From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 1 20:06:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 1 Nov 2011 20:06:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?____PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!___?= =?iso-8859-1?q?_Hist=F3ria_de__ANT=D4NIO_THEODORO_DE_CASTRO_______?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCLXXXIX-?= Message-ID: <6D0C98C5D05C4E588C6BE1D5B11F96A4@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ANTÔNIO THEODORO DE CASTRO (1945-1974) Filiação: Benedita Pinto de Castro e Raimundo de Castro Sobrinho Data e local de nascimento: 12/04/1945, Itapipoca (CE) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 27/02/74 Cearense de Itapipoca, cursou até o 4º ano de Farmácia na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, e era diretor da Casa do Estudante Universitário. Foi obrigado a se transferir para o Rio de Janeiro devido às perseguições políticas advindas de sua participação no Movimento Estudantil. Matriculou-se na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da UFRJ, onde continuou a participar das atividades estudantis em 1969 e 1970, militando também no PCdoB. Com o recrudescimento das perseguições políticas, Antônio foi deslocado em 1971 para o Araguaia, indo residir na região do rio Gameleira. Pertencia ao Destacamento B, sendo conhecido por Raul, Teo e Ceará. Segundo o Relatório Arroyo, Antônio já havia sido ferido no dia 30/09/72, quando desapareceram João Carlos Haas Sobrinho, Ciro Flávio de Oliveira e Manoel Nurchis. No relatório do Ministério da Marinha consta: "Fev./74 - Foi morto durante ataque de terroristas à equipe que o conduzia. Nov./74 - Relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação da guerrilha rural, levada a efeito pelo CC do PCdoB, em Xambioá. Morto em 27/02/74". Há informações de que seus restos mortais podem estar enterrados na Bacaba, no quilômetro 68 da Transamazônica, onde funcionou uma base militar com centro de torturas. Segundo moradores do local, havia um cemitério clandestino no fundo dessa base, próximo à mata. Com base no Dossiê produzido por militares que atuaram no combate à guerrilha, o jornalista Hugo Studart registra também a informação de que Antônio Teodoro teria morrido entre o Natal e 31 de dezembro de 1973, executado depois de preso. A discrepância de quase dois meses entre possíveis datas de sua morte pode significar que tenha permanecido vivo durante todo esse período. ==================================================================================================================== + Informações. ANTÔNIO TEODORO DE CASTRO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 12 de abril de 1945 em Itapipoca/CE, filho de Raimundo de Castro Sobrinho e Benedita Pinto de Castro. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 1973. Cursava o 4° ano de Farmácia na UFCe, e era diretor da Casa do Estudante Universitário. Transferiu-se para o Rio de Janeiro devido às perseguições políticas que vinha sofrendo na Universidade. A seguir, matriculou-se na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da UFRJ, participando do movimento estudantil nos anos 1969/70. Como se intensificassem as perseguições, Antônio acabou mudando-se para o interior, indo residir na região do Gameleira e integrando-se ao Destacamento B da Guerrilha. Desapareceu no dia 25 de dezembro de 1973, após intenso tiroteio no acampamento onde estava com diversos companheiros. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto durante ataque de terroristas à equipe que o conduzia no dia 27 de fevereiro de 1974". Isto nos dá a certeza que, tendo sido preso provavelmente no dia 25 de dezembro de 1973, acabou sendo assassinado, dois meses depois, sob tortura. ============================================================================================== + Informações. do livro Habeas Corpus) ANTÔNIO THEODORO DE CASTRO (1945-1974) Cearense de Itapipoca, cursou até o 4º ano de farmácia na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, e era diretor da Casa do Estudante Universitário. Foi obrigado a se transferir para o Rio de Janeiro devido às perseguições políticas decorrentes de sua participação no movimento estudantil. Matriculou-se na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da UFRJ, onde continuou a participar das atividades estudantis em 1969 e 1970, militando no PCdoB. Com o recrudescimento das perseguições políticas, Antônio foi deslocado em 1971 para o Araguaia, indo residir na região do rio Gameleira. Pertencia ao Destacamento B, sendo conhecido por Raul, Teo e Ceará. Segundo o Relatório Arroyo, Antônio já havia sido ferido no dia 30 de setembro de 72, quando desapareceram João Carlos Haas Sobrinho, Ciro Flávio de Oliveira e Manoel Nurchis. No relatório do Ministério da Marinha consta: "Fev./74 - Foi morto durante ataque de terroristas à equipe que o conduzia. Nov./74 - Relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação da guerrilha rural, levada a efeito pelo CC do PCdoB, em Xambioá. Morto em 27/02/74". Esta data é confirmada no livro Bacaba, de José Vargas Jiménez. Há informações de que seus restos mortais podem estar enterrados na Bacaba, no quilômetro 68 da Transamazônica, onde funcionou uma base militar com centro de torturas. Segundo moradores do local, havia um cemitério clandestino no fundo dessa base, próximo à mata. Com base no dossiê produzido por militares, o jornalista Hugo Studart registra que Antônio Theodoro teria sido executado entre o Natal e 31 de dezembro de 1973, depois de ser preso. Conforme o advogado Paulo Fonteles Filho e Sezostrys Alves Costa (da Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia), Raul foi preso na estrada OP3 e levado pra a base militar localizada na Fazenda Consolação. Foi assassinado na Fazenda Estrela do Araguaia, próxima ao garimpo da matrinxã, para onde havia sido levado por helicóptero. Antônio (Raul) teve uma filha com uma moça da região, Regina, também morta por apoiar os guerrilheiros. Em 2009, um guia falou dessa criança à advogada Mercês Castro, irmã de Antônio, quando esta fazia buscas pelo corpo do irmão no Araguaia. A menina havia sido sequestrada por militares e criada em Belém por um casal que cuidava de um orfanato. A criança foi identificada como Lia Cecilia da Silva Martins. Forte semelhança genética foi apontada entre Lia e os seis irmãos de Antônio. Na análise de marcadores de DNA, em 21 foram encontrados 18 coincidentes. "A semelhança entre nós é muito grande", diz Lia, que é funcionária de uma maternidade. A advogada Mercês anunciou que vai pedir à Justiça a troca do sobrenome de Lia, para que ela passe a fazer parte da família, segundo a Folha de S. Paulo de 22 de maio de 2010 ============================================================================================== + Detalhes. MEMÓRIAS DO EXTERMÍNIO Publicado por Luiz Berto em REPORTAGEM O relato do oficial que comandou a caça aos guerrilheiros do Araguaia mostra que ainda há muito a descobrir sobre o episódio. Veja obteve detalhes sobre a execução de três deles - O oficial aposentado Sebastião Curió admitiu ter combatido os guerrilheiros, mas não disse que participou da morte de alguns deles As sangrentas lembranças da guerrilha do Araguaia, o controvertido combate entre militantes do PCdoB e oficiais do Exército nas selvas do Pará, no auge da ditadura, insistem em atormentar a memória do país. Transcorridos 35 anos, muito se conhece e pouco se admite sobre esse triste episódio. Sabe-se agora que o Exército perseguiu e executou os guerrilheiros, mesmo quando eles já não ofereciam mais nenhum perigo aos militares. As Forças Armadas, porém, negam oficialmente até hoje a existência dessa campanha de extermínio, ignorando o direito dos familiares dos guerrilheiros de saber a verdade sobre o que se passou naqueles tempos sombrios. Na semana passada, o oficial aposentado do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, um dos militares responsáveis pela caça na selva, admitiu, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que as Forças Armadas executaram ao menos 41 guerrilheiros. É a primeira vez que um oficial do Exército confirma a matança. O depoimento de Curió joga luz nas circunstâncias em que se deram as execuções e as torturas dos militantes, mas ainda não esclarece por completo a história de cada um dos assassinatos. VEJA entrevistou um militar que integrou a equipe de Curió - e participou da execução de ao menos três guerrilheiros. Esse experiente militar, que pertencia ao quadro de inteligência das Forças Armadas e tinha treinamento em combate na selva, aceitou contar em detalhes o que fez, contanto que seu nome permanecesse no anonimato. Até hoje, nem mesmo sua família sabe que ele participou da caça aos guerrilheiros. Ele chegou ao Pará para participar da Operação Marajoara, a última etapa de combate à guerrilha. "A ordem era não deixar ninguém sair de lá vivo", rememora o militar. "Era uma missão, e cumprimos o que foi determinado." Recorrendo a uma identidade falsa, o militar virou funcionário público em Marabá, cidade próxima à região do combate, e se infiltrou junto à população civil para obter informações sobre a guerrilha. Tempos depois, ele passou a trabalhar na "Casa Azul", um prédio do governo localizado nos arredores de Marabá, onde o Exército mantinha presos e torturava os guerrilheiros capturados. A CAÇA - Maria Eliana de Castro e a foto do irmão, Antônio Teodoro, o Raul: executado na selva A ordem, lembra o militar, era extrair o máximo de informações dos presos e, quase sempre, por meio de torturas. Depois, assassiná-los. Tudo feito clandestinamente. O militar entrevistado foi um dos algozes do cearense Antônio Teodoro de Castro, estudante universitário de 28 anos conhecido como "Raul". Ele conta que presenciou o interrogatório do estudante: "Ele tinha fome, vestia farrapos e estava amarelo, parecia ter malária. Nem precisamos bater para que ele falasse e dissesse tudo o que sabia". Mesmo desarmado, famélico e doente, mesmo depois de contar tudo o que os oficiais queriam, Raul não foi poupado. Logo chegou a ordem: eles deveriam levá-lo para fazer um "reconhecimento". ================================================================================================= + Detalhes. Paulo Fonteles Filho: Relatos de um homem morto outubro 31, 2011 Raimundo Clarindo do Nascimento, o "Cacaúba", trabalhava no início da década de 1970 nos imensos castanhais paraenses quando toda a região do Bico-do-Papagaio fora invadida por tropas federais naquele distante ano de 1972 para debelar a mais importante luta pelo restabelecimento das liberdades públicas no período ditatorial: a Guerrilha do Araguaia. Por Paulo Fonteles Filho* Recrutado pelo "Doutor Antônio", comandante da base militar de São Raimundo e um violentíssimo agente da repressão, foi atuar como rastejador na base militar de São Raimundo. Tal base ficava nas cercanias da reserva dos índios suruís em São Geraldo do Araguaia(Pa). Segundo seu depoimento para o então Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), coordenado pelo Ministério da Defesa em março de 2011, o "Doutor Antônio" era "uma pessoa mal encarada, alto, forte e de cabelos crespos" e que até janeiro de 1985 permanecera na área conflagrada "procurando algum guerrilheiro sobrevivente". Sabe-se que até 1992/1993 gente da região fora presa apenas por chamar-se "Dina" e militar em movimentos sociais. Raimundo "Cacaúba", também conhecido por Raimundo "Baixinho", relatou que em sua última missão de rastejador teria passado 12 dias ininterruptos na mata, na região do "Jacaré Grande", rio que desce da Serra das Andorinhas/Martírios e vai encontrar depois de muitos desvios sinuosos o caudaloso rio dos Karajás. Estava ali, guiando uma tropa, para localizar os últimos guerrilheiros vivos. Provavelmente deve ter se referido ao ano de 1974, quando às forças repressivas promoveram uma verdadeira caçada na região e o rigor das últimas pesquisas revela-nos que 41 guerrilheiros foram mortos, assassinados, sob a custódia das forças armadas. É que depois de 1973 a ordem direta do gabinete de Garrastazu Médici, presidente de então, era torturar até a náusea e matar a sangue-frio todos os insurgentes presos nas matas. E o ano de 1974 fora pródigo neste sentido, inclusive com o provável fuzilamento de cerca de 50 camponeses e castanheiros que trabalhavam na região. Os casos mais graves, colhidos até agora, revelam que São João do Araguaia (Pa) e Xinguara (Pa) foram palcos de tais execuções sumárias. Cremos, porém, que pode haver mais casos da sandice sanguinária dos generais da época e só o avanço das pesquisas poderão nos dar a medida exata da atuação do "satanás de botas", segundo ensina a analogia corrente entre os camponeses referindo-se à atuação dos militares daqueles tempos. Mas "Cacaúba", depois do silêncio de quase quarenta anos, informara que "no local conhecido por 'centrinho', ao lado do Rio Sororozinho, conheceu 'Zé Carlos' (André Grabois), 'Ivo' (José Lima Piauhy Dourado) e 'Joca' (Líbero Giancarlo Castiglia), este ferido no braço". Teria, também, conhecido "a 'Valquíria'(Walkíria Afonso Costa), moradora do São Raimundo que apareceu em sua casa acompanhada de 'Joca' depois do tiroteio com o 'Juca'(João Carlos Haas)". Curiosa mesmo foi à informação de que "os meninos do mato se comunicavam com os moradores Antonio Monteiro (.), Luís Roque e Antonio Luís através de uma vara seca e uma vara verde". Afirmara que "a 'Valkíria', muito magra, foi presa na casa do 'Zezinho' e Maria 'Fogoió' e foi morta pelo Capitão Magno". Tal "Capitão Magno" é muito citado pelas torturas perpetradas contra os camponeses e que teria sido um dos agentes que atuou, anos depois, na prisão dos padres franceses do Araguaia, Aristide Camio e Francisco Gouriou, no início dos anos de 1980. A acusação era de que os religiosos promoviam a subversão, intentavam novas guerrilhas e por isso foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional (LSN). Na região da "Abobóra" viu " o 'Joca' amarrado com embira (fibra extraída de algumas árvores e que serve para fabricação de cordas), todo 'obrado' e muito machucado ". Teria presenciado o traslado do combatente, depois de assassinado, para a Base de Xambioá (To) para um local conhecido como "cemitério da base" e lá fora sepultado. Quando o "Amaury" (Paulo Roberto Pereira Marques) fora preso "com o pé baleado e o 'Doutor Antunes', da base de São Raimundo, provocava-o perguntando se queria comer um Mutum. O 'Ivo' foi preso e vestia calça azul tropical e que o 'Doutor Alberto' dizia que viu o 'Nunes' (Divino Ferreira de Souza) morrer. O guia Olímpio, da fazenda 'Carrapicho', matou o 'Peri'(Pedro Alexandrino de Oliveira) que estava com outros que conseguiram fugir. O 'João Goiano' (Vandick Reidner Pereira Coqueiro) foi encontrar-se com o 'Simão'(Cilon da Cunha Brum) e quando se aproximou percebeu algo diferente e correu, porém foi alvejado pelos militares emboscados. Seu corpo foi mantido em um lastro de madeira e depois retirado por um helicóptero, isso aconteceu na 'grota da lima'. Vi o 'Simão' puxando água do poço por uma bomba na base de Xambioá (To)", relatou à missão governamental. Recordara, ainda, que houve um encontro de militares e ouviu pelo rádio a notícia da prisão de "Raul" (Antônio Teodoro de Castro). Estava subindo a Serra do Cajueiro, próximo ao Rio Sororozinho. Além dos militares já citados teria trabalhado, também, com os "doutores Ivan, Maia, Molina e João" e que esse Molina "não falava igual a nós". Sabe-se que militares portugueses, apeados do poder pela Revolução dos Cravos, teriam assessorado militares brasileiros repassando-lhes as experiências dos combates contra os movimentos independentistas da África, como Angola e Moçambique. É bem provável que a CIA, fétida agência de inteligência estadunidense, também teria "ensinado" nossos generais, como Hugo de Abreu e Antônio Bandeira, como debelar a insurreição das matas do Pará. Raimundo "Cacaúba" foi assassinado em fins de junho de 2011. Três dias antes do estranho crime, o Major Curió esteve na Serra Pelada, local do assassinato, em reunião com aqueles que ainda lhes são fiéis. Sabemos que o ex-guia teria dito, horas antes do ocorrido, que sua cabeça estava a prêmio. *Paulo Fonteles Filho é pesquisador da Guerrilha do Araguaia Reconhecimento, no código elaborado pelo Exército, era a senha para matar. Curió e seus homens, entre eles o militar entrevistado por VEJA, embarcaram Raul e outro guerrilheiro, o estudante gaúcho Cilon da Cunha Brun, de 28 anos, conhecido como "Simão", num helicóptero da Força Aérea. Curió ordenou aos pilotos, os quais não tinham conhecimento da operação, que os transportassem até as terras da fazenda de um colaborador em Marabá. Para não permitir testemunhas, relembra o militar, Curió determinou que outra equipe da Força Aérea os buscassem num ponto diferente da mata, horas mais tarde. Após uma longa caminhada, o grupo parou para descansar. Todos se sentaram. Instantes depois, Curió disse aos colegas: "É agora!". Levantou-se num átimo, mirou seu fuzil Parafal na cabeça de Raul e disparou. O corpo do estudante caiu imediatamente sem vida. Os outros oficiais levantaram-se e descarregaram as armas nos dois. "Parecia pelotão de fuzilamento", lembra o militar. Eles tentaram cavar uma vala para enterrar os guerrilheiros, sem sucesso. Resolveram cobrir o local com galhos de árvore - e seguiram caminho. Alguns dias depois, o fazendeiro esteve com os militares e reclamou dos cadáveres. "Os corpos começaram a feder. Os animais já haviam comido quase tudo. Tive de enterrar os restos", contou. O fazendeiro tinha o apelido de "Zezão". Aconteceram ainda outras atrocidades. O fotógrafo baiano José Lima Piauhy Dourado, o "Ivo", tinha 27 anos quando foi capturado pelos militares. Ele fora ferido na clavícula, depois de conseguir atingir um oficial. Não houve clemência. Transportado para a Casa Azul, Ivo passou por uma longa sessão de torturas. Apanhou e conheceu os horrores do pau de arara, método pelo qual se pendurava e amarrava o torturado de cabeça para baixo. Conta o militar: "O cara só gemia". Gemia, mas, segundo a testemunha, não entregou ninguém. O depoimento do militar é perturbador: "Ele estava agonizando, pendurado no pau de arara. Alguém se aproximou e derramou um copo-d'água em sua boca. Ele morreu afogado, estrebuchando". O Exército também pagava pela cabeça dos guerrilheiros - e não era metaforicamente. "Tinha de trazer a cabeça mesmo, para provar que havia matado", lembra o militar. Cada cabeça rendia 5 000 cruzeiros ao matador. Em valores corrigidos, cerca de 11 000 reais. "Vi pelo menos umas três", conta. ============================================================================================ + Detalhes. "Houve mais camponeses mortos no Araguaia do que se fala" Após uma viagem de 40 minutos de carro desde o centro de Marabá, parte dela feita em estrada de terra, chega-se a uma rua onde a lama impede a passagem do jipe. A única maneira de atravessar é a pé. São 20 minutos de caminhada na lama até chegar à casa do camponês Abel Honorato de Jesus, o Abelinho. O homem franzino é um dos posseiros da região onde foi implantada a guerrilha do Araguaia (1972-1975) e que foram obrigados a trabalhar como mateiros do Exército, ajudando na captura dos militantes que se instalaram por lá. Grande conhecedor da área e de parte dos guerrilheiros - Abelinho chegou a trabalhar no garimpo com Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, o mais famoso guerrilheiro do Araguaia -, o lavrador trabalhou com o Exército até 1983. Recentemente, Abelinho tem colaborado com o trabalho da equipe do GTT (Grupo de Trabalho Tocantins) fornecendo informações e sustenta a tese de que o número de camponeses assassinados pelas forças do Estado durante o período da guerrilha é maior do que se tem notícia. "Eu conheço muita gente que morreu de taca [surra]", conta. O ex-mateiro também afirma ter visto "muitos camponeses apanharem, serem torturados. Lavei sangue demais desse povo. Enrolavam um saco de estopa num rodo e eu empurrava o sangue dessa gente". Além dos camponeses que aderiram à guerrilha e os que ajudaram os militantes com comida e suprimentos, também muitos mateiros foram assassinados, mesmo tendo colaborado com o Exército, recorda o lavrador. Leia mais: "Estamos mais perto da verdade", diz juíza Segundo o pesquisador Paulo Fonteles Filho, integrante da ouvidoria do GTT, embora se estime que o número de desaparecidos do Araguaia, entre guerrilheiros e camponeses, gire em torno de 100 pessoas, "eu tenho convicção que naquele processo foram mortas 500 pessoas ou mais". Segundo ele, há informações novas que estão sendo reveladas por ex-soldados do Exército, que hoje subsidiam o GTT. "Há camponeses que estavam na mata como castanheiros e foram fuzilados por uma tropa, por exemplo. Nosso papel também é falar desses anônimos", esclarece. De acordo com ele, a violência do Estado contra os moradores da região também foi "brutal". "Eles foram maltratados, sofreram, foram torturados, perderam suas roças". Um dos ex-soldados que está colaborando com o GTT é Manoel Messias Guido Ribeiro, que combateu una base Xambioá. Ele conta que o tio de sua esposa foi morto de "taca" na serra das Andorinhas apenas por ter dado comida aos guerrilheiros. "Vi muitos camponeses presos". Guido também presenciou a tortura de camponeses na sede local do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), a chamada "casa azul". "Ouvi gritos absurdos, arrastávamos corpos, vivos mas desmaiados. A gente jogava água em cima deles e levava de volta". Operação Limpeza O ex-soldado maranhense afirma ter participado da "Operação Limpeza" de 1975, quando as forças de repressão ainda "caçavam" remanescentes do "terrorismo", como possíveis colaboradores dos guerrilheiros. "Da segunda limpeza, feita para retirar os ossos, eu não participei, mas a gente ouvia falar: "estão arrancando ossos de gente por aí". Guido afirma que a região esteve vigiada até 1980. "Ainda está hoje. Não pense que não está", garante. Guido também diz se sentir inseguro "com o que estamos falando, pois estamos rodeados deles por aí", acredita. Em depoimento em vídeo colhido pelo GTT, Valdim Pereira de Souza, ex-funcionário, ex-militar e motorista do major Curió [oficial da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, um dos líderes da repressão à guerrilha do Araguaia], entre 1976 e 1983, relata que em 1976 participou da retirada dos corpos e ossadas dos guerrilheiros e camponeses mortos em muitas localidades da região. Sua missão era levar para a sede do DNER vários sacos amarrados com um cordão. "Os sacos pesavam cerca de 100 quilos e, dentro, soube depois, por meio de um servidor do próprio DNER conhecido por "Pé na Cova", havia ossos humanos. O cheiro era insuportável. Os homens do Exército que comandavam a operação eram o doutor Luchini (Sebastião Curió) e os sargentos Santa Cruz e Ribamar", disse. "Não tínhamos o direito de saber o que fazíamos, apenas cumprir a nossa obrigação e as determinações superiores", completa. Ameaças Como resultado das denúncias, Valdim, assim como outros camponeses e moradores da região, foi ameaçado. Em dezembro do ano passado, ele recebeu ligações em seu celular, que diziam: "pare de falar besteira", "fica calado, não te mete em encrenca", "tenha cuidado com o que anda falando por aí". Neste ano, as ameaças aumentaram. Em 2 março, uma caminhonete com película de insulfilm nos vidros rondou sua casa em Macapá, no Amapá. Valdim acredita que é Curió quem está por trás das ameaças: "O Curió é corajoso e me disse certa vez que quem fala muito morre, e dizia que 'inimigo bom é inimigo morto'". Um carro com insulfilm também rondou a casa do representante da Associação dos Camponeses do Araguaia, Sezostrys Alves da Costa, no mesmo dia 2 de março, em São Domingos do Araguaia. Os quatro homens que estavam no veículo procuraram por ele e Paulo Fonteles. Em 27 de março, Mercês Castro, irmã de Antônio Teodoro Castro, desaparecido político no Araguaia e membro do GTT, sofreu um acidente em Marabá. "As porcas de um pneu do carro foi afrouxado e a roda foi cuspida do carro. Denunciamos isso para a Polícia Federal, enviamos isso para a juíza Solange Salgado", relata Paulo Fonteles. "Mas não vamos abrir mão do nosso trabalho. Pode vir ameaça, mas não vamos arredar pé daqui", conclui. Segundo Paulo Fonteles Filho, o primeiro registro de ameaça ocorreu em junho do ano passado, "contra o camponês Beca, morador de São Domingos do Araguaia, que foi torturado pela repressão política e é colaborador do GTT". Por Tatiana Merlino, de Marabá (PA) / Pública ================================================================================================== + Detalhes. ARAGUAIA Guerrilheiro do CE pode ter deixado descendente Publicado em 6 de janeiro de 2010 Lia Cecília mantém contato com Maria Mercês, irmã de Teodoro ÁLBUM DE FAMÍLIA Família do guerrilheiro Antônio Teodoro de Castro quer fazer o teste de DNA em Lia Cecília da Silva Martins, 35 O governo brasileiro ainda não conseguiu identificar e entregar às famílias os corpos dos cerca dos 100 mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia (1972-1975), estão incluídos os 69 militantes enviados pelo PC do B, entre eles, sete cearenses e moradores da região que aderiram ao movimento, eis que surge uma nova face do movimento a ser desvendado: a existência de oito pessoas, supostas filhas de guerrilheiros com nativas da região. Assim, mais um capítulo na considerada história sem fim da Guerrilha do Araguaia pode estar começando, tendo como uma das protagonistas, a jovem Lia Cecília da Silva Martins, 35 anos. Residente em Belém, faz o primeiro ano do curso Gestão de Pessoas, trabalha no departamento pessoal de uma empresa, e há dois meses ficou órfã, cujas evidências levam a crer ser filha do guerrilheiro cearense, Antônio Teodoro de Castro, tinha o apelido de "Raul", executado em 1974, pelo major Sebastião Curió, um dos principais repressores do movimento. O fio do novelo desta trama começou a ser desenrolado a partir de uma série de reportagens feita pelo jornal Estado de São Paulo, no segundo semestre do ano passado, sobre os arquivos major, hoje, tenente-coronel Sebastião Curió, um dos poucos militares vivos que participaram da repressão ao movimento. Foi da boca de Zé Catingueiro, guia considerado como o braço direito de Curió, que veio à tona o drama de uma menina branca, que teria sido levada pelos militares e que pode ser a filha do cearense Theo, na época, 25 anos. A notícia encheu de esperança a irmã do guerrilheiro, Maria Mercês Castro, 49 anos, até agora mantém contato por telefone e internet com a suposta sobrinha. Depois de abraçar a luta para encontrar e enterrar os restos mortais do irmão, resultando em oito idas à região do Araguaia, agora, encampa a de fazer o exame de DNA para o reconhecimento da paternidade da jovem. Até o momento, ainda não teve uma resposta favorável por parte do governo para a realização do exame. Não se trata de um DNA normal, uma vez que o pai morreu, os avós paternos, restando apenas a família de Teodoro, todos com mais de 40 anos de idade. A expectativa não é menor por parte da jovem, que desde os dez anos sabe que foi adotada, mas que nutre o desejo de saber quem foram seus pais. "Sou tranquila, tenho base espírita", responde, justificando ter visão diferente a vida. "Mas fica um vazio, uma sensação de que algo está incompleto", diz, ao se referir ao passado, embora essa reconstrução possa estar próxima. Conta como tomou conhecimento do fato: "Um amigo viu a reportagem e me ligou por achar parecido com a minha história". Em julho entrou em contato com a família de Teodoro, seu possível pai. "Lia era o nome da companheiro do Raul", lembra Maria Mercês de Castro, que torce para que a jovem seja mesmo a filha do seu irmão. "Se for, vou conhecer a minha família", sonha Lia, completando que caso contrário, vai ganhar novos amigos. Uma nova versão para sua vida começou a ser delineada em julho, ao saber que pode descobrir quem era o seu pai. O que sempre soube é que teria sido deixada por um delegado, de forma misteriosa, no abrigo Lar de Maria, em São Brás (Belém). Ela chegou em 1974 ao abrigo, no período do Natal, mesmo ano em que numa Quarta-Feira de Cinzas, o possível pai, Antônio Teodoro, foi executado no Araguaia, quando com fome e doente, procurava por comida. Vítima de um sequestro que nunca ficou esclarecido, a menina Lia, foi deixada no orfanato, sendo adotada pelo casal Eumélia e Sandoval Martins, ambos mortos. INVESTIGAÇÃO Família perde esperança de encontrar restos de Teodoro O sentimento é de frustração para Maria Mercês Castro, irmã do guerrilheiro cearense Antônio Teodoro de Castro, cujo corpo, pensava que estivesse enterrado na Serra do Matrinchã, próximo a uma touceira de açaí,uma limeira e um bambuzal. Na localidade de Brejo Grande, no Pará, perto da Serra do Matrinchã, foram executados vários guerrilheiros, por ocasião do fim do movimento. "No dia 28 de agosto perdi a esperança de encontrar o corpo do meu irmão". Esta era a informação repassada pelo guia, Isaías Prudente de Oliveira, conseguida de maneira informal, ou seja, independente das investigações do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) que, segundo informações do ouvidor, Paulo Fonteles Filho, a pesquisa para identificar e localizar os corpos dos guerrilheiros desaparecidos é ininterrupta. Após quase cinco meses no local, desembolsados R$ 2,6 milhões, o GTT - formado por integrantes da Polícia Federal, peritos forenses do Ministério da Defesa, governo do Pará, Exército, guias e familiares - só encontrou uma fossa séptica, uma pedra e um depósito de lixo cujos dejetos datam da época. Convidada pela juíza da Primeira Vara Federal Solange Salgado, participou no dia 9 de dezembro de audiência pública para prestação de contas, em Brasília, com duração de seis horas. Na audiência, o grupo solicitou mais tempo e mais dinheiro para a continuação das buscas. Agora, diante do fracasso dessas últimas escavações, iniciadas no dia 12 de agosto, fica cada vez mais evidente a ocorrência, por volta de 1984 e 1985, da "operação limpeza". A própria Justiça pretende montar uma equipe de coleta de informações e análise formada por agentes federais e membros da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para confirmar de uma vez por todas a realização do processo de apagar os rastros das execuções, dando fim aos corpos. Conforme Maria Mercês Castro, "essa limpeza comprovadamente ocorreu por volta de 1984, 1985 para a retirada dos restos mortais dos guerrilheiros que foram levados para a Serra das Andorinhas. IRACEMA SALES REPÓRTER ===================================================================================================== FICHA Antônio Teodoro de Castro Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Antônio Teodoro de Castro Cidade: (onde nasceu) Itapipoca Estado: (onde nasceu) CE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 12/4/1945 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal do Ceará UFC Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Raul, Ceará, Teo Morto ou Desaparecido: Morto 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia, Gameleira Segundo companheiros. Clandestinidade Morto 27/2/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111101/cb3622c8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4802 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111101/cb3622c8/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24228 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111101/cb3622c8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 1 20:06:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 1 Nov 2011 20:06:51 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Em_v=C3=ADdeo=2C_Lula_agradece_pelo_a?= =?utf-8?q?poio_recebido=2E/_Envie_mensagem_ao_Lula=2E__/_e__texto_?= =?utf-8?q?de_Arrabal=2E?= Message-ID: <16721389F48942C8A59D30FD64EE8695@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Em vídeo, Lula agradece pelo apoio recebido 01/11/2011 Ao lado de sua esposa, Marisa Letícia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu pelo apoio dado por milhares de pessoas que lhe enviaram mensagens de solidariedade. http://www.youtube.com/watch?v=fYRizGM1ajc&feature=player_embedded O vídeo foi gravado na tarde deste terça-feira (1º), pouco antes de Lula deixar o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde fez sua primeira sessão de quimioterapia. Vídeo: Ricardo Stuckert/Instituto Lula ? A reprodução é livre desde que os créditos sejam citados. http://www.icidadania.org/2011/11/em-video-lula-agradece-pelo-apoio-recebido/ Para enviar mensagens para o ex-presidente foi criado o e-mail saudelula at icidadania.org ================================================================================================= terça-feira, 1 de novembro de 2011 O Brasil precisa de Lula vivo Texto enviado por e-mail como comentário ao post Vida longa ao presidente Lula Por José Arrabal* Com vasta certeza, firmeza otimista: longa vida ao presidente Lula! Firme e forte lhe asseguro: não há de ser grave o que acontece com o presidente! Há de ser mais fácil enfrentar o câncer do que enfrentar a ditadura militar, do que enfrentar a violência criminosa da direita brasileira, do que enfrentar a farsa da privataria demo-tucanalha, muito mais fácil do que enfrentar a estupidez caluniosa e odienta do PIG (Partido da Imprensa Golpista), há de ser mais fácil enfrentar o câncer, certamente! E Lula em sua vida, história pessoal e política, sempre enfrentou e superou as mais graves controvérsias, as piores dificuldades. Veio de onde veio com a força do melhor do Brasil, viu, agiu e venceu! Prossegue vitorioso, pleno de auto-confiança e bom humor, grandeza pessoal com presença de estadista admirado em nossa república e nos demais países do planeta. Trouxe o povo trabalhador para o centro da história brasileira, fez do Brasil um país respeitado no mundo inteiro! Longa vida ao presidente Lula que vive e viverá por muitos séculos nos bons sentimentos de todos os homens e mulheres de todas as idades que amam e se orgulham de nosso país! Lula está e estará sempre presente no de melhor que acontece e acontecerá entre nós através dos tempos! Luiz Inácio Lula da Silva, o migrante nordestino, o metalúrgico, o líder sindical, o homem sorridente, o presidente sempre medalha de ouro maior no pódio olímpico do desenvolvimento econômico, político e cultural de nossa história nacional! Agora, diante do fato clínico que atinge a saúde de Lula, os escroques que são inimigos do povo, esses minguados canalhas que odeiam nosso Brasil, através do PIG exultam com a enferminade de Lula, comemoram e brindam felizes, até pretendem antecipar a morte do presidente! Evidente indicação disto é a agourenta manchete do Uol hoje, onde se afirma com destaque que "o câncer de Lula ja matou dois de seus irmãos", que é "doença genética". No passado, essa mesma quadrilha PIG, punhado de falsos profissionais jornalistas que são meras penas pagas por seus patrões-capones sempre saudosos escravocatas de uma oligarquia interna tacanha interessada em manter o Brasil no atraso histórico, no passado essa mesma gente de poder matou Vargas, depôs Jango, implantou aqui uma ditadura militar assassina e não fez só isso! Fez o diabo que pode fazer de mau na história brasileira! Mas com Lula foi, é e será sempre diferente! Lula é o Brasil do presente e o percurso futuro grandioso da melhor brasilidade! Fato que o povo trabalhador brasileiro, em sua vasta e inabalável maioria, reconhece e confirma! Longa vida ao presidente Lula! Decerto é o que de melhor se lê bem escrito nas estrelas, nas cidades, nos campos e nas estradas da vastidão de nosso país! Em meu, em seu, nos corações de todos nós que amamos nosso país, país de nossos filhos, país de nossos netos, país de nossa gente! O melhor Brasil! O melhor para o Brasil: Longa vida ao Presidente Lula! Viva o povo trabalhador brasileiro! Viva o Brasil! Fraterno abraço *José Arrabal é professor, jornalista e escritor. Autor de "Nacional e o Popular na Cultura Brasileira: Teatro" (Editora Brasiliense), "Sherlocks on the Rocks nas Diretas Já", "A Sociedade de Todos os Povos" (Editora Manole), "A Princesa Raga-Si", "Lendas Brasileiras" (Vol 1/Vol. 2 - Editora Paulinas), entre outros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111101/54a03163/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 1 20:06:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 1 Nov 2011 20:06:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Convite 'SALA ESCURA DA TORTURA" Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111101/ca2c07f0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 132832 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111101/ca2c07f0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 2 19:41:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 2 Nov 2011 19:41:49 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__PEDRO_CARRETEL______________________?= =?iso-8859-1?q?__________________________________-CCXC-?= Message-ID: <1823A4716049410BBFC989C45B5FADC2@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem PEDRO CARRETEL Embora não exista certeza sobre sua identidade civil, há registros de que seu nome completo seria Pedro Matias de Oliveira. Pedro Carretel, era posseiro na região e se incorporou ao movimento guerrilheiro do Araguaia. Esteve preso em Bacaba, juntamente com Joana Almeida, sua esposa. Segundo Joana, a última vez que ela viu o marido, foi quando lhe tiraram da cela dizendo que seria levado para Brasília, no início de 1974. Seu nome (apelido) faz parte do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, mas não consta no Anexo da Lei nº 9.140/95 porque, na época, não era conhecida a sua identidade completa. Não foi apresentado requerimento por seus familiares à CEMDP, o que impediu a formação do processo para determinar indenização pelo seu desaparecimento. Raimundo Nonato dos Santos, o Peixinho, mateiro que serviu como guia do Exército, informou em depoimento prestado em 2001: "Zé Catingueiro contou para o depoente que Pedro Carretel lhe teria ameaçado de morte quando fosse solto; dessa forma Zé Catingueiro foi reclamar junto ao Comandante, que teria determinado a morte de Pedro Carretel. Não soube informar qualquer lugar de sepultura, pois tudo era mantido em sigilo. A operação que resultou na morte de Nelito e prisão de Pedro Carretel foi comandada pelo capitão Rodrigues". O relatório de 2002, do Ministério Público Federal, já referido no caso anterior, também registra que Carretel foi visto preso, com possível equívoco na data indicada: "Pedro Matias: Pedro Carretel (camponês que aderiu à guerrilha), na base da Bacaba, em 1973, vestido de mulher, condição em que foi mostrado à sua esposa. Manoel Leal Lima (Vanu) relatou que ao final da guerrilha Pedro Carretel foi morto na Bacaba, assim como Duda (Luís René Silveira e Silva) e Piauí (Antônio de Pádua Costa). Vanu disse ter acompanhado a equipe que os executou" Hugo Studart indica que a data da morte de Carretel constante no Dossiê Araguaia é 6 de janeiro de 1974, a mesma que aparece numa das fichas publicadas em O Globo no ano de 1996: "elemento local; foi ferido no choque em que 'caiu' Nelito; apareceu 'estrupiado' (ferido) em 06 Jan. 74 e foi entregue à força por moradores locais" ============================================================================================================================ + Informações. PEDRO CARRETEL Camponês que se incorporou à guerrilha do Araguaia. Estava junto com Maria Célia Corrêa e Jana Morone no tiroteio com as Forças Armadas no qual Nelson Lima Piauhy Dourado teria sido morto, no dia 2 de janeiro de 1974. Esteve preso com Joana Almeida e foi visto pela última vez quando lhe tiraram da cela dizendo que seria levado para Brasília, no início do ano de 1974. ===================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) PEDRO CARRETEL Embora não exista certeza sobre sua identidade civil, há registros de que seu nome completo seria Pedro Matias de Oliveira. Outra versão - Pedro Pereira de Souza - aparece no livro Bacaba, do tenente José Vargas Jiménez, que combateu os guerrilheiros do Araguaia. Pedro Carretel era posseiro na região e se incorporou ao movimento planejado pelo PCdoB. Esteve preso em Bacaba, juntamente com Joana Almeida, sua esposa. A última vez que ela viu o marido foi quando o tiraram da cela dizendo que seria levado para Brasília, no início de 1974. Hugo Studart indica que a data da morte de Carretel constante no Dossiê Araguaia é 6 de janeiro de 1974, a mesma que aparece numa das fichas publicadas em O Globo no ano de 1996 e também no livro Bacaba. O nome de Pedro (na verdade, apelido) faz parte do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, mas não consta no anexo da Lei nº 9.140/95 porque, na época, não era conhecida a sua identidade completa. Não foi apresentado requerimento por seus familiares à CEMDP, o que impediu a formação do processo para determinar indenização pelo seu desaparecimento. Raimundo Nonato dos Santos, o Peixinho, mateiro que serviu como guia do Exército, informou em depoimento prestado em 2001: "A operação que resultou na morte de Nelito e prisão de Pedro Carretel foi comandada pelo capitão Rodrigues". O relatório de 2002, do Ministério Público Federal, registra que Carretel foi visto preso, com possível equívoco na data indicada: Pedro Matias: Pedro Carretel (camponês que aderiu à guerrilha), na base da Bacaba, em 1973, vestido de mulher, condição em que foi mostrado à sua esposa. Manoel Leal Lima (Vanu) relatou que ao final da guerrilha Pedro Carretel foi morto na Bacaba, assim como Duda (Luís René Silveira e Silva) e Piauí (Antônio de Pádua Costa). Vanu disse ter acompanhado a equipe que os executou. Documentação de 1º de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra a data de sua morte em 15 de fevereiro de 1974. ========================================================================================== + Detalhes. do portal vermelho por Augusto Buonicore* À Edite, Pedro Carretel, Alfredo, Luís Vieira, Juarez, Jair, Levy, Batista, Luíz Viola, Joaquim e Lourival - camponeses guerrilheiros mortos no Araguaia. Mártires do povo brasileiro. O povo do Araguaia reunido dia 18 de junho deste ano Nestas últimas semanas dois acontecimentos ajudaram a jogar mais luzes sobre o movimento guerrilheiro ocorrido na região do Araguaia entre 1972 e 1974. Um deles foi o julgamento do processo de anistia para os camponeses vitimados pela repressão policial-militar no período. O outro foi a abertura dos arquivos do famigerado major Curió, matéria publicada em "O Estado de São Paulo". Pelo menos duas novas informações vieram à tona sob fatos que já tínhamos fortes indícios que teriam ocorrido. A primeira delas diz respeito às execuções dos combatentes aprisionados. Agora temos um número mais exato delas. Foram revelados os nomes de mais 16 guerrilheiros friamente executados depois de terem sido presos e interrogados. Isso elevou o número para 41 pessoas assassinadas daquela maneira. O que não significa que outros tantos guerrilheiros não tenham sido imediatamente executados depois de presos em combate. Através do Dossiê Curió tivemos maiores detalhes das atrocidades cometidas pelas Forças Armadas, como a cabeça decepada do líder estudantil Antônio Guilherme Ribas. No Araguaia ocorreu uma política de extermínio que lembrou muito o massacre ocorrido na guerra de Canudos. O fato de as informações terem sido dadas por um oficial do exército, diretamente envolvido na repressão, dá a eles um valor especial. Afinal, Curió é agora um réu confesso. Que a justiça brasileira faça a sua parte. ===================================================================================== + Detalhes. Familiares de um guerrilheiro do Araguaia e uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) encontraram restos mortais que podem ser de um guerrilheiro enterrado em Brejo Grande do Araguaia (PA), a 472 km de Belém, em um região conhecida como Tabocão. Uma pessoa que não quis se identificar apontou a familiares do guerrilheiro Antônio Teodoro de Castro (que usava o codinome Raul) vários locais onde poderiam ter ocorrido os sepultamentos. Ao realizar buscas no local, os familiares encontraram pedaços de crânio, dentes e tecidos no lugar apontado pelo informante e comunicaram o Ministério Público Federal. O procurador da República Tiago Modesto Rabelo reuniu uma equipe com agentes da Polícia Federal, do Instituto de Perícias Científicas do Pará e do Instituto Médico Legal de Marabá e se deslocou para o local na terça. Foram registrados depoimentos de moradores e novas escavações encontraram mais restos humanos. Todo o material encontrado foi levado para a sede do MPF e será encaminhado ao Instituto Médico Legal em Marabá, onde será analisado e descrito. Identificação O processo de identificação deve ocorrer em Brasília. De acordo com o informante, o local poderia conter restos dos guerrilheiros Pedro Carretel (Carretel), Rodolfo de Carvalho Troiano (Manoel do A), Gilberto Olímpio Maria (Pedro) e Maurício Grabois (Mário). Segundo infomrou o MPF, o Tabocão sempre foi apontado como possível área de enterros de guerrilheiros mortos durante os combates da década de 70. Em outubro do ano passado foram realizadas escavações pelo Grupo de Trabalho Tocantins, formado pelo Ministério da Defesa para procurar as ossadas desaparecidas, mas não foram encontrados restos mortais. De acordo com os depoimentos prestados pelos moradores de Brejo Grande, as escavações do ano passado teriam sido feitas em pontos incorretos. ========================================================================================= + Detalhes. FORÇADOS A MATAR No processo do Araguaia, o silêncio oficial dos militares contrasta com as muitas vozes dos camponeses sobre uma história de crueldade e medo. Em 2009, depois da União esgotar todos os recursos judiciais possíveis contra a sentença, foi constituído o Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), chefiado pelo Ministério da Defesa, com a missão de recolher documentos e depoimentos dos envolvidos na guerrilha e empreender buscas e escavações para resgatar os corpos. São eles as principais fontes de informação do processo, já que os militares recusam-se a entregar seus arquivos secretos - enviando seguidamente os mesmos relatórios incompletos sobre os desaparecidos (há mais de 30 mil páginas de documentos repetidos no processo, conforme a Pública apurou). Eles também se negam a depor; os que o fizeram, optaram por fazê-lo de modo anônimo, diretamente à juíza (leia entrevista com a juíza Solange Salgado). Além de esclarecer as circunstâncias da prisão e morte de diversos guerrilheiros, os depoimentos mostram que a tortura praticada contra os "terroristas" foi adaptada para destruir o caráter e a dignidade dos que se viram apanhados pelo conflito sem condições de resistir. Famílias inteiras foram torturadas - como aconteceu com Oneide, mulher de Antonio Alfredo de Lima, camponês que aderiu à guerrilha, e os filhos do casal. Outro camponês/guerrilheiro, conhecido como Pedro Carretel, foi preso junto com a esposa, Joana Almeida, e exibido a ela vestido de mulher, antes de ser executado. No caso de Luiz Vieira, outro camponês que se juntou aos guerrilheiros morto pelo Exército, a família foi impedida de resgatar o corpo, embora soubesse onde estava. O seu filho, depois de preso, foi obrigado a se alistar no Exército. O exemplo mais estarrecedor, no entanto, aparece no relatório do GTT de agosto de 2010, envolvendo a prisão e a morte do camponês José Ribeiro Dourado, conhecido como Zé da Madalena, e de seu filho, Deusdete. Narrado pela esposa de Zé, e mãe de Deusdete, Madalena de Souza Ribeiro, e por seu neto Wecsley, filho de Deusdete, o episódio começa com a prisão do chefe de família, Zé da Madalena, em 1972, quando trabalhava em sua roça na região de Pau Preto. Ali mesmo, conta Madalena, Zé foi colocado em cima de um formigueiro por diversos dias para que confessasse seus laços com os guerrilheiros. Depois, foi levado preso até a base militar de Xambioá. Desesperada, Madalena, como muitas mulheres em sua situação, abandonou a terra e os animais para seguir com os filhos para onde tinham levado o marido. Ao chegar na base, seu filho, Deusdete, foi preso. Alguns dias depois, desceria ao inferno. Como confessaria a Wecsley, seu filho mais velho e neto de Zé da Madalena, Deusdete foi obrigado pelos militares "a cortar cipós, molhar na água e chicotear os presos que se encontravam em um buraco, inclusive o seu pai". Pouco antes de morrer, minado pela depressão e o alcoolismo, Deusdete também levou o filho à base militar de Xambioá e mostrou o local em que "estariam enterradas cabeças, perto de uma palmeira tucum". Tempos depois, já com o marido e o filho morto, Madalena "soube por outros camponeses que saíram da prisão que houve uma tentativa de fuga de Zé da Madalena" e ,quando consegiram prendê-lo novamente, "os maus tratos e as torturas aumentaram, até que um determinado dia foi retirado por militares do buraco, levado para o lugar aonde os presos eram torturados". "Que do referido buraco, os presos ouviram as pancadas e gritos até que ocorreu o disparo de uma arma e o sr. José nunca mais foi visto", prossegue o depoimento. Dona Madalena "soube também pelos camponeses presos o que ocorreu com o seu filho (Deusdete). Que além de forçado a bater nos presos, Deusdete cortou a cabeça de seu pai". Esse seria o motivo, diz ela no testemunho, do descontrole emocional do filho, que o teria levado a beber até morrer. ============================================================================================================= FICHA Pedro Carretel Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Pedro Carretel Atividade: Camponês Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/1/1974 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111102/ea8fefc6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111102/37e82d36/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 72344 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111102/37e82d36/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 3 18:20:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 3 Nov 2011 18:20:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_FLORES_PARA_O_COMANDANTE_CARLOS_M?= =?iso-8859-1?q?ARIGHELLA=2E_DIA_4_DE_NOVEMBRO_=C0S_10=2C00HS=2E_NA?= =?iso-8859-1?q?_ALAMEDA_CASA_BRANCA=2E?= Message-ID: <95298916AD414BE694691109050242BD@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem COMPANHEIROS/AS, NESSE 4 DE NOVEMBRO,COMPLETA-SE 42 ANOS, QUE O COMANDANTE CARLOS MARIGHELLA, FOI ASSASSINADO PELA DITADURA MILITAR. PORTANTO ESTAMOS CONVOCANDO TODOS/AS PARA PARTICIPAREM DESSE ATO. SOLICITAMOS QUE TODOS OS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS AJUDEM NA MOBILIZAÇÃO E QUE TAMBÉM TRAGAM UM RAMALHETE DE FLORES QUE SERÁ COLOCADO NO LOCAL; DATA; 4 DE NOVEMBRO LOCAL; ALAMEDA CASA BRANCA, ALTURA DO NÚMERO 800 - SÃO PAULO - CAPITAL HORÁRIO; DAS 10 HORAS ÀS 12 HORAS. ======================================================================================== À partir de manhã, durante os dias 4, 5 e 6 de novembro, a Carta O Berro, estará publicando texto sobre a vida e obras de Carlos Mariguella, assim como vídeos (diversos), o filme Batismo de Sangue e mais, na série "PARA NÃO ESQUECER JAMAIS" ======================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111103/aadbec86/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3776 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111103/aadbec86/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 3 18:20:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 3 Nov 2011 18:20:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Video_document=E1rio_-_A_Liberdad?= =?iso-8859-1?q?e_n=E3o_=E9_gratuita=2E?= Message-ID: <7D66BE406A2140D2867525953C3B729B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Fernanda Tardin To: castorphoto at gmail.com Documentário: "A Liberdade não é gratuita"... ou "Let's make money" clique http://www.youtube.com/embed/dFtijO8qM6A Saudações "Ou Brilhamos Todos Ou Não Brilha Ninguem". http://conscienciapoliticarazaosocial.blogspot.com/ Blog de Visibilidade de debates da Sociedade ORGANIZADA que discute com politicos UM NOVO ES É POSSIVEL, Divulgue-nos, Juntos Somos Fortes http://conscienciapoliticarazaosocial.blogspot.com/ Somos a base da piramide, 180 milhoes de brasileiro, porque sUstentar um Topo que nos oprime?" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111103/3c2b65d2/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111103/3c2b65d2/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 4 19:51:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 4 Nov 2011 19:51:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CARLOS_MARIGHELLA_=281911-1969=29____?= =?iso-8859-1?q?____________________=28_1=BA_Parte_=29_____________?= =?iso-8859-1?q?_________________-CCXCI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem CARLOS MARIGHELLA (1911-1969) Filiação: Maria Rita do Nascimento Marighella e Carlos Augusto Marighella Data e local de nascimento: 05/12/1911, Salvador (BA) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 04/11/1969, São Paulo (SP) Líder da ALN e considerado inimigo número 1 do regime militar em 1969, foi atingido na aorta por uma bala disparada quase à queimaroupa, e não por projéteis desferidos à distância em um tiroteio, como alegaram os órgãos de segurança. Entre estas e outras evidências inquestionáveis, um parecer médico legal confirmou: o corpo de Marighella não poderia estar na posição em que se encontrava nas fotos, dentro do carro, caso a versão oficial correspondesse à realidade. Carlos Marighella era um dirigente comunista conhecido nacionalmente há três décadas e vivia na clandestinidade quando foi morto, em São Paulo, no dia 04/11/1969. Baiano de Salvador, filho de um imigrante italiano e de uma negra descendente de escravos, rebelde desde os tempos em que estudava Engenharia, passou por diversas prisões desde 1932, quando, recém-filiado à Juventude do Partido Comunista, escreveu um poema criticando o interventor de Getúlio Vargas na Bahia, Juracy Magalhães. Preso novamente em 1936, foi torturado durante 23 dias. Solto por decisão do ministro Macedo Soares em 1937, voltou às masmorras de Filinto Muller em 1939, derrotando novamente os seus torturadores. Foi libertado em 1945, depois de anos nos cárceres de Fernando de Noronha e da Ilha Grande. Na CPI que investigou as violências praticadas durante a ditadura de Vargas, o médico Nilo Rodrigues afirmou nunca antes ter presenciado tamanha resistência a maus tratos e tanta bravura. Foi eleito deputado pelo Partido Comunista à Assembléia Constituinte de 1946, ocupando a tribuna 195 vezes em apenas dois anos para fazer inflamados discursos. Perdeu o mandato quando foi cassado o registro legal do Partido, no governo Dutra, sendo impelido à militância clandestina até sua morte. Logo após abril de 1964, foi ferido a bala quando tentou resistir à prisão pela polícia política do Rio de Janeiro, num cinema da Tijuca. Em 1967, rompeu com a direção do PCB e passou a dedicar-se a atividades de resistência armada, criando uma organização político-militar que em 1969 adotaria o nome ALN. Morreu em uma via pública de São Paulo, durante emboscada de proporções cinematográficas, na qual teriam participado cerca de 150 agentes policiais equipados com armamento pesado, sob o comando de Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DOPS que respondeu a inúmeros processos por liderar um grupo de extermínio de marginais, auto-intitulado Esquadrão da Morte. A gigantesca operação foi montada a partir da prisão de religiosos dominicanos que atuavam como apoio a Marighella. Na versão oficial, um deles foi levado pelos policiais à livraria Duas Cidades, onde recebeu ligação telefônica com mensagem cifrada estabelecendo horário e local de encontro na alameda Casa Branca. As versões de sua morte guardam contradições e alimentam agudas polêmicas. Em algumas delas, chegam a ser mencionados dois tiroteios simultâneos, em esquinas diferentes. Na versão de um relatório policial, Marighella foi precedido por um batedor e apareceu disfarçado, usando peruca. Alguns documentos mencionam que ele chegou de carro, outros dizem que chegou andando. Para uns, puxou uma arma da cintura; segundo outros, trazia dois revólveres em uma pasta, junto com granadas. Seus protetores teriam fugido pulando um muro ou utilizando um furgão. Existe até mesmo um relato de que ele teria provocado sua própria execução, gritando "Abaixo a ditadura! Viva a democracia!". Carlos Marighella foi enterrado sem atestado de óbito. O sepultamento baseou-se em um ofício com seus dados pessoais, fornecido pelos órgãos de repressão. Além disso, existe apenas uma guia policial assinada pelo legista Harry Shibata, médico que alcançaria notoriedade em 1975, ao assinar um laudo farsante sobre a suposta morte por suicídio de Vladimir Herzog. A precariedade de documentos, o confronto das versões, contradições e inverdades flagrantes constituíram o foco do trabalho da CEMDP e a base para julgar se Carlos Marighella tinha morrido num enfrentamento ou se tinha sido executado. O relatório final apoiou-se, inclusive, em documentos do DOPS e da Secretaria de Segurança Pública. O processo teve um pedido de vistas por parte do general Oswaldo Pereira Gomes, representante das Forças Armadas na Comissão Especial, mas acabou sendo deferido em setembro de 1996. Fato inegável é que o local da ocorrência não foi devidamente preservado ou não houve a necessária perícia, pois inexistiam fotografias e exames dos objetos que comprovariam a tentativa de reação do emboscado. A suposta pasta e a arma do guerrilheiro apareceram no Instituto Criminal de Balística 22 dias depois. Embora cientes da impossibilidade de recompor plenamente os fatos, passados tantos anos, membros da CEMDP solicitaram parecer do médico legista Nelson Massini, que forneceu elementos conclusivos para afastar a possibilidade de Marighella ter sucumbido em uma troca de tiros. Uma das informações decisivas no parecer do médico é a de que o líder da ALN foi morto com "um disparo fatal no tórax esquerdo dado com uma arma a curtíssima distância". Além disso, segundo o perito, o local não foi devidamente preservado pela polícia. Após analisar a foto do militante morto, o perito concluiu: "A posição do cadáver não é natural e sim forçada, revelando claramente que o corpo foi colocado no banco traseiro do veículo. Esta informação é baseada nos sinais de tracionamento do corpo para dentro do veículo, revelado pelas rugas da calça e seu abaixamento da cintura, bem como a elevação da camisa, indicando que o corpo foi puxado pela mesma (...) o corpo jamais teria caído para dentro do veículo na posição em que se encontrava (...)". O laudo revela, ainda, incompatibilidade entre os ferimentos sofridos por Marighella e as perfurações encontradas no veículo. "Os projéteis que atingiram o corpo do senhor Carlos Marighella não tem correspondente na lateral do veículo por ele utilizado". Ele se referia aos tiros que atingiram ambos os músculos glúteos. Como a vítima se encontrava sentada, deveriam existir pelo menos os furos correspondentes de entrada do projétil na lateral direita do veículo. Também não há perfuração correspondente do lado esquerdo, onde ele foi atingido na coxa. Ao final de consistentes ponderações, derivadas da análise das contradições detectadas e do parecer de Nelson Massini, o relator do processo na CEMDP justificou seu voto favorável concluindo: "A morte de Carlos Marighella não corresponde à versão oficial divulgada na época pelos agentes policias. Os indícios apontam para a não ocorrência do tiroteio entre a polícia e seus supostos seguranças e indicam, também, que ele não morreu na posição em que o cadáver foi exibido para a imprensa. Carlos Marighella, afirma o parecer médico legal (...) foi morto com um tiro à curta distância depois de ter sido alvejado pelos policiais, quando já se encontrava sob seu domínio, e, portanto, sem condições de reagir. Confirma-se, assim (...), que a operação policial extrapolou o objetivo legítimo de prendê-lo (...)". ================================================================================================================================ + Informações. CARLOS MARIGHELLA Fundador e dirigente nacional da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Depoimento de Clara Charf e editores de "Escritos de Carlos Marighela", Editorial Livramento, 1979: "O comandante Carlos Marighella dedicou toda sua vida à causa da libertação dos povos. Com quarenta anos de militância, iniciada no Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi assassinado pela ditadura militar em 1969, aos 57 anos. Filho de negra e imigrante italiano, Augusto Marighella e Marialva Nascimento Marighella, nasceu em Salvador, Bahia, a 5 de dezembro de 1911. Ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e começou a militar no PCB. Conheceu a prisão em 1932. Poeta, pagou com a liberdade poema crítico dedicado ao interventor Juracy Magalhães. A militância levou-o a interromper os estudos universitários no terceiro ano. AS TORTURAS Em 1935 mudou-se para o Rio. Já fazia parte da Comissão Especial do Comitê Central e era o responsável por todo o trabalho de imprensa e divulgação do Partido. A 1° de Maio de 1936 era novamente preso. Durante 23 dias enfrentou as torturas da Polícia Especial de Filinto Müller. Um ano depois foi libertado e mudouse para São Paulo. Com 26 anos tornava-se membro do Comitê Estadual de São Paulo. Sua atividade política, então, se concentrava em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários paulistas, duramente atingidos pela repressão e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio. Em 1939 voltou aos cárceres. Diante das torturas, renovou seu exemplo de resistência e determinação. O revolucionário, testado diante da violência dos interrogatórios, foi agora submetido a outro tipo de tortura: o cárcere prolongado, o isolamento na ilha de Fernando de Noronha. Sua terceira prisão durou seis anos. Mas não conseguiu abater seu ânimo. Trabalhou duro na educação cultural e política de seus companheiros de cárcere. CONSTITUINTE DE 46 Em 1945, conquistada a anistia, voltou à liberdade. Sua capacidade de organização e liderança e seu prestígio público o elegeram deputado à Assembléia Nacional Constituinte de 1946. Representando o Estado da Bahia, proferiu em menos de dois anos 195 discursos, denúncias das condições de vida do povo, da crescente penetração imperialista no país e em defesa de aspirações operárias. A legalidade democrática e a liberdade partidária duraram pouco. Em 1948, cassado, voltou à clandestinidade. Desta vez pelo resto da vida. As restrições de segurança, no entanto, não o impediram de participar ativamente de todas as lutas políticas da década de 50: a defesa do monopólio estatal do petróleo, contra o envio de soldados brasileiros à Coréia, contra a desnacionalização do ensino e de toda a economia. Em 1952 passou a integrar a Comissão Executiva do Comitê Central, e, no ano seguinte, foi enviado à China. Durante mais de um ano estudou a experiência da Revolução Chinesa. TEORIA E ROMPIMENTO No Brasil suas atenções cada vez mais se voltaram para o campo. Em 1958, o n° 1 da revista 'Estudos Sociais' publicou um ensaio de Marighella intitulado 'Alguns Aspectos da Renda da Terra no Brasil'. Neste trabalho ele deu uma significativa contribuição ao estudo da questão agrária em nosso País, particularmente em relação às culturas do café, cana de açúcar e algodão. O início da ruptura de Marighella com a ortodoxia do PCB se manifestou a partir de 1962. Por ocasião da renúncia de Jânio Quadros ele teceu duras críticas à postura do Partido. O golpe militar de 1964 também é um marco neste distanciamento. A esquerda de modo geral, e o PCB, principalmente, estavam completamente despreparados para a resistência. Marighella aprofundou suas críticas à orientação oficial do Partido. Poucas semanas após o golpe, no dia 9 de maio, foi localizado num cinema da Tijuca, no Rio, e preso. Embora baleado, à queima-roupa, repetiu a postura de altivez das prisões anteriores. Fez de sua defesa um ataque aos crimes da ditadura. A mobilização política forçou os generais a aceitarem a concessão de um habeas-corpus que novamente lhe deu a liberdade. O episódio resultou em um pequeno livro 'Porque resisti à prisão'. Escrito em 18 capítulos, os 12 primeiros são um relato minucioso do fato. Os seis últimos, no entanto, são pura lenha na fogueira da luta interna então em curso dentro do PCB. Em 1966 escreveu 'A Crise Brasileira', uma importante contribuição teórica. Ali, o dirigente analisou a fundo a sociedade brasileira e denunciou as ilusões do PCB quanto aos processos eleitorais e sua política de alianças com a burguesia. Neste documento, ele destaca a importância do trabalho junto aos operários e camponeses e a necessidade da luta armada popular como caminho para a derrubada da ditadura e para a instalação de um Governo Popular Revolucionário. Marighella caminhava rapidamente para uma ruptura definitiva com a direção do PCB. Em dezembro do mesmo ano apresentou sua carta-renúncia à Comissão Executiva do PCB, mas permaneceu à frente do Comitê Estadual de São Paulo. Em outros documentos, de meados de 1967 ('Crítica às Teses do Comitê Central' e 'Ecletismo e Marxismo') o dirigente contrapôs-se ao conjunto de teses baixado pela direção partidária em preparação ao VI Congresso. EM HAVANA Seu passo seguinte, em aberta desobediência à direção do PCB, resultou em rompimento definitivo com o Partido. Em agosto de 1967, os comunistas cubanos promoveram em Havana a 1ª Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS). Ao lado de revolucionários de todo o continente, entre eles Chê Guevara, Marighella empunha a bandeira da luta armada como caminho da libertação dos povos da América Latina. Expulso do PCB, ainda em Cuba, publicou 'Algumas Questões sobre a Guerrilha no Brasil' onde declara sua adesão às teses da OLAS, mas rebate a teoria do 'foco guerrilheiro' amplamente difundida entre os revolucionários latinoamericanos. Para ele a luta armada no Brasil tomaria necessariamente contornos próprios. A rebeldia de Marighella repercutiu profundamente dentro do PCB. Dos 37 delegados, escolhidos como representantes das bases do PCB em São Paulo à Conferência Estadual realizada em maio de 1967, em Campinas, nada menos de 33 se alinharam às teses defendidas por ele. A maior parte das bases operárias e o setor estudantil do Partido romperam com o Comitê Central e se aproximaram de Marighella, enquanto em outros estados outras dissidências se processaram. SURGIMENTO DA ALN Em fevereiro de 1968, em documento intitulado 'Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo', Marighella expôs os motivos do rompimento com o PCB e anunciou o surgimento de uma organização disposta a dar início imediatamente às ações políticas armadas. A organização foi batizada de ALN - Ação Libertadora Nacional - com a intenção de resgatar o espírito revolucionário da ANL - Aliança Nacional Libertadora - responsável pela Insurreição Armada de novembro de 1935, comandada por Luís Carlos Prestes. Com sua presença pessoal, e sob seu comando e de Joaquim Câmara Ferreira a ALN deflagrou, já em 1968, as primeiras operações de guerrilha urbana no Brasil. A resistência armada à ditadura, que teve em Marighella uma de suas mais importantes lideranças, rapidamente se espraiou por todo o País. Jovens e velhos militantes abraçaram com entusiasmo esse exemplo de rebeldia. Os revolucionários brasileiros, naquele final de década, irmanavam-se ao espírito de rebelião que incendiava toda a América Latina e alimentava as lutas de libertação anticolonialistas na Indochina e na África. Ameaçados pelo potencial de explosão dos problemas sociais brasileiros, os generais fascistas revelaram novamente suas garras reagindo com o terror e a tortura. Na noite de 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella foi surpreendido por uma emboscada na Alameda Casa Branca, em São Paulo. A EMBOSCADA Marighella estava sozinho. Sequer teve tempo de empunhar a arma que trazia dentro da pasta. A fuzilaria desferida pelos policiais comandados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury fez duas outras vítimas fatais: o dentista Friederich Adolph Rohmann e a própria agente policial Stela Borges Morato. O "violento tiroteio" referido na nota oficial que comunicou sua morte não passou de uma desordenada troca de tiros entre os próprios policiais. O laudo da necrópsia foi assinado pelo médico legista Harry Shibata, do IML/SP. Também participaram do assassinato de Marighella os delegados Raul Ferreira, Rubens Tucunduva, Ivahir de Freitas Garcia (ex-deputado), Edsel Magnotti, Firminiano Pacheco, Roberto Guimarães e um último conhecido pelo nome de Rosseti. Enterrado como indigente no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, seus restos mortais foram trasladados para a Bahia em 1980. HERANÇA A morte de Marighella, no entanto, não significou o fim da ALN. Câmara Ferreira e outros companheiros levariam a ALN adiante. Do revolucionário baiano ficaram as idéias e o testemunho de uma vida dedicada inteiramente à luta pela libertação nacional e pela causa do socialismo. Depoimento dos editores de 'Escritos de Carlos Marighella', de dezembro de 1979, dez anos após sua morte, apontava a figura deste revolucionário como ainda 'envolta por paixões que vão do ódio declarado à veneração acrítica'. Só no futuro, advertem eles, 'será possível compreender com mais objetividade seu papel, da mesma forma que, é lícito lembrar, figuras históricas como Tiradentes e Frei Caneca não foram compreendidas no seu tempo, em sua magnitude exata." ============================================================================== + Informações. ALN - Ação Libertadora Nacional A ALN foi a organização de maior expressão e contingente entre os grupos que deflagraram ações de guerrilha urbana no período 68/73. Nasceu como cisão do PCB entre 1967 e 1968 e sua história está indissoluvelmente ligada ao nome de Carlos Marighella, antigo dirigente do PCB e possivelmente a liderança de maior carisma naquele partido fora Luís Carlos Prestes. A cisão que deu origem a ALN pode ser narrada pela própria trajetória de Marighella. Logo após o Golpe de 1964, esse dirigente comunista foi preso no Rio de Janeiro e baleado quando tentava resistir à prisão, mesmo desarmado. No ano seguinte escreveu "Porque resistir à prisão", onde transparecem alguns questionamentos que levantava no interior da direção do PCB. Marighella considerava que o partido tinha se revelado despreparado para a luta quando da crise de agosto de 1961, em que a renúncia do presidente Jânio Quadros jogara o país na beira de uma guerra civil e a resistência ao golpismo da direita fora dirigida por Brizola e setores nacionalistas, enquanto o PCB se mantivera apático e desnorteado. O despreparo se manifestara novamente, em abril de 1964. Tratava-se, portanto, de realizar a autocrítica de toda uma política sustentada pelo PCB naquele período, que classificou como sendo de "subordinação a burguesia". Argumenta que o papel de uma classe é definido pelo seu setor fundamental e que, no Brasil, o setor fundamental da burguesia estava vinculado a grupos multinacionais, sendo, portanto inimigo de qualquer revolução popular. Propõe deslocar para a área rural o eixo central das preocupações organizativas do partido, trocando o binômio da aliança burguesia-proletariado para proletariado-campesinato. Por fim, considera necessário superar o pacifismo do PCB e desenvolver uma teoria revolucionaria para o Brasil, tirando o marxismo do "esclerosamento" em que se encontrava no país. No final de 1966 Marighella se desliga da Comissão Executiva do PCB e já no início de 1967 lidera a Conferência Estadual do partido em São Paulo, que se posiciona contra as teses encaminhadas pelo Comitê Central em preparação ao VI Congresso. Passo seguinte rumo à constituição da ALN foi sua viagem a Havana, onde participou, em julho e agosto de 1967, da assembléia da Organização Latino Americana de Solidariedade - OLAS - que reuniu setores da esquerda e grupos guerrilheiros de todo o continente, numa tentativa de articular um plano de ação revolucionária que reeditasse, em certa medida, a experiência de Bolívar na Guerra da Independência. Em Cuba, Marighella produz uma série de textos e cartas onde lança as idéias básicas que orientariam sua trajetória e da própria ALN. Além da crítica à visão do PCB sobre o papel da burguesia no processo revolucionário brasileiro, declara a necessidade de passar imediatamente a luta armada. Nesse momento, se afasta de outros setores dissidentes do PCB e timbra um caminho próprio quando rejeita a idéia de construir um novo partido. "A ação faz a vanguarda", torna-se lema central da organização e a ALN começa a surgir com uma estruturação orgânica pouco precisa, sem uma direção coletiva, adotando a "autonomia tática dos grupos armados", sob a consigna de que ninguém precisa pedir licença a ninguém para fazer a Revolução. Em fevereiro de 1968 é lançado o jornal oficial da ALN, com o nome de O Guerrilheiro, embora a denominação Ação Libertadora Nacional viesse a se estabelecer apenas em 1969. Esse jornal aparecia en tão sob a chancela do "Agrupamento Comunista de São Paulo" mais conhecido como "Ala Marighella". É nesse mesmo ano, marcado por intensas lutas estudantis nas ruas de todas as capitais brasileiras, que a ALN desencadeia suas primeiras ações armadas, exercendo atração sobre contingentes expressivos de militantes, especialmente no meio estudantil, e conquista em pouco tempo envergadura nacional. Em setembro, de 1969, a ALN ganha visibilidade nacional e internacional quando executa, conjuntamente com o MR-8, o seqüestro do embaixador norte-americano no Brasil, cujo resgate foi a libertação de 15 prisioneiros políticos e a divulgação de um manifesto revolucionário pelos principais meios de comunicação do país. A escalada repressiva, redobrada após o seqüestro, terminou por atingir o próprio Marighella, que foi morto em 4 de novembro, em São Paulo, numa emboscada comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, num rumoroso episódio que envolveu, no noticiário sensacionalista encomendado pelos órgãos de repressão, o nome de vários religiosos dominicanos apontados como membros da ALN. A sua morte abalou a capacidade de ação da ALN e a inexistência de uma direção colegiada só não foi mais danosa à sobrevivência do grupo porque o comando pessoal de Marighella já era notoriamente acompanhado de perto pela liderança de Joaquim Câmara Ferreira, o "Toledo", também antigo dirigente do PCB. Quando, no início de 1970, Câmara Ferreira passou a desenvolver um trabalho de reorganização da ALN, cerca de mil militantes e simpatizantes da organização já tinham sido detidos, especialmente em São Paulo. Procura-se estabelecer uma estruturação orgânica melhor definida e coloca-se ênfase na implementação de uma "Frente Revolucionaria" com as demais organizações voltadas para a guerrilha urbana, que ficaria conhecida como "Frente Armada". Em todo o ano de 1970 as prisões efetuadas pelos órgãos de repressão continuam atingindo a ALN. O próprio "Toledo" é localizado na noite de 23 de outubro, seqüestrado e morto sob torturas. A partir de então a ALN vai se ressentir da inexperiência das direções que se sucedem com as continuas prisões, incapazes de levar a termo um balanço auto-crítico que volta e meia se insinuava nas fileiras da organização. Começa a ser perceptível o isolamento político da luta armada, há carência de quadros e o trabalho político é insuficiente para repor a hemorragia de militantes atingidos pela repressão. Em novembro de 1970 sai o numero dois de O Guerrilheiro, dois anos após o primeiro número, e a partir de 1971 é retomada com regularidade a publicação desse jornal. Entre 1971 e 1972 foi produzido também um jornal destinado à distribuição mais ampla, contendo propaganda das ações executadas: o Venceremos. Documentos políticos de 1973 revelam um recuo em direção ao trabalho de massa, como tentativa de romper o circulo vicioso das operações armadas para manutenção da estrutura clandestina do grupo, que por sua vez existia basicamente para o desencadeamento daquelas ações. A incapacidade de estancar as seqüências de prisões e a ferocidade redobrada com que a repressão se lançou á perseguição desse grupo após ele ter fuzilado alguns das forças repressivas acabariam comprometendo a sobrevivência da ALN. Entre abril e maio de 1974 ocorre um derradeiro fluxo de prisões que desarticula a última direção desse grupo. ============================================================================================================================ + Informações. CARLOS MARIGHELLA Eleito deputado federal pelo PCB da Bahia em 2 de dezembro de 1945, com 5.188 votos, Marighella quis instruir-se em Direito Constitucional para atuar com desenvoltura na Assembléia Constituinte. Paulo Mercadante cedeu-lhe livros jurídicos, sendo Comentários à Constituição de 1891, de João Barbalho, o volume que mais apreciou. Bom orador, Marighella distinguiu-se como um dos autores do capítulo sobre direitos e garantias individuais da nova Constituição. Em dois anos de mandato, proferiu 195 discursos, denunciando as más condições de vida do povo e a crescente penetração imperialista no país. Defendeu a reforma agrária, a liberdade de culto religioso, o ensino leigo e o divórcio. Na moldura da guerra fria, o obscurantismo prevaleceu e, sob fogo cruzado do governo Dutra, o PCB teve seu registro suspenso em maio de 1947. Os mandatos de seus parlamentares foram cassados em 7 de janeiro de 1948. Quando o presidente da sessão comunicou ao plenário a decisão, a bancada do PCB, comandada por Marighella, subiu nas poltronas do Palácio Tiradentes e, de punhos erguidos em sinal de protesto, começou a gritar uníssona: "Nós voltaremos! Viva o PCB! Viva o proletariado!" A Juventude Comunista foi declarada ilegal, sedes do PCB fechadas, 143 sindicatos colocados sob intervenção e jornais comunistas empastelados à luz do dia. Meses após, sob rigorosa clandestinidade, Marighella assumiu a direção do Comitê Estadual de São Paulo. Continuou à frente da revista Problemas, que propagava aqui, como os demais periódicos do PCB, as teses dogmáticas do realismo socialista e as prédicas político-ideológicas de Moscou. Em 1952, aos 41 anos, casado com Clara Charf, Carlos Marighella chegou à Comissão Executiva e ao Secretariado Nacional - órgãos máximos do partido. O PCB vivia um momento turbulento. Acuado, radicalizara sua plataforma no Manifesto de Agosto, de 1950, abandonando a política de frente democrática para pregar a luta armada, a ser liderada por um exército de libertação nacional. A orientação sectária levou os comunistas a pregarem o voto em branco na eleição presidencial que reconduziu, pela vontade popular, Getúlio Vargas ao Palácio do Catete. Marighella endossou o Manifesto e, por extensão, o esquerdismo que isolaria o PCB das massas. No diário que mantinha à época, Paulo Mercadante anotou: "Carlos, conosco sentado, expunha a tese de que o partido, na linha justa que atendia aos interesses do povo, iria mobilizar, em progressão crescente, todas as classes exploradas, a fim de provocar, afinal, o salto necessário à tomada do poder. Carlos era sereno e sincero em suas exposições. Mesmo nelas não acreditando piamente, mantinha-se firme, sempre atribuindo às debilidades de sua origem burguesa a dúvida porventura existente". Como membro da Executiva, ele chefiou a primeira delegação de comunistas brasileiros à China, em 1952. Apesar de estar com prisão preventiva decretada, acusado de "subversão", Marighella participou das lutas políticas e sociais dos anos 50, sobretudo a partir de 1952, quando começou a declinar a obediência ao Manifesto de Agosto. Carlos ajudou a organizar greves operárias em São Paulo e liderou a passeata de cem mil pessoas em protesto contra a carestia, em 1953. Clamou pelo monopólio estatal do petróleo; opôs-se ao envio de soldados brasileiros à Coréia; e combateu a desnacionalização da economia e a privatização do ensino. Foi uma das vozes influentes para que o PCB abandonasse, no IV Congresso, em novembro de 1954, o radicalismo estéril e voltasse a valorizar alianças eleitorais com os trabalhistas. O XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1956, abalou o mundo com as denúncias dos crimes praticados por Josef Stalin. "Marighella tomou o Relatório Kruschev como se fosse uma punhalada de Stalin. Vi-o chorar de raiva e indignação", rememora Paulo Mercadante. "Ao contrário da maioria dos membros do Comitê Central, Carlos acatou o veredicto de Kruschev, descartando a versão de que o relatório era falso ou uma simples provocação." Marighella permaneceu no PCB, tendo sido relacionado, juntamente com o secretário-geral, Luiz Carlos Prestes, entre os dirigentes que se opuseram a um debate interno mais prolongado sobre os rumos do partido. A crise resultou no desligamento da facção ligada a Agildo Barata e de vários intelectuais. A fidelidade de Marighella levou Prestes a confiar-lhe uma tarefa crucial. Entregou-lhe uma pilha de cartas endereçadas a amigos nos estados, solicitando contribuições financeiras para quitar uma dívida de um milhão e quinhentos mil cruzeiros, contraída em empréstimos feitos pelo setor de finanças do partido. Marighella cumpriu a missão, e a dívida foi liquidada. Em março de 1958, Marighella apoiou a Declaração Política que fundamentaria a mudança programática aprovada no V Congresso, em 1960. Os comunistas propugnavam agora por "um governo nacionalista e democrático", recomendando à classe operária "aliar-se à burguesia ligada aos interesses nacionais". O caráter da revolução brasileira, dizia o documento, era antiimperialista e antifeudal, nacional e democrático. Adotava-se a via pacífica para o socialismo, através da formação de uma "frente única nacionalista e democrática", integrada pelo proletariado, o campesinato, a pequena-burguesia e até setores de "latifundiários em contradição com o imperialismo norte-americano". Marighella ficou com Prestes e a maioria da Executiva quando do racha que resultou na fundação do Partido Comunista do Brasil (PC do B), em 1962. A convivência na direção do PCB, porém, deixou de ser harmoniosa. Marighella e Mário Alves questionavam a política de aliança das forças progressistas com a burguesia nacional. Também não viam com bons olhos a relação de Luiz Carlos Prestes com o presidente Goulart, entendendo que o partido se punha a reboque de posições reformistas. Na perspectiva de Marighella, o partido deveria renunciar à moderação excessiva e intensificar a pressão pelas reformas de base. Reiterava a necessidade de os comunistas se prepararem para a eventualidade de um golpe de Estado, em função do agravamento do quadro político-institucional. O golpe militar veio em 31 de março de 1964. Marighella e demais líderes do PCB tiveram os direitos políticos suspensos por dez anos e foram indiciados em Inquéritos Policiais Militares. Carlos fugiu com a família minutos antes de seu apartamento alugado na Rua Corrêa Dutra, no Flamengo, ser invadido pelo DOPS. Ali, Carlos e Clara moraram legalmente durante os governos de Juscelino Kubitschek e João Goulart. Nos 21 anos em que estiveram juntos, foi o único período em que puderam conviver à luz do dia, com endereço e telefone conhecidos. Em 9 de maio de 1964, agentes do DOPS seguiram Marighella até um cinema da Tijuca, zona norte do Rio, que exibia o filme Rififi no safári. As luzes do salão acenderam-se e Marighella resistiu à voz de prisão gritando: "Abaixo a ditadura militar fascista! Viva a democracia! Viva o Partido Comunista!". Ferido à bala no peito, passou dois meses na cadeia, incomunicável, sendo exaustivamente interrogado até a concessão do habeas-corpus, impetrado pelo advogado Sobral Pinto. Teve que voltar à clandestinidade, em virtude da decretação de sua prisão preventiva pela Justiça Militar de São Paulo. Menos de um ano depois, Marighella publicou Por que resisti à prisão. Os 18 capítulos englobam relatos autobiográficos, uma minuciosa descrição de sua prisão em 1964, denúncias de agressões a políticos, intelectuais e líderes sindicais, e uma avaliação sobre as conseqüências sombrias do golpe. Na parte polêmica do livro, expôs seu desacordo com o caminho pacífico para a revolução no Brasil. Apontou erros cometidos pelo PCB que teriam contribuído para o imobilismo das forças populares diante da queda de Jango. Considerou equívocos graves a política de conciliação com a burguesia ("a tendência da burguesia é para a capitulação sem resistência ante a direita"), a débil penetração no campo, o desprezo pela classe média, a subestimação do trabalho de base, o insuficiente empenho na formação política do proletariado e a confiança exagerada no dispositivo militar do presidente deposto. Em 20 anos, o cenário alterara-se dramaticamente. Se no pós-guerra de 1945 a atmosfera de euforia com a liberdade e de esperanças no socialismo convencera Marighella a sustentar que "os golpes armados, a desordem, a violência não ajudarão a marcha da democracia para a frente", o contexto político de 1964 lhe parecia irremediavelmente cinzento e hostil. "Nenhuma possibilidade legal pode ser desprezada [...], mas é evidente que a solução do problema brasileiro por uma via pacífica se distanciou enormemente da realidade, depois do emprego da violência pelos inimigos do povo." Numa opção que geraria controvérsias dentro do PCB, ele passou a pregar a resistência armada como pressuposto para o fortalecimento da oposição à ditadura: "A realidade socioeconômica brasileira poderá levar ao aparecimento de guerrilhas e outras formas de luta surgidas da experiência das massas." Citou a Revolução Cubana como "exemplo ilustrativo de que na América Latina - ou pelo menos em muitos países latino-americanos - nada há a esperar de uma via pacífica para a conquista da independência ou do progresso social". As teses de Por que resisti à prisão, em linhas gerais compartilhadas por Mário Alves, Apolônio de Carvalho e Jacob Gorender, foram derrotadas em reunião do Comitê Central do partido. A divisão tornava-se nítida: de um lado, o grupo de Marighella em oposição ao pacifismo; de outro, Prestes e a maioria do CC, que reafirmavam os postulados do V Congresso, deles partindo para elaborar uma tática frente ao novo quadro político. No ensaio "A crise brasileira", de 1966, Marighella demarcou o campo que poderia ser explorado com a guerrilha: "O Brasil é um país cercado pela atual ditadura militar entreguista e pelos círculos dirigentes norte-americanos, a cujo serviço se encontram os traidores que empolgaram o poder. Dentro das condições desse cerco, a guerrilha brasileira - com seu conteúdo nitidamente político - não pode deixar de significar um protesto, uma referência para a elevação da luta do nosso povo. [...] Ninguém espera que a guerrilha seja o sinal para o levante popular ou para a súbita proliferação de focos insurrecionais. A guerrilha será o estímulo para o prosseguimento da luta de resistência por toda parte. Para o aprofundamento da luta pela formação da frente única antiditatorial. Para o esforço final da luta de conjunto, de todos os brasileiros, luta que acabará pondo por terra a ditadura". Suas idéias foram mal-recebidas no PCB e, em dezembro de 1966, ele renunciou à Comissão Executiva, com a seguinte declaração: "Desejo tornar público que minha disposição é lutar revolucionariamente, junto com as massas, e jamais ficar à espera das regras do jogo político burocrático e convencional que impera na liderança." Em franca oposição à linha vigente, sustentou que "a luta pelas reformas de base não é possível pacificamente, a não ser através da tomada do poder por via revolucionária e com a conseqüente modificação da estrutura militar que serve às classes dominantes. O abandono do caminho revolucionário leva à perda de confiança no proletariado, transformado, daí então, em auxiliar da burguesia, enquanto o partido marxista passa a ser apêndice dos partidos burgueses". Marighella manteve-se, entretanto, no Comitê de São Paulo, sendo reeleito por ampla margem de votos. A controvérsia no PCB não o impediu de compilar os poemas que escrevera desde 1929 e publicá-los em dois volumes, intitulados Uma prova em versos e outros versos e Os lírios já não crescem em nossos campos. Transcrevo um deles, "O país de uma nota só": Não pretendo nada, nem flores, louvores, triunfos. nada de nada. Somente um protesto, uma brecha no muro, e fazer ecoar, com voz surda que seja, e sem outro valor, o que se esconde no peito, no fundo da alma de milhões de sufocados. Algo por onde possa filtrar o pensamento, a idéia que puseram no cárcere. A passagem subiu, o leite acabou, a criança morreu, a carne sumiu, o IPM prendeu, o DOPS torturou, o deputado cedeu, a linha dura vetou, a censura proibiu, o governo entregou, o desemprego cresceu, a carestia aumentou, o Nordeste encolheu, o país resvalou. Tudo dó, tudo dó, tudo dó... E em todo o país repercute o tom de uma nota só... de uma nota só... Mesmo desautorizado pelo Comitê Central, Marighella viajou com passaporte falso para Havana, onde, de 31 de julho a 10 de agosto de 1967, participou da 1ª Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (Olas). O evento reuniu dirigentes revolucionários de todo o Continente. Com o slogan "Um, dois, três, mil Vietnãs!", Cuba ofereceu suporte aos movimentos de libertação nacional da América Latina. Ao ter a confirmação da presença de Marighella, o Comitê Central do PCB enviou telegrama ao PC cubano alertando que ele não estava autorizado a representar o partido na Olas e ameaçando-o de expulsão. Marighella respondeu com uma carta comunicando sua desfiliação. Encerrada a conferência, ficou alguns meses em Cuba e regressou ao Brasil com a promessa de apoio dos cubanos a um foco guerrilheiro. Em fins de novembro, o PCB formalizou a sua expulsão. O VI Congresso do PCB, realizado na clandestinidade em dezembro de 1967, aprovou resolução contra a via insurrecional. O partido conclamava os militantes a se empenharem numa ampla mobilização de massas contra o regime ditatorial. O horizonte revolucionário pressupunha uma gradual acumulação de forças e a organização da classe operária e das camadas antifascistas numa "frente democrática e popular". Em fevereiro de 1968, Marighella fundou, com Joaquim Câmara Ferreira, o Agrupamento Comunista de São Paulo. "Precisamos agora de uma organização clandestina, bem estruturada, flexível, móvel. Uma organização de vanguarda para agir, para praticar a ação revolucionária constante e diária, e não para permanecer em discussões e reuniões intermináveis", explicou Carlos. A Ação Libertadora Nacional (ALN) surgiu em julho de 1968, concebida como "embrião do exército revolucionário, a força armada do povo, a única capaz de destruir as forças armadas da reação, derrubar a ditadura e expulsar o imperialismo". A ALN rompia com a concepção de partido na tradição marxista-leninista, eliminando, nas palavras de Marighella, "o sistema complexo da direção que abrange escalões intermediários e uma cúpula numerosa, pesada e burocrática". "A ação faz a vanguarda", era o lema da ALN, bem de acordo com a série de assaltos a bancos e carros-pagadores promovidos no eixo Rio-São Paulo, alguns dos quais chefiados por Marighella. O Pequeno manual do guerrilheiro urbano, escrito e editado por Carlos em junho de 1969 e traduzido em vários idiomas, tornou-se um guia sobre técnicas de preparação de ações armadas. Com efeito, a ALN representou o primeiro racha sério na esquerda. Na fragmentação político-ideológica, despontaram organizações pró-luta armada, como o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares), Ação Popular (AP, depois Ação Popular Marxista-Leninista, APML), o PC do B e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Na ótica do PCB, o confronto com o regime militar era uma saída equivocada e voluntarista, pois não levava em conta a correlação de forças desfavorável à esquerda. Temia-se que a guerrilha fornecesse pretextos para a direita radical intensificar a repressão e aniquilar os espaços de liberdade ainda existentes, isolando de vez os comunistas. Tais argumentos não encontraram eco entre os adeptos da luta armada, cujos ímpetos para a ação frontal se orientavam pelas referências mencionadas por Daniel Aarão Reis Filho: "a da utopia do impasse, ou seja, a idéia de que o governo não tinha condições históricas de oferecer alternativas políticas ao país; e a de que as grandes massas populares, desiludidas com os programas reformistas, tenderiam a passar para expectativas e posições radicais de enfrentamento armado, revolucionário". Dois testemunhos ajudam-nos a compor o perfil de Marighella na fase atribulada da ALN. Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz - único sobrevivente do comando militar da organização - define Marighella como "a pessoa mais especial". E justifica: "Não era um dirigente, mas um líder sem cargo." Em depoimento ao movimento Tortura Nunca Mais, João Antônio Caldas Valença, o ex-frei Maurício, que conviveu com Carlos em 1969, quando ele se entrosou com os frades dominicanos em São Paulo, destacou: Marighella tinha uma maneira de olhar muito aguda e um jeito penetrante de abordar nos diálogos com seus interlocutores. [...] Era uma pessoa extremamente educada, gentil. Ouvia muito e se mostrava muito seguro nos argumentos quando falava. Tinha uma crítica muito aguda a toda uma vida de militância no PCB e ao seu processo de saída. Tinha toda uma reflexão crítica sobre a história das lutas populares no Brasil, das quais participara desde o período da ditadura de Vargas. Tinha um conhecimento da área técnica por estar ligado, no período dos seus estudos, às ciências exatas. Era poliglota, dominava os clássicos, embora pouco falasse a respeito. Sua sensibilidade derramava em pequenos atos, por ocasião das suas visitas mais do que necessárias para o andamento da organização que dirigia, nas casas dos militantes da ALN. Lembrava do nome de cada filho do anfitrião. Tinha uma memória prodigiosa para guardar nomes e se preocupava com o desenvolvimento pessoal e a formação dos militantes. Tinha informação de cada pessoa que conhecera e guardava detalhes de conversas ou situações. Segurança era uma preocupação constante dele no que se referia à ALN. Era exigente e tinha muita clareza do que queria sobre este ponto. Mas, ao mesmo tempo em que exigia, tinha uma ousadia de estar em qualquer canto que fosse necessário da cidade de São Paulo ou Rio de Janeiro. Era visto pelos que o conheciam nos locais mais inusitados, como praças do centro destas cidades. Ele não tinha medo deste tipo de locomoção desde que dentro de princípios de segurança que ele obedecia. Segundo Valença, Marighella demonstrava "profundo respeito pelos dominicanos, sabia exatamente qual o papel do grupo de religiosos no processo de luta no Brasil, por isso respeitava sua religiosidade exposta, vivenciada várias vezes pelos frades. Chegou a estar presente em alguns atos litúrgicos, como a eucaristia, e notei nele um profundo respeito ao que estava sendo vivenciado por parte da comunidade (num colégio de freiras) em relação ao ato cristão". Entre as operações da ALN após a decretação do Ato Institucional nº 5, inclui-se o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, em parceria com o MR-8. Há versões contraditórias sobre o envolvimento de Marighella no seqüestro. Conforme Reinaldo Guarany Simões, membro da ALN, ele ficou de fora: "Marighella havia sido contra o seqüestro, pois significaria o incremento das ações urbanas, quando, na realidade, o que se buscava era o 'caminho para o campo', a maneira de como iniciar a guerrilha rural. Mas Joaquim Câmara Ferreira concordara, como sempre concordou quando se tratava de uma ação mais intrépida, que pusesse o regime em prontidão. Na época do seqüestro, Marighella estava em Goiás e só foi informado do mesmo através dos jornais". Vale lembrar que, em agosto de 1969, num folheto da ALN, Marighella advertira os mais afoitos para atos e avaliações triunfalistas no front guerrilheiro. "Alguns companheiros pensam que nossa Organização já está construída, perfeita e acabada. Tal pensamento não é correto. Nossa Organização vai se edificando à medida que a ação aparece. [...] É perigoso pensar que temos uma força que ainda não possuímos." Fernando Gabeira, então no MR-8, assevera que Marighella apoiou o seqüestro de Elbrick: "Nossas relações com a ALN eram ótimas, apesar de algumas discordâncias programáticas. O encontro foi feito com o próprio Marighella, que aceitou a proposta com entusiasmo. Tudo seria feito com a maior rapidez". Seja como for, Marighella divulgou um texto, por ocasião da libertação dos 15 presos políticos trocados por Elbrick, afirmando estar seguro de que "o povo brasileiro aprova a atitude da Ação Libertadora Nacional e dos que com ela participaram do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos. Foi esta uma das maneiras que os revolucionários brasileiros encontraram para liberar um punhado de patriotas que sofriam nas prisões do país os mais brutais castigos impostos pelos fascistas militares". A maioria dos estudos sobre Marighella assinala que, no último mês de vida, ele julgava conveniente um recuo nas ações armadas, com o propósito de resguardar a ALN em face da ofensiva brutal dos órgãos de segurança. A palavra de ordem da repressão era desmantelar a guerrilha urbana e liquidar com as organizações. Começou a haver prisões, torturas e mortes de militantes de diferentes grupos. Marighella pensava em acelerar os planos para a implantação da guerrilha rural. Viajaria para a região central do país em 9 de novembro de 1969. Na noite de 4 de novembro, Carlos foi assassinado pela polícia política, numa emboscada na Alameda Casa Branca, em São Paulo, a um mês de completar 58 anos. Sua morte e as sucessivas quedas, entre 1969 e 1971, atestaram a fragilidade da guerrilha no embate desigual com o aparato policial-militar e colocaram em foco erros cometidos pelas organizações na análise concreta da correlação de forças e na opção pela luta armada naquele momento específico da conjuntura brasileira. Paulo Mercadante encontrou Marighella pela última vez em 1967. Ao sair de um consultório dentário na esquina das ruas da Quitanda e São José, no centro do Rio, Paulo caminhava em direção à Esplanada do Castelo, quando avistou aquele homem alto, corpulento e de cabeça raspada. Os óculos escuros não foram suficientes para ocultar a fisionomia do amigo a quem não via há anos. Paulo caminhou em sua direção, Carlos reconheceu-o e abraçaram-se. Foi um contato rápido como a situação exigia - Marighella vinha sendo caçado como inimigo número um do regime. Por uma estranha coincidência, Paulo soube de sua morte exatamente no local do derradeiro encontro. Vindo do mesmo consultório dentário, o advogado parou na banca de jornais e leu, arrasado, as manchetes dos jornais sobre o desfecho do cerco policial na Alameda Casa Branca. O corpo de Marighella foi enterrado pelo DOPS, como indigente, no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. Dez anos depois, em 10 de dezembro de 1979, por ocasião da cerimônia de traslado de seus restos mortais para o Cemitério das Quintas dos Lázaros, em Salvador, Jorge Amado escreveu um comovente texto sobre o seu velho companheiro na bancada comunista na Constituinte de 1946, lido à beira do túmulo pelo ex-deputado do PCB Fernando Santana. Eis o trecho final: Atravessaste a interminável noite da mentira e do medo, da desrazão e da infâmia, e desembarcas na aurora da Bahia, trazido por mãos de amor e de amizade. [...] Tua luta foi contra a fome e a miséria, sonhavas com a fartura e a alegria, amavas a vida, o ser humano, a liberdade. Aqui estás, plantado em teu chão, e frutificarás. Não tiveste tempo para ter medo, venceste o tempo do medo e do desespero. [...] Estás em tua casa, Carlos; tua memória restaurada, límpida e pura, feita de verdade e amor. Aqui chegaste pela mão do povo. Mais vivo que nunca, Carlos. Em maio de 1996, dossiê da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, do Ministério da Justiça, contestou a versão oficial de que Marighella morrera ao reagir à ordem de prisão dada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Conforme laudo do perito Nélson Massini, ele foi assassinado covardemente com um tiro no peito, à queima-roupa, depois de ferido por quatro disparos. A mando de Fleury, agentes do DOPS o atiraram morto dentro de um Fusca, para forjar o tiroteio. Em 11 de setembro de 1996, por cinco votos a dois, a Comissão de Mortos e Desaparecidos responsabilizou oficialmente a União pela morte de Marighella. O Ministério da Justiça homologou a decisão, determinando o pagamento de indenização à viúva Clara Charf. Em 13 de dezembro de 1999, a Câmara dos Deputados fez sessão solene para lembrar os 30 anos de morte de Marighella, também evocados na exposição "Carlos Marighella 30 anos depois", que percorreu o país após uma temporada no Memorial da América Latina, em São Paulo. Marighella é nome de rua no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Porto Alegre, e de um viaduto em Belém. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mantém na antiga fazenda Cabaceiras, hoje Acampamento 26 de Março, em Marabá, no Pará, a Escola Carlos Marighella, que atende 300 estudantes matriculados no ensino fundamental e 100 alunos na educação de jovens e adultos. Inaugurada em 1973 no município de Sandino, província de Pinar del Rio, Cuba, a Escola Carlos Marighella desenvolve atividades voltadas ao trabalho agrícola. O arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Memorial Carlos Marighella, a ser construído pelo governo do estado do Rio de Janeiro no bairro proletário de Santa Bárbara, em Niterói, onde militantes comunistas costumavam reunir-se clandestinamente nos anos de chumbo. Na lápide da sepultura de Carlos, no Cemitério das Quintas dos Lázaros, Niemeyer desenhou-lhe a silhueta cravejada de balas, ao lado da frase que lhe serve de epitáfio: "Não tive tempo para ter medo". No importante ensaio "A chama que não se apaga", de 1984, Florestan Fernandes reavaliou as idéias, os atos, a perseverança, as vicissitudes, os erros e os acertos que singularizam o legado de Carlos Marighella. E concluiu: "Um homem não desaparece com a sua morte. Ao contrário, pode crescer depois dela, engrandecer-se com ela e revelar sua verdadeira estatura à distância. É o que sucede com Marighella. Ele morreu consagrado pela coragem indômita e pelo ardor revolucionário". * Dênis de Moraes é professor do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense. Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil. Dênis de Moraes - 2001 denisdemoraes[arroba]bol.com.br =================================================================================================================== Jorge Amado, para Carlos Marighella "Chegas de longa caminhada a este teu chão natal, território de tua infância e adolescência. Vens de um silêncio de dez anos, de um tempo vazio, quando houve espaço e eco apenas para a mentira e a negação. Quando te vestiram de lama e sangue, quando pretenderam te marcar com o estigma da infâmia, quando pretenderam enterrar na maldição tua memória e teu nome. Para que jamais se soubesse da verdade de tua gesta, da grandeza de tua saga, do humanismo que comandou tua vida e tua morte. Trancaram as portas e as janelas para que ninguém percebesse tua sombra erguida, nem ouvisse tua voz, teu grito de protesto. Para que não frutificasses, não pudesses ser alento e esperança. Escreveram a história pelo avesso para que ninguém soubesse que eras pão e não erva daninha, que eras vozeiro de reivindicações e não pragas, que eras poeta do povo e não algoz. Cobriram-te de infâmia para que tua presença se apagasse para sempre, nunca mais fosse lembrada, desfeita em lama. Esquartejaram tua memória, salgaram teu nome em praça pública, foste proibido em teu país e entre os teus. Dez anos inteiros, ferozes, de calúnia e ódio, na tentativa de extinguir tua verdade, para que ninguém pudesse te enxergar. De nada adiantou tanta vileza, não passou de tentativa vã e malograda, pois aqui estás inteiro e límpido. Atravessaste a interminável noite da mentira e do medo, da desrazão e da infâmia, e desembarcas na aurora da Bahia, trazido por mãos de amor e de amizade. Aqui estás e todos te reconhecem como foste e serás para sempre: incorruptível brasileiro, um moço baiano de riso jovial e coração ardente. Aqui estás entre teus amigos e entre os que são tua carne e teu sangue. Vieram te receber e conversar contigo, ouvir tua voz e sentir teu coração. Tua luta foi contra a fome e a miséria, sonhavas com a fartura e a alegria, amavas a vida, o ser humano, a liberdade. Aqui estás, plantado em teu chão e frutificarás. Não tiveste tempo para ter medo, venceste o tempo do medo e do desespero. Antonio de Castro Alves, teu irmão de sonho, te adivinhou num verso: "era o porvir em frente do passado". Estás em tua casa, Carlos; tua memória restaurada, límpida e pura, feita de verdade e amor. Aqui chegaste pela mão do povo. Mais vivo que nunca, Carlos". Texto escrito por Jorge Amado, amigo de Marighella e seu companheiro na bancada comunista da Assembléia Nacional Constituinte e na Câmara dos Deputados entre 1946 e 1948. Lido por Fernando Santana em 10 de dezembro de 1979 - Dia Universal dos Direitos do Homem - por ocasião do sepultamento dos restos mortais de Marighella no cemitério das Quintas, em Salvador. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111104/844ec3e1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3369 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111104/844ec3e1/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7170 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111104/844ec3e1/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 5 17:32:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 5 Nov 2011 17:32:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__CARLOS_MARIGHELLA_=281911-1969=29___?= =?iso-8859-1?q?_____________________=28_2=BA_Parte_=29____________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CCXCI-?= Message-ID: <331BDBC7025A4E0A8741BF1FA34CB59D@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Esta é a 2º Parte da série "PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! . São vídeos e filmes de Sílvio Tendler sobre Mariguella e, o filme Batismo de Sangue baseado no livro de Frei Betto. Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro [Parte 1] youtube.com8 mar. 2009 - 9 min - Vídeo enviado por willdepaula Parte 2 : www.youtube.com Marighella, filme do documentarista brasileiro Silvio Tendler, o documentário ... a.. Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro [Parte 3] youtube.com8 mar. 2009 - 9 min - Vídeo enviado por willdepaula Parte 4: www.youtube.com Marighella, filme do documentarista brasileiro Silvio Tendler, o documentário ... a.. Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro [Parte 2] youtube.com8 mar. 2009 - 9 min - Vídeo enviado por willdepaula Parte 3 : www.youtube.com Marighella, filme do documentarista brasileiro Silvio Tendler, o documentário ... a.. Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro [Parte 4] youtube.com8 mar. 2009 - 9 min - Vídeo enviado por willdepaula Parte 5: www.youtube.com Marighella, filme do documentarista brasileiro Silvio Tendler, o documentário ... a.. Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro [Parte 5] youtube.com8 mar. 2009 - 5 min - Vídeo enviado por willdepaula Marighella, filme do documentarista brasileiro Silvio Tendler, o documentário conta a história, as polêmicas ... ====================================================================================================================== BATISMO DE SANGUE BRASIL DÉCADA DE 60 ... youtube.com25 set. 2011 - 66 min - Vídeo enviado por lima5448 - ALN, movimento guerrilheiro comandado pelo Carlos Marighella. ... filmes war trailer movie preview new ... =================================================================================================================== CARLOS MARIGHELLA - TVZO tvzo.com.br/index.php?option=com_content&view=article...Em cache- Bloquear todos os resultados de tvzo.com.br Não foi útil? Após fazer login, você poderá bloquear os resultados de tvzo.com.br.tvzo.com.brVocê marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Documentário de Silvio Tendler sobre Marighella. ... Cassado quando o partido foi posto na ilegadade, carlos marighella foi um ... Um filme de Silvio Tendler. ... ================================================================================================================== BATISMO DE SANGUE BRASIL DÉCADA DE 60 ... youtube.com25 set. 2011 - 66 min - Vídeo enviado por lima5448 - ALN, movimento guerrilheiro comandado pelo Carlos Marighella. ... filmes war trailer movie preview new ... =================================================================================================================== (Recente, Veja nos cinemas.) Vida de Carlos Marighella vira documentário e ganha trilha de Mano Brown Dirigido pela sobrinha de Carlos Marighella, Isa Grinspum Ferraz, o documentário "Marighella" O longa retrata o militante desde sua juventude na Bahia, seus anos de militância no PCB baiano e nacional, suas prisões na Era Vargas, sua atuação como deputado constituinte, até os violentos anos de repressão militar, quando ele se torna o inimigo públi Gerais Redação - www.cartazdecinema.com.br O documentário conta com rico material iconográfico, imagens de arquivo de diversas momentos da história brasileira do século XX Dirigido pela sobrinha de Carlos Marighella, Isa Grinspum Ferraz, o documentário "Marighella" teve sua primeira exibição dentro da Première Brasil no Festival do Rio. 2011 marca o centenário de nascimento de um dos mais importantes opositores do regime militar no Brasil. "Marighella" é um dos mais complexos retratos já realizados sobre o militante baiano. O longa retrata Carlos Marighella desde sua juventude na Bahia, seus anos de militância no PCB baiano e nacional, suas prisões na Era Vargas, sua atuação como deputado constituinte, até os violentos anos de repressão militar, quando ele se torna o inimigo público número um da ditadura brasileira, a "caça mais cobiçada". Isa, sobrinha de Marighella, teve acesso a um rico material histórico para retratar a vida de seu tio. Desde documentos secretos da CIA até inéditas gravações de rádio feitas por Marighella em Cuba, nos anos 60. "Marighella" traz depoimentos da viúva do líder, Clara Charf, e de vários militantes de esquerda que lutaram a seu lado, além de outras figuras emblemáticas da resistência à opressão militar no Brasil, entre as quais o crítico e escritor Antônio Cândido. O documentário conta com rico material iconográfico, imagens de arquivo de diversas momentos da história brasileira do século XX, trechos de filmes de ficção e fotos raras da família Marighella. Seus poemas, suas histórias, seus gostos pessoais - tudo comparece para compor um quadro da complexidade desse homem que, tendo passado quase 40 anos na clandestinidade, transformou-se em um mito das esquerdas do Brasil e do exterior. Um dos destaques do longa é a música especialmente composta por Mano Brown. Todos esses elementos, aliados à condução pessoal da narração, baseada nas lembranças pessoais da sobrinha de Marighella, fazem do filme um registro complexo que intercala fatos históricos com um perfil humano e pessoal do personagem retratado. "MARIGHELLA" Brasil, 2011. Documentário. 100 min Direção e roteiro: Isa Grinspum Ferraz Poduzido por Pablo Torrecillas, Rodrigo Castelar e Isa Grispum Ferraz Produção: Tc Filmes e Texto & Imagem Produção executiva: Pablo Torrecillas, Rodrigo Castelar Direção de fotografia: Alziro Barbosa Montagem: Vânia Debs Direção de arte: Leandro Lima Trilha sonora original: Marco Antonio Guimarães e Mano Brown Narração: Lázaro Ramos Pesquisa: Remier Lion Rocha Consultor especial: Mário Magalhães Cenário: Paulo Monteiro Som Direto: René Brasil Edição de som: Miriam Biderman SINOPSE Líder comunista, vítima de prisões e tortura, parlamentar, autor do mundialmente traduzido "Manual do Guerrilheiro Urbano", Carlos Marighella atuou nos principais acontecimentos políticos do Brasil entre os anos 1930 e 1969, e foi considerado o inimigo número 1 da ditadura militar brasileira. Mas quem foi esse homem, mulato baiano, poeta, sedutor, amante de samba, praia e futebol, cujo nome foi por décadas impublicável? O filme, dirigido por sua sobrinha, é uma construção histórica e afetiva desse homem que dedicou sua vida a pensar o Brasil e a transformá-lo através de sua ação. ISA GRISPUM FERRAZ Nascida em Recife, 1958 formou-se em Ciências Sociais na USP. Escreveu e dirigiu O Povo Brasileiro, da obra de Darcy Ribeiro (Melhor Produção Cultural para TV - Grande Prêmio Brasil 2000), e as séries O Valor do Amanhã (Fantástico) e Intérpretes do Brasil. Realizou também Umas velhices e O milagre do pão e os roteiros de Religiões Africanas no Brasil, com Pierre Verger, e Lina Bo Bardi. Coordenou a criação do Museu da Língua Portuguesa, em SP. Ouça a música de Mano Brown, no trecho do filme. Mano Brown 2011 Marighella MUSICA NOVA youtube.com3 set. 2011 - 5 min - Vídeo enviado por fernandolhp1 Mano Brown canta sobre Carlos Marighella, guerrilheiro brasileiro que apoiava a luta armada contra o ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Israel não atacará o Irã, apesar das ameaças Conflito mataria muitos judeus inocentes, reavivaria o pan-arabismo e isolaria Telavive; radicalização é usada internamente contra opositores do governo. Por Uri Avnery A imagem da política ?Todo político é corrupto?, ?o homem bom é subvertido pelo sistema?? Qual discurso para o cinema político atual? Por Bruno Carmelo Nossa época não é para Glauber Rocha O cineasta baiano era movido pela utopia: é difícil imaginá-lo vivendo num mundo colonizado pelo capital e dominado pelo consumo Por Arlindenor Pedro ______________ OUTRAS MÍDIAS Uma seleção de textos publicados na websfera brasileira No G20, Dilma apoia taxação a operações financeiras Para combater a pobreza, a presidenta Dilma defende na cúpula do G20 a taxação de operações financeiras para aumentar gastos sociais globais. Por Palavras Diversas O dia "D" da reforma política O deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator do projeto, elegeu o financiamento público de campanha como a ?joia da coroa?. Por Maria Inês Nassif, Carta Maior O lago que não quis desaparecer Sinônimo de catástrofe ecológica no século 20, o Mar de Aral vem se recuperando graças a obras do governo do Cazaquistão. Por Christopher Pala, Envolverde/IPS Paz na Síria? Violência já repercute nos países próximos. Uma das características mais preocupantes da Primavera Árabe tem sido a incapacidade em conter o fraticídio. Por Mauricio Santoro, Todos os Fogos o Fogo Constituição para democratizar a comunicação Ex-ministro lembra que Carta Magna prevê série de medidas para combater o monopólio e formar conselhos. Mas até hoje, nada saíram do papel. Por Felipe Prestes, Sul 21 -- Boletim de atualização dos sites Outras Palavras e Biblioteca Diplô. A reprodução é benvinda. Interessados em recebê-lo diretamente devem clicar aqui. Acompanhe nossas novidades também no Facebook e Twitter -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111105/2fdcc349/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Mozart foi o mais importante e prolífico compositor do período clássico. Suas obras são referenciais na música sinfônica, concertante, operística, coral, pianística e de câmara. Mozart compôs o primeiro concerto aos 11 anos de idade e o último em 1791, ano de sua morte, aos 35 anos. Entre suas obras estão 41 sinfonias; 19 missas (incluindo o Requiem); 27 concertos para piano; concertos para trompas, flauta, oboé, clarineta, fagote e harpa, 12 árias de concerto; 13 serenatas; 50 canções para voz e piano e 24 óperas, com destaque para "A Flauta Mágica" "Idomeneo", "Don Giovanni" "O Rapto do Serralho" "Cosi Fan Tutte" e "As Bodas de Fígaro". Para fazer o Download basta clicar sobre a opção desejada, com o botão direto do mouse pressionado, e mandar salvar. Para acessar: http://bit.ly/YzFvN Endereço alternativo: http://bit.ly/8kjcde -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111106/c5bd7db8/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 6 13:42:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 6 Nov 2011 13:42:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__CARLOS_MARIGHELLA_=281911-1969=29_____?= =?iso-8859-1?q?___________________=28_3=BA_e_=DAltima__Parte_=29__?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CCXCI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Esta é a 3º e última parte da série "PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! .sobre Carlos Marighella. São textos sobre a sua vida, organização e os de sua própria lavra. Carlos Marighella - Sua Vida www.carlos.marighella.nom.br/vida.htmEm cache - Similares- Bloquear todos os resultados de www.carlos.marighella.nom.br Não foi útil? 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Em qualquer filme americano de faroeste as peripécias não seriam diferentes. ... ======================================================================================================== [PDF] MINI-MANUAL DO GUERRILHEIRO URBANO brasil.indymedia.org/media/2008/06/422822.pdfSimilares- Bloquear todos os resultados de brasil.indymedia.org Não foi útil? Após fazer login, você poderá bloquear os resultados de brasil.indymedia.org.brasil.indymedia.orgVocê marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida O guerrilheiro urbano é um homem que luta contra uma ditadura militar com armas, ... na qual o guerrilheiro urbano atua são as grandes cidades brasileiras. ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111106/d561ad82/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 8 19:27:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 8 Nov 2011 19:27:54 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__AFONSO_HENRIQUE_MARTINS_SALDANHA______?= =?iso-8859-1?q?________________________________-CCXCII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem AFONSO HENRIQUE MARTINS SALDANHA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu no dia 22 de setembro de 1918, na cidade de Olinda, no Estado de Pernambuco. Seus pais eram João Baptista Martins Saldanha e Maria da Conceição de Barros Saldanha. Casado com Idalina Saldanha, era pai de cinco filhos. Professor de História, Geografia e Ciências. Exerceu o magistério em diversos estabelecimentos de ensino na cidade do Rio de Janeiro, citando-se o Colégio Rui Barbosa, o Colégio Mello e Souza, o Instituto de Educação Brasil-América. Dirigiu também o Colégio Helvécio Xavier Lopes, no Rio de Janeiro. Convidado por Antônio Houaiss, Saldanha colaborou na Enciclopédia Britânica, escrevendo verbetes ligados à educação. Era, ainda, Inspetor Federal do Ministério da Educação e Cultura. Foi Presidente do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro de 1967 a 1969. Foi reeleito para novo mandato - de 1969 a 1972. Não chegou a ser empossado porque foi cassado. Preso em 1970, foi levado para o DOI-CODI/RJ e torturado. Os torturadores se preocuparam particularmente em dar choques elétricos sobre uma verruga que Saldanha possuía na cabeça. Após 42 dias foi libertado, juntamente com Cecília Coimbra, que também se encontrava presa e foi testemunha dessa terrível. Segundo diagnóstico médico, isso contribuiu para desencadear um processo de metástase que acabou levando Saldanha à morte, em 8 de Dezembro de 1974. ================================================================================================= FICHA Afonso Henrique Martins Saldanha Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Afonso Henrique Martins Saldanha Cidade: (onde nasceu) Olinda Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 22/9/1918 Atividade: Professor e funcionário público federal Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Prisão: 0/0/1970 Rio de Janeiro RJ Brasil Liberado após 42 dias. Morto ou Desaparecido: Morto 8/12/1974 Rio de Janeiro RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna DOI-CODI Brasil Biografia Biografia Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu no dia 22 de setembro de 1918, na cidade de Olinda, no Estado de Pernambuco. Seus pais eram João Baptista Martins Saldanha e Maria da Conceição de Barros Saldanha. Casado com Idalina Saldanha, era pai de cinco filhos. Professor de História, Geografia e Ciências. Exerceu o magistério em diversos estabelecimentos de ensino na cidade do Rio de Janeiro, citando-se o Colégio Rui Barbosa, o Colégio Mello e Souza, o Instituto de Educação Brasil-América. Dirigiu também o Colégio Helvécio Xavier Lopes, no Rio de Janeiro. Convidado por Antônio Houaiss, Saldanha colaborou na Enciclopédia Britânica, escrevendo verbetes ligados à educação. Era, ainda, Inspetor Federal do Ministério da Educação e Cultura. Foi Presidente do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro de 1967 a 1969. Foi reeleito para novo mandato - de 1969 a 1972. Não chegou a ser empossado porque foi cassado. Preso em 1970, foi levado para o DOI-CODI/RJ e torturado. Os torturadores se preocuparam particularmente em dar choques elétricos sobre uma verruga que Saldanha possuía na cabeça. Após 42 dias foi libertado, juntamente com Cecília Coimbra, que também se encontrava presa e foi testemunha da tortura. Segundo diagnóstico médico, isso contribuiu para desencadear um processo de metástase que acabou levando Saldanha à morte, em 8 de dezembro de 1974. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111108/21233da5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11180 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111108/21233da5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 8 19:28:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 8 Nov 2011 19:28:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Determinantes_Sociais_da_Sa=FAde?= =?iso-8859-1?q?=3A_Entrevista_com_Jaime_Breilh?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Determinantes Sociais da Saúde: Entrevista com Jaime Breilh ***A partir do campo da epidemiologia crítica, médico equatoriano avalia a Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde e discute o atual conceito de determinantes sociais em saúde. Por Cátia Guimarães e Raquel Junia - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) * *** Entre os dias 19 e 21 de outubro, o Brasil sediou a Conferência Mundial de Determinantes Sociais em Saúde, que reuniu 1200 pessoas de 125 Estados-membros da Organização Mundial de Saúde no Rio de Janeiro. A despeito da magnitude e de alguns encaminhamentos práticos do encontro, houve muitas dúvidas sobre sua real capacidade de propor e incentivar mudanças mais estruturais. E essa discussão inclui a concepção de determinantes sociais adotada mundialmente e aceita pelo evento. Um desses críticos é Jaime Breilh, médico equatoriano que, ainda na década de 1970, muito antes de isso se tornar preocupação para a OMS, desenvolveu uma dissertação de mestrado sobre determinação social da saúde. PhD em Epidemiologia e mestre em Medicina Social, Breilh é professor e diretor da área de saúde da Universidad Andina Simón Bolivar, no Equador, e autor de vários livros. Nesta entrevista, além de analisar a Conferência, ele discute o conceito de determinantes sociais da saúde a partir da sua relação com os modelos de desenvolvimento e distingue os campos da saúde coletiva e da saúde pública no enfrentamento dos problemas do mundo atual. O sr. diz que a noção de determinantes sociais da saúde foi elaborada primeiro pelo pensamento crítico latino-americano e depois sofreu um 'retrocesso' na concepção adotada pela OMS. O que mudou? Na década de 1970 houve alguns trabalhos preparatórios, como os de Sergio Arouca sobre uma nova visão da prevenção e os de Cristina Laurell sobre as comunidades mexicanas, que foram aportes substantivos. A primeira vez que se reivindicou o conceito de determinação social da saúde foi na minha tese de mestrado, no ano de 1976, que foi publicada em livro em 1979. Ela mais ou menos estabeleceu a primeira discussão sistemática e profunda sobre a determinação social da saúde e a categoria de reprodução social como elemento que define as dimensões da determinação social da vida e da saúde. Os anos 1980 foram um período de diversificação dos problemas: vários grupos da América Latina se especializaram em componentes da determinação social, alguns na saúde e trabalho, outros na teoria da gestão e na teoria da administração em saúde, outros em educação, em epistemologia. A partir de 2005, quando surge a Comissão de Determinantes Sociais em Saúde da OMS, com o suporte intelectual basicamente dos textos do Michael Marmot, a OMS assumiu o conceito de determinantes sociais sem, contudo, reconhecer a contribuição de 30 anos de trabalho latino-americano. Isso representou uma mudança fundamental de conceitos porque é uma forma de dizer que os determinantes são uma maneira de melhorar a causalidade, ou seja, que agora vamos encontrar as causas das causas dos problemas de saúde. Eu acredito que isso foi uma distorção do conceito original que a epidemiologia crítica latino-americana estabeleceu. Nós não estamos falando de fatores causadores, mas de processos históricos que geram os problemas de saúde coletiva. Então, há uma diferença, um confronto de paradigmas que não é a primeira vez na história que se produz. A visão dos determinantes está inscrita em uma epidemiologia social, ainda muito influenciada pelo positivismo, por uma visão linear e reducionista dos fatores que agora chamaremos de determinantes. Do outro lado, temos a visão de um pensamento crítico, social, profundo, que se fundamenta na economia política e em uma visão material da cultura, dos elementos da política. Meu temor é de que esta Conferência, apesar de todo o esforço que o Brasil fez para defender um pouco a presença de um pensamento crítico e de um pensamento latino-americano, se converta simplesmente em uma forma de atualizar um esquema de hegemonia do velho pensamento em saúde, que agora teria novos nomes. Eu vejo isso com muita preocupação, pois se não há uma presença forte dos movimentos sociais, das organizações acadêmicas, das organizações políticas da América Latina e de outros continentes, vamos perder um instrumento muito forte de enfrentar essa etapa da humanidade que é de crise muito profunda da saúde. Vai haver uma declaração da Conferência, mas também haverá uma declaração paralela ou pelo menos um documento de posição da Associação Latino-americana de Medicina Social (Alames), onde estará um pensamento diferente, com alguns pontos de contato com essa declaração dos ministros, mas com o pensamento dos setores acadêmicos críticos, dos setores políticos e do pensamento científico mais avançado da América latina. Por isso o sr. disse que estava um pouco desesperançado com esse evento? Sim, porque eu vejo que o tratamento dos problemas continua muito superficial. Apesar de estarmos em uma Conferência sobre a determinação dos problemas, seguimos tratando dos efeitos. Uma coisa que resume o problema atual da determinação social da saúde é que o mundo inteiro está dominado por empresas gigantescas da agroindústria, da mineração, das finanças, dos campos-chave da economia e da vida. Há empresas inclusive na própria gestão da saúde - como a Fundação Gates e tantas outras que dizem que têm mais fundos do que a própria OMS. Então, se isso está em mãos de grandes corporações, seus interesses são os que vão induzir políticas de saúde, decisões de investigação, fundos de investigações, fundos para as escolas de pós-graduação. Então, o que me decepciona é que aqui, nesta Conferência, a visão crítica desse fenômeno tão importante praticamente está ausente, a não ser em eventos isolados onde estamos alguns latino-americanos ou algumas outras pessoas fazendo um trabalho de perguntas e de questionamento a respeito de uma proposta diferente. Eu vejo que existe o que Gramsci chamava de um grande processo de hegemonia: convocam-se as pessoas, inclusive jovens, servidores públicos, o setor oficial, os governos, e aí nos colocamos de acordo sobre certas questões - o que será a determinação social ou os determinantes sociais - e simplesmente voltamos ao mesmo de sempre, em um mundo que agora está muito pior. Não há uma mudança, uma influência sobre as universidades, sobre os ministérios no sentido de transformação, mas sim de adaptação à crise e isso me parece muito perigoso. Quais são as relações entre saúde e modelos de desenvolvimento? A determinação da saúde passa primeiro por certos fenômenos macro que impõem uma lógica a toda a sociedade. Que fenômenos são esses? Definitivamente, é o modelo econômico. E o modelo que temos agora não é simplesmente o capitalismo, mas o capitalismo acelerado, uma locomotora destrambelhada. Para poder acelerar a acumulação de capital nessa grande lógica da sociedade, estão-se pressionando os rendimentos dos trabalhadores, impondo condições mais graves de trabalho, utilizando tecnologias sem princípios de precaução suficientes. Então, esse processo de aceleração se faz inclusive sobre a base da pilhagem: ou seja, uma empresa, por meios fraudulentos, toma a terra, a água, os recursos vitais de um povo. Em toda a América Latina, as grandes corporações estão fazendo uma compra massiva de terra e água, estão também com processos transgênicos para definir um monopólio das sementes. Uma agricultura na qual a terra já não é sua, a água já não é sua, as sementes não são suas mostra a perda de soberania sobre a alimentação, e um povo que não tem soberania sobre a alimentação é absolutamente vulnerável. As pessoas estão condicionadas a viver dessa forma que não é boa para a sua saúde, com sistemas de trabalho cada vez mais perigosos, sistema de consumo baseado no desperdício, uma forma que não é protetora de um buen vivir, mas de um consumo comercial, despojada de recursos de defesa, de suportes de organizações protetoras coletivas e comunitárias. Você, como individuo, tem que se mover em uma margem muito restrita de condições, e estas condições estão produzindo doenças evidentes. Por exemplo, temos um crescimento descomunal do câncer, estamos com processos de deterioração genética, aumento de doenças transmissíveis como a tuberculose, que se tornou resistente, depois de alguns países terem começado a solucioná-la-. E por que há tanta resistência? Primeiro porque há uma incapacidade dos sistemas em manter uma terapia, um acompanhamento, apesar de todos os esforços dos programas de tuberculose. Além disso, devemos perguntar, por exemplo, por que há tanta resistência microbiana em geral - não só na tuberculose. Além de outras causas, é preciso atentar que estamos comendo carne de porco e frango que usam hormônios e antibióticos para aumentar a produtividade. Se você ingere permanentemente, em baixas doses, certos antibióticos, é possível que por aí se desenvolva uma resistência, que cada vez se torna pior como um problema de saúde pública. Então, a determinação social no nível desses processos gerais, dos grupos e das pessoas, vai fazendo com que haja adoecimento. Muitas vezes trabalhadores agroindustriais não sabem que têm um problema, porque estão ativos, mas estão gerando um câncer, uma toxicidade hepática ou uma anemia por intoxicação. Esses são processos ocultos que estão massivamente gerando uma patologia que vai incidir nos perfis epidemiológicos do presente e do futuro. Um dos exemplos que o Brasil tem apontado como positivo na ação sobre os determinantes sociais da saúde são as políticas focais, que visam reduzir a pobreza e eliminar a miséria. Qual a importância e os limites dessas políticas para a saúde? Tanto o governo brasileiro quanto outros da América latina caem em uma contradição quando, ao mesmo tempo em que estão tocando programas que têm uma franca vontade política de melhorar as coisas para que os têm menos, de corrigir as grandes iniquidades do passado, não são suficientemente fortes e enfáticos em controlar, por exemplo, as grandes transnacionais da alimentação, da produção agrícola, da mineração, da indústria em geral. Porque às vezes os governos pensam que é explorando os recursos naturais que vão ter dinheiro para os programas sociais. Mas não poderiam fazer isso sabendo que essa produção se dará à custa de efeitos contrários aos que estão tentando fazer os programas que tratam de corrigir exatamente o problema que esse modelo produz. Qual é o modelo de desenvolvimento real que devemos promover que não esteja contaminado pelo modelo civilizatório do capitalismo do século XX? Pois já entramos em um novo milênio e precisamos ter um novo viver, talvez com taxas de crescimento menos agressivas, mas com mais qualidade. A China está crescendo 10%, é o país do mundo que cresce mais rápido, entretanto, para fazer isso, teve que destruir toda a sua água, os bosques, criar situações de crise ecológica profunda, perder direitos sociais, permitir, inclusive, áreas de trabalho escravo. Os chineses não tinham uma crise alimentícia e agora há uma macdonaldização da comida chinesa, que era tão rica, tão diversa. Então, tem sido um desenvolvimento falso, um desenvolvimento econômico de índices abstratos, mas que no humano, no social, no epidemiológico, na natureza, é um desastre. Precisamos pensar como fazemos na América Latina para gerar um novo modelo que seja produtivo, que garanta recursos, mas que não seja às custas do ser humano e da natureza. E é possível construir esse novo modelo? Eu acredito que sim. Temos riqueza natural, muitas fontes de energia, as reservas de água mais importantes do planeta, a biodiversidade mais alta do mundo. Mas lamentavelmente os grandes poderes das grandes empresas ainda seguem no controle de tudo isso. Enquanto isso não mudar, essa riqueza será mal utilizada e dirigida para um modelo que não é de desenvolvimento, mas de deterioração crescente. A defesa de sistemas universais de saúde e da saúde como direito de todos e dever do Estado são 'bandeiras' do movimento sanitário no mundo. Elas ainda dão conta do que se precisa mudar nas políticas de saúde? São muito importantes, mas não são suficientes. São importantes porque no mundo continuará havendo sempre processos de adoecimento que precisam de atendimento, então, é preciso que haja bons hospitais, um acesso equitativo aos serviços de saúde e aos programas preventivos individuais. Nisso o Brasil avançou muitíssimo e eu creio que é uma fortaleza que o país tem - e, além disso, nesse avanço, o SUS incorporou algo bem importante, que são a gestão e a participação. Os conselhos de saúde brasileiros são uma das experiências que é preciso analisar com muito cuidado porque podem ser um caminho interessante a propor. E há muitas outras experiências, como a boliviana, com o chamado Estado integral e a equatoriana, com o quinto poder do Estado que é a participação do povo, agora com um conselho de participação cidadã. Mas eu acredito que ainda não foram cobertas essas outras dimensões da saúde, que não se esgotam com a palavra prevenção. Parece que sempre que dizemos prevenção pensamos em vacinas, mas eu me refiro a atuar no controle desses processos estruturais que causam tanto dano à natureza e aos seres humanos. Nenhuma experiência latino-americana abordou de maneira consistente, consolidada, ampla, nacional e integrada todo esse impacto. Existem interessantes experiências na agenda dos países, mas não existe uma consistente política integral de saúde. A universalidade não é só universalidade de acesso clínico e assistencial, é universalidade do Buen vivir, de um viver saudável. Se você não pode fazer esportes saudavelmente, trabalhar saudavelmente, ter um consumo racional, se é limitado em sua cultura e identidade, só porque tem acesso a um hospital e a um serviço de saúde, não quer dizer que você tem saúde. Todo esse conjunto de elementos são os determinantes estruturais da saúde. No Brasil, existem os campos da saúde pública e da saúde coletiva. O sr. fala em epidemiologia crítica e em medicina social. Qual a diferença desses campos? Tradicionalmente há uma divisão entre saúde pública e saúde coletiva. As críticas à saúde coletiva surgem em parte por desconhecimento do que foi a sua realidade, porque a acusação é de que talvez tenha sido feita muita teorização, boas pesquisas, mas que não há dimensão concreta de ação. Pode-se acusar a saúde coletiva de ser teórica e, assim, os da saúde pública seriam os práticos. Mas isso é falso. Vejamos um exemplo: se há uma criança com um problema agudo respiratório infeccioso, nesse momento eu não posso analisar a determinação desse caso, tenho que cuidar dessa criança com um bom atendimento clínico e talvez, em algum momento, bom atendimento cirúrgico. Mas é um erro definir que a análise sobre por que se produziu esse caso deve se limitar ao momento em que a criança chega à emergência do hospital. Existe também uma emergência coletiva, que não é tão visível assim. E isso não vamos atender com vacinação e serviços de atenção primária à saúde: será atendido modificando leis, melhorando o sistema jurídico urgentemente. Por exemplo, como faremos agora para proteger do problema do câncer as mães trabalhadoras de agroindústrias do Equador, como faremos para protegê-las do aborto, da intoxicação, da má formação congênita, de uma série de problemas de saúde para elas e para as crianças. Já ocorreu uma situação de eu estar com meus alunos na zona rural estudando um problema de uma plantação de bananas e um avião estar fazendo pulverização aérea em cima de nós. Então, o que a saúde pública tradicional irá fazer esperando no hospital ou no centro de saúde com a atenção primária? Nesse caso, é preciso atuar no sentido de colocar uma regulamentação rígida para que as empresas não causem desastres. Outro exemplo: precisamos fazer mudanças imediatas e urgentes para defender a alimentação dos nossos países. Se em todo o território brasileiro se plantar soja para a exportação ou cana para o etanol, de onde vão tirar os alimentos para os brasileiros? E quem produz esses alimentos? Os médios e pequenos agricultores. Então, é necessário protegê-los, garantir crédito, proteger também o mercado nacional, o pequeno vendedor das cidades, para que os grandes centros comerciais não se apropriem de tudo. Isso quem vai fazer? A saúde pública tradicional, esperando no centro de saúde para vacinar crianças? Então, necessitamos urgentemente de ciência com conhecimento de causa. Necessitamos muito de uma epidemiologia do trabalho, uma epidemiologia de proteção do consumidor, necessitamos de um trabalho na área jurídica para que sejam modificadas as normas, necessitamos de pesquisas para termos técnicas, que a lei diga que os agrotóxicos serão classificados de determinada forma e que não poderão ser utilizados de certa maneira. Nesse caso dos agrotóxicos, o Brasil avançou muito graças à academia, às boas pesquisas que esse país tem sobre os agrotóxicos. A legislação brasileira chama esses venenos de agrotóxicos, outros países continuam chamando de pesticidas ou herbicidas, o que é um erro. Então, como podem dizer que isso não é prático, que não é importante para modificar a saúde? O que acontece é que há pessoas que ignoram que o mundo da saúde vai além dos hospitais e dos centros de saúde. A ideia de determinantes sociais da saúde aparece muitas vezes relacionada com a de promoção da saúde, enfocando também hábitos individuais. Como essas duas perspectivas se relacionam? Essa é uma das contradições mais importantes, porque isso parte do desconhecimento da diferença entre estilos de vida e modos de vida. O estilo de vida é um campo de livre decisão das pessoas, mas você não pode tomar decisões absolutamente livres porque você está determinado socialmente, portanto, sua classe social tem um modo de vida. Imagine uma senhora que tem problema de obesidade, é trabalhadora de uma fábrica com um horário de trabalho das sete da manhã até a noite, com apenas quatro dias de descanso por mês. Aí você diz a ela: "a senhora tem que fazer exercícios, andar de bicicleta'. Ela irá lhe responder: 'em primeiro lugar, nunca tenho tempo livre, em segundo lugar, não tenho bicicleta, em terceiro lugar, no meu pouco tempo livre, tenho que lavar roupas dos meus filhos, cuidar da casa, etc". Não considerar o modo de vida é uma maneira de culpar as pessoas do que é um problema estrutural. A mudança individual é importante, mas só é factível se existe uma mudança coletiva, e a mudança coletiva só é factível se existe uma legislação, uma proteção social, e ações que não são individuais. Então, são dois campos em que se deve atuar, mas não se pode deixar tudo nos efeitos e nas pessoas, porque o resultado disso é que os culpados de tudo são as pessoas. Fonte: http://fopspr.wordpress.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111108/9f909cbb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 7865 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111108/9f909cbb/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4322 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111108/9f909cbb/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 6042 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111108/9f909cbb/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 9 20:12:56 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 9 Nov 2011 20:12:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ANT=D4NIO_FERREIRA_PINTO_=281932-1974?= =?iso-8859-1?q?=29_____________________________-CCXCIII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ANTÔNIO FERREIRA PINTO (1932-1974) Filiação: Manoel Ferreira Pinto e Leopoldina Maria de Jesus Data e local de nascimento: 16/07/1932, Lagoa dos Gatos (PE) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 21/04/1974 Conhecido no Araguaia como Antônio Alfaiate, era pernambucano de Lagoa dos Gatos. Viveu na Baixada Fluminense, onde trabalhava como alfaiate, tornando-se dirigente do Sindicato dos Alfaiates do Estado da Guanabara. Participou dos movimentos populares pré-1964 em Duque de Caxias (RJ), contra a sonegação especulativa de gêneros alimentícios, incluindo ocupação de supermercados e açougues onde os produtos estavam sendo escondidos para alcançar maiores preços. Militante do PCdoB, foi viver na localidade de Metade, no Araguaia, em 1970. Era franzino, de gênio alegre e gostava de cantar e dançar músicas nordestinas. Pertencia ao Destacamento A. Seu nome não consta do Anexo da Lei nº 9.140/95 porque só era conhecido pelo apelido "Antônio Alfaiate". O requerimento de seus familiares foi aprovado na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em agosto de 1996, primeiro ano de funcionamento desse colegiado. Antônio Felix da Silva, o mesmo morador que prestou depoimento aos procuradores do Ministério Público Federal, deu informações como Alfaiate foi preso: "em abril de 1974, poucos militares ainda andavam na mata; que os militares achavam que apenas três ou quatro guerrilheiros ainda estavam vivos; que os militares pousaram em uma clareira perto de sua casa e foram a pé até a casa de Manezinho das Duas e se esconderam em um bananal próximo da casa; que no dia seguinte, pela manhã, o declarante foi até a casa do Manezinho das Duas, conforme determinação dos militares; que lá chegando, por volta das 7 horas da manhã, do dia 21/04/1974, o declarante viu Antônio, Valdir e Beto sentados em um banco na sala da casa, com os pulsos amarrados para trás com uma corda fina, parecendo ser de nylon; que o declarante viu um militar se comunicando pelo rádio; que, por volta das 9 horas da manhã, chegou o helicóptero que levou os militares e os três prisioneiros". São bastante coincidentes os depoimentos de moradores do Araguaia informando que Antônio Ferreira Pinto, Lúcio Petit da Silva e Uirassu Assis Batista foram presos juntos, possivelmente em 21/04/1974. Segundo declarações prestadas por Margarida Ferreira Félix, em São Domingos do Araguaia, em 03/07/01, ao Ministério Público Federal, "no dia 21 de abril de 1974, os três últimos guerrilheiros foram presos na casa do Manezinho das Duas, quando eles vieram pedir um pouco de sal; que os guerrilheiros eram o Beto (Lúcio Petit da Silva), Antônio (Antônio Ferreira Pinto) e Valdir (Uirassu de Assis Batista); que os soldados do Exército enganaram os guerrilheiros, simulando que estavam pousando um helicóptero na casa da declarante, mas na verdade uma equipe de soldados foi para a casa do Manezinho das Duas, e lá prenderam os três; que o TRÊS GUERRILHEIROS PRESOS JUNTOS marido da declarante ajudou a embarcar os três guerrilheiros vivos em um helicóptero do Exército; (...)" Também em declaração prestada ao Ministério Público Federal em 06/07/2001, Antônio Félix da Silva, conhecido na região como Tota, contou que, "(...) servi como guia do Exército, não podíamos falar nada, nem pras nossas esposas. Eu vi quando pegaram o Valdi, o Beto e o Antônio e levaram embora num helicóptero. Eles estavam vivos e o Valdi com um "lexo" (leishmaniose) na perna, que não podia nem andar. Mesmo assim ele ouvia uma música num rádio que tocava e alegre batucava com a perna, mesmo sabendo que ia morrer. Foi no dia 21 de abril de 1974". ==================================================================================================================== + Informações. do livro Habeas Corpus) ANTÔNIO FERREIRA PINTO (1932-1974) Antônio era pernambucano de Lagoa dos Gatos. Viveu na Baixada Fluminense, onde trabalhava como alfaiate, tornando-se dirigente do Sindicato dos Alfaiates do Estado da Guanabara. Participou dos movimentos populares pré-1964, em Duque de Caxias (RJ), contra a sonegação especulativa de gêneros alimentícios, incluindo ocupação de supermercados e açougues onde os produtos estavam sendo escondidos à espera de aumento nos preços. Militante do PCdoB, foi viver na localidade de Metade, no Araguaia, em 1970, engajando-se na guerrilha. Era de gênio alegre e gostava de cantar e dançar músicas nordestinas. Pertenceu ao Destacamento A. Seu nome não consta do Anexo da Lei nº 9.140/95 porque só era conhecido pelo apelido de Antônio Alfaiate, devido à sua ocupação anterior. O requerimento de seus familiares foi aprovado na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em agosto de 1996, primeiro ano de funcionamento desse colegiado. Antônio Félix da Silva, morador que prestou depoimento aos Procuradores do Ministério Público Federal, deu informações sobre como Alfaiate foi preso: "Em abril de 1974, poucos militares ainda andavam na mata; que os militares achavam que apenas três ou quatro guerrilheiros ainda estavam vivos; que os militares pousaram em uma clareira perto de sua casa e foram a pé até a casa de Manezinho das Duas e se esconderam em um bananal próximo da casa; que no dia seguinte, pela manhã, o declarante foi até a casa do Manezinho das Duas, conforme determinação dos militares; que lá chegando, por volta das 7 horas da manhã, do dia 21/04/1974, o declarante viu Antônio, Valdir e Beto sentados em um banco na sala da casa, com os pulsos amarrados para trás com uma corda fina, parecendo ser de nylon; que o declarante viu um militar se comunicando pelo rádio; que, por volta das 9 horas da manhã, chegou o helicóptero que levou os militares e os três prisioneiros". Documento do Ministério da Defesa, de 1o de julho de 2009, que organiza as informações sobre a guerilha para serem apresentadas à Justiça, afirma que foi morto em 30 de abril de 1974. ================================================================================================ FICHA Antônio Ferreira Pinto (Alfaiate) Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Antônio Ferreira Pinto (Alfaiate) País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Alfaiate Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Antônio Alfaiate, José Antônio Botelho Morto ou Desaparecido: Desaparecido 14/1/1974 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111109/ad69ea55/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5762 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111109/ad69ea55/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 9 20:13:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 9 Nov 2011 20:13:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Alfonso_Cano=2C_Her=F3i_da_Col?= =?windows-1252?q?=F4mbia?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Castor Filho Alfonso Cano, Herói da Colômbia Alfonso Cano 07.Nov.11 - Miguel Urbano Rodrigues Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colombia caiu combatendo no dia 4 de Novembro. Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colômbia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de caráter. Era um intelectual brilhante que tinha dos clássicos do marxismo e da História do seu país um conhecimento profundo quando aderiu às FARC. Terá sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ideólogos da organização revolucionária. Não surpreendeu, portanto, a sua nomeação para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu. Como era de esperar chovem agora sobre o presidente Juan Manuel Santos felicitações dos dirigentes dos países imperialistas. O crime é por eles transformado em grande vitória da democracia contra o terrorismo. A imprensa-de-mercado do sistema já elaborou e divulgou uma extensa lista dos «crimes» cometidos pelo «terrorista» e «narcotraficante» morto. Bandeira das FARC Omitem obviamente que Alfonso Cano foi o responsável do projeto que as FARC enviaram à ONU e ao governo colombiano nos anos 90, propondo a erradicação da cultura da coca num prazo de 10 anos do município de Cartagena del Chairá, o maior produtor da planta maldita no país. Essa experiência piloto exigiria apenas o modesto financiamento de 10 milhões de dólares. A iniciativa foi, porém imediatamente vetada pelo governo de Bogotá, considerado por Washington modelo de democracia e o seu melhor aliado na América do Sul. A oligarquia colombiana festejou, naturalmente, com entusiasmo a morte do líder das FARC. A organização guerrilheira define o regime, desde a presidência de Uribe, como fascistizante. E não exagera no qualificativo. O Presidente Juan Manuel Santos, ministros e generais deslocaram-se a Popayan, capital do Departamento do Cauca onde foi assassinado Cano, para ver o seu cadáver, em exposição, condecorar os matadores e celebrar o crime em ambiente de entusiasmo. Os militares esclareceram que no acampamento onde se travou o ultimo combate foram encontrados os computadores do comandante e que o seu conteúdo «será estudado». A notícia logo correu mundo. Tudo indica que o governo, repetindo o uso que fez dos computadores manipulados do comandante Raul Reyes, tornará em breve públicas revelações sensacionais sobre a sua descoberta. Combatentes das FARC O comandante Alfonso Cano, como outros membros do secretariado do Estado-Maior central das FARC tinha a cabeça a premio por mais de um milhão de dólares. É incômodo para Santos e os seus epígonos reconhecer que na Operação «Odisseia» - insulto ao herói grego de Homero - montada para abater o comandante das FARC participaram 2300 oficiais sargentos e soldados, aviões Super Tucano e muitos helicópteros. No início do ano o governo de Bogotá divulgou notícias segundo as quais Alfonso Cano se encontraria no Oriente, próximo da fronteira da Venezuela. Eram falsas. O secretariado das FARC, no momento em que escrevo, ainda não se pronunciou sobre as circunstâncias do crime. Mas o simples fato de as selvas do oriente do país distarem cerca de 800 quilômetros do município de Suarez, no Cauca, onde ele morreu, após dois bombardeamentos maciços e um cerco montado por tropas especiais convida à reflexão. Duas cadeias de gigantes andinos da Cordilheira Oriental e da Central separam essas frentes de combate. Ignoro por onde se movimentou Cano nos últimos meses. As declarações ao diário El Tiempo dos militares que o mataram não inspiram confiança. Num ponto coincidem todas: Alfonso Cano caiu combatendo! A capacidade estratégica e a mobilidade dos guerrilheiros das FARC, cruzando montanhas, rios e florestas, em travessias que a História registrou e inspiraram poetas e novelistas somente encontram precedente na saga de Bolívar galgando os Andes, durante a campanha de libertação de Nova Granada (a atual Colômbia). Alfonso Cano, como Jorge Briceño, Jacobo Arenas e Manuel Marulanda souberam, pelo seu exemplo como revolucionários comunistas, conquistar em vida o respeito de milhões de compatriotas. Mortos, os seus nomes permanecerão na História como heróis da América Latina. Foram duríssimos os golpes recebidos nos últimos anos pela organização guerrilheira mais antiga do Continente, que se bate há mais de quatro décadas por uma Colômbia democrática, livre, progressista, enfrentando um exército de 300 000 homens, armado e financiado pelos EUA. Mas a hierarquia da Igreja e inclusive a oligarquia crioula estão conscientes de que não há solução militar para o trágico conflito que ensanguenta a nação. A euforia de Juan Manuel Santos ? protetor de paramilitares assassinos - não consegue ocultar a sua certeza de que o combate das FARC vai prosseguir. Ele próprio reconheceu já essa evidência. A imprensa de mercado avalia em 10 000 o número atual de guerrilheiros das FARC. A luta continua na Colômbia! Vila Nova de Gaia, 5 de Novembro de 2011 Extraído do Diário Info. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111109/d9f4beb6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 10 19:59:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Nov 2011 19:59:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de___OROC=CDLIO_MARTINS_GON=C7ALVES___e___?= =?iso-8859-1?q?BENEDITO_GON=C7ALVES___e___GUIDO_LE=C3O____________?= =?iso-8859-1?q?______-CCXCIV-?= Message-ID: <99A193137E744B28A4C1756A8C10A1CD@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem BENEDITO GONÇALVES Operário metalúrgico. Morto pela Polícia Militar em agosto de 1979, quando realizava um piquete de greve em frente à Companhia Siderúrgica Paim, em Divinópolis (MG). Atingido na cabeça por um golpe de cassetete, desferido por um policial militar, Benedito foi hospitalizado, falecendo dias depois em conseqüência do traumatismo craniano. GUIDO LEÃO Operário Metalúrgico. Morto, em setembro de 1979, em Betim, quando realizava um piquete de greve em frente da Fiat Automóveis. Tentando fugir de uma investida da cavalaria da PM, armada de sabres, Guido foi atropelado por um carro da própria polícia, morrendo em seguida. OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES Operário da construção civil de Belo Horizonte. Assassinado em 30 de julho de 1979 pela polícia militar mineira quando da repressão à passeata realizada pelos operários em greve do setor da construção ================================================================================================= + Informações. OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES (1954 - 1979) Filiação: Evangelina Luiz Martins e Elias Ferreira de Souza Data e local de nascimento: 23/10/1954, Sete Lagoas (MG) Organização política ou atividade: Movimento dos Trabalhadores na Construção Civil Data e local da morte: 30/07/1979, Belo Horizonte (MG) Orocílio Martins Gonçalves nasceu em Sete Lagoas (MG) e trabalhava como tratorista na construção de um dique em Vespasiano (MG), quando foi morto pela Polícia Militar em 30/07/1979, em Belo Horizonte, durante passeata realizada pelos operários em greve do setor da construção civil. Os trabalhadores desse segmento realizaram manifestação que era inédita na capital mineira pelo seu alcance. Cerca de 15 mil grevistas se concentraram na praça da Estação e, depois, foram reprimidos com violência nas proximidades do campo do Atlético, numa das primeiras mobilizações operárias que passaram a reverberar, em todo o País, a greve metalúrgica que tinha sido liderada no ABC paulista, três meses antes, pelo novo sindicalista Luiz Inácio da Silva, o Lula. Orocílio foi atingido por um tiro à queima roupa. Na ocasião, 52 pessoas ficaram feridas, 96 foram presas e Orocílio foi morto. Ele tinha 24 anos, era casado com Vânia de Oliveira Gonçalves e pai de um bebê de dois meses. O legista Euclides de Matos Santana atestou a morte em decorrência de "hemorragia interna conseqüente de ferida perfuro-contusa causada por projétil de arma de fogo". No pedido para seu reconhecimento na CEMDP, consta que Orocílio foi morto em uma rua cercada e controlada por policiais: "acabou sendo assassinado no momento em que a polícia privatizou um espaço público transformando-o em uma dependência policial ou assemelhada". Seu laudo de necropsia registra marcas de agressões. O primeiro relator do caso na Comissão Especial propôs o indeferimento apoiando-se na afirmação da viúva de que Orocílio não era manifestante e passara no local por acaso. Ocorreu, então, um primeiro indeferimento. Foi apresentado um recurso contra essa decisão, apoiado numa publicação do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, que lembrava os dez anos da morte de Orocílio, quando Vânia declarara que ele era militante sindical. Mas a CEMDP manteve, por maioria, o indeferimento, registrando-se apenas dois votos favoráveis, de Nilmário Miranda e Suzana Lisbôa. Apenas depois da promulgação da Lei nº 10.875/04, modificando a Lei nº 9.140/95 para abranger também as pessoas que foram mortas por participar de manifestações públicas, o caso foi novamente apreciado e deferido na CEMDP. BENEDITO GONÇALVES (1931 - 1979) Filiação: Maria Júlia e João Gonçalves Data e local de nascimento: 20/08/1931, Carmo da Mata (MG) Organização política ou atividade: Data e local da morte: 20/08/1979, Divinópolis (MG) Benedito Gonçalves morreu em conseqüência de traumatismo craniano provocado por um golpe de cassetete desferido por um policial militar, em 13/08/1979, quando realizava um piquete de greve em frente à Companhia Siderúrgica Paim (Divinópolis-MG). Seu nome consta do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Era casado com Maria da Conceição Gonçalves e tinha três filhos. De acordo com o noticiário da época, ele foi ferido às 19h do dia 13 de agosto e levado ao Hospital São João de Deus. No hospital, fizeram-lhe apenas curativos e lhe deram alta. Seu estado de saúde se agravou e, no dia seguinte, foi levado novamente ao hospital, onde foi atendido pelo médico José Calazânico Notini Diniz e, encaminhado para tratamento neurocirúrgico pelo Dr. Nelson Pereira. Segundo o diretor clínico do hospital, Alair Rodrigues de Araújo, após a operação Benedito ficou internado no Centro de Tratamento Intensivo, onde permaneceu até morrer, no dia 20/08/1979, data em que completava 48 anos. O legista José Maria Alves Aragão determinou como causa da morte fratura no crânio. Seu enterro foi acompanhado por cerca de mil trabalhadores metalúrgicos e populares, que seguiram o cortejo a pé ou de bicicleta. Nilmário Miranda votou pelo deferimento, considerando que Benedito Gonçalves fora agredido e morto pela violência do Estado, quando o direito de greve era tratado como ato político subversivo e enquadrado como crime contra a segurança nacional, mas a maioria da CEMDP votou contra, indeferindo por 4x2. Com a ampliação da Lei em 2004, passando a incorporar os casos de morte em manifestações públicas, o requerimento voltou à pauta e o pedido foi deferido por unanimidade na CEMDP. ======================================================================================================================= + Detalhes. A DITADURA NA FIAT Por Alvimar da Luz Dias* AÇÃO TRUCULENTA DE SEGURANÇAS E SOLDADOS DA PM CONTRA A PARALISAÇÃO NA FIAT DE BETIM, EM SETEMBRO, DESMASCARA A POSTURA FASCISTA DA MULTINACIONAL ITALIANA Além de cumprir o objetivo de pressionar as empresas a negociarem um contrato nacional de trabalho para o complexo automotivo brasileiro, a paralisação na Fiat Automóveis, em setembro passado, serviu para das visibilidade à situação enfrentada pelos trabalhadores e pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Igarapé e Bicas há pelo menos 20 anos. O protesto daquela manhã mostrou para o país e para o mundo, em versão ampliada, o sofisticado e cruel aparato repressivo empregado pela montadora italiana no dia-a-dia de suas linhas de produção. A repressão na Fiat Automóveis não é novidade e parte de uma filosofia histórica de concepção tipicamente autoritária, que um dia a fez apoiar o líder fascista Benito Mussolini em troca de alguns bilhões de liras em contratos militares. Ancorada em estratégias eficientes de Marketing, a empresa esconde do público, que consome seus veículos, o terror cotidiano vivido pelos trabalhadores de Betim no chão da fábrica. Uma característica marcante da Fiat, em todo este tempo, é a relação "umbilical" que estabelece com o Estado, tanto com o objetivo de que este subsidie seus negócios - como o que ocorreu na Itália do anos 20 e em Betim a partir de 1976 - como também através da "requisição" do uso da força policial, cujo exemplo mais próximo foi a paralisação de setembro. A MORTE DO GREVISTA GUIDO LEÃO, EM 1979 Recebida em Minas Gerais com a promessa do então governador Rondon Pacheco de que o povo era ordeiro e não fazia greves, dois anos após ter iniciado suas operações a Fiat viveu duas paralisações consecutivas, em 1978 e 1979. Na época, o Sindicato dos Metalúrgicos colhia os primeiros resultados de um trabalho de base iniciado tão logo a empresa se instalou no município. Há que se ressaltar que, no final dos anos 70, as condições para a realização do trabalho sindical eram outras e refletiam a postura adotada por Gianni Agnelli (atual presidente de honra do grupo) em Turim, período em que o avocatto assumiu as negociações com as lideranças sindicais italianas. Mais tarde, Agnelli seria duramente criticado pelas concessões feitas aos sindicalistas, embora a sua postura também tenha rendido dividendos à Fiat Automóveis [1]. Nesta época, diretores do sindicato ainda conseguiam circular sem tanta vigilância pela fábrica e o direito à sindicalização era exercido com naturalidade pelos trabalhadores. As greves no ABC paulista e as condições de trabalho desfavoráveis (uma vez que a unidade de Betim havia iniciado suas operações com a sucata tecnológica trazida das unidades italianas e com baixos salários), somadas a um trabalho sindical eficiente, conduziram às duas paralisações. Tudo isso sem considerar que o medo da perda do emprego ainda não se fazia tão presente como hoje. Na segunda greve, em 1979, a Fiat já sinalizava com o que viria a se tornar corriqueiro nos anos seguintes: a "parceira" com a Polícia Militar na repressão ao direito de organização sindical. Ao final daquela paralisação, a PM seria a causadora indireta da morte do metalúrgico Guido Leão que, para escapar ao cerco policial, acabou atropelado e morto em plena BR-381. ============================================================================================================= + Detalhes. O companheiro Orocílio Martins Gonçalves é um mártir da construção civil. Ele foi covardemente assassinado pela PM no dia 30 de julho, na combativa greve de 1979 em Belo Horizonte, durante o regime militar fascista. Os companheiros que iniciaram a EPOMG decidiram em assembleia que o nome da nossa escola deveria homenagear um lutador do povo, anônimo para muitos mas de extrema significação para os operários da construção. O sangue derramado por Orocílio e de todos combatentes da classe faz aumentar a revolta do povo e a nossa decisão de seguir na luta por um novo mundo. Companheiro Orocílio: O povo enaltece seus bravos filhos! A seguir, algumas fotos da Combativa Greve da Construção de 1979, em Belo Horizonte. VIVA AS LUTAS DOS POVO BRASILEIRO! A MEMÓRIA DE OROCÍLIO SEGUE VIVA NA ESCOLA POPULAR! ========================================================================================================== + Detalhes. A memória do mártir OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES e a Combativa Greve de 79 Dia 30 de julho, celebra-se o DIA DOS OPERÁRIOS DA CONSTRUÇÃO DE BELO HORIZONTE. Esta data resgata a luta dos operários da constução, marcada pela histórica greve de 1979 e o martírio do companheiro tratorista OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES, covardemente assassinado pelas tropas da policia militar, então comandadas pelo governador Francelino Pereira. O assassinato do companheiro OROCÍLIO, alvejado covardemente por um tiro no peito, disparado em plena avenida Olegário Maciel, em frente ao ex-campo do Atlético (atual shopping Diamond Mall) foi perpetrado com o objetivo de intimidar o movimento operário e acabar com a greve. Mas o que fez foi aumentar a ira e a revolta dos combativos trabalhadores que continuaram a desatar a mais forte e radical greve que a cidade já viu. Neste dia em que completam-se 26 anos desta combativa e vigorosa Greve que parou Belo Horizonte, assustou os burgueses exploradores e mostrou a força e a revolta de nossa classe, relembramos que esta paralisação foi pioneira na resposta aos anos e anos de opressão e exploração do truculento regime militar e que contribuiu para sua derrocada. O hoje presidente Luis Inácio, envolvido até o pescoço nos escândalos protagonizados pelo PT e por outros partidos que se revezam nesse podre Estado burguês-latifundiário; veio à Belo Horizonte na época da greve. Desde aquela época ele já mostrava ser um oportunista e traidor. Veio não para apoiar a luta dos operários, mas sim para tentar conter a justa revolta dos trabalhadores, ajudar o pelego Pizarro, então presidente do Sindicato, a acabar com a greve e na prática ajudar o regime militar e de quebra projetar o PT que estava em processo de formação. O projeto eleitoreiro de Lula foi feito às custas do sangue operário e ele continua como serviçal da burguesia até hoje. Reverenciamos, nessa data, o mártir OROCÍLIO MARTINS GONÇALVES, o companheiro tratorista que tombou lutando em defesa da classe, por melhores de vida e de trabalho. ================================================================================================ FICHA Benedito Gonçalves Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Benedito Gonçalves Atividade: Operário metalúrgico Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 0/8/1979 Divinópolis MG Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Militar PM Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal O Metalúrgico (Publicação do Sindicato dos Trabalhadores nas Ind. Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de São Paulo), n. 272, nov. 1979. p. 1-8. "A luta continua"; "Companheiro Santo, você está presente"; "Paramos 11 dias"; "De volta na luta". Conjunto de artigos pouco legíveis relatando que, no terceiro dia de uma greve, que durou onze dias, em frente à fábrica Sylvânia, ocorreu o assassinato de Santo Dias. A morte foi testemunhada pelo metalúrgico Luís Carlos Ferreira: ele viu um dos policiais que tentavam reprimir o movimento atirando em Santo. A notícia da morte criou uma grande mobilização entre os operários. No cortejo de Santo Dias reuniram-se amigos, metalúrgicos e estudantes que seguiram até a Catedral da Sé, onde Dom Evaristo Arns e Luís Carlos discursaram contra a violência. Na missa foram lembrados os operários Otacílio Martins Gonçalves, Guido Leão e Benedito Gonçalves, mortos também na repressão a movimentos grevistas. No enterro, seis mil pessoas ouviram discurso de Lula e decidiu-se continuar com a greve. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Benedito Gonçalves, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. ================================================================ FICHA Guido Leão Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Guido Leão Atividade: Operário Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 0/9/1979 Betim MG Brasil em frente à Fiat Automóveis Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Militar PM Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal O Metalúrgico (Publicação do Sindicato dos Trabalhadores nas Ind. Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de São Paulo), n. 272, nov. 1979. p. 1-8. "A luta continua"; "Companheiro Santo, você está presente"; "Paramos 11 dias"; "De volta na luta". Conjunto de artigos pouco legíveis relatando que, no terceiro dia de uma greve, que durou onze dias, em frente à fábrica Sylvânia, ocorreu o assassinato de Santo Dias. A morte foi testemunhada pelo metalúrgico Luís Carlos Ferreira: ele viu um dos policiais que tentavam reprimir o movimento atirando em Santo. A notícia da morte criou uma grande mobilização entre os operários. No cortejo de Santo Dias reuniram-se amigos, metalúrgicos e estudantes que seguiram até a Catedral da Sé, onde Dom Evaristo Arns e Luís Carlos discursaram contra a violência. Na missa foram lembrados os operários Otacílio Martins Gonçalves, Guido Leão e Benedito Gonçalves, mortos também na repressão a movimentos grevistas. No enterro, seis mil pessoas ouviram discurso de Lula e decidiu-se continuar com a greve. ================================================================================================== FICHA Orocílio Martins Gonçalves Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Orocílio Martins Gonçalves Atividade: Operário Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 30/7/1979 Belo Horizonte MG Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Militar PM Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal O Metalúrgico (Publicação do Sindicato dos Trabalhadores nas Ind. Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de São Paulo), n. 272, nov. 1979. p. 1-8. "A luta continua"; "Companheiro Santo, você está presente"; "Paramos 11 dias"; "De volta na luta". Conjunto de artigos pouco legíveis relatando que, no terceiro dia de uma greve, que durou onze dias, em frente à fábrica Sylvânia, ocorreu o assassinato de Santo Dias. A morte foi testemunhada pelo metalúrgico Luís Carlos Ferreira: ele viu um dos policiais que tentavam reprimir o movimento atirando em Santo. A notícia da morte criou uma grande mobilização entre os operários. No cortejo de Santo Dias reuniram-se amigos, metalúrgicos e estudantes que seguiram até a Catedral da Sé, onde Dom Evaristo Arns e Luís Carlos discursaram contra a violência. Na missa foram lembrados os operários Otacílio Martins Gonçalves, Guido Leão e Benedito Gonçalves, mortos também na repressão a movimentos grevistas. No enterro, seis mil pessoas ouviram discurso de Lula e decidiu-se continuar com a greve. Evento/ Homenagem Transcrição da missa de sétimo dia da morte de Otacílio Gonçalves. ========================================================================================================= = -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111110/51d16173/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7681 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111110/51d16173/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12300 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111110/51d16173/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8725 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111110/51d16173/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11107 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111110/51d16173/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7905 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111110/51d16173/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 10 19:59:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Nov 2011 19:59:51 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Mia Couto - SOBRE OS MEDOS Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem "Há quem tenha medo que o medo acabe..." Vale a pena ouvir http://ocheirodailha.blogspot.com/2011/09/sobre-o-medo.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111110/11a21d74/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 11 20:06:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Nov 2011 20:06:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Frei_Betto_=E9_indicado_ao_Pr=EAm?= =?iso-8859-1?q?io_CUT_Democracia_e_Liberdade_Sempre?= Message-ID: <052B51E6EE95438993D826B642F368F1@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem UBE - União Brasileira de Escritores Frei Betto é indicado ao Prêmio CUT Democracia e Liberdade Sempre A CUT lança o 1º Prêmio Cut Democracia e Liberdade Sempre. 07.11.2011 Artur Henrique, presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores) informa que Frei Betto é um dos indicados ao prêmio acima descrito e que haverá um processo de votação no período de 1º a 30 de novembro de 2011, através de hot site específico (http://premio.cut.org.br) e o resultado será divulgado em 1º de dezembro de 2001. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 13 de dezembro de 2011, às 19h30, no TUCA (Teatro da Universidade Católica), à Rua Monte Alegre, 1.024 - Perdizes - São Paulo/SP. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111111/064a59bc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 10052 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111111/064a59bc/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 45508 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111111/064a59bc/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 11 20:06:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Nov 2011 20:06:27 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Torturador_da_ditadura_sofre_rev?= =?iso-8859-1?q?=E9s_no_STF?= Message-ID: <1CBDE42DE94C463786209F075491BCF6@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem BRASIL DE FATO Torturador da ditadura sofre revés no STF Coronel Brilhante Ustra tenta no STF suspender o processo do qual é réu pela tortura e assassinato do jornalista Luiz Eduardo Merlino, em 1971 Aline Scarso, da Redação General Ustra no Clube Militar - Foto: Aline Massuca/FolhaImagem Em tempos em que se aprova a instalação de uma Comissão da Verdade, que pretende passar a limpo os anos de 1964 a 1985, uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) mostrou a confiança que muitos militares reformados têm na Justiça como caminho seguro para não pagarem pela violência que cometeram. Nem sempre conseguem, entretanto. Em 3 de outubro, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido torturador de militantes de esquerda e chefe do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo entre setembro de 1970 e janeiro de 1974, recebeu do ministro do STF, Ayres Brito, um preciso "não" a sua tentativa de utilizar a Lei da Anistia, de 1979, para suspender uma ação indenizatória por danos morais movida contra ele pelos familiares do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto em 1971 em decorrência de torturas sofridas enquanto esteve preso no local. Em 27 de julho deste ano, foram ouvidas em São Paulo as testemunhas de acusação, que confirmaram que Merlino morreu sob tortura e que Ustra participou das sessões de maus-tratos. Para se livrar do processo, a defesa do coronel reformado usou como base jurídica a decisão do STF, revelada em 29 de abril de 2010, sobre a Lei de Anistia. A partir da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 153, ajuizada na corte pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), cobrava-se do Supremo uma interpretação mais precisa sobre o preceito de "anistia ampla, geral e irrestrita", que resultou no perdão dos que cometeram crimes políticos e conexos no Brasil entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. O objetivo da entidade era evitar que o indulto também fosse concedido aos agentes do Estado que cometeram crimes comuns contra opositores, como homicídios, desaparecimentos forçado, abuso de autoridade, lesões corporais, estupro e atentado violento ao pudor. No entendimento da OAB, crimes políticos seriam apenas os que atentavam contra a segurança nacional e à ordem política e social, o que não era o caso, por exemplo, de torturas de indivíduos que já estavam presos e sob o poder do Exército. Esses seriam, segundo eles, crimes comuns. O entendimento dos ministros do STF, no entanto, foi o oposto. Por sete votos a dois, eles decidiram que a Lei de Anistia valia para todos os casos, passando assim uma borracha definitiva nas punições de crimes cometidos por militares e policiais na época da ditadura. Foi com base nesse argumento que Ustra acreditou que não haveria mais razão para ser responsabilizado pela morte de Merlino. Falso argumento Paulo Esteves e Salo Kibrit, advogados do coronel, alegaram ao Supremo que a juíza Amanda Eiko Sato, da 20ª Vara Cível do Fórum Central de São Paulo, e o desembargador Luiz Antonio Silva Costa, do Tribunal de Justiça de São Paulo, teriam violado a decisão da corte em relação à interpretação da ADPF 153 quando negaram a suspensão da ação, requisitada pela defesa. Esteves e Kibrit defenderam até mesmo a inexistência do crime. "Se não há crime, não há como condená-lo ao pagamento de indenização, muito menos declarar que praticou algum crime naquele período", afirmaram no pedido. Para o ministro Ayres Brito, entretanto, que avaliou o pedido de Ustra de forma monocrática, ou seja, livre da necessidade de consultar os demais colegas do Supremo, o entendimento foi outro. "O fundamento utilizado pelo ministro foi o mesmo que sustentamos em nossa petição. É justamente o fato de que a Lei da Anistia se voltou exclusivamente para as questões criminais, ou seja, os crimes cometidos durante a ditadura, seja de um lado, seja de outro. Não trata de responsabilidade civil", explica o advogado dos Merlino, Claudineu de Melo. "A Lei de Anistia, contudo, não trata da responsabilidade civil pelos atos praticados no chamado 'período de exceção'. E é certo que a anistia (...) não implica a imediata exclusão do ilícito civil e sua consequente repercussão indenizatória", destacou Brito em sua relatoria. A decisão foi comemorada pela família. "Nós achamos excelente o posicionamento do ministro. Nós já sabíamos do seu posicionamento no julgamento do ano passado da ADPF 153 no STF, quando ele foi um dos dois ministros que votaram pela não extensão da anistia aos torturadores", lembra Ângela Maria Mendes de Almeida, ex-companheira de Merlino e uma das autoras da ação - o outro voto foi de Ricardo Lewandowski. "Enquanto Ustra era chefe do DOI-Codi em São Paulo, Merlino foi torturado sob a sua vista e ele pessoalmente participou de algumas sessões de tortura. Em decorrência dessas torturas, o Merlino veio a falecer. Então estamos pedindo uma indenização por dano moral pois justamente o Estado, que teria o dever de protegê-lo, violentou até a morte o preso político", complementa Melo. Na opinião do vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Marcelo Zelic, "esse caso é uma oportunidade de o STF harmonizar a jurisprudência externa com a jurisprudência interna", referindo- se ao acordo firmado pelo Brasil com a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que exige a investigação séria e a punição aos crimes cometidos pelo Estado no período, em respeito à jurisdição internacional sobre o tema. "No momento em que um torturador diz que o Supremo tem que lhe dar respaldo, isso só pode acontecer se o STF romper com o pacto de San José da Costa Rica, da Convenção Americana de Direitos Humanos. E a única resposta possível ao cumprimento de uma sentença é o 'cumpra-se'. Não existe um jeitinho brasileiro de dizer que cumpriu sem cumprir", pontua. Brasil esconde a verdade No documentário Cidadão Boilesen, de 2009, o diretor Chaim Litewski mostra que o coronel Carlos Alberto Ustra era próximo de Henning Albert Boilesen, empresário dinamarquês radicado no Brasil, presidente do grupo Ultragaz e mentor do esquema de financiamento do empresariado brasileiro à Operação Bandeirante (Oban), que reprimia, com extrema violência, os opositores do regime. Criada em 1969 com a proposta de integrar ações de inteligência, combate e repressão à esquerda organizada ou não, a Oban, segundo historiadores, foi também o viveiro para a criação do modus-operandi do DOI-Codi, de cuja seção paulista Ustra assumiu o comando durante o governo de Emílio Garrastazu Médici. Contra o coronel reformado, pesam mais de 502 denúncias de tortura, incluindo a de Merlino. Ângela Mendes, que assim como o então companheiro era militante do Partido Operário Comunista (POC), lembra bem o clima de terror instalado no Brasil durante um período em que os direitos civis estiveram completamente suspensos. Os dois estavam na França com a tarefa de fazer uma série de contatos políticos quando decidiram voltar ao Brasil. Ângela conta que a "queda" de Merlino aconteceu em 15 de julho de 1971, pouco tempo depois de chegar ao país com seu passaporte legal para preparar as condições para que ela voltasse com segurança - ele morreu após quatro dias. A militante só poderia entrar em território brasileiro com outra identidade, pois "já estava condenada", como ela própria diz. "Só não aconteceu nada comigo porque eu não estava no Brasil. Merlino voltou antes para preparar a minha volta, pois eu já estava clandestina e condenada", recorda. Testemunhas "O que ficou claro com os depoimentos de testemunhas sobre a morte de Merlino é que mesmo que Ustra não o tivesse torturado com suas próprias mãos, ele estava presente quase sempre e indicava se a tortura deveria ser mais forte ou mais fraca, se deveria continuar ou não", afi rma Ângela. A Comissão da Verdade, projeto do governo que deveria esclarecer crimes como esse e restabelecer a verdade histórica para o país, corre o risco de falsear a realidade, como defende parte dos militantes de esquerda daquele período. Ângela também vê limitações. "Eu faço parte das pessoas que não estão de acordo com esse projeto. Participo do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça e acho que, se for aprovado da maneira que está, é quase um fator negativo", afirma. Aprovada pela Câmara dos Deputados em 21 de setembro e pelo Senado na noite do dia 26, a Comissão da Verdade se propõe a averiguar os crimes contra os direitos humanos cometidos entre os anos de 1946 e 1988, diluindo a possibilidade de se investigar apenas o período da ditadura civil-militar. Sem poder de punição, a Comissão ainda pode se deparar com a falta de autonomia financeira, administrativa e política. Nessas condições, deve investigar a autoria de crimes como tortura, homicídios, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres. "A Comissão é um avanço. Agora, o que é lamentável é que tudo foi feito de modo a dificultar a apuração da verdade. Para averiguar todo esse período [1946-1988], a lei fixa um prazo de dois anos. Outra inconveniência é o problema do sigilo. Os militares que forem eventualmente ouvidos poderão alegar a questão do sigilo. Há tanto a impossibilidade de apurar quanto tornar público fatos que ocorreram", argumenta Claudineu de Melo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111111/67260c5b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 75540 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111111/67260c5b/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 11 20:20:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Nov 2011 20:20:21 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Lula, a Voz do Brasil por Frei Betto Message-ID: <2AE291E08AFB40F5B755A9AA04CDBC6C@vcaixe> Lula, a Voz do Brasil Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Lula é, hoje, a voz do Brasil. De modo especial, a voz dos que não têm voz. Nenhum brasileiro tem, no exterior, tanta audiência. Os chefes de Estado prestam atenção no que ele diz, inclusive Dilma Rousseff. Universidades dos cinco continentes o homenageiam com o diploma de doutor "honoris causa". Empresários, dentro e fora do Brasil, querem conhecer seu ponto de vista sobre a conjuntura. Organismos internacionais se interessam pelo modo como o seu governo combateu a fome e reduziu a desigualdade social no Brasil. A vida é imprevisível. Frágil como uma folha seca. E o futuro a Deus pertence. Súbito, Lula vê-se afetado por um câncer na laringe. Até parece que a natureza decidiu atingi-lo em seu calcanhar de Aquiles. Como ocorreu ao pianista João Carlos Martins, cujos dedos das mãos, afetados por uma sucessão de problemas de saúde, quase o obrigaram a se afastar da música. Hoje, ele é reconhecidamente um exímio regente. O câncer parece perseguir os chefes de Estado: Lugo, Chávez, José Alencar... Lula é feito da mesma matéria-prima de Alencar. Os dois foram dotados de um imbatível otimismo frente à vida, sustentado por consistente fé cristã. Como Alencar, Lula se sabe predestinado - não no sentido messiânico que o termo possa sugerir, e sim como resultado de uma convergência de fatores que o levaram à vida pública e, graças à sensibilidade social trazida de berço, se empenha em minorar a desigualdade social e promover uma ampla política de inclusão dos empobrecidos. Todo o poder de comunicação de Lula se centra na voz. Ele nasceu brindado pelo dom da oratória. Lembro do início de nossa amizade, nas grandes assembleias metalúrgicas do ABC, no estádio da Vila Euclides, nos primeiros anos da década de 1980. Lula, antes de sair de casa, elencava num pedaço de papel os temas a serem abordados em seu discurso de encerramento da concentração operária. Era sempre o último a falar. Seu discurso marcava a culminância da assembleia. Ocupado o palanque, iniciava-se a sucessão de pronunciamentos: diretores do sindicato dos metalúrgicos, líderes operários, advogados trabalhistas, políticos... À medida que o ato avançava, os pontos elencados por Lula brotavam da boca dos oradores que o precediam. Eu me sentia aflito por ele, preocupado se, ali no palanque, ele teria ideia de outros temas que ninguém tivesse abordado. Terminada a lista de oradores, a palavra de coroamento da manifestação cabia a Lula. Todos prestavam silenciosa atenção, como se cada uma de suas frases devesse ser absorvida pela multidão. Então, Lula surpreendia. Não por arrancar da cartola retórica, como um mágico, temas inéditos. A pauta era a mesma. A novidade consistia no modo como a abordava. Não falava com a cabeça, e sim com o coração. Não proferia teorias nem se perdia na ênfase de frases demagógicas. Discursava a partir de experiências oriundas de sua trajetória pessoal, criava parábolas, contava "causos". Exortava, advertia, expressava metáforas bem humoradas, destilava ironias em torno da ditadura, caricaturava ministros e empresários, cobrava de cada grevista empenho na mobilização, atiçava os brios éticos da massa trabalhadora. Seu pronunciamento soava mais moral do que político. Sua voz inflamava a assembleia. Agora, a voz padece. Descansa. Exige cuidados. Lula, como ocorre às águias ao atingirem 40 anos de idade, se recolhe à montanha para adquirir novo vigor. E, em breve, retomar seu voo por uma política, no Brasil e no mundo, centrada no fim da miséria e da pobreza - onde a sua vida teve início. [Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de "Conversa sobre a fé e a ciência" (Agir), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111111/39c3f50a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 12 17:03:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 12 Nov 2011 17:03:51 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de___EDUARDO_COLLIER_FILHO__e__FERNANDO_AU?= =?iso-8859-1?q?GUSTO_DE_SANTA_CRUZ_OLIVEIRA_____________________-C?= =?iso-8859-1?q?CXCV-?= Message-ID: <94243CE2DE664B5FB9DF208B19227D43@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem FERNANDO AUGUSTO DE SANTA CRUZ OLIVEIRA (1948 - 1974)(veja + na série "Para Não Esquecer Jamais" nº II) Filiação: Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira e Lincoln de Santa Cruz Oliveira Data e local de nascimento: 20/02/1948, Recife (PE) Organização política ou atividade: APML Data e local do desaparecimento: 23/02/1974, Rio de Janeiro (RJ) EDUARDO COLLIER FILHO (1948 - 1974) Filiação: Risoleta Meira Collier e Eduardo Collier Data e local de nascimento: 05/12/1948, Recife (PE) Organização política ou atividade: APML Data e local do desaparecimento: 23/02/1974, Rio de Janeiro (RJ) Nascidos ambos em Recife, amigos desde a infância, Fernando e Eduardo eram militantes da APML e foram presos juntos em Copacabana, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI-CODI/RJ, em 23/02/1974, quando faltavam poucas semanas para ter fim o governo Garrastazu Médici. Seus nomes integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Fernando Santa Cruz era casado com Ana Lúcia Valença Santa Cruz Oliveira, com quem teve um filho de nome Felipe. Tinha vida absolutamente legal e era funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica, em São Paulo, onde morava com a mulher e Felipe, então com dois anos. Era um sábado de carnaval e a família estava no Rio de Janeiro. Por volta das 15h30min, Fernando saiu da casa do irmão Marcelo, que atualmente é vereador em Olinda, para se encontrar com Eduardo Collier às 16 horas. Deixou no ar a advertência: se não voltasse até 18 horas, teria sido preso. Já tinha sido preso uma vez, em uma passeata do Movimento Estudantil contra os acordos MEC-Usaid, em Recife, no ano de 1966, conforme foi mencionado na apresentação do caso Ramires Maranhão do Valle neste livro-relatório. Como ainda não tinha 18 anos, ficou detido por uma semana no Juizado de Menores. Participou ativamente das mobilizações estudantis de Recife até 1968, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Ali, passou a trabalhar como pesquisador na Coordenação de Habitação de Interesse Social da área metropolitana do Grande Rio, do Ministério do Interior. Em 1972, matriculou-se no curso de Direito da Universidade Federal Fluminense, mas em setembro de 1973, mudou-se para São Paulo. Sua irmã, Rosalina Santa Cruz, hoje professora na PUC de São Paulo, também foi presa política no Rio de Janeiro, devido a sua militância na VAR-Palmares, sendo alvo de cruéis torturas. Eduardo Collier Filho cursou Direito na Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Havia sido indiciado em inquérito policial pelo DOPS/ SP, em 12/10/1968, por ter participado do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). Em 1969, foi expulso da universidade pelo decreto 477. Militante da AP tanto quanto Fernando Santa Cruz, alinharam-se ambos, a partir de 1972 na ala dessa organização clandestina que não concordou com a incorporação da organização ao PCdoB e se manteve estruturada como APML, da mesma forma que Paulo Wright, Honestino Guimarães, Umberto Câmara e outros. Como parte da perseverante cruzada que mantiveram durante anos em busca dos filhos, as duas mães, Elzita Santos Santa Cruz Oliveira e Risoleta Meira Collier, endereçaram uma carta ao novo chefe da Casa Civil, general Golbery do Couto e Silva, onde relatam todos os passos de sua peregrinação desde fevereiro e fornecem informações bem concretas: "fomos a São Paulo, no dia 14 de março, ao DOI do II Exército, situado na rua Tomás Carvalhal, onde ocorreu o seguinte incidente: recebidas pelo carcereiro de plantão, que atendia pelo nome ou alcunha de 'Marechal', o mesmo anotou os nomes de nossos filhos e, após uma ausência de meia hora, retornou o referido funcionário, na ocasião comunicando que 'hoje não é dia de visitas para Fernando e Eduardo'; em virtude da nossa insistência, foi declarado que os nossos filhos ali se encontravam presos, mas que só poderiam receber visitas no domingo próximo, após as 10 horas. Apesar disso se dispuseram a receber e entregar sacolas contendo roupas e objetos de uso pessoal. A convicção de que realmente eles estavam presos no local tornou-se absoluta quando o carcereiro, ao receber o nome de Fernando Augusto de Santa Cruz, completou-o, acrescentando o último sobrenome, Oliveira, sem que lhe fosse fornecido. No domingo, ao comparecermos ao DOI, certos de que nos avistaríamos com nossos estimados filhos, como prometido, fomos comunicadas por um funcionário, que atendia pelo nome de Dr. Homero, de que Fernando e Eduardo ali não se encontravam, tratando-se tudo de um 'lamentável equívoco', ocasião em que foram devolvidas as sacolas". Os desaparecimentos foram levados também à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, com sede em Washington, ao Tribunal Bertrand Russel, à Câmara dos Deputados, onde os então deputados Fernando Lira e Jarbas Vasconcelos denunciaram o episódio na tribuna e ainda a dezenas de personalidades históricas do Brasil, entre apoiadores e opositores do regime militar, como Tristão de Athayde, Dom Helder Câmara, os generais Reynaldo Melo de Almeida e Sylvio Frota e os marechais Cordeiro de Farias e Juarez Távora Em 07/08/1974, Risoleta e Elzita participaram, junto com outros familiares de desaparecidos, de uma audiência com o general Golbery, articulada por Dom Paulo Evaristo Arns. Era a primeira vez que o governo militar recebia os familiares de desaparecidos. Nenhuma resposta foi dada. Apenas seis meses depois, em fevereiro de 1975, o ministro da Justiça Armando Falcão fez um pronunciamento respondendo aos familiares com a cínica informação de que os desaparecidos estavam todos foragidos. No Arquivo do DOPS/SP, na ficha de Fernando Santa Cruz consta: "Nascido em 1948, casado, funcionário público, estudante de Direito, preso no RJ em 23/02/74". O Relatório do Exército de 1993 contém apenas a qualificação de Fernando e sua militância na APML e o Ministério da Marinha informa que "foi preso no RJ em 23/02/74, sendo dado como desaparecido a partir de então". Quanto a Eduardo Collier, seu nome aparece no Arquivo do DOPS/PR na gaveta identificada com a palavra "falecidos". O Relatório do Ministério do Exército registra que, "conforme reportagem veiculada no Jornal de Brasília, em sua edição do dia 31/10/1975, o nominado teria sido preso em 23/01/1974, no estado do Rio Grande do Sul, após permanecer por um longo período foragido da Justiça Militar". O Relatório do Ministério da Marinha menciona que "desapareceu quando visitava parente na Guanabara". Para os dois militantes, o Ministério da Aeronáutica informa que são citados na imprensa como mortos ou desaparecidos, mas que não há dados que comprovem a versão. Na já citada edição de 24/03/2004 da revista IstoÉ, o sargento Marival Chaves do Canto, que trabalhando como analista do DOI-CODI acompanhou as principais ações do CIE comandadas pelo Doutor César, o coronel reformado José Brant Teixeira, e pelo Doutor Pablo, o coronel Paulo Malhães, informa que esses dois oficiais "foram responsáveis pelo planejamento e execução de uma mega-operação em inúmeros pontos do País para liquidar, a partir de 1973, os militantes das várias tendências da Ação Popular (AP), movimento de esquerda ligado à Igreja Católica. Segundo o ex-agente, entre os mortos estão Fernando Santa Cruz Oliveira, Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho e Honestino Monteiro Guimarães, militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), movimento dissidente da AP". O livro Desaparecidos Políticos, do Comitê Brasileiro pela Anistia/RJ, organizado por Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, registra com palavras emocionantes o drama de muitas crianças brasileiras que naquele período sombrio da história não puderam saber se eram ou não órfãs: "Com o tempo, Felipe, filho de Fernando, acabou entendendo que seu pai tinha sido preso. E como ele não voltou mais, certa vez Felipe disse a um dos seus amiguinhos: - O soldado matou o meu pai, só que eu não sei por quê. Mamãe me disse que quando eu ficar grande eu vou entender. Mas quando eu crescer, vou ao quartel saber onde esconderam meu pai". =============================================================================================================================== + Informações. EDUARDO COLLIER FILHO Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML). Desaparecido desde 1974 quando contava 26 anos de idade. Natural de Recife, Pernambuco, nasceu a 5 de dezembro de 1948, filho de Eduardo Collier e Rizoleta Meira. Era estudante da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, cassado pelo Decreto-lei 477. Foi indiciado em inquérito policial pelo DOPS, em 12/10/68, por ter participado do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna Preso no Rio de Janeiro, em 23 de fevereiro de 1974, juntamente com Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, por agentes do DOI-CODI/RJ. Desde, então, está desaparecido. No Arquivo do DOPS/PR , pesquisado em 1991 pela CFMDP, o nome de Eduardo aparece em uma gaveta identificada como: "falecidos". O Relatório do Ministério do Exército diz que, "conforme reportagem veiculada no Jornal de Brasília, em sua edição do dia 31 de outubro de 1975, o nominado teria sido preso em 23 de janeiro de 1974, no estado do Rio Grande do Sul, após permanecer por um longo período foragido da Justiça Militar. Em setembro de 1972 foi condenado a 2 anos de prisão pela Auditoria do Conselho de Justiça da Aeronaútica." Já o Relatório do Ministério da Marinha diz que "desapareceu quando visitava parente na Guanabara. Na época respondia processo por atividades políticas na 2ª Auditoria Militar de São Paulo." =================================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) No início da década de 1970, quando as prisões sem comunicação de opositores políticos foram se avolumando, as primeiras vozes que se levantaram foram a de seus familiares. Cada família começou sozinha, percorrendo delegacias, quartéis e tribunais, publicando pequenas notas nos jornais submetidos à censura, impetrando habeas corpus, mesmo sabendo que esse instrumento de defesa dos direitos do cidadão estava suspenso para delitos políticos. Restava a esperança de que, embora não aceito pela Justiça, o habeas corpus funcionasse como registro de que determinada pessoa estava sob a responsabilidade do Estado, ou de que, a partir dessa denúncia, o destino do prisioneiro pudesse ser menos trágico. Em frente aos portões, nos pátios, iam se formando grupos crescentes de pessoas procurando por um nome, mostrando a todos uma fotografia, carregando uma sacola com roupas e objetos pessoais, para, se possível, fazer chegar a alguém. Se a pessoa aparecia em alguma prisão, a busca acabava para aquela família. "Nessa época não éramos uma comissão, éramos um bando de familiares que saía de porta em porta procurando por seus parentes", lembra Criméia de Almeida. Elzita Santa Cruz, mãe de Fernando Santa Cruz Oliveira, que foi visto pela última vez em 23 de fevereiro de 1974, em Copacabana, no Rio de Janeiro, foi uma dessas pessoas. "Olha, eu fui para São Paulo e Rio e o procurei como uma louca, de quartel em quartel, eu e minha filha Márcia. Falavam que estava aqui, que estava lá, não sei onde. Tudo mentira", lembrou Dona Elzita, em Recife, em outubro de 2010. Quase sempre ao lado de Risoleta Collier, mãe de Eduardo Collier Filho, amigo e companheiro de Fernando, que desapareceu no mesmo dia que este, dona Elzita passou anos procurando por seu filho. Escreveu cartas ao ministro da Justiça da época, Armando Falcão, ao presidente Geisel e ao ministro do Exército, Sylvio Frota. Recebeu uma resposta do II Exército, considerando-se "ultrajado" e acusando-a de difamar a "dignidade" da instituição. Segundo essa carta, era "óbvio" que Fernando jamais estivera preso em nenhuma dependência do Exército. Às vésperas de completar 97 anos, dona Elzita ainda esperava: "A coisa que eu mais queria de presente [de aniversário] era que abrissem os arquivos. Aí podia ser que tivesse alguma pista, alguma coisa sobre meu filho". A busca por Fernando teria ainda outro capítulo sinistro vivido pela sua irmã Rosalina, que foi procurar notícias dele no II Exército e acabou presa junto com o seu marido. "Eu e o meu companheiro fomos novamente presos em abril de 1974, dois meses depois da prisão de Fernando, numa tarde, quando saíamos de uma entrevista com o relaçõespúblicas do II Exército, em São Paulo, ao chegarmos ao nosso apartamento na avenida Angélica. Fomos levados para a Oban e ficamos ali 11 dias. Levei choques elétricos na 'cadeira do dragão' e muita palmatória, enquanto meu companheiro ficou no pau-de-arara levando choques. Entretanto, o pior nesta prisão foi o envolvimento do meu filho André, de apenas 5 meses, que ficou no apartamento com os agentes de segurança, em cárcere privado, até chegar meu irmão Marcelo, que também foi detido nesta ocasião. Na Oban, ao perguntar por Fernando, os torturadores diziam desconhecer sua prisão e até sua existência. E tudo nos leva a crer que estas prisões eram uma forma de nos intimidar, para pararmos de procurar Fernando e de denunciar sua prisão" 1, relatou. EDUARDO COLLIER FILHO (1948-1974) Nascido em Recife, o pernambucano Eduardo cursou Direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. Foi indiciado pelo Dops/SP em 12 de outubro de 1968, por ter participado do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna. Em 1969, foi expulso da UFBA pelo decreto 477. Eduardo era militante da APML e, juntamente com o amigo Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, foi preso em Copacabana, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI-Codi/RJ, em 23 de fevereiro de 1974. Informada de que o filho fora transferido para São Paulo, Risoleta Meira Collier, sua mãe, esteve no DOI-Codi/SP em companhia de Elzita Santos Santa Cruz Oliveira, mãe de Fernando, levando sacolas com roupas e objetos de uso pessoal. O material foi aceito por um carcereiro, que admitiu que eles estavam presos ali. Em carta ao general Golbery do Couto e Silva, Risoleta e Elzita declaram ter certeza de que eles estavam no local "porque o carcereiro, ao receber o nome de Fernando Augusto de Santa Cruz, completou-o, acrescentando o último sobrenome, Oliveira, sem que lhe fosse fornecido". Essa informação, porém, foi negada quando elas voltaram no dia seguinte para visitar os filhos e receberam de volta as sacolas. Os desaparecimentos de Eduardo e Fernando foram levados à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, com sede em Washington, ao Tribunal Bertrand Russel e à Câmara dos Deputados. Os deputados Fernando Lira e Jarbas Vasconcelos denunciaram o episódio na tribuna e ainda dezenas de personalidades do país, entre apoiadores e opositores do regime militar. Em 7 de agosto de 1974, Risoleta e Elzita participaram, com outros familiares de desaparecidos, de uma audiência com o general Golbery do Couto e Silva. Era a primeira vez que o governo militar recebia esses familiares. Nenhuma resposta foi dada. Apenas seis meses depois, em fevereiro de 1975, o ministro da Justiça Armando Falcão fez um pronunciamento com a informação de que os desaparecidos estariam todos foragidos. O nome de Eduardo aparece no arquivo do Dops do Paraná na gaveta identificada com a palavra "falecidos". O relatório do Ministério do Exército registra que, "conforme reportagem veiculada no Jornal de Brasília, em sua edição do dia 31/10/1975, o nominado teria sido preso em 23/01/1974, no Estado do Rio Grande do Sul, após permanecer por um longo período foragido da Justiça Militar". O relatório do Ministério da Marinha menciona que "desapareceu quando visitava parente na Guanabara". Já o Ministério da Aeronáutica informa que Eduardo e Fernando são citados na imprensa como mortos ou desaparecidos, mas que não há dados que comprovem a versão. Na edição de 24 de março de 2004 da revista IstoÉ, o sargento Marival Chaves do Canto, que trabalhou no DOI-Codi e acompanhou as principais ações do CIE, informa que Eduardo e Fernando foram mortos em uma megaoperação realizada para liquidar os militantes das tendências da Ação Popular (AP), como a APML =================================================================================================== + Detalhes. sexta-feira, 15 de julho de 2011 COM OS OLHOS VOLTADOS PARA VIDA PÚBLICA/ONDE SÓ OS GRANDES; RUY, NABUCO E TOBIAS/LUTARAM COM ARDOR EM PROL DA LIBERDADE Lampejava os raios de inigualável talento/Içados de idealismo e sublimes sentimentos/De Eduardo Collier Filho, ou simplesmente Duda Collier Na reportagem Dossiê da Indignação, que o Diario de Pernambuco publicou em 2010, aparece na lista dos mortos e desaparecidos políticos durante o regime militar que comandou o Brasil por vinte e um anos, a figura humanamente extraordinária e imorredoura de Eduardo Collier Filho, ou simplesmente Duda Collier, como era carinhosamente chamado. Este acróstico é uma homenagem sentida ao meu amigo dileto, saudoso e inesquecível. Enquanto viver, seu nome viverá na minha lembrança, bem guardado no meu coração!Eis um jovem quase sobrenatural/De alma espartana, pura e nobre!/Um Lorde-latino da melhor estirpe/Aristocrático, formoso e bem-posto/Ressoavam altissonante sua eloqüência/Dourando nos horizontes da Pátria/Os seus mais puros e sublimes ideais! Com os olhos voltados para vida pública/Onde só os grandes, Ruy, Nabuco e Tobias/Lutaram com ardor em prol da liberdade/Lampejava os raios de seu inigualável talento/Içados de idealismo e sublimes sentimentos/Em busca de um novo tempo ou de um tempo novo/Risonho, duradouro, quase eterno e feliz! Fluência verbal, vibrante e constante/Inteligência prodigiosa, luminosa e perene/Luz que cintila nas constelações do firmamento/Hino de glória, de louvor ao Senhor!/O Brasil pranteia e chora saudade! José Benigno - É jornalista, professor, acadêmico e, presentemente, escrevendo: "O Despertar de uma Grande Nação" "Sinais dos Tempos" e "Berço da Liberdade, Pedaço Imortal do Brasil" =========================================================================================== + Detalhes. Carta enviada pela mãe de Fernando ao Ministro da Justiça: "Exmo. Sr. Ministro Armando Falcão Ministério da Justiça - Brasília, Distrito Federal Olinda, Pernambuco, 7 de fevereiro de 1975 Sou mãe de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira e fui surpreendida com a Nota Oficial do Ministério da Justiça, divulgada em 6 de Fevereiro pela imprensa falada e escrita, em que são prestadas informações sobre 27 pessoas dadas como desaparecidas com os respectivos registros constantes dos órgãos de segurança. Entre as pessoas desaparecidas encontra-se meu filho, fato ocorrido no dia 23 de fevereiro de 1974, na Guanabara, quando se encontrava com o seu amigo Eduardo Collier Filho conforme alegações apresentadas pelos seus advogados ao Superior Tribunal Militar. Iniciou-se para nós a partir de sua prisão uma verdadeira maratona em busca de informações por este Brasil afora, desde os presídios civis e militares até os ministérios, no sentido de localizá-lo e ter a certeza da autoridade responsável pela sua custódia, a fim de que fosse permitido o acesso de advogado e familiares. Apesar das negativas das autoridades responsáveis, as informações, fatos e indícios que obtivemos junto a pessoas e instituições indicam a sua prisão. Fatos estes, que foram já relatados minuciosamente a sua Excia. Sr. Ministro Golbery do Couto e Silva, em entrevista mantida em 7 de agosto de 1974, promovida pelo arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns. Quero informar-lhe Sr. Ministro que o teor da nota expedida por V. Excia no que se refere ao meu filho, perpetua a incerteza de seu destino, razão pela qual sinto-me na obrigação de assumir, na qualidade de mãe, sua defesa, já que ele não pode se manifestar. Mas faço também imbuída por princípios de justiça e de verdade que acredito serem postulados que devem nortear a conduta humana. A afirmação 'encontra-se na clandestinidade' a ele atribuída nesta Nota Oficial é paradoxal e para contestá-la informo a V. Excia. que Fernando era funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, residia à rua Diana, 698, no Bairro de Perdizes - SP; tendo, portanto, residência e emprego fixos e sendo responsável pelo sustento material de sua esposa e filho. Para maiores esclarecimentos do que afirmo, junto a esta recibo de aluguel em seu nome e contra-cheque do último pagamento referente ao mês de janeiro de 1974, e inclusive poderá ser verificado na repartição que trabalhava o seu cartão de ponto, marcando a sua presença sempre pontual até a véspera do seu desaparecimento. Sr. Ministro da Justiça, diante de tais esclarecimentos pergunto: que clandestinidade seria esta que, repentinamente, transformaria um filho, respeitoso, carinhoso e digno em um ser cruel e desumano, que desprezaria a dor de sua velha mãe, a aflição de sua jovem esposa e o carinho de seu filho muito amado? É fácil concluir, que qualquer pessoa, mesmo perseguida em qualquer lugar onde estiver, terá como enviar uma palavra de calma e tranquilidade aos seus familiares. Ora, Sr. Ministro, porque Fernando não o faria? Não posso aceitar pura e simplesmente o argumento de V. Excia, tendo em vista os fatos, indícios e informações já prestadas ao Exmo. Ministro Golbery e espero que não se dê por esgotado este episódio, mas que seja esclarecido o que realmente aconteceu ao meu filho para que possamos sair deste imenso sofrimento que nos encontramos: eu e todos os meus familiares. Escrevo esta carta movida pela crença que sentimentos de justiça e de dignidade nortearão a conduta de V. Excia. e do Exmo. Sr. Presidente da República em relação a este fato. Nada peço ao Sr. para meu filho a não ser os esclarecimentos, que tenho direito, sobre o seu paradeiro e justiça! Disposta a qualquer esclarecimento que seja necessário, subscrevo-me "Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira." ============================================================================================= + Detalhes. ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA JÁ! O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ lamenta profundamente comunicar o falecimento de cinco mulheres mães de desaparecidos políticos durante a ditadura civil-militar brasileira Em 19 de dezembro de 2009, faleceu a Sra. Aminthas Rodrigues Pereira, mãe de Idalísio Soares Aranha Filho, desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 1972. Em janeiro último, a Sra. Rizoleta Meira Collier, mãe de Eduardo Collier Filho, militante da Ação Popular Marxista Leninista (APML) desaparecido em 1974, no Rio de Janeiro. No mês de fevereiro perdemos: a Sra. Osória Calatrone, mãe de João Gualberto Calatrone, também desaparecido no Araguaia desde 1973; Sra. Luiza Gurjão Farias, mãe de Bergson Gurjão Farias, desaparecido na Guerrilha do Araguaia em 1972; e Sra. Felícia Nardini de Oliveira, mãe da militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Isis de Oliveira desaparecida desde janeiro de 1972. O GTNM/RJ homenageia as mulheres/mães que morreram sem quaisquer informações que permitissem a elucidação das circunstâncias das mortes de seus filhos, bem como esclarecimentos sobre seus paradeiros. Nosso jornal, com pequenos fragmentos das vidas dos seus filhos, expõe em breve narrativa, a luta que cada um deles empreendeu durante aqueles sombrios anos; luta voltada para o projeto de um país livre, democrático, justo e igual. O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e outras entidades continuam enfatizando a luta pelo total esclarecimento e responsabilização do Estado brasileiro pelos fatos ocorridos no período ditatorial. Ou seja: onde? Como? Quando? Por quem foram assassinados: Bérgson Gurjão Farias, Eduardo Collier Filho, Idalísio Soares Aranha Filho, Isis de Oliveira e João Gualberto Calatroni? =========================================================================================== + Detalhes. Os matadores « Quem quemtorturou.wordpress.com/2011/11/03/os-matadores/Em cache - Bloquear todos os resultados de quemtorturou.wordpress.com Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer 3 nov. 2011 - Segundo o ex-agente, entre os mortos estão Fernando Santa Cruz Oliveira, Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho e Honestino Monteiro ... ============================================================================================================ FICHA Eduardo Collier Filho Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Eduardo Collier Filho Cidade: (onde nasceu) Recife Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 5/12/1948 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal da Bahia UFBA Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Popular Marxista-Leninista APML Brasil Nome falso: (Codinome) Ulisses, Duda, Anjo Barroco Prisão: 23/2/1974 Rio de Janeiro RJ Brasil Segundo Jornal de Brasília, de 31/10/75, foi preso no Rio Grande do Sul. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 23/2/1974 Rio de Janeiro RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social DOPS ou DEOPS Brasil Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Hatori, Elza. Provas confirmam mortes da ditadura. Diário Popular, São Paulo, 1 de ago. 1991, p. 2. Trata da disponibilização do arquivo do DOPS/PR à Prefeitura de São Paulo para a realização de trabalho em Curitiba pela Comissão Especial de Investigação que foi criada por esta Prefeitura para acompanhar o processo das ossadas enterradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. As investigações levaram à confirmação da morte de vítimas da ditadura que não tiveram o óbito assumido pelo regime militar. Foram localizadas 17 fichas de militantes desaparecidos no arquivo do Paraná dentro de uma gaveta com a inscrição "Falecidos". Apesar das fichas e prontuários terem sido localizados em Curitiba, a maior parte destes 17 militantes desapareceu em São Paulo, depois de serem presos e torturados. Foto Fotos originais e preto e branco de Eduardo em épocas distintas. Relatório Documento do DOPS/SP de 24/03/1972, com informações de indiciamentos e mandados de prisão junto aos órgãos de repressão. Relatório Parte de documento do DOPS contendo relação de presos dos participantes do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, SP, em 1968, com nome e dados pessoais, incluindo Eduardo Collier Filho. Relatório Documento do DOPS com dados pessoais e resumo de atividades políticas. Informa que Eduardo até então se encontrava foragido. Livro Comitê Brasileiro de Anistia e Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos Brasileiros - familiares, amigos e ex-militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). "Onde estão? - desaparecidos políticos brasileiros". 44 p. Possui a foto de Honestino Monteiro Guimarães à capa, presidente da UNE em 1973 e um dos militantes visados pelo regime militar, além da biografia e documentos referentes a outros mortos ou desaparecidos pela repressão de 1968 a 1973. Material produzido por volta de 1983 como homenagem e instrumento de luta para que estes fatos não voltem a acontecer e para que sejam prestadas contas sobre o paradeiro destas e muitas outras pessoas. Inclui transcrição de alguns artigos de jornais sobre desaparecidos políticos e listas com nomes dos desaparecidos e mortos políticos desde 1964. Termo de declarações Declarações de Elzita de Santa Cruz Pimenta, irmã de Fernando, à Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, em 31/10/90. Elzita declara que seu irmão nasceu em Recife, PE, mudou-se para o Rio de Janeiro quando se casou, depois indo residir em São Paulo. No Carnaval de 1974, Fernando, a esposa e o filho foram para o Rio, quando aquele ia encontrar-se com Eduardo Collier Filho, o qual estava com prisão preventiva decretada e vivia na clandestinidade. Depois da ida a este encontro, em 23/02/74, Fernando e Eduardo nunca mais foram vistos. Descreve as buscas que as duas famílias empreenderam e as informações contraditórias fornecidas pelos órgãos de repressão, além da prisão de alguns deles. Afirma estar prestando declarações com o fim de colaborar para o trabalho de identificação de ossadas no Cemitério de Perus. Folheto Documento elaborado provavelmente por familiares, por volta de 1974, denunciando que o seqüestro e o desaparecimento de pessoas presas pela polícia política brasileira não constituem casos isolados. Comunica que a Arquidiocese de São Paulo prepara um dossiê que será enviado ao Vaticano com os nomes e detalhes sobre as prisões arbitrárias e o posterior desaparecimento dos presos. Informa casos de vários desaparecidos, cujos familiares lutam sem sucesso por informações. Cita o desaparecimento precedido de prisão, a 23/02, dos estudantes Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira; a prisão do professor Luiz Ignácio Maranhão em 04/03, presumivelmente pelo delegado Sérgio Fleury e seu posterior desaparecimento; prisão e desaparecimento de David Capistrano, de 60 anos, e José Roman, de 55 anos, acusados de pertencerem ao Partido Comunista Brasileiro (PCB); a prisão, no ano anterior, de Honestino Guimarães, líder estudantil do DCE de Brasília, juntamente com o estudante Humberto Câmara Neto, ambos desaparecidos desde 09/73; o desaparecimento, também nesta época, do deputado cassado em 1964, Paulo Stuart Wright, preso em São Paulo; a prisão dos jovens Alexandre Vannucchi, José Carlos da Mata Machado e Gildo Lacerda e a divulgação na imprensa pelos órgãos de segurança, semanas depois, de suas mortes por "atropelamento" e em "tiroteio com a polícia". Também transcreve alguns trechos da carta enviada ao Ministro da Justiça, Dr. Armando Falcão, em 03/04/74, sobre o desaparecimento de Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, solicitando que seja informado o paradeiro de ambos. Ficha pessoal Documento do DOPS/SP, sem data, com dados pessoais e histórico de militância, de inquéritos policiais e mandados de prisão de 1968 a 1971. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social/PR, com dados de 30/11/71 a 01/11/78, sobre a militância, prisão preventiva decretada pela Justiça Militar, inquéritos sobre atividades e dados publicados na imprensa relacionados a Eduardo Collier. Ficha pessoal Documento do DOPS/SP com dados pessoais e fotos de rosto. Ficha pessoal Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social contendo dados pessoais e foto de rosto. Ficha pessoal Impresso preenchido pelos familiares. Possui dados pessoais, foto 3x4, além de informar que Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira foi seqüestrado em 23/02/74 no Rio de Janeiro, juntamente com Eduardo Collier Filho, e que provavelmente foi detido no DOI-CODI do Rio e depois transferido para São Paulo. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Certidão Certidão da Divisão de Segurança e Informações, da Polícia Civil do Paraná, para a Comissão Especial de Investigação das Ossadas encontradas no Cemitério de Perus, de 24/07/91. Certifica que as fichas das pessoas a seguir foram encontradas no arquivo do DOPS, em gaveta com a identificação "Falecidos": Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Hiran de Lima Ferreira, Edgard de Aquino Duarte, Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho, Helenira Resende de Sousa Nazareth, Miguel Pereira dos Santos, José Huberto Bronca, Isis Dias de Oliveira, Antônio dos Três Reis Oliveira, Ayrton Adalberto Mortati, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Luiz Almeida, Ruy Carlos Vieira Berbert, Joaquim Pires Cerveira, Virgílio Gomes da Silva e Elson da Costa. Carta Carta de Elzita e Risoleta, mães de Fernando Augusto e de Eduardo, ao Chefe da Casa Civil, de 27/05/74. Informa o dia da prisão de Fernando Augusto e de Eduardo e todos os passos que as duas tomaram no sentido de localizá-los e conseguir autorização para que pudessem visitá-los no DOI do II Exército, local onde elas acreditavam que eles estavam presos. Relatam que conseguiram ajuda da Cruz Vermelha, que constatou que os dois encontravam-se detidos e que gozavam de boa saúde; porém, nada puderam fazer além disso. Por fim, pedem ajuda ao Chefe da Casa Civil para localizar o paradeiro dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111112/f813f23f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3480 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111112/f813f23f/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 7668 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111112/f813f23f/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 12 17:04:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 12 Nov 2011 17:04:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Vejam_a_hist=F3ria_das_raz=F5es_d?= =?iso-8859-1?q?a_ocupa=E7=E3o_e_=22desocupa=E7=E3o=22_da_USP=2EIss?= =?iso-8859-1?q?o_a_m=EDdia_n=E3o_publica=2E?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Vejam a história das razões da ocupação e "desocupação" da USP. Isso a mídia não publica. clique http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jN-86J-m08I e Veja + Invasão da USP: Nota de repúdio dos pesquisadores da instituição http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2011/11/invasao-da-usp-nota-de-repudio-dos.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111112/820eb729/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111112/820eb729/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 13 13:09:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 13 Nov 2011 13:09:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Musica_latina_de_grupo_portoriqu?= =?iso-8859-1?q?neno__e_politizada=2E=2E=2E_ganha_o_premio_Grammy_d?= =?iso-8859-1?q?esse_ano=2E______________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICA?= =?iso-8859-1?q?S!?= Message-ID: <72AC6E9BC8654A4FB5D705FC7002CE15@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Nesses dias passados, foi entregue o Prêmio Grammy Latino, que é a premiação da indústria fonográfica norte-americana para o mercado latino. Como todos os prêmios americanos são aquelas apresentações exageradas, teatros luxuososos e os vencedores são meio cartas marcadas... Mas vejam só as contradições, desta vez quem ganhou o prêmio de mulher música latina do ano: uma dupla de rap de Porto Rico chamada Calle 13 e a música "latino américa". (letra abaixo) [ Além de versos como "La operación Condor invadiendo mi nido/Perdono pero nunca olvido", sou obrigado a destacar os versos " Soy Maradona contra Inglaterra, Anotándote dos goles"] Aqui, o vídeo de abertura do evento, com o Calle 13 cantando esta música com a Orquestra Jovem Símon Bolívar (Venezuela) : http://www.youtube.com/watch?v=0HQimOxdWtc&feature=related E aqui o discurso de agradecimento, com a banda dedicando às lutas pela educação em Colômbia, Chile e Porto Rico: http://www.youtube.com/watch?v=Dd1vqE1vPSE Latinoamérica Calle 13 Soy... soy lo que dejaron Soy toda la sobra de lo que se robaron Un pueblo escondido en la cima Mi piel es de cuero, por eso aguanta cualquier clima Soy una fábrica de humo Mano de obra campesina para tu consumo frente de frío en el medio del verano El amor en los tiempos del cólera, mi hermano! Soy el sol que nace y el día que muere Con los mejores atardeceres Soy el desarrollo en carne viva Un discurso político sin saliva Las caras más bonitas que he conocido Soy la fotografía de un desaparecido La sangre dentro de tus venas Soy un pedazo de tierra que vale la pena Una canasta con frijoles, soy Maradona contra Inglaterra Anotándote dos goles Soy lo que sostiene mi bandera La espina dorsal del planeta, es mi cordillera Soy lo que me enseñó mi padre El que no quiere a su patría, no quiere a su madre Soy américa Latina, un pueblo sin piernas, pero que camina Oye! Coro Totó La Momposina: Tú no puedes comprar el viento Tú no puedes comprar el sol Tú no puedes comprar la lluvia Tú no puedes comprar el calor María Rita: Tú no puedes comprar las nubes Tú no puedes comprar los colores Tú no puedes comprar mi alegría Tú no puedes comprar mis dolores Totó La Momposina: Tú no puedes comprar el viento Tú no puedes comprar el sol Tú no puedes comprar la lluvia Tú no puedes comprar el calor Susana Bacca: Tú no puedes comprar las nubes Tú no puedes comprar los colores Tú no puedes comprar mi alegría Tú no puedes comprar mis dolores Calle 13 Tengo los lagos, tengo los ríos Tengo mis dientes pa' cuando me sonrio La nieve que maquilla mis montañas Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña Un desierto embriagado con peyote Un trago de pulque para cantar con los coyotes Todo lo que necesito, tengo a mis pulmones respirando azul clarito la altura que sofoca, Soy las muelas de mi boca, mascando coca El otoño con sus hojas desmayadas Los versos escritos bajo la noches estrellada Una viña repleta de uvas Un cañaveral bajo el sol en Cuba Soy el mar Caribe que vigila las casitas Haciendo rituales de agua bendita El viento que peina mi cabellos Soy, todos los santos que cuelgan de mi cuello El jugo de mi lucha no es artificial Porque el abono de mi tierra es natural Coro Totó La Momposina: Tú no puedes comprar el viento Tú no puedes comprar el sol Tú no puedes comprar la lluvia Tú no puedes comprar el calor Susana Bacca: Tú no puedes comprar las nubes Tú no puedes comprar los colores Tú no puedes comprar mi alegría Tú no puedes comprar mis dolores María Rita: não se pode comprar o vento não se pode comprar o sol não se pode comprar a chuva não se pode comprar o calor não se pode comprar as nuvens não se pode comprar as cores não se pode comprar minha'legria não se pode comprar minhas dores No puedes comprar el sol... No puedes comprar la lluvia vamos caminando, vamos dibujando x2 Calle 13 Trabajo bruto, pero con orgullo Aquí se comparte, lo mío es tuyo Este pueblo no se ahoga con marullo Y se derrumba yo lo reconstruyo tampoco pestañeo cuando te miro para que te recuerde de mi apellido La operación Condor invadiendo mi nido Perdono pero nunca olvido Oye! Vamos caminando Aquí se respira lucha Vamos caminando Yo canto porque se escucha Vamos caminando Aquí estamos de pie Que viva la américa! No puedes comprar mi vida... http://www.vagalume.com.br/calle-13/latinoamerica.html#ixzz1dVVpG6SU -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111113/0e7fad61/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 13 13:09:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 13 Nov 2011 13:09:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___HONESTINO_MONTEIRO_GUIMAR=C3ES______?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CCXCVI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem HONESTINO MONTEIRO GUIMARÃES (1947-1973) Filiação: Maria Rosa Leite Monteiro e Benedito Monteiro Guimarães Data e local de nascimento: 28/03/1947, Itaberaí (GO) Data e local do desaparecimento: 10/10/1973, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: APML Presidente da UNE depois da interrupção de seu 30º Congresso em Ibiúna e da prisão de Jean Marc von der Weid, Honestino era goiano de Itaberaí e foi casado com Isaura Botelho Guimarães, com quem teve a filha Juliana. Em 1960, sua família se mudou para Brasília quando era inaugurada a nova capital da República, e Honestino se matriculou na quarta série ginasial do Colégio Elefante Branco, apelidado durante o regime militar de Elefante Vermelho, devido ao engajamento político de seus estudantes. Iniciou o colegial nessa escola, concluindo-o no CIEM - Centro Integrado de Ensino Médio. Ainda secundarista, começou a atuar no Movimento Estudantil. Com apenas 17 anos, passou no vestibular de 1965 para cursar Geologia na Universidade de Brasília, obtendo o primeiro lugar entre os vestibulandos de todos os cursos. Seu irmão relata que ele somou 257 pontos num total de 260, sendo que o segundo colocado estava 43 pontos atrás dele. Foi presidente do Diretório Acadêmico da Geologia e durante uma de suas prisões, sem se candidatar, foi eleito presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB). Sua primeira prisão ocorreu em 1966 e voltou a ser preso no primeiro semestre de 1968. Em 29/08, a violenta e desastrosa invasão policial do campus da Universidade de Brasília teve como um de seus objetivos localizar Honestino, que foi preso sob intensa pancadaria, enquanto os estudantes queimaram viaturas policiais, ocorrendo detenções em massa. Foi sua prisão mais longa e, depois de solto, passou a viver na clandestinidade, sendo dessa forma impedido de concluir os últimos três meses que faltavam para se formar geólogo. Três dias antes da edição do AI-5, deixou Brasília e se escondeu em Goiânia. A mãe de Honestino relatou que, naquele período, sua casa chegou a ser invadida mais de dez vezes por agentes policiais. Numa dessas invasões de domicílio, Norton, o irmão mais novo de Honestino, de 18 anos, foi levado ao DOPS e, depois, ao Pelotão de Investigações Criminais do Exército, para revelar seu paradeiro. Na luta para soltar Norton, o pai de Honestino ficou praticamente três noites sem dormir e, como conseqüência, dormiu ao volante no trânsito, morrendo em 17/12/1968. Entre 1969 e 1972, Honestino viveu em São Paulo desempenhando as atividades de dirigente da UNE e militante da AP. No final de 1972, transferiuse para o Rio de Janeiro, onde foi preso pelo CENIMAR em 10/10/1973. Sua mãe o procurou por todos as unidades de segurança e chegou a obter a promessa de que poderia visitá-lo, no PIC de Brasília no Natal daquele ano, o que se comprovou ser mais um engodo. Seu nome consta na lista de desaparecidos políticos do Anexo da Lei nº 9.140/95. Conforme já relatado na apresentação de casos anteriores, Honestino discordou da incorporação da AP ao PCdoB, discutida em 1971 e 1972 e, quando morto, fazia parte da APML, ao lado de Paulo Wright, Umberto Câmara Neto e outros militantes. Antes de ser preso e morto, Honestino escreveu uma mensagem pública intitulada "Mandado de Segurança Popular", iniciativa imaginada por ele mesmo denunciando que os órgãos de segurança do regime militar já tinham mandado recados de que seria morto se localizado. Divulgado de forma clandestina, principalmente no meio universitário, o documento afirmava: "A minha situação atual é de uma vida na clandestinidade forçada há quase cinco anos. Neste tempo sofri vários processos, alguns já julgados. O resultado desses julgamentos marca com clareza o particular ódio e a tenaz perseguição de que sou objeto. Nada menos de 25 anos em cinco processos. Todos eles, menos um, referentes à minha participação nas lutas estudantis em 1968. Sem maiores provas, sem maiores critérios, estas condenações são algumas das centenas de exemplos a que se viu reduzida a justiça em nosso País. É certo que a justiça, sendo um instrumento de classe, nunca foi exemplo de isenção e imparcialidade. Mas é certo também que nunca chegou a tal grau de distorção. A começar da criação dos tribunais de exceção: os tribunais militares. Depois, a brutalidade das prisões e as maiores violências nas fases dos interrogatórios onde as confissões, forçadas, arrancadas, são obtidas à custa de cruéis torturas como regra geral e dezenas de mortes como resultado. (...) Daí o porquê de não me entregar. Não reconheço nem posso reconhecer como 'justiça' o grau de distorção a que se chegou nesse terreno. A justiça a que recorro é a consciência democrática de nosso povo e dos povos de todo mundo". Em Salvador, em 1979, os 10 mil estudantes universitários que se reuniram no congresso de reconstrução da UNE enfeitaram o ambiente com um gigantesco painel estampando o rosto de Honestino, e deixaram na mesa que presidiu o evento uma cadeira vazia em sua homenagem. O DCE da Universidade de Brasília foi batizado com o seu nome e em 26/08/1997, o reitor João Cláudio Todorov outorgou o título de Mérito Universitário a Honestino Guimarães. O nome de Honestino já foi conferido, em homenagem, a vários equipamentos públicos em diferentes estados. Em São Paulo, a prefeita Luiza Erundina inaugurou o complexo viário João Dias, composto de três viadutos. Um deles recebeu o nome de Honestino Guimarães e os outros dois de Sônia Maria de Moraes Angel Jones e Frederico Eduardo Mayr. Mais recentemente, em 15 de dezembro de 2006, foi inaugurado, ao lado da Catedral de Brasília, o majestoso edifício do Museu Nacional Honestino Guimarães, construído pelo Governo do Distrito Federal e executado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que o inaugurou no dia em que completava 99 anos. Como parte dos preparativos para comemoração do 70º aniversário de fundação da UNE, seus dirigentes planejam lançar oficialmente o Centro de Estudos Honestino Guimarães da União Nacional dos Estudantes. =========================================================================================================================== + Informações. HONESTINO MONTEIRO GUIMARÃES Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML). Nasceu em 28 de março de 1947, em Itaberaí, Estado de Goiás, filho de Benedito Monteiro Guimarães e Maria Rosa Leite Monteiro Guimarães. Casado e tinha uma filha, Juliana. Desaparecido desde 1973, quando tinha 26 anos. Estudante brilhante, passou em 1º lugar geral no vestibular de 1965 da Universidade de Brasília, para o curso de Geologia. Foi presidente da extinta Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB) e, posteriormente, eleito presidente da UNE. Por ocasião do AI-5 abandonou a Universidade quando fazia o último semestre, e foi viver na clandestinidade. Época em que, os acontecimentos vieram também vitimar seu pai, falecido num acidente de trânsito (após ficar noites insone, dormiu no volante de uma Kombi...) Foi preso no Rio de Janeiro, em 10 de outubro de 1973, tendo estado detido também no Pelotão de Investigações Criminais de Brasília e no CENIMAR - Centro de Informações da Marinha. Sua prisão e desaparecimento foi denunciada pelos presos políticos de São Paulo em documento datado de 1976. Antes de sua última prisão, Honestino escreveu aos companheiros: "a minha situação é de uma vida na clandestinidade forçada... sofri vários processos, alguns já julgados. (Eles mostram) com clareza o particular ódio e a tenaz perseguição da qual sou objeto... Por diversas vezes fui ameaçado de morte." Os Relatórios dos Ministérios Militares em nada esclarecem sobre sua prisão e desaparecimento. ========================================================================================= Veja o site completo. www.honestinoguimaraes.com ==================================================================================================== + Detalhes. 10 de outubro de 1973 - Desaparece Honestino Por Portal Vermelho 10/10/2007 às 11:23 Aconteceu em 10 de outubro Honestino Guimarães, desaparecido desde 1973 O líder estudantil brasiliense Honestino Guimarães, 26 anos, presidente da UNE, jurado de morte pelos órgãos repressivos, é preso no Rio e desaparece. Nos anos seguintes torna-se, ao lado de Édson Luís, o símbolo da resistência estudantil à ditadura. Uma memória ainda amarga Wiliam R. 11/10/2007 11:13 1) Honestino Monteiro Guimarães era dirigente do grupo guerrilheiro de esquerda Ação Popular Marxista Leninista (APML), que era um racha da AP (Ação Popular,oriunda da esquerda católica e que é atribuída a autoria do atentado de Guararapes em 1966),que gradativamente foram juntando forças com os destroços do PC do B quando foi se aproximando ideologicamente dos maoístas e exterminada pela repressão; 2)De 1971 em diante,já existia uma política "oficiosa" de extermínio das principais lideranças e quadros mais combativos da guerrilha,que se acenturam no período de 1973 a 1974,pessoalmente,extrapolo como um dos requisitos para a transferência de poder da "linha dura"(Médici), para o grupo castelista (Geisel),algo que na estratégia bifronte da Guerra Fria como a "paz dos cemitérios"; 3)Além de Honestino Guimarães(último presidente da UNE clandestina já que a ditadura a tornou ilegal),outras lideranças da APML foram "desaparecidas" até 1974,como Gildo Macedo Lacerda e Umberto Câmara(ambos em 1973 e o último membro da diretoria da UNE),Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira(ambos em 1974); 4)Os casos de Santa Cruz e Collier ganharam repercussão internacional pelas denúncias dos familiares na OEA e remessa de cartas para as autoridades fardadas brasileiras(como Gal.Golbery e Mal.Juarez Távora); 5)Enquanto manterem os arquivos militares em segredo estes casos continuarão sem desfecho,já que falta vontade política para isso(mesmo com ex-presos políticos que já chegaram ao Executivo Federal,como Dilma Rouseef,Zé Dirceu e Lula),parte disso pode significar um conluio com as lideranças das Forças Armadas para deixar o passado esquecido ou evitar que biografias até então "heróicas" sejam maculadas; 6)Um exemplo de biografia "heróica" que foi maculada ou posta em dúvida recentemente foi de James Allen Luz,dirigente da VAR-Palmares,nos parcos documentos revelados do CIE(Centro de Informações do Exército),atribuem a possibilidade que ele fosse um agente duplo(como o "Cabo Anselmo"),justamente alguém com um histórico de ações armadas enorme(como um sequestro de avião para Cuba e os "justiçamentos" do marujo inglês e do delegado do DOI-CODI/SP); 7)Curiosamente,os processos da família de Allen Luz na Comissão de Anistia foram indeferidos (Nº 003/96 e 044/02),já que ele morreu num acidente de trânsito suspeito em 1973 e a família dele não viu a cor da grana,como outras em processos muito mais indigestos e estranhos(como de Massafumi Yoshigana que se entregou e colaborou voluntariamente com a repressão,depois com crises depressivas,se matou e seus parentes foram indenizados). ============================================================================================================= + Detalhes. Honestino Guimarães: Um verdadeiro estudante do povo! JEP 4 Fruto da luta de classes: Honestino Monteiro Guimarães, nasce em Goiás, na pequena cidade de Itaberaí em 28 de março de 1947. A partir de 1960 sua família muda-se para os arredores de Brasília, uma capital em construção. Em 1962 Honestino Guimarães era mais um jovem estudante secundarista que vivia uma época de grande agitação política, aflorava a luta de classes no meio estudantil. Honestino cursava o 1º ano cientifico no Centro de Ensino Médio "Elefante Branco", escola pública de Brasília que era chamado ironicamente de "Elefante Vermelho", devido intensa participação política de seus estudantes e professores. Nesse período o movimento estudantil secundarista no Distrito Federal conduzia grandes mobilizações em defesa da escola pública, contra o aumento das passagens do transporte público, e por democracia nas escolas e no país. Os estudantes organizavam debates, manifestações, e intensificavam as agitações políticas de forma massiva e combativa. Numa dessas manifestações, em que estudantes se rebelavam contra o aumento das passagens, reprimidos, pararam o trânsito, quebraram um ônibus, agiram com vigor e combatividade, a polícia feriu um estudante à bala, a rebelião se intensificou, chegou-se a ponto de haver intervenção de tropas do exército - isto em 1963, sob o "democrático" governo de João Goulart. Por essa época Honestino Guimarães iniciava sua militância, ainda não se destacava tanto pela sua incipiente atuação política no movimento estudantil, mas por ser um dos mais brilhantes estudante daquele centro de ensino, era participativo, dedicado e responsável com seus estudos. No ano de 1964, com o golpe militar, Honestino que já cursava o 3º ano científico no CIEM (Colégio Integrado de Ensino Médio, anexo à UnB) inicia sua militância clandestina na Ação Popular - AP, organização política surgida no campo democrático católico que nega, após o golpe de abril, sua postura reformista e integra o campo revolucionário. O desejo de um mundo melhor, justo e sem exploração, geralmente presente em toda juventude, o desejo da transformação, somados com uma grande sede de conhecimento e contrapondo à realidade social, conduziu Honestino à militância política. Preso por participar de pichações de denúncia! Em 1965 Honestino entra na Universidade de Brasília no curso de Geologia (foi 1º colocado no vestibular da UnB), onde se destacaria como dirigente estudantil. A sua militância diária, honesta, a confiança recíproca que tinha com a massa estudantil e sua atuação incessante e combativa, passa a fazê-lo alvo da repressão política. "A UnB foi a universidade mais perseguida pelo regime militar. Invadida pelo Exército cinco vezes: em 1964, 65, 68, 77 e 84"2 . Honestino é preso em janeiro de 1967, acusado de organizar e participar de pichações de denúncia contra o governo de Costa e Silva. Novamente é preso em fins de 1967, fora denunciado como participante de um suposto movimento guerrilheiro em Itauçu (GO), cerco que atinge a AP em Goiás e no Distrito Federal prendendo vários revolucionários. Ainda na prisão Honestino é eleito para a presidência da FEUB (Federação dos Estudantes Universitários de Brasília), devido à pressão de democratas e dos estudantes é solto. Na direção da FEUB Honestino conduziria o movimento estudantil em Brasília no ano de 1968, ano de grandes mobilizações, no qual se destaca a manifestação dos 100.000 no Rio de janeiro. O ME na capital federal era dos mais combativos do país, naquela época. Dia 28 de março, no início da noite, chegavam à UnB as notícias da repressão sangrenta a uma mobilização dos estudantes no Restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, e o assassinato do estudante secundarista Edson Luiz de Lima Souto. Imediatamente Honestino se dirigiu à biblioteca da universidade, onde se encontrava centenas de estudantes, e deu início à mobilização de protesto. Em seguida, organizou uma campanha de pichações que produziu dezenas e dezenas de inscrições nos muros da capital durante toda noite. A mobilização culminou com vasta manifestação no dia seguinte, com milhares de participantes, até os palanques comemorativos de mais um aniversário do golpe de 1º de abril foram incendiados pela indignação que tomou conta dos estudantes brasilienses. "A capital da república viveu desde as 18 horas de ontem, até a madrugada de hoje, cenas de violência, em virtude das manifestações de condenação do assassinato do estudante Edson Luís no Rio de Janeiro. As demonstrações reuniram centenas de universitários e estudantes secundaristas, além de populares na avenida W3. Aos gritos de "Assassinos", "Abaixo a Ditadura" e outros, os manifestantes se dirigiam para a praça 21 de abril, mas foram impedidos de ali se reunirem."3 Honestino não foge à luta, perseguido, milita na clandestinidade Em junho do mesmo ano (68), em seqüência dos protestos, os estudantes do DF, sob direção de Honestino, realizam uma manifestação organizada pela FEUB com 10.000 estudantes. Em uma Assembléia Geral, os estudantes identificaram quatro militares infiltrados, diante de uma possível intervenção, ergueram barricadas no campus, declarado "Território Livre". No fim do mês um agente policial que se infiltrara no RU é preso pelos estudantes e mantido em cárcere na UnB durante toda noite. Essas demonstrações de organização e poder dos estudantes ameaçavam e provocavam temor nos militares. No dia 15 de agosto, o coronel Murilo Rodrigues de Souza, encarregado do IPM (Inquérito Policial Militar) do movimento estudantil, comunica a decretação da prisão preventiva de sete estudantes, entre eles Honestino Monteiro Guimarães (Presidente da FEUB). Isso os levam a clandestinidade, pois decidem não se entregar e continuam a militância política. Honestino e os demais continuam presentes nas mobilizações estudantis na universidade. Sob a alegação de cumprir o mandato de prisão dos alunos, em uma operação conjunta entre a Polícia do Exército, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Política (DOPS), a Universidade de Brasília foi violentamente invadida. Os estudantes sob a liderança de Honestino resistem de forma heróica. Destemidos confrontam com a polícia exigindo que saiam da universidade, várias viaturas são apedrejadas, viradas de cabeça para baixo, incendiadas, a polícia enfrentando a resistência, adentra os prédios das faculdades e o ICC (Instituto de Central de Ciências, principal prédio da UnB), prendem centenas de estudantes e destroem instalações e laboratórios da universidade, disparam sobre os estudantes, chegaram a ferir o estudante de engenharia Valdemar Alves Silva atingido por um tiro na cabeça, perdeu um olho e ficou por vários dias entre a vida e a morte com uma bala na cabeça. A operação era dirigida por militares experientes do exército e ainda mantinham tropas de prontidão. Honestino foi preso e violentamente espancado, ficando detido cerca de dois meses. A mãe de Honestino dona Rosa, hoje aposentada, era professora quando se deu a invasão da UnB. O telefone de seu apartamento era grampeado. Não teve medo, porém, quando lhe avisaram da prisão de Honestino. Pegou o telefone, gritou, urrou, mandou recados para os homens do Exército. "Alguns estudantes faziam prova. Outros estavam nas aulas práticas de medicina. De repente, todo o campus e os edifícios foram envoltos em nuvens de gás e pólvora. Houve depredações, choques, lutas corporais, agressões, tiros, prisões. Mais uma vez a Universidade de Brasília era invadida pela polícia, agora incumbida da missão de prender cinco estudantes. Dos cinco apenas um, justamente o líder Honestino Guimarães, chegou a ser detido".4 Honestino também é alvo do AI-5 A gerencia militar vendo a crescente mobilização popular, particularmente dos estudantes, e o desenvolver de diversos grupos revolucionários decreta o Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, iniciando uma fase mais aguda da repressão. Como milhares de estudantes, intelectuais honestos, operários e muitos revolucionários, Honestino entra para a clandestinidade definitivamente. Nessa situação assume uma importante e difícil tarefa, presidir a UNE sob o cerco da repressão. Com a cabeça a prêmio, combativo, destemido, não vacilou, conduziu a entidade, agora clandestina, no seu mais avançado período, momento em que esta se encontra no campo revolucionário. Honestino se forjava como um grande dirigente revolucionário, vivia em função de nosso povo, costuma expressar em versos seus sentimentos e a sua profunda confiança no povo e na luta. Com uma postura sempre combativa travava luta contra as posições oportunistas que proliferavam no meio estudantil, procurava sempre não conciliar com as posturas reformistas e capitulacionistas favoráveis ao "diálogo" com o regime militar. Era um dirigente político reconhecido pelas massas, com visão ampla, democrática, combatia as visões estreitas e sectárias dos trotskistas e outros oportunistas. Informações colhidas na capital federal dão conta de que os órgãos de informação estavam acompanhando atentamente os passos do grupo de que Honestino Guimarães fazia parte (AP-ML, Ação Popular - Marxista-Leninista, denominação da organização de honestino após a decisão pelo marxismo-leninismo pensamento Mao Tsetung), com o objetivo de liquidá-lo em escala nacional, e se apressaram em atingi-lo quando souberam que a sua direção nacional resolvera apoiar o movimento de resistência armada surgido no sul do Pará (Guerrilha do Araguaia), sob a direção do PCdoB5 . Dia 10 de outubro de 1973 Honestino foi preso na cidade do Rio de Janeiro. Desde então nunca mais foi visto. Em dezembro desse ano sua mãe Dona Maria Rosa soube que ele estaria preso em Brasília, e obteve a promessa de que poderia visitá-lo no dia de Natal. Mas subitamente a notícia foi desmentida. Uma longa peregrinação de D. Maria Rosa em busca de qualquer informação sobre o filho sempre resultou em evasivas, em negativas, em promessas não cumpridas. Honraremos o sangue de Honestino Guimarães! Mas todos sabemos a verdade: Honestino Guimarães foi assassinado pelos algozes do governo militar que gerenciava este mesmo Estado burguês-latifundiário serviçal do imperialismo. Temerosos da justiça popular, que um dia, breve, irá prevalecer, procuram esconder seu hediondo crime, um dentre muitos que cometeram contra o povo brasileiro. Os traidores, , revisionistas, e toda laia de oportunistas capitularam e traíram a luta daqueles que tombaram, mas a memória do povo não é fraca, e ele cobrará o sangue de cada um de seus filhos! Um dos assassinados pela repressão dos anos Médici, Carlos Danielli, escreveu, com o seu próprio sangue nas paredes do cárcere: "ESTE SANGUE SERÁ VINGADO". Continuemos o caminho que trilhava Honestino, caminho de luta dura, caminho glorioso que levará inevitavelmente a uma nova vida, continuemos a construção de uma verdadeira e nova democracia. O assassinato de Honestino como de tantos outros, não faz calar o povo, "o sangue do povo não afoga a revolução, o sangue do povo rega a revolução", isso a história tem nos ensinado. Como Honestino mesmo disse: "Podem nos prender, podem nos matar, mas um dia voltaremos, e seremos milhões...". -------------------------------------------------------------------------------- 1 O texto é uma adaptação do depoimento de Paulo Sérgio que militou no mesmo período que Honestino. Adaptação é inspirada numa análise política e de acordo com diversos depoimentos, relatos e informações tiradas de livros e jornais. 