a morte do que com o desaparecimento. Porque o desaparecimento você fica num limbo onde você não consegue nem administrar o luto daquela perda e nem ter a pessoa. Como isso provoca um estresse muito grande e continuado, isso pode provocar em pessoas predispostas, uma série de problemas emocionais". ===================================================================================================================== 04/01/2005 às 16:15:00 - Atualizado em 19/07/2008 às 15:55:34 Fim da Guerrilha do Araguaia completa 30 anos Agência Estado Há exatamente 30 anos, em 5 de janeiro de 1975, o Exército encerrava, oficialmente, os combates contra os militantes do PC do B no norte de Goiás, hoje Tocantins, e sudoeste do Pará - três décadas depois, a Guerrilha do Araguaia vira tema de um filme, dirigido pelo cineasta Ronaldo Duque, livros e teses. A história da luta que resultou na morte de 69 guerrilheiros e de um número desconhecido de soldados continua, no entanto, tratada como segredo de Estado. "O presidente da República e o ministro da Defesa devem exercer sua autoridade e exigir que o Exército mostre pelo menos as fichas dos combates", afirma o novo prefeito de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Roberto Valadão (PMDB), irmão do guerrilheiro Arildo Valadão. O governo do PT prometeu cumprir sentença da Justiça que manda abrir os arquivos, mas as Forças Armadas insistem em negar a existência de dados sobre o conflito. Roberto Valadão e os irmãos Altivo e Marlene cederam à reportagem fotos e documentos que mostram os ideais e a intimidade de um dos casais mais famosos da luta armada brasileira. Dias antes de ir para o Araguaia, Arildo Valadão casou-se na Basílica Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), com a ex-nadadora do Fluminense e colega no curso de física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Áurea Elisa Pereira. Arildo Valadão e Áurea eram "revelações" do Instituto de Física da UFRJ, centro que, no fim dos anos 60, começava a se destacar na área nuclear, e participavam do movimento estudantil. Logo depois do casamento, eles abandonaram o apartamento de um quarto e sala em que moravam no Catete, na capital fluminense, para escapar de uma ação do Exército, que destruiu o local. Numa carta escrita em 8 de julho de 1970, para a mãe, Helena, Arildo Valadão afirma que se mudava com Áurea da cidade o interior do País com o objetivo de fugir da ditadura. O guerrilheiro avalia na correspondência de quatro páginas que era "inevitável" a vitória contra os "guardiães da democracia" - como se refere aos militares - e diz que a luta armada teria êxito fora dos centros urbanos. "Eles não se limitam a prender e procurar saber se (o preso) é inocente ou culpado, logo designam a pessoa por culpada e, então, submetem-na a torturas horríveis" escreve. "É quando o inimigo faz tudo para nos derrubar - e não o consegue - que podemos medir o quanto somos fortes." Altivo Valadão mostra fotos de Arildo Valadão no verão de 1968, em Marataízes, litoral sul do Espírito Santo. O guerrilheiro, à época com 19 anos, aproveitava as últimas férias antes de entrar na agitação estudantil. A última vez que Altivo viu o irmão foi, por coincidência, no banheiro de um cinema em Botafogo. Arildo, na clandestinidade, tinha marcado encontro com outra pessoa no local. "Arildo era brincalhão, risonho e comunicativo", lembra Altivo, que hoje é engenheiro químico. Em outro trecho da carta, Arildo pede para a mãe não se preocupar com ele e Áurea, "pois bem sabe que somos jovens, fortes, dispostos, prontos a enfrentar tudo". Para poupar a mãe do sofrimento, ele evita comentar a atuação no PC do B. "Ora veja só a sra., eu que fui indicado para assessor direto do ministro da Educação e Cultura ser acusado de subversivo! Não é mesmo engraçado? Logo eu, tão querido pelos professores e até pela direção da escola, eu a quem tanto confiavam, ser acusado de uma tal coisa! É bem verdade que eu era presidente do Diretório Acadêmico de minha escola..." Numa fina ironia, o guerrilheiro promete à mãe voltar para casa: "Quanto menos esperar, nós apareceremos por aí com os `canudos' debaixo do braço." "Algum dia chegará em que nós estaremos, novamente, juntos e então todas estas coisas serão coisas de um passado distante e nós riremos juntos e satisfeitos quando lembrarmos delas", completa. Arildo teria sido decapitado em 24 de novembro de 1973, aos 24 anos, e Áurea morta em 1974. A ação do Exército contra a guerrilha durou de 1972 a 1975. Antes dos combates, os comunistas atuavam como parteiros, comerciantes, agricultores e professores na região. Áurea e Arildo, por exemplo, instalaram uma escola para crianças pobres. "Eles eram como carne e unha, muito unidos e apaixonados", conta a ex-guerrilheira Luzia Reis, presa no início da luta armada. Já dossiês do Exército destacam a audácia de Arildo, que invadiu barracas militares. Helena morreu em 1973, pedindo a presença do filho caçula. ============================================================================================================ + Detalhes. Arquivos da Ditadura A Gazeta (ES) - 09/09/2007 Os seis capixabas que os militares assassinaram Felipe Quintino Seis capixabas e um destino marcado pela repressão da ditadura militar no país. As histórias dos militantes políticos foram registradas no livro "Direito à Memória e à Verdade", lançado no Palácio do Planalto, em solenidade com a participação do presidente Lula e de familiares dos desaparecidos do regime. O livro, uma compilação dos 11 anos de trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, mostra a situação de 479 militantes que sofreram com os anos da ditadura. É a primeira vez que o Estado elabora um registro oficial sobre o assunto. Um dos casos é de Arildo Valadão, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Segundo os relatos, o capixaba foi morto e decapitado. Aos 24 anos e líder estudantil atuante, Arildo participava da Guerrilha do Araguaia, movimento de oposição ao regime militar. Casamento. Com a conclusão do estudo do segundo grau em Cachoeiro do Itapemirim, Arildo ingressa no Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde foi presidente do Diretório Acadêmico. Na universidade, ele conhece Áurea Elisa Pereira, colega de turma com quem ele se casou em fevereiro de 1970. Ela também está desaparecida. Os dois moravam num pequeno apartamento no Catete e se mantinham com uma bolsa de estudos do CNPq e com o que ele ganhava como monitor de classe. "Para o casal, a vida na clandestinidade começou após a invasão de seu apartamento pelos órgãos de segurança. Arildo e Áurea foram viver no Araguaia no segundo semestre de 1970, estabelecendo-se na região de Caianos e integrando-se ao Destacamento C da Guerrilha", informa o livro. Grota. De acordo com o relatório Arroyo, documento sobre a luta no Araguaia, Arildo e outros dois companheiros, Raul e Jonas, quando voltavam de um contato com a "massa", pararam próximo de uma grota. "Ari e Raul se aproximaram da grota para melhor se orientarem. Jonas ficou de guarda, perto das mochilas. Ouviu-se um tiro e Ari caiu. Em seguida ouviram-se mais dois tiros. Raul correu", descreve o relatório. De acordo com informações do documento, o comando do Destacamento também ouviu os tiros e enviou quatro companheiros para saber o que havia acontecido. "Logo adiante, esses companheiros encontraram o corpo de Ari sem a cabeça. Sua arma, rifle 44, seu bornal e sua bússola tinham sido levados. As mochilas de Ari, Jonas e Raul estavam lá. Raul voltou pela manhã ao acampamento e Jonas desapareceu". No livro "A Ditadura Escancarada", o jornalista Elio Gaspari também descreve a decapitação do capixaba e faz referência com outros fatos da história. "A degola de Canudos, do Contestado e das volantes do cangaço também chegara ao Araguaia", concluiu. "Ouviu-se um tiro" No dia 24, quando voltavam de um contato com a massa, os companheiros Ari (Arildo), Raul e Jonas pararam próximo de uma grota. Ari e Raul se aproximaram da grota para melhor se orientarem. Jonas ficou de guarda, perto das mochilas. Ouviu-se um tiro e Ari caiu. Em seguida ouviram-se mais dois tiros. Raul correu. O comando do Destacamento BC, que também ouvira os tiros, enviou quatro companheiros para pesquisar o que teria havido. Logo adiante, esses companheiros encontraram o corpo de Ari sem a cabeça. Sua arma, rifle 44, seu bornal e sua bússola tinham sido levados. As mochilas de Ari, Jonas e Raul estavam lá. Raul voltou pela manhã ao acampamento e Jonas desapareceu". Relatório que descreve a morte do capixaba Arildo Valadão Retratos da história Arildo, Orlando, Lincoln, José Maurílio, João Gualberto e Marcos José agora estão "fichados" no livro Direito à Memória e à Verdade, uma compilação dos 11 anos de trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos. Prefeito de Cachoeiro lamenta não ter encontrado o corpo do irmão Irmão de Arildo Valadão, um dos capixabas desaparecidos, o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Roberto Valadão, diz que o livro "Direito à Memória e à Verdade" é uma oportunidade de fazer um "registro importante" das pessoas que combateram a ditadura no país. "Ele tinha um ideal de conquistar a democracia. Era um pessoa estudiosa. Estava no segundo ano de Física e já era monitor de turma. Militava no movimento estudantil e fazia uma luta forte contra a ditadura", afirmou. Para o prefeito, a versão do que realmente aconteceu com seu irmão só poderá ser confirmada após o corpo ser encontrado. "Como não foi encontrado o corpo, fica difícil saber da verdade. O que temos de concreto é que ele desapareceu", disse. Integrante do governo federal e militante histórico do PT no Espírito Santo, o subsecretário dos Direitos Humanos da Presidência da República, Perly Cipriano, ressaltou que o livro quer contribuir para resgatar a memória. "Esse é um marco histórico. É um documento oficial das mortes e dos desaparecidos. É uma versão oficial do Estado. A partir disso, possivelmente, outros documentos e novos dados vão aparecer", afirmou Perly. De acordo com ele, a publicação quer abrir todas as informações sobre violações de Direitos Humanos ocorridas na ditadura e não tem caráter de revanchismo. O próprio Perly é uma das vítimas da repressão no país. Por se opor à ditadura, ficou 10 anos preso e passou por vários presídios do país. "Valeu a pena lutar para que a gente tenha liberdade. Tenho orgulho do que fiz e tenho orgulho daqueles outros que tiveram ao nosso lado na mesma luta", salientou. A primeira edição do livro tem tiragem de 5 mil exemplares, que vão ser distribuídos a familiares, centros de pesquisa, imprensa, parlamentares e bibliotecas públicas. .................................................................................................................................... =================================================================================================== + Detalhes. Decapitação foi ordenada por oficial, revela tenente 21 de março de 2008 | 0h 00Leonencio Nossa, Brasília - O Estadao de S.Paulo Por muito tempo, o Exército sustentou a versão de que o ato de decepar cabeças de guerrilheiros era obra de sertanejos ignorantes, que atuavam como guias e não entendiam as "ordens" dos oficiais. Essa versão está em vários livros e reportagens publicados nos últimos anos sobre a guerrilha e sobre as decapitações, no decorrer de 1973, de Arildo Valadão, Jaime Petit e Adriano Fonseca Filho. O tenente da reserva José Vargas Jiménez relatou ao Estado que Valadão teve a cabeça cortada por um militar, que respondia a ordens de um superior hierárquico. Procurado pela reportagem, o Exército não se manifestou sobre o assunto. Relatório da Marinha revelado em 1993 pelo então ministro da Justiça, Maurício Corrêa, informa que Arildo foi morto em 24 de novembro de 1973. José Vargas Jiménez relata que o guerrilheiro foi morto por um segundo sargento que servia no Amapá antes de chegar ao sul do Pará. "Como não tinha fotos nem a relação de nomes dos guerrilheiros, não conseguiu identificá-lo. Recebeu então ordens pelo rádio transmissor para que o decapitasse e lhe cortasse as mãos, para posterior identificação e reconhecimento pelo rosto e impressões digitais", conta Jiménez. "Assim o fez, colocando tudo num saco de plástico e de estopa, que foi levado para a base de operações de combate em Bacaba." Como observou o jornalista Elio Gaspari no livro A Ditadura Escancarada, a degola do cangaço chegava ao Araguaia. ========================================================================================================== Ficha. Arildo Valadão Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Arildo Valadão Cidade: (onde nasceu) Itaici Estado: (onde nasceu) ES País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 28/12/1948 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Ari, Ari do C, Ivan Morto ou Desaparecido: Desaparecido 24/11/1973 PA Brasil região do Araguaia Segundo companheiros. Clandestinidade Desaparecido 24/11/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110916/83a6a94c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13649 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110916/83a6a94c/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10769 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110916/83a6a94c/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27800 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110916/83a6a94c/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 16 20:14:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 16 Sep 2011 20:14:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_S=C3=81BADO_RESISTENTE_-_A_MORTE_DE_CA?= =?utf-8?q?RLOS_LAMARCA_QUARENTA_ANOS_DEPOIS=2E_Dia_24_de_setembro?= =?utf-8?q?=2C_das_10h_=C3=A0s_17h30?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 ? Luz Auditório Vitae ? 5º andar SÁBADO RESISTENTE 24 de setembro, das 10h às 17h30 QUARENTA ANOS DO MASSACRE DE BURITIS Homenagem a Carlos Lamarca, Zequinha Barreto, Otoniel Campos Barreto e Luiz Antônio Santa Bárbara O Sábado Resistente de setembro vai debater sobre a operação implacável de caça aos militantes instalados na região de Brotas de Macaúbas (BA). A chamada ?Operação Pajuçara? ? iniciada em fins de agosto de 1971, que tinha como alvo maior Carlos Lamarca, militante histórico da VPR e destacado comandante da guerrilha urbana no Brasil ? transformou a cidade de Buritis em campo de concentração, torturou populares em praça pública e assassinou vários militantes diante dos olhos da população. O encerramento dessa barbárie terminou em 17 de setembro daquele ano com a execução do Capitão Carlos Lamarca, Zequinha Barreto, Otoniel Campos Barreto e Luís Antônio Santa Bárbara. Há dez anos, a população local, com a ajuda da Igreja Católica, relembra esse "massacre de Buritis Cristalino", como ficou conhecido na região, com missas, inaugurações de monumentos e event os populares. Comemoram-se, a cada ano, o espírito tenaz e resistente dos que ousaram lutar contra a ditadura militar na busca por uma sociedade democrática com justiça social e valores humanitários. Venha conhecer um pouco mais a respeito desta chacina ocorrida há exatamente 40 anos e outras repercussões dessa luta de resistência. No encerramento, será feita uma homenagem especial a Carlos Lamarca, comandante da VPR. PROGRAMAÇÃO 10h00 ? Boas vindas de Kátia Felipini (coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo) 10h15 ? DEBATE ?A Militância Clandestina contra a Ditadura? Coordenação: Ladislau Dowbor - professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, dirigente da VPR, foi preso e libertado em 1970 na troca pelo embaixador da Alemanha (terceiro vôo da liberdade). Tem diversos livros publicados e ? ? consultor da ONU Participação: - Roberto De Fortini - operário italiano, militante da VPR, preso e libertado na troca pelo embaixador da Suíça (quarto vôo da liberdade), Assessora atividades e cooperativas de agricultura familiar e tem diversas experiências de economia solidária. - Aluizio Palmar - brasileiro, jornalista, militante político, preso em janeiro de 1969, libertado e banido em janeiro de 1971 pela troca do embaixador da Suíça (quarto vôo da liberdade), integrante da VPR. É autor do livro ?Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?? - Dolantina Nunes Monteiro - brasileira, gaucha, camponesa, exilada política desde 1971, ativista de movimento feminista e popular na Argentina. - José Carlos Mendes - militante da VPR, exilado político de 1971 a 1979. 11h30 ? Depoimentos de mili tantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) INTERVALO 14h00 ? Boas vindas de Kátia Felipini - coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo Apresentação e Coordenação de Ivan Seixas - Núcleo de Preservação da Memória Política 14h30 ? Exibição do documentário ?Massacre de Buritis?, de Maria das Graças Sena 15h00 ? Palestra de Roque Aparecido Silva, diretor do Instituto Zequinha Barreto sobre os eventos deste ano em Brotas de Macaúbas 15h30 ? Debate 16h30 ? Apresentação musical 17h00 ? Homenagem a Carlos Lamarca Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110916/d89ef14f/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7204 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110916/d89ef14f/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 17 15:52:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 17 Sep 2011 15:52:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JAIME_PETIT_DA_SILVA_________________?= =?iso-8859-1?q?______________________-CCXLIX-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem JAIME PETIT DA SILVA (1945-1973) Filiação: Julieta Petit da Silva e José Bernardino da Silva Júnior Data e local de nascimento: 18/06/1945, Iacanga (SP) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre 28/11 e 22/12/1973 Jaime era irmão dos guerrilheiros Lúcio e Maria Lúcia, também mortos no Araguaia. Estudou em Amparo e Duartina e começou a trabalhar muito cedo, após a morte do pai. Mais tarde, estudou também no Rio de Janeiro. Em 1962 foi para Itajubá morar com o irmão mais velho, Lúcio, e ingressou, em 1965, no Instituto Eletrotécnico de Engenharia de Itajubá. Trabalhou como professor de Matemática e Física em colégios de Itajubá e Brasópolis, ambos em Minas Gerais. Participou do Movimento Estudantil, sendo eleito presidente do Diretório Acadêmico de sua faculdade em 1968. Esteve no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, onde foi preso. Ainda em Itajubá, casou-se com Regilena da Silva Carvalho. Condenado pela Justiça Militar à revelia em 1969, foi obrigado a abandonar o curso de Engenharia e trabalhou como eletricista durante algum tempo. O casal, já integrado ao PCdoB, residiu por algum tempo em Goiânia, antes de seguir para o Araguaia, fixando residência na localidade de Caianos, onde já estavam os irmãos de Jaime, integrando-se ao Destacamento B das Forças Guerrilheiras. Depois de iniciados os choques armados, Regilena se desgarrou dos companheiros e terminou se entregando às forças de repressão em julho ou setembro de 1972 (documentos trazem datas divergentes), ficando presa até o final daquele ano. Não foi possível definir uma data precisa para o desaparecimento de Jaime. Segundo o relatório Arroyo: "Dia 28/29 de novembro, o grupo dirigido pelo Simão (8 companheiros) acampou nas cabeceiras da grota do Nascimento. Neste mesmo local, o Destacamento B já havia acampado meses atrás. Ferreira ficou na guarda, Jaime foi catar babaçu, Chico (Adriano Fonseca Filho) e Toninho foram procurar jaboti numa gameleira próxima. Chico recebeu um tiro, caindo morto. Eram 17 horas. Em seguida, ouviram-se mais seis tiros. O grupo levantou acampamento imediatamente, deixando, no entanto, as mochilas, as panelas, os bornais. O Doca (Daniel Callado) deixou o revólver, que estava consertando no momento da saída. Jaime e Ferreira (Antonio Guilherme Ribeiro Ribas) ficaram desligados do grupo". O relatório do Ministério do Exército, de 1993, informa que "existe registro de sua morte em 22/12/1973", sem especificar as circunstâncias e o local de sepultamento. O relatório do Ministério da Marinha, do mesmo ano, também afirma que foi "morto em 22/12/1973". O comerciante Sinésio Martins Ribeiro, morador da localidade Palestina, que foi guia do Exército na época, contou em depoimento prestado em São Geraldo do Araguaia, em 19/07/01: "conhecia o Josias, o Chicão, o Ari, Osvaldão, Valquíria, Jaime, Áurea, desde antes da guerra; (...) que o Josias, entregou um local na mata que era ponto de encontro dos guerrilheiros, caso se perdessem após algum tiroteio com o Exército; que quem levou os guias ao local foi o próprio Josias; que ao se aproximar do local ele apontou com o dedo e voltou; que nesse instante o Jaime atirou dois tiros e errou e que não atirou mais porque a bala engasgou na arma; que a seguir a equipe atirou muito, que a mata ficou cheia de fumaça; que quando abaixou a fumaça, Piau foi de rastro e constatou que o Jaime estava morto;(...) que não tinha camisa e a calça estava toda esfarrapada; que as pernas estavam cheias de feridas de 'leicho'; que ele estava muito magro, tinha 5 a 6 cartuchos de bala; que ele foi atingido por muitas balas de FAL; (...); que ele tinha documento de identidade; que retiraram ele da cabana e desceram ele para o pé do morro, onde retiraram a cabeça; que a cabeça foi colocada num saco plástico e levada na mochila do Baixinho; que não tinham como cavar a cova; que cavaram com facão e pedaço de madeira, por isso a cova ficou rasa; que colocaram por cima do corpo umas cuncas de coco; que foram a pé até a casa do Raimundo Galego; que lá já os esperava o Dr. Augusto, que trabalhava na base de São Raimundo, onde acredita que tenha ficado a mochila com a cabeça do Jaime; que isto ocorreu por volta de 15 dias após a morte do Chicão; que o Jaime morreu a aproximadamente 5 km da casa do Raimundo Galego, perto da grota do Ezequiel; (...)". Consta do já citado relatório assinado por quatro procuradores do Ministério Público Federal de São Paulo: "Jaime Petit da Silva, morto em confronto, teve a cabeça decepada e enterrado em cova rasa, perto da Grota do Buragiga, Município de São Geraldo do Araguaia, onde hoje seria pasto da Fazenda de propriedade do Sr. Antônio Costa. A cabeça foi entregue a um oficial do Exército, que a levou para a base de São Raimundo". O livro de Hugo Studart acrescenta que o corpo de Jaime Petit teria sido deixado insepulto, coberto por palha de coqueiro. ================================================================================================================= + Informações. JAIME PETIT DA SILVA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 18 de junho de 1945, em Iacanga, Estado de São Paulo, filho de José Bernardino da Silva Jr. e Julieta Petit da Silva e era casado. Desaparecido desde 1973 na Guerritha do Araguaia aos 29 anos. Estudou em Amparo e Duartina. Muito cedo perdeu o pai, sendo obrigado a trabalhar. Morou e estudou, também, no Rio de Janeiro. Em 1962, foi para Itajubá morar com seu irmão Lúcio. Em 1965, ingressou no Instituto Eletrotécnico de Engenharia da Faculdade Federal de Itajubá, e trabalhava como professor de Matemática e Física nos colégios de Itajubá e Brasópolis (MG). Participava ativamente do movimento estudantil sendo, em 1968, eleito presidente do Diretório Acadêmico. Participou também, do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, onde foi preso. Condenado à revelia em 1969, foi obrigando a abandonar o curso de Engenharia e ir viver no interior como eletricista. Posteriormente mudou-se para a localidade de Caianos, no Araguaia, onde já residiam seus irmãos Lúcio e Maria Lúcia (também desaparecidos), integrando-se ao Destacamento B das Forças Guerrilheiras. Está desaparecido desde o dia 29 de novembro de 1973, quando seu grupo travou um tiroteio com as Forças Armadas. Provavelmente tenha sido preso. O Relatório do Ministério do Exército diz que "existe registro de sua morte em 22 de dezembro de 1973", sem especificar as circunstâncias e o local de sepultamento" e segundo o Relatório do Ministério da Marinha, foi "morto em 22 de dezembro de 1973." ============================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) JAIME PETIT DA SILVA (1945-1973) Nascido em Iacanga, Jaime estudou no interior de São Paulo e depois no Rio de Janeiro. Começou a trabalhar muito cedo, após a morte do pai. Em 1962 foi para Itajubá morar com o irmão mais velho, Lúcio, e em 1965 ingressou no Instituto Eletrotécnico de Engenharia de Itajubá. Participou do movimento estudantil e foi preso no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna. Mais tarde, já integrado ao PCdoB juntamente com sua mulher, Regilena da Silva Carvalho, seguiu para o Araguaia. O casal fixou-se em Caianos, onde já estavam os irmãos de Jaime, Lúcio e Maria Lúcia, e se integrou ao Destacamento B dos guerrilheiros. Iniciados os choques armados, Regilena se entregou aos militares, em 1972. Não foi possível definir uma data precisa para o desaparecimento de Jaime. Segundo o relatório Arroyo: Dia 28/29 de novembro, o grupo dirigido pelo Simão (8 companheiros) acampou nas cabeceiras da grota do Nascimento. [...] Chico recebeu um tiro, caindo morto. Eram 17 horas. Em seguida, ouviram-se mais seis tiros. O grupo levantou acampamento imediatamente, deixando, no entanto, as mochilas, as panelas, os bornais. [...] Jaime e Ferreira (Antonio Guilherme Ribeiro Ribas) ficaram desligados do grupo. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, informa que "existe registro de sua morte em 22/12/1973", sem especificar as circunstâncias e o local de sepultamento. O relatório do Ministério da Marinha confirma a data. O comerciante Sinésio Martins Ribeiro, morador da localidade Palestina, que foi guia do Exército na época, contou em depoimento em 19 de julho de 2001: [...] que o Jaime atirou dois tiros e errou e que não atirou mais porque a bala engasgou na arma; que a seguir a equipe atirou muito, que a mata ficou cheia de fumaça; que quando abaixou a fumaça, Piau foi de rastro e constatou que o Jaime estava morto; [...] que as pernas estavam cheias de feridas de leishmaniose; que ele estava muito magro, tinha 5 a 6 cartuchos de bala; que ele foi atingido por muitas balas de FAL; [...] que foram a pé até a casa do Raimundo Galego; que lá já os esperava o dr. Augusto, que trabalhava na base de São Raimundo, onde acredita que tenha ficado a mochila com a cabeça do Jaime. No relatório dos procuradores do Ministério Público Federal de São Paulo, consta que Jaime "teve a cabeça decepada e [foi] enterrado em cova rasa, perto da Grota do Buragiga, Município de São Geraldo do Araguaia, onde hoje seria pasto da Fazenda de propriedade do sr. Antônio Costa. A cabeça foi entregue a um oficial do Exército, que a levou para a base de São Raimundo". Segundo José Vargas Jiménez, no livro Bacaba, Jaime (assim como Adriano Francisco Fernandes Filho) "também foi morto em confronto com um de nossos GC. Ambos foram decapitados e tiveram suas mãos cortadas". Já o livro de Hugo Studart informa que o corpo de Jaime teria sido deixado insepulto, coberto por palha de coqueiro. ================================================================================================ + Detalhes. O "Che Guevara" Itajubense. Jaime Petit da Silva, nasceu em 18 de junho de 1945, em Iacanga, Estado de São Paulo, em 1962, foi para Itajubá morar com seu irmão Lúcio. Em 1965, ingressou no Instituto Eletrotécnico de Engenharia da Faculdade Federal de Itajubá, e trabalhava como professor de Matemática e Física nos colégios de Itajubá e Brasópolis (MG). Participava ativamente do movimento estudantil sendo, em 1968, eleito presidente do Diretório Acadêmico, DA da Unifei. Participou também, do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, onde foi preso.?? Condenado à revelia em 1969, foi obrigando a abandonar o curso de Engenharia e ir viver no interior como eletricista. Posteriormente mudou-se para a localidade de Caianos, no Araguaia, onde já residiam seus irmãos Lúcio e Maria Lúcia (também desaparecidos), integrando-se ao Destacamento B das Forças Guerrilheiras.? ?Está desaparecido desde o dia 29 de novembro de 1973, quando seu grupo travou um tiroteio com um grupo de mercenários. Relatos indicam que a cabana em que estava foi cercada, fuzilada e Jaime Petit foi decapitado e sua cabeça colocada em uma mochila para que os mercenários provassem aos militares quem era. Seus irmãos não tiveram fim diferente: Maria Lúcia Petit (Maria) - ex-professora primária, participou da guerrilha com os irmãos mais velhos. Morta em junho de 1972 numa emboscada, seus restos mortais foram identificados em 1996. Junto com Bergson Gurjão, são os dois únicos guerrilheiros mortos e identificados posteriormente. Foi enterrada em Bauru, São Paulo. Lúcio Petit (Beto) - engenheiro e irmão mais velho da família guerrilheira Petit, foi preso durante a aniquilação final da guerrilha no começo de 1974. Visto pela última vez amarrado a bordo de um helicóptero do exército, é dado como desaparecido, estima-se que tenha sido colocado no helicóptero e, vivo, jogado ao mar, como faziam os argentinos. Atualmente quem passar pela alameda que contorna a sede do D.A. da Unifei, vai encontrar o Centro Cultural Jaime Petit (Bar Cultural), que leva esse nome em sua única homenagem. =================================================================================================================== + Detalhes. a.. SÁBADO RESISTENTE - A SENTENÇA DA CIDH SOBRE A GUERRILHA DO ARAGUAIA Data: 2011-08-24 por Maria Carolina Bissoto No último sábado (20 de agosto) realizou-se no Memorial da Resistência, prédio do antigo DOPS, em São Paulo o evento conhecido como Sábado Resistente que teve como tema "A Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso da Guerrilha do Araguaia". A Guerrilha do Araguaia foi um movimento guerrilheiro implantado na região sul do Pará, ao longo do Rio Araguaia, sendo que os militantes pertenciam em sua maioria ao PCdoB (contou também com a participação de camponeses da região), e que entre 1972 e 1974 foi alvo de uma grande ação do Exército Brasileiro. Durante as ações militares,foram cometidas graves violações aos direitos humanos, como prisões ilegais e execuções de guerrilheiros e moradores locais. O debate de Sábado contou com a participação de Criméia Alice Scmidt de Almeida, uma das participantes da Guerrilha do Araguaia, que em sua fala demonstrou a total desproporção de forças entre os guerrilheiros e os militares (na verdade a repressão como ela esclareceu contou com efetivos do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, Polícia Federal e Polícia Militar), já que os 69 militantes foram alvo de um aparato de 20 mil homens segundo ela. A fala de Criméia centrou-se nas mortes e nos desaparecimentos ocorridos em cada Campanha Militar e na luta dos familiares em busca dos desaparecidos na Guerrilha. A segunda fala foi de Laura Petit, irmã de três desaparecidos da Guerrilha (Maria Lúcia Petit da Silva, Jaime Petit da Silva e Lúcio Petit da Silva), que debateu a respeito da ação civil proposta em 1982 por 22 familiares requerendo que a União prestasse informações sobre a Guerrilha do Araguaia e informasse a localização dos corpos dos desaparecidos. A ação tramitou lentamente devido a vários recursos da União, sendo o Estado condenado em 2003 a abrir os arquivos militares em 120 dias, entretanto, até hoje ainda não o fez. Após outros recursos da União, em 2007 a sentença transitou em julgado e continua sem cumprimento. Marlon Weichert, procurador regional da República, discutiu sobre a petição proposta perante o sistema interamericano de direitos humanos acerca da Guerrilha (Caso Gomes Lund e outros - Guerrilha do Araguaia). Em 1995, o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) e a Human Rights Watch/Americas apresentaram uma petição a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, posteriormente ingressaram também como peticionários a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro. A Comissão Interamericana admitiu o processo em 2001, julgou o caso procedente em 2008 momento em que expediu recomendações ao Estado Brasileiro, e como estas não foram cumpridas o caso foi levado a Corte em 2009. A sentença foi decretada em 24 de novembro de 2010 e as partes foram notificadas em 14 de dezembro. O Brasil foi condenado a tomar uma série de medidas, como a abertura dos arquivos, alteração de legislação interna, publicação da sentença, punição dos responsáveis pelos crimes, entre outros. O que se conclue da apresentação de sábado é que o Brasil continua desrespeitando não só aos familiares dos desaparecidos políticos ao não abrir os arquivos, não permitindo que saibam como seus familiares morreram e a localização de seus corpos; mas também a toda sociedade brasileira que não pode conhecer toda sua história.O Brasil precisa cumprir a Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos em sua integralidade, pois como bem afirmou Marlon Weichert o que está em jogo é a própria construção dos direitos humanos no Brasil e o preço a pagar é muito caro somente para não sujar a biografia de quatro ou cinco generais que ainda estão vivos. ================================================================================================== Outras informações. Sobre Penélope e Antígona Laura Petit tem 63 anos. Viu seus irmãos, pela última vez, em 1970. Viveu e vive a melancolia até hoje. Espera até hoje. Assim como Antígona, quer enterrar seus irmãos, para que eles não sejam obrigados a vagar durante um século às margens do rio dos Mortos. Como Penélope, que aguardava seu Ulisses, Laura espera a abertura dos arquivos da ditadura, espera respostas, e a punição dos responsáveis. Eram quatro: Lúcio, o mais velho, Jaime, ela e Maria Lúcia, a mais nova. O pai deles morreu antes de Maria Lúcia nascer. Era administrador de uma fazenda de café perto de Jaú, no interior de São Paulo, quando um de seus capatazes o assassinou. A mãe, então com 28 anos, ficou viúva cedo e com quatro filhos pequenos. Permaneceram por um tempo onde viviam, na fazenda que pertencera aos parentes da escritora Hilda Hilst, numa cidade hoje chamada Itapuí. A família do pai das crianças ofereceu à mãe uma casa que fora do avô delas, em Amparo. E para lá se foram, os cinco. Lúcio e Jaime, os mais velhos, fizeram o primário na cidade e Laura começou a estudar por lá. Moraram ali durante quatro ou cinco anos. Era uma casa enorme, com um quintal muito grande também. Clóvis, o quinto irmão, nasceu do segundo casamento da mãe. "As lembranças são boas. Crescemos juntos, todos tínhamos quase a mesma idade. Lúcio sempre se destacava, porque era muito inteligente, e a professora lá de Amparo ficava admirada. Ele surpreendia", conta Laura. De Amparo, mudaram-se de novo, dessa vez, para Bauru, onde o avô materno administrava uma fazenda. Ali, Lúcio começou a fazer o ginásio e a mãe, sozinha e sem apoio da família do pai, começou a ter dificuldade para manter os quatro filhos estudando. Decidiu: "Os meninos vão continuar estudando e as meninas vão parar". Mais tarde, escreveu para um tio das crianças que morava em São Paulo, que aceitou receber Laura e custear seus estudos. Que nem a Emília "Nas férias, eu reencontrava meus irmãos. Eu sentia falta, porque éramos muito unidos. Nessa fase que minha mãe passou dificuldade para comprar material escolar para quatro filhos, o Lúcio a ajudava. Tinha um esquema de escolher café em casa. Era trabalho doméstico infantil". Laura ri quando conta que a mãe punha todo mundo numa mesa grande para tirar graveto e escolher o café. E recorda: "Uma coisa que foi o traço mais forte de Lúcio era o de sentir e perceber as diferenças. Um dia, estávamos na casa do meu avô em Amparo com relativo conforto, depois, estávamos passando necessidade. Ele teve que trabalhar ainda criança, ajudar a mãe a criar os irmãos. Com certeza, sentiu isso". Em Bauru, a família Petit morava perto da estação de trem, por onde passavam a pé na volta da escola. Lá, havia um armazém de cargas coberto, sob o qual paravam ciganos e "um pessoal que rodava o mundo". Um dia, Lúcio viu um homem negro e muito, muito pobre, que levou para casa. Lá chegando, deu a ele um prato de comida, mesmo diante das dificuldades da família. Depois, buscou uma caixa de ferramentas e pegou um alicate para tirar, do sapato do homem, um prego que estava machucando seu pé. "Eu era bem pequena na época, mas aquilo ficou muito marcado em mim. O Lúcio era assim, solidário e fraterno com o sofrimento alheio. Em termos de caráter, tinha essa coisa de partilhar, de ser solidário, e, por isso, dá para entender por que mais tarde lutou contra uma ditadura opressora e por um mundo melhor onde todos fossem iguais". Laura estudava em São Paulo, Lúcio, em Minas Gerais, e Jaime, no Rio, cada um na casa de um tio ou parente que aceitara custear seus estudos. Maria Lúcia e Clóvis, os mais novos, ficaram com a mãe em Duartina, cidade para a qual haviam se mudado recentemente. Nas férias, os três primeiros se encontravam em São Paulo, na estação da Luz, e tomavam o trem até lá, onde se reuniam com os irmãos menores e a mãe durante o mês inteiro, até a volta das aulas. "Nessa época, na escola, as professoras falavam que a Maria Lúcia era muito crítica. Ela lia e discutia muito. Meus irmãos, que vinham de fora, traziam as discussões para dentro de casa. Ela leu a coleção do Monteiro Lobato inteira e era 'perguntadeira' que nem a Emília". Pela última vez Mais tarde, com Lúcio e Jaime formados em engenharia, Laura cursando ciências sociais e Maria Lúcia tendo acabado a escola, os quatro juntaram-se outra vez em São Paulo. Mas não por muito tempo. Lúcio e Jaime tornaram-se militantes do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) em 1967. Maria Lúcia entrou para o partido ainda como estudante secundarista. Em 1968, Jaime, que fora preso por alguns dias por causa do 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes) e fichado pelo Dops, foi chamado a depor. "Já havia muita repressão. Ele ficou com medo de ser interrogado e preso, então, a partir daí, entrou na clandestinidade. Ele não veio para nossa casa, porque podia ser procurado". Mais tarde, Laura ficaria sabendo que ele se hospedara na casa de uma tia-avó, na zona norte paulistana. As filhas dessa tia-avó contaram que haviam sido recomendadas a não comentar com ninguém que ele estava lá. "Ele só saía à noite, para reuniões. Foi aí que o partido o mandou para o interior, mas não podia nos dizer onde por questões de segurança." Campanha durante a ditadura: onde estão? Quando Jaime ia a São Paulo para reuniões, visitava a irmã. Não podiam trocar cartas, mas, mais tarde, Laura soube que ele morou em Goiás. Os três Petit foram para o Araguaia, para a região onde seria instalada a guerrilha, em princípios de 1971. Laura os viu pela última vez, em datas distintas, em fins de 1970. Maria Lúcia ainda não estava clandestina quando foi para o Araguaia. Trabalhava com Laura em uma escola municipal. "Prestamos os primeiros concursos da Prefeitura para o cargo de professora. Ela tinha acabado de sair da escola e passou. Foi efetivada e escolhemos o mesmo lugar para trabalhar. Ela queria ainda estudar medicina, tinha muitos planos, mas, depois, a vida a levou para outro lado. As coisas mudaram", conta. A ditadura que não era branda Maria Lúcia deixou São Paulo no começo de 1970, e Lúcio, no final do mesmo ano. Ele tampouco estava clandestino: trabalhou como engenheiro até partir. No período de preparação da guerrilha, Maria Lúcia, frequentemente doente de amidalite, fez uma operação e se preparou como pôde. "Eu sabia que ela ia para algum lugar, mas não sabia para onde", conta Laura. Sua irmã se despediu no começo de 1970, mas voltou em dezembro, para as festas de fim de ano. "Ela ficou alguns dias na minha casa e, depois, visitou nossa mãe em Bauru. Veio para reuniões do partido. Na noite do réveillon, as irmãs se juntaram "ao pessoal da USP" e foram para o samba no Camisa Verde e Branco, na Barra Funda. "Nessa época, eu estava grávida, meu filho nasceria em fevereiro. Na hora de se despedir, Maria Lúcia disse: 'Ainda bem que eu não vou conhecer meu sobrinho, seria uma pessoa a mais para sentir saudades lá'". E se foi mais uma vez. E, mais uma vez, Laura não sabia exatamente para onde. Só sabia que era um lugar quente e com muitos insetos: "Quando ela veio, estava muito morena de sol e tinha picadas de pernilongo pelo corpo inteiro". A partir de então, Laura não tinha mais contato direto com os irmãos. "Um mensageiro trazia as cartas, eu respondia, e ele as levava de volta. Eu não sabia onde estavam, não tinha nenhuma dica. Esse mensageiro era da direção do partido. Eu o conhecia como Antônio." O Exército chegou ao Araguaia em abril de 1972. "Ele nos trouxe a notícia. Não era o momento exato, mas a guerrilha havia começado". Ainda estava em fase de preparação, mas fora descoberta. Antônio explicou que era difícil circular pela região. Laura ficou sem notícias dos irmãos, mas, agora, sabia onde eles estavam. "Em 73, vi em um jornal pendurado em uma banca com uma foto imensa estampada na capa: Antônio estava morto. Eram aquelas versões inventadas: tentativa de fuga, morto em confronto com a polícia ou outras alegações do gênero. Já sabíamos que não teríamos mais nem sequer as notícias dele. A partir daí, ficamos sabendo que Antônio era Carlos Nicolau Danielli, dirigente do PCdoB". Ele fora morto sob tortura, no DOI-Codi. Sofrer em silêncio "Pegamos todos os documentos do partido, fotos dos meus irmãos, o jornal A Classe Operária e meu marido levou numa ponte do Tietê e jogou tudo rio abaixo. Como o Antônio vinha em casa, a qualquer hora poderiam aparecer. Foram livros do Marx, do Lênin e tudo que era considerado 'subversivo'". Laura ficava preocupada com a falta de notícias. "Em fins de 1968, depois de decretado o Ato Institucional número 5, o AI-5, a ditadura nunca foi 'ditabranda'. A situação estava feia. Pode ter sido branda para quem ficou assistindo televisão, que veiculava as propagandas do governo do tipo 'este país vai pra frente' ou 'Brasil, ame-o ou deixe-o'. Para quem sentiu na pele a repressão, sabe que de branda a ditadura não teve nada". Em 1973, Laura foi visitar a mãe em Bauru. Quando voltou, seu marido disse que tinha uma notícia muito ruim. Contou que encontrara Regilena de Aquino. Ela, que também participara da guerrilha, mas que estava de volta, pois se entregara ao Exército, fora casada com Jaime, seu irmão. Regilena contara com detalhes que Maria Lúcia estava morta. Ela fora à casa de um camponês do Araguaia, seu "compadre", João Coioió, que lhe havia comprado mantimentos. Maria Lúcia se tornaria madrinha de seu filho. Combinou de ir a casa logo cedo, com mais dois companheiros, Miguel Pereira dos Santos, conhecido como Cazuza, e Rosalindo de Souza, vulgo Mundico, que a ajudariam a carregar os mantimentos. Quando estava chegando, recebeu um tiro na altura da bacia e outro na cabeça. Os militares estavam na casa e a executaram assim que ela se aproximou. Seus companheiros conseguiram escapar. Laura conta que, no momento em que soube da morte da irmã, teve que ficar calada. Sofria em silêncio e chorava às escondidas. Não podia compartilhar seu luto nem contar da morte da irmã aos amigos mais próximos. Será Maria Lúcia? Quase 20 anos depois, em 1991, acharam ossadas do Araguaia. A irmã de João Carlos Haas, militante do PCdoB que também esteve na guerrilha, obteve indicações de moradores da região de que seu irmão estava enterrado no cemitério de Xambioá, no Tocantins. A Comissão de Justiça e Paz da Prefeitura de São Paulo foi até a região, acompanhada de uma equipe de legistas da Unicamp, Universidade Estadual de Campinas. No lugar da escavação em busca de restos mortais de João Hass, foi encontrada, envolta em um paraquedas, uma ossada de uma mulher que teria entre 20 e 24 anos. Junto, estavam os projéteis de uma metralhadora de uso militar. Na ocasião, Fortunato Badan Palhares, à frente da equipe de legistas, afirmou, em entrevista à TV Manchete, que certamente era uma guerrilheira, principalmente porque tinha uma coroa de dente tratada. Se fosse uma moradora da região, não teria tratamento dentário nem tipo algum de prótese. A informação chegou a Laura Petit. Os restos mortais encontrados talvez pudessem ser de sua irmã. A ossada foi levada à Unicamp. "Na volta do cemitério de Xambioá para São Paulo, Badan Palhares parou em Brasília e conversou com Romeu Tuma. Consta que, nessa época, Tuma teria recomendado a Palhares que não identificasse ossadas de nenhum guerrilheiro do Araguaia. Assim, a atitude dele mudou completamente depois daquela primeira entrevista para a TV Manchete", conta Laura. Nessa época, Luiza Erundina, prefeita de São Paulo, deu muito apoio à comissão de familiares. Selou um convênio para que o Departamento de Medicina Legal da Unicamp fizesse identificações de ossadas. História da carochinha "Fui umas três vezes até a Unicamp levar fotos e outras coisas que pudessem ajudar na identificação da ossada. Mostrei fotos da Maria Lúcia e o depoimento da Regilena dizendo como ela estava vestida no dia em que foi morta: com uma calça de brim e um cinto de couro com fivela de metal. Portava uma cartucheira de 20 mm e uma espingarda de caça. Como estavam no meio da mata, tinham que caçar para comer", lembra. "Cheguei à Unicamp um dia cedo, e o Palhares não estava. Fiquei esperando até às dez horas da noite. Ele tinha ido a Vinhedo ver uma santa que chorava para fazer a perícia. Chegou tarde e me atendeu muito rapidamente. Já chegou falando: 'Não, não é sua irmã, o cabelo que tem aí é claro. Na foto que você me trouxe, ela tem cabelo escuro. Essa mulher que está aí dentro tem cabelo encaracolado, o que não era o caso da sua irmã'. Ele tentou me contar uma história da carochinha: 'Você ainda vai encontrar sua irmã, não se preocupe'. Como se eu não tivesse certeza absoluta de que ela tinha sido executada. E ainda gritou comigo: 'O cabelo que está aí é claro, você quer ir lá dentro ver?'