From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 1 19:27:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 1 Mar 2011 19:27:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_PAULO_STUART_WRIGTH___________________?= =?iso-8859-1?q?______________________________-LXIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem PAULO STUART WRIGTH (1933-1973) Filiação: Maggie Belle Wright e Lothan Ephrain Wright Data e local de nascimento: 02/07/1933, Joaçaba (SC) Organização política ou atividade: APML Data e local do desaparecimento: setembro de 1973, no estado de São Paulo Seu nome consta na lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Filho de missionários presbiterianos norte-americanos, nascido em Joaçaba (SC), Paulo Stuart Wrigth sempre se preocupou com as condições de trabalho dos operários. Essa preocupação o levou a trabalhar na construção civil em Los Angeles (EUA), nas férias dos seus estudos de pós-graduação em sociologia. Nos Estados Unidos também fundou um grupo contrário à discriminação racial. Estava fazendo o doutorado em sociologia quando - filho de americanos que era - foi convocado para a guerra da Coréia. Teve de deixar os Estados Unidos e passou a ser procurado pelo FBI. De volta ao Brasil e casado com Edimar Rickli, o casal se engajou num projeto da Igreja Presbiteriana nas fábricas paulistas. Ele aprendeu o ofício de torneiro-mecânico e atuou no bairro operário de Vila Anastácio. Foi golpeado pela morte do seu primeiro filho num hospital do antigo IAPC, quando a criança faleceu por falta de assistência adequada. Jurou que lutaria para que isso não se repetisse na vida de outros operários. De volta ao seu estado natal, Santa Catarina, ajudou a criar os primeiros sindicatos de Joaçaba, inclusive o dos metalúrgicos. Assumiu uma Secretaria municipal e foi o primeiro candidato protestante à Prefeitura da cidade, em 1960. Concorreu pelo PTB e perdeu por 11 votos. Ainda nesse mesmo ano, tornou-se secretário regional da União Cristã dos Estudantes do Brasil e dirigiu a Imprensa Oficial de Santa Catarina. Em 1962, foi eleito deputado estadual pelo PSP. Denunciou o controle de grupos oligárquicos de Santa Catarina sobre a pesca e organizou 27 cooperativas de pescadores em todo o litoral daquele estado, reunindo-as, em seguida, numa Federação - a Fecopesca - para colocar o controle da pesca nas mãos dos pescadores (o que inspirou Dias Gomes, na novela O Bem Amado). Na véspera do Natal de 1963, sofreu um atentado, mas conseguiu convencer o ex-sargento contratado para matá-lo de que tal crime seria contrário aos interesses da sua própria classe. Esse sargento teria sido contratado pelo suplente de Paulo Wright, um bicheiro ligado a Adhemar de Barros, o corrupto governador paulista que já atuava abertamente em favor de um golpe militar para depor João Goulart. Depois de abril de 1964,a Assembléia Legislativa catarinense, para demonstrar sua adesão ao novo regime e sob pressão da Marinha e da Secretaria de Segurança Pública, sentiu-se na obrigação de cassar o mandato político de algum deputado considerado subversivo. Como Paulo Wright não usava gravata e paletó quando subia à tribuna, acabou sendo cassado por "falta de decoro parlamentar". Registre-se que o próprio PTB, partido do presidente da República deposto, votou a favor da cassação. Asilou-se no México, de onde voltou, clandestinamente, um ano depois. Começou então a sua militância clandestina como dirigente da AP. De acordo com documentos dos órgãos de segurança, foi o representante oficial dessa organização na reunião da OLAS - Organização Latino-Americana de Solidariedade, realizada em Havana em agosto de 1967. Teria recebido treinamento militar tanto naquele país quanto em Pequim. Foi submetido a vários processos na Justiça Militar, recebendo algumas condenações. Entre 1971 e 1972, ao lado do principal dirigente da AP, Jair Ferreira de Sá, alinhou-se com a ala dessa organização que se opôs à incorporação de seus militantes ao PCdoB, após uma longa disputa interna que culminou, em setembro de 1972, com a separação definitiva dos dois grupos. A chamada maioria foi incorporada ao PCdoB, entre eles o atual presidente do partido, Renato Rabelo ao passo que Paulo Wright, Jair, Honestino Guimarães e outros militantes mantiveram-se na AP, já rebatizada como Ação Popular Marxista Leninista. Nos primeiros dias de setembro de 1973, foi seqüestrado e levado ao DOI-CODI/SP, onde foi morto sob torturas em 48 horas. Segundo informações de Osvaldo Rocha, dentista, militante da APML na ocasião do desaparecimento de Paulo, ambos estavam juntos num trem que ia de São Paulo a Mauá, na Grande São Paulo. Nessa ocasião, ao terem percebido que eram seguidos por agentes da repressão política, Osvaldo desceu do trem em primeiro lugar e Paulo combinou que desceria em outro ponto. Ao chegar em sua residência, localizada em São Paulo, Osvaldo foi preso por policiais, sendo, em seguida, conduzido às dependências do DOI-CODI, onde foi despido e passou a ser torturado violentamente. Nessa oportunidade, viu no chão a mesma blusa que Paulo usava há pouco, quando estavam no trem. Foram impetrados habeas-corpus pelo advogado José Carlos Dias em favor de Paulo Stuart Wright e de Pedro João Tinn, nome falso usado por ele nos documentos pessoais. Inúmeras iniciativas foram tomadas visando à sua localização. A primeira providência foi a ida do seu irmão, Jaime Wright, acompanhado do coronel Teodoro Pupo, ao DOI-CODI, onde falaram com um sargento que demonstrava muito nervosismo. Após essa conversa, o sargento foi ver alguma coisa lá dentro, voltando meia hora depois e informando que não havia ninguém com o nome de Paulo Stuart Wright. O advogado José Carlos Dias, que pertenceu à Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e, posteriormente, seria ministro da Justiça, também apresentou declarações de uma testemunha que esteve com Paulo Wright na sala de identificação do DOI-CODI/SP, Maria Diva de Farias. Além das iniciativas tomadas pelos familiares no âmbito nacional, em virtude da sua dupla cidadania foram realizadas iniciativas também junto ao Departamento de Estado e ao Senado dos Estados Unidos. As autoridades brasileiras, na época, continuaram negando a prisão de Paulo, entendendo que se tratava de uma ingerência do governo norte-americano, porque ele havia sido deputado da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Apesar de todos os esforços empreendidos pelos familiares, sua prisão nunca foi confirmada e seu corpo até hoje não foi encontrado. Sua ficha foi encontrada na gaveta dos arquivos secretos do DOPS/PR que continha 17 militantes de oposição ao regime militar com a anotação "falecidos". Esse seu irmão, Jaime Wright, pastor presbiteriano, tornou-se um grande símbolo da luta pelos Direitos Humanos no Brasil, sendo em outubro de 1975 um dos co-celebrantes do culto ecumênico realizado na Catedral da Sé em protesto contra a morte sob torturas de Vladimir Herzog, e também um dos responsáveis pelo projeto Brasil: Nunca Mais, que propiciou profundo inventário das torturas e dos assassinatos perpetrados pelos porões do regime militar. ==================================================================================================================== + Informações. PAULO STUART WRIGHT Dirigente da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENlNlSTA (APML). Nasceu a 2 de junho de 1933 em Joaçaba, Estado de Santa Catarina, filho de Lathan Ephair Wright e Maggir Belle. Desaparecido desde 1973. No DOPS/PR, o nome de Paulo foi encontrado numa gaveta com a indicação "falecido". Do reverendo Jaime Wright, irmão de Paulo: "O telefone tocou. 'Alô?!' Era a voz mansa e inconfundível de Paulo. 'Podemos nos encontrar hoje às 14:00 horas na Praça da Sé?' 'Sim.' No esquema combinado, nos encontramos às 15:00 horas na Praça da República. Eram tempos de ditadura. Clandestinidade. Conversávamos sobre família e, principalmente, teologia. Lembrei-lhe que João Calvino também viveu na clandestinidade, adotando nove codinomes diferentes. Nas lembranças da nossa infância, em Santa Catarina, destacamos a ousadia dos nossos pais, ambos missionários norte-americanos. Tiveram a rara intuição de que seus filhos precisavam estudar na convivência diária com outros brasileiros e não numa escola segregada para americanos em São Paulo. Fundaram uma escola nos salões de madeira da Igreja Presbiteriana de Herval, na margem esquerda do Rio do Peixe. (Joaçaba está no outro lado do rio.) Sabiam eles os riscos que corríamos, estudando e convivendo com os amigos do dia-a-dia. Com descendentes de italianos, alemães e poloneses - além da gente cabocIa - aprenderíamos cada palavrão... Lembrávamos também a coragem de 'Dona Bela', nossa mãe, que, contrariando a vontade de papai, pegou um trem e viajou até o Rio de Janeiro para buscar recursos para a instalação do primeiro posto de puericultura na região. Sentou-se na sala de espera de Dona Darcy Vargas, presidente da LBA, informando que dali não sairia até ser atendida. Voltou triunfante para casa. (O posto funciona até hoje.) Exemplos missiológicos assim, fora do seu tempo, contribuíram para torná-lo um leigo cristão irrequieto e inconformado e, sobretudo, corajoso. Estava identificado com os sofrimentos e necessidades do seu povo. Sua preocupação com a condição dos operários levou-o a trabalhar na construção civil em Los Angeles, nas férias dos seus estudos de pós-graduação. Fundou, nos Estados Unidos, um grupo contrário à discriminação racial. Estava fazendo doutorado em sociologia quando foi convocado para a guerra da Coréia. Fugiu dos Estados Unidos para não perder sua cidadania brasileira. Foi procurado pelo FBI. De volta ao Brasil e casado com Edimar Rickli, engajaram-se num projeto da Igreja Presbiteriana do Brasil nas fábricas paulistas. Fez-se torneiro mecânico e atuou no bairro operário de Vila Anastácio. Foi golpeado pela morte do seu primeiro filho num hospital do antigo IAPC, quando a criança nasceu desassistida por médicos e enfermeiras. Jurou que iria lutar para que isso não se repetisse na vida de outros operários. Paulo sempre fez dos seus dias a matéria prima de suas ações. Voltando a Santa Catarina, ajudou a criar os primeiros sindicatos de Joaçaba, inclusive o dos metalúrgicos. Foi o primeiro candidato protestante à prefeitura. Perdeu por 11 votos. Foi eleito para a Assembléia Legislativa. Denunciou o controle de grupos oligárquicos do Estado sobre a pesca. Organizou 27 cooperativas de pescadores em todo o litoral catarinense, reunindo-as, em seguida, numa Federação (FECOPESCA) para colocar o controle da pesca nas mãos dos pescadores (o que inspirou Dias Gomes, na primeira novela em cores da Globo: O Bem Amado). Na véspera do Natal de 1963, sofreu atentado a mando do partido de Adhemar de Barros, mas convenceu o ex-sargento contratado para matá-lo de que tal crime seria contrário aos interesses da sua classe. Tornou-se 'bode expiatório' quando, em 1964, a Assembléia Legislativa foi pressionada pelo Regime Militar a cassar alguém 'corrupto' e/ou 'subversivo'. Acabou sendo cassado por 'falta de decoro parlamentar' (não usava gravata e paletó quando subia à tribuna...). Asilou-se no México e voltou um ano depois. Começavam seus dias de atividade subterrânea como líder do movimento Ação Popular, originário dos egressos dos movimentos estudantis cristãos banidos: Juventude Universitária Católica (JUC) e Associação Cristã de Acadêmicos (ACA). Viveu oito anos na clandestinidade. Nos primeiros dias de setembro de 1973, foi seqüestrado pelo II Exército e levado ao DOI-CODI de São Paulo, onde foi morto por torturas nas primeiras 48 horas do seu cativeiro. Até hoje não se sabe o que fizeram com seus restos mortais. Ruas em quatro capitais ostentam o nome de Paulo Stuart Wright. Na capital do seu Estado, todas as Igrejas se fizeram representar na cerimônia de inauguração da rua que passa ao lado da Igreja Metodista, menos a Presbiteriana. Lá, ele tinha sido eleito presbítero. Com o seu ingresso na 'política', a igreja de Florianópolis lhe proibiu de fazer oração e dirigir classe de Escola Dominical. Pelo visto, a anistia ainda não chegou ao presbítero (leigo) que teve a coragem de levar suas convicções cristãs às últimas conseqüências." De Delora Jan Wright, sobrinha de Paulo: "Isso aconteceu em São Paulo, Capital, possivelmente nos dias 2, 3 ou 4 de setembro de 1973. Segundo informações de Osvaldo Rocha, dentista, militante político da APML, na ocasião do desaparecimento de Paulo, ambos estavam juntos num trem que ia de São Paulo a Mauá, na grande São Paulo; nessa ocasião, ao terem percebido pessoas ligadas à repressão política, Osvaldo desceu do trem em primeiro lugar e Paulo teria descido em outro ponto. Ao chegar em sua residência, localizada em São Paulo, Osvaldo veio a ser preso por policiais, sendo, em seguida, conduzido às dependências do DOICODI(OBAN), onde foi despido e agredido violentamente e, nessa oportunidade, viu no chão a mesma blusa que Paulo usava no trem que o conduzia a Mauá. Foram impetrados Habeas-Corpus pelo advogado José Carlos Dias em favor de Paulo Stuart Wright e Pedro João Tinn, nome falso usado por ele inclusive nos documentos pessoais. Uma série de iniciativas foram tomadas visando a sua localização. A primeira providência no sentido dessa localização foi a ida do irmão, Jaime Nelson Wright, acompanhado de um Coronel, cujo nome é Teodoro Pupo, ao DOI-CODI, onde falaram com um Sargento, que demonstrava muito nervosismo. Após essa conversa com o sargento, este foi ver alguma coisa lá dentro, voltando meia hora depois, quando, então, informou que não havia ninguém com o nome de Paulo Stuart Wright. Dias depois, houve uma outra iniciativa, no sentido da localização de Paulo, quando um Pastor Metodista que tinha relações de parentesco com o Major Ustra e se dispôs a ajudar a família. O Pastor informou os familiares de Paulo que o Major Ustra mostrou a ele, nas dependências do DOI- CODI, uma pasta onde constava apenas o título de eleitor de Paulo Stuart Wright e que não tinha nenhuma notícia do paradeiro do mesmo. O Major Ustra não soube justificar os motivos pelos quais não tinha notícia do paradeiro de Paulo. Uma dentista, cujo nome é Marlene de Souza Soccas, contou ter sido presa em 1970, ficando detida nas dependências do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha), onde pôde ver um painel com várias fotografias de Paulo, o que, desde então, indicava que o mesmo já era procurado pelos órgãos de repressão. Além das iniciativas tomadas pelos familiares de Paulo, no âmbito nacional, outras tiveram ensejo no Forum Internacional, em virtude da sua dupla cidadania. Foram feitas junto ao Departamento de Estado e ao Senado, nos Estados Unidos, sendo certo que as autoridades brasileiras continuaram negando a prisão de Paulo Stuart Wright, entendendo que se tratava de uma ingerência do governo norteamericano, até porque Paulo havia sido Deputado do Parlamento Brasileiro, mais precisamente na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Apesar de todos os esforços empreendidos pelos familiares, Paulo até hoje não foi encontrado e a convicção de que foi assassinado, está baseada em declarações prestadas por terceiros que constam entre os documentos do Projeto 'Brasil Nunca Mais'." A respeito de sua militância e desaparecimento, ver o livro "O Coronel Tem Um Segredo: Paulo Wright Não Está em Cuba", de Delora Jan Wright, Editora Vozes, São Paulo. ========================================================================================== + Informações. Edição n.º 811 de 07/07/2005 Tribuna Catarinense Olhar o passado, entender o futuro Em tempos de turbulência a maioria das pessoas fica atônita, descrente, sem esperança, apreensiva, tentando imaginar "onde isso tudo vai parar"? Esse bombardeio de informações e contra-informações produz um clima de terrorismo, joga tudo na vala comum e tem a intenção de desmoralizar por completo a institucionalidade política, historicamente atacada. Outra questão que se coloca é qual o objetivo final de quem está patrocinando esse bombardeio, o que eles querem com isso? Nada melhor do que buscar alguma boa referência que extrapole essa conjuntura. Com certeza teríamos várias, mas quero resgatar uma, importante, mas infelizmente pouco lembrada e pouco valorizada no seu sentido político. Lembro do catari-nense Paulo Stuart Wright, descendente de missionário americanos, de vocação presbite-riana, nascido em Joaçaba, no dia 02 de julho de 1933. Sim, Paulo Stuart Wright completaria, apenas 72 anos. Este cidadão teve uma formação religiosa muito forte, envolveu-se na luta dos trabalhadores, inicialmente no movimento sindical, disputou uma eleição para prefeito de Joaçaba em 1960, com apenas 27 anos de idade, perdendo a disputa por 11 votos; elegeu-se deputado estadual dois anos depois e começou um mandato voltado a organização dos trabalhadores. Um dos resultados foi a formação da Fecopesca (Federação Catarinense das Cooperativas de Pescadores), formada por 27 cooperativas de pescadores que ajudou a criar. Em abril de 1964, no entanto, teve o mandato cassado. Acusação: quebra de decoro parlamentar. Motivo: não usar terno e gravata nas seções da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Na verdade, sua cassação foi encomendada pelo Cenimar (Centro de Informações da Marinha) e Paulo Wright era sabedor do risco de vida que estava correndo. Exilou-se por um tempo e voltou para o Brasil na clandestinidade. Não abandonou sua missão, prosseguindo na atuação como dirigente da AP (Ação Popular). No dia 3 setembro de 1973, quando foi visto pela última vez, num trem em São Paulo. O que ocorreu deste dia em diante, ninguém explicou até hoje. Além desse breve relato, sua história é tema de vários livros, um filme e um documentário, que será lançado nos próximos meses em Florianópolis. Porém, lamentavelmente, ele é ainda pouco lembrado nos capítulos da história de Santa Catarina. Algumas pessoas que conviveram com Paulo Stuart Wright também fazem relatos muito interessantes da época, como dona Eliane Marinho, que foi sua secretária, ou o advogado Murilo Krüger, colega de militância pastoral. Essas pessoas relatam principalmente o lado humano de Paulo Stuart Wright e, junto com o lado humano, a personalidade, o zelo pela ética e a moralidade pública, maior patrimônio de um cidadão, de uma cidadã. Diante desse exemplo posso fazer reflexões ligadas ao momento que vivemos: -a história política brasileira é marcada por injustiças, nesse caso ser justo era considerado crime; -as verdades geralmente só aparecem muito tempo depois que as pessoas se vão. Como acreditar nas instituições sem acreditar nas pessoas? E como acreditar nas pessoas quando estamos diante de versões completamente antagônicas? Frente ao quadro de insegurança e à dúvida, olhar para trás, buscar bons exemplos, pode fazer a diferença. Pode nos fazer acreditar que nem tudo está perdido e que um dia haveremos de entender qual dos lados estava com a razão. * José Roberto Paludo, historiador, Florianópolis. =========================================================== + Informações. A vida de Paulo Wright retratando uma época Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 06 de abril de 1989 Contar as controvérsias do regime militar e as ações de resistência à disputa brasileira é a proposta do filme que o Cine Groff começa a exibir hoje, com sessões às 14, 16, 18, 20 e 22h. "PSW - Uma crônica subversiva" conta a história de Paulo Stuart Wright, ex-deputado e desaparecido nos porões da repressão. O filme começa mostrando o encontro clandestino de Paulo com mais dois combatentes, na Semana da Pátria de 1973, quando teria sido preso e supostamente morto, e segue numa retrospectiva onde conta a sua trajetória pessoal e política. Paulo Stuart Wright nasceu em Joaçaba, Santa Catarina, filho de pais americanos e protestantes, fato que o levou a estudar nos Estados Unidos. Também graças a essa influência é que Paulo, já de volta ao Brasil, engajou-se ao movimento de trabalho social que os protestantes progressistas desenvolveram na época. Em 1963 foi eleito deputado estadual, baseando seu mandato em atos e defesa das reivindicações dos trabalhadores. Em 1964 foi cassado, sendo obrigado a deixar o país, só retornando em 1967, quando passou a lutar clandestinamente contra a ditadura. Desapareceu em 1973, e seu irmão, o pastor protestante Jaime Wright, coordenador do livro "Brasil Nunca Mais", ainda continua investigando o fato. Antônio Fagundes vive o papel de Paulo, e no elenco estão ainda Paulo Mosca, Renato Borghi, Maria Padilha e Antônio Abujamra. A produção é assinada por José Jofilly e a direção é de Paulo Halm e Luís Arnaldo Dias Campos. O primeiro já é conhecido pelos trabalhos realizados nos filmes "Pedro Mico", de Ipojuca Pontes, e "A cor do seu destino", de Jorge Duran, quando foi assistente de direção. Já Luiz Arnaldo consagrou-se com o curta "Na calada da noite", vencedor do Sol de Ouro no Rio Cine Festival de 1986, e também com o curta ABC Brasil, que ganhou o prêmio de melhor filme no festival de curtas de Niterói. "PSW - Uma crônica subversiva" é portanto, a soma de vários talentos num esforço de mostrar a público um retrato de uma época importante da história nacional, aproximando-se totalmente do ponto de vista daqueles que foram silenciados pela história oficial. LEGENDA FOTO - Renato Borghi, no filme "PSW - Uma Crônica Subversiva" Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em: Veiculo: Estado do Paraná Caderno ou Suplemento: Almanaque ================================================================================== + Informações. Paulo Wright, cristão e revolucionário por André Tadeu de Oliveira * - A história do cristianismo ilustra o caminho de muitos homens e mulheres que vivenciaram o martírio por causa da justiça. É o caso de Paulo Wright (1933-?), ilustre cristão e cidadão brasileiro esquecido pela historiografia de nosso país e pela Igreja Evangélica, instituição a qual dedicou parcela significativa de sua vida. Paulo Stuart Wright nasceu em julho de 1933 na pequena cidade de Herval, Santa Catarina. Seus pais, Lathan e Bella Wright, missionários presbiterianos estadunidenses, foram responsáveis pela implantação do trabalho reformado nesta região de Santa Catarina . Apesar da forte perseguição, organizaram uma pujante igreja presbiteriana e uma escola paroquial. A infância de Paulo foi marcada por um ambiente harmonioso, porém, ao mesmo tempo, bastante rígido. O contato com a natureza e com os animais, assim como a preocupação para com o sofrimento do próximo, ajudaram a formar seu caráter. Acompanhava com profundo interesse a atividade pastoral desenvolvida pelo pai, principalmente as visitas realizadas costumeiramente aos doentes e necessitados. Neste mesmo período, uma tragédia familiar deixaria marcas profundas sobre toda a família: a morte, por afogamento, de seu sétimo irmão no temido rio do Peixe. Terminando o curso primário, prosseguiu os estudos no Instituto Educacional de Passo Fundo-RS, ligado aos metodistas. Como era costumeiro entre filhos de missionários, embarcou para os Estados Unidos a fim de continuar sua formação acadêmica. Deixou no Brasil aquela que seria seu grande amor e companheira por um longo tempo, Edimar Rickli, também conhecida como Edi, filha de um pastor presbiteriano paranaense. Nos Estados Unidos, Paulo ingressou no curso de sociologia e política no College of the Ozarks, Arkansas. A leitura de clássicos sociológicos, assim como uma interpretação mais apurada da situação política mundial, despertou a futura vocação política do jovem catarinense. Já prestes a graduar-se em sociologia, optou por prosseguir os estudos, escolhendo o curso de pós-graduação em estudos da população da Universidade da Flórida. Entre a graduação e o mestrado, mudou-se para Los Angeles, Califórnia, onde arrumou um emprego na construção civil, envolvendo-se em greves e piquetes pela melhoria das condições de trabalho. Este novo universo teórico e prático obtido nos Estados Unidos, aliado à sua profunda fé cristã, estimulou o jovem Paulo a retornar ao país e lutar por uma sociedade mais justa. De volta ao Brasil, estabeleceu-se em São Paulo, onde participou da pioneira experiência realizada por Richard Shaull, importante teólogo presbiteriano em atividade no Brasil, em Vila Anastácio, região operária do tradicional bairro paulistano da Lapa. Esta experiência consistia em reunir jovens cristãos sob um mesmo teto de acordo com um prisma comunitário. Estes jovens eram incentivados a estabelecer contato com os operários da região, exercendo, quando possível, a mesma função profissional. Cumprindo as promessas feitas antes de ir aos EUA, casou-se com Edi no final de dezembro de 1956, sendo a benção matrimonial impetrada por seu irmão Jaime, então um jovem pastor protestante. Após veementes pedidos de sua esposa, retornou a Santa Catarina, estabelecendo residência em Joaçaba. Filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sendo, aos 25 anos de idade, candidato a vereador. Não conseguindo se eleger, exerceu o cargo de secretario da prefeitura. Em 1959, o reverendo Lathan retornou aos EUA, concedendo um belo motivo para que Paulo voltasse, junto com Edi, ao mesmo projeto de Vila Anastácio. Ordenado presbítero, tornou-se um destacado líder da mocidade presbiteriana, sendo colunista freqüente no órgão oficial da mocidade da Igreja Presbiteriana do Brasil, o jornal A Mocidade. Boa parte de seus escritos girava em torno da importância da conscientização do cristão para com os problemas sociais brasileiros. Conseguiu uma vaga de torneiro mecânico filiando-se ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Em 10 de outubro de 1959 nasceu seu filho, Charles Granville Wright. Devido a complicações no parto, mas, principalmente, à ausência de médicos no hospital público paulistano, a criança faleceu um dia após. Profundamente abalado pelo episódio, continuou seu trabalho de conscientização político-social do povo evangélico, sendo eleito, em 1960, secretário geral da União Cristã de Estudantes do Brasil. No I Encontro Sul- Americano sobre o calvinismo escreveu a seguinte tese: É certamente possível à obra humana acabar com a fome, a miséria e o analfabetismo. Nossa maneira de amar nosso próximo deve certamente ir além da ajuda que possamos dar a indivíduos necessitados; deve levar a sério nossa responsabilidade de fazer acabar a miséria e a fome, pois estas forças não têm mais poder e foram destronadas por Jesus Cristo. Para Paulo, a atuação do cristão na sociedade deveria suplantar meras atitudes beneficentes. O crente deveria lutar por mudanças estruturais que erradicassem a miséria e a desigualdade. No mesmo ano, retornou com sua esposa para Joaçaba, lançando-se candidato a prefeito pelo mesmo PTB. Ao término do pleito, foi derrotado pelo candidato conservador da União Democrática Nacional (UDN) pela ínfima diferença de 8 votos. Não desistiu da carreira política, sendo nomeado pelo governador de Santa Catarina, ligado ao aliado PSD, diretor da Imprensa Oficial do Estado. Tal função burocrática não conteve o ímpeto do jovem político, que se engajou em movimentos pró-revolução cubana e organizou, diretamente, 27 cooperativas de pescadores no litoral catarinense. Ao mesmo tempo, era um presbítero bastante atuante na Igreja Presbiteriana de Florianópolis, sendo um dos principais organizadores da polêmica conferência do Nordeste organizada pela Confederação Evangélica do Brasil. No entanto, toda a militância de Paulo Wright em vários setores da sociedade civil clamava por uma função mais decisiva. Esta função seria exercida no parlamento, para o qual foi eleito deputado estadual pelo PSP, já que seu antigo partido, o PTB, não forneceu legenda. Foi um dos deputados mais votados no pleito, com aproximadamente 2.144 votos. Como deputado estadual, lutou pelo direito dos pescadores do litoral, além de ser um sólido defensor das reformas de base promulgadas pelo presidente João Goulart. Sua atuação junto aos jovens ganhava novo vulto, mantendo contato com grupos seculares, como a Ação Popular, grupo esquerdista com forte influência católica. Como era de se esperar, segmentos conservadores iniciaram uma forte campanha contra Paulo, acusando-o de comunista e subversivo. Passado um ano, mais precisamente em abril de 1964, os mesmos setores insatisfeitos com as reformas anunciadas por Jango organizaram um golpe militar que derrubou o presidente democraticamente eleito. Iniciava-se no Brasil uma dura e impiedosa ditadura. A maioria do povo evangélico brasileiro, influenciada por setores conservadores da igreja norte-americana, encarou o golpe de 64 como uma "resposta de Deus contra o comunismo ateu". Mais uma vez a igreja se colocava ao lado dos poderosos. Paulo Wright sentiu rapidamente os horrores da perseguição. Devido a sua postura esquerdista, teve o mandato cassado pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Ferozmente perseguido, dirigiu-se a Curitiba, embarcando posteriormente para México e Cuba. Durante todo o tempo em que permaneceu nos dois países, manteve freqüente correspondência com sua esposa e queridos. Vivendo em Cuba, Paulo passou por uma sólida mudança política, chegando a defender, até mesmo, uma revolução armada para que o socialismo fosse implantado no Brasil. Não obstante, continuava a professar a fé cristã, deixando claro que sua profissão de fé evangélica não era incompatível com sua tendência socialista: Creio que a fé cristã não se identifica com nenhum sistema particular. Ao mesmo tempo o homem pode ser socialista e os fatos dizem que muitos cristãos o são. Entendo que nós, como cristãos, temos a obrigação de reagir precisamente na hora que nos toca viver. No mundo de hoje se vislumbra uma coincidência entre as aspirações dos cristãos e dos socialistas quanto à vida humana, isto é, justiça e bem estar do homem. Após um bom tempo em Cuba, retornou ao Brasil como um dos principais lideres da Ação Popular Marxista-Leninista, um dos vários grupos de esquerda que lutavam contra a ditadura militar. Vivendo na clandestinidade, viu seu casamento chegar ao fim. Em 1973, foi detido em São Paulo e levado para o DOI-CODI, onde provavelmente foi torturado e morto pela repressão. Este foi o fim de Paulo Wright, esquecido por parcela significativa da esquerda brasileira e da igreja que tanto amou. Seu exemplo de vida, contudo, não foi em vão. O irmão Jaime Wright, pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU), foi responsável pela organização de um dos mais completos dossiês a respeito dos crimes cometidos pelo regime ditatorial, lançado como livro sob o título Brasil nunca mais. Colaborou com este trabalho o então arcebispo católico Dom Paulo Evaristo Arns, um dos ícones do catolicismo progressista brasileiro. * André Tadeu de Oliveira, São Paulo-SP, é jornalista e estudante de Teologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Este texto foi publicado inicialmente na revista Alvorada, veículo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. ============================================================================= Da Embaixada dos EUA em Brasília Setembro de 1974 Da Embaixada dos EUA em Brasília Para Secretário de Estado Washington DC Info Cônsul dos EUA em São Paulo Cônsul dos EUA em Recife Cônsul dos EUA no Rio de Janeiro Cônsul dos EUA em Salvador Assunto: Paradeiro de Paulo Stuart Wright 1. O Congen de São Paulo informou a ocorrência de novos contatos com partes interessadas no caso Wright, conforme segue: (Abre aspas) O reverendo James N. Wright, presidente de um grupo missionário presbiteriano no Brasil, nos autorizou a ler um arquivo que mantém sobre seu irmão, Paulo Stuart, que inclui cópias de correspondências entre vários senadores americanos e seus eleitores, correspondências entre esses senadores e o Departamento, recortes de jornais brasileiros e americanos, cópia de carta enviada pelo reverendo ao presidente Geisel (28 de maio de 1974) e cartas diversas de apoio de várias organizações religiosas. O reverendo Wright também nos entregou uma cópia de um documento jurídico redigido pelo professor da Escola de Direito da USP Goffredo da Silva Telles Júnior e pela procuradora de São Paulo Maria Eugênia Rapose da Silva Telles argumentando que Paulo Stuart não perdeu sua cidadania norte-americana pelo fato de ter exercido seus direitos políticos de cidadão brasileiro no Brasil". 2. Na medida em que algumas das cartas dos senadores ao secretário de Estado (às quais não havíamos tido acesso antes) e outros recortes contêm referências a alegadas instâncias em que Paulo Stuart teria sido visto após sua prisão em setembro de 1973, repassamos outra vez os fatos que se seguiram à prisão de Wright tanto com o reverendo Wright quanto com o advogado José Carlos Dias, numa tentativa de distinguir os fatos dos rumores. 3. As observações do reverendo Wright e de Dias podem ser resumidas da seguinte maneira: Paulo Stuart Wright foi visto pela última vez por uma fonte amigável em 5 de setembro de 1973 na sala de identificação do DOI (Operação Bandeirantes) em São Paulo. A testemunha em questão, que é a mesma mulher mencionada nos parágrafos 2 e 3, reftel (A), evidentemente foi libertada pouco depois disso. Após sua soltura, ela retornou diariamente ao DOI para deixar comida para Paulo Stuart com o guarda, já que não foi autorizada a ver Paulo Stuart ou entregar comida a ele pessoalmente. Essa prática continuou até a última semana de setembro de 1973, quando ela foi informada de que Paulo Stuart não estava mais sendo mantido no local. Possivelmente porque o Cenimar, no Rio, na época era o maior interessado em investigar as atividades da Ação Popular (AP), ela presumiu que Paulo Stuart tivesse sido transferido para essa sede. Entretanto, nem o reverendo Wright, nem o advogado Dias puderam confirmar o relato de 26 de novembro de 1973 de Marvine Howe, publicado no "New York Times" de 29 de novembro, segundo o qual "a última notícia a respeito do sr. Wright foi dada por um(a) amigo(a) que disse que ele foi visto 23 dias atrás no Centro Nacional de Informações da Marinha, uma unidade de Inteligência no Rio de Janeiro". 4. Outra informação que o reverendo Wright acredita que tende a confirmar que Paulo Stuart teria sido detido no DOI em São Paulo vem de um seminarista metodista em São Paulo que visitou o então chefe do DOI, major Carlos Alberto Ulstra, algum tempo após a prisão de Wright, para perguntar sobre o bem-estar de Wright. O major teria mostrado ao seminarista o título de eleitor de Paulo Stuart, que o reverendo Wright acredita que Paulo Stuart tinha em sua posse no momento de sua prisão. 5. O reverendo Wright considerou inválida a possível implicação, contida na carta de 14 de novembro de 1973 do senador Abouresk para o secretário de Estado sobre o fato de que "a prisão de Paulo Stuart Wright foi anunciada num programa diário patrocinado pelo governo", de que isso equivaleria ao reconhecimento da prisão de Wright pelo governo brasileiro. O reverendo Wright afirmou que a notícia divulgada pela Voz do Brasil provavelmente em 4 de outubro foi provavelmente um informe sobre a declaração do deputado Aldo Fagundes na Câmara relativa à prisão de Wright. O reverendo Wright não pôde corroborar a afirmação que apareceu no artigo de 15 de novembro de 1973 do Religious News Service (Nova York), da autoria de Gary MacEoin, dizendo que Wright teria sido torturado (no DOI de São Paulo) até que sua identidade real fosse estabelecida, duas semanas após sua prisão. O reverendo acredita que a fonte na qual MacEoin se baseou para fazer essa afirmação pode ter vindo de grupos de exilados brasileiros nos EUA, alguns dos quais, ele deixou entender, podem ser provocadores "profissionais" que alimentam a imprensa americana com informações incorretas relacionadas a Wright, em prol de seus objetivos políticos próprios. 6. O arquivo do reverendo Wright inclui um artigo publicado no "Jornal do Brasil" em 1o de novembro de 1973 que contém a versão das autoridades de segurança brasileiras sobre um alegado incidente de troca de tiros em Recife que teria resultado na morte de José Carlos Novais da Mata Machado, membro do comitê nacional da AP (e supostamente filho de um ex-parlamentar e secretário de Estado de Minas Gerais) e de Gildo Macedo Lacerda (supostamente o chefe regional da AP em Salvador). Este comunicado afirma que a troca de tiros teria ocorrido em 28 de outubro, ou seja, teria sido posterior à prisão de Paulo Stuart em São Paulo, e não anterior a ela, como informamos previamente (reftel B). Não obstante, o reverendo Wright e Dias ainda acreditam que o "Antonio" identificado no comunicado como sendo o alegado assassino seria Paulo Stuart Wright. Entretanto, eles acreditam que foram os agentes de segurança, e não Paulo Stuart, que mataram Mata Machado e Gildo e então inventaram a história sobre a troca de tiros em Recife. 7. O reverendo Wright afirmou que ele e Dias tinham procurado (e presume-se que estejam continuando em seus esforços) localizar alguns dos 11 outros membros da AP que teriam sido capturados em São Paulo na mesma época que Paulo Stuart e que teriam sido soltos subsequentemente, para obter outras pistas possíveis relativas ao paradeiro de Paulo Stuart. Suas tentativas foram infrutíferas até agora: alguns indivíduos temem represálias e outros teriam sido difíceis de localizar. Os 11 indivíduos supostamente presos em São Paulo em setembro passado evidentemente estão entre os que figuram no artigo de 22 de agosto de 1974 de "O Estado de São Paulo" como tendo sido julgados, juntamente com Paulo Stuart Wright, pelo Conselho Permanente de Justiça Militar da Primeira Auditoria de São Paulo (ref C). 8. O reverendo Wright também nos deu novas informações que possivelmente lancem mais luz sobre o "rumor" do cardeal Arns relativo ao paradeiro atual de Paulo Stuart Wright (parágrafo 1, reftel A). Confirmando uma notícia breve que saiu recentemente na imprensa local, o reverendo Wright declarou que o bispo James S. Rausch, secretário da Conferência Católica dos EUA, e o padre Bryan Hehir, chefe da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Católica dos EUA, visitaram o Brasil aproximadamente entre 23 e 28 de agosto, a convite do cardeal Arns. O bispo Rausch teria informado o Departamento com antecedência de seus planos de viajar ao Brasil. Durante sua escala em São Paulo (23 a 25 de agosto), o padre Hehir afirmou verbalmente ao reverendo Wright que, logo antes de viajar ao Brasil, a seguinte mensagem lhe tinha sido passada para ser transmitida ao reverendo Wright: que um exilado brasileiro que chegara recentemente aos EUA, depois de ser libertado da prisão no Brasil, afirmara que vira Paulo Stuart Wright "um mês antes". O reverendo Wright disse que o padre Hehir não pôde lhe dar maiores esclarecimentos na época. O reverendo Wright perguntou se o Congen poderia ajudá-lo a obter maiores esclarecimentos do padre Hehir. (Fecha aspas) Ao Departamento: A) Solicitar que o Departamento entre em contato com o padre Bryan Hehir por meio da Conferência Católica dos EUA, Washington, DC, para obter maiores informações das quais este possa dispor referentes ao paradeiro de Wright. B) De acordo com o parágrafo 4, State 241256 (dezembro de 1973), "se Wright for contatado pela Embaixada, ele deve ser informado de que, embora as evidências das quais o Departamento dispõe indicam que ele se expatriou, o Departamento está disposto a levar em conta quaisquer evidências em contrário que ele possa apresentar". O parágrafo final do memorando Rando a Watson datado de 21 de janeiro de 1974 afirma que "embora as informações disponíveis indiquem que o sr. Wright provavelmente perdeu sua cidadania americana, não poderá ser feita uma determinação final quanto ao status atual de sua cidadania americana até que ele se apresente diante de uma representação consular dos EUA e complete os formulários previstos". Estamos corretos ao supor que, com base no que foi reproduzido acima, o Departamento está partindo dessa posição ao responder a todos pedidos de informações feitas por congressistas e outros com relação à cidadania de Wright? Se não, que formulação o Departamento está usando? Tradução Clara Allain -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110301/7b30c0a3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10137 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110301/7b30c0a3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 1 19:27:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 1 Mar 2011 19:27:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Agroecologia_ou_agroneg=F3cio=3F?= Message-ID: <13E4B622431A4244BA61E0FB6DE514E8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Agroecologia ou agronegócio? Escrito por Osvaldo Russo 18-Fev-2011 (publicado no Correio da Cidadania) Apesar dos assentamentos agrários (um milhão) realizados no Brasil desde a criação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 1970, dos quais mais da metade de 2003 para cá, os dados do Censo Agropecuário 2006, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de setembro de 2009, reafirmam, no entanto, o velho quadro de concentração fundiária no Brasil. As pequenas propriedades (com menos de 10 hectares) ocupam apenas 2,7% da área ocupada por estabelecimentos rurais, enquanto as grandes propriedades (com mais de mil hectares) ocupam 43% da área total. O quadro de desigualdade é ressaltado pelo fato de as pequenas propriedades representarem 47% do total de estabelecimentos rurais, enquanto os latifúndios correspondem a apenas 0,9% desse total. A concentração e a desigualdade podem ser comprovadas pela aferição do Índice de Gini da estrutura agrária do país. Quanto mais perto esse índice está de 1, maior a concentração. Em 2006, o Censo mostra um Gini de 0,872 para a estrutura agrária brasileira, superior aos índices apurados nos anos de 1985 (0,857) e 1995 (0,856). Nos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) estão quase 85% dos trabalhadores empregados. Embora a soma das áreas dos pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) represente apenas 30,3% do total das áreas, os pequenos estabelecimentos respondem por 84,4% das pessoas empregadas. Os dados também mostram que esses trabalhadores fazem parte da agricultura familiar, cujos 12,8 milhões de produtores e seus parentes representam 77% do total de pessoas ocupadas. Apesar de ocupar apenas ¼ da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (R$ 54,4 bilhões). Mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país, gerando os produtos da cesta básica consumidos internamente. A agricultura familiar responde por 87% da produção de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). As informações do IBGE revelam também como a agricultura familiar é mais eficiente na utilização de suas terras: geram um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 677/hectare, enquanto que a não familiar gera um VBP de R$ 358/hectare (89% a mais). Geram 15 postos de trabalho/100 ha, enquanto que a não familiar gera apenas 1,7 pessoas/100 ha. Não por coincidência, o aumento observado da devastação das nossas florestas foi maior no Norte e no Centro-Oeste, exatamente onde se deu a expansão da pecuária extensiva, da plantação de soja e das atividades do agronegócio. As exportações de commodities agrícolas transformaram a alimentação em mercadoria, gerando lucros fabulosos sem qualquer preocupação com a necessidade de alimentar as pessoas. Segundo a Organização para as Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), um bilhão de pessoas passa fome no mundo. Ou mudamos a matriz da produção de bens agrícolas, democratizando a terra e priorizando a produção de base familiar, ou estaremos inviabilizando a vida saudável no planeta. A crise mundial do capital aponta para novas perspectivas de mobilização social e afirmação da agricultura camponesa como estratégica ao desenvolvimento sustentável, onde a Reforma Agrária tenha centralidade, democratizando a vida no campo, gerando empregos, respeitando o meio ambiente, promovendo o ser humano e produzindo alimentos saudáveis que garantam não só a segurança, mas a soberania alimentar do país. Os dados do Censo reafirmam a capacidade de resistência da agricultura familiar, que adota um modo de produção camponês diferente daquele do agronegócio, constituindo-se em uma das alternativas às crises econômicas, sociais, alimentares e ecológicas provocadas pela globalização capitalista. Há necessidade, entretanto, de criação de um programa de incentivos para a organização de associações de agricultores familiares, garantindo o acesso dos camponeses e suas famílias a um sistema público, com a participação dos movimentos sociais. Para a viabilização desse novo modelo agrícola, é preciso acelerar e qualificar a Reforma Agrária e o apoio à agricultura familiar para além da obtenção da terra, do mero assentamento e do acesso ao crédito. É preciso, sobretudo, romper progressivamente com o modelo atual, hegemonizado pelo agronegócio, priorizando a agroecologia e integrando a agricultura camponesa a um novo tipo de desenvolvimento. Osvaldo Russo, estatístico, ex-presidente do Incra, é diretor da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110301/f36994ed/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 2 20:30:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 2 Mar 2011 20:30:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_L=DACIA_MARIA_DE_SOUZA_________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-LXIV-?= Message-ID: <7B76B63352364D229177B66FCDAA6342@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LÚCIA MARIA DE SOUZA (1944-1973) Filiação: Jovina Ferreira e José Augusto de Souza Data e local de nascimento: 22/06/1944, São Gonçalo (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 24/10/1973 Estudante da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro participava do Movimento Estudantil como integrante do PCdoB. Era responsável pela impressão e distribuição do jornal A Classe Operária, no Rio de Janeiro, nos anos de 1969 e 1970, atividade que realizava junto com Jana Moroni, também desaparecida no Araguaia. Afrodescendete, cursava o 4º ano da faculdade e era estagiária do Hospital Pedro Ernesto, quando entrou para a clandestinidade, indo viver na Região do Araguaia, próximo de Brejo Grande. Vivia com Libero Giancarlo Castiglia, também desaparecido. Destacou-se como parteira e no trabalho pesado de derrubada da mata. Era membro do Destacamento A, utilizando o nome Sônia. Em combate, foi ferida e morreu em 24/10/1973, próximo da grota Água Fria, onde seu corpo teria sido abandonado, conforme depoimento de Agenor Morais da Silva. Conforme o Relatório Arroyo: "no dia 23, pela manhã, dois outros companheiros foram levar, até a estrada que vai para São Domingos, um rapazinho que, por acaso, se encontrava com os nossos. Nesse mesmo dia, os demais, em número de 11, deslocaram-se para a margem esquerda do Fortaleza. Dois helicópteros e um avião começavam a sobrevoar a área. No dia 24, Sônia (Lúcia Maria de Souza) e Manuel (Rodolfo de Carvalho Troiano) foram ao encontro dos dois que haviam levado o rapazinho. Não encontraram. À tarde, novamente Sônia e Wilson (elemento de massa) voltaram ao local de encontro. Recomendou-se que não fossem por um pizeiro antigo, pois ali poderia haver soldados emboscados. Acontece que Sônia acabou indo pelo pizeiro e, como decidisse caminhar descalça, deixou a botina no caminho. Quando voltou não encontrou a botina. Pensou que fosse brincadeira de gente de massa. Chamou por um nome conhecido. Apareceu uma patrulha do Exército que atirou nela, deixando-a ferida. Os soldados - segundo relatou gente de massa - perguntaram-lhe o nome. E ela respondeu que era uma guerrilheira que lutava por liberdade. Então o que comandava a patrulha, respondeu: 'Tu queres liberdade. Então toma...' - desfechou vários tiros e matou-a. Wilson conseguiu escapar". O "livro negro do terrorismo", elaborado pelo CIE por determinação do ministro Leônidas Pires Gonçalves, registra: "Ainda no mês de outubro, nessa mesma região, helicópteros assinalaram um grupo de terroristas deslocando-se pela estrada que demanda a São Domingos. Orientada uma patrulha para a área, houve o encontro do qual resultou um terrorista morto e possivelmente pelo menos um ferido. O morto seria identificado como Lúcia Maria de Souza (Sônia)". O relatório do Ministério do Exército afirma que "foi morta no dia 24/10/1973, em confronto com as forças de segurança ocorrido entre Xambioá (GO) e Marabá (PA)". Em entrevista à revista IstoÉ (04/09/1985), o então major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, - atualmente coronel da reserva e um dos primeiros oficiais do CIE enviado para o Araguaia - revelou que Lúcia foi ferida, caiu e sacou um revólver escondido na bota, ferindo-o no braço e a um capitão do CIE, Lício Augusto Ribeiro Maciel no rosto. Com base no Dossiê Araguaia, escrito por militares que participaram da repressão à guerrilha, o jornalista Hugo Studart explica que a guerrilheira, mesmo ferida, se arrastou, embrenhando-se na mata, sendo perseguida por dois militares do Exército, um deles chamado Javali Solitário ou J. Peter, suboficial, e o outro sargento, de codinome Cid, autor do relato: "Era umas 17h30 e já escurecia. Eu e o Javali fomos atrás da Sônia, que havia entrado em uma mata de capim de mais ou menos um metro de altura. Quando chegamos, ela estava deitada de costas, com o 38 ainda na mão, muito ferida. Respirava com dificuldade, tinha muitas balas de 9 milímetros no corpo (...) Ao chegar, ela quis levantar a arma. Eu pisei em seu braço e perguntei seu nome. Ela disse: 'Guerrilheiro não tem nome'. Eu respondi: 'Nem nome nem vida'. Eu e o Javali apontamos juntos nossas metralhadoras para dar o tiro de misericórdia. Não soltamos mais os gatilhos. Ela ia morrer mesmo, só reduzimos o sofrimento dela. Só paramos quando as balas das nossas metralhadoras terminaram. Ela ficou com mais de 80 furos". Elio Gaspari, em A Ditadura Escancarada, descreve com detalhes a morte de Lúcia Maria, a Sônia, e desfaz fantasias de algumas importantes fontes militares sobre o episódio. No que tange ao general Hugo Abreu, o jornalista relata: "Anos depois, o general Hugo Abreu, que comandava a tropa pára-quedista, contou a seguinte história: 'Lembro-me de um casal que matamos - eles mataram um major e eu tive de mandar matá-los. A moça deveria ter uns vinte anos e era belíssima, o rapaz, uns 25 anos. Digo a vocês que não sentia ódio dos guerrilheiros. No caso desse casal, o que senti foi pena'. Hugo Abreu revelava o seu mundo de fantasias. Não morreu major no Araguaia. A guerrilheira não foi morta por ordem de ninguém, mas na cena do combate em que feriu os dois oficiais. O acompanhante de Sônia não tinha 25 anos, nem morreu. Era um adolescente e fugiu. Foi achado dias depois e sobreviveu à guerrilha. Três moradores da região asseguram que o corpo de Sônia ficou na lama da Borracheira. Tornou-se repasto de animais". ========================================================================================================================== + detelhes Lúcia Maria de Souza Militante do PCdoB Apelidos: Sônia Cor: branca. Altura: 166cm Idade: 29 anos Sexo: fem. Cabelo: cast./esc./crespo. Data e local de nascimento: 22/06/44, em São Gonçalo/RJ Filiação: José Augusto de Sousa e Jovina Ferreira. Biografia "Jovem de origem pobre, com grandes dificuldades financeiras conseguiu ingressar na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Participava ativamente do movimento estudantil e era responsável pela impressão e distribuição do jornal A Classe Operária, no Rio de Janeiro nos anos de 1969 e 1970. Cursava o 4º ano de medicina quando abandonou a cidade indo viver na região do Araguaia, próximo de Brejo Grande. Destacou-se como parteira, sendo por isto mesmo muito estimada. Pessoa muito carinhosa, rapidamente conquistou a amizade dos companheiros e companheiras. Esforçou-se bastante para se adaptar à região, chegando a superar muitos companheiros homens no trabalho físico de derrubada de mata, no uso do facão, na capacidade de transportar grandes pesos. Sua vontade de aprender sempre mais, levava-a a estudar até tarde da noite, sob a luz do lampião, tanto os compêndios de medicina, como os clássicos marxistas. Era grande admiradora de música clássica. Era membro do Destacamento A - Helenira Resende. Em combate, foi ferida e presa. Ao ser interrogada disse: "Sou uma guerrilheira que combate pela liberdade!" Seus algozes, irritados, assassinaram-na no próprio local, no dia 24/10/73." Vivia com Libero Giancarlo Castiglia. Foi assassinada próximo da grota Água Fria, onde seu corpo teria sido abandonado. - depoimento de Agenor Morais da Silva. Homenagens: Nome da antiga Rua 11, no Residencial Cosmo I, em Campinas, com início na antiga Rua 06 e término na antiga Av. 04 Cid. Sat. Íris - Lei nº 9497, de 20/11/97. Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento: Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II. Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982. Relatório Arroyo: "E no dia 23, pela manhã, dois outros companheiros foram levar, até a estrada que vai para São Domingos, um rapazinho que, por acaso, se encontrava com os nossos. Nesse mesmo dia, os demais, em número de 11, inclusive o membro da CM, deslocaram-se para a margem esquerda do Fortaleza. Dois helicópteros e um avião começavam a sobrevoar a área. No dia 24, Sônia e Manuel [Rodolfo de Carvalho Troiano] foram ao encontro dos dois que haviam levado o rapazinho. Não encontraram. À tarde, novamente Sônia e Wilson (elemento de massa) voltaram ao local de encontro. Recomendou-se que não fossem por um pizeiro antigo, pois ali poderia haver soldados emboscados. Acontece que Sônia acabou indo pelo pizeiro e, como decidisse caminhar descalça, deixou a botina no caminho. Quando voltou não encontrou a botina. Pensou que fosse brincadeira de gente de massa. Chamou por um nome conhecido. Apareceu uma patrulha do Exército que atirou nela, ficando ferida. Os soldados - segundo relatou gente de massa - perguntaram-lhe o nome. E ela respondeu que era uma guerrilheira que lutava por liberdade. Então o que comandava a patrulha, respondeu: "Tu queres liberdade. Então toma..."- desfechou vários tiros e matou-a. Wilson conseguiu escapar." Informações obtidas através de documentos das Forças Guerrilheiras do Araguaia: Sua morte é citada no Comunicado n.º 8 das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Relatório do Ministério Exército: Filha de José Augusto de Souza e de Jovina Ferreira, nascida no dia 22 Jun. 44, em São Gonçalo/ RJ. Militante do PCdoB, participou da guerrilha do Araguaia, onde utilizava os codinomes "Marise" e "Sônia", atuando no Destacamento A. Foi morta no dia 24 Out. 73, em confronto com as forças de segurança ocorrido entre Xambioá/GO e Marabá/PA. Relatório do Ministério da Marinha: - Dez/68 - participou ativamente das atividades do PCdoB, no período de 1968 até 1975. - Nov./74 - relacionada entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá. - Morta em 24 Out. 73. Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB e guerrilheira do Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morta ou desaparecida no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão. Arquivos do DOPS/SP: tem um documento referente a Marise. Fichas entregues ao jornal O Globo em 1996: Informações e depoimentos O btidos através da imprensa ou dos familiares: "Além desse, há outros de que sei apenas os nomes pelos quais eram conhecidos lá....Sônia, estudante de medicina, queridíssima pela massa que ao ser presa e ao lhe perguntar o nome, responde: "Sou uma guerrilheira que luta pela liberdade"... " [Depoimento de Elza Monerat]. "- O major Curió foi baleado na mesma região, por uma mulher chamada Sônia." Joãozinho Batista, o menino que estava com "Sônia" diz que ela foi morta na Grota Água Fria. Seu corpo teria sido abandonado no local sem ser enterrado - depoimento de Sivaldo, cunhado de João Batista (filho de Antônio Alfredo). "Conheci o "Nelito", a "Cristina", o "Duda", o "Antônio", o "Nilo", a "Rosinha", o "Zé Carlos", o "Lino", o "Waldir", o "João Araguaia", a "Fátima", a "Sônia" e o "Edio". Eles convidavam o povo para a libertação. ...Nelito e Zé Carlos foram mortos na localidade do Caçador, pegaram o Édio vivo, o Duda teve a perna quebrada; a Rosinha eu vi ser presa, encontrei-a na Vila São José e ela pediu para a gente rezar por ela, pra não morrer." (Depoimento de Maria Raimunda Rocha). "Curió que promete para breve um livro sobre o que ocorreuno Pará. Desde já, porém, ele avisa que se limitará à abordagem "dos aspectos estratégicos". Assim, não se ficará conhecendo sua versão sobre o tiroteio em que morreu Lúcia Maria de Souza, no qual Curió e um capitão do CIE sairam feridos. Curió contou a militares amigos que Lúcia ou "Sônia", seu codinome, estava ferida, no chão, quando sacou de um revólver escondido na bota, e o atingiu no braço e ao capitão do CIE, no rosto. Foi fuzilada."[o revólver não poderia estar na bota pois estava descalça]. "O coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, um dos primeiros oficiais do CIEx enviado para o Araguaia, destaca a coragem das guerrilheiras do PCdoB que atuaram no Araguaia. Exibindo uma cicatriz na barriga - resultado de um tiro que recebeu de Lúcia Maria de Souza, a Sônia, estudante de Mediciana -, Curió conta que a audácia das mulheres guerrilheiras era temida pelos soldados. (...)." "Dona Margarida conta detalhes da vida e morte de Sônia e outros guerrilheiros, que marcaram sua vida. Sônia, que chegou a receber um elegio do Major Curió por sua bravura. O algoz que a matou e que por ela foi baleado. (...) Numa noite de janeiro, chegaram à casa dos Félix os geuerrilheiros Sônia (que segundo dona Margarida parecia ser a "chefe" do grupo), Rosinha, Nelito, Zé Bão, Barba de Ouro, Valdir, Beto, Antônio, Nunes, Orlandino, Piauí e Dudinha. (...) ... ela (Sônia ) era alta, de cabeça pequena, tinha obturações de ouro na boca, fumava muito, só usava calça, uma espingarda, um revólver, uma bússola, uma mochila e uma faca grande de ponta fina, que ela usava para tirar espinhos dos pés dos seus companheiros. (...) Quando eu perguntava se ela ia matar os soldados ela dizia que não e respondia: soldado é cachorro do governo. Só atiro em quem tiver galão, relembra. (...) Em meados de outubro, dona Margarida não se recorda o dia exato, Sônia foi metralhada e morta na Grota da Borracheira, onde tinha marcado um encontro com um jovem camponês que estava tentando recrutar. O Exército prendeu o rapaz e provocou o encontro fatal. Segundo dona Margarida, ouviram-se disparos no final da tarde. No dia seguinte, nove soldados, entre eles um índio e um venezuelano, afirma, lhe trouxeram a notícia da morte para confirmar a identidade da Sônia, que morreu sem falar o nome. Os soldados lhe relataram a seguinte cena: Sônia foi emboscada e metralhada nas pernas e coxas. Quando lhe deram voz de prisão e pediram para colocar as mãos na cabeça, ela levou a mão esquerda para cima e a direita puxou o revólver 38, que efetuou dois disparos, um atingindo a face do major Curió e outro o braço de um chamado dr. Ivan. Em seguida, ao ouvir gemidos, sorriu e disse: Uau, tem gente ferido aí... Dominada, ainda respondeu duas perguntas. Na primeira, ao perguntarem seu nome, teria afirmado: guerrilheira não tem nome e na segunda, a razão de sua luta: estou atrás de liberdade e de um mundo melhor. (...) O corpo de Sônia não foi enterrado. (...) seis meses depois meu irmão passou por lá e estavam os ossos e os cabelos da Sônia. Ele ainda pegou um isqueiro dela. Com o tempo, as queimadas dever ter dado fim nos ossos, afirma dona Margarida". "Filha de uma família humilde do Rio de Janeiro, a estudante de Medicina Lúcia Maria de Souza ficou popular no Araguaia fazendo trabalho de parteira. Num choque na selva, conseguiu ferir o capitão Curió com um tiro no braço, antes de morrer. "Quem é você?", perguntou o capitão. "Guerrilheira não tem nome, seu f.d.p.", respondeu ela." "Sinvaldo tem recordações fortes da guerrilheira Sônia, alta, fina, branca, cabelos negros e lisos, e foi quem salvou o menino João Batista, filho adotivo de Alfredo ..." "...no mesmo ano (teria sido num dia de outubro), ele teria assistido a tropas do então major Sebastião Curió fuzilarem a guerrilheira carioca Lúcia Maria de Souza, a Sônia. Surpreendida na mata, em companhia de um menino de 10 anos, Sônia disparou dois tiros, acertando Curió no braço e o capitão Arturo no rosto. Ferida na perna, a guerrilheira travou o seguinte diálogo com Curió. - Qual o seu nome? - perguntou Curió à guerrilheira, já estendida no chão. - Guerrilheira não tem nome, seu filho da puta. Eu luto pela liberdade - respondeu Sônia. Em resposta, ela foi crivada de balas, enquanto o menino fugia pela mata debaixo de fogo cerrado. Segundo Vanu, Sônia foi enterrada na cabeceira da pista do acampamento de Bacabas, onde fica hoje a fazenda de mesmo nome. Ao voltar ao local, acompanhado da equipe de reportagem do Globo, o ex-guia constatou que a cova de Sônia está próxima a um chiqueiro." "A mulher de Tota, Margarida Pereira Félix, 48 anos, prestou um depoimento comovente aos integrantes da comissão. Ela disse que a guerrilheira Lúcia Maria de Souza, conhecida como Sônia, sequer chegou a ser enterrada. "Meu irmão (João dos Reis, já morto) viu os restos mortais de Sônia seis meses após a morte dela". O corpo, segundo ela, foi identificado a partir de um isqueiro. "Eu tenho certeza que era dela", disse." "Testemunhou oralmente Margarida Ferreira Félix da Silva, esposa do Tota, no sentido de que a "Sônia", Lúcia Maria de Souza (desaparecida listada no Anexo I da lei), não foi enterrada, esclarecendo a dificuldade de se localizar restos mortais sem ter sido enterrada." "Desaparecida em meados de outubro de 1973 na região da Água Branca, OP 1. Sua sepultura localiza-se na região referida acima." Em entrevista ao SBT, em julho/96, ele dá outra versão - diz que ela se rendeu ao receber voz de prisão apenas com o braço esquerdo levantado e quando os militares se aproximaram dela, ela atirou, ferindo-o no braço e um oficial no rosto. Tinha platina nos dentes, não tinha ouro - depoimento de Adalgisa Morais da Silva, julho/96. Ela estava dentro d'água, num açaizal, quando foi ferida. Ela baleou o Curió e outro militar. Foi morta nas cabeceiras do Igarapé Agua Fria, perto da roça do Peixinho - depoimento de Agenor Morais da Silva, julho/96. Ela estava com um revóver só com duas balas, um tiro ela acertou no braço do Curió e o outro no outro militar. Ela levou muitos tiros. Não foi enterrada, foi jogada no brejo - depoimento de Peixinho,em julho de 1996. "Não me lembro o nome do guerrilheiro, mas sei que os militares também pegaram a guerrilheira Sônia." [Morta em 23/10/73, portanto há contradição com o que ele diz mais adiante que ficou apenas 45 dias na guerrilha, em 1972.]" atirou em Curió, antes de ser morta - depoimento de Venâncio de Jesus. (A guerrilha do Araguaia - Ed. Alfa Ómega.) José Rufino Pinheiro, 82 anos, foi um dos que, depois de muita pancada, virou guia. Ele é testemunha das mortes dos guerrilheiros Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa) e Sônia. O mitológico Osvaldão, ex-atleta do Botafogo do Rio e o mais odiado pelo Exército por ter sido tenente da reserva, foi morto pelas costas com um tiro. Sônia caiu numa emboscada e foi metralhada nas pernas. Rufino conta que os militares ainda tentaram interrogá-la, mas ela não respondeu a nenhuma pergunta, sendo depois executada. "Sra. Margarida Ferreira Félix, (...) que o primeiro encontro com estas pessoas, foi em 1972, pelo mês de outubro, quando às 21:00 hs, algumas pessoas chegaram na casa da declarante; que eram duas pessoas, uma chamada Sônia e a outra Rosinha, e posteriormente chegou um terceira pessoa chamada Nelito; (...) que apresentada à depoente o cartaz do PCdoB sobre desaparecidos políticos no Brasil, a depoente reconhece a Sra. Lúcia Maria de Souza, como sendo a Sônia; (...) como sendo guerrilheiros que a depoente conheceu naquela época; (...) e que no dia 17 de outubro a depoente ouviu uma rajada de metralhadora às 17:00 hs próxima à sua casa no Sítio Água Boa, e a rajada vinha da Grota da Borracheira; que no dia seguinte o Exército cercou a casa da declarante e a entrevistaram para saber se a declarante conhecia a Sônia, e a declarante disse que sim, descrevendo-a fisicamente e sua vestimenta; que os soldados do exército disseram que a Sônia já era, e que as rajadas que a declarante ouvira no dia anterior foram dadas nela; que os soldados descreveram como a Sônia foi morta: que os soldados emboscaram a Sônia na Grota da Borracheira, através de uma camponês que foi capturado, e que iria se encontrar com ela; que quando ela foi abordada, ela conseguiu dar dois tiros, atingindo o Sr. Curió no rosto e num outro doutor; que em seguida ela foi metralhada apenas nas pernas, mas continuou viva; que então, embora muito ferida, ela foi interrogada, mas pouco disse, a não ser sorrir, tendo sido morta pelos soldados; que o corpo da Sônia não foi enterrado, sendo deixado no local, e o irmão da depoente, João dos Reis Nonato da Silva, viu os restos da Sônia, meses após o ocorrido, no local onde foi morta; (...)" "Adão Rodrigues Lima e Salviana Xavier Lima ... que, no início da década de 70, os declarantes já haviam abandonado o garimpo e viviam da lavoura; que na mesma época moravam na região as pessoas conhecidas como Piauí, Alfredo, Zé Carlos e Sônia, as quais eram consideradas pessoas amigas dos declarantes, tendo com elas mantido boas relações já que eles se ajudavam mutuamente com produtos da roça; que a declarante tinha um ferimento da coxa, conhecido por leicho mas que foi tratada pela Sônia, ficando curada; que nunca mais viram Piauí, Sônia, Zé Carlos e Zebão, tendo ouvido falar que eles foram mortos pelo Exército; que oferecido para reconhecimento dos declarantes as fotos dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, ambos reconheceram Sônia (Lúcia Maria de Souza), Zé Carlos (André Grabois), Zebão (João Gualberto Calatroni) e Mário (Maurício Grabois)". "Maria Nazaré Ferreira Brito (...) queoferecido para reconhecimento da declarante as fotos dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia( Lúcia Maria de Souza) e Zé Carlos (André Grabois)". "Sr. José Moraes Silva, (...); que a mãe do declarante foi auxiliada no parto de seu irmão mais novo, pela Sônia e pela Fátima, guerrilheiras, afirmando o declarante, que, se não fosse as duas, certamente sua mãe e seu irmão teriam morrido, em virtude de problemas no parto; (...) que segundo as palavras do Peixinho, quando mataram a Sônia, ela estava tomando banho e ao ser rendida, levantou os braços e escondeu uma arma atrás das roupas, tendo atirado contra os soldados, ferindo um deles talvez o Curió e sendo morta logo a seguir; que o corpo de Sônia foi deixado no local, sem ser enterrado; (...) ". "Sr. Lauro Rodrigues dos Santos, (...) que a partir do ano de 1970 começou a manter contatos com as pessoas conhecidas como guerrilheiras, a saber, Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa), Zé Carlos (André Grabois, Alice (Criméia Alice Schmidt), dona Maria (Elza Monnerat), Joca (Libero Jean Carlo Castiglia), Luis (Guilherme Gomes Lund), seu Mário (Maurício Grabois), Sônia (Lúcia Maria de Souza), Zezinho (Marcos José de Lima), Alandrino (Orlando Momente), Cid (Jo ão Amazonas), seu Beto (Lúcio Petit da Silva) e sua companheira Regina (Lúcia Regina de Souza Martins), Goiano (Divino Ferreira de Souza); (...)". "Sr. Pedro Moraes da Silva, (...) que, por ocasião do nascimento de sua irmã, Valderice, o parto foi realizado pela guerrilheira Sônia; (...) que, oferecido para reconhecimento do declarante, as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia (Lúcia Maria de Souza), João Araguaia (Dermeval da S. Pereira), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente) que usava um chapéu de couro de macaco da noite com rabo; Tuca (Luiza Augusta Garlipe), Beto (Lúcio Petit da Silva), Rosinha (Maria Célia Correa), Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Cristina (Jana Moroni Barroso) que ia sempre aos sábados lavar a roupa na casa do declarante e se escondia no mato, esperando até que a roupa secasse, Nunes (Divino Ferreira de Souza), Fátima (Helenira Resende de Souza Nazareth), com quem o declarante se perdeu no mato, de noite, quando foi buscar um remédio para Sônia, que estava fazendo o parto de seu mãe quando nasceu a Valderice; Duda (Luis Renê Silveira e Silva), cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, (...)". "Sr. João Vitório da Silva, (...) que morava próximo do igarapé Fortaleza quando conheceu os guerrilheiros Orlando, Zezinho, Toninho, Piauí, Zé Carlos, Sônia, Dina, Regina, Fátima, Rosinha; (...)". "Srª. Rocilda Souza dos Santos (...) que a declarante e seu marido conheciam Nelito, Rosa, Sônia, Cristina, João Araguaia, Paulo, Edinho, Londrin, Duda, os quais diziam serem guerrilheiros, entretanto o Exército dizia que eles eram terroristas; que os guerrilheiros freqüentavam a casa da declarante e pessoas educadas, prestativas, cuidavam dos doentes, inclusive a Sônia prestou atendimento em uma ocasião ao seu marido que estava com febre decorrente de malária; que Sônia também cuidou de Dalva, sua filha, que estava adoentada com dores na barriga; (...)" "Sr. José Rufino Pinheiro, (...) que o declarante ficou por 06 meses e 16 dias ajudando o Exército na mata, guiando-os; que o batalhão que o declarante servia de guia era composto de 32 soldados; que nessa condição testemunhou a morte de Sônia e Osvaldão; que a morte de Sônia ocorreu perto da casa do finado Hilário, sogro do Peixinho, por volta de dez horas; que Sônia foi alvejada quando ia saindo da mata para a casa, sendo que quando o declarante a viu ela só mexia a cabeça; que não sabe qual o destino dado ao corpo de Sônia, pois seguiu em frente com o batalhão; que também presenciou a morte de Osvaldão, na capoeira do Pedro Loca, junto da Palestina; que Osvaldão foi morto, por volta de 4 horas da tarde, por Arlindo Piauí, que era guia formado (homem de confiança do Exército); que Osvaldão quando foi alvejado estava de costas, comendo macaxeira sentado num tronco caído; que Osvaldão estava muito magro e com fome; que Osvaldão foi atingido com um tiro só de uma 12; que o Exército levou o corpo de Osvaldão para Xambioá; que Osvaldão foi um dos últimos guerrilheiros a morrer na região, sendo após o declarante dispensado da função de guia; (...) que oferecido para reconhecimento do declarante as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa), Sônia (Lúcia Maria de Souza)". "Sr. Manoel Ferreira, (...) que conheceu Zé Carlos, Piauí, Sônia, Orlando, Zezinho, Luizinho, Fátima, Regina, dona Maria, Mário; que tinha demais amizade com os guerrilheiros, tanto que compartilhava arroz, farinha com eles; que, quando fraturou o braço direito, a Sônia e o Zé Carlos acudiram o declarante, cuidando-o; (...)". "Sra. Adalgisa Moraes da Silva, (...) que os guerrilheiros haviam colocado fogo em uma ponte na Transamazônica, no Município de São Domingos; que a Rosinha, a Sônia, o Nelito, o João Araguaia, o Nunes, o Orlandinho, o Beto, o Alfredo, o Zé Carlos, o Edinho e Valdir e o Zebão colocaram fogo na ponte para impedir que os carros passassem; que eles atacaram um posto da polícia militar e colocaram um soldado para ir à pé até Marabá, vestindo apenas uma cueca, pegaram as armas, as facas, o Alfredo vestiu a roupa do sargento, e passaram logo após na casa da declarante, vestindo roupa da Polícia Militar; que eles passaram na casa da declarante um dia após os fatos; que eles queimaram a ponte numa 6a feira, atacaram o posto da Polícia Militar no Domingo e estiveram na casa da declarante na 2a feira seguinte; (...) ". "Srs. Luiz Martins dos Santos e Zulmira Pereira Neres, (...) que conheceu os seguintes guerrilheiros: Sônia, Nelito, que eram os mais próximos dos declarantes, (...) que, em uma noite, no ano de 1973 ou 1974, não sabendo precisar bem a data, Zé Catingueiro, um camponês, a pedido de Sônia e outros guerrilheiros, convidou os declarantes a deixarem sua residência e acompanhar os guerrilheiros, já que estes temiam que alguma coisa pudesse acontecer com a família dos declarantes; que alguns dias após o Zé Catingueiro ter convidado os declarantes a acompanhar os guerrilheiros, Sônia e outros guerrilheiros foram à casa dos declarantes convidá-los a segui-los; que os declarantes decidiram seguir os guerrilheiros, levando seus filhos; (...) que as mulheres e as crianças ficavam nos barracos e os homens foram para o meio da mata; que os declarantes ficaram com o grupo do Nelito; que a Sônia fazia parte de outro grupo; (...) que o grupo inteiro era constituído de 9 pessoas, sendo que Nelito era o único representante do povo da mata; que o outro grupo era composto pela Sônia, Zé Carlos e outras pessoas; (...) que Pedro Carretel e dona Izaura faziam parte do grupo de guerrilheiros que ficavam com Zé Carlos e Sônia; (...)". "Srª. Maria de Lourdes Câmara, (...); que conheceu a Sônia certa vez quando ela passou pela sua casa com um burro e uma carga; que sabia que a Sônia havia operado uma conhecida da declarante que estava muito doente; (...)". "Sr. José Francisco Dionísio (...) que essas pessoas que mais vinham eram o Piauí, a Sônia, o Osvaldão e o José Carlos; (...) que a Sônia era uma pessoa muito atenciosa com os moradores, dando assistência médica aos moradores; que o declarante não sabia o que eles faziam, (...)". "Sr. Agenor Moraes Silva, (...) que o declarante conheceu os 4 grupos de pessoas que viviam na mata, mas o declarante tinha mais intimidade com o grupo do Chega com Jeito, integrado pela Sônia, Fátima, José Carlos, Mauro Borges (a Sônia dizia que era o pai dela), (...)". "Francisca Pereira Feitosa, (...); que não viu nenhum guerrilheiro morto, soube apenas que Sônia morreu lutando". "Manoel Leal de Lima (...) conhecido como Vanu (...) que o declarante morava na localidade perto de Chega com Jeito, onde hoje é a Brasispânia; que conhecia os guerrilheiros mas não mantinha contato com eles; (...) que lembra do Piauí, Zé Carlos, Fátima, Sônia, Cristina, Rosinha e Duda; que a Sônia era doutora e dava remédios para as famílias dos lavradores;(...)". "Pedro Matos do Nascimento, vulgo Pedro Mariveti (...)Logo após o término da primeira campanha, o depoente recebeu a visita de Piauí, João Araguaia e Sônia. O depoente aproveitou e levou Sônia para ver um vizinho que estava com um ferimento na boca. Sônia receitou um medicamento que terminou por curar o vizinho. (...) Disse que quando Sônia foi morta ela estava acompanhada por um menino, filho de um camponês que havia ingressado na guerrilha; (...)". "Alta Gomes de Araújo (...) morava, juntamente com três filhos de criação, em terra de propriedade do casal na localidade de São José; que conheceu diversos guerrilheiros, entre os quais Zé Carlos, Sônia e Fátima; que muitas vezes serviram os guerrilheiros, emprestando sal, farinha ou até mesmo vendendo fumo; (...)". Publicado em 08.03.2010 Fundação Mauricio Grabois =============================================================================================================== Poema. Poemas : VERA, IARA, DINALVA, LÚCIA, MARIA LÚCIA E TODAS NÓS TAMBÉM Quando ela morreu, Eu morri também. Aos pés dela, bebi A paixão, reverenciei O passado, me curvei Ao fogo que via em Suas mãos. (Ela era o meu obscuro amor) Atrás daqueles olhos, A História tinha um outro nome. Aprendi com ela a soletrar Ordem e progresso sangrando. Aprendi também a manter as Garras e a alma afiadas: A lâmina do ódio cortava Sempre os meus pulsos. Eram os anos do trovão. Eram os anos de sangue E eu era apenas uma Garota com um grito Na garganta, nem puta, Nem santa. Apenas floresci na lama, Com os olhos cheios de Medo e chamas. Ela nunca se rendeu. Foi torturada como um homem. (Eles disseram) Mas sobreviveu ao tempo, Abraçou o infinito, exilou-se Em sua luz. Seu sorriso não era mais um sorriso. Mas seus olhos ainda eram o céu. Ela conheceu a pura pureza do Desespero, ela foi além do bem e Do mal. Seus propósitos eram eternos como Esta bandeira que embalo em minha Calma dor. Atrás daqueles olhos, A História conheceu a noite perpétua E sucumbiu às cinzas eternas. Atrás daqueles olhos, A mulher brasileira do ontem-já-agora. Karla Bardanza Este poema é dedicado à Vera Sílvia Magalhães, Iara Iavelberg, Dinalva Oliveira Teixeira, Lúcia Maria de Souza, Mária Lúcia Petit e a todas as brasileiras que lutaram contra a ditadura e morreram por um Brasil livre. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110302/5bd1f3e3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13269 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110302/5bd1f3e3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 2 20:30:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 2 Mar 2011 20:30:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Um_balan=E7o_do_F=F3rum_Social_M?= =?iso-8859-1?q?undial_de_2011?= Message-ID: <4908CDAFED6E4F738CDCD76C8E84EF52@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Um balanço do Fórum Social Mundial de 2011 Enquanto o Fórum se reinventa, devemos impulsionar a articulação Sul-Sul, dialogar e articular politicamente entre movimentos e intelectuais, mas também partidos políticos e governos aliados, para construir alternativas advindas do Sul, e para o Sul. Por Katu Arkonada [01 de março de 2011 - 16h12] O recentemente finalizado Fórum Social Mundial nos deixou, uma vez mais, sensações agridoces. Provavelmente de uma maneira que nunca antes se havia visto os limites e contradições do sistema do Fórum, de um processo em crise tratando de encontrar seu espaço e caminho. O principal elemento positivo é a realização novamente na África, depois da experiência falida do Quênia em 2007, realizando-se desta vez em Dacar, Senegal, que foi durante mais de três séculos o mais importante mercado de escravos, com mais de vinte milhões de africanas e africanos seqüestrados e transferidos em regime de escravidão aos Estados Unidos e ao Brasil principalmente, e, portanto, um berço simbólico de muitas lutas. A mobilização foi importante nesta edição do Fórum, com mais de 50 mil pessoas na marcha inaugural e participando das centenas de debates, que apesar do caos organizativo, puderam ser levados a cabo. Doze caravanas partiram de diferentes países do oeste da África e da África central para finalmente se unirem em Dacar. Mais de cem intérpretes e centenas de jornalistas ajudaram a realização dos debates, bem como a dar visibilidade a um Fórum que não tem uma relevância especial para a grande mídia mainstream. De qualquer forma, o papel da diáspora teve uma centralidade como nunca antes havia tido em um Fórum Social Mundial. Principais pontos do debate Mulheres, camponeses ou imigrantes foram as e os protagonistas de 12 eixos temáticos, com um elemento central na discussão da crise da civilização, a desmercantilização da vida e o desenvolvimento, assim como os Direitos Coletivos dos Povos e os novos paradigmas civilizatórios. Debates que se encerraram com 38 assembleias de convergência para a ação sobre os diferentes pontos em debate. Assembleias sobre migração, crise econômica, militarização, Palestina e alterações climáticas, permitiram articular diferentes organizações que trabalham os temas citados. Destaca-se a decisão de celebrar uma segunda Conferência dos Povos frente às alterações climáticas nas semanas anteriores ou posteriores ao COP17 de Durban, África do Sul. As revoltas populares no norte da África, na Tunísia e especialmente no Egito, estiveram muito presentes durante o desenrolar do Fórum. Neste sentido, o direito de autodeterminação para todos os povos do mundo foi reivindicado, cobrando-se especial relevância ao do povo saaráui (habitantes do Saara), boicotado e agredido fisicamente pela delegação do Marrocos, delegação esta suspeita de ter sido enviada pelo governo marroquino e não em representação dos movimentos sociais magrebinos. Especialmente relevantes no que tange a articulação política de organizações e redes da África, Ásia e América Latina, foram os debates organizados pelo Fórum do Terceiro Mundo e pelo Fórum Mundial das Alternativas, girando em torno de questões e conceitos muito relevantes para o Sul, como por exemplo, repensar a democracia e o desenvolvimento, as contradições da industrialização, o uso e controle geoestratégico dos recursos naturais ou as cooperações Sul-Sul. Outro foco central de debates foi a tenda dos Direitos Coletivos dos Povos, onde nações sem estado que resistem na periferia do Norte, como palestinos, curdos, saaráuis e bascos, dialogaram e articularam politicamente com o movimento indígena, especialmente representado pelos povos andinos do Abya Yala, em uma continuação do caminho iniciado no Fórum Social Mundial anterior, em Belém do Pará. Nas palavras de Joel Kovel, acadêmico e ativista estadunidense e autor do manifesto Ecosocialista, é o quarto mundo, o dos povos indígenas e nações sem estado, quem lidera a frente ecosocialista de crítica e resistência ao capitalismo. Assembleia de Movimentos Sociais Como é habitual, os movimentos sociais e redes que querem ir mais além de simples debates convocaram para si mesmos uma assembleia de movimentos sociais, da qual saíram com um manifesto que aponta quatro elementos-chave para o debate. Em primeiro lugar, uma crítica estrutural ao sistema capitalista e às transnacionais depredadoras, em defesa da soberania dos povos e do cancelamento da dívida dos países do Sul. Neste sentido, reivindica-se a justiça climática e a soberania alimentícia, defendendo o Acordo dos Povos surgido da Cúpula de Tiquipaya, em Cochabamba, Bolívia. Outro ponto a ser destacado é a luta contra a violência a mulher e contra qualquer discriminação. Finalmente, se faz um chamado a lutar pela paz e contra a guerra, o colonialismo e a militarização de nossos territórios. A declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais finaliza com um chamado a que todos se mobilizem em duas datas-chave. O dia 20 de março, inspirado nas lutas de Tunísia e Egito, foi declarado o dia mundial de solidariedade com o levante do povo árabe e africano que, com suas conquistas, contribui com a luta de todos os povos: a resistência do povo palestino e saaráui, as mobilizações européias, asiáticas e africanas contra a dívida e o ajuste estrutural e todos os processos de mudança que se constroem na América Latina. Além disto, o dia 12 de outubro foi declarado o dia de ação global contra o capitalismo. Conselho Internacional Frente à força e o dinamismo de uma assembléia de movimentos sociais com mais de 2 mil participantes aprovando a declaração final, o Conselho Internacional reunido nos dois dias posteriores ao fim do fórum, mostra novamente os limites e incapacidades do Fórum. Um Conselho Internacional repleto de instituições e ONGs, distantes das lutas reais, que fez um balanço positivo, mas o mais grave, autocomplacente, do fórum recém finalizado. Conselho Internacional este que não soube assumir responsabilidades nem dar soluções aos numerosos problemas surgidos durante o fórum, como a agressão marroquina aos irmãos saaráuis, e enquanto as pessoas se auto-organizavam para levar adiante os seminários, alguns de seus integrantes preferiram deixar de lado o caos africano do campus universitário para ir ao centro da cidade, às sedes de diversas fundações européias, para continuar seus debates. Conselho Internacional no qual se teve que ouvir críticas por parte de alguns de seus membros à presença do companheiro presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, que ante de ser presidente foi participante em diferentes fóruns como dirigente de movimentos sociais bolivianos, enquanto uma boa parte da delegação brasileira viajou ao Senegal financiada pela multinacional imperialista Petrobras. Agora, o que? Diante do colapso do processo do fórum, devemos nos fazer algumas perguntas. Em primeiro lugar os movimentos sociais devem movimentar a indústria do Fórum sobre seu controle, ou pelo menos equilibrar o controle hegemônico que ONGs e diversas instituições fazem do Fórum. Neste sentido, o Fórum deve permanecer no Sul, frente a algumas tentativas de levá-lo ao norte geopolítico, somente partindo das periferias e das lutas das e dos subalternos se podem construir resistências e alternativas políticas. E sim, se esta edição do Fórum Social Mundial serviu novamente para demonstrar a positiva capacidade de ponto de encontro global onde os movimentos e povos em luta se encontram e aproveitam deste espaço para suas próprias articulações políticas, deveríamos pensar em formas de encontro complementares, mas por sua vez alternativas ao Fórum Social Mundial. Enquanto o Fórum se reinventa, devemos impulsionar a articulação Sul-Sul, dialogar e articular politicamente entre movimentos e intelectuais, mas também partidos políticos e governos aliados, para construir alternativas advindas do Sul, e para o Sul. Por último, gostaria de recordar as palavras do companheiro cubano Aurelio Alonso, que em uma mesa de debate que compartilhamos em Dacar, nos lembrou sabiamente que contradição é um conceito ao qual não podemos renunciar jamais. Katu Arkonada participou no Fórum Social Mundial de Dacar como convidado do Fórum Mundial de Alternativas e do Fórum do Terceiro Mundo. Foto por http://www.flickr.com/photos/deharris/. Tradução de Cainã Vidor. Publicado por Rebelion. http://www.revistaforum.com.br/noticias/2011/03/01/um_balanco_do_forum_social_mundial_de_2011/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110302/3889ef8a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 3 19:51:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 3 Mar 2011 19:51:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_MANOEL_FIEL_FILHO______________________?= =?iso-8859-1?q?________________-LXV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem MANOEL FIEL FILHO (1927 - 1976) Filiação: Margarida Maria Lima e Manoel Fiel Lima Data e local de nascimento: 07/01/1927, Quebrangulo (AL) Organização política: PCB Data e local da morte: 17/01/1976, São Paulo (SP) Essa morte ficou registrada na história do regime ditatorial em estreita conexão com a de Vladimir Herzog. Aquela provocou grande repercussão junto à opinião pública brasileira, mas nada alterou na rotina do aparelho de segurança. A morte de Fiel, tendo ocorrido durante o recesso parlamentar e as férias universitárias, gerou noticiário mais discreto e, no entanto, produziu abalos na estrutura do regime militar. Reagindo a mais um suicídio forjado, o presidente Ernesto Geisel exonerou o comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Mello, e tirou da chefia do CIE o general Confúcio Danton de Paula Avelino, abrindo guerra aberta contra o seu ministro do Exército, Sylvio Frota, que seria também demitido no ano seguinte. Alagoano de Quebrangulo, terra natal também de Graciliano Ramos, Manoel Fiel vivia na capital paulista desde os anos 50. Tinha trabalhado como padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar operário metalúrgico, trabalhando como prensista na Metal Arte, no bairro da Mooca, há 19 anos. Era casado com Thereza de Lourdes Martins Fiel, tinha duas filhas, e morava num sobrado na Vila Guarani. Acusado por outro preso político torturado de receber alguns exemplares do jornal Voz Operária, do PCB, foi preso na fábrica, em 16/01/1976, às 12h, por dois agentes do DOI-CODI paulista. No dia seguinte, uma nota oficial informou que Fiel Filho havia se enforcado na cela com as próprias meias. Ocorre que, quando detido, ele usava chinelos sem meias, de acordo com depoimentos dos colegas de trabalho. Quando os parentes conseguiram a liberação do cadáver para ser enterrado no cemitério da Quarta Parada, verificou-se que o corpo apresentava sinais evidentes de torturas, principalmente na região da testa, nos pulsos e no pescoço. No entanto, o exame necroscópico, solicitado pelo delegado de polícia Orlando D. Jerônimo e assinado pelos legistas José Antônio de Mello e José Henrique da Fonseca, simplesmente confirmava a versão oficial do suicídio. O II Exército divulgou nota com o seguinte teor: "O comando do II Exército lamenta informar que foi encontrado morto, às 13h do dia 17 do corrente, sábado, em um dos xadrezes do DOI-CODI/II Exército, o Sr. Manoel Fiel Filho. Para apurar o ocorrido, mandou instaurar Inquérito Policial-Militar, tendo sido nomeado o coronel de Infantaria QUEMA (Quadro do Estado Maior da Ativa) Murilo Fernando Alexander, chefe do Estado Maior da 2ª Divisão de Exército". O coronel Murilo Alexander - lembra Elio Gaspari em A Ditadura Encurralada - era o mesmo oficial que tinha levado o cadáver de Chael Charles Schreier ao Hospital do Exército, no Rio, em 22/11/1969, tentando dissimular aquela morte sob torturas, sendo também apontado como um dos autores de inúmeros atentados terroristas de direita ocorridos em 1968. O IPM foi concluído no prazo previsto de 30 dias. O procurador militar Darcy de Araújo Rebello, no parecer, datado de 28/04/1976, pediu o arquivamento do processo alegando que: "As provas apuradas são suficientes e robustas para nos convencer da hipótese do suicídio de Manoel Fiel Filho, que estava sendo submetido a investigações por crime contra a segurança nacional. (...) Aliás, conclusão que também chegou o ilustre Encarregado do Inquérito Policial Militar". Os companheiros de fábrica de Manoel Fiel publicaram uma nota, por intermédio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde relatam com detalhes o ocorrido. "Manoel Fiel, no dia 16/01/1976, havia sido detido ilegalmente às 12h por dois policiais que se diziam funcionários da Prefeitura, na fábrica onde trabalhava, a Metal Arte. Puseram-no num carro, foram até sua casa que foi vasculhada por eles. Nada encontraram que pudesse incriminar Fiel Filho. Diante de sua mulher - Tereza de Lourdes Martins Fiel - levaram-no para o DOI-CODI do II Exército, afirmando que ele voltaria no dia seguinte. Mas ele não voltou. No dia seguinte, um sábado, às 22h, um desconhecido, dirigindo um Dodge Dart, parou em frente à casa do operário e, diante de sua mulher, suas duas filhas e alguns parentes, disse secamente: 'O Manoel suicidou-se. Aqui estão suas roupas.' Em seguida, jogou na calçada um saco de lixo azul com as roupas do operário. Sua mulher então começou a gritar: 'Vocês o mataram! Vocês o mataram!'" O relato prossegue: "Naquela trágica noite, os parentes que foram até o IML tentar recuperar o corpo do operário morto, sentiram-se pressionados. As autoridades só entregavam o corpo com a condição de que Fiel Filho fosse sepultado o mais rapidamente possível e que ninguém falasse nada sobre sua morte. No domingo, dia 18, às 8h da manhã, ele foi sepultado. Obrigadas ao silêncio, a viúva e as filhas nem mesmo se manifestaram quando o então comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Mello, foi exonerado do seu cargo". Os operários mostravam-se inconformados e pediam justiça: "(...) Em apenas 20 dias, foi feito um inquérito e, mesmo sem qualquer base legal ou provas concretas, concluiu pelo 'suicídio'. Logo depois, o processo foi arquivado. Dois anos se passaram em silêncio. Até que se pode provar que, antes de morrer, o operário sofrera torturas. Gritava de dor e pedia aos seus torturadores: 'Pelo amor de Deus, não me matem'. Seus gritos foram sumindo durante as torturas até que acabou morrendo estrangulado. Não fora suicídio". Em 1978, a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, então integrada por José Carlos Dias, José Gregori, Margarida Genevois, Hélio Bicudo, dentre outros defensores dos Direitos Humanos, tomou depoimentos dos presos políticos que presenciaram as torturas do operário. Em 1980, foi lançado o livro Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime?, de Carlos Alberto Luppi, pela Editora Escrita. No IPM, a família do operário foi representada pelo advogado Belisário dos Santos Junior, que em 2001 passaria a fazer parte da CEMDP, sendo hoje o seu mais antigo integrante. Ação cível proposta contra a União Federal e patrocinada pelos advogados Marco Antônio Rodrigues Barbosa, Samuel Mac Dowell Figueiredo e Sérgio Bermudes, após vários anos de tramitação na Justiça Federal, foi julgada procedente em 1995, com a condenação da União e o reconhecimento de sua responsabilidade pela prisão ilegal, tortura e morte de Manoel Fiel Filho. A notoriedade do caso determinou a aprovação unânime pelos membros da CEMDP, sem qualquer controvérsia. A própria exoneração do comandante do II Exército tinha equivalido ao expresso reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte sob torturas de mais um opositor político do regime militar. Na contagem de Elio Gaspari, no livro citado, "Manoel Fiel Filho fora o 39º suicida do regime, o 19º a se enforcar. Como Cláudio Manuel das Costas, com as meias, sem vão livre". ======================================================================================================================== + Informações. MANOEL FIEL FILHO Nasceu aos 7 de janeiro de 1927 em Quebrângulo, Estado de Alagoas, filho de Manoel Fiel de Lima e Margarida Maria de Lima. Operário metalúrgico, casado, tinha filhos. Foi preso no dia 16 de janeiro de 1976, às 12:00 h, por dois homens que se diziam agentes do DOI-CODI/SP, sob a acusação de pertencer ao (PCB). Levado para a sede do DOI/CODI, Manoel Fiel foi torturado e, no dia seguinte, acareado com Sebastião de Almeida, preso sob a mesma acusação. Posteriormente, os órgãos de segurança emitiram nota oficial afirmando que Manoel havia se enforcado em sua cela com as próprias meias, naquele mesmo dia 17, por volta das 13 horas. Entretanto, segundo os depoimentos dos companheiros de fábrica de Manoel, onde ele foi preso, o calçado que usava eram chinelos, sem meias, contrariando a versão oficial. As circunstâncias da sua morte são idênticas as de José Ferreira de Almeida, Pedro Jerônimo de Souza e Wladimir Herzog, ocorridas no ano anterior. O corpo apresentava sinais evidentes de torturas, em especial hematomas generalizados, principalmente na região da testa, pulsos e pescoço. Um fato claramente demonstrativo da responsabilidade dos órgãos de segurança na morte de Manoel Fiel é o afastamento do Gen. Ednardo D'Ávila Melo, ocorrido três dias após a divulgação da sua morte. Em ação judicial movida pela família, a União foi responsabilizada pela tortura e assassinato. O exame necroscópico, solicitado pelo delegado de polícia Orlando D. Jerônimo e assinado pelos médicos legistas José Antônio de Mello e José Henrique da Fonseca, confirma a versão oficial. Foi enterrado por seus familiares no Cemitério da IV Parada, em São Paulo. Em documento confidencial encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP seu crime era receber o jornal Voz Operária de Sebastião de Almeida. Recorte do Jornal da Tarde com carimbo do Setor de Análise do DEOPS, com a Nota do II Exército sobre a morte no DOI, diz: "O comando do II Exército lamenta informar que foi encontrado morto, às 13:00 hs do dia 17 do corrente, sábado, em um dos xadrezes do DOI/CODI/II Exército, o Sr. Manoel Fiel Filho. Para apurar o ocorrido, mandou instaurar Inquérito Policial-Militar, tendo sido nomeado o coronel de Infantaria QUEMA (Quadro do Estado Maior da Ativa) Murilo Fernando Alexander, chefe do Estado Maior da 2ª Divisão de Exército." Documento datado de 28 de abril de 1976 e assinado por Darcy de Araújo Rebello - Procurador Militar, pede o arquivamento do processo alegando: "As provas apuradas, são suficientes e robustas para nos convencer da hipótese do suicídio de Manoel Fiel Filho, que estava sendo submetido a investigações por crime contra a segurança nacional."... "Aliás, conclusão que também chegou o ilustre Encarregado do Inquérito Policial Militar". O Relatório do Ministério da Aeronáutica mantém a versão oficial. Depoimento do preso político Antônio d'Albuquerque, em Auditoria Militar, à época, denunciou as torturas sofridas por Fiel Filho, afirmando que foi levado para ver seu cadáver no DOI-CODI/SP junto com outros presos políticos. Pequena biografia de Manoel Fiel Filho feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, por ocasião do lançamento do livro "Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime?", da Editora Escrita, encontrado no antigo arquivo do DEOPS/SP: "Manoel Fiel, no dia 16 de Janeiro de 1976, havia sido detido ilegalmente às 12:00h por dois policiais que se diziam funcionários da Prefeitura, na fábrica onde trabalhava, a Metal Arte. Puseram-no num carro, foram até sua casa que foi vasculhada por eles. Nada encontraram que pudesse incriminar Fiel Filho. Diante de sua mulher - Tereza de Lourdes Martins Fiel - levaram-no para o DOI-CODI do II Exército, afirmando que ele voltaria no dia seguinte. Mas ele não voltou. No dia seguinte, um sábado, às 22:00h, um desconhecido, dirigindo um Dodge Dart, parou em frente à casa do operário e, diante de sua mulher, suas duas filhas e alguns parentes, disse secamente: 'O Manoel suicidou-se. Aqui estão suas roupas.' Em seguida, jogou na calçada um saco de lixo azul com as roupas do operário morto. Sua mulher então começou a gritar: 'Vocês o mataram! Vocês o mataram!' Naquela trágica noite, os parentes que foram até o lnstituto Médico Legal tentar recuperar o corpo do operário morto, sentiram-se pressionados. As autoridades só entregavam o corpo com a condição de que Fiel Filho fosse sepultado o mais rapidamente possível e que ninguém falasse nada sobre sua morte. No domingo, dia 18, às 8:00h da manhã, ele foi sepultado. Desde então, a mulher do operário morto e suas duas filhas desaprenderam de sorrir. Obrigadas ao silêncio, elas nem mesmo se manifestaram quando o então comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Melo, foi exonerado do seu cargo. Dias depois, um comunicado do II Exército dizia que Fiel Filho havia se suicidado na prisão e que todos os fatos seriam investigados. Em apenas 20 dias, foi feito um inquérito e, mesmo sem qualquer base legal ou provas concretas, concluiu pelo 'suicidio'. Logo depois, o processo foi arquivado. Dois anos se passaram em silêncio. Até que, recentemente, se pôde provar que, antes de morrer, o operário sofrera torturas. Gritava de dor e pedia aos seus torturadores: 'Pelo amor de Deus, não me matem.' Seus gritos foram sumindo durante as torturas até que acabou morrendo estrangulado. Não fora suicídio. Diante das evidências, a viúva Tereza de Lourdes Martins Fiel resolve romper o silêncio e ingressar na Justiça com uma ação cível contra o Governo, requerendo indenização pela morte de seu marido. 'Não quero dinheiro. Quero justiça!' disse ela. Além disso, diante dos novos fatos, requereu-se à Justiça Militar que a morte de Fiel seja novamente investigada, o que está para acontecer." ==================================================================================== + Informações. 30 anos da morte de Manoel Fiel Filho: Camarada Manoel, presente! Por PCB 01/02/2006 às 16:40 No dia 16 de janeiro de 1976, o operário metalúrgico e membro da base da Mooca do PCB-SP, Manoel Fiel Filho, que trabalhava na fábrica Metal Arte, foi levado de seu trabalho, às 12 horas, por agentes do DOI-CODI. No dia 16 de janeiro de 1976, o operário metalúrgico e membro da base da Mooca do PCB-SP, Manoel Fiel Filho, que trabalhava na fábrica Metal Arte, foi levado de seu trabalho, às 12 horas, por agentes do DOI-CODI. Os algozes passaram em sua casa, revistaram tudo e não encontraram nada. Mesmo assim, o colocaram num carro e o levaram para a rua Tutóia, sede do DOI-CODI, com a promessa à sua esposa, Teresa de Lourdes Martins Fiel, de que o soltariam no dia seguinte. Ao chegar ao DOI-CODI Fiel Filho foi torturado barbaramente durante todo o dia 16, mesmo sendo militante de base, sem informações estratégicas sobre o PCB. No dia seguinte, foi acareado com outro militante, Sebastião Almeida, que lhe passava o jornal do Partido, VOZ OPERÁRIA. Ele nada confessou aos seus torturadores e voltou a ser barbaramente torturado. Segundo alguns detidos que estavam no DOI-CODI na época, os gritos de Manoel Fiel Filho diante das torturas foram sumindo aos poucos até que faleceu. Morreu estrangulado pelos torturadores. Cinicamente, os órgãos de segurança divulgaram nota oficial dizendo que Fiel Filho tinha se enforcado em sua cela com as suas próprias meias, no dia 17, por volta das 13 horas. Mas a mentira era apenas uma desculpa, pois o operário quando fora preso calçava chinelos e não tinha meias e, além disso, seu corpo apresentava sinais visíveis de tortura, como hematomas generalizados na teste, nos pulsos e no pescoço. Depoimento do preso político Antônio D`Albuquerque, na Auditoria Militar, denunciou não só as torturas infligidas ao nosso camarada, mas contou ainda que foi levado, junto com outros presos, a ver o cadáver do operário nas celas do DOI-CODI. No dia seguinte, um sábado, um desconhecido, dirigindo um Dodge Dart, parou na frente da casa de Fiel filho e, diante da mulher e das duas filhas, jogou um saco de lixo com as roupas do operário e disse: o Manoel se suicidou, ao que sua mulher gritou bravamente. Vocês o Mataram, Vocês o Mataram. As circunstâncias da morte de Fiel Filho foram idênticas às de outros camaradas, como o tenente José Ferreira de Almeida, Pedro Jerônimo de Souza e Vladimir Herzog. Diante da repercussão de mais um "suicídio" no DOI-CODI, o ditador de plantão, general Ernesto Geisel, demitiu o comandante do II Exército, Ednardo DÁvila Melo, três dias após o episódio. Em ação judicial movida pela família de Fiel Filho, a União foi responsabilizada pela tortura e morte do velho camarada. Vale lembrar os principais responsáveis pela polícia política na época: a Casa das Torturas no DOI-CODI era comandada pelo tenente coronel Audir Santos Maciel, tendo como subcomandante o major Dalmo Lucio Muniz Cirylo. O oficial do dia era o tenente da PM Tamoto Nakao. Os carcereiros do dia eram Alfredo Umeda e Antonio Jose Nocete, ambos soldados da PM. A equipe de interrogadores era composta pelo tenente Nakao e os delegados Harim Sampaio d´Oliveira e Edevard José. O interrogador pessoal de Fiel filho foi o sargento Luiz Shinji Akaboshi. O enfermeiro de plantão era o sargento Moacyr Piffer, que era a autoridade para dizer se o preso ainda suportaria ser torturado ou não. Os comunistas que hoje continuam a luta do Partido Comunista Brasileiro pelo socialismo no País jamais se esquecerão dos seus heróis massacrados pela polícia política a soldo das classes dominantes e do sistema capitalista. Quando conquistarmos o poder e construirmos uma sociedade humana e feliz estes companheiros serão homenageados pelas gerações que viverão num mundo livre. URL:: http://www.pcb.org.br/boletimnovo%2013.html ============================================================================================== Um operário cujo crime era ler A VOZ OPERÁRIA . Qua, 10 de Novembro de 2010 Metalúrgico é vítima da Oban A morte por tortura do metalúrgico paulistano Manuel Fiel Filho durante a Operação Bandeirantes (Oban), nos porões do DOI Codi, a exemplo do assassinato de outras pessoas inocentes como o estudante Alexandre Vannucchi Leme (morto em 1973) e o jornalista Vladimir Herzog (morto em 1975), marcou o início do descrédito ao governo dos militares e da pressão popular pelo fim da ditadura no Brasil. Criada pelo Exército do Brasil em julho de 1969, a pretexto de constituir um centro de informações e investigações (que na prática se traduzia em repressão às organizações de esquerda e de oposição ao governo), a Oban só foi institucionalizada e expandida para as principais capitais do País através do sistema DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) criado no segundo semestre de 1970. Tais operações consistiam em - sem mandado judicial - prender e interrogar sob tortura qualquer suspeito de realizar atividades políticas de esquerda ou de oposição ao governo. Para a historiadora Mariana Joffily, além de ser um meio de obter informações, a tortura funcionava também como uma demonstração de poder dos agentes repressivos sobre os militantes políticos. Segundo Joffily, tal técnica levantava informações rapidamente, com baixo custo financeiro. Mas, no longo prazo, apresentou um elevadíssimo custo moral e político. Fiel Filho: provocação da linha dura Até o dia 16 de Janeiro de 1976, Manoel Fiel Filho era operário da fábrica Metal Arte, filiado ao Partido Comunista e ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Nesta data, diante de sua mulher, Tereza de Lourdes, o operário foi detido às 12:00h por dois agentes policiais e levado ao DOI-Codi. Em documento confidencial encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP seu crime seria receber o jornal Voz Operária. Ao sair Manuel ainda tentou acalmar Tereza, dizendo que voltaria logo. Mas ele não voltaria. No DOI-CODI do II Exército foi torturado barbaramente até a morte. Ele nada confessou aos seus torturadores. No dia seguinte um homem, dizendo ser do Hospital das Clínicas, parou em frente à casa de Tereza e informou-lhe secamente que Manoel se suicidara. Ela não teve dúvidas e gritou: - Vocês o mataram, vocês o mataram... A liberação do corpo de Manuel foi dificultada pelos agentes da polícia e do governo. O corpo só foi entregue com a condição de que não fosse visto por ninguém, que fosse sepultado rapidamente e sem muitos comentários. Em 18 de janeiro, um domingo, às 8:00h da manhã houve o sepultamento. No velório militares à paisana rodeavam a família e vigiavam os acontecimentos. Mas antes do enterro os parentes pressionaram pela abertura do caixão. As marcas do corpo reforçavam a suspeita de assassinato. Somando-se às evidências que contrariaram a versão oficial de suicídio, o então preso político Antônio d'Albuquerque que, no DOI Codi, foi levado para ver o cadáver de Fiel Filho, afirmou em depoimento sua constatação das marcas da tortura. Além disso, não haveria outro motivo, que não o crime contra o operário, para justificar o afastamento do general Ednardo d'Ávila Melo do II Exército de São Paulo, três dias após a divulgação da morte de Manuel. Entretanto, o processo foi arquivado. Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997), presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo até 1987, foi o único presidente de todos os sindicatos de metalúrgicos brasileiros que, em janeiro de 1976, protestou pela morte do operário Manuel Fiel Filho. O sindicalista logo que tomou conhecimento da morte de seu colega, enviou um telegrama ao governo federal exigindo apuração dos fatos e punição aos culpados. Em abril de 1979 a viúva Tereza resolveu mover na Justiça uma ação cível contra o Governo, requerendo indenização pela morte de seu marido. Seus advogados, Marco Antonio Barbosa, Samuel McDowell Figueiredo e Sérgio Bermudes, anexaram depoimentos de presos que estiveram no DOI-Codi, além de colocarem em dúvida a versão do suicídio, usando os fatos da época e os laudos necroscópicos como o laudo de exame necroscópico do cadáver do operário, feito pelo Instituto Médico Legal de São Paulo, cuja conclusão era de morte por estrangulamento. Foi incluído o depoimento de um dos peritos, afirmando que casos de estrangulamento configuram homicídio e não de suicídio. Em 1980, a União foi condenada a pagar seis salários mínimos mensais a Tereza, reconhecendo a responsabilidade pela morte do operário. A morte trágica de Manoel Fiel Filho evidenciou a divisão interna entre os próprios comandantes da ditadura. A morte de Vannucchi Leme e de Herzog já expusera demais a violência e arbitrariedade da polícia oficial. Morto na mesma carceragem deste último, e com a mesma desculpa de "enforcamento", da parte general d'Ávila Melo, Fiel Filho serviu como provocação da linha dura à chamada linha moderada, que já atinava para uma abertura lenta e gradual. A ação da Oban, como dos demais órgãos de repressão, só começou a arrefecer a partir da "abertura lenta e gradual", já no governo de Ernesto Geisel, quando a ditadura encontrava-se profundamente desgastada. O desmonte do aparelho repressivo ocorreu de forma ambígua, de maneira a preservar a impunidade daqueles que executavam a tortura. Segundo Joffily, assim como sua instituição dera-se através de uma diretriz interna do Exército, sua extinção foi realizada, sem grandes alardes, por meio de uma instrução administrativa. Ao manter a impunidade dos torturadores e de seus facilitadores a transição para a democracia (a partir de 1985) realizou-se de maneira superficial. Mais de vinte anos depois desta transição, a marca deixada pelo sistema DOI-CODI está longe de ser superada. A luta pela qual morreu Fiel Filho avançou, mas ainda apresenta desafios nas entranhas da sociedade. Carolina Maria Ruy Jornalista e pesquisador =================================================================================== O Estado de São Paulo, 12 de junho de 2008 Docudrama recupera heroísmo do operário Manoel Fiel Filho Luiz Carlos Merten Domingo, por volta das 16 horas. Céu parcialmente encoberto na zona leste de São Paulo. No cemitério da Quarta Parada, no Tatuapé, três mulheres de preto descem por uma alameda depois de depositar rosas vermelhas num túmulo. De um praticável, montado em outra alameda, elas são filmadas - pois se trata de uma filmagem - pelo diretor que mantém um olho no monitor e outro no cronômetro, enquanto se ouve de fundo (e alto) Elis Regina soltar a voz nos versos de O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, que virou hino da anistia (e da campanha pela volta dos exilados políticos). Há um clima de profunda emoção na coisa toda, e o próprio repórter do Estado viaja em suas lembranças, voltando a uma fase sombria da vida brasileira. Mas para as três mulheres é pior. São a mulher, Thereza de Lourdes Fiel, e as duas filhas, Márcia e Aparecida, de Manoel Fiel Filho, o metalúrgico que, no início de 1976, foi preso na fábrica em que trabalhava - Metal Arte -, acusado de distribuir aos colegas o jornal A Voz Operária, um impresso clandestino do Partido Comunista Brasileiro. Levado para o porão do DOI-Codi, em São Paulo, foi torturado e, em poucas horas, estava morto. Ele foi o 39º morto - entre as vítimas oficialmente reconhecidas - pelo regime militar, mas seu caso foi classificado como suicídio. Foi o ''suicídio'' de Manoel Fiel Filho, 84 dias após outra morte em circunstâncias idênticas, a do jornalista Vladimir Herzog, na mesma carceragem, que levou o então presidente Ernesto Geisel a colocar um ponto final nos porões da ditadura, para coibir o que já virara uma anarquia militar - Geisel demitiu seu ministro do Exército, o general Sylvio Frota, e o comandante do 2º Exército, Ednardo D''Ávilla Mello. As duas demissões, sumárias e desonrosas, aceleraram o processo de distensão política ''lenta e gradual'' que o presidente iria colocar em prática. A morte de Manoel Fiel Filho faz parte da história brasileira. ''Meu marido foi um mártir'', diz a viúva, até hoje inconformada com o tratamento de segunda classe que este verdadeiro herói brasileiro recebe na mídia. O caso de Vladimir Herzog repercutiu muito mais e, até hoje, a cada aniversário de morte do ex-diretor de jornalismo da TV Cultura, a família Fiel sente-se discriminada, porque, ao falar de Herzog, ninguém se lembra de Manoel Fiel Filho e, quando falam de seu sacrifício nos porões da ditadura, a história é sempre pretexto para que se volte a falar de Herzog. É um pouco essa injustiça que o jornalista e diretor Jorge Oliveira quer corrigir em seu documentário. Alagoano como Fiel Filho, não é tanto a sua origem, mas a indignação que movimenta Oliveira, que está colocando dinheiro do próprio bolso na realização do filme. É outra coisa que o revolta. ''Inscrevi o filme na Petrobrás e não ganhei nada. Não houve interesse da comissão que avaliava os projetos em recuperar a história de um herói brasileiro, mas ''eles'' (a comissão) colocaram dinheiro da Petrobrás num filme como Meu Nome Não É Johnny. Depois de ver o Johnny quase quis virar traficante. Muito instrutivo'', ele provoca. Jornalista e marqueteiro político, sediado em Brasília, Oliveira é o primeiro a rir de seu currículo, porque ele fez a campanha de Renan Calheiros, por exemplo. Dado o rumo que tomou a história do político, não é uma grande recomendação, mas do marketing político ele saltou para o cinema, realizando documentários sobre Carlos Drummond de Andrade, entre outras personalidades da vida cultural do País, ou então outro, encomendado por Leonel Brizola, sobre o governo de Fernando Collor de Mello em Alagoas, que o ex-governador do Rio pretendia usar como trunfo no segundo turno, mas aí Luiz Inácio Lula da Silva foi para a segunda fase da eleição de 1989, houve aquele tal debate na Globo e... Você conhece a história. ''Meu filme não é sobre Manoel Fiel Filho. Uso o caso dele, que me parece exemplar, para falar de um quadro muito mais amplo - o envolvimento da CIA, isto é, dos norte-americanos, na repressão política montada no Cone Sul, nos anos 70'', explica o diretor. É, de novo, a história de Operação Condor e ele gostou do documentário de Roberto Mader. Seu filme vai ser diferente - um misto de documentário e realidade reconstituída, aquilo que se chama de ''docudrama''. O título veio de uma frase do brasilianista Jordan Young, entrevistado por Oliveira em Washington. Oliveira perguntou a Young o que diria a Manoel Fiel Filho, sobre o envolvimento do seu governo na máquina de tortura e morte montada na América do Sul, há mais de 30 anos. A resposta dele virou título do filme de Jorge Oliveira. Sorry, Mr. Fiel. Perdão, Mr. Fiel. Para a mulher e as filhas do ex-metalúrgico Fiel, não é fácil debruçar-se sobre uma fase tão dolorosa da vida de todas. ''Somos espiritualistas kardecistas e sabemos que só os ossos de meu pai estão aqui neste cemitério'', diz Márcia, que tinha 16 anos, na época. Para ela, Manoel está hoje em outra esfera da vida espiritual, mas o uso que o diretor faz de O Bêbado e a Equilibrista, ajustando o final de seu filme - parte filmado em Brasília, parte no Tatuapé - à duração da música, amolece qualquer coração. ''Já choramos todas as nossas lágrimas'', Aparecida acrescenta. ''Mas a emoção ainda é muito forte.'' Aparecida tinha 19 anos e já estava casada - grávida - na época. No cemitério da Quarta Parada, o diretor usa o cronômetro para marcar o tempo da música, sobre as imagens de mãe e filha que depositam as rosas no túmulo de Manoel Fiel Filho. A derradeira imagem do filme será justamente a das rosas vermelhas, pousadas sobre a lápide. A música tem quase 4 minutos - 3min40 - e os dois minutos iniciais foram gravados no Pólo de Cinema de Sobradinho, próximo a Brasília. Foi lá que Oliveira reconstituiu a cela do DOI-Codi em que o corpo de Manoel, interpretado pelo ator Roberto de Martin, é encontrado no chão, repleto de hematomas e enforcado com a própria meia de náilon azul. O filme é em preto-e-branco, com alguns detalhes coloridos, como a rosa vermelha da última cena. No estúdio em Brasília, o macacão de Manoel também tem cor - azul -, mas o restante da cena foi feito em preto-e-branco, o que permite ao diretor fazer a fusão de uma tarja na cela com o preto dos vestidos das três mulheres no cemitério. ''É um filme tenso, uma luz crua'', define o diretor. A cena de tortura foi a mais difícil. ''Ficou um clima pesado'', diz o diretor, que gravou - com equipamento digital - durante duas semanas. ''Fiquei mal'', acrescentou o ator De Martin. Embora a última cena tenha sido feita no domingo passado, Oliveira ainda colhe depoimentos essenciais para o quadro amplo que pretende traçar. Na segunda-feiora, ele entrevistou, em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ainda aguarda o sinal verde para entrevistar, em Brasília, o presidente Lula. Oliveira anuncia que quer cobrar do presidente seus recentes elogios a governos militares. ''Manoel era metalúrgico como ele e tem gente que agora acusa o presidente de traição aos companheiros que caíram.'' Oliveira espera poder estrear seu filme no Festival de Brasília, em novembro. Antes disso, é provável que Perdão, Mr. Fiel ganhe mais algum destaque na mídia por um detalhe que não é irrelevante. A injustiça em relação a Manoel Fiel Filho é tão grande que, até quando a União se dispôs a indenizar familiares e vítimas do regime militar, a viúva do operário recebeu uma das menores indenizações que foram pagas pelo Estado. Thereza de Lourdes Fiel está recorrendo da decisão. O dinheiro não vai remediar o sofrimento de 32 anos de dona Thereza, mas é uma questão de Justiça e ela vai brigar pelo que lhe é de direito. O mais incrível foi o que o diretor descobriu ao investigar o assunto. Manoel Fiel Filho foi preso por engano. A polícia política procurava um agente cujo codinome era Fiori. Na confusão dos nomes, Manoel foi preso - e morto. Mas seu sacrifício não foi em vão. A distensão de Geisel deve muito à dor da família Fiel. =========================================================================================== Balaio do Kotscho - Balaio do Kotscho 15/09/2009 - 17:38 Trinta e três anos depois, Justiça reabre caso Fiel Filho Mataram o operário por engano, simularam um suicídio e tentaram esconder o corpo. É desta tragédia humana que vou tratar aqui hoje com conhecimento de causa. Trinta e três anos atrás, no dia 22 de janeiro de 1976, na página 16 do primeiro caderno do Estadão, fui eu que denunciei este crime praticado nos porões do DOI-CODI por agentes da ditadura militar. Na tarde desta segunda-feira, segundo relato do repórter Marcelo Oliveira, no portal Terra, a Justiça decidiu reabrir o caso para punir os responsáveis pelo crime: "A 5ª Turma do Tribunal Federal em São Paulo decidiu, por unanimidade, determinar a reabertura da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal para que sete servidores públicos estaduais que participaram da prisão ilícita, torturas, morte e da ocultação das reais causas da morte do operário Manoel Fiel Filho sejam declarados civilmente responsáveis pelo caso. O assassinato ocorreu no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do II Exército, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1976. A ação do MPF pede a declaração judicial de responsável pessoal dos réus pela perpetração desta seqüência de violações dos direitos humanos e a condenação à reparação dos gastos da União com indenizações de parentes da vítima, estimados em R$ 438 mil, além da perda das funções e cargos públicos e a cassação de benefícios de aposentadoria dos acusados". Até onde sei, esta é uma iniciativa inédita do MPF para punir torturadores. O país só ficaria sabendo da morte de Manoel Fiel Filho pelo jornal, cinco dias depois do assassinato. Para aqueles que ainda não tinham nascido, eram muito jovens na época ou já se esqueceram do crime, é bom relembrar como era o trabalho dos jornalistas naquela época e o tratamento que se dava aos presos políticos. Trato da cobertura que fiz do caso Fiel Filho em dois dos livros que publiquei e vou recorrer a eles para contar a história como foi desde o começo. Nas páginas 35-37 do meu livro "A Prática da Reportagem", lançado pela Editora Ática, em 1985, conto como fui escalado para fazer esta reportagem, o trabalho de apuração, que contou com a ajuda da sorte, e as conseqüências da publicação da matéria: Numa segunda-feira de manhã, Clóvis Rossi, chefe de reportagem do Estadão, me passou um relatório sobre a morte de um operário no DOI-CODI, mais ou menos nas mesmas circunstâncias do que acontecera com o jornalista Vladimir Herzog: "Dá uma olhada nisso, vê o que você consegue levantar". No relatório, só o nome do operário e seu endereço. As chances de conseguir alguma coisa, naquele tempo, eram mínimas. Mas a obrigação do repórter é tentar _ sempre. Na casa dele não havia ninguém. Os vizinhos não sabiam de nada. E, se alguém sabia, tinha medo de falar. Com um deles, consegui pelo menos uma indicação: Manoel Fiel Filho, o operário, tinha parentes que moravam num outro bairro, "perto de uma padaria". Quando já estava quase desistindo de encontrar esta casa dos parentes, vi passar perto da padaria um Bispo. Bispo, nessas horas, sempre costuma saber o que está acontecendo em sua diocese. Não deu outra: o Bispo tinha acabado de sair da casa onde se encontrava Teresinha, a viúva do operário. Depois, foi só complementar o que ela me contou, ouvindo colegas de serviço na fábrica, patrões, o coveiro, a zeladora do velório e os dirigentes do sindicato dos Metalúrgicos, ao qual ele pertencia. No dia seguinte, até eu levei um susto quando vi a matéria publicada no alto da página. Explica-se: fazia apenas três meses que Vlado tinha morrido _ e todos nós, jornalistas ainda vivíamos com medo. Minha mulher estava grávida da segunda filha, e disse que eu era maluco: a matéria saiu assinada. Mas, enquanto os colegas ainda comentavam a matéria na redação, poucos dias depois chegava a notícia de que o comandante do II Exército, general Ednardo D´Ávila Mello _ responsável último pelo que acontecia no DOI-CODI _ tinha sido afastado do cargo pelo presidente Ernesto Geisel. Alguns trechos da matéria que publiquei no Estadão: Como todos os dias dos últimos dezenove anos, desde que entrou na Metal Arte, Manoel Fiel Filho chegou à fábrica da Mooca antes das sete da manhã, na última sexta-feira. O chefe do pessoal lembra que Manoel não mostrou nenhuma preocupação quando os dois homens lhe disseram que ele precisava ir ao DOPS "para fazer um reconhecimento". Duas horas depois, Manoel e os dois homens chegavam à sua casa, na rua Coronel Rodrigues, 155, em Sapopemba. Ao se retirarem, Teresinha, desesperada, desrespeitou as ordens dos policiais e se aproximou do marido: _ O que vão fazer contigo? No dia seguinte, sábado, um táxi parou em frente à casa 155 da rua Coronel Rodrigues. Um homem desceu, jogou no quintal um saco de lixo e um envelope, e berrou: _ O "Seu" Manoel tentou o suicídio. Teresinha ainda tentou perguntar alguma coisa, mas rapidamente o homem entrou no carro e desapareceu. A viúva só teve tempo de gritar: _ Eu sabia que iam matar ele. Eu sabia que vocês iam matar ele. No saco azul de 20 litros, com o emblema da Lixeira Ideal, estavam a calça e a camisa de brim, o cinto e um par de sapatos. No envelope, com o timbre do Exército, os documentos de Manoel. Na página 57 do meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter", editado pela Companhia das Letras, em 2006, conto o que aconteceu quando voltei á redação. "Rossi, consegui a história completa. Mataram o operário do mesmo jeito que fizeram com o Vlado e tentaram esconder a morte dele". Começava aí a parte mais dramática da história, pelo menos para mim. A direção do jornal só aceitava publicar a denúncia se eu assinasse a matéria e assumisse toda a responsabilidade por ela. Minha mulher, grávida, andava cada vez mais assustada com a prisão de jornalistas e o desaparecimento súbito de colegas da faculdade. Apesar de todo o meu medo, eu não tinha alternativa. A matéria foi publicada na, sob o título "Manoel, da fábrica da Mooca à morte". Nos dias seguintes, caía Ednardo d´Ávila Mello, o comandante do então II Exército. Geisel (general Ernesto Geisel, presidente da República na época dos fatos) cumpriu o que prometera: se houvesse um novo caso Herzog nos porões da repressão, demitiria o comandante. Fiel Filho, cuja única atividade "subversiva" era distribuir o jornal Voz Operária, do então clandestinoPartido Comunista Brasileiro, decerto foi morto por engano _ um "acidente de trabalho", como se dizia cinicamente naqueles anos mais tarde chamados "de chumbo". Hoje em dia é muito fácil para qualquer cidadão, jornalista famoso ou leitor anônimo, detonar o presidente da República, as Forças Armadas, o Congresso Nacional e o Judiciário, mas eu gostaria de saber onde estavam estes valentes de salão nos tempos em que contar _ assinando a matéria com o próprio nome _ o que o regime queria esconder era correr risco de vida. ============================================================================================== VÍDEOS 1:13 Perdão Mister Fiel - O Operario que Derrubou a Ditadura no Brasil A morte do operário Manoel Fiel Filho, no DOI CODI em São Paulo em 1976, é a base do documentário que mostra a atuação dos Estados Unidos na caça ... 10:49 tv daiblog - perdão mister fiel - festival de brasília - 2009 Perdão Mister Fiel Direção: Jorge Oliveira Co-direção: Pedro Zoca Documentário, p/b, 35mm, 95min, DF, 2007/09 A morte sob tortura do operário ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110303/d2f6b91d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5351 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110303/d2f6b91d/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 71 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110303/d2f6b91d/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 3690 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110303/d2f6b91d/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 3 19:52:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 3 Mar 2011 19:52:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?=22Uma_narrativa_hist=F3rica=2C_?= =?windows-1252?q?por_tr=E1s_das_lutas_na_L=EDbia_de_Gaddafi=22_=5B?= =?windows-1252?q?3/3/2011=2C_Robert_Fisk=2C_The_Independent_=28tra?= =?windows-1252?q?duzido=29=5D?= Message-ID: <2E50251EEBC741179864183912A18E31@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Castor Filho Uma narrativa histórica, por trás das lutas na Líbia de Gaddafi Robert Fisk 3/3/2011, Robert Fisk, The Independent, UK Robert Fisk: The historical narrative that lies beneath the Gaddafi rebellion Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu Pobres líbios! Depois de 42 anos de Gaddafi, o espírito da resistência ainda existe, mas já não sopra tão forte. O coração intelectual da Líbia voou para longe de lá. Os líbios sempre resistiram contra ocupantes estrangeiros, exatamente como os argelinos, egípcios e iemenitas ?, mas o Amado Líder líbio sempre se apresentou mais como companheiro resistente do que como ditador. Por isso, no longo discurso-paródia dele mesmo e de outros discursos, ontem, em Trípoli, Gaddafi invocou Omar Mukhtar ? enforcado pelo exército colonial de Mussolini ?, em vez de adotar o tom paternalista autoritário de um Mubarak ou Ben Ali. Coronel Gaddafi saúda manifestantes em Trípoli E contra quem Gaddafi estaria lutando, para libertar a Líbia? Contra a Al-Qaeda, é claro. De fato, há um trecho interessante, no discurso de Gaddafi, ontem, na Praça Verde. Seu serviço líbio de inteligência, disse ele, ajudou a libertar membros da al-Qaeda que estavam presos na prisão norte-americana de Guantánamo, em troca da promessa de que a al-Qaeda não operaria na Líbia nem atacaria seu governo. Mas a al-Qaeda traiu os líbios ? Gaddafi insistiu ? e implantou ?células em hibernação? [ing. sleeper cells] no país. Independente de Gaddafi acreditar ou não no que disse, houve rumores em todo o mundo árabe sobre contatos entre a polícia secreta de Gaddafi e agentes da al-Qaeda, contatos feitos para evitar que se repetissem os mini-levantes islamistas que Gaddafi enfrentou há alguns anos, em Benghazi. Muitos membros da al-Qaeda, sim, são líbios ? motivo pelo qual o patronímico ?al-Libi? aparece em tantos codinomes de combatentes. Para Gaddafi, que já hospedou grupos de terroristas do palestino Abu Nidal (que jamais o traiu), a desconfiança de que a al-Qaeda esteja de algum modo por trás do levante no leste da Líbia é ideia, pode-se dizer, natural. Desnecessário dizer que, provavelmente no próximo discurso, se houver, Gaddafi lembrará os líbios de que a al-Qaeda era satélite dos muito árabes mujahedin que os EUA usaram para combater a URSS no Afeganistão. Verdade é que a feroz resistência que os líbios ofereceram à colonização italiana aí está, para provar que o povo sabe combater pela vida. Na ?Tripolitania?, os líbios eram obrigados a andar pelas sarjetas, se houvesse italianos andando em direção oposta na mesma calçada; e a Itália fascista usou aviões e tropas de ocupação para dobrar a Líbia. Ironicamente, foram forças britânicas e norte-americanas, não os italianos, que liberaram a Líbia. E lá deixaram um legado de milhões de minas terrestres em torno de Tobruk e Benghazi, que Gaddafi jamais deixou de explorar a seu favor, enquanto pastores líbios continuam a morrer nos mesmos velhos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial. Isso, para dizer que os líbios não são desconectados da história. Os avós ? em muitos casos, os pais ? dos que hoje combatem lá, lutaram contra os italianos. Há, sim, uma narrativa histórica real e próxima por trás dos movimentos de oposição a Gaddafi, assim como há também motivos históricos, tanto na ?resistência? em que Gaddafi se encastelou (contra a ameaça mítica da brutalidade ?estrangeira? da al-Qaeda) quanto nos grupos de apoio ao seu governo. Mas, diferente da Tunísia e do Egito, as ?Massas do Povo? da Líbia são mais mundo tribal que sociedade nacional. Dois parentes próximos de Gaddafi ? o chefe de segurança em Trípoli e o mais influente comandante da inteligência em Benghazi ? eram, respectivamente, seu sobrinho, Abdel Salem Alhadi, e seu primo, Mabrouk Warfali. A tribo de Gaddafi, os Guedaffi, vem do deserto entre Sirte e Sebha ?, no mínimo mais um fator que explica por que o oeste da Líbia ainda permanece sob controle do governo. É absoluta tolice, nonsense, falar, como anda falando o departamento de Estado de Hillary Clinton ? de guerra civil na Líbia. Todas as revoluções, mais sangrentas ou menos sangrentas, são guerras civis, até que forças externas intervenham ? o que o ocidente claramente não quer fazer e o povo do leste da Líbia já disse que não quer que o ocidente faça (David Cameron, preste atenção, por favor [e contenha-se]). Mas Gaddafi fez guerra no Chad ? e perdeu. O regime militar de Gaddafi não tem grande poder bélico e Coronel Gaddafi não é General Gaddafi. Portanto, continuará com a cantoria de hinos anticoloniais, e, enquanto suas brigadas de segurança conseguirem aguentar-se no oeste do país, Gaddafi poderá continuar a autoelogiar-se em Trípoli. E um alerta: a ONU impôs sanções contra o Iraque, porque, na dificuldade que as sanções criariam, a população derrubaria Saddam Hussein. Não foi assim, porque os iraquianos mal encontraram forças para salvar a vida das famílias, sem pão e água potável, sem qualquer comida e sem dinheiro. Na rebelião de 1991, Saddam chegou a perder todo o país, exceto quatro províncias. E logo reconquistou o que perdera. Hoje, os líbios do oeste estão vivendo sem pão, sem água potável e sem dinheiro. Ontem, Gaddafi falou da Praça Verde, em Trípoli, com idêntica resolução de ?resgatar? Benghazi dos ?terroristas?. Ditadores não gostam uns dos outros, nem confiam uns nos outros, mas, sim, eles aprendem uns com os outros. http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/03/robert-fisk-uma-narrativa-historica-por.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110303/af8e3c3d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 4 19:58:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 4 Mar 2011 19:58:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_=C1UREA_ELIZA_PEREIRA_________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-LXVI-?= Message-ID: <544C73DC74F84E69A01CCADBFB6A7AEE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ÁUREA ELIZA PEREIRA (1950-1974) Filiação: Odila Mendes Pereira e José Pereira Data e local de nascimento: 06/04/1950, Monte Belo (MG) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 13/06/1974 Áurea passou a infância com sua família na Fazenda da Lagoa, município de Monte Belo, no sul de Minas Gerais, onde seu pai era administrador. Entre os 6 e os 14 anos, estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Areado, concluindo ali o curso ginasial. Mudou-se em 1964 para o Rio de Janeiro e foi cursar o segundo grau no Colégio Brasileiro, em São Cristóvão. Aos 17 anos, prestou vestibular para o Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde pretendia se especializar em Física Nuclear. Na Universidade, participou do Movimento Estudantil no período de 1967 a 1970, tendo sido membro do Diretório Acadêmico de sua escola, juntamente com Antônio de Pádua Costa e Arildo Valadão, ambos também desaparecidos no Araguaia. Áurea casou-se com Arildo Valadão no dia 06/02/1970, no Rio de Janeiro e, no dia seguinte, realizou a cerimônia religiosa na Basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo. No segundo semestre de 1970, mudou-se junto com Arildo e Antônio de Pádua para o Araguaia, sendo os três militantes do PCdoB, indo viver na região de Caianos. Ali trabalhou como professora e ingressou no Destacamento C, comandado por Paulo Mendes Rodrigues. No início de 1974, já viúva de Arildo, foi vista no 23° Batalhão de Infantaria da Selva, pelo preso Amaro Lins, ex-militante do PCdoB, que prestou depoimento sobre isso no 4° Cartório de Notas de Belém (PA). Amaro relata também que ouviu um policial dizer a Áurea que arrumasse suas coisas, pois iria "viajar". Viajar era o termo utilizado por policiais para designar execução. No relatório do Ministério da Marinha consta como, "morta em 13/06/74". O Relatório do Exército não fala na morte, mas informa que "Durante a guerrilha do Araguaia, chefiou um grupo de terroristas armados de revólveres cal.38 e espingardas cal.20 que participou, em 4 AGO 73, de uma festa na Fazenda Sapiência". Segundo depoimento de uma moradora de Xambioá, que não quis se identificar, Áurea teria sido vista sem vida na delegacia da cidade e seu corpo estaria enterrado no cemitério local. Em Operação Araguaia, os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva descrevem: "Querida por todos, trabalhou como professora no povoado de Boa Vista e esbanjava simpatia. Dois mateiros a prenderam no início de 1974 e a entregaram à repressão. Amarrada, muito magra, faminta e doente, vestia apenas um pedaço de sutiã. As roupas rasgaram em meses seguidos de fuga pela mata úmida e cheia de espinhos. Foi encontrada junto com Batista, morador da região recrutado pela guerrilha, também debilitado pelas dificuldades de sobrevivência na mata. Áurea foi vista viva, depois de presa, na base de Xambioá". Elio Gaspari, descrevendo o mecanismo de recompensas em dinheiro para quem matasse guerrilheiros, apresenta em A Ditadura Escancarada mais uma importante informação: "Adalberto Virgulino, que capturou a guerrilheira Áurea (Áurea Eliza Valadão), recebeu oitocentos cruzeiros e um maço de cigarros". Hugo Studart aponta outra data para a morte de Áurea, com base no Dossiê Araguaia, mas acrescenta novos dados: "Dossiê registra sua morte a 1 JAN 74. Um militar que a interrogou relata que teria ocorrido debate entre os militares sobre a necessidade de executá-la. Ao final, decidiu-se cumprir a ordem de Brasília de não deixar nenhum guerrilheiro sair da região, mesmo que já não oferecesse perigo para o regime, como alguns militares avaliavam o caso de Áurea". Em 18 e 19 de março de 2004, o jornalista Adriano Gaieski, da Agência Brasil, produziu matéria sobre novos depoimentos tomados de moradores da região pelo Ministério Público Federal, com as seguintes informações: "A terceira testemunha, cujo nome o Ministério Público Federal manteve em sigilo, foi identificada apenas como Ferreira. (...) ele confirmou os maus tratos sofridos pelos soldados, a violência e as execuções sumárias sofridas pelos guerrilheiros. O ex-militar contou ao procurador Adrian Pereira Ziemba ter visto a chegada, na base militar, de Áurea Eliza Pereira Valadão, 24 anos.(...) Conforme Ferreira, Áurea foi torturada durante todo um dia e uma noite. No dia seguinte, os militares a colocaram num helicóptero e ela nunca mais foi vista". O relatório já mencionado, produzido em 28/01/2002 por quatro procuradores do Ministério Público Federal que visitaram a região, reforça a mesma informação: "Áurea: Áurea Elisa Pereira Valadão, presa, junto com Batista, na casa de uma moradora da região, onde iam comer diariamente. Teria sido levada para a base de Xambioá, onde foi vista". ================================================================================================================ + Informações. ÁUREA ELIZA PEREIRA VALADÃO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Filha de José Pereira e Odila Mendes Pereira, nasceu em Areado, Sul de Minas, no dia 6 de abril de 1950. Desaparecida na Guerrilha do Araguaia aos 24 anos. Sua família morava na Fazenda da Lagoa, município de Monte Belo, onde seu pai era administrador e, por isso, Áurea Eliza teve que ir, muito cedo, para o internato. Afetiva e risonha manteve, sempre, um bom relacionamento com a família, durante sua infância e adolescência. Aluna bastante aplicada, estudou, dos 6 aos 14 anos, no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Areado, onde concluiu o curso ginasial. Segundo depoimento de uma colega daquele tempo, Áurea Eliza exercia grande liderança no colégio, mantendo ótimas relações com as colegas, participando das atividades escolares, tendo sido brilhante aluna em matemática. Mudou-se, em 1964, para o Rio de Janeiro para cursar o 2° grau no Colégio Brasileiro, em São Cristóvão, morando com sua irmã Iara, com quem tinha laços muito estreitos e afetuosos. Prestou vestibular, aos 17 anos, para o Instituto de Física da UFRJ, em 1967, onde pretendia estudar Física Nuclear. Por não ter ainda 18 anos, precisou de uma autorização especial de seu pai, para que pudesse fazer aquele curso. Participou intensamente do movimento estudantil no período de 1967 a 1970, tendo sido membro do Diretório Acadëmico de sua escola, juntamente com Antônio de Pádua Costa e Arildo Valadão, ambos desaparecidos. Áurea Eliza casou- se com Arildo Valadão no dia 6 de fevereiro de 1970, num cartório do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, na Basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo. Mudou-se junto com Arildo e Antônio de Pádua para o Araguaia, no segundo semestre de 1970, indo viver na região de Caianos, onde passou a trabalhar como professora e ingressou no destacamento C das Forças GuerriIheiras, cujo comandante era Paulo Mendes Rodrigues. No Araguaia era conhecida também por Eliza. O "Cordel da Guerrilha do Araguaia", de autoria de D. Nonato da Rocha assim se referiu a ela: "Áurea era professora E decidiu improvisar Duma tapera, uma escola Prá criançada estudar Ela nada cobrava Ensinava e brincava Com as crianças do lugar." No período em que viveu no Rio de Janeiro, Áurea Eliza correspondia-se, regularmente, com seus pais. Numa época onde o medo e as perseguições eram constantes, seus familiares deixaram de receber notícias. Consta que Áurea Eliza teria sido presa em Marabá, em 1973, estando desaparecida desde 1974. Seus pais faleceram sem que nenhuma notícia lhes fosse dada sobre seu paradeiro. No início do ano de 1974 foi vista viva e em bom estado de saúde, no 23° Batalhão de Infantaria da Selva, pelo preso Amaro Lins que prestou estas declarações no 4° Cartório de Notas de Belém/PA. Amaro relata também que ouviu um policial dizer-lhe que arrumasse suas coisas pois iria viajar. (Viajar - termo utilizado para designar execução) Segundo depoimento de uma moradora de Xambioá, que não quis se identificar, Áurea foi vista morta na delegacia da cidade e seu corpo estaria enterrado no cemitério local. Em 1991, familiares de mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia estiveram neste cemitério junto com a CJP e a equipe de legistas da UNICAMP. Nesta ocasião foram exumadas duas ossadas, uma de um negro, provavelmente Francisco Manoel Chaves (desaparecido) e outra de uma mulher, jovem, cujo corpo estava enrolado num pano de pára-quedas, com a identificação arrancada, que poderia ser de Áurea ou de Maria Lúcia Petit, também guerrilheira, desaparecida no Araguaia. Essas ossadas permanecem na UNICAMP para identificação. O Relatório do Ministério da Marinha dá como data da morte de Áurea 13 de junho de 1974, sem mais informações. ================================================================================================= + detalhes ÁUREA ELIZA PEREIRA (1950-1974) Áurea passou a infância com sua família na fazenda da Lagoa, no município de Monte Belo, no sul de Minas Gerais, da qual seu pai era administrador. Entre os 6 e os 14 anos, estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Areado, concluindo ali o curso ginasial. Mudouse em 1964 para o Rio de Janeiro, onde cursou o segundo grau no Colégio Brasileiro, em São Cristóvão. Aos 17 anos, prestou vestibular para o Instituto de Física da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde pretendia se especializar em física nuclear. Entre 1967 e 1970, participou ativamente do movimento estudantil nessa faculdade, chegando a ser membro do Diretório Acadêmico, juntamente com Antônio de Pádua Costa e Arildo Valadão, ambos também militantes do PCdoB e desaparecidos no Araguaia. Áurea casou-se com Valadão em 6 de fevereiro de 1970, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, realizou a cerimônia religiosa na basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo. No segundo semestre do mesmo ano, mudou-se com Arildo e Antônio de Pádua para o Araguaia. Com o marido, foi viver na região de Caianos. Ali trabalhou como professora, integrando o Destacamento C, comandado por Paulo Mendes Rodrigues. No início de 1974, após a morte de Arildo, foi vista no 23o Batalhão de Infantaria da Selva pelo preso Amaro Lins, ex-militante do PCdoB, que prestou depoimento sobre isso no 4o Cartório de Notas de Belém (PA). Amaro relata também que ouviu um policial dizer a Áurea que arrumasse suas coisas, pois iria "viajar". Viajar era o termo utilizado por policiais para designar execução.Em Operação Araguaia, os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva descrevem: "Querida por todos, trabalhou como professora no povoado de Boa Vista e esbanjava simpatia. Dois mateiros a prenderam no início de 1974 e a entregaram à repressão. Amarrada, muito magra, faminta e doente, vestia apenas um pedaço de sutiã. As roupas rasgaram em meses seguidos de fuga pela mata úmida e cheia de espinhos. Foi encontrada junto com Batista, morador da região recrutado pela guerrilha, também debilitado pelas difi culdades de sobrevivência na mata. Áurea foi vista viva, depois de presa, na base de Xambioá". Elio Gaspari, descrevendo o mecanismo de recompensas em dinheiro para quem matasse guerrilheiros, apresenta em A ditadura escancarada mais uma importante informação: "Adalberto Virgulino, que capturou a guerrilheira Áurea (Áurea Eliza Valadão), recebeu oitocentos cruzeiros e um maço de cigarros". O ex-militar contou ao procurador Adrian Pereira Ziemba ter visto a chegada, na base militar, de Áurea Eliza Pereira Valadão, 24 anos. [...] Conforme Ferreira, Áurea foi torturada durante todo um dia e uma noite. No dia seguinte, os militares a colocaram num helicóptero e ela nunca mais foi vista". ============================================================================================== + detalhes Áurea e Lia passaram pela base antes da execução ESTUDANTES Áurea (à esq.) e Lia: revolta e choro Em maio, o helicóptero trouxe para a base uma moça baixa, bonita, de cabelos castanho-claros, coberta com um vestido puído. Áurea Eliza Pereira Valadão, de 24 anos, tinha sido presa carregando um revólver imprestável. Estudante de Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro, estava no Araguaia desde 1970 com o marido, o guerrilheiro Arildo Valadão, também morto. ''Ela era rebelde'', lembra o ex-soldado Elias de Oliveira. Áurea falava pouco, mas sempre que podia xingava os militares. Cuspiu no rosto de um oficial quando comia no refeitório. ''Eu fui dar água pra ela e falei: 'Estou aqui pra te ajudar'. Mas ela só xingava. Até me chutou'', lembra outro soldado, Antônio Fonseca. Ficou só três dias na base. Foi levada de helicóptero e nunca mais voltou. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI42946-15223,00-FANTASMAS+DO+ARAGUAIA.html (trecho sobre a Guerrilha do Araguaia, publicado na revista Época de 15/9/2009)atualizada. ======================================================================================================== + detalhes Assassinadas no meio do mato Áurea e Lia passaram pela base antes da execução LEANDRO LOYOLA Em maio, o helicóptero trouxe para a base uma moça baixa, bonita, de cabelos castanho-claros, coberta com um vestido puído. Áurea Eliza Pereira Valadão, de 24 anos, tinha sido presa carregando um revólver imprestável. Estudante de Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro, estava no Araguaia desde 1970 com o marido, o guerrilheiro Arildo Valadão, também morto. ''Ela era rebelde'', lembra o ex-soldado Elias de Oliveira. Áurea falava pouco, mas sempre que podia xingava os militares. Cuspiu no rosto de um oficial quando comia no refeitório. ''Eu fui dar água pra ela e falei: 'Estou aqui pra te ajudar'. Mas ela só xingava. Até me chutou'', lembra outro soldado, Antônio Fonseca. Ficou só três dias na base. Foi levada de helicóptero e nunca mais voltou. Quatro meses depois, no final da tarde de 7 de setembro, chegou Lia. Estudante de Geografia, ela estava na luta havia três anos com o marido, Elmo Corrêa, estudante de Medicina. Já viúva, Lia foi presa junto com a guerrilheira Dinalva Oliveira Teixeira, a Dina, em São Geraldo, às margens do Rio Araguaia. Lia desceu do helicóptero encapuzada. Foi amarrada em um pau atrás da casa de comando da base. À meia-noite, depois do interrogatório dos oficiais, o soldado Raimundo Pereira foi chamado para montar guarda. ''Ela chorava muito'', conta ele. Até as 4 horas da manhã, Lia só conseguiu cochilar um pouco. Pediu água, contou que era estudante e disse ser solteira. Depois suplicou para Raimundo amarrá-la sentada. Dormiu com a cabeça para trás. Na manhã do dia 8 foi encapuzada de novo e escoltada por dois soldados até a pista de pouso, onde entrou em um helicóptero. Meia hora depois o helicóptero voltou. Sem ela. ======================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110304/37def79a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9389 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110304/37def79a/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2848 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110304/37def79a/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3132 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110304/37def79a/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 4 19:59:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 4 Mar 2011 19:59:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_opera_mundi_=3A=22_EUA_continuam_?= =?iso-8859-1?q?sendo_o_maior_mercado_de_coca=EDna_do_mundo=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=22?= Message-ID: <2B1D877F7BA24799A1420F0F84E63FDE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 02/03/2011 - 08:49 | Efe | Viena EUA continuam sendo o maior mercado de cocaína do mundo, diz organização Os Estados Unidos continuam sendo o principal mercado mundial de cocaína, com 4,8 milhões de usuários, embora sua importância tenha sido reduzida nos últimos anos, segundo a Jife (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes). "Em 2009, 4,8 milhões de pessoas consumiram algum tipo de cocaína nos EUA, em comparação com os 5,3 milhões de 2008", afirma a Jife em seu relatório de 2010. Com esse número de consumidores, os EUA representam 41% do mercado internacional da droga, na frente da Europa, com 29%, segundo o órgão, que indica que "embora o mercado da cocaína tenha sido reduzido na América do Norte, continua aumentando na Europa". Nos EUA, os traficantes mexicanos controlam os mercados ilegais de cocaína, heroína e metanfetamina, segundo a Jife, que assegura que neste país o consumo de todas as drogas aumentou, menos o da cocaína. Cerca de 38 milhões de pessoas consumiram drogas ilícitas nos EUA em 2009, o que representa um aumento de 2,5 milhões com relação a 2008. A maconha continua sendo a droga mais utilizada, com 28,5 milhões de usuários. Como efeito da alta dos confiscos, houve escassez de cocaína "em muitas regiões dos EUA em 2009", o que representou um aumento dos preços e uma queda na pureza da droga. Maconha e remédios A Jife também revelou que entre 1999 e 2007, o número de mortes relacionadas com as drogas foi duplicado até chegar a mais de 38 mil só nesse último ano. "Um aspecto que inquieta especialmente a Junta é o consumo cada vez maior de maconha e de remédios que contêm substâncias controladas pelos jovens desse país", explica o organismo encarregado de supervisionar a aplicação dos tratados internacionais contra as drogas. De fato, o uso abusivo de remédios que só podem ser obtidos com receita é a maior causa de dependência nos EUA, como demonstra o dado de que 16 milhões de pessoas tenham utilizado essas substâncias em 2009, 800 mil a mais do que no ano anterior. Em outro âmbito, a Jife também vê como uma "afirmação" dos tratados internacionais contra as drogas o fracasso do plebiscito realizado em novembro na Califórnia sobre uma possível legalização da maconha para autorizar seu cultivo, posse, consumo e compra aos maiores de 21 anos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110304/f7dc5c48/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4213 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110304/f7dc5c48/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 5 14:35:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 5 Mar 2011 14:35:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_FL=C1VIO_CARVALHO_MOLINA______________?= =?iso-8859-1?q?______________________-LXVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem FLÁVIO CARVALHO MOLINA (1947-1971) Filiação: Maria Helena Carvalho Molina e Álvaro Andrade Lopes Molina Data e local de nascimento: 08/11/1947, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: MOLIPO Data e local da morte: 07/11/1971 em São Paulo Flávio foi o quarto militante morto, em poucos dias, do referido grupo de 28 integrantes do MOLIPO. A data mais provável de sua prisão é o dia 06/11/1971, mas seus companheiros na organização clandestina tinham perdido contato com ele, em São Paulo, desde o dia 4. Somente no ano seguinte a imprensa divulgou as primeiras informações provenientes dos órgãos de segurança dando-o como morto. Apaixonado por camping, alpinismo e música clássica, Molina nasceu no Rio de Janeiro, onde cursou o primário nos colégios São Bento e São José. Despertou precocemente para a militância política, quando cursava o científico no Colégio Mallet Soares. Em 1968, era calouro na Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha, quando foi preso durante a histérica investida repressiva das forças policias, na sexta-feira 21 de junho, que ensejou a reação popular da Marcha dos Cem Mil, cinco dias depois. Naquela data, foi invadido o campus onde Molina estudava e centenas de jovens como ele foram levados presos para o antigo campo de futebol do Botafogo, ao lado do Hospital Rocha Maia, onde foram fichados. Em 1969, já denunciado perante a Justiça Militar no Rio de Janeiro, Molina fez opção pela luta clandestina contra o regime militar, passando a militar na ALN. Seguiu para Cuba em novembro daquele ano, de onde voltou em meados de 1971. Enviou regularmente notícias à família até 1970. Em agosto de 1972 os jornais publicaram referências genéricas à morte de Flávio, mas sem qualquer informação adicional. Sua família procurou as autoridades, tentando saber onde estava enterrado, mas foi em vão. A própria Justiça Militar sustentou que a notícia era infundada e Flávio continuou a ser processado como revel. Seu nome foi excluído dos autos apenas na data do julgamento, quando foi extinta sua punibilidade por morte, a partir de informação prestada pelo então diretor geral do DOPS, Romeu Tuma. Mesmo assim, a família não recebeu qualquer notificação oficial confirmando a morte e informando o local de sepultamento. Somente em julho de 1979, através da localização, pelo Comitê Brasileiro de Anistia/SP, da documentação contendo essas informações, os familiares tomaram conhecimento inequívoco da morte de Flávio. O ofício localizado era datado de 07/08/1978, sendo endereçado ao Juiz Auditor e assinado por Romeu Tuma. Trazia em anexo o atestado de óbito, lavrado com a identidade de Álvaro Lopes Peralta. O delegado assumia a prisão de Flávio ao informar ao Juiz que, por ocasião do "estouro do aparelho" onde havia sido preso José Roberto Arantes, teriam localizado manuscrito de encontro com André, que, na verdade, era Álvaro Lopes Peralta ou Flávio Carvalho Molina, preso no dia 06/11, na rua Agostinho Gomes. Informa também que, ao ser "ouvido", André declarou ter um encontro na Rua Padre Marchetti, no Ipiranga, em São Paulo, às 13 horas do dia 07/11. Levado ao local pelos agentes policiais, teria tentado fugir e sido baleado mortalmente. Enterrado no dia 9 como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, seus restos mortais foram exumados e transferidos para a mencionada vala clandestina alguns anos depois. A requisição de exame necroscópico no IML/SP, com a identidade falsa de Álvaro Lopes Peralta, já estava associada à verdadeira identidade. Em documento dos arquivos do DOPS/SP constam todos os seus dados, nomes falsos e codinomes. Ofício do CENIMAR nº 0396, de 13/07/70, também informa que ele usava o nome falso de Álvaro Peralta - tudo comprovando que o sepultamento com outra identidade foi intencional, para acobertar as reais circunstâncias de sua morte. De posse de documentos oficiais, em outubro de 1979 a família abriu processo exigindo retificação de assentamento de óbito e a reconstituição de identidade, ganhando a causa em 1981. Em 09/10/1981, ao buscar os restos mortais de Flávio, a vala comum do Cemitério de Perus foi aberta para a família, que constatou ser impossível identificar a ossada de Flávio naquele momento. Mas não desistiu de resgatar seu corpo. Somente com a abertura da Vala de Perus, em 04/09/1990, um conjunto de ossadas pode ser transferido para o Departamento de Medicina Legal da Unicamp. O processo de Flávio foi levado à votação na primeira reunião da CEMDP, obtendo deferimento unânime. Passados 15 anos da abertura da vala clandestina de Perus e depois de várias tentativas de extração do DNA, os restos mortais de Flávio Molina foram finalmente identificados pelo Laboratório Genomic, de São Paulo, em setembro de 2005, para onde tinham sido enviados pela Comissão Especial. Esse foi o primeiro passo para a constituição do Banco de DNA dos mortos e desaparecidos políticos, efetivado em 2006. Em 10/10/2005, um ato público no auditório da Procuradoria da República, em São Paulo, marcou a entrega da urna com os restos mortais de Molina ao seu irmão, Gilberto. ============================================================================================================= + Informações. FLÁVIO DE CARVALHO MOLINA Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em 08 de novembro de 1947, na Guanabara, filho de Álvaro Andrade Lopes Molina e Maria Helena Carvalho Molina. Morto aos 24 anos, em 1971, em São Paulo. Cursou o primário nos colégios São Bento e São José no Rio de Janeiro. Era um apaixonado pelo camping e o alpinismo. Gostava muito de música clássica e era comum encontrá-lo à noite ouvindo o programa "Primeira Classe", na época produzido pela Rádio Jornal do Brasil. No período de 1966 e 1967, enquanto cursava o científico no Colégio Mallet Soares, no Rio de Janeiro, iniciou a formação de sua consciência política. Havia muitas manifestações estudantis, por um lado, e muita repressão policial, por outro. Em 1968 entrou para a Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha. Foi preso em manifestação estudantil durante invasão do Campus pela polícia, sendo levado em seguida para o antigo campo de futebol do Botafogo, ao lado do Hospital Rocha Maia, assistindo ali às mais diversas atrocidades cometidas contra moças e rapazes, colegas seus. Foi fichado e solto no dia seguinte. Em julho de 1969, vendo-se perseguido pelas forças da repressão, já tendo sido indiciado em inquérito na 2ª Auditoria do Exército, do qual foi posteriormente absolvido, e temendo a possibilidade de ser preso novamente, optou por deixar a casa de seus pais, visando não transferir para a família a repressão a ele dirigida. Trancou matrícula na Universidade e passou a viver clandestino, militando na ALN. Teve sua prisão preventiva solicitada em duas ocasiões, 06 de novembro de 1969 e 30 de janeiro de 1970. Viveu em Cuba de novembro de 1969 até meados de 1971, quando retornou ao Brasil. Manteve contatos com a família através de encontros ou de cartas, até julho de 1970. Preso no dia 06 de novembro de 1971, em São Paulo, por agentes do DOI/CODI-SP, em cuja sede foi torturado até a morte. Presos políticos que se encontravam nesse dia nas dependências do DOI/CODI são testemunhas de que Flávio foi assassinado sob tortura no dia 07 de novembro de 1971, desmascarando a versão oficial de que ele teria sido morto ao tentar reagir à prisão. A primeira informação de sua morte foi em 29 de agosto de 1972, quando "O Globo" e o "Jornal do Brasil" noticiaram o fato como ocorrido em choque com policiais em São Paulo, referindo-se à data retroativa. A família consultou às autoridades quando, então, foi negada a veracidade da notícia. A prisão e morte de Flávio Molina não foram assumidas pelos órgãos de segurança de imediato. Sua família tentava desesperadamente alguma notícia, nas prisões e quartéis - tudo em vão. Flávio, já morto, era processado como revel e, apenas quando do julgamento é que seu nome foi excluído do processo por morte, extinguindo sua punibilidade. Mesmo assim, a família não recebeu qualquer notificação sobre o ocorrido. Somente em julho de 1979 a família, por investigação própria e com apoio dos Comitês Brasileiros de Anistia, tomou conhecimento de seu assassinato através de documentos oficiais anexados a um processo na 2ª Auditoria da Marinha, sem que jamais tivesse havido uma comunicação, mesmo que informal, a seus familiares. Nessa documentação, a Auditoria é informada da morte de Flávio, cujo corpo tinha sido enterrado como indigente, em 9 de novembro de 1971, no Cemitério Dom Bosco, em Perus, sob o nome de Álvaro Lopes Peralta. Fica evidente a ocultação premeditada do cadáver de Flávio pelos seus assassinos, como mais uma forma de encobrir a morte sob tortura. Nem ao menos retirar os ossos de Flávio foi permitido à família, pois foi sepultado na cova n° 14, Rua 11, Quadra 2, Gleba 1, em Perus - SãoPaulo, como indigente, em 09 de novembro de 1971, com o nome falso e registro n° 3.054, fora transferido para uma vala comum, em 1976. A requisição de exame necroscópico no IML/SP, sob o n° 43.715, em 16 de novembro de 1971, com a identidade falsa de Álvaro Lopes Peralta já estava associada à sua verdadeira identidade. Os médicos legistas Renato Capellano e José Henrique da Fonseca procederam à necrópsia. Desenho de Molina feito por seu amigo e companheiro, Frederico Mayr, em março de 1967, também assassinado pela ditadura. A certidão de óbito, com o mesmo nome, foi registrada sob o nº 50.741 - fl. 191V - livro C.73, tendo sido declarante Miguel Fernandes Zaninello, indivíduo identificado em outubro de 1990, como tenente da polícia militar reformado, conforme depoimento prestado à CPI da Câmara Municipal de São Paulo, no mesmo mês. No documento 52-Z-0 - 38.270, dos arquivos do DOPS/SP constam todos os seus dados, bem como nomes falsos e codinomes, inclusive o de Álvaro Lopes Peralta - com o qual foi lavrada a certidão de óbito e enterrado como indigente no Cemitério de Perus. Ofício do CENIMAR n° 0396, de 13/07/70, informa que Flávio de Carvalho Molina, usava o nome falso de Alvaro Lopes Peralta, o que demonstra que seu nome verdadeiro era conhecido da polícia bem antes de sua morte e o seu sepultamento com nome falso foi intensional. Em outubro de 1979, de posse de documentos oficiais, a família abriu processo em São Paulo exigindo retificação de assentamento de óbito e reconstituição de identidade, ganhando a causa em 1981. Em 09 de outubro de 1981, houve a oportunidade de abrir a vala comum para a família e constatar a existência das ossadas. Percebeu-se naquela ocasião a necessidade de apoio técnico e respaldo político, o que só foi conseguido em 1990. Em 4 de setembro de 1990, com a abertura da Vala de Perus as ossadas foram trasladadas para a UNICAMP, onde se encontram para identificação. Em novembro de 1991, transcorridos 20 anos de sua morte, a família, com toda a garra que caracteriza a busca da justiça, abriu processo contra a União Federal na 17ª Vara da Seccional do Rio de Janeiro, protocolo n° 9101180125, sob responsabilidade do Juiz Wanderley de Andrade Monteiro. A característica romântica de Flávio permitiu que compusesse algumas poesias e pequenos ensaios de peças teatrais. Transcrevemos abaixo fragmentos de poesias de sua autoria: "BALADA PARA ALGUÉM DISTANTE Por que alguém, mais dia menos dia, Fica ausente? Brincando com o coração da gente Tirando a nossa alegria... Por que alguém, mais dia menos dia, Deixa tudo? Deixando também um coração mudo De tanta melancolia... Por que alguém, mais dia menos dia, Parte para um lugar distante? Causando uma dor talhante, Que ninguém mais avalia..." "MINHA PRESENÇA A dor que te devora Muitos a tem agora. Reage! Luta contra ela, Pois senão te dilacera E ainda mais vais sofrer, Pois continuará a doer. Estou aqui. Aqui, bem junto a ti. Posso não estar presente Mas por mais que me ausente Sempre estarei aqui. Flávio 12/02/69 ============================================================================================= + detalhes Ditadura: Justiça mantém inquérito que pode acusar Tuma Da Redação - 28/05/2010 - 19h19 Senador Romeu Tuma, chefe do Dops na época do crime, em 1978 O juiz federal Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo, manteve o inquérito que apura a ocultação do cadáver de um militante de esquerda morto em 1971, após ser preso por agentes militares. Entre os possíveis acusados pela participação no crime, está o atual senador Romeu Tuma (PTB), chefe do Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) em 1978. Em sua decisão, o juiz pede que os autos sejam encaminhados ao STF (Supremo Tribunal Federal), pois, diante da presença de um senador da República entre os acusados, cabe ao "Supremo Tribunal Federal deliberar a respeito e promover o encaminhamento dos autos para o procurador geral da República, se entender necessário". O MPF (Ministério Público Federal), desde 2008, vem atuando para a condenação de crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura por meio de uma série de representações criminais, propostas pela procuradora da República Eugênia Fávero e pelo procurador regional da República Marlon Alberto Weichert. Neste caso, no entanto, a procuradora Cristiane Canzian agiu em sentido contrário e pediu o arquivamento desta ação. Ao discordar da decisão ministerial, Ali Mazloum, manteve o inquérito para abertura do caso. Sendo Romeu Tuma senador e um dos acusados, o juiz representou ao STF, cumprindo a prerrogativa que estabelece foro privilegiado ao parlamentar. No entendimento do juiz, somente em 2005 houve a efetiva descoberta do corpo do militante Flávio Carvalho Molina, através da confirmação dos exames periciais. Portanto, a consumação do crime de ocultação de cadáver cessou com a identificação da vítima e seu sepultamento em lugar definitivo naquele ano. Ainda que o juiz não tenha discutido a validade da Lei de Anistia (6.683/79), ele ressaltou que, nesse caso, a ocultação de cadáver estaria fora do alcance da anistia ou "esquecimento estatal". "Trata-se, aqui, de crime imprescritível", observou, ao citar os termos do artigo 5º, inciso XLIV, da Constituição Federal. Segundo a decisão, mesmo se aplicado o artigo 109, inciso IV, do Código Penal, a prescrição do crime ocorreria somente em 2013. Leia a íntegra da decisão aqui. O caso O militante do Molipo (Movimento de Libertação Popular), dissidência da ALN (Ação de Libertação Nacional), Flávio Carvalho Molina foi preso em novembro de 1971 por agentes do DOI-CODI, de São Paulo - órgão do Exército, então sob o comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Miguel Fernandes Zaninello. Flávio teria sido morto no dia seguinte à sua prisão, conforme informações prestadas em agosto de 1978 pelo chefe do Dops, delegado Romeu Tuma. A família da vítima tomou conhecimento dos fatos somente em 1979, mas o corpo de Flávio permanecia oculto, pois foi enterrado com o nome falso que ele costumava utilizar na época em que agia pelo Movimento (Álvaro Lopes Peralta). Em 1981 foi realizada retificação judicial do registro de óbito, quando se fez constar o verdadeiro nome do morto, mas, segundo o juiz, "o corpo de Flávio sem dúvida nenhuma continuava oculto. A família da vítima continuava sem poder realizar o sepultamento de Flávio, justamente por desconhecer onde seu corpo estava escondido". Em 1990 foi descoberta uma vala comum clandestina dentro do cemitério de Perus, com milhares de ossadas onde poderia estar escondido o corpo de Flávio. Para Mazloum, "sob hipótese nenhuma pode-se dizer que neste momento foram encontrados seus restos mortais. A ocultação do cadáver permanecia. Vale dizer que, caso a perícia não tivesse identificado o corpo de Flávio em 2005, as buscas ainda estariam em curso para elucidação do crime". Leia mais: MPF processa Maluf e Tuma por ocultação de cadáveres durante a Ditadura Universidades e legistas são acionados por demora para identificar ossadas TRF-3 reabre processo sobre morte de operário durante tortura no DOI-Codi =============================================================================================== + detalhes Homenagem a Flavio Carvalho Molina 09 de outubro de 2005 Ato em Homenagem a Flavio Carvalho Molina assassinado sob tortura em São Paulo, em 1971, e sepultado nome falso na vala clandestina de Perus. Homenagens, Protestos e Cobranças 10 de outubro de 2005 às 16 h Palacio Tiradentes, sala 311 - ALERJ Sepultamento 11 de outubro de 2005 às 11 h Cemitério São João Batista - portão principal Família recebe restos mortais de desaparecido durante a ditadura militar Marli Moreira Agência Brasil São Paulo - Em uma pequena cerimônia no auditório da Procuradoria da República foi entregue, hoje (10) pela manhã, a urna com os restos mortais de Flávio Carvalho Molina ao irmão dele, Gilberto Molina, engenheiro civil e vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais. O ato aconteceu quase 34 anos após a morte de Flávio, militante do Movimento de Libertação Popular (Molipo), grupo que agia contra o regime da Ditadura Militar (1964-1985). Flávio Molina morreu sob tortura em uma sala do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), quando tinha 24 anos, em novembro de 1971. "Depois de tantos anos poder, enfim, prestar-lhe essa última homenagem traz um sentimento de alívio à nossa família", desabafou Gilberto Molina. O engenheiro contou que a família sofreu muito com o desaparecimento de seu irmão. Só oito anos mais tarde surgiu a informação de que ele fora torturado em um sala do Dói-Codi e enterrado com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta. Oficialmente, o governo havia informado que ele fora assassinado. O corpo da vítima foi enterrado clandestinamente numa vala coletiva no cemitério de Perus, na zona oeste da cidade de São Paulo. Apenas em 1990 foram feitas as primeiras escavações para a exumação. Os fragmentos encontrados passaram por oito exames de DNA, alguns deles realizados fora do país, na Inglaterra, Colômbia e Argentina. O atestado que finalmente identificou os restos de Flávio foi feito pelo laboratório Genomic, de São Paulo, com resultados divulgados no último dia 2 de setembro. Gilberto Molina partilhava dos ideais do irmão e também chegou a ser detido. "No meu caso tinha uma participação na Ação Popular, no Rio, não era luta armada". Os integrantes da Molipo tinham uma ação mais agressiva contra o regime governamental e chegavam inclusive a fazer treinamentos de guerrilha em Cuba. Entre os ex-militantes da Molipo está o ex-ministro da Casa Civil, deputado federal (PT-SP), José Dirceu. Ele compareceu hoje à solenidade de entrega dos restos mortais de Flávio, mas não quis fazer declarações. Durante a cerimônia transmitida uma gravação do Hino Nacional, solicitado um minuto de silêncio e lido um poema da vítima que diz: "Por que alguém, mais dia menos dia, fica ausente? Brincando com o coração da gente, tirando a nossa alegria... Por que alguém, mais dia menos dia, deixa tudo? Deixando também o coração mudo, de tanta melancolia..." A urna com os restos mortais de Flávio foi levada para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, onde será realizada nova cerimônia. O sepultamento está marcado para às 11h de amanhã, no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo. 10/10/2005 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110305/9d65d1cd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8838 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110305/9d65d1cd/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1822 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110305/9d65d1cd/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 5 14:35:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 5 Mar 2011 14:35:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Cria=E7=E3o_do_Centro_de_Mem=F3ri?= =?iso-8859-1?q?a__Verdade_e_Justi=E7a_de_Petr=F3polis_-_RJ_-_Peti?= =?iso-8859-1?q?=E7=E3o=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem «Campanha pela criação do Centro de Memória, Verdade e Justiça de Petrópolis - RJ» -------------------------------------------------------------------------------- Ajude a divulgar a Petição Caros Amigos, Acabei de ler e assinar esta petição online: «Campanha pela criação do Centro de Memória, Verdade e Justiça de Petrópolis - RJ» http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N7357 Pessoalmente concordo com esta petição e acho que também vais concordar. Subscreve a petição aqui http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N7357 e divulga-a pelos teus contactos. Obrigado. m.politi __._,_.___ | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico Mensagens neste tópico (2) Atividade nos últimos dias: Visite seu Grupo Ano Novo... merece companhia nova! Que tal tentar agora mesmo? Trocar para: Só Texto, Resenha Diária . Sair do grupo . Termos de uso. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110305/c91d4e39/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 5 14:35:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 5 Mar 2011 14:35:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Pent=E1gono_apresenta_22_acusa?= =?windows-1252?q?=E7=F5es_contra_Bradley_Manning_/_TORTURA=3A_Brad?= =?windows-1252?q?ley_Manning_obrigado_a_dormir_nu=2C_pela_segunda_?= =?windows-1252?q?noite_consecutiva_=2E?= Message-ID: <42BDBA6C2E4B4AF68AAEB64E5368926F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Castor Filho Pentágono apresenta 22 acusações contra Bradley Manning A mais grave é a de ajudar o inimigo, que poderia levar à pena de morte. Procurador afastou a pena máxima, mas o soldado de 23 anos pode vir a ser condenado a prisão perpétua. ARTIGO | 3 MARÇO, 2011 - 03:31 O Pentágono não quis esclarecer se houve mortes diretamente relacionadas com a fuga de informação. Foto wikimedia commons O Pentágono apresentou 22 acusações contra o soldado Bradley Manning, que está preso a aguardar julgamento numa base militar da Virgínia, por alegadamente ter entregue documentos sigilosos do Exército e do Departamento de Estado para a WikiLeaks. A acusação mais grave é a de ajuda ao inimigo, porque o Departamento de Defesa considera que a informação divulgada ajudou os Talibã e a Al Qaeda na guerra do Afeganistão. A pena máxima para esse crime é a morte, mas o porta-voz do Pentágono anunciou que não vai pedi-la para Manning. Mas o soldado, de 23 anos, pode vir a ser condenado a prisão perpétua. O Pentágono não quis esclarecer se houve mortes directamente relacionadas com a fuga de informação. Manning foi detido em Maio passado, graças à denúncia do hacker americano Adrian Lamo, que entrou em contacto com o soldado através da Internet. Em Julho do ano passado, o Exército já apresentara duas acusações formais contra Manning pela fuga de dois vídeos de guerra, um deles divulgado pela WikiLeaks, e 50 telegramas classificados do Departamento de Estado. ?As novas acusações refletem de forma muito mais exata a vasta gama de crimes de que acusamos o [soldado] Manning?, afirmou em comunicado o capitão John Haberland, porta-voz do tribunal do distrito militar do exército de Washington. São 22 as acusações contra Manning: uma por ajudar o inimigo, outra por publicação indevida de informação na Internet, sabendo que seria acessível ao inimigo, mais cinco por roubo de informações de propriedade pública, oito por transmissão de informações relativas à defesa do país, duas acusações adicionais por fraude e atividades relacionadas através do uso de computadores e, finalmente, cinco acusações de violação de normas internas do Exército Extraído de Esquerda.net http://goo.gl/cJ4kp Outras postagens sobre Bradley Manning na redecastorphoto: Militar protesta contra tratamento dado a Bradley Manning ... A prisão infernal de Bradley Manning Advogado de Manning pede fim de isolamento Torturar Manning, para pegar Assange O que WikiLeaks revelou ao Mundo em 2010 Oito calúnias sobre a WikiLeaks China é a pior, quando se trata de censura WikiLeaks e os conflitos no ciberespaço - Parte I ?... CEM MILHÕES DE IMPOTÊNCIAS? Ativistas do WikiLeaks querem impedir EUA de ver registros O imperador afia os instrumentos de tortura Julian Assange:WikiLeaks é alvo de ?investigação super agressiva ... Expor a verdade não é ilegal, a guerra que é! E mais... ================================================================================================== TORTURA: Bradley Manning obrigado a dormir nu, pela segunda noite consecutiva David E. Coombs 4/3/2011, David E. Coombs, Countercurrents ? Bradley Manning Stripped Naked Again Orig. em Armycourtmartialdefense.info Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu David E. Coombs é advogado de Bradley Manning, na Corte Marcial O cabo Manning foi obrigado a despir-se e dormir nu, pela segunda noite consecutiva. Como ontem,[1] os guardas da prisão Brig ? da Marinha dos EUA, em Quantico, Virginia ? obrigaram o prisioneiro a despir-se na sala de revista e confiscaram todas as suas roupas, antes de autorizá-lo a voltar à cela. O cabo Manning em seguida andou nu de volta à cela e à cama, e lá passou as sete horas seguintes, em inadmissível situação de exposição e humilhação. A decisão de recolher as roupas do prisioneiro foi tomada pela brigadeira comandante Denise Barnes. Segundo o primeiro-tenente Brian Villard, porta-voz da Marina, a decisão ?não foi punitiva? e tomada conforme as regras da prisão Brig. Não há justificativa concebível para exigir que um soldado entregue as roupas e permaneça nu em sua cela por sete horas, obrigado a apresentar-se à revista na manhã seguinte. O tratamento é ainda mais degradante, se se sabe que o Cabo Manning é monitorado ? por vigilância direta e por câmeras de vídeo ? 24 horas por dia. A defesa foi informada pelos oficiais da prisão, que a decisão de confiscar as roupas do prisioneiro Manning foi tomada sem qualquer consulta aos psiquiatras e médicos responsáveis pela saúde física e mental do prisioneiro na prisão Brig. Na 5ª-feira, o Estado respondeu à carta da Defesa que mais uma vez protestou, com base no art. 138, contra as condições em que o prisioneiro está confinado. A decisão preliminar do Estado foi negar acolhimento ao pedido de que o prisioneiro Manning fosse removido da situação de custódia máxima e retirado da vigilância para prevenção de autoagressão. A Defesa tem agora dez dias para treplicar. -------------------------------------------------------------------------------- Nota explicativa: Bradley Manning [1] ?3/3/2011: PFC Manning Forced to Strip Naked (traduzido abaixo) Ontem, 2/3/2011, o prisioneiro Manning inexplicavelmente obrigado a despir-se e permaneceu em sua cela por sete horas, despido. Às 5h da manhã, ao toque de alvorada, o prisioneiro Manning foi arrastado para fora da cela e obrigado a permanecer em pé, no corredor. O Supervisor do Dia chegou pouco antes das 5h da manhã. Ao chegar, repreendeu o cabo Manning, depois de fazer, ele mesmo, a contagem dos prisioneiros. Em seguida, o prisioneiro Manning recebeu ordens para sentar-se em sua cama. Dez minutos depois, um guarda devolveu-lhe as roupas. Esse tratamento é degradante e indesculpável e injustificável. Trás vergonha ao sistema da justiça militar dos EUA e não pode ser tolerado. O prisioneiro Manning foi informado de que na noite seguinte o procedimento seria repetido. Nenhum outro detido na prisão de Quantico enfrenta condições semelhantes de isolamento e humilhação.? http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/03/tortura-bradley-manning-obrigado-dormir.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110305/1a66cec8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2667 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110305/1a66cec8/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110305/1a66cec8/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 7 21:29:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 7 Mar 2011 21:29:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Retornaremos_amanh=E3=2E?= Message-ID: <16FFBA3B2A71451EA98E9500804EEB83@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Caras (os) Companheiras (os), estivemos com problemas com o servidor do computador no domingo e na segunda-feira. Amanhã estaremos retomando a Carta O Berro e a série Para Não Esquecer Jamais e uma homenagem as nossas companheiras assassinadas e desaparecidas pela ditadura. Um abraço. Vanderley -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110307/c863d0c7/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 8 13:33:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 8 Mar 2011 13:33:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__MORTAS_E_DESAPARECIDAS_NA_LUTA_C?= =?iso-8859-1?q?ONTRA_A_DITADURA=2E__A_NOSSA_HOMENAGEM_=C1_TODAS_AS?= =?iso-8859-1?q?_MULHERES_NESSE_DIA_DA_MULHER=2E___PARA_N=C3O_ESQUE?= =?iso-8859-1?q?CER_JAMAIS!?= Message-ID: <94C277C8C4034450A818940C86AC4BAD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A NOSSA HOMENAGEM Á TODAS AS MULHERES NAS PESSOAS DE NOSSAS COMPANHEIRAS MORTAS E DESAPARECIDAS NA LUTA CONTRA A DITADURA CIVIL-MILITAR DE 1964. A CERTEZA QUE DEVEMOS LEMBRAR A CORAGEM RESISTÊNTE QUE REPRESENTAM COMO SÍMBOLO DESSE DIA DA MULHER. PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura . Do golpe aos anos "linha-dura" (1964-1974) LABIBE ELIAS ABDUCH (1899-1964) A sexagenária Labibe Elias Abduch era casada com Jorge Nicolau Abduch, com quem teve três fi lhos. Foi morta por um disparo de bala em 1o de abril de 1964, quando caminhava pela Cinelândia, no Rio de Janeiro, interessada em obter informações sobre o movimento militar no Rio Grande do Sul, onde se encontrava um filho seu. Narrando a cena e os fatos desse dia, a revista O Cruzeiro, em edição extra de 10 de abril do mesmo ano, traz o seguinte relato: "14 horas. É o sangue. A multidão tenta mais uma vez invadir e depredar o Clube Militar. Um carro da PM posta-se diante do Clube. O povo presente vaia os soldados. Mais tarde, choque do Exército [...] dispersam os agitadores, que voltam à recarga, pouco depois. Repelidos a bala, deixam em campo, feridos, vários manifestantes: entre eles Labib Carneiro Habibude [sic] e Ari de Oliveira Mendes Cunha, que morreram às 22 horas no pronto-socorro". CATARINA HELENA ABI-EÇAB (1947-1968) Nascida na capital paulista, Catarina, militante da ALN, era casada, desde maio de 1968, com João Antônio Santos Abi-Eçab, também integrante da organização. Eles se conheceram quando estudavam filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. João era ativista estudantil. Morreram no dia 8 de novembro de 1968, na BR-116, altura da cidade de Vassouras (RJ). Durante três décadas, não havia sido possível contestar a versão oficial de que os dois teriam falecido em virtude de um acidente de carro. No veículo, teriam sido encontradas armas e grande quantidade de munição. Os legistas Pedro Saullo e Almir Fagundes de Souza estabeleceram como causa mortis "fratura de crânio com afundamento (acidente)". A Comissão recebeu documentos dos órgãos de repressão sobre o caso, arquivados no Superior Tribunal Militar (STM), e cópia do processo instaurado pelo Estado do Rio de Janeiro, buscando coletar informações sobre as circunstâncias das mortes. No boletim de ocorrência que registrou o acidente, consta: "foi dado ciência à polícia às 20 horas de 8/11/68. Três policiais se dirigiram ao local, constatando que na altura do km 69 da BR-116, o VW 349884-SP, dirigido por seu proprietário João Antônio dos Santos Abi-Eçab, tendo como passageira sua esposa, Catarina Helena Xavier Pereira (nome de solteira), havia colidido com a traseira do caminhão de marca De Soto, placa 431152-RJ, dirigido por Geraldo Dias da Silva, que não foi encontrado. O casal de ocupantes do VW faleceu no local. Após os exames de praxe, os cadáveres foram encaminhados ao necrotério local". Em abril de 2001, entretanto, denúncias feitas pelo repórter Caco Barcellos, veiculadas no Jornal Nacional, da TV Globo, derrubaram tal versão e mostraram que João e Catarina foram executados com tiros na cabeça. O jornalista entrevistou o ex-soldado do Exército Valdemar Martins de Oliveira, que relatou algumas missões atribuídas a ele pelo órgão militar de segurança - entre elas a infiltração em grupos de teatro -, e a prisão, tortura e execução de um casal de estudantes pelo chefe da operação militar. A suspeita era de participação desses jovens na execução do capitão do Exército norte-americano Charles Chandler ALCERI MARIA GOMES DA SILVA (1943-1970) Gaúcha e afrodescendente, Alceri trabalhava no escritório da fábrica Michelletto, em Canoas, onde começou a participar do movimento operário e fi liou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos. Em setembro de 1969, visitou sua família em Cachoeira do Sul para informar que estava de mudança para São Paulo, engajada na luta contra o regime militar como integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). A família de Alceri viveu um verdadeiro processo de desestruturação após sua morte, que ocorreu juntamente com a de Antônio dos Três Reis de Oliveira, militante da ALN. O pai, desgostoso, morreu menos de um ano depois de saber, por um delegado de Canoas, que a filha fora morta em São Paulo. Uma de suas irmãs, Valmira, também militante política, não suportou a culpa que passou a sentir por ter permitido que a irmã saísse de sua casa. Suicidou-se ingerindo soda cáustica. Depoimento dos presos políticos de São Paulo denunciou o assassinato de Alceri e Antônio por agentes da Operação Bandeirante (Oban), chefiados pelo capitão Maurício Lopes Lima. Ambos foram enterrados no Cemitério da Vila Formosa e seus corpos nunca foram resgatados, apesar das tentativas feitas em 1991 pela Comissão de Investigação da Vala de Perus. As modifi cações na quadra do cemitério, realizadas em 1976, não deixaram registros do local para onde foram os corpos exumados. Alceri foi morta [...] com quatro tiros. De acordo com o laudo necroscópico assinado pelos legistas João Pagenotto e Paulo Augusto Queiroz Rocha, duas balas atingiram o braço e o peito, enquanto as outras duas penetraram pelas costas, alcançando a coluna. MARILENA VILLAS BOAS PINTO (1948-1971) Estudante do segundo ano de Psicologia da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro (RJ), Marilena passou a viver na clandestinidade a partir de 1969. Juntamente com seu companheiro Mário de Souza Prata, ela foi presa e morta nos primeiros dias de abril de 1971, no Rio de Janeiro. Ambos eram integrantes do MR-8, com militância anterior na ALN. A versão ofi cial divulgada pelos órgãos de segurança registrava que, em 2 de abril, os dois teriam entrado em enfrentamento com agentes da Brigada de Paraquedistas do Exército, na rua Niquelândia, no 23, em Campo Grande. Mário teria morrido na hora, enquanto Marilena, ferida, teria falecido posteriormente. Segundo relatório de prisão feito por Inês Etienne Romeu em 1981, Marilena foi levada para um sítio clandestino em Petrópolis (RJ), que fi cou conhecido como "Casa da Morte". Em abril de 1997, Inês confi rmou tal informação: "A pedido, confirmo integralmente o meu depoimento de próprio punho, sobre fatos ocorridos na casa em Petrópolis-RJ, onde fiquei presa de 8/5 a 11/8 de 1971. Esse depoimento é parte integrante do processo no MJ-7252/81 do CDDPH, do MJ. Nesse depoimento está registrado que o 'dr. Pepe' contou ainda que Marilena Villas Boas Pinto estivera naquela casa e que fora, como Carlos Alberto Soares de Freiras, condenada à morte e executada. HELENY FERREIRA TELLES GUARIBA (1941-1971) Paulista de Bebedouro, Heleny foi casada com Ulisses Telles Guariba, professor de história na USP, de quem tinha sido colega na Faculdade de Filosofia da mesma universidade. Tiveram dois filhos. Ela se especializou em cultura grega, trabalhou em teatro e deu aulas na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD). Em 1965, Heleny recebeu uma bolsa de estudos do Consulado da França em São Paulo, especializando-se na Europa até 1967. Ao voltar ao Brasil foi contratada pela Prefeitura de Santo André para dirigir o grupo de teatro da cidade. Em março de 1970, foi presa pela primeira vez, em Poços de Caldas (MG), por sua militância na VPR. Heleny foi torturada na Operação Bandeirante (DOI-Codi/SP) pelos capitães Albernaz e Homero. Ficou internada no Hospital Militar dois dias, em razão de hemorragia provocada pelos espancamentos, até ser transferida para o Dops/SP e depois para o Presídio Tiradentes, onde foi assistida pelo advogado José Carlos Dias, que seria mais tarde presidente da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e, posteriormente, ministro da Justiça. Solta em abril de 1971, a militante preparava-se para deixar o país quando, três meses depois, em 12 de julho, foi presa no Rio de Janeiro por agentes do DOI-Codi/RJ, juntamente com Paulo de Tarso Celestino da Silva, da ALN. Seus familiares e advogados fizeram buscas persistentes por todos os órgãos de segurança. Apesar do silêncio e da negativa sistemática das autoridades, as provas acerca da prisão e do desaparecimento dos dois militantes foram sendo coletadas. Inês Etienne Romeu, em seu relatório de prisão, testemunhou que, durante o período em que esteve sequestrada no sítio clandestino em Petrópolis (RJ), conhecido como "Casa da Morte", ali estiveram, no mês de julho de 1971, dentre outros desaparecidos, Walter Ribeiro Novaes, Paulo de Tarso e uma moça, que acredita ser Heleny. Lá, ela foi torturada durante três dias, inclusive com choques elétricos na vagina. IARA IAVELBERG (1944-1971) Durante muito tempo, prevaleceu a versão de que Iara Iavelberg se matou, disparando contra o próprio coração, para evitar as torturas a que certamente seria submetida se fosse apanhada viva no apartamento da Pituba, em Salvador, em 20 de agosto de 1971, onde estava encurralada pelos órgãos de segurança do regime ditatorial, entre eles, agentes do DOI-Codi/RJ deslocados para aquele estado na perseguição final a Carlos Lamarca, morto no mês seguinte. No momento de sua morte, Iara Iavelberg era uma das pessoas mais procuradas pelos órgãos de repressão política em todo o país, na medida em que já era conhecida sua relação amorosa com Lamarca, inimigo número 1 do regime naquela época. Nascida em uma família judia estabelecida no bairro do Ipiranga, em São Paulo, Iara Iavelberg sempre foi tida como pessoa muito inteligente e precoce, tendo interesse por diversificadas áreas da vida cultural, além de ser valorizada pela sua beleza física. Foi militante da Política Operária (Polop), da VAR-Palmares e da VPR, tendo ingressado no MR-8 poucos meses antes de morrer. Na VPR, participou de treinamentos de guerrilha no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Na tradição judaica, os suicidas devem ser enterrados numa quadra específica do cemitério e com os pés - não a cabeça, como é usual - virados para a lápide. Apenas em 22 de setembro de 2003, encerrando treze anos de ações judiciais mantidas pelos familiares, com apoio do advogado e deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, o corpo de Iara foi finalmente exumado e retirado da ala dos suicidas do Cemitério Israelita de São Paulo. Importantes perguntas não encontraram ainda uma resposta definitiva: por que não foi realizada a perícia de local, com fotos da arma utilizada para o suicídio, nem exames papiloscópicos para comprovar o suicídio? Por que limparam o pequeno banheiro onde teria se suicidado tão procurada guerrilheira, antes de tirar as fotos com que se tenta demonstrar o local de suicídio? Por que o relatório detalhado do que aconteceu em Pituba nunca foi apresentado? NILDA CARVALHO CUNHA (1954-1971) Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar o guerrilheiro Carlos Lamarca e seu grupo. Nilda foi liberada no início de novembro do mesmo ano, profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou a militar no MR-8 e a viver com Jaileno Sampaio. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. Na saída, descendo as escadas, ela grita: - Minha mãe, me segure que estou ficando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. - Eles me acabaram, repetia sempre [...]. Leia o post - homenagem a ela no blog http://www.comunistas.spruz.com/pt/Poderia-ter-sido-sua-filha-sua-irm-sua-namorada/blog.htm GASTONE LÚCIA DE CARVALHO BELTRÃO (1950-1972) Alagoana de Coruripe, Gastone manifestou desde jovem preocupação com as desigualdades sociais. Ainda adolescente, visitava presos comuns, levando-lhes roupas e alimentos. Estudou nos colégios Imaculada Conceição e Moreira e Silva, em Maceió, e concluiu o segundo grau no Rio de Janeiro, Em 1968, de volta a Maceió, Gastone prestou vestibular para Economia na Universidade Federal de Alagoas, entrando em terceiro lugar. A partir de então, sua militância política se tornou mais efetiva, inicialmente na JUC (Juventude Estudantil Católica). Em 1969, já integrada à ALN, viajou para Cuba, onde recebeu treinamento militar. Foi localizada e executada em São Paulo pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, quando tinha retornado ao Brasil havia menos de um mês. No entanto, a versão oficial, que prevaleceu durante muitos anos, indicava a morte de Gastone em tiroteio com a polícia. Por solicitação da CEMDP, o processo de Gastone foi submetido a exame pelo perito criminal Celso Nenevê. O perito se concentrou em duas lesões, uma na região cmamária e outra na região frontal. Ampliou a foto da ferida na região mamária 20 vezes. Abramovitc descrevera a lesão como resultante de "tangenciamento de projétil de arma de fogo". Nenevê concluiu que, ao invés de tiro, tratava-se de uma lesão em fenda, produzida por faca ou objeto similar. As circunstâncias da morte não puderam ser restabelecidas com clareza até hoje, mas a CEMDP reconheceu, por decisão unânime, que Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, cujo cadáver mostrava 34 lesões, na maioria tiros, mas também facada, marca de disparo à queima-roupa, fraturas, ferimentos e equimoses, não morrera no violento tiroteio alegado pelo Dops e pelos documentos ofi ciais, e sim depois de presa pelos agentes dos órgãos de segurança. ÍSIS DIAS DE OLIVEIRA (1941-1972) Ísis nasceu e cresceu em São Paulo. Iniciou os estudos no Grupo Estadual Pereira Barreto, fez o ginasial no Colégio Estadual Presidente Roosevelt e o curso clássico no Colégio Santa Marcelina. Estudou piano e fez curso de pintura e escultura na Fundação Álvares Penteado. Em 1965, iniciou o curso de Ciências Sociais na USP e passou a morar no Crusp, o conjunto residencial da universidade. Trabalhou no Cursinho do Grêmio da Faculdade de Filosofia e casou-se, em 1967, com José Luiz Del Royo, também integrante da ALN na fase de sua fundação e, em 2006, eleito senador na Itália. Ísis frequentou o curso de Ciências Sociais até o terceiro ano e, segundo informações dos órgãos de segurança, esteve em Cuba, onde participou de treinamento de guerrilha em 1969. Já separada de Del Royo, retornou clandestinamente ao Brasil e se estabeleceu no Rio de Janeiro a partir de meados de 1970. Em 30 de janeiro de 1972, Ísis, juntamente com Paulo César Botelho Massa, que residia na mesma casa que ela e também militava na ALN, foi presa pelo DOI-Codi/RJ. No dia 4 de fevereiro, Aurora Maria Nascimento Furtado, colega de Ísis na USP e na ALN, que também seria morta sob torturas dez meses depois, telefonou a Edmundo, pai de Ísis, avisando da prisão da amiga. "Ela corre perigo, tratem de localizá-la", disse-lhe. E foi o que tentaram com persistência: impetraram cinco habeas corpus por meio da advogada Eny Raimundo Moreira, todos negados. Foram a todas as unidades do Exército, Marinha e Aeronáutica do Rio de Janeiro e de São Paulo, e onde mais imaginassem poder ter notícias de Ísis. Vasculharam os arquivos dos cemitérios do Rio de Janeiro, Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Sem falar das muitas cartas escritas com a letra miúda da mãe ao presidente da República, às autoridades civis e religiosas. Dezenas de pastas guardam os documentos da família na busca por Ísis. Em matéria do jornal Folha de S.Paulo, publicada em 28 de janeiro de 1979, um general de destacada posição dentro dos órgãos de repressão confirmou a morte de Ísis e de Paulo César, dentre outros dez desaparecidos. No arquivo do Dops/PR, em uma gaveta com a identificação "falecidos", foi encontrada a ficha da militante da ALN. A única prova concreta obtida em todos esses anos de busca foi dada pelo ex-médico Amílcar Lobo, que servia ao DOI-Codi/RJ e reconheceu a foto de Ísis dentre os presos que lá atendeu, sem precisar a data, numa entrevista publicada pela IstoÉ em 8 de abril de 1987. Dona Felícia faleceu em 24 de fevereiro de 2010. MIRIAM LOPES VERBENA (1946-1972) Miriam era casada com Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides, dirigente nacional do PCBR. Depois das inúmeras prisões que atingiram a organização no Rio de Janeiro a partir de 1970, vários de seus integrantes foram deslocados para atuar no Nordeste, entre eles, Luís Alberto. Miriam, também militante do partido, era professora e, quando morreu, estava grávida de oito meses. As circunstâncias das mortes dos dois ainda seguem recobertas de mistério e dúvidas: acidente rodoviário ou assassinato? A versão oficial é de que faleceram em decorrência de um acidente de carro, conforme informações encontradas nos arquivos do Dops/PE. No entanto, um documento da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, elaborado por Iara Xavier Pereira após minuciosa pesquisa, revela que o acidente foi causado pela perseguição ao casal de militantes. LÍGIA MARIA SALGADO NÓBREGA (1947-1972) MARIA REGINA LOBO LEITE DE FIGUEIREDO (1938-1972) Lígia e Maria Regina foram assassinadas em 29 de março de 1972 no episódio conhecido como "Chacina de Quintino", juntamente com outros dois militantes da VAR-Palmares: Antônio Marcos Pinto de Oliveira e Wilton Ferreira. Até hoje, as circunstâncias dessas mortes não foram esclarecidas. A versão dos órgãos de segurança só foi divulgada uma semana depois, em 6 de abril. As manchetes dos jornais informavam que nove militantes teriam se entrincheirado na casa 72, na avenida Suburbana, no 8.695, no bairro de Quintino, no Rio de Janeiro. Em tiroteio com a polícia, três deles teriam morrido no local (Antônio Marcos, Lígia Maria e Maria Regina), enquanto os demais teriam conseguido fugir. Segundo o "Livro Negro" do Exército, essa residência seria o aparelho onde moravam James Allen da Luz, o principal dirigente da VAR naquele momento, e Lígia Maria. O número da casa também é informado em documentos oficiais como sendo 8.988. Lígia Maria, a terceira de seis irmãos, nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, mas viveu desde criança em São Paulo. Estudou no Colégio Estadual Fernão Dias, no bairro de Pinheiros, onde fez o curso normal. Em 1967, ingressou no curso de Pedagogia da USP, onde se destacou por sua capacidade intelectual, pela liderança no grêmio local e por buscar modernizar os métodos de ensino. Trabalhava também como professora. Em 1970, engajou-se nas atividades clandestinas da VAR-Palmares. Os órgãos de segurança a indicavam como participante da execução de um marinheiro inglês, David Cuthberg, em 5 de fevereiro de 1972, numa ação que pretendia simbolizar a solidariedade dos revolucionários brasileiros com a luta do povo irlandês e com o Exército Republicano Irlandês (IRA). Foi morta aos 24 anos, quando estava grávida de dois meses. Maria Regina nasceu no Rio de Janeiro, sendo a quinta dos seis filhos de um médico pesquisador do Fundação Oswaldo Cruz e de uma assistente social do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps). Fez o primário e o ginásio no Colégio Sacré-Coeur de Jésus e o científico nos colégios Resende e Aplicação, da Faculdade Nacional de Filosofia. Formou-se em Pedagogia em 1960 pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Foi integrante da Juventude Estudantil Católica (JEC) e da Juventude Universitária Católica (JUC) e desenvolveu longo trabalho como educadora na cidade de Morros, interior do Maranhão, por meio do Movimento de Educação de Base (MEB), apoiado pela Igreja Católica. Ali, permaneceu entre dois e três anos. Foi então transferida para Recife, onde conheceu Raimundo Gonçalves Figueiredo, com quem se casou em 1966. Na época, os dois eram militantes da AP. Juntos, trabalharam em um projeto da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a educação de índios no Paraná. Após a morte de Raimundo, em 28 de abril de 1971, Maria Regina voltou ao Rio de Janeiro. O casal deixou duas filhas: Isabel e Iara, que tinham três e quatro anos quando a mãe foi morta, aos 33 anos. Consta no "Livro Negro" do Exército que Maria Regina era a responsável pelo setor de imprensa da Var-Palmares no Rio de Janeiro, que produzia o jornal União Operária. Maria Regina foi ferida na perna e, posteriormente, presa pelos agentes policiais. Sua família, ao receber o corpo, constatou que a perna estava inchada, o que indica que a militante não havia morrido naquele momento. A família de Lígia morava em São Paulo quando recebeu a visita de um agente policial que buscava informações sobre ela, pouco antes de ver anunciada sua morte em um noticiário na televisão. Lígia foi reconhecida no IML, em 7 de abril, pelo irmão Francisco, médico, que comprovou a presença em seu corpo de escoriações e manchas escuras nas costas e nas regiões laterais do corpo, além de marcas de tiros na cabeça e no braço. ANA MARIA NACINOVIC CORRÊA (1947-1972) Enquanto os militantes da ALN Ana Maria Nacinovic Corrêa, Iuri Xavier Pereira, Marcos Nonato da Fonseca e Antônio Carlos Bicalho Lana almoçavam no restaurante Varella, no bairro da Mooca, em São Paulo, em 14 de junho de 1972, o proprietário do estabelecimento, Manoel Henrique de Oliveira, telefonou para a polícia avisando da presença em seu restaurante de algumas pessoas cujas fotos estavam nos cartazes de terroristas procurados. Rapidamente, os agentes do DOI-Codi montaram emboscada em torno do local, mobilizando grande contingente policial. Como resultado da operação, morreram Ana Maria, Iuri e Marcos Nonato. Antônio Carlos Bicalho Lana, mesmo ferido, conseguiu escapar e relatou o ocorrido a seus companheiros. Ana Maria cursou o primário, ginásio e científico no Colégio São Paulo, mantido por freiras em Ipanema, no Rio de Janeiro. Terminou o científico com 17 anos e sua inclinação para a matemática levou-a a frequentar um curso pré-vestibular para Engenharia, plano que abandonou em função de seu casamento. Ligou-se à ALN no Rio de Janeiro, mas foi deslocada para o comando regional da organização em São Paulo, onde participou de inúmeras ações armadas entre 1971 e 1972. Ana Maria havia sido a única sobrevivente da emboscada armada pelo DOI-Codi/SP em setembro de 1971, na rua João Moura, em São Paulo, na qual um comando da ALN caiu. Somente a partir da abertura dos arquivos do Dops/SP começaram a surgir elementos que colocaram em dúvida a versão de que Ana Maria, Iuri e Marcos teriam morrido em tiroteio. Não foi possível reconstituir toda a verdade dos fatos, mas as mortes certamente não ocorreram no local, conforme a narrativa oficial. O depoimento de uma testemunha, documentos oficiais localizados e perícias realizadas nos restos mortais dos militantes derrubaram tal hipótese. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) apurou que os três militantes não foram levados diretamente para o Instituto Médico Legal (IML), e sim à 36a DP, na rua Tutoia, sede do DOI-Codi/SP, em cujo pátio foram vistos pelo preso político Francisco Carlos de Andrade. Francisco não conhecia Marcos Nonato, mas reconheceu os corpos de Ana Maria e Iuri. ESMERALDINA CARVALHO CUNHA (1922-1972) Esmeraldina Carvalho Cunha foi encontrada morta na sala de sua casa, em Salvador, em 20 de outubro de 1972, aos 49 anos. Seu corpo estava pendurado num fio de máquina elétrica. Esmeraldina fora casada com Tibúrcio Alves Cunha Filho, com quem teve cinco fi lhas. A mais nova, Nilda Carvalho Cunha, havia morrido um ano antes, em 14 de novembro de 1971, após dois meses de prisão e torturas em Salvador. Outra filha, Leônia, foi militante do PCB e da Polop. Lúcia também chegou a ser presa, mas foi logo solta. A mais velha, Lourdes, foi cruelmente assediada durante muito tempo por agentes do Exército, o que lhe causou sérios problemas emocionais e comportamentais. Esmeraldina, mãe exemplar, separada do marido, lutava pela vida de suas filhas militantes. A dor pela morte de sua caçula, Nilda, a transtornou. Mas seu suposto suicídio sempre foi questionado pela família. Sua filha mais nova fora presa na madrugada de 20 de agosto de 1972. Assim que soube da prisão de Nilda, Esmeraldina revirou a Bahia. Procurou os comandantes militares, o juiz de menores, advogados, tentou romper a incomunicabilidade imposta pelo regime. Só conseguiu ver a filha tempos depois, na Base Aérea de Salvador, quando a encontrou em estado lastimável, em consequência das torturas. Esmeraldina enfrentou, por duas vezes, o major Nilton de Albuquerque Cerqueira, um dos carcereiros da filha. Na primeira vez, o major tentou impor como condição para a soltura de Nilda que a mãe voltasse a viver com o ex-marido, fato que não se concretizou e quase impediu a liberdade da filha. Na segunda vez, o major esteve no quarto de hospital em que Nilda, já em liberdade, estava internada para tratamento. Sua presença e as ameaças de fazê-la retornar à prisão agravaram o estado de Nilda, que morreu dias depois, em circunstâncias nunca esclarecidas. "Ela não se conformava com a morte da fi lha, chorava, andava pelas ruas da cidade, delirava e gritava: - Eles mataram minha filha, uma criança! Eles mataram minha filha. São assassinos, do Exército, do governo. O relatório da CEMDP constata que a angústia e o desespero pela morte da fi lha deixaram Esmeraldina inconsolável. Destaca, ainda, o relato da filha Leônia de que a mãe, um dia antes de morrer, comprara móveis novos para a casa e, ao encontrá-la dependurada, pudera ver que havia marcas de sangue no chão, sua face não estava arroxeada, sua língua não estava para fora, não houvera deslocamento da carótida e mal trazia marca do fi o no pescoço. A CEMDP considerou que a morte de Esmeraldina Carvalho Cunha se deu em consequência de seus atos públicos contrários aos interesses da época, resultantes de seu inconformismo e de seu conhecimento das atrocidades praticadas por agentes do poder público. AURORA MARIA NASCIMENTO FURTADO (1946-1972) Estudante de Psicologia na Universidade de São Paulo, Aurora havia sido responsável pelo setor de imprensa da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, em 1968. Nesse período, era conhecida como Lola e namorava José Roberto Arantes de Almeida, dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que seria morto em São Paulo, em 1971, quando militava no Movimento de Libertação Popular (Molipo). Foi também funcionária do Banco do Brasil, na agência Brás, capital paulista. Foi presa em 9 de novembro de 1972, em Parada de Lucas, depois de ser detida numa blitz policial realizada pelo 2o Setor de Vigilância Norte. Nessa época, era uma das pessoas mais procuradas da ALN no Rio de Janeiro. Tentando romper o cerco, teria matado um policial. Após correr alguns metros, foi aprisionada viva, dentro de um ônibus onde havia se refugiado, e conduzida imediatamente para a delegacia de Invernada de Olaria. Aurora foi submetida a pau de arara, sessões de choques elétricos, espancamentos, afogamentos e queimaduras. Aplicaram-lhe também a coroa de cristo", fita de aço que vai sendo apertada gradativamente e aos poucos esmaga o crânio. Morreu no dia seguinte. Entretanto, seu corpo, crivado de balas, foi jogado na esquina das ruas Adriano e Magalhães Couto, no bairro do Méier. A versão oficial divulgada foi de que ela teria sido morta a tiros durante tentativa de fuga. LOURDES MARIA WANDERLEY PONTES (1943-1972) Em 17 de janeiro de 1973, os órgãos de segurança do regime militar tornaram públicas as mortes de seis militantes do PCBR (Lourdes, Fernando Augusto da Fonseca, Getúlio de Oliveira Cabral, José Bartolomeu Rodrigues de Souza, José Silton Pinheiro e Valdir Sales Saboia), ocorridas, segundo a nota oficial, em 29 de dezembro do ano anterior, no Rio de Janeiro, em função de tiroteios. Na verdade, todos foram mortos depois de presos. Lourdes Maria era pernambucana de Olinda. Fez o primário e o ginásio no Recife, mas não chegou a concluir os estudos em razão de sua militância política a partir de 1968. Em 1969, casou-se com Paulo Pontes da Silva, com quem se mudou para Natal (RN), fugindo da repressão política. Novamente perseguido, o casal transferiu-se, em fevereiro de 1970, para Salvador (BA). No entanto, no mesmo ano, Paulo foi preso e, posteriormente, condenado à prisão perpétua, por coautoria no assassinato de um sargento da Aeronáutica que o conduzia algemado. Após a prisão do marido, Lourdes foi deslocada para a militância clandestina no Rio de Janeiro. A versão sobre as seis mortes, divulgada pelo serviço de Relações Públicas do I Exército sob o título "Destruído o grupo de fogo terrorista do PCBR/GB", informava que, em ações simultâneas em pontos diferentes do estado da Guanabara, teriam morrido os seis militantes, um fi cara ferido, outro escapara ao ser perseguido e dois teriam sido presos. A verdade completa dos fatos ainda não foi recuperada, mas ficou comprovado o teatro montado para a falsa versão oficial, constatada nos próprios documentos oficiais localizados no Instituto Médico Legal (IML) e no Instituto Carlos Éboli, que realizou as perícias de local. Para cada uma das vítimas do massacre foi dada uma versão, mas os corpos dos seis militantes deram entrada no IML às 2h30 do dia 30 de dezembro. Supondo verdadeira a versão ofi cial, o lógico seria que dessem entrada em horários distintos, já que teriam morrido em locais distantes e em horários diferentes. O bairro do Grajaú é muito distante de Bento Ribeiro, mas próximo da sede do DOI-Codi, na rua Barão de Mesquita. As guias de encaminhamento dos corpos são sequenciais: Lourdes Maria, no 8; Fernando Augusto, no 9; Valdir, no 10; Getúlio, no 11; José Silton, no 12; e José Bartolomeu, no 13. Todos entraram como desconhecidos, mesmo Fernando Augusto, que oficialmente estava preso desde o dia 26. A própria sequência já demonstra que os corpos não foram levados diretamente do local da morte para o IML. Em Bento Ribeiro, teria havido violento tiroteio. Segundo a versão oficial, os militantes teriam usado até granadas de mão. No entanto, as fotos da perícia técnica desmentem tais informações: o corpo de Lourdes Maria está encostado na parede, num canto da sala, encolhido atrás de um vaso de planta que fora usada como árvore de Natal, com as bolas de vidrilho intactas. Não há nenhuma marca de tiros nas paredes. Lourdes recebeu, dentre outros, três tiros sequenciais no tórax, característicos de execução, e um no pulso direito, característico de ferimento decorrente de uma posição de defesa. Em algumas fotos, Lourdes aparece usando relógio de pulso e, em outras, no mesmo local, o relógio já não aparece. Apesar de tantos tiros, não são vistas poças de sangue ao seu redor. SOLEDAD BARRETT VIEDMA (1945-1973) Nascida no Paraguai e tida como mulher de rara beleza, Soledad era neta de um importante escritor, jornalista e intelectual paraguaio, nascido na Espanha: Rafael Barrett. Tanto o pai quanto o avô foram perseguidos por suas ideias políticas. Assim, quando Soledad tinha apenas três meses de idade, a família fugiu para a Argentina, onde viveu cinco anos; em quatro dos quais o pai esteve preso ou foi perseguido, tanto pela polícia paraguaia quanto pela argentina. No Uruguai, de acordo com sua irmã Namy Barrett, Soledad foi raptada em julho de 1962, aos 17 anos, por um grupo neonazista, que a colocou em um automóvel e, sob ameaças, quis obrigá-la a gritar palavras de ordem contrárias às suas ideias. Por ter se negado, os raptores gravaram em sua carne, com uma navalha, a cruz gamada, símbolo do nazismo. Começou assim um ciclo de perseguições e prisões mostrando que, para a polícia uruguaia, Soledad passou de vítima a culpada. Ela decidiu deixar o país e seguiu para Cuba, onde conheceu o exilado brasileiro José Maria Ferreira de Araújo - militante da VPR conhecido como Arariboia ou Ariboia, desaparecido no Brasil em 1970 -, com quem se casou e teve uma filha, Nasaindy de Araújo Barrett. No Brasil, onde passou a militar pela mesma organização, Soledad foi morta, juntamente com mais seis companheiros, no chamado Massacre da Chácara São Bento, ocorrido entre 7 e 9 de janeiro de 1973 em Paulista, na grande Recife. PAULINE PHILIPE REICHSTUL (1947-1973) Filha de judeus poloneses, Pauline Reichstul nasceu em Praga (na então Tchecoslováquia), em 1947. Seus pais eram sobreviventes da Segunda Guerra e casaram-se depois de encerrado o conflito. Quando a menina tinha dezoito meses, a família mudou-se para Paris, onde viveu até 1955, voltando então a imigrar, agora para o Brasil. Com 8 anos de idade, Pauline foi estudar no Liceu Pasteur, em São Paulo. Viveu também em Israel, por um ano e meio, onde trabalhou e estudou. Depois de curtos períodos na Dinamarca e na França, fixou residência na Suíça, em 1966, primeiramente em Lausanne e depois em Genebra. Em 1970, Pauline completou o curso de Psicologia na Universidade de Genebra. Nesse período, passou a ter contatos com movimentos de estudantes brasileiros de resistência ao regime militar. Assim, passou a trabalhar com vários órgãos de divulgação na Europa, denunciando as violações de direitos humanos no Brasil, especialmente as torturas e mortes de militantes. Foi esposa de Ladislau Dowbor, dirigente da VPR banido do país em junho de 1970 em virtude do sequestro do embaixador alemão no Brasil. Pauline e mais cinco companheiros da VPR foram mortos no Massacre da Chácara São Bento, ocorrido entre 7 e 9 de janeiro de 1973 em Paulista (hoje, Abreu e Lima), na grande Recife. A versão do regime militar era de que as mortes teriam ocorrido em consequência de um tiroteio. No entanto, a investigação sobre o caso na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) reuniu provas de que, na realidade, os militantes da VPR foram detidos em lugares distintos e, posteriormente, torturados. ANATÁLIA DE SOUZA MELO ALVES (1945-1973) Anatália de Souza Melo Alves concluiu o científi co no colégio estadual de Mossoró (RN), cidade onde residiu até novembro de 1968, quando se casou com Luiz Alves Neto. Até essa época, havia trabalhado na Cooperativa de Consumo Popular e morado num conjunto populardo Fundo de Apoio à População de Sub-Habitação Urbana (Fundap). Militantes do PCBR, Anatália e Luiz mudaram-se para o Recife após a decretação do AI-5, quando passaram a desenvolver trabalho político com os trabalhadores rurais da Zona da Mata de Pernambuco.Viveram também em Campina Grande (PB), Palmeira dos Índios (AL) e Gravatá (PE), onde foram localizados por agentes do DOI-Codi. Segundo informação policial, às 17h20 do dia 22 de janeiro de 1973, enquanto tomava banho sob a vigilância do agente policial Artur Falcão Dizeu, Anatália teria ateado fogo ao corpo e se suicidado com uma tira de couro. Entretanto, pelo que pode ser constatado nas fotos do laudo do Instituto de Polícia Técnica (IPT) de Pernambuco, Anatália colocou fogo apenas em seus órgãos genitais. No livro Dos filhos deste solo, Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio escrevem: "A versão de suicídio não convenceu os presos políticos da época. As queimaduras, inexplicadas, levaram-nos à suspeita de que Anatália teria sido vítima de violências sexuais, quando se encontrava psicologicamente abalada pelas torturas e pelo clima de terror nos cárceres de Pernambuco. Sua morte e as queimaduras na região pubiana seriam uma forma de impedir que ela denunciasse os responsáveis pelas sevícias". MARIA AUGUSTA THOMAZ (1947-1973) Em maio de 1973, os militantes do Molipo Maria Augusta Thomaz e Márcio Beck Machado foram mortos no sul de Goiás, na fazenda Rio Doce, entre Rio Verde e Jataí, a 240 km de Goiânia. Maria Augusta tinha sido estudante da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae, em São Paulo. Em 1968, foi indiciada em inquérito por sua participação no 30o Congresso da UNE, realizado em Ibiúna (SP). Após a morte de seu namorado, José Wilson Lessa Sabag, em setembro de 1969, ela teve de passar para a clandestinidade. Em seguida, foi identificada como participante do sequestro de um avião da Varig, em 4 de novembro do mesmo ano, desviado para Cuba durante a rota Buenos Aires-Santiago. Em Cuba, depois de receber treinamento militar, alinhou-se ao grupo dissidente da ALN que ficou conhecido como Grupo dos 28, depois Molipo, e foi uma das primeiras integrantes dessa organização a retornar ao Brasil, no início de 1971. Embora um documento dos órgãos de segurança, encaminhado em 1978 ao delegado Romeu Tuma, diretor do Dops, registrasse claramente a informação sobre as mortes de Márcio e Maria Augusta, as autoridades do regime ditatorial jamais comunicaram tal fato aos familiares. No Boletim Informativo do Ministério do Exército datado de janeiro de 1976, os nomes dos dois foram retirados da lista de procurados por serem considerados mortos. RANÚSIA ALVES RODRIGUES (1945-1973) Ranúsia e outros três militantes do PCBR (Almir Custódio de Lima, Ramires Maranhão do Valle e Vitorino Alves Moitinho) foram mortos pelos órgãos de segurança do regime militar em 27 de outubro de 1973, no Rio de Janeiro. A cena para a legalização das execuções foi montada na praça Sentinela, em Jacarepaguá. Ramires, Almir e Vitorino aparecem totalmente carbonizados dentro de um Volkswagen, enquanto o corpo de Ranúsia jaz baleado, embora não queimado. Os documentos oficiais dos arquivos dos Ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica mostram versões desencontradas de tal acontecimento. Alguns fatos só começaram a ser esclarecidos com a abertura dos arquivos secretos do Dops, no Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco. No livro Dos fi lhos deste solo, Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio assim registraram o episódio: Chovia na noite de 27 de outubro de 1973, um sábado. Alguns poucos casais escondiam-se da chuva junto do muro do Colégio de Jacarepaguá, no Rio. Por volta das 22 horas, um homem desceu de um Opala e avisou: "Afastem-se porque a barra vai pesar". O repórter de Veja (7/11/1973) localizou alguém que testemunhou o significado desse aviso: "Não ouvimos um gemido, só os tiros, o estrondo e a correria dos carros". [...] Vindos de todas as ruas que levam à praça, oito ou nove carros foram chegando, cercando um fusca vermelho de placa AA 6960 e despejando tiros. Depois jogaram uma bomba dentro do carro. No final, havia uma mulher morta com quatro tiros no rosto e peito e três homens carbonizados. Essa mulher era Ranúsia Alves Rodrigues, pernambucana de Garanhuns e estudante de Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco. Já havia sido presa uma vez, em Ibiúna (SP), em 1968, quando participava do 30o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em consequência disso, foi expulsa da universidade pelo Decreto 477, no ano seguinte. Vivendo na clandestinidade como militante do PCBR, Ranúsia teve uma filha, chamada Vanúsia. Em outubro de 1972, passou a atuar no Rio de Janeiro. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar sustentavam que, em 25 de fevereiro de 1973, ela teria participado da execução do delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior, do DOICodi/ SP, em Copacabana. O relatório fala, ainda, de farta documentação encontrada com ela, e menciona a morte dos quatro militantes, dando-lhes os nomes completos. A versão divulgada pelo Dops é que os militantes do PCBR perceberam a presença de "elementos suspeitos" e tentaram fugir, acionando suas armas. Como o carro teria começado a pegar fogo, não foi possível retirar as pessoas que estavam dentro. Laudo e fotos da perícia no local mostram Ranúsia morta perto do carro, tendo, ao fundo, um Volkswagen incendiado, onde estavam carbonizados Ramires, Vitorino e Almir. No entanto, a investigação sobre o caso realizada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) considerou que a versão oficial não se sustentava após o exame das provas anexadas ao processo. SÔNIA MARIA DE MORAES ANGEL JONES (1946-1973) Sônia Maria era gaúcha de Santiago do Boqueirão e filha de um oficial do Exército. Morava no Rio de Janeiro e trabalhava como professora de português quando se casou com Stuart Edgar Angel Jones, militante do MR-8 - mais tarde, morto sob torturas e procurado incansavelmente pela mãe, a estilista Zuzu Angel, também morta por ação de agentes do poder público. Em 1o de maio de 1969, Sônia foi presa quando participava de manifestação de rua na praça Tiradentes. Foi levada para o Dops e, posteriormente, para o presídio feminino São Judas Tadeu, sendo libertada apenas em 6 de agosto daquele ano. Visada pelos órgãos de segurança depois desse episódio, teve de se manter na clandestinidade. Em maio de 1970, exilou-se na França, onde passou a estudar na Universidade de Vincennes. Para se sustentar, lecionava português na escola de línguas Berlitz, em Paris. Ao saber da prisão e desaparecimento de Stuart, Sônia decidiu voltar ao Brasil e retomar a luta de resistência. Ingressou então na ALN e morou algum tempo no Chile, onde trabalhou como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, estabelecendo-se em São Paulo e depois em São Vicente, onde passou a viver com Antônio Carlos Bicalho Lana. Presos em novembro do mesmo ano, os dois militantes foram torturados até a morte e enterrados como indigentes no cemitério Dom Bosco, em Perus, na capital paulista. Em 15 de novembro de 1973, Sônia e Lana alugaram um apartamento em São Vicente, litoral de São Paulo. O local passou a ser vigiado por agentes dos órgãos de segurança, que informaram aos funcionários do condomínio que ali moravam "dois terroristas muito perigosos". A data exata da prisão nunca foi estabelecida, mas sabe-se que era de manhã quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir com destino a São Paulo. Vários agentes já estavam dentro do coletivo. Simultaneamente, nas imediações da agência de passagens do Canal 1, em São Vicente, encontravam-se outros policiais à espera de que os dois descessem para comprar os bilhetes, que não eram vendidos no próprio ônibus. Quando lá chegaram, apenas Lana desceu do ônibus. Cinco agentes esperavam dentro da agência e outros chegaram em vários carros. No guichê, o militante entrou em luta corporal com os policiais, mas foi dominado a socos e pontapés, levando uma coronhada de fuzil na boca. Sônia, ao levantar-se do banco, foi agarrada e levou um pontapé nas costas. Saiu do ônibus algemada pelos pés e foi colocada em um Opala, enquanto Lana foi empurrado para outro carro. Há duas versões para a morte da militante. A primeira, do primo de seu pai, o coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOICodi de Brasília e amigo pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi de São Paulo: "Depois de presa, do DOI-Codi/SP foi mandada para o DOI-Codi/RJ, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangue, onde recebeu dois tiros". A segunda, do ex-sargento Marival Dias Chaves do Canto, do DOI-Codi/SP, em entrevista concedida à revista Veja, em 18 de novembro de 1992: Antônio Carlos e Sônia foram presos no Canal 1, em Santos, onde não houve qualquer tiroteio, nem ao menos um tiro, "apenas" a violência dos agentes de segurança que conseguiram imobilizar o casal aos socos, pontapés e coronhadas. [...] Eles foram torturados e assassinados com tiros no tórax, cabeça e ouvido. [...] Foram levados para uma casa de tortura, na zona sul de São Paulo, onde ficaram de cinco a dez dias até a morte, em 30 de novembro. Depois disso, seus corpos foram colocados na porta do DOI-Codi, para servir de exemplo, antes da montagem do teatrinho. Ao tomar conhecimento da morte da fi lha pelos jornais, os pais de Sônia foram para São Vicente. No apartamento, encontraram cinco agentes dos órgãos de segurança. O pai da militante foi esbofeteado e ameaçado de ser jogado do terceiro andar do prédio. Identificou-se como tenente-coronel e conseguiu ser libertado, com a promessa de permanecer em São Paulo, à disposição do II Exército. João Moraes guardava o presente como uma relíquia, achando que a crueldade dos porões do regime militar chegara ao ponto de ser aquele o instrumento que matara a filha. Depois de muito relutar em acreditar que Sônia não fora morta no tiroteio informado pelos militares, João Moraes tornou-se uma liderança entre os familiares de mortos e desaparecidos políticos. Foi presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, enquanto sua esposa, Cléa, foi secretária da mesma entidade por muitos anos. Antes de morrer, ele publicou o livro O calvário de Sônia: uma história de terror nos porões da ditadura, que registra a história da vida e morte de sua fi lha, bem como a dolorosa peregrinação que ele e sua esposa realizaram na busca do corpo e do esclarecimento completo de sua morte sob torturas. Em 19 de setembro de 1992, na gestão de Luiza Erundina como prefeita de São Paulo, foi inaugurado o complexo viário João Dias - nas proximidades da praça Alceu Amoroso Lima e da marginal do rio Pinheiros -, formado por três grandes viadutos. Um deles foi batizado com o nome de Sônia Maria de Moraes Angel Jones. MARIA LÚCIA PETIT DA SILVA (1950-1972) Maria Lúcia Petit da Silva e Bergson Gurjão Farias foram os únicos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia que tiveram, até agora, o direito de serem sepultados por suas famílias. Morta aos 22 anos de idade, Maria Lúcia foi sepultada pela família em Bauru (SP) em 16 de junho de 1996. Estava desaparecida desde 1972. Cursou o primário, o ginasial e os dois primeiros anos do curso normal em Duartina (SP), vindo a concluí-lo em São Paulo, no Instituto de Educação Fernão Dias, em 1968, quando participou do movimento estudantil secundarista. Em 1969, prestou concurso para o magistério. Foi professora primária na Vila Nova Cachoeirinha, na capital paulista. No início de 1970, tomou a decisão de desenvolver sua militância política no interior do Brasil. Integrada ao PCdoB, foi para Goiás e, em seguida, para o sul do Pará, fi xando-se na área de Caianos. Trabalhou na região ensinando crianças, às quais dedicava muito carinho, e também em atividades de plantio, conquistando simpatia entre os moradores das redondezas. Conforme depoimento de Regilena Carvalho Leão de Aquino, uma das poucas sobreviventes da guerrilha e companheira de Jaime Petit, irmão de Maria Lúcia, "nas primeiras horas do dia 16 de junho de 1972, a menos de 2 km da casa do 'João Coioió', Jaime [Jaime Petit da Silva], Daniel [Daniel Ribeiro Callado] e eu fomos acordados pelo disparo de um tiro ao longe e um outro tiro em seguida. Da mesma direção dos sons dos disparos, metralhadoras foram acionadas, quando o ruído distante de um helicóptero em movimento tornava-se próximo das imediações. Estávamos acampados na retaguarda, aguardando Maria [Maria Lúcia Petit da Silva], Cazuza [Miguel Pereira dos Santos] e Mundico [Rosalindo de Souza] para ajudá-los no transporte dos mantimentos encomendados ao 'João Coioió'. Retiramo-nos imediatamente e, ao final da tarde, acampamos nas cabeceiras da chamada Grota da Cigana. Momentos mais tarde, enquanto preparávamos o jantar - milho maduro em água e sal, cozido em fogo brando - para esperar os três companheiros ausentes, surgiram Cazuza e Mundico, ensopados de suor e afl ição. Perguntei pela Maria e a resposta do Cazuza foi direta e crua: 'A reação a matou'". Merece registro também a análise feita por Elio Gaspari no livro A ditadura escancarada: "Os militares enterraram Maria num cemitério de Xambioá, com o corpo embrulhado num pedaço de paraquedas e a cabeça envolta em plástico. A ditadura fi xara um padrão de conduta. Fazia prisioneiros, mas não entregava cadáveres. Jamais reconheceria que existissem. Quem morria, sumia. Esse comportamento não pode ser atribuído às dificuldades logísticas da região, pois a tropa operava de acordo com uma instrução escrita: 'Os PG [prisioneiros de guerra] falecidos deverão ser sepultados em cemitério escolhido e comunicado. Deverão ser tomados os elementos de identificação (impressões digitais e fotografias)'". HELENIRA RESENDE DE SOUZA NAZARETH (1944-1972) Nascida na pequena cidade de Cerqueira César, próxima a Avaré, no interior paulista, Helenira mudou-se aos 4 anos para Assis, onde cresceu. Concluiu ali o curso clássico no Instituto de Educação Prof. Clibas Pinto Ferraz, onde foi uma das fundadoras do grêmio de representação dos alunos. Mudou-se então para São Paulo e cursou Letras na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), localizada, naquele tempo, na rua Maria Antônia. Na época, foi eleita presidente do Centro Acadêmico. Tornou-se importante liderança no movimento estudantil, sendo conhecida também pelo apelido de "Preta". A primeira prisão de Helenira aconteceu em junho de 1967, quando escrevia nos muros da Universidade Mackenzie, na própria rua Maria Antônia, a frase: "Abaixo as leis da ditadura". Voltou a ser presa em maio de 1968, quando convocava colegas para uma passeata na capital paulista. Naquele mesmo ano de fortes mobilizações estudantis, foi presa pela terceira vez em Ibiúna (SP), agora como delegada no 30o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade da qual era vice-presidente. Apontada como liderança no movimento estudantil, foi transferida do Presídio Tiradentes para o Dops. Depois, a estudante seria levada para o presídio feminino do Carandiru, onde fi cou detida por dois meses. A família conseguiu libertá-la mediante habeas corpus na véspera da edição do AI-5. A partir de então, Helenira, que já era militante do PCdoB, passou a viver e a atuar na clandestinidade, morando em vários pontos da cidade e do país antes de se mudar para o Araguaia. Conhecida como Fátima naquela região, integrou o Destacamento A da guerrilha, unidade que recebeu seu nome depois que ela foi morta, em 28 ou 29 de setembro de 1972. Teria matado um militar e atingido outro, antes de ser ferida e morta. Metralhada nas pernas e torturada até a morte, segundo depoimento da ex-presa política Elza de Lima Monnerat na Justiça Militar, foi enterrada na localidade de Oito Barracas. No "Livro Negro" do Exército, divulgado pela imprensa em abril de 2007, consta, a respeito dela, na página 724: "No dia 28 [de setembro de 1972], um grupo que realizava um patrulhamento quase caiu numa emboscada fatal. No entanto, falhou a arma ou fraquejou um dos terroristas e o grupo foi alertado. Como se tratasse de uma passagem perigosa, o grupo tinha exploradores evoluindo pela mata, os quais reagiram a tempo. O terrorista cuja arma falhara logrou fugir. O outro, que abriu fogo com uma espingarda calibre 16, caiu morto no tiroteio que se seguiu. Trata-se de Helenira Resende de Souza Nazareth (Fátima), do destacamento A". No livro A lei da selva, o jornalista Hugo Studart transcreve o seguinte trecho do diário do dirigente do PCdoB, Maurício Grabois, de autenticidade ainda não comprovada, cuja narração tem pontos comuns e pontos divergentes em relação ao Relatório Arroyo, acerca de Helenira: Um deles, o sargento, veio para o lado do barranco onde estavam nossos combatentes. Lauro, que portava arma longa semiautomática de nove tiros, atrapalhou-se com a arma, não atirou e fugiu. O milico pressentiu a Fátima e disparou o FAL em sua direção. Esta, com sua arma de caça 16, o fuzilou. Em seguida, correu e se entrincheirou mais adiante. Um soldado, que pesquisava o local à sua procura, foi por ela abatido mortalmente com tiros de revólver 38. Ferida nas pernas, foi presa. Perguntaram-lhe onde estavam seus co. Respondeu que poderiam matá-la, pois nada diria. Então os milicos a assassinaram friamente. Seu corpo foi enterrado nas Oito Barracas, para onde foi transportado em burro. LÚCIA MARIA DE SOUZA (1944-1973) Estudante da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Lúcia Maria participava do movimento estudantil como integrante do PCdoB. Era responsável pela impressão e distribuição do jornal A Classe Operária, no Rio de Janeiro, nos anos de 1969 e 1970, atividade que realizava junto com Jana Moroni, também desaparecida no Araguaia. Afrodescendente, cursava o quarto ano da faculdade e era estagiária do Hospital Pedro Ernesto quando entrou para a clandestinidade, indo viver na região do Araguaia, próximo de Brejo Grande. Vivia com Libero Giancarlo Castiglia, também desaparecido. Destacou-se como parteira e no trabalho pesado de derrubada da mata. Era membro do Destacamento A, utilizando o nome Sônia. Em combate, foi ferida e morreu em 24 de outubro de 1973, próximo da grota Água Fria, onde seu corpo teria sido abandonado, conforme depoimento de Agenor Morais da Silva. De acordo com o Relatório Arroyo, "no dia 23, pela manhã, dois outros companheiros foram levar, até a estrada que vai para São Domingos, um rapazinho que, por acaso, se encontrava com os nossos. Nesse mesmo dia, os demais, em número de onze, deslocaram-se para a margem esquerda do Fortaleza. Dois helicópteros e um avião começavam a sobrevoar a área. No dia 24, Sônia (Lúcia Maria de Souza) e Manuel (Rodolfo de Carvalho Troiano) foram ao encontro dos dois que haviam levado o rapazinho. Não encontraram. À tarde, novamente Sônia e Wilson (elemento de massa) voltaram ao local de encontro. Recomendou-se que não fossem por um piseiro antigo, pois ali poderia haver soldados emboscados. Acontece que Sônia acabou indo pelo piseiro e, como decidisse caminhar descalça, deixou a botina no caminho. Quando voltou, não encontrou a botina. Pensou que fosse brincadeira de gente de massa. Chamou por um nome conhecido. Apareceu uma patrulha do Exército, que atirou nela, deixando-a ferida. Os soldados - segundo relatou gente de massa - perguntaram-lhe o nome. E ela respondeu que era uma guerrilheira que lutava por liberdade. Então, o que comandava a patrulha respondeu: 'Tu queres liberdade. Então toma...' - desfechou vários tiros e a matou. Wilson conseguiu escapar". JANA MORONI BARROSO (1948-1974) Cearense de uma conhecida família de Fortaleza, Jana cresceu em Petrópolis (RJ), onde praticou escotismo, primeiro como "lobinha" e depois como "bandeirante". Concluiu naquela cidade o ensino médio e cursou até o quarto ano de Biologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde se integrou à Juventude do PCdoB. Trabalhou, com outros companheiros, como responsável pela imprensa clandestina do partido. Em 21 de abril de 1971, foi deslocada para a localidade de Metade, região do Araguaia, onde exerceu a atividade de professora e ficou conhecida como Cristina, integrando o Destacamento A da guerrilha. Dedicou-se também a atividades de caça e ao plantio. Casou-se com Nelson Lima Piauhy Dourado. Ao se despedir dos pais, deixou-lhes uma carta em que explicava as razões de sua opção política e um exemplar do clássico de Gorki, A mãe, que narra uma sensível história de amor entre um militante socialista e sua mãe na Rússia czarista. No livro Operação Araguaia, Taís Morais e Eumano Silva escrevem: "Em entrevista ao historiador Romualdo Pessoa Campos Filho, o morador José Veloso de Andrade contou que Cristina morreu nas mãos dos militares. Segundo o depoimento do ex-mateiro Raimundo Nonato dos Santos, o Peixinho, para o Ministério Público, Jana teria sido presa em um local chamado Grota da Sônia. Ela se deslocava para o ribeirão Fortaleza para encontrar Duda (Luiz René Silveira e Silva). Raimundo, já preso, foi obrigado a levar os militares ao ponto. Ao avistá-la, teria feito sinal para que fugisse, mas outra equipe já a cercava. Cristina estava desarmada, mas um soldado disparou contra ela. Raimundo afirma que Jana foi deixada no local, insepulta. Apenas uma foto teria sido feita". Em vários outros depoimentos, no entanto, a versão é que Jana foi presa viva. Assim testemunhou um camponês que foi guia do Exército: "Nós chegamos no 'sapão' [helicóptero] na cabeceira do Caiano. Nós estávamos acampados de tardezinha, todo mundo na folha, quando vimos aquela mulher vir tomando chegada. Aí os soldados alvoroçaram para atirar e o sargento falou com os soldados: 'Não atira não, deixa ver quem é primeiro'. Todo mundo ficou em ponto de tiro. Agora, eu não, eu não fi cava em ponto de tiro. Ficava com a FAL de um jeito para não desconfiarem. Aí, ela chegou a uma distância como daqui àquele pauzinho ali. Aí pegaram e irradiaram para o comando de Pontão na mesma hora. Aí o 'sapão' veio e pegou ela. Botaram dentro de um saco e botaram o saco dentro de uma caixa, de uma jaula, não sei o que era, e trouxeram para Xambioá... Eu só vi ela essa vez... Era ela mesma. Eu vi sim. Eles me mostraram a fotografia dela. Eles me mostraram idêntica que está neste retrato aí. É fotografia dela, pura... Foi bem no fim. Agora, eu não sei se eles mataram ela, se prenderam. Só sei que ela foi pega à mão. Eu vi bem, com esses dois olhos, aqui. Ela veio pedindo por tudo mesmo, chorando mesmo. Ela já estava nua. Roupa toda rasgada. Estava vestida de maiozinho e uma blusinha. Estava toda desprevenida, já". Segundo depoimentos colhidos por Cyrene, Jana foi presa e levada para Bacaba, na rodovia Transamazônica, onde operava um centro de torturas. Segundo os moradores da região, na localidade também existe um cemitério clandestino. Conforme o relato de sua mãe, Jana teria sido amarrada praticamente nua e colocada dentro de um saco, que foi içado por um helicóptero. Isso teria ocorrido nas proximidades de São Domingos do Araguaia. MARIA CÉLIA CORRÊA (1945-1974) Nascida no Rio de Janeiro, Maria Célia era bancária e estudante de Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia. Em 1971, como militante do PCdoB, foi viver na região do Araguaia, onde já se encontrava seu irmão, Elmo Corrêa, e sua cunhada, Telma Regina Cordeiro Corrêa, ambos também desaparecidos naquela guerrilha. Maria Célia pertenceu ao Destacamento A, sendo conhecida como Rosa. Era casada com João Carlos Campos Wisnesky, ex-estudante de Medicina na UFRJ, conhecido como Paulo Paquetá e que abandonou a guerrilha. Há discrepâncias entre as possíveis datas de sua morte ou desaparecimento, variando entre janeiro e meados de 1974. No livro de Taís Morais e Eumano Silva, Operação Araguaia, sua prisão é assim narrada: "Rosa, ou Rosinha, como a chamavam os camponeses, perdeu-se dos companheiros. Chega à casa de Manoelzinho das Duas - o sujeito vive com duas mulheres na mesma casa. Manoel tenta convencer a guerrilheira a se render. Muita gente está sofrendo por causa do conflito, argumenta o caboclo. 