2 Guaíra Flor repórter da equipe do Correio Braziliense. 3 Correio Brasiliense - 30 de março de 1968. 4 Desde o rompimento com o revisionismo, em 62, até a chacina da Lapa, em 76, o PCdoB travava luta interna vanguardeada por Pedro Pomar em torno do pensamento Mao Tsetung. ================================================================================================================== + Detalhes. Medalha Chico Mendes: Honestino Monteiro Guimarães Honestino Monteiro Guimarães Nasceu em Itaberaí, no interior de Goiás, no dia 28 de março de 1947. Em 1960, ele e a família mudaram-se para Brasília. Foi presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB) e duas vezes da União Nacional dos Estudantes (UNE), uma delas quando estava clandestino. 'Gui', como era chamado pelos familiares e amigos mais íntimos, casou-se por procuração com Isaura Botelho, mãe de sua única filha, Juliana Botelho Guimarães. Durante a pior invasão sofrida pela UnB, em agosto de 1968, Honestino foi preso e permaneceu dois meses em poder do Exército. Em setembro, foi expulso da universidade de Brasília (UNB). Com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), Honestino passou à clandestinidade. Continuou coordenando encontros estudantis e lutando contra o regime militar até ser preso. Na época, tinha 26 anos. Depois da prisão, a família continuou a procurá-lo, em vão, em várias prisões pelo Brasil. Em 1997, o então reitor da UnB João Cláudio Todorov outorgou-lhe o título de Mérito Universitário. ================================================================================================== + Detalhes. 29 de março de 2007 Honestino Guimarães foi líder estudantil desde os tempos de colégio. Ingressou no curso de geologia da UnB após ser aprovado em primeiro lugar. A sua militância diária, honesta, a confiança recíproca que tinha com a massa estudantil e sua atuação incessante e combativa, passa a fazê-lo alvo da repressão política. "A UnB foi a universidade mais perseguida pelo regime militar. Invadida pelo Exército cinco vezes: em 1964, 65, 68, 77 e 84" . O engajamento e os protestos organizados por Guimarães na cidade incomodavam os militares. Ao ponto dele se tornar um dos alvos principais em Brasília da ditadura. Pouco antes de se formar com louvor em Geologia, foi obrigado a se refugiar na clandestinidade. Preso por agentes militares da repressão política, foi covardemente torturado e morto. Forças Armadas nunca tiveram a coragem de revelar o paradeiro de seu corpo, nem as condições de sua morte. O aniversário de Honestino Líder estudantil morto em 1973 completaria ontem 60 anos. Em Itaberaí, cidade natal, população presta homenagens, família revive a dor do luto e amigos resgatam cenas de sua história de luta -------------------------------------------------------- Edma Cristina de Góis Correio Braziliense O único caminho visto por aqueles olhos míopes apontava para a coragem e a justiça social. Numa das vezes em que foi detido, a mãe Maria Rosa Leite Monteiro recebeu um telefonema em que pediam seus óculos de grau. Ela respirou aliviada, afinal foi naquele momento que soube do paradeiro do filho, nas mãos dos militares. Anos depois, o estudante Honestino Monteiro Guimarães (1947- 1973) desapareceria no Rio de Janeiro, tornando-se nos últimos 34 anos um dos ícones da luta contra a ditadura militar e da democratização do país. Ontem, 28 de março, Honestino, que foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), faria 60 anos. Em sua cidade natal, Itaberaí (GO), familiares, amigos e autoridades dedicaram o dia a homenagens. A programação aconteceu na escola municipal que leva o seu nome. Para marcar ainda mais o lugar, o artista plástico Gougon, autor da imagem do estudante localizada na Universidade de Brasília (UnB), fez um novo trabalho, agora exposto no colégio goiano. Além da estátua, o Diretório Central dos Estudantes também carrega o seu nome. O GDF celebra a figura do líder estudantil com o nome do recém-inaugurado Museu da República Honestino Guimarães. O secretário de Imprensa da Presidência da República, Franklin Martins, considera importante que o museu tenha o nome de Guimarães: "Os jovens de hoje devem conhecer a história desse tempo. É muito importante que saibam que hoje eles vivem numa democracia porque jovens como Honestino se sacrificaram pelo seu país." O irmão do estudante, Norton Monteiro Guimarães, abre espaço entre as lembranças para reclamar de um erro histórico brasileiro. "O Estado nunca assumiu o que fez a meu irmão e minha família. Seqüestro, tortura, assassinato e ocultação de cadáver". Além do trauma, a família padeceu anos por conta da ligação de Honestino com o movimento. Norton foi preso, torturado e dispensado de empregos públicos. "Não se pode esquecer que a democracia que temos hoje dependeu de homens como meu irmão", diz. Para o historiador Antonio de Padua Gurgel, autor do livro A Rebelião dos estudantes, Honestino Guimarães fez parte de uma época em que as pessoas procuravam soluções coletivas. Buscava-se por um Brasil liberto e construído por muitas mãos. "Tínhamos uma pauta coletiva, como não acontece hoje", sentencia. A lembrança da morte de Honestino Guimarães, segundo ele, toca no triste diagnóstico de que, atualmente, os homens atuam isolados e de que não há um projeto nacional. O poeta vascaíno Ao falar do militante, Gurgel lembra não só dos anos de chumbo. Ele lembra facetas inusitadas do líder e nem sempre relacionadas ao movimento estudantil. "Para mim ele pode ser traduzido em três partes: um grande poeta, um aluno brilhante e um torcedor de futebol fanático", conta. A alegria e o humor do estudante nem sempre eram atingidos pelo regime militar. Pelo contrário, ele os usavam como legítimas armas. "Ele era vascaíno doente. E mesmo sob risco, lembro que chegava a ir ao Maracanã assistir a uma partida decisiva", acrescenta. Gurgel conviveu com Guimarães por muito anos e se tornou próximo da família do estudante, o que resultou em relatos que ajudaram no produção do livro. Jarbas Marques, do Departamento de Patrimônio do Distrito Federal foi um dos únicos a encontrar Honestino Guimarães quando ele estava detido pela polícia. "Cheguei a vê-lo machucado, sendo transferido de um carro para outro. Depois disso só voltamos a nos ver no Rio de Janeiro, já na clandestinidade", recorda. A escritora Ana Miranda lembra dos tempos em que a simples presença de Guimarães contaminava o ambiente. Mais nova do que o militante, ela acompanhava fascinada as falas de Guimarães sobre as mesas do restaurante universitário. O episódio mais marcante para Ana aconteceu em sua casa: "Eu morava na 709 e durante um comício ele se escondeu da polícia no quintal lá de casa. É uma recordação nervosa, emocionada que eu tenho", diz. -------------------------------------------------------- Os jovens de hoje devem conhecer a história desse tempo. É muito importante que saibam que eles vivem numa democracia porque jovens como Honestino se sacrificaram pelo seu país Franklin Martins, secretário de Imprensa da Presidência da República -------------------------------------------------------- Páginas da história A história de Honestino Guimarães e dos estudantes em luta contra a ditadura militar ganhará as telas de cinema em breve. A Rebelião dos estudantes, de Antonio de Padua Gurgel inspirou filme da cineasta Alvarina Sousa Silva. Filmado em fevereiro e março de 2006 em Brasília e no Rio de Janeiro, ele está em fase de finalização e deverá ser lançado no Festival de Brasília deste ano. Segundo Gurgel, o filme é um dos instrumentos para que o estudante seja lembrado. Para ele, há dois motivos suficientes para resgatar a memória de Honestino. O primeiro deles é a preservação da memória de um período dramático do Brasil e o segundo,o exemplo de desprendimento e amor pelas causas coletivas que movia Guimarães. "Ele era um idealista, que sonhava com justiça social e felicidade para todos", define. Honestino Guimarães foi líder estudantil desde os tempos de colégio. Ingressou no curso de geologia da UnB após ser aprovado em primeiro lugar. O engajamento e os protestos organizados por Guimarães na W3 incomodavam os militares. Ao ponto dele se tornar um dos alvos principais em Brasília da ditadura. Em 1968, aconteceu uma grande invasão à UnB. Até hoje, especula-se que o ato aconteceu como emboscada para prender Honestino. Verdade ou não, em 1973, ele foi preso pela Marinha. A mãe e o irmão passaram duas semanas no Rio de Janeiro a sua procura. E perdem a esperança logo que souberam que a Marinha usava como prática, além da tortura, o despacho de corpos em alto mar. O dia 28 de março marca um outro episódio da história do Brasil relacionada à ditadura. Neste mesmo dia, do ano de 1968, morria assassinado o estudante Edson Luís de Lima Souto, no Rio de Janeiro. Ele foi a primeira vítima estudantil do regime militar. (ECG) ============================================================================================================== Carta da Mãe. sexta-feira, 30 de maio de 2008 Depoimento de Maria Rosa Leite Monteiro (mãe de Honestino Guimarães) FONTE: http://www.secom.unb.br/especiais/honestino4.htm (Frase de Honestino Guimarães) Na memória da mãe, o líder estudantil surgiu ainda aos cinco anos de idade, em brincadeiras com os irmãos Kelly Couto (texto) e Irene Sesana (arte)Da Assessoria de Comunicação jeito suave de gesticular, o olhar terno e a voz aveludada provam que o tempo foi generoso com Maria Rosa Leite Monteiro, mãe de Honestino Guimarães. Companheira de primeira hora do filho revolucionário, Dona Rosa, como prefere ser chamada, viu de perto quase todo tipo de injustiça. Uma mistura de mãe e militante. Ela compartilhou também vitórias importantes. A memória emocional reservou mais espaço para as lembranças boas, nenhuma amargura. "Eu nunca chorei pelos cantos. Eu choro de alegria. Poucas vezes, choro de tristeza. E eu não tenho tristeza", diz a senhora de 76 anos. Nos momentos mais duros da ditadura, aprendeu a conciliar trabalho com maternidade. Protegeu Honestino até o limite do impossível. Os encontros às escondidas e as fugas planejadas preencheram sua rotina quase que naturalmente. Mesmo como diretora de colégio, Rosa fazia questão de ir a comícios organizados pelo filho. "Já que não consegui impedi-lo, resolvi acompanhá-lo", recorda. Durante a invasão da polícia na Universidade de Brasília (UnB), em 29 de agosto de 1968, Rosa não conseguiu chegar a tempo. Até hoje conta, frustrada, um dos capítulos mais tristes de sua história. "Havia muitos soldados armados. Não consegui entrar e não sabia se meu filho estava vivo ou morto", completa. As lembranças da repressão, a preocupação em não deixar Honestino só e as conseqüências para a família, Rosa relembra nesta entrevista à UnB Agência. Leia os principais trechos de mais de três horas de conversa no início de outubro: Daiane Souza/UnB Agência UnB AGÊNCIA - Por que vocês vieram para Brasília?MARIA ROSA - Para meus filhos Honestino, Luis Carlos e Norton estudarem. Morávamos numa cidade do interior (Itaberaí, em Goiás) e Brasília era desejada. A UnB era tudo. Viemos em 1960 e Honestino estava na 4a série ginasial. Ele foi para o Colégio Elefante Branco e depois passou em primeiro lugar para o curso de Geologia no vestibular da UnB. UnB AGÊNCIA - Alguma vez a senhora pediu para que seu filho desistisse da luta?ROSA - E adiantava? Ele não deixava de ouvir, mas tinha os argumentos dele. Falava que tinha de ser feito, era uma missão. Ele me dizia: "Mamãe, e se todo mundo fugir? Quem é que fica? Quem é que vai defender?". Eu disse a ele que se ficasse iria morrer. Ele me respondeu: "Eu prefiro viver pouco tempo aqui a viver no exterior. Lá eu estarei morto. Se eu morrer na minha pátria, morro feliz". Ele era realmente brasileiro. Um dos motivos de eu estar aqui viva e forte até hoje é não deixar a luta dele morrer junto. UnB AGÊNCIA - Depois dessa prisão ele voltou à universidade?ROSA - Não. Em setembro de 1968, ele foi expulso. Depois que o Honestino foi para Goiânia, dia 12 de dezembro de 1968, ele não pisou mais lá em casa. Nos encontramos outras vezes. Ele passou por diversas cidades. UnB AGÊNCIA - Como personagem político, o que o Honestino representa?ROSA - Ele é o estudante símbolo da UnB. Deixou registrado um protesto contra tudo. Não se deixou calar. Daiane Souza/UnB Agência UnB AGÊNCIA - Mas o tempo não apagou as marcas...ROSA - Não. Principalmente, nos meus filhos. Essas marcas são terríveis. Eu tive de ser um pára-raio. Tenho orgulho e dou graças a Deus por ter sido mãe dele. Cumpri meu papel ao meu modo. UnB AGÊNCIA - Como assim? Por causa da rotina?ROSA - O dia anterior ao AI-5, 12 de dezembro de 1968, foi o dia em que ele ficou foragido. Foi para a clandestinidade. Nos dias em que iam instituir o AI-5, houve um burburinho na cidade. Aí ele foi embora para Goiânia. Meu marido estava no trabalho, ele trabalhava na W3 Norte e foi para Taguatinga, pois estávamos montando uma loja. Tínhamos ficado três noites sem dormir porque eles pegaram o Norton em casa e ficaram com ele três dias. Eles (o Exército) nos ligaram e mandaram a gente ir pegar o Norton. Fui buscá-lo. Nessa noite, dormimos. O Monteiro saiu cedo com o Norton para deixá-lo em proteção. E ainda ficou até tarde da noite, pois o serviço estava todo atrasado e estávamos perto do Natal. Dia 17. Atrasou o trabalho que ele estava fazendo na montagem da loja. Aí ele cochilou e bateu num caminhão e morreu na hora. E eles ainda se aproveitaram da situação para pegar o Honestino. O pai estava morto e no enterro havia muitos policiais à paisana. Honestino queria muito vir. Ele era apaixonado pelo pai. E não o deixaram vir. Mas seria até melhor porque assim ele seria preso na presença de todos e aí não poderiam matá-lo. UnB AGÊNCIA - A senhora acredita que o acidente foi provocado?ROSA - Não. Ele estava com sono. Três dias sem dormir, muito cansado. Simplesmente dormiu. Foi uma cochilada. É muito rápido. UnB AGÊNCIA - A vida da senhora mudou muito depois disso?ROSA - Olha, o que dizem por aí é verdade: eu sou uma lutadora. Foi tudo muito difícil, mas na luta fui superando. Eu tinha de proteger os meus filhos. O Norton foi o primeiro a cair. Fizeram muita coisa com o Norton. Mesmo depois de prenderem Honestino, ou melhor, depois de matarem. Eu nunca chorei pelos cantos. Eu choro de alegria. Poucas vezes eu choro de tristeza. E eu não tenho tristeza. Nossa vida não começou aqui e nem vai acabar aqui. UnB AGÊNCIA - A senhora guarda algum sentimento em relação ao regime militar?ROSA - Olha, odiar eu não odeio. Sempre fui muito cristã. Mas sentir bem também não. No Natal, pedi autorização para vê-lo na cadeia. Disseram que não estava. Mandaram-no para São Paulo. Foi lá que o mataram, foi lá que tudo acabou. Esse dia para mim foi um dia de morte. Até então, eu tinha esperança total. Para mim, eu havia ganho a batalha. Daiane Souza/UnB Agência UnB AGÊNCIA - Se a senhora tivesse uma última chance de falar com seu filho, o que falaria?ROSA - Iria abraçá-lo, beijá-lo, fazer todas as coisas que ele gostava de fazer. A parte mais importante para mim do Honestino é ele, como filho. Embora, eu ache que o que ele deu ao Brasil foi muito grande e importante. Até hoje, falo com Honestino. Não sou uma mãe chorosa. Eu não preciso querer ver meu filho, eu tenho meu filho. Eu estou aqui e é como se ele estivesse aqui com a gente, naquele retrato, olhando para nós. Para mim, morte não é morte. UnB AGÊNCIA - Como foi paga a indenização?ROSA - Eu detesto falar sobre isso. Não receberia dinheiro nenhum em troca do meu filho. Mas eu recebi o troco. Eu não recebi indenização, mas a Isaura (primeira mulher de Honestino) recebeu. Ela não é a família de Honestino. Só não se separou legalmente porque eles viviam na clandestinidade. E pediu mais, e recebeu mais. Um dia eu estava na fila de banco e um sujeito me parou e disse: "A senhora está boa? Está cheia de dinheiro, ficou rica, está bem de vida". Eu nunca vendi filho nenhum. E se a Isaura tivesse conversado comigo para pedir permissão para entrar na Justiça, eu não daria. O pedido foi feito por ela. Ela entrou com advogado. Se você me perguntar quanto foi, eu não sei. O que foi feito com o dinheiro, não sei. As pessoas tinham inveja de um dinheiro que não recebi e nem receberia. Mãe é mãe e só eu sei tudo o que passei. É muito sofrimento. O livro Honestino, o bom da amizade é a não cobrança, escrito por Maria Rosa Leite Monteiro, mãe do líder estudantil, relata momentos importantes da vida do militante símbolo de uma época de luta e repressão. Com uma linguagem coloquial e um tom de conversa de mãe e filho, o livro mostra a união e o orgulho que todos da família, ainda hoje, sentem por Honestino Monteiro Guimarães. A obra tem ainda fotos de família, cópias de documentos, jornais e poemas de Honestino. Publicado em Brasília pela Da Anta Casa Editora, em 1998, o livro possui 270 páginas. Honestino GuimarãesFrase escrita pelo estudante publicada em um trecho do livro Honestino, o bom da amizade é a não cobrança VEJA TAMBÉM Coberturas Especiais Honestino Guimarães Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência. =============================================================================== Pronúnciamento da Mãe. Dona Rosa, mãe de Honestino Guimarães "Ver esses jovens aqui hoje representa para mim a vitória dos estudantes, que também é a minha e de meu filho" A abertura da plenária final do 50º Congresso da UNE foi marcada pela emoção dos estudantes durante a homenagem ao ex-presidente da UNE, Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura militar. O momento mais marcante da homenagem foi o lançamento de um documentário sobre a vida e a militância do ex-presidente da entidade e sobre a luta estudantil na época da ditadura. Entre os convidados especiais, estava a mãe do líder estudantil, Dona Maria Rosa Leite, acompanhada de seu outro filho, Norton Guimarães. Além de figuras como o amigo pessoal de Honestino, o também ex-presidente da UNE, José Luiz Guedes, que presidiu a UNE em 1966, pouco antes de Honestino. Muito emocionada, Dona Rosa agradeceu a homenagem e falou da vitória que significava aquele congresso: "Na época de meu filho, os militantes se encontravam na clandestinidade, tinham que criar estratégias para se esconder da polícia. Ver esses jovens aqui hoje representa para mim a vitória dos estudantes, que também é a minha e de meu filho", declarou. Para o irmão, Norton, o 50º Congresso da UNE representa uma frase de Honestino, "ele dizia sempre que podem nos prender, podem nos bater, mas quando voltarmos seremos milhões", destacou. "É isso que vocês representam, a força e persistência dos jovens", completou. Quando as imagens do documentário apareceram no telão, o silêncio tomou conta dos mais de 8 mil estudantes que durante quatro dias agitaram o Ginásio Nilson Nelson, na capital federal, onde aconteceu o congresso. Ao final do filme, os estudantes entoaram palavras de ordens. Com duração de 15 minutos, o filme se baseia em depoimentos de amigos e familiares de Honestino, buscando ao mesmo tempo situar o espectador na luta estudantil brasileira contra a ditadura. O documentário foi produzido pelo Centro Universitário de Cultura da UNE (CUCA). O goiano Honestino Monteiro Guimarães e desapareceu no dia 10 de outubro de 1973, aos 26 anos, após ter sido preso no Rio de Janeiro pelas forças de repressão da ditadura. Sua morte só foi oficialmente reconhecida quase 50 anos depois de seu desaparecimento, em 12 de março de 1996. Honestino começou a militar em Brasília, onde foi preso pela primeira vez, em 1968, durante invasão da UnB. Ficou dois meses em poder do exército e foi expulso da universidade. Com o ato Institucional nº 5 (AI-5), passou à clandestinidade, mas continuou lutando contra a ditadura até ser preso no Rio. ======================================================================================================= + Detalhes. Honestino "O Bom da Amizade É a Não Cobrança" Resumo do Livro por:BeneditoMagnoVieira Autor : Maria Rosa Leite Monteiro HONESTINO MONTEIRO GUIMARÃES Quando o primogênito do casal Benedito Monteiro e Maria Rosa Leite nasceu, resolveram homenagear um tio de Benedito Monteiro que se chamava Honestino Monteiro Guimarães. O Honestino Monteiro Guimarães, tio avô, é aquele homenageado com nome de rua no setor Campinas. Nascido em Itaberaí em 1876 e falecido na cidade de Campinas em 1931. Na cidade de Campinas, hoje bairro de Goiânia, foi intendente (prefeito), deputado estadual. Mas antes escreveu para vários jornais do Estado de Goiás, onde participou de sua vida cultural. Já o sobrinho nasceu no dia 28/03/1947, em Itaberaí, onde morou até os 13 anos de idade, quando mudou para Brasília. Desde pequeno foi influenciado pelo pai, Sr. Dito Monteiro, que era professor de educação física, fundou o Grupo de Escoteiros em Itaberaí, foi operador do cinema, tabelião do Cartório, poeta e artista plástico. Politicamente foi mais influenciado pelo pai, que o incentivava a ler; lia muito, tanto o pai quanto o filho, este desde pequeno. O pai tinha idéias socialistas e dizia que o filho iria estudar na União Soviética. A família de Guimarães tinha um nível cultural e educacional acima da média para aquela época. Em Brasília, este jovem torna um líder estudantil, e em 1965 é aprovado em primeiro lugar no vestibular para geologia na UNB. Foi presidente da F.E.U.B- Federação Estudantil da Universidade de Brasília e é preso por várias vezes, por pichações , manifestações e discursos inflamados contra os militares golpistas de 1964. Em outubro de 1967, a UNB é invadida pelos militares que não respeitaram uma área inviolável, uma Universidade, o alvo era prender Honestino, e em uma verdadeira ação de guerra, depois de um tiroteio, um estudante atirado na cabeça, conseguem o levar preso. Não foi só Honestino que foi preso e torturado, seus irmãos também foram presos, torturados e perseguidos. Quando passavam em concursos, não assumiam, mesmo quando aprovados em primeiro lugar, só porque eram irmãos de Honestino. E aquele estudante aprovado em primeiro lugar no vestibular, faltando dois meses para se formar em geologia, é expulso desta Universidade. 13 de dezembro de 1968 foi instituído o AI -5, Honestino inicia sua vida de clandestinidade e 4 dias após seu pai morre em acidente automobilístico. Honestino não veio ao velório, se tivesse vindo teria sido preso e o local estava todo cercado por policiais com o objetivo de prendê-lo. Em 1968, antes do AI-5, Honestino e Isaura Botelho se casam por procuração, e ela segue com ele para a clandestinidade. Viviam escondidos, um dia em uma casa, outro dia em outra, sempre em barracões de fundo em casa de amigos. Teve o apoio de entidades religiosas, políticas e pessoas importantes como D. Paulo Evaristo Arns e o pai de Chico Buarque. Durante esse tempo ele sobreviveu com ajuda de amigos, de entidades, lecionava, escrevia artigos de economia para jornais com nomes que jornalistas amigos emprestavam a ele. Em 1970 nasce em São Paulo, Juliana Botelho Guimarães, filha de Honestino e Isaura. Antes de 1968, e durante os 5 anos de clandestinidade Honestino foi militante da AP (Ação Popular), essa também foi uma das atividades dele quando esteve em São Paulo e Rio de Janeiro. No inicio a AP tinha como proposta, lutar por uma sociedade justa, condenando tanto o capitalismo quanto os países socialistas existentes. Seu maior peso estava na área estudantil (UNE), e também em meios operários, rurais e outros. Depois a AP modifica, passando a se caracterizar como uma organização maoísta típica, mas não chegou a envolver-se em ações de guerrilha. No meio estudantil e mesmo dentro da AP, Honestino teve divergências, mas foi um homem de diálogo, de ouvir as bases, um democrata que queria uma revolução através da conscientização, era contra as guerrilhas e cujas únicas armas eram as palavras no discurso. Em 1971 com as dificuldades da clandestinidade, com a mulher e filha fugindo quase todos os dias, sua expectativa para uma revolução estourar a qualquer hora, seu casamento chega ao fim e a filha Juliana vem morar com a avó em Brasília. Nos últimos anos, ele foi visitado varias vezes pela mãe e pelos irmãos, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro. A família arrumou um passaporte falso para ele fugir do país, mas não quis , preferiu continuar lutando por suas causas, por um ideal a luta pela causa do povo. Em 1973 o cerco começa a fechar, e ele é ameaçado de morte várias vezes, então ele redige um Mandado de Segurança Popular. Antes mesmo de terminar o texto, no dia 10 de outubro de 1973, Honestino é preso numa rua do Rio de Janeiro. Depois de preso, no dia 10 de outubro de 1973, não tiveram mais notícias de Guimarães, só boatos, como o de 1974 que ele estava morto. O mais provável é que depois de sofrer severas torturas, não resistiu. Ele sempre afirmava que não entregaria nenhum companheiro, estava se preparando para resistir às torturas e preparado até mesmo para a morte. Até hoje Honestino é lembrado, é homenageado, aqui mesmo em Itaberaí, sua cidade natal tem um colégio com o seu nome, em Goiânia, a Praça Universitária, por projeto de lei se chama Praça Honestino Guimarães e é homenageado por todo o Brasil. " Ainda que nos prendam, ainda que nos matem, mesmo assim voltaremos e seremos milhões". "Guimarães" "O Governo Militar não se preocupava com a miséria, a fome, desemprego e corrupção, mas gastava forças, homens e recursos financeiros para prender estudantes, invadir Universidades. Prender estudantes que não tinham vícios, que não tinham pegado em armas, eram estudiosos e amantes da causa dos necessitados. Era crime gritar pelos pobres, por justiça, liberdade e democracia ? E centenas de jovens foram torturados e mortos, atos estes que fugiam totalmente das normas de nossa Constituição e da dignidade humana." (Maria Rosa Leite Monteiro - Mãe de Honestino) Publicado em: 13 abril, 2006 Escreva seu próprio Comentário Mais Sobre : honestino monteiro guimarães Fonte: http://pt.shvoong.com/books/biography/184288-honestino-bom-da-amizade-%C3%A9/#ixzz1daZl6VpA ============================================================================================================== Ficha Honestino Monteiro Guimarães Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Honestino Monteiro Guimarães Cidade: (onde nasceu) Itaberaí Estado: (onde nasceu) GO País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 28/3/1947 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade de Brasília UnB Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Popular Marxista-Leninista APML Brasil Prisão: 10/10/1973 Rio de Janeiro RJ Brasil Também esteve preso no Pelotão de Investigações Criminais (PIC) de Brasília e no Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1973 Rio de Janeiro RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Centro de Informações da Marinha CENIMAR Brasil Pelotão de Investigação Criminal PIC Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva. Artigo de jornal Rocha, Raimundo. Honestino pode ter sido morto em Recife. Correio Braziliense, Brasília. 26 abr. 1992. Biografia de Honestino contendo informações sobre o período em que atuou politicamente na Universidade de Brasília, sua entrada para a clandestinidade após o Ato Institucional 5 e seu desaparecimento. Informa também a retomada das investigações sobre as reais condições de seu desaparecimento pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF, pelos familiares e pelo deputado federal José Luiz Clerot. Segundo o deputado, o comando da repressão planejou uma operação para que a morte de Honestino, em decorrência de torturas sofridas na prisão, não tivesse nenhuma conexão com sua passagem no cárcere. Artigo de jornal Onde está Honestino? Anistia, Rio de Janeiro, n. 4, mar./abr. 1979. p. 8. O artigo traz a biografia de Honestino Monteiro Guimarães que foi líder estudantil na Universidade Nacional de Brasília (UnB) e o último presidente eleito da UNE até então. Foi preso algumas vezes a partir de 1964 e em 1973 escreveu uma carta denunciando as ameaças que sofria, motivo que o levou à prisão novamente. Desde então está desaparecido. Os membros da UNE, que acreditam que ele foi assassinado querem saber seu paradeiro, tornando Honestino o tema do Congresso de reconstrução da UNE. São lembrados outros membros da UNE que também forma mortos: Helenira Rezende, Gildo Lacerda e Umberto Câmara Neto. O artigo traz também uma poesia escrita por Honestino. Foto Foto de rosto com identificação em papel timbrado da Secretaria de Segurança Pública, com carimbo do arquivo do DOPS/SP, de 08/10/73. Foto Fotos originais e preto e branco de busto. Livro Comitê Brasileiro de Anistia e Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos Brasileiros - familiares, amigos e ex-militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). "Onde estão? - desaparecidos políticos brasileiros". 44 p. Possui a foto de Honestino Monteiro Guimarães à capa, presidente da UNE em 1973 e um dos militantes visados pelo regime militar, além da biografia e documentos referentes a outros mortos ou desaparecidos pela repressão de 1968 a 1973. Material produzido por volta de 1983 como homenagem e instrumento de luta para que estes fatos não voltem a acontecer e para que sejam prestadas contas sobre o paradeiro destas e muitas outras pessoas. Inclui transcrição de alguns artigos de jornais sobre desaparecidos políticos e listas com nomes dos desaparecidos e mortos políticos desde 1964. Folheto Documento elaborado provavelmente por familiares, por volta de 1974, denunciando que o seqüestro e o desaparecimento de pessoas presas pela polícia política brasileira não constituem casos isolados. Comunica que a Arquidiocese de São Paulo prepara um dossiê que será enviado ao Vaticano com os nomes e detalhes sobre as prisões arbitrárias e o posterior desaparecimento dos presos. Informa casos de vários desaparecidos, cujos familiares lutam sem sucesso por informações. Cita o desaparecimento precedido de prisão, a 23/02, dos estudantes Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira; a prisão do professor Luiz Ignácio Maranhão em 04/03, presumivelmente pelo delegado Sérgio Fleury e seu posterior desaparecimento; prisão e desaparecimento de David Capistrano, de 60 anos, e José Roman, de 55 anos, acusados de pertencerem ao Partido Comunista Brasileiro (PCB); a prisão, no ano anterior, de Honestino Guimarães, líder estudantil do DCE de Brasília, juntamente com o estudante Humberto Câmara Neto, ambos desaparecidos desde 09/73; o desaparecimento, também nesta época, do deputado cassado em 1964, Paulo Stuart Wright, preso em São Paulo; a prisão dos jovens Alexandre Vannucchi, José Carlos da Mata Machado e Gildo Lacerda e a divulgação na imprensa pelos órgãos de segurança, semanas depois, de suas mortes por "atropelamento" e em "tiroteio com a polícia". Também transcreve alguns trechos da carta enviada ao Ministro da Justiça, Dr. Armando Falcão, em 03/04/74, sobre o desaparecimento de Eduardo Collier Filho e Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, solicitando que seja informado o paradeiro de ambos. Prontuário/ Dossiê Documento do DOPS/PR relatando as atividades políticas e prisões, mandado de prisão expedido pelo II Exército e informações de processos, condenações e declarações relacionados a Honestino entre 1972 e 1975. Prontuário/ Dossiê Documento do Setor de Análise, Operações e Informações, da Divisão de Ordem Social, do DOPS/SP, sobre Honestino, membro da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), contendo: dados pessoais; relatório sobre as atividades políticas a partir de 1965 como estudante da Universidade de Brasília e consecutivas prisões, até 1969, quando é considerado foragido; informações extraídas de documento do arquivo do DOPS cobrindo o período de 1967 até 1979, relacionados à militância, relações com outros membros de organizações de esquerda, condenações pela Justiça Militar e dados sobre seu desaparecimento; fichas pessoais com dados resumidos do período de 1966 a 1973 sobre atividades políticas, condenações pela Justiça Militar e de artigos de jornais sobre seu desaparecimento. Prontuário/ Dossiê Prontuário do Ministério do Exército com dados pessoais e histórico de atividades políticas. Algumas páginas estão pouco legíveis. Evento/ Homenagem Convite para a inauguração dos viadutos do Complexo João Dias em São Paulo, em 19/09/92, cujos nomes fazem homenagem a três mortos políticos: Honestino M. Guimarães, Sônia Moraes Angel e Frederico Eduardo Mayr. Evento/ Homenagem Homenagem aos desaparecidos políticos por meio de ato de oficialização dos nomes das ruas do Jardim da Toca, em São Paulo, SP, em 04/09/91, contando com a presença da prefeita Luíza Erundina, do vereador Ítalo Cardoso, dos familiares dos homenageados e de representantes da sociedade. Homenageados: Ana Rosa Kucinski Silva, Antônio Carlos Bicalho Lana, Antônio dos Três Reis Oliveira, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Aylton Adalberto Mortati, Elson Costa, Hiran de Lima Pereira, Honestino Monteiro Guimarães, Ieda Santos Delgado, Maria Lúcia Petit da Silva e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Acompanha convite para a solenidade. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Cartaz Documento elaborado por familiares de desaparecidos e pelo Comitê Goiano pela Anistia, procurando notícias de Marco Antônio Dias Batista, Honestino Monteiro Guimarães, Paulo de Tarso Celestino da Silva e Ismael de Jesus Silva. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111113/2c60ba29/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 5590 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111113/2c60ba29/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6427 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111113/2c60ba29/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 14 13:11:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 14 Nov 2011 13:11:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__4_mitos_da_nossa_mente__________?= =?iso-8859-1?q?__________________________________________HOJE_=C9_?= =?iso-8859-1?q?2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <9B0EFCBA6BEB453D966BF15454D3DBB5@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 4 mitos da nossa mente Por Bernardo Staut Um dos sistemas conhecidos mais complexos do nosso organismo, a massa de 1,5 quilos entre suas orelhas ainda tem muitos mistérios a serem resolvidos. Veja agora alguns dos mitos sobre nosso cérebro e suas explicações. 1 - Usamos apenas 10% da nossa capacidade mental Sempre ouvimos a história de que usamos um décimo da nossa massa cinzenta. Você nunca pensou o que seria possível com os outro 90% ativados? Mas saiba que você já usa muito mais do que 10%. Estudos comprovam, através de tomografias cerebrais, que mesmo algo simples como cerrar os punhos usa um vasto número de células cerebrais. Do planejamento da ação até a contração de cada músculo dos dedos e da palma da mão existe um longo caminho, percorrido em frações de segundo. "Imagens mostram que há pouquíssimas partes do cérebro que não podem ser ativadas", comenta o Prof. Sophie Scott, da College University, em Londres. 2 - Direita x Esquerda O cérebro tem seu trabalho dividido em duas partes: o que acontece no hemisfério esquerdo e no direito. "Há muitas diferenças entre os dois lados do cérebro," afirma o Prof. Scott. Mas com certeza elas não são tão grandes como as pessoas costumam dizer. Alguns livros, cursos de autoajuda empresarial e supostos especialistas nos fazem pensar que os dois lados são quase duas entidades separadas. O direito seria a fonte da intuição e criatividade e o esquerdo da lógica e racionalidade. Portanto, se você é mais racional usa mais o esquerdo, e se é mais artístico o direito. A teoria comum é de que se treinarmos para usar ambos os lados podemos atingir potenciais melhores. Mas Scott afirma que as diferenças individuais não tem relação com os balanços de poder entre os hemisférios. "Algumas pessoas tem uma imaginação visual poderosa. Alguns têm uma imaginação auditiva forte. Há muitas diferenças em como recebemos e processamos as informações". Mas simplificar essas diferenças em lados opostos não tem base no que os cientistas sabem sobre o funcionamento do cérebro. "Isso também sugere que você poderia estar usando um lado mais do que o outro, e não é assim que isso funciona", comenta o professor. Os dois lados comunicam-se um com outro e trabalham complexamente através de uma cadeia de cabos neurais, conhecida na ciência como "corpo caloso". Ao contrário do mito, os dois lados do nosso cérebro são complementares e conjuntos. 3 - Lunáticos: lua cheia aumenta comportamentos anormais Em várias lendas e tradições, a lua cheia é associada com insanidade e acontecimentos inesperados. Até um personagem surgiu nessa época: o lobisomem. Mas no mundo real, quando psicólogos e estudiosos tentaram achar uma conexão com o comportamento e o cérebro humano, eles falharam. Eventos como assaltos, prisões, suicídios, problemas psiquiátricos, envenenamento e todo outro tipo de problema não parecem ter relação com nosso satélite. "A maioria dos estudos - e existem vários - não encontraram associações entre a fase lunar e comportamentos estranhos", afirma Eric Chudler, compilador desse tipo de pesquisa. A maioria dos que acreditam nessa relação trabalham como policiais ou em hospitais. Mas Chudler sugere que isso acontece por culpa das lendas, que os faz prestar mais atenção em acontecimentos nessa fase lunar. 4 - Ouvir Mozart faz você mais inteligente Esqueça "estudar". Basta colocar Mozart no som que você está pronto para uma prova. Mas a coisa não é bem assim. O compositor clássico Amadeus Mozart deu fruto a uma das ideias mais divulgadas dos anos 90. Ela ganhou até nome: o efeito Mozart. As pessoas acreditavam que tocar Mozart para crianças ajudaria o cérebro a se desenvolver, e consequentemente as faria mais inteligentes. Mas, diferente dos outros mitos, esse até que possui um pouco de verdade. A proliferação começou com um artigo científico na publicação Nature, de 1993. A pesquisa descrevia um experimento de uma universidade da Califórnia, onde estudantes fizeram uma série de testes de lógica espacial. Aqueles que ouviram uma peça para piano de Mozart antes do teste se saíram melhor do que os que ficaram em silêncio ou com música de relaxamento. Porém, o efeito da sonata desapareceu em aproximadamente 15 minutos. Graças à mídia, essa observação interessante tornou-se uma teoria para o desenvolvimento de crianças prodígio. O mercado logo entrou no jogo, e vendeu CDs do compositor divulgando-o como um formador de gênios. Nos Estados Unidos, em 1998, o estado da Geórgia entregava álbuns de Mozart para as novas mães. Alguns passaram a teorizar que as estruturas musicais em Mozart tinham uma influência biológica especial que ampliava as conexões cerebrais. Mas, em estudos posteriores, a verdade acabou se tornando mais palpável: foi provado que qualquer música estimulante, tocada antes de uma série de testes cerebrais, torna nosso cérebro mais alerta e entusiasmado. Portanto, não pense que é um gênio se ouviu música e foi bem em um teste. Sua performance também deve um pouco ao compositor.[BBC] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111114/c8e27dd5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 22866 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111114/c8e27dd5/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 126718 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111114/c8e27dd5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 14 19:23:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 14 Nov 2011 19:23:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Fantasmas da Ditadura - (Completo) Message-ID: <8E86385C4869434CA820CDDDF32F26C3@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Fantasmas da Ditadura http://www.youtube.com/watch?v=RstpOGQfbf0&feature=share -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111114/19a476a2/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111114/19a476a2/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 15 17:00:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 15 Nov 2011 17:00:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JO=C3O_BATISTA_RITA__________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________________-CCXCVII-?= Message-ID: <9F5CF10A80E646E5986C9004913F4E3B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem JOÃO BATISTA RITA (1948-1974) Filiação: Aracy Pereira Rita e Graciliano Miguel Rita Data e local de nascimento: 24/06/1948, Braço do Norte (SC) Organização política ou atividade: M3G Data e local do desaparecimento: 12 ou 13/01/1974, no Rio de Janeiro JOAQUIM PIRES CERVEIRA (1923-1974) (Veja completo na série "PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de JOAQUIM PIRES CERVEIRA -LXII- João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira foram vítimas da "Operação Mercúrio", que de certa forma antecipou a Operação Condor de 1975 e tinha por objetivo eliminar todos os banidos e ex-militares que tentassem voltar ao Brasil. Ambos tinham sido alvo de banimento, valendo o seu desaparecimento como mais uma confirmação de que os órgãos de segurança do regime militar teriam decretado a pena de morte para todos, dentre eles, que ousassem retornar clandestinamente ao Brasil. Foram seqüestrados na Argentina em dezembro de 1973 e trazidos para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, desaparecendo a partir de 12 ou 13/01/1974. Durante todo o ano de 1974 será mantida essa tônica: os órgãos de segurança não anunciam a morte de nenhum opositor; todos se tornam desaparecidos. Cerveira tinha sido banido em junho de 1970, quando do seqüestro do embaixador alemão, e João Batista quando do seqüestro do embaixador suíço, em janeiro de 1971. Seus nomes fazem parte da lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Em alguns documentos, o nome de João Batista aparece acrescido de um último sobrenome, Pereda, não confirmado por documentos de identidade. Segundo as informações constantes no processo formado na CEMDP, eles foram presos juntos, em Buenos Aires, a depender da fonte em 5 ou 11/12/1973, por policiais brasileiros, entre os quais estaria o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Foram vistos por alguns presos políticos no DOI-CODI/RJ, quando chegaram trazidos por uma ambulância. Segundo a descrição das testemunhas, estavam amarrados juntos, em posição fetal, tendo os rostos inchados e com a cabeça repleta de sangue. Catarinense de Braço do Norte, João Batista mudou ainda criança para Criciúma (SC), onde estudou no Ginásio Madre Tereza Michel, até completar o curso ginasial. Foi então viver em Porto Alegre, onde começou sua militância política. Trabalhava em um escritório de advocacia e participava das mobilizações estudantis de 1968. Por sua estatura miúda, seu sobrenome lhe rendeu entre os amigos o apelido de "Ritinha". Morava em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre com a irmã Aidê. Integrado ao M3G, foi preso em 10 de abril de 1970, poucos dias depois da tentativa frustrada de seqüestro do cônsul americano no Rio Grande do Sul pela VPR, sendo muito torturado. Era considerado o número 2 de um pequeno grupo liderado por Edmur Péricles Camargo, que se afastou de Marighella e fundou a organização denominada M3G (Marighella, Marx, Mao e Guevara). De acordo com documentos dos órgãos de segurança, João Batista participou de pelo menos três ações armadas realizadas por esse grupo em Porto Alegre, Viamão e Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. Depois de viver algum tempo no Chile, transferiu-se para a Argentina, onde se casou com uma exilada chilena, Amalia Barrera, que chegou a escrever uma carta para Aidê, irmã de João Batista, em março de 2004. A nota emitida em 06/02/1975 pelo ministro da Justiça Armando Falcão, a respeito dos desaparecidos políticos, mencionou apenas que João Batista havia sido banido do país. Constam do processo na CEMDP recortes de jornais relatando que esse exilado "preparava os documentos para sua ida à Itália, quando os órgãos de repressão do Brasil, articulados pelo capitão do Exército, Diniz Reis, o seqüestraram. A ação foi desenvolvida por um grupo de indivíduos falando português que o colocaram à força dentro de um automóvel, na presença de numerosas pessoas". Foi levado para o Rio de Janeiro e desapareceu no Quartel da Polícia do Exército. Foi visto pela última vez, por outros presos políticos, na noite de 13/01/1974. Leopoldo Paulino, ex-exilado político, músico e atualmente vereador pelo PSB em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, escreveu a respeito desses dois desaparecidos, num texto de 2004: "No dia 11 de dezembro de 73, foi seqüestrado em Buenos Aires o companheiro João Batista Rita, chamado de 'Catarina' por todos nós, exilado que morava conosco no Aparelhão. Com João Batista, foi seqüestrado também o major Cerveira, exilado político brasileiro, cuja operação foi realizada em Buenos Aires pela polícia brasileira, com o aval dos órgãos de segurança do governo argentino. Os dois companheiros foram vistos, pela última vez, por alguns presos políticos no DOI-CODI do Rio de Janeiro, já arrebentados pela tortura, nunca mais se conhecendo seu paradeiro". ================================================================================================== + Informações. JOÃO BATISTA RITA Militante do MARX, MAO, MARIGHELLA E GUEVARA (M3G), Nasceu em 24 de junho de 1948, em Braço do Norte, Santa Catarina, filho de Graciliano Miguel Rita e Aracy Pereira Rita, foi para Criciúma aos 4 meses. Desaparecido desde 1973, quando tinha 25 anos. Estudou em Criciúma no Ginásio Madre Tereza Michel, onde completou o curso ginasial. Por suas atividades políticas foi preso em janeiro de 1970 em Porto Alegre e depois em 10 de abril de 1970, sendo torturado no DOI-CODI/RJ. Foi banido do Brasil em janeiro de 1971, quando do seqüestro do Embaixador da Suíça no Brasil, viajando para o Chile com outros 69 presos políticos, e deslocando-se, a seguir, para a Argentina, onde se casou com uma exilada chilena. Foi preso em 11 de dezembro de 1973, juntamente com o ex-major Joaquim Pires Cerveira. Segundo testemunhas do seqüestro, João Batista e o ex-Major Cerveira foram presos por um grupo de homens armados, falando português e liderados por um homem que, segundo as descrições, seria o delegado Sérgio Fleury. A nota emitida pelo Ministro da Justiça Armando Falcão, em 6 de fevereiro de 1975, com respeito aos desaparecidos, dizia apenas que João Batista havia sido banido do país. Houve a divulgação por uma rádio de Porto Alegre (RS) de que João Batista estaria entre quatro guerrilheiros mortos na Bolívia, em 12 de dezembro de 1973. ================================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) JOÃO BATISTA RITA (1948-1974) Catarinense de Braço do Norte, João Batista viveu em Criciúma (SC) e mais tarde em Porto Alegre, onde começou sua militância política. Trabalhava em um escritório de advocacia e participou das mobilizações estudantis de 1968. Por sua estatura miúda, seu sobrenome lhe rendeu o apelido de Ritinha. Integrado à organização M3G (de Marighella, Marx, Mao e Guevara), foi preso em 10 de abril de 1970, poucos dias depois da tentativa frustrada de sequestro do cônsul americano no Rio Grande do Sul pela VPR, sendo muito torturado. De acordo com documentos dos órgãos de segurança, João Batista participou de pelo menos três ações armadas realizadas por esse grupo em Porto Alegre, Viamão e Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. Banido do país em janeiro de 1971, quando do sequestro do embaixador suíço, viveu algum tempo no Chile e, depois, na Argentina. Junto com Joaquim Pires Cerveira, foi sequestrado em dezembro de 1973 por policiais brasileiros, entre os quais estaria o delegado Sérgio Paranhos Fleury, como parte da Operação Mercúrio, que tinha por objetivo eliminar todos os banidos que tentassem voltar ao Brasil. Ambos foram vistos por presos políticos no DOI-Codi/RJ, quando chegaram trazidos por uma ambulância. Segundo as testemunhas, estavam amarrados juntos, em posição fetal, com os rostos inchados e a cabeça banhada em sangue. O desaparecimento deu-se a partir de 12 ou 13 de janeiro de 1974. A nota emitida em 06 de fevereiro de 1975 pelo ministro da Justiça Armando Falcão, a respeito dos desaparecidos políticos, mencionou apenas que João Batista havia sido banido do país. Jornais relataram que ele preparava os documentos para sua ida à Itália, quando os órgãos de repressão do Brasil, articulados pelo capitão do Exército, Diniz Reis, o sequestraram. A ação foi desenvolvida por um grupo de indivíduos falando português que o colocaram à força dentro de um automóvel, na presença de numerosas pessoas. Levado para o Rio de Janeiro, desapareceu no Quartel da Polícia do Exército. Foi visto pela última vez, por outros presos políticos, na noite de 13 de janeiro de 1974. Leopoldo Paulino, ex-exilado político, escreveu: No dia 11 de dezembro de 73, foi sequestrado em Buenos Aires o companheiro João Batista Rita, chamado de 'Catarina' por todos nós, exilado que morava conosco no Aparelhão. Com João Batista, foi sequestrado também o major Cerveira, exilado político brasileiro, cuja operação foi realizada em Buenos Aires pela polícia brasileira, com o aval dos órgãos de segurança do Governo argentino. Os dois companheiros foram vistos, pela última vez, por alguns presos políticos no DOI-Codi do Rio de Janeiro, já arrebentados pela tortura, nunca mais se conhecendo seu paradeiro. Neusah Cerveira, filha do oficial desaparecido, descreve com detalhes a prisão dos dois militantes em Buenos Aires: [...] .05 de dezembro de 1973, o major Joaquim Pires Cerveira, 49 anos [...] encontra João Batista de Rita Pereda, 25 anos, [...] ao meio-dia para tratar de assuntos referentes a documentação, já que ambos estavam radicando-se na Argentina [...]. 18:30, esquina da rua Corrientes, um carro com vários homens simula um atropelamento dos dois e na presença de testemunhas os leva sob protestos. [...] A última notícia que se tem é que ambos chegaram quase mortos numa ambulância vinda da Oban em SP para o DOI-Codi do RJ, na rua Barão de Mesquita, na madrugada do dia 12/13 de janeiro de 1974, segundo testemunhos prestados à ONU. Em Petrópolis (RJ), por solicitação da CEMDP, o Ministério Público determinou um levantamento nos livros de registro dos cemitérios da cidade. O estudo da documentação deu indicações sobre a possível localização dos restos mortais de 19 desaparecidos políticos, incluindo Cerveira e João Batista Rita. ================================================================================================================ Outras Informações. Militante do MARX, MAO, MARIGHELLA E GUEVARA (M3G), Nasceu em 24 de junho de 1948, em Braço do Norte, Santa Catarina, filho de Graciliano Miguel Rita e Aracy Pereira Rita, foi para Criciúma aos 4 meses. Desaparecido desde 1973, quando tinha 25 anos. Estudou em Criciúma no Ginásio Madre Tereza Michel, onde completou o curso ginasial. Por suas atividades políticas foi preso em janeiro de 1970 em Porto Alegre e depois em 10 de abril de 1970, sendo torturado no DOI-CODI/RJ. Foi banido do Brasil em janeiro de 1971, quando do seqüestro do Embaixador da Suíça no Brasil, viajando para o Chile com outros 69 presos políticos, e deslocando-se, a seguir, para a Argentina, onde se casou com uma exilada chilena. Foi preso em 11 de dezembro de 1973, juntamente com o ex-major Joaquim Pires Cerveira. Segundo testemunhas do seqüestro, João Batista e o ex-Major Cerveira foram presos por um grupo de homens armados, falando português e liderados por um homem que, segundo as descrições, seria o delegado Sérgio Fleury. A nota emitida pelo Ministro da Justiça Armando Falcão, em 6 de fevereiro de 1975, com respeito aos desaparecidos, dizia apenas que João Batista havia sido banido do país. Houve a divulgação por uma rádio de Porto Alegre (RS) de que João Batista estaria entre quatro guerrilheiros mortos na Bolívia, em 12 de dezembro de 1973. Jornal A Notícia/Joinville 02/07/03 Reportagem Inteligência e coragem a serviço da luta armada João Batista Rita foi um dos 70 presos políticos trocados por embaixador suíço e depois banidos para o Chile Luis Fernando Assunção Catorze de janeiro de 1971. O Boeing da Varig aterrissa no Aeroporto de Pudahuel, em Santiago, Chile. Traz 70 presos políticos brasileiros trocados em uma negociação durante o seqüestro do embaixador suíço no Brasil, Giovani Enrico Bucher. O Chile vivia uma plena democracia com reformas comandadas pelo presidente Salvador Allende e era porto seguro de exilados das ditaduras da América Latina. Os presos, agora oficialmente exilados, foram recebidos com festa por 250 pessoas, entre brasileiros e chilenos, que cantavam o hino nacional do Chile. O rapaz franzino, de passos firmes, impressionou-se com a cena. "Nossa causa, enfim, tem um significado. Chega de guerras, chega de armas", pensou. João Batista Rita, filho emprestado de Criciúma, militante do M3G, grupo armado de Porto Alegre, estava bem perto do que sonhara. Longe da pátria, é verdade, mas muito próximo da liberdade. João Batista era miúdo, abaixo da estatura média para um rapaz de vinte e poucos anos, o que lhe rendeu a alcunha de Ritinha (diminutivo do sobrenome) entre os conhecidos. Nascido em Braço do Norte em 1948, com seis meses de idade mudou-se com a família para Criciúma. Logo cedo demonstrou ser decidido, firme e independente. Depois de concluir o ginásio, arrumou a mala e seguiu para Porto Alegre, onde conseguiu trabalho em um escritório de advocacia e conheceu muitas pessoas. Entre elas o jornalista Edmur Péricles de Camargo. Viraram amigos e Edmur convidou João Batista a ingressar na M3G, da qual era líder. A inspiração do grupo era Carlos Marighella, fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN) e assassinado em 1979 em uma emboscada comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, o maior "caçador de comunistas" da ditadura brasileira. Em pouco tempo João Batista passou a ser um militante ativo. Decidiu morar em Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre, na casa de um tio. Inteligente e corajoso, tornou-se peça-chave nas ações da organização. A M3G defendia a luta armada e logo organizou um pequeno arsenal. As armas eram utilizadas em assaltos a bancos e seqüestros. "A tensão era muito grande. Companheiros do meu irmão eram presos e isso nos afligia", recorda Aidê, que hoje vive nos Estados Unidos. A irmã relembra com detalhes dos tempos difíceis da prisão de João Batista em uma ilha do Guaíba, em Porto Alegre, antes de ser banido para o Chile. "Durante a semana, sempre que aparecia uma lancha no meio do rio, era porque iam buscar alguém que seria torturado no Dops. Era horrível porque quando voltavam estavam desfigurados em função dos choques, agulhas debaixo das unhas e até testículos estourados", conta. A angústia durou mais de um ano, quando o embaixador da Suíça foi seqüestrado e serviu de troca por presos políticos. João Batista viajava muito pela organização, era o contato para formação de novos núcleos do movimento em cidades e Estados vizinhos. Chegou a recusar um pedido do amigo Edmur para abandonar a causa. "Não. Vou até o fim", sentenciou. Em 10 de abril de 1970, foi pego e encaminhado para um presídio em Porto Alegre. Só saiu de lá para o Chile com mais 69 presos políticos, entre eles o amigo Edmur. No Chile, continuou com suas atividades políticas até 1973, quando o general Augusto Pinochet chegou ao poder pelas armas, derrubando o então presidente Salvador Allende. João fugiu para a Argentina, onde casou com a exilada chilena Amelia Barrera, um mês antes de desaparecer, em dezembro de 1973. Amelia hoje vive com o marido alemão em Hamburgo, mas mantém contato com a família de João Batista. Em 11 de dezembro de 1973, ainda na Argentina, João Batista foi detido, junto com o ex-major Joaquim Pires Cerveira, por um grupo de homens armados falando português e liderados por um homem que, mais tarde foi apurado, seria o delegado Sérgio Fleury, o mesmo matador de Marighella. Até hoje os familiares não sabem o que de fato aconteceu com João Batista. Desconfiam que ele tenha sido seqüestrado e trazido de volta ao Brasil, via Operação Condor, onde teria sido torturado e morto. Nome João Batista Rita Nascimento 1948, em Braço do Norte, Santa Catarina Profissão Estudante Militância M3G, de Porto Alegre Desaparecido desde 1973, na Argentina Bandido para o pai, Herói para as irmãs Criciúma - A família Rita demorou a assimilar as atividades de João Batista. Dividida entre quatro homens e quatro mulheres, era na ala feminina da família que João tinha o maior apoio justamente por suas idéias libertárias. Seu pai Graciliano nunca perdoou o filho. A família foi discriminada por ter educado um "assaltante", um "terrorista", um "comunista". "Para o pai ele era um bandido. Naquela época não se podia dizer nada e ele renegou o filho", revela a irmã Maria Rita. Aidê, irmã que hoje mora nos Estados Unidos, chegou a mudar-se para Porto Alegre para ficar mais perto do irmão. Hoje Aidê reside nos Estados Unidos, onde casou, mas ainda relembra os tempos que passou com João nos terríveis anos de repressão. Ela levava comida para João enquanto ele esteve preso em Porto Alegre. Numa carta escrita para a família, Aidê conta a triste experiência de conhecer a sala de tortura do Dops em Porto Alegre. "Era horrível. De vez em quando passavam soldados levando algum homem com um capuz preto na cabeça. Minutos depois já dava para ouvir os gritos", escreve. Maria Rita também não esquece dos conselhos de João. "Era preocupado com seus irmãos. Sempre incentivava os estudos e era muito cavalheiro com as mulheres", recorda. João Batista tinha idéias libertárias a respeito de sociedade, família, política. Em cartas endereçadas às irmãs dava conselhos para emancipação, para seguir em frente nos estudos, para não sucumbir à submissão no trabalho ou marido. "Ele deixou uma lição de vida. Não abriu mão daquilo que acreditava por causa de ninguém e de nada", orgulha-se a sobrinha Daiana, filha de Aidê. (LFA) =================================================================================================================================== Outras Informações. Operação Condor: Família de desaparecido em busca da verdade 20 de outubro de 2007 A chilena Amelia Barrera partiu para o exílio no Leste Europeu em 1974. Escapou da perseguição política que vitimara o guerrilheiro brasileiro João Batista Rita, com quem estava casada havia menos de um mês. Ritinha, como era conhecido entre os amigos, foi detido com o major rebelado Joaquim Pires Cerveira em 11 de dezembro de 1973, numa das primeiras operações conjuntas das forças policiais argentinas e brasileiras - esquema de colaboração repressiva que seria conhecido depois como Operação Condor. Claudio Dantas Sequeira Correio Braziliense A chilena Amelia Barrera partiu para o exílio no Leste Europeu em 1974. Escapou da perseguição política que vitimara o guerrilheiro brasileiro João Batista Rita, com quem estava casada havia menos de um mês. Ritinha, como era conhecido entre os amigos, foi detido com o major rebelado Joaquim Pires Cerveira em 11 de dezembro de 1973, numa das primeiras operações conjuntas das forças policiais argentinas e brasileiras - esquema de colaboração repressiva que seria conhecido depois como Operação Condor. Como o Correio Braziliense revelou em julho, o monitoramento do Centro de Informações do Exterior (Ciex, serviço secreto do Itamaraty) ajudou na captura (veja fac-símile). João Batista foi visto pela última vez em 13 de janeiro de 1974, no DOI-Codi do Rio, com marcas visíveis de tortura. O período coincide com a última carta enviada da Argentina por sua mulher. Amelia Barrera buscou refúgio na hoje extinta Alemanha Oriental e levou três décadas para reconstruir a vida. Virou educadora e psicóloga, casou-se novamente e tem um filho de 3 anos. "Quando João desapareceu da Argentina, eu continuei ali até meados de 1974 para buscar seu paradeiro. Logo tive que sair, por razões de segurança", explicou à reportagem, por telefone, do Chile. O trauma fez com que Barrera só conseguisse contatar a família de Ritinha três décadas depois. Hoje, ela desembarca em Criciúma (SC) para conhecer pessoas que só viu por fotos, mas que significam um elo indissociável com o passado. Trata-se de uma espécie de acerto de contas pessoal. "Para mim, foi um trauma muito profundo. As lembranças que tinha daquela época haviam se apagado, mas agora estou pronta para encarar o passado e superá-lo", desabafou. A ansiedade também tomou conta da família e dos amigos do guerrilheiro, que esperam colher de Amelia Barrera as impressões, ainda que fragmentadas, de quem esteve com Ritinha pela última vez antes de seu desaparecimento. Aidê Rita Duarte, irmã mais nova que morou com Ritinha na casa de parentes em Porto Alegre, sabia das atividades clandestinas do irmão, mas era jovem demais para compreender o porquê de um arsenal enterrado no quintal. "Meus tios achavam que ele estava envolvido com assalto a banco", explicou à reportagem. Ela lembra que o irmão foi preso no dia 10 de abril de 1970. "Era de manhã quando os policiais bateram à nossa porta com ele algemado. Fizeram uma revista e desenterraram algumas armas no quintal." Banido Ritinha deixou a prisão em janeiro de 1971, banido para o Chile no grupo de 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço, Giovanni Bücher, seqüestrado pela guerrilha. Conheceu Amelia Barrera numa manifestação a favor do governo socialista de Salvador Allende. Depois do golpe de Augusto Pinochet, em 11 de setembro de 1973, os dois foram para a Argentina. Casaram-se em Santa Fé e se mudaram para Buenos Aires, onde Ritinha seria preso. Entre os familiares, Aidê foi quem mais teve contato com João Batista. Inconformada com o desaparecimento dele, diz que desistiu de buscar informações sobre o paradeiro do corpo. Barrera também diz que não tem intenção de saber onde estão os restos. "Não quero que minha visita tenha tom político. É uma questão pessoal." ============================================================================================================ FICHA João Batista Rita Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: João Batista Rita Cidade: (onde nasceu) Braço do Norte Estado: (onde nasceu) SC País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 24/6/1948 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Marx, Mao, Marighella, Guevara M3G Brasil Nome falso: (Codinome) Catarina Prisão: 11/12/1973 0/1/1970 Porto Alegre RS Brasil 10/4/1970 Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1973 Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Publicação de folheto elaborado pela coordenadora do Comitê Catarinense Pró-Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos de Santa Catarina, Derlei De Lucca, na Tribuna Criciumense, Criciúma, SC, de 16/06/95, à página 7. O artigo traz biografia e militância de João. Comenta o fato de um militar não identificado ter escrito na época à ONU relatando as torturas sofridas por João. Até o momento da publicação do artigo não se sabia o paradeiro do seu corpo. Acompanha cópia do folheto. Artigo de jornal Os desaparecidos, uma questão que vai persistir. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 1979. Parte de artigo sobre a questão dos desaparecidos políticos no período da ditadura militar. Segundo generais do Exército, há somente quatro possibilidades de desaparecimento de uma pessoa: ela teria sido executada por sua própria organização, que jogaria a culpa no Exército; ela poderia ficar tão desestruturada mentalmente que romperia com todos os conhecidos e sua família a ajudaria a se mudar para o exterior alegando que seu ente sumiu; o suposto desaparecido seria na verdade um membro infiltrado pelas forças de segurança nacional que, ao terminar seu serviço, fazia plástica e recuperava sua antiga identidade; ou mortos por acidente, mas que o Exército não permitiu a publicidade do fato. Cita uma lista de pessoas dadas como desaparecidas pelas organizações cujas fichas estavam no necrotério de um órgão de segurança em 12/73. São elas: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale, Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. Apresenta ainda alguns detalhes controvertidos das histórias dos desaparecidos Edgar de Aquino Duarte, Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita e Paulo Costa Ribeiro Bastos. Também contesta a lista de desaparecidos divulgada pelo Comitê Brasileiro de Anistia em relação aos nomes de Antônio dos Três Reis Oliveira. Artigo de jornal Fiuza e Frota desmentem versão sobre desaparecido. (Sem fonte), de 31 jan. 1980. O general Adir Fiuza de Castro desmente as acusações feitas a ele e ao general Sílvio Frota de serem os responsáveis pelo desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira, afirmando que na época do ocorrido já não comandava o DOI-CODI/RJ. No início de 1979 dois generais e mais um oficial que participavam da repressão declararam que alguns dos desaparecidos foram de fato mortos por órgãos de segurança, mas que por alguma razão não podiam assumir o fato publicamente. Foram citados os seguintes desaparecidos: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar, Paulo César Botelho Massa, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale e Thomaz Antônio da Silva Meireles Neto. O general Frota declarou que isso é impossível de ter acontecido no I Exército. Enquanto isso, o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) continua exigindo que o governo esclareça o desaparecimento de mais de cento e vinte e cinco militantes, após suas prisões. Artigo de jornal Diário Catarinense, Florianópolis, 13 dez. 1992. "Violência marcou vida de famílias", "Marcas das torturas reavivam a memória", "SC carrega oito cruzes". O primeiro artigo informa como foi o desaparecimento de Lucindo Costa. O segundo traz o depoimento de Derlei Catarina de Luca sobre sua participação na luta contra a ditadura e o último traz o nome de oito vítimas da ditadura que eram do estado de Santa Catarina: João Batista Rita, Arno Preis, Frederico Eduardo Mayr, Paulo Stuart Wright, Lucindo Costa, Luis Eurico Tejera Lisbôa, Rui Pfutzenreuter e Vânio José de Matos. Foto Fotos de João Batista de busto, corpo inteiro e com outras pessoas. Livro Comitê Brasileiro de Anistia e Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos Brasileiros - familiares, amigos e ex-militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). "Onde estão? - desaparecidos políticos brasileiros". 44 p. Possui a foto de Honestino Monteiro Guimarães à capa, presidente da UNE em 1973 e um dos militantes visados pelo regime militar, além da biografia e documentos referentes a outros mortos ou desaparecidos pela repressão de 1968 a 1973. Material produzido por volta de 1983 como homenagem e instrumento de luta para que estes fatos não voltem a acontecer e para que sejam prestadas contas sobre o paradeiro destas e muitas outras pessoas. Inclui transcrição de alguns artigos de jornais sobre desaparecidos políticos e listas com nomes dos desaparecidos e mortos políticos desde 1964. Ficha pessoal Documento com dados pessoais e histórico, sem identificação da instituição. Discorre sobre a prisão em 26/04/70 no Rio Grande do Sul até a proposta para ser trocado pelo embaixador Giovani Enrico Bucher, seqüestrado em 07/12/70. Impressões digitais Documento do arquivo do DOPS com impressões digitais, fotos de rosto e dados pessoais. Depoimento Documento produzido pelo Comitê Pró-Memória dos Desaparecidos (Santa Catarina) sobre a militância e a morte de João Batista Rita. Conta que João militava no M3-G (Marx, Mao, Marighella, Guevara) com Edmur Péricles de Camargo, chegando a ser o segundo homem da organização, que era basicamente gaúcha e preconizava a guerrilha urbana como forma de tomada do poder. Foi preso em 1970 e banido do país em 1971. Foi visto pela última vez na noite de 13/01/74 nas dependências do DOI-CODI, no Rio de Janeiro, em péssimo estado físico, "visivelmente torturado", conforme relatório da ONU, em Genebra. Depoimento Documento do Comitê Brasileiro pela Anistia - Fração Sul de Santa Catarina - Criciúma, para a Comissão de Relatos de Punições deste Comitê, sem data. Trata-se de relato da irmã de João, Aidê, contando a vida dos dois quando seu irmão já era militante, até que foi preso em 04/70 e ela passa a lutar pela sobrevivência sem possuir profissão, dinheiro, nem conhecer alguém onde morava. Em 1971, com o seqüestro do embaixador da Suíça e a exigência da liberação de 70 presos políticos do Brasil, João e os outros presos foram levados para o Chile. Depois do golpe militar no Chile, todos os presos políticos foram morar na Argentina, onde João casou-se com uma chilena. Em 03/74, Aidê recebeu a primeira e última carta de sua cunhada, a qual dizia que precisava muito falar com ela. Respondeu dizendo que não podia ir à Argentina pois não tinha condições financeiras nem documentos. Nunca recebeu resposta nem teve nenhuma outra informação de seu irmão. Quando o Jornal Movimento, de São Paulo, publicou a relação de todos os mortos e desaparecidos e não encontrou o nome de João, voltou a acreditar que ele não estivesse morto. Evento/ Homenagem História ressuscita sempre seus mártires. Eles são heróis e já pertencem à nossa história. Homenagem em memória dos desaparecidos políticos de Santa Catarina. Entre eles estão: Paulo Stuart Wright, Arno Preis, Luiz Eurico Tejera Lisbôa, João Batista Rita e Ruy Osvaldo Aguiar Pfitzenreuter. Evento/ Homenagem Convite e programação da Semana Pró-Memória dos Catarinenses Mortos e Desaparecidos, em Criciúma, entre os dias 31/08 e 04/09/83. São homenageados: Arno Preis, João Batista Rita, José Lima Piauhy Dourado, Luiz Eurico Tejera, Paulo Stuart Wright e Ruy Oswaldo Pfitezreuter. Evento/ Homenagem Celebração litúrgica em memória de Ruy Pfitzenreuter, João Batista Rita, Arno Preis, Luiz Eurico Tejera e Paulo Stuart Wright, em Criciúma, em 04/09/83. Legislação Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111115/b067f736/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4493 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111115/b067f736/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7072 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111115/b067f736/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 15 17:00:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 15 Nov 2011 17:00:30 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?15_Filhos_-_document=E1rio_sobre_a?= =?iso-8859-1?q?_ditadura?= Message-ID: <093B73D7B603465DA8F7CB31D5AC3DEE@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 15 Filhos - documentário sobre a ditadura aamericalatinaquemalseconhece.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111115/c9028fcb/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111115/c9028fcb/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 16 20:18:05 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 16 Nov 2011 20:18:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JO=C3O_MENDES_ARA=DAJO_______________?= =?iso-8859-1?q?____________________________________-CCCXVIII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem JOÃO MENDES ARAÚJO Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu a 28 de julho de 1943 em Bom Jardim, Pernambuco, filho de Virgilina Rodrigues Amorim. Agricultor. Preso no dia 24 de janeiro de 1972, em sua própria casa, por agentes do DOI/CODI de Recife. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que "faleceu no dia 24/01/72, quando se escondia num 'aparelho' da ALN, em Recife, PE, resistiu à prisão, sendo ferido juntamente com outro terrorista, que foi preso. Mesmo gravemente atingido, evadiu-se, lançando-se ao mar. Posteriormente, seu corpo foi resgatado do mar." A certidão de óbito dá sua morte em 25 de fevereiro de 1972 na cidade de Olinda (PE), em tiroteio. Informa que foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro, em Pernambuco. ============================================================================================ FICHA João Mendes Araújo Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: João Mendes Araújo Cidade: (onde nasceu) Bom Jardim Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 28/7/1943 Atividade: Agricultor Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Prisão: 24/1/1972 Recife PE Brasil em casa Morto ou Desaparecido: Morto 24/1/1972 Recife PE Brasil Segundo Relatório do Ministério da Aeronáutica. Clandestinidade Morto 25/2/1972 Olinda PE Brasil Segundo certidão de óbito. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/PE DOI-CODI/PE PE Brasil Biografia Documentos Foto Foto do corpo, encontrada no Instituto de Polícia Técnica, PE. Relatório Documento com carimbo do arquivo do DOPS em que constam o nome e os dados pessoais de Arnaldo Cardoso Rocha, João Mendes de Araújo e de outras pessoas. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Ficha pessoal Documento do Instituto de Identificação de Pernambuco, sem data, com dados pessoais, impressões digitais e foto pouco nítida do rosto de João Mendes Araújo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111116/1063b416/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3926 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111116/1063b416/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 16 20:18:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 16 Nov 2011 20:18:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?____Major-brigadeiro_da_Aeron=E1ut?= =?iso-8859-1?q?ica_defende_puni=E7=E3o_aos_toruradores_da_ditadura?= =?iso-8859-1?q?_-_15/11/2011_-_Revista_=C9poca?= Message-ID: <8C44EF7578E249CBAB22B08C8ABA6E61@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Revista Época DITADURA - 15/11/2011 12h59 - Atualizado em 15/11/2011 13h46 Major-brigadeiro da Aeronáutica defende punição aos torturadores da ditadura O Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, de 92 anos, participou de 94 missões de guerra na Itália. Em petição, ele pede punição de militares que praticaram crimes durante a ditadura ANGELA PINHO inShare1 | | O major-brigadeiro pede punição de militares que praticaram crimes durante a ditadura (Foto: Stefano Martini) A Comissão da Verdade aprovada pelo Congresso é uma novidade positiva para esclarecer o passado, mas é fundamental punir quem torturou e matou durante a ditadura militar. Mais: é "burrice" das Forças Armadas defender o contrário, já que a maior parte dos que fazem parte delas hoje não participou das violações de direitos humanos. As opiniões não são de nenhum militante de esquerda ou familiar de morto ou desaparecido político. São de um militar da Força Aérea Brasileira (FAB), detentor da segunda maior patente da Aeronáutica e herói da Segunda Guerra Mundial. Maranhense radicado no Rio de Janeiro, o Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, 92 anos, participou de 94 missões de guerra na Itália. Ele não gosta de se definir nem como de esquerda nem como de direita, mas como um democrata. Em 1964, foi um dos poucos militares a resistir ao golpe que deu início a 21 anos de ditadura. No dia 31 de março, pegou um avião e foi localizar as tropas que o general Olympio Mourão Filho guiava de Minas Gerais para derrubar o presidente João Goulart, no Rio de Janeiro. Chegou a fazer alguns voos rasantes sobre as tropas de Mourão. Sem autorização para atirar, voltou para a base de Santa Cruz, no Rio. Cassado, passou cerca de quatro meses preso e ficou proibido de voar por mais de 17 anos. Com a volta da democracia, Moreira Lima retornou à Aeronáutica. No fim dos anos 70, fundou Associação Democrática e Nacionalista de Militares, entidade que luta pelos direitos de cabos cassados durante a ditadura e defende posições que destoam das que são comumente defendidas por seus colegas de Forças Armadas. Como presidente da entidade, protocolou uma petição para que o Supremo Tribunal Federal mudasse a interpretação da Lei da Anistia, de 1979. No documento, ele advoga pela punição de militares que praticaram crimes durante a ditadura. O STF acabou decidindo manter a interpretação que perdoa as violações ocorridas entre 1964 e 1985. Amigo do comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, e frequentador dos eventos promovidos pela FAB, Moreira Lima finaliza a tradução para o inglês de seu livro Senta a Pua!, que narra a expedição da Força Expedicionária Brasileira na Itália. Hit them hard! tem previsão de ser lançado ainda neste ano. Época - Como surgiu a ideia de fundar uma associação de militares para a democracia? Rui Moreira Lima - Foi em 1979, quando veio a anistia do Figueiredo (João Figueiredo, presidente entre 1979 e 1985). Eu e outros colegas que foram impedidos de trabalhar queríamos garantir os nossos direitos. Quando o Figueiredo anistiou aqueles torturadores, ele cometeu um erro. Qual a lei que pode ajudar um torturador? No mundo inteiro, por meio de diversas convenções, da OEA, ninguém atura a covardia do torturador. É um bandido, um desgraçado, um covarde. Época - O senhor defende a punição de quem praticou crimes na ditadura? Lima - Em 1964, me tiraram da Aeronáutica e me proibiram de voar, que era o que eu sabia fazer. Fiquei 17 anos sem poder voar. Fui vender fubá, grão de bico, farinha. O meu retrato estava na base aérea de Santa Cruz (no Rio de Janeiro) para eu ser preso se entrasse lá. Hoje a FAB me estende tapete vermelho, é a minha casa. Mas alguns poucos caras da FAB fizeram isso comigo e eles deveriam pagar por isso. Época - A Argentina recentemente condenou na Justiça diversos militares por crimes ocorridos durante a ditadura militar do país. O Brasil deveria fazer o mesmo? Lima - Devia. Isso é fazer justiça. O Figueiredo era um comandante, um homem de cavalaria, mas era soldado, não entendia nada disso. Deu anistia para quem torturou. Não pode fazer isso. A Justiça é uma coisa séria. Época - A maior parte das Forças Armadas se posiciona contra a punição de militares envolvidos em crimes durante a ditadura. Existe algum constrangimento quando o sr. defende esse posicionamento na instituição? Lima - Não, todos me tratam muito bem, mesmo. O brigadeiro Saito (Juniti Saito, comandante da Aeronáutica) é amigo meu, é uma pessoa dócil, boa. Sou convidado para diversos eventos. Sou membro do Conselho Cultural da Aeronáutica. Considero a Aeronáutica a minha casa. Nem deveria, mas sou tido lá como um sujeito fora de série. Época - E por que a maior parte das Forças Armadas é contra rever a lei da anistia? Lima - Por burrice, corporativismo burro. O mundo inteiro está acabando com isso. Estão mandando os torturadores e matadores para a cadeia. Eu não sou revanchista. Não tem revanche nenhuma. O camarada que não tem nada com isso não tem culpa. Época - Rever a Lei da Anistia não vai reabrir uma ferida, como dizem os defensores da atual legislação? Lima - Eu espero que abra uma porta. Não é possível esconder a verdade. Tem muitos companheiros do Exército e da Aeronáutica que não estão de acordo com isso. Não dizem por causa do tal do corporativismo. Mas isso cedo ou tarde vai vir à tona. Época - O que o senhor acha da Comissão da Verdade, recém-aprovada? Lima - Ela tem que estar presente. Mas ela é comissão da Verdade, tem que ser de verdade. Eu estou na expectativa. A Comissão da Verdade é obrigatória. Ela tem que dizer quem fez as coisas. E aí quem fez tem que pagar uma prenda por causa disso. Botar o sujeito na cadeia se for o caso. Época - Mas a ideia da comissão não é colocar ninguém na cadeia. Lima - Não, a ideia é dizer onde estão os corpos. É um crime não mostrar onde o cara foi enterrado. A verdade tem que ser dita. Ela é feito a rolha, você pode botar ela no fundo do tanque, mas ela salta. Época - Muitas vezes, quando questionados sobre os militantes que desapareceram durante a ditadura, os militares dizem que os documentos relativos ao período foram destruídos. O senhor acredita nisso? Lima - Tem muita coisa que foi destruída mesmo. Mas só o fato de existir a comissão e de chamar os caras que estão vivos para falar já é um alento para as famílias que perderam parentes. Época - Mas o senhor acha que a comissão pode obter resultados concretos? Lima - Sim, eles podem saber onde estão as ossadas. Alguma evidência vai se conseguir. E aí acaba com isso. Porque quem fez isso (tortura e assassinato de militantes) não foi o Exército nem a Aeronáutica nem a Marinha. Foram sujeitos que nasceram ruins, mal caráteres, com ódio no coração e inveja. Época - Esporadicamente, ouvem-se notícias de tortura em quartéis e de violações aos direitos humanos nas Forças Armadas. Na opinião do senhor, isso está ligado ao treinamento que era oferecido aos militares durante a ditadura? Lima - Está ligado sim. Tem um sujeito, Dan Mitrione (americano que ensinou técnicas de tortura a militares brasileiros), que chegou a ter uma rua em Belo Horizonte como o nome dele. Depois mudaram para colocar o nome de um estudante morto. Eu conheço gente, colegas, que foram fazer estudos no Panamá. Sujeito que chegou na polícia do exército e fez tortura. Conhecidos, porque eu não fui amigo desses caras. Mas eles estavam soltos, absolutos, pensando que a revolução (a ditadura militar) ia durar eternamente. Época - E o senhor acha que essa cultura permanece ainda hoje? Lima - Olha, ninguém foi para a cadeia porque torturou e ninguém morreu por causa disso. Época - Quais são os principais desafios das Forças Armadas hoje? Lima - Hoje as Forças Armadas estão fazendo o que devem fazer: defender a Amazônia, o mar, o Brasil. Época - O senhor participou da Segunda Guerra Mundial e se recusou a participar do golpe de 1964. Que princípios guiaram sua carreira como militar? Lima - Eu entrei nas Forças Armadas no dia 31 de março de 1939. Nesse dia, recebi uma carta de meu pai, juiz, em que ele dizia: "Sê um patriota verdadeiro e não te esqueças que a força somente deve ser empregada ao serviço do Direito. O povo desarmado merece o respeito das Forças Armadas". Essa carta norteou toda a minha trajetória. Já me perguntaram se eu era comunista. Eu nunca fui comunista, eu fui brasileiro, fui defender o meu país e continuo defendendo. inShare1 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111116/c115bef0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27254 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111116/c115bef0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 17 19:48:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 17 Nov 2011 19:48:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___JOAQUIM_C=C2MARA_FERREIRA___________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CCXCIX-?= Message-ID: <32BDEC3757154DDCAE71EB6D91D2BB5E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem JOAQUIM CÂMARA FERREIRA (1913-1970) Data e local de nascimento: 05/09/1913, Jaboticabal (SP) Filiação: Cleonice Câmara Ferreira e Joaquim Baptista Ferreira Sobrinho Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 23/10/1970 em São Paulo Joaquim Câmara Ferreira foi preso em São Paulo no dia 23/10/1970 e morto sob torturas no mesmo dia. Mais conhecido por Toledo, era considerado o número 2 da ALN tendo participado diretamente do seqüestro do embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969. Se encontrava em Cuba quando Carlos Marighella foi morto, em novembro do ano anterior. Retornou então ao Brasil e assumiu o comando geral daquela organização clandestina. Sua morte foi divulgada na imprensa, mais uma vez, como sendo trunfo do delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS paulista, conhecido chefe de torturas, processado várias vezes como líder maior do Esquadrão da Morte. Quem teria levado a polícia a localizar Toledo foi o militante da ALN José da Silva Tavares, preso meses antes em Belém e que teria passado a colaborar com os órgãos de segurança. Joaquim Câmara Ferreira nasceu em Jaboticabal (SP), em 05/09/1913. Era membro do Partido Comunista desde 1933. Jornalista, foi diretor de diversas publicações do partido e, em 1937, passou a atuar de forma clandestina, concentrando seu trabalho no sindicalismo do setor ferroviário. Durante o Estado Novo foi preso numa gráfica do PCB e torturado no DOPS paulista até perder algumas unhas da mão. Em 1946, elegeu-se vereador em Jaboticabal, mas no ano seguinte, com a cassação do registro eleitoral do PCB, perdeu o mandato. Em 1953, atuou de forma destacada na greve geral de São Paulo. Foi vogal da Justiça do Trabalho. Em 1964, foi preso em São Bernardo do Campo, onde realizava palestra para operários sobre o papel da imprensa na luta pelas reformas de base, sendo libertado pouco depois. Em 1967, acompanhou Marighella na formação do Agrupamento Comunista de São Paulo, embrião da ALN. Toledo foi preso por volta de 19 horas do dia 23/10/1970, na avenida Lavandisca, bairro de Indianópolis, em São Paulo. A versão divulgada foi de que Câmara morrera ao entrar em luta corporal com os agentes que buscavam prendê-lo. Na verdade, foi levado para um sítio clandestino pelo delegado Fleury, onde morreu no mesmo dia, por volta da meia-noite, conforme apurou a CEMDP. Em telex encontrado nos arquivos do DOPS/PE, o II Exército informa que o DOPS localizara e prendera às 19h30min do dia 23 de outubro, Joaquim Câmara Ferreira, que investira contra os policiais causando em vários deles ferimentos generalizados, tendo falecido no decurso da diligência. Continua a mensagem: "Informo ainda foi dado conhecer repórteres imprensa falada escrita seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado na área". Um Relatório Especial de Informações nº 7/70, exemplar nº 18, do Ministério do Exército, assinado pelo general de Brigada Ernani Ayrosa da Silva, Chefe do Estado-Maior do II Exército, encontrado nos arquivos do DOPS/SP com o título de prisão e morte de Joaquim Câmara Ferreira, Toledo ou Velho, registra que o delegado Sérgio Paranhos Fleury, tendo obtido informação de que José da Silva Tavares, esteve com Toledo, antes de seguir para o norte do país, obteve autorização e apoio do II Exército para buscar o preso e trazê-lo para São Paulo. Depois de cerca de um mês de exaustivo processo de investigação, partindo da colaboração do infiltrado, fora levantada uma pista, no dia 21 outubro. No relatório consta que: "sendo submetido a interrogatório, Toledo foi acometido de crise cardíaca, que lhe ocasionou a morte, apesar da assistência médica a que foi submetido". A morte de Toledo sob torturas já havia sido denunciada pelos presos políticos da época, baseada nos relatos de Maria de Lourdes Rego Melo e Viriato Xavier de Mello Filho, que também foram torturados no mesmo sítio clandestino do delegado Fleury. Em depoimento prestado à CEMDP, Maurício Klabin Segall, que é filho de Lasar Segall, um dos mais importantes artistas plásticos do Brasil, e convivia com Câmara Ferreira desde a década de 50, relatou o ocorrido com detalhes bem precisos. Maurício foi preso na tarde do dia 23 de outubro, junto com Maria de Lourdes Rego Melo. Os dois foram levados ao sítio do delegado Fleury. Maurício assim narrou os fatos: "(...) No sítio, bem primitivo, ao qual chegamos de olhos vendados, a iluminação era de velas, pois não havia luz elétrica. O sítio aparentemente tinha dois quartos, uma sala/cozinha e um banheiro. Os choques elétricos aplicados no pau-de-arara eram gerados num aparelho, acionado por manivela manual. Já estava lá sendo torturado Viriato, recém chegado de Cuba. (...) Tudo que se passava num dos cômodos, mesmo com porta fechada, se ouvia nos demais. (...) Quando fui pendurado, o interrogador era o próprio Fleury. (...) Em meio da minha tortura no pau-de-arara, já de noite, que vinha durando algum tempo, houve uma agitação coletiva, colocaram uma espécie de apoio nos meus quadris, de forma que fiquei só parcialmente pendurado e a maioria dos policiais deixou às pressas o sítio, deixando apenas dois ou três para trás. Não sei quanto tempo isto durou (no mínimo 2 horas) mas, a um certo momento, fui tirado com as pernas totalmente inermes do pau-de-arara, só podendo andar amparado e fiquei sentado na sala com uma venda nos olhos, mas que deixava uma fresta na parte de baixo. Logo depois, ouvi uma pessoa chegando, arfando desesperadamente, com falta de ar, com sintomas muito parecidos com ataque cardíaco (que eu conhecia pois eram semelhantes daqueles do meu pai, por ocasião de sua morte). Esta pessoa foi levada para o quarto que tinha a cama e não o paude- arara. Fiquei sabendo que era Toledo pelos comentários que vinham sendo feitos pelos policiais. Havia muita agitação entre eles e Toledo não parava de arfar. A um certo momento, vi pela fresta inferior da venda dos olhos, passarem duas pernas vestidas de branco, calçadas com sapatos brancos. Não havia dúvida que era um médico. Logo depois, Toledo parava de arfar. Muito rapidamente o acampamento foi levantado e fomos levados de olhos vendados para o DOPS e, a seguir, para a OBAN. (...) Ouvi diversas manifestações de irritação do pessoal da OBAN com o pessoal do Fleury devido à morte de Toledo sem que eles pudessem tê-lo interrogado também (...) Soube depois, também, que Maria, Viriato e eu termos sobrevivido ao sítio se deveu, em boa parte, à morte prematura de Toledo". Com base em todas essas informações, coletadas e sistematizadas no parecer apresentado à Comissão Especial na reunião de 23/04/1996, o caso foi deferido por unanimidade. ============================================================================================================================ + Informações. JOAQUIM CÂMARA FERREIRA Comandante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu a 5 de setembro de 1913 em São Paulo, filho de Joaquim Baptista Ferreira Sobrinho e Cleonice Câmara Ferreira. Vereador em Jaboticabal pelo PCB e jornalista. Toledo dedicou sua vida à causa da libertação do povo brasileiro. Entrou para o Partido Comunista, em 1933. Foi diretor de diversos jornais do Partido e, em 1937, quando do golpe de Getúlio Vargas, passou a atuar de forma clandestina, concentrando seu trabalho fundamentalmente no setor ferroviário. Esteve por vários anos preso, tendo sido torturado pelo DOPS paulista. Sua prisão se deu na gráfica do Partido, onde se encontrava trabalhando. Dessa época, teve como sequela da tortura, a inexistência de unhas nas mãos. Em 1946, elegeu-se vereador em Jaboticabal, cidade do interior de São Paulo. Mas no ano seguinte, com a cassação do registro eleitoral do PCB, perdeu seu mandato. Em 1948, viajou para a União Soviética para realizar estudos sobre política. Em 1953, Toledo atuou de forma destacada na greve geral em São Paulo. Chegou a ser também vogal da Justiça do Trabalho. Em 1964, foi preso pelos órgãos policiais por realizar uma palestra para operários, em São Bernardo do Campo, sobre "O papel da Imprensa na luta pelas reformas de base", sendo libertado pouco depois. Foi condenado, à revelia, pela ditadura militar, a 2 anos de reclusão. Em 1967, foi um dos principais signatários do "Manifesto do Agrupamento Comunista de São Paulo" - que tornou-se o embrião da ALN. Em novembro de 1969, quando do assassinato de Marighella, encontrava-se em Cuba. De imediato, retornou ao Brasil, assumindo o comando da ALN. Transitava com certa tranquilidade pelas ruas de São Paulo, pois suas fotos nos órgãos repressivos eram antigas. Nos apartamentos de militantes que lhe davam abrigo, devido à clandestinidade, preparava saborosos carreteiros - sua especialidade. No arquivo do DOPS/SP foi encontrada sua ficha aberta em 1940, escrita a caneta em letras garrafais "Falecido" com as informações: "14/3/40 foi preso... por ser um dos cabeças das últimas rearticulações do PCB"; "25/11/51 .. condenado a pena de prisão por seis meses, por crime de injúrias contra o ex-Presidente da República"; "em 11/3/70 ... fazia parte do Movimento de Guerrilhas 'Corrente'..." Foi preso no dia 23 de outubro de 1970, na Av. Lavandisca, Bairro de Indianópolis, São Paulo, por volta de 19 horas. Do local de sua prisão, Câmara foi levado, já sob torturas, para o sítio clandestino do delegado Sérgio Fleury. No sítio, continuou sendo torturado, morrendo algumas horas após sua prisão. Antes de morrer, Câmara foi atendido por um médico trazido pelo delegado Fleury, que o queria vivo para torturá-lo por mais tempo e ter a chance de tentar arrancar-lhe alguma informação. A presa política Maria de Lourdes Rego Melo é testemunha de que Joaquim Câmara Ferreira foi preso vivo e levado ao sítio clandestino do delegado assassino, e que a sua morte se deu como conseqüência da violência das torturas. A nota oficial emitida pelo delegado Fleury dizia que Joaquim Câmara Ferreira havia morrido devido a problemas cardíacos no ato de sua prisão, visto que entrara em luta corporal com os policiais e isto lhe fora fatal. Ver mais detalhes na nota referente a Eduardo Collen Leite. O depoimento de Maria de Lourdes desmascara a versão oficial. Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas Mário Santalúcia e Paulo Augusto de Q. Rocha. Foi enterrado pela família no Cemitério da Consolação, em São Paulo. ================================================================================================== + Informações. Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo. Por Edson Flosi, professor de jornalismo. A trajetória do jornalista que vivia para o PCB Eu tinha dezoito anos e trabalhava como auxiliar de escritório em uma empresa no centro da cidade, em São Paulo, mas eu queria mesmo era ser jornalista. Gostava de ler e escrever e achava que isso era suficiente para trabalhar em um jornal. O ano era o de 1958. Eu lia bastante, principalmente História e Literatura, leituras básicas para a formação do jornalista. Tinha alguns amigos no Partido Comunista do Brasil (PCB) e havia lido alguns livros sobre o marxismo, interessando-me, cada vez mais, por essa matéria. Mas uma noite fui sozinho, sem nenhuma recomendação, pedir emprego no jornal Notícias de Hoje, cuja Redação ficava na praça Clóvis Beviláqua, 122, também no centro da cidade. O prédio, de esquina, tinha outra entrada pela rua Silveira Martins, 37. Era um prédio antigo, estilo colonial, dois elevadores de portas pantográficas, que os ascensoristas abriam e fechavam esticando e encolhendo os braços em frenética ginástica. Notícias de Hoje era o órgão oficial do PCB e foi lá que eu conheci Jaime Gonçalves, chefe da Reportagem, uns dez anos mais velho do que eu. Ele me explicou que não tinha o emprego que eu queria. O jornal era pobre, o empresariado não anunciava, e só sobrevivia porque colaboradores trabalhavam de graça. Poucos ali recebiam salários e, mesmo assim, baixos salários. Era um jornal diário, vendido em bancas e também por militantes comunistas em sindicatos, portas de fábricas e centros operários. A Redação ocupava todo o terceiro andar daquele prédio antigo. A Gráfica ficava perto, na rua Conde de Sarzedas, 412. Os contínuos percorriam o caminho de ida e volta, da Redação à Gráfica, carregando material e as provas das páginas. Repórteres chegavam da rua, pareciam cansados, escreviam reportagens, as velhas e importadas máquinas Underwood, Remington, Royal e outras. O barulho das máquinas de escrever, gente conversando, gritando ordens, discutindo o trabalho, redatores ao telefone, as luzes todas acesas. Eu conversava com o Jaime Gonçalves e, enquanto conversávamos, eu assistia ao movimento da Redação, um mundo que me fascinava, o mundo em que eu queria viver. Então fiz uma proposta: continuaria trabalhando durante o dia, como auxiliar de escritório, ganhando o meu ordenado e, à noite, eu trabalharia no jornal de graça, como colaborador. Cartas ao jornalJaime Gonçalves aceitou na hora e logo colocou sob a minha responsabilidade uma seção do jornal: O leitor escreve. Esta seção recebia cartas dos leitores, geralmente operários, gente humilde de pouca ou nenhuma cultura. Essa gente escrevia para o jornal oferecendo sugestões ou protestando contra as injustiças sociais, os desmandos dos maus patrões, a alta do custo de vida, os salários baixos e a corrupção nos meios políticos e administrativos.Escritas em linguagem simples, essas cartas muitas vezes continham erros gramaticais e de concordância, que precisavam ser corrigidos. Algumas eram longas demais e precisavam ser resumidas. Outras, demasiadamente provocadoras ou agressivas, não deviam ser publicadas. O perigo maior, porém, vinha da polícia política, naquele tempo a cargo do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), que mandava cartas ao jornal com nomes falsos. Essas cartas, se publicadas, trariam conseqüências graves, arrastando o jornal a processos judiciais e até à sua suspensão ou fechamento. O Dops vivia sonhando em fechar o jornal e isso aconteceu várias vezes. O jornal, entretanto, recorria à justiça e sempre voltava a funcionar. Era um jornal combativo, corajoso, revolucionário, o único que de fato defendia os interesses da classe operária e, por isso, era odiado por muitos. Assumi a seção O leitor escreve e foi assim que eu virei jornalista. Ia todas as noites ao jornal e trabalhava pelo menos duas horas, selecionando as cartas dos leitores, que analisava, reescrevia ou resumia. Algumas cartas transformavam-se em pautas para o jornal e a partir delas eram feitas reportagens. Câmara FerreiraA Redação era ampla e não tinha divisórias. As mesas e máquinas de escrever espalhadas por todo aquele espaço livre. Só havia uma sala fechada, com porta de madeira e parede de vidro transparente, onde ficava o diretor da Redação, um homem de estatura média, magro, sempre de terno e gravata, que usava bigode e óculos de grau. Esse homem era Joaquim Câmara Ferreira. Jaime Gonçalves e outros jornalistas entravam e saiam o tempo todo da sala de Câmara Ferreira que, de vez em quando, deixava sua sala e atravessava a Redação, conversando com um ou outro jornalista. Era um homem polido, educado e atencioso. Sempre compenetrado no trabalho, sorria pouco, mas parecia feliz. Vivia para o PCB e o jornal. Eu trabalhei seis meses no jornal Noticias de Hoje, depois fui embora, viver novas aventuras, em outros jornais, em empregos diferentes. Naqueles seis meses, conversei duas ou três vezes com o Câmara Ferreira, mas foram diálogos curtos, em pé, no meio da Redação. Não posso dizer que éramos amigos, mas, do Jaime Gonçalves eu me tornei amigo por muitos anos. Entre 1959 e 1964 eu conversei com Câmara Ferreira duas ou três vezes, por ocasião de conferências que Luiz Carlos Prestes, chefe do PCB, fez em São Paulo, sempre sábado de manhã no Sindicato dos Gráficos. É claro que Luiz Carlos Prestes fez inúmeras outras conferências em São Paulo naquele período, mas eu só assisti àquelas duas ou três. Câmara Ferreira estava sempre ao lado de Luiz Carlos Prestes e eu conversei com ele, mantendo naturalmente curtos diálogos, pois não éramos íntimos e nem ele tinha tempo para me dedicar maior atenção. Quanto a Jaime Gonçalves, perdi o contato com ele quando deixei o jornal Notícias de Hoje que, por sua vez, passado um tempo, fechou. Durante alguns anos supus erroneamente que Jaime Gonçalves estivesse na China, pois um outro jornalista, que tinha o mesmo nome, passou a escrever de Pequim como correspondente do jornal Última Hora, de São Paulo. Um dia encontrei o verdadeiro Jaime Gonçalves na rua e o equívoco foi desfeito. Fiquei sabendo, então, que ele era secretário de Redação do jornal Diário do Grande ABC, de Santo André, e daí em diante mantivemos contato e nos tornamos cada vez mais amigos. GuerrilheiroQuando os militares deram o Golpe de Estado derrubando o governo de João Goulart, em 1964, Câmara Ferreira caiu na clandestinidade e eu nunca mais o vi. Acompanhei à distância a sua trajetória de revolucionário. Ele virou guerrilheiro e passou a ser chamado de "Toledo" ou "Velho". Em 1970, como repórter policial do jornal Folha de S. Paulo, fui cobrir o assassinato de Câmara Ferreira, morto sob tortura pela ditadura militar, aos 57 anos de idade. Escrevi sobre a sua morte uma reportagem que, entretanto, censurada, não foi publicada. Fazendo as contas, verifico que em 1958, quando eu trabalhei no jornal Notícias de Hoje, Câmara Ferreira tinha, então, 45 anos. Antes ou depois disso, ele foi diretor de outros jornais do PCB, como Voz Operária e Terra Livre, este último dirigido aos camponeses. Nascido em São Paulo em 5 de setembro de 1913, mas criado em Jaboticabal, onde o pai foi prefeito, Câmara Ferreira ingressou no PCB em 1933, quando tinha 20 anos. Não concluiu o curso de engenharia porque passou a se dedicar inteiramente ao partido. Na Juventude Comunista, militou ao lado de Mário Schemberg, que depois se tornou um físico mundialmente famoso, e Noé Gertel, mais tarde competente e respeitado jornalista. Com o golpe do Estado Novo, de Getúlio Vargas, em 1937, que implantou odiosa ditadura no país, Câmara Ferreira caiu na clandestinidade, mas em 1939 foi preso e torturado pela polícia política de Felinto Muller, figura execrável da História do Brasil. Os torturadores arrancaram unhas das mãos de Câmara Ferreira nos porões do Dops de São Paulo. Enquadrado na Lei de Segurança Nacional, ele foi condenado a sete anos de cadeia, sendo solto em 1945, por ocasião da anistia concedida aos presos políticos. Eleito vereador em Jaboticabal, em 1946, exerceu o cargo durante um ano, até 1947, quando o PCB teve o registro eleitoral cassado e os seus senadores, deputados federais e estaduais e vereadores perderam o mandato. Câmara Ferreira caiu de novo na clandestinidade, o que aconteceu, também, com todos os comunistas revolucionários e militantes do partido. Em 1948 estava na União Soviética, onde estudou política, e em 1953 teve atuação destacada na greve geral de trabalhadores em São Paulo. Tortura e morteEm 1964, um Golpe de Estado derrubou o governo de João Goulart e instalou no país uma ditadura militar que duraria vinte anos, até 1984. Em 1967, Câmara Ferreira, acompanhando um grupo de comunistas liderados por Carlos Marighella, rompeu com o PCB e dessa dissidência nasceu a Ação Libertadora Nacional (ALN), o maior agrupamento da guerrilha urbana do país, que se notabilizou pelos assaltos a bancos, carros transportadores de dinheiro e até um trem pagador, em São Paulo, expropriando fundos para a guerrilha rural, sonho que não chegou a ser concretizado. Mas a ação mais espetacular da ALN aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 4 de setembro de 1969, com o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, que foi libertado três dias depois em troca de quinze presos políticos embarcados para o México e da divulgação pela imprensa de um manifesto revolucionário. Câmara Ferreira participou pessoalmente do seqüestro do diplomata. Humilhada e desmoralizada, a ditadura militar intensificou a repressão e exatamente dois meses depois, na noite de 4 de novembro de 1969, policiais do Dops de São Paulo, chefiados pelo delegado Sérgio Fleury, emboscaram e executaram com cinco tiros, em uma rua do bairro do Jardim Paulista, Carlos Marighella, o principal líder da ALN. Câmara Ferreira, que por medida de segurança havia se refugiado em Cuba após o seqüestro do embaixador norte-americano, voltou ao Brasil para assumir o comando da ALN no lugar de Carlos Marighella. Câmara Ferreira era o segundo homem na hierarquia da ALN e passou a ser o primeiro. Na noite de 23 de outubro de 1970, Câmara Ferreira foi preso em uma rua do bairro de Indianópolis pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe de policiais do Dops de São Paulo, sendo levado em seguida para um sítio nas redondezas da cidade, onde morreu sob tortura. Outros revolucionários, que já estavam presos nesse sítio, testemunharam o suplício e a morte de Joaquim Câmara Ferreira. Esse sítio é citado em vários livros escritos sobre o período da ditadura militar, mas não se sabe até hoje quem é o seu proprietário nem onde se localiza, tendo-se apenas a informação de que é perto da cidade de São Paulo. O tempo passou, a ditadura militar acabou, ficaram as lembranças da minha juventude, entre elas a de Joaquim Câmara Ferreira, o "Toledo" ou o "Velho", um idealista que lutou e morreu pelo povo que tanto amou. Eu, de minha parte, fui seguindo os caminhos e os atalhos da vida, envelheci e perdi o contato com Jaime Gonçalves, que há muitos anos não vejo e não sei por onde anda. ======================================================================= + Detalhes. Epílogo para um romance à revelia do autor 13/09/2008 por Jacob Gorender Quando Joaquim Câmara Ferreira - já na roupagem de Toledo - o procurou em 1968, Hermínio Sacchetta deve ter sentido surpresa e desconcerto. Apesar da tarimba, não esperaria que lhe batesse à porta o homem com o qual trocar os pesadíssimos insultos habituais nas dissensões internas dos comunistas. O contencioso entre ambos remontava aos anos 30. Após a derrota do levante de novembro de 1935, o jornalista Sacchetta (nome de guerra Paulo) dirigia o Comitê Regional de São Paulo e foi cooptado para o Birô Político do Comitê Central do PCB. Mais jovem, a Câmara Ferreira (nome de guerra Alberto) trocou o curso de engenharia pela profissão de revolucionário. Em 1937, o Comitê Regional Paulista divergiu da linha preconizada pelo Comitê Central a respeito das eleições presidenciais. A divergência se aprofundou e levou a discussões agressivas e intransigentes. Com o apoio da Internacional Comunista, Lauro Reginaldo da Rocha (Bangu), secretário-geral do Comitê Central, venceu a disputa: os divergentes de São Paulo foram expulsos do partido sob a acusação de renegados trotskistas, a mais infamante para um militante comunista. Acontece que, ao travar-se a luta interna - conforme relata Heitor Ferreira Lima -, nenhum dos divergentes do Comitê Regional paulista era trotskista e, em seguida, apenas um deles - Sacchetta, precisamente - aderiu ao trotskismo. Tendo tomado posição ao lado do Comitê Central, Câmara Ferreira não podia mais continuar amigo de Sacchetta, com o qual se iniciara na vida partidária. A amizade se transformou em rancorosa inimizade. Da qual compartilhou Carlos Marighella, enviado a São Paulo pelo Comitê Central, em 1938, a fim de fortalecer a direção regional na luta contra os "fracionistas trotskistas". Expulso do PCB, Sacchetta esteve entre os fundadores do Partido Socialista Revolucionário (PSR), ligado à Quarta Internacional (trotskista), com pouco mais de uma centena de adeptos em São Paulo e no Rio, quase todos intelectuais. Na atividade de jornalista, seu ganha-pão, fez bem-sucedida carreira. Arraigada talvez pelo hábito da clandestinidade, mantinha imperturbável postura discreta. Em 1952, o PSR se dissolveu. Em 1958, surgiu a Liga Socialista Independente (LSI), que editou o jornal Ação Socialista. Também um pequeno grupo, muito sectário, com poucos anos de vida. Sacchetta tomou parte nele, já com idéias algo mudadas com relação ao trotskismo. Do documento que escreveu provavelmente naquela época - Relatório Sobre Questões da Política Organizatória no Domínio Socialista -, salienta-se a análise do fracasso do trotskismo. Sua contribuição válida teria sido somente a crítica ao stalinismo. O documento propôs a formação de um partido marxista democrático, na linha de Rosa Luxemburg. No começo dos anos 60, formou-se o Movimento Comunista Internacional (MCI), cujos escassos adeptos projetavam convertê-lo em partido. Embora não adotasse o trotskismo de maneira escrita, o MCI conservou seus princípios doutrinários fundamentais: prioridade ao internacionalismo, revolução permanente, ditadura do proletariado como objetivo direto. Nos anos 1967-1969, já sob a ditadura militar, o MCI publicou o jornal clandestino Bandeira Vermelha, do qual saíram doze números. Comumente com dez ou doze páginas mimeografadas, difundia denúncias e argumentos contra o regime nascido do golpe de 1964. Ao mesmo tempo, tomava posição na explosiva controvérsia entre as correntes de esquerda. Principal redator do jornal, Sacchetta atacou o reboquismo e o oportunismo do PCB. Reconheceu a seriedade das facções dissidentes, porém fez crítica cerrada ao foquismo de Guevara e a todas as concepções de luta armada imediata desvinculada da preparação através das lutas de massas. Por que, então, Hermínio Sacchetta aceitou o convite que lhe trouxe Câmara Ferreira de colaborar com a ALN? Justamente com a ALN, cuja orientação estratégica (nacional-libertadora) e tática (luta armada imediatíssima) era tão oposta àquela que vinha expondo insistentemente no Bandeira Vermelha? Imagino que, como tantos naquela época, Sacchetta queria realizar algo bem concreto contra a ditadura militar. Não se satisfazia com a doutrinação e a propaganda em pequenos círculos. Pôs de lado discordâncias teóricas, afastou velhos agravos e passou a ter encontros regulares com o antigo companheiro, durante muitos anos separados pela inimizade política. Esteve também com Marighella e selou o pacto da reconciliação e da luta comum. Apesar de sexagenário já abalado por um infarto, resolveu correr riscos que, por experiência, não ignorava. No final de janeiro de 1969, a direção da VPR teve urgente necessidade de tirar as armas expropriadas da Loja Diana do depósito secreto em que se encontravam. O depósito era conhecido de Hermes Camargo Batista, preso no episódio da pintura do caminhão em Itapecerica da Serra. A direção da VPR pediu a ajuda da ALN e Câmara Ferreira recorreu a Sacchetta. Este arrumou às pressas um lugar seguro. Em três viagens do Fusca guiado por Renato Caldas, foi posto a salvo o arsenal de carabinas, revólveres 38 e caixas de munição. Às oito e meia da manhã de 15 de agosto de 1969, um destacamento de doze guerrilheiros da ALN invadiu a estação transmissora da Rádio Nacional em Piraporinha, perto de Diadema (Grande São Paulo). Dominados os funcionários, um dos invasores interrompeu a ligação com o estúdio e ligou ao transmissor de ondas curtas uma gravação. Com o fundo musical do Hino da Internacional Comunista e do Hino Nacional, a gravação anunciou o nome de Carlos Marighella e reproduziu o manifesto lido por ele. Na meia hora em que a estação esteve sob controle da ALN, deu tempo para repetir a gravação. No mesmo dia 15, o jornal paulistano Diário da Noite lançou uma segunda edição com o texto integral do manifesto de Marighella captado pelo setor de radioescuta. A decisão de publicar o manifesto partiu do diretor de redação Hermínio Sacchetta. Os demais jornais se limitaram a noticiar o episódio da invasão da Rádio Nacional de São Paulo, pertencente à Rede Globo. Pegada de surpresa, a Polícia não pôde recolher das bancas senão pequena parte da segunda edição do Diário da Noite. Tão grave infração da censura não podia ser tolerada. A Polícia Federal prendeu o diretor de redação e o indiciou em inquérito criminal. Apesar da ficha de antecedentes nada recomendáveis do indiciado, o inquérito deu em nada e o suspeito de conivência subversiva foi solto após algumas semanas. Mas perdeu o emprego. Até hoje, corre a versão da casualidade da participação de Sacchetta no episódio. Agora, deve-se esclarecer em definitivo que não houve casualidade. Sacchetta recebeu previamente cópia do manifesto de Marighella das mãos de Câmara Ferreira, avisado do que ia ocorrer e da participação que a ALN esperava dele. Como não era iniciante inexperiente, Sacchetta tomou as precauções de cobertura, na previsão de que podia vir a enfrentar pesadas complicações. Orientou o setor de radioescuta do seu jornal para captar a transmissão da Rádio Nacional e, tão "surpreso" quanto os colegas, decidiu desafiar a censura: furo de reportagem é dever profissional de jornalistas. O furo teve repercussão internacional e a prisão do jornalista brasileiro provocou o protesto da Associação Interamericana de Imprensa. Romance histórico em que Jorge Amado criou uma trama ficcional inserida na reprodução da época do Estado Novo, Os Subterrâneos da Liberdade têm um dos fios da narrativa na luta interna do PCB em São Paulo, à qual me referi neste capítulo. Com facilidade se reconhecem muitas pessoas reais, que comparecem no romance como figuras de ficção. Vitor é Diógenes de Arruda, o primeiro dos honrados pela dedicatória do autor. O gigante Gonçalo é José Martins e o historiador Cícero d'Almeida é o historiador Caio Prado Jr. Filho de um operário italiano com uma negra brasileira, Carlos é Carlos Marighella, logo se vê. Apolinário é Apolônio de Carvalho, também logo se vê. Mas há um personagem a respeito do qual o romancista forneceu pistas superlativas para identificação do modelo real. Saquila - sobrenome quase homófono de Sacchetta - aparece no romance como líder da fração trotskista do Comitê Regional. Seu nome de guerra Paulo - o mesmo de Sacchetta na época. Vários personagens e o próprio narrador não lhe poupam qualificações aviltantes: lacaio da burguesia, bandido, traidor, delator, cretino, canalha. Um dos mais agressivos acusadores do renegado é precisamente Carlos, enviado pelo Comitê Central para reforçar a luta antitrotskista em São Paulo. Identificação de tal maneira transparente e insultuosa obrigou Hermínio Sacchetta a sair da habitual discrição e publicar um artigo de revide ao glorioso romancista. Os Subterrâneos da Liberdade representam a culminância da escola do realismo socialista na literatura brasileira. O autor pagou o preço que todos nós, militantes do PCB, pagamos ao stalinismo. Faltava-lhe a estatura psicológica e artística de Graciliano Ramos. Também militante do PCB e admirador de Stalin, Graciliano não se dobrou aos prejulgamentos e deu ao trotskista Gikovate tratamento amistoso em Memórias do Cárcere. Mas Jorge Amado tomou depois conhecimento dos crimes de Stalin, rompeu com o stalinismo e se afastou do PCB. Teria várias maneiras para reabilitar, não a Sacchetta, que não precisava ser reabilitado, mas a si próprio, com a admissão pública da injustiça cometida contra um homem de carne e osso. Nunca deu este passo. Romance, mesmo histórico, é ficção. Nada há a alterar. Nas muitas reimpressões de Os Subterrâneos da Liberdade, o leitor sempre encontra o vilão Saquila inimigo do herói Carlos. Na vida real, Sacchetta (modelo de Saquila) e Marighella (modelo de Carlos) se reconciliaram para travar o mesmo combate nas trevas da pior opressão que já se abateu sobre o povo brasileiro desde a conquista da Independência. À revelia do romancista, acrescentaram inesperado epílogo à sua narrativa. Hermínio Sacchetta arriscou a vida na luta contra a ditadura militar. E Jorge Amado: esteve à altura do personagem? __________ [*] Texto publicado no livro Combate nas Trevas: A Esquerda Brasileira das Ilusões Perdidas à Luta Armada, São Paulo, Ática, 1989, pp. 161 a 165. Fonte: Sacchetta, Hermínio. O caldeirão das bruxas e outros escritos políticos. Campinas, SP: Pontes: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1992, p. 153-156. ====================================================================== + Detalhes. Eterna gratidão Juca Kfouri 07.10.2010 Provavelmente não estaria vivo se Joaquim Câmara Ferreira não tivesse me liberado de um compromisso. Ele já era o número 1 da Ação Libertadora Nacional (ALN), depois da morte de Carlos Marighela, quando fui convidado para trabalhar na Editora Abril, em 1970. Então, fazia Ciências Sociais na USP e me preparava para entrar no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), no qual me alistei como voluntário na arma da Infantaria para "aprender a ser guerrilheiro", ingenuidade que a indignação diante da ditadura brasileira levou muitos jovens a cometer. Ele, o "Velho", o "Comandante Toledo", é que tinha me convencido nas vezes em que o servi como motorista ou em que fui levar mantimentos em seu esconderijo - e tínhamos longas e inesquecíveis conversas sobre tudo. Ao surgir o convite profissional, o procurei para me aconselhar e ouvi dele que "não deveria querer resolver os problemas dos outros antes de resolver os meus". E me liberou do trato, certamente por saber que a ALN estava por um fio e que não compensaria sacrificar mais um jovem. Consegui, depois de muitas idas e vindas, a liberação do Exército. E aqui estou. Unido às homenagens que serão prestadas a este grande brasileiro por quem tenho eterna gratidão. Como a agenda no cartaz não está legível, a reproduzo abaixo: 14 de Outubro . às 19 horas Sessão Solene de concessão de Medalha Anchieta e Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo a Joaquim Câmara Ferreira,"in memoriam", na Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa do Vereador Ítalo Cardoso. 22 de Outubro . às 15 horas Visita ao túmulo do Comandante Toledo, Cemitério da Consolação, Rua da Consolação nº 1660 . Qura Q 63. 23 de Outubro . às 14 horas Memorial da Resistência, Largo General Osório, 66 - Luz . 46.ª CARAVANA DA ANISTIA Sessão especial de apreciação do requerimento de Anistia de Joaquim Câmara Ferreira. *SÁBADO RESISTENTE Debate: A trajetória do revolucionário Joaquim Câmara Ferreira: com José Luiz Del Roio, Guiomar Lopes,Luiz Henrique de Castro Silva e Denise Fraenkel-Kose, filha deJoaquim Câmara Ferreira. . LANÇAMENTO DO LIVRO O Revolucionário da Convicção: vida e obra de Joaquim Câmara Ferreira de Luiz Henrique de Castro Silva. Organização e Parceiros: Comissão de Anistia Ministério da Justiça Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República CONDEPE-SP CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA PESSOA HUMANA ======================================================================= + Detalhes. sexta-feira, 21 de setembro de 2007 Meu Herói ...Meu tio-avô "O Velho" por Cláudia Câmara Joaquim Câmara Ferreira Ficha pessoal Biografia Documentos Dados Pessoais Nome: Id: -->Joaquim Câmara Ferreira Cidade: (onde nasceu) São Paulo Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 5/9/1913 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro - PCBAção Libertadora Nacional - ALNCorrente Revolucionária de Minas Gerais - CORRENTE Nome falso/Codinome: ToledoVelhoWalter Prisão: 14/3/1940 ; Dados coletados em ficha pessoal do DOPS/SP. Motivo da prisão: tentativa de rearticulação do PCB. Prisão: 1964 ; Preso por realizar uma palestra para operários. Prisão: 23/10/1970, Av. Lavandisca, Bairro de Indianópolis Morto ou Desaparecido: - Morto. Segundo a presa política Maria de Lourdes Rego Melo, foi morto sob tortura.23/10/1970, sítio do Delegado Sérgio Fleury ; - Morto. Versão oficial: morte por problemas cardíacos decorrente de briga no momento da prisão.23/10/1970 ; Dados da repressão Orgão de repressão: (envolvido na morte/desaparecimento) - Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP. DOPS/SP ou DEOPS/SP Agente da repressão: (envolvido na morte/desaparecimento) Nome:Sérgio Paranhos Fleury Médico legista: (envolvido na morte/desaparecimento) Mário SantalúciaPaulo Augusto Queiroz Rocha Biografia Ficha pessoal Documentos Comandante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).Nasceu a 5 de setembro de 1913 em São Paulo, SP, filho de Joaquim Baptista Ferreira Sobrinho e Cleonice Câmara Ferreira.Vereador em Jaboticabal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e jornalista.Toledo, codinome de Câmara Ferreira, dedicou sua vida à causa da libertação do povo brasileiro. Entrou para o Partido Comunista em 1933. Foi diretor de diversos jornais do Partido e, em 1937, quando do golpe de Getúlio Vargas, passou a atuar de forma clandestina, concentrando seu trabalho fundamentalmente no setor ferroviário. Esteve por vários anos preso, tendo sido torturado pelo DOPS paulista. Sua prisão se deu na gráfica do Partido, onde se encontrava trabalhando. Dessa época, teve como seqüela da tortura a inexistência de unhas nas mãos.Em 1946, elegeu-se vereador em Jaboticabal, cidade do interior de São Paulo. Mas no ano seguinte, com a cassação do registro eleitoral do PCB, perdeu seu mandato.Em 1948, viajou para a União Soviética para realizar estudos sobre política.Em 1953, Toledo atuou de forma destacada na greve geral em São Paulo.Chegou a ser também vogal da Justiça do Trabalho.Em 1964, foi preso pelos órgãos policiais por realizar uma palestra para operários, em São Bernardo do Campo, sobre "O papel da Imprensa na luta pelas reformas de base", sendo libertado pouco depois.Foi condenado, à revelia, pela ditadura militar a 2 anos de reclusão.Em 1967, foi um dos principais signatários do "Manifesto do Agrupamento Comunista de São Paulo" - que tornou-se o embrião da ALN.Em novembro de 1969, quando do assassinato de Marighella, encontrava-se em Cuba. De imediato, retornou ao Brasil, assumindo o comando da ALN.Transitava com certa tranqüilidade pelas ruas de São Paulo, pois suas fotos nos órgãos repressivos eram antigas. Nos apartamentos de militantes que lhe davam abrigo, devido à clandestinidade, preparava saborosos carreteiros - sua especialidade.No arquivo do DOPS/SP foi encontrada sua ficha aberta em 1940, escrita à caneta em letras garrafais "Falecido" com as informações: "14/3/40 foi preso... por ser um dos cabeças das últimas rearticulações do PCB"; "25/11/51 .. condenado a pena de prisão por seis meses, por crime de injúrias contra o ex-Presidente da República"; "em 11/3/70 ... fazia parte do Movimento de Guerrilhas 'Corrente'..."Foi preso no dia 23 de outubro de 1970, na Av. Lavandisca, Bairro de Indianópolis, São Paulo, por volta de 19 horas. Do local de sua prisão, Câmara foi levado, já sob torturas, para o sítio clandestino do delegado Sérgio Fleury. No sítio, continuou sendo torturado, morrendo algumas horas após sua prisão.Antes de morrer, Câmara foi atendido por um médico trazido pelo delegado Fleury, que o queria vivo para torturá-lo por mais tempo e ter a chance de tentar arrancar-lhe alguma informação.A presa política Maria de Lourdes Rego Melo é testemunha de que Joaquim Câmara Ferreira foi preso vivo e levado ao sítio clandestino do delegado assassino e que a sua morte se deu como conseqüência da violência das torturas.A nota oficial emitida pelo delegado Fleury dizia que Joaquim Câmara Ferreira havia morrido devido a problemas cardíacos no ato de sua prisão, visto que entrara em luta corporal com os policiais e isto lhe fora fatal. Ver mais detalhes na nota referente a Eduardo Collen Leite.O depoimento de Maria de Lourdes desmascara a versão oficial. Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas Mário Santalúcia e Paulo Augusto de Q. Rocha.Foi enterrado pela família no Cemitério da Consolação, em São Paulo. ========================================================================================================== TESE O revolucionário da convicção: Joaquim Câmara Ferreira, o www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?...Em cache - Similares Não foi útil? Após fazer login, você poderá bloquear os resultados de www.dominiopublico.gov.br.www.dominiopublico.gov.br - Bloquear todos os resultados de www.dominiopublico.gov.br Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer O revolucionário da convicção: Joaquim Câmara Ferreira, o Velho Zinho. Autor: Luiz Henrique de Castro Silva Listar as obras deste autor. Categoria: Teses e ... ======================================================================== TESE. "COMANDANTE TOLEDO, PRESENTE! AGORA E SEMPRE www.adusp.org.br/revista/49/r49a09.pdf Não foi útil? Após fazer login, você poderá bloquear os resultados de www.adusp.org.br.www.adusp.org.br - Bloquear todos os resultados de www.adusp.org.br Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Decorridos 40 anos desde o assassinato de Joaquim Câmara Ferreira, o. "Comandante Toledo" da Ação Libertadora Nacional (ALN), por agentes da Ditadura ... ============================================================================================================= Ficha . Biografia Documentos Artigo de jornal Terrorista revela ligação de brasileiros com grupo internacional. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 19 fev. 1970. Artigo de imprensa do arquivo do DOPS, que segundo depoimento, confirma que o "terrorismo" no Brasil recebe orientações de Cuba. Artigo de jornal A morte de Eduardo Leite, o Bacuri. Jornal da Tarde, São Paulo, 9 dez. 1970. Informa que o DOPS de Santos distribuiu um comunicado sobre a morte de Eduardo. Segundo a nota, Eduardo Leite foi localizado por uma diligência empreendida em São Sebastião, SP, a partir de informações colhidas em documentos apreendidos pertencentes a Yoshitane Fujimori. Eduardo Leite estaria escondido desde a prisão do líder Joaquim Câmara Ferreira, em 10/70, e fugiu um pouco antes do cerco ao seu refúgio, mas foi alcançado, vindo a morrer em tiroteio com seus perseguidores. Artigo de jornal JM decreta a prisão de 17 estudantes. (Sem fonte e data). Relata o decreto de prisão preventiva dos dezessete estudantes que participaram do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, citando os que já se encontram presos e os demais, que estão foragidos. Entre eles estão Joaquim Câmara Ferreira e Stuart Edgard Angel Jones. Também relata o julgamento que absolveu Leonel Brizola e mais seis pessoas, por falta de provas, das acusações de atividades "anti-revolucionárias" e condenou vinte e oito pessoas acusadas de subversão. Informa sobre a ação de "terroristas" no Nordeste, citando a descoberta da polícia de estudantes com "aparelhos" em João Pessoa e que estão escondidos no Recife e discorre sobre Amaro Luis de Carvalho, o "Capivara", preso no Nordeste após ter participado de cursos em Cuba e na China, seqüestro de avião em São Paulo e de ter organizado um foco de subversão em Pernambuco. Informa ainda sobre a morte de Chael Charles Schreier, ferido por tiros ao resistir à prisão no desmantelamento de aparelho no Rio de Janeiro. Finaliza com a denúncia de Aladino Félix, que utilizava o nome falso de "Sábato Dinotos" e de mais 12 pessoas ligadas a ele, após investigações citadas no artigo. Possui o carimbo do DOPS. Artigo de jornal Artigo sem fonte e data intitulado "Preventiva para 7 do Grupo Marighella". Cita relatório divulgado pelo DOPS que aponta Marighella como um dos maiores responsáveis, se não o maior, pelo estado atual das coisas no país, no que concerne à subversão e ao terrorismo. Aponta o início do terrorismo, em 08/67, na Conferência da OLAS, em Havana, Cuba, em que Marighella rompeu com o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por considerá-lo ortodoxo. O relatório recomenda que lhe seja imposto um castigo severo, para que sirva de exemplo aos demais. O artigo também cita a organização Corrente, qua atuava em Minas Gerais e foi desbaratada pelas autoridades federais. Esta organização era composta, entre outros, por Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo, sob a inspiração e com o apoio material de Marighella. As autoridades acreditam que, com a morte de Marighella, tenham chegado à raiz do terrorismo em São Paulo. No entanto, Joaquim Câmara Ferreira é considerado um dos principais substitutos de Carlos Marighella, apesar do desconhecimento de sua localização, por parte das autoridades. O Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria da Marinha decretou a prisão preventiva de sete estudantes (dentre eles, Flávio Carvalho Molina), acusados de pertencerem à organização de Carlos Marighella. Todos se encontram foragidos. A polícia considera sério o comprometimento de padres dominicanos, que ajudaram militantes em algumas manobras no Brasil e no exterior. Por isso foram vítimas de investigações do DOPS e do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Os dominicanos estariam facilitando a saída de subversivos do país com documentação falsa: desta forma, fugiram, entre outros, Arno Preis (com o nome de Rogério Figueiredo Dias) e Boanerges de Souza Massa. Artigo de jornal Últimas notícias do terror. Jornal da Tarde, São Paulo, 12 nov. 1969. Comenta entrevista do jornal Gramma do Partido Comunista Cubano prestada por foragidos brasileiros em Cuba, os quais afirmam que pretendem unir as organizações de esquerda. Onofre Pinto diz que existe uma grande identidade entre o grupo de Lamarca e o de Marighella e que estão planejando uma ação libertadora, tendo como fim o socialismo, através de aliança entre operários e camponeses e da prática da guerrilha. No Brasil, o Exército continua prendendo subversivos e estourando "aparelhos" onde encontram vários documentos, principalmente relações das organizações subversivas com nomes e endereços em códigos. Acredita-se que com a morte de Marighella surja uma nova liderança, que os órgãos de segurança apontam como Joaquim Câmara Ferreira. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Artigo de jornal STM julga processo de 119 acusados de ações pela ALN. Sem fonte e data. Trata do julgamento do processo da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de Carlos Marighella, que não foi julgado por ter morrido em tiroteio antes da conclusão do inquérito. O processo resultou em vinte e oito condenados, cinqüenta e dois absolvidos, catorze excluídos, treze banidos e oito pessoas com penas prescritas. Artigo de jornal Beto confessa e delata mais 9 subversivos. Folha da Manhã, Porto Alegre, 20 nov. 1969, p. 30. Ao mesmo tempo em que foi divulgada, no dia anterior, manifestação assinada por diversos sacerdotes em apoio aos religiosos apontados pela polícia como terroristas e subversivos, a Secretaria de Segurança Pública publicou uma nota na imprensa sobre Frei Beto e suas relações com terroristas. Segundo a nota, Frei Beto (Alberto Libânio Christo) declarou que teve vários contatos com Carlos Marighella e recebeu instruções para manter um esquema de fugas, tendo conseguido levar ao exterior dez pessoas ligadas a ações terroristas em São Paulo. Artigo de jornal DOPS divulgou provas contra Frei Beto. Folha da Tarde, São Paulo, 20 nov. 1969, p. 45. Relata que, mais uma vez, o secretário de Segurança Pública convidou os jornalistas para verem algumas provas colhidas contra Frei Beto (Carlos Alberto Libânio Christo) e outros religiosos. Em seus depoimentos, Frei Beto afirmou que teve vários contatos com Carlos Marighella, recebeu instruções para manter o esquema de fugas, auxiliando a saída de ao menos dez pessoas para o exterior, inclusive Francisco Câmara Ferreira (de fato, Joaquim Câmara Ferreira) e Luiz Eurico Tejera Lisboa. Relatório Documento da 2ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM), da 2ª Auditoria de Exército. Traz informações da qualificação e interrogatório de Carlos Eduardo Pires Fleury, preso em 02/12/69. Informa que participava de um grupo que pretendia mudar a ordem social do país. Nos contatos que realizava, conheceu Joaquim Câmara Ferreira e Virgílio Gomes da Silva. Em anexo, auto de qualificação e interrogatório, de 02/12/69, do DOPS/SP. Relatório Transcreve-se aqui, usando-se as palavras do informe, o Documento do Serviço de Informações do DOPS, sem data. Informa que Carlos Eduardo Pires Fleury distribuía folhetos da UNE, foi preso em 30/09/69, participou de assalto a banco, foi citado num interrogatório como membro da Ação Libertadora Nacional (ALN), do Grupo de Expropriações e do Grupo de Carlos Marighella, que foi banido do território nacional em troca da liberdade do embaixador Von Holleben. O documento apresenta código das pastas de onde foram retiradas essas informações. Relatório Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 24/04/70, a partir das informações prestadas por Edmur Péricles Camargo, preso no DOPS de Porto Alegre. Segundo as palavras adotadas no documento, informa que ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1944; a partir de 1946 passou a trabalhar no Sindicato dos Armadores, no Rio de Janeiro e, em 1952, trabalhou como jornalista em "A Tribuna Gaúcha", órgão de imprensa do PCB, em Porto Alegre, RS. Com o golpe de 1964, refugiou-se no Uruguai. Voltou para o Brasil e refugiou-se, em 1967, numa chácara do Partido em Ferraz de Vasconcelos, freqüentada pelos militantes da Ala Marighella, como Joaquim Câmara Ferreira e Nestor Veras. Na VI Conferência do Partido, em 07/67, em Campinas, SP, Luiz Carlos Prestes perdeu o controle da direção estadual em São Paulo, para Carlos Marighella. Em 04/69, Edmur resolveu desligar-se do grupo Marighella e foi para Porto Alegre, onde organizou o grupo Marighella, Mao Tsé-Tung, Marx e Guevara (M3-G). Fez contato com a VAR-Palmares, em Porto Alegre, com Gustavo Buarque Schiller, que se encontrava preso nesta cidade, para onde foi enviado por Juarez Guimarães Brito, coordenador da VAR-Palmares, na Guanabara. Relatório Documento do Serviço de Informações, da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, de 11/12/70. Trata-se de relatório do arquivo do DOPS, sobre Eduardo Leite, o Bacuri. Afirma que Eduardo Leite é membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e que teria participado do planejamento e seqüestro do Cônsul japonês. Cita relatório de 07/05/70, segundo o qual, quatro grupos agem em São Paulo, sendo um deles denominado REDE, chefiado por Eduardo Leite. Também cita que seu nome é mencionado em vários documentos apreendidos em poder de Joaquim Câmara Ferreira, arquivados em 11/11/70 e que consta da relação de presos, de 19/10/70, à disposição do DOPS. Relatório Carta Mensal n. 6, São Paulo, de 31/03/70, incompleta. Documento do arquivo do DOPS, exaltando o esforço do Governo desde 31/03/64, na recuperação econômica, social e moral do país e manifestando a coesão dos que trabalham naquele DOPS frente à luta nesta missão revolucionária. Descreve a ação dos componentes da Ação Libertadora Nacional (ALN), citada como Aliança de Libertação Nacional, e seu confronto com os órgãos de repressão. Dentre os mortos ou desaparecidos políticos, constam neste relatório: Fernando Borges de Paula Ferreira, Luiz Fogaça Balboni e João Domingos da Silva, os dois primeiros mortos e o último ferido, em tiroteio no Largo da Banana (Barra Funda, São Paulo, SP), em 29/07/69, vindo a falecer posteriormente; e Carlos Marighella (morto), Joaquim Câmara Ferreira (foragido), Márcio Beck Machado (teria fugido para Cuba), Virgílio Gomes da Silva (preso) e Carlos Eduardo Pires Fleury (preso), todos citados segundo o cargo que ocupavam na ALN até 1969. Relatório Lista do DOPS contendo 70 itens com nomes de pessoas (muitos se repetem), seguidos de codinomes e condição (preso, liberado, banido ou morto). Dez desses nomes podem ser identificados dentre os mortos e desaparecidos políticos pela ditadura militar: Helenira Rezende de Souza Nazareth, Yoshitane Fujimori, Carlos Lamarca, Eremias Delizoicov, Eduardo Collen Leite, Joaquim Câmara Ferreira, Arno Preis, Maria Augusta Thomaz, Márcio Beck Machado, Aylton Adalberto Mortati. Relatório Parte de informação de 31/12/69. Consta que Joaquim Câmara Ferreira fugiu para Cuba e que foram apreendidas armas e outros materiais roubados do Exército por Carlos Lamarca. Há ainda informações sobre outras pessoas ligados ao movimento de Carlos Marighella. Relatório Parte de informativo de 06/12/69. Consta que Joaquim Câmara Ferreira é o nome mais cotado para substituir Carlos Marighella, que foi morto, no comando de sua organização. Há a informação de que Joaquim e Carlos Lamarca estão no Uruguai e que, desde a criação da OBAN, o "terrorismo" caiu cerca de noventa por cento. Em congresso sobre a Segurança Pública, o general Vianna Moog afirmou que a Igreja está abalada, lembrando o envolvimento de alguns membros do clero com elementos subversivos, e diz não saber de nenhum caso de tortura com relação a presos e detidos. Relatório Documento do DOPS, de 05/05/60. Traz informações sobre dois indivíduos envolvidos com a Ação Libertadora Nacional (ALN), cujas reuniões eram promovidas por Toledo, codinome de Joaquim Câmara Ferreira. Relatório Resumo das declarações prestadas por João Batista Spainer, em 02, 03, 06 e 07/04/70, em interrogatório ao Exército. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Documento do II Exército ao Serviço Secreto, de 03/11/70. Relata a prisão de Joaquim Câmara Ferreira e a análise da documentação apreendida. Joaquim foi preso e tentou reagir, iniciando luta corporal com os policiais. Foi detido para ser interrogado, mas acometido de um ataque cardíaco, foi levado ao hospital, falecendo. Na sua casa foram apreendidas armas e documentos nos quais estavam os planos para ações. Foram também descobertas cartas de outros países, enviadas por militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo possível identificar codinomes de vários subversivos e áreas de treinamento para guerrilha. Entre eles, Antônio Carlos Bicalho Lana, Iuri e Alex Xavier Pereira, Ísis Dias de Oliveira e Carlos Eduardo Pires Fleury. Conclui que Carlos Lamarca esteja na liderança do esquema subversivo internacional e que a ALN está bem estruturada internacionalmente, sendo Cuba o lugar para cursos de guerrilha. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Documento do arquivo do DOPS, de 1969, do julgamento de processo do Conselho Permanente de Justiça do Exército. Declara encerrado o processo com relação aos acusados banidos Onofre Pinto e João Leonardo da Silva Rocha, entre outros, e extingüe a punibilidade de Antônio Raymundo Lucena, Arno Preis, Carlos Lamarca, Eduardo Leite, José Raimundo da Costa, Joaquim Câmara Ferreira, entre outros. Relatório Informação confidencial do Exército, Rio de Janeiro, de 03/02/72, para vários órgãos de segurança sobre a Ação Libertadora Nacional (ALN). Traz o resumo de depoimentos, que segundo a polícia teriam sido prestados por Hélcio Pereira Fortes, morto em São Paulo ao tentar fugir em um "ponto". São citados: Hélcio Pereira Fortes, Arnaldo Cardoso Rocha, Sérgio Landulfo Furtado, Antônio Sérgio de Mattos, Mário de Souza Prata, Marcos Nonato da Fonseca, Paulo de Tarso Celestino da Silva, Aurora Maria do Nascimento, Ísis Dias de Oliveira, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Alex e Iuri Xavier Pereira, José Miltom Barbosa, Aldo de Sá Brito, Getúlio d'Oliveira Cabral e James Allen Luz. Há ainda informações sobre vários militantes como Josephina Vargas Hernandes, mulher de Luiz Almeida Araújo, que estaria grávida, morando na Guanabara. Relatório Parte de relatório de 24/02/70, com relação de pessoas com a prisão preventiva decretada, entre eles Juarez Guimarães de Brito, e de pessoas indiciadas pelo seqüestro do embaixador americano em 06/69, como Stuart Edgard Angel Jones, Virgílio Gomes da Silva e Joaquim Câmara Ferreira. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 23/04/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Roberto Cardieri Ferreira e Denise Fraenkel, filhos de Joaquim Câmara Ferreira, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Joaquim e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Joaquim Câmara Ferreira, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 18/04/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Prontuário/ Dossiê Documentos reunidos pela Divisão de Segurança e Informações da Polícia Civil do Paraná. Contém: ofício de 05/12/69, do Instituto de Identificação do Paraná para a Delegacia de Ordem Política e Social confirmando dados pessoais de Joaquim Câmara Ferreira com uma foto sua pouco nítida; artigo: "Chefe do terror reage à prisão e morre do coração". Diário do Paraná, 25 out. 1970, tratando das investigações do DOPS que levaram à prisão e à conseqüente morte de Joaquim; documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) para vários órgãos da repressão no Brasil enviando cópias dactiloscópicas da vítima e solicitando uma comparação entre as fichas dactiloscópicas nos vários estados; e artigo: Identificados nas cartas a "Toledo" os cognomes do terror, (Sem fonte e data), tratando de uma carta enviada a Joaquim por pessoas banidas do Brasil, com a qual foi possível identificar os codinomes de alguns subversivos. A carta foi encontrada no aparelho de Joaquim pelo DOI-CODI. Entre os identificados estão Jeová Assis Gomes e Carlos Eduardo Fleury. Prontuário/ Dossiê Dossiê de cartas e textos de Carlos Marighella organizados pela Ação Libertadora Nacional (ALN), em 01/72. São abordados temas como Marxismo, guerrilhas e organizações de esquerda. Inclui também entrevista com Joaquim Câmara Ferreira, um ano após a morte de Marighella. Documento do arquivo do DOPS. Ficha pessoal Documento policial com histórico de Jeová de Assis Gomes, sem data e identificação institucional. Informa que Jeová foi um dos responsáveis pelo aliciamento e incitamento dos residentes do CRUSP (conjunto residencial da USP) à chamada "Greve do Fogão" contra o restaurante do Centro de Convivência da USP, assim como pela intensa campanha de propaganda com distribuição de panfletos, afixação de cartazes e participação em "reuniões fechadas", incitando os estudantes do CRUSP à desordem e promovendo o desrespeito e desacato às autoridades da Universidade. Também participou da ocupação do Bloco F com queima de arquivo e agressão a funcionário e da invasão da Reitoria da Universidade. É integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), teve vários contatos com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Esteve em Cuba, quando rachou com a ALN, passando para o "Grupo da Ilha". Voltou ao Brasil em 1971, indo para o campo na Bahia, Goiás e Minas Gerais. O documento está incompleto em suas margens laterais. Ficha pessoal Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Consta que Joaquim Câmara Ferreira encontra-se foragido. Possui carimbo do arquivo do DOPS. Ficha pessoal Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social. No primeiro, de 18/11/40, consta que nos anos 40, Joaquim Câmara Ferreira, foi preso por querer rearticular o Partido Comunista Brasileiro (PCB), e por injúrias ao presidente da república. Posteriormente, passou a integrar o grupo de Marighella, tendo participado de movimento de guerrilhas em Minas Gerais. Possui a palavra "faleceu" manuscrita. O segundo documento possui apenas o nome de Joaquim. Ficha pessoal Documento do IML/SP, sem data, com dados do óbito. Ficha pessoal Documento, sem data e identificação do órgão de repressão, com foto de Frei Tito e informando que este foi preso em Ibiúna, SP, no XXX Congresso da UNE, recebeu de Carlos Marighella e de Joaquim Câmara Ferreira a missão de fazer um levantamento da região Norte e Nordeste do Brasil, teve a prisão decretada por ser considerado subversivo e concordou em ser banido do país em troca do embaixador Giovani Enrico Bucher, seqüestrado em 07/12/70. Ficha pessoal Ficha pessoal sem identificação do órgão. Consta que Edmur saiu da Ação Libertadora Nacional (ALN) por desentendimento com Carlos Marighella, formando sua própria organização. Fez curso de guerrilha no Uruguai. Foi banido em troca da libertação do embaixador da Suiça Giovani Enrico Bucher. Artigo de revista Sou um homem realizado em tudo. Realidade, São Paulo, 1971. Entrevista com Sérgio Fleury que afirma ser a favor da pena de morte em casos específicos (segurança nacional, estupro seguido de morte e latrocínio). Conta que viu a morte de Luiz Fogaça Balboni, de Joaquim Câmara Ferreira e de Carlos Marighella, na qual auxiliou com apenas "um tiro". Declara ser uma pessoa religiosa, pobre, além de realizada e tranqüila por fazer aquilo que gosta. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 24/10/70, realizado por Mário Santalúcia e Paulo Augusto de Queiroz Rocha. Consta aviso manuscrito: "Ao arquivo e fichário da Social p/ anotar na ficha e após arquivar na Pasta do Instituto Médico Legal- nesse arquivo e fichário - Lobo-Ex chefe- SP 05-11-1970". Interrogatório Resumo de declarações prestadas por um preso político, em 10, 12 e 14/04/70, em interrogatório ao Exército. Declarou que com a morte de José Wilson Sabag, ficou incumbido de tirar sua esposa Maria Augusta Thomaz de São Paulo, levando-a para Curitiba. Informa que se reunia há dois meses em um armazém de seu pai no Ipiranga com outras pessoas, incluindo "Toledo" (Joaquim Câmara Ferreira). Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Requisição de exame de cadáver Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, em 24/10/70. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista. Indica falecimento por mal súbito. Pedido de busca Documento do Gabinete do Exército, Rio de Janeiro, de 1972. Trata-se de pedido de busca ao Dr. Iberê Brandão e Fonseca. O item sobre os dados conhecidos informa que: o Dr. Iberê pertenceu ao esquema médico da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo ligado a Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Hélcio Pereira Fortes e a Aldo de Sá Brito (morto). Em anexo, cópia da foto de Iberê Brandão e Fonseca. Ofício Documento encaminhado pelo Ministério da Aeronáutica a diversos órgãos da repressão, em 27/08/70 e 06/10/70. Consta que Eduardo Leite teria comandado a ação de seqüestro do Embaixador da Alemanha, Von Holleben. No termo de declarações, datado de 24/08/70, no Rio de Janeiro, Guanabara, de Eduardo Leite, preso pelo Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), este teria contado sua trajetória por organizações de esquerda e as suas funções na Ação Libertadora Nacional (ALN). Segundo as palavras do documento, devido às quedas da maioria da cúpula da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), chegaram à conclusão de que deveriam organizar uma ação de seqüestro de um embaixador com fins de libertar algumas pessoas mais importantes da VPR e incluir algumas da ALN. Em função disto, teria conhecido militantes da VPR como Gerson Theodoro da Silva (provavelmente refere-se a Gerson Theodoro de Oliveira) e José Milton Barbosa, ambos tendo participado da ação. Descreve a ação que contou com nove ativistas que abordaram o Embaixador no carro em que era conduzido. Cita que teria recebido uma lista com 39 nomes elaborada em reunião havida em São Paulo, com a participação de Carlos Lamarca e Joaquim Câmara Ferreira, da qual teria tirado um nome e inserido dois outros. Informa também que teria preparado mensagens em código que foram transmitidas pela Rádio Eldorado, em São Paulo e pela Rádio Nacional, no Rio. Ofício Documento do II Exército ao diretor do DEOPS/SP, de 30/10/70. Informa a restituição ao DEOPS/SP de um indivíduo preso em encontro com Joaquim Câmara Ferreira, em São Paulo, SP. Ofício Informação da Seção de Informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ao DOPS, em 25/11/75. Traz as denúncias do deputado federal Raimundo Soares sobre as mortes violentas de Joaquim Câmara Ferreira e de Vladmir Herzog, bem como o desaparecimento de Manuel Conceição e de prisões feitas com informações conseguidas em sessões de tortura. Ofício Informação do IV Exército ao DOPS, divulgando um telegrama do Comando da Marinha do Rio de Janeiro. Neste, consta que Joaquim Câmara Ferreira tentou resistir à voz de prisão, iniciando luta corporal com os policiais, durante a qual sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer a caminho de socorro. O preso Eduardo Leite, que foi levado ao local para indicar quem era Joaquim, aproveitou-se da confusão, e, auxiliado por dois comparsas de Joaquim, conseguiu escapar, estando foragido. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111117/1f49a22e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4301 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111117/1f49a22e/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4995 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111117/1f49a22e/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 17 19:49:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 17 Nov 2011 19:49:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O escritor e as ditaduras por Frei Betto Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 17.11.11 - Mundo O escritor e as ditaduras Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Tema proposto pela União Brasileira de Escritores para o Congresso Brasileiro de Escritores, Ribeirão Preto, 14 de novembro de 2011. Sabemos todos que a arte literária é polissêmica. As palavras têm vida própria e se multiplicam em diferentes significados. Todo leitor capta o texto a partir de seu contexto. E então extrai, para seu enriquecimento subjetivo e cultural, o pretexto. Ou melhor, o pós-texto. Dito de outro modo, a cabeça pensa onde os pés pisam. O lugar sociocultural do leitor influi na hermenêutica do texto. Há sempre um diálogo entre leitor e narrativa. E, de certo modo, o leitor se espelha naquilo que lê. O enigma da esfinge - "Decifra-me ou te devoro" - bem se aplica ao exercício da leitura. Um texto é tanto melhor compreendido quanto mais o leitor se encontra no contexto em que o texto foi produzido. Quem melhor tem condições de conhecer a obra de Guimarães Rosa, um mineiro ou um alemão? Certamente o alemão tem mais possibilidades de usufruir da obra de Goethe do que o mineiro. Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto - aquele no qual se encontra o leitor. O leitor A não coincide com o lugar sociocultural do leitor B. A mudança de lugar sociocultural provoca mudança de lugar epistêmico. Daí as diferenças hermenêuticas comportadas por um texto literário, como são exemplos a Bíblia, o Alcorão e O capital de Karl Marx. Escrita subversiva Não conheço nenhuma obra literária de valor que faça apologia do stalinismo, do nazismo ou mesmo do capitalismo. Há, sim, obras que, amparadas por poderes ditatoriais, alcançaram grande sucesso de vendas, como é o caso de Minha luta, de Adolf Hitler. Mas êxito comercial não significa talento ou obra de arte. Esta a força da literatura sob ditaduras: ela traduz o sofrimento das vítimas e dialoga com as vítimas. Dá voz a quem foi silenciado. Dá vida a quem morreu assassinado. Não nasce da encomenda do poder, e sim do grito parado no ar, da garganta sufocada, do sentimento reprimido, da oceânica vocação humana à liberdade. É literalmente uma escrita subversiva, que corre "por baixo" e projeta luz crítica sobre o que se passa "por cima". Cinco textos clássicos redigidos e divulgados sob regimes autoritários são os quatro Evangelhos e o Apocalipse. Foram escritos sob o Império Romano. E expressam a visão das vítimas, a partir daquela vítima que mais se destacou - Jesus de Nazaré, preso, torturado e condenado à pena de morte romana, a cruz. Nos Evangelhos são nítidas as críticas ao Império Romano e a seu preposto, o Sinédrio judaico. A começar pelo massacre das crianças decretado pelo rei Herodes. O símbolo das legiões romanas era o porco. É numa vara de porcos que Jesus ordenou aos demônios entrarem e se precipitarem no abismo (Mateus 8, 28-34). O capítulo 23 de Mateus é, todo ele, uma forte denúncia contra o poder autoritário, reforçado pela suposta sacralidade de se falar em nome de Deus. Ali as autoridades religiosas são tratadas, por Jesus, como "hipócritas! Exploradores e ladrões! Guias cegos! Sepulcros caiados! Raça de víboras! Assassinos!" A crítica mordaz não poupa nem Herodes Antipas, que decretou a decapitação de João Batista. Quando os fariseus alertaram Jesus: "Deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar", o homem de Nazaré qualificou o governador da Galileia de "raposa" (Lucas 13, 31-32). O Apocalipse (= Revelação, tirar o véu) está distribuído em 22 capítulos. O livro se chama Apocalipse porque, ao tirar o véu, mostra ao leitor o outro lado das coisas. Aquilo que só a fé enxerga. Seus capítulos foram redigidos em diferentes épocas. Os iniciais, provavelmente escritos na província romana da Ásia (atual Turquia), no ano 64, sob a perseguição de Nero. Outros consideram que foram redigidos durante os anos em que os romanos promoveram o cerco de Jerusalém e o massacre da população da cidade (67-70). De todo modo, são textos sob tirania. Textos que brotaram da lancinante angústia de quem já não suportava tanto sofrimento e perguntava: "Até quando, Senhor?" (6, 10). Os capítulos introdutórios do Apocalipse se espelham no livro do Êxodo. Porque a pergunta é a mesma: quando estaremos livres das garras do faraó? A diferença é que, agora, o faraó chama-se imperador romano. João convoca seus leitores a se colocarem em nível mais elevado que o palco de sofrimentos. Convida-os a se deslocarem de seu lugar geográfico e epistêmico e ocuparem o lugar do qual Deus encara os fatos: o céu. "Ele encontrou a porta do céu aberta" (4, 1). E lá está o trono de Deus. A imagem do trono aparece 47 vezes no texto! Ao entrar no trono, o leitor tem, dali, uma visão abrangente, que abarca inclusive o futuro, "o que deve acontecer depois" (4, 1; 1,1). E quem olha do trono de Deus relativiza todos os poderes da Terra! O trono é envolvido pelo arco-íris, que evoca o fim do Dilúvio e a aliança de Deus com a humanidade. Ao redor do trono de Deus estão 24 tronos com 24 anciãos - são os líderes do Antigo e do Novo Testamento, os chefes das 12 tribos de Israel e os 12 apóstolos. Todos trajam roupas brancas e trazem coroas na cabeça - símbolos da vitória e da realeza. Todo o texto do Apocalipse joga com duplo sentido. Os recursos do sonho e das visões permitem que o autor veja o passado e o futuro. Não há motivo para chorar, pois é o Cordeiro - Jesus - que conduz a história. A imagem do Cordeiro vem de Isaías 53, 7 e do cordeiro pascal, cujo sangue nos pórticos libertou os hebreus da dominação do faraó egípcio (Êxodo 12, 23). Esse díptico é constante em toda a literatura bíblica. Na Bíblia, cavalo equivale, hoje, a um tanque de guerra, sinal do poder opressor. Os quatro cavalos do Apocalipse simbolizam as desgraças que o povo da época mais temia: cavalo branco (6, 2) - invasões de exércitos inimigos; cavalo vermelho (6, 4) - guerras e matanças; cavalo negro (6, 5) - fome e carestia; cavalo esverdeado, cor de cadáver (6, 8) - doenças, peste e morte. Escritores vítimas da tirania Na história universal da ignomínia figuram inúmeros escritores vítimas da tirania: o apóstolo Paulo, condenado ao cárcere; Dante, ao exílio; Galileu, à abjuração; Campanella, à masmorra; Giordano Bruno, à fogueira; Dostoievski, ao fuzilamento. Figuram também padre Antônio Vieira, vítima da Inquisição, e Cervantes, aprisionado pelos mouros na Argélia. E ainda Gorki, Trotsky, Gramsci, Primo Levi e Soljenítsin. E Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga; Graciliano Ramos e Jorge Amado; Monteiro Lobato e Mário Lago, e Carlos Drummond de Andrade como em A noite dissolve os homens (1940). E mais recentemente, no Brasil, Augusto Boal, Flávia Schilling, Fernando Gabeira, Renato Tapajós, Thiago de Mello e Maurice Politi, entre tantos outros que, na literatura, registraram suas memórias do cárcere ou do exílio. As memórias dos "subterrâneos da liberdade", da perseguição ou do exílio são feitas de fragmentos, de diários inconclusos, de cartas censuradas, de romances nos quais a ficção é apenas um artifício para melhor traduzir a realidade. Tais memórias têm tríplice finalidade: a primeira, terapêutica, permitir ao autor organizar minimamente seu caos interior e, na medida do possível, objetivar seu sofrimento, aplacar as dores. Como bem expressa Ferreira Gullar em Traduzir-se: "Uma parte de mim / é só vertigem; / outra parte, / linguagem. / Traduzir uma parte / na outra parte / - que é uma questão / de vida ou morte - / será arte?" Fazer literatura é traduzir-se, traduzir a vertigem em linguagem, transformar o caos em cosmo, como assinala Adélia Bezerra de Meneses. "Quer percebamos claramente ou não," - diz Antonio Candido - "o caráter de coisa organizada da obra literária torna-se um fator que nos deixa mais capazes de ordenar a nossa própria mente e sentimentos; e em consequência, mais capazes de organizar a visão que temos do mundo." A segunda finalidade é denunciar a opressão, a ditadura, desvelando sua face cruel, monstruosa, que sequer admite a liberdade de opinião e pensamento. Por fim, a terceira é produzir obra de arte, é transmutar o real, abrir os olhos e a mente dos leitores para outras dimensões e nuances do terror, como são exemplos notáveis a Recordação da casa dos mortos, de Dostoiévski e, aqui no Brasil, Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos. Como afirmou Augusto Roa Bastos, pela boca do ditador Francia, no célebre romance Eu, o supremo, "escrever não significa converter o real em palavras, mas sim fazer com que a palavra seja real." Literatura de resistência O primeiro romance escrito na América, que se tem notícia, foi Periquillo sarniento, do mexicano José Joaquín Fernández de Lizardi (1776-1827). Publicou-se o texto em 1816. Através das aventuras do protagonista, o autor descreve a vida colonial e critica veladamente o colonizador espanhol. Desde então a literatura latino-americano ficou marcada por uma íntima relação com a política. A literatura, como toda obra de arte, é uma forma de resistência, de denúncia e de anúncio. Ela pode estar contida num livro, num manifesto ou mesmo num simples grafite gravado no muro de rua. Ali as palavras quebram o silêncio que nos é imposto, expressam nossa dor e nossa esperança, desmascaram e ridicularizam o tirano e a tirania. "Ele (o romancista) - assinala Alfredo Bosi em seu clássico Literatura e resistência - dispõe de um espaço amplo de liberdade inventiva. A escrita trabalha não só com a memória das coisas realmente acontecidas, mas com todo o reino do possível e do imaginável. O narrador cria, segundo o seu desejo, representações do bem, representações do mal ou representações ambivalentes. Graças à exploração das técnicas do foco narrativo, o romancista poderá levar ao primeiro plano do texto ficcional toda uma fenomenologia da resistência do eu aos valores ou antivalores do seu meio. Dá-se assim uma subjetivação intensa do fenômeno ético da resistência, o que é a figura moderna do herói antigo." (PP. 121-122 in Literatura e resistência, Companhia das letras, SP, 2002). A literatura se nutre de nostalgia e de utopia. E muitas vezes as duas convergem, como no verso de Castro Alves, em Poesia e mendicidade: "Hoje o Poeta - caminheiro errante, / Que tem saudades de um país melhor". Excelente exemplo de arte literária que bem traduz o espanto frente à ignomínia é o brevíssimo conto de Augusto Monterroso, nascido em Honduras em 1921 e falecido no México em 2003. Seu miniconto, intitulado O dinossauro, mereceu elogios de Gárcia Márquez, Carlos Fuentes e Isaac Assimov, e tem apenas sete palavras: "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá." Monterroso refugiou-se, ainda jovem, por razões políticas, na Guatemala e, posteriormente, no México. O conto do dinossauro é de seu primeiro livro, publicado em 1959, aos 38 anos, ironicamente intitulado Obras completas (e outros contos). Ali já transparecia seu estilo satírico, que ele talentosamente utilizava para criticar injustiças e discriminações. Todos nós, escritores latino-americanos nascidos no século XX, quando acordamos o dinossauro ainda estava lá... Entre intervalos de democracia burguesa, predominaram regimes ditatoriais, jurássicos, violentos, que nos fizeram mergulhar no pesadelo captado, no Brasil, pelas obras de Graciliano Ramos, Jorge Amado, Cecília Meirelles, Antônio Callado, Carlos Drummond de Andrade, Affonso Romano de Sant'anna, Thiago de Mello e tantos outros. Ética e imaginário A literatura logra contornar uma questão ética que se coloca sob as ditaduras: a questão da mentira. Ali a razão política supera o valor ético. Se um dissidente ou opositor é interrogado a respeito da identidade de seus companheiros, a verdade deverá ser calada, omitida. Como diz Castoriadis, os efeitos de suas respostas não concernem apenas à sua pessoa, à sua consciência, à sua moralidade, mas à vida de muitas outras pessoas. O escritor, entretanto, não tem, como autor, compromisso com a verdade. Como observou Platão, "os poetas mentem muito". O compromisso do escritor é com a verossimilhança. Ele transgride as regras da sintaxe e da ordem estabelecida. Como frisou Sartre, o escritor, como intelectual, sente-se à vontade com o pensamento subversivo. Ele só tem que prestar contas a si mesmo. Ele é a sua própria autoridade. Tem o poder de caricaturar, simular, sugerir, ridicularizar o poder e exaltar as vítimas. Como faz o autor do Magnificat no evangelho de Lucas, ao proclamar que "o Senhor despediu os ricos de mãos vazias e saciou os pobres de bens; derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes" (1, 46-55). O escritor suscita o diálogo entre o real e o possível, a realidade e o sonho. Como intelectual, jamais se instala na inércia de um saber adquirido. Está sempre se interrogando a respeito das concepções de mundo, dos modelos sociais, dos valores e normas que regem uma sociedade. Ele se inscreve nas fileiras do contrapoder político. Na opinião de Camus, o papel do escritor, como o do intelectual, é defender a lógica da indignação contra a lógica da resignação. Sob ditadura, tirania ou opressão, o escritor, inconformado, lida com a mais poderosa arma do ser humano: a imaginação. Ela é capaz de suscitar o mais hediondo ato de violência ou mais solidário gesto de amor. É capaz de desfantasiar o ditador - "o rei está nu" - e fantasiar o reino da liberdade. E ao empunhar a sua pena, o escritor afirma a sua liberdade em relação a todos os poderes - civis, militares, políticos, econômicos e religiosos. Demole preconceitos. Aborda a condição humana com razão aberta, capaz de dialogar com as demais modalidades de saber. O escritor é um indignado. A ele se aplica a máxima de Terêncio: "Nada do que é humano me é indiferente". Pois se recusa a aceitar o mundo tal como ele é ou aparece. Contesta-o, critica-o, amplia suas potencialidades, transforma-o através de sua imaginação, povoa-o com seus personagens, transubstancia-o por sua arte. Quando postado diante do pelotão de fuzilamento, em 1849, Dostoiévski se convenceu do que, mais tarde, colocaria na boca de um de seus personagens: "Podem destruir tudo, menos a mais poderosa arma que um homem possui: a sua consciência." Toda obra literária é uma apologia à liberdade de consciência. E é na consciência que o artista se define como clone de Deus. Pois transforma a fantasia em realidade, o sonho em narrativa, a intuição em arte. Porque nada existe que, antes de se tornar real, não tenha sido concebido pela fantasia. Da roupa que vestimos aos veículos nos quais trafegamos, dos sapatos que calçamos à moradia na qual habitamos, tudo brotou da fantasia. Daí o impacto da literatura, filha dileta do imaginário. Ela é uma arte ontologicamente subversiva e subvertida, brota do chão da vida, dos porões de nosso psiquismo, de nossas reações atávicas ao que ameaça ou suprime a liberdade. É curioso constatar que mesmo autores declaradamente simpáticos a ditaduras - como o foram Fernando Pessoa em relação a Salazar; Ezra Pound em relação a Mussolini; Céline em relação a Hitler; Borges em relação a Pinochet e aos generais argentinos -, à revelia de suas convicções políticas conservadoras não deixaram de produzir obras de forte impacto subversivo, crítico, páginas que nos induzem a ansiar por mais liberdade, o que não deve ser confundido com liberalismo ou neoliberalismo. Como predisse o profeta Isaías, não há verdadeira liberdade se ela não estiver irmanada com a justiça, de modo a gerar paz. Tenhamos sempre presente, entretanto, que a literatura não tem que ser de esquerda ou de direita, a favor ou contra o governo vigente. Tem que ser bela, obra de arte, signo estético, sem o que perde valor. Não se exija, portanto, literatura engajada, e sim de qualidade, capaz de suscitar em nós leitores um novo olhar sobre o real. Do escritor, sim, pode-se esperar engajamento, compromisso com a justiça, empenho contra a opressão. Até porque, em sua obra, ele nada mais faz do que nos abrir a outros mundos possíveis, através do imaginário que não conhece limites. Seu campo de trabalho é simplesmente o infinito. [Frei Betto é escritor, autor do romance "Minas do Ouro" (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org - twitter:@freibetto. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111117/630c30a5/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 18 19:49:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Nov 2011 19:49:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___LUIZ_CARLOS_ALMEIDA_________________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CCC-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem LUIZ CARLOS ALMEIDA Militante do PARTIDO OPERÁRIO COMUNISTA (POC). Formado em Física pela Universidade de São Paulo. Foi preso em 14 de setembro de 1973, em sua casa, no bairro de Barrancas, Santiago. Após ser torturado, foi levado a uma ponte sobre o rio Mapocho, onde foi fuzilado. O caso de Luiz Carlos de Almeida foi denunciado por outro brasileiro seqüestrado junto com ele e que tem o nome muito parecido com o seu, Luiz Carlos Almeida Vieira, que levou três tiros, mas conseguiu escapar com vida e hoje mora na Suécia. Graças às informações de Vieira e às investigações da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, a Comissão de Representação Externa para os Mortos e Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, pôde incluir o caso de Luiz Carlos na lista de investigados pela Corporação Nacional de Reparação e Conciliação, organismo oficial encarregado de resolver o problema dos mortos e desaparecidos durante a ditadura militar no Chile. Luiz Carlos respondeu a alguns processos e, com mandado de prisão preventiva, exilou-se, então, no Chile. Em carta de 03 de setembro de 1993 à Comissão de Representação Externa sobre Desaparecidos da Câmara Federal, Luiz Carlos de Almeida Vieira, narra os últimos momentos de Luiz Carlos de Almeida, no Chile. Afirma que o conheceu em setembro de 1973, alguns dias antes do golpe contra o governo Allende, quando chegou ao Chile. Estava morando com Luiz Carlos quando houve o golpe. Em 13 de setembro, sua casa foi invadida por carabineiros que os prenderam. Luiz Carlos de Almeida era professor universitário no Chile e após sua prisão foram levados a uma delegacia. De lá, transferidos para o Estádio Nacional, onde foram torturados. Posteriormente, os dois jovens brasileiros e mais um uruguaio que também se encontrava preso, foram transportados, em veículo militar, até às margens do Rio Mapocho. O uruguaio foi, imedidatamente, metralhado ao tentar entrar no rio. O mesmo aconteceu a Luiz Carlos de Almeida. Luiz Carlos de Almeida Vieira perdeu a consciência ao ser baleado e foi levado pelas águas do rio, conseguindo se salvar. ============================================================================================ FICHA Luiz Carlos Almeida Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz Carlos Almeida Atividade: Professor Universidade Universidade de São Paulo USP Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Operário Comunista POC Brasil Prisão: 14/9/1973 Santiago Chile Bairro de Barrancas Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/9/1973 Chile Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. Artigo de jornal Chiaretti, Marco. Chile fornece pista de desaparecidos. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 jun. 1993. Cruvinel, Tereza. Panorama político: ditaduras. O Globo, Rio de Janeiro, 2 jun. 1993. Mortes no Chile serão investigadas. Jornal do Commercio, 2 jun. 1993. Discorrem sobre a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), e do deputado Roberto Valadão (PMDB-ES), em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros naquele país, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación. São eles: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. Foram obtidas informações sobre os três primeiros. Também seguem para a Argentina onde esperam encontrar informações de outros sete desaparecidos políticos brasileiros, entre eles o músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior). Foto Foto original e preto e branco de busto. Ofício Nota à imprensa do Deputado Nilmário Miranda, da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos, de 11/01/94, informando comunicado do Cônsul Geral do Brasil no Chile, Dr. Carlos Alfredo Pinto da Silva, no qual a Corporación Nacional de Reparación e Reconciliación confirma que os cidadãos brasileiros Jane Vanini e Luiz Carlos de Almeida foram vítimas de violação de seus direitos humanos naquele país, reconhecendo a participação de agentes do Estado chileno nestes fatos. O deputado lembra o reconhecimento anterior da responsabilidade do Estado chileno no desaparecimento e morte de três outros brasileiros (Nelson de Souza Kohl, Túlio Quintiliano e Vânio José de Matos). Também lamenta que o Estado brasileiro não tenha, da mesma forma, feito justiça frente aos familiares e à memória dos brasileiros, chilenos e argentinos desaparecidos no Brasil durante a ditadura militar. Acompanha cópia do fax enviado pelo Cônsul Geral do Brasil no Chile. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111118/bd440ce5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14651 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111118/bd440ce5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 18 19:50:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Nov 2011 19:50:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Um_dia_hist=C3=B3rico=3A_Dilma_sancio?= =?utf-8?q?na_leis_que__criam_Comiss=C3=A3o_da_Verdade_e__a_Lei_de_?= =?utf-8?q?Acesso_a_Informa=C3=A7=C3=B5es_P=C3=BAblicas=2C_que_acab?= =?utf-8?q?a_com_o_sigilo_eterno_de_documentos=2E?= Message-ID: <44D49AE2DE77438D9F67E654CA7600D8@vcaixe> Visualização do Boletim Eletrônico - Agência Carta MaiorCarta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger Boletim Carta Maior - 18 de Novembro de 2011 Ir para o site -------------------------------------------------------------------------- A presidenta Dilma Rousseff sancionou nesta sexta-feira (18) a lei que cria a Comissão da Verdade para apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar. Dilma sancionou também a Lei de Acesso a Informações Públicas, que acaba com o sigilo eterno de documentos. A Comissão da Verdade será formada por sete pessoas, escolhidas pela presidenta da República a partir de critérios como conduta ética e atuação em defesa dos direitos humanos. O grupo terá dois anos para ouvir depoimentos em todo o país, requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer as violações de direitos. A resistência de setores conservadores à mera existência de uma Comissão da Verdade impôs uma série de limites à sua implementação. A superação desses limites dependerá, em boa medida, da mobilização da sociedade brasileira em defesa da recuperação da memória e da verdade de um período de trevas na história do país. A Carta Maior acompanhará os trabalhos e debates em torno da Comissão da Verdade e procurará contribuir com o resgate da memória histórica reprimida, trazendo a voz de alguns dos protagonistas desse período da história do Brasil. 18/11, dia histórico: leis criam Comissão da Verdade e abrem Estado Crimes de tortura e morte cometidos por razões políticas vão ser investigados por comissão que terá dois anos de prazo. Foco deve ser ditadura militar. Nenhum documento oficial poderá passar mais de 50 anos escondido da população. Em seis meses, órgãos públicos terão de divulgar gastos e contratos na internet. 'Cidadão ganha mais poder perante o Estado', diz Dilma Rousseff. > LEIA MAIS | Política | 18/11/2011 Comissão da Verdade: 'alegria e tristeza' entre ex-presos e familiares Presentes à cerimônia de sanção da lei que institui grupo para investigar violência contra direitos humanos, parentes de desaparecidos e ex-presos reclamam que ninguém será punido. Mas aplaudem devassa nos crimes. 'A gente vai continuar sendo torturada enquanto as coisas não forem esclarecidas', diz ex-militante e viúva de desaparecido. > LEIA MAIS | Política | 18/11/2011 Ditadura brasileira foi cérebro da repressão na AL A verdade sem rasuras. Na medida em que se tem acesso aos papéis da ditadura brasileira, mesmo àqueles com nomes cobertos por tarjas pretas, fica exposta a falsa história oficial sobre sua participação supostamente secundária e breve na Operação Condor. Documentos mostram que Brasil serviu como cérebro logístico da repressão na América Latina. Militares brasileiros espionaram, prenderam e entregaram cidadãos de outros países para "ditaduras amigas". > LEIA MAIS | Internacional | 17/11/2011 ? Nuevas evidencias del Plan Cóndor en Brasil Vítimas da ditadura entregam ao governo lista com nomes para Comissão da Verdade Com o objetivo de fortalecer o trabalho da Comissão, o Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça ? formado por familiares de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar e organizações e defensores dos direitos humanos ? encaminhou oficialmente à Presidência da República uma relação de nomes representativos dos movimentos sociais e da sociedade civil, com a finalidade de que sejam indicados para compor a Comissão Nacional da Verdade. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 17/11/2011 ? Dilma deve sancionar Comissão da Verdade sem vetos nesta sexta Argentina já condenou 262 repressores da ditadura A recente decisão da Justiça argentina que condenou à prisão perpétua 16 ex-oficiais da Marinha, no caso do centro clandestino que funcionava na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), entre eles o repressor Alfredo Astiz, é parte de um amplo processo judicial em nível nacional e de políticas de Estado de extraordinário significado histórico. Segundo dados oficiais, até hoje, 262 repressores foram condenados pela justiça e 802 são alvos de processos em curso. O artigo é de Francisco Luque. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 14/11/2011 Pilotos dos vôos da morte mais perto do juri A Justiça argentina confirmou os processos, com prisão preventiva, de quatro pilotos e um advogado pelos vôos da morte durante a ditadura militar. A medida envolve três ex-oficiais identificados como pilotos do vôo noturno de 14 de dezembro de 1977 no qual foram assassinadas as freiras francesas, as fundadoras das Madres de Plaza de Mayo e os familiares sequestrados na Igreja da Santa Cruz. O advogado Gonzalo Torres de Tolosa e o suboficial naval Rubén Ormello completam a lista. > LEIA MAIS | Internacional | 12/11/2011 ?É preciso que as pessoas queiram exercer o direito à memória e à verdade? Em entrevista à Carta Maior, Maria do Amparo Almeida Araújo, que combateu a ditadura pela Ação Libertadora Nacional (ALN), fundou o Coletivo Tortura Nunca Mais de Pernambuco e hoje é secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã na Prefeitura do Recife, fala sobre a Comissão da Verdade e os obstáculos para que a memória e a verdade sobre o período da ditadura venham à tona. "É preciso que as pessoas queiram exercer esse direito. Infelizmente, talvez pela distância, pelo tempo, as pessoas não estão muito sensibilizadas com isso", afirma. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 28/10/2011 "O grande estorvo para aqueles que querem apagar o passado são as vítimas" "A ideia de não enfrentar a verdade é a de liquidar o passado. O problema é que as feridas não vão se fechar nunca para as vítimas". Por essa razão as leis de anistia não têm a capacidade de apagar com borracha o passado, diz, em entrevista concedida à Carta Maior e à revista Caros Amigos, o psicólogo costa-riquenho Ignacio Dobles Oropeza, autor do livro ?Memórias da dor: Considerações acerca das Comissões da Verdade na América Latina?. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 26/10/2011 Na América Latina, só Brasil ainda não teve Comissão da Verdade Constatação foi feita em Seminário Latino Americano de Direitos Humanos que acontece na Câmara dos Deputados. Testemunhos revelam a importância do acerto de contas com o passado, mesmo que comissões tenham perfis diferentes. Deposto por golpe, ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya defende que vítimas da ditadura participem das investigações. > LEIA MAIS | Política | 18/10/2011 'Anjo da Morte' é condenado à prisão perpétua na Argentina Um dos símbolos macabros da ditadura argentina, Alfredo Astiz foi chefe de inteligência do Grupo 3.3.2 da Marinha, e um dos primeiros integrantes da Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA) reconhecido publicamente como um brutal repressor no final da década de 70. Em sua lista de acusações estão os assassinatos de Azucena Villaflor, fundadora das Mães da Praça de Maio, e das monjas francesas Alice Domon e Leonie Duquet, torturadas na ESMA e jogadas no mar. Outros 17 ex-marinheiros foram condenados por crimes de lesa humanidade. A reportagem é de Francisco Luque, direto de Buenos Aires. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 27/10/2011 Uruguai decide que crimes cometidos durante a ditadura são imprescritíveis Após longos e duros debates, o Senado e a Câmara de Deputados do Uruguai aprovaram norma que declara que os crimes cometidos durante a ditadura militar são de lesa humanidade e, portanto, imprescritíveis. A sua sanção é o primeiro passo para suprimir a lei uruguaia que anistiava os militares e policiais acusados por crimes cometidos durante a ditadura de 1973 a 1985. > LEIA MAIS | Internacional | 27/10/2011 O longo caminho da memória, da verdade e da justiça na Argentina No tema 'direitos humanos', a Argentina tem sido um exemplo para a América Latina. O país tem sido a vanguarda na aplicação de justiça aos responsáveis pelos crimes de lesa humanidade em períodos de exceção, criando jurisprudência em nível internacional. Ao contrário de outros países que também viveram ditaduras, a Argentina gestou uma doutrina jurídica e uma política de Estado que permitiu gerar um corpus para a realização de julgamentos e a aplicação de penas aos responsáveis por estes crimes. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 18/10/2011 "O Brasil ainda não abriu os arquivos da Guerra do Paraguai" Em entrevista à Carta Maior, o jornalista argentino Horacio Verbitsky, um dos maiores conhecedores dos sistemas repressivos na América Latina, analisa o peso dos arquivos na busca da verdade e da justiça, detalha o funcionamento da 'multinacional do crime' que foi a Operação Condor e destaca as particularidades que fazem do Brasil um país que ainda guarda documentos secretos sobre a ação dos militares nos anos de chumbo. "O Brasil é o caso mais extremo no Cone Sul, ainda mantém em segredo os arquivos da Guerra do Paraguai". > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 19/10/2011 -------------------------------------------------------------------------- ? Você está recebendo este e-mail porque se cadastrou ou tem relacionamento com Carta Maior através do seu e-mail urda at flynet.com.br. Para cancelar seu recebimento acesse aqui. Em caso de abuso, denuncie aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111118/40768a1d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 19 17:07:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 19 Nov 2011 17:07:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LUIZ_RENATO_PIRES_DE_ALMEIDA_________?= =?iso-8859-1?q?______________________________-CCCI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem LUIZ RENATO PIRES DE ALMEIDA Nasceu em 18 de novembro de 1944, na localidade de Formigueiro, à época município de São Sepé, no Rio Grande do Sul. Seus pais eram Lucrécio de Almeida e Doca Pires de Almeida. Sua família era numerosa, tendo Luiz Renato 9 irmãos, e sido criado no campo, onde seu pai era um pequeno proprietário. Ao completar os cursos primário e ginasial, transferiu-se para a cidade de Santa Maria a fim de continuar seus estudos, Entrou na Faculdade de Agronomia, participando do movimento estudantil, atuando inclusive no Diretório Acadêmico de sua Faculdade. Com o golpe de 64, a Faculdade foi invadida e os estudantes ativistas tiveram de fugir, muitos foram presos ou caíram na clandestinidade. Dois anos mais tarde - 1966, Luiz Renato foi preso em Porto Alegre e recolhido ao Presídio do DOPS/RS, e ficou durante oito meses na Ilha-Presídio. Ali se encontrava, no dia 14 de março de 1966, quando chegou em sua cela um preso político - Manoel Raimundo Soares - cuja prisão, tortura e assassinato - teve grande repercussão nacional e internacional (morto em 24 de agosto de 1966). Neste mesmo ano, Luiz Renato depôs na CPI da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, denunciando as torturas ali infligidas a Manoel Raimundo. Em outubro do mesmo ano, Luiz Renato conseguiu fugir para o Rio de Janeiro. No final de 1967 ou início de 1968, Luiz Renato viajou para Moscou para estudar na Universidade Patrice Lumumba. Em Moscou juntou-se ao grupo latino de estudantes sul-americanos que conhavam com as idéias guevaristas da revolução na América. Ligou-se, então, a Oswaldo Chato Peredo, reorganizador do Exército de Libertação Nacional que empreendia a luta guerrilheira nas montanhas da Bolívia. Algum tempo depois passou por Cuba e daí voltou para a Bolívia, deslocando-se de La Paz para as montanhas. Em inícios de outubro de 1970, nas regiões de Masapar e Haicura, a 300 km de La Paz, Luis Renato e outros companheiros caíram mortos pelas tropas bolivianas, estando desaparecido até hoje ================================================================================================= Ficha Luiz Renato Pires de Almeida Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz Renato Pires de Almeida Cidade: (onde nasceu) São Sepé Estado: (onde nasceu) RS País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 18/11/1944 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Patrice Lumumba Dados da Militância Organização: (na qual militava) Exército de Libertação Nacional ELN Bolívia Prisão: 0/0/1966 Porto Alegre RS Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/10/1970 Bolívia regiões de Masapar e Haicura Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/RS DOPS/RS ou DEOPS/RS RS Brasil Biografia Documentos Livro Cópia de livro em papel timbrado da Secretaria da Segurança Pública com carimbo do DOPS. Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Tortura e morte do Sargento Manoel Raymundo Soares. 45 p. Biografia de Manoel, informa suas atividades como militar, ativista político, sua prisão e morte após ser torturado nas dependências do DOPS e no Presídio da Ilha das Flores juntamente com Luiz Renato Pires de Almeida, estudante e companheiro de cela. Depoimentos das pessoas que testemunharam a prisão e torturas sofridas por Manoel. Há também o relatório dos processos abertos pela Assembléia Legislativa para investigar a morte e as torturas sofridas por Manoel no DOPS/RS. Informa que todos os militares envolvidos nas torturas e morte não foram punidos. ========================================================================================= Brasileiros desaparecidos em outros países Na década de 1970, um número desconhecido de brasileiros morreu ou desapareceu em países vizinhos no contexto de ações repressivas de outros Estados, vários deles tendo sido vitimados pela Operação Condor. Teriam sido pelo menos 13, conforme registra o livro Dossiê Ditadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1986, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. São eles: Francisco Tenório Junior (Argentina); Jane Vanini (Chile); Luis Carlos Almeida (Chile); Luiz Renato do Lago Faria (Argentina); Luiz Renato Pires de Almeida (Bolívia); Maria Regina Marcondes Pinto (Argentina); Nelson de Souza Kohl (Chile); Roberto Roscardo Rodrigues (Argentina); Sidney Fix Marques dos Santos (Argentina); Tulio Roberto Cardoso Quintiliano (Chile); Walter Kenneth Neslon Fleury (Argentina); Wânio José de Matos (Chile). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111119/39adb06d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13342 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111119/39adb06d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 19 17:07:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 19 Nov 2011 17:07:54 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_O_CAPITALISMO_E_A_MIS=C3=89RIA_AMERIC?= Message-ID: <66FBCCA6236E419F8F0B51A3CF17C25E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br O CAPITALISMO E A MISÉRIA AMERICANA O capitalismo, dizem alguns de seus defensores, foi uma grande invenção humana. De acordo com essa teoria, o sistema nasceu da ambição dos homens e do esforço em busca da riqueza, do poder pessoal e do reconhecimento público, para que os indivíduos se destacassem na comunidade, e pudessem viver mais e melhor à custa dos outros. Todos esses objetivos exigiam o empenho do tempo, da força e da mente. Foi um caminho para o que se chama civilização, embora houvesse outros, mais generosos, e em busca da justiça. Como todos os processos da vida, o capitalismo tem seus limites. Quando os ultrapassa no saqueio e na espoliação, e isso tem ocorrido várias vezes na História, surgem grandes crises que quase sempre levam aos confrontos sangrentos, internos e externos. A revista Foreign Affairs, que reflete as preocupações da intelligentsia norte-americana (tanto à esquerda, quanto à direita) publica, em seu último número, excelente ensaio de George Packer ? The broken contract; Inequality and American Decline. Packer é um homem doestablishment. Seus pais são professores da Universidade de Stanford. Seu avô materno, George Huddleston, foi representante democrata do Alabama no Congresso durante vinte anos. O jornalista mostra que a desigualdade social nos Estados Unidos agravou-se brutalmente nos últimos 33 anos ? a partir de 1978. Naquele ano, com os altos índices de inflação, o aumento do preço da gasolina, maior desemprego, e o pessimismo generalizado, houve crucial mudança na vida americana. Os grandes interesses atuaram, a fim de debitar a crise ao estado de bem-estar social, e às regulamentações da vida econômica que vinham do New Deal. A opinião pública foi intoxicada por essa idéia e se abandonou a confiança no compromisso social estabelecido nos anos 30 e 40. De acordo com Packer, esse compromisso foi o de uma democracia da classe média. Tratava-se de um contrato social não escrito entre o trabalho, os negócios e o governo, que assegurava a distribuição mais ampla dos benefícios da economia e da prosperidade de após-guerra - como em nenhum outro tempo da história do país. Um dado significativo: nos anos 70, os executivos mais bem pagos dos Estados Unidos recebiam 40 vezes o salário dos trabalhadores menos remunerados de suas empresas. Em 2007, passaram a receber 400 vezes mais. Naqueles anos 70, registra Packer, as elites norte-americanas se sentiam ainda responsáveis pelo destino do país e, com as exceções naturais, zelavam por suas instituições e interesses. Havia, pondera o autor, muita injustiça, sobretudo contra os negros do Sul. Como todas as épocas, a do após-guerra até 1970, tinha seus custos, mas, vistos da situação de 2011, eles lhe pareceram suportáveis. Nos anos 70 houve a estagflação, que combinou a estagnação econômica com a inflação e os juros altos. Os salários foram erodidos pela inflação, o desemprego cresceu, e caiu a confiança dos norte-americanos no governo, também em razão do escândalo de Watergate e do desastre que foi a aventura do Vietnã. O capitalismo parecia em perigo e isso alarmou os ricos, que trataram de reagir imediatamente, e trabalharam ? sobretudo a partir de 1978 ? para garantir sua posição, tornando-a ainda mais sólida. Trataram de fortalecer sua influência mediante a intensificação dolobbyng, que sempre existiu, mas, salvo alguns casos, se limitava ao uísque e aos charutos. A partir de então, o suborno passou a ser prática corrente. Em 1971 havia 141 empresas representadas por lobistas em Washington; em 1982, eram 2445. A partir de Reagan a longa e maciça transferência da renda do país para os americanos mais ricos, passou a ser mais grave. Ela foi constante, tanto nos melhores períodos da economia, como nos piores, sob presidentes democratas ou republicanos, com maiorias republicanas ou democratas no Congresso. Representantes e senadores ? com as exceções de sempre ? passaram a receber normalmente os subornos de Wall Street. Packer cita a afirmação do republicano Robert Dole, em 1982: ?pobres daqueles que não contribuem para as campanhas eleitorais?. Packer vai fundo: a desigualdade é como um gás inodoro que atinge todos os recantos do país ? mas parece impossível encontrar a sua origem e fechar a torneira. Entre 1974 e 2006, os rendimentos da classe média cresceram 21%, enquanto os dos pobres americanos cresceram só 11%. Um por cento dos mais ricos tiveram um crescimento de 256%, mais de dez vezes os da classe média, e quase triplicaram a sua participação na renda total do país, para 23%, o nível mais alto, desde 1928 ? na véspera da Grande Depressão. Esse crescimento, registre-se, vinha de antes. De Kennedy ao segundo Bush, mais lento antes de Reagan, e mais acelerado em seguida, os americanos ricos se tornaram cada vez mais ricos. A desigualdade, conclui Packer, favorece a divisão de classes, e aprisiona as pessoas nas circunstâncias de seu nascimento, o que constitui um desmentido histórico à idéia do american dream. E conclui: ?A desigualdade nos divide nas escolas, entre os vizinhos, no trabalho, nos aviões, nos hospitais, naquilo que comemos, em nossas condições físicas, no que pensamos, no futuro de nossas crianças, até mesmo em nossa morte?. Enfim, a desigualdade exacerbada pela ambição sem limites do capitalismo não é apenas uma violência contra a ética, mas também contra a lógica. É loucura. Ao mundo inteiro ? o comentário é nosso- foi imposto, na falta de estadistas dispostos a reagir, o mesmo modelo da desigualdade do reaganismo e do thatcherismo. A crise econômica mais recente, provocada pela ganância de Wall Street, não serviu de lição aos governantes vassalos do dinheiro, que continuaram entregues aos tecnocratas assalariados do sistema financeiro internacional. Ainda ontem, Mário Monti, homem do Goldman Sachs, colocado no poder pelos credores da Itália, exigia do Parlamento a segurança de que permanecerá na chefia do governo até 2013, o que significa violar a Constituição do país, que dá aos representantes do povo o poder de negar confiança ao governo e, conforme a situação, convocar eleições. Tudo isso nos mostra que estamos indo, no Brasil, pelo caminho correto, ao distribuir com mais equidade a renda nacional, ampliar o mercado interno, e assim, combater a desigualdade e submeter a tecnocracia à razão política. É necessário, entre outras medidas, manter cerrada vigilância sobre os bancos privados, principalmente os estrangeiros, que estão cobrindo as falcatruas de suas instituições centrais com os elevados lucros obtidos em nosso país e em outros países da América Latina. http://www.maurosantayana.com/2011/11/o-capitalismo-e-miseria-americana.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111119/c2ba9ac0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 32112 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111119/c2ba9ac0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 20 13:08:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 20 Nov 2011 13:08:14 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__EMMANUEL_BEZERRA_DOS_SANTOS_________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CCCII-?= Message-ID: <577F7E43537C46A9B74AE7C2EF9BE85D@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem EMMANUEL BEZERRA DOS SANTOS (1943-1973) Filiação: Joana Elias Bezerra e Luiz Elias dos Santos Data e local de nascimento: 17/06/1947, São Bento do Norte (RN) Organização política ou atividade: PCR Data e local da morte: 04/09/1973, São Paulo (SP) MANOEL LISBÔA DE MOURA (1944-1973)(veja completo na série PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de Manoel Lisboa de Moura -LXXVI- Filiação: Iracilda Lisbôa de Moura e Augusto de Moura Castro Data e local de nascimento: 21/02/1944, Maceió (AL) Organização política ou atividade: PCR Data e local da morte: 04/09/1973, em São Paulo (SP) Desde o final de julho de 1973 ocorreu em Recife e em outras cidades da região uma ofensiva dos órgãos de segurança dirigida contra o PCR - Partido Comunista Revolucionário, organização nascida entre 1966 e 1967 como dissidência do PCdoB, cuja atuação se limitou aos estados do Nordeste. Foram apontados como fundadores desse grupo o engenheiro Ricardo Zarattini, banido do Brasil em setembro de 1969 em troca do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, Amaro Luís de Carvalho, o Capivara, assassinado em 1971 na Casa de Detenção de Recife, conforme já relatado neste livro, e Manoel Lisbôa de Moura, um dos três mortos em mais uma operação comandada pelo notório torturador do DOPS/SP Sérgio Paranhos Fleury. Pelo que foi possível reconstituir no âmbito da CEMDP, Manoel Lisbôa e Emmanuel Bezerra foram presos em Recife em 16 de agosto, enquanto Manoel Aleixo foi capturado no dia 29 do mesmo mês. Manoel Aleixo da Silva, conhecido como Ventania, veterano militante das Ligas Camponesas e apontado como responsável pelo trabalho rural do PCR, foi preso no dia 29/08/1973, em sua casa, entre Ribeirão e Joaquim Nabuco, na Zona da Mata de Pernambuco. Sua viúva, Isabel Simplícia da Conceição, conta em depoimento anexado ao processo da CEMDP como foi a prisão: "Estava em minha casa, deitada em nosso quarto, quando alguns homens (quatro ou cinco) dizendo ser amigos de Ventania o convidaram para descer o morro e foram em direção a um carro. Ainda ouvi quando um deles disse: vista a camisa Ventania e vamos descer, passa aí na frente. O carro estava escondido embaixo de uma árvore, e da janela vi eles entrando, era um carro grande e verde, mais escuro que a cana. Deu para ver o carro sim, a casa ficava num alto e dava para ver os homens de costas, eles estavam vestidos de roupas simples, só que um tinha botas de soldado. Foi tudo muito rápido, botaram Manoel no carro e saíram logo, e nunca mais soube dele vivo". "Os companheiros me disseram que, alguns dias depois, saiu no jornal que aconteceu uns tiros em Ribeirão e que Ventania tinha morrido. Na conversa, soube que os tiros tinham sido trocados com um sargento do Exército, achei estranho pois ele não andava armado. Foi quando comecei a colocar as coisas na minha cabeça, tudo estava muito estranho e me lembrei que o carro verde parecia uma Veraneio do Exército, era muito verde, diferente do verde da cana. Manoel já tinha sido preso outras vezes, em 69, quando fazia dois anos que a gente tinha casado. Mas só queria ter filhos depois que tudo passasse, só quando muitos camponeses tivessem suas terras, queria justiça no campo. Acho que mataram ele porque era das Ligas Camponesas", contou Isabel. O inquérito instaurado no DOPS/PE reproduz a versão constante do auto de resistência lavrado por Jorge Francisco Inácio e testemunhado por outros dois agentes que teriam participado da busca: "às 6h30, em cumprimento à determinação verbal do Diretor do Departamento de Ordem Social, acompanhado das testemunhas abaixo assinadas, depois de me identificar, perante Manoel Aleixo da Silva este, ao receber voz de prisão, reagiu fazendo disparos de arma de fogo, resultando a morte ao resistente, em face do revide da agressão sofrida". Esse mesmo policial prestou uma informação que o relator do processo na CEMDP detectou como inverossímil e contraditória. Jorge Francisco relata que foi prender Ventania acompanhado de um outro agente, desarmado: "Severino estava desarmado, porque era a pessoa encarregada de abordar o elemento para fazer o seu reconhecimento(...)". Conforme o relator do processo na Comissão Especial, a versão dos policiais esbarra em um questionamento muito simples: "seria possível que, obedecendo ao pedido de busca do IV Exército, o DOPS enviaria para a detenção de um ex-preso político, que o IV Exercito dizia ter treinamento de guerrilha, um agente desarmado"? Outro depoimento anexado ao processo na CEMDP, de Epitácio Ferreira, também derruba a versão de tiroteio: "conheci Ventania, camponês, militante ativista das Ligas Camponesas de Pernambuco. (...) No dia em que Manoel foi preso, cruzei com ele, com vários homens dentro de um carro grande, que acho ser do Exército, num local próximo de Ribeirão, indo para Recife. O veículo estava parado e eu vinha a pé, quando percebi as pessoas do carro e Ventania dentro dele fazendo sinal para que eu passasse direto. Entendi que estava acontecendo algo anormal e fiz que não estava vendo nada; foi quando peguei uma condução e fui para Joaquim Nabuco, chegando lá fui até a casa de Manoel e a mulher dele, Isabel, disse que uns homens o haviam levado de carro. No dia seguinte Manoel foi assassinado com vários tiros, a notícia saiu no jornal como um tiroteio em Ribeirão, mas ele não andava armado e jamais havia participado de tiroteio. Foi quando comecei a pensar e percebi que ele havia sido torturado até a morte". Com a abertura dos arquivos secretos do DOPS/PE também foi possível entrever a verdade dos fatos. Ventania foi preso, levado para Recife e no dia seguinte para a periferia de Ribeirão, onde foi morto ou deixado morto com um único tiro nas costas, disparado por Jorge Francisco Inácio, na verdade um agente da repressão política, mas qualificado em seu depoimento ao DOPS apenas como funcionário público. A morte foi tratada pelo delegado do DOPS de Recife, José Oliveira Silvestre, notório torturador, como um ato de quem agiu no estrito cumprimento do dever legal, consoante a disciplina e a legislação em vigor. Mesmo não tendo poderes para atender à solicitação da viúva de restabelecer as reais circunstâncias da morte de Ventania, a CEMDP considerou legítima, em decisão unânime, a solicitação apresentada por ela à Comissão Especial, aprovando o requerimento e assegurando-lhe os benefícios da Lei nº 9.140/95. Quanto aos outros dois mortos, a versão oficial dos órgãos de segurança registrou que, preso em Recife, Manoel Lisbôa informou à polícia ter um encontro marcado para o dia 04/09/1973, no Largo de Moema, em São Paulo, com Emmanuel, que regressava do Chile dias antes da deposição de Salvador Allende. Segundo os policiais, Emmanuel, ao chegar ao local do encontro percebeu que havia sido traído e atirou em Manoel Lisbôa. Os agentes da repressão então reagiram, matando os dois. Com essa cena fictícia, os órgãos de segurança do regime militar criavam uma versão fraudulenta para a morte dos dois militantes e, ao mesmo tempo, apresentava o dirigente principal do PCR como delator e responsável pela prisão de companheiros, como já tinha se tornado rotina desde o assassinato de Eduardo Leite, Bacuri, no final de 1970. O comunicado oficial ainda os acusava falsamente de participação no atentado contra Costa e Silva, ocorrido no aeroporto dos Guararapes, em Recife, em 1966. A farsa criada pela polícia não se sustentou. Emmanuel Bezerra e Manoel Lisbôa foram presos em Recife (PE), sendo que este último, com certeza, em 16/08/1973. Esse fato foi confirmado taxativamente pela operária Fortunata, com quem Manoel Lisbôa conversava na praça Ian Flemming, no bairro de Rosarinho, Recife. Ele foi preso sob as ordens do agente policial e conhecido torturador Luís Miranda, de Pernambuco e do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury. Algemado, foi arrastado para um veículo e conduzido para o DOI-CODI do IV Exército, então situado no parque 13 de Maio. Fortunata, a operária, presenciou a cena. "Foi uma verdadeira operação de guerra. Quando um homem se aproximou, ele fez menção de pegar a arma, mas foi inútil. De todos os lados da praça surgiam homens. Carros e carros surgiram". A requisição do exame necroscópico de Manoel Lisbôa foi assinada pelo delegado Edsel Magnotti, e o laudo pelos médicos legistas Harry Shibata e Armando Cânger Rodrigues, que confirmaram a versão oficial. Mas, segundo denúncia de Selma Bandeira Mendes, companheira de Manoel Lisbôa, e de outros presos políticos que se encontravam no DOI-CODI/SP, ele passou 19 dias sob tortura intensa. Apresentava marcas de queimaduras por todo o corpo e estava quase paralítico. Manoel Lisbôa de Moura era o principal dirigente do PCR e desde seus tempos de escola secundária em Maceió, demonstrou interesse pelos problemas sociais, engajando-se no Movimento Estudantil alagoano. Como secundarista, participou do Conselho Estudantil do Colégio DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE | 352 | Estadual de Alagoas, foi diretor da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA) e, aos dezesseis anos, ingressou na Juventude Comunista. Foi editor do jornal A Luta, de circulação clandestina e instrumento de mobilização e combate ao regime militar. Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, onde organizou o Centro Popular de Cultura da UNE (CPC), apresentou e dirigiu peças de teatro, envolvendo, inclusive, operários da estiva. Após a deposição de João Goulart, foi preso, expulso da Universidade e teve cassados os seus direitos políticos. Nessa ocasião, já pertencia ao PCdoB. Lisbôa transferiu-se depois para Recife (PE), onde prosseguiu em sua militância política enquanto trabalhava na Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne). Em julho de 1966, foi preso pela segunda vez, logo após o atentado contra Costa e Silva, ocorrido no Aeroporto dos Guararapes. A polícia não conseguiu incriminá-lo, pois o inquérito comprovou que ele no momento do ocorrido estava trabalhando na Cerne com seu irmão, engenheiro e capitão do Exército. Posto em liberdade quatro dias depois, concluiu pela necessidade de dedicar-se exclusivamente à militância política clandestina. O PCR nunca foi além da realização de ações armadas de pequeno impacto, voltadas para obtenção de infra-estrutura. Os órgãos de segurança incluiam Manoel Lisbôa como participante de uma tentativa de capturar um taxi para ações armadas, que resultou em reação e morte do taxista, embora não tenha sido ele o autor dos disparos. A relatora de seu processo na CEMDP votou pelo acolhimento do pedido, registrando que os órgãos oficiais conheciam a identidade de Manoel e que mesmo assim ele fora enterrado como indigente em caixão lacrado e em sepultura que não podia ser identificada pela família. Na opinião da relatora, isso fazia deduzir que a morte por causas não naturais estava relacionada com a tortura, embora não atestada no exame do corpo do delito. O relator do caso de Emmanuel na CEMDP argumentou que a morte do militante deu-se da mesma forma, data, local e circunstâncias que a de Manoel Lisbôa de Moura, cujo "requerimento da família teve apreciação unânime, pelo deferimento, desta Comissão", concluindo que, "a versão da morte em tiroteio de um elemento já preso, que é levado ao encontro de outro e desse tiroteio não há notícia de ferimento em nenhum elemento da Segurança não convence o relator, como não convenceu no caso de Manoel Lisbôa de Moura". As fotos do IML anexadas ao processo na CEMDP mostram um corte no lábio inferior de Emmanuel, produzido pelas torturas, que o legista Harry Shibata afirmou ser fruto de um tiro. Segundo denúncia dos presos políticos na época, Emmanuel foi morto sob torturas no DOI-CODI, onde o mutilaram, arrancando-lhe os dedos, umbigo, testículos e pênis. Emmanuel era filho de pescadores e fez o curso primário na Escola Isolada de São Bento do Norte (RN), onde nasceu. Em 1961, transferiu- se para Natal, para estudar no Colégio Atheneu. Na 3ª série ginasial Emmanuel fundou com outros colegas o jornal O Realista, de denúncia política. Logo em seguida, já durante o regime militar, Emmanuel criou O Jornal do Povo, publicação com correspondentes em vários municípios do Rio Grande do Norte. Ingressou na Faculdade de Sociologia da Fundação José Augusto, em 1967, onde foi militante ativo do Diretório Acadêmico "Josué de Castro". Ainda em 1967, foi eleito presidente da Casa do Estudante e delegado ao 29º Congresso da UNE em São Paulo. Tornou-se, em 1968, diretor do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, desempenhando função de liderança no meio universitário. Nesse mesmo ano organizou a bancada dos estudantes potiguares para o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), onde foi preso. Enquadrado no decreto 447, foi expulso da universidade. Emmanuel tinha militado no PCB e incorporou-se ao PCR em 1967. Logo após a decretação do AI-5, foi preso, condenado e cumpriu pena até outubro de 1969. Libertado, Emmanuel passou a atuar na clandestinidade, em Pernambuco e Alagoas, já como dirigente nacional do seu partido. Realizou viagens ao Chile e Argentina em missão partidária, buscando aglutinar exilados brasileiros. Além de militante político, Emmanuel era uma pessoa ligada à arte e à cultura, tendo participado de diversas manifestações artísticas em Natal. A Escola Isolada de São Bento do Norte e o Grêmio Estudantil da Escola Estadual João XXIII têm hoje o nome de Emmanuel Bezerra dos Santos, assim como uma rua no bairro de Pitimbu, em Natal. Em novembro de 1994, o Programa Especial de Cidadania e Direitos Humanos da Prefeitura de Maceió criou o Projeto Rua Viva e homenageou os mortos e desaparecidos políticos alagoanos, entre eles Manoel Lisbôa de Moura, denominando ruas da cidade com os seus nomes. Também segue em atividade, em Recife, o Centro Cultural Manoel Lisbôa, ligado a militantes do PCR. ============================================================================================================================ + Informações. EMANUEL BEZERRA DOS SANTOS Militante do PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO (PCR). Nasceu a 17 de junho de 1943 na praia de Caiçara - Município de São Bento do Norte/RN, filho de Luis Elias e Joana Elias. Lider estudantil do Colégio Atheneu, foi presidente da Casa do Estudante. Cursava a antiga Faculdade de Sociologia, na Fundação José Augusto, onde destacouse nos estudos do marxismo-leninismo e economia política. Organizou a bancada dos estudantes potiguares para o histórico congresso da UNE, em IBIÚNA-SP, onde foi preso com os demais companheiros. Foi enquadrado no decreto 447 da ditadura militar, e expulso da Faculdade. Foi a principal liderança do Comitê Universitário do PCR no Rio Grande do Norte. Viveu de 68 a 73 nos Estados de Pernambuco e Alagoas. Realizou viagens ao Chile e Argentina em nome do PCR. Emanuel Bezerra dos Santos e Manoel Lisboa de Moura foram presos em Recife/PE, no dia 16 de agosto e torturados no DOPS daquele estado durante alguns dias. O policial que os prendeu e torturou, Luis Miranda transferiu-os para o delegado Sérgio Fleury, do DOPS/SP onde foram trucidados no 3° andar. As fotos do Instituto Médico Legal mostram um corte no lábio inferior produzido pelas torturas, que o legista Harry Shibata afirmou ser fruto de um tiro. Segundo denúncia dos presos políticos Emanuel foi morto sob torturas no DOI/CODI-SP, onde o mutilaram, arrancando-lhe os dedos, umbigo, testiculos e pênis. Dois meses depois desses assassinatos, o Delegado Sérgio Fleury transfere ao torturador Luis Miranda, José Carlos Novaes da Mata Machado e Gildo Macedo Lacerda para serem torturados no DOPS/Recife, mortos em outubro de 1973. A versão dos órgãos de segurança é de que Emanuel e Manoel teriam morrido em tiroteio com a polícia no Largo de Moema, em São Paulo, no dia 4 de setembro de 1973. Nesse suposto tiroteio, um teria matado o outro. ASSINARAM O LAUDO DE NECRÓPSIA OS MÉDICOS LEGISTAS HARRY SHIBATA E ARMANDO CANGER RODRIGUES. FOI ENTERRADO COMO INDIGENTE NO CEMITÉRIO DE CAMPO GRANDE/SP. EM 13 DE MARÇO DE 1992, SEUS RESTOS MORTAIS, DEPOIS DE EXUMADOS E PERICIADOS PELA UNICAMP, FORAM TRASLADADOS PARA A SUA TERRA NATAL. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que ele "morreu no dia 4 de setembro de 1973, em confronto com agentes dos órgãos de segurança em Moema/SP. Mesmas circunstâncias da morte de Manoel Lisboa de Moura". Já o Relatório do Ministério da Marinha afirma que foi "preso em Recife/PE em agosto de 1973. Trazido para São Paulo declarou estar aguardando a chegada de outro subversivo do exterior. No momento do encontro, os agentes deram voz de prisão, porém o recém-chegado reagiu a tiros, seguindo-se intenso tiroteio; os dois faleceram a caminho do Hospital das Clínicas." =================================================================================================== + Detalhes. Caiçara & São Bento do Norte/RN quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 EMMANOEL BEZERRA DOS SANTOS. Era uma vez um menino, filho de pescadores de Caiçara do Norte (São Bento do Norte), que, quando rapaz, veio para Natal e foi residir na Casa do Estudante, para continuar seus estudos no Atheneu. Participou da política estudantil secundarista e ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Tem-se claro um exemplo de luta e de heroísmo, vivido, corajosamente, por um jovem que desafiou, nos mais ásperos tempos, os bárbaros torturadores, impostores de uma "ordem" que se implantou pela força e dela fez seu trágico e danoso ideário. Foi morto, segundo noticias que se tem, em 1973, quando viajava para o Chile, mais exatamente na fronteira do Brasil com a Argentina. DADOS PESSOAIS Nasceu em 17 de junho de 1947 na praia de Caiçara, município de São Bento do Norte, Rio Grande do Norte, filho de Luis Elias dos Santos, pescador e Joana Elias Bezerra, florista. ATIVIDADES Estudou na Escola Isolada São Bento do Norte, onde fez o curso primário. Em 1961 transfere-se para Natal, passando a residir na Casa do estadante e a estudar no Colégio Estadual do Atheneu Norteriograndense. Quando cursava a 3a. série do curso ginasial, Emmanuel, juntamente com outros colegas, funda o jornal O Realista, voltado para a denúncia política das misérias da nossa sociedade. Logo em seguida, já na época da ditadura militar, Emmanuel cria "O Jornal do Povo", publicação libertária com correspondentes em vários municípios do Estado. No Atheneu estuda até o 1o. ano clássico, 1965. Em 1966 fica doente e perde o ano letivo, recuperando-se imediatamente com o supletivo (art.99) e presta exame vestibular, ingressando na Faculdade de Sociologia da Fundação José Augusto em 1967. Neste ano é eleito delegado ao XIX Congresso da UNE em São Paulo. Também é eleito presidente da Casa do Estudante, onde realiza uma administração marcada pelo dinamismo, ousadia e eficiência. A Casa do Estudante é transformada em uma forte trincheira de luta do movimento estudantil (secundaristas e universitários) de Natal. Torna-se, em 1968, na gestão de Ivaldo Caetano Monteiro, diretor do Diretório Central dos Estudantes da UFRN, desempenhando função de liderança no meio universitário. A partir de 1966, Emmanuel passa a integrar o Partido Comunista Brasileiro (PCB), sendo um dos principais articuladores e teóricos da Luta Interna no velho partido, dele se afastando em 1967 para incorporar-se no Partido Comunista Revolucionário (PCR). Com a edição do Ato Institucional no. 5, Emmanuel é preso (dezembro de 1968), condenado cumprindo a pena até outubro de 1969 em quartéis do Exército, Distrito Policial e finalmente na Base Naval de Natal. Libertado, Emmanuel imerge na clandestinidade, indo atuar politicamente (já como dirigente nacional do seu partido) nos Estados de Pernambuco e Alagoas. Nesse período, realiza viagens ao Chile e Argentina em missão do partido, buscando aglutinar exilados brasileiros à luta em desenvolvimento no país. Além de militante político, Emmanuel era uma pessoa voltada para a arte e cultura, tendo participado dos movimentos artísticos desenrolados na capital Natal. Rabiscou seus primeiros poemas adolescentes ainda na sua longínqua Caiçara do Norte. Apesar das atribulações da vida clandestina, foi possível salvar alguns dos poemas de sua autoria. CIRCUNSTÂNCIAS DA PRISÃO E MORTE Emmanuel foi preso no dia 04 de setembro de 1973, às 08:30 horas no Largo da Moema, São Paulo, quando regressava de viagem ao exterior. Conduzido para o DOI-CODI do II Exército, onde passou a ser torturado brutalmente até a morte, junto com o seu companheiro Manoel Lisboa de Moura, que havia sido aprisionado desde o dia 17 de agosto em Recife. A necrópsia foi realizada pelo famigerado legista Harry Shibata, o qual deve ter assinado o laudo sem ter examinado o cadáver; não constatou as inúmeras marcas de torturas no corpo de Emmanuel. Em fotografia recuperada pelas entidades de direitos humanos, fica evidenciada a violência sofrida por Emmanuel: seu olho esquerdo está visivelmente inchado, seus lábios também estão intumescidos, sua testa apresenta ferimentos, a base do seu nariz está quebrada, seu lábio inferior está cortado e em volta do seu pescoço desenha-se um colar de morte, como se fora feito a fogo. Foi sepultado, ao lado de Manuel Lisboa, no cemitério de Campo Grande, como indigente. SITUAÇAO ATUAL Em 13 de março de 1992 seus restos mortais foram exumados, periciados e identificados pela equipe de legistas da UNICAMP. Trasladados para Natal em julho de 1992, os desspojos seguiram em cortejo para São Bento do Norte e em meio a grande comoção da comunidade local, foram enterrados no cemitério da cidade. Emmanuel recebeu diversas homenagens do povo do Rio Grande do Norte: a Escola Isolada de São Bento do Norte, tem hoje o seu nome; o Grêmio Estudantil da Escola Estadual João XXIII, também é homenageado, e é nome de rua no bairro de Pitimbu, em Natal. Após a entrada em vigor da Lei no. 9140\ 95, os familiares de Emmanuel obtiveram o reconhecimento da responsabilidade da União na sua morte, fazendo jus a respectiva indenização. Às gerações futuras Eu vos contemplo Da face oculta das coisas. Meus desejos são inconclusos, Minhas noites sem remorsos. Eu vos contemplo, Pelas grades insensíveis. Meu sonho, É uma grande rosa. Minha poesia, Luta. Eu vos contemplo Da virtual extremidade. Minha vida (pela vossa). Meu amor, Vos liberta. Eu vos contemplo Da própria contingência. Mas minha força É imbatível Porque estais À espera. Eu vos contemplo Pelo fogo da batalha. Meus soldados Não se rendem. O grande dia Chegará. Eu vos contemplo Gerações futuras, Herdeiros da paz e do trabalho. As grades esmaecem Ante meu contemplar. Emmanuel Bezerra Postado por A Nossa História ========================================================================================== + Detalhes. DHnet Emmanuel Bezerra dos Santos Militantes políticos assassinado pela Ditadura Militar EMMANUEL BEZERRA DOS SANTOS Luciano de Almeida (*) Ideologia, eu quero uma prá viver. Cazuza Emmanuel viveu e morreu por uma ideologia. Foi contemporâneo de uma época e protagonista, até o fim, da revolta de sua (nossa) geração. Emmanuel, como ninguém, conscientizou e interiorizou o sentimento de rebelião dos jovens de 1968. Emmanuel tinha a cara do nosso povo: macerada, alegre, triste, irônica, esperta. Tinha um jeito desengonçado: um ombro mais alto que o outro ou uma perna mais curta que a outra. Emmanuel era uma pessoa afetuosa, que cultivava a amizade. Emmanuel era um ser humano absolutamente despojado, desprendido: renunciava a qualquer privilégio, revelando uma dedicação franciscana à causa pela qual lutava. Emmanuel, filho de pescador, adorava uma guarajuba e cantou em versos as praias e o mar de sua Caiçara; lugar onde o sertão toca o mar e o mar umedece o sertão, dando-lhe alento. Emmanuel tinha os olhos verdes fitos no atlântico mar azul. Emmanuel também se voltava para o sertão, para o Nordeste que pensava em libertar, através do "cerco das cidades e do campo" em que o "mar viraria sertão e o sertão, mar"; cumprindo-se, portanto, a profecia do Conselheiro que prenunciava "um rio de leite" que saciaria a fome e a sede secular de um povo sedento e faminto, curvado sob um sol escaldante e sob o tacão de capanga e coronéis; mas que ousava rebelar-se, erguendo uma cidade e cultivando uma economia autônoma, natural, sobre a plataforma de um Monte Santo. Emmanuel tinha algo profético; apesar de ser um "Anunciado", anúncio "In blowing the wind" transmitido pelo "arcanjo Gabriel" a Dona Joana, sua mãe. Emmanuel era, indubitavelmente, uma figura carismática, que desempenhava uma liderança espontânea no seu círculo. Emmanuel: estudante, jornalista, poeta, jovem, militante, cidadão, amigo e companheiro, foi tragado pelo abismo da repressão e tortura em qualquer dia de setembro de 1973 em São Paulo, Brasil. Seus algozes, certamente, ainda vivem, obscuramente, mas atormentados pelo fantasma de Emmanuel. Emmanuel, ao contrário, esteve, está e estará entre nós. Sempre. Natal, 10 de março de 1992. Jornalista e presidente da COOJORNAT ================================================================================================================= + Detalhes. DHnet EMMANUEL BEZERRA DOS SANTOS Emmanuel Bezerra dos Santos Livro "Dos Filhos deste solo" Conheça mais Emmanuel Bezerra Militante político assassinado pela Ditadura Militar DADOS PESSOAIS Nasceu em 17 de junho de 1947 na praia de Caiçara, município de São Bento do Norte, Rio Grande do Norte, filho de Luis Elias dos Santos, pescador e Joana Elias Bezerra, florista. ATIVIDADES Estudou na Escola Isolada São Bento do Norte, onde fez o curso primário. Em 1961 transfere-se para Natal, passando a residir na Casa do estadante e a estudar no Colégio Estadual do Atheneu Norteriograndense. Quando cursava a 3a. série do curso ginasial, Emmanuel, juntamente com outros colegas, funda o jornal O Realista, voltado para a denúncia política das misérias da nossa sociedade. Logo em seguida, já na época da ditadura militar, Emmanuel cria "O Jornal do Povo", publicação libertária com correspondentes em vários municípios do Estado. No Atheneu estuda até o 1o. ano clássico, 1965. Em 1966 fica doente e perde o ano letivo, recuperando-se imediatamente com o supletivo (art.99) e presta exame vestibular, ingressando na Faculdade de Sociologia da Fundação José Augusto em 1967. Neste ano é eleito delegado ao XIX Congresso da UNE em São Paulo. Também é eleito presidente da Casa do Estudante, onde realiza uma administração marcada pelo dinamismo, ousadia e eficiência. A Casa do Estudante é transformada em uma forte trincheira de luta do movimento estudantil (secundaristas e universitários) de Natal. Torna-se, em 1968, na gestão de Ivaldo Caetano Monteiro, diretor do Diretório Central dos Estudantes da UFRN, desempenhando função de liderança no meio universitário. A partir de 1966, Emmanuel passa a integrar o Partido Comunista Brasileiro (PCB), sendo um dos principais articuladores e teóricos da Luta Interna no velho partido, dele se afastando em 1967 para incorporar-se no Partido Comunista Revolucionário (PCR). Com a edição do Ato Institucional no. 5, Emmanuel é preso (dezembro de 1968), condenado cumprindo a pena até outubro de 1969 em quartéis do Exército, Distrito Policial e finalmente na Base Naval de Natal. Libertado, Emmanuel imerge na clandestinidade, indo atuar politicamente (já como dirigente nacional do seu partido) nos Estados de Pernambuco e Alagoas. Nesse período, realiza viagens ao Chile e Argentina em missão do partido, buscando aglutinar exilados brasileiros à luta em desenvolvimento no país. Além de militante político, Emmanuel era uma pessoa voltada para a arte e cultura, tendo participado dos movimentos artísticos desenrolados na capital Natal. Rabiscou seus primeiros poemas adolescentes ainda na sua longínqua Caiçara do Norte. Apesar das atribulações da vida clandestina, foi possível salvar alguns dos poemas de sua autoria. CIRCUNSTÂNCIAS DA PRISÃO E MORTE Emmanuel foi preso no dia 04 de setembro de 1973, às 08:30 horas no Largo da Moema, São Paulo, quando regressava de viagem ao exterior. Conduzido para o DOI-CODI do II Exército, onde passou a ser torturado brutalmente até a morte, junto com o seu companheiro Manoel Lisboa de Moura, que havia sido aprisionado desde o dia 17 de agosto em Recife. A necrópsia foi realizada pelo famigerado legista Harry Shibata, o qual deve ter assinado o laudo sem ter examinado o cadáver; não constatou as inúmeras marcas de torturas no corpo de Emmanuel. Em fotografia recuperada pelas entidades de direitos humanos, fica evidenciada a violência sofrida por Emmanuel: seu olho esquerdo está visivelmente inchado, seus lábios também estão intumescidos, sua testa apresenta ferimentos, a base do seu nariz está quebrada, seu lábio inferior está cortado e em volta do seu pescoço desenha-se um colar de morte, como se fora feito a fogo. Foi sepultado, ao lado de Manuel Lisboa, no cemitério de Campo Grande, como indigente. SITUAÇAO ATUAL Em 13 de março de 1992 seus restos mortais foram exumados, periciados e identificados pela equipe de legistas da UNICAMP. Trasladados para Natal em julho de 1992, os desspojos seguiram em cortejo para São Bento do Norte e em meio a grande comoção da comunidade local, foram enterrados no cemitério da cidade. Emmanuel recebeu diversas homenagens do povo do Rio Grande do Norte: a Escola Isolada de São Bento do Norte, tem hoje o seu nome; o Grêmio Estudantil da Escola Estadual João XXIII, também é homenageado, e é nome de rua no bairro de Pitimbu, em Natal. Após a entrada em vigor da Lei no. 9140\ 95, os familiares de Emmanuel obtiveram o reconhecimento da responsabilidade da União na sua morte, fazendo jus a respectiva indenização ============================================================================================================ + Detalhes. Coleção Memória das Lutas estreia com obra poética Publicação: 07 de Abril de 2010 Tribuna do Norte As poesias inéditas do saudoso militante político Emmanuel Bezerra dos Santos, personagem que faz parte da memória histórica potiguar, e que foi assassinado durante a sua luta contra a ditadura militar, foram reunidas no livro "Às Gerações Futuras", título de um dos seus poemas. O livro é resultado de uma parceria entre o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular - CDHMP, o Ponto de Cultura Tecido Cultural e a Fundação José Augusto. Às Gerações Futuras será lançado hoje, às 19h, na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall. A edição inicia a Coleção Memória das Lutas Potiguares criada pelo CDHMP. Segundo Roberto de Oliveira Monte, coordenador da CDHMP, começar esta relevante Coleção de Memória Histórica com Emmanuel Bezerra, demonstra a preocupação de uma das missões do Centro, que é a contribuir para o resgate da memória, colocando a disposição do público informações e documentos para estudo e conhecimento de fatos históricos acontecidos no mundo, no Brasil e no Estado do Rio Grande do Norte. De acordo com o coordenador, nesse sentido o CDHMP esta proporcionando reflexões acerca da memória histórica em escala mundial a partir do resgate de situações culturais, fatos, valores e personagens que contribuíram para a construção da vida cultural e política de diversas regiões. Na programação de lançamento do livro na Siciliano será realizada mais uma edição do Projeto Diálogos Criativos onde irá acontecer um debate sobre Emmanuel Bezerra e seu resgate histórico com a participação de Luciano Almeida; Crispiniano Neto; François Silvestre (apresentador do livro) e Roberto de Oliveira Monte. Às Gerações Futuras Eu vos contemplo Da face oculta das coisas. Meus desejos são inconclusos, Minhas noites sem remorsos. Eu vos contemplo, Pelas grades insensíveis. Meu sonho, É uma grande rosa. Minha poesia, Luta. Eu vos contemplo, Da virtual extremidade. Minha vida (pela vossa). Meu amor, Vos liberta. Eu vos contemplo Da própria contingência. Mas minha força É imbatível Porque estais À espera. Eu vos contemplo Do fogo da batalha. Meus soldados Não se rendem. O outro dia Chegará. Eu vos contemplo Gerações futuras, Herdeiros da paz e do trabalho. As grades esmaecem Ante o meu contemplar. Emmanuel Bezerra dos Santos ================================================================================================ + PDF. Emmanuel Bezerra dos Santos Militante Politico assassinado pela ... www.dhnet.org.br/w3/emmanuel/index.htmlEm cache - Similares Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer DireitosHumanos. DENUNCIE. Emmanuel Bezerra dos Santos Militante político assassinado pela Ditadura Militar. Vídeo de Emmanuel Bezerra Emmanuel Vive ... ========================================================================================================= + Poemas recitados. Direitos Humanos DHnet - Emanoel Bezerra dos Santos - YouTube ? 7:10? 7:10 www.youtube.com/watch?v=GXgogrJAc0828 jul. 2008 - 7 min - Vídeo enviado por DHnetDH Video sobre Emmanuel Bezerra dos Santos, militante norte-riograndense assassinado pela ditadura ... ======================================================================================================= + Detalhes. Emmanuel Bezerra dos Santos assassinado pelo Cel de Infantaria Cúrcio Neto Jul 6, '08 9:48 AM para todos Início: Jul 6, '08 Emmanuel Bezerra dos Santos assassinado pelo Cel de Infantaria Cúrcio Neto (Codinome Doutor Fernando) ÀS GERAÇÕES FUTURAS Eu vos contemplo Da face oculta das coisas. Meus desejos são inconclusos, Minhas noites sem remorsos. Eu vos contemplo, Pelas grades insensíveis. Meu sonho, É uma grande rosa. Minha poesia, Luta. Eu vos contemplo, Da virtual extremidade. Minha vida (pela vossa). Meu amor, Vos liberta. Conheça Emmanuel Bezerra dos Santos Eu vos contemplo Da própria contingência. Mas minha força É imbatível Porque estais À espera. Eu vos contemplo Do fogo da batalha. Meus soldados Não se rendem. O outro dia Chegará. Eu vos contemplo Gerações futuras, Herdeiros da paz e do trabalho. As grades esmaecem Ante o meu contemplar. Emmanuel Bezerra dos Santos [Base Naval de Natal/1969] Rubens Lemos ___________________________________ Emmanuel Bezerra dos Santos Militantes políticos assassinado pela Ditadura Militar EMMANUEL BEZERRA: PALADINO E PARADIGMA DE LIBERDADE O velho Atheneu fervilhava de estudante naquele inicio de tarde de 1968. Fui chegando de baixo do som volumosos de gritos e palavras de ordem. A mais ouvida: "Abaixo a Ditadura". Eu fora convidado pelo estudante JOSÉ SILTON para dar uma palestra em torno da música popular brasileira. Do alto da escadaria, no saguão de entrada, lá estava ele: EMMANUEL BEZERRA. Com sua cara tipicamente interiorana, o líder da Casa do Estudante falava agitado. As palavras fluíam fáceis e convincentes. EMMANUEL esgrimia palavras como uma espada de fogo - num belo e comovente discurso contra o regime militar que sufocava as liberdades do povo. Chamava/conclamava os colegas para - ao lado do povo organizado - combater a insanidade repressora patrocinada pelos "donos do Brasil". Policiais (pouco disfarçados) faziam plantão, dentro e fora do Atheneu. Os olhos da Ditadura estavam voltados para aquele jovem nascido em Caiçara. Não haveria possibilidade de realização do debate para o qual haviam me convidado os secundaristas. A música era outra; A voz de EMMANUEL BEZERRA e, ele próprio, encarnando a resistência contra o arbítrio. Muitas vezes, mesmo que rapidamente, mantivemos contato. EMMANUEL sempre se mantinha íntegro. Coragem e determinação à flor da pele. Um dia, a repressão iniciou a caçada sistemática ao jovem líder. Ele, porém, já estava nos becos da clandestinidade. Transformara-se num guerrilheiro. EMMANUEL, O COMBATENTE. Em 1970, eu também procurado pela Ditadura, vi-me obrigado a correr mundo. Escondido no Rio de Janeiro, pude saber notícias de EMMANUEL: ele passara a ser um dos principais dirigentes do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Durante esse período, nunca cheguei a me encontrar com ele. De volta à penitenciária (Colônia Penal "João Chaves") - em Natal - RN, ainda completamente massacrado pelas torturas sofridas no DOI - CODI, em Recife - PE, eu sabia, apesar de tudo, que EMMANUEL BEZERRA fora assassinado, junto com Manoel Lisboa. A informação, obtida nos porões do DOI - CODI, era estarrecedora: EMMANUEL BEZERRA havia sido - poucos dias antes da minha chegada àquele organismo de terror - submetido às mais torpes formas de violência contra o ser humano. Todas elas comandadas, segundo a informação pelo então Coronel Cúrcio Neto, codinome Doutro Fernando. Alguns detalhes macabros: EMMANUEL BEZERRA, enfrentando o sadismo dos seus algozes, assumiu uma postura da mais alta dignidade: sabendo de tudo (ou quase tudo), não disse nada, fazendo relembrar a memorável figura de Jean Moulin, herói da Resistência Francesa, conforme André Malraux, em seu livro - documento 'Anti - Memórias". Ensandecidos, os torturadores (teria sido, segundo me disseram, o próprio "Doutro Fernando"), cortaram a pele de EMMANUEL à base de tesoura. Sem qualquer assistência ou acompanhamento médico, sobreveio a gangrena e, posteriormente, o "tiro de misericórdia" desfechado pelo Coronel Cúrcio Neto. O que faço, agora, é repassar o que me foi contado dentro do "círculo de ferro" do DOI - CODI, por fonte (preso político) que, não me parece, tenha estado sob qualquer suspeita da esquerda revolucionária. O fato: o que restou de EMMANUEL foi localizado em cemitério clandestino situado a quase 4 mil kms de Recife - PE. Em princípio me causou, no mínimo, estranheza. "Alguém terá mentido?" A reflexão foi necessária e responsável para o que, hoje, me parece óbvio, em termos de conclusão: EMMANUEL era dirigente de uma Organização com profundas raízes (políticos, sociais e ideológicas) Nordestinas. O grande aparato repressor não poderia facilitar e atuou de forma profissional: translada-se o corpo para uma região, literal e geograficamente distante e distinta (em termos de valores), e ter-se-á eliminado ou embaralhado pistas. Uma questão de segurança, de acordo com a ótica da "comunidade de informação e repressão" então vigente. Infra - estrutura eles sempre tiveram para atingir os objetivos desejados. Até hoje. De qualquer maneira, o que sabemos (e sentimos) é que EMMANUEL BEZERRA foi assassinado brutalmente por um SISTEMA cruel e desumano. EMMANUEL BEZERRA morreu como um paladino e paradigma da liberdade do povo brasileiro. Por isso - e para revolta embutida pelos seus assassinos - ele permanece vivo. Rubens Lemos - Jornalista e ex - preso político. Imagem: Amaro Luiz de Carvalho, Manoel Aleixo, Emanuel Bezerra e Manoel Lisboa, militantes do PCR assassinados pela ditadura militar em 1973 [Recebido por e-mail em 05.07.2008] Colaboração: Maurício Tupinambá ========================================================================================================== Partido Comunista Revolucionário Integrante da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (Unidade e Luta) Emmanuel Bezerra dos Santos (Flávio) Na praia de Caiçara, Município de São Bento do Norte (RN), dia 17 de junho de 1943, nasceu Emmanuel Bezerra dos Santos, filho do pescador Luís Elias dos Santos e Joana Elias Bezerra. Líder estudantil no Colégio Atheneu e na Fundação José Augusto, onde cursou Sociologia. Foi também presidente da Casa dos Estudantes de Natal, onde moravam os estudantes pobres do interior que iam tentar a continuidade dos estudos. Teve presença marcante não apenas pela militância política. Atuou na vanguarda dos movimentos culturais natalenses como poeta, crítico literário e organizador de grupos e associações. Herói do PCR Emmanuel organizou a bancada potiguar ao histórico congresso da UNE de 1968, em Ibiúna (SP). Nesse congresso, foi preso e teve seus direitos estudantis e políticos cassados com base no famigerado decreto nº 477, da Ditadura Militar, que proibia aos estudantes o exercício de atividades políticas nas escolas e universidades. A prisão de seis meses não enfraqueceu o jovem líder, que manteve elevados o ânimo e a certeza na mudança da sociedade. Tão elevados que, ao sair, ingressou no Partido Comunista Revolucionário - PCR. Dirigiu o comitê universitário, passou a atuar na clandestinidade em Pernambuco e Alagoas, e, em pouco tempo, integrou o Comitê Central, dada a sua "dedicação, honestidade, firmeza ideológica e aprofundamento dos conhecimentos teóricos". Unir os movimentos anti-imperialistas No início de agosto de 1973, o PCR enviou-o para Argentina e Chile, com a missão de contatar revolucionários brasileiros e organizações de esquerda latino-americanas, com o fim de construir um processo de unificação do movimento anti-imperialista no continente. Foi preso na fronteira, em meados de agosto, provavelmente pela Interpol e pela polícia brasileira (na época as polícias políticas sul-americanas agiam articuladamente através da Operação Condor (ver A Verdade n.