. Imagine se eu, sendo irmã, às dez horas da noite, cansada e impactada pela expectativa, diria 'sim, eu quero que você me mostre'. Recuei: 'Não, agora, não'. Como é que, sem preparo algum, eu poderia entrar naquela sala e olhar? Não sou uma técnica de Instituto Médico Legal". Laura conta que Palhares nunca deu a possibilidade de se fazer um exame de DNA. "Eu era a irmã dela e nossa mãe ainda estava viva quando a ossada foi encontrada". Badan deixou o caso de lado por um tempo, e, além disso, Laura vivia um período muito difícil. Em 1990, perdeu a filha caçula, de então quatro anos de idade. Em 1991, quando houve a exumação e a possibilidade de identificar a irmã, ainda estava muito impactada pela perda da menina. Foi algumas vezes até a Unicamp e não teve retorno algum. "Ainda disse a Palhares que conhecia o dentista que havia tratado o dente da Maria Lúcia. Eu poderia procurá-lo. E ele falou: 'Procure e me traga as radiografias'. Fui até Bauru atrás do doutor Tanaka e pedi as radiografias. Ele disse que, depois de mais de 20 anos, não tinha mais nada de Maria Lúcia, mas que, apesar disso, lembrava direitinho do trabalho feito. Nossa mãe não tinha muito dinheiro para uma coroa de ouro, então ele fizera de outro metal. Afirmou ser capaz de reconhecer o dente, porque o trabalho de prótese é quase artesanal. Quando contei ao Badan Palhares, ele afirmou que só aceitava receber o dentista com as radiografias em mãos". Estado que ainda mata Em abril de 1996, o jornal O Globo publicou uma grande reportagem, durante uma semana, sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-75). Um militar entregara todas as suas anotações com fotos e fatos sobre os enfrentamentos entre as forças da ditadura e os militantes do PCdoB. Uma das autoras da reportagem foi a São Paulo à procura de Laura. Queria que ela reconhecesse Maria Lúcia. "Era uma foto da Maria Lúcia deitada em um paraquedas com um saco plástico cobrindo seu rosto. Eu reconheci, claro que era a Maria Lúcia. E aparecia a calça de brim e o cinto com fivela de metal que estavam com a ossada na Unicamp. Além disso, aqueles restos mortais haviam sido achados envoltos em um paraquedas". Depois de ver as fotos, Laura voltou para casa. Estava atordoada, desolada. Viu a irmã morta, lembrou-se da filha que perdera e ficou, então, comparando o que as duas tinham de parecido. "A Maria Lúcia era ligeiramente estrábica, usava óculos desde pequena e minha filha também precisou usar, desde bebê". Quando chegou a casa e ligou a televisão, o noticiário anunciava: 17 de abril de 1996, no sul do Pará, 19 sem-terra foram mortos pela polícia. Era o massacre de Eldorado dos Carajás. "Pra mim, aquilo foi muito, muito forte. Ligo a televisão e vejo PMs armados, praticamente na mesma região, matando camponeses. Dezenove deles. Lembro que, na ocasião, pensei: 'Puxa vida, este país está como anos atrás'. Tinha acabado a ditadura e o Estado continuava matando". É ela, é ela! Depois de publicada a matéria, a jornalista de O Globo mandou à Laura as fotos de Maria Lúcia ampliadas. "Fomos com a comissão de familiares até a Unicamp. Chegamos com as fotos e, a nós, se juntou uma comissão grande de estudantes da Unicamp, para colocar o Badan contra a parede. Tinha imprensa e tudo mais. Quando ele chegou e viu aquela movimentação toda, acuado, falou, naquele tom professoral típico dele, que só receberia a mim e a meu marido." Badan viu as fotos e, finalmente, falou que faria a identificação. "Pois, agora, sim, tinha indícios. Eu deveria até trazer o dentista de Bauru", conta Laura. Sua ida à Unicamp foi perto do dia 2 de maio de 1996. Em 15 de maio, o legista convocou uma entrevista coletiva para anunciar à imprensa e à sociedade a identificação de Maria Lúcia. "Ele fez, em 15 dias, o que havia demorado cinco anos para fazer". Depois do caso PC Farias e das ossadas de Perus, o Departamento de Medicina Legal da Unicamp foi fechado por processos administrativos. "No caso PC Farias, ficou muito claro o caráter desse homem", diz Laura. A família Petit esperou até 16 de junho para fazer o traslado dos restos mortais da Unicamp ao cemitério. Maria Lúcia fora morta em 16 de junho de 1972. Foram 24 anos para ser encontrada, identificada e enterrada. Mais tempo do que ela viveu. Foi morta aos 22 anos. "Nessa época, minha mãe disse que passaria, então, a esperar para poder sepultar seus outros dois filhos, mas, infelizmente, faleceu antes de fazer isso. Ela viveu uma espera eterna. Não conseguiu sepultar os outros dois filhos, não conseguiu que os arquivos fossem abertos nem que o governo devolvesse às famílias os restos mortais", conta. Vida suspensa "Durante todo esse tempo, eu pensava, diariamente, se era ou não era minha irmã e o que poderia ser feito. É uma angústia constante, que não te deixa nunca. Depois de todas as negativas do Badan, ficamos esperando ver se alguma coisa nova acontecia. Por isso, é cada vez mais necessária a abertura dos arquivos da ditadura. O simples fato de esse militar que não se identificou entregar seus arquivos possibilitou a identificação da Maria Lúcia", diz Laura. E indaga: "Quantos outros desaparecidos não poderiam ser localizados e identificados para que as famílias pudessem encerrar esse luto eterno? O luto é uma tristeza muito grande, mas que podemos compartir socialmente. Choramos e depois começamos a tocar a vida de novo. No nosso caso, não conseguimos concretizar a morte, porque não temos um corpo para chorar. Não encerramos esse período de luto. Não é uma tristeza, é uma melancolia que passa a nos acompanhar a vida toda. Ficamos com a vida truncada. Suspensa". Até a Lei de Anistia, em 1979, Laura acreditava que Jaime e Lúcio pudessem estar vivos. "Eu tinha a esperança, sobretudo, que o Lúcio voltaria. Diziam que ele era um mateiro muito experiente. Durante a infância toda, tinha pescado nos rios perto de onde morávamos. Eu pensava que ele poderia ter caminhado, caminhado, até chegar à fronteira com algum país. Eu tinha um primo muito companheiro da gente na juventude. Um dia ele foi a Salvador e voltou dizendo que havia visto o Lúcio por lá e que ele tinha passado reto e fingido que não o conhecia. As pessoas ficam nessa coisa, nesse sebastianismo: eu vi em tal lugar, eu sei que vai voltar". Cena final: 30 anos depois ou procura-se Segundo relatos de um camponês da região na época da guerrilha, Jaime foi morto pelos militares. Estava sozinho em uma cabana, magro, com feridas de leishmaniose e sem munição. Abriram fogo contra a cabana, uma fumaça se levantou com a poeira do chão e, quando foram ver, o corpo de Jaime estava "esbagaçado" pelos tiros. Depois de morto, ainda teve a cabeça cortada para identificação e o corpo foi enterrado no local. A cabeça foi colocada em um saco e entregue ao chefe da operação na região, o doutor Augusto. Já Lúcio foi preso, interrogado durante três dias e "foi feito" no dia de Tiradentes, 21 de abril. Na última foto em que se acredita que Lúcio apareça, ele está dentro de um helicóptero, provavelmente sendo levado para o "voo da morte". Os prisioneiros eram levados para longe e executados. No Araguaia, guerrilheiros eram presos e levados para um voo sem retorno. Até hoje, nenhuma notícia deles. Nenhuma certeza. E Laura é apenas uma das pessoas que seguem esperando. Como definiu Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, "são os fantasmas que voltam sempre; são os fantasmas que querem lembrar que não podem ser esquecidos". ====================================================================================================== FICHA. Jaime Petit da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Jaime Petit da Silva Cidade: (onde nasceu) Iacanga Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 18/6/1945 Atividade: Estudante universitário e professor Universidade Faculdade Federal de Itajubá Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 29/11/1973 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Desaparecido 22/12/1973 Brasil Segundo relatórios do Ministério do Exército e do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Jornal da Cidade, Bauru, 18 jun. 1996. "Petit é sepultada como heroína nacional", "Amigas se impressionavam com visão crítica", "Hino Nacional foi cantado no cemitério Jardim Ypê", "Irmão faz depoimento comovente na Câmara", "Livro vai contar como eram os guerrilheiros", "O que foi a Guerrilha". Informa como foi o sepultamento de Maria Lúcia, o reinício das buscas dos restos de seus irmãos, Jaime e Lúcio e que Regilena de Aquino, viúva de Jaime Petit, pretende lançar um livro sobre o cotidiano dos guerrilheiros do Araguaia para resgatar as histórias das pessoas com quem conviveu no Araguaia. O último artigo explica o que foi a Guerrilha do Araguaia. Artigo de jornal Jornal da Cidade, Bauru, 16 jun. 1996. "Funeral de Petit será ato contra perseguição", "Unicamp identificou ossos de guerrilheira". Informa que o funeral da guerrilheira Maria Lúcia Petit, neste dia, em Bauru, deve ficar marcado como movimento e ato contra a perseguição política no Brasil. Trata-se dos restos mortais do primeiro desaparecido político do Araguaia encontrado e identificado. Maria Lúcia nasceu em Agudos, mas passou boa parte de sua vida em Duartina e Bauru. Junto com ela, lutaram no Araguaia dois de seus irmãos, Jaime e Lúcio, cujos restos mortais ainda não foram identificados. A UMESB, entidade de estudantes secundaristas de Bauru, e o Grêmio Estudantil "Maria Lúcia Petit da Silva" estão organizando participação no funeral. Segundo presidente da UMESB, Petit era liderança no movimento estudantil paulista, assim como Antônio Guilherme Ribeiro Ribas, também desaparecido no Araguaia, que foi presidente da entidade no Estado entre os anos de 1968 e 1969. A identificação da ossada, encontrada em 1991 no cemitério de Xambioá, GO, foi feita pelo Departamento de Medicina Legal da UNICAMP e possível graças ao reconhecimento de sua arcada dentária, pois Maria Lúcia havia feito uma restauração em Duartina, em 1967. Além disso, alguns objetos que portava e cabelos aparecem numa fotografia feita pelo próprio Exército, o qual utilizava estes registros para identificar militantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Relatório Documento do arquivo do DOPS com a lista dos estudantes participantes do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, em 1968. Há duas versões da lista. Ficha pessoal Qualificação e histórico do DOPS/SP, sem data. Informa que Jaime é estudante de Engenharia da Faculdade Federal de Itajubá, MG, que está foragido (1971 e 1973) e lista seus processos e condenações. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110917/6b46c1c2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11970 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110917/6b46c1c2/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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PALESTINA LIVRE Laerte Braga Terminada a operação ?Choque e Pavor? que derrubou o regime de Saddam Hussein a pretexto de evitar a destruição do mundo (Tony Blair disse que Saddam era ameaça às democracias e a humanidade, pois tinha armas de destruição em massa), destruída a infraestrutura do Iraque (exceto a do petróleo), bancos e empreiteiras norte-americanas e de seus aliados/colônias começaram a discutir o processo de reconstrução do país. Um aqueduto de três mil e quinhentos metros de comprimento, cinco metros de diâmetro e que levava água aos líbios transformando o deserto em terra produtiva foi destruído pelos bombardeios humanitários da OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte, braço de ISRAEL/EUA/TERRORISMO S/A). Falta água em Trípoli, capital da Líbia. A UNICEF está providenciando compra e remessa do líquido para tentar evitar mortes, doenças, coisas do gênero provocadas pelas missões libertárias dos terroristas detentores de pelo menos cinco mil armas de destruição em massa e extermínio da humanidade. Israel é um estado inventado pelas grandes potências ao término da 2ª Grande Guerra. Uma forma de compensação ao povo judeu vítima da barbárie nazista. É a versão oficial vendida ao mundo e aos incautos que acreditam na mídia privada. O que desejavam na verdade e continuam a desejar é o controle do petróleo na região e para isso é fundamental evitar governos que não sejam corruptos, lógico, aliados da democracia cristã, ocidental e sionista (uma esdrúxula mistura de banqueiros, empresários e latifundiários num grande complexo terrorista com sede em Washington). ?Ajuda humanitária? para derrubar o governo Líbio, acordo para evitar problemas para substituir o presidente do Iêmen, aliado do terrorismo capitalista. Os militares egípcios batem continência para Washington e para Tel Aviv. A derrubada do presidente/ditador Hosni Mubarak não significou mudança alguma nas políticas do governo de Cairo. Há dias manifestantes invadiram a embaixada do simulacro de nação Israel, em protesto contra as boçalidades e saques diários contra a Palestina e palestinos. O fato se repetiu na Jordânia, onde o rei se curva diante de Israel. Na Arábia Saudita um aparato de repressão sem tamanho mantém uma família real podre e corrupta no poder. Riad é a a principal base do complexo terrorista ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A no Oriente Médio. Israel não é base mais, tornou-se acionista principal do complexo, proprietária dos EUA e por extensão do resto. Líderes da Comunidade Européia reuniram-se para discutir a realidade da falência dos países que formam a mais importante base do complexo terrorista em todo o mundo. A preocupação é com os bancos. As medidas discutidas e que devem ser adotadas têm um norte ? salvar os bancos. No caso especifico o dinheiro prometido à Grécia, uma das mais fracas dentre as vítimas do complexo, só sai depois de reformas. A rendição absoluta vem primeiro e as reações do povo grego ao processo imposto ao país não agradam aos donos. Em nenhum momento líderes como o nazi/sionista David Cameron, ou o pedófilo Sílvio Berlusconi (agora chamou a chanceler alemã de ?gorda), ou o galã Sarkozy discutiram a situação de trabalhadores, ou cidadãos de seus países. Bancos são a grande preocupação dos líderes da Europa Ocidental. Uma parte do mundo em franco processo de decomposição. O velho incesto desde que Cameron decretou o fim do multiculturalismo. As deformidades morais e físicas da podridão. Em http://www.elpais.com/fotogaleria/hombre/quema/bonzo/banco/griego/elpgal/20110916elpepuint_1/Zes/1 é possível assistir ao horror de um cidadão grego em desespero ateando fogo ao próprio corpo. Para os banqueiros um tresloucado, para os governantes um terrorista, ou um doente mental. Para a nação grega alguém que percebeu que é apenas um número, infinitesimal, na barbárie do regime capitalista. Salvem os bancos. Empreiteiras de todo o mundo aliado do terror devem ser convocadas para ?reconstruir? a Líbia. Bilhões de dólares em negócios, milhões de pessoas jogadas à própria sorte e condenadas à fome, ao desemprego, ao total abandono. O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas vai discursar na Assembléia Geral das Nações Unidas, na próxima semana. Vai pedir o reconhecimento da Palestina como Estado. As indicações e levantamentos feitos mostram que o pedido de Abbas deve ser aprovado pela maioria necessária e vetado pelos Estados Unidos. De que vale a ONU nesse caso? Se isso vier a ocorrer? Bush ignorou e desrespeitou a decisão do Conselho de Segurança para aguardar uma prova definitiva sobre armas químicas e biológicas (que não haviam) no Iraque e invadiu o país, invadiu e ocupou a revelia da ONU. O principal funcionário do terrorismo internacional ? ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A ? Barack Obama já disse que veta uma decisão que possa criar o Estado Palestino. A mídia brasileira dá sinais que a presidente Dilma Roussef pretende discursar anunciando apoio do Brasil ao Estado Palestino. É uma decisão que vem do governo Lula do qual Dilma era ministra. O Brasil, por tradição, é o país que abre a Assembléia Geral da ONU. Os palestinos tiveram suas terras e riquezas roubadas por maquinações das grandes potências após a 2ª Grande Guerra e hoje Israel mantém as políticas de extermínio, saque, todas as formas de barbárie imagináveis num Estado imposto em moldes sionistas/nazistas. O fundador de Israel, ou assim considerado, Ben Gurion, foi colaborador do regime de Hitler. O que o mundo assiste hoje e o ato do cidadão grego é um reflexo do desespero que cedo ou tarde vai permear inclusive as múmias que se postam diante das ?verdades? mentirosas da mídia, é o terror de bancos, grandes complexos empresariais e latifundiários. Aqui, por exemplo, o Tribunal de Justiça de Minas determinou que os professores voltem ao trabalho. O governador Antônio Anastasia lidera uma quadrilha, extermina o estado de Minas, é um ser repulsivo. O Tribunal de Justiça há pouco tempo afastou a ex-mulher de um desembargador que negociou sua pensão em troca de um cargo no TJ e quase ao mesmo tempo, outro desembargador, esse vendia sentenças. É um modelo falido em todos os cantos e a presidente Dilma imagina poder ajudar a Comunidade Européia. É um escárnio sequer pensar nisso. Estará ajudando a banqueiros e grandes empresários, lesando o povo brasileiro e dando as costas ao grego e todos os povos vítimas da crise dos bancos ? especulação, extorsão, chantagem, etc. Mais vale o cidadão grego que se imolou em protesto contra a destruição de seu país que qualquer majestade inglesa, refestelada em palácios suntuosos ? a riqueza veio das antigas colônias do extinto império britânico. O que fazem, sempre fizeram, é reconstruir a destruição que eles próprios promovem. Viva o Estado Palestino! Simboliza todos os oprimidos em todo o mundo capitalista/terrorista. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Se há beleza na pessoa, haverá harmonia na casa. Se há harmonia na casa, haverá ordem na Nação. Se há ordem na Nação, haverá paz no mundo." Provérbio chinês Owner: Vera Rossi ANIVERSARIANTES DO MÊS Desejamos a vocês: um mundão de felicidade, uma infinidade de alegrias, uma tonelada de afeto, quilômetros de esperança, um caminhão de carinho, um montão de coragem, um punhado de perseverança, um infinito de paz, uma saúde sem fim, um mar de amor, uma pitada de malícia, e um enorme nada de dor... Visite o site: www.contandohistoria.com Todas as ofertas dos clubes de compras em um só lugar. Clique aqui. -------------------------------------------------------------------------------- Y!Encontros. O amor não vai cair do céu, então vá atrás dele! -------------------------------------------------------------------------------- Y! Ofertas. Conheça e tenha descontos de 50% em suas compras. Trocar para: Só Texto, Resenha Diária . Sair do grupo . 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História de MAURÍCIO GRABOIS -CCL- Carta O Berro.........................................................repassem MAURÍCIO GRABOIS (1912-1973) Data e local de nascimento: 02/10/1912, Salvador (BA) Filiação: Dora Grabois e Agostim Grabois Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 25/12/1973 Baiano de Salvador, filho de uma família humilde de judeus russos, desapareceu aos 61 anos no Araguaia. Maurício fez o curso primário em vários colégios devido às inúmeras viagens e mudanças de sua família. Em 1925, ingressou no Ginásio da Bahia e se formou em 1929, sendo colega de Carlos Marighella. No início do ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde passou a freqüentar o curso preparatório para a Escola Militar do Realengo, nela ingressando em 1931. Não concluiu o curso, por ter sido expulso em 1933. Foi então para a Escola de Agronomia, onde cursou até o 2° ano, abandonando definitivamente os estudos para dedicar-se à militância política. No início da década de 30, Grabois foi um dos primeiros organizadores do Partido Comunista nas Forças Armadas, quando aluno da Escola Militar. Logo após sua entrada no partido, em 1932, atuou na Juventude Comunista e, em 1934, foi encarregado do setor nacional de agitação e propaganda da Federação da Juventude Comunista do Brasil. Em 1935, Maurício Grabois engajou-se nas ações desenvolvidas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL). Durante o período do Estado Novo (1937-1945), foi condenado à revelia, em 1940, num processo em Minas Gerais. No início de 1941, foi preso no Rio de Janeiro. Libertado nos primeiros meses de 1942, quando Prestes, Marighella e outros dirigentes do partido permaneceram detidos, teve papel destacado, ao lado de Amarílio Vasconcelos, na Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP) que preparou a Conferência da Mantiqueira, de 1943, onde o Partido foi reorganizado e Grabois foi eleito para seu Comitê Central. Trabalhou na empresa de aviação Panair do Brasil e participou da fundação e da direção da Editora Horizonte, do Partido Comunista, com sede no Rio de Janeiro. Em maio de 1945, dirigiu o jornal A Classe Operária, função que manteria até 1949, quando a publicação foi fechada. Nas eleições de 02/12/1945 para a Assembléia Nacional Constituinte, o partido elegeu um senador e 14 deputados, entre os quais Grabois, pelo antigo Distrito Federal. Assumindo seu mandato em fevereiro de 1946, foi designado líder da bancada comunista. O período da legalidade do partido chegou ao fim em 07/05/1947, quando o TSE cancelou o seu registro e Grabois teve o mandato cassado. Devido à repressão policial aos comunistas a partir de 1948, Grabois passou a atuar na clandestinidade. Em agosto de 1957, alinhou-se com a ala de dirigentes comunistas que rejeitou a política soviética de coexistência pacífica, divergindo da orientação majoritária no partido, que nesse período tinha trocado a antiga denominação Partido Comunista do Brasil por Partido Comunista Brasileiro. Em fevereiro de 1962, ao lado de João Amazonas, Pedro Pomar, Carlos Danielli e outros, participou da fundação do PCdoB, retomando a denominação anterior e considerando esse ato como sendo uma reorganização do partido fundado em 1922. Em março de 1962, o PCdoB relançou A Classe Operária, órgão central do partido, dirigido por Grabois e Pedro Pomar. Após abril de 1964, voltou a viver na clandestinidade. Por força do AI-2 (27/10/1965), teve seus direitos políticos cassados. Foi condenado, em vários processos na Justiça Militar, nas Auditorias do Rio de Janeiro, a penas que ultrapassavam 14 anos na soma. Em meados da década de 60, tralhadoras e fuzis foram disparados contra os guerrilheiros no meio da floresta. (...) No ataque morreram Maurício Grabois, Paulo Mendes Rodrigues, chefe da Coluna B da guerrilha; Gilberto Olímpio, técnico industrial, casado com a filha de Grabois, e Guilherme Gomes Lund, estudante de arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na clandestinidade desde 1968. (...). O oficial que presenciou a morte de Grabois, porém, garante que houve somente quatro mortes no ataque do dia de Natal de 73". Curió, em reportagem do SBT, em julho de 1996, fez referência a um combate com 10 guerrilheiros, no começo da 3ª campanha, na localidade de Some Homem, sendo que quatro deles morreram. Tudo indica que ele se refere ao combate do dia 25/12/73. O local citado por Curió provavelmente é o mesmo descrito por Osvaldão, no Relatório Arroyo, pois Some Homem fica a uns 6 km da Fazenda Consolação e 4 km distante do rio Saranzal. Ali, alguns teriam sido presos, outros escaparam e quatro teriam sido mortos no local. quando o PCdoB recebia forte influência do pensamento maoísta, Grabois foi destacado para dedicar-se ao estabelecimento de uma área de preparação da guerra popular prolongada, na região do Araguaia, onde passou a viver, estabelecendo-se na localidade de Faveira e sendo conhecido como Mário. Há registros de que chegou à região exatamente no dia de Natal de 1967, sendo morto também no Natal de 1973. O último contato com sua mulher, Alzira da Costa Reys, foi em janeiro de 1972. Maurício teve um casal de filhos: André Grabois, também militante do PCdoB e morto no Araguaia, em outubro de 1973, e Vitória Lavínia Grabois Olímpio, que tinha sido casada com outro desaparecido do Araguaia, Gilberto Olímpio Maria. Em 10/10/1982, o jornal O Estado de São Paulo publicou que Maurício morreu com um tiro de FAL na cabeça, que arrancou-lhe o cérebro, e outro na perna, que provocou fratura exposta. Em 17/10/1982, o colunista Carlos Castello Branco escreveu no Jornal do Brasil que ouviu do general Hugo Abreu a informação de que Maurício Grabois estava enterrado na Serra das Andorinhas. O Relatório do Ministério da Marinha, de 1993, confirma que Maurício foi morto em 25/12/1973, em Xambioá. O jornalista Elio Gaspari escreveu: "A guerrilha do Araguaia começou a acabar na segunda semana de dezembro. Os quadros do PCdoB no Araguaia eram 44. Camponeses, só dois. A maior parte dos combatentes juntou-se numa só coluna de 23 pessoas. Outros 15 guerrilheiros convergiram para um morrote na região de Palestina, perto da Transamazônica. Lá acampou a comissão militar. Havia mais seis cumprindo tarefas em outros lugares. A manobra concentraria toda a força guerrilheira numa área de, no máximo, 50 quilômetros quadrados. Só a certeza de que o Exército não tinha tropa poderia justificar essa decisão. (...) Entre os dias 20 e 21 de dezembro uma patrulha militar achara um forte rastro de uma coluna guerrilheira e seguiu-a à distância. Dois dias depois, outras duas patrulhas entraram na mata com o objetivo de cortar o caminho de sua vanguarda. (...) Na manhã do Natal de 1973 uma das patrulhas estava na região de Palestina. O acaso fez com que uma tropa que pretendia interceptar a marcha de uma coluna de guerrilheiros acabasse passando por seu ponto de destino, o morro onde estava a comissão militar. Maurício Grabois, o Mário, pode ter sido o primeiro guerrilheiro a morrer. A narrativa de um oficial que se encontrava na região mas não presenciou o choque informa que ele estava sentado numa trilha quando, para surpresa mútua, um tenente viu-o à sua frente. Grabois tinha um revólver 38 e o oficial, uma submetralhadora. As duas armas travaram, mas o tenente teve a segunda chance. Há ainda duas outras versões. Numa, ele foi surpreendido enquanto comia. Na outra, foi morto em combate. Nesse choque morreram mais quatro guerrilheiros, entre eles seu genro Pedro. Grabois guardava consigo o arquivo da guerra. Desde o seu diário de campanha, até a coleção de panfletos, hinos e poemas de combatentes. Ao tiroteio seguiu-se uma revoada de aviões e helicópteros que por todo o dia desembarcaram tropas e levaram para Marabá o que acharam. Tanto cadáveres como mochilas e objetos pessoais". O centro oficial de estudos, pesquisas, debates, publicações e formação política do PCdoB recebeu o nome Instituto Maurício Grabois. ========================================================================================================================= + Informações. MAURÍCIO GRABOIS Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Salvador, no dia 2 de outubro de 1912, filho do comerciante Agostim Grabois e de Dora Grabois, ambos judeus de nacionalidade russa. Maurício teve um casal de filhos: André Grabois, também militante do PCdoB e morto no Araguaia, provavelmente em outubro de 1973, e Vitória Lavínia Grabois Olímpio. Desaparecido aos 61 anos em 1973, no Araguaia. Fez o curso primário em vários colégios devido às inúmeras viagens e mudanças de seu pai. Em 1920, quando sua família regressou a Salvador, concluiu a escola primária. Em 1925 ingressou no Ginásio da Bahia, passando a sentir interesse pela política por influência de seu diretor, Bernardino José de Sousa. Também nessa época conheceu e tornou-se amigo de Carlos Marighella (morto em 1969), que freqüentava o mesmo colégio. Formouse em 1929. No início do ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde passou a freqüentar o curso preparatório para a Escola Militar de Realengo, nela ingressando em 1931, mas não concluiu o curso por ter sido expulso em 1933. Foi então para a Escola de Agronomia, onde cursou até o 2° ano, abandonando definitivamente os estudos para dedicar-se à vida política. No início da década de 30, Grabois foi um dos primeiros organizadores do PCB nas Forças Armadas, quando aluno da Escola Militar. Logo após sua entrada para o PCB, passou também a atuar na Juventude Comunista e, em 1934, foi encarregado do setor nacional de agitação e propaganda da Federação da Juventude Comunista do Brasil. Em 1935, Maurício Grabois integrou-se nas ações desenvolvidas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL). Durante o período do Estado Novo (1937-1945), foi condenado à revelia, em 1940, num processo em Minas Gerais. No início de 1941, Grabois foi preso no Rio de Janeiro. Libertado no início de 1942, formou no Rio, ao lado de Amarílio Vasconcelos, a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP). Trabalhou na empresa de aviação Panair do Brasil e participou da fundação e da direção da editora Horizonte, do PCB, com sede no Rio de Janeiro. Em maio de 1945 dirigiu o jornal "A Classe Operária", função que manteria até 1949, quando o jornal foi fechado. Nas eleições de 2 de dezembro de 1945 para a Assembléia Nacional Constituinte, o PCB elegeu um senador e 14 deputados, entre os quais Grabois, pelo antigo Distrito Federal. Assumindo seu mandato em fevereiro de 1946 foi designado líder da bancada comunista. O período da legalidade do PCB chegou ao fim, em 7 de maio de 1947, quando o TSE cancelou o seu registro e Grabois teve o seu mandato cassado. Devido à repressão policial aos comunistas, a partir de 1948, Grabois passou a atuar na clandestinidade. Em agosto de 1957 rejeitou a política soviética de coexistência pacífica, explicitando suas divergências com a orientação do PCB. Em fevereiro de 1962, juntamente com Pomar, Danielli e outros, organizou o Partido Comunista do Brasil, relançando o antigo nome e preservando o projeto político-partidário anterior ao XX Congresso do PCUS. Em março de 1962 foi relançado o jornal AClasse Operária, órgão central do PC do B, dirigido por Grabois e Pomar. Após o golpe militar de 1° de abril de 1964, voltou a viver na clandestinidade. Por força do AI-2 (27/10/1965), teve seus direitos políticos cassados. Foi condenado pela 2ª Auditoria do Exército - 1ª CJM nos Processos n° 7512, a 2 anos de reclusão, e 7478, a 10 anos de reclusão. Também foi condenado pela 1ª Auditoria a 5 anos de reclusão e pela 2ª Auditoria a 2 anos de reclusão. Em 1967, iniciou os preparativos de um movimento de guerrilha na região do Araguaia, no sul do Pará, onde passou a viver, estabelecendo-se na localidade de Faveira. Em 1972, o Exército descobriu o núcleo guerrilheiro no Araguaia. As tropas enviadas à região, estimadas em 20 mil homens, eliminaram 59 guerrilheiros do PCdoB, entre os quais Maurício Grabois. O jornal "O Estado de São Paulo", do dia 10/10/82, diz que Maurício morreu com um tiro de FAL na cabeça que arrancou-lhe o cérebro e outro na perna que provocou fratura exposta. A revista "Isto É", de 4/9/85, em entrevista com um paraquedista que não quis identificar-se diz que a foto publicada em, 10/10/82, pelo Jornal "O Estado de São Paulo" não é de Maurício Grabois porque não mostra sinais de destruição da caixa craneana, os mortos estão descalços e o grupo que foi morto em combate, no dia 25/12/73, estava calçado. Diz também que os 4 mortos da foto estão com as pernas amarradas, sinal de que foram presos e torturados e que Maurício e mais outros quatro, foram mortos em combate, não tendo sido presos. Reconhece, no entanto, que se trata de fotos de guerrilheiros. Em comentário do colunista Castello Branco do "Jornal do Brasil", de 17/10/82, o General Hugo de Abreu lhe dissera que na Serra das Andorinhas estava enterrado Maurício Grabois. Segundo o "Jornal do Brasil", de 23 e 24/03/92, no dia 25/12/73, foram mortos Paulo Mendes Rodrigues, Guilherme Lund e Gilberto Olímpio junto com Grabois, e que a operação militar contra o grupo foi comandada pelo Major Curió. O último contato com sua mulher, Alzira da Costa Reis, foi em janeiro de 1972 e, de acordo com informaÞções de sobreviventes da guerrilha, sua morte ocorreu em dezembro de 1973. Até hoje, entretanto, Grabois não foi dado oficialmente como morto, sendo considerado desaparecido. O Relatório do Ministério da Exército faz referências à reportagem de "O Estado de São Paulo", de 10/10/82, concluindo que não há "dados que confirmem essa versão", mostrando clara a intenção de manter oculta a morte de Maurício à família e à sociedade, visto que para "uso interno" dos serviços de informação sua morte já era conhecida pelo 'inf. 965/82 do II Exército', encontrado nos arquivos do DOPS/SP. No Relatório do Ministério da Marinha consta, que Maurício foi morto em 25 de dezembro de 1973, em Xambioá. =================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) MAURÍCIO GRABOIS (19121973) Baiano de Salvador, filho de uma família humilde de judeus russos, Grabois mudou-se aos 18 anos para o Rio de Janeiro. No início da década de 1930, quando aluno da Escola Militar, tornou-se um dos primeiros organizadores do Partido Comunista nas Forças Armadas. Em 1935, engajou-se nas ações desenvolvidas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL). Devido à repressão policial aos comunistas a partir de 1948, Grabois passou a atuar na clandestinidade. Em agosto de 1957, alinhou-se com a ala de dirigentes comunistas que rejeitou a política soviética de coexistência pacífica, divergindo da orientação majoritária no partido. Em fevereiro de 1962, participou da fundação do PCdoB. Alguns anos depois, foi destacado para estabelecer uma área de preparação da guerra popular prolongada, na região do Araguaia, onde passou a viver, na localidade de Faveira, sendo conhecido como Mário. Há registros de que chegou à região no dia de Natal de 1967, e também foi morto no Natal de 1973. O capitão Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Curió, em reportagem do SBT em julho de 1996, fez referência a um combate contra dez guerrilheiros na localidade de Some Homem, no qual quatro deles morreram. Tudo indica que ele se refere ao combate do dia 25 de dezembro de 1973, no qual Maurício Grabois teria sido um dos mortos. A mesma data aparece citada no livro Bacaba, de José Vargas Jiménez, porém com detalhes discrepantes: [...] uma equipe mista, integrada por paraquedistas de Xambioá e guerreiros de selva de Bacaba, estava seguindo umas pegadas na região da Gameleira, próximo ao rio Araguaia, quando se defrontaram (sic) com um grupo de guerrilheiros integrantes do Comando das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Houve troca de tiros, resultando na morte de oito guerrilheiros: Maurício Grabois (Velho Mário)... [seguem-se outros nomes]. Em 10 de outubro de 1982, o jornal O Estado de São Paulo publicou que Maurício morreu com um tiro de FAL na cabeça, que lhe arrancou o cérebro, e outro na perna, que provocou fratura exposta. Em 17 de outubro de 1982, o colunista Carlos Castello Branco escreveu no Jornal do Brasil que ouviu do general Hugo Abreu a informação de que Maurício Grabois estava enterrado na Serra das Andorinhas. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, confirma que Maurício foi morto em 25 de dezembro de 1973. O jornalista Elio Gaspari escreveu: [...] Maurício Grabois, o Mário, pode ter sido o primeiro guerrilheiro a morrer [no combate da manhã do dia 25]. A narrativa de um oficial que se encontrava na região mas não presenciou o choque informa que ele estava sentado numa trilha quando, para surpresa mútua, um tenente viu-o à sua frente. Grabois tinha um revólver 38 e o oficial, uma submetralhadora. As duas armas travaram, mas o tenente teve a segunda chance. Há ainda duas outras versões. Numa, ele foi surpreendido enquanto comia. Na outra, foi morto em combate. Nesse choque morreram mais quatro guerrilheiros, entre eles seu genro Pedro. Grabois guardava consigo o arquivo da guerra. Desde o seu diário de campanha, até a coleção de panfletos, hinos e poemas de combatentes. Maurício teve um casal de filhos: André Grabois, também militante do PCdoB e morto no Araguaia, em outubro de 1973, e Vitória Lavínia Grabois Olímpio, que tinha sido casada com outro desaparecido do Araguaia, Gilberto Olímpio Maria. O advogado Paulo Fonteles Filho, representante do governo do Pará no GT Tocantins e Sezostrys Alves Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, relatam que é possível que tenha havido uma exumação clandestina em fins de maio de 1996 na Serra das Andorinhas. Logo após a série de reportagens feitas por O Globo e antes de a equipe forense argentina ter chegado à região da Serra das Andorinhas, no mesmo ano, camponeses teriam visto helicópteros do Exército sobrevoando o local. Quando chegou ao local, a equipe teria encontrado a terra já revolvida. Consta que o diário de Maurício estaria nas mãos do jornalista Hugo Studart. =================================================================================================== + Detalhes. Institucional Você está aqui: Home > Memória de Maurício Grabois Publicado em 04.03.2010 Memória de Maurício Grabois Por Jorge Amado, escritor Além de companheiros, fomos amigos. Quero dizer com isso, que nosso relacionamento, diário durante algum tempo, não se reduzia aos limites das circunstâncias partidárias Entre os muitos dirigentes comunistas com quem tratei durante meus anos de Partido, Maurício Grabois foi um dos daqueles a quem me liguei por laços mais profundos do que os da luta política, da militância. Além de companheiros, fomos amigos. Quero dizer com isso, que nosso relacionamento, diário durante algum tempo, não se reduzia aos limites das circunstâncias partidárias, gostávamos de estar juntos, conversar fora das reuniões, falar de temas que não tinham que ver com as tarefas recebidas e cobradas. Maurício era verboso, falava muito - quando o conheci, ainda bem jovem, seu apelido era Vitrola -, mas sabia ouvir, hábito raro em geral e ainda e mais num dirigente. De Maurício, podia-se divergir sem receio de ofender a disciplina partidária. O culto à personalidade, tão ao gosto da época, ele não o praticava ao menos no que se referia a sua própria figura: membro da Comissão Executiva era, no trato, o igual de qualquer modesto militante. Essa falta de presunção, eis uma das coisas que eu mais presava nele. Outra era a capacidade de duvidar, de querer saber de fato, tirar a limpo, num tempo em que a dúvida não era permitida, era mal-vista, quase sinônimo de falta de firmeza, senão de coisa pior. Talvez por ser judeu, Maurício tinha o gosto da dúvida e acontecia-lhe provocar a discussão, estender-lhe os limites, colher matéria para reflexão. Não sei se era bom teórico ou não, jamais consegui entender, muito menos julgar, tais categorias. O que sei é que em Maurício havia uma certa sensibilidade, um calor humano que o espírito de seita, tão terrivelmente limitador, não conseguia destruir. Fui testemunha, por mais de uma vez, do preço que pagava por não ser estreito. Fui seu colega de bancada na Constituinte em 1946 e na Câmara Federal, em 1947. A meu ver, Maurício era, de todos nós, o de maior vocação parlamentar, um brilhante deputado. Não da mesma forma que era brilhante Mariguela: diferente, menos zombador, mais malicioso. Recordo ainda hoje um discurso que Maurício pronunciou às vésperas da cassação da bancada comunista, respondendo a Flores da Cunha que nos acusara de traidores da Pátria. Um primor de discurso, de exemplar dignidade. Trabalhei com ele na ilegalidade - Maurício foi responsável pelos assuntos culturais -, muito discutimos e nos batemos, sobretudo em determinado tempo quando o horizonte ideológico ficara extremamente reduzido. Surpreendi-me mais de uma vez ao saber que Maurício defendera junto a seus pares da Comissão Executiva, ponencias e posições que não correspondiam por inteiro à ortodoxia imperante. Era alegre, outra qualidade. Não cultivava o ar soturno, a caratonha de tromba, características daqueles idos. Recordo de tê-lo visto triste, acabrunhado, apenas uma vez. Chegava de Moscou onde o relatório de Kruchov ao XX Congresso do PCUS incendiava o mundo. Maurício veio ver-me em minha casa no Rio; estava ferido, eu já disse. Conversamos uma tarde inteira, conversa a "batons rompus", ao sair ele confirmou: "eu vou em frente, haja o que houver!" A última vez que o vi, foi em Cuba. Veio comentar comigo uma entrevista que eu dera a um jornal de lá. Depois vieram os anos da ditadura militar, eu soube de Maurício apenas notícias vagas, até que alguém me informou que ele morrera, numa guerrilha, no Araguaia. Eu sempre vira nele mais um intelectual do que um soldado. Mas não admirei que morresse guerrilheiro: escolhera seu caminho e o trilhou até o fim. Haja o que houver, me disse um dia. Jorge Amado ============================================================================================ + Detalhes. Fundação Maurício Grabois - O tesouro da teoria e do debate A Fundação Maurício Grabois é de fato uma arca do tesouro da teoria e do debate contemporâneo. O primor e a riqueza de seu conteúdo são justas homenagens, à altura a esse militante comunista de caráter inquebrantável que foi Maurício Grabois. Um dos deputados federais eleirtos pelo Partido Comunista do Brasil, Grabois foi Secretário de Organização, Líder do Partido na Câmara dos Deputados, Editor do Jornal A Classe Operária, defensor do Partido contra o revisionismo que quase o liquidou e reorganizador do Partido Comunista do Brasil, Guerrilheiro do Araguaia e mártir da luta pela democracia. Memória de Maurício Grabois - Por Jorge Amado, escritor Maurício Grabois e o Barão de Itararé - Fonte Blog do Miro Maurício Grabois -Dirigente do Partido Comunista do Brasil TEXTOS DE MAURÍCIO GRABOIS: "Duas concepções, duas orientações políticas" 22/04/60 "Quem falsifica? Quem deturpa?" 27/05/1960 "Uma defesa falsa de uma linha oportunista" 03/06/1960 "Uma defesa falsa de uma linha oportunista" Conclusão 10/06/1960 E, por fim, mais um tesouro, os exemplares anteriores da Revista Princípios digitalizados. =============================================================================================================== Outras Informações. Assistam ao documentário "Um homem (in) comum: a vida de Paulo Marcomini", produzido pelo Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabois (CDM) e pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas. É uma singela homenagem aos milhares de combatentes comunistas que ainda permanecem desconhecidos. http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=12&id_noticia=6799 Acessem também ao sítio do CDM-Grabois. Ele tem se constituído num dos principais divulgadores da história dos comunistas brasileiros, especialmente da sua luta contra a ditadura militar. http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/cdm/ http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/ Um grande abraço Augusto Buonicore =============================================================================================================== Outras Informações. DIÁRIO DE MAURÍCIO GRABOIS ("Velho Mário") - PERÍODO DE 30 ... www.cartacapital.com.br/wp-content/.../Diário_de_Maurício_Grabois.pdf - Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat DIÁRIO DE MAURÍCIO GRABOIS (Velho Mário). 30 DE ABRIL DE 1972 A 25 DE DEZEMBRO DE 1973. 30/4 - Começou a G.P. (Guerra Popular) a 12/4. ... ======================================================================================================= + Detalhes. Maurício Grabois 1912 - 1973 Foi um dos mais destacados marxistas-leninistas brasileiros. Ingressou no Partido Comunista do Brasil - PCB em 1932. Tomou parte ativa nas jornadas de 1934 contra o fascismo e, 1935, no movimento revolucionário antiimperialista, antilatifundiário e antifascista que resultou na formação da Aliança Nacional Libertadora. Foi preso em 1941 e, um ano depois logo ao sair da prisão, integrou o Secretariado Nacional Provisório do Partido, no qual teve como tarefa rearticular nacionalmente o Partido e realizar a Conferência da Mantiqueira em agosto de 1943, quando foi eleito membro do Comitê Central, na Comissão Executiva e do Secretariado do Comitê Central. Deputado eleito em dezembro de 1945, liderou a bancada comunista no Congresso Nacional até janeiro de 1948, quando os mandatos comunistas foram caçados. Resistiu em companhia de João Amazonas e outros companheiros ao surto revisionista de 1956 a 1960, sendo um dos principais rearticuladores do Partido Comunista do Brasil - PC do B, em fevereiro de 1962. Durante muito tempo, dirigiu o órgão partidário "A Classe Operária" e empenhou o melhor de suas energias revolucionárias na preparação da luta e na resistência armada do Araguaia. Ali comandou as Forças Guerrilheiras e foi assassinado pela repressão. Leia os textos escritos por Diogenes Arruda e Jorge Amado sobre Grabois. Atualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras: 1948 - Jan Prestes, Dirigente Político 1948 - Jan A Cassação dos Mandatos 1949 - Mai Mobilizar Grandes Massas Para Defender a Paz e Derrotar o Imperialismo e a Ditadura 1949 - Out Nossa Política 1950 - Abr Nossa Política 1950 - Mai Mais Vigor e Audácia nas Lutas de Massas Pelo 1.