'Prefiro morrer do que me entregar', reage Rosinha. Diante da negativa, Manoelzinho agarra a militante, domina-a e entrega-a ao delegado de São Domingos, Geraldo da Coló. Muitos moradores do vilarejo viram Rosinha viva, muito magra e suja, dentro de um carro parado na frente da cadeia. Os militares levaram a guerrilheira para Bacaba". O livro de Hugo Studart, A lei da selva, informa que o Dossiê Araguaia também registra a morte de Maria Célia como ocorrida em janeiro de 1974. E acrescenta: "Teria havido um debate entre os próprios militares sobre a necessidade ou não de executá-la, já que, argumentavam alguns oficiais, Rosa não oferecia perigo. A decisão final foi a de cumprir as ordens superiores de não fazer prisioneiros". O processo traz ainda um recorte do jornal O Globo, do dia 2 de maio de 1996, em que Manoel Leal Lima declara que "um helicóptero aterrissou trazendo três prisioneiros - Antônio de Pádua, o Piauí, Luís René da Silva, o Duda, e Maria Célia Corrêa, a Rosinha. Um ofi cial ordenou que os presos, todos com os olhos vendados, saíssem do avião e andassem cinco passos em direção ao rio, com as mãos na cabeça. Em seguida, centenas de tiros foram disparados contra eles". Em função desse depoimento, os familiares pediram a interdição do local descrito por Manoel Leal Lima para promover a busca dos restos mortais de Maria Célia. DINAELZA SANTANA COQUEIRO (1949-1974) Baiana de Vitória da Conquista, Dinaelza estudou em Jequié (BA), no Instituto Educacional Régis Pacheco, onde organizou o grêmio dos alunos. Em 1969, foi para Salvador cursar Geografi a na Universidade Católica. Participou ativamente do movimento estudantil, sendo eleita para a Comissão Executiva do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Nessa época, casou-se com Vandick, aluno de Economia, também desaparecidono Araguaia. Em 1970, ela e o marido já integravam o comitê estudantil do PCdoB. Trabalhou na empresa aérea Sadia (primeiro nome da Transbrasil) até 1971, quando pediu demissão e foi deslocada para a região do Gameleira, no Araguaia, onde se tornou mais conhecida como Mariadina. No sul do Pará, integrou o Destacamento B da guerrilha. Dinaelza participou de vários enfrentamentos armados. Sinésio Martins Ribeiro, guia do Exército na época, afi rmou, em depoimento prestado em São Geraldo do Araguaia, em 19 de julho de 2001, que "ficou sabendo por Pedro Galego e Iomar Galego que a Mariadina(Dinaelza) foi presa no rumo da OP-1, dentro da mata; que quem prendeu ela foi o mateiro Manoel Gomes e entregou para o Exército; que segundo soube o depoente, ela foi levada para a casa do Arlindo Piauí para contar onde estavam os outros e outras informações; que ela não falou nada; que lhe contaram que ela era muito bruta, porque ela não respondia nenhuma das perguntas e também cuspiu nos doutores; que por isso mataram ela um pouco adiante da casa do Arlindo Piauí, dentro da mata [...]". LUIZA AUGUSTA GARLIPPE (1941-1974) Luiza nasceu em Araraquara, no interior paulista, onde estudou até completar o ensino médio no Instituto de Educação Bento de Abreu (Ieba). Mudou-se então para São Paulo, onde cursou Enfermagem na USP, formando-se em 1964. Em seguida, passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, chegando ao posto de enfermeira-chefe do Departamento de Doenças Tropicais, área em que se especializou. Realizou viagens de estudo pelo interior do país, percorrendo estados como Amapá e Acre. Também participou da Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas. Atuante na militância política contra o regime militar, Luiza era integrante do PCdoB. No início dos anos 1970, ela foi deslocada para o Araguaia, indo viver na região do Rio Gameleira, onde passou a ser conhecida como Tuca e desenvolveu trabalho de atendimento em saúde, destacando-se como parteira. Companheira de Pedro Alexandrino de Oliveira, o Peri, integrava o Destacamento B da guerrilha, assumindo a coordenação do setor de saúde após a morte do médico guerrilheiro João Carlos Haas. Segundo informações de seu irmão, Armando Garlippe Júnior, a última vez que os familiares a viram foi no início dos anos 1970. "Posteriormente, fomos perdendo contato. Não sabíamos onde ela estava. Pensávamos que ela pudesse estar presa. Às vezes, chegavam informações desencontradas sobre o seu paradeiro. Alguns diziam que ela estava no exterior, outros falaram que ela se encontrava no Nordeste. Só muito tempo depois fomos saber sobre o Araguaia. Na verdade, naquela época, a comunicação era difícil. As forças da repressão nos vigiavam". Sabe-se que sobreviveu ao ataque da manhã de Natal de 1973 e existem divergências a respeito da data de sua morte ou desaparecimento. ÁUREA ELIZA PEREIRA (1950-1974) Áurea passou a infância com sua família na fazenda da Lagoa, no município de Monte Belo, no sul de Minas Gerais, da qual seu pai era administrador. Entre os 6 e os 14 anos, estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Areado, concluindo ali o curso ginasial. Mudouse em 1964 para o Rio de Janeiro, onde cursou o segundo grau no Colégio Brasileiro, em São Cristóvão. Aos 17 anos, prestou vestibular para o Instituto de Física da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde pretendia se especializar em física nuclear. Entre 1967 e 1970, participou ativamente do movimento estudantil nessa faculdade, chegando a ser membro do Diretório Acadêmico, juntamente com Antônio de Pádua Costa e Arildo Valadão, ambos também militantes do PCdoB e desaparecidos no Araguaia. Áurea casou-se com Valadão em 6 de fevereiro de 1970, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, realizou a cerimônia religiosa na basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo. No segundo semestre do mesmo ano, mudou-se com Arildo e Antônio de Pádua para o Araguaia. Com o marido, foi viver na região de Caianos. Ali trabalhou como professora, integrando o Destacamento C, comandado por Paulo Mendes Rodrigues. No início de 1974, após a morte de Arildo, foi vista no 23o Batalhão de Infantaria da Selva pelo preso Amaro Lins, ex-militante do PCdoB, que prestou depoimento sobre isso no 4o Cartório de Notas de Belém (PA). Amaro relata também que ouviu um policial dizer a Áurea que arrumasse suas coisas, pois iria "viajar". Viajar era o termo utilizado por policiais para designar execução.Em Operação Araguaia, os jornalistas Taís Morais e Eumano Silva descrevem: "Querida por todos, trabalhou como professora no povoado de Boa Vista e esbanjava simpatia. Dois mateiros a prenderam no início de 1974 e a entregaram à repressão. Amarrada, muito magra, faminta e doente, vestia apenas um pedaço de sutiã. As roupas rasgaram em meses seguidos de fuga pela mata úmida e cheia de espinhos. Foi encontrada junto com Batista, morador da região recrutado pela guerrilha, também debilitado pelas difi culdades de sobrevivência na mata. Áurea foi vista viva, depois de presa, na base de Xambioá". Elio Gaspari, descrevendo o mecanismo de recompensas em dinheiro para quem matasse guerrilheiros, apresenta em A ditadura escancarada mais uma importante informação: "Adalberto Virgulino, que capturou a guerrilheira Áurea (Áurea Eliza Valadão), recebeu oitocentos cruzeiros e um maço de cigarros". O ex-militar contou ao procurador Adrian Pereira Ziemba ter visto a chegada, na base militar, de Áurea Eliza Pereira Valadão, 24 anos. [...] Conforme Ferreira, Áurea foi torturada durante todo um dia e uma noite. No dia seguinte, os militares a colocaram num helicóptero e ela nunca mais foi vista". DINALVA OLIVEIRA TEIXEIRA (1945-1974) Conhecida no Araguaia como Dina, cercada de fama legendária, Dinalva era baiana de Castro Alves. Cursou o primário na Escola Rural de Argoim e mudou-se para Salvador, onde fez o ginasial no Institutde Educação Isaías Alves, por onde também passaram Anísio Teixeira e Milton Santos. Completou o ensino médio no Colégio Estadual da Bahia e formou-se em Geologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1968. Durante o curso universitário, morou na Casa do Estudante. Entre 1967 e 1968, participou ativamente do movimento estudantil como representante da Residência Universitária Feminina. Foi presa na época, mas solta logo a seguir. Nesse período, conheceu Antônio Carlos Monteiro Teixeira, seu colega de turma, também do PCdoB, com quem se casou em 1969. Naquele ano, o casal foi morar no Rio de Janeiro. Em maio de 1970, foram deslocados para a região do Araguaia, onde Dinalva atuou como professora e parteira. Chegou a ser vice-comandante do Destacamento C, única mulher da guerrilha a alcançar um posto de comando. Quando tiveram início os choques armados, em abril de 1972, o casal já estava separado e tinha nascido um novo relacionamento entre ela e Gilberto Olímpio Maria, morto no Natal de 1973. Dina destacou-se por sua habilidade militar para escapar de ataques inimigos e por participar de vários choques armados, sendo ferida em um deles. Era tida como exímia atiradora. Sobreviveu ao ataque do Natal de 1973, mesmo enfrentando grave surto de malária. Em A lei da selva, Hugo Studart descreve o primeiro desses combates, do qual surgiu a lenda de que Dina era capaz de se transformar em borboleta: "A lenda nasceu a partir de episódio ocorrido em 20 de setembro de 1972, quando houve um combate com uma patrulha de oito paraquedistas do Exército, comandada pelo então capitão Álvaro de Souza Pinheiro, mais tarde promovido a general, e fi lho do general Ênio de Souza Pinheiro, ex-chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI), primeiro comandante da Escola Nacional de Informações (ESNI) e um dos líderes da inteligência militar na época. Os soldados metralharam a área em que quatro guerrilheiros se escondiam. Dois morreram na hora e um terceiro, apanhado ferido, morreu mais tarde. Dina disparou um tiro que feriu o capitão Álvaro no ombro. Ela escapou, com um arranhão de bala no pescoço". Sobre sua morte, Hugo Studart apresenta um relato bastante detalhado no livro A lei da selva, com destaque para o fato de apontar claramente o nome do autor da execução sumária: "A subcomandante Dina foi presa na selva por uma patrulha de guerra do Exército [...], em junho de 1974, numa localidade chamada Pau Preto, entre o rio Gameleira e o igarapé Saranzal. Estava em companhia da guerrilheira Luiza Augusta Garlippe, codinome Tuca, integrante do Destacamento B". O relato de Studart sobre a morte de Dina acrescenta: "Levada para interrogatório em Marabá, permaneceu por cerca de duas semanas nas mãos de uma equipe de inteligência militar. Estava fraca, desnutrida, havia quase um ano sem comer sal ou açúcar. Por causa da tensão, fazia seis meses que não menstruava. No início de julho, o capitão Sebastião de Moura, codinome dr. Luchini (dr. Curió), retirou Dina. Levaramna de helicóptero para algum ponto da mata espessa, perto de Xambioá. Um sargento do Exército, Joaquim Artur Lopes de Souza, codinome Ivan, chefi ava a pequena equipe, três homens. [...] - Vou morrer agora? - perguntou a guerrilheira. - Vai, agora você vai ter que ir - respondeu Ivan. - Eu quero morrer de frente - pediu. - Então vira pra cá. Ela virou e encarou o executor nos olhos. Transmitia mais orgulho que medo - relataria mais tarde o militar aos colegas de farda. Ele se aproximou da guerrilheira, parou a dois metros de distância e lhe estourou o peito com uma bala de pistola calibre 45. O tiro pegou um pouco acima do coração. O impacto jogou Dina para trás. Levou um segundo tiro na cabeça. Foi enterrada ali mesmo". Hugo Studart complementa, em novo pé de página: "Seu corpo foi inicialmente enterrado no local da execução. Em 1975 teria sido exumado e levado para a cremação em outro local". SUELY YUMIKO KANAYAMA (1948-1974) Primeira filha de um casal de imigrantes japoneses, Suely nasceu em Coronel Macedo, no interior paulista. Aos 4 anos de idade, mudou-se com sua família para Avaré. Em 1965, foi morar na capital paulista, residindo em Santo Amaro, onde concluiu o curso colegial, em 1967, na escola Alberto Levy. Em seguida, foi aprovada para a licenciatura em línguas portuguesa e germânica na Universidade de São Paulo (USP) - em 1968 e 1969, além do currículo regular, cursou japonês como matéria opcional -, onde foi liderança estudantil. Matriculou-se pela última vez em 1970. Em fi ns de 1971, já militante do PCdoB, chegou à região do Araguaia, onde fi cou conhecida como Chica. Elio Gaspari menciona, em A ditadura escancarada, o depoimento de José Veloso de Andrade, da lanchonete da Bacaba, informando que viu Suely entre os sete presos que encontrou vivos no acampamento da localidade. Hugo Studart registra, em A lei da selva, que ela teria sido fuzilada com mais de cem tiros, conforme narrativa de camponeses, indicando, como data da morte, sempre segundo o Dossiê Araguaia, janeiro de 1974. Segundo a reportagem "Yumiko, a nissei guerrilheira", publicada no Diário Nippak, de São Paulo, em 28 de julho de 1979, "Suely foi morta com rajadas de metralhadoras disparadas por diversos militares, que deixaram seu corpo irreconhecível. Foi enterrada em Xambioá e seus restos mortais foram posteriormente exumados por pessoas que não foram identifi cadas. Morreu aos 25 anos, dos quais 3 dedicados à guerrilha, em defesa da causa que acreditava justa - a liberdade". TELMA REGINA CORDEIRO CORRÊA (1947-1974) Nascida no Rio de Janeiro, Telma era esposa de Elmo Corrêa e cunhada de Maria Célia Corrêa, igualmente desaparecidos no Araguaia. Foi estudante de Geografi a em Niterói, na Universidade Federal Fluminense (UFF), de onde foi expulsa em 1968 pelo Decreto-Lei 477, por suas atividades no movimento estudantil. Militante do PCdoB, Telma foi deslocada para a região do Araguaia em 1971, juntamente com o marido, indo morar nas margens do rio Gameleira. Ali, era conhecida como Lia, e seu marido, como Lourival. Ambos integraram o Destacamento B das forças guerrilheiras do Araguaia. Mais tarde, Telma (Lia) manteve relacionamento com Divino Ferreira de Souza, que morreu em outubro de 1973. Segundo depoimentos colhidos na caravana de familiares à região - ocorrida em 1981 - pelo advogado paraense e representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Paulo Fontelles (também ex-preso político, dirigente estadual do PCdoB e assassinado em 1987 por sua militância na denúncia dos crimes praticados por latifundiários no sul do Pará), Telma teria sido presa em São Geraldo do Araguaia (PA) e entregue a José Olímpio, engenheiro do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) que trabalhava para o Exército. Ela teria passado a noite amarrada no barco desse funcionário, que a entregou aos militares em Xambioá. José Ferreira Sobrinho, o Zé Veinho, lavrador de idade avançada, declarou aos familiares da caravana: "Só vi presa a Lia (Telma Regina Corrêa), que se entregou lá no Macário e foi presa. Aí o Macário mandou chamar o Zé Olímpio. Ela dormiu no barraco do Zé Olímpio, que era uma pessoa deles, do Exército. Ela tava sozinha. Disse que tava com um revólver 38 e um facão. Parece que o marido dela era chamado Lourival, esse dizem que tinham matado ele lá no Carrapicho. Isso foi no final. Ela falou que tavam as duas. A Valquíria mais ela. Depois a polícia foi para ela achar a outra. Ela não achou. Depois eu soube que pegaram essa outra... O Amadeu, um negro, morador, ajudou elas. Foi preso e muito espancado. [...] A Lia não sabia que tinham matado o marido dela. Quando ela foi presa, o Zé Olímpio trouxe ela para a base de Xambioá". O jornalista Hugo Studart registra versão completamente diferente em A lei da selva: "Camponeses dizem ter sido presa pelo agente José Olímpio. Segundo militares, teria morrido de sede e fome, em JAN 74. Após escapar do Chafurdo de Natal e dos cercos posteriores, Lia teria rumado para oeste, perdendo-se numa região rochosa, sem água ou comida, algo raro. Seu corpo teria sido encontrado pelos militares meses depois. Junto, haveria um diário. Segundo os militares, Lia registrou que estava passando fome e sede, mas que não poderia morrer, pois ainda tinha muita coisa a passar para os outros guerrilheiros para que pudessem continuar a causa. Escreveu que, quando estava na iminência de se entregar à morte, então cantava, a plenos pulmões, a canção dos guerrilheiros, repetindo sem cessar a estrofe que mais a animava (Guerrilheiro nada teme/ Jamais se abate/ Afronta a bala a servir/ Ama a vida, despreza a morte/ E vai ao encontro do porvir). [...] As últimas anotações de Lia registram palavras como 'estou nas últimas' e 'não aguento mais'. A letra já estava muito fraca, tremida, segundo um militar que leu o diário. Depois disso, nada mais escreveu". WALQUÍRIA AFONSO COSTA (1947-1974) Pelas informações reunidas, Walquíria foi a mais duradoura entre todos os guerrilheiros mortos ou desaparecidos no Araguaia. Walk, como era chamada pela família, era mineira de Uberaba. Fez o primário em Patos de Minas (MG) e as duas primeiras séries do curso ginasial no Ginásio Rio Branco, em Bom Jesus de Itabapoana (RJ). Com a transferência da família para Pirapora (MG), terminou o ginasial no Colégio Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. No período de 1963 a 1965, estudou no Colégio São João Batista, onde terminou o curso normal, passando a lecionar em alguns grupos escolares da cidade. Em 1966, prestou concurso público para o Estado e foi nomeada professora, transferindo-se, então, para Belo Horizonte. Walquíria prestou vestibular para Pedagogia na Faculdade de Artes e Educação, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), classifi cando-se em segundo lugar. Frequentou os três primeiros anos do curso. Em 1968, participou, juntamente com outros colegas, da fundação do Diretório Acadêmico (DA) da Faculdade de Educação. Nesse período, as perseguições políticas começaram a se intensifi car. Walquíria, vice-presidente do DA, foi procurada por agentes do Dops/MG e teve sua casa invadida sob a alegação de envolvimento em reuniões estudantis. Em 1971, já ligada ao PCdoB, decidiu mudar-se para a região do Araguaia, juntamente com seu marido, Idalísio Soares Aranha Filho, também membro do partido. Fez parte do Destacamento B, comandado por Osvaldo Orlando da Costa, na localidade de Gameleira. Em julho de 1973, Walquíria foi julgada à revelia pela Auditoria da 4a Região Militar, em Juiz de Fora, sendo absolvida. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, registra: "Morta em 25/10/74". Pelo que se sabe, Walquíria foi a última guerrilheira a ser morta na região do Araguaia. Moradores da região contam, em depoimentos, que ela estava magra e quase sem ter o que vestir quando foi presa pelo Exército. O ex-colaborador da instituição Sinésio Martins Ribeiro lembrou, em depoimento ao Ministério Público Federal, prestado em São Geraldo do Araguaia, em 19 de julho de 2001, "[...] que viu a Walquíria viva dentro da base de Xambioá; que a Walquíria contou aos militares que estava com o Osvaldão quando este foi morto; que a mesma perdeu a espingarda nesta vez, pois a mesma fi cou enganchada num pau; [...] que na base de Xambioá viu ela ser levada por um soldado do Exército para o rumo do jatobá; que o 'carrasco' [sic] levava uma arma curta; que a arma era 'surda' e não se escutava o tiro; que atrás ia outro soldado levando uma lata grande de bolacha com cal virgem; que dias depois ele perguntou ao soldado por ela e teve como resposta 'já era', que esta resposta significava que tinha sido morta [...]". IEDA SANTOS DELGADO (1945-1974) Carioca e afrodescendente, Ieda era advogada e, embora militante da ALN, conseguiu manter a vida em completa legalidade até ser presa em São Paulo, em 11 de abril de 1974, quando desapareceu. Sua atuação política teve início entre 1967 e 1968, em Brasília, quando estudava direito na Universidade de Brasília (UnB) e participava discretamente das mobilizações estudantis que marcaram o período. Ao mesmo tempo, entre 1967 e 1970, trabalhou no Plano Nacional de Educação como assistente da assessoria jurídica do Ministério da Educação e Cultura. Formou-se advogada em 1969 e falava francês, italiano, inglês e espanhol. Em seguida, Ieda foi estagiária e, depois, assistente jurídica do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia. Em 1973, passou a trabalhar como secretária jurídica do Centro de Pesquisas Experimentais. Ao ser presa, aguardava sua transferência para Brasília. Como funcionária do Ministério, fez curso de especialização na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, de setembro de 1971 a março de 1972. Ieda viajou para São Paulo durante os feriados da Semana Santa de 1974, no dia 11 de abril, para buscar passaportes para um casal de militantes da ALN que precisava deixar o país. Não retornou ao Rio de Janeiro. Por telefonema anônimo, sua família soube que ela tinha sido presa na capital paulista. Sua mãe, Eunice, viajou imediatamente para a cidade e iniciou uma busca desesperada pelo paradeiro da fi lha. Chegou a obter a informação, através de um general, seu amigo, de que Ieda estivera presa em Campinas (SP), onde chegou a ser hospitalizada em função das torturas, e também em Piquete (SP), onde permaneceu por pouco tempo. Tais informações, oficiosas, nunca foram confirmadas. Os diversos habeas corpus impetrados foram negados. Um mês depois da prisão da fi lha, Eunice passou a receber cartas de Ieda, o que a deixou ainda mais aflita. Inicialmente, em cinco linhas, em correspondência postada em Belo Horizonte, Ieda dizia para a família não se preocupar, pois estava bem. Um mês depois, chegou outra carta, nos mesmos termos, postada no Uruguai. A letra, no entanto, estava muito tremida. Eunice fez exames grafológicos e constatou que a caligrafia era de Ieda. Nesse período do regime militar, em que o desaparecimento se tornou regra sistemática nos órgãos de segurança, repetiram-se várias vezes episódios como esse em que, além do violento trauma trazido pelo desaparecimento, os familiares passaram a ser submetidos a verdadeiras operações de contrainformação e, muitas vezes, foram alvo de chantagem para obtenção de dinheiro em troca de informações que, em nenhum dos casos, se comprovaram verdadeiras. ANA ROSA KUCINSKI SILVA (1942-1974) Ana Rosa Kucinski Silva era professora universitária, formada em Química, com doutorado em Filosofia. Casada com o físico Wilson Silva, trabalhava no Instituto de Química da USP. Os dois conciliavam trabalho e estudos com a militância política na ALN. Ana Rosa estudou Química na Universidade de São Paulo (USP) durante a efervescência estudantil que marcou o início da resistência ao regime militar nessa área. Avançou em seu engajamento político a partir do namoro e do casamento com Wilson. Em 1966, este tinha organizado com Bernardo Kucinski, seu colega na Faculdade de Física da USP e irmão de Ana Rosa, uma exposição sobre os trinta anos da Guerra Civil Espanhola, na rua Maria Antônia. Em 22 de abril de 1974, Ana Rosa saiu do trabalho, na Cidade Universitária, e foi ao centro da capital paulista para almoçar com Wilson num dos restaurantes próximos à praça da República. O casal desapareceu nas proximidades. Os colegas de Ana Rosa na USP estranharam sua ausência e avisaram a família Kucinski, que imediatamente começou a tomar providências para a sua localização. Ao procurarem Wilson, souberam que ele também havia desaparecido. As duas famílias passaram a viver o tormento da busca por informações. O ex-agente do DOI-Codi/SP e ex-sargento Marival Dias Chaves do Canto, também em entrevista à Veja, em 18/11/1992, informou: "Foi o caso também de Ana Rosa Kucinski e de seu marido, Wilson Silva. Foram delatados por um cachorro, presos em São Paulo e levados para a casa de Petrópolis. Acredito que seus corpos também foram despedaçados". O relatório do Ministério da Marinha, enviado em 1993 ao Ministro da Justiça, Maurício Corrêa, confirmou que Wilson Silva "foi preso em São Paulo em 22/4/1974, e dado como desaparecido desde então". Na ficha de Wilson Silva, no arquivo do Deops, consta que ele foi "preso em 22/4/1974, junto com sua esposa Rosa Kucinski". JANE VANINI (1945-1974) Nascida em Cáceres, no Mato Grosso, Jane estudou no Colégio Imaculada Conceição, em sua terra natal, até se mudar para São Paulo, em 1966, onde cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Além de estudar, também trabalhava no Mappin e na Editora Abril, onde conheceu Sérgio Capozzi, com quem se casou. Em agosto de 1969, o casal passou a integrar a ALN, fazendo de sua residência um abrigo para Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, principal dirigente da ALN após a morte de Carlos Marighella. Os vizinhos e os amigos o conheciam como tio Nico, pensando que fosse algum parente. Após uma série de prisões de membros da ALN em abril de 1970, o casal foi identificado pelos órgãos de segurança do regime militar. Colegas da Editora Abril ajudaram Capozzi a fugir, quando a Oban tentou prendê-lo no trabalho. O casal passou a viver na clandestinidade e seguiu de navio para Montevidéu, capital do Uruguai. Daquele país vizinho, os dois militantes seguiram para Cuba, onde participaram de treinamento militar. No país caribenho, Jane trabalhou na Rádio Havana. Com a cisão ocorrida na ALN, ela passou a integrar o Molipo e regressou ao Brasil em setembro de 1971. Do chamado Grupo dos 28, que fundou essa nova organização, Jane ficou entre os que conseguiram sobreviver após a sequência de prisões e mortes imposta pelo aparelho de repressão entre novembro de 1971 e maio de 1973. Conseguiu sair do Brasil e refugiou-se no Chile durante o governo de Salvador Allende (1970-1973), passando a militar no Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR). Trabalhou na revista Punto Final até 1973, quando já tinha se separado de Capozzi e casado com o jornalista chileno José Carrasco Tapia, conhecido como Pepe Carrasco, dirigente do MIR. Seu novo nome era Gabriela Hernández. Com o golpe militar que derrubou Salvador Allende, liderado pelo general Augusto Pinochet (1973-1990), Jane recusou-se a deixar o Chile e novamente passou à clandestinidade. Foi morar com Pepe em Concepción, agora sob a identidade de Carmen Carrasco Tapia. Em 6 de dezembro de 1974, ao meio-dia, Pepe foi preso pela polícia fascista de Pinochet. Nesse dia, como Pepe não havia voltado, Jane procurou outros militantes do MIR para saber se tinham alguma informação. Se ele estivesse vivo, queria tentar resgatá-lo das mãos da Direção de Inteligência Nacional (Dina), a implacável polícia política de Pinochet. A ação proposta por ela foi descartada, mas, sentindo a determinação de Jane, seus companheiros do MIR chegaram a trancá-la num banheiro para tentar preservar sua vida. Por volta de 22 horas, Pepe tinha certeza de que Jane já não estaria em casa. Aguentou a tortura por muitas horas além do prazo combinado. Ela, porém, tinha conseguido fugir pela janela do banheiro onde havia sido trancada e voltou para casa, esperando resgatar seu companheiro. Quando a polícia chegou, Jane resistiu sozinha durante quatro horas. Os agentes policiais, que não esperavam reação, chegaram a pensar que ali estivessem muitos guerrilheiros. Pediram reforços, até que Jane foi ferida e presa. Na casa, ela deixou um bilhete para Pepe com os dizeres: "Perdóname mi amor, fue un último intento por salvarte". NEIDE ALVES DOS SANTOS (1944-1976) Nascida no Rio de Janeiro, Neide Alves dos Santos era ligada a Hiran de Lima Pereira, membro do Comitê Central do PCB. Seu nome não constava de nenhuma lista de mortos e desaparecidos políticos. Foi o trabalho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) que possibilitou elucidar mais uma morte decorrente de torturas aplicadas pelos órgãos de segurança do regime militar. No início de 1975, quando estava em curso a Operação Radar, cujo objetivo era aniquilar o PCB, Neide viajou de São Paulo para a casa de sua irmã, no Rio, e contou que estava sendo seguida. Poucos dias depois, desapareceu por cinco dias e, quando retornou, tinha marcas de tortura por todo o corpo. Estava muito abalada emocionalmente, motivo pelo qual fi cou internada por algum tempo na Colônia Juliano Moreira para tratamento psiquiátrico. Algum tempo depois, retornou a São Paulo e novamente foi presa. Documentos do Dops/SP registram, no entanto, que Neide teria sido internada na noite de Réveillon. Conforme telex da 28a Delegacia de Polícia, de 31 de dezembro de 1975, Neide Alves dos Santos, cognome Lúcia, foi atendida no Hospital Municipal do Tatuapé e apresentava queimaduras. Estranhamente, a mensagem relata que, com ela, foi apreendido um caderno de anotações informando que pertencia ao PCB. Outro documento do Dops/SP registra a comunicação de seu falecimento, às 20h40 do dia 7 de janeiro de 1976. Num primeiro exame, o relator do processo na Comissão Especial, Paulo Gustavo Gonet Branco, propôs indeferimento, por considerar que as condições da morte "não preenchiam os requisitos da Lei". Luís Francisco Carvalho Filho pediu vistas e conseguiu determinar que a morte ocorreu por responsabilidade dos agentes do Estado brasileiro. Em seu voto pelo deferimento, Luís Francisco enfatizou dois aspectos importantes. O primeiro era que os registros da Medicina Legal apontam como muito raro o "suicídio de mulher mediante fogo posto às vestes". ZULEIKA ANGEL JONES (1923-1976) "Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado fi lho." O trecho da carta escrita em 23 de abril de 1975 pela estilista Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, e entregue ao compositor Chico Buarque e outros amigos, representou uma verdadeira premonição a respeito de sua morte um ano depois. Zuzu Angel morreu em 14 de abril de 1976 num acidente automobilístico na saída do túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro. A suspeita de que o acidente tivesse sido provocado surgiu imediatamente em todas as pessoas bem informadas sobre o que era o aparelho de repressão política do regime militar. Mas foi somente através da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) que se tornou possível elucidar os fatos. Ficou provado que sua morte foi desdobramento e consequência da morte do filho, Stuart Edgard Angel Jones, em 1971. Profissional de sucesso - vestia atrizes como Liza Minnelli e Joan Crawford -, Zuzu transformou o desaparecimento de Stuart num acontecimento que provocou desgaste internacional para o regime militar, despertandoa ira dos porões da ditadura, que passaram a vê-la como ameaça. Buscando incansavelmente o paradeiro do filho, Zuzu Angel esteve nos Estados Unidos com o senador Edward Kennedy; furou o cerco da segurança norte-americana e conversou com o então secretário de Estado Henry Kissinger, em visita ao Brasil; prestou detalhado depoimento ao historiador Hélio Silva; e escreveu ao presidente Ernesto Geisel, ao ministro do Exército, Sylvio Frota, ao cardeal de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, e à Anistia Internacional. Em um de seus desfiles, estampou os figurinos com tanques de guerra e anjos. Em português, a palavra inglesa angel quer dizer anjo. Quando começou a receber ameaças de morte, alertou os amigos.Zuzu estava absolutamente sóbria na noite do acidente e, uma semana antes, tinha feito uma revisão completa em seu carro, que, sem aparente motivo, desviou-se da estrada e capotou diversas vezes em um barranco. A análise das fotos e dos laudos periciais, as inúmeras contradições e omissões encontradas no inquérito e os depoimentos de testemunhas oculares compuseram uma base robusta para a decisão da CEMDP reconhecendo a responsabilidade do regime militar por mais essa morte de opositor político. MARIA AUXILIADORA LARA BARCELLOS (1945-1976) Em 1o de junho de 1976, Maria Auxiliadora atirou-se nos trilhos de trem da estação de metrô Charlottenburg, em Berlim Ocidental, na Alemanha, e teve morte instantânea. Conhecida pelos amigos como Dora ou Dorinha, ela havia sido presa sete anos antes, no dia 21 de novembro de 1969, juntamente com seus companheiros da VAR-Palmares Antônio Roberto Espinoza e Chael Charles Schreier, na casa em que moravam no bairro do Méier, no Rio de Janeiro. Os três foram torturados no quartel da Polícia do Exército, na Vila Militar. Chael foi morto em menos de 24 horas. Vítima de cruéis torturas, Dora passou pelos presídios de Bangu, no Rio de Janeiro, e Linhares, em Juiz de Fora (MG). Foi banida e enviada para o Chile com outros 69 presos políticos em 13 de janeiro de 1971, no episódio do sequestro do embaixador suíço no Brasil. Nunca mais conseguiu se recuperar plenamente das profundas marcas psíquicas deixadas pelas sevícias e violências de todo tipo a que foi submetida. Durante o exílio, registrou, num texto com tons literários, suas difíceis memórias: "Foram intermináveis dias de Sodoma. Me pisaram, cuspiram, me despedaçaram em mil cacos. Me violentaram nos meus cantos mais íntimos. Foi um tempo sem sorrisos. Um tempo de esgares, de gritos sufocados, um grito no escuro". Veja o depoimento de Maria auxiliadora no documentário A Report on Torture (1971) que ela gravou no Chile com outros prisioneiros políticos. THEREZINHA VIANA DE ASSIS (1941-1978) Therezinha estudou em Aracaju, sua cidade natal, e concluiu o curso de Economia na Universidade Federal de Sergipe. Mudou-se então para Belo Horizonte, onde trabalhou na Caixa Econômica Federal. Foi presa e torturada em 1972 e, ao ser libertada um ano depois, exilou-se no Chile, onde fez curso de especialização na Universidade de Santiago. Lá, tornou-se militante do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR). Ao sair do Brasil, teria utilizado o nome  erezinha Viana de Jesus, que consta de algumas das listas de mortos e desaparecidos políticos. As referências acerca de seu engajamento político no Brasil são imprecisas, mas foi anexado ao processo na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) um depoimento em que Gilberto Fernandes Gomes de Faria afi rma taxativamente que  Therezinha pertencia à AP em 1969, enquanto ele atuava na Corrente, organização que mais tarde se incorporaria à ALN. Assim como aconteceu com inúmeros outros militantes das organizações clandestinas, é possível que ela tenha tido mais de um engajamento partidário, conforme atesta um documento anexado por seu irmão ao processo. Em setembro de 1973, após o golpe militar no Chile comandado por Augusto Pinochet,  erezinha viajou para a Holanda. Morou inicialmente em Roterdã e depois em Amsterdã, onde prosseguiu seus estudos, doutorando-se em Economia. Até 15 de setembro de 1977,  Therezinha trabalhou na prefeitura local, mas seu contrato não foi renovado. O desemprego agravou os problemas psicológicos que vinha apresentando. Sua irmã, Selma Viana de Assis Pamplona, escreveu sobre ela: Em meados de 1977,  Therezinha começou a me escrever, dizendo estar se sentindo seguida, pois, onde estava, via as mesmas duas ou quatro pessoas; em julho de 1977, saiu de férias da Prefeitura e fez curso de línguas; viajou pela Rússia e países da Europa Oriental e, onde chegava, encontrava as mesmas pessoas. Quando voltou da viagem, encontrou seu apartamento todo remexido, desarrumado. Observou que seu telefone estava "grampeado" e pedia que eu não lhe telefonasse. Às vezes, quando voltava do serviço, encontrava seu apartamento remexido, demonstrando ter entrado gente; começou a receber telefonemas anônimos com ameaças. Foi ficando nervosa e preocupada [...]. Por fim, apareceu morta, caída da janela. Ocorre que ela era muito católica, tinha medo da morte. E, antes de se sentir seguida, estava gostando muito de Amsterdã. De repente, ela ficou sabendo que se tratava da polícia secreta do Chile. Quanto aos outros, não chegou a saber. Morreu em fevereiro de 1978, com 36 anos de idade. Documentos juntados ao processo da CEMDP, como a certidão com informações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e cópias de páginas do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos, comprovam sua militância política. MÓNICA SUSANA PINUS DE BINSTOCK (1953-1980) Mónica Susana integrava o Movimiento Peronista Montoneros, organização de resistência armada à ditadura militar argentina (1976-1983). Em 12 de março de 1980, ela e Horacio Domingo Campiglia, também montonero, voltavam do exílio para a Argentina. Usando passaportes falsos, haviam saído da Cidade do México na véspera, num voo da empresa aérea venezuelana Viasa, que fazia conexão em Caracas com um voo da Varig rumo ao Rio de Janeiro. Na capital fl uminense, no aeroporto do Galeão, foram sequestrados. Mónica era casada com Edgardo Ignacio Binstock, com quem teve dois filhos. Edgardo aguardava a mulher no Rio de Janeiro. Desde 2005, ele é o secretário de Direitos Humanos da Província de Buenos Aires. As denúncias do sequestro, registradas nos requerimentos apresentados à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e amplamente divulgadas pela imprensa nacional e argentina a partir de então, foram comprovadas em 2002, quando o Ministério de Justiça e Direitos Humanos argentino recebeu, do Departamento de Estado dos EUA, farta documentação sobre violações dos direitos humanos cometidas pelo Estado argentino entre 1975 e 1984. Integrantes do Batalhão 601 fizeram então contato com seu colega da inteligência militar brasileira, solicitando permissão para realizar uma operação no Rio de Janeiro. O Brasil a concedeu, e uma equipe especial de agentes argentinos, sob o comando operacional do tenente-coronel Román, viajou para a cidade em um C-130 da Força Aérea Argentina. Os dois militantes foram capturados com vida e levados para a Argentina. Tentando não alertar os Montoneros sobre a operação realizada no Brasil, os argentinos responsáveis pela prisão clandestina ainda cuidaram de hospedar um casal de argentinos num hotel, registrando-os com os documentos falsos de Mónica e Horacio, o que terminou deixando rastros de seu desembarque no Brasil. O memorando conclui afirmando que os dois estavam presos no Campo de Mayo, centro clandestino da repressão argentina. LILIANA INÉS GOLDEMBERG (1953-1980) Filha de profissionais bem estabelecidos, cursava o segundo ano de Psicologia na Universidade de Buenos Aires e trabalhava como secretária no Hospital da Criança da capital argentina quando abandonou a vida legal em função da militância política. Em 1970, militou nas Fuerzas Armadas Revolucionarias (FAR) e atuou em Mar del Plata. Em outubro de 1973, com a fusão das FAR com a organização Montoneros, Liliana foi enviada para Neuquén, no sul do país. De 1974 a 1976, voltou a viver em Buenos Aires, mas passou para a clandestinidade depois que seu irmão, Carlos Andrés Goldemberg, foi baleado dentro de um táxi. De 1977 a 1980, viveu na Espanha, cumprindo tarefas para os Montoneros. Em 1980, Liliana e seu companheiro, Eduardo Gonzalo Escabosa, codinome "Andrés", regressavam à Argentina (a exemplo de muitos montoneros no exílio que foram engajados numa contraofensiva programada pela organização para enfrentar a ditadura argentina) quando foram encontrados pelas forças de repressão brasileira e argentina. Aluízio Palmar, no livro Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?, relata a morte do casal, ocorrida durante a travessia entre Porto Meira, em Foz do Iguaçu, e Puerto Iguazú, na margem argentina do rio Paraná: "Foi num sábado, 2 de agosto de 1980. Lílian, de 27 anos, loura e franzina, e seu companheiro Eduardo, de 30 anos, embarcaram na lancha Caju IV, pilotada por Antônio Alves Feitosa, conhecido na região como 'Tatu'. Antes de atracar no lado argentino, dois policiais brasileiros que estavam a bordo mandaram o piloto parar a lancha e apontaram suas armas para o casal. Cercados, Lílian e Eduardo ainda puderam ver que mais policiais desciam ao atracadouro, vindos da aduana Argentina. Assim que perceberam ter caído numa cilada, Lílian e Eduardo se ajoelharam diante de um grupo de religiosos que estava a bordo e gritaram que eram perseguidos políticos e preferiam morrer ali a serem torturados. Em seguida abriram um saco plástico, tiraram os comprimidos e os engoliram bebendo a água barrenta do rio Paraná. Morreram em trinta segundos, envenenados por uma dose fortíssima de cianureto". LYDA MONTEIRO DA SILVA (1920-1980) Às 13h40 do dia 27 de agosto de 1980, no Rio de Janeiro, Lyda Monteiro da Silva morreu ao abrir uma carta-bomba. Ela era diretora da Secretaria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ocupava a função de secretária da Comissão de Direitos Humanos da entidade. A correspondência era endereçada ao presidente do Conselho Federal da OAB, Eduardo Seabra Fagundes. Lyda faleceu no mesmo dia, não resistindo aos ferimentos causados pelo atentado. Seu enterro, no cemitério São João Batista, foi presenciado por uma multidão de 4 mil pessoas, consternadas com a brutalidade do atentado. Na época, ficou absolutamente nítido o desinteresse do governo militar pela apuração dos fatos, o que fez crescer a certeza da motivação política do crime. A interpretação mais plausível do caso foi que o atentado teria sido praticado por militares insatisfeitos com a abertura política e com a Lei de Anistia aprovada no ano anterior, e que, ao mesmo tempo estavam interessados em intimidar o posicionamento combativo da OAB contra o regime. SOLANGE LOURENÇO GOMES (1947-1982) Paulista de Campinas, Solange Lourenço Gomes vivia no Rio de Janeiro, onde fez o curso clássico no Colégio Andrews e começou a estudar Psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966. Participou de grupos de estudo sobre marxismo naquela faculdade e manteve, por algum tempo, ligações com o PCBR. Em 1968, vinculou-se à Dissidência da Guanabara, que posteriormente adotaria o nome MR-8, e passou para a clandestinidade por volta de setembro ou outubro de 1969. Morava com Daniel Aarão Reis Filho, dirigente daquela organização. Documentos policiais informam que Solange participou de várias ações armadas entre 1969 e 1970. No final de 1970, foi deslocada para a Bahia. Nos primeiros dias de março de 1971, depois de participar de uma panfletagem num jogo de reinauguração do estádio da Fonte Nova, em Salvador, quando ocorreu uma perigosa correria entre a multidão, Solange teria sofrido um grave surto psicótico e se apresentado a uma dependência policial, afirmando ser subversiva e fornecendo informações sobre o MR-8. No ano seguinte, em 6 de julho, Solange foi julgada pela Justiça Militar, na 2a Auditoria do Exército, no Rio, quando foi determinada sua internação no manicômio judiciário pelo prazo mínimo de dois anos. Depois de solta, em 1973, cursou Medicina e casou-se, em 1980, com Celso Pohlmann Livi. No requerimento que apresentou à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), o marido de Solange informou que ela se manteve em tratamento psiquiátrico desde que saiu da prisão. Anexou ao processo uma declaração do psiquiatra, dr. Alberto Quielli Ambrósio, atestando: "Durante estes anos, pude testemunhar seu enorme esforço para recuperar-se do grave quadro psiquiátrico, psicótico, consequência de sua prisão em 1971. As torturas físicas e mentais a que foi submetida enquanto presa fizeram-na revelar nomes de companheiros de movimentos políticos, bem como esse 'depoimento' no qual se dizia arrependida e renegava sua militância foi amplamente divulgado em jornais, denegrindo sua moral enquanto mulher. Estes fatos fizeram-na sentir-se sempre culpada pela desgraça e morte das pessoas. Ajudada por nossos esforços, de sua família e do marido, Solange obteve muitas e significativas melhoras, mas não conseguiu conviver com tantas marcas - insuperáveis - e continuar viva". Em 1o de agosto de 1982, Solange atirou-se da janela de seu apartamento, no terceiro andar da rua Barão da Torre, no Rio, vindo a falecer no hospital Miguel Couto. Embora a data de sua morte seja muito posterior ao episódio da prisão e dos maus-tratos sofridos nos órgãos de segurança do regime militar, a CEMDP considerou comprovado que o suicídio decorreu dos traumas irreversíveis sofridos em 1971. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110308/cc4e9a9d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 8 14:51:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 8 Mar 2011 14:51:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__MICHAEL_MOORE=3A_=22N=E3o_quer?= =?windows-1252?q?emos_ser_os_Estados_dos_Business_Unidos=2E_AVANTE?= =?windows-1252?q?=2C_MADISON!_Estamos_com_voc=EAs!=22_=5B5/3/2011_?= =?windows-1252?q?=28traduzido=2C_com_v=EDdeo=29=5D?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Castor Filho ?Não queremos ser os Estados dos Business Unidos? Avante, Madison! Força! Estamos com vocês! Michael Moore 5/3/2011, Michael Moore, ?As três mentiras?, Madison, Wisconsin ?America ISNOT broke?: Michael Moore Speake in Madison, WI ? March 5, 2011 Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu Ao contrário do que diz o poder, que quer que vocês desistam das pensões e aposentadorias, que aceitem salários de fome, e voltem para casa em nome do futuro dos netos de vocês, os EUA não estão falidos. Longe disso. Os EUA nadam em dinheiro. O problema é que o dinheiro não chega até vocês, porque foi transferido, no maior assalto da história, dos trabalhadores e consumidores, para os bancos e portfólios dos hiper mega super ricos. Hoje, 400 norte-americanos têm a mesma quantidade de dinheiro que metade da população dos EUA, somando-se o dinheiro de todos. Hoje, 400 norte-americanos têm a mesma quantidade de dinheiro que metade da população dos EUA, somando-se o dinheiro de todos. Vou repetir. 400 norte-americanos obscenamente ricos, a maior parte dos quais foram beneficiados no ?resgate? de 2008, pago aos bancos, com muitos trilhões de dólares dos contribuintes, têm hoje a mesma quantidade de dinheiro, ações e propriedades que tudo que 155 milhões de norte-americanos conseguiram juntar ao longo da vida, tudo somado. Se dissermos que fomos vítimas de um golpe de estado financeiro, não estamos apenas certos, mas, além disso, também sabemos, no fundo do coração, que estamos certos. Mas não é fácil dizer isso, e sei por quê. Para nós, admitir que deixamos um pequeno grupo roubar praticamente toda a riqueza que faz andar nossa economia, é o mesmo que admitir que aceitamos, humilhados, a ideia de que, de fato, entregamos sem luta a nossa preciosa democracia à elite endinheirada. Wall Street, os bancos, os 500 da revistaFortune governam hoje essa República ? e, até o mês passado, todos nós, o resto, os milhões de norte-americanos, nos sentíamos impotentes, sem saber o que fazer. Vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=wgNuSEZ8CDw Nunca freqüentei universidades. Só estudei até o fim do segundo grau. Mas, quando eu estava na escola, todos tínhamos de estudar um semestre de Economia, para concluir o segundo grau. E ali, naquele semestre, aprendi uma coisa: dinheiro não dá em árvores. O dinheiro aparece quando se produzem coisas e quando temos emprego e salário para comprar coisas de que precisamos. E quanto mais compramos, mais empregos se criam. O dinheiro aparece quando há sistema que oferece boa educação, porque assim aparecem inventores, empresários, artistas, cientistas, pensadores que têm as ideias que ajudam o planeta. E cada nova ideia cria novos empregos, e todos pagam impostos, e o Estado também tem dinheiro. Mas se os mais ricos não pagam os impostos que teriam de pagar por justiça, a coisa toda começa a emperrar e o Estado não funciona. E as escolas não ensinam, nem aparecem os mais brilhantes capazes de criar mais e mais empregos. Se os ricos só usam seu dinheiro para produzir mais dinheiro, se de fato só o usam para eles mesmos, já vimos o que eles fazem: põem-se a jogar feito doidos, apostam, trapaceiam, nos mais alucinados esquemas inventados em Wall Street, e destroem a economia. A loucura que fizeram em Wall Street custou-nos milhões de empregos. O Estado está arrecadando menos. Todos estamos sofrendo, como efeito do que os ricos fizeram. Mas os EUA não estão falidos, amigos. Wisconsin não está falido. Repetir que o país está falido é repetir uma Enorme Mentira. As três maiores mentiras da década são: 1) os EUA estão falidos, 2) há armas de destruição em massa no Iraque; e 3) os Packers não ganharão o Super Bowl sem Brett Favre. A verdade é que há muito dinheiro por aí. MUITO. O caso é que os homens do poder enterraram a riqueza num poço profundo, bem guardado dentro dos muros de suas mansões. Sabem que cometeram crimes para conseguir o que conseguiram e sabem que, mais dia menos dias, vocês vão querer recuperar a parte daquele dinheiro que é de vocês. Então, compraram e pagaram centenas de políticos em todo o país, para conduzirem a jogatina em nome deles. Mas, p?ro caso de o golpe micar, já cercaram seus condomínios de luxo e mantêm abastecidos, prontos para decolar, os jatos particulares, motor ligado, à espera do dia que, sonham eles, jamais virá. Para ajudar a garantir que aquele dia nunca cheguasse, o dia em que os norte-americanos exigiriam que seu país lhes fosse devolvido, os ricos tomaram duas providências bem espertas: 1. Controlam todas as comunicações. Como são donos de praticamente todos os jornais e redes de televisão, espertamente conseguiram convencer muitos norte-americanos mais pobres a comprar a versão deles do Sonho Americano e a eleger os candidatos deles, dos ricos. O Sonho Americano, na versão dos ricos, diz que vocês também, algum dia, poderão ser ricos ? aqui é a América, onde tudo pode acontecer, se você insistir e nunca desistir de tentar! Convenientemente para eles, encheram vocês com exemplos convincentes, que mostram como um menino pobre pode enriquecer, como um filho criado sem pai, no Havaí, pode ser presidente, como um rapaz que mal concluiu o ginásio pode virar cineasta de sucesso. E repetirão essas histórias mais e mais, o dia inteiro, até que vocês passem a viver como se nunca, nunca, nunca, precisassem agitar a ?realidade? ? porque, sim, você ? você, você mesmo! ? pode ser rico/presidente/ganhar o Oscar, algum dia! A mensagem é clara: continuar a viver de cabeça baixa, nariz virado p?ro trilho, não sacuda o barco, e vote no partido que protege hoje o rico que você algum dia será. 2. Inventaram um veneno que sabem que vocês jamais quererão provar. É a versão deles da mútua destruição garantida. E quando ameaçaram detonar essa arma de destruição econômica em massa, em setembro de 2008, nós nos assustamos quando a economia e a bolsa de valores entraram em espiral rumo ao poço, e os bancos foram apanhados numa ?pirâmide Ponzi? global, Wall Street lançou sua ameaça-chantagem: Ou entregam trilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes dos EUA, ou quebramos tudo, a economia toda, até os cacos. Entreguem a grana, ou adeus poupanças. Adeus aposentadorias. Adeus Tesouro dos EUA. Adeus empregos e casas e futuro. Foi de apavorar, mesmo, e nos borramos de medo. ?Aqui, aqui! Levem tudo, todo o nosso dinheiro. Não ligamos. Até, se quiserem, imprimimos mais dinheiro, só pra vocês. Levem, levem. Mas, por favor, não nos matem. POR FAVOR!?. Os economistas executivos, nas salas de reunião e nos fundos rolavam de rir. De júbilo. E em três meses lá estavam entregando, eles, uns aos outros, os cheques dos ricos bônus obscenos, maravilhados com o quão perfeita e absolutamente haviam conseguido roubar uma nação de otários. Milhões perderam os empregos: pagaram pela chantagem e, mesmo assim, perderam os empregos, e milhões pagaram pela chantagem e perderam as casas. Mas ninguém saiu às ruas. Não houve revolta. Até que... COMEÇOU! Em Wisconsin! Jamais um filho de Michigan teve mais orgulho de dividir um mesmo lago com Wisconsin! Vocês acordaram o gigante adormecido ? a grande multidão de trabalhadores dos EUA. Agora, a terra treme sob os pés dos que caminham e estão avançando! A mensagem de Wisconsin inspirou gente em todos os 50 estados dos EUA. A mensagem é ?Basta! Chega! Basta!? Rejeitamos todos os que nos digam que os EUA estão falidos e falindo. É exatamente o contrário. Somos ricos! Temos talento e ideias e sempre trabalhamos muito e, sim, sim, temos amor. Amor e compaixão por todos os que ? e não por culpa deles ? são hoje os mais pobres dos pobres. Eles ainda querem o mesmo que nós queremos: Queremos nosso país de volta! Queremos, devolvida a nós, a nossa democracia! Nosso nome limpo. Queremos de volta os Estados Unidos da América. Não somos, não queremos continuar a ser, os Estados dos Business Unidos da América! Como fazer acontecer? Ora, estamos fazendo aqui, um pouco, o que o Egito está fazendo lá. E o Egito faz, lá, um pouco do que Madison está fazendo aqui. E paremos um instante, para lembrar que, na Tunísia, um homem desesperado, que tentava vender frutas na rua, deu a vida, para chamar a atenção do mundo, para que todos vissem como e o quanto um governo de bilionários lá estava, afrontando a liberdade e a moral de toda a humanidade. Obrigado, Wisconsin. Vocês estão fazendo as pessoas ver que temos agora a última chance de vencer uma ameaça mortal e salvar o que nos resta do que somos. Vocês estão aqui há três semanas, no frio, dormindo no chão ? por mais que custe, vocês fizeram. E não tenham dúvidas: Madison é só o começo. Os escandalosamente ricos, dessa vez, pisaram na bola. Bem poderiam ter ficado satisfeitos só com o dinheiro que roubaram do Tesouro. Bem se poderiam ter saciado só com os empregos que nos roubaram, aos milhões, que exportaram para outros pontos do mundo, onde conseguiam explorar ainda mais, gente mais pobre. Mas não bastou. Tiveram de fazer mais, queriam ganhar mais ? mais que todos os ricos do mundo. Tentaram matar a nossa alma. Roubaram a dignidade dos trabalhadores dos EUA. Tentaram nos calar pela humilhação. Nos tiraram a mesa de negociações! Recusam-se até a discutir coisas simples como o tamanho das salas de aula, ou o direito de os policiais usarem coletes à prova de balas, ou o direito de os pilotos e comissários de bordo terem algumas poucas horas a mais de descanso, para que trabalhem com mais segurança para todos e possam fazer melhor o próprio trabalho ?, trabalho que eles compram por apenas 19 mil dólares anuais. Isso é o que ganham os pilotos de linhas curtas, talvez até o piloto que me trouxe hoje a Madison. Contou-me que parou de esperar algum aumento. Que, agora, só pede que lhe deem folgas um pouco maiores, para não ter de dormir no carro entre os turnos de voo no aeroporto O'Hare. A que fundo do poço chegamos! Os ricos já não se satisfazem com pagar salário de miséria aos pilotos: agora, querem roubar até o sono dos pilotos. Querem humilhar os pilotos, desumanizá-los e esfregar a cara dos pilotos na própria vergonha. Afinal, piloto ou não, ele não passa de mais um sem-teto... Esse, meus amigos, foi o erro fatal dos Estados dos Business Unidos da América. Ao tentar nos destruir, fizeram nascer um movimento ? uma revolta massiva, não violenta, que se alastra pelo país. Sabíamos que, um dia, aquilo teria de acabar. E acabou agora, já começou a acabar. A mídia não entende o que está acontecendo, muita gente na mídia não entende. Dizem que foram apanhados desprevenidos no Egito, que não previram o que estava por acontecer. Agora, se surpreendem e nada entendem, porque tantas centenas de milhares de pessoas viajam até Madison nas últimas semanas, enfrentando inverno brutal. ?O que fazem lá, parados na rua, com vento, com neve?? Afinal... houve eleições em novembro, todos votaram... O que mais podem desejar?!?. ?Está acontecendo algo em Madison. Que diabo está acontecendo lá? Quem sabe?? O que está acontecendo é que os EUA não estão falidos. A única coisa que faliu nos EUA foi a bússola moral dos governantes. Viemos para consertar a bússola e assumir o timão para levar o barco, agora, nós mesmos. Nunca esqueçam: enquanto existir a Constituição, todos são iguais: cada pessoa vale um voto. Isso, aliás, é o que os ricos mais detestam por aqui. Porque, apesar de eles serem os donos do dinheiro e do baralho e da mesa da jogatina, um detalhe eles não conseguem mudar: nós somos muitos e eles são poucos! Coragem, Madison, força! Não desistam! Estamos com vocês. O povo, unido, jamais será vencido. http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/03/nao-queremos-ser-os-estados-dos.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110308/981c4621/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 9 19:19:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 9 Mar 2011 19:19:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_HIROAKI_TORIGOE________________________?= =?iso-8859-1?q?_________________-LXVIII-?= Message-ID: ----- Original Message ----- From: Vanderley - Revista To: Vanderley - Revista Sent: Wednesday, March 09, 2011 5:26 PM Subject: PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de HIROAKI TORIGOE -LXVIII- Carta O Berro..........................................................repassem HIROAKI TORIGOE (1944-1972) Filiação: Tomiko Torigoe e Hiroshi Torigoe Data e local de nascimento: 02/12/1944, Lins (SP) Organização política ou atividade: MOLIPO Data e local da morte: 05/01/1972, São Paulo (SP) Paulista de Lins, Hiroaki era estudante em São Paulo e cursava o quarto ano da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa ao passar à clandestinidade entre 1969 e 1970, quando era militante da ALN. Seu nome consta do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos, mas não há outros registros sobre sua biografia. Foi ferido e preso pelo DOI-CODI-SP no dia 05/01/1972, na rua Albuquerque Lins, bairro de Santa Cecília, em São Paulo, pela equipe chefiada pelo delegado Octávio Gonçalves Moreira Jr., quando integrava o MOLIPO, dissidência da ALN. Sua foto estava estampada em milhares de cartazes distribuídos por todo o país com os dizeres "terroristas procurados". Os órgãos de segurança o acusavam de ter participado de inúmeras ações armadas em São Paulo, inclusive de um assalto a banco na Lapa onde morreu um militante da ALN, atingido por engano. Segundo informações desses órgãos, Torigoe era integrante do Comando Nacional do Molipo. A versão oficial da morte de Torigoe foi que, ferido em tiroteio, após balear um policial e um pedestre, cujos nomes não foram divulgados, morreu a caminho do hospital. O laudo necroscópico, assinado por Isaac Abramovitc e Abeylard Queiroz Orsini, informa a existência de nove ferimentos produzidos por arma de fogo. Nenhuma outra lesão, além dos tiros, foi descrita. A fotografia de seu corpo, onde aparece apenas o tórax, localizada nos arquivos secretos do DOPS/SP, demonstra, no entanto, a falsidade do laudo e as reais circunstâncias da morte de Torigoe. São visíveis múltiplas lesões na face e tórax, sendo que o braço esquerdo, em posição anômala, denuncia ter sofrido fratura não exposta. A mandíbula mostra grande inchaço, podendo indicar fratura. Há também ferimento a bala na boca, cortes produzidos provavelmente por faca e escoriações não descritos. Além disso, Torigoe, segundo o laudo, teria dado entrada no IML despido. A requisição de exame, feita no nome falso, tem anotado à mão o nome verdadeiro. Mas é com o nome de Massahiro Nakamura que o atestado de óbito foi lavrado, assinado por Isaac Abramovitc, e tendo como declarante Miguel Fernandes Zaninello, da PM. No site www.desaparecidospoliticos.org.br é apresentada uma detalhada descrição das condições em que foi torturado no DOI-CODI/SP, na rua Tutóia, incluindo o nome e codinome de seus algozes e, até mesmo, uma polêmica entre dois grupos de torturadores a respeito de terminar de matar ou garantir socorro médico a Torigoe. Enterrado no cemitério Dom Bosco, em Perus, com o nome falso, a família não conseguiu resgatar os restos mortais. Em 1976 recebeu apenas a informação de que Hiroaki tinha sido exumado, não sabendo o destino dado ao corpo. Em 1990 foi feita a exumação de uma ossada naquele cemitério, na sepultura apontada como sendo sua. A ossada que pertenceria a Torigoe não tinha crânio. Fora exumada e re inumada, havendo outras duas ossadas enterradas na mesma sepultura. Levadas para o Departamento de Medicina Legal da Unicamp, por Badan Palhares, foram entregues posteriormente ao legista Daniel Munhoz, sem a anotação de que apenas a ossada sem o crânio deveria ser examinada. Foram necessários 14 anos para que, em 2004, se soubesse que nenhuma das três ossadas poderia pertencer a Torigoe, já que nenhuma era compatível com as características antropométricas de um oriental. Num pequeno oratório na casa da família, a foto de Hiroaki Torigoe busca suprir a ausência de suas cinzas. A dor dos familiares foi narrada pelo repórter Caco Barcellos no Globo Repórter sobre a Vala de Perus, gravado em 1990 e exibido pela emissora em 1995. A relatora do processo sobre Torigoe junto à CEMDP, Eunice Paiva, viúva de Rubens Paiva, tomando como base os documentos citados e, em especial a foto de seu corpo, votou pelo deferimento afirmando que, "Hiroaki foi torturado e morto em dependências policiais, enterrado pelos seus algozes como indigente e com identidade falsa, com laudo assinado pelo médico Abramovitc, o mesmo autor de outros laudos examinados na Comissão Especial e que não obedecem aos princípios de ética profissional a que os peritos médicos estão sujeitos". =========================================================================== + Infirmações. HIROAKI TORIGOI Dirigente do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nascido em Lins, Estado de São Paulo, em 02 de dezembro de 1944, filho de Hiroshi Torigoe e Tomiko Torigoe. Foi morto, aos 28 anos de idade, em São Paulo. Fazia o 4° ano da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Baleado e preso pelo DOI/CODI-SP, em 5 de janeiro de 1972, Torigoi foi imediatamente levado para as câmaras de tortura desse departamento. Sua prisão se deu na Rua Albuquerque Lins, Bairro de Santa Cecília, por uma equipe chefiada pelo delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr., vulgo "Otavinho". Seus torturadores e assassinos foram: capitão do exército Orestes, vulgo "Ronaldo"; "capitão Amici", Aparecido Laerte Calandra, o "capitão Ubirajara", investigador Pedro Maria Grancieri, soldado da Aeronáutica Roberto, vulgo "Padre", policial conhecido como "Castilho", todos chefiados pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra e pelo capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo. Devido a seus ferimentos, e pela impossibilidade de pendurá-lo no pau-de-arara, Torigoi foi torturado em uma cama de campanha, onde foi amarrado para espancamentos, choques elétricos e outras violências. Vários presos políticos que se encontravam no DOI-CODI/SP nesse dia viram Torigoi ser arrastado pelo pátio interno, sangrando abundantemente, em direção às câmaras de tortura. A já tradicional nota oficial à imprensa, anunciava sua morte como sendo mais um "terrorista" que morria ao ser levado ao hospital, ferido em conseqüência de tiroteio. Um fato importante é que vários presos ouviram uma acirrada discussão entre os torturadores quanto ao destino a ser dado a Torigoi, quando este ainda se encontrava vivo. Assassiná-lo de imediato em torturas, foi o que defendeu o capitão Orestes, apoiado pelo capitão Amici; prestar-lhe alguma assistência médica, reanimando-o a fim de continuar com as torturas, era o que queria o delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr. A posição vencedora foi a dos capitães Orestes e Amici, que lograram seu intento, assassinando Torigoi em apenas algumas horas. O laudo de necrópsia foi assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard Queiroz Orsini, corroborando a versão oficial. O simples exame das fotos do corpo evidenciam as torturas - estando um dos braços visivelmente quebrado. Foi enterrado como indigente com o nome falso de Massahiro Nakamura em 07 de janeiro de 1972, na rua 15, sepultura 65, em Perus. Seu irmão, que foi fazer o reconhecimento fotográfico no DOPS no dia 20 de janeiro de 1972, contou 8 tiros, sendo 3 na face e 5 no tórax. Foi exumado em 1976 e seu paradeiro não foi informado aos familiares, dizendo não saberem do destino dado à sua ossada. Em 1990, pelo exame dos livros do Cemitério Dom Bosco, constatou-se que os restos mortais foram reinumados no mesmo local. O corpo exumado dessa sepultura não possui o crânio, aguardando a identificação através do exame de DNA, na UNICAMP. O Relatório do Ministério da Marinha, diz que "faleceu no dia 05 de janeiro de 1972, no pronto socorro para onde foi conduzido, após ser ferido em tiroteio com agentes de segurança, ao reagir à bala à voz de prisão. Usava o nome falso de Nakamura, o que dificultou sua verdadeira identificação." ============================================================================================ + detalhes. Avaliação de laudos de corpo delito Observações de médicos legistas, da segunda metade da década de 90, sobre o laudo de necrópsia de Hiroaki Torigoi. O doutor Antenor Chicarino cita que múltiplas lesões da face não são descritas no laudo, bem como deformidades no braço direito (fratura). Faz descrição insuficiente e confusa das lesões por projéteis no exame externo e interno. O doutor Dolmevil questiona por que o cadáver estava despido se a morte ocorreu na Rua Albuquerque Lins. Nenhum dos ferimentos por projéteis teve descrição das orlas (o que indicaria se o orifício tem marca de entrada ou saída de projéteis), nem as zonas (com possíveis marcas de pólvora, que demonstrariam a proximidade da arma). Causa estranheza as trajetórias verticais de pelo menos dois projéteis. Como explicar o trajeto de um projétil que entra pela coxa direita e sai pela esquerda? Não foram descritas as lesões internas. Péssimo exame e totalmente omisso. São visíveis nas fotos e não constam no laudo: 1) ferimentos a bala nas regiões da boca (de entrada e saída); 2) vários cortes de aproximadamente 2,5 cm de extensão, produzidos por faca de corte único; 3) fratura fechada (não exposta) do braço direito; 3) marca clara de contornos mais escuros, transversal, da região esquerda do queixo até perder sua visibilidade na região cervical; 4) corte longitudinal na região anterior do braço esquerdo, grande inchaço por provável fratura de mandíbula, inchaço mediano da região abaixo do olho junto a três escoriações superficiais e paralelas. =============================================================================================== + Informações. terça-feira, 4 de novembro de 2008 Mortos e Desaparecidos > Hiroaki Torigoi Hiroaki Torigoi Dirigente do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).Nascido em Lins, Estado de São Paulo, em 02 de dezembro de 1944, filho de Hiroshi Torigoe e Tomiko Torigoe. Foi morto, aos 28 anos de idade, em São Paulo.Fazia o 4° ano da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.Baleado e preso pelo DOI/CODI-SP, em 5 de janeiro de 1972, Torigoi foi imediatamente levado para as câmaras de tortura desse departamento.Sua prisão se deu na Rua Albuquerque Lins, Bairro de Santa Cecília, por uma equipe chefiada pelo delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr., vulgo "Otavinho". Seus torturadores e assassinos foram: capitão do exército Orestes, vulgo "Ronaldo"; "capitão Amici", Aparecido Laerte Calandra, o "capitão Ubirajara", investigador Pedro Maria Grancieri, soldado da Aeronáutica Roberto, vulgo "Padre", policial conhecido como "Castilho", todos chefiados pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra e pelo capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo.Devido a seus ferimentos, e pela impossibilidade de pendurá-lo no pau-de-arara, Torigoi foi torturado em uma cama de campanha, onde foi amarrado para espancamentos, choques elétricos e outras violências. Vários presos políticos que se encontravam no DOI-CODI/SP nesse dia viram Torigoi ser arrastado pelo pátio interno, sangrando abundantemente, em direção às câmaras de tortura.A já tradicional nota oficial à imprensa, anunciava sua morte como sendo mais um "terrorista" que morria ao ser levado ao hospital, ferido em conseqüência de tiroteio.Um fato importante é que vários presos ouviram uma acirrada discussão entre os torturadores quanto ao destino a ser dado a Torigoi, quando este ainda se encontrava vivo. Assassiná-lo de imediato em torturas, foi o que defendeu o capitão Orestes, apoiado pelo capitão Amici; prestar-lhe alguma assistência médica, reanimando-o a fim de continuar com as torturas, era o que queria o delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr.A posição vencedora foi a dos capitães Orestes e Amici, que lograram seu intento, assassinando Torigoi em apenas algumas horas.O laudo de necrópsia foi assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard Queiroz Orsini, corroborando a versão oficial. O simples exame das fotos do corpo evidenciam as torturas - estando um dos braços visivelmente quebrado.Foi enterrado como indigente com o nome falso de Massahiro Nakamura em 07 de janeiro de 1972, na rua 15, sepultura 65, em Perus. Seu irmão, que foi fazer o reconhecimento fotográfico no DOPS no dia 20 de janeiro de 1972, contou 8 tiros, sendo 3 na face e 5 no tórax. Foi exumado em 1976 e seu paradeiro não foi informado aos familiares, dizendo não saberem do destino dado à sua ossada.Em 1990, pelo exame dos livros do Cemitério Dom Bosco, constatou-se que os restos mortais foram reinumados no mesmo local. O corpo exumado dessa sepultura não possui o crânio, aguardando a identificação através do exame de DNA, na UNICAMP. O Relatório do Ministério da Marinha, diz que "faleceu no dia 05 de janeiro de 1972, no pronto socorro para onde foi conduzido, após ser ferido em tiroteio com agentes de segurança, ao reagir à bala à voz de prisão. Usava o nome falso de Nakamura, o que dificultou sua verdadeira identificação."REGIME MILITARFolha de São Paulo, 25 de maio de 2003Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos vai pedir ajuda da Promotoria para retomar exumaçõesFamílias planejam novas buscas em Perus MÁRIO MAGALHÃESDA SUCURSAL DO RIO Uma das feridas mais profundas que o regime militar (1964-85) deixou sem cicatrização, o sumiço dos corpos de pelo menos 152 oposicionistas, vai ganhar novo capítulo. A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos pedirá ajuda ao Ministério Público para retomar as exumações no cemitério Dom Bosco, em Perus (zona norte paulistana).A decisão foi tomada depois que uma equipe de médicos-legistas da USP (Universidade de São Paulo) concluiu que três ossadas, das quais uma se presumia ser do guerrilheiro Hiroaki Torigoe (1944-72), têm dados discordantes com o corpo do militante.Ou seja: são incompatíveis com as características antropométricas de Torigoe e, portanto, não devem ser dele. Integrante do Molipo (Movimento de Libertação Popular), Torigoe morreu sob tortura no dia 5 de janeiro de 1972, no DOI-Codi paulista, o mais violento centro repressivo mantido pelos militares. No Molipo militava o hoje ministro José Dirceu (Casa Civil).Numerosos presos testemunham que um dos nove torturadores que assassinaram Torigoe foi o delegado Aparecido Laerte Calandra, que atuava nos porões com o codinome de Capitão Ubirajara. Hoje Calandra, que nega ter sido Ubirajara, é o principal assessor do chefe do Departamento de Inteligência da Polícia Civil paulista. Procurado, disse não poder dar entrevista.A versão oficial foi de que Torigoe morreu em tiroteio. Seu corpo foi comprovadamente enterrado em Perus com a identificação falsa de Massahiro Nakamura. Seus supostos restos foram descobertos em 1992.Uma equipe da Unicamp (Universidade de Campinas) exumou as três ossadas que os registros do cemitério indicavam ser, uma delas, de Torigoe.Duas integrantes da comissão de parentes, Suzana Lisboa e Maria Amélia de Almeida Teles, dizem que o legista da Unicamp Fortunato Badan Palhares relatou reiteradas vezes que o esqueleto seria de um homem de origem oriental, como Torigoe.Suzana Lisboa representa as famílias na comissão do Ministério da Justiça criada por lei de 1995 que julga a responsabilidade do Estado e o pagamento de eventuais indenizações pecuniárias por mortes e desaparecimentos ocorridos na ditadura.Por unanimidade, a comissão considerou a União responsável pela morte de Torigoe. Por intermédio de advogado, Palhares assegura que sustentou o contrário: que as três ossadas não tinham características morfológicas de Torigoe. Não poderiam ser dele.Colega de Palhares, o legista José Eduardo Bueno Zappa diz, pelo mesmo advogado, que nunca afirmou que os restos talvez fossem do guerrilheiro. O pedido de novas buscas será feito ao Ministério Público Federal, que precisaria requisitar à Justiça autorização para exumações.O advogado Luís Francisco Carvalho Filho, presidente da comissão do Ministério da Justiça, afirmou que apóia a iniciativa das famílias. "Há uma série de problemas de localização no cemitério. Todos os esforços para uma identificação mais precisa serão bem-vindos. Cabe à comissão apoiar as medidas importantes para a identificação de pessoas."Maria Amélia Teles diz que é necessário "um investimento mais contundente do Estado". "Se dependesse só dos familiares, já teríamos encontrado todos que temos procurado." ======================================================================================================== Hiroaki Torigoe Até hoje a família de Hiroaki Torigoe não sabe o que aconteceu com ele, embora existam evidências de sua morte após tortura. Seu corpo nunca foi entregue à família. Um relatório do Ministério da Marinha descreve que ele "faleceu no dia 5 de janeiro de 1972 - sob o nome falso de Massahiro Nakamura - no pronto-socorro para onde foi conduzido, após ser ferido em tiroteio com agentes de segurança, ao reagir a bala à voz de prisão". O laudo de necropsia, assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard Queiroz Orsini, corrobora a versão oficial. O uso do nome falso dificultou a sua identificação. Nascido em Lins, Interior de São Paulo, Hiroaki cursava o quarto ano da Faculdade da Santa Casa de São Paulo e tinha 28 anos quando desapareceu. Na década de 60 e início dos anos 70, ele militou e foi dirigente do Movimento de Libertação Popular (Molipo). De acordo com os registros do Grupo Tortura Nunca Mais, Hiroaki foi preso em 5 de janeiro de 1972, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, e levado aos porões de tortura do Doi-Codi/SP, onde foi espancado e recebeu choques elétricos. Seus torturadores estavam sob o comando do então major Carlos Alberto Brilhante Ustra e do capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo. Vários presos teriam ouvido uma discussão entre os torturadores quanto ao destino a ser dado a Hiroaki, enquanto ainda estava vivo. Em 20 de janeiro de 1972, o irmão de Hiroaki foi fazer o reconhecimento fotográfico do corpo no Dops, contando oito tiros - três na face e cinco no tórax. As fotos evidenciavam torturas. Seu corpo foi enterrado, com o nome falso de Massahiro Nakamura, no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Em 1976, a ossada foi exumada, mas seu paradeiro não foi informado aos familiares. No início da década de 1990, o exame dos livros do Cemitério Dom Bosco indicava que essa ossada foi novamente enterrada no mesmo local. Ainda na década de 1990, foram exumadas por uma equipe da Universidade de Campinas (Unicamp) três ossadas, supondo-se que uma delas poderia ser de Hiroaki. Posteriormente, duas dessas ossadas foram enviadas ao Instituto de Medicina Legal da USP, na expectativa de que uma delas poderia pertencer a Hiroaki, o que não se confirmou. A família de Hiroaki, que mantém uma foto do estudante de Medicina num pequeno oratório em casa, continua buscando esclarecimentos. ====================================================================================== Outras Informações. O MPF (Ministério Público Federal) entrou com ação civil pública, nesta segunda-feira (30/8), pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias dos delegados da polícia civil paulista Aparecido Laertes Calandra, David dos Santos Araujo e Dirceu Gravina, acusados de participar diretamente de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimentos forçados e homicídios, em serviço e nas dependências de órgãos da União, durante o regime militar (1964-1985). Leia mais: Ditadura: Justiça mantém inquérito que pode acusar Tuma Brasil vai à Corte da OEA por crimes cometidos na ditadura militar Justiça arquiva ação do MPF contra torturadores da Ditadura Militar Militares cassados pela ditadura pedem no STF direito a receber indenizações De acordo com informações do Ministério Público, a ação pede a responsabilização pessoal dos policiais, além da condenação por danos morais coletivos e restituição das indenizações pagas pela União. Capitão Ubirajara (Calandra), capitão Lisboa (Araujo) e JC (Gravina), codinomes utilizados pelos três policiais enquanto atuaram no DOI/Codi, foram reconhecidos por várias vítimas ou familiares em imagens de reportagens veiculadas em jornais, revistas e na televisão. Segundo os procuradores da República que propuseram a ação, foram obtidos relatos de ex-presos políticos e de seus familiares vitimados pelos atos dos três policiais, além de reunidos depoimentos retirados de documentos como processos de auditorias militares, arquivos do Dops e livros, entre eles Brasil: Nunca Mais e Direito à Memória e à Verdade. Os relatos podem ser lidos na íntegra na inicial. Atualmente, os policiais Calandra e Araujo já são aposentados e Gravina continua na ativa. Direitos Humanos A ação é mais uma das iniciativas do MPF em relação às violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar no Brasil. Essa atuação teve início em 1999 por meio da tarefa humanitária de buscar e identificar restos mortais de desaparecidos políticos para entrega às respectivas famílias. Segundo o Ministério Público, para que ocorra o processo de consolidação da democracia e a reafirmação completa dos direitos e garantias fundamentais, suprimidos pela ditadura, é preciso que o Estado brasileiro implemente medidas de Justiça Transicional. São elas: "o esclarecimento da verdade; realização da Justiça mediante a responsabilização dos violadores de direitos humanos; reparação dos danos às vítimas; reforma institucional dos serviços de segurança, para que respeitem direitos fundamentais; e promoção da memória, para que as gerações futuras possam conhecer e compreender a gravidade dos fatos. No entendimento dos procuradores, o objetivo dessas medidas é "evitar que atos tão desumanos se repitam". Assinam a ação o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, os procuradores da República Eugênia Augusta Gonzaga, Luiz Costa, Sergio Gardenghi Suiama, Adriana da Silva Fernandes, e o procurador regional dos Diretos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias. Depoimentos Conforme a documentação e depoimentos colhidos pelo MPF, os procuradores relatam na ação que, sob o codinome de capitão Ubirajara, o delegado Aparecido Laertes Calandra participou da tortura e desaparecimento de Hiroaki Torigoe, da tortura, morte e da falsa versão de que Carlos Nicolau Danielli fora morto em um tiroteio, da tortura do casal César e Maria Amélia Telles, além de participar da montagem da versão fantasiosa de que o jornalista Vladimir Herzog teria cometido suicídio na cadeia. Reportagens dão conta de que Calandra teria participado também de torturas contra Paulo Vannuchi e Nilmário Miranda. O atual presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa, Ivan Seixas, preso aos 16 anos, junto com o pai, Joaquim Alencar de Seixas, torturado e morto pela equipe do DOI/Codi da qual participava David dos Santos Araújo, o "capitão Lisboa", relatou que este era o que mais lhe batia. Depois da prisão, sua casa fora saqueada e sua mãe e irmãs testemunharam, com ele, as torturas a que seu pai foi submetido. Uma de suas irmãs relatou ao MPF ter sido abusada sexualmente por Araújo. O pai acabou morrendo naquele dia nas dependências da prisão. O mais jovem dos três policiais e até hoje no cargo de delegado da Polícia Civil, em Presidente Prudente, Dirceu Gravina era chamado pelos colegas de JC - uma alusão à Jesus Cristo por, à época, com pouco mais de 20 anos, manter os cabelos compridos e lisos e usar crucifixo - e é lembrado nos relatos por sua violência e sadismo. Avesso à imprensa, Gravina foi reconhecido em 2008 por Lenira Machado, uma de suas vítimas, após aparecer em reportagem sobre investigação que o delegado conduzia acerca de "um suposto vampiro que agia na cidade de Presidente Prudente e mordia o pescoço de adolescentes". Presa por três dias no DOPS, Lenira teve toda a roupa rasgada por Gravina e outros dois policiais quando foi transferida ao DOI/Codi, ficando por 45 dias apenas com um casaco e lenço. Em seu primeiro interrogatório, Lenira foi pendurada no pau de arara e submetida a choques elétricos, até ter provocada uma grave lesão em sua coluna. Gravina ainda é apontado como o último a torturar o preso político Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, dizendo a outro preso, após Palhano parar de gritar de dor, que sua equipe tinha acabado de matar o colega, ameaçando-o na sequência. "Agora vai ser você!" Desde então, nunca mais se teve notícias de Aluízio, desaparecido até hoje. Também foram vítimas de Gravina os presos políticos Manoel Henrique Ferreira e Artur Scavone. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110309/f5c4836f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4298 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110309/f5c4836f/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5456 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110309/f5c4836f/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 9 19:19:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 9 Mar 2011 19:19:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_Reinven=E7=E3o_das_Na=E7=F5es_?= =?iso-8859-1?q?Unidas=2C_uma_Organiza=E7=E3o_Indispens=E1vel_por__?= =?iso-8859-1?q?Miguel_D=27ESCOTO_e_Leonardo_BOFF?= Message-ID: <54BC3C4B20914BDD94F88C4983412E79@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Koinonia Vd esta aquí: Koinonía> Logos > 118p Informacion sobre los Servicios Koinonia Suscripcion al boletin de novedades ************* Servicio Biblico Latinoamericano - Consulta por semanas - Consulta por dias Suscripcion para recibir el servicio biblico Evangelio del dia Calendario liturgico 2003-2036 Páginas neobiblicas Biblioteca, sala biblica ************* RELaT, Revista Electronica Latinoamericana de Teologia LOGOS, textos cortos varios La columna semanal de Leonardo Boff Agenda Latinoamericana ************* Biblioteca - Sala general - Sala biblica - Sala pastoral - Sala teologica ************* Martirologio Latinoamericano Jornadas Indoafrolatinoamericanas Fechas de la Patria Grande (Eduardo GALEANO) ************* La Pagina de Mons. Romero Homilias de Mons. Romero ************* Pagina de Pedro Casaldaliga Obras de poesia de Pedro Casaldaliga Articulos de Pedro Casaldaliga Cartas de Pedro Casaldaliga ************* Pagina de Cerezo Barredo ************* Un tal Jesus ************* TAMBO, para dialogar en el espiritu de la Patria Grande ************* Comunidad Cristiana Virtual ************* Texto elaborado por Miguel d'Escoto Brockmann, ex-Presidente da Assembléia da ONU - 2008-2009 - e Leonardo Boff, professor emérito de Ética da Universidade do Rio de Janeiro.] Tradução de Yara Camillo, São Paulo, Brasil. A Reinvenção das Nações Unidas, uma Organização Indispensável Miguel D'ESCOTO e Leonardo BOFF -------------------------------------------------------------------------- Afirmamos que Nações Unidas é uma Organização indispensável à salvação do mundo, apesar de estarmos plenamente conscientes do grande fracasso da Organização, tal e como atualmente existe. Isso não significa que consideremos que nada de bom resultou da ONU. Contudo, as instituições devem ser avaliadas, não pelo número de coisas "boas" que possam ter feito; a avaliação de qualquer instituição deve se basear, sempre, no cumprimento ou êxito de sua razão de ser. De fato, coisas que objetivamente podem ser boas, institucionalmente podem vir a ser consideradas más, caso nos desviem das obrigações essenciais da instituição e nos façam pensar que as coisas "vão bem". A Organização das Nações Unidas foi criada com um único propósito: deter o que, receava-se, era um período irreversível de conflitos armados, como as duas grandes guerras, na primeira metade do século XX. Pensou-se que seria necessário estabelecer um acordo - com base num código de comportamento civilizado entre as nações - e criar uma instância judicial para dirimir controvérsias, sem que fosse preciso recorrer a guerras. Pensou-se também que, além de respeitar a supremacia do direito nas relações internacionais, era imprescindível que se desativasse uma bomba-relógio que, mais cedo do que tarde, poderia explodir em outra guerra mundial, ainda mais sangrenta do que as duas anteriores: a fome e a pobreza, que já existem há 64 anos. Estas foram as razões que levaram à assinatura da Carta de San Francisco e à criação das Instituições de Bretton Woods, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial que, na verdade, em vez de propiciar a superação da pobreza no mundo, ajudaram a agravá-la ainda mais. Vale notar que na época de sua criação a Organização das Nações Unidas não tinha consciência da questão ambiental e das graves ameaças que, no futuro, desafiariam todos os povos. Buscava, com razão, o Bem Comum de todas as sociedades que, hoje, com a consciência que temos, deve ser enriquecido com o Bem Comum da Terra e da Humanidade. Depois de analisar a Organização das Nações Unidas, a partir desses dois objetivos essenciais, não podemos deixar de concluir que, lamentavelmente, seus propósitos não se realizaram. Isso se comprova pelo triste fato de que um compromisso tão importante como a declaração do Estado Palestino ainda não foi cumprido; e agressões genocidas e invasões, como as que acontecem hoje contra o Iraque e o Afeganistão, continuam matando centenas de milhares de pessoas, geralmente inocentes, com total e absoluta impunidade. A grande maioria dos habitantes da Terra considera a Organização das Nações Unidas uma instituição fraca, ineficaz e até desnecessária. O país mais poderoso da Terra, pouco preocupado com o futuro ecológico da Mãe Terra, ajudou a desmoralizar a Organização ao desrespeitar suas decisões e ao comportar-se como se fosse seu dono, manipulando, segundo seus interesses, o Conselho de Segurança. No entanto, mesmo reconhecendo todas essas críticas como válidas, não hesitamos em afirmar que a solução não está em esquecer a Organização das Nações Unidas. Afinal, é a nossa Organização. Foi criada em nome de "todos nós, os povos". E esses povos consideram abusivo e antidemocrático o privilégio - a que alguns países poderosos se arrogam - de impor vetos e, assim, bloquear questões fundamentais para o mundo. Tudo isso nós podemos e devemos mudar, se quisermos que a Organização das Nações Unidas esteja a serviço da Paz e da Vida; que nela se respeite o princípio da igualdade soberana de todos os Países Membros, sem privilégios de qualquer espécie para ninguém. E que as decisões que afetam a todos sejam tomadas por todos e não apenas pelo pequeno grupo que detém o injusto privilégio do veto; uma Organização na qual todos se comprometam, igualmente, a não cometer crimes contra a dignidade da Mãe Terra e da Humanidade. Ou, caso contrário, que aguentem as consequências, independentemente do fato de participarem ou não de tratados ou protocolos pertinentes. Não participar de um tratado não significa ter licença para cometer os crimes que esse tratado pretende evitar. Para salvar a Organização das Nações Unidas é preciso refletir um pouco sobre como pôde ocorrer um desvio tão grave de seus princípios fundamentais. Não se pode negar que, aos poderosos, não convinha ter uma instância superior à qual deveriam se submeter. Por esta razão, a supremacia da lei, nas relações internacionais, foi desacreditada. Infelizmente, a lei da selva, ou seja, o poder do mais forte, continua predominando. Nós nos negamos a aceitar que qualquer país reivindique excepcionalidade. A Mãe Terra não reconhece um "Destino Manifesto", porque todos os povos são seus queridos filhos e filhas, e todos, com igual dignidade e direitos, habitam a mesma Casa Comum. Ao longo dos anos, foram sendo introduzidas normas de procedimento na ONU, com o único objetivo de limitar o poder da Assembléia Geral - centro nevrálgico de todo o sistema da Organização das Nações Unidas - e reduzir o presidente da Assembléia Geral a uma figura meramente protocolar, embora, segundo a Carta, seja o mais alto funcionário da Organização, com status de Chefe de Estado. E o Secretário-Geral é somente o chefe da vasta burocracia, submetido muitas vezes a uma pressão insuportável por parte dos países ricos. Mas tudo isso ainda pode ser mudado. O poder da Assembléia Geral, do Grupo dos 192, pode ser resgatado, e foi, em grande parte, durante o 63º período de sessões. Este resgate do poder da Assembléia Geral, ou seja, a democratização da ONU, é possível e deve continuar. Para contribuir com este resgate do poder que é "nosso, dos povos", dentro das Nações Unidas, nos propusemos a trabalhar em: I. Uma Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade, como documento essencial para a reinvenção da ONU e que complemente a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Somos conscientes de que o excessivo antropocentrismo, avareza e egoísmo da cultura dominante dificultarão a adoção da presente Declaração que, no entanto, terá êxito. II. Uma Carta da Organização que atenda as exigências do século XXI, que deverá garantir nossa sobrevivência, promovendo o Bem Comum da Terra e da Humanidade. III. A criação de um Tribunal de Notáveis, procedentes dos cinco continentes que integram a Organização das Nações Unidas, para receber denúncias de crimes contra o Bem Comum da Terra e da Humanidade interpostas por membros da Organização. Seu funcionamento seria similar ao da atual Corte Internacional de Justiça, com a diferença de que as condenações não poderão ser ignoradas, como fizeram os Estados Unidos quando processados pela Nicarágua, em Haia. Nesta oportunidade, apresentaremos unicamente nossa proposta de Declaração Universal. Posteriormente, apresentaremos as outras duas. I. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DO BEM COMUM DA TERRA E DA HUMANIDADE Preâmbulo CONSIDERANDO que Terra e Humanidade fazem parte de um vasto universo em evolução e que têm o mesmo destino, ameaçado de destruição pela irresponsabilidade e pelo descuido dos seres humanos; e que a Terra compõe com a Humanidade uma única entidade, complexa e sagrada, o que fica bem claro quando é vista do espaço exterior; e que além do mais a Terra é viva e se comporta como um único sistema autorregulado, formado por componentes físicos, químicos, biológicos e humanos que a tornam propícia à geração e reprodução da vida, e que por isso é a nossa Grande Mãe e nosso Lar Comum. Levando-se em conta que a Mãe Terra é composta pelo conjunto dos ecossistemas, nos quais gerou uma multiplicidade magnífica de formas de vida que se interdependem e se complementam, formando a grande comunidade de vida, e que existe um laço de parentesco entre todos os seres vivos, pois todos são portadores do mesmo código genético de base que determina a unidade sagrada da vida em suas múltiplas formas e que, portanto, a Humanidade é parte da comunidade de vida e do momento de consciência e de inteligência da própria Terra, fazendo com que o ser humano - homem e mulher - seja a própria Terra que fala, pensa, sente, ama, cuida e venera. CONSIDERANDO que todos os seres humanos, com suas culturas, línguas, tradições, religiões, artes e visões do mundo constituem uma única família de irmãos e irmãs, com a mesma dignidade e os mesmos direitos, e que a Mãe Terra providenciou tudo o que precisamos para viver, e que a vida natural e humana depende de uma biosfera saudável, com todos os ecossistemas sustentáveis, com água, vegetação, animais e incontáveis micro-organismos preservados. E que, além do mais, o crescente aquecimento global pode por em risco a vitalidade e a integridade do sistema Terra, e que podem ocorrer graves devastações, afetando milhões e milhões de pessoas e, eventualmente, inviabilizando a sobrevivência de toda a espécie humana. RECORDANDO que é preciso renovar e articular organicamente o contrato natural com o contrato social, que ganhou um papel de exclusividade, propiciando o antropocentrismo e instaurando estratégias de apropriação e dominação da Natureza e da Mãe Terra, já que o modo de produção vigente nos últimos séculos - e atualmente globalizado - não conseguiu atender as necessidades vitais dos povos, ao contrário: gerou um fosso profundo entre ricos e pobres. CONSIDERANDO, finalmente, que a consciência da gravidade da situação crítica da Terra e da Humanidade torna imprescindíveis as mudanças nas mentes e nos corações, que seja criada uma coalizão de forças em torno de valores comuns e princípios inspiradores que sirvam de fundamento ético e de estímulo para práticas que busquem um modo sustentável de viver. As pessoas, as instituições, os líderes políticos, as ONGs, as religiões e igrejas que assinam esta Declaração vêm a urgência de se proclamar a presente DECLARAÇÃO UNIVERSAL DO BEM COMUM DA TERRA E DA HUMANIDADE, cujos ideais e critérios devem orientar os povos, as nações e todos os cidadãos em suas práticas coletivas, comunitárias e pessoais, bem como nos processos educativos, para que o Bem Comum seja progressivamente reconhecido, respeitado, observado, assumido e promovido universalmente, visando o bem-viver de cada um e de todos os habitantes deste pequeno planeta azul e branco, nosso Lar Comum. Artigo 1 O Bem Comum supremo e universal, condição para todos os outros bens, é a própria Terra que, por ser nossa Grande Mãe, deve ser amada, cuidada, vivificada e venerada, como nossas mães. I. O Bem Comum da Terra e da Humanidade pede que entendamos a Terra como Viva e merecedora de dignidade. Não pode ser tomada por ninguém, individualmente, nem ser tratada como mercadoria, nem sofrer agressão sistemática, por nenhum modo de produção. Pertence, comunitariamente, a todos os que a habitam e ao conjunto dos ecossistemas. II. O Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade exige que se proteja e restaure a integridade dos ecossistemas, com especial preocupação pela diversidade biológica e por todos os processos naturais que sustentam a vida. III. O Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade se fortalece quando todos os seres são considerados como interligados e com valor intrínseco, independentemente de seu uso humano. Artigo 2 Para assegurar o Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade é necessário reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados na produção e no consumo, garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos e buscar o bem-viver a partir da suportabilidade dos ecossistemas, em cooperação com os outros e em harmonia com os ritmos da Natureza. I. O Bem Comum da Terra e da Humanidade resulta da utilização sustentável dos bens renováveis como água, solo, recursos florestais e da vida marinha, de forma que possam ser repostos e garantidos para as gerações atuais e futuras. II. A administração dos bens não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis, deve ser realizada de modo a reduzir sua extinção e não afetar gravemente o Bem Comum da Terra e da Humanidade. Artigo 3 Adotar padrões de produção e consumo que garantam a vitalidade e a integridade da Mãe Terra, a igualdade social na Humanidade, o consumo responsável e solidário e o bem-viver comunitário. I. O Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade requer a utilização sustentável das energias disponíveis, privilegiando as matrizes renováveis e outras fontes alternativas, como a energia solar, a eólica, a maré-motriz e a agroenergia. II. O Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade é potencializado quando se reduz ao máximo a poluição de qualquer parte do ambiente, de forma a evitar os efeitos perversos do aquecimento global e a não se permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas e de outras substâncias químicas perigosas. III. O Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade não é compatível com a existência de armas nucleares, biológicas e químicas, nem com outras armas de destruição em massa, que devem ser totalmente eliminadas. Artigo 4 A biosfera é um Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade, um patrimônio compartilhado por todas as formas de vida, da qual os seres humanos são tutores. Artigo 5 Pertencem ao Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade os recursos naturais, como o ar, o solo, a fertilidade, a flora, a fauna, os genes, os micro-organismos e as amostras representativas dos ecossistemas naturais, bem como o espaço exterior. I. A água pertence ao Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade porque é um bem natural, comum, vital e insubstituível para todos os seres vivos, especialmente para os humanos, que têm direito a seu uso, independentemente dos custos de captação, reserva, purificação e distribuição, que serão assumidos pelo poder público e pela sociedade. II. Os oceanos são Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade, porque constituem os grandes repositórios de vida, os reguladores dos climas e da base física e química da Terra. III. As florestas pertencem ao Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade, contêm a maior biodiversidade do planeta, a umidade necessária para o regime de chuvas e são as grandes sequestradoras de dióxido de carbono. IV. Os climas pertencem ao Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade porque são a condição essencial para a manutenção da vida. As mudanças climáticas devem ser tratadas mundialmente e com responsabilidade compartilhada. Artigo 6 Pertencem ao Bem Comum da Humanidade e da Terra os alimentos em sua diversidade e os recursos genéticos filogenéticos necessários à sua produção, sobre os quais está proibido qualquer tipo de especulação comercial. Artigo 7 São Bens Públicos da Humanidade as energias necessárias à vida, à saúde e à educação, os meios de comunicação, a Internet, os correios e os transportes coletivos. Os medicamentos produzidos por laboratórios particulares passam a pertencer ao Bem Comum da Humanidade, cinco anos após a sua fabricação. Em situações de emergência, podem ser imediatamente declarados públicos. Artigo 8 As atividades petrolíferas, minerais e os agrocarburantes devem ser submetidos a um controle estatal e social, devido aos efeitos nocivos que possam ter sobre o Bem Comum da Humanidade e da Mãe Terra. Artigo 9 O grande Bem Comum da Terra e da Humanidade são os seres humanos, homens e mulheres, portadores de dignidade, consciência, inteligência, amor, solidariedade e responsabilidade. I. É preciso afirmar a dignidade inerente a todos os seres humanos, bem como seu potencial intelectual, artístico, ético e espiritual. II. A missão dos seres humanos é cuidar e proteger a Terra e a Humanidade, como uma herança recebida do universo. III. As comunidades, em todos os níveis, têm a obrigação de garantir o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais, criando condições para que cada pessoa realize seu pleno potencial e contribua para o Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade. Artigo 10 Pertencem ao Bem Comum da Terra e da Humanidade todos os saberes, artes e técnicas acumuladas ao longo da História. I. O Bem Comum da Terra e da Humanidade requer o reconhecimento e a conservação dos saberes tradicionais e da sabedoria espiritual de todas as culturas que contribuem no sentido de cuidar da Terra, desenvolver o potencial da Humanidade e favorecer o Bem Comum. II. O Bem Comum da Humanidade pode ajudar, com recursos financeiros, técnicos, sociais e intelectuais, os povos pobres e vulneráveis, para que alcancem um modo sustentável de viver e colaborem com o Bem Comum. III. O Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade exige a erradicação da pobreza como um imperativo humanitário, ético, social, ambiental e espiritual. IV. A justiça social e a ecológica não podem ser dissociadas, pois ambas servem ao Bem Comum da Terra e da Humanidade. V. Pertencem ao Bem Comum da Terra e da Humanidade a equidade de gênero, a superação de qualquer tipo de discriminação, a proteção de meninos e meninas contra todo tipo de violência e a seguridade social de todos aqueles que não possam se manter por conta própria. Artigo 11 Pertencem ao Bem Comum da Terra e da Humanidade todas as formas de governo que respeitam os direitos de cada ser humano e da Mãe Terra e propiciam a participação ativa e inclusiva dos cidadãos na tomada de decisões, favorecem o acesso irrestrito à justiça e cuidam do entorno ecológico. Artigo 12 O Bem Comum da Terra e da Humanidade exige que se protejam as reservas naturais, incluindo as terras selvagens e as áreas marinhas, os sistemas de sustento da vida na Terra, as sementes, a biodiversidade, e que se resgatem as espécies ameaçadas e os ecossistemas devastados. I. Controlar a introdução de espécies exógenas e submeter, rigorosamente, ao princípio de prevenção todos os organismos geneticamente modificados, para que não causem danos às espécies nativas e à saúde da Mãe Terra e da Humanidade. II. Garantir que os conhecimentos dos vários campos do Saber, que são de vital importância para o Bem Comum da Terra e da Humanidade, sejam considerados de domínio público. III. É proibido patentear recursos genéticos fundamentais para a alimentação e a agricultura. As descobertas técnicas patenteadas devem observar, sempre, sua destinação social. Artigo 13 Pertencem ao Bem Comum da Humanidade e da Mãe Terra a multiplicidade das culturas e das línguas, os diferentes povos, os monumentos, as artes, a música, as ciências, as técnicas, as filosofias, a sabedoria popular, as tradições éticas, os caminhos espirituais e as religiões. Artigo 14 Pertence ao Bem Comum da Terra Viva e da Humanidade a hospitalidade pela qual acolhemos e somos acolhidos, mutuamente, como habitantes do mesmo Lar Comum, a Terra. Artigo 15 Pertence ao Bem Comum da Humanidade e da Mãe Terra a socialidade e a convivência pacífica com todos os seres humanos e todos os seres da Natureza, pois todos somos filhos e filhas da Mãe Terra, corresponsáveis pelo mesmo destino comum. Artigo 16 Pertence ao Bem Comum da Humanidade a tolerância que acata as diferenças como expressões da riqueza de uma natureza humana única e que não permite que tais diferenças sejam consideradas como desigualdades. Artigo 17 Pertence ao Bem Comum da Humanidade a comensalidade que expressa o sonho ancestral de todos os povos de sentar-se juntos, como irmãos e irmãs da mesma família, ao redor da mesa, comendo e bebendo alegremente os frutos da generosidade da Mãe Terra. Artigo 18 Pertence ao Bem Comum da Humanidade a compaixão por todos os que padecem na natureza e na sociedade, aliviando seus sofrimentos e impedindo qualquer tipo de crueldade contra os animais. Artigo 19 Pertencem ao Bem Comum da Humanidade os princípios éticos do respeito a cada ser, do cuidado com a natureza e da responsabilidade universal pela preservação da biodiversidade e pela continuidade do projeto planetário humano, bem como os princípios de cooperação e da solidariedade de todos com todos, começando pelos mais necessitados, para que todos sejam incluídos na mesma Casa Comum. Artigo 20 Pertence ao Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade a permanente busca pela paz que resulta da correta relação consigo mesmo, de todos com todos, com a natureza, com a vida, com a sociedade nacional e internacional e com o grande Todo do qual fazemos parte. Artigo 21 Pertence ao Bem Comum da Humanidade e da Mãe Terra a convicção de que há uma Energia amorosa, subjacente, em todo o Universo, que sustenta cada um dos seres e pode ser invocada, recebida e venerada. Artigo 22 Todos estes ideais e critérios do Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade prolongam e reforçam os direitos humanos que constam da Declaração dos Direitos do Homem, proclamada em 10 de dezembro de 1948 pela Assembléia da ONU, que será agora enriquecida com os direitos da Mãe Terra e da Humanidade. Texto elaborado por Miguel d'Escoto Brockmann, ex-Presidente da Assembléia da ONU - 2008-2009 - e Leonardo Boff, professor emérito de Ética da Universidade do Rio de Janeiro.] Tradução de Yara Camillo, São Paulo, Brasil. -------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Portal Koinonia | Bíblico | Páginas Neobíblicas | El Evangelio de cada día | Calendario litúrgico | Pag. de Cerezo RELaT | LOGOS | Biblioteca | Información | Martirologio Latinoamericano | Página de Mons. 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Name: not available Type: image/gif Size: 16870 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110309/5d85262e/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 10 19:52:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Mar 2011 19:52:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_JO=C3O_DOMINGUES_DA_SILVA_____________?= =?iso-8859-1?q?