º 7). Nas mãos do DOI-Codi, órgão da repressão política do Exército, padeceu violentas torturas, até ser morto. Não deu uma informação sequer. Coerente com o lema que defendia, "delação é traição", morreu como herói do povo para manter vivo o Partido. Farsa, cinismo e covardia Como costumavam fazer, os órgãos da repressão montaram uma farsa. Divulgaram nota publicada pela imprensa burguesa, dizendo que ele morrera num tiroteio com a polícia no momento em que se encontraria com Manoel Lisboa de Moura em São Paulo. Tudo mentira. Emmanuel encontrar-se-ia com Manoel Lisboa no Recife, no dia 15 de setembro, quando estaria chegando da Argentina. Porém, Manoel fora preso no dia 16 de agosto, tendo sido também barbaramente torturado e assassinado nos porões da repressão. A mentira, como de praxe, era confirmada pelo falso laudo elaborado pelo já desmascarado médico-legista Harry Shibata. A transferência do cadáver de Manoel Lisboa para São Paulo fez parte da montagem da farsa. Quando saiu a notícia plantada pela polícia política acerca do "tiroteio", no dia 04 de setembro, os corpos de ambos já estavam sepultados na vala comum do cemitério de Perus, em São Paulo. Isto é certo, tanto que dona Iracilda Lisboa, mãe de Manoel, foi a São Paulo no mesmo dia em que foi divulgada a notícia; lá, a polícia política mostrou-lhe duas covas em outro cemitério, dizendo já ter ocorrido o sepultamento. Só restou-lhe colocar duas coroas de flores, mesmo desconfiando não se tratar da sepultura do seu filho e do companheiro e amigo, Emmanuel, fato que veio a ser comprovado posteriormente com a descoberta da vala comum em Perus. O povo recuperou seu herói Os restos mortais de Emmanuel foram encontrados numa vala comum clandestina no cemitério de Perus (SP), junto com os de outros militantes de oposição "desaparecidos" durante o regime militar. Trasladado para o Rio Grande do Norte, recebeu merecidas homenagens: vigília cívica no auditório da Casa dos Estudantes de Natal e sepultamento em grande cerimônia cívica, na sua cidade natal, Caiçara, já emancipada do município de São Bento do Norte. Entre os inúmeros depoimentos apresentados na cerimônia, destacamos os seguintes trechos: "É este um momento de reencontro do Rio Grande do Norte com sua História. História de muitas gerações de revolucionários, desde a Comuna de Natal de 1935 até a saga dos trabalhadores rurais por terra para sobreviver." (Dermi Azevedo, jornalista). "Seus restos mortais nos trazem vida; seus ossos suplantaram mais de vinte anos de mentira. Eles pensaram que lhe tinham exterminado, no entanto a força de sua ideologia e de tantos outros que se foram exterminou a ditadura, e mais uma vez fica como exemplo". (Josivan Ribeiro do Monte, membro da comunidade de S. Bento do Norte) A melhor homenagem O editorial do jornal A Luta, órgão do Comitê Central do PCR, editado depois da morte dos seus três principais dirigentes: Manoel Lisboa de Moura, Manoel Aleixo e Emmanuel Bezerra, comentou: ". A melhor homenagem que poderemos lhes prestar é continuar o trabalho pelo qual deram suas vidas: desenvolver, até a vitória, o trabalho revolucionário que conduzirá o Brasil a ser livre da exploração estrangeira, à democracia, ao socialismo e, finalmente, ao mais belo sonho dos homens, o comunismo". Em sua edição de número 18, o editorial do jornal A Luta , órgão do Comitê Central do PCR homenageou Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra e Manoel Aleixo, como Heróis da Causa Revolucionária. Leia a seguir o trecho relativo a Emmanuel. Nascido em São Bento do Norte, Rio Grande do Norte, no dia 17 de junho de 1947, Emmanuel Bezerra dos Santos, filho de pais humildes, estudou em Natal, onde participou ativamente do movimento estudantil, principalmente em 1967-1968, quando foi eleito presidente da Casa do Estudante de Natal. Cursava sociologia quando foi cassado e preso, durante seis meses, por causa de sua participação à frente do movimento estudantil em Natal. Em 1968, ligou-se ao Partido Comunista Revolucionário. Compreendera que a miséria de seu povo, as injustiças e a ditadura fascista brasileira que as garantiam, só podiam ser exterminadas com a existência de uma vanguarda revolucionária que orientasse, organizasse, conscientizasse o povo para a revolução. Integrado ao partido após sua prisão, resolveu entrar na clandestinidade, dedicar todas as suas energias à revolução. Rapidamente, por sua dedicação, honestidade, firmeza ideológica e aprofundamento dos conhecimentos teóricos, chegou à condição de dirigente do PCR. Em 1970, passou a dirigir o trabalho do partido em Alagoas, demonstrando grande capacidade como organizador. No início de agosto de 1973, foi enviado ao Chile, como representante do PCR, para discutir com grupos revolucionários brasileiros. Possivelmente, foi preso na fronteira do Chile com a Argentina, pela polícia internacional, a pedido da polícia brasileira. Enviado ao Brasil em meados de agosto, foi torturado, da mesma forma que Manoel Lisboa de Moura, no mesmo, local, QG do IV Exército, e assassinado pelo Departamento de Ordem Interna (DOI), órgão das Forças Armadas semelhante ao Centro de Operações e Defesa Interna (Codi), sob a orientação do celerado Sérgio Paranhos Fleury. Emmanuel Bezerra foi assassinado friamente, submetido às mais bestiais torturas, por sua atuação revolucionária e, principalmente, por não trair o seu partido e sua organização. Diante dos carrascos, comportou-se como um herói, morreu sob tortura, para manter vivo o partido. ===================================================================================================== Ficha Emanuel Bezerra dos Santos Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Emanuel Bezerra dos Santos Cidade: (onde nasceu) São Bento do Norte Estado: (onde nasceu) RN País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 17/6/1943 Atividade: Estudante universitário Universidade Fundação José Augusto Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Revolucionário PCR Brasil Prisão: 16/8/1973 Recife PE Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 0/8/1973 São Paulo SP Brasil DOI-CODI/SP Segundo denúncia dos presos políticos. Clandestinidade Morto 4/9/1973 São Paulo SP Brasil Largo de Moema Segundo Relatório do Ministério da Aeronáutica morreu em tiroteio. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/PE DOPS/PE ou DEOPS/PE PE Brasil Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Luís Miranda , Sérgio Paranhos Fleury Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Armando Canger Rodrigues, Harry Shibata Biografia Documentos Artigo de jornal Terroristas morrem em tiroteio com agentes. Diário de Pernambuco, Recife, 5 set. 1973. Durante tiroteio entre agentes de órgãos de segurança e terroristas, morreram Manuel Lisboa e Emanuel Bezerra dos Santos, ambos pertencentes ao Partido Comunista Revolucionário (PCR). Documento pouco legível. Artigo de jornal Tribuna, Natal, 14 fev. 1992. "Será enterrado estudante morto pela ditadura", "Confirmação", "Erundina vem". Os restos mortais de Emanuel, que serão transladados de São Paulo para Natal em março, estão sendo esperados pelo Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Natal, Casa do Estudante "Emanuel Bezerra", amigos e familiares. A prefeita de São Paulo e membros da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, acompanharão o translado dos restos mortais do líder estudantil encontrados no Cemitério de Perus. A prefeita de São Paulo, Luíza Erundina, vem a Natal acompanhar o translado dos restos mortais de Emanuel Bezerra, líder estudantil vítima da repressão política. Esta confirmado pela prefeitura do município de São Paulo o translado dos restos mortais de Emanuel Bezerra para 25/03/92, às custas desta prefeitura. Artigo de jornal Chegam restos mortais de Emmanuel Bezerra. Tribuna, Natal, 14 jul. 1992. A chegada dos restos mortais de Emanuel em Natal iniciou uma série de eventos em sua homenagem. Com participação de estudantes, sindicatos, integrantes de movimentos pelo direitos humanos e políticos, os eventos na Casa do Estudante tiveram como eixo temático a luta, a morte e o resgate do corpo de Emanuel. Inaugurando as homenagens, Maria Amélia Teles, representante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, afirmou que o estado do Rio Grande do Norte estava dando exemplo de democracia ao resto de país com uma recepção tão calorosa como aquela e ressaltou o aspecto fundamental dos trabalhos da Comissão pela busca da verdade sobre as violências praticadas pela ditadura militar. Após estas homenagens em Natal, os restos mortais de Emanuel foram transladados para São Bento do Norte, cidade natal de Emanuel. Artigo de jornal Emmanuel é sepultado em meio à comoção do povo. Diário de Natal, Natal, 15 jul. 1992. O cortejo e o enterro dos restos mortais de Emmanuel parou a cidade de São Bento do Norte, RN, região do Mato Grande. Boa parte da população da cidade se concentrou na entrada da cidade, por onde os restos mortais chegaram em cortejo vindo de Natal. Artigo de jornal Muita gente no enterro de Emmanuel. Diário de Natal, Natal, 15 jul. 1992. Os restos mortais de Emmanuel foram enterrados em São Bento do Norte, RN. Dado como desaparecido, seus restos mortais foram identificados após serem encontrados em cemitério de São Paulo. Artigo de jornal Erundina traz restos mortais de Emmanuel. Tribuna do Norte, Natal, 12 jul. 1992. Os restos mortais de Emanuel chegam de São Paulo aguardados por entidades políticas, estudantis e sindicais. Estão programados vários eventos em homenagem a Emanuel. Artigo de jornal Restos mortais de Emmanuel vão chegar amanhã com Luíza Erundina. Tribuna do Norte, Natal, 12 jul. 1992. A chegada dos restos mortais de Emanuel em Natal é aguardada, juntamente com a presença da prefeita de São Paulo, Luzia Erundina, por entidades estudantis, sindicais e políticas. Foi programada uma série de eventos em sua homenagem na Casa do Estudante. Após estas homenagens em Natal, os restos mortais de Emanuel serão transladados para São Bento do Norte, RN, cidade natal de Emanuel. Artigo de jornal O Poti, Natal, 12 jul. 1992. "Repressão disse que foi "tiroteio", "Erundina chega com os restos mortais do líder estudantil". Segundo a divulgação dos órgãos de segurança, a morte de Emanuel ocorreu em um tiroteio com a polícia de São Paulo. No Dossiê dos mortos e desaparecidos do Comitê Brasileiro pela Anistia, secção do Rio Grande do Sul de 1984, esta versão dos órgãos de repressão é derrubada. Segundo este documento, Emanuel morreu sob tortura no DOI-CODI de São Paulo, onde foi mutilado. Seus restos mortais foram encontrados no cemitério de Campo Grande. A prefeita de São Paulo, Luíza Erundina, chega a Natal em 13/07/92 com os restos mortais de Emanuel Bezerra, ex-militante do Partido Comunista Revolucionário, morto pela repressão em São Paulo e dado como desaparecido desde 1973. Após o desembarque, vários eventos estão programados para ocorrer na Casa do Estudante, onde o corpo de Emanuel será velado. Na terça feira, dia 14, o corpo será transladado para Caiçara, no município de São Bento do Norte, onde será sepultado. Artigo de jornal Chegam restos mortais do estudante Emmanuel. Diário de Natal, Natal, 14 jul. 1992. Descreve a emoção que marcou a chegada dos restos mortais de Emmanuel a Natal. Artigo de jornal Lágrimas marcam chegada dos restos de Emmanuel Bezerra. Diário de Natal, Natal, 14 jul. 1992. A emocionada chegada dos restos mortais de Emanuel a Natal iniciou uma série de eventos em sua homenagem. A Prefeita de São Paulo, Luíza Erundina, não pôde vir. Em seu lugar veio Maria Amélia Teles, da Prefeitura de São Paulo. Com participação de estudantes, sindicatos, integrantes de movimentos pelo direitos humanos e políticos, os eventos na Casa do Estudante tiveram como eixo temático a luta, a morte e o resgate do corpo de Emanuel. Francisco Bezerra Santos, irmão de Emanuel, emocionado, anuncia que a família vai procurar advogados para ser indenizada. Entidades de direitos humanos dizem possuir registros de 340 pessoas desaparecidas durante a ditadura. Segundo Maria Amélia Teles, coordenadora da Comissão de Investigação das ossadas encontradas em Perus, desde que a comissão foi formada foram resgatados restos mortais de seis presos políticos. A identificação de Emanuel só foi possível após os trabalhos de especialistas da UNICAMP. Edval Cajá, sociólogo e ex-companheiro de Emanuel na clandestinidade, se emocionou e defendeu a idéia de uma mobilização da justiça brasileira no sentido de se exigir do Estado indenização para os familiares. Artigo de jornal Ossadas de Emanuel virão em 92. Tribuna, Natal, 21 nov. 1991. Está sendo realizada a exumação por peritos da UNICAMP dos restos mortais de Emanuel Bezerra. Ex-estudante de Sociologia, Emanuel foi líder estudantil em 1968, preso por atividades políticas em 1969 pela Polícia Militar e entregue à Marinha. Na base Naval de Natal sofreu torturas e foi processado e condenado pela Auditoria Militar do Recife. Solto no final de 1969, foi para a clandestinidade e atuou no comando político do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Artigo de jornal Artigo sem título do arquivo do DOPS, publicado pelo Diário da Noite, em 08/12/73. Os órgãos de segurança informaram o desbaratamento do Partido Comunista Revolucionário (PCR), conhecido por agregar elementos de alta periculosidade em Recife. O Comitê do Partido localizava-se em Recife desde 1966 e atuava clandestinamente nas principais regiões do Nordeste, sendo necessários mais de 5 meses para a polícia localizar este "aparelho". Durante a operação o chefe da organização conseguiu fugir, queimando documentos, mas sendo preso mais tarde. Em Recife foram desbaratados ainda mais dois "aparelhos". Dos principais chefes da organização morreram três na capital de São Paulo e um no interior de Pernambuco. Os dois de São Paulo, Emanuel Bezerra e Manuel Lisboa de Moura, eram encarregados de formar uma frente única com elementos dissidentes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e o chefe da organização morto no interior de Pernambuco, Manoel Aleixo da Silva, realizava trabalhos de aliciamento, agitação rural e guerrilha rural. Artigo de jornal Artigo sem fonte e data intitulado "Ossada de militante morto na Revolução é enterrada" (provavelmente de 1992). A ossada de Helber somente pôde ser enterrada pelos familiares e amigos 19 anos após sua morte. Morto sob tortura no DOI-CODI/SP, em 1973, Helber teve seus restos mortais localizados em uma vala clandestina no Cemitério de Perus, na mesma época em que os restos mortais de Emmanuel Bezerra dos Santos e Frederico Eduardo Mayr foram também localizados. A ossada encontrada foi identificada pela equipe da UNICAMP. O cortejo da chegada dos restos mortais do Aeroporto da Pampulha até a Praça Sete foi acompanhado por familiares, amigos, políticos e representantes de várias organizações de Direitos Humanos que se manifestaram contra os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura. A família enterrou os restos mortais de Helber em Mariana. O artigo informa que os restos de Helber foram encontrados no mesmo cemitério que Emmanuel e Frederico. De fato, os restos mortais de Emmanuel foram localizados no Cemitério do Campo Grande e os de Helber e Frederico no Cemitério de Perus. Artigo de jornal Terroristas morrem em tiroteio com agentes. Diário de Pernambuco, Recife, 5 set. 1973. p. 10. Relata que, em 04/09/73, o "terrorista" Manoel Lisboa de Moura, preso, estava indo para um encontro com Emanuel Bezerra dos Santos. Este, quando percebeu a presença da polícia, iniciou tiroteio que levou os dois à morte. Emanuel acabara de voltar do exterior onde teria convidado Carlos Zaratini a voltar ao Brasil para melhor dirigir a organização "terrorista" Ação Libertadora Nacional (ALN), mas ele não aceitou. Fala ainda que Manoel e Emanuel participaram de várias atividades terroristas, como seqüestro e panfletagens. Foto Foto de rosto ampliada. Foto Fotos de rosto ampliadas. Foto Foto de rosto do cadáver, encontrada no DOPS/SP. Relatório Documento da UNICAMP de 1992 com laudo de identificação das ossadas de Emanuel. Com histórico da morte, descrição dos procedimentos para a exumação, os dados fornecidos pelos familiares, os dados retirados do laudo necroscópico, estudos comparativos dos dados fornecidos pelos familiares com as ossadas e fotografias de todo o processo de retirada da ossada do cemitério e o exame para a identificação. Relatório Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social de São Paulo, de 03/12/73. Informa que em 04/09/73, ao receberem voz de prisão, Emanuel Bezerra dos Santos e Manoel Lisboa de Moura iniciaram tiroteio que culminou com a morte de ambos. Consta que eram elementos de alta periculosidade por terem participado do atentado ao General Costa e Silva em 1966 onde morreu uma autoridade e várias outras foram feridas. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Parte de relatório confidencial do II Exército sobre Manoel Lisboa de Moura e Emanuel Bezerra dos Santos, mortos em tiroteio. Relata que, ao receberem voz de prisão, ambos reagiram iniciando tiroteio que culminou com a morte de ambos. Consta que Bezerra teria voltado do exterior onde fora convidar Ricardo Zaratini Filho para voltar ao Brasil a fim de melhor dirigir a Ação Libertadora Nacional (ALN). Manoel e Emanuel são acusados de panfletagens, assaltos e do atentado ao General Costa e Silva em 1966. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Folheto Documento, sem data, elaborado pela Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos com dados biográficos e sobre a morte de Emanuel. Folheto Emmanuel vida & morte. Documento de 48 páginas com depoimentos de diversos autores sobre a vida e morte da vítima e fotos. Prontuário/ Dossiê Dossiê elaborado pelo Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, com vários artigos de jornais, folhetos de eventos e homenagens referentes à morte, ao processo de identificação e ao enterro dos restos mortais de Emmanuel Bezerra. Ficha pessoal Documento da UNICAMP com dados fornecidos por familiares para antropologia forense. Ficha pessoal Documento do IML/SP, sem data, com dados sobre o óbito. Documento pessoal Conjunto de documentos do Colégio Estadual do Ateneu Norte-Riograndense de Natal/RN: Inscrição para exame de admissão ao 1º ginasial; matricula da 2ª série ginasial; certificado de aprovação em exames de admissão à 1ª série ginasial; boletim escolar da 4ª série ginasial; matrícula na 1ª série ginasial; matrícula na 3ª série ginasial; matrícula na 3ª série do curso clássico; pasta individual com matrículas, boletins e históricos escolar em diversos anos. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 18/09/73, realizado por Harry Shibata e Armando Canger Rodrigues. Possui carimbo do arquivo do DOPS. Certidão de óbito Duas certidões emitidas pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América, em São Paulo, SP, de 18/09/73 e de 07/07/92. Indica atestado de óbito assinado por Harry Shibata. A mais recente indica, erroneamente, morte em 04/08/73. Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML, solicitada pelo DOPS, em 04/09/73. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada "terrorista". Indica morte em tiroteio com agentes de órgãos de segurança nacional. Ofício Documento da Polícia Civil de 02/07/92 para Prefeitura de São Paulo autorizando o translado dos restos mortais de Emanuel. Ofício Documento para a Delegacia de Segurança de Pernambuco de 04/09/73. Informa que no bairro de Moema, em São Paulo, SP, a Polícia Federal prendeu Emanuel Bezerra dos Santos e Manuel Lisboa de Moura, principais culpados pelo atentado ao General Costa e Silva ocorrido em 1966. Ofício Telex de Roberto Lisboa para o governador de Pernambuco, sem data, informando a prisão de Emanuel Bezerra e Manuel Lisboa, que seriam os principais acusados por um atentado ocorrido em 1966 visando o General Costa e Silva. Documento incompleto e pouco legível. Ofício Solicitação de Luiz Elias, de 07/07/92, para a Prefeitura de São Paulo para que seja feito o translado dos restos mortais de Emanuel, do Cemitério Campo Grande, em São Paulo, SP, para o Cemitério Municipal de São Bento do Norte, RN. Produção artística Poesia "Às gerações futuras", de Emanuel Bezerra. Atestado de óbito Declaração de óbito do IML/SP, de 04/09/73, assinada por Harry Shibata. Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111120/69720e88/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Trouble clicking? Copy and paste this URL into your browser: http://noschansons.wordpress.com/2011/11/17/chico-buarque-opera-do-malandro-1-1979/ Thanks for flying with WordPress.com New post on blues, jazz, mpb e etc. Chico Buarque - Ópera do Malandro 2 (1979) by Antonio Ozaí da Silva Chico Buarque - Ópera do Malandro 2 (1979) download Antonio Ozaí da Silva | 18/11/2011 at 14:58 | Categories: Chico Buarque | URL: http://wp.me/p1gGoZ-Jm Comentário See all comments Unsubscribe or change your email settings at Manage Subscriptions. Trouble clicking? Copy and paste this URL into your browser: http://noschansons.wordpress.com/2011/11/18/chico-buarque-opera-do-malandro-2-1979/ Thanks for flying with WordPress.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111120/4c56489a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111120/4c56489a/attachment-0011.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 21 20:27:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Nov 2011 20:27:35 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__SIDNEY_FIX_MARQUES_DOS_SANTOS________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CCCII-?= Message-ID: <80C48D35908D4E8CB27934F56A88DD52@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem SIDNEY FIX MARQUES DOS SANTOS Dirigente do PARTIDO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO TROTSKISTA (PORT). Nasceu em 20 de janeiro de 1940, em São Paulo. Desaparecido desde 1976, na Argentina, aos 36 anos. Abandonou o Curso de Geologia da Universidade de São Paulo para se dedicar à militância política, sendo o editor responsável pelo jornal "Frente Operária", órgão do PORT (Partido Operário Revolucionário Trotskista). Entrou na clandestinidade desde o golpe militar de 1964 e, em 1972, exilou-se na Argentina, onde trabalhava como programador da IBM. Seqüestrado em Buenos Aires, às 21:30 h do dia 15 de fevereiro de 1976, quando agentes da Superintendência de Segurança Federal invadiram sua casa. Desde então está desaparecido. Quando de seu desaparecimento, a família realizou vários esforços junto aos governos argentino e brasileiro, à Organização dos Estados Americanos, Organização das Nações Unidas e até ao Congresso Americano, sem qualquer resultado. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "... teve sua casa invadida por Agentes da Superintendência de Segurança Federal na Argentina (DOU n° 60 de 29/03/81 - DOU/SP)". Conforme depoimento de sua irmã, Leda Marques dos Santos, no dia 12 de maio de 1992, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo à Comissão de Representação Externa para o esclarecimento dos mortos e desaparecidos políticos da Câmara Federal, não foi localizado seu corpo, nem foi fornecido atestado de óbito pelo governo argentino. ================================================================================================== Brasileiros desaparecidos em outros países Na década de 1970, um número desconhecido de brasileiros morreu ou desapareceu em países vizinhos no contexto de ações repressivas de outros Estados, vários deles tendo sido vitimados pela Operação Condor. Teriam sido pelo menos 13, conforme registra o livro Dossiê Ditadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1986, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. São eles: Francisco Tenório Junior (Argentina); Jane Vanini (Chile); Luis Carlos Almeida (Chile); Luiz Renato do Lago Faria (Argentina); Luiz Renato Pires de Almeida (Bolívia); Maria Regina Marcondes Pinto (Argentina); Nelson de Souza Kohl (Chile); Roberto Roscardo Rodrigues (Argentina); Sidney Fix Marques dos Santos (Argentina); Tulio Roberto Cardoso Quintiliano (Chile); Walter Kenneth Neslon Fleury (Argentina); Wânio José de Matos (Chile). =============================================================================================== PDFs NILSON CEZAR MARIANO MONTONEROS NO BRASIL Terrorismo ... tede.pucrs.br/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=308 Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML Sidney Fix Marques dos Santos: desapareceu na noite de 15 de fevereiro de 1976, em Buenos Aires. Natural de São Paulo, tinha 36 anos e um filho, era do ... Idéias políticas e organização partidária do POR (1952-1964) segall.ifch.unicamp.br/publicacoes_ael/index.php/cadernos.../28 - Bloquear todos os resultados de segall.ifch.unicamp.br Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de P Neto - 2010 No Rio de Janeiro, a atividade era dirigida por Sidney Fix. Marques dos Santos nas seguintes frentes de trabalho: movimento estudantil em Niterói e São ... ========================================================================================== FICHA Sidney Fix Marques dos Santos Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Sidney Fix Marques dos Santos Cidade: (onde nasceu) São Paulo Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 20/1/1940 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade de São Paulo USP Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Operário Revolucionário Trotskista PORT Brasil Nome falso: (Codinome) Eduardo Morto ou Desaparecido: Desaparecido 15/2/1976 Buenos Aires Argentina Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Superintendência de Segurança Nacional Argentina Biografia Documentos Foto Foto de rosto. Relatório Documentos do DOPS/SP, de 05/03/73, 07/03/73 e 04/06/75. Discorre sobre as atividades de Sérgio, que foi diretor do jornal "Frente Operária", integrante da "Frente de Mobilização Popular" e do Partido Operário Revolucionário Trotskista (PORT) e teve várias vezes sua prisão preventiva decretada. Foi publicado na imprensa que o mesmo foi seqüestrado por agentes de segurança na cidade de Buenos Aires, em 1976. O último documento citado possui os códigos da pasta de onde foi retirada a informação, após cada parágrafo. Ficha pessoal Documento do II Exército, (sem data). Apresenta alguns dados pessoais de Sidney e cita que o mesmo era redator e proprietário do jornal "Frente Operária" e que pertencia ao Partido Operário Revolucionário Trotskista (PORT). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111121/db29cb24/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18337 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111121/db29cb24/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 21 20:27:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Nov 2011 20:27:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Tratamento_pelo_Vinagre__________?= =?iso-8859-1?q?________________________________________________HOJ?= =?iso-8859-1?q?E_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA?= =?iso-8859-1?q?=C7=C3O!?= Message-ID: <409A01EF25E04965BEF5F0306FCC4D75@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Repassando... Os efeitos benéficos do vinagre no organismo ANEMIA Doença causada por hemorragia, agentes químicos ou carência vitamínica ela pode ser perigosa porque predispõe a outras enfermidades. Para combatê-la o organismo necessita de ferro, vitamina B-12 além de uma extensa lista de elementos nutritivos. O vinagre de maçã contém grande parte desses elementos, portanto utilize-o, prontamente, nas saladas e nas refeições em geral, se pretende combater a anemia. ARTRITE Ocorre quando as articulações inflamam devido à infecção bacteriana ou traumática. Para amenizar as dores causadas por esta doença e tratá-la faça o seguinte: misture uma colher (café) de mel e uma colher (café) de vinagre de maçã em um copo com água. Beba a mistura pela manhã e à noite. Outro método que consideram eficaz é beber um copo com água antes das principais refeições, contendo 2 colheres (café) de vinagre. ASMA Pode ser aliviada combinando-se os benefícios da acupressão com o vinagre de maçã. Aplique gaze umedecida com vinagre no lado interno dos pulsos, prendendo-as com a ajuda de um elástico. CABELOS Ficam mais macios, abundantes e vistosos, se aplicar neles, depois de lavados e enxaguados, uma mistura de água e vinagre. Meça dois copos de água morna, misture uma colher (chá) de vinagre e despeje sobre os cabelos ainda húmidos. CÃIBRAS Tomar, durante as refeições, um copo de água misturado com uma colher (sobremesa) de vinagre de maçã, diariamente, combate as cãibras noturnas. Outro bom remédio para evitá-las é fazer uma mistura com 1 colher (café) de mel, 1 colher (café) de vinagre de maçã e 1 colher (sopa) de lactado de cálcio em 1/2 copo de água. Beba essa mistura uma vez ao dia. CALOS Aplique compressas de vinagre de maçã, utilizando para isso meia fatia de pão dormido embebido em vinagre. Faça isso toda noite antes de dormir até que os calos desapareçam por completo. CASPA Após lavar a cabeça normalmente, enxágüe os cabelos com uma água contendo 1/2 copo de vinagre de maçã misturado com três copos de água morna. Esse tratamento além de combater a caspa, revigora os cabelos escuros e dá brilho aos cabelos claros. CATARATA O desenvolvimento da catarata está associado à oxidação do cristalino. Isto ocorre quando os radicais livres alteram a sua estrutura. Entretanto, o betacaroteno encontrado, principalmente na cenoura, mas também em outros alimentos como a maçã e o vinagre desta fruta, podem prevenir a catarata, isto porque o betacaroteno é um poderoso antioxidante que diminui os riscos de desenvolvimento da doença. Logo, para prevenir-se da catarata consuma, demasiadamente, alimentos que contenham betacaroteno, sem esquecer de ingerir doses diárias do vinagre de maçã. COCEIRA NA PELE Podem ser aliviadas se passar na pele um chumaço de algodão umedecido com vinagre de maçã. COCEIRA NOS OLHOS Você pode aliviá-las passando no local um chumaço de algodão embebido em vinagre de maçã. O vinagre deve ser diluído na proporção de 1 volume de vinagre para 4 volumes de água. COLESTEROL O vinagre contém uma fibra, a pectina, que percorre lenta e suavemente o organismo se aglutinando ao colesterol. Ao percorrer o organismo rumo à saída, a pectina leva consigo o colesterol. Eliminando o alto nível de colesterol, se reduz os riscos de problemas cardiovasculares, como ataques cardíacos e apoplexia. CRAVOS E ESPINHAS À noite, quando for deitar-se, passe no rosto uma pomada feita com morangos e vinagre de maçã. A pasta deve ser preparada com três morangos e 1/4 de copo de vinagre de maçã, amasse bem e deixe a mistura descansar por duas horas. Aplique esta pomada sobre o rosto e durma com ela, retirando-a, pela manhã, lavando normalmente o rosto. Faça o tratamento três vezes por semana e, em breve, se livrará das espinhas e cravos. Este tratamento também conserva a pele macia e saudável, retardando o envelhecimento. DIGESTÃO DIFÍCIL O vinagre de maçã contém substâncias bastantes semelhantes às que são naturalmente secretadas pelo estômago para digerir os alimentos, por isso ele leva a fama de facilitador digestivo. Ao passo que auxilia na digestão é óbvio que ocorre uma melhora geral do metabolismo. Para combater a má digestão beba, no meio das refeições, 3 colheres (chá) de vinagre de maçã em um copo com água. DOR DE GARGANTA Misture 1/4 de copo de mel e 1/4 de copo de vinagre de maçã e beba 1 colher (sopa) a cada 2 horas. Faça gargarejos com uma mistura de um copo de água morna e uma colher (sopa) de vinagre. DOR DE CABEÇA Coloque um pouco de vinagre de maçã na água de um inalador. Inale essa mistura durante 5 minutos, em seguida deite-se e a dor de cabeça vai desaparecendo aos poucos; ou enrole um pano umedecido com vinagre de maçã em volta da cabeça como se fosse um turbante. DOR NO ESTÔMAGO Beba, aos poucos, um copo de água morna contendo 1. colher (sopa) de mel e 1 colher (sopa) de vinagre de maçã. Este procedimento além de amenizar as dores de estômago, também combate a flatulência. ESQUECIMENTO Acredita-se que quem bebe, regularmente, pequenas doses de vinagre goza de urna mente viva por muito mais tempo. FLATULÊNCIA (GASES) Acredita-se que não há nada que cause mais flatulência que os grãos das leguminosas, portanto sempre que for cozinhar feijão e outras leguminosas, coloque na panela do cozimento um pouco de vinagre. Isso é o bastante para deixar os grãos macios e fáceis de serem digeridos. FERIMENTOS Desde os tempos bíblicos o vinagre era utilizado para tratar os ferimentos infecciosos. Durante a guerra civil, nos Estados unidos, ele foi reguiarmente usado, pois como agente bactericida e antibiótico contribuía para desinfeccionar os ferimentos, evitando infecções mais graves e livrando da morte vários soldados. Portanto, em ferimentos infecciosos, com pus, vale a pena aplicar o vinagre de maçã e conferir os resultados. HEMORRAGIA O vinagre de maçã também tem o poder de restabelecer o fluxo sangüíneo. Portanto, em caso de menstruação excessiva ou quaisquer outros tipos de hemorragia, beba 2 colheres (chá) de vinagre de maçã em um copo com água, de duas a três vezes ao dia. O vinagre de maçã além de restabelecer o fluxo normal, contribui para a formação de glóbulos vermelhos. HIPERTENSÃO ARTERIAL (Pressão Alta) Para tratá-la é indicado o uso do potássio. O vinagre de maçã, assim como a banana e a beringela, é rico em potássio, devendo, portanto, ser utilizado no combate à doença. Para combater esta doença deve-se tomar de 1 a 3 colheres (chá) de vinagre de maçã em um copo com água. Beba como remédio no meio das refeições até obter resultado. INTOXICAÇÕES Por ser um excelente anti-séptico, os nutricionistas e médicos em geral sugerem que se empregue regularmente o vinagre na alimentação, evitando assim os riscos de intoxicações alimentares e infecções causadas por bactérias ou parasitas que tenham se fixado nos alimentos. Para evitá-los, recomenda-se que as frutas, legumes e verduras, em especial as que serão ingeridas cruas, que fiquem de molho em água e vinagre por 15 minutos. A mistura deve conter 1 parte de vinagre para 6 partes de água. MAL DE ALZHEIMER Caracterizada como doença pré-senil é a pior das doenças mentais associadas à velhice. É causada pela carência de cálcio e de substâncias como a tiamina e a niacina aliadas à carência de B-12. Um tratamento à base de vitamina B-12 e vinagre se revelaram benéficos, em pesquisas, restabelecendo a grande maioria dos pacientes. MAL ESTAR Coloque sobre seu estômago um pano embebido em vinagre de maçã morno, quando o pano esfriar troque-o novamente por um outro morno. Isto alivia o mal estar e ainda afasta as náuseas e vômitos. MANCHAS SENIS As manchas que aparecem pelo como, comum na velhice, podem desaparecer com um tratamento à base de cebola e vinagre de maçã. Para isso, misture 1 colher (café) de suco de cebola e 2 colheres (café) de vinagre de maçã e, com um chumaço de algodão ou um pedaço de pano, passe a mistura sobre as manchas. Faça o tratamento diariamente e, em algumas semanas, as manchas desaparecerão. MELHORA O METABOLISMO Porque atua como um aliado do organismo, combatendo quaisquer viroses ou bactérias que, por ventura, tenham driblado as células de defesa. Sendo assim você fica por mais tempo sem ter resfriado, gripe, enfim, os beneficios provocam uma melhora geral no organismo. MÚSCULOS CANSADOS Não há nada melhor para acalmar os músculos fatigados ou distendidos que envolvê-los em tecido embebido em vinagre de maçã. Mantenha a compressa por 3 a 5 minutos no local ou durante o tempo que achar necessário. OBESIDADE Beba, antes das principais refeições, um copo de água morna com um colher (café) de vinagre de maçã. Aos poucos seu apetite passará a ser moderado, diminuindo a gordura excessiva. ODORES NAS AXILIAS Para livrar-se do cheiro desagradável, passe um tecido embebido em vinagre de maçã nas axilas. Use como se fosse um desodorante, após o banho, e em pouco tempo estará livre dos odores. OSTEOPOROSE Doença caracterizada por perda óssea, a osteoporose, torna os ossos porosos e frágeis fazendo com que se fraturem com facilidade. A enfermidade é grave levando o paciente a sofrer com dor, deformidade e outras moléstias decorrentes da doença. Também é uma doença causada pela carência vitamínica, nasce principalmente da aversão à lactose e de seus derivados ricos em cálcio. Para prevenir esta doença deve-se ingerir grandes quantidades de alimentos ricos em cálcio, como o leite e seus derivados, além de muita verdura e doses maciças de vinagre de maçã, devido ao seu teor significativo de cálcio. PERDA DE MEMÓRIA Causada, em grande parte, pelo mau hábito alimentar; em especial pela ingestão de álcool, a perda da de memória é mais comum, em pessoas de longa idade. As carências nutricionais são o grande problema dos idosos que têm suas taxas de vitaminas e minerais abaixo do normal, contribuindo para a perda das capacidades mentais. Somente o vinagre de maçã proporciona a essas pessoas o equilíbrio orgânico entre aminoácidos, vitaminas e minerais, essenciais ao cérebro e ao corpo revertendo o quadro da doença. PÉS CANSADOS Basta caminhar por 5 minutos em uma banheira com água e meio copo de vinagre de maçã. A água deve encher a banheira até a altura dos tornozelos. Caminhe 5 minutos antes de deitar e 5 minutos ao levantar-se. PICADAS DE INSETO Deve-se aplicar, imediatamente, o vinagre de maçã sobre as picadas. Elas serão aliviadas e desinfectadas. PÉ-DE-ATLETA Se você tem pé-de-atleta ou se sofre com coceira e descamação dos pés, então deixe suas meias de molho, por meia hora, em água com vinagre, na proporção de um volume de vinagre para 5 de água. PROBLEMAS DE OUVIDO Método antigo utilizado por nossas avós para impedir infecções nos ouvidos, agora é recomendado por autoridades médicas. A Academia Americana de Otorrinolaringologia sugere que se empregue uma mistura de vinagre com álcool para impedir o desenvolvimento daquilo que chamamos de ouvido de nadador. Um volume de vinagre misturado a igual volume de água fervida serve para enxaguar os ouvidos durante o banho, prevenindo-os de futuras infecções e coceiras. PROBLEMAS DE PELE Proteger a pele - acredita-se que o vinagre de maçã misturado ao azeite de oliva a 50%, protege contra os danos que os raios solares provocam na pele. Além disso é capaz de evitar a insolação e as rachaduras na pele. PROBLEMAS URINARIOS Para prevenir os riscos de infecção nos rins ou bexiga, tome, diariamente, uma pequena dose de vinagre de maçã ele mantém a acidez necessária nas vias urinárias, diminuindo assim os riscos de infecção. QUEIMADURAS ALCALINAS No passado queimaduras alcalinas leves eram tratadas com vinagre de maçã aspergido sobre o local afetado. Até os dias de hoje, o vinagre tem sido de grande utilidade para neutralizar as queimaduras alcalinas. QUEIMADURAS DE MEDUSA Não se deve ignorar as queimaduras de medusa. Na Austrália um jornal médico recomenda que se jogue imediatamente vinagre sobre a queimadura, considerando isto como etapa essencial de primeiros socorros no tratamento das vítimas de medusas. Em Massachusets, um Colégio de Farmácia e Ciências médicas aprovou e ratificou o método, abordando que se não houver cuidados imediatos, o veneno da medusa no organismo pode provocar náuseas, dores de cabeça, calafrios, colapso do sistema cardiovascular e até morte. Somente o vinagre pode neutralizar o veneno sendo aplicado no local imediatamente. RETARDA O ENVELHECIMENTO Acredite que o uso prolongado e diário do vinagre, por representar uma melhora geral no metabolismo, pode prevenir contra o envelhecimento precoce, causado por diversos fatores, dentre os quais, correspondentes ao organismo debilitado. REUMATISMO O reumatismo, assim como as cãibras e a artrite, é caracterizado também pela falta de potássio. O vinagre de maçã por conter potássio pode aliviar as dores do reumatismo, se for ingerido diariamente. SOLUÇOS Beba lentamente um copo de água morna contendo uma colher de café de vinagre de maçã. TOSSE NOTURNA Umedeça a fronha do travesseiro em que irá dormir com vinagre de maçã. TUMORES Os tumores e feridas purulentas da pele podem melhorar se for aplicada uma bandagem embebida em vinagre de maçã. ÚLCERAS Estudos publicados em um jornal de Farmacologia Japonesa indicam que o vinagre pode prevenir a úlcera gástrica causada pelo consumo excessivo de álcool, isto porque o vinagre força o estômago a secretar mais suco gástrico. Esta defesa natural parece proteger o estômago contra os efeitos nocivos do álcool. VARICOCELE O vinagre é indicado para tratar quaisquer tipos de veias varicosas (varizes). Na Escócia é antigo o costume de tratar varizes com vinagre de maçã. O vinagre deve ser aplicado, pela manhã e à noite, por toda a extensão das veias varicosas pelo período de um mês. Não esquecendo de ajudar o tratamento externo, ingerindo diariamente de 2 a 3 copos com água contendo cada um 2 colheres (chá) de vinagre de maçã. Esse tratamento é útil para tratar a doença que, em determinados casos, necessita de uma intervenção cirúrgica. VARIZES Enrole ao redor das pernas e sobre as varizes, um pano umedecido com o vinagre de maçã. Mantenha as pernas erguidas com a compressa, por pelo menos 1 hora. Faça isso pela manhã e à noite e ao final de 6 semanas sentirá um alivio impressionante. http://www.chez-petitemimine.fr/ __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111121/995791dc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 57925 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111121/995791dc/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 22 18:38:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Nov 2011 18:38:02 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__NELSON_DE_SOUZA_KOHL_________________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CCCIII-?= Message-ID: <9346B788C1BF4632A3CCA167C844194B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem NELSON DE SOUZA KOHL Militante do PARTIDO OPERÁRIO COMUNISTA (POC). Nasceu em 25 de janeiro de 1940, em Marília, São Paulo, filho de Francisco Kohl e Rita de Souza Kohl. Fez seus primeiros estudos no Colégio Canadá, na cidade de Santos, SP. Mudou-se para São Paulo, entrando na Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo, onde cursou até o 2° ano. Teve ativa participação nas manifestações estudantis realizadas na Universidade e nas passeatas de rua. Sua militância no Partido Operário Comunista tornou-o perseguido pelos órgãos da repressão. Sem alternativas, Nelson exilou-se na Argentina, onde ficou até novembro de 1972. Mudou-se então para o Chile, indo viver em Santiago, trabalhando no Instituto de Estudos Económicos y Sociales. Nesta mesma época, a 1ª Auditoria do Exército, em São Paulo, julgou-o à revelia, condenando-o a 2 anos de prisão. Foi seqüestrado pela Força Aérea chilena em 15 de setembro de 1973, desaparecendo a partir de então. A Comissão de Representação Externa da Câmara Federal para esclarecer os casos dos Mortos e Desaparecidos Políticos, encontrou no Chile o seu atestado de óbito e, segundo o mesmo, ele teria sido morto em confronto com a polícia, dois dias depois de sua prisão. Este atestado foi assinado pelo médico Alfredo Vargas, diretor do Instituto Médico Legal de Santiago, o mesmo que atestou a morte de dezenas de pessoas no golpe de 1973, entre elas a do ex-presidente Allende. =============================================================================================== Outras Informações. Nelson De Souza Kohl Su historia NELSON DE SOUZA KHOL, 33 años, brasileño, casado, profesor, ejecutado el 16 de septiembre de 1973 en Santiago. Nelson de Souza Khol, exiliado político de su país, murió ese día a las 9:45 horas, en la vía pública, por heridas de bala torácico abdominales, según consta en Certificado Médico de Defunción del Instituto Médico Legal. De acuerdo con lo declarado por la cónyuge de Nelson de Souza, testigo presencial de los hechos, éste fue detenido el 15 de septiembre de 1973 en el domicilio familiar, ubicado en la comuna de La Cisterna, alrededor de las 11:00 horas, por efectivos de la Fuerza Aérea de Chile (FACH). Estos lo subieron a un camión institucional y se lo llevaron con rumbo desconocido. Al día siguiente, la cónyuge se asiló en la Embajada de Brasil y a los dos meses pudo abandonar el país. Sólo en 1993, y después de numerosas gestiones ante organismos internacionales de derechos humanos tendientes a determinar el paradero de Nelson de Souza, la familia recibió la certificación oficial de su muerte. Posteriormente fue informada del destino de sus restos, los que fueron cremados un mes después de su fallecimiento. Considerando los antecedentes reunidos y la investigación realizada por esta Corporación, el Consejo Superior llegó a la convicción de que Nelson de Souza Khol fue detenido por agentes del Estado y ejecutado al margen de proceso legal mientras se le mantenía privado de libertad. Por ese motivo, lo declaró víctima de violación de derechos humanos. (Informe Rettig y Corporacion) -------------------------------------------------------------------------- Para mayor informacion visite www.memoriaviva.com -------------------------------------------------------------------------- Human Rights International Project - Proyecto Internacional de Derechos Humanos E-Mail: info at ecomemoria.cl ======================================================================================================== + Detalhes. Outro | 29/12/2007 | Folha de São Paulo Dossiê lista brasileiros sumidos na era Condor Por Rubens Valente A nova edição do "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964", organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, lista pelo menos seis brasileiros que desapareceram na Argentina como possíveis alvos da Operação Condor, acordo entre as ditaduras do Cone Sul nos anos 70 para combater opositores. Em contrapartida, pelo menos sete argentinos desapareceram no Brasil entre 1975 e 1980, segundo o levantamento da comissão, que deverá ser lançado em 2008. Os brasileiros desaparecidos na Argentina pós-75, quando a Condor foi oficiosamente criada, são Francisco Tenório Cerqueira Júnior (1976), Roberto Rascardo Rodrigues (1977), Luiz Renato do Lago Faria (1980), Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa (1976), Sidney Fix Marques dos Santos (1976) e Walter Kenneth Nelson Fleury (1976). Os argentinos sumidos no Brasil são Norberto Armando Habegger (1978), Lorenzo Ismael Viñas (1980), Horacio Domingo Campiglia (1980), Mónica Susana Pinus de Binstock (1980), Jose Oscar Adur (1980), Liliana Inês Goldemberg (1980) e Eduardo Gonzalo Escabosa (1980). Os casos de Viñas e Campiglia passaram a ser investigados pela Justiça italiana no final dos anos 90 porque eles tinham dupla cidadania. O primeiro desapareceu ao cruzar a fronteira da Argentina com o Brasil, de ônibus, perto de Uruguaiana (RS), e o segundo foi seqüestrado no aeroporto do Galeão, no Rio, junto com a guerrilheira Mónica Binstock. O processo na Itália resultou, no dia 24, em ordens de captura internacional emitidas pela Justiça italiana contra pelo menos 11 militares e policiais brasileiros. Os outros casos de argentinos desaparecidos no contexto da Operação Condor são investigados pela Justiça argentina. No Brasil, não há registro de processo criminal sobre o assunto. "Pré-Condor" A primeira edição do dossiê formulado pela comissão dos mortos e desaparecidos, de 1995, serviu de base para a lei 9.140/95, que regulou o reconhecimento da responsabilidade estatal por mortes e desaparecimentos por motivação política ocorridos entre 1961 e agosto de 1979. A nova edição listará, ao todo, cerca de 402 mortos e desaparecidos. Segundo a historiadora Janaína Teles, membro da comissão e doutoranda em história pela USP, o levantamento se baseia em documentos oficiais e em relatos de testemunhas. Janaína é sobrinha de Criméia Almeida, que foi guerrilheira no Araguaia (1972-1974) e também integra a entidade. No trecho sobre a Condor, a comissão destaca o pouco acesso a documentos militares brasileiros relativos à operação. "A participação brasileira na operação foi mais restrita, embora não seja conhecida devido ao sigilo dos documentos militares no Brasil. Isto ocorreu em decorrência da dinâmica da chamada "distensão política", promovida pelo governo do general Ernesto Geisel, e pelo desprezo que os militares brasileiros nutriam pelos serviços de inteligências dos demais países. Sabe-se, porém, que ainda era grande a preocupação dos brasileiros com a Junta de Coordenação Revolucionária, idealizada em 1972 pelos grupos MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria, do Chile), Tupamaros (Uruguai) e ERP (Ejército Revolucionário Del Pueblo, da Argentina), e que contava com a participação do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), do Brasil", aponta o dossiê. O levantamento sugere que outras atividades conjuntas de países sob ditadura já haviam eliminado brasileiros no exterior. Documentos liberados recentemente citam, por exemplo, uma "Operação Mercúrio", que estaria por trás do desaparecimento, em janeiro de 1974, dos guerrilheiros brasileiros João Batista Rita Pereda e Joaquim Pires Cerveira. Nessa fase pré-Condor, outros seis brasileiros desapareceram no Chile entre 1973 e 1974: Antenor Machado dos Santos (1973), Jane Vanini (1974), Luis Carlos de Almeida (1973), Nelson Souza Kohl (1973), Túlio Roberto Cardoso Quintiliano (1973) e Wânio José de Matos (1973). Outro brasileiro, Luiz Renato Pires de Almeida, desapareceu na Bolívia em outubro de 1970. =============================================================================================== + Informações. Os nossos: Nelson de Souza Kohl Voltar DOS FILHOS DESTE SOLO Nelson de Souza Kohl (25/1/1940 - 15/9/1973) Vítimas de Pinochet O Dossiê registra os seguintes dados sobre Nelson de Souza Kohl. Militante do POC, nasceu em 25 de janeiro de 1940, em Marília, São Paulo, filho de Francisco Kohl e Rita de Souza Kohl. Fez seus primeiros estudos no Colégio Canadá, na cidade de Santos, em São Paulo. Mudou-se para a capital, entrando na Escola de Comunicação da USP onde cursou até o 2º ano. Teve ativa participação nas manifestações estudantis realizadas na Universidade e nas passeatas de rua. Sua militância no Partido Operário Comunista tornou-o perseguido pelos órgãos de repressão. Sem alternativas, Nelson exilou-se na Argentina, onde ficou até novembro de 1972. Mudou-se então para o Chile, indo viver em Santiago, trabalhando no Instituto de Estudos Económicos y Sociales. Nessa mesma época, a 1ª Auditoria do Exército, São Paulo, julgou-o à revelia, condenando-o a dois anos de prisão. Foi seqüestrado pela Força Aérea Chilena em 15 de setembro de 1973, desaparecendo a partir de então. A Comissão de Representação Externa da Câmara Federal, para esclarecer os casos dos Mortos e Desaparecidos Políticos, encontrou no Chile seu Atestado de Óbito e, segundo o mesmo, ele teria sido morto em confronto com a polícia, dois dias depois de sua prisão. Este atestado foi assinado pelo médico Alfredo Vargas, diretor do Instituto Médico-Legal de Santiago, o mesmo que atestou a morte de dezenas de pessoas no Golpe de 1973, entre elas a do ex-presidente Allende. Do livro: Dos filhos deste solo - Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado Autores: Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio São Paulo, Boitempo Editorial/Editora da Fundação Perseu Abramo, 1999, p. 519 ======================================================================================== FICHA. Nelson de Souza Kohl Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Nelson de Souza Kohl Cidade: (onde nasceu) Marília Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 25/1/1940 Universidade Universidade de São Paulo USP Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Operário Comunista POC Brasil Prisão: 15/9/1973 Chile Foi seqüestrado por soldados da Força Aérea chilena. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 17/9/1973 Chile Segundo atestado de óbito. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Força Aérea Chilena Chile Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Alfredo Vargas Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. Artigo de jornal Chiaretti, Marco. Chile fornece pista de desaparecidos. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 jun. 1993. Cruvinel, Tereza. Panorama político: ditaduras. O Globo, Rio de Janeiro, 2 jun. 1993. Mortes no Chile serão investigadas. Jornal do Commercio, 2 jun. 1993. Discorrem sobre a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), e do deputado Roberto Valadão (PMDB-ES), em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros naquele país, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación. São eles: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. Foram obtidas informações sobre os três primeiros. Também seguem para a Argentina onde esperam encontrar informações de outros sete desaparecidos políticos brasileiros, entre eles o músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior). Ofício Nota à imprensa do Deputado Nilmário Miranda, da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos, de 11/01/94, informando comunicado do Cônsul Geral do Brasil no Chile, Dr. Carlos Alfredo Pinto da Silva, no qual a Corporación Nacional de Reparación e Reconciliación confirma que os cidadãos brasileiros Jane Vanini e Luiz Carlos de Almeida foram vítimas de violação de seus direitos humanos naquele país, reconhecendo a participação de agentes do Estado chileno nestes fatos. O deputado lembra o reconhecimento anterior da responsabilidade do Estado chileno no desaparecimento e morte de três outros brasileiros (Nelson de Souza Kohl, Túlio Quintiliano e Vânio José de Matos). Também lamenta que o Estado brasileiro não tenha, da mesma forma, feito justiça frente aos familiares e à memória dos brasileiros, chilenos e argentinos desaparecidos no Brasil durante a ditadura militar. Acompanha cópia do fax enviado pelo Cônsul Geral do Brasil no Chile. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111122/d8871fa6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8472 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111122/d8871fa6/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18054 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111122/d8871fa6/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 22 18:38:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Nov 2011 18:38:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ALMO=C7O_DO_MARTINELLI=2E______VA?= =?iso-8859-1?q?MOS_COMER_A_MACARRONADA_DO_MARTINELLI__E__AJUD=C1-L?= =?iso-8859-1?q?O_A_TERMINAR_SEU_LIVRO_DE_MEM=D3RIAS=2E?= Message-ID: <742F103AB8324344882FE823A36B6469@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Companheiros dos anos 60 , em particular os companheiros da lista dos amigos de 68. Vamos participar da macarronada do Martinelli e colaborar na finalização do seu livro de memórias. Abraço. Vanderley CONVITE ALMOÇO DO MARTINELLI Companheiros e amigos, Como vocês talvez já estejam sabendo, o livro de minhas memórias está sendo realizado. O trabalho encontra-se em estado avançado, mas ainda restam alguns meses para sua conclusão. Para ajudar na sua finalização, gostaria de contar com sua colaboração (remuneração do jornalista responsável pelo texto, pesquisas, tratamento e edição de fotografias etc.). Para isso, estaremos promovendo o ALMOÇO DO MARTINELLI (com cardápio italiano) atenuar nossos custos e, claro!, para também para confraternizarmos. Na ocasião, haverá ainda um brinde-surpresa para os participantes. O trabalho tem previsão de publicação logo no primeiro semestre de 2012, e sua participação é importante. O convite (por pessoa) pode ser adquirido com um depósito de R$ 25,00 (ou uma importância maior, caso você queira colaborar com mais) no Banco Itaú, conta no. 41.402-5 agência. 0004 - São Paulo/SP, Raphael Martinelli, e confirmado pelo e-mail advmartinelli at uol.com.br, ou através dos telefones 11-7459 2672, 11-8662 3298 ou 11-3331 3131. O ALMOÇO DO MARTINELLI será no dia 4 de dezembro (domingo) na sede do Serviço Social da Estrada de Ferro, rua Dr. Almeida Lima, 434, (rua ao lado da Estação do Metrô do Braz), a partir das 11h30 da manhã. Não deixe de confirmar. Contamos com sua presença! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111122/62f26c79/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15094 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111122/62f26c79/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 23 20:12:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 23 Nov 2011 20:12:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__NEWTON_EDUARDO_DE_OLIVEIRA___________?= =?iso-8859-1?q?________________________________-CCCIV-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem NEWTON EDUARDO DE OLIVEIRA (1921 - 1964) Filiação: Aurora Luiza Galvão e Abelardo Augusto de Oliveira Data e local de nascimento: 13/10/1921, Recife (PE) Data e local da morte: 01/09/1964, Rio de Janeiro (RJ) Newton teve seus direitos políticos cassados pelo regime militar em 10/04/1964, por suas atividades como líder sindical. Pela versão oficial, teria cometido suicídio em 01/09/1964 e deixado uma carta destacando sua luta de doze anos por um Brasil melhor. Nessa mensagem de despedida - publicada no jornal Última Hora em 04/09/1964 - afirmava só lhe restarem duas saídas: a morte ou a prisão. Afirmava a inocência da família e pedia que não fosse cometida nenhuma injustiça contra ela. O corpo de Newton entrou no IML/RJ com guia do Hospital Miguel Couto. O laudo do legista apontava como causa mortis "ruptura do fígado, pâncreas, rins e veia renal esquerda, hemorragia interna e anemia aguda conseqüente". No Arquivo do DOPS/RJ, consta que, em 1963, Newton teria assumido a presidência da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas, fazendo parte do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Clodesmidt Riani, destacado dirigente sindical da época, afirmou em depoimento que Newton Eduardo de Oliveira nunca demonstrou qualquer perturbação mental capaz de justificar o suicídio, sendo um líder de projeção nacional, sempre responsável por cargos de representação dos trabalhadores. =============================================================================================================== + Informações. NEWTON EDUARDO DE OLIVEIRA Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Era Gráfico. Morto em 01 de setembro de 1964, Newton Eduardo entrou no IML/RJ, com a Guia n° 100 do Hospital Miguel Couto, dando sua morte como suicídio. No Arquivo do DOPS/RJ consta que foi, em 1963, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas, fazendo parte do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). ============================================================================================================= FICHA Newton Eduardo de Oliveira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Newton Eduardo de Oliveira Atividade: Gráfico Dados da Militância Organização: (na qual militava) Comando Geral dos Trabalhadores CGT Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 1/9/1964 RJ Brasil Cometeu suicídio, segundo guia do Hospital Miguel Couto. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111123/81a26176/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 12730 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111123/81a26176/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 23 20:13:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 23 Nov 2011 20:13:10 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Tupac_Amaru_-_Filme__-__Compare?= =?iso-8859-1?q?=E7am_e_Divulguem!=2E______Dia_8_de_Dezembro_=28qui?= =?iso-8859-1?q?nta=29_=E0s_20_horas?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Camaradas Compareçam e divulguem a apresentação desta importante obra da cinematografia latino-americana. O evento é uma promoção conjunta da Cinemateca Brasileira e Fundação Maurício Grabois. Estará presente o diretor Federico Garcia Hurtado. Vejam convite e release abaixo. Um abraço Augusto Buonicore TUPAC AMARU Dia 8 de Dezembro (quinta) às 20 horas Local: Cinemateca Brasileira Direção: Federico García Hurtado Elenco: Reynaldo Arenas, Zully Azurin, Carlos Cano de la Fuente Origem: Cuba | Peru Duração: 95 min Legenda em português Ano: 1984 O filme conta a história de um herói da luta pela libertação da América Latina. Tupac Amaru liderou uma revolta popular que abalou os alicerces da dominação colonial e oligarquica. Derrotado, preso, torturado, foi brutalmente assassinado em 1781. Considerado um dos mais importantes filmes políticos da América Latina, recebeu o prêmio da Associação de Cineastas Latino-americanos em Havana (1985) e a Menção Honrosa no Festival de Cinema de Londres (1986). Co-produzido com o Instituto Cubano del Arte y la Industria Cinematográficos (ICAIC), contou com a participação de organizações populares de Cusco no Perú. Federico García Hurtado iniciou sua carreira nos anos 1960 com Huando, Tierra sin patrones e Inkari. Em 1975 dirigiu Donde nacen los cóndores. Outro destaque de sua obra é "Melgar, sangre de poeta" (1982), que trata da vida de outro herói independentista. Mais recentemente esteve à frente da produção da mini-série chamada "El Amauta" sobre a juventude do líder comunista peruano José Carlos Mariategui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111123/07d918a1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 42422 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111123/07d918a1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 23 20:13:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 23 Nov 2011 20:13:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22Her=F3is_Condenados=22___por__?= =?iso-8859-1?q?__Frei_Betto?= Message-ID: <407466F715DA41C39AAC46C171BEA41E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Heróis condenados Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital "Os últimos soldados da guerra fria", livro de Fernando Morais editado pela Companhia das Letras (2011), teria suscitado inveja em Ian Fleming, autor de 007, se este não tivesse morrido em 1964, sobretudo por comprovar que, mais uma vez, a realidade supera a ficção. Suponhamos que na esquina de sua rua haja um bar que abriga suspeitos de assaltarem casas do bairro. Como medida preventiva, você trata de infiltrar um detetive entre eles, de modo a proteger sua família. A polícia, de olho nos meliantes, identifica o detetive. E ao invés de prender os bandidos, encarcera o infiltrado... Foi o que ocorreu com os cinco cubanos que, monitorados pelos serviços de inteligência de Cuba, se infiltraram nos grupos anticastristas da Flórida, responsáveis por 681 atentados terroristas contra Cuba, que resultaram no assassinato de 3.478 pessoas e causaram danos irreparáveis a outras 2.099. Desde setembro de 1998, encontram-se presos nos EUA os cubanos Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández e Ramón Labañino. O quinto, René González, condenado a 15 anos, obteve liberdade condicional no último dia 7 de outubro, mas por ter dupla nacionalidade (americana e cubana) está proibido de deixar o país. Os demais cumprem pesadas penas: Hernández recebeu condenação de dupla prisão perpétua e mais 15 anos de reclusão... Precisaria de três vidas para cumprir tão absurda sentença. Labañino está condenado à prisão perpétua, mais 18 anos; Guerrero, à prisão perpétua, mais 10 anos; e Fernando a 19 anos. Os cinco constituíam a Rede Vespa, que municiava Havana de informações a respeito de terroristas que, por avião ou disfarçados de turistas, praticaram atentados contra Cuba, contrabandearam armas e detonaram explosivos em hotéis de Havana, causando ferimentos e mortes. Bush e Obama deveriam agradecer ao governo cubano por identificar os terroristas que, impunes, usam o território americano para atacar a ilha socialista do Caribe. Acontece, no entanto, exatamente o contrário, revela o livro bem documentado de Fernando Morais. O FBI prendeu os agentes cubanos, e continua a fazer vista grossa aos terroristas que promovem incursões aéreas clandestinas sobre Cuba e treinamentos armados nos arredores de Miami. Em 15 capítulos, o livro de Morais relata como a segurança cubana prepara seus agentes; a saga do mercenário salvadorenho que, a soldo de Miami, colocou cinco bombas em hotéis e restaurantes de Havana; o papel de Gabriel García Márquez, como pombo-correio, na troca de correspondência entre Fidel e Bill Clinton; a visita sigilosa de agentes do FBI a Havana, e o volume de provas contra a Miami cubana que lhe foram oferecidas por ordem de Fidel. "Os últimos soldados da guerra fria" é fruto de exaustivas pesquisas e entrevistas realizadas pelo autor em Cuba, EUA e Brasil. Redigido em estilo ágil, desprovido de adjetivações e considerações ideológicas, o livro comprova por que Cuba resiste há mais de 50 anos como único país socialista do Ocidente: a Revolução e suas conquistas sociais incutem na população um senso de soberania que a induz a preservá-las como gesto de amor. Em país capitalista, para quem, graças à loteria biológica, nasceu em família e classe social imunes à miséria e à pobreza, é difícil entender por que os cubanos não se rebelam contra as autoridades que os governam. Ora, quando se vive num país bloqueado há meio século pela maior potência militar, econômica e ideológica da história, da qual dista apenas 140 km, é motivo de orgulho resistir por tanto tempo e ainda merecer elogios do papa João Paulo II ao visitá-lo em 1998. Em mais de 100 países - inclusive no Brasil - há médicos e professores cubanos em serviços solidários em áreas carentes. O número de desertores é ínfimo, considerada a quantidade de profissionais que, findo o prazo de trabalho, retornam a Cuba. E a Revolução, como ocorre agora sob o governo de Raúl Castro, tem procurado se atualizar para não perecer. Talvez este outdoor encontrado nas proximidades do aeroporto de Havana, e citado com frequência por Fernando Morais, ajude a entender a consciência cívica de um povo que lutou para deixar de ser colônia, primeiro, da Espanha e, em seguida, dos EUA: "Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana." [Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org- twitter:@freibetto. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111123/599928cc/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 24 19:34:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 24 Nov 2011 19:34:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___ROBERTO_RASCARDO_RODRIGUES__________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCCV-?= Message-ID: <6B5E1E75C99A4302B0089FF90C742D94@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ROBERTO RASCARDO RODRIGUES Estudante do 2° ano de Engenharia da Universidade Federal de Buenos Aires. Seqüestrado em fevereiro de 1977, em Buenos Aires, quando seis pessoas trajadas com uniformes da Marinha argentina invadiram sua casa, desaparecendo com Roberto. A Comissão de Representação Externa para os Mortos e Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, quando esteve em Buenos Aires, em junho/93, recebeu informações de que Roberto teria estado preso em um clube em Buenos Aires. No Relatório do Ministério da Marinha há o nome de Roberto com a seguinte nota: "Fev/77,... seqüestrado por seis elementos em Buenos Aires... (DOU n° 60 de 29/03/81)". ============================================================================================= + Detalhes. Brasil se omite sobre desaparecidos na ditadura argentina LUCAS FERRAZ DE BUENOS AIRES O Brasil evita tornar-se parte em ações na Justiça argentina que investigam o desaparecimento de brasileiros no país durante sua última ditadura militar (1976-83). Desde 2005, a Argentina já processou mais de 820 pessoas por crimes ocorridos no período, resultando em mais de 200 condenações. Países como Chile, Espanha e França já se tornaram parte em ações que investigam o desaparecimento de cidadãos durante o terrorismo de Estado argentino. O Brasil poderia participar de pelo menos três ações em andamento que estão relacionadas ao desaparecimento de brasileiros. Além de cobrar por Justiça, poderia contribuir com informações e documentos para ajudar a esclarecer os casos. "O governo brasileiro tem todas as condições de se apresentar como parte. Pelo jeito, não quis", disse à Folha Pablo Parenti, coordenador de direitos de direitos humanos do Ministério Público Federal da Argentina e um dos responsáveis pelas ações sobre desaparecidos. Desde 2007 o Brasil reconheceu que pelo menos seis brasileiros desapareceram na ditadura argentina. Os dados estão no "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos", organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. O governo adota o balanço como oficial. Os desaparecidos são: Francisco Tenório Cerqueira Júnior (1976), Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa (1976), Sidney Fix Marques dos Santos (1976), Walter Kenneth Nelson Fleury (1976), Roberto Rascardo Rodrigues (1977) e Luiz Renato do Lago Faria (1980). Seus parentes nunca tentaram agir judicialmente, segundo o comitê do Rio do grupo Tortura Nunca Mais. Entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, as ditaduras do Cone Sul se uniram na Operação Condor para perseguir militantes de esquerda. ========================================================================================== + Detalhes. Dossiê lista os brasileiros que desapareceram como vítimas da Operação Condor Uma nova edição do "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964" relaciona pelo menos seis brasileiros que desapareceram na Argentina como vítimas da Operação Condor, plano de repressão conjunta de ditaduras sul-americanas contra opositores nos anos 70 e 80. O dossiê foi organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Os brasileiros desaparecidos na Argentina são os seguintes: Francisco Tenório Cerqueira Júnior (1976), Roberto Rascardo Rodrigues (1977), Luiz Renato do Lago Faria (1980), Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa (1976), Sidney Fix Marques dos Santos (1976) e Walter Kenneth Nelson Fleury (1976). Na última segunda-feira a Justiça italiana, que investiga a Operação Condor, expediu 140 mandados de prisão contra os responsáveis pelas juntas militares e serviços de inteligência do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru. Entre os investigados estão 11 brasileiros. Eles são acusados de participação na Operação Condor. O procurador italiano Giancarlo Capaldo disse que quer a colaboração do Brasil para o julgamento dos brasileiros na Itália. Os brasileiros foram denunciados pelo desaparecimento de dois ítalo-argentinos em território brasileiro: Lorenzo Ismael Viñas (26 de junho de 1980) e Horacio Campiglia (12 de março de 1980). Junto com Horácio Campiglia foi seqüestrada pelas forças da repressão argentina, com suporte das forças de repressão brasileiras, a argentina Mônica Binstock (de origem judaica), quando ambos chegavam em um vôo procedente do México. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse, peremptoriamente, que os repressores brasileiros com ordem de prisão emitidas na Itália não serão expatriados para serem julgados pelos crimes de lesa-humanidade. Ele alega que a Constituição brasileira proíbe essa alternativa. Isso não deveria ser problema para o petista Tarso Genro, já que seu partido se negou a assinar a promulgação da Constituição Brasileira, em outubro de 1988. À época dos fatos denunciados agora pela Justiça iltaliana, Tarso Fernando Herz Genro era dirigente do grupúsculo clandestino PRC (Partido Revolucionário Comunista), o qual tinha pretensões de partir para a luta armada. ================================================================================================================= FICHA Roberto Rascardo Rodrigues Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Roberto Rascardo Rodrigues Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal de Buenos Aires Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/2/1977 Buenos Aires Argentina Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Marinha Argentina Argentina Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111124/5e262a43/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10658 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111124/5e262a43/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 24 19:34:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 24 Nov 2011 19:34:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Lan=E7amentos_do_livro_=22Crime_?= =?iso-8859-1?q?de_Imprensa=22____em_S=E3o_Paulo_________dia_25_de_?= =?iso-8859-1?q?novembro____e____dia_30_de_novembro?= Message-ID: <7FCC0201A0304E6D9BFC8382CCEFF3D3@vcaixe> FW: Crime de Imprensa-1Carta O Berro.........................................................repassem Banca Bruno Av Paulista - metrô consolação Dia 25 de nov. - a partir das 19 horas São Paulo ECA-USP (aberto ao público) Cidade Universitária Auditório Freitas Nobre Dia 30 de nov. - 19:30 horas -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111124/030b1227/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 199301 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111124/030b1227/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 25 20:36:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 25 Nov 2011 20:36:10 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___DAVID_DE_SOUZA_MEIRA__e__JORGE_APR?= =?iso-8859-1?q?=CDGIO_DE_PAULA____________________-CCCVI-?= Message-ID: <13C4E9A1B4A74B9395ACE9E50DF26E91@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem DAVID DE SOUZA MEIRA (1943 - 1968) Filiação: Alzira Novais Meira e Valdomiro de Souza Meira Data e local de nascimento: 22/06/1943, Nanuque (MG) Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 01/04/1968, no Rio de Janeiro (RJ) David trabalhava na Companhia de Navegação Costeira do Rio de Janeiro e morreu baleado aos 24 anos, durante manifestação pública de protesto contra o assassinato de Edson Luiz, realizada no quarto aniversário do regime militar, na avenida Nilo Peçanha, centro do Rio. O corpo foi encaminhado ao IML/RJ, após exame necroscópico em 02/04/68, assinado pelos legistas Nelson Caparelli e Ivan Nogueira Bastos, que atestava a morte por "ferimento penetrante do tórax por projétil de arma de fogo, determinando lesão no pulmão". A certidão de óbito, cujo declarante é Nelson Gonçalves Chaves, informa que a mãe de David, Alzira Novaes Meira, retirou o corpo do IML para ser enterrado no Cemitério de Inhaúma. Seu nome consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. Na CEMDP, ao apresentar o caso, o relator ressaltou que a requerente solicitou os benefícios da Lei nº 9.140/95 após o término do prazo legal estabelecido, e votou pelo não acolhimento, em razão de intempestividade, o que foi acatado por todos os membros daquele colegiado. Reapresentado o processo, o relator destacou duas irregularidades dos autos: a irmã de David não comprovou sua legitimidade postulatória e o exame cadavérico apresentava rasura. Foram solicitadas diligências à Secretaria Executiva da CEMDP no sentido de obter informações a respeito da militância política de David e sua certidão de nascimento. Finalmente, em reunião de 07/10/2004, o relator afirmou que foram juntadas aos autos as documentações requeridas anteriormente, e assinalou ter sido supridas as exigências formuladas. Por isso, julgou procedente o processo de David Souza Meira, morto a tiros durante repressão policial a manifestação de rua realizada no Rio de Janeiro. JORGE APRÍGIO DE PAULA (1938 - 1968) Filiação: Geralda Maria de Jesus e Joaquim Paula Data e local de nascimento: 10/02/1938, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: Operário Data e local da morte: 02/04/1968, Rio de Janeiro (RJ) Operário, Jorge Aprígio de Paula foi outra vítima do mesmo dia de manifestações no Rio de Janeiro, em protesto contra a morte de Edson Luiz. Naquele 1º de abril de 1968, um dos vários grupos de estudantes em passeata se aproximou do Palácio de Laguna, residência do ministro da Guerra, na rua general Canabarro. Soldados da Polícia do Exército, que protegiam o local, abriram fogo contra os manifestantes, atingindo várias pessoas e matando Jorge. O corpo do estudante entrou no IML no dia 02/04/1964, denotando que o óbito pode ter ocorrido na véspera ou no dia 02. Segundo o relator do primeiro processo apresentado à CEMDP, "a morte de Jorge não se deu em dependência policial, portanto, não considero possível o enquadramento do caso na tipificação da Lei nº 9.140/95". Em seu relatório afirma ainda que, "as manchetes dos jornais, à época, comprovam a vontade política dos que então chegavam ao Poder - de reprimir policialmente e de tratar duramente os contestadores do regime". Apesar disso, declarou o relator, "não se pode afirmar que as ruas do Rio de Janeiro tenham se transformado em dependência policial assemelhada. O teor das reportagens não aponta para uma multidão dominada pelas forças policiais e, sim, o contrário, em ataque e depredação por parte dos civis". Acompanhou o voto do relator o general Oswaldo Pereira Gomes. Ocorreu pedido de vistas e, na reunião de 07/08/1997, o novo relatório concordou com o anterior, sustentando que "Jorge Aprígio de Paula é uma vítima da violência política no Brasil, mas não existe prova de que foi atingido quando se encontrava sob domínio direto de agentes do poder público". O processo foi, então, indeferido por quatro votos a três, vencidos os conselheiros Suzana Keniger Lisbôa, Nilmário Miranda e o presidente Miguel Reale Júnior. A conselheira Suzana fez constar em ata declaração de voto do seguinte teor: "Sendo participante de manifestação política contrária à ditadura militar, o referido cidadão era considerado inimigo no regime e, portanto, acusado de participação política. Foi sumariamente executado, ao invés de ser preso e julgado". Com as mudanças introduzidas na Lei nº 9.140/95 a partir de 2004, novo processo foi encaminhado à CEMDP e, na reunião de 7/10/2004, o caso foi deferido com base no parecer do novo relator, o coronel João Batista Fagundes, onde consta que a morte de Jorge Aprígio "se insere nos parâmetros estabelecidos pela Lei nº 10.536/04 que ampliou os efeitos da lei anterior sobre tal matéria". ======================================================================================================================== + Informações. JORGE APRÍGIO DE PAULA Estudante da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado da Guanabara. Morto no dia 1º de abril de 1968, pela Polícia do Exército, durante repressão a uma manifestação estudantil. Quando os manifestantes se aproximavam da residência do Ministro da Guerra, soldados da Polícia do Exército, que protegiam aquele local, desferiram vários tiros contra a população, atingindo, entre outros, Jorge Aprígio. O corpo deu entrada no IML em 02 de abril de 1968, com a Guia n° 15 da 18ª D.P. Foi retirado e sepultado pela família. DAVID DE SOUZA MEIRA Escriturário, funcionário da Cia. de Navegação Costeira, no Rio de Janeiro. Morto a tiros, aos 24 anos, quando da repressão à manifestação realizada no dia 1º de abril de 1968, na rua Nilo Peçanha, no chamado Dia Nacional de Protesto. O corpo de David foi encaminhado para o IML/RJ, com a Guia n° 1572 do Hospital Souza Aguiar. O exame necroscópico foi realizado em 02 de abril de 1968 e firmado pelos Drs. Nelson Caparelli e Ivan Nogueira Bastos. A certidão de óbito teve como declarante Nelson Gonçalves Chaves e informa que foi retirado por sua mãe, Alzira Novaes Meira, sendo enterrado pela família no Cemitério de Inhaúma (RJ). =================================================================================== PDFs [PDF] MOVIMENTO ESTUDANTIL E EDUCAÇÃO DESCAPITALIZADA ... www.mov-estudiantil.com.ar/terceras/200810.pdf Não foi útil? Após fazer login, você poderá bloquear os resultados de www.mov-estudiantil.com.ar.www.mov-estudiantil.com.ar - Bloquear todos os resultados de www.mov-estudiantil.com.ar Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML de HC Fernandes - Artigos relacionados resultou em mais dois mortos: o estudante Jorge Aprígio de Paula e o escriturário Davi de Souza Neiva. Sessenta populares e 39 policiais ficaram feridos, 321 ... ==================================================================================== PDFs PDF] Entrevista: "A idéia de um ensino voltado para a formação da ... www.revistaoprofessor.com.br/.../Revista_SinproABC_Edicao10.pdf Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML Medicina Jorge Aprígio de Paula foram mortos por policiais que tentavam dispersar manifestantes desarmados. Cogita-se até que David não fazia parte da ... ================================================================================================= Ficha Jorge Aprígio de Paula Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Jorge Aprígio de Paula Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Estadual do Rio de Janeiro UERJ Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 1/4/1968 Rio de Janeiro RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia do Exército PE Brasil Biografia Documentos ========================================================================================== Ficha David de Souza Meira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: David de Souza Meira Atividade: Escriturário Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 1/4/1968 Rio de Janeiro RJ Brasil R. Nilo Peçanha Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Ivan Nogueira Bastos, Nelson Caparelli Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111125/dbc0091a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14151 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111125/dbc0091a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 25 20:36:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 25 Nov 2011 20:36:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?=22_A_Copa_=28n=E3o=29_=E9_nossa_?= =?iso-8859-1?q?=22____por_________Frei_Betto?