From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 1 15:47:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 1 Oct 2011 15:47:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__AMARO_FELIX_PEREIRA___________________?= =?iso-8859-1?q?_________________-CCLXI-?= Message-ID: <2B292F9059704B658C09DEA0043AFC65@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem AMARO FELIX PEREIRA (1929-1972) Filiação: Caitana Maria da Conceição e Félix Pereira da Silva Data e local de nascimento: 10/05/1929, Rio Formoso (PE) Organização política ou atividade: PCR Data e local do desaparecimento: 1971/1972 Os filhos de Amaro Félix Pereira possibilitaram que a CEMDP resgatasse a história de um líder dos trabalhadores rurais de Pernambuco que nunca constou das listas de mortos e desaparecidos políticos: Amaro Félix Pereira, pernambucano de Rio Formoso. Conhecido como Procópio em sua militância no Partido Comunista Revolucionário (PCR), foi preso em 1964, 1966 e 1969. Casou-se com Maria Júlia Pereira em 1951, em sua terra natal. Tiveram 10 filhos e nove deles apresentaram o requerimento à CEMDP. O mais novo nasceu em abril de 1972. Em 20/1/1970, Amaro Félix foi recolhido à Casa de Detenção de Recife, para cumprir condenação de um ano de prisão. Uma certidão da ABIN, datada de 11/3/2005, informa que foi libertado em 24/11/1970. Não há registro de outra prisão, tendo sido seqüestrado e desaparecido no segundo semestre de 1971 ou em 1972. Em 1963, Amaro já era filiado ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barreiros, o primeiro sindicato organizado na região a ser reconhecido pelo Ministério do Trabalho. Era presidente do sindicato o legendário líder camponês Júlio Santana. Amaro atuava entre os trabalhadores rurais do canavial e da Usina Central da cidade de Barreiros, onde era funcionário. Ali exerceu as funções de apontador e ferreiro do Suprimento Agrícola. Trabalhou também no Engenho Soledade e Engenho Tibiri, ambos em Barreiros. Na documentação que foi possível reunir a respeito de Amaro Félix, seu último depoimento foi prestado em 07/07/1970, ainda preso na Casa de Detenção, e é com base em suas declarações que se compõe esta rápida biografia. Em 1966 tentou candidatar-se a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barreiros, mas a candidatura não teria sido aceita por estar fora do prazo legal, concorrendo apenas seu opositor. Em sinal de protesto, não votou, mas acompanhou o pleito. Ao término, foi preso, acusado de 'agitar' as eleições, que não alcançaram o quorum necessário. Ficou recolhido por três dias e, ao retornar à Usina onde trabalhava quase desde criança, foi demitido. Passou a viver de miudezas e da horta que plantava no quintal de casa. No ano seguinte, foi candidato a vereador pelo MDB, a convite do ex-deputado Miguel Mendonça, que se candidatava a prefeito, mas nenhum dos dois se elegeu. Em 1969, trabalhava no sítio de propriedade de Amaro Luís de Carvalho, no engenho Constituinte. Amaro Luís, conhecido como Capivara, era dirigente do PCR e foi morto na Casa de Detenção de Recife em agosto de 1971. Pedro Bezerra da Silva, trabalhador rural e companheiro em uma das prisões, declarou que Amaro Félix foi visto certo dia, de madrugada, depois que fora solto pela última vez e desaparecera. Estava dentro de um jipe de placa branca, que estacionou em uma oficina de carros para conserto. Amaro Félix estava deitado debaixo do banco, amarrado por correntes, sendo escoltado por policiais, quando visto pelo motorista e por funcionários da oficina. Outros depoimentos confirmam as perseguições e as ameaças de morte que sofria Amaro Félix. Elias, o filho mais velho, declara que também foi preso e espancado pela polícia e por capangas da Usina Central Barreiros. Afirma que do pai a família somente ouviu rumores de que seu corpo teria sido jogado dentro da caldeira da Usina ou no Rio Una. A CEMDP acolheu por unanimidade o voto da relatora propondo deferimento do pedido. =========================================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) AMARO FÉLIX PEREIRA (1929-1972) Natural de Rio Formoso, Pernambuco, Amaro Félix era líder dos trabalhadores rurais do canavial e da Usina Central da cidade de Barreiros, da qual era funcionário. Militou no Partido Comunista Revolucionário (PCR) com o nome de Procópio. Foi preso em 1964, 1966 e 1969. Em 1969, três anos depois de ser demitido da Usina, onde estava quase desde criança, trabalhava no sítio de propriedade de Amaro Luís de Carvalho. Amaro Luís, conhecido como Capivara, era dirigente do PCR e foi morto na Casa de Detenção de Recife em agosto de 1971. Em 20 de janeiro de 1970, Amaro Félix foi recolhido à Casa de Detenção de Recife, para cumprir condenação de um ano de prisão. Uma certidão da Abin, datada de 11 de março de 2005, informa que foi libertado em 24 de novembro de 1970. Não há registro de outra prisão, tendo sido sequestrado no segundo semestre de 1971 ou em 1972. Na documentação que foi possível reunir a respeito de Amaro Félix, seu último depoimento foi prestado em 7 de julho de 1970, ainda preso na Casa de Detenção. Pedro Bezerra da Silva, trabalhador rural e companheiro em uma das prisões, declarou que ele foi visto certo dia, de madrugada, depois que fora solto pela última vez, e desaparecera. Estava dentro de um jipe de placa branca, que estacionou em uma oficina de carros para conserto. Amaro Félix estava deitado debaixo do banco, amarrado por correntes, sendo escoltado por policiais, quando foi visto pelo motorista e por funcionários da oficina. Outros depoimentos confirmam as perseguições e ameaças de morte que sofria. Elias, o filho mais velho, declara que também foi preso e espancado pela polícia e por capangas da Usina Central de Barreiros. Afirma que, do pai, a família somente ouviu rumores de que seu corpo teria sido jogado dentro da caldeira da usina ou no rio Una. Seu nome nunca constou das listas de mortos e desaparecidos políticos antes de nove dos seus dez filhos apresentarem o requerimento à CEMDP. A comissão acolheu por unanimidade o voto da relatora propondo deferimento do pedido. ============================================================================================== + Informações. do livro Catálogo Negro) AMARO FELIX PEREIRA (1929-1972) Filiação: Caitana Maria da Conceição e Félix Pereira da Silva Data e local de nascimento: 10/05/1929, Rio Formoso (PE) Data e local do desaparecimento: 1971/1972 Conhecido como Procópio em sua militância no Partido Comunista Revolucionário -PCR, era casado com Maria Júlia Pereira e pai de 10 filhos. Em 20/1/1970, Amaro Félix foi recolhido à Casa de Detenção de Recife, para cumprir condenação de um ano de prisão. Uma certidão da ABIN, datada de 11/03/2005, informa que ele foi libertado em 24/11/1970. Não há registro de outra prisão, tendo sido sequestrado e desaparecido no segundo semestre de 1971 ou início de 1972. Em 1963, quando o famoso líder camponês Júlio Santana presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barreiros, Amaro fazia militância sindical no canavial e na Usina Central de Barreiros, onde era funcionário e, por causa disso, foi preso diversas vezes. Ao ser demitido do emprego sob alegação de ser agitador, passou a viver de miudezas e da horta que plantava no quintal de casa. Durante o regime militar, chegou a candidatar-se a vereador pelo MDB, mas não se elegeu. Seu último depoimento foi prestado em 07/07/1970, na Casa de Detenção. Pedro Bezerra da Silva, trabalhador rural e companheiro em uma das prisões, declarou ter visto Amaro certo dia, de madrugada, Estava dentro de um jipe de placa branca, deitado debaixo do banco, amarrado por correntes, sendo escoltado por policiais. ======================================================================================================================= + Informações. (do livro: Retrato da Repressão Política no Campo - Brasil 1962-1985 Camponeses torturados, mortos e desaparecidos Amaro Félix Pereira Pernambucano de Rio Formoso, um dos líderes dos trabalhadores rurais na região, conhecido como "Procópio" em sua militância no Partido Comunista Revolucionário (PCR), Amaro Félix Pereira foi detido várias vezes por suas atividades políticas: em 1960, em 1966 e em 1969 - culminando com seu desaparecimento, em 1972. Casado com Maria Júlia Pereira, com quem teve dez filhos, Amaro filiou-se, em 1963, ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barreiros, o primeiro sindicato na região a ser reconhecido pelo Ministério do Trabalho. Neste período, era presidente da entidade o conhecido líder camponês Júlio Santana. Amaro atuava entre os canavieiros e na Usina Central da cidade de Barreiros, onde era funcionário. Ali exerceu as funções de apontador e ferreiro do suprimento agrícola, tendo trabalhado ainda nos engenhos Soledade e Tibiri, ambos em Barreiros. Em meados da década de 60, tentou candidatar-se a presidente do sindicato, mas - segundo as informações de um depoimento prestado por ele em 7 de setembro de 1970, quando estava preso na Casa de Detenção de Recife - sua candidatura não teria sido aceita por estar fora do prazo legal, de forma que apenas a chapa rival concorreu naquele pleito. Como protesto, Amaro não votou. Ao final do processo, foi preso, acusado de "agitar" as eleições, que não obtiveram o quórum necessário. Ficou recolhido no xadrez por três dias e, ao retornar à usina em que trabalhava, foi demitido. Passou a viver da horta que cultivava no quintal. Em 1967, ele foi candidato a vereador pelo MDB, a convite do ex-deputado Miguel Mendonça, candidato a prefeito, sem, contudo, eleger-se. Foi preso em 1969 quando trabalhava no sítio de propriedade de Amaro Luís de Carvalho, dirigente do PCR, que seria morto em 1971. Em 20 de janeiro de 1970, Amaro foi recolhido à Casa de Detenção para cumprir condenação de um ano de prisão. Uma certidão fornecida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), datada de 11/03/2005, declara que ele foi libertado em 24 de novembro de 1970. Não há registro de outra prisão. Amaro provavelmente foi seqüestrado e desapareceu em 1971 ou em 1972. Um trabalhador rural que acompanhou Amaro em uma de suas prisões, Pedro Bezerra da Silva, afirmou que o companheiro foi visto certo dia, de madrugada, Na última vez em que foi visto, o líder camponês estava debaixo do banco de um carro, amarrado por correntes e escoltado por policiais. Estava dentro de um jipe de placa branca que estacionou em uma oficina para conserto de carros. Deitado debaixo do banco e amarrado por correntes, Amaro era escoltado por policiais quando foi visto pelo motorista e por funcionários da oficina. Outros depoimentos confirmaram as perseguições e as ameaças de morte que ele vinha sofrendo. Elias, o filho mais velho, contou que ele mesmo tinha sido preso e espancado pela polícia e por capangas da Usina Central. Na época do desaparecimento do pai, a família ouviu rumores de que seu corpo teria sido jogado dentro da caldeira da usina ou no rio Una. ========================================================================================================================= + Detalhes. Partido Comunista Revolucionário Amaro Félix Pereira (Procópio) Herói do PCR A partir do esforço dos familiares de Amaro Félix Pereira, bem como do camarada Edival Nunes Cajá, o Partido Comunista Revolucionário e a história da resistência popular contra a ditadura militar podem agora prestar uma justa homenagem a mais um dos revolucionários que deram sua vida pela democracia e o Socialismo no Brasil. Pernambucano de Rio Formoso, Amaro Félix nasceu no dia 10 de maio de 1929, filho de Caitana Maria da Conceição e Félix Pereira da Silva. Em 1951, casou-se com Maria Júlia Pereira, em sua terra natal. Tiveram 10 filhos, tendo o mais novo nascido em abril de 1972. Amaro era conhecido como Procópio, em sua militância no PCR, e foi um importante líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barreiros (PE), juntamente com o camarada Manoel Aleixo, Ventania (ver A Verdade nº. 87). Em 1966, tentou se candidatar a presidente do Sindicato de Barreiros, mas a candidatura não foi aceita, alegando-se estar fora do prazo legal. Apenas seu opositor concorreu. Ao término do pleito, foi preso, acusado de agitar as eleições, que não alcançaram o quórum necessário. Ficou recolhido por três dias e, ao retornar à usina onde trabalhava quase desde criança, foi demitido. Passou a viver de miudezas e da horta que plantava no quintal de casa. No ano seguinte, foi candidato a vereador, pelo MDB, a convite do ex-deputado Miguel Mendonça, que se candidatava a prefeito, mas nenhum dos dois se elegeu. Em 1969, trabalhava no sítio de propriedade de Amaro Luiz de Carvalho, Capivara, dirigente do PCR. Pedro Bezerra da Silva, trabalhador rural e companheiro em uma das prisões, declarou que Amaro Félix foi visto certo dia, de madrugada, depois que fora solto pela última vez e desaparecera. Estava dentro de um jipe de placa branca, que estacionou em uma oficina de carros para conserto. Amaro Félix estava deitado debaixo do banco, amarrado por correntes, sendo escoltado por policiais, quando foi visto pelo motorista e por funcionários da oficina. Outros depoimentos confirmam as perseguições e as ameaças de morte que sofria Amaro Félix. Seu filho mais velho, Elias, declara que também foi preso e espancado pela polícia e por capangas da Usina Central Barreiros. Afirma que, sobre o paradeiro do pai, a família ouviu apenas rumores de que seu corpo teria sido jogado dentro da caldeira da usina ou no Rio Una. Amaro foi preso em 1964, 1966 e 1969. Em 20 de janeiro de 1970, foi recolhido à Casa de Detenção do Recife para cumprir condenação de um ano de prisão. Uma certidão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), datada de 11 de março de 2005, informa que foi libertado no dia 24 de novembro de 1970. Seu último depoimento foi prestado em 7 de setembro de 1970, ainda preso na Casa de Detenção, e é com base em suas declarações que foi levantada a maior parte destas informações. Não há registros de outra prisão, tendo ele sido posteriormente seqüestrado e desaparecido no segundo semestre de 1971 ou em 1972. Segundo relato de Edival Cajá, o camarada Procópio comprovou sua extrema dedicação e fidelidade ao Partido durante o período em que ficou preso na Casa de Detenção do Recife, e, depois de ser seqüestrado, foi torturado até a morte, já que nada revelou sobre o Partido. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos acolheu, em 2 de fevereiro de 2006, por unanimidade, o voto da relatora Maria Eliane Menezes de Farias propondo a aprovação do requerimento assinado por nove dos dez filhos de Amaro, em que solicitavam à Comissão o reconhecimento do pai como desaparecido político, bem como a responsabilização do Estado pelo fato. Ao zelar pela história daqueles que tombaram na luta sem nunca ter vacilado sobre os princípios revolucionários da causa do Socialismo, o Partido Comunista Revolucionário mantém erguida bem ao alto esta bandeira e presta seu profundo agradecimento aos mais de 400 brasileiros assassinados pelo fascismo que dominou nosso país por duas décadas. O PCR vive e luta! Viva o Socialismo! *Fonte: Livro Direito à memória e à verdade. ================================================================================================================== + Detalhes. A Luta pela Organização do Partido Marxista-leninista no Brasil Partido Comunista Revolucionário (PCR) -------------------------------------------------------------------------------- Fonte: ... Transcrição: Rafael Freire. HTML: Fernando A. S. Araújo. -------------------------------------------------------------------------------- Fundado em maio de 1966, em Recife, o Partido Comunista Revolucionário (PCR) foi organizado por um grupo de militantes egressos do PCdoB, descontentes com os rumos que este tomava. Desde o primeiro momento, o PCR enfrentou uma encarniçada luta contra os desvios do leninismo no movimento comunista internacional: de um lado, o revisionismo soviético, do outro, o misto de esquerdismo e conciliação do Partido Comunista Chinês. Coube ao PCR, portanto, a tarefa de proclamar independência financeira e política a essas duas orientações antileninistas e, assim, "separar no Brasil, de modo irreversível, os comunistas revolucionários dos revisionistas e oportunistas". (Estatutos do PCR) O núcleo inicial da formação do PCR foi constituído pelo já experiente líder camponês Amaro Luiz de Carvalho e pelos jovens Manoel Lisboa de Moura, Selma Bandeira, Valmir Costa e Ricardo Zarattini. Ainda em 1966, o Partido lança seu primeiro documento de formulação programática, a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários, onde defende a classe operária como vanguarda da revolução socialista brasileira e a ditadura do proletariado. Luta armada e luta de massas O PCR se implanta, sobretudo, nas capitais e na zona canavieira dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Passa um período de cerca de sete anos com forte atuação na luta de resistência armada à ditadura militar, promovendo diversas ações de massas como panfletagens nas portas de fábricas e greves e passeatas estudantis, além de ações clandestinas como assaltos a quartéis e incêndios de canaviais. Com o recrudescimento do regime ditatorial a partir de 1968, diversas organizações revolucionárias que lutavam pela retomada da democracia e pelo socialismo sofrem uma brutal e crescente perseguição. O PCR resiste bravamente, mas também é atingido por duros golpes consecutivos e se desarticula parcialmente. No dia 22 de agosto de 1971, Amaro Luiz de Carvalho é executado, dois meses antes de quando sairia da Casa de Detenção do Recife, onde cumpria pena. Entre os anos de 1971 e 1972, outro líder camponês do PCR é assassinado: Amaro Félix Pereira. E em agosto/setembro de 1973, as forças policiais capturam, torturam e matam três outros destacados dirigentes do Partido: Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos e Manoel Aleixo. De fato, a perda imensurável da vida desses camaradas representou um grande baque na estrutura orgânica do Partido, em sua experiência de luta contra a ditadura, enfim, em sua direção política, cristalizada, principalmente, na figura do camarada Manoel Lisboa, incansável no trabalho de assistência aos coletivos do Partido, de salvaguarda dos princípios ideológicos, de formulação das tarefas e preparação das ações. Mesmo assim, durante toda a década de 1970, o PCR atua decisivamente no movimento estudantil universitário, dirigindo, em Pernambuco, os Diretórios Centrais das principais universidades, além da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP). O PCR também cumpriu um destacado papel na reconstrução de outros DCEs no Nordeste e na mobilização para a reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), que se concretizou em 1979, chegando à vice-presidência da entidade, em 1981, representado pelo camarada Luiz Falcão, hoje editor do jornal A Verdade. Outro momento especial deste período foi a prisão de Edival Nunes Cajá, dirigente do PCR e líder estudantil da Universidade Federal de Pernambuco. Cajá foi sequestrado e preso na cidade do Recife, em 12 de maio de 1978, e, três dias depois, mais de 12 mil estudantes da UFPE realizaram uma greve pelo fim das torturas e por sua libertação. Houve ainda ações de solidariedade por todo o Brasil e no exterior, além do decisivo engajamento dos setores da Igreja Católica alinhados a Dom Hélder Câmara. Ao fim da primeira semana, foram suspensas as torturas físicas, mas Cajá ainda permaneceu preso até o dia 01 de novembro. Já no dia 21 do mesmo mês, voltou a ser preso por conceder entrevistas denunciando as torturas que sofreu, e só voltou a ser solto no dia 01 de junho do ano seguinte. Cajá é hoje presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa de Pernambuco. Unificação dos comunistas e refundação do PCR Em julho de 1981, os militantes do PCR, com a finalidade de melhor se articular nacionalmente para realizar sua agitação política e um trabalho de massas mais amplo, visando a unidade das forças comunistas brasileiras, decidem pela fusão do Partido com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Contudo, essa nova organização agora surgida não conseguiu dar conta de suas tarefas e pouco a pouco foi se afastando dos princípios revolucionários, da forma leninista de Partido e conciliando com os interesses de uma suposta burguesia nacional anti-imperialista. Assim, em fevereiro de 1995, após muita luta política interna, o núcleo original do PCR rompe definitivamente com o MR-8 e dá início à refundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Junto com a refundação do PCR, é constituída, pela primeira vez na história do Partido, uma organização própria para a juventude: a União da Juventude Rebelião (UJR). Em 1998, o Partido realiza seu II Congresso, que marca uma formulação mais madura e precisa do desenvolvimento do capitalismo, da luta de classes no Brasil e no mundo e das tarefas do Partido frente a essa conjuntura. Em dezembro deste mesmo ano, aparece a primeira edição de A Verdade, órgão de imprensa do PCR, responsável maior pelo crescimento do trabalho de agitação, propaganda e organização do Partido. A partir de então, o Partido se uniformiza e retoma seu crescimento em nível nacional. Em agosto de 2003, realiza seu III Congresso, o qual reafirma a linha revolucionária do II Congresso e promove uma profunda reformulação de seus estatutos. A partir de 2004, o PCR passa a representar o Brasil na Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML), que é um organismo internacional de combate da classe operária e um embrião para a reconstrução da Internacional Comunista. O Partido Comunista Revolucionário (PCR) é fruto da tradição política nascida na Europa em meados do século XIX, em particular após a publicação do Manifesto do Partido Comunista, em 1848, e presente no Brasil desde a década de 1920: a tradição dos Partidos Comunistas. Portanto, nossas raízes históricas não datam de ontem, nem da década passada, e nossa trajetória se constitui na reafirmação de uma linha revolucionária, capaz de levar a classe operária e as massas populares do Brasil a realizar uma revolução que derrube o poder da burguesia e construa as bases para a sociedade socialista. ========================================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111001/cba929de/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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E tenha músicas maravilhosas para ouvir. New post on blues, jazz, mpb e etc. Paris Paris by Antonio Ozaí da Silva Paris Paris download 1 - She - Charles Aznavour 02 - La Vie En Rose - Dálida 03 - Et Si Tu N'existais Pas - Joe Dassin 04 - Je T'aime Moi Non Plus - Serge Gainsbourg & Jane Birkin 05 - L A Mer - Mireille Mathieu 06 - Chanson D'amour - The Manhattan Transfer 07 - Dolannes Melodie - Due Angeli 08 - La Voix Du Bon Dieu - Celine Dion 09 - Aicha - Gilbert 10 - F... Comme Femme - Marysa Alfaia 11 - Old Fashioned Way - Charle Aznavour 12 - New York, New York - Mireille Mathieu 13 - La Vie En Rose - Grace Jones 14 - Cherchez La Femme - Doctor Buzzard's Original Savanah Band Antonio Ozaí da Silva | 01/10/2011 at 00:26 | Categories: française | URL: http://wp.me/p1gGoZ-Hg Comentário See all comments Unsubscribe or change your email settings at Manage Subscriptions. Trouble clicking? Copy and paste this URL into your browser: http://noschansons.wordpress.com/2011/10/01/paris-paris/ Thanks for flying with WordPress.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Preso por agentes da OBAN em abril de 1970, foi expulso da PM e banido para o Chile em 1971, junto com outros 69 presos políticos, em troca do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Naquele país, trabalhou como professor universitário. Com o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende, em 11/09/1973, no Chile, Wânio e a mulher foram presos e levados para o Estádio Nacional, em Santiago, conforme testemunho da exilada Marijane Vieira Lisbôa. Morreu em 16 de outubro daquele ano, sem tratamento médico, em conseqüência de ferimentos causados durante a prisão. A certidão de óbito emitida pelo Hospital de Campanha do Estádio Nacional, sem assinaturas de médicos legistas, deu como causa da morte "peritonite aguda". A família só teve conhecimento das circunstâncias da morte de Wânio com a divulgação do Relatório Rettig, em 1991, pela Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação, que inventariou as violações de Direitos Humanos durante a ditadura de Pinochet. Com base nesse reconhecimento oficial assumido pelo governo do Chile, os familiares receberam indenização definida por lei daquele país. O processo formado junto à CEMDP foi indeferido porque prevaleceu a interpretação de que não restou comprovada, com as informações disponíveis no momento de julgamento do caso, que o Estado brasileiro tivesse responsabilidade pela morte. O reexame do caso foi aventado pelo jornalista Lucas Figueiredo, em 15/04/2007, quando publicou simultaneamente no Correio Braziliense e no Estado de Minas matérias divulgando o conteúdo do chamadO Livro negro do terrorismo no Brasil, produzido pelo Exército entre 1986 e 1988. Escreve o jornalista: "Outro trecho revelador do livro refere-se a Wânio José de Mattos, integrante da VPR que desapareceu no Chile em setembro de 1973, após o golpe militar que depôs o presidente Salvador Allende. Só em 1992, quando os arquivos chilenos foram abertos, a família foi informada pelas autoridades daquele país que, por falta de atendimento médico, Wânio morrera de peritonite aguda no Estádio Nacional, onde se encontrava preso. Contudo, pelo menos quatro anos antes da abertura dos arquivos chilenos, o Exército brasileiro já tinha conhecimento da versão, como mostra a página 788 do livro secreto. O trecho em que se lê 'Wânio José de Mattos morreu no Chile, em 1973, com peritonite' é mais uma prova de que, a partir do início da década de 1970, as ditaduras latino-americanas atuavam em estreita sintonia na guerra suja que travavam sobre seus opositores, parceria que ficou conhecida com o nome de Operação Condor". Por último, em 22/07/2007 o jornalista Cláudio Dantas Sequeira publicou no Correio Braziliense matéria sobre documentos secretos do Itamarati durante o período ditatorial, reforçando a possibilidade de que autoridades brasileiras tenham contribuído para a prisão e morte de Wânio, visto que fica comprovada a existência de vigilância permanente sobre todos os exilados brasileiros, especialmente no Chile. A reportagem menciona que no Informe 656, de 31/12/1973, o Itamaraty é formalmente comunicado da morte de Wânio em 16/10/1973, nove anos antes do reconhecimento oficial pelo governo chileno e 20 anos antes de os ministérios brasileiros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica terem informado oficialmente ao ministro da Justiça Maurício Corrêa que não sabiam daquela morte. ================================================================================================================================== + Informações. VÂNIO JOSÉ DE MATOS Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu em 27 de abril de 1926, em Piratuba, São Paulo, filho de José Antônio de Mattos e Luiza Santos Mattos. Era capitão da Polícia Militar de São Paulo. Desaparecido desde 1973, aos 47 anos de idade. Preso pela Operação Bandeirantes, em fins de 1970, foi expulso da Polícia e banido para o Chile, em 1971, quando do seqüestro do embaixador suíço no Brasil, juntamente com outros 69 presos políticos. Segundo denúncia da ex-presa política Marijane Lisboa, Vânio foi preso e, com sua mulher, levado para o Estádio Nacional, em Santiago, quando do golpe que derrubou Salvador Allende, em 1973, onde morreu sem tratamento médico, em outubro daquele ano. Somente após o Relatório Rettig (1992), seus familiares tiveram acesso às informações sobre as circunstâncias de sua morte e o Estado Chileno assumiu a reparação financeira. Sua certidão de óbito, feita em Santiago (Chile), no Hospital de Capaña do Estádio Nacional dá sua morte em 16 de outubro de 1973, tendo como causa mortis "peritonite aguda". Não há assinaturas de médicos legistas. Lá, como aqui, forjavam-se causas mortis ================================================================================ + Informações. -------------------------------------------------------------------------- Carta del Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de Brasil al Presidente Cardoso por el Juicio a Pinochet -------------------------------------------------------------------------- Excelentíssimo Senhor Doutor Fernando Henrique Cardoso Digníssimo Presidente da República Como representante dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos na Comissão Especial prevista pela Lei 9.140/95, venho à presença de V.Exa., solicitar o empenho do governo brasileiro nas gestões que ora faz o Juiz espanhol Baltasar Garzón, ao solicitar a extradição, para a Espanha, do sanguinário ditador Augusto Pinochet, para que possa, perante a Justiça, responder pelas atrocidades e crimes cometidos. Para tanto, solicitamos que V.Exa. faça chegar oficialmente às mãos do Juiz Baltasar Garzón a lista dos desaparecidos políticos brasileiros no Chile, por cujos assassinatos deverá, também, responder o General Pinochet. A exemplo dos familiares de desaparecidos chilenos e de todos os familiares de desaparecidos políticos da América Latina, os familiares brasileiros exigem a entrega dos corpos para sepultura, a elucidação das reais circunstâncias das mortes e a punição dos responsáveis. Assim como toda a América Latina, pela memória de nossos mortos e desaparecidos e para que nunca mais aconteça, os brasileiros clamam por Justiça! Clamamos Justiça por JANE VANINI, nascida em 8 de setembro de 1945, exilada no Chile por suas militância, no Brasil, na Ação Libertadora Nacional (ALN) e no Movimento de Libertação Popular (MOLIPO). Fiel à sua militância libertária, Jane integrou-se ao MIR - Movimiento de Izquierda Revolucionário. Era companheira do jornalista Pepe Carrasco, também assassinado a mando de Pinochet. Foi assassinada em 06 de dezembro de 1974, em Concepción. Em dezembro de 1993, o governo chileno reconheceu sua responsabilidade no assassinato de Jane, concedendo à família pensão, mas não devolveu seu corpo e não esclareceu as circunstâncias de sua morte, estando, para nós, desaparecida até hoje. Clamamos Justiça por LUIZ CARLOS DE ALMEIDA, físico formado na Universidade de São Paulo (USP), militante, no Brasil do Partido Operário Comunista (POC) e exilado no Chile. Preso em 14 de setembro de 1973 em sua casa, no bairro Barrancas, Santiago. Após violentas torturas, foi levado a uma ponte sobre o rio Mapocho, onde foi fuzilado, juntamente com um militante de nacionalidade uruguaia. Sobrevivente da chacina, há o testemunho de Luiz Carlos de Almeida Vieira, quase homônimo do desaparecido e que, ferido a tiros na mesma ocasião, acabou sendo levado pelas águas do rio, e salvo ao ser colhido por populares chilenos. Luiz Carlos de Almeida permanece desaparecido. Clamamos Justiça por NELSON DE SOUZA KOHL, paulista de nascimento, da cidade de Marília e também estudante da Universidade de São Paulo (USP), onde cursava Comunicação. Militante, no Brasil, do Partido Operário Comunista (POC) e exilado no Chile, onde trabalhava, em Santiago, no Instituto de Estudos Econômicos e Sociais. Foi seqüestrado, pela força aérea chilena, em 15 de setembro de 1973 e desaparecido desde então. Pelas investigações dos familiares, foi descoberto seu atestado de óbito, datado dois dias após sua prisão, e assinado pelo médico Alfredo Vargas, diretor do Instituto Médico Legal de Santiago, e que também assinou, entre dezenas de outros, o óbito do presidente Salvador Allende. Clamamos Justiça por TÚLIO ROBERTO CARDOSO QUINTILIANO, engenheiro civil formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e exilado no Chile, onde participava de um grupo chamado "Ponto de Partida", que discutia a experiência da luta armada no Brasil e os caminhos da revolução na América Latina. Foi preso em 13 de dezembro de 1973 e levado para a Escola Militar, juntamente com sua companheira, Narcisa Beatriz Verri Whitaker, solta no mesmo dia. Túlio foi levado para o Regimento Tacna, onde desapareceu. Em 1993, o governo chileno reconheceu sua responsabilidade no assassinato de Túlio, concedendo aos familiares uma pensão, mas sem entregar seu corpo ou esclarecer as circunstâncias de sua morte. Clamamos Justiça por VÂNIO JOSÉ DE MATOS, Capitão da Polícia Militar de São Paulo, preso no Brasil por sua militância na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e banido para o Chile quando do seqüestro do embaixador suíço no Brasil, juntamente com outros 69 presos políticos. Vânio foi preso quando do golpe que derrubou Salvador Allende e levado para o Estádio Nacional, em Santiago, onde morreu, em 16 de outubro, depois de violentamente torturado. Também no caso de Vânio, o estado chileno assumiu sua responsabilidade e paga reparação aos familiares. Clamamos Justiça pelos cerca de 4.000 mortos e desaparecidos no Chile. Todas essas mortes são de exclusiva responsabilidade de Pinochet. Que se faça Justiça! Que a impunidade dos crimes cometidos na América Latina não se perpetue! A verdadeira democracia jamais será construída sobre os cadáveres insepultos dos combatentes assassinados e sob as mãos impunes dos seus assassinos. Irmanados com todos os latinoamericanos, e com os povos de todo o Continente, lembramos que os crimes cometidos por Pinochet foram crimes contra a humanidade e que a história de nossos povos não pode ser sepultada como indigente e sob um falso nome - que ela ressurja, em toda a sua plenitude, no julgamento de Augusto Pinochet. Solicitamos, ainda, a interferência de V. Exa. junto ao governo chileno, para que nos sejam devolvidos os restos mortais de NILTON ROSA DA SILVA, morto no Chile em 15 de junho de 1973. Nilton participava de manifestação pública, quando foi atingido mortalmente. Enterrado com honras pelo povo chileno, em manifestação que contou com a participação de milhares de pessoas e representantes do governo Allende, à qual V.Exa. talvez tenha até comparecido. Nilton era gaúcho, nascido em Cachoeira do Sul, e militante do MIR - Movimiento de Izquierda Revolucionario. Ativo militante estudantil, exilou-se em 1971, participando ativamente da política chilena e da defesa do governo de Salvador Allende. Há anos seus familiares pleiteiam que seja trasladado à sua terra natal. Contamos com a expressa manifestação de V.Exa. Cordialmente, Em Porto Alegre, aos 20 de outubro de 1998. Suzana Keniger Libôa Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos ========================================================================== + Detalhes. segunda-feira, 23 de julho de 2007 O serviço secreto do Itamaraty Segredo de Estado As vítimas do CIEX Arquivo secreto da "CIA brasileira" contém mais de 8 mil informes. Documentos abasteceram as demais agências do Sistema Nacional de Informações Claudio Dantas Sequeira Da equipe do Correio Em uma pesquisa detalhada nos 8 mil informes que compõem o arquivo secreto do Ciex, o Correio encontrou milhares de registros de fatos que antecederam ou precederam a morte ou o desaparecimento de 64 asilados brasileiros. Essas informações, que ajudaram a selar o destino dos perseguidos, tinham origem em diferentes fontes, como informantes infiltrados, agentes de serviços de informação estrangeiros ou material apreendido com subversivos. Tudo era processado pelos membros do Ciex, depois classificado e encaminhado aos órgãos da repressão interna. Desses, os principais receptores de documentos foram SNI/AC, CIE, Cisa, Cenimar, DSI/MRE, CI/DPF, além das 2ª secretarias dos Estados Maiores das Forças Armadas (EME, EMAER e EMA). Estes, por sua vez, analisavam as informações, as cruzavam com outros dados e produziam novos informes, que serviriam para a tomada de decisão das autoridades políticas e policiais. Como parte do amplo organograma do aparato repressivo, esses órgãos também construíram seus próprios arquivos secretos e os mantêm a sete chaves. A maior parte do arquivo do Ciex é composta por documentos secretos, o segundo mais alto nível de classificação existente. Também há informes ultra-secretos, os mais protegidos, e confidenciais, o terceiro nível de classificação. A reportagem elaborou uma síntese das referências encontradas sobre os principais asilados brasileiros perseguidos pela ditadura. A investigação tomou como base a lista de 380 vítimas do regime militar encontrada no sítio www.desaparecidospoliticos.org.br. Informações inéditas sobre a trajetória dos desaparecidos e mortos podem servir às famílias de pequeno alívio ante a dor que se alimenta da ausência de explicações. Para os historiadores, é o desafio de incorporar elementos que, por um lado, ampliam o conhecimento acerca desse capítulo sombrio da recente História brasileira. Por outro, lançam novos questionamentos sobre o que já foi escrito. É o caso, por exemplo, de Wânio José de Mattos, preso em Santiago do Chile logo depois do golpe de Augusto Pinochet, em 11 de setembro de 1973. Seus familiares passaram anos a fio sem saber o que havia ocorrido ao asilado, até que o governo chileno, em 1992, confirmou sua morte por "perionite" no Estádio Nacional. O sofrimento da família poderia ter sido amenizado pois o Itamaraty recebeu, em 31 de dezembro de 1973, o informe 656, que registra a morte de Wânio "ocorrida em 16 de outubro" daquele ano. Anexo ao documento seguiu o "certificado médico de defunción (falecimento)". Mesmo sabendo, o ministério silenciou. Os últimos passos do ex-capitão Carlos Lamarca, dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) morto, também ganham uma nova dimensão com a descoberta dos arquivos do Ciex. O informe 304/70 fala de contatos seus com "um emissário dos Tupamaros (guerrilha uruguaia)" no Acre, "em zona entre Rio Branco e a fronteira boliviana", algo até agora desconhecido. Pouco se sabia também da atuação do ex-coronel Joaquim Pires Cerveira, desaparecido em 1973. Relegado a um papel menos importante na memória da resistência armada, Cerveira surge nos arquivos do Ciex como elemento de extrema periculosidade. Braço-direito de Leonel Brizola, Cerveira foi preso em 1970 com a dissolução da Frente de Libertação Nacional. Em pouco tempo, seria eleito por Fidel Castro para liderar nova tentativa de guerrilha rural no Brasil em 1971, segundo o informe 85. Já o relatório 469, de 1969, dá conta de que a versão oficial para o assassinato do ex-deputado Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), teria sido forjada, no intuito de incriminar os frades dominicanos. O informe 114/73 abre uma vertente inédita nas investigações sobre o paradeiro James Allen Luz, da VAR-Palmares. O status oficial de Allen é de desaparecido, mas não estaria descartada a possibilidade de ele ter sido justiçado por companheiros ou mesmo desmobilizado depois de colaborar com militares, recebendo nova identidade. ``Não existe mais dúvida, entre os asilados brasileiros em Santiago, de que o Cabo Anselmo e James Allen Luz sejam agentes policiais, havendo contra Anselmo ``ordem de execução``, diz o documento. ========================================== O serviço secreto do Itamaraty Série de reportagens do Correio Braziliense, publicadas desde o último domingo, revela como os diplomatas brasileiros perseguiram opositores da ditadura por meio de um poderoso sistema de inteligência, criado e operado pela cúpula do Ministério das Relações Exteriores. Os diplomatas brasileiros perseguiram opositores da ditadura por meio de um poderoso sistema de inteligência, criado e operado pela cúpula do Ministério das Relações Exteriores. Diplomatas de vários escalões foram recrutados para compor o Centro de Informações do Exterior (Ciex) que funcionou de 1966 até 1985. Dos 380 brasileiros mortos ou desaparecidos durante o regime, descobriu-se 64 deles no arquivo secreto do Ciex. O serviço, além de localizar e identificar essas pessoas fora do país, facilitava detalhes de seu regresso ao Brasil. O amplo registro das atividades políticas desses asilados municiou as demais agências da repressão com dados para as sessões de interrogatórios, reconhecidamente marcadas por torturas. Claudio Dantas Sequeira Correio Braziliense Wânio José de Mattos a.. Ex-policial, integrou VPR Morto O professor universitário Wânio José de Mattos caiu na malha do Ciex em maio de 1971, quando seu nome foi incluído na lista de brasileiros aos quais o governo Salvador Allende concedeu, por sua conta, passaportes para que deixassem o Chile, uma vez que o Itamaraty não quis fazê-lo. Embora Wânio fosse considerado por muitos asilados como um sujeito de confiança, no informe 100, de fevereiro de 1973, ele é arrolado entre os "suspeitos", por parte da direção da VPR, por supostamente dar cobertura ao Cabo Anselmo. De fato, Wânio foi preso pela polícia chilena logo depois do golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet. Por muito tempo se pensou que ele teria sido fuzilado no Estádio Nacional, como registra o informe 33, de 1976. No documento, há alusão a um esquema que envolveria suposto apoio dos militares brasileiros naquele golpe, e que o tenente-coronel Cyro Etchegoyen teria inclusive ordenado a execução de Wânio ao lado de Takao Amano e Onofre Pinto. O informe 656, de 31 de dezembro de 1973, é um dos mais importantes da coletânea, pois revela que o Itamaraty foi informado da morte de Wânio meses depois de sua prisão. Mesmo assim, esse fato foi ocultado por quase duas décadas até que o próprio governo chileno o confirmasse. A íntegra do texto: "Em anexo, fotocópia de nota do Ministério das Relações Exteriores do Chile e de 'certificado médico de defunción', que informam sobre o falecimento do asilado brasileiro Wanio José de Mattos, ocorrido em 16 de outubro de 1973". Não foi possível localizar o anexo, que continua guardado no arquivo secreto do ministério. Há ainda outros informes que demonstram como o Ciex perseguiu Wânio, e que essas informações facilitaram sua prisão por parte das autoridades chilenas. O informe 159, de 27 de março de 1973, mostra que o agente teve acesso a "apontamentos" de Wânio, nos quais encontra endereços de dois apartamentos, um na praça Julio de Mesquita, em São Paulo, e outro na Avenida Copacabana, no Rio, acompanhado de um número de telefone. "Os referidos endereços podem ser quentes. No catálogo do Rio, figura sob o mesmo endereço o nome de Mario Rogério Antonelli", ressalta o informe. ================== Processo pode ser reaberto O representante da Câmara na comissão especial que julga a responsabilidade do Estado sobre a morte e o desaparecimento de ativistas políticos na ditadura, deputado Pedro Wilson (PT-GO), afirmou que o processo de Wânio José de Mattos, que havia sido indeferido, pode ser reaberto. Integrante da VPR, Wânio desapareceu no Chile em setembro de 1973, após o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. Só em 1992, quando os arquivos chilenos foram abertos, a família foi informada pelas autoridades daquele país de que, por falta de atendimento médico, Wânio morrera de peritonite aguda no Estádio Nacional, em Santiago, onde se encontrava preso. Contudo, pelo menos quatro anos antes da abertura dos arquivos chilenos, o Exército brasileiro já tinha conhecimento da versão, como mostra a página 788 do livro secreto, que diz: "Wânio José de Mattos morreu no Chile, em 1973, com peritonite". Nova lei No julgamento do caso de Wânio, a comissão especial avaliou que não havia provas de que o Estado brasileiro tinha responsabilidade na morte do militante da VPR. Agora, avalia Pedro Wilson, o livro secreto mostra que isso não era verdade. "A comissão vai rever esse caso", disse ele. Na opinião do secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que também é favorável à reabertura do processo de Wânio, será preciso fazer uma nova lei para permitir que o caso seja revisto. Isso porque, segundo ele, os prazos para encaminhar pedidos à comissão já estão encerrados. O relato da morte de Wânio no livro secreto é mais uma prova de que, a partir do início dos anos 1970, as ditaduras latino-americanas atuaram em estreita sintonia na guerra suja que travavam contra seus opositores, parceria que ficou conhecida com o nome de "Operação Condor". =================================================================================== FICHA Wânio José de Mattos Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Wânio José de Mattos Cidade: (onde nasceu) Piratuba Estado: (onde nasceu) SC País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 27/4/1926 Atividade: Policial Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Prisão: 0/0/1970 SP Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 16/10/1973 Chile Segundo certidão de óbito. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Hospital de Campaña do Estádio Nacional Chile Operação Bandeirante OBAN Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. Artigo de jornal Chiaretti, Marco. Chile fornece pista de desaparecidos. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 jun. 1993. Cruvinel, Tereza. Panorama político: ditaduras. O Globo, Rio de Janeiro, 2 jun. 1993. Mortes no Chile serão investigadas. Jornal do Commercio, 2 jun. 1993. Discorrem sobre a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), e do deputado Roberto Valadão (PMDB-ES), em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros naquele país, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación. São eles: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. Foram obtidas informações sobre os três primeiros. Também seguem para a Argentina onde esperam encontrar informações de outros sete desaparecidos políticos brasileiros, entre eles o músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior). Artigo de jornal Diário Catarinense, Florianópolis, 13 dez. 1992. "Violência marcou vida de famílias", "Marcas das torturas reavivam a memória", "SC carrega oito cruzes". O primeiro artigo informa como foi o desaparecimento de Lucindo Costa. O segundo traz o depoimento de Derlei Catarina de Luca sobre sua participação na luta contra a ditadura e o último traz o nome de oito vítimas da ditadura que eram do estado de Santa Catarina: João Batista Rita, Arno Preis, Frederico Eduardo Mayr, Paulo Stuart Wright, Lucindo Costa, Luis Eurico Tejera Lisbôa, Rui Pfutzenreuter e Vânio José de Matos. Relatório Documento da Agrupación de Familiares de Detenidos - Desaparecidos- AFDD, (sem data). Consta que Túlio era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi preso em 12/9/73 por militares e depois disso desapareceu, que Vânio morreu em 16/10/73 no Chile devido a falta de tratamento adequado por parte dos militares chilenos e que o nome de Jane Vanine é apenas citado no Informe da Comisión Nacional de Verdad y Reconciliación como "sin convicción". Documento em espanhol. Ficha pessoal Documento do DOPS, sem data, apresentando alguns dados pessoais, fotografia de rosto em preto e branco e impressões digitais. Artigo de revista Documento sem fonte e data, intitulado: Crime assumido: Chile indeniza famílias de brasileiros mortos no golpe. Trata das indenizações recebidas pela família de Túlio e de Vânio do governo chileno em decorrência de suas mortes no Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet. Documento pessoal Certidão de nascimento do Cartório de Registro civil de Piratuba, SC, de 10/11/72. Certidão de óbito Documento emitido pelo Consulado do Brasil, em Santiago do Chile, em 30/06/80. Ofício Nota à imprensa do Deputado Nilmário Miranda, da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos, de 11/01/94, informando comunicado do Cônsul Geral do Brasil no Chile, Dr. Carlos Alfredo Pinto da Silva, no qual a Corporación Nacional de Reparación e Reconciliación confirma que os cidadãos brasileiros Jane Vanini e Luiz Carlos de Almeida foram vítimas de violação de seus direitos humanos naquele país, reconhecendo a participação de agentes do Estado chileno nestes fatos. O deputado lembra o reconhecimento anterior da responsabilidade do Estado chileno no desaparecimento e morte de três outros brasileiros (Nelson de Souza Kohl, Túlio Quintiliano e Vânio José de Matos). Também lamenta que o Estado brasileiro não tenha, da mesma forma, feito justiça frente aos familiares e à memória dos brasileiros, chilenos e argentinos desaparecidos no Brasil durante a ditadura militar. Acompanha cópia do fax enviado pelo Cônsul Geral do Brasil no Chile. ============================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111002/b0cb493c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4482 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111002/b0cb493c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 3 20:06:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 3 Oct 2011 20:06:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Dentro_do_c=E9rebro=3A_Uma_viagem?= =?iso-8859-1?q?_interativa=2E_____________________________________?= =?iso-8859-1?q?__________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_?= =?iso-8859-1?q?E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Dentro do cérebro: Uma viagem interativa Vamos aprender um pouco, sobre essa máquina fantástica, com essa viagem! http://www.alz.org/brain_portuguese/ Essa viagem explica o funcionamento do cérebro e como a doença de Alzheimer o afeta. Como fazer a viagem? Há 16 slides interativos. Ao visualizar cada slide, passe o mouse sobre qualquer texto colorido para destacar os recursos especiais de cada imagem. Em seguida, clique na seta para avançar ao próximo slide. 1. Ao abrir a página, clique em "INICIAR A VIAGEM". 2. Em cada página exibida, clique nas palavras realçadas em vermelho. Boa viagem!! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111003/61475df3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10155 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111003/61475df3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 3 20:06:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 3 Oct 2011 20:06:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Chile: por dentro da grande revolta Message-ID: <3128704794C44D3C924319DF3AD8C80F@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Boletim de atualização de Outras Palavras e Biblioteca Diplô - Nº 98 -1º/10/2011 por dentro da grande revolta Nosso colaborador viveu as mobilizações da juventude, investigou seus motivos, sentiu na pele brutalidade e táticas de provocação da polícia Por Rôney Rodrigues 18 horas, aproximadamente. O caminhão range o motor e avança contra Manuel, que não arreda o pé. Rijo e fixo, próximo à janela do caminhão - tão próximo que quase pode olhar nos olhos do carabinero -, ele provoca. "Desça. Vamos, desça". E range o motor, agora mais forte. Brumm. Vrom! brummmm! Pá-plac. O carabinero aponta os canhões do lança-água para Manuel, Manuel Espinoza, 18 anos, costeletas estilo Elvis Presley, olhos vermelhos e mal-encarados. Dispara. Ele enfrenta a força da água, se equilibra com suas franzinas pernas para não cair, se vira de costas para os jatos e, insolente, abaixa suas calças. Bunda desnuda e branca e jatos e motor vomitando fumaça e água espirrando e risos e gritos e o caminhão avança mais e mais. E Manuel estático. Por fim, o carabinero desiste, dá meio volta com o caminhão e se vai. Manuel levanta as calças, aperta o cinto e caminha com o peito estufado, um princípio de sorriso no canto dos lábios e todo ensopado. "Por que enfrentar um guanaco? E ainda mais sozinho?", pergunto, me aproximando. "A manifestação está pacifica, não que eu me considere pacífico, e eles estão jogando jatos d água e bombas de gás lacrimogêneo. Então eu disse: 'que venham'". Aqui é preciso abrir um parêntese: "eles" são os carabineros, a polícia militar chilena, responsável pela "ordem institucional". Caminhões como esse que lançou jatos contra Manuel e os outros manifestantes são conhecido como guanacos e não atiram só água. Os carabineros costumam adicionar fezes, areia e gás lacrimogêneo, também conhecido como "agente de controle antidistúrbio". Os veículos menores que transitam para lá e para cá, em alta velocidade, soltando uma fumaça ocre pelas laterais (também gás lacrimogêneo, só que em estado puro) são chamados de zorrillo. O efetivo da policia para conter as manifestações também inclui a cavalaria, ônibus, viaturas e helicópteros que sobrevoam o céu de Santiago. É a isso que Manuel se refere quando diz "eles" e que não se considera pacífico, sem deixar de olhar ao seu redor, como se houvesse um carabinero escondido, escutando o que ele fala. Há muita gente espalhada pela Alameda, a principal rua do centro, correndo do lacrimogêneo, dos jatos, dos carros. Ele prossegue, em um tom messiânico, franzino a sobrancelha. "Somos mais que os carabineros, nós nos manifestamos do nosso jeito e não vamos deixar que eles respondam dessa maneira". O jovem que enfrentou sozinho um guanaco agora é apenas mais um entre os mais de 600 mil chilenos que saíram às ruas nesse dia 25 de agosto, na maior manifestação desde a ditadura de Pinochet (1973-1990). Essa é a primeira greve geral da democracia chilena, convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no dia 24 e que reuniu mais de 80 organizações sociais, políticas e sindicais do país. O movimento estudantil, que há três meses está em manifestações, também apoia. Caminho pela rua, com os olhos vermelhos. Lágrimas involuntárias escorrem, a visão escurece por alguns minutos, sinto minha pele queimando e a dificuldade em respirar, provocada pelo gás, me dá uma leve vertigem. Uso o meu cachecol como uma mascara, na tentativa de filtrar o ar poluído pelas bombas. Sigo a correria. Os carabineros encurralam os manifestantes nas ruas paralelas a Alameda, contendo-os por lá e atirando jatos d água e bombas de gás lacrimogêneo. Outras pessoas se entrincheiram nos quiosques da avenida. Carabineros correm. Manifestantes correm. Alguns espreitam e avançam contra os guanacos, atirando pedras, paus, tudo que tem a mão. O metal tilinta. Um grupo se refugia na Igreja. Um senhor grita solitário, enfrentando um grupo de carabineros: "Estamos lutando também por vocês, seus filhos da puta!". As cenas são invariáveis. Até o final dessas manifestações, 1394 pessoas vão ser presas, mais de 200 pessoas vão ser feridas e um jovem de 16 anos vai ser assassinado. Tudo parece um filme dramático, de longos três meses, em que cenas como essas não assustam e cada um dos lados quer escrever a sua maneira o seu final. Filme por filme, eu, ao contrário, me sinto num bangue-bangue, naquele momento em que a diligência vai ser atacada pelos índios. Sempre num desfiladeiro, os cavalos trotando, pedras caindo no abismo e a angustia precipitada pela boca do estomago: a qualquer instante a lona do carro vai ser crivada de flechas. Pois bem: é essa angústia, a qualquer momento eu - e qualquer um que ande pela rua - pode ser o alvo dos carabineros. Mas o gozado é que não há nenhuma surpresa nisso, tudo já parecia anunciado há algumas horas atrás. Algumas horas atrás A alameda principal de Santiago está fechada. Os carabineros advertem que ninguém pode passar, o que deixa o sociólogo Juan Luiz Marre puto, irado de raiva. "Essa rua é minha, tenho o direito de ir e vir". "Não pode passar, senhor", barra-o com o peito o carabinero, fitando o vazio. "Vocês estão perdendo o controle, é isso que está acontecendo!", descarga Juan, saindo para outra rua. Caminho com ele até uma das quatro marchas que vão desembocar na Avenida Ricardo Cumming. Ele perdeu seu emprego quando Sebastián Piñera subiu a presidência e agora vive apenas de bicos, motivos suficientes para deixá-lo insatisfeito com a situação. Na verdade, insatisfeito é uma palavra muito leve para descrever seus sentimentos: ele comenta que nunca "o Chile foi tão neoliberal" como nesse governo "culhado" e dispara muitos "puta madre" e "hijos de puta". "É ruim voltar a sentir fome, como na época da ditadura. Mas os jovens estão saindo à rua, fazendo o que nós não fomos capazes de fazer", Juan constata, com um vinco na testa. "Não queremos uma reforma, queremos mudança. Eu não tenho nada a perder, não tenho família e posso dar a vida por essa causa". Chegamos a Avenida Cumming e a cada minuto as pessoas se multiplicam. Os carabineros fazem um cordão, impedindo que a manifestação se estenda por outras ruas. Dois helicópteros sobrevoam o céu de Santiago. A cavalaria está aposta. Os guanacos com os jatos de água estão apontados para a multidão. Do outro lado, alguns jovens encapuzados atiram pedra contra os carabineros, que se defendem como podem. Um grupo de manifestantes se coloca a frente do cordão policial como um escudo humano que protege os carabineros. Erguem as mãos, pedindo "tranquilidade", "calma", "não façam isso". As pedras estalam em seus corpos. Um senhor se aproxima, indignado. "Estão loucos, defendendo esses assassinos? Não sabem o que está se passando no país? E ainda defendem esses culhados?" Jorge Valdebenita está abraçado à bandeira do Chile e participa do "escudo humano". "Senhor, só conseguimos algo com argumentos, não com pedras", tenta argumentar. O senhor chacoalha a cabeça, blasfemando contra a atitude. Aproximo-me de Valdebenita e pergunto se são muitos os jovens mais - penso por uns dois segundos na palavra mais adequada - hostis. "São só alguns e é uma atitude manejada por alguns violentistas, os garotos são muito apaixonados e fazem coisa que não deveriam. Mas não tem argumento", pondera. "Não é mesmo, Vladimir?", e olha para outro senhor que o acompanha. É Vladimir Roblette Jerez, dirigente sindical dos professores. "Um: não tem argumento", começa Jerez, em tom professoral. "Dois: não há possibilidade de respeitá-los [os carabineros], os jovens são reprimidos e atacados e respondem com a mesma violência. É assim: o governo enfrenta o povo com a força pública e os carabineros, símbolos da burguesia e que são tão vítimas como nós, não são respeitados. Mas damos a volta com ideias, não com pedras.". Mas as pedras seguem voando sobre as cabeças de Valdebenita, Jereze e dos carabineros. Alguns encapuzados ateiam fogo em lixeiras. Os mais esquentados são cerca de 40. Quebram vidros de pontos de ônibus e atiram os pedaços como navalhas. Os manifestantes que serviam de escudo humano aos carabineros vão até os encapuzados exigir que parem, mas são agredidos com pauladas e pedradas. Os encapuzados gritam obscenidades. Vociferam contra os "pacifistas, filhos da puta". Incendeiam pneus e os chamam para brigar. Atiram mais pedras e pedaços de madeira. Mas estão em menor número e são escorraçados da frente da manifestação. Uma salva de palmas ecoa pela avenida. Logo, retornam, ainda mais violentos, com mais pedras, mais pedaços de vidro, mais paus, mais artilharia. Os carabineros aguentam firme a hostil chuva proporcionada pelos encapuzados. Os guanacos já atiram alguns jatos d água. A cavalaria atrás deles se prepara. Os carabineros correm em direção aos manifestantes. Não há mais volta: o conflito estoura. Infiltrado, eu? Aperte o pause e volte alguns minutos antes de estourar o conflito. Pedras, vidros e paus voando em direção ao cordão policial. São os "terroristas", segundo o governo chileno. Agora aperte play. Vê aqueles encapuzados que estão mais de canto que os outros, que atiram pedras, provocam outros manifestantes, vociferam contras os carabineros e, em seguida, tiram fotos? Pois bem, são acusados de serem carabineros infiltrados. Em vídeos divulgados no youtube, algumas horas depois das manifestações, se podiam ver "pacifistas" interrogando alguns desses mesmos encapuzados, que revelavam discretamente serem carabineros e que pressioná-los não era uma boa ideia. Alguns, nesses mesmos vídeos, eram acusados de serem contratados do governo e, logo depois, saiam escoltados por outros encapuzados. No dia seguinte, ao tentar acessa-los, apareciam com a seguinte advertência: "Este vídeo foi removido pelo usuário". A imprensa chilena relatou vários testemunhos de homens encapuzados que deram inicio aos distúrbios e que teriam descido de ônibus policiais para se juntarem à população. Segundo os manifestantes, supostamente os carabineros - ou pessoas contratadas pelo governo - se infiltram nas marchas praticando ações violentas para que haja motivos para repressão e deslegitime o movimento estudantil. O tenente-coronel dos Carabineiros Hernán Silva, depois de um incidente em Valparaiso (quando manifestantes descobriram um infiltrado que, em seguida, foi protegido pela Guarda do Congresso), admitiu a "presença de agentes disfarçados entre manifestantes". Um dia antes eu estava em La Granja cobrindo algumas manifestações, tomando notas em um caderninho e três jovens se aproximaram de mim, inquirindo-me. "O que você está anotando?" Digo o que fazia por ali e eles, mais relaxados, me explicam. "É porque têm muitos carabineros infiltrados e pensamos que você fosse um deles" Sempre que perguntava algum nome ou sobrenome, as pessoas me olhavam desconfiadas, a voz hesitava e indagavam se "realmente eu não era um infiltrado". Infiltrado, eu?, me surpreendia. Ainda em La Granja me encontrei com Bráulio Gonzáles, membro da Comissão de Direitos Humanos e perguntei sobre essa política de repressão. "O governo de Piñera poderia usar essa mesma força para nos dar uma saúde melhor, uma educação melhor", ironiza ele. No momento em que falávamos algumas pessoas correram. Uma barricada. Pneus queimando e a fumaça preta e sufocante dançando com o vento no céu. Quando chego à barricada vem uma chuva de granadas de lacrimogêneo. Imediatamente me encosto a uma parede, tossindo, velha história, pele ardendo, vertigem, cegueira momentânea. Alguns dão uma bica nas granadas, arremessando-as para longe. Os carabineros vêm, num rompante, com rifles, guanacos, viaturas, zorrilos e cavalos. "É melhor você correr", me diz um dos jovens que atearam fogo nos pneus. Um caldeirão de reivindicações Há uma história? Sim, há uma história e ela começa com Pinochet. Três dias antes de entregar o poder, ele promulgou a Lei Orgânica Constitucional de Ensino, que delegou grande parte da educação chilena ao setor privado. O resultado é que o ensino superior no Chile é pago, e caro. Para poderem cursar uma universidade, os estudantes precisam de crédito, que chegam pagar por até 30 anos depois de formados. Há mais de 3 meses as universidades chilenas estão paradas reivindicando educação gratuita e de qualidade. Os estudantes secundários se juntaram as mobilizações e também tomaram os colégios. O governo tem apresentado propostas de reformas do sistema educacional, como a desmunicipalização da educação secundária, uma mudança constitucional que assegure a melhoria do ensino e a redução das taxas de juros dos creditos concedidos. Mas os estudantes rechaçam, afirmando que são apenas reformas e não mudanças efetivas. Por isso, defendem a aplicação de um plebiscito para que se faça uma nova Constituição. Houve outros movimentos com reivindicações semelhantes, como a "Revolução Pinguina", em 2006, mas esse é considerado um dos mais fortes desde o retorno da democracia. Isso porque todos os outros movimentos sociais tem se somado as reivindicações estudantis, desde protestos para uma reforma da legislação trabalhistas até protestos pelo direito a diversidade sexual ou contra a implantação de projetos de hidrelétricas. Segundo pesquisa do instituto ImaginAcción, as manifestações tem apoio de 80,9% da população, enquanto o governo de Piñera conta com apenas 26%, o indicie mais baixo desde a queda de Pinochet. O cientista político Robert Funk, da Universidade do Chile, em seminários, tem defendido que toda essa convulsão social é o reflexo de uma crise de representatividade política no país. A população chilena ficou frustrada com as providências tomadas após o terremoto de 2010 e com as medidas neoliberais do governo. Aí surge uma dúvida: se a insatisfação parece ser geral, porque os estudantes têm encabeçado esse movimento? O Chile vem crescendo economicamente há anos, quando se tornou a alegria dos investidores internacionais, mas a desigualdade cresceu em proporções semelhantes. Em 2006, 13,7% da população vivia em situação de pobreza extrema, ou seja, com menos de um dólar por dia. Três anos depois, esse número cresceu para 15,1%. Isso no período em que a economia cresceu (alcançando em 2010 o PIB histórico de US$ 200 bilhões, similar a países como Irlanda, Israel e Portugal) e os 20% mais ricos aumentaram sua renda em 9%. Junte a isso o fato de que a força sindical no Chile é mínima e a taxa de desemprego chega a 17,6% entre os jovens (segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do Chile), o resultado é os jovens saindo à rua, sem o medo que seus pais têm de serem demitidos. Apenas em um giro por Santiago já se nota a efervescência política do país: ruas cobertas de cartazes, painéis enormes desenhados nos muros, carreatas de taxistas, bicicleteiros em marcha pela cidade, em cada esquina é possível cruzar com figuras que protestam por algo. As conversas nos ônibus, nas filas de mercados, não escapam do tema, como relata Viviane Ortega, funcionária de um hotel de luxo. "Esse pais está para cagar, trabalhamos a noite toda, 12 horas, para ganhar um salário mínimo. Sabe quanto é? 180 mil pesos", me diz. Esse valor equivalente a 640 reais, com diferença que o Chile tem o custo de vida mais caro da América do Sul. Maria Helena está com Viviane esperando o ônibus: "Es un governo de mierda! Pode escreve isso na sua nota", acrescenta. Quando digo que vou para as manifestações, arregala os olhos e me aconselha."Vê se toma cuidado". Tomando cuidado Voltemos às manifestações do dia 25. Depois de o conflito estourar. As coisas já estão em um alto nível de tensão. Se não acredita, olhe para esse jovem com um cachecol cobrindo o rosto, olhos vermelhos e lacrimejando, em uma rua paralela a Estação Central. Ele está tomando notas em um caderninho enquanto bombas de lacrimogêneo são lançadas; pedras, garrafas e vidros voam sobre sua cabeça; manifestantes e carabineros correm de um lado para o outro e paira na atmosfera uma perturbadora fumaça ocre. Veja como ele é golpeado no peito por dois carabineros que correram em sua direção; em seguida ele cairá seco no chão e será agarrado pelo pescoço por outro carabinero, que tentará arrastá-lo para dentro de uma viatura, acusando-o de atirar pedras, promover a desordem e ser um terrorista. Esse jovem sou eu. Imediatamente passaram-me pela cabeça, como num flash espírita, os inúmeros depoimentos de estudantes que foram detidos. Socos, pontapés, safanões, interrogatórios truculentos e depois a sarcástica pergunta: "o que aconteceu que está sangrando, meu jovem? Nem encostamos a mão em você". Também me lembrei de estudantes estrangeiros detidos que foram deportados para seu país de origem e, sair do Chile, desse jeito e sem encerrar a reportagem, não estava em meus planos. Para quem acredita na roda da sorte ou em acasos convenientes, eis que surge um material para análise mística. Um senhor peita os carabineros que estavam me levando. "Ele não estava fazendo nada. Nada!" "Ele estava atirando pedras", responde um carabinero, olhando ao redor e procurando algo. "É terrorista!" "Eu sou mais velho e ele estava comigo e ele não fez nada, senhor. Nada" mentiu ele, ao dizer que estávamos juntos, e livrando minha cara. Estendeu-me a mão, erguendo-me. Levantei-me e, a princípio, ri-me com o acontecido, ri-me sem gosto, como se riem os fatigados por ver o real mais real. "Eles desceram e não pegaram ninguém, precisavam levar um preso", me disse o senhor. "E você foi o sorteado", riu sarcástico, dando-me um limão, que alivia o mal-estar provocado pelo lacrimogêneo no organismo. "Não coloque o cachecol no seu rosto, sei que não dá pra aguentar o lacrimogêneo, mas tem que aguentar". Ao voltar para casa, vi a cidade em frangalhos: semáforos e placas queimadas pelas barricadas; pontos de ônibus destruídos; pedras, garrafas, tintas, granadas de lacrimogêneo e bandeiras ao chão; manchas brancas das bombas contrastando com o escuro do asfalto; policiais por todo o lado. Olhei para o lado e vi um grafite: "Guerra Social". Sorri, me parecia fazer sentido a frase. À noite, fui a um panelaço e conversei com um senhor, cabelos brancos e lisos, que estava com sua frigideira, gritando contra o governo de Piñera. Ele viveu de perto muitas transformações políticas no Chile, estava presente quando Pinochet entrou e saiu do governo; em todos os anos de democracia; foi a várias manifestações, panelaços e marchas e, quem sabe, poderia me dar uma visão não tão apaixonada, de quem já passou por outros momentos históricos. Perguntei se ele acreditava que algo, de fato, iria mudar. "É difícil, para mudar eu acredito que algo muito grande vai ter que acontecer", disse, pensando no que seria esse "algo muito grande". "Como uma morte, de algum dos lados". Nessa mesma noite, talvez enquanto conversávamos e esse senhor me falava de mortes, Manuel Gutiérrez, um jovem de 16 anos, foi baleado enquanto voltava para casa. Depois de uma exaustiva investigação, se comprovou que o disparo saiu de uma submetralhadora israelita UZI, utilizada pelo Grupo de Operações Policiais Especiais, o GOPE, dos Carabineros do Chile. Nada, efetivamente, mudou e as manifestações seguem. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111003/855fa45e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 21848 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111003/855fa45e/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 4 20:01:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 4 Oct 2011 20:01:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__T=DALIO_ROBERTO_CARDOSO_QUINTILIANO__?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCLXIII-?= Message-ID: <4149C4027A9E4EF3803BDD0A9AA972A5@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem TÚLIO ROBERTO CARDOSO QUINTILIANO (1944 - 1973) Filiação: Nairza Cardoso Quintiliano e Aylton Quintiliano Data e local de nascimento: 06/09/1944, Maceió (AL) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 12/09/1973, Santiago, Chile Engenheiro civil formado em 1969 pela PUC/RJ. Em abril de 1969, foi preso e torturado por participação no Movimento Estudantil. Foi liberado em agosto, quando terminou seus estudos. Formado, foi trabalhar como engenheiro fiscal de obras na estrada Belém-Brasília. Ao ser condenado a um ano de prisão, em 21/07/1970, voltou ao Rio e pediu asilo na Embaixada do Chile. Viajou para Santiago em 01/10/1970, onde morava e trabalhava como engenheiro. Casou-se com Narcisa Beatriz Verri Whitaker, com quem teve uma filha. Ainda na embaixada do Chile conheceu Mário Pedrosa, com quem estabeleceu amizade. Influenciado pelas discussões com Mário e seus amigos, antigos militantes do Partido Socialista Chileno, organizou um pequeno grupo, chamado Ponto de Partida, para discutir a experiência da luta armada no Brasil e os caminhos da revolução na América Lantina. Após o golpe militar no Chile, em 12/09/1973, foi detido com sua esposa, às 19h30min, sendo ambos levados para a Escola Militar. Em carta de 03/10/1973 ao Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Narcisa declara que foi liberada na mesma noite e que Túlio, por não ter um documento em ordem, foi encaminhado para o Regimento Tacna. De posse do documento que faltava a Túlio, sua esposa voltou ao presídio, mas não mais conseguiu encontrá-lo. Deste então, encontra-se desaparecido. Como resultado dos trabalhos de investigação feitos pela Comissão Nacional de Reparação, o Relatório Rettig - como ficou conhecido o documento conclusivo dos trabalhos de investigação dos desaparecimentos políticos por ter sido organizado pelo senador chileno do Partido Radical, Raul Rettig - seus familiares tiveram acesso às informações sobre as circunstâncias de sua morte e o Estado chileno assumiu suas responsabilidades no assassinato de Túlio, concedendo à sua família uma pensão como forma de reparação financeira a partir do ano de 1992. Sua mãe e sua esposa escreveram várias cartas a autoridades brasileiras, chilenas e de outros países entre 1974 e 1990. Obtendo resposta apenas com o fim da ditadura de Pinochet. O processo foi indeferido pela CEMDP por unanimidade por ele ter morrido fora do território nacional. ========================================================================================================================= + Informações. TÚLIO ROBERTO CARDOSO QUINTILIANO Ex-militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Engenheiro civil formado em 1969 pela PUC/RJ. Em abril de 1969, foi preso por participação no movimento estudantil, sendo torturado. Foi liberado em agosto, quando terminou seus estudos. Formado, foi trabalhar como engenheiro fiscal de obras na estrada Belém-Brasília. Ao ser condenado a um ano de prisão, em 21 de julho de 1970, voltou ao Rio e pediu asilo na Embaixada do Chile. Viajou para Santiago em 1° de outubro de 1970, onde morava e trabalhava como engenheiro. Casou-se com Narcisa Beatriz Verri Whitaker, com quem teve uma filha. Ainda na embaixada do Chile conheceu Mário Pedrosa, com quem estabeleu amizade. Influenciado pelas discussões com Mário e seus amigos, antigos militantes do Partido Socialista Chileno, organiza um pequeno grupo, chamado Ponto de Partida, para discutir a experiência da luta armada no Brasil e os caminhos da revolução na América Lantina. Um dia após o golpe militar no Chile, em 13 de setembro de 1973, foi detido, às 19:30 horas, com sua esposa e levados para a Escola Militar. Em carta de 03 de outubro de 1973 ao Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Narcisa declara que foi liberada na mesma noite e que Túlio, por não ter um documento em ordem, foi encaminhado para o Regimento Tacna. De posse do documento que faltava a Túlio, sua esposa voltou ao presídio, mas não mais conseguiu encontrá-lo. Deste então, encontra-se desaparecido. Como resultado dos trabalhos de investigação feitos pela Comissão Nacional de Reparação, seus familiares tiveram acesso às informações sobre as circunstâncias de sua morte e o Estado chileno assumiu a reparação financeira. Segundo o Relatório Rettig - como ficou conhecido o documento conclusivo dos trabalhos de investigação dos desaparecimentos políticos por ter sido organizado pelo senador chileno do Partido Radical, Raul Rettig - os familiares dos desaparecidos políticos mencionados neste documento puderam solicitar indenização ao governo chileno a partir do ano de 1992. Em 1993, o governo chileno assumiu suas responsabilidades no assassinato de Túlio, concedendo a sua família uma pensão como forma de reparação. =============================================================================================== + Detalhes. -------------------------------------------------------------------------- TULIO ROBERTO QUINTILIANO CARDOSO Rut : Nacionalidad brasilera F.Nacim. : 06-09-44, 29 años de edad a la fecha de su detención Domicilio : Américo Vespucio Norte 2294 E.Civil : Casado, una hija Actividad : Ingeniero civil, funcionario de la Corporación de la Reforma Agraria C.Repres. : Militante del Partido Comunista Brasilero, refugiado político en nuestro país F.Detenc. : 12 de septiembre de 1973 SITUACION REPRESIVA Tulio Roberto Quintiliano Cardoso, nacionalidad brasileña, casado, una hija, militante del Partido Comunista del Brasil, asilado político en Chile, fue detenido el 12 de septiembre de 1973 en su domicilio de Av. Américo Vespucio Norte, junto a su cónyuge Beatriz Narcisa Verri Whitaker, también brasileña. Los aprehensores fueron efectivos del Comando de Institutos Militares del Ejército, quienes, luego de allanar el domicilio, trasladaron al matrimonio a la Escuela Militar, desde donde doña Beatriz Verri fue dejada en libertad ese mismo día. Su esposo, según se le informó, quedó detenido por no tener en su poder el permiso de residencia definitiva, documento que se encontraba tramitado y sólo faltaba retirarlo del Servicio de Investigaciones. Posteriormente, doña Beatriz intentó hacer llegar a su poder ese documento, pero en la Escuela Militar le manifestaron que había sido trasladado al Regimiento Tacna. En esta última Unidad Militar, negaron la detención del afectado, pese a que la Escuela Militar oficialmente comunicó a la Corte de Apelaciones de Santiago, Tribunal que conoció un recurso de amparo en su favor, que personal suyo detuvo a Tulio Roberto Quintiliano y que tras haberlo interrogado había sido trasladado al Regimiento Tacna. Su cónyuge realizó numerosas averiguaciones en todos los centros de prisioneros políticos de la época, sin resultados positivos y aún desconoce la suerte que corrió en manos del Ejército. GESTIONES JUDICIALES Y/O ADMINISTRATIVAS El 3 de octubre de 1973, doña Beatriz Narcisa Verri presentó un recurso de amparo en favor de su esposo detenido, ante la Corte de Apelaciones de Santiago, rol 536-73, en el cual expuso las circunstancias en que tanto ella como el amparado fueron detenidos y trasladados a la Escuela Militar. La Corte requirió información a la Escuela Militar, Ministerio de Defensa Nacional y al Comandante del Regimiento Tacna. El 3 de noviembre de 1973, el Comandante del Regimiento Tacna, Coronel Luis J. Ramírez Pineda, informó a la Corte que el amparado no figura en ningún registro de la Unidad a su mando y que tampoco se tiene antecedentes de que haya pasado por ese Regimiento los días 11 y 12, por cuanto el personal que permaneció detenido en esos días fue sólo en calidad de "Tránsito al Estadio Chile". Por su parte, el Comandante en Jefe de la II División de Ejército, General de Brigada Herman Brady Roche, señaló que el afectado no se encontraba detenido por orden de los Tribunales Militares y que no hay constancia que se encuentre detenido por orden de otra autoridad. El 22 de noviembre de 1973, el Comandante de la Agrupación "Este" del Comando de Instituto Militares con asiento en la Escuela Militar, General de Brigada Raúl Benavides Escobar, informó a la Corte de Apelaciones que el amparado fue detenido el 12 de septiembre de 1973, después de ser interrogado en el Cuartel General de la Agrupación "Este" fue enviado al Regimiento de Artillería N°1 "Tacna". El Tribunal, al tenor de esta última información, requirió un nuevo informe al Regimiento Tacna. Sin embargo, el 2 de enero de 1974, la Corte recibió un nuevo informe negativo del Comandante en Jefe de la II División de Ejército, esta vez firmado por el General de Brigada Sergio Arellano Stark, y sin esperar la respuesta del Regimiento Tacna, el 8 de enero de 1974 rechazó el recurso de amparo, y pese a que el amparado continuaba desaparecido, no remitió los antecedentes al Juzgado del Crimen competente a fin de investigar los presuntos hechos delictivos cometidos a raíz de su desaparecimiento. El 9 de enero, la Corte recibió la respuesta negativa del Regimiento individualizado. Los antecedentes antropomórficos de Tulio Roberto Quintiliano Cardoso fueron anexados a la causa 4449-AF del 22° Juzgado del Crimen de Santiago por el delito de inhumación ilegal, en el Patio 29 del Cementerio General, de personas no identificadas muertas entre septiembre y diciembre de 1973. El Juez Instructor de la causa ordenó la excavación de 108 tumbas en septiembre de 1991. De allí se exhumaron 125 cuerpos, los que fueron remitidos al Instituto Médico Legal. En la actualidad (fines de 1992) se está a la espera de los informes periciales de identificación. ============================================================================================================ Ficha Túlio Roberto Cardoso Quintiliano Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Túlio Roberto Cardoso Quintiliano Atividade: Engenheiro Universidade Pontifícia Universidade Católica/Rio de Janeiro PUC Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro Revolucionário PCBR Brasil Prisão: 0/4/1969 RJ Brasil 13/9/1973 Chile Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/10/1973 Chile Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. Artigo de jornal Chiaretti, Marco. Chile fornece pista de desaparecidos. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 jun. 1993. Cruvinel, Tereza. Panorama político: ditaduras. O Globo, Rio de Janeiro, 2 jun. 1993. Mortes no Chile serão investigadas. Jornal do Commercio, 2 jun. 1993. Discorrem sobre a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), e do deputado Roberto Valadão (PMDB-ES), em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros naquele país, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación. São eles: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. Foram obtidas informações sobre os três primeiros. Também seguem para a Argentina onde esperam encontrar informações de outros sete desaparecidos políticos brasileiros, entre eles o músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior). Foto Foto original e preto e branco de meio corpo. Relatório Documento da Agrupación de Familiares de Detenidos - Desaparecidos- AFDD, (sem data). Consta que Túlio era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi preso em 12/9/73 por militares e depois disso desapareceu, que Vânio morreu em 16/10/73 no Chile devido a falta de tratamento adequado por parte dos militares chilenos e que o nome de Jane Vanine é apenas citado no Informe da Comisión Nacional de Verdad y Reconciliación como "sin convicción". Documento em espanhol. Ficha pessoal Documento do departamento jurídico do Arzobispado de Santiago, sem data e em espanhol, com dados sobre a prisão de Túlio no Chile e os processos levantados por Beatriz Narcisa Verri para a sua libertação entre 1973 e 1974, todos negados pela Justiça chilena. Artigo de revista Documento sem fonte e data, intitulado: Crime assumido: Chile indeniza famílias de brasileiros mortos no golpe. Trata das indenizações recebidas pela família de Túlio e de Vânio do governo chileno em decorrência de suas mortes no Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet. Ofício Nota à imprensa do Deputado Nilmário Miranda, da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos, de 11/01/94, informando comunicado do Cônsul Geral do Brasil no Chile, Dr. Carlos Alfredo Pinto da Silva, no qual a Corporación Nacional de Reparación e Reconciliación confirma que os cidadãos brasileiros Jane Vanini e Luiz Carlos de Almeida foram vítimas de violação de seus direitos humanos naquele país, reconhecendo a participação de agentes do Estado chileno nestes fatos. O deputado lembra o reconhecimento anterior da responsabilidade do Estado chileno no desaparecimento e morte de três outros brasileiros (Nelson de Souza Kohl, Túlio Quintiliano e Vânio José de Matos). Também lamenta que o Estado brasileiro não tenha, da mesma forma, feito justiça frente aos familiares e à memória dos brasileiros, chilenos e argentinos desaparecidos no Brasil durante a ditadura militar. Acompanha cópia do fax enviado pelo Cônsul Geral do Brasil no Chile. ============================================================================================= -------------------------------------------------------------- Carta del Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de Brasil al Presidente Cardoso por el Juicio a Pinochet -------------------------------------------------------------- Excelentíssimo Senhor Doutor Fernando Henrique Cardoso Digníssimo Presidente da República Como representante dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos na Comissão Especial prevista pela Lei 9.140/95, venho à presença de V.Exa., solicitar o empenho do governo brasileiro nas gestões que ora faz o Juiz espanhol Baltasar Garzón, ao solicitar a extradição, para a Espanha, do sanguinário ditador Augusto Pinochet, para que possa, perante a Justiça, responder pelas atrocidades e crimes cometidos. Para tanto, solicitamos que V.Exa. faça chegar oficialmente às mãos do Juiz Baltasar Garzón a lista dos desaparecidos políticos brasileiros no Chile, por cujos assassinatos deverá, também, responder o General Pinochet. A exemplo dos familiares de desaparecidos chilenos e de todos os familiares de desaparecidos políticos da América Latina, os familiares brasileiros exigem a entrega dos corpos para sepultura, a elucidação das reais circunstâncias das mortes e a punição dos responsáveis. Assim como toda a América Latina, pela memória de nossos mortos e desaparecidos e para que nunca mais aconteça, os brasileiros clamam por Justiça! Clamamos Justiça por JANE VANINI, nascida em 8 de setembro de 1945, exilada no Chile por suas militância, no Brasil, na Ação Libertadora Nacional (ALN) e no Movimento de Libertação Popular (MOLIPO). Fiel à sua militância libertária, Jane integrou-se ao MIR - Movimiento de Izquierda Revolucionário. Era companheira do jornalista Pepe Carrasco, também assassinado a mando de Pinochet. Foi assassinada em 06 de dezembro de 1974, em Concepción. Em dezembro de 1993, o governo chileno reconheceu sua responsabilidade no assassinato de Jane, concedendo à família pensão, mas não devolveu seu corpo e não esclareceu as circunstâncias de sua morte, estando, para nós, desaparecida até hoje. Clamamos Justiça por LUIZ CARLOS DE ALMEIDA, físico formado na Universidade de São Paulo (USP), militante, no Brasil do Partido Operário Comunista (POC) e exilado no Chile. Preso em 14 de setembro de 1973 em sua casa, no bairro Barrancas, Santiago. Após violentas torturas, foi levado a uma ponte sobre o rio Mapocho, onde foi fuzilado, juntamente com um militante de nacionalidade uruguaia. Sobrevivente da chacina, há o testemunho de Luiz Carlos de Almeida Vieira, quase homônimo do desaparecido e que, ferido a tiros na mesma ocasião, acabou sendo levado pelas águas do rio, e salvo ao ser colhido por populares chilenos. Luiz Carlos de Almeida permanece desaparecido. Clamamos Justiça por NELSON DE SOUZA KOHL, paulista de nascimento, da cidade de Marília e também estudante da Universidade de São Paulo (USP), onde cursava Comunicação. Militante, no Brasil, do Partido Operário Comunista (POC) e exilado no Chile, onde trabalhava, em Santiago, no Instituto de Estudos Econômicos e Sociais. Foi seqüestrado, pela força aérea chilena, em 15 de setembro de 1973 e desaparecido desde então. Pelas investigações dos familiares, foi descoberto seu atestado de óbito, datado dois dias após sua prisão, e assinado pelo médico Alfredo Vargas, diretor do Instituto Médico Legal de Santiago, e que também assinou, entre dezenas de outros, o óbito do presidente Salvador Allende. Clamamos Justiça por TÚLIO ROBERTO CARDOSO QUINTILIANO, engenheiro civil formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e exilado no Chile, onde participava de um grupo chamado "Ponto de Partida", que discutia a experiência da luta armada no Brasil e os caminhos da revolução na América Latina. Foi preso em 13 de dezembro de 1973 e levado para a Escola Militar, juntamente com sua companheira, Narcisa Beatriz Verri Whitaker, solta no mesmo dia. Túlio foi levado para o Regimento Tacna, onde desapareceu. Em 1993, o governo chileno reconheceu sua responsabilidade no assassinato de Túlio, concedendo aos familiares uma pensão, mas sem entregar seu corpo ou esclarecer as circunstâncias de sua morte. Clamamos Justiça por VÂNIO JOSÉ DE MATOS, Capitão da Polícia Militar de São Paulo, preso no Brasil por sua militância na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e banido para o Chile quando do seqüestro do embaixador suíço no Brasil, juntamente com outros 69 presos políticos. Vânio foi preso quando do golpe que derrubou Salvador Allende e levado para o Estádio Nacional, em Santiago, onde morreu, em 16 de outubro, depois de violentamente torturado. Também no caso de Vânio, o estado chileno assumiu sua responsabilidade e paga reparação aos familiares. Clamamos Justiça pelos cerca de 4.000 mortos e desaparecidos no Chile. Todas essas mortes são de exclusiva responsabilidade de Pinochet. Que se faça Justiça! Que a impunidade dos crimes cometidos na América Latina não se perpetue! A verdadeira democracia jamais será construída sobre os cadáveres insepultos dos combatentes assassinados e sob as mãos impunes dos seus assassinos. Irmanados com todos os latinoamericanos, e com os povos de todo o Continente, lembramos que os crimes cometidos por Pinochet foram crimes contra a humanidade e que a história de nossos povos não pode ser sepultada como indigente e sob um falso nome - que ela ressurja, em toda a sua plenitude, no julgamento de Augusto Pinochet. Solicitamos, ainda, a interferência de V. Exa. junto ao governo chileno, para que nos sejam devolvidos os restos mortais de NILTON ROSA DA SILVA, morto no Chile em 15 de junho de 1973. Nilton participava de manifestação pública, quando foi atingido mortalmente. Enterrado com honras pelo povo chileno, em manifestação que contou com a participação de milhares de pessoas e representantes do governo Allende, à qual V.Exa. talvez tenha até comparecido. Nilton era gaúcho, nascido em Cachoeira do Sul, e militante do MIR - Movimiento de Izquierda Revolucionario. Ativo militante estudantil, exilou-se em 1971, participando ativamente da política chilena e da defesa do governo de Salvador Allende. Há anos seus familiares pleiteiam que seja trasladado à sua terra natal. Contamos com a expressa manifestação de V.Exa. Cordialmente, Em Porto Alegre, aos 20 de outubro de 1998. Suzana Keniger Libôa Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111004/c99bf03e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28873 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111004/c99bf03e/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28873 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111004/c99bf03e/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 4 20:01:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 4 Oct 2011 20:01:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_CONVITE_LAN=C7AMENTO_DE_LIVRO_-_F?= =?iso-8859-1?q?ERRIANI?= Message-ID: <04ED2F1A5D9941569753CE44906BF7BC@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem CONVITE LANÇAMENTO DE LIVRO - FERRIANI -------------------------------------------------------------------------------- "Fragmentos de uma vida fala sobre alegrias, sofrimentos, descobertas, encontros e desencontros. É uma obra que alimenta o espírito, propondo reflexões sutis a respeito de temas controversos como relações humanas, homossexualismo, religião, poder econômico, liberdade, cirurgia plástica, obesidade, beleza, dentre tantos outros. Relatando fatos, às vezes corriqueiros, às vezes incomuns, um homem de alma poética, revive sua história. Fala de amor, de arte, de valores. Relembra o passado e expõe o presente, numa trama que mistura verso e prosa, sonho e realidade." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111004/4daef3d7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44423 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111004/4daef3d7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 5 19:39:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 5 Oct 2011 19:39:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JAYME_AMORIM_DE_MIRANDA______________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CCLXIV-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem JAYME AMORIM DE MIRANDA (1926 - 1975) Filiação: Hermé Amorim de Miranda e Manoel Simplício de Miranda Data e local de nascimento: 18/07/1926, Maceió (AL) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 04/02/1975, no Rio de Janeiro Foi preso no Rio de Janeiro, em 04/02/1975, ao sair de sua casa no bairro do Catumbi. Nascido em Maceió (AL), jornalista e advogado, Jayme Amorim era membro do Comitê Central do PCB e seu nome consta na lista dos mortos e desaparecidos políticos do Anexo da Lei nº 9.140/95. Ocupou no PCB o importante posto de Secretário de Organização. Era casado e pai de quatro filhos Membro do PCB desde a juventude, suspendeu seu curso de Direito, em Maceió, quando já estava no 3º ano, por orientação partidária, para ingressar na Escola de Sargento das Armas. Depois de três anos como sargento, retomou a Faculdade de Direito e colou grau numa cerimônia em que seus colegas o protegeram para que não fosse preso pela polícia do autoritário governador Arnon de Mello, pai do ex-presidente Fernando Collor. Nesse período, cumpriu um ano de prisão em Maceió, onde era proprietário do jornal A Voz do Povo, orientado editorialmente pelo Partido Comunista. Quando foi solto, já tinha promovido uma revolução no presídio de Maceió, atuando como advogado na defesa dos presos comuns, orientando seus familiares para que pressionassem o Judiciário, denunciando todas as arbitrariedades do sistema prisional. O jornal foi fechado após abril de 1964, sendo Jayme Amorim novamente preso. Posto em liberdade vigiada um ano depois, tinha que se apresentar semanalmente numa dependência militar. Como saíra enfermo da prisão, com suspeita de câncer na laringe, e precisando buscar tratamento adequado num centro maior, Jayme seguiu para o Rio de Janeiro, deixando de se apresentar às autoridades do regime, o que levou a polícia a interrogar seu pai e prender o irmão Haroldo. Como dirigente do PCB, Jayme esteve na União Soviética várias vezes e chegou a ter uma conversa direta com Mao Tse-tung, em Pequim, a respeito do conflito sino-soviético. Como era poliglota, vivendo como se fosse exilado em seu próprio país, Jayme traduzia clandestinamente textos para jornais importantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, ganhando assim uma parte do sustento da família. Em meados de 1973, Jayme foi enviado à União Soviética para tratamento de saúde, de onde retornou pouco antes de ser preso e desaparecer. Nessa época, devido às várias prisões ocorridas no alto comando do PCB, o partido já decidira pela sua saída definitiva do país. No entanto, em 04/02/1975, Miranda deixou sua casa no Catumbi, beijou o pai e irmã, que tinham vindo de Maceió para visitá-lo, e nunca mais foi visto. O irmão de Jayme, o jornalista Haroldo Amorim de Miranda, em entrevista para o livro Desaparecidos Políticos, organizado por Reinaldo Lapa e Ronaldo Cabral, apresentou uma primeira hipótese sobre o desfecho e desaparecimento do corpo: "de acordo com informações filtradas nos subterrâneos da resistência comunista, junto com outros presos igualmente torturados em São Paulo, Jayme teria sido jogado de um avião militar a 200 milhas da costa, no Oceano Atlântico". Jayme foi julgado à revelia na 2ª Auditoria da Marinha em setembro de 1978, juntamente com outras pessoas tidas como desaparecidas, acusadas de reorganizar o PCB: Orlando Bomfim, Luiz Inácio Maranhão, Hiran de Lima Pereira e Élson Costa. O Relatório do Ministério do Exército, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, informa apenas que Jayme "esteve em Moscou e seu nome aparece numa lista de brasileiros que passaram pelo aeroporto de Orly, em Paris, com destino aos países do leste europeu, em 1974. Usava o nome falso de Juarez Amorim da Rocha". Já o Relatório do Ministério da Marinha, do mesmo ano, registra que, com data de agosto de 1979, "figurou em uma relação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro cassados pelo AI 1, 2 e 5 e desaparecido depois de ter sido preso (Relação s/n de 20/08/79 - CAM-DEP)". Na já citada entrevista que o ex-agente do DOI-CODI/SP Marival Chaves concedeu à revista Veja de 18/11/1992, o jornalista Expedito Filho faz a pergunta: "Voltando ao rio de Avaré. O senhor falou em oito nomes, mas contou só sei". E obtém como resposta: "Um é Jayme Amorim de Miranda, também preso na Operação Radar, numa das incursões do DOI de São Paulo ao Rio. Foi transferido para Itapevi. Seu irmão Nilson Miranda, que era secretário-geral do PCB de Porto Alegre, estava preso no Ipiranga. Um não sabia onde estava o outro. O Nilson sobreviveu". O jornalista Elio Gaspari também registra, em A Ditadura Encurrala, que Jayme teria sido visto no DOPS de São Paulo e que foi assassinado no aparelho do CIE em Itapevi. =========================================================================================================================== + Informações. JAYME AMORIM MIRANDA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu em 18 de julho de 1926 em Maceió,Alagoas, filho de Manoel Simplício de Miranda e Hermé Amorim de Miranda. Era casado e pai de 4 filhos. Desaparecido desde 1975 quando contava 49 anos. Jornalista, advogado e ex-diretor do jornal "Voz do Povo", de Maceió. Foi preso no dia 4 de fevereiro de 1975 no Catumbi, Rio de Janeiro, ao sair de casa. O Relatório do Ministério do Exército diz que "esteve em Moscou e seu nome aparece numa lista de brasileiros que, em 1974, transitaram pelo aeroporto de Orly/França, com destino aos países socialistas, com o nome falso de Juarez Amorim da Rocha". Já o Relatório do Ministério da Marinha diz que, com data de Ago/79, "figurou em uma relação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro, cassados pelo AI 1, 2 e 5 e desaparecido depois de ter sido preso (Relação s/n de 20/08/79 - CAM-DEP)." ====================================================================================== + Informações. do livro Habeas Corpus) JAYME AMORIM DE MIRANDA (1926-1975) Nascido em Maceió (AL), jornalista e advogado, Jayme Amorim era membro do Comitê Central do PCB. Como dirigente comunista, Jayme esteve na União Soviética várias vezes e chegou a ter uma conversa direta com Mao Tsé-Tung, em Pequim, a respeito do conflito sino-soviético. Como era poliglota, vivendo como se fosse exilado em seu próprio país, Jayme traduzia clandestinamente textos para jornais importantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, ganhando assim uma parte do sustento da família. Em meados de 1973, foi enviado à União Soviética para tratamento de saúde, de onde retornou pouco antes de ser preso e desaparecer. Nessa época, devido às várias prisões ocorridas no alto comando do PCB, o partido já decidira pela sua saída definitiva do país. No entanto, em 04 de fevereiro de 1975, Miranda deixou sua casa no bairro do Catumbi, Rio de Janeiro, beijou o pai e irmã, que tinham vindo de Maceió para visitá-lo, e nunca mais foi visto. Jayme foi julgado à revelia na 2ª Auditoria da Marinha em setembro de 1978. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, informa apenas que Jayme "esteve em Moscou e seu nome aparece numa lista de brasileiros que passaram pelo aeroporto de Orly, em Paris, com destino aos países do leste europeu, em 1974." Já o relatório do Ministério da Marinha, do mesmo ano, registra que, com data de agosto de 1979, "figurou em uma relação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro [de] cassados pelo AI 1, 2 e 5 e desaparecido depois de ter sido preso (Relação s/n de 20/08/79 - CAM-DEP)". O jornalista Elio Gaspari registra, em A ditadura encurralada, que Jayme teria sido visto no DOPS de São Paulo e que foi assassinado no aparelho do CIE em Itapevi. Versão semelhante é sustentada pelo ex-agente do DOI-Codi/SP Marival Chaves, na entrevista que concedeu à revista Veja de 18 de novembro de 1992. Indagado sobre os presos mortos jogados no rio Avaré, afirmou: Um é Jayme Amorim de Miranda, também preso na Operação Radar, numa das incursões do DOI-Codi de São Paulo ao Rio. Foi transferido para Itapevi. Seu irmão Nilson Miranda, que era secretário-geral do PCB de Porto Alegre, estava preso no Ipiranga. Um não sabia onde estava o outro. O Nilson sobreviveu. Segundo outro irmão de Jayme, o jornalista Haroldo Amorim de Miranda, em entrevista para o livro Desaparecidos Políticos, organizado por Reinaldo Lapa e Ronaldo Cabral, ele "teria sido jogado de um avião militar a 200 milhas da costa, no Oceano Atlântico". ========================================================================================== + Detalhes. MEMÓRIA & HISTÓRIA ? A VOZ DO POVO Publicado por Luiz Berto em PELAS RUAS QUE ANDEI - Geraldo de Majella O semanário A Voz do Povo, órgão do Partido Comunista Brasileiro - PCB em Alagoas, começou a circular no dia 1º de maio de 1946. A redação de A Voz do Povo desde a sua fundação funcionou até a sua destruição, em 1º de abril de 1964, no nº 606 da rua do Comércio, num imóvel que pertenceu à histórica dirigente comunista Maria Augusta de Miranda (Marinete). O primeiro diretor foi o jornalista e advogado André Papini Góes. Em 1947, Papini foi eleito deputado estadual constituinte pelo PCB. A redação era inicialmente constituída por jovens, alguns ainda estudantes, como Arnoldo Jambo, Floriano Ivo Júnior, Hélio de Sá Carneiro, Murilo Leão Rego e George Cabral, todos militantes do PCB. As dependências d' A Voz do Povo eram compartilhadas com a direção regional de Alagoas. A ocupação destes espaços evidenciava a ligação umbilical que havia entre o PCB e a administração, redação e oficina do jornal. A máquina que durante décadas imprimiu o semanário era uma Marinoni com muitos anos de uso. Os tipógrafos, além dos seus afazeres, inúmeras vezes consertaram a máquina depois dos sucessivos empastelamentos. O jornal teve três diretores durante os dezoitos anos de existência [1946-1964]: André Papini Góis, Osvaldo Nogueira e Jayme Amorim de Miranda. Em vários momentos de sua vida o jornal teve de ser impresso em gráficas clandestinas em Maceió e no Recife. Esses fatos ocorreram durante os governos de Silvestre Péricles [1947-1951], Arnon de Mello [1951-1956] e Luiz Cavalcante [1961-1966]. O único período em que A Voz do Povo não sofreu com atos violentos foi no governo de Sebastião Marinho Muniz Falcão [1956-1961]. Nilson Miranda, antigo dirigente comunista e repórter d' A Voz do Povo, testemunhou: "O jornal circulou durante anos em condições precárias. Mesmo assim era distribuído e lido nas fábricas, nos bairros populares de Maceió e em outras cidades de Alagoas. Foi uma escola de jornalismo." No dia 1º de abril de 1964 a sede do semanário foi invadida e destruída; os seus bens foram saqueados e a gráfica foi destruída. Os seus diretores foram presos. Terminou assim uma longa trajetória. A invasão foi comandada pelos delegados Rubens Quintela e Albérico Barros, e o responsável pelo ato violento foi o comandante do golpe militar em Alagoas, o governador Luiz Cavalcante. ================================================================================================ + Detalhes. domingo, 9 de maio de 2010 Memória & História ? A Voz do Povo Blog do Majella Antiga sede do semanário A Voz do Povo - R. do Comércio,606 Maceió - Alagoas. O compromisso do governador Muniz Falcão Edição em homenagem ao ex-diretor Jayme Amorim de Miranda A Voz do Povo foi editada cinco vezes na década de 1980 Liberdade Para Tiburcio Tenório das Neves edição de 1954 Geraldo de Majella O semanário A Voz do Povo, órgão do Partido Comunista Brasileiro - PCB em Alagoas, começou a circular no dia 1º de maio de 1946. A redação de A Voz do Povo desde a sua fundação funcionou até a sua destruição, em 1º de abril de 1964, no nº 606 da rua do Comércio, num imóvel que pertenceu à histórica dirigente comunista Maria Augusta de Miranda (Marinete). O primeiro diretor foi o jornalista e advogado André Papini Góes. Em 1947, Papini foi eleito deputado estadual constituinte pelo PCB. A redação era inicialmente constituída por jovens, alguns ainda estudantes, como Arnoldo Jambo, Floriano Ivo Júnior, Hélio de Sá Carneiro, Murilo Leão Rego e George Cabral, todos militantes do PCB. As dependências d' A Voz do Povo eram compartilhadas com a direção regional de Alagoas. A ocupação destes espaços evidenciava a ligação umbilical que havia entre o PCB e a administração, redação e oficina do jornal. A máquina que durante décadas imprimiu o semanário era uma Marinoni com muitos anos de uso. Os tipógrafos, além dos seus afazeres, inúmeras vezes consertaram a máquina depois dos sucessivos empastelamentos. O jornal teve três diretores durante os dezoitos anos de existência [1946-1964]: André Papini Góis, Osvaldo Nogueira e Jayme Amorim de Miranda. Em vários momentos de sua vida o jornal teve de ser impresso em gráficas clandestinas em Maceió e no Recife. Esses fatos ocorreram durante os governos de Silvestre Péricles [1947-1951], Arnon de Mello [1951-1956] e Luiz Cavalcante [1961-1966]. O único período em que A Voz do Povo não sofreu com atos violentos foi no governo de Sebastião Marinho Muniz Falcão [1956-1961]. Nilson Miranda, antigo dirigente comunista e repórter d' A Voz do Povo, testemunhou: "O jornal circulou durante anos em condições precárias. Mesmo assim era distribuído e lido nas fábricas, nos bairros populares de Maceió e em outras cidades de Alagoas. Foi uma escola de jornalismo." No dia 1º de abril de 1964 a sede do semanário foi invadida e destruída; os seus bens foram saqueados e a gráfica foi destruída. Os seus diretores foram presos. Terminou assim uma longa trajetória. A invasão foi comandada pelos delegados Rubens Quintela e Albérico Barros, e o responsável pelo ato violento foi o comandante do golpe militar em Alagoas, o governador Luiz Cavalcante. ============================================================================================================== + Detalhes. terça-feira, 30 de março de 2010 HOMENAGEM DO PCB A JAYME MIRANDA - Jornalista Morto pela Ditadura é Homenageado TRIBUNA INDEPENDENTE - MACEIÓ - ALAGOAS Terça-feira, 16 de Março de 2010. Gilson Monteiro (Repórter) O presidente (*) do comitê nacional (**) do PCB, Ivan Pinheiro, esteve ontem em Maceió para a cerimônia de entrega da Medalha Dinarco Reis ao jornalista alagoano Jayme Amorim de Miranda, ontem pela manhã no auditório da OAB/AL, no centro. A honraria é entregue a personalidades que contribuíram com a construção do partido e na luta pelos princípios socialistas no Brasil. Nascido em 18 de Julho de 1926, Miranda é um dos onze membros do Comitê Central do PCB assassinados pela ditadura militar entre os anos de 1974 e 1975. O jornalista foi seqüestrado em 1975, no Rio de Janeiro, onde exercia atividades clandestinas, sendo membro da executiva nacional do partido. Entre 1941 e 1945, o jornalista atuou como revisor no Jornal de Alagoas, empresa do grupo Diários Associados, e em A Notícia. A trajetória completa do homenageado pode ser conferida em uma pagina na internet, no endereço eletrônico http://www.jaymemiranda.org . Arquivos do DOPS Na cerimônia de ontem, estiveram presentes os filhos e a esposa de Jayme Miranda. Olga Miranda, filha do homenageado, defendeu a abertura dos arquivos do Departamento Estadual da Ordem Política e Social, o chamado DOPS, órgão criado especialmente para controlar e reprimir movimentos contrários ao regime militar. "A sociedade precisa conhecer a história de Jayme Miranda, que lutou pela construção política deste país. Há hoje sites na internet que defendem os militares. È preciso abrir de verdade os arquivos do DOPS para que se possa conhecer mais a fundo nossa história", disse Olga Miranda. (GM) (*) - o termo usado no PCB é Secretário Geral (**) - o termo correto é Comitê Central. Foto 1 - Diógenes Paes (Secretário Político do PCB em Alagoas), Dinarco Reis Filho (Presidente da Fundação Dinarco Reis), Ivan Pinheiro (Secretário Geral do PCB) e Elza Rocha de Miranda (viúva de Jayme Miranda) Foto 2 - Confraternização com a família de Jayme Mira ================================================================================================= + Detalhes. quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 Jayme Miranda Vive! Sangue de comunista é semente! A União da Juventude Comunista, presta neste mês uma homenagem ao camarada Jayme Amorim de Miranda, desaparecido político no dia 04 de fevereiro de 1975 em plena semana de carnaval. Jornalista e advogado, era membro do comitê central do partido comunista brasileiro (PCB). Dirigiu o Jornal "Voz do Povo"que circulava em Alagoas desde 1947, até ser fechado pelos militares após o golpe militar de 1964. Jayme era o que se costumava chamar de comunista puro, homem culto e respeitado por senadores e deputados de Alagoas, tinha ligação com todos os movimentos sociais e sindicais em nosso estado, procurando sempre práticos e teóricos do marxismo-leninismo no dia a dia da militância. Por conta de suas convicções políticas e ideológicas, foi preso diversas vezes, a ultima delas em abril de 1964, onde passou um ano na prisão, lá evitou que diversos companheiros fossem torturados ou mortos. Em 1965 estando já então em liberdade, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Continuou na direção do PCB, Mesmo estando na clandestinidade, onde destinava parte de seu tempo com traduções para os principais jornais do Rio. Na semana do carnaval de 1975, recém chegado da União Soviética, onde havia estado para tratamento médico, Jayme saiu pra comprar cigarros, Depois disso nunca mais foi visto. Segundo versão mais aceita de seu seqüestro, ele e mais cinco pessoas haviam sido levados para São Paulo, sendo torturado até a morte. Em meados de 1992, acreditava-se que o seu corpo havia sido jogado no mar a 200 milhas da costa paulista, no oceano atlântico. Numa entrevista a revista veja novembro de 92, o ex-sargento Marival Dias Chaves que trabalhou no DOI-CODI durante os anos de repressão, revelou que Jayme foi torturado e morto num centro de tortura clandestino, na estrada da granja, em itapevi, na grande São Paulo. Seu corpo foi jogado em um rio na cidade de Avaré, também em São Paulo. Quando desapareceu, Jayme tinha 48 anos de idade. Resgatar a história de nossos camaradas é não permitir que determinadas nódoas de sangue fiquem em pune. E a juventude de nosso tempo, conheça e saiba que sangue de comunista é semente! Postado por UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA - AL às 17:02 =========================================================================================== + Detalhes. 27/07/2009 -------------------------------------------------------------------------------- Ditadura ignorou apelo por Jayme Miranda Foto: Reprodução/Arquivos do Dops Miranda era integrante do Comitê Central do PCB. Por: Diógenes Nota da Redação: O jornal O Estado de S. Paulo publicou no último domingo reportagem (leia abaixo) que revela os apelos de familiares de presos políticos feitos ao presidente-general Geisel. Entre as cartas encontratadas pelo jornal, duas eram de parentes de militantes do PCB: Jayme Miranda e Elson Costa. A ditadura ignorou os apelos, mas manteve guardadas as cartas que, agora reveladas, retratam a crueldade da ditadura militar no Brasil. Miranda e Costa foram presos, torturados e mortos pelo regime militar. Seus corpos nunca foram encontrados, o que os inclui na lista de desaparecidos políticos do país. Para o PPS, a abertura de todos os arquivos da ditadura é de fundamental importância, não para o revanchismo, mas para revelar de forma ainda mais clara a história sombria de um período que jamais deve ser repetido no Brasil. Lembrar a luta pela liberdade e democracia de homens como o advogado alagoano Jayme Miranda é, acima de tudo, reafirmar a luta do partido por um país que promova a paz, a liberdade e a justiça social. O PPS, herdeiro do PCB, sempre lutou pelo esclarecimento das mortes de seus desaparecidos políticos e não se cansa de homenagear esses brasileiros que deram suas vidas por um país melhor. Leia mais sobre Jayme Miranda: Salve Jayme Jayme Miranda é reverenciado na Assembléia Legislativa de Alagoas Filha de Jayme Miranda pede abertura de arquivos Por carta, desesperado apelo a Geisel Militares se alarmavam com pedidos de informação de parentes de presos políticos, mas nunca enviavam notícias Marcelo de Moraes e Vannildo Mendes - O Estado de S. Paulo Quando Elza Rocha de Miranda decidiu escrever para o presidente Ernesto Geisel pela segunda vez em 12 dias, sua resistência já tinha chegado ao limite. Em 10 de março de 1975, não escondia a aflição pela falta de notícias sobre o paradeiro do marido, o jornalista e advogado Jayme Amorim de Miranda, e descrevia seu estado para Geisel como "desesperada e angustiada". Membro do comitê central do PCB, Jayme tinha sido preso no Rio, em 4 de fevereiro de 1975, sem deixar rastro. Como outros, nunca voltou e seu nome faz parte da lista de mortos e desaparecidos políticos. Elza não foi a única a apelar em vão para os generais-presidentes e seus ministros em busca de algum sinal dos familiares. Documentos inéditos da ditadura registram essas tentativas frustradas por parentes de militantes de grupos clandestinos que desapareceram nos porões da repressão. Várias buscas foram preservadas no Arquivo Nacional, em Brasília, no inédito acervo de correspondências recebidas pelos presidentes militares, ao qual o Estado teve acesso. A ditadura arquivou não apenas essas cartas, mas toda a sua tramitação. Só foram guardadas as cartas dirigidas diretamente aos presidentes, que tinham potencial para causar problemas para o governo. Era o caso de textos que também eram enviados para entidades da sociedade civil ou de defesa dos direitos humanos. Por isso, os burocratas da repressão abriam processos internos para registrar a evolução dessas cobranças. Nada irritava mais o governo. Cobrados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em relação ao paradeiro de Jayme Miranda, os órgãos de inteligência divulgaram a informação falsa de que ele teria fugido para Rússia - na ocasião, provavelmente já estava morto. Em memorando ao então ministro da Justiça, Armando Falcão, sugerem que essa informação seja repassada à esposa de Jayme e à OAB. De próprio punho, Falcão redige um bilhete aos subalternos, rejeitando a hipótese de prestação de contas à OAB. "É suficiente comunicar à esposa." E até mesmo isso seria feito com restrições, conforme instruções dadas pelo ministro, em bilhete de 8 de maio de 1975. COBRANÇA EXTERNA Cobranças do exterior, especialmente da Anistia Internacional ou da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, eram rechaçadas, mas causavam enorme desconforto. Em várias ocasiões, obrigavam o governo a montar farsas. Para a Anistia Internacional, a instrução era não responder. "Quanto à Amnesty, há dois avisos do SNI nesse ministério, inclusive com exposição de motivos que mereceu a aprovação do excelentíssimo senhor presidente da República e em que se recomenda que não sejam dadas respostas à correspondência da entidade e que o Serviço Nacional de Informações seja informado de qualquer documentação dali procedente", diz texto de 19 de outubro de 1977, aprovado por Falcão. Longe de sensibilizar os líderes do governo, as dramáticas cartas e telegramas enviadas por familiares foram sempre tratadas com burocracia, desprezo e até deboche. Mesmo sabendo que as pessoas procuradas já tinham sumido em suas prisões, os integrantes do governo militar mantiveram a encenação, sempre respondendo aos parentes com mentiras ou informações desatualizadas. Nas cartas, os parentes parecem já prever o pior para seus parentes. É o caso de Elza Miranda: "Senhor presidente, meus filhos e eu estamos muito aflitos com os rumores de torturas aplicadas aos presos políticos. Meu marido é um homem doente e certamente não resistirá aos maus tratos da prisão." Estava certa. Torturado na cadeia, o corpo de Jayme teria sido jogado de um avião militar a 200 milhas da costa brasileira. Em outra carta, em março de 1975, Aglaé de Souza Costa escreve a Geisel, em busca de notícias sobre o marido Elson Costa, do PCB. "Como brasileira e como esposa é que me dirijo à Vossa Excelência, com todo o respeito, depois de perambular de prisão em prisão em busca de notícias de meu esposo Elson Costa", narra. "Apelo à consciência cristã de Vossa Excelência, em cujas mãos deposito a vida de meu marido e o meu direito de esposa de saber se ele está vivo ou já não está morto." Aglaé recebeu informações erradas, dando conta de que ele não foi localizado em nenhuma prisão do Estado, embora tivesse sido preso em janeiro por seis homens na porta de casa. ========================================================================================================== + Detalhes em PDF jaymemiranda.org - Início www.jaymemiranda.org/Em cache - Similares Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer 1 maio 2010 - Jayme Amorim de Miranda, brasileiro, Alagoano, advogado e jornalista, nasceu em 18 de julho de 1926, filho de Manoel Simplício de Miranda ... =============================================================================================================== Novos Rumos 44.p65 www.institutoastrojildopereira.org.br/novosrumos/file_44/6064.pdfSimilares Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida e Jaime Amorim de Miranda, ao sair da Cadeia. Pública de Maceió, foi viver clandestinamente na cidade do Rio de Janeiro. Ali foi seqüestrado em ... =========================================================================================================== + Detalhes. FÓRUM PERMANENTE EM DEFESA DO PNDH3 Jayme Miranda Por olga 26 de agosto de 2007 Jayme Amorim de Miranda, brasileiro, Alagoano, advogado e jornalista, nasceu em 18 de julho de 1926, filho de Manoel Simplício de Miranda e Hermé Amorim de Miranda. Desaparecido político, foi sequestrado em 1975, no Rio de Janeiro. Jayme era pai de quatro filhos: Olga , Yuri , Jayme e André e casado com Elza Rocha de Miranda. Á época do seu "desaparecimento" compunha a executiva nacional do PCB exercendo suas atividades clandestinamente. Última Atualização ( 21 de fevereiro de 2010 ) Mídia e Memória - O Caso do Jornalista Jayme Miranda Por Administrator 21 de fevereiro de 2010 Tese de Conclusão de Curso da Jornalista Olga Miranda, que trata da História do Jornalista Jayme Miranda, do seu trabalho de tentativa de conscientização da classe operária através da Mídia Alternativa (O jornal A VOZ DO POVO, comício e outros) e da sua militância no partido comunista brasileiro(PCB). Para ler o texto clique nos links abaixo (os arquivos estão em formato "pdf"). midia_e_memoria anexos1a7 anexos8a14 ========================================================================================================= FICHA Jayme Amorim Miranda Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Jayme Amorim Miranda Cidade: (onde nasceu) Maceió Estado: (onde nasceu) AL País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 18/7/1926 Atividade: Advogado e jornalista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Nome falso: (Codinome) Juarez Amorim da Rocha Prisão: 4/2/1975 Rio de Janeiro RJ Brasil Bairro Catumbi Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1975 RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Auditoria da Marinha absolve acusados do PC. Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 set. 1978. Com carimbo do arquivo do DOPS. O Conselho Permanente de Justiça absolve, por prescrição da ação penal, Luiz Carlos Prestes, Marco Antônio Tavares Coelho, Dimas de Assunção Perrim, João Massena Melo, Elson Costa, Orlando Rosa, David Capistrano, Luiz Inácio Maranhão Filho, Hiran de Lima, Itair José Veloso, Jaime Amorim, entre outros. O Comitê Brasileiro pela Anistia convocou para uma entrevista coletiva os familiares de desaparecidos que constam na lista de absolvidos com a intenção de apelarem junto ao governo no sentido de obter informações sobre o paradeiro de seus familiares. Foto Foto original e preto e branco de busto. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111005/ebeaafae/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6431 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111005/ebeaafae/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27288 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111005/ebeaafae/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 2253 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111005/ebeaafae/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 5 19:39:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 5 Oct 2011 19:39:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Convite_Avant-Premi=E8re_MEU_PA?= =?iso-8859-1?q?=CDS?= Message-ID: <9AA30F052D8D483EA17FD19A893D07DB@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Núcleo de Cinema Caso não visualize esse e-mail, clique aqui Olá, Vanderlei Caixe Gostaria muito de contar com a sua presença na avant-première do filme Meu País, dirigido pelo cineasta ribeirãopretano André Ristum. Abaixo segue o convite com maiores informações Um abraço e nos vemos no lançamento! Você recebeu essa mensagem por estar na lista de: Núcleo de Cinema Adicione nosso endereço à sua lista de contatos e garanta o recebimento de nossas mensagens. Respeitamos sua privacidade, por favor clique aqui caso deseje sair. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111005/b6564a61/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 6 20:11:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 6 Oct 2011 20:11:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ITAIR_JOS=C9_VELOSO__________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CCLXV-?= Message-ID: <3CBCFB710A7F41248DD118E7894B36A3@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ITAIR JOSÉ VELOSO (1930 - 1975) Filiação: Zulmira Maria Teodora e Sebastião Veloso Data e local de nascimento: 10/06/1930, Faria Lemos (MG) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 22/05/1975, Rio de Janeiro (RJ) Desaparecido no Rio de Janeiro em 22/05/1975, o operário Itair José Veloso, afrodescendete, nasceu na pequena cidade mineira de Faria Lemos, bem na divisa tríplice com o Rio de Janeiro e Espírito Santo. Afrodescendente, trabalhou como montador de calçados e apontador de obras, profissão esta em que se tornaria importante sindicalista. Seu engajamento político remonta a 1953, período em que passou a integrar a Juventude do Partido Comunista. Em 1961, foi eleito para a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Niterói e Nova Iguaçu, alçando em seguida o posto de secretário-geral da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil. Procurou manter a atividade profissional de apontador de obras, para não perder contato com sua base operária. Durante o governo João Goulart, Itair chegou a liderar uma delegação sindical brasileira que viajou para um encontro internacional de sindicalistas em Moscou. Era casado com Ivanilda da Silva Veloso, com quem teve quatro filhas. Após abril de 1964, Itair sofreu perseguições e teve sua residência invadida pelo DOPS de Niterói, sendo saqueada pelos agentes policiais. Passou a ser processado pela Justiça Militar, o que o obrigou à militância política clandestina. O pouco que se sabe a respeito do desaparecimento de Itair é que, no dia 25/05/1975, às 7h30min, ele saiu de casa para encontrar companheiros do PCB e disse à sua mulher que voltaria ao meio-dia, para ir ao médico com ela. Desde então está desaparecido e seu nome faz parte da lista anexa à Lei nº 9.140/95. O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, registra a respeito de seu caso: "set/75 - está preso e sendo processado por atividades subversivas do PCB". Em entrevista à revista Veja, em 18/11/1992, o sargento Marival Chaves, testemunhou que pelo menos oito integrantes do PCB tiveram seus corpos atirados nas águas do Rio Novo, em Avaré, São Paulo. Marival disse também que Itair foi preso por agentes do DOI-CODI/SP, no Rio de Janeiro, durante a Operação Radar, acusado de integrar o Comitê Central do PCB. Na entrevista a Veja, o sargento Marival também afirma que Itair morreu de choque térmico, sob tortura, imerso em água gelada, numa casa de Itapevi, na Grande São Paulo. Seu corpo sem vida teria sido jogado da ponte, nas imediações de Avaré, a 260 quilômetros de São Paulo. Na revista, as palavras textuais do ex-agente do DOI-CODI/SP foram: "O corpo de Itair José Veloso também foi jogado da ponte. Ele foi preso no Rio, pelo DOI de São Paulo. Era o inverno de 1975 e o que o levou à morte foi banho de água gelada. Morreu de choque térmico". Como no caso dos demais desaparecidos políticos, a esposa de Itair, Ivanilda Veloso sustentou uma longa peregrinação buscando denunciar a prisão de seu marido, recorrendo à CNBB, a Dom Eugênio Sales, aos advogados Modesto da Silveira e Heleno Fragoso, a todas as portas possíveis. O documentário Memória para uso diário, realizado por Beth Formaggini para registrar os 21 anos de atividade do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, inclui imagens sobre a saga de Ivanilda pesquisando documentos dos arquivos policiais em busca de informações, há 32 anos, sobre o marido desaparecido. Em Belo Horizonte, existe hoje uma avenida, no Bairro das Indústrias, com o nome de Itair José Veloso, sendo que em 2004 ele foi um dos homenageados com a entrega da Medalha Tributo à Utopia, criada pela Câmara Municipal da capital mineira no ano anterior. ======================================================================================================================= + Informações. ITAIR JOSÉ VELOSO Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu no dia 10 de junho de 1930, em Minas Gerais, filho de Sebastião Veloso e Zulmira Veloso. Desaparecido, desde 1975, quando tinha 45 anos. Militante sindical desde 1953, quando entrou para a Juventude do PCB. Foi operário, apontador de obras, montador de calçados, e líder sindical da construção civil, no Rio de Janeiro. Foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Niterói e Nova Iguaçu, em 1961. Em seguida tornou-se secretário-geral da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado do Rio de Janeiro e Niterói. Mas nem por isso abandonou sua função de apontador de obras. Desenvolvendo uma atividade sindical intensa, no início da década de 60, alcançou uma posição destacada dentro do movimento operário. Durante o Governo João Gourlart, Itair Veloso chefiou uma delegação sindical a um encontro internacional de sindicalistas, em Moscou. Era casado com Ivanilda da Silva Veloso, com quem teve quatro filhas. Sua dedicação à família era como sua dedicação ao trabalho, pois seu envolvimento com a mulher e as filhas era desmedido. Logo após o golpe militar de 64, sua casa foi invadida por policiais do DOPS de Niterói, que não o encontraram. Arrolado em processo sob a acusação de pertencer ao PCB, passou a viver na clandestinidade. Itair não costumava informar à família sobre suas atividades políticas fora de casa, enquanto clandestino, para não envolver as filhas. De alguma forma elas já sabiam, antes de seu desaparecimento, que ele se dedicava ao PCB. Saiu de casa no dia 25 de maio de 1975, às 7:30 para um encontro às 8:00 horas, dizendo que voltaria ao meio-dia para ir ao médico. Desde então, nunca mais sua família recebeu notícias. Acreditando que poderia encontrá-lo de alguma forma, Ivanilda começou sua peregrinação: CNBB, Palácio São Joaquim, D. Eugênio Sales (à época capelão do Hospital do Exército), os advogados Heleno Fragoso e Modesto da Silveira, reuniões da Anistia, CBA, Imprensa, todas essas pessoas e instituições foram procuradas por ela. Segundo denúncias do ex-sargento Marival Chaves, do DOI-CODI/SP, publicadas na revista "Veja", de 18 de novembro de 1992, Itair José Veloso, aos 45 anos de idade, foi preso por agentes daquele órgão no Rio de Janeiro, durante a Operação Radar e morreu sob tortura, numa casa de Itapevi, São Paulo. Seu corpo teria sido jogado da ponte, nas imediações de Avaré, a 260 quilômetros de São Paulo. O Relatório do Ministério da Marinha diz que em "set/75 - está preso e sendo processado por atividades subversivas do PCB." ============================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) ITAIR JOSÉ VELOSO (1930-1975) Ooperário afrodescendente Itair José Veloso nasceu na pequena cidade mineira de Faria Lemos, bem na divisa tríplice com o Rio de Janeiro e Espírito Santo. Trabalhou como montador de calçados e apontador de obras, profissão esta em que se tornaria importante sindicalista. Seu engajamento político remonta a 1953, período em que passou a integrar a Juventude do Partido Comunista. Durante o governo João Goulart, Itair chegou a liderar uma delegação sindical brasileira que viajou para um encontro internacional de sindicalistas em Moscou. Após abril de 1964, sofreu perseguições e teve sua residência invadida pelo Dops de Niterói e saqueada pelos agentes policiais. Passou a ser processado pela Justiça Militar, o que o obrigou à militância política clandestina. O pouco que se sabe a respeito do desaparecimento de Itair é que, no dia 25 de maio de 1975, às 7h30, ele saiu de casa para encontrar companheiros do PCB e disse à sua mulher que voltaria ao meiodia, para ir ao médico com ela. Desde então está desaparecido. O relatório do Ministério da Marinha registra a respeito de seu caso: "set/75 - está preso e sendo processado por atividades subversivas do PCB". Em entrevista à revista Veja, de 18 de novembro de 1992, o sargento Marival Chaves afirmou que Itair foi preso por agentes do DOI-Codi/SP, no Rio de Janeiro, durante a Operação Radar, acusado de integrar o Comitê Central do PCB. Morreu de choque térmico, sob tortura, imerso em água gelada, numa casa de Itapevi, na Grande São Paulo. Seu corpo sem vida teria sido jogado da ponte de um rio, nas imediações de Avaré, a 260 quilômetros de São Paulo. Como no caso dos demais desaparecidos políticos, a esposa de Itair, Ivanilda Veloso, sustentou uma longa peregrinação buscando denunciar a prisão de seu marido, recorrendo à CNBB, a Dom Eugênio Sales, aos advogados Modesto da Silveira e Heleno Fragoso e a todas as instâncias possíveis, sem resultado. ========================================================================================================== + Informações. do livro Catálogo Negro) ITAIR JOSÉ VELOSO (1930 - 1975) Filiação: Zulmira Maria Teodora e Sebastião Veloso Data e local de nascimento: 10/06/1930, Faria Lemos (MG) Data e local do desaparecimento: 22/05/1975, Rio de Janeiro (RJ) O pouco que se sabe a respeito do desaparecimento de Itair é que ele saiu de casa para encontrar companheiros do PCB e disse à sua mulher que voltaria ao meio-dia, para ir ao médico com ela. Um Relatório do Ministério da Marinha informa: "set/75 - está preso e sendo processado por atividades subversivas do PCB". Em entrevista à revista Veja, o sargento Marival Chaves, ex-agente do DOI-CODI, afirmou que Itair morreu de choque térmico, sob tortura, imerso em água gelada, numa casa de Itapevi, na Grande São Paulo. Seu corpo sem vida teria sido jogado da ponte na represa de Avaré, a 260 quilômetros de São Paulo. O documentário Memória para uso diário, realizado por Beth Formaggini para registrar os 21 anos de atividade do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, inclui imagens sobre a saga de sua mulher, Ivanilda, há mais de três décadas buscando pistas do marido. Natural da pequena cidade mineira de Faria Lemos, Itair trabalhou como montador de calçados e apontador de obras, tornando-se ativo sindicalista. Em 1953, integrou-se à Juventude do Partido Comunista e, em 1961, à direção do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Niterói e Nova Iguaçu, alçando em seguida o posto de secretário-geral da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil. Durante o governo João Goulart, Itair liderou uma delegação sindical brasileira que viajou para um encontro internacional de sindicalistas em Moscou. Após abril de 1964, Itair sofreu perseguições e teve sua residência invadida pelo DOPS de Niterói, sendo saqueada pelos agentes policiais. Foi processado pela Justiça Militar, o que o obrigou à militância política clandestina. ===================================================================================================================== + Detalhes. Medalha Chico Mendes: Itair José Veloso Emocionante entrega de medalhas Por Memória Operária 22/03/2009 às 13:38 Breves biografias de 5 heróis comunistas > ESPEDITO ROCHA > FERNANDO PEREIRA CHRISTINO > ITAIR JOSÉ VELOSO > RAIMUNDO ALVES DE SOUZA (Raimundão) > ROBERTO MORENA PCB CRIA MEDALHA DINARCO REIS QUE CONCEDERÁ ANUALMENTE A COMUNISTAS HISTÓRICOS Por ocasião da inauguração da primeira sede própria de toda a sua história e nos marcos do 87º Aniversário do Partido, o PCB presta uma homenagem a cinco comunistas brasileiros, sendo três já falecidos (Itair Veloso, Raimundão e Roberto Morena) e dois que ainda estão firmes na militância (Espedito Rocha e Fernando Christino), cujas biografias resumidas reproduzimos aqui. http://www.midiaindependente.org/pt/red/2009/03/443195.shtml?comment=on A escolha de Dinarco Reis (falecido em 1989) para dar nome à medalha levou em conta sua combatividade, coragem e disciplina, além da extraordinária importância que dava ao exercício do internacionalismo proletário. Dinarcão ou o Tenente Vermelho, como era conhecido, foi um dos heróis da insurreição promovida pelo PCB e pela Aliança Nacional Libertadora, em 1935, e voluntário na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos revolucionários, e na II Guerra Mundial, ao lado da resistência francesa. ITAIR JOSÉ VELOSO Itair José Veloso nasceu em 10 de junho de 1930, em Minas Gerais, filho de Sebastião Veloso e Zulmira Veloso. Militante do sindicalismo brasileiro desde 1953, quando entrou para a Juventude do PCB, foi operário, apontador de obras e líder sindical da construção civil, no Rio de Janeiro. Foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Niterói e Nova Iguaçu, em 1961. Tornou-se Secretário geral da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado do Rio de Janeiro e Niterói, sem jamais abandonar a função de apontador de obras, objetivando não perder o contato com as bases. Desde a ascensão do movimento sindical, Itair começou a se destacar como estrategista e assistente do Partido para as diversas categorias profissionais, principalmente os ferroviários, marítimos, bancários e trabalhadores em telecomunicações, cujas greves sempre foram vitoriosas. Além do papel de destaque na organização sindical, Itair Veloso lutou pelas reformas de base na década de 1960, juntamente com outras lideranças comunistas - Roberto Morena, Osvaldo Pacheco, Hércules Correa, para citar alguns. Casado com Ivanilda da Silva Veloso, teve quatro filhas e sua dedicação à causa política, não o impedia de dedicar-lhes profundo carinho e atenção. Logo após o golpe de 1964, sua casa foi invadida por policiais do DOPS, que não o encontraram e continuou sua militância política na clandestinidade. Depois de uma longa sucessão de ações da repressão instaurada pela ditadura militar pós-64, que primeiramente desmantelou os grupos de esquerda que aderiram à luta armada, o foco se voltou para o PCB, e 14 membros efetivos e 16 suplentes da Direção Nacional foram presos, dentre os quais, onze foram seqüestrados e mortos. Vale lembrar que o Partido, na época, defendia a tomada do poder pela via política e democrática. Itair Veloso saiu de casa no dia 25 de maio de 1975, às 7.30 horas, na Abolição, na zona norte do Rio de Janeiro e desapareceu. Uma versão sobre a sua morte somente apareceu em uma entrevista dada à revista VEJA, pelo ex-sargento e ?agente arrependido? do DOI/CODI, Marival Chaves, que afirma que Itair foi preso aos 45 anos de idade, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI/CODI de São Paulo durante a operação Radar. Ainda segundo o sargento Marival, Itair morreu de choque térmico, sob tortura, numa casa de Itapevi/SP. Seu corpo teria sido jogado da ponte, no Rio Avaré, nas imediações da cidade do mesmo nome, em São Paulo, onde afirma terem sido jogados os corpos de mais sete dirigentes mortos do Comitê Central, amarrados a um bloco de concreto. O PCB, o Grupo Tortura Nunca Mais, todos os democratas e as famílias dos desaparecidos continuam querendo saber o que aconteceu naquela terrível manhã. =============================================================================================================== + Detalhes.22/10/2004 -------------------------------------------------------------------------------- Como o general Ednardo desarticulou o PCB Por: Diógenes Botelho Rudolfo Lago e Luiz Carlos Azedo Dirigentes do Partidão foram espionados, seqüestrados e mortos antes das prisões em massa em todo o país. Só em São Paulo foram presos no Doi-Codi 2.408 militantes da legenda até então clandestina A morte de Vladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, foi o auge de operação de ''cerco e aniquilamento'' do Partido Comunista Brasileiro (PCB), concentrada em São Paulo, mas que se estendeu a todo o país. Além do jornalista, foram mortos no Doi-Codi em São Paulo o professor Jean Leszek Dulemba, da Universidade de Campinas (Unicamp), o tenente reformado José Ferreira de Almeida, o Piracaia, em 8 de agosto, e o operário Manoel Fiel Filho, em 18 de janeiro de 1976. No final de outubro, o general Ednardo D'Ávila Mello, que liderou a operação, em seu relatório, contabilizava o sucesso da operação: 128 presos nas celas da rua Tutóia somente naquele mês, elevando para 2.409 o número de prisões efetuadas pelo Doi-Codi; mais nove presos haviam chegado ao Doi-Codi vindos de outros órgãos, elevando para 908 o número de prisioneiros detidos em outros estados e encaminhados para sua jurisdição, em São Paulo. Segundo o general, a crise política provocada pela morte de Herzog, ''que parecia tomar rumos imprevisíveis, de repente esvaziou''. Na avaliação de Ednardo, a repressão à subversão havia mudado de prioridade, depois da desarticulação das organizações de esquerda de linha mais radical. ''De 68 a 73 os órgãos de informações pouco tempo tiveram para pensar outra missão que não fosse o extermínio daquelas organizações, as quais recebiam respaldo e toda sorte de apoio diretamente de Cuba''. Tratava-se, então, segundo ainda o relatório, de passar a operar para desmantelar o PCB, conhecido também como Partidão, que ''pôde se fortalecer pois, além de não se ver fustigado, conseguiu provar perante toda a esquerda do país, que a tomada do poder deveria ser feita por via pacífica''. Na verdade, a repressão ao PCB resultou na prisão de 14 membros efetivos e 16 suplentes da direção nacional, dos quais foram sequestrados e mortos Luiz Maranhão Filho (jornalista), Walter Ribeiro (militar), Davi Capistrano (militar), Elson Costa (funcionário público), Orlando Bonfim (jornalista), João Massena Melo (metalúrgico), Jaime Miranda de Amorim (comerciário), Hiram Pereira de Lima (estivador), Itair José Veloso (carpinteiro), Nestor Veras (jornalista) e José Montenegro de Lima (estudante), encarregado da juventude comunista. Seus corpos sumiram. O cerco As prisões esporádicas dos membros da cúpula do PCB começaram no início da década de 1970 e serviram para levantar informações sobre o aparelho do Partidão, que teve alguns dirigentes abordados por agentes da CIA. ''O primeiro sinal de que o aparelho de direção do PCB era vulnerável foi a revelação, em 1971, de que um agente da CIA estava infiltrado na cúpula do Partidão'', conta Antônio Ribeiro Granja, membro do Comitê Central, que conseguiu escapar do cerco e hoje vive no Espírito Santo. Adauto Freire, mineiro, ex-funcionário da ONU, o ''Agente Carlos'', assessorava o secretário-geral do PCB, Luiz Carlos Prestes, no trabalho de relações internacionais. Identificado, acabou revelando sua verdadeira condição em entrevista ao Jornal do Brasil. Pouco antes, o médico Fued Saad, responsável pelo trabalho internacional, havia sido preso com outro dirigente, Célio Guedes, que ''suicidou-se'' no Centro de Informações da Marinha (Cenimar). Começava o desmonte do PCB. Segundo levantamento feito pelos dirigentes do PCB, no 7o Congresso, em 1982, a cada seqüestro de um dirigente do Comitê Central, um pedaço do trabalho de direção também era desmantelado, com a prisão de outros dirigentes e quadros. Nos anos que antecederam às prisões em massa, em São Paulo, houve ''quedas '' localizadas em Goiás, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo. Em março de 1974, David Capistrano e José Roman, encarregado do transporte de fronteira, foram presos quando travessam =========================================================================================================== FICHA Itair José Veloso Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Itair José Veloso Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 10/6/1930 Atividade: Operário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/5/1975 RJ Brasil Preso por agentes do DOI-CODI/SP no Rio de Janeiro e morto sob tortura numa casa em São Paulo, segundo o ex-sargento Marival Chaves, do DOI-CODI/SP (Revista Veja, São Paulo, 18/11/92). Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/RJ DOPS/RJ ou DEOPS/RJ RJ Brasil Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Auditoria da Marinha absolve acusados do PC. Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 set. 1978. Com carimbo do arquivo do DOPS. O Conselho Permanente de Justiça absolve, por prescrição da ação penal, Luiz Carlos Prestes, Marco Antônio Tavares Coelho, Dimas de Assunção Perrim, João Massena Melo, Elson Costa, Orlando Rosa, David Capistrano, Luiz Inácio Maranhão Filho, Hiran de Lima, Itair José Veloso, Jaime Amorim, entre outros. O Comitê Brasileiro pela Anistia convocou para uma entrevista coletiva os familiares de desaparecidos que constam na lista de absolvidos com a intenção de apelarem junto ao governo no sentido de obter informações sobre o paradeiro de seus familiares. Artigo de jornal Familiares fazem apelo ao governo por desaparecidos. Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 set. 1978. Com carimbo do arquivo do DOPS. Familiares de David Capistrano, João Massena e Itair José Veloso fizeram um apelo ao governo para que se pronuncie oficialmente sobre o paradeiro desses e de mais outras cinco pessoas. Segundo Maria Carolina, filha de David, a família recebeu de David um telegrama informando de sua volta ao Brasil em 1974, até então ele estava na Tchecoslováquia, e este foi seu ultimo contato. Desde então a família procura o seu paradeiro entre autoridades governamentais e órgãos de segurança. Massena desapareceu em São Paulo em 1974 e Veloso em 1975. Foto foto original e preto branco de busto. Relatório Informação do Serviço Secreto, sem identificação do órgão, de 07/12/67. Indica que o nome de Itair José Veloso consta em uma lista de indiciados nos autos do Inquérito Policial Militar (IPM) de investigação das atividades do Partido Comunista Brasileiro. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111006/4a120739/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2484 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111006/4a120739/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 6 20:11:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 6 Oct 2011 20:11:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] MANIFESTO AO VI ENCONTRO CONTINENTAL DE SOLIDARIEDADE A CUBA Message-ID: <11EFBDD0CE3947CDAE3F0667CEF6119C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem MANIFESTO AO VI ENCONTRO CONTINENTAL DE SOLIDARIEDADE A CUBA - MÉXICO, 06 A 09 DE OUTUBRO DE 2011 Companheiras e companheiros da solidariedade a Cuba Ao representarmos a Associação Cultural José Marti do Estado do Rio Grande do Sul, neste VI Encontro Continental de Solidariedade a Cuba, na Cidade do México, saudamos a todas e todos que se empenharam na organização deste encontro e, em especial, aos participantes que trazem na bagagem a disposição de avançar mais uma etapa nesta longa caminhada que percorremos em apoio a nossa querida Ilha. Neste manifesto, assinado pela militância da Associação Cultural José Marti, buscamos reafirmar o compromisso que assumimos, há 27 anos, em lutar incansavelmente pela nobre e heróica causa do povo cubano.Ao defendermos a resistência deste povo para manter soberanamente os princípios humanistas da sua Revolução, o fazemos também para que esses princípios se solidifiquem como um referencial de respeito à dignidade e à autodeterminação dos demais povos da nossa América e de todo o mundo. Companheiras e companheiros, para que se desfaça a hipocrisia e triunfe a verdadeira justiça é fundamental que muitas e muitas vozes se juntem às nossas. Se quisermos "outro mundo possível" necessitamos desmascarar a dupla moral dos sucessivos governos estadunidenses, que não aceitam perder o status auto - concedido de mandatários da humanidade. Como militantes da solidariedade precisamos unir nossos esforços e reforçar a cada dia a tarefa de denunciar a intolerância do imperialismo e dos seus bajuladores. Dos asseclas que se ajoelham e se dobram em sinal de submissão em troca de esmola e perda de dignidade. Enquanto isso buscamos o direito à verdade, pois aqui todos compreendem a questão de fundo que sujeitou e ainda sujeita milhares de nações a sofrerem humilhações e explorações econômicas, políticas, sociais e culturais. A forma de governar do imperialismo se despe de qualquer princípio ético ou moral. É contraditória e vergonhosa, pois apresenta um discurso de combate ao terrorismo, ao mesmo tempo em que garante proteção a terroristas cuja missão é a de manchar de sangue a soberania dos povos e atacar os direitos humanos. O mesmo imperialismo que dissemina o terrorismo para beneficiar-se das mentes e das riquezas dos povos, e que na América Latina liquidou todas as democracias e faz da catástrofe um meio de desenvolvimento. Esse insensato imperialismo impõe bloqueios, compra consciências e atenta contra a segurança dos países. Mantém prisões injustas, ilegais e desumanas. É o caso dos nossos Cinco irmãos cubanos ANTONIO GUERRERO RODRÍGUEZ, FERNANDO GONZÁLES LLORT, GERARDO HERNÁNDEZ NORDELO, RAMÓN LABAÑINO SALAZAR e RENÉ GONZÁLEZ SEHWERERT, encarcerados há 13 anos por defender o seu povo e a sua pátria contra ataques que até hoje ameaçam a tranquilidade e prejudicam o desenvolvimento da nação cubana. Sabemos que os grupos terroristas que atuam em Miami são reconhecidos pelo perigo que representam não apenas para Cuba, mas inclusive para os Estados Unidos, como foi reconhecido por Henry Kissinger quando afirmou: "na tentativa de derrotar o Governo dos Castros acabamos criando uma monstruosidade". Apesar disso o governo Obama mantém a política intolerante e agressiva dos seus antecessores, e a farsa que culminou na condenação dos Cinco heróis. O povo norte - americano não merece governos que os envergonhe, governos que não satisfazem a sua sede de vingança pela perda dos privilégios quando da Revolução Cubana. Governos que não satisfazem a sua sede de votos, considerados fundamentais no reduto de Miami que, por exemplo, deu a 1ª vitória para o ex - presidente vendedor de guerras, George W. Bush. Companheiras e companheiros, hoje consta da nossa pauta de discussões outra grave denúncia: novamente a "confusa" juíza federal em Miami, Joan Lenard, manifestou, no último dia 16 de setembro, uma decisão absurda,desprovida de qualquer senso ético e jurídico.Ela declarou que René González estará obrigado a viver os próximos três anos em Miami, no que chamam de "liberdade supervisionada", apesar de cumprir sua sentença carcerária neste 7 de outubro. Por não ter se inscrito como agente do governo cubano, René que aguardava permissão para regressar ao seu País e reencontrar-se com sua esposa Olga e suas filhas Ivette e Irma, vê o seu sonho ameaçado. Ao invés de estar ao lado do povo cubano e da sua família, deverá permanecer num ambiente hostil onde impera a violência e o terrorismo por ele combatido. Sua vida corre perigo, portanto precisamos empreender - com urgência - novas e vigorosas ações! Diante dessa abusiva e desumana decisão devemos fortalecer o clamor pela liberdade dos Cinco e exigir o seu imediato retorno para Cuba. No Brasil sabemos o quanto foi importante a pressão e o apoio internacional para trazer de volta ao País os militantes que lutaram contra a ditadura e sofreram no exílio a saudade da sua Pátria, dos seus familiares e amigos. E para fortalecer a causa de ANTONIO GUERRERO RODRÍGUEZ, FERNANDO GONZÁLES LLORT, GERARDO HERNÁNDEZ NORDELO, RAMÓN LABAÑINO SALAZAR e RENÉ GONZÁLEZ SEHWERERT, é importante que as entidades de solidariedade reforçem ações articuladas com os diversos setores da sociedade organizada e instituições políticas dos seus estados. Também, não poupem esforços para sensibilizar o governo dos seus países. Neste sentido, no último mês de junho, durante a nossa VI Convenção de Solidariedade a Cuba, a prisão dos Cinco, os atos terroristas e o bloqueio contra Cuba foram denunciados junto ao Tribunal da Consciência, formado por representantes de universidades gaúchas, parlamentares, autoridades dos poderes do Estado, partidos políticos e entidades representativas do judiciário, além de movimentos dos direitos - humanos. O documento - sentença que resultou do encontro foi entregue - com a assinatura dos participantes - à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil e às Comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado Federais. Foi enviado, ainda, ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, com a solicitação que se manifeste em favor dos Cinco, e o pedido de apoio para o envio do documento ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, requerendo que tome providências contra as violações do imperialismo, com base em decisões justas e cabíveis. Ao encerrarmos nossa manifestação queremos também repudiar os estragos causados ao povo cubano pelo oligopólio midiático, que manipula informações para encobrir os interesses políticos e econômicos do imperialismo. Repudiamos, ainda, o vergonhoso apoio da mídia à farsa que culminou na condenação dos Cinco herois. Um forte e fraterno abraço repleto de esperança em nossa luta! Por Cuba! Pelos Cinco! Contra o terrorismo e o criminoso bloqueio estadunidense! Outubro de 2011 ACJM/RS -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111006/2bd21779/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 7 20:40:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 7 Oct 2011 20:40:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Do_fundo_do_po=E7o=2E___por____Fr?= =?iso-8859-1?q?ei_Betto?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 07.10.11 - Mundo Do fundo do poço Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Vira e mexe, volta à baila o tema da descriminalização das drogas. Uns opinam que com o sinal verde e a legalização da venda e do consumo o narcotráfico perderia espaço e a saúde pública cuidaria melhor dos dependentes, a exemplo do que se faz em relação ao alcoolismo. Outros alegam que a maconha deveria ser liberada, mas não as drogas sintéticas ou estupefacientes como crack, cocaína e ópio. Não tenho posição formada. Pergunto-me se legalizar o plantio e o comércio da maconha não seria um passo para, mais tarde, se deparar com manifestações pela legalização do tráfico e consumo de cocaína e ecstasy... Presenciei, em Zurique, no início dos anos 90, a liberação do consumo de drogas no espaço restrito da antiga estação ferroviária de Letten. Ali, sob auspícios da prefeitura, e com todo atendimento de saúde, viciados injetavam cocaína, ópio, heroína, a ponto de o local ficar conhecido como Parque das Agulhas. Em 1995, encerrou-se a experiência. Apesar do confinamento, houve aumento do índice de viciados e da criminalidade. Nem sempre o debate se pergunta pelas causas da dependência de drogas. É óbvio que não basta tratar apenas dos efeitos. Aliás, em matéria de efeitos, a minha experiência com dependentes, retratada no romance "O Vencedor" (Ática), convenceu-me de que recursos médicos e terapêuticos são importantes, mas nada é tão imprescindível quanto o afeto familiar. Família que não suporta o comportamento esdrúxulo e antissocial do dependente comete grave erro ao acreditar que a solução reside em interná-lo. Sem dúvida, por vezes isso se faz necessário. Por outras é o comodismo que induz a família a se distanciar, por um período, do parente insuportável. Dificilmente a internação resulta, além de desintoxicação, em abstenção definitiva da droga. Uma vez fora das grades da proteção clínica, o dependente retorna ao vício. Por quê? Sou de uma geração que, na década de 1960, tinha 20 anos. Geração que injetava utopia na veia e, portanto, não se ligava em drogas. Penso que quanto mais utopia, menos droga. O que não é possível é viver sem sonho. Quem não sonha em mudar a realidade, anseia por modificar ao menos seu próprio estado de consciência diante da realidade que lhe parece pesada e absurda. Muitos entram na droga pela via do buraco no peito. Falta de afeto, de autoestima, de sentido na vida. Vão, pois, em busca de algo que, virtualmente, "preencha" o coração. Assim como a porta de entrada na droga é o desamor, a de saída é obrigatoriamente o amor, o cuidado familiar, o difícil empenho de tratar como normal alguém que obviamente apresenta reações e condutas anômalas. Do fundo do poço, todo drogado clama por transcender a realidade e a normalidade nas quais se encontra. Todo drogado é um místico em potencial. Todo drogado busca o que a sabedoria das mais antigas filosofias e religiões tanto apregoa (sem que possa ser escutada nessa sociedade de hedonismo consumista): a felicidade é um estado de espírito, e reside no sentido que se imprime à própria vida. O viciado é tão consciente de que a felicidade se enraíza na mudança do estado de consciência que, não a alcançando pela via do absoluto, se envereda pela do absurdo. Ele sabe que sua felicidade, ainda que momentânea, depende de algo que altere a química do cérebro. Por isso, troca tudo por esse momento de "nirvana", ainda que infrinja a lei e corra risco de vida. Devemos, pois, nos perguntar se o debate a respeito da liberação das drogas não carece de ênfase nas causas da dependência química e de como tratá-las. Todos os místicos, de Pitágoras a Buda, de Plotino a João da Cruz, de Teresa de Ávila a Thomas Merton, buscaram ansiosamente isto que uma pessoa apaixonada bem conhece: experimentar o coração ser ocupado por um Outro que o incendeie e arrebate. Esta é a mais promissora das "viagens". E tem nome: amor. [Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de "Conversa sobre a fé e a ciência" (Agir), entre outros livros. http://www.freibetto.org - twitter:@freibetto. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111007/4608b366/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 7 20:40:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 7 Oct 2011 20:40:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Moore_em_Wall_Street=3A_=E2=80=9Cvici?= =?utf-8?q?ados_em_gan=C3=A2ncia=22?= Message-ID: <78226FEC82AE4156B75DCF6027316DFF@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Moore em Wall Street: ?viciados em ganância? publicada quinta-feira, 06/10/2011 às 14:23 e atualizada quinta-feira, 06/10/2011 às 21:56 O cineasta e ativista Michael Moore discursa na ocupação realizada em Wall Street. O vídeo está em inglês e a tradução do discurso está logo abaixo. http://www.youtube.com/watch?v=MtYnoOpLYAE&feature=player_embedded ?Este é um dia histórico. Este movimento se reuniu porque as pessoas queriam que acontecesse. Não por causa de um líder. Não por causa de uma organização pagando suas mensalidades, mas porque o povo queria. Eu amo o jogral e vou dizer porquê. Porque esta não é apenas a minha voz ou a voz dele ou a voz dela. São todas as nossas vozes. Vamos manter o movimento assim. Não deixem que os políticos cooptem este movimento. Cada um de vocês aqui representa 100 mil americanos que não puderam estar aqui hoje, mas estão felizes que vocês estejam aqui. E eles vão estar lá em suas cidades. O movimento de ocupação está em toda a parte. Ocupar! Em toda parte! ?Os homens nos altos andares desses prédios ? especialmente você, Goldman Sachs ? são responsáveis por arruinar as vidas de milhões de pessoas ? centenas de milhões de pessoas ? nesse planeta. Alguém da imprensa acabou de me perguntar: ?quem organizou isso??, eu disse, apontando para o alto dos prédios: ?eles organizaram isso!?. ?Eles pegaram suas botas e colocaram no pescoço dos americanos e agora os americanos querem que a bota seja retirada. Agora. Não no próximo ano. Agora! Nós já suportamos o bastante. Já chega! A palavra mais suja na América corporativa é ?suficiente?. Eles nunca têm o suficiente. Eles não estavam satisfeitos sendo podres de rico. Eles queriam ser algo maior do que podres de ricos e é isso que eles conseguiram. Eles podem ter roubado trilhões de dólares, mas nós estamos aqui para dizer que nós queremos esse dinheiro de volta. Quando nós queremos o dinheiro de volta? Quando nós queremos o dinheiro? ?Eles extrapolaram. É muito ruim que eles não tenham ficado satisfeitos com todos os bilhões que acumularam. Mas, como viciados, eles tinham que ter mais. Eles estão foram de controle. Eles um problema de dependência à ganância e nós estamos aqui para fazer uma intervenção.? *Tradução por Juliana Sada Leia outros textos de Vasto Mundo http://www.rodrigovianna.com.br/vasto-mundo/michael-moore-fala-em-wall-street-eles-sao-viciados-em-ganancia.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111007/99c06fb8/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 8 15:00:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 8 Oct 2011 15:00:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ZELMO_BOSA___________________________?= =?iso-8859-1?q?____________-CCLXVI-?= Message-ID: <40DDBE73995643ECA2411CC5972AD350@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ZELMO BOSA (1937 - 1976) Filiação: Helena Bosa e Eduardo Bosa Data e local de nascimento: 26/07/1937, Ronda Alta (RS) Organização política ou atividade: Grupo dos Onze Data e local do desaparecimento: 1976 Boa parte das informações referentes a este caso foram colhidas junto à Comissão Especial criada no Rio Grande do Sul pela lei estadual 11.042/1997, que reconheceu o direito de reparação indenizatória a todas as pessoas presas naquele estado por se oporem ao regime mi litar. Em decisão tomada no dia 13/09/1999 por aquele colegiado, ficou provado que Zelmo Bosa esteve preso mais de uma vez por suas atividades políticas após 1964. Quanto ao desaparecimento, as informações foram prestadas por sua filha, Marja de Fátima Bosa, e por outros amigos de Zelmo, com algumas imprecisões a respeito da data exata em que ocorreu, sendo que o ano 1976 restou como período mais provável. De acordo com vários depoimentos, ficou evidenciado que o agricultor Zelmo Bosa desenvolveu intensa atividade política nas décadas de 60 e 70, em Trindade do Sul, que na época fazia parte do município de Nonoai, onde chegou a ser vereador. Teria participado de ocupações de terras e pertenceria ao chamado Grupo dos Onze, de inspiração brizolista. Assim, João Maria Antunes testemunhou que "em 1964 ou 1965 alguns brigadianos chefiados pelo cabo João estiveram na casa de Zelmo e o prenderam; (...) Zelmo foi vereador em Trindade do Sul e que desapareceu". Depoimento de Antônio Conceição dos Santos Machado informa que, "o desaparecido era um ativista político no município de Nonoai; entre 1974 e 1975, Zelmo passou em sua casa e pediu-lhe mantimentos, pois estava sendo perseguido por policiais do regime militar". Por fim, Cleto dos Santos, que foi líder do PTB em Nonoai em 1964 informa que os autores da prisão de Zelmo em abril daquele ano, na praça daquela cidade gaúcha, foram o coronel Gonçalino Curio de Carvalho e o delegado Sebastião Nunes, acrescentando que seu amigo lavrador reagiu à prisão. Ele acrescenta também a informação de que "Zelmo Bosa, em certo momento, esteve ligado ao sargento Alberi, que era ligado ao coronel Jefferson Cardim, rumando para o Paraná ou para o Mato Grosso. Existiam vários boatos acerca do desaparecimento de Zelmo Bosa, sendo que diziam também que o mesmo teria sido assassinado por policiais no lugar denominado Cascata do Lobo. Zelmo Bosa vinha a Nonoai escondido, quando visitava a sua família e seus parentes. O depoente, juntamente com o vereador João Maria Antunes, tentou localizar Zelmo Bosa em delegacias, no IML, porém jamais conseguiu localizar qualquer vestígio de Zelmo Bosa, seja vivo ou morto". Apoiado nesses depoimentos, o relator do processo junto à CEMDP concluiu estar claro que, "Zelmo foi um homem de intensa atividade política, e seu desaparecimento a partir de 1976 está diretamente relacionado com as atividades que vinha desenvolvendo". Propôs então o deferimento, que foi acatado por unanimidade pelos integrantes da Comissão Especial. ======================================================================================================================= + Informações. (do livro Retrato da Repressão Política no Campo - Brasil m1962-1985) Zelmo Bosa Na década de 1960, o agricultor Zelmo Bosa, nascido em Ronda Alta (RS) em 1937, atuou ativamente na organização dos Grupos dos Onze na localidade de Trindade do Sul, na época pertencente ao município de Nonoai, onde chegou a ser vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). De acordo com documentos reunidos pela Comissão Especial pela Anistia no Rio Grande do Sul, depois do golpe militar de 1964, o trabalhador foi detido diversas vezes em função de suas atividades políticas. Embora as informações sejam imprecisas, ele teria desaparecido por volta de 1976. Entre as atividades consideradas "subversivas", Zelmo teria participado de ocupações de terra para pressionar pela desapropriação das áreas. O vereador João Maria Antunes contou que, em 1964 ou 1965, "alguns brigadianos chefiados pelo cabo João, estiveram na casa de Zelmo e o prenderam". Depois disso, o agricultor teria desaparecido. Outro depoimento, de Antônio Conceição dos Santos Machado, mencionava que, entre 1974 e 1975, o agricultor passou na sua casa e pediu-lhe mantimentos, pois enfrentava dificuldades por estar sendo perseguido pela polícia. Outro conhecido, Cleto dos Santos, líder do PTB em 1964 em Nonoai, contou que o agricultor esteve em certo momento ligado à "Guerrilha de Três Passos", deflagrada em 1965 na cidade do norte gaúcho, sob o comando do coronel Jefferson Cardim de Alencar Osório. Zelmo teria sido preso em abril daquele ano numa praça de Nonoai e reagido à prisão, numa operação chefiada pelo coronel Gonçalino Curi de Carvalho e pelo delegado Sebastião Nunes. Segundo uma das versões, depois das perseguições de que foi vítima, Zelmo teria ido para o Paraná e depois para o Mato Grosso. De forma clandestina, teria retornado algumas vezes a Nonoai para visitar a família. Em outra versão, ele teria sido assassinado pela polícia num local denominado Cascata do Lobo. Depoimentos reunidos pela Comissão Especial sobre Mortes e Desaparecidos Políticos (CEMDP) registram que, na ocasião do desaparecimento do trabalhador, os amigos Cleto dos Santos e João Maria Antunes procuraram por ele nas delegacias de polícia e no Instituto Médico Legal (IML), mas não encontraram qualquer vestígio dele, "vivo ou morto". A própria imprecisão e fragmentação das pistas caracteriza boa parte dos desaparecimentos e assassinados praticados durante o regime militar. ======================================================================================================================== + Informações. do livro Habeas Corpus) ZELMO BOSA (1937-1976) Gaúcho de Ronda Alta, o agricultor Zelmo esteve preso mais de uma vez por suas atividades políticas, após 1964. As informações sobre seu desaparecimento foram colhidas com sua filha e com amigos e contêm imprecisões de data. O ano de 1976, contudo, é o mais provável, apesar de os depoimentos destoarem em alguns pontos. Parece não restar dúvida de que Zelmo desenvolveu intensa atividade política nas décadas de 1960 e 1970, em Trindade do Sul, na época pertencente ao município de Nonoai, onde chegou a ser vereador. Teria participado de ocupações de terras e pertenceria ao chamado Grupo dos Onze, de inspiração brizolista. João Maria Antunes testemunhou que "em 1964 ou 1965 alguns brigadianos chefiados pelo cabo João estiveram na casa de Zelmo e o prenderam [...] Zelmo foi vereador em Trindade do Sul e [...] desapareceu". Segundo Antônio Conceição dos Santos Machado, "o desaparecido era um ativista político no município de Nonoai; entre 1974 e 1975, Zelmo passou em sua casa e pediu-lhe mantimentos, pois estava sendo perseguido por policiais do regime militar". Cleto dos Santos, que foi líder do PTB em Nonoai em 1964, informa que Zelmo tentou reagir no momento em que foi preso, na praça da cidade, pelo coronel Gonçalino Curio de Carvalho e pelo delegado Sebastião Nunes. Acrescenta a informação de que Zelmo Bosa, em certo momento, esteve ligado ao sargento Alberi, que era ligado ao coronel Jefferson Cardim, rumando para o Paraná ou para o Mato Grosso. Existiam vários boatos acerca do desaparecimento de Zelmo Bosa, sendo que diziam também que o mesmo teria sido assassinado por policiais no lugar denominado Cascata do Lobo. Zelmo Bosa vinha a Nonoai escondido, quando visitava a sua família e seus parentes. O depoente, juntamente com o vereador João Maria Antunes, tentou localizar Zelmo Bosa em delegacias, no IML, porém jamais conseguiu localizar qualquer vestígio de Zelmo Bosa, seja vivo ou morto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111008/81b31d3b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15652 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111008/81b31d3b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 8 15:00:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 8 Oct 2011 15:00:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Uma_carta_ao_Mundo_Comunista_e_aos_Par?= =?utf-8?q?tidos_Oper=C3=A1rios=2E_Do_Partido_Comunista_S=C3=ADrio_?= =?utf-8?q?=28Unificado=29?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Uma carta ao Mundo Comunista e aos Partidos Operários Partido Comunista Sírio (Unificado) Saudações, camaradas Gostaríamos de apresentar-vos uma breve análise dos sucessivos acontecimentos recentes no nosso país, Síria, e, para tanto, devemos elucidar alguns factos e desvendar algumas mentiras fabricadas e publicadas pela propaganda imperialista contra a Síria. Desde o início dos acontecimentos, em Março, estações de TV nos EUA, Reino Unido e França, algumas estações no mundo Árabe e centenas de sites da internet têm-se mobilizado para falsificar a realidade da melhor maneira que puderem e, na medida em que a opinião pública se interessa por esta situação, programas especiais são transmitidos dia e noite para servirem esse propósito de falsificação. O presidente norte-americano divulga diariamente notas que expressam seu posicionamento contra a Síria, assim como uma ingerência flagrante nos assuntos internos do povo Sírio. Oficiais de alta patente da União Europeia têm imitado o presidente Americano. Tais posicionamentos e intervenções chegaram ao auge quando o presidente norte-americano apontou regime Sírio como irrelevante e ilegítimo. Ásperas e injustas sanções económicas foram impostas contra o povo Sírio. Ainda mais perigosos são os planos adoptados pela OTAN de desencadear ondas de ataques aéreos, durante algumas semanas, contra 30 áreas estratégicas na Síria, exactamente o mesmo que aconteceu na Jugoslávia. Alguns oficiais europeus não hesitam em encarar a situação na Síria como se fosse a cópia exacta da crise Líbia, onde milhares de civis foram massacrados, dezenas de áreas económicas foram destruídas pelos ataques aéreos. Estados membros da aliança imperialista têm tentado, de todas as maneiras possíveis, aprovar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando a Síria para, em seguida, adoptar sucessivas resoluções a seu respeito, de forma a tornar ?legal? uma campanha de agressão contra nosso país. Agradecemos a oposição a esses planos por parte da Rússia e da China, acompanhadas, até agora, pela África do Sul, Índia, Brasil e Líbano. As tentativas imperialistas no Conselho de Segurança da ONU foram até agora infrutíferas. Todas essas movimentações acontecem sob dois pretextos: 1. Os manifestantes na Síria estão sendo mortos, e estão a ser tomadas medidas de segurança para lidar com os manifestantes; 2. A manipulação das deficiências do regime Sírio assim como da falta de democracia e o monopólio do poder por parte do partido no poder com o intuito de pressionar o regime para adoptar algumas mudanças internas, embora qualquer mudança interna deva ser considerada como parte da soberania nacional do país. Na realidade, diversas manifestações de protesto começaram em Março pedindo reformas sociais, económicas e democráticas. A maioria dessas reclamações foi apoiada pelo nosso partido como uma forma de superar os efeitos nocivos da implementação de um programa liberal na economia (de acordo com o Fundo Monetário Internacional) e a transformação da Síria em um mercado económico. Os efeitos foram nocivos para o nível de vida das camadas pobre e média. Essas manifestações eram pacíficas, mas cedo foram manipulados por fundamentalistas religiosos e grupos radicais, cuja ideologia data de antes da Idade Média. As manifestações transformaram-se de pacíficas em armadas, procurando alcançar objectivos que não têm nenhuma ligação com as reformas políticas e sociais. Ao tratar com essas manifestações as forças de segurança oficial cometeram diversos erros injustificáveis; consequentemente, essas acções foram seguidas de reacções. Dezenas de civis e soldados foram mortos. Bandos armados foram formados atacando propriedade pública e privada, criando barreiras dentro de algumas cidades, contando com ajuda externa. Durante os últimos meses, esses bandos estabeleceram zonas armadas nas regiões fronteiriças da Síria, do nosso lado, e da Turquia, do Líbano, da Jordânia e Iraque, para garantir continuidade no seu abastecimento de armas e na ligação entre essas áreas. De qualquer maneira, os bandos não obtiveram sucesso no estabelecimento de uma base fronteiriça estável. Isso custou a vida a centenas de civis e soldados, ou seja, mais de 2000 vítimas. Pelo meio, diversos acontecimentos foram empolados. Factos foram falsificados. Os mais modernos equipamentos electrónicos e de media foram empregues com o intuito de mostrar que o exército Sírio é inteiramente responsável por esses actos e que os bandos armados não o são, e assim por diante. Devido à pressão, o governo adoptou diversas reformas sociais e democráticas que incluem: a anulação das leis e Tribunais de excepção e o respeito pelas manifestações pacíficas legais. Recentemente, uma nova lei eleitoral e uma lei permitindo o estabelecimento de partidos políticos foram adoptadas. Está em curso a preparação de uma constituição nova ou modificada. Novas leis a respeito dos media e da administração pública também foram adoptadas. Os objectivos dessas leis e acções são: quebrar o monopólio de poder do partido Ba?th, estabelecer uma sociedade plural e democrática, assegurar liberdades privadas e públicas, garantir a liberdade de expressão e reconhecer o direito de oposição para a actividade política pacífica. Apesar das nossas reservas no que diz respeito a alguns artigos, essas leis são muito importantes. Por mais de quarenta anos nosso partido tem lutado para ter tais leis adoptadas. Essas leis devem ser implementadas e podem ser consideradas como um importante passo em direcção à transição da Síria para uma sociedade democrática e plural. Largos sectores pacíficos da oposição nacional saudaram essas iniciativas, embora as oposições fundamentalistas e armadas ainda estejam defendendo o derrube do regime, pressionando e agindo sectariamente. Podemos resumir a situação como segue: ? Reduziu-se a tensão armada nas cidades Sírias. Os bandos armados foram fortemente atingidos. De qualquer maneira, alguns deles têm condições para retomar a sua actividade; ? As manifestações pacíficas não desapareceram e não são reprimidas violentamente, a não ser quando acompanhadas por actividades violentas; ? O governo chamou a oposição nacional a participar em diálogos políticos que buscam ajudar a alcançar a transição para a democracia e o pluralismo de forma pacífica. Tal diálogo encontra muitas dificuldades, mais importantes até do que a pressão dos grupos armados que se opõem ao diálogo e à solução pacífica, financiados por apoio externo; ? As ameaças imperialistas e colonialistas contra a Síria aumentaram. Embora essas ameaças encontrem algumas dificuldades, precisamos de estar prontos para as enfrentar. Enquanto a situação do nosso país está em pausa, ela aparece como segue: - Movimentos de protesto ainda existem em diferentes níveis. Eles diferem de uma região para outra. Nota-se que alguns movimentos começam em mesquitas, áreas rurais e favelas e seguem em direcção ao centro da cidade; - Movimentos entre as minorias étnicas e religiosas são raros. Nas fábricas, universidades e sindicatos não existem movimentações; - Dentro dos círculos da grande burguesia, independentemente de ser industrial ou financeira, especialmente nas grandes cidades de Aleppo, Lattakia e Damasco, não existem movimentos; - Não existem movimentações dentro dos clãs e das tribos; - A oposição é composta de um amplo e variável espectro de partidos. Alguns são patrióticos, opõem-se à intervenção externa e aos bandos armados. Neste campo está o Partido Muçulmano, considerado o mais activo e bem organizado partido dentro e fora do país. Há, também, diversos grupos tradicionais com diferentes orientações, cuja influência se tornou mais clara nas manifestações em diferentes áreas. Esses grupos não escondem seus objectivos e propostas que são claramente reaccionárias e sectárias. Os grupos locais mais importantes e activos desde o inicio dos protestos, são as coordenações locais que incluem diferentes grupos da juventude sem terem nenhum plano e clareza ideológica comuns, ou orientações, com excepção do slogan ?Abaixo o regime?. Eles estão expostos à pressão externa, assim como interna. - A oposição no exterior é composta por intelectuais, tradicionalistas, pessoas que romperam com o regime, com algumas conexões internas (Khadam e Refa?at Al Assad). Durante o ultimo período, essas forças promoveram diversas conferências no exterior (excepto um encontro que aconteceu no hotel Samir Amis, em Damasco, organizado pela oposição interna) objectivando mobilizar forças e coordenar posições. Diferenças ideológicas e políticas, assim como diferenças nos interesses prevalecem. Algumas forças de oposição no exterior trabalham duramente para ganhar apoio internacional e de forças colonialistas. - Até agora, os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha estão liderando a campanha internacional de ameaças e incitamento contra o regime Sírio, buscando impor mais e mais pacotes e sanções, especialmente pelo Conselho de Segurança da ONU e outros organismos internacionais; Rússia e China continuam a opor-se à imposição de tais sanções e procedimentos. A Turquia escolheu uma postura oportunista que se move de acordo com as eleições internas e seus interesses regionais. Há uma maioria internacional opondo-se às medidas militares directas contra a Síria, como aconteceu na Líbia, para que a Liga Árabe e o Conselho de Segurança da ONU não adoptem resoluções que preparem o caminho para a agressão. O conflito em torno desta questão é feroz. - Excepto pelo Qatar, que tem um papel vital e importante nesta conspiração contra a Síria, existem diferentes pontos de vista e posições no mundo árabe no que diz respeito à situação no país. - Dia a dia, a situação económica se deteriora, a pressão sobre as condições de vida das massas aumenta. - O regime é coeso e tem grandes potencialidades de superar a crise. Cinco meses antes do eclodir dos acontecimentos, nenhuma das instituições básicas (o partido, o exército, a segurança, as instituições de estado, embaixadas, organizações populares, sindicatos, a Frente Progressista Nacional?) haviam experimentado qualquer divisão. Certamente, o cenário não é estático e deve ser visto de acordo com suas dinâmicas, variações e desenvolvimento diário. Possíveis cenários: - A crise deverá prosseguir por um longo período, arrastando mais calamidades e derramamento de sangue; - Uma movimentação que conduza a uma anarquia geral, uma guerra civil ou algo similar, pavimentando o caminho para uma intervenção externa; - Uma aparente divisão na oposição pode acontecer, fazendo com que parte dela queira iniciar um sério diálogo com o regime para alcançar um novo contrato social no país; - Colocar um fim nas diferentes abordagens e ?imobilidade? no que diz respeito às forças do regime. Há dois possíveis resultados: mover-se em direcção a uma solução política para o fim da crise, factível e firme, ou continuar tratando a crise apenas como uma questão de segurança a todo custo. É difícil prever a maneira pela qual uma solução decisiva é possível. - Alguns factos inesperados podem acontecer, forçando todos os partidos a se comprometerem, ou aceitarem, um acordo imposto por forças externas para ajudar o país a encontrar um caminho para fora do túnel. Onde está o partido agora? Para começar, gostaríamos de sublinhar o facto de o nosso partido ter enviado uma mensagem ao comando do partido Al-Baa?th, na véspera de sua décima Conferencia, em 2005. O nosso partido reivindicava a separação entre o estado e o partido governante, garantias de democracia e liberdades, regulamentos de emergência, a adopção de uma lei democrática para partidos, liberdade de expressão e libertação de prisioneiros políticos, o fim da hegemonia do partido Al-Baa?th em sindicatos, combate à corrupção etc. Mas gostaríamos de adicionar que o partido afirmou, em todos os documentos divulgados nos últimos meses, que apoiamos a postura da Síria nas questões internacionais. Para materializar este desejo, as necessidades sociais, económicas e democráticas das massas populares devem ser inter-relacionadas. Nós discutimos essas questões detalhadamente nas nossas conferências e documentos. Nas suas análises da profunda e actual crise do nosso país, o nosso partido esclareceu que a principal contradição está entre a fórmula política usada para regular o país por diversas décadas e as exigências de desenvolvimento democrático, social, económico e cultural, necessárias para a sociedade Síria. O conteúdo do nosso ponto de vista é que a fórmula política está baseada no monopólio da autoridade do partido Al-Baa?th, que administra o movimento popular e suas organizações. Esta fórmula leva à decadência, à burocracia e à corrupção da máquina de estado. Consequentemente, os planos de reforma económica e social precisam ser reconsiderados para serem actualizados com as exigências do progresso. O nosso partido acredita que a essência da actual crise é a desadequação entre a estrutura do regime e os objectivos da Síria. Ao mesmo tempo, o partido tem enfatizado que o inimigo e as forças imperialistas se têm aproveitado destas distorções internas para fomentar o nível da conspiração contra a Síria e usá-las como um cavalo de Tróia para servir aos seus já conhecidos objectivos, como mencionado anteriormente. Consequentemente, o Partido Comunista Sírio (Unificado) não é neutral no que se refere à alternativa necessária, por um lado, e os meios necessários para alcançar esse objectivo, por outro lado. Solução política e continuidade de uma reforma real e radical constituem o único caminho para a saída da crise. Os procedimentos repressivos ajudam a aumentar os componentes da crise e a esvaziar o conteúdo das reformas necessárias. A actual situação, afirmamos, requer um diálogo construtivo e sério com todas as forças honestas e patrióticas, independente das diferenças de opinião ou pontos de vista, com o propósito de alcançar um acordo ou uma reforma radical que sirva às necessidades das massas populares e garanta a criação de um estado laico civil e democrático que se oponha aos planos imperialistas e israelenses na região. Mas o diálogo pressupõe um clima adequado; sem ele, a intransigência só poderá levar a mais derramamento de sangue, mais destruição para o país e mais sofrimento para a população. Queridos camaradas: Devido à fraqueza da imprensa popular de massa na Síria na confrontação com os grandes media do imperialismo, à mobilização das forças reaccionárias por todo o mundo contra a Síria, além de seus fantoches na região - incluindo a Turquia, que adoptou uma política pragmática para lutar pela hegemonia frente aos países orientais - devido a tudo isso, o nosso partido deseja que todos os partidos comunistas, de trabalhadores e democráticos no mundo nos ajudem a divulgar amplamente esses esclarecimentos junto à opinião pública de seus países. Ainda mais, pedimos que esses partidos se solidarizem com a Síria porque este é o país mais importante do Mundo Árabe que resiste aos planos imperialistas de dominar o Oriente Médio, opondo-se firmemente ao plano americano-Israelense de fragmentar a área em diversas entidades sectárias fáceis de serem controladas. A Síria apoia, inclusive, a resistência nacional Palestina, Libanesa e Iraquiana. Ainda mais, apoia o direito do povo Palestino de libertar seu território e estabelecer um estado nacional com Jerusalém como sua capital. Damasco, 17/9/2011 Hunein Nemer Primeiro Secretário do Partido Comunista Síria (Unificado) Fonte: http://www.odiario.info/?p=2233 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111008/76699fb3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 8 15:00:56 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 8 Oct 2011 15:00:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__-_Michael_Moore_-_=22Nossa_miss=C3=A3?= =?utf-8?q?o=3A_envolver-nos!=22?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Contraponto 6451 - Michael Moore - "Nossa missão: envolver-nos!" . 08/10/2011 Nossa missão: envolver-nos! Adital -06.10.11 - EUA Michael Moore Cineasta y escritor estadounidos Adital Tradução: ADITAL Nova York tem oito milhões de habitantes; um milhão vive na pobreza. É uma vergonha! E, no entanto, o sistema não se detém. Não importa quanta vergonha possamos sentir; a maquinaria vai adiante, para fazer mais dinheiro. Novas maneiras de trapacear com as aposentadorias; de roubar ainda mais. Porém, algo está acontecendo em Liberty Plaza. Estive em Liberty Plaza para escrever um par de notas. E voltarei. Estão fazendo um grande trabalho lá. E estão recebendo cada vez mais apoio. Em uma dessas noites, o sindicato de empregados de transportes ?os condutores de ônibus, condutores da metropolitana- voltou com entusiasmo para dar sustentação ao protesto. Há três dias, 700 pilotos de linha ?sobretudo de United e de Continental- marcharam por Wall Street. Não sei se deu para assistir na TV. Sei como esteve a cobertura aqui; mostraram apenas uns poucos hippies que tocavam tambores ?coisas típicas que os jornais buscam-. Por favor, que Deus abençoe os hippies que tocam seus tambores! Mas, eu lhes digo o que vi naquela praça. Vi jovens e anciãos; gente de todo tipo e de todas as cores e de todas as religiões. Vi também as pessoas que votam por Ron Paul (o candidato presidencial ultraconservador que quer abolir o Banco Central). Quero dizer, era um grupo de gente de todo tipo. Estavam pessoas enfermas; estavam os professores. Hoje, haverá manifestação: também os condutores de ônibus e da metropolitana marcharão de novo pela Wall Street. Escutei dizer que a UAW (sindicato dos operários automotivos) está pensando em algo parecido. Pensem! Seu pior pesadelo se converterá em realidade. Os hippies e os operários automotivos que marcham juntos! As pessoas entenderam. E toda essa história sobre as divisões internas... Não interessa às pessoas. Porque dessa vez trata-se de seus próprios filhos que correm o risco de não poder ir à escola. Dessa vez correm o risco de ficar sem casa. Essa é a verdade que está em jogo! Porém, o que me parece mais estranho e bizarro, de parte dos ricos, é como puderam exceder-se tanto. Quero dizer: ia tudo muito bem para eles. Mas, para eles não era o bastante. Para os novos ricos não era o bastante. Os novos ricos que não fizeram fortuna graças a uma boa ideia; nem graças a uma invenção; nem ao seu próprio suor; nem com seu trabalho... Os novos ricos que enriqueceram com o dinheiro dos outros; com o que jogaram como se fossem ao cassino. Dinheiro, mais dinheiro. E agora, temos uma geração de jovens cujos heróis são os dos canais de TV de negócios: aqueles que enriqueceram fazendo dinheiro sobre os que fazem dinheiro. Porém, de quantos jovens que comecem a trabalhar para salvar esse planeta necessitamos? Para encontrar a cura para todos esses males. Para encontrar uma maneira de levar água e serviços higiênicos aos milhares de pessoas sobre essa terra... Isso é o que queria. Que, em vez de que as 400 pessoas mais ricas desse país tenham mais riqueza, sejam os 150 milhões de estadunidenses todos juntos os que estejam em melhor situação. Dirão: essa é uma das cifras que Michael Moore joga sem fundamento. Porém, é uma estatística certa: verificada por Forbes e por PolitiFact. As 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos são mais ricos que os 150 milhões todos juntos! E isso não pode ser chamado de democracia! A democracia implica em igualdade: eu não digo que cada pedaço da torta deve ser da mesma medida; porém, será que não exageraram? Agora, há essa boa notícia. Porque até que alguém desafie nossa democracia ?enquanto a Constituição se mantenha intacta-, quer dizer que cada um de nós terá o mesmo direito de voto que os senhores de Wall Street: um voto por pessoa. E eles poderão comprar todos os candidatos que queiram; porém, sua mão guiará a nossa mão quando estivermos no quarto escuro. A mensagem de gritar forte é fazer chegar aos milhões de pessoas que se deram por vencidas ou que foram convencidas por ignorância-. Conseguiremos fazer chegar nossa mensagem aos 400 será o pior pesadelo. Porque só sabem fazer contas! Nós somos muitos mais que eles. Depende somente de nós. Basta de despertar-se pela manhã e dizer "ok?. Agora, basta! Decidi envolver-me. Essa agora é a nossa missão: envolver-nos. Por isso, lhes digo: apóiem o protesto de Liberty Plaza! [Testemunho durante a apresentação do último livro de Moore em ST. Mark's Bookstore]. http://contrapontopig.blogspot.com/2011/10/contraponto-6451-michael-moore-nossa.