______________________-LXIX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOÃO DOMINGUES DA SILVA (1949-1969) Filiação: Eliza Joaquina Maria da Silva e Antônio José da Silva Data e local de nascimento: 02/04/1949, Sertanópolis (PR) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 23/09/1969, São Paulo (SP) Por volta da meia noite do dia 29/07/69 e início da madrugada do dia 30, os militantes da VAR-Palmares João Domingues da Silva e Fernando Borges de Paula Ferreira foram interceptados por policiais civis na Avenida Pacaembu, proximidades do Largo da Banana, em São Paulo. Na versão oficial, os policiais suspeitaram do veículo utilizado por ambos. Fernando teria morrido imediatamente e João Domingues, apesar de gravemente ferido, conseguiu escapar, refugiando-se na casa de sua irmã, em Osasco, onde foi preso no mesmo dia. Três policiais ficaram feridos, de acordo com documentos dos órgãos de segurança. Fernando, conhecido por Fernando Ruivo, cursava Ciências Sociais na USP, tendo sido um dos principais dirigentes da DISP - Dissidência Estudantil do PCB/SP, agrupamento que no final de 1968 se dispersou, repartindo-se a maioria de seus membros entre a ALN e a VPR (em seguida VAR-Palmares). Documentos dos órgãos de segurança do regime militar o incluem como participante do assalto a uma agência do Banco Aliança, em São Paulo, no dia 11/07/1969, quando para fugir de perseguição policial os participantes da ação mataram um motorista de táxi. Processo em seu nome foi protocolado na CEMDP pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, na expectativa de poder localizar seus parentes, o que de fato ocorreu. Entretanto, não quis a família requerer os benefícios da Lei, sendo o processo retirado de pauta, sem exame do mérito, em 08/12/2005. Assinaram o laudo de necropsia os médicos legistas Pérsio Carneiro e Antônio Valentini, que atestaram hemorragia interna traumática. O corpo foi sepultado pela família no Cemitério da Paz. O operário João Domingues da Silva tinha sido, ao lado de seu irmão Roque Aparecido da Silva, um dos líderes da greve realizada em Osasco (SP) pelos trabalhadores metalúrgicos, em julho de 1968, passando a ser constantemente ameaçado de prisão e morte. Desde os 10 anos, ajudava o pai no trabalho com o gado, onde viviam, em Jataizinho, no Paraná. Aos 12 anos, trabalhava no matadouro de Ibiporã (PR) e, aos 13, em Osasco, num açougue. Em vários documentos anexados ao processo da CEMDP, a grafia de seu nome aparece como Domingos, no lugar de Domingues. Militante da VPR e, depois, da VAR-Palmares, é mencionado em documentos dos órgãos de segurança do regime militar como participante, no Rio de Janeiro, do roubo de 2,8 milhões de dólares, guardados num cofre que pertencia ao ex-governador paulista Adhemar de Barros, subtraído da casa de sua amante. Seu processo foi relatado na CEMDP em agosto de 1996 e recebeu dois pedidos de vistas antes de ser aprovado. Ao ser preso na casa da irmã, foi levado para o Hospital das Clínicas, onde os médicos submeteram-no a uma delicada cirurgia. Mesmo correndo risco de vida, agentes do DEIC - Departamento Estadual de Investigações Criminais - transportaram-no para o Hospital Geral do Exército - HGE, onde iniciaram um processo de interrogatório e torturas que culminou com sua morte, a 23 de setembro. A família o procurou insistentemente no HGE, onde diziam nada saber. Após 33 dias, a irmã foi chamada para autorizar uma cirurgia, quando seu estado de saúde já era terminal. Um exame de corpo de delito, assinado pelos médicos José Francisco de Faria e Abeylard de Queiroz Orsini, descreve "um único ferimento por arma de fogo, na face anterior do hemitórax esquerdo e vários ferimentos corto-contusos na região occipital". O laudo de necropsia inclui, além do ferimento descrito acima, cicatrizes cirúrgicas, escaras de decúbito na região sacra e mais um ferimento perfuro contuso na região vertebral, terço inferior. Assinam o laudo os legistas Octávio D'Andrea e Orlando Brandão, apontando como causa mortis 'colapsotóxico infeccioso'. A CEMDP realizou inúmeras diligências tentando esclarecer os fatos. Oficiou ao HGE, onde João Domingues esteve internado e morreu, obtendo como resposta que esse nome não constava em qualquer prontuário, livro de entrada ou ficha de internação. O Hospital das Clínicas informou que João Domingues fora internado em 30/07/1969, tendo obtido alta no mesmo dia, após ser submetido a uma cirurgia. A Secretaria de Segurança Pública/SP, dentre outras informações, encaminhou "Relatório Especial de Informações nº 23", do Quartel general do Exército em São Paulo, datado de 01/08/1969, poucos dias depois da prisão. Esse documento contém capítulo dedicado a João Domingues, contando como fora preso e que fora submetido a leve interrogatório devido ao seu estado de saúde. Ressaltando a importância da prisão, o relatório ressalta a expectativa de que viesse a ser convenientemente interrogado quando seu estado de saúde permitisse. A CEMDP apurou, portanto, que João Domingues deu entrada no Hospital das Clínicas em 30 de julho e foi imediatamente submetido a exame de corpo de delito, sendo constatado o risco de vida. Após "laparatomia exploratória", cirurgia de grande extensão, com "sutura de estômago, fígado, diafragma e pulmão", em vez de ser levado para uma UTI, recebeu alta no mesmo dia para ser levado pelos órgãos de segurança. Foi localizado pela família um mês depois, com estado de saúde muito precário, no Hospital Geral do Exército (que não acusa sua internação), quando sua irmã foi informada de que os médicos necessitavam de uma autorização escrita para a realização de outra cirurgia. Não restou dúvida de que João Domingues faleceu sob a guarda de agentes do poder público, morrendo de causa não natural. ========================================================================================================== + Informações. João Domingues da Silva Dirigente da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONARIA PALMARES (VAR-PALMARES). Nasceu em Sertanópolis/PR, filho de Antonio José da Silva e Eliza Maria de Jesus. Morto aos 20 anos em São Paulo. Operário e um dos líderes das greves realizadas em Osasco (SP) durante o ano de 1968, passou a ser constantemente ameaçado de prisão e morte. No dia 30 de julho de 1969, estava em companhia de Fernando Borges de Paula Ferreira, quando foram emboscados no Largo da Banana, em São Paulo, por agentes do DEIC. A emboscada resultou no assassinato de Fernando. João Domingues, apesar de ferido gravemente, conseguiu escapar, indo para a casa de sua irmã, em Osasco, onde foi preso ainda no mesmo dia. Os agentes do DEIC transportaram João para o Hospital das Clínicas, onde recebeu assistência médica. Em 4 de agosto foi submetido ao exame de corpo de delito-lesão corporal, assinado pelos médicos José Francisco de Faria e Abeylard de Queiroz Orsini, que descrevem um único ferimento por arma de fogo, na face anterior do hemitórax esquerdo e várias ferimentos corto-contusos na região occipital. Mesmo correndo risco de vida, os agentes do DEIC transportaram-no para o Hospital Geral do Exército, onde iniciaram um processo de interrogatório e de torturas que culminou com sua morte, a 23 de setembro. O laudo de necrópsia inclui, além do ferimento descrito no exame de corpo de delito, cicatrizes cirúrgicas, escaras de decúbito na região sacra e mais um ferimento por projétil na região vertebral, terço inferior. Assinam o laudo os legistas Octávio D'Andrea e Orlando Brandão e apontam como causa mortis 'colapso tóxico infeccioso'. A evidência do assassinato fica constatada ao comprovar-se que, ao ser retirado do Hospital das Clínicas, João apresentava apenas um ferimento produzido por arma de fogo, conseqüência da emboscada. Foi enterrado por seus familiares em Osasco. ====================================================================================================== + Os últimos dias de João Domingues da Silva ----- Original Message ----- From: Roque Aparecido Silva Companheir at s, Creio que muitos dos Comapnheir at s que militaram com meu irmão João Domingues da Silva não conhecem como foram os últimos dias de vida dele, depois de preso, logo após o confronto com a polícia na Av. Pacaembu, onde morreu o Companheiro Fernando Ruivo. O depoimento da minha irmã Iracema Maria dos Santos, que também esteve presa, revela muitos detalhes. DEPOIMENTO DE IRACEMA MARIA DOS SANTOS SOBRE SEU IRMÃO João Domingues da Silva João Domingues da Silva nasceu no dia 2 de abril de 1949 em Sertanópolis, estado do Paraná. Era filho de Antônio José da Silva e de Elisa Maria de Jesus. Começou a trabalhar no campo ainda criança, como agricultor, junto com os pais e os irmãos: Iracema, Liceu, Alício, Luísa, Clarice e Roque. No dia 29 de julho de 1969, durante um enfrentamento com a repressão, ele foi atingido por um tiro. Em um depoimento sua irmã Iracema Maria dos Santos conta o que aconteceu desde aquele dia: "No dia 29 de julho de 1969, o João chegou em casa baleado. Estava bastante ensangüentado. Então a gente tratou de limpar rápido o corpo dele, amarrando faixas para estancar o sangramento. Era apenas um buraco de bala no peito, um pouco abaixo do mamilo esquerdo. A bala não tinha chegado a atravessar o corpo, saindo pelas costas, porque perfurou uma carteira que estava no bolso da camisa. A bala ficou parada nas costas. Se não fosse a carteira, a bala deveria ter saído pelas costas, fazendo um buraco grande. Ele estava sentindo muita dor e tinha muita sede. A gente ficou um pouco ali pensando pra ver como levá-lo para um médico que pudesse cuidar dele. Ele mesmo já tinha indicado o médico e estávamos vendo como levá-lo até em casa. Só que nesse meio tempo a gente sentiu que a casa estava sendo cercada por viaturas da polícia. Eram mais de cinqüenta viaturas cercando a casa. Nesse momento, entrou pelo portão do quintal um delegado vestido de branco e mais vários agentes e levaram ele. Mas eu me lembro muito bem que quando levaram, ele tinha uma única perfuração de bala e nenhum outro ferimento no corpo. Eu tenho certeza disso porque eu limpei o corpo dele e me lembro muito bem. Nesse dia levaram ele pro Hospital das Clínicas e alguns dias depois eu fiquei sabendo que o Exército tinha seqüestrado ele do Hospital das Clínicas. O pessoal do Exército chegou vestido de médico e enfermeiros como se fossem assumir plantão e tiraram ele pelo fundo do Hospital das clínicas e levaram pro Hospital Geral do Exército no Cambuci. Eu tinha certeza que ele tinha sido levado pra lá. Mas eu ia lá, fui muitas vezes, e eles diziam que não estava, não estava. Eu ia umas 3 vezes por semana. Insistia, chorava. Um dia eu fui com a Eliana, minha filha que era pequena na época, que também chorava, pra fazer com que eles me deixassem ver o meu irmão, que eu sabia que estava lá. O pessoal lá do Hospital sempre negava que ele estivesse lá. Depois de 33 dias que tinham tirado ele da minha casa foi que foram no meu serviço, dizendo que ele estava muito mal, que tinha passado por uma cirurgia muito difícil e que ia ter que repetir a cirurgia mas que pra isso precisavam da assinatura de alguém da família. Eu falei, mas se até hoje eu procurei feito uma desesperada, eu implorei de tudo quanto foi jeito e vocês me negavam e, nesse meio tempo fizeram o que fizeram dele, por que agora eu tenho que ir lá assinar esse papel? Então seria o caso de ir o meu pai, que é pai dele. Meu pai trabalha no 4° Regimento de Infantaria. Vai lá e fala com ele que, como pai do menino, tem mais autoridade para assinar esse papel. Aí um dos policiais, que inclusive tinha filho lá na escola que eu trabalhava, falou que ele, nos momentos de delírio, ele falava o nome de Iracema. Ele chamava por mim. Por isso que eles queriam que eu fosse, pra dar mais estímulo pra ele. Aí eu morrendo de medo, pensei mil vezes, lembrando o que eu tinha passado no QG do II Exército onde eu tinha sofrido muito, uma guerra psicológica que tinha quase me enlouquecido. Morrendo de medo, eu perguntei: "vocês vão me levar pra ver o meu irmão ou pra me deixar presa também?" Aí o cara falou pra mim e pra minha diretora - a diretora da escola onde eu trabalhava - que não, eu ia pra ver o meu irmão e que não ia ter nenhum problema comigo. Foi assim que eu fui. Quando eu cheguei no Hospital, eles me levaram lá pra uma sala do Diretor do Hospital, não sei bem quais eram as pessoas e conversaram bastante comigo. Falaram pra eu ter toda a calma do mundo, pra não demonstrar nenhum susto, nenhum espanto pelo estado que iria encontrar ele e me deram um calmante. Mas quando eu cheguei na porta do quarto, que eu vi ele, olha nem sei como pude reconhecer ele. Quando fui entrando ele falou "Ira! Você veio?". Aí eu entrei, mas fui tomada de um pânico tão grande que eu nem acreditava, eu não conseguia, assim, cair na realidade e me conformar que aquele esqueleto humano que estava na minha frente era o meu irmão. Ele estava, a boca parece que ia até a orelha, só tinha pele e osso, os olhos pareciam tão grandes. Ah!, nem sei como posso descrever aquela cena. Ele estava deitado em uma cama, com sonda na boca e no nariz, e tinha uma câmara de ar que apoiava a parte da coluna porque era só um esqueleto vivo que estava ali. Aí eu conversei bastante com ele. Aí o agente que tinha ido na escola pra me buscar, e que estava o tempo todo ao nosso lado escutando o que nós conversávamos, falava pra ele: "João, fala pra sua irmã que eu trago água pra você quando você está com sede. Fala pra sua irmã que eu ajudo a cuidar de você". Ele estava querendo fazer média pra me convencer que ele era bonzinho. Mas a gente sabia que não era nada disso. Depois eu assinei um papel autorizando a nova cirurgia. Primeiro eu não sabia o que fazer. Depois de conversar bastante com o João, ele mesmo me falou: "é, se operando eu posso ter chances de melhorar, o negócio é me submeter a essa outra cirurgia". Foi então que eu assinei o papel, que nem sei o que estava escrito e não me deram uma cópia. Depois disso eu entrei várias vezes, inclusive a última semana que antecedeu a morte dele, ele estava bem, estava, comendo. Eu não sei direito como foram as torturas que ele sofreu lá porque, como ficavam vários seguranças em volta, ele também tinha medo de falar certas coisas e depois que eu saísse, a situação dele poderia se complicar. A última vez que eu visitei ele parece que foi na quarta-feira. Aí eu ia ter nova autorização na segunda-feira. Aí, quando eu estava na escola me preparando pra visitá-lo, porque eu tinha deixado ele bem na última vez, eu tinha certeza que ele estava bem. Inclusive eu e ele fazíamos planos pra que tivéssemos uma autorização e ele saísse do hospital pra ficar na minha casa concluindo a recuperação. A gente ia cuidar dele e tudo. Se isso fosse possível, porque como eu estava indo lá visitá-lo, a gente achava até que eu pudesse assinar um termo de responsabilidade pra cuidar dele até o restabelecimento. Depois ele seria novamente preso, iria pra cadeia mesmo. Ele tinha consciência disso. Mas a gente fazia planos de que eu ia assinar aquele termo, que ele ia ficar na minha casa até se restabelecer melhor, estar em condições pra ir pro presídio. Daí, quando eu estava me preparando pra ir ao hospital, esse agente chegou lá na escola e avisou que ele estava no Instituto Médico Legal, que tinha falecido na noite anterior. Aí fui pro IML, me mandaram ir na Rua Tupi. Tomei um táxi e fui. Chegando não era lá. Aí eu tinha que ir no DOPS. Lá me deram um papel, que eu não sei o que dizia, pra eu voltar pro IML pra cuidar do atestado de óbito e conseguir a liberação do corpo pra levar pra casa. Antes ainda fui em casa buscar a roupa dele, porque ele estava sem roupa. Durante o velório e inclusive no enterro tinha agentes da polícia acompanhando." Assim, a ditadura militar pôs fim à vida de um jovem de vinte anos no Hospital Geral do Exército, local que deveria ter por finalidade batalhar pela vida, mas que ironicamente o torturou durante 55 dias, até que, não resistindo mais, faleceu. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110310/781fd48a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4271 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110310/781fd48a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110310/781fd48a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 10 19:52:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Mar 2011 19:52:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Lan=E7amento_do_livro_=22Os_Direi?= =?iso-8859-1?q?tos_Humanos_na_perspectiva_de_Marx_e_Engels=22=2C12?= =?iso-8859-1?q?_de_mar=E7o_de_2011=2C_s=E1bado-_Livraria_Jur=EDdic?= =?iso-8859-1?q?a_-_Rua_Senador_Feij=F3=2C_155=2C_S=E3o_Paulo_-_SP?= Message-ID: <399A3CE0092E4AE09AC2308BC104A5E1@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Lançamento do livro "Os Direitos Humanos na perspectiva de Marx e Engels", de José Damião de Lima Trindade APROPUC-SP 12.03.11 A Editora Alfa-Ômega e a Livraria Jurídica têm o prazer de convidar para o lançamento do livro Os Direitos Humanos na perspectiva de Marx e Engels Seu autor é José Damião de Lima Trindade, Procurador do Estado, ex-Presidente da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo (APESP) e autor do livro História Social dos Direitos Humanos - este, publicado pela Editora Peirópolis. Data: 12 de março de 2011, sábado próximo, a partir das 10 horas Onde: Livraria Jurídica - Rua Senador Feijó, 155, São Paulo - SP (ao lado da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco) SOBRE O LIVRO - Não havia até agora, surpreendentemente, uma única obra publicada em língua portuguesa voltada a investigar em quais termos pode-se situar contemporaneamente a relação entre o marxismo e os Direitos Humanos - o que dá a medida de nosso relativo atraso teórico nesse debate. Mas, nesta época de crise internacional dos Direitos Humanos, este livro, Os Direitos Humanos na perspectiva de Marx e Engels, vem suprir essa lacuna, estabelecendo claramente a relação teórica entre marxismo e Direitos Humanos - para tornar clara a relação prática que pode ser instaurada entre ambos. Trata-se de uma obra jusfilosófica conceitualmente consistente, mas redigida em uma linguagem que a torna acessível inclusive ao público não-especializado. O livro tem 326 páginas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110310/517695a7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 10 19:52:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Mar 2011 19:52:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__=22Leocadia_Prestes_-_M=E3e_Co?= =?windows-1252?q?ragem=22_-_Palestra_e_Debate_com_Anita_Prestes_-_?= =?windows-1252?q?17_de_mar=E7o_=96_5=AA_feira_-_18=3A30h_-__Av=2E_?= =?windows-1252?q?Treze_de_Maio=2C_n=BA_13_-_sala_1903_-_Cinel=E2nd?= =?windows-1252?q?ia_-_Rio_de_Janeiro/RJ?= Message-ID: <1EB4E75A25704414B8CC64205D9A344D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CeCAC convida: Homenagem ao Dia Internacional da Mulher Palestra e Debate: Leocádia Prestes - Mãe Coragem com Anita Leocádia Prestes 17 de março ? 5ª feira - 18:30h Local : CeCAC : Av. Treze de Maio, nº 13 - sala 1903 - Cinelândia - Rio de Janeiro/RJ Leocádia Felizardo Prestes nasceu no dia 11 de maio de 1874, em Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul. Seu pai, Joaquim José Felizardo, abastado comerciante, foi um homem culto, de ideias liberais, partidário da Abolição e da República. Sua mãe, Ermelinda Ferreira de Almeida, descendia da aristocracia portuguesa. Contudo, era pessoa de ideias abertas e partilhava plenamente os ideais de justiça social de seu marido. Dotada de caráter enérgico e independente, Leocádia Prestes destacou-se, desde cedo, das jovens da sua classe social. Educada segundo os moldes tradicionais da época, falava vários idiomas, era exímia pianista, estudou pintura, canto, declamação. No entanto, tais predicados, que lhe permitiam brilhar nos salões, não lhe bastavam. Ela gostaria de desenvolver alguma atividade útil e, ainda adolescente, manifestou o desejo de ser professora pública, o que evidentemente não pôde ser concretizado devido aos preconceitos sociais. A política e os problemas sociais a interessavam muito, pelo que era leitora apaixonada dos jornais da Corte, fato inusitado entre as moças de seu tempo. Em 1896, casou-se com o capitão Antônio Pereira Prestes, engenheiro militar, que havia sido aluno de Benjamim Constant, na Escola Militar da Praia Vermelha, e participara, ainda cadete, da proclamação da República, no Campo de Santana. Era um homem de vasta cultura, partidário do Positivismo, que era a corrente filosófica mais progressista no Brasil, no fim do século XIX. O convívio com o marido muito contribuiu para que Leocádia Prestes ampliasse sua cultura geral e aprofundasse ainda mais o seu interesse pela política e pelas questões sociais. Anos mais tarde, ela contaria aos filhos a ansiedade com que ela e o marido viveram episódios como a Guerra de Canudos ou o célebre Caso Dreyfus, na França, que comoveu todos os setores progressistas, na passagem do século. A morte prematura do marido deixou-a em situação muito precária. A exígua pensão não era suficiente para o sustento dos filhos. O caminho mais fácil teria sido arrimar-se a algum parente rico. Ela preferiu, porém, conservar a sua independência e partira para a luta. Começou a dar aulas de idiomas e de música, trabalhou de modista, foi balconista e até costuras fez para o Arsenal de Marinha. Finalmente, em 1915, conseguiu ser nomeada professora da Escola Pública, como coadjuvante do ensino primário, cargo que exerceu até 1930. Trabalhava à noite, nos cursos noturnos destinados a comerciários, operários e domésticas. Era um trabalho muito pesado, pois tais cursos funcionavam em escolas dos subúrbios do Rio, longe da condução, frequentemente no alto dos morros. Pela primeira vez em sua vida, ela pôde ter um maior contato com as camadas mais pobres da sociedade e isso aguçou ainda mais a sua revolta contra as injustiças sociais. Em pouco tempo, tornou-se muito estimada pelas alunas, pois era uma das poucas professoras, naquele tempo, que não admitiam discriminações, tratando da mesma forma a comerciária bem arrumada e a cozinheira de roupa surrada ou a operária de tamancos. Com sua atitude, ela procurava transmitir a seus alunos, além dos conhecimentos elementares, noções de justiça social, de igualdade e dignidade humana. Aliás, ao educar os filhos, sua grande preocupação foi sempre a de incutir-lhes o amor ao trabalho e o sentimento do dever cívico. Procurou sempre mostrar-lhes os aspectos negativos da vida, ensinando-lhes a enfrentar com altivez a violência e as arbitrariedades dos poderosos e a jamais curvar-se ante as injustiças. Dotada de grande sensibilidade artística, procurou sempre transmitir aos filhos o seu amor à natureza e a sua admiração por tudo que é belo e elevado. Uma sonata de Beethoven ou um belo poema, um pôr do sol ou o desabrochar de uma flor, a emocionavam igualmente. A árdua luta pela sobrevivência não fez diminuir seu interesse pelo que ocorria na sociedade e no mundo. Mesmo nos momentos mais difíceis, em sua casa podia faltar pão, mas nunca faltou pelo menos um jornal diário, para acompanhar os acontecimentos políticos, que discutia e comentava com os filhos. Assim, em 1910, empolgou-se com a Campanha Civilista de Rui Barbosa e fazia questão de comparecer aos comícios, levando consigo o filho mais velho, Luiz Carlos, que contava apenas doze anos de idade, para que ouvisse a pregação cívica do mestre baiano. Por isso mesmo, em 1922, quando seu filho Luiz Carlos, já oficial do Exército, começa a participar da política, atuando na preparação (do primeiro Cinco de Julho), ela lhe deu todo o apoio, incentivando-o inclusive a continuar a luta, após a derrota do movimento. Em 29 de outubro de 1924, ocorreu o levante de Santo Ângelo, liderado por Luiz Carlos Prestes, dando início à grande marcha através do Brasil que duraria até fevereiro de 1927. Foram anos muito duros para as famílias dos participantes da Coluna. As únicas notícias que recebiam eram as fornecidas pelo governo, sempre as piores possíveis: a Coluna teria sido dizimada, seus chefes exterminados... Mais de uma vez os jornais do Rio abriram manchetes escandalosas anunciando a morte de Prestes e de seus companheiros. Leocádia Prestes, mesmo sabendo que a vida do filho corria permanente perigo, nunca perdeu a coragem e a confiança no filho. Jamais alguém a viu chorar. Para que não houvesse dúvidas sobre o seu apoio integral às ideias do filho, ela trazia sempre ao peito, bem visível, um grande medalhão com o retrato dele. Sua firmeza impressionava a todos que a conheciam. Em pouco tempo, sua casa tornou-se a Meca das famílias dos outros revolucionários, que a procuravam em busca de alento e consolo. Com a suspensão da censura à imprensa, em 1927, os feitos heroicos da Coluna tornaram-se conhecidos do povo brasileiro, comovendo o país. Luiz Carlos Prestes passou a ser considerado herói nacional ? o Cavaleiro da Esperança ? e Leocádia Prestes era a Mãe de todos os brasileiros. Sua modesta casa de subúrbio fervilhava de amigos, admiradores e políticos de todos os matizes. Em 1930, um grupo de políticos, encabeçado por Getúlio Vargas, aproveitando o prestígio de Luiz Carlos Prestes e do movimento Tenentista, organizou um golpe de Estado. Os tenentes, antigos participantes da Coluna, deixaram-se iludir e aderiram em massa ao Movimento de 30. Luiz Carlos Prestes, convidado, recusou-se a participar, por considerar que o Movimento não traria nenhum benefício ao povo brasileiro. Em maio de 1930, lançou um manifesto, denunciando o golpe que se preparava e pregando uma revolução verdadeiramente popular, agrária e anti-imperialista. O manifesto, qualificado de comunista, caiu no Brasil como uma bomba. Como num passe de mágica, todos os admiradores e políticos abandonaram a casa de Leocádia Prestes. Em público, viravam-lhe as costas. Ela reagia com altivez, reiterando a sua solidariedade ao filho querido. Meses mais tarde, convencida de que o filho não poderia retornar ao Brasil tão cedo, ela, mais uma vez, demonstrou toda sua coragem: licenciou-se do emprego, liquidou a casa e, acompanhada das quatro filhas, partiu para a Argentina, para ficar ao lado do filho. Iniciava-se, então, um longo exílio do qual ela não retornaria à pátria. Em Buenos Aires, onde se radicaram, a vida foi extremamente difícil. Com a crise dos anos 30, era impossível conseguir trabalho. Poucos dias após a chegada da família, Prestes foi preso, ameaçado pela polícia argentina, sendo obrigado a asilar-se em Montevidéu. Com isso, perdeu o emprego. Leocádia Prestes permaneceu em Buenos Aires, com as filhas, lutando como podiam para sobreviverem. Foi nesse período que elas e as filhas se aproximam do marxismo. Em 1931, Luiz Carlos Prestes foi convidado pelo governo soviético para trabalhar como engenheiro no Primeiro Plano Quinquenal. Sua família, mais uma vez, não vacilou em acompanhá-lo, decidindo seguir com ele para a União Soviética. Às pessoas que se surpreenderiam com a sua decisão, Leocádia Prestes dizia: ?se meu filho seguiu este caminho, este é o caminho certo?. Contudo, seu primeiro contato com a sociedade socialista não foi fácil. Arrasada por duas guerras, a União Soviética atravessava enormes dificuldades. Faltava tudo. Para uma senhora de quase sessenta anos, de origem aristocrática e que havia passado toda a sua vida sob outro regime, a realidade soviética suscitava muitas dúvidas. Seu espírito de justiça, porém, ajudou-a a superar as incompreensões. Pouco a pouco, ela foi compreendendo a causa das dificuldades e a grandeza da luta e dos sacrifícios do povo soviético. O entusiasmo do povo a contagiava. Muito contribuiu também para a sua formação política o processo de Leipzig, em 1934, contra o revolucionário búlgaro George Dimitrov, cuja firmeza revolucionária perante o tribunal nazista a impressionou profundamente. Aos sessenta anos de idade, ela aderia, conscientemente, às ideias marxistas. Em agosto de 1934, Luiz Carlos Prestes foi finalmente aceito no Partido Comunista, terminando assim sua longa e penosa trajetória do tenentismo ao marxismo. E, a 29 de dezembro do mesmo ano, partia para o Brasil, para a luta clandestina. Iniciou-se, então, para Leocádia Prestes, um longo período de grande sofrimento. Se, por um lado, apoiava integralmente o caminho seguido pelo filho, por outro lado, só a ideia de perdê-lo a fazia sofrer intensamente. Ela não duvidava de que, se o filho fosse preso, seria morto. Contudo, procurava manter-se firme. Foi nessa época que, buscando uma forma de participar da luta, resolveu aprender datilografia a fim de ajudar na cópia e tradução de documentos. Em 5 de março de 1936, Luiz Carlos Prestes foi preso no Rio de Janeiro, junto com sua companheira Olga Benário. Graças à coragem de Olga, que o protegeu com seu corpo, não conseguiram matá-lo no ato da prisão. Mas a sua vida corria perigo iminente. A qualquer momento, poderiam ?suicidá-lo? na prisão, como era costume na época. Foi decidido, então, levantar uma campanha internacional em defesa da vida de Prestes e de todos os presos no Brasil. E Leocádia Prestes foi escolhida para encabeçar essa campanha. Aquela foi a sua primeira missão política. Tarefa difícil para uma senhora de sessenta e dois anos que havia sido, até então, apenas mãe de família e, quando muito, professora de subúrbio. Contudo, ela não desanimou. Acompanhada de sua filha Lygia, partiu de Moscou, em fins de março de 1936, dando início à campanha. Foram vários anos de árduo trabalho. Eram comícios, conferências de imprensa, visitas a jornais e sindicatos, a partidos políticos, parlamentos ou a chefes de governos. Viagens frequentes e demoradas. Era um trabalho extenuante para uma pessoa de sua idade. Com sua filha, ela percorreu os principais países europeus, denunciando o terror desencadeado no Brasil, o perigo de morte para os presos políticos e pedindo solidariedade e apoio para a sua luta. Em pouco tempo, a campanha se estendeu aos outros continentes. Comitês de defesa de Prestes foram criados nos Estados Unidos, na América Latina, na Austrália e na Nova Zelândia. Do mundo inteiro, o governo brasileiro era bombardeado com milhares de cartas, telegramas de protesto, manifestos de toda a sorte, exigindo a libertação de Prestes e de seus companheiros ou, pelo menos, o respeito às suas vidas. Em fins de 1936, com a extradição de Olga Benário para a Alemanha nazista, a campanha se duplica. Surge uma campanha paralela, destinada a salvar a vida de Olga e do bebê que estava para nascer. Leocádia Prestes e sua filha vão a Genebra pedir a ajuda da Sociedade das Nações e da Cruz Vermelha Internacional. Graças às gestões, foi possível receber, já em 1937, algumas notícias de Olga e de sua filhinha, Anita Leocádia, nascida em 27 de novembro de 1936. Três vezes Leocádia Prestes foi com sua filha à Alemanha, enfrentar a Gestapo e exigir a libertação de Olga e da criança. Delegações de vários países foram também a Berlim, com o mesmo objetivo. Malgrado todos os esforços, não foi possível salvar Olga. O mais que se obteve foi a libertação da pequena Anita Leocádia, em janeiro de 1938, e a vaga promessa da Gestapo de que Olga seria libertada um pouco mais adiante. Ao contrário disso, Olga foi enviada a um campo de concentração, em Ravensbrück, e assassinada em abril de 1942. Ante a iminência da guerra, Leocádia Prestes vê-se forçada a deixar a Europa. Com a filha e a neta, parte para o México, cujo presidente, General Lázaro Cárdenas, concedera-lhes asilo. Foi um golpe muito duro, pois ela bem compreendia que a mudança para o México tornaria muito mais difícil qualquer ajuda à nora querida. No México, a campanha prosseguiu, já então limitada às Américas, pois o resto do mundo estava convulsionado pela guerra. Com a guerra, Leocádia Prestes perde o contato com Olga e também com as outras filhas que haviam ficado em Moscou. Além da sorte do filho, na prisão, preocupa-a agora também a situação dos seus outros entes queridos, ameaçados pelas bombas nazistas. Contudo, a coragem e a fé na vitória final não a abandonaram jamais. Quando as hordas nazistas avançavam pela União Soviética, ela costumava dizer aos amigos assustados: ?Vocês não conhecem aquele povo! Quem passou tantas privações e sofrimentos para construir o socialismo em seu país, não vai fraquejar agora. Eles são invencíveis!? Leocádia Prestes não teve a alegria de assistir à vitória final dos povos sobre o nazismo nem a libertação dos presos políticos, no Brasil, em 1945. Após longa e penosa enfermidade, ela veio a falecer no México, no dia 14 de junho de 1943. Sua morte comoveu o povo mexicano, que a admirava muito. Ao velório, no salão nobre do Sindicato dos Empregados em Hotéis, no centro da cidade do México, compareceram milhares de pessoas, inclusive numerosos estrangeiros, fugidos do nazismo e também asilados no México. Todos os ministros de Estado estiveram presentes, com seus auxiliares , a começar pelo general Cárdenas, na época Ministro da Defesa, no Governo de Ávila Camacho. O general Cárdenas tomou a iniciativa de dirigir-se pessoalmente a Getúlio Vargas, pedindo-lhe que permitisse a Prestes vir ao México despedir-se de sua mãe. Propunha enviar um avião militar mexicano para trazer o prisioneiro e oferecia-se, inclusive, como refém, como garantia de que Prestes voltaria à prisão. Getúlio sequer respondeu. Quatro dias e quatro noites o povo aguardou a resposta, em respeitosa vigília. No dia 18 de junho de 1943, realizou-se o enterro, que se transformou em uma verdadeira manifestação popular. O cortejo atravessou toda a cidade a pé, até as colinas de Tacubaya, onde ficava o cemitério. O caixão, coberto pela bandeira brasileira, foi levado em ombros e cercado por uma guarda de honra que levava as bandeiras de todas as Nações Unidas que, naquele momento, travavam a luta contra o nazismo. À beira da sepultura, vários oradores se fizeram ouvir, inclusive representantes de outros países latino-americanos, como Cuba, Uruguai, Chile e, também, de países europeus, principalmente alemães e espanhóis. O grande poeta chileno Pablo Neruda leu o seu Poema Dura Elegia, escrito especialmente para aquele triste momento, no qual ele define a importância da vida de Leocádia Prestes com estas singelas palavras: ?Señora, hiciste grande, más grande, a nuestra América...?. Extraído de: PCB: 80 anos de luta. H. ROEDEL, AQUINO, F. VIEIRA, L. B. NAEGELI, L. MARTINS. Rio de Janeiro, Fundação Dinarco Reis, 2002. Leia também o poema de Pablo Neruda em homenagem a Leocádia Prestes *** Leocádia Felizardo Prestes -------------------------------------------------------------------------------- Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho - CeCAC Av. 13 de maio, 13 salas 1901 e 1903 - Centro - Rio de Janeiro Horário de funcionamento: das 14 às 18h - tel: (21) 2524-6042 Sítio: www.cecac.org.br E-mail: cecac at terra.com.br -------------------------------------------------------------------------------- Caso não queira receber mensagens do CeCAC, responda com: cancelar -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110310/8860d2dd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 35536 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110310/8860d2dd/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7878 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110310/8860d2dd/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 11 20:03:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Mar 2011 20:03:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_JEOV=C1_ASSIS_GOMES___________________?= =?iso-8859-1?q?___________________-LXX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JEOVÁ ASSIS GOMES (1948-1972) Filiação: Maria José Assis Gomes e Luiz Gomes Filho Data e local de nascimento: 24/08/1943, Araxá (MG) Organização política: MOLIPO Data e local da morte: 09/01/972, Guaraí (GO, hoje TO) Jeová Assis Gomes foi o terceiro banido a ser morto depois de retornar clandestinamente ao Brasil, engajado na resistência armada ao regime militar. Já tinham encontrado o mesmo destino, em 1971, Aderval Alves Coqueiro e Carlos Eduardo Pires Fleury. Começa a se caracterizar, dessa forma, a existência de uma possível sentença extra-judicial de condenação à morte dos banidos que retornassem. O jornalista Elio Gaspari escreveria muitos anos depois, em A Ditadura Escancarada: "A sentença de morte contra os banidos autodocumenta-se. Entre 1971 e 1973 foram capturados dez. Nenhum sobreviveu". Nascido em Araxá (MG), Jeová era uma liderança entre os estudantes de Física na USP, destacando-se também nas mobilizações dos moradores no CRUSP - conjunto residencial da Universidade. Em 1966, liderou a "Greve das Panelas", que se realizou no CRUSP e precedeu a efervescência de 1968. Com a decretação do AI-5, em dezembro desse ano, o CRUSP, onde moravam 1.500 universitários, foi cercado, os prédios desocupados e muitos estudantes foram presos. Jeová, que na época era um dos dirigentes da DISP - Dissidência Estudantil do PCB/SP, foi expulso do CRUSP e da USP, já procurado pelos órgãos de segurança. Passou a atuar em Brasília e Goiás, transferindo-se com muitos outros militantes daquele agrupamento dissidente para a ALN, em 1969. Preso em 12/11/1969 em Goiás, pela militância na ALN, foi transferido para a OBAN, onde sofreu torturas que lhe causaram fraturas nas duas pernas. Permaneceu preso até junho de 1970, quando foi banido para a Argélia em troca do embaixador alemão Von Holeben, seqüestrado numa operação conjunta entre VPR e ALN. Da Argélia viajou para Cuba, recebeu treinamento militar naquele país e retornou clandestinamente ao Brasil em 1971, como militante do MOLIPO, com a tarefa de construir uma base de guerrilha na área rural. Em 09/01/1972, Jeová foi localizado e morto em um campo de futebol em Guaraí (Goiás na época, hoje Tocantins). Documentos dos órgãos de segurança o apontavam como coordenador nacional do Molipo, ao lado de Antonio Benetazzo e Carlos Eduardo Pires Fleury. A família recebeu a notícia da morte de Jeová por meio da imprensa, na noite do dia 16/01/1972. Seu irmão foi até Guaraí, onde obteve informações de que Jeová fora morto com um tiro pelas costas e estava enterrado num cerrado na periferia da cidade. Não conseguiu o laudo, tampouco certidão de óbito e a remoção dos restos mortais. No primeiro comunicado oficial dos órgãos de segurança sobre o caso, distribuído à imprensa, as autoridades do regime militar afirmaram: "no último domingo, foi morto a tiros, na cidade de Guaraí, norte de Goiás, o terrorista Jeová Assis Gomes, ao tentar resistir à voz de prisão que lhe fora dada por agentes policiais". Uma segunda versão, divulgada em Brasília três dias depois, relata que "A equipe de segurança abordou o referido elemento, convidando-o discretamente a acompanhá-la para fora do pequeno estádio. Aquiesceu, deslocando- se cerca de 15 metros, quando se jogou no chão, puxando do bolso uma granada, na tentativa de acioná-la, no que foi impedido a tiros pelos agentes, no interesse de evitar um morticínio de largas proporções de populares inocentes". Nilmário Miranda, relator do processo na CEMDP, apresentou o relatório do então delegado de Guaraí, 2º Sargento da PM, José do Bonfim Pinto que informava: "aos nove dias de janeiro de 1972, por volta das 15h30min, desembarcou nesta cidade, procedente do sul, um indivíduo que, mais tarde foi identificado como Jeová Assis Gomes, terrorista de destaque da ALN. Tomou quarto num hotel local, onde deixou uma pasta que trazia ao desembarcar. Mais ou menos às 16h, rumou para o acampamento da Rodobrás, em cuja quadra de esportes era disputada uma partida de futebol. Ali se misturou com o povo. Por volta das 16h30min foi abordado por uns senhores, que mais tarde se identificaram como agentes do DOI-CODI/11º RM, os quais, procurando afastá-lo do meio do povo, deram-lhe voz de prisão, chamando-o pelo nome. Vendo- se identificado, empurrou dois dos agentes e tentou empreender fuga, forçando um dos agentes a alvejá-lo. Dado a posição que recebeu o projétil (tórax), teve morte instantânea". O delegado conclui descrevendo o que fora encontrado na pasta: mapas de Goiás, bússola, roupas, documentos, um revólver 38, munição, e uma bomba de fabricação caseira. Posteriormente, em 15 de setembro, o mesmo delegado encaminhou correspondência ao Secretário de Segurança de Goiás, dizendo que, estando impossibilitado de abrir inquérito para investigar a morte de Jeová, remetia todo o material existente em sua Delegacia. No voto na CEMDP, Nilmário Miranda construiu uma detalhada comparação entre o relatório do delegado local e a versão divulgada pelos órgãos de segurança, realçando cada uma das inúmeras contradições entre ambos. Ressaltou que os agentes que ali desembarcados, procedentes de Brasília, sabiam que Jeová estaria no campo de futebol; e que a versão divulgada, três dias depois fora preparada para justificar uma execução. Considerando a evidente política de extermínio dos banidos que voltassem ao país, Nilmário concluiu: "os agentes repressivos foram a Guaraí para eliminá-lo; caso contrário, teriam-no algemado no ato da prisão. Se era considerado 'perigoso terrorista', provável chefe da futura guerrilha, não iriam convidá-lo 'discretamente', e sim imobilizá-lo imediatamente para prendê-lo, algemá-lo e revistá-lo" Na sessão em que a CEMDP julgou o caso, após discussão ampla, ocorreu empate na votação do processo referente a Jeová. O presidente Miguel Reale Jr. desempatou a votação: "ninguém iria levar uma granada para um campo de futebol e deixar a arma no hotel. Estava desarmado e a possibilidade de domínio era grande. Voto com o relator". Com toda a reserva que deve recobrir a credibilidade de um texto como o "livro secreto do Exército", divulgado em abril de 2007 pelo jornalista Lucas Figueiredo, cabe registrar neste livro-relatório um pequeno trecho de sua página 694: "Boanerges de Souza Massa continuou entregando tudo. Abriu um 'ponto' que teria com Jeová Assis Gomes, em Guaraí, no Estado de Goiás, no dia 10 de janeiro de 1972. A equipe policial chegou à localidade no dia 9 de janeiro e, com a ajuda de Boanerges, Jeová foi localizado nas arquibancadas de um campo de futebol, assistindo a uma partida. Ao receber voz de prisão, Jeová retirou uma granada de uma sacola e tentou sacar o grampo de segurança para lançá-la. Pressentindo a tragédia que a explosão causaria no estádio, a equipe policial atirou matando Jeová" Em 2 de junho 2005 o então presidente da CEMDP, Augustino Veit, juntamente com a assessora Iara Xavier foram à cidade de Guaraí com a finalidade de buscar informações sobre as circunstâncias da morte de Jeová e localizar sua sepultura para posterior exumação e identificação. As informações obtidas confirmaram que Jeová foi abordado no campo de futebol da Rodobrás. Ficou confirmado que as autoridades policiais vindas de Brasília poderiam ter efetuado a prisão de Jeová, mas preferiram fuzilá-lo perante centenas de pessoas que assistiam a um jogo de futebol. A versão foi confirmada pelo soldado militar Sebastião de Abreu, que realizou o enterro. A partir de diversos depoimentos, conseguiu-se localizar a possível sepultura. Em 12 de outubro de 2005, a polícia técnica de Brasília fez escavações para exumar os restos mortais de Jeová. As escavações foram acompanhadas pelo irmão de Jeová, Luís Antonio Assis Gomes que foi à cidade de Guaraí uma semana depois do assassinato, mas nem o soldado Sebastião Abreu e tampouco o irmão souberam precisar o local da sepultura. Ficou confirmado, no entanto, que Jeová foi assassinado em 09/01/1972, por volta das 16h, numa demonstração de força dos agentes federais. É certo também que Jeová foi enterrado no cemitério da cidade. ====================================================================================================================== + Informações. JEOVÁ DE ASSIS GOMES Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (MOLIPO). Nasceu em Araxá, no Triângulo Mineiro. Estudava Física na Universidade de São Paulo. Foi militante da Ação Libertadora Nacional e depois do MOLIPO. Foi preso em Brasília, Distrito Federal, no dia 12 de novembro de 1969. Levado para São Paulo, foi torturado e teve que engessar as duas pernas fraturadas. Foi banido do país quando do seqüestro do embaixador Von Holeben, em 1970. Partiu para a Argélia, em 13 de junho daquele ano. Retornando clandestinamente ao Brasil em 1971, Jeová radicou-se na cidade de Guará, Goiás. No dia 9 de janeiro de 1972, Jeová foi localizado quando se encontrava no campo de futebol daquela cidade onde recebeu um tiro de fuzil desfechado covardemente pelas costas. ================================================================================= + detalhes. Ficha pessoal Documento policial com histórico de Jeová de Assis Gomes, sem data e identificação institucional. Informa que Jeová foi um dos responsáveis pelo aliciamento e incitamento dos residentes do CRUSP (conjunto residencial da USP) à chamada "Greve do Fogão" contra o restaurante do Centro de Convivência da USP, assim como pela intensa campanha de propaganda com distribuição de panfletos, afixação de cartazes e participação em "reuniões fechadas", incitando os estudantes do CRUSP à desordem e promovendo o desrespeito e desacato às autoridades da Universidade. Também participou da ocupação do Bloco F com queima de arquivo e agressão a funcionário e da invasão da Reitoria da Universidade. É integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), teve vários contatos com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Esteve em Cuba, quando rachou com a ALN, passando para o "Grupo da Ilha". Voltou ao Brasil em 1971, indo para o campo na Bahia, Goiás e Minas Gerais. O documento está incompleto em suas margens laterais. ========================================================================================= + Relatório feito pelo exército. «Corpo do Relatório feito pelo Exército sobre a invasão do CRUSP em 1968 e sobre as atividades 'subversivas' que lá teriam ocorrido.» 1 - A GREVE DE 1965 A greve deflagrada em 1965 pelos residentes no CRUSP boicotando a alimentação fornecida pelo restaurante do Centro de Vivência foi promovida por uma minoria nessa época já conhecida pelas suas atividades de agitadores. As razões alegadas eram o aumento de preços de refeições, de Cr$300,00 para Cr$400,00; e de alojamento de Cr$4.000,00 para Cr$5.000,00. O motivo dêsse aumento era o déficit crescente tendo sido objeto de largo debate entre o Professor RAFAEL DE PAULA SOUZA, então Diretor do CRUSP e os estudantes (Fls 472 a 478). Os estudantes não aceitaram o reajustamentor das taxas e instalaram no Centro de Vivência uma cozinha, que lhes fornecia alimentação, tendo como consequência o boicote da alimentação fornecida pelo restaurante do CRUSP. (Anexo G, Fls de 2 a 8). Foram responsáveis pelo aliciamento e incitamento dos residentes à greve os estudantes: JEOVÁ ASSIS GOMES, JOSÉ ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA, CARLOS ANTONIO DOS ANJOS PEREIRA DA SILVA, vulgo PACOTE e SADAAKI YAMASHITA. Instalaram um fogão no Centro de Vivência. O fogão instalado no Centro de Vivência não representava mais que um símbolo dos verdadeiros desígnios de uma minoria que eram justamente a agitação e a conturbação da ordem; prova disso foram justamente os «slogans» pintados nas paredes dos próprios da Universidade, mais ou menos do seguinte teor: «A UNIVERSIDADE É DO POVO», «EXIGIMOS QUE A USP CUMPRA O SEU DEVER», «BASTA DE IMPOSIÇÕES», «FAÇAMOS VALER OS NOSSOS DIREITOS», etc (Fls 1149, 1150). A participação de deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo, ESMERALDO TARQUINO, CHOPIN TAVARES DE LIMA, RAUL SCHWINDEN e o Vereador DAVID LERER, tomando parte em assembléias estudantis dos grevistas, falando contra o govêrno, criou um clima de agitação, que motivou a intervenção da polícia a pedido do então Diretor do ISSU. (Anexo G). 2 - INVASÃO E OCUPAÇÃO DO BLOCO F A invasão e ocupação do Bloco F fez parte de um esquema traçado pela «AURK» que promoveu em assembléias uma campanha de aliciamento e incitamento dos candidatos excedentes a ocuparem dois andares daquêle Bloco, pela fôrça. «Depois de apresentarem-se vários oradores, definindo suas posições, o Secretário apresentou uma sugestão do Diretório da AURK, que era a invasão dos apartamentos vagos do Bloco F, do CRUSP, pelos excedentes». Era Presidente da AURK nessa época RAFAEL DE FALCO NETTO, e seu Secretário CARLOS ALBERTO AFONSO vulgo «CAMÕES» (Documento n.° 1 Fls 8-verso do Anexo n.° 5). Os invasores foram desalojados pela Fôrça Pública. Os seus soldados foram atacados com mangueiras de água de defesa contra incêndios, apedrejados e jogados contra os mesmos todos os objetos disponíveis. (Fls 9; 10; 11; 12; 13; 14; do Anexo G) (Fls 777 e 778). 3 - PORTARIA GR-373 Em face das graves ocorrências que culminaram com a invasão e ocupação do Bloco F, motivando a intervenção da Polícia, foi aprovada pelo Conselho Universitário a PORTARIA GR-373, dispondo sôbre o regime disciplinar dos alunos da USP. (Anexo G, Fls 1). Quanto à aprovação da PORTARIA GR-373 pelo CONSELHO UNIVERSITÁRIO, o Jornal «VANGUARDA», órgão oficial da AURK-CRUSP, exemplar n.° 4 edição de agosto de 1967 sob a epígrafe «A NOVA LUTA CRUSPIANA», publica: «Logo após o violento entrevero entre a Fôrça Pública e os cruspianos, foi aprovado pelo colendo Conselho Universitário, um regulamento para os universitários da USP que deixa-nos com saudades do bondoso Hitler. Quando da aprovação do mesmo, se retiraram da sessão do Conselho o Secretário da Educação Prof. ULHÔA CINTRA e o diretor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Ambos se recusaram a votar o regulamento tendo em vista o clima emocional reinante e a delicateza da matéria. No entanto a vontade do Magnífico prevaleceu e o documento foi aprovado». (Anexo H, Fls 55, verso). Ainda quanto à aprovação da PORTARIA GR-373, o jornalista GEORGES BOURDOUKAN publica na «Coluna Estudantil», sob a epígrafe: «ESTUDANTES DESALOJADOS ESTÃO DORMINDO NO CHÃO»: «AGRADECIMENTO». «Os estudantes agradecem ainda o diretor da Faculdade de Medicina Prof. JOSÉ MOURA GONÇALVES, o Secretário da Educação Prof. ULHÔA CINTRA e o Prof. HÉLIO LOURENÇO que «mostrando elogiável bom senso recusaram-se a participar da discussão e inevitável aprovação do novo regulamento disciplinar para o conjunto residencial onde os estudantes são mostrados como delinquentes e como elementos indesejáveis». O Jornal «ÚLTIMA HORA», edição de 4.VII.1967 (Anexo G, Fls 14) publica sob a epígrafe «ESTUDANTES: ACUSAÇÃO E DEFESA», em seu sub-título: «REGIMENTO DO CRUSP»: «De manhã os membros do Conselho Universitário receberam um projeto de regulamento interno do CRUSP para ser discutido durante a reunião que foi adiada para a tarde. O Prof José Moura Gonçalves diretor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto não gostou do projeto mas disse à saída da sala de reuniões que de nada adiantava emendá-lo, porque no fim seria aprovado do jeito que o reitor bem entendesse. Reclamava contra a falta de tempo para estudar devidamente o assunto. Felizmente, em Ribeirão Preto não acontecem dessas coisas porque lá existe diálogo entre professores e alunos. Tenho orgulho disso e posso dizer que a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto foi uma das poucas que menteve a dignidade universitária. Informou ainda, que o Secretário da Educação Prof. Ulhôa Cintra e o Prof. Hélio Lourenço (um dos nomes da lista tríplice para escolha do vice-reitor) se retiraram da sessão matinal assim que tiveram conhecimento do projeto. O então Vice-Reitor em exercício não tinha outra solução para enfrentar a baderna que agitava o CRUSP, incitada pela minoria esquerdista, que integrava o esquema da destruição do princípio da autoridade no CRUSP. Não tardou o desencadeamento da campanha contra a Portaria GR-373, por parte da minoria agitadora, já que a mesma se sentiu moralmente apoiada pela atitude dos professores acima citados, que votaram contra a sua aprovação. Os primeiros agitadores que foram autuados, para fins de aplicação da portaria supra-citada foram: DILSON CARDOSO, JOÃO CARLOS FIGUEIROA, JEOVÁ ASSIS GOMES, GILBERTO MARINS MOURÃO e 11 outros residentes (Anexo G, Fls 20, 21 e 22). No dia em que deveria ser ouvido o estudante DILSON CARDOSO, pelo encarregado do inquérito, a que respondiam os estudantes acima citados, em uma das salas da Reitoria u'a massa de residentes do CRUSP invadiu as dependências da Reitoria, inclusive a ante-sala do Gabinete do Magnífico Reitor, depredando suas instalações e pichando as mesmas com frases como «ABAIXO FERRARI», «ABAIXO REGULAMENTO FACISTA» e desenhos de cruzes suásticas. O Presidente da comissão de inquérito suspendeu os trabalhos e os estudantes foram para o CRUSP, onde invadiram o ISSU, expulsaram os funcionários e queimaram parte do arquivo. A intenção dos estudantes era destruir totalmente os registros de indiciplina dos residentes. (Edição da Fôlha de São Paulo, de 23-8-67) - (Fls 15; 16; 17 e 19 do Anexo G). Na invasão do Bloco F, a turba enfurecida pelo incitamento da minoria agitadora, praticou atos de vandalismo contra as dependências do ISSU, instaladas no 1.° andar daquêle Bloco queimando arquivos, destruindo armários e agredindo funcionários e ainda atirando para o páteo, pelas janelas o restante dos arquivos que sobraram à sua fúria destruidora; (Fls 719, 778, 779, 1115, 1116 e 1151). A respeito das invasões e depredações da REITORIA DA UNIVERSIDADE e do BLOCO F, consta de um dos depoimentos dos autos dêste IPM: «Que com a fundação da AURK e a tomada de sua direção por determinadas minorias, o CRUSP passou, a partir dessa época, a ser palco de tremenda agitação o que sempre provocava intervenção policial, que dava margem a mais exploração pelos agitadores, que incriminavam o govêrno pelos excessos cometidos; que nessa ocasião elementos agitadores se dirigiram à Reitoria, onde um desses elementos estava respondendo a uma Sindicância, depondo nêsse dia; que êsses elementos picharam as dependências da Reitoria e praticaram depredações nas mesmas; em seguida retornaram ao CRUSP, invadiram o Bloco F queimaram arquivos após terem sido os mesmos atirados para o páteo; que entre os elementos participantes dessas invasões e desordens encontravam-se JEOVÁ ASSIS GOMES, SADAAKI YAMASHITA e outros elementos que diziam serem da FÍSICA; que os problemas estudantis do CRUSP de cuja solução dependia de decisões das autoridades eram explorados pelos comunistas que infiltrados no CRUSP promoviam agitações e incitamento à desordem; que entre êsses elementos o depoente cita: SADAAKI YAMASHITA, JEOVÁ ASSIS GOMES, CARLOS ANTÔNIO DOS ANJOS PEREIRA DA SILVA, DILSON CARDOSO, SILVIO ROBERTO DE AZEVEDO SALINAS, CLODOALDO RODRIGUES NUNES, JOSÉ CLÁUDIO BARRIGUELLI, JOSÉ ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA, MARIA ÂNGELA RUA DE ALMEIDA, FABIAN NICOLAS YAHIC FERRANDY, IRINA WENSKO, ALFREDO NOSOMU TSUKUMO, LUCIANO DE FARIA, FLAVIO ALENCAR ARRUDA, que êsses elementos eram agitadores e promoviam intensa campanha contra o govêrno revolucionário, atribuindo a êste tôdas as deficiências e males do ensino universitário no Brasil; que dêsses alguns se evidenciavam francamente comunistas pelas suas atividades: ARKAN YOUSSEF SIMAAH, SADAAKI YAMASHITA, JEOVÁ ASSIS GOMES, DILSON CARDOSO, SILVIO ROBERTO DE AZEVEDO SALINAS, JOSÉ ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA, CLODOALDO RODRIGUES NUNES; que êsses elementos assim atuavam em um esquema que remonta ao ano de 1965 e início de 1967; que as graves ocorrências que posteriormente tiveram o CRUSP como palco, culminando com a completa falta de autoridade, tiveram nêsses elementos a origem de tudo; que posteriormente outros elementos se incorporaram a êsse grupo, após terem sido doutrinados pelos mesmos: VALTER STEVANATO VUOLO, ABEL LAERTE PACKER, PEDRO ROCHA FILHO, ACHILES SEI FILHO, OSCAR AKIHITO TERADA, ROMUALDO HOMOBONO PAES DE ANDRADE, FRANCISCO TEOTÔNIO SIMÕES NETO. (Fls 1075). Em face de terem participado das graves ocorrências acima expostas os estudantes JEOVÁ ASSIS GOMES e GILBERTO MARINS MOURÃO foram expulsos da USP; e DILSON CARDOSO e JOÃO CARLOS FIGUEIROA foram desligados do número de residentes no CRUSP. Entretanto eles continuaram residindo no CRUSP, desafiando a autoridade que lhes aplicou a punição, participando de outras agitações subsequentes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110311/7924972a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5135 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110311/7924972a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 11 20:03:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Mar 2011 20:03:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_constru=E7=E3o_do_Homem_no_jove?= =?iso-8859-1?q?m_Marx?= Message-ID: <9E721B99367843FC9B88A871575BC530@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Augusto Buonicore - A construção do Homem no jovem Marx a.. A construção do Homem no jovem Marx (parte 5) Marx analisou cada um dos direitos fundamentais presentes na constituição francesa - os direitos à liberdade, à igualdade e à fraternidade - procurando responder no que consistiriam esses direitos. Por Augusto Buonicore Publicado em 09.03.2011 b.. A construção do Homem no jovem Marx (parte 4) Apetrechado do método feuerbachiano de inversão sujeito/predicado, Marx passou a estudar (e a criticar) a filosofia política de Hegel, e particularmente seus Princípios da Filosofia do Direito. Esse interesse pela política já vinha sendo desenvolvido desde o seu doutoramento. Por Augusto César Buonicore Publicado em 01.03.2011 c.. A construção do Homem no jovem Marx (parte 3) O pensamento de Epicuro se encaixava como uma luva nas construções teóricas dos jovens que lutavam, ainda no campo das ideias, contra o status quo prussiano e a vil subserviência a ele, cultivada pelos hegelianos de direita Por Augusto Buonicore Publicado em 22.02.2011 d.. A construção do Homem no jovem Marx (parte 2) Em seus primeiros estudos, feitos no Liceu de Triers, em 1835, Marx escreveu que "A diretiva principal que nos tem de guiar na escolha de uma profissão é o bem da humanidade e a nossa própria realização (...) A natureza do homem está estabelecida de tal modo que ele só pode alcançar o seu aperfeiçoamento se agir para a realização, para o bem dos seus contemporâneos". Por Augusto Buonicore Publicado em 09.02.2011 e.. A construção do Homem no jovem Marx (parte 1) Que papel desempenham as obras da juventude no conjunto da construção teórica de Marx? Por Augusto Buonicore Publicado em 01.02.20 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110311/d47a32ee/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 33700 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110311/d47a32ee/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 12 15:04:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 12 Mar 2011 15:04:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_FERNANDO_AUGUSTO=2CGET=DALIO_DE_OLIVEIR?= =?iso-8859-1?q?A=2CJOS=C9_BARTOLOMEU=2CJOS=C9_SILTON_PINHEIRO=2CLO?= =?iso-8859-1?q?URDES_PONTES=2CVALDIR_SALES____-LXXI-?= Message-ID: <8646902AF03D45169F9EC07D42FAE94D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de FERNANDO AUGUSTO DA FONSECA,GETÚLIO DE OLIVEIRA CABRAL,JOSÉ BARTOLOMEU RODRIGUES DE SOUZA,JOSÉ SILTON PINHEIRO,LOURDES MARIA WANDERLEY PONTES,VALDIR SALES SABÓIA - LXXI- FERNANDO AUGUSTO DA FONSECA (1946-1972) Filiação: Nathayl Machado da Fonseca e José Augusto Valente da Fonseca Data e local de nascimento: 13/01/1946, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 29/12/1972, Rio de Janeiro (RJ) GETÚLIO DE OLIVEIRA CABRAL (1942-1972) Filiação: Lindrosina Cabral de Souza e Manoel D'Oliveira Data e local de nascimento: 04/04/1942 , Espera Feliz (MG) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 29/12/1972, Rio de Janeiro (RJ) JOSÉ BARTOLOMEU RODRIGUES DE SOUZA (1949-1972) Filiação: Maria Cavalcanti de Souza e Virgílio Rodrigues de Souza Data e local de nascimento: 05/05/1949, Canhotinho (PE) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 29/12/1972, Rio de Janeiro (RJ) JOSÉ SILTON PINHEIRO (1949-1972) Filiação: Severina Gomes de Lima e Milton Gomes Pinheiro Data e local de nascimento: 31/05/1949, São José de Mipibu (RN) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 29/12/1972, Rio de Janeiro (RJ) LOURDES MARIA WANDERLEY PONTES (1943-1972) Filiação: Tereza Wanderley Neves e Antônio Araújo Neves Data e local de nascimento: 31/03/1943, Olinda (PE) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 29/12/1972, Rio de Janeiro (RJ) VALDIR SALES SABÓIA (1950-1972) Filiação: Ephigenia Salles Sabóia e Gerson Augery de Sabóia Data e local de nascimento: 01/3/1950, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 29/12/1972, Rio de Janeiro (RJ) No dia 17/01/1973 os órgãos de segurança tornaram pública a morte desses seis militantes do PCBR, ocorridas, segundo a nota oficial, em 29/12/1972, em função de tiroteios. Na verdade, todos foram mortos depois de presos. O carioca Fernando Augusto, apelidado Fernando Sandália, concluiu o 2º grau no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Estudava Economia na UFRJ e trabalhava na agência central do Banco do Brasil, de onde foi demitido em 1970. Militou na Corrente Revolucionária antes de integrar o PCBR, sendo membro de seu Comando Político Militar e um dos responsáveis pela publicação oficial do partido, O Avante, no Rio de Janeiro. Em função das perseguições e da militância clandestina, estava residindo em Maceió, com a mulher, Sandra Maria Araújo da Fonseca e o filho André, então com 3 anos de idade. Sandra estava grávida de Fernanda, que não chegou a conhecer o pai. No "livro negro" do Exército, consta a informação de que, em dezembro de 1971, tinha sido composta uma direção nacional provisória do PCBR, integrada por ele, por Luís Alberto de Andrade Sá e Benevides e por Getúlio de Oliveira Cabral No dia 26 de dezembro, Fernando estava em Recife, hospedado com a mulher e o filho em um hotel, com viagem marcada para Belo Horizonte, onde moravam os pais de Sandra. Fernando saiu do hotel para encontrar um companheiro de militância e, uma hora e meia depois, Sandra foi presa no próprio hotel, sendo encapuzada e levada para uma dependência das Forças Armadas que não sabe precisar, onde ficou um dia inteiro sob interrogatório. Ali soube que Fernando também estava preso, mas não o viu. Foi levada com o filho André pelos agentes do DOPS para uma residência, junto com um casal de policiais, e só foi libertada no dia 16/01/73, véspera da publicação da morte do marido no Rio de Janeiro. Getúlio de Oliveira Cabral era mineiro de Espera Feliz. Com 7 anos mudou-se para a Baixada Fluminense e estudou o 1º grau na Escola Darcy Vargas, em Duque de Caxias. Casou-se, aos 20 anos e teve dois filhos. Entre os 12 e 13 anos tinha iniciado sua militância política na União da Juventude Comunista, influenciado pela participação de sua mãe, Dona Lindrosina, em atividades contra a guerra na Coréia. Incorporou-se ao Centro Pró-melhoramentos de Caxias e filiou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos. Trabalhava como escriturário da Fábrica Nacional de Motores (FNM). Foi dirigente regional do PCB e dirigente nacional do PCBR. Getúlio era outro dos militantes das organizações de guerrilha urbana que os órgãos de segurança acusavam de ter assassinado um marinheiro inglês, David Cuthberg, em escala no Brasil para os festejos do sesquicentenário da Independência, ação que pretendia expressar solidariedade à luta do Exército Republicano Irlandês contra a dominação inglesa. José Bartolomeu era estudante secundarista, pernambucano de Canhotinho, e não foi possível coletar outros dados a respeito de sua biografia e atividades políticas anteriores. Os órgãos de segurança o acusavam de participação na tentativa de roubo de um veículo do tenente da Aeronáutica Matheus Levino dos Santos, em Recife, no dia 26/6/1970, que reagiu a tiros e foi baleado, vindo a morrer em conseqüência dos ferimentos em março do ano seguinte. José Bartolomeu, segundo informações dos órgãos de segurança, teria regressado ao Brasil pouco antes de ser morto, vindo de uma viagem ao Chile em que acompanhou o ex-sargento da Aeronáutica Antonio Prestes de Paula em reuniões com banidos brasileiros. José Silton viveu até 6 anos de idade no pequeno sítio denominado Pium, onde nasceu, em São José do Mipibú, Rio Grande do Norte. Sua mãe faleceu após seu nascimento, por complicações no parto e falta de assistência médica. O bebê foi então adotado pela tia Lira - Maria Gomes Pinheiro, irmã de seu pai. Depois foi para a cidade de Monte Alegre, onde viveu até completar 10 anos. A partir daí, radicou-se em Natal. Estudou no Colégio Salesiano, no Instituto Sagrada Família e fez o ginasial no Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas. Iniciou o curso clássico no Colégio Estadual Padre Miguelinho, concluindo-o no Atheneu Norte-Rio-Grandense. Em 1965, foi eleito presidente do Diretório Marista de Natal. Em 1966, entrou em contato com o pensamento da Igreja progressista e, pretendendo se tornar irmão Marista, passou a estudar no Convento de Apipucos, em Recife. Mas sua inquietação política foi além da vocação religiosa. De volta a Natal, ingressou na Faculdade de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Tempos depois, passou a militar no PCBR, atuando em Natal, Recife e, por fim, no Rio de Janeiro. Os órgãos de segurança o acusavam de participação em assalto a um banco na Penha, no Rio, em 27/07/1972, em que teria matado o contador Sílvio Nunes Alves. Lourdes Maria era pernambucana de Olinda e estudou o primário e o ginásio em Recife, não chegando a concluir seus estudos por seu envolvimento na militância política a partir de 1968. Em 1969, casou-se com Paulo Pontes da Silva, com quem se mudou para Natal (RN) devido à repressão política. Novamente perseguido, o casal transferiu-se, em fevereiro de 1970, para Salvador (BA), sendo que no mesmo ano, Paulo foi preso, sendo posteriormente condenado à prisão perpétua, por co-autoria no assassinato de um sargento da Aeronáutica que o conduzia preso algemado ao companheiro de militância Theodomiro Romeiro dos Santos. Após a prisão de Paulo Pontes, Lourdes foi então deslocada para a militância clandestina no Rio de Janeiro. Valdir Sales Sabóia foi soldado da PM na Guanabara e não foi possível reunir outros registros de sua biografia e militância política, além da informação contida no "livro negro" do Exército, apontando-o como participante da conferência de fundação do PCBR, no Rio de Janeiro, em 11 e 12 de abril de 1968. A versão sobre as seis mortes, divulgada pelo serviço de Relações Públicas do I Exército, em 17/01/1973, sob o título "Destruído o Grupo de Fogo terrorista do PCBR/GB", informava que, em ações simultâneas em pontos diferentes do Estado da Guanabara, teriam morrido os seis militantes, um ficara ferido, outro escapara ao ser perseguido, e dois foram presos. Não informava os nomes dos presos e do ferido, mas assumia a prisão em Recife, em 26/12/1972, de Fernando Augusto, que fora levado para o Rio de Janeiro. Enquanto um grupo de agentes teria se deslocado com Fernando para o bairro do Grajaú, onde havia um "ponto", outro grupo cercara uma casa na Rua Sargento Valder Xavier de Lima nº 12, fundos, em Bento Ribeiro, onde teriam morrido Valdir Sales Sabóia e Luciana Ribeiro da Silva (Lourdes Maria Pontes). No Grajaú, teriam morrido Fernando Augusto, José Silton, José Bartolomeu e Getúlio. Fernando teria sido morto pelos companheiros, ao aproximar-se do carro que, em função do tiroteio, pegara fogo. No interior do carro, três corpos totalmente carbonizados, conforme laudo de perícia de local, tornando impossível sua identificação. O outro ocupante, ferido, conseguira fugir. Nunca se soube quais foram os presos, quais os feridos, quem se rendeu, nem os que conseguiram fugir. Para todos os conhecedores dos métodos utilizados pelos órgãos da repressão política, a versão oficial já levanta suspeitas em função do endereço da casa em Bento Ribeiro: rua Sargento Valder Xavier de Lima, nome de um militar morto em 1970 em Salvador (BA) por militantes do mesmo PCBR, conforme já descrito. O registro de ocorrência da 20ª Delegacia de Polícia informa: "Às 0:40 horas, o 2° tenente Paixão comunicou que compareceu à rua Grajaú para tomar conhecimento de ocorrência envolvendo automóvel incendiado. Todavia foi informado que se tratava, apenas, de diligência de interesse da Segurança Nacional. Chegando ao local, constatou a presença do delegado do DOPS Gomes Ribeiro, que afirmou tratar-se de serviço de rotina do interesse da Segurança Nacional". A verdade dos fatos não foi recuperada, mas ficou comprovado o teatro montado para a falsa versão oficial, constatada nos próprios documentos oficiais localizados no IML e no Instituto Carlos Éboli , que realizou as perícias de local. Para cada uma das vítimas do massacre foi dada uma versão, mas os corpos dos seis militantes deram entrada no IML às 2h30min do dia 30 de dezembro. Supondo verdadeira a versão oficial, o lógico seria que dessem entrada em horários distintos, já que teriam morrido em locais distantes e em horários diferentes. O bairro do Grajaú é muito distante de Bento Ribeiro, mas próximo da sede do DOI-CODI, na rua Barão de Mesquita. As guias de encaminhamento dos corpos são seqüenciais: Lourdes Maria - nº 8, Fernando Augusto - nº 9, Valdir - nº 10, Getúlio - nº 11, José Silton - nº 12 e José Bartolomeu - nº 13. Todos entram como desconhecidos, mesmo Fernando Augusto que oficialmente estava preso desde 26/12. A própria seqüência já demonstra que os corpos não foram levados diretamente do local da morte para o IML. Em Bento Ribeiro, teria havido violento tiroteio, tendo os militantes, inclusive, usado granadas de mão, conforme a versão oficial. As fotos da perícia técnica desmentem o tiroteio e o uso de granadas: o corpo de Lourdes Maria está encostado à parede, num canto da sala, encolhido atrás de um vaso de planta que fora usada como árvore de Natal, com as bolas de vidrilho intactas. Nenhuma marca de tiros nas paredes. Lourdes recebeu, dentre outros, três tiros seqüenciais no tórax, característicos de execução, e ainda um no pulso direito, característico de ferimento de defesa. Em algumas fotos, aparece usando relógio de pulso e, em outras, no mesmo local, o relógio já não aparece. Com tantos tiros, não são vistas poças de sangue ao seu redor. Valdir aparece no quarto, com tiros na região glútea. Como teria, ali, levado tais tiros? A parte interna de seu antebraço esquerdo apresenta entrada de projétil, lesão identificada como gesto de autodefesa de quem está prestes a ser baleado. Também em torno de seu corpo não há sangue. A perícia identifica seu corpo na casa de Bento Ribeiro, mas na guia de sepultamento e no atestado de óbito, feitos anteriormente à divulgação, consta que morreu no Grajaú. No Grajaú, o carro que teria sido usado pelos militantes aparece no final de uma rua sem saída. As fotos mostram Fernando próximo ao Volkswagen incendiado. Escoriações no seu rosto e tórax demonstram as torturas. Getúlio aparece com o corpo carbonizado da cintura para baixo, com a metade inferior dentro do veículo. José Bartolomeu e José Silton aparecem totalmente carbonizados dentro do carro. As necropsias foram feitas pelos legistas Roberto Blanco dos Santos e Helder Machado Paupério, em laudos sucintos. Sobre Lourdes e Valdir, informam que foi realizada quando seus corpos apresentavam rigidez muscular generalizada, o que indica que estavam mortos há pelo menos 12 horas. Se assim foi, os óbitos teriam ocorrido por volta das 14 ou 15 horas e estranha-se que a perícia técnica só tenha comparecido às 23 horas. A denúncia das mortes dos militantes sob tortura já havia sido feita por presos políticos. José Adeildo Ramos fora preso em Recife, no dia 19/12/1972 e, no dia 26/12, esteve com Fernando Augusto no DOI-CODI, em Recife. Perante a Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, em ação movida pela advogada Ana Maria Muller, em nome da família de Fernando Sandália, declarou que ele fora morto no Recife, e seu corpo levado ao Rio de Janeiro. Rubens Manoel Lemos, jornalista, afirmou em juízo que José Silton fora morto no DOI-CODI/RJ. A CEMDP não teve dúvidas de que a versão oficial não se sustenta. Os processos de Fernando, José Bartolomeu e José Silton foram apresentados em conjunto e aprovados por unanimidade. Posteriormente, foram aprovados os de Getúlio e Lourdes Maria. A família de Valdir não tinha apresentado requerimento em 1995, e só o fez em 2002, após a edição da nova lei, sendo então analisado e deferido em 01/12/2004. ======================================================================================================================= LOURDES MARIA WANDERLEY PONTES Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Nasceu em Olinda, Pernambuco, em 31 de março de 1943, filha de Antonio Araújo Neves e Tereza Wanderley Neves. Estudou o primário e o ginásio em Recife, não chegando a concluir seus estudos por seu envolvimento político a partir de 1968. Em 23 de fevereiro de 1969 casou-se com Paulo Pontes. Devido à repressão política, mudaram-se para Natal, RN, ali vivendo por algum tempo. Novamente perseguidos, em fevereiro de 1970, mudaram-se para Salvador, Bahia. No mesmo ano, Paulo foi preso e Lourdes mudou-se para o Rio de Janeiro. Morta aos 30 anos de idade, no Rio de Janeiro, em circunstâncias ainda não esclarecidas, em 29 de dezembro de 1972, junto com Valdir Sales Saboya. Segundo a repressão, teriam sido mortos no "aparelho" da Rua Sargento Valder Xavier de Lima, n° 12, fundos. O corpo de Lourdes entrou no IML como Luciana Ribeiro de Almeida, pela Guia n° 08 do DOPS. Sua necrópsia foi feita, em 30 de dezembro de 1972, pelos Drs. Roberto Blanco dos Santos e Hélder Machado Paupério que confirmam a versão oficial de morte em tiroteio. Seu óbito, de n° 142960, em nome de Luciana Ribeiro de Almeida, tem como declarante José Severino Teixeira. Foi enterrada como indigente no CemitérioRicardo de Albuquerque (RJ), em 26 de fevereiro de 1973, na cova n° 22.824, quadra 21. Em 10 de abril de 1978, seus restos mortais foram levados para um ossário geral e, em 1980/1981, para uma vala clandestina, junto com cerca de 2.000 outras ossadas de indigentes. Laudo (ocorrência n° 986/72) e fotos de perícia de local (ICE n° 7643/72) mostram Lourdes nas dependências da casa à Rua Valder Xavier de Lima. Interessante notar que, em algumas fotos, Lourdes está de relógio de pulso e em outras não. ===================================================================================== JOSÉ BARTOLOMEU RODRIGUES DE SOUZA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Estudante secundarista, natural de Pernambuco, filho de José da Costa Lima e Nilsa de Souza Lima. Morto sob torturas no DOI/CODI-RJ em 29 de dezembro de 1972, aos 23 anos. José Bartolomeu foi uma das vítimas do massacre em que também morreram Fernando Augusto da Fonseca, José Silton Pinheiro Soares e Getúlio d'Oliveira Cabral. José Bartolomeu, juntamente com Getúlio e José Silton, tiveram seus corpos carbonizados. Os detalhes desse massacre estão na nota referente a Fernando Augusto da Fonseca. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que, "no dia 29 de dezembro de 1972, no Grajaú/RJ, no interior de um fuscão roubado, ao ser abordado pelas equipes de segurança, travou intenso tiroteio, resultando em sua morte." Seu corpo entrou no IML/RJ, em 30 de dezembro de 1972, com a Guia n° 13 do DOPS/RJ e a certidão de óbito, de n° 131.986 foi registrada como de um desconhecido, sendo firmada pelo Dr. Roberto Blanco dos Santos, tendo como declarante José Severino Teixeira. No verso desse documento, há uma frase manuscrita: "Inimigo da Pátria (Terrorista)". Foi enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque (RJ), em 06 de fevereiro de 1973, na cova n° 22.704, quadra 21. Em 20 de março de 1978, seus restos mortais foram transferidos para o ossário geral e, em 1980/1981, foram para a vala clandestina, junto com cerca de 2.000 ossadas de indigentes. Há também laudo (Ocorrência n° 988/72) e fotos de perícia de local (n° 7645/72) encontrados no Instituto de Criminalística Carlos Éboli/RJ. As fotos mostram o corpo de José Bartolomeu totalmente carbonizado dentro do Volkswagen incendiado, placa GB/EB-3890. ===================================================================================== JOSÉ SILTON PINHEIRO Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Nasceu em 31 de maio de 1948, no Rio Grande do Norte, filho de Milton Gomes Pinheiro e Severina Gomes Pinheiro. Concluiu o curso ginasial no Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas, em 1966. Iniciou o curso clássico no Colégio Estadual Padre Miguelinho, concluindo-o no Atheneu Norteriograndense. Rapaz cheio de alegria, senso de humor e com enorme facilidade de fazer amigos, tinha especial carinho pelas crianças. Também se caracterizou pela grande força de vontade para atingir os objetivos a que se propunha. Em 1970, ingressou na Universidade do Rio Grande do Norte, no curso de Pedagogia. Neste mesmo ano passou a militar no PCBR, atuante em Natal, Recife e por fim, na cidade do Rio de Janeiro. Foi morto aos 24 anos de idade no Rio de Janeiro, junto com Fernando Augusto Valente da Fonseca, Getúlio d'Oliveira Cabral e José Bartolomeu Rodrigues de Souza. Foi carbonizado dentro de um Volkswagen, na Rua Grajaú, n° 321 (RJ), após ter sido preso e torturado no DOI-CODI/RJ, "teatrinho" feito pela repressão para justificar a versão de morte em tiroteio ao reagir à prisão. O corpo de José Silton entrou no IML/RJ como desconhecido, em 30 de dezembro de 1972, com a guia n° 12 do DOPS. Na certidão de óbito de n° 131.985 é dado como desconhecido, assinando como declarante José Severino Teixeira e firmada pelo Dr. Roberto Blanco dos Santos. No verso de seu óbito há a seguinte frase manuscrita: "Inimigo da Pátria (Terrorista)". Foi enterrado em 06 de fevereiro de 1973, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque (RJ), na cova n° 22.706, quadra 21. Em 20 de março de 1978, seus restos mortais foram transferidos para um ossário geral e, em 1980/1981, foram para uma vala clandestina, junto com cerca de 2.000 ossadas de indigentes. Há ainda laudo (Ocorrência n° 988/72) e fotos de perícia de local (n° 7645/72) encontrados no Instituto Criminal Carlos Éboli/RJ. As fotos mostram o corpo de José Silton totalmente carbonizado, dentro do Volkswagen incendiado, placa GB/EB-3890. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que "No dia 29 de dezembro de 1972, estando em Volkswagen no Grajaú/RJ com seu grupo de terroristas, ao ser abordado pelas equipes de agentes de segurança, abriu fogo, originando-se intenso tiroteio, tendo o carro incendiado-se e o nominado falecido no local." Ver mais informações sobre sua morte no caso de Fernando Augusto Valente da Fonseca. ====================================================================================== GETÚLIO D' OLIVEIRA CABRAL Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Nasceu em 4 de abril de 1942, em Espera Feliz, Minas Gerais. Filho de Manoel D'Oliveira e Lindrosina Cabral de Souza. Estudou o 1º grau na Escola Darcy Vargas, em Caxias (RJ), onde sua família passou a residir. Casou-se com Maria de Lourdes, com quem teve dois filhos. Ainda muito jovem iniciou sua militância na União da Juventude Comunista. Mais tarde incorporou-se ao Centro Pró-Melhoramentos de Caxias. Filiou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos onde participou das lutas de sua categoria profissional. Foi dirigente regional do PCB e, posteriormente, dirigente nacional do PCBR. Escriturário da Fábrica Nacional de Motores (FNM). Morto sob torturas no dia 29 de dezembro de 1972, aos 31 anos, no DOI/CODI-RJ. Getúlio foi uma das vítimas do massacre que também vitimou Fernando Augusto da Fonseca, José Silton Pinheiro e José Bartolomeu Rodrigues de Souza. Os Relatórios dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica dizem que "faleceu dia 29 de dezembro de 1972, no Rio de Janeiro em tiroteio com agentes de segurança..." O relatório da Anistia Internacional diz que ele foi morto e colocado em um carro incendiado - sendo seu corpo parcialmente carbonizado, após ter sido torturado no DOICODI/ RJ, juntamente com José Silton Pinheiro, José Bartolomeu Rodrigues de Souza e Fernando Augusto Valente da Fonseca. No Arquivo do DOPS/PE encontrou-se em seu prontuário de n° 19.407 a informação de que "foi morto na Guanabara, em tiroteio com as Forças Armadas". Segundo informações contidas nesse documento, Getúlio foi servente do Ministério da Indústria e Comércio, tendo sido demitido por perseguição política no final do ano de 1964. Em 1971, estava com prisão preventiva decretada. O corpo de Getúlio entrou no IML, em 30 de dezembro de 1972, pela Guia n° 11 do DOPS/RJ. Seu óbito, de n° 132.011, firmado pelo Dr. Roberto Blanco dos Santos, teve como declarante José Severino Teixeira. No verso desse documento, manuscrita, há a seguinte frase: "Inimigo da Pátria (Terrorista)". Foi enterrado como indigente, apesar de estar com seu nome completo, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, em 06 de fevereiro de 1973, na cova 22.702, quadra 21. Em 20 de março de 1978 seus restos mortais foram transferidos para o ossário geral e, em 1980/1981, para uma vala clandestina, junto com mais de 2.000 ossadas de indigentes. Mais detalhes ver no caso de Fernando Augusto Valente da Fonseca. Há ainda laudo (Ocorrência n° 988/72) e fotos de perícia de local ( n° 7.645/72) encontrados no Instituto de Criminalística Carlos Éboli/RJ. As fotos mostram o corpo de Getúlio semi-carbonizado (da cintura para baixo), com a metade inferior do corpo dentro do Volkswagen incendiado (placa GB/EB-3890). =================================================================================== VALDIR SALES SABÓIA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Ex-soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Nasceu em 1° de março de 1950, filho de Gerson Algery Saboya e Ephigênia Salles Saboya. Morto aos 22 anos de idade, em 29 de dezembro de 1972, na rua Sargento Valder Xavier Lima, n° 22, fundos, junto com Lourdes Maria Wanderley Pontes, segundo versão oficial da repressão em tiroteio. Seu corpo entrou no IML/RJ como desconhecido pela Guia n° 09 do DOPS, junto com os de outros 5 companheiros. "Morto em aparelho subversivo ao reagir à bala", afirma o DOPS/RJ. A necrópsia, feita em 30 de dezembro de 1972, pelos Drs. Roberto Blanco dos Santos e Hélder Machado Paupério confirma a versão oficial de tiroteio. Laudo (Ocorrência n° 986/72) e as fotos da perícia de local (ICE n° 7643/72), mostram Valdir na cama com vários tiros. O corpo de Valdir foi retirado do IML por seu pai, em 17 de janeiro de 1973, tendo sido enterrado no dia seguinte por sua família no Cemitério de Cacuia, na Ilha do Governador (RJ). O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que, "Em 23 de dezembro de 1972, morreu ao ter o 'aparelho' em que residia... cercado por equipes de segurança, procurou romper, à bala, o cerco, inclusive empregando granadas de mão. Este fato foi amplamente divulgado pela imprensa (Última Hora de 17 de abril de 1973)". Como amplamente divulgado, se a imprensa só publica a notícia quase quatro meses depois? =================================================================================== FERNANDO AUGUSTO VALENTE DA FONSECA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Filho de José Augusto Valente da Fonseca e Nathaly Machado da Fonseca, nasceu no Rio de Janeiro em 13 de janeiro de 1947. Casado, tinha 2 filhos. Concluiu o 2º grau no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Estudava Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhava no Banco do Brasil (Agência Central). Foi demitido por abondono do emprego quando, em 1970, foi obrigado a viver na clandestinidade pela perseguição implacável que lhe moviam os órgãos de segurança. Militou na CORRENTE e no PCBR, chegando a ser membro do seu Comitê Central. Preso em Recife na 2ª quinzena de dezembro de 1972, levado para o DOI/CODI-RJ, onde passou a ser torturado. Na ocasião, sua mulher Sandra Maria Araújo da Fonseca, grávida, e seu filho André (com cerca de 2 anos de idade) foram presos no DOPS/RJ. No Rio de Janeiro, já haviam sido presos 3 companheiros de Fernando Augusto: José Silton Pinheiro, José Bartolomeu Rodrigues de Souza e Getúlio d'Oliveira Cabral, todos igualmente torturados. Os quatro prisioneiros foram levados a um lugar ermo, onde seus corpos foram crivados de balas, para dar a impressão de morte em tiroteio, sendo que José Silton, José Bartolomeu e Getúlio tiveram seus corpos carbonizados. Os presos políticos que, na mesma época, se encontravam no DOI/CODI são testemunhas desse massacre. O corpo entrou no IML/RJ, em 30 de dezembro de 1972 como desconhecido, pela Guia n° 10 do DOPS/RJ. Foi necropsiado pelos Drs. Roberto Blanco dos Santos e Hélder Machado Paupério que confirmam a falsa versão oficial da repressão. Seu óbito de n° 131.835 informa que foi retirado por seu irmão, José Augusto Valente da Fonseca e enterrado por sua família no Cemitério São João Batista (RJ). Há laudo (Ocorrência n° 988/72) e fotos de perícia de local (n° 7.645/72) encontrados no ICE/RJ que mostram Fernando próximo ao Volkswagen incendiado de placa GB-EB3890. Há algumas escoriações no rosto e tórax de Fernando que mostram as torturas sofridas por ele no DOI-CODI/RJ e que não são relatadas em seu exame necroscópico. Foi encontrado ainda o registro de Ocorrência s/n° da 20ª D.P. que diz: "Às 0:40 horas, o 2° Tenente Paixão comunicou que compareceu à Rua Grajaú (final) para tomar conhecimento de ocorrência envolvendo auto incendiado. Todavia foi informado que se tratava, apenas, de Diligência de interesse de Segurança Nacional. Chegando ao local, constatou a presença do Delegado do DOPS, Gomes Ribeiro, que afirmou tratar-se de serviço de rotina do interesse da Segurança Nacional. Esclareceu que, em sua chegada, foi atendido por agentes do DOI. Cumpre dar conhecimento ao Titular desta D.P., quanto ao caráter Reservado do serviço..." Em nenhum momento, esta ocorrência cita que quatro mortes aconteceram no local; apenas, tratava-se de um mero assunto de rotina da Segurança Nacional. O "Jornal do Brasil", de 17 de janeiro de 1973, dá a notícia das mortes de Fernando, Getúlio, José Silton e José Bartolomeu, assim como as mortes de mais dois outros militantes do PCBR, ocorridas no mesmo dia, Valdir Sales Saboya e Lourdes Maria Wanderley Pontes, sem citar as circunstâncias de suas mortes. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que ele foi morto "dia 29/12/72, no Grajaú/RJ, por seus próprios companheiros, os quais travaram intenso tiroteio com a equipe de segurança que se aproximou do local." É interessante observar que para cada uma das vítimas do massacre foi dada uma versão no Relatório da Aeronáutica, sendo que no que se refere a Valdir Sales Sabóia, "este fato foi amplamente divulgado - Última Hora de 17/04/73" . Por que quase 4 meses depois do assassinato? Esta era mais uma forma usada pelas forças da repressão para ocultar os seus crimes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110312/823fccd5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5996 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110312/823fccd5/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 21328 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110312/823fccd5/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8254 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110312/823fccd5/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9785 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110312/823fccd5/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 12 15:04:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 12 Mar 2011 15:04:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O Livro Negro do Cristianismo - JACOPO FO / SERGIO TOMAT / LAURA MALUCELLI Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Joao Bosco da Silva Para mim, a televisão é muito instrutiva. Quando alguém a liga, corro à estante e pego um bom livro. O Livro Negro do Cristianismo - JACOPO FO / SERGIO TOMAT / LAURA MALUCELLI clique http://rapidshare.com/files/127083977/O_Livro_Negro_do_Cristianismo.rar Em 1º de junho de 1307, frei Dulcino, líder da seita cristã dos apostólicos, foi queimado vivo em Vercelli, na Itália. Acusado de heresia, antes de ser atirado a fogueira teve a carne arrancada com alicate quente, o nariz quebrado e os órgãos genitais mutilados. Sua história é uma entre as tantas narradas em O livro negro do cristianismo, um vasto panorama das atrocidades praticadas pela Igreja Católica ao longo de dois mil anos.Aqui o catolicismo é analisado sem restrições: da época de seu reconhecimento pelo imperador romano Constantino, no século IV, até a polêmica omissão da Igreja diante do movimento nazifascista em plena Segunda Guerra Mundial, todos os pecados cometidos em nome de Deus são listados em detalhes. A extensa relação de crimes inclui enriquecimento ilícito, tortura e milhares de mortes.Vividos pelos primeiros cristãos, os ensinamentos de Jesus Cristo deram lugar a rígidos dogmas impostos aos fiéis com o passar do tempo. .Qualquer idéia contrária ao que determinava o papa era sinônimo de heresia, e o resultado dessa postura intolerante são acontecimentos tão importantes quanto lamentáveis: a perseguição aos judeus, o genocídio nas Cruzadas, os suplícios promovidos pela Santa Inquisição, o massacre dos huguenotes, o apoio ao regime escravocrata na América católica, entre outros. Uma obra para quem deseja conhecer os obscuros porões da instituição mais poderosa de nossa era. Nome: O Livro Negro do Cristianismo Autor: JACOPO FO / SERGIO TOMAT / LAURA MALUCELLI Nº de páginas: 262 Tamanho: 300 KbFormato: rar/doc __._,_.___ | -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110312/32e5bfd2/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110312/32e5bfd2/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Mar 13 13:50:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 13 Mar 2011 13:50:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ANT=D4NIO_BENETAZZO__________________?= =?iso-8859-1?q?_______________-LXXII-?= Message-ID: <20244295A971442AA3CE76607AD2C99C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ANTÔNIO BENETAZZO (1941-1972) Filiação: Giulietta Sguazzardo Benetazzo e Pietro Benetazzo Data e local de nascimento: 01/11/1941 e Verona, Itália Organização política ou atividade: MOLIPO Data e local da morte: 30/10/1972, São Paulo (SP) Natural de Verona, na Itália, foi educado por seus pais no espírito de oposição ao nazismo e ao fascismo que dominavam a Europa quando de seu nascimento, em 1941. A família migrou para o Brasil em 1950, quando Benetazzo tinha nove anos. Passou o resto da infância entre as cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral paulista, e cursou o Colegial em Mogi das Cruzes, onde atuou no grêmio de representação estudantil. Ingressou no PCB em 1962 e participou ativamente do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE). Considerado muito inteligente por todos os seus colegas, cursou simultaneamente Filosofia e Arquitetura, ambos na USP, sendo mais conhecido como "Benê". Foi presidente do Centro Acadêmico do Curso de Filosofia, sendo também professor tanto na disciplina História quanto em Educação Artística. Ensinando em diferentes cursos de preparação para vestibulares universitários, especialmente no Cursinho Universitário, Benetazzo procurava transmitir a seus alunos uma visão crítica da História e da realidade. Foi um dos idealizadores de um dos primeiros jornais alternativos do período da ditadura militar - O Amanhã, precursor da chamada imprensa nanica. Mantinha diversificada atividade cultural, tendo participado como ator do filme Menina Moça, de Francisco Ramalho Jr., gravado em super 8. Foi cenógrafo de Anuska, Manequim e Mulher, do mesmo diretor, tendo no elenco Francisco Cuoco, Jairo Arco e Flexa, Ruthinéa de Moraes e Marília Branco. Benetazzo também se dedicava à pintura e à fotografia. É dele a capa do primeiro livro do escritor Mário Prata - O morto que morreu de rir, publicado em 1969. A revista oficial de debate e cultura do PT, Teoria e Debate, também trouxe em uma de suas capas uma pintura desse militante e artista. Em 1967, Benetazzo desligou-se do PCB, passando a integrar a DISP - Dissidência Estudantil de São Paulo, vinculando-se em 1969 à ALN. Participou do 30° Congresso da UNE, em Ibiúna, em 1968. Em julho de 1969, deixou a universidade e as escolas em que lecionava, passando a atuar na clandestinidade. Viajou para Cuba, recebeu treinamento militar e retornou ao Brasil em 1971, integrado ao MOLIPO, sendo o redator do jornal Imprensa Popular, órgão oficial da organização, e membro de sua direção. Antônio Benetazzo foi preso em 28/10/1972, ao entrar na casa do torneiro mecânico, também militante político, Rubens Carlos Costa, na Vila Carrão, em São Paulo, que seria uma espécie de armeiro do Molipo, segundo informações dos órgãos de segurança. Foi levado ao DOI-CODI/SP, onde permaneceu até ser morto. A versão oficial, divulgada no dia 2 de novembro, foi a de que teria indicado aos agentes um encontro com companheiros na rua João Boemer, no Brás, em São Paulo e que, chegando ao local, teria se jogado sob as rodas de um caminhão. Foi enterrado como indigente, no Cemitério de Perus, no dia 31, dois dias antes da divulgação da sua morte. O laudo de necropsia, assinado, por Isaac Abramovitc e Orlando J. B. Brandão, concluiu que o examinado faleceu em virtude de choque traumático por politraumatismo. Estranhamente, na foto de seu corpo não aparecem deformações na fisionomia que necessariamente seriam provocadas pelas fraturas descritas no crânio. Não há escoriações. Tampouco o laudo descreve qualquer marca de borracha dos pneus ou sujeira nas vestes, assim como não menciona um grande hematoma na pálpebra, perfeitamente visível na única foto do cadáver localizada nos arquivos secretos do DOPS/SP. O relator do processo na CEMDP apresentou voto favorável ao deferimento do caso, considerando a prisão e o suposto suicídio condições perfeitamente enquadradas nos dispositivos para inclusão nos benefícios da Lei nº 9.140/95. Nilmário Miranda e Suzana Lisbôa fizeram constar em ata a certeza de que Antônio Benetazzo fora preso e morto sob torturas, sendo falsa a versão oficial de suicídio. Uma pequena praça localizada atrás do MASP - Museu de Arte de São Paulo, nas imediações da avenida Paulista, em São Paulo, foi batizada com o seu nome. ============================================================================================================================ + Informações. ANTONIO BENETAZZO Dirigente do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em 01 de novembro de 1941, em Verona, na Itália, filho de Pietro Benetazzo e Giuleta Squazzordo Benetazzo. Morto aos 31 anos de idade. Mudou-se para o Brasil quando ainda menino. Desde cedo, sentiu-se imbuído pelo sentimento anti-fascista de seus pais, sentimento que marcou toda uma geração que conheceu os horrores do nazi-fascismo europeu, fazendo com que, desde a adolescência, participasse dos movimentos populares no Brasil. No período que precedeu o golpe militar de 1964, teve, como estudante secundarista e já integrante do PCB, destacada atuação nos movimentos culturais e políticos, principalmente naqueles promovidos pelo Centro Popular de Cultura da UNE. Redator do jornal Imprensa Popular, órgão oficial do MOLIPO. Estudante de Filosofia e de Arquitetura da Universidade de São Paulo. Presidente do Centro Acadêmico do Curso de Filosofia e professor de História. Como professor de cursos de preparação para vestibulares universitários, Benetazzo procurava transmitir a seus alunos uma visão crítica da História e da realidade. Em 1967, desligou-se do PCB, passando a militar na ALN. Participou do 30° Congresso da UNE, em Ibiúna, em 1968. Em julho de 1969 deixou a Universidade e as escolas em que lecionava e foi viver na clandestinidade. Foi a Cuba e voltou, em 1971, integrado ao MOLIPO. Preso no dia 28 de outubro de 1972 e levado imediatamente para o DOI/CODI-SP. Durante os dias 28 e 29 de outubro, Benetazzo foi torturado ininterruptamente e, no fim do dia 30, morreu em conseqüência de tão bárbaros sofrimentos. No dia 2 de novembro, os jornais paulistas publicavam nota oficial, divulgada pelos órgãos de segurança, fazendo crer que Benetazzo teria falado de um suposto encontro com companheiros na Rua João Boemer, no bairro do Brás, São Paulo, e que lá chegando, teria tentado a fuga, sendo atropelado e morto por um pesado caminhão. Assinam o laudo necroscópico confirmando o atropelamento, os médicos legistas Isaac Abramovitch e Orlando J. Brandão. Tal versão é desmascarada por vários testemunhos de presos políticos que se encontravam no DOI-CODI/SP na época da prisão e assassinato de Benetazzo, que afirmam ter ele sido torturado até a morte. Outro fato de relevância no desmascaramento da nota oficial é a inexistência de qualquer acidente no dia, hora e lugar do suposto atropelamento a que se refere a versão dos órgãos de segurança responsáveis pelo seu assassinato. Os relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica continuam confirmando a falsa versão de morte por atropelamento, enquanto que o Relatório do Exército, em cujas dependências Benetazzo morreu, diz não ter registros a respeito de seu destino. Teve sua prisão decretada em 16 de janeiro de 1973 pela 2ª Auditoria, depois de estar morto. Enterrado no Cemitério de Perus como indigente, sendo trasladado mais tarde por seus familiares. Xilogravura de Claudio Tozzi e Antonio Benetazzo, feita para a UNE em 1968. Benetazzo, estudante da FAU, foi preso em 1972 e morto pela ditadura militar =============================================================================================================================== + Informações. O Grupo Memória Contada presenteia o Arquivo Público do Município (por Denise Lemes, historiadora) O Grupo Memória Contada, grupo formado pela professora de História Rose Mary Teles Sousa e alunos da Escola Estadual Thomaz Ribeiro de Lima, realiza desde agosto de 2010 uma grande pesquisa para o Projeto "Benetazzo presente!", um dossiê sobre Antônio Benetazzo com o objetivo de tornar conhecida sua trajetória na resistência à Ditadura Militar e a sua vida como militante estudantil desde muito jovem. No levantamento de informações para o documentário, a professora Rose e seus alunos conseguiram muitos materiais que serão mostrados em uma exposição comemorativa ao aniversário de Antônio Benetazzo em novembro, quando ele completaria 70 anos (01/11/1941). Parte do acervo que o Grupo Memória Contada levantou foi doado em 01 de março de 2011 pela E. E. Thomaz Ribeiro de Lima ao Arquivo Público do Município de Caraguatatuba "Arino Sant'Ana de Barros". O livro Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil 1964-1985, publicação do IEVE/ Imprensa Oficial; mais dois trabalhos em nanquim: casario (1964), doados inicialmente ao E.E. Thomaz R. Lima pela família Fachini, e dois trabalhos em óleo sobre papel: retratos de mulheres (1963), doados inicialmente por José Américo Rodrigues ao E. E. Thomaz R. Lima, todos de autoria de Antonio Benetazzo, foram entregues na sede do Arquivo Público no Polo Cultural "Profª. Adaly Coelho Passos". Benetazzo, quando ainda um adolescente, juntamente com sua família, todos imigrantes italianos, moraram no centro de Caraguatatuba. Aqui ele concluiu o ginásio (atualmente denominado Ciclo Básico) na E. E. Thomaz Ribeiro de Lima (antigo Ginásio), onde fundou e dirigiu um grêmio estudantil por meio do qual incentivou colegas e amigos a estudarem e conhecerem o mundo das artes. Depois a família Benetazzo se mudou para São Paulo, onde o jovem Antônio, cursando Arquitetura e Filosofia na USP, passou a dar aulas em cursos preparatórios para o vestibular como professor de História e Educação Artística. Engajado na militância contra a Ditadura Militar tornou-se dirigente do Movimento da Libertação Popular - Molipo. Foi torturado e assassinado no DOI-CODI/SP em 30 de outubro de 1972 e enterrado como indigente no Cemitério D. Bosco. Na época, a versão oficial de sua morte foi a de atropelamento, versão investigada por familiares e amigos que constataram sua inverossimilhança. Mais um grande passo para o futuro foi dado: Educação + Cultura, a comunidade por meio da escola usufruindo e contribuindo para o que é seu: o Arquivo Público do Município de Caraguatatuba. Alegria! O amanhã está mais próximo! Notícia inserida em 9/3/2011 ========================================================================================= -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110313/001bbbdd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9102 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110313/001bbbdd/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44584 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110313/001bbbdd/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Mar 13 13:50:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 13 Mar 2011 13:50:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Chopin=3A_Complete_Edition___________?= =?utf-8?q?_____________________________________HOJE_=C3=89_DOMINGO?= =?utf-8?q?!_M=C3=9ASICAS!?= Message-ID: <40DD3F7D278B4294A7648B0DAC36DD70@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Joao Bosco da Silva Chopin: Complete Edition (1999) Genre: Classical / Instrumental | 17CD | MP3 320 kbps | 2,58 Gb Tracklist: Vol 1 â?? Piano Concertos CD1 (70:56) 01. Op. 11 â?? 1. Allegro Maestoso (19:21) 02. Op. 11 â?? 2. Romance. Larghetto (10:05) 03. Op. 11 â?? 3. Rondo. Vivace (9:47) 04. Op. 21 â?? 1. Maestoso (14:11) 05. Op. 21 â?? 2. Larghetto (9:07) 06. Op. 21 â?? 3. Allegro Vivace (8:25) Vol 1 â?? Piano Concertos CD2 (62:11) 01. Variations on â??La ci darem la manoâ?? op. 2 (19:27) 02. Fantasy on Polish Airs, op. 13 (14:20) 03. Rondo a la krakowiak, op. 14 (14:57) 04. Op. 22 â?? 1. Andante Spianato. Tranquillo (4:32) 05. Op. 22 â?? 2. Grand Polonaise. Allegro molto (8:55) Vol 2 â?? Ballades & Etudes CD1 (63:28) 01. 4 Ballades No.1 in G minor op.23 (9:39) 02. 4 Ballades No.2 in F major op. 38 (7:48) 03. 4 Ballades No.3 in A flat major op.47 (7:30) 04. 4 Ballades No.4 in F minor op.52 (11:57) 05. Fantaisie in F minor op. 49 (14:00) 06. 3 Nouvelles Etudes No.1 in F minor (1:17) 07. 3 Nouvelles Etudes No.2 in A Flat major (1:28) 08. 3 Nouvelles Etudes No.3 in D flat major (1:26) 09. Funeral March in C minor (6:07) 10. 3 Ecossaises No.1 in D major (0:58) 11. 3 Ecossaises No.2 in G major (0:34) 12. 3 Ecossaises No.3 in D flat major (0:44) Vol 2 â?? Ballades & Etudes CD2 (69:23) 01. 12 Etudes op.10 No.1 in C major (1:57) 02. 12 Etudes op.10 No.2 in A minor (1:28) 03. 12 Etudes op.10 No.3 in E major (3:42) 04. 12 Etudes op.10 No.4 in C sharp minor (2:02) 05. 12 Etudes op.10 No.5 in G flat major (1:40) 06. 12 Etudes op.10 No.6 in E flat minor (3:10) 07. 12 Etudes op.10 No.7 in C major (1:30) 08. 12 Etudes op.10 No.8 in F major (2:22) 09. 12 Etudes op.10 No.9 in F ninor (2:07) 10. 12 Etudes op.10 No.10 in S flat major (2:04) 11. 12 Etudes op.10 No.11 in E flat major (2:16) 12. 12 Etudes op.10 No.12 in C minor (2:42) 13. 12 Etudes op.25 No.1 in A flat major (2:13) 14. 12 Etudes op.25 No.2 in F minor (1:29) 15. 12 Etudes op.25 No.3 in F major (1:53) 16. 12 Etudes op.25 No.4 in A minor (1:43) 17. 12 Etudes op.25 No.5 in E minor (2:55) 18. 12 Etudes op.25 No.6 in E minor (2:04) 19. 12 Etudes op.25 No.7 in G sharp minor (4:51) 20. 12 Etudes op.25 No.8 in D flat major (1:06) 21. 12 Etudes op.25 No.9 in G flat major (0:58) 22. 12 Etudes op.25 No.10 B minor (3:58) 23. 12 Etudes op.25 No.11 in A minor (3:32) 24. 12 Etudes No.12 in C minor (2:35) 25. Barcarolle in F sharp major (8:36) 26. Berceuse in D Flat major (4:30) Vol 3 â?? Mazurkas CD1 (75:21) 01. Mazurek fis-moll op. 6 nr 1 (3:09) 02. Mazurek cis-moll op. 6 nr 2 (2:31) 03. Mazurek E-dur op. 6 nr 3 (Vivace) (2:20) 04. Mazurek es-moll op. 6 nr 4 (Presto ma non troppo) (0:58) 05. Mazurek B-dur op. 7 nr 1 (Vivace) (2:33) 06. Mazurek a-moll op. 7 nr 2 (Vivo ma non troppo) (3:30) 07. Mazurek f-moll op. 7 nr 3 (2:28) 08. Mazurek As-dur op. 7 nr 4 (Presto ma non troppo) (1:23) 09. Mazurek C-dur op. 7 nr 5 (Vivo) (0:43) 10. Mazurek B-dur op. 17 nr 1 (Vivo e risoluto) (2:26) 11. Mazurek e-moll op. 17 nr 2 (Lento ma non troppo) (1:48) 12. Mazurek As-dur op. 17 nr 3 (Legato assai) (4:49) 13. Mazurek a-moll op. 17 nr 4 (Lento ma non troppo) (4:01) 14. Mazurek g-moll op. 24 nr 1 (Lento) (2:52) 15. Mazurek C-dur op. 24 nr 2 (Allegro non troppo) (2:19) 16. Mazurek As-dur op. 24 nr 3 (Moderato) (2:05) 17. Mazurek B-moll op. 24 nr 4 (Moderato) (4:54) 18. Mazurek c-moll op. 30 nr 1 (Allegretto non tatnto) (1:37) 19. Mazurek h-moll op. 30 nr 2 (Vivace) (1:30) 20. Mazurek Des-dur op. 30 nr 3 (Allegro non troppo) (3:07) 21. Mazurek cis-moll op. 30 nr 4 (Allegretto) (4:11) 22. Mazurek gis-moll op. 33 nr 1 (Mesto) (1:45) 23. Mazurek D-dur op. 33 nr 2 (2:14) 24. Mazurek C-dur op. 33 nr 3 (1:40) 25. Mazurek h-moll op. 33 nr 4 (4:56) 26. Mazurek e-moll op. 41 nr 1 (2:22) 27. Mazurek H-dur op. 41 nr 2 (1:18) 28. Mazurek As-dur op. 41 nr 3 (2:13) 29. Mazurek cis-moll op. 41 nr 4 (Maestoso) (3:29) Vol 3 â?? Mazurkas CD2 (78:15) 01. 3 Mazurkas op.50 No.1 in G major â?? Vivace (2:35) 02. 3 Mazurkas op.50 No.2 in A flat major â?? Allegretto (3:43) 03. 3 Mazurkas op.50 No.3 in C sharp minor â?? Moderato (5:25) 04. 3 Mazurkas op.56 No.1 in B major â?? Allegro non tanto (4:53) 05. 3 Mazurkas op.56 No.2 in C major â?? Vivace (1:42) 06. 3 Mazurkas op.56 No.3 in C minor â?? Moderato (6:08) 07. 3 Mazurkas op.59 No.1 in A minor â?? Moderato (3:49) 08. 3 Mazurkas op.59 No.2 in A flat major â?? Allegretto (2:45) 09. 3 Mazurkas op.59 No.3 in F sharp minor â?? Vivace (3:37) 10. 3 Mazurkas op.63 No.1 in B major â?? Vivace (2:11) 11. 3 Mazurkas op.63 No.2 in F minor â?? Lento (1:55) 12. 3 Mazurkas op.63 No.3 in C sharp minor â?? Allegretto (2:19) 13. 4 Mazurkas op.posth.67 No.1 in G major â?? Vivace (1:21) 14. 4 Mazurkas op.posth.67 No.2 in G minor â?? Cantabile (2:09) 15. 4 Mazurkas op.posth.67 No.3 in C major â?? Allegretto (1:36) 16. 4 Mazurkas op.posth.67 No.4 in A minor â?? Allegretto (2:54) 17. 4 Mazurkas op.posth.68 No.1 in C major â?? Vivace (1:46) 18. 4 Mazurkas op.posth.68 No.2 in A minor â?? Lento (3:05) 19. 4 Mazurkas op.posth.68 No.3 in F major â?? Allegro ma non troppo (1:47) 20. 4 Mazurkas op.posth.68 No.4 in F minor â?? Andantino (4:34) 21. Mazurka in A minor â??а son ami Emile Gaillardâ?? Allegretto (3:52) 22. Mazurka in A minor â??notre tempsâ?? Allegretto (3:57) 23. Mazurka in B flat major (1:33) 24. Mazurka in G major (1:10) 25. Mazurka in A flat major op. posth. (2:02) 26. Mazurka in C major op. posth. (2:49) 27. Mazurka in B flat major op. posth. (1:07) 28. Mazurka in D major op. posth. (1:31) Vol 4 â?? Nocturnes CD1 (56:08) 01. 3 Nocturnes op.9 No.1 in B flat minor â?? Larghetto (5:43) 02. 3 Nocturnes op.9 No.2 in E flat major â?? Andante (4:34) 03. 3 Nocturnes op.9 No.3 in B major â?? Alegretto (7:16) 04. 3 Nocturnes op.15 No.1 in F major â?? Andante cantabile (4:30) 05. 3 Nocturnes op.15 No.2 in F sharp major â?? Larghetto (3:55) 06. 3 Nocturnes op.15 No.3 in G minor â?? Lento (3:58) 07. 2 Nocturnes op.27 No.1 in C sharp minor â?? Larghetto (4:56) 08. 2 Nocturnes op.27 No.2 in D major â?? Lento sostenuto (6:29) 09. 2 Nocturnes op.32 No.1 in B major â?? Andante sostenuto (5:22) 10. 2 Nocturnes op.32 No.2 in A flat major â?? Lento (5:39) 11. 2 Nocturnes op.37 No.1 in G minor â?? Andante sostenuto (5:46) Vol 4 â?? Nocturnes CD2 (56:33) 01. 2 Nocturnes op.37 No.2 in G major â?? Andantino (5:50) 02. 2 Nocturnes op.48 No.1 in C minor â?? Lento (6:19) 03. 2 Nocturnes op.48 No.2 in F sharp minor â?? Andantino (7:15) 04. 2 Nocturnes op.55 No.1 in F minor â?? Andante (4:42) 05. 2 Nocturnes op.55 No.2 in E flat major â?? Lento sostenuto (5:32) 06. 2 Nocturnes op.62 No.1 in B major â?? Andante (8:18) 07. 2 Nocturnes op.62 No.2 in E major â?? Lento (6:14) 08. Nocturne in E minor op.posth.72 No.1 â?? Andante (4:23) 09. Nocturne in C sharp minor op. posth. â?? Lento con gran espressione (4:36) 10. Nocturne in C minor op. posth. (3:24) Vol 5 â?? Polonaises CD1 (61:53) 01. 2 Polonaises op.26 No.1 in C sharp minor â?? Allegro appassionato (8:26) 02. 2 Polonaises op.26 No.2 in E flat minor â?? Maestoso (8:37) 03. 2 Polonaises op.40 No.1 in A major â?? Allegro con brio (5:27) 04. 2 Polonaises op.40 No.2 in C minor â?? Allegro maestoso (8:06) 05. Polonaise in F sharp minor op.44 â?? Tempo di polacca â?? doppio movimento, tempo di Mazurka (10:56) 06. Polonaise in A major op.53 â?? Maestoso (7:07) 07. Polonaise-Fantaisie in A flat major op.61 â?? Allegro maestoso (13:14) Vol 5 â?? Polonaises CD2 (75:31) 01. Andante Spianato,Op.22-In Eb (4:56) 02. Andante Spianato,Op.22-In Eb (8:33) 03. Polonaises,Op.71-No.1 in Dm (5:46) 04. Polonaises,Op.71-No.2 in Bb (7:58) 05. Polonaises,Op.71-No.3 in Fm (6:25) 06. Polonaise In Bbm â??Adieuâ?? (6:44) 07. Polonaise In Gb (8:14) 08. Polonaise In Gm (3:30) 09. Polonaise In Bb (3:17) 10. Polonaise In Ab (3:57) 11. Polonaise In G#m-Moderato (7:06) 12. Bourrйes No.1 in Gm (0:31) 13. Bourrйes No.2 in A (0:30) 14. Galop Marquis In Ab (0:42) 15. Album Leaf In E-Moderato (1:20) 16. Cantabile In Bb (1:05) 17. Fugue In Am (3:06) 18. Largo In Eb (2:11) Vol 6 â?? Preludes & Scherzos CD1 (60:58) 01. 24 Preludes op.28 No.1 in C major â?? Agitato (0:31) 02. 24 Preludes op.28 No.2 in A minor â?? Lento (2:09) 03. 24 Preludes op.28 No.3 in G major â?? Vivace (0:51) 04. 24 Preludes op.28 No.4 in E minor â?? Largo (1:51) 05. 24 Preludes op.28 No.5 in D major â?? Allegro molto (0:30) 06. 24 Preludes op.28 No.6 in B minor â?? Lento assai (1:46) 07. 24 Preludes op.28 No.7 in A major â?? Andantino (0:44) 08. 24 Preludes op.28 No.8 in F sharp minor â?? Molto agitato (1:28) 09. 24 Preludes op.28 No.9 in E major â?? Largo (1:30) 10. 24 Preludes op.28 No.10 in C sharp â?? Allegro molto (0:24) 11. 24 Preludes op.28 No.11 in B major â?? Vivace (0:32) 12. 24 Preludes op.28 No.12 in G sharp minor â?? Presto (0:57) 13. 24 Preludes op.28 No.13 in F sharp major â?? Lento (2:44) 14. 24 Preludes op.28 No.14 in Eb flat minor â?? Allegro (0:29) 15. 24 Preludes op.28 No.15 in D flat major â?? Sostenuto (4:50) 16. 24 Preludes op.28 No.16 in B flat minor â?? Presto con fuoco (0:58) 17. 24 Preludes op.28 No.17 in A flat major â?? Allegretto (2:50) 18. 24 Preludes op.28 No.18 in F minor â?? Allegro molto (0:47) 19. 24 Preludes op.28 No.19 in E flat major â?? Vivace (1:04) 20. 24 Preludes op.28 No.20 in C minor â?? Largo (1:32) 21. 24 Preludes op.28 No.21 in B flat major â?? Cantabile (1:33) 22. 24 Preludes op.28 No.22 in G minor â?? Molto agitato (0:34) 23. 24 Preludes op.28 No.23 in F major â?? Moderato (0:43) 24. 24 Preludes op.28 No.24 in D minor â?? Allegro appassionato (2:15) 25. Prelude in C sharp minor op.45 â?? Sostenuto (4:02) 26. Prelude in A flat major op. posth (0:44) 27. 4 Impromptus â?? No.1 in A flat major op.29 â?? Allegro assai quasi Presto (4:45) 28. 4 Impromptus â?? No.2 in F sharp major op.36 â?? Andantino (6:42) 29. 4 Impromptus â?? No.3 in G flat major op.51 â?? Tempo giusto (6:17) 30. 4 Impromptus â?? No.4 â??Fantaisie-Impromptuâ?? in C sharp minor op.posth.66 â?? Allegro agitato (4:56) Vol 6 â?? Preludes & Scherzos CD2 (75:36) 01. 4 Scherzos No.1 in B minor op.20 â?? Presto con fuoco (9:34) 02. 4 Scherzos No.2 in B flat minor op.31 â?? Presto (9:54) 03. 4 Scherzos No.3 in C sharp minor op.39 â?? Presto con fuoco (7:23) 04. 4 Scherzos No.4 in E minor op.54 â?? Presto (10:35) 05. Rondo in C minor op.1 â?? Allegro (10:17) 06. Rondo a la mazur in F major op.5 â?? Vivace (9:24) 07. Rondo in E flat major op.16 â?? Introduzione. Andante â?? Rondo. Allegro vivace (10:05) 08. Rondo for Two Pianos in C major op.posth.73 â?? Veloce â?? Sostenuto e legato (9:24) Vol 7 â?? Sonatas & Variations CD1 (76:55) 01. Klaviersonate 1.1 (9:59) 02. Klaviersonate 1.2 (4:42) 03. Klaviersonate 1.3 (3:36) 04. Klaviersonate 1.4 (6:45) 05. Klaviersonate 2.1 (7:17) 06. Klaviersonate 2.2 (6:15) 07. Klaviersonate 2.3 (8:24) 08. Klaviersonate 2.4 (1:29) 09. Klaviersonate 3.1 (12:51) 10. Klaviersonate 3.2 (2:26) 11. Klaviersonate 3.3 (8:14) 12. Klaviersonate 3.4 (4:54) Vol 7 â?? Sonatas & Variations CD2 (51:33) 01. Introduction and Variations on a German National Air (6:31) 02. Souvenir de Paganini (4:21) 03. Introduction, Theme, and Variations on a Theme of Moore (8:19) 04. Introduction, Theme, and Variations on a Theme of Moore (7:37) 05. Variation no.6 from Hexameron (1:40) 06. Allegro de Concert (11:40) 07. Bolero (8:08) 08. Tarantella (3:17) Vol 8 â?? Waltzes & Chamber Music CD1 (62:49) 01. Grande Valse brillante in E flat major op.18 (5:38) 02. 3 Walzes op.34 No.1 A flat major Vivace (5:39) 03. 3 Walzes op.34 No.2 A minor Lento (5:49) 04. 3 Walzes op.34 No.3 F major Vivace (2:26) 05. Walz in A flat major op.42 (4:02) 06. 3 Walzes op.64 No.1 D flat major Molto vivace (1:54) 07. 3 Walzes op.64 No.2 C sharp minor Tempo giusto (3:27) 08. 3 Walzes op.64 No.3 A flat major Moderato (3:10) 09. 2 Walzes op.ph.69 No.1 A flat major Tempo di Valse (3:37) 10. 2 Walzes op.ph.69 No.2 B minor (3:38) 11. 3 Walzes op.ph.70 No.1 G flat major (2:48) 12. 3 Walzes op.ph.70 No.2 F minor (3:19) 13. 3 Walzes op.ph.70 No.3 D flat major Moderato (2:52) 14. Walz in E minor op. ph. (2:58) 15. Walz in A flat major op. ph. (1:25) 16. Walz in E major op. ph. Tempo di Valse (2:33) 17. Walz in E flat major op. ph. (2:50) 18. Walz Sostenuto in E flat major op. ph. (2:00) 19. Walz in A minor op. ph. Allegretto (2:44) Vol 8 â?? Waltzes & Chamber Music CD2 (79:58) 01. Trio for Piano, Violin and Violoncello in G minor, op.8 â?? 1. Allegro con fuoco (10:46) 02. Trio for Piano, Violin and Violoncello in G minor, op.8 â?? 2. Scherzo. Con moto ma non troppo (6:56) 03. Trio for Piano, Violin and Violoncello in G minor, op.8 â?? 3. Adagio sostenuto (6:12) 04. Trio for Piano, Violin and Violoncello in G minor, op.8 â?? 4. Allegretto (5:50) 05. Introduction and Polonaise brilliante for Violoncello and Piano in C major, op.3 (8:17) 06. Grand Duo conertant for Violoncello and Piano in E major (12:40) 07. Sonata for Violoncello and Piano in G minor, op.65 â?? 1. Allegro moderato (15:13) 08. Sonata for Violoncello and Piano in G minor, op.65 â?? 2. Scherzo (4:52) 09. Sonata for Violoncello and Piano in G minor, op.65 â?? 3. Largo (3:41) 10. Sonata for Violoncello and Piano in G minor, op.65 â?? 4. Finale. Allegro (5:30) Vol 9 â?? Songs (46:47) 01. Zyczenie (The Wish) (1:51) 02. Wiosna (Spring) (2:45) 03. Smutna rzeka (The Sad River) (3:14) 04. Hulanka (Merrymaking) (2:32) 05. Gdzie lubi (What She Likes) (1:23) 06. Precz z moich oczu (Out Of My Sight) (3:21) 07. Posel (The Messenger) (3:01) 08. Sliczny chlopiec (Handsome Lad) (2:24) 09. Melodia (Melody) (2:18) 10. Wojak (The Warrior) (2:26) 11. Dwojaki koniec (The Double End) (1:56) 12. Moja pieszczotka (My Darling) (1:54) 13. Nie ma czego trzeba (I Want What I Have Not) (3:42) 14. Pierscien (The Ring) (1:32) 15. Narzeczony (The Bridegroom) (2:00) 16. Piosnka litewska (Lithuanian Song) (2:33) 17. Spiew z mogilki (Hymn From the Tomb) (4:16) 18. Czary (Enchantment) (2:14) 19. Dumka (Reverie) (1:15) Download: http://www.filesonic.com/file/136529901/Chopin.Complete.Edition.1999.part1.rar http://www.filesonic.com/file/136542361/Chopin.Complete.Edition.1999.part2.rar http://www.filesonic.com/file/136546851/Chopin.Complete.Edition.1999.part3.rar http://www.filesonic.com/file/136640891/Chopin.Complete.Edition.1999.part4.rar http://www.filesonic.com/file/136639881/Chopin.Complete.Edition.1999.part5.rar http://www.filesonic.com/file/136653631/Chopin.Complete.Edition.1999.part6.rar Folder: http://www.filesonic.com/folder/1418851 Mirror: http://www.fileserve.com/file/ZAfbfC8/Chopin.Complete.Edition.1999.part1.rar http://www.fileserve.com/file/XsUXUxj/Chopin.Complete.Edition.1999.part2.rar http://www.fileserve.com/file/uqtgvKy/Chopin.Complete.Edition.1999.part3.rar http://www.fileserve.com/file/Q3A4hvC/Chopin.Complete.Edition.1999.part4.rar http://www.fileserve.com/file/nW4wREx/Chopin.Complete.Edition.1999.part5.rar http://www.fileserve.com/file/V2deSrr/Chopin.Complete.Edition.1999.part6.rar -- __._,_.___ | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico Mensagens neste tópico (1) Atividade nos últimos dias: Visite seu Grupo Este grupo é adulto e de livre pensamento, sem censuras. Mas não permite mensagens de mau gosto, principalmente as com referência à sexo explícito (não confundimos com a beleza do erotismo). Publique seu texto gratuitamente no I Love: http://rabiscos.terra.com.br/ Ano Novo... merece companhia nova! Que tal tentar agora mesmo? Trocar para: Só Texto, Resenha Diária ? Sair do grupo ? Termos de uso. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Karach, um participante do Congresso de Cancerologia e Bacteriologia da Ucrânia, no qual foi explicado um método incomum e muito simples de cura para o corpo humano com a ajuda do óleo vegetal de girassol. Os resultados desse processo de cura provocam admiração e dúvidas sobre o conteúdo de seu relatório, mas, após um exame mais detalhado de sua terapia com o óleo, qualquer um pode se convencer dos argumentos dele e experimentar os efeitos em seu próprio corpo. É mais do que impressionante que um método de cura tão simples possa produzir um sucesso tão grande para a saúde, tanto no tratamento quanto na cura de doenças "nas quais se pode até evitar cirurgias ou ingestão de medicamentos de vários tipos com seus efeitos colaterais tão prejudiciais". Dr. Karach continua expondo que, na verdade, o princípio da cura está principalmente na maneira como ela é feita, isto é, em saborear e bochechar o óleo na cavidade bucal. O resto da cura é feita pelo próprio organismo humano. Deste modo, é possível que, ao mesmo tempo, todas as células e tecidos do corpo se regenerem juntos. Com isso, impede-se o extermínio da flora bacteriana e, conseqüentemente, os estragos no organismo. Do contrário, o equilíbrio do organismo é enfraquecido e, como conseqüência final, fica diminuído e seu tempo de vida. O ser humano vive, praticamente, só a metade dos anos que poderia viver. Ele poderia muito bem atingir 140 ou 150 anos. Com este método, dores de cabeça, bronquite, dores de dente, trombose, doenças sanguíneas crônicas, artrose, paralisia, eczemas, úlcera no estômago, doenças intestinais, dores nos rins e no coração, encefalite e doenças femininas, foram totalmente curadas. Como profilaxia, a formação de tumores letais é impedida e também curada, assim como, por exemplo, doenças sanguíneas crônicas, paralisia, doenças nervosas, estomacais, pulmonares e de fígado e, a doença do sono epidêmica. O método de cura aqui apresentado, cura o organismo por inteiro e funciona também como preventivo nos casos de tumores e enfartos. Com esse método consegui curar minha doença sanguínea crônica, com a qual convivi durante 15 anos e curei também minha artrose. O Processo de Cura com Óleo de Girassol Vegetal MODO DE USAR: Coloca-se na boca uma colher de óleo (no máximo uma colher de sopa - no mínimo, uma colher de chá). Esse óleo vai ser trabalhado na boca, sem pressa e sem esforço. Faz-se bochechos com o óleo, de boca fechada, durante 15 a 20 minutos. O óleo não deve ser engolido de jeito nenhum. A princípio o óleo deve estar pastoso, mas depois vai ficando mais fluido. Quando a boca estiver bem cheia de líquido, cospe-se tudo. O líquido que sai tem que estar branco como leite. Se ainda estiver amarelo é sinal que se bochechou por pouco tempo. Depois de cuspir, lave a boca várias vezes com água corrente e escove os dentes. O líquido branco que foi cuspido está cheio de veneno (no sentido figurado), de tal forma que a pia ou o lavatório onde se cuspiu o líquido, tem que ser bem lavados. No líquido cuspido se encontra uma quantidade imensa de bactérias, vários tipos de micróbios patogênicos e outras substâncias patogênicas prejudiciais à saúde. Se nós formos examinar uma gota deste líquido num microscópio que aumenta 600 vezes, veremos uma série de fibras se movimentando. Estas fibras são exatamente os micróbios em estágio inicial de desenvolvimento, não permitindo que se atinja um estado de saúde permanente. Um dos efeitos mais acentuados é fortalecimento dos dentes bambos, acaba com sangramento das gengivas e os dentes se tornam mais brancos. É melhor fazer este bochecho com o óleo de manhã cedo, ao se levantar e sem ter lavado o rosto e escovado os dentes, isto é, antes de tomar o café da manhã. Se quiser apressar o processo de cura, pode-se repetir o processo por três (03) vezes ao dia, antes das refeições e com o estômago vazio. A única coisa que acontece é o aceleramento do processo de cura e não há prejuízo à saúde. Este tratamento deve ser mantido até que: a) o organismo volte a ter sua fortaleza original, b) você volte a ter sono tranqüilo, c) ao acordar não sinta fadiga nenhuma, d) os olhos devem estar sem olheiras, e) um apetite saudável, um bom sono e uma memória sem problemas voltem a existir. Aqui é bom salientar que no princípio possa aparecer uma piora aparente, especialmente nos pacientes que sofrem de várias doenças ao mesmo tempo. Este sentimento aparece principalmente quando os focos de infecção começam a desaparecer ou quando um foco de infecção inflamado começa sobre outro foco, que no futuro iria se converter numa doença perigosa. Não há, entretanto, por causa disto, nenhum fundamento para interromper o tratamento, mesmo que apareça febre. Uma piora significa apenas que a doença está desaparecendo e o organismo está se recuperando. A cura em si acontece durante o bochechar com o óleo e, quantas vezes por dia se quer aplicar o tratamento, fica por conta da decisão de cada pessoa. Doenças súbitas demoram de dois a quatro dias para serem curadas. Doenças crônicas demoram até um ano para serem curadas. Não interrompa o tratamento até conseguir a cura OBS.: Tradução por Cleuza During, baseada no texto publicado na revista "Natur und Medizin" - Nº 1 - Jan/Fev - 1993 - Pág 08 - Endereço: Am Nichaelshof 6.5300 - Bonn 2 - Alemanha 14 03 93 Depoimentos "Há três anos, eu sofria de um eczema vermelho e dolorido, que se estendia como uma marca feia do nariz à boca. A marca não melhorava com nenhum tipo de medicação. Quando li o artigo sobre o óleo de girassol na primeira circular desse ano, comecei imediatamente a bochechar com o óleo. Na terceira manhã, estava me olhando no espelho para me pentear e não acreditei o que vi: o eczema havia desaparecido por completo e até hoje não voltou". Agora se passaram seis semanas e os milagres continuam. Durante mais de 30 anos tive que consultar um médico, na primavera e no outono, por causa de uma sinusite, muitas vezes acompanhada de uma forte febre. Fazia inalações, gargarejos e recebia tratamento ultravioleta. Outras vezes ficava acamada. Seis semanas após a terapia com óleo, tudo desapareceu. Os lenços não estão mais repletos de muco e manchas escuras e até a bronquite desapareceu. Realmente não estou exagerando, e gostaria que soubessem da minha profunda gratidão pela publicação do artigo." "Há alguns anos, duas freiras alemãs foram para a Rússia trabalhar com freiras polonesas em um grande centro industrial. Em seu relatório a Casa Mãe, mencionaram um costume estranho: antes de cada uma das três refeições era obrigada a "mastigar" o óleo de girassol durante 15 minutos. Não gostavam nada deste costume, que consideravam absurdo. Um ano mais tarde, mandaram novo relatório. Desta vez, mencionaram novamente o óleo de girassol, mas de forma mais positiva. Ficaram abismadas ao perceber que muitos problemas de saúde haviam desaparecido e ambas estavam se sentindo fortes e saudáveis apesar do trabalho pesado. Atribuíram tudo isso ao óleo de girassol, tão valorizado pela população local. "Logo após a publicação do primeiro artigo sobre curas com o óleo de girassol comecei com essa terapia. Parece incrível, mas há anos não tenho mais nenhum resfriado ou gripe". "Há dois anos estou bochechando diariamente com óleo de girassol durante 15 minutos ao levantar. Resultado: há anos vivo sem resfriado, tosse, dor de garganta ou sinusite. Não tenho mais medo de andar de ônibus ou trem repleto de passageiros tossindo" Há 20 anos estava sofrendo de um eczema no canal do ouvido. Muitas vezes a coceira era tão intensa que eu coçava até sangrar, outra escorria uma secreção malcheirosa do ouvido. A cada quatro semanas era preciso ir ao otorrino para fazer uma limpeza no canal. Nos últimos anos, ainda apareceu um zumbido no ouvido. A lavagem, as pomadas, e eventual irradiação só ajudavam durante quinze dias. Motivada por inúmeros depoimentos, decidi então bochechar a cada manhã com óleo de girassol ? uma colher de sopa durante 20 a 30 minutos. A coceira acabou após quatro dias apenas e, aos poucos, o canal ficou completamente liso. Durante a consulta seguinte o otorrino comentou: ?Não entendo, mas o ouvido está completamente curado. O que foi que a senhora fez?? "Um amigo nosso teve um eczema muito grave no dorso da mão. Durante muito tempo ia de medico em medico. Começou a bochechar com óleo e após seis semanas, a erupção desapareceu para nunca mais voltar". "Estou bochechando desde 1993 e após um ano percebi que nunca mais tive câimbras na barriga da perna e nos pés?. "Há dois anos estou bochechando durante o inverno duas a três vezes ao dia. Desde então meus brônquios não são mais afetados, não preciso mais usar spray ou medicamentos". "Há dois anos bochecho regularmente com óleo de girassol. Antes disso, tinha um resfriado e gripe atrás do outro, apesar de me alimentar bem, praticar esporte, banhos alternados e sauna. Após os bochechos, não tive mais infecções respiratórias e, além disso, desapareceu o sangramento das gengivas, minha pele está mais limpa e pequenas feridas saram mais depressa. Também sinto que o bochecho tem um efeito calmante quando estou muito estressada e em pouco tempo, desaparecem os sintomas psicossomáticos no estomago e intestino, gostaria que isso servisse de incentivo para todos que ainda não provaram os bochechos". "Há dois anos e meio estou bochecho regularmente e desde então minha bronquite de que sofria varias vezes por ano nunca mais apareceram. Também os meus problemas na gengiva desapareceram por completo". O dentista John E. Waters observou que existe uma relação entre tumores malignos e tártaros nos dentes: em 20 anos de profissão, ele não encontrou nenhum caso câncer isento de tártaro nos dentes. Todos os casos de câncer e diabete vinham acompanhados de forte tártaro, o que pode servir de sinal de alarme. "Quando li a respeito do óleo de girassol comecei imediatamente a bochechar por causa de sangramentos na gengiva e problemas circulatórios. Ambos melhoraram e há dois meses também a dor nas costas diminuiu muito: posso me virar à vontade na cama e levantar com facilidade. Sinto-me melhor do que há muitos anos". "Meu dentista ficou muito admirado que meu tártaro praticamente desapareceu. Problemas crônicos levam mais tempo para melhorar. As hemorróidas desapareceram após nove meses. Minha pele ficou limpa após um ano, as varizes diminuíram e os problemas de insônia desapareceram. Após um ano minha pressão sanguínea, muito baixa, ficou normal. É importante perseverar. Todos os meus amigos que perseveraram melhoraram a saúde". "Comecei a bochechar bastante descrente, mas logo após as primeiras aplicações desapareceu o zumbido dos ouvidos que muitas vezes havia chegado ao limite tolerável, Somente aquele que já sentiu esta tortura pode imaginar o meu alivio. Além disso, desapareceram os problemas brônquios e melhorou meu reumatismo. Estou me sentindo muito bem". "Há um ano as dores em meu joelho direito haviam aumentado tanto que durante três dias não pude levantar. Comecei imediatamente com a terapia do óleo e após duas semanas melhorei muito. Tive medo que a melhora fosse apenas passageira, mas até hoje as dores não voltaram". Também tenho uma tia de 87 anos que há muito tempo só podia se locomover com muita dor e apoiada e, uma bengala para andar os 300 metros até a minha casa. Também para ela parece um milagre: caminhando sem bengala e me acompanha à cidade para fazer compras." "Conheço três pessoas que curaram as dores no ombro e uma que deixou de ter dores no joelho. Eu mesma curei a minha dor crônica no cóccix. Durante as férias, não bochechei e as dores voltaram. Ao retornar, recomecei a bochechar e as dores tornaram a desaparecer. Isso para mim é uma prova da eficácia do óleo". "Há mais de quatro anos estou bochechando regularmente de manhã. É impossível comparar meu estado atual de saúde com a época anterior, quando constantemente resfriada, com dor de garganta, tosse, sinusite, sangramento na gengiva, tonturas e fraqueza. Tudo isso desapareceu e estou feliz de viver sem medo alguns desses problemas". "Estou bochechando há algum tempo e a asma e a bronquite melhoraram." Terapia pela Técnica de Extração com Óleo ["Oil Pulling"] Esta é uma técnica bem natural e suave, que pode curar inúmeros problemas de saúde, como pode ser observado na literatura: vide http://www.oilpulling.com/ e http://www.earthclinic.com/Remedies/oil_pulling.html, por exemplo. Técnica: Bochechar uma colher de sopa de óleo de gergelim ("sesame") ou girassol, durante 15 a 20 minutos, até o óleo ficar bem diluído na saliva e com cor branca [se o óleo ainda estiver amarelado, você não o bochechou suficiente], com o estômago vazio [antes do café da manhã, ou antes das 3 refeições diárias]. Lavar a boca com água após cuspir fora o óleo. Não engolir o óleo, que estará cheio de parasitas e bactérias, após o bochecho. Os óleos devem, de preferência serem não-refinados ("cold pressed"), mas os dois citados acima também funcionam quando refinados (facilmente encontrado em supermercados). Não se deve gargarejar o óleo, apenas o movimentar na boca lentamente. Remova pontes e dentaduras antes de começar o gargarejo. Após o gargarejo pode-se comer logo em seguida, sem necessidade de se esperar certo intervalo de tempo. Apenas os dois tipos de óleo citados [gergelim e girassol] têm dado consistentemente bons resultados. Como funciona: O óleo extrai os mucos, bactérias e toxinas de seu corpo utilizando sua saliva. De acordo com a Medicina Ayurvédica, o muco é um veneno que deve ser removido de seu corpo. Comentários: Esta parece ser também uma técnica de cura muito popular na Rússia [Dr. F. Karach]. Como qualquer técnica curativa, pode surgir certo agravamento de sintomas [crise curativa] antes da cura completa da doença aguda ou crônica. Muitos problemas orgânicos têm sido sanados com esta técnica, tais como: mau hálito, limpeza e clareamento dos dentes, eliminação de inflamações na gengiva (gengivite e periodontite), refixação de dentes moles (com mobilidade), eliminação de febres, gripes e resfriados, artrite, doenças femininas (regularização da menstruação e distúrbios hormonais), redução de varizes (veias saltadas) nas pernas, melhoria na visão, bons resultados nos casos de câncer e AIDS, etc. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110314/800311fc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 14 20:27:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 14 Mar 2011 20:27:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_RUI_OSVALDO_AGUIAR_PFUTZENREUTER_______?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-LXXIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem RUI OSVALDO AGUIAR PFUTZENREUTER (1942-1972) Filiação: Leonia Aguiar Pfützenreuter e Osvaldo Pfützenreuter Data e local de nascimento: 03/11/1942, Orleans (SC) Organização política ou atividade: PORT Data e local da morte: 15/04/1972, São Paulo (SP) Dirigente do Partido Operário Revolucionário (trotskista), de linha posadista, Rui Osvaldo foi morto em São Paulo em 15/04/1972, por agentes do DOI-CODI/SP. A versão oficial divulgada pelas autoridades do regime militar, de que ele morreu em violento tiroteio com agentes policiais, foi prontamente repelida por qualquer pessoa informada sobre as diferentes orientações políticas existentes entre os grupos de esquerda no Brasil. O PORT era sabidamente adversário das ações de luta armada, seus militantes não utilizavam armamentos e os boletins do partido condenavam as organizações clandestinas que sustentavam a guerrilha urbana. Os agentes e analistas do próprio DOI-CODI sabiam muito bem disso e demonstraram, mais uma vez, o sentimento de completa impunidade de que gozavam, ao divulgar uma farsa que todos sabiam não conter qualquer verossimilhança. Rui Osvaldo nasceu em Orleans (SC), filho de conceituada família na cidade, onde seu pai era exator federal. Cursou o primário no Grupo Escolar Costa Carneiro, em Orleans e o secundário no Colégio São Ludgero e Colégio Dehon, em Tubarão. Em 1964, graduou-se em Jornalismo e Sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Rui desenvolvia intensa atividade teórica, escrevia em jornais clandestinos, organizava grupos de estudos e debates, dava palestras sobre a situação nacional e os caminhos para a revolução brasileira, tornando-se conhecido intelectualmente pela defesa das idéias trotskistasposadistas. Já tinha sido preso pelo Exército em 1964, em Porto Alegre. Mudou-se para São Paulo com o objetivo de organizar o PORT, do qual foi um dos principais dirigentes. Trabalhou em diversas empresas metalúrgicas, dentre elas a MWM e Chiarioni. De acordo com a versão oficial, Rui "foi morto em tiroteio com agentes de segurança em 15/04/1972". A requisição de exame registra o horário com precisão digna de nota: Rui Osvaldo faleceu às 00h01 e nesse exato minuto seu corpo foi encontrado à Rua general Salgado Santos, 25, no Parque São Lucas. O exame de necropsia, realizado no dia 16/04/1972, mais uma vez por Isaac Abramovitc e Antonio Valentini, descreve dois tiros: na face anterior do terço médio do antebraço direito, que saiu na face anterior, após fratura de dois ossos do antebraço e na face lateral do hemitorax direito, na linha axilar posterior na altura do nono espaço intercostal, que se alojou junto da região mamária esquerda - nenhum deles visível na única foto de seu corpo localizada no DOPS/SP. O laudo não registra as escoriações e hematomas perfeitamente visíveis na foto e indicativos de que sofrera torturas. Depoimentos dos presos políticos Ayberê Ferreira de Sá e Almério Melquíades de Araújo na Justiça Militar, à época, denunciaram a morte de Rui no DOI-CODI/SP. Foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus e, com os esforços de seu pai, acabou tendo os restos mortais trasladados para o jazigo da família, em Santa Catarina. Nessa ocasião, ainda sob o regime militar, a Câmara de Vereadores de Orleans votou a lei que deu o nome do jornalista a uma praça. Na mesma época, os formandos da primeira turma de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Catarina o escolheram como patrono. Foi o pai quem encaminhou o requerimento à CEMDP, vindo a falecer em maio de 1996, poucos meses depois de ter sido votada a responsabilidade do Estado brasileiro na morte do filho, aprovada por unanimidade. Em outubro de 1995, por ocasião de cerimônia pela passagem dos 20 anos da morte de Vladimir Herzog, Osvaldo Pfützenreuter esteve presente em sua última homenagem pública ao filho, quando foi colocada uma placa com seu nome na Casa do Jornalista, em Florianópolis. Em 16/5/1972, traumatizado com a violenta morte do filho, Osvaldo não se intimidou perante o clima de terror político imperante e escreveu ao então presidente Emílio Garrastazu Médici: "Há dias fui avisado de sua prisão pela polícia política, em circunstâncias nebulosas, pois nunca mais foi visto, estando pois desaparecido, desde que foi detido. Em São Paulo (...) dirigi-me à 'OBAN' e ao DOPS no dia 7 do corrente, onde me informaram: 'Nada consta!' ... Me dirigi novamente ao DOPS no dia 11, onde uma vez mais recebi uma resposta negativa e dali fui à OBAN, onde indignado e angustiado faço um pedido dramático e em alta voz que me dessem notícias de meu filho, que ao menos reconhecessem sua prisão e que me dissessem quando poderia estar com ele. Nada quebrou a frieza dos funcionários, nenhum deles, e todos sabiam da 'via crucis' em que havia se transformado minha vida, nenhum deles se dignou a dizer um `a`, uma orientação para localizá-lo, nada. Nenhum disse o que todos sabiam e que temiam e temem que seja público. Deste órgão (OBAN) me dirigi, numa última tentativa, ao IML, onde simplesmente me informaram que Ruy deu entrada (em linguagem clara, morreu) no dia 15 e no mesmo dia foi enterrado no Cemitério de Perus. A minhas perguntas responderam simplesmente: 'Vá ao DOPS'. Para obter a autorização para retirar a certidão de óbito e a autorização para transportar o corpo para sua terra natal, um funcionário de nome Jair Romeu me deu um papel com o nome do delegado Dr. Tácito, do DOPS. No DOPS o Dr. Tácito me disse desconhecer o caso e que voltasse na próxima segunda-feira (dia 15). Na data indicada fui ao DOPS, o Dr. Tácito encaminhou-me ao Dr. Bueno, que me mostrou entre vários papéis a certidão de óbito e uma fotografia de meio corpo de meu filho depois de morto. Nesta foto aparecem duas nítidas manchas escuras. E se tomo a iniciativa de denunciar e usar todos os canais para castigar os responsáveis e conseguir dar a meu filho um enterro digno em sua terra natal, é para que amanhã outros pais não tenham que, amargurados e silenciosamente, enterrar seus filhos, como se fosse possível enterrar junto a seus corpos, suas idéias, suas lembranças e a força renovadora de sua juventude. Uma grande lição a vida me ensinou, e meu filho, mais do que ninguém, a lição da solidariedade humana". Cópias dessa carta foram remetidas aos líderes dos dois partidos no Senado e na Câmara, aos jornais, aos principais bispos da Igreja Católica, ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e aos organismos de Direitos Humanos da ONU e da OEA. Foi lida da tribuna da Câmara dos Deputados pelo parlamentar oposicionista gaúcho Nadyr Rossetti, em 12/6/1972, sendo apoiado em apartes por outros representantes do MDB: Lysâneas Maciel, Marcos Freire, JG de Araújo Jorge e Jaison Barreto. =========================================================================================================================== + Informações. RUY OSVALDO AGUIAR PFITZENREUTER Dirigente do PARTIDO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO TROTSKISTA (PORT). Nascido a 3 de novembro de 1942, em Orleans/SC, filho de Osvaldo Pfitzenreuter e Leonis Aguiar Pfitzenreuter. Morto aos 30 anos, em São Paulo. Foi aluno do 1° grau no Grupo Escolar Costa Carneiro, em sua cidade natal. Estudou no Colégio São Dudgero e depois transferiu-se para o Ginásio Dehon, em Tubarão (SC), donde concluiu o curso ginasial. O científico foi realizado em Blumenau (SC). Mudando-se para Porto Alegre, formou-se em jornalismo e sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em dezembro de 1964. Preso por agentes do DOI/CODI-SP no dia 14 de abril de 1972 e morto sob torturas nas dependências daquele órgão. Ruy, que fora enterrado no cemitério de Perus como indigente, graças aos esforços de seu pai, acabou tendo seus restos mortais trasladados para o jazigo da família, em Santa Catarina. Nesta ocasião, ainda sob o domínio da ditadura militar, a Câmara de Vereadores de Orleans, numa atitude corajosa, votou a lei que deu o nome de Ruy a uma praça daquela cidade. Na mesma época, os formandos da 1ª turma de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Catarina o escolheram para patrono. O Relatório do Ministério da Marinha afirma que Ruy "foi morto em tiroteio com agentes de segurança em 15 de abril de 1972." O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que "em 15 de abril de 1972, em São Paulo, ao receber voz de prisão, sacou de sua arma e atirou na equipe de segurança, sendo ferido, mesmo assim conseguiu evadir-se, aproveitando a escuridão, porém caiu adiante, sendo conduzido ao hospital e falecendo no trajeto. O exame da necrópsia foi realizado pelo IML/SP, dia 26 de abril de 1972." Portanto, 11 dias após sua prisão! Declarações dos presos políticos Ayberê Ferreira de Sá e Almério Melquíades de Araújo, em Auditorias Militares, à época, denunciaram as torturas e morte de Ruy no DOICODI/ SP. =================================================================================== + detalhes. Ruy Osvaldo Aguiar Pfitzenreuter Dirigente do PARTIDO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO TROTSKISTA (PORT). Nascido a 3 de novembro de 1942, em Orleans/SC, filho de Osvaldo Pfitzenreuter e Leonis Aguiar Pfitzenreuter. Morto aos 30 anos, em São Paulo. Foi aluno do 1° grau no Grupo Escolar Costa Carneiro, em sua cidade natal. Estudou no Colégio São Dudgero e depois transferiu-se para o Ginásio Dehon, em Tubarão (SC), donde concluiu o curso ginasial. O científico foi realizado em Blumenau (SC). Mudando-se para Porto Alegre, formou-se em jornalismo e sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em dezembro de 1964. Preso por agentes do DOI/CODI-SP no dia 14 de abril de 1972 e morto sob torturas nas dependências daquele órgão. Trechos da carta de seu pai ao Presidente da República, general Médici, datada de 16/05/72: "Há dias fui avisado de sua prisão pela polícia política, em circunstâncias nebulosas pois nunca mais foi visto, estando pois desaparecido, desde que foi detido. Em São Paulo... dirigi-me à 'Operação Bandeirantes' e ao DOPS no dia 7 do corrente, onde me informaram: 'Nada consta!' ...Me dirigi novamente ao DOPS no dia 11, onde uma vez mais recebi uma resposta negativa e dali fui à OBAN, onde indignado e angustiado faço um pedido dramático e em alta voz que me dessem notícias de meu filho, que ao menos reconhecessem sua prisão e que me dissessem quando poderia estar com ele. Nada quebrou a frieza dos funcionários, nenhum deles, e todos sabiam da 'via crucis' em que havia se transformado minha vida, nenhum deles se dignou a dizer um a, uma orientação para localizá-lo, nada. Nenhum disse o que todos sabiam e que temiam e temem que seja público. Deste órgão (OBAN) me dirigi, numa última tentativa, ao Instituto Médico Legal, onde simplesmente me informaram que Ruy deu entrada (em linguagem clara, morreu) no dia 15 e no mesmo dia foi enterrado no Cemitério de Perus. A minhas perguntas... responderam simplesmente: 'Vá ao DOPS'. Para obter a autorização para retirar a certidão de óbito e a autorização para transportar o corpo para sua terra natal, um funcionário de nome Jair Romeu me deu um papel com o nome do delegado Dr. Tácito, do DOPS. No DOPS o Dr. Tácito me disse desconhecer o caso e que voltasse na próxima segunda-feira (dia 15). Na data indicada fui ao DOPS, o Dr. Tácito encaminhou-me ao Dr. Bueno, que me mostrou entre vários papéis a certidão de óbito e uma fotografia de meio corpo de meu filho depois de morto. Nesta foto aparecem duas nítidas manchas escuras. Na certidão de óbito consta como causa da morte anemia aguda traumática, atestado assinado pelo Dr. Isaac Abramovitch. O que me causa muita estranheza, Sr. Presidente, é o fato de que o atestado não explica o motivo que causou a anemia. A isto se juntam os detalhes (manchas escuras que aparecem na foto). Eu pergunto: que tipo de tratamento teve meu filho antes de morrer ou o que é o mesmo, o que causou concretamente sua morte? Segundo estou informado de maneira limitada, a imprensa denuncia maus tratos a presos políticos, tenho sérias dúvidas se meu filho não foi torturado antes de morrer ou se não morreu exatamente em conseqüência delas... ... Tenho um passado limpo de serviços prestados à nação e a consciência limpa para exigir o castigo para os assassinos. E se tomo a iniciativa de denunciar e usar todos os canais para castigar os responsáveis e conseguir dar a meu filho um enterro digno em sua terra natal, é para que amanhã outros pais não tenham que, amargurados e silenciosamente, enterrar seus filhos, como se fosse possível enterrar junto a seus corpos, suas idéias, suas lembranças e a força renovadora de sua juventude. Uma grande lição a vida me ensinou, e meu filho mais do que ninguém, a lição da solidariedade humana." Essa carta foi encontrada nos arquivos do antigo DOPS/SP, numa versão em espanhol. Ruy, que fora enterrado no cemitério de Perus como indigente, graças aos esforços de seu pai, acabou tendo seus restos mortais trasladados para o jazigo da família, em Santa Catarina. Nesta ocasião, ainda sob o domínio da ditadura militar, a Câmara de Vereadores de Orleans, numa atitude corajosa, votou a lei que deu o nome de Ruy a uma praça daquela cidade. Na mesma época, os formandos da 1ª turma de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Catarina o escolheram para patrono. O Relatório do Ministério da Marinha afirma que Ruy "foi morto em tiroteio com agentes de segurança em 15 de abril de 1972." O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que "em 15 de abril de 1972, em São Paulo, ao receber voz de prisão, sacou de sua arma e atirou na equipe de segurança, sendo ferido, mesmo assim conseguiu evadir-se, aproveitando a escuridão, porém caiu adiante, sendo conduzido ao hospital e falecendo no trajeto. O exame da necrópsia foi realizado pelo IML/SP, dia 26 de abril de 1972." Portanto, 11 dias após sua prisão! Declarações dos presos políticos Ayberê Ferreira de Sá e Almério Melquíades de Araújo, em Auditorias Militares, à época, denunciaram as torturas e morte de Ruy no DOI-CODI/SP. Jornal A Noticia/Joinville 30/06/03 "A habilidade política do "trotskista posadista" "Morrer. Morrer na cama: enfarte. Morrer no ar: desastre aviatório. Morrer do coração (...) Morrer ouvindo Bach, Mozart, preferentemente seu "Requiem" para louvar a vida. Morrer no hospital, sem ninguém. Abraçando a enfermeira, pedindo por amor de Deus que seja mãe, amante, filha e amiga. (...) Morrer no campo de batalha. Morrer dizendo adeus para o inimigo que lutou sem saber por quê. Exclamando: amor. Morrer sem ver a paz, só a paz dos mortos. (...) Morrer sem viver. Mas viver para morrer: prazer para outros que compreenderão nosso morrer. (...) Morrer para que outros vivam. Morrer sem Mozart, sem Bach, sem amor. Mas morrer feliz: viverão Bach, irmãos, amor. Morrer dialeticamente." (Poema escrito por Rui Pfützenreuter em 1964) "Maturidade e conselhos sóbrios para a família são marca deste jornalista nascido no Sul do Estado" Luis Fernando Assunção "Estimado avô...Nós nos encontramos em duas posições diferentes, impulsionadas pela situação histórica do meu e do vosso momento. De vosso lado, tudo é paz: as armas foram recolhidas, as tensões vencidas, os obstáculos transpostos, o caminho percorrido, missão cumprida. A geração que o senhor simboliza venceu e está realizada...Do outro lado, estou eu, o neto do avô que se realizou. Impõe-se agora o cumprimento do meu dever no momento histórico: desempenhar as missões reclamadas pelas necessidades da presente sociedade...O papel que devo desenrolar para a história está sendo desempenhado e este estimula minhas atitudes. No futuro, a juventude que viverá integralmente a moralidade de uma existência social saberá agradecer a resignação, as perseguições, o sacrifício que a juventude de hoje experimenta de cabeça erguida para servir que a do futuro venha melhor...Com suas bençãos, despeço-me...Rui, maio de 1964" Rui Oswaldo Aguiar Pfützenreuter nasceu em Orleans, em 3 de novembro de 1942. Um dos seis filhos de Oswaldo e Leoni, Rui recebeu apoio integral da família para estudar. Depois de concluir o ensino básico na cidade natal, estudou em um ginásio de franciscanos em Blumenau, o científico em Tubarão para depois seguir para Porto alegre, onde se formou em jornalismo e sociologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde cedo se envolveu nas questões políticas e sociais e já em Porto Alegre participou de movimentos políticos estudantis. Era erudito. Gostava de ler muito, ouvir música clássica e sempre que podia buscava informações de sua família e de sua cidade natal. Escrevia com muita facilidade. Depois de se formar em jornalismo, decidiu ir embora para São Paulo. Lá ajudou a organizar o Partido Operário Revolucionário Trotskista (Port) e foi um dos seus dirigentes. Era contestador em tudo que fazia e escrevia. Sempre que podia, visitava a família em Orleans e convidada a todos para sessões de audição de música clássica. Incentivava seus irmãos a estudar, ter formação mais erudita, abrir o pensamento para o mundo exterior. Também sempre fazia questão de participar de alguns dias do veraneio da família em Laguna, em todos os janeiros.Em uma das fitas gravadas e preservada por seu irmão Rogério, Rui mostra todo o seu conhecimento sobre política nacional e internacional, além da invejável capacidade de contextualização, requisito essencial para exercer o jornalismo. Na gravação, que encaminhou para o pai em forma de "carta gravada", faz uma análise detalhada da questão política e social de Orleans, relacionando com a situação de Santa Catarina, do Brasil e do mundo. Como jornalista, tinha sempre a ânsia de conhecer em detalhes o seu quintal, de saber como estavam os acontecimentos políticos na sua terra e como isso poderia ser refletido na realidade vivida em São Paulo. Sua linha foi cunhada a partir da obra do pensador argentino J. Posadas, que relacionou a política em diversos campos, como das artes, ciência e educação para crianças. Posadas era um dirigente teórico e político e organizador revolucionário de origem operária, nascido em 1912 e que adotava as idéias de Leon Trotsky. Se tornou um dos dirigentes trotskistas mais cultuados nas décadas de 60 e 70 na América Latina. Rui seguiu à risca suas idéias: dizia que a vida sem a luta pelo socialismo não teria sentido, com todas as suas conseqüências. A habilidade política de Rui foi interrompida bruscamente com sua prisão em 14 de abril de 1972. Preso e levado ao DOI/Codi em São Paulo, foi morto sob tortura no período mais duro da ditadura, durante o governo do general Garrastazu Médici. A família chegou a ser comunicada da prisão. O pai, Oswaldo, viajou para São Paulo e verificou na ficha do filho um lacônico "nada consta". Resgatou o corpo depois de muita conversa com os militares. Rui foi sepultado na cidade que nunca esqueceu: Orleans. Ele morreu sem convencer pessoalmente o avô do texto da carta mostrada no começo deste texto: de que gerações diferentes sempre lutaram, com seus meios, por uma mesma bandeira: a da igualdade e justiça para todos. Nome Rui Oswaldo Aguiar Pfützenreuter Morto em 1972, em São Paulo. Enterrado em Orleans. Nascimento 1942, em Orleans, Santa Catarina Profissão Jornalista Militância Partido Operário "O importante é difundir suas idéias e memória" Curitiba - A música sempre fez parte da existência dos Pfützenreuter. Tudo era motivo para um som mais apurado. O patriarca Oswaldo não perdia a oportunidade de sacar seu violino e alegrar a casa. Os filho seguiram o mesmo caminho. O cultivo das artes musicais era um ponto de honra para a família, que se reunia na residência em Orleans para ouvir Mozart, Bach, Beethoven. Rogério Pfützenreuter, 49 anos, joalheiro - violinista e guitarrista nas horas de folga -, ainda guarda como tesouro os discos de vinil de compositores clássicos, comprados em 1962, Rui externava suas impressões e avisava os interessados em afanar suas obras. "Beethoven foi compositor da natureza, das forças do mundo e do homem. Cuidado com este disco!", escreveu à caneta na contracapa. Rui sempre foi muito ligado à família, à sua terra, e por isso mesmo faz uma grande falta aos Pfützenreuter. Seu Oswaldo morreu alguns anos depois de encontrar os restos mortais do filho, mas antes passou por uma via crúcis entre a burocracia do regime militar. Esteve em São Paulo numa busca incessante por notícias do filho. Conviveu com ironias e indiferenças dos militares. "Ele é bom, mas precisa ficar na cadeia", disse certa feita um general a seu Oswaldo. Sua insistência foi recompensada: numa quinta-feira sombria de 1972, seu Oswaldo voltou para casa. Trazia junto o corpo do filho para ser enterrado em Orleans, no mausoléu da família. Hoje seus irmãos fazem questão de divulgar as idéias de Rui. Mesmo depois de a família passar por tantas humilhações por ter um filho "comunista". "Infelizmente nossa democracia ainda não permite que muitas coisas ditas sejam divulgadas. Mesmo tantos anos depois", explica Rogério, que mora em Curitiba. "O importante agora é difundir suas idéias, sua memória, e não ficar fazendo busto ou nome de rua, praça ou viaduto", critica, em alusão a "homenagens materiais" que aconteceram depois do fim da ditadura. Três irmãos vivem em Curitiba - Rogério, Roseris Maria e Regina Célia. Rudiney mora em Florianópolis, Reinaldo, em Blumenau. Somente Roberto Oscar continua em Orleans. Regina Célia tinha 12 anos quando o irmão morreu. Até hoje fala com orgulho de suas idéias e homenageou o irmão batizando o filho com seu nome. Rui, de 14 anos, também tem veias artísticas e parece ter herdado um pouco do espírito contestador do tio. Se diz contra o imperialismo e dá exemplo: não bebe Coca-Cola nem entra em lojas McDonald´s. "São heranças que ficam", concorda Regina Célia. (LFA)Revolucionário Trotskista (PORT) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110314/b7a8e12a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6086 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110314/b7a8e12a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110314/b7a8e12a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 14 20:27:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 14 Mar 2011 20:27:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__GREG=D3RIO_BEZERRA__-_111_Anos_-?= =?iso-8859-1?q?_PRESENTE!?= Message-ID: <07BF06FD3CAE4A49894467E6CA108669@vcaixe> Carta O Berro................................................repassem Revolucionário e Comunista GREGÓRIO BEZERRA Ontem, hoje e Sempre Presente 13 de Março 1900 - 2011 111 Anos Domingo, 13 de Março de 2011 Camaradas, Companheiros, Amigos e Simpatizantes da Luta pelo Socialismo, Hoje comemoramos uma data inesquecível: Aniversário do Grande Lider Comunista Camponês, Herói do Povo Brasileiro, Gregório Bezerra. Dia 13 de março de 1900 nascia Gregório Bezerra, hoje faria 111 anos! Seu nome se tornou lenda nos quatro cantos do Brasil: GREGÓRIO BEZERRA, o HOMEM FEITO DE FERRO e FLOR! Ao contrário de que muitos dizem o brasileiro tem Memória e a imagem do altivo Gregório sendo torturado por seus algozes na Praça de Casa Forte encontra-se viva na lembrança do Povo e Ele será sempre um exemplo pra todos Nós. GREGÓRIO BEZERRA - PRESENTE! GREGÓRIO BEZERRA - PRESENTE GREGÓRIO BEZERRA - PRESENTE ONTEM, HOJE, AMANHà e SEMPRE! GREGÓRIO BEZERRA (1900-1983): Nasceu na cidade de Panelas de Miranda, Pernambuco; Desde os 4 anos de idade já trabalhava na lavoura e, quando ficou órfão de pai e mãe, aos oito anos de idade, passou a ser escravo doméstico. Fugiu depois de dois anos de maus-tratos. Entre as várias atividades que exerceu, uma delas foi a de jornaleiro. Embora não soubesse ler os jornais que ele mesmo vendia, seu interesse pela política pôde ser despertado na medida em que conhecia a realidade brasileira de uma forma mais ampla na medida em que os seus colegas liam as notícias de jornais para ele. Em importante greve ocorrida em 1917, Gregório começa a atuar ativamente, lutando pela jornada de 8 horas e em favor da Revolução Bolchevique. Neste episódio foi preso, acusado de perturbar ordem pública e cumpriu 5 anos de prisão. No ano de 1922 ele alista-se no Exército e decide se alfabetizar para entrar na Escola de Sargentos. Já a partir de 1927 passou a ler diversas obras marxistas e no ano de 1929 consegue entrar para a Escola de Sargentos. No ano seguinte ele filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e passa a proteger militantes perseguidos pelo movimento integralista da época. Em 1932 Gregório recebeu a missão de comandar um exército de analfabetos e flagelados da seca, que combateu os Paulistas na Revolução Constitucionalista. Participante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), sua principal tarefa foi filiar o maior número de militares à frente. Gregório obteve sucesso nesta tarefa, além de conseguir centenas de fuzis e munições para a frente. Teve a incumbência, ainda, de deflagrar o movimento revolucionário em Recife. Liderou a tomada do Quartel General e vários pontos importantes da cidade. Com o movimento derrotado, Gregório foi preso, espancado e barbaramente torturado. Por participar dos eventos ligados à insurreição comunista, Gregório foi condenado a 27 anos de prisão. Em 1942 foi transferido para a Ilha Grande. No ano seguinte, quando passou para o presídio Frei Caneca, conheceu Prestes. Saiu da prisão em 1945. Recebeu do PCB a tarefa de reorganizar o partido em Pernambuco. Nas eleições de dezembro do mesmo ano, Gregório é o Deputado Federal mais votado para a Constituinte, aonde defendeu o direito de greve e a autonomia sindical; direito de votos aos analfabetos e aos militares; denúncia da exploração do trabalho, principalmente infantil; defesa da construção de creches para as mães solteiras e trabalhadoras, assim como sua obrigatoriedade em escolas, postos médicos, favelas e locais de trabalho. Foi defensor incondicional da Reforma Agrária Radical. Em setembro de 1947 o PCB volta novamente à ilegalidade e o mandato de seus deputados são cassados, inclusive o de Gregório Bezerra. Em 1948 foi seqüestrado e preso por ordem do então presidente Dutra. Foi falsamente acusado de incendiar o quartel 15 R.I., em João Pessoa, na Paraíba. Sofreu várias tentativas de assassinato. Depois de dois anos de prisão foi absolvido por unanimidade pelo STM. Mesmo solto, continuou sendo perseguido. Entrou para a clandestinidade e continuou atuando na organização do PCB. Atuou em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraná. Em 1957 foi novamente preso por sua militância, principalmente formando Ligas Camponesas e sindicatos rurais. Foi liberto por habeas corpus. No V Congresso do partido, no ano de 1960, é eleito para o Comitê Central. Com o Golpe Militar de 1964, Gregório foi novamente cassado, espancado e barbaramente torturado pelos militares. Durante o período em que esteve preso, foi levado às ruas de Recife, amarrado com cordas pelo pescoço e arrastado. Foi processado e condenado por crime de lesa Pátria e por subversão a 19 anos de prisão e sua saúde e integridade física foram totalmente abalados. Foi libertado, somente, no ano de 1969, trocado, junto com 13 presos políticos, pela vida do embaixador americano seqüestrado no Brasil. Foi enviado ao México, Cuba e URSS, onde recebeu assistência médica para tratar de sua saúde. Recuperado, passou a integrar o Movimento Internacional da Classe Operária no exílio. Retornou ao Brasil no ano de 1979, com a Anistia. Em 1980 desliga-se do PC, solidarizando-se com Prestes, afirmando que continuaria fiel ao Marxismo-Leninismo e lutando pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita. Em 1982, candidata-se à Deputado Federal por Pernambuco, conseguindo a suplência. Pouco antes de morrer Gregório declarou: "Gostaria de ser lembrado como o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das Ditaduras Fascistas". Gregório Bezerra Fonte: Associação Política-Cultural Brasil/Cuba - Casa Gregório Bezerra =================================================================================== "Em 1935, a gente tinha armas, mas não tinha massa; Em 1964, a gente tinha massa, mas não tinha armas." (GREGÓRIO BEZERRA) Líder revolucionário completaria 110 anos "UM HOMEM FEITO de ferro e flor". Camponês, operário, militar e parlamentar, Gregório foi um militante comunista fiel durante toda sua vida. Nascido em 13 de março de 1900, no município de Panelas, agreste pernambucano, Gregório conheceu cedo o trabalho duro e a exploração. Com quatro anos começou a trabalhar na lavoura de cana-de-açúcar. Aos oito, depois de ficar órfão, migrou para o Recife para ser escravo doméstico na casa da família dos fazendeiros. Fugiu depois de dois anos de maus-tratos. Como a maioria dos migrantes pobres, Gregório era analfabeto, sem-terra e semteto. Foi carregador de bagagens na estação central do Recife, jornaleiro e ajudante de obras. Embora não soubesse ler os jornais que vendia, foi como jornaleiro que começou a se interessar pela política, através da leitura que seus colegas faziam dos jornais locais. A primeira das suas muitas prisões ocorreu em 1917, quando, como operário da construção civil, participou das primeiras greves por direitos trabalhistas e das manifestações em apoio à Revolução Bolchevique. Após ser libertado, alistouse no Exército, alfabetizou-se aos 25 anos e em 1929 entrou na Escola de Sargentos. Estudo e organização Gregório transformou os livros em luz e arma. Foi através da leitura que conheceu o marxismo, ideologia que abraçou durante toda sua vida. Em 1930, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil e em 1935, como participante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), liderou o levante militar-revolucionário no Recife, com a tomada do Quartel General. Com o movimento derrotado, foi condenado a 27 anos de prisão. Cumpriu parte da pena no Presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, onde dividiu cela com Luiz Carlos Prestes. Com o fim do Estado Novo, em 1945, é anistiado e eleito deputado federal constituinte pelo PCB de Pernambuco. Dois anos mais tarde, o PCB voltou à ilegalidade e Gregório teve seu mandato cassado. Foi preso novamente, acusado de liderar um incêndio no 15º Regimento de Infantaria do Exército em João Pessoa. Ao sair da prisão, Gregório passou a percorrer o Brasil defendendo a Reforma Agrária e construindo sindicatos de trabalhadores rurais. Em 1963, participou da organização de uma greve de 200 mil trabalhadores da zona canavieira de Pernambuco. Neste período de mobilização massiva dos camponeses no Nordeste, as Ligas Camponesas se tornam uma referência e Gregório se dedicou intensamente à mobilização, organização e formação dos camponeses. Prisão e tortura Foi preso imediatamente após o golpe militar de 1964, nas terras da Usina Pedrosa, em Pernambuco, quando tentava organizar a resistência armada dos camponeses ao golpe. Foi torturado em praça pública e arrastado pelas ruas do bairro Casa Forte por um jipe do exército, com uma corda amarrada ao pescoço. Antes de arrastá-lo, o coronel Darcy Villoc, seu torturador, obrigou-o a colocar os pés em uma bacia com soda cáustica, deixando-os em carne viva. Essa se tornou uma das cenas mais chocantes da ditadura militar entre os pernambucanos. "Quando eu vi aquela cena, com o coronel Darcy Villoc Viana gritando ensandecido e ameaçando o ancião, enquanto soldados muito jovens arrastavam aquele homem cambaleando, eu senti que deveria deixar minha profissão de professora de menores abandonados e passar a fazer algo por aquele homem torturado", lembra a Dra. Mercia, posteriormente advogada de Gregório. Gregório foi processado e condenado a 19 anos de prisão por crime de lesapátria e subversão. Ao receber a notícia de que seria libertado, juntamente com outros companheiros, em troca do embaixador norte-americano, Charles B. Elbrick, que havia sido sequestrado pela resistência à ditadura militar, Gregório exigiu que fosse publicada na imprensa uma declaração sua, na qual dizia: "Me mantenho firme na convicção de que somente a união de todas as camadas e classes sociais não comprometidas com a ditadura entreguista é que decidirá a instauração no Brasil de um regime de plena liberdade, de livre desenvolvimento econômico, de paz e nacionalismo". No exílio, Gregório viveu no México, Cuba e União Soviética, onde passou a integrar o Movimento Internacional da Classe Operária no exílio. Com a anistia, retornou ao Brasil após dez anos. Em 1980, desligou-se do PCB, solidarizando- se com Prestes, afirmando que continuaria fiel ao marxismo-leninismo e lutando pela anistia ampla, geral e irrestrita. "Tenho confiança inabalável na compreensão e no sentimento do povo. Eu voltei para me ligar novamente ao movimento de massas e com ele trabalhar até alcançar definitivamente as liberdades democráticas em nosso país". Em 1982, candidata-se a deputado federal pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB, ficando como suplente. Gregório morreu na cidade de São Paulo, em 23 de outubro de 1983, e é hoje lembrado pelos seus companheiros daquela época e pelos militantes de hoje da maneira como queria: como "o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das ditaduras fascistas". Memorial Ao projetar o Memorial a Gregório, o arquiteto e militante comunista Oscar Niemeyer reforça o respeito e admiração dos militantes contemporâneos de Gregório. "Das figuras revolucionárias que conheci e que queriam mudar o Brasil, Gregório era o que representava o povo humilde. Ele acendeu a consciência de que é necessário mudar o Brasil. Nenhum outro revolucionário brasileiro representou tão bem as camadas mais distantes dos problemas políticos e ideológicos, ele que nasceu na roça e aprendeu a cortar cana. Ele é um exemplo para todo jovem. Este tem que saber que houve, no Brasil, este homem e há na nossa história. Assim, ele é permanente, porque representa o passo adiante da consciência humana que é a liberdade. Não vejo ninguém comparável, hoje, a Gregório". O MST, entre as várias homenagens para comemorar os 110 anos desde grande dirigente revolucionário, realizou um ato público no dia 17 de abril, durante a ocupação do Incra em Recife, e fomos honrados com a presença firme de Jurandir, filho de Gregório Bezerra. Em um emocionante depoimento sobre a vida de luta do pai, Jurandir disse que nós, do MST, representamos também a continuidade dessa luta: a luta pela liberdade dos excluídos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110314/5da35ff1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15528 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110314/5da35ff1/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5704 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110314/5da35ff1/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 15 19:59:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 15 Mar 2011 19:59:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_VERDADE_=3A_=22Lutas_e_Her=F3is?= =?iso-8859-1?q?_do_Povo_=3A_Rose_Nogueira_e_a_luta_da_mulher_contr?= =?iso-8859-1?q?a_a_ditadura=22?= Message-ID: <92D8FE7009A74CF0813BDDF6ED0D153A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Jornal ? Institucional Quem Somos Contato A Verdade nas Bancas Assinatura Cartas de Leitores Sites IndicadosBrasilTrabalhador UnidoJuventudeLuta PopularInternacionalCulturaLutas e Heróis do PovoTeoria MarxistaMultimídia ? Charges Fotos Vídeos « Artigo Anterior | Próximo Artigo » Lutas e Heróis do Povo : Rose Nogueira e a luta da mulher contra a ditadura em 12/03/2011 (39 leituras) Na página dedicada aos heróis e heroínas e às lutas do povo brasileiro, A Verdade tem homenageado aqueles(as) que, imolados(as) no altar satânico da tortura praticada pela Ditadura Militar (1964-1985), deram sua vida pela causa da libertação do nosso povo. Mais do que justo. Mas refletimos que muitos(as) militantes sobreviveram ao ritual do terror, superaram as sequelas (alguns não conseguiram, infelizmente, a exemplo de frei Tito Alencar, que se suicidou durante o exílio na França) e continuam acreditando e contribuindo com a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, fundamentada na igualdade, na justiça, na solidariedade, na cooperação. Eles(Elas) também são nossos heróis e heroínas. Entre estes(as) heróis e heroínas vivos(as), está Rosemeire Nogueira Clauset. ROSE NOGUEIRA é filha de espanhóis (lado paterno) com italianos (lado materno), mistura típica de São Paulo do século 20. Nasceu em 1946, em Jacareí (SP), cidade do Vale do Paraíba, "o doce rio que, ao contrário do Tietê, fornece a maior parte da água que bebemos por aqui". Ação Libertadora Como centenas de jovens que não aceitaram a ditadura imposta ao povo brasileiro no ano de 1964, Rose ingressou na militância política. Casou com Luiz Roberto Clauset, ambos militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN). A ALN resultou de uma cisão do Partido Comunista Brasileiro (PCB), inicialmente chamada Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), liderada pelo baiano Carlos Marighella (leia Heróis do Povo Brasileiro, in A Verdade, nº 12), um dos líderes mais carismáticos do PCB, "um dos maiores brasileiros de todos os tempos", diz Rose. Considerando que o PCB se mantinha inerte ante a ditadura, a ALN preconizava a formação de um Exército de Libertação Nacional, com base rural, para derrotar o Regime Militar e implementar um programa de transformação da sociedade brasileira, nacional, popular e anti-imperialista. As ações guerrilheiras começaram na cidade, como forma de arrecadar fundos e treinar os militantes para a implantação do movimento no campo. As ações tiveram início ainda em 1968, ano de intensa mobilização estudantil, e se intensificaram após a edição do AI-5, que marcou o endurecimento do regime, fechou todos os canais de manifestação popular e adotou um sistema repressivo feroz, com um aparelho oficial e outro clandestino, ambos interligados. Em setembro de 1969, a ALN e o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), em ação conjunta, sequestram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A ação é vitoriosa, conseguindo a libertação de 15 prisioneiros políticos e a divulgação de um manifesto revolucionário nas redes de televisão, rádios e jornais. Sucede-se uma escalada repressiva sem precedentes. Rose lembra detalhes do que ela denomina "essência do fascismo". O incentivo à delação era tão forte que, "além dos cartazes com as fotos dos militantes perseguidos e a frase PROCURA-SE, circulavam panfletos incitando as pessoas: "se você perceber alguma movimentação à noite na casa do seu vizinho, denuncie à delegacia mais próxima"; "se alguém se mudar no domingo, isso é estranho; chame a polícia"; "se o seu vizinho varrer a casa fora de hora, chame a polícia". Até as festas de aniversário em família tinham de ser comunicadas aos órgãos policiais. A repressão atinge mortalmente a ALN, com sucessivas prisões, assassinatos e torturas, que levam ao grande líder Marighella, que resistiu à prisão e foi fuzilado na Alameda Casa Branca, Centro de São Paulo, no dia 4 de novembro de 1969. Nas garras do monstro Nessa mesma data, Rose e Luiz Roberto Clauset tiveram sua casa invadida por agentes policiais comandados pelo próprio Fleury. Ela havia dado à luz há um mês, apenas, seu rebento Cacá (Carlos Guilherme Clauset, hoje publicitário, jornalista e campeão de ralies). Fleury queria levar a criança para o Juizado de Menores, mas ela, bravamente resistiu: "só irei presa se deixar o menino com a família". O monstro torturador ameaçou, mostrou o revólver, mas cedeu. No Dops, não poderia ser diferente, a recepção foi rigorosa. Rose relata: "Na sala de Fleury, uma caveira desenhada com as letras embaixo E.M (Esquadrão da Morte). Empurrões, beliscões nas nádegas, palavrões". Rose sangrava (parto recente), o leite escorria dos seios, pois não podia amamentar seu bebê. Tudo isso era motivo de zombaria e humilhações. "Olha aí a Miss Brasil, Pariu outro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca. Só pode ser uma vaca terrorista". Muita dor, tortura física e psicológica, ameaçando trazer o filho para torturar em sua frente. O sofrimento aumentou ainda mais quando viu e ouviu os soldados rindo e comemorando, na noite de 4 de novembro: "Matamos Marighella". Rose o admirava muito, como revolucionário e pessoa humana especial. "Em minha casa, havia reuniões de Marighella com o Comando da ALN, com os frades dominicanos (grupo de religiosos que apoiava a ALN, entre os quais os freis Betto, Ivo, Fernando e Tito). Por algumas vezes, Marighella dormia lá em casa. Como eu não tinha nome de guerra (Rose tinha vida legal; ela e o marido trabalhavam na Folha da Tarde, onde frei Betto era chefe de reportagem), ele me chamava "filhinha". Um dia, trouxe o livro Parto sem Dor e fez exercícios respiratórios comigo. Que companheiro, que pessoa mais linda. Gostava de comer feijão com arroz e banana crua. Como esse misturado gostoso até hoje quando me lembro dele". A luta continua Foram três anos de sofrimento na prisão. "Depois de tudo isso, fomos absolvidos no final de 1972. Foram três anos desesperados. No nosso processo, que eles chamavam de ALN-1, ou "Ala Marighella", só os padres foram condenados. Acho que éramos uns 20 denunciados no processo. Penso que a ditadura queria, com isso, condenar o trabalho da Igreja Católica e, principalmente, a Teologia da Libertação". Rose Nogueira não desistiu. Preside o Grupo Tortura Nunca Mais em São Paulo, está engajada na luta pela abertura dos arquivos da repressão, pela punição dos torturadores, e continua acreditando na libertação do povo brasileiro. É heroína, sim, é exemplo para as novas gerações. Box Foi doloroso para Rose Nogueira relembrar o sofrimento, a saudade, aflorar a emoção daqueles dias, especialmente num momento em que sua genitora está gravemente doente. Já na véspera do fechamento desta edição, respondendo ao pedido de urgência no envio das respostas que faltavam, ela escreveu: "Fiquei muito mal e deprimida ao escrever sobre a prisão e, principalmente, ao falar do meu filho - que, por coincidência, chegou logo depois e fomos direto para a casa de minha mãe, na Vila Monumento (ao lado do histórico córrego Ipiranga, que ainda corre, mas hoje as margens plácidas são uma larga avenida de duas pistas) porque ela está passando muito doente. Tem câncer de abdome, com tumores no útero, na bexiga e no intestino. Dormi lá e cheguei agora em casa. É muito difícil escrever sobre as torturas. Chorei por tudo ontem. Pelo passado, pelo presente, por ser a mãe e por ser a filha. Espero que você entenda e me perdoe mais uma vez. Tenho de ir, neste momento, à reunião da Comissão de Justiça e Paz. Sou a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e não posso faltar. Não é demorada. Mas todo meu dia, fora isso, será dedicado a você. É que a luta continua...". Obrigado, Rose! Nós é que pedimos perdão pela insistência. José Levino, historiador -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/8dee176d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5525 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/8dee176d/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9849 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/8dee176d/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 15 19:59:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 15 Mar 2011 19:59:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Comiss=E3o_de_Anistia_pressiona_p?= =?iso-8859-1?q?ela_aprova=E7=E3o_da_Comiss=E3o_da_Verdade=2E_HOMEN?= =?iso-8859-1?q?AGENS_=C0S_COMPANHEIRAS=2E?= Message-ID: <7E1E96F5CAC94B89A23D7CC17F7F73AF@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Companheir at s, leiam a noticia e vejam o video abaixo da Sonia Hipolito sobre o evento de hoje em Brasilia Comissão de Anistia pressiona pela aprovação da Comissão da Verdade Rachel Duarte / especial Brasília No dia de hoje (15), em que a Comissão de Anistia completa 10 anos de existência no Brasil, o Ministério da Justiça (MJ) promoveu uma homenagem quando da concessão de anistia para quatro mulheres que lutaram pela democracia do país na ditadura militar. A sessão para o julgamento dos pedidos ocorreu de forma pública, no Salão Negro do MJ, depois dos discursos oficiais da 13ª Anistia Cultural. O ato foi para simbolizar o sofrimento de todos os perseguidos políticos do regime de exceção e também a participação das mulheres na defesa dos Direitos Humanos no mês do Dia Internacional da Mulher (8 de março). Como tema nada secundário havia o reforço à necessidade da aprovação de uma Comissão da Verdade no Brasil. Antes das falas oficiais, foi exibido ao público um vídeo produzido pelo governo federal com depoimentos de mulheres brasileiras vítimas de tortura e presas políticas em 1964. Os relatos trouxeram lágrimas às testemunhas que estavam na plateia. "Choques elétricos nos ouvidos e genitálias, cortes nos bicos dos seios, exposições públicas de nudez, casas fuziladas e prisão". Estes foram os principais métodos descritos no vídeo usados para aniquilar ou torturas mulheres durante a ditadura. Para a presa política Sônia Hipólito, acusada em 1968 de participar de um congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), a homenagem não serviu como reparação, mas não por ser insuficiente, e sim pela consciência de que o que fez não foi algo errado que careça ser reparado. "O que eu fiz foi por eu ter certeza de que era a minha batalha naquele momento. Eu sabia os riscos que eu corria. Eu tive a oportunidade de lutar pela democracia do meu país. Não queria ser reparada por nada", disse Sônia sobre a anistia que recebeu no evento. Sônia foi colega de cela no presídio de Tiradentes, da então militante Dilma Rousseff. Ela foi uma das presas políticas que a presidenta fez questão de que comparecesse a sua posse. E ela conta o orgulho da companheira: "É muita emoção. Nós éramos jovens quando dividimos cela. Ela desde lá batalhava e hoje está na presidência da República e poderá garantir os direitos que tanto lutamos, para todos". Elza Fiúza/ABr Primeiro a falar, devido a necessidade de comparecer a cerimônia de instalação do Fórum Direitos e Cidadania, a pedido da presidenta Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo salientou a importância de realizar eventos que valorizem a luta dos perseguidos políticos para manter viva a memória do período de exceção para que ele nunca mais aconteça. "A capacidade de lembrar-se do passado é o que nos diferencia dos animais. O ser humano lembra e pauta suas ações presentes. A história pauta o futuro. Por uma busca de justiça de outros momentos da história, realizamos este evento", disse. Sobre a opressão e a tortura que marcaram o regime militar de 1964, ele considerou o período como inesquecível sob perspectivas que considerou "odiosas": o preconceito contra a mulher e contra a liberdade humana. E resumiu o dever do estado na reparação dos erros do passado na garantia da indenização e anistia às vítimas daquele tempo. À imprensa, Cardozo explicou sua argumentação. "Estamos cumprindo um dever histórico, temos que arcar com os erros do passado. A anistia significa isso. O estado de direito tem que cumprir as regras atuais, mas sem esquecer o passado. A anistia não pode sofrer acusações de ser um gasto público desnecessário ou um ato ilegal ou imoral", disse sobre as críticas já disparadas por setores que consideram a Comissão de Anistia um "escritório de indenizações". 10 anos da Comissão de Anistia Em continuidade à cerimônia, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão explicou a funcionalidade e os méritos do espaço que completa 10 anos nesta terça-feira, 15. Na Comissão de Justiça, que funciona junto ao prédio do Ministério da Justiça, são julgados processos daqueles que resistiram ao autoritarismo do regime militar. Em sua maioria, são anônimos que deram a vida pela democracia e aguardam por reconhecimento e indenização pelos danos que sofreram. A criação da Comissão foi avaliada por Paulo Abrão como um passo significativo no processo de redemocratização do Brasil. "Diante de um cenário anterior de negação das atrocidades e das violações, romper com o discurso da ditadura e da resistência faz com que a Comissão sofra um pouco rejeição. Mas, aos poucos vamos incorporar a recuperação dos direitos humanos nos discursos da sociedade, que até então desconhecia este pedaço da nossa história", argumentou. Sentença do Caso Araguaia O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, também lembrou que existem outros processos em aberto para o acerto de contas do estado brasileiro com as vítimas de sua história. Ele citou o caso dos desaparecidos da região do Araguaia, no sul do Pará, entre 1969 e 1974. No dia 14 de dezembro de 2010, duas semanas antes da troca presidencial no Palácio do Planalto, o Brasil foi condenado por crimes praticados durante a ditadura militar que sufocou o país entre 1964 e 1985. Por unanimidade, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu reconhecer a responsabilidade do Estado brasileiro na prisão, tortura, morte e desaparecimento forçado de 70 camponeses e guerrilheiros caçados pelas forças militares brasileiras nas matas da região do Araguaia. "Não tenho dúvida que a sentença deve ser cumprida na íntegra. Ela dispõe de obrigações dos distintos poderes. O Executivo deve terminar o processo de reparação às vítimas, levar adiante a construção do Memorial da Anistia e criar políticas públicas de memória e reparação. Cabe ao Legislativo aprovar a Comissão da Verdade e ao judiciário interiorizar os fundamentos da decisão da Corte Interamericana sobre o tratado de proteção judicial das vítimas e garantia dos direitos humanos", explica Paulo Abrão. Aprovação da Comissão da Verdade em 2011 O tema consensual durante os discursos de representantes do executivo, legislativo e judiciário na 13ª Anistia Cultural foi a instalação de uma Comissão da Verdade para investigar os casos de perseguidos políticos no Brasil. O tema já virou proposta de projeto de lei no Congresso Nacional, apresentado pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. A deputada federal Luiza Erundina (PSB - SP ) salientou o atraso do Brasil neste processo e a importância da sociedade na exigência da aprovação da Comissão da Verdade no Congresso Nacional. "Esta é uma agenda prioritária. Outros países já concluíram o trabalho de investigação da verdade ou pelo menos já tem suas comissões. Precisamos corrigir nossas injustiças, de dor, desaparecimentos, torturas, exílios.", relatou. Para o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, o interesse presidencial será importante para a aprovação da Comissão, que ele acredita que será aprovada ainda em 2011. "Estou otimista. Mas a sociedade tem que se mobilizar e dialogar com os representantes na Câmara Federal", disse sobre a necessidade de monitoramento do tema junto aos deputados federais. Em homenagem ao mês da mulher, governo concede anistia a perseguidas políticas Perseguidas politicamente pela ditadura militar são homenageadas em cerimônia no Ministério da Justiça. Foto: Elza Fiúza/Abr O governo federal concedeu nesta terça-feira (15/3) portaria de anistia a seis mulheres perseguidas politicamente na época da ditadura, em cerimônia realizada no Ministério da Justiça, em Brasília (DF). O ato faz parte das comemorações do Mês da Mulher e foi marcado ainda pela abertura de sessão especial de julgamento dos requerimentos de anistias políticas de outras quatro mulheres que enfrentaram o regime ditatorial. Sônia Hipólito é uma das beneficiadas pela medida. Militante da União Nacional dos Estudantes (UNE), ela foi presa após participar do congresso da entidade em São Paulo, em 1968, e dividiu cela com a presidenta Dilma. Para ela, o ato marca um momento histórico em que "o estado brasileiro reconhece as barbáries que foram feitas durante a ditadura militar". Em um discurso marcado pela emoção, Sônia lembrou do tempo em que dividiu a beliche com Dilma Rousseff e frisou que a concessão da anistia é uma vitória das mulheres do país. "Eu entendo essa homenagem como uma homenagem a todas as mulheres lutadoras e guerreiras deste país, que ao longo da história lutaram pela liberdade em favor dos excluídos. Muitos não estão sendo anistiados hoje porque tombaram na luta (.). É um resgate, é a verdade sendo trazida à tona", afirmou. Para acessar ao vídeo clique aqui - http://blog.planalto.gov.br/ Além de Sônia Hipólito, foram beneficiadas com a portaria de anistia a ex-primeira-dama, Maria Tereza Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart, que morreu durante o exílio; Rita Sipahi, ex-dirigente da UNE, que também esteve presa com a presidenta Dilma; Damaris Oliveira Lucena, miliante da Vanguarda Popular Revolucionária (VRP); Denise Crispim, também militante da VRP; e Rose Nogueira, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) e atual conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Já os processos de julgamento da concessão de anistia foram abertos em nome de Margarita Babina Gaudenz, esposa de Carlos Fernandes, militante de esquerda; Iracema Maria dos Santos, presa juntamente com o marido e o irmão, que foi morto, em 1969; Helena Jório de Vasconcelos, preza em dezembro de 1971, grávida e com uma filha de 11 meses; e Linda Tayah de Melo, integrante da ALN, presa por diversas vezes e submetida à tortura, tendo sido condenada a dois anos de prisão pela Justiça Militar. Anistia -- A Lei da Anistia Política foi promulgada em 1979, no governo do presidente João Baptista Figueiredo, para reverter punições aos cidadãos brasileiros que, entre os anos de 1961 e 1979, foram considerados criminosos políticos pelo regime militar. A lei garantia, entre outros direitos, o retorno dos exilados ao país, o restabelecimento dos direitos políticos e a volta ao serviço de militares e funcionários da administração pública, excluídos de suas funções durante a ditadura. Em 2002, uma nova lei foi promulgada para ampliar os direitos dos anistiados. Ela vale para pessoas que, no período de 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, foram punidas e impedidas de exercerem atividades políticas. Entre outros direitos, a anistia garante o pagamento de indenização. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/181f7ca3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23697 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/181f7ca3/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 42767 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/181f7ca3/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 9559 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/181f7ca3/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15386 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110315/181f7ca3/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 16 20:46:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 16 Mar 2011 20:46:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_CARLOS_ROBERTO_ZANIRATO________________?= =?iso-8859-1?q?______-LXXIV-?= Message-ID: <610ADF9E1A254C7986953DD5EF46E953@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CARLOS ROBERTO ZANIRATO (1949-1969) Filiação: Ernestina Furtado Zanirato e Hermínio Zanirato Data e local de nascimento: 09/11/1949, Ourinhos (SP) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 29/06/1969, São Paulo (SP) Morto antes de completar 20 anos, o soldado Carlos Roberto Zanirato havia deixado o 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, Osasco (SP), em janeiro de 1969, logo após a decretação do Ato Institucional nº 5, para seguir o seu superior hierárquico, capitão Carlos Lamarca, nas atividades da VPR. Cinco meses depois dessa fuga, foi preso por agentes do DOPS/SP, no dia 23/06/1969, quando saía de sua casa para ir ao cinema. Teria morrido por suicídio, na versão oficial, no dia 29. O laudo necroscópico nº 30757 do IML, assinado por Orlando Brandão e José Manella Netto, desconhece os dados da requisição de exame, que contém a qualificação pessoal, e refere-se a ele como um desconhecido. Faz constar que apresentava um par de algemas com a corrente partida, ficando uma algema em cada pulso. Estas foram serradas, retiradas e entregues sob recibo ao Sr. Moacir Gallo, guarda civil nº 22548. A versão oficial é de que, no dia 29/06/1969, foi conduzido pelos policiais a um encontro no cruzamento da rua Bresser com Avenida Celso Garcia, em São Paulo (SP). Lá chegando, teria aproveitado um descuido dos policiais e se jogou sob um ônibus que trafegava pela avenida, sofrendo morte instantânea. Documentos do DOPS informam que ele teria sido preso por elementos do 4º Regimento de Infantaria, ou seja, a mesma unidade de onde desertara em janeiro. Na CEMDP, o parecer da relatora descreve que "O corpo parece não ter espaço onde não haja equimoses, escoriações ou fraturas. Todas as costelas fraturadas à direita, fratura do osso ilíaco, das clavículas, do úmero, ruptura do pulmão, ferimentos, escoriação plana de 20 x 30 cm na região lombar etc. Esses são os ferimentos de Carlos Roberto Zaniratto após seis dias de intensas torturas". O pedido foi acolhido por unanimidade na Comissão Especial, tendo sido aprovada a tese da prisão e morte não-natural, sendo que o general Oswaldo Pereira Gomes e Paulo Gonet discordaram da ressalva da relatora sobre a versão oficial. ===================================================================================================================== + Informações. CARLOS ROBERTO ZANIRATO Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Morto aos 21 anos, era um dos soldados que desertaram do Exército junto com o Capitão Carlos Lamarca e se aliaram às forças revolucionárias, em 1968. Preso no dia 23 de junho de 1969 pelo DEOPS paulista, passou logo a ser torturado, conforme testemunho de vários de seus companheiros presos na época. Segundo versão policial, no dia 29 de junho, foi conduzido pelos policiais a um encontro com seus companheiros. O encontro se realizaria no cruzamento das ruas Bresser com Celso Garcia, em São Paulo. Lá chegando, aproveitou um descuido dos policiais que o conduziam e jogou-se contra um ônibus em movimento, vindo a morrer em conseqüência das fraturas sofridas. O laudo necroscópico de nº 30757 do IML, refere-se a ele como a um desconhecido, que suicidou-se atirando-se sob um ônibus. Ainda pode se ler no texto: "apresentava um par de algemas com a corrente partida ficando uma algema em cada pulso, estas foram serradas retiradas e entregues sob recibo ao sr. Moacir Gallo, guarda civil nº 22548." Isto não deixa dúvidas de que o suicida encontrava-se preso, porque então desconhecido na solicitação de exame necroscópico senão a intenção de ocultar o cadáver? Assinam o laudo necroscópico os médicos legistas José Manella Netto e Orlando Brandão, que confirmam a falsa versão oficial. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Vila Formosa/SP. Os relatórios do Ministérios da Marinha e Aeronáutica, confirmam sua morte como suicídio, sendo que o da Marinha faz referências, inclusive, de que o mesmo estava algemado. ===================================================================================== + detalhes Memórias de um ex-guerrilheiro Ayrton Maciel 24/11/2002 - Ex-exilado, Sgt Darcy Rodrigues - companheiro de Lamarca e fundador de uma Associação de Sargentos A história não-oficial. O regime militar de 1964 e a guerrilha das organizações clandestinas, que se confrontaram na segunda metade dos anos 60 e primeira dos anos 70, vão ser revividos, na próxima sexta-feira (29), na versão de um ex-guerrilheiro. O ex-sargento do Exército Brasileiro Darcy Rodrigues, parceiro do ex-capitão Carlos Lamarca em movimentos revolucionários, vai relembrar episódios que protagonizou, em palestra - às 19h30 - no auditório da Escola de Medicina do Hospital Oswaldo Cruz, da Universidade de Pernambuco, no Recife, seguida da exibição de um filme. Ex-exilado, Darcy Rodrigues esteve na Argélia, no mesmo período de exílio do ex-governador e deputado federal eleito Miguel Arraes (PSB), com quem irá se encontrar na passagem pelo Recife. Preso no campo, quando integrava a Guerrilha do Vale do Ribeira, em São Paulo, o ex-sargento (hoje, subtenente reformado e advogado) foi trocado, juntamente com outros presos políticos, em junho de 1970, pelo embaixador da Alemanha Ocidental, seqüestrado no Rio de Janeiro pelas organizações Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Ação Libertadora Nacional (ALN), atuando em conjunto. Lamarca e Rodrigues são os principais atores da fuga do Quartel de Quitaúna, em janeiro de 1969. Quando o então capitão e o então sargento, com mais um cabo e um soldado, deixaram o 4º Regimento de Infantaria de Quitaúna, no município de Osasco, na Grande São Paulo, para se tornarem guerrilheiros, ingressando na (VPR), o Brasil tinha uma população que beirava 90 milhões e o regime militar enfrentava o seu momento mais difícil. O hoje advogado Darcy Rodrigues vem ao Recife a convite do deputado Fernando Ferro (PT) e do médico Jacó Modesto, da UPE, trazer fatos ao conhecimento do público e esclarecer momentos recentes da história do País. Na quinta-feira (23), ele falou por telefone ao JC. JORNAL DO COMMERCIO - Como você e Carlos Lamarca se conheceram? DARCY RODRIGUES - Ao chegar no 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, Osasco, município da Grande São Paulo, fiz contato com os sargentos que haviam cursado a Escola de Sargentos das Armas e através de um deles fui apresentado ao 2º tenente Carlos Lamarca, no início do ano de 1962. É evidente que isso ocorreu em razão de minhas tomadas de posição, no Exército, principalmente, no evento da renúncia do presidente Jânio Quadros e a tentativa de dificultar a posse do vice-presidente João Goulart, por parte de setores das Forças Armadas. JC - Quando se deu a sua decisão de lutar contra o regime militar de 1964, aderindo à luta armada clandestina? Quem o influenciou ou o que o influenciou? DARCY - As coisas não aconteceram como um fato isolado. Foi um processo longo de comprometimento com a liberdade democrática, a justiça social, o nacionalismo. Em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros, juntamente com outros alunos da Escola de Sargentos, nos posicionamos contra a tentativa de ruptura constitucional e pela posse do vice-presidente (João Goulart). Já no 4º RI, em Quitaúna, fui um dos fundadores da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Guarnição de Quitaúna. Participei do 'movimento dos sargentos pela reforma dos estatutos e pela elegibilidade dos sargentos'. Dentro do quartel, a conspiração contra o Poder Constituído não era segredo e como conseqüência houve a polarização de setores que discordavam daquela situação. Um grupo de oficiais subalternos e um grupo de sargentos aglutinaram-se e passaram a discutir a conjuntura política e a necessidade da tomada de posição, no momento oportuno. Portanto, não houve influências recíprocas, apenas uma tomada de posição contra o que temíamos, ou seja, uma mexicanização de nosso País. O PRI - Partido Revolucionário Institucional, no México, dominou aquele país durante quase um século, e a Arena - Aliança Renovadora Nacional, no Brasil, tinha o mesmo propósito. JC - Como vocês conseguiram atuar, por muito tempo, sem serem descobertos ou gerar desconfiança interna ou dos órgãos de repressão? DARCY - Lamarca e eu tínhamos uma origem na classe operária e muito cedo entendemos que para vencermos precisávamos ser os melhores. Sempre nos destacamos, cada um entre seus pares (no seu círculo) como os melhores instrutores, os mais disciplinadores, e nos destacávamos nas manobras militares. Isso fez com que fóssemos profissionais respeitados. JC - A fuga do Quartel de Quitaúna e a deserção do Exército, em janeiro de 1969, são um dos episódios mais registrados do período, na literatura política sobre o regime militar e as organizações clandestinas. Como foi preparado o episódio? DARCY - O planejamento da ação no 4º RI foi todo elaborado pelo capitão Lamarca, nos mínimos detalhes, e não tinha porque não dar certo. Porém, um grupo de militantes que preparavam o caminhão com as cores e as insígnias do Exército, e que seria peça fundamental da ação, foi descoberto. Um garoto que brincava nos arredores do galpão foi repreendido por um dos companheiros, e por uma briga de vizinhos reclamou ao pai, que ao observar o movimento na chácara ao lado estranhou e chamou a polícia, abortando a ação. Em realidade, a partir da prisão dos companheiros, Lamarca, eu, José Mariani e Carlos Roberto Zanirato passamos a correr perigo iminente de sermos presos, o que nos levou a realizar parte da ação e a mergulhar na clandestinidade. JC - No dossiê de Carlos Lamarca, nos arquivos do extinto Dops de Pernambuco, o ex-capitão é acusado de "atentados", "assaltos a bancos" para financiar a guerrilha urbana e "justiçamento"... DARCY - Os dossiês dos órgãos de inteligência da época nem sempre correspondiam à realidade. Quando foram microfilmados os arquivos do Dops paulista, eu consegui uma cópia de inteiro teor do que constava contra mim e pude constatar verdadeiros absurdos. Em um mesmo dia de junho de 1969 constava que haviam me localizado em Santana de Parnaíba (MS), em Porto Alegre (RS) e em São Paulo (SP), quando em realidade eu estava no Rio de Janeiro. O Lamarca não participava de ações por motivos óbvios: ele era do comando nacional e o quadro mais importante da organização. No nosso período de clandestinidade, não houve nenhum atentado, sendo que o Lamarca participou de uma cobertura (segurança) em uma ação de banco e de quatro combates no Vale do Ribeira. JC - Mas, há a acusação de justiçamento do 2º tenente Alberto Mendes Júnior, da PM de São Paulo, no Vale do Ribeira? DARCY - Em um desses combates, um pelotão completo da PM paulista foi feito prisioneiro. A libertação de vários sargentos e cabos, além de aproximadamente 30 soldados, foi negociada com o comandante do pelotão, o 2º tenente Alberto Mendes Júnior, que ficaria prisioneiro até a saída do grupo do Vale do Ribeira. Era preciso retê-lo para conseguirmos levantar as barreiras (policiais), uma vez que ele sabia as senhas e sinais de reconhecimento. Lamarca e seus comandados cumpriram integralmente o que foi acordado, ao passo que o tenente, além de levá-los deliberadamente a uma emboscada, dificultava o avanço do grupo. Fora de uma situação de guerra, que era o que o grupo vivia, é difícil emitir uma opinião a favor ou contra o que o grupo decidiu. A verdade, que não é contada, é que o tenente estava empurrando o grupo para o extermínio, e então a opção por salvar o grupo era inevitável. JC - Foi um fato isolado? DARCY - Para demonstrar que a decisão tomada quanto ao tenente Mendes não era padrão no comportamento de Lamarca, eu diria que a vida do embaixador suíço foi preservada por ele (Lamarca) e não pelos negociadores da ditadura. Lamarca defendeu a vida do embaixador, contra (a opinião) de todo o coletivo que o mantinha cativo, enquanto que os negociadores do regime não pouparam dificuldades na solução do seqüestro. JC - De quais atos você participou? DARCY - Em razão da minha formação militar e pela facilidade em liderar os grupos de ação, praticamente participei de todas as ações de março de 69 a janeiro de 70, quando fui para o campo de treinamento no Vale do Ribeira como comandante de uma base e sub-comandante do campo. JC - O que mais inspirou o grupo Lamarca, Darcy, cabo José Mariani Ferreira e soldado Zanirato: o idealismo, a luta contra a ditadura, a Revolução Cubana? DARCY - O objetivo, a longo prazo, era uma pátria para todos os brasileiros, onde não houvesse fome, desigualdades, analfabetismo, corrupção, desemprego, e que não houvesse subserviência às diretrizes do Exterior. A derrubada da ditadura, porém, era nosso objetivo imediato. Se houve influência cubana foi somente no método de luta, ou seja, a utilização da guerra irregular. JC - Como foi o episódio da morte do policial na investida contra um banco, em São Paulo? Lamarca realmente o atingiu para proteger você? DARCY - Realmente, eu estava dentro do banco comandando a ação, quando surgiu aquele infeliz apontando o revólver em minha direção. Me protegi atrás de uma coluna, e o restante está registrado nos anais daquela época. JC - Lamarca foi quem comandou o seqüestro do embaixador suíço Enrico Bucher? Você participou? DARCY - Eu fui preso no final de abril de 1970, e trocado (junto com outros presos políticos) pelo embaixador alemão (então, Alemanha Ocidental, Ehrenfried von Holleben), no dia 15 de junho do mesmo ano. Portanto, eu já estava no exterior e não sei detalhes da ação. A partir do Vale do Ribeira, eu só voltei a ter contato com o Lamarca através de cartas. JC - Como aconteceu a sua prisão? DARCY - Fui pego em uma emboscada, no Vale do Ribeira. Passei 57 dias detido, tendo sido torturado até horas após o seqüestro do embaixador alemão, pelo qual fui trocado junto com outros prisioneiros políticos, sendo 40 no total. Quando cheguei na Argélia, havia perdido cerca de 15Kg, e pesava 50Kg. Fiquei hospitalizado por cerca de 10 dias. JC - Trinta anos depois daquele período duro, qual a visão que você tem daquela época, tanto do regime militar quanto das organizações clandestinas que optaram pela luta armada? DARCY - O País vivia um tempo de terror sob um regime de absoluta falta de liberdade. O direito de associação nos partidos políticos, nas entidades estudantis, nos sindicatos etc, era considerado um atentado à Segurança Nacional. A opção era reagir ou fazer como o avestruz, ou seja, enfiar a cabeça em um buraco para ignorar o que se passava. A situação do grupo de militares do 4º RI era muito pior: não tomar uma posição contra esse regime significava ser algoz da cidadania, através das perseguições, prisões, torturas, delações. Apesar de todos os erros cometidos, nós fomos a vanguarda política de oposição na defesa de pessoas que, até inconscientemente, eram vítimas da situação. A Lei da Causalidade, ou seja, causa e efeito, empurrou uma minoria consciente para o sacrifício. JC - Como você se reintegrou à sociedade, na volta do exílio? DARCY - Minha cidade (Bauru, São Paulo), até o final dos anos 70, era extremamente conservadora. Além disso, o Curso Superior de Economia, que fiz em Havana (Cuba), não foi reconhecido quando retornei ao Brasil, em 1980. Eu não tenho por costume pedir licença para ocupar o espaço que me pertence, e acredito que só se recua para tomar impulso. Assim, batalhei de fevereiro de 80 até maio de 82, quando me atirei de corpo e alma na campanha do companheiro Edson Bastos Gasparini, ligado ao PCB, para prefeito de minha cidade. Com a sua vitória, ingressei na administração pública de Bauru, na qual permaneci por 18 anos. No Brasil, terminei concluindo o curso de Direito, e exerço hoje a advocacia. Junto com Lamarca e outros dois militares, o sargento Darcy Rodrigues protagonizou um dos episódios mais simbólicos da luta armada Nascido em uma família de origem operária - o pai era ferroviário, atualmente aposentando -, o ex-sargento do Exército Brasileiro, hoje subtenente reformado Darcy Rodrigues conheceu, conviveu e atuou ao lado de um dos mais polêmicos personagens da luta armada e entre as organizações clandestinas, nos duros anos do regime militar de 1964: o capitão Carlos Lamarca. Com o capitão, o sargento Darcy - mais o cabo José Mariane e o soldado Carlos Roberto Zanirato - protagonizaram, em 24 de janeiro de 1969, um episódio que marca o conturbado período entre os anos 60 e 70: em uma kombi carregada com 63 fuzis, três metralhadores e alguma munição, deixam o Quartel de Quitaúna, 4º RI de Osasco, Grande São Paulo, desertando do Exército e ingressando na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). O ex-sargento Darcy Rodrigues nasceu em 19 de novembro de 1941, auge da 2ª Guerra Mundial, em Avaí, cidade vizinha a Bauru, município no centro-oeste do Estado de São Paulo, distante 250Km da capital. Com cinco anos, acompanhava o pai à praça pública da cidade para ouvir a Voz do Brasil, no período da Constituinte de 1946, o breve espaço democrático vivido pelo País, depois do fim do Estado Novo de Getúlio Vargas. "Vi a revolta dos trabalhadores, quando do fechamento político do País, no Governo Dutra (Eurico Gaspar Dutra), e assisti a uma greve de ferroviários, no final da década de 40, pelo pagamento do aumento assinado pelo presidente Dutra, e não cumprido pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil", relembra o começo da formação política. Fez o primário em um escola municipal que ocupava o prédio de um sindicato, fechado pelo Governo Dutra, e assistiu às lutas nacionalistas pelo petróleo e pelo aço. Acompanhou a tentativa de golpe contra Vargas, em seu segundo Governo, e as notícias sobre o suicídio do ex-presidente. Esteve atento à posição do general Lott, em defesa da ordem democrática e pela garantia da posse do presidente Juscelino Kubistchek. E pertenceu à Juventude Comunista do PCB, da qual se desvinculou em 1964. A permanente agitação do País e cada episódio histórico serviram como escola para a sua formação política. Como estudante do 2º grau, foi um dos fundadores, em 1958, da Associação Treslagoense dos Estudantes Secundaristas, de Três Lagoas (MS), onde morou com os pais. E já no Exército, foi punido, em 1963, por defender o mandato do deputado federal comunista Garcia Neto (PCB), eleito pelo Rio. No exílio, fez curso de marxismo em Cuba, enquanto estudava Economia (A.M.) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110316/3d0cc3c2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2538 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110316/3d0cc3c2/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 16 20:46:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 16 Mar 2011 20:46:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_L=EDbia=3A_Toda_a_verdade?= Message-ID: <98B4B0453DA8422E875EDFF9C8A78896@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Castor Filho Líbia: Toda a verdade Timothy Bancroft-Hinchey Timothy Bancroft-Hinchey - Pravda.Ru ? Pátria Latina Tradução Pravda Enviado por MVM==News Uma semana depois do Dia de Fúria, quando nesta coluna perguntei quem ou o quê estava por trás da ?revolta? contra o Coronel Muammar Kadafi, as primeiras respostas começam a aparecer... E interessantes elas são. A ?revolta? na Líbia pareceu um pouco estranho desde o início. Enquanto na Tunísia e no Egito os movimentos estavam concentrados nas cidades capitais, na Líbia o epicentro se focou na região leste, nas terras tribais da Cirenaica. Estranho...? Cirenaica é anfitriã de um grupo extremamente complexo de povos e tribos, uma realidade étnica tão facilmente explorada em outras regiões árabes por forças exteriores. Em torno da segunda maior cidade da Líbia, e capital da Cirenaica, Benghazi, residem os tribos Arafah, Darsa, Abaydat, Barasa, Abiid, Awaqir, Fawakhir, Zuwayah, Mugharbah, Majabrah, Awajilah e Minifah. Por isso a primeira pergunta é: Por que a ?revolta? líbia não começou na capital, Trípoli, e por que a mídia comprada nunca relatou nada sobre Benghazi e a região Leste... Que tem sido o epicentro de tensões étnicas e separatismo? Pergunta dois é porque houve uma falta de informação sobre os programas sociais de Coronel Kadafi? Os programas sociais do Coronel Muammar Kadafi na Líbia são muito maiores do que os aplicados nos países vizinhos. Infraestruturas modernas surgiram nos últimos anos que visam atrair investimento e trazer riqueza acrescentada e desenvolvimento sustentável para os cidadãos da Líbia; o programa Kadafi de alfabetização forneceu a educação universal gratuita e desde que ele assumiu o poder em 1969, a expectativa de vida dos cidadãos da Líbia aumentou 20 anos, enquanto a mortalidade infantil diminuiu drasticamente. Kadafi representa o controle dos recursos da Líbia por líbios e para líbios. Quando ele chegou ao poder dez por cento da população sabia ler e escrever. Hoje, é cerca de 90 por cento a taxa de alfabetização. As mulheres, hoje, têm direitos e podem ir à escola e conseguir um emprego. A qualidade de vida é de cerca de 100 vezes maior do que existia sob o domínio do rei Idris I. Pergunta três é de onde vieram os cartazes EnoughGaddafi.com e por que o webmaster desta ?organização? está listado na Movements.org como o ?Twitter? a ser seguido e a pergunta número quatro é qual o papel do Departamento de Estado dos EUA relativamente ao Movements.org. A resposta a esta pergunta é que ajudou a lançar o movimento em 2008. Pergunta cinco é o que fazem a Frente Nacional de Salvação da Líbia (NFSL) e a Conferência Nacional para a Oposição da Líbia (NCLO). A resposta é a coordenação de atos de terrorismo. Pergunta seis é o que está fazendo a OTAN concentrada ao largo da costa líbia? Pergunta sete é por que o site da agência de notícias, JANA, do Governo líbio, tenha ficado offline por três dias: e quem ou o quê está por trás desta aparente ato de terrorismo cibernético. Esta é uma tentativa deliberada de manipular a notícia por aqueles que tentam obter informações e tentar moldar a opinião pública ao seu favor. Aqueles que tentam forjar um caminho independente, como a Al Jazeera, logo são assimilados, o que é fácil de se ver. Pergunta oito é quem estava por trás do boato que o Coronel Kadafi havia fugido do país, enquanto ele estava o tempo todo em Trípoli. Pergunta número nove se baseia no que aconteceu com o embaixador da Líbia em Washington, aparentemente impedido de participar numa discussão na ONU; esta foi realizada por um assessor, cuidadosamente preparado, que tomou seu lugar e deu uma versão dos eventos que o embaixador negou mais tarde. O tempo dirá o que acontece a seguir, mas uma coisa é clara: há forças das trevas operando na Líbia e não são líbias... Timothy Bancroft-Hinchey Copyright © 1999-2011, «PRAVDA.Ru». No ato de reproduzir nossos materiais na íntegra ou em parte, deve fazer referência à PRAVDA.Ru As opiniões e pontos de vista dos autores nem sempre coincidem com os dos editores. http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/03/libia-toda-verdade.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110316/3fc419f1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 18 08:35:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Mar 2011 08:35:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_ANT=D4NIO_CARLOS_BICALHO_LANA_________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-LXXV-?= Message-ID: <2DCFC0AD5E174A2697F76E1FE6A2E3C4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ANTÔNIO CARLOS BICALHO LANA (1948-1973) Filiação: Adalgisa Gomes de Lana e Adolfo Bicalho de Lana Data e local de nascimento: 02/03/1949, Ouro Preto (MG) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 30/11/1973, São Vicente (SP) Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones - presos em novembro de 1973 - foram torturados até a morte e enterrados como indigentes no cemitério Dom Bosco, em Perus, na capital paulista. A versão oficial, divulgada no dia 30/11/1973, dizia que os dois militantes haviam morrido em tiroteio, na altura do nº 836 da avenida Pinedo, no bairro Santo Amaro, hoje Capela do Socorro. A notícia publicada nos jornais não informava a morte de Sônia, mas de Esmeralda Siqueira de Aguiar. Seus pais, João e Cléa Moraes, a identificaram imediatamente porque conheciam o nome falso utilizado pela filha. Anos mais tarde, conseguiram reconstituir pelo menos parcialmente os fatos. Sônia e Lana haviam alugado um apartamento em São Vicente, litoral de São Paulo, em 15/11/1973. Esse apartamento passou a ser vigiado por agentes dos órgãos de segurança, que informaram aos funcionários do condomínio que ali moravam "dois terroristas muito perigosos". A data exata da prisão nunca foi estabelecida, mas sabe-se que era de manhã quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir com destino a São Paulo. Vários agentes já estavam dentro do coletivo. Simultaneamente, nas imediações da agência de passagens do Canal 1, em São Vicente, encontravam-se outros policiais à espera de que os dois descessem para comprar as passagens, que não eram vendidas dentro do ônibus. Os pais de Sônia, depois de muita procura, localizaram o bilheteiro do ônibus, Ozéas de Oliveira, e o motorista, Celso Pimenta, que presenciaram a prisão do casal. Segundo as testemunhas, Lana quis pagar as passagens, mas foi informado pelo motorista que o pagamento seria feito no guichê do Canal 1, onde ficava a agência. Quando lá chegaram, Lana desceu do ônibus e Sônia ficou. Cinco agentes esperavam dentro da agência e outros chegaram em vários carros. No guichê, Lana entrou em luta corporal com os policiais. Foi dominado a socos e pontapés, levando uma coronhada de fuzil na boca. Sônia, ao levantar-se do banco, foi agarrada e levou um pontapé nas costas. Saiu do ônibus algemada pelos pés e foi colocada em um Opala, enquanto Lana foi empurrado para outro carro. O depoimento de Ozéas foi tomado no final de 1979, na presença dos pais de Sônia, de Suzana Keniger Lisbôa, do ex-ministro da Justiça José Gregori e dos advogados Belisário dos Santos Junior e Luiz Eduardo Greenhalgh. Há duas versões para a morte de Sônia. A primeira, do primo do pai dela, coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOI-CODI de Brasília e amigo pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI de São Paulo: "Depois de presa, do DOICODI/ SP foi mandada para o DOI-CODI/RJ, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangue, onde recebeu dois tiros". A segunda, do ex-sargento Marival Dias Chaves do Canto, do DOI-CODI/SP, em entrevista concedida à revista Veja, em 18/11/1992. Segundo ele: "Antônio Carlos e Sônia foram presos no Canal 1, em Santos, onde não houve qualquer tiroteio, e nem ao menos um tiro, 'apenas' a violência dos agentes de segurança que conseguiram imobilizar o casal aos socos, pontapés e coronhadas. (...) Eles foram torturados e assassinados com tiros no tórax, cabeça e ouvido.(...) Foram levados para uma casa de tortura, na zona sul de São Paulo, onde ficaram de cinco a 10 dias até a morte, em 30 de novembro. Depois disso, seus corpos foram colocados à porta do DOI-CODI, para servir de exemplos, antes da montagem do teatrinho". Foram sepultados como indigentes no Cemitério de Perus, Sonia com nome falso. Ao final do Auto de Exibição e Apreensão do DOI-CODI, datado de 30/11/1973, porém, encontra-se a ressalva: "Em Tempo: Material encontrado em poder de Esmeralda Siqueira Aguiar, cujo nome verdadeiro é Sônia Maria Lopes de Moraes". Tantas evidências não deixaram dúvidas entre os integrantes da CEMDP, que resolveram, por unanimidade, deferir os processos de Sônia e de Antônio Carlos. Sônia Maria era gaúcha de Santiago do Boqueirão e filha de um oficial do Exército. Morava no Rio de Janeiro e trabalhava como professora de português quando se casou com Stuart Edgar Angel Jones, militante do MR-8 - mais tarde desaparecido e procurado incansavelmente pela mãe, a estilista Zuzu Angel, também morta. Em 01/05/1969, Sônia já tinha sido presa quando participava de manifestação de rua na Praça Tiradentes, sendo levada para o DOPS e, posteriormente, para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Sua libertação só aconteceu em 6 de agosto daquele ano. Visada pelos órgãos de segurança depois desse episódio, teve de se manter na clandestinidade. Em maio de 1970 exilou-se na França, onde passou a estudar na Universidade de Vincennes. Para sustentar-se, lecionava português na Escola de Línguas Berlitz, em Paris. Ao saber da prisão e desaparecimento de Stuart, Sônia decidiu voltar ao Brasil e retomar a luta de resistência. Ingressou então na ALN e morou um tempo no Chile, onde trabalhava como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, estabelecendo-se em São Paulo e depois em São Vicente, já vivendo com Antônio Carlos. Ao tomarem conhecimento da morte pelos jornais, os pais de Sônia foram para São Vicente. Encontraram no apartamento cinco agentes dos órgãos de segurança. O pai de Sônia foi esbofeteado e ameaçado de ser jogado do terceiro andar do prédio. Identificou-se como tenentecoronel e conseguiu ser libertado, com a promessa de permanecer em São Paulo, à disposição do II Exército. De volta ao Rio, conseguiu uma carta do general Décio Palmeiro Escobar, endereçada ao comandante do II Exército, para liberação do corpo. Ao apresentar- se em São Paulo, ficou detido por quatro dias. Solto, recebeu um recado: "Moraes, o general manda dizer que você está livre a partir deste momento. Deve regressar ao Rio, não contratar advogado, não falar nada para ninguém e aguardar o atestado de óbito de sua filha, que lhe será remetido pelo II Exército". Insistindo em ver o corpo de Sônia, soube que já estava enterrado. Ao requerer o atestado de óbito, recebeu o seguinte despacho: "Não cabe ao II Exército fornecer o atestado solicitado. No cartório de Registro Civil do 20º Sub Distrito-Jardim América/SP, foi registrado o óbito de Esmeralda Siqueira Aguiar, filha de Renato A. Aguiar e Lúcia Lima Aguiar. O requerente procure o cartório em causa, se assim o desejar". Conseguiu obter o atestado de óbito através de processo na 1ª Vara de Registros Públicos, em março de 1980. Somente depois que Sônia passou a ser considerada oficialmente morta, a família teve permissão para transladar seus restos mortais para o Rio de Janeiro em 1981. O corpo entregue como sendo de Sônia não apresentava os tiros na cabeça descritos. Na tentativa de apuração das reais circunstâncias de sua morte, a família entrou com processo contra Harry Shibata na Justiça Militar de São Paulo. Diligenciando o processo, o IML/RJ constatou em 1982 que os ossos entregues à família eram de um homem. Por determinação da juíza Sheila Bierrenbach, seis novas exumações foram realizadas no Cemitério de Perus, até obter-se um corpo que correspondia às características do cadáver que tinha sido necropsiado em 1973. Tornou-se impossível concluir se a necropsia foi feita ou não, uma vez que Harry Shibata declarou em depoimento à CPI da Câmara Municipal de São Paulo - responsável pela investigação sobre a Vala Clandestina do Cemitério de Perus - que a inexistência de corte no crânio de Sônia era irrelevante, pois descrever o corte era apenas uma questão de praxe. O advogado José Luiz Sobral, amigo da família e do general Adir Fiúza de Castro, então comandante do DOI-CODI/RJ, ao procurar aquele general para esclarecer as circunstâncias da morte de Sônia, tornou-se portador de um inusitado presente seu para a família: um cassetete da Polícia do Exército, com a recomendação de que ficassem quietos. João Moraes guardava o presente como uma relíquia, achando que a crueldade dos porões do regime militar chegara ao ponto de ser aquele o instrumento que matara a filha. Depois de muito relutar em acreditar que a filha não fora morta no tiroteio informado pelos militares, João Moraes tornou-se uma liderança dentre os familiares de mortos e desaparecidos políticos, tendo sido presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e a esposa Cléa secretária por muitos anos. Já falecido por ocasião da Lei nº 9.140/95, não presenciou o reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte da filha. Antes de morrer, publicou o livro que registra a história da vida e morte de sua filha, bem como a dolorosa peregrinação que ele e sua esposa realizaram na busca do corpo e do esclarecimento completo de sua morte sob torturas: "O calvário de Sônia - uma história de terror nos porões da ditadura". Antônio Carlos Bicalho Lana cursou o primário no Grupo Escolar Dom Pedro II e o ginasial na Escola Municipal Marília de Dirceu, em Ouro Preto (MG), sua terra natal, onde iniciou o científico, não concluído. Começou a atuar no Movimento Estudantil na década de 60, em um grupo de militantes formado por secundaristas, universitários e operários. Depois de se filiar à Corrente, transferiu-se para Belo Horizonte, onde participou de algumas ações armadas. Quando essa organização se incorporou à ALN viajou para Cuba e retornou ao Brasil depois de receber treinamento militar, sendo inicialmente deslocado para uma curta permanência no Ceará, em 1970. No início de 1971 já atuava em São Paulo, onde se tornaria dirigente da ALN. Em junho de 1972, mesmo ferido com três tiros, foi o único sobrevivente do cerco formado por agentes do DOI-CODI/SP, no restaurante Varella, na Mooca, que resultou na morte de Iuri Xavier Pereira, Marcos Nonato da Fonseca e Ana Maria Nacinovic Corrêa, conforme já informado neste livro-relatório. Era acusado pelos órgãos de segurança de ter participado de inúmeras ações armadas em São Paulo. O laudo de necropsia de Lana, assinado por Harry Shibata e Antônio Valentini, assim como o de Sônia, também foi datado de 05/12/1974, um ano após sua morte, e descreve apenas um ferimento a bala na cabeça, com entrada na região palpebral e saída na região parietal direita. Shibata descreve a trajetória do tiro, aberto que fora o crânio pelo método de Griesinger. Exumado e identificado em 1991, o crânio de Antônio Carlos não fora serrado - estava intacto. Os tiros que tinha recebido na Mooca foram fundamentais para a identificação.Além disso, foto de seu corpo visivelmente marcado pelas torturas foi localizada em 1990 no arquivo do DOPS. Exumado em agosto de 1991, o corpo de Lana foi identificado e trasladado para Ouro Preto, recebendo homenagens na catedral da Sé, em São Paulo, com uma missa celebrada por Dom Paulo Evaristo Arns, e também em Ouro Preto, onde foi celebrante Dom Luciano Mendes de Almeida. Em 19/09/1992, na gestão de Luiza Erundina como prefeita de São Paulo, foi inaugurado o complexo viário João Dias, nas proximidades da Praça Alceu Amoroso Lima e marginal do Rio Pinheiros. Esse complexo é integrado por três grandes viadutos, sendo um deles batizado com o nome de Sônia Maria de Moraes Angel Jones e os outros dois com os nomes de Honestino Guimarães e Frederico Eduardo Mayr. ======================================================================================================================== + Informações. ANTÔNIO CARLOS BICALHO LANA Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em Ouro Preto, no dia 2 de março de 1948, filho de Adolfo Bicalho Lana e Adalgisa Gomes de Lana em uma família de muitos filhos. Fez o curso primário no Grupo Escolar D. Pedro II e o ginasial na Escola Municipal Marília de Dirceu, em Ouro Preto, onde começou o científico que não foi concluído. Passou a atuar no movimento estudantil na década de 60, participando em Ouro Preto de um grupo de militantes formado por estudantes secundaristas, universitários e operários. Filiado à Corrente, transferiu-se para Belo Horizonte, onde morou de 1969 a 1970 e, mais tarde, passou a militar na ALN, da qual foi um dos seus dirigentes. Também conhecido como Cristiano, Cal e Mateus, Antônio Carlos dedicou-se inteiramente à luta armada. No início de 1969, diante das prisões, torturas e assassinatos de seus companheiros, Antônio Carlos percebeu a dureza do combate em que se engajara. Firme em suas convicções, deslocou-se para o Rio de Janeiro e, mais tarde para São Paulo, por meio da ALN, cumprindo na clandestinidade várias tarefas importantes dentro da organização e em vários pontos do país. No dia 14 de junho de 1972 escapou ferido com 3 tiros de um massacre feito pelo DOI-CODI/SP, quando morreram Iuri Xavier Pereira, Marcos Nonato da Fonseca e Ana Maria Nacinovic Correia. Foi preso em novembro de 1973, no Posto Rodoviário, no Canal 1, em Santos, junto com sua companheira Sônia Maria Moraes Angel Jones. Na hora da prisão, Antônio Carlos foi agredido por vários policiais tendo recebido uma coronhada de fuzil na boca. A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança, no dia 30, dava a informação de que Antônio Carlos e Sônia haviam morrido em conseqüência de um tiroteio em Santo Amaro, São Paulo. Testemunhas da prisão de Antônio Carlos e Sônia atestam que os dois foram presos, em Santos, com vida, em meio à grande pancadaria para detê-los. Conforme depoimento de Marival Dias Chaves do Canto, do DOI-CODI/SP, à revista "Veja" de 18 de novembro de 1992, Antônio Carlos e Sônia foram levados a um centro clandestino da repressão, localizado num sítio na zona sul de São Paulo, onde foram torturados e assassinados com tiros no tórax, cabeça e ouvido. Depois, seus corpos foram colocados no porta-malas de um carro e levados até o bairro de Santo Amaro, em São Paulo, onde foi encenada a farsa de um tiroteio para simular as mortes. O corpo mutilado de Antônio Carlos foi autopsiado pelos legistas Harry Shibata e Paulo Augusto de Queiroz Rocha, que descreveram as trajetórias das balas, sem nada falar sobre os sinais evidentes de torturas, como comprovam as fotos encontradas no DOPS/S, confirmando a versão oficial. Shibata confessou que registrou em seu exame técnicas de necrópsia apenas por uma questão de praxe, sem ter realizado de fato a operação. Esse depoimento consta dos anais da CPI da Câmara Municipal de São Paulo, sobre a Vala de Perus. Para os Relatórios dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica permanece a versão falsa de que morreu após tiroteio com órgãos de segurança. O relatório do Exército sequer se refere a seu nome, apesar de terem sido os seus organismos responsáveis por sua prisão, tortura e morte. Seus restos mortais foram exumados em 1990, com o apoio do governo municipal de Luiza Erundina, identificados pela UNICAMP e trasladados para Ouro Preto, em 16 de agosto de 1991. ===================================================================================== Outras Informações. segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009 O assassinato na Mooca O assassinato na Mooca Gabriel Passos - Para o blog A Luta Armada no Brasil - www. lutaarmadabrasil.blogspot.com ---------------------------------------------------------------------------------- Através de depoimentos de moradores e militantes, inclusive o de Antônio Carlos Bicalho Lana - presente no livro "Nas Trilhas da ALN", de Carlos Eugênio Paz - "A Luta Armada No Brasil" traz uma matéria sobre o brutal assassinato de três militantes da ALN num restaurante localizado na Mooca, bairro da cidade de São Paulo, em 14 de junho de 1972. A fotografia ao lado foi divulgada pelo DOPS na época, onde aparecem as fotos dos militantes e as armas que teriam sido encontradas com eles. Também publicamos fotos de onde se localizava o restaurante, atualmente. ---------------------------------------------------------------------------------- O dia 14 de junho de 1972, uma quarta-feira, estava começando. Chegava a hora do almoço. Três jovens militantes da ALN - Antônio Carlos Bicalho Lana, Ana Maria Nacinovic Corrêa e Marcos Nonato da Fonseca - tinham reunião com outro jovem militante, Iuri Xavier Pereira, reunião esta para tratar de assuntos da organização. Marcou-se um almoço num pacato restaurante na Rua Antunes Maciel, paralela a Rua da Mooca, no tradicional bairro paulista que dá nome à rua. Chamava-se Varella. Havia muito que se conversar. Logo após sentarem, Marcos avisou a Antônio Carlos que sua pistola estava com a coronha fora da camisa. Pistola em seu lugar, a conversa fluiu normalmente por um longo tempo. Até que o proprietário, o português Manoel Henrique de Oliveira - que já era alcagüete da repressão - reconheceu Ana Maria. Ligou para o DOI-CODI, situado à época na Rua Tutóia. Uma equipe foi enviada ao local. Dois "agentes" entraram no restaurante e reconheceram os companheiros. Descobriram o carro que usavam - um fusca - e montaram uma armadilha. Conversa terminada, almoço pago, saíram do restaurante. Antônio Carlos entrou no Fusca e, no momento em que colocou a mão na maçaneta para abrir a porta para os companheiros, os tiros começaram. Na primeira rajada, Antônio Carlos foi ferido e deitou-se sob o banco do passageiro. Pegou a metralhadora que estava no chão e engatilhou-a. De repente, silêncio. Estavam recarregando as armadas. Antônio Carlos saiu do carro, disparando rajada contínua em círculos. Procurou os companheiros. Marcos, Ana Maria e Iuri acabavam de ser covardemente assassinados. Correu rua acima, onde um carro parou atravessado, com medo do tiroteio. Puxou o motorista para fora e arrancou em disparada. Os tiros recomeçaram, mas não conseguiram acertá-lo. Foi até o Ipiranga, onde roubou um fuscão de uma mulher e foi para o aparelho. No local, ficaram alguns policiais. Foi aí que a selvageria teve início. Davam coronhadas, jogavam os corpos de um lado para o outro, de cima para baixo. Ana Maria ainda vivia quando um policial disparou uma rajada de fuzil à queima-roupa. Foi o alvo preferido da selvageria praticada pelos agentes da repressão. Pouco depois, vieram uma ambulância e um carro do IML e os cadáveres foram levados. No "tiroteio", uma criança e um transeunte foram atingidos pelos policiais. Chegando ao aparelho, Antônio Carlos foi medicado e as balas retiradas. Foram três ferimentos, todos no lado direito do corpo. Começou, então, a busca pelos militantes. Carlos Eugênio Paz foi até os pontos que tinha com os três. Não apareceram. Algum tempo depois, os jornais divulgariam a notícia, repleta de informações falsas. Chegaram a dizer que estavam seguindo os militantes, estes na companhia de José Pereira da Silva. No entanto, José Pereira estava preso a algum tempo. Depois da divulgação das mortes, militantes da ALN foram até o restaurante, procurar por algum culpado, afinal era estranho os "agentes" acharem os militantes no restaurante. Ouviram o proprietário se vangloriar do feito, dizendo que havia reconhecido Ana Maria pela foto de um cartaz e ligado para a Tutóia. Algum tempo depois, no dia 21 de fevereiro de 1973, o comando Aurora Maria do Nascimento Furtado - homenagem a companheira barbaramente assassinada sob tortura em 10 de novembro de 1972 -, da ALN, chegava ao restaurante para justiçar Manoel Henrique. Logo após os tiros, seu corpo foi coberto de panfletos da organização. Em novembro de 1973, Antônio Carlos era assassinado junto a sua companheira, Sônia Maria de Moraes Angel Jones, sob tortura. Passados quase quarenta anos, alguns moradores ainda se lembram do assassinato. Moradores estes que, dias depois, tentaram elaborar um abaixo-assinado para o Governador do Estado como forma de protesto e que, em 1992, sugeriram a construção da creche Ana Maria Nacinovic Corrêa. O prédio onde se localizava o Varella ainda existe. Passou por uma reforma há algum tempo. Mas as marcas continuam lá. Não as marcas de sangue. Mas as marcas que vão ficar para sempre na história do Brasil. As marcas covardes da repressão. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110318/d278414e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8069 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110318/d278414e/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 57717 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110318/d278414e/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 18 08:35:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Mar 2011 08:35:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Os 128 anos da morte de Marx Message-ID: <10E017462E8F4DBDAFF0E4348F81685D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Os 128 anos da morte de Marx No dia 14 de março de 1883, em Londres, morreu Karl Marx, aos 64 anos. Economista, historiador, sociólogo, filósofo e jornalista, Marx é um destes autores que não podem ser enquadrados em apenas uma área do conhecimento humano. O autor de "O Capital" apresentou ao mundo um estudo aprofundado sobre as origens e a lógica de desenvolvimento do capitalismo. Autor fundador da esquerda moderna, Marx já foi condenado ao esquecimento algumas vezes, mas as repetidas crises do capitalismo sempre renovam o interesse por sua obra. Neste dia, lembramos sua obra e seu legado publicando o discurso proferido por seu companheiro de reflexão e de militância Friedrich Engels, durante o funeral de Marx (publicado pelo Diário da Liberdade e pelo Portal Luta de Classes, a partir de texto do Arquivo Marxista na Internet): Discurso de Friedrich Engeles no funeral de Karl Marx Em 14 de março, quando faltam 15 minutos para as 3 horas da tarde, deixou de pensar o maior pensador do presente. Ficou sozinho por escassos dois minutos, e sucedeu de encontramos ele em sua poltrona dormindo serenamente - dessa vez para sempre. O que o proletariado militante da Europa e da América, o que a ciência histórica perdeu com a perda desse homem é impossível avaliar. Logo evidenciará-se a lacuna que a morte desse formidável espírito abriu. Assim como Darwin em relação a lei do desenvolvimento dos organismos naturais, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da História humana: o simples fato, escondido sobre crescente manto ideológico, de que os homens reclamam antes de tudo comida, bebida, moradia e vestuário, antes de poderem praticar a política, ciência, arte, religião, etc.; que portanto a produção imediata de víveres e com isso o correspondente estágio econômico de um povo ou de uma época constitui o fundamento a parir do qual as instituições políticas, as instituições jurídicas, a arte e mesmo as noções religiosas do povo em questão se desenvolve, na ordem em elas devem ser explicadas - e não ao contrário como nós até então fazíamos. Isso não é tudo. Marx descobriu também a lei específica que governa o presente modo de produção capitalista e a sociedade burguesa por ele criada. Com a descoberta da mais-valia iluminaram-se subitamente esses problemas, enquanto que todas as investigações passadas, tanto dos economistas burgueses quanto dos críticos socialistas, perderam-se na obscuridade. Duas descobertas tais deviam a uma vida bastar. Já é feliz aquele que faz somente uma delas. Mas em cada área isolada que Marx conduzia pesquisa, e estas pesquisas eram feitas em muitas áreas, nunca superficialmente, em cada área, inclusive na matemática, ele fez descobertas singulares. Tal era o homem de ciência. Mas isso não era nem de perto a metade do homem. A ciência era para Marx um impulso histórico, uma força revolucionária. Por muito que ele podia ficar claramente contente com um novo conhecimento em alguma ciência teórica, cuja utilização prática talvez ainda não se revelasse - um tipo inteiramente diferente de contentamento ele experimentava, quando tratava-se de um conhecimento que exercia imediatamente uma mudança na indústria, e no desenvolvimento histórica em geral. Assim por exemplo ele acompanhava meticulosamente os avanços de pesquisa na área de eletricidade, e recentemente ainda aquelas de Marc Deprez. Pois Marx era antes de tudo revolucionário. Contribuir, de um ou outro modo, com a queda da sociedade capitalista e de suas instituições estatais, contribuir com a emancipação do moderno proletariado, que primeiramente devia tomar consciência de sua posição e de seus anseios, consciência das condições de sua emancipação - essa era sua verdadeira missão em vida. O conflito era seu elemento. E ele combateu com uma paixão, com uma obstinação, com um êxito, como poucos tiveram. Seu trabalho no 'Rheinische Zeitung' (1842), no parisiense 'Vorwärts' (1844), no 'Brüsseler Deutsche Zeitung' (1847), no 'Neue Rheinische Zeitung' (1848-9), no 'New York Tribune' (1852-61) - junto com um grande volume de panfletos de luta, trabalho em organização de Paris, Bruxelas e Londres, e por fim a criação da grande Associação Internacional de Trabalhadores coroando o conjunto - em verdade, isso tudo era de novo um resultado que deixaria orgulhoso seu criador, ainda que não tivesse feito mais nada. E por isso era Marx o mais odiado e mais caluniado homem de seu tempo. Governantes, absolutistas ou republicanos, exilavam-no. Burgueses, conservadores ou ultra-democratas, competiam em caluniar-lhe. Ele desvencilhava-se de tudo isso como se fosse uma teia de aranha, ignorava, só respondia quando era máxima a necessidade. E ele faleceu reverenciado, amado, pranteado por milhões de companheiros trabalhadores revolucionários - das minas da Sibéria, em toda parte da Europa e América, até a Califórnia - e eu me atrevo a dizer: ainda que ele tenha tido vários adversários, dificilmente teve algum inimigo pessoal. Seu nome atravessará os séculos, bem como sua obra! 18 de março de 1883 Fonte: Agência Carta Maior. Publicado em 14/03/2011. Disponível em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17543 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110318/a25b97bc/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6014 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110318/a25b97bc/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 18 19:44:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Mar 2011 19:44:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__Manoel_Lisboa_de_Moura________________?= =?iso-8859-1?q?_____________-LXXVI-?= Message-ID: <2ED6146B178D48A98ABA50A24B5B44ED@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A noite anterior à sua morte foi a mais curta de sua vida A idéia de que ainda existia queima-he o sangue nos punhos O peso do corpo esgotava-o e a própria força o fazia gemer Foi então, no fundo desse horror, que começou a sorrir. Não tinha apenas um camarada mas milhões e milhões deles para vingar.... E ele sabia-o E o dia nasceu para ele (Paul Eluard) Manoel Lisboa de Moura: um homem de verdade Manoel Lisboa de Moura nasceu em Maceió, no dia 21 de fevereiro de 1944, filho de Augusto de Moura Castro, oficial da Marinha, e de Iracilda Lisboa de Moura. Sua formação político-ideológica não se deu apenas por meio de leituras, nem sua prisão ocorreu simplesmente por vender livros proibidos. Ainda adolescente, organizou o grêmio do antigo Liceu Alagoano, depois Colégio Estadual. Foi diretor da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (Uesa) e aos 16 anos ingressou na Juventude Comunista do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Como universitário, organizou o Centro Popular de Cultura da UNE (CPC), apresentou e dirigiu peças de teatro, envolvendo, inclusive, operários da estiva. O golpe militar de 1964 encontrou-o cursando medicina na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), da qual o expulsou, cassando-lhe os direitos políticos. Nessa ocasião, pertencia ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), organização criada em 1962, diante da linha reformista adotada pelo velho "Partidão", desde o XX Congresso do PC da União Soviética, fato que provocou a cisão dos militantes. Lisboa transferiu-se para o Recife, onde continuou na luta revolucionária. Trabalhava na Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne). Em julho de 1966, foi novamente preso, logo após o atentado contra o ditador de plantão, o marechal Artur da Costa e Silva, ocorrido no Aeroporto dos Guararapes. A polícia não conseguiu incriminá-lo, pois o inquérito comprovou que ele, no momento do ocorrido, estava trabalhando na Cerne com seu irmão, engenheiro e capitão do Exército. Posto em liberdade quatro dias depois, concluiu que não era possível continuar levando uma vida legal e, dedicando-se à causa revolucionária, optou pela vida clandestina. A fundação do PCR Dezembro de 1966. Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho (Capivara, veja A Verdade, nº 9), Ricardo Zarattini Filho (engenheiro, depois banido do Brasil, em 1969, depois do sequestro do embaixador estadunidense) e outros companheiros fundaram, então, o Partido Comunista Revolucionário (PCR). Apesar das duras condições da luta clandestina, o PCR procurou ligar-se às massas camponesas, operárias e estudantis em todo o Nordeste. Para isso, desenvolvia trabalho de conscientização na base e intensa campanha de denúncias das arbitrariedades e crimes cometidos contra os trabalhadores, conclamando o povo a organizar-se e lutar por seus direitos. O Partido propunha a utilização de todas as formas de luta, legais e ilegais, abertas ou clandestinas, destacando a luta armada como a única capaz de destruir realmente a ditadura, desde que contasse com o apoio, a compreensão e a simpatia do povo. No dia 16 de agosto de 1973, a repressão conseguiu seu intento. Quando conversava com uma operária, a quem dava assistência política, na praça Ian Fleming, no bairro do Rosarinho, no Recife, Manoel Lisboa foi agarrado por um bando de fascistas, sob as ordens do agente policial Luís Miranda, de Pernambuco, e do delegado paulista Sérgio Fleury. Foi algemado, arrastado para um veículo e conduzido para o DOI-Codi do IV Exército, então situado no parque 13 de Maio. Fortunata, a operária, presenciou a cena. "Foi uma verdadeira operação de guerra. Quando um homem se aproximou, ele fez menção de pegar a arma, mas foi inútil. De todos os lados da praça surgiam homens. Carros e carros surgiram". Manoel Lisboa foi submetido a todo tipo de tortura. Despido, pendurado no pau de arara, espancado por todo o corpo, recebeu choques elétricos no pênis, nas mãos, nos pés, nas orelhas. Foi queimado com vela. Logo nos primeiros dias, perdeu a sensibilidade dos membros inferiores. Não podia se locomover, nem se alimentar. Manoel sabia tudo da organização. Era seu dirigente máximo, conhecia todos os segredos. Um segundo de vacilação, e o PCR estaria completamente aniquilado. Mas ele foi coerente com o que sempre pregara: "Delação é traição e a traição é pior do que a morte. O revolucionário é como um prisioneiro de guerra; só declina o próprio nome. A causa revolucionária, a democracia, a libertação nacional, o socialismo estão acima da própria vida". Maria do Carmo Tomáz e Juares José Gomes viram-no cheio de hematomas e ouviram seus gritos. Outros prisioneiros chegaram a falar com ele, que disse: "Sei que minha hora chegou; fiz o que pude; a vocês, peço apenas que continuem o trabalho do Partido"¹. Manoel Lisboa Vive! Apesar de sua morte, suas ideias e seu exemplo continuam vivos em cada combatente da causa do socialismo. Como gostava de repetir sempre aos seus companheiros, "O novo que surge derrotará o velho que agoniza e isso ninguém poderá impedir". Passados trinta e sete anos, Manoel, um revolucionário que deu o melhor de si pela causa da liberdade e do socialismo, continua vivo nas lutas dos operários, dos camponeses e dos jovens que mantêm erguida a bandeira vermelha da revolução. Glória aos nossos heróis! Viva Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, Emanuel Bezerra e Manoel Aleixo! Redação (¹Veja livro A Vida e a luta do comunista Manoel Lisboa, Edições Centro Cultural Manoel Lisboa) "Manoel Lisboa de Moura, principal fundador, chefe, organizador do Partido Comunista Revolucionário. Seu nome sempre será exaltado, sua vida será o espelho no qual se observarão seus companheiros de luta. Manoel Lisboa, herói comunista, modelo de homem futuro, companheiro admirado e amado por todos. A melhor homenagem que podemos lhe prestar é continuar o trabalho pelo qual deu sua vida: desenvolver, até a vitória, o trabalho revolucionário que conduzirá o Brasil a ser livre da exploração estrangeira, à democracia, ao socialismo e, finalmente, ao mais belo sonho dos homens o comunismo. Nossos companheiros Manoel Lisboa, Emanuel Bezerra, Manoel Aleixo e Amaro Luiz de Carvalho permanecerão vivos para sempre em nossas lembranças, em nossa luta, em nossas futuras derrotas e vitórias, até a vitória final! (Trechos do Editorial do jornal A LUTA, órgão do PCR, dezembro de 1974) MANOEL LISBOA, VIDA E MORTE Autor: Medeiros Braga Manoel Lisboa, Mártir e Revolucionário Manoel Lisboa aos amigos Falava com precisão Que servir ao lobo-homem O sangue do próprio irmão É o pior de todos os crimes, Pois, "delação é traição" Manoel Lisboa de Moura, Esse jovem alagoano De Maceió, que nasceu Em quarenta e quatro, o ano, E que cresceu já voltado À luta do ser humano. No seu tempo de estudante Por toda América fervia Um sentimento revolto, Crescente de rebeldia Contra o imperialismo Cujas nações extorquia. A independência de Cuba E os ideais de Che Guevara Despertaram o americano Seu terror, de forma clara, Ao promover entreguistas Por toda extensa seara. No Brasil havia um clima De certa democracia Com organizações sócias Melhorando a cada dia E discutindo projetos Para a grande maioria. No campo se organizava A sua classe operária, Eram as Ligas Camponesas A corrente luminária Que clareava as propostas Da melhor reforma agrária. Na cidade, os operários Liam em livro e em jornal O tema "o socialismo" , A questão nacional, A produção das riquezas E a distribuição desigual. Bem moço Manoel Lisboa Formara sua ideologia Marxista-leninista Nas várias obras que lia, Se tornando comunista, Combatendo a burguesia. Ele não tergiversava, Nem perdoava traidores, Pra ele o radicalismo É próprio dos contedores Que lutam por um mundo justo, Sem explorados e exploradores. Ele fez, honestamente, O que devia ser feito, Defendeu o socialismo Que tinha dentro do peito, Combateu a ditadura E o imperialismo com jeito. É Manoel Lisboa de Moura Mártir e herói comunista, Nos porões da ditadura, Ante a prática fascista, Tombou devido combate Ao mundo capitalista. Manoel Lisboa de Moura, Tu não morrestes em vão, Pois, além do desafio Enfrentado a cada ação, Milhares de companheiros Hoje seguem a tua lição. ========================================================================================== + Manoel Lisboa de Moura (Galego) Manoel Lisboa de Moura era conhecido por seus companheiros como Galego, Celso, Zé, Mário e outros nomes. Nenhum capricho. Era preciso despistar os agentes da ditadura militar que o perseguiam desde que a ditadura se instalara no país em 1º de abril de 1964. Por que ele era um dos homens mais temidos pelo regime fascista, que impôs ao povo brasileiro uma longa noite de terror? Deixemos que o jovem herói fale um pouco de sua própria história. Herói do PCR "Meu despertar para as questões sociais apareceu quando eu tinha a idade de 17 anos. Iniciei-me nesses estudos à medida que ia vendo os erros cometidos pelas administrações dos governos daquela época. Paralelamente, tive a curiosidade despertada para o marxismo, em virtude do alarde que sempre se fez em torno do socialismo como sendo um perigo. Por outro lado, o avanço das idéias do socialismo no mundo atual é um fato bastante comprovado. Os livros que falam do assunto acima referido infestavam todas as livrarias. À medida que ia tomando conhecimento do conteúdo dessas obras, ia relacionando-o com os fatos cotidianos e chegando à conclusão de que nada de perigoso e tremendo ali existia, mas sim uma análise profunda e bem feita dos fatos econômico-sociais. Continuei nos estudos e, aos 19 anos, considerei-me marxista-leninista. Em 1964, fui indiciado por vender livros e revistas em uma pequena livraria. Fui libertado após 15 dias de prisão." (Depoimento prestado por ocasião de sua segunda prisão, em 12 de agosto de 1965) A juventude Vamos completar a história, já que ele não tinha nenhum motivo para revelar à repressão militar sua ação política. Manoel Lisboa de Moura nasceu em Maceió, estado de Alagoas, no dia 21 de fevereiro de 1944, filho de Augusto de Moura Castro, oficial da Marinha, e de Iracilda Lisboa de Moura. Sua formação político-ideológica não se deu apenas por meio de leituras, nem sua prisão ocorreu simplesmente por ele vender livros proibidos. Ainda adolescente, organizou o grêmio do antigo Liceu Alagoano, depois Colégio Estadual. Foi diretor da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (Uesa) e, aos16 anos, ingressou na Juventude Comunista do PCB. Como universitário, organizou o Centro Popular de Cultura da UNE (CPC) em Maceió, apresentou e dirigiu peças de teatro, envolvendo, inclusive, operários da estiva. O Golpe Militar de 1964 o encontrou cursando Medicina na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), de onde o expulsou, cassando-lhe os direitos políticos. Nessa ocasião, pertencia ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), organização criada em 1962 diante da linha reformista adotada pelo velho "Partidão" desde o 20º Congresso do PC da União Soviética, fato que provocou a cisão dos militantes. Lisboa transferiu-se para o Recife, onde continuou na luta revolucionária. Trabalhava na Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne). Em julho de 1966, foi novamente preso, logo após o atentado contra o ditador de plantão, marechal Artur da Costa e Silva, ocorrido no Aeroporto dos Guararapes. A polícia não conseguiu incriminá-lo, pois o inquérito comprovou que ele, no momento do ocorrido, estava trabalhando na Cerne com seu irmão, engenheiro e capitão do Exército. Posto em liberdade quatro dias depois, concluiu que não era possível continuar levando uma vida legal e dedicar-se à causa revolucionária, optando então pela vida clandestina. Em meados de 1966, Manoel Lisboa resolveu sair do PCdoB por constatar que o partido se diferenciava do PCB apenas na teoria, enquanto na prática seguia o mesmo caminho reformista, além de desprezar o Nordeste e praticar métodos de direção incorretos. Por exemplo: em vez de dialogar com os militantes de base, ao receber críticas ao seu trabalho, a direção desenvolvia campanha de desmoralização com calúnias contra aqueles que questionavam alguma de suas atitudes. Dezembro de 1966: Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, o Capivara (ver A Verdade, nº 9), Ricardo Zarattini Filho (engenheiro, banido do Brasil em 1969 depois do seqüestro do embaixador estadunidense) e outros companheiros fundaram o Partido Comunista Revolucionário (PCR). Apesar das duras condições da luta clandestina, o PCR procurou ligar-se às massas camponesas, operárias e estudantis em todo o Nordeste. Para isso, desenvolvia trabalho de conscientização na base e intensa campanha de denúncias das arbitrariedades e crimes cometidos contra os trabalhadores, conclamando o povo para organizar-se e lutar por seus direitos. O Partido propunha a utilização de todas as formas de luta, legais e ilegais, abertas ou clandestinas, destacando a luta armada como a única capaz de destruir realmente a ditadura, desde que contasse com o apoio, a compreensão e a simpatia do povo. A libertação do povo acima de tudo No dia 16 de agosto de 1973, a repressão conseguiu seu intento. Quando conversava com uma operária, a quem dava assistência política na Praça Ian Flemming, no bairro de Rosarinho, Manoel Lisboa foi agarrado por um bando de fascistas, sob as ordens do agente Luís Miranda e do delegado paulista Sérgio Fleury, algemado, arrastado para um veículo e conduzido para o DOI-Codi do 4º Exército, então situado no Parque 13 de Maio. Fortunata, a operária, presenciou a cena. "Foi uma verdadeira operação de guerra. Quando um homem se aproximou, ele fez menção de pegar a arma, mas foi inútil. De todos os lados da praça surgiam homens. Carros e carros surgiram". Numa de suas belas e contundentes canções, o compositor e cantor Zé Ramalho afirma que "na tortura toda carne se trai". Errado. Manoel Lisboa foi submetido a todo tipo de tortura. Despido, pendurado no pau-de-arara, espancado por todo o corpo, choques elétricos no pênis, nas mãos, nos pés, nas orelhas, queimado com vela, logo nos primeiros dias perdeu a sensibilidade dos membros inferiores. Não podia se locomover nem se alimentar. Manoel sabia tudo da organização. Era seu dirigente máximo, conhecia todos os segredos. Um segundo de vacilação e o PCR estaria completamente aniquilado. Mas ele foi coerente com o que sempre pregara: "Delação é traição e a traição é pior do que a morte. O revolucionário é como um prisioneiro de guerra; só declina o próprio nome. A causa revolucionária, a democracia, a libertação nacional, o socialismo estão acima da própria vida". Maria do Carmo Tomaz e Juarez José Gomes viram-no cheio de hematomas e ouviram seus gritos. Outros prisioneiros chegaram a falar com ele, que disse: "Sei que minha hora chegou; fiz o que pude; a vocês, peço apenas que continuem o trabalho do Partido". Num certo dia do mês de setembro, ela não recorda a data, Maria do Carmo Tomaz foi levada a uma câmara de tortura, onde lhe deram a notícia da morte de Manoel Lisboa e afirmaram: "Um igual àquele vocês não vão encontrar nunca mais". Enganaram-se. Na luta do povo, no seio do Partido que fundou e dirigiu, diariamente se forjam revolucionários da têmpera de Manoel Lisboa, à luz do seu exemplo, regados pelo seu sangue. No dia 5 de setembro, os jornais do Recife e os principais jornais do país publicaram nota que dizia: "Durante tiroteio com os órgãos de segurança interna, morreram na manhã de ontem em Moema, São Paulo, os terroristas Manoel Lisboa de Moura e Emmanuel Bezerra dos Santos, que fizeram parte do atentado ao marechal Costa e Silva, então presidente da República, em visita ao Recife, em 1966?. A farsa foi facilmente desmontada. Emmanuel Bezerra estava em missão do Partido no exterior e encontrar-se-ia com Lisboa no Recife, no dia 15 de setembro. Preso pela Operação Condor, provavelmente na fronteira entre Argentina e Chile, Bezerra foi conduzido ao DOI-Codi de São Paulo, torturado e morto por não abrir as informações de que a repressão precisava para destruir o Partido. Fleury levou Manoel Lisboa para São Paulo apenas para montar a farsa. A vida mostrou, entretanto, que os verdadeiros terroristas eram Fleury e Miranda, e que, Manoel Lisboa e Emanuel Bezerra são heróis do povo. Manoel tinha amor à vida. Era feliz, tanto por sua militância, como por sua vida pessoal. Tinha uma companheira, Selma Bandeira, com quem mantinha relação amorosa plena, baseada não apenas em afinidades, mas na militância revolucionária comum. Um amor comunista. Mas a tudo isso ele renunciou, confirmando a tese de Che Guevara, de que "o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor", um amor maior, pela humanidade, livre das opressões e das injustiças. Manoel Lisboa vive! Viva o PCR! Manoel volta para os braços dos seus. Familiares, amigos, companheiros, recebido no Recife e em Maceió, cidades onde viveu e lutou, deu o melhor de si pela causa da liberdade e do socialismo. Homenageado pelo Partido que fundou e que, graças à sua bravura, sobreviveu à sanha da ditadura, fortalecendo a cada dia a sua organização e ampliando a ligação com as massas, como defendia seu fundador. Manoel Lisboa vive! "No dia em que fui presa, me colocaram frente a frente com ele. Estava totalmente nu, com bastante hematomas. Ele fixou os olhos em mim e nada falou. Me arrasei quando o vi. Depois fiquei numa cela vizinha, ouvindo os seus gritos. Durante muito tempo pensei que ia enlouquecer, não conseguia me libertar daqueles gritos de dor. Seu comportamento causou admiração até mesmo aos seus torturadores. Num certo dia do mês de setembro, me levaram a uma câmara de tortura e me deram a triste notícia de que Manoel estava morto. Ficaram me olhando e disseram: "Um igual àquele vocês não vão encontrar". Senti vontade de cuspir na cara de cada um, me deu um ódio". Maria do Carmo Tomaz, operária "De Manoel, afirmo com emoção: nunca vi uma atitude sua que revelasse desonestidade ou egoísmo. Quantas vezes o presenciei cansado, oferecer sua cama a um companheiro e dormir no chão. Na sua primeira prisão, deu sua camisa a uma prisioneiro que tremia de frio. Fazia essas coisas naturalmente, sem alarde, era da sua índole. Manoel, sozinho, indefeso, desmoralizou os carrascos, superou sua força vital; pelo conjunto de sua vida, demonstrou ser o produto da elaboração histórica, que em sua forja misteriosa elabora, de tempos em tempos, homens que sintetizam as qualidades mais nobres da espécie. A ti, Manoel, a homenagem modesta deste teu amigo que se sente feliz por essa amizade e proclama ao mundo: És um HOMEM DE VERDADE, tua única ambição." Valmir Costa, médico veterinário "Manoel ou o "Camarada Zé" foi além de todos os limites. Passou por todos os sofrimentos físicos e psicológicos, possíveis e imagináveis. Assistiu por dias e dias a sua própria agonia. Se viu e sentiu morrer lentamente. Superou tudo. Derrotou tudo. A tortura, a dor, o medo, a própria morte. Venceu a natureza e o instinto de sobrevivência. Ninguém, nunca, em tempo algum, poderá afirmar os valores maiores da condição humana, além do que fez o "Camarada Zé". Lembramos sempre dele. Com saudade, com tristeza, com alegria, com emoção. Às vezes, choro escondido uma lágrima solitária, por sua memória. E em alguma madrugada, tenho vontade de sair pelas ruas, pichando em sua homenagem seu slogan favorito: " O PCR vive e luta"! José Nivaldo, publicitário e professor de História da UFPE "Em Manoel Lisboa, a coerência não era algo ocasional. Era uma permanente forma de conduta. Desde aquela sua opção, ele nunca se afastara, um milímetro sequer, da disciplina coletiva, da dialética marxista, enfim, do socialismo científico, como ciência e guia da sua ação diária. Por isso, nós sempre vimos na figura de Manoel o símbolo vivo do novo homem entre nós, e ele o confirmou, sem qualquer sombra de dúvida, até o último instante da sua vida, mesmo nas piores situações possíveis, como na câmara de tortura.". Edival Nunes Cajá, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa e membro do Comitê Central do PCR "Manoel é exemplo de um verdadeiro revolucionário, que não vacilava em colocar os interesses de seu povo e da revolução acima dos interesses pessoais. Homens como Manoel são os que fazem a diferença, e como, disse Brecht, são os imprescindíveis. É um orgulho e uma honra para todo comunista ser membro do PCR, o Partido fundado por Manoel Lisboa". Lula Falcão, diretor de e A Verdade e membro do Comitê Central do PC ================================================================================================================= + 37 anos do assassinato de Manoel Lisboa Brasil - Antifascismo e anti-racismo Quinta, 23 Setembro 2010 20:39 A Verdade - No dia 15 de agosto de 1973, Manoel Lisboa, fundador do Partido Comunista Revolucionário (PCR) foi preso no Recife numa ação terrorista da ditadura militar. -------------------------------------------------------------- Levado para São Paulo, após 19 dias de torturas e todo tipo de selvageria, Manoel foi assassinado nos porões do DOI-Codi/SP. Tu e Eles Eles te sangraram te queimaram nunca te curvaram Eles dilaceraram teu corpo Nunca a tua alma Eles venceram teu corpo Nunca a tua vontade Eles te mataram Estás vivo Eles, os cadáveres dos sepultos Tu, estrela radiante Exemplo sempre presente Eles, os inimigos do povo Tu, a dignidade do homem Eles, os sádicos carrascos Tu, o amor, a justiça, a liberdade Eles, armados, numerosos Tu, desarmado, sozinho Eles, amedrontados Tu, firme como uma rocha Eles, babando de ódio sobre teu corpo inerte aterrorizados, temendo tua dignidade Tu dormindo o eterno plácido sono dos justos Os que cumpriram o dever Eles humilhados aterrorizados, temendo tua dignidade Escondendo o teu corpo Tu, amado admirado Teu nome norma de conduta, esperança e exemplo Eles, monstros fascistas Tu, herói comunista protótipo da humanidade futura Eles, vermes anônimos Tu, Manoel Lisboa de Moura. Lucas, 4 de setembro de 1974 ============================================================================================================ MANOEL LISBÔA DE MOURA (1944-1973) Filiação: Iracilda Lisbôa de Moura e Augusto de Moura Castro Data e local de nascimento: 21/02/1944, Maceió (AL) Organização política ou atividade: PCR Data e local da morte: 04/09/1973, em São Paulo (SP) Desde o final de julho de 1973 ocorreu em Recife e em outras cidades da região uma ofensiva dos órgãos de segurança dirigida contra o PCR - Partido Comunista Revolucionário, organização nascida entre 1966 e 1967 como dissidência do PCdoB, cuja atuação se limitou aos estados do Nordeste. Foram apontados como fundadores desse grupo o engenheiro Ricardo Zarattini, banido do Brasil em setembro de 1969 em troca do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, Amaro Luís de Carvalho, o Capivara, assassinado em 1971 na Casa de Detenção de Recife, conforme já relatado neste livro, e Manoel Lisbôa de Moura, um dos três mortos em mais uma operação comandada pelo notório torturador do DOPS/SP Sérgio Paranhos Fleury. Pelo que foi possível reconstituir no âmbito da CEMDP, Manoel Lisbôa e Emmanuel Bezerra foram presos em Recife em 16 de agosto, enquanto Manoel Aleixo foi capturado no dia 29 do mesmo mês. Manoel Aleixo da Silva, conhecido como Ventania, veterano militante das Ligas Camponesas e apontado como responsável pelo trabalho rural do PCR, foi preso no dia 29/08/1973, em sua casa, entre Ribeirão e Joaquim Nabuco, na Zona da Mata de Pernambuco. Sua viúva, Isabel Simplícia da Conceição, conta em depoimento anexado ao processo da CEMDP como foi a prisão: "Estava em minha casa, deitada em nosso quarto, quando alguns homens (quatro ou cinco) dizendo ser amigos de Ventania o convidaram para descer o morro e foram em direção a um carro. Ainda ouvi quando um deles disse: vista a camisa Ventania e vamos descer, passa aí na frente. O carro estava escondido embaixo de uma árvore, e da janela vi eles entrando, era um carro grande e verde, mais escuro que a cana. Deu para ver o carro sim, a casa ficava num alto e dava para ver os homens de costas, eles estavam vestidos de roupas simples, só que um tinha botas de soldado. Foi tudo muito rápido, botaram Manoel no carro e saíram logo, e nunca mais soube dele vivo". "Os companheiros me disseram que, alguns dias depois, saiu no jornal que aconteceu uns tiros em Ribeirão e que Ventania tinha morrido. Na conversa, soube que os tiros tinham sido trocados com um sargento do Exército, achei estranho pois ele não andava armado. Foi quando comecei a colocar as coisas na minha cabeça, tudo estava muito estranho e me lembrei que o carro verde parecia uma Veraneio do Exército, era muito verde, diferente do verde da cana. Manoel já tinha sido preso outras vezes, em 69, quando fazia dois anos que a gente tinha casado. Mas só queria ter filhos depois que tudo passasse, só quando muitos camponeses tivessem suas terras, queria justiça no campo. Acho que mataram ele porque era das Ligas Camponesas", contou Isabel. O inquérito instaurado no DOPS/PE reproduz a versão constante do auto de resistência lavrado por Jorge Francisco Inácio e testemunhado por outros dois agentes que teriam participado da busca: "às 6h30, em cumprimento à determinação verbal do Diretor do Departamento de Ordem Social, acompanhado das testemunhas abaixo assinadas, depois de me identificar, perante Manoel Aleixo da Silva este, ao receber voz de prisão, reagiu fazendo disparos de arma de fogo, resultando a morte ao resistente, em face do revide da agressão sofrida". Esse mesmo policial prestou uma informação que o relator do processo na CEMDP detectou como inverossímil e contraditória. Jorge Francisco relata que foi prender Ventania acompanhado de um outro agente, desarmado: "Severino estava desarmado, porque era a pessoa encarregada de abordar o elemento para fazer o seu reconhecimento(...)". Conforme o relator do processo na Comissão Especial, a versão dos policiais esbarra em um questionamento muito simples: "seria possível que, obedecendo ao pedido de busca do IV Exército, o DOPS enviaria para a detenção de um ex-preso político, que o IV Exercito dizia ter treinamento de guerrilha, um agente desarmado"? Outro depoimento anexado ao processo na CEMDP, de Epitácio Ferreira, também derruba a versão de tiroteio: "conheci Ventania, camponês, militante ativista das Ligas Camponesas de Pernambuco. (...) No dia em que Manoel foi preso, cruzei com ele, com vários homens dentro de um carro grande, que acho ser do Exército, num local próximo de Ribeirão, indo para Recife. O veículo estava parado e eu vinha a pé, quando percebi as pessoas do carro e Ventania dentro dele fazendo sinal para que eu passasse direto. Entendi que estava acontecendo algo anormal e fiz que não estava vendo nada; foi quando peguei uma condução e fui para Joaquim Nabuco, chegando lá fui até a casa de Manoel e a mulher dele, Isabel, disse que uns homens o haviam levado de carro. No dia seguinte Manoel foi assassinado com vários tiros, a notícia saiu no jornal como um tiroteio em Ribeirão, mas ele não andava armado e jamais havia participado de tiroteio. Foi quando comecei a pensar e percebi que ele havia sido torturado até a morte". Com a abertura dos arquivos secretos do DOPS/PE também foi possível entrever a verdade dos fatos. Ventania foi preso, levado para Recife e no dia seguinte para a periferia de Ribeirão, onde foi morto ou deixado morto com um único tiro nas costas, disparado por Jorge Francisco Inácio, na verdade um agente da repressão política, mas qualificado em seu depoimento ao DOPS apenas como funcionário público. A morte foi tratada pelo delegado do DOPS de Recife, José Oliveira Silvestre, notório torturador, como um ato de quem agiu no estrito cumprimento do dever legal, consoante a disciplina e a legislação em vigor. Mesmo não tendo poderes para atender à solicitação da viúva de restabelecer as reais circunstâncias da morte de Ventania, a CEMDP considerou legítima, em decisão unânime, a solicitação apresentada por ela à Comissão Especial, aprovando o requerimento e assegurando-lhe os benefícios da Lei nº 9.140/95. Quanto aos outros dois mortos, a versão oficial dos órgãos de segurança registrou que, preso em Recife, Manoel Lisbôa informou à polícia ter um encontro marcado para o dia 04/09/1973, no Largo de Moema, em São Paulo, com Emmanuel, que regressava do Chile dias antes da deposição de Salvador Allende. Segundo os policiais, Emmanuel, ao chegar ao local do encontro percebeu que havia sido traído e atirou em Manoel Lisbôa. Os agentes da repressão então reagiram, matando os dois. Com essa cena fictícia, os órgãos de segurança do regime militar criavam uma versão fraudulenta para a morte dos dois militantes e, ao mesmo tempo, apresentava o dirigente principal do PCR como delator e responsável pela prisão de companheiros, como já tinha se tornado rotina desde o assassinato de Eduardo Leite, Bacuri, no final de 1970. O comunicado oficial ainda os acusava falsamente de participação no atentado contra Costa e Silva, ocorrido no aeroporto dos Guararapes, em Recife, em 1966. A farsa criada pela polícia não se sustentou. Emmanuel Bezerra e Manoel Lisbôa foram presos em Recife (PE), sendo que este último, com certeza, em 16/08/1973. Esse fato foi confirmado taxativamente pela operária Fortunata, com quem Manoel Lisbôa conversava na praça Ian Flemming, no bairro de Rosarinho, Recife. Ele foi preso sob as ordens do agente policial e conhecido torturador Luís Miranda, de Pernambuco e do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury. Algemado, foi arrastado para um veículo e conduzido para o DOI-CODI do IV Exército, então situado no parque 13 de Maio. Fortunata, a operária, presenciou a cena. "Foi uma verdadeira operação de guerra. Quando um homem se aproximou, ele fez menção de pegar a arma, mas foi inútil. De todos os lados da praça surgiam homens. Carros e carros surgiram". A requisição do exame necroscópico de Manoel Lisbôa foi assinada pelo delegado Edsel Magnotti, e o laudo pelos médicos legistas Harry Shibata e Armando Cânger Rodrigues, que confirmaram a versão oficial. Mas, segundo denúncia de Selma Bandeira Mendes, companheira de Manoel Lisbôa, e de outros presos políticos que se encontravam no DOI-CODI/SP, ele passou 19 dias sob tortura intensa. Apresentava marcas de queimaduras por todo o corpo e estava quase paralítico. Manoel Lisbôa de Moura era o principal dirigente do PCR e desde seus tempos de escola secundária em Maceió, demonstrou interesse pelos problemas sociais, engajando-se no Movimento Estudantil alagoano. Como secundarista, participou do Conselho Estudantil do Colégio Estadual de Alagoas, foi diretor da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA) e, aos dezesseis anos, ingressou na Juventude Comunista. Foi editor do jornal A Luta, de circulação clandestina e instrumento de mobilização e combate ao regime militar. Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, onde organizou o Centro Popular de Cultura da UNE (CPC), apresentou e dirigiu peças de teatro, envolvendo, inclusive, operários da estiva. Após a deposição de João Goulart, foi preso, expulso da Universidade e teve cassados os seus direitos políticos. Nessa ocasião, já pertencia ao PCdoB. Lisbôa transferiu-se depois para Recife (PE), onde prosseguiu em sua militância política enquanto trabalhava na Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne). Em julho de 1966, foi preso pela segunda vez, logo após o atentado contra Costa e Silva, ocorrido no Aeroporto dos Guararapes. A polícia não conseguiu incriminá-lo, pois o inquérito comprovou que ele no momento do ocorrido estava trabalhando na Cerne com seu irmão, engenheiro e capitão do Exército. Posto em liberdade quatro dias depois, concluiu pela necessidade de dedicar-se exclusivamente à militância política clandestina. O PCR nunca foi além da realização de ações armadas de pequeno impacto, voltadas para obtenção de infra-estrutura. Os órgãos de segurança incluiam Manoel Lisbôa como participante de uma tentativa de capturar um taxi para ações armadas, que resultou em reação e morte do taxista, embora não tenha sido ele o autor dos disparos. A relatora de seu processo na CEMDP votou pelo acolhimento do pedido, registrando que os órgãos oficiais conheciam a identidade de Manoel e que mesmo assim ele fora enterrado como indigente em caixão lacrado e em sepultura que não podia ser identificada pela família. Na opinião da relatora, isso fazia deduzir que a morte por causas não naturais estava relacionada com a tortura, embora não atestada no exame do corpo do delito. O relator do caso de Emmanuel na CEMDP argumentou que a morte do militante deu-se da mesma forma, data, local e circunstâncias que a de Manoel Lisbôa de Moura, cujo "requerimento da família teve apreciação unânime, pelo deferimento, desta Comissão", concluindo que, "a versão da morte em tiroteio de um elemento já preso, que é levado ao encontro de outro e desse tiroteio não há notícia de ferimento em nenhum elemento da Segurança não convence o relator, como não convenceu no caso de Manoel Lisbôa de Moura". As fotos do IML anexadas ao processo na CEMDP mostram um corte no lábio inferior de Emmanuel, produzido pelas torturas, que o legista Harry Shibata afirmou ser fruto de um tiro. Segundo denúncia dos presos políticos na época, Emmanuel foi morto sob torturas no DOI-CODI, onde o mutilaram, arrancando-lhe os dedos, umbigo, testículos e pênis. Emmanuel era filho de pescadores e fez o curso primário na Escola Isolada de São Bento do Norte (RN), onde nasceu. Em 1961, transferiu- se para Natal, para estudar no Colégio Atheneu. Na 3ª série ginasial Emmanuel fundou com outros colegas o jornal O Realista, de denúncia política. Logo em seguida, já durante o regime militar, Emmanuel criou O Jornal do Povo, publicação com correspondentes em vários municípios do Rio Grande do Norte. Ingressou na Faculdade de Sociologia da Fundação José Augusto, em 1967, onde foi militante ativo do Diretório Acadêmico "Josué de Castro". Ainda em 1967, foi eleito presidente da Casa do Estudante e delegado ao 29º Congresso da UNE em São Paulo. Tornou-se, em 1968, diretor do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, desempenhando função de liderança no meio universitário. Nesse mesmo ano organizou a bancada dos estudantes potiguares para o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), onde foi preso. Enquadrado no decreto 447, foi expulso da universidade. Emmanuel tinha militado no PCB e incorporou-se ao PCR em 1967. Logo após a decretação do AI-5, foi preso, condenado e cumpriu pena até outubro de 1969. Libertado, Emmanuel passou a atuar na clandestinidade, em Pernambuco e Alagoas, já como dirigente nacional do seu partido. Realizou viagens ao Chile e Argentina em missão partidária, buscando aglutinar exilados brasileiros. Além de militante político, Emmanuel era uma pessoa ligada à arte e à cultura, tendo participado de diversas manifestações artísticas em Natal. A Escola Isolada de São Bento do Norte e o Grêmio Estudantil da Escola Estadual João XXIII têm hoje o nome de Emmanuel Bezerra dos Santos, assim como uma rua no bairro de Pitimbu, em Natal. Em novembro de 1994, o Programa Especial de Cidadania e Direitos Humanos da Prefeitura de Maceió criou o Projeto Rua Viva e homenageou os mortos e desaparecidos políticos alagoanos, entre eles Manoel Lisbôa de Moura, denominando ruas da cidade com os seus nomes. Também segue em atividade, em Recife, o Centro Cultural Manoel Lisbôa, ligado a militantes do PCR. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110318/1242786c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/png Size: 428 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110318/1242786c/attachment-0003.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 19 14:28:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 19 Mar 2011 14:28:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_ANAT=C1LIA_DE_SOUZA_MELO_ALVES________?= =?iso-8859-1?q?____________________-LXXVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ANATÁLIA DE SOUZA MELO ALVES Filiação: Maria Pereira de Melo e Nicácio Loia de Melo Data e local de nascimento: 09/07/1945, Martins, atual Frutuoso Gomes (RN) Organização política ou atividade: PCBR. Data e local da morte: 22/01/1973, em Recife (PE) Anatália de Souza Melo Alves concluiu o científico no Colégio Estadual de Mossoró (RN), cidade onde residiu até novembro de 1968, quando se casou com Luiz Alves Neto. Até essa época, trabalhou na Cooperativa de Consumo Popular e morava num conjunto popular da Fundap. Militantes do PCBR, mudaram-se para Recife após a decretação do AI-5, passando a desenvolver trabalho político na Zona da Mata de Pernambuco, junto aos trabalhadores rurais. Viveram também em Campina Grande, Palmeira dos Índios e Gravatá, onde foram localizados por agentes do DOI-CODI. Anatália e o marido foram presos no dia 17/12/1972 e levados para local desconhecido, segundo recorte de jornal da época, sem nome e data, anexado ao processo. Somente no dia 13/01/1973, foram enviados ao DOPS/PE. De acordo com o cadastro de recebimento de presos da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco - Delegacia de Segurança Social, Anatália deu entrada naquela unidade em 13/01/73, procedente do IV Exército, escoltada por agentes do DOI. O auto de exibição e apreensão é do dia seguinte, 14/01/73. Ou seja, ela primeiro foi presa e depois foi expedido o pedido de apreensão. Todos esses documentos foram encontrado nos arquivos secretos do DOPS/PE. Segundo informação policial, às 17h20 do dia 22/01/1973, enquanto tomava banho, sob a vigilância do agente policial Artur Falcão Dizeu, Anatália teria se suicidado com uma tira de couro e ateado fogo ao corpo. Pelo que pode ser visto nas fotos do laudo do Instituto de Polícia Técnica de Pernambuco, Anatália colocou fogo apenas nos órgãos genitais. A versão do agente Falcão é de que, estranhando a demora de mais de 20 minutos para que tomasse o banho, "bateu por diversas vezes na porta que estava fechada, chamando a atenção da mesma e, como notasse algo de anormal, empurrou a porta, com violência, deparando-se com a acusada caída no chão, o que motivou o alarme de socorro. Ela então foi retirada para os de vidos socorros, notando-se, em seguida, que a mesma se achava sem vida, e com um cordel de sua bolsa, atado na garganta". Neste informe não há referência a queimaduras e, mesmo estando sob a vigilância de um agente, não foi percebido nenhum barulho ou cheiro de queimado. No livro Dos Filhos Deste Solo, Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio escrevem que: "A versão de suicídio não convenceu os presos políticos da época. As queimaduras, inexplicadas, levaram-nos à suspeita de que Anatália teria sido vítima de violências sexuais, quando se encontrava psicologicamente abalada pelas torturas e pelo clima de terror nos cárceres de Pernambuco. Sua morte e as queimaduras na região pubiana seriam uma forma de impedir que ela denunciasse os responsáveis pelas sevícias". O laudo do IPT de Pernambuco, realizado no mesmo dia, às 18h20min, contém várias fotografias com descrição. A de nº 7 mostra a porta do banheiro que foi arrombada; a de nº 8 o interior do banheiro, com fragmentos de madeira da porta; a de nº 9 a haste e um protetor, integrantes de uma torneira que não possuía a peça destinada a graduar a passagem da água; a de nº 10 é uma ampliação do local em que se encontrava instalada a torneira defeituosa. As fotografia 1 e 2 mostram a vítima, "no momento em que foi examinada, superficialmente". Trajava vestido vermelho de algodão, estampado, usava calças de 'jersey', de cor rosa e estava descalça... tanto o vestido como as calças estavam parcialmente queimados, na parte anterior. A legenda da fotografia nº 1 diz "... jazia sobre uma cama, dita de campanha, que se encontrava no interior do local em que funciona a Secção de Comissariado da Delegacia de Segurança Social da Secretaria de Estado dos Negócios de Segurança Pública de Pernambuco". As fotografias 11 e 12 mostram a bolsa e a alça da mesma, que era de courvin, medindo 109 centímetros de comprimento por 2 cm de largura e com um nó em uma de suas extremidades e que teria servido de instrumento para o enforcamento. A fotografia 4 mostra o sulco produzido no terço médio do pescoço da vítima. A parte inferior do cadáver exibia queimaduras de primeiro e segundo graus, na região hipogástrica, na região pubiana e na face anterior dos terços superiores das coxas (foto 6). A conclusão do laudo é a de que o cadáver não foi encontrado no local de ocorrência; as duas peças do vestuário usado pela vítima estavam parcialmente queimadas; e a morte de Anatália de Souza Melo foi provocada em conseqüência de asfixia por enforcamento. Ao declarar seu voto, o relator Paulo Gustavo Gonet Branco afirmou estar "evidenciada a militância política de Anatália. Mesmo que, com especial esforço, se dê crédito à versão do suicídio por fogo, o fato se ajusta ao que dispõe o art. 4º, I, "b", da Lei nº 9.140/95 , uma vez que a morte ocorreu, indubitavelmente, por causa não-natural, estando a militante política presa". ======================================================================================================== + Informações. ANATÁLIA DE SOUZA ALVES MELO Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR) Nasceu em 9 de julho de 1945, em Mombassa, no Município de Martins, atual Frutuoso Gomes, no Rio Grande do Norte, filha de Nicácio Loia de Melo e Maria Pereira de Melo. Era tímida, calada e gostava de estudar. Concluiu o curso científico no Colégio Estadual de Mossoró, cidade onde residiu até 1969, ano em que se casou com Luiz Alves Neto. Até 1968 trabalhou na Cooperativa de Consumo Popular, revelando forte espírito de ajuda e solidariedade. JUNTAMENTE COM O MARIDO, MUDARAM-SE PARA RECIFE, PASSANDO A MILITAR NO PCBR. Sua atuação política foi na Zona da Mata (PE), junto às Ligas Camponesas. Foi presa juntamente com seu marido, no dia 17 de dezembro de 1972. Ambos foram levados ao DOPS de Recife, em 13 de janeiro de 1973,onde foram torturados desde o primeiro instante. Foi encontrada morta, carbonizada, na cela, no dia 22 de janeiro de 1973. Não se sabe ao certo como ocorreu sua morte, a versão oficial é de suicídio. ================================================================================================== + Informações do dhnet Anatália Melo Alves ( ? - 1973) O carcereiro Artur Falcão, da Delegacia de Segurança Social, levou Anatália para o 2º banheiro, por volta das 17h20 do dia 22 de janeiro de 1973. A partir desse momento, a história que ele conta é a versão oficial. Passados 20 minutos, tempo que ele considerou "demasiado longo para um simples banho", bateu na porta várias vezes. Sem resposta, ele resolveu "por sua própria conta, arrombar a porta, momento em que deparou-se com a vítima no solo, com a alça envolvendo o pescoço". Alarmado, segundo ele, chamou o delegado Amauri Brasil, que "no intuito de prestar os socorros de urgência determinou fosse o corpo removido para a sala de Secção de Comissariado". A causa da morte teria sido então "asfixia por enforcamento". Este depoimento compõe o laudo de exame do local de morte. Estranhamente, o policial Artur Falcão não relata que o corpo de Anatália Melo Alves trazia queimaduras de 1º e 2º graus na face anterior dos terços superiores de ambas as coxas, na região pubiana e na região hipogástica. Ele teria colocado fogo nas próprias vestes, além de ter se enforcado com a alça de sua bolsa, pendurando-se em um cano de torneira. O policial Artur Falcão não o odor provocado pelas queimaduras. Anatália teria se queimado gravemente sem um gemido. O policial Artur Falcão também não se refere à fumaça. Os peritos encontraram Anatália na cama de campanha. A versão oficial não informa se ela já estava morta ao ser removida ou se morreu naquele local. Por que estava no solo? Pelas fotos e laudos encontrados nos arquivos do Dops/PE, a alça não se rompeu. Por que também seu braço esquerdo está distendido? É espantoso que se possa ter deixado com uma pessoa detida uma alça de bolsa de 1,09m de comprimento. Isso contraria os procedimentos habituais: pessoas detidas ou presas estão proibidas de portar objetos que possam servir para atentar contra a própria vida ou a de terceiros. Além disso, a legenda da foto nº 11 da perícia de local informa: "Na bolsa em tela (que poderá ser vista na inclusa Fotografia nº 1, obtida no local em que se achava o cadáver) foi encontrada a cédula de identidade nº 79028/4166". Ou seja, Anatália, presa, incomunicável, teria consigo sua carteira de identidade. Dentre os documentos encontrados, há um rol dos pertences de um grupo de cinco presos, entre os quais Anatália e seu marido Luiz. São relacionados objetos pessoais de Edmilson Vitorino de Lima, Severino Quirino de Miranda, José Adeildo Ramos, Luiz Alves Neto e Anatália Melo Alves. "Objetos pessoais de Anatália Melo Alves, Marina: 1 (um) cartão de identidade registro n 79028, cartão nº 4166 do Instituto Médico Legal do Rio Grande do Norte; Cr$ 20,30 (vinte cruzeiros e trinta centavos); 1 (uma) carteira para cédulas; 1 (uma) bolsa de couro marrom para senhora; 2 (duas) chaves". P policial Hilton Fernandes da Silva assina o recibo da guarda desses objetos. A imprensa de plantão da Secretaria de Segurança, onde funcionava a DSS no 1º andar, foi chamada para ouvir a versão oficial. O Diário de Pernambuco de 23 de janeiro de 1973 traz uma foto da bolsa e de sua alça, com o título "Subversiva suicida-se com alça da bolsa no banheiro". E informa: "Na curta entrevista que deu à imprensa, Luiz Alves Neto disse que residia com a esposa em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Mas, como os subversivos sofrem muita perseguição, não podendo fixar residência em um só lugar, vivia se mudando constantemente, para melhor despistar as autoridades. Assim sendo, juntamente com Anatália de Souza Melo, Luiz pertencia ao PCBR e atuava na zona canavieira, residindo por conveniência do partido em Gravatá, onde foram presos no dia 17 de dezembro do ano passado e levados para local desconhecido. Somente no dia 13 do corrente foram enviados para o Dops. Neste órgão da Secretaria de Segurança Pública receberam melhor tratamento, segundo Luiz Alves Neto". A seguir, o jornal publica a versão oficial, divulgada pelo delegado José Silvestre. Naquele período, o PCBR foi severamente golpeado. No dia 17 de dezembro foram presos, levados ao DOI-Codi e torturados, Anatália e Luiz Alves, Edmilson Vitorino de Lima, Severino Quirino de Miranda e José Adeildo Ramos. José Adeildo Ramos, um dos oito que fugiram da Lemos de Brito em maio de 1969, relatou em juízo, em 1995, a morte, após bárbaras torturas, de Fernando Augusto Valente da Fonseca (Fernando Sandália) no DOI-Codi do Recife e de outros cinco militantes do PCBR. A DSS era um centro de torturas. Um ano antes, Odijas Carvalho de Souza, também do PCBR, fora barbarizado até a morte nesse local, sob o comando do delegado José Silvestre. Não se sabe o que realmente ocorreu com Anatália Melo Alves naquela tarde de 22 de janeiro de 1973, em meio ao clima aterrador de repressão ao PCBR. Naquele mesmo janeiro, seis militantes da VPR foram chacinados no Recife, no episódio que ficou conhecido como Massacre na Chácara São Bento. Anatália nasceu em Martins, atual Frutuoso Gomes, RN, mas morou a maior parte de sua vida em Mossoró, onde fez os cursos primário, secundário e científico no Colégio Estadual, concluindo os estudos em 1967. Seus amigos e parentes dizem que era tímida, calada, solidária e estudiosa. Era ótima costureira. Desde 1965 passou a trabalhar na Cooperativa de Consumo Popular. Em 1966 conheceu o radiotécnico Luiz Alves Neto; com ele namorou, noivou e casou em 1968, moraram em uma casa modesta num conjunto habitacional popular da Fundap. Luiz era militante do PCBR. Anatália vinculou-se depois. A partir do AI-5, durante 1969, Luiz sentiu-se ameaçado em Mossoró, e também por deliberação de seu partido propôs à Anatália vender o que tinham e entregarem-se à militância entre os trabalhadores rurais da Zona da Mata canavieira. Peregrinos, viveram em Recife, Campina Grande, Palmeira dos Índios e, finalmente, Gravatá. Ali foram presos por agentes do DOI-Codi pernambucano. A versão de suicídio não convenceu os presos políticos da época. As queimaduras, inexplicadas, levaram-nos à suspeitar de que Anatália teria sido vítima de violências sexuais quando se encontrava psicologicamente abalada pelas torturas e pelo clima de terror nos cárceres de Pernambuco. Sua morte e as queimaduras na região pubiana seriam uma forma de impedir que ela denunciasse os responsáveis pelas sevícias. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110319/384ac7ca/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3791 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110319/384ac7ca/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 19 14:29:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 19 Mar 2011 14:29:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__=22Quem_decidiu_a_favor_da_gue?= =?windows-1252?q?rra_contra_a_L=EDbia_foi_Obama=22_=5B18/3/2011=2C?= =?windows-1252?q?_Foreign_Policy_=28traduzido=29=5D?= Message-ID: <2E87C242CBD04289A8C6CFABEB70C7D9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Vila Vudu Quem decidiu a favor da guerra contra a Líbia foi Obama 18/3/2011, Josh Rogin, Foreign Policy, ?The Cable? Sobre o mesmo assunto, mas análise diferente (e errada, se se considera a cronologia das reuniões), deve-se ler ?Kerry empurra Obama para o Norte da África? (19/3/2011). O fato de aquela análise trabalhar com uma sequência talvez errada de eventos não invalida nem a argumentação brilhante nem o empenho ilustrado e democratizatório do autor. Naquele artigo, o autor trabalha com uma sequência de eventos segundo a qual o senador Kerry, que discursou na 4ª.feira, 16/3, no Instituto Carnegie, teria ?empurrado? o presidente para a guerra. Contudo, se se tomam como certas as datas do artigo abaixo, aconteceu exatamente o contrário: a decisão de Obama, tomada na 3ª.feira, 15/3, à noite, empurrou Kerry para o discurso do dia seguinte. Evidentemente, a sequência e a análise mais ?certa? pode ser uma terceira: todos lá, da mais hilária ao mais Kerry, passando pelo presidente Obama pensam exatamente do mesmo modo, sobre tudo. Então, conversaram a semana inteira, sempre concordando sobre tudo. E é possível que o vice-presidente tenha ficado encarregado de ?incluir? uma referência à segurança de Israel [que, até agora, só apareceu no discurso de Kerry (NTs)], o que se pode atribuir ao ônus de ser vice e não ser o presidente. Depois, quando lhes pareceu oportuno, todos divulgaram urbi et orbi que todos eles, juntos, acabavam de empurrar o mundo para mais uma ?guerra preventiva? à moda Bush, no Oriente Médio, agora, na Líbia, como escreveu Pepe Escobar. Se é verdade que a união faz a força, também é verdade que uma falsa ?união?, que se mascara na cenografia da ONU, foi muito útil, aí, para lançar sobre uma muito duvidosa ?comunidade internacional? o, pode-se dizer, dolo no crime. Todos esses artigos, traduzidos, podem ser lidos em Castorphoto. ________________________________________ No início dessa semana, era consenso em Washington que ninguém cogitava de ação militar contra a Líbia. Mas nos últimos dias da semana, a Casa Branca mudou completamente de posição e ainda arrancou do Conselho de Segurança da ONU a autorização para intervenção militar contra o governo do coronel líbio Muammar al-Qaddafi. O que mudou? A decisão foi tomada em reunião de alto nível na 3ª-feira à noite, na Casa Branca, pelo presidente Obama. Segundo dois altos funcionários do governo foi reunião ?extremamente tensa, de posições divergentes?. Na reunião, apresentaram-se argumentos contra e a favor de atacar a Líbia. Obama decidiu a favor da intervenção. As ideias do presidente haviam sido discutidas com um grupo de especialistas convocado dias antes à Casa Branca, para discutir a crise da Líbia. ?Essa é a maior oportunidade para realinhar nossos interesses e valores? ? um alto funcionário disse na reunião, informando aos demais que a frase fora dita pelo presidente aos especialistas com quem discutira o assunto[1]. O presidente referia-se à ampla mudança pela qual passa o Oriente Médio e à necessidade de reequilibrar a política externa dos EUA para dar a ela mais claro foco em valores democráticos e nos direitos humanos. Mas a posição de Obama sobre a Líbia difere significativamente de sua estratégia para as demais revoluções árabes. No Egito e na Tunísia, Obama escolheu reequilibrar a posição dos EUA afastando lenta e gradualmente do apoio que dera inicialmente ao presidente Hosni Mubarak e Zine el-Abidine Ben Ali e deixando que os movimentos populares seguissem seu curso. No Iêmen e no Bahrain, onde os levantes tornaram-se violentos [o que também se pode escrever como ?onde os respectivos regimes optaram por repressão violenta contra a população? [NTs], Obama jamais deu qualquer sinal de apoiar qualquer tipo de intervenção armada ? e chegou até a pressionar aqueles regimes para que promovessem reformas, eles mesmos. Mas, ao decidir atacar a Líbia, Obama expôs estratégia completamente diferente: passou a apostar tudo no uso do poder bélico mais ?hard? dos EUA, com recurso à força para influenciar o rumo dos eventos no mundo árabe. ?No caso da Líbia, eles esqueceram tudo que têm repetido ultimamente. Jogaram fora a partitura?, disse Steve Clemons, diretor de políticas externas da New America Foundation. ?O fato de Obama girar como pião apenas mostra que a Casa Branca não tem estratégia clara. Os EUA têm presidência reativa, não presidência estratégica?. Dentro do governo, havia defensores das duas posições. A favor de intervenção militar estava um grupo de funcionários da Comissão de Segurança Nacional, entre os quais Samantha Power, diretora de estudos para engajamento multilateral; Gayle Smith, diretor de desenvolvimento global; e Mike McFaul, diretor da CSN para a Rússia. No campo oposto, estavam funcionários conhecidos por suas preocupações com os efeitos de segundo e terceiro grau de qualquer ação que implique os EUA envolverem-se em mais uma guerra, dessa vez, na Líbia. Entre esses, os conselheiros de segurança nacional Tom Donilon e Denis McDonough. O secretário da Defesa Robert Gates também se opunha a qualquer ataque militar contra a Líbia, como já dissera publicamente várias vezes. Nem todos esses foram convocados para a reunião de 3ª.feira à noite na Casa Branca. A secretária de Estado Hillary Clinton fez as convocações para a reunião por telefone ? informação confirmada por funcionário do Departamento de Estado. Estava em viagem pela região, para avaliar pessoalmente como a nova estratégia dos EUA para o Oriente Médio estava sendo recebida no mundo árabe. Depois de ter recebido resposta negativa ao pedido que fez para encontrar-se com os líderes dos movimentos de jovens do Egito, no dia em que passou pela praça Tahir, é possível que Clinton tenha ficado preocupada com a possibilidade de os EUA estarem perdendo a batalha pelos corações e mentes entre os jovens árabes que, em todos os casos, são o coração das várias revoluções. No encontro que teve com ministros de Relações Exteriores do G-8, na 2ª-feira, Clinton nada disse sobre a posição dos EUA sobre a Líbia, o que deixou os ministros europeus absolutamente intrigados e perplexos. Encontrou-se com o líder da oposição líbia em Paris, Mahmoud Jibril, mas nada lhe garantiu e sobretudo não respondeu positivamente ao pedido que ele lhe fez, de ajuda para os ?rebeldes? líbios. Tudo isso fez crer que Clinton estivesse resistindo à possibilidade de intervenção militar. De fato, Clinton sempre aprovou a intervenção militar, disse funcionário do Departamento de Estado, mas teve de esperar pela reunião de 3ª-feira à noite, pela decisão oficial final do presidente. Ao final da reunião da 3ª.feira à noite, Obama deu instruções à embaixadora dos EUA à ONU, Susan Rice, para que trabalhasse para obter a resolução do Conselho de Segurança a favor da intervenção militar ?pela comunidade internacional?, até derrubar o governo de Qaddafi, incluindo o uso da força, além da imposição de uma zona aérea de exclusão. Em discurso no Conselho de Segurança, depois do resultado da votação (10 votos a favor e nenhum contra, com cinco abstenções), Rice usou o argumento ?humanitário?, segundo o qual o uso de força militar seria indispensável para evitar maiores sofrimentos para os civis líbios. ?O coronel Qaddafi e os que ainda o apóiam continuam a violar constantemente e violentamente, os mais fundamentais direitos humanos do povo líbio?, disse Rice. ?Dia 12 de março, a Liga Árabe pediu ao Conselho de Segurança que estabelecesse uma zona aérea de exclusão e tomasse as medidas necessárias para proteger os civis. A Resolução hoje aprovada é resposta poderosa àquele pedido e às urgentes necessidades em campo.? O secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon também disso na 5ª feira que a justificativa para usar a força baseou-se em argumentos humanitários e referiu-se ao princípio conhecido como ?Responsabilidade de Proteger? [orig. Responsibility to Protect (R2P)], ?uma nova norma internacional de segurança e direitos humanos, para enfrentar o fracasso da comunidade internacional quando não consegue nem impedir nem deter genocídios, crimes de guerra, limpezas étnicas e crimes contra a humanidade?. ?A Resolução n. 1.973 afirma clara e inequivocamente a determinação da comunidade internacional de cumprir essa responsabilidade de proteger civis contra violência cometida contra eles pelos próprios governos?, disse Ban Ki-Moon. Dentro do Conselho de Segurança Nacional, Power, Smith e McFaul trabalharam para demonstrar como o governo poderia implementar a norma R2P e que, para isso, seria preciso que a Casa Branca avançasse. Donilon e McDonough são encarregados de manter sempre em mente os principais interesses nacionais. Na prática, Obama empurrou Clinton e os que defendem a R2P contra as objeções de Donilon e Gates. O Congresso não chegou a ser amplamente ouvido sobre a decisão de intervir na Líbia, exceto por um briefing sigiloso, na 5ª feira à tarde, quando funcionários do governo explicaram os planos diplomáticos e militares. Rice já trabalhava empenhadamente em negociações em New York. A decisão de Obama, na 3ª-feira à noite, a favor de intervenção armada não foi o único momento de definição em sua sempre mutável política externa, mas pode ter assinalado o fim da aliança entre Clinton e Gates ? aliança que influenciou todas as políticas externas dos EUA desde a revisão, em 2009, da estratégia para o Afeganistão. ?Gates está visivelmente fora do barco daqui em diante, justamente agora quando o Departamento de Defesa pode já estar às voltas com mais uma guerra que ele não desejava? ? disse Clemons. ?Clinton venceu a batalha burocrática para usar recursos do Departamento de Defesa para alcançar um objetivo do Departamento de Estado. E Obama deixou acontecer.? -------------------------------------------------------------------------------- [1] A frase, praticamente nos mesmos termos, apareceu, dia seguinte, no discurso de Kerry no Instituto Carnegie. Ver transcrição do discurso (em inglês). -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110319/16d1c3b0/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Mar 20 13:37:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 20 Mar 2011 13:37:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_CHAEL_CHARLES_SCHREIER________________?= =?iso-8859-1?q?________________-LXXVIII-?= Message-ID: <2198AC87A5E749FB831DA76FD8143401@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CHAEL CHARLES SCHREIER (1946-1969) Filiação: Emilia Brickmann Schreier e Ire Schereier Data e local de nascimento: 23/09/1946, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 22/11/1969, Rio de Janeiro (RJ) Dirigente da VAR-Palmares, cursava o 5º ano de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo em 1968, integrando a Executiva da União Estadual dos Estudantes. Após a decretação do AI-5, passou a atuar na clandestinidade. Tinha sido antes militante da DISP. Participou da redação e distribuição de um jornal denominado Luta Operária. Documentos dos órgãos de segurança registram sua participação em algumas ações armadas em São Paulo, inclusive em dois assaltos a banco onde ocorreram mortes. Foi preso no dia 21/11/1969, em uma casa no bairro de Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro, onde residia com Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, e Antônio Roberto Espinosa, também integrantes da VAR-Palmares. Os três foram levados para o Batalhão da Polícia do Exército e Chael morreu no dia seguinte, submetido a indescritíveis torturas, como chegou a ser noticiado pela revista Veja, driblando a rigorosa censura de imprensa vigente na época. O caso também foi publicado em veículos internacionais como o New York Times, Le Monde e The Times. A versão oficial, registrada em documento do II Exército encontrado nos arquivos do DOPS/SP, resumia: "reagiram violentamente com disparos de revólver, espingarda e mesmo com bombas caseiras. Da refrega, os três terroristas saíram feridos, sendo Chael o que estava em estado mais grave. Foram medicados no HCE, entretanto Chael sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer". Em depoimentos à Auditoria Militar, Dora e Espinoza denunciaram a morte de Chael e a tortura sofrida pelos três. Marcada profundamente pela violência a que foi submetida, Maria Auxiliadora viria a cometer suicídio em 1976, atirando-se nos trilhos do metrô na Alemanha. Na última vez em que ambos viram Chael na Polícia do Exército, ele tinha o pênis dilacerado e o corpo ensopado de sangue. Apontaram, em juízo, o nome dos torturadores e responsáveis pela morte de Chael: capitão João Luís, tenente Celso Lauria e capitão Airton Guimarães, sendo este último um conhecido expoente do jogo de bicho no Rio de Janeiro, preso mais de uma vez em anos recentes por contravenções e crimes mais graves. Outro importante depoimento constante do processo de Chael na CEMDP é do coronel Carlos Luiz Helvécio da Silveira Leite, publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 24/02/1988. Conforme declarou na entrevista, esse oficial estava de plantão quando recebeu a comunicação da Vila Militar de que o universitário paulista havia falecido naquela dependência durante o interrogatório. O coronel, que fora membro do Centro de Informações do Exército, declarou que o oficial por ele enviado para esclarecer os fatos lhe disse: "Fiquei encabulado de ver o corpo despido e o número de equimoses e sevícias que o cadáver apresentava". Em A Ditadura Escancarada, Elio Gaspari acrescenta mais informações e analisa: "Havia um cadáver na 1ª Companhia da PE. Em casos anteriores esse tipo de problema fora resolvido com um procedimento rotineiro. Fechava-se o caixão, proclamava-se o suicídio e sepultava-se o morto. O método já dera certo duas vezes, naquele mesmo quartel. Em maio, com Severino Viana Colou, e em setembro, com Roberto Cieto. Tratava-se de seguir o manual, e Helvécio despachou para a PE de Deodoro o tenente-coronel Murilo Fernando Alexander, do CIE. O cadáver de Chael foi levado por Alexander para o hospital central do Exército. 'Não concordaram em aceitá-lo como se tivesse entrado vivo', contou o tenente-coronel Helvécio. A decisão fora tomada pelo próprio diretor do hospital, general Galeno da Penha Franco. Pior: o general reteve o morto e determinou que se procedesse à autópsia. O CIE tinha dois problemas. O tiroteio e as prisões da rua Aquidabã eram públicos, pois haviam sido noticiados pelas rádios. Ademais, os presos foram três, e dois estavam vivos. Isso excluía a fórmula do sumiço do corpo, usado dois meses antes na Operação Bandeirante, depois do assassinato de Virgílio Gomes da Silva. O atestado de óbito excluía a versão de suicídio. A origem social de Chael, um ex-estudante de medicina saído de uma família judia da classe média paulista, cortava o caminho ao funeral de indigente que ajudara a abafar a morte de Severino Colou". No parecer acatado por unanimidade na CEMDP, a relatora realçou como prova definitiva a natureza das lesões descritas pelos legistas Rubens Pedro M. Janini, Oswaldo Caymmi Ferreira e Guilherme Achilles de Faria Mello: "contusão abdominal, ruptura dos mesocolons transversos e mesetéricos, e hemorragia interna". No laudo da necropsia, não consta qualquer descrição de entrada ou saída de projéteis no corpo de Chael. O corpo do estudante foi entregue à família em caixão lacrado. Militares do II Exército acompanharam o traslado dos restos mortais para São Paulo, proibindo a realização do ritual judaico de sepultamento no cemitério israelita do Butantã, que inclui um banho no cadáver, para que as verdadeiras circunstâncias de sua morte não ficassem estampadas. ========================================================================================================================== + Informações. CHAEL CHARLES SCHREIER Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Nasceu em 23 de abril de 1946, na cidade de São Paulo, filho de Ary Schreier e Emília B. Schreier. Estudante da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e membro da Comissão Executiva da União Estadual de Estudantes de São Paulo. O AI-5 o obriga à clandestinidade. Liga-se à Dissidência de São Paulo, trabalhando jundo a bases operárias e participando da redação e distribuição do jornal Luta Operária. Posteriormente, militou na VAR-Palmares, participando de sua direção regional. Foi preso no dia 21 de novembro de 1969, na casa em que morava, na Rua Aquidabã, nº 1053, em Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro, juntamente com Antônio Roberto Espinoza e sua mulher, Maria Auxiliadora Lara Barcelos. Segundo o testemunho de Espinoza, Maria Auxiliadora e de alguns soldados que serviam no Quartel da Polícia do Exército (PE), na Vila Militar do Rio de Janeiro, Chael foi o mais torturado entre os três presos. A equipe responsável pela prisão era chefiada pelo Comissário Brito e composta pelo inspetor Vasconcelos e mais 11 policiais dirigidos pelo detetive Antero. Presos, foram imediatamente levados para o Quartel da PE onde ficaram sob a responsabilidade do capitão João Luís. Nessa ocasião, Chael não apresentava nenhum ferimento, conforme declarações dos próprios policiais que o prenderam, transcritas nos jornais cariocas que circularam no dia seguinte. Chael foi torturado por uma equipe de oficiais e sub-oficiais comandada pelo tenente Lauria, segundo denúncia de Espinoza e Maria Auxiliadora na Auditoria Militar, quando descrevem os chutes e pontapés que levou do Capitão Airton Guimarães, hoje banqueiro do jogo do bicho, e acusado de fazer parte de grupos de extermínio no Espírito Santo. De acordo com declarações do diretor-médico do HCE, general de brigada Galeno de Penha Franco: "Chael deu entrada no hospital já morto", sendo que "o envio do corpo foi apenas uma formalidade, uma vez que provinha de uma unidade militar." Na certidão de óbito a causa mortis é "contusão abdominal com rupturas do mesocólon transverso e mesentério, com hemorragia interna." A necrópsia foi feita no HCE, em 24 de novembro de 1969, pelos Drs. Oswaldo Caymmi Ferreira, Guilherme Achilles de Faria Mello e Rubens Pedro Macuco Janini. Sua família, sem ter recebido qualquer notificação da morte, aguardava a promessa de uma visita. No dia 25 de novembro foram informados de que ele se encontrava morto, tendo sido possível comprovar os evidentes sinais de tortura. Segundo relatório do II Exército datado de 24 de novembro de 1969, arquivado no DOPS/SP, "Antonio Roberto Espinosa, Maria Auxiliadora de Lara Barcelos e Chael Charles Schreier, ao serem presos, reagiram violentamente com disparos de revólver, espingarda e mesmo com bombas caseiras. Da refrega os três terroristas sairam feridos, sendo Chael o que estava em estado mais grave, foram medicados no HCE, entretanto Chael sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer." O relatório do Ministério do Exército encaminhado ao Ministério da Justiça em 1993, sequer menciona o nome de Chael. ============================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110320/ab62bdfb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6206 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110320/ab62bdfb/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Mar 20 13:37:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 20 Mar 2011 13:37:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__M=FAsica=2EClique_na_figura_do_a?= =?iso-8859-1?q?rtista_e_poder=E1_ouvir_diversas_interpreta=E7=F5es?= =?iso-8859-1?q?___________________________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASI?= =?iso-8859-1?q?CAS!?= Message-ID: <3AE448E5E2424ACBAF36904CF3548F14@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: neide_pessoa Clique na figura do artista e poderá ouvir diversas interpretações No topo da tela, vc pode escolher o gênero desejado. http://uwall.tv/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110320/21d18163/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 21 20:12:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Mar 2011 20:12:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PSIQUIATRIA=3A_UMA_IND=DASTRIA_DA?= =?iso-8859-1?q?_MORTE_____________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_____HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALI?= =?iso-8859-1?q?MENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <8C5ADAD564A342DD97F69C93140222DE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Assistam pela ordem numérica. 9:42 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (2/11)por ThePepiTube a.. 10:00 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (3/11)por ThePepiTube1321 exibições b.. 9:22 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (4/11)por ThePepiTube1090 exibições c.. 9:41 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (1/11)por ThePepiTube7450 exibições d.. 8:38 PSIQUIATRIA INDUSTRIA DE LA MUERTE 1por almaslibresparaDios40178 exibições e.. f.. 9:44PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (5/11)por ThePepiTube946 exibições g.. h.. i.. 9:39 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (6/11)por ThePepiTube846 exibições j.. 9:12 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (7/11)por ThePepiTube770 exibições k.. 9:39 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (8/11)por ThePepiTube748 exibições l.. 9:25 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (9/11)por ThePepiTube806 exibições m.. 9:25 PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (10/11)por ThePepiTube627 exibições n.. 9:41PSIQUIATRIA: UMA INDÚSTRIA DA MORTE (11/11)por ThePepiTube540 exibições o.. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 3639 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110321/18d2ef93/attachment-0023.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 21 20:13:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Mar 2011 20:13:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_LILIANA_IN=CAS_GOLDEMBERG_e_EDUARDO_GO?= =?iso-8859-1?q?NZALO_ESCABOSA_________________-LXXVIII-?= Message-ID: <335C90E1994C4DA781298CC4034D8C48@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LILIANA INÊS GOLDEMBERG (1953 - 1980) EDUARDO GONZALO ESCABOSA (? - 1980) Filiação: Isabel Alicia Fernandez e Mauricio Goldenberg Data e local de nascimento: Buenos Aires, em 17/09/1953 Organização política ou atividade: Montoneros Data e local da morte: 02/08/1980, em Puerto Iguazu (Argentina0 O requerimento de Liliana foi apresentado por sua mãe, residente nos Estados Unidos, não sendo formado processo na CEMDP para seu companheiro, tendo o casal cometido suicídio com cianureto na iminência de serem presos. Liliana Inês, militante dos Montoneros, cometeu suicídio no dia 02/08/1980, a bordo de uma lancha, quando fazia a travessia entre o Brasil e Argentina em Foz do Iguaçu (PR). Viajava com seu companheiro Eduardo Gonzalo Escabosa, codinome "Andres" no movimento Montonero, que tinha 33 anos segundo o registro na Conadep, onde seu caso tem o nº 6450, não havendo outros dados biográficos a seu respeito. O requerimento da família à CEMDP foi apresentado quando vigorava a Lei nº 9.140/95, sendo anexada uma pequena biografia e uma narração dos fatos. Os recortes de jornais incorporados ao processo indicavam que ela teria morrido na província de Misiones, na Argentina, o que levou ao indeferimento pela CEMDP por entender o colegiado que não havia prova de participação de agentes brasileiros. Filha de profissionais bem estabelecidos, Liliana teve toda sua educação em escolas públicas de Buenos Aires. Cursava o segundo ano de Psicologia na Universidade de Buenos Aires e trabalhava como secretária no Hospital das Crianças da capital argentina, quando abandonou sua vida legal em função da militância política. Em 1970, militava nas FAR (Fuerzas Armadas RevoLúcionarias), tendo atuado em Mar Del Plata. Em outubro de 1973, com a fusão das FAR ao grupo Montoneros, Liliana foi enviada para Neuquen, no sul do país. De 1974 a 1976, voltou a viver em Buenos Aires, quando passou à clandestinidade depois que seu irmão, Carlos Andrés Goldenberg, foi baleado dentro de um táxi. De 1977 a 1980 viveu na Espanha, cumprindo tarefas dos Montoneros. Em 1980, o casal regressava à Argentina, a exemplo de muitos dos Montoneros no exílio, engajados na contra-ofensiva programada por sua organização para enfrentar a ditadura argentina. Aluízio Palmar, no livro Onde foi que vocês enterraram nossos mortos, se refere à morte de Liliana e Eduardo Gonzalo Escabosa, ocorrida durante a travessia entre o Porto Meira, em Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, na margem argentina do rio Paraná. Eis o seu relato: "Foi num sábado, 2 de agosto de 1980, Lílian de 27 anos, loura e franzina, e seu companheiro Eduardo, de 30 anos, embarcaram na lancha Caju IV, pilotada por Antonio Alves Feitosa, conhecido na região como 'Tatu'. Antes da atracação no lado argentino, dois policiais brasileiros que estavam a bordo mandaram o piloto parar a lancha e apontaram suas armas para o casal. Cercados, Lílian e Eduardo ainda puderam ver que mais policiais desciam ao atracadouro, vindos da aduana Argentina. Assim que perceberam que haviam caído numa cilada, Lílian e Eduardo se ajoelharam diante de um grupo de religiosos que estava a bordo e gritaram que eram perseguidos políticos e preferiam morrer ali a serem torturados. Em seguida abriram um saco plástico, tiraram os comprimidos e os engoliram bebendo a água barrenta do Rio Paraná. Morreram em trinta segundos, envenenados por uma dose fortíssima de cianureto" =============================================================================================== + Informações. LILIANA INÉS GOLDEMBERG (1953-1980) Filha de profissionais bem estabelecidos, cursava o segundo ano de Psicologia na Universidade de Buenos Aires e trabalhava como secretária no Hospital da Criança da capital argentina quando abandonou a vida legal em função da militância política. Em 1970, militou nas Fuerzas Armadas Revolucionarias (FAR) e atuou em Mar del Plata. Em outubro de 1973, com a fusão das FAR com a organização Montoneros, Liliana foi enviada para Neuquén, no sul do país. De 1974 a 1976, voltou a viver em Buenos Aires, mas passou para a clandestinidade depois que seu irmão, Carlos Andrés Goldemberg, foi baleado dentro de um táxi. De 1977 a 1980, viveu na Espanha, cumprindo tarefas para os Montoneros. Em 1980, Liliana e seu companheiro, Eduardo Gonzalo Escabosa, codinome "Andrés", regressavam à Argentina (a exemplo de muitos montoneros no exílio que foram engajados numa contraofensiva programada pela organização para enfrentar a ditadura argentina) quando foram encontrados pelas forças de repressão brasileira e argentina. Aluízio Palmar, no livro Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?, relata a morte do casal, ocorrida durante a travessia entre Porto Meira, em Foz do Iguaçu, e Puerto Iguazú, na margem argentina do rio Paraná: "Foi num sábado, 2 de agosto de 1980. Lílian, de 27 anos, loura e franzina, e seu companheiro Eduardo, de 30 anos, embarcaram na lancha Caju IV, pilotada por Antônio Alves Feitosa, conhecido na região como 'Tatu'. Antes de atracar no lado argentino, dois policiais brasileiros que estavam a bordo mandaram o piloto parar a lancha e apontaram suas armas para o casal. Cercados, Lílian e Eduardo ainda puderam ver que mais policiais desciam ao atracadouro, vindos da aduana Argentina. Assim que perceberam ter caído numa cilada, Lílian e Eduardo se ajoelharam diante de um grupo de religiosos que estava a bordo e gritaram que eram perseguidos políticos e preferiam morrer ali a serem torturados. Em seguida abriram um saco plástico, tiraram os comprimidos e os engoliram bebendo a água barrenta do rio Paraná. Morreram em trinta segundos, envenenados por uma dose fortíssima de cianureto". ================================================================================= + outros Liliana Inés Goldenberg Eduardo Gonzalo Escabosa Muertos el 2/8/80 Liliana Inés Goldenbergm hija de Isabel Alicia Fernández y de Mauricio Goldenbergm, nació en Buenos Aires en 1953. Liliana Inés era integrante de Montoneros, fue pareja de Carlos Olmedo hasta la muerte de éste cuando tenía 28 años. Liliana tení a como nombre de guerra "Ana ó Pastito". El 2 de agosto de 1980 trata de ingresar a la Argentina, junto a su pareja Eduardo Gonzalo Escabosa, cuyo nombre de guerra era "Andrés", el ingreso lo tratan de realizar a través de Foz do Iguazú. Hija de padres profesionales de muy buena situación económica, Liliana sin embargo cursó estudios en las escuelas públicas de Buenos Aires, llegó a cursar la carrera de Psicología hasta segundo año, a vez era secretaria del Hospital de Niños en Buenos Aires. En 1970 militaba en las FAR, actuando en Mar del Plata. En octubre de 1973 al fusionarse un sector de las FAR con Montoneros, Liliana fue enviada a Neuquén. De 1974 a 1976 volvió a vivir a Buenos Aires, debido a la muerte de su hermano Carlos Goldenberg, que tuvo una gran participación en la fuga de Rawson. Carlos al ver un control (en la jerga pinza), pisó el acelerador y fue tiroteado por el control. Liliana de 1977 a 1980 vive en España cumpliendo tareas para Montoneros, en 1980 en la Operación Retorno regresa a la Argentina para enfrentar a la dictadura militar. Aluizio Palmar en su libro " Onde foi que vocés enterraram nossos mortos", cuenta que era un día sábado 2 de agosto de 1980, en la lancha Caju IV, que hacía la travesía entre Porto Meira, en Foz do Iguazú y Puerto Iguazú, en las márgenes del Río Paraná viajaban Liliana y Eduardo. Antes de atracar del lado argentino dos policías brasileros que estaban a bordo de la lancha le dijeron al piloto de la misma que parara el motor y apuntaron con sus armas a la pareja. Rodeados Liliana y Eduardo vieron que había más policías en el muelle, así se dieron cuenta que habían caído en una cita cantada, Liliana y Eduardo empezaron a gritar que eran perseguidos políticos y que preferían morir a ser torturados. Abrieron una bolsita de plástico sacaron las pastillas de cianuro y bebieron el agua barrosa del Río Paraná, en 30 segundos los compañeros murieron. ======================================================================================== + detalhes Liliana Inés Goldemberg Fernández Oficial Montonero NG Ana o Pastito. Participa de la Operación Primicia constituyendo un Pelotón de Combate con la UBC Misiones, trasladándose desde Posadas hasta Resistencia en un camión vacío de la casa Breyer Hermanos que volvía vacío desde Posadas a Resistencia conducido por Eduardo Juan Jensen Oficial Montonero. NG Añame. Eduardo Juan Jensen Oficial Montonero NG Añame condujo el camión cisterna de Breyer Hermanos que volvía vacío de Posadas a Resistencia, trasladando en el al Pelotón de Combate de la UBC Misiones que atacaría el RIMte 29, dejando a parte de este personal en Corrientes y al resto en Resistencia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 2779 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110321/913a4f5d/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 21 20:13:09 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Mar 2011 20:13:09 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__NOTA_DE_PROTESTO_-_Grupo_Tortura?= =?iso-8859-1?q?_Nunca_Mais_de_S=E3o_Paulo?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DE SÃO PAULO R. Frei Caneca, 986 - São Paulo - SP NOTA DE PROTESTO O Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo soma-se aos inúmeros protestos de todo o Brasil contra a violência policial carioca e a prisão das pessoas que foram às ruas se manifestar contra as posições do governo norte-americano, aproveitando a visita do presidente Barak Obama ao nosso país. Eles pediam liberdade para os presos de Guantanamo e a retirada das tropas do Afeganistão e do Iraque, no que somos inteiramente solidários. Exigimos sua soltura imediata, na medida em que as prisões podem ser consideradas políticas e ferem o direito à liberdade de opinião e expressão, garantido na Constituição. Protestamos também contra o ataque, autorizado pela ONU, de mísseis a Trípoli, capital da Líbia, lançados de navios americanos e ingleses que, em apenas algumas horas, matou dezenas de pessoas. O povo líbio neste momento trava uma dura batalha interna para decidir seu destino e já padece de grande sofrimento. Infelizmente a decisão de atacar a Líbia foi tomada durante o primeiro dia de visita do governante americano ao Brasil. Nosso país, no nosso ponto-de-vista corretamente, se absteve de votar na ONU por qualquer sanção ou ataque à Líbia. Não queremos a guerra nem o banho de sangue em parte alguma do mundo. Reafirmamos nossa posição a favor da vida e do respeito integral aos Direitos Humanos. Pela soltura imediata dos presos do Rio de Janeiro Pelo cessar-fogo interno e externo na Líbia Pela soberania e autodeterminação dos povos GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DE SÃO PAULO Rose Nogueira presidente São Paulo, 19 de março de 2011. -- You received this message because you are subscribed to the Google Groups "Pro-Conferência de Comunicação de São Paulo" group. To post to this group, send email to proconferenciasp at googlegroups.com. To unsubscribe from this group, send email to proconferenciasp+unsubscribe at googlegroups.com. For more options, visit this group at http://groups.google.com/group/proconferenciasp?hl=en. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110321/66b8d684/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 22 19:12:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Mar 2011 19:12:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_EREMIAS_DELIZOICOV____________________?= =?iso-8859-1?q?_____-LXXVIII-?= Message-ID: <124C9275AC824169A80BEE757AB76543@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem EREMIAS DELIZOICOV (1951-1969) Filiação: Liubovi Gradinar Delizoicov e Jorge Delizoicov Data e local de nascimento: 27/03/1951, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 16/10/1969, no Rio de Janeiro O estudante paulista Eremias Delizoicov foi morto aos 18 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 16/10/1969. Militante da VPR, estava na sua residência, na Vila Cosmos, quando a casa foi cercada pela Polícia do Exército. Criado no bairro da Mooca, na capital paulista, Eremias militava no Movimento Estudantil secundarista, como aluno da escola estadual MMDC, tendo se engajado na campanha para obter fundos de solidariedade à greve dos metalúrgicos de Osasco, em julho de 1968. Em 1967, fora aprovado no exame de seleção da Escola Técnica Federal de São Paulo e cursou, simultaneamente ao colegial no MMDC, o curso de mecânica. Estudava música e praticava esportes. Com 11 anos, havia disputado, em 1962, o torneio paulista de judô, obtendo a primeira colocação na sua categoria. Em 1967, integrou a equipe de remadores do Corinthians e começou a treinar capoeira. Em 1969, ao saber que fora identificado pelos órgãos de segurança, comunicou aos pais sua militância política. Tentaram convencê-lo a sair do país, mas o filho optou pela luta na clandestinidade. O corpo de Eremias deu entrada no IML/RJ sem identificação e foi enterrado com o nome de José de Araújo Nóbrega, o sargento Nóbrega, militante da VPR que ainda vive. Conforme documento da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, foi sepultado no Cemitério São Francisco Xavier e recolhido ao ossuário geral cinco anos depois, sendo incinerado, 'como de praxe'. Os pais de Eremias somente foram informados de sua morte pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury em janeiro de 1970, mas nunca receberam os restos mortais. Somente 23 anos depois obtiveram judicialmente o atestado de óbito. O processo levou mais de um ano para ser votado na CEMDP após o relator propor o indeferimento em reunião do dia 18/03/96. Foi feito um pedido de vistas pela conselheira Suzana Lisbôa e o processo foi encaminhado para parecer do perito Celso Nenevê. A perícia oficial registra que Eremias foi atingido por disparos de armas de fogo e apresentava ferimentos lácero-contusos, cuja procedência seria verificada na necropsia, sendo citados pelo menos 29 disparos nas paredes da casa. Os legistas Elias Freitas e Hygino de Carvalho Hércules atestaram ferimento transfixante da cabeça com dilaceração do encéfalo e não lhes bastou todo o alfabeto - de 'a' a 'z'- para a identificação dos orifícios de entrada e saída dos projéteis de arma de fogo. Sendo insuficiente o número de letras, iniciaram uma nova série, de 'a' a 'f'', com acréscimo de novo símbolo, e ainda, para viabilizar o trabalho, passaram a identificar os orifícios de forma agrupada. Ao todo, são descritas 19 lesões de entrada e 14 de saída de projéteis. O perito criminal Celso Nenevê analisou os laudos de perícia e de exame cadavérico, comparando-os com as fotos anexadas. Constatou que os responsáveis pela perícia de local, estranhamente, não verificaram ou não descreveram disparos feitos do interior para o exterior da residência cercada. Ressaltou que a posição do corpo, pela foto, não é compatível com sua posição de repouso final, nem tampouco é condizente a mancha de sangue que aparece na parede com a posição do corpo. Pôs em dúvida que, no local, pudesse ter havido explosão capaz de causar as lesões descritas, já que até os fragmentos de vidro oriundos dos tiros nas janelas são identificados. Quanto ao exame cadavérico, Nenevê descreve que "a vítima apresenta contusões profundas (...) com características daquelas produzidas por onda de choque, oriunda da detonação de artefato explosivo. Dada a grande intensidade das lesões que experimentou a vítima em função da onda de choque, é praticamente certo o estado de, no mínimo, morte cerebral da vítima", impossibilitando que ela tivesse condições de ataque, defesa ou fuga. Mas registra a impossibilidade de uma conclusão definitiva, deixando indagações em aberto: "onde estas lesões se produziram, já que a residência não foi este local, e ainda como foi ter naquele local após a explosão, estes são questionamentos que não puderam ser esclarecidos pela falta de elementos materiais no processo". O relatório de vistas, depois de analisado o parecer de Celso Nenevê, foi pelo deferimento do processo. Houve mais um pedido de vistas do conselheiro Luís Francisco Carvalho Filho, após o voto contrário de Paulo Gustavo Gonet Branco. Na reunião de 02/12/1997 o relatório de vistas de Luís Francisco ressaltou: "mesmo admitindo, em tese, que o militante resistira armado ao cerco da polícia política, a prova dos autos aponta para uma execução, não para a imobilização e detenção do infrator, como autoriza e autorizava a lei em vigor". O processo foi então aprovado pela CEMDP. Os familiares de Eremias, ao receberem a indenização doaram o valor para a criação do site www.desaparecidospoliticos.org.br, construído e alimentado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, que o denominou Centro de Documentação Eremias Delizoicov. ========================================================================================================== + Informações. EREMIAS DELIZOIKOV Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu aos 27 de março de 1951, em São Paulo, filho de Jorge Delizoicov e Liubov Gradinar. Estudante secundarista, foi assassinado no dia 16 de outubro de 1969, na Rua Tocopi, 59, em Vila Cosmos, Rio de Janeiro, quando reagiu ao cerco montado pelos agentes do DOI/CODI-RJ que tentavam prendê-lo. Foi identificado e enterrado como José Araújo Nóbrega - o sargento Nóbrega - que até hoje se encontra vivo e, à época dos fatos, era também um perseguido político e militava na VPR. Os órgãos de repressão, aparentemente, pareciam confusos e não sabiam qual a verdadeira identidade daquele cadáver. Era pura encenação, para mais uma vez, cometerem o crime de ocultação de cadáver. Na verdade, as impressões digitais de Eremias Delizoicov já estavam confirmadas pelo datiloscopista da Delegacia de Crimes Contra a Pessoa, de São Paulo, no dia 11 de dezembro de 1969, conforme comunicado n° 76/69 da Secretaria de Segurança Pública. Ou seja, ao enterrarem aquele cadáver, sabiam que era de Eremias Delizoicov. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que foi "morto em 16/outubro/69, em tiroteio com membros dos Órgãos de Segurança..." e o da Marinha afirma que "...morreu ao resistir ao cerco da Polícia do Exército, em Vila Cosmos/RJ". Texto de Demétrio Delizoicov Neto, irmão de Eremias: "Eremias viveu toda a sua infância e boa parte da sua curta adolescência na Moóca. Completou o curso primário, em 1961, no Grupo Escolar Pandiá Calógeras e o ginasial em 1965, no Colégio Estadual M.M.D.C. Neste mesmo colégio iniciou, em 1966, o curso clássico. Em 1967 foi aprovado no exame de seleção da Escola Técnica Federal de São Paulo e cursou, simultaneamente com o clássico, o curso de mecânica. Sensível e criativo, destinava suas horas de lazer ao esporte e à música. Tocava violão várias horas por dia. Estudou música clássica e, a partir de 66, imbuído de um 'espírito nacionalista', começou a expressar seus sentimentos interpretando músicas nacionais, notadamente aquelas enquadradas como 'Bossa Nova'. Tentou, com um colega pianista e outro baterista, formar um trio. Como esportista, em 1962 disputou o torneio paulista de Judô, tendo tirado a primeira colocação na sua categoria. Treinou natação durante 65 e 66 e participou de algumas competições. Em 1967, integrou a equipe de remadores do Corinthians e começou a treinar capoeira. Organizava seus horários de tal modo a, paralelamente, auxiliar o pai nas atividades do comércio. Iniciou a leitura das obras de Aluísio de Azevedo, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Ficou particularmente sensibilizado com as poesias de Augusto dos Anjos e passou a questionar a realidade brasileira ao ler Geopolítica da Fome, de Josué de Castro. Em 1967, no Colégio Estadual M.M.D.C., articulou-se com outros colegas para formar uma chapa que disputaria as eleições para o grêmio estudantil, iniciando sua militância política. Ficou conhecendo detalhes do acordo MEC-USAID e engajou-se no movimento estudantil contra tal acordo. Passou a interagir com estudantes de outras escolas secundárias e articularam uma chapa para disputar, em 68, as diretorias da União Paulista de Estudantes Secundaristas (UPES) e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES). Organizou, juntamente com o grupo, o movimento estudantil secundarista nas escolas da zona leste de São Paulo. Eremias, em 1968, passou a liderar um movimento reivindicatório de alunos no Colégio Estadual M.M.D.C., organizando uma greve e comícios. Em virtude disso, foi transferido compulsoriamente, juntamente com alguns colegas, pela Direção do Colégio coonestada por alguns professores. Conseguiu matricular-se no Colégio Estadual Firmino de Proença, terminando o ano. Paralelamente continuou seu curso técnico. Durante as greves operárias de 68, em Osasco, assistiu a algumas assembléias sindicais, com outros colegas que levavam o apoio dos estudantes aos operários em greve. Engajou-se na campanha para obter fundos de greve. No início de 1969, entrou para a VPR. Simulou uma discordância com os pais e passou a morar fora de casa, mas visitava-os semanalmente. Confidenciava ao seu único irmão, um ano mais velho, e, então, estudante universitário, com quem mantinha uma estreita ligação e com quem discutia posições políticas. Em meados de julho de 69, os órgãos de repressão já sabiam da sua militância. Dias antes, Eremias, sabendo do inevitável, reuniu-se com os pais e os pôs a par da sua real situação. Estes esforçaram-se para uma saída segura: enviá-lo ao exterior, mas Eremias optou pelo Brasil e pela clandestinidade. Nunca mais o viram, vivo ou morto. Seu pai foi detido duas vezes no Q.G. do II Exército para prestar depoimentos. Os prontuários das escolas onde estudara foram vasculhados. Junto com os demais companheiros, sua foto foi exposta em cartazes de pessoas procuradas pelos órgãos de repressão. No início de 1970, meu pai foi convocado ao DOPS em São Paulo pelo Delegado Sérgio Fleury. Enquanto aguardava na ante-sala daquele policial, percebeu que Fleury pressionava a mãe de um cidadão procurado, dizendo que deveria fornecer o paradeiro de seu filho. A certa altura, meu pai, que a tudo ouvia, pois a porta do delegado estava aberta, ouviu-o dizer algo como 'É uma questão de tempo, ou ele é preso ou morto como o filho daquele senhor', referindo-se a meu pai, que nesse momento, inteirou-se do falecimento de Eremias. Em seguida, Fleury explicou-lhe o ocorrido na Vila Cosmos, agregando que Nóbrega estava vivo e havia sido preso dias antes, e que, portanto, o morto em outubro de 1969 era Eremias. Fleury descartou qualquer possibilidade de ajuda em relação ao esclarecimento oficial dos fatos, alegando que se algo pudesse ser feito, seria no Rio de Janeiro, junto ao I Exército. Dias após a ida de meu pai ao Dops, a imprensa toda noticiaria que Nóbrega havia sido preso e que a pessoa morta no confronto com o Exército, em outubro de 1969, era Eremias. Enquanto durou a clandestinidade de Eremias, principalmente nos meses de junho a agosto de 1969, a casa de meus pais era constantemente visitada e vigiada por agentes policiais ou militares. Diante do clima de repressão reinante à época, meu pai entendeu não ser possível iniciar o esclarecimento dos fatos. Em 1975 ou 1976, meus pais foram ao Rio de Janeiro para tentar obter mais informações e localizaram uma vizinha da casa onde fora morto. Segundo a vizinha, a repressão montou um grande aparato, interditando o quarteirão onde se situavam as casas e pessoas que se diziam militares do Exército pediam que os moradores das vizinhanças permanecessem quietos em suas casas. Contra a casa em que morava Eremias foram disparados inúmeros tiros, inclusive de metralhadora e bombas e, de dentro da casa, partiram também vários tiros. A vizinha acrescentou que parte do efetivo militar utilizou-se de sua casa para invadir a casa onde estava Eremias. Em 1979, após a edição da Lei de Anistia, meus pais iniciaram a tramitação jurídica para obtenção do atestado de óbito." Os companheiros da VPR homenagearam Eremias dando seu nome a um dos campos de treinamento no Vale do Ribeira. Seu corpo entrou no IML/RJ pela Guia n° 471, da 27ª D.P., em 17 de outubro de 1969 como desconhecido. A necrópsia foi feita pelos Drs. Elias Freitas e Hygino de Carvalho Hércules, que confirmaram sua morte em tiroteio. Esta necrópsia, de 22 páginas, foi enviada ao Tenente-Coronel Ary Pereira de Carvalho, do I Ex-1ª DI, em 04 de novembro de 1969, em resposta ao ofício n° 164 IPM, de 21 de outubro de 1969, com o seguinte teor: "A fim de instruir autos do IPM de que sou encarregado pelo Exmo. Sr. Gen. Syseno Sarmento, Comandante do I Ex., solicito V. Sa. determinar o atendimento dos seguintes quesitos: a) termo de necrópsia do cidadão José Araújo de Nóbrega, morto em ação policial-militar, ocorrida cerca das 11:00 horas do dia 16 do corrente, na Rua Tocopi, n° 59, Vila Cosmos/GB, b) comparecimento ao Hospital da Guarnição da Vila Militar de médicos legistas, a fim de procederem a exames de corpo de delito nos militares: major Enio de Albuquerque Lacerda, Capitão Ailton Guimarães Jorge e Cabo Mário Antônio Povaleri, feridos na mesma ação..."(sic) O óbito foi, portanto, passado em nome de José Araújo de Nóbrega, tendo o cadáver tido um reconhecimento forçado, feito pelo irmão de José Araújo, Francisco Araújo de Nóbrega, que se encontrava preso à época. Eremias foi enterrado no Cemitério São Francisco Xavier, em 21 de outubro de 1969, na cova n° 59.262, quadra 45. Somente em 1993, a família conseguiu o atestado de óbito de Eremias, além da necrópsia e certidão de óbito em nome de Nóbrega e 31 fotos de perícia de local (ICE n° 658/69). O laudo de perícia de local, também encontrado no ICE/RJ é longo, tendo 10 páginas e descreve o desalinho em que se encontrava a casa onde Eremias foi morto, uma verdadeira operação de guerra. Documento da Santa Casa de Misericórdia/RJ afirma que, em 25 de maio de 1975, os restos mortais de Eremias foram incinerados como era de praxe. No Arquivo do DOPS/RJ, consta documento do CENIMAR, de n° 0189, de 23 de julho de 1970, que traz uma relação de militantes do COLINA, VAR- PALMARES e VPR e sua situação em 15 de junho de 1970, onde há os nomes de José Araújo Nóbrega, como banido e Eremias Delizoicov, como morto. =================================================================================== + detalhes Eremias Delizoicov Vesti azul Urariano Mota Quando vem o primeiro de abril, sempre me lembro do que chamavam a revolução de 31 de março. A história oficial sempre antecipou em um dia o golpe de 64 para evitar o ridículo. E aqui e ali volta para mim o terror daqueles anos na forma de pessoas e canções. Lembro, por exemplo, de Eremias Delizoicov, a quem conheci na Escola Técnica Federal de São Paulo. O menino que eu vira em 1968 não anunciava o cadáver de 18 anos, perfurado de balas, o rosto irreconhecível porque uma só ferida, os cabelos tão úmidos, tão grossos por coágulos de sangue, que davam a impressão de flutuar no chão seco. Nada havia naquele cadáver que lembrasse o jovem que eu conhecera. Eremias não era aqueles olhos apertados, a boca aberta à procura de ar, a lembrar um afogamento. "Vesti azul, minha sorte então mudou. Vesti azul, minha sorte então mudou...", não, não pensem que enlouqueci. Há uma coerência entre essas canções despretensiosas, alegres, leves, e os cadáveres dos terroristas na ditadura militar. Não pensem jamais que vicejam hinos do Drácula em épocas sombrias, de repressão. Pelo contrário. Na Escola Técnica Federal de São Paulo, Eremias Delizoicov foi a minha salvação no meio daqueles meninos burgueses, lembro. A Escola Técnica daqueles anos possuía alunos da elite econômica do Brasil. Certo dia, percebi que um jovem gordo, que se vestia com blusões de couro tão natural como uma segunda pele, era filho do dono da Aços Villares. E eu então me encolhi mais em minha camisa de algodão, nos 10 graus do inverno paulistano. A conversa daqueles alunos toda era sobre carros, motos, motores, esportes. Onde um amigo, uma alma, um leitor, um irmão que entendesse e falasse sobre Platão, Descartes, os grandes inventos da humanidade, a música de Chopin? Quando me perguntavam sobre máquinas, potências de motores, eu lhes respondia que mais me preocupava O Discurso do Método. Um ridículo imenso caía então sobre o nordestino que não possuía nem bicicleta. "Pensam que a pobreza é lixo, e que rapaz pobre não tem coração". Não, não pensem que enlouqueço ao lembrar essas canções melosas, adocicadas, daqueles férreos anos. "Estava na tristeza que dava dó, vivia amargamente e andava só", lembro, tão nitidamente quanto lembro a diferença, o contraste dessa canção com a vida que não poderia brotar, de um mundo reprimido naqueles anos. "Que azul é a cor do céu, e do seu olhar também... Vesti azul, minha sorte então mudou", cantava Simonal. Por não ter camisa azul, eu procurava o azul do espírito. Uma coisinha estúpida, a procurar uma alternativa que não fosse pular fora da vida. Ao escrever agora, não resisto ao impulso de desejar o impossível, que fôssemos mais maduros em 1968. Se não maduros, pelo menos profetas, leitores do futuro, videntes. A morte torna as pessoas mais razoáveis e transparentes à humanidade. Se não todas as mortes, pelo menos algumas dão um vulto a essas pessoas que antes não víamos. Eremias morreu como um herói, permitam-nos dizer. O aparelho onde estava caíra. Fora entregue por um outro jovem preso, que não suportara as torturas. Cercado por forças do Exército, Eremias sozinho resistiu. Resistiu à bala, sem nenhuma esperança. A distância nos permite dizer que ele, naquele tiroteio cerrado, chamava a atenção dos demais companheiros fora. Que a casa não era mais segura, para ninguém. Outra hipótese que nos ocorre é a de ele saber que não havia mais saída, se caísse vivo. A saber, não haveria mais saída de continuar vivo, sem delatar. Talvez ele tenha querido evitar, no fim e enfim, ser uma coisinha estúpida, a balançar nervoso numa câmara de tortura. Algo estúpido, tão estúpido quanto um "Vesti azul" de primeiro de abril. ========================================================================================= + detalhes Um sonho dilacerado por 35 balas O assassinato de Eremias Delizoicov, é um dos mais estúpidos cometidos pela ditadura militar, aqui no Brasil. Se é que exista assassinato inteligente... Mais o fato é que Eremias era mais um daqueles jovens sonhadores que pegaram em armas para lutar contra a ditadura militar. Ele era militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Boa praça, Eremias era um excelente filho, estudava bastante, tocava violão, fazia judô e ainda adequava os seus horários de forma que pudesse ajudar seu pai no comércio. No colégio MMDC em São Paulo, Eremias e mais alguns colegas, entre eles o ex-guerrilheiro Celso Lungaretti, começam a militar no movimento estudantil. Eremias lê muito, e isso faz com que ele já esteja certo de suas convicções políticas. A decretação do AI-5, é um passo para muitos jovens caírem na clandestinidade. Eremias e o seu grupo de estudos, já "namoravam" a militância em várias organizações de esquerda. E depois de muitos contatos, eles ingressam na VPR. Logo vem a necessidade de cair na clandestinidade. Eremias devido à militância no movimento estudantil e o já recrutamento na VPR, cai na clandestinidade, com o codinome de "Zequinha", ele passa a viver cumprindo funções para a organização e tentando derrubar o regime militar pelas armas. Será que um estudante secundarista de 18 anos representava tanto perigo assim para a sociedade? Enquanto há vários assassinos e traficantes soltos pelo país. Tudo bem que a época é outra, os tempos mudaram. Mais o país é o mesmo, e a injustiça continua reinando nessa selva de pedra. E agora? Cercaram o Aparelho. Chega o "grande dia". Esse dia é 16 de outubro de 1969. Os agentes do DOI-CODI/RJ cercam o aparelho de Eremias, que ficava na rua Tocopi, 59, em Vila Cosmos, Rio de Janeiro. Ele morava junto com o ex-sargento do exército Jose Araújo Nóbrega, também militante da VPR. Havia ali um aparato enorme da repressão. Eram dezenas de homens armados que pediam para os moradores se afastarem porque haviam "terroristas" perigosos morando naquela casa. E assim os policias desferem rajadas de metralhadora, jogam bombas e invadem o aparelho onde Eremias encontrava-se sozinho. Muito gás. Um barulho enorme e Eremias não sabia o que fazer, estava meio cego por causa do gás, e de repente ele sente uma mão entrelaçar o seu pescoço. Era um agente da repressão que lutava judô e tinha 140 quilos. Ele deu uma gravata em Eremias, que sentido aquela mão o sufocar deu um tiro com o seu revolver no braço do assassino. Logo o brutamontes larga Eremias, e a repressão lhe dá alguns tiros. Foram "só" 35 tiros que Eremias levou de um grupo de dezenas de policias. Um jovem de 18 anos, cercado e meio cego por causa do gás. Era esse o "terrorista" perigoso, o homem que deveria ser eliminado, por representar um grande perigo para o país. Termina assim a historia de Eremias Delizoicov. Morto com 35 tiros. E hoje nós refletimos e vemos que rumo nosso pais tomou. Francamente caros leitores, espero que esse rumo seja melhor, e menos desastroso do que o rumo que o pais deu a Eremias Delizoicov. Ciro Campelo Oliveira - 24 anos ================================================================================================================ + detalhes Eremias Delizoicov Urariano Mota * "Historicamente", assim começa um Comunicado Militar, ao relembrar os acontecimentos que deseja de 31 de março de 1964, "as Forças Armadas, lídimas representantes de todos os segmentos sociais, participaram, ativamente, de todos os episódios importantes na caminhada e no exercício da democracia". E continua o Comunicado: "A convivência respeitosa e tolerante não implica aceitação de uma ideologia tirânica disfarçada de sublime utopia aos olhos dos ingênuos. A tolerância ajuda a superar o fanatismo pela verdade única". De fato, as impressões digitais de Eremias Delizoicov já estavam confirmadas pelo datiloscopista da Delegacia de Crimes Contra a Pessoa, de São Paulo, no dia 11 de dezembro de 1969. Era um cadáver de 18 anos: perfurado de balas, o rosto irreconhecível porque uma só ferida, os cabelos, tão úmidos, tão grossos por coágulos de sangue, davam a impressão de flutuar no chão seco. Nada havia naquele cadáver que lembrasse o jovem que eu conhecera. O menino que eu vira em 1968 não anunciava aquele fim. Eremias não era aqueles olhos apertados, a boca aberta, à procura de ar, a lembrar um afogamento. Um estranho peixe, com os cabelos a flutuar no seco. Essas fotos dos mortos da Polícia Técnica são bem falsas na sua chocante realidade. Das simulações pornográficas estas são as mais mentirosas. É impossível discutir aqui a perversão das lentes da câmera, a direção que a mente acostumada à perversão dá a estas lentes, a convivência do fotógrafo com a perversão. Ou mesmo discutir o defunto dessas fotos como uma perversão. Defuntos que se apresentam como a encarnação da morte, quando deveriam ser apenas o resultado natural da morte. Esses fotógrafos de Institutos da Polícia Técnica são homens bem medíocres. São amantes e diretores de filmes de terror de quinta categoria. "Vesti azul, minha sorte então mudou. Vesti azul, minha sorte então mudou...", não, não pensem que enlouqueci. Há uma coerência entre essas canções despretensiosas, alegres, leves, e os cadáveres de terroristas do IPT. Não pensem jamais que vicejam hinos do Drácula em épocas sombrias, de repressão. Pelo contrário. Como cantavam Leno e Lílian, "é algo tão estranho que eu mesmo não consigo mais compreender, uma coisinha estúpida que eu gosto de sentir que é amar você". Um ano antes daquelas fotos, eu conheci Eremias Delizoicov na Escola Técnica Federal de São Paulo. Um anos antes de ele virar um estranho peixe. Eremias era um menino que desejava ser homem, como todos da nossa idade. Ele foi a minha salvação no meio daqueles meninos burgueses, lembro. A Escola Técnica Federal de São Paulo daqueles anos possuía alunos da elite econômica do Brasil. Certo dia, percebi que um jovem gordo, que se vestia com blusões de couro tão natural como uma segunda pele, era filho do dono da Aços Villares. E eu então me encolhi mais em minha camisa de algodão, nos 10 graus do inverno paulistano. A conversa daqueles alunos toda era sobre carros, motos, motores, gatinhas, esportes. Onde um amigo, uma alma, um leitor, um irmão que entendesse e falasse sobre Platão, Descartes, os grandes inventos da humanidade, a música de Chopin? Quando me perguntavam sobre máquinas, potências de motores, eu lhes respondia que mais me preocupava O Discurso do Método. Um ridículo imenso caía então sobre o nordestino doido. "Pensam que a pobreza é lixo, e que rapaz pobre não tem coração". Não, não pensem que enlouqueço ao lembrar essas canções melosas, adocicadas, daqueles férreos anos. "Estava na tristeza que dava dó, vivia amargamente e andava só", lembro, tão nitidamente quanto lembro a diferença, o contraste dessa canção com a vida que não poderia brotar, de um mundo reprimido e coroado naqueles anos. "Que azul é a cor do céu, e do seu olhar também. Então eu fiz charminho e acrescentei ... Vesti azul, minha sorte então mudou", cantava Simonal. Porra nenhuma mudava. Porrrrrrrra nenhuma!!! Então eu não dizia "porra", porque isto significava manifestação de espírito inferior. "Vesti azul", e por não ter camisa azul, procurava o azul do espírito. Uma coisinha estúpida, a procurar uma alternativa que não fosse pular da vida fora. "Receios, incertezas, conflitos e perplexidade por toda parte. Agitadores infiltrados nas instituições legais realizavam um trabalho destrutivo das estruturas. Buscavam substituir as Forças Armadas por milícias. Disseminavam a anarquia. Virtudes, autoridade legal e consciência nacional claudicantes." - Você já leu Marx? Eremias me perguntou. Virei-me para o intruso nas minhas divagações, porque à direita de Deus eu andava, na mais torpe danação. Ele era um jovem louro, baixinho, forte, com um ar permanente de sorriso na face. Aquilo não era bem uma pergunta, aquilo era uma provocação, de imediato percebi. Mas era bem melhor que ouvir fala do modelo do último carro. - Já, claro. Quem não leu é estúpido, respondi-lhe. - O Manifesto, você leu? - Não, O Manifesto, não. - Então leu o quê? - Ah, ah, já li muito Marx, apresentado por Hegel. - Ah, muito interessante. Hegel veio antes, sabia? 