From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 1 20:05:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 1 Jun 2011 20:05:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__LUIZ_EDUARDO_DA_ROCHA_MERLINO_________?= =?iso-8859-1?q?______________________________-CLII-?= Message-ID: <0802027B3B3944B09D26D7D4FF4D23B4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LUIZ EDUARDO DA ROCHA MERLINO (1947-1971) Filiação: Iracema Rocha Merlino e Zeno Merlino Data e local de nascimento: 18/10/1947, Santos (SP) Organização política ou atividade: POC Data e local da morte: 19/07/1971, São Paulo (SP) Ainda estudante secundarista, Luiz Eduardo participou do Centro Popular de Cultura (CPC), da UNE. Com 17 anos, transferiu-se para São Paulo, onde integrou a primeira equipe de jornalistas do recém-fundado Jornal da Tarde, onde escreveu importantes matérias sobre os índios Xavantes e sobre o "mau patrão" J.J. Abdala, proprietário da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus. Trabalhou depois na Folha da Tarde, liderando uma greve deflagrada nesse diário quando da decretação do AI-5 e, depois, no Jornal do Bairro, nos anos de 1969 e 1970. Participou da produção do jornal Amanhã, editado pelo Grêmio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Como aluno de História daquela universidade, esteve presente nas mobilizações estudantis de 1968. Fez a cobertura do 30º Congresso da UNE em Ibiúna, em outubro de 1968, como repórter da Folha da Tarde. Nessa época, já era militante do POC. A partir de 1969, com o endurecimento do regime, aprofundou sua militância em atividades clandestinas de oposição, sem deixar a vida de jornalista. Em dezembro de 1970, viajou para a França para um período de estudos e contatos, sobretudo no âmbito da IV Internacional, de orientação trotskista. Participou como observador do 2º Congresso da Liga Comunista, organização francesa da IV Internacional, em Rouen. Cinco dias depois de sua volta, utilizando passaporte legal, foi preso na casa da mãe, em Santos, em 15 de julho de 1971. Os agentes policiais estavam especialmente interessados na localização de sua namorada, Ângela Mendes de Almeida, dirigente do POC que os órgãos de segurança procuravam furiosamente. Na sede do DOI-CODI/SP, na Rua Tutóia, Luiz Eduardo foi torturado por cerca de 24 horas ininterruptas e abandonado numa solitária, a chamada "cela forte" ou "x-zero". Apesar de se queixar de fortes dores nas pernas, fruto da longa permanência no suplício do pau-de-arara, não recebeu tratamento médico, apenas massagens acompanhadas de comentários grosseiros por parte de um enfermeiro de plantão, de traços indígenas e que respondia pelo nome "Boliviano" ou "Índio". A cena foi presenciada por vários presos políticos. As dores nas pernas eram, na verdade, uma grave complicação circulatória decorrente das torturas. No dia 17, Merlino foi retirado da solitária e colocado sobre uma mesa, no pátio, para receber massagem em frente às celas 2 e 3. Diversos companheiros constataram o seu estado de saúde e alguns falaram brevemente com ele, que se queixava de dormência completa nos membros inferiores. Horas mais tarde, seu estado piorou e ele foi removido às pressas para o Hospital Geral do Exército, onde morreu. A reconstituição dos fatos se deu a partir de relatos do preso político Guido Rocha, que esteve na solitária com ele e, ainda, depoimentos de Eleonora Menicucci, Ricardo Prata Soares e Laurindo Junqueira Filho, prestados na Justiça Militar. Zilá Prestes Prá Baldi declarou que o viu depois de morto, com o corpo cheio de equimoses. Rui Coelho, diretor da Faculdade de Filosofia da USP, também preso naquela unidade, foi outra testemunha do seu martírio. Embora no atestado de óbito conste a data de 19 de julho de 1971, a morte só foi comunicada à mãe no dia 20, à noite. Na requisição de exame necroscópico, no item referente ao histórico do caso, lê-se "no dia e hora supra mencionados (19/07/71 - 19h30 - BR-116 Jacupiranga), ao fugir da escolta que o levava para Porto Alegre (RS) na estrada BR-116, foi atropelado e em conseqüência dos ferimentos faleceu". O laudo necroscópico concluiu que Merlino morreu de anemia aguda traumática por ruptura da artéria ilíaca direita. Assinado por Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini, registrava: "segundo consta, foi vítima de atropelamento", versão não acatada pela CEMDP que, por unanimidade, concluiu que Luiz Eduardo morrera em função das torturas, acompanhando o voto do relator, Nilmário Miranda, que enfatizou a evidência de farsa nos comunicados oficiais. A imprensa foi proibida de noticiar a morte, mas em 26/08/1971, O Estado de São Paulo publicou um anúncio fúnebre convidando para uma missa de 30º dia, que foi celebrada na Catedral da Sé no dia seguinte, com a presença de centenas de jornalistas e amigos. ================================================================================================================ + Informações. LUÍS EDUARDO DA ROCHA MERLINO Militante do PARTIDO OPERÁRIO COMUNISTA (POC). Nasceu em 18 de outubro de 1948, em Santos/SP, filho de Zeno Merlino e Iracema Rocha da Silva Merlino. Morto aos 23 anos na Operação Bandeirantes, em São Paulo. Estudou em vários colégios de Santos e participou, enquanto secundarista do movimento do CPC, da UNE. Com a idade de 17 anos transferiu-se para São Paulo onde fez parte da primeira equipe de jornalistas do recém-fundado "Jornal da Tarde" (1966), da Empresa "O Estado de São Paulo". Nesse período escreveu algumas reportagens que tiveram grande repercussão, tais como a que denunciava as atividades do "mau patrão" Abdala, da Fábrica de Cimento Perus/SP, ("Jornal da Tarde", 24/04/67) e as que descreviam a vida e as atividades dos índios xavantes em Mato Grosso ("Jornal da Tarde", 12/08/67 e 26/08/67). Continuou a trabalhar como jornalista na "Folha da Tarde" (1968) e depois no "Jornal do Bairro" (1969-1970). Participou ainda ativamente da equipe do jornal "Amanhã", editado pelo Grêmio Estudantil da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, que mais que um semanário estudantil, foi uma publicação voltada para os problemas nacionais e de circulação nos meios operários. Estudante de História na Universidade de São Paulo, esteve presente nos movimentos de 1968. Em abril desse ano participou da manifestação diante do Tribunal Militar de São Paulo, contra a prisão de jornalistas. Estava presente no XXXº Congresso da UNE em Ibiúna, em setembro de 1968, fazendo a cobertura jornalística para a "Folha da Tarde". Sua qualidade de jornalista permitiu ser ele um dos poucos presentes que não foram presos; assim sendo pôde trazer recados e informar o que realmente havia acontecido. Nessa época já havia ingressado no Partido Operário Comunista (POC). Em dezembro desse ano, quando da decretação do Ato Instituicional n° 5, liderou a greve de jornalistas da "Folha da Tarde". A partir de 1969, com o endurecimento da ditadura, passou a participar de atividades clandestinas de combate ao regime militar, sem deixar a vida de jornalista. Nesse período participou na organização clandestina das manifestações estudantis contra a visita de Rockfeller ao Brasil. Em dezembro de 1970, viajou para a França para um período de estudos e contatos, sobretudo, com a IV Internacional, da qual o POC havia se aproximado. Em maio participou como observador do 2o. Congresso da Liga Comunista, organização francesa da Quarta Internacional, realizado em Rouen. Cinco dias depois de sua volta da França, que havia sido feita com passaporte legal, uma vez que contra Luiz Eduardo Merlino não pesava nenhuma acusação dos órgãos repressivos, foi preso em casa de sua mãe, em Santos, no dia 15 de julho de 1971. Apresentando-se inicialmente como amigos, os policiais do DOI-CODI rapidamente deixaram cair a máscara. Perguntando agressivamente por sua companheira, Ângela Mendes de Almeida, que ainda permanecia na França, esses policiais chegaram a agredir sua irmã, Regina Merlino, mas saíram com a promessa de que ele poderia voltar logo à casa. Na sede da OBAN, na Rua Tutóia, em São Paulo, Luiz Eduardo foi torturado durante cerca de 24 horas seguidas e abandonado numa cela solitária. Apesar de queixar-se de fortes dores nas pernas, fruto da permanência no "pau de arara", ele não teve nenhum tratamento médico. Apenas massagens, acompanhadas de comentários grosseiros por parte de um enfermeiro de plantão que, em tom de brincadeira, falou ao chefe da equipe: "Capitão, o Merlino está reclamando de dores nas pernas e que não pode fazer pipi. Vai ver que andou demais durante a noite"; e puseram-se a rir os dois torturadores. Essa cena foi presenciada por vários presos políticos que se encontravam no DOI/CODI. As dores nas pernas que Merlino sentia eram, na verdade, uma complicação circulatória decorrente das torturas. No dia 17, foi retirado da solitária e colocado sobre uma mesa, no pátio em frente às celas. Nessa ocasião diversos companheiros puderam ver o seu estado e alguns falaram brevemente com ele. Ele queixava-se então de dormência de suas pernas não mais lhe obedeciam, fruto de gangrena generalizada. Horas mais tarde, como seu estado piorasse, ele foi removido para o Hospital Geral do Exército, onde veio a morrer. A reconstituição destes fatos foi feita a partir de relatos de companheiros de prisão de Merlino, como Guido Rocha, de Minas Gerais, que esteve todo o tempo na solitária com ele. As declarações de presos políticos, como as de Eleonora de Oliveira Soares, Ricardo Prata Soares e Lauriberto Junqueira Filho, feitas em Auditorias Militares, à época, confirmaram as torturas sofridas por ele no DOI-CODI. Zilá Prestes Prá Baldi declarou que o viu depois de morto com o corpo cheio de equimoses. Embora no atestado de óbito conste a data de 19 de julho de 1971, sua morte só foi comunicada à mãe no dia 20, à noite. A primeira versão era de que ele havia se suicidado. Uma segunda versão dada pelos órgãos repressivos diz que ele teria morrido por "autoatropelamento": tendo sido levado para o Rio Grande do Sul para identificar companheiros, ele teria escapado da guarda e se jogado embaixo de um carro, na BR-116, na altura de Jacupiranga. Não foi identificado o veículo atropelador, nem foi feita ocorrência do fato no local. Apesar desta desculpa mais sofisticada, o corpo não aparecia. Foi preciso que um parente tivesse acesso ao IML de São Paulo e localizasse o corpo, que ali estava "sem nome". O laudo médico, assinado por Isaac Abramovitch, terminou por definir: "Segundo consta, foi vítima de atropelamento". Jornalistas amigos de Merlino foram até o ponto da estrada para Porto Alegre em que, segundo os órgãos repressivos, ele teria sido atropelado ao tentar fugir, e não encontraram sinal de nenhuma ocorrência. Nem sequer a notícia da morte de Luiz Eduardo Merlino pôde ser dada. Quando, um mês depois, em 28 de agosto, foi celebrada missa de trigésimo dia na Catedral da Sé, em São Paulo, o mesmo policial que havia agredido Regina Merlino apresentou-se para dar os pêsames. No dia 20, os presos do DOI/CODI foram informados pelo PM Gabriel que Merlino havia morrido por problemas do coração. Na requisição de exame necroscópico, no item referente ao histórico do caso lê-se "no dia e hora supra mencionados (19/07/71 - 19:30 - BR-116 Jacupiranga) ao fugir da escolta que o levava para Porto Alegre/RS, na estrada BR-116 foi atropelado e em consequência dos ferimentos faleceu". O laudo necroscópico, assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard Orsini concluiu que Merlino faleceu em virtude de anemia aguda traumática por rutura da artéria ilíaca direita. Foi enterrado no Cemitério de Santos/SP pelos seus familiares. =========================================================================================== + Informações. Arquivo de 19 de Outubro de 2010 Tortura e morte de Merlino. Comparato consegue citar Ustra 19 de Outubro de 2010 às 19h 29m 00s · admin · Arquivado sob Notícias Comparato faz Ustra reencontrar Merlino. Na Justiça O Conversa Afiada reproduz e-mail que recebeu do professor Fabio Konder Comparato. Caro Paulo Henrique: Finalmente, o coronel Ustra foi citado para responder aos termos de nova ação que contra ele intentam a irmã e a companheira do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, torturado até a morte nos porões do sinistro DOI-CODI de São Paulo, à época comandado pelo coronel. Agora, o que se pede na ação judicial não é mais apenas o reconhecimento da responsabilidade do coronel, mas a sua condenação no pagamento de uma indenização a ser arbitrada pelo Juiz. Segue anexo o texto da petição inicial. Amanhã, se tudo der certo, a FENAJ e a FITERT ingressarão no Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão, relativamente a vários dispositivos da Constituição Federal sobre os meios de comunicação de massa. (*) Abraços, Fábio Konder Comparato A seguir trechos da petição: Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do foro central da comarca de São Paulo: ANGELA MARIA MENDES DE ALMEIDA, brasileira, separada judicialmente, professora universitária aposentada, portadora da cédula de identidade com RG nº 2.233.281 - SSPSP e do CIC nº 021.480.438-03, residente e domiciliada nesta Capital, na rua ., e REGINA MARIA MERLINO DIAS DE ALMEIDA, brasileira, viúva, professora, portadora da cédula identidade com RG nº 24.666.219-0 - SSPSP e do CIC nº 280.045.128-95, residente e domiciliada nesta Capital, . as quais subscrevem a presente petição em conjunto com seus advogados e bastantes procuradores, conforme instrumento particular de mandato incluso (doc. nº 1), os quais mantêm escritório nesta Capital, . , onde poderão ser intimados de todos os atos do processo, vêm, respeitosamente, requerer a citação por correio, conforme art. 221, I do Código de Processo Civil, de CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA, coronel reformado do Exército brasileiro, comandante do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações) no período compreendido entre setembro de 1970 a janeiro de 1974 (doc. nº 2), residente e domiciliado na cidade de Brasília (DF), . , pelas razões de fato e de direito que seguem: . - I - ESCLARECIMENTO NECESSÁRIO A razão e o sentido da presente demanda. 1.- Impõe-se esclarecer, MM. Juiz, introdutoriamente, que o ajuizamento da presente ação tem sentido profundamente ético, e o pedido condenatório ao final formulado constitui mera conseqüência processual desse sentido ético. Vale dizer, o interesse das Autoras não é econômico, mas puramente moral. As Autoras pretendem, na presente ação, lhes seja reconhecido o seu direito sagrado à verdade, consubstanciado na certificação de autoria dos ultrajes físicos e morais a elas infligidos, e na conseqüente condenação do ultrajante à reparação desses ultrajes. Por isso mesmo, o alcance e o significado da presente ação são bem mais amplos que a defesa de interesses particulares: eles transcendem, manifestamente, a pessoa das Autoras. Trata-se de saber se o novo Estado Democrático de Direito, instituído pela Constituição de 1988, reconhece ou rejeita, por intermédio do seu Poder Judiciário, a responsabilidade dos atos criminosos praticados pelo Réu, na vigência do anterior Estado de arbítrio. Em suma, o que efetivamente reparará a dor e o sofrimento das Autoras, embora minimamente, é o reconhecimento pelo Judiciário brasileiro do dano moral que sofreram, em decorrência dos atos de tortura comandados pelo Réu contra seu companheiro e irmão LUIZ EDUARDO DA ROCHA MERLINO, e sua conseqüente condenação por esses mesmos atos de tortura. .. A-2) Prisão e Morte de Luiz Eduardo Merlino. 11.- De armas em punho e após diversas ameaças a Luiz Eduardo, sua mãe, tia e irmã, os agentes do DOI-CODI levaram-no para seu trágico fim. Foi o último dia em que a família o viu com vida. A co-Autora Regina Merlino, irmã de Luiz Eduardo Merlino, narrou o horror daquele dia, que prenunciava o assassínio de seu irmão, nestes termos (doc 6): "No dia 15 de julho de 1971, alguns dias após o retorno do meu irmão da França, estávamos na casa de minha mãe, à Rua Itapura de Miranda, 13, em Santos. Estávamos Luiz Eduardo, eu, minha mãe e minha tia quando tocaram a campainha, e em seguida bateram na porta com muita força. Quando fui atender, já foram entrando com violência e perguntando pelo meu irmão, Luiz Eduardo Merlino. Eu perguntei: 'O que vocês querem?' Eram três homens e logo vi que estavam armados, sendo que um deles, o mais alto, estava com uma metralhadora Na hora, a minha reação foi dizer: "Pelo amor de Deus, não façam nada com meu irmão". Em seguida, entrei correndo para avisá-lo e disse: "Eduardo, vieram buscar você", e ele começou a guardar algumas coisas. Então meu irmão apareceu e ficamos todos na sala, numa situação muito difícil, de ameaças. A conversa na sala durou por volta de uma hora. Eles começaram a fazer muitas perguntas, perguntaram pela Angela (Mendes de Almeida, companheira de Luiz Eduardo e militante da mesma organização) e por outras pessoas, das quais não me lembro os nomes. Cada um deles tinha um perfil. Todos eles estavam à paisana e não se identificaram. O mais alto, que estava com a metralhadora, tinha uma postura extremamente violenta, e os outros dois se portavam de maneira cínica. Eles olharam umas fotos minhas e do meu irmão de quando éramos crianças, perguntaram qual era o mais novo e fizeram umas gracinhas. A uma certa altura esse mais alto me cutucou com a metralhadora e disse: "Eu sou semi-analfabeto mas não tenho irmão terrorista". Eu respondi: "Eu não perguntei nada". Ele continuou me cutucando com a arma e então meu irmão disse: "O assunto é comigo, não é com as mulheres". Ele abaixou a arma, mas acho que ficou com mais raiva ainda. Eles disseram que o Eduardo tinha que acompanhá-los para dar "explicações". Meu irmão foi pegar um agasalho (eles o acompanharam), nos abraçou e disse: "Eu volto logo". Assim, os homens foram embora levando meu irmão. Fui para a janela e o vi indo embora com os homens num carro. Foi a última vez que eu o vi. (sem grifo no original). Após a prisão, a família de Luiz Eduardo Merlino ficou quatro dias sem saber de seu paradeiro. Não sabiam para onde havia sido levado nem qual era o seu estado de saúde. Sentiam que algo muito ruim estava por vir, pois durante aqueles quatro dias foram "vigiados" e ameaçados por agentes do DOI-CODI, que os seguiam, rodeavam a casa e faziam comentários inesperados no ponto de ônibus, na rua e outros lugares. 12.- O marido da co-Autora Regina Merlino, Dr. Adalberto (já falecido), que era Delegado de Polícia, não mediu esforços para tentar obter alguma informação junto a outros colegas Delegados de Polícia. Por seu intermédio, soube-se do pior: Luiz Eduardo estava morto. Suicidou-se, falaram para o Dr. Adalberto! Imediatamente após a horrível notícia, a família dirigiu-se a São Paulo, para a casa de outro tio de Luiz Eduardo, Dr. Geraldo (já falecido), que era médico. Foram ao IML e lá não tiveram acesso ao corpo, pois o funcionário disse que o corpo de Luiz Eduardo não se encontrava no local. Desconfiado, Dr. Adalberto, que era Delegado de Polícia, utilizando-se de sua autoridade funcional, conseguiu ultrapassar a vigilância, adentrou no IML e encontrou o corpo de Luiz Eduardo. Voltou e noticiou o fato ao tio, Dr. Geraldo: "Luiz Eduardo foi torturado". Imediatamente, num ataque de cólera, Dr. Geraldo interpelou o médico do IML aos prantos e com indignada revolta. A co-Autora Regina Merlino, irmã de Luiz Eduardo Merlino, narra, de maneira enfática, como foi a notícia da morte de seu irmão (doc n. 6): "Passados quatro dias da prisão, veio a notícia da morte do Luiz Eduardo. Ninguém nos ligou para avisar, não estávamos sabendo de nada. Foi o Adalberto quem descobriu. (.) Assim que tivemos a notícia, fomos para São Paulo para a casa de meu tio Geraldo. Nosso estado de choque era tamanho que não conseguíamos chorar. Eu me lembro como se fosse hoje a minha mãe pegando a roupa do meu irmão e colocando numa mala para trazer para São Paulo. Eu perguntava: "mamãe; por que você está fazendo isso?' E ela: "São as roupinhas para o seu irmão". (. ) Chegando em São Paulo, meu marido e dois tios meus foram ao Instituto Médico Legal (IML). Lá, o diretor do IML disse que o corpo do Luiz Eduardo não estava lá. Meu marido, Adalberto, sabendo como as coisas funcionavam, burlou a vigilância e foi à procura do corpo. No caminho encontrou um ex-funcionário, e disse estar à procura de um corpo. Como ele era delegado, disse que estava procurando o corpo de um bandido, e o tal funcionário não percebeu nada, e ainda o ajudou. Foi então que encontrou o corpo do meu irmão, com muitas marcas de tortura. Imediatamente ele voltou ao encontro de meus tios e disse: "Encontrei o corpo do Eduardo. Ele foi torturado". Meu tio Geraldo, médico, teve uma crise nervosa e foi em cima do médico do IML dizendo que tinha vergonha de ser colega de um assassino, que acoberta corpo. Quando eles voltaram e nos contaram que haviam encontrado o corpo é que a reação veio. "É verdade, o Eduardo foi morto". Eu nunca pensei que pudesse sofrer tanto na vida. Quando eu olho para trás, vejo o quanto já sofri com perdas, mas nada se compara a isso. Nunca imaginei que eu e minha mãe pudéssemos sofrer tanto." (sem grifo no original). Após a constatação de que Luiz Eduardo estava morto, veio a versão oficial narrada por um Delegado do DEOPS, e que ora passa a ser exposta. A-3) A FALSA versão oficial da morte de Luiz Eduardo Merlino 13.- Segundo referida versão falsa, Luiz Eduardo Merlino fora transportado para o Rio Grande do Sul, a fim de ali proceder ao reconhecimento de alguns colegas militantes, e na rodovia BR -116, na altura da cidade de Jacupiranga, a equipe de agentes que o escoltava havia parado para "tomar um café". Aproveitando uma "distração" da equipe, Luiz Eduardo, num ato suicida, lançou-se na frente de um veículo que trafegava pela rodovia. Não foi possível a identificação do veículo que o atropelou..! Essa falsa versão foi atestada no exame necroscópico assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini, onde consta (doc n. : "HISTÓRICO: falecido no dia dezenove (19) de julho de mil novecentos e setenta e um (1971), às 19:30 horas, na Rodovia BR-116, vítima de atropelamento". 14.- Algum tempo depois, a família teve a confirmação de que Luiz Eduardo Merlino fora torturado até a morte nos porões do DOI-CODI do II exército, por conta da indigitada operação OBAN, cuja sede situava-se na Rua Tutóia em São Paulo. No livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, às páginas 169/170 (doc. n. 18), consta a seguinte informação: "Na sede do DOI-CODI/SP, na Rua Tutóia, Luiz Eduardo foi torturado por cerca de 24 horas ininterruptamente e abandonado numa solitária, a chamada "cela forte" ou "x-zero". Apesar de se queixar de fortes dores nas pernas, fruto da longa permanência no suplício do pau-de-arara, não recebeu tratamento médico, apenas massagens acompanhadas de comentários grosseiros por parte de um enfermeiro de plantão, de traços indígenas, e que respondia pelo nome "Boliviano" ou "Índio". A cena foi presenciada por vários presos políticos. As dores nas pernas eram, na verdade, uma grave complicação circulatória decorrente das torturas. No dia 17, Merlino foi retirado da solitária e colocado sobre uma mesa, no pátio, para receber massagem em frente às celas 2 e 3. Diversos companheiros constataram o seu estado de saúde e alguns falaram brevemente com ele, que se queixava de dormência completa nos membros inferiores. Horas mais tarde, seu estado piorou e ele foi removido às pressas para o Hospital Geral do Exército, onde morreu." Ricardo Prata Soares, em seu interrogatório de 2 de Maio de 1972 prestado perante a Justiça Militar de São Paulo (doc n. 9), foi enfático ao testemunhar o que realmente ocorreu com o jornalista Merlino: "(.) que não aceita o seu depoimento policial na parte em que está em desarmonia com as declarações que prestou nessa oportunidade porque foram realizadas sob coação moral e física, aos quais deixou o interrogando de resistir após presenciar as torturas infligidas em Luiz Eduardo da Rocha Merlino que deram conseqüência em poucos dias ao seu falecimento". (sem grifo no original). Laurindo Martins Junqueira Filho, em seu interrogatório de 16 de maio de 1972 prestado perante a Justiça Militar de São Paulo (doc n. 10) foi, também, enfático, ao testemunhar as sevícias infligidas a Luiz Eduardo Merlino, que culminaram em sua morte: "(.) disse que foi fisicamente torturado e que essas torturas se estendeu também a membros de sua família e que particularmente recebeu choques e todo tipo de pressão moral para reconhecer aquilo de que era acusado. Quer afirmar também que nesse processo de torturas assistiu espancamentos de um seu companheiro de organização chamado Luiz Eduardo da Rocha Merlino e que, posteriormente ainda na fase de interrogatório esse companheiro foi retirado da OBAN em estado lastimável tendo vindo a falecer em conseqüência das torturas que recebeu; que esse tratamento de tortura foi estendido a todos os membros da organização que caíram ou foram presos". (sem grifo no original). Eleonora de Oliveira Soares, em seu interrogatório de 25 de maio de 1972, prestado perante a Justiça Militar de São Paulo (doc n. 17), declarou haver testemunhado as sevícias infligidas a Luiz Eduardo Merlino, que levaram à sua morte: "que, durante a sua estadia na OBAN sofreu torturas físicas desde choques elétricos até pauladas no corpo, ameaças de torturarem sua filha menor de um ano e dez meses e ter assistido a morte de Luiz Eduardo da Rocha Merlino no recinto da OBAN, morte esta provocada por tortura". (sem grifo no original). Guido de Sousa Rocha firmou declaração em Bruxelas (doc n. 11), no dia 12 de fevereiro de 1979, para o Sindicado dos Jornalistas profissionais, por meio da qual afirma que: "se lembra que depois de algum tempo ele passou a demonstrar um certo mal estar nas pernas em conseqüência do pau - de - arara, sendo que para ir a privada ele tinha que ser carregado pelo abaixo assinado e por um guarda; que seu estado de saúde começou a decair tanto que os torturadores não se animaram e levá-lo para o quarto de tortura para fazer uma acareação, como de costume, preferindo trazer até a cela um outro prisioneiro, acareando - os em presença do abaixo assinado; que durante toda a acareação o jovem permaneceu deitado muitas vezes respondendo por gestos postos que já não conseguia falar direito". Esclareceu, ademais: "que não tem a menor duvida de que se tratava de Luiz Eduardo da Rocha Merlino, a quem o abaixo - assinado não conhecia, mas que pode identificar posteriormente pelas fotografias publicadas nos jornais (.) que depois de algum tempo o enfermeiro o trouxe de volta para a cela, passando ali a fazer teste de reflexos em seus joelhos e nas plantas do pés; que como os teste não resultavam em nenhuma resposta, o enfermeiro demonstrou certa preocupação, hesitando em tomar uma providencia mais séria; que em vista disso o abaixo- assinado sugeriu ao enfermeiro que levasse Luiz Eduardo para o hospital, tendo o enfermeiro se irritado, comentando que já havia recuperado prisioneiro em estado físico pior; que assim que o enfermeiro fechou a porta, Luiz Eduardo começou a piorar que mais tarde passou a manifestar um certo nervosismo e dormência nas pernas; que abaixo- assinado, tentou acalmá-lo, mas que Luiz Eduardo começou a ficar angustiado pedindo- para chamar o enfermeiro urgente, porque a dormência já começava a subir até aos seus braços e que sua respiração estava cada vez mais difícil; que o abaixo- assinado bateu na porta e chamou o guarda; que minutos depois a porta se abriu, entraram alguns homens, entre os quais o enfermeiro, que tiraram Luiz Eduardo da cela, levando o para local que o abaixo - assinado ignora". (sem grifo no original). . A-5) A missa de sétimo-dia de Luiz Eduardo Merlino e a brutalidade descomunal dos agentes do DOI-CODI. 16.- O jornalista Luiz Eduardo Merlino foi velado em caixão fechado na cidade de Santos. A missa de sétimo dia ocorreu na catedral da Sé e foi assistida por mais cerca de 700 pessoas, pois o jornal O Estado de São Paulo fez o chamamento à cerimônia em protesto contra o regime militar (doc n. 12). A co-Autora Regina conta um fato ocorrido no dia da missa de sétimo dia, e que espanta e estarrece qualquer pessoa de boa-fé pela vileza e covardia dos agentes do DOI-CODI, a saber: "Inclusive, os mesmos três homens que foram buscar meu irmão em casa estavam no primeiro banco da igreja e ao final da missa vieram nos dar os pêsames. Num primeiro momento a minha mãe não os reconheceu, e estendeu a mão a eles. Eu os reconheci na hora, e não fiz o mesmo. Na saída, eu contei para a mamãe quem eram eles e ela me disse: "Quem sabe eles ficaram com remorso, minha filha". (sem grifo no original). . 22.- Levando em consideração todos os fatos relatados e comprovados por documentos juntados a esta petição, não é preciso grande esforço para se concluir que o Réu, agindo de maneira ilícita e com dolo, causou DANOS MORAIS às Autoras, os quais devem ser reparados. São de evidência incontestável os prejuízos permanentes causados às Autoras, sendo eles conseqüência imediata da atitude dolosa do Réu e de seus subalternos. Foram dolosos, pois tinham o intento de, mediante torturas, físicas e psicológicas, obter informações sobre os movimentos de oposição à ditadura. A conduta do Réu caracterizou-se como ato ilícito, pois não havia, como não poderia haver evidentemente, norma alguma que autorizasse a utilização de tortura para a investigação policial. Além disso, muito embora Luiz Eduardo da Rocha Merlino tenha sido detido por autoridades do Estado, a sua prisão não foi efetivada de acordo com as normas vigentes, pois a prisão não decorreu de flagrante e não foi embasada em ordem escrita e fundamentada de autoridade competente. Ademais, efetivada a prisão, ela não foi comunicada à autoridade judiciária competente para exame de sua legalidade. Afrontou-se assim o artigo 153, parágrafo 12 da Constituição Federal, vigente à época, e o artigo 59 do Decreto-Lei nº 898/69, bem como os artigos 221 e seguintes do CPPM. 23) Não há dúvida de que as torturas físicas e psicológicas foram realizadas pelo RÉU (Comandante do DOI-CODI do II Exército e da Operação OBAN) e por seus subalternos, e que tais torturas causaram danos morais, demonstrando-se assim o nexo de causalidade entre o ato danoso e o agente causador do dano. No sentido de que o Réu foi pessoalmente responsável pelas torturas cometidas a Luiz Eduardo da Rocha Merlino, é o depoimento de IVAN AKSELRUD DE SEIXAS (doc n. 16), testemunha arrolada no processo nº 583.00.2005.202853-5/000000-000, que tramitou perante a 23ª Vara Cível do Foro da Capital, que JANAINA DE ALMEIDA TELES e outros aforaram em face do mesmo Réu, CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA, in verbis: "Logo que fui preso, fiquei na OBAN entre 16 de abril e 15 de maio de 1971. Depois disso, fui levado para o DOPS, antes de ser encaminhado ao DOPS do Sul; nesse encaminhamento, passei pelo DOI-CODI, ocasião em que presenciei o Réu torturar e matar o jornalista Luis Eduardo da Rocha Merlino". (.) Todos os presos que entravam na OBAN tinham suas roupas arrancadas e eram submetidas a torturas em pau-de-arara, cadeira de dragão, bem como submetidas a espancamentos e afogamentos, tudo sob comando do Réu". (sem grifo no original). Muito embora a testemunha acima tenha sido contraditada, contradita aceita pelo Juízo da 23ª Vara Cível do Foro da Capital, o depoimento foi colhido na qualidade de informante do Juízo nos termos do que dispõe art. 405, § 4º do Código de Processo Civil. (*) Trata-se da ADIN por Omissão liderada pelo professor Comparato e, desde o início, http://blog.zequinhabarreto.org.br/2010/10/19/ ============================================================================================================ + Detalhes. Lembranças de Nicolau Michael Löwy Luiz Eduardo Merlino é destas pessoas que ficam para sempre gravadas na memória de quem as conheceu, por mais que passem os anos e as modas. Tive a chance de encontrá-lo em Paris, durante os poucos meses em que permaneceu no exílio (1970-71), como militante da nossa corrente (a velha Quarta), mas sobretudo como amigo, como "camarada", no amplo e fraterno sentido desta palavra. Luiz Eduardo tinha escolhido como codinome "Nicolau". Certa vez me explicou que este era o nome que os primeiros comunistas brasileiros utilizavam para tentar traduzir "Vladimir", o prenome de Lenin, ao português. "Nicolau" era inseparável de sua companheira de amor e de lutas, Angela, codinome "Tais". Os dois haviam formado no POC uma corrente "quartista", a "Tendência Nicolau-Tais", que se designava, com auto-ironia, a "TNT". A escolha do pseudônimo não era casual: "Nicolau" era leninista confesso e convicto. Às vezes brincava, com humor e amizade, com minhas simpatias "luxemburguistas". A verdade é que nos entendíamos muito bem, partilhando aquela mistura de Trotsky com Che Guevara que era tão explosiva como a TNT. Luiz Eduardo era um rapaz magro, de feições delicadas e agradáveis, sempre de óculos e bigode. Era generoso, calmo e decidido. Não se resignava a ficar no exílio e havia tomado a decisão de voltar o mais cedo possível ao Brasil, tentar reorganizar o POC e inseri-lo no processo de resistência armada à ditadura. Tentei dissuadi-lo, mas sem sucesso. Lúcido, ele reconhecia a dificuldade e o risco da empresa. Certa vez lhe perguntei como avaliava sua chance de "sair-se bem" da volta ao Brasil. "Cinqüenta por cento" me respondeu. A análise de conjuntura era certa ou não? Será que a tática era a mais apropriada? A estratégia era correta ou equivocada? Trinta e cinco anos depois estas questões perderam muito de seu interesse. O que sobra é a integridade de um indivíduo, sua decisão de arriscar a vida pela causa da liberdade, da democracia, da emancipação dos trabalhadores, do socialismo. Para o Luiz Eduardo, voltar ao Brasil era uma alta exigência moral e política, uma espécie de "imperativo categórico" que não aceitava recuos ou concessões. Certas pessoas, que na época partilhavam da luta do "Nicolau", mas hoje se converteram ao social-liberalismo - prefiro não citar nomes - pretendem que o comportamento daqueles que no Brasil e na América Latina arriscaram e perderam sua vida na luta desigual contra as ditaduras do continente, eram movidos por um "espírito suicidário". Nada mais longe da verdade. Luiz Eduardo amava a vida, amava sua companheira, e não tinha a mínima vocação para o suicídio. O que o levou a tomar a decisão que tomou, e lhe custou a vida, foi simplesmente um sentimento de dever, uma ética, um compromisso com os companheiros de luta. É por isto que a memória dele continua tão viva e presente, não só no Brasil, mas também na França e em outros países em que se conheceu sua história. Outro dia, mexendo em velhos jornais marxistas, dei com uma fotografia do Luiz Eduardo, com o título "morto em combate". O artigo que acompanhava a foto já envelheceu, não apresenta maior interesse. Mas o olhar do Luiz Eduardo não perdeu nem um pouco de sua força e de sua intensidade e me atingiu em pleno coração: não pude conter as lágrimas, era como se tudo se tivesse passado ontem. A ditadura não deu uma chance ao Luiz Eduardo: preso logo depois de sua chegada, torturado, morto por não entregar informações. A herança que ele nos deixa é a de seguir lutando, para que nunca mais o Brasil conheça a opressão, a violência policial, a tortura. Joe Hill, o dirigente sindicalista revolucionário norte-americano, autor de belas canções de luta, deixou esta mensagem a seus companheiros, pouco antes de ser fuzilado pelas autoridades em 1915: "don't mourn, organize" - não fiquem de luto, vão e organizem-se (os explorados e oprimidos). Acho que o "Nicolau" teria gostado desta mensagem. Maio 2006 =================================================================== +Detalhes. 11.3.05 Era uma vez - XIX Luiz Eduardo da Rocha Merlino o Nicolau Lá por volta de maio de 1.971, Nicolau me escreveu, da França, dizendo que voltaria ao Brasil em agosto. Não sei, não sei mesmo, mas penso que dos que haviam fugido para Paris, Nicolau era o que menos se conformava com isso. Ele queria estar no centro dos acontecimentos, participar de tudo. Em suas cartas ridicularizava os esquerdistas franceses, que estendiam tapetes vermelhos para os membros de organizações que desenvolviam aqui no Brasil a luta armada. Achava tudo muito pouco sério, naquela Paris em que os militantes de organizações de esquerda iam para as reuniões carregando um pão debaixo de um braço e com o outro uma garrafa de vinho. Sei lá. A questão é que, nessa época, foi preso o Jonas, um companheiro nosso, arquiteto, ou estudante de arquitetura, não me lembro bem. Ele tinha poucos contatos, conhecia pouca gente. Não havia grande perigo com sua prisão. O que eu não sabia, era que ele conhecia Nicolau, de Santos. Conhecia sua família, sabia onde morava. Jonas sabia que Nicolau estava na França. Para amenizar o pau, disse que sabia onde morava a mãe de Nicolau, em Santos. Não sei porque, Nicolau voltou antes do combinado. Foi para casa da mãe. Lá foi preso. *** Junto com alguns outros jovens militantes, fui a nossa primeira reunião de célula do POC. Corria o ano de 1.970. Estávamos acostumados a reuniões de estudo com o jornalista Reinaldo Lobo (irmão de um atual "astro" da TV de fofocas, Leão Lobo). Eram reuniões cercadas de alguns cuidados de segurança, é certo, mas levadas em clima razoavelmente ameno. Um belo dia, Reinaldo nos comunicou que passaríamos a integrar uma célula do POC e que seríamos apresentados a um coordenador novo. Ele, Reinaldo, sairia de cena (mais tarde soube que saía do partido, por discordar da evolução dos acontecimentos). Foi assim que conheci Nicolau. Parecia sósia de Trotsky (desconfio que cultivava a semelhança). Parecia, também, algo mais velho que eu. Soube, depois, que era três longos anos mais novo. De cara, deu um esporro no grupo todo, ao criticar nossa despreocupação com questões de segurança. Disse que aquilo não era brincadeira, que a coisa era séria etc etc etc. Daí pra frente, nasceu uma amizade sólida. Trabalhamos juntos até a partida dele, com a companheira Taís, para a França. Taís mora hoje em São Paulo. Nunca mais nos falamos. Tenho até o telefone dela. Não vou ligar. Não haveria nada a dizer. *** Nicolau adotou tática suicida, pelo que me contaram. Ao ser torturado, xingava seus algozes. Acredito que isso seja verdadeiro. Combina com seu estilo. Em função disso, foi pendurado no pau-de-arara durante catorze horas. Aqui, vale uma explicação para os "leigos". Pau-de-arara é um instrumento de tortura até hoje muitíssimo utilizado em prisões e departamentos policiais no Brasil. O cidadão (!?) é despido. Coloca-se por trás de seus joelhos um pedaço resistente de pau. Suas pernas são então dobradas e amarram-se suas canelas a suas cochas, deixando preso o tal pau entre suas pernas. Em seguida, o pau é colocado na posição horizontal, a mais ou menos um metro do chão, apoiado em cavaletes, ou em duas mesas, ou em qualquer outro tipo de apoio. O indivíduo fica, conseqüentemente, pendurado, de cabeça para baixo. A partir daí, vale a criatividade dos torturadores. Pauladas, choques elétricos nos órgãos genitais etc etc. Só que - de tempos em tempos, coisa de 15 a 20 minutos - o indivíduo precisa ser retirado dessa posição para que o sangue volte a circular adequadamente para seus membros inferiores. (Dizem que essa hora é a pior. O formigamento das pernas é quase insuportável.) Quer dizer que, quando um preso diz que ficou três horas no pau-de-arara isso significa, a rigor, que ele ficou pendurado três horas, sim, mas em intervalos de 15 a 20 minutos, com interrupções. Exatamente como num programa de TV, com seu intervalos comerciais. Com Nicolau não foi assim, pelo que me contaram. Ele foi pendurado e "esquecido" sozinho em uma sala. Durante 14 horas. Suas pernas gangrenaram. A morte veio poucos dias depois. (Em função disso, todos nós, presos a seguir, não passamos pelo pau-de-arara. Parece que os chefões não gostaram do "erro" cometido pelo pessoal operacional.) Antes disso, foram cobradas dele algumas informações. Pelo que me disseram, três: onde ficava minha casa; qual o endereço de Taís, na França; a terceira não me lembro. Tudo isso me foi contado por Ricardo Prata Soares, o "Hugo", que já estava preso na época em que a equipe do major Ulstra (ou Ustra?) fez o que fez com Nicolau. Prata denunciou a tortura e morte de Nicolau em seu depoimento na justiça militar. *** Aliás, Prata é um caso a ser analisado: preso com a esposa e com uma filha de poucos anos (três ou quatro), foi submetido - e também a esposa - a torturas que incluíram a ameaça de que se torturasse também a menina. Tratando-se de indivíduo normal, não resistiu e falou o diabo. Foi ele que colocaram diante de mim quando eu ainda teimava em afirmar que não tinha nada a ver com nada. Chegou na minha frente e disse que o Nicolau tinha sido morto e que todos estavam presos. Acabou com minha resistência. Eu, no lugar dele, faria o mesmo. Só comecei a discordar do Prata quando, já no Presídio, ele começou a puxar desesperadamente o saco da turma da ALN e cercanias, no intuito de recuperar prestígio, já que fora taxado de traidor pelos inquisidores de plantão. Me lembro de uma tarde de sábado, dia de visitas, as famílias a conviver conosco no pátio do presídio. Prata e eu conversávamos num canto. Eu desancava a turma da ALN (no tempo em que eu tinha 26 anos eu era bravo) e ele: "Mas Renato (meu nome não era esse, é claro, eu era conhecido por outro pseudônimo), se você ficar contra a esquerda, como você vai sobreviver?!" Essa, na verdade, era a preocupação de boa parte do pessoal. Muitos dependiam dos contatos adquiridos na esquerda para arrumar emprego. Parece, pelo que leio nos sites de esquerda, que o velho Prata - e sua Eleonora - recuperaram o prestígio que haviam perdido. Que continuem felizes. Junto a mim, jamais perderam prestígio nenhum. Mas não sei se isso lhes interessa. Afinal, não tenho emprego para oferecer a ninguém. Nicolau informou meu endereço. Só que não tinha mais como levar os policiais até a casa. Não conseguia mais andar (aliás, nunca entendi porque os militares não iam sozinhos, já que sabiam o endereço. Será que não dispunham de um guia da cidade?!). Prata os levou até lá. Pelo que ele mesmo me disse, não tinha conseguido manter os olhos fechados durante os transportes para minha casa e tinha descoberto em que local ela ficava. Lembro, aliás, que durante o julgamento na Auditoria Militar, um amigo da família de Nicolau aproximou-se de mim e me perguntou se Nicolau podia ser considerado herói. Disse-me que a mãe dele queria saber se o filho era ou não herói. Disse que sim. Que Nicolau era herói. Não sei o que é um herói. Millôr Fernandes definiu certa vez: Herói é o cara que não teve tempo de fugir. Ironias à parte, se Nicolau não é herói, quem é? Cada vez sei menos. Não sei se valeu a pena Nicolau ter dado a vida por essa causa. Não sei se seria melhor se tivesse cedido logo no início. Não sei. Sei que Nicolau era uma pessoa daquelas que me fazem - ainda - acreditar no ser humano. Até nunca, Nicolau. Jamais vou esquecer que tentamos melhorar esta merda deste país. Mas, decididamente, ele não merece caras como você. publicado por Santos Passos em 3/11/2005 http://santospassos.blogspot.com/2005/03/era-uma-vez-xixluiz-eduardo-da-rocha =========================================================================================================== + Detalhes. Testemunho de Guido Rocha, uma das últimas pessoas que viu Merlino com vida Por SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS NO ES 21/05/2008 às 19:34 Guido Rocha, falecido escultor foi uma das últimas pessoas que viram L. Eduardo Merlino com vida, estiveram os dois na mesma cela, ambos bárbaramente torturados A morte de Luís Eduardo Merlino Poderíamos chamar esta história de "A primeira morte de Herzog" porque Merlino e Herzog morreram no mesmo lugar, foram torturados no mesmo lugar, agonizaram no mesmo lugar, possivelmente pelas mesmas pessoas, ou pessoas diferentes mas que, como se sabe, deixavam umas às outras os mesmos nomes falsos, da mesma forma como deixavam os mesmos instrumentos de tortura, os mesmos fios elétricos, alicates. Foram, além disso, torturados pelos mesmos motivos, porque cada um, a seu modo e na medida de suas forças, lutava contra a opressão política e os crimes que ela forçosamente praticava para se manter. É claro que há muitas diferenças entre Herzog e Merlino, e a principal está em que Herzog morreu num período (outubro de 1975) em que o movimento de massas e dos setores mais esclarecidos da população, já tinha condições de cobrar pelo crime. Merlino morreu nos dias ainda pesados, (julho de 1971) em que poucos tinham forças para se unir a outros e resistir. Morreu nos dias mais negros da ditadura do general Médici, como se costuma dizer hoje. Preso num dia e morto quatro dias depois, seu corpo é entregue à família com a explicação inverossímel de que tentou fugir e foi atropelado numa estrada remota. OS FATOS Na noite de 15 de julho de 1971, uma quinta-feira, um grupo de homens que se apresentaram como agentes da repressão, prendeu o jornalista Luís Eduardo da Rocha Merlino na casa de seus pais em Santos, levando-o para "prestar um depoimento". Cinco dias depois, na terça feira, 20 de julho, seus pais receberam a notícia de que ele havia morrido, sendo feitas referências, primeiro, a que Merlino se suicidara, e depois, que ele fora vítima de um acidente na BR 116, ao ser transportado pelos órgãos de segurança para o Rio Grande do Sul, na altura de Jacupiranga. Merlino tinha então apenas 23 anos. Muito talentoso, já era bastante conhecido no meio jornalístico de São Paulo, através de seu trabalho na "Folha da Tarde", "Jornal da Tarde", e posteriormente no "Jornal do Bairro". Foi também um dos criadores do jornal "Amanhã", semanário de curta duração, apesar do grande sucesso alcançado no setor operário da época. Merlino morreu poucos dias depois de voltar de uma estadia de sete meses na França. Há muito tempo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, o Comitê Brasileiro pela Anistia, a família e os amigos de Luís Eduardo Merlino, tentam descobrir o que se passou naqueles cinco dias entre sua prisão e o anúncio de sua morte. Já existe, inclusive, um depoimento de posse do Comitê Brasileiro pela Anistia, de pessoa que testemunhou ter visto Luís Eduardo Merlino nos cárceres da então Operação Bandeirantes em São Paulo, organismo mais tarde passaria a chamar CODI-DOI e onde morreram entre outros, nosso colega Vladimir Herzog, e o operário Manoel Fiel Filho. Esse depoimento, no entanto, permaneceu no anonimato porque seu autor ainda não podia usufruir de total liberdade de movimentos ou de ação. Mas agora podemos divulgar um depoimento de alguém que acompanhou de perto toda a agonia de Luís Eduardo Merlino. Guido Rocha, hoje um exilado político que vive em Genebra, onde acabou se notabilizando como escultor de grande mérito, revelou em detalhes como Luís Eduardo Merlino foi torturado e agonizou nas dependências da Operação Bandeirantes, na segunda metade de julho de 1971. Guido Rocha deu seu depoimento em documento assinado (cópia anexa) e também em fita gravada, esta tomada e transcrita por nosso companheiro Bernardo Kucinski ( também anexa), em Bruxelas, no dia 1º de abril de 1979. Depoimento gravado de Guido Rocha, sobre a morte de Luís Eduardo Merlino P ? Guido, vamos nos reportar ao assunto que nos trouxe a esta conversa: você esteve preso junto ou ao lado do nosso companheiro Luis Eduardo Merlino? R ? Estive preso na mesma cela. P ? Você poderia então explicar quando e como isso aconteceu? R ? Isso foi em julho de 1971. Eu estava na solitária, na cel xis-zero, na Oban, em São Paulo; eu já estava lá há alguns dias quando comecei a ouvir gritos e gemidos de alguém que estava sendo torturado, porque a sala de tortura é bem próxima, a cela mais próxima da sala de torturas é essa cela xis-zero. P ? Você estava sózinho nessa cela? Estava há quantos dias? R ? Estava sózinho, há alguns dias, não tenho idéia precisa de quantos dias. É uma solitária com portas de chapas de ferro. O quarto é escuro, não tem janelas. O chão de cimento, tinha um colchão, sujo de sangue. Eu vi isso na hora que abriu a porta, porque quando se está lá dentro não se enxerga nada, completa escuridão. Tem uma aberturazinha na própria porta que eles abrem de vez em quando para por comida e eu comecei a ouvir os gemidos, os gritos durante muito tempo, quando entraram com o Luís Eduardo, que eu não conhecia, não sabia quem era. P- Você se lembra do dia exato? R ? O dia exato não, foi em meados de julho. Ele estava muito machucado, pelo seu estado físico. Trouxeram ele carregado, ficou deitado, imobilizado completamente. Mas muito tranqüilo. Me impressionei muito com a segurança e com a tranqüilidade dele. P ? Porque você achou que ele estava tranqüilo? R ? Porque eu comecei a conversar com ele e ele começou a me dizer quem era ele, que tinha vindo da França, que tinha sido preso em Santos, na casa da mãe dele em Santos. P ? Preso por quem, ele falou? R ? Alguns cidadãos vieram procurá-lo, disseram à mãe dele que eram amigos dele. A mãe dele subiu, disse que tinha alguns amigos, ele desconfiou, mas não encontrou alternativa senão ir falar com essas pessoas. P ? E ele estava no quarto dele? R ? Sim, ele estava no quarto em cima. Quando chegou essas pessoas se apresentaram como agentes da repressão, não me lembro se disseram que eram do exército, da aeronáutica, do codi-doi, se apresentaram como agentes da repressão. P ? E tudo isso ele contou a você na cela? R ? Tudo isso ele contando, muito tranqüilo, embora com a voz fraca e em mau estado físico. Disse então que a mãe ficou muito nervosa, e que ele precisou tranqüilizar a família, a mãe dele e os agentes também disseram que a mãe dele podeia ficar tranquila, que ele ia simplesmente prestar um depoimento e depois voltaria. Ele estava tão tranqüilo, que eu perguntei a ele como é que as pessoas da Europa viam a repressão no Brasil, e ele ainda fez uma análise sobre o futuro. Por isso acho que ele estava muito tranqüilo. P ? Você lembra quanto tempo vocês chegaram a conversar? Se foi de dia? R ? Essa questão de tempo é difícil de calcular. Devia ser de noite. Depois ele começou a piorar, alguns dias depois levaram à cela um companheiro, um outro preso político para ser acareado com ele. O normal seria que ele saísse da cela para ser acareado na sala de torturas, ou numa outra sala. Como ele estava muito mal eles preferiram trazer o prisioneiro para ser acareado na cela. P ? Então existe mais uma pessoa que testemunhou, que deve ter visto o Merlino no CODI-DOI caso essa pessoa esteja viva? R- Claro. Quem era essa pessoa eu não lembro. Essa pessoa, um homem, ficou de pé, e o Merlino deitado. Ele estava muito mal durante a acareação, e algumas coisas respondia com gestos tal era o estado dele. P ? Você se lembra do conteúdo da acareação? R ? Não, isso não lembro nada. P ? Ele foi maltratado durante a própria acareação? R ? A própria acareação já era um mau trato. Ele estava tão débil que qualquer outro mau trato, interromperia a acareação. De forma que não interessava a eles. P ? Durante esses dias em que ele estava na cela, desde que trouxeram ele à cela até a acareação, ele recebeu algum tratamento? R ? Não nenhum tratamento. Antes da acareação ele já começou a sentir uma dormência na perna... P ? Esquerda ou direita? R ? Tenho impressão de que era a esquerda, não posso precisar. Essa dormência acabou pirorando, (já depois da acareação) acabaram levando ele para o pátio em frente, porque a porta da cela dá para um pátio; puseram em cima de uma mesa. E um cidadão que se dizia enfermeiro começou a fazer massagem, um cidadão que andava com botas de soldado, calças de soldado, mas tinha uma bata branca. Deixaram a porta da cela aberta, e eu pude ver, nessa hora, mais claramente, a fisionomia dele, aí que eu vi a fisionomia e guardei bem porque fiquei várias horas olhando e mais tarde é que eu pude identificar , pela fotografia dele no jornal, que era Luís Eduardo Merlino. P ? Mas você disse que havia dito seu nome no começo, quando foi trazido à cela, ou você se enganou? R ? Ele me deu o nome de guerra. Nicolau. P ? E o que aconteceu depois? R ? Me parece que na cela ao lado, tinha gente vendo também e o enfermeiro não quis fazer o teste de reflexo na vista das outras pessoas. Eu também estava arrebentado, então eles não se importaram comigo e trouxeram ele para minha cela para fazer o teste de reflexo. Vieram, fizeram o teste de reflexo no joelho e não tinha resposta nenhuma. O enfermeiro ficou perturbado, ficou perturbado com isso e não sabia o que fazer. Eu falei: o estado dele é grave, acho que convém levar para o hospital. O enfermeiro ficou irritado comigo, disse que ele é que sabia, que já tinha recuperado outros presos políticos, que estavam em estado muito pior do que aquele, que aquilo não era nada para ele. Fechou a porta. P ? Você não sabe o nome desse enfermeiro? R ? Não sei. Esse era o que fazia o papel de enfermeiro mesmo. Outros faziam outros papeis, duplos, esse fazia papel de enfermeiro apenas, sempre enfermeiro. P ? Médico não apareceu nenhum? R ? Para o Merlino não. Para mim apareceu uma vez. P ? Nesse intervalo? R ? Isso eu não me lembro. P ? Continuando... R ? Depois que fecharam a porta Merlino começou a piorar muito, logo em seguida. À noite começou a se sentir mal, estava bem pior. Eu tinha connseguido uma pêra e dei a ele. Porque ele rejeitava tudo, não comia nada. Eu não me lembro dele ter comido nem uma vez... porque ele tentava comer e vomitava sangue. Aí ele começou a mudar, a ficar nervoso, falou que estava piorando... vomitou sangue outra vez. Eu tentei acalmá-lo. Ele pediu que eu o colocasse sentado. Merlino nunca ficou em pé desde o primeiro dia. Para ir a privada precisava carregar ele. Eu e um guarda. Bem, eu tentei acalmá-lo, comecei a dizer a ele para respirar fundo, fazer a respiração de ioga, manter um pouco de calma. Mas ele ficou muito nervoso e falou: "chama o enfermeiro rápido que eu estou muito mal, a dormência está subindo, está nas duas pernas e nos braços também". Aí eu bati na porta com força e gritei e vieram o enfermeiro e alguns torturadores, policiais, os mesmos que já haviam me torturado e torturado a ele também. Vieram e o levaram. Agora vou dar um detalhe que pode levar a alguma prova de alguma coisa. Na hora que eles saíram, de madrugada, eu estava muito arrebentado, e eu imediatamente deitei. Eu deitei e eles fizeram uma troca de sapatos. Levaram os meus sapatos e deixaram o dele pode ser que entregaram á família dele sapatos que não eram dele. P ? E depois? R ? Nunca mais eu vi ele. P ? Você se lembra de outras movimentações, de companheiros de cela, em função do caso dele? R ? Eu me lembro que ele disse também que trabalhava no "Estado de São Paulo". Disse "eu estou tranqüilo porque eles não vão ousar me matar". Ele me disse: "Porque tenho um tio, me parece, um general, um parente que era ligado ou próximo ao exército". P- Não seria da polícia? R ? Sim, sim, exatamente, era ligado à polícia, e que trabalhava no "O Estado de São Paulo" e que poderia dar um escândalo se o matassem. Bom, no dia seguinte a que levaram ele embora, realmente houve uma mudança radical lá dentro; começaram a limpar, varrer, mandaram todo mundo para o sol, me tiraram da solitária, foi a primeira vez que sai da solitária, me trocaram de cela imediatamente. Houve uma grande movimentação lá. Desde que tiraram o Merlino de lá houve uma mudança radical até quando eu saí. P ? Você ficou quanto tempo lá? R ? Me parece que eu fiquei menos do que um mês. P ? Então tudo isso o que aconteceu com o Merlino, deu-se em menos do que um mês: num período inferior a quatro semanas? R ? Ah, é. Deve ter sido num período de, no máximo, 15 dias. Talvez menos, talvez uma semana, talvez menos, não sei bem. P ? Você foi levado de lá para onde? R ? Fui levado de lá para o DOPS de Belo Horizonte. De lá fui para o presídio de Linhares. P ? E quando você ouviu falar de novo do Merlino? R ? Foi em Linhares. Foi lá que me disseram que o Nicolau era Luís Eduardo Merlino. Eu até então não sabia quem era. E me disseram que ele teria sido assassinado; e eu não tinha visto ainda a fotografia, eu não estava seguro não. Mas em todo o caso eu dei o nome a minha cela de Luís Eduardo Merlino; era hábito nosso, os presos políticos, dar o nome à sua cela, de um companheiro que tinha sido assassinado pela repressão. Mais tarde eu vi a foto no jornal "Movimento". P ? Guido Rocha, Você espera que essas declarações suas sirvam para esclarecer as circunstâncias da morte de Merlino... R ? Espero e estou disposto a fazer o que for possível para esclarecer ======================================================================================================== + Detalhes. CARTA CAPITAL 19/08/2008 | ASSASSINADO PELA DITADURA Justiça para Luiz Eduardo Merlino No dia 19 de julho de 1971, o jornalista Luiz Eduardo Merlino foi assassinado após uma sessão de torturas na sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo então major Brilhante Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se apresentava como o "major Tibiriçá" para não ser identificado. Antônio Augusto* Nesta terça, 19 de agosto, o desembargador Hamilton Elliot Akel, do Tribunal de Justiça de São Paulo, se pronuncia sobre o recurso dos advogados do coronel Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi paulista, contra a ação que visa responsabilizar o militar pelas torturas e assassinato do jornalista Luiz Eduardo Merlino, ocorrido em 19 de julho de 1971. Os outros dois desembargadores afeitos ao caso já externaram suas decisões: Luiz Antonio de Godoy manifestou-se favorável a Ustra e Carlos Augusto de Santi Ribeiro, contra. Antes, ao acolher a ação movida por Regina Merlino e a historiadora Ângela Mendes de Almeida, respectivamente, irmã e ex-companheira do jornalista, o juiz Carlos Henrique Abrão considerou que "o assunto não trata de privilégio decorrente da lei de anistia, mas disciplina ação de natureza imprescritível". Ao morrer, Merlino tinha 23 anos incompletos. Apesar da juventude, devido ao seu talento, já era muito conhecido no meio jornalístico de São Paulo. Trabalhou na Folha da Tarde, no Jornal da Tarde, esteve entre os fundadores do Amanhã, um dos criativos e democráticos jornais dirigidos por Raimundo Rodrigues Pereira. Luiz Eduardo, quando ainda secundarista, já começara a se interessar por política e participara do Centro Popular de Cultura (CPC) animado pela UNE. Ao ser preso, era militante do Partido Operário Comunista (POC), um pequeno agrupamento integrante da resistência democrática ao regime ditatorial. O massacre de Merlino: "Ou cortavam suas pernas ou morria. Deixa morrer" Merlino foi capturado sem ordem judicial - claro, na ditadura inexistiam quaisquer garantias individuais e legais, ainda mais nos anos de chumbo de Médici - na casa de sua mãe, em Santos, no dia 15 de julho de 1971, quando já passava das 21h. A mãe, a irmã Regina e uma tia assistiram à prisão. Dali foi levado para a capital do estado, rumo ao inferno da Rua Tutóia, sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo então major Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se apresentava como o "major Tibiriçá" para não ser identificado. Segundo o registro do livro "Direito à Memória e à Verdade", editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, Merlino recebeu logo o tratamento.habitual do DOI-Codi: "foi barbaramente torturado por 24 horas ininterruptas e abandonado numa solitária, a chamada cela forte, ou xis-zero". Havia três turmas de tortura na rotina do DOI-Codi, elas se revezavam a cada 8 horas para garantir a permanência das torturas durante todo o dia.e toda a noite. Guido Rocha, um preso político também estraçalhado fisicamente pelas torturas, já se encontrava na "cela forte" quando jogaram Merlino lá. Uma das últimas pessoas a vê-lo com vida, Guido deu depoimento gravado ao jornalista Bernardo Kucinski a respeito do que presenciou: "Eu também estava arrebentado, então eles não se importaram comigo e trouxeram ele para minha cela para fazer o teste de reflexo. Vieram, fizeram o teste de reflexo no joelho e não tinha resposta nenhuma." "Depois que fecharam a porta Merlino começou a piorar muito, logo em seguida. À noite começou a se sentir mal, estava bem pior. Eu não me lembro dele ter comido nem uma vez... porque ele tentava comer e vomitava sangue. Aí ele começou a mudar, a ficar nervoso, falou que estava piorando... vomitou sangue outra vez. Eu tentei acalmá-lo. Ele pediu que eu o colocasse sentado. Merlino nunca ficou em pé desde o primeiro dia. Para ir a privada precisava carregar ele. Eu e um guarda. Bem, eu tentei acalmá-lo, comecei a dizer a ele para respirar fundo, fazer a respiração de ioga, manter um pouco de calma. Mas ele ficou muito nervoso e falou: 'chama o enfermeiro rápido que eu estou muito mal, a dormência está subindo, está nas duas pernas e nos braços também'. Aí eu bati na porta com força e gritei e vieram o enfermeiro e alguns torturadores, policiais, os mesmos que já haviam me torturado e torturado a ele também. Vieram e o levaram". "Nunca mais eu vi ele". Guido Rocha tempos depois iria para o Presídio de Linhares. "Eu dei o nome a minha cela de Luiz Eduardo Merlino; era hábito nosso, os presos políticos, dar o nome à sua cela de um companheiro que tinha sido assassinado pela repressão", ele conta. A herança de Merlino O escritor, historiador e professor Joel Rufino dos Santos, ex-preso político, amigo de Merlino, relata outro fato terrível: "1973. Um torturador da Operação Bandeirante [organismo da repressão que antecedeu o DOI-Codi, também comandado por Brilhante Ustra], Oberdan, cismou de falar comigo sobre Merlino. Não morreu como vocês pensam. Foi para o hospital passando mal. Telefonaram de lá para dizer que ou cortavam suas pernas ou morria. Fizemos uma votação. Ganhou deixar morrer. Eu era contra. Estou contando porque sei que vocês eram amigos". Um dos livros de Joel Rufino é dedicado à memória de Merlino. O escritor e jornalista Renato Pompeu recorda, além da inteligência, a "inusitada" maturidade política de Merlino para alguém tão jovem. Michael Löwy, um intelectual de grande reconhecimento internacional, foi companheiro de Merlino. Dá um testemunho emocionado sobre ele: "É destas pessoas que ficam para sempre gravadas na memória de quem as conheceu, por mais que passem os anos. O que o levou a tomar a decisão que tomou, e lhe custou a vida, foi simplesmente um sentimento de dever, uma ética, um compromisso com os companheiros de luta. É por isto que a memória dele continua tão viva e presente, não só no Brasil, mas também na França e em outros países em que se conheceu sua história. A herança que ele nos deixa é a de seguir lutando, para que nunca mais o Brasil conheça a opressão, a violência policial, a tortura". A crueldade contra Merlino se estendeu à sua família. O DOI-Codi inventou um suicídio fantasioso, historinha costumeira dos torturadores, relatado à sua mãe, Iracema. O prisioneiro teria se jogado embaixo de um carro, na BR-116, em Jacupiranga. Dois médicos legistas a serviço da ditadura, Isaac Abramovitc e Abeylard Orsini, assinaram o laudo para tentar justificar a farsa. A família não acreditou em nenhum momento. A sobrinha de Merlino, a jornalista Tatiana Merlino, descreveu em artigo recente, no Brasil de Fato, como os fatos se passaram: "Como o corpo não foi entregue, dois tios e o cunhado de Merlino, Adalberto Dias de Almeida, então delegado de polícia, foram ao IML de São Paulo. O diretor do Instituto negou que o corpo estivesse ali, mas usando do fato de ser delegado, o cunhado burlou a vigilância e foi em busca do corpo de Merlino. Encontrou-o com marcas de tortura em uma gaveta sem identificação. O corpo do jornalista foi entregue à família num caixão fechado". Jornalistas amigos de Merlino foram até Jacupiranga e não encontraram nenhum sinal do suposto atropelamento ou outro acidente de trânsito ocorrido naquele ponto, no dia indicado. O veículo que o teria atropelado nunca foi identificado nem foi feita ocorrência no local do fato. Reparação é para o Brasil Impedida de noticiar a morte de Merlino, somente mais de um mês depois, o jornal O Estado de S.Paulo publicou um anúncio fúnebre: 'Os amigos e parentes do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino convidam os jornalistas brasileiros e o povo em geral para a missa de trigésimo dia de seu falecimento a realizar-se sábado próximo, 28 de agosto, às 18:30 horas, na Catedral da Sé, em São Paulo'. Cerca de 770 jornalistas compareceram à missa. Na cerimônia, os mesmos três homens que buscaram Merlino, em Santos, compareceram para dar 'os pêsames' à sua mãe e irmã". Brilhante Ustra, o "major Tibiriçá", com o mesmo cinismo que diz não passarem de "lorotas" as denúncias de tortura no DOI-Codi da Rua Tutóia, afirma na sua defesa que o laudo "foi firmado por dois legistas, tem fé pública". Quanto à ficção de suicídio, os advogados da família Merlino, Fábio Konder Comparato e Aníbal Castro de Sousa, declaram: "o réu não inovou, pois já há muito tempo é de conhecimento público que, infelizmente, os órgãos de repressão detinham absoluto controle do IML (Instituto Médico Legal) e 'construíam' versões absurdas para a causa mortis de suas vítimas. A história está a confirmar que a alegação de suicídio era a farsa preferida pela repressão, vide o caso emblemático do jornalista Vladimir Herzog". A necessidade de que se faça justiça não é só da família de Merlino. Corresponde aos interesses dos brasileiros e do fortalecimento da democracia. Tatiana Merlino, na sua matéria já citada, mostrou o que está em jogo: " 'O objetivo da iniciativa é o reconhecimento por parte da Justiça da responsabilidade de Ustra na tortura e morte de meu irmão', afirma Regina. 'Estou movendo essa ação por mim e pela minha mãe, que faleceu, em 1995, sem que a verdade viesse à tona', explica. De acordo com Angela, 'o fim da impunidade começa com a memória e o restabelecimento da verdade. A tortura na ditadura era uma política do Estado brasileiro, mas seus executores têm nome', salienta". * Antônio Augusto é jornalista ========================================================================================================== + Detalhes. DOS FILHOS DESTE SOLO Luiz Eduardo da Rocha Merlino (18/10/1948 - 19/07/1971) "Artéria rompida" Às 20hs de 20 de julho de 1971, Iracema Merlino recebeu um telefonema de um delegado do DEOPS de Santos comunicando a morte de seu filho Luiz Eduardo. O informante disse que ele teria se jogado embaixo de um carro na BR-116, em Jacupiranga, após escapar da escolta que o estaria conduzindo a Porto Alegre, "para entregar companheiros". Ela tinha sido tomada de imensa angústia desde o dia 15 de julho, quando vieram buscá-lo em sua casa, à Rua Itapura Miranda, 13, em Santos. Naquele dia, um homem, em trajes civis, dizendo-se amigo, pediu para chamar seu filho. Já passavam das 21hs. Luiz Eduardo estava com uma gripe forte e fora deitar mais cedo. Ela o despertou e ele lhe disse que não conhecia ninguém com o nome dado, mas, mesmo assim, iria atendê-lo. Estava calmo. Em seguida, o visitante entrou na casa, acompanhado de dois outros agentes, considerando certa a presença de quem procuravam. A cordialidade anterior dos invasores cedeu lugar à brutalidade. Os militares ameaçaram a irmã de Luiz Eduardo, Regina, com metralhadoras em punho, porque ela protestara contra a invasão de sua casa e a iminente prisão do irmão. Perguntaram também por Ângela Maria Mendes de Almeida, companheira de Luiz Eduardo, e entraram no quarto dele para revistar e revirar tudo. Dona Iracema ficou nervosa. Luiz Eduardo, calmamente, tranquilizou sua mãe e a irmã, e os homens baixaram as metralhadoras. "Logo estarei de volta." Foi levado em um Corcel, com os três e o motorista. Passados cinco dias, o delegado do DEOPS em Santos comunica-lhe, por telefone, que seu filho estava morto, que teria se suicidado. Dr. Geraldo Merlino, tio de Luiz Eduardo, por ser médico, ofereceu-se para localizar o corpo no IML. Pediu ao seu amigo, o patologista Antônio Cardoso de Almeida, para acompanhá-lo. Procuraram informar-se com dr. Arnaldo Siqueira, diretor do IML. Ele negou que o corpo de Luiz Eduardo da Rocha Merlino ali estivesse. Afortunadamente, um cunhado de Luiz burlou a vigilância no IML e viu o corpo. Os dois médicos voltaram ao IML e reconheceram o cadáver. Furiosos, dirigiram-se ao diretor Arnaldo Siqueira: "Por que mentiu; por que o corpo estava em uma gaveta sem nome; por que o IML ocultou um corpo?". Arnaldo Siqueira alegou que aquele corpo aguardava identificação. Mentiu novamente. Na verdade a Requisição de Exame ao IML, datada do dia anterior, 19 de julho, já identificava Luiz Eduardo da Rocha Merlino e dava como "histórico do caso: no dia e hora supramencionados (19-07, 19:30 horas; BR-116, Jacupiranga) ao fugir da escolta que o levava para Porto Alegre/RS, na estrada BR-116, foi atropelado e em consequência veio a falecer." No mesmo dia 19 de julho foi elaborado o laudo necroscópico, assinado pelos médicos-legistas Isaac Abramovitc e Abeylard Orsini, dando como causa da morte "anemia aguda traumática por ruptura da artéria ilíaca direita" e ainda, "segundo consta, foi vítima de atropelamento". O corpo de Luiz Merlino foi retirado do IML-SP e enterrado no Cemitério de Paquetá, em Santos, pela família. Sessões de tortura Guido Rocha já estava no x-zero, a "cela forte" ou "solitária" da OBAN/DOI-CODI, há vários dias quando os policiais chegaram com Luiz Merlino. Guido tentara sair do país por Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, onde chegara por trem. Enquanto prosseguia, o governo de esquerda de Juan José Torres foi derrubado; havia um intenso processo repressivo em curso. Guido Rocha foi preso e entregue aos militares brasileiros. O x-zero era uma cela quase totalmente escura. Chão de cimento, colchão manchado de sangue jogado no piso, uma privada turca, que os presos chamavam de boi. Só entrava luz na cela quando uma portinhola era aberta para passar comida. Antes mesmo de Luiz Eduardo ser trazido para o x-zero, Guido já o conhecia pelos seus gritos e gemidos que ouvira muitas vezes vindos da sala de torturas, localizada bem ao lado. Ele diz que não se lembra quantas vezes Luiz Eduardo foi submetido a sessões de tortura. Mas ficou impressionado com a tranquilidade que ele demonstrava. Estava muito machucado e viera carregado pelos policiais. Com voz fraca, contou-lhe que tinha chegado da França há poucos dias, que trabalhara no Jornal da Tarde e na Folha da Tarde, que fora preso na casa da mãe em Santos - e que esperava sair dali logo. Mas a sua saúde começava a piorar. As duas pernas ficaram dormentes, devido ao tempo que passara pendurado no "pau-de-arara". Para ir à privada turca, Guido tinha que carregá-lo, embora, por ser franzino, mal o aguentasse. Uma vez, trouxeram um outro preso político para ser acareado com Merlino na própria cela, o que demonstra o quanto ele estava mal. O procedimento comum nesses casos seria a acareação na sala de torturas. Na manhã do dia 17, o enfermeiro da Equipe A do DOI-CODI arrastou uma escrivaninha até o pequeno muro que divide o pátio, onde existiam sete celas. Pediu então ao carcereiro Marechal para trazer o preso do x-zero. Luiz Merlino foi carregado até à mesa improvisada. O enfermeiro, com bata branca, calças e botas militares, tirou o calção de Merlino, colocou-o de costas para cima e massageou suas pernas. Ele gemeu, chorou e gritou de dor. Suas nádegas estavam esfoladas. Os presos das celas 2 e 3, em um breve período de afastamento do enfermeiro, conversaram com ele, que se identificou. Contou que fora torturado toda a noite e que suas pernas não o obedeciam mais. De volta ao x-zero, Merlino piorava. O enfermeiro fez o teste de reflexo no joelho e planta do pé, sem resposta alguma. Ficou perturbado, mas se irritou quando Guido Rocha cobrou a remoção do companheiro para um hospital, batendo a porta maciça de ferro. Guido deu uma pêra a Merlino, pois ele botava para fora tudo o que comia - e havia sangue nos vômitos. "Chame o enfermeiro rápido, que estou muito mal", pediu Merlino. A dormência já alcançava os seus braços. Guido Rocha bateu na pesada porta e gritou por socorro. O enfermeiro reapareceu, com outras pessoas, que Guido identificou como torturadores. Eles levaram Merlino para morrer no Hospital Geral do Exército. No dia seguinte, Guido foi removido do x-zero, que foi varrido e lavado. No dia 20, o PM Gabriel contou aos presos políticos que Merlino morrera no dia anterior, "por problemas de coração". Guido de Souza Rocha, posteriormente, foi transferido para a Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora, e deu o nome de Luiz Eduardo Merlino à sua cela. Denúncias em Auditorias Os presos políticos Eleonora Menicucci de Oliveira, Ricardo Prata Soares e Laurindo Junqueira Filho denunciaram nas duas Auditorias Militares de São Paulo que viram Luiz Eduardo Merlino ser massageado no pátio do DOI-CODI, no dia 17 de julho, entre gracejos de um enfermeiro e de um capitão. O professor Rui Coelho, vice-diretor da Faculdade de Filosofia da USP, declarou também que viu Merlino na prisão e testemunhou que ele se portou com altivez em seu martírio. Zilá Prestes Pra Baldi disse que observou o corpo de Merlino, já morto, cheio de equimoses. A primeira versão para a morte de Merlino, dada pelo PM Gabriel aos presos do DOI-CODI, problemas de coração, foi logo abandonada. Ficou como versão oficial o que foi dito à sua mãe, Dona Iracema, suicídio, auto-atropelamento: após uma breve parada em Jacupiranga, a escolta policial deixara Merlino sozinho e ele aproveitara para correr e se jogar sob as rodas de um carro na BR-116, às 19:30 horas do dia 19 de julho de 1971. Essa versão constou na Requisição de Exame ao IML, no Laudo Necroscópico, assinado por Isaac Abramovitc e Abeylard Orsini, e na Certidão de Óbito, que teve como declarante o Delegado do DEOPS Alcides Cintra Bueno. Jornalistas amigos de Luiz Merlino, sem que soubessem de como realmente ele fora morto, deslocaram-se até Jacupiranga e não encontraram nenhum sinal, qualquer vestígio do suposto atropelamento ou outro acidente de trânsito ocorrido naquele ponto, no dia indicado. O veículo que o teria atropelado nunca foi identificado nem foi feita ocorrência no local do fato. É inverossímil um preso político ser deixado sozinho numa viatura, naquelas circunstâncias. Seu estado precário de saúde, quando foi retirado do x-zero, era desesperador. Não conseguia sequer se manter de pé. Como iria correr e atirar-se sob um carro? A imprensa foi impedida de noticiar a morte de Luiz Merlino. Somente no dia 26 de agosto de 1971 o Estado de São Paulo publicou um anúncio fúnebre: " Os amigos e parentes do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino convidam os jornalistas brasileiros e o povo em geral para a missa de trigésimo dia de seu falecimento a realizar-se sábado próximo, 28 de agosto, às 18:30 horas, na Catedral da Sé, em São Paulo". No dia 27 de Agosto a Tribuna de Santos publicou: " Estava morto há dias jornalista desaparecido. O jornalista Luiz Eduardo Merlino, que estava desaparecido desde o dia 16 de julho último, quando retornou da Europa, morreu quatro dias depois, segundo anúncio fúnebre publicado na edição de ontem de O Estado de São Paulo, convidando para a missa de trigésimo dia, que será celebrada amanhã, às 18:30 horas, na Catedral da Sé. Há uma semana, um despacho enviado de Paris pela Agência Reuters, dava conta de que Luiz Merlino teria sido detido pelas Autoridades responsáveis pela Segurança Nacional no mesmo dia de sua chegada e seu corpo entregue à sua mãe, quatro dias depois. Todavia, somente com o anúncio fúnebre publicado hoje é que veio a se confirmar sua morte". Apesar da violência e dos riscos do período, cerca de 770 jornalistas compareceram ao culto na Sé, desafiando o forte aparato policial presente na Catedral: até no coro havia policiais portando metralhadoras. Vida legal Iracema, mãe de Merlino, morreu no dia 31 de março de 1995. Com a filha Regina, nunca deixou de lutar pela verdade. Em 1979 moveu ação declaratória contra a versão oficial, com o apoio do Sindicato dos jornalistas. Em entrevistas a O Estado de São Paulo, em 1º/08/70, disse: "Quero que ele seja reconhecido como homem de verdade, que foi morto. Acredito piamente que ele foi assassinado". Angela Maria Mendes de Almeida, que permanecera na França após o retorno de Merlino, denunciou o assassinato de seu companheiro tanto no exílio como no Brasil, após sua volta. Luiz Merlino tinha 23 anos quando foi morto sob torturas. Nascido e criado em Santos, mudou-se aos 17 anos para São Paulo. Dois anos depois, fez parte da primeira equipe do Jornal da Tarde. Trabalhou também na Folha da Tarde e no Jornal do Bairro. Ingressou na USP, no curso de História. Tinha trancado matrícula quando foi à Europa, por sete meses. Iniciou sua militância no movimento secundarista, em Santos. Participou do movimento estudantil em 1968 Ingressou no POC nesse ano. Como repórter, esteve no Congresso da UNE, em Ibiuna, São Paulo, e foi, na ocasião, uma das principais fontes de informação sobre a repressão ao evento. Sua militância era clandestina, embora mantivesse vida legal, com seus documentos próprios e atividade profissional. Foi à França e voltou de lá com seu próprio passaporte. O relator do caso na Comissão Especial foi Nilmário Miranda. Ele diz em seu parecer: (...) é certo que a versão do suicídio, por auto-atropelamento não tem sustentação, porém, ainda que fosse verdadeira estaria abrangida pela lei, pois ocorreu sob a guarda dos agentes públicos. Seu voto foi acolhido por unanimidade (7x0), no dia 23 de abril de 1996. Do livro: Dos filhos deste solo - Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado Autores: Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio São Paulo, Boitempo Editorial/Editora da Fundação Perseu Abramo, 1999, pp. 512-516. ====================================================================== + Detalhes. Um torturador na mira da Justiça Brasil de Fato 10 de dezembro de 2010 às 7:22h Por Igos Ojeda, do Brasil de Fato Dona Iracema pegou algumas roupas do filho no armário e as colocou numa mala, com o intuito de levá-la de Santos, onde morava, a São Paulo. Vendo a cena, Regina, sua filha, estranhou: "Mamãe, por que você está fazendo isso?". "São as roupinhas para seu irmão", respondeu. Já haviam se passado quatro dias da morte, aos 23 anos, de Luiz Eduardo da Rocha Merlino, filho de Dona Iracema, mas ela acabava de receber a notícia. Ainda em estado de choque, não queria aceitar a realidade. Merlino, militante de oposição à ditadura civil-militar brasileira, havia morrido em 19 de julho de 1971 em consequência das torturas que sofrera na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), um dos principais órgãos de repressão da ditadura, na capital paulista. A versão oficial, que consta do laudo necroscópico assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini, é a de que ele tinha se suicidado ao se jogar à frente de um carro na BR-116, na altura da cidade paulista de Jacupiranga, após tentativa de fuga. Dona Iracema faleceu 23 anos depois, vítima de câncer, sem ter o reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, de sua responsabilidade pela morte do filho. Tentando reparar essa injustiça, Regina Maria Merlino Dias de Almeida, irmã de Luiz Eduardo, e Angela Maria Mendes de Almeida, sua companheira, entraram recentemente, na Justiça do estado de São Paulo, com uma ação de indenização por danos morais contra o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Entre setembro de 1970 e janeiro de 1974, ele comandou o DOI-Codi. Primeira ação Mas não é a primeira vez que a família de Merlino propõe uma ação contra Ustra. Em outubro de 2007, Regina e Angela moveram uma ação declaratória de danos morais contra o militar aposentado - ou seja, esperava-se apenas o reconhecimento, pela Justiça, de que ele havia sido o responsável pela tortura e morte de Merlino. O mesmo tipo de processo já havia sido impetrado pela família Teles. Em outubro de 2008, Ustra foi declarado responsável pelo sequestro e tortura de César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida. No entanto, entre julho e setembro do mesmo ano, três desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram - por dois votos a um - pela extinção da ação dos Merlino ao se manifestarem sobre um recurso da defesa que "simplesmente questionava a fórmula usada, ou seja, a ação declaratória", como conta Angela. "Os dois votos vencedores, entre mil filigranas, disseram que não cabia, no caso, uma ação declaratória por minha parte e da Regina porque nós 'não tínhamos interesse', o que um leigo pode mais ou menos traduzir como a afirmação de que o que cabia era uma ação por danos morais na área cível", explica. Depois de dois recursos dos advogados de acusação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, a ação foi definitivamente extinta em julho de 2010. "Então, a partir dessa data, essa via estava completamente esgotada, aniquilada por questões técnico-jurídicas. Em nenhum momento, como até disse um dos desembargadores que votou a favor do recurso do Ustra, se estava julgando 'o mérito' da questão, ou seja, a responsabilidade de Ustra, como chefe do DOI-Codi em 1971, pela morte sob tortura de Luiz Eduardo Merlino. Diante disso, colocou-se a hipótese de um novo processo na área cível por danos morais. Foi o que nos propuseram nossos advogados, Fábio Comparato, Claudineu de Melo e Anibal Castro de Sousa", relata Angela. Portanto, desta vez, como explica Comparato, é uma ação condenatória, por meio da qual solicita-se que Brilhante Ustra indenize a companheira e a irmã de Merlino pelos danos morais por elas sofridos. A argumentação da ação proposta destaca que a responsabilidade de Ustra não se deve apenas ao fato de ele ser o comandante do órgão de repressão onde Merlino foi torturado e morto, mas também por ter "praticado pessoalmente atos de tortura". Apesar de a versão oficial afirmar que Merlino se suicidou, diversos presos políticos detidos na sede do DOI-Codi na mesma época dizem terem sido testemunhas de que o ex-militante havia sido torturado. Um deles, Laurindo Martins Junqueira Filho, garantiu, em depoimento de 1972, ter presenciado as violações. Já Guido de Sousa Rocha, seu companheiro de cela, testemunhou as péssimas condições em que se encontrava Merlino quando este retornou do interrogatório e quando ele foi levado após seu estado de saúde piorar muito. Indenização Tanto Angela quanto Regina, entretanto, deixam claro que não querem dinheiro de Ustra. A indenização não é o objetivo principal da ação, tanto que os advogados da família Merlino solicitaram que o valor, caso o ex-oficial seja condenado, seja fixado pelo juiz da causa. "Será ele a determinar quanto vale uma vida atrozmente interrompida em plena juventude. E, se estamos utilizando esse tipo de ação, é porque nos foi vetada a ação declaratória na área cível e porque a Lei da Anistia de 1979 e a recente decisão do STF [que decidiu pela abrangência da lei até mesmo para os casos de tortura] nos vetam uma ação penal", esclarece Angela. "Não há dinheiro que pague uma vida". Certamente, tampouco há dinheiro que pague o sofrimento pelo qual passaram e ainda passam os familiares de Luiz Eduardo. "Eu nunca pensei que pudesse sofrer tanto na vida. Quando eu olho para trás, vejo o quanto já sofri com perdas, mas nada se compara a isso. Nunca imaginei que eu e minha mãe pudéssemos sofrer tanto", disse certa vez Regina, em depoimento que consta da atual ação. Angela, por sua vez, ficou várias dias sem ter notícias do companheiro. Ela estava na França, para onde ambos, militantes do Partido Operário Comunista (POC), haviam ido com o objetivo de fazer contatos e organizar a resistência à ditadura. Merlino, no entanto, tinha retornado ao Brasil antes dela. Somente em agosto (ele havia sido assassinado em julho) é que Angela soube da morte do companheiro. "É impossível descrever como recebi essa notícia, que imediatamente juntei com a ausência de contato. Relembrando aqueles dias, acho que tive imediatamente uma crise de desespero (.) Permaneci como que adormecida, dormia muito com os medicamentos que me davam, e acordava com desespero", relatou, também em testemunho que consta da ação. Além disso, depois da morte de Merlino, tanto Regina quanto Angela passaram a sofrer perseguições. Agentes da ditadura começaram a rondar a casa onde a irmã, a mãe, o cunhado e uma tia moravam, em Santos. Pessoas da família se afastaram, com medo de terem seus nomes ligados ao de um "terrorista". Um tempo depois, matriculada na Faculdade de Filosofia e Letras de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, Regina tampouco pôde estudar em paz. Agentes do regime chegaram a entrar em sala de aula e, outras vezes, a impedi-la de entrar, segurando-a pelo braço e deixando as armas à mostra. A perseguição aos parentes de Merlino trouxe sequelas até para a carreira do cunhado, Adalberto Dias de Almeida. O esposo de Regina, delegado de polícia, havia feito uso de sua profissão para encontrar o corpo de Luiz Eduardo no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. Tal atitude - que impediu que o militante assassinado fosse mais um dos desaparecidos da época - teria sido um entrave, segundo sua família, para que Adalberto fosse promovido na Polícia Civil por merecimento ao longo dos anos - ele obteve promoção apenas por antiguidade. Já Angela, mesmo tendo retornado ao Brasil em 1981 em decorrência da Lei de Anistia - e depois de um período em que passou por Chile, Argentina, Portugal e França -, continuou a ser vigiada pelos órgãos de repressão da ditadura. Um documento do Serviço Nacional de Informações (SNI), datado de 11 de junho de 1982, indicava que seu nome constava de uma lista de militantes da organização "subversiva" Organização Revolucionária Marxista - Democracia Socialista (ORM-DS). "Toda a minha vida foi impactada por esse acontecimento. Ele orientou a minha vida militante no exterior, pois, durante os cerca de cinco anos posteriores, continuei a militar clandestinamente nas organizações da IV Internacional na América Latina, usando constantemente documentação falsa e tudo que acompanha essa situação pessoal", lembra Angela, que revela seu profundo descontentamento com o "esquecimento" de boa parte da esquerda brasileira com os mortos pela ditadura. Brasil de Fato ========================================================================================== + Detalhes O hoje Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido na ditadura militar como "Major Tibiriçá" Autor: desaparecidospoliticos.org.br O jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, assassinado sob tortura no Doi-Codi em 19 de julho de 1971 Família de jornalista move ação contra Coronel Ustra Carlos Alberto Brilhante Ustra poderá ser reconhecido judicialmente como responsável pelo assassinato do jornalista Luiz Eduardo Merlino Já passavam das 21h na Rua Itapura de Miranda, na cidade de Santos, quando Iracema Rocha da Silva Merlino atende a porta da casa para um homem em trajes civis, dizendo-se amigo de seu filho, Luiz Eduardo da Rocha Merlino. Naquele dia, com uma forte gripe, o rapaz foi se deitar mais cedo e, ao ser acordado pela mãe, disse não se lembrar de ninguém com o nome dado pelo visitante. Mesmo assim resolveu atendê-lo. Ao abrir a porta, o homem adentrou a casa com mais dois agentes armados com metralhadoras. Ameaçaram a irmã de Luiz, Regina, que também estava na casa e perguntaram por Ângela Maria Mendes de Almeida, companheira de Merlino. D. Iracema já estava nervosa quando os homens invadiram e reviravam o quarto de seu filho. Luiz Eduardo acalmou a mãe e a irmã e foi levado pelos três homens e mais um motorista em um Corcel. Antes de sair, a última coisa que disse foi "Logo estarei de volta". Não pôde cumprir sua promessa. Cinco dias depois, sua mãe receberia, por telefone, a notícia da morte de seu filho. A versão oficial segundo o laudo necroscópico elaborado a época afirma que fora vítima de atropelamento. Luiz Eduardo da Rocha Merlino foi preso sem ordem judicial no dia 15 de julho de 1971. Foi levado para a sede do Doi-Codi na Rua Tutóia, em São Paulo. Lá, conforme os registros do livro "Direito à Memória e à Verdade" foi "barbaramente torturado por 24 horas ininterruptas e abandonado numa solitária, a chamada cela forte, ou xis-zero". Três equipes se revezaram de oito em oito horas para que o novo visitante recebesse o tratamento mais especial do Doi-Codi. Seu carrasco se apresentava como major Tibiriçá. Tibiriçá na verdade, era o major Carlos Alberto Brilhante Ustra, então comandante do Destacamento de Operações e Informações. O corpo de Luiz Eduardo foi encontrado no Instituto Médico Legal de São Paulo sem identificação e com marcas de tortura. Graças à insistência de amigos e parentes, foi retirado do IML e sepultado no cemitério de Paquetá, em Santos. No dia 05 de dezembro de 2007 a irmã Regina e a ex-companheira de Merlino, Ângela Maria, entraram com uma ação declaratória na 42º Vara Cível de São Paulo contra o hoje Coronel, Carlos Alberto Brilhante Ustra. O objetivo da ação é buscar o reconhecimento moral de que Ustra é o responsável pela tortura e morte de Merlino. É a segunda vez em que Ustra figura como réu em uma ação acusado de tortura na ditadura militar. "Estou movendo essa ação por mim e pela minha mãe, que faleceu em 1995, sem que a verdade visse à tona", disse Regina. É importante ressaltar que a ação é necessária para que se faça justiça não só à família de Merlino, mas também à sociedade brasileira, na longa escalada pelo fortalecimento da democracia no país. A recusa do Exército brasileiro em discutir a lei de anistia e a abertura dos arquivos da ditadura, só faz com que as Forças Armadas sejam vistas ainda como opressoras na história brasileira. Somente com a abertura dos arquivos, esclarecimentos e punição dos culpados é que será possível continuar caminhando para uma nação que possa se orgulhar de sua história. Cylene Dworzak Dalbon - 25 / 08 / 2008 http://www4.uninove.br [PDF] ECOS DE TROTSKY NA ESQUERDA ARMADA BRASILEIRA, 1964-1974 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de MS RIDENTI - Citado por 1 - Artigos relacionados Luís Eduardo da Rocha Merlino, assassinado logo depois de retornar, em julho de 1971, frustrando os planos da organização, já identificada com o S.U. da ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110601/60a84d61/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7622 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110601/60a84d61/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 45 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110601/60a84d61/attachment-0005.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 1 20:05:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 1 Jun 2011 20:05:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Comiss=C3=A3o_da_Verdade_e_da_Justi?= =?utf-8?b?w6dhIC0gcGV0acOnw6Nv?= Message-ID: <5C781910779143E3A611066271BA83DB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Suzana Lisbôa Estamos colhendo assinaturas pela criação de uma Comissão da Verdade e Justiça, para garantir um Estado realmente democrático. Assinem e repassem aos amigos. Aqui segue o link da nossa petição pública: clique http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N10720 Suzana Lisbôa Não importa o que o passado fez de mim. Importa é o que farei com o que o passado fez de mim. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110601/a3e950df/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110601/a3e950df/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 2 20:05:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 2 Jun 2011 20:05:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__SUELY_YUMIKO_KOMAIANA________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CLIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem SUELY YUMIKO KOMAIANA (1948-1974) Filiação: Emi Noguchi e Yutaka Kanayama Data e local de nascimento: 25/05/1948, Coronel Macedo (SP) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre janeiro e setembro de 1974 Primeira filha de um casal de imigrantes japoneses, nasceu em Coronel Macedo, no interior paulista. Aos quatro anos de idade, Suely mudou-se com sua família para Avaré. Em 1965, mudou-se novamente para a capital paulista, residindo em Santo Amaro e concluindo o curso colegial em 1967 na escola Albert Levy. Ingressou em seguida na USP, onde foi aprovada para Licenciatura em Línguas Portuguesa e Germânica. Em 1968 e 1969, além do currículo regular, cursou Japonês como matéria opcional. Foi liderança estudantil naquela faculdade. Matriculou-se pela última vez na USP em 1970 e chegou à região do Araguaia em fins de 1971, já militante do PCdoB, ficando conhecida como Chica. No início, preocupou seus companheiros porque, apesar de segura de suas convicções políticas, era "muito baixinha e magrinha". Mas, aprendeu rapidamente a trabalhar como lavradora, a andar na mata com sua mochila de 20 quilos às costas, a caçar e enfrentar todos os obstáculos. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, registra que "Em 1974, cercada pelas forças de segurança, foi morta ao recusar sua rendição". O relatório do Ministério da Marinha, do mesmo ano, afirma que foi morta em setembro de 1974, acrescentando: "pertencia ao grupo Gameleira/Dest. B. Era auxiliar do setor de saúde e tinha como chefe João Carlos Haas Sobrinho (Juca). Fez parte do grupo de observação, no treinamento de emboscadas. Fez treinamento de tiro, deslocamentos através do campo e sobrevivência. Era péssima nos deslocamentos, onde perdia noção de orientação" Elio Gaspari menciona, em A Ditadura Escancarada, o depoimento de José Veloso de Andrade, da lanchonete da Bacaba, informando que viu Suely entre os sete presos que encontrou, vivos, naquele acampamento militar. Hugo Studart registra, em A Lei da Selva, que ela teria sido fuzilada com mais de 100 tiros, conforme narrativa de camponeses, indicando como data da morte, sempre segundo o Dossiê Araguaia, janeiro de 1974. Segundo a reportagem Yumiko a nissei guerrilheira, publicada no Diário Nippak, de São Paulo, em 28/07/79, "Suely foi morta com rajadas de metralhadoras disparadas por diversos militares, que deixaram seu corpo irreconhecível. Foi enterrada em Xambioá e seus restos mortais foram posteriormente exumados por pessoas que não foram identificadas. Morreu aos 25 anos, dos quais 3 dedicados à guerrilha, em defesa da causa que acreditava justa - a liberdade". A matéria informa também que, "além desses dados, pouco mais se sabe de sua vida. (...) Tudo o que se referia a Suely Yumiko parece ter sido apagado, nem mesmo seus documentos na faculdade se pode encontrar, além dos pedidos de matrículas e que era portadora de identidade RG - 4.134.859, mas o espaço para a fotografia está em branco". Sobre a ocultação do cadáver de Suely, o coronel da Aeronáutica Pedro Cabral afirmou em entrevista à revista Veja, em outubro de 1993: "Suely havia sido morta no final de 1974. Seu corpo estava enterrado num local chamado Bacaba, onde, sob a coordenação do Centro de Informações do Exército, foram construídas celas e se interrogavam os prisioneiros. Durante a operação limpeza, sua cova foi aberta e o corpo de Suely desenterrado. Intacto, sem roupa, a pele muito branca não apresentava nenhum sinal de decomposição, apenas marcas de bala. Desenterrado, o corpo de Suely foi colocado num saco plástico e levado até meu helicóptero que o transportou para um ponto ao sul da Serra das Andorinhas, a 100 km de distância. Ali fizeram uma pilha de cadáveres também desenterrados de suas covas originais. Cobertos com pneus velhos e gasolina, foram incendiados". No site www.desaparecidospoliticos.org.br são apresentados inúmeros outros depoimentos sobre a vida e morte de Sueli. Napoleão Sabino de Oliveira, ex-mecânico de vôo do Douglas prefixo 2502 da FAB, avião de passageiros modificado para facilitar o transporte de tropas, relata que ouviu muitas histórias sobre mortes, relatadas por companheiros de farda. "Falavam até em assassinatos de camponeses", assegura, e cremação do corpo de uma mulher, participante da guerrilha do Araguaia. "Era uma enfermeira japonesa, observa". ======================================================================================================================== + Informações. SUELY YUMIKO KANAYAMA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Coronel Macedo, Estado de São Paulo, em 25 de maio de 1948. Desaparecida desde 1973 na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos. Em 1967, concluiu o 2° grau no Colégio Albert Levy, ingressando em seguida na Universidade de São Paulo, sendo aprovada no vestibular para Licenciatura em Língua Portuguesa e Germânica. Durante os anos de 65 a 69 fez, como cadeira opcional, a Língua Japonesa. Matriculou-se pela última vez na USP em 1970. Em fins de 1967 e nos anos que se seguiram, com as principais lideranças estudantis perseguidas, na clandestinidade ou no exterior, novas lideranças se faziam necessárias. Sueli foi uma delas. Chegou à Região do Araguaia, em fins de 1971, sendo uma das últimas a se integrar ao Destacamento B da Guerrilha. No início do ano de 1974, cercada por uma tropa do Exército, recusou-se à rendição, sendo metralhada. Seu corpo foi perfurado por mais de 100 balas de grosso calibre. Morreu aos 25 anos, dos quais 3 dedicados à guerrilha, em defesa da causa que acreditava justa - a da Liberdade. Segundo reportagem do "Diário Nippak", foi morta com rajadas de metralhadoras disparadas por diversos militares, deixando seu corpo irreconhecível. Foi enterrada em Xambioá e seus restos mortais foram posteriormente exumados por estranhos. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que "cercada pelas forças de segurança, foi morta ao recusar sua rendição". Já o Relatório do Ministério da Marinha afirma que foi "morta em setembro de 1974". Sobre a ocultação do cadáver de Suely, o Coronel da Aeronáutica Pedro Cabral diz, em entrevista à revista "Veja", em outubro de 1993: "Suely havia sido morta no final de 1974. Seu corpo estava enterrado num local chamado Bacaba, onde, sob a coordenação do Centro de Informações do Exército - CIEx, foram construídas celas e se interrogavam os prisioneiros. Durante a operação limpeza, sua cova foi aberta e o corpo de Suely, desenterrado. Intacto, sem roupa, a pele muito branca não apresentava nenhum sinal de decomposição, apenas marcas de bala... "Desenterrado, o corpo de Suely foi colocado num saco plástico e levado até meu helicóptero que o transportou para um ponto ao sul da Serra das Andorinhas, a 100 km de distância. Ali... fizeram uma pilha de cadáveres... também desenterrados de suas covas originais. Cobertos com pneus velhos e gasolina, foram incendiados." ============================================================================================= + Informações. Sueli Yomiko Kanayama Militante do PCdoB Apelidos: Sueli, Chica. Cor: amarela Altura: baixinha Idade: 25 anos Sexo: fem. Cabelo: preto/liso. Data de nascimento: 25/05/48, Coronel Macedo/SP. RG: 4 134 859 Biografia "Em 1967, concluiu o curso colegial no Colégio Albert Levy, ingressando em seguida na USP, onde fora aprovada em 17º lugar no vestibular para Licenciatura em Línguas Portuguesa e Germânica. Engajada no movimento estudantil desde essa época, freqüentava com regularidade as aulas, sempre conseguindo média para ser aprovada nos finais de semestre. Em 1968 e 1969, além do currículo normal, cursou, como cadeira opcional, Língua Japonesa. Matriculou-se pela última vez na USP, em 1970. Em fins de 1967 e nos anos que se seguiram, com as principais lideranças estudantis perseguidas na clandestinidade ou no exterior, novas lideranças se faziam necessárias. Sueli foi uma delas. Chegou à região do Araguaia em fins de 1971, sendo uma das últimas a chegar. Seus companheiros muito se preocuparam, pois apesar de segura de suas convicções políticas, era "muito baixinha e magrinha". Foi grande a satisfação dos companheiros quando a viram aprender rapidamente a trabalhar como lavradora, relacionado-se com a população das redondezas, a andar na mata, com sua mochila de 20Kg às costas, a caçar e enfrentar todos os obstáculos. No início do ano de 1974, cercada por uma tropa do Exército, recusou-se à rendição, sendo metralhada. Seu corpo foi perfurado por mais de 100 balas de grosso calibre. Foi uma das últimas a ser colocada fora de combate. Morreu aos 25 anos, dos quais 3 dedicados à guerrilha, em defesa da causa que acreditava justa - a liberdade." ? "Além desses dados, pouco mais se sabe de sua vida, uma vez que até mesmo seus familiares, inclusive seu irmão, localizado por nós, recusam-se a lembrar e falar dela, e mesmo seus pais, já não se encontram mais em São Paulo. Tudo o que se referia a Suely Yumiko parece ter sido apagado, nem mesmo seus documentos na faculdade se pode encontrar, além dos pedidos de matrículas e que era portadora de identidade RG - 4.134.859, mas o espaço para a fotogragia está em branco." ? Pertencia ao Destacamento B da guerrilha e morava na região de Gameleira. " Homenagens: " Nome da antiga Rua 06, no Residencial Cosmo, em Campinas, com início na antiga Rua 18 e término na Rua I 48 do Jd. Florence - Lei nº 9497, de 20/11/97. Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento: Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II. Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982. Relatório Arroio: Talvez ainda estivesse viva porque havia saído junto com José Maurílio Patrício, antes do dia 25/12/73, para buscar Cilon e José Lima Piauhy. Nunca mais foram vistos. Relatório do Ministério Exército: sem dados de qualificação, nascida no dia 25 Mai. 48, em Coronel Macedo/SP. Militante do PC do B, utilizava o codinome "Chica", chegou a região do Araguaia em fins de 1971. Em 1974, cercada pelas forças de segurança, foi morta ao recusar sua rendição. Relatório do Ministério da Marinha: - Mai./73 - foi indiciada em IPM, por envolvimento com atividades do PC do B em São Paulo. - pertencia ao grupo Gameleira/Dest.B. Era auxiliar do setor de saúde e tinha como chefe João Carlos Haas Sobrinho ("Juca"). Fez parte do grupo de observação, no treinamento de emboscadas. Fez treinamento de tiro, deslocamentos através do campo e sobrevivência. Era péssima nos deslocamentos, onde perdia noção de orientação. Codinomes: "Cabloca", "Chica", "Vera", "Tuca". -Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PC do B, em Xambioá. - Morta em Set.74. Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B, guerrilheira no Araguaia. Desaparecida na região do Araguaia. Segundo declaração do Dep. Fed. José Genoino, Sueli teria sido morta no Araguaia (Folha de São Paulo, 26 Jun. 78). Neste órgão, não há dados que comprovem essa versão. Arquivos do DOPS/SP: tem informações sobre sua militância, sem referências as atividades no Araguaia ou sobre sua morte. Informações e depoimentos obtidos através da imprensa ou dos familiares: "A morte de Suely, uma nissei paulistana que no ano de 1967 cursava Letras na USP, foi uma perda especialmente sentida pelo grupo. ...Sueli morreu perfurada por mais de 100 tiros, o que chegou a chocar os próprios militares que receberam o corpo na base de Xambioá. Talvez seja sobre ela a referência do senador Jarbas Passarinho, numa entrevista ao semanário Movimento, ...". [Não deve ser ela porque o senador se refere a uma loira, parteira, mais provável que seja a Luiza Garlippe, ou mistura de dados para confundir]. "Tinha uma japonesa também que era bastante audaciosa. Teve uma morte muito violenta, ela recebeu mais de 100 tiros. Houve um encontro com o pessoal do Exército, houve muita troca de tiro e ela ... Eu vi quando o corpo dela chegou ... estava uma peneira, mas era uma peneira mesmo, coitada!" "... cercada por uma tropa do Exército e ao se recusar à rendição, Suely Yumiko seria fuzilada com uma rajada de metralhadora que produziu mais de 100 perfurações no seu corpo. O fato que foi assistido pela população, chocaria até os soldados do Exército", segundo depoimento de José Genoino Neto." "O seu corpo, assim, como o de todos os outros guerrilheiros que foram enterrados na região de Xambioá, já não se encontram lá. Os restos foram retirados e levados para local desconhecido, como se significasse a necessidade de fazer esquecer à memória da população do Araguaia, os anos de resistência em defesa dos 27 pontos da União pela Liberdade e pelos Direitos do Povo. José Genoino Neto, ... contava-nos ... que, conversando com a sua mãe (dela), a senhora Emi, que reside no sul do país, disse que ouviu um emocionate depoimento. Ao relatar toda a história da guerrilha do Araguaia e finalmente tomar conhecimento do que realmente a sua filha Yumiko acreditava, ela diria que "estava muito feliz em saber destas coisas." Apesar de toda a sua dor, concluiu que "estava aliviada e contente por saber que ela tinha morrido feliz, pelo que sempre acreditou". Suely Yumiko, 4 anos após a morte tinha sido compreendida, senão pela família toda, pelo menos pela sua própria mãe, que apesar de não ter recebido quase nenhuma notícia de sua filha desde o início de 1971 - somente boatos de que sua filha teria se tornado prostituta - guardava a confiança até aquele momento do encontro com Genoino Neto." "... O outro [livro] está previsto para sair em junho, no Japão, com base nos levantamentos feitos pelo antigo correspondente do jornal "Asahi Shimbun", Hitoschi Kozato, no ano passado, numa edição que enfocará outros assuntos relativos à America Latina. Antes, o jornal japonês publicaria num suplemento especial, relembrando a guerrilha, a vida de um estudante latino-americano, Dower Moraes Cavalcante, que participou da atividade política armada contra o regime militar. A história da morte de Suely, conta o médico, impressionou o repórter japonês, porque quando ela foi capturada e torturada para revelar os nomes de seus companheiros e estratégias, retirou um revólver escondido na sua roupa e atirou contra o oficial, atingindo-o no ombro, sendo imediatamente alvejada com mais de cem tiros de metralhadora." "Suely Yumiko Kanayama, 25 anos, militante do PC do B que se instalou no Araguaia em 1971, havia sido morta no final de 1974. Seu corpo estava enterrado num local chamado Bacaba, onde, sob a coordenação do Centro de Informações do Exército, CIE, foram construídas celas e se interrogavam os prisioneiros. Durante a operação limpeza, sua cova foi aberta e o corpo de Suely, desenterrado. Intacto, sem roupa, a pele muito branca, não apresentava nenhum sinal de decomposição. Apenas marcas de bala. Um militar tentou erguer o cadáver com uma pá, mas ele escorregou. Tentou de novo. A mesma coisa. Mais uma vez. O corpo de Suely voltou para a cova. Irritado, o militar deu um grito impaciente. "Se não quer vir por bem, venha aqui, nos braços do papai." Saltou para dentro da cova, abraçou-se ao cadáver e o trouxe para cima. Desenterrado, o corpo de Suely foi colocado num saco plástico e levado até um helicóptero, que o transportou para um ponto ao sul da Serra das Andorinhas, a 100 quilômetros de distância, embaixo de uma palmeira frondosa. Ali, alguns brasileiros fizeram uma pilha de cadáveres de outros brasileiros, também desenterrados de suas covas originais. Cobertos com pneus velhos e gasolina, foram incendiados. (...) Quem conta essa história sinistra não é um comunista disposto a atacar as Forças Armadas. É um coronel da Aeronáutica, Pedro Corrêa Cabral. Ele também não conta histórias que ouviu dizer. Cabral esteve no Araguaia, era piloto de helicóptero. Ele mesmo transportou os cadáveres e os viu arder, sentiu o cheiro acre de carne humana queimada. (...)" "...Napoleão Sabino de Oliveira ... ex-mecânico de vôo do Douglas prefixo 2502 da FAB, um avião de passageiros modificado para facilitar o transporte de tropas, ... Durante os anos em que permaneceu na Aeronáutica, Napoleão ouviu muitas histórias sobre mortes, relatadas por companheiros de farda. "Falavam até em assassinatos de camponeses", assegura. ... e cremação do corpo de uma mulher, participante da guerrilha do Araguaia. "Era uma enfermeira japonesa, observa." "Não esconde a emoção quando lembra de Sueli Kanaiama, uma guerrilheira com quem viveu um amor platônico nos dois anos em que viveu no Araguaia. ... Ela inha um cabelo liso, preto, bem comprido. ... Depois, na cadeia, soube que ela tinha sido morta com mais de cem tiros. Foi horrível - conta, emocionado." Seus restos mortais foram exumados por estranhos. Foi morta - depoimento de Dª Socorro, moradora em Xambioá, em julho/96. "Sr. Pedro Vicente Ferreira, conhecido por Pedro Zuza, (...)que dos guerrilheiros, o declarante conheceu Zé Ferreira, Mariadina, Tuca, Lia, Chica, João Goiano e Osvaldão, que conheceu como mariscador (caçador), e outros cujos nomes não se recorda; (...)que a turma que estava com Osvaldão era Mariadina, Tuca, Chica, Lia e o filho do Seu Américo e outras pessoas;(...)". "Pedro Matos do Nascimento, vulgo Pedro Mariveti (...) Quando preso na Bacaba, conversou com Babão, que era um guia do Exército, que disse que haviam matado o Ari e cortado a cabeça dele. O Babão disse ainda que na cabeceira da pista de pouso na Bacaba haviam ocorrido vários sepultamentos. Lembra de Babão ter dito que Nelito e uma japonezinha estariam enterrados lá. (...)". ============================================================================================================== + Informações. Suely Kanayama Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Ir para: navegação, pesquisa Suely Kanayama Nascimento 25 de Maio de 1948 Coronel Macedo, Brasil Morte setembro de 1974 Araguaia, Brasil Nacionalidade brasileira Ocupação guerrilheira Influências -------------------------------------------------------------------------- Influências[Expandir] Partido Comunista do Brasil Suely Yumiko Kanayama (Coronel Macedo, 25 de maio de 1948 - Araguaia, ? de setembro de 1974) foi uma guerrilheira brasileira, integrante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que participou da Guerrilha do Araguaia, movimento armado criado na Amazônia brasileira para fomentar uma revolução rural e derrubar a ditadura militar da época, instaurando um governo socialista no país. Nissei filha de um casal de agricultores imigrantes, deixou Coronel Macedo com os pais aos 4 anos e fez seus estudos básico e secundário na cidade de Avaré. Com a mudança da família para a cidade de São Paulo em 1965, onde morou no bairro de Santo Amaro, cursava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP quando filiou-se ao PCdoB. Índice [esconder] a.. 1 Araguaia b.. 2 Referências c.. 3 Ver também d.. 4 Biliografia [editar] Araguaia Chegou ao Araguaia em 1971 e foi integrada ao destacamento B, comandado por Osvaldão, onde recebeu o codinome de 'Chica'. Baixinha e magrinha, apesar da fragilidade física era determinada e tornou-se uma das mais preparadas guerrilheiras, aprendendo a atirar e a sobreviver na mata. Quando do reagrupamento da guerrilha com a comissão militar em dezembro de 1973, então sob forte perseguição e ataques das tropas do exército, Suely deixou o grupo em 25 de dezembro com outro guerrilheiro, para tentar localizar companheiros dispersos na selva. [1]Pouco depois de sua saída, o local foi atacado e os guerrilheiros dizimados. Suely desapareceu na selva até setembro de 1974, quando a guerrilha já estava praticamente extinta e apenas alguns de seus integrantes ainda vagavam na mata, doentes e famintos. Cercada por uma patrulha do exército, recusou rendição e respondeu a tiros, ferindo um soldado. Foi então abatida por mais de cem tiros, fato que chocou os soldados e oficiais que viram seu corpo depois de transportado para a base de Xambioá.[2] Seu corpo foi enterrado na base de Bacaba, local construído pelo exército para interrogatório e guarda de prisioneiros. Durante a operação-limpeza levada a cabo pelo Exército, no início de 1975 - que desenterrou corpos de guerrilheiros dos locais originais para evitar posterior localização - seu corpo foi desenterrado e levado de helicóptero até a Serra das Andorinhas, ao norte da região do conflito, onde junto com outros foi queimado com gasolina misturado a pneus velhos. [3] Oficialmente é dada como desaparecida política.[4] e hoje dá nome a uma rua do bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro.[5] Referências 1.. ? Vermelho.org/Sueli Yumiko Kamaiana (Chica) 2.. ? MORAIS, Tais de. SILVA, Eumano. Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha, Epílogo. 3.. ? VEJA, O fim da guerra no fim do mundo 19 de outubro de 1993 4.. ? Centro de Documentação Eremias Delizoicov/Kanayama 5.. ? Apontador,com [editar] Ver também a.. Lista de guerrilheiros do Araguaia [editar] Biliografia a.. Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade?, Humanitas - FFLCH/USP, 2000. ISBN 8575060112 b.. MORAIS, Tais de. SILVA, Eumano. Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha. ISBN 8575091190. Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Suely_Kanayama" Categorias: Guerrilheiros do Araguaia | Opositores da ditadura militar no Brasil (1964-1985) ================================================================================================= + Detalhes. Suely Kanayama suely kanayama - Wikilingue - Encydia Suely Yumiko Kanayama (Coronel Macedo, 25 de mayo de 1948 - Araguaia, ? de septiembre de 1974 ) fue una guerrilheira brasileña, integrante del Partido Comunista del Brasil (PCdoB), que participó de la Guerrilla del Araguaia, movimiento armado creado en la Amazônia brasileña para fomentar una revolución rural y derrumbar la dictadura militar de la época, instaurando un gobierno socialista en el país. Nissei hija de una pareja de agricultores inmigrantes, dejó Coronel Macedo con los padres a los 4 años e hizo sus estudios básico y secundario en la ciudad de Avaré . Con el cambio de la familia para la ciudad de São Paulo en 1965, donde vivió en el barrio de Santo Amaro, cursava la Facultad de Filosofía, Ciencias y Letras de la USP cuando filiou-si al PCdoB. Llegó al Araguaia en 1971 y fue integrada al destacamento B, comandado por Osvaldão, donde recibió el codinome de 'Chica'. Baixinha y magrinha, a pesar de la fragilidade física era determinada y se hizo una de las más preparadas guerrilheiras, aprendiendo a tirar y a sobrevivir en la mata. Cuando del reagrupamento de la guerrilla con la comisión militar en diciembre de 1973 , entonces bajo fuerte persecución y ataques de las tropas del ejército, Suely dejó el grupo en 25 de diciembre con otro guerrillero, para intentar localizar compañeros dispersos en la selva. [1]Poco después de su salida, el local fue atacado y los guerrilleros dizimados. Suely desapareció en la selva hasta septiembre de 1974 , cuando la guerrilla ya estaba prácticamente extinta y sólo algunos de sus integrantes aún vagaban en la mata , enfermas y hambrientos. Cercada por una patrulla del ejército, rechazó rendição y respondió a tiros, hiriendo un soldado. Fue entonces abatida por más de cien tiros, hecho que chocó los soldados y oficiales que vuelcan su cuerpo tras transportado para la base de Xambioá .[2] Su cuerpo fue enterrado en la base de Bacaba, local construido por el ejército para interrogatorio y guardia de prisioneros. Durante la operación-limpieza llevada a cabo por el Ejército, en el inicio de 1975 - que desenterrou cuerpos de guerrilleros de los locales originales para evitar posterior localización - su cuerpo fue desenterrado y llevado de helicóptero hasta la Sierra de las Andorinhas, al norte de la región del conflicto, donde junto con otros fue quemado con gasolina mezclado a neumáticos viejos. [3] Oficialmente es dada como desaparecida política.[4] y hoy da nombre a una calle del barrio de Campo Grande, en el Río de Janeiro.[5] =========================================================== + Detalhes. [PDF] Sem título-1 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat de CP CDHIS - 2007 - Artigos relacionados dúvidas quanto à adaptação dela àquele ritmo de vida. Mas Suely Yumiko Kanayama provou o contrário. Suely (codinome Chica) era descendente de japoneses. ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110602/65c99ac9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5558 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110602/65c99ac9/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15925 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110602/65c99ac9/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 667 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110602/65c99ac9/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 2 20:05:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 2 Jun 2011 20:05:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PRIS=C3O_ILEGAL_DE_BATTISTI=3A_?= =?iso-8859-1?q?UMA_FARSA_JUR=CDDICA_____por_Dalmo_de_Abreu_Dallari?= Message-ID: <2F97011ED22748F391B7C276419816D8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem PRISÃO ILEGAL DE BATTISTI: UMA FARSA JURÍDICA Dalmo de Abreu Dallari* Fingir que o Supremo Tribunal Federal ainda pode decidir sobre o pedido de extradição de Cesare Battisti formulado pelo governo italiano não passa de uma farsa processual, uma simulação jurídica que agride a Ética e o Direito. E manter Battisti na prisão, sem que haja qualquer fundamento legal para isso, é ato de extrema violência, pois além da ofensa ao direito de locomoção, reconhecido e proclamado como um dos direitos fundamentais da pessoa humana e garantido pela Constituição brasileira, em decorrência da prisão ilegal todos os demais direitos fundamentais da vítima da ilegalidade são agredidos. Basta lembrar, entre outros, o direito à intimidade, o direito à liberdade de expressão e os direitos inerentes à vida social e familiar, todos consagrados e garantidos pela Constituição brasileira e cujo respeito é absolutamente necessário para preservação da dignidade humana. E a simulação de um processo pendente de decisão do Supremo Tribunal, para saber se Battisti será ou não extraditado, o que já teve decisão transitada em julgado, agrava essa violência e desmoraliza a Supremo Corte brasileira. Na realidade, o Supremo Tribunal já esgotou sua competência para decidir sobre esse pedido quando, em sessão de 18 de Novembro de 2009, tomou decisão concedendo autorização para que o Presidente da República pronunciasse a palavra final, com o reconhecimento expresso de que é da competência privativa do Chefe do Executivo a decisão de atender ou negar o pedido de extradição e com a observação de que deveria ser levado em conta o tratado de extradição assinado por Brasil e Itália. Estava encerrada aí a participação, legalmente prevista e admitida, do Supremo Tribunal Federal no processo gerado pelo pedido de extradição. Depois disso, em 31 de Dezembro de 2010, o Presidente da República, no exercício de sua competência constitucional privativa, tornou pública sua decisão de negar atendimento ao pedido de extradição de Cesare Battisti. E aqui se torna evidente a dupla ilegalidade, configurada na manutenção da prisão de Battisti e na farsa de continuação da competência do Supremo Tribunal Federal para decidir sobre o mesmo pedido de extradição sobre o qual já o Tribunal já decidiu, tendo esgotado sua competência. Com efeito, a legalidade da decisão do Presidente Lula, negando a extradição de Cesare Battisti pretendida pelo governo italiano, é inatacável. O Presidente decidiu no exercício de suas competências constitucionais, como agente da soberania brasileira e a fundamentação de sua decisão, claramente enunciada, tem por base disposições expressas da Constituição brasileira e das normas legais relativas à extradição, como também do tratado de extradição assinado por Brasil e Itália. Não existe possibilidade legal de reforma dessa decisão pelo Supremo Tribunal Federal e não passa de uma farsa o questionamento processual da legalidade da decisão do Presidente da República por meio de uma Reclamação, que não tem cabimento no caso, pois não estão sendo questionadas a competência do Supremo Tribunal nem a autoridade de uma decisão sua, sendo essas as únicas hipóteses em que, segundo o artigo 156 do Regimento Interno do Supremo Tribunal, cabe a Reclamação. Apesar da evidente falta de fundamento legal, a Reclamação vem tramitando com a finalidade óbvia, mesquinha e imoral, de manter Cesare Battisti preso por muito mais tempo do que a lei permite. Quanto à prisão de Battisti, que já dura quatro anos, é de fundamental importância lembrar que se trata de uma espécie de prisão preventiva, que já não tem cabimento. Quando o governo da Itália pediu a extradição de Battisti teve início um processo no Supremo Tribunal Federal, para que a Suprema Corte verificasse o cabimento formal do pedido e, considerando satisfeitas as formalidades legais, enviasse o caso ao Presidente da República. Para impedir que o possível extraditando fugisse do País ou se ocultasse, obstando o cumprimento de decisão do Chefe do Executivo se esta fosse concessiva da extradição, o Presidente do Supremo Tribunal Federal determinou a prisão preventiva de Battisti, com o único objetivo de garantir a execução de eventual decisão de extraditar. Não houve qualquer outro fundamento para a prisão de Battisti, que se caracterizou, claramente, como prisão preventiva. Em 18 de Novembro de 2009 o Supremo Tribunal decidiu conceder a autorização, o que foi comunicado ao Chefe do Executivo com o reconhecimento expresso de que tal decisão não impunha ao Presidente a obrigação de extraditar e a observação de que deveria ser considerado o tratado de extradição celebrado por Brasil e Itália. É importante ressaltar que cabe ao Presidente da República "decidir" e não aplicar burocraticamente uma decisão autorizativa do Supremo Tribunal, o que implica o poder de construir sua própria convicção quanto ao ato que lhe compete praticar, sem estar vinculado aos diferentes motivos que levaram cada Ministro da Suprema Corte a votar num determinado sentido. Em 31 de Dezembro de 2010 o Presidente da República tomou a decisão final e definitiva, negando atendimento ao pedido de extradição, tendo considerado as normas constitucionais e legais do Brasil e o tratado de extradição firmado com a Itália. Numa decisão muito bem fundamentada, o Chefe do Executivo deixou claro que teve em consideração os pressupostos jurídicos que recomendam ou são impeditivos da extradição. Na avaliação do pedido, o Presidente da República levou em conta todo o conjunto de cirscunstâncias políticas e sociais que compõem o caso Battisti, inclusive os antecedentes do caso e a situação política atual da Itália, concluindo que estavam presentes alguns pressupostos que recomendavam a negação do pedido de extradição. Decisão juridicamente perfeita. Desde então, a prisão preventiva de Cesare Battisti perdeu o objeto, não havendo qualquer fundamento jurídico para que ele continuasse preso. Cesare Battisti deveria ter sido libertado imediatamente, em respeito ao Direito e à Justiça. Por todos esses motivos e fundamentos, fica evidente que a continuação da discussão do pedido de extradição de Battisti no Supremo Tribunal Federal e sua manutenção na prisão não têm qualquer fundamento jurídico, só encontrando justificativa na prevalência de interesses contrários à ética e ao Direito. Em respeito ao Direito e à Justiça e para a preservação da autoridade e da dignidade do Supremo Tribunal Federal impõe-se o arquivamento da descabida Reclamação e a imediata soltura de Cesare Battisti, fazendo prevalecer os princípios e as normas da ordem jurídica democrática. *Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, professor catedrático da UNESCO na cadeira de Educação para a Paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância Assinam: Paulo Eduardo Arantes (Professor da Universidade de São Paulo) Chico César (Músico, cantor e compositor) Michael Löwy (Sociólogo) José Celso Martinez (Ator, autor e diretor de teatro) João Pedro Stedile (MST e Via Campesina-BR) Genival Oliveira Gonçalves - GOG (Cantor e compositor de rap) Dom Tomás Balduíno (Bispo emérito de Goiás) Ricardo Antunes (Professor da Universidade de Campinas) Maria Luiza Fontenele (Grupo Crítica Radical e ex-Prefeita de Fortaleza) José Arbex Jr. (Jornalista) B Negão (Cantor e compositor de rap) José Maria de Almeida (Presidente do PSTU) Antônio Carlos de Andrade (Presidente do PSOL-DF) Carlos Lungarzo (Professor da Unicamp e membro da Anistia Internacional) Francisco Miraglia (Professor da Universidade de São Paulo) Milton Barbosa (Movimento Negro Unificado - Nacional) Anita Leocádia Prestes (Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro) Beatriz Tragtenberg (Atriz) Osvaldo Coggiola (Professor da Universidade de São Paulo) Maria Beatriz Costa Abramides (Professora e Presidente da APROPUC/SP) Aton Fon Filho (Ex-preso político e Diretor Jurídico da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos) Luiz Gonzaga da Silva (Gegê - Movimento de Moradia do Centro-SP) Raphael Martinelli (Advogado, ex-preso e perseguido político, Presidente do Fórum dos ex-presos e perseguidos políticos do Estado de São Paulo) Pedro Jorge de Freitas (Professor da Universidade Estadual de Maringá) Antonio Carlos Mazzeo (Professor da Universidade Estadual Paulista - Marília) Alípio Freire (Jornalista e Ex-Preso Político) Marcos Del Roio (Professor da Universidade Estadual Paulista - Marília) Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida (Professor da PUC-SP) Armando Boito Júnior (Professor da Universidade de Campinas) Rogério Antonio Mauro (Professor do Instituto Federal Goiano) Frei Betto (Escritor) Tito Flávio Bellini (Professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro) Horacio Martins de Carvalho (Engenheiro Agrônomo e Consultor Movimentos Sociais no Campo) Luiz Jorge Pessoa de Mendonça (Professor da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES) Eliel Machado (Professor da Universidade Estadual de Londrina) Marcelo Buzetto (MST - São Paulo) João Paulo do Vale de Medeiros (Professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte) Rodrigo Pereira (Membro da Direção Executiva Nacional do PSOL) Romero Venâncio (Professor da Universidade Federal de Sergipe) Luiz Carlos Pinheiro Machado (ex-presidente da Embrapa, professor catedrático aposentado da UFRGS e da UFSC) Maria Orlanda Pinassi (Professora da Universidade Estadual Paulista - Araraquara) Suzana Keniger Lisbôa (Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos) Isabel Loureiro (Professora da Universidade de Campinas) João Alberto da Costa Pinto (Professor da Universidade Federal de Goiás) Bruno Lima Rocha (Professor da Unisinos - RS) Rosa Fonsêca (Grupo Crítica Radical e ex-Vereadora de Fortaleza) Caio N. de Toledo (Professor da Universidade de Campinas) Heloísa Fernandes (Socióloga, professora aposentada da USP e colaboradora da Escola Nacional Florestan Fernandes) Luís Filipe Montenegro Castelo (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental pelo estado do Rio de Janeiro) João Bernardo (Escritor) Antonio Rago Filho (Professor da PUC-SP) Mario Augusto Jakobskind (Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa- ABI e Diretor do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro) Tânia H. N. Jardim (Professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) Pedro Ivo Batista (Ambientalista, Coordenação da Rede Brasileira de Ecossocialistas e da Rede Brasileira de Integração dos Povos) Jair Pinheiro (Professor da Universidade Estadual Paulista - Marília) Vladimir Sacchetta (Historiador e jornalista) Pedro Munhoz (Músico e compositor) Rosalina de Santa Cruz (Ex-presa política, Secretária Municipal de São Paulo da gestão Erundina) Ricardo Gebrim (Consulta Popular) Vera Lúcia Vieria (Historiadora da PUC-SP) Marcio Sotelo Felippe (Ex- procurador geral do Estado de São Paulo 1995-2000) Aurélio Fernandes (MTST e Resistência Urbana) Cleber A. R. Folgado (Movimento dos Pequenos Agricultores e Via Campesina-BR) Marcelo Botossso (Historiador) Adelaide Gonçalves (Historiadora da Universidade Federal do Ceará) Regina Lúcia (Movimento Negro Unificado - SP) Miryám Hess (Conselheira do Conselho da Rede GRUMIN de Mulheres Indígenas) Mauro Rodrigues de Aguiar (Frente em Defesa do Povo Palestino) Andréia Galvão (Professora da Universidade de Campinas) Paulo Ribeiro da Cunha (Professor da Universidade Estadual Paulista - Marília) José Carlos Mendonça (Pesquisador do LASTRO-Universidade Federal de Santa Catarina) Paula Regina Pereira Marcelino (Professora da Universidade de São Paulo) Prudente Mello (Escritório Defesa da Classe Trabalhadora) Márcio Aguiar (Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares de Ceará) Victor Leonardo Figueiredo Carvalho de Araujo (Técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA) Luis Cardoso (Advogado, ex-preso político, membro do Fórum dos ex-presos e políticos do estado de São Paulo) Haroldo Martins Borralho (Coordenador de Meio Amebiente do CEDAMPO-MS) Iraldo Alberto Alves Matias (Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina) Maria das Graças (Coordenadora Continental Bolivariana) Danilo Enrico Martuscelli (Professor da Universidade Federal da Fronteira Sul) Cassio Brancaleone (Professor da Universidade Federal da Fronteira Sul) Edson Albertão (Professor e Ex-Vereador de Guarulhos-SP) José Galdino (Frente em Defesa do Povo Palestino) Wagner da Silva Teixeira (Professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro) Maria Della Libar (Movimento pela paz na Colômbia) Vanderlei Souza Carvalho (Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco - Univasf)Mário Maestri (Professor da Universidade de Passo Fundo)Carmen Zayas Bazan (Movimento Fariano pela nova Colômbia) José Safrany Filho (Comitê Bolivariano de São Paulo)Florence Carboni (Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul)Claudia Tamsky (Movimento Educacionista) Entidades: MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra CSP - Conlutas Central Sindical ePopular Grupo Tortura Nunca Mais - SP Sindicato dos Metroviários de São Paulo ANEL - Assembléia Nacional dos Estudantes Livre Sindicato dos Trabalhadores da USP Movimento dos Trabalhadores Sem Teto MNU - Movimento Negro Unificado APROPUC-SP - Associação dos Professores da PUCSP Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) Movimento Mães de Maio Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região-SP Quilombo Raça e ClasseGrupo Crítica Radical Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal de São Paulo Movimento Indígena Revolucionário - MIR Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza-CEInstituto de Apoio aos Povos do Araguaia - IAPA Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de MG Coletivo de Mulheres Ana Montenegro Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina Frente em Defesa do Povo Palestino Movimento de Moradia do Centro DCE da Universidade de Brasília - DF Espaço Marx (Maringá) Associação Democrática dos Metalúrgicos Aposentados de SJC e Região-SP Espaço Cultural Mané Garrincha Movimento pela libertação dos Sem Terra Comitê Bolivariano de São Paulo/SP Espaço Cultural Latino-Americano Comitê Pró-Haiti CONAN (Confederaão Nacional das Ações de Moradores) FACESP (Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo) Associação dos Anistiados Políticos de Goiás MDM (Movimento pelo Direito à Moradia) Cebrapaz (Centro Brasileiro de Luta pela Paz e Solidariedade aos Povos) FORMADS - Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Mato Grosso do Sul Cebraspo (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos) Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - MG Comando de Base da Capital Federação Nacional dos Trabalhadores das Indústrias GráficasUnião das Mulheres Cearenses Federação Sindical e Democrática dos Trabalhadores Metalúrgicos de Minas Gerais - MG Fórum Popular da SaúdeMovimento Urbano Sem-Teto (MUST-Pinheirinho) DCE da Universidade Estadual de MaringáSESDUEM Sindicaixa-RS Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu Sindicato dos Comerciários de Passo Fundo-RS Sindicato dos Comerciários de Santa Cruz do Sul-RS Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de BH e Região-MG Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Divinópolis e Região-MG Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do RN Sindicato dos Metalúrgicos de Itaúna/MG Sindicato dos Metalúrgicos de Pirapora/MG Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas Sindicato dos Professores e Professoras de Guarulhos-SP Sindicato dos Profissionais da Educação da FATEC Sindicato dos Rodoviários de Diadema-SP Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal de Alagoas Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal de Pernambuco Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Maranhão Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Mato Grosso Sindicato dos Servidores Municipais de Santo André-SP Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru-SP Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juazeiro do Norte Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém-PA Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas Sindicato dos Trabalhadores da Previdência do Rio de Janeiro-RJ Sindicato dos Trabalhadores da UNESPSindicato dos Trabalhadores dos Correios do Vale do Paraíba-SP Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos de Pernambuco Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte - MG Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Pesquisa, Perícias e Informações - MG Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos Bancários do Maranhão Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos Bancários do Rio Grande do Norte Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Ceará Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Divinópolis/MG Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Itajubá-MG Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São João Del Rei/MG Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Goiás Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de Goiás Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal de São Paulo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal do Rio Grande do Norte Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Bayeux-PB Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica Parlamentares: Cristovão Buarque (Senador PDT-DF) Eduardo Matarazzo Suplicy (Senador PT-SP) Marinor Brito (Senadora PSOL-PA) Luiza Erundina (Dep. Federal PSB-SP e ex-Prefeita de São Paulo-SP) Manuela D`Avila (Dep. Federal PCdoB-RS e Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara) Chico Alencar (Dep. Federal PSOL-RJ e líder da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados) Randolfe Rodrigues (Senador PSOL-AP) Erika Kokay (Dep. Federal PT-DF) Marcon (Dep. Federal PT-RS) Jamil Murad (Vereador de São Paulo - PC do B)Valmir Assunção (Dep. Federal PT-BA) Márcio Macêdo (Dep. Federal PT-SE) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110602/10709944/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 3 20:52:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 3 Jun 2011 20:52:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___DANIEL_JOS=C9_DE_CARVALHO_e_ENRIQUE_?= =?iso-8859-1?q?ERNESTO_RUGGIA_e_JOEL_JOS=C9_DE_CARVALHO_e_JOS=C9_L?= =?iso-8859-1?q?AVECCHIA_e_ONOFRE_PINTO_e_VITOR_CARLOS_RAMOS___-CLI?= =?iso-8859-1?q?V-?= Message-ID: <6EB907E0D3F3499DBF3B3D7EC796FACD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem DANIEL JOSÉ DE CARVALHO (1945-1974) Filiação: Esther Campos de Carvalho e Ely José de Carvalho Data e local de nascimento: 13/10/1945, Muriaé (MG) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 13/07/1974, Medianeira (PR) ENRIQUE ERNESTO RUGGIA (1955-1974) Filiação: Ana Violeta Bambula e Atílio Carlos Ruggia Data e local de nascimento: 25/07/1955, Corrientes (Argentina) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 13/07/1974, Medianeira (PR) JOEL JOSÉ DE CARVALHO (1948-1974) Filiação: Esther Campos de Carvalho e Ely José de Carvalho Data e local de nascimento: 13/07/1948, Muriaé (MG) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 13/07/1974, Medianeira (PR) JOSÉ LAVECCHIA (1919-1974) Filiação: Felícia de Matheu e Leo Lavecchia Data e local de nascimento: 25/05/1919, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 13/07/1974, Medianeira (PR) ONOFRE PINTO (1937-1974) Filiação: Maria Pinto do Rosário e Júlio do Rosário Data e local de nascimento: 26/01/1937, Jacupiranga (SP) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 13/07/1974, Medianeira (PR) VITOR CARLOS RAMOS (1944-1974) Filiação: Santina Silva Ramos e Felicindo Ramos Data e local de nascimento: 18/01/1944, em Santos (SP) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 13/07/1974, Medianeira (PR) A morte desses seis integrantes da VPR, em 13/07/1974, constitui um dos episódios mais recobertos de incertezas e mistério, até hoje, entre todos os casos de mortes e desaparecimentos registrados no período ditatorial. Essa organização clandestina praticamente já não existia mais no Brasil, tendo sido desmobilizada no início de 1973. Decididos a retornar do exílio para combater o regime militar, esses militantes entraram clandestinamente no território nacional, pela região de Foz do Iguaçu, em julho de 1974. Quatro deles tinham sido banidos entre 1969 e 1971: Onofre, Lavecchia, Daniel e Joel. Foram atraídos para uma cilada e executados no município de Medianeira (PR), no interior da mata do Parque Nacional do Iguaçu. Os nomes de Lavecchia, Onofre, Joel, Daniel e Ernesto integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. O caso de Vitor somente foi conhecido depois da edição da Lei, sendo analisado e deferido pela CEMDP. Militantes que conviveram com Onofre Pinto após o Massacre da Chácara São Bento, em janeiro de 1973, quando foram mortos seis militantes da VPR em Pernambuco, relataram que esse exilado expressava desespero e inconformismo pela confiança que tinha depositado no agente infiltrado cabo Anselmo. Onofre era o dirigente principal da VPR, fora alertado sobre a infiltração de Anselmo, mas não aceitara as evidências. A partir daquele episódio, passou a viver obcecado pela idéia de retornar à luta clandestina no Brasil. No entanto, é provável que tenha incorrido uma segunda vez no mesmo erro fatal, confiando em um ex-sargento da Brigada Militar gaúcha, ligado a Leonel Brizola, Alberi Vieira dos Santos, que parece ter sido um outro agente infiltrado, que atraiu esse grupo para a morte, conforme informações divulgadas quase 20 anos depois. A data da viagem para o Brasil somente foi estabelecida através de informação fornecida por Idalina, mulher de Onofre. As informações acerca do ocorrido com o grupo tiveram novos elementos a partir de 1992, quando foi revelada a atuação do casal Maria Madalena Lacerda de Azevedo e Gilberto Giovanetti, que confessaram terem sido cooptados pelos órgãos de repressão, passando a realizar missões policiais, inclusive no exterior. Giovanetti tinha sido companheiro de Daniel e Joel na Ala Vermelha de São Paulo, tendo participado, segundo documentos dos órgãos de segurança, de assalto a um carro forte, em 14/04/1969, em que dois guardas foram mortos. Madalena e Gilberto afirmam que foram presos num encontro que teriam com Alberi, no dia 13/07/1974, em Curitiba. Já desempenhando a nova posição de agente infiltrado, Madalena viajou para Buenos Aires e avisou a Idalina que o marido estava morto. As condições em que foram executados esses seis militantes também foram descritas, em 1993, pelo ex-sargento Marival Chaves Dias do Canto, que atuou no DOI-CODI/SP. Ele confirmou que a operação de Medianeira foi montada por Alberi, mas acrescenta entre os mortos o nome de Gilberto Faria Lima, conhecido como Zorro, militante da REDE que esteve na área de treinamento da VPR no Vale do Ribeira, em 1970. Seu nome nunca constou da lista de mortos e desaparecidos e não há certeza de que tenha efetivamente integrado o grupo, sendo que seus familiares não apresentaram requerimento à CEMDP. O nome de Alberi, até então considerado um herói pelos seus companheiros sobreviventes, constava do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. Ele tinha sido o braço direito do coronel Jefferson Cardin de Alencar Osório na chamada Guerrilha de Três Passos, em março de 1965. Teria sido condenado pela Justiça Militar e cumprira pena de 8 anos. Cinco anos depois, ele próprio seria encontrado morto, em 10/01/1979, na região de Foz do Iguaçu, quando investigava a morte de seu irmão, José Soares dos Santos, ocorrida em janeiro de 1977. Outro dos irmãos de Alberi, Silvano, morreu em 1970, após ter cumprido pena pela participação no movimento de Jefferson Cardin. As condições de sua morte ainda não foram esclarecidas e o pedido de seus familiares à CEMDP terminou sendo indeferido. Alguns dos refugiados políticos procurados por Alberi, que convidava para retornar ao Brasil e implantar uma base guerrilheira no sudoeste do Paraná, levantavam suspeitas sobre sua atuação e sobreviveram por não aceitar o insistente convite. Algumas luzes sobre esse misterioso episódio só começaram a surgir em 2005, quando Aluízio Palmar lançou o livro "Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?", reconstituindo, ao final de quase três décadas de investigação, os últimos passos dos seis guerrilheiros. Aluízio, jornalista que militou no primeiro MR-8 e na VPR, esteve preso no Paraná e foi banido do Brasil no seqüestro do embaixador suíço, em 1971. Ele foi um dos convidados por Alberi para retornar. Ao declinar do convite e sobreviver, dedicou-se exaustivamente a descobrir o destino dos companheiros. Morador de Foz do Iguaçu após seu retorno ao Brasil, recebeu em 2001 informações sobre um possível local de sepultamento dos guerrilheiros, o que levou a CEMDP a organizar uma busca em Nova Aurora, no Oeste do Paraná, a cargo dos técnicos da Equipe Argentina de Antropologia Forense. Aluízio Palmar conseguiu descobrir o agente policial que trabalhou junto com Alberi e que participou diretamente dessa operação de infiltração. Desempenhando o papel de motorista e usando o nome fictício de Otávio Camargo, esse agente foi encarregado de buscar o grupo que saíra de Buenos Aires no dia 11 de julho, levando-o para o sítio de Niquinho Leite, parente de Alberi que não tinha conhecimento do que iria suceder. Pelo contrário, segundo revela Aluízio, Niquinho achava que estava contribuindo com os Revolucionários. O sítio fica em Boa Vista do Capanema, onde o grupo chegou no dia 12 de julho. Alberi tinha convencido o grupo de que a melhor entrada para o Brasil seria uma base de apoio em Santo Antônio do Sudoeste (PR). Chegando ao sítio, os viajantes descansaram da viagem de mais de 24 horas. Longe de ser uma base de apoio, o local e o plano eram uma armadilha para eliminar o grupo. "O sítio não era da VPR; Niquinho era um inocente útil usado pelo sobrinho (Alberi); Otávio, um membro do Centro de Inteligência do Exército; e Alberi, o cachorro que estava levando-os para uma armadilha... Durante a viagem, desde que saíram de Buenos Aires, os exilados foram monitorados por agentes do CIE (Centro de Informações do Exército)". Prossegue Aluízio Palmar em seu livro: "A Operação Juriti estava em marcha, comandada pelo 'doutor César' (coronel José Brandt Teixeira) e pelo 'doutor Pablo' (coronel Paulo Malhães). Ela havia começado no Chile, teve sua continuidade na Argentina e agora chegava à sua fase final. Durante a viagem pela Argentina, desde que saíram de Buenos Aires, os exilados foram monitorados por agentes do CIE. Marival Chaves foi um deles. Toda a operação foi controlada à distância pelos coronéis Brandt e Malhães. Os agentes fizeram rodízio e acompanharam o retorno dos Revolucionários até chegarem ao sítio de Niquinho. Para cumprir a ordem de extermínio, um grupo comandado pelo cão de guerra major Sebastião Rodrigues Curió, que usava o pseudônimo de doutor Marco Antonio Luchinni, iria esperar no Caminho do Colono, seis quilômetros mato a dentro do Parque Nacional do Iguaçu. Aquela noite e o dia seguinte eles passaram no sítio. Enquanto uns descansavam, outros foram andar pelo mato ou pescar no Rio Capanema. Ao anoitecer do dia 13, Alberi e Otávio saíram com Joel, Daniel, Victor, Lavecchia e Enrique para executar a primeira ação revolucionária, uma expropriação na agência do Banco do Estado do Paraná, em Medianeira". Segundo o relato do agente Otávio, o plano era levar o grupo para um assalto a uma agência bancária. Onofre não participaria por ser muito conhecido. E prossegue o relato de Aluízio: "Otávio deu a partida no motor e o carro subiu a lomba, para em seguida seguir pela estreita e sinuosa Estrada do Colono. Com exceção de alguns raios de luz que, de vez em quando, cruzavam a mata fechada, a escuridão era total. Depois de rodar quase seis quilômetros, a rural fez uma curva fechada e entrou num picadão à direita, que dava acesso a uma clareira. 'Chegamos companheiros', disse Alberi enquanto descia do veículo. O grupo caminhou um pouco e, de repente, antes de chegar à clareira, fez-se no meio do mato um clarão e fuzilaria abundante. Otávio ficou junto ao carro, Alberi correu e se jogou no solo, Lavecchia deu um tiro a esmo antes de cair. Após o tiroteio, a floresta foi tomada pelo silêncio, apenas interrompido pelo barulho dos coturnos dos militares do grupo de extermínio que saíam de seus esconderijos para fazer um balanço da chacina. (...) No chão, entre folhas e entrelaçado por cipós, o jovem Enrique Ernesto Ruggia ainda estava vivo e, tal como o Che, teimava em perseguir seu sonho de libertar a América Latina do domínio norte-americano e implantar o socialismo. (...) A ordem era matar e uma descarga final de pistola tirou o último sopro de vida de Enrique Ruggia". O pelotão de fuzilamento limpou a área, enterrando os corpos numa cova ali mesmo. Onofre foi executado depois, e seu corpo teria sido jogado em um rio. 