° de Maio, Pela Interdição da Bomba Atômica, Pela Paz e a Independência Nacional 1950 - Jun Nossa Política 1950 - Jul Nossa Política 1950 - Set Programa da Frente Democrática de Libertação Nacional. Um Poderoso Instrumento de Luta 1950 - Nov A Revolução de Outubro Inspira Nossa Luta 1953 - Abr Estender e Reforçar a Luta Pela Paz 1954 - Nov Agitação e Propaganda Para Milhões. Fator Decisivo para a Vitória do Partido (Marxist Internet Archive) ======================================================================================================== Maurício Grabois, Uma vida de combates" Da batalha de idéias ao comando da Guerrilha do Araguaia Biografia inédita de Maurício Grabois, principal comandante político e militar da ação de resistência do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) contra a ditadura militar na região do Araguaia, no sul do Pará, que entrou para a história como Guerrilha do Araguaia (1967-1975) - escrita pelo jornalista Osvaldo Bertolino. O evento acontecerá às 19h30 no Bardo Batata (Rua Bela Cintra, 1333 - Jardins. São Paulo). A publicação traz um registro histórico jamais apresentado, sob o olhar do partido que enviou 69 guerrilheiros para a região - que compreende uma área de 6,5 mil quilômetros entre as cidades de São Domingos e São Geraldo, às margens do rio Araguaia - e que foi uma das maiores e mais importantes frentes de resistência à repressão no país. Cerca de metade dos desaparecidos políticos de que se tem denúncia foram seqüestrados e mortos durante a guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1974. Maurício Grabois - uma vida de combates é resultado de uma minuciosa pesquisa realizada pelo jornalista e pesquisador, que durou aproximadamente seis meses reunindo visitas aos arquivos da ditadura militar e depoimentos de familiares, membros e ex-membros do partido e ex-guerrilheiros. "Quem não se lembra do poema de Bertold Brecht sobre os que lutam um dia ou alguns meses ou até anos a fio? São bons, alguns muito bons. Mas imprescindíveis são os que lutam a vida toda. Do gesto à palavra, do punho erguido à mão estendida, do tiroteio ao debate, na ofensiva e na defensiva, são militantes imprescindíveis como o aqui biografado que conferem consistência histórica aos partidos portadores de um programa revolucionário. A biografia de Maurício Grabois por Osvaldo Bertolino nos põem, com efeito, diante de uma destas lutas que duram a vida inteira e que, por isso mesmo, se fundem com a causa que as animou: a trajetória de sua militância é inseparável da história do combate comunista no Brasil." (João Quartim de Moraes, professor de filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Políticas da Unicamp) Trajetória Em 1934, Maurício Grabois já era dirigente da Juventude Comunista. Nas quatro décadas seguintes, teve papel de destaque no Partido Comunista. Depois do levante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), em 1935 - quando a repressão praticamente desestruturou o partido - foi responsável pelas edições clandestinas do jornal A Classe Operária, cujo aparecimento sinalizava a persistência de lutadores capazes de defender o socialismo e o comunismo mesmo sob a adversidade mais severa. Em 1943, esteve à frente da Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP), que convocou a célebre Conferência da Mantiqueira, de 1943. Pouco depois, com o partido legal, Grabois foi então deputado constituinte, líder da bancada comunista de 14 deputados e um senador eleito em 1945. Nesses anos, tornou-se grande amigo de João Amazonas, outro dirigente histórico dos comunistas brasileiros. E, com João Amazonas (falecido em 2002), Pedro Pomar (morto em 1976 no episódio que ficou conhecido como a Chacina da Lapa), Carlos Danielli (morto em 1972 no DOI-CODI do 2º Exército de SP), e tantos outros, foi um dos responsáveis pelo que o PCdoB é hoje. Na foto acima, registro da abertura dos arquivos do Dops em 1992. Da esquerda para a direita: os comunistas Astrogildo Pereira, Maurício Grabois e Carlos Marighella. Grabois foi protagonista e dirigente da reorganização histórica do PCdoB em 1962, clímax da luta contra o revisionismo e o reformismo que marcou o movimento na segunda metade da década de 1950. Foi também junto com João Amazonas que Maurício Grabois dirigiu a Guerrilha do Araguaia, no final da década de 1960, e nela tombou em combate, em 1973. A seguir, trecho do livro sobre a guerrilha: "O PCdoB começou efetivamente a implantar a Guerrilha do Araguaia no dia 25 de dezembro de 1967, quando Maurício Grabois desembarcou no Porto da Faveira, no Sul do Pará, e foi morar num sítio então recentemente adquirido. Com ele estavam Elza Monnerat e Líbero Giancarlo Castiglia - um jovem italiano que havia conhecido André (Grabois Filho, filho em combate em 1973) na escola e entrara para o PCdoB. Maurício Grabois logo ficaria conhecido como "seu Mário". Elza Monnerat era a "dona Maria" e Líbero Giancarlo, o "Joca". A casa era precária, de chão batido, mas ainda assim diferente das demais da região por ter paredes de barro e ser coberta com telhas - enquanto as outras tinham paredes forradas com folhas de palmiteiro e eram cobertas de sapé. Dormiam em redes - menos Elza Monnerat, acometida de um problema de coluna." (pág. 172) A publicação traz ainda trecho de uma carta enviada por Maurício Grabois à direção do PCdoB em 1973 e que foi parar nas mãos do exército quando da prisão de Carlos Danielli. "Queridos tios: desejamos a todos vocês os melhores êxitos em seu trabalho e no esforço para nos ajudar (...). Podem estar certos, seja qual for o resultado da empreitada, que o capital investido dará bons lucros a curto prazo. (...) Sobre a situação dos destacamentos (...), de modo geral os combatentes adquiriram mais experiência militar, mais conhecimentos da mata e ampliaram as suas ligações com as massas. Nestes aspectos o (destacamento) A tem boas experiências. A maior parte de seus combatentes anda bem na selva (...)." (pág. 182) -------------------------------------------------------------------------- Autor O jornalista Osvaldo Bertolino, autor da biografia, já publicou em 2002, o livro Testamento de luta - a vida de Carlos Danielli, assassinado pela repressão da ditadura militar em 1972. Atualmente redator do portal Vermelho, Bertolino já tem longa tradição na imprensa sindical em São Paulo e vem se especializando em alguns aspectos ainda pouco conhecidos da história comunista em nosso país. É membro do Conselho de Redação da revista Debate Sindical e foi diretor de imprensa do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. http://www.espacoacademico.com.br - Copyright © 2001-2004 - Todos os direitos reservados -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110920/96495e79/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8106 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110920/96495e79/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 1214 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110920/96495e79/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 20 20:16:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 20 Sep 2011 20:16:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_NOTA_OFICIAL_DO_MST-_O_fim_da_?= =?windows-1252?q?=E9tica_da_Isto=C9=2C_a_revista_que_vende_reporta?= =?windows-1252?q?gens_por_quilo_-_divulgar?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Camaradas e Amig at s, segue a nota oficial do MST sobre a matéria da revista Isto É. Qualquer comentário que eu faça sobre a grande mídia comercial no atacado, será simples redundância. Putabraço, Alipio Freire -------------------------------------------------------------------------------- From: AStedile - MST To: alavermelha at hotmail.com Subject: Fw: NOTA DO MST- O fim da ética da IstoÉ, a revista que vende reportagens por quilo - divulgar Date: Sun, 18 Sep 2011 18:49:34 -0300 http://www.mst.org.br/O-fim-da-etica-da-Istoe-a-revista-que-vende-reportagens-por-quilo O fim da ética da Isto É, a revista que vende reportagens por quilo 18 de setembro de 2011 Da Secretaria Nacional do MST A revista IstoÉ publica na capa da edição desta semana um boné do MST bem velho e surrado, sob terras forradas de pedregulhos. Decreta na capa ?O fim do MST?, que teria perdido a base de trabalhadores rurais e apoio da sociedade. Premissa errada, abordagem errada e conclusões erradas. A mentira A IstoÉ informa a seus leitores que há 3.579 famílias acampadas no Brasil, das quais somente 1.204 seriam do MST. A revista mente ou equivoca-se fragorosamente. E a partir disso dá uma capa de revista. Segundo a revista, o número de acampamentos do MST caiu nos últimos 10 anos. E teria chegado a apenas 1.204 famílias acampadas, em nove acampamentos em todo o país. Temos atualmente mais de 60 mil famílias acampadas em 24 estados. Levantamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aponta que há 156 mil famílias acampadas no país, somando todos os movimentos que lutam pela democratização da terra. A revista tentou dar um tom de credibilidade com as visitas a uma região do Rio Grande do Sul, onde nasceu o Movimento, e ao Pontal do Paranapanema, em São Paulo. Se contassem apenas os acampados nessas duas regiões, chegariam a um número bem maior do que divulgou. A reportagem poderia também ter ido à Bahia, por exemplo, onde há mais de 20 mil famílias acampadas que organizamos. O repórter teve oportunidade de receber esses esclarecimentos e até a lista de acampamentos pelo país. Mas não quis ou não fez questão, porque se negou a mandar as perguntas por e-mail para o nosso setor de comunicação. Outra forma seria perguntar para o Incra ou pesquisar no cadastro do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Tampouco isso a IstoÉ fez. Se foi um erro, além de incompetente, a direção da IstoÉ é irresponsável ao amplificá-lo na capa da revista. Se não foi um erro, há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia, como escreveu William Shakespeare. O desvio A IstoÉ se notabilizou nos últimos tempos nos meios jornalísticos como uma revista venal. A revista é do tipo ?pagou, levou?. Tanto é que tem o apelido de "QuantoÉ". Governos, empresas, partidos, entidades de classe, igrejas (vejam a capa da semana anterior) compram matérias e capas da revista. E pagam por quilo, pelo ?peso? da matéria. A matéria da IstoÉ não é fruto de um trabalho jornalístico, mas de interesses de setores que são contra os movimentos sociais e a Reforma Agrária. Não é de se impressionar uma vez que a revista abandonou qualquer compromisso com jornalismo sério com credibilidade, virando um ?ativo? para especuladores. Nelson Tanure e Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, banqueiro marcado por casos de corrupção, disputaram a compra da revista em 2007. Com o que esses tipos têm compromisso? Com o dinheiro deles. Reação do latifúndio A matéria é uma reação à nossa jornada de lutas de agosto. Foram mobilizados mais de 50 mil trabalhadores rurais, em 20 estados. Um acampamento em Brasília, com 4 mil trabalhadores rurais, fez mobilizações durante uma semana e ocupou o Ministério da Fazenda para cobrar medidas para avançar a Reforma Agrária. A jornada foi vitoriosa e demonstrou a representatividade social e a solidez das nossas reivindicações na luta pela Reforma Agrária. O governo dobrou o orçamento para a desapropriação de terras para assentar 20 mil famílias até o final do ano, liberou o orçamento para cursos para trabalhadores Sem Terra, anunciou a criação de um programa de alfabetização e a criação de um programa de agroindústrias. Interesses foram contrariados e se articularam para atacar o nosso Movimento e a Reforma Agrária. Para isso, usam a imprensa venal para alcançar seus objetivos. Os resultados da jornada e a reação do latifúndio do agronegócio, por meio de uma revista, apenas confirmam que o MST é forte e representa uma resistência à transformação do Brasil numa plataforma transnacional de produção de matéria-prima para exportação e à contaminação das lavouras brasileiras pela utilização excessiva de agrotóxicos. A luta vai continuar até a realização da Reforma Agrária e a consolidação de um novo modelo agrícola, baseado em pequenas e médias propriedades, no desenvolvimento do meio rural, na produção de alimentos para o povo brasileiro sem agrotóxicos por meio da agroecologia. Leia também IstoÉ e Daniel Dantas: tudo a ver IstoÉ manipula foto para proteger Serra Jornalista mostra-se mal informado em artigo da IstoÉ Piada: Dantas ataca MST por ?desconsiderar a lei?. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110920/60a1a12c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 21 19:58:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 21 Sep 2011 19:58:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__L=DACIO_PETIT_DA_SILVA_______________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CCLI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem LÚCIO PETIT DA SILVA (1943-1974) Filiação: Julieta Petit da Silva e José Bernardino da Silva Junior Data e local de nascimento: 01/12/1943, Piratininga (SP) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre janeiro e julho de1974 O mais velho dos três irmãos Petit desaparecidos no Araguaia, cursou o primário em Amparo, interior de São Paulo, e o ginásio em Duartina, no mesmo estado. Começou a trabalhar cedo e foi viver com um tio em Itajubá, Minas Gerais, onde terminou o curso colegial e se formou engenheiro. Iniciou sua militância política nas atividades estudantis do Diretório Acadêmico do Instituto de Engenharia de Itajubá. Chegou a participar das atividades do Centro Popular de Cultura da UNE. Escrevia poemas e crônicas sobre os problemas sociais do país para o jornal O Dínamo, do Diretório Acadêmico. Em 1965, trabalhou nas empresas Light, Engevix e na Companhia Nativa em Campinas. Militante do PCdoB, foi deslocado para o Araguaia em 1970, onde ficou conhecido como Beto. Pertencia ao Destacamento A, sendo promovido a vice-comandante após a morte de André Grabois em 14/10/1973. Foi visto vivo pela última vez por seus companheiros no dia 14/01/1974. O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça, confirma sua morte, mas indica como data março de 1974, em desacordo com vários depoimentos de moradores da região. O livro Operação Araguaia traz mais informações sobre Lúcio: "O mais velho dos três irmãos guerrilheiros formou-se em Engenharia em Itajubá, Minas, e trabalhou em São Paulo antes de deslocar-se para o sudeste do Pará. Vivia na área do Destacamento A com Lúcia Regina, a paulista que fugiu de um hospital em Anápolis para não mais voltar para o Araguaia. Sério, calado e determinado, Lúcio destacava-se na escola, gostava de estudar línguas e recitar poesias. A morte prematura do pai o levou a trabalhar desde cedo para ajudar a família. Teve forte influência na formação política dos irmãos Jaime e Maria Lúcia. Foi o último a morrer na guerrilha. Moradores afirmam tê-lo visto ser preso pelo Exército no dia 21 de abril de 1974, na casa de Manoelzinho das Duas". Já o livro de Hugo Studart, A Lei da Selva, sempre apoiado em informações do Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram do combate à guerrilha, aponta dados discrepantes: "Foi preso em julho de 1974, ao final da guerrilha. Levado para Marabá, Beto foi longamente interrogado por militares que chegaram de Brasília. Reconheceu mapas da região, relatou o cotidiano da guerrilha, ensinou uma receita de jabuti com castanha, discutiu política e ideologia com os militares. Até o fim manteve suas crenças na revolução socialista, de acordo com os militares que o interrogaram. Levado de helicóptero para algum ponto da mata, foi executado por uma equipe do Exército". =============================================================================================================================== + Informações. LÚCIO PETIT DA SILVA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Desaparecido da Guerrilha do Araguaia aos 31 anos. Nasceu em Piratininga/SP em 1 de dezembro de 1943, filho de José Bernardino da Silva Junior e Julieta Petit da Silva. Cursou o primário em Amparo e o ginásio em Duartina, no Estado de São Paulo. Devido às dificuldades financeiras, começou a trabalhar muito cedo. Foi viver com um tio em Itajubá, Minas Gerais, onde terminou o curso colegial e o curso superior no Instituto Eletrotécnico de Engenharia. Fez parte do Diretório Acadêmico de sua escola, iniciando aí sua militância política. Participou das atividades do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE. Escrevia para o jornal "O Dínamo", do D.A., poemas e crônicas sobre os problemas sociais brasileiros. Em 1965, como engenheiro, trabalhou na Light, Engevix e mais tarde na Companhia Nativa em Campinas. Trabalhou na construção da Usina Boa Esperança. Viajou para o Araguaia em 1970, juntamente com seus irmãos Maria Lúcia e Jaime Petit da Silva, também desaparecidos. Fez vários poemas e literatura de cordel, que eram recitados pelos camponeses da região nas sessões de terecô (religião local). Pertencia ao Destacamento A - Helenira Resende - sendo promovido a vice-comandante com a morte do comandante André Grabois, em 14 de outubro de 1973. Visto vivo pela última vez por seus companheiros no dia 14 de janeiro de 1974, desaparecendo, juntamente com Antonio Alfaiate e Antonio de Pádua Costa, após intenso tiroteio com as forças da repressão. O Relatório do Ministério do Exército diz que "é considerado desaparecido desde o dia 29/11/73, quando teria travado tiroteio com uma Patrulha do Exército". Já o Relatório do Ministério da Marinha, afirma que foi "morto em Março/74." ============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) LÚCIO PETIT DA SILVA (1943-1974) Nascido em Piratininga, no interior paulista, Lúcio era o mais velho dos três irmãos Petit da Silva que participaram da guerrilha do Araguaia. Formou-se engenheiro na cidade mineira de Itajubá, onde também iniciou sua militância na política estudantil. Escrevia poemas e crônicas sobre os problemas sociais do país. Militante do PCdoB, foi deslocado para o Araguaia em 1970, onde ficou conhecido como Beto. Pertencia ao Destacamento A, sendo promovido a vice-comandante após a morte de André Grabois em 14 de outubro de 1973. De acordo com o advogado Paulo Fonteles Filho e Sezostrys Alves Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, Lúcio teria tido dois filhos na região, e um deles foi sequestrado por militares quando tinha cerca de dois anos e seu paradeiro é desconhecido. Ele era muito presente nas festas da região e adepto do terecô (candomblé regional). Foi visto vivo pela última vez por seus companheiros no dia 14 de janeiro de 1974. O relatório do Ministério da Marinha, em 1993, confirma sua morte, mas a situa em março de 1974, em desacordo com vários depoimentos de moradores da região. O livro Operação Araguaia traz mais informações sobre Lúcio: Sério, calado e determinado, Lúcio destacava-se na escola, gostava de estudar línguas e recitar poesias. A morte prematura do pai o levou a trabalhar desde cedo para ajudar a família. Teve forte influência na formação política dos irmãos Jaime e Maria Lúcia. Foi o último deles a morrer na guerrilha. Moradores afirmam tê-lo visto ser preso pelo Exército no dia 21 de abril de 1974, na casa de Manoelzinho das Duas. Já o livro de Hugo Studart, A Lei da Selva, sempre apoiado em informações do Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram do combate à guerrilha, aponta dados discrepantes: Foi preso em julho de 1974, ao final da guerrilha. Levado para Marabá, Beto foi longamente interrogado por militares que chegaram de Brasília. Reconheceu mapas da região, relatou o cotidiano da guerrilha, ensinou uma receita de jabuti com castanha, discutiu política e ideologia com os militares. Até o fim manteve suas crenças na revolução socialista, de acordo com os militares que o interrogaram. Levado de helicóptero para algum ponto da mata, foi executado por uma equipe do Exército. Documentação de 1º de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra sua morte em 28 de abril de 1974. ========================================================================================================== 17 de Abril de 2007 - 12h04 Morre Dona Julieta Petit, heroína do povo brasileiro Faleceu nesta terça-feira, dia 16 de abril, a senhora Julieta Petit da Silva, mãe dos militantes comunistas Jaime Petit da Silva, Lúcio Petit da Silva e Maria Lúcia Petit da Silva, mortos na Guerrilha do Araguaia. Dona Julieta tinha 87 anos e sofreu um ac Em nota assinada pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo diz que "a senhora Julieta nos legou o exemplo de uma vida digna e corajosa. Ela soube encontrar forças para enfrentar a pujante dor da perda trágica de três filhos amados e sempre defendeu a honra e a memória deles". O dirigente lembrou ainda que "no dia 12 de abril do ano passado, quando teve seu processo de reparação julgado na Comissão de Anistia, a senhora Julieta recebeu justa homenagem daquela comissão e também da direção de nosso partido". Por fim, disse Renato, "pela sua história de vida marcada pela generosidade, pela dignidade e pela coragem, ela mesma, dona Julieta, é uma heroína do povo brasileiro" Os irmãos Jaime Petit da Silva, Lúcio Petit da Silva e Maria Lúcia Petit da Silva foram três dos de 69 militantes do PCdoB mortos durante a Guerrilha do Araguaia, que em 12 de abril completou 35 anos. O conflito começou em 1972 e durou três anos. Em 1975, sob o comando do major Curió, a Guerrilha foi dizimada pelas tropas do Exército. Até hoje, não se sabe ao certo quantos foram os mortos do massacre. Dos três filhos de Dona Julieta, apenas Maria Lúcia teve seu corpo resgatado e sepultado em 1996. Jaime e Lúcio permanecem desaparecidos. ================================================================================================================================================= Ficha Lúcio Petit da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Lúcio Petit da Silva Cidade: (onde nasceu) Piratininga Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 1/12/1943 Atividade: Engenheiro Universidade Instituto Eletrotécnico de Engenharia/Minas Gerais Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Beto Morto ou Desaparecido: Desaparecido 14/1/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo companheiros essa é a última data em que foi visto. Clandestinidade Desaparecido 29/11/1973 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério do Exército essa é a data de seu desaparecimento. Clandestinidade Desaparecido 0/3/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério da Marinha essa é a data de sua morte. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Jornal da Cidade, Bauru, 18 jun. 1996. "Petit é sepultada como heroína nacional", "Amigas se impressionavam com visão crítica", "Hino Nacional foi cantado no cemitério Jardim Ypê", "Irmão faz depoimento comovente na Câmara", "Livro vai contar como eram os guerrilheiros", "O que foi a Guerrilha". Informa como foi o sepultamento de Maria Lúcia, o reinício das buscas dos restos de seus irmãos, Jaime e Lúcio e que Regilena de Aquino, viúva de Jaime Petit, pretende lançar um livro sobre o cotidiano dos guerrilheiros do Araguaia para resgatar as histórias das pessoas com quem conviveu no Araguaia. O último artigo explica o que foi a Guerrilha do Araguaia. Artigo de jornal Jornal da Cidade, Bauru, 16 jun. 1996. "Funeral de Petit será ato contra perseguição", "Unicamp identificou ossos de guerrilheira". Informa que o funeral da guerrilheira Maria Lúcia Petit, neste dia, em Bauru, deve ficar marcado como movimento e ato contra a perseguição política no Brasil. Trata-se dos restos mortais do primeiro desaparecido político do Araguaia encontrado e identificado. Maria Lúcia nasceu em Agudos, mas passou boa parte de sua vida em Duartina e Bauru. Junto com ela, lutaram no Araguaia dois de seus irmãos, Jaime e Lúcio, cujos restos mortais ainda não foram identificados. A UMESB, entidade de estudantes secundaristas de Bauru, e o Grêmio Estudantil "Maria Lúcia Petit da Silva" estão organizando participação no funeral. Segundo presidente da UMESB, Petit era liderança no movimento estudantil paulista, assim como Antônio Guilherme Ribeiro Ribas, também desaparecido no Araguaia, que foi presidente da entidade no Estado entre os anos de 1968 e 1969. A identificação da ossada, encontrada em 1991 no cemitério de Xambioá, GO, foi feita pelo Departamento de Medicina Legal da UNICAMP e possível graças ao reconhecimento de sua arcada dentária, pois Maria Lúcia havia feito uma restauração em Duartina, em 1967. Além disso, alguns objetos que portava e cabelos aparecem numa fotografia feita pelo próprio Exército, o qual utilizava estes registros para identificar militantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Foto Foto original e preto e branco de corpo inteiro. Ofício Documento da Divisão de Informações do DOPS/SP, sem data, sobre informes vindos do I Exército em Juiz de Fora de 03 a 04/69, comunicando que Lúcio Petit da Silva, engenheiro-eletricista trabalhando em São Paulo, já teve inúmeras atividades como agitador no meio estudantil universitário e é irmão de Jaime Petit da Silva, o qual, em 1969 foi indiciado em Inquérito Policial Militar (IPM) na Guanabara. Consta que estas informações foram repassadas para o II Exército, em 13/01/77. O documento apresenta código que indica pasta do DOPS de onde esta informação foi retirada Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110921/cc1c5ea5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4638 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110921/cc1c5ea5/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 21 19:58:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 21 Sep 2011 19:58:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Integra do discurso de Dilma na Assembleia da ONU Message-ID: <936C0C3599B64A658B20B226A4F0A933@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 21/09/2011 - 12h22 Integra do discurso de Dilma na Assembleia da ONU A presidente Dilma Rousseff foi nesta quarta-feira a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. "Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo, Senhoras e senhores, Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo. É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico. Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres. Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje. Senhor Presidente, O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações. Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados. Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras. Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções. Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias. Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade. O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise - a do desemprego - se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta. Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor. Senhor Presidente, É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos. Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos - e podemos - ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda. Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais. O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política. Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica. As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso. Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais. Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar. Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global. Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo. A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial. O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta. Senhor Presidente, O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento. Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica. Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global. Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança; e que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável. É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país. Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome. Senhor Presidente, Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar "Primavera Árabe". O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade. É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo. Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas. Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento. O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis. Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma. Senhor Presidente, A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais. O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento. O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela. No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos. O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram. Senhor Presidente, Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano. Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título. O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional. Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia - como deve ser. Senhor Presidente, O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem. Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012. Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam. Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo, O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros. O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil. No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos. Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas. Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet. Senhor Presidente, Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras. Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje. Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade. E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU. Muito obrigada." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110921/b8001715/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 33210 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110921/b8001715/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 22 19:49:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 22 Sep 2011 19:49:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__GILBERTO_OL=CDMPIO_MARIA__e__PAULO_ME?= =?iso-8859-1?q?NDES_RODRIGUES__e__GUILHERME_GOMES_LUND____________?= =?iso-8859-1?q?_-CCLII-?= Message-ID: <5D2661DA819943B9871F8EA1EB0C5493@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem GILBERTO OLÍMPIO MARIA (1942-1973) Filiação: Rosa Cabello Maria e Antônio Olímpio Maria Data e local de nascimento: 11/03/1942, Mirassol (SP) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 25/12/1973 Iniciou os estudos em sua terra natal, Mirassol (SP) e mais tarde mudou-se para São Paulo, onde estudou no Colégio Sarmiento. Começou a militância política no PCB e posteriormente se transferiu para o PCdoB. A partir de 1961, durante dois anos, cursou Engenharia na Tche coslováquia, junto com Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, de quem se tornara amigo. Trabalhou e escreveu no jornal A Classe Operária até abril de 1964, quando passou a viver na clandestinidade. Em 30/12/1964 casou-se com Victoria Grabois, filha de Maurício Grabois, em Araraquara (SP), e os dois se mudaram para Guiratinga (MT). Junto com Paulo Rodrigues e Osvaldão, tentaram organizar os camponeses na resistência à ditadura, mas em 1965 foram obrigados a abandonar essa atividade porque surgiu a possibilidade de serem detectados pelos órgãos de segurança do regime militar. Em 1966, mesmo ano em que nasceu seu filho Igor, hoje dirigente do Partido Comunista Brasileiro, foi para a China, onde recebeu adestramento militar. Retornando ao Brasil, morou em diversos locais do interior, inclusive Porto Franco (MA), com o médico João Carlos Haas Sobrinho, na companhia de quem se mudou, em 1969, para Caianos, localidade próxima ao rio Araguaia. Em Porto Franco, Gilberto era tido como pessoa inteligente e cativante, sendo dono do único jeep do local. Na Guerrilha do Araguaia usou o nome Pedro e atuava junto à Comissão Militar, sendo nomeado, mais tarde, comandante do Destacamento C, junto com Dinalva, a Dina, a quem se ligou depois de ela ter se separado do marido Antonio. Ao lado de Paulo Rodrigues e outros companheiros, fundou o povoado de São João dos Perdidos, distrito de Conceição do Araguaia (PA). Morreu metralhado junto com o ex-sogro Maurício Grabois, Paulo Rodrigues e Guilherme Lund. O relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, é o único documento oficial do Estado brasileiro, até hoje, a reconhecer a morte desses quatro militantes, indicando como data 25/12/1973. PAULO MENDES RODRIGUES (1931-1973) Filiação: Otília Mendes Rodrigues e Francisco Alves Rodrigues Data e local de nascimento: 25/09/1931, Cruz Alta (RS) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 25/12/1973 Gaúcho de Cruz Alta, Paulo Mendes começou a militância política no início da década de 1960. Economista de formação, viveu em São Leopoldo (RS) antes do Golpe de Estado de 1964. Abandonou a profissão em função das perseguições políticas. Em documentos dos órgãos de inteligência do regime militar, seu nome consta de uma relação de militantes do PCdoB que teriam recebido treinamento de guerrilhas na China, ao lado de Osvaldão, João Carlos Haas, André Grabois, Gilberto Olímpio Maria, Michéas, Divino, Miguel Pereira dos Santos, Nelson Piauhi Dourado e José Humberto Bronca. Foi um dos primeiros quadros do PCdoB a ser implantado na região do Araguaia, comprando terras em Caianos. Membro efetivo do Comitê Central do PCdoB, foi hábil criador de gado na região. Conhecido como "médico" pelos moradores locais, foi comandante do Destacamento C da Guerrilha, até ser transferido para a guarda da Comissão Militar. Morreu em 25/12/1973, juntamente com Maurício Grabois, Gilberto Olímpio Maria e Guilherme Gomes Lund. Segundo o Jornal do Brasil de 24/03/1992 seu corpo estava crivado de balas. Nas fichas entregues ao jornal O Globo, em 1996 há a seguinte anotação: "Paulo Mendes Rodrigues ou Paulo Rodrigues Milhomen, membro da Comissão Militar, morto em 25 Dez 73". No livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, consta sobre ele: "As baixas sofridas nos primeiros meses de confronto deixaram Paulo transtornado. O Destacamento C ficou oito meses isolado da Comissão Militar. Quando o contato foi retomado, Paulo perdeu o cargo de comandante para Pedro Gil (Gilberto Olímpio) e passou a integrar a CM. A partir do ataque do Natal de 1973, não foi mais visto". GUILHERME GOMES LUND (1947-1973) Número do processo: 153/96 Filiação: Júlia Gomes Lund e João Carlos Lund Data e local de nascimento: 11/07/1947, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 25/12/1973 Data da publicação no DOU: Lei nº 9.140/95 - 04/12/95 Filho de uma família da classe média carioca, cursou o secundário no Colégio Militar do Rio de Janeiro e, posteriormente, no Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria e Colégio Vetor. Em 1967, ingressou na Faculdade Nacional de Arquitetura da UFRJ, onde foi contemporâneo de Ciro Flávio Salazar de Oliveira, também desaparecido no Araguaia. Cursou até o segundo ano da faculdade e participou do Movimento Estudantil da época. Em 26 de junho de 1968, dia da Passeata dos Cem Mil, foi preso com outros companheiros, quando distribuía panfletos na avenida Presidente Vargas. Foi libertado em 10 de julho e, posteriormente, condenado a seis meses de prisão, pena que não cumpriu. Em 1969, mudou-se para Porto Alegre e, no início de 1970, já militante do PCdoB, foi deslocado para o Araguaia. Ao comunicar a seus pais sua decisão de abandonar a cidade e dedicar-se à luta disse: "Cada vez se torna mais difícil para os jovens se manterem nesse estado de coisas atual. Não há perspectivas para a maioria dentro do atual status, muito menos para mim que não consigo ser inconsciente ou alienado a tudo que se passa em volta ... Minha decisão é firme e bem pensada... No momento só há mesmo uma saída: transformar este país, é o próprio governo que nos obriga a ela. A violência injusta gera a violência justa. A violência reacionária é injusta enquanto a violência popular é justa, porque está a favor do progresso e da justiça social". No Araguaia, Guilherme se valeu de sua prática de hipismo e natação, transformando-se em um destacado tropeiro. Pertenceu ao Destacamento A, depois ao Destacamento C e incorporou-se à guarda da Comissão Militar. Está desaparecido desde o ataque do dia de Natal de 1973, quando estava gravemente atingido por malária. O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado ao ministro da Justiça Maurício Corrêa em 1993, relaciona Guilherme Lund entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural pelo Comitê Central do PCdoB em Xambioá (TO), e registra a sua morte no dia 25 de dezembro. No Relatório do Ministério da Aeronáutica consta ter sido militante do PCdoB e guerrilheiro no Araguaia. Nas fichas entregues ao jornal O Globo, em 1996, também está anotado sobre ele: "Guilherme Gomes Lund, morto em 25 Dez 73 (Eq D2)". ============================================================================================================================== + Informações. GILBERTO OLÍMPIO MARIA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 11 de março de 1942, em Mirassol, no Estado de São Paulo, filho de Antônio Olímpio Maria e Rosa Cabello Maria. Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia quando contava 31 anos. Mudou-se para São Paulo onde estudou no Colégio Sarmiento. Pertenceu ao PCB e depois ao PCdoB. Em 1961, viajou para a Checoslováquia a fim de fazer o curso de Engenharia. Dois anos depois retornou ao Brasil, juntamente com Osvaldo Orlando da Costa (desaparecido), de quem se tornara amigo. Trabalhou no jornal "A Classe Operária", até o golpe militar em abril de 1964, quando passou a viver na clandestinidade. Em 30 de dezembro de 1964, casou-se com Victória Grabois em Araraquara. Em seguida mudaram-se para Guaratinga (MT). Lá, juntamente com Paulo Rodrigues (desaparecido) e Osvaldão, tentaram organizar os camponeses na resistência à ditadura. Em 1965 foram obrigados a abandonar o trabalho por problemas de segurança. Em 1966, nasce seu filho Igor. Neste mesmo ano, ele foi para a China. Retornando ao Brasil, morou em diversos locais do interior, inclusive em Porto Franco, junto com João Carlos Haas (desaparecido) com quem mudou-se mais tarde para Caianos, localidade próxima ao Rio Araguaia. Na guerrilha atuava junto ao Comando e, posteriormente, foi comandante do Destacamento C junto com Dinalva - a Dina (desaparecida). Com Paulo Rodrigues e outros companheiros fundaram o povoado de São João dos Perdidos, Distrito de Conceição do Araguaia. Em 1980, os familiares dos mortos e desaparecidos estiveram neste local procurando informações, sendo recebidos com honrarias e carinho indescritíveis e profundamente comoventes, prova da estima que gozavam os guerrilheiros na região. Em 25 de dezembro de 1973, foi desfechado violento ataque das Forças Armadas contra o acampamento guerrilheiro na Serra das Andorinhas, tendo Gilberto desaparecido desde então. Uma fonte militar que recusou-se a se identificar, afirmou que Gilberto teria sido metralhado. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Gilberto foi morto em 25 de dezembro de 1973, sem dar outros esclarecimentos. GUILHERME GOMES LUND Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 11 de julho de 1947, na cidade do Rio de Janeiro, filho de João Carlos Lund e Julia Gomes Lund. Desaparecido, desde 1973, na Guerrilha do Araguaia com 26 anos. Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro e, posteriormente, no Colégio Santo Antônio Maria Zacaria, no Curso Vetor e na Faculdade de Arquitetura da UFRJ, cursando até o segundo ano. Foi militante do movimento estudantil. Preso em 1968, acabou sendo condenado à revelia a 6 meses de prisão. Em 1969 foi residir em Porto Alegre, e em fevereiro de 1970, mudou-se para a localidade de Faveira na região do Araguaia. Para Guilherme, a adaptação à vida no campo foi dura. Acostumado ao conforto, tudo era estranho e difícil. Devido à sua prática anterior em hipismo, dedicou-se com afinco ao ofício de 'tropeiro', sendo um dos melhores. Era também um excelente nadador. Ao iniciar-se a luta guerrilheira, Guilherme já era um excelente mateiro e caçador. Era um companheiro dedicado, sempre preocupado em ensinar aos menos experientes. Era membro do Destacamento A das Forças Guerrilheiras e, posteriormente, foi deslocado para o destacamento C. Em 25 de dezembro de 1973, encontrava-se no acampamento guerrilheiro, doente com malária, quando foi desfechado um violento ataque das Forças Armadas, e ele teria sido fuzilado. O Relatório do Ministério da Marinha confirma a data de sua morte, sem outros esclarecimentos. PAULO MENDES RODRIGUES Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 25 de dezembro de 1973. Militante desde o início da década de 60. Era economista, mas devido a perseguições políticas, abandonou a profissão sendo dos primeiros a chegar à região de Caianos, no Araguaia. Foi Comandante do Destacamento C da guerrilha, até integrar-se ao Destacamento da Guarda da Comissão Militar. Morto juntamente com outros companheiros, entre eles Maurício Grabois, Gilberto Olímpio Maria e Guilherme Gomes Lund, numa ação comandada pelo Major Curió. Ver maiores detalhes na nota sobre Maurício Grabois. Segundo o "Jornal do Brasil", de 24 de março de 1992, seu corpo estava crivado de balas. Usava o nome falso de Manoel Machado. ======================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) GILBERTO OLÍMPIO MARIA (1942-1973) Natural de Mirassol (SP), Gilberto mudou-se para a capital do estado para estudar. Começou sua militância política no PCB e posteriormente se transferiu para o PCdoB. A partir de 1961, durante dois anos, cursou Engenharia na Tchecoslováquia junto com Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, de quem se tornara amigo. Trabalhou e escreveu no jornal A Classe Operária até abril de 1964, quando passou a viver na clandestinidade. Em 30 de dezembro de 1964 casou-se com Victoria Grabois, filha de Maurício Grabois, em Araraquara (SP), e os dois se mudaram para Guiratinga (MT). Junto com Paulo Rodrigues e Osvaldão, tentaram organizar os camponeses na resistência à ditadura, mas em 1965 foram obrigados a desistir diante da possibilidade de serem detectados pelos órgãos de segurança. Em 1966, mesmo ano em que nasceu seu filho Igor, atualmente dirigente do Partido Comunista Brasileiro, Gilberto foi para a China, onde recebeu treinamento militar. De volta ao Brasil, morou em diversos locais do interior, inclusive em Porto Franco (MA), com o médico João Carlos Haas Sobrinho, na companhia de quem se mudou, em 1969, para Caianos, localidade próxima ao rio Araguaia. Em Porto Franco, Gilberto era tido como pessoa inteligente e cativante, sendo dono do único jipe do local. No Araguaia, Gilberto era conhecido por Pedro e Pedro Gil. Atuava junto à Comissão Militar, sendo nomeado, mais tarde, comandante do Destacamento C junto com Dinalva, a Dina, a quem se ligou depois de ela ter se separado do marido, Antônio. Ao lado de Paulo Rodrigues e outros companheiros, fundou o povoado de São João dos Perdidos, distrito de Conceição do Araguaia (PA). Gilberto morreu metralhado junto com outros guerrilheiros. O relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça, é a única fonte militar, até 2010, a reconhecer a morte desse grupo de militantes, indicando como data 25 de dezembro de 1973. Esta data é confirmada por José Vargas Jiménez no livro Bacaba. Ele relata que "uma equipe mista, integrada por paraquedistas de Xambioá e guerreiros de selva de Bacaba, estava seguindo umas pegadas na região da Gameleira, próximo ao rio Araguaia, quando se defrontaram (sic) com um grupo de guerrilheiros [...] Houve troca de tiros, resultando na morte de oito guerrilheiros". Os nomes de Gilberto e o de seu ex-sogro, Maurício Grabois, são relacionados por Jiménez entre esses militantes que tombaram no Natal de 1973. O advogado Paulo Fonteles Filho e Sezostrys Alves Costa (da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia) acrescentam que Gilberto morreu no Grotão dos Caboclos, na Fazenda Vaca Preta, nessa ocasião, junto com Maurício Grabois, Guilherme Lund e Paulo Rodrigues. O mateiro Abel Honorato de Jesus, que esteve presente à emboscada, conta que foi aberta uma clareira para a retirada dos corpos (que seriam quatro, e não oito). Segundo relatos recentes de moradores coligidos pela ouvidoria do GTT, existe a menção de que o conhecido delegado Romeu Tuma teria comandado uma equipe deslocada para o Araguaia para promover a remoção de cadáveres usando o nome de Delegado Silva. GUILHERME GOMES LUND (1947-1973) Filho de uma família da classe média carioca, ingressou em 1967 na Faculdade Nacional de Arquitetura da UFRJ, na qual permaneceu até o segundo ano, participando do movimento estudantil. Em 26 de junho de 1968, dia da Passeata dos 100 mil, foi preso com outros companheiros quando distribuía panfletos na avenida Presidente Vargas. Foi libertado em 10 de julho e, posteriormente, condenado a seis meses de prisão, pena que não cumpriu. Em 1969, mudou-se para Porto Alegre e, no início de 1970, já militante do PCdoB, foi deslocado para o Araguaia. Ao comunicar a seus pais sua decisão de abandonar a cidade e dedicar-se à luta, disse: Cada vez se torna mais difícil para os jovens se manterem nesse estado de coisas atual. Não há perspectivas para a maioria dentro do atual status, muito menos para mim, que não consigo ser inconsciente ou alienado a tudo que se passa em volta... Minha decisão é firme e bem pensada... No momento só há mesmo uma saída: transformar este país, é o próprio governo que nos obriga a ela. A violência injusta gera a violência justa. A violência reacionária é injusta enquanto a violência popular é justa, porque está a favor do progresso e da justiça social. No Araguaia, Guilherme era conhecido também como Luiz. Valeu-se de sua prática de hipismo e natação, transformando-se em um hábil tropeiro. Pertenceu ao Destacamento A, depois ao Destacamento C e incorporou-se à Comissão Militar. Desapareceu no dia de Natal de 1973, quando os guerrilheiros foram atacados e ele encontrava-se gravemente atingido por malária. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, relaciona Guilherme entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural em Xambioá (TO) e registra a sua morte no dia 25 de dezembro de 1973. Esta informação é confirmada no livro Bacaba, de José Vargas Jiménez. PAULO MENDES RODRIGUES (1931-1973) Gaúcho de Cruz Alta, Paulo começou a militância política no início da década de 1960. Economista de formação, viveu em São Leopoldo (RS) antes do golpe de Estado de 1964. Abandonou a profissão em decorrência das perseguições políticas. Em documentos dos órgãos de inteligência do regime militar, seu nome consta de uma relação de militantes do PCdoB que teriam recebido treinamento de guerrilha na China. Foi um dos primeiros quadros do PCdoB a ser introduzido na região do Araguaia, comprando terras em Caianos. Membro efetivo do Comitê Central do partido, foi hábil criador de gado na região. Conhecido como "médico" pelos moradores locais, foi comandante do Destacamento C da Guerrilha, até ser transferido para a guarda da Comissão Militar. Morreu em 25 de dezembro de 1973, juntamente com Maurício Grabois, Gilberto Olímpio Maria e Guilherme Gomes Lund. A informação coincide com aquela registrada pelo tenente José Vargas Jiménez no livro Bacaba. Segundo o Jornal do Brasil de 24 de março de 1992, o corpo de Paulo estava crivado de balas. Nas fichas entregues ao jornal O Globo, em 1996, há a seguinte anotação: "Paulo Mendes Rodrigues ou Paulo Rodrigues Milhomen, membro da Comissão Militar, morto em 25 Dez 73". No livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, consta sobre ele: "As baixas sofridas nos primeiros meses de confronto deixaram Paulo transtornado. O Destacamento C ficou oito meses isolado da Comissão Militar. Quando o contato foi retomado, Paulo perdeu o cargo de comandante para Pedro Gil (Gilberto Olímpio) e passou a integrar a CM. A partir do ataque do Natal de 1973, não foi mais visto". ============================================================================================================ FICHAS. Paulo Mendes Rodrigues Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Paulo Mendes Rodrigues Atividade: Economista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Manoel Machado Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Curió Biografia Documentos Depoimento Anotações de Vitória Grabois sobre a vida de Gilberto Olímpio Maria. Consta que cursou Faculdade de Engenharia de Praga, ex-Tchecoslováquia, junto com Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão. Ambos regressaram ao Brasil em 1963, militando no Partido Comunista do Brasil (PC do B). Gilberto era também jornalista e escrevia para o jornal comunista "A Classe Operária" até 1964, quando passou a viver na clandestinidade devido ao golpe militar. Foi para o interior do Mato Grosso, onde tentou instalar uma guerrilha, mas foi delatado e voltou a São Paulo, seguindo para a China, em 1966, para um curso de guerrilha. De volta ao Brasil, uniu-se ao grupo de guerrilheiros da região do Araguaia. Junto com Paulo Mendes Rodrigues e seu destacamento, fundou o povoado de São João dos Perdidos, distrito de Conceição do Araguaia. Morou em Porto Franco com João Carlos Haas Sobrinho. Foi morto durante o ataque das Forças Armadas em 25/12/73. É considerado pelo governo como desaparecido. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. ======================================================================================== Guilherme Gomes Lund Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Guilherme Gomes Lund Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 11/7/1947 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Prisão: 0/0/1968 Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório da Marinha essa é também a data de sua morte. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Fotos de rosto de presos políticos, procedentes do Quartel General do Exército, com devidas identificações. Constam fotos de Nery Reis de Almeida, Ciro Flávio Salazar de Oliveira, Guilherme Gomes Lund, Júlio Ribeiro, Sérgio Alex Constant de Almeida, Luiz Carlos Mendonça Figueiredo e Pedro Torres. Relatório Lista do DOPS/RJ, de 1967. Possui fotos numeradas de algumas pessoas, entre elas Guilherme Gomes Lund. Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. Carta Carta de Guilherme aos pais, em 02/02/70. Relata que decidiu manter-se na luta contra o regime militar, sendo que para isso largou os estudos e está de mudança sem endereço certo. ========================================================================================== Gilberto Olímpio Maria Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Gilberto Olímpio Maria Cidade: (onde nasceu) Mirassol Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 11/3/1942 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Pedro Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia, Serra das Andorinhas Depois de ataque das Forças Armadas ao acampamento. Clandestinidade Desaparecido 25/12/1973 Segundo Relatório da Marinha foi morto. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Depoimento Anotações de Vitória Grabois sobre a vida de Gilberto Olímpio Maria. Consta que cursou Faculdade de Engenharia de Praga, ex-Tchecoslováquia, junto com Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão. Ambos regressaram ao Brasil em 1963, militando no Partido Comunista do Brasil (PC do B). Gilberto era também jornalista e escrevia para o jornal comunista "A Classe Operária" até 1964, quando passou a viver na clandestinidade devido ao golpe militar. Foi para o interior do Mato Grosso, onde tentou instalar uma guerrilha, mas foi delatado e voltou a São Paulo, seguindo para a China, em 1966, para um curso de guerrilha. De volta ao Brasil, uniu-se ao grupo de guerrilheiros da região do Araguaia. Junto com Paulo Mendes Rodrigues e seu destacamento, fundou o povoado de São João dos Perdidos, distrito de Conceição do Araguaia. Morou em Porto Franco com João Carlos Haas Sobrinho. Foi morto durante o ataque das Forças Armadas em 25/12/73. É considerado pelo governo como desaparecido. Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. =============================================================================== A Comissão de Direitos Humanos e Minorias debaterá o cumprimento de sentença da OEA sobre a Guerrilha do Araguaia A Comissão de Direitos Humanos e Minorias realizará na próxima quinta-feira, dia 30, audiência pública para discutir as responsabilidades do Estado brasileiro no cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a Guerrilha do Araguaia. No final do ano passado, a corte culpou o Brasil pelo desaparecimento de 62 integrantes da guerrilha, que foi organizada pelo PCdoB no início dos anos 70 na região do Bico do Papagaio (divisa dos estados de Tocantins, Pará e Maranhão) e classificou o fato como crime contra a humanidade. O Estado foi condenado a devolver os restos mortais às famílias. Para cumprir a decisão, o governo federal ampliou o grupo de buscas, que era formado apenas por militares, e incluiu representantes da Comissão de Desaparecidos Políticos e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A decisão da OEA foi tomada no caso chamado "Gomes Lund e outros (Guerrilha do Araguaia) versus Brasil". Foi movido por Julia Gomes Lund, mãe do desparecido Guilherme Gomes Lund. Foram convidados para o debate o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, o professor Fábio Konder Comparato, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante e diretora do Centro pela Justiça e Direito Internacional (Cejil Brasil), Beatriz Affonso. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110922/c0b45725/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9022 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110922/c0b45725/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9013 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110922/c0b45725/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 22 19:50:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 22 Sep 2011 19:50:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ADITAL__-_Not=EDcias_da_Am=E9rica?= =?iso-8859-1?q?_Latina_e_Caribe?= Message-ID: ADITALCarta O Berro.........................................................repassem Quinta-Feira, 22 de setembro de 2011 EUA Carta de um Prêmio Nobel da Paz a outro (Adolfo Pérez Esquivel) Mundo O que motivou o 11 de Setembro? (Leonardo Boff) Haiti Memória de uma Tragédia e Esperança (Pablo Richard) Mundo Direito ao alimento e ao bem-viver (Selvino Heck) Mundo O terror e a esperança (Marcelo Barros) Brasil Laranjeira Nhanderu: mais um despejo decretado (Egon Dionísio Heck) Brasil Código Florestal - Anotações para apresentar ao Consep (Dom Demétrio Valentini) Mundo Reconhecer a diversidade para mudar a sociedade. Entrevista especial com Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (IHU - Unisinos) Brasil Tráfico de pessoas (Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald) Brasil Paulo Freire: educação como processo libertador (Maria Clara Lucchetti Bingemer) Brasil Belém sem estadista (Lúcio Flávio Pinto) Mundo 'A política ambiental não passa de retórica para enganar incautos'. Entrevista com Ivo Poletto (IHU - Unisinos) Haiti Organizações pedem julgamento de ex-ditador haitianoBrasil Relatora constata falta de estrutura e falhas pedagógicas em escolas quilombolasBrasil No Mato Grosso do Sul, indígenas Guarani Kaiowá correm novamente risco despejoChile Movimentos pressionam por aprovação de aborto terapêuticoMundo Organizações pedem adesão, até 7 de outubro, à convocatória de Dakar contra o acúmulo de terraArgentina Aprovação de decreto ameaça bosques em CórdobaBrasil CEARAH Periferia beneficiará comunidades com Fundos Rotativos, em Fortaleza (CE)Brasil Plenária Livre discute II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de PessoasBrasil #Forum10: A primeira festa-debate com shows e transmissão ao vivoBrasil Pastoral da Juventude lança Encontro Nacional de 2012Brasil Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância recebe inscriçõesBrasil Trabalhadores (as) paralisam mineradoras no sul do ParáBrasil Em Pernambuco, canavieiros (as) entregam pauta de reivindicação à classe patronal -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110922/d6ee5d9f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 23 20:02:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 23 Sep 2011 20:02:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__LIBERO_GIANCARLO_CASTIGLIA__________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CCLIII-?= Message-ID: <61FEBB4E767D4299BBFD0438F2D9328C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem LIBERO GIANCARLO CASTIGLIA (1944-1973) Filiação: Elena Gibertini Castiglia e Luigi Castiglia Data e local de nascimento: 04/07/1944, San Lucido, Cozenza/Itália Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 25/12/1973 ou março/1974 Italiano da cidade de San Lucido, na Calábria, Libero veio para o Brasil com a mãe, Elena Castiglia, e os três irmãos, em 1955. Tinha 11 anos de idade. O pai, o pedreiro Luigi Castiglia, já havia desembarcado no Rio de Janeiro em 1949. Elena era filiada ao Partido Comunista Italiano e Luigi ao Partido Socialista. No Rio, moraram em Bonsucesso e em Ramos. Libero fez um curso de torneiro mecânico no Senai e começou a trabalhar como operário metalúrgico. Tornou-se amigo, desde a adolescência, de André Grabois, também desaparecido no Araguaia. Em 1963, ajudou a pichar o morro do Pão de Açúcar com a palavra "Fidel", em homenagem ao líder da revolução cubana. Após abril de 1964, devido a perseguições políticas, passou a militar clandestinamente e residiu em Rondonópolis, onde teve uma oficina com Daniel Calado. Em 1967, sua mãe ficou sabendo que Giancarlo tinha ido para a China, enviado pelo PCdoB. No Natal de 1967, chegou ao Araguaia, junto com Maurício Grabois e Elza Monnerat, estabelecendo residência na área da Faveira, onde abriu um pequeno comércio. Também trabalhava na roça e como piloto de um pequeno barco a motor. No Araguaia, Libero adotou o codinome João Bispo Ferreira da Silva. Era conhecido na região por Joca. Era tão popular que virou padrinho de várias crianças. Na guerrilha, tornou-se companheiro de Lúcia Maria de Souza, a Sônia, estudante de medicina, negra, nascida em São Gonçalo, no Rio. Segundo relatos de seus companheiros, era solidário, estava sempre disposto a ajudar e a cumprir as tarefas mais difíceis. Foi comandante do Destacamento A. Mais tarde, passou a fazer parte da Comissão Militar, sendo substituído por André Grabois no comando daquele destacamento. Está desaparecido desde o ataque às Forças Guerrilheiras no dia 25/12/1973. Em 1970, a mãe Elena adoeceu e, por recomendação médica, voltou para San Lucido. Hoje, aos 90 anos, ainda guarda a esperança de saber o que aconteceu com seu filho. O governo da Itália já gestionou formalmente junto ao governo brasileiro, manifestando interesse na localização dos restos mortais de Castiglia, para possível traslado e funeral na Itália. Em 07/02/2007, matéria do jornalista Hugo Marques, na revista IstoÉ, trouxe declarações da mãe de Libero: "Nossa família está pedindo ao governo da Itália que peça ao governo brasileiro notícias sobre este cidadão italiano.(...) O meu filho é uma pessoa que só queria um Brasil melhor, liberdade e igualdade". Em seguida, a senhora nonagenária faz um apelo direto ao presidente brasileiro: "Lula foi um companheiro que sofreu muito também (...) Ele só tem que lembrar da sua história passada". Prossegue o texto do jornalista: "O caso Castiglia tem potencial para trazer muitos problemas ao Exército. O corpo de Libero Giancarlo é a prova material necessária que pode levar os italianos a exigir o julgamento na Corte Internacional de Justiça, em Haia, dos militares brasileiros responsáveis por sua morte. A mãe Elena acaba de escrever para o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, exigindo que pressione o governo brasileiro pelos restos do filho. Só os militares sabem onde ele está". Em março de 2007, Dona Elena foi visitada em sua residência, na Itália, por um representante da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que colheu dela algumas gotas de sangue e pequenas amostras de unhas para o acervo do Banco de DNA dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, que vem sendo montado desde setembro de 2006. No livro A Lei da Selva, Hugo Studart, com base no Dossiê Araguaia, escrito por militares que participaram diretamente na repressão à guerrilha, sustenta que Libero Castiglia sobreviveu ao ataque do Natal de 1973 e teria morrido em março do ano seguinte. ======================================================================================================================== + Informações. LÍBERO GIANCARLO CASTIGLIA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em San Lucido, Cozenza, na Itália, em 4 de julho de 1944, filho de Luigi Castiglia e de Elena Gibertini Castiglia. Vindo para o Brasil, fez o curso de torneiro mecânico e trabalhava como operário metalúrgico no Rio de Janeiro. Após o golpe militar de 1964 foi obrigado a viver na clandestinidade devido a sua militância política. Chegou na região do Araguaia no Natal de 1967, estabelecendo-se como comerciante na localidade de Faveira. Tinha também um pequeno barco a motor. Desaparecido desde o dia 25 de dezembro de 1973, quando estava no acampamento que foi bombardeado. Os relatórios militares não fazem referências à sua pessoa. =============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) LIBERO GIANCARLO CASTIGLIA (1944-1973) Italiano da cidade de San Lucido, na Calábria, Libero veio para o Brasil com 11 anos de idade. Sua mãe era filiada ao Partido Comunista Italiano e o pai, ao Partido Socialista. Libero trabalhou como operário metalúrgico. Tornou-se amigo de André Grabois, também desaparecido no Araguaia. Em 1963, ajudou a pichar o morro do Pão de Açúcar com a palavra "Fidel", em homenagem ao líder da revolução cubana. Após o golpe de 1964, passou a militar clandestinamente e residiu em Rondonópolis, onde teve uma oficina com Daniel Calado. Em 1967, sua mãe ficou sabendo que o filho tinha ido para a China, enviado pelo PCdoB. No Natal de 1967, chegou ao Araguaia, junto com Maurício Grabois e Elza Monnerat, estabelecendose na área da Faveira, onde abriu um pequeno comércio. No Araguaia, adotou o codinome João Bispo Ferreira da Silva. Era conhecido na região por Joca. Era tão popular que virou padrinho de várias crianças. Na guerrilha, foi comandante do Destacamento A. Mais tarde, passou a fazer parte da Comissão Militar, sendo substituído por André Grabois no comando daquele destacamento. Está desaparecido desde o ataque às forças guerrilheiras no dia 25 de dezembro de 1973. No livro A lei da selva, Hugo Studart sustenta que Libero sobreviveu a esse ataque e teria morrido em março do ano seguinte. Segundo o advogado Paulo Fonteles Filho, representante do Pará no GT Tocantins, e Sezostrys Alves Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, Libero teria sido morto em 28 de março de 1974. Ele tinha um barco com o qual trabalhava transportando mantimentos. Elena, a mãe de Libero, que voltou à Itália em 1970, aos 90 anos, em 2007 ainda esperava saber o que aconteceu com seu filho. O governo italiano já se manifestou formalmente junto ao governo brasileiro, demonstrando interesse na localização dos restos mortais do guerrilheiro para um possível traslado e funeral em seu país de origem. Em 7 de fevereiro de 2007, matéria do jornalista Hugo Marques, na revista IstoÉ, trouxe declarações de Elena: "Nossa família está pedindo ao governo da Itália que peça ao governo brasileiro notícias sobre este cidadão italiano.[...] O meu filho é uma pessoa que só queria um Brasil melhor, liberdade e igualdade". Em março de 2007, Elena recebeu em sua residência, na Itália, um representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que colheu material para o acervo do banco de DNA dos familiares de mortos e desaparecidos políticos brasileiros, que vem sendo montado desde setembro de 2006. Hugo Marques avalia, em sua reportagem, que "o caso Castiglia tem potencial para trazer muitos problemas ao Exército. O corpo de Libero Giancarlo é a prova material necessária que pode levar os italianos a exigir o julgamento na Corte Internacional de Justiça, em Haia, dos militares brasileiros responsáveis por sua morte". ========================================================================================== + Informações.Medalha Chico Mendes: Libero Giancarlo Castiglia Libero Giancarlo Castiglia "(...) Minha estrada, meu caminho, me responda de repente / Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente / Tanta gente tão ligeiro que eu até perdi a conta / Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor, que a dor não conta / Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro (...). (A Estrada e o Violeiro. Sidney Miller). Italiano da cidade de San Lúcido, na Calábria, Líbero chegou ao Brasil com a mãe Elena Castiglia e os três irmãos, em 1955. Tinha apenas 11 anos de idade. O pai, o pedreiro Luigi Castiglia, já havia desembargado no Rio de Janeiro em 1949. Elena era filiada ao Partido Comunista Italiano e Luigi ao Partido Socialista. A família foi morar em subúrbios do Rio de Janeiro, como Bonsucesso e Ramos. Líbero fez o curso de torneiro mecânico no Senai, e ainda muito jovem, foi trabalhar como metalúrgico. Nos idos de 1962 seu pai deparou-se com o jornal "A Classe Operária", estampado em uma banca do centro do Rio de Janeiro. Imediatamente se identificou com a linha política do periódico e encaminhou Líbero e seu irmão Walter para participarem das fileiras do PC do B. Assim, o jovem italiano tornou-se membro do Partido Comunista do Brasil e grande amigo de André e Victória, filhos de Maurício Grabois. Após o golpe militar de 1964, devido às perseguições políticas, passou a militar na clandestinidade e residiu em Rondonópolis/MT, onde teve uma oficina mecânica com Daniel Callado. No Natal de 1967 chegou ao Araguaia, estabelecendo residência na área da Faveira, onde abriu um pequeno comércio. No Araguaia, Líbero era conhecido como Joca. Era tão popular que virou padrinho de várias crianças. Segundo relato de seus companheiros, era solidário, estava sempre disposto a ajudar e a cumprir as tarefas mais difíceis. Foi comandante do Destacamento A; mais tarde, passou a fazer parte da Comissão Militar. Na guerrilha, tornou-se companheiro de Lúcia Maria de Souza, a Sônia, estudante de Medicina, nascida em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Está desaparecido desde o ataque às Forças Guerrilheiras do Araguaia, no Natal de 1973. O governo da Itália tem feito gestões formais junto ao governo brasileiro, manifestando interesse na localização dos restos mortais de Castiglia. Entretanto, até agora nada foi efetivado. Até sempre, compenheiro!!! Libero Giancarlo...PRESENTE!!! ======================================================================================================== + Detalhes. Storie vecchie e nuove di combattenti per la libertà dei popoli Libero Giancarlo CASTIGLIA detto JOCA Morto per la libertà Nasce a S.Lucido 4 luglio 1944 Nel 1955 si trasferisce, con la famiglia, in Brasile Nel 1962 entra in contatto con il segretario generale del Partito Comunista del Brasile, Mauricio Grabois, nella sede del giornale del partito(CLASSE OPERARIA). ( Presente all'incontro anche il fratello Walter.) L'attività politica inizia con la diffusione del giornale. Entra, dopo poco tempo, ufficialmente nel partito e partecipa attivamente alla vita politica. Allora lavorava in una officina meccanica A seguito del colpo di stato del 1964, Libero, assieme ad altri compagni, entra nella clandestinità e combatte contro il regime. Un gruppo di compagni (seguaci di Mao), tra cui Libero, si reca in Cina per effettuare un corso di cultura politica, teorica e militare (guerriglia). Ritornati in Brasile, vengono inviati nella regione del fiume Araguaia (Parà) con lo scopo di integrarsi con la popolazione locale, organizzare la guerriglia e fare opera di proselitismo alla causa(1970). L'opera di proselitismo ottiene qualche risultato grazie anche al beneplacito (nascosto) della chiesa locale. Tengono contatti con guerriglieri di altri paesi dell'America Latina (Perù - Bolivia, ecc.) Scoperti, vengono ricercati dai federali. Combattono per tre anni contro le truppe federale (circa 20.000 uomini). Tra il 1973 ed il 1975, alcuni vengono fatti prigionieri ma la maggior parte vengono ammazzati. Joca viene ucciso il 25 dicembre 1973, però solo nel 1996 si ha la notizia della sua morte. I compagni di San Lucido, avendo deciso di intestare il Circolo a Libero Giancarlo Castiglia, organizzano per l'occasione un convegno. =================================================================== + Detalhes. João Negrão Do Conselho Editorial aniel Ribeiro Calado, o Doca, e Líbero Giancarlo Castiglia, o Joca, dois guerrilheiros que combateram a ditadura militar nas selvas do Bico do Papagaio, região entre os rios Araguaia e Tocantins, no início da década de 70, foram moradores de Rondonópolis (MT), a 220 quilômetros de Cuiabá, no Sul do Estado. Em 1986, 18 anos depois da partida deles para a Guerrilha do Araguaia, eu percorri as ruas da cidade levantando a história de Doca e Joça, como eram conhecidos os dois revolucionários. Foi a pedido de Elza Monerat, membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B), hoje falecida. Na época ela era responsável pela organização dos arquivos da guerrilha e queria saber como foi a vivência deles em Rondonópolis. No final do ano de 2008, exatamente 22 anos depois da primeira pesquisa e 40 após Doca e Joca seguirem rumo ao Araguaia, eu estive novamente na cidade para reencontrar os antigos companheiros dos dois guerrilheiros. Da primeira vez havia conversado com pelo menos duas dezenas de pessoas. Eram colegas de profissão ou de futebol de Daniel e Líbero. Eles eram lanterneiros e assim que chegaram a Rondonópolis - entre 1966 ou 1967, ninguém soube precisar - montaram uma oficina. Ficava na rua Dom Pedro II, em frente à praça dos Carreiros, ao lado do antigo Hotel Goiano. Na época era quase periferia da cidade, mas hoje o lugar faz parte da movimentada área central e não há sinal de mais nada, nem da oficina nem do hotel. No espaço onde os dois comunistas trabalhavam tem uma loja de produtos agropecuários. Ali eles conheceram e fizeram amizades com outros lanterneiros, torneiros e mecânicos e profissionais de vários segmentos, desde funcionários públicos até empresários e políticos. Todos frequentavam o campo de várzea próximo da praça dos Carreiros, onde também aconteciam disputas do competitivo Campeonato Rondonopolitano de Futebol, com direito a troféus, medalhas, faixas, rainhas e princesas. Antes das partidas, as equipes desfilavam seus jogadores com mascotes, bandeiras, flâmulas e madrinhas. Nos domingos, milhares de pessoas cercavam o campo para torcer pelos times. Nos dias de decisão do campeonato, Rondonópolis era toda festa. Clandestinos Foi neste ambiente que Doca e Joca se integraram à cidade. Não participavam da vida política, nem falavam sobre a política local e muito menos nacional. Não tinham militância sindical e nem comunitária. A condição de clandestinos não permitia nenhuma exposição que levantasse suspeitas. A tarefa era chegar ao Araguaia. Para a população eram apenas dois lanterneiros, ali ganhando a vida e se divertido nos domingos de futebol, nas pescarias nos rios Vermelho e Arareau e nas rodas de batidinha no Bar do Dário, um dos pioneiros da cidade emancipada 13 anos antes. Ninguém desconfiava que Rondonópolis servia apenas como um breve refúgio para os dois operários que tiveram forte atuação no movimento sindical e no PC do B, no Rio de Janeiro. Por este motivo estavam sendo perseguidos pela ditadura militar. Eram visados e não podiam seguir direto para a região da guerrilha sem que despertassem a desconfiança da polícia política e das Forças Armadas. A permanência na cidade também servia para avaliar a região e sentir o clima político local, enquanto aguardavam a senha para rumarem para a guerrilha. O Doca, Daniel Callado, era o mais conhecido. E a razão era a sua popularidade como o grande craque do Batidinha Futebol Clube, o time no qual ele começou a jogar logo que chegou a Rondonópolis e passou, junto com Joca, a frequentar o Bar do Dário. Não bastasse a admiração por seu futebol arte, Doca ainda arrancava muitos suspiros da moças da cidade com sua pinta de galã. Joca era admirado por sua cordialidade e presença sempre marcante nas rodas de conversa e na torcida nos jogos do inseparável amigo, irmão, camarada. Impressionava pela alva e o pé enorme. Os dois eram muito respeitados pelo profissionalismo, eficiência na execução dos serviços de lanternagem e pela solidariedade com os colegas e amigos. Pinga com limão No levantamento de 22 anos antes, quando encontrei mais de 20 amigos e colegas de Doca e Joca, não revelei para todos exatamente o motivo da apuração. O País acabava de entrar na redemocratização, saindo de uma ditadura de 21 anos, e temia inibir minhas fontes. No final de 2008 quando retornei, reencontrei apenas Hermogenes Ramos Siqueira, mais conhecido por Tinô. Os demais estavam aposentados, mudaram da cidade ou faleceram. Tinô foi uma das primeiras pessoas que conheceram Doca e Joca e era um dos que mais admiração nutria por eles. Mecânico e lanterneiro, proprietário de uma oficina na Vila Aurora, bairro do outro lado rio Arareau, Tinô também era jogador do Batidinha Futebol Clube. "Eles chegaram aqui e fizeram amizade com todos nós. Disseram que eram lanterneiros e que queriam se estabelecer na cidade. Nós os ajudamos a montar uma oficina", relembrou ele à época do primeiro contato. ''Aí o Doca - prossegue Tinô - começou a participar dos treinos do Batidinha. De cara ele entrou para o time. Era um excelente jogador. Os dois se entrosaram logo com a turma. Mas o Joca não jogava bola, só o Doca. Eram dois caras muito legais. A qualquer hora que a gente precisasse os dois estavam dispostos a ajudar. Até que um dia eles sumiram". O time do Batidinha Futebol Clube foi fundado em 1965. Era um grupo de comerciantes, funcionários públicos e operários que se reunia para bater uma ''bolinha'' todos os finais de semana. Certo dia, reunidos no Bar do Dário, resolveram batizar o time. Como a turma toda gostava de tomar batida de pinga com limão, o Dário sugeriu o nome de ''Batidinha''. E pegou. A equipe foi registrada na Liga Esportiva de Rondonópolis: ''Batidinha Futebol Clube''. Fã número um Batidinha fez fama. Em menos de um ano de formado já era dos mais populares da cidade, competindo nessa faixa com o Olaria, Santos e Rodoviário. Este último formado por operários do DNER local. A fama correu o mundo. Batidinha ''papava'' todos os campeonatos na região. Jogar nele era uma grande honra para qualquer um. A equipe tinha uma grande torcida, bandeira e até rainha. Foi por essa época que chegaram o Doca e o Joca. Da amizade com Tinô surgiu o conhecimento da ''turma''. ''Foi no bar Dário'', busca na memória o lanterneiro. Doca e Joca conheceram o Silvão, Fernandinho, Bento, Alcio, o Pretinho, o Tonho Baiano...E é aí que teve início àquilo que foi chamado de ''o quarteto invencível''. Doca, Silvão, Tinô e Fernandinho. Silvão, zagueiro; Tinô, lateral esquerdo; Doca, lateral direito; Fernandinho, central. Eram, os quatro, os responsáveis pelas sucessivas vitórias do Batidinha. Quando o entrevistei em 1986, Silvão se lembrou com paixão daquela época: ''Doca era um jogador excelente. Jogava de lateral direito, zagueiro, meio campo, de tudo. Era um craque como ninguém. Meu tio era um grande admirador dele. O Joca era só torcedor: um branquelão grande, calçava 44. O sapado dele só vivia furado pela unha do dedão.'' O senhor Henrique Nunes da Silva, então com 64 anos, comerciante, tio de Silvão, era um grande torcedor do Batidinha e admirador do Doca. ''Um fã número um do Doca'', como ele mesmo de descreveu. "O Doca era uma coisa inexplicável. Ele surgiu no time não sei como. Nunca fiquei sabendo de onde ele veio nem pra onde foi. Me lembro que gostava muito de pegar no pé dele por causa do Fluminense, time do seu coração." Lágrimas Reencontrei Tinô no final da manhã de um domingo de muito calor e ressaca eleitoral. Menos de um mês antes a cidade viveu uma das disputas mais ferrenhas das eleições municipais de 2008 em Mato Grosso. O deputado José Carlos Junqueira Araújo, o Zé do Pátio (PMDB), e o então prefeito Adilton Sachetti (PR) protagonizaram uma verdadeira guerra política, que ultrapassou a disputa por votos, se engalfinhando num emaranhado de denúncias de compra de votos e outras irregularidades e "trocas de chumbo" que transcorreram até às margens da posse do eleito. Era visível a atmosfera bélica que o pleito gerou e que nem mesmo três semanas conseguiu dissipar. Enquanto aguardava Tinô dirigir uma partida do "Baba", no campo do Vila Aurora Esporte Clube, eu conversava com os torcedores. Alguns correligionários de um lado e de outro, exaltados, chegaram a trocar agressões. Os partidários de Sachetti não se conformavam com a derrota e os eleitores de Zé do Pátio comemoravam de forma acintosa, segundo os primeiros. Acabada da partida do "Baba" e depois de contornada uma briga na qual voou até garrafas de cerveja quebrada, abordei Tinô. A mesma simpatia, o mesmo coração bondoso de 22 anos antes. O corpo ainda tinha um pouco da agilidade dos 49 anos, mas os cabelos brancos, as rugas profundas e os olhos cansados, apesar de vivos, denunciavam os 71 anos. Buscou um pouco na memória para lembrar do dia que conversamos mais de duas décadas atrás. Após um breve silêncio, respondeu: "Ah, sim, foi sobre o Doca e o Joca, né? Quanta saudade... Cadê eles, você tem notícias?" Morreram, contei. Os olhos dele encheram de lágrimas. "De quê?" Combatendo o regime militar na Guerrilha do Araguaia, respondi, explicando o que foi o movimento armado. "Mas porque, o que eles foram fazer lá? Estavam tão bem aqui", exclamou. "Os caras eram muito bons", acrescentou. Quis saber onde encontraria os outros companheiros do Batidinha. Ele disse que seria um pouco difícil, porque muitos já haviam morrido e outros nem mais moravam na cidade, estavam doentes e aposentados. "Mas de vez em quando aparece algum por aqui, para ver a garotada jogar", contou. Tinô nunca deixou de mexer com futebol. Também mantém ainda hoje a oficina funcionando no mesmo lugar, pelo menos há 50 anos, faço as contas. No Vila Aurora Futebol Clube ele é responsável pelo treinamento das equipes de base, as quais chama carinhosamente de "Baba", "Babinha" e "Babíssima". Todos os domingos de manhã lá está ele dando orientações na preparação físicas dos jogadores e táticas de jogo e dirigindo o coletivo, que é muito concorrido. Após o jogo puxamos duas cadeiras do bar e sentamos na beira do campo, perto do vestiário, para a entrevista. E enquanto ele falava eu dividia a atenção ao seu semblante e depoimento com os meus pensamentos percorrendo aqueles anos distantes e imaginando que os camaradas Doca e Joca nunca deveriam supor que por onde eles passaram deixaram muito carinho e saudade. Dois desaparecidos políticos Doca e Joca são considerados dois desaparecidos políticos. É certo que eles morreram assassinados no Araguaia pelo Exército brasileiro, mas como seus corpos ainda não foram localizados e identificados, tecnicamente são desaparecidos. A história deles e de outras seis dezenas de guerrilheiros mortos no confronto com os militares no Araguaia ainda é desencontrada quase 35 anos depois do fim da guerrilha. Os arquivos das Forças Armadas ainda não foram totalmente abertos para revelar o que fizeram no Bico do Papagaio. Líbero Giancarlo Castiglia é considerado o único estrangeiro na Guerrilha do Araguaia. Ele nasceu em San Lúcido, Cozenza , na Itália, em 4 de julho de 1944. Trabalhava como operário metalúrgico no Rio de Janeiro. No Araguaia estabeleceu-se como comerciante na localidade de Faveira, em São João do Araguaia, Pará. Texto do "Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964", está desaparecido desde o dia 25 de dezembro de 1973, quando estava no acampamento que foi bombardeado. Daniel Ribeiro Callado nasceu em São Gonçalo, Rio de Janeiro, no dia 16 de outubro de 1940. Também era operário em seu estado natal. Relatos indicam que foi morto em setembro de 1974, depois de preso e torturado na base do Exército em Xambioá, hoje Tocantins. ============================================================================== Outras Informações. 22 de Janeiro de 2007 - 17h30 Mãe italiana, 90 anos, busca filho guerrilheiro do Araguaia "Presidente, eu lhe peço, faça-me reaver os restos de meu filho". Este é o apelo feito ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, por Elena Gibertini, 90 anos de idade, mãe de Libero Giancarlo Castiglia, guerrilheiro nascido em Cosenza (sul da Itália) e Graças à mídia, a velha mãe abriu as portas do Palácio do Quirinal (sede da Presidência) para pedir a intervenção de Napolitano. Ela deseja que os restos de Giancarlo (cujo nome de guerra na Guerrilha do Aragauaia era Joca) possam ser localizados, transportados à Itália e sepultados no vilarejo de San Lucido, litoral do Mar Tirreno, onde ele nasceu. Ou em Lungro, uma localidade ítalo-albanesa onde vive sua mãe. "Tenho agora 90 anos", escreveu a senhora Gibertini na mensagem ao presidente, "e sei bem que em breve devo morrer. Meu único desejo é poder prestar uma última saudação a meu filho Libero." Giancarlo Castiglia morreu na região brasileira do Araguaia. Fazia parte de um grupo guerrilheiro e era membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil. Parece ter sido o único estrangeiro tombado no combate, contra as tropas da ditadura militar brasileira. Ele, que era conhecido na região como Joca, adotou o nome falso de João Bispo Ferreira da Silva. Meses atrás, seus irmãos enviaram uma solicitação ao ministro do Exterior, Massimo D'Alema, e ao presidente da Câmara, Fausto Bertinotti, reivindicando sua intervenção. Mas não tiveram resposta. Por isso a mãe dirigiu-se diretamente ao presidente Giorgio Napolitano. Por várias vezes os irmãos de Libero, e a filha de um deles, Lara, foram ao Brasil solicitar (inutilmente) que os restos de Joca fossem identificados, recompostos e devolvidos à família para serem sepultados. Walter, o irmão de Libero que vive em Lungro junto com a velha mãe, comenta: "Da política não tivemos nenhuma resposta. Envolvemos nesta questão desde expoentes locais até nacionais, mas até hoje não houve nenhuma manifestação de interesse concreto pelo caso. Não temos condições econômicas de custear a localização e o repatriamento do corpo de Libero, por essa razão queremos que o Estado intervenha, para ajudar." Fonte: http://www.gazzettadelsud.it ================================================================================== Ieri la visita del ministro brasiliano Vannuchi per il prelievo del Dna materno SAN LUCIDO. Svegliarsi la mattina sapendo che verrà un uomo a portarti via qualcosa, ma non per togliere, anzi. Forse per restituirti tutto. Per ridarti la parte tua più profonda. Un figlio. Con questo pensiero deve aver aperto i suoi grandi occhi chiari sul 14 marzo quella donna piccola, minuscola ma forte che è Elena Gibertini, madre di Libero Castiglia. Desaparecido in Brasile più di trent'anni fa, suo figlio forse le verrà restituito. Dopo troppi anni e non come una madre vorrebbe veder tornare il suo ragazzo. Ma ancora una volta, da mamma, gli darà vita, in un certo senso, e un nome, tramite una parte di sè. Gli archetti d'unghia delle sue dita sottili e lunghe, tre gocce del suo sangue e della sua saliva: conservati in piccoli sacchetti trasparenti, gireranno mezzo mondo. Alla fine però arriveranno in Brasile. Lì, dove forse sono i resti del suo Libero. E ci arriveranno nella ventiquattr'ore di un uomo che è venuto apposta per acquisire le tracce del suo dna e poi compararlo con quello di un ragazzo torturato e ucciso, molti anni fa, dalla dittatura brasiliana. Potrebbe essere lui, ma solo gli esami del dna daranno finalmente una risposta chiara. Quell'uomo con la ventiquattr'ore è il ministro della Segreteria speciale per i diritti umani del governo brasiliano di Lula, Paulo De Tarso Vannuchi. E' atterrato a Lamezia Terme nella serata del 13 marzo e ha messo piede a San Lucido il giorno dopo, di buon mattino, accompagnato dal segretario dell'Ambasciata brasiliana in Italia, Hilton Catanzaro Guimarães. Un politico importante per uno scopo importante: restituire alle famiglie le spoglie dei figli, dei fratelli, dei padri sulle quali genitori, sorelle e figli non hanno potuto piangere per decenni. Un uomo importante dai modi quotidiani. Si siede al tavolo da pranzo con quella donna minuta che lo guarda senza parlare, sapendo che da lui forse riavrà suo figlio, e che, salutandolo, lo bacia. E gli ripete grazie. Il ministro l'abbraccia forte, come Wanda, Antonio, Lara e tutti i familiari di Libero grazie ai quali si è giunti all'importante risultato. "Il governo brasiliano ha un debito con 150 famiglie alle quali devono essere restituiti i loro cari - afferma Vannuchi appena incontra la signora Elena. Quello che suo figlio ha fatto appartiene un po' anche a me. Per cinque anni anch'io sono stato prigioniero e ammiro suo figlio che ha lottato in terra straniera per la giustizia e la libertà". Lei lo ascolta in silenzio, commossa; poi pronuncia soltanto: "Mio figlio mi disse: mamma, devo lottare per questo mondo bellissimo ma molto povero. Gli risposi: fa' quello che vuoi". La stessa forza nel patire un dolore infinitamente più lieve, quando l'ago del prelievo le buca la pelle. Uno sguardo alle vecchie foto appese, gli omaggi, i saluti. Poi il ministro riparte, verso l'aeroporto. Lo stesso da dove un giorno, forse, Libero tornerà. -------------------------------------------------------------------------- In foto: la prima in alto ritrae Libero Castiglia; subito in basso, l'incontro tra il ministro per i diritti umani del governo Lula ed Elena Gibertini, madre di Libero Castiglia, e la sorella di quest'ultimo, Wanda Castiglia; la terza foto ritrae il segretario dell'Ambasciata brasiliana in Italia, Hilton Catanzaro Guimarães, al momento del suo arrivo a San Lucido; infine un momento della visita a casa Castiglia: da sinistra a destra, Antonio Perrotta, marito di Wanda Castiglia; Lara Perrotta, loro figlia; il ministro Paulo Vannuchi; di spalle, Elena Gibertini. -------------------------------------------------------------------------- Ripropongo ai lettori un mio articolo su Libero Castiglia pubblicato agli inizi del gennaio 2004 sul quotidiano La provincia cosentina. Contiene in dettaglio la storia del sanlucidano desaparecido. Il circolo di San Lucido del Partito di Rifondazione Comunista è intitolato a "Joca". Così era chiamato Libero Giancarlo Castiglia, nato a San Lucido nel 1944 e ivi vissuto fino all'età di dieci anni, quando emigrò con tutta la sua famiglia in Brasile, stabilendosi nel quartiere Vila Da Penha della capitale. Trovò lavoro a Rio de Janeiro come operaio specializzato. Una storia molto vicina a quella di molti che, tra Ottocento e Novecento, lasciarono la propria terra, per cercare nel continente americano una vita nuova. Quella di Libero Castiglia, però, non è una storia a lieto fine, di quelle con l'ultima scena in una villetta nel quartiere "in" della città, con un cane scodinzolante e bambini per casa. Anzi, a pensarci bene, la storia di Libero non ha mai avuto veramente una fine. La sua, é la storia di un "desaparecido", di un uomo scomparso senza lasciare traccia come, nel suo caso, gli altri 67 che, come lui, furono ammazzati perché dissidenti verso la dittatura militare del generale Lacerdo in Brasile. Libero era comunista. Fu intorno al 1967 che si avvicinò all'azione politica del PcdB, Partito Comunista del Brasile, che, naturalmente, in un'epoca di dittatura militare, era dichiarato fuorilegge. Libero aderì in pieno alle rivendicazioni sociali e politiche del Partito, ricoprendo da subito un ruolo di responsabilità all'interno del direttivo. Insieme coi vertici del Partito, Elza Monerat e Mauricio Grabois, si occupò del settore Sicurezza, per poi venir incaricato di organizzare la guerriglia nella regione di Marabà in Araguaia. E' qui che si verificò un giorno un'imponente azione militare chiamata "Operazione Pulizia" da parte dell'Esercito brasiliano, teso ad eliminare tutti i dissidenti, che, in quella zona, pare fossero un numero di 68. Tutti morti. Della strage, non si sa nulla, se non il perché sia avvenuta. Nessuno dei corpi è stato mai ritrovato, nessuno mai identificato: tutti dichiarati "desaparecidos". Spariti. Ma come può una famiglia rassegnarsi a non avere, dei propri defunti, nemmeno ossa, ceneri, su cui piangere? E quando si tratta di esseri umani scomparsi nel nulla, come foglie nel vento, è ancor più difficile farsi ragione di una morte. Alle famiglie dei 68 scomparsi è rimasta solo una data, del tutto convenzionale, fissata dall'odierno governo brasiliano, a cui far risalire i 68 decessi: il 25 dicembre 1973. Non è stato tuttavia specificato un luogo di morte, di seppellimento del corpo, o delle cause. Le stesse famiglie sono state indennizzate, in quanto colpite da quella che è stata riconosciuta come una feroce azione terroristica. Poca cosa se, fino ad oggi, nulla era stato fatto per riuscire a trovare i resti delle vittime, e, perdipiù, i colpevoli continuavano tranquillamente a ricoprire importanti ruoli all'interno dello stesso organismo governativo. Se dal Ministero degli Affari Esteri era partita, su apposita istanza, una comunicazione al Consolato Generale d'Italia in Brasile, senza ottenere da quest'ultimo nessuna risposta, è la battaglia sociale apertasi in Brasile sulla questione che ha agitato le acque tanto da incaricare una Commissione per i Diritti Umani della Camera dei Deputati in Brasile di scoprire che fine abbiano fatto i corpi delle vittime della Guerriglia dell'Araguaia. Insieme con Socorro Gomes del Partito Comunista brasiliano, José Eduardo Reis, capo del Laboratorio Antropologia Forense dell'Istituto di Medicina Legale di Brasilia, un'équipe di geologi specializzati ed alcuni familiari delle vittime, il deputato Luiz Eduardo Greenhalgh, che coordina i lavori della Commissione, si è recato più volte in Araguaia alla ricerca dei resti. L'operazione è stata resa possibile soprattutto grazie alla testimonianza di Pedro Correa Cabral, ex colonnello dell'Esercito, pilota d'elicottero durante l'Operazione Pulizia. Un'importante conquista per la famiglia Castiglia, quasi quanto quella di aver potuto lanciare un appello direttamente al presidente Lula e lasciare un campione di sangue affinché i dati genetici possano consentire l'identificazione, in caso resti umani venissero ritrovati. Per farlo, il fratello di Libero, Antonio, dall'Australia ha raggiunto il Brasile, nella convinzione che "solo il governo di Lula può riscattare questa storia". Sulla figura di Libero, il militante comunista clandestino amante della letteratura, della musica classica, dei libri di scienza politica, che viaggiò per il mondo, arrivando fino in Cina per addestrarsi alla guerriglia, Myriam Luiz Alves, giornalista e consulente della Commissione per i Diritti Umani, sta scrivendo un libro che ne vuol essere la biografia. -------------------------------------------------------------------------- Il reportage fotografico della visita del Ministro Vannuchi alla famiglia Castiglia, a cura dell'amico e collega giornalista Angelo Pagliaro di Paola (CS). =============================================================================== Líbero Giancarlo Castiglia Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Líbero Giancarlo Castiglia Cidade: (onde nasceu) San Lucido, Cozenza País: (onde nasceu) Itália Data: (de nascimento) 4/7/1944 Atividade: Operário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110923/2618c027/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 14880 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110923/2618c027/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 23 20:02:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 23 Sep 2011 20:02:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Hoje=2C_o_apelo_palestino_por_uma?