1 x 0 . O time da casa que lhes fala perdeu de frente. Ao escrever agora, não resisto ao impulso de desejar o impossível, que fôssemos mais maduros em 1968. Se não maduros, pelo menos profetas, leitores do futuro, videntes, para acabar com aquela discussão absurda, de competição, de dois jovens que gostavam de ler, e estavam condenados, o paulista, a um ano mais de vida, e o pernambucano a um vazio incapaz de completar esta frase. Naquela altura, eu ainda não havia lido Politzer, que fazia uma revisão da filosofia a ponto de deixar os jovens com a impressão de que eram uma etapa superior a todos os filósofos. Eremias, talvez, sim. Politzer era um passaporte para a ação, uma etapa necessária para que os estudantes dissessem estar preparados para as tarefas práticas e teóricas do socialismo. Eremias já era um militante em 1968, aos dezessete anos, sei hoje, pelos registros históricos. Daí que eu concluo, sim, com certeza, ele já passara por Politzer. - É claro que eu sei, você não entendeu, eu lhe disse. E continuei, a gaguejar: - refiro-me a Marx apresentado por Huberto Rohden, você conhece? Ele contesta Marx com Hegel. - Que confusão! Quem é esse ilustre senhor... o quê? O irmão de Eremias diria, anos depois, que ele passara a questionar a realidade brasileira ao ler Geopolítica da Fome, de Josué de Castro. Isto quer dizer, vejo agora, que ele opunha questões mais substantivas às divagações metafísicas de um jovem na garoa paulistana. Naquela hora eu não via isto. Estava diante de mim um jovem a sorrir, que eu pensava estar a sorrir de mim, a zombar de uma pessoa que oferecia todos os motivos para a zombaria. Mas agora vejo diferente. Talvez a morte torne as pessoas mais virtuosas, mais razoáveis e transparentes à humanidade. Se não todas as mortes, pelo menos algumas dão um vulto a essas pessoas que antes não víamos. Eremias morreu como um herói, permitam-nos dizer. O aparelho onde estava caíra. Fora entregue por um outro jovem preso, que não suportara as torturas. Cercado por forças do Exército, Eremias sozinho resistiu. Resistiu à bala, sem nenhuma esperança. A distância nos permite dizer que ele, naquele tiroteio cerrado, chamava a atenção dos demais companheiros, que aquela casa havia sido denunciada. Que não era mais segura, para ninguém. Outra hipótese que nos ocorre é a de ele saber que não havia mais saída, se caísse vivo. A saber, não haveria mais saída de continuar vivo, sem delatar, como fora delatado. Mas não. A esperança é bêbada e louca. No meio da luta, ele poderia ter pensado, quem sabe?, eu sou mais esperto que a repressão, eu posso me entregar e sair vivo. E dali sair algemado, sob muitas porradas e pontapés e ferimentos, mas sair algemado. Talvez, na esperança, ele poderia ter gritado: - Não atirem! Eu me entrego. E ser igualmente morto, sob tortura, nos centros especializados do Exército. Mas até chegar a este ponto ele possuiria uma esperança. No entanto, em lugar de se render, há testemunhas disto, ele passou a atirar com a força e inexperiência da sua juventude. Então o mais provável é mesmo a hipótese heróica, a hipótese do sacrifício pessoal aos 18 anos, para que outros companheiros não caíssem, como ele, alvejado como um peixe inusitado, como um peixe estranho, a flutuar com os cabelos encharcados, escurecidos do sangue coagulado, com os olhos fechados a flutuar no chão seco. Por enquanto, não. Ele me olha, provocativo, e me questiona, enquanto discorro sobre o mundo metafísico, das mônadas e dos valores espirituais. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110322/22786557/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4504 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110322/22786557/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 22 19:12:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Mar 2011 19:12:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__No_Memorial_da_Resist=EAncia_de_?= =?iso-8859-1?q?S=E3o_Paulo=2E=22_N=E3o_tens_epit=E1fio=2C_pois_=E9?= =?iso-8859-1?q?s_bandeira=22_-_Abertura_dia_26_de_mar=E7o=2C_s=E1b?= =?iso-8859-1?q?ado=2C_a_partir_das_11h=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Governo de São Paulo e Secretaria de Estado da Cultura apresentam No Memorial da Resistência de São Paulo Não tens epitáfio, pois és bandeira O Memorial da Resistência de São Paulo apresenta a exposição Não tens epitáfio, pois és bandeira. A mostra apresenta cerca de 200 fotografias e documentos sobre a vida, prisão e desaparecimento de Rubens Paiva (Santos, SP, 1929 - RJ, 1971), durante o período da Ditadura Militar (1964 - 1985). Na abertura da mostra será lançado o livro "Segredo de Estado - o desaparecimento de Rubens Paiva", do jornalista e escritor Jason Tércio. Esta exposição foi concebida no final de 2010 dentro do Programa Direito à Memória e à Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica. Com curadoria de Vladimir Sacchetta, jornalista e pesquisador. Abertura dia 26 de março, sábado, a partir das 11h. Em cartaz até o dia 10 de julho de 2011. Não tens epitáfio, pois és bandeira O Memorial da Resistência de São Paulo apresenta a exposição Não tens epitáfio, pois és bandeira, com cerca de 200 fotografias e documentos, além de objetos pessoais, que revelam momentos da vida de Rubens Paiva com a família, em atividade política, a prisão e a luta de sua esposa, Eunice Paiva, pelo restabelecimento da verdade. Rubens Paiva (Santos, SP, 1929 - RJ, 1971) formou-se engenheiro civil pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, onde começou a militância política. Foi presidente do centro acadêmico Horacio Lane e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (1954). Engajou-se na campanha "O petróleo é nosso", pela criação da Petrobras. Eleito deputado federal em 1962, teve atuação destacada, como integrante da CPI sobre o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), que promovia propaganda anticomunista e conspirava pela queda do governo de João Goulart. A organização patrocinava campanhas políticas, palestras e autores que escreviam artigos denunciando a chamada "ameaça vermelha" no Brasil. A CPI descobriu que o IBAD e a Ação Democrática Popular (ADEP) movimentaram entre 12 e 20 milhões de dólares em suas atividades conspirativas. Paiva foi um dos deputados que ajudou a identificar a origem e o destino do dinheiro. Descobriu que na lista de pagamentos havia integrantes da direita e militares envolvidos na geração de um ambiente político favorável ao golpe. Meses depois, Paiva foi um dos primeiros deputados cassados, oito dias após o golpe de abril de 1964. Pediu asilo na embaixada da antiga Iugoslávia, hoje Sérvia, país para onde viajou, vivendo depois na França e Inglaterra. Voltou ao Brasil no final de 1964. Em 1971, foi preso por militares em sua casa no Rio de Janeiro, onde vivia com a esposa e os cinco filhos. Desde então é dado como desaparecido político. Sobre o livro O "Segredo de Estado - o desaparecimento de Rubens Paiva", de Jason Tercio, reconstitui todos os acontecimentos relacionados ao mais controvertido caso de desaparecimento político ocorrido durante o regime militar. No dia 20 de janeiro de 1971, agentes da Aeronáutica invadiram a casa do ex-deputado, na Avenida Delfim Moreira, Rio de Janeiro, prendendo também, no dia seguinte, sua mulher e uma de suas filhas. Os efeitos destes acontecimentos, a luta da viúva, Eunice, para encontrar Rubens ou seus restos mortais, a versão oficial da fuga e os bastidores da repressão política da época são intercalados com os principais momentos da vida de Rubens Paiva como político, empresário e pai de família. Escrito em linguagem literária o livro ressalta a dimensão humana do caso, entrelaçada ao contexto político e social do país. Apresenta episódios inéditos como os bastidores do Congresso Nacional antes e durante o golpe militar, o asilo de políticos e jornalistas na embaixada da Iugoslávia (hoje Sérvia), a fuga de Darcy Ribeiro e Waldir Pires de Brasília, graças a ajuda de Rubens. O livro é baseado em minuciosa pesquisa do autor em documentos dos órgãos de segurança e de arquivos particulares, depoimentos orais e inquéritos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110322/f95e94aa/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7872 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110322/f95e94aa/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 7132 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110322/f95e94aa/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 22 19:12:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Mar 2011 19:12:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Entrevista__de_Paulo_Fonteles_no_?= =?iso-8859-1?q?site_do_PC_do_B=2C_fala_sobre_o_resgate_da_Guerrilh?= =?iso-8859-1?q?a_do_Araguaia_e_a_pol=EAmica_=22Comiss=E3o_da_verda?= =?iso-8859-1?q?de=22?= Message-ID: <7F9EE1E545B243049C92711AF494C6A6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A Guerrilha do Araguaia e a polêmica "Comissão da verdade" Depois de décadas o governo federal constituiu a Comissão Nacional da Verdade, que investiga as circunstâncias das mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar (1964-1985). Em entrevista Paulo Fonteles Filho fala sobre o resgate da Guerrilha do Araguaia e a polêmica "Comissão da verdade" Paulo Fonteles Você foi líder estudantil e parlamentar. O que te levou ao interesse pela questão da guerrilha do Araguaia? PFF-O meu interesse pela guerrilha surgiu no final da década de 70, ainda menino. Naqueles tempos meu pai iniciava sua atividade de advogado junto aos posseiros do sul do Pará e moravámos em Conceição do Araguaia, numa casa próxima às margens do caudaloso rio que batiza a cidade. Nossas histórias de "ninar" sempre havia guerrilheiros e essas eram as histórias da carochinha de minha infância. Quando meu pai foi assassinado em 1987, ingressei nas fileiras do Partido Comunista do Brasil. Em 1988, participei em Marabá de um encontro com a Juventude Camponesa promovido pela UJS e um dos principais momentos fora um debate com a veterana comunista Elza Monnerat, que havia participado da preparação da insurgência nas terras araguaianas. Foi ali que entendi muitas coisas da guerrilha e reforcei meu interesse pelo tema. Anos depois, estudando na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), fui ser uma espécie de secretário de Elza Monnerat e todos os sábados, durante mais de um ano, saía das reuniões da sede da Une, no Catete, e ia para seu pequeno apartamento no Flamengo para ajudá-la a organizar sua memória e arquivos. Muitas coisas ela deixou comigo que pretendo publicá-las no site "Memórias do Araguaia", que ajudo à construir, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, sediado em São Domingos do Araguaia. Aprendi muito com a Elza e tenho saudades dela, muitas. Foi naquela época, sob seu comando, que participei de minha primeira expedição em 1996 na região. Depois de uma conversa com ela e depois com o João Amazonas, em São Paulo, desloquei-me até Marabá para passar uns dez dias acompanhando uma Comissão do Ministério da Justiça. O que era para ser em dez dias se transformaram em quase um ano. Larguei casamento, faculdade e as praias de Ipanema para passar meses morando com camponeses entre São Domingos e São Geraldo do Araguaia. Foi alí, naquele trabalho, sempre com os lavradores que tinham participado da guerrilha que encontramos quatro fotografias que denunciavam que muitos dos desaparecidos que ora procuramos foram mortos sob à custódia do Estado. Os guerrilheiros Antônio de Padua Costa, o "Piauí", e o Daniel Callado, o "Doca", foram fotografados vivos junto aos agentes da repressão e à época o documento fotográfico ganhou repercussão nacional pelo ineditismo. Em 1997 fiz um depoimento na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça e, além de entregar as fotografias, passei-lhes um mapa de possíveis locais de inumação de 19 guerrilheiros além de denúnciar que gente ligada ao Major Curió estavam fazendo exumações clandestinas, partircularmente na região da Serra das Andorinhas, que depois foi confirmada em relatório dos antropologos forenses argentinos. Estes argentinos, dois anos depois, encontraram os restos mortais do Che Guevara na Bolívia. Nunca vou esquecer daqueles dias enfiado no mato com os camponeses. Todas as noites reuníamos vários deles e eu lia tudo que dispunha sobre a guerrilha e eles comentavam as informações, contavam suas versões. Eu, naqueles dias, também lia os poemas do Neruda para eles e eles cantavam as canções da guerrilha e tudo isso sob as noites, as imensas noites araguaiacas. Alí foi meu batismo de fogo e meus amigos, família e até gente do Partido dizia que eu tinha ficado doido e eu até acho que fiquei um pouco porque quando saí da região tinha emagrecido uns 12 quilos e com leshmaniose, que tratei no Rio de Janeiro. Foi naquela experiência que compreendi a generosidade humana e que tal manifestação é sempre ligada ao povo e aos seus anseios. Falo isso porque um dos grandes sentimentos dos camponeses do Araguaia é contar a história de suas vidas, de quem eram os combatentes do Araguaia e da repressão, para que os lobos da infâmia e da tortura nunca mais retornem com suas noites sombrias. Para mim esse é um legado decisivo para o futuro que queremos ter, sempre com mais liberdades e democracia. Na atualidade, além de participar do Grupo de Trabalho Tocantins do Ministério da Defesa, tenho depositado minhas energias para que os camponeses sejam, em definitivo, reparados. O Ministério da Justiça já os anistiou e, infelizmente, um Juiz Federal do Rio de Janeiro à pedido dos Bolsonaros suspendeu os pagamentos com uma espúria liminar. Em um ano e meio cinco dos anistiados foram a óbito, o que nos revolta imensamente. Quando tal liminar alcançou os anistiados do Araguaia houve um silêncio estranhissímo por parte da imprensa e poucos jornalistas atenderam nossos clamores. Apenas o Portal Vermelho e o Leonencio Nossa, do Estadão, se sensibilizaram com a questão na imprensa brasileira e repercutiram. Quase nenhuma entidade de direitos humanos se posicionou diante da questão apesar da posição firme da Comissão da Anistia, do Ministro Tarso Genro, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos à época do Vannuchi. Os advogados que toparam defender os camponeses, naquela situação, foi o Ronaldo Fonteles, meu irmão, e o Cláudio Moraes, advogado paraense radicado no Rio de Janeiro. Hoje a coisa ampliou e estamos preparando nosso contra-ataque, jurídico e político, e já contamos com o apoio da OAB nacional, de juristas como César Brito e Dalmo Dallari. A Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados sob a presidência da comunista Manuela d'Avila já manifestou solidariedade e apoio. A Direção Nacional do PC do B está empenhada na causa e têm contribuído imensamente nesta construção política que é acompanhada diretamente por Aldo Arantes. A batalha é dura, durissíma, mas com o apoio de muita gente boa e com a confiança dos camponeses do Araguaia, vamos vencer. Quais as medidas que o governo Lula tomou no sentido do resgate dessa história e qual a situação hoje? PFF-Uma das primeiras medidas do governo Lula foi a criação de uma comissão interministerial para tratar do tema e dar cabo nas buscas dos desaparecidos políticos, além de reforçar a Comissão da Anistia, do Ministério da Justiça e a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Ministros como o Tarso Genro e o Paulo Vannuchi sempre jogaram um papel avançado neste debate e revelaram compromisso desmedido com a questão. Mas o governo Lula, sabemos, como experiência de transição para um perspectiva mais avançada do ponto de vista da dimensão democrática, sofreu internamente certas pressões de setores que tratam tal questão com conservadorismo. Isso ficou claro no contencioso entre os Ministros Vannuchi e Jobim e o debate que foi a público foi mediado de forma bastante hábil pelo próprio Lula. A pedra de toque dessa realidade foi a sentença prolatada pela Juíza Federal Solange Salgado do DF, que julgou em favor das familías dos desaparecidos do Araguaia para que a União localize e identifique os desaparecidos políticos do Araguaia. A ação iniciada em 1982, que têm em seu nascedouro as contribuições de meu pai, Paulo Fonteles e que foi assumida pelo Luís Eduardo Greenhalgh só foi julgada em 2007, 25 anos depois. Tal decisão, em última instância, fez com que o governo Lula, através do Ministério da Defesa, criasse um grupo especial para o tema, o Grupo de Trabalho Tocantins. O GTT conta com a participação de diversos setores envolvidos no assunto, do Exército aos familiares dos desaparecidos no Araguaia, do PCdoB à jornalistas, de instituições cientifícas à Policia Federal, de pesquisadores até simples camponeses. Isso sem falar da presença da própria Secretaria Nacional de Direitos Humanos. É um grupo amplo, não-homogêneo. Teve seu inicio marcado por grande desconfiança por conta da presença do Exército e de um Oficial-General e eu mesmo fui sectário quando soube da composição do próprio GTT e fiz um cáustico artigo para o meu blog sob o título "Só falta o Major Curió". A realidade, particularmente em 2009, demonstrou que o General Mário Lúcio Alves de Araújo teve amplo compromisso com os trabalhos na região e apoiou todas as iniciativas sugeridas por nós. Revelou que os militares podem ter compromisso com o poder civil democrático, diferente de setores ainda recalcitrantes e minoritários que insistem em existir na caserna ou em clubes militares. Muitos dos relatos que vinham dos torturados no Araguaia deixavam os militares, em especial os de mais elevada patente bastante constrangidos, pude sentir isso por lá. E vai me parecendo que há setores nas forças armadas interessadas em resolver, em definitivo, à questão. E isso é luta política, sempre. Se formos observar a trajetória das forças armadas, particularmente do Exército, em todo o período republicano vamos percebendo que a caserna é prenhe de política, de debate político. É só vermos a instalação da República, a revolta dos tenentes, a Coluna Prestes, a Revolução de 30, o Estado-Novo,a FEB, a campanha "O Petroléo é Nosso" e a quartelada de 31 de Março de 1964. O Exército sempre foi bastante atuante politicamente e no curso da história brasileira, e em certos momentos pendeu para posições avançadas, como em 30 e, em outros, para posições reacionárias e entreguistas, como foi o caso de 64. Falo isso para que a sociedade se assenhore destas questões que estão, muitas das vezes, circunscritas à poucos, bem poucos. O fato é que o GTT é o maior esforço nacional para a localização dos desaparecidos políticos no Brasil e, ás vezes, há contradições e o pau canta. Há visões sobre a guerrilha absolutamente conservadoras e pró-militares de 64, particularmente aquelas proferidas pelo jornalista e professor da Unb, Hugo Studart. Mas o aspecto decisivo nesta questão e que destaco é o interesse do próprio Ministro da Defesa, Nelson Jobim, em ver resolvida tal pendência histórica. A decisão política do governo brasileiro é fundamental para o resgate histórico, creio eu. Na entrada pelo terceiro ano do GTT vamos compreendendo o funcionamento de todo o monumental aparato repressivo do país, os punhais e as tramas do lobo. Questões desconhecidas estão vindo a público, como o sequestros de filhos dos guerrilheiros do Araguaia por militares, o tratamento violento dispensado aos soldados, a brutalidade desmedida contra os desaparecidos políticos e camponeses e o controle exercido pelas forças de segurança que nos lembram os tempos de Hitler da Alemanha nazista. Outro dado que vai aparecendo com força é o fato de que os militares ou remanescentes da ditadura, realizaram sucessivas operações-limpeza desde 1976 até, creio, à década de 1990. Alguns falam até em 2000, tenho dúvidas mas não descarto. O fato é que, enquanto os militares que participaram da terceira campanha de cerco e aniquilamento às Forças Guerrilheiras do Araguaia, na famigerada "Operação Sucuri" e nas operações de retirada de corpos para lugares não-sabidos, será muito difícil alcançarmos resultados práticos satisfatórios do ponto de vista da localização de sepulturas. E nesse sentido nossas instituições democráticas precisam radicalizar e ter severidade. O que não dá é para que nossos colaboradores e nós mesmos sejamos ameaçados, como acontece agora, por violentos como o Major Curió e outras viúvas da ditadura militar brasileira. O que não podemos permitir é o "sono dos justos" para quem tem as mãos sujas de sangue e por conta disso vermos o Brasil condenado em fóruns internacionais, como ocorreu recentemente. Você têm expectativas que os restos mortais sejam encontrados? PFF-A esperança, segundo ensina o ditado popular, é sempre a última que morre. No curso destes dois anos encontramos duas ossadas que estão sob análise em Brasília. Há outras, também, retiradas em outros momentos e que diante meios cientifícos mais avançados de pesquisa genética podem oferecer revelações promissoras. Já fizemos mais de 70 escavações em dezenas de polígonos por toda a região do Araguaia. Há, ainda, dezenas de outros locais para serem pesquisados. Um aspecto importante é localizarmos os locais da operação limpeza porque, segundo dizem os antropólogos, a forma de retirada destas ossadas exige método e rigor cientifíco que seguramente os que operaram a terrível missão, não tinham. Nossa luta é por corpos inteiros, mas as vezes é por um dente, uma falange, um diminuto osso. E em cada companheiro já encontrado e que possivelmente vamos encontrar há um roteiro macabro de torturas e assassinatos e essas ossadas revelarão para o país como foi a ditadura militar. Tenho a impressão de que os guerrilheiros do Araguaia vão revelar, através de seus poucos resquicíos materiais, o que lhes aconteceu e eles vão nos contar tudo. O que os violentos pretendem é silenciá-los, sempre. Assim foi na década de 1970 e assim o é em nossos dias. Nossa tarefa é, também, libertá-los e através da ciência dar-lhes a voz que foi emudecida há tempos e assim eles terão vencido os coturnos covardes, porque haverá mais democracia no país. Afinal, a luta no Araguaia, era para restabelecer a democracia e para isso foi preciso recorrer a luta armada. E aquele tempo exigiu medida extrema e a resistência é um aspecto importante diante do liberalismo moderno e um direito básico diante das quarteladas é o da insurgência. Muitos companheiros desta luta, os melhores, acham que não acharemos mais nada. Eu acredito que vamos pelo caminho certo e que não vamos parar por aí. O que você acha da polêmica sobre a criação da Comissão da Verdade? PFF-As polêmicas são sempre importantes para o avanço das mentalidades. Com elas vamos comprovando teses e examinando os erros, faz parte da vida humana. A Comissão da Verdade é uma necessidade histórica brasileira e está ligada ao nosso desenvolvimento democrático. Em todos os lugares que ocorreu, e são em torno de 40 experiências nacionais, sempre jogou papel para consolidar os processos democráticos e as unidades nacionais em torno de posições avançadas. Um caso clássico é o da Africa do Sul, pós-apartheid. Nelson Mandela e o Congresso Nacional Africano (CNA), cuja força dos comunistas é significativa, conseguir consolidar, o que é hoje a maior força econômica africana, o país, e fazê-lo avançar sob a premissa da Comissão da Verdade que experimentaram. Na América-Latina vários processos estão em curso e em estágio avançado, como Chile, Uruguai, Argentina e Perú e essas realidades têm vacinado a consciência democrática destes nossos irmãos. O projeto enviado ao congresso brasileiro não trata de punições ou revanches, como gritam os reacionários de plantão. Sua missão é revelar a verdade dos fatos, apenas isso. Afinal, o país precisa saber o que houve naquele período e este é problema de que tipo de conteúdo queremos para o país e seu povo para os desafios futuros da Nação brasileira. Uma nação, segundo Paulo Sérgio Pinheiro, não pode sufocar a verdade e nem deixar de contar o que houve para as atuais e futuras gerações. Esse é um problema de dimensão democrática e a democracia é perene, está sempre sendo construída. A Comissão da Verdade vai engendrar um país mais avançado. É certo anistiar os torturadores? PFF-A tortura deve ser considerada como um crime imprescrítivel e a posição adotada neste tema pelo STF é conservadora, atrasada. Parte da premissa que a Lei da Anistia, promulgada em 1979, foi realizada numa realidade de democracia, o que não é verdade. Havia uma ditadura atroz que perseguia adversários políticos, censura e tudo mais do enredo daqueles tempos. Recentemente publiquei um artigo no "Vermelho" onde abordo a questão. O que precisamos entender é que se não situarmos historicamente a questão vamos cometer erros em nossa análise. Se por um lado a lei de 1979 anistiou a todos, inclusive torturadores, permitiu que exilados pudessem retornar ao Brasil, como o Betinho, Miguel Arraes, Brizola e João Amazonas. Para os de cabeça-curta pode parecer a coisa de "dois pesos e duas medidas", mas não é. O retorno dos exilados e a libertação dos presos políticos foi uma conquista do povo brasileiro e essa conquista foi desaguar na memorável luta das "Diretas-Já", decisiva para unir o nosso povo para a derrubada do regime, que aconteceu através do Colégio Eleitoral de 1985. O problema é que em 1979 a ditadura, mesmo em crise, dirigia o país e naquela época as posições avançadas não haviam se tornado hegemônicas como hoje, pelo menos nessa questão. A questão é que as leis mudam quando a sociedade muda e nunca deverá haver cláusulas pétreas que nos prendam eternamente ao passado. E essa é uma questão do universo da política, sobretudo da política. A punição dos torturadores é uma exigência do país que vivemos na atualidade e que queremos construir. Quais são suas perpectivas futuras de ação política? PFF-Estou abrindo um ciclo de vida quando, recentemente, decidi vir morar no Sul do Pará. Faço isso para me dedicar mais ao trabalho do GTT e poder contribuir com o Partido nessa luta já que minha indicação é da Direção Nacional do PC do B e tenho a honra de atuar sob a direção e experiência do camarada Aldo Arantes, principal responsável pelo Comitê Central para a tarefa. Isso sem falar da convivência com os camponeses e com a Diva Santana, também comunista, e uma das mais dedicadas militantes em direitos humanos que conheço. Sou daqueles que acha que o futuro é fruto de visão histórica e ação cotidiana. Ação política não é apenas participar de eleições, apesar de toda sua importância. Ação política é também sistematizar a luta heróica que desenvolve nosso povo para sua efetiva emancipação e o Araguaia escreveu uma bela história que sempre nos servirá para o futuro, porque designa o cárater e o conteúdo dos brasileiros. Não sei quanto tempo vou ficar por aqui, tavez um ano, talvez a vida inteira. Minha pretenção é ajudar a escrever as belas e duras histórias de luta de nosso povo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110322/95dcda29/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30448 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110322/95dcda29/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 23 19:13:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 23 Mar 2011 19:13:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__OSVALDO_ORLANDO_DA_COSTA______________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-LXXX-?= Message-ID: <6364422F96764E4C9C4B477B5BB95B80@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem OSVALDO ORLANDO DA COSTA (1938-1974) Filiação: Rita Orlando dos Santos e José Orlando da Costa Data e local de nascimento: 27/04/1938, Passa Quatro (MG) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre janeiro e abril de 1974 Mineiro de Passa Quatro, Osvaldão, como era conhecido, foi o primeiro quadro do PCdoB a chegar ao Araguaia, entre 1966 e 1967. Negro, 1,98m de altura, forte, era tido como generoso e corajoso, sendo muito respeitado pelos moradores e por seus companheiros. Carismático e temido pelos militares, foi um grande mito da guerrilha entre a população da região, ao lado de Dina. Entre 1952 e 1954 morou na cidade de São Paulo, onde fez o curso Industrial Básico de Cerâmica na Escola Técnica. Mudou-se para o Rio de Janeiro e se formou na Escola Técnica Federal, como Técnico de Construção de Máquinas e Motores, em 1958. Como atleta, vinculouse ao Botafogo Futebol e Regatas, onde foi campeão carioca de boxe. Tornou-se oficial da reserva do Exército, após servir no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva - CPOR do Rio de Janeiro. Viajou para a antiga Tchecoslováquia (atual República Tcheca), onde cursou até o 3º ano de Engenharia de Minas, em Praga. Em sua homenagem, o escritor tcheco Cytrian Ekwensi escreveu, em 1962, o livro O homem que parou a cidade ("Lidé z mesta"). O guerrilheiro só contou esse segredo, em 1963, à sua irmã Irene Orlando, que recebeu, com uma dedicatória, um exemplar do livro. Por sua militância política, foi obrigado a viver na clandestinidade logo depois de abril de 1964, quando já militava no PCdoB. Quando chegou ao Araguaia entrou na mata como garimpeiro e mariscador, tornando-se o maior conhecedor da área entre os militantes do PCdoB ali instalados. No ano de 1969, fixou residência numa posse que adquiriu às margens do Rio Gameleira. Sobre Osvaldão surgiram inúmeras lendas. Sobre sua bondade, sua força, sua coragem e também sobre sua pontaria. Foi comandante do Destacamento B, onde participou com êxito de vários combates. Foi, ao lado de Dina, o mais conhecido dos militantes do PCdoB entre a população do Araguaia. Estava no acampamento da Comissão Militar quando ocorreu o ataque das Forças Armadas no dia de Natal de 1973, conseguindo escapar. Segundo depoimentos de moradores da região, foi morto em abril de 1974, próximo à Semana Santa, perto de São Domingos. Seu corpo foi dependurado por cordas em um helicóptero que o levou de Saranzal, local onde foi morto, até o acampamento militar de Bacaba e de lá para Xambioá. Na primeira vez em que o cadáver foi içado pelo helicóptero, caiu e fraturou ossos da perna. Posteriormente, sua cabeça foi decepada e exposta em público. Na base militar de Xambioá, seu cadáver foi violado por chutes, pedradas e pauladas dadas pelos militares, sendo finalmente queimado e jogado no buraco conhecido como "Vietnã" (vala situada ao final da pista de pouso da Base Militar de Xambioá), onde eram lançados os mortos e moribundos. Com o término das operações militares, foi feita uma grande terraplanagem para descaracterizar o local. José Rufino Pinheiro, que durante 6 meses e 16 dias ajudou o Exército na mata, entre 1973 e 1974, afirma ter presenciado a morte de Osvaldão, quando guiava um batalhão com 32 soldados. Segundo declaração prestada por ele, em 05/07/2001, ao Ministério Público Federal em São Domingos do Araguaia, Osvaldão foi morto na capoeira do Pedro Loca, junto da Palestina, por volta de 4 horas da tarde, por Arlindo Piauí, que era guia formado (homem de confiança do Exército). José Rufino conta que Osvaldão, muito magro e com fome, estava de costas, comendo macaxeira sentado num tronco caído, quando foi alvejado. Segundo o guia, ele foi atingido com um tiro só, de uma cartucheira 12, e o corpo foi levado pelo Exército para Xambioá, sendo um dos últimos guerrilheiros a ser morto. Os relatórios militares trazem datas diferentes das relatadas pelos moradores da região, unânimes na afirmação de que Osvaldão foi morto em abril de 1974. O Relatório do Ministério do Exército, de 1993, aponta como data da morte 07/02/1974, informando ainda que Osvaldão teria realizado curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim e que seria responsável pela execução de Pedro Ferreira da Silva, apontado como guerrilheiro, mas na verdade um grileiro de terras e informante das forças de repressão. O Relatório da Marinha, também de 1993, indica 02/01/1974 como data de sua morte. Hugo Studart, em A Lei da Selva, informa que o Dossiê Araguaia registra a morte em abril de 1974, o que coincide com dezenas de depoimentos colhidos entre moradores locais. Studart acrescenta, ainda, que seu corpo foi enterrado no cemitério de Xambioá, mas no ano seguinte foi exumado e levado para ser queimado na Serra das Andorinhas. O livro de Taís Morais e Eumano Silva, "Operação Araguaia", discorre sobre suas atividades e sua morte: "Dava especial atenção ao treinamento militar e mostrava-se crítico com o despreparo dos companheiros. Matou um militar em encontro casual na mata e participou da execução de um morador. Tornou-se lenda na área da guerrilha. No imaginário da população, Osvaldão adquiriu fama de imortal. Os soldados inexperientes tremiam de pavor quando ouviam histórias sobre o gigante invencível. Os agentes secretos caçavam o comandante negro e ofereciam recompensa para quem informasse seu paradeiro. O mateiro Arlindo Piauí viu Osvaldão sentado na mata e, antes de qualquer reação do guerrilheiro, atirou e matou o mais famoso dos comunistas do Araguaia. A Marinha registra a morte em 7/2/74. O corpo foi içado pelo helicóptero e mostrado em toda a região antes de ser levado para a Base de Xambioá". =================================================================================================================== + Informações. OSVALDO ORLANDO DA COSTA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 27 de abril de 1938, em Passa Quatro, Minas Gerais. Desaparecido desde abril de 1974. Filho de José Orlando da Costa e Rita Orlando dos Santos. Entre 1952 e 1954 morou na cidade de São Paulo, estudando na Escola Técnica, onde fez o Curso Industrial Básico de Cerâmica, o que lhe assegurou a condição de artífice em cerâmica. Mudou-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Técnica Federal, onde diplomou-se em Técnico de Construção de Máquinas e Motores, em 1958. Como atleta, vinculou-se ao Botafogo Futebol e Regatas, por ele competindo como lutador de box. Tornou-se oficial da reserva do Exército, após servir no CPOR/RJ. Viajou para a Checoslováquia, tendo, em Praga, estudado Engenharia de Minas. Negro, forte, com quase dois metros de altura, era uma figura inconfundível. No entanto, seu físico contrastava com sua meiguice e afetividade. Por sua militância política foi obrigado a viver na clandestinidade logo depois do golpe militar de 1964. Foi dos primeiros a chegar à região do Araguaia-Tocantins, por volta de 66-67. Entrou na mata como garimpeiro e mariscador. Era o maior conhecedor da área, tanto da guerrilha como das circunvizinhanças. No ano de 1969, fixou sua residência numa posse que adquiriu às margens do Rio Gameleira, onde mais tarde a ele se juntaram outros companheiros. Era muito querido e respeitado tanto pela população como pelos companheiros. Conta-se a seu respeito inúmeras histórias como a de que, estando de passagem em casa de uma família camponesa, encontrou a mulher desesperada porque não tinha dinheiro para comprar comida para seus filhos. Era uma casa pobre. Não tinham nada. Osvaldo perguntou-lhe se queria vender o cachorro. A mulher, sem outra alternativa, disse que sim. Tanto ela como Osvaldo sabiam o que significava a perda do cão: mais fome, pois na região, sem cachorro e arma é difícil conseguir caça. Osvaldão pagou-lhe o preço do cão e, a seguir, disse-lhe: guarde-o para mim que eu não poderei levá-lo para casa agora. Sobre Osvaldão surgiram inúmeras lendas: sobre sua bondade, sua força, sua coragem e também sobre sua pontaria. Foi comandante do Destacamento B, onde participou com êxito de vários combates. Foi, ao lado de Dina, o mais conhecido combatente entre a população do Araguaia. Estava entre os combatentes que foram atacados por grande contingente das Forças Armadas em 25 de dezembro de 1973, conseguindo escapar. Segundo depoimentos de moradores da região, ele foi morto em abril de 1974, perto da localidade de São Domingos, próximo à Semana Santa. Foi ferido com um tiro de espingarda 22 na barriga disparado por Piauí, um bate-pau que fez isto por dinheiro. Em seguida foi fuzilado pelos militares. Seu corpo foi dependurado por cordas em um helicóptero que o levou de Saranzal, local onde foi morto, até o acampamento militar de Bacaba e de lá para Xambioá. Quando seu corpo foi içado pelo helicóptero, caiu e quebrou o pé esquerdo. Posteriormente sua cabeça foi decepada e exposta em público. Na base militar de Xambioá, seu cadáver foi mutilado por chutes, pedradas e pauladas dadas pelos militares e, finalmente, queimado e jogado no buraco, também chamado de "Vietnam" - vala situada ao final da pista de aterrizagem da Base Militar de Xambioá onde eram jogados os mortos e os moribundos. Com o término das operações militares nesta área, foi feita uma grande terraplanagem, que descaracterizou o local. Os depoimentos colhidos pelos familiares nas diversas vezes que estiveram na região e as informações de jornais são coincidentes e se complementam. O Relatório do Ministério do Exército diz que "foi morto em 7/fev/74". Usava os nomes falsos de Armando Borges, Armando Pinto e Jorge Ferreira. =========================================================================================== + detalhes. OSVALDO ORLANDO DA COSTA (1938-1974) Mineiro de Passa Quatro, entre 1952 e 1954 Osvaldo morou na cidade de São Paulo, onde fez o curso industrial básico de cerâmica. Mudou-se para o Rio de Janeiro e se formou na Escola Técnica Federal, como técnico de construção de máquinas e motores, em 1958. Como atleta, vinculou-se ao Botafogo, clube pelo qual foi campeão carioca de boxe. Tornou-se oficial da reserva do Exército, após servir no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) do Rio de Janeiro. Viajou para a antiga Tchecoslováquia, onde cursou até o 3º ano de Engenharia de Minas, em Praga. Em sua homenagem, o escritor tcheco Cyprian Ekwensi escreveu o livro Lidé z mesta (em tradução literal O homem que parou a cidade), em 1962. Sobre o livro, o guerrilheiro só revelaria o fato no ano seguinte a sua irmã, Irene Orlando, oferecendolhe um exemplar com dedicatória. Por sua militância política, Osvaldo foi obrigado a viver na clandestinidade logo depois do golpe de 1964, quando já era ligado ao PCdoB. Foi o primeiro quadro do partido a chegar ao Araguaia, entre 1966 e 1967. Negro, forte, com 1m98 de altura, passou a ser conhecido como Osvaldão. Era tido como generoso e corajoso, sendo muito respeitado pelos moradores e por seus companheiros. Carismático e temido pelos militares, foi um grande expoente da guerrilha entre a população da região, ao lado de Dina. O tenente da reserva José Vargas Jiménez, conhecido como Chico Dólar e autor do livro Bacaba, dedica a esse personagem, contra o qual combateu, uma página inteira que tem por título "Morte do guerrilheiro Osvaldão - o mito". Quando chegou ao Araguaia, Osvaldo entrou na mata como garimpeiro e mariscador - cabe notar que, em certas regiões do norte do Brasil, o termo marisco é aplicado também a peixes de rio. Tornou-se o maior conhecedor da área entre os militantes do PCdoB ali instalados. No ano de 1969, fixou residência numa posse que adquiriu às margens do rio Gameleira. Sobre Osvaldão, surgiram lendas que exaltam sua bondade, sua força, sua coragem e também sua pontaria. Foi comandante do Destacamento B da guerrilha, tendo participado com êxito de vários combates. Estava no acampamento da Comissão Militar quando ocorreu o ataque das Forças Armadas no dia de Natal de 1973, conseguindo escapar. Segundo depoimentos de moradores da região, Osvaldão foi morto em abril de 1974, próximo à semana santa, perto de São Domingos. Essa informação não coincide com a do livro Bacaba. Segundo Jiménez, a data exata seria 7 de fevereiro daquele ano: "Osvaldão foi morto com um tiro de espingarda cal 12, que o atingiu em cheio no peito, pelo mateiro Arlindo Vieira da Silva (Piauí), quando este guiava uma equipe de paraquedistas de Xambioá". De acordo com aqueles relatos, o corpo de Osvaldo foi pendurado por cordas em um helicóptero, que o levou de Saranzal, local onde foi morto, até o acampamento militar de Bacaba e, de lá, para Xambioá. Na primeira vez em que o cadáver foi içado pelo helicóptero, caiu e fraturaram-se os ossos da perna. Posteriormente, sua cabeça foi decepada e exposta em público. Na base militar de Xambioá, seu cadáver foi violado por chutes, pedradas e pauladas dadas pelos militares, sendo finalmente queimado e jogado no buraco conhecido como "Vietnã". Tratava-se de uma vala situada no final da pista de pouso dessa base, onde eram lançados os mortos e moribundos. Com o término das operações militares, foi feita uma grande terraplanagem para descaracterizar o local. José Rufino Pinheiro, que ajudou o Exército na mata, entre 1973 e 1974, afirma ter presenciado a morte de Osvaldão, quando guiava um batalhão com 32 soldados. Segundo declaração prestada por ele, em 5 de julho de 2001, ao Ministério Público Federal em São Domingos do Araguaia, Osvaldão foi morto na capoeira do Pedro Loca, junto da Palestina, por volta das 4 horas da tarde, pelo mateiro Arlindo, homem de confiança do Exército. José Rufino conta que Osvaldão, muito magro, estava de costas, comendo macaxeira sentado num tronco caído, quando foi alvejado. Segundo o guia, ele foi atingido com um tiro só, de uma cartucheira 12, e o corpo foi levado pelo Exército para Xambioá, sendo um dos últimos guerrilheiros a ser morto. Os relatórios militares trazem datas diferentes das relatadas pelos moradores da região, unânimes na afirmação de que Osvaldão foi morto em abril de 1974. O relatório do Exército, de 1993, aponta como data da morte 7 de fevereiro de 1974, informando ainda que Osvaldão teria realizado curso de guerrilha na Escola Militar de Pequim e que seria responsável pela execução de Pedro Ferreira da Silva, apontado como guerrilheiro, mas na verdade um grileiro de terras e informante das forças de repressão. O relatório da Marinha, também de 1993, indica 2 de janeiro de 1974 como data da morte de Osvaldão. Hugo Studart, em A lei da selva, informa que o Dossiê Araguaia registra sua morte em abril de 1974, o que coincide com dezenas de depoimentos colhidos entre moradores locais. Studart acrescenta, ainda, que seu corpo foi enterrado no cemitério de Xambioá, mas no ano seguinte foi exumado e levado para ser queimado na Serra das Andorinhas. O livro de Taís Morais e Eumano Silva, Operação Araguaia, discorre sobre suas atividades e sua morte: Dava especial atenção ao treinamento militar e mostrava-se crítico com o despreparo dos companheiros. Matou um militar em encontro casual na mata e participou da execução de um morador. Tornou-se lenda na área da guerrilha. No imaginário da população, Osvaldão adquiriu fama de imortal. Os soldados inexperientes tremiam de pavor quando ouviam histórias sobre o gigante invencível. Os agentes secretos caçavam o comandante negro e ofereciam recompensa para quem informasse seu paradeiro. ======================================================================================================== + Detalhes (Jornal da Unicamp) ARTIGO A propósito do Araguaia SANDRA NEGRAES BRISOLLA Osvaldo Orlando da Costa era um homem grande e simples, como seu nome. Tinha mais de dois metros de altura, era negro e bonito. Eu o conheci quando ele terminava o curso de Engenharia na Universidade de Praga, na Checoslováquia, no início dos anos 60. Eu estava chegando para estudar e ele já estava quase de saída. Osvaldão, como era mais conhecido, era um líder inato. Aliava o bom humor contagiante com uma bondade infinita. Sempre disponível para estudar com os colegas checos e latino-americanos, andava permanentemente rodeado de estudantes, falando alegremente e chamando a atenção dos circunstantes. Sua capacidade de liderança era inconteste: chegou a participar da organização de um dos primeiros centros acadêmicos da Universidade de Praga. Alguns anos mais tarde esse tipo de atividades desembocaria na Primavera de Praga, um movimento que se iniciou a partir da mobilização de intelectuais e de estudantes. Figura exótica no contexto europeu dos anos 60, Osvaldão era foco de curiosidade por onde quer que andasse: - "Quando cheguei, os meninos passavam saliva no dedo e esfregavam meu braço, para ver se a cor saía! As pessoas passavam a mão no meu cabelo! Nunca tinham visto um negro antes." - ele me contava. Chegou até a figurar em vários filmes na Checoslováquia. Sua estampa era cobiçada pelos cineastas também no Brasil, onde queriam que ele interpretasse Zumbi dos Palmares. Uma vez foi um grupo de brasileiros a uma festa de comemoração do aniversário da independência do Quênia. Osvaldão fez o maior sucesso! Um dos integrantes do grupo de repente virou-se para os demais e disse: - "Vou-me embora, gente! As checas que estão nessa festa estão a fim de preto, não a fim de branco! Aqui o preconceito existe, sim. É francamente favorável aos negros!" - completou. E saiu. Em outra ocasião estávamos percorrendo o Campus da Escola de Engenharia da Universidade de Praga e Osvaldão cruzou com alguns amigos africanos, que conversaram com ele em francês por alguns minutos. Quando se afastaram, pôs-se pensativo e comentou: - "É, Sandrinha. Preciso mesmo voltar pro Brasil! Onde já se viu preto falando francês? Tô ficando besta, sô!" - e soltou aquela gargalhada. Já estava preparando sua volta. Tinha uma namorada loiríssima, quase da sua altura. Quando chegou a época de voltar pro Brasil, a checa queria acompanhá-lo. Mas ele ponderava, decidido: - "Você acha que eu vou poder passear com uma lourona dessas na calçada de Copacabana? Vou ser linchado !!!" Pouco tempo depois regressou à terra natal, deixando a loira em Praga, inconsolável. Nunca mais o vi. Um dia eu também voltei ao Brasil. Alguns anos mais tarde fiquei sabendo que Osvaldão era um dos líderes mais destacados da guerrilha do Araguaia. Levou consigo para Ximbioá Gilberto Olímpio, com quem havia estudado em Praga. Gilberto não chegou a terminar o curso de Engenharia, preferindo seguir as pegadas de seu amigo. Osvaldão foi um dos últimos a "desaparecer" no Araguaia, em 1974. Hoje, 21 anos depois, procuro ansiosa seu nome entre os desaparecidos. Percorrendo a lista por ordem alfabética, passo primeiro pelo nome de Gilberto Olímpio Maria, estudante, PC do B - Araguaia, 1973. E mais adiante, para meu espanto, leio: Osvaldo Orlando da Costa, lutador de boxe, PC do B - Araguaia, 1974. Meu susto foi por não ver "engenheiro", no lugar da profissão, ao lado de seu nome. Mas não sei por quê me espantei! Afinal, "lutador de boxe" combina melhor com seu porte e sua cor! E foi então que concordei com ele! Pois é, Osvaldão! Você estava coberto de razão! Não dava pra trazer uma loira de quase dois metros de altura com você em 1963! Você teria sido linchado! Onze anos antes de ser desaparecido! Dizia-se na época que perto de Xambioá havia uma reserva de mineral radioativo, que era alvo de contrabando por helicópteros norte-americanos que pousavam no campo, seus tripulantes desciam com roupas especiais e abriam a porta para que os moradores locais carregassem o minério, sem proteção nenhuma, a troco de algum dinheiro. Não sei se era lenda! Hoje estão revirando o terreno de Xambioá em busca dos restos de Osvaldão e seus companheiros, 30 anos depois do massacre de que foram vítima. Homens como Osvaldão, sacrificados na luta contra a ditadura, teriam feito muita diferença na construção de um Brasil melhor, depois da democratização! Osvaldão não era o ser insensível que se acredita encarnar nos guerrilheiros por força das condições adversas. Transpirava solidariedade e o que o movia não era nenhum complexo ou frustração, a não ser com as condições inumanas em que vivem seus concidadãos. Foi por isso que se transformou em lenda! Osvaldão antes disso já era um caso de sucesso! Encontrar neste momento seus restos mortais, assim como o de seus companheiros, e prestar-lhe uma homenagem, não vai reparar o mal causado por seu assassinato, mas vai manter viva sua memória, para que outros se mirem em seu exemplo, tirando dele a lição de que mais importante que ter sucesso na vida é dar a ela algum sentido! Um sentido que resgate a dignidade do homem brasileiro! =========================================================================================================== + detalhes "A Trincheira" terça-feira, 1 de julho de 2008 OSVALDÃO, O GUERRILHEIRO IMORTAL Acabei de comprar, na minha querida Livraria Pontes, a biografia de Osvaldo Orlando da Costa, escrita por Bernardo Joffily. O livro é tão bom que já estou quase terminando a leitura. Leitura, aliás, que recomendo vivamente aos freqüentadores deste botequim virtual. Osvaldão e a Saga do Araguaia (Expressão Popular, 128 págs., R$ 12,00) narra a história de um herói esquecido, mas cujo exemplo de vida perdura até hoje, através de quem o conheceu e conviveu com ele. Apesar de limitado, devido à falta de informações precisas, o livro é bem interessante. . Osvaldão foi um dos 69 guerrilheiros que tombaram na selva amazônica do Pará, lutando contra as tropas da Ditadura - no episódio que ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Foi o maior e mais organizado movimento de resistência contra o regime militar no Brasil. Para combatê-lo, as Forças Armadas mobilizaram um efetivo de 5 mil homens (algumas fontes falam em até 20 mil soldados!). Os guerrilheiros, porém, mais habituados à selva - estavam instalados ali desde 1967 - deram muito trabalho e impuseram duas derrotas humilhantes ao Governo, antes de serem eliminados. . Conta Joffily que nos terreiros de terecô (religião mestiça de índio que se assemelha à umbanda na região do Amazonas), toda entidade que baixa diz que Osvaldão é imortal e, portanto, continua vivo, nas entranhas da floresta. O povo da região dizia também que o guerrilheiro tinha o poder de se transformar em pedra, árvore a até mesmo em bicho, para afugentar ou despistar o inimigo. Estas histórias, naturalmente, eram frutos da imaginação dos moradores da área. Mas o próprio Osvaldão conhecia e respeitava as lendas brasileiras e foi graças à lenda do Curupira que ele teve a idéia de inverter as solas das botinas usadas pelos guerrilheiros e, assim, confundir os soldados - que seguiam as pegadas no sentido contrário e acabavam caindo em armadilhas e emboscadas. . Osvaldo Orlando da Costa era um negro de quase dois metros de altura e 100kg. Nascido na cidade de Passa Quatro (MG), radicou-se no Rio de Janeiro, onde foi campeão de boxe pelo Botafogo e chegou a ser tenente do Exército. Engenheiro formado em Praga, na Checoslováquia, era inteligente, gostava de dançar e tinha um bom humor inconfundível. Em meados dos anos 60, sua aguçada sensibilidade social levou-o ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Quando os militares deram o golpe e passaram a perseguir e exterminar militantes de esquerda, Osvaldão foi o primeiro a se alistar nas fileiras revolucionárias e o primeiro a chegar à região do Araguaia, onde atuou como garimpeiro e mariscador, para não levantar suspeitas. . Sua disciplina e coragem levaram-no a ser comandante do Destacamento B - cargo que exerceu até o fim da guerra (terminada exatamente com seu assassinato, em janeiro de 1975). Osvaldão foi o último a guerrilheiro a cair. Faminto, sem armas e sem munição, doente e nu, foi surpreendido numa roça de milho por um grupo de soldados. Quem atirou, porém, foi um mateiro de nome Arlindo Piauí, contratado pelo Exército por ser conhecedor da área. Morto com uma bala de espingarda no coração, o gigante negro foi amarrado a um helicóptero, pelos pés, e exibido como um troféu à população pobre, que o apoiava. Depois, teve a cabeça cortada. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Ele tinha 34 anos. . Assassinado - assassinado sim, porque estava desarmado no momento do encontro - Osvaldão não teve tempo de esboçar reação ou dizer uma última palavra. O corpo tombou na direção de um remanso e o sangue tingiu o rio. Por conta disso, Marcos Quinan e Eudes Fraga gorjeiam que "o Araguaia é um rio que sente dor, pois desce ferido e sem memória na direção norte". Apesar das inúmeras tentativas de apagar o nome de Osvaldão da história, ele figura ao lado de Zumbi, Solano Trindade, Patrice Lumumba, Martin Luther King e de tantos outros heróis negros que dedicaram suas vidas à uma causa coletiva. ========================================================================================= + Informações quarta-feira, 17 de outubro de 2007 O fio de história entre Osvaldão e Che Guevara Roger Normando "Durmam hermanos ao som das estrelas cadentes E sonhem que um dia será diferente." Edyr Gaya, compositor. Nos anos de 1960 e 1970 a hélice imperialista das grandes potências mundiais lacerava as cordoalhas da América latina e o continente passava (e continua passando...) por profunda transformação política. Alguns homens sentiam-se incomodados e entendiam que o ideal revolucionário, inexoravelmente, teria que aflorar na antítese do neocolonialismo. Dois latinos acharam na ideologia trotskista o elemento propulsor para amadurecer a alma antiimperialista: Che Guevara e Osvaldão. Ambos tinham o objetivo de desatar o nó que os prendia ao sentimento de inferioridade capitalista, mesmo que fosse ao peso de derramamento de sangue. No altiplano andino, sob os auspícios ideológicos de Cuba, estava o hermano Che e, no imenso grotão amazônico, às margens do Rio Araguaia, não muito distante dos mesmos ideais, o mineiro Osvaldo Orlando. Ambos, contemporâneos de guerrilhas, foram abatidos por forças militares, dando fim aos sonhos de liberdade de uma América encarcerada pela pobreza. O que houve em comum entre estes dois guerrilheiros? Um fio, ou melhor, uma teia (cultural, territorial e econômica) interligada entre si. O resultado foi o suor vermelho embrulhado por sonhos a impregnar suas mortalhas de guerras, na tentativa de romper os grilhões da América. Se por um lado, na Cordilheira do Andes, Che Guevara lapidou o reconhecido mito. Cá, dois mil metros abaixo, o desconhecido Osvaldo Orlando, passou acromático pela história. Por ter sido o primeiro militante comunista a chegar na região do Araguaia, num período que coincidiu com a chegada de Che à Bolívia, ele se transformou em líder de uma guerrilha ainda inconfessa até os dias atuais. O brasileiro tinha a missão de implantar a luta armada valendo-se da linha de Guevara, ou seja, conquistando a população com atitudes simples, até o ponto de seus objetivos de liderança. Chegou como garimpeiro e pescador e se tornou em pouco tempo, o maior conhecedor da área e querido pelos nativos. Mas Osvaldo, assim como Che, morreu em combate. Che morreu em pé, brandindo bravura em seu último desejo, apesar da crise asmática e estado de desnutrição: "Atirem, covardes. Matarão apenas um homem". Osvaldão, com quase dois metros de altura, robusto, se esvaiu enquanto tirava uma sesta à sombra de uma frondosa árvore à beira de um remanso. O sangue escorrido do torso tingiu o rio e, sem ter tempo de dizer adeus, deixou-nos moucos ao seu último desejo, abafado por um FAL M-1964. Por conta disso Marcos Quinan e Eudes Fraga gorjeiam que o Araguaia é um rio que sente dor, pois desce ferido e sem memória na direção norte. Enquanto neste nove de outubro foi lembrada 40 anos da morte de Ernesto Che Guevara, na contra-mão, Osvaldo Orlando da Costa não teve sequer data definida de sua partida, não teve o seu retrato em foto 3x4, não foi capa de caderno de adolescente, e a sua cor negra e a forma como foi trucidado, esconderam a bravura do guerrilheiro que teve, por fim, a cabeça separada do tronco como prêmio de seu algoz. Conta a lenda, lá pelas bandas daquela região, que Osvaldão se transforma em borboleta, cachorro ou pernilongo, dependendo de quem queira contemplar ou agredir o lugar. O fio de História que liga a aldeia de La Higuera, próximo a Santa Cruz de la Sierra, onde Che Guevara morreu, até o Sul do Pará, era tênue e se rompeu com os devaneios latinos. Os mártires, pacíficos à derrota armada, fizeram-nos recuar à idéia de que, sob a efígie dos fuzis, lutar é uma prece amaldiçoada. Che e Osvaldão, com suas argüições, foram dois extremos que se atraíram tal como sombra e luz, numa só pessoa, mas seus sonhos bravios, até então guardados numa caixa de pandora, se extenuaram junto com seus companheiros. A distância entre santa Cruz e Xambioá é pequena, basta pegar um trem, seguir em linha reta e cortar por dentro do pantanal que se acha estes dois destinos, porém no caminho há de se perceber ainda o zunido das balas transfixando o mediastino daqueles almejadores, enterrados sob o som das estrelas cadentes que embalam a América algemada e resignada. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 3568 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110323/01632905/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 23 19:13:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 23 Mar 2011 19:13:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22AMOR_E_REVOLU=C7=C3O=22_NOVELA?= =?iso-8859-1?q?_DO_SBT_SOBRE_A_DITADURA_MILITAR=2E_ESTR=C9IA_DIA_5?= =?iso-8859-1?q?_DE_ABRIL_=C0S_22=2C15_hs?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem http://amorerevolucao.webnode.com/ (link oficial da novela Amor e Revolução.Clique para ver tudo) AMOR E REVOLUÇÃO - ABERTURA ALTERNATIVA (SBT) novela de Tiago Santiago escrita por Tiago Santiago, Miguel Paiva e Renata Dias Gomes direção geral de Reynaldo Boury elenco GRAZIELLA SCHMITT ... 1º Teaser de "Amor e Revolução" - SBT 2011 [Simulação] Simulação do Teaser da nova novela do SBT, Amor e Revolução. 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By AmorRevolucaoTvOn "Amor e Revolução" vai retratar o período da ditadura; no final de semana, o elenco treinou com armas e munição. - amorerevolucaotvonline.webnode ... 4:40Adicionar aAdicionado à fila Amor e Revolução - Cap. 03 nova novela do sbt \\ inTrUdeR2100 3:38Adicionar aAdicionado à fila Amor e Revolução - Cap. 05 nova novela do sbt \\ inTrUdeR2100 1:18Adicionar aAdicionado à fila Amor e Revolução - Cap. 06 nova novela do sbt \\ inTrUdeR2100 0:53Adicionar aAdicionado à fila 2º Teaser de "Amor e Revolução" - SBT 2011 [Simulação] 2ª Simulação do Teaser da nova novela do SBT, Amor e Revolução. Acesse: amorerevolucao.webnode.com As cenas utilizadas neste vídeo são do filme ... 0:34Adicionar aAdicionado à fila BOMBA! Patrícia de Sabrit em Amor E Revolução no SBT www.sbtworld.com.br 0:51Adicionar aAdicionado à fila Teaser Novela Amor e Revolução - SBT (SIMULAÇÃO) Simulação do teaser da próxima novela de Tiago Santiago no SBT, Amor e Revolução, com a direção geral de Reynaldo Boury. Música composta por mim ... 2:12Adicionar aAdicionado à fila WorkShop De Amor & Revolução.. By AmorRevolucaoTvOn Confira o que rolou no workshop de amor & revolução. - amorerevolucaotvonline.webnode.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110323/1e9c2120/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 4744 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110323/1e9c2120/attachment-0029.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 25 19:29:13 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 25 Mar 2011 19:29:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_NILDA_CARVALHO_CUNHA__________________?= =?iso-8859-1?q?__________-XCI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem NILDA CARVALHO CUNHA (1954-1971) Data e local de nascimento: 05/07/1954, Feira de Santana (BA) Filiação: Esmeraldina Carvalho Cunha e Tibúrcio Alves Cunha Filho Organização política ou atividade: MR-8 Data e local da morte: 14/11/1971, em Salvador Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar Lamarca e seu grupo. Foi liberada no início de novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas sofridas e morreu no dia 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Nilda tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária quando passou a militar no MR-8 e viver com Jaileno Sampaio. Foram eles que abrigaram Iara Iavelberg em seu apartamento, durante sua estada em Salvador. Emiliano José e Oldack Miranda relatam no livro Lamarca, o capitão da guerrilha, levado ao cinema por Sérgio Rezende, um pouco do que Nilda contou de sua prisão: "(...) Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. - Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai ficar calada (...). Dos que foram presos no apartamento do Edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. - Mas eu não sei quem é o senhor... - Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle. Ele completava: - Vou acabar com essa sua beleza - e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do Major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pode abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. Nilda, então, vai ao quartel-general, junto com Dona Esmeraldina, pedir autorização para visitar Jaileno. O chefe da 2ª Seção não permite. Na saída, descendo as escadas, ela grita: - Minha mãe, me segure que estou ficando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. - Eles me acabaram", repetia sempre (...)". No dia 4 de novembro, Nilda foi internada na Clínica Amepe, em Salvador, conforme prescrição de seu médico, Dr. Eduardo Saback. No mesmo dia, os enfermeiros tentaram evitar a entrada do major Nilton de Albuquerque Cerqueira em seu quarto de hospital, mas não conseguiram. Na presença da mãe, ele ameaçou Nilda, disse que parasse com suas frescuras, senão voltaria para o lugar que sabia bem qual era. O estado de Nilda se agravou, sendo transferida para o Sanatório Bahia, onde faleceu no dia 14/11/1971. No seu prontuário constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida, o atestado de óbito diz: edema cerebral a esclarecer. Esmeraldina Carvalho Cunha, que denunciou incessantemente a morte da filha como conseqüência das torturas, foi encontrada morta em sua casa, cerca de um ano depois. O requerimento para o reconhecimento da morte de Nilda foi protocolado por sua irmã, Leônia Alves Cunha, após o prazo estabelecido na Lei nº 9.140/95 . Mesmo assim, buscando documentar o processo, a CEMDP promoveu diversas diligências. Recebeu como resposta do Sanatório Bahia que um incêndio destruíra os prontuários em 1984; da Superintendência da Polícia Federal na Bahia, que o inquérito relativo ao indiciamento de Nilda fora encaminhado para a 6ª Circunscrição Judiciária Militar, inexistindo no órgão qualquer outra informação sobre ela; do juiz auditor, que nada constava sobre Nilda naquele juízo militar; do IML Nina Rodrigues, que o laudo cadavérico de Nilda, bem como resultados de exames complementares não foram encontrados nos arquivos do órgão. No primeiro julgamento do caso, em 1997, a CEMDP optou pelo indeferimento pelo fato de o requerimento ter sido apresentado fora do prazo rígido fixado na lei. Nilmário Miranda chegou a pedir vistas, apresentando a alegação de que a irmã, Leônia, traumatizada com a violência que vivera sua família, não pudera cumprir o prazo estabelecido, sendo anexado laudo psiquiátrico. Mas prevaleceu o entendimento de que a Comissão Especial não poderia abrir exceção ao prazo estabelecido na Lei nº 9.140/95. Reapresentado o caso após o advento da Lei 10.536/02, sendo designada a deputada Maria do Rosário Nunes como nova relatora, o requerimento foi aprovado por unanimidade. ============================================================================================================ + Informações NILDA CARVALHO CUNHA Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Estudante secundarista, foi presa, em 20 de agosto de 1971, em Salvador, por ocasião da morte de Iara Iavelberg, por agentes do DOI/CODI. Foi liberada em 12 de novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas sofridas durante a prisão. No dia 14 de novembro morreu, com sintomas de cegueira e asfixia, em conseqüência de envenenamento durante a prisão. A mãe de Nilda, desesperada com a morte da filha, passou a fazer denúncias e protestos em praça pública e, certo dia, apareceu inexplicavelmente enforcada. ============================================================================================== + detalhes NILDA CARVALHO CUNHA (1954-1971) Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar o guerrilheiro Carlos Lamarca e seu grupo. Nilda foi liberada no início de novembro do mesmo ano, profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou a militar no MR-8 e a viver com Jaileno Sampaio. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. Na saída, descendo as escadas, ela grita: - Minha mãe, me segure que estou ficando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. - Eles me acabaram, repetia sempre [...]. Leia o post - homenagem a ela no blog http://www.comunistas.spruz.com/pt/Poderia-ter-sido-sua-filha-sua-irm-sua-namorada/blog.htm ========================================================================================================== + detalhes PODERIA TER SIDO SUA FILHA, SUA IRMÃ, SUA NAMORADA... Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar o guerrilheiro Carlos Lamarca e seu grupo. Nilda foi liberada no início de novembro do mesmo ano, profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou a militar no MR-8 e a viver com Jaileno Sampaio. [...] um pouco do que Nilda contou de sua prisão: - Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. - Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai ficar calada [...]. Dos que foram presos no apartamento do edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. - Mas eu não sei quem é o senhor... - Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle. Ele completava: - Vou acabar com essa sua beleza - e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. [...] Na saída, descendo as escadas, ela grita: - Minha mãe, me segure que estou ficando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. - Eles me acabaram, repetia sempre [...]. Em 4 de novembro, Nilda foi internada na clínica Amepe, em Salvador [...] No mesmo dia, os enfermeiros tentaram evitar a entrada do major Nilton de Albuquerque Cerqueira em seu quarto de hospital, mas não conseguiram. Na presença da mãe, ele ameaçou Nilda, disse que parasse com suas frescuras, senão voltaria para o lugar que sabia bem qual era. O estado de Nilda se agravou, e ela foi transferida para o sanatório Bahia, onde faleceu, em 14 de novembro. No seu prontuário, constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida. O atestado de óbito diz: "edema cerebral a esclarecer". (Trecho do livro Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo feminino Tatiana Merlino - São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010.) Nilda não foi violentada apenas por seus torturadores. Foi violentada pelos donos dos meios de comunicação que apoiaram que apoiaram e sustentaram o regime militar. Foi violentada também por todos aqueles empresários e políticos reacionários que financiaram a repressão e lucraram com seu sangue, com suas lágrimas e com sua dor. Nilda poderia ter sido uma adolescente comum, feliz, cheia de sonhos. Mas a ganância, o egoísmo e a brutalidade de uma elite privilegiada e sem compromisso com nosso país, deram esse trágico fim a sua vida. Esta elite jogou milhares de jovens na clandestinidade, os torturou e os matou. Nilda ainda vive em cada um de nós, que acreditamos e lutamos pelos direitos humanos, pela vida, pela justiça e pela igualdade social. Mas ela continua sendo torturada nos dias de hoje. Ela está sendo torturada pela mídia que é contra os julgamentos dos criminosos da ditadura militar. E ela continuará sendo torturada enquanto políticos e empresários que apoiaram esse regime bárbaro continuarem livres. Ela foi torturada pelos atuais ministros do Supremo Tribunal Federal que recusaram o pedido de condenação dos praticantes de violações contra os direitos humanos nos porões do exército. Não deixe que aqueles que tentaram apagar Nilda da História tenham êxito. Nosso país somente terá democracia plena quando acertar as contas com seu passado. Apóie a Comissão da Verdade e Reconciliação que irá julgar os crimes praticados pelos órgãos de repressão do regime militar. Crimes contra a humanidade não prescrevem! a.. Publicado por Eduardo Lima de Medeiros em 20 agosto 2010 às 12:42 em Política -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110325/717f9995/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9345 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110325/717f9995/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 25 19:29:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 25 Mar 2011 19:29:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_NOVA_REPARTI=C7=C3O_COLONIAL_DO_M?= =?iso-8859-1?q?UNDO_=28Mauro_Santayana=29?= Message-ID: <9DF132062DF642CB9103B4F78E51FBA1@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem NOVA REPARTIÇÃO COLONIAL DO MUNDO (Mauro Santayana) a.. Postado por Marco Antônio Nogueira em 24 março 2011 às 20:37 b.. Exibir blog de Marco Antônio Nogueira NOVA REPARTIÇÃO COLONIAL DO MUNDO - por Mauro Santayana - A Europa e os Estados Unidos, com sua ação contra a Líbia, buscam voltar ao século 19, e promover nova repartição colonial do mundo. Na realidade, não houve independência efetiva das antigas colônias. Mediante os artifícios do comércio internacional, e, sobretudo, da circulação de capitais, a dependência econômica e política dos paises periféricos permanece. Nos últimos vinte anos, com a globalização neoliberal, o domínio dos paises centrais se tornou ainda maior. Razão teve Disraeli, o controvertido homem de estado britânico, ao dizer que as colônias não deixam de ser colônias pelo simples fato de se declararem independentes. Esse domínio indireto por si só não lhes basta: querem retornar ao estatuto colonial escancarado. Ao perceberem os sinais de insurreição geral dos povos contra a opressão de seus prepostos, tomam a iniciativa da repressão preventiva. A doutrina da preemptive war de Bush continua vigendo, e é agora aplicada pela França e pela Grã Bretanha, sob solerte delegação de Washington. Os norte-americanos bem intencionados, que votaram em Obama, descobrem que não podem mudar o sistema mediante o processo eleitoral. Como o grande presidente republicano - e o mais importante militar do século passado - Eisenhower denunciara e previra, quem domina o sistema é o "complexo industrial-militar", hoje com o mando repartido entre o Pentágono e Wall Street. O presidente Obama se assemelha, a cada dia mais, aos Bush. Embora seu objetivo final seja o mesmo, ele cuida de falar macio na América Latina, enquanto açula seus aliados contra a Líbia, no movimento da reconquista imperial do Norte da África. Tal como Tony Blair, no caso do Iraque, Cameron se dispõe ao dirt job. Conforme o semanário alemão Focus, comandos britânicos já operavam na Líbia semanas antes da oficialização da aliança. O movimento pela re-colonização, por parte das antigas metrópoles, se desenvolve pari-passu com a globalização. E obedece ao discurso hipócrita de que, fora dos padrões católicos e protestantes da civilização ocidental, todos os povos são bárbaros e incapazes de autogoverno. A realidade é bem outra: a fim de manter o nível de conforto e de consumo dos países centrais, é necessário usar todos os recursos naturais e humanos da periferia. O espaço asiático de saqueio, no entanto, se estreita com o aumento da população e de consumo conforme os padrões ocidentais - e o crescimento da China. Mas há ainda o gás e o petróleo do Cáspio, pelos quais os americanos buscam controlar o Afeganistão e ameaçam o Irã. Manter os mananciais petrolíferos do Oriente Médio e do Norte da África é, em sua visão, essencial - apesar de seu discurso hipócrita sobre o meio-ambiente. A mesma hipocrisia se revela na declaração de que não querem atingir Kadafi: seu complexo residencial foi atacado pelos mísseis de Obama, da mesma forma que Reagan o fez, em 1986, matando uma filha do dirigente líbio. Ao mesmo tempo, é-lhes conveniente assegurar o suprimento de minerais e de alimentos, da América Latina e da África Negra. Ameaçados pela penetração dos chineses no continente africano, eles estão dispostos a jogar tudo, para a restauração de seu antigo domínio. E não faltam os sócios menores, os sub-empreiteiros do colonialismo, como os espanhóis e os italianos. Os espanhóis, nessa nostalgia de Carlos V e Felipe II, se unem a Obama, a Cameron e a Sarkozy. Não há diferença entre Zapatero e Aznar: os dois são o mesmo, no esforço pela Reconquista da América do Sul. Os italianos são menos insistentes: sabem que com a queda de Kadafi, a Líbia não lhes será devolvida. Os neocolonialistas tentam aproveitar-se de uma rebelião sem idéias, embora justa, contra a corrupção e o poder ditatorial nos países árabes. Mas seu êxito não é certo. A nova repartição colonial do mundo (2) por Mauro Santayana Os norte-americanos sempre criam, estimulam e financiam movimentos oposicionistas em todos os paises nos quais é de seu interesse desestabilizar os governos e os sistemas políticos. Estamos, nestes dias, lembrando-nos de 1964. Poderíamos nos lembrar de todos os anos anteriores, sobretudo do período entre 1945 e 1954 quando Vargas, eleito presidente, criou os instrumentos econômicos necessários ao desenvolvimento independente, com as grandes empresas estatais. Depois de morto o grande presidente, Juscelino conseguiu equilibrar-se, graças à sábia opção política de mobilizar a nação para as tarefas do crescimento acelerado. Assim, não é de surpreender que seus agentes e aliados, nos países muçulmanos, tenham estimulado o movimento que se iniciou, de maneira aparentemente acidental, na Tunísia. Os jovens dos países islâmicos se encontram insatisfeitos com a vida. Faltam-lhes oportunidades de realização profissional e pessoal. Sua liberdade é limitada, e seus sonhos se desfazem, diante de uma sociedade fechada em si mesma. No último dia 21, o New York Times publicou artigo de um jovem de 24 anos, e bem sucedido colaborador do respeitável Council of Foreign Relations, de Nova Iorque. Mattew C. Klein analisa a situação dos jovens norte-americanos, mostrando que a sua situação de desemprego é semelhante à dos jovens dos países pobres, e que os seus sonhos são também limitados. Ele poderia ter discutido também o desencanto da parcela não alienada da juventude de seu país com o governo, com a corrupção parlamentar e com o indecente comportamento das grandes corporações que têm a sua cabeça em Wall Street, com o belicismo de seu país. O fato de que haja liberdade de imprensa e eleições periódicas não reduz o absolutismo essencial do sistema norte-americano. O povo vota, de quatro em quatro anos, a imprensa é livre, o sistema judiciário funciona, embora nem sempre a Suprema Corte julgue com isenção. Mas, ainda assim, a liberdade, ali, como em outros lugares, é um bem de mercado. É preciso comprá-la. Os direitos humanos, ainda que proclamados em declarações altissonantes, são também violados nos Estados Unidos e nos países que lhes fazem coro. Basta lembrar o que se passa em Guantanamo, o que foi documentado em Abu Ghraib, e as condições a que está submetido, em uma prisão naval, o soldado norte-americano Bradley Manning. O discurso de que a intervenção na Líbia se faz em nome dos direitos humanos e da proteção aos civis é imoral. É considerada insensata até mesmo a parlamentares britânicos, como o deputado Rory Stewart, em artigo publicado no dia 18, pela London Review of Books. Stewart não é um homem de esquerda. Deputado por um dos tradicionais redutos conservadores do Noroeste da Inglaterra, o de Penrith and the Border, o parlamentar revela conhecimento do tema. Ele participou das tropas britânicas no Iraque, e, depois disso, atravessou a pé o Afeganistão, como parte de uma viagem maior, da Turquia ao Nepal, por 6.000 quilômetros e que durou dois anos. Embora conservador, Stewart considera um erro a participação de seu país nas cruzadas anti-islâmicas. Justifica, em parte, a intervenção na Iugoslávia, em nome da proteção das populações civis, ali ameaçadas de genocídio - mas não concorda com as demais. Reproduzimos alguns textos de seu artigo, publicado com o titulo de "Here we go again": Parecia duplamente improvável que a Inglaterra algum dia interviria militarmente em país como a Líbia. Embora pobre em petróleo, o Afeganistão, na Ásia Central, foi visto por muitos muçulmanos como objeto de ocupação por cruzados infiéis, comandados por Israel, e com o objetivo de implantar bases militares ou de arranjar petróleo barato. Qualquer movimento contra a Líbia - país árabe, muçulmano, obcecado numa luta sem tréguas contra o colonialismo e suando petróleo - dava a impressão de que seria visto como movimento extremamente hostil e sinistro, primeiro pelos seus próprios vizinhos árabes; mas também pelo mundo desenvolvido e até pelos próprios líbios. A Líbia não atende, sequer, aos critérios do direito internacional, como alvo de intervenção militar. Kadáfi é o poder soberano, não os rebeldes; não praticava nem genocídio nem limpeza étnica. Na Bósnia, a situação era diferente: em algumas semanas, haviam morrido 100 mil pessoas. E a própria Bósnia - estado soberano não reconhecido pela ONU - pediu formalmente a intervenção. O caso do Kôssovo foi menos claro, mas a intervenção visou Milósevic e veio depois das guerras dos Bálcãs, iniciadas por ele, e do deslocamento forçado de 200 mil pessoas, com provas abundantes de atrocidades movidas por preconceitos étnicos. Esse tipo de concepção do que seja uma intervenção militar legal, e que em 1999 parecia ser a quintessência da governança e do consenso global, deixou de ser a concepção dominante no Ocidente. Como deputado à Câmara dos Comuns, ocorreu-me que talvez seja hora de lembrar às pessoas que, apesar da desgraça do Afeganistão, a Inglaterra ainda pode ter papel construtivo no mundo. No fim de seu artigo, o parlamentar é pessimista e vai fundo na exposição dos pretextos dos colonialistas: "Nada me tira da cabeça que o perigo maior não é o desespero, mas as decisões irrefreáveis, quase hiperativas: o senso de alguma obrigação moral, o medo de estados-bandidos, de estados fracassados, de perdermos nossa "credibilidade". Isso, sim, me faz temer que estejamos no início de mais uma década de superintervenção militar". Rory Stewart (nascido em Hong Kong, de pais ingleses, educado na Inglaterra) confirma assim o objetivo de outro movimento colonialista, de novo "manu militari" dos velhos dominadores. Acuados pela falta de petróleo barato, eles se agarram ao passado, em busca de sua segurança e de seu orgulho, como donos do mundo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110325/9263ccb5/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Mar 25 19:29:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 25 Mar 2011 19:29:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Livro Hecker - Marx como pensador Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore As faces e a alma do marxismo Por Osvaldo Bertolino Acaba de vir à luz, pelas mãos da editora Anita Graibaldi e da Fundação Maurício Grabois, um livro intitulado "Marx como pensador" - texto do intelectual alemão Rolf Hecker, que esteve no Brasil para divulgar a monumental obra de publicação das obras completas de Karl Marx e Friedrich Engels, conhecida como Mega-2. São oito capítulos que discorrem sobre o Marx crítico da economia, o Marx filósofo, o Marx historiador, o Marx jornalista, o Marx político, o Marx das ciências naturais, sobre o "problema Marx-Engels", sobre a história das edições das obras dos pensadores alemães, sobre os monumentos de Marx na Europa e sobre o que se sabe de Marx. Na apresentação, o historiador Augusto Buonicore dá uma pitada do que vem em seguida, lembrando as mortes e ressurreições do marxismo. "A cada vez que uma crise assola o sistema - e os povos sentem na carne suas conseqüências nefastas e se rebelam -, a figura de Karl Marx se revigora", escreveu. E acrescenta: "Afinal, não foi ele quem descobriu os mecanismos ocultos das crises do capitalismo e deu pistas para a sua superação? Contudo, parece que a necessidade de conhecer mais e melhor as obras marxistas não se reduziu, desta vez, às principais vítimas do capital: os trabalhadores." Buonicore esclarece que o texto do professor Rolf Hecker que a Fundação Maurício Grabois disponibiliza é resultado de uma conferência realizada em meio às atividades alusivas aos 125 anos da morte de Marx, em 2008. Seu objetivo era "analisar como mudaram nossas representações sobre Marx e sua obra nos últimos 15 anos". Segundo o historiador, que também é secretário-geral da Fundação Maurício Grabois e presidente do Centro de Documentação e Memória (CDM) dessa instituição, Rolf Hecker é um profundo conhecedor das obras de Marx e Engels, especialmente das virtudes e vicissitudes de suas edições. Nos textos, Hecker passeia pela história das obras dessas personalidades antológicas, especialmente de Marx. Ele relata um acontecimento que simboliza como poucos a grandeza desse pensador original. Segundo o professor, todos os anos milhares de pessoas visitam o túmulo de Marx no cemitério Highgate, em Londres. Em 11 de novembro de 2007, o jornal Frankfurt Allgemeine Sonntagszitung publicou que "Marx é um grande pensador, uma personalidade da história mundial, e merece respeito". A "Casa de Karl Marx" em Trier, Alemanha - o único museu especial dedicado a Marx no mundo, e que recebeu em 2010 a visita de 40.233 turistas, entre os quais mais de dez mil provenientes da China -, escreve Hecker, foi reaberta em 9 de junho de 2005. A alma do marxismo Mais do que o museu, as obras de Marx são visitadas em todas as partes para se compreender o que se passa atualmente, confirmando as palavras de Engels em seu funeral, segundo as quais o nome e a obra do mais famoso pensador alemão atravessaria os séculos. Seu pensamento enfrentou e venceu diferentes fixações fanáticas. Quando não vencem pelos ataques, contudo, apelam para a indiferença em relação à sua alma - a dialética, na definição de Wladimir Lênin. A dificuldade está em procurar compreender o marxismo com espírito científico, isento de paixões e sem a carga irracional de ódio, herdada em boa parte de preconceitos incutidos por anos de anticomunismo. Mesmo quando ele não é excluído da categoria de fenômeno social - o marxismo é ensinado até nas universidades norte-americanas -, procuram a todo custo destituí-lo de sua alma. É assim que os espíritos se fecham ao seu conhecimento, possivelmente com medo de a ele se converter. Para compreendê-lo, é preciso compreender a sua essência revolucionária. Trocando em miúdos: para compreender a realidade, é preciso pensar a realidade. Pensar é apreender os fatos pelo pensamento e compreendê-los como processo em contradição - a mola do movimento real das coisas. Logo, se a realidade é dialética e se pensar é apreender a realidade, pensar é apreender dialeticamente os fatos. Exercício revigorante O marxismo, independente do que dizem dele os já decrépitos "novos filósofos", não pode evidentemente ser resumido a um modelo. Os bolcheviques de "têmpera especial" partiram a história em duas, abalaram o mundo, romperam pela primeira vez a estrutura e a lógica do capitalismo e do imperialismo - tomaram o céu de assalto, como dizia o próprio Marx sobre os revolucionários da Comuna de Paris, de 1871 -, mas foram marxistas do seu tempo. O desenvolvimento histórico obriga os marxistas a uma nova perspectiva revolucionária, adequada ao tempo e às condições concretas de cada lugar, de cada realidade. Nessa constatação está a alma do marxismo, capaz de uma atitude crítica diante de fórmulas tradicionais petrificadas. A conclusão que pode ser extraída é que a sua força não depende dos males elementares do capitalismo. Nem da idéia de um único movimento comunista mundial que, num certo período, atrofiou o pensamento marxista. O marxismo é um método científico. E, nas ciências, a discussão - entre pessoas que sustentam pontos de vista divergentes sobre bases científicas - é o único caminho permanente de progresso. Marx como pensador ensina isso. A leitura dos textos do professor Hecker é o exercício revigorante do qual fala Augusto Buonicore na apresentação do livreto. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110325/b0b3b7b2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26478 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110325/b0b3b7b2/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 26 16:15:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 26 Mar 2011 16:15:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_JO=C3O_LUCAS_ALVES____________________?= =?iso-8859-1?q?______________________-XCII-?= Message-ID: <96571D96A7714F89AEA932DF7BCC82B5@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOÃO LUCAS ALVES (1935-1969) Filiação: Odília Pimenta Alves e José Lucas Alves Data e local de nascimento: 03/11/1935, Canhotinho (PE) Organização política ou atividade: COLINA Data e local da morte: 06/03/1969, Belo Horizonte (MG) Sargento da Aeronáutica e pernambucano de Canhotinho, João Lucas Alves estudou no Grupo Escolar Marcelo Pinheiro e fez o Colegial no Ginásio Visconde de Mauá, em Recife, seguindo então para a Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá (SP). Serviu na Base Aérea de Ibura, na capital pernambucana, de 1957 a 1960. Em 1961, foi escolhido para fazer curso de especialização em vôo nos EUA, tendo alcançado melhor classificação no curso de inglês técnico do que os próprios americanos. Destacou-se entre as lideranças da Rebelião dos Sargentos, em 1963, deflagrada após decisão do STF confirmando a inelegibilidade desse segmento militar para órgãos do Legislativo. Com o primeiro Ato Institucional, de abril de 1964, foi expulso da Aeronáutica e preso na Base Aérea de Santa Cruz. Dirigente do COLINA, sua segunda prisão ocorreu em 8 de novembro de 1968, pela Polícia Federal, Serviço de Ordem Política e Social, no Rio de Janeiro, sendo em seguida transferido para a Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar o incluem, genericamente, como participante de várias ações armadas realizadas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro em 1968, com destaque para a execução, em 01/07/1968, no Rio, do major do exército alemão Edward Von Westernhagen, que cursava a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, que teria sido confundido pelo COLINA com o capitão boliviano Gary Prado, responsável pela morte de Che Guevara no ano anterior. Em 20 de novembro daquele ano, foi decretada sua prisão preventiva por 30 dias, prorrogada por mais 30 dias. Ao final dos 60 dias, foi requerido o relaxamento da medida, ato reiterado em 29 de janeiro, mas ambos os pedidos não foram apreciados pela Justiça. Em 28 de fevereiro, conforme nota oficial, foi transferido para Belo Horizonte e, em 6 de março, foi anunciada sua morte por suicídio na Delegacia de Furtos e Roubos daquela capital. Os legistas Djezzar Gonçalves e João Bosco Nacif da Silva diagnosticaram asfixia mecânica em conseqüência de suicídio por enforcamento. Sua mãe, já alertada por João Lucas, que temia pela própria vida com a transferência, procurou-o insistentemente em Belo Horizonte. Ela andou de delegacia em delegacia até descobrir no DOPS que o filho estava morto, uma semana depois do acontecido, e que já havia sido sepultado. Somente cinco anos mais tarde a família pode exumar os restos mortais, que foram trasladados para o Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Vários presos políticos denunciaram as torturas sofridas por João Lucas em depoimentos realizados na Justiça Militar. Em 1996, o advogado Antonio Modesto da Silveira prestou depoimento à Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ contestando a versão oficial. Nas fotos de seu corpo, as evidências de torturas estão claras: unhas arrancadas, escoriações e equimoses ao longo do corpo, inclusive no rosto e nas nádegas, não demonstrando qualquer indício do suposto suicídio por enforcamento. A necropsia realizada no Departamento de Medicina Legal de Belo Horizonte, assinada pelos legistas Djezzar Gonçalves Leite e João Bosco Nacif da Silva confirma a versão policial de suicídio por asfixia mecânica, mas descreve escoriações no braço esquerdo, no pé direito e na região glútea, assim como a falta de uma unha e cianose em outras. A relatora concluiu que João Lucas faleceu em dependências policiais por causas não naturais, ficando confirmado que tal causa não foi suicídio. ================================================================================================================= + Omformações. João Lucas Alves Militante do COMANDO DE LIBERTACÃO NACIONAL (COLINA). Nasceu em Canhotinho/PE, em 3 de novembro de 1935. Era 2º sargento da Aeronáutica. Morto aos 34 anos, em Belo Horizonte. Estudou no Grupo Escolar Marcelo Pinheiro e fez o Colegial no Ginásio Visconde de Mauá, em Recife, indo para a Escola de Especialistas da Aeronáutica em Guaratinguetá/SP, de onde saiu como 3° sargento. Serviu na Base Aérea de Ibura/PE de 1957 a 1960. Em 1961 esteve nos Estados Unidos especializando-se por conta do Ministério da Aeronáutica. Expulso da FAB em 1964 pelo Ato Institucional n° I. Preso, no Rio de Janeiro, a 8 de novembro de 1968 e levado para o DOPS/RJ e, posteriormente, para a PE. Em 20 de novembro de 1968, foi decretada sua prisão preventiva por 30 dias e, em 18 de dezembro, prorrogada por mais 30 dias. Ao final dos 60 dias, foi requerido o relaxamento de sua prisão, em 20 de janeiro, ato reiterado em 29 de janeiro, pedidos que não foram apreciados pela Justiça. Em 28 de fevereiro, em nota oficial, foi transferido para a Polícia de Belo Horizonte e, em 06 de março, foi anunciada sua morte por suicídio na Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte. Nas torturas que sofreu nesse departamento policial, João Lucas teve vários ossos quebrados, olhos vazados, além de queimaduras generalizadas. Onofre Pinto (ex-banido e desaparecido em 1974), preso na mesma época, denunciou o ocorrido em depoimento à organização "Amnesty International". Vários presos políticos, como Antônio Pereira Mattos, Angelo Pezzutti da Silva e Afonso Celso Lana Leite dentre outros, em depoimentos realizados em Auditorias Militares, à época, denunciaram as torturas sofridas por João Alves. O laudo médico, requerido pelo advogado Modesto da Silveira, revelou unhas arrancadas, escoriações e equimoses ao longo do corpo, inclusive no rosto e nas nádegas, não demonstrando qualquer indício do suposto suicídio por enforcamento. A necrópsia, realizada no Departamento de Medicina Legal/MG, em 06 de março de 1969, firmada pelos Drs. Djezzar Gonçalves e João Bosco Nacif da Silva, confirma a falsa versão policial de suicídio por enforcamento, apesar de descrever algumas escoriações presentes no braço esquerdo, pé direito e na região glútea, assim como a falta de uma unha e rouxidão em outras. Esses médicos foram denunciados pelo GTNM/MG, mas sequer foram investigados, pois o CRM/MG arquivou a denúncia. Foi encontrado no arquivo do antigo DOPS/SP, um relatório sobre sua vida pregressa oriundo da Delegacia Regional-Guanabara-Serviço de Ordem Política e Social, datado de 8 de novembro de 1968, com uma anotação a caneta "suicidou-se no DOPS/BH". ===================================================================================================== + Detalhes. João Lucas Alves (1935-1969) João Lucas Alves nasceu em Canhotinho, Pernambuco, em uma família de classe média, onde seu (nosso) pai era um abnegado voluntário de iniciativas de organização dos trabalhadores para a auto-estima, educando, alfabetizando, desenvolvendo atividades que os reconhecessem como seres humanos, e não escravos da corrente da cana de açúcar nas usinas pernambucanas. Estudou na Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá (SP), onde se formou Terceiro Sargento. Na qualidade de liderança dos sargentos da Aeronáutica foi preso em primeiro de abril de 1964 e ficou detido durante um ano nas dependências da Aeronáutica, na base aérea de Santa Cruz Foi cassado logo no Ato Institucional no. 1. Ao ser posto em liberdade em 1965, comprou um sítio em Magé, RJ, e iniciou o treinamento de militantes civis para a guerrilha, servindo às diversas organizações guerrilheiras que iam nascendo nos anos de 1966 e 1967. Assim, era considerado um militante de extrema confiança por várias organizações e servia muitas vezes de vínculo ou elo entre elas, o que o deixava senhor de informações cruciais para a sobrevivência dos movimentos. Durante todo o ano de 1968 participou de ações de expropriação de fundos para a guerrilha e ligou-se ao Comando de Libertação Nacional (COLINA), que era uma Organização com tendências a abranger uma gama maior de contactos com outras organizações, ainda esperando o momento em que se definisse um Partido revolucionário capaz de servir de instrumento às mudanças sociais e políticas que se pretendia após a queda da ditadura. Essencialmente a luta armada visava derrubar essa ditadura e, no processo de luta, unir as forças de oposição para a formação desse instrumento político. Com suas origens baseadas no marxismo teórico da POLOP, principalmente a partir de sua aproximação com o revolucionário histórico Ernesto Martins (nome de guerra de Erich Sacks, militante alemão que havia lutado nas Brigadas Internacionais da guerra civil espanhola), João Lucas tinha a visão de que a guerrilha seria insuficiente para opor-se ao sistema se não incorporasse elementos da classe operária e que o movimento operário assumisse uma posição radical frente à exploração capitalista para então, sim, dar-se as condições para o nascimento de um Partido revolucionário. A aproximação com Cuba, através da Organização Latinoamericana de Solidariedade (OLAS), em 1967, aprofundou a prática de guerrilha urbana vista como necessária para a etapa política em que se vivia. A guerrilha rural seria a conseqüência lógica dessa prática, que estabelecia os fundos necessários para sua deflagração futura. O que diferencia a proposta do COLINA do Programa Socialista da POLOP é, sobretudo, a acentuação do caráter da luta armada naquele momento. O objetivo socialista não ficava desligado das tarefas imediatas que a condição histórica do Brasil exigia, das propostas nacionais antiimperialistas e antilatifundiárias. Em 1º. De julho de 1968, em uma ação que visava eliminar o assassino de Guevara, Gary Prado, João Lucas, junto com Severino Viana, executou no bairro da Gávea, RJ, um oficial do exército alemão que servia à ditadura e participava do mesmo treinamento que o facínora boliviano no curso da Escola do Estado-Maior do Exército, no Rio. É curioso lembrar que a morte de Guevara foi vingada, de certa maneira, pela própria História imediata, sendo seus algozes eliminados um a um em poucos anos, por diversas formas de execução. O general René Barrientos, presidente da Bolívia na época, morreu carbonizado num acidente de helicóptero em abril de 1969; O general Alfredo Ovando Candia, comandante-em-chefe das Forças Armadas, viu um filho morrer de câncer; em outubro de 1970, um de seus captores, o tenente Eduardo Huerta, encontrou a morte num acidente de carro; O tenente-coronel Andrés Selich, que conversou com Guevara em La Higuera, morreu sob torturas em 1972 na ditadura do general Hugo Bánzer; O general Juan José Torres, chefe do Estado-Maior e um dos que decidiram a morte do Che, foi assassinado na Argentina em fevereiro de 1976, durante a "Operação Condor" das ditaduras sulamericanas; Dois meses depois, foi a vez do coronel Zenteno Anaya tombar vítima de um atentado fatal em Paris; e, finalmente, em 1981, o capitão, agora general Gary Prado foi baleado numa manifestação e ficou paraplégico. João Lucas foi preso, no Rio de Janeiro, a 8 de novembro de 1968 e levado para o Dops/RJ e, posteriormente, para a PE. Seus captores não conseguiram incrimina-lo até a queda de militantes do COLINA em Belo Horizonte que, sob torturas, confessaram que o conheciam e tinham sido treinados por ele. Assim, em 28 de fevereiro de 1969, foi transferido para a Polícia de Belo Horizonte, passando por contínuas sessões de tortura para que confessasse sua atuação revolucionária, resistindo bravamente, decidido a não deixar que nada soubessem por sua voz, até que, em 06 de março, os inúmeros ferimentos sofridos nessas sessões o levaram à morte. Nas torturas que sofreu, João Lucas teve vários ossos quebrados, olhos vazados, além de queimaduras generalizadas. Onofre Pinto (exilado e desaparecido em 1974), preso na mesma época, denunciou o ocorrido em depoimento à organização "Amnesty International". A ditadura alegou como "causa mortis", o suicídio, quando é do conhecimento do púbico, e isto consta da perícia médica, que nosso irmão e companheiro tinha os olhos perfurados ao falecer e as unhas arrancadas, o que demonstra que não tinha condições de suicidar-se. Três meses mais tarde, foi a vez de Severino Viana, que foi encontrado morto em sua cela, também sob alegação de suicídio, no Rio de Janeiro. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110326/4ba6294d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7043 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110326/4ba6294d/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110326/4ba6294d/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 26 16:15:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 26 Mar 2011 16:15:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Invas=F5es_e_golpes_dos_EUA_pelo?= =?iso-8859-1?q?_mundo?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Invasões e golpes dos EUA pelo mundo Reproduzo levantamento feito por Alberto da Silva Jones, publicado em 2007 no sítio do Centro de Mídia Independente/Brasil: Entre as várias invasões que as forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar: 1846/1848 - México - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas; 1890 - Argentina - Tropas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos; 1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas; 1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA; 1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA; 1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês; 1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa; 1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra; 1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana; 1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer; 1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos; 1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana; 1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos; 1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje; 1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial; 1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur; 1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa; 1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez); 1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção; 1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho; 1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução; 1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa; 1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições; 1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua; 1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua; 1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições; 1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua; 1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras; 1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas; 1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana; 1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais; 1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano; 1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos; 1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução; 1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas; 1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens; 1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo; 1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas; 1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos; 1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos; 1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos; 1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles; 1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço; 1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia; 1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala; 1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna; 1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista; 1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional; 1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos; 1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território; 1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN - comandadas por Marti; 1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki; 1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã; 1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos; 1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego; 1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder; 1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista; 1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce; 1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul; 1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária; 1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal; 1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil; 1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos; 1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas; 1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao; 1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país; 1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924; 1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano; 1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja; 1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana; 1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez; 1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então; 1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas; 1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha; 1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras; 1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína; 1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano; 1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos. 1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil; 1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo; 1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque; 1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país; 1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait; 1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos; 1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus; 1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes; 1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros; 2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde"); 2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje; 2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca. * Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles). Postado por Miro às 18:14 Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar no Google Buzz http://altamiroborges.blogspot.com/2011/03/invasoes-e-golpes-dos-eua-pelo-mundo.html#more -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110326/1814e62a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16957 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110326/1814e62a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Mar 26 16:16:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 26 Mar 2011 16:16:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Memorial_da_Resist=EAncia_de_S=E3?= =?iso-8859-1?q?o_Paulo_convida_para_a_palestra_=22Brasil=3A_1964-2?= =?iso-8859-1?q?011_-_Balan=E7o_e_Perspectivas=22_-_Dia_2_de_abil_?= =?iso-8859-1?q?=E0s_10=2C30_hs?= Message-ID: <3BFA60A279FC40FFB908109D6E7A3D89@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Governo do Estado de São Paulo e Memorial da Resistência de São Paulo convidam para a palestra Brasil: 1964-2011 - Balanço e Perspectivas Palestrante: Profa. Dra. Maria Aparecida de Aquino 2 de abril de 2011 (sábado) 10h30 às 13h Auditório Vitae - Estação Pinacoteca Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2010, o primeiro Encontro de Aprofundamento Temático deste ano apresenta a palestra "Brasil: 1964-2011 - Balanço e Perspectivas", para marcar a data do golpe de Estado que deu início à ditadura militar no país - o dia 1º de abril de 1964. Terá como enfoque não apenas o contexto político-social desse momento histórico, mas também a perspectiva atual das consequências deixadas pelos 21 anos de regime militar (1964-1985). A palestra é uma oportunidade de diálogo e discussão voltada a educadores, estudantes e demais interessados sobre o tema. Maria Aparecida de Aquino Possui mestrado e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo - USP. Atualmente é professora adjunta da Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP) e professora titular aposentada da Universidade de São Paulo - USP. Apresenta renomada experiência em pesquisa e ensino na área de História do Brasil, atuando principalmente com os temas: censura, imprensa, ditadura militar, autoritarismo e relações políticas contemporâneas. Inscrições: Telefones (11) 3324.0943 ou 0944, com Valdir ou Heber, de segunda à sexta-feira, das 10h às 18h Entrada Franca -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110326/43ac6568/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Mar 27 13:25:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 27 Mar 2011 13:25:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_EDMUR_P=C9RICLES_CAMARGO______________?= =?iso-8859-1?q?________________________-XCIII-?