'Otávio Camargo' não quis falar com Aluízio, mas recebeu o agente da Polícia Federal Adão Almeida e foi até o local onde estariam os corpos. Em maio de 2005, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República procedeu à busca com os técnicos da Equipe Argentina de Antropologia Forense, mas não foi possível encontrar a cova. Onofre Pinto era paulista de Jacupiranga, afrodescendente, e tinha liderado, em São Paulo, as mobilizações do Clube de Subtenentes e Sargentos do Exército no período anterior a abril de 1964. Era formado em contabilidade e casado com Idalina Maria Pinto, com quem teve uma filha, Kátia Elisa. Teve seus direitos políticos cassados pelo primeiro Ato Institucional, em abril de 1964, e sua prisão preventiva foi decretada em 8 de outubro do mesmo ano, por sua participação no "Movimento dos Sargentos". Foi um dos fundadores e líderes principais da VPR. Tinha sido preso anteriormente, em 02/03/1969, por agentes do DOPS e da 2ª Companhia da Polícia do Exército. Era acusado pelos órgãos de segurança do regime militar de participação em inúmeras ações armadas que resultaram em mortes, inclusive no atentado a bomba contra o Quartel general do II Exército, no Ibirapuera, em 26/06/1969, quando morreu o soldado Mário Kozel Filho. Foi banido do Brasil em setembro de 1969, quando do seqüestro do embaixador americano no País, e viajou para o México com outros 14 presos políticos. Dali seguiu para Cuba, onde teria recrutado para a VPR exilados como o cabo Anselmo, Aluizio Palhano, Edson Quaresma e outros. Morou ainda no Chile e na Argentina. O Dossiê dos Mortos e Desaparecidos transcreve um registro policial encontrado nos arquivos secretos do DOPS/SP a seu respeito: "Informação do II Exército de 29/01/70, esclarece que Onofre Pinto... teria a intenção de retornar ao Brasil... em princípios de fevereiro de 1970". E completa os dados: "O Ministério do Exército nos cientificou que provavelmente o marginado encontrar-se-ia no Chile". Outras informações ratificam que ele se encontrava sob estrita vigilância: "A CIOP, em 2/7/73, nos cientificou do seguinte: 'A carteira de identidade de Francisco Wilton Fernandes, emitida pelo Instituto Nacional de Identificação do Departamento de Polícia Federal, Brasília, em 17/05/73, RG n° 104.947, estaria de posse de um aparelho de subversivos brasileiros em Santiago do Chile. Segundo o informante, a referida carteira deverá ter a fotografia substituída pela de Onofre Pinto". "Relatório de Plantão de 29/6/74 nos cientifica que através do Rádio n° 3749, proveniente da DPF, fomos solicitados a observar os indivíduos Onofre Pinto e Daniel José de Carvalho, que se dirigem para São Paulo, procedentes do Uruguai". Num desses registros policiais aparece, inclusive, a informação de que o grupo se dirigia ao Brasil com a intenção de justiçar o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Lavecchia tinha 55 anos, era sapateiro de profissão e antigo quadro do PCB. Descontente com os rumos do partido em relação à luta contra o regime militar, ingressou na VPR e foi preso na área de treinamento do Vale do Ribeira, em 27/04/1970. Ali ele cumpria o papel de fachada para o sítio comprado pela VPR, figurando como marido de Tercina Dias de Oliveira, a quem todos chamavam de 'Tia'. Lavecchia testava os couros das botas para os guerrilheiros, desfazendo-as e costurando novamente, para que fossem mais confortáveis e resistentes. Logo que a área foi descoberta pelos órgãos de segurança, Tercina foi presa, enquanto Lavecchia permaneceu se deslocando pela mata com outros militantes, até ser preso dias depois. Ambos foram soltos em junho, em troca do embaixador da Alemanha no Brasil, Ludwig Von Holleben. Foram levados para a Argélia, seguindo algum tempo depois para Cuba, onde Lavecchia participou de treinamento militar. Mesmo com 51 anos, tornou-se uma referência junto aos mais jovens, por sua disciplina e força física. Mais tarde, transferiu-se para o Chile e, com o golpe fascista de Pinochet, refugiou-se na Argentina. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, informa a respeito dele que "em 12/10/1973 seu nome constou de uma relação de brasileiros que se encontravam no Chile e solicitaram asilo político na Embaixada da Argentina, viajando para aquele país onde passaram a residir". O Relatório da Marinha não cita seu nome e o da Aeronáutica menciona que é dado como desaparecido na Argentina em 1973, não havendo dados que confirmem. Os irmãos Joel José e Daniel José de Carvalho faziam parte de uma família que, na década de 1950, migrou de Minas Gerais para São Paulo em busca de melhores condições de vida e trabalho, deixando para trás a vida camponesa. Chegaram ao ABCD paulista no início da instalação da indústria automobilística. Além de Joel e Daniel, os outros irmãos, Devanir, Jairo e Derly também participaram de organizações de esquerda que lutaram contra a ditadura militar. Só sobreviveram Jairo e Derly. Devanir foi morto sob torturas em 1971 em São Paulo. Joel José era operário gráfico e vivia com Maria das Graças de Souza, com quem teve um filho, Jocimar. Daniel era motorista e torneiro mecânico em indústrias de São Bernardo e Diadema. Casado com Maria Aparecida, teve dois filhos, Magda Cristina e Magno. Os irmãos tinham sido militantes do PCB e do PC doB, de onde saíram para organizar a Ala Vermelha, sendo presos em 1969 quando estava em fundação o MRT, liderado por outro irmão, Devanir José de Carvalho, conhecido como Henrique, conforme relatado no trecho referente aos mortos de 1971. No exílio, os dois ingressaram na VPR. Ambos tinham sido torturados pela OBAN, antes de serem transferidos para o Presídio Tiradentes, onde permaneceram até serem banidos do Brasil, em troca da libertação do embaixador suíço Giovani Enrico Bucher, em janeiro de 1971. Saíram do Chile após o Golpe Militar de 11/09/1973, quando fugiram para a Argentina. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, ao apresentar os dados referentes a Daniel, comprova que realmente existia uma ligação direta entre os órgãos de repressão dos diversos países do Cone Sul, ainda antes de iniciada a chamada Operação Condor: "O Ministério das Relações Exteriores retransmitiu informações enviadas pelo governo argentino, confirmando o seu ingresso naquele país em 03/10/1973, procedente do Chile, e radicando-se em 31/10/1973 na Província de Corrientes". A respeito de Joel, o relatório do Ministério do Exército, de 1993, afirma que "em 1974, fez parte de um grupo de refugiados brasileiros que entraram clandestinamente no país, determinados a desenvolver atividades de guerrilha rural". O jovem argentino Enrique Ernesto Ruggia era estudante de Medicina Veterinária na Faculdade de Agronomia de Buenos Aires. Lá conheceu Joel José de Carvalho, em 1973. Enrique tinha apenas 18 anos e nunca tinha participado de organizações políticas. Conheceu Joel e se apaixonou pela possibilidade de engajamento na luta guerrilheira latino-americana. Segundo sua irmã psicóloga, Lílian, seus sonhos adolescentes se dividiam entre viajar de motocicleta ou ser guerrilheiro, como tinha ocorrido com o jovem Che Guevara. Quando o grupo já estava partindo para o Brasil, Enrique confidenciou à irmã que voltaria em uma semana ou dez dias. Como o irmão não retornou, Lílian começou a procurá-lo. O primeiro local procurado foi o Hotel Cecil, onde se hospedavam perseguidos políticos protegidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). No hotel, ela encontrou pessoas ligadas aos integrantes do grupo de Enrique, mas ninguém tinha informações. Levou anos para que sua denúncia fosse levada a sério por argentinos ou brasileiros. A participação de um rapaz tão jovem e sem qualquer militância política anterior em uma ação de tamanha envergadura não despertava credibilidade. Somente muitos anos depois, conseguiu confirmar que Enrique tinha mesmo acompanhado o grupo de brasileiros. O escultor Vitor Carlos Ramos iniciou sua participação política em movimentos de esquerda em 1964. Tendo sua prisão decretada no Brasil, entrou ilegalmente no Uruguai em 1969. Morou no Chile até a queda de Salvador Allende, em setembro de 1973, e foi para a Argentina com refugiados brasileiros. Acometido de distúrbios psicológicos, fez tratamento psiquiátrico durante alguns meses. Na Argentina, lecionou artes plásticas, conheceu e passou a viver com Suzana Machado, da Juventude Peronista, que morreu grávida em um duvidoso acidente de carro, pouco tempo antes do casamento já marcado. Aluízio Palmar afirma que, dois meses depois, Vitor se ligou ao grupo de Onofre. O relator de seu processo na CEMDP, Nilmário Miranda, reconheceu que se tratava de um novo caso de desaparecimento político, pois não constava do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil. Segundo documentos encontrados nos arquivos do DOPS/RJ, Vitor era militante da VPR. Foi indiciado e, de acordo com esses documentos, "encontra-se foragido, foi qualificado indiretamente. É elemento conhecido deste departamento, pois já foi indiciado por inquérito policial por prática de subversão". Vários documentos com datas entre 1969 e 1972 mostram que Vitor era procurado pelos órgãos de segurança. Ele também aparece como um dos brasileiros que pediram asilo na Argentina após a deposição de Salvador Allende. Foram anexados ao processo recortes de jornais que mencionam Vitor Carlos Ramos (em alguns casos, Vitor Carlos Silva, ou apenas Vitor) como uma pessoa que participava do grupo liderado por Onofre Pinto. Nilmário Miranda votou pelo deferimento do processo, posição que foi acatada por unanimidade na Comissão Especial. Encerrando esse tópico referente a seis mortes - que podem ter sido sete se incluído o nome de Gilberto Faria Lima -, merece registro uma importante passagem do livro de Elio Gaspari, A Ditadura Derrotada, quando o jornalista analisa as contradições presentes na atitude do chefe do regime Militar a partir de março de 1974, presidente Ernesto Geisel, perante o aparelho de repressão política: Em 1974, chegou ao apogeu a política de extermínio de presos políticos. As versões oficiais já não produziram mortos em tiroteios, fugas ou suicídios farsescos nas cidades. Geisel sabia dessa política. Em janeiro tivera duas conversas com veteranos da luta contra o terrorismo. Uma, com o general Dale Coutinho, quando o convidou para o Ministério do Exército. Dias depois, numa prosa fiada com o chefe de sua segurança, tenente-coronel Germano Arnoldi Pedrozo, Geisel soube que um grupo de pessoas que viera do Chile e passara pela Argentina, havia sido capturado no Paraná. Pedrozo fora ajudante-de-ordens do marechal Castello Branco, passara pelo CIE e merecia do general não só a confiança, mas também estima. 'Pegaram alguns?', perguntou Geisel. 'Pegamos. Pegamos. Foram pegos quatro argentinos e três chilenos', respondeu Pedrozo. 'E não liquidaram, não?' 'Ah, já, há muito tempo. É o problema, não é? Tem elemento que não adianta deixar vivo, aprontando. Infelizmente, é o tipo de guerra suja em que, se não se lutar com as mesmas armas deles, se perde. Eles não têm o mínimo de escrúpulo'. 'É, o que tem que fazer é que tem que nessa hora agir com muita inteligência, para não ficar vestígio nessa coisa', falou Geisel. É improvável que Geisel só tenha tratado da matança nas duas conversas registradas, com Pedrozo e Dale Coutinho. Não se conhecem as conversas entre ele e seu irmão Orlando. Sabe-se que no início do governo convocou uma reunião em que o general Milton Tavares de Souza, chefe do CIE, contou, no mínimo, o que a tropa vinha fazendo no Araguaia. Ao defender a permanência de 'Miltinho' na chefia do CIE, é certo que Geisel conhecia, apoiava e desejava a continuação da política de extermínio". ============================================================================================================================ + Informaçõs. DANIEL JOSÉ DE CARVALHO Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Filho de Ely José de Carvalho e de Esther Campos de Carvalho, nasceu em Muriaé, Minas Gerais, no dia 13 de outubro de 1945. Desaparecido desde 1974. Motorista e torneiro mecânico. Foi militante do PCB. Preso pela Operação Bandeirantes (OBAN) no dia 5 de outubro de 1970, onde foi torturado. Banido do Brasil, em 13 de janeiro de 1971, por ocasião do seqüestro do Embaixador Suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, partiu para o Chile, junto com outros 69 presos políticos, onde permaneceu até setembro de 1973, ocasião em que fugiu para a Argentina. Segundo denúncias do ex-sargento Marival Chaves, integrante dos órgãos de repressão, publicadas no "Jornal do Brasil", de 20 de novembro de 1992, Daniel José de Carvalho teria sido atraído para uma viagem até Medianeira, no Paraná, caindo numa ar-madilha que o levou à morte. De acordo com o "Correio Brasiliense" de 20 de novembro de 1992, a viagem ocorreu no dia 11 de julho de 1974, e com Daniel estavam: Joel José de Carvalho, seu irmão, Onofre Pinto, José Lavecchia, entre outros. Devanir José de Carvalho, outro irmão seu, foi assassinado pela Ditadura, em abril de 1971, em São Paulo. O Relatório do Ministério do Exército mostra a interligação entre os órgãos de repressão dos diversos países do Cone Sul quando diz a respeito de Daniel: "O Ministério das Relações Exteriores retransmitiu informações enviadas pelo Governo Argentino, confirmando o seu ingresso naquele país em 03 de outubro de 1973, procedente do Chile e radicando-se em 31 de outubro de 1973, na Província de Corrientes". Em documento do arquivo do DOPS/SP lê-se: "Relatório de Plantão DOPS datado de 29/30 de junho de 1974 informa: Rádio 3749 DPF solicita observações sobre os indivíduos Onofre Pinto e Daniel José de Carvalho, que se dirigem para São Paulo procedentes do Uruguai". Documentos do SOPS/RS, confirmam que, em 21 de junho de 1974 (um mês de sua partida de Buenos Aires), Onofre Pinto e Daniel José de Carvalho eram esperados na fronteira Brasil-Argentina. =================================================================================== + Informações. ENRIQUE ERNESTO RUGGIA Desaparecido aos 18 anos de idade. Argentino, estudante de Veterinária na Faculdade de Agronomia de Buenos Aires. Conheceu Joel José de Carvalho (desaparecido), em 1973, em Buenos Aires e com seu grupo entrou clandestinamente no Brasil, pela fronteira com a Argentina. Enrique saiu de Buenos Aires em 11 de julho de 1974 e nunca mais foi visto. =========================================================================================== + Informações. JOEL JOSÉ DE CARVALHO Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Filho de Ely José de Carvalho e de Esther José de Carvalho, nasceu em Muriaé, Minas Gerais, no dia 13 de julho de 1948. Desaparecido, desde 1974, quando tinha 26 anos. Foi operário gráfico e militante do PCB, ingressando, posteriormente, na VPR. Preso no dia 5 de outubro de 1970 pela Operação Bandeirantes/OBAN, foi torturado. Banido em 13 de janeiro de 1971, para o Chile, junto com 69 companheiros, por ocasião do seqüestro do Embaixador Suíço, Giovanni Enrico Bucher, lá permaneceu até o Golpe que derrubou o presidente Salvador Allende, em 1973. Nessa ocasião, Joel fugiu para a Argentina. Desapareceu, em dezembro de 1973, na fronteira da Argentina com o Brasil, tentando entrar, clandestinamente, no País, junto com outros banidos. Era irmão de duas outras vítimas da Ditadura, Daniel José de Carvalho (desaparecido) e Devanir José de Carvalho (assassinado). ====================================================================================== + Informações. JOSÉ LAVECHIA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Filho de Leo Lavechia e Felícia Mateus Lavechia, nascido no dia 25 de maio de 1919 em São Paulo. Desaparecido desde 1974 quando tinha 55 anos. Sapateiro. Foi preso, em 7 de maio de 1970, e banido do território nacional em 15 de junho do mesmo ano, quando do seqüestro do Embaixador da Alemanha no Brasil, Von Holleben, viajando para a Argélia juntamente com outros presos políticos. Tentando retornar ao Brasil clandestinamente, Lavechia desapareceu, em julho de 1973, na fronteira Argentina/Brasil, juntamente com outros banidos. O Relatório do Ministério do Exército diz que "em 12 de outubro de 1973, constou de uma relação de brasileiros que se encontravam no Chile e solicitaram asilo na Embaixada da Argentina, viajando para aquele país onde passaram a residir." ========================================================================================= + Informações. ONOFRE PINTO Dirigente da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu aos 26 de janeiro de 1937 em Jacupiranga, Estado de São Paulo, filho de Júlio Rosário e de Maria Pinto Rosário. Desaparecido aos 36 anos. Ex-sargento do Exército Brasileiro. Seu prontuário nos arquivos do antigo DOPS/SP registra que Onofre teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional n°1 e sua prisão preventiva decretada, em 8 de outubro de 1964, pela 2ª Auditoria de Guerra de São Paulo, por sua participação no "Movimento dos Sargentos". Foi indiciado em IPM instaurado pela 2ª Auditoria da 2ª RM em 2 de fevereiro de 1966. Foi preso no dia 2 de março de 1969 por elementos do DOPS e da 2ª Cia-PE. Foi banido do Brasil em setembro de 1969, quando do seqüestro do embaixador americano no País, e viajou para o México com outros 14 presos políticos. Ainda dos registros policiais consta que,"Informação do II Exército de 29/01/70, esclarece que Onofre Pinto ... teria a intenção de retornar ao Brasil... em princípios de fevereiro de 1970". E completa os dados: "O Ministério do Exército nos cientificou que provavelmente o marginado encontrar-se-ia no Chile." Mais adiante, outras informações ratificam o quanto se encontrava "cercado"pelos policiais: "A CIOP, em 2/7/73, nos cientificou o seguinte: 'A carteira de identidade de Francisco Wilton Fernandes, emitida pelo Instituto Nacional de Identificação do Departamento de Polícia Federal, Brasília, em 17/05/73, RG n° 104.947, estaria de posse de um aparelho de subversivos brasileiros em Santiago do Chile. Segundo informante, a referida carteira deverá ter a fotografia substituída pela de Onofre Pinto.'" "O Ministério da Aeronáutica, em 1/8/73 nos cientificou que o ex-sargento do Exército Onofre Pinto... reside em Santiago do Chile no seguinte endereço..." "Relatório de Plantão de 29/6/74, nos cientifica que através do Rádio n° 3749, proveniente da DPF, fomos solicitados a observar os indivíduos Onofre Pinto e Daniel José de Carvalho, que se dirigem para São Paulo, procedentes do Uruguai..." Desapareceu em julho de 1974, quando tentava entrar clandestinamente no Brasil com um grupo de banidos. ============================================================================================= + Informações. H2Foz > Notícias 07/07/2005 09h30 Desaparecidos no Sudoeste do Paraná Onofre Pinto - Nascido em Jacupiranga (SP), em 1937. Sargento do Exército, foi expulso com o golpe de 1964 por ter participado do Movimento dos Sargentos, tendo seus direitos políticos cassados e preso em 1966. Militante da VPR, era conhecido como Augusto e foi preso em 1969, liberado em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, sendo enviado para o México. Depois de morar em Cuba e posteriormente no Chile. Com o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende, em setembro de 1973, ele morar em Buenos Aires. Segundo documentos do DOPS, a carteira de identidade que Onofre usava em 1973, quando fugiu do Chile para a Argentina, constava o nome de Francisco Wilton Fernandes. Outro ponto da ficha pede a captura dele em toda a fronteira, em 11 junho de 1974, pois sua missão ao Brasil já era conhecida. Desapareceu aos 37 anos. José Lavechia - Nascido em 1919, em São Matheus (RJ), foi militante do PCB e depois da VPR. Sapateiro de profissão, era conhecido como Zé, Adriano e Nicola. Participou da guerrilha do Vale da Ribeira. Preso por agentes de segurança, foi libertado em troca do embaixador da Alemanha Ocidental, tendo sido banido para a Argélia em 15 de junho de 1970. Após ter morado em Cuba, foi para o Chile. Com o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende, se asilou na Embaixada da Argentina em Santiago e mais tarde foi para Buenos Aires. Desapareceu quando tinha 55 anos. Daniel José de Carvalho - Nascido em Muriaé (MG), motorista e torneiro mecânico. Militante do PCB, do Movimento Revolucionário Tiradentes e finalmente VPR. Era conhecido como Josué. Preso em outubro de 1970 pela OBAN, foi barbaramente torturado. Foi banido do Brasil em 13 de janeiro de 1971, indo para o Chile juntamente com 69 outros presos políticos, por ocasião do seqüestro do embaixador suíço Giovanni Bucher. Permaneceu naquele país até o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende. Foi para Buenos Aires depois de estar asilado na Embaixada da Argentina em Santiago. Joel José de Carvalho - Nascido em Muriaé (MG), irmão de Daniel, era operário gráfico. Militante do PCB, depois do Movimento Revolucionário Tiradentes e VPR. Preso em outubro de 70 pela OBAN. Banido junto com o irmão para o Chile permaneceu neste país até o golpe de setembro de 73, quando asilou-se na Embaixada Argentina em Santiago e de lá foi para Buenos Aires. Vitor Carlos Ramos (sem foto) - Nascido em 18 de janeiro de 1944. Militante da VPR, foi para o Uruguai em 1969, onde entrou ilegalmente. Do Uruguai foi para o Chile onde ficou até a queda do presidente Allende. O golpe militar no Chile obrigou os refugiados a buscarem asilo nas embaixadas situadas em Santiago. Tal como Lavéchia e o irmãos Carvalho, Vítor se asilou na Embaixada da Argentina e de lá seguiu para Buenos Aires. Em 11 de julho de 1973 integrou o grupo que saiu da Argentina para ingressar clandestinamente no Brasil. Enrique Ernesto Ruggia - Argentino, estudante de veterinária na Universidade de Buenos Aires. Apesar de idéias socialistas não havia tido militância em nenhuma entidade ou partido da época. Despareceu aos 18 anos de idade. Sua irmã Lilian Ruggia se dedica há anos à busca de informações sobre seu paradeiro. LEIA MAIS: 1) Ditadura executou guerrilheiros no Parque Nacional do Iguaçu 2) Revolucionários morreram à beira da Estrada do Colono 3) Líder do grupo, Onofre foi envenenado em Foz 4) Escavação mobilizou governo e argentinos 5) Antes, Nova Aurora era alvo das atenções 6) "Obstinação" culmina em descoberta de testemunha 7) Desaparecidos no Sudoeste do Paraná ============================================================================================ + Detalhes. segunda-feira, 16 de maio de 2011 Mais uma história dos tempos da ditadura civil-militar Aluizio Palmar Por Euler De França Belém, segunda, 16 de maio de 2011 às 08:31. ALBERI VIEIRA DOS SANTOS O segundo Cabo Anselmo e a outra guerra do major Curió Livro revela que o ex-sargento brizolista Alberi Vieira dos Santos atraiu para a morte o grupo do ex-sargento Onofre Pinto, da VPR, e que o major Sebastião Curió, que devastou a Guerrilha do Araguaia, comandou extermínio no Paraná. Militares usaram fazenda em Goiás para tortura EULER DE FRANÇA BELÉM (clique) http://ditaduraverdadesomitidas.blogspot.com/2011/05/mais-uma-historia-dos-tempos-da.html ============================================================================================ + Detalhes. quarta-feira, 13 de outubro de 2010 Um enigma chamado Onofre Pinto Pesquisando a fundo a história dos movimentos guerrilheiros que enfernizaram os militares durante o regime pós-64 para o livro Pedro e os Lobos, me deparei com uma figura assaz enigmática: a do ex-sargento Onofre Pinto. E o mistério maior que cerca a vida de um dos fundadores da Vanguarda Popular Revolucionária é a sua morte. A versão em curso diz que Onofre e outros militantes da esquerda armada tentavam entrar no Brasil a foram mortos na região de Medianeira, no Paraná, em julho de 1974. No livro Autópsia do Medo, o jornalista Persival de Souza descreve em minúcias a morte do líder da VPR: Os corpos? Sumiço em estilo da fronteira. Nada de rituais. Nada de simulações. Nada de laudos. Nada de pistas. O próprio grupo executor escolheu o lugar, na linha da fronteira, para cavar os buracos e jogar dentro os corpos, cobrindo-os com terra novamente. Fleury sorriu, satisfeito, e pisou, com o bico do sapato bem engraxado, a terra fofa da cova onde Onofre desaparecia para sempre. Contemplou por alguns minutos aquele lugar, aquela situação, aquela circunstância que, se fosse feita a vontade do finado, seria inversa - exatamente a dele. Estava justificado, pois. Já o também jornalista Aloísio Palmar em Onde Vocês Enterraram Nossos Mortos narra assim a execução do ex-sargento: Onofre Pinto morreu com um tiro na cabeça. Seu ventre foi cortado e entre suas tripas colocada uma caixa de câmbio do jipe que até então estava abandonada num canto da casa (...). Seu corpo foi posto na Rural Willys e levado para fora de Foz do Iguaçu. No meio da noite, os militares subiram para a antiga estrada de acesso à Guaíra e antes de chegarem à Santa Helena jogaram o corpo nas águas do Rio São Francisco Falso. Seis anos depois a região foi inundada para formar o lago de Itaipu. Como pode? Duas versões extremamente detalhadas para a morte de alguém cujo cadáver nunca foi encontrado. E existe ainda no arquivo do extinto Dops paulista um telegrama datado de 10 de julho de 74 onde o Exército informa àquele órgão que Onofre estaria entrando no Brasil pelo Uruguai. Ora, como a emboscada ao líder guerrilheiro poderia estar sendo tramada na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina se ele rumara para o Rio Grande do Sul, via Uruguai, a, pelo menos, mil quilômetros dali. Na minha opinião, Onofre sequer morreu naquele ano e local. E, enquanto não for encontrado seu restos mortais - se é que eles existem - continuo a procura de dados mais concretos sobre o que aconteceu com o compadre de Pedro Lobo depois que eles se despediram no aeroporto Argentino, no episódio do exílio do personagem principal do meu livro. http://blogdolaque.blogspot.com/2010/10/um-enigma-chamado-onofre-pinto.html ===================================================================================================== + Detalhes. sábado, 8 de agosto de 2009 Onofre Pinto, presente! Dando continuidade a série sobre os anos de chumbo que me propus a publicar neste blog. Onofre Pinto foi, ao lado de Carlos Marighella o grande articulador da luta armada em São Paulo. Natural de Jacupiranga, SP, nasceu em 1937, e veio a falecer em 1974. Onofre seguiu carreira militar, e no início dos anos sessenta servia em Quitaúna, Osasco. Sempre se destacou por seu espírito de liderança, e pouco antes do Golpe de 64 era o presidente da Associação dos Sargentos de São Paulo. Em 1963 ajudou a criar uma vila militar para sargentos em Osasco, vila que recebeu o nome de Jardim Alvorada, e de acordo com relatos, foi inaugurada pelo presidente João Goulart. Este projeto foi posto de lado após o Golpe, o bairro existe até hoje, mas sem o caráter de vila militar. Onofre Pinto foi cassado pelo AI-1, por seu envolvimento na Associação dos Sargentos, entidade que foi fechada após a tomada do poder pelos militares. Afastado de suas funções, Onofre se aproximou de outros militares exonerados e ajudou a formar o MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário), grupo que se identificava como brizolista. O impulso inicial de resistência ao Golpe, encabeçado por Brizola, foi perdendo força, e os grupos que poderiam resistir aos militares golpistas passaram por um período de dispersão, sendo novamente articuladas por volta de 1968. O grande articulador destes grupos, em São Paulo, foi Onofre Pinto, que nunca desistiu de combater o Estado autoritário que dominava o país. Por volta de 1967 estava clara a opção dos gorilas em não deixar o poder tão cedo. Castelo Branco foi substituído por um general mais linha dura, Costa e Silva, que dizia querer iniciar uma tímida abertura, mas que já governava amparado por quatro Atos Institucionais. O modelo econômico adotado pelos militares penalizava sobretudo a classe trabalhadora, que via suas condições de vida piorarem sensivelmente. É neste ambiente que Onofre começa a rearticular seu grupo de ex-sargentos. Em 1967 o MNR se desfaz, mas seus remanescentes prosseguem convictos no caminho da resistência armada. Em 1968 o grupo já tem certa experiência em ações armadas, e ao longo do ano irá se articular com a Dissidência da Polop. Onofre não perdeu suas bases em Osasco, mesmo com sua expulsão do exército, e graças a sua capacidade de convencimento e clareza de idéias, será recrutado para seu grupo um jovem capitão do exército brasileiro, Carlos Lamarca. Até o final de 1968 será recrutado o Grupo de Osasco, mais um punhado de estudantes secundaristas, que também se impressionaram com a clareza de idéias e o espírito prático de Onofre Pinto e seus companheiros de luta. Estava formada a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), a mais atuante organização de guerrilha urbana que já se formou no Brasil, obra da engenharia política de Onofre Pinto. Mas a empolgação inicial logo se dissipou, e as forças da repressão, no início de 1969, aplicaram um duro golpe a VPR, prendendo sua principal liderança. Onofre passaria por todo tipo de tortura nas mãos dos torcionários a soldo da Ditadura, e de acordo com relatos, entregou muito pouco daquilo que sabia. Em setembro de 69 é seqüestrado o embaixador Charles Elbrich, dos EUA, por um comando reunindo MR-8 e ALN, em troca de sua vida é exigido a soltura de quinze militantes contrários ao regime, dentre eles está Onofre Pinto. Batalhador incansável, nosso revolucionário segue como articulador de sua organização no exterior, porém há poucas referências sobre sua vida nestes anos, sabe-se que viveu boa parte de seu exílio no Chile, tendo passado por alguns países da Europa durante este período. Por volta de 1974 a VPR estava em vias de extinção, sofrera duros golpes por parte da repressão e passara por diversos rachas internos, para tentar rearticulá-la, Onofre retorna ao Brasil. Porém, sua organização estava infestada de cachorros (informantes), e uma infiltrada avisou o aparato policial da volta de algumas lideranças da organização. O grupo entraria no Brasil por Foz do Iguaçu, fronteira com a Argentina, e o delegado Fleury em pessoa foi recebê-los. De acordo como Grupo Tortura Nunca mais, junto com Onofre, entraram em território brasileiro Daniel José de Carvalho, 29; José Lavechia, 55 e o irmão de Daniel; Joel José de Carvalho, 26; Vítor Ramos, 30; e o argentino Enrique Ernesto Ruggia, 18 anos. Em julho de 1974 eles cruzaram a fronteira entre a província argentina de Missiones e o estado do Paraná. No dia seguinte, os cinco foram atraídos para um lugar à margem da Estrada do Colono, no meio da mata, onde um pelotão do Exército os abateu a sangue frio. Onofre teria sido poupado da execução e torturado por alguns dias, sendo morto posteriormente. Seus restos mortais jamais foram encontrados e seu nome consta na lista de desaparecidos políticos. De acordo com o professor João Quartim de Morais, ex-liderança da VPR, Onofre Pinto era um sujeito muito educado, de fala ponderada, mas firme em suas idéias, um articulador nato. O grande erro deste comandante, segundo o professor Quartim, foi confiar no traidor Cabo Anselmo, havia suspeitas sobre o comportamento deste militante, mas o líder sargento preferiu acreditar na palavra do infiltrado, o que custou muito caro para a VPR. Onofre Pinto foi mais uma das lideranças populares caladas pela Ditadura, seu papel na Associação dos Sargento de São Paulo foi histórico, sua atuação na guerrilha urbana nacional também foi inconteste. Este brasileiro, sem dúvida, figura entre os grande heróis de nossa história, heróis autênticos, como o foi Zumbi, e não aqueles que nos ensinam no colégio. Onofre Pinto figura ao lado de Carlos Marighella, Carlos Lamarca, João Cândido, os Revolucionários da Conjuração dos Alfaiates, da Balaiada, da Cabanagem, dos Malês, dentre tantos. Mais informações sobre Onofre Pinto: Artigo de jornal Quem é quem nos novos cartazes do terror. Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo, São Paulo, (sem data), p. 14. Trata dos cartazes que foram distribuídos pela polícia com a foto de cinqüenta e duas pessoas procuradas por ações políticas. Os órgãos de segurança acreditavam que os movimentos subversivos passavam por uma crise que os levaria à extinção. O artigo traz a lista das organizações de esquerda mais atuantes, além de um rápido comentário sobre cada um dos procurados. Entre eles estão: Hiroaki Torigoi, Iuri Xavier Pereira, Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, Alex de Paula Xavier Pereira, Onofre Pinto, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Stuart Edgard Angel Jones, Antônio Sérgio de Matos, Walter Ribeiro Novaes, Getúlio d'Oliveira Cabral, Sérgio Landulfo Furtado, Carmem Jacomini, José Milton Barbosa. Artigo de jornal Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 nov. 1992, p. 4. "Ex-líder da VPR sustenta que traição precisa ser investigada". Shizou Osawa, um dos principais ex-líderes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), pede um aprofundamento no depoimento de Maria Madalena Lacerda de Azevedo, que também militou pela VPR e admitiu ter traído o grupo passando a trabalhar como informante para a repressão. Ela afirma que trabalhou com salário mensal, inclusive no exterior, para convencer militantes a retornarem ao Brasil. O depoimento de Maria Madalena aconteceu devido à esposa de Onofre Pinto tê-la responsabilizado pelo sumiço de Onofre, quando garantiu a ele que poderia regressar ao Brasil em segurança. Ozawa acredita que Maria Madalena também possa dar informações sobre outros casos de desaparecidos políticos. Artigo de jornal Últimas notícias do terror. Jornal da Tarde, São Paulo, 12 nov. 1969. Comenta entrevista do jornal Gramma do Partido Comunista Cubano prestada por foragidos brasileiros em Cuba, os quais afirmam que pretendem unir as organizações de esquerda. Onofre Pinto diz que existe uma grande identidade entre o grupo de Lamarca e o de Marighella e que estão planejando uma ação libertadora, tendo como fim o socialismo, através de aliança entre operários e camponeses e da prática da guerrilha. No Brasil, o Exército continua prendendo subversivos e estourando "aparelhos" onde encontram vários documentos, principalmente relações das organizações subversivas com nomes e endereços em códigos. Acredita-se que com a morte de Marighella surja uma nova liderança, que os órgãos de segurança apontam como Joaquim Câmara Ferreira. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Foto Foto original e preto e branco de rosto. Relatório Documento do Serviço de Informações, da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, de 11/12/70. Trata-se de relatório do arquivo do DOPS, sobre Eduardo Leite, o Bacuri. Afirma que Eduardo Leite é membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e que teria participado do planejamento e seqüestro do Cônsul japonês. Cita relatório de 07/05/70, segundo o qual, quatro grupos agem em São Paulo, sendo um deles denominado REDE, chefiado por Eduardo Leite. Também cita que seu nome é mencionado em vários documentos apreendidos em poder de Joaquim Câmara Ferreira, arquivados em 11/11/70 e que consta da relação de presos, de 19/10/70, à disposição do DOPS. Relatório Documento do Serviço Secreto do DOPS, sem data, intitulado "Relação de vulgos conhecidos integrantes da VPR". A lista apresenta 40 codinomes em ordem alfabética, seguidos de respectivos nomes, quando identificados. Dentre eles, constam Onofre Pinto, Eduardo Leite, Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, Yoshitane Fujimori, Hamilton Fernando da Cunha e Carlos Lamarca. Relatório Documento do arquivo do DOPS, de 1969, do julgamento de processo do Conselho Permanente de Justiça do Exército. Declara encerrado o processo com relação aos acusados banidos Onofre Pinto e João Leonardo da Silva Rocha, entre outros, e extingüe a punibilidade de Antônio Raymundo Lucena, Arno Preis, Carlos Lamarca, Eduardo Leite, José Raimundo da Costa, Joaquim Câmara Ferreira, entre outros. Relatório Relação dos acusados beneficiados pela Lei da Anistia. Documento do II Exército, de 12/09/79. Entre eles, consta Onofre Pinto. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Documento, sem fonte e data, com carimbo do arquivo do DOPS. Consta que será publicado relatório final sobre a operação Arrastão, que prendeu pessoas por atividades subversivas como entrega de panfletos, explosivos e materiais subversivos em geral; foi mantida a sentença para condenação de dois estudantes; foram denunciados Onofre Pinto e João Leonardo da Silva Rocha, entre outros. Relatório Documento do Setor de Análise, Operações e Informações do DOPS/SP, com dados fornecidos pelo Informante "Paquera". Inicia-se com um sumário contendo as atividades do período de 22/11 a 05/12, como viagens à Argentina e a Santiago, entrevista com diretor da revista Punto Final, visita à chancelaria cubana, visita à embaixada cubana, encontro com ativista clandestina de um grupo de esquerda chileno. Há uma lista com endereços e mensagens sobre militantes. O relatório traz conversas do informante com diversos militantes em Cuba, citando as organizações Ação Libertadora Nacional (ALN), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Tratam da situação dos comandos de militância no Brasil, a possibilidade de infiltração e sobre a morte de alguns militantes. Em anexo há um mapa de um aparelho e o carimbo do visto de saída falso, apagado. Relatório Documento da Divisão de Informações do DOPS/SP, sobre Onofre Pinto. Consta que Onofre foi indiciado por assalto ao Quartel de Quitaúna, em 05/09/64, e teve seus direitos políticos cassados e sua prisão preventiva declarada em 1964 e em 1965. Em 30/12/67, com Antônio Raymundo de Lucena e outros, participou de assalto a um depósito de dinamites e bombas em Cajamar, SP. Em 1968, participou de atentado à bomba a O Estado de São Paulo, ataque ao quartel da Força Pública do Estado de São Paulo (FPESP) do Barro Branco, atentado ao quartel general do II Exército. Há depoimentos que afirmam que Onofre mantinha encontros com pessoas cassadas pela "Revolução de 1964". Foi preso em 02/03/69 pelo DOPS e Exército e em 05/09/69, foi trocado pela vida do embaixador Charles Bruce Elbrick e banido do Brasil, com destino ao México. Consta também entrevista concedida ao jornal Gramma, editado pelo Comitê Central do Partido Comunista Cubano, onde Onofre comentou a identidade existente entre o grupo de Carlos Lamarca e o de Carlos Marighella. Afirma que Onofre tinha planos para retornar ao Brasil no início de 02/70, com a cobertura do deputado comunista uruguaio Ariel Collazo. Há ainda informações colhidas em autos de qualificação e interrogatório de outras pessoas sobre Onofre, entre elas Eduardo Leite, sobre suas relações e ações subversivas. Consta ainda que em 09/08/74, a irmã de Onofre, Judi Moreira, tirou férias para encontrar-se com ele, que já estaria no Brasil. Uma das cópias possui os códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo e a outra cópia está danificada, incompleta, não possui estes códigos de localização e apresenta carimbo do Setor de Análise, Operações e Informações do DOPS. Prontuário/ Dossiê Documento organizado pela Divisão de Segurança e Informações do Paraná. Contém: informe confidencial da Diretoria de Ensino da Aeronáutica, de 28/04/69; fotos do rosto de Onofre, com a informação de que foi banido do país em 05/09/69; pedido de busca do Centro de Informações do Paraná ao DOPS, de 18/06/74, para capturar Onofre que estaria voltando ao Brasil a fim de praticar atividades subversivas; fotos numeradas acompanhadas de dados pessoais de Onofre, João Leonardo da Silva Rocha e José Ibrahim e informe confidencial do III Exército, de 03/02/70, onde consta que Onofre Pinto estava em Cuba, iria a Praga e de lá para Montevidéu e voltaria ao Brasil com cobertura do deputado Uruguaio Ariel Collazo. Interrogatório Parte de interrogatório de Diógenes José Carvalho de Oliveira, na Delegacia Especializada de Ordem Política, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. Segundo as palavras do documento, Diógenes afirma que embarcou para São Paulo, no segundo semestre de 1967, com endereço de Onofre Pinto, a fim de tentar trabalhar. Encontrou-se com Onofre que disse estar em fase de iniciação uma nova organização clandestina de caráter "terrorista", denominada Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), passando a reunir-se com ele e outros militantes, dentre os quais, Hamilton Fernando da Cunha e Yoshitane Fujimori. Conta que a organização foi crescendo e se estruturando. Além disso, afirma que manteve dois contatos com Carlos Marighella em 1968. Interrogatório Parte do auto de qualificação e interrogatório de preso político, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. A partir de um álbum de fotografias reconheceu, entre outros, Carlos Lamarca, Onofre Pinto, Hamilton Fernando Cunha, Marco Antônio Brás de Carvalho, Yoshitane Fujimori, Eduardo Leite e Antônio Raymundo Lucena. Interrogatório Transcrição do interrogatório de Ladislas Dowbor, na Delegacia Especializada de Ordem Social, incompleto, sem data. Cita vários militantes mortos: Eduardo Leite, o Bacuri; José Raimundo da Costa; Hamilton Fernando da Cunha; Onofre Pinto e Gerson Teodoro de Oliveira. Pedido de busca Documento do III Exército, de 21/06/74, para a captura de Onofre Pinto, que estaria voltando ao Brasil para executar uma ação "subversiva". Em anexo, encontra-se uma carta do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (Porto Alegre, RS), de 01/08/92, instituição que localizou esse pedido de busca e o está enviando para Suzana Lisboa. Ofício Telex da Divisão de Comunicações da Polícia Civil a órgãos da repressão, de 10/07/74, solicitando informações sobre Daniel José de Carvalho e Onofre Pinto. Em anexo, relatório do Arquivo Geral do DOPS/SP e relatório da Delegacia Especializada de Ordem Social, ambos também de 10/07/74, com dados pessoais dos mesmos. Informam que Daniel foi indiciado em dois inquéritos policiais, ficou detido no Recolhimento Tiradentes e que seu nome consta da relação de "Banidos (70)" para o exterior em troca da liberdade do embaixador Giovanni Enrico Bucher. Também trazem informações sobre Onofre, que foi indiciado em inquérito policial, era membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ficou detido no Presídio Tiradentes. Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Fonte: Centro de Documentação Eremias Delizoicov Grupo Tortura Nunca Mais http://blogdocappacete.blogspot.com/2009/08/onofre-pinto-presente.html ========================================================================== + Detalhes. Quarta-feira, Dezembro 15, 2010 Foz vai ganhar memorial aos desaparecidos O Blog de Foz -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110603/0f802936/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17969 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110603/0f802936/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 13647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110603/0f802936/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 3 20:52:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 3 Jun 2011 20:52:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__C=F3digo_Florestal_e_a_quinta_?= =?windows-1252?q?coluna_do_=22cara_de_p=E1u=22_da_ala_dos_ruralist?= =?windows-1252?q?as=2E?= Message-ID: <6CBA72748CED433E99EE3234133EE164@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Olha o "Cara de Páu" da Ala Ruralista tentando se defender e usando o seu partido. Lamentável! O Código Florestal e a quinta coluna Conta a lenda que ao cercar Madri durante a Guerra Civil Espanhola o general Emilio Mola Vidal ao ser questionado sobre qual das quatro colunas que comandava entraria primeiro na cidade sitiada, respondeu: a quinta coluna. Mola referia-se aos seus agentes, que de dentro sabotavam a resistência republicana. Por Aldo Rebelo* Durante a Segunda Guerra Mundial a expressão tornou-se sinônimo de ações contra o esforço aliado na luta para derrotar o eixo nazi-fascista. A quinta coluna disseminava boatos, procurava enfraquecer e neutralizar a vontade da resistência e desmoralizar a reação contra o inimigo. Após a votação do Código Florestal, no último dia 24, um restaurante de Brasília acolheu os principais ?cabeças? das ONGs internacionais para um jantar que avançou madrugada adentro. A Câmara acabara aprovar por 410 x 63 votos o relatório do Código Florestal e derrotara de forma avassaladora a tentativa do grupo de pressão externo de impedir a decisão sobre a matéria. O ambiente era de consternação pela derrota, mas ali nascia a tática da quinta coluna moderna para pressionar o Senado e o governo contra a agricultura e os agricultores brasileiros. Os agentes internacionais recorreriam à mídia estrangeira e espalhariam internamente a ideia de que o Código ?anistia? desmatadores e permite novos desmatamentos. A sucessão dos fatos ilumina o caminho trilhado pelos conspiradores de botequim. No último domingo o Estado de São Paulo abriu uma página para reportagem assinada pelas jornalistas Afra Balazina e Andrea Vialli com a seguinte manchete: Novo Código permite desmatar mata nativa em área equivalente ao Paraná. Não há, no próprio texto da reportagem, uma informação sequer que confirme o título da matéria. É evidente que o projeto votado na Câmara não autoriza desmatamento algum. O que se discute é se dois milhões de proprietários que ocupam áreas de preservação permanente (margem de rio, encostas, morros) devem ser expulsos de suas terras ou em que proporção podem continuar cultivando como fazem há séculos no Brasil, à semelhança de seus congêneres em todo mundo. No jornal O Globo, texto assinado por Cleide Carvalho procura associar o desmatamento no Mato Grosso ao debate sobre o Código Florestal e as ONGs espalham por seus contatos na mídia a existência de relação entre o assassínio de camponeses na Amazônia e a votação da lei na Câmara dos Deputados. O Guardian de Londres publica artigo de um dos chefetes do Greenpeace com ameaças ao Brasil pela votação do Código Florestal. Tratam-nos como um enclave colonial carente das lições civilizatórias do império. As ONGs internacionais consideram toda a área ocupada pela agropecuária no Brasil passivo ambiental que deve ser convertido em floresta. Acham razoável que milhões de agricultores sejam obrigados a arrancar lavoura e capim e plantar vegetação nativa em seu lugar, em um país que mantém mais de 60% de seu território de áreas verdes. A ?anistia? atribuída ao relatório não é explicada pelos que a denunciam, nem a explicação é cobrada pela imprensa. Apenas divulgam que estão ?anistiados? os que desmataram até 2008. Quem desmatou até 2008? Os que plantaram as primeiras mudas de cana no Nordeste e em São Paulo na época das capitanias hereditárias? Os primeiros cafeicultores do Pará, Rio de Janeiro e São Paulo no século XVIII? Os colonos convocados pelo governo de Getúlio Vargas para cultivar o Mato Grosso? Os gaúchos e nordestinos levados pelos governos militares para expandir a fronteira agrícola na Amazônia? Os assentados do Incra que receberam suas terras e só tinham acesso ao título de propriedade depois do desmatamento? É importante destacar que pela legislação em vigor são todos ?criminosos? ambientais submetidos ao vexame das multas e autuações do Ministério Público e dos órgãos de fiscalização. Envolvidos na teia de ?ilegalidade? estão quase 100% dos agricultores do País por não terem a Reserva Legal que a lei não previa ou mata ciliar que a legislação de 1965 estabelecia de cinco a 100 metros e na década de 1980 foi alterada para 30 até 500 metros. Reconhecendo o absurdo da situação, o próprio governo em decreto assinado pelo presidente Lula e pelo ministro Carlos Minc suspendeu as multas em decorrência da exigência ?legal?, cujo prazo expira em 11 de junho e que provavelmente será re-editado pela presidente Dilma. O governo e o País estão sob intensa pressão da desinformação e da mentira. A agricultura e os agricultores brasileiros tornaram-se invisíveis no Palácio do Planalto. Não sei se quando incorporou à delegação da viagem à China os suinocultores brasileiros em busca de mercado no gigante asiático a presidente tinha consciência de que quase toda a produção de suínos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná está na ilegalidade por encontrar-se em área de preservação permanente. A Câmara dos Deputados, por grande maioria, mostrou estar atenta aos interesses da preservação ambiental e da agricultura, votando uma proposta que foi aceita por um dos lados, mas rejeitada por aqueles que desconhecem ou precisam desconhecer a realidade do campo brasileiro. O Senado tem agora grande responsabilidade e o governo brasileiro precisa decidir se protege a agricultura do País ou se capitulará diante das pressões externas que em nome do meio ambiente sabotam o bem-estar do nosso povo e a economia nacional. *Aldo Rebelo é deputado federal pelo PCdoB-SP e foi relator do projeto de lei do Novo Código Florestal Brasileiro já aprovado pela Câmara dos Deputados. (dep.aldorebelo at camara.gov.br) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110603/534cdcfc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 3 20:52:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 3 Jun 2011 20:52:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_HOMENAGEM_AOS_FUNDADORES_DO_CBA-S?