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111008/113141df/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15134 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111008/113141df/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 9 12:11:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 9 Oct 2011 12:11:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Musicas_Para_Baixar___________________?= =?utf-8?q?________________________HOJE_=C3=89_DOMINGO!_M=C3=9ASICA?= =?utf-8?q?S!?= Message-ID: <8A797768685D40D3A67A7A9C32333E9D@vcaixe> Musicas Para Baixar - Baixar Musicas, Download de Musicas, Musicas Para Ouvir, Musicas Para Celular, Musicas Mp3, Programa Para Baixar MusicaCarta O Berro.........................................................repassem Musicas Para Baixar -------------------------------------------------------------------------------- a.. FM O Dia: Alegria Que Irradia Ao Vivo (2011) b.. Global DJ Broadcast Top 15 October (2011) c.. DJ Drama ? Third Power (2011) d.. Hit Box Dancefloor 2011 e.. Dream Dance Vol 61 (2011) f.. Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo FM O Dia: Alegria Que Irradia Ao Vivo (2011) Posted: 08 Oct 2011 04:13 PM PDT a.. Easy-Share b.. RapidShare c.. MegaUpload d.. 4Shared e.. Oron f.. FileServe g.. Wupload h.. FileFactory i.. X7.to j.. FreakShare k.. UploadStation l.. Zshare m.. SendsPace n.. Unibytes o.. MediaFire p.. Uploading q.. DepositFiles r.. FileSonic s.. 2Shared t.. Badongo u.. Turbobit v.. MegaShare w.. Bitshare x.. Letitbit 01 A Gente Bota Pra Quebrar ? Exaltasamba 02 Pensando Em Você ? Nosso Clima 03 Coração Blindado ? Grupo Revelação 04 Batucada Boa ? Samba Pra Gente 05 Curtindo a Vida ? Grupo Bom Gosto 06 Fica ? Grupo Tá Na Mente 07 Chegamos ao Fim ? Arlindo Cruz 08 Sorri, Sou Rei ? Natiruts 09 Ciume ? Clima Diferente 10 Quem é Voce ? Alexandre Pires 11 Eternamente Vai Durar ? Nem Te Conto 12 O Amor é Cego ? Sempre Assim 13 A Amizade é Tudo ? 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UploadStation l.. Zshare m.. SendsPace n.. Unibytes o.. MediaFire p.. Uploading q.. DepositFiles r.. FileSonic s.. 2Shared t.. Badongo u.. Turbobit v.. MegaShare w.. Bitshare x.. Letitbit 01. Oh My (feat. Fabolous, Roscoe Dash & Wiz Khalifa) 02. Rough (feat. Young Jeezy & Freddie Gibbs) 03. Lay Low (feat. Young Chris, Meek Mill & Freeway) 04. Ain?t No Way Around It (feat. Future) 05. Undercover (feat. Chris Brown & J. Cole) 06. Everything That Glitters (feat. Pusha T & French Montana) 07. Me & My Money (feat. Gucci Mane) 08. Never See You Again (feat. Talia Coles & Wale) 09. Self Made (feat. Red Cafe & Yo Gotti) 10. Take My City (feat. B.o.B & Crooked I) 11. Locked Down (feat. Ya Boy & Akon) 12. Oh My (Remix) (feat. Trey Songz, 2 Chainz & Big Sean) Resumo: DJ Drama ? Third Power, Cd DJ Drama ? Third Power, Download DJ Drama ? Third Power, Baixar DJ Drama ? Third Power, Baixe musicas do cd DJ Drama ? Third Power. DJ Drama ? Third Power (2011) Post Original por: Musicas Para Baixar - Baixar Musicas! Clique Aqui! Visite: Musicas Para Baixar - Baixar Musicas - Baixaki Musicas Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar Posts Relacionados: 1.. Maná ? Drama Y Luz (2011) 2.. Power Hits 2011 3.. Dance Power 19 (2011) 4.. Power (2010) 5.. Power Hit Radio TOP15 Hit Box Dancefloor 2011 Posted: 08 Oct 2011 03:33 PM PDT a.. RapidShare b.. MegaUpload c.. 4Shared d.. Oron e.. FileServe f.. Wupload g.. FileFactory h.. X7.to i.. FreakShare j.. UploadStation k.. Zshare l.. Unibytes m.. Uploading n.. DepositFiles o.. Uploaded p.. FileSonic q.. 2Shared r.. Badongo s.. Turbobit t.. MegaShare u.. Bitshare v.. Letitbit CD01 01 Just Can?t Get Enough ? The Black Eyed Peas 03:41 02 Higher ? Taio Cruz 03:09 03 Beautiful Monster ? Ne-Yo 04:10 04 Le Son Qui Bam Bam (Radio Edit) ? Keen? V 03:13 05 Rapture (Avicii New Generation Radio Edit) ? Nadia Ali 03:40 06 Beautiful People (Radio Edit) ? Chris Brown, Benny Benassi 03:46 07 Baila Morena ? Lucenzo 03:00 08 So Hot (Radio Edit) ? Kyle Evans 03:31 09 Sexy Lady (Radio Edit) ? Javi Mula 03:05 10 Seek Bromance (Avicii Vocal Edit) ? Tim Berg 03:21 11 Elevator (Nari & Milani Remix Edit) ? Junior Sanchez 03:17 12 Mon Idéal (Radio Edit) ? Neg?Marrons 03:16 13 Le Cirque (Radio Edit) ? Chris Garcia 03:09 14 My Feelings For You (Radio Edit) ? Sebastien Drums, Avicii 03:05 15 Good Feeling (Radio Edit) ? DJ Flex 03:05 16 The Way To Love (Radio Edit FR) ? Tom Snare 02:48 17 Angels (Love Is The Answer) (Radio Edit) ? Morandi 03:46 18 Salsa Latine Tropicale ? Isis Figaro 03:39 CD02 01 S&M ? Rihanna 04:03 02 Hello (Radio Edit) ? Martin Solveig, Dragonette 03:11 03 Far L?Amore (Radio Edit) ? Bob Sinclar, Raffaella Carra 03:02 04 Sun Is Up ? Inna 03:42 05 Moment Of Happiness (Djs From Mars Radio Edit) ? Muttonheads 03:33 06 All Alone (Est-Ce Qu?Un Jour) (Radio Edit FR) ? Quentin Mosimann 03:03 07 The Radio (Get Far & Paolo Sandrini Radio Edit) ? Get-Far 03:03 08 My Bed Is A Dancefloor (Radio Edit) ? Eric Carter 03:11 09 Are You Ready (Radio Edit) ? Laurent Pepper 03:18 10 Zamounda Tu Peux Pas Test (Radio Edit) ? La Selesao 03:17 11 Hold On (Radio Edit) ? Adrian Sina 03:54 12 Saturday ?Think About The Way? (Radio Edit) ? Sandy Ground Factory 03:33 13 Rendez-Vous Sur Le Dancehall ? Typik? Hall 03:06 14 Feels Like A Prayer (Radio Edit) ? Meck 03:01 15 Feel Alive (Radio Edit) ? Jean Elan 02:41 16 In Da Name Of Love (Radio Edit) ? Ray & Anita 03:18 17 Tous Ensemble ? X-Maleya 04:30 18 OMG (Main Mix) ? Sabrina Washington 03:24 CD03 01 Born This Way ? Lady GaGa 04:21 02 Bumpy Ride (French Version) ? Mohombi 03:44 03 House?llelujah ? Stromae 03:59 04 Shout (Radio Edit EN) ? Tom Snare 02:48 05 Until Tomorrow (Radio Edit) ? Yves Larock 03:14 06 Beats For You (Radio Edit) ? Mischa Daniels 03:37 07 LoveLife (Radio Edit) ? 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Visite: Musicas Para Baixar - Baixar Musicas - Baixaki Musicas Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar Posts Relacionados: 1.. Double Dancefloor 2011 Vol.2 2.. Fun Radio ? Le Son Dancefloor 2011 Vol.2 3.. Fun Radio Dancefloor Winter 2010 4.. Fun Radio ? Dancefloor Spring (2011) 5.. Fun Radio Tubes Dancefloor 2010 Dream Dance Vol 61 (2011) Posted: 08 Oct 2011 03:21 PM PDT a.. Easy-Share b.. RapidShare c.. MegaUpload d.. 4Shared e.. Oron f.. FileServe g.. Wupload h.. FileFactory i.. X7.to j.. FreakShare k.. UploadStation l.. Zshare m.. SendsPace n.. Unibytes o.. Uploading p.. DepositFiles q.. FileSonic r.. 2Shared s.. Badongo t.. Turbobit u.. MegaShare v.. Bitshare w.. Letitbit CD01 01 Sak Noel ? Loca People (What the Fxxk!?) 03:37 02 Mike Candys & Evelyn ? One Night in Ibiza 02:35 03 DJ Antoine Feat. Tom Dice ? Sunlight 03:02 04 R.I.O. Feat. U-Jean ? Turn this Club Around 03:22 05 Martin Solveig with Dragonette Feat. Idoling ? Big in Japan 04:20 06 Money-G Feat. Falco ? Jeanny 2011 03:31 07 Other Ego ? Titanium 03:57 08 Leuchtturm ? Leuchtturm 03:37 09 Giorno ? I Clear the Area 03:47 10 Master Blaster ? Back to the Sunshine 03:28 11 Tommy & Tibby Feat. Masterboy ? Dance to the Beat 2k11 (Topmodelz Remix) 03:06 12 Ron-Bon-Beat Project ? Hello 03:56 13 DJ Sequenza ? C U 2nite (Empyre One Remix) 03:31 14 Mike Nero ? Break the Silence (Dream Dance Alliance Remix Edit) 03:13 15 Van Snyder ? Start Again (Megara Vs. DJ Lee Remix Edit) 03:44 16 Thomas Petersen Pres. Zylone ? Motion 03:02 17 Apollo ? for You 03:47 18 Cosmic Culture ? the Way 03:29 19 Eve Kain ? Take My Breath Away 03:42 20 Brooklyn Bounce & Discotronic ? the Music?s Got Me (Gainworx Remix) 04:01 21 Rocco & Bass-T Vs. Redtzer ? Holy Ground 03:48 22 Dream Dance Alliance ? Gold 03:04 CD02 01 Atb Feat. Jasoon ? Move on 03:58 02 Armin Van Buuren Feat. Cathy Burton ? I Surrender (Sebastian Brandt Remix) 04:12 03 Above & Beyond Feat. Zoë Johnston ? You Got to Go 03:16 04 Dash Berlin Feat. Jonathan Mendelsohn ? Better Half of Me 03:08 05 Kyau & Albert ? Always A Fool (2011 Rework) 03:35 06 Cosmic Gate ? the Theme 04:26 07 Ferry Corsten Feat. Armin Van Buuren ? Brute 03:34 08 Avicii ? Fade into Darkness 02:59 09 Clokx ? Oddity 03:07 10 Giuseppe Ottaviani Feat. Linnea ? Just for You 04:00 11 Dave 202 ? Alive 03:23 12 Grace ? Not Over Yet (Max Graham Vs. Protoculture Remix Edit) 04:35 13 Victor Dinaire & Bissen Feat. Peter Finley ? 2nite U R Perfect (Steve Brian Remix) 02:47 14 Pedro Del Mar Feat. Fisher ? Reaching Out (Raven&kleekamp Remix) 03:48 15 Store N Forward ? Listen to Life 03:46 16 Simon Patterson Feat. Lucy Pullin ? Keep Quiet 03:21 17 Nic Chagall & Duderstadt Feat. Relyk ? Alone with You 03:36 18 Woods&edge ? La Loca (Steve Brain Remix) 03:30 19 Rafael Frost ? Smash 03:04 20 W&w ? Beta 03:30 21 Rea Garvey ? Can?t Stand the Silence (Paul Van Dyk Remix) 06:32 Resumo: Dream Dance Vol 61, Cd Dream Dance Vol 61, Download Dream Dance Vol 61, Baixar Dream Dance Vol 61, Baixe musicas do cd Dream Dance Vol 61. Dream Dance Vol 61 (2011) Post Original por: Musicas Para Baixar - Baixar Musicas! Clique Aqui! Visite: Musicas Para Baixar - Baixar Musicas - Baixaki Musicas Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar Posts Relacionados: 1.. Dream Dance 58 (2011) 2.. Dream Dance Vol.55 (2010) 3.. VA ? Dream Dance Vol.59 (2011) 4.. Dream Dance (Best Of 15 Years) (2011) 5.. Dream Dance Vol 57 (2010) Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo Posted: 08 Oct 2011 03:10 PM PDT a.. Easy-Share b.. RapidShare c.. MegaUpload d.. 4Shared e.. Oron f.. FileServe g.. Wupload h.. X7.to i.. FreakShare j.. UploadStation k.. Zshare l.. SendsPace m.. Unibytes n.. MediaFire o.. Uploading p.. DepositFiles q.. FileSonic r.. 2Shared s.. Badongo t.. Turbobit u.. MegaShare v.. Bitshare w.. Letitbit 01 Anunciação 02 Banquete de Signos 03 Canta Coração 04 Morena de Angola 05 Pavão Mysteriozo 06 O Meu Amor 07 De Volta Pro Aconchego 08 Queixa 09 Admirável Gado Novo 10 Chorando e Cantando 11 É Só Você Querer 12 Chão de Giz 13 Chuva de Sombrinhas 14 Frevo Mulher Resumo: Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo, Cd Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo, Download Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo, Baixar Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo, Baixe musicas do cd Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo. Elba Ramalho ? Marco Zero Ao Vivo Post Original por: Musicas Para Baixar - Baixar Musicas! Clique Aqui! Visite: Musicas Para Baixar - Baixar Musicas - Baixaki Musicas Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar - Musicas Para Baixar Posts Relacionados: 1.. Elba Ramalho ? Solar Ao Vivo (2011) 2.. Elba Ramalho ? Balaio de Amor (2009) 3.. Marco e Mário ? Flecha do Cupido ? Ao Vivo (2009) 4.. Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga (2009) 5.. Zé Ramalho ? O Gosto da Criação [2002] You are subscribed to email updates from Musicas Para Baixar - Baixar Musicas, Download de Musicas, Musicas Para Ouvir, Musicas Para Celular, Musicas Mp3, Programa Para Baixar Musica To stop receiving these emails, you may unsubscribe now. Email delivery powered by Google Google Inc., 20 West Kinzie, Chicago IL USA 60610 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111009/e5268f47/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 9 12:11:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 9 Oct 2011 12:11:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JOS=C9_MAXIMINO_DE_ANDRADE_NETTO_____?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCLXVII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem JOSÉ MAXIMINO DE ANDRADE NETTO (1913 - 1975) Filiação: Odila de Andrade Netto e José Maximiano Netto Data e local de nascimento: 20/09/1913, Três Corações (MG) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 18/08/1975, em Campinas (SP) O coronel reformado da PM paulista José Maximino de Andrade Netto, mineiro de Três Corações, mas radicado em Campinas (SP), já tinha sido expurgado da corporação em 1964, quando ela ainda se chamava Força Pública, por não aderir ao movimento militar que depôs o presidente João Goulart. Duas décadas depois, sob a acusação de militância no PCB, foi preso em 11/08/1975 por agentes do DOI-CODI/SP. Um dia após ser libertado e deixado pelos agentes dos órgãos de segurança na porta de sua casa, em péssimas condições de saúde, morreu em 18/08/1975, no Hospital Clinicor, em Campinas (SP), segundo o legista Alberto F. Piccolotto Naccaratto, de um enfarte do miocárdio. O relator do caso na CEMDP Luís Francisco Carvalho Filho enumerou os depoimentos colhidos pela autoridade judicial, sob compromisso legal. Salomão Galdino da Rocha, ex-policial militar, afirmou ter sido preso e torturado no mesmo dia que Maximino. Segundo ele, durante o interrogatório lhe fizeram perguntas sobre seu relacionamento com o coronel. Contou também que um carcereiro lhe informou que um coronel preso ali estava passando mal e que um médico teria determinado que o retirassem da prisão, pois ele estava morrendo. O outro depoimento é de Bráulio Mendes Nogueira, funcionário público aposentado, segundo quem Maximino era um nacionalista convicto. Foi visitá-lo quando soube que havia sido solto e o encontrou bastante ferido e sem condições de conversar. Bráulio disse também que o telefone da casa do coronel tocava insistentemente e quando era atendido ninguém se manifestava do outro lado da linha, o que foi entendido como ameaça à família. O relator considerou que a prisão de Maximino estava relacionada com o processo de repressão aos militantes do PCB em 1975, e que havia prova da motivação política, de sua prisão e das torturas sofridas. O relator concluiu que as evidências apontavam para o fato de o coronel, já idoso, não ter resistido aos maus tratos; no momento em que sua morte pareceu inevitável, teria sido retirado do cárcere e abandonado em frente à sua casa. ======================================================================================================================== + Informações. JOSÉ MAXIMIANO DE ANDRADE NETO Foi preso em julho de 1975 por agentes do DOI-CODI/SP, em São Paulo, sob a acusação de ser militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo, "expurgado" em 1964. Foi torturado nas dependências do DOI/CODI-SP, como atesta Inês de Castro, em seu depoimento feito no I° Congresso Nacional pela Anistia, realizado em novembro de 1978. Um dia após ter sido libertado, José morreu no Hospital Clinicor, em Campinas, em virtude de um enfarte do miocárdio, certamente provocado pelas torturas sofridas na prisão. =============================================================================================== + Detalhes. 30 ANOS SEM VLADO Carlos Marchi 25/10/2005 na edição 352 "A morte sob tortura do jornalista Vladimir Herzog há 30 anos, no dia 25 de outubro de 1975, foi a culminância de uma escalada do regime militar contra o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Depois de liquidar as guerrilhas urbana e rural, a ditadura, que já voltara os olhos para o PCB desde meados de 1974, se assustou com o resultado das eleições de novembro, na qual a oposição venceu 16 das 22 cadeiras em disputa no Senado. E descobriu que a mais perigosa ameaça à sua continuidade não era a guerrilha armada, que sonhava implantar o socialismo, mas a guerrilha do voto, que pregava a volta da democracia. A repressão do regime resolveu atacar com toda força um aliado estratégico do MDB, o PCB, no qual podia carimbar a pecha de 'comunista'. Esse posicionamento do governo militar serviu como uma luva para a linha dura, que precisava de argumentos para preservar intocados seus ideólogos, agentes e métodos. 'A vitória do MDB foi uma evidente reação da sociedade à ditadura', afirma o historiador José de Souza Martins, professor aposentado da USP. SEM LIMITES No fim de 1975, a escalada acumulava seis inquéritos, acusando mais de uma centena de pessoas, e muitas mortes, sob tortura e a sangue frio, das quais a de Vlado foi apenas a mais simbólica e visível. A repressão desenfreada contra o PCB só terminaria em janeiro de 1976, depois que a morte do operário Manoel Fiel Filho no centro de tortura do DOI-Codi paulista cindiu os militares e o presidente Ernesto Geisel demitiu o comandante do II Exército, expoente da linha dura. Nos anos anteriores, apesar da repressão mais generalizada, o regime, focado na repressão à luta armada, tinha ignorado o PCB, que era contra a guerrilha e tinha como estratégia a luta política pelo voto, afirma convicto o ex-dirigente Armênio Guedes. De fato, em 1972 o PCB contabilizou dois mortos (um deles, Célio Guedes, irmão de Armênio); em 1973, um. Os números cresceram em 1974, quando a luta armada já estava dizimada - desapareceram cinco dirigentes. Com o resultado da eleição de 15 de novembro de 1974, a relação de baixas do Partidão cresceu assustadoramente: houve mortes sob torturas e assassinatos seguidos de sumiço do corpo. A grande ofensiva começou em janeiro de 1975, com o estouro de duas modestas gráficas do PCB, no Rio e em São Paulo. A escalada contra o PCB para atingir o MDB foi uma idéia do regime e do governo, não apenas da linha dura. O atestado disso foi o pronunciamento do então ministro da Justiça, Armando Falcão, na televisão, no dia 30 de janeiro de 1975. Em sua fala, Falcão fez um relatório público do estouro das duas gráficas clandestinas do PCB. Como quem dava uma senha para identificar o novo inimigo do regime, Falcão destacou 'o intenso esforço, o específico trabalho desenvolvido pelo PCB em favor de candidatos a diversos postos eletivos no pleito de novembro'. CERCO Com a imprensa encurralada pela censura, a Igreja sob intensa pressão, a nova estratégia da ditadura era 'colar' o PCB no MDB para interromper o avanço da nascente adesão popular à oposição e o crescimento da luta civilista pela redemocratização. As sucessivas cargas contra o PCB, durante o ano, foram todas marcadas pela evidente intenção de vincular o Partidão ao MDB e ao resultado das eleições de 1974. O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), acusado de ser militante do PCB em 1975 - e de fato o era -, diz que o general Geisel não agia diferentemente dos torturadores antes da morte do operário Manoel Fiel Filho, em janeiro de 1976. 'A reação dele ao assassinato de Vlado foi quase nula. Ele só se dispôs a enfrentar o pessoal da tortura quando o poder dele foi colocado em xeque', diz Goldman. Na época, o deputado teve um curto diálogo com Geisel, num coquetel no Palácio dos Bandeirantes. 'Estão matando gente em São Paulo', disse Goldman. 'Não pense que eu não sei disso', respondeu Geisel, seco. Sabia, mas não fazia nada." *** "Cerco ao PCB começa com ataque a gráficas", copyright O Estado de S. Paulo, 23/10/05 "A grande repressão contra o PCB começou em 13 de janeiro de 1975, quando foram estouradas duas gráficas clandestinas do partido. Ambas tinham sido instaladas em compartimentos simulados de casas de subúrbio - em Campo Grande, no Rio; e na Casa Verde, em São Paulo. A fala do ministro Falcão na TV acuou o MDB, o que se repetiria em todos os outros episódios. Até abril, foram três inquéritos: o das gráficas, o da infiltração nos sindicatos e do chamado setor judeu e o que apurou a remessa de dinheiro do exterior para o Partidão. No primeiro semestre de 1975, quatro dirigentes nacionais do PCB desapareceram. Preso o ex-deputado Marco Antônio Tavares Coelho, seu interrogatório se centrou na influência do partido nas eleições de 1974. Ele ouviu uma recomendação passada aos torturadores: 'De ordem da presidência da República, deve ser feito um minucioso interrogatório sobre as ligações do PCB com o MDB, principalmente em função das eleições do ano passado'. USO ABUSIVO Sob tortura, Marco Antonio mencionou os nomes de militantes eleitos pelo MDB - com destaque para os paulistas Alberto Goldman e Marcelo Gatto, deputados federais, e o estadual Nelson Fabiano. Em junho de 1975, na Justiça Militar, negou as menções, mas o regime faria uso abusivo delas. Em julho, houve 33 prisões na Bahia, entre elas o militante Carlos Augusto Marighella Filho, e mais 50 em Brasília. Em setembro, dezenas de prisões no Paraná. Em dezembro, 38 presos em Santa Catarina. No início de julho, a escalada desbaratou o chamado 'setor-mil', a base do PCB na Polícia Militar de São Paulo. Dos 68 presos, dois morreram sob torturas, o coronel José Maximiano de Andrade Neto e o tenente José Ferreira de Almeida, que teria 'se suicidado', igualzinho fariam, a acreditar no que diziam os torturadores, o vendedor Pedro Jerônimo de Souza, preso em Fortaleza, no dia 17 de setembro, e o jornalista Vladimir Herzog, no dia 25 de outubro". *** "'Magrão', o primeiro da lista", copyright O Estado de S. Paulo, 23/10/05 "No dia 29 de setembro de 1975, foi preso, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, José Montenegro de Lima, o Magrão, 'assistente' da base dos jornalistas no PCB. Um ex-integrante do DOI-Codi contaria que Montenegro foi morto com uma injeção para sacrificar cavalos. Com sua prisão, foi inaugurado o ataque à base dos jornalistas. Antes das prisões, o regime militar executou um rosário de pressões contra José Mindlin, então secretário de Cultura de São Paulo, cujo governador era um liberal, Paulo Egydio. O alvo eram os 'comunistas' da TV Cultura. A pressão contou com notas publicadas por alguns colaboracionistas da ditadura que desempenhavam papel de jornalistas. Uma denúncia direta contra Vlado Herzog foi feita à comunidade de informações pelo hoje senador Romeu Tuma (PFL-SP), como noticiou o Estado semana passada. Sem exceção, todos os jornalistas presos antes de Vlado foram barbaramente torturados; os detidos depois não passaram por tortura. Ele foi procurado na TV Cultura no dia 24. Conseguiu negociar sua apresentação para o dia seguinte. Chegou ao DOI-Codi às 8 horas; no início da tarde estava morto. Não sobreviveu meio dia no centro de torturas da Rua Tutóia. Com a morte de Vlado arrefeceu a escalada contra os jornalistas, mas prosseguiu a campanha que explorava a ligação do PCB com o MDB. Em dezembro, uma entrevista de Marcelo Gatto e NelsonFabiano ao Estado, protestando contra prisões de militantes ligados a eles em Santos, armou o gatilho da cassação. Em janeiro de 1976, sem dar qualquer explicação, o general Geisel cassou os dois. A escalada seria bruscamente interrompida pela morte do operário Manoel Fiel Filho, no dia 17 de janeiro de 1976, em circunstâncias dramaticamente parecidas com a de Vlado e de Pedro Jerônimo. Tornara-se hábito dos subterrâneos da tortura 'suicidar' presos. Por sua brutalidade, a escalada de 1975 acabou servindo como aglutinador de esferas da sociedade que estavam dispersas e se juntaram pela redemocratização. A Igreja saiu na frente: mergulhou de cabeça no caso Herzog. Antes, já tinha feito a opção pelas pastorais sociais (a Comissão Pastoral da Terra foi fundada em 1975, lembra o historiador José de Souza Martins). Fiel Filho, por sinal, era um ativo militante da Pastoral Operária conduzida por d. Paulo Evaristo Arns. Com o caso Fiel, a ditadura se cindiu: o general Geisel, que, em seu depoimento ao CPDOC/FGV justificou a tortura 'em alguns casos', mudou de idéia. Demitiu o comandante do II Exército e instalou a primeira etapa de uma lenta, gradual e segura redemocratização, que ainda teve cassações e prisões políticas, mas acabou com as mortes violentas." ======================================================================================== FICHA José Maximino de Andrade Netto Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Maximino de Andrade Netto Atividade: Policial Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Prisão: 0/7/1975 São Paulo SP Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 0/0/1975 Campinas SP Brasil Hospital Clinicor Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Biografia Documentos Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111009/4f5b6959/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18337 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111009/4f5b6959/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 9 12:12:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 9 Oct 2011 12:12:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Che Guevara e os mortos que nunca morrem . Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Che Guevara e os mortos que nunca morrem Diz Eduardo Galeano, que conheceu o Che Guevara: ele foi um homem que disse exatamente o que pensava, e que viveu exatamente o que dizia. Assim seria ele hoje. Já não há tantos homens talhados nessa madeira. Aliás, já não há tanto dessa madeira no mundo. Mas há os mortos que nunca morrem. Como o Che. E, dos mortos que nunca morrem, é preciso honrar a memória, merecer seu legado, saber entendê-lo. Não nas camisetas: nos sonhos, nas esperanças, nas certezas. Para que eles não morram jamais. O artigo é de Eric Nepomuceno. Eric Nepomuceno No dia em que executaram o Che Guevara em La Higuera, uma aldeola perdida nos confins da Bolívia, Julio Cortázar - que na época trabalhava como tradutor na Unesco - estava em Argel. Naquele tempo - 9 de outubro de 1967 - as notícias demoravam muito mais que hoje para andar pelo mundo, e mais ainda para ir de La Higuera a Argel. Vinte dias depois, já de volta a Paris, onde vivia, Cortázar escreveu uma carta ao poeta cubano Roberto Fernández Retamar contando o que sentia: "Deixei os dias passarem como num pesadelo, comprando um jornal atrás do outro, sem querer me convencer, olhando essas fotos que todos nós olhamos, lendo as mesmas palavras e entrando, uma hora atrás da outra, no mais duro conformismo... A verdade é que escrever hoje, e diante disso, me parece a mais banal das artes, uma espécie de refúgio, de quase dissimulação, a substituição do insubstituível. O Che morreu, e não me resta mais do que o silêncio". Mas escreveu: Yo tuve un hermano que iba por los montes mientras yo dormía. Lo quise a mi modo, le tomé su voz libre como el agua, caminé de a ratos cerca de su sombra. No nos vimos nunca pero no importaba, mi hermano despierto mientras yo dormía, mi hermano mostrándome detrás de la noche su estrella elegida. A ansiedade de Cortázar, a angústia de saber que não havia outra saída a não ser aceitar a verdade, a neblina do pesadelo do qual ninguém conseguia despertar e sair, tudo isso se repetiu, naquele 9 de outubro de 1967, por gente espalhada pelo mundo afora - gente que, como ele, nunca havia conhecido o Che. Passados exatos 44 anos da tarde em que o Che foi morto, o que me vem à memória são as palavras de Cortázar, o poema que recordo em sua voz grave e definitiva: "Eu tive um irmão, não nos encontramos nunca mas não importava, meu irmão desperto enquanto eu dormia, meu irmão me mostrando atrás da noite sua estrela escolhida". No dia anterior, 8 de outubro de 1967, um Ernesto Guevara magro, maltratado, isolado do mundo e da vida, com uma perna ferida por uma bala e carregando uma arma travada, se rendeu. Parecia um mendigo, um peregrino dos próprios sonhos, estava magro, a magreza estranha dos místicos e dos desamparados. Foi levado para um casebre onde funcionava a escola rural de La Higuera. No dia seguinte foi interrogado. Primeiro, por um tenente boliviano chamado Andrés Selich. Depois, por um coronel, também boliviano, chamado Joaquín Zenteno Anaya, e por um cubano chamado Félix Rodríguez, agente da CIA. Veio, então, a ordem final: o general René Barrientos, presidente da Bolívia, mandou liquidar o assunto. O escolhido para executá-la foi um soldadinho chamado Mario Terán. A instrução final: não atirar no rosto. Só do pescoço para baixo. Primeiro o soldadinho acertou braços e pernas do Che. Depois, o peito. O último dos onze disparos foi dado à uma e dez da tarde daquela segunda-feira, 9 de outubro de 1967. Quatro meses e 16 dias antes, o Che havia cumprido 39 anos de idade. Sua última imagem: o corpo magro, estendido no tanque de lavar roupa de um casebre miserável de uma aldeola miserável de um país miserável da América Latina. Seu rosto definitivo, seus olhos abertos - olhando para um futuro que ele sonhou, mas não veria, olhando para cada um de nós. Seus olhos abertos para sempre. Quarenta e quatro anos depois daquela segunda-feira, o homem novo sonhado por ele não aconteceu. Suas idéias teriam cabida no mundo de hoje? Como ele veria o que aconteceu e acontece? O que teria sido dele ao saber que se transformou numa espécie de ícone de sonhos românticos que perderam seu lugar? Haveria lugar para o Che Guevara nesse mundo que parece se esfarelar, mas ainda assim persiste, insiste em acreditar num futuro de justiça e harmonia? Um lugar para ele nesses tempos de avareza, cobiça, egoísmo? Deveria haver. Deve haver. O Che virou um ícone banalizado, um rosto belo estampado em camisetas. Mas ele saberia, ele sabe, que foi muito mais do que isso. O que havia, o que há por trás desse rosto? Essa, a pergunta que prevalece. O Che viveu uma vida breve. Passaram-se mais anos da sua morte do que os anos da vida que coube a ele viver. E a pergunta continua, persistente e teimosa como ele soube ser. Como seria o Che Guevara nesses nossos dias de espanto? Pois teria sabido mudar algumas idéias sem mudar um milímetro de seus princípios. Diz Eduardo Galeano, que conheceu o Che Guevara: ele foi um homem que disse exatamente o que pensava, e que viveu exatamente o que dizia. Assim seria ele hoje. Já não há tantos homens talhados nessa madeira. Aliás, já não há tanto dessa madeira no mundo. Mas há os mortos que nunca morrem. Como o Che. E, dos mortos que nunca morrem, é preciso honrar a memória, merecer seu legado, saber entendê-lo. Não nas camisetas: nos sonhos, nas esperanças, nas certezas. Para que eles não morram jamais. Como o Che. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111009/f4fd24ee/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111009/f4fd24ee/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20990 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111009/f4fd24ee/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 10 20:14:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 10 Oct 2011 20:14:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__GUSTAVO_BUARQUE_SCHILLER_____________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CCLXVIII-?= Message-ID: <9A2543FD3D064DFC8B0AAE3CE262B0E7@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem GUSTAVO BUARQUE SCHILLER (1950 - 1985) Filiação: Yedda de Paula Buarque e Sylvio Brandon Schiller Data e local de nascimento: 19/11/1950, no Rio de Janeiro Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 22/09/1985, no Rio de Janeiro Gustavo Buarque Schiller nasceu no Rio de Janeiro e iniciou sua participação como estudante secundarista. Integrou um pequeno agrupamento chamado Núcleo Marxista Leninista e depois se incorporou ao Colina, que em 1969 se transformaria em VAR-Palmares. De uma família rica, era sobrinho de Ana Capriglione, conhecida amante do corrupto governador paulista Adhemar de Barros, que a chamava em código de "Doutor Rui". Gustavo forneceu a Juarez Guimarães de Brito, dirigente da VAR, a informação de que na residência de um irmão de Ana Capriglione existia um cofre guardando dinheiro originário da corrupção comandada por Adhemar, morto poucos meses antes. Em 18/07/1969 a organização ocupou a referida residência, levando embora o referido cofre, em cujo interior estavam depositados 2,6 milhões de dólares. Depois dessa operação, Gustavo foi deslocado para Porto Alegre, onde integrou o comando regional da organização. Documentos policiais o apontam como participante do assalto a uma agência do Banco do Brasil em Viamão, em conjunto com as organizações M3G e VPR, e também dos preparativos do sequestro do cônsul norte-americano em Porto Alegre. Foi preso em 30/03/1970, sendo torturado, tanto no DOPS gaúcho quanto no Rio de Janeiro, numa intensidade que resultou em danos psicológicos irreversíveis. No livro Verás que um filho teu não foge à luta, o ex-preso político gaúcho João Carlos Bona Garcia, que hoje é juiz auditor na Justiça Militar estadual do Rio Grande do Sul faz referência a Gustavo na prisão: "Passei assim o primeiro dia. No segundo, tiraram o capuz e vi na minha frente o Bicho, um meninão de 19 anos chamado Gustavo Buarque Schiller, que era da VAR. Estava todo inchado, de nariz quebrado, os lábios rachados. Tinha levado socos, pauladas, o que eles imaginavam". Outro ex-preso político, Luiz Andrea Favero, escreveu depoimento relatando ter visto Gustavo no DOPS de Porto Alegre: "Na sala estavam 3 policiais que depois eu soube serem do DOPS de Porto Alegre e do Cenimar do Rio de Janeiro e estava também Gustavo Buarque Schiller, que apresenta hematomas e marcas de queimaduras por todo o corpo e se mantinha em pé com certa dificuldade. Neste momento foi ele que passou a receber choques elétricos para confirmar que me conhecia e que havíamos praticado ações subversivas. Esta sessão de torturas e interrogatórios durou mais ou menos 30 minutos". E resume também um diálogo mantido com ele alguns dias depois: "Gustavo nos relatou que havia sido muito torturado, assim como outros companheiros nossos e nos mostrou marcas de queimaduras pelo corpo que haviam sido feitas com pontas de cigarros acesos. Nos mostrou também que seu nariz havia sido fraturado e ainda estava muito inchado. Além das marcas de queimaduras pudemos ver hematomas e outros sinais de pancadas nos braços e nas costas". Dez meses depois, Schiller foi um dos 70 militantes banidos e enviados ao Chile em troca da liberdade do embaixador suiço, seqüestrado no Rio de Janeiro em 07/12/1970. Passou a sofrer de crises depressivas, causadas pela intensidade das torturas sofridas. Quando morreu, Gustavo era casado com Lúcia Souza da Rocha, que conheceu em Paris três anos antes. Tinham uma filha, Joana, que na época de sua morte tinha 1 ano e oito meses. Lúcia relata que Gustavo continuava se 'auto-exilando' durante a permanência em Paris, embora tivesse conseguido a nacionalidade francesa. Na Sorbonne, cursou Filosofia, Sociologia e Economia. Com a Anistia de 1979, tinha voltado ao Brasil, indo morar na ilha de Marajó, em Salvaterra, numa praia. Ali nasceu Joana, mas suas crises depressivas se intensificaram, tendo tentado o suicídio inúmeras vezes. Em 1985, foi para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar no estaleiro Mauá, como pesquisador, onde ficou até 21 de setembro. Na madrugada do dia 22 de setembro, cometeu suicídio, jogando-se da janela do apartamento em que morava na avenida Nossa Senhora de Copacabana. ============================================================================================================================ Detalhes.N° Edição: 1555 | 21.Jul.99 - 10:00 | Atualizado em 10.Out.11 - 12:35 A verdadeira história do cofre do Dr. Rui Trinta anos depois, ISTOÉ revela fatos inéditos da maior ação da guerrilha brasileira, que tomou US$ 2,596 milhões da amante de Adhemar de Barros LUIZA VILLAMÉA A mais espetacular ação da luta armada no Brasil foi anunciada ao resto do mundo pelo capitão Carlos Lamarca, um dos líderes da guerrilha contra o regime militar instalado em 1964. "Depois de uma longa investigação, localizamos uma parte da famosa 'caixinha' do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, enriquecido por anos e anos de corrupção. Conseguimos US$ 2,5 milhões. Esse dinheiro, roubado do povo, a ele será devolvido", disse Lamarca à agência internacional France Presse. Ele se referia a um cofre com uma fortuna que corresponde hoje a R$ 20,698 milhões, retirado na sexta-feira 18 de julho de 1969 da mansão onde morava o cardiologista Aarão Burlamaqui Benchimol, irmão de Ana Guimol Benchimol Capriglione, que fora amante de Adhemar de Barros, morto quatro meses antes. Conhecida nos meios políticos pelo pseudônimo de Dr. Rui, Ana teve de dizer na polícia que o cofre estava vazio. Na realidade, a guerrilha tinha informações de que o ex-governador deixara oito cofres, mas só conseguiu colocar a mão em um deles. Foi uma operação preparada nos mínimos detalhes, com 13 participantes diretos, de diferentes partes do País, que se conheciam por codinomes. Trinta anos depois, ISTOÉ revela os detalhes da operação e a identidade de protagonistas que nem se quer foram citados no Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou o caso. Foi uma ação cinematográfica. SÔNIA LAFOZ, a Mariana - Nascida na Argélia, chegou a São Paulo ainda criança. Atuou no movimento estudantil e, mais tarde, na luta armada. Jamais foi presa. Em abril de 1971, grávida de sete meses, viajou para o Chile. Depois, foi para a França, onde chegou a ser vereadora de Villetaneuse. Aos 53 anos, vive em Curitiba (PR) e trabalha em projetos de saúde pública O Aero Willys Itamaraty branco com teto de vinil preto, carro de luxo para a época, estacionou a cerca de 20 metros da entrada principal da mansão, no número 2 da rua Bernardino Santos, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. No alto de uma colina, atrás de muros altos e encoberta por árvores espalhava-se a imponente construção de 1914. Do Aero Willys saltou Leo, como era chamado o sargento Darcy Rodrigues, que havia se aprontado com apuro para o momento. "Estava vestido como aqueles rapazes bacanas da zona sul, para não levantar suspeitas", lembra Darcy. Ao volante do Aero Willys permaneceu Maurício, o professor de Geografia Reinaldo José de Melo. A seu lado, estava a experimentada atiradora Mariana, a estudante Sônia Lafoz, com um fuzil FAL 765 e algumas granadas ao alcance da mão. Pairava no ar uma terrível tensão. Eram exatamente 15h30 daquela sexta-feira. Reinaldo ainda não tinha desligado o Aero Willys quando uma Veraneio Chevrolet C-14 cinza e uma Rural verde e branco, com outros dez guerrilheiros, a maioria vestida de terno e gravata, pararam em frente ao portão principal. JUAREZ GUIMARÃES DE BRITO, o Juvenal - Era sociólogo e um dos dirigentes nacionais da organização VAR-Palmares. Mineiro de Belo Horizonte, tinha 31 anos na época da ação, que planejou e comandou. Em abril do ano seguinte, caiu em uma emboscada preparada pela polícia, no Rio. Cercado, chegou a ser alvejado por policiais, mas disparou no ouvido o tiro que o matou. Era o único que sabia todos os detalhes da operação Justino, o estudante Wellington Moreira Diniz, deixou o volante da C-14 e, junto com Alberto, o sargento José de Araújo Nóbrega, e Juvenal, codinome do sociólogo Juarez Guimarães de Brito, foi direto para a guarita do vigia de plantão, que usava apenas um revólver calibre 38. Conhecido por Noventa, por causa do hábito de usar simultaneamente duas pistolas 45, Wellington tinha ainda uma metralhadora Thompson nas costas, mas ninguém precisou mostrar o arsenal. Conhecedor das manhas da repressão, devido aos tempos em que servira na Polícia Federal em São Paulo, Nóbrega foi logo exibindo um mandado de busca e apreensão. "Estamos a mando do general, atrás de documentos subversivos em poder do dr. Aarão", avisou. O empregado ensaiou resistência, mas foi rendido e rapidamente desarmado. Liberada a entrada, os dois carros subiram a sinuosa alameda que leva à casa, estacionando a C-14 aos pés da escadaria de granito que dá acesso ao segundo pavimento, com o bagageiro aberto. Lá, o grupo se dividiu, tratando logo de esvaziar os pneus de um Fusca que estava na garagem e arrancando os fios dos dois telefones da propriedade. Operário em Porto Alegre (RS), recrutado para cuidar da parte técnica, Jesus Paredes Soto, o Mário, foi direto para o pavimento superior e não demorou a localizar o armário com um cofre de 350 quilos. O universitário João Marques de Aguiar, o Jeremias, que viera de Belo Horizonte (MG) com a missão de ajudar no preparo de pranchas de madeira para fazer deslizar o cofre pela escadaria, tratava de encaixar as peças, com conexões de aço. Contou com a ajuda de um operário de Osasco (SP), João Domingues da Silva, conhecido como Elias. "Embaixo, vamos usar uma rampa de aço que jogará o cofre direto para o bagageiro da C-14", instruíra Jesus. O universitário paulista Fernando Borges de Paula Ferreira, o Felipe, estava no grupo que rendeu os 11 empregados que se espalhavam pela propriedade naquele momento. Meia hora antes, a arrumadeira Tereza, acompanhada da costureira Geralda, havia saído para ir ao dentista. Um dos vigias, chegado ao álcool, também tinha abandonado o posto e só apareceu quase duas horas depois da ação. DARCY RODRIGUES, o Leo - Sargento, saiu do quartel junto com Lamarca, sendo preso em abril de 1970, no Vale do Ribeira (SP). Trocado pelo embaixador alemão, que fora sequestrado, deixou o Brasil em junho do mesmo ano. Morou em Cuba, onde fez Economia. De volta ao Brasil, formou-se em Direito. Aos 57 anos, vive em Bauru (SP) e trabalha com advocacia Algemado, na dispensa Dos empregados que se encontravam na casa, a maioria hesitou em cumprir as ordens. "O escritório ficava numa ala da mansão com acesso restrito à família", lembra Nóbrega. Com apenas 18 anos, o secundarista Carlos Minc, o Orlando, era o menos convincente no papel de "policial". Naquela tarde, o único membro da família que estava na casa era Sílvio Buarque Schiller, que acabou algemado por Nóbrega e, posteriormente, levado para uma despensa. "O maior risco que corri foi bem depois, quando a polícia chegou e encontrou a despensa trancada", contou Sílvio a ISTOÉ. "Os policiais queriam metralhar a porta, mas, felizmente, ouviram os apelos de um dos meus primos, que se dera conta do meu desaparecimento." Na tarde que poderia ter sido fatal para Sílvio, enquanto os empregados eram mantidos no escritório, Jesus, João Marques, Juarez e Wellington trataram de amarrar o cofre com cabos de aço em uma espécie de carrinho de rolimã preparado especialmente para a ocasião. Pelas colunas da sacada que dá acesso ao segundo andar, foram passadas cordas, que seriam puxadas por duas pessoas, de modo a amortecer a descida do cofre. WELLINGTON MOREIRA DINIZ, o Justino - Estudante de Sociologia em Belo Horizonte, pego pela polícia em abril de 1970, deixou o País nove meses depois, em troca de um embaixador sequestrado. Passou o exílio na Itália, exceto os dois anos que lutou na guerra pela independência de Angola. Aos 52 anos, vive na capital mineira, trabalhando com acupuntura e terapias orientais Crianças na área Pouco antes, do lado de fora, Sônia e Reinaldo passaram por momentos de extrema tensão. "Estávamos com munição suficiente para impedir a aproximação de qualquer comando, mas apareceram dois garotos e ficamos apavorados", lembra Sônia. "Sabia que Darcy tinha sólida formação militar, mas temi que ele não soubesse lidar com crianças." Nas imediações do portão, Darcy, porém, não titubeou, encaminhando os garotos, ajudantes do jardineiro, para o interior da propriedade, de onde foram devidamente conduzidos ao escritório. Com base no depoimento dos rapazinhos - de 14 e 11 anos -, na investigação policial do caso, Lamarca, que era exímio atirador e não participou do assalto, aparece nos autos empunhando uma faca. Pela versão "oficial", um dos garotos inclusive chuta a mão do líder guerrilheiro, que deixa a faca cair no chão. Sem nenhuma participação no episódio, o nissei Yoshitame Fujimore também aparece nos autos, exibindo um revólver. Mas, naquela tarde, o que não deu mesmo certo foi a descida do cofre. Colocado sobre pranchas de madeira, o carrinho ganhou velocidade, desceu aos trancos e o cofre virou sobre si mesmo, destroçando alguns dos 20 degraus. "Foi uma pena estragar aquela escadaria. Nossa intenção era não provocar danos à mansão", lamenta até hoje Nóbrega. Com o cofre virado, a rampa de aço instalada para dar acesso ao carro tornou-se inútil, pois o cofre bateu no alto do bagageiro e veio para o chão. "O Wellington, que sempre foi forte, adquiriu uma força descomunal naquele momento de desespero e decidiu que levantaríamos o cofre no braço. Os companheiros entraram no embalo e deu certo", relatou depois Jesus. REINALDO JOSÉ DE MELO, o Maurício - Universitário e professor de Geografia em Belo Horizonte, foi preso em outubro de 1969. Barbaramente torturado, acabou contando aonde jogara os pedaços do cofre. Em janeiro de 1971 foi trocado pelo embaixador suíço, que fora sequestrado. No exílio, viveu em Moçambique. Aos 55 anos, é chefe de gabinete do prefeito de Betim (MG) "Também tivemos o maior cuidado em não machucar ninguém, pois Juarez havia avisado que na mansão morava um companheiro nosso", ressalta Nóbrega. O companheiro, no caso, era Gustavo Buarque Schiller, irmão de Sílvio. Secundarista, Gustavo militava em organizações clandestinas de esquerda e avisara Juarez que Ana, uma de suas tias, tinha sob sua guarda oito cofres com dólares que tinham pertencido a Adhemar de Barros. Um mês antes da ação bem-sucedida, numa tarde de domingo, Juarez, com um grupo reduzido de guerrilheiros, tentou entrar na casa, seguindo um plano que incluía a abertura do cofre na própria mansão. "Parecia ironia, mas a primeira operação foi abortada por causa de um cadeado, do portão de serviço, que nós não conseguimos abrir", recordou recentemente, gargalhando, Wellington. Naquela época, Juarez dirigia o Comando de Libertação Nacional (Colina), uma organização clandestina mais conhecida entre os militantes de esquerda como Ó ..., devido a sua falta de estrutura militar. A situação se reverteu no começo de julho, quando houve a fusão do Colina com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) de Carlos Lamarca, que saíra do quartel de Quitaúna (SP) com farto armamento e mais quatro militares. Outro planejamento começou a ser feito e guerrilheiros experientes foram recrutados. "Assim que houve a fusão, em um encontro em Mongaguá, a operação do cofre foi decidida, com o nome de Ação Grande", relata Antônio Roberto Espinosa, um dos dirigentes nacionais da nova organização, batizada de VAR-Palmares. "Até por segurança, os grupos atuavam de forma descentralizada, mas, por sua dimensão, duas ações foram discutidas pelo comando nacional: a saída de Lamarca do quartel e a expropriação do cofre do Adhemar." JESUS PAREDES Soto, o Mário - Nascido em Barcelona, foi criado em Porto Alegre (RS), onde era operário. Transferiu-se para o Rio para planejar e executar a parte técnica da ação. Foi preso em 1974, em São Bernardo do Campo (SP) e anistiado em 1979. Hoje, com 51 anos, vive no Rio, onde é um dos diretores de uma empresa farmacêutica. Acaba de formar-se em Farmácia Informante na mansão Dos oito cofres, Juarez, que comandou toda a operação, localizou dois. "O outro estava em Copacabana, no apartamento de um oficial da Marinha", conta Wellington. O apartamento, no caso, era do capitão-de-mar-e-guerra José Burlamarqui Benchimol, também irmão de Ana. De acordo com o processo sobre o caso, cujo acesso foi liberado a ISTOÉ pelo Superior Tribunal Militar (STM), a polícia chegou a vistoriar a casa do oficial, quatro meses depois do assalto de Santa Teresa. Na ocasião, o cofre estava, evidentemente, vazio. De acordo com a mesma documentação, só o militar sabia o segredo do cofre roubado. "Ele estava vazio. As declarações de Lamarca são uma fanfarronada", afirmou José Benchimol na Justiça Militar. "Não havia nada no cofre", declarou, na mesma linha, sua irmã Ana. Durante acareação com o sobrinho Gustavo, que foi posteriormente preso, torturado e condenado pelo assalto, o secundarista manteve sua posição. "Meu pai não deixou nenhum cofre nem conta no Exterior", garantiu, na semana passada, o ex-deputado Adhemar de Barros Filho, um dos quatro filhos do ex-governador com Leonor Mendes de Barros. FERNANDO BORGES DE PAULA FERREIRA, o Felipe - Aluno de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), era conhecido no movimento estudantil como Fernando Ruivo. Foi morto a tiros pela polícia aos 24 anos, apenas 12 dias depois de ter participado da operação do cofre. Estava em São Paulo, onde nasceu e morava, em companhia de João Domingues da Silva, que escapou do tiroteio gravemente ferido Em 1969, desde o primeiro contato, Juarez confiou nas informações passadas por Gustavo, mas teve o cuidado de conferir o tamanho da propriedade. Para isso, despachou Carlos Minc para a mansão, como se fosse um pesquisador de opinião pública. Minc foi atendido justamente por Gustavo e não entendeu nada quando o rapaz desandou a criticar as emissoras por exibir novelas "que alienavam o povo". O grande sucesso da época era Beto Rockfeller, novela de Bráulio Pedroso, onde o galã Luiz Gustavo, que faz o Vavá de Sai de baixo, contracenava com as jovens Débora Duarte e Bete Mendes. "Eu não sabia que tínhamos um informante dentro da casa", comentou Minc na semana passada. Dos protagonistas da ação, só Juarez conhecia todos os detalhes do planejamento. Minc não sabia da existência de Gustavo nem Gustavo sabia que estava diante de um falso pesquisador. "Durante mais de um mês percorri as ruas de Santa Teresa traçando rotas de fuga rumo a Jacarepaguá, onde uma casa estava preparada para receber o cofre. Depois, fiz o percurso com Juarez várias vezes", conta Reinaldo. A casa de Jacarepaguá fora alugada para abrigar o cofre durante a sua abertura. "Montamos uma fachada de oficina mecânica, eu e um operário do Sul, e lá preparamos as pranchas e peças de aço", diz João Marques. Reinaldo lembra ainda que foi montado um esquema de atendimento clandestino de emergência médica para o caso de alguém sair ferido. Não foi preciso recorrer a ele. "Terminamos com 28 minutos, com dois minutos de lucro operacional, sem disparar nenhum tiro", recorda Wellington, que seguiu para Jacarepaguá ao volante da C-14. No porta-malas, coberto por um tapete retirado da mansão, estava o cofre. Mesmo com os pneus traseiros supercalibrados, a C-14 desceu as ladeiras de Santa Teresa arriada. Darcy, que havia chegado no Aero Willys, mas se mudara para a C-14 para reforçar a segurança da fuga, não se alterou quando o carro parou num sinal e o guarda de trânsito brincou: - O defunto que vocês estão carregando está pesado mesmo!, disse o guarda. - É um cofre que acabamos de roubar. Quer ver?, respondeu Darcy. - Não. Façam bom proveito. Tomara que esteja cheio, despediu-se o guarda. Logo na saída de Santa Teresa, a Rural tomou outro rumo. Simone e Ronaldo, que tinham ajudado a render os empregados da mansão, estavam naquele carro. Embora tenha contado com a colaboração de todos os participantes que sobreviveram à ação, ISTOÉ não conseguiu confirmar a identidade do casal. No trajeto para Jacarepaguá, apenas o Aero Willys, com Reinaldo e Sônia, fazia a cobertura do carro que levava o cofre. "Eu continuava no chantilly, como falávamos naquela época", ironiza Sônia, a atiradora que ficou famosa por ter as mais belas pernas da luta armada. Chegando à casa, Jesus suou para abrir o cofre. A amante silenciosa Pois não, Dr. Rui." Era assim que o governador Adhemar de Barros atendia aos telefonemas da amante, Ana Gimol Benchimol Capriglione. Nos bastidores da política, porém, todos sabiam que Dr. Rui era o pseudônimo que o próprio Adhemar criara para ela. Viúva aos 40 anos de um cardiologista que fora colega de Adhemar na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, Ana começou a se envolver com o político logo depois da morte do marido, em 1953. Além do relacionamento amoroso, ela também influenciou o governador nas decisões políticas e até na composição do secretariado. Famoso pelo slogan "rouba, mas faz", Adhemar inaugurou o período de construção de grandes obras em São Paulo. Desde quando se elegeu deputado estadual, em 1934, até quando teve seus direitos políticos cassados, em 1966, sua trajetória esteve sempre associada à corrupção. Quando foi interventor em São Paulo (1938-1941) obteve uma "arrecadação extraordinária" com propinas de casas de jogos e prostíbulos. Uma vez, comprou, com dinheiro público, 36 automóveis, distribuindo a maioria entre parentes e amigos. Para si, reservou um Oldsmobile Sedan de Luxo. De acordo com o relato de Gustavo Schiller, o sobrinho de Ana, à guerrilha, parte dos US$ 2,596 milhões do cofre vieram de uma fraude com vacinas doadas por organismos internacionais. O governador, segundo Gustavo, teria vendido as vacinas a laboratórios particulares e mandado aplicar injeções com água no povo. Depois da cassação, o político hospedava-se frequentemente no apartamento da amante, no Rio. Um desses deslocamentos está registrado em relatório do Deops, a polícia política, de 30 de janeiro de 1968: "O sr. Adhemar de Barros viajou para o Rio no dia 24, onde foi encontrar-se com d. Ana Benchimol Capriglione (Dr. Rui), que lá se acha." Os dois viajavam periodicamente para a Europa, onde desde 1961 mantinham uma casa. Em março de 1969, aos 68 anos, Adhemar morreu de infarto, em Paris. Foi Ana quem cuidou dele nos seus últimos dias e providenciou o traslado de seu corpo para São Paulo. Hoje, aos 87 anos, ela vive em uma ampla cobertura na Praia do Flamengo, no Rio. "O tempo dela já passou", diz seu sobrinho, o administrador de empresas Marcelo Benchimol. "Ela está com o mal de Alzheimer e não se lembra de nada." Ana só falou sobre o cofre na Justiça Militar. Em público, jamais comentou seu affair nem as acusações de corrupção, celebrizadas pelos próprios adhemaristas em uma marchinha dos anos 50: "Quem não conhece?/Quem nunca ouviu falar?/Na famosa 'caixinha' do Adhemar/Que deu livros, deu remédios, deu estradas/Caixinha abençoada!" ========================================================================================================= volume 2 - chumbo www.dhnet.org.br/perly/livros/.../ditadura_rs_02_chumbo.pdfSimilares Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat Gustavo Buarque Schiller. Militante da VAR-Palmares. Nasceu em 19 de novembro de 1950, no Rio de Janeiro, filho de Sylvio Brandon Schiller e Yedda de Paula ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111010/4fa37897/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26468 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111010/4fa37897/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 10 20:14:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 10 Oct 2011 20:14:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ALZHEIMER=2C__MAL_DO_ADO=C7ANTE?= =?iso-8859-1?q?=2E________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENT?= =?iso-8859-1?q?A=C7=C3O!?= Message-ID: <73A7289665504F6C9EF5F2C8E988B9BD@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem http://www.youtube.com/watch?v=_fb3PrFW5vc -------------------------------------------------------------------------------- Jorge Jacinto - Terapeuta Naturista Fiquem atentos Voltem para o velho e bom açúcar, que no Brasil há mais de 500 anos que alimenta a nossa população e nossos antepassados não apresentavam esses sintomas das doenças "modernas" Passei alguns dias falando na CONFERÊNCIA MUNDIAL DE MEIO AMBIENTE a respeito do ASPARTAME, conhecido como Nutrasweet, Equal, Zerocal, Finn e Spoonful. Eles anunciaram que existia uma epidemia de Esclerose Múltipla e Lúpus sistêmico, e não entendiam que toxina estava fazendo com que essas doenças assolassem os Estados Unidos tão rapidamente. Eu expliquei que estava lá para falar extamente sobre este assunto. ALZHEIMER, MAL DO ADOÇANTE. Artigo escrito pela Dra. Mancy Marckle. Quando a temperatura excede 30º C, o álcool contido no ASPARTAME se converte em formaldeído e daí para ácido fórmico (o ácido fórmico é o veneno das formigas), que provoca acidose metabólica. A toxicidade do metanol imita a esclerose múltipla e as pessoas recebem diagnóstico errado de esclerose múltipla. A Esclerose múltipla não se constitui em sentença de morte, mas a toxicidade do metanol sim. No caso do Lúpus sistêmico, estamos percebendo que é quase tão grave quanto a esclerose múltipla, especialmente em usuários de Diet Coke e Diet Pepsi. Nos casos de Lúpus sistêmico causado pelo ASPARTAME, a vítima geralmente não sabe que o Aspartame é a causa de sua doença e continua com seu uso, agravando o lúpus a um grau tão intenso que algumas vezes ameaça a vida. Quando interrompemos o uso do Aspartame, as pessoas que tinham lúpus ficam assintomáticas. Em uma conferência eu disse: 'Se você está usando ASPARTAME (Nutrasweet, Equal, e Spoonful, etc.) e sofre de sintomas como fibromialgia, espasmos, dores, formigamento nas pernas, câimbras, vertigem, tontura, dor de cabeça, zumbido no ouvido, dores articulares, depressão, ataques de ansiedade, fala atrapalhada, visão borrada ou perda de memória - você provavelmente tem a DOENÇA DO ASPARTAME! As pessoas começaram a pular durante a palestra dizendo: Eu tenho isto, é reversível? É impressionante. Há um tempo atrás houve Audiências no Congresso dos EUA incluindo o aspartame em 100 produtos diferentes. Nada foi feito. Os lobbies da droga e da indústria química têm bolsos muito profundos. Agora existem mais de 5000 produtos contaminados com este produto químico, e a patente expirou. Na época da primeira audiência, as pessoas estavam ficando cegas. O metanol no aspartame se converte em formaldeído na retina do olho. Formaldeído é do mesmo grupo das drogas como cianeto e arsênico - Venenos mortais! Infelizmente, leva muito tempo para matar, mas está matando as pessoas e causando todos os tipos de problemas neurológicos. O Aspartame muda a química do cérebro. É a causa de diversos tipos de ataque. Esta droga muda os níveis de dopamina no cérebro. Imagine o que acontece com os pacientes que sofrem de Doença de Parkinson? Também causa malformações fetais. Não existe nenhuma razão para se utilizar este produto. NÃO É UM PRODUTO DIETÉTICO! Os anais do congresso dizem: Ele faz você desejar carboidratos e faz engordar. Dr. Roberts viu que quando ele interrompeu o uso do Aspartame a perda de peso foi de 9,5 kg por pessoa. O formaldeído se armazena nas células adiposas, principalmente nos quadris e coxas. O Aspartame é especialmente mortal para os diabéticos. O Dr. H.J. Roberts, especialista diabético e perito mundial em envenenamento pelo Aspartame, escreveu um livro entitulado: DEFESA CONTRA A DOENÇA DE ALZHEIMER www.sunsentpress.com/defenseAgainstAlzheimers.html Dr.. Roberts conta como o envenenamento pelo Aspartame está relacionado à doença de Alzheimer. E realmente está.. Mulheres de 30 anos estão sendo internadas com Alzheimer. Dr. Russell Blaylock e Dr. Roberts estão escrevendo uma carta-posição com alguns casos relatados e vão colocá-la na Internet. PEDIMOS QUE VOCÊ SE ENGAJE TAMBÉM. Imprima este artigo e avise todas as pessoas que você conhece. TIRE TUDO O QUE CONTÉM ASPARTAME DO ARMÁRIO. ENVIE PARA NÓS SUA HISTÓRIA. Eu asseguro que A MONSANTO, A CRIADORA DO ASPARTAME - SABE COMO ELE É MORTAL. ELES FINANCIAM A ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE DIABETES, A ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE DIETÉTICA, O CONGRESSO E A CONFERÊNCIA DO COLÉGIO AMERICANO DE MEDICINA. O New York Times, em 15 de Novembro de 1996, publicou um artigo a respeito de como a Associação Americana de Dietética recebe dinheiro da indústria Alimentícia para endossar seus produtos. Por isso, eles não podem criticar aditivos ou falar a respeito de sua ligação com a MONSANTO. A que ponto chega isso? Dissemos a uma mãe cujo filho estava usando Nutrasweet para interromper o uso do produto. A criança estava tendo convulsões diárias. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111010/96b67478/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 11 20:25:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 11 Oct 2011 20:25:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__NORBERTO_ARMANDO_HABEGGER__e__HORACIO?= =?iso-8859-1?q?_DOMINGO_CAMPIGLIA__e__MONICA_SUSANA_PINUS_DE_BINST?= =?iso-8859-1?q?OCK________-CCLXIX-?= Message-ID: <061FD279F12A4CA29F24C65689DDAB17@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem NORBERTO ARMANDO HABEGGER (1941 - 1978) Filiação: Maria Mercedes Gómez e Armando Habegger Data e local de nascimento: 09/08/1941 Arrecifes, Província de Buenos Aires/Argentina Organização política ou atividade: Montonero Data e local do desaparecimento: a partir de 31/07/1978 Norberto era cidadão argentino, jornalista, ensaísta e escritor. Desapareceu em 31/07/1978, quando chegou ao Rio de Janeiro proveniente da cidade do México. Seu nome consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos e na lista anexa à Lei nº 9.140/95. Em 1964, era secretário-geral da Juventude Democrata-Cristã na Argentina e foi um dos fundadores do Partido Peronista Autêntico, braço político dos Montoneros. Era casado com Florinda Castro e tinha um filho. Vivia no México desde 1977. Em 30 de julho embarcou às 14 horas, na cidade do México, para o Rio de Janeiro, num vôo da Panam. Desapareceu no Rio, depois de manter contato telefônico com seus companheiros na Espanha. Usava um passaporte com o nome de Hector Esteban Cuello. Seu desem barque no Rio de Janeiro, no dia seguinte, foi confirmado, pelo embaixador da Argentina no Brasil, Oswaldo Camchion, que escreveu carta afirmando que uma pessoa argentina de nome Hector Esteban Cuello deu entrada em território brasileiro. Desde então, Norberto não foi mais visto. Gestões feitas junto às autoridades brasileiras em nada resultaram a respeito do seu paradeiro. No relatório constante do registro nº 1713 da Conadep argentina (Comision Nacional sobre la Desaparicion de Personas), consta que testemunhas afirmaram que o seqüestro foi planejado pelos órgãos de segurança argentinos no centro clandestino El Banco, envolvendo os serviços de inteligência brasileiros, que o teriam torturado antes de entregá-lo aos policiais argentinos. Em dezembro de 1978, teria sido visto, vivo, em um centro clandestino argentino. Segundo outros testemunhos, o seqüestro aconteceu no dia 3 de julho, no Rio de Janeiro. O depoimento de sua esposa à Conadep fixa o desaparecimento como tendo ocorrido no Brasil, presumivelmente no Rio de Janeiro, em 31 de julho ou 1º de agosto de 1978. Conta que ele estava trabalhando como jornalista no México desde junho de 1977 e que ela já tinha apresentado denúncia sobre o desaparecimento à OEA, à ACNUR, ao Vaticano e à Anistia Internacional.. HORACIO DOMINGO CAMPIGLIA (1949 - 1980) Filiação: Dora Pedamonti e Domingo Argentino Campiglia Data e local de nascimento: 06/06/1949, em Buenos Aires Organização política ou atividade: Montoneros Data e local do desaparecimento: 12/03/1980, no Rio de Janeiro (RJ) MONICA SUSANA PINUS DE BINSTOCK (1953 - 1980) Filiação: Jacinta Tolchinsky e Leon Pinus Data e local de nascimento: 30/01/1953, em Buenos Aires Organização política ou atividade: Montoneros Data e local de desaparecimento: 12/03/1980, no Rio de Janeiro. Horacio Domingo e Monica Susana também integravam o Movimento Peronista Montoneros, que mantinha resistência armada à ditadura militar argentina. No dia 12/03/1980, voltavam do exílio para a Argentina, tendo saído da cidade do México na véspera, num vôo da empresa aérea venezuelana Viasa, que fazia conexão em Caracas com um vôo da Varig rumo ao Rio de Janeiro. Usavam passaportes falsos e foram seqüestrados no aeroporto do Galeão. Seus nomes não faziam parte da lista de desaparecidos políticos organizada pela Comissão de Familiares por falta de informações precisas no Brasil, apesar de denúncias quanto ao desaparecimento de Campiglia e Mônica terem sido feitas em 1980 ao Comitê Brasileiro pela Anistia de São Paulo e ao CBS - Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da América Latina, que atuou em São Paulo. Como esses desaparecimentos ocorreram em data não abrangida inicialmente pela Lei nº 9.140/95, que fixava 15/08/1979 como marco final do período, os requerimentos foram indeferidos no primeiro julgamento pela CEMDP, sem que fossem escolhidos relatores para o caso. Mas a Comissão Especial fez gestões junto ao governo brasileiro até conseguir que o prazo da lei fosse ampliado em 2002, aprovando-se uma nova redação definida pela Lei 10.536, onde o marco final foi estendido até 05/10/1988, data em que passou a vigorar a nova Constituição do Brasil. Horacio Campiglia nasceu em Buenos Aires em 06/06/1949. Era estudante de Medicina. Casado com Pilar Calveiro, com quem teve duas filhas. Seu desaparecimento recebeu na Conadep argentina o número 3636. Monica era casada com Edgardo Ignácio Binstock com quem teve dois filhos. Edgardo aguardava a mulher no Rio de Janeiro. Desde 2005, Edgardo é o secretario de Direitos Humanos da Província de Buenos Aires. O desaparecimento de Monica Susana recebeu na Conadep o número 0619. Os processos foram analisados em separado, tendo sido deferidos com base nas mesmas provas e argumentações. As denúncias do seqüestro, registradas nos requerimentos apresentados à CEMDP e amplamente divulgadas pela imprensa nacional e Argentina a partir de então, foram comprovadas em 2002, quando o Ministério de Justiça e Direitos Humanos argentino recebeu farta documentação do Departamento de Estado dos EUA relacionada com violações dos Direitos Humanos pelo Estado argentino durante o período de 1975 a 1984. A referida documentação foi tornada pública sob os auspícios do Freedom of Information Act, tornando-se disponível no endereço eletrônico www.foia.state.gov e contém provas sobre o envolvimento de autoridades brasileiras no seqüestro. Entre os documentos tornados públicos, os relatores dos processos na CEMDP destacaram um memorando datado de 07/04/1980, dirigido ao embaixador dos Estados Unidos em Buenos Aires por James J. Blystone, Regional Security Official daquela Embaixada, a respeito de um diálogo mantido com um agente da Inteligência argentina,. Tal documento não cita órgãos ou pessoas, mas implica diretamente os serviços de inteligência brasileiros na operação que resultou no seqüestro dos dois cidadãos argentinos no Rio de Janeiro. James Blystone manteve reunião com um membro do serviço de Inteligência da Argentina para discutir diversos temas. No início, perguntou 'brincando' o que tinha acontecido com os dois Montoneros que tinham desaparecido entre o México e o Rio de Janeiro. A fonte respondeu que diria confidencialmente, já que era informação ultra-secreta. Informou então que o Batalhão 601 tinha prendido um Montonero e durante o interrogatório souberam da reunião que ele teria no Rio de Janeiro com membros da organização vindos do México, citando Susana de Binstock e Horacio Campiglia, o quarto ou quinto na estrutura montonera, e que tinha sob sua responsabilidade a totalidade das operações das chamadas TEI - Tropas Especiais de Infantaria - unidade especial dos Montoneros organizada a partir da base no México. Integrantes do Batalhão 601 fizeram contato com seu colega da Inteligência militar brasileira, solicitando permissão para realizar uma operação no Rio de Janeiro. O Brasil deu permissão e uma equipe especial de agentes argentinos, sob o comando operacional do tenente-coronel Román, viajou ao Rio em um C-130 da Força Aérea Argentina, tendo capturado com vida os dois militantes e levando-os seqüestrados para a Argentina. Tentando não alertar os Montoneros da operação realizada no Brasil, os argentinos responsáveis pela prisão clandestina ainda cuidaram de hospedar um casal de argentinos num hotel, registrando-os com os documentos falsos de Monica e Horacio, o que terminou deixando rastros do desembarque no Brasil. O documento conclui afirmando que Monica e Horacio estavam presos no Campo de Mayo - centro clandestino de repressão Argentina. Esse memorando representou a prova substancial utilizada pelo juiz argentino Cláudio Bonadío, para proferir sentença que versa sobre o desaparecimento de 20 Montoneros e ordena a prisão preventiva do ex-presidente Leopoldo Galtieri e de outros 26 integrantes dos órgãos de segurança do país vizinho. Os documentos apontam como responsável pelas operações secretas o Batalhão de Inteligência 601, que era comandado pessoalmente por Leopoldo Galtieri. ================================================================================================================= + Informações. NORBERTO ARMANDO HABEGER Cidadão argentino. Secretário-Geral da Juventude Democrata-Cristã, na Argentina, em 1964. Jornalista. Fundador do Partido Peronista Autêntico, braço político do movimento clandestino Montoneros. A 30 de julho de 1978, usando passaporte em nome de Hector Esteban Cuello, embarcou na cidade do México, às 14 horas e, em vôo da PanAm, chegou ao Rio de Janeiro no dia seguinte. Seu desembarque no Rio de Janeiro, em 31 de julho, foi confirmado por carta de Oswaldo Camchion, embaixador da Argentina no Brasil, afirmando estar registrada a entrada no País de uma pessoa com o nome de Hector Esteban Cuello. Desde então Norberto não mais foi visto, tendo seu seqüestro ocorrido entre 31 de julho e 3 de agosto, no Brasil. Gestões junto às autoridades brasileiras nada esclareceram sobre o paradeiro de Norberto, constando que teria sido "trocado" com o governo argentino por um brasileiro preso naquele País. ============================================================================================== + Informações. 12/03/80 MONICA SUSANA PINUS de BINSTOK Mónica tenía 27 años. Estaba casada con Edgardo Binstock y tenía dos hijos Ana Victoria y Miguel Francisco. La pareja militaba en Montoneros.En 1979 se habían ido al exilio, pasando por México y Cuba. Decidieron participar en la contraofensiva montonera, por lo cual en marzo de 1980, Edgardo y sus hijos viajaron a Brasil. Unos días después, debía llegar Mónica y otro compañero, Horacio Campiglia. El 12 de marzo de 1980, Mónica y Horacio fueron detenidos al llegar a Río de Janiero desde Panamá. Aparentemente el avión fue rodeado y los dos bajados a fuerza, mientra se resistían. El secuestro había sido llevado a cabo por el batallón 601. Los dos habían viajado con identidad falsa, y aparentemente fueron delatados por otro miembro de Montoneros que cayó. Fueron llevados a Argentina al C.C.D. "Campo de Mayo". Allí permaneció al menos hasta la primera semana de abril. Edgardo sobrevivió esos años, fundó una ONG de derechos humanos y llegó a ser funcionario de Derechos Humanos de la provincia de Buenos Aires. Su hermano Guillermo, también fue detenido-desaparecido. ==================================================================================== HORÁCIO CAMPIGLIA Horacio Domingo Campiglia "Petrus" Desaparecido el 12/3/80 Horacio de viaje en Mendoza con su esposa Pilar y su amiga Silvia de Raffaelli. Horacio tenía 30 años. Estaba casado con Pilar Calveiro de Campiglia, con quien tenía 2 hijas. Pilar había estado detenida-desaparecida por más de un año, había sido liberada y estaba en México con su marido e hijas. Horacio estaba en la conducción táctica de Montoneros. Lo habían tratado de secuestrar anteriormente, en 1977, en San Pablo, Brasil. Fue detenido junto a Mónica Susana Pinus de Binstock el 12 de marzo de 1980 al llegar a Río de Janiero desde Panamá. Aparentemente el avión fue rodeado y los dos bajados a fuerza, mientra se resistían. El secuestro había sido llevado a cabo por el batallón 601. Los dos habían viajado con identidad falsa, y aparentemente fueron delatados por otro miembro de Montoneros que cayó. Fueron llevados a Argentina al C.C.D. "Campo de Mayo". a.. Información de la sentencia en la Causa 6859/98 a.. Documento Desclasificado sobre su desaparición ============================================================================================================ + Detalhes. TESES BRASIL Y LA OPERACIÓN CONDOR www.dhnet.org.br/.../jair_krischke_operacion_c...Similares - Traduzir esta página- Bloquear todos os resultados de www.dhnet.org.br Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida ciudadano de este país, Norberto Armando Habegger. En igual sentido y conforme se desprende del testimonio de la esposa del ciu- dadano de mención ... ================================================================== TESES PDF] MILITANTES DEL P.R. UNO X UNO H robertobaschetti.com/.../MILITANTES%20DEL... - Traduzir esta página Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML HABEGGER, Norberto Armando. Nacido el 9 de agosto de 1941 en. Arrecifes, provincia de Buenos Aires. Fue el primer hijo de un matrimonio conformado por ... ==================================================================== TESES PDF] NILSON CEZAR MARIANO MONTONEROS NO BRASIL Terrorismo de Estado no ... tede.pucrs.br/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=308 Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML O jornalista e escritor Norberto Armando Habegger, apelidado Cabezón pelo tamanho do cérebro e pelas funções que exercia na organização, foi a primeira ... ============================================================================= + Detalhes. Operação Condor: a história começa ser contada Leonildo Correa - Instituto OCW Br at sil É exatamente disso que nós precisamos. Precisamos que a história seja contada. Precisamos saber o que aconteceu, realmente, durante o regime militar. E isto tem que ser feito sem omissões e sem excessos. Apenas contem o que aconteceu e mostrem os documentos... E, caso a versão do General, apresentada abaixo, seja confirmada e comprovada com documentos. Não vejo nenhum crime no caso. Apenas prenderam os militantes de esquerda e entregaram para o outro país, ou seja, não existe, neste caso, tortura, seqüestro e assassinato. Por isso, é que todos os documentos e arquivos do regime precisam ser aberto e publicados. Precisamos saber a história toda. O segredo, neste caso, corre contra as Instituições Militares. Se não contarem, como é que nós iremos saber a verdade ?!? Apenas contem e mostrem os documentos. O julgamento cabe a nós... A nossa geração é que irá julgar o que foi feito lá. ------------------ General admite que Brasil fez parte da Operação Condor A gente não matava. Prendia e entregava', afirma militar que comandou área de informações do Exército Marcelo Godoy -- Estadão Online -- 30/12/2007 http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac102644,0.htm SÃO PAULO - O Exército brasileiro prendeu militantes montoneros e de outras organizações da extrema-esquerda latino-americana e os entregou aos militares argentinos. "A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso." A afirmação é do general-de-divisão da reserva Agnaldo Del Nero Augusto, um dos primeiros militares brasileiros a romper o silêncio mantido pelo Exército sobre o tema. Oficial de Cavalaria e ex-integrante nos anos 70 da Seção de Informações do Estado-Maior do 2º Exército, em São Paulo, Del Nero serviu como adido no Paraguai em 1979 e 1980. Nos anos 80, tornou-se o chefe da Seção de Operações do Centro de Informações do Exército (CIE). O general contou ao Estado que, quando o Brasil recebia de um país amigo informações sobre um estrangeiro suspeito que ia entrar no País, o que se fazia era a sua detenção e o seu encaminhamento àquele país. "Foi o que aconteceu com esses dois italianos", diz. Del Neto se refere ao caso dos ítalo-argentinos Horácio Domingos Campiglia e Lorenzo Ismael Viñas. Campiglia foi preso em companhia de Mônica Suzana Pinus de Binstock no Rio, em março de 1980, no Aeroporto do Galeão. Havia desembarcado de um vôo que vinha da Venezuela. Viñas foi detido em Uruguaiana (RS), em junho de 1980. Eles eram militantes do Montoneros, grupo da esquerda peronista que defendia a luta armada na Argentina. Documentos mostram que os militares argentinos informaram os brasileiros sobre a chegada dos militantes ao Brasil e receberam autorização para executar a operação no País. "Quando se recebia essa informação, podia ser que o cara estivesse só de passagem ou ele vinha também aqui se incorporar a alguma ação, e a gente não sabia. Então, a prisão dele tinha de ser feita, pois não se sabia o que esse cara pretendia. E como a gente não matava, entregava", contou o general Del Nero. Ele questionou o objetivo dos ítalo-argentinos, "membros da organização subversivo-comunista Montoneros, ao ingressarem ilegalmente no País". "Que crime há em tê-los prendido?" Campiglia e Vinãs planejavam regressar à Argentina e retomar a ação armada. Presos no Brasil, foram enviados à Argentina e desapareceram, o que levou a Justiça italiana a decretar na semana passada a prisão de 13 brasileiros acusados de envolvimento no caso. JCR Segundo o general Del Nero, a ação integrada dos Exércitos do Cone Sul, mais conhecida como Operação Condor, contra os grupos de esquerda era necessária, pois essas organizações se haviam unido menos de um ano depois do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende, no Chile, com a fundação, em Paris, da Junta de Coordenação Revolucionária (JCR). Participavam da junta o chileno Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol), o argentino Exército Revolucionário do Povo (ERP), o uruguaio Movimento de Libertação Nacional (Tupamaros) e o boliviano Exército de Libertação Nacional (ELN). Segundo o general, o secretário da JCR era o cubano Fernando Luis Alvarez. Assim, a criação da junta levou os Exércitos da América do Sul a reagir. "Mas a participação brasileira na Operação Condor se limitou a colaborar com informações, a treinar agentes estrangeiros e a monitorar subversivos." Exemplo disso foi o pedido de busca 571/74, enviado pelo CIE a órgãos de segurança de todo o País. Nele, a inteligência do Exército pedia que procurassem informações sobre o soldado argentino Mario Antônio Eugênio Pettigiani. Militante do ERP, ele era acusado de participar do ataque em 1974 à Fábrica Militar de Pólvora, em Córdoba. Pettigiani desapareceu após seqüestrado em Buenos Aires, em 1978. Em 1976, o CIE difundiu outro pedido de busca, o 036/76, no qual relatava suposta operação da JCR em Tucumán, na Argentina. Os militares estavam atrás de informações sobre "o montonero Ricardo Garrochateguy" e sobre o político argentino Tito Lívio Vidal. Segundo o CIE, Vidal abastecia os montoneros de Santa Fé com armas. Para tanto, veio ao Brasil e recebeu armas de pessoas ligadas ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). O Exército dizia ainda que o ataque ao quartel do Regimento de Infantaria do Monte 29, na província de Santa Fé, havia sido planejado no Brasil. Na ação, em 5 de outubro de 1975, morreram 12 militares argentinos e 16 guerrilheiros. "Os detalhes finais da operação foram discutidos no Brasil, onde, em Foz do Iguaçu, chegara dias antes o líder máximo dos montoneros, Mário Firmenich", registra o documento. Conferências Outros papéis relatam prisões no País. Na pasta OS270 da Divisão de Ordem Social do Departamento de Ordem Social e Política (Dops-SP) há o registro da prisão em São Paulo, em 1977, de Hector Boccaro, suspeito de ser montonero. "Havia ligações entre os Exércitos, que eram as conferências bilaterais de inteligência, que continuaram até recentemente", disse o general. Para ele, em "uma guerra irregular", como a que ocorreu na América Latina, regimes democráticos ficavam diante de um dilema: impor restrições ao Estado de Direito ou correr sério risco de serem derrotados. "Os terroristas não obedecem a lei nenhuma, mas querem usufruir das garantias que a democracia oferece. O grande erro (do governo) foi, quando foi feito o AI-5, não ter declarado (estado de) guerra. Olha: ? Nós estamos em guerra?." =================================================================================== + Detalhes. O infiltrado O ano é 1980. Enquanto os ventos da abertura política começam a soprar no Brasil, na Argentina a repressão é cada vez mais sangrenta. No Rio de Janeiro, uma operação conjunta de militares brasileiros e argentinos infiltra um espião entre os guerrilheiros Montoneros. Sua ação desencadeia prisões, sequestros e mortes. Com exclusividade, PLAYBOY conta a história de Gringo, o agente duplo que enganou a esquerda latino-americana e desapareceu como se nunca tivesse existido Por Fabio Murakawa | Ilustração Nilton Ramalho 13h16 30/10/2008 Rio de Janeiro, 12 de março de 1980. O avião da Varig vindo de Caracas prepara sua aterrissagem no Aeroporto Internacional do Galeão. Na lista de passageiros, dois argentinos: Maria Cristina Aguirre de Prinssot e Jorge Piñero. A aeronave toca a pista. Sentados em assentos separados, Maria e Jorge fingem não se conhecer. Aos poucos, o avião vai perdendo velocidade. A jornada que começara em Havana, Cuba, com escalas no México e no Panamá, chega ao fim. Apressados, os passageiros iniciam o desembarque. No final da escada, ainda na pista, 30 homens aguardam. Um a um, todos os passageiros são obrigados a atravessar o corredor polonês. Maria segue à frente de Jorge, tentando aparentar tranquilidade a despeito de seu passaporte falso. Ela teme que seja por causa dela e de seu companheiro que aqueles homens estejam ali. Quando nota que alguns falam espanhol, tem certeza. Um dos agentes a segura pelo braço. Logo atrás, Jorge também é detido. Desesperada, Maria dá seguidas bolsadas em seu raptor. Em segundos, o casal é apartado dos demais passageiros. "Somos Mónica Binstock e Horacio Campiglia! Mónica Binstock e Horacio Campiglia!", ainda gritaria Maria, revelando sua verdadeira identidade. Foi a última vez que foram vistos com vida. Horacio Domingo Campiglia e Mónica Susana Pinus de Binstock eram integrantes da cúpula do movimento guerrilheiro Montoneros, de oposição armada à ditadura militar do general Leopoldo Galtieri, na Argentina. Ainda que o Brasil vivesse um momento diferente, marcado pela redemocratização conduzida pelo general João Figueiredo, presidente da República, a ação no Galeão revela que a política de colaboração firmada entre os governos militares do Cone Sul durante os anos 70 - conhecida como Operação Condor - mantinha-se ativa no início dos anos 80. Essa parceria era notadamente mais estreita entre o Centro de Inteligência do Exército (CIE) brasileiro e o Batalhão de Inteligência 601 do Exército argentino. Juntos, conduziam operações de captura, montagem de bases secretas e infiltração de agentes com o objetivo de monitorar a movimentação de militantes de esquerda do país vizinho em território brasileiro. Foi justamente uma informação obtida por um desses infiltrados que levou à ação no aeroporto do Galeão. De identidade secreta, era conhecido nos meios militares apenas como Gringo, apelido também utilizado para batizar a operação conjunta que culminaria com o aniquilamento da guerrilha armada na Argentina. "O Gringo era um Montonero que agia como um agente duplo. A função dele era montar uma organização de esquerda fictícia no Brasil e, por meio dela, fazer contatos com militantes e monitorar os passos da esquerda brasileira e de outros países", conta à PLAYBOY o tenente-coronel Paulo Malhães, que em 1980 era o responsável pelos agentes infiltrados na subseção do CIE no Rio. "O Gringo veio cooptado da Argentina, trazido por um coronel do Batalhão 601", afirma Malhães, hoje na reserva. É a primeira vez que ele fala sobre essa operação à imprensa. Gringo atuava no Rio, mais precisamente na sede do Acnur, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Ali, segundo Malhães, mantinha contato com militantes de várias organizações de esquerda do Cone Sul, como MIR (Chile), Tupamaros (Uruguai), além dos Montoneros. O território não podia ser mais fértil. "O Brasil tinha várias cidades com mais de 1 milhão de habitantes, onde era fácil se camuflar", lembra Roberto Perdía, número 2 na hierarquia dos Montoneros. Além disso, havia o apoio de partidos políticos considerados de esquerda na época. "No começo da abertura política, tínhamos boas relações com o PDT de Leonel Brizola e com o PT em São Paulo", conta Perdía. O ex-deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalgh confirma a presença dos argentinos no Brasil. "Tive contato com quase todos os Montoneros. O líder, Mario Firmenich, por exemplo, esteve aqui comigo", diz Greenhalgh, que posteriormente defenderia o Montonero em 1984, data da sua prisão no Brasil e extradição para a Argentina. As informações obtidas pelo Gringo seguiam para a central do CIE em Brasília e, em alguns casos, para o SNI (Serviço Nacional de Informações), bem como para generais e ministros brasileiros. O ex-sargento do CIE Marival Chaves era o responsável pela leitura e distribuição desses documentos. Segundo ele, o CIE recebia da Argentina 20 mil dólares mensais para manter a Operação Gringo. "Os argentinos também arcavam com as despesas de hospedagem, alimentação e toda a infra-estrutura necessária para a atuação do Gringo", conta Marival. "O nível de entrosamento entre as Inteligências militares brasileira e argentina era vergonhoso", afirma Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre, que acompanhou a movimentação dos Montoneros no Brasil. O espião, o guarda-móveis e o fim dos Montoneros Malhães evita estabelecer uma ligação direta entre o Gringo e o sequestro de Horacio Campiglia e Mónica Binstock, mas uma informação do espião infiltrado no final de 1979 pode ter sido fundamental para viabilizar a operação do Galeão: a descoberta de um arsenal depositado pelos Montoneros em guarda-móveis de Buenos Aires. "A partir dessa informação, o Exército argentino pôde impedir que os guerrilheiros tivessem acesso às armas", diz Malhães. Chefe das Tropas Especiais de Infantaria dos Montoneros, as TEI, Horacio Campiglia e sua equipe, composta por 15 homens, esconderam as armas nesses depósitos antes de deixar o país para realizar treinamento militar no Líbano e na Síria. A volta à Argentina, por diferentes rotas, estava planejada para fevereiro ou março de 1980. O objetivo era detonar uma série de ataques a integrantes da equipe econômica argentina. Em janeiro de 1980, com base em informações fornecidas pelo Gringo ao CIE e, posteriormente, ao 601, um desses guarda-móveis foi descoberto em Buenos Aires: o Montonero Ángel Carbajal foi detido em 21 de fevereiro, no momento que chegava para retirar um baú. Com a queda de Carbajal, outros 13 Montoneros foram capturados entre 27 de fevereiro e 20 de março de 1980. Sob tortura, um deles informou aos militares do 601 sobre a chegada de Campiglia ao Galeão. "A queda das TEI foi o fim dos Montoneros e da luta armada na Argentina", afirma Roberto Perdía. O amigo americano Um documento datado de 7 de abril de 1980, assinado pelo então Oficial Regional de Segurança (RSO) da Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires, James Blystone, confirma a ligação entre a queda de membros das TEI na Argentina e a prisão de Horacio e Mónica no Galeão, bem como os estreitos laços que uniam os serviços de Inteligência argentino e brasileiro. O relatório narra a conversa com um informante, membro do Batalhão 601, em 2 de abril daquele ano. A fonte afirma que o batalhão havia capturado um Montonero que confessou ter um encontro marcado com outros dois guerrilheiros no Rio. "Os dois Montoneros são Horacio Campiglia e Susana Binstock", diz o documento. Ainda de acordo com o documento de Blystone, "a Inteligência militar argentina (601) contatou seus colegas da Inteligência militar brasileira pedindo permissão para conduzir uma operação no Rio de Janeiro para a captura dos dois Montoneros. Os brasileiros deram a permissão e uma equipe voou (.) para o Rio num C130 da Força Aérea Argentina. Ambos os Montoneros foram capturados vivos e levados à Argentina a bordo do C130. (.) Eles estão atualmente detidos na prisão secreta do Exército, Campo de Maio". Edgardo Binstock, viúvo de Mónica, contou à PLAYBOY que estava no Rio por ocasião do seqüestro de sua mulher. Ele havia chegado dias antes para alugar um apartamento afastado da zona turística, onde moraria com Mónica e Horacio. O imóvel serviria como base para que membros das TEI recebessem instruções para suas ações armadas. "Continuei cobrindo diariamente os pontos marcados com minha mulher no Centro do Rio, mas ela nunca apareceu", lembra. Edgardo acabaria voltando a Cuba para avisar à cúpula montonera que Mónica e Horacio haviam caído. O espião sai de cena Segundo o tenente-coronel Paulo Malhães, a Operação Gringo durou "até o final dos tempos", ou seja, até que o general Leônidas Pires Gonçalves, seu antigo desafeto, assumisse o Ministério do Exército, durante o governo José Sarney, em 1985. Para desilusão de Malhães, Gonçalves desmontou por completo o aparato de Inteligência criado pelo CIE para vigiar os passos da esquerda brasileira e sul-americana. O destino do Gringo, por sua vez, é incerto. Segundo o ex-sargento do CIE Marival Chaves, ele teria sido desmascarado numa viagem a Cuba. Interrogado e torturado pela polícia de Fidel Castro, teria morrido ali. Para Paulo Malhães, no entanto, o agente teve um fim mais nobre. Ele lembra que, com o tempo, a organização fictícia criada pelo Gringo passou a receber informações de organizações de esquerda do mundo todo, sobretudo de Cuba e da então União Soviética, o que teria despertado o interesse do serviço secreto dos Estados Unidos. "O Gringo deixou o Brasil em 1985 e foi para o México", afirma Malhães. Nos meios militares, o rumor é que, posteriormente, ele optou por defender as cores dos Estados Unidos. Na "guerra" contra os movimentos de esquerda, o Gringo se tornou um agente da CIA. "O gringo se achava um 007", diz ex-chefe Paulo Malhães, 70 anos, é ex-integrante do Centro de Inteligência do Exército (CIE). Em 1980, era tenente-coronel e responsável pelo contato com os agentes infiltrados nas organizações de esquerda. Desiludido com a desmontagem do aparato de Inteligência do governo militar em 1985, desligou-se. Hoje vivendo no Rio, quebrou o silêncio e falou à PLAYBOY. Quem era o Gringo? Ele não era um pobre coitado. Era conhecido na Argentina. Quando foi preso, dispôs-se a colaborar. Não se considerava um traidor, mas um observador histórico. Também se achava uma espécie de 007, gostava do que fazia. Encontrei-o por acaso no Rio, há três anos. Mas não posso te falar o nome nem o que ele estava fazendo. A organização dele tinha uma base? Tinha, era clandestina. Só se combate a clandestinidade com clandestinidade. Como se chamava essa organização? Não me lembro, mas tinha credibilidade. Onde ele operava? Junto aos argentinos que procuravam o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) no Rio de Janeiro, coletando informações sobre a movimentação desses subversivos aqui. Ele também viajava muito. Cuba, México, França, Espanha. Chegou a receber apoio da Embaixada soviética. Passou informações sobre espiões soviéticos no Brasil. Alguns foram expulsos. Informações obtidas pelo Gringo podem ter levado à prisão de Horacio Campiglia e Susana Binstock no Galeão? Sim. O Gringo tinha os dados. Se ele quisesse vender, vendia. Também ouvi falar de sobrevôos de aeronaves militares argentinas. Por que o Gringo traiu seus companheiros? Por dinheiro. O suficiente para fazer a vida. Ninguém se vende por arroz e feijão. Por que o senhor acha que o Gringo se ligou à CIA? A Operação Gringo passou a receber informações de várias partes do mundo. Isso, obviamente, interessava aos serviços de Inteligência de países como os Estados Unidos. Mas, em 1985, o aparato de Inteligência foi desmontado pelo ministro do Exército, Leônidas Pires, e o Gringo deixou de receber da gente. Aí, acredito, ele achou melhor se ligar à CIA. O senhor não gostaria de ver o documento sobre as operações conjuntas do Brasil e da Argentina? Quem sabe o senhor não se lembra de algo relacionado ao seqüestro do Galeão. Não. Esse período está morto. O Brasil hoje poderia ser um dos países mais bem-informados do mundo. E tudo isso foi jogado fora. Quando acabou, liberei meus agentes e queimei os papéis. Não deve ter mais nada escrito sobre eles. Você está me pedindo que eu me recorde de coisas que eu nem lembrava mais. Tags: América Latina, Argentina, Ditadura, ditadura militar, esquerda, O Gringo =============================================================================================== + Detalhes. (do livro Habeas Corpus) Estrangeiros desaparecidos no Brasil Olivro Direito à Memória e à Verdade, editado pela SEDH em 2007, registra o desaparecimento de sete cidadãos argentinos no Brasil entre os anos de 1978 e 80, período em que a Operação Condor estava ativa em vários países. São eles: Norberto Armando Habegger, escritor e militante montonero que vivia no exílio no México. Desembarcou no Rio de Janeiro em 31 de julho de 1978 com passaporte argentino em nome de Hector Esteban Cuello. Sua entrada foi confirmada por registro do embaixador argentino no país. Em relatório da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep) da Argentina, consta que testemunhas afirmaram que foi seqüestrado por agentes brasileiros que o torturaram antes de entregá-lo aos policiais argentinos. Horácio Domingo Campiglia e Monica Susana Pinus de Binstock, militantes do movimento montonero, viajavam de avião da Cidade do México para a Argentina, em 12/03/1980. Usavam passaportes falsos. O avião fez uma escala no Rio de Janeiro, onde ambos foram seqüestrados por militares argentinos, após obterem permissão de autoridades brasileiras. Os dois teriam sido levados para a Argentina. Desde então estão desaparecidos. Lorenzo Ismael Viñas desapareceu no Brasil em 20/06/1980. Era universitário e estava exilado no México. Ele embarcou num ônibus da empresa Pluma, em Buenos Aires, com destino ao Rio de Janeiro, onde deveria se encontrar com a esposa, Claudia Olga Romana Alegrini. Ele não compareceu. Informando-se na empresa, Claudia soube que Lorenzo embarcara no ônibus, mas seguira viagem apenas até a cidade brasileira de Uruguaiana. Jorge Oscar Adur, religioso, era padre titular das igrejas de San Isidro e Olivos, em Buenos Aires. Veio ao Brasil em julho de 1980 para acompanhar a visita do Papa João Paulo II ao país. Deveria se reunir com grupos de cristãos engajados na luta sindical e camponesa, familiares de desaparecidos e presos políticos argentinos e outros movimentos religiosos ou leigos que apresentariam ao Papa seu testemunho das injustiças sociais e perseguições políticas na América Latina. Não há informações sobre data e local do seu desaparecimento. Liliana Inês Goldemberg e Eduardo Gonzalo Escabosa, montoneros, morreram dentro de uma lancha que fazia a travessia do rio Paraná na fronteira de Argentina e Brasil em Foz do Iguaçu, em 02/08/1980. Aluizio Palmar, no livro Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?, relata: "antes da atracação no lado argentino, dois policiais brasileiros que estavam a bordo mandaram o piloto parar a lancha e apontaram suas armas para o casal. Cercados, Lilian (sic) e Eduardo ainda puderam ver que mais policiais desciam do atracadouro, vindos da aduana argentina". Segundo o autor, os dois "abriram um saco plástico, tiraram comprimidos e os engoliram (...) Morreram em trinta segundos, envenenados por uma dose fortíssima de cianureto". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111011/3765ba7b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 9336 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111011/3765ba7b/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 11 20:25:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 11 Oct 2011 20:25:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__=22Occupy_Wall_Street_=E9_a_co?= =?windows-1252?q?isa_mais_importante_no?= Message-ID: <5AFC11A947234A30B8A574FC202C7365@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Castor Filho ?Occupy Wall Street?: o movimento mais importante do mundo hoje Naomi Klein 7/10/2011, Naomi Klein, Commondreams Occupy Wall Street: The Most Important Thing in the World Today Enviado pelo Coletivo da Vila Vudu Foi uma honra, para mim, ter sido convidada a falar em Occupy Wall Street na 5ª-feira à noite. Dado que os amplificadores estão (infelizmente) proibidos, e o que eu disser terá de ser repetido por centenas de pessoas, para que outros possam ouvir (o chamado ?microfone humano?), o que vou dizer na Liberty Plaza terá de ser bem curto. Sabendo disso, distribuo aqui a versão completa, mais longa, sem cortes, da minha fala. Occupy Wall Street é a coisa mais importante do mundo hoje [1] Eu amo vocês. E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta ?eu também te amo?, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto. Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: ?Nós nos encontramos uns aos outros?. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão. Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo. Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: ?Não. Nós não vamos pagar pela sua crise?. Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou. ?Por que eles estão protestando??, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: ?por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.? E, acima de tudo, o mundo diz: ?bem-vindos?. Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos antiglobalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos ?o movimento dos movimentos?. Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte. O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados. Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá. Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria. Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento. Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos. Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo. A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos. Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente. Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito ? os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões ? não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante ? os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos. A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva ? e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar. A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante. Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil. É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz ?eu me importo com você?. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer ?deixe que morram?, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical. Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam: · Nossas roupas. · Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz. · Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia. E eis aqui algumas coisas que, sim, importam: · Nossa coragem. · Nossa bússola moral. · Como tratamos uns aos outros. Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores ? como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida. Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso. Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ela é. De verdade, ela é. Mesmo. -------------------------------------------------------------------------------- Nota da Vila Vudu [1] Discurso originalmente publicado no The Nation. Tradução para o português do Brasil, de Idelber Alvelar, da Revista Fórum. http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/10/occupy-wall-street-o-movimento-mais.html http://goo.gl/S960Q /twitter [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 28 operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede] Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111011/dec7b2d9/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 12 17:34:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 12 Oct 2011 17:34:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ALBERTO_ALEIXO________________________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CCLXX-?= Message-ID: <6CD843966DAD4FE9AC35EC9C66200C12@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ALBERTO ALEIXO (1903 - 1975) Filiação: Úrsula Maria Aleixo e José Caetano Aleixo Data e local de nascimento: 18/02/1903, Belo Horizonte (MG) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 07/08/1975, Rio de Janeiro (RJ) Alberto Aleixo tinha 72 anos e era irmão de Pedro Aleixo, político mineiro que foi vice-presidente da República no período ditatorial, durante o mandato de Costa e Silva. Ligado ao PCB, morreu em 07/08/1975, no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro (RJ), na ala reservada aos presos políticos, para onde fora encaminhado pelo DOPS/RJ. As circunstâncias da morte de Aleixo somente foram conhecidas a partir de julho de 1995, após o pedido encaminhado à CEMDP por seus familiares. Alberto Aleixo tinha sido preso no Rio de Janeiro, em janeiro de 1975, por trabalhar desde 1966 na produção gráfica e distribuição do jornal Voz Operária, órgão oficial do PCB. Em 24/03/1975 foi removido para o Hospital Souza Aguiar, gravemente enfermo. Seus advogados já tinham solicitado ao Ministério Público a revogação da custódia que lhe fora imposta pedindo consideração para sua idade avançada e pela gravidade de suas condições de saúde. O Ministério Público negou o pedido com os seguintes termos: "Sem pretender ser desumano, cumpre, todavia, salientar que referidas alegações não justificam a pretendida revogação, de vez que, como se infere de sua cota de participação, na denúncia nesta data oferecida, em janeiro deste mesmo ano, não obstante a sua avançada idade agora alegada, o denunciado achava-se em plena atividade subversiva e como ainda se verifica da citada cota de participação, não foi sem importância a sua participação nos fatos delituosos que deram origem ao inquérito instaurado". O prontuário médico referente ao dia da internação de Alberto Aleixo no Souza Aguiar registrou: "Paciente magro, desidratado, sem exonerar intestino há quatro dias, com sangramento hemorroidário. O Paciente emagreceu mais ou menos 15 quilos em dois meses". Foi anexado ao processo junto à CEMDP um laudo assinado pelo presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Legal Anelino José de Resende, realizado a partir do prontuário médico daquele hospital, que atesta: "trata-se de indivíduo que, tendo sido preso em boas condições de saúde, conforme atesta o Ministério Público, foi submetido a condições que o levaram a ser internado com desnutrição protéico-calórica (emagrecimento acentuado), extremamente anêmico e desidratado, conforme atesta o prontuário no dia da internação". Durante o período da internação, Aleixo usou diariamente vitaminas e complementos protéicos. Foi também submetido a dois tratamentos cirúrgicos em curto espaço de tempo: um para corrigir hérnia inguinal e outro para corrigir aneurisma de aorta pré-existente. O laudo atestou que, se o paciente tivesse recebido atendimento médico quando solicitou, poderia ter sido evitado o agravamento da doença. Ainda segundo o laudo, "as circunstâncias da prisão, maus tratos, torturas e pressões psicológicas agravaram seus problemas de saúde". O relator na CEMDP, Nilmário Miranda, concluiu que "a morte de Alberto Aleixo ocorreu por causa não-natural; os autos não revelam se a vítima teve participação em atividades políticas além dos trabalhos que desenvolvia na gráfica, sendo certo, porém, que sobre ele pesou a acusação de ter participado, ajustando-se desta forma o caso à norma; quanto ao local da morte, o Hospital Souza Aguiar mantinha uma enfermaria reservada aos acusados de subversão, onde era submetido a permanente custódia policial, guardando assim todas as características de dependência policial". Elio Gaspari faz referência a essa morte no livro A Ditadura Escancarada: "...o gráfico Alberto Aleixo, de 72 anos, foi formalmente preso. Dois meses depois, os policiais internaram o velho comunista, com quinze quilos a menos, no hospital Souza Aguiar. Era irmão de Pedro Aleixo, o vice-presidente de Costa e Silva, de quem se distanciara. Pedro morreu em março, sabendo que seu irmão estava preso. Em agosto, morreu Alberto". ===================================================================================================================== + Detalhes. Pedro Aleixo 1.ago.1901 - 3.mar.1975 Vice-presidente Em sua carreira política, Pedro Aleixo desenvolveu o talento de sair honrosamente pela porta dos fundos de governos autoritários. Foi um dos mentores intelectuais da Revolução de 1930, que colocou Getúlio na cadeira de presidente. Como líder da oposição na Câmara dos Deputados, foi um dos articuladores da deposição de Goulart, em 1964. Por desacordo sobre os rumos de ambos os regimes, no entanto, afastou-se da vida política. No livro "A Ditadura Envergonhada", de Elio Gaspari, é apresentado como um indivíduo "conhecido tanto pela sua retidão como por uma solene tibieza". Sua defesa ao regime constitucional, segundo Gaspari, só não era maior que a defesa de sua biografia. Editoriais elogiosos da época de sua morte dão conta de sua reputação. Foi somente em 1995 que o grupo Tortura Nunca Mais trouxe a público o nome de Alberto Aleixo, irmão de Pedro Aleixo, morto em 1975 no hospital Souza Aguiar, no Rio, por traumas decorrentes de tortura. "Pedro morreu em março, sabendo que seu irmão estava preso. Em agosto, morreu Alberto", conta Gaspari, em "A Ditadura Encurralada". Alberto Aleixo trabalhava na gráfica do jornal "A Voz Operária", ligado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), e tinha 72 anos. Contra o AI-5 Aleixo era tido como um conselheiro que pesava nas decisões do presidente", afirma Zuenir Ventura, em seu livro "1968 - O ano que não terminou". Naquele dia, entretanto, isso não ia acontecer. Embora parecesse como que "tocado pelo Divino Espírito Santo" e tenha feito "uma corajosa, emocionante, brilhantíssima exposição" -conforme relata o coronel Hernani D'Aguilar, então assessor de relações públicas do governo, para o livro de Ventura-, a posição defendida no dia 13 de dezembro de 1968 liquidou a influência que tinha nos rumos do governo militar. Na reunião que aprovaria a instauração do AI-5, Aleixo apresentou ressalvas. Ele dizia acreditar que sua aprovação representaria a institucionalização da ditadura -algo que, segundo ele, configuraria perigo permanente para a ordem institucional. Aleixo defendia o estado de sítio como alternativa de remédio constitucional contra os levantes da época. Durante a reunião afirmou que, se o estado de sítio fosse ineficiente, "a própria nação [...] compreenderia a necessidade de um outro procedimento". Permaneceu, no entanto, na Vice-presidência da República, liderando uma comissão de juristas que reformularia a Constituição de 1967. Na Carta, Aleixo tentou introduzir a volta das eleições diretas nos governos estaduais e a reabertura do Congresso -sem sucesso. Com o afastamento de Costa e Silva após diagnosticada trombose e percebida sua impossibilidade de voltar ao cargo, em 1969, Aleixo foi impedido de assumir a Presidência da República. Suas idéias liberalizantes entravam em conflito com o pensamento da linha-dura militar. ======================================================================================================== FICHA Alberto Aleixo Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Alberto Aleixo Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 7/8/1975 Rio de Janeiro RJ Brasil Hospital Souza Aguiar Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/RJ DOPS/RJ ou DEOPS/RJ RJ Brasil Biografia Biografia Alberto Aleixo faleceu no dia 7 de agosto de 1975, no Hospital Souza Aguiar, para onde foi encaminhado pelo DOPS/RJ. Ele teve sua prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria da Aeronáutica, com fundamentos nos artigos 254 e 255 do Código de Processo Militar, no Inquérito Policial nº 2/75, instaurado pelo DOPS. Foi acusado de produzir e distribuir o jornal A Voz Operária. Informações retiradas do livro "Dos filhos deste solo". N. Miranda e C. Tibúrcio. São Paulo, Fundação Perseu Abramo e Boitempo editorial, 1999. p. 334. Documentos Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111012/b5f77e23/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9064 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111012/b5f77e23/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9359 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111012/b5f77e23/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 12 17:34:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 12 Oct 2011 17:34:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_para_o_S=E1bado_Resistent?= =?iso-8859-1?q?e_15_de_outubro=3A_Mem=F3ria_da_luta_da_OSM_em_S=E3?= =?iso-8859-1?q?o_Paulo?= Message-ID: <3B0E5A1A62374BEEAC93D6A017120B43@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi -------------------------------------------------------------------------------- Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 - Luz Auditório Vitae - 5º andar SÁBADO RESISTENTE 15 de outubro, das 14h às 17h30 MEMÓRIA DA LUTA DA OPOSIÇÃO SINDICAL METALÚRGICA EM SÃO PAULO O Memorial da Resistência de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta no projeto Sábado Resistente a trajetória dos trabalhadores organizados em São Paulo. À margem da história dita oficial, os fatos ligados à atividade deste grupo entre os anos 60 e 90 nunca foram suficientemente valorizados e divulgados em nossa sociedade. A atividade, que acontece em 15/10 das 14h às 17h30, culminará com a presença de dezenas de combatentes que normalmente passam como personagens anônimos da história, e a homenagem a cada um deles. Durante a ditadura civil-militar, alguns empresários implantaram nas fábricas um sistema brutal de exploração e opressão. Centenas de trabalhadores são presos e torturados, após reivindicar melhores condições de trabalho. Enquanto isso, a Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo (OSM-SP), mesmo agindo na clandestinidade, atuou sempre em defesa dos direitos sociais e humanos e teve vários de seus dirigentes presos no Deops/SP e alguns de seus militantes assassinados. Durante o processo de redemocratização, a Oposição participou de oito eleições sindicais e formou uma ampla rede de relações, tornando-se a representante do movimento operário brasileiro entre os anos 1967 e 1993. Em 2010, o Projeto lançou a campanha "Contemos nossa história" com o intuito de mobilizar os militantes da OSM-SP e sua rede política de apoio, colher depoimentos e reunir arquivos da trajetória pessoal, das iniciativas e atividades desse movimento. O convite para o Sábado Resistente coincide com a articulação desta campanha, que promoveu reuniões regionais com os militantes para a coleta e organização de dados. PROGRAMAÇÃO 14h00: Boas vindas - Katia Felipini Coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo Apresentação e Coordenação - Ivan Seixas Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política 14h15: Apresentação Waldemar Rossi Coordenador do Projeto Memória da OSM-SP 14h30: Projeção de vídeo (entrevistas Braços Cruzados - Máquinas Paradas) 14h50: Lançamento da Publicação com as biografias dos participantes da OSM-SP 15h20 às 17h: Homenagem aos metalúrgicos e lutadores da OSM-SP e aos sindicalistas combativos do período. A coordenação da homenagem será feita pelos dirigentes do Projeto Memória da OSM-SP, focalizando os grupos de lutadores referenciais: cabeças de chapa, mulheres, apoiadores, metalúrgicos, dentre outros. Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111012/b525eda1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 13 19:50:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 13 Oct 2011 19:50:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?____PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!___?= =?iso-8859-1?q?_Hist=F3ria_de___JOS=C9_CARLOS_DA_COSTA____________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCLXXI-?= Message-ID: <14B7C28A6C0E484BBC6E951672D4300C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem JOSÉ CARLOS DA COSTA ( ? - 1973) Filiação: não consta Data e local de nascimento: por volta de 1938, em Estância (SE) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local do desaparecimento: 02/12/1973, em Belém (PA) Sergipano de Estância, conhecido como "Baiano", "Bira" ou "Maneco", teve militância na Ala Vermelha antes de se ligar à VAR-Palmares, onde se tornou dirigente nacional no período final dessa organização clandestina. Atuou em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. A denúncia sobre o seu desaparecimento em Belém (PA), em 02/12/1973, foi apresentada em 1980, mas a testemunha nunca mais foi localizada e não quis se identificar por medo de represálias. A informação apresentada era de que José Carlos foi preso pelos órgãos de segurança e levado para uma unidade do Exército na capital paraense. Seu nome nunca constou do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos ou de qualquer outra lista, simplesmente porque todos o conheciam apenas pelos apelidos ou codinomes. Nenhum dos sobreviventes da VAR-Palmares, inclusive os que moraram com ele por muitos anos, sabia dizer como se chamava. O nome verdadeiro foi descoberto em um site mantido pelos antigos membros dos órgãos de repressão, conforme matéria dos jornalistas Mário Magalhães e Sérgio Torres, publicada na Folha de S. Paulo em 05/11/2000. Essa reportagem mostrou que o site trazia trechos e informações de um livro de 1.200 páginas, cujo trabalho fora coordenado por coronéis e baseado integralmente nos arquivos do Centro de Informações do Exército. Ali, "Baiano", "Maneco", ou ainda "Bira" seriam os codinomes de José Carlos da Costa. O livro fora encomendado ao comando do CIE em 1986 pelo então ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves. A intenção seria dar uma resposta à publicação do livro Brasil Nunca Mais e alguns trechos foram disponibilizados no site a partir de maio de 2000. Esse misterioso documento produzido pelos órgãos de segurança finalmente caiu em mãos do jornalista Lucas Figueiredo, que publicou várias matérias sobre ele em abril de 2007 e fez entrega formal de cópias de sua íntegra tanto à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados quanto à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Tendo como capa as inscrições "O Livro negro do terrorismo no Brasil", o documento possui, na verdade, 966 páginas e inclui, de fato, algumas referências a José Carlos. Na página 664 desse livro, é historiada a realização, em julho de 1971, da segunda parte do segundo congresso da VAR-Palmares (cuja primeira parte teria ocorrido em janeiro daquele ano, em Recife, sob o comando de Carlos Alberto Soares de Freitas e de Mariano Joaquim da Silva, o Loyola). James Allen da Luz teria comandado esse encontro, que teve comparecimento considerado muito baixo: "Estiveram presentes à 2ª parte do II Congresso: James Alen Luz, Marco Antonio Batista de Carvalho, Ana Matilde Tenório da Mota, Irene Madeira de Carvalho, José Carlos da Costa, Geraldo Leite, Rosalina Santa Cruz Leite, Heitor Farias da Silva, Maria Regina Leite Lobo de Figueiredo, Lígia Maria Salgado da Nóbrega, Antonio Maress Prieto de Oliveira, Adão Vila Verde, e como convidado do PCBR, Luiz Alberto de Sá e Benevides". Esse documento secreto também informa que José Carlos teria participado, em 22/11/1971, do assalto a um carro pagador, no Rio de Janeiro, em que foi morto um agente de segurança. E, ainda, que ele também participou do diminuto III Congresso da organização, realizado em julho de 1972, na Ilha do Mosqueiro, Belém do Pará, onde foi constituída uma coordenação nacional composta por James Allen, José Carlos e Irene Madeira de Carvalho. Finalmente, consta nesse dossiê que José Carlos teria ferido a bala dois funcionários durante assalto a uma agência bancária no bairro Floresta, em Porto Alegre, em 14/03/1973, dias antes da morte de James Allen num acidente de carro. Cabe registrar, ainda, que no site vinculado a ex-participantes dos órgãos de segurança, de nome Ternuma - Terrorismo Nunca Mais, José Carlos é também listado como um dos participantes da execução do delegado Octavio Gonçalves Moreira Junior. De família humilde, nascido em Estância, Sergipe, sendo sua mãe lavadeira, a vida e a morte do militante "Baiano", "Maneco" ou "Bira", permanecem quase desconhecidas. As únicas informações coletadas nesses anos dão conta que trabalhou como operário e marceneiro antes de tornar-se um militante da resistência clandestina. Teria mais ou menos 35 anos em 1973 e uma de suas irmãs, de nome Margareth, seria professora de Sociologia em São Paulo. O processo foi protocolado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos em nome, genericamente, de seus sucessores, na esperança de que sua origem e sua família pudessem ser descobertos. Como isso não aconteceu até o presente momento, o processo foi retirado de pauta na CEMDP, sem discussão do mérito. ==================================================================================================================== +Informações. ( do livro Habeas Corpus) JOSÉ CARLOS DA COSTA ( ? -1973) De família humilde, nascido em Estância, Sergipe, sendo sua mãe lavadeira, a vida e a morte deste militante permanecem quase desconhecidas. As únicas informações coletadas nesses anos dão conta de que José Carlos nasceu por volta de 1938 e trabalhou como operário e marceneiro antes de tornar-se um militante da resistência clandestina. Conhecido como "Baiano", "Bira" ou "Maneco", militou na Ala Vermelha antes de se ligar à VAR-Palmares, organização da qual se tornou dirigente nacional em seu período final. Atuou em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. No site vinculado a ex-participantes dos órgãos de segurança, de nome Ternuma - Terrorismo Nunca Mais -, é listado como um dos participantes da execução do delegado Octavio Gonçalves Moreira Junior. A denúncia sobre o seu desaparecimento em Belém (PA), em 2 de dezembro de 1973, foi apresentada em 1980, mas a testemunha nunca mais foi localizada e não quis se identificar por medo de represálias. A informação apresentada era a de que José Carlos teria sido preso pelos órgãos de segurança e levado para uma unidade do Exército na capital paraense. Seu nome nunca constou do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos ou de qualquer outra lista, simplesmente porque todos o conheciam apenas pelos apelidos ou codinomes. Nenhum dos sobreviventes da VAR-Palmares, inclusive os que moraram com ele durante muitos anos, sabia dizer como se chamava. No Livro negro do terrorismo no Brasil, divulgado pelo jornalista Lucas Figueiredo em abril de 2007, consta que José Carlos teria participado, em 22 de novembro de 1971, do assalto a um carro pagador, no Rio de Janeiro, em que foi morto um agente de segurança. E, ainda, que também participou do III Congresso da VAR-Palmares, realizado em julho de 1972, na Ilha do Mosqueiro, Belém do Pará, e também teria ferido à bala dois funcionários durante assalto a uma agência bancária no bairro Floresta, em Porto Alegre, em 14 de março de 1973. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111013/d5e42949/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6766 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111013/d5e42949/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 13 19:51:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 13 Oct 2011 19:51:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_AS_RAZ=C3=95ES_DO_MOVIMENTO_OCCUPY?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br AS RAZÕES DO MOVIMENTO O movimento de protesto nos Estados Unidos teve ontem um dia diferente em Nova Iorque: piquetes de centenas de pessoas se manifestaram às portas de cinco dos maiores milionários de Manhattan, começando pela casa de Rupert Murdoch. Outras residências visitadas foram as dos banqueiros John Paulson, Jamie Dimon, David Koch, e Howard Millstein ? todos eles envolvidos nos grandes escândalos de Wall Street, e socorridos por Bush. Os lemas foram os mesmos: que tratassem de devolver o que haviam retirado da economia popular. A polícia limitou-se a conter, com barreiras, os manifestantes. Mas a mesma coisa não ocorreu em Boston. A polícia municipal atuou com extrema violência durante a madrugada de ontem, atacando, com porretes, dezenas de manifestantes e ferindo dois veteranos de guerra, um deles, de 74 anos, ex-combatente no Vietnã. O ?Occupy Together? atingiu mais de 1.200 cidades norte-americanas, em preparação para as grandes concentrações nacionais no próximo sábado, dia 15. Conforme o jornalista americano David Graeber, em incisivo artigo publicado peloThe Guardian, os jovens, e também homens maduros, vão às ruas nos Estados Unidos em busca de empregos, de boa educação, de paz, é certo, mas querem muito mais do que isso. Eles contestam um sistema que deixou de servir aos homens, para servir apenas aos banqueiros e a um capitalismo anacrônico. ?Para que serve o capitalismo??, é uma de suas perguntas. Eles contestam um sistema baseado no consumo supérfluo de uns fundado na negação das necessidades básicas de 99% da população de seu país. Descobriram que o seu futuro, os seus sonhos, o seu destino e a sua vida foram roubados pelo sistema que deixou de ser democrático. Os neoliberais no mundo inteiro fazem de conta que esses protestos nada significam, e muitos deles continuam sem perceber o que está ocorrendo. Tem sido sempre assim na História. Na noite de 4 de agosto de 1789, quando, a Assembléia revolucionária da França aboliu os privilégios feudais da nobreza, Luis 16, que seria guilhotinado menos de três anos depois, escreveu em seu diário: hoje, nada de novo. Como bem registrou Paul Krugman, em seu artigo no New York Times, os manifestantes não são extremistas: os verdadeiros extremistas são os oligarcas, que não querem que se conheçam as fontes de sua riqueza. Não percebem os políticos o processo revolucionário em marcha que, de uma forma ou de outra, atingirá todos os países do mundo. Ao globalizar-se, pela imposição do sistema financeiro, a economia, globalizou-se a reação dos povos ao sistema totalitário e criminoso. Seria a hora de um entendimento entre os estadistas do mundo, a fim de chamar os especuladores à razão e colocar o Estado ao serviço da justiça, retornando-o à sua natureza original. Na Europa e nos Estados Unidos o que se vê é o Estado socorrendo os banqueiros fraudulentos, e os ricos insistindo na receita neoliberal clássica, de ajustes fiscais, de redução dos serviços sociais, do arrocho salarial e da demissão sumária de imensos contingentes de trabalhadores, a fim de garantir o lucro dos especuladores. Nos anos oitenta, os paises emergentes de hoje, entre eles o Brasil, estavam atolados em uma dívida internacional marota, gerada pela necessidade de rolar os bilhões de eurodólares, e não dispunham de recursos. Mme Thatcher disse que o Brasil teria que vender as suas terras e florestas, a fim de pagar o que devia. Hoje, trinta anos depois, a Grécia está vendendo tudo o que pode, até mesmo monumentos históricos, enquanto parcelas de seu povo começam a passar fome. Quando os africanos morrem de fome e de epidemias, como voltaram a morrer agora, não há problema. Para os brancos, europeus ou americanos, é alguma coisa que não lhes diz respeito. A África não é outro continente: é outro mundo. Mas, neste momento, são brancos, de cabelos louros e olhos azuis, como os manifestantes de Boston ? jóia da velha aristocracia da Nova Inglaterra ? que vão às ruas e são espancados pela polícia. A revolução, como os próprios manifestantes denominam seu movimento pacífico, está em marcha. Há é certo, algumas providências na Europa, como a estatização do banco belga Dexie, mas se trata de um paliativo, quando Trichet, o presidente do Banco Central Europeu recomenda injetar mais dinheiro no sistema financeiro privado. Mais astuto, o governo da China reforçou a presença estatal no sistema financeiro, aumentando a sua participação nos bancos de que é acionista majoritário. E o mundo se move também na política. Abbas - o presidente da Autoridade Nacional Palestina, que luta pelo reconhecimento pela ONU de seu Estado nacional - em hábil iniciativa, esteve anteontem e ontem em Bogotá. Ele fez a viagem a Colômbia, sabendo que dificilmente o apoiariam: o país hospeda bases militares americanas e, ontem mesmo, um comitê do Senado, em Washington, aprovou o Tratado de Livre Comércio entre os dois países. Assim, o presidente Juan Manuel Santos limitou-se a declarações protocolares de apoio à paz no Oriente Médio, o que não impedirá a caminhada da História. http://www.maurosantayana.com/2011/10/as-razoes-do-movimento.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111013/f04d469c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 19692 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111013/f04d469c/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 13 19:51:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 13 Oct 2011 19:51:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Fernando Morais e o terrorismo dos EUA contra Cuba Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 13.10.11 - EUA Fernando Morais e o terrorismo dos EUA contra Cuba Vermelho www.vermelho.org.br Adital Por Joana Rozowykwiat Houve um tempo em que mercenários contratados por organizações de extrema-direita da Flórida recebiam U$ 1,5 mil por bomba colocada em Cuba. "Hoje ainda é possível ver em Miami manifestações de rua contra a Revolução, mas as novas gerações parecem mais interessadas em ouvir salsa do que em colocar bombas", diz o jornalista Fernando Morais. Morais está lançando Os últimos soldados da Guerra Fria, livro-reportagem que reconstitui a trajetória de agentes secretos de Cuba, que se infiltraram nos Estados Unidos para impedir ações terroristas contra a ilha. No próximo dia 20, às 19h, ele apresenta a publicação em São Paulo, na Faculdade Paulista de Comunicação (Fapcom). Na ocasião, o autor participa do debate "Os 5 cubanos ignorados pela mídia", ao lado da presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes, e do cônsul de Cuba, Lázaro Mendes Cabrera. O evento é promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé. A discussão acontece no momento em que René González -um dos agentes secretos retratados no livro- acaba de ser libertado, nos Estados Unidos, depois de 13 anos de prisão. Apesar de ter cumprido toda a sua pena, René está sendo obrigado pela Justiça norte-americana a permanecer nos EUA, em "liberdade vigiada", por mais três anos. Esse é apenas o capítulo mais recente da trama narrada por Morais, que poderia muito bem ter saído de um trailer hollywoodiano -com cenas de espionagem, suspense e aventura-, mas não tem nada de ficção. Foi vivida por 12 homens e duas mulheres que aceitaram deixar suas vidas em Cuba para integrar a Rede Vespa e espionar algumas das 47 organizações anticubanas que existiam em Miami na época. "Eram organizações de extrema-direita, que atuavam como entidades humanitárias para ocultar seu verdadeiro objetivo", conta Morais ao Vermelho. Tais grupos -contrários ao regime comunista implantado por Fidel Castro- se dedicavam desde a jogar pragas nas lavouras cubanas até a sequestrar aviões que levavam turistas à ilha. Depois o colapso da União Soviética, o turismo assumiu papel preponderante na economia cubana, e as organizações anticastristas passaram a empenhar esforços para demonstrar que a ilha não era segura para os estrangeiros. Para isso, colocaram bombas em hotéis e bares e alvejaram navios repletos de visitantes. Infiltrados nesses grupos, os agentes da Rede Vespa conseguiram impedir várias agressões. Para investigar e contar essa história -e também a daqueles que estavam do outro lado-, Morais viajou 20 vezes a Cuba e aos Estados Unidos, debruçou-se sobre diversos documentos dos dois países, fez 40 entrevistas. O resultado é uma obra que já é sucesso de vendas no Brasil. De acordo com a Rádio Havana Cuba, o livro vendeu 20 mil exemplares em três semanas e aguarda lançamento em espanhol e inglês. Conhecedor da realidade cubana (este é o segundo livro relacionado à ilha que escreve), Morais fala ao Vermelhosobre a publicação, as relações entre Cuba e Estados Unidos e seus próximos projetos. Segundo ele, se o presidente Barack Obama se reeleger, no ano que vem, pode ser que indulte os agentes cubanos que ainda estão presos nos Estados Unidos. "Enquanto Obama precisar dos votos da Flórida, majoritariamente cubanos, não há a menor chance de isso acontecer", avalia. Veja abaixo a entrevista concedida por e-mail. Portal Vermelho: Como e quando você se deparou com a história dos agentes secretos cubanos e por que resolveu escrevê-la? Fernando Morais: Eu soube da história pelo rádio de um táxi, no meio do trânsito, em São Paulo, no dia das prisões dos dez agentes cubanos pelo FBI, em Miami, em setembro de 1998. Assim que pude, viajei a Cuba para tentar levantar o assunto, mas encontrei todas as portas fechadas. Para se ter uma ideia, Cuba só assumiu que eles de fato eram agentes de inteligência três anos depois, em 2001. O tema era tratado como segredo de Estado. Portal Vermelho: Como foi pesquisar em Cuba? Você teve pleno acesso a documentos oficiais? E do lado norte-americano? Fernando Morais: Os cubanos só liberaram o assunto para mim em 2005, mas nessa época eu estava envolvido com o projeto do livro O Mago, a biografia do Paulo Coelho. Com isso, só pude entrar na história dos cubanos em 2008. A partir de então fui várias vezes a Havana, Miami e Nova York. O governo de Cuba liberou todo o material disponível e permitiu que eu entrevistasse quem quisesse, inclusive mercenários estrangeiros que haviam sido presos após colocar bombas em hotéis e restaurantes turísticos de Cuba e que tinham sido condenados à morte. Nos Estados Unidos foi mais difícil. Como os agentes do FBI são proibidos de dar declarações públicas, só consegui entrevistas em off. Mas graças ao FOIA - Freedom of Information Act, a lei que regula a liberação de documentos secretos - e após pesquisas nos arquivos da Justiça Federal da Flórida, tive acesso a cerca de 30 mil documentos enviados pela Rede Vespa a Cuba e que haviam sido apreendidos pelo FBI nas casas dos agentes cubanos em Miami. E os serviços de inteligência cubanos me deram uma cópia do megadossiê sobre o terrorismo na Flórida que Fidel Castro entregou a Bill Clinton com a ajuda do escritor Gabriel García Márquez. Portal Vermelho: Parece-me que o acesso aos cinco cubanos que estão presos nos EUA é bem complicado. As próprias famílias nem sempre conseguem visitá-los. O senhor verificou isso na prática? Conseguiu contato direto com eles? Fernando Morais: Como não sou parente de nenhum deles nem cidadão norte-americano, não pude visitar pessoalmente nenhum deles. Só consegui autorização para me comunicar com eles por internet. Mas com um limite de 13 mil caracteres por mês. Se as mensagens tivessem mais de 13 mil caracteres, se deletavam automaticamente. Falei também com alguns deles por telefone, pegando carona na franquia mensal de chamadas que suas mulheres e filhos tinham. Portal Vermelho: Algum deles lhe pareceu um personagem mais interessante? Fernando Morais: Todos são personagens muito interessantes, acho que daria para fazer um livro sobre cada um deles. Decidi me concentrar em alguns deles, não só por serem os que tiveram desempenho mais, digamos, cinematográfico, mas também por entender que encarnavam de maneira mais ampla o sentido da missão que o grupo desempenhava nos Estados Unidos: infiltrar-se em organizações de extrema-direita da Flórida que estavam patrocinando ataques terroristas contra Cuba. Mas há personagens muito interessantes também, do ponto de vista jornalístico, do outro lado do balcão. Por exemplo, o mercenário salvadorenho que entrevistei em Cuba e que rendeu dois capítulos do livro. Portal Vermelho: Quem eram essas pessoas que planejavam os ataques a Cuba naquela época? E quem eram os mercenários que os executavam? Faziam só por dinheiro ou havia alguma questão de fundo? Fernando Morais: Eram organizações de extrema-direita, que atuavam como entidades humanitárias para ocultar seu verdadeiro objetivo. Os mercenários, salvo uma ou outra exceção, como o salvadorenho a quem me referi, atuavam por dinheiro. Mais precisamente, recebiam U$ 1,5 mil por bomba colocada em Cuba. Portal Vermelho: O senhor acredita que esse sentimento extremado dos EUA (Flórida) em relação a Cuba persiste nas gerações atuais? Fernando Morais: Os tradicionais inimigos da Revolução Cubana, os autodenominados anticastristas verticales, estão morrendo ou já estão muito velhinhos. Quando eu terminava o texto final do livro, por exemplo, morreu Orlando Bosch, que era considerado o inimigo número 1 de Fidel Castro. Ainda é possível ver em Miami manifestações de rua contra a Revolução, mas as novas gerações parecem mais interessadas em ouvir salsa do que em colocar bombas. Semanas atrás, por exemplo, o cantor cubano Pablo Milanés fez um espetáculo em Miami. No ginásio onde cantou, ele foi aplaudido de pé por 15 mil pessoas. Na rua, meia dúzia de velhinhos carregavam cartazes de protesto contra ele. Portal Vermelho: Esse esquema de cubanos infiltrados em Miami conseguiu impedir ataques de fato? Fernando Morais: Sim, não só impedir dezenas de ataques como permitiu a prisão de dezenas de mercenários estrangeiros que atuavam a soldo de anticastristas de Miami. Portal Vermelho: O que o seu livro traz de mais revelador? Fernando Morais: A maior parte das informações contidas no livro é inédita. Além de documentos secretos obtidos em Cuba e nos EUA, e da entrevista exclusiva que fiz com o mercenário salvadorenho Raúl Ernesto Cruz León (na época condenado à morte em Cuba por ter colocado bombas em hotéis e matado pessoas), o livro traz revelações inéditas de bastidores políticos a respeito da correspondência secreta trocada entre Fidel Castro e Bill Clinton - e cujo intermediário era o Prêmio Nobel da Paz Gabriel García Márquez. Portal Vermelho: O livro vai mesmo virar filme? Fernando Morais: Sim, os direitos de adaptação para o cinema foram vendidos para o investidor cultural Rodrigo Teixeira. Aliás, foi com o dinheiro recebido que pude custear parte da pesquisa, já que se tratava de um trabalho caro, que envolveu cerca de vinte viagens a Cuba e aos Estados Unidos. Portal Vermelho: O senhor já tinha escrito sobre Cuba antes. Como vê a Ilha hoje? Fernando Morais: Vejo com grande otimismo. As mudanças econômicas postas em prática pelo presidente Raúl Castro são, na verdade, correções de erros cometidos nos primeiros anos pós-Revolução, quando o radicalismo não tinha limites. Mas confesso que não vejo perspectivas de mudanças políticas significativas enquanto perdurar o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Portal Vermelho: O senhor vê alguma possibilidade de indulto para os cubanos que ainda estão presos nos EUA? Fernando Morais: Se o presidente Barack Obama se reeleger, no ano que vem, pode ser que ele indulte os presos. O ex-presidente Jimmy Carter se comprometeu a pedir a ele que faça isso. Mas enquanto Obama precisar dos votos da Flórida, majoritariamente cubanos, não há a menor chance de isso acontecer. Essa expectativa vale igualmente para a revogação do bloqueio, medida que também tem como defensor o ex-presidente Carter. Portal Vermelho: Li que o senhor deve escrever sobre o governo Lula. Pode adiantar alguma coisa sobre esse projeto? Fernando Morais: Por enquanto não há nada decidido. Creio que nem ele nem eu sabemos exatamente o que pode nascer desses encontros iniciais. Só sabemos é que não deverá ser uma biografia do Lula. Serviço: Lançamento de Os últimos soldados da Guerra Fria e debate "Os 5 cubanos ignorados pela mídia". Com Fernando Morais, Lázaro Mendes Cabrera e Socorro Gomes. Quinta-feira, 20 de outubro, às 19h Teatro da FAPCOM Rua Major Maragliano, 191 Telefone: 3154-1829 São Paulo / SP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111013/4258e49d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 39736 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111013/4258e49d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 14 19:35:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 14 Oct 2011 19:35:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___LOUREN=C7O_CAMELO_DE_MESQUITA_______?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCLXXII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Filiação: Maria Aguida de Mesquita e Lourenço Camelo de Mesquita Data e local de nascimento: 18/08/1926, Ceará Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 30/07/1977, Rio de Janeiro (RJ) Este caso refere-se a mais um episódio de suicídio por enforcamento, o último de uma longa série de versões farsantes que os órgãos de segurança do regime militar divulgaram tentando encobrir as reais condições da morte de presos políticos. O jornalista Elio Gaspari cuidou de contar e informa que o pretenso suicídio de Lourenço foi o 41º suicídio alegado, o 20º enforcamento, o 11º sem vão livre. Na cópia da cédula de identidade de Lourenço, anexada aos autos do processo formado na CEMDP, consta apenas Ceará como local de nascimento. Viveu 15 anos com Dalva Soares Pereira, com quem teve dois filhos. Na versão militar, ele foi encontrado morto, às 8h20 do dia 30/07/1977, na cela nº 1 do pavilhão de presídio da 1ª Companhia de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. Já na certidão de óbito está escrito que Lourenço morreu às 12h, tendo como causa mortis asfixia mecânica por enforcamento. O exame necroscópico foi firmado por Roberto Blanco dos Santos e Amadeu da Silva Lopes. A versão oficial é de que teria se enforcado, "sendo encontrado com um laço no pescoço, formado por uma cueca preta de nylon - tipo zorba, com a outra extremidade presa ao registro da descarga do vaso sanitário, no qual o extingo se achava sentado". Seu nome nunca tinha surgido antes em qualquer lista de mortos e desaparecidos políticos. Não constava também do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. A CEMDP enviou ofício solicitando informações à Polícia do Exército do Rio de Janeiro a respeito do motivo da prisão de Lourenço, mas não obteve resposta. Ao Arquivo do DOPS/RJ foram solicitadas informações, mas nada foi encontrado. Sendo assim, o deputado Nilmário Miranda, que examinava o caso por ter pedido vistas do processo após uma primeira manifestação do relator favorável ao indeferimento, colheu depoimentos de alguns companheiros de Lourenço, que deixaram clara a motivação política da prisão e os vínculos que mantinha com o PCB. Em seu voto, o deputado deu destaque ao depoimento de Berenício Ferreira Pessoa: "Berenício declarou que era militante do PCB desde 1958; que morou em Caxias por mais de 30 anos; que esteve preso após o golpe militar por cerca de 90 dias, de onde saiu quase morto, acometido por uma crupe.(...);que foi dirigente do PCB e militava no Comitê do Partido na Estação Ferroviária Leopoldina. Conheceu Lourenço Camelo de Mesquita por volta de 1960, já como militante do PCB. Lourenço militava no Comitê Municipal de Duque de Caxias e ele, Berenício, no Comitê da Leopoldina. Que em 1962 houve um quebra-quebra em Caxias e que os 2 Comitês se reuniram conjuntamente para analisar e tomar posição sobre os incidentes. Que a partir de então, 1962, tornou-se amigo do 'China"; que 'China' era taxista, que militava entre motoristas de coletivos e entre taxistas. Que 'China' era muito conhecido pela sua militância; que em 1977 já estava morando de novo em Duque e trabalhava como representante de persianas. Neste ano houve greves de condutores rodoviários em Duque de Caxias e que o 'China' assinou e lançou manifestos na cidade. Certo dia chegou em casa e sua mulher disse-lhe: 'Cuidado! O China foi seqüestrado hoje pela polícia. O próximo é você!' Depois quando veio a notícia de sua morte, ninguém acreditou em suicídio. Todos diziam: 'mataram o China', exatamente porque era um veterano comunista, um ativista conhecido". Nilmário Miranda, ao apresentar seu parecer, considerou "a descrição das circunstâncias do 'suicídio' grosseira e absolutamente inverossímil". Concluiu que foram falsificadas as circunstâncias de sua morte e que esta se deu sob inteira responsabilidade do Estado. ============================================================================================================================= FICHA Lourenço Camelo de Mesquita Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Lourenço Camelo de Mesquita Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 30/7/1977 Rio de Janeiro RJ Brasil 1ª Companhia da Polícia do Exército Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia do Exército PE Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Roberto Blanco dos Santos Biografia Documentos Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111014/2f15571f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 395645 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111014/2f15571f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 14 19:35:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 14 Oct 2011 19:35:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_As_grandes_fam=EDlias_que_gover?= =?windows-1252?q?nam_o_mundo_-?= Message-ID: <7579738EDA184681A0BBE2A05BE971B6@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem De: MVM<==>News De: Grupo Beatrice De: Rede Castorphoto quinta-feira, 13 de outubro de 2011 -------------------------------------------------------------------------------- As grandes famílias que governam o mundo Posted: 11 Oct 2011 - 04:45 AM PDT Algumas pessoas já começaram a perceber que são os grandes grupos financeiros que dominam o mundo. Esqueçam as intrigas políticas, os conflitos, as revoluções e as guerras. Não é puro acaso. Tudo está planeado de longa data. Alguns chamam-lhe "teorias da conspiração" ou Nova Ordem Mundial. Seja como for, a chave para compreender os acontecimentos políticos e económicos actuais, está num restrito núcleo de famílias que têm vindo a acumular cada vez mais riqueza e poder. Fala-se em 6, 8 ou talvez 12 as famílias que dominam verdadeiramente o mundo. Saber quais são é um mistério difícil de desvendar. Não estaremos muito longe da verdade ao citar os Goldman Sachs, Rockefellers, Lehmans e Kuh Loebs de Nova Iorque, os Rothschild de Paris e Londres, os Warburg de Hamburgo, os Lazards de Paris e os Israel Moses Seifs de Roma. Muita gente já ouviu falar no Clube de Bilderberg, da Trilateral ou dos Illuminatis. Mas, quais são nomes das famílias que dirigem o mundo acima dos Estados e controlam os organismos internacionais como a ONU, a NATO ou o FMI? Para tentar responder a essa pergunta, podemos começar pelo mais fácil: recensear os maiores bancos mundiais e verificar quem são os accionistas, os que decidem. As maiores empresas mundiais são actualmente: Bank of America, JP Morgan, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley. Vejamos agora quem são os seus acionistas. Bank of America: State Street Corporation, Vanguard Group, BlackRock, FMR (Fidelity), Paulson, JP Morgan, T. Rowe, Capital World Investor, AXA e Bank of NY Mellon. JP Morgan: State Street Corp., Vanguard Group, FMR, BlackRock, T. Rowe, AXA, Capital World Investor, Capital Research Global Investor, Northern Trust Corp. e Bank of Mellon. Citigroup: State Street Corporation, Vanguard Group, BlackRock, Paulson, FMR, Capital World Investor, JP Morgan, Northern Trust Corporation, Fairhome Capital Mgmt e Bank of NY Mellon. Well Fargo: Berkshire Hathaway, FMR, State Street, Vanguard Group, Capital World Investors, BlackRock, Wellington Mgmt, AXA, T. Rowe e Davis Selected Advisers. Podemos desde já constatar que aparece um núcleo presente em todas as entidades bancárias: State Street Corporation, Vanguard Group, BlackRock e FMR (Fidelity). Para não as repetir vamos chama-los, daqui para frente os "quatro grandes" Goldman Sachs: "os quatro grandes", Wellington, Capital World Investors, AXA, Massachusetts Financial Service e T. Rowe. Morgan Stanley: "os quatro grandes", Mitsubishi UFJ, Franklin Resources, AXA, T. Rowe, Bank of NY Mellon e Jennison Associates. Como acabamos de verificar são praticamente sempre os nomes dos acionistas principais. Para ir mais longe, podemos agora tentar saber quais são os accionistas destas empresas acionistas desses maiores bancos mundiais. Bank of NY Mellon: Davis Selected, Massachusetts Financial Services, Capital Research Global Investor, Dodge, Cox, Southeatern Asset Mgmt e ... "os quatro grandes". State Street Corporation (um dos "quatro grandes"): Massachusetts Financial services, Capital Research Global Investor, Barrow Hanley, GE, Putnam Investment e ... "os quatro grandes" (accionistas deles próprios!). BlackRock (outro dos "quatro grandes"): PNC, Barclays e CIC. Quem é que está por trás de PNC? FMR (fidelity), BlackRock, State Street, etc E por trás de Barclays? BlackRock E podíamos continuar durante horas, passando pelos paraísos fiscais nas Ilhas Caimão, domiciliações jurídicas no Mónaco ou sociedades fictícias no Liechtenstein. Uma rede onde aparecem sempre as mesmas sociedades, mas nunca um nome de uma família. Resumindo: as 8 maiores empresas financeiras dos Estados Unidos (JP Morgan, Wells Fargo, Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, US Bancorp, Bank of New York Mellon e Morgan Stanley) são controladas a 100% por dez acionistas e temos quatros empresas sempre presentes em todas as decisões: BlackRock, State Street, Vanguard e Fidelity. Além disso, a Reserva Federal é formada por 12 instituições bancárias, representadas por um conselho de administração de 7 pessoas, do qual fazem parte os representantes dos "quatro grandes", que por sua vez estão presentes em todas as outras entidades. Resumindo: a Reserva Federal está controlada por quatro grandes empresas privadas: BlackRock, State Street, Vanguard e Fidelity. Estas empresas controlam assim a políticas monetária americana (e mundial) sem qualquer controlo ou eleição "democrática". Estas empresas desencadearam e participaram na crise económica mundial actual e graça a ela enriqueceram ainda mais. Para acabar, uma vista de olhos para algumas das empresas controladas por este grupo dos "quatro grandes": Alcoa Inc., Altria Group Inc., American International Group Inc., AT&T Inc., Boeing Co., Caterpillar Inc., Coca-Cola Co., EI DuPont de Nemours & Co., Exxon Mobil Corp., General Electric Co., General Motors Corporation, Hewlett-Packard Co., Home Depot Inc., Honeywell International Inc., Intel Corp., International Business Machines Corp., Johnson & Johnson, JP Morgan Chase & Co., McDonald?s Corp., Merck & Co. Inc., Microsoft Corp., 3M Co., Pfizer Inc., Procter & Gamble Co., United Technologies Corp., Verizon Communications Inc., Wal-Mart Stores Inc. Time Warner, Walt Disney, Viacom, Rupert Murdoch?s News Corp., CBS Corporation, NBC Universal, ... O mesmo se passa na Europa. Os "quatro grandes" controlam a grande maioria das empresas europeias cotadas em bolsa. Além disso, todos os homens que dirigem os grandes organismos financeiros, seja o FMI, o Banco Central Europeu ou o Banco Mundial, foram "formados" e permanecem os "empregados" dos "quatro grandes" que os formaram. Quando aos nomes das famílias que controlam os "quatro grandes", esses nomes nunca aparecem. De: http://octopedia.blogspot.com/2011/10/as-grandes-familias-que-governam-o.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111014/a7baf27a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 14 20:20:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 14 Oct 2011 20:20:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__=C9_amanh=E3=2C_dia_15_de_outu?= =?windows-1252?q?bro=2C_o_=91Ocupe_Rio=92!_Por_Revista_Consci=EAnc?= =?windows-1252?q?ia=2ENet_em_14/10/2011?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Consciência.Net O Movimento do Movimento É amanhã, dia 15 de outubro, o ?Ocupe Rio?! O ato vai começar, às 13h, na Cinelândia. Este é um movimento global que vai contra bancos, sistema, escravidão financeira, corrupção, dentre diversas outras formas de controle e de coerção desse sistema capitalista. A ideia é tomarmos as praças e as ruas de todo o mundo. Este é apenas o início de uma grande caminhada para mudanças sociais e políticas. O mundo está em crise. Muitas pessoas saindo às ruas para ganhar voz, e o objetivo é ir contra o domínio descarado da minoria detentora do controle dos bancos e das mídias. O que revela o quanto não estamos sozinhos nessa angústia! É fato que nada disso vai ser passado na mídia hegemônica. Na verdade, o que vai ser mostrado é que somos vândalos, extremistas, vagabundos, baderneiros? Porém nossa vontade vai muito além de sermos classificados como algum partido ou organização. Por isso, vamos aproveitar esse momento de convergências das mídias, de trocas livres de informação, de facilidade em postar e compartilhar o factual. Venha você também! Para mais informações: e-mail: occupyrio at gmail.com As movimentações no Rio estão sendo informadas pelo:https://www.facebook.com/profile.php?id=100003035960443 http://occupywallst.org/ www.twitter.com/OccupyRio http://www.livestream.com/globalrevolution ?Você sente a corda no pescoço? Tá apertada, né? Até quando você aguenta? Queira ver o que não mostram pra você! Serviço: Amanhã! Dia: 15 de Outubro Local: Cinelândia Horário: 13h ?Ocupe Rio? -- Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "Release Consciência" em Grupos do Google. Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para Release-Consciencia-unsubscribe at googlegroups.com Para ver mais opções, visite este grupo em http://groups.google.com.br/group/Release-Consciencia?hl=pt-BR -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111014/04ebf780/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 15 16:39:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 15 Oct 2011 16:39:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JOS=C9_DALMO_GUIMAR=C3ES_LINS________?= =?iso-8859-1?q?______________________________-CCLXXIII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem JOSÉ DALMO GUIMARÃES LINS (1937-1971) Filiação: Iracema Guimarães Lins e Sadote Pierre Lins Data e local de nascimento: 13/03/1937, Maceió (AL) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 11/02/1971, Rio de Janeiro (RJ) José Dalmo ligou-se ao PCB ainda na adolescência e, mais tarde, integrou a Executiva Estadual desse partido em Alagoas. Foi cronista no jornal A Voz do Povo. Visitou Cuba e a União Soviética entre 1962 e 1963, para participar de atividades de formação política. Sua primeira prisão ocorreu em 1964, logo após a deposição de João Goulart. Estudou no Colégio Marista Alagoano e, mais tarde, foi expulso do curso de Direito da Universidade Federal de Alagoas sob acusação de subversão. No início de 1967 foi morar no Rio de Janeiro, junto com sua companheira Maria Luiza Araújo, recém-formada em Medicina. Também trabalhou como representante de laboratórios farmacêuticos. No dia 22/03/1970, o casal teve o apartamento invadido e ambos foram levados para o DOI-CODI/RJ, onde permaneceram incomunicáveis por mais de 30 dias. José Dalmo ficou preso por seis meses e Maria Luiza só foi solta um ano depois. Documento encaminhado à CEMDP pela Secretaria de Segurança Pública/RJ informou que José Dalmo Guimarães Lins foi identificado e fotografado no dia 18/05/1970, sendo recolhido ao xadrez especial, à disposição do DOPS, para responder a inquérito. No dia 19 prestou declaração e no dia 20 foi removido para o CODI. Segundo certidão da ABIN, em 1963 ele foi processado, acusado de infringir a LSN. O Conselho Permanente de Justiça da 7ª Região Militar, em Recife, julgou a denúncia improcedente e o absolveu das acusações, por precariedade de provas. Em 1969, estava entre ex-presos em liberdade controlados pela Polícia do I Exército. José Dalmo não conseguiu superar os traumas causados pela prisão. No dia 11/02/1971, Maria Luiza, confinada no Presídio Talavera Bruce, foi informada de que ele havia se jogado da janela da residência do casal, no bairro do Leblon. Dalmo tinha então 37 anos. Maria Luiza foi escoltada ao enterro do marido por soldados do Exército e por policiais. O nome dele não constava do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. O processo foi protocolado após a edição da Lei nº 10.875/04, que passou a abranger os casos de suicídio decorrente de prisão por atividades políticas de oposição ao regime militar. A ele se refere Álvaro Caldas, companheiro de prisão, no livro Tirando o Capuz: "Apesar de já apresentar sinais de catatonia, de ter os movimentos enrijecidos, ele se esforçava em participar da vida coletiva, integrando-se nas representações teatrais, participando das sessões musicais em que velhas canções como 'Laranja Madura' e 'Jardineira' eram lembradas. Ou cantando sozinho enquanto andava pela cela, com sua voz forte e sentida: Moon river... O Dalmo não mais se recuperou. As marcas e feridas acumuladas naquela oficina de torturas o atingiram profundamente. Depois de libertado continuou visitando regularmente sua companheira, presa em Bangu, mas era um homem inseguro e nervoso, com crises freqüentes. Numa delas, em fevereiro de 1971, suicidou-se, pulando do sexto andar do apartamento onde morava, no Leblon". ============================================================================================================================ + Informações. José Dalmo Guimarães Lins Nasceu no dia 13 de março de 1937, em Maceió. Ligado ao PCB desde a adolescência, foi cronista no jornal A Voz do Povo. Visitou Cuba e a União Soviética entre 1962 e 1963, para participar de atividades de formação política. Sua primeira prisão data de 1964. Foi expulso do curso de Medicina da Ufal sob acusação de subversão. Em 1967 foi morar no Rio de Janeiro com a esposa Maria Luiza Araújo. No dia 22 de março de 1970, o casal teve o apartamento invadido e ambos foram levados para o DOI-CODI do Rio. José Dalmo ficou preso por seis meses e Maria Luiza foi solta um ano depois. Por precariedade de provas, José Dalmo foi absolvido, mas não conseguiu superar os traumas da prisão. No dia 11 de fevereiro de 1971 ele se jogou da janela de sua residência, aos 37 anos. Maria Luiza foi ao enterro escoltada pela polícia. ========================================================================================================================== + Detalhes. Memorial homenageia alagoanos mortos durante regime militar Secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, esteve em Maceió para inaugurar monumento O secretário-chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, recebeu, nesta segunda-feira (29), o secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, para participar da solenidade de inauguração do "Memorial Pessoas Imprescindíveis", localizado na Praça da Paz, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que tem o objetivo de homenagear alagoanos mortos por lutar contra o regime militar brasileiro, que vigorou entre 1964 e 1985. Através da iniciativa da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Alagoas se torna o 24º Estado a receber um monumento que homenageia tais vítimas. "Quem dedicou sua juventude à liberdade acima de interesses pessoais merece esta homenagem e todo nosso respeito", disse Machado. Durante seu discurso, o secretário-chefe do Gabinete Civil informou que o Arquivo Público de Alagoas (APA) contém novos fundos arquivísticos e doações de coleções particulares do jornal "A Voz do Povo" e Dops (Departamento de Ordem Política e Social) composto de três séries documentais referentes a documentos diversos, fichas e fotos. Além disso, possui coleções particulares sobre a ditadura doadas por Geraldo Majella Marques e pelo cientista político Alberto Saldanha. "Todos os arquivos da época do Regime Militar em Alagoas já estão disponíveis através do site Memórias Reveladas. Sem dúvida, um grande avanço", destacou Álvaro Machado. Já o secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, lembrou o exemplo de Zumbi dos Palmares para enaltecer a atuação dos nove homenageados em prol da liberdade. "Esses heróis alagoanos são continuadores do exemplo de Zumbi dos Palmares. Os alagoanos agora têm o dever de cultivar este monumento em memória desses guerreiros", comentou emocionado o ministro. Um dos homenageados com a escultura da artista plástica gaúcha Cristina Pozobon foi Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão, irmã de Thomaz Beltrão, secretário de educação de Maceió. "Minha família fica honrada com a homenagem e sabemos que a luta dessa mulher não foi em vão", falou. Os outros homenageados foram Odijas Carvalho de Souza, José Dalmo Guimarães Lins, José Gomes Teixeira, Luiz Almeida Araújo, Manoel Lisboa de Moura, Túlio Roberto Cardoso, Jayme Amorim de Miranda e Manoel Fiel Filho. Em Alagoas, a escultura que retrata uma mão de 2,15 metros é destaque no monumento, e nos 6 metros restantes outras mãos vazadas compõem a obra, que contém também um breve texto sobre cada alagoano. Durante a solenidade, estavam presentes também o reitor em exercício da Ufal, Eurico Lobo, a coordenadora do projeto Direito à Memória e à Verdade, Maurice Politi, e o Secretário Municipal de Direitos Humanos, Segurança Comunitária e Cidadania, Pedro Montenegro. Depois da inauguração, as autoridades também visitaram a exposição "Direito à Memória e à Verdade - A Ditadura no Brasil 1964 - 1985", que recupera uma passagem histórica vital para a consciência crítica do povo brasileiro, por meio da realização de exposições fotográficas e seminários, além da instalação de memoriais. Fonte:Renata Arruda/Ascom Gabinete Civil - portal Alagoas 24 horas -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111015/3dd66d20/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10987 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111015/3dd66d20/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 15 16:40:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 15 Oct 2011 16:40:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ou=E7am_esta_entrevista_do_Leandr?= =?iso-8859-1?q?o_Fortes_a_respeito_do_Manual_de_Espionagem_do_Ex?= =?iso-8859-1?q?=E9rcito!?= Message-ID: <5176C6EA448E428486858322524F6BB7@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem From: "Eli" Cc: "'OsAmigosde68'" Sent: Sat, 15 Oct 2011 13:08:08 -0300 Subject: {arnopreis} Manual de Espionagem do Exército e Comissão da Verdade - Leandro Fortes II Ouçam esta entrevista do Leandro Fortes a respeito do Manual de Espionagem do Exército! Documento do Exército comprova que militares continuam espionando movimentos sociais, lideranças políticas, sindicais e populares. Matéria desta semana de Carta Capital assinada pelo repórter Leandro Fortes traz a denúncia. Fortes teve acesso ao Manual de Campanha e Contra-Inteligência do Exército que revela que os militares continuam agindo como no tempo da ditadura. Em entrevista à repórter Lúcia Rodrigues, Fortes afirma que até mesmo órgãos do governo estão na mira dos arapongas. O documento encontrado por ele é de abril de 2009, mas o ministro da Defesa, Celso Amorim, desconhecia sua existência. Segundo o repórter o Manual de espionagem foi produzido pelo Exército com o aval do ex-ministro Nelson Jobim. http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/limpeza-deve-atingir-forcas-armadas-afirma-jornalista/view Depois de aberta a página, basta clicar no triangulozinho, onde normalmente o som se inicia (player, em inglês) Nossa luta se trava no dia-a-dia. Eli. Limpeza de Dilma deve atingir Forças Armadas, afirma jornalista - registrado em: espionagem, militares, ditadura militar Publicado em 14/10/2011, 20:47 http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/limpeza-deve-atingir-forcas-armadas-afirma-jornalista/view -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111015/ae4b7b72/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 15 16:40:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 15 Oct 2011 16:40:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Carta de Paulo Freire ao professores. Message-ID: <6E6BAD4DABDC47CB9FAB31E10227D6A4@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Carta de Paulo Freire ao professores a.. Publicado por Paulo Kautscher em 15 outubro 2011 às 12:43 em EDUCAÇÃO b.. Exibir tópicos Paulo Freire Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra . NENHUM TEMA mais adequado para constituir-se em objeto desta primeira carta a quem ousa ensinar do que a significação crítica desse ato, assim como a significação igualmente crítica de aprender. É que não existe ensinar sem aprender e com isto eu quero dizer mais do que diria se dissesse que o ato de ensinar exige a existência de quem ensina e de quem aprende. Quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende, de um lado, porque reconhece um conhecimento antes aprendido e, de outro, porque, observado a maneira como a curiosidade do aluno aprendiz trabalha para apreender o ensinando-se, sem o que não o aprende, o ensinante se ajuda a descobrir incertezas, acertos, equívocos. . O aprendizado do ensinante ao ensinar não se dá necessariamente através da retificação que o aprendiz lhe faça de erros cometidos. O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas, que ela os faz percorrer. Alguns desses caminhos e algumas dessas veredas, que a curiosidade às vezes quase virgem dos alunos percorre, estão grávidas de sugestões, de perguntas que não foram percebidas antes pelo ensinante. Mas agora, ao ensinar, não como um burocrata da mente, mas reconstruindo os caminhos de sua curiosidade - razão por que seu corpo consciente, sensível, emocionado, se abre às adivinhações dos alunos, à sua ingenuidade e à sua criatividade - o ensinante que assim atua tem, no seu ensinar, um momento rico de seu aprender. O ensinante aprende primeiro a ensinar mas aprende a ensinar ao ensinar algo que é reaprendido por estar sendo ensinado. . O fato, porém, de que ensinar ensina o ensinante a ensinar um certo conteúdo não deve significar, de modo algum, que o ensinante se aventure a ensinar sem competência para fazê-lo. Não o autoriza a ensinar o que não sabe. A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua atividade docente. Esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos permanentes. Sua experiência docente, se bem percebida e bem vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente do ensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática. . Partamos da experiência de aprender, de conhecer, por parte de quem se prepara para a tarefa docente, que envolve necessariamente estudar. Obviamente, minha intenção não é escrever prescrições que devam ser rigorosamente seguidas, o que significaria uma chocante contradição com tudo o que falei até agora. Pelo contrário, o que me interessa aqui, de acordo com o espírito mesmo deste livro, é desafiar seus leitores e leitoras em torno de certos pontos ou aspectos, insistindo em que há sempre algo diferente a fazer na nossa cotidianidade educativa, quer dela participemos como aprendizes, e portanto ensinantes, ou como ensinantes e, por isso, aprendizes também. . Não gostaria, assim, sequer, de dar a impressão de estar deixando absolutamente clara a questão do estudar, do ler, do observar, do reconhecer as relações entre os objetos para conhecê-los. Estarei tentando clarear alguns dos pontos que merecem nossa atenção na compreensão crítica desses processos. . Comecemos por estudar, que envolvendo o ensinar do ensinante, envolve também de um lado, a aprendizagem anterior e concomitante de quem ensina e a aprendizagem do aprendiz que se prepara para ensinar amanhã ou refaz seu saber para melhor ensinar hoje ou, de outro lado, aprendizagem de quem, criança ainda, se acha nos começos de sua escolarização. . Enquanto preparação do sujeito para aprender, estudar é, em primeiro lugar, um que-fazer crítico, criador, recriador, não importa que eu nele me engaje através da leitura de um texto que trata ou discute um certo conteúdo que me foi proposto pela escola ou se o realizo partindo de uma reflexão crítica sobre um certo acontecimentos social ou natural e que, como necessidade da própria reflexão, me conduz à leitura de textos que minha curiosidade e minha experiência intelectual me sugerem ou que me são sugeridos por outros. . Assim, em nível de uma posição crítica, a que não dicotomiza o saber do senso comum do outro saber, mais sistemático, de maior exatidão, mas busca uma síntese dos contrários, o ato de estudar implica sempre o de ler, mesmo que neste não se esgote. De ler o mundo, de ler a palavra e assim ler a leitura do mundo anteriormente feita. Mas ler não é puro entretenimento nem tampouco um exercício de memorização mecânica de certos trechos do texto. . Se, na verdade, estou estudando e estou lendo seriamente, não posso ultra-passar uma página se não consegui com relativa clareza, ganhar sua significação. Minha saída não está em memorizar porções de períodos lendo mecanicamente duas, três, quatro vezes pedaços do texto fechando os olhos e tentando repeti-las como se sua fixação puramente maquinal me desse o conhecimento de que preciso. . Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. Ler é procurar buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão. Da compreensão e da comunicação. . E a experiência da compreensão será tão mais profunda quanto sejamos nela capazes de associar, jamais dicotomizar, os conceitos emergentes da experiência escolar aos que resultam do mundo da cotidianidade. Um exercício crítico sempre exigido pela leitura e necessariamente pela escuta é o de como nos darmos facilmente à passagem da experiência sensorial que caracteriza a cotidianidade à generalização que se opera na linguagem escolar e desta ao concreto tangível. Uma das formas de realizarmos este exercício consiste na prática que me venho referindo como "leitura da leitura anterior do mundo", entendendo-se aqui como "leitura do mundo" a "leitura" que precede a leitura da palavra e que perseguindo igualmente a compreensão do objeto se faz no domínio da cotidianidade. A leitura da palavra, fazendo-se também em busca da compreensão do texto e, portanto, dos objetos nele referidos, nos remete agora à leitura anterior do mundo. O que me parece fundamental deixar claro é que a leitura do mundo que é feita a partir da experiência sensorial não basta. Mas, por outro lado, não pode ser desprezada como inferior pela leitura feita a partir do mundo abstrato dos conceitos que vai da generalização ao tangível. . Certa vez, uma alfabetizanda nordestina discutia, em seu círculo de cultura, uma codificação (1) que representava um homem que, trabalhando o barro, criava com as mãos, um jarro. Discutia-se, através da "leitura" de uma série de codificações que, no fundo, são representações da realidade concreta, o que é cultura. O conceito de cultura já havia sido apreendido pelo grupo através do esforço da compreensão que caracteriza a leitura do mundo e/ou da palavra. Na sua experiência anterior, cuja memória ela guardava no seu corpo, sua compreensão do processo em que o homem, trabalhando o barro, criava o jarro, compreensão gestada sensorialmente, lhe dizia que fazer o jarro era uma forma de trabalho com que, concretamente, se sustentava. Assim como o jarro era apenas o objeto, produto do trabalho que, vendido, viabilizava sua vida e a de sua família. . Agora, ultrapassando a experiência sensorial, indo mais além dela, dava um passo fundamental: alcançava a capacidade de generalizar que caracteriza a "experiência escolar". Criar o jarro como o trabalho transformador sobre o barro não era apenas a forma de sobreviver, mas também de fazer cultura, de fazer arte. Foi por isso que, relendo sua leitura anterior do mundo e dos que-fazeres no mundo, aquela alfabetizanda nordestina disse segura e orgulhosa: "Faço cultura. Faço isto". . Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921 em Recife, Pernambuco. Aprendeu a ler e a escrever com os pais, à sombra das árvores do quintal da casa em que nasceu. Tinha oito anos quando a família teve que se mudar para Jaboatão, a 18 km de Recife. Aos 13 anos perdeu o pai e seus estudos tiveram que ser adiados. Entrou no ginásio com 16 anos. Aos 20 conseguiu uma vaga na Faculdade de Direito do Recife. . O estudo da linguagem do povo foi um dos pontos de partida da elaboração pedagógica de Paulo Freire, para o que também foi muito significativo o seu envolvimento com o Movimento de Cultura Popular (MCP) do Recife. Foi um dos fundadores do Serviço de Extensão Cultural da Universidade do Recife e seu primeiro diretor. Através desse trabalho elaborou os primeiros estudos de um novo método de alfabetização, que expôs em 1958. As primeiras experiências do Método Paulo Freire começaram na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte, em 1962, onde 300 trabalhadores foram alfabetizados em 45 dias. No ano seguinte, foi convidado pelo presidente João Goulart para repensar a alfabetização de adultos em âmbito nacional. O golpe militar interrompeu os trabalhos e reprimiu toda a mobilização popular. . Paulo Freire foi preso, acusado de comunista. Foram 16 anos de exílio, dolorosos, mas também muito produtivos: uma estadia de cinco anos no Chile como consultor da Unesco no Instituto de Capacitação e Investigação em Reforma Agrária; uma mudança para Genebra, na Suíça em 1970, para trabalhar como consultor do Conselho Mundial de Igejas, onde desenvolveu programas de alfabetização para a Tanzânia e Guiné-Bissau, e ajudou em campanhas no Peru e Nicaraguá; em 1980, voltou definitivamente ao país, passando a ser professor da PUC-SP e da Univesidade de Campinas (Unicamp). Uma das experiências significativas de Paulo Freire foi ter trabalhado como secretário da Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão Luiza Erundina (PT), entre 1989 e 1991. Paulo Freire morreu no dia 2 de maio de 1997, aos 76 anos de idade, em plena atividade de educador e de pensador. Estava casado com Ana Maria (Nita) Araújo Freire, também educadora. . É autor dos livros Educação como prática da libedade. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1967; Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1970; Extensão ou comunicação? Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1971; Ação cultural para a liberdade e outros escritos. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1976; Cartas à Guiné-Bissau. Registros de uma experiência em processo. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977; Educação e mudança. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979; A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo, Cortez, 1982; A Educação na cidade. São Paulo, Cortez, 1991; Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1992; Política e educação. São Paulo, Cortez, 1993; Professora sim, Tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo, Olho D'Água, 1993; Cartas a Cristina. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994; À sombra desta mangueira. São Paulo, Olho D'Água, 1995. Pedagogia de autonomia. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1996. Pedagogia da indignação. São Paulo, Editora da Unesp, 2000. Noutra ocasião presenciei experiência semelhante do ponto de vista da inteligência do comportamento das pessoas. Já me referi a este fato em outro trabalho mas não faz mal que o retome agora. Me achava na Ilha de São Tomé, na África Ocidental, no Golfo da Guiné. Participava com educadores e educadoras nacionais, do primeiro curso de formação para alfabetizadores. . Havia sido escolhido pela equipe nacional um pequeno povoado, Porto Mont, região de pesca, para ser o centro das atividades de formação. Havia sugerido aos nacionais que a formação dos educadores e educadoras se fizesse não seguindo certos métodos tradicionais que separam prática de teoria. Nem tampouco através de nenhuma forma de trabalho essencialmente dicotomizante de teoria e prática e que ou menospreza a teoria, negando-lhe qualquer importância, enfatizando exclusivamente a prática, a única a valer, ou negando a prática fixando-se só na teoria. Pelo contrário, minha intenção era que, desde o começo do curso, vivêssemos a relação contraditória entre prática e teoria, que será objeto de análise de uma de minhas cartas. . Recusava, por isso mesmo, uma forma de trabalho em que fossem reservados os primeiros momentos do curso para exposições ditas teóricas sobre matéria fundamental de formação dos futuros educadores e educadoras. Momento para discursos de algumas pessoas, as consideradas mais capazes para falar aos outros. . Minha convicção era outra. Pensava numa forma de trabalho em que, numa única manhã, se falasse de alguns conceitos-chave - codificação, decodificação, por exemplo - como se estivéssemos num tempo de apresentações, sem, contudo, nem de longe imaginar que as apresentações de certos conceitos fossem já suficientes para o domínio da compreensão em torno deles. A discussão crítica sobre a prática em que se engajariam é o que o faria. . Assim, a idéia básica, aceita e posta em prática, é que os jovens que se preparariam para a tarefa de educadoras e educadores populares deveriam coordenar a discussão em torno de codificações num círculo de cultura com 25 participantes. Os participantes do círculo de cultura estavam cientes de que se tratava de um trabalho de afirmação de educadores. Discutiu-se com eles antes sua tarefa política de nos ajudar no esforço de formação, sabendo que iam trabalhar com jovens em pleno processo de sua formação. Sabiam que eles, assim como os jovens a serem formados, jamais tinham feito o que iam fazer. A única diferença que os marcava é que os participantes liam apenas o mundo enquanto os jovens a serem formados para a tarefa de educadores liam já a palavra também. Jamais, contudo, haviam discutido uma codificação assim como jamais haviam tido a mais mínima experiência alfabetizando alguém. . Em cada tarde do curso com duas horas de trabalho com os 25 participantes, quatro candidatos assumiam a direção dos debates. Os responsáveis pelo curso assistiam em silêncio, sem interferir, fazendo suas notas. No dia seguinte, no seminário de avaliação de formação, de quatro horas, se discutiam os equívocos, os erros e os acertos dos candidatos, na presença do grupo inteiro, desocultando-se com eles a teoria que se achava na sua prática. Dificilmente se repetiam os erros e os equívocos que haviam sido cometidos e analisados. A teoria emergia molhada da prática vivida. . Foi exatamente numa das tardes de formação que, durante a discussão de uma codificação que retratava Porto Mont, com suas casinhas alinhadas à margem da praia, em frente ao mar, com um pescador que deixava seu barco com um peixe na mão, que dois dos participantes, como se houvessem combinado, se levantaram, andaram até a janela da escola em que estávamos e olhando Porto Mont lá longe, disseram, de frente novamente para a codificação que representava o povoado: "É. Porto Mont é assim e não sabíamos". . Até então, sua "leitura" do lugarejo, de seu mundo particular, uma "leitura" feita demasiadamente próxima do "texto", que era o contexto do povoado, não lhes havia permitido ver Porto Mont como ele era. Havia uma certa "opacidade" que cobria e encobria Porto Mont. A experiência que estavam fazendo de "tomar distância" do objeto, no caso, da codificação de Porto Mont, lhes possibilitava uma nova leitura mais fiel ao "texto", quer dizer, ao contexto de Porto Mont. A "tomada de distância" que a "leitura" da codificação lhes possibilitou os aproximou mais de Porto Mont como "texto" sendo lido. Esta nova leitura refez a leitura anterior, daí que hajam dito: "É. Porto Mont é assim e não sabíamos". Imersos na realidade de seu pequeno mundo, não eram capazes de vê-la. "Tomando distância" dela, emergiram e, assim, a viram como até então jamais a tinham visto. . Estudar é desocultar, é ganhar a compreensão mais exata do objeto, é perceber suas relações com outros objetos. Implica que o estudioso, sujeito do estudo, se arrisque, se aventure, sem o que não cria nem recria. . Por isso também é que ensinar não pode ser um puro processo, como tanto tenho dito, de transferência de conhecimento do ensinante ao aprendiz. Transferência mecânica de que resulte a memorização maquinal que já critiquei. Ao estudo crítico corresponde um ensino igualmente crítico que demanda necessariamente uma forma crítica de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo, leitura do contexto. . A forma crítica de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo está, de um lado, na não negação da linguagem simples, "desarmada", ingênua, na sua não desvalorização por constituir-se de conceitos criados na cotidianidade, no mundo da experiência sensorial; de outro, na recusa ao que se chama de "linguagem difícil", impossível, porque desenvolvendo-se em torno de conceitos abstratos. Pelo contrário, a forma crítica de compreender e de realizar a leitura do texto e a do contexto não exclui nenhuma da duas formas de linguagem ou de sintaxe. Reconhece, todavia, que o escritor que usa a linguagem científica, acadêmica, ao dever procurar tornar-se acessível, menos fechado, mais claro, menos difícil, mais simples, não pode ser simplista. . Ninguém que lê, que estuda, tem o direito de abandonar a leitura de um texto como difícil porque não entendeu o que significa, por exemplo, a palavra epistemologia. . Assim como um pedreiro não pode prescindir de um conjunto de instrumentos de trabalho, sem os quais não levanta as paredes da casa que está sendo construída, assim também o leitor estudioso precisa de instrumentos fundamentais, sem os quais não pode ler ou escrever com eficácia. Dicionários (2), entre eles o etimológico, o de regimes de verbos, o de regimes de substantivos e adjetivos, o filosófico, o de sinônimos e de antônimos, enciclopédias. A leitura comparativa de texto, de outro autor que trate o mesmo tema cuja linguagem seja menos complexa. . Usar esses instrumentos de trabalho não é, como às vezes se pensa, uma perda de tempo. O tempo que eu uso quando leio ou escrevo ou escrevo e leio, na consulta de dicionários e enciclopédias, na leitura de capítulos, ou trechos de livros que podem me ajudar na análise mais crítica de um tema - é tempo fundamental de meu trabalho, de meu ofício gostoso de ler ou de escrever. . Enquanto leitores, não temos o direito de esperar, muito menos de exigir, que os escritores façam sua tarefa, a de escrever, e quase a nossa, a de compreender o escrito, explicando a cada passo, no texto ou numa nota ao pé da página, o que quiseram dizer com isto ou aquilo. Seu dever, como escritores, é escrever simples, escrever leve, é facilitar e não dificultar a compreensão do leitor, mas não dar a ele as coisas feitas e prontas. . A compreensão do que se está lendo, estudando, não estala assim, de repente, como se fosse um milagre. A compreensão é trabalhada, é forjada, por quem lê, por quem estuda que, sendo sujeito dela, se deve instrumentar para melhor fazê-la. Por isso mesmo, ler, estudar, é um trabalho paciente, desafiador, persistente. . Não é tarefa para gente demasiado apressada ou pouco humilde que, em lugar de assumir suas deficiências, as transfere para o autor ou autora do livro, considerado como impossível de ser estudado. . É preciso deixar claro, também, que há uma relação necessária entre o nível do conteúdo do livro e o nível da atual formação do leitor. Estes níveis envolvem a experiência intelectual do autor e do leitor. A compreensão do que se lê tem que ver com essa relação. Quando a distância entre aqueles níveis é demasiado grande, quanto um não tem nada que ver com o outro, todo esforço em busca da compreensão é inútil. Não está havendo, neste caso, uma consonância entre o indispensável tratamento dos temas pelo autor do livro e a capacidade de apreensão por parte do leitor da linguagem necessária àquele tratamento. Por isso mesmo é que estudar é uma preparação para conhecer, é um exercício paciente e impaciente de quem, não pretendendo tudo de uma vez, luta para fazer a vez de conhecer. . A questão do uso necessário de instrumentos indispensáveis à nossa leitura e ao nosso trabalho de escrever levanta o problema do poder aquisitivo do estudante e das professoras e professores em face dos custos elevados para obter dicionários básicos da língua, dicionários filosóficos etc. Poder consultar todo esse material é um direito que têm alunos e professores a que corresponde o dever das escolas de fazer-lhes possível a consulta, equipando ou criando suas bibliotecas, com horários realistas de estudo. Reivindicar esse material é um direito e um dever de professores e estudantes. . Gostaria de voltar a algo a que fiz referência anteriormente: a relação entre ler e escrever, entendidos como processos que não se podem separar. Como processos que se devem organizar de tal modo que ler e escrever sejam percebidos como necessários para algo, como sendo alguma coisa de que a criança, como salientou Vygotsky (3), necessita e nós também. . Em primeiro lugar, a oralidade precede a grafia mas a traz em si desde o primeiro momento em que os seres humanos se tornaram socialmente capazes de ir exprimindo-se através de símbolos que diziam algo de seus sonhos, de seus medos, de sua experiência social, de suas esperanças, de suas práticas. Quando aprendemos a ler, o fazemos sobre a escrita de alguém que antes aprendeu a ler e a escrever. Ao aprender a ler, nos preparamos para imediatamente escrever a fala que socialmente construímos. . Nas culturas letradas, sem ler e sem escrever, não se pode estudar, buscar conhecer, apreender a substantividade do objeto, reconhecer criticamente a razão de ser do objeto. . Um dos equívocos que cometemos está em dicotomizar ler de escrever, desde o começo da experiência em que as crianças ensaiam seus primeiros passos na prática da leitura e da escrita, tomando esses processos como algo desligado do processo geral de conhecer. Essa dicotomia entre ler e escrever nos acompanha sempre, como estudantes e professores. "Tenho uma dificuldade enorme de fazer minha dissertação. Não sei escrever", é a afirmação comum que se ouve nos cursos de pós-graduação de que tenho participado. No fundo, isso lamentavelmente revela o quanto nos achamos longe de uma compreensão crítica do que é estudar e do que é ensinar. . É preciso que nosso corpo, que socialmente vai se tornando atuante, consciente, falante, leitor e "escritor" se aproprie criticamente de sua forma de vir sendo que faz parte de sua natureza, histórica e socialmente constituindo-se. Quer dizer, é necessário que não apenas nos demos conta de como estamos sendo mas nos assumamos plenamente com estes "seres programados, mas para aprender", de que nos fala François Jacob (4). É necessário, então, que aprendamos a aprender, vale dizer, que entre outras coisas, demos à linguagem oral e escrita, a seu uso, a importância que lhe vem sendo cientificamente reconhecida. . Aos que estudamos, aos que ensinamos e, por isso, estudamos também, se nos impõe, ao lado da necessária leitura de textos, a redação de notas, de fichas de leitura, a redação de pequenos textos sobre as leituras que fazemos. A leitura de bons escritores, de bons romancistas, de bons poetas, dos cientistas, dos filósofos que não temem trabalhar sua linguagem a procura da boniteza, da simplicidade e da clareza (5). . Se nossas escolas, desde a mais tenra idade de seus alunos se entregassem ao trabalho de estimular neles o gosto da leitura e o da escrita, gosto que continuasse a ser estimulado durante todo o tempo de sua escolaridade, haveria possivelmente um número bastante menor de pós-graduandos falando de sua insegurança ou de sua incapacidade de escrever. . Se estudar, para nós, não fosse quase sempre um fardo, se ler não fosse uma obrigação amarga a cumprir, se, pelo contrário, estudar e ler fossem fontes de alegria e de prazer, de que resulta também o indispensável conhecimento com que nos movemos melhor no mundo, teríamos índices melhor reveladores da qualidade de nossa educação. . Este é um esforço que deve começar na pré-escola, intensificar-se no período da alfabetização e continuar sem jamais parar. . A leitura de Piaget, de Vygotsky, de Emilia Ferreiro, de Madalena F. Weffort, entre outros, assim como a leitura de especialistas que tratam não propriamente da alfabetização mas do processo de leitura como Marisa Lajolo e Ezequiel T. da Silva é de indiscutível importância. . Pensando na relação de intimidade entre pensar, ler e escrever e na necessidade que temos de viver intensamente essa relação, sugeriria a quem pretenda rigorosamente experimentá-la que, pelo menos, três vezes por semana, se entregasse à tarefa de escrever algo. Uma nota sobre uma leitura, um comentário em torno de um acontecimento de que tomou conhecimento pela imprensa, pela televisão, não importa. Uma carta para destinatário inexistente. É interessante datar os pequenos textos e guardá-los e dois ou três meses depois submetê-los a uma avaliação crítica. . Ninguém escreve se não escrever, assim como ninguém nada se não nadar. Ao deixar claro que o uso da linguagem escrita, portanto o da leitura, está em relação com o desenvolvimento das condições materiais da sociedade, estou sublimando que minha posição não é idealista. . Recusando qualquer interpretação mecanicista da História, recuso igualmente a idealista. A primeira reduz a consciência à pura cópia das estruturas materiais da sociedade; a segunda submete tudo ao todo poderosismo da consciência. Minha posição é outra. Entendo que estas relações entre consciência e mundo são dialéticas (6). . O que não é correto, porém, é esperar que as transformações materiais se processem para que depois comecemos a encarar corretamente o problema da leitura e da escrita. . A leitura crítica dos textos e do mundo tem que ver com a sua mudança em processo. Notas . 