= Message-ID: <3C4F058E85D94B68911D76E09F0E59ED@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 25.11.11 - Brasil A Copa (não) é nossa Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Para bem funcionar, um país precisa de regras. Se carece de leis e de quem zele por elas, vale a anarquia. O Brasil possui mais leis que população. Em princípio, nenhuma delas pode contrariar a lei maior - a Constituição. Só em princípio. Na prática, e na Copa, a teoria é outra. Diante do megaevento da bola, tudo se enrola. A legislação corre o risco de ser escanteada e, se acontecer, empresas associadas à Fifa ficarão isentas de pagar impostos. A lei da responsabilidade fiscal, que limita o endividamento, será flexibilizada para facilitar as obras destinadas à Copa e às Olimpíadas. Como enfatiza o professor Carlos Vainer, especialista em planejamento urbano, um município poderá se endividar para construir um estádio. Não para efetuar obras de saneamento... A Fifa é um cassino. Num cassino, muitos jogam, poucos ganham. Quem jamais perde é o dono do cassino. Assim funciona a Fifa, que se interessa mais por lucro que por esporte. Por isso desembarcou no Brasil com a sua tropa de choque para obrigar o governo a esquecer leis e costumes. A Fifa quer proibir, durante a Copa, a comercialização de qualquer produto num raio de 2 km em torno dos estádios. Excetos mercadorias vendidas pelas empresas associadas a ela. Fica entendido: comércio local, portas fechadas. Camelôs e ambulantes, polícia neles! Abram alas á Fifa! Cerca de 170 mil pessoas serão removidas de suas moradias para que se construam os estádios. E quem garante que serão devidamente indenizadas? A Fifa quer o povão longe da Copa. Ele que se contente em acompanhá-la pela TV. Entrar nos estádios será privilégio da elite, dos estrangeiros e dos que tiverem cacife para comprar ingressos em mãos de cambistas. Aliás, boa parte dos ingressos será vendida antecipadamente na Europa. A Fifa quer impedir o direito à meia-entrada. Estudantes e idosos, fora! E nada de entrar nos estádios com as empadas da vovó ou a merenda dietética recomendada por seu médico. Até água será proibido. Todos serão revistados na entrada. Só uma empresa de fast food poderá vender seus produtos nos estádios. E a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios, que vigora hoje no Brasil, será quebrada em prol da marca de uma cerveja made in usa. Comenta o prestigioso jornal Le Monde Diplomatique: "A recepção de um megaevento esportivo como esse autoriza também megaviolação de direitos, megaendividamento público e megairregularidades." A Fifa quer, simplesmente, suspender, durante a Copa, a vigência do Estatuto do Torcedor, do Estatuto do Idoso e do Código de Defesa do Consumidor. Todas essas propostas ilegais estão contidas no Projeto de lei 2.330/2011, que se encontra no Congresso. Caso não seja aprovado, o Planalto poderá efetivá-las via medidas provisórias. Se você fizer uma camiseta com os dizeres "Copa 2014", cuidado. A Fifa já solicitou ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro de mais de mil itens, entre os quais o numeral "2014". (Não) durmam com um barulho deste: a Fifa quer instituir tribunais de exceção durante a Copa. Sanções relacionadas à venda de produtos, uso de ingressos e publicidade. No projeto de lei acima citado, o artigo 37 permite criar juizados especiais, varas, turmas e câmaras especializadas para causas vinculadas aos eventos. Uma Justiça paralela! Na África do Sul, foram criados 56 Tribunais Especiais da Copa. O furto de uma máquina fotográfica mereceu 15 anos de prisão! E mais: se houver danos ou prejuízo à Fifa, a culpa e o ônus são da União. Ou seja, o Estado brasileiro passa a ser o fiador da FIFA em seus negócios particulares. É hora de as torcidas organizadas e os movimentos sociais porem a bola no chão e chutar em gol. Pressionar o Congresso e impedir a aprovação da lei que deixa a legislação brasileira no banco de reservas. Caso contrário, o torcedor brasileiro vai ter que se resignar a torcer pela TV. [Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org- twitter:@freibetto. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111125/4abc2b99/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 26 15:34:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 26 Nov 2011 15:34:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__EDSON_LUIZ_LIMA_SOUTO________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CCCVII-?= Message-ID: <8A019B2531254C71B710C385477405B0@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem EDSON LUIZ LIMA SOUTO (1956 - 1968) Filiação: Maria de Belém Lima Souto Data e local de nascimento: 22/08/1956, Belém (PA) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 28/03/1968, Rio de Janeiro (RJ) A morte do secundarista Edson Luiz Lima Souto ficou como grande marco histórico das mobilizações estudantis de 1968. Com 18 anos recém-completados, 1m59 de altura e armado apenas com o sonho de conquistar condições dignas na escola onde estudava, foi morto com um tiro certeiro no peito, disparado à queima-roupa por um tenente da PM, em 28/03/1968, contra estudantes que se manifestavam no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. A bala varou seu coração e alojou-se na espinha, provocando morte imediata. Indignados, seus colegas não permitiram que o corpo fosse levado ao IML, conduzindo-o para a Assembléia Legislativa em passeata. Lá, sob cerco de polícias civis e militares, foi realizada a autópsia e aconteceu o velório. O caixão chegou ao cemitério João Batista nos braços de milhares de estudantes. Nascido em Belém do Pará, Edson era filho de uma família muito pobre que se empenhou para enviá-lo ao Rio de Janeiro, a fim de que concluísse os estudos secundários. Matriculou-se no Instituto Cooperativo de Ensino, nas proximidades da Secretaria de Economia do Estado. Conforme entrevistas concedidas à revista Fatos e Fotos por integrantes da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço, o garoto não chegava a ser um líder estudantil. Falava pouco e ainda estava meio desconfiado, mas colaborava colando jornais murais e dando recados, contaram os colegas. Estava programada mais uma passeata e Edson resolveu jantar mais cedo, naquele 28 de março, para ter tempo de preparar alguns cartazes. Segurava a bandeja na mão quando começou uma correria e foi atingido por um cassetete no ombro. Os policiais militares, que tinham invadido o local, começaram a atirar. Os estudantes armaram-se de paus e pedras para responder. Foi quando Edson caiu. Na mesma ocasião, tiros atingiram o comerciário Telmo Matos Henrique e o estudante Benedito Frazão Dutra. Conforme a versão de algumas testemunhas, o tenente PM Alcindo Costa teria ficado enraivecido ao ser atingido por uma pedrada na cabeça. Outros jovens presentes no local afirmaram que Edson foi atingido por se encontrar à porta quando a tropa chefiada por Alcindo entrou em formação fechada de ataque. O local da morte foi o principal motivo que levou o relator do processo na CEMDP a propor o indeferimento do caso. No seu entendimento, o Calabouço não configurava "dependências policiais ou assemelhadas", conforme exigido na Lei nº 9.140/95. Houve um pedido de vistas e, no novo relatório, prevaleceu por estreita margem a argumentação de que o restaurante estava invadido pelas forças policiais e, portanto, poderia perfeitamente ser considerado um local assemelhado às dependências exigidas legalmente para configurar a responsabilidade do Estado na morte. Com base nisso, o processo foi deferido. =============================================================================================================================== + Informações. EDSON LUIZ DE LIMA SOUTO Nasceu em 24 de fevereiro de 1950, em Belém, no Pará, filho de Maria de Belém de Lima Souto. De família muito pobre, começou seus estudos primários na Escola Estadual Augusto Meira, em sua cidade natal. Mudou-se para o Rio de Janeiro e prosseguiu seus estudos secundários no Instituto Cooperativo de Ensino, que funcionava no Calabouço. Morto a tiros durante a repressão policial utilizada para desalojar os estudantes que haviam ocupado o Restaurante Calabouço no dia 28 de março de 1968. O corpo de Edson, baleado pela Polícia Militar não chegou a ir para o IML. Foi levado imediatamente por estudantes para a Assembléia Legislativa. A necrópsia foi feita no próprio local do velório, pelos Drs. Nilo Ramos de Assis e Ivan Nogueira Bastos, na presença do Secretário de Saúde do Estado. Seu óbito de n° 16.982 teve como declarante o estudante Mário Peixoto de Souza. O registro de Ocorrência n° 917 da 3ª D.P. informou que, no tiroteio ocorrido no Restaurante Calabouço, outras seis pessoas ficaram feridas, sendo atendidas no Hospital Souza Aguiar. Foram elas: Telmo Matos Henriques, Benedito Frazão Dutra (que veio a falecer, logo depois), Antônio Inácio de Paulo, Walmir Gilberto Bittencourt, Olavo de Souza Nascimento e Francisco Dias Pinto. Outras três pessoas foram feridas na Praça Floriano, durante o velório de Edson Luiz, realizado na Assembléia Legislativa, quando ocorreram violências provocadas por policiais civis e militares: Jouber Valan, João Silva Costa e Henrique Rego Carnel, também atendidas no Hospital Souza Aguiar. O corpo de Edson Luiz foi levado por milhares de estudantes em passeata até o Cemitério São João Batista. ========================================================================================== Outras Informações. Hoje na História - JBlog - Jornal do Brasil com o vídeo da época. Hoje na Historia - JBlog - Jornal do Brasil 28 de marçõ de 1968 - Morte no Calabouço 28/03/2008 - 06:00 | Enviado por: Lucyanne Mano Assista aqui a versão em vídeo: clique http://youtu.be/RGg8BugmBK0 O secundarista paraense Édson Luís de Lima Souto, 16 anos, morreu baleado no peito durante conflito entre policiais e estudantes no Restaurante Calabouço, Centro do Rio de Janeiro. Levado pelos companheiros para a Assembléia Legislativa, seu corpo foi velado coberto com a Bandeira Nacional, outra do Calabouço e por mensagens de protesto. Mais de 50.000 pessoas se aglomeram em frente à Câmara e acompanharam o funeral, em clima de revolta, até o enterro no Cemitério São João Batista. O Restaurante Calabouço era um refeitório popular, subsidiado pelo governo e destinado a estudantes do interior, vestibulandos e universitários. Desde o incêndio do prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE) em abril de 1964, tinha se tornado o foco principal de agitação e resistência ao regime militar. De lá partiam as passeatas estudantis que tanto incitavam a vida da cidade e provocavam os generais. Em virtude das condições precárias do seu funcionamento e da má qualidade da alimentação ali servida, era alvo de críticas permanentes por parte dos seus freqüentadores. Foi durante uma manifestação de protesto contra essa situação que policiais invadiram o local e, investindo contra os presentes, deram início à barbárie que culminaria com a morte do jovem estudante. As circunstâncias da morte de Edson Luís evidenciaram a intolerância oficial em lidar com as reivindicações estudantis. Prenunciaram a disposição do governo e os recursos truculentos de que se serviriam para eliminar lideranças estudantis e coibir o movimento social que agitaria o Brasil durante o decorrer do ano de 1968. E sagraram o jovem símbolo da causa estudantil nacional. Consternação e protesto por Edson Luís A Assembléia Legislativa decretou luto oficial por três dias pela morte de Edson Luís. Todos os teatros da Guanabara interromperam seus espetáculos em sinal de protesto, sendo a decisão aplaudida, de pé, pelo público presente. No Princesa Isabel, onde estava em cartaz a peça Roda Viva, os atores do elenco, ao tomarem conhecimento do incidente, fizeram um minuto de silêncio. Em seguida, suspenderam a apresentação e todos os presentes, convidados por um grupo de artistas liderados pelo paulista Plínio Marcos, seguiram para o funeral do estudante. ============================================================================================ + Detalhes. Em 28 de março de 1968 a ditadura militar assassinava o estudante Edson Luís de Lima Souto, paraense de 18 anos, no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro. O episódio marcou a resistência estudantil contra o regime militar que iria se aprofundar naquele ano até o decreto do AI-5, que endureceu ainda mais a repressão. Edson Luís nasceu em Belém do Pará, em 1950. Filho de uma lavadeira, ele se mudou para o Rio de Janeiro para fazer o Segundo Grau supletivo no Instituto Cooperativo de Ensino. Como muitos moleques da época, pensava em estudar Engenharia para melhorar a vida da família. O Instituto Cooperativo de Ensino situava-se em um anexo do restaurante Calabouço e era chamado pejorativamente pelos militares de "Instituto Comunista de Ensino". Ali estudavam jovens mais pobres, como o próprio Edson, que se alimentavam no restaurante, sendo que muitos trabalhavam também no local. Desde o incêndio do prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE) em abril de 1964, o restaurante tinha se tornado o foco principal de agitação e resistência ao regime militar. De lá partiam as passeatas estudantis que tanto agitavam a vida da cidade e provocavam os generais. Quem liderava os protestos era a Frente Unida dos Estudantes do Calabouço (Fuec). Estudantes na capital federal, os amazonenses Luiz Antonio Medeiros (mais tarde sindicalista, fundador da Força Sindical e ex-deputado federal por São Paulo), José Ribamar Bessa Freire (mais tarde antropólogo, professor universitário e cronista do implacável bordão "Taqui pra Ti") e Nestor Nascimento (mais tarde ativista cultural, fundador do Movimento Alma Negra e advogado) estavam entre os inúmeros freqüentadores do restaurante e, muito provavelmente, também deviam participar ativamente das barulhentas passeatas de protesto contra a ditadura militar. O Restaurante Central dos Estudantes havia sido inaugurado em 1951, como parte da política populista do presidente Getúlio Vargas, oferecendo comida a preço de custo para estudantes de baixa renda. Apesar de ter sido inaugurado na antiga sede da UNE, na Praia do Flamengo, no ano seguinte ele foi transferido para a Avenida Infante Dom Henrique. O apelido Calabouço foi dado porque corria a história de que o local havia sido uma antiga prisão de escravos. Nessa época, o restaurante pertencia ao Ministério da Educação, mas era administrado pela União Metropolitana dos Estudantes (UME). Em 1967, o governo do Estado da Guanabara, sob pretexto de uma melhor urbanização da região, anuncia a demolição do Calabouço, o que gerou batalhas campais entre a polícia e os estudantes. Foi então proposto pelo governador Negrão de Lima que o restaurante fosse reconstruído em outro local. Contudo, a demolição acabou acontecendo sem que o novo restaurante estivesse pronto. Por conta disso, os estudantes organizaram três meses de "pendura" nos mais famosos restaurantes do Rio de Janeiro, até que fosse anunciada a abertura do Calabouço. O restaurante foi entregue sem que tivessem terminado as reformas, o que deixava o local com péssimas condições de higiene No dia 28 de março de 1968, os estudantes estavam organizando uma passeata relâmpago para protestar contra o alto preço da comida servida no Calabouço. A Polícia Militar, que outras vezes já havia reprimido os estudantes no local, chegou ao restaurante disposta a colocar um ponto final na suposta baderna. A primeira investida dos militares conseguiu dispersar os cerca de 600 manifestantes, que se abrigaram dentro do Calabouço. Porém, os estudantes reagiram com paus e pedras, o que fez a polícia recuar. Os policiais voltaram com maior violência, dessa vez atirando contra os estudantes e invadiram o restaurante. Na invasão cinco estudantes ficaram feridos e dois foram mortos pela polícia. Um foi Benedito Frazão Dutra, que morreu no hospital, o outro foi Edson Luís, que levou um tiro no peito à queima-roupa de uma pistola calibre 45, pertencente ao tenente Aloísio Raposo, que comandava o Batalhão Motorizado da PM do local. Um porteiro do INPS, que passava perto do Calabouço, também tombou morto. Um cidadão que, na Rua General Justo, assistia, da janela de seu escritório, ao selvagem atentado, recebeu um tiro na boca. Edson Luís não era ativista da luta contra a ditadura, mas brigava pelo restaurante onde comia, e participava da agitação ajudando a colar cartazes e jornais nos murais. Os companheiros de Edson não permitiram que a PM levasse o corpo do estudante com medo de que sumissem com ele. Sem camisa, Edson foi carregado pela multidão. Seu corpo abria espaço para um cortejo que se formava rumo à Assembléia Legislativa, hoje Câmara de Vereadores, na Cinelândia. "Mataram um estudante. Podia ser seu filho". A frase correu o Rio de Janeiro naquela noite. A camisa manchada com o sangue de Edson Luís tornou-se o símbolo da repressão e foi carregada pelos estudantes. O tiro comoveu a cidade e levou uma multidão às ruas para velar o primeiro cadáver simbólico da ditadura militar instalada havia quatro anos. Todos os teatros da Guanabara interromperam seus espetáculos em sinal de protesto, sendo a decisão aplaudida, de pé, pelo público presente. No teatro Princesa Isabel, onde estava em cartaz a peça Roda Viva, os atores do elenco, ao tomarem conhecimento do incidente, fizeram um minuto de silêncio. Em seguida, suspenderam a apresentação e todos os presentes, convidados por um grupo de artistas liderados pelo dramaturgo paulista Plínio Marcos, seguiram para o funeral do estudante. Levado pelos companheiros para a Assembléia Legislativa, seu corpo foi velado coberto com a Bandeira Nacional, com uma outra do Calabouço e por centenas de mensagens de protesto. No dia do enterro, 50 mil pessoas saíram às ruas para protestar contra a repressão do regime militar e acompanhar o funeral, em clima de revolta, até o Cemitério São João Batista. Os militares, sem condições de reprimir a manifestação, tentaram escondê-la. As luzes da cidade não foram acesas naquele fim de tarde, mas mesmo assim os motoristas acendiam os faróis dos carros, comerciantes davam velas e lanternas para a população continuar o cortejo. Na semana que separou o enterro da missa de sétimo dia de Edson Luís, manifestações foram organizadas em todo o país. Em São Paulo, quatro mil estudantes fizeram uma manifestação na Faculdade de Medicina da USP. Em Goiás e no Distrito Federal, estudantes foram baleados em protestos, sendo que dois foram mortos. Na missa, que aconteceu na manhã do dia 4 de abril na Igreja da Candelária, as pessoas que lotaram a igreja foram reprimidas com violência pela cavalaria da polícia com golpes de sabre quando saíam. Dezenas de pessoas ficaram feridas. Outra missa estava marcada para o mesmo dia à noite. O governo proibiu sua realização, mas mesmo assim o vigário-geral do Rio de Janeiro, D. Castro Pinto, insistiu em fazê-la. A celebração reuniu cerca de 600 pessoas e dessa vez a Polícia Militar preparou uma repressão ainda maior. Do lado de fora da igreja havia três fileiras de soldados a cavalo com os sabres prontos para serem usados, um Corpo de Fuzileiros Navais mais atrás e vários agentes do DOPS espalhados no entorno. Os padres pediram para que ninguém saísse da igreja, já que todos previam um novo massacre. Os clérigos, então, saíram na frente de mãos dadas e fizeram um corredor entre os policiais e os que saíam da igreja, para que não fossem atacados pela polícia. A medida evitou o massacre ali, mas a Polícia Militar esperou que todos os manifestantes saíssem para que fossem encurralados nas ruas da Candelária. Novamente dezenas de pessoas foram espancadas e feridas. Nos meses seguintes, a revolta causada pelo assassinato de Edson Luís aumentou na mesma proporção que a repressão. Em junho, estudantes de todo o Brasil se mobilizaram contra a introdução da taxa de matrícula nas universidades federais. A gradativa transformação do ensino público em ensino pago era uma das exigências dos acordos firmados entre o governo militar e a Agência de Desenvolvimento dos Estados Unidos, o acordo MEC-USAID. O projeto, a médio prazo, era transformar as universidades públicas em fundações - qualquer semelhança com a luta estudantil nos dias de hoje não é mera coincidência. Ainda em junho, a repressão chegou ao limite. Depois de invadir uma assembléia clandestina da UNE, a polícia arrastou 400 estudantes para o campo do Botafogo, no Rio de Janeiro. Os relatos e imagens do que aconteceu naquele campo de futebol ainda impressionam: os soldados urinavam e batiam nos estudantes indefesos, deitados com as mãos na cabeça, e abusavam das jovens com cassetetes. No dia seguinte, também no Rio, a população e os estudantes se enfrentaram com a polícia durante quase 10 horas. O episódio, conhecido como "Sexta-feira Sangrenta" deixou quatro mortos, vários baleados, espancados e presos. ======================================================================================================= + Detalhes. Edson Luís de Lima Souto "Mataram um estudante. Podia ser seu filho" Natural de Belém (PA), nascido a 24 de fevereiro de 1950 e assassinado no Rio de Janeiro no dia 28 de março de 1968, foi um estudante brasileiro baleado mortalmente pela Polícia Militar durante um confronto no restaurante Calabouço (Restaurante Central dos Estudantes), Centro do Rio de Janeiro. Edson foi o primeiro estudante assassinado pela Ditadura Militar e sua morte marcou o início de um ano turbulento de intensas mobilizações contra o regime militar que endureceu até decretar o chamado AI-5. Edson mudara para o Rio de Janeiro para fazer o Segundo Grau (atual Ensino Médio). Acabara de completar 18 anos e estava longe de ser um líder estudantil, como Wladimir Palmeira, contudo colaborava com os estudantes de forma discreta e silenciosa, compreendendo o objetivo da luta de seus colegas. Naquele dia, os estudantes protestavam - como faziam praticamente todos os dias - realizando uma manifestação contra o aumento dos preços do restaurante Calabouço, criado para atender alunos carentes e custeado pelo governo e também contra a má qualidade das refeições e do ambiente. A Polícia Militar, achando que a Embaixada dos Estados Unidos da América, vizinha ao restaurante, seria atingida, chegou para impedir a manifestação, invadiu o Calabouço e Edson caiu com um tiro à queima-roupa. A maioria das fontes indica que seu algoz foi o aspirante da Polícia Militar Aloisio Raposo. Edson não foi a única vítima fatal nesse confronto: um outro estudante, Benedito Frazão, também foi atingido e morreu no hospital. O restaurante fechou depois da morte dos dois estudantes e nunca mais reabriu. O fato sensibilizou a população brasileira junto à luta estudantil. "Mataram um estudante. Podia ser seu filho" foi a frase que sintetizou a revolta dos estudantes e da população devido à violência extrema das forças militares na ocasião. Na manhã do dia 2 de abril foi realizada um missa na Igreja da Candelária em memória de Edson. Após o término da missa, as pessoas que deixavam a igreja foram cercadas e atacadas pela cavalaria da Polícia Militar com golpes de sabre. Dezenas de pessoas ficaram feridas. Outra missa seria realizada na noite do mesmo dia. O governo militar proibiu a realização dessa missa, mas o Vigário-Geral do Rio de Janeiro, D. Castro Pinto, insistiu em realizá-la. A missa foi celebrada com cerca de 600 pessoas. Temendo que o mesmo massacre da manhã se repetisse, os padres pediram que ninguém saísse da igreja. Do lado de fora haviam 3 fileiras de soldados a cavalo com os sabres desembainhados. Num ato de coragem, os clérigos saíram na frente de mãos dadas, fazendo um "corredor" da porta da igreja até a Rua Rio Branco, para que todos os que estavam na igreja pudessem sair com segurança. Apesar desse ato, a cavalaria atacou covardemente todos os que participaram da missa. Em março de 2008 na praça Ana Amélia (entre a avenida Churchill e a rua Santa Luzia), centro do Rio de Janeiro, foi inaugurada uma escultura em homenagem ao estudante Edson Luís. O evento foi resultado de uma parceria entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Prefeitura do Rio de Janeiro, União Nacional dos Estudantes (UNE), e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). ========================================================================================================== + Detalhes. Edson Luiz Endereço: Praça Ana Amélia Carneiro de Mendonça Peça: Escultura Data: 2008 Artista: Cristina Pozzobon Material: Aço Histórico - Um monumento que traz uma bandeira dilacerada e com várias pegadas de vidro, representado os estudantes mortos pela ditadura militar, foi inaugurado na Praça Ana Amélia, no Centro do Rio, nesta sexta-feira, 40 anos após o assassinato do secundarista Edson Luís Lima Souto, que tinha 18 anos. É o primeiro monumento inaugurado em praça pública pela Presidência da República em memória aos mortos e desaparecidos durante o regime militar, segundo o ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Fonte de pesquisa - Arte Ambiente - cidade Rio de Janeiro - http://www0.rio.rj.gov.br/fpj/ - Jornal do Brasil - 28/03/2008 ================================================================================================= + Detalhes. O ano começa com o Calabouço - Vladimir Palmeira www.vladimirpalmeira.com.br/ano1968_1.htmlEm cache - Similares - Bloquear todos os resultados de www.vladimirpalmeira.com.br Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer ... muitos estudantes feridos por estilhaços de granadas e atingidos por bombas de gás lacrimogêneo e um secundarista de 16 anos, Edson Luis Lima Souto, ... ============================================================================================================== Detalhes. Rio, 1968: imagem da Sexta-Feira Sangrenta Enviado por luisnassif, sab, 05/11/2011 - 16:00 Por Vaas Em 22 de julho de 1968, diversos intelectuais e artistas participaram de uma passeata contra a repressão policial aos estudantes no Rio, episódio conhecido como a Sexta-Feira Sangrenta. Nesta foto, de autor desconhecido, aparecem da esquerda para a direita Carlos Scliar, Helio Pellegrino, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento. http://imagesvisions.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111126/ac7e17c2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12173 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111126/ac7e17c2/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 10908 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111126/ac7e17c2/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 26 15:35:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 26 Nov 2011 15:35:07 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Beth Carvalho: "CIA quer acabar com a cultura brasileira" Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 25 de Novembro de 2011 - 14h31 Beth Carvalho: "CIA quer acabar com a cultura brasileira" Em entrevista ao jornalista Valmir Moratelli, do iG por ocasião do lançamento do CD de músicas inéditas "Nosso samba tá na rua" - dedicado a dona Ivone Lara, com canções sobre a negritude, o amor e o feminismo - a cantora Beth Carvalho é mordaz : "a CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura", diz a cantora, presidente de honra do PDT. George Magaraia "Só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade" iG: Em seu novo CD, a letra "Chega" é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres? Beth Carvalho: O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários. iG: De que forma o samba é machista? Beth Carvalho: A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos). iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação? Beth Carvalho: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária. iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda? Beth Carvalho: Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre. iG: Defende a permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho? Beth Carvalho: Olha, sou presidente de honra do PDT porque é um título carinhoso que Brizola me deu, mas não sou filiada ao PDT. Não tenho uma opinião formada sobre isso, porque não sei detalhes. Existe uma grande rigidez a partidos de esquerda. Fizeram isso com o PCdoB do Orlando Silva, e agora fazem com o PDT. O que conheço do Lupi é uma pessoa muito correta. Eles deveriam ser menos perseguidos pela mídia. iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista? Beth Carvalho: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz 'me deixem em paz'. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco. iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba? Beth Carvalho: Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil. iG: Por quê? Beth Carvalho: Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa. iG: Como quais? Beth Carvalho: Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar. iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não? Beth Carvalho: Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia. iG: Este não seria um pensamento ultrapassado? Beth Carvalho: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes... A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez. iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela. Beth Carvalho: Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta) iG: Com a democracia... Beth Carvalho: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV. iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez... Beth Carvalho: Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar. iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição? Beth Carvalho: Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio. iG: Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes? Beth Carvalho: Não, o samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk. iG: Quem é o culpado? Beth Carvalho: Isso tem tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não. iG: O samba vai resistir a esta "guerra" que a senhora diz existir? Beth Carvalho: Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: "Nosso samba tá na rua". Fonte: iG -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111126/6995a22b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 26968 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111126/6995a22b/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4614 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111126/6995a22b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 27 13:36:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 27 Nov 2011 13:36:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__RAIMUNDO_FERREIRA_LIMA_______________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CCCVIII-?= Message-ID: <9928DA4A787A4A3FA4FC8C262D5EAA5E@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem RAIMUNDO FERREIRA LIMA Líder camponês da região de Itaipava, no Araguaia. Membro da Comissão Pastoral da Terra, foi candidato da chapa de oposicão ao Sindicato de Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, no Pará. Foi assassinado em 29 de maio de 1980, numa emboscada. Seu nome constava numa lista dos fazendeiros da região, elaborada após a morte de um grileiro, que iniciara a demarcação das terras de sua fazenda, sem entrar em acordo com os posseiros, ameaçando expulsá-los. Tudo indica que seu assassino foi o capataz José Antônio, filho adotivo de Fernando Leitão Diniz. A polícia de Araguaína abriu inquérito somente dois dias após o crime, sob pressão da Comissão Pastoral da Terra. ========================================================================================= + Informações. Raimundo Ferreira Lima, o Gringo A família de Raimundo Ferreira Lima o viu pela última vez em abril de 1980, quando partia de sua casa, em Itaipavas, zona rural de Conceição do Araguaia, Pará. Era conhecido como "Gringo" e seguia para um encontro de oposições sindicais em São Paulo. No caminho de volta, sabe-se que pernoitou em Araguaína, hoje no estado de Tocantins. Depois desapareceu. Foi encontrado em 29 de maio de 1980, na entrada deste município. Um motorista avistou o corpo jogado à beira da estrada, ainda agonizante: apresentava dois tiros nas costas, um braço quebrado e a cabeça marcada de sangue por pancadas. O sogro, vindo à delegacia de Araguaína para reconhecimento do cadáver, desmaiou abalado diante do que viu. Mas a brutalidade não chegava a ser uma surpresa. Em reportagem sobre o crime no jornal Movimento, representantes da CPT denunciavam a existência de duas listas, preparadas provavelmente por uma madeireira paraense, onde se registravam os nomes das pessoas marcadas para morrer24. Além de Raimundo, constavam padre Aristides, dois agentes pastorais e três posseiros. Em 1976, a polícia invadira a casa de Gringo quando este se ausentara, procurando-o com o fuzil apontado para sua esposa, Maria Oneide. "Ele sempre me dizia: olha, tu te prepara, porque qualquer hora tu recebe a notícia que eu morri. Porque na luta em que estou, pelo povo, a qualquer hora me matam por aí", conta Oneide sobre o que ouvia do marido25. O montante de dinheiro que a vítima levava na ocasião não fora sequer tocado pelo criminoso, o que decerto comprovava a motivação política do feito. Poucos dias antes do crime, o destino de Gringo fora publicamente anunciado pelo capataz de um fazendeiro. Durante conflito com posseiros no município de Xinguara, vizinho a Conceição do Araguaia, o capataz fizera um "juramento" diante dos posseiros: iria matar Gringo. Mais tarde, ao investigar as circunstâncias do crime em Araguaína, o advogado da CPT Paulo Fontelles ouviria do delegado local que a morte do lavrador era certa, "porque ele era um agitador". Pode-se dizer que se tratava de uma posição oficial. No caso de Gringo, a intimidação e o terror coordenados pelas ações federais desvelam-se em uma seqüência de operações articuladas. De um lado, é exemplar a impunidade do crime: o mesmo capataz que jurara Raimundo de morte aos posseiros de Xinguara estivera hospedado, na noite do crime, em um hotel a poucos metros da casa onde este pernoitara. Fugiria, entretanto, no dia seguinte, escondendo-se sem ser perseguido. A polícia abriria inquérito apenas dois dias depois, por pressão da CPT. De outro lado, a punição sem perdão combatia os posseiros envolvidos em conflitos que gerassem feridos do lado dos fazendeiros. "Entre as barbaridades cometidas pela PM, os membros da CPT denunciaram que os posseiros são obrigados a beber urina de soldados, engolir cigarros acesos e a manter relações sexuais com outros posseiros, entre outras coisas" 26. O Getat (Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins), criado pelo governo federal para "resolver conflitos" por terras na região, seria uma experiência- piloto que findaria por legitimar arbitrariedades e violências dos latifundiários. Enquanto o Major Curió, representante do Getat, movia-se entre a omissão e um ambíguo processo de negociação com os posseiros organizados, estes mal podiam defender-se da polícia militar. Além das prisões e ameaças dos grileiros e grandes proprietários, muitas vezes apoiados pelo arsenal militar, a presença massiva das forças armadas acompanhava as eleições sindicais de Conceição do Araguaia e municípios vizinhos, dando apoio logístico às chapas interventoras e até mesmo descartando cédulas para garantir a derrota das chapas de oposição, como ocorreu em 1980, em um dos pleitos que precederam o assassinato de Gringo27. Note-se que Gringo concorria, como candidato opositor, à presidência do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia quando foi assassinado. Mais de um ano após o assassinato de Gringo, um conflito de terras no qual um gerente de fazenda havia sido morto, e dois policiais foram feridos, levara o Getat a enviar às proximidades de Conceição do Araguaia um delegado especial para apurar o assunto. Enquanto isso, treze posseiros e dois padres - os franceses Aristides Camio e Aristides Gouriou, atuantes na região em favor dos posseiros - estavam sendo presos em regime de incomunicabilidade absoluta. Maria Oneide, viúva da vítima dos fazendeiros, ficaria presa em regime domiciliar. Sem ter recebido a indenização que lhe era devida pelo Funrural por causa da morte do esposo fora abrigada pelos padres e lá estava na ocasião em que os policiais invadiram a casa. Estes aproveitaram para acrescer, aos gestos de violência policial, a difamação e calúnia pessoal contra Oneide, acusando-a de ser "amante" dos religiosos. O crime contra Raimundo Ferreira Lima foi apenas um entre muitos já cometidos. Os números levantados pela ação eclesial do sul do Pará em 1984 dão a feição da política de terras àquela época na região: em apenas um ano, 130 ameaças de morte; 26 pessoas espancadas, feridas e torturadas pela polícia ou por pistoleiros; 321 famílias despejadas; 2.772 ameaças de despejo; e 133 despejos nos quais as casas foram queimadas, os pertences, benfeitorias e roças, destruídos. Conforme registrou padre Ricardo Rezende em 1983, "A conseqüência disso é que temos nos últimos três anos e cinco meses, no mínimo, 80 mortes. Quer dizer: nós temos uma média de mais de três pessoas que morrem por mês nos conflitos de terra, envolvendo lavradores, pistoleiros, fazendeiros e peões. Este número é extremamente modesto frente à realidade, porque muitas informações não nos chegam"28. Gringo tinha 43 anos quando foi morto. Era casado e pai de onze filhos, o maior de onze anos, o menor de oito meses. Além da atividade sindical, era agente pastoral. Sua participação nas organizações coletivas de luta pela terra iniciara-se com o primeiro despejo de sua trajetória, quando, ainda jovem, morava com a família da esposa em Itaipavas, zona rural de Marabá, sua terra natal. Gringo estudou por conta própria e chegou a cursar aulas de prática veterinária com um médico de Marabá. Seu percurso de liderança - instigado pelas lutas, calado pela violência militar - manteve o rumo mesmo após a morte. "Se eu morrer lutando pelo povo, eu morro alegre", dizia o lavrador à sua esposa29. O cortejo de Gringo transformou-se em ato de protesto, no qual compareceram, além dos líderes locais, representantes da Contag, do Movimento contra a Carestia de São Paulo, da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, e figuras políticas do Pará. E havia, é claro, os lavradores sem notoriedade ou posição quaisquer, apenas companheiros de luta. Em discurso proferido durante o enterro, um desses homens descreveu tal condição, homenageando a vítima em um relato sobre a liberdade à custa de sangue: "Eu tenho um muito sentimento de ver o Brasil numa ditadura. O prazer desse pessoal é ver todo mundo analfabeto, pra ninguém saber defender o seu direito. Mas todo analfabeto também sente o sangue derramado, todo analfabeto também é brasileiro". ========================================================================================== + Detalhes. 17/07/2008 - 18:13 "Impunidade permanece", diz viúva de Gringo, morto há 28 anos Maria Oneide Costa Lima conta como venceu o medo e está engajada no combate ao trabalho escravo para dar continuidade à luta do marido "Gringo", líder sindicalista de São Geraldo do Araguaia (PA) assassinado em 1980 Por Beatriz Camargo Oneide desenvolve projetos de combate à escravidão (Foto: Fernanda Sucupira) O sindicalista Raimundo Ferreira Lima, mais conhecido como "Gringo", foi assassinado em 29 de maio de 1980. Alguns meses antes, ele havia sido eleito presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia (PA), no sul do estado. Sua chapa desbancou Bertoldo Lira, candidato da situação, mais próximo da polícia e dos poderosos da localidade. Gringo era agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e lutava pela reforma agrária na região. Há 28 anos, no caminho de volta de um compromisso em São Paulo (SP), Gringo parou para pernoitar em Araguaína, que hoje pertence ao Tocantins. No dia seguinte, retornaria a São Geraldo do Araguaia, na época um distrito do município de Conceição do Araguaia (PA). O intervalo para repouso, todavia, acabou se tornando eterno. Gringo foi seqüestrado do hotel em que dormia e levado para uma estrada fora da cidade, onde foi assassinado a tiros. Um dia antes, o padre Ricardo Rezende Figueira, então diácono, declarara em entrevista coletiva em Brasília (DF) que havia seis ameaçados de morte na região. Um deles era Gringo. Maria Oneide Costa Lima, mulher de Gringo, tinha 29 anos quando ficou viúva. "Eu não sabia nem o que fazer, não tinha nenhum grau de estudos para conseguir um emprego, com seis filhos nas costas pra criar", recorda. Hoje, Maria Oneide é diretora de uma escola pública que leva o nome do homem com quem foi casada, "Raimundo Ferreira Lima", em São Geraldo do Araguaia (PA). Estudantes da escola fizerm duas apresentações durante a Mostra Artística das Comunidades em Araguaína (TO), durante o Festival da Abolição, realizado de 12 a 17 de maio no norte do Tocantins. A organização do evento - composta por CPT, Repórter Brasil, Centro de Direitos Humanos de Araguaína (CDH), Pastoral da Juventude Rural (PJR), entre outras entidades - prestou uma homenagem especial à Oneide. "Essa causa de lutar contra o trabalho escravo, contra todo o tipo de escravidão, é o maior orgulho para mim. Estou continuando aquilo que o Gringo parou, que pararam tirando a vida dele...", declarou ao público do Festival. Ela lembrou o caso de outras pessoas que, como Gringo, morreram levantando a bandeira do direito à terra, como os casos de Expedito Ribeiro, executado em 1991, em Rio Maria (PA), e da família Canuto - o pai, João, foi assassinado em 1985 e os filhos José, Paulo e Orlando também sofreram atentado contra a vida em 1990; dos três, apenas Orlando, mesmo ferido, conseguiu sobreviver. "Nós vamos continuar lutando. A escola Raimundo Ferreira Lima, que é justamente o nome de Gringo, vai levar essa causa em frente", completou Oneide, visivelmente emocionada com a homenagem. Ela nunca deixou a região, mesmo após a morte do marido. Começou a trabalhar com os padres franceses Aristide Camio e François Gouriou, da CPT, e se envolveu na luta por justiça no campo. Foi presa em seu domicílio em 1982, quando os padres também foram encarcerados sob acusação de subversivos e terroristas. Alguns anos depois, Oneide foi ameaçada de morte e chegou até a pedir proteção na capital federal, no período em que era supervisora de escolas da prefeitura. A ameaça vinha de Neif Murad, fazendeiro acusado de ser o principal mandante da morte de seu marido. A história da morte de Gringo é semelhante ao que aconteceu com a missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005. Nos dois casos, um grupo de "interessados" na execução montou um "consórcio" para pagar pistoleiros que acabaram com as vidas do sindicalista de São Geraldo e da irmã norte-americana em Anapu (PA). No caso do marido de Oneide, prefeitos da região, o então deputado estadual - e hoje deputado federal - Giovanni Queiroz (PDT-PA), além de Neif Murad e outros fazendeiros locais foram apontados pela imprensa como supostos mandantes do crime. A notícia do assassinato de Gringo e da formação do consórcio criminosos saiu em vários jornais como paraense O Liberal, além d´O Estado de S. Paulo, que tinha o jornalista Lúcio Flávio Pinto como correspondente no Pará. "Havia a notícia da reunião [dos mandantes que montaram o consórcio], mas ninguém falou ´eu vi´", lembra o editor do Jornal Pessoal. Até hoje não houve julgamento para quem matou Raimundo Ferreira Lima. "O processo foi engavetado, nunca foi levado para frente, nunca foi feito nada para que o verdadeiro culpado pagasse", diz a viúva Oneide. O processo sobre o caso chegou a ser instaurado na Justiça de Conceição do Araguaia, mas acabou engavetado por falta de provas. "Não conseguiram provas. Naquela época era muito precária a investigação", analisa o jornalista Lúcio Flávio. Durante o Festival da Abolição, Maria Oneide conversou com a Repórter Brasil sobre a sua trajetória de vida e a importância da luta pela terra, que movia Gringo e que continua movendo a dedicada diretora da escola que carrega o nome do líder sindicalista que deixou a sua marca na história. Repórter Brasil - O clima de impunidade ainda permanece na região? Oneide - Permanece. E muito. Agora tem o caso da irmã Dorothy [Stang, assassinada em 2005]. O mandante [Vitalmiro Bastos Moura, o "Bida"] é julgado, pega 30 anos de prisão e de repente vem outro julgamento e ele sai livre. Ainda existem casos de impunidade, que geram outros crimes... Mas a senhora não acha que não melhorou? A repercussão da absolvição do Bida, por exemplo, foi negativa... Melhorou. São Geraldo era um lugar do qual ninguém falava. Em São Geraldo houve a Guerrilha [do Araguaia, contra a repressão da ditadura militar], depois houve a prisão de missionários que foram para lá, como o padre Aristide [Camio] e o padre Chico [François Gouriou]... Quando a gente era professora, ninguém vinha falar da guerrilha. Vinha gente lá de São Paulo pesquisar em São Geraldo coisas que os nossos alunos nem sabiam. Era um absurdo falar em "guerrilha". Hoje o pessoal já começa a dizer "eu vi", "eu estava presente". Mas antes, ninguém falava. Não levantava nem a voz. Se chegasse um político dizendo "tem que votar em mim", a pessoa votava porque tinha medo de que soubessem em quem ela tinha votado. Hoje melhorou com relação a isso. As pessoas já sabem exigir, criticar, falar. Os acusados pela morte do Gringo foram a julgamento? Nunca aconteceu. Acho que o processo até acabou. Por cinco ou seis anos depois da morte dele, nós marchamos para Araguaína [onde o sindicalista foi assassinado]. O processo foi engavetado, nunca foi levado para frente. Nunca foi feito nada para que os culpados pagassem pelo crime. E se o inquérito fosse reaberto como no caso da morte do padre Josimo [Morais Tavares, assassinado em 1986]? Ah, a minha vontade era de ver esse julgamento, sim. Pelo menos para ver quem fez no banco do réu. Mas é difícil, né! Depois de tanto tempo. Quem sabe... Alguns mandantes ainda estão aí. O [principal] mandante já morreu, em 1984. Os lavradores da região mataram, não para vingar a morte do Gringo, mas por causa de conflitos envolvendo as mesmas terras. Qual é a história dessas terras? Eram terras devolutas e o fazendeiro Neif Murad queria tomá-las dos posseiros. E tinha posseiro morando com mais de dez anos naquela terra... E por isso eles mataram o Gringo. A gente soube depois que a pessoa que matou [o Gringo] também morreu, mas foi por causa de outro crime cometido em Formoso do Araguaia [município do sul do Tocantins]. A família do rapaz morto [nesse outro caso] matou ele [pistoleiro]. Também houve um consórcio de mandantes no caso do Gringo? Isso. Antes era mais camuflado isso de contratar pistoleiro. Hoje é mais assim, cara limpa. Inclusive até o prefeito de Araguaína da época estava envolvido [como suspeito, pela imprensa], Joaquim [de Lima] Quinta era o nome dele, se não me engano. Também o deputado [estadual] na época, Giovanni Queiroz [que hoje é deputado federal pelo PDT-PA]. Mais ou menos seis pessoas estavam envolvidas [como mandantes]. Eu ainda tenho o jornal da época. A senhora não saiu de São Geraldo do Araguaia depois da morte do Gringo. Foi difícil ficar no mesmo lugar, não foi? Eu não sabia nem o que fazer, não tinha nenhum grau de estudos para conseguir um emprego, com seis filhos nas costas pra criar. Na época, o padre Chico e o padre Aristides tinham acabado de chegar a São Geraldo. Como o Gringo trabalhava na Pastoral da Igreja [Católica], eles me perguntaram se eu queria trabalhar na Pastoral também e eu aceitei. Quando comecei a trabalhar com eles, eu me senti outra pessoa, porque ia para a zona rural com eles. A gente se envolvia em muitas questões de terra. Terminei o segundo grau e depois o curso universitário em História e criei meus filhos. Mas toda a vida foi esse sentimento assim de lutar, sabe? Os padres [Aristide e François] foram presos [em 1982], eu fui presa também, prisão domiciliar. Havia perseguição... A Polícia Federal perseguia... Eles inclusive invadiram a minha casa e pegaram uma foto minha e da minha família. Fizeram uma montagem, dizendo que eu estava no Rio de Janeiro (RJ), com o padre Aristide, na praia, gastando o dinheiro dos pobres. Jogaram panfletos em toda região, de avião. Quando cheguei na zona rural, o pessoal estava com o papelzinho pregado na parede. Eles não sabiam ler, né... Diziam "Olha dona Oneide, olha aqui a senhora!", e eu contava a história e ia rasgando [os panfletos com a fotomontagem]. A senhora não teve medo? Tive medo por causa dos meus filhos, mas só uns dez anos depois, quando chegaram os [meus] 40 anos... Quando eles eram pequenos eu não tinha medo. Eu ia, participava, falava, dava nome aos bois. E depois eu fiquei com medo. [Os filhos] ficaram sem pai, e agora iam ficar sem mãe? Viúva de "Gringo" venceu o medo e voltou à ativa (Foto: Fernanda Sucupira) Principalmente depois do que aconteceu com a família Canuto... A gente era vizinho. Qualquer coisa que acontecia lá a gente ficava sabendo. Rio Maria fica a uns 200 km. [Esse caso dos Canuto] foi no final dos anos 1980. A partir daí eu fiquei com medo... Cansei de dormir com lavrador em minha casa, vigiando. Ficava em casa com medo porque o pistoleiro dizia que ia me matar. Eu já tinha saído da Paróquia e trabalhava na prefeitura como supervisora de escola e tinha que ir pra mata [zona rural]... E por que as ameaças? Sempre por causa da luta pela terra. Eu participava das reuniões, cuidava das coisas dos lavradores. O fazendeiro Neif Murad, justamente o que mandou matar meu marido, disse que da minha família não ia sobrar nem as galinhas. Falou lá pro pessoal e me contaram. Aí eu fui pedir proteção em Brasília (DF) porque me senti acuada. O ministro da Justiça da época me encaminhou para Belém. O secretário de segurança pública do estado fez uma audiência comigo e com ele [Neif Murad], e os filhos. Ele assinou um termo dizendo que qualquer coisa que acontecesse comigo - se eu, andando nas escolas, de repente morresse - então ele seria o único suspeito. Eu até andei com policial na zona rural e tinha medo, porque eu não confiava na polícia. E hoje a senhora confia? Não... Só confio no meu filho, que é policial. Por ironia do destino. Ele se tornou policial porque soube que o criminoso que matou o pai dele estava na região. Então ele foi ser polícia para se vingar. [Mas depois, quando se tornou policial] ele foi segurança do padre Ricardo [Rezende], e depois do frei Henri [de Roziers, da CPT de Xinguara (PA)]. Hoje ele está ajudando a montar a polícia comunitária que está sendo criada agora no Pará. Foi por medo que a senhora se afastou da luta? Isso. E também começou a troca de padres. Porque quando o padre da paróquia é uma pessoa que luta, é outra coisa. Os padres Aristide e o Chico eram assim. Aí depois vai trocando e vão mudando as coisas, né... Então a senhora se voltou mais para o trabalho na escola... Eu hoje sou diretora da escola que tem o nome dele [Gringo]. Faz 22 anos que eu trabalho lá, desde 1986. Entrei como professora e a escola já se chamava Raimundo Ferreira Lima. Eu passei uns dez anos afastada que eu não ia nem em reunião, sabe? Era só da escola para casa, e da casa para escola... Esqueci até da Igreja. Os meninos falaram: "Mãe, eu não estou reconhecendo a senhora, vamos lutar, arregaçar as mangas!", e pensei "É mesmo". Agora já comecei de novo a levantar, brigar, falar, exigir, reclamar... Como a senhora se engajou no combate ao trabalho escravo? A Aninha [Ana Souza Pinto, também da CPT de Xinguara] sempre me ligava, e um dia disse "Oneide, tenho um projeto". Era o "Escravo, nem pensar!". O primeiro projeto que fizemos [na escola] ano passado foi ótimo. Trabalhamos seis meses, apresentamos e depois mandamos as fotos para a Repórter Brasil. Este ano outro projeto nosso foi agraciado com o financiamento. Qual é a proposta do projeto deste ano? Chama-se "Conscientizar para erradicar". Nós vamos fazer reuniões em pontos estratégicos da cidade, onde há mais pessoas que trabalham. Vamos convidar o juiz e a promotora para dar palestras nas escolas. Eu já até falei com o juiz, ele aceitou e até parabenizou a gente, disse que é muita coragem fazer esse trabalho, principalmente aqui na região de São Geraldo, porque já foram constatados vários casos de trabalho escravo. A luta contra o trabalho escravo está ligada ao trabalho do Gringo? Com certeza. Essa era a luta dele. Hoje eu sinto a falta do Gringo. São 28 anos, mas pra mim foi ontem. Nunca a gente esquece...Quando ele morreu, o meu caçula tinha nove meses. Hoje ele está com 28 anos. Agora já tenho netos: são 16. Eu estou com medo de ter bisnetos! Já falei: não quero bisneto porque se não vou ficar mais velha. O Gringo era um bom pai, um bom marido... Passou um bom tempo e eu nunca me casei... Sinto saudades. ===================================================================================== FICHA Raimundo Ferreira Lima Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Raimundo Ferreira Lima Atividade: Camponês Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 29/5/1980 Conceição do Araguaia PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111127/5884c930/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3637 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111127/5884c930/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 15715 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111127/5884c930/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 27 13:36:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 27 Nov 2011 13:36:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Chico_Buarque_=E2=80=93_Almanaque_=281?= =?utf-8?q?981=29__________________________________________________?= =?utf-8?q?_______________HOJE_=C3=89_DOMINGO!__M=C3=9ASICAS!?= Message-ID: <2B304E57850B4109A58F5492AD615C57@vcaixe> WordPress.comCarta O Berro.........................................................repassem New post on blues, jazz, mpb e etc. Chico Buarque ? Almanaque (1981) by Antonio Ozaí da Silva Chico Buarque - Almanaque (1981) download Thanks for flying with WordPress.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111127/baed625e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 28 20:07:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 28 Nov 2011 20:07:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__NILTON_ROSA_DA_SILVA_=28BONITO=29_____?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCCIX-?= Message-ID: <6F51805028164519BE9A418FA70B2E63@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem NILTON ROSA DA SILVA (BONITO) Nascido em Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, onde foi um ativo participante do movimento estudantil secundarista. Foi morto em 1973, numa manifestação de rua no Chile. Pertencia às Brigadas do MIR - Movimiento de lzquierda Revolucionario. ======================================================================================== + Detalhes. -------------------------------------------------------------------------- NILTON DA SILVA, BRASILEÑO, todo este territorio es tu sepulcro Oscar Aguilera, junio de 2005 -------------------------------------------------------------------------- Cuando ingresamos al Pedagógico en 1972, en pleno gobierno de Salvador Allende, supimos que había llegado unos días antes un compañero que se transformaría en un personaje inolvidable al poco tiempo. Había editado un pequeño libro a mimeógrafo llamado "HOMBRE AMERICA". Nilton Rosa Da Silva, poeta, de pelo largo, militante del FER (el frente estudiantil del MIR de ese tiempo), hablador impenitente, seductor incansable, solitario estudioso del marxismo y la poética, revolucionario internacionalista a carta cabal. Nilton era un poco mayor que el promedio de edad de nuestro curso, el primer año de Pedagogía en Castellano del 72. Era refugiado político en Chile e indudablemente traía un caudal de experiencias de su patria, que nos dejaba con escalofríos pensando, en ese tiempo, que en Chile jamás ocurrirían esas cosas de las que Nilton había sido testigo y víctima en Brasil: secuestros, torturas, asesinatos. Nuestro curso tenía marcadas inclinaciones por la poesía, el teatro y la música. Al poco tiempo después de la semana mechona, nos dedicábamos a hacer lo que ahora se llamaría "acciones de arte". Ocupábamos sorpresivamente los prados o el casino y nos poníamos a declamar a voz en cuello, acompañados de guitarra y canciones. En la primera línea siempre estaba Nilton recitando un poema en un portugués casi incomprensible, que terminaba preguntando "qué es liberdade". Pero nuestros primeros meses en la Universidad de Chile fueron adquiriendo minuto a minuto toda la temperatura que vivía el país. Vino el siniestro Paro de Octubre del 72. Nilton también estuvo en la primera línea. Ese destino lo llevaba marcado en la frente. Algún día, por ese tiempo, nos prestamos libros: le llevé a su pensionado de alumnos del pabellón J, el edificio que ocupa actualmente Filosofía, un ejemplar del Canto General de Neruda. El me pasó La Literatura, de Gorki. Nunca nos devolvimos nuestros respectivos libros. Algún día lo haremos. Recuerdo que cuando cumplí dieciocho años, en noviembre del 72, fueron muchos compañeros y compañeras del Pedagógico a la inmensa casona en que vivía en la calle Olivos. En algún momento de la fiesta, bastante heterogénea, Nilton quiso detener el tocadiscos IRT donde seguramente ya comenzaba a sonar "Salta, salta, pequeña langosta", para lanzarse a toda voz con el poema que preguntaba por la "liberdade". Pero no tuvo éxito. En la fiesta seguimos adelante con las cumbias, las cuecas; la historia de Chile siguió avanzando hacia 1973. Nuestro curso logró producir una revista de nombre ETCÉTERA, donde aparecen poemas de Nilton. Lo ví poco en ese primer semestre de 1973. Ya casi no iba a clases. Me dedicaba al grupo de teatro del Pedagógico, que había estrenado una obra también poco comprensible para nosotros, pero que advertía los terribles riesgos del fascismo: "Terror y Miserias del Tercer Reich". Nos dirigía un brasileño, Pedro Vianna, que al igual que Nilton sabía lo que venia si triunfaba un golpe de estado contra Salvador Allende. Recuerdo claramente el 15 de junio de 1973. Era un día frío. Un sector de mineros de Rancagua se alzaba contra Allende y marchaba hacia Santiago, encabezados por bandas armadas de derecha. En la noche escuché la noticia en una pequeña radio VIC RCA: Nilton Da Silva Rosa ha sido acribillado. San Martín con Alameda, cerca del Comité Central del Partido Socialista. Estaba lloviendo. Al día siguiente, la noticia, sangrando, corre y entristece al Pedagógico, a la Universidad de Chile, a los refugiados brasileños, al MIR, a la izquierda chilena. Sus funerales fueron gigantescos. Ondeaban miles de banderas en Avenida La Paz. El cortejo multitudinario entró lleno de ira al cementerio. "Compañero Nilton Da Silva. Presente. Ahora y Siempre". Nadie sabía claramente que la muerte de Nilton era el preludio del golpe militar. Sus compañeros de partido ordenaron la sepultación en un nicho temporario. A las dos semanas, el 29 de junio, vino el alzamiento militar llamado "Tancazo". Y el martes 11 de septiembre, la junta militar bombardeaba La Moneda y emitía su primer bando. Nilton fue enviado a una fosa común. Sus restos se extraviaron en ese momento de la historia de Chile. "Todo el territorio nacional es su sepulcro" como dice en un verso Ernesto Cardenal. Sus condiscípulos, como testimonio de homenaje y recuerdo plantamos frente a su ventana, en el antiguo pabellón J -hoy Filosofía-, un árbol brasileño, un jacarandá, se cumplían los veinte años de su muerte defendiendo la Constitución y la libertad de Chile. Pusimos una protección metálica al frágil árbol que fue pintada de rojo y negro, como Nilton hubiera querido. Una de las muchachas que pintó se llamaba Claudia López , una joven estudiante que sería asesinada algún tiempo después. Esta es una de las historias que podemos contar en el Pedagógico: la del poeta combatiente de Castellano, Nilton Rosa da Silva, nacido en Brasil, muerto en Chile el 15 de junio de 1973. -------------------------------------------------------------- CUATRO POEMAS A NILTON DA SILVA pulcros diamantes liman y aprisionan celosamente la existencia de tu vida En la muervida de tus poemáticos del revoluverso y del filialbeso Sancho - carancho largo y flaco pelo NILTON - QUIJANO DOCEMESES de todo esto Es más que un año y aún: resuena Retrueca retañe Remite Tu bucéfala voz (MIGUEL ANGEL CASTILLO) El poeta Nilton con su español a medio terminar se nos queda caído en la alameda sobresaltadamente brasileño anunciando lo que viene en la historia de Chile. Sobresaltadamente tan chileno Nilton sin tumba Nilton árbol poeta sin sepulcro viviendo y reviviendo en toda lluvia (OSCAR AGUILERA) Y es que a un poeta como a vos sólo con la hondura del verso se le puede tocar Y es que aun combatiente como vos solo con lo insondable del canto se le puede hablar (ANASTASIO LOVO) __________________________ Nosotros quedamos todos te recordamos porque seguimos siendo nosotros y eres parte de nosotros poeta (JAIME ROJAS) Nilton Como si fueras una vasta cara morena de grandes ojos sorprendida por un disparo y fijada para siempre sobre la mitad inferior del mundo Repetido tu rostro sobre los periódicos, en cada hora que pasa Para impedirnos olvidar La ineluctable masacre, que como el secundero del reloj avanza hacia el advenimiento de los Nuevos Tiempos Inscritos como una marca sobre la frente de los pueblos más débiles Como si con tu rostro hecho pedazos en san Martín con Agustinas Hubieras caído de espaldas sobre el mundo Amenazando de paso el Edificio Central de la Administración Impidiendo el sueño de empresarios y policías Que discuten en sus reuniones el mejor modo de rematar tu cadáver Estamos seguros de contar contigo cuando llegue el momento Nilton da Silva. Volveremos a ver tu rostro En la primera concentración que hagamos en el centro. (JORGE ETCHEVERRY) -------------------------------------------------------------- PALABRAS DICHAS por MIGUEL ENRÍQUEZ EN TORNO A MILTON: Que entienda el señor Frei y todos los reaccionarios que podrán engañar a los vacilantes y a los reformistas más recalcitrantes, pero la clase obrera que los conoció en El Salvador y Pampa Irigoyn. Al pueblo que los vió dar luz verde al asesinato a Schneider y a los tanques del Viernes 29, al pueblo y los revolucionarios, Frei y sus secuaces no los lograrán engañar jamás. Fueron grupos armados del Partido Nacional con la venia del freismo los que no hace quince días bombardeaban La Moneda, asesinaron a Moisés Huentelaf en Cautín, al obrero Ahumada en Santiago desde el local del pártido Demócrata Cristiano. Son los que han puesto centenares de bombas en los últimos días, los que asesinaron a un general en 1970, los que ametrallaron a nuestro compañero Nilton da Silva en Santiago. Solicitamos, ainda, a interferência de V. Exa. junto ao governo chileno, para que nos sejam devolvidos os restos mortais de NILTON ROSA DA SILVA, morto no Chile em 15 de junho de 1973. Nilton participava de manifestação pública, quando foi atingido mortalmente. Enterrado com honras pelo povo chileno, em manifestação que contou com a participação de milhares de pessoas e representantes do governo Allende, à qual V.Exa. talvez tenha até comparecido. Nilton era gaúcho, nascido em Cachoeira do Sul, e militante do MIR - Movimiento de Izquierda Revolucionario. Ativo militante estudantil, exilou-se em 1971, participando ativamente da política chilena e da defesa do governo de Salvador Allende. Há anos seus familiares pleiteiam que seja trasladado à sua terra natal. Contamos com a expressa manifestação de V.Exa. Cordialmente, Em Porto Alegre, aos 20 de outubro de 1998. Suzana Keniger Libôa Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos FICHA Nilton Rosa da Silva (Bonito) Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Nilton Rosa da Silva (Bonito) Cidade: (onde nasceu) Cachoeira do Sul Estado: (onde nasceu) RS País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Estudante secundarista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Movimento Izquierda Revolucionario MIR Chile Nome falso: (Codinome) Bonito Morto ou Desaparecido: Morto 0/0/1973 Chile Morto em manifestação de rua. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111128/568aba5f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Mas cuidado: se estiver doente, é sempre bom consultar um médico antes de tomar qualquer medicamento. Confira algumas soluções caseiras: 10 - Canja Para tratar: resfriado comum Servida há anos para crianças afetadas pelo tempo, a canja de galinha é um remédio comum nas estações frias. Para alguns, ela não apenas esquenta, mas também é responsável por reduzir a atividade dos glóbulos brancos, responsáveis por causar os sintomas respiratórios de um resfriado. 9 - Óleo de cravo Para tratar: dor de dente Óleo de cravo é uma ótima fonte de eugenol, um antibactericida natural e medicamento popular para dor de dente. Geralmente é administrado colocando poucas gotas em um quarto de uma colher de chá de azeite de oliva. Aplica-se então um algodão umedecido com a mistura no local dolorido. Mas existem alguns riscos. Óleo de cravo não diluído em contato com a boca pode causar queimaduras, danos no tecido ou nos nervos, e dor, com doses altas podendo causar vômitos, garganta dolorida, dificuldades de respiração e até problemas no fígado. O óleo também não deve ser usado em peles machucadas. 8 - Bicabornato de Sódio Para tratar: desarranjo estomacal Comumente usado na cozinha, o bicarbonato de sódio é o ingrediente principal na maioria dos antiácidos. Ele funciona através de uma reação com o excesso de suco gástrico, tornando o pH do estômago mais neutro. Uma colher de chá dissolvida em um copo de água resulta em uma maneira fácil e barata de ajudar sua digestão. Só o gosto é que não é tão bom. 7 - Leite integral Para tratar: bolhas de herpes A herpes não pode ser curada, mas há muitas maneiras simples de acelerar a recuperação da pele machucada. Um modo popular e simples é tomar leite integral, que contém monocaprina. Ela reduz a atividade do vírus e o leite promove a recuperação das áreas afetadas. 6 - Mel Para tratar: garganta dolorida Essa pelo menos tem gosto bom. Consumido sozinho ou como ingrediente de um chá com limão e gengibre, o mel foi comprovado cientificamente como sendo tão efetivo quanto os xaropes de marca. 5 - Vinagre Para tratar: queimaduras de sol Melhor seria se você tivesse usado guarda-sol e protetor solar, mas há algumas formas de diminuir os efeitos da exposição prolongada ao sol. Surpreendentemente, aplicar vinagre, puro ou diluído, na pele com um borrifador pode aliviar as dores. Cobrir a área queimada durante a noite com uma toalha também ajuda a refrescar. O único problema é o cheiro do vinagre. 4 - Silver tape Para tratar: verrugas Outro produto do dia-a-dia que tem provas científicas para sustentar seu poder de cura é a silver tape, que pode ser usada para remover verrugas. Apesar de levar cerca de 28 dias para curar o problema, em um estudo a fita resolveu completamente as verrugas de 85% dos casos estudados, em oposição a 60% resolvidos com crioterapia. 3 - Base de unhas Para tratar: picadas de insetos Usada para formar uma camada protetora em volta da área picada, a base de unhas é conhecida por prevenir a irritação, permitindo que o corpo cure a ferida sem que você fique toda hora coçando. 2- Talco Para tratar: cabelos oleosos Na bagunçada vida moderna, às vezes não há tempo nem para um banho. Enquanto um perfume pode mascarar o cheiro ruim, talco pode ser usado para esconder o cabelo oleoso. Apenas uma colher de chá espalhada pelo cabelo com um pente ou mãos e seu penteado vai ficar muito melhor. 1 - Azeite de oliva Para tratar: dor de ouvido Azeite de oliva morno é usado por muitos pais com crianças pequenas para combater o desconforto de uma dor de ouvido. Acredita-se que o azeite morno alivia a inflamação, diminuindo as dores causadas por muco, que bloqueia o sistema usado para equalizar a pressão interna do ouvido. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111128/57811c77/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 22866 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111128/57811c77/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28854 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111128/57811c77/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 29 20:02:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 29 Nov 2011 20:02:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de___Walter_Kenneth_Nelson_Fleury_________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CCCX-?= Message-ID: <94035FA841D84315AC0E26DC7E4BF042@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Walter Kenneth Nelson Fleury Desaparecido em Buenos Aires em 9 de agosto de 1976. De acordo com uma carta entregue à Comissão de Representação Externa para o esclarecimento dos mortos e desaparecidos, por um funcionário do CELS, um centro ecumênico que busca desaparecidos políticos na Argentina, durante a ditadura militar (1976 a 1983), Walter teria sido visto em novembro e dezembro de 1976, pouco depois de seu seqüestro, na Brigada Guemes, prisão localizada na periferia de Buenos Aires, por Lélio Lopez. ====================================================================================== +Informações. Dossiê lista os brasileiros que desapareceram como vítimas da Operação Condor Uma nova edição do "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964" relaciona pelo menos seis brasileiros que desapareceram na Argentina como vítimas da Operação Condor, plano de repressão conjunta de ditaduras sul-americanas contra opositores nos anos 70 e 80. O dossiê foi organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Os brasileiros desaparecidos na Argentina são os seguintes: Francisco Tenório Cerqueira Júnior (1976), Roberto Rascardo Rodrigues (1977), Luiz Renato do Lago Faria (1980), Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa (1976), Sidney Fix Marques dos Santos (1976) e Walter Kenneth Nelson Fleury (1976). Na última segunda-feira a Justiça italiana, que investiga a Operação Condor, expediu 140 mandados de prisão contra os responsáveis pelas juntas militares e serviços de inteligência do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru. Entre os investigados estão 11 brasileiros. Eles são acusados de participação na Operação Condor. O procurador italiano Giancarlo Capaldo disse que quer a colaboração do Brasil para o julgamento dos brasileiros na Itália. Os brasileiros foram denunciados pelo desaparecimento de dois ítalo-argentinos em território brasileiro: Lorenzo Ismael Viñas (26 de junho de 1980) e Horacio Campiglia (12 de março de 1980). Junto com Horácio Campiglia foi seqüestrada pelas forças da repressão argentina, com suporte das forças de repressão brasileiras, a argentina Mônica Binstock (de origem judaica), quando ambos chegavam em um vôo procedente do México. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse, peremptoriamente, que os repressores brasileiros com ordem de prisão emitidas na Itália não serão expatriados para serem julgados pelos crimes de lesa-humanidade. Ele alega que a Constituição brasileira proíbe essa alternativa. Isso não deveria ser problema para o petista Tarso Genro, já que seu partido se negou a assinar a promulgação da Constituição Brasileira, em outubro de 1988. À época dos fatos denunciados agora pela Justiça iltaliana, Tarso Fernando Herz Genro era dirigente do grupúsculo clandestino PRC (Partido Revolucionário Comunista), o qual tinha pretensões de partir para a luta armada. =========================================================================================================== + Detalhes. A Folha (*), na pág A15, publica reportagem que cobre os brasileiros de vergonha. "Brasil se omite sobre desaparecidos na ditadura argentina" "Governo brasileiro evita participar de investigação de crimes no país vizinho; ao menos seis brasileiros teriam morrido." "Ex-militantes podem ter sido alvo da Operação Condor; Itamaraty diz que assunto nunca foi tratado oficialmente" O Brasil evita tornar-se parte em ações na Justiça argentina que investigam o desaparecimento de brasileiros durante o regime militar de 1976 a 1983 (cujos lideres estão todos na cadeia - argentina). O Brasil poderia fazer como a França, a Espanha e o Chile (o Chile !) que se tornaram parte de ações com a prestação de informações e documentos que ajudassem a esclarecer os casos. Além, é claro, de fazer Justiça e punir torturadores. Os brasileiros desaparecidos na Argentina nesse período foram: Francisco Tenório Cerqueira Junior, Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa, Sidnei Fix Marques dos Santos, Walter Kenneth Nelson Fleury, Roberto Rascardo Rodrigues e Luiz Renato Lago Faria. =================================================================================================================== PDF DESAPARECIDOS POLÍTICOS www.adusp.org.br/revista/03/r03a03.pdfSimilares Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida ministro, Nélson Jobim, todos fa- lam pelo canto ..... to Basso, Maria Regina Marcondes Pinto, Walter Kenneth Nel- son Fleury e Sidney Fix Marques dos Santos ============================================================================================================== FICHA Walter Kenneth Nelson Fleury Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Walter Kenneth Nelson Fleury Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Desaparecido 9/8/1976 Buenos Aires Argentina Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Brigada Guemes Argentina Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/13b1be14/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12536 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/13b1be14/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/13b1be14/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 29 20:02:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 29 Nov 2011 20:02:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Convite_para_o_proximo__S=E1bado?= =?iso-8859-1?q?_Resistente_-_dia_3_de_dezembro_14_horas-_Memorial_?= =?iso-8859-1?q?da_Resistencia_-_lan=E7amento_do_livro_de_Fran=E7oi?= =?iso-8859-1?q?se_Sironi_=22Carrascos_e_V=EDtimas-_Psicologia_da_t?= =?iso-8859-1?q?ortura=22?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem -------------------------------------------------------------------------------- Governo de São Paulo apresenta no Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 - Luz Auditório Vitae - 5o andar SÁBADO RESISTENTE 03 de dezembro, das 14h às 17h30 Tortura e psicologia - uma questão sempre presente A tortura não é coisa do passado. É uma prática que persiste e precisa ser combatida. O Memorial da Resistência de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta no projeto Sábado Resistente "Tortura e Psicologia - uma questão sempre presente", um debate com a psicóloga e ex-coordenadora do Programa Nacional de Combate à Tortura do Governo Federal, Maria Auxiliadora Arantes, e Lúcia Coelho, psicóloga , sobre a tortura, a concepção que move os torturadores e como suas vítimas convivem com essa experiência terrível. Na ocasião, haverá o lançamento do livro Carrascos e Vítimas - Psicologia da Tortura, da psicóloga francesa Françoise Sironi (Professora Titular de Psicologia Clínica e Psicopatologia na Universidade Paris VIII e diretora do Centro de Etnopsiquiatria Georges Devereux). A publicação faz uma análise profunda do ponto de vista psicológico e sócio-político da aplicação premeditada da tortura e descreve instrumentos materiais e verbais utilizados pelos perpetradores dessa infame prática. O fato de os transtornos mentais desencadeados pela destruição física e psicológica das pessoas torturadas serem distintos de qualquer quadro nosológico da psiquiatria atual, levou Françoise Sironi a desenvolver uma nova técnica de atendimento psicológico para as vítimas do que ela denomina como "traumatismo intencional". Este Sábado Resistente conta com o apoio do Conselho Regional de Psicologia, do Sindicato dos Psicólogos, da Sociedade Rorschach e do Instituto de Psicologia da USP . Programação 14h00 - Boas Vindas de Kátia Felipini (Coordenadora do Memorial da Resistência) Apresentação e coordenação: Ivan Seixas (Núcleo de Preservação da Memória Política) 14h15 - "Tortura e psicologia - uma questão sempre presente" "Tortura: crime praticado pelos humanos" Maria Auxiliadora Arantes Mestre em Psicologia Clínica e Doutora em Ciências Sociais - PUC/SP; integrante da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia; Coordenadora Geral de Combate à Tortura na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (2009-2010); fundadora e dirigente do Comitê Brasileiro pela Anistia de São Paulo - CBA/SP (1978-1982) "As raízes geopolíticas da tortura intencional e seus efeitos na sociedade brasileira" Lúcia Coelho Psicóloga, Especialista no Psicodiagnóstico da Rorschach, Presidente da Sociedade Rorschach de São Paulo 16h - Debate 17h - Lançamento do livro "Carrascos e Vítimas - Psicologia da Tortura" (Françoise Sironi) Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/23d823b4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1281 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/23d823b4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/23d823b4/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 29 20:02:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 29 Nov 2011 20:02:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Inaugura=E7=E3o_do_Memorial_do_Ce?= =?iso-8859-1?q?mit=E9rio_de_Ricardo_Albuquerque___-__dia_11_de_dez?= =?iso-8859-1?q?embro_=E0s_11=2E00_hs=2E?= Message-ID: <3B6E6573BE954368A88595F90C423B3C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/ad3cfa8f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 55305 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111129/ad3cfa8f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 30 19:57:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 30 Nov 2011 19:57:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de___RAIMUNDO_NONATO_PAZ__________________?= =?iso-8859-1?q?________________-CCCXI-?= Message-ID: <9563D7CEDB0048DBAE27B1461EA85C9C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem RAIMUNDO NONATO PAZ (? - 1971) Data e local de nascimento: Canindé (CE) Filiação: Francisca Fernandes Paz e Antônio Paz Ferino Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: fevereiro de 1971, Canindé (CE) Também conhecido como "Nicolau 21", foi morto por policiais que cercaram sua casa, sob o comando de Cid Martus, do DOPS/CE, na região de Canindé, Ceará, em fevereiro de 1971. Era camponês, casado com Maria Eudes Ramos. Seu nome consta do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. O exame necroscópico foi realizado na Delegacia de Polícia de Canindé, em 26/02/1971, sendo firmado pelos médicos Waldez Diógenes Sampaio e Antônio Lins Mello, que confirmaram sua morte em tiroteio. A necropsia foi feita por solicitação do capitão da PM Antônio Carlos Alves Paiva, encarregado do inquérito. Seu filho, Valdemar Ramos, foi quem protocolou o requerimento para que o Estado o reconhecesse como ativista político morto por se opor ao regime militar. No entanto, o requerimento foi protocolado fora do prazo, sendo indeferido na CEMDP, por unanimidade, por ter sido o pedido intempestivo. ========================================================================================================================= + Informações. RAIMUNDO NONATO PAZ OU "NICOLAU 21" Camponês do Ceará, foi morto em fevereiro de 1971, na região de Canindé, quando policiais, comandados por Cid Martus, do DOPS/CE, o cercaram em sua casa. O exame necroscópico foi realizado na Delegacia de Polícia de Canindé (CE), em 26 de fevereiro de 1971, sendo firmado pelos Drs. Waldez Diógenes Sampaio e Antônio Lins Mello, que confirmam sua morte em tiroteio. Sua necrópsia foi feita a mando do Capitão da PM Antônio Carlos Alves Paiva, encarregado do inquérito ================================================================================================= FICHA Raimundo Nonato Paz Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Raimundo Nonato Paz Estado: (onde nasceu) CE País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Camponês Dados da Militância Nome falso: (Codinome) Nicolau 21 Morto ou Desaparecido: Morto 0/2/1971 Canindé CE Brasil em casa Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/CE DOPS/CE ou DEOPS/CE CE Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Cid Martus, Capitão Antônio Carlos Alves Paiva Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Antônio Lins Mello, Waldez Diógenos Sampaio Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111130/882ab6b7/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3637 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111130/882ab6b7/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 30 19:57:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 30 Nov 2011 19:57:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] videos Para ver, pensar e repassar. Message-ID: <14B02D0689794220ACEF43DB4AA0EC4C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: izaias almada Para ver, pensar e repassar. PARTE 1 http://youtu.be/4Nk2CGEsDdU PARTE 2 http://youtu.be/JSXsrntGvQE -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111130/02130482/attachment.html