= =?iso-8859-1?q?=C3O_PAULO___-___dia_4_de_junho_=E0_14_horas=2E?= Message-ID: <5F4E6FE31AF4428D94E192E6FD07B516@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem AMANHà SÁBADO RESISTENTE DISCUTE A COMISSÃO DA VERDADE E HOMENAGEIA CBA-SÃO PAULO SÁBADO RESISTENTE DISCUSSÃO DA COMISSÃO DA VERDADE E SÁBADO 4 de junho 2011 14h00 MEMORIAL DA RESISTÊNCIA Largo General Osório 66 LUZ SÁBADO RESISTENTE DISCUTE A COMISSÃO DA VERDADE E PRESTA HOMENAGEM AOS FUNDADORES DO CBA-SÃO PAULO A ferramenta necessária para o esclarecimento definitivo da História da ditadura militar no Brasil As Comissões da Verdade vêm sendo amplamente utilizadas no mundo, como uma forma definitiva de esclarecer o passado histórico. A sua implementação no Brasil permitirá reinserir no debate social a questão do autoritarismo e suas nefastas consequencias, promovendo a reflexão e, principalmente, prevenindo a eventualidade de políticas que continuem a esconder a Verdade e permitindo a continuação de abusos e violações de Direitos Humanos. Com o lançamento do 3º Programa de Direitos Humanos (PNHD-3) em dezembro de 2009, o eixo "Direito à Memória e à Verdade" tornou-se um dos eixos principais da política dos Direitos Humanos no País e o lançamento de uma "Comissão Nacional da Verdade" um de seus imperativos. A recente sentença da Corte Interamericana no caso da Guerrilha do Araguaia também obriga o Governo Brasileiro a instituir finalmente no país este instrumento de Verdade e Justiça. Desde o mes de maio de 2010, foi enviado ao Congresso Nacional o Projeto de Lei 7673, que estabelece a Comissão da Verdade. No entanto, até esta data, embora muito discutido na imprensa falada, escrita e televisada, pouco se avançou no Congresso para que este P/L fosse aprovado. Para debater sobre os fundamentos, objetivos, parâmetros e características das Comissões da Verdade e sobre os aspectos de Justiça e Paz diretamente relacionados com a Comissão a ser instalada, uma vez o projeto aprovado, o Sábado Resistente do próximo dia 4 de junho quer dar a sua contribuição para que a mobilização social necessária em torno desse importante tema seja o resultado de um conhecimento mais aprofundado e efetivo. Na ocasião será distribuída, de forma gratuita, a Cartilha "Comissão da Verdade - Por que, o que é e o que temos que fazer", preparada pelo Núcleo de Preservação da Memória Política. Antes do debate, serão homenageados os que lutaram para que o Comitê Brasileiro da Anistia (CBA) de São Paulo tivesse um papel fundamental na Luta pela Anistia. PROGRAMAÇÃO 14h00: Boas vindas - Marcelo Araujo, diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo Apresentação - Alípio Freire do Núcleo Memória 14h30: A luta pela Anistia - Homenagem aos fundadores/lutadores do CBA-SP (Comitê Brasileiro pela Anistia) 15h00: Moderadora - Profa. Dra. Deisy Freitas Lima Ventura Professora de Direito Internacional e Presidente da Comissão de Cooperação internacional do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP). Doutora em Direito Internacional e Mestre em Direito Comunitário e Europeu da Universidade de Paris 1, Panthéon-Sorbonne, mestre em Integração Latino-americana da Universidade Federal de Santa Maria e graduada em Direito. PARTICIPANTES Prof. Dr. Paulo Abrão Secretário Nacional de Justiça e Presidente da Comissão de Anistia. doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, mestre em Direito pela Unisinos e especialista em Direitos Humanos e Processos de Democratização pela Universidade do Chile. Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e professor convidado do Curso de Mestrado em Direito da Universidade Católica de Brasília (UCB). Dr. Belisário dos Santos Junior Advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, mestre em Legislação Penal Especial (pela FaDUSP) . Foi Secretario da Justiça e da Defesa da Cidadania entre 1995 e 2000. Membro da Comissão Justiça e Paz desde 1992; foi advogado de presos e perseguidos políticos durante os anos da ditadura. Membro da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB e Presidente da associação de Advogados Latino Americanos pela Defesa dos Direitos Humanos Dra. Marcie Mersky Diretora do Centro Internacional para a Justiça de Transição - ICTJ. Nasceu nos Estados Unidos, mas viveu nos últimos 25 anos na América Latina, onde foi consultora sênior das Nações Unidas na Guatemala durante os trabalhos da Comissão da Verdade naquele país, exercendo o papel de coordenadora do relatório final. Possui mestrado pela Universidade de Harvard; atuou no grupo "Orientando as Comissões da Verdade"; e foi funcionaria das Nações Unidas na Comissão que investigou as causas do assassinato de Benazir Bhutto, no Paquistão. ___________________________________________________________________ dia 4 de junho de 2011 14 horas Largo General Osório, 66 - Luz Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pelo Memorial da Resistência de São Paulo, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110603/09397804/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 4 15:35:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 4 Jun 2011 15:35:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__M=C1RIO_DE_SOUZA_PRATA__e__MARILENA_V?= =?iso-8859-1?q?ILLAS_BOAS_PINTO___________________________-CLV-?= Message-ID: <8AA24040FF7144E3AD0900A8299F6FEB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MÁRIO DE SOUZA PRATA (1945-1971) Filiação: Maria de Lourdes Prata e Mário Rodrigues Prata Data e local de nascimento: 26/09/1945, Cantagalo (RJ) Organização política ou atividade: MR-8 Data e local da morte: 02/04/1971, Rio de Janeiro (RJ) MARILENA VILLAS BOAS PINTO (1948-1971) Filiação: Avelina Villas Boas Pinto e Feliciano Pinto Data e local de nascimento: 08/07/1948, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: MR-8 Data e local da morte: 03/04/1971, Rio de Janeiro (RJ) Integrantes do MR-8, com militância anterior na ALN, foram presos e mortos nos primeiros dias de abril de 1971, no Rio de Janeiro. O processo de Marilena foi aprovado durante a vigência da Lei nº 9.140/95. O de Mário, indeferido num primeiro exame, seria aprovado apenas após a edição da Lei nº 10.875/04. A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança registrava que, no dia 02/04/1971, em enfrentamento com agentes da Brigada de Pára-quedistas do Exército, na Rua Niquelândia 23, Campo Grande, Mário teria morrido e Marilena fora ferida, morrendo posteriormente. Segundo as autoridades do regime militar, morreu na operação o Major José Júlio Toja Martinez Filho, que teria sido baleado por Marilena, ficando ferido um capitão. Marilena Villas Boas Pinto, estudante do segundo ano de Psicologia da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro (RJ), passou a viver na clandestinidade a partir de 1969. Inicialmente atuou na ALN, ligando-se posteriormente ao MR-8. Não foi possível coletar mais informações sobre sua biografia e militância política anterior. Mário Prata foi estudante de engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e iniciou sua militância política no Movimento Estudantil, passando a atuar na clandestinidade em 1969, quando sua prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar. Era intensamente procurado pelos órgãos de segurança, acusado de matar um PM que, em 1970, o conduzia preso, quando lograra fugir. Em 1982, os alunos da Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia, em Nova Friburgo (RJ), aprovaram homenagear a memória desse militante batizando com o seu nome o Diretório Central dos Estudantes. A morte de Mário e Marilena somente foi divulgada em junho, dois meses após o ocorrido. Mas a versão oficial já existia bem antes, conforme a informação nº 624/71-G do Ministério do Exército, 2ª seção, datada de 23/04/71, localizada nos arquivos do DOPS. Marilena foi levada para o sítio clandestino em Petrópolis (RJ), que ficou conhecido como "Casa da Morte", conforme relatório de prisão feito por Inês Etienne Romeu em 1981 e ratificado a pedido da CEMDP. Em abril de 1997, Inês confirmou seu depoimento: "A pedido, confirmo integralmente o meu depoimento de próprio punho, sobre fatos ocorridos na casa em Petrópolis-RJ, onde fiquei presa de 08/05 a 11/08 de 1971. Esse depoimento é parte integrante do Processo nº MJ-7252/81 do CDDPH, do MJ. Nesse depoimento está registrado que 'Dr. Pepe' contou ainda que Marilena Villas Boas Pinto estivera naquela casa e que fora, como Carlos Alberto Soares de Freiras, condenada à morte e executada. Declaro ainda que estive internada no HCE, no Rio de Janeiro- RJ, de 06 a 08/05, que Marilena Villas Boas Pinto havia chegado morta ao HCE; que no dia 08/05, na casa de Petrópolis, o 'Dr. Pepe' disse que Marilena havia morrido exatamente na mesma cama de campanha onde eu me encontrava, afirmando também que, embora baleada, Marilena tinha sido dura". O corpo de Marilena foi entregue à família, em caixão lacrado, cinco dias depois da data da morte, sendo enterrada no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. O atestado de óbito registra a morte em 03/04/1971 no Hospital Central do Exército e foi assinado pelo médico Rubens Pedro Macuco Janini. A causa mortis foi estabelecida como "ferimento penetrante de tórax com lesões do pulmão direito e hemorragia interna". O processo de Marilena foi deferido por unanimidade e, após o voto inicial pelo indeferimento do requerimento dos familiares de Mário Prata, houve pedido de vistas de Nilmário Miranda. A CEMDP não conseguiu apurar as reais circunstâncias das duas mortes e se realmente houve o alegado enfrentamento na Rua Niquelândia, já que não foi localizada perícia de local e tampouco o laudo necroscópico de Mário Prata. Foram apontadas contradições nas datas e horários da morte de Mário nos documentos oficiais, havendo referências aos dias 2 ou 3 de abril. A certidão de óbito, lavrada como de "um homem", informa que a morte se deu no dia 2 de abril, às 20h45, mas o corpo foi encaminhado ao IML somente às 7h40 do dia seguinte, conforme documento obtido por Nilmário Miranda, que viajou ao Rio de Janeiro na busca de informações sobre a morte de Mário Prata. Ou ainda às 11 horas, conforme registrou o Centro de Informações do Exército. O atestado, assinado por José Guilherme Figueiredo, repete a causa mortis que consta no livro de registros do IML: "feridas penetrantes do tórax e abdome e transfixantes do abdome com lesão do pulmão esquerdo, fígado e baço - hemorragia interna, anemia aguda". O enterro de Mário somente foi realizado no dia 23 de abril e, apesar de reconhecido no próprio dia 3, como atesta ofício da SSP/RJ à Auditoria Militar, foi sepultado no cemitério de Ricardo de Albuquerque como desconhecido, tendo seus restos mortais ido parar, anos depois, na vala clandestina do cemitério. A foto do corpo, encontrada nos arquivos do DOPS/RJ, mostra somente o rosto, sendo visíveis hematomas e outras marcas, além de edema na parte frontal do crânio. O depoimento de Inês Etienne no caso de Marilena, as contradições na data para a morte de Mário (dia 2 ou dia 3); as contradições no horário da morte (20:45, como diz o óbito, ou 23:00, como diz o Exército); as marcas evidentes de hematomas no rosto; o enterro sem identificação; a divulgação tardia foram os elementos apontados pelos relatores para contestar a versão oficial. Os indícios apontados por Nilmário Miranda não bastaram como prova, para a maioria da CEMDP, de que a morte de Mário Prata não ocorrera no tiroteio alegado, sendo indeferido o requerimento. Seu processo somente foi aprovado após a edição da Lei nº 10.875/04, quando foi possível reabrir a análise do caso e deferir o requerimento da família. =================================================================================================================== + Informações. MARILENE VILAS-BOAS PINTO Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Nasceu em 8 de julho de 1948, no Rio de Janeiro. Morreu aos 22 anos de idade. Estudante de Psicologia na Universidade Santa Úrsula, cursando até o 2º ano, quando, em 1969, por sua participação no movimento estudantil foi obrigada a viver na clandestinidade. Inicialmente militou na ALN e, posteriormente, ligou-se ao MR-8. Foi presa e ferida no tiroteio em que tombou Mário de Souza Prata, no dia 2 de abril de 1971, à rua Niquelândia, 23, em Campo Grande, no Rio de Janeiro. Marilene, mesmo ferida e sem receber cuidados médicos, foi conduzida às câmaras de tortura do DOI/CODI-RJ, tendo sido assassinada algumas horas após seu ingresso naquele departamento. Como testemunho da morte de Marilene sob torturas, há o depoimento da presa política Inês Etienne Romeu, que foi informada da sua morte quando esteve no Hospital Geral do Exército do Rio de Janeiro para tratamento. Lá, Inês ouviu de um médico o relato da noite em que estava de plantão e Marilene chegou para atendimento médico, mas já estava morta. Em seu atestado de óbito consta a morte em 03 de abril de 1971 no Hospital Central do Exército-HCE e foi firmado pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janini. Sua família, após muitas procuras e intermediações, conseguiu resgatar o corpo do HCE e enterrá-lo, em 05 de abril de 1971, no Cemitério São Francisco Xavier (RJ). Seu caixão foi entregue à família lacrado e durante o enterro vários militares à paisana faziam provocações aos presentes. Notícias de sua morte foram publicadas, no dia 04 de junho de 1971, no Jornal do Brasil, "O Globo" e em "O dia", respectivamente sob os seguintes títulos: "Casal Terrorista Morto ao Resistir Ordem de Prisão", "Terrorista assassino foi morto ao resistir à prisão" e "Mortos no Tiroteio Terrorista e a Amante". Em realidade, todos publicavam na íntegra o comunicado da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro que dizia: "... a morte de Mário ocorreu no dia 03 de abril próximo passado, durante tiroteio que travou com as autoridades ao reagir à prisão. Na ocasião, sua amante Marilene ficou gravemente ferida, vindo a falecer logo depois". =========================================================================================== + Informações. MÁRIO DE SOUZA PRATA Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Estudante de Engenharia na UFRJ, natural do Rio de Janeiro Morto aos 26 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 2 de abril de 1971, baleado à Rua Niquelândia, n° 23, bairro de Campo Grande (RJ), onde ficou ferida Marilene Vilas Boas Pinto. O corpo de Mário entrou no IML/RJ em 03 de abril de 1971, pela Guia n° 70, da 35ª D.P., "como desconhecido, morto em tiroteio com as forças de segurança, às 20:45 horas do dia 02 de abril de 1971." Sua identificação foi feita em 06 de abril pelo Instituto Pereira Faustino da Secretaria de Segurança Pública e, assim mesmo, em sua certidão de óbito consta como desconhecido. Foi firmado pelo Dr. José Guilherme Figueiredo, tendo como declarante José Severino Teixeira. Foi enterrado como indigente, em 23 de abril de 1971, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na cova n° 20.608, quadra 16. Entretanto, desde sua entrada no IML/RJ, já se sabia de quem se tratava, pois ao lado do n° de sua Guia como desconhecido está a marca "sub". Não se tem a data de quando seus restos mortais foram para o ossário geral, mas presume-se que estejam na vala clandestina, junto com cerca de 2.000 outras ossadas de indigentes. ========================================================================================= + Detalhes. » MÁRIO DE SOUZA PRATA (1945 - 1971) » Histórico de Mário Prata Professora Marília Chermont1 http://www.dcemp.ffsd.br/mario_prata.htm Mário Prata, filho de pais de classe média alta, o Mariozinho, era um menino meigo, moreno de olhos escuros e sorriso branco. Um tanto diferente dos outros meninos da época, não gostava de farras, falava pouco e pensava muito. Ainda assim, marcava presença, pois tinha o dom de cativar pela sinceridade e inteligência. À época em que conheci, militava no "Parlamento Estudantil de Nova Friburgo", juntamente com dois dos meus irmãos. Tinha idéias avançadas sobre organização política, direitos humanos e liberdade e as discutia com firmeza sem, no entanto, perder a calma, a delicadeza do falar, pois estava convicto de que as verdades devem ser ditas sem agressões. Corajoso, lutador, jamais fugia à responsabilidade de suas ações. Deixando Friburgo, partiu para o Rio onde se juntou a grupos de estudantes que, como Mariozinho, acreditavam em utopias como projeto realizável (sentido 2 do dicionário), e pensavam, como na música de Vandré, que "as flores poderiam vencer os canhões". Depois de sua partida, só mais uma vez vi Mariozinho. Estava magro, pálido, assustado não. Falava pouco mais que o de costume, mas o semblante permanecia calmo. O país vivia dias difíceis então. Greves, discursos inflamados em todas as praças. Articulações para depor o presidente Jango estavam sendo arquitetadas. Falava-se em "caos administrativo", "quebra da disciplina e da hierarquia", "subversão da lei e da ordem". Em 13 de março de 1964, Jango entoou seu canto do cisne, realizando uma das mais famosas manifestações públicas da história do Brasil: "O Comício das Reformas". Daí para a frente foi a instauração da loucura. Os estudantes, junto com outras classes (sindicatos), uniram-se para, num movimento popular, barrar o caminho de qualquer ação golpista. Tudo em vão. Estoura a revolução e começa a "caça às bruxas". Os ressentimentos contra o governo Goulart explodiam agora em uma espiral de violência e ódio e "um dos mais belos símbolos do vento generoso das reformas que agitava o país - a sede da UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES - era apedrejado e incendiado". Um dia soubemos que Mariozinho fora assassinado. Morrera numa dessas escaramuças de rua entre soldados e estudantes. O motivo, não se sabe até hoje exatamente qual foi. Seu corpo foi encontrado crivado de balas. Na certa Mariozinho não estava armado ou talvez estivesse... com flores, - tentando dizer sua verdade com a calma a e franqueza que lhe eram peculiares. Isto faz muito tempo, Mariozinho só não foi esquecido por uns poucos. Hoje, numa tentativa de resgatar a memória daqueles que, ao longo da história, tombaram em nome da liberdade e dos ideais democráticos do nosso país, inaugurou-se o Panteão da Liberdade. Lá estarão os nomes do que morreram para que pudéssemos estar falando de pessoas como Mariozinho. Mas os nomes de muitos outros que desconhecemos lá não estarão. Um deles é o de MÁRIO PRATA, menino, meigo, moreno... 1 - Professora da Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia. Retirado de: ABREU, Cintia Maria Carvalho, SANCHO, Benilson & DOMINGOS, Paulo. A Históia do Diretóio Acadêmico Mário Prata da Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia. Relatório de Pesquisa apresentado à Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia, requisitado pela discplina de Métodos e Técnicas de Pesquisa II, através da professora Cláudia Echenbach Dall"Aglio, no V Período do curso de História, em 1991. Relatório de Pesquisa gentilmente cedido ao DCEMP pela professora Cláudia Echenbach Dall"Aglio no ano de 2007. ================================================================================== + Detalhes. » MÁRIO DE SOUZA PRATA Fonte: Grupo Tortura Nunca Mais -RJ Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Estudante de Engenharia na UFRJ, natural do Rio de Janeiro Morto aos 26 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 2 de abril de 1971, baleado à Rua Niquelândia, n° 23, bairro de Campo Grande (RJ), onde ficou ferida Marilene Vilas Boas Pinto. O corpo de Mário entrou no IML/RJ em 03 de abril de 1971, pela Guia n° 70, da 35ª D.P., "como desconhecido, morto em tiroteio com as forças de segurança, às 20:45 horas do dia 02 de abril de 1971." Sua identificação foi feita em 06 de abril pelo Instituto Pereira Faustino da Secretaria de Segurança Pública e, assim mesmo, em sua certidão de óbito consta como desconhecido. Foi firmado pelo Dr. José Guilherme Figueiredo, tendo como declarante José Severino Teixeira. Foi enterrado como indigente, em 23 de abril de 1971, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na cova n° 20.608, quadra 16. Entretanto, desde sua entrada no IML/RJ, já se sabia de quem se tratava, pois ao lado do n° de sua Guia como desconhecido está a marca "sub". Não se tem a data de quando seus restos mortais foram para o ossário geral, mas presume-se que estejam na vala clandestina, junto com cerca de 2.000 outras ossadas de indigentes. -------------------------------------------------------------------------------- Em 26 de agosto de 2004, a Comissão Especial da Lei 9140/95 reconheceu a responsabilidade da União no assassinato de MÁRIO DE SOUZA PRATA. Processos nºs. 081/02 e 048/96 RELATÓRIO Requerimento: O requerimento é apresentado pelo irmão, Cleverson de Souza Prata. Apresentado quando da Lei 9.140/95, o processo foi indeferido por 4 votos contra 3. Ao voto de indeferimento apresentado pelo Dr. Paulo Gonet, houve pedido de vistas do hoje Ministro Nilmário Miranda, que relatou detalhadamente as divergências nas circunstâncias da morte e as diversas diligências, inclusive diretamente no IML do Rio de Janeiro, para tentar obter o laudo necroscópico e o levantamento feito pela perícia no suposto local da morte, documentos até hoje não localizados. Militância Política e fatos: Mário de Souza Prata foi militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8. Filho de Mário Rodrigues e Maria de Lourdes Prata, nasceu em 26 de setembro de 1945, em Cantagalo, Rio de Janeiro. Estudante de engenharia na UFRJ, Mário iniciou sua militância política no movimento estudantil, ingressando na clandestinidade e na luta armada. Teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça Militar já em 1969. Era intensamente procurado por suas atividades como guerrilheiro, acusado de matar um PM que o conduzia, preso, em 1970, logrando fugir. O nome de Mário Prata consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, informando sua morte em 02 de abril de 1971, baleado à Rua Niquelândia, 23, bairro de Campo Grande, ocasião em que ficou ferida Marilene Vilas Boas Pinto, assassinada sob torturas. Até aquele momento, imaginava a Comissão de Familiares que Mário Prata havia sido morto no local. No entanto, como em inúmeros outros casos examinados, o exame dos poucos documentos obtidos demostrou contradições que nos indicam ter sido a morte em tiroteio mais uma farsa dos órgãos de repressão. A versão oficial contida na informação n.º 624/71-G do Ministério do Exército, 2ª seção, datada de 23/04/71, e constante às fls. 17, diz: "(...) No dia 2 de abril p.p, uma equipe da Bda. Aet. estava em Campo Grande/GB, empenhada no processamento de um informe que dava como suspeito um casal residente à Rua Niquelândia nº 23. Verificando tratar-se realmente de um 'aparelho' a equipe preparou-se para prender seus ocupantes. (...) Cerca de 23.00 hs o casal chegou, não num volkswagen mas num taxi, o que surpreendeu a equipe, levando-a a mudar o dispositivo para abordagem da viatura. Seus ocupantes, percebendo a manobra, atiraram contra a equipe. (...) No tiroteio foi morto o terrorista foragido Mario de Souza Prata (Dissidência do PCB na GB) e ferida gravemente, vindo a falecer posteriormente Marilene Pinto Carneiro Mendonça (Marilene Villas Boas Pinto quando solteira) (...)." No relatório das circunstâncias da morte encaminhado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos ficam evidentes as contradições que cercaram o exame do caso. Mário e Marilene, intensamente procurados pelos órgãos de segurança em função de seu combate à ditadura, teriam sido vítimas de emboscada montada no endereço referido, fato somente divulgado para a imprensa em junho - dois meses depois do ocorrido. O quê realmente aconteceu até hoje não se sabe. A nota oficial informa a morte de um major e de Mário e os ferimentos em Marilene, falecida posteriormente. A certidão de óbito, lavrada como "um homem", informa que a morte se deu no dia 02 de abril, às 20.45, mas Mário foi encaminhado ao IML somente às 07.40 do dia seguinte, conforme documento obtido por Nilmário Miranda. Ou ainda às 11 horas, conforme informa o CIE. Identificado pelo Instituto Pereira Faustino ainda no dia 03 de abril, foi enterrado 20 dias depois sem identificação (fls. 27). O DOPS e a nota oficial atestam que a morte se deu no dia 03 de abril. Onde teria ficado durante esse período? A perícia foi feita no dia 03 de abril, mas o enterro somente é realizado no dia 23 de abril e, apesar de reconhecido no próprio dia 03, como atesta ofício da SSP/RJ à Auditoria Militar (fls. 90), o enterro é feito como de um desconhecido. Walter Dantas, Delegado do DOPS, buscando instrumentar o inquérito 21/71, oficia à 13ª Circunscrição de Registro Civil, em 08 de julho do mesmo ano: "(...) A fim de atender requisição do MM Juiz Auditor da 2ª Auditoria da Aeronáutica, solicito de V.Sas. seja fornecido a esta delegacia uma certidão de óbito n.º 16.613, cujo corpo foi recolhido ao IML com guia 70/71, da 35ª Delegacia Policial e enterrado como indigente no cemitério de Ricardo de Albuquerque. (...) Entretanto, pelo Instituto Pereira Faustino foi identificado o corpo, conforme as cópias anexas (xerox) como sendo de Mário de Souza Prata (...)." Confrontando a versão oficial, o delegado Osmar Peçanha Nunes, da 35ª DP, ao remeter a papeleta de reconhecimento do cadáver removido daquela DP para o IML com a guia nº 70/71, informa ao Juiz Auditor da Marinha: "(...) Esclareço a V.Exa. que o cadáver removido para o IML com a guia 70/71 desta DP foi de um homem de cor branca, não identificado, profissão, idade, nacionalidade, estado civil e residência também desconhecidas, sendo encontrado na rua Niquelândia, com as seguintes circunstâncias: 'segundo o que foi dado apurar a vítima foi ferida a bala por pessoa não identificada e ao ser socorrida faleceu sem declarar sua identidade.' Dados colhidos pelo Det. J. Viana, que se encontrava aqui de serviço, de 2 para 03.04.71, nas funções de comissário de dia. O cadáver conforme documento anexo tinha as impressões datiloscópicas similares às de Mario de Souza Prata (...)." (fls. 95) Ou seja, informa o delegado que o corpo foi simplesmente encontrado, ferido por desconhecido, enquanto a nota oficial divulgada 61 dias depois atesta que os órgãos de segurança estavam no local à espera do casal. É da Delegacia de Polícia que sai o corpo. Seria possível não terem informado ao delegado de plantão como o corpo ali chegou? Quem teria levado? Desconhecidos simplesmente largaram o corpo? Teria sido ali na DP que Mário foi morto? A certidão de óbito repete a causa-mortis que consta no livro de registros do IML: feridas penetrantes do tórax e abdome e transfixantes do abdome com lesão do pulmão esquerdo, fígado e baço - hemorragia interna, anemia aguda, atestado assinado por José Guilherme Figueiredo. A foto do corpo, encontrada no arquivo do DOPS/RJ mostra somente o rosto, sendo por demais evidentes os hematomas e marcas não identificadas, além de edema na parte frontal do crânio. O corpo, reconhecido pelo Instituto Pereira Faustino da SSP e apesar de terem os órgãos de repressão o endereço dos familiares (fls. 29 e 31), é enterrado sem identificação (fls. 26 a 28) no cemitério de Ricardo de Albuquerque, sendo que seus restos mortais provavelmente estão dentre os cerca de 2000 localizados em vala clandestina. As contradições na data: dia 02 ou dia 03; as contradições no horário da morte: 20.45 hs como diz o óbito ou 23.00 como diz o Exército; as marcas evidentes de hematomas no rosto; o enterro sem identificação; a divulgação tardia são, para nós, elementos suficientes para desqualificar a versão oficial. Assim não entendeu a Comissão no julgamento proferido em 1997, talvez sob influência da "certeza" manifestada pelo General Osvaldo Pereira Gomes de que a morte ocorrera no local e de acordo à versão oficial. Reforçando nossa certeza de que os arquivos da repressão eram consultados pelo então representante das Forças Armadas nesta Comissão antes dos julgamentos, dizia o General Osvaldo que certamente Mário Prata fora morto em confronto, pois tinha matado "um dos nossos". Temos pelo menos uma certeza, a de que a morte de Mário Prata não está esclarecida, sendo certamente mais um dos "teatros" macabros montados pelos órgãos de segurança da ditadura militar nos quais encenavam "tiroteios", "atropelamentos" e "suicídios" para encobrir assassinatos sob torturas e execuções sumárias, como foi possível comprovar em 130 casos aprovados e citados no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Como em grande parte dos casos aprovados, a morte de Mário Prata apresenta vários elementos que recorrentemente foram apontados: 1. contradição nas datas, horários e locais das supostas ocorrências; 2. assinatura de legistas pouco confiáveis; 3. desaparecimento de documentos comprobatórios da morte e das ocorrências; 4. lesões, equimoses e ferimentos visíveis e não descritos nos laudos; 5. enterro sob nome falso ou como desconhecido. A dificuldade de obter a documentação necessária para provar definitiva e irrefutavelmente as circunstâncias da morte de Mário Prata pelos órgãos de repressão revela a persistência, passados mais de 30 anos, dos interesses em manter na sombra as cruéis formas de ação da ditadura militar. Mantemos nosso voto de inclusão do nome de Mário Prata dentre os preceitos da Lei 9.140/95 e, tendo em vista o indeferimento e a ampliação dos critérios na Lei 10.875/04, não há mais questionamentos possíveis. Voto pela inclusão do nome de Mario de Souza Prata dentre as vítimas fatais da ditadura militar, por entender que esta é uma reparação moral indispensável para resgatar tanto a sua memória, quanto a dignidade nacional. Reconhecer a responsabilidade do Estado no seu assassinato é um ato do presente voltado para o futuro, representando o mais vivo repúdio à violência, ilegalidades e torturas praticadas pelo Estado durante a vigência da ditadura militar. Nesta semana em que se comemoram os 25 anos da anistia parcial e restrita da ditadura militar, a nossa homenagem a Mário de Souza Prata, guerrilheiro assassinado na luta pela liberdade. Suzana Keniger Lisbôa Relatora Comissão Especial - Lei 10.875/04 - Em 26 de agosto de 2004. ======================================================================================= + Detalhes. Marilene Vilas-Boas Pinto Ter, 08 de Setembro de 2009 02:55 Heróis do Movimento Estudantil Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Nasceu em 8 de julho de 1948, no Rio de Janeiro. Morreu aos 22 anos de idade. Estudante de Psicologia na Universidade Santa Úrsula, cursando até o 2º ano, quando, em 1969, por sua participação no movimento estudantil foi obrigada a viver na clandestinidade. Inicialmente militou na ALN e, posteriormente, ligou-se ao MR-8. Foi presa e ferida no tiroteio em que tombou Mário de Souza Prata, no dia 2 de abril de 1971, à rua Niquelândia, 23, em Campo Grande, no Rio de Janeiro. Marilene, mesmo ferida e sem receber cuidados médicos, foi conduzida às câmaras de tortura do DOI/CODI-RJ, tendo sido assassinada algumas horas após seu ingresso naquele departamento. Como testemunho da morte de Marilene sob torturas, há o depoimento da presa política Inês Etienne Romeu, que foi informada da sua morte quando esteve no Hospital Geral do Exército do Rio de Janeiro para tratamento. Lá, Inês ouviu de um médico o relato da noite em que estava de plantão e Marilene chegou para atendimento médico, mas já estava morta. Em seu atestado de óbito consta a morte em 03 de abril de 1971 no Hospital Central do Exército-HCE e foi firmado pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janini. Sua família, após muitas procuras e intermediações, conseguiu resgatar o corpo do HCE e enterrá-lo, em 05 de abril de 1971, no Cemitério São Francisco Xavier (RJ). Seu caixão foi entregue à família lacrado e durante o enterro vários militares à paisana faziam provocações aos presentes. Notícias de sua morte foram publicadas, no dia 04 de junho de 1971, no Jornal do Brasil, "O Globo" e em "O dia", respectivamente sob os seguintes títulos: "Casal Terrorista Morto ao Resistir Ordem de Prisão", "Terrorista assassino foi morto ao resistir à prisão" e "Mortos no Tiroteio Terrorista e a Amante". Em realidade, todos publicavam na íntegra o comunicado da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro que dizia: "... a morte de Mário ocorreu no dia 03 de abril próximo passado, durante tiroteio que travou com as autoridades ao reagir à prisão. Na ocasião, sua amante Marilene ficou gravemente ferida, vindo a falecer logo depois". HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110604/06644ed8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7031 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110604/06644ed8/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 15733 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110604/06644ed8/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 4 15:35:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 4 Jun 2011 15:35:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_tempestade_=E0_vista_e_o_Brasil?= =?iso-8859-1?q?__por__Amir_Khair___4_jun_11?= Message-ID: <8CA4964F566F4DBF8E6A164E6271D19C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A tempestade à vista e o Brasil Políticas europeias e norte-americanas estão conduzindo economia mundial a crise grave. Para defender país, governo precisa abandonar "pé-no-freio" Por Amir Khair Ainda não se passaram três anos e já se delineiam duas sérias ameaças em nível global, que podem indicar um primeiro desdobramento da crise financeira originada nos Estados Unidos em 2008. É a situação crítica da questão fiscal dos Estados Unidos e Grécia. Os holofotes agora estão na Grécia, mas não levará tempo para se dirigirem aos EUA. Vale recordar. Na primeira tentativa de sair do buraco, a Grécia acertou com o FMI que sua economia deveria encolher 4% em 2010, 2,6% em 2011 e o desemprego, de 9,4% em 2009, subiria para 14,8% em 2012. Esse o custo da redução do déficit fiscal de 13,6% do PIB em 2009, para 8,1% em 2010 e 6,5% em 2012. Mesmo assim, sua dívida se estabilizaria em 150% do PIB! Mas em 2010, em vez de conseguir a meta de déficit de 8,1%, obteve 10,5%, o que acendeu a luz vermelha. Os holofotes agora estão na questão fiscal da Grécia, que precisará de um novo empréstimo em 2012. Com um crescimento mais baixo que o esperado, a tendência é o agravamento fiscal e a necessidade de mais empréstimos que, se vierem, trarão sérias dificuldades de satisfazer as condições impostas pelo FMI, com impacto social crescente e sério risco político ao governo. A aposta dos "salvadores" (Banco Central Europeu - BCE, países da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional - FMI) ao concederem o primeiro socorro era de que uma profunda restrição fiscal, com rebaixamento de salários, demissões no setor público e freada no crescimento econômico, seria capaz de gerar os excedentes para honrar as parcelas dos empréstimos, que tiveram prazos mais alongados. Esse aperto fiscal deveria ser imposto à população e as reações foram imediatas com paralisações e manifestações de massa, que na ocasião poderiam inviabilizar as negociações em curso. Mas o governo grego conseguiu vencer o primeiro round e aprovou as duras exigências dos financiadores, com importante condição: a dívida teria que ser integralmente paga, sem nenhum prejuízo aos credores. Esse socorro financeiro implica em dois problemas fiscais, de solução quase impossível, pois crescem as despesas com o serviço da dívida pelo forte aumento do endividamento e cai a arrecadação pela redução da atividade econômica e pelo aumento da inadimplência dos contribuintes - ou seja, forma-se um "sanduíche" fiscal. Os credores, no entanto, partiram da premissa de que a redução das despesas públicas seria suficiente para superar esses dois problemas. Não foi o que aconteceu e nem acontecerá. Assim, seria necessário reduzir o valor a ser pago no serviço da dívida, ou seja, seu deságio, com perda para os credores. Mas o deságio não bastaria para solucionar o problema, pois os desequilíbrios macroeconômicos já existentes tornam necessários outros esforços para viabilizar o equilíbrio de suas contas internas e externas. Atualmente ocorre déficit na balança comercial de 4% do PIB, maior déficit comercial entre os países da região do euro. Se esse déficit persistir, a Grécia terá de captar o volume total em instituições de crédito estrangeiras, mesmo se os déficits orçamentários pós-inadimplência puderem ser financiados com captações domésticas. A simples ameaça do deságio na Grécia precipitou a elevação dos riscos das dívidas de Portugal e Espanha. Portugal foi o primeiro a pedir socorro e já está seguindo o mesmo caminho grego. Tomou em maio recursos do FMI e da União Europeia de US$ 110 bilhões, que representam 47% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O último pacote de auxílio do FMI ao Brasil, em 1998 foi de US$ 40 bilhões ou 4,7% do PIB. Assim, esse socorro a Portugal foi, em termos de tamanho de sua economia, 10 vezes maior do que o nosso. Para situar a gravidade do problema que ronda a Europa, o pacote da Grécia de US$ 156 bilhões foi também de 47% do PIB e o da Irlanda (US$ 120 bilhões), 52,9% do PIB, segundo matéria publicada em O Estado de São Paulo (22/5). Esses socorros foram também sem deságio nas dívidas e será apenas questão de tempo para evidenciar a falta de visão dos "salvadores" e o agravamento da inevitável deterioração fiscal nesses países. Não tem como escapar do deságio das dívidas. Esse deságio, por sua vez, poderá trazer novos desdobramentos na rede financeira europeia já fragilizada pela crise iniciada nos Estados Unidos com as hipotecas de alto risco (subprime) e por a nu os títulos podres em posse do BCE ao socorrer o sistema bancário da Irlanda, Grécia, Espanha entre outros países. A nova tentativa de socorro à Grécia continuará tentando preservar os credores, alongando mais a dívida, sem reestruturá-la, com nova injeção de empréstimos, e o calote será inevitável e maior mais a frente. É uma exigência do BCE para tentar empurrar com a barriga os títulos podres em seu poder cujo montante é desconhecido. O mesmo poderá ocorrer com Portugal, mais à frente à Espanha e, em seguida a Itália, países de maior expressão econômica na zona do euro. Poderá ser essa a sequência dos PIIGS [Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha]. É claro que isso atingirá o sistema bancário das economias mais sólidas como França e Alemanha, agravando a crise europeia com repercussões em outros países fora da área. Como existe forte relação entre os sistemas financeiros de Europa e Estados Unidos, esse país certamente será afetado. Em 16/5, os Estados Unidos atingiram o teto de US$ 14,294 trilhões da dívida pública e o Departamento do Tesouro planeja anunciar que vai parar de emitir e reinvestir títulos do governo em certos fundos de pensão públicos, parte de uma série de medidas para adiar a moratória até 2/8. Essas medidas do Tesouro visam ganhar tempo para a Casa Branca e líderes do Congresso chegarem a um acordo de redução do déficit, para atingir número suficiente de congressistas a votar o aumento da dívida. A disputa política entre republicanos e democratas pode fornecer o combustível necessário para começar a por em dúvida a capacidade de o país honrar o pagamento aos credores, que estão espalhados por todo o mundo, especialmente entre países que acumularam fortes reservas ligadas ao dólar, como China, Japão, Alemanha e o Brasil. Para agravar esse quadro o déficit fiscal previsto ao final deste ano pode atingir US$ 1,7 trilhões ou 11% do Produto Nacional Bruto (PNB). A tentativa de ativar a economia via elevação da liquidez é outro motivo de preocupação. De 2004 a 2008, a base monetária girava em torno de US$ 0,8 trilhão e a disparada sem cessar a partir de 2009 a elevou para US$ 2,4 trilhões. Apesar disso, os empréstimos bancários ficaram estabilizados desde o final de 2008 em US$ 9 trilhões, evidenciando o deslocamento dessa elevação da liquidez para fora dos EUA. É possível que as agências de classificação de risco, que dormiram no ponto na crise de 2008/2009, não tenham o mesmo comportamento agora. Alguns sinais já apontam nessa direção. O primeiro foi dado pela Standard & Poor's que rebaixou de "estável" para "negativa" a perspectiva de rating de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos. Com isso, sinalizou que poderá piorar a nota da dívida americana. As razões apontadas para a decisão foram o persistente déficit orçamentário e o elevado endividamento do país. De acordo com a agência, mesmo após dois anos após a eclosão da crise financeira que abalou o mercado de hipotecas dos EUA, o governo do presidente Barack Obama dá sinais de que não chegou num acordo sobre como reverter a deterioração fiscal por que passa o país atualmente, nem aponta soluções para as pressões fiscais de longo prazo. O dólar já vem de longo processo de perda de valor perante outras moedas e commodities, e isso expressa a doença que se abate lentamente sobre a economia norte-americana. As análises sobre as perspectivas deste país oscilam a cada dia ao sabor de dados sobre pedidos de desemprego, construção de novas moradias, produção industrial, inflação, etc. Fato é que a reação aos fortes estímulos dados desde 2008 produziram efeitos pífios e os déficits fiscais passaram de 3% do PNB em 2008 e poderão atingir 11% neste ano. A dívida sobe de forma ameaçadora, indicando claros riscos em seu pagamento. Para agravar esse quadro, a elevação dos preços do petróleo e outras commodities subtraem o poder aquisitivo dos americanos, com reflexos negativos sobre o consumo, que representa 70% do PIB do país. Isso afeta o crescimento econômico, a arrecadação e eleva o déficit fiscal. Parecem esgotados os instrumentos monetários para tirar o país da crise. A forte injeção de dólares feita pelo Fed (banco central americano) e os juros negativos não conseguiram estimular o consumo. É incerto se terminará em junho a escalada da injeção de US$ 600 bilhões. Essa elevação da liquidez já dá sinais de problemas com a inflação, que começam a aparecer no front de preocupações do Fed. E nada mais potente para retirar o poder aquisitivo do norte-americano que a inflação. O caminho que seria possível para romper com esse agravamento é a ampliação das exportações e contenção das importações, para gerar empregos suficientes para tirar da letargia o mercado interno. Mas isso não vem ocorrendo no nível necessário, pois a disputa no mercado internacional cresceu fortemente, como consequência da crise de 2008. Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110604/f9afcda6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13451 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110604/f9afcda6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 5 13:50:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 5 Jun 2011 13:50:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_El_libertador_=7C_Web_Oficial_de_?= =?iso-8859-1?q?SKA-P______________________________________________?= =?iso-8859-1?q?___________________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CLIQUE http://ska-p.com/content/el-libertador-0 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110605/e7ac8502/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110605/e7ac8502/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 5 13:50:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 5 Jun 2011 13:50:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__AMARO_LUIZ_DE_CARVALHO_______________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CLVI-?