= =?iso-8859-1?q?_condi=E7=E3o_de_Estado_independente_pode_morrer_no?= =?iso-8859-1?q?s_pr=F3ximos_meses=2C_a_menos_que_n=F3s_ajudemos_a_?= =?iso-8859-1?q?salvar_esse_apelo=2E?= Message-ID: <80AE94FBDB88432F80FD209D5295239E@vcaixe> Carta O Berro....................................repassem From: Avaaz.org Date: 23/09/2011 19:18:09 To: barbet at bol.com.br Subject: Obrigado por participar Obrigado por participar da campanha pela Palestina! Para continuar a nos ajudar, envie o email abaixo para seus amigos e familiares e cole o link no mural do seu Facebook. http://www.avaaz.org/po/urgent_18_hours_for_palestine/?tta Obrigado mais uma vez pela sua ajuda, A equipe da Avaaz --------- Cara incrível comunidade da Avaaz, Hoje, o apelo palestino por uma condição de Estado independente pode morrer nos próximos meses, a menos que nós ajudemos a salvar esse apelo. Na quarta-feira à noite, o presidente Obama se encontrou com o presidente palestino Abbas, e possivelmente o pressionou fortemente para evitar uma votação completa na assembleia das Nações Unidas, uma votação que a Palestina certamente venceria. Ontem a pressão parecia estar funcionando, e os palestinos estão desistindo da votação. Vai ser uma tremenda desilusão para o mundo e para os palestinos se esse momento passar sem nenhuma realização. Isso iria enfraquecer a paz e alimentar a desesperança, o extremismo e a violência. Mas ainda podemos virar o jogo. Em algumas horas, a Avaaz vai levar uma flotilha de navios pelo rio que corre próximo à ONU, coberta com enormes cartazes. Outro barco com jornalistas dos maiores meios de comunicação do mundo vai permitir a filmagem da flotilha e os jornalistas vão entrevistar nosso porta-voz. Se pudermos dizer que, em apenas 12 horas, 250 mil pessoas apelaram ao Abbas para que ele seja firme e forte e permita que o mundo faça uma votação, isso vai ajudar a definir este momento na mídia -- influenciando a decisão de Abbas em atender ou não a esse apelo histórico. Esta semana a Avaaz se reuniu com vários ministros de relações exteriores e nossa manifestação em Nova Iorque para entregar nossa poderosa petição com um milhão de assinaturas que foi notícia em todos os lugares. Mas o lobby dos EUA é impetuoso - nós precisamos urgentemente apelar ao Abbas para que ele seja forte e a cada um de nossos países para que apoiem o presidente palestino. Clique abaixo para assinar a petição e enviar uma mensagem urgente por telefone, no Facebook ou Twitter para governos e seus líderes, ou deixe comentários em artigos de notícias específicos para modelar a narrativa da mídia nesse momento. Temos apenas algumas horas antes que o presidente Abbas faça seu discurso na ONU mostrando sua decisão. Vamos fazer tudo que pudermos: http://www.avaaz.org/po/urgent_18_hours_for_palestine/?tta O apelo pela condição de Estado independente é uma tentativa pacífica, razoável e diplomática para dar os próximos passos rumo à paz e dar aos palestinos esperança após 40 anos de ocupação, opressão e colonização pelo estado legítimo de Israel. Pesquisas de opinião pública financiadas pela Avaaz e outras pesquisas mostram que a grande maioria de pessoas pelo mundo apoiam essa medida. Mas o governo extremista de Israel, com seu poderoso lobby político dos EUA, está determinado a matar essa proposta consciente e manter a Palestina fraca, oferencendo, pelo contrário, mais anos de falsas conversações de paz, ao passo em que colonizam mais terras palestinas. Ironicamente, estes extremistas ameaçam mais a Israel do que a Palestina, uma vez que um crescente número de palestinos estão desistindo da ideia de dois Estados e decidindo abraçar um desafio a longo prazo -- um desafio que eles comparam com a luta da África do Sul contra o apartheid -- por um único estado democrático secular com igualdade de direitos para todas as etnias e credos -- efetivamente o fim de Israel enquanto um Estado Judeu. Algo grandioso está acontecendo aqui. O presidente Obama disse que um Estado palestino somente pode ser concedido por m eio de negociações com os israelenses. Mas quando Israel aplicou junto à ONU pela condição de Estado, os EUA não solicitaram que os palestinos concordassem com o pedido. Os EUA usam a retórica das manifestações a favor da democracia na Líbia, Síria e outros lugares, mas quando os palestinos buscam a liberdade, Washington faz tudo o que pode para se opor. Esse tipo de predisposição, no qual um aliado convicto, e até mesmo cego, de Israel é o único "pacificador" que temos é parcialmente o motivo pelo qual este conflito persite por décadas. Mas finalmente o mundo já se cansou - 127 nações, incluindo o Brasil, Índia, China e agora a França, levantaram-se para apelar por uma nova direção, e se outros se juntarem a eles, a era da hegemonia de Israel/EUA sobre esse conflito pode estar chegando ao fim, com um panorama de vozes globais e regionais mais amplo e mais sábio, especialmente as vozes das próprias pessoas, para substituir essa hegemonia. Tudo se resume à s próximas horas -- vamos fazer com que o mundo se levante, e fazer acontecer: http://www.avaaz.org/po/urgent_18_hours_for_palestine/?tta Agora mesmo, o presidente Abbas está escrevendo seu discurso. Fontes internas dizem que ele está se sentido traído pelos americanos, israelenses e líderes árabes aliados dos EUA com quem trabalhou toda a sua vida pela paz. Na quarta-feira, em um evento, ele disse alegadamente ao New York Times que "estava farto de todas essas pessoas, e não sabia o que fazer...". As esperanças do povo palestino estão com um homem que, após ser repetidamente traído e enfraquecido pelos EUA, está perdendo a sua própria esperança. Mas uma grande maioria do mundo, e 80% de seu próprio povo, apoiam seu objetivo. Vamos pedir que ele coloque sua esperança no mundo e no apelo de seu povo, deixe o mundo votar o reconhecimento da Palestina, e deposite confiança a o resto do mundo e ao seu povo, que ajudarão esse novo Estado florescer. Com esperança, Ricken, Alice, Emma, Wissam, Nicola, David e toda a equipe da Avaaz -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110923/243d2fd5/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 24 16:27:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 24 Sep 2011 16:27:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__NELSON_LIMA_PIAUHY_DOURADO____________?= =?iso-8859-1?q?_________________-CCLIV-?= Message-ID: <0CE92979ADE043DFAA0B5F8A36536413@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem NELSON LIMA PIAUHY DOURADO (1941-1974) Filiação: Anita Lima Piauhy Dourado e Pedro Piauhy Dourado Data e local de nascimento: 03/05/1941, Jacobina (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 02/01/1974 Baiano de Jacobina, fez o curso primário e o ginasial em Barreiras, na Escola de Dona Jovinha e no Colégio Padre Vieira, respectivamente. Mudou-se então para Salvador, onde fez o curso científico nos colégios Bahia e Ipiranga. Funcionário da Petrobras, trabalhou na Refinaria Landulfo Alves, em Mataripe (BA). Filiou-se ao sindicato da categoria, onde desenvolveu intensa atividade. Em abril de 1964, foi preso e demitido do emprego. Por algum tempo, trabalhou como motorista de táxi, passando a atuar no eixo entre Rio e São Paulo. Nessa época, costumava visitar seus pais em Barreiras, na Bahia. A partir de 1967, passou a atuar na clandestinidade, já como militante do PCdoB. O Relatório do Ministério do Exército, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, informa que Nelson viajou para a China em 13/09/1968, "onde realizou curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim". Em contradição com esse registro, um documento do SNI informa que a viagem à China ocorreu em 26/01/1967. Sabe-se que, antes de residir na localidade de Metade, no Araguaia, morou também no extremo norte de Goiás, tendo estabelecido uma farmácia em Augustinópolis, hoje estado de Tocantins, margem direita do Araguaia, bem perto da área da guerrilha. Integrante do Destacamento A, ficou conhecido na região pelo apelido Nelito. Conheceu Jana Moroni Barroso, a Cristina, com quem se casou em 1971. Nelson Lima Piauhy Dourado comandou um dos cinco grupos de cinco guerrilheiros que, após o ataque de Natal à Comissão Militar da guerrilha, combinaram seguir para rumos diferentes, conforme registrado no Relatório Arroyo. Moradora da região, Adalgisa Moraes da Silva registrou em depoimento uma passagem sobre as atividades de Nelson (Nelito) na guerrilha: "(...) que os guerrilheiros haviam colocado fogo em uma ponte na Transamazônica, no Município de São Domingos; que a Rosinha, a Sônia, o Nelito , o João Araguaia, o Nunes, o Orlandinho, o Beto, o Alfredo, o Zé Carlos, o Edinho e Valdir e o Zebão colocaram fogo na ponte para impedir que os carros passassem; que eles atacaram um posto da polícia militar e colocaram um soldado para ir à pé até Marabá, vestindo apenas uma cueca, pegaram as armas, as facas, o Alfredo vestiu a roupa do sargento, e passaram logo após na casa da declarante, vestindo roupa da Polícia Militar; que eles passaram na casa da declarante um dia após os fatos; que eles queimaram a ponte numa sexta-feira, atacaram o posto da Polícia Militar no Domingo e estiveram na casa da declarante na segunda-feira seguinte". juntos quando foram atacados pelos militares no dia 02/01/1974. Consta em seu Relatório: "no dia 18, J., Zezim e Edinho encontraram Duda (Luís Renê Silveira e Silva), do grupo do Nelito (Nelson Lima Piauhy Dourado). Ele contou que os tiros do dia 2 tinham sido sobre o grupo em que ele estava. Disse que, depois do almoço desse dia, Nelito e Duda estavam juntos e que Cristina (Jana Morone Barroso) e Rosa (Maria Célia Corrêa) haviam se afastado por um momento. Carretel estava na guarda. Na véspera, Duda e Carretel tinham ido à casa de um morador. A casa estava vazia. Quando se retiravam viram que vinham chegando os soldados. Avisaram Nelito. Imediatamente afastaram-se do local. Mas caminharam em trechos de estrada, deixando rastros. Dia 2, Nelito tinha ido a uma capoeira apanhar alguma coisa para comer. Trouxe pepinos e abóbora numa lata grande que lá encontrara. A lata fez muito barulho na marcha de volta. Às 13:30 hs ouviram-se rajadas. Os tiros foram dados sobre Carretel, que saiu correndo. Nelito não quis sair logo. Se entrincheirou, talvez pensando nas duas companheiras. Mas os soldados se aproximavam. Então ele correu junto com Duda, mas foi atingido. Assim mesmo, ainda se levantou e correu mais uns vinte metros. Foi novamente atingido e caiu morto. Duda conseguiu escapar. Não sabe o que houve com as duas companheiras, nem com Carretel". Outros documentos, incluindo os relatórios das Forças Armadas, de 1993, o Dossiê Araguaia, citado no livro de Hugo Studart e depoimentos de moradores anos depois, apontam no sentido de que Nelson provavelmente foi o único morto no ataque, sendo os demais presos com vida. Daí a discrepância entre datas e a alta possibilidade de os outros três terem sido mortos sob tortura ou executados. Nessas informações contraditórias, também existe um depoimento indicando que Nelson foi preso vivo, embora gravemente ferido. Quanto às condições concretas da morte ou desaparecimento de Nelson, reunindo informações contraditórias fornecidas por moradores da região, tem-se que José da Luz Filho, lavrador cujo pai permaneceu detido durante sete meses em Marabá, testemunha que Nelito e Cristina foram presos e levados para Bacaba. Zé da Onça afirma conhecer uma senhora, cujo nome não revelou, que saberia dizer onde estão as ossadas de Nelson Piauhy Dourado (Nelito), de Luiz Renê Silveira e Silva (Duda) e do camponês Pedro Carretel, todos mortos no mesmo dia segundo seu testemunho. Outro depoimento indica como possível local de sepultura de Nelson o castanhal Brasil-Espanha. Raimundo Nonato dos Santos, conhecido como Peixinho, informa que Pedro Carretel foi preso por uma equipe de militares guiada por Zé Catingueiro, sendo ferido por um tiro do próprio Zé Catingueiro e que na mesma ocasião Nelito foi morto. Conta também que a operação onde morreu Nelito e foi capturado Carretel era comandada pelo capitão Rodrigues. Pedro Matos do Nascimento, conhecido por Pedro Mariveti, relata que, preso na Bacaba, conversou com Babão, um guia do Exército, que contou terem matado e decapitado o Ari, conforme já descrito. Além disso, Babão disse que na cabeceira da pista de pouso na Bacaba foram sepultados vários corpos. Ele se recorda de Babão ter dito que Nelito e uma Japonezinha estariam enterrados lá. Em 1974, agentes do DOPS de Salvador invadiram a casa dos irmãos de Nelson, apoderando-se de uma carta onde os seus companheiros de guerrilha informavam de sua morte. A polícia política do Regime Militar tentava não deixar qualquer prova da existência de combates na região do Araguaia. Seu irmão, José Lima Piauhy Dourado também desapareceu no Araguaia, na mesma época. Sua mãe faleceu nesse mesmo ano, ao saber da morte dos filhos. O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça, apenas oficializou a informação de que Nelson foi "morto em 02/01/1974". ======================================================================================================================= + Informações. NELSON LIMA PIAUHY DOURADO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu a 3 de maio de 1941 em Jacobina, Estado da Bahia, filho de Pedro Piauhy Dourado e Anita Lima Piauhy Dourado. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia, aos 33 anos. Fez o curso primário e o ginasial em Barreiras, na Escola de Dona Jovinha e Colégio Padre Vieira, respectivamente. Indo para Salvador, fez o curso científico nos colégios Bahia e Ipiranga. Trabalhou na Refinaria Landulfo Alves, em Mataripe (BA). Filiou-se ao Sindipetro, desenvolvendo intensa atividade sindical. Com o golpe militar de 1964, foi preso e demitido do emprego. Por algum tempo, trabalhou como motorista de táxi, passando a atuar no eixo Rio/São Paulo e sempre visitava seus pais em Barreiras. Em 1967, entrou para a clandestinidade, viajando para o norte do país e, posteriormente indo residir na localidade de Metade, no sul do Pará. Aí conheceu Jana Moroni Barroso (desaparecida), com quem se casou em 1971. Foi morto em 2 de janeiro de 1974, em combate. Com ele se encontravam os guerrilheiros Maria Célia Correa, Jana Moroni e Pedro Carretel, todos desaparecidos. No mesmo ano, agentes do DOPS de Salvador invadiram a casa dos irmãos de Nelson, apoderando-se de uma carta onde os seus companheiros de guerrilha informavam sua morte, procurando assim não deixar qualquer prova da existência de combates na região do Araguaia. Seu irmão José também é um dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia. Sua mãe veio a falecer nesse mesmo ano de 197, ao saber da morte de seus filhos O Relatório do Ministério da Marinha diz que Nelson foi "morto em 2/1/74". =========================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) NELSON LIMA PIAUHY DOURADO (1941-1974) Baiano de Jacobina e irmão mais velho de José Lima Piauhy Dourado, igualmente desaparecido na Guerrilha do Araguaia, foi funcionário da Petrobras, trabalhou na refinaria Landulfo Alves, em Mataripe (BA). Filiou-se ao sindicato da categoria, onde desenvolveu intensa atividade. Em abril de 1964, foi preso e demitido do emprego. A partir de 1967, passou à clandestinidade como militante do PCdoB. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, informa que Nelson viajou para a China em 13 de setembro de 1968, "onde realizou curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim". Em contradição com esse registro, um documento do SNI informa que a viagem à China ocorreu em 26 de janeiro de 1967. Antes de residir na localidade de Metade, no Araguaia, Nelson morou também no extremo norte de Goiás, tendo estabelecido uma farmácia em Augustinópolis, hoje no Estado de Tocantins, à margem direita do Araguaia, perto da área da guerrilha. Integrante do Destacamento A, Nelson ficou conhecido na região como Nelito. Comandou um dos cinco grupos de cinco guerrilheiros que, após o ataque de Natal à Comissão Militar da guerrilha, combinaram seguir para rumos diferentes, conforme registrado no Relatório Arroyo. Moradora da região, Adalgisa Moraes da Silva fez um relato sobre a morte de Nelson: Dia 2, Nelito tinha ido a uma capoeira apanhar alguma coisa para comer. Trouxe pepinos e abóbora numa lata grande que lá encontrara. A lata fez muito barulho na marcha de volta. Às 13:30 h ouviram-se rajadas. Os tiros foram dados sobre Carretel, que saiu correndo. Nelito não quis sair logo. Se entrincheirou, talvez pensando nas duas companheiras. Mas os soldados se aproximavam. Então ele correu junto com Duda, mas foi atingido. Assim mesmo, ainda se levantou e correu mais uns vinte metros. Foi novamente atingido e caiu morto. Outros documentos, incluindo os relatórios das Forças Armadas, de 1993, o Dossiê Araguaia, citado no livro de Hugo Studart, e depoimentos de moradores anos depois, apontam no sentido de que Nelson provavelmente foi o único morto no ataque, sendo presos os demais componentes do seu grupo. Mas também existe um depoimento indicando que Nelson foi preso vivo, embora gravemente ferido. José da Luz Filho, lavrador cujo pai permaneceu detido durante sete meses em Marabá, testemunha que Nelito e sua companheira, Cristina, foram presos e levados para Bacaba. Zé da Onça afirma conhecer uma senhora, cujo nome não revelou, que saberia dizer onde estão as ossadas de Nelson, de Luiz Renê Silveira e Silva (Duda) e do camponês Pedro Carretel, todos mortos no mesmo dia, segundo seu testemunho. Outro depoimento indica como possível local de sepultura de Nelson o castanhal Brasil-Espanha. Raimundo Nonato dos Santos, guia mateiro conhecido como Peixinho, informa que Pedro Carretel foi preso por uma equipe de militares guiada por Zé Catingueiro, sendo ferido por um tiro do próprio Zé Catingueiro e que na mesma ocasião Nelito foi morto. Conta também que a operação na qual morreu Nelito e foi capturado Carretel era comandada pelo capitão Rodrigues. Pedro Matos do Nascimento, conhecido por Pedro Mariveti, relata ter conversado, quando preso, com um homem que tinha o apelido de Babão e servia como guia do Exército. Soube por ele que Nelito e "uma japonesinha" teriam sido sepultados na cabeceira da pista de pouso de Bacaba. Em 1974, agentes do DOPS de Salvador invadiram a casa dos irmãos de Nelson, apoderando-se de uma carta onde os seus companheiros de guerrilha informavam de sua morte. O relatório do Ministério da Marinha, em 1993, continha a informação de que Nelson foi "morto em 02 de janeiro de 1974". Esta data é confirmada no livro Bacaba, de autoria do tenente da reserva José Vargas Jiménez, o Chico Dólar, que participou dos combates aos guerrilheiros do Araguaia. ========================================================================================================== + Detalhes. Memorial dos Mortos e Desaparecidos O deputado Emiliano José (PT) e três deputados do PCdoB - Javier Alfaya, Edson Pimenta e Álvaro Gomes -, em conjunto, reapresentaram Projeto de Lei engavetado na Assembléia Legislativa, da autoria de Alice Portugal, criando o Memorial dos Mortos e Desaparecidos Políticos, destinado a reunir informações bibliográficas, fotográficas, pertences e objetos de uso pessoal dos mortos e desaparecidos políticos baianos, no período da ditadura militar. O Projeto de Lei se preocupa em abranger a repressão política de outros períodos da História do Brasil, como a do Estado Novo de Getúlio Vargas, entretanto, o objetivo é homenagear os militantes abatidos pela ditadura militar de 1964-1984. Os patriotas mortos e desaparecidos merecem ser resgatados e reconhecidos oficialmente e estão para a história recente como Tiradentes e Maria Quitéria estão para um passado mais remoto, e estarão para sempre na memória do povo baiano, lê-se na Justificativa do projeto. Entre os 252 mortos e desaparecidos do regime militar, 24 são baianos: Antônio Santa Bárbara, Antônio Carlos Monteiro Teixeira, Aderbal Alves Cordeiro, Carlos Marighella, Dermeval da Silva Ferreira, Dinaelza Santana Coqueiro, Dinalva Oliveira Teixeira, Eudaldo Gomes da Silva, Jorge Leal Gonçalves, José Lima Piauhy Dourado, João Carlos Cavalcanti Reis, Mário Alves de Souza Vieira, Maurício Grabois, Nilda Carvalho Cunha, Nelson Lima Piauhy Dourado, Rosalindo Souza, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgar Angel Jones, Uirassu de Assis Batista, Vandick Reidner Pereira Coqueiro, Valter Ribeiro Novaes, Vitorino Alves Moitinho e José Campos Barreto. ============================================================================================================= + Detalhes. Blog Em Dia Com a Cidadania - por Marcia de Almeida -------------------------------------------------------------------------------- CAMPONÊS QUE AJUDOU EXÉRCITO A MATAR GUERRILHEIROS, AGORA AJUDA EM BUSCAS NO ARAGUAIA 13.07.2009 - 07:30 · Outra área apontada pelo mateiro é Tabocão, na zona rural de São Domingos do Araguaia. Lá estariam enterrados Paulo Mendes Rodrigues, o Paulo, desaparecido em dezembro de 1973. O lugar tampouco aparece no roteiro oficial das buscas. Catingueiro ainda apontou a região de Caçador, também em São Domingos do Araguaia, que foi visitada ontem pela equipe. Segundo o mateiro, o local esconderia ossadas de três guerrilheiros mortos em outubro de 1973: André Grabois, o Zé Carlos; João Gualberto Calatroni, o Zebão; e Antônio Alfredo de Lima, o Alfredo. O camponês disse ter testemunhado a morte em combate de Nelson Lima Piauhy Dourado, o Nelito, quando guiava um grupo de 13 soldados. O corpo teria sido levado de helicóptero para a Fazenda Bacaba, apontada como cemitério clandestino e já visitada pela expedição: - Nós ficamo (sic) no mato e um helicóptero veio buscar. Depois trouxe para Bacaba. ======================================================================================================== FICHA Nelson Lima Piauhy Dourado Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Nelson Lima Piauhy Dourado Cidade: (onde nasceu) Jacobina Estado: (onde nasceu) BA País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 3/5/1941 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 2/1/1974 PA Brasil região do Araguaia Morto em combate. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/BA DOPS/BA ou DEOPS/BA Salvador BA Brasil Biografia Documentos Foto Foto de rosto em capa da pasta de Nelson, da Divisão de Segurança e Informações, da Polícia Civil, do Paraná. Foto Foto original preto e branco de rosto. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política Social, de 20/02/67. Informa que o DOPS nada sabia sobre o paradeiro de Nelson e que, segundo o Serviço Nacional de Informações (SNI), teria viajado para "CHINACOM" (China Comunista). Em relação publicada na imprensa, divulgada pelo Comitê Brasileiro pela Anistia em 11/01/79, Nelson figura como desaparecido. Pedido de busca Documento do Serviço Nacional de Informações (SNI), de 26/01/67, sobre a viagem que Nelson teria feito para CHINACOM (China Comunista). Informa seus dados e documentos pessoais e solicita investigação sobre a entrada de Nelson no país e a sua localização. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110924/2601ed14/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5973 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110924/2601ed14/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14126 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110924/2601ed14/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 24 16:27:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 24 Sep 2011 16:27:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] usineiros incentivam crack para cortadores trabalharem 14 h Message-ID: <2F1081069E464205BE30A1719E071002@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem FONTE: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5360490-EI306,00-SP+usineiros+incentivam+crack+para+cortadores+trabalharem+h.html SP: usineiros incentivam crack para cortadores trabalharem 14 h Ricardo F. Santos, Direto de São Paulo Em algumas plantações de cana-de-açúcar no interior do Estado de São Paulo, existem alguns funcionários que, sonho de qualquer usineiro, conseguem trabalhar cerca de 14 horas por dia sem interrupção. O segredo da produtividade é pequeno, barato e cada vez mais fácil de conseguir: o crack. As consequências para o 'superfuncionário', porém, são conhecidas: após poucos anos, uma saúde devastada e, não raro, a morte. Esse é um dos usos crescentes da droga que mais surpreenderam a Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo. A comissão, formada por 29 parlamentares, fez um levantamento inédito sobre a proliferação do entorpecente no Estado, e o apresentou nesta terça-feira. Segundo o deputado estadual Donisete Braga (PT), as regiões onde a prática é mais comum são Ribeirão Preto, Vale do Ribeira, Pontal, São José do Rio Preto e Alta Paulista, onde há forte indústria sucroalcooleira. "Os funcionários fazem uso da droga para agregar valor físico e aumentar a produção", explicou, acrescentando que, em geral, os trabalhadores são pagos pela produtividade. "Após quatro ou cinco anos, são afastados, demitidos." Como a maioria não possui vínculo formal de trabalho, os trabalhadores nada recebem depois da prestação do serviço, e resta-lhes apenas a saúde debilitada pelo crack. "Há uma liberação do consumo de crack por parte das usinas", afirmou Braga. "Essa prática acontece com plena conivência dos empresários e das autoridades", completou o deputado Major Olímpio (PDT-SP). As informações compiladas pelo levantamento, afirmou Braga, são o primeiro passo para acabar com essa situação. Segundo o parlamentar, a partir delas será possível fiscalizar e acompanhar o uso da droga no Estado, e definir ações de erradicação. A pesquisa feita pela Assembleia abordou políticas públicas, investimentos e programasde combate a drogas, e foi respondida por 325 dos 645 municípios do Estado, que concentram 76% da população. Escrito por Flávio Boleiz Júnior às 11h12 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110924/80c921e6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 51 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110924/80c921e6/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 24 16:27:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 24 Sep 2011 16:27:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Verdade_e_justi=E7a___por_Frei_B?= =?iso-8859-1?q?etto__/_e__Comiss=E3o_da_Meia_Verdade=2C_ou_a_volta?= =?iso-8859-1?q?_da_=22concilia=E7=E3o_nacional=22_de_Tancredo__por?= =?iso-8859-1?q?_Pedro_Estevam_da_Rocha_Pomar?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 23.09.11 - Brasil Verdade e justiça Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Na terça, 13?9, seis ex-ministros de Direitos Humanos -Gregori, Sabóia, Pinheiro, Nilmário, Mamede e Vannuchi- reuniram-se em Brasília com a atual, Maria do Rosário. Na pauta, a Comissão da Verdade (que deveria se chamar da Verdade e da Justiça. Não basta apurar os crimes da ditadura, é preciso punir os responsáveis). Os sete endereçaram carta aos deputados federais em apoio à instalação da Comissão. Frisaram que o Congresso, ao aprovar o projeto de lei, dará substancial contribuição para consolidar a democracia brasileira. A Comissão deverá esclarecer todos os casos de violação dos direitos humanos ao longo do regime militar. "O direito à memória e à verdade é uma conquista que podemos legar ao nosso povo. Nosso desafio hoje é uma corrida contra o tempo: as memórias ainda vivas não podem ser esquecidas, e somente conhecendo as práticas de violação desse passado recente evitaremos violações no futuro", diz a carta. O ministro da Defesa, Celso Amorim, também participou do encontro na Secretaria de Direitos Humanos, o que comprova o assentimento das Forças Armadas ao projeto. O projeto requer modificações. Caso contrário, teremos encenação e não verdadeira apuração. O Artigo 1º reza: "Fica criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade, com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional." Ora, o período fixado no referido Ato vai de 1946 (sic) a 1988, o que denota intenção de desviar o foco das investigações, que deveriam se centrar nos 21 anos de ditadura militar (1964-1985). O Artigo 2º estabelece que "A Comissão Nacional da Verdade, composta de forma pluralista, será integrada por sete membros, designados pelo Presidente da República (...)." Sete pessoas! Pouco para tarefa de tão ampla envergadura: ouvir testemunhos, colher informações, checar dados; acessar documentos, inclusive sigilosos, de posse do Poder Público; promover audiências públicas e convocar qualquer cidadão a prestar depoimento, bem como determinar perícias e diligências para coletar e recuperar informações. Poderão ainda exigir dos órgãos públicos proteção a qualquer pessoa ameaçada por prestar esclarecimentos à Comissão. Reza o projeto que "Os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo." Esta cláusula abre a possibilidade de se acobertar agentes do regime militar que, no período ditatorial, cometeram crimes de Estado, como torturas, sequestros e assassinatos. O Artigo 7º, no § 2º, diz que "A designação de servidor público federal da administração direta ou indireta ou de militar das Forças Armadas implicará a dispensa das suas atribuições do cargo." Eis a janela aberta à indicação de militares da ativa, agentes da Abin ou da Polícia Federal como membros da Comissão, o que é inadmissível. É fundamental o projeto de lei estabelecer critérios e limites à participação de servidores públicos na Comissão, cujos membros, em sua maioria, devem ser representantes da sociedade civil. A Comissão precisa dispor de orçamento próprio, de autonomia financeira, para contratar serviços que se fizerem necessários. Reza o Artigo 11: "A Comissão Nacional da Verdade terá prazo de dois anos, contados da data de sua instalação, para a conclusão dos trabalhos, devendo apresentar, ao final, relatório circunstanciado contendo as atividades realizadas, os fatos examinados, as conclusões e recomendações." Prazo curtíssimo, dado o volume de crimes praticados e as dificuldades que tendem a surgir no decorrer das apurações. O Brasil tem direito à verdade; as vítimas e a nação, à justiça. [Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org - twitter:@freibetto. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)] =============================================================================================================== Comissão da Meia Verdade, ou a volta da "conciliação nacional" de Tancredo Pedro Estevam da Rocha Pomar* Aos desavisados, pode ter parecido que a aprovação do PL 7.376/2010 pela Câmara dos Deputados, na noite de 21 de setembro, foi uma vitória da democracia. Afinal de contas, o projeto impôs uma derrota aos setores de extrema-direita representados por parlamentares como o ex-capitão Jair Bolsonaro. Afinal de contas, dirão os otimistas, conseguiu-se criar a Comissão Nacional da Verdade, antiga reivindicação de ex-presos políticos e de familiares de desaparecidos políticos. Ocorre que a Comissão Nacional da Verdade - na configuração em que foi aprovada e caso o Senado mantenha inalterado o texto do projeto -tende a resultar em mero embuste, um simulacro de investigação, tais as limitações que lhe foram impostas. Será preciso enorme pressão dos movimentos sociais para que ela represente qualquer avanço em relação ao que já se sabe dos crimes cometidos pela Ditadura Militar, e, particularmente, para que obtenha qualquer progresso em matéria de punição dos autores intelectuais e materiais das atrocidades praticadas pelos órgãos de repressão política. A verdade pura e simples é que o acordo mediante o qual o governo aceitou emendas do DEM, do PSDB e até do PPS, mas rejeitou sem apelação e sem remorsos as diversas emendas propostas pela esquerda e pelos movimentos sociais, é a renovação da transição conservadora de Tancredo Neves. O acordo que selou a "conciliação nacional", celebrado nos estertores da Ditadura entre o líder do conservadorismo civil e a cúpula militar, foi preservado por Lula e acaba de ser repaginado e remoçado por Dilma Roussef. Os militares são intocáveis, não importa que crimes tenham cometido, e seus financiadores e ideólogos civis idem. Não foi por outra razão que o líder do DEM, deputado ACM Neto, subiu à tribuna ao final da sessão, minutos antes da votação decisiva, para elogiar "a boa fé e o espírito público" da presidenta da República. "O Democratas está pronto para votar, pronto para dizer sim à História do Brasil", acrescentou gloriosamente. O deputado Duarte Nogueira, líder do PSDB, também comportou-se à altura da ocasião. Depois que o líder do governo, deputado Candido Vaccarezza, dispôs-se a incorporar uma emenda conjunta da deputada Luiza Erundina e do PSOL, Nogueira elegantemente pediu a palavra para objetar e declarar inaceitável o seu teor. Foi o que bastou para o líder do governo imediatamente recuar. Muito sintomático do tipo de acordo que se arquitetou, e do papel que se pretende reservar à Comissão Nacional da Verdade, foram as repetidas homenagens que ACM Neto, Vaccarezza e até o líder do PT, deputado Paulo Teixeira, prestaram ao ex-ministro Nelson Jobim e ao seu assessor José Genoíno. Estes dois personagens foram os leva-e-traz dos altos comandos das Forças Armadas nas "negociações" entre estas e o governo ao qual deveriam prestar obediência. O líder do governo foi mais longe em suas demonstrações de subserviência e chegou a agradecer expressamente aos comandantes militares. Na tribuna, o deputado Paulo Teixeira fraudou a história ao declarar que,"como todos sabem", as violações ditatoriais "foram praticadas entre 1968 e 1980"! Portanto, não houve golpe militar nem qualquer atrocidade entre 1964 e 1968. Gregório Bezerra não foi arrastado seminu pelas ruas de Recife. Os militantes das ligas camponesas não foram executados pela repressão. Comunistas não foram presos e torturados na Bahia. Otenente-coronel aviador Alfeu de Alcântara Monteiro não foi assassinado na Base Aérea de Canoas, e o sargento Manoel Raimundo Soares não foi atirado, de mãos amarradas, nas águas do Guaíba. Nada disso. E, para arrematar, o líder do PT citou a boa tese de Tancredo: a "conciliação nacional", a ser propiciada pela Comissão Nacional da Verdade. O setor da esquerda que embarcou no acordo para manter viva a Ditadura acredita piamente que não é possível, nem desejável, avançar um milímetro em punições, porque a correlação de forças está dada, ad eternum, desde a transição. Nisso, consegue apequenar-se perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que, ao julgar o caso da Guerrilha do Araguaia, decretou que "as disposições da Lei de Anistia brasileira que impedem a investigação e sanção de graves violações de direitos humanos são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos" e que "são inadmissíveis as disposições de anistias, as disposições de prescrição e o estabelecimento de excludentes de responsabilidade, que pretendam impedir a investigação e punição dos responsáveis por graves violações dos direitos humanos, como tortura, as execuções sumárias, extrajudiciárias ou arbitrárias e os desaparecimentos forçados". Mas qual será mesmo a finalidade da Comissão Nacional da Verdade, se contar com apenas sete membros, alguns dos quais poderão ser até militares; se não dispuser de autonomia financeira; se tiver de investigar quatro décadas em apenas dois anos; se for sujeita ao sigilo; e, finalmente, se não puder remeter suas conclusões ao Ministério Público e à Justiça, para que os autores dos crimes e atrocidades cometidos pela Ditadura Militar sejam julgados e processados na forma da lei? A resposta é uma só. Na visão desse setor que envergonha a memória dos heróis tombados na luta contra a Ditadura, ela foi assim enunciada pelo ex-ministro Nilmário Miranda: " -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110924/cbe51328/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 25 13:10:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 25 Sep 2011 13:10:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_m=FAsica_=28blues=2C_mpb_e_etc?= =?windows-1252?q?=2E=29___________________________________________?= =?windows-1252?q?___________________________HOJE_=C9_DOMINGO!___M?= =?windows-1252?q?=DASICAS!?= Message-ID: <809A43B3CF47444E9F06AFABB37AF3CB@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Aos que gostam de música (blues, mpb e etc.), sugiro: http://noschansons.wordpress.com/ últimos posts: Vanessa Da Mata ? Bicicletas, Bolos E Outras Alegrias [2010] Raimundo Fagner & Zeca Baleiro Biquini Cavadão ? Ao Vivo (2005) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110925/bc212b6a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 25 13:10:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 25 Sep 2011 13:10:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__RODOLFO_DE_CARVALHO_TROIANO___________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CCLV-?= Message-ID: <21CEFC2CEB6241E2B6817F1CA8B3B0C8@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem RODOLFO DE CARVALHO TROIANO (1950-1974) Filiação: Geny de Carvalho Troiano e Rodolfo Troiano Data e local de nascimento: 02/04/1950, Juiz de Fora (MG) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 12/01/1974 Mineiro de Juiz de Fora, Troiano participou ativamente do Movimento Estudantil secundarista. Foi preso por ter pichado o Morro do Cristo, naquela cidade, com frases em defesa do socialismo. Cumpriu pena de seis meses no presídio de Linhares (Juiz de Fora). Existe também a informação de que foi preso na cidade de Rubim, região do Jequitinhonha, no norte de Minas. Ao ser posto em liberdade, no final de 1970, em razão da perseguição que lhe moviam os órgãos de repressão, já militando no PCdoB, optou por viver no interior do Pará, na posse de Chega Com Jeito, próximo ao Brejo Grande, no Araguaia. Destacou-se como combatente do Destacamento A, onde usava o nome Manoel ou Mané. No Relatório Arroyo, consta que, "em 25/12/73 estava sendo aguardado no acampamento que sofreu o tiroteio neste mesmo dia por volta de 12:00 hs, deveria chegar à tarde, por isto talvez ainda estivesse vivo". Segundo o Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, foi morto em 12/01/1974. O site www.desaparecidospoliticos.org.br traz uma longa declaração prestada ao Ministério Público Federal, em 06/07/2001, em São Domingos do Araguaia, pelo casal de camponeses Luiz Martins dos Santos e Zulmira Pereira Neres. Reportam aqueles moradores do Araguaia: "cerca de 10 dias após a soltura do declarante, este foi com sua esposa para sua antiga residência no Tabocão; (...) que, pouco tempo depois, viu a chegada, na sua casa, de João Araguaia (Demerval da Silva Pereira), Manoel (Rodolfo de Carvalho Troiano) e Sebastião, adolescente, sobrinho dos declarantes e filho do Zé dos Santos; que João Araguaia e Manoel lhe disseram que tinham vindo entregar o Sebastião para a família; que Sebastião voltou à mata para buscar os seus pertences, enquanto que a declarante foi chamar seu marido e Zé dos Santos; (...) que Manoel tinha aparência amarela, magro e dentuço; que João Araguaia tinha a mesma aparência de antes: forte, trajando bermuda jeans, sem camisa, portando metralhadora e um revólver 38 na cintura; que o declarante ouviu de João Araguaia que este tinha responsabilidade para com o menino Sebastião e por isso estava voltando para entregá-lo à sua família; que Zé dos Santos nem esperou Sebastião, disse que iria ao Brejo Grande pegar um carro para ir (...) avisar aos militares que seu filho havia voltado, já que sabia que este seria preso caso não informasse;(...) Zé dos Santos contou a história e voltou logo com 2 equipes de 12 soldados até a casa dos declarantes no Tabocão; que os militares interrogaram Sebastião e, no dia seguinte, às 4 horas da manhã, com lanternas acesas foram para a mata, levando Sebastião; que, por volta das 6 ou 7 horas da manhã, os declarantes ouviram rajadas de tiros e, logo em seguida, 2 tiros separados; que, em seguida, chegou um soldado de volta da mata, pedindo uma rede; que os declarantes deram-lhe a rede; que, em seguida, os militares e Sebastião voltaram da mata, carregando a rede com um corpo envolto em um saco plástico azul; que os militares jogaram a rede na frente da casa dos declarantes, como se joga um porco, e chamaram Zé dos Santos para cavar a sepultura; que Zé dos Santos cavou a sepultura a 5 metros da frente da casa de seu cunhado, próximo a um tronco grosso caído; que os militares e Sebastião falaram aos declarantes que foi Manoel quem foi morto; (...) que os militares e Sebastião contaram aos declarantes que, após a rajada de tiros, esperaram a fumaça de pólvora subir um pouco e foram fazer a busca; que eles encontraram sangue no chão e foram seguindo o seu rastro; que ao chegarem em um pau atravessado na mata, constataram que Manoel estava deitado em baixo do pau com um tiro nas costas, à altura da cintura, mas ainda vivo; que um dos militares pegou sua FAL, apontou para a cabeça de Manoel, e deu dois tiros. (...). Quase ao mesmo tempo da chegada do corpo, chegou também um helicóptero. Os militares roçaram um mamonal para o helicóptero poder aterrissar entre a casa da mãe da declarante e do seu irmão e levaram no helicóptero os pertences dos guerrilheiros". ============================================================================================================================ + Informações. RODOLFO DE CARVALHO TROIANO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1950, filho de Rodolfo Troiano e de Geny de Carvalho Troiano. Desaparecido no início do ano de 1974, na Guerrilha do Araguaia. Participou ativamente do movimento secundarista. Era louro, magro, usava uma barba cerrada e vasta e não era muito alto. Foi preso, por sua militância no movimento estudantil, na cidade de Rubim e, mais tarde, transferido para o presídio de Linhares, em Juiz de Fora, de onde saiu no final de 1971. Após ser posto em liberdade, optou por ir viver no interior do Pará, na posse do Chega Com Jeito, próximo ao Brejo Grande, no Araguaia. Era conhecido por Mané ou Manoel do "A" por ser combatente do Destacamento A - Helenira Resende - do movimento guerrilheiro. Por ser muito jovem, RodoIfo Troiano tinha pouca experiência: não sabia cozinhar, nem lavar suas roupas. No início, tudo era difícil, o que Ihe valeu o apelido de "desastrado". Com perseverança, conseguiu superar as dificuldades e se destacou como combatente. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto em 12 de janeiro de 1974." O do Ministério do Exército afirma que "foi preso em 69, em São Paulo. Condenado à pena de reclusão e recolhido à Penitenciária de Juiz de Fora, de onde foi libertado em 9/10/71." =============================================================================================== + Informações. do livro Habeas Corpus) RODOLFO DE CARVALHO TROIANO (1950-1974) Mineiro de Juiz de Fora, Troiano participou ativamente do movimento estudantil secundarista. Foi preso por ter pichado o Morro do Cristo, naquela cidade, com frases em defesa do socialismo. Cumpriu pena de seis meses no presídio de Linhares (Juiz de Fora). Existe também a informação de que foi preso na cidade de Rubim, região do Jequitinhonha, ao norte de Minas. Ao ser posto em liberdade, no final de 1970, em razão da perseguição que lhe moviam os órgãos de repressão, já militando no PCdoB, optou por viver no interior do Pará, na posse de Chega com Jeito, próximo a Brejo Grande, no Araguaia. Destacou-se como combatente do Destacamento A, no qual usava o nome Manoel ou Mané. No Relatório Arroyo consta que "em 25/12/73 estava sendo aguardado no acampamento que sofreu o tiroteio neste mesmo dia por volta de 12:00 hs, deveria chegar à tarde, por isto talvez ainda estivesse vivo". Segundo o relatório do Ministério da Marinha, de 1993, Rodolfo foi morto em 12 de janeiro de 1974, data que coincide com o registro do tenente José Vargas Jiménez no livro Bacaba. Em 6 de julho de 2001, em São Domingos do Araguaia, um casal de moradores da região, Luiz Martins dos Santos e Zulmira Pereira Neres, prestou depoimento ao Ministério Público Federal e informou que, após a rajada de tiros, esperaram a fumaça de pólvora subir um pouco e foram fazer a busca; que eles encontraram sangue no chão e foram seguindo o seu rastro; que, ao chegarem em um pau atravessado na mata, constataram que Manoel estava deitado em baixo do pau com um tiro nas costas, à altura da cintura, mas ainda vivo; que um dos militares pegou sua FAL, apontou para a cabeça de Manoel, e deu dois tiros. Em 16 de março de 2010, Mercês de Castro, irmã de Antonio Teodoro de Castro - também desaparecido do Araguaia - com base em informações de moradores, promoveu trabalhos de busca na região do Tabocão que concluíram com a localização de vestígios de restos mortais humanos, como um dente, um osso semelhante ao metacarpo humano e dois pedaços de ossos formando seção semelhante à parte frontal de uma mandíbula. Junto a eles foram encontrados pedaços de corda, de saco de fibra, de tecido, pedaço de sola emborrachada de sapato e fivela metálica. Considerando informações anteriores, existe a possibilidade de que esses despojos sejam de Troiano. Acionado, o Ministério Público Federal enviou esse material para a Polícia Federal, em Brasília. ================================================================================================= + Detalhes. sexta-feira, 24 de setembro de 2010 Rodolfo Troiano - Militante do PCdoB e Desaparecido Político Pouca gente sabe quem foi Rodolfo de Carvalho Troiano em Belo Horizonte, apesar da capital mineira e a capital paulista possuírem uma rua com o nome do militante do PCdoB, vítima da ditadura na década de 70. ? Rodolfo Troiano ? Natural de Juiz de Fora, 1950, Rodolfo, também conhecido por Mané ou Manoel do "A" por ser combatente do Destacamento A - Helenira Resende - do movimento guerrilheiro. Foi preso, por sua militância no movimento estudantil, na cidade de Rubim e, posteriormente, transferido para o presídio de Linhares, em Juiz de Fora, de onde saiu no final de 1971. Mais tarde Rodolfo se juntou ao grupo que seguiu para a região do Araguaia, para começar uma revolução socialista no Brasil. Guerrilha do Araguaia foi um movimento revolucionário criado pelo PCdoB no final da década de 60 e início de 70 cujo objetivo era fomentar uma revolução socialista baseada nas experiências vitoriosas da Revolução Cubana e da Revolução Chinesa. O rio Araguaia, que nasce em Goiás e cortas o Tocantins, foi palco das operações de combate entre os revolucionários e o exército da ditadura. O grupo era composto por cerca de oitenta combatentes, entre ex-estudantes universitários e profissionais liberais. A grande maioria dos foi morta em combate na selva ou executada após sua prisão pelos militares, durante as operações finais, em 1973 e 1974. Mais de cinquenta deles, entre eles Rodolfo, são considerados desaparecidos políticos. Mas a história pode ter um capitulo final nos próximos dias. Esta semana a Policia Federal coletou amostras de irmãos do militante do PCdoB para serem analisadas e confirmar se entre as ossadas encontradas em março deste ano na região do Taboão, município de Brejo Grande do Araguaia (PA), estão os restos mortais de Rodolfo Troiano. O resultado deve sair em duas semanas e a família aguarda ansiosamente para por fim em uma angustia de mais de 36 anos. É muito importante ressaltar que somente no governo Lula a morte de vários militantes foi reconhecida. Encontrar os restos mortais é um direito das famílias e também da sociedade que precisa saber a história do seu país e daqueles que lutaram por mudanças profundas na sociedade. Gilson Reis ===================================================================== + Detalhes. Ex-guia dos militares indica local de ossada que seria do estudante Rodolfo Troiano Ex-guia dos militares indica local de ossada Zé Catingueiro leva missão do Araguaia até lugar onde estariam restos mortais do estudante Rodolfo Troiano O camponês José Maria Alves da Silva, o "Zé Catingueiro", um dos mateiros do Exército durante a Guerrilha do Araguaia (1972-1975), indicou um ponto na localidade de Tabocão, município de Brejo Grande do Araguaia, onde teria sido enterrado um dos integrantes do movimento de oposição armada à ditadura militar (1964-1985). Pelas descrições do mateiro, o corpo pode ser do estudante mineiro Rodolfo de Carvalho Troiano, que adotou o codinome de "Manoel do A", referência ao destacamento onde atuava. O "moço loiro", como descreveu, foi executado em 12 de janeiro de 1974. Catingueiro entrou numa picape acompanhado por Paulo Fonteles Filho, representante do governo do Pará, e por Sezostrys Alves da Costa, da Associação dos Torturados no Araguaia, para indicar a possível sepultura do guerrilheiro, que fica a cerca de 60 quilômetros do município de São Domingos do Araguaia. O Estado acompanhou com exclusividade. A notícia do encontro do local foi comemorada com discrição pelos oficiais do Exército, legistas e geólogos. Depois de 50 quilômetros de rodovia asfaltada, a equipe percorreu 13 quilômetros de estrada de terra e atravessou uma área de pântano e pasto até chegar ao sítio do morador mais antigo do lugar, o agricultor Ademir Nascimento de Souza. Ex-vizinho de Catingueiro, Souza conversou por longo tempo com Fonteles, que o convenceu a contribuir. "É o momento de pacificar. Precisamos encontrar essas pessoas enterradas aqui para olharmos para o futuro", disse Fonteles. "Agora não precisa ter cisma. O perigo já passou. Hoje estamos recordando por outro motivo", emendou Catingueiro. REPRESSÃO Como os carros do grupo ficaram para trás, o agricultor disponibilizou um carro para levar a equipe até um antigo núcleo de casas, derrubadas na época da repressão. Chegando lá, Catingueiro mostrou a Fonteles tocos que serviam de base para uma das casas. Perto de um tronco caído de castanheira e uma mangueira, a 30 metros de um córrego, o corpo do guerrilheiro "loiro" e "alto", segundo descrições do mateiro, foi enterrado. Catingueiro morava no Tabocão até o começo dos combates entre comunistas e militares, em 1972. Um dos recrutados pela guerrilha, ele mudou de lado e passou a ser mateiro do Exército após ser preso e torturado. Segundo ele, o guerrilheiro sepultado no Tabocão passou a noite numa das casas. Ao sair pela manhã, foi surpreendido por uma patrulha militar. Capturado vivo, foi executado. Em princípio, se cogitou que o guerrilheiro enterrado ali era o gaúcho Paulo Mendes Rodrigues, o Paulo, que foi morto no combate do Natal de 1973, duas semanas antes da queda de Manoel do A. Segundo o general Mário Lúcio Alves de Araújo, responsável pela logística dos trabalhos, dos 14 pontos previstos para escavações, oito já foram visitados. Leonencio Nossa - O Estado de São Paulo ======================================================================= FICHA Rodolfo de Carvalho Troiano Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Rodolfo de Carvalho Troiano Cidade: (onde nasceu) Juiz de Fora Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) /1950 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Mané, Manoel do A Prisão: Rubim MG Brasil 0/0/1969 São Paulo SP Brasil Segundo Relatório do Ministério do Exército. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1974 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Desaparecido 12/1/1974 Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110925/d11f634f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1914 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110925/d11f634f/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 14475 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110925/d11f634f/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 25 13:10:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 25 Sep 2011 13:10:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Greve_Nacional_dos_Banc=E1rios?= =?iso-8859-1?q?=2E_BANC=C1RIOS_DECIDEM_POR_GREVE=2C_A_PARTIR_DE_3?= =?iso-8859-1?q?=AA_FEIRA?= Message-ID: <14A542F972C74DB989A837D6B19EC3E1@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Waldemar BANCÁRIOS DECIDEM POR GREVE, A PARTIR DE 3ª FEIRA Peço a colaboração da militância e de toda a classe trabalhadora para a greve da categoria bancária que se inicia na próxima 3ª feira (27/09). Paguem as contas com antecedência. Seguem abaixo os motivos que nos levam a greve pelo 8º ano consecutivo. Somente no 1º semestre deste ano de 2011, lucros dos maiores bancos foram da ordem de R$ 27,4 bilhões, aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior; Piso salarial da categoria bancária não chega a 3 salários mínimos. Para efeito de comparação com vizinhos do cone sul: Brasil - piso de US$ 735,29; Argentina - piso de US$ 1.432,21; Uruguai - US$ 1.039,00. Há que se recordar também de que no Brasil a diferença entre o que ganha um executivo de banco ganha 400 vezes mais do que o piso de ingresso na categoria ! Bancários(as) reivindicam reajuste de 12,8% (bem abaixo e tímido ante a lucratividade média do setor: 26%), contudo a banqueirada ofereceu apenas 8%, o que dá um "montante" de apenas 0,39% de aumento real. No período compreendido entre os anos de 1995 a 2006, 181 trabalhadores(as) bancários(os) se suicidaram, média de 1 suicídio a cada 20 dias ! Como há subnotificação, esse número pode ser até maior, chegando a números reais de 226 a 271 casos, o que traria uma incidência de um suicídio a cada 16 ou 13 dias respectivamente (SANTOS, Marcelo Augusto Finazzi. Patologia da Solidão: o suicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho. Dissertação de mestrado apresentada a FACE-UNB, 2009). E ainda que não se possa afirmar que somente o trabalho é responsável por tal anomia, tampouco se pode descartar o elemento suicidogênico presente na organização do trabalho e modelo de gestão dos bancos. Enfim, bancário(a) vive na barbárie ! Reitero a solidariedade de tod at s ! Edilson Montrose de Aguiar Jr. Diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região INTERSINDICAL - Bancários na Luta "No ventre de Maria, Deus se fez homem. E na carpintaria de José, Deus também se fez classe" (Dom Pedro Casaldáliga) "Contra a intolerância dos ricos, a intransigência dos pobres. Não se deixar cooptar, não se deixar esmagar. Lutar Sempre ! ... Ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo." (Florestan Fernandes) "Todo mundo deve ser intelectual e militante ao mesmo tempo. É difícil, não é certa a saída, mas é certo que o mundo será o que fizermos" (Immanuel Wallerstein) __._,_.___ o. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110925/94e6f220/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110925/94e6f220/attachment.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 26 20:27:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 26 Sep 2011 20:27:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__15_maneiras_de_potencializar_seu?= =?iso-8859-1?q?_metabolismo_______________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMEN?= =?iso-8859-1?q?TA=C7=C3O!?= Message-ID: <171B1E3E7D954113BD4276B4C98072DD@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 15 maneiras de potencializar seu metabolismo Por Bruno Calzavara Não! Esse artigo não lhe dá dicas de dietas malucas para perder peso em duas horas. Trata-se de maneiras simples e eficazes de deixar sua vida mais saudável e potencializar o metabolismo de seu corpo. Se isso levar ao emagrecimento, que assim seja. Por exemplo, você pode perder peso mais rápido, melhorando o processo de queima de gordura do seu corpo. Mesmo antes de você começar a se exercitar, você pode usar muitos truques para eliminar a gordura visceral - aquela que se instala nas vísceras, entre os órgãos vitais - e começar a perder peso rapidamente. 1 - Não faça dieta! Depois de todos esses anos, você agora descobrirá a verdade: o segredo para uma dieta bem sucedida não é comer menos, mas sim comer mais - mais alimentos com alta densidade nutricional - para mantê-lo satisfeito durante o dia todo. Isso é importante porque a restrição de comida mata o seu metabolismo. Ela faz com que seu corpo pense: "Ei, estou morrendo de fome aqui!" - o que provoca a redução de sua taxa metabólica, a fim de reter as reservas de energia existentes. O que é pior, se a escassez de alimentos (ou seja, sua dieta extrema) continuar, você vai começar a queimar tecido muscular ao invés da gordura visceral. Seu metabolismo cai ainda mais, e a gordura passa a reivindicar um território ainda maior. 2 - Vá para cama mais cedo Um estudo realizado na Finlândia observou pares de gêmeos idênticos e descobriu que os gêmeos que dormiam menos apresentavam maior nível de estresse e tinham mais gordura visceral. Ou seja, nada de mergulhar madrugada adentro tuitando e cuidando de sua plantação de tomates no facebook. Assim que chegar ao fim do item 15, boa noite! 3 - Coma mais proteína Seu corpo precisa de proteínas para manter a massa muscular magra. No estudo realizado em 2006, chamado "O papel subestimado do músculo na saúde e na doença", publicado na Revista Americana de Nutrição Clínica, os pesquisadores argumentaram que a presente dose diária recomendada de proteína - 0,36 gramas por quilo de peso corporal - foi criada utilizando dados obsoletos e é totalmente inadequada. Os cientistas recomendam uma quantidade entre 0,8 e 1 grama por quilo de peso corporal. Adicione 85 gramas de carne magra, duas colheres de sopa de nozes ou 225 gramas de iogurte de pouca gordura a cada refeição ou lanche. 4 - Coma alimentos orgânicos o máximo que você puder Pesquisadores canadenses relataram que pessoas que estão de dieta e apresentam alto nível de organoclorados (pesticidas poluentes, que são armazenados em células de gordura) experienciam uma queda maior do que o normal no metabolismo, talvez porque as toxinas interfiram no processo de queima de energia. Em outras palavras, pesticidas tornam mais difícil a tarefa de perder alguns quilos. Outras pesquisas sugerem que os pesticidas podem ainda mesmo provocar ganho de peso. É claro que nem sempre é fácil de encontrar - ou de ter dinheiro para pagar - todos os tipos diferentes de produtos orgânicos. Então, você precisa saber quando ser orgânico faz bastante diferença - e quando não é assim tão importante. Cebola, abacate, toranja? Não é necessário. Opte pelos orgânicos na compra de aipo, pêssego, morango, maçã, nectarina, pimentão, verduras, espinafre, couve, cereja, batata. ufa! E uvas importadas, pois elas tendem a ter níveis mais elevados de pesticidas. Uma regra simples: se você pode comer a casca, escolha o orgânico. 5 - Levante-se A diferença entre ficar sentado ou em pé no local de trabalho pode desempenhar um papel importante na sua saúde. Em um estudo, pesquisadores descobriram que a inatividade (4 horas ou mais sentado) acarreta quase a parada de uma enzima que controla o metabolismo da gordura e do colesterol. Para manter essa enzima ativa e aumentar a queima de gordura, levante-se da cadeira de tempos em tempos. Vale qualquer coisa, ir até a mesinha do café, dar um pulo no banheiro ou mesmo ficar de pé enquanto fala ao telefone. 6 - Beba água gelada Pesquisadores alemães descobriram que beber seis copos de água fria por dia (cerca de 1,4 litros) pode aumentar o metabolismo de repouso em cerca de 50 calorias diárias, o suficiente para perder 5 quilos em um ano. O aumento pode vir do trabalho que o organismo tem para aquecer a água à temperatura do corpo. Embora o excesso de calorias que você queima ao beber um único copo não faz muita diferença, tornando-se um hábito, você pode perder algum quilinhos com praticamente zero de esforço adicional. 7 - Coma pimenta Descobriu-se que a capsaicina, o composto que dá à pimenta malagueta sua característica picante, também pode aquecer o seu metabolismo. Comer cerca de uma colher de sopa de pimenta vermelha ou verde aumenta a produção de calor do seu corpo, assim como a atividade do sistema nervoso simpático (responsável pelo nossa resposta de luta ou fuga). O resultado: um aumento do metabolismo temporário de cerca de 23%. Abasteça-se de pimenta para acrescentar às refeições, e mantenha um pote de pimenta vermelha em pó na mão para pizzas, massas e frituras. 8 - Tome café da manhã Tomar café da manhã dá um salto inicial no metabolismo e mantém a energia alta o dia todo. Não é por acaso que aqueles que pulam essa refeição têm 4,5 vezes mais chances de serem obesos. E quanto mais abundante for sua primeira refeição, melhor. Em um estudo publicado pela Revista Americana de Epidemologia, os voluntários que consumiram de 22% a 55% de seu total de calorias diárias no café da manhã engordaram apenas 770 gramas, em média, durante 4 anos. Aqueles que comeram de 0% a 11%, ganharam mais de 1,3 quilos - quase o dobro. 9 - Beba chá ou café A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central: sua ingestão pode acelerar seu metabolismo em cerca de 5% a 8%, o que equivale a 98 ou 174 calorias por dia. Uma xícara de chá fervido pode aumentar seu metabolismo em até 12%, de acordo com um estudo japonês. Os cientistas acreditam que as catequinas - fitonutriente da família dos polifenois - do chá antioxidante fornecem o impulso. 10 - Ataque gordura com fibra Fibra pode acelerar a queima de gordura em até 30%. Estudos constataram que quem come mais fibras ganha menos peso ao longo do tempo. Tenha como meta comer 25 gramas de fibras por dia, em cerca de três porções de frutas e legumes. 11 - Coma alimentos ricos em ferro O ferro é essencial para a carregar o oxigênio de que seus músculos precisam para queimar gordura. A menos que você reabasteça continuamente seu estoque, você corre o risco de sofrer com baixa energia e um metabolismo lento. Mariscos, carnes magras, feijões e espinafre são fontes excelentes de ferro. 12 - Ingira mais vitamina D A vitamina D é essencial para a preservação do tecido muscular. Infelizmente, pesquisadores estimam que apenas 20% dos estadunidenses ingerem quantidade suficiente da vitamina em sua dieta. Adquira 90% do seu valor diário recomendado comendo 100 gramas de salmão. Outras boas fontes: atum, leite, cereais e ovos. 13 - Tome leite Há evidências de que a deficiência de cálcio pode reduzir o metabolismo. Pesquisas mostram que o consumo de cálcio em alimentos lácteos, como leite desnatado e iogurte de baixo teor de gordura, também podem reduzir a absorção de gordura dos outros alimentos. 14 - Coma melancia O aminoácido arginina, abundante na melancia, pode promover a perda de peso. Pesquisadores completaram a dieta de camundongos obesos com arginina durante três meses e constataram que isso reduziu os ganhos de gordura corporal em incríveis 64%. A adição deste aminoácido na dieta aumentou a oxidação de gordura e de glicose e aumentou a massa muscular magra, o que queima mais calorias do que a gordura. Resumo da ópera: coma melancia e outras fontes de arginina, como mariscos, nozes e sementes durante todo o ano. 15 - Mantenha-se hidratado Todas as reações químicas do seu corpo, incluindo o seu metabolismo, dependem da água. Se você está desidratado, você pode estar queimando até 2% a menos de calorias. Cientistas acompanharam a taxa metabólica de dez adultos que bebiam quantidades variadas de água por dia. No estudo, aqueles que bebiam oito ou doze copos d'água por dia apresentaram maior taxa metabólica do que aqueles que bebiam quatro.[BBC] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/f23de135/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 22866 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/f23de135/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 65594 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/f23de135/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28619 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/f23de135/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 26 20:27:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 26 Sep 2011 20:27:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__LUIZ_REN=CA_SILVEIRA_E_SILVA__________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CCLVI-?= Message-ID: <17566276385B4C1099681E86A732FA19@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem LUIZ RENÊ SILVEIRA E SILVA (1951-1974) Filiação: Lulita Silveira e Silva e René de Oliveira e Silva Data e local de nascimento: 15/07/1951, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre 19/janeiro e março/1974 Estudante carioca, cursou o primário e o secundário no Instituto Lafayette. Em 1970, ingressou na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, abandonando o curso no ano seguinte. Tinha apenas 19 anos quando tomou a decisão de ir para o Araguaia, já militante do PCdoB, ficando conhecido na região como Duda. Com seu jeito calado, estava sempre atento aos relatos dos companheiros mais experientes. Apesar de ter cursado apenas o 1° ano, dedicava-se à medicina, além de estudar política e economia. Em 1980, sua mãe, Lulita Silveira e Silva, foi à Escola de Medicina e Cirurgia à procura de uma fotografia de Luiz René e encontrou sua ficha escolar com a foto arrancada. Informaram que havia sido retirada por agentes dos órgãos de segurança. Como em muitos outros casos de mortes ou desaparecimentos durante a guerrilha do Araguaia, existem distintas versões e datas a respeito de Luiz René. Na apresentação do caso anterior, já se informou que os procuradores do Ministério Público Federal colheram depoimentos de moradores do Araguaia indicando que Luiz René e Hélio foram presos juntos, estando apenas Hélio ferido. Já as informações colhidas por Cirene Barroso, mãe de Jana Moroni Barroso, também junto aos moradores do Araguaia, apontam que Luiz teria sido preso em uma casa de camponeses, com a perna quebrada por um tiro e levado para a base militar de Bacaba (PA), no início de 1974. Segundo o Relatório Arroyo, "No dia 19/01/74, Ângelo e Zezinho se separaram de Luiz Renê Silveira e Hélio. Hélio e Luiz Renê nunca mais foram vistos". No site www.desaparecidospoliticos.org.br/araguaia estão arquivados vários outros depoimentos. Conforme já visto na apresentação do caso Maria Célia Corrêa, a Rosinha, o ex-guia Vanu teria presenciado a execução de Luiz René: "um helicóptero aterrisou trazendo três prisioneiros: Antônio de Pádua, o Piauí, Luís René da Silva, o Duda, e Maria Célia Corrêa, a Rosinha. Um oficial ordenou que os presos, todos com os olhos vendados, saíssem do avião e andassem cinco passos em direção ao rio, com as mãos na cabeça. Em seguida, centenas de tiros foram disparados contra eles. Foi horroroso: as cabeças dos guerrilheiros ficaram totalmente destruídas, cheias de miolos e sangue exposto - lembrou Vanu, ressaltando que desta vez os próprios soldados enterraram os corpos em valas próximas à cabeceira do rio, onde hoje fica o lote de Antônio Branco" Outros depoimentos indicam que Duda teria sido morto em bombardeio no castanhal Brasil-Espanha, onde seus restos mortais estariam enterrados, versão corroborada por Pedro Moraes da Silva, que informou ter conhecido Duda: "cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, que hoje é a Fazenda Brasil-Espanha, que viu Duda, quando passou em frente da casa do Vanu no tempo em que o declarante lá morava, amarrado e seguido por mais ou menos 20 soldados do Exército, fardados; que os pulsos de Duda já estavam sem pele em razão das cordas que o amarravam; que reconheceu a ossada de Duda, em virtude da camisa esticada em cima de uma árvore e pelos ossos da perna que eram compridos por ser Duda muito alto; que o declarante pegou no crânio e viu um buraco de bala no meio da testa". Outro depoimento registra que Luiz René teria sido preso na casa de um camponês em São Geraldo. Agenor Moraes da Silva, também ex-guia do Exército, testemunha que "Duda foi pego na região do Chega com Jeito; (...) viu o Duda preso, algemado, dentro de uma sala; que o Duda foi levado para a mata, porque descobriram que ele teria um encontro com a Cristina (...) que o declarante ficou sabendo que a Cristina foi morta naquele dia; que viu Duda sentado no Bacaba, que estava numa sala, com as mãos algemadas para trás; que um empregado do restaurante do Bacaba disse que iriam levar o Duda ao encontro de Cristina e outros guerrilheiros, já que os guerrilheiros tinham encontro marcado entre eles de 15 em 15 dias, para planejar novas ações. Manoel Leal de Lima, o Vanu, também declara que chegou a ver presos o Piauí, o Duda e o Pedro Carretel; que esses três foram transformados em guia; que esses três foram mortos no final da guerra no Bacaba; que o depoente acompanhou a equipe mas se separou antes deles serem mortos, só ouviuos tiros e uns quinze dias depois viu os corpos numa toca". O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, registra que Luiz René foi morto em combate, em Xambioá, em março de 1974. ===================================================================================================================================== + Informações. LUIZ RENÉ SILVEIRA E SILVA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nascido a 15 de julho de 51, na cidade do Rio de Janeiro, filho de René de Oliveira e Silva e Lulita Silveira e Silva. Desaparecido da Guerrilha do Araguaia aos 23 anos Cursou o primário e o secundário no Instituto La Fayette. Em 1970, ingressou na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, abandonando o curso no ano seguinte. Contava apenas 20 anos quando tomou a decisão de ir para o Araguaia. Com seu jeito calado, estava sempre atento aos relatos dos companheiros mais experientes. Reclamava sempre mais a sua participação nos trabalhos mais defíceis. Apesar de ter cursado apenas o 1° ano de medicina, dedicava-se bastante ao estudo, pois, como dizia", se não me formei na cidade, serei médico formado na Universidade do Araguaia. "Compreendia que os conhecimentos de saúde ser-lhe-iam importantes. Mas sua dedicação ao estudo não se restringia apenas à medicina; gostava de estudar política e economia e não era raro vê-lo lendo jornais velhos que serviam de papel de embrulho ou que os companheiros traziam quando vinham da cidade. Em 1980 sua mãe foi à Escola de Medicina e Cirurgia para conseguir sua fotografia e encontrou sua ficha escolar com a foto arrancada sendo informada que a mesma havia sido retirada por agentes de segurança. Segundo informações colhidas por Cirene Barroso, mãe de Jane Barroso (desaparecida) junto aos moradores da região do Araguaia, Luiz foi preso em casa de camponeses, com a perna quebrada por projétil de arma de fogo e levado para a base militar de Bacaba (PA), no início do ano de 1974. O Relatório do Ministério da Marinha à Comissão diz que "Luiz René foi morto em combate em março/74." ============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) LUIZ RENÉ SILVEIRA E SILVA (1951-1974) Carioca, René ingressou em 1970 na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, abandonando o curso no ano seguinte. Tinha apenas 19 anos quando tomou a decisão de ir para o Araguaia, já militante do PCdoB, ficando conhecido na região como Duda. Com seu jeito calado, estava sempre atento aos relatos dos companheiros mais experientes. Apesar de ter cursado apenas o primeiro ano, dedicava-se à medicina, além de estudar política e economia. Em 1980, sua mãe, Lulita Silveira e Silva, foi à Escola de Medicina e Cirurgia à procura de uma fotografia de Luiz René e encontrou sua ficha escolar com a foto arrancada. Informaram que havia sido retirada por agentes dos órgãos de segurança. Existem controvérsias a respeito de Luiz René. Segundo os depoimentos colhidos pelo Ministério Público Federal junto a moradores do Araguaia, ele teria sido preso com seu companheiro Hélio. Porém, Cirene Barroso, mãe da guerrilheira Jana Moroni Barroso, que também procurou pessoas da região, diz que Luiz teria sido preso em uma casa de camponeses, com a perna quebrada por um tiro e levado para a base militar de Bacaba (PA), no início de 1974. Segundo o Relatório Arroyo, "no dia 19/01/74, Ângelo e Zezinho se separaram de Luiz Renê Silveira e Hélio. Hélio e Luiz Renê nunca mais foram vistos". No site www.desaparecidospoliticos.org.br/araguaia há um depoimento do ex-guia Vanu, que teria presenciado a execução de Luiz: Um helicóptero aterrissou trazendo três prisioneiros: Antônio de Pádua, o Piauí, Luiz René da Silva, o Duda, e Maria Célia Corrêa, a Rosinha. Um oficial ordenou que os presos, todos com os olhos vendados, saíssem do avião e andassem cinco passos em direção ao rio, com as mãos na cabeça. Em seguida, centenas de tiros foram disparados contra eles. Foi horroroso: as cabeças dos guerrilheiros ficaram totalmente destruídas, cheias de miolos e sangue expostos. Vanu disse também que os soldados enterraram os corpos em valas próximas à cabeceira do rio. Outros depoimentos indicam que Duda teria sido morto em bombardeio no castanhal Brasil-Espanha, onde seus restos mortais estariam enterrados, versão corroborada por Pedro Moraes da Silva, irmão de Zé da Onça, que informou ter conhecido Duda, "cujo corpo foi jogado em castanhal na região Gameleira, que hoje é a Fazenda Brasil-Espanha". Pedro acrescentou que estava trabalhando na fazenda Brasil-Espanha junto com seu tio Raimundo Ribeiro quando encontraram as ossadas. Ele diz "que reconheceu a ossada de Duda, em virtude da camisa esticada em cima de uma árvore e pelos ossos da perna que eram compridos por ser Duda muito alto; que o declarante pegou no crânio e viu um buraco de bala no meio da testa". Outro depoimento registra que Luiz teria sido preso na casa de um camponês em São Geraldo. Agenor Moraes da Silva, também ex-guia do Exército, testemunha que: Duda foi pego na região do Chega com Jeito; [...] viu o Duda preso, algemado, dentro de uma sala; que o Duda foi levado para a mata, porque descobriram que ele teria um encontro com a Cristina [...] que o declarante ficou sabendo que a Cristina foi morta naquele dia; que viu Duda sentado no Bacaba, que estava numa sala, com as mãos algemadas para trás; que um empregado do restaurante do Bacaba disse que iriam levar o Duda ao encontro de Cristina e outros guerrilheiros, já que os guerrilheiros tinham encontro marcado entre eles de 15 em 15 dias, para planejar novas ações. Manoel Leal de Lima, o Vanu, também declara que chegou a ver presos o Piauí, o Duda e o Pedro Carretel; que esses três foram transformados em guia; que esses três foram mortos no final da guerra no Bacaba; que o depoente acompanhou a equipe mas se separou antes deles serem mortos, só ouviu os tiros e uns quinze dias depois viu os corpos numa toca. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, registra que Luiz René foi morto em combate, em Xambioá, em março de 1974. Já o tenente José Vargas Jiménez, em seu livro Bacaba, assinala a data de 24 de janeiro de 1974. Documentação de 1º de julho de 2009 ,preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra 24 de março de 1974 como a data de sua morte. ================================================================================================ + Informações. Luiz René Silveira e Silva Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nascido a 15 de julho de 1951, na cidade do Rio de Janeiro, filho de René de Oliveira e Silva e Lulita Silveira e Silva. Desaparecido da Guerrilha do Araguaia aos 23 anos Cursou o primário e o secundário no Instituto La Fayette. Em 1970, ingressou na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, abandonando o curso no ano seguinte. Contava apenas 19 anos quando tomou a decisão de ir para o Araguaia. Com seu jeito calado, estava sempre atento aos relatos dos companheiros mais experientes. Reclamava sempre mais a sua participação nos trabalhos mais defíceis. Apesar de ter cursado apenas o 1° ano de medicina, dedicava-se bastante ao estudo, pois, como dizia", se não me formei na cidade, serei médico formado na Universidade do Araguaia. "Compreendia que os conhecimentos de saúde ser-lhe-iam importantes. Mas sua dedicação ao estudo não se restringia apenas à medicina; gostava de estudar política e economia e não era raro vê-lo lendo jornais velhos que serviam de papel de embrulho ou que os companheiros traziam quando vinham da cidade. Em 1980 sua mãe foi à Escola de Medicina e Cirurgia para conseguir sua fotografia e encontrou sua ficha escolar com a foto arrancada sendo informada que a mesma havia sido retirada por agentes de segurança. Segundo informações colhidas por Cirene Barroso, mãe de Jane Barroso (desaparecida) junto aos moradores da região do Araguaia, Luiz foi preso em casa de camponeses, com a perna quebrada por projétil de arma de fogo e levado para a base militar de Bacaba (PA), no início do ano de 1974. Aos 19 anos, em maio de 1971, Luiz René deixou o estágio e os livros do segundo ano do curso de medicina, destruiu seus retratos recentes e partiu. Só 20 meses depois, René e Lulita, seus pais, souberam que ele estava na região do Araguaia e que o seu grupo estava cercado pelo exército. Luiz René participou do movimento estudantil e integrou-se aos quadros do Partido Comunista do Brasil, optando pela estratégia da luta no campo. Em 1970, com a finalidade de melhor se instruir para a realização de seu trabalho de conscientização e assistência da população do interior do país, fez um curso de obstetrícia na Santa Casa e estagiou no Hospital Carlos Chagas, onde comprovou as precárias condições do atendimento médico prestado à população brasileira. Entre 1971 e 1973, época em que esteve no Araguaia, mandou três cartas para casa, nas quais informava estar bem, trabalhando muito e satisfeito com sua escolha, em todas as cartas pedia à família que as rasgassem. A partir de 1973 as informações sobre seus passos são incertas e desconexas. Em 1975, a família inicia a busca desesperada por informações sobre o seu paradeiro. Após a confirmação pelo PCdoB de que Luiz tinha ido para o Araguaia, foram contactados familiares de outros desaparecidos. Como ninguém sabia o que havia ocorrido, os familiares começaram a se organizar nos Comitês Brasileiros pela Anistia. Em reportagem da Revista Manchete de outubro de 1988, Lulita, sua mãe, declarou que: "Eu não acredito que se vá realmente fazer justiça. Todas as pessoas que estavam envolvidas (militares) ainda estão por perto, no poder. Estes processos envolvem muitas pessoas graúdas. Mas nós brigamos hoje pelos direitos dos nossos filhos e netos. Brigamos para que eles tenham a liberdade de falar e poder filiar-se a qualquer partido ou entidade". Sobre seu filho, afirmou que "ele era um idealista, um garoto de 19 anos que só pensava em consertar o mundo, quando abandonou a escola de medicina, no segundo ano e decidiu ir para o campo. (...) o que havia aprendido de medicina era o bastante, porque as doenças do campo são as verminoses. O objetivo dele era dar assistência às pessoas e mostrar-lhes os seus direitos." Seu pai morreu em 1986 e sua mãe, sete anos depois sem receberem nenhuma informação oficial sobre o que lhe aconteceu. O reconhecimento oficial do desaparecimento de Luiz só veio em 1995, com a Lei 9.140/95, quando foi considerado morto, embora, até hoje, não tenham sido esclarecidas as circunstâncias da sua morte, nem o corpo devolvido à família. De Luiz René não ficaram retratos, salvo o que sobrou na carteira escolar. Em 1975, ao buscar fotografias do filho desaparecido, sua mãe foi à Faculdade de Medicina mas informaram-lhe que todas as fotos tinham sido retiradas pela polícia. Nascido no Rio de Janeiro, no dia 15 de julho de 1951. Este ano Luiz completaria 50 anos. Passados seis anos desde a edição da Lei 9.140/95, na qual o governo comprometeu-se a elucidar as circunstâncias das mortes dos opositores à ditadura militar, não obteve-se nenhuma resposta oficial sobre as mortes e os desaparecimentos ocorridos naquela época. Em fevereiro de 2001, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA publicou um relatório recomendando ao governo brasileiro a realização de investigações sobre a Guerrilha do Araguaia, com base na denúncia encaminhada pelo GTNM/RJ, pelo CEJIL e pela Comissão de Familiares dos Mortos de Desaparecidos Políticos. Julho de 2001 - Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II. - Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982. - Relatório Arroyo: 30/12/73 - Estava vivo. No dia 19/01/74, Ângelo e Zezinho se separaram de Luiz Renê Silveira e Hélio. Hélio e Luiz Renê nunca mais foram vistos. - Relatório do Ministério Exército: Filho de Renê de Oliveira e Silva e de Lulita Silveira e Silva, nascido em 15 Jul. 51, no Rio de Janeiro/RJ. Militante do PC do B, participou ativamente da guerrilha do Araguaia em 1971, onde integrava o Destacamento A, utilizando-se dos codinomes Pedro e Duda. - Relatório do Ministério da Marinha: - Set./73 - foi deslocado para o "campo" durante guerrilha rural/PC do B. Mar 74 - foi morto em combate em Xambioá. - Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B e guerrilheiro do Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morto ou desaparecido no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão. Depoimentos - Revista da Ordem dos Advogados do Brasil - anos X/XI - Vols XII/XIII - set./dez./ 1980 - jan./abr./ 1981 - n.ºs 27/28. "... José da Luz Filho, lavrador, que teve seu pai preso durante sete meses em Marabá, contou que: Quando o Exército chegou a 1a vez, matou a Fátima. Ela está enterrada a 100 metros das "oito barracas". O Zé Carlos e o Seu Antônio e um outro morreram também. Eles estavam matando um porco e quando colocavam a carne nas matulas foram metralhados pelas costas. O guia que acompanhava a patrulha era o Ranu, foi o próprio Ranu que me contou ... O Velho Mário morreu quando comia carne de sol, encostado numa árvore. Todos os que estavam com ele morreram também. Foi na Barra das Andorinhas. Pegaram a Rosinha e levaram ela pra Bacaba. A Cristina e o Nelito foram presos e levados pra Bacaba. O Josias se entregou em São Geraldo. O Duda também foi entregue em São Geraldo. Depois o Piauí se entregou também. O João Araguaia também se entregou na casa da minha madrinha Nazaré Rodrigues de Souza. O Exército ficou com eles vivos... José da Luz Filho explicaria ainda que o 'se entregar' consistia na busca de contato com lavradores, que estavam com suas casas guarnecidas por tropas. Amaro Lins, inclusive, prestou valioso testemunho. Narrando sua história contou que ao ser preso pela terceira vez, no primeiro trimestre de 74, viu presos Áurea Valadão e Daniel Callado, ambos em perfeito estado de saúde. Afirmou que Áurea Valadão estava presa no quartel da 23a Brigada de Infantaria de Selva, em Marabá; e Daniel Callado, na base de operações anti-guerrilha do Exército, em Xambioá. Mas de tantas interrogações, uma deixou-nos varados de angústia. Onde estão os que foram presos, vivos? Dina, Áurea, Daniel, Rosinha, Lia, Nelito, Cristina, Josias, Duda, João Araguaia, dezenas talvez, onde estão?" - O Globo - Rio de Janeiro - 02/05/96 - 1o caderno - págs. 8, 9 e 10 - "Ex-guia mostra onde os corpos foram enterrados", pág. 8, artigo assinado por Amaury Ribeiro Jr.; "De Xambioá a Marabá, o roteiro dos cemitérios", pág. 9; "Moradores contam a prisão e a morte de guerrilheiros", artigo assinado Amaury Ribeiro Jr., pág. 10. "Um mês depois, quando guiava o mesmo pelotão às margens do Igarapé do Gameleira, Vanu presenciaria as cenas descritas por ele como as mais violentas que viu em toda a sua vida: um belicóptero aterrisou trazendo três prisioneiros: Antônio de Pádua, o Piauí, Luís Renê da Silva, o Duda, e Maria Célia Corrêa, a Rosinha. Um oficial ordenou que os presos, todos com os olhos vendados, saíssem do avião e andassem cinco passos em direção ao rio, com as mãos na cabeça. Em seguida, centenas de tiros foram dispados contra eles. - Foi horroroso: as cabeças dos guerrilheiros ficaram totalmente destruídas, cheias de miolos e sangue expostos - lembrou Vanu, ressaltando que desta vez os próprios soldados enterraram os corpos em valas próximas à cabeceira do rio, onde hoje fica o lote de Antônio Branco. (...)" Homenagens: - Nome da antiga Rua 18, no Residencial Cosmo I, em Campinas, com início na antiga Av. 03 Cid. Sat Íris e término na antiga Av. 04 Cid. Sat. Íris - Lei nº 9497, de 20/11/97. 94 - Homenageado pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, Comitê Chico Mendes, OAB/RJ (Ordem dos Advogados do Brasil), Articulação do Solo Urbano, Casa da Cidadania, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST/RJ) e Clube de Engenharia com a Medalha Chico Mendes de Resistência - 1999 ================================================================================================ FICHA Luiz Renê Silveira e Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz Renê Silveira e Silva Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 15/7/1951 Atividade: Estudante universitário Universidade Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Prisão: 0/0/1974 PA Brasil região do Araguaia, em casa de camponeses Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1974 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Desaparecido 0/3/1974 Brasil Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Foto original e preto e branco de busto. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/bef3a3e1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4813 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/bef3a3e1/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/bef3a3e1/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 73619 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110926/bef3a3e1/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 27 20:32:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 27 Sep 2011 20:32:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CILON_DA_CUNHA_BRUM__________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCLVII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem CILON DA CUNHA BRUM (1946-1974) Filiação: Eloah Cunha Brum e Lino Brum Data e local de nascimento: 03/02/1946, São Sepé (RS) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 27/02/1974 Gaúcho de São Sepé, iniciou seus estudos no Rio Grande do Sul e se transferiu posteriormente para São Paulo, onde ingressou no curso de Economia da PUC e atuou no Movimento Estudantil, sendo eleito presidente do Diretório Acadêmico da Economia e dirigente do Diretório Central dos Estudantes. Ao mesmo tempo, trabalhou na MPM publicidade. Seu último contato com a família foi em junho de 1970, quando esteve em Porto Alegre e revelou para seus irmãos que estava com problemas políticos e que poderia ser preso a qualquer momento. Militante do PCdoB, foi deslocado em 1971 para uma localidade junto ao rio Gameleira, no Araguaia, sendo conhecido como Simão ou Comprido. Conforme o relatório Arroyo, "em out./72 passou a vice-comandante do dest. B". Estava junto com Osvaldão na localidade de Couro Dantas quando foi morto o cabo Rosa, primeiro militar a ser abatido pelos guerrilheiros, em maio de 1972. O relatório do Ministério da Marinha informa que, "em set./73 - era chefe do Grupo Castanhal do Dest. B. Morto em 27/02/74". Pedro Ribeiro Alves, conhecido como 'Pedro Galego' testemunhou, em depoimento ao Ministério Público Federal, em São Geraldo do Araguaia, em 19/07/01, ter visto vivos, no acampamento do Exército em Xambioá, os guerrilheiros Batista, Áurea, Simão (Cilon da Cunha Brum) e Josias. Em documento elaborado pela ABIN em 21/02/2005, em resposta a um requerimento da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, consta que Cilon, "foi militante do PCdoB, fez curso de guerrilha na região de Marabá/PA. Em set. 72, seu nome integrou uma relação de procurados pelo Departamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do II Exército (DOI-CODI/II Ex)". O livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, apresenta uma foto de Cilon já preso, agachado junto a um grupo de militares, e relata: "Em uma das passagens por Xambioá, o soldado Adolfo da Cruz Rosa conheceu o guerrilheiro Simão, preso pelos militares. O esquerdista andava solto pela base das Forças Armadas montada nos arredores da cidade. Sem algemas, mas vigiado, bombeava água para o acampamento por ordem dos comandantes. Alto, branco, Simão estava com Osvaldão na refrega em que morreu o cabo Rosa. Havia dúvida sobre quem deu o tiro fatal. Colegas estimulavam Adolfo a matar o comunista e vingar a morte do irmão. O soldado dizia que considerava a idéia um absurdo. Adolfo e Simão conversaram várias vezes. Uma vez o irmão do cabo Rosa quis tirar a dúvida. 