1 Sobre codificação, leitura do mundo-leitura da palavra-senso comum-conhecimento exato, aprender, ensinar, veja-se: Freire, Paulo: Educação como prática da liberdade - Educação e mudança - Ação cultural para a liberdade - Pedagogia do oprimido - Pedagogia da esperança, Paz e Terra; Freire & Sérgio Guimarães, Sobre educação, Paz e Terra; Freire & Ira Schor, Medo e ousadia, o cotidiano do educador, Paz e Terra; Freire & Donaldo Macedo, Alfabetização, leitura do mundo e leitura da palavra, Paz e Terra; Freire, Paulo, A importância do ato de ler, Cortez. Freire & Márcio Campos; Leitura do mundo - Leitura da palavra, Courrier de L'Unesco, fev. 1991. 2 Ver Freire, Paulo. Pedagogia da esperança - um reencontro com a Pedagogia do oprimido, Paz e Terra, 1992. 3 Vygotsky and education. Instructional implications and applications of sociohistorical psychology. Luis C. Moll (ed.), Cambridge University Press, First paper back edition, 1992. 4 François Jacob, Nous sommes programmés mais pour aprendre. Le Courrier de L'Unesco, Paris, fev. 1991. 5 Ver Freire, Paulo, Pedagogia da esperança, Paz e Terra, 1992. 6 Id., ibid. . Esta carta foi retirada do livro Professora sim, tia não. Cartas a quem ousa ensinar (Editora Olho D'Água, 10ª ed., p. 27-38) no qual Paulo Freire dialoga sobre questões da construção de uma escola democrática e popular. Escreve especialmente aos professores, convocando-os ao engajamento nesta mesma luta. Este livro foi escrito durante dois meses do ano de 1993, pouco tempo depois de sua experiência na condução da Secretaria de Educação de São Paulo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111015/ba21ee54/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111016/030ce0df/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 16 12:53:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 16 Oct 2011 12:53:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___ARY_ABREU_LIMA_DA_ROSA______________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________-CCLXXIV-?= Message-ID: <1308C7AB03F1432BAF9BDD7DB6989D73@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem =========================================================================================================== + Informações. ARI DE ABREU LIMA DA ROSA Morto sob torturas em novembro de 1970, no Rio Grande do Sul, segundo denúncia do boletim de março de 1974 da "Amnesty International". ============================================================================================== + Detalhes. História] POLOP-POC - Uma matriz das esquerdas Por Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio 23/05/2008 às 14:57 A Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (ORM-Polop) foi uma das matrizes da esquerda revolucionária brasileira, tendo sido o primeiro agrupamento a se organizar como opção partidária ao PCB (excetuando-se as organizações trotskistas), em fevereiro de 1961, "reunindo círculos de estudantes provenientes da 'Mocidade Trabalhista' de Minas Gerais, da 'Liga Socialista' de São Paulo (simpatizantes de Rosa de Luxemburgo), alguns trotskistas e dissidentes do PCB do Rio, São Paulo e Minas", conforme informações do Brasil: Nunca Mais. Da antiga Polop, surgiram direta ou indiretamente as seguintes organizações: Colina, VPR, POC, VAR-Palmares, OCML-PO, MCR e MEP. Os autores deste livro, Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio, foram militantes da ORM-Polop, posteriormente do POC e estavam entre os fundadores da OCML-PO, a nova Polop, após o rompimento com o POC, que decidira partir para a luta armada imediata em 1970. Sete militantes ligados ao POC foram mortos pela repressão política no Brasil e no exterior. Um foi assassinado em São Paulo, em 1971, Luiz Eduardo da Rocha Merlino, dois no Rio Grande do Sul (Helio Zanir Sanchotene Trindade e Ary Abreu Lima e Rosa) e quatro outros foram mortos no exílio: Luiz Carlos Almeida e Nelson Kohl, no Chile, durante o golpe militar que derrubou o governo do presidente Salvador Allende, em 13 de setembro de 1973; e Jorge Alberto Basso e Maria Regina Marcondes Pinto (ligada na época ao MIR do Chile), na Argentina, em 1976. A história da Polop está contada da seguinte forma no Brasil: Nunca Mais: "Desde o seu surgimento, a Polop deu mais importância ao debate teórico e doutrinário dentro da esquerda marxista do que a um projeto de construir uma alternativa política ao PCB. Não chegou, dessa forma, a se constituir em uma organização nacional, embora tenha alcançado certo prestígio nos meios universitários dos três Estados já referidos e atraído para sua esfera de simpatia, ainda antes de 1964, militares ligados às mobilizações nacionalistas nas Armas. Com permanente críticas às posições defendidas pelo PCB, a Polop recusava as opiniões daquele partido sobre a necessidade de uma aliança com a 'burguesia nacional' para vencer o 'imperialismo' e os 'restos feudais'. Elaborou, em contraposição, um 'Programa Socialista para o Brasil', no qual afirmava que o grau de evolução do capitalismo no país comportava e exigia transformações socialistas imediatas, sem qualquer etapa 'nacional-democrática'. ==================================================================================================== FICHA Ary Abreu Lima da Rosa Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Ary Abreu Lima da Rosa Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 0/11/1970 RS Brasil Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111016/b5b9cb82/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 466631 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111016/b5b9cb82/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 16 12:53:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 16 Oct 2011 12:53:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Cabo_Anselmo_o_=22cachorro=22_da_dita?= =?utf-8?q?dura=2C_2=C2=BA_feira_no_Roda_Viva=2E_TV_Cultura_de_S?= =?utf-8?q?=C3=A3o_Paulo=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: urarianoms Delator da ditadura será primeiro entrevistado de novo "Roda Viva" Publicidade DE SÃO PAULO Após exibir uma série de entrevistas históricas em comemoração aos seus 25 anos, o "Roda Viva" volta a ter novos entrevistados. O primeiro da nova leva será José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, ex-militar que denunciou perseguidos políticos para a ditadura militar brasileira nos anos 1970. Folhapress José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo O programa vai ao ar às 22h da próxima segunda (17) na TV Cultura. A entrevista marca a nova fase do jornalístico, que agora será comandado por Mario Sergio Conti, ex-diretor de redação das revistas "piauí" e "Veja" e do "Jornal do Brasil", além de ex-repórter especial da Folha. Ele chega à bancada após a saída de Marília Gabriela, que se tornou apresentadora exclusiva do SBT. Com Conti, o "Roda Viva" volta a ser exibido ao vivo e a contar com um time de seis entrevistadores convidados diferentes a cada programa. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111016/77f8315a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 17 19:52:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 17 Oct 2011 19:52:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Este_=E9_um_artigo_muito_bom=2E_N?= =?iso-8859-1?q?=E3o_s=F3_sobre_a_=E1gua_quente_ap=F3s_a_sua_refei?= =?iso-8859-1?q?=E7=E3o=2C_mas_acerca_de_ataques_card=EDacos=2E____?= =?iso-8859-1?q?__________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!MEICINA=2CSA?= =?iso-8859-1?q?=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <78DB5F3B520E4762AFF95E5E81755D19@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem (enviado por Barbet) Blog TERRA SEM MALES Este é um artigo muito bom. Não só sobre a água quente após a sua refeição, mas acerca de ataques cardíacos Este é um artigo muito bom. Não só sobre a água quente após a sua refeição, mas acerca de ataques cardíacos. Os chineses e os japoneses bebem chá quente com as refeições, não água fria; talvez seja hora de mudar seus hábitos de consumo. Para quem gosta de beber água fria, este artigo é aplicável a você. É bom ter um copo de bebida quente após a refeição. A água fria solidifica o alimento gorduroso que você acabou de comer. Isso retarda a digestão. Uma vez que essa 'mistura' reage com o ácido digestivo, ela reparte-se e é absorvida pelo intestino mais depressa que o alimento sólido. Será o intestino. Muito em breve, isso vai se transformar em gordura e levar ao câncer. É melhor tomar uma sopa quente ou água quente após cada refeição. Sintomas comuns de ataque cardíaco grave. Uma nota sobre os ataques cardíacos - Você deve saber que nem todos os sintomas de ataques cardíacos vão ser dor no braço esquerdo. Esteja ciente de dor intensa no queixo. Você pode nunca ter primeiro uma dor no peito no decurso de um ataque cardíaco. Náuseas e sudorese intensa são sintomas muito comuns. 60% das pessoas têm ataques cardíacos enquanto dormem e não conseguem despertar. Uma dor no maxilar pode despertar alguém de um sono profundo. Vamos ser cuidadosos e estar atentos. Quanto mais se sabe, melhor a chance de sobreviver. Um cardiologista diz que se todos os que lerem esta mensagem a enviarem para 10 pessoas, poderão ter certeza de que vão salvar pelo menos uma vida. Seja um verdadeiro amigo e envie este artigo para todos aqueles que você gosta. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/4212b905/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1531 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/4212b905/attachment-0003.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26424 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/4212b905/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 53968 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/4212b905/attachment-0004.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15525 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/4212b905/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 53968 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/4212b905/attachment-0005.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 17 19:52:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 17 Oct 2011 19:52:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ANT=D4NIO_JOAQUIM_DE_SOUZA_MACHADO___?= =?iso-8859-1?q?____________________________________-CCLXXV-?= Message-ID: <098CC87DB46D469CB1A365E591B6161F@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ANTÔNIO JOAQUIM DE SOUZA MACHADO (1939-1971) Filiação: Maria de Oliveira Campos e Joaquim Maria de Souza Machado Data e local de nascimento: 13/09/1939, Papagaios (MG) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Local e data do desaparecimento: 15/02/1971, Rio de Janeiro CARLOS ALBERTO SOARES DE FREITAS (1939-1971) (veja na série : PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de CARLOS ALBERTO SOARES DE FREITAS -XXXVIII-) Militantes da VAR-Palmares, seus nomes integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Antonio Joaquim e Carlos Alberto foram presos em 15/02/1971 por agentes do DOI-CODI/RJ, na pensão em que se hospedavam à rua Farme de Amoedo, 135, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Na mesma data e local foi preso, mais tarde, Sérgio Emanuel Dias Campos, que sobreviveu. Antonio Joaquim, mineiro de Papagaios, proximidades de Pompéu, nasceu na Fazenda São José da Vereda, sendo filho de um fazendeiro que foi vereador pela UDN. Quincas, como era conhecido, tinha 13 irmãos vivos e estudou em regime de internato no Ginásio São Francisco, em Pará de Minas, e depois no Colégio Dom Silvério, em Sete Lagoas. Em 1960, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, onde se graduou em 1965. Atuou na Juventude Estudantil Católica (JEC) e na Juventude Universitária Católica (JUC), participando da constituição da Ação Popular. Conseguiu escapar da prisão quando a Faculdade de Direito foi invadida logo após a derrubada de João Goulart, escondendo-se em um armário. Viajou para o Rio de Janeiro, retornando em 1965 para terminar seus estudos. Em 1966, já desvinculado da AP, atuou na campanha eleitoral de Edgar da Mata Machado, do MDB, e combateu a tese de voto nulo, que sensibilizava muitas áreas da esquerda. Advogou em Belo Horizonte e Teófilo Otoni até se mudar para o Rio de Janeiro, em 1969, integrando-se à VAR-Palmares. Sua família tentou exaustivamente alguma pista sobre seu paradeiro. Até o final de 1972, o pai fez 22 viagens ao Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, conseguiu três audiências com o ministro da Justiça Armando Falcão, buscou ajuda de Tancredo Neves e comunicou-se com vários oficiais das três Armas. Através do general reformado Ercindo Lopes Bragança, seu conhecido, chegou a receber, em setembro de 1972, a informação de que o filho fora preso pela Marinha e entregue ao Exército, mas tais informações nunca foram oficialmente confirmadas. Em depoimento à 2ª Auditoria do Exército, no Rio de Janeiro, em 14/11/1972, a presa política Maria Clara Abrantes Pêgo, amiga de infância e condenada sob a acusação de integrar, com Antonio Joaquim, a célula de documentação regional da VAR-Palmares na Guanabara, fez impressionante relato das torturas a que foi submetida e denunciou o desaparecimento e possível morte de Antonio Joaquim na Polícia do Exército, sede do DOI-CODI/RJ. O historiador e ex-preso político Jacob Gorender, em seu livro Combate nas Trevas, menciona que Antonio Joaquim seria a única pessoa em contato com o banido Aderval Alves Coqueiro, morto, também no Rio, nove dias antes. Vários outros depoimentos de presos políticos nas auditorias militares denunciaram a prisão e desaparecimento de Carlos Alberto e Antonio Joaquim. Amílcar Lobo, que na época era tenente-médico do Exército, admitiu ter atendido presos políticos na "Casa da Morte" e também no DOICODI/ RJ, tendo reconhecido Carlos Alberto dentre as fotos de pessoas que atendera no Quartel da Polícia do Exército entre 1970 e 1974. Em resposta ao habeas-corpus impetrado em maio de 1971 em nome dos três presos na mesma pensão de Ipanema, os comandos regionais das três armas responderam negativamente, sendo que, no caso da Aeronáutica, o brigadeiro João Bosco Penido Burnier, também denunciado como mandante de torturas e responsável pela eliminação de presos políticos, enviou resposta negativa a respeito de Carlos Alberto e Antonio Joaquim, mas positiva quanto a Sérgio Campos. ===================================================================================================================== + Informações. ANTÔNIO JOAQUIM MACHADO Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Está desaparecido desde 1971. Advogado, foi preso no dia 15 de fevereiro de 1971, na pensão em que morava, à Rua Farme de Amoedo, em lpanema, Rio de Janeiro, juntamente com Carlos Alberto Soares de Freitas. Segundo depoimento de Maria Clara Abrantes Rego e de vários outros presos políticos, Antônio Joaquim foi torturado na "Casa da Morte". Inês Etiene Romeu, sobrevivente da "Casa da Morte", confirma em seu Relatório a passagem de Antônio Joaquim por aquele centro clandestino de tortura. ================================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) ANTÔNIO JOAQUIM DE SOUZA MACHADO (1939-1971) Antônio Joaquim, mineiro de Papagaios, era filho de um fazendeiro que foi vereador pela UDN. Atuou na Juventude Estudantil Católica (JEC) e na Juventude Universitária Católica (JUC), participando da constituição da Ação Popular (AP). Quando a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, onde estudava, foi invadida logo após a derrubada de João Goulart, conseguiu escapar da prisão escondendo-se em um armário. Em 1966, já desvinculado da AP, atuou na campanha eleitoral de Edgar da Mata Machado, do MDB, cujo filho é também desaparecido político, e combateu a tese de voto nulo, que sensibilizava muitas áreas da esquerda. Advogou em Belo Horizonte e Teófilo Otoni até se mudar para o Rio de Janeiro, em 1969, integrando-se à VAR-Palmares. Foi preso em 15 de fevereiro de 1971, por agentes do DOI-Codi/RJ, em uma pensão de Ipanema, juntamente com Carlos Alberto Soares de Freitas, também desaparecido. Sua família tentou exaustivamente encontrar alguma pista sobre seu paradeiro. Até o final de 1972, o pai fez 22 viagens ao Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, conseguiu três audiências com o ministro da Justiça Armando Falcão, buscou ajuda de Tancredo Neves e comunicou-se com vários oficiais das três Armas. Do general reformado Ercindo Lopes Bragança, seu conhecido, chegou a receber, em setembro de 1972, a informação de que o filho fora preso pela Marinha e entregue ao Exército, mas tais informações nunca foram oficialmente confirmadas. Em depoimento à 2ª Auditoria do Exército, no Rio de Janeiro, em 14 de novembro de 1972, a presa política Maria Clara Abrantes Pêgo, amiga de infância e condenada sob a acusação de integrar, com Antônio Joaquim, a célula de documentação regional da VAR-Palmares na Guanabara, denunciou seu desaparecimento e possível morte na Polícia do Exército, sede do DOI-Codi/RJ. O historiador e ex-preso político Jacob Gorender, em seu livro Combate nas Trevas, menciona que Antônio Joaquim seria a única pessoa em contato com o banido Aderval Alves Coqueiro, morto no Rio nove dias antes. Ao habeas corpus impetrado em maio de 1971 em nome de Antônio Joaquim e outros dois militantes presos na mesma pensão de Ipanema, os comandos regionais das três Armas responderam negativamente. ======================================================================================================= + Detalhes. Domingo, 16 de Outubro de 2011 -------------------------------------------------------------------------------- Brasil Engavetados Construção do Memorial da Anistia Política, em Belo Horizonte, é mais um sopro de esperança na busca por respostas de familiares de desaparecidos políticos durante os anos de ditadura no Brasil Texto: Dilke Fonseca | Fotos: vários Com o Memorial da Anistia Política, previsto para ser inaugurado em Belo Horizonte em 2012, o Brasil começa a cumprir o compromisso de resgatar a memória dos anos de ditadura (1964-1985). Porém, ainda está longe de resgatar a verdade e fazer justiça pelos crimes praticados nestes 21 anos. Uma representação pelo desaparecimento forçado do mineiro Paulo Roberto Pereira Marques, em 25 de dezembro de 1973 durante a ditadura, datada de 6 de abril deste ano, será encaminhada em breve aos procuradores André Raupp e Tiago Rabelo, de Marabá, no Pará, com cópia para o procurador geral da República, Roberto Monteiro Gurgel. A ação apresentada pela mãe Marta Leonor Pereira Marques e os quatro irmãos de Paulo Roberto marca nova etapa de pressão sobre o estado brasileiro para apurar os fatos e abrir caminho para punir os culpados pela morte de 69 pessoas na guerrilha do Araguaia. Todos os familiares de desaparecidos no Araguaia farão representações pedindo apuração do "ilícito penal cometido por agentes públicos federais" durante a ditadura. A advogada do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), Vivian Holzhacker, afirmou que mais de 10 famílias de desaparecidos de Minas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília já enviaram as representações que serão encaminhadas em bloco para os procuradores do Pará. Outras quatro já estão em Marabá. Em 24 de novembro de 2010 o país foi condenado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) por não ter investigado os crimes cometidos pela ditadura, entre elas, no combate à guerrilha do Araguaia, mas também contra os que lutaram na área urbana como Stuart Angel, filho da estilista Zuzu Angel, e o jornalista Vladimir Herzog. A única resposta do governo até agora foi a disposição de instaurar uma comissão para resgatar os fatos ocorridos naquela época. ....................................................................................................................................................................... Maria Rosa Campos Magalhães, irmã do advogado Antônio Joaquim Machado, desaparecido desde 15 de fevereiro de 1971, quando foi preso no bairro Ipanema, Rio de Janeiro, afirma que cada vez que mexe nesta história revive uma situação bastante dolorosa. "Essa coisa de você não enterrar é terrível! Falta algo. É uma lacuna. A gente tem de aprender a conviver com isso." Maria Rosa conta que não fez faculdade para se dedicar a buscar respostas sobre o desaparecimento, mesma angústia compartilhada pelos seus 11 irmãos. O pai, Joaquim Maria de Souza Machado, lutou para ter notícias do filho até que, segundo ela, Armando Falcão, ministro da Justiça à época, informou a ele, em audiência, que Antônio Joaquim estava morto. A família, que vivia em uma fazenda em Papagaios, a 150 quilômetros de Belo Horizonte, não sabia de seu paradeiro, mas tinha notícias por cartas que ele enviava por meio de amigos que muitas vezes eram deixadas em Sete Lagoas. Antônio Joaquim era militante da Vanguarda Revolucionária Palmares (Var-Palmares) e morava em uma pensão em Ipanema, no Rio de Janeiro. Segundo depoimento de Maria Clara Abrantes Rego e outros presos políticos, Antônio Joaquim foi torturado na Casa da Morte, informa o site do Grupo Tortura Nunca Mais. ============================================================================================= + Detalhes. PDF] Discurso Medalha de Honra UFMG www.ufmg.br/.../Discurso%20Medalha%20de%20honra_Heloisa%20...Similares Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida 15 set. 2008 - Curso Direito: Antônio Joaquim de Souza Machado. Faculdade de Ciências Econômicas. Curso Sociologia e Política: Carlos Alberto Soares ... ========================================================================================= Ficha. Antônio Joaquim Machado Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Antônio Joaquim Machado Atividade: Advogado Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Prisão: 15/2/1971 Rio de Janeiro RJ Brasil R. Farme de Amoedo, 135, Ipanema Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1971 Petrópolis RJ Brasil Casa da Morte Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, sem data. "Juiz nega relaxamento de prisão a estudante por haver contradição em data". A Auditoria Militar da Aeronáutica indefere o pedido de relaxamento de prisão do estudante Altamir Tojal Leite, preso por atividades subversivas, devido a contradições encontradas em documentos sobre a data de prisão. No Superior Tribunal Militar foi impetrado habeas corpus em favor de Antônio Joaquim Machado, Sérgio Emanuel e Carlos Alberto. O advogado dos acusados alegou prisão ilegítima. "Mineiro seqüestrou avião". Estudante de sociologia Carlos Alberto seqüestra avião e o desvia da rota Belém-Macapá para Cuba. Antes da entrevista dada pelo piloto, divulgada pela Associated Press, a autoria do seqüestro era dada oficialmente ao argentino Vítor Mário Troiano. Carlos Alberto tem o nome implicado em processos do Exército, pelo envolvimento nas organizações Comando de Libertação Nacional (COLINA) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Foto Foto de rosto pouco legível. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Busca Detalhada Todas as pessoas -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/c30a2032/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10724 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/c30a2032/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111017/cf199a20/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 18 18:21:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 18 Oct 2011 18:21:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__AB=CDLIO_CLEMENTE_FILHO______________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CCLXXVI-?= Message-ID: <8BB2D21B1F3E4057A1CAA4545DB86A55@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ABÍLIO CLEMENTE FILHO (1949-1971) Filiação: Maria Helena Correa e Abílio Clemente Data e local de nascimento: 17/04/1949, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 10/04/1971, Santos (SP) O afro-descendente Abílio Clemente Filho, aluno do 4º ano de Ciências Sociais em Rio Claro, interior de São Paulo, unidade que em 1976 passaria a integrar a Universidade Estadual Paulista (Unesp), era ativista do Movimento Estudantil, desapareceu no dia 10/04/1971, quando caminhava com um amigo na praia de José Menino, em Santos (SP). No processo analisado pela CEMDP está anexado um relato de Maria Amélia de Almeida Teles, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, informando ter encontrado no Arquivo Público do Estado de São Paulo, na parte referente aos documentos secretos do extinto DOPS/SP, uma ficha escolar de Abílio Clemente Filho, da época em que cursava o colegial, na Escola Estadual Fernão Dias Paes, no bairro Pinheiros, em São Paulo (SP). De acordo com os registros policiais, essa ficha teria sido encontrada na residência de Ishiro Nagami, militante morto juntamente com Sérgio Correa, em 4 de setembro de 1969, quando o carro em que ambos trafegavam explodiu na rua da Consolação, em São Paulo, possivelmente em conseqüência da detonação de explosivos que estariam transportando. Joana D'Arc Gontijo, presa no DOI-CODI/SP na época, chegou a denunciar ter ouvido gritos de um homem jovem durante toda a noite, na mesma data da prisão de Abílio. Ela acredita que o jovem parou de gritar porque tinha morrido. Joana tentou descobrir quem era a vítima torturada até morrer, mas nunca conseguiu identificá-la. O caso de Abílio foi também examinado pela Comissão de Indenização dos Presos Políticos do Estado de São Paulo, sendo deferido. Considerou aquela comissão que "do conjunto dos indícios apresentados e do conhecimento dos procedimentos dos órgãos de repressão, era possível concluir pelo desaparecimento por razões políticas de Abílio Clemente Filho". Ao elaborar seu voto, o relator da CEMDP se baseou nas declarações do deputado estadual paulista Antônio Mentor, que foi seu companheiro de república estudantil em Rio Claro e afirma: "Abílio Clemente desapareceu quando em viagem a Santos, no dia 10/04/1971. Estava envolvido no Movimento Estudantil e chegou a participar de organização clandestina de combate à ditadura"; e de Maria Amélia de Almeida Teles, que afirma "ter sido procurada pela interessada irmã de Abílio, em meados de 1990, quando não se cogitava de qualquer indenização por tortura, morte ou desaparecimento político". ====================================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) DESAPARECIDOS SEM NENHUMA INFORMAÇÃO ABÍLIO CLEMENTE FILHO (1949-1971) Oafro-descendente Abílio cursava Ciências Sociais em Rio Claro e participava do movimento estudantil. Desapareceu no dia 10 de abril de 1971 quando caminhava com um amigo na praia de José Menino, em Santos (SP). Joana D'Arc Gontijo, presa no DOI-Codi/SP na época, chegou a denunciar ter ouvido gritos de um homem jovem durante toda a noite na mesma data da prisão de Abílio. Ela acredita que o jovem não gritava mais porque tinha morrido. Joana tentou descobrir quem era a vítima torturada até morrer, mas nunca conseguiu identificá-la. Entre os documentos secretos do extinto Dops/SP, no Arquivo Público do Estado de São Paulo, há uma ficha escolar de Abílio que, de acordo com os registros policiais, teria sido encontrada na residência de Ishiro Nagami, militante morto em 4 de setembro de 1969. Ao elaborar seu voto, o relator da CEMDP se baseou nas declarações do deputado estadual paulista Antônio Mentor, que foi companheiro de república estudantil de Abílio em Rio Claro e afirmou que: "Abílio Clemente desapareceu quando em viagem a Santos, no dia 10/04/1971. Estava envolvido no movimento estudantil e chegou a participar de organização clandestina de combate à ditadura"; e nas de Maria Amélia de Almeida Teles, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, que disse "ter sido procurada pela interessada irmã de Abílio, em meados de 1990, quando não se cogitava de qualquer indenização por tortura, morte ou desaparecimento político". O caso de Abílio também foi examinado pela Comissão de Indenização dos Presos Políticos do Estado de São Paulo, sendo deferido. Considerou aquela comissão que "do conjunto dos indícios apresentados e do conhecimento dos procedimentos dos órgãos de repressão, era possível concluir pelo desaparecimento por razões políticas de Abílio Clemente Filho". ============================================================================================== + Informações.do livro Catálogo Negro) ABÍLIO CLEMENTE FILHO (1949-1971) Filiação: Maria Helena Correa e Abílio Clemente Data e local de nascimento: 17/04/1949, São Paulo (SP) Data e local do desaparecimento: 10/04/1971, Santos (SP) Abílio era aluno do 4º ano de Ciências Sociais em Rio Claro, interior de São Paulo, e ativista do Movimento Estudantil. Desapareceu no dia 10/04/1971, quando caminhava com um amigo na praia José Menino, em Santos (SP). Existem pouquíssimos vestígios sobre o destino do estudante. Joana D'Arc Gontijo, presa no DOI-CODI/SP na época, garante ter ouvido gritos de homem durante toda a noite, na mesma data da prisão de Abílio. Porém nunca conseguiu confirmar a identidade do companheiro de cárcere que, ao que tudo indica, foi torturado até a morte. O caso de Abílio passou pela Comissão de Indenização dos Presos Políticos do Estado de São Paulo, sendo deferido. Considerou aquela comissão que "do conjunto dos indícios apresentados e do conhecimento dos procedimentos dos órgãos de repressão, era possível concluir pelo desaparecimento por razões políticas de Abílio Clemente Filho". No processo da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos - CMDP, criada pela Lei 9140, de 1995, além do testemunho de Joana D'Arc, consta o depoimento do deputado estadual paulista Antônio Mentor, companheiro de Abílio na república estudantil em Rio Claro, que garantiu: "Abílio Clemente desapareceu quando em viagem a Santos, no dia 10/04/1971. Estava envolvido no Movimento Estudantil e chegou a participar de organização clandestina de combate à ditadura". ======================================================================================================== + Detalhes. Abílio Clemente Filho Publicado em jul 13th, 2011em Vídeos Vida | Nenhum comentário Compartilhar/Favoritos Abílio Clemente Filho - jovem negro, de família pobre, caçula de uma prole de nove filhos, estudioso e trabalhador. Paulistano, morava na cidade de Rio Claro por ser aluno da FAFI (atual Unesp/Rio Claro) no curso de Ciências Sociais. Rapaz muito inteligente, logo se engajou na luta estudantil. Foi revisor do Jornal Diário, escreveu para as Revistas da FAFI, ministrava aulas no cursinho gratuito mantido pelos alunos da Faculdade. Abílio mantinha uma vida repleta de tarefas e de compromissos com a sociedade. Sumiu misteriosamente em um passeio pela cidade de Santos, em 10 de Abril de 1971, e somente em 02 de Agosto de 2006 foi concluído o processo sobre seu desaparecimento e morte por questões políticas. Equipe de Produção: Carol Rios e estagiários - Guilherme Serapião, Anderson Akio. Rio Claro - Maio/2011 =================================================================================== + Detalhes. Ditadura FEITOS E EFEITOS DA DITADURA EM RIO CLARO A década de 60 em Rio Claro Algumas manifestações marcaram a década de 60. Selecionamos quatro fatos para demonstrar o que aqui acontecia. Em 1963 os jornais locais anunciavam que estudantes da FAFI (atual Unesp) estavam se organizando no Centro Acadêmico 23 de Março, para passeatas e protestos pela morte do estudante secundarista Edson Luís, morto por militares em São Paulo. Essa manifestação contou com uma passeata saindo da FAFI (Rua 10, Alto de Santana) e outra saindo do colégio Joaquim Ribeiro (Rua 6, Avenidas 13 e 15) que se encontraram na Igreja Matriz de São João Batista para a missa de sétimo dia, celebrada pelo então Padre Mauro Morelli, hoje bispo aposentado. A coordenação da passeata dos universitários foi de Abílio Clemente Filho e, do Joaquim Ribeiro, de dona Elen Dória. Em 1964 a igreja católica, entidades assistenciais e grupos de serviços realizam passeatas pela pátria, família e liberdade, contra o terrorismo, ateísmo e comunismo, contando com forte adesão da imprensa local. Em 12 de Dezembro de 1969 o Ginásio Vocacional, escola pública que trabalhava com um método inovador de ensino (hoje o prédio abriga a escola Chanceller Raul Fernandes) foi invadido pelo militares. O Vocacional trabalhava com um sistema de ensino calcado no estudo da realidade e um pensar sobre ela como sujeito que também a constitui. A vinda do Ginásio Vocacional para Rio Claro foi pela interferência do então deputado estadual, o rio-clarense Gijo Castellano. Não bastou muito tempo para o exército invadir a escola e perseguir diretamente a diretora em exercício, a jovem Edineth Ferri Sanches (era sua primeira experiência como diretora recém empossada) que até hoje apresenta as marcas vividas ali. Edneth Ferrite Sanches contou com o apoio do juiz Ranulfo de Melo Freire juntamente com professores da Faculdade, entre eles Fernando Altenfelder Silva, que deram sustentação e foram pontos de apoio e segurança no agitado período, como relata a professora em seu depoimento. No período o vereador eleito Irineu Prado teve seu mandato cassado, foi preso e a família ficou mais de uma semana sem notícias. Era um militante ativo na cidade com forte atuação como sindicalista da antiga Cia Paulista. Muitos rio-clarenses que estavam fora da cidade, já inseridos no mercado de trabalho ou em cursos universitários, engajaram-se no movimento de resistência, pois nacionalmente o movimento de esquerda se dividiu entre aqueles que optaram por se manter na cidade aproximando-se dos operários e outros movimentos sociais e aqueles que optaram pelas guerrilhas urbanas e/ou rurais. Rio Claro, entre muitos militantes que atuaram contra a Ditadura Civil-Militar das mais diversas formas, três deles tiveram suas vidas marcadas drasticamente: Maria Cecília Bárbara Wetten, Abílio Clemente Filho e Orlando Moura Momente. Maria Cecília Bárbara Wetten Nascida em Rio Claro em 20 de Junho de 1948, Cecília Wetten como era conhecida entre os amigos formou-se em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. A jovem Cecília optou por engajar-se na resistência na cidade. Aliou-se ao POLOP (Política Operária) e depois ao MEP (Movimento de Emancipação do Proletariado). Como Cecília era jornalista, pode cumprir diversas tarefas no movimento, militância que durou até os militares prenderem sua mãe e tia forçando-a a se entregar. A ética daquela jovem não poderia suportar que sua família fosse torturada em seu lugar e Cecília se entregou rapidamente. Ficou presa em São Paulo, depois foi transportada de São Paulo ao Rio de Janeiro deitada no chão do carro, sendo pisada por militares que colocaram suas botas sobre seu corpo, até o presídio onde ficou presa com outros presos políticos. Cecília foi barbaramente torturada e as seqüelas a perseguiram por toda a sua vida. Foi a primeira e uma das poucas presas que conseguiu descrever a tortura recebida. Voltou para Rio Claro por interferência do então Prefeito Nevoeiro Junior, a pedido de sua mãe que teve uma carta publicada na Revista Veja de 30 de novembro de 1977, onde pedia ajuda para ter a filha de volta e viva. Os amigos do Partido dos Trabalhadores, recém criado, foram seu ponto de apoio na cidade, para onde voltou bastante prejudicada pelo sofrimento da tortura. Ficou conhecida pelo desenho que representava o desabafo de todos os torturados no Brasil. Como jornalista participou ativamente do jornal "Companheiro", das greves do ABC, depois do movimento de anistia e contribuiu com o nascimento do PT. Produziu muitos escritos para movimentos sindicais e movimento de mulheres, mas não superou o problema psicológico das torturas sofridas ficando com dificuldade de aparecer em público, abafando sua característica muito forte de ser uma pessoa muito alegre que sempre lutou por um país mais justo, igualitário e livre. Só aos mais íntimos se abria, ria e fazia rir. Gostava das crianças e dos animais com os quais mantinha uma relação afetiva franca. Na Revista do Arquivo, no. 5, de Junho de 2010, há um belo depoimento de Aurélia Maria Rios Piterskih. Cecília morreu com 50 anos, em 24 de Outubro de 1998. Abílio Clemente Filho Outro acontecimento marcante para Rio Claro foi o que ocorreu com o estudante Abílio Clemente Filho. Paulistano, morava na cidade por ser aluno da FAFI (atual Unesp/Rio Claro) no curso de Ciências Sociais. Rapaz muito inteligente logo se engajou na luta estudantil. Foi revisor do Jornal Diário, escreveu para as Revistas da FAFI, ministrava aulas no cursinho gratuito mantido pelos alunos da Faculdade. Abílio mantinha uma vida repleta de tarefas e de compromissos com a sociedade. Sumiu misteriosamente em um passeio pela cidade de Santos em 10 de Abril de 1971, e somente em 02 de Agosto de 2006 foi concluído o processo sobre seu desaparecimento e morte por questões políticas. Testemunharam a seu favor, o deputado e membro da Comissão de Indenização dos Presos Políticos de São Paulo Renato Simões e o deputado estadual Antonio Mentor. Abílio liderou o movimento estudantil unindo os universitários e secundaristas na passeata que culminou na missa de 7º Dia de Edson Luis. O desaparecimento de Abílio até hoje produz reflexos em seus amigos e familiares. De família pobre, negra, Abílio carregava a esperança das famílias nessa situação que conseguiam que um filho fosse à faculdade pública formar-se. Paulo Cabral escreve nesta edição um belo hino de amor a essa amizade tão cedo interrompida. Orlando Moura Momente Temos a apresentar mais uma vítima, ligada a uma outra parte da militância de esquerda que se organizou em focos de resistência, conhecida como guerrilhas armadas, urbanas e rurais. Esse grupo acreditava que por meio da guerrilha conseguiriam adesão do povo, participação para lutar contra o regime militar e trazer a democracia de volta. Nesse grupo tivemos o rio-clarense Orlando Moura Momente, mais conhecido como Landinho, sindicalista em São Paulo que ingressou e dedicou sua vida ao Partido Comunista do Brasil. Landinho era conhecido por seu gênio alegre, criativo, habilidoso e prestativo. Era um jovem de espírito arrojado o que o livrou de enfrentamentos, pois conseguiu despistar agentes da repressão passando-se por camponês. Tinha a simpatia dos camponeses que o apresentavam como compadre ou parente. Landinho se juntou à Guerrilha do Araguaia, localizada no Tocantins, em 1971, passando mais de três anos dentro da mata. Foram três grandes enfrentamentos na mata contra o exército brasileiro, sendo que somente foram encurralados e mortos na terceira tentativa do exército em exterminá-los. Landinho nasceu em Rio Claro em 10 de Outubro de 1933. Aqui fez o curso primário e o de desenho mecânico, concluindo-o em 1950 quando se mudou para São Paulo onde foi trabalhar como operário na Companhia Antarctica Paulista entre 1951 e 1959. Em 1964, foi viver com sua família em uma fazenda em Fernandópolis, onde ficou pouco tempo, indo para a clandestinidade. Periodicamente visitava a sua família, sendo que, no ano de 1969, foi a última vez que esteve com seus familiares. Devido às perseguições políticas, foi viver no norte de Goiás e posteriormente no sul do Pará, próximo à Transamazônica, na localidade de Paxiba, onde foi identificada uma ossada com seu chapéu de couro de coati, sendo então constatada sua morte. Seu nome consta da lista de desaparecidos políticos do anexo I da lei 9.14095, protocolo 090/96. Em Campinas, há uma rua em sua homenagem situada no bairro Residencial Cosmo I. Projeto "Feitos e Efeitos da Ditadura Civil-Militar em Rio Claro" Conhecendo todas essas histórias de jovens carregados de ideais de justiça social, mas marcadas pela dor, foi elaborado um projeto no Arquivo Público e Histórico de Rio Claro onde nada constava a respeito em seu acervo. Falava-se dos três cidadãos aqui citados em tantos livros, em tantas revistas, em processos e sites, mas na cidade de Rio Claro eram quase desconhecidos. A partir de um projeto conjunto do Arquivo com a Secretaria de Segurança, cujo titular é o presidente da comissão provisória de anistia, foram elaborados mecanismos de ação para o levantamento, registro, pesquisa e divulgação da história da cidade no período de 1964-1985 e as vítimas rio-clarenses ou residentes no município na época. Abaixo, apresentamos o percurso dessa viagem no tempo ainda presente. Foi realizado um levantamento bibliográfico para montagem de uma biblioteca de apoio, propostos artigos para a Revista do Arquivo (edição semestral), participação de membros da equipe no "I Seminário Internacional sobre Acesso à Informação e Direitos Humanos", realizado em Novembro de 2010, promovido pelo Arquivo Nacional. Para a cidade, foi organizada uma série de três eventos dentro do Projeto Batepapo Cultural: "Brasil: 1964-1985 - A ditadura e suas significações a partir da tortura, dos desaparecimentos e de suas vítimas" com a Profa. Dra. Maria Aparecida de Aquino (Janeiro/2011), "Tempos do Golpe Militar em Rio Claro: o papel do judiciário" com Dr. Ranulfo de Melo Freire (fevereiro/2011) e "Efeitos do Golpe Militar na Escola Pública" com Milene Cristina Hebling (Março/2011). Foi organizado ainda o evento de Pedido de Desculpas Públicas do Ministério da Justiça - Comissão de Anistia, dias 29 e 30 de Abril, numa Jornada de Direitos Humanos com mesa redonda e apresentação de documentário sobre Rio Claro. Participaram da Jornada de Direitos Humanos, pelo Ministério da Justiça, a Vice-presidente da Comissão Nacional de Anistia, Dra Sueli Aparecida Bellato, e pela Sociedade Civil, Luiz Carlos Fabbri (Comissão Justiça e Paz de São Paulo), Frei José Alamiro Andrade e Silva (Frei Franciscano), Carlos Gilberto Pereira (Presidente do CEDEP, ex-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais) e o Prof. Dr. Andrey Borges de Mendonça (Procurador da República), além dos familiares de Abílio Clemente Filho e a irmã de Orlando, Dulce Momente. O Portal Memória Viva: arte, cultura e história produziu, a partir da história oral de familiares, amigos e companheiros das três vítimas citadas e de personalidades da cidade, documento vasto para pesquisa e alguns documentários disponibilizados em www.memoriaviva.sp.gov.br O trabalho do Arquivo continuará. Não podemos deixar que a luta dos rio-clarenses contra um regime de exceção caia no esquecimento naturalizando o exercício de um poder tirano sobre quem não lhe é igual, quem não compartilha dos mesmos princípios e convicções. É propósito dessa administração trabalhar para que o Arquivo Público e Histórico de Rio Claro possa cada vez mais ser um espaço democrático de registro, guarda e disponibilização da história da cidade. Não podemos nos calar sob pena de não dignificarmos nossos cidadãos comuns que deram suas vidas na defesa de ideais de justiça e verdade e de crença na construção de novos horizontes. Há que acreditar que é possível construir um mundo melhor, mais justo e mais humano, há que lutar por esse mundo. O medo do erro histórico, avaliado sempre a posteriori, não justifica um travamento e uma acomodação. A tortura não acabou. Está presente nas casas, no espancamento de mulheres e crianças, nos consultórios médicos com a medicalização excessiva, nas ruas com as drogas capturando pessoas, nas delegacias e prisões, nos cantos onde os moradores de rua se abrigam das chuvas. A luta pela democracia e a coragem de dizer e viver de forma digna ainda não acabou. ======================================================================================================= + Detalhes. Deputado se emociona em cerimônia de anistia a desaparecidos da ditadura militar O deputado estadual Antonio Mentor participou, na noite de sexta-feira (29.04), da cerimônia de Pedido de Desculpas Públicas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça às vítimas rio-clarenses da ditadura militar. A solenidade homenageou a professora Maria Cecília Bárbara Wetten, torturada durante o período da ditadura, e os estudantes Orlando Moura Momente e Abílio Clemente Filho, desaparecidos no início da década de 70. Realizada na sede do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro, a cerimônia contou com a presença do prefeito da cidade, Du Altimari, da vice-prefeita, Olga Salomão, do vereador petista Sérgio Desiderá e da vice-presidente da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, Sueli Bellato. Amigos e familiares de Orlando e Abílio também acompanharam o evento. A cerimônia teve início com a apresentação de um vídeo sobre o golpe militar de 64, que resultou na prisão, tortura, exílio, perseguição e morte de milhares de brasileiros. O vídeo retratou ainda o surgimento do movimento pela anistia, a volta ao país de exilados e presos políticos, a Diretas Já e o estabelecimento da Constituição Federal de 1988. Outro vídeo mostrou depoimentos comoventes de familiares e amigos dos desaparecidos Orlando e Abílio. Grande amigo de Abílio, Mentor se emocionou. "Fomos colegas de classe e morávamos juntos, com mais quatro colegas, na Rua 7", lembrou o deputado. Segundo ele, Abílio era uma pessoa muito tranquila e generosa. "Era nosso consultor. Todas as nossas angústias, falávamos com Abílio", recorda. Para Mentor, essa homenagem é o momento de reconhecimento da luta pela busca da liberdade. "Após quatro décadas do desaparecimento misterioso do Abílio, homenageá-lo aqui em Rio Claro é uma atitude maravilhosa. A morte resigna, mas o desaparecimento é uma dor que nunca acaba". De acordo com a superintendente do Arquivo Público e Histórico, Maria Teresa de Arruda Campos, a autarquia iniciou o projeto de pesquisa sobre a ditadura no final do ano passado. "Temos pouco registro do que aconteceu em Rio Claro, por isso estamos nos apoiando na história oral e na pesquisa dos jornais da época. O objetivo é deixar a história contada pelos que sobreviveram a ela e por aqueles que quiserem se pronunciar para deixar registrados os muitos lados desse período tão sofrido de nossa nação", declarou Teresa. ========================================================================== + Detalhes. MUNICÍPIO: evento aborda a ditadura militar A JORNADA SOBRE A DITADURA MILITAR EM RIO CLARO SERÁ DIAS 29 E 30 DE ABRIL E CONTARÁ COM CERIMÔNIA DE PEDIDO DE DESCULPAS PÚBLICAS A JORNADA SOBRE A DITADURA MILITAR EM RIO CLARO SERÁ DIAS 29 E 30 DE ABRIL E CONTARÁ COM CERIMÔNIA DE PEDIDO DE DESCULPAS PÚBLICAS DIVULGAÇÃO Marco Antonio Castelli, Abílio Clemente Filho, Fanny Menzatto e Paulo Cabral. Abílio será um dos homenageados no evento, dia 29 Valdira Guimarães Augusto Nos próximos dias 29 e 30 de abril será realizado o evento Jornada: Feitos e Efeitos da Ditadura Civil-Militar em Rio Claro. Na sexta-feira acontece cerimônia de Pedido de Desculpas Públicas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, às 20 horas, no Arquivo Público e Histórico de Rio Claro. Na sessão serão homenageadas as vítimas rio-clarenses da ditadura civil-militar Maria Cecília Bárbara Wetten, Orlando Moura Momente e Abílio Clemente Filho. No sábado, das 9h às 12h30, haverá uma mesa-redonda sobre o tema: A atualidade da ditadura civil-militar: avanços e retrocessos. Os convidados são Frei José Alamiro Andrade e Silva, procurador da República, Prof. Dr. Andrey Borges Mendonça e o Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo. Todas as atividades serão no Arquivo Público e Histórico, à Rua 6, 3.265 - Alto do Santana. O evento é realizado pela Prefeitura Municipal de Rio Claro, por meio do Arquivo Público e da Secretaria de Segurança. De acordo com a superintendente do Arquivo Público e Histórico, Maria Teresa de Arruda Campos, a autarquia iniciou projeto de pesquisa sobre a ditadura no final do ano passado e a previsão é que continue por mais tempo, já que a pesquisa é bastante difícil. "Temos pouco registro do que aconteceu em Rio Claro, por isso estamos nos apoiando na História Oral e na pesquisa dos jornais da época. O Arquivo está sintonizado com o que está acontecendo sobre esse tema no Arquivo Nacional e no Arquivo do Estado. Estamos acompanhando os projetos nacional e estadual focando em Rio Claro, na nossa história." Teresa aponta que a questão que o Arquivo pretende trabalhar neste evento é o registro do período que envolveu a ditadura militar. "O objetivo é deixar a história contada pelos que sobreviveram a ela e por aqueles que quiserem se pronunciar para deixar registrados os muitos lados desse período tão sofrido de nossa nação." Na cerimônia de Pedido de Desculpas Públicas serão homenageados Maria Cecília Bárbara Wetten, Orlando Moura Momente e Abílio Clemente Filho. A superintendente do Arquivo explica que estão no começo do trabalho de pesquisa e essas foram as três primeiras pessoas que identificaram. "Ainda dependemos dos depoimentos de familiares e amigos, e isso nem sempre é muito fácil de se conseguir. Há resistência e medo ainda muito presente. Há vergonha também. Tivemos um familiar que se negou a dar qualquer depoimento ou ceder fotografias de família. Isso acontece porque o fato ocorrido foi mal interpretado, muitas vezes não se entendeu que a pessoa estava lutando por um ideal, por um modelo de sociedade diferente. Foi usada força desproporcional aos fatos. A democracia sempre é o melhor meio para se chegar a uma verdade, a força não acrescenta nada, só deixa marcas muito profundas e revoltantes." Sobre os avanços e retrocessos da ditadura civil-militar na atualidade, Teresa avalia que ainda é preciso discutir as leis sobre o tema. "Vivemos uma democracia conquistada com muitas mortes, muita tortura e muita perseguição. As leis que temos foram feitas no calor desse horror e não agradou àqueles que sofreram na pele as torturas e morte de familiares e amigos. Ainda há um caminho a ser discutido e encontrado. A presidenta Dilma, por ter sido vítima de tortura, haverá de encontrar um termo adequado para essa questão", acredita Teresa. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111018/87770c16/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 30227 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111018/87770c16/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 18 18:21:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 18 Oct 2011 18:21:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Carta Maior - 18.10.11 Message-ID: <3F9F8E07BF07474B9F54F5CAEAF4B4E8@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br * 'Ocupe o Copom': CUT, Fiesp e economistas lançam nesta 3ª feira, em SP,manifesto por corte nos juros ( http://www.brasilcomjurosbaixos.com.br/#?page=home.asp)**termina a greve vitoriosa dos bancários, a maior dos últimos 20 anos**em 21 dias de paralisação setor conquistou aumento real, elevação do piso, 20% de aumento em participação nos lucros e nos benefícios, como auxílio-creche **lucros do Citigroup crescem 74% no 3º trimestre; banco foi 'resgatado' com dinheiro público em 2008**Estadão: trabalhadores brasileiros pagam mais imposto que bancos (respectivamente, 9,9% e 4,1% do total arrecadado)**para não esquecer: coalizão midiático-tucana vetou taxa de 0,1% sobre transações financeiras para investir na saúde pública brasileira**Emilio Botin, dono do banco Santander, protesta contra o cerco ao sistema financeiro: 'é preciso frear o trem da regulação bancária' COMISSÃO DA VERDADE: A MEMÓRIA É UM PEDAÇO DO FUTURO "Mais radical que um julgamento é a memória, que tem papel educativo permanente" (José Genoíno, sobre limites e atribuições da Comissão da Verdade, criada para esclarecer casos de tortura, mortos e desaparecidos sob a ditadura; Valor;18-10) (Carta Maior; 3ª feira, 18/10/ 2011) página especial - clique aqui A ordem natural da Economia Política Os incômodos causados por Keynes aos que postulam o paradigma da ?racionalidade? na Economia foi e tem sido considerável. A inexistência de bases ?racionais? para a tomada das decisões econômicas cruciais, aproxima perigosamente a economia e suas pretensões científicas do ?inferno irracional? que os economistas imaginam cercar as decisões políticas. A economia, transformada num ?saber histórico?, converteria os economistas em cidadãos de segunda classe na hierarquia da comunidade científica. O artigo é de Luiz Gonzaga Belluzzo. > LEIA MAIS | Economia | 18/10/2011 Soledad, a mulher do Cabo Anselmo Quem foi, quem é Soledad Barrett Viedma? Qual a sua força e drama, que a maioria dos brasileiros desconhece? De modo claro e curto, ela foi a mulher do Cabo Anselmo, que ele entregou a Fleury em 1973. Sem remorso e sem dor, o Cabo Anselmo a entregou grávida para a execução. Com mais cinco militantes contra a ditadura, no que se convencionou chamar ?O massacre da granja São Bento?. Esse crime contra Soledad Barrett Viedma é o caso mais eloquente da guerra suja da ditadura no Brasil. No dia em que a TV Cultura de São Paulo entrevista o Cabo Anselmo, relembramos aqui um pouco da vida de Soledad, em um artigo de Urariano Mota. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 17/10/2011 ? Duas lições dos tempos de horror na Argentina ? Culturas nacionais: Anotações sobre a morte e o esquecimento A cara de Anselmo Soledad olha para os olhos do homem que pensara ser o seu companheiro, e isso, essa realidade, o pesadelo por guardar uma altura ética jamais mostrou. O pesadelo fora incapaz de exibir toda a crueza. Anselmo não sorri agora, sorrirá depois, quando lhe perguntarem: - Você dorme bem? A resposta foi algo como: Putz, tranquilamente. Ele apenas assiste ao espancamento e suplício. Como uma prova de que é contra esses terroristas. Trecho do penúltimo capítulo de "Soledad no Recife", de Urariano Mota. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 17/10/2011 ?Direita precisou ressuscitar cabo Anselmo depois da criação da Comissão da Verdade? Em uma semana em que a Câmara Federal realiza seminário latino-americano para discutir a anistia e o Senado faz audiência pública para debater a Comissão da Verdade, emissora de São Paulo entrevistará ex-militar que delatou diversos perseguidos políticos à ditadura. Para o advogado Aton Fon Filho (foto), do Comitê Nacional pelo Direito à Memória, à Verdade e à Justiça, bancada desta noite do novo Roda Viva será a voz dos militares entrevistando um personagem sem credibilidade. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 17/10/2011 A Verdade: por uma comissão verdadeira A verdade exige que se faça profundo reconhecimento das vítimas e de seus algozes como requisito para que seja orientada pela justiça ética e não pela preservação da ordem que, de regra, é conveniente aos opressores mais que aos oprimidos. Verdade e memória são gritos de justiça clamado pelas e para as vítimas. Elas têm o direito de dizer sua palavra e de exigir que a justiça não lhes seja negada. O artigo é de Paulo César Carbonari. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 17/10/2011 Comissão de Anistia é criticada por 'inoperância' em seminário latino Associação de anistiados políticos reclama de demora nas decisões da Comissão de Anistia e prepara documento com críticas para ser levado a Dilma Rousseff. Texto será fechado durante o V Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, que acontece em Brasília. Encontro também vai discutir Comissão da Verdade, projeto do governo que o Senado vai debater em audiência pública nesta terça (18) e conhecer primeiro parecer na quarta (19). > LEIA MAIS | Política | 17/10/2011 ? O marco jurídico do direito à memória e à verdade ? Jorge Julio López: O desaparecido da democracia argentina ? Direitos humanos e a verdade: lições que não quisemos aprender ? Militantes pedem mudanças na Comissão da Verdade em São Paulo ? Comissão da Verdade gera debate e vontade de justiça -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111018/fdb37acb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12878 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111018/fdb37acb/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10021 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111018/fdb37acb/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 17020 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111018/fdb37acb/attachment-0013.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 19 20:17:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 19 Oct 2011 20:17:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___FRANCISCO_DAS_CHAGAS_PEREIRA________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCLXXVII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem FRANCISCO DAS CHAGAS PEREIRA (1944-1971) Filiação: Judite Joventina Pereira e Leôncio Samuel Pereira Data e local de nascimento: 02/04/1944, Sumé (PB) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 05/08/1971, Rio de Janeiro Este é um caso de desaparecido que não constava anteriormente em nenhuma lista ou dossiê organizado por familiares e entidades ligadas à defesa dos Direitos Humanos. A CEMDP teve de decidir com base em informações muito precárias e preferiu desconsiderar, por entender como sendo de autenticidade duvidosa, um depoimento que ele teria prestado no consulado brasileiro em Santiago do Chile, em data posterior ao desaparecimento denunciado por sua família. Natural da Paraíba, estudante de Direito e militante do PCB, Francisco das Chagas Pereira, foi sargento da PM em seu estado de origem, trabalhou no Banco do Nordeste e, depois, na Embratel do Rio de Janeiro, onde foi admitido por concurso público. Em agosto de 1971, ocorreu um incêndio nas instalações daquela empresa estatal, dirigida na época por um militar, e Francisco passou a ser o principal suspeito. Conforme informações da Polícia Federal, "Francisco das Chagas Pereira, ex-funcionário da Embratel, no antigo Estado da Guanabara, suspeito de distribuir, naquela empresa, material impresso de cunho subversivo e contrário à administração da mesma, tornou-se o maior suspeito de ter ateado fogo, em 06/08/1971, em material de expediente da Embratel. (...)Fugiu do pessoal da segurança interna da empresa, que fez busca em sua residência e nada mais encontrou. Depois disso jamais voltou a trabalhar, deixando de freqüentar as aulas na Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas". Quando deliberou sobre o requerimento, a CEMDP apoiou-se na informação de que o último contato feito por Francisco com a família foi por meio de carta, pedindo para que fosse queimada toda a sua correspondência, por temer a ação da repressão militar contra ele e seus familiares. Seu irmão informou sobre o vínculo de Francisco com o PCB. Assim, segundo o relator do processo na Comissão Especial, "a documentação constante dos autos efetivamente demonstra a sua participação e acusação de ter participado em atividades políticas, tendo desaparecido, sem que dele a família tenha obtido qualquer notícia, nem atestado de óbito". ======================================================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) FRANCISCO DAS CHAGAS PEREIRA (1944-1971) Natural de Sumé, na Paraíba, estudante de Direito e militante do PCB, Francisco foi sargento da PM em seu Estado de origem, trabalhou no Banco do Nordeste e, depois, na Embratel do Rio de Janeiro. Em agosto de 1971, ocorreu um incêndio nas instalações daquela empresa estatal, dirigida na época por um militar, e Francisco passou a ser o principal suspeito. Conforme informações da Polícia Federal, Francisco das Chagas Pereira, ex-funcionário da Embratel, no antigo Estado da Guanabara, suspeito de distribuir, naquela empresa, material impresso de cunho subversivo e contrário à administração da mesma, tornou-se o maior suspeito de ter ateado fogo, em 06/08/1971, em material de expediente da Embratel. [...] Fugiu do pessoal da segurança interna da empresa, que fez busca em sua residência e nada mais encontrou. Depois disso jamais voltou a trabalhar, deixando de frequentar as aulas na Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas. Quando deliberou sobre o requerimento, como este caso não constava anteriormente em nenhuma lista ou dossiê organizado por familiares e entidades ligadas à defesa dos Direitos Humanos, a CEMDP apoiou-se na informação de que o último contato feito por Francisco com a família foi por meio de carta, pedindo que fosse queimada toda a sua correspondência, por temer a ação da repressão militar contra ele e seus familiares. Seu irmão informou sobre o vínculo de Francisco com o PCB. Assim, segundo o relator do processo na Comissão Especial, "a documentação constante dos autos efetivamente demonstra a sua participação e acusação de ter participado em atividades políticas, tendo desaparecido, sem que dele a família tenha obtido qualquer notícia, nem atestado de óbito". =========================================================================================== Ficha Francisco das Chagas Pereira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Francisco das Chagas Pereira Atividade: Funcionário público Universidade Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 6/8/1971 Bolívia Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Ofício Documento da Coordenação de Informações e Operações do Departamento de Polícia Federal de São Paulo, de 30/08/73, comunicando que Francisco foi morto quando participava de atividades de guerrilhas na Bolívia. Solicita o cancelamento do pedido de busca do mesmo. O documento apresenta carimbo do DOPS. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/f09adae6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4808 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/f09adae6/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 19 20:17:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 19 Oct 2011 20:17:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Entrevista com Immanuel walerstein, analisa a crise capitalista. Para Interview da Russia. 15 de out 11 Message-ID: <08A26C36B22A46D29571A6071A63A715@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ''O capitalismo chegou ao fim da linha'', afirma Wallerstein A entrevista durou pouco mais de onze minutos, mas alimentará horas de debates em todo o mundo e certamente ajudará a enxergar melhor o período tormentoso que vivemos. Aos 81 anos, o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein, acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas ? e aqui começam as provocações ? o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia. Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes. Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. ?Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.? É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado ?a ilusão liberal que governava o sistema-mundo?. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado ? superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial. As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT. A transcrição e a tradução para o português são iniciativas do sítio Outras Palavras, 15-10-2011. Eis a entrevista. Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora? Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando. Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo? Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento ? Brasil, Índia, China ? também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila. Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo? Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 ? e ainda vai durar mais uns vinte, trinta ou quarenta anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo ? que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer ? não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir duas pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo. Qual a sua visão? Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo ? mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema. Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico? Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas. Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras? Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de ?inferno na terra?. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo ? e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe ? mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas. Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída? Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa. O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais? A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças ? porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a ?historização? da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico. Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século 21? Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século 19. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século 19. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século 19; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século 20. Do século 21, agora. É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século 20, eu sinto que sou um produto do século 20. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento. Quanto ? e de que maneiras ? esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes? Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século 20. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo. Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento? Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo. Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana? Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados. É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo? É o que vemos há 500 anos. Para ler mais: a.. ?O sistema que sair da crise será muito diferente?. Entrevista com Immanuel Wallerstein -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/90ba61a7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 463 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/90ba61a7/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: application/octet-stream Size: 5418 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/90ba61a7/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 19 20:17:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 19 Oct 2011 20:17:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Visibilizar_detalhes_da_riqueza_c?= =?iso-8859-1?q?ultural_africana_e_afro-brasil=2E_Assista_o_v=EDdeo?= =?iso-8859-1?q?_abaixo=2E?= Message-ID: <23A49C33DAFB48778E74F077F4C5F5A3@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Um dos caminhos para mobilização: Coleção História Geral da África Publicado em 17 de outubro de 2011 por Jean Mello Com o envolvimento de mais de 350 especialistas, e sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, a Coleção Geral da História da África é a principal referência para quem deseja acessar uma versão não colonialista sobre o passado do segundo continente mais populoso da Terra Declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas como Ano Internacional para os Povos Afrodescendentes, 2011 é um momento ímpar para impulsionar e visibilizar mobilizações que envolvem a população negra no mundo inteiro, com a incumbência de ter continuidade ao longo dos anos. Uma das conquistas, não apenas para o Brasil, mas também para os países africanos de língua portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), de bastante importância e relevância de resistência histórica, foi a tradução ao português da Coleção História Geral da África, em dezembro de 2010. A publicação vem ganhando força durante o ano, principalmente nos três primeiros meses, período em que alcançou mais de 80 mil downloads. As versões impressas encontram-se em todas as universidades e bibliotecas públicas do Brasil. A tradução se deu por conta das parcerias entre a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas (Unesco), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC), sabendo que também essa já era uma demanda solicitada por parte do Movimento Negro no Brasil e outros Movimentos de Libertação em países africanos. A edição em português veio quase trinta anos depois da publicação original. Editada pela UNESCO, entre as décadas de 80 e 90, os volumes foram sendo disponibilizados em diversos idiomas: inglês, francês, chinês e árabe. Com o envolvimento de mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento (jornalismo, antropologia, história, arqueologia, física, linguística, botânica, história, entre outros), sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais - um deles de nacionalidade brasileira, Fernando Mourão -, dos quais dois terços eram africanos, o conteúdo permite outras perspectivas, ou mesmo novos olhares, sendo base para obtenção de novas pesquisas e estudos acerca da África, para disseminação dos saberes no sistema de ensino brasileiro - contribuindo na implementação da lei 10.639/03, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), tornando obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira - e em outros países de língua portuguesa. Abordando assuntos que vão desde a pré-história até a década de 1980, em mais de oito mil páginas, a coleção demonstra detalhes do Egito Antigo [não o separando do continente africano, como faz outras publicações], também não deixa de informar acerca de diversas civilizações e dinastias. Sem contar que é outra visão sobre o tráfico de negros que foram escravizados, a colonização europeia e a "independência" dos diversos países. Os textos demonstram que existem questões completamente desconhecidas, ocultas, acerca do continente africano, argumenta o coordenador da tradução e professor do departamento de sociologia da Universidade Federal de São Carlos, Valter Silvério. Como entender o continente africano como uma unidade, despido de estereótipos ou versões criadas pelo colonialismo? Em que fonte buscar informações sobre a não passividade negra com relação ao processo escravagista? Sim, essa é uma referência para essas e muitas outras questões que precisam ser vistas, principalmente pelo Ocidente. As publicações seguem certa ordem cronológica, sendo que o último volume traz uma visão mais contemporânea da África, desde 1935 até o período colonial. O último volume se torna interessante, sem tirar a relevância dos anteriores, por trazer algumas discussões, em um dos capítulos, que envolve a diáspora, africanos ou descendentes de africanos fora da África, afirma Valter Silvério. No mesmo volume, tratando-se de uma parte da pesquisa que fala de assuntos que chega mais perto da atualidade, algo que aparece de muito precioso é surgimento e o desenvolvimento de movimentos que lutaram pela independência dos países colonizados, como o Pan-africanismo [1], por exemplo. Há relatos, ainda no volume citado, de que alguns africanos escravizados no Brasil e em outros países da América Latina, além de ter participação assídua em significativos movimentos de libertação, após a "abolição da escravatura", resolveram voltar aos seus países de origem para tentar evitar o avanço do genocídio e o etnocídio, fruto da colonização dos países europeus. Como berço da humanidade a África deu vasta contribuição para produção do conhecimento científico mundial. Os volumes da coleção levantam com ênfase esses aspectos, desmistificando a ideia de que os países africanos eram ágrafos. A África, com seus 54 países, como continente e não como país - é assim que muitos pensam dela, por incrível que pareça - não precisa de ajudas oportunistas. Ela, como muitos lugares do mundo, têm diversas ações positivas que podem ser visibilizadas. Isso não resolve os problemas, mas dá margem para que os leitores dos veículos de comunicação possam ver outras versões da realidade. Assim, como agora, em língua portuguesa, estudantes e docentes, leitores curiosos ou jovens, podem baixar a Coleção História Geral da África, em breve africanos e brasileiros terão a adaptação desses conteúdos em forma de materiais didáticos, anunciou a UNESCO. Visibilizar detalhes da riqueza cultural africana e afro-brasileira contribui, significativamente, para a diminuição da discriminação racial contra os povos africanos, ou mesmo seus descendentes - maiores vítimas do racismo durante a história - através da desmistificação do continente africano, desconstruindo a visão equivocada que se tem dele. clique PS - Dentre os poucos materiais de qualidade que se encontra, até mesmo na Internet, existe esse documentário que aponta algumas coisas semelhantes à coleção. Vale a pena conferir. -------------------------------------------------------------------------------- [1] O pan-africanismo é uma filosofia que sugere a união de todos os povos da África como um modo de potencializar a voz e as ações do continente no contexto internacional. Movimento defendido mais fora da África, entre os descendentes de africanos que foram escravizados e levados para as Américas até o século XIX e dos emigrantes mais recentes. Em parte, o pan-africanismo, foi responsável pelo surgimento da Organização de Unidade Africana (OUA). Leia mais: 1.. Sul da África: das guerras ao grande parque Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado Brasil, Coleção História Geral da África, Contribuição do Continente Africano para a Humanidade, Unesco, Valter Silvério, Visão não Colonialista da África por Jean Mello. Guardar link permanente. 4 ideias sobre "Um dos caminhos para mobilização: Coleção História Geral da África" 1.. Pingback: Um dos caminhos para mobilização: Coleção História Geral da África - Outras Palavras | Notícias de Angola -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/e957c489/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15708 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/e957c489/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111019/e957c489/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 20 20:41:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 20 Oct 2011 20:41:39 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__JOS=C9_MAUR=CDLIO_PATR=CDCIO__________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CCLXXVIII-?= Message-ID: <06A3C9C4800C4AB7BD66414260355E3E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem JOSÉ MAURÍLIO PATRÍCIO (1944-1974) Filiação: Izaura de Souza Patricio e Joaquim Patricio Data e local de nascimento: 13/09/1944, Santa Tereza (ES) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: outubro de 1974 Capixaba de Santa Teresa, iniciou seus estudos no Colégio Singular, em São João de Petrópolis, em 1954. No ano seguinte foi para o Grupo Escolar do Colégio Agrícola de Santa Tereza, onde terminou o curso primário. Continuou na mesma escola, no curso de Iniciação Agrícola e, em seguida, no Curso de Técnico Agrícola, formando-se em 1966. Em 1967, foi para o Rio de Janeiro, estudar na Universidade Rural, onde cursou Educação Técnica. Em 1968, foi preso no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). Após a edição do AI-5, passou a atuar na clandestinidade. Mais tarde, já militante do PCdoB, mudou-se para o Araguaia, indo viver nas margens do Rio Gameleira e integrando-se ao Destacamento B e adotando o codinome Manoel. A última informação sobre ele no Relatório Arroyo é que, "(...) junto com Suely Kamayano havia saído antes do dia 25/12/73, para buscar Cilon e José Lima Piauhy Dourado. Deveriam retornar dia 28/12, ao local onde houve o tiroteio do dia 25/12. Nunca mais foram vistos". O Relatório do Ministério da Marinha, de 1993, traz a informação de que "foi morto em out/74, na localidade de Saranzal". O Relatório da Marinha, do mesmo ano, contém a informação de que teria realizado curso de guerrilha "provavelmente na China". =================================================================================================================== + Informações. JOSÉ MAURÍLIO PATRÍCIO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Santa Tereza, Estado do Espírito Santo, filho de Joaquim Patrício e Isaura de Souza Patrício. Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 30 anos. Fez o 1° ano primário no Colégio Singular, em São João de Petrópolis, em 1954. No ano seguinte foi para o Grupo Escolar do Colégio Agrícola de Santa Tereza onde terminou o curso primário. Continuou na mesma Escola no Curso de Iniciação Agrícola, e em seguida o Curso de Técnico Agrícola, formando-se em 1966. Em 1967, foi para o Rio de Janeiro, para a Universidade Rural, onde fazia o Curso de Educação Técnica. Em 1968, foi preso no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna. Com a edição do AI-5, devido à intensidade da repressão política foi para a clandestinidade. Mais tarde mudou-se para o Araguaia, indo viver nas margens do Rio Gameleira e integrando-se ao Destacamento B das Forças Guerrilheiras. Foi visto pela última vez por seus companheiros no início do ano de 1974. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto em out/74, na localidade de Saranzal." ============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) JOSÉ MAURÍLIO PATRÍCIO (1944-1974) Capixaba de Santa Teresa, em 1967 José Maurílio foi para o Rio de Janeiro estudar na Universidade Rural, onde cursou Educação Técnica. Em 1968, foi preso no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). Após a edição do AI-5, passou a atuar na clandestinidade. Mais tarde, já militante do PCdoB, mudou-se para o Araguaia, indo viver nas margens do Rio Gameleira e integrando-se ao Destacamento B. Adotou então o codinome Manoel. Teria realizado curso de guerrilha "provavelmente na China", segundo informa o relatório do Exército, de 1993. A última informação sobre ele no Relatório Arroyo é de que, "[...] junto com Suely Kamayano havia saído antes do dia 25/12/73, para buscar Cilon e José Lima Piauhy Dourado. Deveriam retornar dia 28/12, ao local onde houve o tiroteio do dia 25/12. Nunca mais foram vistos". Em agosto de 1974, José Maurílio foi julgado à revelia e condenado a seis meses de reclusão. Mas sua morte teria ocorrido pouco depois, no mês de outubro do mesmo ano, na região de Saranzal, em Xambioá, segundo consta no relatório da Marinha, também de 1993. Segundo o advogado Paulo Fonteles Filho, na verdade, Saranzal fica entre as operacionais OP2 e OP3, entre os municípios de São Domingos e Brejo Grande. Documentação de 1º de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra a data de sua morte em setembro de 1974. ================================================================================================== Detalhes. 21/05/2005 às 00:00:00 - Atualizado em 19/07/2008 às 16:06:37 Histórias de vida Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha que a Geração Editorial de São Paulo acaba de publicar, neste mês de abril, é uma obra imprescindível como todas as que se dispõem contar o que a História oficial tenta escamotear, esconder ou negar. Com base "em documentos produzidos por integrantes das Forças Armadas e guerrilheiros, entrevistas com moradores da região, sobreviventes da luta e familiares", coletados por Taís Morais e analisados, juntamente com Eumano Silva, num trabalho de três anos, é uma obra que, além da importância dos documentos que apresenta e dos fatos que relata, tem a qualidade da clareza que, inclusive, se mostra, também, no índice remissivo, de extrema importância em textos que se constituirão, um valioso material de consulta. Igualmente, se constitui um comovente testemunho sobre a trajetória desses brasileiros que acreditaram ser possível mudar uma ordem estabelecida - que tem se mostrado inexpugnável - e daqueles que, parte do Exército, foram mortos sem conhecerem as razões pelas quais perderam a vida. Jovens do interior do Brasil, oriundos de família numerosa que desejavam ajudar, lutando no seu próprio pais em campos opostos, José Maurílio Patrício e Ovídio França Gomes tiveram, ambos, seu destino selado em 1974. José Maurílio Patrício, nascido, em 1944, num povoado do Espírito Santo, segundo filho dos sete de um casal nordestino, teve uma infância feliz .Desejava comprar uma Kombi para levar seus país e irmão passear em Sergipe onde estavam as raízes da família. Como estudante de Agronomia, o gosto de ler e de estudar o aproximou do movimento estudantil e para atuação política. Em 1970, foi para o Araguaia e se integrou no Destacamento B, recebendo o codinome de Manoel. Desaparecido em 1973, a Marinha registrou sua morte em 1974. Ovídio França Gomes era o mais velho de seus doze irmãos e o apego pela família fez com que desde cedo procurasse melhorar-lhes o padrão de vida o que foi possível graças a seu soldo de soldado e, depois, de cabo. Em fevereiro de 1974, se encontra nas selvas do Pará, parte de um "pelotão de jovens inexperientes em ações de contraguerrilha. Ao fazer uma ronda com os demais companheiros, volta na frente. O soldado encarregado de fazer a comida e vigiar o acampamento, não reconhece o vulto que se aproxima e dispara. Ovídio morre aos vinte e seis anos, metralhado por engano. Entre os militantes guerrilheiros e os soldados do Exército, os habitantes da região. Muitos, prestavam ajuda desinteressada aos militantes, deixando de informar sua presença,atendendo pedidos para compra de alimentos, para cuidar da lavoura dos animais, para dar comida ou um pouso. Outros, talvez, movidos por interesse pois o Exército oferecia dinheiro por informações, auxiliavam os militares ou guiando-os na mata, ou delatando ou entregando os militantes. Em maio de 1972, guerrilheiros do Destaca mento C iriam passar pela casa de um camponês, que se dispusera a comprar um rolo de fumo. Um dos militantes que já o ajudara muitas vezes, o considerava um amigo o que não era compartilhado pelos demais. Mesmo assim, Bérgson Gurjão Farias guiava o grupo até sua casa. Antes de chegar, uma rajada de metralhadora deixou seu corpo crivado de balas. Foi o primeiro militante morto no Araguaia. Miguel, um dos que conseguiu fugir da emboscada, diante de um novo perigo, torna a fugir e sobrevive quatro dias, perambulando na selva. Ao avistar uma casa, se aproxima e, faminto, esquece a precaução. Pede comida. Aquele a quem se dirigira o observa, entra em casa e volta com um "prato branco, aquele de estanho esmaltado, cheio de leite com farinha. Miguel leva à boca a primeira colherada. Mas não a segunda pois a bota de um soldado chuta o prato para longe. (por Luiz Antonio in Paraná On Line) ====================================================================================================== Ficha José Maurílio Patrício Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Maurílio Patrício Cidade: (onde nasceu) Santa Tereza Estado: (onde nasceu) ES País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/10/1974 PA Brasil região do Araguaia, localidade de Saranzal Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Foto original e preto e branco de rosto. Relatório Documento do arquivo do DOPS com a lista dos estudantes participantes do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, em 1968. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111020/326cb535/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13320 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111020/326cb535/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 20 20:41:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 20 Oct 2011 20:41:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Mostra_Internacional_de_Cinema_de?= =?iso-8859-1?q?_S=E3o_Paulo=2E_=22_MARIGHELLA_=22=2E____Pr=E9-estr?= =?iso-8859-1?q?=E9ia_dia_23_de_outubro_=E0s_22=2C30_hs=2E_Rua_Augu?= =?iso-8859-1?q?sta_2075?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111020/3ba6e97a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 182018 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111020/3ba6e97a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 21 19:45:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 21 Oct 2011 19:45:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ANT=D4NIO_MARCOS_PINTO_DE_OLIVEIRA___?