= Message-ID: <907380ED15BE4289A247D1779F8450BF@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem AMARO LUIZ DE CARVALHO (1931 - 1971 Filiação: Maria Soares de Carvalho e José Luiz de Carvalho Data e local de nascimento: 04/06/1931, Joaquim Nabuco (PE) Organização política ou atividade: PCR Data e local da morte: 22/08/1971, Recife (PE) Conhecido como Capivara, despontou como líder camponês do Sindicato Rural de Barreiros (PE) durante as mobilizações anteriores a 1964. Na zona canavieira criou Ligas Camponesas e sindicatos, mobilizando e organizando os trabalhadores rurais. Capivara ingressou aos 15 anos no Partido Comunista. Também teve participação destacada nas lutas da categoria têxtil da região metropolitana de Recife. Foi preso pela primeira vez em 1958 por liderar uma greve têxtil. Em 1961 foi para Cuba acompanhar os primeiros passos da Revolução de 1959. Ao retornar, descontente com as mudanças ocorridas no partido, desligou-se da organização e integrou-se ao PcdoB. Depois de abril de 1964, Capivara passou a atuar na clandestinidade na zona canavieira, especialmente nos municípios de Jaboatão, São Lourenço da Mata, Moreno, Vitória e Serinhaém. Participou de um curso de formação e capacitação político-militar na China. Quando voltou, juntamente com Manoel Lisbôa e Ricardo Zaratini Filho, fundou o PCR, em dezembro de 1966. Como dirigente do PCR atuou por quatro anos na zona canavieira coordenando ações, até ser preso no dia 21/11/1969. No "Livro Negro" produzido por militares do CIE, consta sobre ele na página 254: "Em agosto (de 1968), Capivara arrendou o Sítio Borboleta, no município de Palmares, em Pernambuco, que passou a ser o centro do trabalho de campo do partido, atuando com um grupo nas regiões de Barreiros, Sirinhaém, Rio Formoso, Água Preta e Joaquim Nabuco. Além do trabalho de recrutamento e divulgação do comunismo no meio rural, praticaram atos de sabotagem, como a queima de canaviais e de engenhos". Capivara foi morto quando cumpria pena na Casa de Detenção de Recife, no dia 22/08/1971, dois meses antes de terminar de cumprir o tempo de sua condenação pela Justiça Militar. Era casado e tinha três filhos. Por sua história e liderança, os presos políticos afirmavam que as autoridades do regime militar não queriam soltá-lo vivo. Denunciaram sua morte responsabilizando os guardas do presídio. A morte foi divulgada pela Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, com a versão de envenenamento causado pelos próprios companheiros em função de supostas divergências políticas. Na data, era diretor da Casa de Detenção o coronel da PM Olinto Ferraz. No processo, há recortes de jornais da época, ocorrência policial, termos de declarações de presos políticos, bem como de presos comuns e agentes penitenciários, exame em local de ocorrência feito pelo Instituto de Polícia Técnica de Pernambuco e laudo pericial procedido pelo IML/PE. Ao analisar a causa da morte, o relator do processo junto à CEMDP observou a gritante contradição existente entre a versão oficial afirmando ter sido ocasionada por envenenamento, ao passo que a necropsia, assinada pelos legistas Nivaldo José Ribeiro e Antônio Victoriano da Costa Barbosa, indicava "hemorragia pulmonar, decorrente de traumatismo do tórax, por instrumento contundente, o que também consta no atestado de óbito". Os exames toxicológicos feitos em 27/08/71 pelos médicos Oswaldo Bittencourt de Andrade e Adhemar Cavalcanti Ramos resultaram negativos. ======================================================================================================= + Informações. AMARO LUÍS DE CARVALHO Militante do PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO (PCR). Líder camponês do Sindicato Rural de Barreiros, em Pernambuco. Conhecido popularmente como Capivara, foi preso e cumpria pena na casa de detenção de Recife, quando foi morto por envenenamento. Na época era diretor da Casa de Detenção o Cel PM Olinto Ferraz. Os companheiros de prisão denunciaram fartamente o assassinato de Amaro, responsabilizando os guardas da Casa de Detenção. Amaro terminaria de cumprir sua pena no mês de outubro e a repressão não queria soltá-lo vivo. Sua morte, ocorrida no dia 22 de agosto de 1971, foi dada a conhecimento público pela Secretaria de Segurança de Pernambuco, com a versão de envenenamento causado pelos seus próprios companheiros de prisão, ocasionada por supostas divergências políticas. Tal versão é violentamente repudiada pelos companheiros de Capivara, que denunciaram mais essa farsa para encobrir o assassinato de um preso político ======================================================================================== + Informações. Amaro Luiz de Carvalho, o Capivara Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barreiros, Amaro Luiz de Carvalho, conhecido como "Capivara", foi assassinado por agentes de repressão em 22 de agosto de 1971. Acusado de pertencer aos quadros do Partido Comunista Revolucionário (PCR), o líder camponês cumpria pena de dois anos de prisão e estava prestes a ser liberado quando foi morto na Casa de Detenção de Recife (PE). Nascido em Joaquim Nabuco (PE), em 1931, Amaro despontou como líder camponês desse sindicato durante as mobilizações anteriores ao golpe de 1964. Havia começado a militar no Partido Comunista Brasileiro (PCB) aos 15 anos de idade e teve uma participação destacada nas lutas da categoria têxtil da Região Metropolitana de Recife. Sua primeira prisão, em 1958, mfoi motivada por ter liderado uma greve no setor têxtil. Em 1961, por intermédio do partido, Amaro foi para Cuba acompanhar os primeiros passos da revolução ocorrida em 1959 naquele país. Ao retornar ao Brasil, descontente com as mudanças na política do partido, desligou-se da organização e ingressou no Partido Comunista do Brasil (PC do B). Depois do golpe, em abril de 1964, passou a atuar na clandestinidade na zona canavieira, especialmente nos municípios de Jaboatão, São Lourenço da Mata, Moreno, Vitória e Serinhaém. Como militante do PC do B, Amaro viajou à China para participar de um curso de formação e de capacitação político- militar. Ao retornar ao Brasil, participou da fundação do PCR, juntamente com Manoel Lisboa e Ricardo Zaratini Filho, em dezembro de 1966. Na condição de dirigente do PCR, atuou por quatro anos na zona canavieira, onde mobilizava os trabalhadores rurais da região e ajudava na criação de ligas camponesas e de sindicatos. Ele foi preso no dia 21 de novembro de 1969. Ao anunciar a prisão de Capivara, o Secretário de Segurança de Pernambuco disse: "Acabou a subversão em Pernambuco!" A comemoração estava ligada ao suposto treinamento militar que Amaro teria recebido em Cuba e na China. Ainda no tempo das Ligas, ele integrara o movimento que em 1963 tentou montar a guerrilha no país.18 No "Livro negro" produzido por militares do CIE, consta, na página 254: Em agosto (de 1968), Capivara arrendou o Sítio Borboleta, no município de Palmares, em Pernambuco, que passou a ser o centro do trabalho de campo do partido, atuando com um grupo nas regiões de Barreiros, Serinhaém, Rio Formoso, Água Preta e Joaquim Nabuco. Além do trabalho de recrutamento e divulgação do comunismo no meio rural, praticaram atos de sabotagem, como a queima de canaviais e de engenhos. Executado por agentes na Casa de Detenção de Recife, pouco antes da data prevista para sua libertação Amaro foi morto em agosto de 1971, dois meses antes de terminar de cumprir a condenação imposta pela Justiça Militar. Os demais presos políticos ali detidos denunciaram que, devido à sua trajetória de militância, as autoridades militares não queriam liberá-lo vivo e que, por isso, teria sido executado por guardas do presídio. A Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco sustentou que ele teria sido morto por envenenamento pela ação de seus próprios companheiros, em função de supostas divergências políticas. Na época, o diretor da Casa de Detenção era o Coronel da Polícia Militar Olinto Ferraz. Ao analisar a causa da morte, o relator do processo junto à Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos destacou a contradição existente entre a versão oficial - de envenenamento - e o resultado da necropsia, assinado pelos legistas Nivaldo José Ribeiro e Antônio Victoriano da Costa Barbosa. O exame indicava "hemorragia pulmonar, decorrente de traumatismo do tórax, por instrumento contundente, o que também consta no atestado de óbito". Os exames toxicológicos feitos em 27/08/71 pelos médicos Oswaldo Bittencourt de Andrade e Adhemar Cavalcanti Ramos tiveram resultado negativo. ============================================================================================ + Detalhes. Amaro Luis de Carvalho (Capivara) http://pcrbrasil.org/amaro-luis/ As palmeiras, plantas típicas do Norte e do Nordeste brasileiro, já foram cantadas em prosa e verso por nomes consagrados da nossa literatura. Ouso louvar, também, uma palmeira que se agiganta sobre todas as que embelezam nossos rincões. Maior e diferente de todas, porque é um ser humano. Afirmo no presente, por concordar com a tese de que os homens imprescindíveis não morrem. Palmeira, Capivara, Amaro Luis de Carvalho nasceu no dia 04 de junho de 1931 em Joaquim Nabuco, Zona da Mata pernambucana, trazendo nas veias o sangue de heróis como Zumbi dos Palmares, o anseio de libertação de centenas de gerações de oprimidos. Herói do PCR Desde criança, insatisfeito com as injustiças, não aceitava que um pequeno número de pessoas - os donos das terras, usinas, indústrias, bancos - se enriquecesse à custa do trabalho não pago, a mais-valia, do sofrimento de tantas pessoas. Da reflexão à ação foi um passo, engajando-se na luta, ingressando aos 15 anos no Partido Comunista, o PCB. Operário, Capivara teve participação destacada nas lutas da categoria têxtil da região metropolitana do Recife, mobilizando e organizando os trabalhadores. Preso pela primeira vez em 1958 por liderar uma greve têxtil junto com sua classe; as arbitrariedades só fortaleciam sua ideologia e lhe aumentava o ânimo. Mas foi na Zona Canavieira, seu berço, que mais brilhou a atuação do herói, criando ligas camponesas e sindicatos, mobilizando e organizando os camponeses e assalariados rurais. Reforma ou Revolução? A ida a Cuba em 1961 - com a Revolução ainda criança, pois ocorrera em 1959 - proporcionou-lhe maior entusiasmo para o trabalho de construção de uma sociedade socialista no Brasil. Ele disse: "Cada camponês que saía, via a força da revolução e a capacidade criadora do povo trabalhador do país irmão". Descontente com as mudanças ocorridas no PCB como resultado da traição do XX Congresso do PCUS, junto a grande número de militantes desligou-se da organização e fundou o Partido Comunista do Brasil, PCdoB. Capivara reorganizou esse partido, tendo rompido com a linha reformista não apenas por divergências teóricas, mas pelo encaminhamento das lutas concretas. No seu trabalho As quatro contradições da Zona Canavieira de Pernambuco, ele dá um exemplo: ".o engenho Serra pertencia ao criminoso Alarico Bezerra. Os camponeses de toda a região afluíram a Serra para reivindicar terras. Nesta invasão, para evitar contra-ataque dos capangas de Alarico foram postos em armas 100 homens, os quais se portaram com galhardia, sem tocar nos bens da propriedade até que o governo tomasse medidas adequadas. A camarilha revisionista utilizou o presidente do sindicato de Palmares para dissuadir os camponeses dos seus propósitos, o que não conseguiu, tendo sido desarmado e posto em fuga pela massa enfurecida". Na luta clandestina Com o golpe militar de 64, Capivara passou a atuar na clandestinidade na zona canavieira, especialmente nos municípios de Jaboatão, São Lourenço da Mata, Moreno, Vitória e Serinhaém. Participou de um curso de formação e capacitação político-militar na China, onde conheceu as grandes realizações do povo chinês. Pouco tempo após seu retorno, reuniu-se com um grupo de militantes, entre os quais Manoel Lisboa de Moura, ocasião em que avaliaram que a direção do PCdoB estava se burocratizando e emperrando o trabalho revolucionário, e que, de fato, o rompimento com o revisionismo e com o reformismo havia sido apenas formalmente. Em conseqüência dessa avaliação decidiram sair daquela organização. Tendo Manoel Lisboa à frente, lançaram a Carta de Doze Pontos aos comunistas revolucionários, logo após o congresso de fundação do Partido Comunista Revolucionário, PCR, no ano de 1966. Como dirigente do PCR, atuou durante quatro anos na zona canavieira coordenando ações e organizando conselhos de luta dos assalariados rurais, até ser preso do dia 27 de janeiro de 1970. Na prisão teve comportamento exemplar, resistindo bravamente às torturas praticadas nos cárceres da ditadura militar do Recife e de São Paulo, para onde foi transferido e torturado. Condenado a dois anos de prisão, faltando menos de dois meses para ganhar a liberdade, foi covardemente assassinado na Casa de Detenção do Recife por envenenamento e a pauladas. Sua morte foi tramada pela cúpula dos usineiros mais sanguinários de Pernambuco, chefiados por José Lopes de Siqueira (o mesmo que tentou matar Gregório Bezerra) e Júlio Maranhão, na presença do torturador Sérgio Paranhos Fleury. Um prisioneiro enviou carta anônima ao comandante do IV Exército, denunciando que ".o crime feito contra o preso político Capivara foi feito na maior covardia por três criminosos perversos. Todos os presos estamos revoltados porque não foi tomada nenhuma providência até aqui. Os criminosos estão todos contentes. O cabeça é Dercílio de Brito, outro é Odilon Marculino e o terceiro é Severino Caboclo. Mais de dez presos viram, mas não querem dizer com medo de morrer. Não boto meu nome para depor, para não morrer também. Se vossa excelência der garantia, me apresento para provar na vista de todos os três". Houve até testemunhas que denunciaram os assassinos, mas os inquéritos foram todos de fachada, nunca indiciando os autores e os mandantes do crime. É claro que os usineiros e os carrascos do regime militar jamais iriam acusar a si próprios. A imprensa burguesa divulgou versões mentirosas: "Coração trai Capivara a dois meses da liberdade" (Diário da Noite, 24/08/1971); e comemorou sua morte: "Fim do Terror" (Diário de Pernambuco, 24/08/1971). Achavam que a tranqüilidade voltaria ao campo. Não voltou. Não poderia voltar, uma vez que os canavieiros continuaram sendo explorados, tendo seus mínimos direitos trabalhistas negados, sendo demitidos em massa, vivendo em situação pior do que na época da escravidão. Milhões de Capivaras Zóia, Margarete e Luis devem sentir falta e saudade de seu pai, mas também devem se sentir muito honrados por serem filhos de Amaro Luis de Carvalho, por terem nas veias o seu sangue. Sangue que é semente dos novos revolucionários na luta por melhores salários, condições de vida e trabalho, ocupando terra e realizando a reforma agrária na Zona da Mata de Pernambuco. Milhões de Palmeiras, de Capivaras, estão nos canaviais e no seio de todo o povo trabalhador, e conduzem a luta por um futuro radiante onde brilhará o sol da liberdade, da justiça e da igualdade, clareando o caminho da construção do socialismo. Amaro Luis de Carvalho foi designado responsável pelo trabalho militar das ligas camponesas coordenando ações em Pernambuco e Goiás. Não freqüentou nenhuma universidade, mas pelo próprio esforço aprendeu a ler e escrever, a ponto de fazer um trabalho sobre a Zona da Mata, intitulado As Quatro Contradições da Zona Canavieira de Pernambuco (Editorial a Luta, 1967), digno de ser assinado por qualquer cientista social. Transcrevemos os trechos em que ele fala do sindicalismo como instrumento de luta e do poder popular que estava sendo construído na região, esperando que sirva para reflexão por parte dos sindicalistas de hoje: ".Os camponeses da zona canavieira de Pernambuco nunca dependeram nem mesmo das diretorias sindicais para decretarem suas greves. Jamais se submeteram à podridão burocrática da Justiça do Trabalho para se declararem em greve. O que entendiam por decisão coletiva não era o formalismo clássico das assembléias sindicais, mas sim o apoio recíproco dos camponeses". "Milhares e centenas de milhares de camponeses de toda a zona canavieira procuravam nas cidade interioranas filiar-se aos sindicatos. As cidades do interior de toda a região açucareira eram sacudidas pela avalanche humana à procura da nova organização, à procura de seus direitos". "As autoridades constituídas, para os camponeses, não tinham nenhum valor. As delegacias de polícias foram abjuradas. Todas as questões eram levadas ao sindicato, tamanho era o respeito que tinham pela organização. Todo poder emanava do sindicato". ====================================================================================== + Detalhes. [PDF] O sindicalismo rural em Pernambuco e o Golpe de 64 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Mata, e sua principal liderança no campo era Amaro Luís de Carvalho, ..... mortos, como foi o caso de Amaro Luís de Carvalho, assassinado na prisão em 1971 ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110605/621c5de4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7156 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110605/621c5de4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110605/621c5de4/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 5 13:50:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 5 Jun 2011 13:50:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_MEU_CREDO=2E_____Bel=EDssimo_po?= =?iso-8859-1?q?ema_do_amigo_e_camarada_portugues_Jos=E9-Augusto_de?= =?iso-8859-1?q?_Carvalho=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Belíssimo poema do amigo e camarada portugues José-Augusto de Carvalho. O meu credo Dórdio Gomes (pintor alentejano) Creio em mim, peregrino na Vida, nesta espera de um céu, mas na terra, e na força do grão que germina concebendo o milagre do pão que ceifei, debulhei e moí e depois amassei com as lágrimas em que afogo a revolta do servo. Cada dia que nasce cá vou eu descendo aos infernos onde os servos extraem o pão que empaturra os senhores. Creio ainda no sol do amanhã, na certeza de mim, no homem livre, na justiça dos homens, no clamor da Verdade sobre a Terra. Assim seja! * José-Augusto de Carvalho 2 de Junho de 2001. Viana * Évora * Portugal -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110605/8cedd774/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 33416 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110605/8cedd774/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 6 19:58:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 6 Jun 2011 19:58:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?O_lim=E3o_cura_e_previne_muitas_?= =?windows-1252?q?doen=E7as=2C_n=E3o_tem_contra-indica=E7=E3o=2C_?= =?windows-1252?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2Ell__________________________?= =?windows-1252?q?_HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIM?= =?windows-1252?q?ENTA=C7=C3O=2E?= Message-ID: <727AE87B4B3A48CE8606962E0920B1D1@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Carta O Berro..........................................................repassem O limão cura e previne muitas doenças, não tem contra-indicação, é usado de diversas formas: compressas, sucos, sumos, chás, produtos de beleza e de limpeza transformando-o em um fruto versátil e numa panacéia universal. Foi em 1617 que o médico inglês John Wodall comprovou a eficiência do limão na profilaxia e cura do escorbuto, embora tenha sido usado com este fim em épocas mais remotas na História Antiga, nas Cruzadas e na tripulação de Vasco da Gama quando viajava ao Cabo da Boa Esperança, em 1489. Já na década de 1700, o médico James Lind recomendava aos marinheiros britânicos o uso do suco de limão e foi assim que desapareceu completamente o escorbuto da marinha britânica. O professor Euler, da Suécia, descobriu no limão uma nova vitamina para curar a pneumonia que lhe valeu o Prêmio Nobel da Química, em 1934. O Dr. Alberto Seabra diz que nenhuma fruta tem valor medicinal igual ao do limão. Já Dr. Luiz G. Cabrera afirma que o limão tem sido recomendado para combater numerosos estados patológicos. É diurético e pode ser usado para nefrite com sucesso, especialmente nas formas de hidropisia. Ele diz que para o fígado produz também bons resultados. Outros cientistas realizaram profundos estudos sobre o poder curativo do limão como: Kemplerer, Trambusti, Desplatz, Labbé, Lusting e Pende da Universidade de Roma, uma das maiores autoridades do mundo em endocrinologia que diz ser o limão eficaz no tratamento do artritismo, gota, reumatismo, arteriosclerose e no envelhecimento. Hoje, outros estudos garantem que o ácido cítrico, contido no limão, desempenha um importante papel químico no metabolismo orgânico, isto porque ele oxigena o sangue, alcaliniza, combatendo assim os radicais livres, que são os ácidos nocivos que vão se acumulando no sangue, impregnando os órgãos e tecidos, desenvolvendo as doenças. Esta acidez é proveniente das toxinas do corpo, isto é, da sujeira que criamos devido a pensamentos transviados, emoções mal resolvidas, alimentação errada, etc.. A acidez do sangue é a grande vilã da saúde; reverter o quadro, alcalinizando este sangue vai evitar doenças simples como uma gripe e degenerativas como o câncer. Além de acidificar, estas toxinas aumentam a temperatura do sangue, conseqüentemente dos órgãos, dificultando a atuação da energia vital que é uma força que estimula as defesas do nosso corpo e ainda compromete o metabolismo que é o conjunto de reações químicas do nosso organismo. O limão vai ajudar a destruir substâncias morbosas, atuando como detergente, desinfetando, dissolvendo as impurezas e limpando o sangue, fazendo um equilíbrio do PH. Com isso, vírus, micróbios e bactérias não mais se instalam porque não há temperatura nem ?meio ambiente? apropriado para eles. Assim todas as doenças podem ser eliminadas pelos órgãos excretores como a pele, o intestino, os rins e pulmão. Este é o motivo da grande necessidade de observar como estão estes órgãos quando se pensa em fazer alguma cura no corpo. A concentração de ácido ascórbico contido no limão é muito grande e este é constituinte ativo da vitamina C (79mg/100ml). Nele encontramos ainda outras substâncias como o ferro, magnésio, sódio, enxofre, silício, pectina, fósforo, iodo, (que vai fazer um equilíbrio glandular e orgânico perfeito) manganês, sódio, potássio, água fisiológica, cálcio e vitaminas A, B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B5 (niacina), K e P. Ainda contém o ácido cítrico e não corrói o estômago como muitos pensam, ao contrário, destrói o excesso de ácido existente no estômago com seu ácido vegetal assim como o málico, o tartárico, o oxálico etc., que também são extremamente benéficos ao organismo, porque embora sejam ácidos, no organismo tornam-se alcalinos e vão contribuir para a regeneração das células e tecidos. É por isso que o limão serve para quase todas as disfunções do organismo. É uma química excelente para a saúde na qual é impossível sintetizar perfeitamente porque nos laboratórios não se põe vida, nem força magnética, vitalizadora que provem da terra, do oxigênio e dos raios solares. Sabemos que existem diversos tipos de limão, o mais usado é o galego, que pode até estar verde, porém qualquer um deles serve desde que não esteja maduro demais (amolecido), nem machucado, mas que se saiba a procedência. O limão é um anticéptico natural porque mata os germes e micróbios, cicatriza feridas, regulariza a pressão arterial e a menstruação. Ajuda na cura do tifo, sarampo, anginas, diarréia, excelente para pancadas, acalma o sistema nervoso, dissolve gorduras, pode curar peritonite, urticária, sarna, difteria, gases intestinais, combate a sede e falta de secreção das glândulas salivares e do estômago. Usa-se ainda para gripes em geral. Em 1918, no Rio de Janeiro, durante a epidemia da GRIPE ESPANHOLA, que matou mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo, o limão foi reconhecido utilíssimo para suavizar a terrível moléstia, chegando a custar preços absurdos. Bom para acne, varizes, frieira, colite, corrimento, útero, ovário, alergias, cálculos renais e biliares, hemorragias e infecções. Elimina o excesso de água (inchaço). Ajuda a deixar de fumar, espanta pernilongos e carrapatos. O LIMÃO PARA EMAGRECER E DESINTOXICAR Usar o suco de limão (sem água) em jejum durante 20 dias da seguinte maneira: No primeiro dia usar o suco de um limão. Segundo dia, dois limões, e assim sucessivamente até completar dez limões quando estiver no décimo dia. Depois vai decrescendo, isto é, no décimo primeiro dia usa-se o suco de nove limões até chegar outra vez em um limão no vigésimo dia. Durante o processo é recomendado comer bastante verduras, legumes e frutas pelo fato de conter grande quantidade de fibras e celulose que vão ajudar o bom funcionamento do intestino e das células. Eles irão estimular os movimentos peristálticos combatendo assim a prisão de ventre. O efeito tanto para emagrecimento como para a desintoxicação pode ser mais rápido se começado na LUA NOVA. Tabela usual da dieta do limão 1º dia usa-se o suco de 1 limão 2º dia usa-se o suco de 2 limões 3º dia usa-se o suco de 3 limões 4º dia usa-se o suco de 4 limões 5º dia usa-se o suco de 5 limões 6º dia usa-se o suco de 6 limões 7º dia usa-se o suco de 7 limões 8º dia usa-se o suco de 8 limões 9º dia usa-se o suco de 9 limões 10º dia usa-se o suco de 10 limões 11º dia usa-se o suco de 9 limões 12º dia usa-se o suco de 8 limões 13º dia usa-se o suco de 7 limões 14º dia usa-se o suco de 6 limões 15º dia usa-se o suco de 5 limões 16º dia usa-se o suco de 4 limões 17º dia usa-se o suco de 3 limões 18º dia usa-se o suco de 2 limões 19º dia usa-se o suco de 1 limão Gostaria de enfatizar mais uma vez que desintoxicação é a limpeza do sangue, conseqüentemente do órgão, tecido e todo o corpo e é este processo que vai expulsar qualquer doença através dos órgãos excretores. Durante o processo pode haver reações no corpo como: urticária, placas vermelhas e até mesmo um furúnculo. Não se assuste, é sinal de que o corpo está eliminando as impurezas. Quatro meses depois de ter feito a desintoxicação, deverá repetir o tratamento, se for confortável, pode aumentar a quantidade conforme tabela abaixo: 1º dia usa-se o suco de 2 limões 2º dia usa-se o suco de 4 limões 3º dia usa-se o suco de 6 limões 4º dia usa-se o suco de 8 limões 5º dia usa-se o suco de 10 limões 6º dia usa-se o suco de 12 limões 7º dia usa-se o suco de 14 limões 8º dia usa-se o suco de 16 limões 9º dia usa-se o suco de 18 limões 10º dia usa-se o suco de 20 limões 11º dia usa-se o suco de 18 limões 12º dia usa-se o suco de 16 limões 13º dia usa-se o suco de 14 limões 14º dia usa-se o suco de 12 limões 15º dia usa-se o suco de 10 limões 16º dia usa-se o suco de 8 limões 17º dia usa-se o suco de 6 limões 18º dia usa-se o suco de 4 limões 19º dia usa-se o suco de 2 limões 20º dia usa-se o suco de 2 limões Ao ingerir, se sentir que a quantidade é muito grande para tomar de uma só vez pode-se dividir esta quantidade em duas, três ou até mais vezes, porém sempre longe das refeições, isto para não interferir no suco gástrico, conseqüentemente na digestão. O limão não só é bom para obesidade, como para magreza excessiva, que também é causada por disfunções glandulares. OUTROS BENEFÍCIOS DO LIMÃO FEBRE ? À noite, picar dois limões com casca, acrescentar meio copo de água. Deixar ferver durante cerca de onze minutos, coar e deixar descansar a noite inteira. No outro dia beber em jejum. VÔMITOS ? Ferir com a unha a casca do limão inteiro e cheirar. Este procedimento é excelente para quem costuma enjoar nas viagens de carro ou barco, experimente. Cheirar o limão cortado também tem efeito positivo. NEFRITE: Compressas nos rins com suco de limão fazem urinar rapidamente. CONJUNTIVITE: Diluir uma colher de sobremesa do sumo de limão em meio copo de água. Coar no algodão e pingar algumas gotas em cada olho. HEMORRÓIDAS ? Comprar na farmácia uma pêra de borracha (a menor de todas) encher com suco de limão e introduzir no ânus. Fazer durante 3 dias, se sentir ardor, fazer banho de assento gelado imediatamente (vide artigo: como fazer banho de assento?). O limão juntamente com outros procedimentos ainda pode curar acidez do estômago se usado adequadamente, retirando dores, azias, arrotos, flatulência, etc.. Elimina o ácido úrico, acne, afonia, anorexia, bronquite, brotoeja, bursite, câimbras, cálculos em geral e herpes. Absorve e acumula radiações solares que ajudam a combater focos de invasão bacteriana ou viral. Muito usado quando houver grandes esforços físicos porque a falta da vitamina C ocasiona uma diminuição na capacidade de rendimento. Usado com sucesso na gravidez, lactação, diabetes, convalescença, doenças infecciosas etc.. Você sabia que: - Ao ingerir o limão, para potencializar o efeito do ferro e do cálcio, expondo-se ao sol o efeito será maior porque absorve a vitamina D? - Se deixar o limão alguns minutos na água quente ele soltará mais sumo? - A casca do limão dá um efeito especial a sucos e bolos? - A vitamina C evapora rapidamente se entrar em contato com o ar, por isso devemos tomar o suco do limão imediatamente após espremer e nunca bater no liquidificador? - O melhor é espremer a mão? - O limão estanca o sangue e cicatriza feridas rapidamente? - Esfregar o limão no couro cabeludo combate a caspa e substitui o xampu? - O limão descongestiona as glândulas endócrinas e os vasos sanguíneos? - O limão é ideal para limpezas intestinais (clister) por atuar como adstringente, detergente, além de equilibrar o PH? - O limão e não o leite é excelente para úlceras estomacais se usado corretamente? - Substitui desodorante e sabonete com a vantagem de não tirar a oleosidade natural da pele? - O uso do limão diariamente pode evitar não só o raquitismo e escorbuto, mas hemorragias, cansaço, propensão para catarro nas vias respiratórias e intestinais e muitas outras doenças? CUIDADOS ESPECIAIS COM O LIMÃO - Se usar o limão na pele, olhos, cabelo ou couro cabeludo não vá para o sol porque ele provoca queimaduras. - Nunca misture limão com amido (arroz, pão, trigo de quibe, etc) porque este necessita da ptialina para fazer uma boa digestão e o limão a inibe. - A mistura do tomate com limão transforma-se no ácido acético que é uma substância tóxica. - As sementes do limão são amargas ligeiramente tóxicos. - Na culinária, nunca substituir o limão pelo vinagre que contém ácidos nocivos para a saúde. O LIMÃO NA BELEZA E COMO ANTIBIÓTICO O limão é usado desde a antiguidade como máscara de beleza porque amacia e clareia a pele, eliminando as manchas, tira o excesso de oleosidade e pode até eliminar as rugas. Se esfregar uma vez por semana sobre o corpo, ativa a pele e o sangue dos vasos e veias próximas à pele agindo como oxidante, desinfetante e embelezador. O LIMÃO PARA CALVICE Misturar suco de limão, cebola ralada, alho bem macerado e azeite de oliva, friccionar no couro cabeludo com bastante vigor para ativar a circulação. Cobrir com uma toalha e pela manhã lavar com água corrente. LIMÃO COMO ANTIBIÓTICO Colher o limão, deixar no sol por 3 horas e depois cortar em pedaços pequenos, tirando as sementes, mas deixar a casca. Liquidificar bastante com 1 copo americano (250ml) de mel de abelhas. Deixar na geladeira até 2 dias. Dose: 2 a 3 colheres de sobremesa três a quatro vezes por dia. BIBLIOGRAFIA: Mis Observaciones clinicas sobre el limon, el ajo y la cebolla ? N. Capo Editora Kier Buenos Aires. A cura popular pela comida - Dr.Flávio Rotman ? Editora Record A cura e a saúde pelos alimentos ? Dr.Ernest Schneider ? Editora Casa. Suzete é Naturopata, Iridóloga e Instrutora dos Exercícios Visuais. Autora do livro: Cuide de Seus Olhos Contato: suzete at saudeintegral.com Sites: www.saudeintegral.com, www.iridologiasp.com.br e www.metodobates.com.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110606/7c12d083/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 6 19:58:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 6 Jun 2011 19:58:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__JOS=C9_GOMES_TEIXEIRA_________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CLVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ GOMES TEIXEIRA (1941-1971) Filiação: Maria Gomes Conceição e Antônio Gomes Teixeira Data e local de nascimento: 30/09/1941, Maceió (AL) Organização política ou atividade: MR-8 Data e local da morte: 23/06/1971, Rio de Janeiro (RJ) Militante do MR-8, ex-marítimo e funcionário da Prefeitura de Duque de Caxias (RJ), José Gomes Teixeira, foi preso em 11/06/1971 por agentes do CISA e levado à Base Aérea do Galeão, onde foi torturado e visto pelo cunhado Rubens Luiz da Silva. Morreu no dia 23/06/1971, pouco antes de completar 30 anos. Era casado com Zeni Bento Teixeira, com quem teve cinco filhos. Não foi possível reunir mais informações sobre sua biografia e atividades políticas anteriores. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar registram que Carlos Lamarca, antes de ser deslocado para a Bahia, ficou abrigado em vários "aparelhos" no Rio de Janeiro, inclusive na residência de José Gomes Teixeira. Em nota oficial no próprio dia 23/06/1971, os órgãos de segurança informaram a morte de José, mais uma vez por suicídio. Os legistas Olympio Pereira da Silva e Ivan Nogueira Bastos, determinaram como causa mortis asfixia mecânica. A certidão de óbito teve como declarante José Severino Teixeira e, apesar de constar o nome verdadeiro e endereço completo, José Gomes foi enterrado como indigente no cemitério de Ricardo de Albuquerque, no Rio de Janeiro (RJ). Em 15/06/1976, seus restos mortais foram transferidos para o ossuário geral e, em 1980/1981, foram para a vala clandestina do mesmo cemitério. Laudo e fotos de perícia de local do Instituto Carlos Éboli mostram José Gomes enforcado em um lençol, no interior da cela no Depósito de Presos do Galeão, e conclui que os elementos encontrados, como ausência de sinais de luta, a presença de suportes utilizados na suspensão, o meio utilizado para se construir o instrumento e ausência de indícios de ação criminosa, levaram os signatários a admitir ter ocorrido auto-eliminação, por enforcamento. Independente de se firmar convicção sobre a falsidade ou veracidade dessas reiteradas versões de morte por suicídio, a CEMDP aprovou o requerimento do caso por unanimidade. Conforme o voto do relator, "os autos estão instruídos com prova de que o falecido era militante político e do reconhecimento oficial de sua morte por suicídio, quando se encontrava preso em estabelecimento de segurança. Esses são fatores suficientes para que se reconheça a morte como ocorrida nos termos da Lei, devendo o pleito para localizar o corpo aguardar exame no momento oportuno". ============================================================================================================== + Informações. JOSÉ GOMES TEIXEIRA Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Casado, teve cinco filhos. Ex-marítimo e funcionário da Prefeitura de Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro. Foi preso em 11 de junho de 1971, pelo CISA, onde foi torturado e visto pelo seu cunhado, Rubens Luiz da Silva, em 15 de junho, quando, ainda preso, foi levado à sua casa. Morto aos 30 anos de idade no Rio de Janeiro, em 23 de junho de 1971, às 8:00 horas, no Depósito de Presos da Base Aérea do Galeão. Deu entrada no IML com a Guia n° 109, da 37ª D.P. O exame necroscópico foi assinado pelos Drs. Olympio Pereira da Silva e Ivan Nogueira Bastos que confirmam a falsa versão da repressão de suicídio por enforcamento. A Certidão de óbito de n° 739 teve como declarante José Severino Teixeira e, apesar de nome e endereço completos, José Gomes foi enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque (RJ), em 23 de junho de 1971, na cova 21.112, quadra 16. Em 15 de julho de 1976, seus restos mortais foram transferidos para o ossário geral e, em 1980/1981, foram para a vala clandestina descoberta em Ricardo de Albuquerque. Foram encontrados laudo (Ocorrência n° 461/71) e fotos de perícia de local (ICE n° 3.156/71) no Instituto Carlos Éboli/RJ que mostram José enforcado em um lençol em sua cela. No arquivo do DOPS/RJ, consta o documento do CISA de n° 407, de 02 de julho de 1971, com um longo depoimento de José, logo após sua prisão. Em nota oficial dos órgãos de segurança datada de 23 de junho de 1971, é informada a morte de José Gomes por suicídio. Segundo o boletim de março de 1974 da "Amnesty International", José Gomes Teixeira foi morto sob torturas. =================================================================================== + Detalhes. José Gomes Teixeira Início dos anos 60. A sociedade engatinhava para um processo de amadurecimento. Pipocavam movimentos de construção: mobilizações através de sindicatos rurais e urbanos, Centros Populares de Cultura, método Paulo Freire de Educação, Cinema Novo. Respostas brasileiras. Mas o sonho foi trans-ferido. Atropelado. Veio a repressão, a dificuldade de se organizar, o pesadelo, as perseguições. O AI-5 e as torturas. José Gomes Teixeira viveu tudo isso. Militante do movimento Sindical desde o início de 1960 era funcionário do Loyd Brasileiro e da Prefeitura de Duque de Caxias. Morador da baixada fluminense após o golpe militar de 64, não consegue nem fundar a Associação de Moradores local, apesar de tanta ajuda que dera na melhoria do bairro. Ele passa a ser perseguido pelos militares. Decidiu então entrar para o Var-Palmares para continuar a luta de resistência à ditadura. Foi preso em 11 de junho de 1971 ao receber no banco o seu INPS. Resistiu às torturas sem revelar o local de sua moradia, pois vivia num subúrbio da Leopoldina, clandestinamente, com outros companheiros, entre eles Carlos Lamarca e Iara Iavelberg. Permitiu assim, que eles continuassem por mais um tempo a sua luta. Deixou mulher e seis filhos menores. Após as bárbaras torturas a que foi submetido, ocasionando-lhe a morte, seus algozes, não satisfeitos, tiraram-lhe o que lhe restava: seu nome, sua identidade, sua cidadania. Foi enterrado como indigente - "um homem desconhecido" - no Cemitério de Ricardo de Albuquerque. Só pesquisas recentes nos levaram a conhecer a forma utilizada pelo terror do Estado para "desaparecer" com as pessoas. Ao premiarmos com a Medalha Chico Mendes de Resistência a José Gomes Teixeira, pós-mortem, simbolicamente estamos homenageando a tantos Josés e Marias, que continuam desaparecidos e resgatando a história que tantos querem esquecer. GTNM ============================================================================================== + Detalhes. Memorial homenageia alagoanos mortos durante a ditadura militar 29/11/2010 11:14 - Portal Brasil Será inaugurado nesta segunda-feira (29), em Maceió (AL), o "Memorial Pessoas Imprescindíveis", em homenagem aos alagoanos mortos na luta contra a ditadura que dominou o Brasil durante 21 anos. São eles: Odijas Carvalho de Souza, José Dalmo Guimarães Lins, José Gomes Teixeira, Luiz Almeida Araújo, Gastone Lúcia de Carvaho Beltrão, Manoel Lisboa de Moura, Túlio Roberto Cardoso, Jayme Amorim de Miranda e Manoel Fiel Filho. A artista plástica Cristina Pozobon criou a escultura para o memorial instalada na praça da Paz, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Também será aberta a exposição "Direito à Memória e à Verdade - A Ditadura no Brasil 1964 - 1985". Concebida originalmente para comemorar os 27 anos da promulgação da Lei da Anistia no Brasil, a exposição foi aberta ao público pela primeira vez, em agosto de 2006. A mostra fotográfica foi instalada em mais de 50 cidades no Brasil, alcançando um público superior a dois milhões e meio de pessoas. A mostra esteve, ainda, em Buenos Aires, na Argentina, e na Universidade de Coimbra, em Portugal. O projeto Direito à Memória e à Verdade recupera uma passagem histórica vital para a consciência crítica do povo brasileiro, por meio da realização de exposições fotográficas e seminários, além da instalação de memoriais. No Brasil, a radiografia dos atingidos pela repressão política ainda está longe de ser concluída, mas sabe-se que pelo menos 50 mil pessoas foram presas somente nos primeiros meses da ditadura militar, cerca de 20 mil brasileiros passaram por sessões de tortura e 356 cidadãos morreram ou desapareceram, conforme levantamento da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos da Secretaria de Direitos Humanos. Além disso, existem 7.367 acusados e 10.034 atingidos na fase de inquérito em 707 processos judiciais por crime contra a segurança nacional. Isso sem falar nas milhares de prisões políticas não registradas, nas quatro condenações à pena de morte, nos 130 banidos, 4.862 cassados, nas levas de exilados e nas centenas de camponeses assassinados. Com a publicação do livro Direito à Memória e à Verdade em dezembro de 2007, foi dado início a esse projeto de resgate histórico, desenvolvido em parceria com a Fundação Luterana de Diaconia com o apoio da Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (Alice). Fonte: http://www.sedh.gov.br/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110606/99a6a323/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4854 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110606/99a6a323/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 7 20:44:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 7 Jun 2011 20:44:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_MANOEL_ALEIXO_DA_SILVA_=28_VENTANIA=29?= =?iso-8859-1?q?___________________________________-CLVIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Manoel Aleixo da Silva (Ventania) Herói do PCR http://pcrbrasil.org/manoel-aleixo/ Manoel Aleixo nasceu no dia 04 de junho de 1931, no engenho Cova da Onça, em São Lourenço da Mata (PE), cidade cercada por canaviais e grandes usinas, como São José e Tiúma (desativada). Seus pais, João Aleixo da Silva e Maria Sabino da Silva, eram negros e foram alcançados pela escravidão quando meninos. Nosso herói, ainda criança, foi também levado ao duro trabalho de tirar contas no eito, de sol a sol, e de domingo a domingo, nos períodos da moagem, para ter direito a comida e ao tosco vestuário em tudo semelhante ao dos escravos da senzala. Ele não teve tempo nem o direito de freqüentar a escola, que, nos anos 1930, era privilégio de poucos. Mas cresceu ouvindo atentamente as histórias dos homens valentes desta terra que muito o emocionavam, principalmente a história do Quilombo dos Palmares, que ergueu uma república de homens livres com território determinado, por quase um século. Em 1955, já com 24 anos, acompanhou com interesse o ressurgimento das Ligas Camponesas no Engenho Galiléia, no município de Vitória de Santo Antão, sob a liderança de Zezé da Galiléia. Manoel Aleixo entusiasmou-se com aquela enorme passeata de camponeses pobres e assalariados agrícolas, que teve a participação de Francisco Julião e Clodomir Morais, da Assembléia Legislativa ao Palácio do Governo, no Recife, na qual arrancaram o decreto de desapropriação do Engenho Galiléia. Daí em diante, passou a lutar pela organização de novas ligas em outros municípios, até ver explodirem ligas camponesas por todo o Nordeste, Centro e Sul do país. Conheceu praticamente todos os engenhos de Pernambuco e Alagoas. "Reforma agrária na lei ou na marra" e "Terra ara quem nela trabalha" eram as palavras-de-ordem que lhe causavam maior emoção. Do outro lado, recrudesciam a repressão, as milícias privadas e o uso da polícia militar pelos senhores de engenho e usineiros para fazer despejos, sacrificar animais domésticos, arrancar as lavouras de subsistência e assassinar líderes camponeses. Latifundiários e usineiros como Agnaldo Veloso Borges (Itambé), Júlio Maranhão (Usina Caxangá) e José Lopes de Siqueira (Usina Estreliana) tinham prazer em amarrar trabalhadores rebelados no tronco e lambuzá-los de mel e sal para serem lambidos por seus bois mansos até ficarem em carne viva. Foi a partir daí que Manoel Aleixo descobriu que somente pertencer às ligas e politizar o coco-de-roda e suas emboladas de denúncias e esperança não era suficiente. No final de agosto de 1963, os sindicatos e as ligas de São Lourenço, Moreno e Jaboatão, sob a sua influência e a de Amaro Luiz de Carvalho (Palmeira, Capivara), sentindo que a confrontação se aproximava, convocaram, de forma unitária, grandes assembléias para responder à onda de assassinatos como os de João Pedro Teixeira, das Ligas da Paraíba, e Geremias, ativista comunista de Itambé (PE), e prisões como a de Júlio Santana, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Formoso (PE). As assembléias aprovaram por unanimidade as seguintes deliberações: a cada militante morto, um ajuste de contas com o assassino ou seus mandantes e "agora será olho por olho, dente por dente". Vibrante agitação tomou conta daquela massa que "parecia uma densa floresta humana". Golpe, repressão e luta clandestina Em 1º de abril de 1964, os usineiros, latifundiários, a alta burguesia e seus mandos militares fascistas se consorciaram com os monopólios imperialistas dos Estados Unidos para acabar com aqueles que ameaçavam seus imensos lucros, eliminar as lideranças revolucionárias e a organização crescente dos operários, especialmente dos 400 mil assalariados agrícolas da Zona Canavieira de Pernambuco. Como num pesadelo, milhares de operários das usinas e camponeses pobres dos engenhos do estado amanheceram nas delegacias e quartéis transformados em presídios. Para não ser capturado e morto, Manoel Aleixo, ligeiro como um vento forte, já com 34 anos, separa-se da família, dos amigos, de tudo, e passa a viver nos mais distantes engenhos. Aos poucos, vai recomeçar tudo de novo, com 10, 20 trabalhadores, politizando o conteúdo das letras do coco-de-roda, de emboladas nos terreiros e alpendres das casas mais afastadas das usinas, sempre nos domingos, feriados e noites de lua. Apesar da resistência clandestina da Comissão Política das ligas, os assassinatos, as prisões das lideranças e o exílio de Francisco Julião, Clodomir Moraes e Djaci Magalhães levaram o movimento a mergulhar no descenso. O encontro com o PCR Logo no início de 1967, um ano após a fundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR), Manoel Aleixo reencontra, ocasionalmente, na cidade de Barreiros (PE), o mais procurado e mais experiente agitador e organizador comunista de toda a zona canavieira - Amaro Luiz de Carvalho -, que já havia integrado a Comissão do Trabalho Militar das Ligas Camponesas e feito cursos de formação política e militar em Cuba e na China. Amaro, tomado de incontida alegria, retoma a conversação com Aleixo, interrompida pelo Golpe Militar de 1964. Passam em revista os nomes dos companheiros desaparecidos, assassinados, presos, a desmobilização e dispersão das massas. Amaro, apoiado nos seus estudos e nos documentos do Partido, argumentou que as ligas camponesas e os quilombos foram tão importantes que só têm paralelo na história com os quilombos do Haiti e as ligas camponesas da Alemanha, que sustentaram uma longa guerra contra o pagamento do foro da terra e do dízimo aos senhores feudais e à Igreja. Porém são incapazes de impedir o golpe contra-revolucionário das classes dominantes. Para vencer os golpistas, faltou-nos um partido comunista revolucionário, reconhecido pelas massas, com capacidade de direção política para conduzi-las tanto na ofensiva armada para tomar o poder de Estado dos inimigos de classe, quanto no recuo organizado, quando necessário. Este partido terá de funcionar com a disciplina de um Estado-Maior da nossa classe, um partido guiado pelas idéias e experiências revolucionárias de Marx, Engels, Lênin e Stálin; este partido é o Partido Comunista Revolucionário (PCR), e te convido a militar nele a partir de hoje, conclamou Palmeira. Com brilho nos olhos, Manoel Aleixo, emocionado, respondeu: "Quero ser militante do PCR até a vitória ou morte. Já tenho uma lista de companheiros para serem recrutados para o Partido". Preparando militantes de têmpera revolucionária Nesse ínterim, Manoel já havia se transformado numa respeitável liderança do poderoso Sindicato de Barreiros e tinha influência em Água Preta e Joaquim Nabuco. Aí começa o seu primeiro batismo de fogo. Com o nome de guerra Ventania, Amaro quis expressar a força de vontade e a rapidez com que Manoel se dedicava ao trabalho profissional de construção do Partido, retirando-se, aos poucos, do papel de líder de massas para atuar mais no aparelho clandestino do Partido no campo. Para lá iam somente aqueles que mais se destacavam na luta, revelavam características de futuro militante para receber cursos de formação política e ingressar no PCR. Passou a trabalhar em estreito contato com Amaro e Manoel Lisboa, constituindo-se, assim, em pouco tempo, um coletivo dirigente desta frente, onde teve destacado papel de direção juntamente com o companheiro Amaro Félix Pereira (Procópio), ex-líder sindical de Barreiros que comprovou também a sua extrema dedicação e fidelidade ao Partido com um ano de prisão na Casa de Detenção do Recife (1971), para, depois de conseguir sua liberdade, ser seqüestrado. Como Ventania nada revelou sobre o Partido, torturaram-no até a morte e o enterraram clandestinamente. Só recentemente conseguimos, com o esforço dos seus filhos, obter o devido reconhecimento da Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça. Izabel Simplício, sua esposa, declarou, ainda, em documento entregue à referida comissão, que "apoiava a luta e que agora espera justiça para que nunca mais aconteça outro final de agosto tão triste como aquele de 1973?. O Estado acabou por reconhecer seu crime praticado contra Manoel Aleixo (Ventania), mas falta reconhecer as circunstâncias, identificar e punir severamente os responsáveis por tão bárbaro crime. Manoel é preso e, por nada informar, é torturado e recolhido durante todo o ano de 1970 na Casa de Detenção do Recife. Quando conquistou a liberdade, pouco a pouco, com muito cuidado, retomou suas atividades revolucionárias, clandestinamente, mas com muito mais disposição do que antes, pois sabia que teria de enfrentar grandes dificuldades com a repressão e, especialmente, com o desenvolvimento do seu trabalho - agora sem o Sítio Borboleta e sem a sábia companhia de Palmeira, que continuava preso e torturado, ora no Recife, ora no Dops, em São Paulo. O frio e covarde assassinato do camarada Amaro Luiz de Carvalho na própria Casa de Detenção do Recife, no dia 22 de agosto de 1971, não o apavorou. Ventania rapidamente procura recompor o trabalho e também a sua vida pessoal, casando-se com a companheira Izabel na cidade de Joaquim Nabuco (PE). E para que todo o seu tempo fosse dedicado ao crescimento do Partido, procurou convencer sua esposa de que "ter filhos só depois de haver justiça no campo". Certa vez, no fim de uma reunião, um camarada perguntou-lhe o porquê de tanta pressa em tudo que fazia. Em cima da bucha, ele respondeu: "Agora eu tenho de recrutar por dois, por mim e pelo companheiro Capivara, que continua preso". Paixão e morte! O ano de 1973 foi de cerco aos comunistas revolucionários. Seqüestraram Manoel Aleixo e o assassinaram sob as mais selvagens torturas; a lancinante dor foi dilacerando seu corpo e sua alma até morrer, sem que uma só informação fosse dada a seus torturadores. Como provamos esta fé suprema no Partido? Havia um ponto marcado com o companheiro Valmir, da direção do Partido, no interior da igreja da cidade de Ribeirão, no dia 06 de setembro, às 10 horas. A direção do Partido decidiu que a cobertura do ponto fosse feita por mim, e, na hora exata, lá compareci e ele não estava nem tampouco a polícia. A repressão não conseguiu pôr suas mãos sujas no Partido por seu intermédio. O DOI-Codi do então IV Exército, o torturador Sérgio Paranhos Fleury, diretor do Dops-SP, o torturador Moacir Sales de Araújo, diretor do Dops-PE, o delegado José Oliveira Silvestre e o torturador Luís Miranda, agente da Polícia Civil, foram os responsáveis diretos por todas as sevícias, pelo assassinato e pela desavergonhada mentira veiculada nos grandes jornais da burguesia no dia 8 de setembro, de que Ventania teria morrido no dia 29 de agosto ao resistir à voz de prisão e travar um tiroteio com agentes da segurança na cidade de Ribeirão. Desavergonhada mentira porque não houve qualquer tiroteio em Ribeirão no dia 29 de agosto, pois não há qualquer registro no livro de ocorrências da única delegacia da cidade. Mais: se a morte aconteceu no dia 29 de agosto, por que o Diario de Pernambuco e o Jornal do Commercio divulgaram a notícia só no dia 08 de setembro, nove dias depois? E por que seu corpo não foi entregue à sua família, a quem de direito cabe realizar o devido sepultamento? Na verdade, Manoel foi seqüestrado da sua própria casa, em Joaquim