'Você matou meu irmão?' 'Não, não fui eu.' Mais, Simão não disse. Perguntado sobre a responsabilidade de Osvaldão, nada respondeu. O tempo passou. Um dia, ao voltar de uma missão, Adolfo percebe a ausência do preso. Alguém diz que foi levado para Brasília. Mentira. Simão, indefeso, foi morto na mata". Em 2003, na 49ª Feira do Livro de Porto Alegre, a deputada do PCdoB Jussara Cony participou do lançamento da obra Para não esquecer o Araguaia - em memória do gaúcho Cilon. O livro foi escrito pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria, Diorge Konrad, trazendo depoimentos da vereadora Tânia Leão, de São Sepé, autora da lei que deu o nome Cilon Cunha Brum a uma praça naquela cidade. ============================================================================================================================== + Informações. CILON DA CUNHA BRUN Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 3 de fevereiro de 1946, em São Sepé, Rio Grande do Sul, filho de Lino Brun e Eloá Cunha Brun. Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia aos 28 anos. Iniciou seus estudos no Rio Grande do Sul, mudando-se posteriormente para São Paulo, onde ingressou no curso de Economia da PUC. Participava ativamente do movimento estudantil, sendo eleito Presidente do Diretório Acadêmico e para o DCE/PUC. Perseguido pela repressão política, foi viver na região do Araguaia, onde participou do movimento guerrilheiro. Visto pela última vez por seus companheiros, no dia 25 de dezembro de 1973, antes do ataque das Forças Armadas ao acampamento onde estavam. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "participou de um combate próximo a 'Couro Dantas' com elementos do Exército Brasileiro, resultando em um morto e um ferido... Morto em 27 de fevereiro de 1974." ================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) CILON DA CUNHA BRUM (1946-1974) Natural de São Sepé, no Rio Grande do Sul, transferiu-se para São Paulo, onde ingressou no curso de Economia da PUC e atuou no movimento estudantil. Seu último contato com a família foi em junho de 1970, quando esteve em Porto Alegre e revelou para seus irmãos que estava com problemas políticos e que poderia ser preso a qualquer momento. Militante do PCdoB, foi deslocado em 1971 para uma localidade próxima ao rio Gameleira, no Araguaia, onde era conhecido como Simão ou Comprido. Conforme o Relatório Arroyo, "em out./72 passou a vice-comandante do Dest. B". Estava junto com Osvaldão na localidade de Couro Dantas quando foi morto o cabo Rosa, primeiro militar a ser abatido pelos guerrilheiros, em maio de 1972. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, informa que "em set./73 era chefe do Grupo Castanhal do Dest. B. Morto em 27/02/74". Essa data é confirmada no livro Bacaba. Em documento elaborado pela Abin em 21 de fevereiro de 2005, consta que Cilon "foi militante do PCdoB, fez curso de guerrilha na região de Marabá/PA". Relatório da Operação Sucuri, de maio de 1974, confirma a morte de Cilon sob um de seus codinomes, Flávio. O livro Operação Araguaia apresenta uma foto dele já preso, agachado junto a um grupo de militares, e relata: Em uma das passagens por Xambioá, o soldado Adolfo da Cruz Rosa conheceu o guerrilheiro Simão, preso pelos militares. O esquerdista andava solto pela base das Forças Armadas montada nos arredores da cidade. Sem algemas, mas vigiado, bombeava água para o acampamento por ordem dos comandantes. Alto, branco, Simão estava com Osvaldão na refrega em que morreu o cabo Rosa. Havia dúvida sobre quem deu o tiro fatal. Colegas estimulavam Adolfo a matar o comunista e vingar a morte do irmão. O soldado dizia que considerava a ideia um absurdo. Adolfo e Simão conversaram várias vezes. Uma vez o irmão do cabo Rosa quis tirar a dúvida. 'Você matou meu irmão?' 'Não, não fui eu.' Mais, Simão não disse. Perguntado sobre a responsabilidade de Osvaldão, nada respondeu. O tempo passou. Um dia, ao voltar de uma missão, Adolfo percebe a ausência do preso. Alguém diz que foi levado para Brasília. Mentira. Simão, indefeso, foi morto na mata". De acordo com o advogado Paulo Fonteles Filho, representante do governo do Pará no GT Tocantins, e Sezostrys Alves da Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, preso, Cilon ficou a maior parte do tempo na Base da Consolação. Foi executado, junto com Antônio Theodoro (Raul), na Fazenda Estrela do Araguaia. Os corpos ficaram expostos por alguns dias e depois foram enterrados na própria fazenda pelo gerente Zezão. Em 2003, na 49ª Feira do Livro de Porto Alegre, foi lançado o livro Para não esquecer o Araguaia - em memória do gaúcho Cilon, escrito pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria, Diorge Konrad. ================================================================================================= Detalhes. 09/01/2010 | Diário de Santa Maria SÃO SEPÉ Nas pegadas do guerrilheiro Sobrinha de Cilon Brum vai à região onde ocorreu a Guerilha do Araguaia em busca de dados para documentário A história ouvida desde criança em casa vai virar filme. Mas não é uma história fruto do imaginário de uma criança. Trata-se de uma história real com drama, angústia, sofrimento, medo e espera. Esses ingredientes fazem parte do documentário In Memoriam: Antes do Passado, sobre a trajetória do guerrilheiro Cilon Cunha Brum, de São Sepé, que será dirigido por sua sobrinha Liniane Haag Brum. Para isso, a publicitária atravessou o país atrás de informações. O estudante de Economia esteve com a família, pela última vez, em 1971, justamente no batizado de Liniane, que era bebê na época. Depois, ele desapareceu sem deixar pistas. Agora, ela tenta refazer os passos do tio do Rio Grande do Sul até a Região do Araguaia. ? Eu era uma criança quando comecei a absorver essa história (do desaparecimento), sussurrada e captada em meio a um clima de medo e insegurança. Em 2003, já adulta, morando em São Paulo e trabalhando com cinema e televisão, decidi reabilitar a trajetória de Cilon ? contou ela. Entre o final de dezembro de 2009 e o começo de janeiro deste mês, Liniane percorreu cidades de Tocantins, na Região Centro Oeste, e do sul do Pará, no norte do país, colhendo subsídios para reconstruir a trajetória do tio. Cilon teria morrido no município de Brejo Grande, no Pará, durante a Guerilha do Araguaia ? combate entre militantes do PC do B e militares do Exército, na época da ditadura. Nessa cidade e em outros locais, a afilhada do guerrilheiro conheceu pessoas que tiveram contato com o único guerrilheiro da Região Central. ? É impressionante, a história está muita viva para as pessoas ? disse Liniane, por telefone. Essas pessoas fizeram relatos, segundo ela, sobre a perseguição do Exército aos guerrilheiros. Em Brejo Grande, Liniane encontrou uma moradora que chegou a hospedar Cilon em sua casa. Conforme Liniane, o tio teria deixado a residência ao perceber a aproximação dos soldados. A afilhada de Cilon contou com o apoio de moradores de cada local para chegar até as pessoas que conheceram o guerrilheiro. O medo delas em tocar na guerrilha foi uma das dificuldades encontradas por ela para fazer o trabalho: ? As pessoas têm medo de serem presas. Há muitos boatos. Com as informações em mãos, Liniane pretende voltar aos dois Estados, mas, desta vez, com a equipe para fazer as gravações. Ela já tem mais de 15 horas de depoimentos colhidos no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Alguns deles foram em São Sepé. Detalhes ? Os Brum viveram mais de 35 anos sem respostas para o desaparecimento do estudante. Só em junho de 2009 é que eles tiveram conhecimento de detalhes sobre a morte de Cilon. Em entrevista ao Jornal O Estado de S. Paulo, o oficial do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, ex-chefe da repressão na região do Araguaia, admitiu que pelo menos 41 guerrilheiros capturados foram executados. Entre eles, o sepeense. Os detalhes cruéis da morte de Cilon, entretanto, foram trazidos pela Veja. Com a identidade preservada na reportagem, um militar revelou que Cilon foi fuzilado, aos 28 anos, em 5 de março de 1974. Até então, sua família acreditava que ele teria morrido em combate com os militares em 25 de dezembro de 1973. Em São Sepé, a família construiu um túmulo no jazigo da família à espera do corpo de Cilon Cunha Brum. Na cidade, ainda há uma praça em homenagem ao guerrilheiro ============================================================================================================== + Detalhes. 06/07/2009 | SÃO SEPÉ Revelações dos porões da guerrilha Após 35 anos, família descobre como morreu Cilon Brum Depois de mais de 35 anos de angústia, uma família de São Sepé começa a obter as respostas que tanto procura para a morte do estudante Cilon Cunha Brum na guerrilha do Araguaia ? combate entre militantes do PCdoB e militares do Exército, em plena Ditadura. Há duas semanas, o oficial do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, ex-chefe da repressão na região do Araguaia, admitiu em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que os militares executaram pelo menos 41 guerrilheiros capturados pelas Forças Armadas. Entre eles, o único guerrilheiro da Região Central que atuou na Guerrilha do Araguaia: o sepeense Cilon Cunha Brum, conhecido como Cumprido. Os detalhes cruéis do assassinato do estudante de economia, no entanto, foram revelados na semana passada pela revista Veja, que entrevistou um militar que integrou a equipe de Curió e teria participado da execução de três guerrilheiros. Com a identidade preservada na reportagem, o militar, que pertencia ao quadro de inteligência das Forças Armadas, relatou que o sepeense morreu junto com outro estudante: o cearense Antônio Teodoro de Castro, conhecido como Raul. Colocado diante de um pelotão de fuzilamento, Cilon teria tombodo, aos 28 anos, às margens da antiga rodovia PA-70, na região onde hoje fica o Estado do Tocantins. Teria sido no dia 5 de março de 1974. Os corpos dele e de Raul, segundo revelou o militar entrevistado por Veja, teriam sido tapados com galhos e deixados no mesmo local onde ocorreu o fuzilamento, depois de uma tentativa frustrada de fazer uma vala para enterrá-los. Mais tarde, segundo a reportagem, o dono da área, um fazendeiro, teria enterrado o que sobrou dos corpos. ? Sabíamos que ele estava morto, mas saber que ele foi fuzilado é dolorido demais. Ele não foi morto em combate. Ele foi preso e executado, o que é um crime muito maior ? afirmou Lino Brum, irmão de Cilon, à Agência RBS. Desde 1975, quando teve fim a guerrilha, a família de Cilon buscava informações sobre a morte e a localização do corpo do estudante. Sobre Cilon, os Brum acreditavam que ele havia sido morto em combate contra os militares no dia 25 de dezembro de 1973. No entanto, pelos arquivos de Curió e pelo depoimento do militar à Veja, Cilon foi executado pelo pelotão de fuzilamento. No cemitério municipal de São Sepé, a família construiu um túmulo na esperança de um dia encontrar o corpo de Cilon. Já o enterro simbólico ocorreu em 1996, quando veio a confirmação oficial de sua morte. ? A reivindicação que as famílias continuam fazendo é descobrir o corpo para dar sepultura. Queremos que os culpados sejam punidos ? conclui Lino, que hoje mora na Capital. A GUERRILHA - Em 1966, sob o comando do PCdoB, militantes começaram a se dirigir para a região do Araguaia, hoje Tocantins. O objetivo era derrotar o regime militar instalado no Brasil - Entre 1970 e 1972, os militantes já estavam no Araguaia, incluindo Cilon Cunha Brum e mais três gaúchos (José Huberto Bronca, Paulo Mendes Rogrigues e João Carlos Sobrinho), que se incorporaram ao grupo nos anos 70 - Em 1972, o grupo é descoberto pelo Exército, que inicia o combate. A guerrilha durou até janeiro de 1975. Mais de 20 mil militares combateram os guerrilheiros MAIS Homenagem Em 2003, Cilon Cunha Brum recebeu uma homenagem em São Sepé. A praça foi batizada com seu nome ====================================================================================================================== + Detalhes. Tese 1 UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS CENTRO DE ... bdtd.unisinos.br/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=304 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat Para não esquecer Araguaia: em memória do gaúcho Cilon 1973-2003. 267 Relato de Zauri Leão Melo no texto Somos da Vila Tatsch. In:CONY, Jussara. Para não ====================================================================================================================== + Detalhes. Sem perdão Diário de Santa Maria Edição nº 2228 Santa Maria/RS, 04/07/2009. ARTIGO Sem perdão Nas últimas semanas, a imprensa nacional deu destaque às entrevistas concedidas ao jornal Estado de São Paulo (25/06/2009) e à revista Veja (1°/07/2009), pelo major Sebastião Curió. Nas reportagens, Curió revela as atrocidades que praticou, junto com subordinados, na denominada Guerrilha do Araguaia, ocorrida na primeira metade da década de 1970, na região norte do país. O major Curió revelou à imprensa nacional que foi responsável pelos assassinatos e pelas execuções de 41 jovens e conta, inclusive, com requintes de crueldade como executou Antonio Toleto de Castro (Raul) e Cilon Cunha Brum (Simão), ambos com 28 anos na época. As revelações feitas não são novidades para os familiares dos jovens executados na guerrilha. Porém, essas revelações, feitas por um dos comandantes da operação militar, são aterrorizantes para qualquer pessoa de consciência política mediana e geram sentimentos das mais variadas naturezas, como, revolta, raiva, desprezo, indignação e até mesmo vergonha. Revolta pelas atrocidades cometidas contra quase uma centena de jovens que lutavam por um ideal e queriam um Brasil democrático, justo e igualitário; raiva porque tudo que foi feito violenta os mais básicos princípios de respeito à vida e à dignidade humana, afrontando a ordem jurídica; revolta e indigna pela gravidade e pela forma como os jovens foram executados; vergonha porque, desde os primórdios da civilização, os familiares têm o direito de dar sepultura digna a seus entes. Em nosso país, quase um centena de pessoas executadas não teve direito a uma sepultura digna. Desprezo é que sentimos por toda essa gentalha, que praticou inúmeras atrocidades e hoje se protege na Lei de Anistia Política, ou mesmo no manto abominável do anonimato. Na qualidade de irmão de Cilon Cunha Brum, um dos que foram executados e insepultos, resumo nesses sentimentos o que seus irmãos e demais familiares sentem. Os fatos narrados pelo major Curió podem parecer ficção ou pesadelo, mas não são. Agora, após quase 40 anos, são os algozes que revelam em detalhes o acontecido. Esses torturadores/assassinos não poderão ficar no esquecimento e não merecem o perdão. Os verdadeiros democratas do Brasil jamais darão anistia a essa gentalha de todas as patentes. Cabe a nós lembrarmos que os jovens brasileiros mortos e executados no Araguaia, assim como vários assassinatos realizados pela ditadura militar, foram considerados, por mais de 20 anos, desaparecidos políticos ou, como define a Corte Interamericana de Direitos Humanos, tiveram o desaparecimento forçado. Desde 1994, como o reconhecimento das mortes, eles passaram de desaparecido político para mortos escondidos. LINO BRUM FILHO|Jornalista ================================================================================================================= FICHA Cilon da Cunha Brun Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Cilon da Cunha Brun Cidade: (onde nasceu) São Sepé Estado: (onde nasceu) RS País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 3/2/1946 Atividade: Estudante universitário Universidade Pontifícia Universidade Católica/São Paulo PUC Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Simão, Comprido, Gaúcho, Edu, Guedes, Guido, Leo Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia Segundo companheiros. Clandestinidade Desaparecido 27/2/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Exército Brasileiro EB Brasil Biografia Documentos Foto Foto original e preto e branco de Cilon no time MPM Propaganda, antes de um jogo. Interrogatório Documento do II Exército. Traz dados pessoais de Cilon e fotografia de rosto. Informa que o mesmo fez treinamento de guerrilha na região de Marabá, residindo num "aparelho" em Gameleira, conseguiu pessoas para o PC do B e que era oriundo do Partido Comunista Brasileiro (PCB/RS). Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110927/54590c88/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6437 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110927/54590c88/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110927/54590c88/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 27 20:32:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 27 Sep 2011 20:32:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_A_=C3=BAnica_luta_que_se_perde_=C3=A9_?= =?utf-8?q?a_que_se_abandona=2E=2E=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Suzana Lisbôa To: suklisboa at gmail.com Sent: Tuesday, September 27, 2011 3:52 PM Subject: A única luta que se perde é a que se abandona... versão atualizada para assinar escreva para: sindicato.adv at terra.com.br com cópia para pedro.pomar at gmail.com Camaradas, Segue em anexo o Manifesto, com relação de assinaturas atualizada até o meio-dia de hoje. Entre os novos signatários figura o sr. Francisco Buarque de Holanda. abraços, Pedro Pomar --------- Pedro Estevam da Rocha Pomar (11) 3091-4465/4466 e 8568-1925 Mudar o PL 7.376 para que a Comissão da Verdade apure os crimes da Ditadura Militar com autonomia e sem sigilo O PL 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional daVerdade, está prestes a ser votado no Senado em regime de urgência urgentíssima*. A aprovação do PL 7.376/2010 sem qualquer alteração, como quer a presidenta Dilma Roussef, terá como resultado uma Comissão Nacional daVerdade enfraquecida, incapaz de revelar à sociedade os crimes da Ditadura Militar que governou o país entre 1964 e 1985. Nós, representantes de associações de ex-presos e perseguidos políticos, grupos de familiares de vítimas da Ditadura Militar, grupos de direitos humanos e outras entidades engajadas na luta pela democratização do Brasil, pressionaremos o Parlamento e lutaremos até o fim para que sejam alterados diversos dispositivos deletérios do PL 7.376/2010. Caso esses dispositivos sejam mantidos no texto, farão da Comissão Nacional da Verdade uma farsa e um engodo. O texto atual do projeto estreita a margem de atuação da Comissão, dando-lhe poderes legais diminutos, fixando um pequeno número de integrantes, negando-lhe orçamento próprio; desvia o foco de sua atuação ao fixar em 42 anos o período a ser investigado (de 1946 a 1988!), extrapolando assim em duas décadas a já extensa duração da Ditadura Militar; permite que militares e integrantes de órgãos de segurança sejam designados membros daComissão, o que é inaceitável. Além disso, o texto atual do PL 7.376/2010 impede que a Comissão investigue as responsabilidades pelas atrocidades cometidas e envie as devidas conclusões às autoridades competentes, para que estas promovam a justiça. Reiteramos, assim, as seguintes considerações, que constam de documento com milhares de assinaturas, encaminhado em junho deste ano à presidenta Dilma Roussef: Para que tenhamos uma Comissão que efetive a Justiça: ?o período de abrangência do projeto de lei deverá ser restrito ao período de 1964 a 1985; ?a expressão ?promover a reconciliação nacional? seja substituída por ?promover a consolidação da Democracia?, objetivo mais propício para impedir a repetição dos fatos ocorridos sob a ditadura civil-militar; ?no inciso V, do artigo 3º, deve ser suprimida a referência às Leis: 6.683, de 28 de agosto de 1979; 9.140, de 1995; 10.559, de 13 de novembro de 2002, tendo em vista que estas leis se reportam a períodos históricos e objetivos distintos dos que devem ser cumpridos pela Comissão Nacional da Verdade e Justiça. ?o parágrafo 4°, do artigo 4°, que determina que ?as atividades da Comissão Nacional da Verdade não terão caráter jurisdicional ou persecutório?, deve ser substituído por nova redação que delegue à Comissão poderes para apurar os responsáveis pela prática de graves violações de direitos humanos no período em questão e o dever legal de enviar suas conclusões para as autoridades competentes; Para que tenhamos uma Comissão de verdade: ?o parágrafo 2°, do artigo 4º que dispõe que ?os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo?, deve ser totalmente suprimido pela necessidade de amplo conhecimento pela sociedade dos fatos que motivaram as graves violações dos direitos humanos; ?o artigo 5°, que determina que ?as atividades desenvolvidas pela Comissão Nacional da Verdade serão públicas, exceto nos casos em que, a seu critério, a manutenção do sigilo seja relevante para o alcance de seus objetivos ou para resguardar a intimidade, vida privada, honra ou imagem de pessoas?, deve ser modificado, suprimindo-se a exceção nele referida, estabelecendo que todas as atividades sejam públicas, com ampla divulgação pelos meios de comunicação oficiais. Para que tenhamos uma Comissão da Verdade legítima: ?os critérios de seleção e o processo de designação dos membros da Comissão, previstos no artigo 2º, deverão ser precedidos de consulta à sociedade civil, em particular aos resistentes (militantes, perseguidos, presos, torturados, exilados, suas entidades de representação e de familiares de mortos e desaparecidos); ?os membros da Comissão não deverão pertencer ao quadro das Forças Armadas e órgãos de segurança do Estado, para que não haja parcialidade e constrangimentos na apuração das violações de direitos humanos que envolvem essas instituições, tendo em vista seu comprometimento com o princípio da hierarquia a que estão submetidos; ?os membros designados e as testemunhas, em decorrência de suas atividades, deverão ter a garantia da imunidade civil e penal e a proteção do Estado. Para que tenhamos uma Comissão com estrutura adequada: ?a Comissão deverá ter autonomia e estrutura administrativa adequada, contando com orçamento próprio, recursos financeiros, técnicos e humanos para atingir seus objetivos e responsabilidades. Consideramos necessário ampliar o número atual de sete (7) membros integrantes da Comissão, conforme previsto no Projeto Lei 7.376/2010. Para que tenhamos uma verdadeira consolidação da Democracia: ?concluída a apuração das graves violações e crimes, suas circunstâncias e autores, com especial foco nos casos de desaparecimentos forçados ocorridos durante o regime civil-militar, a Comissão de Verdade e Justiça deve elaborar um Relatório Final que garanta à sociedade o direito à verdade sobre esses fatos. A reconstrução democrática, entendida como de Justiça de Transição, impõe enfrentar, nos termos adotados pela Escola Superior do Ministério Público da União, ?o legado de violência em massa do passado, para atribuir responsabilidades, para exigir a efetividade do direito à memória e à verdade, para fortalecer as instituições com valores democráticos e garantir a não repetição das atrocidades?. A presidenta Dilma Roussef poderá passar à história como aquela que ousou dar início a uma investigação profunda dos crimes da Ditadura Militar, como subsídio para a punição dos agentes militares e civis que praticaram torturas e assassinatos e promoveram o terrorismo de Estado, bem como sustentáculo indispensável da construção da memória, verdade e justiça em nosso país. Esperamos que ela faça a escolha certa. Esperamos que o PL 7.376/2010 receba emendas e, desse modo, surja uma Comissão Nacional da Verdade digna desse nome. Brasília, 19 de setembro de 2011 *O texto foi atualizado em relação à versão original, lançada antes da votação do projeto na Câmara dos Deputados. Assinam este Manifesto: Agildo Nogueira Junior Alberto Henrique Becker Alessandra Gasparotto Alexandre Carvalho Leme Almo Jorge Debom Jr. Álvaro Fernandes Sobrinho Amabel Crysthina Mesquita Mota Américo Astuto Rocha Gomes Ana Lucia Marchiori Ana Paula de Castro Ana Maria de Castro Ana Paula Cavalcanti Ana Paula D. L. de Oliveira, familiar de Flávio de Carvalho Molina Andréia Orsato Anelino J. Resende Angela Mendes de Almeida Anibal Ribeiro Cavali Antonio Carlos Fon Antônio Donizete Ferreira Antônio Fernandes Neto Aluizio Palmar Arthur Pires de Camargo Ary Normanha Aton Fon Filho Augusto Antônio Viveiros Junior Bernardo Vianna Marques Cerdeira Betânia de Moraes Alfonsin Camila Garcia Coelho Candida Guariba Carlos Alberto Sagranichiny Carlos Henrique Mayr Jr, familiar de Frederico Eduardo Mayr Carlos Lichtsztejn Carlos Ricardo da Silva Carlos Russo Jr. Carlos Wagner Alcantara Caiuá Cardoso Al-Alam Celso Carvalho Molina, familiar de Flávio de Carvalho Molina Cesar Augusto Teles Cesar Cavalcanti Chico Buarque de Holanda Clarckson Messias A. Nascimento Clarice Herzog Clarisse Figueiredo Cláudio Carvalho Molina, familiar de Flávio de Carvalho Molina Claudio Gutierrez Clelia de Mello, familiar de Alceri Maria Gomes da Silva Cloves Alexandre de Castro Clóvis Petit de Oliveira, familiar de Maria Augusta, Jaime e Lucio Petit Conceição R. Menezes Criméia Alice Schmidt de Almeida, familiar de André Grabois Danilo Silva Barbosa Dayse Marques de Souza Débora Silva, Movimento Mães de Maio Denise de Castro Denise Santana Fon Derlei Catarina De Luca Dirceu Travesso, Presidente estadual do PSTU Dirlei L. da Fonseca Divo Guisoni Dulce Maia de Souza Edson Amaral Edson Luiz de Almeida Teles Eduardo Almeida Efraim Gomes de Moura Eliane Tejera Lisbôa, familiar de Luiz Eurico Tejera Lisbôa Eliete Ferrer Elvio Ricardo Porto Silveira Elzira Vilela Emilio Rafael Galland Mira y Lopez Emmanuel O. da Silva Elisabetta Santoro, professora da FFLCH-USP Ernesto Gradella, ex-deputado federal Evanildo Souza Expedito Solaney, CUT Nacional Fabio Bosco Fátima Cristóvão Fátima da Silva Fernandes Fausto Salvadori Fernando A. S dos Santos Flávia Kneipp Molina Velasco, familiar de Flávio de Carvalho Molina Francisco dos Reis Ferreira Frei Betto Genilda Alves Gert Schinke Gilberto Antonio Gomes Gilberto Carvalho Molina, familiar de Flávio de Carvalho Molina Gilberto Pereira de Souza Gina Couto Glauco Marques Guilherme Fonseca Heder Sousa, Coordenação de DH do PSOL Heitor Fernandes Filho Helena Maria de Souza Helenalda Rezende de Souza Nazareth, familiar de Helenira Nazareth Heloísa Daruiz Borsari Heloisa Greco Igor Martins Coelho Almeida Ivanildo de Souza Janaina de Almeida Teles Janete Moro Jean Pierre Leroy João C. Schmidt de A. Grabois, familiar de André e Maurício Grabois João Felipe Silva Fleming João Preis, familiar de Arno Preis João Ricardo Oliveira Soares José Cantídio de Souza Lima José Eduardo Figueiredo Soares Braunschwiger José Keniger José Maria de Almeida, Presidente do PSTU José Welmowicki Julia Maria Eid Karin Andréia Bottini Kenarik Boujikian Felippe, juíza de direito Laura Petit da Silva, familiar de Maria Lucia, Jaime e Lucio Petit Lílian Irene Queiroz Lincoln de Abreu Penna, historiador Lorena Morone Girão Barroso, familiar de Jana Morone Barroso Lucia Vieira Caldas, familiar de Mário Alves Lúcia Rodrigues Luciana Araújo Luciana Nogueira Nóbrega Luisa Kneipp Molina, familiar de Flávio de Carvalho Molina Luiz Carlos Prates Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Junior Luiza Mafalda Peixoto Magno de Carvalho Marcelo Santa Cruz, irmão de Fernando Santa Cruz Marcos Margarido Marcelo Zelic, vice-presidente do GTNM-SP Márcia Kneipp Molina, familiar de Flávio de Carvalho Molina Maria Amélia de Almeida Teles Maria do Céu de Lima Maria Cezira Maria Esmeralda da Cruz Forte Maria Cecília Nascimento Garcia Maria Edma Valquer Maria Helena Fontana Maria Valéria Sarmento Coelho da Paz Mario R. Pires de Camargo Marisa dos Santos Mendes Maria do Socorro Diógenes Maristela Monteiro Pereira, advogada Mauro Ailton Puerro Nádia de Castro Nair Benedicto Nazareno de Deus Godeiro Nei Tejera Lisbôa, músico, familiar de Luiz Eurico Tejera Lisbôa Neusa Terezinha do Nascimento Oraldo Soares Paiva Orlando Bonfim, familiar de Orlando da Rosa Bonfim Orlando José Luciano Pablo Biondi Paula Kneipp Molina, familiar de Flávio de Carvalho Molina Paulo Afonso Salgado Aguena Paulo Silveira Melo Sobrinho Patrícia Rocha de Figueiredo Pedro César Batista Pedro Estevam da Rocha Pomar Rosângela Botelho da Costa Rachel Moreno, Observatório da Mulher Rafael dos Santos da Silva Raquel Macruz Raymundo Alves Dias Raul Silva Telles do Valle Reinaldo Morano Filho Ricardo Pereira de Oliveira Ricardo Tavares Affonso Rita Freire, Ciranda da Comunicação Rita Ronchetti, Articulação Mulher e Mídia Risomar Fassanaro Roberto Nery Jr. Rodrigo de Azevedo Weimer, doutorando em História (UFF) Rodrigo de Medeiros Silva Rosa de Lourdes Azevedo dos Santos Rubens Pires de Camargo Rubenvado Silva, Presidente do Sindalesc Salete Henrique Sebastião Carlos Pereira Filho Sheila Cristina Santos Suzana Keniger Lisbôa, familiar de Luiz Eurico Tejera Lisbôa Tania Pacheco Tarcisio Eberhardt Terezinha de Oliveira Gonzaga Terezinha Vicente Tiago de Castro Togo Meirelles Netto, familiar de Tomaz Antonio Meirelles William Wollinger Brenuvida Valério Arcary Vânia Viana Vera Lucia Kneipp Molina, familiar de Flávio de Carvalho Molina Vera Maria de Mendonça Barros Victor Madeira Victoria Grabois, familiar de André e Mauricio Grabois e Gilberto O. Maria Walber Nogueira da Silva Waldo Mermelstein Zenilda Francisca Vital Associação Brasileira de Rádios Comunitárias- Regional São Paulo Associação Filhos de Aruanda Associação dos Geógrafos Brasileiros Central Única dos Trabalhadores- CUT Nacional Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis ? CDHGF Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos Coletivo Contra a Tortura-São Paulo Coletivo Merlino Comitê Catarinense Pró-Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos Conselho Comunitário da Barra da Lagoa (Florianópolis) CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular) Espaço Patricia Galvão - Diadema Federação Interestadual dos T. em Radiodifusão e Televisão (FITERT) Grupo Tortura Nunca Mais de Foz do Iguaçu Grupo Tortura Nunca Mais-Rio de Janeiro Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (Minas Gerais) Instituto Sedes Sapientiae Movimento Mães de Maio- SP Movimento Sindicatoépralutar! - JorHumornalistas de São Paulo Observatório das Violências Policiais- PUC São Paulo Organização Não Governamental Caá-oby Primado Organização Federativa de Umbanda e Candomblé do Brasil Sindicato dos Advogados de São Paulo Rede Social de Justiça e Direitos Humanos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110927/8f5ba5a5/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 28 20:19:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 28 Sep 2011 20:19:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__DANIEL_RIBEIRO_CALLADO_______________?= =?iso-8859-1?q?______________________-CCLVIII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem DANIEL RIBEIRO CALLADO (1940 - 1974) Filiação: América Ribeiro Callado e Consueto Ferreira Callado Data e local de nascimento: 16/10/1940, São Gonçalo (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 28/06/1974 Operário metalúrgico, fluminense de São Gonçalo, concluiu aos 16 anos o curso de ajustador no SENAI e iniciou a vida profissional trabalhando na empresa Hime, hoje incorporada ao grupo Gerdau, naquela cidade. Convocado para o serviço militar no Exército, continuou exercendo sua profissão naquela Arma, de onde requereu baixa como 3º sargento. A seguir, foi trabalhar nos estaleiros Cacrem e abandonou o emprego em 06/04/1964, devido à perseguição política desencadeada pelo regime militar. Havia ingressado no PCdoB em 1962. O Relatório do Exército, de 1993, registra que "esteve na China, provavelmente realizando curso de guerrilha". Não existem informações sobre o ano em que se deslocou para o Araguaia, onde ficou conhecido como Doca e possuía, em sociedade com Paulo Rodrigues, um barco a motor, o "Carajá", utilizado para comercializar roupas e utensílios diversos junto à população ribeirinha. No relatório do Ministério da Marinha, de 1993, constam as seguintes informações sobre Daniel: "Participou de greves, campanha de eleição sindical, comícios, ato no Rio em homenagem aos chineses, passeatas e comício durante a revolução em Niterói. Foi cursar guerrilha na China, passando pela URSS e Thecoslováquia. Participou do destacamento de subversivos em Esperancinha, Gameleira, Pau Preto, tendo se dispersado do grupo foi preso em Araguaína (...) Morto em 28 JUN 74". Nos primeiros meses de 1974, chegou a ser visto em três oportunidades na prisão, por Amaro Lins, conforme depoimento prestado no 4º Cartório de Notas de Belém (PA). Amaro disse que viu Daniel e que ele estava bem de saúde. Na terceira vez que o viu, Daniel estava sendo conduzido por um soldado. O soldado lhe disse que Daniel faria uma viagem de avião, sem dizer para onde. Na mesma época, uma moradora de Xambioá viu Daniel preso, com o pé machucado, na Delegacia da cidade. Depoimento de Joaquina Ferreira da Silva, para a Delegacia de Polícia de Xambioá, TO, em 29/04/91, informa sobre a morte de João Carlos Haas Sobrinho e que na mesma ocasião de seu sepultamento, foram enterrados os corpos de Daniel Ribeiro Callado e mais um homem. No livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, está publicada uma foto, em que, segundo os autores, Daniel, aparece agachado ao lado do sargento Santa Cruz, tido como dos mais truculentos militares que atuaram na repressão aos guerrilheiros. Os jornalistas acrescentam mais informações sobre Daniel: "Bom de bola, montava times de futebol por onde passava. Em Rondonópolis (MT), fez parte da equipe campeã de um torneio amador em 1966. Teve na cidade uma oficina junto com Libero Giancarlo Castiglia, o Joca. Doca fez muitos amigos entre os moradores do Araguaia. Quando começou o confronto, conhecia a região como poucos companheiros. Pertenceu ao Destacamento C. Preso pelo Exército, apanhou muito e foi levado de um lado para outro na mata pelos militares". Elio Gaspari também menciona a foto de Doca quando discorre sobre as recompensas em dinheiro pela caçada de guerrilheiros: "Pela narrativa de um morador, a oferta de dinheiro era suficiente para enricar. Pelo menos dois sargentos com anos de serviço na selva (um com curso no Panamá) ficaram no Araguaia caçando guerrilheiros. Um deles seguiu para sudoeste e capturou dois fugitivos. Estabeleceu-se na região, onde obteve terras. O guerrilheiro Doca (Daniel Ribeiro Callado) foi fotografado na companhia do ex-sargento João Santa Cruz, na mata, ao lado de uma pequena cachoeira. Está agachado, com as mãos e os pés livres, na posição de quem compõe uma cena". Em março de 2004 a revista Época publicou reportagem assinada por Leandro Loyola, que ouviu soldados relatando episódios da guerrilha: "...o operário carioca Daniel Ribeiro Callado, o Doca, havia chegado vivo à base de Xambioá. Ele acabou sendo um dos prisioneiros mais duradouros do Exército. Preso em janeiro de 1974, entre maio e junho ele foi visto amarrado a uma cama de campanha na base. A foto no alto desta página, que mostra Doca ao lado do sargento Santa Cruz (um dos maiores algozes do Araguaia), confirma: ele foi usado pelos militares para apontar esconderijos de armas e suprimentos. 'O Doca saía de helicóptero com eles de manhã e só voltava no final do dia', conta o soldado Josean Soares. Ele conversava com Doca durante a noite, quando conseguia bananas roubadas para o preso, que estava muito fraco. (...) Enquanto o soldado esteve em missão na base, Daniel passou mais de dez dias preso. Quando veio pela primeira vez, estava de calça e sem camisa, coberto de picadas de mosquito. Recebeu uma camiseta e uma calça camuflada. Perambulou pela mata durante meses. Não se sabe onde foi morto ou enterrado". O Dossiê Araguaia, que teria sido escrito por militares participantes do combate à guerrilha, indica como data da morte 14 de março de 1971, de acordo com Hugo Studart em A Lei da Selva. =========================================================================================================================== + Informações. DANIEL RIBEIRO CALLADO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1940, filho de Consueto Ribeiro Callado e América Ribeiro Callado. Desaparecido desde 1974 na guerrilha do Araguaia quando tinha 34 anos. Fez o curso de ajustador pelo SENAI e, aos 16 anos, começou a trabalhar na Hime e posteriormente na CACREN. Abandonou o emprego em 6 de abril de 1964, por perseguição política. Passou a viver na região do Araguaia, onde participou do Destacamento C do movimento guerrilheiro. Era proprietário de um barco a motor, o "Carajá", juntamente com Paulo Rodrigues (desaparecido), utilizado para comercializar roupas e utensílios diversos no percurso do Rio Araguaia. Foi visto vivo pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973. Nos primeiros meses de 74 foi visto preso em três oportunidades por Amaro Lins, conforme depoimento deste prestado em Cartório de Belém/PA. Estava em bom estado de saúde, sendo que pela terceira vez foi visto quando era conduzido por um soldado que disse que o mesmo iria fazer uma viagem de avião, sem dizer para onde. Nesta mesma época, foi visto preso com o pé machucado, na Delegacia de Xambioá, conforme depoimento de moradora que não quis se identificar. Segundo depoimento de Joaquina Ferreira da Silva, também moradora em Xambioá, o mesmo estaria enterrado no Cemitério da cidade. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Daniel "Participou de destacamento de subversivos em Esperancinha, Gameleira, Pau Preto, tendo se dispersado do grupo foi preso em Araguaiana... Morto em 28 de junho de 1974". ================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) DANIEL RIBEIRO CALLADO (1940-1974) Fluminense de São Gonçalo, concluiu aos 16 anos o curso de ajustador no Senai e iniciou a vida profissional na empresa Hime, hoje incorporada ao grupo Gerdau. Convocado para o serviço militar, deu baixa como terceiro sargento. Ingressou no PCdoB em 1962. Abandonou o emprego em abril de 1964 devido à perseguição política desencadeada pelo regime militar. O relatório do Exército, de 1993, registra que Daniel "esteve na China, provavelmente realizando curso de guerrilha". No relatório do Ministério da Marinha, do mesmo ano, consta que ele "participou de greves, campanha de eleição sindical, comícios, ato no Rio em homenagem aos chineses, passeatas e comício durante a revolução em Niterói. Foi cursar guerrilha na China, passando pela URSS e Tchecoslováquia. Participou do destacamento de subversivos em Esperancinha, Gameleira, Pau Preto, tendo se dispersado do grupo foi preso em Araguaína [...] Morto em 28 JUN 74". Nos primeiros meses de 1974, chegou a ser visto em três oportunidades na prisão por Amaro Lins, conforme depoimento prestado no 4º Cartório de Notas de Belém (PA). Amaro disse que viu Daniel e que ele estava bem de saúde. Na terceira vez que o viu, Daniel estava sendo conduzido por um soldado. O soldado lhe disse que Daniel faria uma viagem de avião, sem dizer para onde. Na mesma época, uma moradora de Xambioá viu Daniel preso, com o pé machucado, na delegacia da cidade. Depoimento de Joaquina Ferreira da Silva para a Delegacia de Polícia de Xambioá (TO), em 29 de abril de 1991, informa sobre a morte de João Carlos Haas Sobrinho e que na mesma ocasião de seu sepultamento foram enterrados os corpos de Daniel Ribeiro Callado e mais um homem. No livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, uma foto mostra Daniel agachado ao lado de um dos militares que atuaram na repressão à guerrilha. Elio Gaspari também faz referência a essa imagem: "[...] O guerrilheiro Doca (Daniel Ribeiro Callado) foi fotografado na companhia do exsargento João Santa Cruz, na mata, ao lado de uma pequena cachoeira. Está agachado, com as mãos e os pés livres, na posição de quem compõe uma cena". Em março de 2004, a revista Época publicou reportagem, assinada por Leandro Loyola, em que ouviu soldados relatando episódios da guerrilha: "[...] o operário carioca Daniel Ribeiro Callado, o Doca, havia chegado vivo à base de Xambioá. Ele acabou sendo um dos prisioneiros mais duradouros do Exército". O Dossiê Araguaia, que teria sido escrito por militares participantes do combate à guerrilha, indica como data da morte 14 de março de 1974, de acordo com Hugo Studart em A Lei da Selva. Não se sabe onde foi morto e enterrado. ============================================================================================== Ficha Daniel Ribeiro Callado Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Daniel Ribeiro Callado Cidade: (onde nasceu) São Gonçalo Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 16/10/1940 Atividade: Ajustador Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Doca Morto ou Desaparecido: Desaparecido 28/6/1974 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Foto original em preto e branco de busto. Termo de declarações Depoimento de Joaquina Ferreira da Silva, para a Delegacia de Polícia de Xambioá, TO, em 29/04/91. A declarante afirma ter conhecido João Carlos Haas Sobrinho em 1971, dizendo que ele era uma pessoa bondosa e prestativa e que, em fins de set/72, viu o corpo de João na delegacia; que foi trazido morto para a Delegacia pelo Exército. Na mesma ocasião do sepultamento de João, foram enterrados os corpos de Daniel Ribeiro Callado e mais um homem. Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110928/dfbb77aa/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12228 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110928/dfbb77aa/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 28 20:19:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 28 Sep 2011 20:19:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Discurso_de_Luiz_In=E1cio_Lula_da?= =?iso-8859-1?q?_Silva_-_Doutor_Honoris_Causa_-_Sciences_Po_-_Paris?= =?iso-8859-1?q?=2C_Fran=E7a?