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCLXXIX-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ANTÔNIO MARCOS PINTO DE OLIVEIRA (1950-1972) Filiação: Heloíza Pinto de Oliveira e Januário de Almeida de Oliveira Data e local de nascimento: 16/02/1950, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 29/03/1972, no Rio de Janeiro (RJ) LÍGIA MARIA SALGADO NÓBREGA (1947-1972) - (veja na série nº XXII) MARIA REGINA LOBO LEITE DE FIGUEIREDO (1938-1972) - (veja na série nº XXII) WILTON FERREIRA ( ? -1972) - (veja na série CCXIII) Esses quatros militantes da VAR-Palmares foram mortos no Rio de Janeiro em 29/03/1972, em circunstâncias até hoje não esclarecidas, ficando o episódio registrado como "Chacina de Quintino". A versão dos órgãos de segurança só foi divulgada uma semana depois, em 06/04/1972. A manchete dos jornais informava que nove militantes teriam se entrincheirado na casa 72, na Avenida Suburbana, nº 8695, bairro de Quintino, naquela data, tendo três deles morrido no local (Antônio Marcos, Lígia Maria e Maria Regina), enquanto os demais teriam conseguido fugir. Segundo o "livro negro" do Exército, essa residência seria o aparelho onde moravam James Allen da Luz, o principal dirigente da VAR naquele momento e Lígia Maria. O número da casa também é informado em documentos oficiais como sendo 8988. Outro militante, ainda não identificado segundo as informações publicadas, teria morrido em uma oficina mecânica da VAR-Palmares, em Cavalcanti. O "livro negro" o indica como sendo Hilton Ferreira, com H no nome, em vez de W. As primeiras notícias trocavam as identidades dos mortos. Entre os nomes de Quintino, não se incluía Antonio Marcos e sim James Allen da Luz, dirigente da mesma organização, que fugiu do cerco. Maria Regina era citada como morta, mas a foto publicada era de Ranuzia Alves Rodrigues, que morreria em 1973. Somente o nome de Ligia aparecia corretamente, mas a entrada de seu corpo no IML, datada de 30 de março pela guia nº 1, é de uma desconhecida, assim como dos outros. Dias depois, foi divulgado o nome Hilton Ferreira como sendo a identidade do militante morto na oficina mecânica, à Rua Silva Vale, 55, Cavalcanti. Antônio Marcos era carioca, seminarista e atuou no Movimento Estudantil entre 1966 e 1968. Estudou no Colégio João Alfredo, onde teve uma de suas poesias premiada em concurso interno do colégio. Durante o seminário participou de um trabalho comunitário em Osvaldo Cruz, subúrbio do Rio, na paróquia do Padre João Daniel. Depois de militar na Ala Vermelha, ingressou na VAR-Palmares. Em 1971 foi força do a ir para a clandestinidade, quando foram presos vários companheiros do trabalho comunitário em Osvaldo Cruz, noticiado na imprensa como Grujoc, isto é, Grupo de Jovens de Osvaldo Cruz. Foi morto aos 22 anos. Lígia Maria nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, mas viveu desde criança em São Paulo, terceira numa família de seis irmãos. Tinha estudado no Colégio Estadual Fernão Dias Pais, no bairro de Pinheiros, onde fez o Curso Normal. Em 1967, ingressou na Pedagogia da USP, onde se destacou por sua capacidade intelectual, pela liderança no Grêmio da Pedagogia e por buscar modernizar métodos de ensino. Trabalhava também como professora. Em 1970, engajou-se nas atividades clandestinas da VAR-Palmares. Os órgãos de segurança a indicavam como participante da execução de um marinheiro inglês, David Cuthberg, em 5/2/1972, numa ação que pretendia simbolizar a solidariedade dos Revolucionários brasileiros com a luta do povo irlandês e com o IRA. Foi morta aos 24 anos, quando estava grávida de dois meses. Maria Regina nasceu no Rio de Janeiro, sendo a quinta dentre seis filhos de um médico pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz e de uma assistente social do Inamps. Fez o primário e o ginásio no Colégio Sacre-Couer de Jesus e o científico nos colégios Resende e Aplicação da Faculdade Nacional de Filosofia. Formou-se em Pedagogia em 1960, pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Foi integrante da JEC e da JUC e desenvolveu longo trabalho como educadora na cidade de Morros, interior do Maranhão, por meio do Movimento de Educação de Base-MEB, apoiado pela Igreja Católica. Ali permaneceu entre dois e três anos, sendo transferida para Recife, onde conheceu Raimundo Gonçalves Figueiredo, com quem se casou em 1966, sendo então militantes da AP. Juntos, trabalharam em um projeto de educação de índios no Paraná, por meio da Funai. Raimundo tinha sido morto em 28 de abril de 1971, em Recife, conforme já registrado neste livro-relatório. Após a morte do companheiro, Maria Regina voltou ao Rio de Janeiro. O casal deixou duas filhas: Isabel e Iara, que tinham três e quatro anos quando a mãe foi morta, aos 33 anos. Consta, no "livro negro" do Exército, que Maria Regina era a responsável pelo setor de imprensa da organização no Rio de Janeiro, que produzia o jornal União Operária. Sobre Wilton, a CEMDP não possui qualquer dado e nem sequer a certeza de ser este o seu nome verdadeiro. O processo foi protocolado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos na expectativa de que sua família pudesse ser localizada, o que não ocorreu. Seu nome constava em dossiês anteriores como Wilson Ferreira ou como Hilton Ferreira, nome que também consta nos documentos oficiais relativos à morte, junto ao de Onofre Rodrigues de Moraes, que seria sua identidade falsa. A verdade dos fatos nunca foi estabelecida. James Allen da Luz, que estava na casa de Quintino e conseguiu fugir, relatou a companheiros que chegou a ver quando Maria Regina foi ferida na perna, sendo presa pelos agentes policiais. Sua família, ao receber o corpo, constatou que tinha a perna inchada, o que indica não ter morrido naquele momento. Maria Regina estivera na véspera na casa de sua irmã Maria Alice, onde viviam suas duas filhas, tendo ali pernoitado, o que fazia com alguma freqüência. No dia seguinte, despediu-se dos familiares no bairro de Bonsucesso. A família viajou e somente no dia 3 de abril. Maria Alice foi avisada por telefone da prisão de Maria Regina no dia 29 de março, com a informação de que fora ferida na perna. O telefonema alertava a família para que a buscasse imediatamente, pois estava presa há muitos dias. Procuraram imediatamente o Departamento de Relações Públicas do Exército, que negou a prisão. Mas, por meio de um militar amigo, souberam que ela estava presa, em situação muito grave. No dia 5 de abril, no início da tarde, o mesmo amigo informou à família que ela acabara de morrer e que as notícias seriam divulgadas ainda naquela noite e nos jornais do dia seguinte, o que de fato ocorreu, mas com a falsa versão de morte em tiroteio e sem a sua identificação. No dia 6 de abril, ao comparecer ao IML para reconhecer o corpo, sua irmã e o cunhado, ambos médicos, constataram escoriações generalizadas e marcas de vários tiros, que segundo eles certamente eram posteriores ao alojado na perna, onde havia reação inflamatória. O corpo ainda não fora necropsiado e tiveram que providenciar prova datiloscópica para que fosse liberado. Em 7 de abril, foi finalmente fornecido o óbito, assinado por Eduardo Bruno, tendo como base autopsia detalhada que teria sido feita em 30 de março, antes da data em que os familiares viram o corpo, que não possuía nenhuma sutura da incisão de autopsia. Maria Regina dera entrada no IML como desconhecida, com a guia nº 2, proveniente do DOPS, com a data da morte de 30 de março. Portanto, morreu no dia seguinte à sua prisão. O laudo dizia que a morte foi causada por "feridas transfixantes de crânio e tórax com destruição parcial do encéfalo, lesão da artéria aorta, hemorragia interna e conseqüente anemia aguda". Os familiares denunciaram, em seu pedido à CEMDP, a existência do laudo necroscópico detalhado e assinado, com data anterior à morte, quando podiam testemunhar que o cadáver não apresentava incisão de autopsia. Maria Regina foi sepultada pela família no Cemitério São João Batista. Os quatro laudos foram assinados pelos legistas Valdeci Tagliari e Eduardo Bruno. Fotos e perícia de local, feitas pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (RJ), mostram os corpos. Os peritos, que compareceram ao local a 1h50 do dia 30 de março, registraram em histórico ao diretor do DOPS, "que os exames se tornaram prejudicados face ao local se encontrar desfeito", limitando-se portanto a constatar e fotografar os corpos. O laudo de Antonio Marcos registra "feridas transfixantes de tórax e abdômen com perfuração de pulmão, coração, fígado, estômago e rins, hemorragia interna e anemia aguda consecutiva". O corpo chegou ao IML com a guia nº 3, como desconhecido. Conseguiu ser retirado por seu pai, em 10/04/1972, por pressão da Igreja, pois seu tio era padre influente no Rio de Janeiro. Mas foi entregue num caixão lacrado, onde só aparecia o rosto. Ao mesmo tempo, foram feitas ameaças para que não abrissem o caixão e nem denunciassem as condições em que havia sido entregue. O enterro, em 11/04/1972, realizado no Cemitério São Francisco Xavier, teve a presença de policiais que continuaram com as ameaças. A família de Lígia morava em São Paulo e recebeu a visita de um agente policial, que buscava informações sobre ela, pouco antes de ver anunciada sua morte por noticiário na televisão. Lígia foi reconhecida no IML pelo irmão Francisco, médico, no dia 07/04, comprovando a presença em seu corpo de escoriações e manchas escuras nas costas e nas regiões laterais do corpo, além das marcas de tiros na cabeça e no braço. Segundo o informe nº 19/72 do DOI/I Exército, difundido internamente para diversos órgãos de segurança, Wilton teria sido morto na oficina mecânica da VAR-Palmares em Cavalcanti, local onde os carros eram pintados, seus motores recebiam números falsos e as placas eram trocadas. Além da morte de Wilton, teria havido a prisão de um militante, que não é identificado, e a fuga de outro, cujo nome tampouco foi revelado. Documentos localizados no IML e no DOPS/RJ mostram que, em 30/03/1972, o cadáver que deu entrada com a guia nº 4 morto um dia antes, fora identificado como Wilton Ferreira. O atestado de óbito, firmado por Valdecir Tagliari informa que morreu devido a feridas transfixantes do tórax, abdômen e perfuração dos pulmões, indicando que seria de cor branca e teria 25 anos presumíveis. O reconhecimento teria sido feito através de suas digitais, confrontadas no Instituto Felix Pacheco. Estranhamente, em resposta à solicitação de informações da CEMDP, o Instituto Felix Pacheco informou que Wilton não requereu a carteira de identidade. Forneceu, entretanto, seu número de RG, acrescentando que era natural do Rio de Janeiro, filho de Maria Ferreira Dias. Wilton foi enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, no Rio, em 27/06/1972, o que é mais estranho ainda, por ocorrer quase três meses após a morte. Em 06/02/1978, seus restos mortais foram para um ossuário geral e, no início da década de 80, transferidos para uma vala clandestina com cerca de 2.000 ossadas de indigentes. Não tendo sido localizados seus familiares, o processo na CEMDP foi retirado de pauta sem exame do mérito. O primeiro processo a ser votado na Comissão Especial foi o de Antonio Marcos, tendo sido os pedidos dos familiares de Lígia e Maria Regina distribuídos ao mesmo relator. Com a constatação de tamanhas contradições e omissões nos documentos oficiais, além da prova documentada pelos próprios peritos do Instituto Carlos Éboli de que o local da morte fora alterado, a CEMDP acompanhou por unanimidade o voto do relator nos três processos, deferindo os pedidos. O caso Wilton não foi julgado porque sem a localização de parentes restaria descumprir o quesito essencial da Lei nº 9.140/95. ============================================================================================================================ + Informações. ANTÔNIO MARCOS PINTO DE OLIVEIRA Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Nasceu em 16 de fevereiro de 1950, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Januário de Almeida de Oliveira e Luiza Pinto de Oliveira. Antônio Marcos atuou no movimento estudantil carioca nos anos de 1966 a 68, como secundarista. Foi estudar no Seminário e, em 1970/71, passou a fazer parte de um trabalho comunitário em Osvaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro, na paróquia do Padre João Daniel. Depois de militar na Ala Vermelha, ingressou na VAR-Palmares. Em 1971, foi forçado a ir para a clandestinidade, quando foram presos vários amigos que, com ele, faziam o trabalho comunitário em Osvaldo Cruz. Morto aos 22 anos de idade por agentes do DOI-CODI/RJ, em 30 de março de 1972, junto com Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo e Lígia Maria Salgado Nóbrega. Antônio Marcos e seus companheiros estavam na casa de n° 72 da Avenida Suburbana n° 8988, Rio de Janeiro, quando os policiais do DOI-CODI/RJ iniciaram o tiroteio. De imediato, a porta foi arrombada pela explosão de uma granada, por onde os policiais entraram, atirando a esmo. Antônio Marcos ficou ferido e, mesmo assim, começou ali mesmo a ter torturado. O corpo chegou ao IML como desconhecido, pela Guia n° 03 do DOPS. A necrópsia foi feita pelos Drs. Valdecir Tagliari e Eduardo Bruno. Fotos e laudo de perícia de local (n° 1884/72, Ocorrência n° 264/72) feitas pelo Instituto Carlos Éboli mostram o corpo de Antônio Carlos baleado. O corpo foi retirado por seu pai, em 10 de abril de 1972, por pressão de alguns setores da Igreja, visto seu tio ser padre influente no Rio de Janeiro e entregue à família num caixão lacrado, onde só aparecia o rosto. Ao mesmo tempo, foram feitas ameaças de que não abrissem o caixão ou sequer denunciassem as condições em que havia sido entregue. O enterro, em 11 de abril de 1972, realizado no Cemitério São Francisco Xavier, teve a presença de policiais que continuaram com as ameaças. O jornal "Correio da Manhã", publicou, em 06 de abril de 1972, notícia de sua morte sob o título: "Terroristas Morrem em Tiroteio: Quintino", onde seu nome, capciosamente, foi substituído pelo de James Allen da Luz, militante da VAR-Palmares que conseguiu fugir do cerco à casa onde Antônio Marcos se encontrava. Inclusive, há uma foto de James Allen na matéria. ====================================================================================== + Detalhes. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO DE JANEIRO ESTUDANTE ASSASSINADO DURANTE REGIME MILITAR RECEBE MEDALHA POST MORTEM O deputado Chico Alencar (PT) entregou nesta sexta-feira (08/11), a Medalha Tiradentes post mortem ao seminarista Antônio Marcos Pinto de Oliveira, torturado e assassinado em 29 de março de 1972 pela ditadura militar. A medalha foi entregue à irmã de Antônio Marcos, Maria de Fátima Oliveira de Almeida, que agradeceu a presença de todos os amigos e disse que a memória do irmão está na consciência de cada um. Nascido em 16 de fevereiro de 1950, na cidade do Rio de Janeiro, o homenageado era considerado por amigos e familiares um jovem alegre e idealista. Marquinhos - assim chamado pela família - era integrante do movimento Juventude Estudantil Católica e também fazia parte de uma organização política clandestina de oposição ao regime militar. Pelo seu envolvimento na clandestinidade, o estudante passou a ser procurado pelos órgãos de repressão. Chico Alencar disse que a solenidade é histórica e resgata parte da esperança tão sonhada pelo estudante. "Marquinhos tinha uma coragem incomparável que o impulsionou a lutar contra a ditadura. Tenho orgulho de fazer parte dessa geração que luta por mudanças", afirmou. Encerrando a solenidade ao som de Milton Nascimento, amigos da família de Antônio Marcos declamaram poemas de Pablo Neruda e de Tiradentes. =============================================================================================== Ficha Antonio Marcos Pinto de Oliveira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Antonio Marcos Pinto de Oliveira Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 16/2/1950 Atividade: Seminarista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ala Vermelha Brasil Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Nome falso: (Codinome) Evandro Morto ou Desaparecido: Morto 29/3/1972 Rio de Janeiro RJ Brasil Av. Suburbana, 8988, casa 72, Bairro de Quintino Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Eduardo Bruno, Valdecir Tagliari Biografia Documentos Foto Fotos originais e preto e branco do corpo. Foto Foto original e preto e branco de rosto. Relatório Documento sem data elaborado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos reivindicando a inclusão do nome de Lígia Maria Salgado Nóbrega na lista dos reconhecidos pela Lei 9140, de 05/12/95. Relata brevemente sua vida e militância. Discorre sobre sua prisão e morte na Chacina de Quintino, no Rio de Janeiro, RJ, quando também foram presos e mortos Antônio Marcos Pinto de Oliveira e Maria Regina Lobo Figueiredo. No jornal Correio da Manhã, publicado no Rio de Janeiro, de 06/04/72, em "Terroristas morrem em tiroteio: Quintino", seus companheiros aparecem com os nomes James Allen da Luz e Ranúsia Alves Rodrigues. Segundo familiares de Antônio Marcos, Lígia estava grávida de 2 meses. A tortura é confirmada pelo irmão de Lígia que é médico e reconheceu o corpo, observando que havia escoriações e manchas escuras nas costas e nas regiões laterais do corpo, além dos tiros na cabeça e no braço. Folheto Folheto em homenagem a Lígia Maria Salgado Nóbrega, dando seu nome a uma praça. Inclui foto de rosto em preto e branco e breve história de Lígia, que se engajou em 1970 na Vanguarda Popular Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e foi metralhada em 29/03/72, quando a casa em que se encontrava no bairro de Quintino, na cidade do Rio de Janeiro, foi invadida por agentes do DOI-CODI. Junto com ela morreram seus companheiros Antônio Marcos Pinto de Oliveira e Maria Regina Lobo Leite Figueiredo. O folheto deve ter sido produzido por volta de 1992. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/Estado da Guanabara, de 30/03/72, realizado por Valdecir Tagliari e Eduardo Bruno, identificando o cadáver como sendo de "um homem - rec. como: Antônio Marcos Pinto de Oliveira". Apresenta esquema gráfico do corpo, indicando trajetos de bala. Ofício Memorando da Delegacia de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara ao IML, de 17/04/72, solicitando os autos de exame cadavérico efetuados em duas mulheres e um homem, mortos durante tiroteio, travados com agentes de segurança em Quintino, Rio de Janeiro, na passagem de 29 para 30/03/72. Ofício Guia para o necrotério do IML, da Delegacia Política e Social, da Superintendência de Policia Judiciária, Estado da Guanabara, de 30/03/72, referentes a um homem branco, com dados gerais ignorados. Ofício Memorando da Delegacia de Ordem Política e Social, do Estado da Guanabara ao IML, em 10/04/72, comunicando que o corpo de um desconhecido que foi removido para o IML no dia 29/03/72, posteriormente identificado como sendo de Antônio Marcos Pinto de Oliveira, está liberado, podendo ser entregue a quem o reclamar. Ofício Inventário de vestes e objetos retirados do cadáver, do IML do Estado da Guanabara, em 30/03/72, identificado como sendo de "um homem". Ofício Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 17/08/72, divulgando a outros órgãos de segurança a verdadeira identidade dos "terroristas" mortos durante tiroteio em 30/03/72: Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Wilton Ferreira, Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo e Ligia Maria Salgado Nóbrega. Ofício Documento do Serviço de Informações, do DOPS/SP, de 17/08/72, sobre "terroristas mortos" a ser repassado para a comunidade de informações. Informa a verdadeira identidade de mortos durante tiroteio com órgãos de segurança da Guanabara, em 30/03/72. São eles: Antônio Marcos Pinto de Oliveira, e não James Allen Luz, codinome Evandro; Wilton Ferreira, e não Onofre Rodrigues de Moraes; Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, e não Ranúsia Alves de Oliveira, companheira de Evandro, viúva de Waldemar Rodrigues de Figueiredo, o qual usava os codinomes Marcos ou Chico; e Lígia Maria Salgado Nóbrega, que usava os codinomes, Anita, Célia ou Cecília. Todos eram militantes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Ofício Documento do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA), de 06/06/72. Informa nome de pessoas presas e mortas durante o mês de março de 1972 e a organização às quais pertenciam e solicita os antecedentes de Ruy Osvaldo Aguiar Pfitzenreuter. O documento apresenta carimbo do DOPS. Ofício Documento do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA), de 06/04/72. Informa que, no dia 29/03/72, foram presos integrantes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) que indicaram o endereço de uma oficina mecânica na qual agentes do DOI-CODI-I Exército encontraram Wilton Ferreira (que resistiu à prisão e foi morto) e o de uma residência em que estavam Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Lígia Maria Salgado Nóbrega e Maria Regina Lisboa Leite de Figueiredo (que vieram a falecer depois de tiroteio travado com agentes do DOI-CODI-I Exército). O documento apresenta carimbo do DOPS. Termo de identificação Documento de identificação do corpo, do IML do Estado da Guanabara, preenchido por Januário de Almeida Oliveira, pai de Antônio Marcos, em 10/04/72. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111021/36a03868/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8370 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111021/36a03868/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 21 19:45:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 21 Oct 2011 19:45:49 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__O_assassinato_de_Kadafi_e_a_cr?= =?windows-1252?q?ise_moral_dos_europeus_e_dos_EUA=2E/_e_KHADAFI_MO?= =?windows-1252?q?RREU_COMBATENDO_COM_DIGNIDADE_E_COER=CANCIA_por_M?= =?windows-1252?q?iguel_Urbano_Rodrigues?= Message-ID: <7D78E6D19CE54FC784AFB13BBA71A615@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: DAVIS RIBEIRO DE SENA FILHO O assassinato de Kadafi e a crise moral dos europeus e dos EUA Kadafi: o nacionalista líbio não fugiu e lutou até a morte - foto AFP Como se esperava, os imperialistas (EUA, França, Inglaterra e Itália), com o apoio de grupos líbios derrubaram o presidente da Líbia, Muammar Kadafi. Mais do que isso: o assassinaram como fizeram com o presidente do Iraque, Saddam Hussein, e agora se preparam para saquear as riquezas dos líbios, especialmente no que concerne às reservas de petróleo e gás. Mais uma vez, os imperialistas e colonialistas do ocidente, brancos e cristãos invadem um país soberano em uma cruzada, aos moldes das medievais, para ter o controle da energia fóssil que é o petróleo. São países cujos governos são perigosíssimos, armados até os dentes, possuidores de milhares de ogivas nucleares e com um aparato militar que não poder parar, porque é muito caro e por isso tem de ser usado para atender à trilionária indústria bélica, que é mais letal que o tráfico de drogas internacional. Como se esperava, a morte do dirigente líbio foi tramada nas salas de ONU (Conselho de Segurança dominado por apenas cinco países) e da OTAN (EUA), órgãos de espoliação política e militar, criados para dar ?legalidade? às ações criminosas de guerra dos países ocidentais desenvolvidos, que quase dizimaram seus povos em duas guerras mundiais, em uma selvageria que deixaria qualquer país de periferia que eles consideram selvagem, subdesenvolvido e atrasado com imensa vergonha e com um sentimento animal de ser. Mais uma vez, lideranças contrárias aos interesses da globalização (nova forma de colonialismo e pirataria) foram mortas e seus países invadidos e bombardeados em nome da ?liberdade?, da ?democracia? e de um ?mundo mais seguro?. Enquanto isso, o sistema capitalista excludente e belicoso derrete em Wall Street e nas praças européias importantes como a de Londres, com as populações desses países brancos, cristãos e desenvolvidos a gritar revoltados nas ruas contra a roubalheira do sistema financeiro e da leniência e subserviência de governos que foram e são cúmplices da jogatina praticada por empresas e instituições que, de forma criminosa, levaram à cabo uma crise econômica e financeira sem precedentes, que eliminou milhões de empregos desse povos que deitaram e rolaram durante quase cinco décadas com a opulência e a fartura às custas dos países africanos, asiáticos e principalmente os da América Latina, que sustentaram até a década de 1990 o alto padrão de vida dos europeus, estadunidenses, japoneses e outros países do assim denominado primeiro mundo, como o Canadá e a Austrália. Como se esperava esses governantes de países desenvolvidos que agem secularmente como piratas e que, apesar de historicamente se odiarem, para roubar e matar se unem, porque precisam dessa vil aliança para movimentar seu parque industrial bélico e civil e assim renovar a circulação do dinheiro, inclusive o ilegal, que é lavado nos paraísos fiscais, grosso modo, porque todo mundo sabe disso, mas ninguém pega um tanque ou um míssil para destruir tais ?instituições? financeiras, que fomentam há séculos a fome, a miséria e a exploração dos povos menos desenvolvidos, no que concerne às suas infraestruturas e ao acesso às tecnologias, à educação de qualidade e ao sistema bancário e industrial que garanta a seus países desenvolvimento econômico e bem-estar social, o que é quase impossível alcançar sem o apoio dos países desenvolvidos, que se recusam a efetivar um marco em que a cooperação e o aprendizado sejam a tônica. Mais uma vez na história esses países brancos e cristãos e ocidentais que se comportam como aves de rapina ou como cães predadores optam pelo saque das riquezas alheias e o torna crível e cinicamente aceitável perante a população mundial por intermédio do sistema midiático, notadamente a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?), que porta-voz e ponta-de-lança do sistema de capitais inicia e termina um processo de demonização dos presidentes dos países agredidos e invadidos ao ponto de não se saber, de forma alguma, como pensam, como vivem e o que fazem os povos vítimas de bombas, de mísseis, de todo tipo de armas de grosso calibre, que não têm como se defender contra forças estrangeiras que quase se dizimaram nas duas guerras mundiais iniciadas pelos brancos cristãos e que se consideram, com a maior cara-de-pau possível, civilizados e não selvagens. Como se esperava, Kadafi foi assassinado tal qual ao Saddam. A questão não é se os dois dirigentes eram ditadores. O que importa nesses casos é que os países ocidentais que não se consideram selvagens, o que é uma grande desfaçatez, apoiaram, apóiam e sempre apoiarão ditaduras espalhadas em todo o planeta, porque é assim que esses países, com a ONU e a OTAN usadas como títeres da legalidade, agem em uma conduta para lá de questionável, pois moralmente sem credibilidade no que é relativo às diferenças dos povos, bem como aos seus interesses, que não se coadunam e por isso, geralmente, o país ou aliança mais forte belicamente e que controla regiões diversas por meio da geopolítica ataca seu alvo sem dar satisfação alguma à comunidade internacional, além de fazer da ONU uma organização fantoche, desacredita e humilhada pela prepotência e a arrogância dos Estados Unidos, cujo presidente Barack Obama, apesar da novidade de ser um homem negro, tem os mesmos defeitos, o mesmo perfil e a conduta e estratégias de seus antecessores, que é realizar guerra, invadir países para saquear e ter controle geopolítica de determinadas regiões, ao preço de sangue, muito sangue de povos, neste caso, árabes, que não conseguem há quase dois milênios se livrar de forças estrangeiras que não cansam de matar e de literalmente roubar seus países e sociedades. Mais uma vez, moralmente os Estados Unidos sucumbem principalmente após o monumental desabamento do World Trade Center em 2001 e o derretimento de seu sistema de capitais no fim de 2008. O país do Capitão América aplicou de forma científica a tortura e a aceitou e a efetivou como prática corriqueira e ordinária para ter acesso a informações de pessoas consideradas inimigas, mesmo as que foram presas sem provas e acusação formal, pois desobediente às leis e às normas do Direito Internacional, e negou o mais fundamental e elementar dos direitos de cidadania e da humanidade: o habeas corpus. Seqüestrou, torturou e matou e seus mandatários reconheceram que a tortura era praticada e mesmo assim apoiaram tal ignomínia. Uma vergonha, que deixou a potência mundial como pária no que concerne à civilização, além de ter efetivado uma política diplomática unilateral e isolacionista, o que acarretou o recrudescimento das ações da direita estadunidense no que é referente à legalidade, ao contraditório, ao direito de defesa e no que é civilizado e não selvagem e animalesco. Como se esperava, Muammar Kadafi e as forças regulares e armadas da Líbia foram derrotados. O dirigente líbio ? político nacionalista e que, apesar de seus erros e defeitos, desenvolveu o país do norte da África, que, juntamente com a África do Sul, é um dos dois mais desenvolvidos do continente, com IDH alto ? foi morto, assassinado e mostrado ao público internacional como caça, como troféu. O povo líbio até então, não se sabe como ele vai ficar, tinha acesso a muitos benefícios sociais e que nunca foram mostrados pela imprensa comercial, privada e corporativa do ocidente. Nunca a imprensa hegemônica brasileira veiculou matérias sobre a Líbia, seu desenvolvimento e as conquistas sociais de seu povo, muito avançado para os padrões africanos. Essa imprensa apenas se preocupou em demonizar o presidente líbio, a fim de dar legalidade e razão às ações de pirataria explícita da OTAN, ou seja, dos EUA, da França, da Inglaterra e da Itália, países em profunda crise econômica e financeira e moralmente abalados, no que é relativo a discernir sobre o que é humano, legal e justo. É isso aí. Davis Sena Filho http://jblog.jb.com.br/palavralivre/2011/10/20/o-assassinato-de-kadafi-e-a-crise-moral-dos-europeus-e-dos-eua/ -------------------------------------------------------------------------------- KHADAFI MORREU COMBATENDO COM DIGNIDADE E COERÊNCIA Miguel Urbano Rodrigues A foto divulgada pelos contra-revolucionários do CNT elimina dúvidas: Muamar Khadafi morreu. Notícias contraditórias sobre as circunstâncias da sua morte correm o mundo, semeando confusão. Mas das próprias declarações daqueles que exibem o cadáver do líder líbio transparece uma evidência: Khadafi foi assassinado. No momento em que escrevo, a Resistência líbia ainda não tornou pública uma nota sobre o combate final de Khadafi. Mas desde já se pode afirmar que caiu lutando. A midia a serviço do imperialismo principiou imediatamente a transformar o acontecimento numa vitória da democracia, e os governantes dos EUA e da União Europeia e a intelectualidade neoliberal festejam o crime, derramando insultos sobre o último chefe de Estado legitimo da Líbia. Essa atitude não surpreende, mas o seu efeito é oposto ao pretendido: o imperialismo exibe para a humanidade o seu rosto medonho. A agressão ao povo da Líbia, concebida e montada com muita antecedência, levada adiante com a cumplicidade do Conselho de Segurança da ONU e executada militarmente pelos EUA, a França e a Grã Bretanha deixará na História a memória de uma das mais abjectas guerras neocoloniais do início do século XXI. Quando a OTAN começou a bombardear as cidades e aldeias da Líbia, violando a Resolução aprovada sobre a chamada Zona de Exclusão aérea, Obama, Sarkozy e Cameron afirmaram que a guerra, mascarada de «intervenção humanitária», terminaria dentro de poucos dias. Mas a destruição do país e a matança de civis durou mais de sete meses. Os senhores do capital foram desmentidos pela Resistência do povo da Líbia. Os «rebeldes», de Benghazi, treinados e armados por oficiais europeus e pela CIA, pela Mossad e pelos serviços secretos britânicos e franceses fugiam em debandada, como coelhos, sempre que enfrentavam aqueles que defendiam a Líbia da agressão estrangeira. Foram os devastadores bombardeamentos da OTAN que lhes permitiram entrar nas cidades que haviam sido incapazes de tomar. Mas, ocupada Tripoli, foram durante semanas derrotados em Bani Walid e Sirte, baluartes da Resistência. Nesta hora em que o imperialismo discute já, com gula, a partilha do petróleo e do gás libios, é para Muamar Khadafi e não para os responsáveis pela sua morte que se dirige em todo o mundo o respeito de milhões de homens e mulheres que acreditam nos valores e princípios invocados, mas violados, pelos seus assassinos. Khadafi afirmou desde o primeiro dia da agressão que resistiria e lutaria com o seu povo ate à morte. Honrou a palavra empenhada. Caiu combatendo. Que imagem dele ficará na História? Uma resposta breve à pergunta é hoje desaconselhável, precisamente porque Muamar Khadafi foi como homem e estadista uma personalidade complexa, cuja vida reflectiu as suas contradições. Três Khadafis diferentes, quase incompatíveis, são identificáveis nos 42 nos em que dirigiu com mão de ferro a Líbia. O jovem oficial que em 1969 derrubou a corrupta monarquia Senussita, inventada pelos ingleses, agiu durante anos como um revolucionário. Transformou uma sociedade tribal paupérrima, onde o analfabetismo superava os 90% e os recursos naturais estavam nas mãos de transnacionais americanas e britânicas, num dos países mais ricos do mundo muçulmano. Mas das monarquias do Golfo se diferenciou por uma politica progressista. Nacionalizou os hidrocarbonetos, erradicou praticamente o analfabetismo, construiu universidades e hospitais; proporcionou habitação condigna aos trabalhadores e camponeses e recuperou para uma agricultura moderna milhões de hectares do deserto graças à captação de águas subterrâneas. Essas conquistas valeram-lhe uma grande popularidade e a adesão da maioria dos líbios. Mas não foram acompanhadas de medidas que abrissem a porta à participação popular. O regime tornou-se, pelo contrário, cada vez mais autocrático. Exercendo um poder absoluto, o líder distanciou-se progressivamente nos últimos anos da política de independência que levara os EUA a incluir a Líbia na lista negra dos estados a abater porque não se submetiam. Bombardeada Tripoli numa agressão imperial, o país foi atingido por duras sanções e qualificado de «estado terrorista». Numa estranha metamorfose surgiu então um segundo Khadafi. Negociou o levantamento das sanções, privatizou empresas, abriu sectores da economia ao imperialismo. Passou então a ser recebido como um amigo nas capitais europeias. Berlusconi, Blair, Sarkozy, Obama ,Sócrates receberam-no com abraços hipócritas e muitos assinaram acordos milionarios , enquanto ele multiplicava as excentricidades, acampando na sua tenda em capitais europeias. Na última metamorfose emergiu com a agressão imperial o Khadafi que recuperou a dignidade. Li algures que ele admirava Salvador Allende e desprezava os dirigentes que nas horas decisivas capitulam e fogem para o exílio. Qualquer paralelo entre ele e Allende seria descabido. Mas tal como o presidente da Unidade Popular chilena, Khadafi, coerente com o compromisso assumido, morreu combatendo. Com coragem e dignidade. Independentemente do julgamento futuro da História, Muamar Khadafi será pelo tempo afora recordado como um herói pelos líbios que amam a independência e liberdade. E também por muitos milhões de muçulmanos. A Resistência, aliás, prossegue, estimulada pelo seu exemplo. Vila Nova de GAIA, no dia da morte de Muamar Khadafi -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111021/3777fd64/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 22 15:23:13 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 22 Oct 2011 15:23:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__IURI_XAVIER_PEREIRA__e__MARCOS_NONAT?= =?iso-8859-1?q?O_DA_FONSECA______________________-CCLXXX-?= Message-ID: <55D024BEB7E140F3AFD3EE1517A55B9B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ANA MARIA NACINOVIC CORREA (1947-1972)-(veja na série : PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! nº XVI ) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 14/6/1972, em São Paulo IURI XAVIER PEREIRA (1948-1972) Filiação: Zilda Paula Xavier Pereira e João Baptista Xavier Pereira Data e local de nascimento: 02/08/1948, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 14/06/1972, em São Paulo (SP) MARCOS NONATO DA FONSECA (1953-1972) Filiação: Leda Nonato Fonseca e Octávio Fonseca Filho Data e local de nascimento: 01/06/1953, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 14/06/1972, em São Paulo (SP) Enquanto os militantes da ALN, Ana Maria Nacinovic Correa, Iuri Xavier Pereira, Marcos Nonato da Fonseca e Antônio Carlos Bicalho Lana almoçavam no restaurante Varella, no bairro da Mooca, em São Paulo, no dia 14/6/1972, o proprietário do estabelecimento, Manoel Henrique de Oliveira, telefonou para a polícia avisando da presença em seu restaurante de algumas pessoas cujas fotos estavam nos cartazes de terroristas procurados. Rapidamente, os agentes do DOI-CODI montaram uma emboscada em torno do restaurante, mobilizando grande contingente policial. Como saldo da operação, morreram Ana Maria, Iuri e Marcos Nonato, ao passo que Antônio Carlos Bicalho Lana conseguiu escapar ferido, e relatou o ocorrido a seus companheiros. Ana Maria cursou o primário, ginásio e científico no Colégio São Paulo mantido por freiras em Ipanema, no Rio de Janeiro. Simultaneamente, estudava piano com o professor Guilherme Mignone. Possuindo ouvido privilegiado, era estimulada pelo seu mestre a dedicar-se mais à arte. Terminou o científico com 17 anos e sua inclinação para a matemática levou-a a freqüentar curso pré-vestibular para engenharia, plano que abandonou em função do casamento. Aos 21 anos ingressou como segunda colocada, na Faculdade de Belas Artes. Ligou-se à ALN no Rio de Janeiro mas foi deslocada para o comando regional da organização em São Paulo, onde participou de inúmeras ações armadas, entre 1971 e 1972. Tinha sido a única sobrevivente da emboscada em que um comando da ALN caiu, armada pelo DOI-CODI/SP em setembro do ano anterior, na rua João Moura, em São Paulo, conforme já relatado na apresentação dos casos Antonio Sérgio de Matos, Manuel José Mendes Nunes de Abreu e Eduardo Antonio da Fonseca. Segundo sua mãe, "para a idealista que era, o que sempre demonstrou no seu dia-a-dia em atitudes de solidariedade em relação ao próximo, caíram em campo fértil as sementes de rebelião contra o regime autoritário que dominava o país. Era a época aterrorizante do ditador Emílio Garrastazu Médici. Aquela mocinha inexperiente, mal saída dos bancos escolares e de um casamento frustrado, aos poucos se converteria na guerrilheira cujos retratos nos aeroportos, rodoviárias e outros lugares públicos, apontavam como uma subversiva perigosa. Seguiu-se uma época de aflição e angústia para sua mãe e demais familiares, até que chegasse o momento fatal. Momento em que toda a ternura daquele coraçãozinho que só aspirava à igualdade entre os homens, daqueles imensos olhos azuis que só queriam contemplar o lado bom da vida, converteu-se em escuridão e trevas". Iuri foi o primeiro filho de João Baptista e Zilda de Paula Xavier Pereira militantes comunistas e membros do PCB. Era irmão de Alex de Paula Xavier Pereira, também militante da ALN, morto em janeiro de 1972. Em 1965, ingressou na Escola Técnica Nacional e atuou intensamente na organização dos estudantes técnicos, fundando e dirigindo a UNETI. Na militância clandestina participou ativamente da luta interna no PCB, transformando o Comitê Secundarista num foco de crítica às teses defendidas pelo PCB na preparação do seu VI Congresso, a partir do qual acompanhou Carlos Marighella na fundação da ALN. Sempre preocupado com a formação dos militantes e com o desenvolvimento da imprensa revolucionária, fundou e dirigiu órgãos informativos no Movimento Estudantil: O Moita, que depois passou a se chamar Radar, na Escola Técnica, e O Micro, órgão oficial da AETI. Na ALN, junto com Gelson Reicher, produziu os jornais 1º de Maio e Ação, ao mesmo tempo em que retomou a publicação de O Guerrilheiro. Em 1970, passou a integrar o Comando Nacional da ALN. Sua mãe foi presa e torturada em 1969, conseguindo fugir da prisão e refugiar-se em Cuba depois de algum tempo na militância clandestina. Iuri era um dos militantes mais temidos pelos agentes dos órgãos de segurança e tinha escapado da morte muitas vezes, furando os cercos policiais. Os órgãos de segurança incluem seu nome entre os membros do alcunhado "3º Exército", da ALN, o grupo de militantes que recebeu treinamento de guerrilhas em Cuba, em 1969. Era acusado de participação em dezenas de operações armadas, inclusive da execução do industrial Albert Henning Boilesen. Em dezembro de 1971, escreveu à mãe: "Quero que você tenha a certeza que, haja o que houver, serei sempre fiel ao seu exemplo e ao de Marighella. Não mancharei a firmeza que me deram. Qualquer coisa que houver, saberei preservar a organização, pois a vacilação diante do inimigo não faz parte do que aprendi". Iuri foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus (SP) e somente em 1982 seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro, junto com os do irmão Alex. Agentes policiais estiveram presentes na cerimônia em São Paulo e acompanharam ameaçadoramente a chegada dos corpos no Rio de Janeiro, portando metralhadoras. Marcos Nonato era estudante secundarista do Colégio Pedro II, em Humaitá no Rio de Janeiro, onde começou sua militância política. De origem humilde e afrodescendete, cuidava dos irmãos menores enquanto seus pais trabalhavam: ela, como manicure, ele, como cozinheiro. Morava numa casa muito simples em São Conrado. Nutria admiração especial pela vida e atitudes de Dom Helder Câmara em favor dos necessitados. No final de 1969, com 16 anos, já atuava clandestinamente, militando na ALN. Durante alguns meses, atuou no regional de Minas Gerais, participando do assalto a banco que terminou na prisão e morte de Aldo de Sá Brito Souza Neto em janeiro de 1971. Depois disso, retornou ao Rio de Janeiro, sendo posteriormente deslocado para São Paulo. Sua mãe guarda a última carta que escreveu à família, em 30/12/1971: "Estou escrevendo novamente, depois de um longo tempo sem mandar notícias. (...) O povo perdeu combatentes de valor, como Marighella, Câmara Ferreira, Lamarca e tantos outros. Mas, apesar disso, nossa luta não terminou, porque é a luta de um povo contra seus opressores. Estou me lembrando que amanhã vai fazer dois anos em que estivemos juntos pela última vez. Foi numa passagem de ano de 69 para 70... Não me arrependo do caminho que escolhi... Até uma outra vez. Seu saudoso filho". Marcos foi morto aos 19 anos, sendo enterrado no Cemitério São João Batista (RJ), por seus familiares. Quanto às reais circunstâncias da morte dos três, a versão oficial informou sobre o cerco montado pelos agentes de segurança, referindo-se a ferimentos em uma menina, em um transeunte e em dois agentes policiais, não identificados nas matérias publicadas ou nos documentos localizados. Somente a partir da abertura dos arquivos do DOPS/SP começaram a surgir elementos que colocaram em dúvida a versão oficial de que os três teriam morrido em tiroteio. Não foi possível reconstituir toda a verdade dos fatos, mas as mortes certamente não ocorreram no local, conforme a narrativa oficial. Depoimento de uma testemunha, documentos oficiais localizados e perícias realizadas nos restos mortais dos militantes derrubara a versão de morte em tiroteio. A CEMDP apurou que os três militantes não foram levados diretamente ao IML, e sim ao DOI-CODI do II Exército, na rua Tutóia, em cujo pátio foram vistos pelo preso político Francisco Carlos de Andrade. Francisco não conhecia Marcos Nonato, mas reconheceu Ana Maria e Iuri dentre os três corpos que viu no pátio da 36ª DP, sede do DOI-CODI/SP. Na CEMDP, depois de apresentado o voto do processo referente a Ana Maria, houve pedido de vistas e o envio ao perito Celso Nenevê, que recomendou exumação e exame pericial do cadáver, considerando que a má qualidade das fotos anexadas ao processo não permitia análise detalhada dos ferimentos. Não sendo deferido o pedido pela CEMDP, a exumação foi feita a cargo dos familiares, que trouxeram da Argentina os técnicos da Equipe Argentina de Antropologia Forense, e os casos voltaram à pauta em conjunto. A primeira lacuna suspeita é que, tratando-se de um episódio de tamanha violência e proporções, com três mortos e quatro feridos, incluindo dois policiais que não são identificados, não houve perícia de local; não há fotos dos corpos no local onde foram abatidos; não foram encontradas referências às armas apreendidas que os três militantes certamente portavam; não houve exames residuais de pólvora ou balística para determinação dos possíveis responsáveis pelos tiros que teriam atingido os quatro feridos. Enfim, nada foi feito para corroborar a versão oficial. Apesar de os jornais informarem que dali os corpos teriam sido levados para o necrotério, os três militantes não foram levados diretamente ao IML, mas sim ao DOI-CODI do II Exército, onde foram vistos pelo então preso político Francisco Carlos de Andrade, conforme declaração apresentada à CEMDP. Além do testemunho de Francisco, houve comprovação do fato por meio das fichas de identificação de Iuri e Ana Maria, feitas no DOI-CODI do II Exército no mesmo dia 14, localizadas nos arquivos do DOPS/SP. Há ainda registros nos documentos oficiais de que teriam sido feridos, mas nada consta sobre terem sido socorridos. As necropsias, realizadas no IML/SP em 20/06/1972, assinadas pelos legistas Isaac Abramovitc e Abeylard de Queiroz Orsini, confirmam as mortes em tiroteio. Com requisição do delegado Alcides Cintra Bueno Filho, do DOPS, os corpos deram entrada no IML às 17 horas, mas sem roupas. Ana Maria chegou despida, Iuri de cuecas e meias, enquanto Marcos estava de calça, cueca, sapatos e meia. Com certeza, não é possível que com essas vestimentas tivessem almoçado no restaurante e participado de um violento tiroteio, ferindo dois policiais e dois transeuntes, conforme a versão oficial. No contexto da política repressiva vigente na época em que Iuri, Ana Maria e Marcos foram mortos, quando a execução já vinha se tornando rotina para os acusados de participação direta em ações armadas, a relatora do processo na CEMDP afirmou que foi montado um esquema destinado a empreender um cerco definitivo aos militantes, com o objetivo prévio de eliminá-los. "Eles ocupavam posições de destaque dentro da luta armada e estavam sendo caçados pelos agentes policiais. A partir do momento em que o dono do Restaurante Varella denunciou ao DOI-CODI a presença dos quatro em seu estabelecimento, os agentes policiais viram a possibilidade de matá-los. Visando tal fim a permaneceram durante algum tempo nas proximidades do restaurante, organizando cuidadosamente o cerco". Os familiares exumaram os restos de Iuri e Alex. Foram também exumados e examinados os corpos de Ana Maria e Marcos. A identificação das ossadas de Iuri e Alex foi assumida pela família, sendo feita por meio de exame de DNA no Serviço de Huellas Digitales Genéticas - Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de Buenos Aires, aos cuidados do Dr. Daniel Corach. Para cada um dos três militantes, a CEMDP discutiu separadamente as circunstâncias da morte. Para Ana Maria, a análise dos peritos Luís Fondebrider e Celso Nenevê apontou a inexistência de qualquer referência no laudo do IML de fratura ou das lesões visíveis na foto de seu corpo no seio, no ouvido e no pescoço, bem como a existência de disparo característico de tiro de execução, desferido de cima para baixo. Analisando o esqueleto, Fondebrider constatou que somente no fêmur esquerdo detectara fratura peri-mortem, não sendo esse ferimento responsável pela morte de Ana. Juntamente aos ossos, foram localizados três projéteis de arma de fogo, enquanto o laudo indicava apenas dois tiros, tendo um transfixado o corpo. Em conclusão, Ana Maria recebeu dois outros tiros não descritos no laudo. Celso Nenevê destacou que todas as fotos mostram Ana com a boca entreaberta, expondo a arcada dentária superior. Segundo o perito, essa condição "é sugestiva da possibilidade de insuficiência respiratória, a qual poderia ser resultante de lesão em órgãos deste sistema. Como não consta exame interno, nada se pode inferir do motivo da boca estar entreaberta. Outrossim, cabe salientar que a lesão da região mamária direita poderia causar insuficiência respiratória, dependendo para tanto da intensidade (profundidade) e das características do agente causador". Os restos mortais de Iuri foram examinados pelo legista Nelson Massini, que comparou as fotos de seu corpo e o laudo de Isaac Abramovitc e, ainda, o mesmo laudo com os restos ósseos. O legista afirmou que Iuri foi atingido por pelo menos seis projéteis de arma de fogo e não apenas três como indicou o laudo do IML; que seu corpo apresentava lesões evidenciando que foi agredido em vida e, portanto, antes de ser atingido pelos disparos fatais ou ocorrência da morte; destacou duas perfurações de entrada de arma de fogo sobre o coração, não descritas no laudo necroscópico, sendo esses disparos característicos de alvo parado e assim denominados de disparos de misericórdia ou execução. Segundo o legista, "esses disparos apresentam como características a sua localização, próximos um do outro sendo denominados de disparos em 'peneira', e representam alvo parado ou imobilizado. Devido à região letal que atingiram são interpretados como tiros de misericórdia ou execução. Não sendo possível pela ausência das vestes determinar-se as distâncias dos disparos nota-se ainda, que houve a intenção no momento da fotografia de esconder as perfurações com a placa de numeração do cadáver"; os disparos que atingiram o crânio, tanto os descritos no laudo do IML como os encontrados no ato exumatório, foram efetuados com trajetória de cima para baixo, indicando que a vítima encontrava-se em plano inferior ao atirador, fato esse que se choca com a versão de confronto. Para ser atingido desta maneira, Iuri já estaria no chão e dominado. O corpo de Marcos Nonato também foi examinado por Luís Fondebrider e Nelson Massini. Nelson Massini foi taxativo em sua conclusão: Marcos Nonato estava deitado ao ser atingido. O exame pericial de Isaac Abramovitc descrevia que Marcos recebera dois tiros: "ferimento com as características daqueles produzidos pela entrada de projétil de arma de fogo, localizado na linha média da face anterior da porção inferior da região cervical. O projétil, dirigido de frente para trás, de cima para baixo e da direita para a esquerda, fraturou a clavícula esquerda, transfixou o lobo superior do pulmão esquerdo provocou derrame hemorrágico na pleura esquerda, transfixou o omoplata esquerdo e saiu pela região escapular esquerda. Nota-se, ainda, outro ferimento de entrada de projétil de arma de fogo, na região mamária direita, três centímetros para dentro e para cima do mamilo direito". No gráfico que acompanhou o laudo, com a localização da penetração dos projéteis, a descrição do laudo é comprovada: os tiros foram disparados de cima para baixo. Dada sua localização, as trajetórias seriam impossíveis para um tiroteio. O exame das fotos localizadas no DOPS mostrou ainda a existência de lesões não descritas no laudo e indicativas de tortura: "ferimento contundente com área equimótica na região mamária; equimoses profundas sobre os olhos, nariz edemaciado; ferimento corto-contuso próximo à axila esquerda". O exame pericial dos ossos indicou ainda que o corpo não fora aberto para exame. Portanto, o legista descreveu lesões sem constatá-las. A CEMDP concluiu não restar dúvidas de que a morte de Iuri, Ana Maria e Marcos Nonato ocorrera quando estavam em poder dos agentes do Estado, aprovando por maioria de votos os três requerimentos em 24/04/1997. ================================================================================================================= + Informações. IURI XAVIER PEREIRA Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 02 de agosto de 1948 na cidade do Rio de Janeiro, filho de João Batista Xavier Pereira e Zilda Xavier Pereira. Foi morto aos 23 anos de idade, em São Paulo. Fez o primário na Escola Pública Alberto Barth e o secundário no Colégio Anglo Americano e na Escola Escola Técnica Federal Celso Suckovo da Fonseca do Rio de Janeiro. Já na Escola Técnica foi membro ativo do Diretório. Quando se preparava para o vestibular de Engenharia Eletrônica, foi impedido pelas bruscas e violentas mudanças ocorridas no Brasil com o golpe militar de 1964. Viu sua casa ser saqueada e invadida, em função do que sua família foi viver na clandestinidade. Logo após o golpe, entrou para o Partido Comunista Brasileiro e, quando surgiu a perspectiva de uma nova diretriz política, Iuri e seu irmão Alex, alinharam-se com o grupo liderado por Carlos Marighella na ALN. Militou intensamente, desenvolvendo com Gélson Reicher(assassinado em 1972), um trabalho de imprensa clandestina, assumindo a coordenação da ALN, nacional e regional de São Paulo. Foi assassinado numa emboscada montada pelos agentes do DOI-CODI/SP, sob a chefia do agente de nome "Dr. José", com base em informação fornecida pelo alcagüete e dono do Restaurante Varella, Manuel Henrique de Oliveira. A emboscada montada, no dia 14 de junho de 1972, em torno do Restaurante Varella, vitimou além de Iuri, Ana Maria Nacinovic Correia e Marcos Nonato da Fonseca. Os detalhes da emboscada estão na nota referente a Ana Maria Nacinovic Correia. Sua necrópsia, realizada no IML/SP, em 20 de junho de 1972, foi firmada pelos Drs. Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini, que confirmam a morte em tiroteio. Foi enterrado no Cemitério de Perus (SP) como indigente. Em 1982 seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro, juntamente com o corpo de seu irmão Alex. ========================================================================================= MARCOS NONATO DA FONSECA Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nascido a 01 de junho de 1953 na cidade do Rio de Janeiro, filho de Otávio Fonseca e Leda Nonato Fonseca. Estudante secundarista, foi morto aos 19 anos pelo DOI-CODI/SP. Através da informação fornecida pelo alcagüete Manuel Henrique de Oliveira, dono do Restaurante Varella, na Moóca, em São Paulo, a repressão montou uma emboscada, no dia 14 de junho de 1972, que resultou na sua morte e de Ana Maria Nacinovic Corrêa e Iúri Xavier Pereira. Mais informações na biografia de Ana Maria. A solicitação do exame necroscópico foi feita pelo Delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho e o laudo assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard Q. Orsini. Foi enterrado no Cemitério São João Batista/RJ por seus familiares. No Relatório do Ministério da Aeronáutica é mantida a versão policial da época, "após travar violento tiroteio com agentes dos órgãos de segurança, foi ferido e, em conseqüência, veio a falecer no dia 14 de junho de 1972, em São Paulo". ================================================================================================ + Informações. Medalha Chico Mendes: Marcos Nonato Fonseca Marcos Nonato Fonseca 01/06/1953 - 14/06/1972 ? No final dos anos 60, Marcos era mais um estudante secundarista do Colégio Pedro II / Humaitá. De origem humilde, cuidava dos irmãos menores quando voltava do Colégio, enquanto seus pais trabalhavam: ela, como manicure, ele, como cozinheiro. Morava numa casa muito simples em São Conrado. Admirava a vida e a obra de D. Helder Câmara em favor dos necessitados. Assim como aconteceu com vários outros naquela época, Marcos envolveu-se com as lutas estudantis contra a ditadura militar. O ano de 1969 foi decisivo para muitos: após o AI-5, Marcos escolheu manter-se na luta e passou a ser perseguido; foi obrigado a sair de casa no final de 1969 e abandonar o convívio com a família para viver clandestinamente, aos 16 anos, com seus companheiros de luta. Em junho de 1972, Marcos e mais 3 companheiros da ALN (Ana Maria Nacinovic, Iuri Xavier Pereira e Antonio Carlos Bicalho Lana) foram reconhecidos e denunciados pelo dono de um restaurante em São Paulo. Em conseqüência, Marcos, Ana Maria e Iuri foram crivados de balas dentro do restaurante, sem a menor possibilidade de resistência, à vista dos que passavam na rua. Segundo as poucas e desencontradas informações disponíveis, Marcos, Ana Maria e Iuri foram levados ensangüentados e morreram sob intensas torturas, horas depois, em uma unidade militar. Suas famílias receberam os corpos com a 'velha' história de que teriam sido 'mortos em combate'. Sua vida foi ceifada aos 19 anos, mas a memória sobre a generosidade e a humanidade de jovens como Marcos Nonato Fonseca precisam ser eternamente lembradas. Abaixo trechos de sua derradeira carta para a família, seis meses antes de sua morte: "Estou escrevendo novamente, depois de um longo tempo sem mandar notícias. (...) O povo perdeu combatentes de valor, como Marighella, Câmara Ferreira, Lamarca e tantos outros. Mas apesar disso, nossa luta não terminou, porque é a luta de um povo contra seus opressores... Estou me lembrando que amanhã vão fazer dois anos em que estivemos juntos pela última vez. Foi numa passagem de ano de 69 para 70... Não me arrependo do caminho que escolhi... Até uma outra vez. Seu saudoso filho, Marcos Nonato Fonseca. Brasil, 30 de dezembro de 1971" ============================================================================================================ + Informações. quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 Marcos Nonato da Fonseca, o mais jovem da ALN Marcos Nonato da Fonseca, o mais jovem da ALN Gabriel Passos - Para o blog A Luta Armada no Brasil - www. lutaarmadabrasil.blogspot.com --------------------------------------------- No dia 06/01/2009, Leda Nonato, mãe de Marcos, nos concedeu uma entrevista, por telefone. Assassinado aos 19 anos, Marcos talvez fosse o quadro mais jovem da ALN --------------------------------------------- Dele, pouco se sabe. Saiu de casa aos 16 e desde os 13 tinha envolvimento com a luta. Levou todos os tipos de pertences. De fotos, só restou uma, tirada junto a família, aos 11 anos. Na mesma época em que, numa brincadeira com o irmão, cortou a sobrancelha, resultando numa pequena cicatriz vista pela última vez no dia de seu enterro. Marcos Nonato da Fonseca, o Marquinhos, carioca, era estudante secundarista do tradicional colégio Dom Pedro II, berço de muitos revolucionários e líderes estudantis. Sua mãe, Leda Nonato, tem mais lembranças do filho pequeno, alegre e estudioso. Da época em que estava prestes a sair de casa, destaca uma: "Certa vez eu cheguei em casa e ele disse: 'Mãe, tem um amigo meu que vai dormir aqui em casa'. Era alto e usava farda do exército. Dormiu na sala, no sofá, e saiu logo cedo". Era Carlos Eugênio Paz, o Clemente, comandante da ALN. Marcos tinha todo o cuidado de esconder da família seu envolvimento na luta. Temia que eles fossem atingidos pela repressão. Dava notícias de vez em quando, através de uma amiga. Temia que o telefone dos pais estivesse grampeado. No dia 14 de Junho de 1972 foi, como sempre ia, almoçar no restaurante Varella junto a Ana Maria Nacinovic, Iuri Xavier Pereira e Antônio Carlos Bicalho Lana, todos da ALN. Marcos era o mais novo deles, apenas 19 anos de idade. Vendo mais uma vez os militantes em seu restaurante, Manoel Henrique, o proprietário português, ligou para a polícia e fez a denuncia. Pouco tempo depois, um enorme contingente de policiais ocupou alguns pontos da rua Antunes Maciel, bairro da Mooca. Chegaram atirando. Para o crime, existem duas versões - que esperamos que sejam esclarecidas 1 - a das mortes sumárias e a da prisão seguida de fuzilamento num pátio do DOI-CODI. O certo é que os três corpos foram vistos, na sede do DOI-CODI, situada a Rua Tutóia, São Paulo, pelo preso político Francisco Carlos de Andrade. Posteriormente, o pai e o irmão de Marcos foram até São Paulo em busca do corpo. Trouxeram o caixão blindado, onde só se via seu rosto, para ser enterrado no cemitério São João Batista(RJ). Segundo sua mãe, "o que mais tinha eram policiais do DOI, em cima dos túmulos". Fotografavam o enterro em busca de algum companheiro presente no local. Não tinha ninguém. Somente as marcas da barba feita e do cabelo cortado de Marcos, somente o sentimento de impunidade que pairava o ar daquele cemitério. Sentimento que, até hoje, prevalece na memória de quem viveu aquele período tão sangrento. Tão sangrento que tirou a vida de um jovem de dezenove anos, tão cheio de sonhos e ideais. Marcos partiu como imaginamos que deveria pensar em partir: Como um herói. ------------------------------------------------- 1 : De todas as versões, a mais contundente é a da morte no local, sem reação. Segundo Enerstina, mãe da criança que passava e foi ferida pelos policiais, assim como outro transeunte, quatro jovens se dirigiam a um carro quando os policiais abriram fogo e mataram Ana Maria, Marcos e Iuri. Antônio Carlos conseguiu fugir, no carro, e foi seguido de alguns policiais. Logo depois, chegaram uma ambulância e um carro do IML para a retirada dos cadáveres. Em breve, mais informações. Postado por Gabriel "Mister Vinil" Passos ======================================================================================================= + Detalhes. PDFs [PDF] No tiroteio, três terroristas mortos www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R03509.pdfSimilares - Bloquear todos os resultados de www.arqanalagoa.ufscar.br Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat Marcos Nonato Fonseca mortos. t . t z aos z. Ana Maria Correta . fíf: _. Subversão ' - ' *¿. No tiroteio, ¿rt - .. três . Irene, a menina ferida at inanhzi dc segurida- .. .PDF] O assassinato na Mooca blogdorosuca.files.wordpress.com/2011/.../o-assassinato-na-mooca.p... Não foi útil? Após fazer login, você poderá bloquear os resultados de blogdorosuca.files.wordpress.com.blogdorosuca.files.wordpress.com - Bloquear todos os resultados de blogdorosuca.files.wordpress.com Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Marcos Nonato da Fonseca - tinham reunião com outro jovem militante, Iuri Xavier Pereira, reunião esta para tratar de assuntos da organização. Marcou-se um ... ===================================================================================================== + Detalhes. Quarta-feira, Agosto 31, 2011 Alunos do Colégio Pedro II mortos pela ditadura são homenageados no Rio de Janeiro Após um abaixo assinado de professores, alunos e entidades civis, a Congregação do Colégio Pedro II decidiu por retirar o nome do Almirante Haedemaker do prédio daquela entidade. Haedemaker foi Ministro da Marinha e integrante da junta militar que governou o País entre agosto e outubro de 1969, durante a ditadura. O prédio havia recebido o nome do almirante durante a ditadura militar e agora a Congregação do Colégio Pedro II decidiu pela retirada. Como atividade de greve, depois da retirada do nome, sem pompa ou circunstância, foi programada também para 4ª feira dia 31 às 10 horas, no Prédio da Direção Geral em São Cristóvão, cidade do Rio de Janeiro, uma primeira homenagem aos alunos mortos pela repressão nos anos de chumbo. Convidamos alunos, ex-alunos, representantes dos movimentos sociais, enfim, todos os que participaram daquele momento para contar aos jovens alunos e professores de hoje, a história dos bravos guerreiros do Pedro II. As pessoas poderão se manifestar, estabelecendo uma ponte entre o passado e o presente da luta pela liberdade. O mais importante será o planejamento para a ampliação da homenagem, com sugestões e a participação de todos. Helena Godoy, professora. A luta apenas começou! Nos arquivos do Grupo Tortura Nunca Mais e no "Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964" encontramos as seguintes informações sobre esses ex-alunos do Colégio Pedro II: ALEX DE PAULA XAVIER PEREIRA (CPII - Humaitá até 1969) LUCIMAR BRANDÃO GUIMARÃES (CPII - Sede até 1969): JOSÉ ROBERTO SPINGER (CPII - Sede até 1966) KLEBER LEMOS DA SILVA ( CPII - Seção Norte até 1963) MARCOS NONATO DA FONSECA (CPII - Humaitá até 1969): LINCOLN BICALHO ROQUE ADCPII Associação de Docentes do Colégio Pedro II Fonte: Rede Democrática e Ousar Lutar! Ousar Vencer! ===================================================================================================== Poemas de Pedro Tierra aos revolucionários. PEDRO TIERRA - Um rosto talhado por muitas faces Erson Martins de Oliveira Á obras que imediatamente ressaltam o vínculo do escritor com os acontecimentos vividos. São um exemplo disso os Poemas do Povo da Noite, de Pedro Tierra. Esse é um caso impar em nossa literatura. O poeta fez parte e foi testemunha de um período trágico da história de nosso país. Anos 1970. Uma geração que lutou pela liberdade. Anos subterrâneos. Poemas do Povo da Noite nasceu nos porões, mas seu primeiro respiro antecedeu as masmorras e nutriu-se da luz do dia. A claridade da mente; o fogo e o aço na carne. Saber o que é a luminosidade; sentir a chegada das trevas. O pensamento liberto; o corpo preso ao aço e ao fogo. Extremos que provocam emoção de uma época e consciência de um percurso. Tensões que, quanto mais despedaçam homens e marcam o país, mais temperam as esperanças de uma nova vida - de um novo homem. Poeta Pedro Tierra Lemos os Poemas do Povo da Noite como um grito coletivo. Uma dor de muitos. Um homem que estabeleceu os fios de sua vida com a de muitos. Uma resistência mirando o futuro. Os poemas desse momento são arrancados da noite para o dia do amanhã. Uma arma do espírito do poeta militante. Sobreviveu à noite não se sabe como, quando muitos se foram sob as mãos dos algozes. Seus poemas não poderiam salvá-lo e a nenhum de seus amigos, mas defenderam e deram continuidade à consciência de todos. As aves de rapina dos porões, que arrancavam os olhos dos homens à mercê, são os mortos nos poemas. Como noite imposta, o capuz trancava os olhos, mas não o espírito. A broma do carcereiro desce o degrau mais baixo da existência. A imagem dos confrontos de uma época é construída condensadamente na situação particular dos vencidos. Cada poema escrito no calabouço plasma uma face. Poemas do Povo da Noite é um só rosto talhado por muitas faces. Expressões dos extremos sob a noite dos capuzes, açoites, choques, afogamentos, atropelamentos... Das celas, dos corredores, das câmaras, da escuridão, dos gritos, da perda do tempo, da hora chegada, da morte, de tudo isso. Pedro Tierra dá sentimento e razão a poemas como "Sobreviveremos", "A palavra sepultada", "Companheira", "O grito", "O capuz", "As mãos atadas". O poema "José" (out. 1975) traz-nos a imagem de resistência do escritor ao turbilhão da dor e do fim. Opõe a boca às botas. "Aqui a morte arranca/a palavra aos poetas,/só lhes resta a boca/ferida pelas botas, [...]". Em meio à tormenta há versos sensivelmente líricos,. que, no entanto, não perdem o sentido geral. Lemos no poema "Hoje não estás comigo": Hoje não estás comigo e, entretanto, vives. Rememoro. Meus dedos, como antes, escondidos nos teus cabelos. Agradecido. O lábio leve pousado sobre a pele, e a palavra em bruma dissolvida era sobretudo uma forma de silêncio [...]. Na última estrofe, o poeta combina a lembrança de um ser amado com o sentido de sua vida: Recolho teu gesto interrompido (e queima no peito uma saudade definitiva) para recompô-lo durante a jornada. REFLUIR. Ao companheiro Iuri Xavier Pereira, assassinado em junho de 1972 em São Paulo. A essa hora restam poucos amigos. A casa está em cinzas, os irmãos mortos, o inimigo armado na esquina. Um grito agora se perderia na poeira, no sono da rua desabitada. Guarda-o, pois, até a madrugada, reúne tuas forças em silêncio, engraxa, cuidadoso, tuas armas, confere a munição contada e espera. Vigia na sombra o vulto do inimigo, mas, sobretudo, ouve o despertar do povo, percebe nos dedos a bruma a desatar promessas de rebeldia. Eis aí a tua hora: levanta barricadas e entrega ao povo os fuzis dos camaradas mortos! (74) Poemas do povo da noite. Livramento, 1979, p. 47. ============================================================================================================= + Detalhes. Legistas acusados de colaboração com torturadores podem ter registros cassados Marceu Vieira, do Rio, e Bernardino Furtado Uma fresta aberta nos porões da ditadura militar começa a jogar luz sobre trechos da história ocultos pela escuridão. Até julho próximo, 16 médicos-legistas que trabalharam no Instituto Médico-Legal de São Paulo e no do Rio de Janeiro entre o fim da década de 60 e meados dos anos 70 serão julgados pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRM). Pesa sobre todos a suspeita de terem forjado laudos cadavéricos ou omitido evidências de tortura em corpos que lhes coube examinar. Trata-se do maior julgamento coletivo desde novembro de 1990, quando foram abertas investigações contra 110 legistas. A primeira sessão ocorrerá neste dia 25, no CRM paulista. O acusado é Abeylard de Queiroz Orsini. Juntamente com Harry Shibata e Isaac Abramovitc, ele figura entre os que mais subscreveram laudos sobre militantes mortos pelos órgãos de repressão. Orsini assinou pelo menos 11 documentos suspeitos. A mais contestada é a autópsia de Iuri Xavier Pereira, extremista morto em 1972 depois de submetido a torturas. A pedido da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, o legista carioca Nelson Massini exumou o corpo de Xavier. Concluiu que o cadáver nem sequer foi aberto. Orsini poderá ter o registro cassado. A mais recente condenação do CRM-SP atingiu Cypriano Oswaldo Mônaco, punido em 5 de fevereiro com suspensão de 30 dias. Mônaco assinou o laudo de morte de José Idésio Brianezi, militante da ALN morto em 13 de abril de 1970. Um parecer do perito Celso Nenevê apontou omissões relevantes. Mônaco ignorou sinais de tortura, apesar dos hematomas no rosto de Brianezi registrados por uma foto encontrada nos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops-SP). "Apenas recebi o corpo de uma pessoa para examinar. Não sabia que se tratava de um terrorista", alega Mônaco. ==================================================================================================================== Ficha Iuri Xavier Pereira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Iuri Xavier Pereira Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 2/8/1948 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Nome falso: (Codinome) Dr. Luiz E. Ferraro, Sérgio Araújo Ferreira, Afonso, Joãozão, Ênio, Big, Fino, Angelin, Gordo Prisão: 14/6/1972 São Paulo SP Brasil Restaurante Varella, Moóca Morto ou Desaparecido: Morto São Paulo SP Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Dr. José Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Abeylard de Queiroz Orsini, Isaac Abramovitch Biografia Documentos Artigo de jornal Vítimas da repressão. Tribuna Operária, São Paulo, 16 nov. 1980. Informa o traslado, do Cemitério de Perus, dos corpos de Alex e Iuri Xavier Pereira, mortos pela repressão em 1972. Conta que os irmãos militavam no Rio de Janeiro no movimento secundarista, depois ingressando na Ação Libertadora Nacional (ALN). Alex foi assassinado aos 22 anos junto com Gelson Reicher em São Paulo, SP, em circunstâncias não esclarecidas. Apesar de sua morte ter sido noticiada pela imprensa, foi enterrado sob nome falso. Iuri, um ano mais velho que o irmão, estava num bar da Moóca, São Paulo, SP, com Ana Maria Nacinovic Correa e Marcos Nonato da Fonseca, quando foram atacados pela repressão. Artigo de jornal Parte de artigo, sem título, do Jornal Movimento, São Paulo, 27 ago./ 9 set. 1979, p. 9. Descreve a forma como a polícia encobria as mortes de presos políticos por tortura. Segundo depoimento de um ex-funcionário do IML, num primeiro momento os próprios policiais levavam os corpos para serem enterrados na Estrada Velha de Cotia, em São Paulo. Mais tarde, foi necessário sofisticar os métodos e o preso era enterrado com seu nome falso. Isto também se tornou falho pois algum militante poderia denunciar os nomes. Veio então a terceira fase, quando os policiais passaram a montar verdadeiras operações de substituição de cadáveres, uma vez que os corpos de indigentes ficavam até 40 dias aguardando identificação no IML. No caso de Alexandre Vannucchi Leme, as testemunhas da morte de fato viram o atropelamento de um indivíduo. Já Susana Lisbôa não encontrou nenhuma foto do marido Luiz Eurico Tejera no IML e foi informada de que só fotografavam corpos de desconhecidos; no entanto, Luiz foi enterrado como indigente. Norberto Nehring, preso e morto no cárcere pela ação de Fleury, teve seu corpo trocado pelo próprio Fleury que se aproveitou do suicídio de um estrangeiro num hotel próximo à sede do DOPS. Eduardo Leite, o Bacuri, foi entregue à família com a versão de morte em tiroteio; mas, sem a "máquina de atestados", como explicar os dois olhos vazados, as orelhas decepadas e todos os dentes arrancados? O corpo de Luís Eduardo Merlino foi em vão procurado pelos seus familiares no IML até que um parente burlou a vigilância e abriu gaveta a gaveta, encontrando o que buscava. Caso semelhante foi o do estudante Manoel Lisboa de Moura, torturado e morto, noticiado como morte devido a tiroteio. No Cemitério Dom Bosco, de Perus, estão enterrados vários desaparecidos que a polícia não assumiu sequer a prisão: Luiz Eurico, Dênis Casemiro, Iuri Xavier Pereira, Alex Gomes de Paula (de fato, Alex de Paula Xavier Pereira, enterrado com o nome falso de João Maria de Freitas) e, provavelmente, Alexandre Vannucchi Leme. O IML era peça fundamental nestas operações e, por isso, uma das principais manifestações dos médicos que lutam pelo fim do aparelho repressivo do Estado é a não subordinação do IML à Secretaria de Segurança Pública. Artigo de jornal Teich, Daniela Hessel. Legista depõe na CPI sobre desaparecidos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 1991. Trata do depoimento do médico Isaac Abramovich perante a Comissão Parlamentar de Inquérito, da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga o destino de presos políticos. O médico é acusado de emitir laudos necroscópicos falsos de vítimas da polícia política à época em que trabalhava no IML/SP. O legista alegou inocência, mas teria assinado o laudo de Alexandre Vannucchi Leme, no qual afirma que o estudante teria se atirado sobre um automóvel; no entanto, presos políticos e policiais confirmam que Alexandre foi torturado. Também em Minas Gerais, o Movimento Tortura Nunca Mais está acusando 12 médicos legistas que teriam assinado laudos falsos de presos políticos mortos de 1974 a 1979. A identificação de pessoas acusadas de torturar e matar presos políticos teve início com a revelação da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Lá foram encontradas as ossadas de Joaquim Alencar Seixas, Carlos Nicolau Danielli, Luís Eurico Tejera Lisboa, os irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier, Frederico Mayr e Flávio Carvalho Molina (este ainda não identificado, mas acredita-se que seja uma das ossadas da vala clandestina). Segundo o artigo, também foi enterrado, no Cemitério Vila Formosa I, na Zona Leste de São Paulo, o corpo de José Maria Ferreira de Araújo. No entanto, apesar de terem sido encontrados documentos nos arquivos do IML/SP sob o nome falso de Edson Cabral Sardinha informando que seus restos estariam na quadra 11, sepultura 119 do Cemitério de Vila Formosa I, nunca foi possível encontrá-los, pois houve alteração da quadra. Artigo de jornal A atuação de cada um no terrorismo. O Globo, Rio de Janeiro, 28 set. 1971, p. 15. Lista de pessoas procuradas pelos órgãos de segurança com suas respectivas "atividades subversivas". São citados: Carlos Alberto Soares de Freitas, Sérgio Landulfo Furtado, Getúlio d'Oliveira Cabral, Mariano Joaquim da Silva, José Júlio de Araújo, Stuart Edgard Angel Jones, Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira, Antônio Carlos Bicalho Lana. Artigo de jornal Quem é quem nos novos cartazes do terror. Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo, São Paulo, (sem data), p. 14. Trata dos cartazes que foram distribuídos pela polícia com a foto de cinqüenta e duas pessoas procuradas por ações políticas. Os órgãos de segurança acreditavam que os movimentos subversivos passavam por uma crise que os levaria à extinção. O artigo traz a lista das organizações de esquerda mais atuantes, além de um rápido comentário sobre cada um dos procurados. Entre eles estão: Hiroaki Torigoi, Iuri Xavier Pereira, Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, Alex de Paula Xavier Pereira, Onofre Pinto, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Stuart Edgard Angel Jones, Antônio Sérgio de Matos, Walter Ribeiro Novaes, Getúlio d'Oliveira Cabral, Sérgio Landulfo Furtado, Carmem Jacomini, José Milton Barbosa. Artigo de jornal Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva. Foto Fotos originais e preto e branco de rosto. Relatório Relatório da Delegacia Especializada de Ordem Social, assinado por Edsel Magnotti, Delegado de Polícia, em 21/12/72. Acusa Antônio Carlos Bicalho Lana, Alex de Paula e Iuri Xavier Pereira, Gelson Reicher e José Pereira da Silva, marido de Gastone Beltrão, de participarem de assalto a um colégio em São Paulo, SP. Consta que Alex, Iuri e Gelson estão falecidos e decreta a prisão preventiva de Antônio e José. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Documento do arquivo do DOPS, sem data, informando sobre o assalto à firma D. F. Vasconcelos, em São Paulo, SP, por um grupo de "terroristas" que se intitulou "Comando Gastone Lúcia Beltrão, da ALN". Pelas investigações, verificou-se que se tratavam de Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Correa, Marcos Nonato Fonseca, Antônio Carlos Bicalho e uma quinta pessoa não identificada. Os quatro primeiros foram localizados, cercados pela polícia e receberam voz de prisão. Devido à reação à bala de armas automáticas e metralhadora, houve intenso tiroteio no qual morreram dois agentes de segurança, uma menina e um homem, além de Iuri, Ana Maria e Marcos; Antônio Carlos Bicalho conseguiu fugir em um carro. O comunicado solicita o apoio da população, dos hospitais e casas de saúde para que Antônio seja localizado. Relatório Documento do Ministério da Aeronáutica, de 08/12/71. Traz relação de nomes de pessoas que fizeram curso de "terrorismo" em Cuba e de pessoas banidas do território nacional que retornaram ao país, dando continuidade às suas atividades políticas. O documento possui carimbo do DOPS. Relatório Documento do II Exército ao Serviço Secreto, de 03/11/70. Relata a prisão de Joaquim Câmara Ferreira e a análise da documentação apreendida. Joaquim foi preso e tentou reagir, iniciando luta corporal com os policiais. Foi detido para ser interrogado, mas acometido de um ataque cardíaco, foi levado ao hospital, falecendo. Na sua casa foram apreendidas armas e documentos nos quais estavam os planos para ações. Foram também descobertas cartas de outros países, enviadas por militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo possível identificar codinomes de vários subversivos e áreas de treinamento para guerrilha. Entre eles, Antônio Carlos Bicalho Lana, Iuri e Alex Xavier Pereira, Ísis Dias de Oliveira e Carlos Eduardo Pires Fleury. Conclui que Carlos Lamarca esteja na liderança do esquema subversivo internacional e que a ALN está bem estruturada internacionalmente, sendo Cuba o lugar para cursos de guerrilha. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Informação confidencial do Exército, Rio de Janeiro, de 03/02/72, para vários órgãos de segurança sobre a Ação Libertadora Nacional (ALN). Traz o resumo de depoimentos, que segundo a polícia teriam sido prestados por Hélcio Pereira Fortes, morto em São Paulo ao tentar fugir em um "ponto". São citados: Hélcio Pereira Fortes, Arnaldo Cardoso Rocha, Sérgio Landulfo Furtado, Antônio Sérgio de Mattos, Mário de Souza Prata, Marcos Nonato da Fonseca, Paulo de Tarso Celestino da Silva, Aurora Maria do Nascimento, Ísis Dias de Oliveira, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Alex e Iuri Xavier Pereira, José Miltom Barbosa, Aldo de Sá Brito, Getúlio d'Oliveira Cabral e James Allen Luz. Há ainda informações sobre vários militantes como Josephina Vargas Hernandes, mulher de Luiz Almeida Araújo, que estaria grávida, morando na Guanabara. Relatório Parte de relatório confidencial, sem identificação do órgão. Consta que Iuri Xavier Pereira participou de assalto a um colégio em Pinheiros, São Paulo, SP, tendo pichado suas paredes com a sigla da Ação Libertadora Nacional (ALN). Há informação de que os agentes de segurança localizaram o aparelho de Hiroaki Torigoi no bairro Jardim da Saúde, em São Paulo. Houve também tiroteio com os agentes no qual duas pessoas faleceram. Elas foram identificadas como Emiliano Sessa, nome falso de Gelson Reicher, e João Maria de Freitas, nome falso de Alex de Paula Xavier Pereira. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 24/04/97. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente aos requerimentos de Anadir de Carvalho Nacinovic, mãe de Ana Maria Nacinovic Corrêa, de Zilda de Paula Xavier Pereira, mãe de Iuri Xavier Pereira, e de Leda Nonato Fonseca e Octavio Fonseca Filho, pais de Marcos Nonato Fonseca, para o reconhecimento das mortes e inclusão dos nomes nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias das mortes, comparadas com os laudos de necrópsia e com parecer feito por Nelson Massini e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido. Relatório Relatório parcial médico-legal de exumação e identificação dos restos mortais de Iuri Xavier Pereira e Alex de Paula Xavier Pereira, realizado pelo médico Nelson Massini, em 20/06/96. Relatório Pareceres médico-legais, solicitados por familiares de Iuri Xavier Pereira e pela Comissão dos Familiares do Mortos e Desaparecidos Políticos, realizados pelo médico Nelson Massini em 01/08/96 e 30/01/97. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Termo de declarações Depoimento de Gilberto Thelmo Sidney Marques ao DOPS ou ao DOI-CODI, em 15/02/72. Consta que ele, Manoel José Mendes Nunes Abreu (que aparece como José Manoel), Iuri Xavier Pereira e Eduardo Antônio da Fonseca tiveram acesso a vários documentos em branco, como carteiras profissionais, funcionais e identidades. Ficha pessoal Documento, sem identificação do órgão. Consta que ele está foragido, e que foi pedida sua prisão preventiva. Ficha pessoal Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social. No primeiro, de 16/08/72, consta que Iuri Xavier Pereira era procurado e foi morto pelos órgãos de segurança. Era também acusado de assaltos e panfletagem. No segundo documento, de 20/03/70, consta que Iuri teria ido a Cuba e à China, e participado de cursos de guerrilha, "sabotagem" e "terrorismo". É acusado de atentado a posto de gasolina no Rio de Janeiro, sendo um dos "terroristas" mais procurados. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 20/06/72, realizado por Isaac Abramovict e Abeylard de Queiroz Orsini. Certidão de óbito Documento do Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, de 23/09/80. Requisição de exame de cadáver Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, em 14/06/72. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista. Indica que Iuri Xavier Pereira faleceu em tiroteio travado com órgãos de segurança. Ofício Documento do II Exército a vários órgãos da repressão comunicando envio de cópias das fichas dactiloscópicas de Ana Maria Nacinovic Correa, Yuri Xavier Pereira e Marcos Nonato da Fonseca. Ofício Documento da Delegacia Especializada de Ordem Política de São Paulo, para o II Exército, em 22/06/72. Encaminha as certidões de óbito de Ana Maria Nacinovic Correa, Iuri Xavier Pereira e Marcos Nonato Fonseca. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Ofício Documento da Auditoria do Exército do Poder Judiciário ao DOPS, de 22/06/72, solicitando os atestados de óbito de Ana Maria Nacinovic Corrêa, José Milton Barbosa e Yuri Xavier Pereira. Ofício Informação do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 13/08/73, comunicando envio de panfleto distribuído aos moradores e comerciantes da Av. Santo Amaro, na cidade de São Paulo, sobre o jovem Luiz José da Cunha. Traz em anexo cópia do panfleto contando que Luís José da Cunha falecera em tiroteio com a polícia e que nos jornais ele apareceu como perigoso subversivo, acusado da morte de um comerciante. O panfleto revela que o tal comerciante era um informante que ocasionou a morte de outros jovens como Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic, Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Seiko Okama, Manoel Penteado (Francisco Emanoel Penteado) e Ronaldo Mouth Queiroz. Ofício Documento do Delegado do DOPS/RJ para o Diretor do DOPS/SP, de 13/07/72. Acusando o recebimento das cópias de certidões de óbito de Ana Maria Nacinovic e de Iuri Xavier e reiterando a solicitação do envio da certidão de óbito de Marcos Nonato da Fonseca, pois a cópia enviada junto com as outras estava ilegível. Depoimento Documento manuscrito pela mãe de Ana Maria. Descreve sua infância e adolescência, apontando sua morte, na Moóca, metralhada, em 14/06/72, com 25 anos de idade. Cita que, com ela morreram Marcos Nonato da Fonseca e Iuri Xavier Pereira. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. Carta Carta de Criméia Almeida para Comissão Especial da Lei 9.140/95 de reconhecimento dos mortos e desaparecidos de 23/04/97. Traz o depoimento de Ernestina, mãe da garota que foi ferida no tiroteio que matou Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Correa e Marcos Nonato da Fonseca. Consta que a garota, na época com três anos de idade, e sua avó estavam voltando para casa a pé e viram quatro jovens que se encaminhavam para um carro. A polícia, que já havia cercado toda a área, iniciou tiroteio que matou três deles (Iuri, Ana Maria e Marcos), feriu a garotinha na perna e também um outro pedestre. Os policiais logo foram embora, talvez atrás do jovem que fugiu e logo chegou uma ambulância e um carro do IML que levou os cadáveres. Carta Carta de Iara Xavier Pereira à Comissão Especial Lei 9.140/95, em 23/04/97. Consta que ainda se está tentando obter informações sobre as mortes de Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Corrêa e Marcos Nonato Fonseca e continuam reivindicando ao governo o esclarecimento das circunstâncias da morte e a localização e entrega dos despojos dos mortos e desaparecidos. Cartaz Documento intitulado "Bandidos terroristas procurados pelos órgãos de Segurança Nacional", exibindo várias fotos seguidas de nome, codinome e organização de cada pessoa. Possui carimbo do DOPS. ================================================================================================ Ficha Marcos Nonato Fonseca Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Marcos Nonato Fonseca Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 1/6/1953 Atividade: Estudante secundarista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Nome falso: (Codinome) Romildo Ivo da Silva, Miranda, Walter, Luiz Prisão: 14/6/1972 São Paulo SP Brasil Restaurante Varella, Moóca Morto ou Desaparecido: Morto São Paulo SP Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Alcides Cintra Bueno Filho Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Abeylard de Queiroz Orsini, Isaac Abramovitch Biografia Documentos Artigo de jornal Vítimas da repressão. Tribuna Operária, São Paulo, 16 nov. 1980. Informa o traslado, do Cemitério de Perus, dos corpos de Alex e Iuri Xavier Pereira, mortos pela repressão em 1972. Conta que os irmãos militavam no Rio de Janeiro no movimento secundarista, depois ingressando na Ação Libertadora Nacional (ALN). Alex foi assassinado aos 22 anos junto com Gelson Reicher em São Paulo, SP, em circunstâncias não esclarecidas. Apesar de sua morte ter sido noticiada pela imprensa, foi enterrado sob nome falso. Iuri, um ano mais velho que o irmão, estava num bar da Moóca, São Paulo, SP, com Ana Maria Nacinovic Correa e Marcos Nonato da Fonseca, quando foram atacados pela repressão. Foto Foto original e preto e branco do corpo. Possui cópias com carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Documento do arquivo do DOPS, sem data, informando sobre o assalto à firma D. F. Vasconcelos, em São Paulo, SP, por um grupo de "terroristas" que se intitulou "Comando Gastone Lúcia Beltrão, da ALN". Pelas investigações, verificou-se que se tratavam de Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Correa, Marcos Nonato Fonseca, Antônio Carlos Bicalho e uma quinta pessoa não identificada. Os quatro primeiros foram localizados, cercados pela polícia e receberam voz de prisão. Devido à reação à bala de armas automáticas e metralhadora, houve intenso tiroteio no qual morreram dois agentes de segurança, uma menina e um homem, além de Iuri, Ana Maria e Marcos; Antônio Carlos Bicalho conseguiu fugir em um carro. O comunicado solicita o apoio da população, dos hospitais e casas de saúde para que Antônio seja localizado. Relatório Informação confidencial do Exército, Rio de Janeiro, de 03/02/72, para vários órgãos de segurança sobre a Ação Libertadora Nacional (ALN). Traz o resumo de depoimentos, que segundo a polícia teriam sido prestados por Hélcio Pereira Fortes, morto em São Paulo ao tentar fugir em um "ponto". São citados: Hélcio Pereira Fortes, Arnaldo Cardoso Rocha, Sérgio Landulfo Furtado, Antônio Sérgio de Mattos, Mário de Souza Prata, Marcos Nonato da Fonseca, Paulo de Tarso Celestino da Silva, Aurora Maria do Nascimento, Ísis Dias de Oliveira, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Alex e Iuri Xavier Pereira, José Miltom Barbosa, Aldo de Sá Brito, Getúlio d'Oliveira Cabral e James Allen Luz. Há ainda informações sobre vários militantes como Josephina Vargas Hernandes, mulher de Luiz Almeida Araújo, que estaria grávida, morando na Guanabara. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 24/04/97. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente aos requerimentos de Anadir de Carvalho Nacinovic, mãe de Ana Maria Nacinovic Corrêa, de Zilda de Paula Xavier Pereira, mãe de Iuri Xavier Pereira, e de Leda Nonato Fonseca e Octavio Fonseca Filho, pais de Marcos Nonato Fonseca, para o reconhecimento das mortes e inclusão dos nomes nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias das mortes, comparadas com os laudos de necrópsia e com parecer feito por Nelson Massini e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido. Relatório Parecer médico-legal, realizado pelo médico Nelson Massini, solicitado por familiares e Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, em 30/01/97. Traz a transcrição do laudo necroscópico de Marcos Nonato da Fonseca, a análise da Antropologia Forense Argentina e as conclusões de Nelson Massini. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Marcos Nonato da Fonseca, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 02/04/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Relatório Relatório complementar das circunstâncias da morte de Marcos Nonato da Fonseca, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 03/03/97, enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Termo de declarações Depoimento prestado por Otávio Fonseca Filho, pai de Marco Nonato da Fonseca, para a Delegacia Especializada de Ordem Política, em 15/07/72. Nestas declarações, Clyde informa que ficou sabendo das atividades políticas e da morte de seu filho pela imprensa e que não sabe as razões que o levaram a filiar-se a organizações políticas. Ficha pessoal Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), com foto de Marcos Nonato da Fonseca. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Ficha pessoal Documento do DOI-CODI, de 14/06/72. Contém dados pessoais e impressões digitais de Marco Nonato da Fonseca. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Ficha pessoal Documento do IML/SP, de 21/06/72, com dados do óbito. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 20/06/72, realizado por Isaac Abramovitc e Abeylard de Queiroz Orsini. Uma das cópias possui um esquema gráfico com as trajetórias das balas no corpo e carimbo do DOPS/SP. Certidão de óbito Documento emitido pelo Cartório de Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, de 22/07/72. Acompanha outro documento com o carimbo do arquivo do DOPS/SP sem o timbre do cartório de 15/06/72. Há também uma cópia do primeiro documento, com o carimbo do arquivo DOPS. Processo jurídico Documento da Auditoria da Marinha, de 08/08/72. Extingue a punibilidade de Marcos Nonato da Fonseca nos processos movidos contra ele, devido a sua morte. Cópia pouco legível. Requisição de exame de cadáver Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, de 14/06/72. Indica morte por ferimentos a bala, após um tiroteiro entre a polícia e Marcos Nonato da Fonseca. Ofício Documento do II Exército a vários órgãos da repressão comunicando envio de cópias das fichas dactiloscópicas de Ana Maria Nacinovic Correa, Yuri Xavier Pereira e Marcos Nonato da Fonseca. Ofício Documento da Delegacia Especializada de Ordem Política de São Paulo, para o II Exército, em 22/06/72. Encaminha as certidões de óbito de Ana Maria Nacinovic Correa, Iuri Xavier Pereira e Marcos Nonato Fonseca. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Ofício Documento do Delegado do DOPS/RJ para o Diretor do DOPS/SP, de 13/07/72. Acusando o recebimento das cópias de certidões de óbito de Ana Maria Nacinovic e de Iuri Xavier e reiterando a solicitação do envio da certidão de óbito de Marcos Nonato da Fonseca, pois a cópia enviada junto com as outras estava ilegível. Ofício Ofício do Delegado Titular da Delegacia Especializada de Ordem Política de São Paulo para o Diretor do DOPS/RJ, autorizando a remoção do corpo de Marcos Nonato da Fonseca, a fim de ser enterrado em seu jazigo familiar. Informa que a vítima morreu em tiroteio e solicita que não permita nenhuma manifestação pública de caráter político durante o funeral. Possui uma cópia para a Divisão de Comunicações da Polícia Civil. Ofício Documento do Delegado Geral para o Diretor Geral de Polícia do DOPS/SP, de 07/07/72. Pede para providenciar cópia da certidão de óbito de Marcos Nonato para a Auditoria da Marinha do Rio de Janeiro. O mesmo pedido é transmitido do Diretor Geral de Polícia do DOPS para o Delegado Titular da Especializada de Ordem Política de São Paulo em 13/07/72. Em 18/07/72 o Delegado Titular da Delegacia Especializada de Ordem Política solicita as cópias da certidão de óbito para o Cartório de Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP. Possuem carimbo do arquivo do DOPS. Ofício Documento do DOPS/SP ao DOPS da Guanabara, em 26/07/72. Encaminha cópia da certidão de óbito de Marcos Nonato da Fonseca. Ofício Documento da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ao delegado geral de São Paulo encaminhando solicitação anexada. Trata-se de documento da Marinha de 22/06/72, pedindo um extrato da certidão de óbito de Marcos Nonato da Fonseca. O terceiro documento é a resposta do DOPS/SP à Marinha, de 26/07/72. Possuem o carimbo do arquivo do DOPS. Ofício Documento do DOPS/SP ao IML/SP, de 15/06/72. Autoriza a retirada do corpo de Marcos Nonato da Fonseca do necrotério, que será transportado ao Rio de Janeiro, onde será enterrado no jazigo da família. Depoimento Documento manuscrito pela mãe de Ana Maria. Descreve sua infância e adolescência, apontando sua morte, na Moóca, metralhada, em 14/06/72, com 25 anos de idade. Cita que, com ela morreram Marcos Nonato da Fonseca e Iuri Xavier Pereira. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. Carta Carta de Criméia Almeida para Comissão Especial da Lei 9.140/95 de reconhecimento dos mortos e desaparecidos de 23/04/97. Traz o depoimento de Ernestina, mãe da garota que foi ferida no tiroteio que matou Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Correa e Marcos Nonato da Fonseca. Consta que a garota, na época com três anos de idade, e sua avó estavam voltando para casa a pé e viram quatro jovens que se encaminhavam para um carro. A polícia, que já havia cercado toda a área, iniciou tiroteio que matou três deles (Iuri, Ana Maria e Marcos), feriu a garotinha na perna e também um outro pedestre. Os policiais logo foram embora, talvez atrás do jovem que fugiu e logo chegou uma ambulância e um carro do IML que levou os cadáveres. Carta Carta de Iara Xavier Pereira à Comissão Especial Lei 9.140/95, em 23/04/97. Consta que ainda se está tentando obter informações sobre as mortes de Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Corrêa e Marcos Nonato Fonseca e continuam reivindicando ao governo o esclarecimento das circunstâncias da morte e a localização e entrega dos despojos dos mortos e desaparecidos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111022/9d42954a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5296 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111022/9d42954a/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9176 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111022/9d42954a/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111022/9d42954a/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 22 15:23:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 22 Oct 2011 15:23:22 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Terra VIVA! Natural! Message-ID: <8B6812600A604CD29540C7CABB9A4153@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Eli Eliete http://youtu.be/nGeXdv-uPaw Esta é uma tentativa não-comercial para destacar o fato de que os líderes mundiais, empresas irresponsáveis e insensatas "consumidores" estão se unindo para destruir a vida na Terra. É dedicado a todos os que morreram lutando pelo planeta e àqueles cujas vidas estão em jogo hoje. O vídeo foi criado por Vivek Chauhan, um cineasta jovem, juntamente com naturalistas. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111022/d8205b64/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 23 12:53:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 Oct 2011 12:53:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Minha_Bossa_Nova=3A_Tania_Maria_?= =?iso-8859-1?q?________________________________________HOJE_=C9_DO?= =?iso-8859-1?q?MNGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: <0B56AA09F6C5474AA2718DBF117E09DC@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Amigo(a), Tania Maria (1948) é uma cantora, compositora e pianista maranhense de muito sucesso, que reside nos Estados Unidos desde 1981. Com bastante improviso e swing, Tania Maria mescla com brilhantismo vários gêneros, do afro-samba ao pop, jazz e bossa nova. Conheça um pouco do trabalho musical de Tania Maria em Minha Bossa Nova: www.minhabossanova.blogspot.com Abraços, Pierre Barreto twitter.com/pierreblima "Carpe diem! Life is too short to drink bad wine" minhabossanova.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111023/35731c62/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 23 12:53:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 Oct 2011 12:53:22 -0200 Subject: [Carta O BERRO] A rede que controla a economia mundial. Message-ID: <43A594D8FA7A4B028DDF63BBF2C9588A@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br A rede que controla a economia mundial Enviado por luisnassif, sab, 22/10/2011 - 12:00 Por Marcelo Castro Artigo imperdível no inovação tecnológica coloca o financismo no microscópio. "Além das ideologias" demonstra como 147 instituições financeiras dominam o capitalismo global e provavelmente agem em conluio para manutenção do status quo. Da Inovação Tecnológica Visão crítica: Revelada a rede capitalista que domina o mundo Da New Scientist - 22/10/2011 Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.[Imagem: Vitali et al.] Além das ideologias Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos. Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global. "A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade." Rede de controle econômico mundial A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente. O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global. Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo. O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores. A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial. Poder econômico mundial Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas. Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chipsnos mercados de ações. Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo. E isso não é tudo. Super-entidade econômica Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas. "Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder. E a maioria delas são bancos. Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser. Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo. Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer. A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente. Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede. As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas 1. Barclays plc 2. Capital Group Companies Inc 3. FMR Corporation 4. AXA 5. State Street Corporation 6. JP Morgan Chase & Co 7. Legal & General Group plc 8. Vanguard Group Inc 9. UBS AG 10. Merrill Lynch & Co Inc 11. Wellington Management Co LLP 12. Deutsche Bank AG 13. Franklin Resources Inc 14. Credit Suisse Group 15. Walton Enterprises LLC 16. Bank of New York Mellon Corp 17. Natixis 18. Goldman Sachs Group Inc 19. T Rowe Price Group Inc 20. Legg Mason Inc 21. Morgan Stanley 22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc 23. Northern Trust Corporation 24. Société Générale 25. Bank of America Corporation 26. Lloyds TSB Group plc 27. Invesco plc 28. Allianz SE 29. TIAA 29. Old Mutual Public Limited Company 30. Aviva plc 31. Schroders plc 32. Dodge & Cox 33. Lehman Brothers Holdings Inc* 34. Sun Life Financial Inc 35. Standard Life plc 36. CNCE 37. Nomura Holdings Inc 38. The Depository Trust Company 39. Massachusetts Mutual Life Insurance 40. ING Groep NV 41. Brandes Investment Partners LP 42. Unicredito Italiano SPA 43. Deposit Insurance Corporation of Japan 44. Vereniging Aegon 45. BNP Paribas 46. Affiliated Managers Group Inc 47. Resona Holdings Inc 48. Capital Group International Inc 49. China Petrochemical Group Company Bibliografia: The network of global corporate control Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston arXiv 19 Sep 2011 http://arxiv.org/abs/1107.5728 http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-rede-que-controla-a-economia-mundial?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111023/6031719f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 125768 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111023/6031719f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 23 12:53:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 Oct 2011 12:53:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] David Capistrano Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: urarianoms Folha de São Paulo, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il2310201108.htm MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS A outra vida do tio Enéas São Paulo, anos 70 MIKA LINS "TIO ENÉAS vai chegar para ficar uns dias", minha mãe avisou. Tio Enéas era um homem muito alto e, na minha memória, aparece com um terno escuro, a camisa branca, o cabelo penteado para trás e um bigodinho engraçado. Para uma criança, filha única de pais que trabalham fora, qualquer hóspede era motivo de alegria. Ainda mais um hóspede como ele, sempre tão atencioso. Não lembro quantos dias ele ficou naquela última vez, mas me recordo de, sentada no chão, ao lado da cadeira em que ele passava as tardes, observar com atenção sua leitura do jornal. Era um ritual meticuloso. A cada página virada, ele passava os dedos nos dentes -não nos lábios, nos dentes, mesmo- para molhá-los e virar a próxima página. Um dia, ele foi embora, e foi a última vez que o vi. Eu tinha cinco ou seis anos. Algum tempo depois, um portador trouxe para minha mãe um colar de cristal da extinta Tchecoslováquia, que guardamos até hoje. Junto, veio um brinquedo para mim, um sapo de lata movido a corda; este se perdeu no tempo. Eram presentes do tio Enéas. Como ele nunca mais aparecia para ficar conosco, perguntei à minha mãe quando voltaríamos a vê-lo. Ela desconversou. Foi me contar a verdade só anos depois, quando eu já era adolescente. Tio Enéas era, na verdade, David Capistrano da Costa, membro do PCB, amigo de longa data do meu pai, naqueles tempos também ligado ao partido. Minha mãe me explicou que, àquela altura, David engrossava a lista de desaparecidos da ditadura militar. Durante a minha infância ele ainda vivia na clandestinidade, e meu pai era encarregado não só de escondê-lo como de transportá-lo sempre que vinha a São Paulo. David Capistrano era um homem incrível. Quando o conheceu, nos anos 1960, no Recife, meu pai tinha uns 18 anos e já militava no PCB; trabalhava no governo Miguel Arraes. David tinha história. Nascido em 1913, no Ceará, participou do levante de 1935, quando era sargento da Aeronáutica, e foi condenado à prisão pelo Estado Novo. Lutou na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa durante a ocupação nazista. Em 1947, já de volta ao Brasil, foi eleito deputado estadual por Pernambuco, onde também dirigiu os jornais "A Hora" e "Folha do Povo". Com a ditadura, caiu na clandestinidade até partir para a Tchecoslováquia, no início dos anos 70. Meu pai amava aquele homem pelo espírito de luta, pe la posição ideológica e pela humanidade. Minha mãe também -tanto que escondia David em nossa casa mesmo não sendo mais casada com o meu pai e tendo a perfeita noção do risco que corríamos. Em 1974, aos 61 anos, David voltou escondido do exílio. Ao passar pela fronteira em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, foi preso pelos agentes do Exército e logo dado como desaparecido. Em 2008, a jornalista Taís Morais publicou o livro "Sem Vestígios - Revelações de um Agente Secreto da Ditadura Militar Brasileira", escrito com base em anotações enviadas a ela de forma anonima pelo agente de codinome Ivan Carioca. Nelas, Carioca relata com detalhes o fim trágico de David, torturado, morto e esquartejado, em Petrópolis. Carioca descreve a visão do corpo daquele homem enorme e doce que conheci: "Um tronco, dividido ao meio. As costelas de Capistrano pendiam ao teto, e ele, reduzido aos pedaços, como se fosse uma carcaça de animal abatido, pronta para o a çougue". Depois de ler, com tristeza, perguntei delicadamente a meu pai se gostaria de ler. Respondeu que sim -em 2008, ele se tratava de um câncer de pulmão diagnosticado no ano anterior. Meu pai morreu neste último dia 5 de agosto, mas não sem saber como partiu o amigo a quem homenageara dando a meu irmão o nome de David Lins. Para minha mãe, o colar que ganhou de David Capistrano é a única joia da família e o presente mais significativo que recebeu. Ao lembrar essa história, além da saudade do meu pai, tenho a sensação desagradável de que talvez crimes da ditadura brasileira nunca sejam punidos. E penso que, por trás de cada movimento histórico, revolucionário ou não, há uma partícula delicada, talvez banal, de cada homem, que se mantém pela lembrança de uma garota com seu brinquedo de lata ou no brilho de um colar de cristal. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111023/1fa65c8e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 24 20:09:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 24 Oct 2011 20:09:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__Jo=E3o_Pedro_Teixeira________________?= =?iso-8859-1?q?________________________________-CCLXXXI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Mortos no prenúncio do golpe civil-militar. João Pedro Teixeira Fundador e vice-presidente da Liga Camponesa de Sapé (PB), uma das mais combativas e atuantes do país, o líder João Pedro Teixeira foi assassinado a tiros por pistoleiros, a mando de latifundiários da região, em 2 de abril de 1962. Desde criança, João Pedro - nascido em 1918 no distrito de Pilões, município de Guarabira (PB) - tinha vivido na pele a violência dos latifundiários. Seu pai, que arrendava a área de um fazendeiro, entrou em conflito com o proprietário e, atacado por jagunços, baleou um deles e fugiu. Não voltou mais. João Pedro tinha apenas seis anos de idade quando isso aconteceu. Depois de trabalhar na agricultura, na juventude, João Pedro tornou-se operário, empregando-se em pedreiras na Paraíba e, depois, em Jaboatão (PE). Nesta época, já estava casado com Elizabeth Teixeira. Foi na vida de operário que aprendeu a lutar pelos direitos dos trabalhadores. Perseguido pelos patrões, voltou ao trabalho agrícola em 13 de maio de 1954, ao aceitar a oferta do sogro para trabalhar num sítio de sua propriedade em Sapé (PB). Ali, passou a organizar os camponeses para lutarem por seus direitos, visitando-os de casa em casa e organizando comícios nas feiras. Em 1958, com a ajuda de outros companheiros, fundou a Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, a Liga Camponesa de Sapé. Na direção da Liga, estavam, além de João Pedro, João Alfredo Dias (apelidado de Nego Fuba) e Pedro Inácio de Araújo (o Pedro Fazendeiro). A reação dos latifundiários ao trabalho da Liga foi violenta. Em 14 de março de 1961, foi assassinado Alfredo Nascimento, líder dos camponeses no engenho Miriri, pertencente aos Ribeiro Coutinho. Em 23 de dezembro daquele ano, Pedro Fazendeiro foi baleado num atentado - três anos depois, ele seria assassinado. Preocupada com as ameaças que os líderes recebiam, a esposa de João Pedro, Elizabeth, sugeriu ao marido que se mudassem da Paraíba. Ele respondeu: "Você e meus filhos podem ir; fico com os retratos, mas não me acovardo". A cada crime cometido pelos latifundiários, os trabalhadores reagiam com denúncias e manifestações de protesto. Em três anos, a Liga Camponesa de Sapé já reunia 15 mil camponeses, além de trabalhadores urbanos, estudantes, profissionais liberais e pequenos comerciantes. A organização inspirava o trabalho em outros municípios da região. Era uma ameaça à tradicional dominação dos fazendeiros. Quando um proprietário ficava sabendo que um morador estava envolvido na Liga, colocava-o para fora da propriedade. João Pedro ia até lá tentar uma solução. Mas o trabalhador era espancado e João Pedro, preso. A violência sobre os trabalhadores vinha tanto dos latifundiários como da polícia local. Elizabeth Teixeira lembra que havia uma forte repressão contra o marido; "João Pedro foi preso muitas vezes, batido, chegava em casa com as costas roxas de pau da polícia de Sapé da Paraíba". Mas não falava em desistir da luta. A casa do líder camponês era rondada continuamente. Até que uma trama foi tecida para eliminá-lo. O sogro de João Pedro, que nunca concordou com suas atividades e, inclusive, tinha sido contra o casamento com sua filha (sob os argumentos de que ele era "pobre" e "preto"), vendeu o sítio onde eles moravam a um proprietário de terras e vereador de Sapé, Antônio Vitor. Pressionado, João Pedro recusou-se a sair das terras. O novo proprietário entrou com uma ação de despejo e com interdito proibitório para que ele não pudesse plantar. As ameaças tornavam-se constantes. "Tinha momentos em que ele chegava em casa e me abraçava, ficava abraçado comigo e dizia que iam tirar a vida dele", contou Elizabeth. Ele perguntava à mulher se, caso isso acontecesse, ela iria assumir o lugar dele na Liga. Nesses momentos, ela ficava calada. Ele dizia: "Vão tirar a minha vida, minha filha, mas a reforma agrária vai ser implantada em nosso país para que a vida do homem do campo melhore, para que eles tenham o direito de criar seus filhos". Depois da renúncia de Jânio Quadros, o líder camponês foi preso na Paraíba e levado para Recife, onde ficou detido num quartel durante 18 dias. Neste período, os proprietários da Várzea paraibana fizeram a ele uma oferta em dinheiro para que desistisse da luta. No dia 2 de abril de 1962, João Pedro foi a João Pessoa para uma reunião que ocorreria com advogados. Era uma emboscada. Seria morto quando, depois de descer do ônibus, estava voltando a pé para casa na estrada entre Café do Vento e Sapé. Ele carregava cadernos e livros escolares que havia comprado para os filhos. Foi assassinado com balas de fuzil disparadas às 17h40 daquele dia. Um amigo de João Pedro contava que uma pessoa de sua família viu os três homens, "cada um montado num cavalo, o fuzil redobrado debaixo da cela". As investigações indicariam, posteriormente, tratar-se de dois soldados da PM e de um vaqueiro. O corpo do líder camponês foi encontrado agonizando. Ali Elizabeth tomou a sua decisão. No momento em que tomei conhecimento de que ele estava morto, em Sapé... cheguei lá, ele estava na pedra (...) aquele poço de sangue... Foi quando eu peguei na mão de João Pedro, olhei os olhos dele cheios de terra, da terra que quando ele recebeu os tiros. Caiu e recebeu a terra nos olhos. Comecei a tirar aquela terra dos olhos dele e disse: "João Pedro, a partir de hoje, eu dou continuidade à sua luta, para o que der e vier. Estou aqui para o que der e vier! Não tenho medo também de que eu seja assassinada". E aí eu continuei a luta do João Pedro. João Pedro Teixeira deixou a esposa e onze filhos. Na cerimônia do sepultamento, estavam presentes cerca de cinco mil camponeses da região. Na ocasião, o deputado estadual Raimundo Asfora, um apoiador das Ligas, disse: "Não vamos enterrar um homem; vamos plantá-lo. Pararam o teu coração. Surgirão novos camponeses revoltados, outros João Pedro, numerosos lutadores. Julgaram que desapareceste. Estás agora em toda a parte!" A morte de João Pedro teve repercussão nacional e internacional. Os trabalhadores prepararam uma grande manifestação para o dia 10 de abril daquele ano, em João Pessoa, mas não a realizaram por causa da operação militar realizada por tropas do IV Exército. Na véspera, os militares aprisionaram lideranças das Ligas e simpatizantes, sob pretexto de estar dando continuidade a um inquérito policial-militar destinado a apurar a responsabilidade de pessoas que estariam usando as Ligas para práticas subversivas e para o contrabando de armas. Diante disso, o ato foi transferido para o 1º de maio. Reuniu cerca de 40 mil pessoas. As pressões levaram o então governador da Paraíba, Pedro Gondim, exigir a apuração dos responsáveis e sua punição. Os mandantes do crime foram identificados: o usineiro Aguinaldo Veloso Borges, Pedro Ramos Coutinho e Antônio José Tavere, vulgo "Antônio Vítor", conforme concluiu o juiz Walter Rabelo, em 27 de março de 1963. Os executores foram os pistoleiros cabo Antônio Alexandre da Silva, vulgo "Gago", soldado Francisco Pedro da Silva, vulgo "Chiquinho", "Nobreza" ou "Chicão", e o vaqueiro Arnaud Nunes Bezerra, ou "Arnaud Claudino". Todos foram condenados, menos Aguinaldo Veloso Borges, dono da usina Tanques. Sexto suplente de deputado estadual, ele obteve a "renúncia" de todos os outros para assumir e se beneficiar da imunidade parlamentar. Os dois soldados da PM foram presos. O vaqueiro desapareceu. Em depoimento à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) o jornalista Jório de Lira Machado, que, em 1962, como repórter do jornal Correio da Paraíba, fez a cobertura do assassinato de João Pedro, relatou que os trabalhadores do campo ergueram um monumento a João Pedro Teixeira no local onde tombara, com a seguinte inscrição: "Aqui tombou João Pedro Teixeira, mártir da Reforma Agrária". No dia 1º de abril de 1964, o monumento foi destruído por policiais e capangas dos latifundiários. Os grandes proprietários de terra da Paraíba realizavam assim, o primeiro ato comemorativo do golpe militar de 64. Em 1964, o cineasta Eduardo Coutinho passou a produzir o filme Cabra Marcado para morrer, contando a história de João Pedro e da organização das Ligas. Após o golpe militar, o filme foi interrompido e só pôde ser retomado em 1981, com o lançamento em 1984. Manoel Serafim, que conheceu João Pedro em Pernambuco e tornou-se um dos narradores do filme, contou como soube da morte do líder camponês: Por volta de oito horas mais ou menos estavam vendendo já a Folha do Povo com toda notícia, com toda reportagem dele, o pessoal tudo comprando e dizia assim: rapaz, mataram o presidente da Liga Camponesa da Paraíba. E aquele nome surgia assim numa notícia, como se fosse uma grande pessoa né. E sentimos uma tristeza assim. Houve isso, parece que o sol esfriou assim, não quis sair do lugar, e foi aquela serenidade fria, assim, aquela tristeza arrancando assim, aquela vida, com aquela saudade. Porque existe saudade sem alegria, aquela saudade com tristeza. E todo mundo sentiu. Elizabeth Teixeira Depois da morte de João Pedro Teixeira, a luta dos camponeses de Sapé continuou, com a liderança de Elizabeth Teixeira, de João Alfredo Gonçalves (Nego Fubá) e de Pedro Inácio de Araújo (Pedro Fazendeiro). Numa ocasião, duas viaturas policiais foram até de líder sindical. Para assustá- la, fizeram-na caminhar entre fileiras de soldados, que disparavam tiros rentes a seus pés. Quando eu cheguei lá, os pés cobertos de terra, eu disse: 'Tenente, isso é mais uma prova de covardia. Não mataram João Pedro de emboscada? Não botaram uma emboscada e tiraram a vida de João Pedro? E por que não tiram a minha? Fazem isso'. Tantos disparos de tiros, foram muitos que a vizinhança, até muitos vizinhos pensavam que eu tinha sido assassinada. (...) Aí ele disse: "Entre no carro". Eu disse: "Eu vou voltar para pegar os documentos porque eu não vou sem documento". Aí voltei, quando eu cheguei em casa, a minha filha mais velha, Marluce Teixeira, me abraçou e disse: "Vão tirar a sua vida, minha mãe, vão tirar a sua vida e você não vai mais voltar". Eu disse: "Não, filha, eles não vão tirar a minha vida. É só para me fazer medo e abandonar a luta". "Não, mainha, vão tirar". Aí eu peguei meus documentos e vim presa. Ela [a filha] mandou comprar veneno, ingeriu veneno com mel, tomou e morreu. Quando ela tinha que se ausentar, sua filha caçula, de três meses, ficava sob os cuidados dessa filha mais velha, Marluce. Naquela ocasião, com a intercessão de um advogado da Liga, Elizabeth foi liberada. O carro do advogado foi levá-la em casa. Quando chegou à casa, encontrou a filha passando mal devido ao veneno que havia ingerido. Levou-a ainda para um hospital, mas ela não resistiu. Era mais uma prova dura que a líder camponesa teria de enfrentar. "Então, eu senti o desespero dentro de mim, desespero para enfrentar a luta para o que desse e viesse". Muitas das reuniões eram feitas na casa onde Elizabeth morava com os filhos. Antes deste fato, um dos filhos, Paulo Pedro Teixeira, com dez anos, tinha sido atingido na cabeça por um disparo feito por um pistoleiro. Revoltado com a morte do pai, o menino começou a ficar na janela da casa e gritar para a rua: "Mataram o meu pai, mas quando eu crescer eu mato o bandido que matou o meu pai!" Elizabeth lembra que estava na sala, conversando com camponeses de Anta, quando ouviu o disparo. Correram e viram o sujeito saindo com a espingarda. Conseguiram dominar o pistoleiro, tomaram sua arma e o levaram à polícia. O menino estava caído no chão, com a bala alojada na testa. Passou vários dias em coma e seis meses internado por conta deste atentado. Mas sobreviveu. Era adulto quando veio a falecer.21 Veio então a ditadura militar de 64, que proibiu o funcionamento das Ligas Camponesas e interveio nos sindicatos de trabalhadores rurais. No dia 1º de abril houve prisões em massa em Sapé. Quando Elizabeth assumiu as atividades da Liga, a repressão voltou-se contra ela. A líder camponesa - que havia espalhado os filhos entre os parentes e enviado um deles para Cuba, onde cursaria medicina - passou a viver na clandestinidade. O regime militar - que prendeu, torturou e matou camponeses - libertou os dois soldados que assassinaram João Pedro Teixeira. Pouco depois do golpe, Elizabeth foi presa e passou quase três meses detida no Grupamento de Engenharia. Ao sair da prisão, foi para a casa do pai, mas ele a rejeitou, dizendo que um dos filhos era a cara de João Pedro, o marido morto. A líder camponesa foi, então, para Recife, procurar um antigo vizinho, Manoel Serafim, militante do PCB. O amigo considerou que ela, muito visada pela polícia, não poderia ficar ali. Foi então para o Rio Grande do Norte, e durante algum tempo trabalhou na roça, apanhando feijão e arrancando batatas. Depois, tornou-se lavadeira. Nesta época, via muitas crianças nas calçadas e chorava, lembrando dos filhos que haviam ficado em Sapé. Usava o nome falso de Marta Maria da Costa. Conseguiu um trabalho alfabetizando crianças e permaneceu no Rio Grande do Norte durante 16 anos. Ao longo desse período, voltou às atividades políticas. Num depoimento no seminário Memória Camponês, realizado em 2006, em João Pessoa (PB), Elizabeth Teixeira lembrava que muitos outros trabalhadores, além de João Pedro, haviam sido assassinados por defenderem a reforma agrária. Aos 81 anos, ela lembrava o quanto essa luta tinha lhe custado: Hoje eu estou tão cansada, eu sofri tanto, tanto, que eu imagino até assim, como é que eu estou viva ainda hoje, pelo sofrimento que eu passei na vida. Não foi fácil ficar sem João Pedro Teixeira, com meus filhos. Depois, ficar sem meus filhos. Deixar tudo abandonado na ditadura militar. Foi muito triste. ================================================================================= + Informações. JOÃO PEDRO TEIXEIRA (1918-1962) Data e local de nascimento: 05/03/1918, Guarabira (PB) Filiação: Maria Francisca da Conceição e João Pedro Teixeira Organização política ou atividade: Ligas Camponesas Data e local da morte: 02/04/1962, Sapé (PB) Em 02/04/1962, João Pedro Teixeira, conhecido líder dos trabalhadores rurais nordestinos e um dos fundadores das Ligas Camponesas foi morto, na estrada Sapé-Café do Vento, na Paraíba. Três homens armados de fuzil montaram tocaia no caminho da sua casa, no Sítio Sono das Antas, onde residia com a esposa e 11 filhos. Morreu com cinco tiros. Sua morte teve grande repercussão local e nacional. Nos anos 80, o cineasta Eduardo Coutinho finalizou o documentário: Cabra Marcado para Morrer, onde relata a história de João Pedro, tendo como protagonistas a viúva, Elisabeth Teixeira, e remanescentes daquele movimento. As primeiras filmagens estavam sendo realizadas antes de abril de 1964, nos quadros do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC da UNE). O clima de repressão imediatamente instalado interrompeu o trabalho. A família Teixeira se dispersou e Elizabeth teve de viver na clandestinidade. Em 1981, já conquistada a Anistia, o documentarista saiu novamente em busca dos camponeses-atores do primeiro Cabra e mostroulhes as filmagens realizadas 17 anos antes. As gravações foram retomadas e Coutinho lançou o filme comercialmente em 1984, com impacto nacional. Os nomes dos mandantes da emboscada que vitimou João Pedro Teixeira, segundo escritura declaratória feita por Francisco de Assis Lemos Souza, foram Aguinaldo Veloso Borges (usineiro), Pedro Ramos Coutinho e Antônio José Tavares, o "Antônio Vitor", conforme decisão do Juiz Walter Rabelo, dada em 27/03/1963. Os executores foram os pistoleiros Cabo Antônio Alexandre da Silva, o "Gago", soldado Francisco Pedro da Silva, conhecido por "Chiquinho", "Nóbrega" ou "Chicão", ambos da Polícia Militar, e o vaqueiro Arnaud Nunes Bezerra. No local onde João Pedro morreu foi erguido um monumento em sua homenagem, com as inscrições: "Aqui tombou João Pedro Teixeira, mártir da Reforma Agrária". O depoimento do jornalista Jório de Lira Machado, anexado ao requerimento protocolado na CEMDP, relata que: "No dia 01/04/1964 o monumento foi destruído por policiais e por capangas dos latifundiários. Os grandes proprietários de terra da Paraíba realizaram, assim, o primeiro ato comemorativo do Golpe Militar de 64. Não há dúvida de que o assassinato de João Pedro Teixeira se deu pelos mesmos motivos que determinaram o golpe militar de 64". No entanto, o caso foi indeferido pela CEMDP, por unanimidade, ainda que tivesse ficado clara e incontestável a atuação política de João Pedro Teixeira em defesa dos trabalhadores e de seus direitos. Na interpretação da Comissão Especial, essa decisão denegatória se impôs como conseqüência incontornável do fato de já existir decisão judicial condenando os assassinos e não atribuindo qualquer responsabilidade ao Estado no episódio. =========================================================================================== + Informações. 07/04/2011 A João Pedro Teixeira O início dos anos 60 não foi nada pacífico para o movimento camponês na Paraíba. Por essa época os latifundiários intensificaram suas ações armadas levados pelo sucesso alcançado pelas Ligas Camponesas, interpretadas como uma grave ameaça aos interesses dos proprietários de terras. Eram comuns os confrontos entre trabalhadores e capangas contratados. O clima de violência grassava como nunca nas propriedades rurais onde famílias inteiras eram mantidas em regime semifeudal. O aumento do foro (valor pelo arrendamento da terra), o fim do "cambão" (o equivalente da "corveia" medieval) e também das ameaças de morte e dos castigos corporais foram algumas das principais reivindicações dos camponeses por meio das Associações de Trabalhadores, que a Imprensa da época transformaria nas lendárias Ligas Camponesas. Foi nesse vendaval de acontecimentos que em Sapé passaria a atuar um homem destemido, de senso prático e solidário. João Pedro Teixeira nascera em 4 de março de 1918 no distrito de Pilõezinhos, à época pertencente ao município de Guarabira (distante 90 km da capital do Estado). Sua condição social já o predestinava a ser o condutor de pobres lavradores explorados pelos "barões da roça". Filho de pai do mesmo nome e de dona Maria Francisca da Conceição, o menino logo veria a mão do latifúndio cair sobre a família dele. João Pedro Teixeira (o pai) vinha resistindo às investidas de um proprietário de terras que tencionava se apropriar de tudo ao redor, inclusive da gleba de João Pedro. A situação se agravara quando num forró, dois filhos desse mesmo latifundiário, acompanhados de capangas, partiram para agredir o pequeno produtor. Para se defender, João Pedro pai matou seus agressores. Fugiu e nunca mais apareceu. Dona Francisca deixou o local onde morava e foi residir em Guarabira, mas João Pedro filho ficou com os avós. Com a morte do avô, um tio por parte de pai o levou para ser criado em Massangana (Cruz do Espírito Santo). Ali começava a sua labuta diária no eito com jornadas que lhe tomavam praticamente o dia todo. Quando alcançou a maioridade foi trabalhar numa pedreira próxima a Café do Vento, localidade pela qual passa o viajante na direção de Campina Grande ou de Sapé. Ali conheceria a jovem Elizabeth Teixeira, com quem se casaria em 26 de julho de 1942. Entre o final dos anos 50 e início dos anos 60 vamos encontrar um ativo militante das causas camponesas na pessoa de um homem que jamais se curvava ao poder do latifundiário. Por essa época João Pedro já sentia o hálito da morte penetrar em suas narinas. No dia 2 de abril de 1962 o líder camponês viajou à capital para supostamente tratar de uma ação de despejo. Em João Pessoa foi comunicado de que o encontro havia sido adiado e só iria ocorrer à tarde. Na verdade tudo era uma trama urdida pelos latifundiários Antônio Vítor, Aguinaldo Veloso Borges e Pedro Ramos Coutinho. Os três haviam planejado, em minúcias, a morte de João Pedro. A acusação viria do cabo Chiquinho, que perpetrara o assassinato com a colaboração de mais dois criminosos. João Pedro partiu da capital no último ônibus. Descera em Café do Vento e deu início àquela que seria a sua última caminhada. Daí a instantes três balaços disparados de algum matagal próximo tiraram a vida de um homem que tinha um único sonho: tornar o campo um lugar de paz e harmonia. Vão-se os homens, ficam seus ideais. JOÃO PEDRO TEIXEIRA (1918 - 1962) (Com o Memorial das Ligas Camponesas) Nonato Nunes =============================================================================================================== + Informações. domingo, 3 de abril de 2011 "João Pedro Teixeira morreu, mas o seu sonho ficou" (Agassis de Almeida) "No dia 2 de abril de 1962 um tiro ecoou nos canaviais e um homem caiu morto. João Pedro Teixeira morreu, mas o seu sonho ficou e se perpetuou pela história, não somente da Paraíba, mas de todo o País". "O latifúndio venenoso e cruel arrancou vidas, mas não matou o sonho e a coragem dos homens que lutaram e continuam lutando por justiça social". (Agassis de Almeida*) Há 49 anos João Pedro Teixeira era assassinado covardemente numa emboscada quando se encaminhava para sua casa. Carregava em suas mãos alguns cadernos, o único armamento que possuía, que entregaria aos seus filhos. Como forma de homenageá-lo disponibilizo o discurso feito pelo tribuno Raimundo Ásfora no dia 3 de abril de 1962 na ocasião de comício público realizado no Ponto de Cem Réis em João Pessoa no dia seguinte a sua morte. "Um tiro franziu o azul da tarde e ensangüentou o peito de um camponês. Foi assim que João Pedro morreu. Eu o vi morto no hospital de Sapé. Peguei na alça do seu caixão e, ao lado de outros companheiros e milhares de camponeses, levei-o ao cemitério. Estava com os olhos abertos. A morte não conseguiu fechar os olhos de João Pedro. Brilhavam numa expressão misteriosa e estranha, como se tivessem sido tocados por um clarão de eternidade. Os seus olhos, os olhos de João Pedro, estavam escancarados para a tarde. E, dentro deles, eu vi - juro que eu vi - havia uma réstia verde que bem poderia ser saudade dos campos ou o fogo da esperança que não se apagara. Tinha sido avisado de que o perseguiam. Assistira, certa vez, ao lado da esposa, a uma ronda sinistra em torno do seu lar. Talvez soubesse tudo, mas aprendera, na poesia revolucionária do mundo, que é melhor morrer sabendo do que viver enganado. Por que mataram João Pedro? Por que o trucidaram? E de emboscada? Mataram João Pedro porque ele havia sonhado com um mundo melhor para si e para os seus irmãos. Idealista puro, ele não compreendia nunca, na sua inteligência ágil e no seu raciocínio acertado, como todas as terras da Várzea do Paraíba pertenciam apenas a proprietários que poderia ser contados nos dedos de uma mão. E tantos homens sem terra e tantos homens aflitos e tantos homens com fome! Sonhara com a reforma agrária. Mas, não pensava na revisão dos estatutos das glebas empunhando uma foice ou um bacamarte, na atitude dos desesperados. Apelava, apenas, para a organização da opinião campesina, da opinião dos campos, porque organizada a opinião do povo, tudo mais ficaria organizado. Nunca me deparei, paraibanos, com uma população rural tão penetrada e compenetrada de consciência de classe, do valor da disciplina e da coesão como os lavadores de Sapé. Foi João Pedro quem os convenceu, mobilizando-os, ardentemente, em cada feira e em cada roçado. Argumentando sempre, com uma fé inquebrantável, sobre a necessidade da formação do seu sindicato. De um sindicato igual aos vossos, trabalhadores de João Pessoa, respeitado pelos patrões, protegido e protetor. Por que os latifundiários não querem respeitar as ligas camponesas? Por quê? Não se organizam eles nas cidades? Nas associações comerciais, nas federações das indústrias, não freqüentam eles o Clube Cabo Branco, o Clube Astréa, os clubes do Recife e do Rio? Por que os camponeses não têm direito de ter a sua Liga? O campo se priva de tudo para nos promover de tudo. Sem a enxada, que fecunda o ventre da terra, para a gravidez da semeadura e o parto da colheita, nada chegará às nossas mesas. A vida vem dos campos. Sem o suor, sem a fadiga dos campônios, jamais alcançaremos a fartura do povo, e a pobreza será cada vez mais infeliz e desamparada.Os latifundiários, todavia, na sua ganância, fingem desconhecer essa verdade, e na sua cupidez e na sua egolatria, negam aos pobres até o direito de ter fome. Fecham as suas propriedades ao cultivo, trazem-nas avaramente estagnadas, mandando matar aqueles que desejam transformá-las num instrumento de produção e de felicidade social. São tão mesquinhos, no seu egoísmo, que, na expressão de um ironista, deixariam o universo às escuras, se fosse proprietários do sol. Eu vi João Pedro morto. Os seus olhos ainda estavam abertos. Eles tinham visto muito. Tinham visto quase tudo à sombra do Sobrado, povoado de Sapé, ouvira, talvez, contar na varanda de sua casa tosca, a história dos pais e dos avós que cultivaram aquelas terras. Sempre sob o regime do cambão, da terça e do cambito. Desse miserável cambão, dessa hedionda terça, desse desumano cambito, que deve ser varrido de nossa paisagem rural, nem que seja a golpes, nem que se a impacto das multidões revolucionárias nas praças. Ouvira contar que, certa vez, o pai fora enxotado cruelmente, pelo capataz do amo, pelo simples fato de terem discutido sobre uma cuia de feijão. Sofria, ele próprio, as angústias daquele servilismo, doendo, agora, sobre o corpo exausto, com o suor da agonia que lhe escorria pela alma, fermentando, então, no íntimo, a convicção de que a dignidade humana não poderia ser tão aviltada. Urgia uma reação e João Pedro, à sombra do Sobrado, meditava e sonhava com um mundo melhor para os seus filhos. Eles não haveriam de amargar a mesma servidão. Sonhou. Haveria de pagar pelo crime de ter sonhado. O seu sonho era uma visão perigosa de liberdade. Os latifundiários não podem compreender que os corações dos humildes possam aninhar tão elevados sonhos. Contrataram sicários, armaram pistoleiros, puseram-se na tocaia. João Pedro deveria ser eliminado. Acuso, perante o governo e a Paraíba, que há um sindicato da morte implantado na Várzea para ceifar a vida dos homens do campo. Ninguém se iluda: aquilo não foi mandado de um homem só. Todos devem se levantar em favor da luta dos camponeses. Todos, principalmente vós, pessoense, depositários da vida indômita da raça tabajara, para que, em face da violência e da opressão, os camponeses não se sintam desamparados. Mataram João Pedro. Nunca mais poderei os seus olhos. Os olhos dos mortos não choram. Ele nos deixou, no transe derradeiro da vida, a dignidade final da sua morte. Sigamos o seu último exemplo. Ninguém derramará mais lágrimas. Os seus olhos queriam dizer que os camponeses, de tanto verterem suor, não têm, sequer pranto para derramar outras lágrimas. Paraibanos, esta cruzada é diferente das demais porque é maior do que todas as outras. Não há um candidato, não há partido político, não há um interesse exclusivista a ser defendido. Esta insurreição é hoje na história da Paraíba o seu grande apostolado. Ou defendemos o homem do campo, numa onda de solidariedade pacífica e irreprimível, pressionando as elites dirigentes para uma revisão da estrutura jurídica vigente, que os depaupera e degrada, efetivando urgentemente a reforma das leis agrárias, ou o Brasil será a pátria traída pelo poder econômico que já nos vem atraiçoando nos governos da República e no parlamento nacional. É inútil matar camponeses. Eles sempre viverão. Antes de morrer, João Pedro era apenas a silhueta de um homem no asfalto. Mas, agora, paraibanos, João Pedro virou zumbi, virou assombração. É uma sombra que se alonga pelos canaviais, que bate forte na porta das casas grandes e dos engenhos, que povoa a reunião dos poderosos, que grita na voz do vento dentro da noite, e pede justiça, e clama vingança. Que passeia pelas estradas de Sapé, que fala, pela boca de milhares de criaturas escravizadas, a mesma língua que, com a sua morte, não se perdeu porque a mensagem dos verdadeiros líderes não se esgota. Pessoenses: meditemos profundamente na destruição de João Pedro, da tremenda cilada que armaram contra o inesquecível líder, na carga de ódio que caiu sobre si com o peso de um destino. Ele sofreu no próprio sangue a grave ameaça que existia contra todos nós. Que todos os patriotas dobrem o joelho diante do seu túmulo". Raymundo Asfora *Agassis de Almeida é escritor, advogado e ex-deputado Agassiz de Almeida (deputado constituinte de 1988), responsável, à época do assassinato de João Pedro, quando exercia o mandato de deputado estadual, pelo pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar, identificar e apontar os responsáveis pelo crime. ================================================================================================================================= Outras informações. Carregando... segunda-feira, 4 de abril de 2011 Ricardo quer desapropriar área e instalar Memorial João Pedro Teixeira O governador Ricardo Coutinho determinou à sua assessoria jurídica a realização de um estudo para verificar a possibilidade legal de o Estado desapropriar a área em que está localizada a casa onde morou o líder camponês João Pedro Teixeira, no povoado Barra das Antas (região do município de Sapé/PB). O objetivo é viabilizar a instalação do Memorial João Pedro Teixeira, órgão de grande importância para o fortalecimento da luta pela reforma agrária no Estado da Paraíba. "Se o Estado, legalmente, puder desapropriar esses quatro hectares aqui, o Estado vai desapropriar, porque é muito importante para a história da luta dos trabalhadores a constituição e fortalecimento desse memorial, não só em função do passado, mas também em função do futuro", ressaltou Ricardo no final da tarde de sábado (2) no terraço da própria casa onde o memorial deverá ser instalado. Ele informou também que no próximo dia 30 de abril, e atendendo um pedido seu, o Conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) vai se reunir para discutir exatamente o processo de tombamento da casa. "Não se constrói o futuro esquecendo o passado. Há muitas pessoas de gerações mais jovens que desconhecem todo o esforço de uma geração anterior para poder construir as liberdades da democracia. Tem muita gente que talvez não dê o devido respeito ao campo porque não perceba ou não saiba a história que envolve tantas pessoas; a saga de tantas famílias, dentre as quais a família de Elizabeth e João Pedro Teixeira, que sofreram, e muito, ao longo desses anos todos, dentro do nosso país, o impacto de uma ditadura que as forças repressivas do latifúndio fizeram", ressaltou. Falando para uma média de 300 camponeses que participaram das homenagens à memória de João Pedro Teixeira, iniciada com uma caminhada pelos três quilômetros que separam o local do assassinato do líder camponês, em frente à Escola Municipal Cândida Emília (localizada no município de Sobrado, às margens da rodovia PB-073 - "Rodovia João Pedro Teixeira") e o povoado "Barra de Antas", em Sapé, o governador observou que pela primeira vez na sua história contemporânea a Paraíba vive um momento em que a gestão estadual é puxada por alguém que saiu das bases e da militância populares. "É importante que essa gestão possa realmente, não só lembrar, como também construir caminhos para que essa grande parte da população faça um outro tipo de movimento; tenha um outro tipo de avanço. É por isso que eu estou aqui, não só por ser militante, mas também por isso", afirmou, salientando que "o Estado tem interesse de estar presente no centro dos impasses, das discussões da democracia real, porque é importante que ele esteja". Dentre essas discussões, o governador citou a questão do acesso à terra, e comentou: "Os resultados da política de democratização do acesso à terra não avançaram tanto quanto os movimentos avançaram ao longo dos últimos 20, 30 anos". Para Ricardo Coutinho, a democratização da terra não pode existir simplesmente por si só, porque não é apenas a terra que vai fazer com que as pessoas possam ter uma qualidade de vida melhor. É fundamental que essa terra produza, e que haja escoamento da produção, e também que haja mercado para consumir essa produção. Homenagens - A presença do governador Ricardo Coutinho no povoado Barra das Antas foi motivada pelas atividades de homenagem à memória do líder camponês João Pedro Teixeira, que há 49 anos (no dia 2 de abril de 1962) foi assassinado quando retornava para sua casa. O evento foi organizado pela Ong Memorial das Ligas Camponesas, com o apoio de representantes de movimentos sociais e da Prefeitura Municipal de Sapé, com o objetivo de resgatar a história das Ligas Camponesas e instituir em Sapé o Memorial João Pedro Teixeira. "No momento da emboscada, ele conduzia nas mãos uma arma muito especial: cadernos para o estudo dos seus filhos", conforme lembrou o escritor, advogado e ex-deputado Agassiz de Almeida (deputado constituinte de 1988), responsável, à época do assassinato de João Pedro, quando exercia o mandato de deputado estadual, pelo pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar, identificar e apontar os responsáveis pelo crime. "No dia 2 de abril de 1962 um tiro ecoou nos canaviais e um homem caiu morto. João Pedro Teixeira morreu, mas o seu sonho ficou e se perpetuou pela história, não somente da Paraíba, mas de todo o País", lembrou o ex-deputado, que também teve seu mandato parlamentar cassado pela ditadura militar, acrescentando que "o latifúndio venenoso e cruel arrancou vidas, mas não matou o sonho e a coragem dos homens que lutaram e continuam lutando por justiça social". Memória viva - Ao lado de Ricardo Coutinho e Agassiz de Almeida, a viúva de João Pedro Teixeira, Elizabeth Teixeira (hoje aos 86 anos de idade), falou para os presentes da história do seu companheiro e das dificuldades que enfrentou após a sua morte. "João Pedro Teixeira foi assassinado no dia 02 de abril de 1962, há 49 anos. Fiquei com 11 filhos, e dois deles também foram assassinados. Quando aconteceu o golpe militar, passei oito meses presa no quartel do Exército. Sofri muita pressão com policiais dando muitos tiros em volta da minha casa, bem perto do meu ouvido; era um sofrimento meu e de meus filhos", observou, lembrando que a sua filha mais velha, Marluce Teixeira, chegou a se suicidar no momento em que os policiais chegaram para prender a sua mãe. Lutando todos os dias no campo por uma reforma agrária; para que o homem do campo tivesse condições de sobreviver, João Pedro Teixeira, segundo Elizabeth, falava que iam tirar a vida dele, e que ela assumiria o seu lugar na Liga Camponesa. "Eu nunca tive resposta para dar a João Pedro. A vida do homem do campo era uma vida sacrificada, triste. Muitos pais viam até seus filhinhos morrerem de fome, por falta de salário para comprar a alimentação. Era muito difícil a vida do homem do campo nas terras, nos engenhos. E quando mataram João Pedro, eu assumi o comando da luta; mas fui presa e depois tive que fugir para São Rafael, no Rio Grande do Norte, onde passei todo o período da ditadura militar sem notícias dos meus filhos, que ficaram abandonados na Fazenda Anta", disse. "Mas eu confio em Deus, e confio nas lutas de hoje, dos companheiros que estão presentes, que a reforma agrária vai ser implantada em nosso Brasil. Que o homem do campo vai ter condições melhores de sobreviver na terra. Eu acredito que a luta de João Pedro ainda vai ser vencedora; a luta de João Pedro Teixeira e de muitos outros companheiros e companheiras que lutaram e que lutam pela reforma agrária", enfatizou. As atividades em homenagem à memória de João Pedro Teixeira acontecem todos os anos, e o objetivo principal é manter acessa a chama da coragem e da luta por melhores condições de vida para o homem do campo, segundo comentou a professora Juliana Elizabeth. Falando da necessidade de resgate da história das Ligas Camponesas, ela disse orgulhar-se de ser neta de João Pedro e de Elizabeth Teixeira. "A luta de João Pedro Teixeira não foi em vão. Por isso estamos aqui todos os anos", ressaltou. Secom-PB ============================================================================================================================ Outras Informações. Memórias da luta camponesa: Elizabeth Teixeira Paulo Gonçalves, especial para AND Dirigente camponesa e viúva de João Pedro Teixeira, fundador e líder da Liga Camponesa de Sapé , na Paraíba, Elizabeth Teixeira, 78 anos, narra à AND sua vida e suas lutas junto ao povo nordestino. Elizabeth e os filhos Em 1962, uma equipe de estudantes da UNE-Volante, acompanhada pelo então jovem cineasta Eduardo Coutinho (membro do CPC - Centro Popular de Cultura) viajava em caravana pelo interior do Nordeste brasileiro filmando a vida do povo e as lutas sociais daquele período, quando ocorreu o assassinato do João Pedro Teixeira, dirigente e fundador da Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba. A partir daí, as atenções da equipe passaram a se concentrar neste caso, e o resultado das filmagens realizadas foi o documentário Cabra Marcado pra Morrer, uma das mais importantes obras cinematográficas do Brasil. Registro simples e fiel daquele período de intensa mobilização do movimento camponês, o filme tem como cenário o sertão pernambucano, e sua principal personagem é a viúva de João Pedro, a também dirigente das Ligas, Elizabeth Teixeira. Entrevistada por AND em fins do mês de abril, ela nos conta sua vida de lutas e sofrimentos em prol do povo pobre de nosso país. Filme "O Eduardo Coutinho foi ao Nordeste fazer umas filmagens sobre o povo do interior, com os estudantes da UNE, e mudou o projeto de seu filme quando soube do assassinato de João Pedro. Eles todos foram ao ato público que realizamos depois do assassinato, e aí ficaram revoltados. Eduardo me procurou e disse que deveria fazer um filme, que só foi rodado em 1964. Filmamos no Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco", relata Elizabeth. As filmagens, dessa época da Galiléia, foram interrompidas pelo golpe de 1°de abril de 1964, sendo retomadas apenas dezessete anos depois. Elizabeth Teixeira ainda se emociona quando recorda o dia 2 de abril de 1962, data em que três policiais - vestidos de vaqueiros - assassinaram seu marido, o líder camponês João Pedro Teixeira, o homem marcado para morrer: "Quando vi o corpo de João Pedro sem vida, lembrei que ele sempre me dizia que iriam tirar sua vida, mas que a luta deveria continuar. Elizabeth, ele dizia, a luta deve continuar até enquanto existir um operário ou um camponês explorado. Quando eu morrer você continua a minha luta? Então, mesmo com ele já morto, eu peguei na sua mão e disse: João Pedro, vou dar continuidade à nossa luta para o que der e vier." Apesar das ameaças e perseguições do latifúndio, Elizabeth continuou no trabalho de organização dos camponeses. Ela, junto a outros companheiros, frustraram os planos dos latifundiários, que matando João Pedro acreditavam estar enterrando a luta camponesa na região. Registros revelam que dois anos depois do assassinato de seu dirigente, a Liga Camponesa de Sapé contava com o dobro de associados: 24 mil camponeses. Perseguição O golpe contra-revolucionário de 1º de abril obrigou Elizabeth, que já havia sido presa por diversas vezes, a fugir para a cidadezinha de São Rafael, no Rio Grande do Norte, com a falsa identidade de Marta Maria da Costa. Durante o tempo em que esteve clandestina, ela sobreviveu, a princípio, como lavadeira e, depois, como professora. Para muitos, foi dada como morta pela repressão política, só reaparecendo em 1981, quando Eduardo Coutinho a reencontrou e deu continuidade às filmagens de Cabra marcado para morrer. Elizabeth Teixeira nasceu em Sapé, Paraíba, em 13 de fevereiro de 1925. Seu pai era fazendeiro, proprietário de 300 hectares de terra e comerciante. Cursou até o segundo ano primário, abandonando os estudos porque o pai a proibiu de continuar indo à escola. Ela conta: "Meu pai era exigente, mas vivíamos bem. O problema mais sério do nosso relacionamento foi o meu casamento, porque casei contra a vontade dele. Tive que fugir e casar com 16 anos, porque quando João Pedro me pediu em casamento, papai não aceitou. Dizia que ele era negro e que não aceitava negro sentado na sua sala. E, além disso, era um pobre, operário." "A primeira vez que vi João Pedro foi na mercearia do meu pai. Ele trabalhava numa pedreira nas terras de um vizinho. Depois que fugimos fiquei na casa do tio dele, que era gerente de um engenho, e no dia 26 de julho de 1942, nós nos casamos. Antes do casamento, papai mandou uma carta, pedindo para que eu voltasse, mas eu não aceitei. Quando conheci João Pedro, eu tinha 15 anos e fugimos um ano depois", continua. O pai insistiu por diversas vezes para ela separar-se de João Pedro, mas Elizabeth nunca aceitou as propostas e ofertas da família. Continuou ao lado do marido, com quem teve 11 filhos e um convívio feliz. Ela prossegue: "Depois disso, João Pedro foi para Recife e eu fiquei em Sapé por uns meses. Aí, ele alugou uma casinha na capital e me levou. Já estava grávida do nosso segundo filho, o Abrahão Teixeira. Moramos nove anos em Recife e, nessa época, João Pedro começou a participar da luta da classe trabalhadora, fundando o Sindicato da Construção da cidade. As primeiras reuniões foram lá em casa, no começo dos anos 50. Logo depois, os empresários não queriam mais dar trabalho a ele e a situação foi ficando muito difícil. Os nossos filhos começaram a passar fome e resolvemos voltar para a Paraíba. Quando chegamos lá, em 54, papai mandou um grupo de trabalhadores nos ajudar no plantio. João Pedro também foi. Na hora do almoço, eles tinham apenas farinha seca com rapadura. Aí meu marido começou a questionar aquela situação e a entrar na luta dos camponeses, indo de engenho em engenho para saber como era a sobrevivência dos camponeses. Foi tomando conhecimento e começou aquela organização." A luta das Ligas Nesse tempo, João Pedro já havia sido preso várias vezes por ordem dos latifundiários locais. Chegou até a ter de fugir para o Rio de Janeiro, onde ficou durante oito meses, escondido. Sua intensa participação no movimento dos trabalhadores rurais da Paraíba lhe trouxe o ódio de fazendeiros e donos de engenho deste estado. Vivendo só neste período, Elizabeth Teixeira diz que os companheiros da luta a ajudavam, não deixando faltar nada à família durante a ausência de João Pedro. Quando este voltou, foi fundada a Liga Camponesa em Sapé, no ano de 1958. A organização dos trabalhadores foi crescendo na região e, em consequência, aumentaram as ameaças contra o líder camponês, assassinado em 1962 com três tiros pelas costas, por pistoleiros que ficaram de emboscada. Depois da morte do marido, Elizabeth também foi detida e sofreu diversos atentados. Havia até quem lhe oferecesse dinheiro para abandonar as Ligas, mas ela continuou firme, junto aos trabalhadores. "Um dia após o golpe tentaram incendiar minha casa, mas não me encontraram, porque estava em Galiléia, fazendo o filme. De lá, fugimos para dentro das matas e no dia seguinte, conseguimos chegar até Recife. Depois, em João Pessoa, procurei notícias dos meus filhos, mas acabei sendo presa. Passei três meses e 24 dias na prisão, no Agrupamento de Engenharia." Liberada, ela fugiu para a cidade de São Rafael, interior do Rio Grande do Norte, onde viveu por 16 anos com o nome de Marta Maria da Costa. "Eu fugi com o meu filho Carlos, e os outros ficaram espalhados, com parentes. Eu vivia lavando roupa de ganho, no rio Açu. Mas apanhei uma infecção, fiquei muito doente, e fui parar no hospital. O médico disse que eu tinha que parar de lavar roupa, e a situação ficou mais difícil ainda. Cheguei a passar fome. Um dia, eu estava sentada na calçada, chorando, então um motorista que viu a minha situação foi na venda e comprou uma feira com muita coisa, inclusive quatro latas de leite, e me entregou, num gesto de grande solidariedade. Este gesto me animou a continuar firme. Então percebi que as crianças de São Rafael viviam pelas ruas, sem escola, sem ensino nenhum, e aí falei com as mães e propus ensinar às crianças em troca de algum dinheiro. Elas se reuniram, cada uma cedeu uma cadeira, outra emprestou a sala da sua casa, que foi transformada em sala de aula e passei a ensinar às crianças a ler, contar e escrever. E hoje, de vez em quando sou homenageada por elas, mulheres e homens, já formados, e que começaram a ler naquela ocasião", diz. Mesmo na clandestinidade, a líder camponesa continuou a agir. "Conversava muito com o presidente do Sindicato Rural de São Rafael sobre a situação dos companheiros do campo, mas ninguém sabia que eu era a viúva de João Pedro", lembra. Quando o cineasta Eduardo Coutinho a encontrou, em 1981, num processo longo de procura, ela abandonou a vida clandestina que levava e revelou seu verdadeiro nome e sua história às vizinhas e amigas do município de São Rafael. Em seguida, sua primeira iniciativa foi reencontrar os demais filhos, que moravam na Paraíba, no Recife, no Rio de janeiro e em Cuba. Movimento camponês, hoje Elizabeth hoje mora em João Pessoa, com uma das filhas e duas de suas 23 netas e netos. Aos 78 anos, a dirigente camponesa permanece atenta à luta dos trabalhadores, e presente nos atos públicos, congressos e conferências a que é convidada. "No dia 10 de maio, estive num acampamento de camponeses, no município de Itabaiana, chamado Acampamento Elizabeth Teixeira. Foi uma honra saber que os companheiros que lutam lembram de mim, viúva de João Pedro Teixeira. E é triste saber que, 41 anos depois de sua morte, a miséria, a fome, as injustiças e os crimes do latifúndio continuam acontecendo do mesmo jeitinho." Na cena final do filme Cabra marcado para morrer, gravada em 1981, Elizabeth diz: "(...) a luta que não pára. A mesma necessidade de 64 está plantada, ela não fugiu um milímetro, a mesma necessidade do operário, do homem do campo, a luta que não pode parar. Enquanto existir fome e salário de miséria o povo tem que lutar. Quem é que não luta? É preciso mudar o regime, enquanto tiver este regime, esta democracia, (...) democracia sem liberdade? Democracia com salário de miséria e de fome? Democracia com o filho do operário sem direito de estudar, sem ter condição de estudar?" Ao fim da entrevista, indagada sobre a atualidade de suas palavras, ela conclui enfática: "Continua do mesmo jeito. Enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe trabalhadora, tem que haver luta dos camponeses, dos operários, das mulheres, dos estudantes e de todos aqueles que são oprimidos e explorados. Não pode parar." =========================================================================================================== PDF] INFORMATIVO MEMORIAL DAS LIGAS CAMPONESAS.pmd www.grupos.com.br/group/.../Messages.html?action...10...Similares Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida a casa onde morou João Pedro Teixeira, no povoado de Barra de Antas. Prefeito de Sapé - João da Utilar; Garibaldi Pessoa -. Advogado da Ong; Antônio ... PDF] A FABRICAÇÃO DE UMA HISTÓRIA MONUMENTAL PARA ... www.encontro2010.historiaoral.org.br/.../1270417532_ARQUIVO_... Não foi útil? Após fazer login, você poderá bloquear os resultados de www.encontro2010.historiaoral.org.br.www.encontro2010.historiaoral.org.br - Bloquear todos os resultados de www.encontro2010.historiaoral.org.br Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de RS Muniz - Artigos relacionados João Pedro Teixeira, líder atuante das Ligas Camponesas foi morto em emboscada e a ... camponês da Liga Camponesa de Sapé, João Pedro Teixeira? Assim ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111024/704198ba/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 13938 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111024/704198ba/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10263 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111024/704198ba/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 24 20:09:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 24 Oct 2011 20:09:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_7_passos_para_uma_vida_longa_e_sa?= =?iso-8859-1?q?ud=E1vel__=2E____________________________________HO?= =?iso-8859-1?q?JE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA?= =?iso-8859-1?q?=C7=C3O!?= Message-ID: <9C3C18E5503F4DE9BF6184A8FFA3773C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 7 passos para uma vida longa e saudável Por Stephanie D'Ornelas em 22.10.2011 as 15:00 Sete passos simples podem fazer com que até pessoas que já estão na meia-idade tenham uma boa chance de chegar aos 90 - ou quem sabe, até mesmo aos 100 anos -, de acordo com o cardiologista americano Clyde Yancy. Por isso, nunca é tarde para adotar alguns hábitos saudáveis em nosso cotidiano. Aqui estão as dicas na íntegra: 1 - Seja ativo Está muito parado? Então é melhor começar a se exercitar o quanto antes. O sedentarismo pode tirar até quatro anos da expectativa de vida de uma pessoa. Além disso, quem é fisicamente inativo tem duas vezes mais probabilidade de desenvolver uma doença cardíaca ou ter derrame. O efeito protetor do exercício sobre as doenças cardiovasculares já é bem conhecido, mas existem muitos outros benefícios. Atividades físicas reduzem significativamente o risco de uma série de cânceres também. 2 - Conheça seus níveis de colesterol e os mantenha sob controle Colesterol alto pode levar ao acúmulo de depósitos de gordura nas artérias, aumentando o risco de doenças cardíacas e derrame. Os médicos recomendam que adultos tenham, no máximo, um total de 5 mmol/L de colesterol no sangue. 3 - Tenha uma dieta saudável Uma boa alimentação é uma das coisas mais importantes que podem ser feitas para melhorar a saúde. Em uma dieta saudável não devemos consumir açúcar, gordura e sal em excesso. Frutas e vegetais, por sua vez, contêm fibras, vitaminas e minerais essenciais para nosso organismo - ou seja, todos podem abusar deles. 4 - Mantenha sua pressão arterial controlada Pressão alta é um fator de risco para ataque e insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e doenças renais. Também há evidências crescentes de que a pressão elevada contribui para a demência. Por isso, manter a pressão controlada é fundamental. 5 - Alcance e mantenha um peso saudável Vários países já têm índices alarmantes sobre a obesidade. Para exemplificar, 60% dos adultos britânicos estão acima do peso ou obesos - os principais fatores de risco para doenças cardíacas e derrame. Ser obeso pode reduzir a expectativa de vida em quase quatro anos. 6 - Fique livre de diabetes, ou mantenha os níveis de açúcar sob controle Quase 350 milhões de pessoas no mundo são afetadas pela diabetes. O tipo 2 pode surgir quando alguém come muito, mas se exercita pouco. A diabetes aumenta o risco de pressão alta, aterosclerose (estreitamento das artérias), doença arterial coronariana e acidente vascular cerebral, principalmente se os níveis de açúcar no sangue não forem bem controlados. 7 - Não fume O tabagismo causa a maior parte das mortes por câncer de pulmão, além de vitimar milhares de pessoas por bronquite, enfisema e doença cardíaca todos os anos. Parar de fumar imediatamente diminui o risco de doença cardíaca e derrame. Apagar o cigarro pode ser uma boa ideia para uma vida mais longa e saudável. [Telegraph] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111024/27fc965f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 25 19:28:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 25 Oct 2011 19:28:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LOURIVAL_MOURA_PAULINO_______________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CCLXXXII-?= Message-ID: <4B635E4AFAAA4418BB4DD9F25B52D8C5@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem LOURIVAL MOURA PAULINO ( ? - 1972) Filiação: Jardilina Santos Moura e Joaquim Moura Paulino Data e local de nascimento: não consta Organização política ou atividade: não definida Data da morte: 21/05/1972 A primeira morte de um prisioneiro no Araguaia foi a do barqueiro Lourival, morador da região, de aproximadamente 55 anos, que também mantinha atividade como lavrador. Preso em 18 de maio de 1972 pelo Exército, sob a suspeita de colaborar com a guerrilha, uma vez que era visto como muito amigo de Osvaldão, foi encontrado morto na delegacia de polícia de Xambioá, como se tivesse se enforcado. No processo policial arquivado naquela cidade - nº 105/90 de 17/09/1990 -, encontrado pela comissão de familiares, representantes de entidades de Direitos Humanos e parlamentares que visitou a região em abril de 1991, consta que Lourival deu entrada na Delegacia de Xambioá no dia 18/05/1972, aproximadamente às 15h30min, após ser detido pelo Exército, a fim de ser interrogado por suspeita de subversão. Três dias depois, teria se suicidado com a corda da rede de dormir que o filho lhe trouxera. O delegado de Xambioá, à época, era Carlos Teixeira Marra e o carcereiro era o 2° sargento da Polícia Militar Salomão Pereira de Souza. No livro A Lei da Selva, do jornalista e historiador Hugo Studart, consta a seguinte passagem na nota 78, da página 118: "Segundo narrativa de um militar (operava em Xambioá quando morreu o barqueiro), Lourival era muito popular em toda a região. O Exército já estava acantonado próximo da cidade, à beira do rio, e, como medida de segurança, isolou a área com arame farpado. Encontraram Lourival na cozinha do acampamento. Os militares teriam acreditado que ele tentava envenenar a comida da tropa. Preso, parentes dele levaram uma rede para que pudesse dormir. Lourival teria se enforcado com essa rede. Narrativa oral de Fernando (codinome), a 5 de abril de 2002" O filho do barqueiro, Ruiderval Miranda Moura, que tirou a corda do pescoço do cadáver, afirma que a corda usada não era a que ele levou e, sim, uma diferente, mais fina e lisa. O delegado assinou, no dia 22/05, uma autorização de remoção do corpo para Marabá, a fim de ser entregue à família para sepultura. No depoimento do ex-preso político José Genoíno Neto, em Auditoria Militar, à época, ele afirmou que "quando estava na cadeia de Xambioá, na cela ao lado foi enforcado um lavrador que se chamava Lourival Paulino''. No livro O Nome da Morte, do jornalista Klester Cavalcanti, onde é contada a história do matador de aluguel Júlio Santana, aparecem novas informações sobre a morte de Lourival. Segundo depoimento de Júlio, que na época, aos 17 anos, foi contratado como mateiro pelo Exército, Lourival foi torturado por duas noites seguidas pelo delegado Carlos Marra e por soldados do Exército. Júlio conta que, ao chegar à delegacia, no dia 21/05 pela manhã, "(...) A imagem era assustadora. O corpo de Lourival estava suspenso, a meio metro do chão, amarrado pelo pescoço a uma viga de madeira do teto e vestido apenas com a cueca. Os olhos esbugalhados, pareciam pintados de vermelho. Do lado esquerdo do rosto, o barqueiro tinha um inchaço roxo, do tamanho de uma laranja. A barriga apresentava marcas avermelhadas e longas, que Júlio adivinhou ter sido feitas por pauladas com o cabo de vassoura que viu jogado no canto da cela. (...) As mãos do morto estavam amarradas para trás.(...)" (páginas 124 e 125) ============================================================================================================================== + Informações. LOURIVAL DE MOURA PAULINO Camponês da região do Araguaia, que residia no município de Conceição do Araguaia/PA. Filho de Joaquim Moura Paulino e Jardilina Santos Moura, tinha aproximadamente 55 anos quando foi morto. Foi preso em maio de 1972, pelo Exército, torturado e transportado para a base de Xambioá, onde continuou a ser torturado até ser encontrado morto, enforcado, no dia 21 de maio de 1972, na delegacia de polícia da cidade. No processo, arquivado, na cidade de Xambioá, com o n° 105/90 de 17/9/90, encontrado pela Comissão de Familiares, representantes de entidades de direitos humanos e parlamentares, em abril de 1991, obteve-se as seguintes informações: Lourival deu entrada na Delegacia de Xambioá no dia 18/05/72, aproximadamente às 15:30 horas, após ser detido pelo Exército, a fim de ser interrogado por suspeita de subversão e que, no dia 21/5/72, teria se suicidado com a corda da rede de dormir que o filho lhe trouxera. Era delegado em Xambioá, à época, Carlos Teixeira Marra, 2° Sargento da PM e carcereiro, Salomão Pereira de Souza. Assina o laudo necroscópico o médico Manoel Fabiano Cardoso da Costa - CRM 267/AM. "A corda usada ou seja que estava no pescoço do pai, não foi a que ele levou e sim uma corda diferente mais fina e lisa, quem tirou a corda do pescoço dele foi seu filho Raiderval Miranda Moura. O atestado encontrado em Xambioá, foi mediante mandato judicial, impretrado por sua esposa e filho". Datado do dia 22 de maio de 1972 e assinado pelo Delegado de Xambioá, há uma autorização de remoção do corpo para Marabá, a fim de ser entregue à família para sepultura. No entanto, seus familiares nunca receberam o corpo nem o atestado de óbito. No depoimento do ex-preso político José Genoino Neto, em Auditoria Militar, à época, afirmou que "... quando estava na cadeia de Xambioá, na cela ao lado, foi enforcado um lavrador que se chamava Lourival Paulino..." Até o momento é o único desaparecido político do Araguaia cujos documentos comprovantes da sua morte foram encontrados no cartório de Xambioá (Pará). ======================================================================================= Ficha Lourival de Moura Paulino Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Lourival de Moura Paulino Atividade: Camponês Dados da Militância Prisão: 18/5/1972 PA região do Araguaia Morto ou Desaparecido: Desaparecido 21/5/1972 Xambioá TO Brasil região do Araguaia, Delegacia de Polícia da cidade Clandestinidade Dados da repressão Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Carlos Teixeira Massa , Salomão Pereira de Souza Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Manoel Fabiano Cardoso da Costa Biografia Documentos Processo jurídico Processo da Delegacia de Polícia de Xambioá, PA, de 26/05/72, sobre o suicídio do camponês Lourival de Moura Paulino. Informa que Lourival foi preso na delegacia citada em 18/05/72, detido pelo Exército a fim de ser interrogado por ser suspeito de subversão. No dia 21/05/72, véspera do dia que deveria ser interrogado, suicidou-se por enforcamento com uma rede que o filho lhe dera. Seguem termo de compromisso, autorização para remoção de cadáver e auto de exame cadavérico do IML/GO, de 22/05/72, assinado por Manoel Fabiano Cardoso da Costa. Inclui ainda o Inquérito Policial em que Lourival é vítima, de 17/09/90, do Tribunal de Justiça do Estado de Tocantins. Todas cópias estão com partes ilegíveis. Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111025/70ee135e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10987 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111025/70ee135e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Oct 25 19:28:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 25 Oct 2011 19:28:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=C9_APROVADO_O_PROJETO_DE_LEI_Q?= =?windows-1252?q?UE_CRIA_O_DIA_ESTADUAL_EM_MEM=D3RIA_DOS_MORTOS_E_?= =?windows-1252?q?DESAPARECIDOS_POL=CDTICOS_NO_ESTADO_DE_S=C3O_PAUL?= =?windows-1252?q?O=2E_-?= Message-ID: <941C13B567084F27AAABEBD5ADB5E442@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem É APROVADO PELO EXECUTIVO O PROJETO DE LEI DO DEP CARLOS GIANNAZI QUE CRIA O DIA ESTADUAL EM MEMÓRIA DOS MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS NO ESTADO DE SÃO PAULO!!!! - Publicado no DOE-Executivo, em 21/10/2011. LEI Nº 14.594, DE 20 DE OUTUBRO DE 2011 (Projeto de lei nº 438/10, do Deputado Carlos Giannazi - PSOL) WWW.CARLOSGIANNAZI.COM.BR Institui o ?Dia Estadual em Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos? O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Faço saber que a Assembleia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei: Artigo 1º - Fica instituído o ?Dia Estadual em Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos?, a ser celebrado, anualmente, em 4 de setembro. Parágrafo único - O dia a que se refere o ?caput? corresponde a 4 de setembro de 1990, data em que foi aberta a vala clandestina localizada no Cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, na Capital. Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Palácio dos Bandeirantes, 20 de outubro de 2011. GERALDO ALCKMIN Eloisa de Sousa Arruda Secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania Sidney Estanislau Beraldo Secretário-Chefe da Casa Civil Publicada na Assessoria Técnico-Legislativa, aos 20 de outubro de 2011. VEJA O PROJETO DE LEI NA ÍNTEGRA: PROJETO DE LEI Nº 438, DE 2010 Institui o Dia Estadual de Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos no Estado de São Paulo. A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA: Artigo 1º - Fica instituído o Dia Estadual de Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos, a ser celebrado anualmente no dia 04 de setembro. Parágrafo único - Esta data se refere ao dia 04 de setembro de 1990, dia em que foi aberta a vala de Perus, cemitério clandestino localizada no Cemitério Dom Bosco, no Bairro de Perus, em São Paulo. Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. JUSTIFICATIVA Um desaparecimento forçado consiste em um sequestro conduzido por agentes do Estado, ou por grupos organizados que agem com o apoio ou a tolerância do Estado, em que a vítima ?desaparece?. Desaparecimentos forçados foram usados primeiramente como forma covarde e violenta de repressão política na América Latina durante os anos 1960. Estima-se que mais de 90.000 pessoas tenham desaparecido nessa região. No Brasil, durante o período da ditadura militar, o número chega a quase 400 pessoas, dentre as mortas e as desaparecidas. A violência, que ainda hoje assusta o País, menos óbvia, mais ainda presente, tem raízes em nosso passado escravista e paga tributo às duas ditaduras do século 20. Jogar luz no período de sombras e abrir todas as informações sobre violações de Direitos Humanos ocorridas no último ciclo ditatorial são imperativos urgentes de uma nação que se pretende verdadeiramente democrática. O Centro de Documentação Eremias Delizoicov e a Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos organizaram e desenvolveram o site www.desaparecidospoliticos.org.br O objetivo é divulgar as investigações sobre as mortes, a localização dos restos mortais das vítimas da ditadura e identificar os responsáveis pelos crimes de tortura, homicídio e ocultação dos cadáveres de dezenas de pessoas durante o período da ditadura militar no Brasil (1964/85). O site tem em sua base de dados os nomes de 383 mortos e desaparecidos (lista abaixo foi pesquisada no site do Centro de Documentação Eremias Delizoicov). Abelardo Rausch Alcântara Abílio Clemente Filho Aderval Alves Coqueiro Adriano Fonseca Filho Afonso Henrique Martins Saldanha Albertino José de Oliveira Alberto Aleixo Alceri Maria Gomes da Silva Aldo de Sá Brito Souza Neto Alex de Paula Xavier Pereira Alexander José Ibsen Voeroes Alexandre Vannucchi Leme Alfeu de Alcântara Monteiro Almir Custódio de Lima Aluísio Palhano Pedreira Ferreira Amaro Luíz de Carvalho Ana Maria Nacinovic Corrêa Ana Rosa Kucinski Silva Anatália de Souza Melo Alves André Grabois Ângelo Arroyo Ângelo Cardoso da Silva Ângelo Pezzuti da Silva Antogildo Pacoal Vianna Antônio Alfredo de Lima Antônio Benetazzo Antônio Carlos Bicalho Lana Antônio Carlos Monteiro Teixeira Antônio Carlos Nogueira Cabral Antônio Carlos Silveira Alves Antônio de Pádua Costa Antônio dos Três Reis Oliveira Antônio Ferreira Pinto (Alfaiate) Antônio Guilherme Ribeiro Ribas Antônio Henrique Pereira Neto (Padre Henrique) Antônio Joaquim Machado Antonio Marcos Pinto de Oliveira Antônio Raymundo Lucena Antônio Sérgio de Mattos Antônio Teodoro de Castro Ari da Rocha Miranda Ari de Oliveira Mendes Cunha Arildo Valadão Armando Teixeira Frutuoso Arnaldo Cardoso Rocha Arno Preis Ary Abreu Lima da Rosa Augusto Soares da Cunha Áurea Eliza Pereira Valadão Aurora Maria Nascimento Furtado Avelmar Moreira de Barros Aylton Adalberto Mortati Benedito Gonçalves Benedito Pereira Serra Bergson Gurjão Farias Bernardino Saraiva Boanerges de Souza Massa Caiuby Alves de Castro Carlos Alberto Soares de Freitas Carlos Eduardo Pires Fleury Carlos Lamarca Carlos Marighella Carlos Nicolau Danielli Carlos Roberto Zanirato Carlos Schirmer Carmem Jacomini Cassimiro Luiz de Freitas Catarina Abi-Eçab Célio Augusto Guedes Celso Gilberto de Oliveira Chael Charles Schreier Cilon da Cunha Brun Ciro Flávio Salasar Oliveira Cloves Dias Amorim Custódio Saraiva Neto Daniel José de Carvalho Daniel Ribeiro Callado David Capistrano da Costa David de Souza Meira Dênis Casemiro Dermeval da Silva Pereira Devanir José de Carvalho Dilermano Melo Nascimento Dimas Antônio Casemiro Dinaelza Soares Santana Coqueiro Dinalva Oliveira Teixeira Divino Ferreira de Souza Divo Fernandes de Oliveira Djalma Carvalho Maranhão Dorival Ferreira Durvalino de Souza Edgard Aquino Duarte Edmur Péricles Camargo Edson Luis de Lima Souto Edson Neves Quaresma Edu Barreto Leite Eduardo Antônio da Fonseca Eduardo Collen Leite (Bacuri) Eduardo Collier Filho Eiraldo Palha Freire Elmo Corrêa Elson Costa Elvaristo Alves da Silva Emanuel Bezerra dos Santos Enrique Ernesto Ruggia Epaminondas Gomes de Oliveira Eremias Delizoicov Eudaldo Gomes da Silva Evaldo Luiz Ferreira de Souza Ezequias Bezerra da Rocha Félix Escobar Sobrinho Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira Fernando Augusto Valente da Fonseca Fernando Borges de Paula Ferreira Fernando da Silva Lembo Flávio Carvalho Molina Francisco das Chagas Pereira Francisco Emanoel Penteado Francisco José de Oliveira Francisco Manoel Chaves Francisco Seiko Okama Francisco Tenório Júnior Frederico Eduardo Mayr Gastone Lúcia Carvalho Beltrão Gelson Reicher Geraldo Magela Torres Fernandes da Costa Gerosina Silva Pereira Gerson Theodoro de Oliveira Getúlio de Oliveira Cabral Gilberto Olímpio Maria Gildo Macedo Lacerda Grenaldo de Jesus da Silva Guido Leão Guilherme Gomes Lund Hamilton Fernando da Cunha Helber José Gomes Goulart Hélcio Pereira Fortes Helenira Rezende de Souza Nazareth Heleny Telles Ferreira Guariba Hélio Luiz Navarro de Magalhães Henrique Cintra Ferreira de Ornellas Higino João Pio Hiran de Lima Pereira Hiroaki Torigoe Honestino Monteiro Guimarães Iara Iavelberg Idalísio Soares Aranha Filho Ieda Santos Delgado Íris Amaral Ishiro Nagami Ísis Dias de Oliveira Ismael Silva de Jesus Israel Tavares Roque Issami Nakamura Okano Itair José Veloso Iuri Xavier Pereira Ivan Mota Dias Ivan Rocha Aguiar Jaime Petit da Silva James Allen da Luz Jana Moroni Barroso Jane Vanini Jarbas Pereira Marques Jayme Amorim Miranda Jeová Assis Gomes João Alfredo Dias João Antônio Abi-Eçab João Barcellos Martins João Batista Franco Drummond João Batista Rita João Bosco Penido Burnier (Padre) João Carlos Cavalcanti Reis João Carlos Haas Sobrinho João Domingues da Silva João Gualberto Calatroni João Leonardo da Silva Rocha João Lucas Alves João Massena Melo João Mendes Araújo João Roberto Borges de Souza Joaquim Alencar de Seixas Joaquim Câmara Ferreira Joaquim Pires Cerveira Joaquinzão Joel José de Carvalho Joel Vasconcelos Santos Joelson Crispim Jonas José Albuquerque Barros Jorge Alberto Basso Jorge Aprígio de Paula Jorge Leal Gonçalves Pereira Jorge Oscar Adur (Padre) José Bartolomeu Rodrigues de Souza José Campos Barreto José Carlos Novaes da Mata Machado José de Oliveira José de Souza José Ferreira de Almeida José Gomes Teixeira José Guimarães José Huberto Bronca José Idésio Brianezi José Inocêncio Pereira José Júlio de Araújo José Lavechia José Lima Piauhy Dourado José Manoel da Silva José Maria Ferreira Araújo José Maurílio Patrício José Maximino de Andrade Netto José Mendes de Sá Roriz José Milton Barbosa José Montenegro de Lima José Porfírio de Souza José Raimundo da Costa José Roberto Arantes de Almeida José Roberto Spiegner José Roman José Sabino José Silton Pinheiro José Soares dos Santos José Toledo de Oliveira José Wilson Lessa Sabag Juarez Guimarães de Brito Juarez Rodrigues Coelho Kleber Lemos da Silva Labib Elias Abduch Lauriberto José Reyes Líbero Giancarlo Castiglia Lígia Maria Salgado Nóbrega Lincoln Bicalho Roque Lincoln Cordeiro Oest Lourdes Maria Wanderley Pontes Lourenço Camelo de Mesquita Lourival de Moura Paulino Lúcia Maria de Souza Lucimar Brandão Lúcio Petit da Silva Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides Luís Almeida Araújo Luís Antônio Santa Bárbara Luís Inácio Maranhão Filho Luis Paulo da Cruz Nunes Luiz Affonso Miranda da Costa Rodrigues Luiz Carlos Almeida Luiz Eduardo da Rocha Merlino Luiz Eurico Tejera Lisbôa Luiz Fogaça Balboni Luiz Gonzaga dos Santos Luíz Guilhardini Luiz Hirata Luiz José da Cunha Luiz Renato do Lago Faria Luiz Renato Pires de Almeida Luiz Renê Silveira e Silva Luiz Vieira Luíza Augusta Garlippe Lyda Monteiro da Silva Manoel Aleixo da Silva Manoel Fiel Filho Manoel José Mendes Nunes de Abreu Manoel Lisboa de Moura Manoel Raimundo Soares Manoel Rodrigues Ferreira Manuel Alves de Oliveira Manuel José Nurchis Márcio Beck Machado Marco Antônio Brás de Carvalho Marco Antônio da Silva Lima Marco Antônio Dias Batista Marcos José de Lima Marcos Nonato Fonseca Margarida Maria Alves Maria Ângela Ribeiro Maria Augusta Thomaz Maria Auxiliadora Lara Barcelos Maria Célia Corrêa Maria Lúcia Petit da Silva Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo Maria Regina Marcondes Pinto Mariano Joaquim da Silva Marilena Villas Boas Mário Alves de Souza Vieira Mário de Souza Prata Maurício Grabois Maurício Guilherme da Silveira Merival Araújo Miguel Pereira dos Santos Milton Soares de Castro Míriam Lopes Verbena Neide Alves dos Santos Nelson de Souza Kohl Nelson José de Almeida Nelson Lima Piauhy Dourado Nestor Veras Newton Eduardo de Oliveira Nilda Carvalho Cunha Nilton Rosa da Silva (Bonito) Norberto Armando Habeger Norberto Nehring Odijas Carvalho de Souza Olavo Hansen Onofre Pinto Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior Orlando Momente Ornalino Cândido da Silva Orocílio Martins Gonçalves Osvaldo Orlando da Costa Otávio Soares da Cunha Otoniel Campo Barreto Pauline Reichstul Paulo César Botelho Massa Paulo Costa Ribeiro Bastos Paulo de Tarso Celestino da Silva Paulo Mendes Rodrigues Paulo Roberto Pereira Marques Paulo Stuart Wright Pedro Alexandrino de Oliveira Filho Pedro Carretel Pedro Domiense de Oliveira Pedro Inácio de Araújo Pedro Jerônimo de Souza Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar Péricles Gusmão Régis Raimundo Eduardo da Silva Raimundo Ferreira Lima Raimundo Gonçalves Figueiredo Raimundo Nonato Paz Ramires Maranhão do Vale Ranúsia Alves Rodrigues Raul Amaro Nin Ferreira Reinaldo Silveira Pimenta Roberto Cieto Roberto Macarini Roberto Rascardo Rodrigues Rodolfo de Carvalho Troiano Ronaldo Mouth Queiroz Rosalindo Souza Rubens Beirodt Paiva Rui Osvaldo Aguiar Pftzenreuter Ruy Carlos Vieira Berbert Ruy Frazão Soares Santo Dias da Silva Sebastião Gomes da Silva Sérgio Correia Sérgio Landulfo Furtado Severino Elias de Melo Severino Viana Colon Sidney Fix Marques dos Santos Silvano Soares dos Santos Soledad Barret Viedma Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones Stuart Edgar Angel Jones Suely Yumiko Kanayama Telma Regina Cordeiro Corrêa Therezinha Viana de Assis Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto Tito de Alencar Lima (Frei Tito) Tobias Pereira Júnior Túlio Roberto Cardoso Quintiliano Uirassu de Assis Batista Umberto Albuquerque Câmara Neto Valdir Sales Saboya Vandick Reidner Pereira Coqueiro Victor Carlos Ramos Virgílio Gomes da Silva Vítor Luíz Papandreu Vitorino Alves Moitinho Vladimir Herzog Walkíria Afonso Costa Walter de Souza Ribeiro Walter Kenneth Nelson Fleury Walter Ribeiro Novaes Wânio José de Mattos Wilson Silva Wilson Souza Pinheiro Wilton Ferreira Yoshitane Fujimori Zuleika Angel Jones Este Projeto de Lei tem como objetivo contribuir para que o Estado de São Paulo avance na consolidação do respeito aos Direitos Humanos, sem medo de conhecer a sua história recente. É um direito à memória e à verdade como ação indispensável para sabermos que tivemos um período de violência nos sentidos político, ético, filosófico e histórico, que não devemos esquecer e que não queremos de volta. O apoio dos nobres deputados é importante e decisivo para a tramitação e aprovação desse projeto. Sala das Sessões, em 11-5-2010 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111025/1c6d6c5b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 26 20:04:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 26 Oct 2011 20:04:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__HAMILTON_PEREIRA_DAMASCENO__________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CCLXXXIII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem HAMILTON PEREIRA DAMASCENO (1948-1972) Filiação: Maria Filomena Pereira Damasceno e Lucas Damasceno Data e local de nascimento: 15/03/1948, Miracema (RJ) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: fevereiro de 1972, no Rio de Janeiro (RJ) O nome do técnico em laticínios Hamilton Pereira Damasceno, desaparecido desde fevereiro de 1972, nunca constou nas listas oficiais de mortos e desaparecidos políticos. Em 1979, ao organizar sua lista, o Comitê Brasileiro pela Anistia do Rio de Janeiro tinha a foto de Hamilton Pereira Damasceno, com a anotação de que trabalhava na Cooperativa Central de Produtores de Leite - CCPL - e que desaparecera em 1972. Junto à foto, infelizmente, não estava anotada qualquer forma de contato com a família, critério considerado essencial para inclusão do nome na lista. O contato com a família foi feito apenas a partir da divulgação da Lei nº 9.140/95, e o processo somente foi protocolado com a nova redação introduzida em 2002, que reabriu o prazo para apresentação de requerimentos. João Pereira Damasceno conta que tomou conhecimento da militância política do irmão no final de 1971, quando Hamilton esteve pela última vez em Miracema, sua terra natal em Minas Gerais. Os dois ainda se encontrariam em janeiro de 1972, na pensão onde Hamilton morava no Rio de Janeiro. De acordo com João, o irmão estava apreensivo e disse que "sumiria" por uns tempos, pois sentia o cerco se fechando, pedindo que se a mãe perguntasse por ele, dissesse que estava bem. Ainda conforme o relato do irmão, a mãe, angustiada com a falta de notícias, dirigiu-se à referida pensão e soube que, logo após a visita do irmão, policiais à paisana estiveram à procura de Hamilton e como não o encontraram levaram toda a sua bagagem. Nunca mais tiveram notícias dele. A aprovação do processo se fundamentou em declarações de Pedro Batalha da Silva e Jorge Joaquim da Silva, funcionários da CCPL presos no Rio de Janeiro em 1972. Jorge conheceu Hamilton em 1970, quando passou a integrar a ALN. Foi preso em 02/02/1972 ao sair de casa, em Nova Iguaçu (RJ). Recebeu pelas costas disparos que lhe atingiram de raspão a espinha. Encapuzado e levado para o DOI-CODI, mesmo ferido, foi interrogado. Removido ao Hospital Souza Aguiar, permaneceu ali sete dias, sempre sob interrogatório. Voltou ao DOI-CODI, onde continuou a ser interrogado. Levado ao Hospital do Exército, lá ficou por três meses e 10 dias, até ser libertado em 26/09/1972, Respondeu a processo em liberdade, como envolvido num assalto que militantes da ALN realizaram à CCPL. Terminou sendo absolvido. Ao retornar para casa, uma vizinha que presenciara sua prisão contou que, logo após ter sido levado, fora retirado de outro carro um rapaz moreno, baixo, de cabelo preto e liso, que estava envolto em uma lona verde. Ele estava algemado e foi espancado e chutado em plena rua. Jorge teve certeza de que se tratava de Hamilton preso, pois era a única pessoa que conhecia seu endereço. Pedro Batalha também testemunhou que conheceu Hamilton na CCPL em 1970, passando a militar na ALN a seu convite. Não há qualquer referência ao nome de Hamilton em todos os processos judiciais sobre o assalto àquela empresa. Na CEMDP, o caso foi julgado em agosto de 2005, sendo aprovado por unanimidade. ========================================================================================================================= + Informações.do livro Habeas Corpus) HAMILTON PEREIRA DAMASCENO (1948-1972) Natural de Miracema, Rio de Janeiro, o técnico em laticínios Hamilton trabalhava na Cooperativa Central de Produtores de Leite (CCPL). Seu irmão, João Pereira Damasceno, conta que tomou conhecimento da sua militância política no final de 1971, quando Hamilton esteve pela última vez em sua cidade natal, situada na divisa com Minas Gerais. Os dois ainda se encontrariam em janeiro de 1972, na pensão onde Hamilton morava no Rio de Janeiro. De acordo com João, o irmão estava apreensivo e disse que "sumiria" por uns tempos, pois sentia o cerco se fechando, pedindo que se a mãe perguntasse por ele, dissesse que estava bem. A mãe, angustiada com a falta de notícias, dirigiu-se à referida pensão e soube que, logo após a visita de João, policiais à paisana estiveram à procura de Hamilton e, como não o encontraram, levaram toda a sua bagagem. Nunca mais tiveram notícias dele. Hamilton nunca constou nas listas oficiais de mortos e desaparecidos políticos. Em 1979, ao organizar sua lista, o Comitê Brasileiro pela Anistia do Rio de Janeiro tinha apenas uma foto dele e a anotação do local onde trabalhava e de que desaparecera em 1972. Jorge Joaquim da Silva, funcionário da CCPL preso no Rio de Janeiro em 1972, conhecera Hamilton em 1970, na ALN. Jorge foi preso em 02 de fevereiro de 1972 ao sair de casa, acusado de envolvimento num assalto que militantes da ALN realizaram à CCPL. Depois de solto, ao retornar ao lugar onde morava, uma vizinha que presenciara sua prisão contou que, logo após ter sido levado, fora retirado de outro carro um rapaz moreno, baixo, de cabelo preto e liso, que estava envolto em uma lona verde. Algemado, fora espancado e chutado em plena rua. Jorge teve certeza de que se tratava de Hamilton, a única pessoa que conhecia seu endereço. Pedro Batalha, também funcionário da CCPL, testemunhou que conheceu Hamilton em 1970, passando a militar na ALN a seu convite. Não há qualquer referência ao nome de Hamilton em todos os processos judiciais sobre o assalto àquela empresa. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111026/3440a02f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4900 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111026/3440a02f/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Oct 26 20:05:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 26 Oct 2011 20:05:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Senado_aprova_projeto_que_garante?= =?iso-8859-1?q?_acesso_a_documentos_p=FAblicos?= Message-ID: <1E925D0678A24A53A46CB990802A5600@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem para divulgação, companheiro .. Acho que é uma grande vitoria que Dilma certamente sancionará Abraço M.Politi -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Senado aprova projeto que garante acesso a documentos públicos MÁRCIO FALCÃO DE BRASÍLIA O plenário do Senado aprovou na noite desta terça-feira projeto de lei que garante e facilita o acesso a documentos públicos nos três Poderes da República, em todos os níveis de governo. O texto segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. A proposta trata de documentos sigilosos, mas também de tudo que for produzido pelos governos federal, estaduais, do Distrito Federal e de prefeituras. Pelo projeto, nenhum documento poderá ficar mais de 50 anos com acesso restrito. A proposta classifica as informações sigilosas: entre reservadas (5 anos), secretas (15 anos) e ultrassecretas (25 anos). Apenas os ultrassecretos poderão ter uma única renovação do prazo. Questões sobre violações dos direitos humanos não poderão ser classificadas como ultrassecretos. A partir da sanção, se não houver vetos, o governo terá dois anos para reclassificar os documentos. Fica criada ainda uma comissão Mista de Reavaliação de Informações, composta por integrantes dos Três Poderes. Com mandato de dois anos, essa comissão teria o poder, por exemplo, de reavaliar casos de documentos classificados como ultrassecretos, com prazo determinado. A discussão sobre o prazo para a liberação dos documentos dominou a votação. O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou seu texto defendendo a previsão de sigilo eterno para documentos classificados como ultrassecretos. Em mais de uma hora de fala, Collor voltou a dizer que era necessário o país manter salvaguardar de informações de Estado. O petebista reafirmou que a proposta com previsão de sigilo eterno para documentos sigilosos partiu do governo Lula após dois anos de discussão entre ministros e sociedade e que essa matéria atenderia melhor às necessidades do país. Por 43 votos a 9, os senadores rejeitaram a proposta de Collor. Ele foi derrotado com votos de governo e oposição. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também favorável ao sigilo eterno, acompanhou parte da votação. A mudança no sigilo eterno foi feita durante tramitação na Câmara e foi mantida pelo Senado. "Não há mais documentos secretos", disse o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-AP). O projeto estabelece que qualquer cidadão poderá requerer informações de governo sem precisar justificar o pedido. A informação terá que ser prestada imediatamente. Caso isso não seja possível, o órgão tem prazo de 20 dias, prorrogáveis por mais 10 diante de justificativa. Há previsão para recurso da decisão negativa de acesso aos documentos. O serviço de busca e fornecimento de informação é gratuito. Os órgãos poderão cobrar uma taxa de reembolso se houver reprodução dos documentos. Há previsão ainda para que os documentos sejam disponibilizados em formato digital para facilitar análises. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111026/94d373c7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 27 20:09:01 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 Oct 2011 20:09:01 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__DERMEVAL_DA_SILVA_PEREIRA____________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CCLXXXIV-?= Message-ID: <5CEA59A5C102470FBA084FFDCC731174@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem DERMEVAL DA SILVA PEREIRA (1945-1973) Filiação: Francisca das Chagas Pereira e Carlos Gentil Pereira Data e local de nascimento: 16/02/1945, Salvador (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre janeiro e 28/03/1974 Baiano de Salvador, Dermeval concluiu o curso secundário no Colégio Estadual daquela capital e, em 1965, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, onde foi diretor do Centro Acadêmico. Em 1969, foi expulso da Universidade por força do Decreto 477. Transferiu-se então para a Universidade Católica de Salvador, concluiu o curso e passou a trabalhar como advogado. Em 1971 foi processado e condenado à revelia pela Auditoria Militar de Salvador por sua atuação política. Depois disso, já militando no PCdoB, foi viver clandestinamente na região do Araguaia, estabelecendo-se na localidade chamada Metade, integrado ao Destacamento A da guerrilha, onde era conhecido como João Araguaia. Em A Ditadura Escancarada, escreve o jornalista Elio Gaspari: "João Araguaia, que participara do ataque ao posto da PM e escapara da emboscada em que morrera André Grabois, partira à frente de um dos cinco grupos formados no dia 30 de dezembro. Provavelmente no final de janeiro, a sorte protegeu-o de novo. Foi com o guerrilheiro Manoel (Rodolfo de Carvalho Troiano) à casa de um lavrador para devolver-lhe o filho Sebastião, que acompanhara a guerrilha. Continuava robusto, vestia bermudas e carregava uma submetralhadora. O pai do menino foi para a Bacaba e avisou os militares. Voltou com doze soldados. Guiados por Sebastião, entraram na mata, e deu-se um tiroteio. Manoel, ferido, foi morto com um tiro na cabeça. Tempos depois, magro, amarelado e cabeludo, João pediu a um lavrador que o entregasse ao Exército. Foi metralhado na Bacaba". O relatório assinado em 28/01/2002 pelos procuradores Marlon Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr anota seu nome entre as pessoas que foram vistas presas, conforme depoimentos colhidos por eles na região em 2001: "João Araguaia: Dermeval Da S. Pereira, que se entregou ao Exército na casa de um depoente após intermediação de Luiz Garimpeiro. Foi visto por outro depoente na base da Bacaba, quando estaria sendo transferido para Marabá. Teria sido morto por ter jogado um copo d'água em um militar". Segundo depoimento prestado por José da Luz Filho, também morador da região, Dermeval teria sido preso na casa de uma moradora da região do Araguaia, de nome Nazaré Rodrigues de Sousa. O relatório apresentado pelo Ministério da Marinha, em 1993, ao ministro da Justiça Maurício Corrêa registra que "Dermeval foi morto em 28 de março de 1974". Hugo Studart, em A Lei da Selva faz referência a depoimentos da população dando conta de que teria sido preso e depois fuzilado no DNER de Marabá. Informa também que o Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram diretamente do combate à guerrilha, aponta sua morte como ocorrida em janeiro de 1974. ===================================================================================================================== + Informações. DERMEVAL DA SILVA PEREIRA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Salvador/BA no dia 16 de fevereiro de 1945 e era filho de Carlos Gentil Pereira e Francisca das Chagas Pereira. Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 29 anos. Concluiu o curso secundário no Colégio Estadual de Salvador. Em 1965 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Foi diretor do Centro Acadêmico da Faculdade. Em 1969 foi atingido pelo Decreto 477, sendo expulso. Foi, então, estudar na PUC/BA, onde concluiu o curso, chegando a trabalhar como advogado em Salvador. Em 1971, foi processado e condenado à revelia pela Auditoria Militar de Salvador por sua atuação política. Foi viver clandestinamente na região do Araguaia, na localidade chamada Metade, pertencendo ao Destacamento A. Conseguiu escapar da emboscada do dia 14 de outubro de 1973, quando foram feridos e presos André Grabois, Divino Ferreira de Souza, João Gualberto e Antônio Alfredo Campos, desaparecidos. Em 1974 foi preso na casa de uma moradora da região do Araguaia de nome Nazaré Rodrigues de Sousa, segundo depoimento de José da Luz Filho, também morador da região. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "Dermeval foi morto em 28 de março de 1974." ============================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) DERMEVAL DA SILVA PEREIRA (1945-1973) Baiano de Salvador, em 1965 Dermeval ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, onde foi diretor do centro acadêmico. Expulso em 1969, transferiu-se para a Universidade Católica de Salvador, concluiu o curso e passou a trabalhar como advogado. Em 1971, foi processado e condenado à revelia pela Auditoria Militar de Salvador por sua atuação política. Depois disso, já militando no PCdoB, foi viver clandestinamente na região do Araguaia, estabelecendo-se na localidade chamada Metade. Integrou-se ao Destacamento A da guerrilha, onde era conhecido como João Araguaia. No livro Bacaba, de José Vargas Jiménez, no qual o nome Dermeval aparece com grafia errada (Demerval), registra-se um episódio no qual ele conseguiu escapar de uma emboscada dos militares, em outubro de 1973. Em A ditadura escancarada, Elio Gaspari escreve: João Araguaia [...] foi com o guerrilheiro Manoel (Rodolfo de Carvalho Troiano) à casa de um lavrador para devolver-lhe o filho Sebastião, que acompanhara a guerrilha. Continuava robusto, vestia bermudas e carregava uma submetralhadora. O pai do menino foi para a Bacaba e avisou os militares. Voltou com doze soldados. Guiados por Sebastião, entraram na mata, e deu-se um tiroteio. Manoel, ferido, foi morto com um tiro na cabeça. Tempos depois, magro, amarelado e cabeludo, João pediu a um lavrador que o entregasse ao Exército. Foi metralhado na Bacaba. O relatório assinado em 28 de janeiro de 2002 pelos Procuradores Marlon Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr. anota seu nome entre as pessoas que foram vistas presas, conforme depoimentos colhidos por eles na região em 2001: "João Araguaia: Dermeval da S. Pereira, que se entregou ao Exército na casa de um depoente após intermediação de Luiz Garimpeiro. Foi visto por outro depoente na base da Bacaba, quando estaria sendo transferido para Marabá. Teria sido morto por ter jogado um copo d'água em um militar". Segundo José da Luz Filho, também morador da região, Dermeval teria sido preso na casa de Nazaré Rodrigues de Sousa. De acordo com Paulo Fonteles Filho, representante do governo do Pará no GT Tocantins, e Sezostrys Alves da Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, Dermeval pediu água a um soldado que a salgou antes de lhe entregar. Indignado, jogou o copo no soldado, que reagiu matando-o. Seu corpo teria sido sepultado no bananal atrás do prédio do DNER. Posteriormente foi retirado de lá. O relatório apresentado pelo Ministério da Marinha, em 1993, registra que "Dermeval foi morto em 28 de março de 1974". O da Aeronáutica, lacônico, afirma que não há dados que comprovem o desfecho do caso. Hugo Studart, em A Lei da Selva, cita depoimentos dando conta de que teria sido preso e depois fuzilado no DNER de Marabá. Informa também que o Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram diretamente do combate à guerrilha, aponta sua morte como ocorrida em janeiro de 1974. ============================================================================================== + Detalhes. 23 de Janeiro de 2008 - 14h20 Ex-soldado enterrou guerrilheiro do Araguaia Carlos Pompe * Reproduzo matéria de Vasconcelo Quadros Brasília publicada no Jornal do Brasil de 21 de janeiro de 2008. Testemunha ocular e personagem da Guerrilha do Araguaia, o ex-soldado Lourivan Rodrigues de Carvalho rompe um silêncio de 35 anos para revelar em detalhes como morreu e onde foi enterrado à época um dos mais combativos ativistas do PC do B desaparecidos entre 1972 e 1975: o advogado baiano Demerval da Silva Pereira, o João Araguaia, cujo desaparecimento estava envolto em mistérios e versões contraditórias. Lotado entre janeiro a novembro de 1974 no 52º Batalhão de Infantaria de Selvas, em Marabá (PA), Lourivan era guarda da prisão montada pelo Exército na sede do antigo DNER em Marabá, um centro de tortura conhecido como Casa Azul. - Ajudei a enterrá-lo - admite Lourivan, que se encontrava na cena quando outro militar, conhecido por soldado Bastos, disparou a rajada de Fuzil Automático Leve (FAL) que estraçalhou o corpo do guerrilheiro. O episódio teria ocorrido numa noite entre o final de agosto e início de setembro de 1974. A versão do ex-recruta é parecida com o relato feito por moradores a pesquisadores e autoridades que estiveram na região. Por ela, o guerrilheiro teria sido morto depois de jogar uma caneca d'água num militar. O que não se sabia era quem foi o militar, a motivação dos disparos e nem o local onde o corpo havia sido enterrado. No mesmo terreno da Casa Azul, segundo as suspeitas, teriam sido enterrados outros guerrilheiros executados pelo Exército. Localizado pelo Jornal do Brasil, Lourivan relata o episódio com detalhes e diz que seria capaz de reconhecer a cova onde o corpo foi enterrado à época. - Eu e o soldado Bastos cuidávamos da guarda. Por volta das 23 horas, o Araguaia começou a nos chamar. Depois, passou a pedir água. Era uma casa de madeira. Nós estávamos a uma distância de cinco a seis metros onde os presos se encontravam. Todos estavam algemados a correntes presas ao chão. O Bastos tinha receio, mas eu insisti que deveríamos levar água e acabei convencendo ele. Deixei o meu fuzil do lado de fora, encostado na parede, peguei uma caneca com água e entreguei ao preso. Ele apanhou e, de repente, ao mesmo tempo em que atirou a água no meu rosto, se jogou pra cima de mim. O Bastos estava a dois metros e, assim que me desviei, ele disparou. Foi uma rajada curta, de quatro ou cinco tiros. O preso caiu de lado, com o corpo arrebentado. Eu mesmo fiquei todo ensangüentado. Houve então uma grande correria para limpar o local- , relembra Lourivan. Segundo o ex-soldado, os sentinelas mandados pelo comando do 52º BIS ao DNER normalmente não sabiam quem eram os presos. A função era montar guarda e tomar muito cuidado porque, segundo os avisos de superiores, eram presos perigosos. A ordem era era atirar em casos de tentativa de fuga. Lourivan afirma que nunca soube quem eram os outros três guerrilheiros. Diz que João Araguaia havia conseguido se desvencilhar de uma das correntes, a que estava presa à algema da mão esquerda e, aparentemente, tentaria dominá-lo. Ao se aproximar do guerrilheiro, a única arma que carregava era um punhal de sabre, enfiado na bainha e preso à cinta. - Não havia explicação para o fato de ele ter se livrado de uma das algemas, mas uma das mãos estava solta, livre. Acho que ele também tinha consciência de que não teria chances de me dominar, mas tentou porque sabia que ia ser morto de qualquer maneira. Nós e eles sabíamos que quem estava lá seria morto. Isso a gente tinha certeza -, afirma o ex-soldado. No período em que atuou como integrante da força auxiliar, Lourivan soube de histórias de guerrilheiros amarrados em sacos e jogados de helicóptero no meio da mata. Também viu uma guerrilheira sendo torturada na base de Xambioá, dentro de um jirau, com os braços esticados, recebendo durante horas incessantes, na cabeça, gotas que pingavam de um tonel cheio d'água. Nunca soube quem era. O ex-soldado lembra que depois da morte de Araguaia houve alvoroço e uma grande correria para limpar o local e dar sumiço ao corpo. - Carregamos ele até a margem do rio, abrimos uma cova e enterramos. Eu mesmo ajudei a cavar. Era uma cova rasa, no pé de um ingazeiro, mas com profundidade suficiente para enterrar bem o corpo. Depois que cobrimos e camuflamos a superfície. Um colega sugeriu que jogassem uns ramos verdes sobre a terra, para ajudar a disfarçar o local. Alguém cortou um galho de uma árvore próxima, mas acabou acertando uma casa de marimbondo. Foi uma correria. Quem não se jogou na água, como um cabo que a gente chamava de Galego, amanheceu com o rosto todo inchado das picadas, conta Lourivan. Do movimento estudantil à luta armada no Araguaia Bancário e esportista antes de se tornar dirigente do movimento estudantil como aluno da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, o advogado Demerval da Silva Pereira, o João do Araguaia, foi um dos militantes que mais se identificaram com a luta armada organizada pelo PC do B na região do Araguaia. Seu destino era previsível. - Ele era corajoso, decidido e dizia que se a luta não desse certo resistiria até ser morto - conta a ex-guerrilheira baiana Luzia Reis Ribeiro, que conviveu com Demerval no movimento estudantil de Salvador e depois no Araguaia, embora pertencessem a grupos diferentes. - A versão do ex-soldado combina com a personalidade de Demerval. Ele sempre soube que pegaríamos em armas e estava disposto a dar a vida pela causa. Se referia à luta dizendo que era necessário pegar no pau furado - afirma Luzia. João Araguaia pertenceu ao destacamento A e atuava na região conhecida à época por Fortaleza, no município de São João do Araguaia. Esteve presente nos principais confrontos entre a guerrilha e os militares: a tomada de um posto da PM na Transamazônica, em outubro de 1973 e, dias depois, no tiroteio que resultou na morte de quatro guerrilheiros, entre eles, o chefe do destacamento, André Grabóis, o Zé Carlos, filho do comandante geral da guerrilha e ex-deputado, Maurício Grabóis, e outros três ativistas de peso, João Gualberto Calatroni, o Zebão , Antônio Alfredo de Campos (morador recrutado pela guerrilha) e Divino Ferreira de Souza, o Nunes. Demerval foi o único guerrilheiro que escapou da emboscada comandada pelo coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel (que atualmente mora no Rio) naquele 13 de outubro. No dia 25 de dezembro de 1973, ele também estava com o grupo cercado pelas Forças Armadas na Serra das Andorinhas, onde a guerrilha sofreria as mais pesadas baixas. O episódio, conhecido entre os militares como o Chafurdo de Natal, terminou na morte de Grabóis, de outros quatro dirigentes do PC do B e seria determinante na eliminação da guerrilha. Doente, magro, maltrapilho e portando uma metralhadora sem munição, João Araguaia teria sido preso na casa de um morador _ provavelmente delatado _ e, no final, levado para a Casa Azul, em Marabá. (V.Q.) =========================================================================================== + Detalhes. HOMENAGEM Ruy Medeiros Em julho deste ano, Vitória da Conquista presenciará uma homenagem profunda a 27 baianos, vítimas da ditadura militar. Será inaugurado em praça pública um monumento contendo os nomes de Antonio Carlos Monteiro Teixeira, Aderval Alves Coqueiro, Carlos Marighella, Dermeval da Silva Pereira, Dinaelza Santana Coqueiro, Dinalva Oliveira Teixeira, Eudaldo Gomes da Silva, Jorge Leal Gonçalves, José Lima Piauhy Dourado, João Carlos Cavalcante Reis, José Campos Barreto, Joel Vasconcelos Santos, Luís Antonio Santa Bárbara, Mário Alves de Souza Vieira, Maurício Grabois, Nilda Carvalho Cunha, Nelson Lima Piauhy Dourado, Péricles Gusmão Regis, Pedro Domiense de Oliveira, Otoniel Campos Barreto, Rosalindo Souza, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Uirassu de Assis Batista, Vitorino Alves Moitinho, Vandick Reidner Pereira Coqueiro e Walter Ribeiro Novaes. Dentre as pessoas referidas, são conquistenses: Péricles Gusmão Regis, filho de Adalberto Regis Keller da Silva e Laudicéia Gusmão de Freitas Portela, nascido em 5 de dezembro de 1925, e falecido em 12 de maio de 1964, e Dinaelza Soares Santana Coqueiro, filha de Antonio Pereira de Santana e Jumília Soares Santana, nascida em 22 de março de 1949, e falecida em 1973, no Araguaia. Péricles Gusmão Regis fora eleito vereador pela legenda do MTR - Movimento Trabalhista Renovador - nas eleições de 1962. Preso por força do exército comandada pelo Coronel Bendochi Alves Filho, em 12 de maio de 1964 foi encontrado morto em cela do quartel da polícia militar, em Vitória da Conquista. Dinaelza Santana Coqueiro residira em Jequié, Bahia, e para completar estudo fora para Salvador, Bahia. Aí passou a militar no PCdoB, juntamente com Wandick Coqueiro, e depois ambos foram para o Araguaia e nunca mais foram vistos. O monumento tem a arte de Romeu Ferreira (artista expressionista, que hoje incursiona pelo neo-barroco), a partir de esboço feito pela Professora Ana Palmira B. S. Casimiro. Sobre a idéia de uma figuração vazada em pedra, parcialmente jungida a outra lâmina de ganito, imaginada pela Professora Ana Palmira, Romeu Ferreira desenvolveu o monumento, dando-lhe grande expressividade, completando-o. O desenho vazado, que significa ausência, representa a memória e esta fixa-se ainda mais em razão da "perenidade" do granito e da figuratividade de sua cor verde-ubatuba. Os baianos homenageados foram vítimas da ditadura militar, em razão de seu combate político. A preservação da memória dos que resistiram à opressão fascista é uma tarefa de singular importância: Não se trata de lembrar emotivamente pessoas que foram semente de história, mas de denunciar para hoje e para o futuro que haverá sempre quem se oponha às ditaduras e que o destino do homem é a liberdade com igualdade social. O monumento tenta dizer isso com o nome daqueles que se igualaram na busca do futuro. Em pedra duradoura ( e assim espera-se que o seja), uma memória é resgatada: Não se trata apenas de preservar nomes. Mas é todo um tempo obscuro e terrível que fica lembrado: "Um tempo de guerra, um tempo sem sol". A ditadura ceifou vidas, sonhos e liberdade. Torturou, matou, prendeu, cassou direitos, baniu, exilou. Mas houve a resistência. Então, nomes, momentos e resistência são lembrados. Quem olhar assim com os olhos de ver um monumento de pedras há de pensar que a luta dos homenageados não foi em vão. Afinal estão mortos, estão vivos. ================================================================================ Ficha. Dermeval da Silva Pereira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Dermeval da Silva Pereira Cidade: (onde nasceu) Salvador Estado: (onde nasceu) BA País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 16/2/1945 Atividade: Advogado Universidade Pontifícia Universidade Católica/Salvador PUC Universidade Federal da Bahia UFBA Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) João, João Araguaia, Amaro, Santos, Tião, Doca Prisão: 0/0/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo testemunhas. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo companheiros. Clandestinidade Desaparecido 28/3/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111027/bca80ae0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8601 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111027/bca80ae0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Oct 27 20:09:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 Oct 2011 20:09:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__16_CRIMINOSOS_E_GENOCIDAS_NAZI?= =?windows-1252?q?STAS_DA_MARINHA_ARGENTINA_S=C3O_CONDENADOS?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Argentina: Condenação a Criminosos Militares Carlos A. Lungarzo AIUSA 9152711 Ontem foi um dia importante não apenas para a Argentina, mas para todos os países que sofreram ditaduras militares cujos autores ainda não foram processados por seus crimes. Também para os governos democráticos, mesmo os de direita, que tiveram cidadãos sequestrados e assassinados pela última ditadura Argentina. A sinistra canalha uniformada destruiu, entre outros milhares, a vida de estrangeiros de 32 países diferentes. Desses países, alguns colaboraram com a ditadura (como o Brasil, o Chile e a Itália), mas outros moveram céu e terra para que se fizesse justiça com seus cidadãos vítimas, como a Suécia, a França e a Alemanha. Mas também foi um dia emocionante para qualquer país civilizado. Pela terceira vez na história moderna, após Nuremberg e o julgamento dos coronéis gregos, foi realizado um processo judicial profundo, não condicionado, dentro dos mais rigorosos princípios do direito humanitário, de 18 antigos membros da última ditadura Argentina. Deles, 16 foram condenados, 12 a prisão perpétua, e outros 4 a períodos de 18, 20 e 25 anos de reclusão. É verdade que todos os países que tiveram ditaduras, salvo o Brasil e a Honduras, instalaram comissões de verdade ou tribunais para julgar os carrascos. A mesma Argentina fez isto em 1984, e levou perante os juízes quase uma dúzia de oficiais. Mas as condenações geradas nesses julgamentos acabaram sendo anuladas. Antes do julgamento de ontem, a Argentina já tinha condenado 209 criminosos militares e cúmplices civis e eclessiais, mas isso foi conseguido pela administração Kirchner, num esforço minucioso e esforçado desde 2002. Todavia, nenhum desses processos tinha atingido tal quantidade de genocidas, e tampouco seu simbolismo era tão forte. Todos os condenados no dia 26 foram chefões da Escuela de Mecánica de la Armada (Escola de Mecânica da Marinha, ESMA), a mais emblemática instituição dos carniceiros argentinos, e o mais destrutivo dos 360 campos de extermínio que a demência assassina dos fardados, junto com seus muitos cúmplices civis, ergueram ao longo do país. Há numerosas notícias publicadas hoje (27 de outubro) em português. (Vide.) O Julgamento do 26 de Outubro As sentenças pronunciadas em 26/10/2011 pelos juízes Daniel Obligado, Ricardo Farías e Germán Castelli, no 5º Tribunal (Oral) Argentino são o resultado de 22 meses de julgamento oral e de numerosos problemas e sabotagens. A promotoria apresentou 250 testemunhas e numerosas provas, mas deveu suportar o jogo sujo da defesa, as falsidades, os incidentes provocados, a campanha surda da Igreja e das corporações militares e civis, o assassinato ou sequestro de testemunhas e a intimidação através de atos de terrorismo. Foi uma luta duríssima contra o espírito da Inquisição, o militarismo, o estado policial, a mídia mercenária, e os advogados sem escrúpulos. Se os algozes foram julgados e condenados, isso foi graças ao enorme esforço da comunidade nacional e internacional de direitos humanos, da minoria de juristas humanitários, e de ativistas compromissados que arriscaram suas vidas numerosas vezes. Vários deles, como Jorge Júlio Lopez (vide) e Víctor Martínez (vide) desapareceram, e outros, como Silvia Suppo (vide), foram assassinados. Os militares da ESMA foram acusados de oitenta e seis casos comprovados de sequestro, tortura, assassinado e desaparição, mas a dimensão de seus crimes é muito maior. Cálculos muito bem fundamentados estimam entre 4.500 e 5.600 o número total de vítimas do sinistro campo de extermínio. Seria absurdo dizer que, entre os condenados ontem, alguém não fosse cúmplice de todos esses crimes, cuja execução foi resultado de um projeto tão doentio como o que implementaram os nazistas. Se as quantidades são menores, é porque os militares argentinos não tiveram a decisão nem a capacidade dos nazistas, mas não, com certeza, porque fossem menos truculentos. O jornalista argentino Jacobo Timerman, que fora inicialmente cúmplice dos militares, e que acabara sendo preso e torturado por eles (porque, afinal, os militares não confiavam em judeus, mesmo de direita), disse em seu livro Preso sem Nome, Cela sem número, que a ditadura argentina foi pior que o nazismo, no sentido de crueldade, sadismo e aberrações. Os 12 condenados a prisão perpétua pelo Tribunal Federal 5º da Argentina são: Alfredo Astiz ? ?herói? das Malvinas, assassino de várias freiras, de mães de Praça de Maio e da adolescente sueca Dagmar Hagelin. Jorge ?Tigre? Acosta, célebre psicopata que obrigava suas vítimas a rezar. E os seguintes: Ricardo Cavallo, Antonio Pernías, José Montes, Raúl Scheller, Jorge Rádice, Adolfo Donda, Alberto González, Néstor Savio e Julio César Coronel e Ernesto Weber. Os ?feitos? destes genocidas ?menores? não merecem ser lembrados. Sua condenação é necessária como amostra da culpabilidade da quase totalidade dos membros das forças armadas do país, salvo quatro coronéis reformados que tentaram se opor à ditadura e foram punidos. Mas, há milhares de oficiais e subordinados que foram responsáveis de crimes desse estilo, e dúzias de milhares de civis que, como no nazismo, foram cúmplices ou omissos face aqueles crimes. Quem não tem medo de comprometer sua saúde mental lendo a história destes tristes teratomas, pode ver um artigo bem detalhado aqui. Os crimes não devem ser esquecidos (daí o nome de ?comissões de memória?), mas será mais saudável se as distorcidas personalidades de seus autores fossem desterradas de nossas lembranças. Afinal, é fundamental entender que, enquanto existam corporações armadas e superstições que as alimentem, as atrocidades militares não serão extintas. Como dizia Santo Agostinho, há 16 séculos, ?a espada e a cruz são duas faces do mesmo espírito?. Até que a sociedade vire realmente civil e secular, seja adotada uma ética humanista e seja respeitado o direito natural e o conhecimento objetivo, casos como este voltarão acontecer, e acontecem ainda na África e na Ásia. Por que Agora? Em dezembro de 1983, o advogado Raul Alfonsín, líder de uma corrente do antigo partido Radical (aqui, ?radical? não quer dizer esquerda; o nome tem origem desconhecida), foi eleito presidente. Ele foi o único que se opôs à guerra das Malvinas, mas não por humanismo, pacifismo nem espírito democrático. Ele sempre disse que pensava que a guerra ia-se perder. (Se tivesse possibilidade de ganhar, teria apoiado.) Quando subiu ao governo, encontrou quase meio milhão de pessoas que tinham perdido parentes ou amigos durante a repressão, das quais muitas exigiam, com enorme resistência, o julgamento dos carrascos. As Mães de Praça de Maio conseguiram forte apoio internacional, e países como a Suécia pressionaram o novo governo de maneira incansável. Apesar do excecional da situação, os políticos e as pessoas públicas argentinas jamais se colocaram (nem mesmo como projeto de altíssimo risco), o que o presidente da Costa Rica tinha feito em 1948: dissolver definitivamente as Forças Armadas. Na Argentina teria sido mais difícil, mas qualquer preço é pouco para eliminar uma doença social tão nefasta como o crime legalizado. Os golpistas da Costa Rica não tinham sido vencidos por um inimigo externo, como os da Argentina. A derrota do exército argentino pela Grã Bretanha poderia ter sido aproveitada. Mas, essa possibilidade não foi sequer cogitada, e a única pessoa que falou nisso quase foi linchada. Alfonsín e seus assessores (que encontraram uma lucrativa atividade na indústria dos falsos direitos humanos) fizeram todo o possível para tranquilizar os militares. Inclusive, deram a eles a oportunidade de julgar seus membros que tivessem atuado ?ilegalmente?, deixando sempre claro que os crimes tinham sido abusos, exageros, e não um plano sistemático de genocídio. Aliás, salvo os grupos de DH, todos diziam que a repressão tinha sido necessária, porém descontrolada. Os militares deram uma gargalhada e mandaram os servis políticos enfiar sua proposta no bolso. Finalmente, não podendo adiar mais a questão, o governo considerou inocentes os que obedeceram ordens, mesmo que tivessem cometido as maiores atrocidades, e apenas decidiu julgar os principais comandantes. Os magistrados, profundamente identificados com os militares, se recusaram a participar, salvo o Promotor Strassera, que tinha subido durante a ditadura, e pensou que, para salvar a maior parte dos militares, era preferível condenar alguns poucos. Anos depois, Strassera tirou a máscara e acusou de ?revanchismo? os que continuavam lutando contra o militarismo. Foi assim que só os chefes militares mais altos e mais comprometidos nos crimes foram condenados, quase todos eles com penas simbólicas, salvo em três casos. Apesar de tanta bajulação e covardia dos políticos (ou talvez por causa disso), os militares se sublevaram quatro vezes em 1987 e 1988, e todas essas vezes suas demandas foram atendidas servilmente pelo governo, cujo presidente chamou os carrascos de ?heróis? das Malvinas. Finalmente, Alfonsín mandou ao Congresso duas leis que são atualmente modelos jurídicos de atos infames: essas leis proibiam a investigação de crimes de estado e justificavam (e, indiretamente, também estimulavam) os que tivessem cometido crimes, mesmo aberrantes, por causa de ter cumprindo ordens. Ou seja, além de enaltecer os crimes atrozes, as leis também premiavam a covardia dos que obedecem por medo. Passaram 15 anos não apenas de absoluta impunidade para os criminosos militares, mas também de silêncio e de perseguição para suas vítimas. Apenas em 2002, com a crise da corrupta classe política argentina, as coisas mudaram. O peronismo clássico, liderado por Menem, tinha perdido as eleições de 1999 para Fernando de La Rua, uma sórdida figura ao serviço do Opus Dei. Mas, em 2001, a população de Buenos Aires se revoltou pacificamente. Quando 29 pessoas foram assassinadas pela polícia durante as passeatas, De La Rua fugiu, mas o país passou meses de instabilidade até a vitória de Néstor Kirchner. A partir desse momento, foi recomeçada a procura por justiça, e as infames leis do governo Alfonsín foram consideradas inexistentes. O Ovo da Cobra Toda a América Hispânica foi colonizada por espanhóis que em 1492 constituíram a monarquia dos Reis Católicos. A Espanha foi o único país que teve uma Inquisição própria, foi a sociedade mais repressora da história, e a mais mística e racista de Ocidente. Esses traços se mantiveram em vigência até 1975, e só lentamente se foram atenuando. As colônias receberam de legado a cultura sanguinária, militarista, carola e etnofóbica da metrópole, mas, como se isto fosse pouco, incrementadas. Com efeito: os colonizadores eram criminosos violentos, estupradores, torturadores, traficantes de escravos, todos eles protegidos pelo imenso poder das congregações religiosas. Entretanto, na maioria dos povos das Américas, os espanhóis encontraram grande resistência dos índios que, apesar dos massacres de indescritível crueldade, formavam populações de tal tamanho que seu aniquilamento se tornava impossível... ou quase... Não foi impossível na Argentina. Aí, as nações autóctones foram aniquiladas de tal maneira que, hoje, os descendentes de índios ou mestiços são aproximadamente 0,8 % da população total. Os afro-argentinos, que ultrapassavam os brancos em 1850, foram enviados a operações suicidas na Guerra do Paraguai e, nas décadas seguintes, ?empilhados? em bairros pobres açoitados pela febre amarela. Eles simplesmente desapareceram. Em 1992, Carlos Menem foi muito criticado na Europa quando, numa conferência bicontinental, proclamou que ?A Argentina pode orgulhar-se de ser um país sem negros?. Antes disso, em 1981, a junta genocida manifestou oficialmente que a Argentina era ?o país mais branco do mundo?, e propôs ao Brasil e à África do Sul a formação da Organização do Pacto do Atlântico Sul (OTAS), uma paródia da OTAN, para consolidar ?o domínio branco e cristão na região?. O Brasil não aceitou. Argentina é o último país do planeta que ainda não conseguiu anular o concordato que unifica Estado e Igreja, apesar dos esforços dos últimos dois governos. O primeiro golpe nazista argentino foi em setembro de 1930, dirigido pelo general Uriburu, mas não conseguiu consolidar um equivalente do Terceiro Reich, como pretendia. O Segundo Golpe militar também de natureza fascista foi em junho de 1942, e o 3º, de estilo misto fascista-conservador, em 1955. A 4ª ditadura, instalada em 1962, com um civil como presidente marionete, foi tão cruenta que durante vários meses houve falta de luz elétrica em alguns bairros, produzida pelo gasto de energia das máquinas de tortura. A 5ª. ditadura, em 1966, foi liderada pelo General Ongania, que ficou famoso por proferir seus discursos... de joelhos!, como homenagem à padroeira do país. Mas, a 6ª. ditadura, cujo caminho tinha sido preparado pelo governo mafioso da viúva de Perón (assessorado e treinado por policiais e terroristas italianos, entre eles, o famoso Stefano Delle Chiaie), tinha um plano especial: voltar aos valores e à estrutura da sociedade teocrática hispânica. Este projeto parece delirante, mas é similar ao de Hitler. Como o Führer, os militares argentinos queriam recuperar todas as terras que, segundo eles, teriam sido argentinas. As ameaças contra Chile em 1978 não terminaram em Guerra, porque o Papa João Paulo II, para quem a ditadura de Pinochet e a argentina eram ?filhas de seu coração?, fez um acordo para evita-la. Mas ele não interveio em 1982, quando Argentina invadiu as Ilhas Falkland/Malvinas, pois, afinal, Inglaterra era um país protestante. A derrota militar nessa guerra foi um fenômeno único, cuja história ainda não tem sido escrita com neutralidade. Salvo os militantes de Direitos Humanos (e não todos eles), o resto do país apoiou a bravata militar. Um fato que comoveu todo Ocidente, e despertou alarma até em governos conservadores, foi que os militares queriam reviver a época de conquistas (ou reconquistas) territoriais, ainda após a experiência do nazismo. Produzida a derrota, a mesma turba que ovacionou os militares, manifestou todo seu ressentimento contra eles, que deveram, lentamente, deixar o governo. Os políticos, em mais de um 95%, apoiaram a aventura militar e, antes dela, tinham sido cúmplices dos crimes da ditadura, tentando negociar um pedaço da torta que os militares comiam sozinhos junto com os padres e os civis mais íntimos, deixando os partidos políticos (todos eles de direita ou centro direita, incluindo nesta qualificação o PCA) a ver navios. Mas, os políticos não clandestinos (Peronistas, Radicales, Democrata Cristãos, Conservadores e afins), não queriam beneficiar os amigos e defensores das mais de 30 mil vítimas da ditadura. Por tanto, os políticos não pressionaram. Limitaram-se a negociar com os militares os termos da transferência de poder. E a Prisão Perpétua? Os crimes contra a humanidade são especiais: não são políticos, como os delitos que se cometem durante a resistência contra a opressão, mas tampouco são comuns, como assalto, latrocínio ou assassinatos não organizados. O problema é que os especialistas em direito ainda se guiam pelas Pandectas. Desde Nuremberg, os crimes contra a humanidade são considerados uma categoria especial, que merece critérios especiais para seu julgamento. O direito de defesa, a aplicação de normas claras, e as condenações humanitárias e não vingativas devem ser iguais para quaisquer crimes, inclusos os crimes contra a humanidade, pois estes são princípios do direito natural que, como disse no século 2º o jurista Ulpiano ?valem para os homens e para todos os seres vivos?. Mas os crimes contra a Humanidade não prescrevem, e isso ficou demonstrado no julgamento de ontem na Argentina, acontecido 35 anos após os fatos. O direito humanitário é contrário à prisão perpétua, e erradica-la é fundamental, mas a condenação a prisão perpétua de autores de crimes contra a humanidade não é, como torpemente pretendem os bajuladores das casernas, um ato de vingança. Por um lado, na Argentina existe prisão perpétua, e até que esta bárbara punição seja abolida, se ela for aplicada a outros crimes (como de fato acontece) e não a crimes contra a Humanidade, ficaria o sentimento de que existem criminosos que são piores que os genocidas militares. Criar essa mentira seria confundir a opinião pública. Deve-se lutar contra a prisão perpétua em geral, mas não pode argumentar-se que, existindo a prisão perpétua, os militares merecem uma pena menor. Por outro lado, sabemos que esses homens tem uma probabilidade quase zero de se recuperar, pois, nos 26 anos de investigação sobre o caso Argentina, nunca se viu algum militar e policial que estivesse arrependido das torturas e assassinatos cometidos. Vários deles, em julgamentos anteriores, choraram no tribunal, mas não por motivos nobres. Um velho general, que se movimentava em cadeira de rodas, olhou os juízes e a audiência e disse: -Eu me arrependo... de não ter podido matar mais, de não ter matado todos vocês. Em vez de 30 mil deveriam ter sido 3 milhões... http://videos.lainformacion.com/policia-y-justicia/juicios/alfredo-astiz-condenado-a-cadena-perpetua-por-sus-crimenes-durante-la-dictadura-argentina_gmPormaReLwzIyQ21NNKx2/ -- Veja meus Blogs: http://aluzprotegida.blogspot.com http://ocasodecesarebattisti.blogspot.com ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Estamos contra o SPAM. Se você entender que foi incluído nessa lista por engano, por favor, enviar um reply com a palavra RETIRAR na linha ASSUNTO, e com o resto EM BRANCO. Seu nome será imediatamente retirado da lista. Para se comunicar com o coordenador, não usar este e-mail. 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 106949 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111027/4ebca185/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 28 19:21:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 28 Oct 2011 19:21:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LUIZ_VIEIRA_=28*_-_1973=29___________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCLXXXV-?= Message-ID: <8A48B661D3D74FDD8D8306A57E9E4804@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem LUIZ VIEIRA Filiação: Maria Vieira e Manoel Vieira Data e local de nascimento: não foi informado pelos familiares Organização política ou atividade: Forças Guerrilheiras do Araguaia Data do desaparecimento: 31/12/1973 Camponês que se incorporou à guerrilha. Era franzino e mestiço com índio, de aproximadamente 45 anos de idade. Morava na localidade de Bacaba, perto de São Domingos (PA), onde tinha uma roça. Segundo depoimento de sua esposa, Joana Vieira, foi morto próximo da Fazenda Fortaleza. A viúva conta que o corpo de Luiz foi abandonado no local e não pode ser resgatado porque os soldados proibiram a população de entrar na mata. O filho de Luiz, José, foi preso e obrigado a fazer o serviço militar. Para isso, sua idade foi alterada em seis anos, pois à época já contava 24. José Ribamar Ribeiro Lima, em declaração prestada no dia 04/07/96, na sede da Procuradoria da República no Estado de Roraima, ao procuradorchefe, Osório Barbosa, conta que assistiu à execução de Luizinho - "baixo, moreno, cabelos lisos e pretos" - por uma patrulha comandada pelo Cabo Andrada. Segundo Ribamar, "ele (Luizinho) morava a uns quinze a vinte quilômetros da Vila Bacaba e, nesse dia, a patrulha comandada por Andrada era composta por quinze homens, inclusive José Ribamar. Chegaram ao local da casa de Luizinho, que encontrava-se vazia. Caminharam mais uns seiscentos metros e por ter ficado para traz, o depoente já encontrou a vítima morta com um tiro dado pelas costas". Nas fichas entregues ao jornal O Globo em 1996, consta a seguinte anotação: "'Luizinho' - elemento local - morto em 31 Dez 73". Hugo Studart também aponta 31 de dezembro como data da morte, apoiando-se no Dossiê Araguaia, escrito por ex-participantes da repressão à guerrilha. ======================================================================================================================== + Informações. LUIZ VIEIRA DE ALMEIDA (LUIZINHO) Camponês que se incorporou à guerrilha do Araguaia. Casado e tinha um filho. Morava e tinha roça na localidade de Bacaba, perto de São Domingos (PA). Segundo depoimento de sua esposa, foi morto próximo da Fazenda Fortaleza. Seu corpo foi abandonado no local mas ela não o pôde resgatar porque os soldados proibiram a população de entrar na mata. Seu filho foi preso e obrigado a fazer o serviço militar; para isto sua idade foi reduzida em 6 anos, pois à época já contava 24 anos. ============================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) LUIZ VIEIRA (? -1973) Camponês que se incorporou à guerrilha, Luiz era franzino e tinha sangue índio, em parte, contando com aproximadamente 45 anos de idade. Morava na localidade de Bacaba, perto de São Domingos (PA), onde tinha uma roça. Segundo depoimento de sua esposa, Joana Vieira, foi morto próximo da Fazenda Fortaleza. A viúva conta que o corpo de Luiz foi abandonado no local e não pôde ser resgatado porque os soldados proibiram a população de entrar na mata. O filho de Luiz, José, foi preso e obrigado a fazer o serviço militar. Para isso, sua idade foi alterada em seis anos, pois à época já contava 24. José Ribamar Ribeiro Lima, em declaração prestada no dia 4 de julho de 1996, na sede da Procuradoria da República no Estado de Roraima, ao procurador-chefe, Osório Barbosa, conta que assistiu à execução de Luizinho - "baixo, moreno, cabelos lisos e pretos" - por uma patrulha comandada pelo cabo Andrada. Segundo Ribamar, "ele [Luizinho] morava a uns quinze a vinte quilômetros da Vila Bacaba e, nesse dia, a patrulha comandada por Andrada era composta por quinze homens, inclusive José Ribamar. Chegaram ao local da casa de Luizinho, que se encontrava vazia. Caminharam mais uns seiscentos metros e, por ter ficado para trás, o depoente já encontrou a vítima morta com um tiro dado pelas costas". Nas fichas entregues ao jornal O Globo em 1996, consta a seguinte anotação: "'Luizinho' - elemento local - morto em 31 Dez 73". Essa mesma data é apontada por Hugo Studart, apoiando-se no Dossiê Araguaia, e por José Vargas Jiménez, que agrega "de Almeida" ao final do sobrenome de Luiz. Documentação de 1º de julho de 2009 ,preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra a data de sua morte em 30 de dezembro de 1973. ========================================================================================================= FICHA Luiz Vieira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz Vieira Atividade: Camponês Dados da Militância Nome falso: (Codinome) Luizinho Morto ou Desaparecido: Desaparecido PA Brasil região do Araguaia, Fazenda Fortaleza Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111028/2942f0df/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4845 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111028/2942f0df/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 28 19:22:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 28 Oct 2011 19:22:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_William_Waack_=E9_citado_como_inf?= =?iso-8859-1?q?ormante_dos_Estados_Unidos?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Luiz G A de Mello Gaia William Waack é citado como informante dos Estados Unidos Segundo arquivos divulgados no site, jornalista teria o nome mencionado em documentos "confidenciais" da Casa Branca Do Portal HD - 27/10/2011 - 20:28 Reprodução Waack foi o assunto mais comentado no Twitter, atingindo o topo dos Tranding Topics Brasil O jornalista William Waack, da Rede Globo, se tornou um dos assuntos mais mais discutidos nas redes sociais nesta quinta-feira (27), depois que seu nome apareceu em documentos divulgados no site Wikileaks, demonstrando que Waack seria um informante regular dos Estados Unidos. O tema fez com que o assunto atingisse o topo dos Tranding Topics Brasil. Nos trechos divulgados pelo site, Waack é citado três vezes como informante da Casa Branca. Dois dos documentos que mencionam seu nome, considerados "confidenciais", relatam as eleições presidenciais brasileiras. Em um deles, a Embaixada Americana teria elogiado a postura do jornalista, que mostrou o lado positivo das relações entre os dois países em maio de 2008, quando houve a visita de um porta-aviões norte-americano. Um dos trechos divulgados pelo Wikileaks (Foto: Reprodução) Segundo os documentos, o jornalista da Rede Globo reportou aos americanos em fevereiro de 2010 que um fórum econômico em São Paulo deixou as seguintes impressões sobre os possíveis candidatos à presidência: Ciro Gomes era o mais preparado, Serra era "claramente competente" e Dilma era incoerente. Em 2009, o jornalista errou previsão sobre união de Aécio Neves com José Serra. Ele apontou que Serra e Aécio Neves já haviam selado a paz para uma candidatura a presidente e vice, respectivamente, no ano seguinte. A profecia, como todos sabem, não se confirmou. Aécio tentou encabeçar a candidatura tucana à presidência, mas acabou tentando o Senado por Minas Gerais -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111028/027461f1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Oct 28 19:22:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 28 Oct 2011 19:22:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Comiss=E3o_da_Verdade_=3A_mem=F3?= =?iso-8859-1?q?ria=2C_verdade_e_justi=E7a_/_entrevista_com_psic=F3?= =?iso-8859-1?q?logo_costa-_riquenho__Inacio_Dobles_Oropeza_=2C_por?= =?iso-8859-1?q?_F=E1bio_Nassif=2E?= Message-ID: <1DD613058A244292815D1E26B8FC4368@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Copiei aqui a entrevista do psicólogo costa- riquenho Ignacio Dobles Oropez, autor do livro "Memórias da Dor": Considerações acerca das Comissões da Verdade na América Latina, concedida à Carta Maior e à revista Caros Amigos. Abçs, Dayse. Carta Maior A Comissão da Verdade: memória, verdade e justiça. "O grande estorvo para aqueles que querem apagar o passado são as vítimas" "A ideia de não enfrentar a verdade é a de liquidar o passado. O problema é que as feridas não vão se fechar nunca para as vítimas". Por essa razão as leis de anistia não têm a capacidade de apagar com borracha o passado, diz, em entrevista concedida à Carta Maior e à revista Caros Amigos, o psicólogo costa-riquenho Ignacio Dobles Oropeza, autor do livro "Memórias da dor: Considerações acerca das Comissões da Verdade na América Latina". Fábio Nassif "A ideia de não enfrentar a verdade é a de liquidar o passado. O problema é que as feridas não vão se fechar nunca para as vítimas." Por essa razão as leis de anistia não têm a capacidade de apagar com borracha o passado, segundo o psicólogo costa-riquenho Ignacio Dobles Oropeza, autor do livro "Memórias da dor: Considerações acerca das Comissões da Verdade na América Latina". Em entrevista concedida à Carta Maior e à revista Caros Amigos, no último dia 21, depois de participar do seminário "Psicologia e Direitos Humanos: Direito à Memória e à Verdade", concluiu que "o grande estorvo para aqueles que querem apagar o passado são as vítimas". O professor da Escola de Psicologia da Universidade da Costa Rica entende as comissões da verdade como um processo de negociação, cujo resultado depende da correlação de forças em cada país que passa por essa experiência. Mas, segundo ele, "se é possível a reconciliação, ela tem que passar pela verdade e pela justiça". Oropeza insiste que o processo deve ser o mais público possível e, acima de tudo, devem estar referenciados nas experiências vividas pelas vítimas e seus aliados. Se você fosse fazer um quadro geral das Comissões da Verdade e de Memória na América Latina hoje, o que destacaria? Não me considero nenhum especialista no assunto. Simplesmente sou um interessado no campo da memória. Estudei, em 2008, as experiências do Chile, Argentina, El Salvador, Guatemala e Peru. Atualmente, o tema da Comissão da Verdade aparece em mais três lugares: Equador - uma experiência com suas particularidades, pois é fundamentalmente a repressão do governo contra a Alfaro Vive, organização armada dos anos 70 e 80; no Brasil, que conheço apenas os traços gerais; e como parte de uma proposta para resolver o impasse do golpe de Estado em Honduras, quando Oscar Arias, presidente da Costa Rica, mediou uma solução um pouco complicada porque implicava colocar na mesma mesa os golpistas e os setores democráticos. Mas parte de sua proposta era a Comissão da Verdade. Foi instalada, mas nunca foi aceita pela resistência hondurenha. Também sei que em algum momento o Instituto Interamericano de Direitos Humanos teve a intenção de apoiar a criação da Comissão da Verdade no Suriname, mas acho que não foi muito longe. Qual a importância de uma Comissão da Verdade? No campo da memória em geral, as Comissões da Verdade são ferramentas muito interessantes para trabalhar versões de memória pública, para resgatar o que aconteceu nesses países no sentido mais geral. Mas de nenhuma forma são as experiências mais importantes. O mais importante para verdade e a memória são as experiências que as vítimas e seus familiares têm relatado, nas diferentes condições de cada comissão. Para mim, as comissões da verdade são tão interessantes porque, em última instância, implicam em negociações a partir de uma dada correlação de forças. Numa Argentina saindo da ditadura militar depois da Guerra das Malvinas, com um exército derrotado e em retirada, a correlação de forças era muito diferente do caso do Pinochet, no Chile, que saiu em 1988. A correlação de forças em cada pais é fundamental. Quais experiências você citaria e que grupos estão na vanguarda da discussão da memória desses períodos ditatoriais na América Latina? Para mim, é bastante claro que o país com mais avanços neste campo é de longe a Argentina, no plano legal, governamental e pelo trabalho de organizações como as mães, avós, filhos, advogados, artistas, etc. E em outros lugares têm sido extremamente difíceis, como El Salvador. Existem características comuns a essas Comissões da Verdade do continente? No geral, o seu caráter. São comissões que estão tratando de dizer a toda a sociedade o que aconteceu, de criar uma espécie de memória pública. Tratam de períodos recentes determinados - não são comissões históricas para fazer, por exemplo, um pedido de desculpas do Estado com relação à escravidão. São coisas mais recentes. E, de alguma maneira, têm o apoio oficial do Estado. Fazem seus informes, têm um prazo para encerrar os trabalhos e geralmente criam muitas expectativas. Em relação a este apoio do Estado, em vários países alguns representantes das ditaduras permanecem no poder político de alguma forma. Como isso influencia as Comissões? De certa forma, podem enfraquecê-las? Sim, claro. Historicamente. Você pode ver que a direita salvadorenha, muito agressiva, que governou o país por 20 anos, assinou a criação da Comissão da Verdade como parte do acordo de paz com a FLMN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional) nos anos 90. Imediatamente, outros setores da direita atacaram a comissão e aconteceu um grande conflito. Um ponto de discussão da primeira comissão do Chile era a de que um dos integrantes estava vinculado ao governo Pinochet. Mas é assim, não pode ser de outra forma. Se um dos grupos ganha totalmente, a Comissão da Verdade perde a características de negociação. Mas se os fatores conflitantes de alguma forma têm algum grau de força, em última instância ela é um processo de negociação. Essa é a perspectiva para a comissão brasileira? Eu não tenho dúvida de que, se a Comissão da Verdade começa a funcionar no Brasil, vai ter uma reação feroz, porque esta é a história peruana, equatoriana, argentina e salvadorenha. Isso, se for cumprida uma característica fundamental da comissões, que é dar espaço e trabalhar em função das vítimas, porque o sistema legal não está funcionando assim. Nas comissões da verdade, a ideia é que em primeiro lugar estejam as vítimas. Você havia falado dos discursos utilizados geralmente, de tratar de maneira igual as vítimas e os vitimados, e do discurso dos "dois demônios" que consiste em culpar ambas as partes para justificar um processo de conciliação. Esses discursos são recorrentes nestas variadas experiências? Sim, mas depende da situação. Ideologicamente é uma ideia muito forte porque é uma espécie de equilíbrio. É muito fácil que as pessoas aceitem essa posição de meio-termo, pra não serem consideradas extremistas. São os chamados extremo-centristas. É muito fácil vender essa ideia de que as lutas, as armas e as condições de cada um eram iguais. Essas são discussões pendentes, porque não se trata, tampouco, de romantizar a luta armada. Mas o fato é que este lado não pode ser colocado na mesma posição do outro. O terrorismo de Estado é infinitamente mais danoso que de grupos isolados e pequenos. E é o Estado, o que se pressupõe ser aquele que deve defender todos os habitantes. Isso não é dizer que não hajam responsabilidades. Diante da prevalência do sistema capitalista, os setores que lutavam contra as ditaduras e também eram contrários ao próprio sistema estão em desvantagem hoje? Depende. Falando das Comissões da Verdade, se você examina a África do Sul, é uma comissão negociada que passa por projetos políticos e militares dos dois lados: o Congresso Nacional Africano e o governo do Apartheid com suas forças repressivas. É uma negociação política que canalizava, em termos de estratégias de ambos os lados, o processo da comissão. É outra situação. No Peru, a pressão é tanta que, como forma de reação às pesquisas, o presidente Alejandro Toledo insistiu em retomar as investigações sobre o Sendero Luminoso, mas que não falava do Exército. Bastante desequilibrada. Tanto é que, se você examinar o informe da Comissão da Verdade, uma grande quantidade dos feitos descritos é do Sendero Luminoso. Em El Salvador, onde também consideram os crimes da FLMN, acho que estes eram 5% do total. No Peru, acredito que 47% eram do Sendero Luminoso. Então depende da conjuntura de cada país. Falando dos conceitos, qual a diferença entre verdade, justiça e reconciliação? Reconciliação é um termo muito complicado, justamente pelo que estava dizendo, pois há diferentes tipos. Existe o "brigamos no passado mas agora somos amigos" e "apagamos o passado", ou aquela reconciliação com puro gesto simbólico onde os dois maiores líderes se encontram e se abraçam publicamente. Mas ambas não são reconciliações reais. Se é possível a reconciliação, ela tem que passar pela verdade e pela justiça. Mas a verdade tampouco é suficiente porque cai na dinâmica da chantagem, como em algum momento faz a direita e o Exército, na mesa de diálogo e negociação. A proposta era "nós damos as informações mas vocês não nos processam". É o mesmo que dizer "nós damos pra vocês a verdade, mas não a justiça", que obviamente não foi aceito pelas organizações de direitos humanos. Na África do Sul não foi um processo semelhante a isso? Os militares passavam informações em troca de sua anistia? Tinha uma comissão de anistia com certos requisitos. Nem todos eram anistiados, mas havia essa linha de atuação. A anistia era tão negociada politicamente que as situações eram analisadas dentro do marco das estratégias políticas. Ou seja, o militar ou policial que saiu das forças repressivas e matou um monte de pessoas simplesmente porque quis, não recebe anistia. Muito do processo sul-africano está baseado nas organizações políticas, porque não considera os atos pessoais, mas estratégicos das forças consolidadas. Em que país houve justiça de fato? O que tem conseguido mais justiça é a Argentina, que inclusive processa os repressores. Não é assunto da Comissão da Verdade, pois ela não tem essa função legal. Mas ela influenciou o que veio a acontecer. A Argentina me impressiona pela vontade política. Os governos dos Kirchner mostraram uma posição política totalmente diferente de governos anteriores. Isso tudo com muitas travas. Um dos principais obstáculos são os juízes que apoiaram a ditadura e ainda estão no sistema judiciário, que atrasam processos e se espalham para complicar tudo. Interessante que no último ano tiveram algum juízes processados por isso, acusados. Claro que não são processos contra todos os membros da Igreja, empresários e meios que apoiaram a ditadura. Mas começam processos que sinalizam também para estes setores. Mesmo com uma tremenda reação, acho que a Argentina avançou mais por isso. Existem diferentes desdobramentos das Comissões da Verdade, como os casos citados que geraram outras comissões e casos onde os torturadores foram anistiados logo em seguida. Qual a sua opinião sobre essas possibilidades abertas pelas comissões? Minha opinião é que, com todas as limitações e contradições, as comissões da verdade são positivas simplesmente pelo fato de registrarem as experiências das vítimas. Se fosse por elas mesmas, por sua própria dinâmica, jamais aconteceria isso com os repressores. Eles nunca iriam criar uma Comissão da Verdade em função da experiência das vítimas. Então, a existência em si é positiva. Daí em diante, o que vai acontecer depende de muitas coisas. O caso da Argentina é um referencial importantíssimo. De qualquer modo, as comissões da verdade retratam de alguma maneira a repressão nos contextos específicos. Ou seja, a repressão argentina não foi a uruguaia, não foi a chilena. Por isso, por exemplo, o resgate das crianças desaparecidas na ditadura de El Salvador é diferente da situação das avós da Praça de Maio, porque eram operações comunitárias de contra-insurgência e não desaparecimento de pessoas individuais. Não é o genocídio guatemalteco que está retratado em suas duas comissões. O resultado depende de quê? Depende do que outros setores sociais vão fazer com esta ferramenta, que não é a única. Eu não sabia da existência de várias comissões no Chile. Estava trabalhando com duas. E o caso chileno é importante porque a comissão de 91 que tratou das mortes e execuções mas não tanto das torturas. Em 2004, ela foi complementada pela comissão que trata de torturas. Mas nenhuma das duas nomeia os repressores. Nenhum. Ao mesmo tempo, existem processos contra militares por conta da repressão, porque o sistema legal chileno permitia fazer julgamentos. Quais as conseqüências para um pais de negar a memória e a verdade, como no caso daqueles que usam uma lei de anistia para passar a borracha na história? Eu acho que temos que falar das vítimas, seus familiares e seus aliados. A ideia de não enfrentar a verdade é a ideia de liquidar o passado. O problema é que as feridas não vão se fechar nunca para as vítimas. O grande estorvo para aqueles que querem apagar o passado são as vítimas. Neste caso, Hitler tinha uma certa lógica, embora perversa, porque seu projeto era eliminar não só os judeus, mas todo mundo. Porque se eliminasse todos, em sua cabeça, o futuro seria vitorioso. Existe um discurso famoso de Hitler onde ele fez referência ao genocídio de armênios na Turquia, ironizando que ninguém se lembrava do episódio, e era isso que importava. Os obstáculos, então, não são os técnicos em direitos humanos, e sim as vítimas, suas organizações, seus trabalhos, seus aliados. Então no imaginário. Por exemplo, na negociação chilena da Concertación - que muitos autores escrevem como uma espécie de negociação perversa da memória -, quando parecia que tudo estava pronto, que não existiam mais problemas, quando as vozes dos familiares estavam isoladas e o Chile caminhava para ser do Primeiro mundo, a prisão de Pinochet em Londres gerou uma crise de memória e das feridas não fechadas do país. Essa ilusão no imaginário de que foi tudo superado arrebenta no primeiro instante. Esse imaginário também é responsável pela manutenção de algumas estruturas como no Brasil onde ainda existe a prática da tortura? Se houvesse uma memória verdadeira, ela poderia ajudar a corrigir essa herança maldita da ditadura? Precisamos entender melhor a história, porque esses padrões de repressão não são novos. Eles já estavam de alguma maneira estabelecidos. Um exemplo interessante é o trabalho de Elizabeth Lira, uma das principais psicólogas que trabalha com vítimas da repressão no Chile. Em determinado momento de suas pesquisas, junto com um historiador estadunidense, ela chega à conclusão de que é preciso entender os padrões de respostas violentas e repressivas do sistema político chileno. Ela escreve então dois livros sobre os ciclos de repressão e suposta reconciliação que se repetem ao longo da história. Ela quer dizer também que não se trata apenas das invenções do Pinochet, mas que estão instalados na história chilena esses padrões repressivos. Coisa que qualquer camponês da América Latina sabe. Porque em determinados momentos a repressão atinge os setores médios, mas sempre atingiu os pobres. É preciso saber da história, porque ela está sempre mitificada. Na Costa Rica, nós temos dirigentes ambientalistas que morreram em circunstâncias muito sofridas, temos fuzilamento político. A principal figura de Honduras, Francisco Morazán, foi executado num porto da Costa Rica. Assim como dirigentes sindicais e comunistas foram fuzilados na Guerra Civil de 1948. Eu participei de uma mesa de debate com um historiador conhecidíssimo, que afirmou que na Costa Rica nunca houve um assassinato político. A história é sempre mítica. Então, para responder, posso dizer que as ditaduras se refletem na sociedade de hoje, mas elas não inventaram a história. Qual o papel da sociedade nessa relação com o Estado? Por que se cobra do Estado isso? Porque essa é uma maneira mais universal e supostamente representativa de contar a história. Não é a mesma coisa os grupos de familiares, afetados e seus aliados contarem o que aconteceu, e o Estado cumprir essa função. E é importante porque também legitima o que aconteceu, pois a tendência é ficar muito marginalizado, reprimido, silenciado. Ainda que conte simbolicamente. Se não passar pelo Estado não estamos falando de comissões da verdade. Qual a sua opinião sobre a Comissão da Verdade que está sendo debatida no Brasil? Sinceramente, só tenho informações genéricas, sem saber muitos detalhes. A minha primeira impressão é a de que, depois de tantos anos, na perspectiva dos direitos humanos, é um feito positivo. Como vai ser, como será organizado, eu não sei. Imagino quais são as polêmicas, mas não tenho as informações precisas. Mas suspeito de que se caminhar na linha das demais comissões da verdade, vai causar uma reação muito forte. Também criará muitas expectativas que não serão cumpridas, mas depende muito do que o processo da comissão ajude a gerar, incluindo as críticas. O importante é que não seja um assunto isolado, um assunto de especialistas ou políticos. Deve ser o mais público possível. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111028/292b5c55/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 33378 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111028/292b5c55/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 29 15:40:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 29 Oct 2011 15:40:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ANT=D4NIO_ARAUJO_VELOSO=2E___________?= =?iso-8859-1?q?__________________________________-CCLXXXVI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ANTÔNIO ARAUJO VELOSO (1934-1976) Filiação: Andrelina Araújo da Conceição e José Veloso Data e local de nascimento: 04/12/1934, Bertulina (PI) Organização política ou atividade: lavrador Data e local da morte: 31/08/1976 Antônio Araújo Veloso, camponês piauiense radicado na região do Araguaia, conhecido como Sitônio, foi preso em abril de 1972, durante a primeira campanha militar de repressão à guerrilha. Por sua convivência e amizade com os guerrilheiros, foi submetido a brutais torturas, que resultaram em seqüelas permanentes, resultando em sua morte em 31/08/1976, aos 41 anos. Seu nome nunca constou do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Sua viúva, Maria Raimunda da Rocha Veloso, conhecida como Maria da Metade, líder da organização das trabalhadoras rurais do Araguaia a partir da redemocratização, tornou-se um símbolo da luta dos familiares de mortos e desaparecidos, em especial pela dedicação no resgate da história dos guerrilheiros e na busca das sepulturas clandestinas. O primeiro requerimento apresentado à CEMDP foi instruído com declarações de moradores de São Domingos do Araguaia (PA), informando que a morte ocorreu quatro anos após a prisão e decorreu dos maus tratos recebidos. O atestado de óbito indicava "morte natural, sem assistência médica". Posteriormente, foi anexada ao processo uma declaração de Danilo Carneiro, um dos poucos militantes do PCdoB a ser preso no Araguaia e sobreviver. Em seu depoimento, conta que morava na casa de Antônio Araújo Veloso e que, depois de preso por integrantes do Exército, viu o amigo Sitônio também preso, "barbaramente ferido na cabeça, ouvidos e boca, por onde sangrava abundantemente", aparentando estar com fraturas no corpo. O relator do primeiro processo na CEMDP entendeu que o caso não preenchia os requisitos legais para reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte. Em sua avaliação, os documentos anexados não eram suficientes para a comprovação do "nexo de causalidade entre maus tratos sofridos durante a prisão, e a morte, ocorrida quatro anos depois". Concluiu afirmando que a tortura sempre deixa seqüelas, ainda que de natureza psicológica, mas seria necessária "uma prova segura e técnica" de relação causa e efeito entre os maus tratos e o evento da morte. Votou pelo indeferimento do pedido. A relatora do segundo processo apresentado esteve no Araguaia em 1996, em nome da CEMDP. Lá conheceu Maria da Metade, que relatou a prisão do marido pelo Exército em 1972, tão logo teve início a repressão aos guerrilheiros. Segundo ela, Antônio foi espancado desde o momento em que foi preso, levado para Marabá e mantido sob torturas por tempo indeterminado. Ficou dias sem água, sem comida, e foi obrigado a manter os pés sobre latas abertas de forma a transformar as bordas em lâminas cortantes. Maria da Metade testemunhou que os pés de Antônio não lhe obedeciam, seus rins não funcionavam, tornou-se inválido para o trabalho e o sustento da família. Ao processo iniciado em 1996, foram anexadas declarações de José da Luz, lavrador que atestou ter presenciado a prisão e ajudado o casal a tirá-lo do cárcere. A testemunha afirmou, ainda, que depois de solto Antônio não teve mais saúde. O farmacêutico Abdias Soares da Silva, não só presenciou a prisão, como esteve encarcerado com Sitônio. Medicava Antônio com os recursos que tinha, mas não conseguiu livrálo das dores violentas que sentia nos rins, nos pés e "na própria alma", conforme dizia. O agricultor José de Araújo Mota conduziu Sitônio até sua casa ao sair da prisão. A relatora votou pela aprovação do requerimento, por entender que "esta é uma reparação moral indispensável para resgatar tanto a sua memória quanto a dignidade nacional". O processo foi, então, aprovado por unanimidade. ===================================================================================================== + Detalhes. Ministro participa de exposição e homenagem a piauienses no Museu do Piauí quinta, 11 de novembro de 2010 . 13:24 O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), participa nesta quinta-feira (11), às 18 horas, da abertura da exposição "A Ditadura no Brasil, 1964 e 1985" e da inauguração do "Memorial em homenagem aos piauienses Antônio de Pádua Costa, Antônio Araújo Veloso e Simão Pereira da Silva". O evento que acontece no Museu do Piauí, em Teresina, é resultado da parceria entre a SDH e o Governo do Estado do Piauí, através da Coordenadoria Estadual de Direitos Humanos e da Juventude e da Fundação Cultural do Piauí (FUNDAC). A exposição e o memorial integram o Projeto "Direito à Memória e à Verdade", e tem o objetivo de recuperar e divulgar fatos e acontecimentos da história social e política brasileira durante o período da ditadura militar (1964-1985). O Museu do Piauí terá placa permanente com o nome das vítimas. Também participam da abertura da exposição o governador do Piauí, Wilson Martins, o coordenador-geral da Coordenadoria de Direitos Humanos e Juventude do Estado, Alci Marcus, e o senador eleito do estado, Wellington Dias (PT), e Maurice Politi, coordenador-geral projeto Direito à Memória e à Verdade - da SDH, além da presidente da FUNDAC, Sônia Terra. Piauienses homenageados Antônio de Pádua Costa nasceu no Piauí em 1943, estudava astronomia no Departamento de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro quando começou a trabalhar no movimento estudantil. Preso, mudou-se para o Araguaia, foi Comandante do Destacamento A dos guerrilheiros. Antônio foi visto pela última vez em 24 de janeiro de 1974, quando de um intenso tiroteio com as forças armadas. Antônio Araújo Veloso era camponês piauiense radicado na região do Araguaia, conhecido como Sitônio, foi preso em abril de 1972, durante a primeira campanha militar de repressão à guerrilha. Por sua convivência e amizade com os guerrilheiros, foi submetido a brutais torturas, que resultaram em seqüelas permanentes, resultando em sua morte em 31/08/1976, aos 41 anos. Simão Pereira da Silva foi preso em 1973 no município de São João do Araguaia (PA), pelo Exército Brasileiro, vindo a sofrer na prisão torturas, espancamentos e humilhações. Após ser libertado, passou a viver em busca de tratamento médico, mas como havia sido muito maltratado na prisão, não foi possível se recuperar inteiramente das doenças que havia contraído, vindo a falecer no ano 1979, na cidade de Goiânia (GO). Resgate da memória nacional O projeto Direito à Memória e à Verdade teve início em 2006, com a abertura da exposição fotográfica "Direito à Memória e à Verdade - A ditadura no Brasil 1964 - 1985", no hall da taquigrafia da Câmara dos Deputados, em Brasília. São registros de um passado marcado pela violência e por violações de direitos humanos. Disponibilizar esse conhecimento é fundamental para o País construir instrumentos eficazes e garantir que esse passado não se repita nunca mais. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111029/3ba22f5b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Oct 29 15:40:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 29 Oct 2011 15:40:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Livro_=3A__=22MARINHEIRO_S=D3=22?= =?iso-8859-1?q?_=2C_do_escritor_Cl=E1udio_Guerra=2E?= Message-ID: <84AFE075D0DA40888299CDDB9910EDE3@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Cláudio Guerra, 60, nasceu em Paraguaçu Paulista e mora desde 1981 no Rio Grande do Norte. Graduado em História pela UNESP-Assis e foi dirigente do núcleo sidical dos bancários e do Partido Comunista Brasileiro em Macáu. Autor de dezenas de obras que retratam épocas difíceis que vivenciamos em nosso País, entre elas do periodo do Estado novo, da ditadura civil-militar de 1964, entre outros da luta dos marginalizado, entre romances e contos. Neste livro "Marinheiro Só", Cláudio Guerra reproduz a história de José Manoel, dirigente da Associação dos Marinheiros e da Vanguarda Popular Revolucinária, sua saga para sobreviver e continuar a luta de resistência ao lado de sua companheira Geni e, desta também, a sua luta para localizar o companheiro assassinado pela traição do "cachoro" da ditadura Cabo Anselmo. Relata, ainda a Chacina da Chácara São Bento, no Recife. O massacre que foi vítima junto com Soledad, Pauline,Eudaldo, Jarbas e Evaldo. "Em 08 de janeiro fez 37 anos que Soledad Barret Viedma foi assassinada. Ela era militante da VPR - Vanguarda Popular Revolucionária e estava grávida de 7 meses. O pai da criança assassinada ainda em seu ventre era o controverso Cabo Anselmo: o próprio delator de seu esconderijo em uma chácara no loteamento de São Bento, no município de Paulista, em Pernambuco. Junto com outros companheiros de guerrilha, Eudaldo Gomes da Silva, Pauline Reichstul, Evaldo Luís Ferreira de Souza, Jarbas Pereira Marques e José Manoel da Silva, que são torturados e mortos pelo assassino profissional a serviço da ditadura, delegado Sérgio Paranhos Fleury do DOPS Paulista, amigo de Erasmo Dias, que faleceu recentemente sem responder a um processo sequer. O episódio ficou conhecido como "massacre da chácara São Bento". (vj também o livro de Urariano Mota, "Soledad no Recife") Num momento em que palpitam a busca pela Memória e Verdade, é um livro imprescindível para conhecermos a nossa história. Solicite o livro pelo email obaudemacaed at obaudemacau.com com Carlos Gregório B. Guerra (O baú de Macau - Editora e Artes) - Rua Presidente Cunha Barreto, 1417 (anexo) Barro Vermelho. 59030-540 - Natal - RN - tel (84) 2010-2188. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111029/73b42fd5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Perseguido por sua militância estudantil no Ceará e já militante do PCdoB, optou por ir viver às margens do Araguaia, estabelecendo-se na localidade de Chega com Jeito, próximo a Brejo Grande, onde ficou conhecido como Lauro. Incorporou-se ao Destacamento A, sendo mais tarde transferido para o corpo da guarda da Comissão Militar. Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973. O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça, afirma que Custódio "foi morto em 15 de fevereiro de 1974, em Xambioá". Os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva escreveram sobre ele em Operação Araguaia: "Órfão de pai, começou a militar no Movimento Secundarista do Ceará. Participou de manifestações de rua e entrou para a lista dos perseguidos da repressão. Viajou pelo Brasil para ajudar na organização política dos estudantes do segundo grau. Num encontro entre dirigentes da UBES e da UNE, em Salvador, conheceu militantes mais tarde deslocados para o Araguaia. Entre eles estava a líder Helenira Resende. Combateram juntos no Destacamento A. Durante os confrontos, Lauro foi deslocado para a guarda da Comissão Militar. Morreu em 15 de fevereiro de 1974, segundo a Marinha". ============================================================================================================================= + Informações. CUSTÓDIO SARAIVA NETO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 5 de abril de 1952, no Ceará, filho de Dario Saraiva Leão e Hilda Quaresma Saraiva Leão. Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 22 anos. Participava ativamente do movimento estudantil secundarista, o que lhe valeu feroz perseguição por parte dos órgãos de repressão. Impossibilitado de continuar vivendo em Fortaleza, optou por ir para o campo, para a região do Araguaia, na localidade de Chega Com Jeito, perto de Brejo Grande. Pertenceu ao Destacamento A - Helenira Resende - e mais tarde ao Corpo de Guarda da Comissão Militar da Guerrilha. Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Custódio "foi morto em 15 de fevereiro de 1974, em Xambioá". ============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) CUSTÓDIO SARAIVA NETO (1952-1973) Cearense de Fortaleza, compunha com Uirassu Assis Batista, seu companheiro de atividades no movimento estudantil secundarista - Custódio em Fortaleza, Uirassu em Salvador -, a dupla mais jovem entre todos os guerrilheiros do Araguaia. Ambos nasceram no mesmo dia e tinham 20 anos quando se iniciaram os confrontos armados. Perseguido por sua militância estudantil no Ceará e já militante do PCdoB, Custódio optou por ir viver às margens do Araguaia, estabelecendo-se na localidade de Chega com Jeito, próximo a Brejo Grande, onde ficou conhecido como Lauro. Incorporou-se ao Destacamento A, sendo mais tarde transferido para o corpo da guarda da Comissão Militar. Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973. O relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça, afirma que Custódio "foi morto em 15 de fevereiro de 1974, em Xambioá". O do Ministério do Exército atribui a ele, equivocadamente, uma militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) ao invés do PCdoB. Os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva escreveram sobre ele em Operação Araguaia: Órfão de pai, começou a militar no movimento secundarista do Ceará. Participou de manifestações de rua e entrou para a lista dos perseguidos da repressão. Viajou pelo Brasil para ajudar na organização política dos estudantes do segundo grau. Num encontro entre dirigentes da UBES e da UNE, em Salvador, conheceu militantes mais tarde deslocados para o Araguaia. Entre eles estava a líder Helenira Resende. Combateram juntos no Destacamento A. Durante os confrontos, Lauro, também conhecido por 'Nelito' ou 'Edio', foi deslocado para a guarda da Comissão Militar. Morreu em 15 de fevereiro de 1974, segundo a Marinha. =============================================================================================================== Vídeos. CUSTODIO SARAIVA LAURO - YouTube ? 0:26? 0:26 www.youtube.com/watch?v...18 out. 2009 - 26 seg - Vídeo enviado por Melsapinha - Bloquear todos os resultados de www.youtube.com BUSCAS ARAGUAIA. Veloso,fala como pegaram CUSTODIO SARAIVA NETO O ... ============================================================================================================================= + Detalhes. Araguaia, a guerra dos silêncios Esperança ainda está presente 06 Out 2009 - 05h15min Custódio Saraiva Neto ainda era adolescente quando caiu na clandestinidade. Foi preso aos 16 anos, em 1968, por participar de manifestações de estudantes secundaristas. Acabou solto pouco depois, mas nunca deixou de ser perseguido pela ditadura. Ficou dois anos escondido até que, aos 18, já filiado ao PCdoB, embarcou rumo ao Araguaia. Foi o cearense mais jovem a se juntar à guerrilha. E só deu notícia mais uma vez: em 1971, já com o codinome 'Lauro', quando mandou uma carta à mãe. Tudo sem identificar o local de origem e a data precisa. O relatório do Ministério da Marinha diz que Custódio foi morto em fevereiro de 1974 durante um combate, em Xambioá (TO). Porém, de acordo com o grupo Tortura Nunca Mais, a guerrilha alega que ele foi visto pela última vez em 30 de dezembro de 1973. "Só saberemos a verdade quando abrirem as urnas secretas do Exército", afirma o dentista Demócrito Saraiva Quaresma, primo de Custódio. O corpo do guerrilheiro nunca apareceu, mas o primo não perde a esperança de que os restos mortais de Custódio sejam encontrados e identificados. "Todos nós, que somos familiares, temos essa esperança ainda", diz ele. Oito anos mais velho que Custódio, Demócrito conta que era muito ligado ao primo. "Eu era como um irmão mais velho para ele. Sempre fomos muito próximos", lembra. Também filiado ao PCdoB, Demócrito relembra que teve contato direto com os cearenses que foram ao Araguaia na época em que cursava Odontologia na Universidade Federal do Ceará (UFC). "Mas nunca fui preso", diz. O primo-irmão de Custódio lembra que a mãe do guerrilheiro morreu há oito anos acreditando que o filho ainda pudesse estar vivo. "É muito difícil falar disso", emociona-se. (TC) Dê sua nota clicando nas estrelas Leia mais sobre esse assunto a.. A notícia que nunca vinha b.. Pelo direito de prantear c.. ============================================================================================================ + Detalhes. 12 de Abril de 2007 - 10h26 Encontro de Professores homenageará Guerrilha do Araguaia O Encontro de Professores da Escola de Formação Regional Nordeste II do PCdoB, que ocorrerá entre os dias 13 e 15 de abril, prestará uma homenagem aos 35 anos da Guerrilha do Araguaia. O Encontro receberá o nome de ''Custódio Saraiva'', jovem cearense que Os participantes do Encontro de Professores da Escola de Formação Regional Nordeste II do PCdoB homenagearão a Guerrilha do Araguaia na abertura do evento quando será feita a leitura de um texto do jornalista Luiz Carlos Antero alusivo a data. Na ocasião o presidente do PCdoB/Ce se pronunciará e o Encontro receberá o nome de ''Custódio Saraiva'',desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 22 anos. Custódio Saraiva Neto participou ativamente do movimento estudantil secundarista em Fortaleza, o que lhe valeu feroz perseguição por parte dos órgãos de repressão. Impossibilitado de continuar vivendo em Fortaleza, optou por ir para o campo, para a região do Araguaia, na localidade de Chega Com Jeito, perto de Brejo Grande. Pertenceu ao Destacamento A - Helenira Resende - e mais tarde ao Corpo de Guarda da Comissão Militar da Guerrilha.Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973.O Relatório do Ministério da Marinha diz que Custódio ''foi morto em 15 de fevereiro de 1974, em Xambioá''. Encontro Custódio Saraiva O encontro será realizado nos dias 13 à 15 de abril de 2007, no Sindicato APEOC, na rua Sólon Pinheiro, 1306- Bairro de Fátima. Juntamente com o encontro de professores será feita a reprodução do Curso "Singularidades do capitalismo contemporâneo" com a devida atualização. ==================================================================================================================================== Ficha Custódio Saraiva Neto Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Custódio Saraiva Neto Estado: (onde nasceu) CE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 5/4/1952 Atividade: Estudante secundarista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Lauro Morto ou Desaparecido: Desaparecido 30/12/1973 PA Brasil região do Araguaia Segundo companheiros. Clandestinidade Desaparecido 15/2/1974 Xambioá TO Brasil região do Araguaia Segundo relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111030/083885e0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6054 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111030/083885e0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Oct 30 13:31:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 30 Oct 2011 13:31:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] LIVRO QUE ESCLARECE MUITA COISA Message-ID: <875252184A9544498B764DCF7414E44B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111030/70c13a04/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 98115 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111030/70c13a04/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 31 20:20:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 31 Oct 2011 20:20:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__JOS=C9_LIMA_PIAUHY_DOURADO__________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCLXXXVIII-?= Message-ID: <21A6C43FDD244845A64E1C1C96C88187@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem JOSÉ LIMA PIAUHY DOURADO (1946-1973) Filiação: Anita Lima Piauhy Dourado e Pedro Piauhy Dourado Data e local de nascimento: 24/03/1946, Barreiras (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 24 ou 25/01/1974 Baiano de Barreiras, fotógrafo, estudou no Colégio Padre Vieira e mudou-se para Salvador em 1960, onde cursaria a Escola Técnica Federal da Bahia. Em 1968 teve discreta participação no Movimento Estudantil e ligou-se nesse mesmo ano ao PCdoB, mesmo partido de seu irmão mais velho Nelson, também desaparecido no Araguaia. Em agosto de 1971 foi deslocado para aquela região, morando inicialmente próximo à Transamazônica. Integrou o Destacamento A da guerrilha e pertenceu à guarda da Comissão Militar, sendo conhecido como Zé Baiano. Segundo o relatório Arroyo, "foi visto pela última vez, junto com Cilon quando tentavam encontrar o Jaime e o Ribas, que haviam se perdido em 28 ou 29/11/73, próximo da Grota do Nascimento, depois de descobertos pela repressão, quando Adriano foi morto". Segundo depoimentos de moradores da região, ele levou um tiro na cabeça durante emboscada do Exército, sendo enterrado na localidade de Formiga. Consta no relatório da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça, uma anotação de novembro de 1974 informando que teria sido morto em 24 de janeiro daquele ano. Nas fichas entregues ao jornal O Globo, em 1996, consta a anotação de que foi preso em 25 de janeiro de 1974 e morto na mesma data. Na certidão fornecida pela ABIN à CEMDP consta unicamente que, em março de 1975, o nome de José de Lima fazia parte de uma relação elaborada pelo SNI de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Em 1979, foi anistiado no Processo n.13/72, da 6ª CJM, onde consta a relação de pessoas condenadas pela Lei de Segurança Nacional (LSN) absolvidas em face da Lei n. 6.683/79. ============================================================================================================================ + Informações. JOSÉ LIMA PIAUHY DOURADO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 24 de março de 1946 em Barreiras, Estado da Bahia, filho de Pedro Piauhy Dourado e Anita Lima Piauhy Dourado. Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia, quando tinha 28 anos. Estudou no Colégio Padre Vieira, em Barreiras e depois na Escola Técnica Federal da Bahia, em Salvador. Fotógrafo na Bahia até deslocar-se para a região do Araguaia. Inicialmente morou próximo à Transamazônica. Pertenceu à Guarda da Comissão Militar. Foi visto pela última vez com vida por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973, em Caiano. Segundo depoimento de moradores da região, caiu em uma emboscada do Exército, levou um tiro na cabeça e foi enterrado na localidade de Formiga. Era irmão de Nelson de Lima Piauhy Dourado, também desaparecido no Araguaia. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto em 24/01/74." ================================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) JOSÉ LIMA PIAUHY DOURADO (1946-1973) Baiano de Barreiras, fotógrafo, mudou-se para Salvador em 1960, onde cursou a Escola Técnica Federal da Bahia. Em 1968, teve discreta participação no movimento estudantil e ligou-se nesse mesmo ano ao PCdoB, mesmo partido de seu irmão mais velho Nelson, também desaparecido no Araguaia. Em agosto de 1971, foi deslocado para aquela região, morando inicialmente próximo à Transamazônica. Integrou o Destacamento A da guerrilha e pertenceu à guarda da Comissão Militar, sendo conhecido como Zé Baiano. Segundo o Relatório Arroyo, "foi visto pela última vez, junto com Cilon, quando tentavam encontrar o Jaime e o Ribas, que haviam se perdido em 28 ou 29/11/73, próximo da Grota do Nascimento, depois de descobertos pela repressão, quando Adriano foi morto". Segundo depoimentos de moradores da região, ele levou um tiro na cabeça durante emboscada do Exército, sendo enterrado na localidade de Formiga. Consta no relatório da Marinha, de 1993, uma anotação de novembro de 1974 informando que José teria sido morto em 24 de janeiro daquele ano. Nas fichas entregues ao jornal O Globo, em 1996, consta a anotação de que foi preso em 25 de janeiro de 1974 e morto na mesma data. Na certidão fornecida pela ABIN à CEMDP consta unicamente que, em março de 1975, o nome dele fazia parte de uma relação elaborada pelo SNI de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Em 1979, foi anistiado no processo nº 13/72, da 6ª CJM, no qual consta a relação de pessoas condenadas pela Lei de Segurança Nacional (LSN). Documentação de 1º de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra a data de sua morte em 23 de janeiro de 1974. ================================================================================================= PDF] Olendárioacervoé finalmenterevelado Entreguerrilheirose'apoios ... www.emdiacomacidadania.com.br/documentos/Curio.pg13.pdf - Bloquear todos os resultados de www.emdiacomacidadania.com.br José Huberto Bronca,Fogoió: guerrilheiro preso e executado. 04/1974.34. José Lima Piauhy Dourado,Ivo: guerrilheiro preso e executado 23/01/1974.35. ... ============================================================================================================== FICHA José Lima Piauhy Dourado Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Lima Piauhy Dourado Cidade: (onde nasceu) Barreiras Estado: (onde nasceu) BA País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 24/3/1946 Atividade: Fotógrafo Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 30/12/1973 Caiano PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Desaparecido 24/1/1974 Brasil Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Exército Brasileiro EB Brasil Biografia Documentos Evento/ Homenagem Convite e programação da Semana Pró-Memória dos Catarinenses Mortos e Desaparecidos, em Criciúma, entre os dias 31/08 e 04/09/83. São homenageados: Arno Preis, João Batista Rita, José Lima Piauhy Dourado, Luiz Eurico Tejera, Paulo Stuart Wright e Ruy Oswaldo Pfitezreuter. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111031/86b9ace6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6421 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111031/86b9ace6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Oct 31 20:20:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 31 Oct 2011 20:20:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_CARROS_ESTACIONADOS_AO_SOL_/_____?= =?iso-8859-1?q?__________________________________HOJE_=C9_2=BA_FEI?= =?iso-8859-1?q?RA!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <6D1E9D406785474BB521812DB52C6932@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maria Luiza Tonelli POR ESSAS E OUTRAS É QUE, ÀS VEZES, PESSOAS SÃO ACOMETIDAS DE ENFERMIDADES GRAVES E NÃO SABEM A CAUSA. E a gente nem se dá conta.....Olha o risco! CARROS ESTACIONADOS AO SOL / Preste atenção!!!! Isto é importante! Um carro estacionado na sombra durante um dia com as janelas fechadas pode conter de 400-800 mg. de Benzeno. Se está no sol a uma temperatura superior a 16º C., o nível de Benzeno subirá a 2000-4000 mg, 40 vezes mais o nível aceitável... A pessoa que entra no carro mantendo as janelas fechadasinevitavelmente aspirará em rápida sucessão, excessivas quantidades desta toxina. O Benzeno é uma toxina que afeta o rim e o fígado. E o que é pior, é extremamente difícil para o organismo expulsar esta substância tóxica. Ar condicionado ou ar simples dos Automóveis O manual do condutor indica que antes de ligar o ar condicionado, deve-se primeiramente abrir as janelas e deixá-las assim por um tempo de dois minutos, porém não especificam "o porquê", só deixam entender que é para seu "melhor funcionamento". Aquí vem a razão médica: De acordo com um estudo realizado, o ar refrescane antes de sair frio, manda todo o ar do plástico quente o qual libera Benzeno, que causa câncer (leva-se um tempo para dar-se conta do odor do plástico quente no carro). Por isto é a importância de manter os vidros abertos uns minutos. "Por favor não ligar o ar condicionado ou simplesmente o ar, imediatamente ao se entrar no carro. Primeiramente deve-se abrir as janelas e depois de um momento, ligar o ar e manter as janelas abertas até uns minutos. Além de causar câncer, o Benzeno envenena os ossos, causa anemia e reduz as células brancas do sangue. Uma exposição prolongada pode causar Leucemia, e incrementar o risco de outros tipos de câncer. Também pode causar um aborto. O nível apropriado de Benzeno em lugares fechados é de 50 mg/929 cm2. Assim amigos, por favor, antes de entrar no carro, abram as janelas e a porta para que o ar interior saia e disperse esta toxina mortal. Não esqueçam de repassar, é muito importante. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111031/adaaea6a/attachment.html