= Message-ID: <73B89E39F4EE41CD97ADC9A50FC2B87E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem EDMUR PÉRICLES CAMARGO (1914 - 1974) Filiação: Tomás Benedito Moura Camargo e Maria da Penha Amaral Vilaça Data e local de nascimento: 04/11/1914, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: M3G Data e local do desaparecimento: julho de 1974 As informações acerca da prisão e desaparecimento de Edmur são ainda mais imprecisas do que o restante dos desaparecidos. Inicialmente, constou que teria integrado o grupo de militantes mortos em Medianeira (PR), conforme relatado acima, mas essa informação não se confirmou. Paulista da capital, afrodescendente e jornalista, Edmur foi militante do PCB e atuou durante as mobilizações camponesas que esse partido dirigiu, entre 1951 e 1953, na região de Porecatu, no Paraná, representando mais um capítulo histórico na luta pela reforma agrária no Brasil, incluindo choques armados e cidades ocupadas . Exilado no Uruguai depois de abril de 1964, retornou ao Brasil e trabalhou em duas publicações do PCB, Tema e Combate. Acompanhou Marighella na cisão do partido que gerou o Agrupamento Comunista de São Paulo, depois ALN. Os órgãos de segurança do regime militar o acusavam de responsável pela morte do fazendeiro José Gonçalves Conceição, conhecido como Zé Dico, em 24/11/1967, em Presidente Epitácio, interior de São Paulo. Zé Dico era acusado pelos posseiros da região de ter grilado suas terras para constituir a fazenda Bandeirante, empregando para isso capangas que mataram, agrediram ou ameaçaram muitos camponeses. Segundo documentos dos órgãos de repressão, Edmur teria matado o fazendeiro por ordem de Marighella, sendo a notícia da morte publicada como ato de justiça social na primeira edição do jornal O Guerrilheiro, da organização clandestina, em abril de 1968. Conhecido também como "Gauchão", Edmur teria se desentendido com Marighella depois de enviado por ele ao estado de Goiás, para efetuar levantamentos pertinentes à implantação de uma área de guerrilhas na região de Formosa, em agosto de 1968. O levantamento teria demonstrado a inviabilidade da proposta, mas Edmur se apegou à idéia de que seria possível desencadear o trabalho no município mineiro de Unaí. Descontente com o desfecho da divergência, Edmur deslocou-se para o Rio Grande do Sul em maio de 1969, constituindo ali uma pequena organização clandestina, de âmbito local, que realizou pelo menos cinco assaltos a banco entre junho de 1969 e março de 1970. A onda de prisões que se seguiu a uma tentativa frustrada da VPR de seqüestrar o cônsul norte- americano em Porto Alegre terminou atingindo Edmur, que foi preso em abril de 1970. Essa organização se chamava M3G, significando Marx, Mao, Marighella e Guevara. Banido do país em janeiro de 1971, após o seqüestro do embaixador suíço no Brasil, foi para o Chile junto com outros 69 presos políticos. Permaneceu naquele país até o golpe que derrubou Salvador Allende, em setembro de 1973, quando se refugiou na Argentina. A única informação positiva que foi possível colher a respeito de seu desaparecimento surgiu no Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa. Nesse documento, existe a seguinte referência a Edmur: "Jun/75, preso por autoridades brasileiras e argentinas quando seu avião fez pouso em Buenos Aires, em viagem do Chile para o Uruguai". Edmur é um dos 136 nomes que compõem a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. No entanto, como seus familiares nunca foram localizados, a CEMDP não podia formalizar um processo sobre ele para efeitos de indenização. =========================================================================================================================== + Informações. Militante do MARX, MAO, MARIGHELLA, GUEVARA (M3-G). Nascido a 04 de novembro de 1914, em São Paulo, filho de Tomás Benedito Moura Camargo e Maria da Penha Amaral Vilaça. Desaparecido, desde 1973, aos 57 anos. Jornalista, solteiro. Negro, forte, esteve envolvido nas lutas de Porecatu de 1951 a 1953. Banido do Brasil, em janeiro de 1971, quando do seqüestro do embaixador suíço no Brasil, indo para o Chile juntamente com outros 69 presos políticos. Após o golpe que derrubou Salvador Allende, fugiu para a Argentina, desaparecendo em 11 de julho de 1974, quando tentava entrar clandestinamente no Brasil, juntamente com outros banidos. No Relatório do Ministério da Marinha há a seguinte informação sobre Edmur: "Jun/75, preso por autoridades brasileiras e argentinas quando seu avião fez pouso em Buenos Aires, em viagem do Chile para o Uruguai." Usava o nome falso de Henrique Vilaça. =============================================================================================== + detalhes Por MONTEZUMA CRUZ Na época prevalecia a lei do mais forte. O latifúndio no Pontal vinha de 1950. José Gonçalves da Conceição, Zé Dico, era um homem pobre antes de adquirir os direitos de posse de 5.324 hectares situados no perímetro da reserva das lagoas do Rio Paraná, o Paranazão, em Epitácio. Nesse local, ele instalava a sede da Fazenda Bandeirantes. Era dono de fato, mas não de direito. Se tornaria um homem rico, ganancioso e bravo. "Ser rico não é difícil, difícil é continuar sendo", ele dizia. Em 1967 a Aliança Libertadora Nacional (ALN)* atuava em Presidente Epitácio, na divisa paulista com o antigo Estado de Mato Grosso. Até 1963 e durante longos anos não havia Justiça Federal nem Ouvidoria Agrária no interior. Valia, portanto, a lei do mais forte, o mando dos fazendeiros. Zé Dico entrava numa área de terras cuja história começava em 1942. Naquela época, o governo paulista considerava público um território de 1,7 mil hectares, habitado por cerca de trezentos posseiros, a oeste da reserva, entre as lagoas e o Rio Paraná. Os posseiros só saberiam da realidade das terras em 1965, em conversas com o padre Olívio Reato e com guardas da Polícia Florestal paulista, constatava o professor Ferrari Leite. Zé Dico aumentava o tamanho da fazenda para 7.744 ha. Essa situação também fora constatada pelo jornalista José Aparecido, durante suas visitas à região, a serviço do Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Era dessa maneira, graças à amizade com aquela gente simples, que ele levava para São Paulo as informações necessárias à ação dos comunistas. Cada lote dos posseiros media entre quatro e cinco hectares e o acesso a tais lotes era feito só de barco. Os posseiros viviam em situação de penúria. Sem escrituras e, conseqüentemente, assistência técnica, eles nem passavam nas portas dos bancos. Quem lhes concederia financiamento? Quase quatro décadas antes do surgimento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, os bancos os ignoravam. Esses posseiros apelavam para o então poderoso Zé Dico, que não hesitava em explorá-los. O fazendeiro colocava jagunços armados por toda a área, a fim de evitar quaisquer reações contra o seu domínio. Cobrava regularmente 30% da produção de banana, da cana-de-açúcar, do milho e do arroz colhidos. Seus jagunços não deixavam nem as galinhas para os posseiros. Assim a ALN encontrava justificativa para defender essa gente com coragem e ousadia, usando táticas de guerrilha que esbofeteavam o regime militar. (cont.) Fazia calor na madrugada de 23 para 24 de setembro de 1967, em Presidente Epitácio, quando 22 posseiros armados de espingarda, revólveres, garruchas, facas e foices cercavam a sede da Fazenda Bandeirantes, onde moravam o fazendeiro José Gonçalves da Conceição, o Zé Dico, e o filho Paulo Roberto. As janelas estavam abertas. Três homens entravam na casa. À frente deles, o negro Edmur Péricles Camargo, o Gauchão, na época, perto de completar 53 anos de idade. Matavam pai e filho. Versão do Exército Brasileiro: Gauchão trancou Zé Dico num quarto e o matou a tiros. "O filho do fazendeiro tentou socorrer o pai e foi baleado duas vezes", aponta a mesma versão. Conforme registro da Polícia Civil, nenhum capanga vigiava a casa. Ao perceber o cerco, o administrador da fazenda, Antônio Ribeiro, escondeu-se. Essa mesma versão espalhou-se por todo o Estado de São Paulo e pelo País. Era jovem e recordo-me que o jornalista Neif Taiar abria a seguinte manchete na primeira página do semanário A Região, de Presidente Prudente: Terror mata Zé Dico. Outros jornais publicavam a mesma versão, sem uma análise esclarecedora a respeito do que se passava no País. O Serviço Reservado da Polícia Militar e a Polícia Civil encarregavam-se de municiar as redações com o noticiário oficial fornecido a partir dos primeiros movimentos do inquérito que apurava a morte de Zé Dico. O então delegado regional de polícia, Maurício Pereira, atribuía a autoria do crime a Gauchão, mas só depois admitira que não fora um crime comum. Pereira indiciaria ainda o padre Olívio Reato como "instigador dos posseiros". A casa de Zé Dico passaria em seguida para o domínio da Companhia de Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Cesp). A morte do fazendeiro entrava para a história da ditadura militar, junto com outros fatos políticos de 1967: em 24/1, a promulgação da nova Constituição; em 15/3 a posse de Arthur da Costa e Silva na presidência da República; em 18/7 o ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco morria em estranho acidente aéreo em Mondubim, no Ceará. Tudo parecia um enorme silêncio no Pontal do Paranapanema, à exceção de breves comentários feitos nas prefeituras, entre os vereadores, nos hotéis e até em algumas salas de aula. O assassinato de Zé Dico seria a primeira insurreição no campo para a defesa de trabalhadores rurais e, ao mesmo tempo, para contestar o regime ditatorial. Num só tempo, abalaria o governo paulista e o Exército. Coincidência: a Operação Bandeirantes (Oban) criada pelo governo paulista e o latifúndio de Zé Dico em Epitácio tiveram o mesmo nome, um fato até hoje despercebido pelos historiadores que tratam da luta armada e da resistência ao regime militar. Zé Dico fora assassinado em 1967, a Oban surgiria dois anos depois, fortemente apoiada por empresários e inspirada no modelo do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do Exército, para reprimir "terroristas e subversivos". Torturava e matava. As ocupações de terra em série no Pontal começariam nos anos 1980, entretanto, a primeira resistência armada ao latifúndio data daquele período em que os ilhéus do Rio Paraná ousavam enfrentar os jagunços de Zé Dico. No capítulo da história do município, o site oficial da Prefeitura Municipal de Presidente Epitácio não publica uma única linha a respeito do primeiro atentado a um fazendeiro, dentro da luta pela terra que começava no final daquela década para se tornar rotineira nos anos 1980. Na internet, páginas de militares da reserva consideram que o assassinato de Zé Dico iniciava um movimento contestatório à "Revolução de 1964". Segundo o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, Gauchão teria matado Zé Dico por ordem de Marighella. A notícia da morte foi publicada como "ato de justiça social" na primeira edição do jornal O Guerrilheiro, em abril de 1968. Semeava ventos e colhia tempestade Crescia a sanha impiedosa de José Francisco Medeiros, Zé Mineiro, Guilhermino, Evaristo, João Branco e Chicão, capangas do fazendeiro José Gonçalves da Conceição, o Zé Dico. Eles invadiam roças e casas e faziam pirraça. Levavam panelas, facas, facões e até rádios a pilha. Desde os anos 1950, o governo paulista fazia benesses com terras devolutas. Ouvindo as conversas do padre e dos comunistas, os posseiros das áreas vizinhas à Fazenda Bandeirantes começavam a reagir ao bando em 1967. Na área noroeste das terras, cerca de 30 famílias do Poção do Jacó já protestavam contra o pagamento de porcentagem da colheita a Zé Dico. Era pouco e vinha acompanhado de zombaria contra eles. Ao se negar a assinar um contrato de arrendamento, por exemplo, o posseiro João Rodrigues dos Santos foi surrado e teve a casa derrubada. O bando humilhou-o mais ainda, junto com a mulher e os três filhos menores, ao atear fogo em seu arrozal. (cont.) Desaparecimento do comunista só foi admitido quatro anos depois de sua prisão, em 1975, no aeroporto de Buenos Aires. Onde o executaram? Aumentava cada vez mais a resistência dos posseiros de Presidente Epitácio. Quando a jagunçada vinha com a conversa da tal porcentagem cobrada sobre a produção de cada família pelo fazendeiro José Gonçalves da Conceição, Zé Dico, ninguém queria dever nada a ninguém. Paulo Kuriaki, sua mulher Júlia e cinco filhos receberam a visita de Zé Mineiro, bandido procurado pela polícia de Mato Grosso, mas contratado por Zé Dico. Em 1967, o primeiro a defender os posseiros contra o confisco de produtos a mando do fazendeiro, Kuriaki conseguia impedir que aquele jagunço lhe tomasse a criação de porcos. "Eu volto aqui", prometia-lhe Zé Mineiro, enraivecido. Dois filhos de Kuriaki, José Carlos, 14, e Armando, 17, eram agricultores. Na Delegacia Regional de Polícia de Presidente Prudente, Zé Dico chegou a ser indiciado em inquérito por constrangimento ilegal. No entanto, era intocável. Enquanto isso, Edmur Péricles Camargo, o Gauchão seria acusado de "atividades contra-revolucionárias". Gauchão, já estava na região, onde conversava com gente simples e observava atentamente o movimento na Fazenda Bandeirantes. Vinha de experiências anteriores, pois agitara os canavieiros na "Revolta de Porecatu", norte do Paraná, durante o enfrentamento com a polícia daquele estado, entre 1951 e 1953. Força Pública chega à Fazenda Bandeirantes Quase sessenta anos se passam daquele episódio paranaense. Com raríssimas exceções, Presidente Epitácio desconhece quem era Gauchão, porque agia daquela maneira e a razão desse apelido. O matador de Zé Dico era paulista da capital, onde militava no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Participaria de um capítulo histórico na luta pela reforma agrária no Brasil, marcado por choques armados e cidades ocupadas. Era o teste de fogo para futuras ações da Aliança Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighela. (Leia no final do texto a ficha de Gauchão, segundo o DOPS paulista). Provavelmente, Gauchão tenha articulado a resistência com Kuriaki, autor do primeiro enfrentamento ao pelotão de jagunços de Zé Dico. A própria cidade de Presidente Epitácio desprezaria esse aspecto ao longo dos anos, sem examinar a importância que ele tem para a compreensão do período turbulento vivido pelo País. Ao ligar o motor do bote para escapar do cerco dos jagunços, em 11 de junho de 1967, Kuriaki recebia um tiro fatal de rifle. Vieram outros tiros, todos disparados por Zé Mineiro. Paulo e Armando, filhos de Kuriaki, morreram na hora. Julia, a mulher, foi atingida de raspão. Três mortes na família. A temperatura do conflito elevava-se. O comando da Força Pública enviava imediatamente à Fazenda Bandeirantes uma tropa com 12 soldados armados de metralhadoras. Zé Mineiro, que estava com prisão preventiva decretada, fugia para o Estado de Mato Grosso (Mato Grosso do Sul, desde 1977), do outro lado do Rio Paraná, o Paranazão. O desejo dos posseiros era o de vingar Kuriaki. Daí para o assassinato de Zé Dico por Gauchão não passariam quatro meses. "Perigoso" para o regime militar Após as mortes de Zé Dico e do posseiro Kuriaki, Gauchão sairia do País. Teria sido executado pelos militares nas matas do Iguaçu, tal qual eles teriam feito com outros contestadores do regime? Das dúvidas, existe uma certeza: ele fora um dos investigados pelo Centro de Informações do Exterior (Ciex), organismo da diplomacia brasileira que colaborava com as ditaduras sul-americanas. Em 2007, reportagem de Cláudio Dantas Sequeira no Correio Braziliense constatava: dos 380 brasileiros mortos ou desaparecidos durante o regime militar, 64 deles apareciam no arquivo secreto do Ciex como oponentes da ditadura militar. Criado com o apadrinhamento do temido Serviço Nacional de Informações (SNI), o Ciex extrapolava a caça a estudantes, operários e intelectuais; não poupava políticos, empresários e até diplomatas de países socialistas ou comunistas em missão oficial dentro do território brasileiro. Gauchão era considerado uma ameaça ao regime. Seria um dos 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Conforme os documentos do Ciex examinados pelo jornalista do Correio, o regime sabia da intenção dele em montar uma base guerrilheira na Bolívia e suspeitava de que cumpriria a promessa de assassinar um asilado político suspeito de infiltração entre o grupo. Em 1971, o grupo de 70 banidos, depois reduzidos a 62, com a viagem de oito membros, olhavam entre si, desconfiados. Um deles fora colocado ali para espioná-los. Estava selado o destino de Gauchão numa viagem do Chile para a Argentina em 1971. Perseguido até as últimas conseqüências, ele deixaria Santiago do Chile rumo a Buenos Aires, a fim de fazer um tratamento ocular. Havia sido torturado no DOPS em São Paulo e as seqüelas comprometiam a visão. Ainda conforme os documentos secretos, desembarcaria no Aeroporto Internacional de Ezeiza, onde estavam a postos policiais argentinos e brasileiros, apoiados por informantes infiltrados na companhia aérea LAN-Chile. Essa aliança entre as polícias chegou a envolver até a Itaipu Binacional, a hidrelétrica brasileira e paraguaia. História sem fim No entanto, o desaparecimento do militante só seria oficialmente registrado como ocorrido em 1975, quatro anos depois. Para onde o teriam levado? Onde o teriam matado? Nas matas do Iguaçu, na fronteira Brasil-Paraguai-Argentina? (A foto da Agência Estado mostra ossadas de vítima da ditadura argentina, a mais cruel da América do Sul). O informe 133/71 dá margem à interpretação de que sumiram com Gauchão, a fim de evitar que ele executasse um dedo-duro infiltrado entre os comunistas. Relatório do Ministério da Marinha entregue em 1993 ao então ministro da Justiça Maurício Correia faz uma breve menção a Edmur Péricles: "Jun/75, preso por autoridades brasileiras e argentinas quando seu avião fez pouso em Buenos Aires, em viagem do Chile para o Uruguai. Usava o nome falso de Henrique". (Henrique Vilaça). E só. Daí em diante o destino de Gauchão envolvia-se nas nuvens cinzentas daquele período ditatorial em que a polícia, o Exército e a diplomacia se davam as mãos para salvaguardar o arbítrio e a tortura. ================================================================================================== + detalhes Tristes tempos aqueles, nos quais diplomatas era levados a colaborar com um regime de exceção http://diplomatizzando.blogspot.com/2007/07/757-o-itamaraty-colaborando-com.html quarta-feira, 25 de julho de 2007 757) O Itamaraty colaborando com a ditadura... ...................................................................................................................................... Correio Braziliense Assunto: Política Título: 1a O serviço secreto do Itamaraty Data: 22/07/2007 Crédito: Claudio Dantas Sequeira Segredo de Estado Diplomatas brasileiros perseguiram opositores da ditadura por meio de um poderoso sistema de inteligência, criado e operado pela cúpula do Ministério das Relações Exteriores. O Correio desvenda, a partir de hoje, um mistério de quatro décadas Claudio Dantas Sequeira Da equipe do Correio Um rígido código de honra, uma portaria ultra-secreta e seguidas ações de desinformação garantiram que até hoje permanecesse desconhecido da sociedade um dos segredos mais bem guardados da ditadura: de 1966 até 1985, o Itamaraty operou um poderoso serviço de inteligência, tendo como modelos o MI6 britânico e sua versão norte-americana, a CIA. Naquele período, os punhos de renda da diplomacia do Barão de Rio Branco ganharam abotoaduras de chumbo. Diplomatas de vários escalões foram recrutados para compor o chamado Centro de Informações do Exterior (Ciex) - que agora, se sabe, foi a primeira agência criada sob o guarda-chuva do Sistema Nacional de Informação (SNI), o aparato de repressão política usado para sustentar o regime militar. ........................................................................................................................................... Correio Braziliense Assunto: Política Título: 1a O plano do Itamaraty de busca externa Data: 24/07/2007 Crédito: Claudio Dantas Sequeira Serviço secreto do Ministério das Relações Exteriores criou esquema de cooperação para caça aos comunistas pelo menos uma década antes da Operação Condor ................................................................................................................................................................ A diplomacia encarnou o papel de polícia com profissionalismo invejável. E, em poucos anos, o serviço secreto do Itamaraty alcançou níveis de eficiência e coordenação jamais vistos entre as demais agências de inteligência do período. Isso explicaria as poucas evidências disponíveis sobre a participação brasileira na Operação Condor. De fato, ela foi mínima e não havia motivos para ser diferente. O Ciex atuava com base num esquema definido como "Plano de Busca Externa", operado com apoio de agentes do próprio Sistema Nacional de Informações (SNI) e de adidos militares - geralmente integrados aos setores de inteligência de suas respectivas Forças. O Plano de Busca Externa integrava o Plano Nacional de Informações, por sua vez atualizado a cada governo. A descoberta da repressão brasileira no exterior explica a indiferença com que o governo Ernesto Geisel (1974-1979) avaliou a iniciativa de Pinochet e do chefe da Inteligência chilena (Dina), Manoel Contreras. Em novembro de 1975, o general João Figueiredo era o chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI). E, assim como seus homólogos de Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, o militar fora convidado a Santiago do Chile para a reunião de fundação da Condor. ............................................................................................................ A discrição foi um componente fundamental do Plano de Busca Externa, o que garantiu seu sigilo até hoje. Geralmente, a decisão de eliminar um asilado brasileiro derivava da avaliação de que ele representava uma ameaça real para o regime. Foi o que ocorreu com Edmur Péricles Camargo, vulgo Gauchão, um dos 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher. Por causa de seu esforço em estabelecer uma base da guerrilha na Bolívia e a promessa de assassinar um asilado suspeito de infiltração, Péricles Camargo teve seu destino selado numa viagem do Chile para a Argentina em 1971 (leia reportagem ao lado). -------------------------------------------------------------------------------- Troca internacional O episódio do desaparecimento de Edmur Péricles Camargo é um exemplo da perseguição política e cooperação sistemática internacional iniciada pela ditadura brasileira. Vários informes revelam que Gauchão trabalhava na instalação de uma base de guerrilhas na Bolívia. Seu contato lá era o chefe guerrilheiro boliviano "Chato" Peredo, um dos subversivos mais procurados naquele país. Em junho de 1971, Péricles Camargo deixou Santiago do Chile com destino a Buenos Aires para um tratamento ocular - as torturas a que fora submetido nos porões do DOPS de São Paulo teriam comprometido sua visão. Desembarcou no aeroporto internacional de Ezeiza, onde foi detido numa operação entre autoridades policiais brasileiras e argentinas, com base nas informações do Ciex e o apoio de informantes infiltrados na companhia aérea LAN-Chile. O desaparecimento de Gauchão foi oficialmente registrado como ocorrido em 1975, apenas quatro anos depois. Edmur viajava com o nome falso de Henrique Vilaça. Seu paradeiro permanece desconhecido. O informe 133/71 dá a entender que o desaparecimento de Gauchão teve o objetivo de evitar que ele executasse um possível elemento infiltrado do regime. "Os setenta banidos, agora reduzidos a 62, com a viagem de oito membros, continuariam desconfiados de que um deles é elemento infiltrado, com a finalidade de espioná-los. Desconfiam de um elemento, que seria o asilado João Batista Rita. Edmur Péricles Camacho (Gauchão) e outros mais desejariam mesmo assassinar o referido banido", aponta o documento. Fazi -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110327/f78424a2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6386 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110327/f78424a2/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Mar 27 13:25:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 27 Mar 2011 13:25:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__CD_-_101_mejores_Baladas_del_U?= =?windows-1252?q?niverso_5_CD=27s_=282000=29______________________?= =?windows-1252?q?__________________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: Grupos.com.brCarta O Berro..........................................................repassem 101 mejores Baladas del Universo 5 CD's (2000) Coleccion Cronicas Marcianas http://www.4shared.com/file/kWxn_VD4/Las_101_mejores__Baladas_del_U.html http://www.4shared.com/file/WGf266hN/Las_101_mejores__Baladas_del_U.html http://www.4shared.com/file/rhds95-x/Las_101_mejores__Baladas_del_U.html http://www.4shared.com/file/kIMTcUfz/Las_101_mejores__Baladas_del_U.html http://www.4shared.com/file/3g1nfX9j/Las_101_mejores__Baladas_del_U.html CD1 01 - My cherie amour - Stevie Wonder 02 - Europa - Santana 03 - Night in white satin - The Moody Blues 04 - Delilah - Tom Jones 05 - Wondeful life - Black 06 - Don`t answer me - Alan Parsons 07 - Blue bayou - Linda Ronstadt 08 - Let the river run - Carly Simon 09 - Arthur´s theme - Christopher Cross 10 - Blue velvet - Bobby Vinton 11 - Purple rain - Randy Crawford 12 - Secret love - Bee-Gees 13 - She´smgone - Daryll Hall & John Oates 14 - From a distance - Bette Midler 15 - Venus - Frankie Avalon 16 - Tiger in the rain - Michael Franks 17 - Black velvet - Alanah Miles 18 - Moon River - Jerry Bluter 19 - What now my love - Sonny & Cher 20 - Torn between tow lovers - Mary McGregor CD2 01 - Everybody´s talkin - Nilsson 02 - Daysleeper - R.E.M. 03 - I´m not in love - Ten CC 04 - Everywhere - Fleetowood Mac 05 - These days - Jackson Browne 06 - I need you - America 07 - I want to know what love is - Foreingner 08 - Ecstasy - Lou Reed 09 - You and I - Scorpions 10 - You belong to me - The Doobie Brothers 11 - I will always love you - Dolly Parton 12 - Dream a litte dream of me - The Mamas & The Papas 13 - Wild World - Mr Big 14 - All out of love - Air Supply 15 - Drive - The Cars 16 - Lay back in the arms of someone - Smokie 17 - Kyrie - Mr. Mister 18 - La la la means I love you - Delfonics 19 - Sara - Starship 20 - You don`t own me - Blow Monkeys 21 - You keep me hangin`on - Vanilla Fudge CD3 01 - What can I do - The Corrs 02 - Women of Ireland - Mike Oldfield 03 - Why - Annie Lennox 04 - Forever young - Alphaville 05 - Someday (I´m coming back) - Lisa Stansfield 06 - Miracle of love - Eurythmics 07 - Torn - Natalie Imbruglia 08 - Constant craving - K.D. Lang 09 - Drivin - Everything But the Girl 10 -Toy soldiers - Martika 11 - Hold me in your arms - Rick Astley 12 - So like Candy - Elvis Costello 13 - Falling - Julee Cruise 14 - Fairy tale of New York - The Pogues 15 - You got a friend - Brand New Heavies 16 - Cathedral song - Tanita Tikaram 17 - In a lifetime - Clannad dueto con Bono 18 - Rachel´s song - Vangelis CD4 01 - Me & Mrs Jones - Billy Paul 02 - I´ve been loving you too long - Otis Redding 03 - Sexual healing - Marvin Gaye 04 - Killing me softly with his song - Roberta Flack 05 - Like a natural woman - Aretha Franklin 06 - Walk on byk - Dione Warwick 07 - Come rain or come shine - Ray Charles 08 - So you say - Manhattan Transfer 09 - Stand by me - Ben E. King 10 - Only you - The Platters 11 - Rainy night in Georgia - Brook Benton 12 - Hey Jude - Wilson Pickett 13 - When something is wrong with my baby - Sam & Dave 14 - Silence is golden - The Tremeloes 15 - When a man loves a woman - Percy Sledge 16 - Save the last dance for me - The Drifters 17 - What a wonderful world - Louis Armstrong 18 - Giving him something he can feel - En Vogue 19 - Bohemian Rhapsody - The Braids 20 - You´re my Choice tonight - Teddy Pendergrass 21 - Just the two of us - Grover Washington Jr. CD5 01 - Aire - Mecano 02 - Así estoy yo - Joaquín Sabina 03 - Vida loca - Francisco Céspedes 04 - Te amo - Umberto Tozzi 05 - No puedo evitar - Duncan Dhu 06 - Cuando acaba el placer - So Pra Contrariar 07 - Que será - José Feliciano 08 - Orgullecida - Compay Segundo 09 - Un vestido y un amor - Fito Páez 10 - La senda del tiempo - Celtas Cortos 11 - Big big world - Emilia 12 - The moonlight let me down - Willy Deville 13 - Under the Spanish sun - Paul Collins 14 - Love ain´t here anymore - Take That 15 - Yolanda - Danza Invisible 16 - Raquel - David Broza 17 - Angel - Orquesta Mondragon 18 - El Lute - Boney M. 19 - Un amor sincero - Mikel Herzog 20 - Contradicción - Carlos Valenciaga 21 - What´s a woman - Vaya con Dios -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110327/d1994b4e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Mar 27 13:25:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 27 Mar 2011 13:25:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__ATO_P=DABLICO_EM_MEM=D3RIA_DO_49?= =?iso-8859-1?q?=BA_ANO_DO_ASSASSINATO_DE_JO=C3O_PEDRO_TEIXEIRA?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CONVITE ATO PÚBLICO EM MEMÓRIA DO 49º ANO DO ASSASSINATO DE JOÃO PEDRO TEIXEIRA Local: Povoado de Barra de Antas - Sapé-PB Data: 02 de Abril de 2011 (Sábado) Realização: Ong Memorial das Ligas Camponesas e movimentos sociais. Programação: - Concentração às 14 horas em frente à Escola Municipal Cândida Emília - às margens da Rodovia PB 073 (Rodovia João Pedro Teixeira); - Fala de Elizabeth Teixeira (Viúva de João Pedro Teixeira); - Caminhada até a casa onde morou João Pedro Teixeira na Comunidade de Barra de Antas; - Apresentação da peça teatral "Os amores de João Pedro e Elizabeth"; - Homenagem a Elizabeth Teixeira por mulheres lutadoras do povo. "Não vamos enterrar um homem, vamos plantá-lo" (Raymundo Asfóra no enterro de JPT) Leia o livro "Elizabeth Teixeira, Mulher da Terra" de Ayala Rocha. ======================================================================================================== A HISTÓRIA. João Pedro Teixeira nasceu em 4 de março de 1918, em Pilõesinhos, naquele tempo um distrito do município de Guarabira (PB). É filho de um pequeno produtor do mesmo nome (João Pedro Teixeira) e Maria Francisca da Conceição do Nascimento. Toda a revolta de João Pedro contra o modo de trabalho imposto aos camponeses começou com os ensinamentos de seu pai, que se envolveu em um conflito na propriedade, da qual era arrendatário. Não aceitou que o proprietário quisesse se apossar de uma parte das terras. A disputa começou na época em que nasceu o futuro líder das Ligas Camponesas, e durou seis anos. A tensão era muito grande, que num forró, dois filhos do dono com mais dois capangas provocaram uma briga. Para não morrer, João Pedro, pai, acabou matando os dois. Fugiu e nunca mais foi visto. Esta dor o filho carregou por toda a vida. A mãe mudou-se para Guarabira e depois para Sapé. Levou a filha, mas João Pedro foi entregue aos avós. Quando o avô morreu, um irmão do pai terminou criando João Pedro Teixeira, em Massangana, em Cruz do Espírito Santo. Ali João Pedro aprendeu trabalhar na roça, mas quando ficou de maior, foi trabalhar na pedreira perto de Café do Vento. Aí conheceu Elisabete com quem se casou em 26 de julho de 1942, tendo que fugir, pois os pais eram contra. Elisabete tinha 17 anos de idade; era a mais velha dos nove filhos de Manoel Justino da Costa e de Altina Maria da Costa. De 1942 a 1944, o casal morou no Sítio Massangana, onde o gerente do Engenho Massangana era Luiz Pedro, tio de João Pedro, que os tratou como filhos. João Pedro ajudava o tio. Mas por discordar do tratamento que o tio dispensava aos trabalhadores acabou deixando o roçado. Abrigou Elisabete e o bebê (Marluce) na casa da mãe dele em Sapé, e foi procurar serviço em Recife. Em janeiro de 1945, levou a família para Jaboatão, onde foi trabalhar numa pedreira. Logo apareceram as injustiças na pedreira e João Pedro se tornou o líder dos operários. Foi se aproximando do Partido Comunista e, em 1948, começaram as reuniões em sua casa. Criou o Sindicato dos Operários de Pedreiras, tendo ele sido eleito presidente. As perseguições não tardaram. João Pedro não conseguia mais emprego. Elisabete conseguiu ganhar um pouco num mercado, mas a pobreza era demais. Euclides Justino da Costa, irmão mais velho de Elisabete, encontrou-os em 1954. Ficou com pena de vê-los, com 6 filhos, naquela penúria. Convidou-os a voltar para Sapé e tomar conta de um sítio recém comprado pelo pai de nome Antas do Sono, vizinho do Sítio do Pai. Mesmo com receio do pai, que não escondia não gostar do genro, pobre, preto e teimoso, voltaram para Sapé, na Paraíba, em maio de 1954. Nessa época, João Pedro já conhecia as Ligas, no Engenho Galiléia, em Pernambuco. O sogro Manoel Justino até ajudou, dando alguns moradores da sua fazenda para limpar o roçado do genro, e preparar a terra para o plantio. Logo, João Pedro observou que estes moradores só traziam um pouco de farinha, rapadura e piaba para almoçar. Não tardou para descobrir que aquela era a situação de todas as famílias camponesas da redondeza. Em 1955, aconteceu o primeiro Encontro dos Camponeses de Sapé, na casa de João Pedro, com a presença de outros líderes como Nego Fuba (João Alfredo Dias) e Pedro Fazendeiro (Pedro Inácio de Araújo) - os dois primeiros desaparecidos políticos do Regime Militar de 1964. A reação do pai de Elisabete e de todos os latifundiários foi grande. João Pedro foi preso no dia seguinte e espancado. Mesmo assim a luta continua com reuniões relâmpagos nas fazendas, nas feiras e na sapataria de Nego Fuba, em Sapé. O movimento crescia, atraindo também gente graúda da cidade. A luta para eliminar o "cambão" (a obrigação de trabalhar um dia de graça na terra do proprietário) foi o principal argumento para criar uma entidade associativa para acolher os trabalhadores e organizá-los melhor. Assim, em fevereiro de 1958, a Associação dos Lavradores Agrícolas de Sapé, conhecida pelo nome de "Ligas Camponesas de Sapé", foi fundada, tendo João Pedro como vice-presidente. Ele também representava 14 Ligas Camponesas, na Federação das Liga Camponesas da Paraíba, da qual também era vice-presidente, em 1961. Nesta função viajava muito para João Pessoa para reuniões e reivindicações em benefício dos camponeses, junto ao governador Pedro Gondim. As ações em defesa dos direitos dos camponeses eram feitas em mutirões com centenas de companheiros, que eram transportados em caminhões. Eram ações para arrancar cercas, plantar onde os patrões tinham destruído lavouras, reparar casas, defender companheiros prejudicados de todas as formas e as campanhas de massa. Com isso, as Ligas de Sapé cresceram, atingindo mais de 10 mil associados. O sogro Manoel Justino vendeu até o Sítio Antas de Sono, quando viu que nada mudava a cabeça de João Pedro e nem conseguiu mandá-lo embora deste sítio, com Elisabete e as 11 crianças, em 1961. Com o novo dono, Antônio Vítor, e o apoio dos latifúndios, aumentaram as ameaças para expulsar João Pedro Teixeira, com tiros nas paredes da sua casa e todos os tipos de ameaças à sua família. Elisabete chegou a aconselhar João Pedro a ir para o Sul do país, para escapar das ameaças. Mas o líder dizia à esposa: "Você e meus filhos podem ir. Fico com os retratos, mas não me acovardo". Nesta época João Pedro já era o presidente da Ligas de Sapé. As ameaças de morte contra ele circulavam em todos os locais de Sapé, através de capangas. Além dos problemas na Liga, João Pedro tinha que enfrentar o novo dono do Sítio, Antônio Vítor, e teve que se defender na justiça contra um processo de despejo. Com isso, já não dormia direito nos últimos meses de vida. "Ele se levantava todas as noites, ia de cama em cama e de rede em rede, ver todos os filhos, chorando; ele amava os filhos e era um esposo muito bom. João Pedro sabia que um dia não iria escapar. E sofria muito com isso, mas escondia. Nos abraçava todas as vezes que tinha que viajar, e, de vez em quando, me perguntava: "Elisabete, quando eu morrer, você continuará a minha luta?", conta Elizabete em seu livro. Em 2 de abril de 1962, João Pedro tinha que se apresentar em João Pessoa, por causa do processo de despejo; o novo dono ia fazer um acordo. Chegando a João Pessoa, o advogado comunicou que a reunião tinha sido adiada para a tarde. Isso fazia parte da trama para matá-lo. Funcionou; conseguiram matar João Pedro neste dia, numa emboscada. Saindo no último ônibus, indo a pé, já perto de sua casa, atiraram nas costas dele. Três tiros brutais, planejados por Antônio Vítor, Agnaldo Veloso Borges e Pedro Ramos Coutinho, como confessou o Cabo Chiquinho que praticou o crime com mais dois capangas. No jornal Correio da Paraíba, Jório Machado escreveu na sua coluna "Aconteceu": " .Seu peito atlético ficou tão estragado que à primeira vista não erraríamos em pensar que os latifúndios usaram foices em vez de fuzil. (.) seu corpo comprido cravado de balas e entornado de sangue, parecia a imagem de Jesus morto..". Elisabete só soube na manha seguinte. E ao ver o corpo, chorando disse "João Pedro, por mais de uma vez você me perguntou se eu daria continuidade à sua luta, e eu nunca te dei minha resposta. Hoje eu te digo, com consciência ou sem consciência de luta, eu marcharei na sua luta, pro que der e vier ". Mais de cinco mil camponeses acompanharam o enterro. *Texto elaborado por Irmã Tonny -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110327/0be11c19/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2740 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110327/0be11c19/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 28 20:01:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 28 Mar 2011 20:01:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Principal_causa_da_confus=E3o_men?= =?iso-8859-1?q?tal_nos_idosos__por__Arnaldo_Lichtenstein=2C_m=E9di?= =?iso-8859-1?q?co*________________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MED?= =?iso-8859-1?q?ICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O=2E?= Message-ID: <6E5A16D8A15F4A00A2761A7185CEA152@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem (colaboração de Iolanda Toshie Ide ) Principal causa da confusão mental nos idosos (os que não morreram jovens demais) Arnaldo Lichtenstein, médico* Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta: - Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental? * Alguns arriscam: *"Tumor na cabeça". Eu digo: "Não". Outros apostam: "Mal de Alzheimer" Respondo, novamente: "Não". A cada negativa a turma se espanta... E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns: - diabetes descontrolado; - infecção urinária; - a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa. Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos "batedeira"), angina (dor no peito), coma e até morte. Insisto: não é brincadeira. Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem. Conclusão: Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo. Por isso, aqui vão dois alertas: 1 - O primeiro é para vovós e vovôs ( nós mesmos): tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco,leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi,laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada duas horas,botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso! 2 - Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção. É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. "Líquido neles e rápido para um serviço médico". (*) Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110328/d61a4198/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 28 20:01:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 28 Mar 2011 20:01:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Pe=E7a_de_Iza=EDas_Almada_=22_Pai?= =?iso-8859-1?q?=22=2C__debate_quest=E3o_dos_desaparecidos_pol=EDti?= =?iso-8859-1?q?cos?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Escrevinhador Festival de Teatro de Curitiba Peça de Izaías Almada debate questão dos desaparecidos políticos publicada segunda-feira, 28/03/2011 às 11:20 e atualizada segunda-feira, 28/03/2011 às 11:47 por Juliana Sada Nesta quarta-feira, tem início a 20ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, um dos mais importantes eventos de artes cênicas do Brasil. Com duração até dez de abril, o Festival reúne mais de quatrocentas atrações, entre teatro, música, circo, stand-up comedy, dança e cinema. O dramaturgo e escritor Izaías Almada, colunista deste Escrevinhador, terá sua peça "Pai" encenada pela Cia Nuvem da Noite. O texto inédito de Almada, adaptado e dirigido por Gilson Filho, conta a história de uma família que encontra o corpo de seu pai, um desaparecido da ditadura militar brasileira. A ossada é encontrada junto a outras centenas durante uma busca no Cemitério de Perus, em São Paulo. O enrendo foca na chegada desta informação na família e como isto transforma a delicada relação entre mãe e filha, reavivando lembranças e revelando sentimentos abafados. A peça será encenada nos dias 4, 5, 6 e 7 de abril, na Casa Hoffman, no centro de Curitiba. Mais informações podem ser encontradas no site do Festival. Izaías Almada conversou com o Escrevinhador e nos contou mais sobre a sua peça. A peça foi escrita baseada em alguma história em particular, algum episódio real? Não foi propriamente uma história em particular, mas foi a partir da notícia da descoberta de ossadas em um cemitério da periferia de São Paulo, ainda no governo da prefeita Luiza Erundina. Havia suspeitas de que algumas dessas ossadas pudessem ser de prisioneiros políticos da ditadura que desapareceram. Como tive amigos nessa situação, em especial o Eduardo Leite, o Bacuri, e o ex-marinheiro Raimundo Costa, quis fazer uma homenagem a eles e a outros companheiros desaparecidos. O objetivo do texto é sensibilizar o público frente a questão dos desaparecidos políticos? Ele tem como finalidade provocar um debate entre o público? Sim, o objetivo da peça é sensibilizar o público para esse problema, mostrando que aqueles "terroristas" eram pessoas como qualquer um de nós, cujas as circunstâncias da luta política na época os transformou em opositores clandestinos, já que não havia alternativas para um pensamento oposicionista no país depois do golpe de 64. Mas a sensibilização ultrapassa esse primeiro patamar, pois também - nos dias de hoje - deve chamar a atenção para a efetivação e os trabalhos da Comissão da Verdade. E se isso provocar debates com o público após as apresentações, melhor ainda. Qual a relevância do teatro abrir espaço para esse debate político? No meu entender, o teatro, o cinema, a literatura, as artes de um modo geral, mas principalmente aquelas que mantém contato com um número maior de pessoas, devem estar sempre sintonizada com o que se passa à sua volta. E qual é, na sua opinião, a importância de se debater esses temas? Debater a questão dos direitos humanos será sempre importante, em qualquer época. Como o homem ainda não aprendeu a viver numa sociedade mais justa e efetivamente pacífica, nunca será demais tentar, através da arte, sensibilizar as pessoas para determinadas questões: a melhor distribuição da riqueza é uma delas. A luta contra a tortura e a violência policial é outra. A questão da soberania nacional será uma terceira. E por aí eu poderia nomear várias questões relevantes para se debater. Hoje e, pelo visto, sempre. Leia outros textos de Sopa de Letras -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110328/80f96e13/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Mar 28 20:02:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 28 Mar 2011 20:02:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Te=F3logo_Jos=E9_Comblin_morre_?= =?windows-1252?q?na_Bahia?= Message-ID: ----- Original Message ----- From: Vanderley - Revista To: Vanderley - Revista Sent: Monday, March 28, 2011 7:45 PM Subject: Teólogo José Comblin morre na Bahia Carta O Berro..........................................................repassem Teólogo José Comblin morre na Bahia mas será enterrado em Arara,na Paraiba Padre belga, um dos teólogo da Libertação, viveu muito tempo na Paraiba Morreu na manhã deste domingo (27), aos 88 anos, no município baiano de Simões Filho (Região metropolitana de Salvador), o padre belga José Comblin, um dos mais importantes teólogos da Teologia da Libertação em todo o mundo. Autor de vários livros, entre eles ?Teologia da Enxada?, uma corrente teológica surgida em 1969 na Igreja Católica do Nordeste do Brasil e que tem como base a reflexão a partir da realidade dos agricultores e famílias camponesas, foi encontrado morto no quarto do local onde estava hospedado, por outros religiosos que o aguardavam para a oração matinal e estranharam a sua demora. Segundo informações dos religiosos, ele levantou-se cedo, tomou banho, aprontou-se, mas não apareceu para a oração da manhã. Quando o procuraram, encontraram-no sentado no quarto e já morto. O padre tinha problemas cardíacos e usava marca-passo. José Comblin nasceu em 22 de março 1923, mas trabalhava na América Latina desde 1958. Devido às suas ideias, foi perseguido pelo regime militar implantado no Brasil em 1964, chegando a exilar-se no Chile para fugir das perseguições. Em 1972, voltou ao Brasil, onde foi preso e deportado para a Bélgica. Só em dezembro de 2010 o pedido de sua deportação foi oficialmente extinto pelo governo brasileiro. Atualmente, ele morava na cidade de Barra, município às margens do Rio São Francisco, no interior da Bahia (a 807 kms de Salvador). O corpo do religioso belga está sendo velado em Salvador e será translado para a Paraíba, onde será enterrado, de acordo com seus desejos, segundo informaram porta-vozes da Arquidiocese de Barra. José Comblin foi um dos seguidores e principais assessores de Dom Hélder Câmara (de Pernambuco), o defensor dos Direitos Humanos e da opção da Igreja pelos pobres que chegou a ser conhecido durante a ditadura brasileira como o "bispo vermelho". Comblin participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Esteve na raiz das equipes de formação de seminaristas no campo em Pernambuco e na Paraíba (1969), do seminário rural de Talca, no Chile (1978) e, depois, na Paraíba, em Serra Redonda (1981). Estas iniciativas deram origem à chamada Teologia da enxada. Além disso, esteve na origem da criação dos Missionários do Campo (1981), das Missionárias do Meio Popular (1986), dos Missionários formados em Juazeiro da Bahia (1989), na Paraíba (1994) e em Tocantins (1997). É autor de inúmeros livros, dentre eles ?A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978)?. O Instituto Humanitas Unisinos (instituição ligada à Universidade do Vale do Sinos, de Santa Catarina) acaba de publicar o Cadernos Teologia Pública nº 36, intitulado Conferência Episcopal de Medellín: 40 anos depois, com a conferência que o religioso belga proferiu em evento ali realizado. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110328/b01d6af3/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 29 19:43:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 29 Mar 2011 19:43:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__FREI_TITO_DE_ALENCAR_LIMA_=281945_-_19?= =?iso-8859-1?q?74=29___________________________-XCIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem FREI TITO DE ALENCAR LIMA (1945 - 1974) Filiação: Laura Alencar Lima e Ildefonso Rodrigues Lima Data e local de nascimento: 14/09/1945, Fortaleza (CE) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 07/08/1974, França Tito de Alencar Lima estudou em Fortaleza, sua terra natal, com os padres jesuítas e, mais tarde, foi aluno de Filosofia da USP, em São Paulo. Atuou como dirigente regional e nacional da Juventude Estudantil Católica (JEC), tendo sido seu coordenador para o Nordeste. Em 1965, ingressou na Ordem dos Dominicanos, sendo ordenado sacerdote em 1967. Foi preso em 1968, sob a acusação de ter alugado o sítio onde se realizou o 30º Congresso da UNE, em lbiúna (SP), e novamente em 04/11/1969, em companhia de outros frades dominicanos acusados de manterem ligações com a ALN e seu líder Carlos Marighella. Frei Tito foi torturado durante 40 dias pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury e, em seguida, transferido para o Presídio Tiradentes, onde permaneceu até 17 de dezembro. Nesse dia, foi levado para a sede da OBAN, onde o conhecido torturador capitão Maurício Lopes Lima lhe disse: "Agora você vai conhecer a sucursal do inferno". Durante dois dias, Tito passou pelo "pau-de-arara", recebeu choques elétricos na cabeça, nos órgãos genitais, nos pés, mãos e ouvidos. Levou socos, pauladas, "telefones", palmatórias; enfrentou um "corredor polonês", foi preso à "cadeira do dragão" e queimado com cigarros. Depois de uma noite inteira no pau-de-arara, tentou o suicídio com uma gilete, sendo conduzido às pressas para o Hospital Central do Exército, no Cambuci, onde ficou cerca de uma semana sob tratamento médico. No entanto, em nenhum momento os agentes pararam de torturá-lo psicologicamente. Banido do país em 13/01/1971, em troca do embaixador suíço no Brasil, viajou para o Chile, seguindo depois para a Itália e França. Após algum tempo, instalou-se na comunidade dominicana de Arbresle, onde lutou desesperadamente contra os crescentes tormentos de sua mente, abalada pela tortura. Já no exílio, recebeu condenação da 2ª Auditoria de São Paulo a um ano e meio de reclusão, em 23/02/1973. Sobre as torturas sofridas pelo dominicano constou dos autos do processo formado na CEMDP um documento redigido pelo próprio Frei Tito: "Na quinta-feira, três policiais acordaram-me à mesma hora do dia anterior. De estômago vazio, fui para a sala de interrogatórios. Um capitão cercado por sua equipe voltou às mesmas perguntas. - Vai ter que falar senão só sai morto daqui - gritou. Logo depois vi que isto não era apenas uma ameaça, era quase uma certeza. Sentaram-me na Cadeira do Dragão (com chapas metálicas e fios), descarregaram choques nas mãos e um na orelha esquerda. A cada descarga, eu estremecia todo, como se o organismo fosse se decompor. Da sessão de choques, passaram- me ao pau de arara. Uma hora depois, com o corpo todo ferido e sangrando, desmaiei. Fui desamarrado e reanimado. Era impossível saber qual parte do corpo doía mais: tudo parecia massacrado. Mesmo que quisesse, não poderia responder às perguntas: o raciocínio não se ordenava mais, restava apenas o desejo de perder novamente os sentidos. Isso durou até as dez horas, quando chegou o capitão Albernaz. Nosso assunto agora é especial, disse o capitão Albernaz, e ligou os fios em meus membros. Quando venho para a OB - disse - deixo o coração em casa. Tenho verdadeiro pavor a padre e para matar terrorista nada me impede. A certa altura, o capitão Albernaz mandou que eu abrisse a boca para receber 'a hóstia sagrada'. Introduziu um fio elétrico. Fiquei com a boca toda inchada, sem poder falar direito. (...)". Até junho de 1973, Frei Tito viveu no convento S. Jacques, em Paris, onde retomou seus estudos na Universidade de Sorbonne. A tortura deixara nele seqüelas profundas e rompeu definitivamente seu equilíbrio psíquico. Apesar dos cuidadosos tratamentos a que se submeteu na França, sua unidade interior havia se partido. Foi mandado para o convento dominicano de Sainte Marie de la Tourette, em Eveux, província de Lyon, onde poderia encontrar um clima mais calmo para estudar Teologia. Nada adiantou, pois os torturadores haviam tomado conta de seu próprio psiquismo. No dia 07/08/1974, com 31 anos, Frei Tito enforcou-se em uma árvore de um bosque ao redor do convento, conforme bem retratado no filme Batismo de Sangue, do diretor Helvécio Ratton, exibido em todo o Brasil em 2006 e 2007. A morte foi seu último ato de coragem e protesto. Foi enterrado no cemitério de Sainte Marie de la Tourette. Em 25/03/1983, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil e acolhidos solenemente na igreja dos Dominicanos, em Perdizes, na capital paulista, onde, ao lado dos restos mortais de Alexandre Vannucchi Leme, morto em 17/03/1973 e enterrado como indigente no cemitério de Perus, recebeu homenagens e manifestações de saudade. Dom Paulo Evaristo Arns, símbolo da defesa dos Direitos Humanos no Brasil, coordenou a celebração litúrgica, sendo que em seguida os ossos de Frei Tito foram trasladados a Fortaleza. Na reunião de apreciação do caso, que marcou os 30 anos de sua morte, a relatora Maria Eliane Menezes de Farias chamou a atenção para as inúmeras brutalidades sofridas por Tito de Alencar Lima, que teriam culminado com seu suicídio, demonstrando o nexo de causalidade entre o suicídio e as torturas e perseguições por motivação política, na forma do disposto no art. 4º, I, "d", da Lei nº 9.140/95. Ao elaborar seu voto Maria Eliane Menezes de Farias afirmou que "a vasta documentação acostada aos autos confirma os fatos quanto à militância política de Tito de Alencar Lima, seu sofrimento e morte, por suicídio, em conseqüência das seqüelas resultantes de atos de tortura praticados por agentes do poder público. Provada a relação de causa e efeito entre a prisão, tortura e posterior desequilíbrio psíquico que levou Frei Tito ao suicido reconheço-o como vítima da ditadura militar". ====================================================================================== + Informações Frei Tito, 30 anos do martírio (Frei Betto*) Em 10 de agosto completam-se trinta anos da trágica morte de Frei Tito de Alencar Lima (1), em L`Arbresle, no Sul da França. Em sua dor gravou-se o que de mais hediondo produziu o militarismo brasileiro e, nele, reflete-se a venerável indignação de quantos acreditam na política como expressão coletiva de princípios éticos. No sofrimento de Tito, tornado símbolo das vítimas de torturas elencadas no livro "Brasil, Nunca Mais" (Vozes), inscreve-se a esperança de quantos acreditam na política como mediação de utopias libertárias. Preso em novembro de 1969, em São Paulo, acusado de oferecer infra-estrutura a Carlos Marighella (1), Tito é submetido à palmatória e choques elétricos, no Departamento de Ordem Política e Social (DEOPS), em companhia de seus confrades. Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontra em mãos da Justiça Militar, é retirado do Presídio Tiradentes e levado para a Operação Bandeirantes (Oban), mais tarde conhecida como Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na rua Tutóia. Durante três dias, batem sua cabeça na parede, queimam sua pele com brasa de cigarros e dão-lhe choques por todo o corpo, em especial na boca, "para receber a hóstia", gritam os algozes. Fernando Gabeira, preso ao lado, tudo acompanha. Querem que Tito denuncie quem o ajudou a conseguir o sítio de Ibiúna para o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1968, e assine depoimento atestando que dominicanos participaram de assaltos a bancos. No limite de sua resistência, Tito corta, com a gilete que lhe emprestam para fazer a barba, a artéria interna do cotovelo esquerdo. É socorrido a tempo no hospital militar, no Cambuci. As incessantes torturas não abrem a boca do frade dominicano de 28 anos, mas lhe cindem a alma. Cumpre-se a profecia do capitão Albernaz, da Oban: Se não falar, será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis. Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de seu silêncio. Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Bucher, seqüestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Lamarca (2), Tito é banido do Brasil pelo governo Médici. De Santiago do Chile ruma para Paris, sem jamais recuperar sua harmonia interior. Nas ruas da capital francesa, ele "vê" o espectro de seus torturadores. Transferido para L`Arbresle, próximo a Lyon, em seu estreito quarto no convento construído por Le Corbusier, Tito estremece aos gritos do pai espancado no Departamento de Ordem Político e Social (DOPS), geme aos berros da mãe dependurada no pau-de-arara, arrepia-se de pavor aos espasmos de seus irmãos eletrocutados, contorce-se em calafrios sob o fantasma do delegado Fleury. Sua mente naufraga em delírios. Tito não recupera, no exílio, a paz que lhe fora seqüestrada. No dia 10 de agosto de 1974, um estranho silêncio paira sob o céu azul do verão francês, envolvendo folhas, ventos, flores e pássaros. Nada se move. Entre o céu e a terra, sob a copa de um álamo, balança o corpo de Frei Tito, dependurado numa corda. O suicídio foi o seu gesto de protesto e de reencontro, do outro lado da vida, da unidade perdida. Deixara registrado nas páginas de sua Bíblia que De retorno ao Brasil, em março de 1983, os restos mortais de Frei Tito tiveram solene acolhida na catedral da Sé, em celebração presidida pelo cardeal D. Paulo Evaristo Arns. Repousam agora em Fortaleza. Não se apagou, todavia, a luz de seu exemplo. A criatividade artística captou o rastro de sangue que se faz caminho. O curta-metragem Frei Tito, dirigido por Marlene França, recebeu aplausos em festivais do exterior, conquistou em Cuba o prêmio de melhor curta-metragem, no Festival Latino-Americano de Cinema e, no Brasil, o prêmio Margarida de Prata, da CNBB. Premiada pelo Serviço Nacional de Teatro, a peça de Licínio Rios Neto, Não Seria o Arco do Triunfo um Monumento ao Pau de Arara?, em memória de Tito, foi proibida pela Censura Federal durante o regime militar, impedindo Ricardo Guilherme de montá-la para percorrer o país. Adélia Prado homenageou-o num comovente poema. Oriana Fallaci dedicou a ele o livro - Um Homem - em que narra a paixão dela por Panagoulis, líder da resistência à ditadura grega. O senador italiano Raniero La Valle escreveu, sobre Tito, Fora do Campo, editado no Brasil pela Civilização Brasileira. Clara de Góes encontrou em Tito a força de inspiração para um de seus livros de poesia. Frei Tito é venerado por muitas pessoas de fé, que recorrem à sua intercessão em busca de graças. Recordá-lo é resgatar o sacrifício de todos que, no Brasil, lutaram pela restauração da ordem democrática. Ela ainda é frágil, porém promissora, considerando que a sociedade civil prossegue se organizando e mobilizando na conquista de cidadania e na consolidação da democracia. Celebrar neste ano a memória de Frei Tito é homenagear o sacrifício de todos que, no Brasil, viveram na bem-aventurança da sede de justiça e da fome de liberdade. E não temeram dar a vida para que todos tivessem vida, e vida em plenitude (João 10, 10). ================================================================= + detalhes. 10 de agosto 2006, lembrando Frei Tito http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/620028.html MEMÓRIA A juventude de Frei TitoHá 32 anos, o Frei Tito de Alencar Lima foi encontrado morto na França. Era o fim de um período de sofrimento para o cearense que fora preso e torturado pela Ditadura Militar. Um pouco da tranjetória desta personalidade nos é lembrada pela jornalista Socorro Acioli Socorro Acioli Especial para O POVO 10/08/2006 00:02 No dia 10 de agosto de 1974, o corpo do frade cearense Tito de Alencar Lima foi encontrado nas proximidades de Arbresle, sul da França, pendurado por uma corda nos galhos de um álamo. Frade dominicano, cearense, preso injustamente, torturado sem piedade, atormentado até a morte pela voz dos torturadores. Trinta e dois anos depois, a cena trágica da sua morte é suficientemente forte para que não seja esquecida. Mas o Brasil precisa mesmo, mais que nunca, relembrar a energia e lucidez da juventude de Frei Tito, que acreditava no poder da mobilização para mudar os rumos do País. Na falta de ídolos com idéias e ideais, diante de tantos enganos políticos, corrupção, violência, não podemos culpar nossos jovens por estarem tão distantes do engajamento da juventude contemporânea de Frei Tito. São outros tempos, outras idéias, outros ídolos. O jovem Tito passava os finais de semana envolvido com as atividades da Juventude Estudantil Católica, um dos braços da Ação Católica no Brasil, que reunia e convidava os jovens para "ver, julgar e agir". Frei Tito via. Visitava comunidades pobres, favelas, conhecia as injustiças de perto. Observava, sentia tristeza e buscava soluções. Sentia-se tocado pelo sofrimento de seus irmãos e lutava para mudar aquela realidade. Frei Tito julgava. Dedicava os finais de semana ao estudo de obras clássicas de economia, sociologia, história, filosofia, sob a sombra das mangueiras da casa do amigo Roberto Pontes e dos amigos da JEC, lendo Fernando Pessoa, Casimiro de Abreu, estudando e sentindo o caminho para a ação. Frei Tito agia. Pensava nas soluções para o seu País. Escrevia pequenos tratados sobre educação e política. Atuou quando foi necessário, trabalhou pelo movimento estudantil e contra a Ditadura Militar, até ser castigado injustamente por ela e morrer sozinho em terra estrangeira. É necessário e urgente contar essa história para os jovens. Mas falar da Ditadura Militar brasileira, da tortura e morte dos militantes, é sem dúvida um desafio para pais e educadores. Como falar para nossos alunos e filhos que muitos brasileiros foram torturados até morrer, simplesmente porque não tinham o direito de falar contra o seu governo? Como explicar que alguns destes torturadores estão entre nós, trabalhando, candidatando-se a cargos políticos, vivendo sem lembrar do rastro de sangue que deixaram para trás? Como explicar que Frei Tito foi preso e sofreu tanto nas mãos dos seus algozes somente por ter conseguido um sítio para uma reunião de estudantes? Professores e pais cearenses têm a sorte de contar com o Memorial Frei Tito, no Museu do Ceará. Idealizado e montado por Régis Lopes, historiador e diretor do Museu, e Lúcia Alencar, sobrinha de Frei Tito, o Memorial expõe documentos, fotos e objetos pessoais de Frei Tito, trazendo sua presença para perto de nós. Uma das fotos em exposição mostra os jovens presos no Congresso de Ibiúna, São Paulo, quando a Ditadura Militar não permitia nenhum tipo de reunião ou agremiação, justamente o momento que determinou a prisão e o começo do sofrimento de Frei Tito. Passear pelas paredes vermelhas do Memorial Frei Tito com um grupo de adolescentes é despertar uma série de perguntas que eles precisam elaborar e responder, compreendendo o passado do país. Como pesquisadora da vida de Frei Tito, vivo há seis anos o desafio de reconstruir sua vida para contá-la depois, na biografia completa e volumosa que ele merece e que os leitores merecem. Precisamos deixar essa história registrada, para que os jovens de hoje e de amanhã conheçam os passos deste homem, que acreditava no Evangelho, nas mudanças da sociedade, mas que tinha plena consciência de que nada aconteceria sem o esforço de cada um, desde cedo, vendo, julgando e agindo. Socorro Acioli é jornalista e escritora. É autora do livro Frei Tito da Coleção Terra Bárbara, Edições Demócrito Rocha e do blog: freitito.blogspot.com. Qualquer informação sobre a trajetória do jovem Tito, pessoas que conviveram com ele e sua família, podem entrar em contato pelo e-mail: socorroacioli at gmail.com. ======================================================================================================= + detalhes 15.11.06 FREI TITO E A Despedida. Nascido em Fortaleza, Frei Tito foi dirigente regional e nacional da JEC (Juventude Estudantil Católica). Em 1965, ingressou na Ordem dos Dominicanos, sendo ordenado sacerdote em 1967, e também foi aluno de Filosofia da USP. Foi preso pela segunda vez no dia 4 de novembro de 1969, em companhia de outros padres dominicanos acusados de terem ligações com a ALN e Carlos Marighela. Frei Tito foi torturado durante 40 dias pela equipe do delegado Sérgio Fleury. Foi transferido depois para o Presídio Tiradentes, onde permaneceu até dia 17 de dezembro. Nesse dia, foi levado para a sede da Operação Bandeirantes (DOI-CODI/SP), quando o Capitão Maurício Lopes Lima, disse-lhe: ''Agora você vai conhecer a sucursal do inferno''. E foi o que ocorreu. Torturado durante dois dias, pendurado no pau-de-arara, recebendo choques elétricos na cabeça, órgãos genitais, nos pés, mãos, ouvidos, com socos, pauladas, ''telefones'', palmatórias, ''corredor polonês'', ''cadeira do dragão'', queimaduras com cigarros, tudo acompanhado de ameaças e insultos. A certa altura, o Capitão Albernaz ordenou-lhe que abrisse a boca para receber a hóstia sagrada, introduzindo-lhe um fio elétrico que queimou-lhe boca a ponto de impedi-lo de falar. Banido do país, deixou uma carta ao companheiro Vanderley Caixe, também na prisão: "companheiro, aqui ou no exterior estaremos sempre lutando pela liberdade e o socialismo." / Em 13 de janeiro de 1971, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, viajou para o Chile e depois para a Itália e a França. Após algum tempo, instalou-se na comunidade dominicana de Arbresle, tentando desesperadamente lutar contra os crescentes tormentos de sua mente, abalada profundamente pela tortura. Já no exílio, foi condenado pela 2ª Auditoria a pena de 1 ano e meio de reclusão, em 23 de fevereiro de 1973. No dia 7 de agosto de 1974, com 31 anos de idade, Frei Tito enforcou-se, pendurando-se em uma árvore. =========================================================================================== + detalhes 10.08.10 - Brasil Frei Tito de Alencar Lima: 36 anos do martírio (10 de agosto de 1974) Adital Agência de Informação Frei Tito para América Latina Adital Memorial virtual Frei Tito Apresentação (clique abaixo) O Memorial Virtual Frei Tito é um espaço dedicado a um dos maiores símbolos da luta pelos direitos humanos e pela democracia na América Latina e Caribe. Cearense, filho, irmão, frade, ativista, preso político, torturado, exilado, mártir... Conhecer a história de Frei Tito é fundamental para entender as lutas políticas e sociais travadas nos últimos 40 anos contra a tirania de regimes ditatoriais. No hot site colocamos à disposição documentos, fotos, testemunhos, textos e outras informações sobre a vida de Tito de Alencar Lima, frade dominicano que colaborou com a luta armada durante a ditadura militar no Brasil. Este memorial é uma iniciativa da ADITAL (Agência de Informação Frei Tito para a América Latina) que desde 2001 divulga pela internet a agenda social da América Latina e do Caribe. Ao escolher Frei Tito para nomear esta agência, quisemos homenagear também todos aqueles que defenderam a liberdade, a dignidade humana e a vida - ainda que fosse necessário sacrificar suas próprias vidas para alcançar esse fim. Agora, com este hot site, queremos mostrar que as lutas de frei Tito estão tão vivas quanto na época em que viveu. E ser indiferente é uma opção não mais possível. Agradecemos a família de Frei Tito, os frades dominicanos, os pesquisadores e todos aqueles que colaboraram para que este memorial se tornasse realidade. Dados biográficos Nasceu em Fortaleza (CE), dia 14 de setembro de 1945. Filho de Ildefonso Rodrigues Lima e Laura Alencar Lima. Estudou no Colégio Estadual do Ceará (Liceu do Ceará). Participou da Juventude Estudantil Católica (JEC), ala jovem da Ação Católica. Em 1963, eleito dirigente regional da JEC (Maranhão a Bahia), com sede em Recife (PE). Em 1964, participou das primeiras reuniões e das manifestações estudantis contra a ditadura militar. No início de 1966, ingressou no noviciado dos dominicanos, em Belo Horizonte (MG). Em 10 de fevereiro de 1967, fez a profissão simples dos votos e foi residir no Convento das Perdizes para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). 1968/1974 Em 1968, foi preso durante o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna (SP), com todos os congressistas. Em novembro de 1969, foi preso novamente, com Frei Betto e outros religiosos. Torturado ininterruptamente durante três dias pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, chefe do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Em dezembro de 1970, incluído entre os prisioneiros políticos trocados pelo embaixador suíço, Giovani Enrico Bücker, sequestrado pelo comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Em 1971, foi para Roma, Itália, e, em seguida, para Paris, França, onde foi acolhido no convento Saint Jacques. Em 10 de Agosto de 1974, foi encontrado morto em área do Convento de Lyon. Somente em março de 1983, com a abertura política, seus restos mortais retornaram ao Brasil. Acolhidos em solene liturgia na Catedral da Sé, em São Paulo, encontram-se hoje enterrados no cemitério São João Batista, em Fortaleza. ==================================================================== + detalhes Frei Tito (vários vídeos- clique no link abaixo) http://wn.com/Frei_Tito e YouTube - Video Frei Tito ========================================================================================== + detalhes. Colóquio homenageia Frei Tito como símbolo da luta pelos direitos humanos Seg, 10 de Agosto de 2009 21:37 Cerca de 100 pessoas estiveram presentes na celebração eucarística e na abertura do simpósio. Uma mesa redonda no final das atividades de hoje debateu o tema "Memória do cárcere no tempo da repressão". Frei Tito foi símbolo de denúncia da cruel e desumana tortura que os presos políticos sofriam nas mãos dos militares do país, durante a repressão. "Através dele (Frei Tito) o mundo ficou sabendo o que acontecia nas masmorras da ditadura brasileira", declara Frei Oswaldo Rezende, diretor da Escola Dominicana. Nas atividades de amanhã, (11), haverá a mesa redonda "Frei Tito e a memória nacional". De acordo com Frei Oswaldo, a importância de discutir essa temática é fazer com que esses acontecimentos continuem vivos na memória da sociedade. "Esses fatos não podem ser apagados", diz o religioso, se referindo à luta contra a repressão e a defesa pela vida. Participarão deste momento o próprio diretor Frei Oswaldo e também Frei Betto, companheiro de luta de Frei Tito. Encerrando o colóquio, Paulo Vanucchi, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, discursará sobre o tema "Frei Tito e os direitos humanos no Brasil". "É importante falarmos sobre direitos humanos porque é um tema atual. Aproveitamos o momento para falarmos sobre desaparecidos e a revisão da Lei da Anistia", informa Rezende. Frei Tito Um dos principais exemplos de luta pelos direitos humanos no Brasil, o cearense Frei Tito de Alencar Lima, ingressou ainda jovem em manifestos políticos. Aos 18 anos de idade, já era destaque da Juventude Estudantil Católica (JEC), sendo eleito dirigente regional da JEC, com sede em Recife (PE). Aos 19 anos já participava de manifestações estudantis contra a ditadura militar. Em 1968, aos 23 anos, foi preso pela primeira vez durante o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). No ano seguinte, juntamente com outros religiosos como Frei Betto, Tito, um dos que mais sofreram com a ditadura, foi torturado durante três dias, continuamente. Em 10 de Agosto de 1974, acolhido em Paris, na França, o religioso foi encontrado morto, numa área do convento de Lyon. Serviço Anfiteatro da Escola Dominicana de Teologia - EDT - Rua São Daniel, 119 - Alto do Ipiranga (SP) Tito de Alencar Lima Índice a.. 1 Biografia b.. 2 As torturas a.. 2.1 O fim b.. 2.2 A agenda c.. 3 Ver também d.. 4 Ligações externas Biografia Assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963 e foi morar em Recife. Em outubro de 1968, Frei Tito foi preso por participar de um congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna. Foi fichado pela polícia e tornou-se alvo de perseguição da repressão militar. No dia 04 de novembro de 1969, foi preso juntamente com outros dominicanos pelo delegado Sérgio Fleury, do Dops. Durante cerca de trinta dias, sofreu torturas nas dependências deste órgão, de onde foi levado para o Presídio Tiradentes. As torturas No início de 1970, Frei Tito foi torturado nos porões da chamada "Operação Bandeirantes". Na prisão, ele escreveu sobre a sua tortura e o documento correu pelo mundo e se transformou em símbolo de luta pelos direitos humanos. Em 1971 foi deportado para o Chile e, sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. Em Roma, não encontrou apoio da Igreja Católica, por ser considerado um "frade terrorista". De Roma foi para Paris, onde recebeu apoio dos dominicanos. Traumatizado pela tortura que sofreu, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico. Seu estado era instável, vivendo uma agoniada alternância entre prisão e liberdade diante do passado. Para se ter idéia de como o seu trauma era terrível, saiba de uma história ocorrida em sua vida: Uma vez, em pânico, recusou-se a entrar no convento e os frades chamaram o frei Xavier Plassat. Ao encontrar Tito, no meio da chuva, assustado e escondido atrás de uma árvore, dizia que Fleury não o deixava entrar no convento. Xavier então pediu a Tito para tomar café com a "autorização de Fleury" (segundo a visão de Tito). Ao entrar no carro, Xavier pediu para Tito esperar no carro enquanto buscava alguns agasalhos. Quando Xavier voltou para o veículo, Tito estava fora do carro (escondido na mesma árvore) e assustado, como se Fleury tivesse entrado no automóvel. O fim No dia 10 de agosto de 1974, um morador dos arredores de Lyon, encontrou o corpo de Frei Tito, suspenso por uma corda. A causa da morte - suspeita de suicídio - tornou-se um enigma. Foi enterrado no cemitério dominicano Sainte Marie de La Tourette, em Éveux. Em 25 de março de 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil. Antes de chegar a Fortaleza, passou por São Paulo, onde foi realizada uma celebração litúrgica em memória dos mortos pela ditadura de 1964: o próprio Frei Tito e Alexandre Vannucchi. Cercado por bispos e numeroso grupo de sacerdotes, Dom Paulo Evaristo Arns repudiou a tragédia da tortura em missa de corpo presente acompanhada por mais de quatro mil pessoas. A missa foi celebrada em trajes vermelhos, trajes usados em celebrações de Mártires. A agenda Poucos dias antes de morrer, Frei Tito escreveu na sua agenda: «São noites de silêncio Vozes que clamam num espaço infinito Um silêncio do homem e um silêncio de Deus.» ============================================================================================= Relato da tortura de Frei Tito Sex, 18 de Junho de 2010 16:39 | As próprias pedras gritarão Frei Tito por ele mesmo Relato da tortura de Frei Tito Este é o depoimento de um preso político, frei Tito de Alencar Lima, 24 anos. Dominicano. (redigido por ele mesmo na prisão). Este depoimento escrito em fevereiro de 1970 saiu clandestinamente da prisão e foi publicado, entre outros, pelas revistas Look e Europeo. Fui levado do presídio Tiradentes para a "Operação Bandeirantes", OB (Polícia do Exército), no dia 17 de fevereiro de 1970, 3ª feira, às 14 horas. O capitão Maurício veio buscar-me em companhia de dois policiais e disse: "Você agora vai conhecer a sucursal do inferno". Algemaram minhas mãos, jogaram me no porta-malas da perua. No caminho as torturas tiveram início: cutiladas na cabeça e no pescoço, apontavam-me seus revólveres. Preso desde novembro de 1969, eu já havia sido torturado no DOPS. Em dezembro, tive minha prisão preventiva decretada pela 2ª auditoria de guerra da 2ª região militar. Fiquei sob responsabilidade do juiz auditor dr Nelson Guimarães. Soube posteriormente que este juiz autorizara minha ida para a OB sob "garantias de integridade física". Ao chegar à OB fui conduzido à sala de interrogatórios. A equipe do capitão Maurício passou a acarear-me com duas pessoas. O assunto era o Congresso da UNE em Ibiúna, em outubro de 1968. Queriam que eu esclarecesse fatos ocorridos naquela época. Apesar de declarar nada saber, insistiam para que eu "confessasse". Pouco depois levaram me para o "pau-de-arara". Dependurado nu, com mãos e pés amarrados, recebi choques elétricos, de pilha seca, nos tendões dos pés e na cabeça. Eram seis os torturadores, comandados pelo capitão Maurício. Davam-me "telefones" (tapas nos ouvidos) e berravam impropérios. Isto durou cerca de uma hora. Descansei quinze minutos ao ser retirado do "pau-de-arara". O interrogatório reiniciou. As mesmas perguntas, sob cutiladas e ameaças. Quanto mais eu negava mais fortes as pancadas. A tortura, alternada de perguntas, prosseguiu até às 20 horas. Ao sair da sala, tinha o corpo marcado de hematomas, o rosto inchado, a cabeça pe sada e dolorida. Um soldado, carregou-me até a cela 3, onde fiquei sozinho. Era uma cela de 3 x 2,5 m, cheia de pulgas e baratas. Terrível mau cheiro, sem colchão e cobertor. Dormi de barriga vazia sobre o cimento frio e sujo. Na quarta-feira fui acordado às 8 h. Subi para a sala de interrogatórios onde a equipe do capitão Homero esperava-me. Repetiram as mesmas perguntas do dia anterior. A cada resposta negativa, eu recebia cutiladas na cabeça, nos braços e no peito. Nesse ritmo prosseguiram até o início da noite, quando serviram a primeira refeição naquelas 48 horas: arroz, feijão e um pedaço de carne. Um preso, na cela ao lado da minha, ofereceu-me copo, água e cobertor. Fui dormir com a advertência do capitão Homero de que no dia seguinte enfrentaria a "equipe da pesada". Na quinta-feira três policiais acordaram-me à mesma hora do dia anterior. De estômago vazio, fui para a sala de interrogatórios. Um capitão cercado por sua equipe, voltou às mesmas perguntas. "Vai ter que falar senão só sai morto daqui", gritou. Logo depois vi que isto não era apenas uma ameaça, era quase uma certeza. Sentaram-me na "cadeira do dragão" (com chapas metálicas e fios), descarregaram choques nas mãos, nos pés, nos ouvidos e na cabeça. Dois fios foram amarrados em minhas mãos e um na orelha esquerda. A cada descarga, eu estremecia todo, como se o organismo fosse se decompor. Da sessão de choques passaram-me ao "pau-de-arara". Mais choques, pauladas no peito e nas pernas a cada vez que elas se curvavam para aliviar a dor. Uma hora depois, com o corpo todo ferido e sangrando, desmaiei. Fui desamarrado e reanimado. Conduziram-me a outra sala dizendo que passariam a carga elétrica para 230 volts a fim de que eu falasse "antes de morrer". Não cheg aram a fazê-lo. Voltaram às perguntas, batiam em minhas mãos com palmatória. As mãos ficaram roxas e inchadas, a ponto de não ser possível fechá-las. Novas pauladas. Era impossível saber qual parte do corpo doía mais; tudo parecia massacrado. Mesmo que quisesse, não poderia responder às perguntas: o raciocínio não se ordenava mais, restava apenas o desejo de perder novamente os sentidos. Isto durou até às 10 h quando chegou o capitão Albernaz. "Nosso assunto agora é especial", disse o capitão Albernaz, ligou os fios em meus membros. "Quando venho para a OB - disse - deixo o coração em casa. Tenho verdadeiro pavor a padre e para matar terrorista nada me impede... Guerra é guerra, ou se mata ou se morre. Você deve conhecer fulano e sicrano (citou os nomes de dois presos políticos que foram barbaramente torturados por ele), darei a você o mesmo tratamento que dei a eles: choques o dia todo. Todo "não" que você disser, maior a descarga elétrica que vai receber". Eram três militares na sala. Um deles gritou: "Quero nomes e aparelhos (endereços de pessoas)". Quando respondi: "não sei" recebi uma descarga elétrica tão forte, diretamente ligada à tomada, que houve um descontrole em minhas funções fisiológicas. O capitão Albernaz queria que eu dissesse onde estava o Frei Ratton. Como não soubesse, levei choques durante quarenta minutos. Queria os nomes de outros padres de São Paulo, Rio e Belo Horizonte "metidos na subversão". Partiu para a ofensa moral: "Quais os padres que têm amantes? Por que a Igreja não expulsou vocês? Quem são os outros padres terroristas?". Declarou que o interrogatório dos dominicanos feito pele DEOPS tinha sido "a toque de caixa" e que todos os religiosos presos iriam à OB prestar novos depoimentos. Receberiam também o mesmo "tratamento". Disse que a "Igreja é corrupta, pratica agiotagem, o Vaticano é dono das maiores empresas do mundo". Diante de minhas negativas, aplicavam-me choques, davam-me socos, pontapés e pauladas nas costas. À certa altura, o capitão Albernaz mandou que eu abrisse a boca "para receber a hóstia sagrada". Introduziu um fio elétrico. Fiquei com a boca toda inchada, sem poder falar direito. Gritaram difamações contra a Igreja, berraram que os padres são homossexuais porque não se casam. Às 14 horas encerraram a sessão. Carregado, voltei à cela onde fiquei estirado no chão. Às 18 horas serviram jantar, mas não consegui comer. Minha boca era uma ferida só. Pouco depois levaram-me para uma "explicação". Encontrei a mesma equipe do capitão Albernaz. Voltaram às mesmas perguntas. Repetiram as difamações. Disse que, em vista de minha resistência à tortura, concluíram que eu era um guerrilheiro e devia estar escondendo minha participação em assaltos a bancos. O "interrogatório" reiniciou para que eu confessasse os assaltos: choques, pontapés nos órgãos genitais e no estomago palmatórias, pontas de cigarro no meu corpo. Durante cinco horas apanhei como um cachorro. No fim, fizeram-me passar pelo "corredor polonês". Avisaram que aquilo era a estréia do que iria ocorrer com os outros dominicanos. Quiseram me deixar dependurado toda a noite no "pau-de-arara". Mas o capitão Albernaz objetou: "não é preciso, vamos ficar com ele aqui mais dias. Se não falar, será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis". "Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia". Na cela eu não conseguia dormir. A dor crescia a cada momento. Sentia a cabeça dez vezes maior do que o corpo. Angustiava-me a possibilidade de os outros padres sofrerem o mesmo. Era preciso pôr um fim àquilo. Sentia que não iria aguentar mais o sofrimento prolongado. Só havia uma solução: matar-me. Na cela cheia de lixo, encontrei uma lata vazia. Comecei a amolar sua ponta no cimento. O preso ao lado pressentiu minha decisão e pediu que eu me acalmasse. Havia sofrido mais do que eu (teve os testículos esmagados) e não chegara ao desespero. Mas no meu caso, tratava-se de impedir que outros viessem a ser torturados e de denunciar à opinião pública e à Igreja o que se passa nos cárceres brasileiros. Só com o sacrifício de minha vida isto seria possível, pensei. Como havia um Novo Testamento na cela, li a Paixão segundo São Mateus. O Pai havia exigido o sacrifício do Filho como prova de amor aos homens. Desmaiei envolto em dor e febre. Na sexta-feira fui acordado por um policial. Havia ao meu lado um novo preso: um rapaz português que chorava pelas torturas sofridas durante a madrugada. O policial advertiu-me: "o senhor tem hoje e amanhã para decidir falar. Senão a turma da pesada repete o mesmo pau. Já perderam a paciência e estão dispostos a matá-lo aos pouquinhos". Voltei aos meus pensamentos da noite anterior. Nos pulsos, eu havia marcado o lugar dos cortes. Continuei amolando a lata. Ao meio-dia tiraram-me para fazer a barba. Disseram que eu iria para a penitenciária. Raspei mal a barba, voltei à cela. Passou um soldado. Pedi que me emprestasse a "gillete" para terminar a barba. O português dormia. Tomei a gillete. Enfiei-a com força na dobra interna do cotovelo, no braço esquerdo. O corte fundo atingiu a artéria. O jato de sangue manchou o chão da cela. Aproximei-me da privada, apertei o braço para que o sangue jorrasse mais depressa. Mais tarde recobrei os sentidos num leito do pron to-socorro do Hospital das Clínicas. No mesmo dia transferiram-me para um leito do Hospital Militar. O Exército temia a repercussão, não avisaram a ninguém do que ocorrera comigo. No corredor do Hospital Militar, o capitão Maurício dizia desesperado aos médicos: "Doutor, ele não pode morrer de jeito nenhum. Temos que fazer tudo, senão estamos perdidos". No meu quarto a OB deixou seis soldados de guarda. No sábado teve início a tortura psicológica. Diziam: "A situação agora vai piorar para você, que é um padre suicida e terrorista. A Igreja vai expulsá-lo". Não deixavam que eu repousasse. Falavam o tempo todo, jogavam, contavam-me estranhas histórias. Percebi logo que, a fim de fugirem à responsabilidade de meu ato e o justificarem, queriam que eu enlouquecesse. Na segunda noite recebi a visita do juiz auditor acompanhado de um padre do Convento e um bispo auxiliar de São Paulo. Haviam sido avisados pelos presos políticos do presídio Tiradentes. Um médico do hospital examinou-me à frente deles mostrando os hematomas e cicatrizes, os pontos recebidos no hospital das Clínicas e as marcas de tortura. O juiz declarou que aquilo era "uma estupidez" e que iria apurar responsabilidades. Pedi a ele garantias de vida e que eu não voltaria à OB, o que prometeu. De fato fui bem tratado pelos militares do Hospital Militar, exceto os da OB que montavam guarda em meu quarto. As irmãs vicentinas deram-me toda a assistência necessária Mas não se cumpriu a promessa do juiz. Na sexta-feira, dia 27, fui levado de manhã para a OB. Fiquei numa cela até o fim da tarde sem comer. Sentia-me tonto e fraco, pois havia perdido muito sangue e os ferimentos começavam a cicatrizar-se. À noite entregaram-me de volta ao Presídio Tiradentes. É preciso dizer que o que ocorreu comigo não é exceção, é regra. Raros os presos políticos brasileiros que não sofreram torturas. Muitos, como Schael Schneiber e Virgílio Gomes da Silva, morreram na sala de torturas. Outros ficaram surdos, estéreis ou com outros defeitos físicos. A esperança desses presos coloca-se na Igreja, única instituição brasileira fora do controle estatal-militar. Sua missão é: defender e promover a dignidade humana. Onde houver um homem sofrendo, é o Mestre que sofre. É hora de nossos bispos dizerem um BASTA às torturas e injustiças promovidas pelo regime, antes que seja tarde. A Igreja não pode omitir-se. As provas das torturas trazemos no corpo. Se a Igreja não se manifestar contra essa situação, quem o fará? Ou seria necessário que eu morresse para que alguma atitude fosse tomada? Num momento como este o silêncio é omissão. Se falar é um risco, é muito mais um testemunho. A Igreja existe como sinal e sacramento da justiça de Deus no mundo "Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio. Fomos maltratados desmedidamente, além das nossas forças, a ponto de termos perdido a esperança de sairmos com vida. Sentíamos dentro de nós mesmos a sentença de morte: deu-se isso para que saibamos pôr a nossa confiança, não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos" (2Cor, 8-9). Faço esta denúncia e este apelo a fim de que se evite amanhã a triste notícia de mais um morto pelas torturas. Frei Tito de Alencar Lima, OP Fevereiro de 1970 -========================================================== O Livro de Ben Strick Frei Tito: história de luta do religioso cearense no contexto do regime militar é reconstituída em "Morrer para viver: a luta de Tito de Alencar Lima contra a ditadura brasileira", do holandês Ben Strik 21/10/2009 "Morrer para viver", biografia do cearense Frei Tito de Alencar, escrita pelo o holandês Ben Strik ganha tradução. O livro será lançado amanhã, no Museu do Ceará, com a presença do autor Tito de Alencar Lima contava 28 anos quando morreu na pequena Évreux, nos arredores de Lyon, na França. O Brasil estava longe, mas o frei dominicano carregava na bagagem a memória dos sofrimentos que passara no País. Corria no ano de 1974, e com ele se chegava à triste marca de uma década do regime militar brasileiro. O sofrimento ao qual Frei Tito havia sido submetido - variados tipos de tortura física e psicológica - ainda era imposto a muitos dos opositores do regime. Ainda atormentado pelas dores da tortura nas mãos dos militares, Frei Tito deu fim a sua própria vida em 10 de fevereiro daquele ano. Registrou num bilhete: "só posso viver ser morrer". Essa história, mais um dos dramas políticos do período negro da Ditadura Militar, é recontada no livro "Morrer para viver". Mais extensa biografia daquele que é considerado um dos mártires da ditadura brasileira, a obra foi escrita pelo holandês Ben Strik. Lançado originalmente em holandês em 2005, o livro acaba de ganhar tradução para o português. Strik lança seu livro em Fortaleza, na terra de Tito, amanhã, às 18h30, no Museu do Ceará. O livro, impresso na Holanda, traz mais de 700 páginas de texto, com ilustrações que mostram cenas do período em que o dominicano esteve vivo, e de repercussões a sua morte, que chegam aos dias de hoje. Strik não se prende apenas aos episódios da vida de Frei Tito. Sua reconstituição é panorâmica, procurando dar uma ideia do clima político do País, entre os anos 1960 e 1970. Veterano da II Guerra Mundial, onde combateu os nazistas, Strik viveu no Brasil entre 1950 e 1972, trabalhando com povos indígenas e camponeses. Foi embora por conta do clima repressivo. Convergência de dramas O olhar de estrangeiro de Strik, sua preocupação em apresentar ao leitor europeu a pouco conhecida história política brasileira, dá ao livro um tom didático. Isso faz com que, apesar da profundidade do texto, ele seja acessível mesmo para aqueles que não estão familiarizados com a história do religioso cearense. O prefácio do livro é assinado por Frei Betto, dominicano brasileiro, amigo e companheiro de lutas políticas de Tito. Betto é o autor do best-seller "Batismo de Sangue" (1982), que conta a história do envolvimento de um grupo de freis dominicanos na luta contra a Ditadura, e que termina com a violenta repressão que levou Tito à tortura, à morte longe de casa, mas sem esquecer o que sofreu nas mãos da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury (1933 - 1979). O corpo de Frei Tito só retornou ao Brasil em 1983, às vésperas da abertura política, e quando a anistia de 1979 já havia permitido o retorno ao País de muitos de seus companheiros de ideologia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110329/a10e437c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110329/f2653337/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Mar 29 19:44:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 29 Mar 2011 19:44:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__H=E1_140_anos_o_proletariado_d?= =?windows-1252?q?e_Paris=2C_segundo_Marx=2C_tentou_tomar_o_c=E9u_d?= =?windows-1252?q?e_assalto?= Message-ID: <475623BDF1E348B2A50DD5DB17E37E90@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Silvio Costa Há 140 anos o proletariado de Paris, segundo Marx, tentou tomar o céu de assalto. A primeira década deste Século demonstra, de forma cada vez mais evidente, as contradições e o estertor do projeto civilizatório burguês. A recente crise econômico-financeira que eclode a partir do centro do império, manifesta-se em suas diferentes dimensões e de forma contundente em diversos países, seja através do processo recessivo, seja por meio do número de desempregados, que atinge diversos países principalmente os EUA e a União Européia, seja pelas recentes revoltas que se alastram pelo mundo árabe Tunísia, Egito, Argélia, Líbia, Bahrein, etc.), golpeando mortalmente a era das ditaduras, que atingiu diferentes continentes a partir dos anos de 1960/70. Neste contexto, estudar e conhecer com maior profundidade as experiências revolucionárias que marcam o processo de emancipação do proletariado e dos povos oprimidos assume grande atualidade e urgência. Neste ano, ao comemoramos os 140 anos da tentativa do proletariado de Paris, que segundo Marx, tentou tomar o céu de assalto, nos possibilitará a oportunidade de analisarmos criticamente essa primeira experiência de governo proletário da história da humanidade. A Comuna de Paris de 1871 foi a primeira experiência de governo proletário da história. Mesmo ocorrida há 140 anos, ela continua atual, e seu estudo e conhecimento, associados aos de outras revoluções, contribuem para desnudar conhecidas e velhas falácias de fim da história. A experiência da Comuna de Paris permite ao proletariado compreender que não só é possível, mas é um dever fundamental e um direito lutar por seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, que continuam presentes e é a seiva que levará à construção de uma nova sociedade. Na expectativa de que seja de seu interesse, envio-lhe em anexo, alguns textos sobre a Comuna de Paris de 1871 e indicações de páginas eletrônicas onde você poderá ter acesso a outros trabalhos e a programação das atividades que ocorrerão em nosso país no decorrer deste ano e a programação do seminário que ocorrerá na UFG, nos dia 29 e 30 de março, Portal da Fundação Maurício Grabois: http://grabois.org.br/portal/revista.php?id_sessao=9&id_publicacao=426 Revista eletrônica Espaço Acadêmico: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/ Portal eletrônico Vermelho: http://www.vermelho.org.br/ Blog de divulgação de textos, fotos e dos eventos que ocorrerão no Brasil em torno das comemorações dos 140 anos da Comuna de Paris: http://amigosdacomuna1871.blogspot.com OS 140 ANOS DA COMUNA DE PARIS (1871) em GOIÂNIA FACULDADE DE HISTÓRIA DA UFG - AUDITÓRIO LAURO VASCONCELOS Programação das palestras Dia 29 (09h - 11h30) João Alberto (FH/UFG): A trajetória política de Louis-Eugène Varlin (1860 ? 1871) e a Comuna de Paris. Marcos Menezes (CAJ/UFG): A Comuna: mais uma flor de Paris Dia 29 (19h - 21h30) Silvio Costa (PUC/GO): Atualidade e importância da Comuna de Paris de 1871 David Maciel (FH/UFG): Marx e a Comuna de Paris Dia 30 (09h - 11h30) Nildo Viana (FCS/UFG): Comuna de Paris e perspectiva de classe, interpretações e interesses Rafael Saddi (FH/UFG): A abolição do Estado e a Comuna de Paris em Mikhail Bakunin Dia 30 (19h - 21h30) Samanta Mendes (UNESP/FRANCA): A Comuna de Paris segundo Louise Michel Revalino Freitas (FCS/UFG): Louise Michel e os ecos libertários da Comuna de Paris Inscrições gratuitas no local. Coordenação: Professor João Alberto da Costa Pinto (FH/UFG) - Núcleo de Estudos e Pesquisas em História Contemporânea (NEPHC) Sem mais, envio-lhe Abraços fraternais. Silvio Costa Obs.: Se você não tiver interesse em continuar recebendo as mensagens que lhe envio, favor retornar avisando, que imediatamente retirarei seu endereço de minha lista -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110329/fdf85a83/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 30 19:44:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 30 Mar 2011 19:44:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_HELBER_JOS=C9_GOMES_GOULART___________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-XCV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem HELBER JOSÉ GOMES GOULART (1944-1973) Filiação: Jandyra de Souza Gomes e Geraldo Goulart do Nascimento Data e local de nascimento: 19/09/1944, Mariana (MG) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 16/07/1973, São Paulo (SP) Militante da ALN, Helber adotava o nome de guerra Euclides e foi preso e morto pelos agentes do DOI-CODI/SP. Nota oficial dos órgãos de segurança informou que ele morreu em tiroteio, às 16h do dia 16/07/1973, nas imediações do Museu do Ipiranga, em São Paulo. Nascido em Mariana, Minas Gerais, Helber estudou até a segunda série ginasial em sua terra natal, no Ginásio Dom Frei Manoel da Cruz, da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC). Começou a trabalhar muito cedo, aos 11 anos, entregando jornais; aos 13 anos, no escritório da fábrica de tecidos de Mariana; pouco depois como datilógrafo na Prefeitura. Mudou-se para São Paulo em 1961, com 17 anos, em busca de melhores condições de trabalho, permanecendo nessa cidade até 1963.Trabalhou como apontador na construção da hidrelétrica de Urubupungá, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), retornando a Mariana em 1968 e se mudando para Ouro Preto em 1969. Interessado desde cedo nas questões políticas por influência do pai, militante comunista, passou a ser perseguido após abril de 1964 e respondeu a processo na Auditoria Militar de Juiz de Fora. Pertenceu ao PCB e chegou à ALN após ter se vinculado à Corrente. Em 1971, já atuando na clandestinidade, foi deslocado para São Paulo. A partir de então, os contatos com a família foram sendo feitos através de cartas e de raros encontros. Os últimos foram nos meses de março e junho de 1973, pouco antes de sua morte. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar informam que Helber escapou de ser preso, em 09/11/1972, quando ele e Aurora Maria Nascimento Furtado foram abordados numa blitz em Parada de Lucas, no Rio de Janeiro, sendo aquela militante presa após balear um policial da Invernada de Olaria, conforme já relatado neste livro. Esses documentos incluem também Helber como um dos participantes do assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, no Rio, em 02/09/1971, que deixou três vigilantes mortos. Helber foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus (SP). Os restos mortais foram exumados e identificados por uma equipe da Unicamp. Trasladados para Mariana (MG) em 13/07/1992, foram sepultados no Cemitério de Santana após missa celebrada por Dom Luciano Mendes de Almeida, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. As provas que contestam a versão dos órgãos de segurança do regime militar foram encontradas nos próprios documentos oficiais. O atestado de óbito, assinado por Harry Shibata, registra que Helber morreu às 16h. Na requisição de exame ao IML, assinada pelo então delegado Romeu Tuma, consta também que ele morreu às 16h, mas no verso mostra que o corpo deu entrada no necrotério às 8h do mesmo dia. Oito horas, portanto, antes do horário da morte registrada na requisição de Romeu Tuma, e 3h30min antes de ser abordado por agentes de segurança nos jardins do Museu do Ipiranga, conforme divulgaram as autoridades. Segundo o relator do processo na CEMDP Helber já estava morto no dia 16 de julho. O relator considerou que ele morreu antes das 8h da manhã, horário da entrada de seu corpo no necrotério. O laudo necroscópico descreve equimoses e registra que morreu por "choque hemorrágico oriundo de ferimento transfixante do pulmão no seu lobo inferior". O relator observa que, dadas as características do ferimento, a trajetória do projétil foi de frente para trás, da esquerda para a direita e de cima para baixo. Como Helber media 1,88m, "o disparo só pode ter sido efetuado com o corpo caído ao chão". Na foto em que ele aparece sem barba, são visíveis marcas no pescoço, não descritas no laudo. Após o deferimento unânime da CEMDP, o relator Nilmário Miranda mostrou ao perito Celso Nenevê a foto do corpo de Helber e o perito fez uma observação chocante: Helber não estava morto quando aquela foto fora tirada. Havia nela o registro de um nítido rictus de dor, com vincos marcando a testa, incompatíveis com o rosto de um cadáver. =================================================================================================================== + Informações. HELBER JOSÉ GOMES GOULART MILITANTE DA AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Filho de Geraldo Goulart do Nascimento e de Jandira de Souza Gomes, nasceu em Mariana, Minas Gerais, no dia 19 de setembro de 1944. Tinha duas irmãs, Maria do Carmo e Elba que se lembram, com saudades, do Helber criança: passivo, quieto, que gostava de escrever, ler, gostava especialmente, de "Quarup" e "Bar Don Juan" de Antonio Callado. Apreciava música erudita e música popular brasileira. Estudou até a segunda série ginasial em Mariana, no Ginásio Dom Frei Manoel da Cruz, da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade/CNEC. Apesar de sua pouca escolaridade, Helber era um rapaz de vasta cultura por sua vivência e muitas leituras. Começou a trabalhar muito cedo: aos 11 anos, entregando jornais; aos 13 anos, no escritório da fábrica de tecidos de Mariana e, pouco depois, como datilógrafo, na Prefeitura. Foi para São Paulo em 1961, com 17 anos, em busca de melhores condições de trabalho, lá permanecendo até 1963. Iniciado na luta política através de seu pai, antigo membro do Partido Comunista Brasileiro/PCB, nesse mesmo ano juntou-se ao "Grupo dos Onze". Após o golpe de 1964, Helber foi julgado na Auditoria Militar, de Juiz de Fora e, em seguida, mudou-se para o Mato Grosso, para trabalhar na construção da Hidrelétrica de Urubupungá, como apontador. Revoltou-se profundamente com as péssimas condições de trabalho e segurança a que eram submetidos os operários. Retornou a Mariana em 1968, mudando-se para Ouro Preto em 1969, quando se integrou à Ação Libertadora Nacional/ALN. Partiu em 1971 para São Paulo, já clandestino. A partir de então, os contatos com a família foram sendo feitos através de cartas e de raros encontros. Os últimos encontros foram nos meses de março e junho de 1973, pouco antes de sua morte pelas forças da repressão. Numa carta enviada à família, em 08 de outubro de 1971, ele brincava dizendo que trabalhava 25 horas por dia pois levantava sempre 1 hora mais cedo e não tinha tempo para "paquerar". Dizia que os problemas não se resolveriam no plano individual e sim coletivamente; recomendava-Ihes bons livros e bons filmes: "Queimada", "Os Estranhos Caminhos de São Tiago" e, também, a leitura do "Pasquim". Criticava o sistema, o ufanismo exagerado, a política de massificação, despedindo-se com afeto e saudades. Sua última carta é datada de 07 de setembro de 1972. Helber foi preso e torturado até a morte pelos agentes do DOI-CODI/São Paulo. A versão oficial é de morte em tiroteio, às 16 horas do dia 16 de julho de 1973, nas imediações do Museu do Ipiranga, em São Paulo. Entretanto, Helber foi visto no DOI-CODI/SP por diversos presos políticos alguns dias antes do dia 16, quando estava com a barba por fazer há vários dias. Em conseqüência das torturas sofridas, seu estado de saúde obrigou os agentes do DOI-CODI a levá-lo, para ser atendido no Hospital Geral do Exército, no Cambuci, bairro próximo ao Museu do lpiranga. Sua famflia tomou conhecimento de sua morte no dia 18 de julho de 1973 pela TV, e no dia 19 de julho, através dos jornais. Não teve acesso aos seus objetos pessoais: documentos, roupas, livros e outros pertences. O laudo do exame cadavérico do Instituto Médico Legal foi solicitado pelo delegado Romeu Tuma, na época chefe do Setor de Inteligência do DEOPS/SP. O laudo necroscópico, assinado por Harry Shibata e Orlando Brandão, descreve diversos ferimentos, sem referir-se às marcas de tortura. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Perus/SP. Seus restos mortais foram exumados e identificados pela equipe da UNICAMP e, em 13 de julho de 1992, trasladado para Mariana, onde foram sepultados no Cemitério de Santana, após missa celebrada por D. Luciano Mendes de Almeida, presidente da CNBB. O Relatório do Ministério da Marinha mantém a falsa versão de morte em tiroteio. ==================================================================================== + detalhes (EXTRAIDO DA REPRESENTAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL)SP 3.11 HELBER JOSÉ GOMES GOULART "Militante da ALN, Helber adotava o nome de guerra Euclides e foi preso e morto pelos agentes do DOI-CODI/SP. Nota oficial dos órgãos de segurança informou que ele morreu em tiroteio, às 16h do dia 16/07/1973, nas imediações do Museu do Ipiranga, em São Paulo. (...) Helber foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus (SP). Os restos mortais foram exumados e identificados por uma equipe da Unicamp. Trasladados para Mariana (MG) em 13/07/1992, foram sepultados no Cemitério de Santana após missa celebrada por Dom Luciano Mendes de Almeida, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. As provas que contestam a versão dos órgãos de segurança do regime militar foram encontradas nos próprios documentos oficiais. O atestado de óbito, assinado por Harry Shibata, registra que Helber morreu às 16h. Na requisição de exame ao IML, assinada pelo então delegado Romeu Tuma, consta também que ele morreu às 16h, mas no verso mostra que o corpo deu entrada no necrotério às 8h do mesmo dia. Oito horas, portanto, antes do horário da morte registrada na requisição de Romeu Tuma, e 3h30min antes de ser abordado por agentes de segurança nos jardins do Museu do Ipiranga, conforme divulgaram as autoridades. Segundo o relator do processo na CEMDP Helber já estava morto no dia 16 de julho. O relator considerou que ele morreu antes das 8h da manhã, horário da entrada de seu corpo no necrotério. O laudo necroscópico descreve equimoses e registra que morreu por 'choque hemorrágico oriundo de ferimento transfixante do pulmão no seu lobo inferior'. O relator observa que, dadas as características do ferimento, a trajetória do projétil foi de frente para trás, da esquerda para a direita e de cima para baixo. Como Helber media 1,88m, 'o disparo só pode ter sido efetuado com o corpo caído ao chão'. Na foto em que ele aparece sem barba, são visíveis marcas no pescoço, não descritas no laudo. Após o deferimento unânime da CEMDP, o relator Nilmário Miranda mostrou ao perito Celso Nenevê a foto do corpo de Helber e o perito fez uma observação chocante: Helber não estava morto quando aquela foto fora tirada. Havia nela o registro de um nítido 'rictus' de dor, com vincos marcando a testa, incompatíveis com o rosto de um cadáver." (grifamos, p. 347/348) ================================================================= + detalhes Helber José Gomes Goulart Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), nasceu em Mariana, Minas Gerais, em 19 de setembro de 1944. Partiu para São Paulo em 1971, já como clandestino. Foi preso e torturado até a morte por agentes do DOI/Codi-SP. A versão oficial é de morte em tiroteio, às 16 horas do dia 16 de julho de 1973, nas imediações do Museu do Ipiranga. Entretanto, Goulart foi visto no DOI/Codi por diversos presos políticos antes de 16 de julho, com a barba por fazer há vários dias. Enterrado como indigente no Cemitério de Perus. Seus restos mortais foram exumados pelos familiares, identificados pela Unicamp e, em 13 de julho de 1992, transladados para Mariana, sendo sepultados no Cemitério de Santana, após missa celebrada por dom Luciano Mendes de Almeida. O relatório da Marinha mantém a falsa versão de morte em tiroteio. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110330/887f60f3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9835 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110330/887f60f3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 30 19:44:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 30 Mar 2011 19:44:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__SBT_Rep=F3rter_-_Mem=F3rias_de_u?= =?iso-8859-1?q?m_Agente_da_Repress=E3o_-_dia_30_de_mar=E7o_=E0s_23?= =?iso-8859-1?q?=2C15_horas?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marcelo Zelic Car at s o programa SBT Repórter do, dia 30/03 às 23:15 hs cujo título é Memórias de um Agente da Repressão - traz entrevista de João Lucena Leal que conta suas memórias como torturador e agente da repressão durante a ditadura, com informações sobre a Guerrilha do Araguaia, torturas e desaparecidos políticos, entre eles fala sobre a Sonia Moraes. João Lucena é citado no BNM em depoimento de vários presos políticos, dois deles deram depoimentos ao Cabrini. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110330/9d442e37/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Mar 30 19:44:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 30 Mar 2011 19:44:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_nossa_suja_hist=F3ria?= Message-ID: <2A6D585C15044B83BC9B75AE4ECDC0B9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Publicado em 30/03/2011 Sobre o autor deste artigoRui Martins - Berna Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, é líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado dos Emigrantes, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o Expresso, de Lisboa, Correio do Brasil e agência BrPress. a.. A nossa suja história Foi minha filha Julie quem me deu o tema para esta coluna, logo depois do almôço, quando falávamos das mentiras da Tepco no Japão, das tantas mortes na Líbia e do futuro de Kadhafi. Ela ainda está traumatizada por ter ouvido de um primo, numa reunião familiar na última viagem ao Brasil, que a ditadura militar tinha sido uma boa coisa para o País. Terminando o curso colegial, tem estudado a História recente e me surpreendeu, pois, enquanto tomávamos o café preto sem açúcar, fez um simples mas profundo comentário: Veja só papai: na França, existem ruas, placas comemorativas com o nome de Jean Moulin, herói da resistência à ocupação nazista. Quando estive em Barcelona, vi que o povo espanhol não esquece dos que lutaram contra o ditador Franco. Mas, no Brasil, ninguém fala nos anos da ditadura, minhas primas nem sabem disso, é como se nunca tivesse acontecido. Mas foram vinte anos ! Coincidentemente, tinha lido ontem, uma entrevista da jovem e brilhante jornalista Ana Helena Tavares com um dos nossos heróis da resistência à ditadura militar, Carlos Eugênio Paz, na qual ele fala nessa falha histórica, pela qual nossos cinco ditadores são chamados de presidentes e seus nomes são imortalizados em obras públicas. É verdade, o Brasil está empurrando para debaixo do tapete sua suja História, talvez por vergonha mas principalmente porque muitos de seus atores, que participaram do golpe e justificaram a ditadura, estão vivos e têm força suficiente, até no STF, para tentar apagar da memória da jovem geração nossas páginas vergonhosas. E minha filha citou como exemplo a experiência suíça. Durante anos, os manuais escolares, os jornais, os políticos suíços esconderam o papel da Suíça durante a Segunda Guerra, disfarçado sob o manto de uma pretensa neutralidade. Porém, pressionado pelo peso da verdade, o governo foi obrigado a criar uma Comissão histórica independente, composta também de historiadores estrangeiros, presidida pelo suíço Jean François Bergier, para se revelar os anos ocultos. E muita coisa dolorosa se soube, desde os judeus entregues aos nazistas nas fronteiras, ficando seus bens retidos nos bancos suíços, à lavagem do ouro roubado dos bancos centrais dos países ocupados pelos nazistas. Com esse ouro lavado e trocado em dinheiro, os nazistas podiam importar tungstênio e matérias primas da Espanha e Portugal para fabricar suas armas de guerra. E, enfim, foi o próprio presidente suíço quem fez solenemente sua mea culpa. Argentinos e espanhóis desenterram suas vergonhas e estremecem diante das revelações de adoções por famílias de militares dos filhos das jovens opositoras mortas sob a tortura. O exercício da memória é a única maneira de se restabelecer a honra de um país. O Chile teve também seu momento de penitência, ao se revelarem oficialmente os crimes de Pinochet, velho decadente fingindo-se de gagá, com seu passado de traição e assassinatos. É verdade minha filha, o Brasil nunca poderá ser um país de respeito enquanto não lavar a sujeira dos seus vinte anos de ditadura, enquanto não soubermos os nomes dos torturadores e assassinos, alguns dos quais sobreviveram ao retorno da democracia como políticos e parlamentares. Enquanto os livros escolares não falarem de resistentes como Marighella, Lamarca e de tantos outros que tornaram possível a democracia de hoje. Será também preciso se retirar dos ditadores, desde Castelo Branco a Figueiredo, passando por Médici, Costa e Silva e Geisel, a citação e referência de terem sido nossos presidentes. É preciso se contar a verdade para as novas gerações estudiosas, que terão vergonha se o Brasil for o único país do mundo a acobertar a vergonha dos seus anos sujos de ditadura, de falta de liberdade, de torturas e assassinatos. E nesse quadro, é muito normal surgirem declarações abjetas como essas do deputado Bolsonaro, apoiadas pelo pessoal dos anos sujos. Declarações que nunca serão punidas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110330/09bae0ab/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 9075 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110330/09bae0ab/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8617 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110330/09bae0ab/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 50858 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110330/09bae0ab/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 31 19:30:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 31 Mar 2011 19:30:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] 47 ANOS DA DITADURA MILITAR Message-ID: <713A39EF577F409F9F92FC955067A3E9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 47 ANOS DA DITADURA MILITAR (pintura de Paulo Camargo) 47 anos da Ditadura Militar. Vanderley Caixe Foi uma longa noite! Me recordo dela destruindo sonhos, gente "desaparecendo", nos rios, nos porões do DOPS, depois nos DOI-CODIs de todo o Brasil. Eu era um menino-desadolescente, era estudante consciente, mas tudo acabou de repente, naquelas fardas repletas de medalhas e pingentes. Os novos dirigentes não precisavam de gente. Precisavam da pusilanimidade, dos lambe-botas, da unanimidade, do ajoelhar daquele dia, de toda covardia. Deram o golpe de Estado e compuseram o que quiseram. Criaram leis, decretos, institucionais, atos severos e não banais, fizeram do Brasil céu de anil, exemplos da p.q.pariu. Prenderam e arrebentaram, massacraram e torturaram. Do chão a semente plantaram sem dó, o medo, o degredo, roubaram até a aliança da minha avó. (era ouro para o bem do Brasil - do bolso deles.) O lixo, o restolho, os rebotalhos das delegacias, viraram da noite para o dia, AUTORIDADE! Estava plantada no planalto a DITADURA MILITAR - Brasil-EEUU (leia-se Estados unidos). Nós aqui: fodidos. Veio MEC-USAID, veio Globo (Time-Life), veio Veja, vieram ministros-generais, todos diretores de multinacionais. Criaram uma nova profissão: general ladrão. Andreazza para a ponte Rio-Niteroi, Costa Cavalcanti, para Itaipu, Roubo que até hoje dói. Não é preciso procurar de lanterna, basta ver a dívida externa. Era preciso fazer um novo país servil, mudanças para desmontar o Brasil, cassar políticos nacionalistas, prender lideranças estudantis, operários e sindicalistas. Um grande plano foi montado, para a justiça foi reservado, atividades sem garantias, para todos os juizes togados: libertar presos políticos, juízes eram castigados. Habeas-corpus suprimido e, os desmandos policiais generalizados. Inocentes, ou culpados, até prova em contrário, respondiam no cartorário. Nem os livros se podia ler, até conversar era temerário. Havia sempre um dedo-duro cumprindo um papel de otário. Nem os jornais iam dizer a verdade e o acontecer. Nas matérias censuradas, podem crer, iam receitas de bolos e textos literários. Ó Lusíadas de Camões, nunca foi tão lidas pelo parvo. Quem podia, sumia, cientistas, cultores do saber, gente de bem com a Pátria. Tudo se ia. Uns pra Europa se podia, Quem não podia, aqui mesmo era enquadrado.(SE FODIA) Milico virou poder, poder degenerado. Era de se crer, um poder desmascarado. Aos jovens não se perdoou a altivez, as marchas e as passeatas. Cães, botas, cavalos e cacetadas, massacrando,ferindo, e, esperando, talvez uma moçada silenciada. Ledo engano. Daquela luta ou se fez, da força, da luta armada. Embora com estilingues, outras vez, lutando pela Pátria amada. Então, esse Estado usurpado, aos estrangeiros-imperialistas servindo, fez da força a carnificina,. Fez do Estado um pecado: matou homem, criança e menina, na tortura, no choque e no machado. Muitos corpos até hoje, nunca foram encontrados. Os assassinos de Estado, serviçais da elite e de nações devoradoras, aos poucos foram sendo solapados. A nação se cansou, abriu os olhos democratas. Uma nova sociedade precisava. Precisava de um novo Estado. Uma democracia nova, sem milicos e sem golpistas. Precisava de um espaço coerente, uma nova fonte de vista. A democracia se fez, com eleições e Anistia. A ditadura se foi mas, até hoje seus males persistia. PERSISTE! 47 ANOS DA DESGRAÇA DESTE PAÍS. 47 ANOS DA DITADURA MILITAR-EEUU. DITADURA NUNCA MAIS! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110331/09ebc9ed/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 60843 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110331/09ebc9ed/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 31 19:30:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 31 Mar 2011 19:30:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O__Dia_que_durou_21_anos=92_est?= =?windows-1252?q?reia_na_TV_Brasil_S=E9rie__de_3_epis=F3dios_revel?= =?windows-1252?q?a_imagens_e_de_poimentos_hist=F3ricos_sobre_o_Gol?= =?windows-1252?q?pe_de_64_-_dias_4=2C_5_e_6_de_abril_=2C_=E0s_22?= =?windows-1252?q?=2C00_horas=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ?O Dia que durou 21 anos? estreia na TV Brasil Série de 3 episódios revela imagens e de poimentos históricos sobre o Golpe de 64 Outras informações sobre a série estão em www.tvbrasil.org.br/odiaquedurou21anos ?O Dia que durou 21 anos? estreia na TV Brasil Série de 3 episódios revela imagens e de poimentos históricos sobre o Golpe de 64 *Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período, a partir* *da nova série* *?O Dia que durou 21 anos?,** *que a TV Brasil exibe nos dias 4, 5 e 6 de abril, às 22 h. Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidosno golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como *Top Secret,* serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares. O mundo vivia a Guerra Fria quando os Estados Unidos começaram a arquitetar o golpe para derrubar o governo de João Goulart. As primeiras ações surgem em 1962, pelo então presidente John Kennedy. Os fatos vão se descortinando, através de relatos de políticos, militares, historiadores, diplomatas e estudiosos dos dois países. Depois do assassinato de Kennedy, em novembro de 1963, o texano Lyndon Johnson assume o governo e mantém a estratégia d e remover Jango, apelido de Goulart. O temor de que o país se alinharia ao comunismo e influenciaria outros países da América Latina, contrariando assim os interesses dos Estados Unidos, reforçaram os movimentos pró-golpe. [image: Peter Korneluh - O Dia que durou 21 anos] Peter Korneluh A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. Envergando uma roupa civil, ele assume o poder em 15 de abril. Castelo era chefe do Estado Maior do Exército de Jango. O governo norte-americano estava preparado para intervir militarmente, mas não foi necessário, como ressaltam historiadores e militares. O general Ivan Ca valcanti Proença, oficial da guarda presidencial, resume: ?Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário?. Do Brasil, duas autoridades americanas foram peças-chaves para bloquear as ações de Goulart e apoiar Castelo Branco: o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon; e o general Vernon Walters, adido militar e que já conhecia Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de conversas telefônicas de Johnson com George Reedy Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy, assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros. Foi uma das mais longas ditaduras da América Latina. O general Newton Cruz, que foi chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e ex-comandante militar do Planalto , conclui: ?A revolução era para arrumar a casa. Ninguém passa 20 anos para arrumar uma Casa?. Em 1967, quem assume o Planalto é o general Costa e Silva, então ministro da Guerra de Castelo. Da linha dura, seu governo consolida a repressão. As conseqüências deste período da ditadura, seus meandros políticos e ideológicos estarão na tela. Mortes, torturas, assassinatos, violação de direitos democráticos e prisões arbitrárias fazem parte desse período dramático da história. O jornalista Flávio Tavares, participou da luta armada, foi preso, torturado e exilado político. Através da série, dirigida por seu filho Camilo Tava res, ele explora suas vivências e lembranças. E mais: abre uma nova oportunidade de reflexão sobre o passado . *O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo.* *Primeiro Episódio:* As ações do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, ainda no governo Kennedy, são expostas neste primeiro capítulo. O discurso do presidente João Goulartpregando reformas sociais torna-se uma ameaça e é interpretado pelos militares como uma provocação. Nos quartéis temia-se uma movimentação de esquerda e a adoção do comunismo, que poderia se espalhar por outros países latinos. Entrevista s e reportagens da CBS são reproduzidas, bem como diálogos entre Gordon e Kennedy. O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira naquele período. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart. *Segundo Episódio:* Cenas da morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson abrem este capítulo, dando sequência à estratégia dos Estados Unidos de impedir ao que o ex-presidente americano chamou de ?*um outro regime comunista no hemisfério ocidental?.* ?Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso?, diria Jonhson. Imagens focam no discurso de Jango na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, que foi considerado uma provocação pelos arquitetos do golpe. Os americanos já preparavam o esquema, enviando suas forças militares para o ?controle das massas?, como se refere um dos entrevistados. Paralelamente, articulações para levar Castelo Branco ao poder estavam sendo engendradas. As forças americanas não precisaram entrar em campo. João Goulart pegou o avião, foi para Brasília e depois para o sul do país. Por que Jango não reagiu?? É uma questão posta na tela . O general Cavalcanti, oficial da guarda presidencial, resume: ?Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário?. Os Estados Unidos estavam mobilizados para, em caso de resistência, fazer a intervenção militar pela costa e assim ajudar os militares. As correspondências de Lincoln Gordon com o primeiro escalão da Casa Brancasão mostradas ao público, explorando as ações secretas junto às Forças Armadas, a reação da imprensa e dos grupos católicos no Brasil. Os Estados Unidos reconhecem o novo governo e imagens da vitória e manifestações de rua entram em cenas. *Terceiro Episódio:* O cargo de presidente é declarado vago pelo presidente do Senado, Auro Moura de Andrade . O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, é empossado. No dia 15 de abril, o chefe das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, toma posse. Castelo tinha relações amistosas com Vernon Walters, adido da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Depois de suas conversas com Castelo, ele se ocupava em enviar telegramas para os Est ados Unidos, relatando o teor da conversa. Os textos dos telegramas são revelados no episódio. O governo Castelo Branco recrudesce e dá início aos atos institucionais. O de número 2 extingue os partidos políticos e torna as eleições indiretas. E mais: prorroga o seu mandato. Em 1967, ele é substituído pelo general Costa e Silva , da chamada linha dura do Exército. O AI 5 é decretado no ano seguinte, e o Brasil entra no caos, ?O AI5 foi uma revolução dentro da revolução?, declara o general Newton Cruz. A repressão e a tortura dominavam o país. Militares e estudiosos falam desse período. O brigadeiro Rui Moreira Lima, da Força Aérea Brasileira, declara: ?Eu conheci um coronel, filho de um general, que veio de um curso de tortura no Panamá. Ele chegou e disse: agora estou tinindo na tortura, pega aí um cara pra eu torturar?. Os Estados Unidos continuam em campo e Lincoln Gordon pede para o governo fortalecer ao máximo o regime militar brasileiro. O orçamento da embaixada cresce, como registra o historiador Carlos Fico, da UFRJ, um dos entrevistados de Flávio Tavares. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110331/f272e84a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Mar 31 19:30:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 31 Mar 2011 19:30:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Sess=E3o_Solene_de_entrega_do_tit?= =?iso-8859-1?q?ulo_de_Cidad=E3_Paulistana_=E0__Jornalista__Rose_No?= =?iso-8859-1?q?gueira=2E_Dia_4_de_abril_de_2011_-_segunda-feira_-_?= =?iso-8859-1?q?19_h_-_C=E2mara_Municipal_de_S=2E_Paulo?= Message-ID: <9F50BA63BCD2470C845F7DB9569BA1E3@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Rose Nogueira,você merece. de Vanderley Caixe (..feita de ferro e de flor) (parodiando o poema para Gregório Bezerra) 4 de abril de 2011 - segunda-feira - 19 h - Câmara Municipal de S. Paulo O Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Vereador José Police Neto, tem a honra de convidar V.S. e família para a Sessão Solene de entrega do titulo de Cidadã Paulistana à Jornalista Rose Nogueira, por iniciativa do Vereador Italo Cardoso. 4 de abril - segunda-feira - 19 h - Câmara Municipal de São Paulo ::www.jornalistasp.org.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110331/a1f5e6fe/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1197 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110331/a1f5e6fe/attachment-0001.jpe