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Fernando Rossas Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva - Doutor Honoris Causa - Sciences Po - Paris, França - 27 de setembro de 2011 Minhas amigas e meus amigos, É uma grande honra, para mim, receber o título de Doutor Honoris Causa do Instituto de Ciências Políticas de Paris. Honra que se torna ainda maior por eu ser o primeiro latino-americano a recebê-lo. Estou profundamente grato à direção da Sciences Po e a todos os seus professores, funcionários e alunos por me conferirem uma láurea tão prestigiosa. Esta casa, a um só tempo humanística e científica, é reconhecida e admirada no mundo todo por seus elevados propósitos e pela excelência do seu corpo docente e discente. É uma instituição que representa de modo exemplar o compromisso da França com a liberdade intelectual, a dignidade da política e o aperfeiçoamento permanente da democracia. Representa essa França consciente de suas conquistas materiais e espirituais, ciosa de seus valores civilizatórios, mas nem por isso menos aberta a povos e mentalidades diferentes, à compreensão do outro. Essa França insubmissa e libertária que, durante séculos, inspirou - e continua, de alguma forma, inspirando - a trajetória de muitos países, entre eles o Brasil. Essa França que, desde o século 18 até os dias atuais, é tão relevante para o Brasil, seja no terreno das ideias políticas e sociais, seja na esfera da educação e da cultura, seja no que se refere às parcerias produtivas e tecnológicas. Minhas amigas e meus amigos, Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que este título de Doutor Honoris Causa é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos anos vem realizando, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social, dando um enorme salto histórico rumo à prosperidade e à justiça. Depois de prolongada estagnação, o Brasil voltou a crescer de modo vigoroso e continuado, gerando empregos, distribuindo renda e promovendo inclusão social. Deixamos para trás um passado de frustrações e ceticismo. Os brasileiros e as brasileiras voltaram a acreditar em si mesmos e na sua capacidade de resolver problemas e superar obstáculos, por mais difíceis que sejam. Graças a um novo projeto de desenvolvimento nacional, com forte envolvimento da sociedade e intensa participação popular, conseguimos tirar 28 milhões de pessoas da miséria e levamos 39 milhões de pessoas para a classe média, no maior processo de mobilidade social da nossa história. Em oito anos e meio foram criados 16 milhões de novos empregos formais. O salário mínimo teve um aumento real de 62%, e todas as categorias de trabalhadores fizeram acordos salariais com ganhos acima da inflação. Além disso, implantamos vários programas de transferência direta de renda, dos quais se destaca o Bolsa Família, que é o principal instrumento do Fome Zero e, no final do ano passado, beneficiava 52 milhões de pessoas. Dessa forma, a desigualdade entre os brasileiros atingiu o menor patamar em 50 anos. Nos últimos dez anos, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou 10%, enquanto a dos 50% brasileiros mais pobres teve um ganho real de 68%. O consumo se ampliou em todas as classes, mas no segmento popular cresceu sete vezes. Os pobres passaram a ser tratados como cidadãos. Governamos para todos os brasileiros e não apenas para um terço da população, como habitualmente acontecia. Acreditamos firmemente que o desenvolvimento econômico precisa estar a serviço da redução das desigualdades sociais, sem paternalismo, promovendo a inclusão das pessoas mais pobres à plena cidadania. Acreditamos, igualmente, que isso pode, deve e será feito sem que se descuide do equilíbrio macroeconômico, combatendo com firmeza a inflação. Minhas amigas e meus amigos, Ao mesmo tempo que resgatávamos grande parte de nossa dívida social, trabalhamos para modernizar o país, preparando-o para os desafios produtivos e tecnológicos do século 21. Investimos fortemente em educação, pesquisa e desenvolvimento. Orgulho-me de ter criado 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias, democratizando e interiorizando o acesso ao ensino público. Também lançamos o Reuni, um programa para fortalecer o ensino público universitário, com a valorização dos docentes. Ele contribuiu para que dobrássemos o número de matrículas nas instituições federais. Mas não ficamos restritos a isso e instituímos o Prouni, um sistema inovador de bolsas de estudo em universidades particulares. Com ele, garantimos que 912 mil jovens de baixa renda pudessem cursar o ensino superior. E a oportunidade não foi desperdiçada: os jovens com bolsas do Prouni têm-se destacado em todas as áreas, liderando em muitos casos os exames nacionais de avaliação feitos pelo Ministério da Educação. Ou seja, bastou uma chance e a juventude brasileira deu firme resposta ao mito elitista segundo o qual a qualidade é incompatível com a ampliação das oportunidades. Também me orgulho muito de termos inaugurado 214 novas escolas técnicas federais, que criaram possibilidades inéditas de formação profissional para a juventude. A boa qualidade do ensino na rede de escolas técnicas federais também abre as portas para as universidades, mesmo para quem trabalha durante o dia inteiro, porque durante o meu governo aumentamos o número de vagas nos cursos universitários noturnos. Esses jovens têm que continuar sonhando, têm que lutar para conquistar o doutoramento, para trabalhar nos diversos centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que existem no Brasil. Deixamos de considerar a educação como um gasto para tratá-la como investimento que muda a vida das pessoas e do país. Por isso, em meus dois mandatos, triplicamos o orçamento do Ministério da Educação, que saltou de 17 bilhões de reais para 65 bilhões de reais em 2010. Essas mudanças eram imprescindíveis, pois a garantia de acesso à educação de qualidade, da pré-escola aos cursos de pós-graduação, é um dos principais instrumentos para promover a igualdade social, combater a pobreza e assegurar um desenvolvimento econômico, científico e tecnológico sustentável em longo prazo. A educação foi colocada como prioridade estratégica para o país. O investimento público direto em educação passou de 3,9% do Produto Interno Bruto em 2000 para 5% em 2009. E, agora, a presidenta Dilma Rousseff assumiu o compromisso de ampliar o investimento em educação progressivamente até atingir 7% do Produto Interno Bruto. Minhas amigas e meus amigos, O Brasil já tem muito a mostrar no segmento de pesquisa e desenvolvimento. A Lei da Inovação, aprovada em dezembro de 2004, incentivou as universidades a compartilhar seus projetos de pesquisa e desenvolvimento com as empresas públicas e privadas, para alavancar a inovação tecnológica no ambiente produtivo. O número de cientistas envolvidos em pesquisa e desenvolvimento passou de 126 mil em 2000 para 211 mil em 2008. E o número de patentes depositadas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) cresceu de 21 mil em 2000 para 280 mil em 2009. Além disso, o governo federal destinou 41 bilhões de reais ao setor de pesquisa e inovação no período de 2007 a 2010, através do Programa de Aceleração do Crescimento. Minhas amigas e meus amigos, Uma das preocupações do meu governo - e que continua a ser um firme compromisso da presidenta Dilma - foi garantir que o crescimento econômico e os investimentos estruturantes fossem sustentáveis do ponto de vista ambiental. Nos últimos anos, o Brasil superou a falsa contradição que opunha o desenvolvimento à sustentabilidade ambiental. Nesse período, a taxa de desmatamento caiu 75%. Em nosso governo, fixamos como meta reduzir as emissões de CO2 entre 36% e 39% até 2020. Esse compromisso foi incorporado à Política Nacional de Mudanças Climáticas, apresentada em Copenhague, em dezembro de 2009, e posteriormente transformada em lei pelo Congresso Nacional. O Brasil é uma referência no enfrentamento dos desafios ambientais do século 21, pois é responsável por 74% das unidades de conservação criadas no mundo desde 2003. Também alcançamos recentemente o menor nível de desmatamento dos últimos 22 anos. Minhas amigas e meus amigos, os avanços que conquistamos nos últimos anos foram possíveis porque praticamos intensamente a democracia. Não nos limitamos a respeitá-la - o que é um dever -, mas levamos suas possibilidades ao limite, promovendo um amplo processo de participação social na definição das políticas públicas. Estabelecemos uma nova relação do Estado com a sociedade, na qual todos os setores sociais foram ouvidos, mobilizados, e puderam discutir não somente com o governo, mas também entre eles próprios. Multiplicaram-se os canais de interlocução da sociedade com o Estado, o que contribuiu de modo decisivo para que crescimento econômico e desenvolvimento social caminhassem juntos. Para tanto, realizamos 74 conferências nacionais entre 2003 e 2010, precedidas por reuniões em níveis municipal e estadual, que contaram com a presença de cerca de 5 milhões de pessoas. Discutimos e aprofundamos nessas conferências temas importantes: do meio ambiente à segurança pública; dos transportes à diversidade sexual; dos direitos dos indígenas às políticas de telecomunicações; da igualdade racial à política nacional de saúde, dentre muitos outros. Conselhos de políticas públicas, com ampla representação popular, foram criados junto a todos os ministérios. Em outras palavras, apostamos decididamente na política. Porque sempre acreditamos na força da política como promotora da emancipação individual e coletiva. A participação política é o melhor antídoto contra a alienação e as tentações autoritárias. Eu próprio sou produto da política. A luta sindical me deu a convicção de que era necessário incorporar os trabalhadores às decisões políticas. Foi por isso que, em 1980, criamos o Partido dos Trabalhadores, que em menos de 20 anos tornou-se o maior partido de esquerda da América Latina e chegou à Presidência da República. Também construímos a maior a central sindical da América Latina, a Confederação Única dos Trabalhadores. Tenho a plena convicção de que os problemas da sociedade só podem ser resolvidos com mais democracia e mais envolvimento da sociedade no exercício do poder. Minhas amigas e meus amigos, O Brasil não está sozinho nessa trajetória virtuosa, que reuniu democracia, desenvolvimento econômico e justiça social. A esperança progressista do mundo, hoje, navega no vento que sopra do Sul. A América do Sul não é mais o estuário dos problemas do mundo, e sim a mais promissora fronteira da luta pela justiça social em nosso tempo. Sem os países em desenvolvimento, não será possível abrir um novo ciclo de expansão que combine crescimento, combate à fome e à pobreza, redução das desigualdades sociais e preservação ambiental. No momento em que se está constituindo um mundo multipolar, a América do Sul afirma a sua presença no plano internacional, renovando a confiança em si e na capacidade de seus povos de construir um destino comum de democracia e crescimento econômico com inclusão social. Vivemos numa região de paz. Não há ódio religioso entre nós. Os governantes de todos os nossos países foram eleitos em pleitos democráticos e com ampla participação popular. A democracia é o nosso idioma comum. Minhas amigas e meus amigos, Avançamos muito no Brasil nos últimos anos. Ampliamos a inclusão social e a democracia se fortalece cada vez mais. Elegemos, pela primeira vez na nossa história, uma mulher para a Presidência da República. Fizemos muito, mas ainda há muito por ser feito. E o governo da presidenta Dilma Rousseff assume esta responsabilidade. Lançou o programa Brasil sem Miséria para erradicar totalmente a extrema pobreza. Fortaleceu a área da educação, ao ampliar o programa e ensino técnico e aumentar o número de bolsas de estudos no exterior. O lançamento de uma nova política industrial, com o programa Brasil Maior, fortalecerá a inovação e a competitividade. Por último, quero enfatizar que o conhecimento e a informação são cada vez mais importantes para o aprimoramento espiritual da Humanidade e também para viabilizar o progresso econômico e o bem-estar dos povos. O governante que não enxerga isso, não está preparado para governar uma Nação. Governante que não sonha não transmite esperança. Agradeço novamente à Science Po por ter sido agraciado o título de Doutor Honoris Causa e estou honrado por fazer parte do seleto grupo de pessoas que mereceram esta honra. Muito obrigado. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110928/7fd3f054/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 81180 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110928/7fd3f054/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 28 20:20:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 28 Sep 2011 20:20:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Museu_contar=E1_hist=F3ria_das_Lut?= =?iso-8859-1?q?as_Camponesas_no_Nordeste?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Museu contará história das Lutas Camponesas no Nordeste O município de Sapé, localizado no estado da Paraíba, ganhará um Museu Histórico das Lutas Camponesas no Nordeste. O centro de memória funcionará na casa e no terreno onde viveu João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas na Paraíba assassinado no dia 2 de abril de 1962. Na sexta-feira passada (23), integrantes da organização não-governamental Memorial das Ligas Camponesas se reuniram com Paulo Maldos, secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, para discutir o projeto do memorial. De acordo com Luiz Damázio de Lima, presidente da ONG Memorial das Ligas Camponesas, a ideia é que Paulo Maldos "faça a ponte com Brasília para a implantação do projeto de Memorial e consiga recursos para a execução". Segundo ele, a intenção é restaurar a casa onde morou João Pedro Teixeira e lá construir um museu com informações das lutas camponesas no Nordeste. "Vamos fazer um museu para o resgate da história de João Pedro Teixeira e das lutas pós-João Pedro", afirma, lembrando que 15 anos depois da morte do líder, reiniciou-se a luta por terra na região. Segundo ele, hoje, o estado da Paraíba possui cerca de 270 assentamentos. A concretização do Museu Histórico das Lutas Camponesas está cada vez mais próxima. No início deste mês, o Governo do Estado da Paraíba publicou um decreto no Diário Oficial em que declara de utilidade pública mais 2,27 hectares de terras do Sítio Antas do Sono, no povoado de Barra de Antas, em Sapé. Em julho passado, o governo já havia declarado de utilidade pública 4,83 hectares do local. Além do museu, Luiz Damázio comenta que a intenção é utilizar o terreno para também construir um centro de formação para os agricultores, com área para lazer, comercialização e unidades produtoras baseadas no sistema agroecológico. A meta, segundo ele, é que pelo menos o museu esteja pronto no dia 2 de abril de 2012, data de celebração dos 50 anos do assassinato de João Pedro Teixeira. "Esse projeto é importante para os agricultores porque resgata a história de um cidadão que deu sua vida pela luta pela melhoria de vida das pessoas. A ideia é dar um rumo melhor à vida dos agricultores e fortalecer a luta deles. Esperamos que esse memorial seja um centro de referência não só no Nordeste, mas também nacional e até internacional", comenta. Ligas Camponesas As Ligas Camponesas foram associações de trabalhadores rurais formadas em Pernambuco e, depois, em estados como Paraíba, Rio de Janeiro e Goiás. Iniciaram em 1955 e se estenderam até 1964 com o objetivo de lutar pela reforma agrária e pela posse de terra. Na Paraíba, destacou-se o núcleo de Sapé, com mais de 10 mil integrantes liderados por João Pedro Teixeira, que foi assassinado no dia 2 de abril de 1962. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110928/c480cd5b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26754 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110928/c480cd5b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 29 20:11:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 29 Sep 2011 20:11:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ISMAEL_SILVA_DE_JESUS________________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCLIX-?= Message-ID: <81A911FF559647169679F83AB611EC83@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ISMAEL SILVA DE JESUS (1953-1972) Filiação: Jandyra Jesus da Silva e Ismail Augusto da Silva Data e local de nascimento: 12/08/1953, Palmelo (GO) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 9/08/1972, Goiânia (GO) Relator: Suzana Keniger Lisbôa Militante do PCB, Ismael era estudante secundarista do Colégio Pedro Gomes, em Goiânia (GO), quando foi preso no dia 08/08/1972 e levado para o 10° Batalhão de Caçadores, comandado pelo Major Rubens Robine Bigenil (atual 42° BIM-Batalhão de Infantaria Motorizada). Sob interrogatórios, morreu no dia seguinte, três dias antes de completar 19 anos. Seu corpo foi entregue à família com evidentes sinais de sevícias e a justificativa de que ele havia se suicidado por se envergonhar da prisão. O atestado de óbito registra como causa da morte enforcamento/asfixia mecânica, ocorrida no 10º Batalhão de Caçadores. Assinaram o laudo de necropsia os legistas Antonio Carlos Curado e Jerson Cunha. A família enterrou Ismael no cemitério Rio Park, em Goiás. Fotos de perícia localizadas em 1991 evidenciaram que era falsa a versão oficial. Ismael aparece sentado junto à parede, tendo uma das pontas de uma fina corda de persiana amarrada ao redor do pescoço, enquanto a outra ponta aparece amarrada a um porta-toalhas de louça, preso à parede. A persiana e o pequeno porta-toalhas encontram-se intactos. No corpo de Ismael são perceptíveis evidentes sinais de espancamento, um grande hematoma no olho e sangue pelo corpo. No livro Dos Filhos Deste Solo, de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio, é apresentada a seguinte informação: "Um irmão de Ismael, Jorge Elias da Silva, observou no velório que o corpo tinha as orelhas machucadas e que o olho direito estava vazado, além de estar com marcas roxas nos dedos dos pés e das mãos e na altura da virilha". Esse livro também transcreve matéria da revista Veja questionando a possibilidade de ocorrer um suicídio nas condições alegadas pelas autoridades dos órgãos de segurança do regime militar: "Não é impossível, tecnicamente, que alguém se enforque nessa posição. É preciso, no entanto, fazer um bom esforço. A pessoa tem de amarrar a ponta de uma corda em ponto alto e bem firme, sentar-se, amarrar a outra ponta da corda no próprio pescoço, levantar-se e dar um salto acrobático para a frente. O difícil é explicar como o corpo vai parar exatamente sentado, encostado a uma parede, e a persiana se mantém intacta, como mostram as fotografias. A cena fica ainda mais inverossímil se for considerado que antes de Ismael morrer fora submetido a uma violenta sessão de torturas e espancamentos, encontrando-se impossibilitado de fazer tal ginástica". Depoimento de Aguinaldo Lázaro Leão, amigo de infância de Ismael e também militante do PCB, que na época prestava serviço militar no 10º Batalhão, relata que chegou a trocar algumas palavras com Ismael durante seu turno de guarda. Disse que o amigo estava muito rouco e revelou ter levado choques elétricos e pancadas por todo o corpo, ficando debilitado e com um braço quebrado. Ismael pediu também que tranqüilizasse a família. Aguinaldo foi preso a seguir e levado encapuzado para a sala de interrogatórios do Batalhão, onde ouviu a porta se abrir e uma pessoa entrar arrastada. Um dos interrogadores perguntou para tal pessoa se conhecia o soldado Lázaro. Aguinaldo reconheceu a voz imediatamente, que se mantinha rouca. Ismael, ao responder a seus interrogadores, procurou atenuar a participação política daquele soldado amigo. Por unanimidade, o requerimento apresentado pelos familiares de Ismael à CEMDP foi deferido, tendo sido colocado em votação na primeira reunião da Comissão Especial. Em sua homenagem, existe hoje em Goiás a Escola Estadual Ismael Silva de Jesus. ========================================================================================================== + Informações. ISMAEL DE JESUS SILVA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Estudante secundarista do Colégio Pedro Gomes, em Campinas (SP), sendo morto aos 19 anos. Foi preso no dia 8 de agosto de 1972 e levado para o 10° Batalhão de Caçadores de Goiás, comandado pelo Major Rubens Robine Bigenil, (atual 42° BIM-Batalhão de Infantaria Motorizada), onde passou a ser torturado, vindo a morrer no dia seguinte em conseqüência dos ferimentos a ele inflingidos. O corpo foi entregue a sua família, com evidentes sinais das sevícias sofridas e com a justificativa de que Ismael havia se suicidado, pela vergonha de estar preso. Ismael foi sepultado por sua família no Cemitério Rio Parque, em Goiás. ====================================================================================================== PDF] Lutando contra impunidade* Cecília Maria Bouças Coimbra** "As ... www.slab.uff.br/textos/texto48.pdf- Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida 2o Batalhão de Caçadores, em Goiás, quando Ismael de Jesus Silva, militante do PCB, foi preso, torturado e morto naquelas dependências. Foi encarregado ... ============================================================================================================== + Detalhes. Arquivos VEJA Lula Marques/ Folha Imagem O coronel Bizerril: exoneração no governo Exonerou-se: o coronel do Exército Rubens Bizerril, 65 anos, do cargo de coordenador de Planejamento de Segurança Pública do Ministério da Justiça. Ele é acusado pelo movimento Tortura Nunca Mais de envolvimento com a morte do estudante Ismael de Jesus Silva, de 19 anos, preso político em 1972 no Batalhão de Goiânia, onde o militar fazia inquéritos na época. Funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Bizerril estava cedido ao ministério. Na quinta-feira, o ministro-chefe do Gabinete da Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, informou que a Abin abriu sindicância e afastou dois funcionários (cujos nomes não foram divulgados) também sob acusação de ligação com a tortura no regime militar. Para a função de diretora-geral da Abin, foi nomeada Marisa Del'Isola e Diniz. Ela substitui o coronel Ariel De Cunto, exonerado por ter nomeado para um cargo de chefia o tenente da reserva Carlos Alberto del Menezzi, acusado de participar de sessões de tortura. Dia 6, em Brasília. ======================================================================================= + Detalhes. Marcos Antônio e Ismael: quarenta anos depois Qua, 11 de Maio de 2011 14:08 Por Marcantônio Dela Corte* Assim como não se pode impedir que o sol se ponha, um dia, a democracia, voltaria ao nosso país. Hoje esta afirmação é verdadeira. Mas naqueles tempos difíceis, de profundas incertezas e sem perspectivas de se encontrar uma solução democrática para os problemas do País, não restava outra saída a não ser aceitar os fatos ou lutar para mudar a situação. Os versos de Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer" expressavam o sentimento e o comportamento dos jovens engajados na luta política contra a ditadura militar. Na história dos povos sempre existiram aqueles que abraçaram idéias, lutaram por elas e deram a vida na esperança de vê-las concretizadas. Marcos Antônio Dias Batista e Ismael Silva de Jesus foram daqueles que não esperaram acontecer, acreditaram que era possível mudar o rumo dos acontecimentos e se entregaram à luta por uma causa que considerava justa. As histórias desses dois jovens fazem parte de uma tragédia que se abateu sobre muitos brasileiros. Suas mortes e seus exemplos são sempre lembrados pelo que eles foram e o sacrifício de ambos tem um significado que transcende o imaginário comum das pessoas e se eleva ao patamar daqueles que são lembrados como heróis de seu povo. O desfecho da história de ambos tem final trágico. Os traumas que suas famílias sofreram são imensuráveis e impossíveis de serem reparadas em sua plenitude. A morte de Ismael e o desaparecimento de Marcos Antônio são, sem dúvida, um dos capítulos mais tristes e absurdos que podemos registrar da época dos militares. Marcos Antônio, considerado desaparecido desde 1970, foi, inegavelmente, morto em circunstâncias desconhecidas, o que torna difícil imaginarmos a dimensão do seu sofrimento. Tinha apenas 15 anos quando desapareceu. Ismael, preso e acusado de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro, foi morto sob tortura em 1972, três dias antes de completar 18 anos. Não há como responsabilizar individualmente quem quer que seja pelas suas mortes. Também não há como apagar da história este triste e absurdo acontecimento. Há como reverenciá-los, sim, preservando suas lembranças e dignificando suas memórias. Praticamente todos os povos e todas as nações, em algum momento da historia, passaram por situações onde as ditaduras e as tiranias se instalaram e sacrificaram centenas, milhares e até milhões de pessoas em benefício de grupos ou ideologias que se sustentavam em idéias absurdas para justificar o controle do poder como forma de manter privilégios. Mas os homens são os próprios atores de tudo isto. São eles os protagonistas dos fatos históricos e, assim, sempre existirão aqueles que não aceitam ser dominados e lutam por seus ideais e não medem esforços para conseguirem que a liberdade seja vitoriosa. Aqueles que conheceram Ismael e Marcos Antônio são testemunhas da grandeza de seus propósitos e dos sonhos que acalentavam em ajudar a construir um país melhor. O Brasil, naquela época, era diferente do atual. Com muita luta, o povo brasileiro conseguiu superar muitos problemas: reduziu o autoritarismo e vem construindo um sistema democrático. E eles, com seus sacrifícios, deram uma grande contribuição dizendo não a tudo que estava errado naquela época, mas pagaram um preço muito alto: a própria vida. Ainda adolescentes e conscientes da importância que cada brasileiro deveria ter ao dar a sua contribuição para o fim do arbítrio se engajaram na luta mais nobre, sincera e abnegada que um ser humano poderia empreender, porque não lutavam por si mesmos, e sim, por seu país e desejavam vê-lo livre da opressão a que estava submetido. Eram jovens com idade de estudar, namorar e viver a vida, mas suas preocupações com o destino do Brasil os levaram a ter os mesmos objetivos: derrotar a ditadura e construir uma nova sociedade. A vida dos dois é um exemplo e tem grande significado, tanto pelo sacrifício que lhes foram imposto, quanto pelo momento histórico, que exigia do povo brasileiro posições mais combativas e corajosas para fazer frente ao golpe de 1964 e às conseqüências de tudo isto para a nossa democracia. A importância de Marcos Antônio e Ismael em nossa história é inquestionável, pois numa época quando poucos ousaram lutar, eles lutaram. Lançaram-se numa luta desigual, absurdamente desproporcional na correlação de forças, pois de um lado tínhamos o Estado com todo o seu aparato militar e institucional e, do outro, grupos de pessoas com ínfimos recursos para empreender uma luta desta magnitude, pois contavam somente com suas vontades de lutar e com suas vidas para conseguirem seus objetivos. Agora, passados praticamente 40 anos, vemos Marcos Antônio e Ismael assim como eram: dois adolescentes que, acreditando na força de seus ideais, se lançaram numa luta que somente aos heróis é cabível conceber tamanho desprendimento. Eles são os símbolos da resistência goiana contra a ditadura militar. Foram dois jovens adolescentes que deram o mais significativo e importante exemplo de maturidade e coragem, dignificando toda uma geração e mostrando que a história de um povo não se faz com os omissos, e sim, com aqueles que compreendem o momento em que estão vivendo e tentam interferir no curso dos acontecimentos. Interromperam suas vidas, mas não impediram que seus sonhos se concretizassem. Marcos Antônio e Ismael, vítimas da intolerância e do arbítrio, sem dúvida, estão juntos, de mãos dadas e olhando para o futuro com uma profunda e significativa esperança de que a liberdade e a solidariedade serão sempre a meta daqueles que acreditam que os homens são iguais e que vale a pena lutar sempre por dias melhores. Hoje, entidades estudantis, a Associação dos Anistiados Políticos de Goiás, os familiares, amigos e antigos companheiros de Marcos Antônio Dias Batista e Ismael Silva de Jesus espera que a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, através de seu presidente, deputado Mauro Rubem, empreenda esforços no sentido de enviar projeto de lei à Assembléia Legislativa propondo uma homenagem, post mortem, nos respectivos colégios onde estudaram para que, suas lembranças, se eternizem não somente no coração dos estudantes, mas, também, no de todos os goianos. Esta é uma reivindicação antiga e é de fundamental importância que ela seja concretizada pelo poder público para que, ação pacificadora como esta, tenha um sentido maior a fim de evitar que crimes hediondos como os que foram praticados contra eles voltem a acontecer. *Marcantônio Dela Corte é professor de história e diretor da Associação dos Anistiados do Estado de Goiás (Anigo) ======================================================================================= Ficha Ismael Silva de Jesus Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Ismael Silva de Jesus Atividade: Estudante secundarista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Prisão: 8/8/1972 GO Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 9/8/1972 GO Brasil 10º Batalhão de Caçadores de Goiás Clandestinidade Dados da repressão Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Rubens Robine Bigenil Biografia Documentos Foto Foto original e preto e branco de busto. Relatório Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. Cartaz Documento elaborado por familiares de desaparecidos e pelo Comitê Goiano pela Anistia, procurando notícias de Marco Antônio Dias Batista, Honestino Monteiro Guimarães, Paulo de Tarso Celestino da Silva e Ismael de Jesus Silva. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110929/1aa5e820/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10351 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110929/1aa5e820/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 49 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110929/1aa5e820/attachment-0007.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11459 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110929/1aa5e820/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 29 20:11:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 29 Sep 2011 20:11:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] General Giap Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem De: Felipe Vianna Estou mandando o último filme que montei com o Silvio Tendler, uma homenagem ao general vietnamita que derrotou o Japão, França, China e EUA. Um nacionalista batalhando por manter a cultura milenar de seu país. http://youtu.be/Tq8c72PKSCA Abraços Felipe Vianna -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110929/29a95056/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 30 19:47:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 30 Sep 2011 19:47:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__C=C9LIO_AUGUSTO_GUEDES________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCLX-?= Message-ID: <173C606E052B4279BB95F2F00FF10BFD@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem CÉLIO AUGUSTO GUEDES (1920-1972) Filiação: Adosina Santos Guedes e Julio Augusto Guedes Data e local de nascimento: 21/06/1920, Mucugê (BA) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 15/08/1972, Rio de Janeiro (RJ) Baiano de Mucugê, Célio Augusto foi criado e educado em Salvador, onde se formou em Odontologia. Militou do PCB. e era irmão do jornalista e dirigente daquele partido Armênio Guedes. Ainda estudante, trabalhou como lapidário de pedras semi-preciosas, ofício que aprendeu em casa, e com isso pagou seus estudos e ajudou o sustento da família, depois da morte de seu pai. Adolescente, quando fazia curso complementar para prestar exame vestibular, seguindo a tradição da família, ingressou na célula da Juventude Comunista do Ginásio da Bahia - isso na segunda metade dos anos 30, quando se instalou no País o Estado Novo. Numa panfletagem feita pela célula da Juventude Comunista no Ginásio da Bahia, denunciando violências da ditadura getulista, militantes foram presos e levados para o Dops, onde ficaram detidos e submetidos a interrogatórios por mais de trinta dias. Entre eles, identificado como um dos líderes da "subversão", estava Célio. Desde então, jamais se afastou da atividade do partido, fosse ela de simples militante ou como membro da direção estadual; tanto nos curtos períodos de legalidade como nos longos e difíceis anos de clandestinidade. Em abril de 1964, a casa de Célio em Salvador foi invadida e saqueada por militares - o que o obrigou à vida clandestina e a mudar-se para o Sul. Nessa época foi indicado para trabalhar no aparelho de segurança da direção nacional do partido. Nesse novo posto, durante vários anos coube a ele a responsabilidade da movimentação de Prestes dentro do País - isso até a saída para o exílio do secretário geral do partido. Em julho de 1972, recebeu a missão de ir num carro do partido a Montevidéu, para encontrar o médico Fued Saad, que voltava de uma viagem ao exterior e devia ingressar clandestinamente no Brasil, tarefa em que Célio estava treinado e havia realizado com êxito em vezes anteriores. Ao cruzar um posto na fronteira, entre Jaraguarão e Rio Branco os dois foram identificados, detidos e transportados em avião diretamente para a sede do Cenimar no Rio de Janeiro onde Célio Guedes, segundo seu irmão Armênio, morreu sob tortura, aos 53 anos, em 15/8/1972. A comunicação do falecimento só foi feita à família quinze dias depois. Seu corpo entrou no IML/RJ pela guia n° 6 do DOPS/RJ e a certidão de óbito registra: "morto às 18h, no Pátio Externo dos fundos do Edifício do Comando do 1° DN". Assinada pelo legista Gracho Guimarães Silveira, essa certidão confirma a versão oficial de que Célio caiu de uma janela, sofrendo ruptura da aorta, pulmão, fígado, baço e rins. As fotos incluídas no laudo da perícia de local, encontradas no Instituto Carlo Eboli/RJ, mostram várias escoriações pelo corpo, enquanto documentos informam que "a vítima teria se projetado do sétimo andar da janela de um banheiro ali existente". O corpo foi enterrado pela família no Cemitério São João Batista no dia 30/8/1972. A CEMDP não localizou o laudo necroscópico, nem tampouco o inquérito que obrigatoriamente deveria ter sido instaurado para apuração do suposto suicídio de um preso em dependência militar. A conclusão do relator na CEMDP foi de que a morte de Célio Augusto Guedes, mesmo sendo por suicídio, estava plenamente amparada nos critérios da Lei nº 9.140/95. Constatou em ata a ressalva dos conselheiros Nilmário Miranda e Suzana Keniger Lisbôa, de que não aceitavam a versão oficial de suicídio, em função das lesões visíveis em seu rosto, pela inexistência do laudo necroscópico e pela ausência do inquérito que deveria ter sido instaurado para apuração dos fatos. ============================================================================================================================== + Informações. CÉLIO AUGUSTO GUEDES Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Dentista. Morto aos 53 anos sob torturas no 1° Distrito Naval, no Rio de Janeiro, em 15 de agosto de 1972, conforme denúncia do boletim de março de 1974 da "Amnesty International". O corpo de Célio entrou no IML/RJ em 15 de agosto de 1972, pela Guia n° 06 do DOPS/RJ. Seu óbito, de n° 38.481, dá sua morte "... às 18:00 horas no Pátio Externo dos fundos do Edifício do Comando do 1° DN". A Certidão de Óbito foi assinada pelo Dr. Gracho Guimarães Silveira, que confirma a versão oficial da repressão. As fotos da perícia de local, encontradas no ICE/RJ (n° 462/72), mostram várias escoriações no seu corpo, que não se sabe se foram provocadas por torturas ou pela própria queda. O laudo da perícia de local (Ocorrência n° 605/72) informa que "... a vítima teria se projetado do 7° andar da janela de um banheiro ali existente..." Seu corpo foi retirado do IML/RJ por Maurício Naiberg, sendo enterrado por sua família no Cemitério São João Batista em 30 de agosto de 1972. No Dossiê anterior, seu nome constava no ano de 1971. ==================================================================================================== + Informações. CÉLIO AUGUSTO GUEDES Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Dentista. Morto aos 53 anos sob torturas no 1º Distrito Naval, no Rio de Janeiro, em 15 de agosto de 1972, conforme denúncia do boletim de março de 1974 da "Amnesty Internacional". O corpo de Célio entrou no IML/RJ em 15 de agosto de 1972, pela Guia nº 06 do DOPS/RJ. Seu óbito, de nº 38.481, dá sua morte "...às 18:00 horas no pátio Externo dos fundos do Edifício do Comando do 1º DN". A Certidão de óbito foi assinada pelo Dr. Gracho Guimarães Silveira, que confirma a versão oficial da repressão. As fotos da perícia de local, encontradas no ICE/RJ (nº 462/72), mostram várias escoriações no seu corpo, que não se sabe se foram provocadas por torturas ou pela própria queda. O laudo da perícia do local [...] informa que "...a vítima teria se projetado do 7º andar da janela de um banheiro ali existente..." Seu corpo foi retirado do IML/RJ por Maurício Naiberg, sendo enterrado por sua família no Cemitério São João Batista em 30 de agosto de 1972. No Dossiê anterior, seu nome constava no ano de 1971. ============================================================================================================= + Detalhes.05/04/2004 -------------------------------------------------------------------------------- Armenio Guedes desmente IstoÉ no Observatório da Imprensa Por: Diógenes Botelho ENTREVISTA / ARMENIO GUEDES A traição da reportagem Mauro Malin Um homem que começou na imprensa em 1940 está indignado com uma reportagem. Ele se chama Armenio Guedes, nasceu em 1918, entrou no Partido Comunista Brasileiro em 1935, saiu em 1983, trabalha na Gazeta Mercantil desde 1988. Está indignado porque a reportagem "Traição e extermínio", da revista IstoÉ (nº 1.799, 31/3/04), inverteu uma declaração sua para tentar dar credibilidade a acusações de traição feitas a Givaldo Siqueira, antigo dirigente do mesmo PCB hoje ligado ao PPS. A reportagem é assinada por Amaury Ribeiro Jr., Eugenio Viola e Tales Faria. A frase publicada em IstoÉ foi: "Givaldo mandou meu irmão para a morte. O Comitê sabia da carta e mesmo assim foi feita a operação". Armenio afirma que disse exatamente o contrário. Que não foi Givaldo a pessoa que deu instruções para Célio Guedes, irmão de Armenio, ir ao Uruguai buscar de carro o dirigente Fued Saad, um médico urologista, professor da USP, que passara a exercer exclusivamente a militância clandestina e vinha da União Soviética. Que não poderia ter sido Givaldo porque ele não pertencia à "direção restrita", núcleo executivo do Comitê Central do PCB que tomou a decisão. Que, se tivesse sido Givaldo, ele não diria, porque não se tratava de uma ação individual, mas de uma decisão coletiva. Da denúncia à intriga "Falei com o repórter [Amaury Ribeiro Jr.] sobre esse assunto porque falei no Comitê Central, quando ele se reuniu no Brasil [o Comitê Central do PCB, do qual Armenio fazia parte então, funcionou no exílio durante boa parte da década de 1970]", conta Armenio. "Fiz uma acusação contra a irresponsabilidade de terem mandado Celito buscar Saad. O [Giocondo] Dias respondeu: 'Um revolucionário é como um soldado. Vai para o front sabendo que pode morrer'. E eu retruquei: 'Mas quando o comandante manda o soldado para o front numa missão que não tem nenhuma importância estratégica ou tática e ele morre, há um conselho de guerra'." Armenio relata que foi procurado por Amaury Ribeiro Jr. cerca de um mês atrás. O repórter lhe disse que IstoÉ estava preparando uma edição especial relacionada aos 40 anos do golpe de 64 e haveria uma parte sobre a repressão política. "Disse a ele que tinha o caso de Célio, meu irmão", relembra Armenio. "A polícia deu a versão de que ele havia se suicidado, tinha se jogado de uma janela do sexto andar do prédio do Cenimar [Centro de Informações da Marinha], no Rio de Janeiro. Minha mãe viu o corpo. Não era o de uma pessoa que se joga do sexto andar. A versão que tínhamos era a de Fued Saad, preso com Célio. Dizia que, quando foram acarear Celito com Adauto [o "agente Carlos", um espião no PCB a serviço da CIA, de quem o Jornal do Brasil tinha publicado extensa e bombástica entrevista], ele avançou para bater nele e lhe deram um tiro. Eu não estou muito convencido dessa versão, mas é a única que tenho." Armenio prossegue: "Então, disse ao repórter que me provocava grande indignação o fato de Célio ter ido para uma missão sabendo que dificilmente voltaria. Porque a polícia tinha todos as informações sobre Saad. Ainda ontem [28 de março de 2004] encontrei-me com um sobrinho que tinha ouvido de Célio, na véspera da viagem ao Uruguai: 'Vou fazer uma viagem, não sei se vou voltar'. Quando houve a primeira reunião do Comitê Central no Brasil, aqui em São Paulo, eu protestei contra isso. Acho que foi falta de responsabilidade do Comitê Central. O que Saad iria fazer, trazer 60 mil dólares da União Soviética, podia ser feito por algum conhecido, algum amigo". Segundo Armenio, Givaldo Siqueira foi um dos que se bateram para que Fued Saad não entrasse no Brasil. "Givaldo achava que Célio deveria ir ao Uruguai apenas para dizer a Saad que não entrasse. E não ocorreria nada. Eles foram presos porque a polícia, que os interceptou no caminho, tinha fotos de Saad. Ele era responsável pela Seção Internacional e Adauto já tinha dado o serviço. =================================================================================================================== FICHA Célio Augusto Guedes Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Célio Augusto Guedes Atividade: Dentista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 15/8/1972 Rio de Janeiro RJ Brasil 1º Distrito Naval Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Marinha do Brasil MB Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Grancho Guimarães Silveira Biografia Documentos Foto Foto do corpo, encontrada no IML/RJ. Foto Foto original e em preto e branco de rosto. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Célio Augusto Guedes, elaborado pela Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 11/04/96 e enviado à Comissão Especial da Lei 9.140/95. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110930/1c7fc4dc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8343 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110930/1c7fc4dc/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8555 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110930/1c7fc4dc/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 30 19:48:01 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 30 Sep 2011 19:48:01 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Adeus Europa por Frei Betto Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 30.09.11 - Mundo Adeus Europa Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Lembram-se da Europa resplandecente dos últimos 20 anos, do luxo das avenidas do Champs-Élysées, em Paris, ou da Knightsbridge, em Londres? Lembram-se do consumismo exagerado, dos eventos da moda em Milão, das feiras de Barcelona e da sofisticação dos carros alemães? Tudo isso continua lá, mas já não é a mesma coisa. As cidades europeias são, hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões de africanos para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de Berlim, ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio favorecem hordas de novos imigrantes. A crise do capitalismo, iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental. Irlanda, Portugal e Grécia, países desenvolvidos em plena fase de subdesenvolvimento, estendem seus pires aos bancos estrangeiros e se abrigam sob o implacável guarda-chuva do FMI. O trem descarrilou. A locomotiva - os EUA - emperrou, não consegue retomar sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os vagões europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A festa acabou. Previa-se que a economia global cresceria, nos próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte: preparem-se, apertem os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de 2010, quando cresceu 5,1%. O mundo virou de cabeça pra baixo. Europa e EUA, juntos, não haverão de crescer, em 2012, mais de 1,9%. Já os países emergentes deverão avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não será um crescimento homogêneo. A China, para inveja do resto do mundo, deverá avançar 9,5%. O Brasil, 3,8%. Embora o FMI evite falar em recessão, já não teme admitir estagnação. O que significa proliferação do desemprego e de todos os efeitos nefastos que ele gera. Há hoje, nos 27 países da União Europeia, 22,7 milhões de desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de volta. Frente à crise de um sistema econômico que aprendeu a acumular dinheiro mas não a produzir justiça, o FMI, que padece de crônica falta de imaginação, tira da cartola a receita de sempre: ajuste fiscal, o que significa cortar gastos do governo, aumentar impostos, reduzir o crédito etc. Nada de subsídios, de aumentos de salários, de investimentos que não sejam estritamente necessários. Resultado: o capital volátil, a montanha de dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países emergentes. Portanto, estes que se cuidem para evitar o superaquecimento de suas economias. E, por favor, clama o FMI, não reduzam muito os juros, para não prejudicar o sistema financeiro e os rendimentos do cassino da especulação. O fato é que a zona do euro entrou em pânico. A ponto de os governos, sem risco de serem acusados de comunismo, se prepararem para taxar as grandes fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram uma monumental burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao euro. Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas moedas. A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará? Tudo indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando diretamente bancos alemães e franceses) e pular fora do euro. Quem cair fora do euro terá de abandonar a União Europeia. E, portanto, ficar à margem do atual mercado unificado. Ora, quando os primeiros sintomas dessa deserção aparecerem, vai ser um deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de empresas, desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus onde, um lugar ao sol. Nos anos 80, a Europa decretou a morte do Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O consumismo desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a bancarrota obriga governos e bancos a pôr as barbas de molho e repensar o atual modelo econômico mundial, baseado na ingênua e perversa crença da acumulação infinita. [Frei Betto é escritor, autor do romance "Minas do ouro" (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110930/d387972b/attachment.html