Nabuco, na madrugada do dia 29 de agosto, fato testemunhado por Izabel Simplício da Conceição, sua companheira, conduzido numa Veraneio do Exército até a sede do comando do IV Exército, no Parque 13 de Maio, e assassinado provavelmente junto com Manoel Lisboa e Emmanuel Bezerra. Certamente temendo o impacto da divulgação do assassinato de três grandes revolucionários num só dia, 04 de setembro, e também para dificultar o esclarecimento do seu hediondo crime, decidiram divulgar em dois dias diferentes, locais falsos e circunstâncias totalmente mentirosas, apesar de bem urdidas. Nos braços da História Agora, 34 anos depois, podemos afirmar com Castro Alves: "Quem cai na luta com glória, tomba nos braços da história e no coração do Brasil!". Foi com base na sua profunda opção pelo PCR, como instrumento da libertação revolucionária dos explorados e oprimidos, que Manoel Aleixo construiu a sua inquebrantável coerência. Por isso, ele encontrou força e tranqüilidade suficientes para praticar também no cárcere do inimigo, com estoicismo, a sua orientação: não dar nenhuma informação sobre o Partido ao inimigo de classe - e, de fato, para um revolucionário, a traição é pior do que a morte. Coube ao Partido realizar um rigoroso levantamento (cerca de um ano e três meses) de todas as informações, entre 40 companheiros nossos detidos naquelas dependências do Exército) para oficialmente poder informar toda a verdade sobre o comportamento de cada companheiro. Sobre Ventania, assim se expressou a direção do PCR: "Na sala de torturas, comportou-se como um autêntico herói nascido do povo; diante das torturas mais atrozes, cerrou os dentes, nada falou aos sádicos policiais. Morreu como herói do povo, um combatente do Partido, digno e firme como uma rocha". (Editorial do jornal A Luta, nº 18, dezembro de 1974). Camarada Manoel Aleixo, você conquistou, com a sua elevada honra comunista, um justo lugar no pantheon dos heróis da História e da Dignidade. ============================================================================================= + Informações. MANOEL ALEIXO DA SILVA Militante do PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO (PCR). Era líder camponês do sertão pernambucano. Foi preso e barbaramente torturado até a morte, ocorrida no dia 29 de agosto de 1973, na cidade de Ribeirão, no interior de Pernambuco. O RELATÓRIO DO MINISTÉRIO DA AERONÁUTICA DIZ QUE ELE "FOI MORTO EM TIROTEIO COM A POLÍCIA NO INTERIOR DE PERNAMBUCO (RIBEIRÃO/PE) EM 29 DE AGOSTO DE 1973. NA OCASIÃO DE SUA MORTE UTILIZAVA DOCUMENTO FALSO EM NOME DE ANTÔNIO DOS SANTOS OLIVEIRA. =============================================================================== + Informações. Manoel Aleixo da Silva, o Ventania O camponês Manoel Aleixo da Silva, nascido em 1931 em São Lourenço da Mata (PE), militante das Ligas Camponesas e, posteriormente, do Partido Comunista Revolucionário (PCR), foi morto pelos órgãos de repressão em 29 de agosto de 1973, em Ribeirão (PE). Seu apelido, "Ventania", teria sido dado pelos companheiros de militância em função da rapidez com que cumpria suas tarefas. A execução de Ventania deu-se no contexto de uma ofensiva dos órgãos de segurança pública em Recife e em outras cidades da região, no final de julho de 1973, contra o Partido Comunista Revolucionário (PCR) - organização nascida entre 1966 e 1967 como dissidência do Partido Comunista do Brasil (PC do B), cuja atuação se limitou aos estados do Nordeste. Dos fundadores do partido, o líder camponês Amaro Luís de Carvalho, o Capivara, tinha sido assassinado em 1971, e Manoel Lisboa de Moura foi um dos três mortos numa operação comandada pelo conhecido torturador do DOPS/SP Sergio Paranhos Fleury. Informações levantadas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) dão conta que Manoel Lisboa e Emmanuel Bezerra foram presos em Recife no dia 16 de agosto, enquanto Manoel Aleixo foi capturado no dia 29 do mesmo mês. Apontado como o responsável pelo trabalho rural do PCR, Manoel Aleixo foi preso em sua casa, entre Ribeirão e Joaquim Nabuco, na Zona da Mata de Pernambuco. A viúva, Isabel Simplícia da Conceição, relatou à CEMDP: Sequestrado em sua casa na zona da mata, militante do PCR foi morto na periferia de Ribeirão Estava em minha casa, deitada em nosso quarto, quando alguns homens, dizendo ser amigos de Ventania, o convidaram para descer o morro e foram em direção a um carro. Ainda ouvi quando um deles disse: "Vista a camisa, Ventania, e vamos descer, passa aí na frente". O carro estava escondido embaixo de uma árvore, e da janela eu vi eles entrando. Era um carro grande e verde, mais escuro do que a cana. Deu para ver o carro sim, a casa ficava num alto e dava para ver os homens de costas. Eles estavam vestidos de roupas simples, só que um tinha botas de soldado. Foi tudo muito rápido, botaram Manoel no carro e saíram logo, e eu nunca mais soube dele vivo. (...) Os companheiros me disseram que, alguns dias depois, saiu no jornal que aconteceu uns tiros em Ribeirão e que Ventania tinha morrido. Na conversa, soube que os tiros tinham sido trocados com um sargento do Exército. Achei estranho, pois ele não andava armado. Foi quando comecei a colocar as coisas na minha cabeça. Tudo estava muito estranho e me lembrei que o carro verde parecia uma veraneio do Exército. Era muito verde, era diferente do verde da cana. Manoel já tinha sido preso outras vezes, em 69, quando fazia dois anos que a gente tinha casado. Mas só queria ter filhos depois que tudo passasse, só quando muitos camponeses tivessem suas terras. Queria justiça no campo. Acho que o mataram porque ele era das Ligas Camponesas. No inquérito instaurado pelo DOPS/PE, consta a versão de que Manoel, ao receber voz de prisão, reagiu fazendo disparos de arma de fogo, o que teria resultado na sua morte. O policial Jorge Francisco Inácio prestou a informação que o relator do processo do CEMDP detectou como inverossímil e contraditória, de que prendeu Ventania acompanhado de outro agente desarmado: "Severino estava desarmado, porque era a pessoa encarregada de abordar o elemento para fazer o seu reconhecimento...". "Seria possível que, obedecendo ao pedido de busca do IV Exército, o DOPS enviaria para a detenção de um ex-preso político, que o IV Exército dizia ter treinamento de guerrilha, um agente desarmado?", questionou o relator da Comissão. O depoimento de Epitácio Ferreira pôs por terra a versão de tiroteio: Conheci Ventania, camponês, militante ativista das Ligas Camponesas de Pernambuco (...). No dia em que Manoel foi preso, cruzei com ele, com vários homens dentro de um carro grande, que acho ser do Exército, num local próximo de Ribeirão, indo para Recife. O veículo estava parado e eu ia a pé, quando percebi as pessoas dentro do carro e Ventania dentro dele fazendo sinal para que eu passasse direto. Entendi que estava acontecendo algo anormal e fiz que não estava vendo nada. Foi quando eu peguei uma condução e fui para Joaquim Nabuco. Chegando lá, fui até a casa de Manoel, e a mulher dele, Isabel, disse que uns homens o haviam levado de carro. No dia seguinte, Manoel foi assassinado com vários tiros. A notícia saiu no jornal como um tiroteio em Ribeirão, mas ele não andava armado e jamais havia participado de tiroteio. Foi quando comecei a pensar e percebi que ele havia sido torturado até a morte. Com a abertura dos arquivos do DOPS/PE, soube-se que Ventania foi preso, levado para Recife e, no dia seguinte, para a periferia de Ribeirão, onde foi morto ou deixado morto com um único tiro nas costas, disparado por Jorge Francisco Inácio, um agente da repressão política. A morte foi tratada pelo delegado do DOPS em Recife como estrito cumprimento do dever legal. =========================================================================== + Detalhes. Tiroteios de fantasia Manoel Aleixo da Silva (1931 - 1973) Manoel Lisboa de Moura (21/2/1944 - 4/9/1973) Emmanuel Bezerra dos Santos (17/6/1943 - 4/9/1973) Carta-denúncia, anônima, divulgada em 1º de setembro de 1973: Há algum tempo, desde os fins do corrente ano, Recife, a 'cidade das revoluções libertárias', encontra-se sob terror de bandos armados cuja missão é sequestrar pessoas indefesas, torturá-las e ameaçá-las de morte. ??? ?R? Segue-se o relato de vários casos de pessoas sequestradas em locais públicos, entre eles o de "Manuel Lisboa de Moura, estudante de Medicina em Alagoas, até 1964" São oito vidas em perigo entre tantas outras que não tomamos conhecimento e que também estão ameaçadas. Podemos salvá-las na medida em que a divulgação da denúncia que fazemos dificultar qualquer plano dos carrascos no sentido de apresentá-los depois como "terroristas assassinados quando planejavam ação de terror contra o governo" ou "quando tentavam reagir à bala ao cerco policial". Todos eles foram presos sem reação armada. Se forem assassinados, o serão friamente e a responsabilidade será das autoridades militares, dos generais e coronéis fascistas, que acobertam, apóiam e estimulam bandos facínoras, semelhantes à SS e à Gestapo de Hitler, especializadas em sequestros, torturas, violação de domicílios e assassinatos. Diário de Pernambuco, 5 de setembro de 1973: São Paulo - (Meridional - DP) - Durante tiroteio com agentes dos órgãos responsáveis pela segurança interna, morreram, na manhã de ontem, em Moema, nesta Capital, os terroristas Manoel Lisboa de Moura e Emmanuel Bezerra dos Santos, que fizeram parte do atentado ao marechal Arthur da Costa e Silva, então Presidente da República, em 1966, no Recife. Parecer do general Oswaldo Gomes, na Comissão Especial, 18 de março de 1966: A versão oficial da morte em tiroteio de um elemento, já preso, que é levado ao encontro de outro e desse tiroteio não há notícia de ferimento em nenhum elemento da Segurança, não convence o relator como não convenceu no caso de Manoel Lisboa de Moura. Sou de parecer que o representante deve ser atendido e que a Comissão considere que Emmanuel Bezerra dos Santos faleceu por causas não-naturais, preso em dependência policial por motivo de suas atividades políticas, configurando-se a hipótese prevista no art. 4 inciso 1º letra b da Lei 9.140/95, de 4 de setembro de 1995. Os mortos do PCR Entre 29 de agosto e 4 de setembro de 1973, três dos principais dirigentes do Partido Comunista Revolucionário (PCR) foram presos, torturados e mortos pela repressão. A versão oficial foi a mesma: tiroteio com agentes policiais. Manoel Aleixo da Silva, pernambucano de São Lourenço da Mata, líder camponês conhecido como Ventania, morreu aos 42 anos, no município de Ribeirão, em Pernambuco, no dia 29 de agosto de 1973. Manoel Lisboa de Moura, alagoano de Maceió, ex-estudante de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, foi preso no Recife no dia 16 de agosto. No mesmo dia, também no Recife, foi preso Emmanuel Bezerra dos Santos, nascido em São Bento do Norte, líder estudantil no Rio Grande do Norte, ex-presidente da Casa do Estudante de Natal. Ambos foram torturados no Dops/PE, transferidos para o Dops/SP, novamente torturados, e morreram em 4 de setembro de 1973, Manoel com 26 anos e Emmanuel com 29 anos. O caso Ventania A circunstância da prisão de Manoel Aleixo da Silva, em Joaquim Nabuco, foram relatadas por sua companheira Isabel Simplício da Conceição, com quem morava há mais de seis anos. Vizinhos e amigos também testemunharam sobre a prisão de Ventania. No início da manhã do dia 29 de agosto, Isabel ouviu Manoel sendo chamado por quatro ou cinco homens para descer o morro e entrar em um carro que estava estacionado embaixo de uma árvore. Ela levantou da cama e viu pela janela um carro grande, verde-cana escuro, no qual Ventania entrou sem oferecer resistência, seguido dos homens, um deles usando botas de soldado. Manoel já tinha sido preso antes, em 1969, quando fazia dois anos que morava com Isabel e dizia que só queria filhos depois que houvesse justiça no campo. Desta vez, porém, Manoel não voltaria mais. Dias depois, companheiros contaram a Isabel que ele tinha morrido trocando tiros em Ribeirão com um sargento do Exército. Ela não acreditou porque Ventania nunca andava armado e não tinha aparecido em casa desde que os homens o levaram. Isabel achava que ele fora morto porque era das Ligas Camponesas. Ela contou que apoiava a luta, e que agora espera justiça - "para que nunca mais aconteça outro final de agosto tão triste como o de 1973". Manoel não deixou filhos. A relatora do caso na Comissão Especial, Suzana Keniger Lisbôa, argumenta em seu parecer: Com a abertura dos arquivos do Dops/PE, pôde-se saber parcialmente a verdade dos fatos, ou seja, que Manoel foi preso em Joaquim Nabuco, levado para Recife e no dia seguinte para a periferia de Ribeirão, onde foi morto ou deixado morto. Foi assassinado com um único tiro nas costas, conforme consta em seu laudo de necropsia, dado por Jorge Francisco Inácio, agente da repressão política, qualificado em seu depoimento ao Dops apenas como funcionário público. Esse assassinato foi tratado pelo delegado do Dops do Recife, dr. José Oliveira Silvestre, com um ato de quem "agiu no estrito cumprimento do dever legal, consoante disciplina e nossa legislação em vigor". E dá o seu voto: Considerando o acima citado exposto, torna-se evidente que Manoel Aleixo da Silva foi preso por agentes dos órgãos de repressão política, torturado até a morte em alguma dependência policial ou assemelhada e levado para Ribeirão, onde foi montado mais um dos macabros teatrinhos de tiroteio destinados a encobrir os assassinatos sob tortura. Infelizmente, esta Comissão Especial não tem poderes para atender à solicitação da viúva de restabelecer as reais circunstâncias da morte de Ventania, sendo entretanto legítima sua solicitação de incluí-lo dentre os beneficiários da Lei 9.140/95. Encontro impossível A versão oficial das mortes de Manoel Lisboa de Moura e Emmanuel Bezerra dos Santos baseia-se no fato de que eles tinham um encontro marcado no dia 4 de setembro de 1973, no largo de Moema, em São Paulo. Emmanuel Bezerra estaria naquele Estado, após ter chegado do exterior, e Manoel Lisboa, preso no Recife, teria dado essa informação à polícia, sendo por isso levado para lá, onde iria encontrá-lo. Na hora marcada, com o Largo de Moema cercado pelos policiais, e Manoel Lisboa à espera, sob vigilância, aconteceu um imprevisto: ao chegar, Emmanuel Bezerra percebeu que tinha sido traído ??? ?R?e atirou em Manoel Lisboa. Os policiais reagiram e ambos foram mortos. O tiroteio resolvia dois problemas para as autoridades: justificava a morte dos dois e os desmoralizava. Além disso, imputava aos dirigentes do PCR o atentado contra o marechal Costa e Silva, ocorrido em 1966, no Aeroporto de Guararapes, no Recife, no qual morreram duas pessoas, e que era de autoria desconhecida. O que derruba a ficção criada pela polícia é o fato de Emmanuel Bezerra ter sido preso no Recife, no dia 16 de agosto, juntamente com Manoel Lisboa. A equipe chefiada pelo policial conhecido como Luiz Miranda, responsável pelas torturas que ambos sofreram no Dops/PE, negociou com o delegado Sérgio Paranhos Fleury a transferência deles para São Paulo. Luiz Miranda escoltou os presos na viagem e participou das sevícias que a equipe de Fleury praticou contra eles até matá-los. Na Comissão Especial, o general Oswaldo Gomes relatou o caso de Emmanuel Bezerra e Eunice Paiva, o de Manoel Lisboa de Moura. O Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964 esclarece o seguinte: Sobre Emmanuel: As fotos do Instituto Médico Legal mostram um corte no lábio inferior produzido pelas torturas, que o médico-legista Harry Shibata afirmou ser fruto de um tiro. Segundo denúncia dos presos políticos, Emmanuel foi morto sob tortura no DOI-Codi/SP, onde o mutilaram, arrancando-lhe os dedos, o umbigo, os testículos e o pênis. Sobre Manoel Lisboa: A requisição do exame necroscópico foi assinada pelo delegado Edsel Magnotti, e o laudo pelos médicos-legistas Harry Shibata e Armando Cânger Rodrigues, que confirmaram a versão oficial. A denúncia de Selma Bandeira Mendes e de vários outros presos políticos, que se encontravam nas dependências do DOI-Codi/SP naquele período, diz que o corpo de Manoel estava coberto de queimaduras, estando, inclusive, quase paralítico. O capitão do Exército Carlos Cavalcante, membro da família de Manoel, tentou resgatar o corpo que, embora tivesse sido enterrado como indigente no Cemitério de Campo Grande/SP, poderia ser exumado, desde que a família se comprometesse a não abrir o caixão, que seria entregue lacrado, ao que a família se recusou, por não poder nem ao menos a certeza de que, no caixão lacrado, estava o corpo de Manoel. Por ocasião do processo de exumação e identificação de Emmanuel Bezerra dos Santos, o mesmo foi feito a Manoel, uma vez que ambos foram mortos e sepultados no mesmo local. Seu irmão não quis receber seus restos mortais, que, então, foram colocados no Ossário Geral do Cemitério de Campo Grande, com a presença de amigos e entidades. Dois meses depois das mortes do PCR, o policial Luiz Miranda "retribuiu" ao delegado Sérgio Fleury o que a repressão de São Paulo fizera pela de Pernambuco, rec??? ?R?ebendo os militares presos da Ação Popular, José Carlos da Mata Machado e Gildo Macedo Lacerda, que foram torturados e mortos no Recife. Há informações nos processos indicando que Manoel Lisboa e Emmanuel Bezerra não participaram do atentado contra o marechal Costa e Silva. Em 1966, Emmanuel Bezerra era estudante e morava em Natal, onde se encontrava no dia da ação. E Manoel Lisboa, na hora do ocorrido, estava trabalhando no escritório da Carne, no Recife velho. Os três casos foram reconhecidos por unanimidade pela Comissão Especial (7 x 0). Projeto Rua Viva Em novembro de 1994, o programa Especial de Cidadania e Direitos Humanos (PECDH) da Prefeitura de Maceió criou o Projeto Rua Viva, inspirando-se em projeto semelhante idealizado em 1993 pelo vereador de Belo Horizonte, Betinho Duarte, e homenageou os mortos e desaparecidos políticos alagoanos, entre eles Manoel Lisboa de Moura, denominando ruas da cidade com seus nomes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110607/e2a7ffbe/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17127 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110607/e2a7ffbe/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 7 20:44:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 7 Jun 2011 20:44:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Manifesto_de_educadores_e_estudan?= =?iso-8859-1?q?tes_contra_a_viol=EAncia_e_a_morte_no_campo_brasile?= =?iso-8859-1?q?iro=2E_N=E3o_ao_novo_C=F3digo_Florestal?= Message-ID: <9EFEF2630204434FAAFE29D2FAAE58E2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 07.06.11 - Brasil Manifesto de educadores e estudantes contra a violência e a morte no campo brasileiro. Não ao novo Código Florestal Várias organizações Adital "Viver é lutar." Gonçalves Dias(1). "Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de civilização. (...) [Hoje] já não é admissível a um general vitorioso mandar fazer inscrições dizendo que construiu uma pirâmide com as cabeças dos inimigos mortos, ou que mandou cobrir as muralhas de Nínive com as suas peles escorchadas. Fazem-se coisas parecidas e até piores, mas elas não constituem motivo de celebração." Antonio Candido(2). Com profunda tristeza e indignação, nós, trabalhadores da educação, estudantes, pesquisadores e pessoas comprometidas com a formação humana emancipadora, justa e igualitária, homens e mulheres que reconhecem e questionam o mundo, considerando o conhecimento produzido pela humanidade em busca de uma ação transformadora no sentido da afirmação da vida, não podemos aceitar em hipótese alguma e tampouco nos calar diante da morte e da barbárie que se manifesta contra os lutadores do povo no campo brasileiro. Os cinco assassinatos ocorridos em sequência nas últimas semanas no Pará e em Rondônia, que evocam aqueles que também morreram por defenderem a vida e a justiça no país, atestam que o inadmissível continua acontecendo no Brasil, e com requintes de crueldade típicos de tempos em que atos bárbaros estavam na esfera da legalidade. Diante dos mortos que tiveram as orelhas decepadas, como assinatura perversa do desmando e do arbítrio ainda latente no interior da sociedade brasileira, aflora o sentimento de indignação e angústia, porque fica evidente o caráter regressivo da vida social que mostra sua face de atraso e desagregação como avesso do progresso civilizatório, apregoado contraditoriamente por setores tradicionalmente retrógados e conservadores da vida nacional desde suas origens: latifundiários e ruralistas, travestidos em empreendedores da modernidade no setor agrário do país que utilizam "a pistolagem como estratégia empresarial" e fazem andar de mãos dadas a alta tecnologia do agronegócio e os métodos mais primitivos e truculentos dos senhores de engenho e coronéis. Entre os cinco mortos, estão pessoas que conheciam profundamente a vida da floresta, assentados que compartilhavam seus conhecimentos e sua produção sustentável com a comunidade universitária, representada pela Universidade Federal do Pará (em especial as ações do Campus Universitário de Marabá e do Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural), com a qual desenvolviam projetos nacionais e internacionais de cooperação científica na construção de alternativas sustentáveis e do combate ao desmatamento na Amazônia. Maria do Espírito Santo da Silva, que se graduou no início de 2011 em Pedagogia do Campo pela UFPA, e o marido, José Cláudio Ribeiro da Silva, eram lideranças importantes do PAE (Projeto Agroextrativista de Praia Alta Piranheira), em Nova Ipixuna, PA, modelo de assentamento sustentável da reforma agrária, adotado pelo INCRA na Amazônia, do qual fazia parte também Herenilton Pereira dos Santos, testemunha da execução do casal em 24 de maio, assassinado no dia 28 do mesmo mês. Adelino Ramos, assassinado em Rondônia no dia 26 de maio, era presidente do Movimento de Camponeses Corumbiara, e uma das lideranças do projeto no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, lutava pela preservação ambiental e pela reforma agrária, e foi um dos sobreviventes do Massacre de Corumbiara, ocorrido em 1995, que resultou na morte de 11 camponeses e 1 criança. Marcos Gomes da Silva foi assassinado no dia 02 de junho e era acampado, juntamente com 20 famílias, em Sapucaia, na região de Eldorado dos Carajás, onde ocorreu, em 1996, o massacre de 19 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra pela polícia do estado. Maria do Espírito Santo da Silva, José Cláudio Ribeiro da Silva e Adelino Ramos sofriam constantes ameaças de morte em razão de sua luta por projetos ambientais e pela reforma agrária, projetos que constituíam um obstáculo significativo ao desmatamento feito pelos madeireiros e latifundiários do Pará, Rondônia e Acre. Essas ameaças se cumpriram exatamente no momento da aprovação do Novo Código Florestal na Câmara dos Deputados em 24 de maio. O novo Código propõe a transferência do controle do desmatamento para estados e municípios; a anistia das multas aplicadas a crimes de degradação ambiental; a retirada da referência à Lei de crimes ambientais (Lei nº 9.605/98); a isenção de manter a reserva legal nos limites da lei em propriedades de até quatro módulos fiscais, o que abre as portas ao desmatamento de 69.245.404 hectares de florestas nativas. A luta desses companheiros, que estava ligada à vocação da pesquisa universitária em favor da vida, não pode ser desvinculada da crítica profunda, responsável e séria ao Novo Código Florestal. Assim, aqui, manifestamos, em nome desses companheiros que já não podem intervir diretamente, nossa discordância veemente em relação à forma do Novo Código Florestal, afim de que seja reformulado no Senado Federal, onde se faça ouvir, dessa vez, não as vaias dos ruralistas à luta e morte dos assentados pela preservação da floresta e pela justa e imperiosa reforma agrária no país, mas a voz daqueles que corajosamente morreram defendendo que um mundo outro deve ser possível, se construído por nós. A verdade dessa luta é mais forte que a imagem deformada e nociva que parte da mídia brasileira passa à sociedade acerca dos que lutam por reforma agrária e preservação ambiental. Esses assassinatos, a despeito de toda sua força e crueldade, fazem reviver a memória de todos aqueles que morreram pela construção da justiça no campo. Como educadores, não podemos deixar de nos posicionar ao lado daqueles que lutam por vida digna, educação e terra, aqueles que morreram, aqueles que sofreram ameaças, humilhações e mutilações, como o professor e graduado em Licenciatura em Educação do Campo da UnB, Paulo César da Costa, que foi ameaçado de morte e teve sua orelha cortada por fazendeiros em 2005, em área sob a jurisdição do INCRA, que hoje constitui o Assentamento Pátria Livre, em Santa Catarina. O crime cometido contra esse egresso da Universidade de Brasília está em julgamento e aguarda decisão judicial em primeira instância ainda este ano. Em nome de nossos estudantes e pesquisadores da Educação do Campo, terminamos este manifesto com as palavras de uma das educandas, hoje graduada da primeira turma do curso de Licenciatura em Educação do Campo da UnB, em parceira com o Instituto Técnico de Pesquisa e Capacitação da Reforma Agrária (ITERRA), Carina Adriana Waskievicz: José Cláudio Ribeiro da Silva "Zé Castanha" Maria do Espírito Santo da Silva Adelino Ramos "Dinho" Herenilton Pereira Marcos Gomes da Silva "Pelos nossos mortos nenhum minuto de silêncio, mas uma vida inteira de luta". De um lado, muitos Josés, Marias, Adelinos, Hereniltons, Marcos, lutando para preservar o que ainda resta das nossas matas, contra o contrabando de madeira, a produção ilegal de carvão, a concentração de terras. São indígenas, quilombolas, pomeranos, Sem Terra, ribeirinhos, pescadores, que muitas vezes precisam expor suas vidas, já que o que defendem não corresponde aos interesses econômicos e hegemônicos do país. Interesses esses que são defendidos pelos ruralistas, pela direita, pelo capital, sujeitos capazes de destruir não só a floresta, mas a vida humana. Choramos quando vemos árvores atrás de árvores sendo derrubadas. Mas é difícil dizer o que sentimos quando pessoas são mortas por defenderem a vida. Atos bárbaros como esse despertam forte indignação. Jamais poderíamos permitir que acontecessem, e jamais podemos achar natural e nos calar. Se contra nossas palavras, nossas denúncias, nossos gritos que reclamam justiça; se contra nossas ações, que, por defenderem a vida, dizem - chega a destruição do planeta - gerada pelo desmatamento, pela poluição, pela destruição das nossas riquezas, e causado pela ambição do homem; se contra tudo isso não há argumentos racionais, eles tentam nos calar roubando a nossa vida. Mas nós somos povo, somos muitos, temos força, continuaremos levantando as nossas bandeiras, e não deixaremos passar em vão a morte de cada trabalhador e de cada trabalhadora que lutar contra esse sistema que nos maltrata de tantas formas, de todas as formas possíveis. Não ficaremos em silêncio, nossa vida é luta. ASSINATURAS: 1.Ana Laura dos Reis Corrêa (professora - UnB) 2.Bernard Herman Hess (professor - UnB) 3.Rafael Litvin Villas Bôas (professor - UnB) 4. João Batista Pereira de Queiroz (Professor - UnB) 5. Wanessa de Castro (Professora - SEEDF - UnB) 6.Jair Reck (Prof. LEDOC- NESCUBA- UnB) 7. Cynara Caroline Kern Barreto (Professora - UnB) 8.Luis Antonio Pasquetti (professor - UnB) 9. Mônica Castagna Molina (professora - UnB) 10.Lais Mourao Sa (professora - UnB) 11. Márcio José Brum ( Professor voluntário- LEDOC) 12. Juarez Martins Rodrigues (Prof. LEDOC- NESCUBA- UnB) Notas: (1) "Canção do Tamoio". (2) "O direito à literatura". In: Vários escritos. São Paulo/Rio de Janeiro: Duas Cidades/Ouro sobre Azul, 2008, p.170-171. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110607/a0e17ab4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 7 20:44:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 7 Jun 2011 20:44:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Mais Um filme sobre a farsa do 11 de setembro Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Sergio Caldieri Mais um filme sobre a farsa do 11/9 clique http://youtu.be/6pSmdxixjFo -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110607/3f1c45fe/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2235 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110607/3f1c45fe/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 8 20:06:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 8 Jun 2011 20:06:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_ANT=D4NIO_S=C9RGIO_DE_MATTOS__e__EDUARD?= =?iso-8859-1?q?O_ANTONIO_DA_FONSECA__e__MANUEL_JOS=C9_NUNES_MENDES?= =?iso-8859-1?q?_DE_ABREU________-CLIX-?= Message-ID: <6E90D316C9124BCEACDB0FB1B1C637BF@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ANTÔNIO SÉRGIO DE MATTOS (1948-1971) Filiação: Maria de Lourdes Pereira de Mattos e Armando Mattos Data e local de nascimento: 18/02/1948, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 23/09/1971, São Paulo (SP) EDUARDO ANTONIO DA FONSECA (1947-1971) Filiação: Lucinda Miquelina Braga e Joaquim da Fonseca Júnior Data e local de nascimento: 23/02/1947, Belo Horizonte (MG) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 23/09/1971, São Paulo (SP) MANUEL JOSÉ NUNES MENDES DE ABREU (1949-1971) Filiação: Dulce Souza Mendes de Abreu e José Pereira de Abreu Data e local de nascimento: 01/01/1949, Rossio do Sul (Portugal) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 23/09/1971, São Paulo (SP) No dia 23/09/1971, quatro militantes da ALN caíram em uma emboscada montada pelos órgãos de segurança na rua João Moura, em frente ao número 2358, bairro do Sumarezinho, na capital paulista. Ana Maria Nacinovic Corrêa era a única mulher do grupo e conseguiu escapar e sobreviver, descrevendo os acontecimentos aos seus companheiros, antes de ser também executada no ano seguinte. Da ação, resultaram mortos Antonio Sérgio de Matos, Manuel José Nunes Mendes de Abreu e Eduardo Antônio da Fonseca. A versão oficial foi de que os três militantes morreram no local, ao tentar assaltar um jipe do Exército. Conhecedores da tática que vinha sendo utilizada recentemente pelos grupos de guerrilha urbana em São Paulo, que consistia em improvisar ações armadas, alterando a prática anterior de sempre realizar levantamentos prévios, os órgãos repressivos também inovaram em seu padrão. Prepararam uma emboscada naquele endereço, colocando como isca um jipe do Exército que aparentava problemas mecânicos, com um ou dois soldados à volta, portando ostensivamente fuzis-metralhadoras, tipo de arma que era alvo de grande interesse das organizações armadas. Utilizando caminhão-baú de uma conhecida empresa jornalística, vários agentes do DOI-CODI aguardaram em posição de tocaia. Ao tentar subtrair as armas, dando ordem de rendição aos soldados, o grupo da ALN foi surpreendido pelos agentes de segurança entrincheirados, que abriram fogo, fuzilando os membros do comando guerrilheiro. Antonio Sérgio estudava Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro quando iniciou sua militância política no Movimento Armado Revolucionário - MAR. Fazia parte da Associação de Auxílio aos Reclusos, que prestava assistência aos presos políticos. Em 1969, tinha colaborado para a fuga de nove presos políticos da Penitenciária Lemos Brito, já mencionada neste livro-relatório, pelo que foi obrigado a viver na clandestinidade. No final de 1970 passou a atuar em São Paulo, tornando-se dirigente regional da ALN. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar o incluem como um dos participantes da execução do industrial Henning Albert Boilesen, dirigente do grupo Ultra e financiador da Operação Bandeirante. Eduardo ainda era secundarista em 1968, em Belo Horizonte, quando se ligou a um pequeno agrupamento de esquerda denominado PSRB - Partido Socialista da Revolução Brasileira. Em 1969, esse grupo se desfez e Eduardo se filiou à Corrente/MG, que em seguida se incorporaria à ALN. Ao final do mesmo ano, com a prisão de ativistas da Corrente, teve de passar à militância clandestina e mudou-se para São Paulo, participando de inúmeras ações armadas da ALN, conforme registros dos órgãos de segurança. Manuel José, nascido em Portugal, foi estudante da Escola Politécnica da USP, onde despertou para atividades do Movimento Estudantil e rapidamente passou à militância política clandestina. Nos documentos reunidos pela CEMDP não foi possível localizar mais dados biográficos desse estudante de Engenharia, nem dos outros dois militantes mortos na mesma data. Os processos referentes aos três casos foram analisados em conjunto na Comissão Especial. Houve muitas controvérsias e intensos debates, com voto inicial de indeferimento e mais de um pedido de vistas. Apesar de terem ocorrido três mortes violentas, causou muita estranheza a integrantes daquele colegiado não ter sido realizada nenhuma perícia de local. As requisições de exame ao IML foram assinadas pelo delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho e os laudos necroscópicos pelos legistas Isaac Abramovitc e Antonio Valentini, conhecidos campeões de laudos que, invariavelmente, buscaram legitimar as versões farsantes divulgadas pelos órgãos de segurança. Contradições e indícios de execução após terem sido feridos foram detectados nos próprios documentos oficiais. Antônio Sérgio e Manuel teriam sido encontrados mortos às 16h, enquanto Eduardo teria sido encontrado às 15h. Os corpos dos três deram entrada no IML às 18h40, apesar de o local da emboscada ser muito próximo à sede do IML paulista. No laudo de Antônio Sérgio, os legistas relatam dois ferimentos à bala, no pescoço e traquéia, e descrevem ferimentos não causados por arma de fogo, feitos por instrumento não identificado, mas que leva a supor que tenham sido feitos com proximidade física do agressor. Indício eloqüente de tortura ou espancamento. O laudo de Eduardo apresentava dois tiros na região glútea e dois nas pernas, capazes de imobilizá-lo, mas jamais de provocar a morte imediata. O corpo de Manuel apresentava orifício de entrada de projétil de arma de fogo na face dorsal da mão direita, característico de reação de defesa para disparo à curta distância. E ainda um orifício de entrada de projétil na altura do omoplata esquerdo, com saída na face anterior do hemitorax esquerdo após fraturar a clavícula e os segundo e terceiro arcos anteriores esquerdos - tiro dado de cima para baixo e, pela descrição da trajetória, poder-se-ia deduzir que disparado quando a vítima estava dominada e de joelhos. Escoriações nos dois joelhos e no nariz foram anotadas pelos legistas. As fotos dos corpos mostraram equimoses e edemas não descritos. A de Antônio Sérgio exibia apenas o rosto, com o tórax encoberto e um objeto junto ao pescoço, que se assemelha a um gancho. A de Manuel José mostrava evidentes sinais de tortura, sendo que nenhum dos tiros que recebeu seria fatal. Como e onde morreram, não foi possível determinar pelos documentos apresentados. Os processos foram relatados em conjunto, mas as discussões e votações se deram em separado. O relator votou pela aprovação do processo de Antônio Sérgio e Eduardo Antonio. O de Manuel José havia sido protocolado fora do prazo, o que impedia o deferimento, por ser intempestivo, apesar de que, no mérito, preenchia os critérios exigidos pela lei para aprovação. Houve pedido de vistas aos processos por Luís Francisco Carvalho Filho e, posteriormente, pelo general Oswaldo Pereira Gomes. Nilmário Miranda e Luís Francisco destacaram que as lesões sofridas e descritas nos laudos cadavéricos não indicavam que o óbito dos três militantes tinha sido imediato. Mesmo tendo ocorrido o tiroteio alegado, havia fortes indícios de que um ou dois deles não morreram no local, permanecendo vivos em poder dos agentes públicos até a morte. Não foi essa, entretanto, a opinião da maioria dos integrantes da CEMDP. Somente o processo de Eduardo Antonio da Fonseca foi aprovado nessa primeira fase, registrando-se voto contrário do general Osvaldo Pereira Gomes. Os outros dois casos foram reapresentados posteriormente, obtendo deferimento em 2004. ==================================================================================================================== + Informações. MANOEL JOSÉ MENDES NUNES DE ABREU Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 01 de janeiro de 1949, em Rossio do Sul - Tejo - Portugal, filho de José Pereira de Abreu e Dulce Souza Mendes Abreu. Estudante da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Aos 22 anos, foi fuzilado na emboscada montada no dia 23 de setembro de 1971, pelo DOI/CODI-SP, que vitimou também Antônio Sérgio de Matos e Eduardo Antônio da Fonseca. Os detalhes da emboscada estão na nota referente a Antônio Sérgio de Matos. O exame necroscópico, solicitado pelo Delegado Alcides Cintra Bueno é assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Antônio Valentini. ======================================================================================= + Informações. ANTÔNIO SÉRGIO DE MATOS Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 18 de fevereiro de 1948, no Rio de Janeiro, filho de Armando Mattos e Maria de Lourdes Pereira Mattos. Em 1969, quando cursava Direito na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ), Antônio Sérgio iniciou sua militância política no MAR. Fez parte da Associação de Auxílio aos Reclusos (AURES) que dava, à época, assistência aos presos políticos do Presídio Lemos de Brito. Em agosto de 1969, ajudou na fuga de 9 presos políticos da Lemos de Brito, o que lhe forçou a entrada na clandestinidade. Passou, então, a militar na ALN e até fins de 1970 permaneceu na cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, deslocou-se para São Paulo, como dirigente regional da ALN. Juntamente com Manuel José Mendes Nunes de Abreu e Eduardo Antônio da Fonseca, Antônio Sérgio foi emboscado na Rua João Moura, na altura do n° 2358, no bairro de Sumarezinho, São Paulo, e fuzilado no dia 23 de setembro de 1971. Da emboscada, conseguiu escapar Ana Maria Nacinovic Corrêa (assassinada em 14 de junho de 1972). Os quatro, ao iniciar o tiroteio, nem ao menos tiveram chance de resistir, conforme denúncia de Ana Maria a seus companheiros antes de morrer, o que mostra claramente que a intenção dos policiais era o assassinato e não a prisão. Assinam o laudo de necrópsia solicitado pelo Delegado Alcides Cintra Bueno os médicos legistas Isaac Abramovitch e Antônio Valentini. Foi enterrado no Cemitério de Perus, como indigente. Em 1975, sua família conseguiu retirar seus restos mortais e trasladá-los para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado no sítio de seus pais, em Macaé (RJ). Os relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica, mantêm a versão policial, dada em 1971, de que Antônio teria sido metralhado durante um assalto a um jeep do Exército. =================================================================================================== + Informações. EDUARDO ANTÔNIO DA FONSECA Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em Belo Horizonte, no dia 23 de fevereiro de 1947, filho de Joaquim Fonseca Júnior e de Lucinda Miquelina Braga. lniciou sua militância no movimento estudantil muito jovem. Era secundarista em 1968, quando se ligou ao Partido Socialista Revolucionário Brasileiro (PSRB). Em 1969, este grupo se desfez e alguns militantes, entre eles, Eduardo Antônio da Fonseca filiaram-se à CORRENTE. No final daquele ano, com a queda da maioria dos ativistas da CORRENTE, Eduardo foi, clandestinamente, para São Paulo onde passou a militar na ALN. Foi fuzilado, aos 24 anos, numa emboscada montada pelo DOI/CODI-SP, no dia 23 de setembro de 1971. Mais informações constam na nota sobre Antônio Sérgio Matos. Eduardo Antônio da Fonseca foi sepultado pela família no Cemitério São Pedro, no dia 30 de outubro de 1971. Segundo o relatório do Ministério da Aeronáutica, "faleceu no dia 23 de setembro de 1971, no Bairro de Pinheiros, em São Paulo, ao reagir, a tiros, à ordem de prisão dada por policiais." Já o Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto por agentes dos órgãos de segurança quando, juntamente com outros elementos fortemente armados de metralhadoras, atacaram uma viatura militar do II Exército que se encontrava estacionada à Rua João Moura, no Bairro do Sumarezinho, São Paulo" ===================================================================================== + Detalhes. Antônio Sérgio de Matos Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 18 de fevereiro de 1948, no Rio de Janeiro, filho de Armando Mattos e Maria de Lourdes Pereira Mattos. Em 1969, quando cursava Direito na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ), Antônio Sérgio iniciou sua militância política no MAR. Fez parte da Associação de Auxílio aos Reclusos (AURES) que dava, à época, assistência aos presos políticos do Presídio Lemos de Brito. Em agosto de 1969, ajudou na fuga de 9 presos políticos da Lemos de Brito, o que lhe forçou a entrada na clandestinidade. Passou, então, a militar na ALN e até fins de 1970 permaneceu na cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, deslocou-se para São Paulo, como dirigente regional da ALN. Juntamente com Manuel José Mendes Nunes de Abreu e Eduardo Antônio da Fonseca, Antônio Sérgio foi emboscado na Rua João Moura, na altura do n° 2358, no bairro de Sumarezinho, São Paulo, e fuzilado no dia 23 de setembro de 1971. Da emboscada, conseguiu escapar Ana Maria Nacinovic Corrêa (assassinada em 14 de junho de 1972). Os quatro, ao iniciar o tiroteio, nem ao menos tiveram chance de resistir, conforme denúncia de Ana Maria a seus companheiros antes de morrer, o que mostra claramente que a intenção dos policiais era o assassinato e não a prisão. Assinam o laudo de necrópsia solicitado pelo Delegado Alcides Cintra Bueno os médicos legistas Isaac Abramovitch e Antônio Valentini. Foi enterrado no Cemitério de Perus, como indigente. Em 1975, sua família conseguiu retirar seus restos mortais e trasladá-los para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado no sítio de seus pais, em Macaé (RJ). Os relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica, mantêm a versão policial, dada em 1971, de que Antônio teria sido metralhado durante um assalto a um jeep do Exército. ANTONIO SÉRGIO DE MATTOS Em 26 de agosto de 2004, a Comissão Especial da Lei 9140/95 reconheceu a responsabilidade da União no seu assassinato Processos nºs. 083/02 e 0233/96 RELATÓRIO Requerimento: O requerimento é apresentado pela irmã, Márcia de Mattos Prata, tendo a mãe, Maria de Lourdes Pereira Mattos, falecido aos 82 anos, em fevereiro deste ano, sem obter a Justiça que almejava no reconhecimento do Estado pela morte do filho. Reproduzo, em sua homenagem, a carta que enviou em 25 de janeiro de 1996: "(...) Um depoimento de uma mãe sincera, que nunca soube odiar a mão assassina que tirou a vida de um jovem que era orgulho dos pais que o queriam muito, por ser ele um exemplo de filho, de aluno, de amigo sincero. O curso primário ele cursou na Escola Pública Manoel da Nóbrega, foi durante os quatro anos que freqüentou o primeiro aluno da escola, no ginasial também foi bom aluno. Aos quatorze anos de idade foi trabalhar durante o dia e fazia o segundo grau à noite. Quando foi para a faculdade, foi um dos primeiros colocados, continuou trabalhando durante o dia e estudando à noite. É tudo que posso te contar, pois a vida política dele nós ignoramos por completo, até o dia, ou melhor, a madrugada, que minha casa foi invadida por oficiais armados procurando por ele, e daí em diante sabíamos pelos jornais e televisão de tudo que o acusavam. Levamos cinco anos esperando que ele chegasse, e quando fomos ao IML de São Paulo, lá descobri que ele estava sepultado como indigente fazia quatro anos no cemitério de Perus. Sei que sou Mãe de um Herói, mas não era isto que eu queria, um Herói Morto, assassinado por um brasileiro como ele, que talvez quisesse também um Brasil melhor. Rogo a Deus, como boa católica, praticante que sou, que justiça seja feita (...)." Apresentado quando da Lei 9.140/95, o processo foi indeferido por 4 votos contra 3. Ao voto de indeferimento apresentado pelo General Osvaldo Pereira Gomes, houve pedido de vistas do hoje Ministro Nilmário Miranda, que o examinou juntamente aos casos de Manuel José Mendes de Abreu e Eduardo Antonio da Fonseca, assassinados na mesma data e juntos, de acordo à versão oficial. Antes do julgamento, somou-se, ainda, pedido de vistas de Luis Francisco Carvalho Filho. Militância Política e fatos: Antonio Sérgio de Mattos foi dirigente da Ação Libertadora Nacional - ALN. Filho de Armando Mattos e Maria de Lourdes Pereira Mattos, nasceu em 18 de fevereiro de 1948, no Rio de Janeiro. Em 1969, quando cursava Direito na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ), Antônio Sérgio iniciou sua militância política no Movimento Armado Revolucionário (MAR). Fez parte da Associação de Auxílio aos Reclusos (AURES) que dava, à época, assistência aos presos políticos do Presídio Lemos de Brito. Em agosto de 1969, ajudou na fuga de 9 presos políticos da Lemos de Brito, o que lhe forçou a entrada na clandestinidade. Passou, então, a militar na ALN e até fins de 1970 permaneceu na cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, deslocou-se para São Paulo, como dirigente regional da ALN. Foi assassinado junto com Manuel José e Eduardo Antônio em emboscada montada pelos órgãos repressivos na Rua João Moura, na altura do n. 2358, no bairro de Sumarezinho, São Paulo, no dia 23 de setembro de 1971. Conhecedores da atuação dos grupos guerrilheiros, os órgãos repressivos colocaram uma viatura do Exército que aparentava estar com problemas e soldados displicentemente portando metralhadoras. Cerca do jipe, um caminhão da Folha de São Paulo, tipo baú, onde ficaram escondidos os agentes do DOI-CODI. Da emboscada, conseguiu escapar Ana Maria Nacinovic Corrêa (assassinada em 14 de junho de 1972) que relatou aos companheiros ter o tiroteio iniciado assim que se aproximaram da viatura e que nem ao menos tiveram chance de resistir, o que mostra claramente que a intenção dos policiais era o assassinato e não a prisão. Foi enterrado no Cemitério de Perus, como indigente. Em 1975, sua família conseguiu retirar seus restos mortais e trasladá-los para o sítio dos pais, em Macaé, Rio de Janeiro. Os relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica, mantêm a versão policial, dada em 1971, de que Antônio Sérgio teria sido metralhado durante assalto a um jipe do Exército. O nome de Antonio Sérgio consta do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, informando sua morte nas circunstâncias acima. Os poucos documentos encontrados, entretanto, são suficientes para demonstrar a tibieza da versão oficial e colocá-la sob forte suspeita. A versão consta da requisição de exame necroscópico dos três guerrilheiros: "(...) No dia supra ao tentar (...) assaltar um jeep do Exército que se encontrava estacionado na rua João Moura, foi ferido no transcorrer do tiroteio que se travou, vindo a falecer em conseqüência dos ferimentos recebidos (...)" A requisição de exame, marcada com um "T" em vermelho, para identificá-lo como terrorista e atender às determinações para a confecção de laudos falsos, assim como a de Manoel José, consta que os corpos foram localizados às 16 hs, e a de Eduardo Antonio tem o horário de 15 hs. Todos entraram no IML às 18.40 - três a quatro horas depois da suposta morte, para um deslocamento que poderia ser feito em minutos, tal a proximidade da Rua João Moura com o IML. Não foi localizada perícia de local. Se não foram encaminhados a um hospital e se tampouco o retardo foi para que fosse feita a perícia de local, o que justifica a demora? Os exames de necropsia, assinados pela dupla campeã de assinatura a laudos falsos Isaac Abramovitc e Antonio Valentini, são omissos e sucintos. O de Antonio Sérgio, feito em meia página, descreve: Causa da morte: anemia aguda traumática, e detalha: "(...) dois ferimentos lácero-contusos na face anterior e lateral direita do pescoço, interessando até a traquéia; ferimento de entrada de projétil de arma de fogo na face lateral do terço superior da perna direita: fratura óssea cominutiva e saída pela face medial na mesma altura; ferimento de entrada na face lateral direita do tórax na altura do quinto espaço intercostal que fraturou o sexto arco costal anterior direito, provocou ferimento lacerante no fígado e hemoperitoneo de cerca de mil mililitros e teve seu orifícios de saída na região lombar direita; Ferimento contuso de três centímetros de diâmetro na panturrilha esquerda. (...)." Somente dois ferimentos produzidos por bala. E os outros? Queda alguma produziria ferimentos nessas regiões. A única foto encontrada nos arquivos da repressão mostra apenas o rosto, com o tórax encoberto, e junto ao pescoço um objeto que não se identifica, e que se assemelha a um gancho (seria?). Apresenta equimoses na região nasal e orbitais, que poderiam ter sido originadas de contusão na base do crânio, não relatada. Há também outras duas equimoses ao lado direito, na região mentoniana e no pescoço, que não são as referidas no laudo que atingem até a traquéia, pois são vistas bem delimitadas na região lateral direita. Na face interna do lábio, à esquerda, há ferimento e edema não descritos. Não há como se afastar a hipótese de tortura! Os ferimentos foram provocados com Antonio Sérgio ainda vivo. Em seu voto pelo indeferimento dos três casos, tão suscito quanto os laudos, o General Osvaldo Pereira Gomes afirma que o exame das fotos não traz nenhuma indicação de que teriam sido torturados e diz que os laudos de necropsia são coerentes com o tipo de ação que ocorreu. Afirma que a versão oficial é correta, dizendo que o tempo dentre o horário da morte e a entrada no IML é razoável num quadro de guerrilha urbana e particularmente em São Paulo. Esqueceu o General que se tratava de uma emboscada cuidadosamente preparada e a poucos minutos do IML - nada justifica a demora. Ao voto do hoje Ministro Nilmário Miranda, que pediu vistas ao processo, novo pedido de vistas, do Dr. Luiz Francisco Carvalho Filho, que ao examinar detalhadamente o caso constatou que: "(...) a natureza dos ferimentos, a inexplicável demora na chegada dos corpos ao IML, a característica da ocorrência imputada às vítimas - tentativa de assalto a um jipe do Exército -, aliada à certeza de que, em diversos outros casos, militantes feridos foram conduzidos a estabelecimento militares e não a hospital para o devido atendimento médico evidenciam que pode, de fato, ter ocorrido um tiroteio entre os agentes e os militantes. Contudo, há fortes indícios de que eles, ou um ou dois deles, permaneceram vivos em poder de agentes do poder público por um lapso de tempo razoável até que se verificasse o óbito (...)" Examinando-se os documentos recuperados pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, a constatação dos fatos é imediata. A foto de Manoel José mostra evidentes sinais de tortura, e o laudo descreve ferimento na mão, típico de reação de defesa e como único ferimento à bala, um que entra na omoplata esquerda e sai pelo hemitorax esquerdo, trajetória esta que pode induzir posição de joelhos para ter sido alvejado. Dentre os outros ferimentos, nenhum considerado fatal. O que, então, teria causado a morte? Eduardo Antonio, o único caso aprovado com seis votos pela Comissão, contrário apenas do General Osvaldo Pereira Gomes, tampouco tem ferimento que possa ter causado a morte: são dois tiros na região glútea e um na perna! Do que teria morrido Eduardo Antonio? A versão oficial, portanto, não se sustenta. Antonio Sérgio de Mattos e Manoel José foram assassinados nas mesmas circunstâncias obscuras de Eduardo Antonio. Teriam sido torturados ainda depois de feridos, ou levados para algum local sem qualquer atendimento médico, para serem interrogados e morrerem aos pouquinhos, ou ainda sob torturas? A crueldade dos órgãos repressivos e sua deliberada intenção de assassinar os combatentes da luta armada é por demais conhecida. Os três guerrilheiros foram vítimas de uma emboscada, e como realmente foram mortos ainda não foi possível saber. Assim não entendeu a Comissão no julgamento proferido em 1997, mas a morte de Antonio Sérgio Mattos não está esclarecida, sendo esta emboscada um refinamento dos "teatros" macabros montados pelos órgãos de segurança da ditadura militar nos quais encenavam "tiroteios", "atropelamentos" e "suicídios" para encobrir assassinatos sob torturas e execuções sumárias, como foi possível comprovar em 130 casos aprovados e citados no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Como em grande parte dos casos aprovados, a morte dos três guerrilheiros apresenta vários elementos que recorrentemente foram apontados: 1. contradição nas datas, horários e locais das supostas ocorrências; 2. assinatura de legistas comprometidos com a ocultação das torturas e empenhados elaboração de laudos falsos; 3. desaparecimento de documentos comprobatórios da morte e das ocorrências; 4. lesões, equimoses e ferimentos visíveis e não descritos nos laudos; A dificuldade de obter a documentação necessária para provar definitiva e irrefutavelmente as circunstâncias da morte de Antonio Sérgio pelos órgãos de repressão revela a persistência, passados mais de 30 anos, dos interesses em manter na sombra as cruéis formas de ação da ditadura militar. Mantemos nosso voto de inclusão do nome de Antonio Sérgio de Mattos dentre os preceitos da Lei 9.140/95 e, tendo em vista a ampliação dos critérios na Lei 10.875/04, não há mais questionamentos possíveis. Voto pela inclusão do nome de Antonio Sérgio de Mattos dentre as vítimas fatais da ditadura militar, por entender que esta é uma reparação moral indispensável para resgatar tanto a sua memória, quanto a dignidade nacional. Reconhecer a responsabilidade do Estado no seu assassinato é um ato do presente voltado para o futuro, representando o mais vivo repúdio à violência, ilegalidades e torturas praticadas pelo Estado durante a vigência da ditadura militar. Nesta semana em que se comemoram os 25 anos da anistia parcial e restrita da ditadura militar, a nossa homenagem a Antonio Sérgio, guerrilheiro assassinado na luta pela liberdade. Reafirmamos, em nome dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, nosso compromisso de prosseguir na luta pelo resgate da Verdade e por Justiça, pelo restabelecimento das reais circunstâncias do seu assassinato e pela punição dos responsáveis. Venceremos! Suzana Keniger Lisbôa Relatora Comissão Especial - Lei 10.875/04 Em 26 de agosto de 2004. ======================================================================================= + Detalhes. Homenagem a Antônio Sérgio de Matos A Faculdade Nacional de Direito/UFRJ colocou uma placa em homenagem a Antônio Sérgio de Matos, aluno da instituição, na entrada do prédio da FND. O ato solene realizou-se no dia 1º de setembro na sala do Conselho Universitário com a presença do Pró Reitor de Planejamento - Prof. Carlos Antônio Levi Conceição, do diretor da FND - Prof.. Flavio Alves Martins, do Presidente da OAB/RJ - Dr. Wadih Damous, da Diretora do Núcleo de Estudos em Direitos Humanos (NEPP-DH) - Profa. Mariléa Venâncio Porfírio, da representante do GTNM/RJ - Victória Grabois, dos alunos do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira e de vários companheiros do homenageado. A cerimônia foi muito emocionante, destacando-se a fala de Julio Cesar Sena, amigo e companheiro de luta de Antônio Sérgio, que representou a família de Antônio Sérgio, dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN). Antônio Sérgio de Matos nasceu em 18 de fevereiro de 1948, no Rio de Janeiro, filho de Armando Mattos e Maria de Lourdes Pereira Mattos. Fez curso primário na Escola Pública Manoel da Nóbrega; foi um excelente aluno, no curso primário e no ginasial. Ao ingressar no ensino médio até a faculdade trabalhava pela manhã e estudava à noite. Em 1969, quando cursava Direito na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ), Antônio Sérgio iniciou sua militância política no MAR. Fez parte da Associação de Auxílio aos Reclusos (AURES), que dava, à época, assistência aos presos políticos do Presídio Lemos de Brito. Em agosto de 1969, ajudou na fuga de nove presos políticos da Lemos de Brito, o que lhe forçou a entrada na clandestinidade. Passou, então, a militar na ALN e até fins de 1970 permaneceu na cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, deslocou-se para São Paulo, como dirigente regional da ALN. Juntamente com Manuel José Mendes Nunes de Abreu e Eduardo Antônio da Fonseca, Antônio Sérgio foi emboscado na Rua João Moura, na altura do n° 2.358, no bairro de Sumarezinho, São Paulo, e fuzilado no dia 23 de setembro de 1971. Assinam o laudo de necropsia solicitado pelo Delegado Alcides Cintra Bueno, os médicos legistas Isaac Abramovitch e Antônio Valentini. Foi enterrado no Cemitério de Perus, como indigente. Em 1975, sua família conseguiu retirar seus restos mortais e trasladá-los para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado no sítio de seus pais, em Macaé (RJ). Os relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica mantêm a versão policial, dada em 1971, de que Antônio teria sido metralhado durante um assalto a um jeep do Exército. Descrevemos abaixo um trecho da carta enviada por sua mãe à Comissão Especial de Mortos/Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República: "(...) Um depoimento de uma mãe sincera, que nunca soube odiar a mão assassina que tirou a vida de um jovem que era orgulho dos pais que o queriam muito, por ser ele um exemplo de filho, de aluno, de amigo sincero. É tudo que posso te contar, pois a vida política dele nós ignoramos por completo, até o dia, ou melhor, a madrugada, que minha casa foi invadida por oficiais armados procurando por ele, e daí em diante sabia pelos jornais e televisão de tudo que o acusavam. "Levamos cinco anos esperando que ele chegasse, e quando fomos ao IML de São Paulo, lá descobri que ele estava sepultado como indigente fazia quatro anos no cemitério de Perus". =============================================================================== + Detalhes. A lição do Pedro II Mauricio Dias 6 de maio de 2011 às 16:10h O mais tradicional educandário público do País desfaz homenagem a um dos ícones da ditadura. Por Maurício Dias. Foto: Arquivo AE A vitória da mobilização de professores e estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, deixou uma lição para o País sobre o melhor modo de agir com o que há de pior deixado pelos governos militares: extirpar a herança. Foi o que ocorreu após longa e pacífica jornada de lutas. No dia 19 de abril de 2011, a direção da escola, com a aprovação da Congregação, baniu oficialmente o nome do almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald (1905-1985) que identificava a unidade da Direção-Geral do Pedro II, no bairro de São Cristóvão. A decisão honra a tradição democrática quase bicentenária do educandário, desrespeitada por essa decisão tomada durante a ditadura. Rademaker, militar de perfil prussiano, teve militância ativa no golpe que derrubou o presidente João Goulart, em março de 1964. E não parou por aí a participação dele no regime antidemocrático que durou duas décadas. Ele era o ministro da Marinha quando o general Costa e Silva deixou a Presidência, em 1969, por razões de saúde. No lugar do vice-presidente Pedro Aleixo, veterano político mineiro, eleito também de forma indireta pelo Congresso, a junta militar formada pelos ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica tomou o controle do poder. Um golpe dentro do golpe. Rademaker compunha o trio formado pelo general Lira Tavares e pelo brigadeiro Marcio de Souza Melo. Na sequência, desfeita a junta, assumiu o general Garrastazu Médici que teve como vice-presidente o almirante Rademaker. Estabeleceu-se assim (1969-1974) o mais violento dos governos militares. Nesse período, Vandick Londres da Nóbrega (1918-1982) dirigia o Colégio Pedro II. Catedrático de Direito Romano era um homem de forte inclinação reacionária, fiel e solidário propagador da ditadura. Nesse momento, propôs e aprovou a homenagem a Rademaker. O nome dele passou a "adornar" a entrada da Unidade que abrigava a Direção-Geral, de onde o professor Vandick mandava e desmandava. Foi uma ousada provocação. Um acinte a muitos professores, como ocorreu com Helena Godoy, peça-chave na reparação desse erro histórico. Professora aposentada do Pedro II, ela manteve sempre acesa a chama da indignação. Mas a homenagem foi, principalmente, um escárnio a numerosas famílias. Do ambiente politizado do Pedro II saíram muitos alunos que aderiram à luta armada e foram torturados ou mortos pelos agentes da repressão política. Há um levantamento dos ex-alunos assassinados: Alex de Paula Xavier Pereira (1949-1971), Antônio Sergio de Matos (1948-1971), Fernando Augusto Valente da Fonseca (1947-1971), Marcos Nonato da Fonseca (1953-1972), Lincoln Bicalho Roque (1945-1973), José Roberto Spiegner (1948-1970) e Lucimar Brandão Guimarães (1948-1970). Embora não se possa dizer, por falta de provas, que, na ação cruel da repressão política, o almirante Rademaker tenha metido a própria mão na massa, ele certamente se omitiu e, mais do que isso, garantiu a impunidade dos algozes. Estes permanecem impunes ainda hoje, só que, agora, protegidos pela Lei da Anistia, o instrumento da negociação articulada entre militares e políticos para o restabelecimento do poder civil. Esse acordo é um retrato fiel da malfadada conciliação. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110608/6eda2d80/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 17662 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110608/6eda2d80/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 8 20:06:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 8 Jun 2011 20:06:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?b?IFbDrWRlbyDigJxGb2dvIHNvYnJlIG8gTcOh?= =?utf-8?b?cm1hcmHigJ0=?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Vídeo ?Fogo sobre o Mármara? ? assista! NOTÍCIAS ? POR DESACATO.INFO EM 7 JUNE 2011 ÀS 11:40 AM O Portal Desacato apresenta o documentário de David Segarra, um dos sobreviventes da Frota da Liberdade, emitido por Telesur em 29 de maio deste ano. As legendas em português são de Jair de Souza. Assista aqui! Fogo sobre o Mármara legendado em port. por Jair de Souza. Primeira parte Fogo sobre o Mármara legendado em port. por Jair de Souza. Segunda parte O documentário trata do ataque efetuado em águas internacionais pelos comandos militares do Estado de Israel contra a frota humanitária (Frota da Liberdade) que pretendia dirigir-se a Gaza para entregar ajuda com bens de primeira necessidade aos cerca de um milhão e meio de pessoas que sobrevivem há vários anos a um ferrenho bloqueio imposto pelas forças de ocupação de Israel. Neste ataque aos pacifistas desarmados, os comandos israelenses conseguiram assassinar a nove deles e ferir gravemente a quase uma centena de outros. http://desacato.info/2011/06/video-fogo-sobre-o-marmara/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110608/ea4ba9ca/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 36157 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110608/ea4ba9ca/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 9 19:54:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 9 Jun 2011 19:54:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__ROBERTO_CIETTO______________________?= =?iso-8859-1?q?___________________-CLX-?= Message-ID: <6A15FFBE3D5640B6A2A29C9AE9B97502@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ROBERTO CIETTO (1936-1969) Filiação: Dorvalina da Silva Cietto e Primo Cietto Data e local de nascimento: 12/10/1936, Pederneiras (SP) Organização política ou atividade: MAR Data e local da morte: 04/09/1969, Rio de Janeiro (RJ) Segundo relatos levados à CEMDP, Roberto Cietto foi preso no dia 04/09/1969, quando passava casualmente em frente à casa do embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado no mesmo dia. Era conhecido e procurado pelos agentes de segurança, pois em maio daquele ano havia fugido da penitenciária Lemos Brito, no Rio de Janeiro. Levado diretamente para o Primeiro Batalhão da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, resistiu a apenas algumas horas de torturas. Roberto havia iniciado a militância política na penitenciária, onde cumpria pena como preso comum, após estabelecer contato com os presos políticos, aderindo assim à resistência política. Fugiu do presídio junto com um grupo de presos políticos, dentre eles alguns ex-marinheiros, como Avelino Capitani, José Duarte e Marco Antônio da Silva Lima (morto em janeiro de 1970), além do ex-sargento da Aeronáutica Antonio de Paula Prestes, que constituíram uma nova organização clandestina denominada MAR - Movimento de Ação RevoLúcionária. De início, o grupo de nove prisioneiros evadidos se instalou na região de Angra dos Reis, onde realizou deslocamentos e treinamentos de guerrilha. Em seguida, retornaram ao Rio de Janeiro, onde, segundo os órgãos de segurança, Cieto participou de algumas ações armadas. Em A Ditadura Escancarada, o jornalista Elio Gaspari escreveu sobre Cietto: "Interrogaram-no durante três horas, no máximo. Às 18h40 ele morreu de pancada. O cadáver tinha o olho direito roxo, com um corte na pálpebra e ferimentos na testa, no tórax, num braço e numa perna. Foi sepultado como suicida. De acordo com as versões oficiais, era o 17º do regime, o sétimo a se enforcar numa cela, o sexto a fazê-lo num quartel. Segundo o laudo da perícia, asfixiou-se sentado". O corpo deu entrada no IML no mesmo dia 4, sendo necropsiado por requisição do Quartel do I Exército, de onde foi removido. A necropsia, assinada pelos médicos Elias Freitas e João Guilherme Figueiredo, em 05/09, confirma a versão oficial de que Roberto teria cometido suicídio por enforcamento, em sua cela, no DOI-CODI/RJ, apesar de descrever algumas escoriações encontradas no corpo, como hematomas na pálpebra direita, no braço direito e na perna esquerda. As fotos da perícia de local, realizada pelo Instituto de Crimininalística Carlos Éboli, mostram claramente marcas de torturas. Além disso, análise do material fotográfico mostra que não havia como Roberto ter se enforcado, pois estava praticamente sentado. Também o laudo de perícia de local, feito pelo mesmo órgão oficial cita outras escoriações além das apresentadas na necropsia, afirmando que, "(...) a necropsia a ser procedida deverá esclarecer a recenticidade dos ferimentos por ação contundente constatadas nas regiões frontal orbitária direita e face anterior do joelho direito da vítima" (sic). O atestado de óbito contém apenas seu nome. Todas as outras informações constam como ignoradas, apesar de tratar-se de alguém que já havia cumprido pena, tendo todos os dados de identificação disponíveis para as autoridades, o que foi confirmado por sua ficha do Instituto Félix Pacheco. Roberto Cietto foi enterrado como indigente no Cemitério de Santa Cruz (RJ), em 30/09/1969. O relator da CEMDP considerou insustentável a versão apresentada e concluiu que as evidências apontavam para o assassinato da vítima. As fotos demonstraram a existência de lesões no seu corpo, fruto de violência anterior, além de mostrarem que ele "se enforcou" sentado no chão, o que afasta a hipótese de suicídio. Outros indícios apontaram para a montagem da cena: o laudo registra que o instrumento usado para se suicidar foi um cordão, "utilizado para atar coturnos de soldados", reconhecendo ser um elemento "não comum naquele ambiente (cela de preso)". Para o relator, mesmo que a hipótese de suicídio fosse, em tese, admissível, ainda assim Roberto Cietto teria morrido sob a guarda do Estado, por motivos políticos e de causa não-natural. ==================================================================================================================== + Informações. ROBERTO CIETTO Militante do MOVIMENTO ARMADO REVOLUCIONÁRIO (MAR). Morreu, aos 32 anos de idade, em 04 de setembro de 1969 no DOI-CODI/RJ. Preso, casualmente, ao passar defronte da casa do embaixador Charles Burke Elbrick, seqüestrado naquele dia. Roberto era conhecido pelos agentes da repressão, pois em maio daquele ano havia logrado fugir da penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro. Foi levado diretamente para o CENIMAR e submetido a intensas sessões de torturas, resistindo apenas algumas horas. Roberto iniciou sua militância política na Penitênciária Lemos de Brito, onde cumpria pena como preso comum. Ali manteve contatos com presos políticos e aderiu à luta revolucionária. Após sua fuga junto com outros presos políticos, passou a atuar na clandestinidade, ligando-se ao MAR. Seu corpo entrou no IML, no mesmo dia 04, pela Guia n° 71, da 19ª D.P., sendo necropsiado por requisição do Quartel General do I Exército, de onde foi removido. A necrópsia, firmada pelos Drs. Elias Freitas e João Guilherme Figueiredo, em 05 de setembro, confirma a falsa versão oficial da repressão de que Roberto suicidou-se, por enforcamento, em sua cela, no DOI-CODI/RJ, apesar de descrever algumas escoriações encontradas no corpo, como hematomas na pálpebra direita, no braço direito e perna esquerda. As fotos de perícia de local (n° 5198/69) realizadas pelo ICE/RJ mostram claramente as marcas de torturas. Como o enforcamento foi cometido com Roberto praticamente sentado? Também o laudo de perícia de local, feito pelo mesmo órgão oficial (Ocorrência n° 367/69) cita outras escoriações além das apresentadas na necrópsia afirmando que "... a necrópsia a ser procedida, deverá esclarecer, a recenticidade dos ferimentos por ação contundente constatadas nas regiões frontal orbitária direita e face anterior do joelho direito da vítima"(sic) o que não foi feito pelo exame necroscópico. O atestado de óbito, de n° 118.656, somente assinala seu nome, tendo todas as outras informações colocadas como ignoradas, apesar de tratar-se de alguém que já havia cumprido pena, tendo todas as informações oficiais, o que é confirmado por sua ficha do IFP, em 05 de setembro de 1969. O óbito teve como declarante José Severino Teixeira. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Santa Cruz (RJ), em 30 de setembro de 1969, na cova n° 203, da quadra 18. ========================================================================================== + Informações. ROBERTO CIETTO Militante do MOVIMENTO ARMADO REVOLUCIONÁRIO (MAR). Morreu, aos 32 anos de idade, em 04 de setembro de 1969 no DOI-CODI/RJ. Preso, casualmente, ao passar defronte da casa do Embaixador Charles Burke Elbrick, seqüestrado naquele dia. Roberto iniciou sua militância política na Penitenciária Lemos de Brito, onde cumpria pena como preso comum. Ali manteve contato com presos políticos e aderiu à luta revolucionária. Após sua fuga junto com outros presos políticos, passou a lutar na clandestinidade, ligando-se ao MAR. A necropsia, firmada pelo Drs. Elias Freitas e João Guilherme Figueiredo, em 05 de setembro, confirma falsa versão oficial da repressão de que Roberto suicidou-se, por enforcamento, em sua cela, no DOI-CODI/RJ, apesar de descrever alguma escoriações encontradas no corpo, como hematomas na pálpebra direita, no braço direito e perna esquerda. [...] As fotos tiradas no local mostram claramente a marca de tortura. Como o enforcamento foi cometido com Roberto praticamente sentado? [...] O atestado de óbito [...] somente assinala seu nome, tendo todas as outras informações colocada como ignoradas, apesar de tratar-e de alguém que já havia cumprido pena, tendo toda as informações oficiais, o que é confirmado pela sua ficha no IFP, em 05 de setembro de 1969. ======================================================================================================== + Detalhes. GTNM-RJ Roberto Cietto Militante do MOVIMENTO ARMADO REVOLUCIONÁRIO (MAR). Morreu, aos 32 anos de idade, em 04 de setembro de 1969 no DOI-CODI/RJ. Preso, casualmente, ao passar defronte da casa do embaixador Charles Burke Elbrick, seqüestrado naquele dia. Roberto era conhecido pelos agentes da repressão, pois em maio daquele ano havia logrado fugir da penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro. Foi levado diretamente para o CENIMAR e submetido a intensas sessões de torturas, resistindo apenas algumas horas. Roberto iniciou sua militância política na Penitênciária Lemos de Brito, onde cumpria pena como preso comum. Ali manteve contatos com presos políticos e aderiu à luta revolucionária. Após sua fuga junto com outros presos políticos, passou a atuar na clandestinidade, ligando-se ao MAR. Seu corpo entrou no IML, no mesmo dia 04, pela Guia n° 71, da 19ª D.P., sendo necropsiado por requisição do Quartel General do I Exército, de onde foi removido. A necrópsia, firmada pelos Drs. Elias Freitas e João Guilherme Figueiredo, em 05 de setembro, confirma a falsa versão oficial da repressão de que Roberto suicidou-se, por enforcamento, em sua cela, no DOI-CODI/RJ, apesar de descrever algumas escoriações encontradas no corpo, como hematomas na pálpebra direita, no braço direito e perna esquerda. As fotos de perícia de local (n° 5198/69) realizadas pelo ICE/RJ mostram claramente as marcas de torturas. Como o enforcamento foi cometido com Roberto praticamente sentado? Também o laudo de perícia de local, feito pelo mesmo órgão oficial (Ocorrência n° 367/69) cita outras escoriações além das apresentadas na necrópsia afirmando que "... a necrópsia a ser procedida, deverá esclarecer, a recenticidade dos ferimentos por ação contundente constatadas nas regiões frontal orbitária direita e face anterior do joelho direito da vítima"(sic) o que não foi feito pelo exame necroscópico. O atestado de óbito, de n° 118.656, somente assinala seu nome, tendo todas as outras informações colocadas como ignoradas, apesar de tratar-se de alguém que já havia cumprido pena, tendo todas as informações oficiais, o que é confirmado por sua ficha do IFP, em 05 de setembro de 1969. O óbito teve como declarante José Severino Teixeira. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Santa Cruz (RJ), em 30 de setembro de 1969, na cova n° 203, da quadra 18. Revista Veja Entrevista 31/10/99 Eu vi a tortura Coronel que salvou a vida de preso político admite ter assistido a ações de tortura durante o regime militar Consuelo Dieguez Durante trinta anos o coronel do Exército Élber de Mello Henriques manteve segredo das cenas bárbaras que presenciou no quartel da Polícia do Exército, PE, no Rio de Janeiro. O quartel da Rua Barão de Mesquita, como era conhecido, ficou macabramente famoso por ter sido um local onde se torturavam e matavam presos políticos. Agora, Henriques, de 82 anos, resolveu falar. "Pedi para ver um preso que eu teria de interrogar. O homem estava pendurado no pau-de-arara, totalmente destruído", afirma. O "homem" era Roberto Cieto, do grupo esquerdista Armada Revolucionária, que, segundo a versão oficial, se teria suicidado. É a primeira vez que um militar vem a público confirmando ter presenciado atos de tortura nos porões da ditadura militar. Incumbido pelo então I Exército (atual Comando Militar do Leste) de fazer o inquérito policial-militar, IPM, de alguns dos presos da PE, o coronel revoltou-se contra as atrocidades ali cometidas e as levou ao conhecimento de seus superiores. Exigiu a punição dos torturadores. No mesmo dia em que fez as denúncias, foi afastado da tarefa. No tempo em que ficou no quartel, contudo, ele mandou que as torturas fossem suspensas e salvou a vida do preso político Flávio Tavares - que reconheceu o gesto do coronel num livro lançado em outubro. Veja - O jornalista Flávio Tavares afirma que o senhor o salvou de morte por tortura quando ele estava preso no Rio de Janeiro, em 1969. Como foi seu encontro com ele? Henriques - Fui designado pelo comando do então I Exército para fazer o IPM de alguns presos políticos que estavam no quartel da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. Assim que cheguei ao quartel pedi para ver o Flávio Tavares, que eu teria de interrogar. Levaram-me até a cela dele e o que vi me deixou chocado. Era um cubículo imundo, com um buraco no chão servindo de privada que exalava um cheiro horroroso. Flávio, de tão machucado pelas torturas, dormia profundamente num colchão de palha sem lençol colocado no chão da cela. Imaginei que aquele homem deveria estar muito debilitado para conseguir dormir naquela situação, com aquele forte cheiro de urina. Determinei, então, que no dia seguinte me levassem o preso limpo e apresentável para o interrogatório e que o colocassem numa cela limpa, que eu mesmo inspecionei. Veja - E isso aconteceu? Henriques - Sim. No dia seguinte levaram o Flávio à minha sala. Eu disse a ele que sabia de tudo o que lhe tinham feito, mas que, a partir daquele momento, só eu poderia interrogá-lo. E assim ocorreu. No livro que acaba de lançar ele lembra que eu chamei a sua atenção de pronto. O motivo é que eu usava um uniforme comum do Exército, calça militar e sapatos, mas não portava arma, ao contrário do major José Mayer Fontenelli (então chefe do setor de informações do DOI-Codi do Batalhão da Polícia do Exército no Rio), que, segundo os presos me contaram, comandava as sessões de tortura no quartel, e de outros militares que faziam os interrogatórios. Veja - E por que o senhor não portava arma como os outros? Henriques - Imagine eu ir interrogar um prisioneiro com uma pistola na cintura. Isso é até uma prova de covardia. É ameaçador. O indivíduo fica aterrorizado porque eu posso simplesmente matá-lo dependendo do que ele diga. Veja - O senhor também ficou impressionado com a sujeira da cela e a falta de lençóis e travesseiros com fronha. Por que isso o incomodou tanto? Henriques - Nunca na minha vida eu exerci, como oficial do Exército, nenhuma ação contra prisioneiros meus. Sempre exigi que fossem tratados com dignidade. Em 1968, eu ainda estava no comando do Segundo Grupo de Canhões Anti-Aéreos, em São Paulo, e me mandaram quinze estudantes presos. Coloquei-os num alojamento com roupas de cama limpas, travesseiros, água, banheiro para tomar banho e tudo aquilo que nós somos obrigados a dar ao prisioneiro. Porque eles merecem isso pela legislação e pela dignidade humana. Veja - Quando o senhor viu que não havia nada daquilo no quartel da Rua Barão de Mesquita, não pediu providências? Henriques - Logo no dia seguinte, após tomar o depoimento do Flávio e de ter conhecimento do que estava ocorrendo naquele quartel, fui falar com o comandante, o tenente-coronel José Nei Fernandes Antunes (já falecido). Eu disse a ele que exigia absoluto respeito à pessoa humana, ao prisioneiro. Veja - E qual foi a reação dele? Henriques - Ele me respondeu: "Olha, coronel, eu aceito a tortura até certo ponto. Mas a tortura brutal e grosseira, não". O fato é que encontrei no comando dele as mais violentas formas de tortura. Ele até podia não saber, como ele me deu a entender, mas o comandante é responsável pelo que acontece no seu comando. Quanto à falta de lençóis e de fronhas, ele me explicou que era para que os presos não se suicidassem. Mas que motivos eles teriam para se matar? Só se fosse pelo terror do dia seguinte. Pelo medo de sofrer novamente o que já tinham sofrido. Veja - E o senhor achava aceitável a tortura "até certo ponto"? Henriques - Não admito nenhuma forma de tortura. A tortura é um meio extremo de obter de determinada pessoa a informação que ela pode estar querendo ocultar, mas não necessariamente essa informação será a verdade. Um dia um parente meu disse que se o torturassem ele diria que matou até a mãe dele. Digo isso para mostrar o pavor que a tortura causa. Torcer o braço, apagar cigarro no peito, dar choques nos testículos e na vagina, dar batidas com a palma da mão aberta nos tímpanos. Tudo isso cria uma tal depressão e um terror no indivíduo que ele confessa até coisas que não sabe. Em termos de investigação, pode ser até contraproducente. Veja - O senhor não imaginava que os presos estavam sendo submetidos a maus-tratos? Henriques - Pensei que eu fosse encontrar no quartel uma situação de legalidade, de aplicação da lei. E era para isso que eu estava lá. Para agir com o rigor da lei. Isso significa respeitar a pessoa humana. Tratar o prisioneiro, não digo com bondade, mas com correção. Eu não previa as dificuldades que iria encontrar. Presos submetidos a torturas, celas imundas, uma indignidade. Veja - O senhor assistiu a algum tipo de tortura no quartel da Barão de Mesquita? Henriques - Presenciei muitas coisas que me desagradaram logo de início. Eu já havia tido aquela péssima impressão com o estado do Flávio. Em seguida, vi uns rapazes corpulentos que, pela cor da pele e pelo corte de cabelo, percebi serem estrangeiros. Eles estavam numa sala, cercados de militares brasileiros, mostrando instrumentos de tortura. Perguntei a um oficial o que era aquilo e ele me disse: "São os americanos que estão nos ensinando a torturar sem deixar vestígios". Foram eles que ensinaram as técnicas de choque elétrico nos testículos e na vagina. Era um aparelho que os presos políticos chamavam de "Dr. Volts". Esses americanos estavam aqui em missão oficial, não sei se chamados ou por oferecimento próprio. O interesse dos americanos era que nós déssemos informações a eles sobre as ligações dos comunistas brasileiros com os comunistas da União Soviética. Mas, para evitar denúncias de tortura, eles ensinavam técnicas que não deixassem cicatrizes, ossos quebrados, audição destruída. Veja - Mas o senhor chegou a ver algum preso sendo torturado? Henriques - Infelizmente, sim, mas não no início. O motivo é que eu chegava ao quartel por volta das 8 horas e saía às 17 horas. Mais tarde, soube que os presos eram torturados depois que eu deixava o quartel. Um dia pedi para ver um outro preso político que eu teria de interrogar. O nome dele era Roberto Cieto. O oficial do dia me levou até ele. Não esqueço até hoje o que vi. O homem estava pendurado num pau-de-arara, totalmente destruído. Era uma coisa de dar dó. Ele gemia, urinava, defecava. Não pude nem falar com ele porque estava fora de si. Isso foi numa sexta-feira de setembro de 1969. Pedi então que o tirassem dali, porque eu iria interrogá-lo na segunda-feira. Quando voltei ao quartel, na manhã de segunda-feira, mandei que trouxessem o preso. A resposta foi que ele havia se suicidado. Veja - Qual foi a sua reação? Henriques - Desconfiei da versão e pedi para ver o corpo. Então, me disseram que o preso já fora enterrado. Isso me revoltou. Saí do quartel e fui ao general Carlos Alberto Cabral Ribeiro (já falecido), que era chefe do Estado Maior do I Exército. Contei o que estava ocorrendo. Ele quis um documento escrito. Pedi um datilógrafo, sentei-me ao lado dele e ditei tudo o que tinha visto. Veja - O que constava nesse documento? Henriques - Contei o que vi e o que me falaram naqueles quase trinta dias em que fiquei lá. Dei o nome dos torturadores e exigi punição. Nenhum foi punido. Veja - O senhor lembra quem eram os torturadores? Eram todos militares? Henriques - Não lembro. Só me recordo do Fontenelli, que era um major pára-quedista. O Flávio até fala dele no livro. O resto está no relatório confidencial que entreguei ao general Carlos Alberto, do qual prefiro não falar exatamente por ser confidencial. Veja - Mas o senhor citava quais presos políticos no relatório? Henriques - Só o Flávio e o Cieto. Falava das torturas, do estado das celas, do tratamento para arrasar a personalidade dos presos. Deixavam os presos sem comer, sem beber água, sem tomar banho, em cubículos imundos. Veja - E o que aconteceu depois que o senhor fez as denúncias? Henriques - O general leu meu relatório e mandou que chamassem imediatamente o comandante da PE, o tenente-coronel Nei. Sentei-me numa poltrona ao lado do general e ele me perguntou: "Élber, o que você está fazendo aí?" Eu respondi: "Estou esperando o comandante da PE chegar para na frente dele confirmar as minhas denúncias". Ele disse: "Não, vá embora daqui porque eu não quero briga no meu gabinete". Nesse mesmo dia fui dispensado da função de interrogar os presos e não voltei mais ao quartel. Fiquei a vida inteira magoado com o general Carlos Alberto. Veja - O senhor teve notícias do que aconteceu aos presos que ficaram lá? Henriques - Não. Não pude mais voltar ao quartel. Não pude nem pedir para desenterrarem o corpo do Roberto Cieto para saber que tortura ele tinha recebido. Eu não posso garantir que ele morreu torturado, porque não vi o corpo. Mas, pelo estado em que ele estava quando o encontrei no pau-de-arara, desconfio que ele tenha sido assassinado. Veja - Tinha algum médico assistindo às sessões de tortura? Henriques - Toda unidade do Exército tinha um médico. Eles usavam o médico para evitar que o preso morresse. O médico pegava o estetoscópio, ouvia o coração do preso e dizia "pára, pára", caso houvesse risco de vida. Veja - E quem era o médico que fazia isso no quartel da Polícia do Exército? Henriques - Não sei quem era. O próprio Flávio contou que tinha um médico assistindo às sessões de tortura. Estou contando essas histórias com muita tristeza, porque acredito que 99% dos oficiais do Exército não aceitavam tortura. Mas em toda organização, ainda mais numa tão numerosa como é o Exército, existem sádicos. Esses facínoras aproveitaram a oportunidade para exercer seu sadismo cruel. Veja - Mas isso só aconteceu porque os governos militares permitiram que acontecesse. Henriques - O governo Castello Branco reprimiu a tortura. Os governos Geisel e Figueiredo, também. Mas Costa e Silva e Médici, que foram os presidentes que usaram o AI-5 com toda a força, não agiram contra a tortura. Quem abriu a porta para a tortura foi o AI-5, porque deixou o indivíduo livre para agir. Basta dizer que, naquela época, eu estava no aeroporto em Brasília e se aproximou de mim um senhor. Ele pedia minha interferência para embarcar para o Rio Grande do Sul porque estava sem documentos. Disse-me que o homem da companhia aérea informara que ele só embarcaria se um oficial do Exército autorizasse. Aí é que se vê o abuso. Se o cara da empresa de aviação disse isso a ele é porque estava atribuindo ao Exército uma autoridade acima da lei. O AI-5 foi uma desgraça. Veja - Mas o AI-5 foi resultado da Revolução de 64. O senhor apoiou o golpe militar? Henriques - Apoiei porque era contra o comunismo e contra a baderna que se estava instalando no país. Mas fui contra o AI-5, que considero um ato violentíssimo. Fiquei impressionado como nós podíamos fazer uma lei tão violenta como aquela que não respeitava nada nem ninguém. Quando o ato foi decretado eu me dei conta de que aquilo iria resultar na aparição de ditadores mirins pelo Brasil inteiro. Bastava que ele exercesse uma autoridade governamental qualquer para ter poderes praticamente ilimitados de destruir a personalidade humana. Costumo dizer que a desgraça do socialismo foi o comunismo. A desgraça do fascismo, o nazismo. E a da Revolução de 64 foi a tortura. Veja - Por que o senhor não denunciou publicamente tudo o que sabia sobre as torturas dentro dos quartéis? Henriques - Não contei na época porque o clima era de muito terror e não haveria espaço para divulgação, por causa da censura. Mas fiz o que tinha de ser feito: denunciei o que vi aos meus superiores no Exército. ================================================================================== + Detalhes. GTNM-RJ Conselho Federal de Medicina condenou João Guilherme Figueiredo O Conselho Federal de Medicina, no julgamento do processo ético disciplinar do médico João Guilherme Figueiredo, realizado no dia 12 de junho de 2002, em Brasília, suspendeu o seu registro profissional por 30 dias, julgando-o, por unanimidade, culpado ao assinar o laudo de necropsia que omitia visíveis marcas de torturas do preso político Roberto Cietto. Em agosto de 2002, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro já havia cassado o registro profissional do referido médico pela sua participação na farsa que se constituiu o laudo de necropsia de Roberto Cietto, que referendou a versão oficial falaciosa de suicídio, omitindo várias marcas de tortura. ====================================================================================== + Informações. [PDF] Militares de esquerda: formação, participação política e ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat 28 abr. 2010 ... Roberto Cietto era um dos presos comuns que saiu na fuga e aderiu ao grupo. "Os marinheiros temiam que Cietto não tivesse disciplina militar ... www.teses.usp.br/teses/disponiveis/.../WILMA_ANTUNES_MACIEL.pdf ============================================================================= -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110609/304f9a47/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3574 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110609/304f9a47/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110609/304f9a47/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 9 19:54:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 9 Jun 2011 19:54:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_CESARE_BATTISTI_-_UM_ATO_DE_SOBERANIA_?= =?utf-8?q?/_e__FOR=C3=87AS_=C3=8DTALO/AMERICANAS_DERROTADAS_NO_STF?= =?utf-8?q?___por_Laerte_Braga?= Message-ID: <5E8BF63CAE0540578FB377F672416CB2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CESARE BATTISTI ? UM ATO DE SOBERANIA Laerte Braga O ministro relator do processo de extradição de Cesare Battisti, Gilmar Mendes, num longo voto que sabia de antemão vencido, quis apenas justificar a razão de sua presença no STF ? SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Não falou para dentro, falou para fora, falou para longe. Gilmar Mendes quando indicado por FHC para a mais alta corte de justiça do Brasil foi alvo de críticas contundentes de vários setores políticos e ligados ao judiciário, acusado de corrupção pelo jurista Dalmo Dallari Abreu num artigo publicado num dos grandes jornais brasileiros. O então senador Antônio Carlos Magalhães chegou a advertir FHC que a aprovação do nome de Gilmar seria difícil, pois a corrupção era evidente e as dificuldades se tornavam maiores ainda. O troca troca nas relações políticas prevaleceu e Gilmar foi para o STF. No mínimo três decisões polêmicas. Os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas (de quem foi colega no governo FHC), o habeas corpus concedido a um médico paulista que inseminava e abusava de mulheres em sua clínica e hoje vive como foragido no Líbano e agora todo esse espetáculo armado em torno da extradição de Battisti. Arrasta consigo o ministro presidente César Peluso e a ministra Ellen Gracie, os dois sabidamente ligados a grupos econômicos e à visão que o Judiciário deve refletir a realidade mundial em detrimento da soberania nacional. Existe um acordo assinado entre o STJ e o Banco Mundial que garante a primazia para direitos de bancos, grandes empresas e latifúndio, nos conceitos do neoliberalismo, a nova ordem econômica mundial, assentada num arsenal nuclear de milhares de ogivas. O processo de dissolução do conceito de nação que permeia países no mundo inteiro, inclusive os EUA, hoje um conglomerado militar/petrolífero e financeiro associado ao estado terrorista de Israel (maior acionista do complexo EUA/TERRORISMO S/A). Gilmar Mendes, dono de um instituto de estudos jurídicos em Brasília, cacique político em Diamantino (Mato Grosso, onde conseguiu a cassação do prefeito de oposição a seu irmão), que entre seus ?professores? tem jornalistas da GLOBO, recebeu na sessão de quarta-feira, um conselho correto do ministro Marco Aurélio Mello. Que, ?sobre essa ótica, vossa excelência deve abandonar a magistratura?. Mais ou menos ou o senhor é ministro do STF, ou advogado do governo da Itália. E de outras cositas más. Quando do episódio dos habeas corpus ao criminoso Daniel Dantas protagonizou a farsa de uma gravação que não houve em seu gabinete, repercutida pela imprensa marrom, VEJA, na tentativa de desmoralizar as investigações sobre o amigo banqueiro. O voto da ministra Ellen Gracie, dublê de socialite e latifundiária, indicação de FHC foi um primor de ?meu Deus me acuda, o que vou falar?. A ministra antes de mais nada fez questão de mencionar sua presença na festa sei lá de que da rainha Elizabeth e falou do tal poder moderador. Não sabe nada de Inglaterra. O ex-presidente do Chile Augusto Pinochet foi preso em Londres sob a acusação de crimes contra a humanidade. O príncipe Philips, consorte, quer dizer, marido da rainha, ensaiou um protesto, levou um chega para lá de quem cabia a decisão e recolheu-se aos castelos e que tais de uma monarquia milionária num país falido e transformado em colônia dos EUA. Pinochet ficou preso por bom tempo. De qualquer forma as colunas sociais podem registrar a presença da ministra na festa da rainha e lembrar a banheira de hidromassagem que mandou instalar em seu apartamento funcional com dinheiro do STF, público, declarando que necessitava conforto para poder trabalhar. Que o diga o trabalhador brasileiro. Deve incluir o direito a banheiras de hidromassagens em reivindicações futuras. Imagino que esse notável saber jurídico da ministra deve ter influenciado em não obter a vaga que pleiteou junto a uma corte internacional. E olha que teve o apoio de Lula. O caso Battisti nos remete a uma luta que vem sendo vencida nos bastidores do Judiciário pelos advogados de potências estrangeiras ? potências e interesses ? a partir de supostos ministros de cortes superiores. É uma imposição da nova ordem mundial e no Brasil Gilmar Mendes é ponta de lança desse processo, com a cumplicidade do ministro Ari Pendengler, presidente do STJ e integrante de grupos sionistas. Nazi/sionistas. O processo de extradição de Cesare Battisti foi muito maior que o próprio extraditando. Foi a primeira grande tentativa, pelo menos pública, com a cumplicidade da mídia privada, de domar o poder Judiciário e transformá-lo em apêndice de interesses de grupos financeiros e econômicos. O governo da Itália foi pano de fundo para toda essa história, já que Berlusconi é a figura que todos conhecemos. Pedófilo e banqueiro, Duas marcas que não se apagam nunca. Lembram tatuagens de gangs para identificar seus membros. Battisti, como lembra um amigo, deve ter o dom da ubiqüidade para ter cometido os crimes dos quais é acusado a partir de delação premiada (que vem a ser salvo a minha pele e entrego o outro). Os tais assassinatos (mortes em combates na Itália) aconteceram em cidades diferentes, logo... O que a Itália queria, mais precisamente Berlusconi, era exibir a cabeça de Battisti como troféu. O que os EUA tentaram monitorar por trás dos panos é o processo de controle do judiciário brasileiro, como de resto em países latino-americanos, como forma de neutralizar eventuais governos hostis (não é nem o caso do atual governo brasileiro, o chanceler Anthony Patriot é uma espécie de Clark Kent dos pobres. Por baixo da farpela diplomática tem o uniforme de funcionário do Departamento de Estado). É da grife ?pragmatismo?. É preciso que se diga e se saiba que as cortes internacionais às quais a Itália fala em recorrer, por exemplo, não são reconhecidas pelos EUA. Os acordos firmados pela organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, materialização de SPECTRE, a ficção de Ian Fleming, incluem cláusulas em que agentes, soldados e funcionários desses dois estados terroristas ficam isentos de qualquer apreciação ou sanção por parte desses tribunais. O que é mais ou menos o direito de pode tudo, como acontece na Colômbia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na Palestina, ou no campo de concentração de Guantánamo. A barbárie é privilégio deles e a lei é imposta pelo código de ogivas nucleares, capazes de destruir o planeta cem vezes se necessidade houver e para garantir o império. O Brasil ontem, pelo STF e pelos seis ministros que votaram contra o pedido de extradição de Battisti, ou o direito da Itália decidir sobre questões internas de nosso País, relembrou os tempos de Hermes Lima, Evandro Lins e Silva, Ribeiro da Costa, Victor Nunes Leal e tantos outros que não se calaram diante do arbítrio e nunca receberam ninguém pela porta dos fundos. E veio a calhar, pois estamos começando a viver um tempo em que forças sinistras de extrema-direita começam a colocar a cabeça do lado de fora, na tentativa de reviver o tenebroso período da ditadura militar, tudo no disfarce da democracia como ilusão. E até que se prove em contrário continuamos a ser uma nação soberana. Mesmo com Brilhante Ulstra colunista da FOLHA (deve explicar técnicas de tortura, estupro de presos, assassinatos, etc) e a mídia privada que temos. A propósito, Hilary Clinton reuniu-se em um jantar em Washington com seis ex-presidentes de países da América Latina leais a organização terrorista da qual é Secretária de Estado, para decidir o que fazer com essa parte do mundo. Entre os agentes norte-americanos convocados o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. William Waack dessa vez, um dos agentes preferidos da senhora Clinton, ficou de fora. O perigo, é real, não é brincadeira não, é Gilmar Mendes entrar num acordo com Sérgio Cabral no Rio e o vice-governador Givaldo Vieira do Espírito Santo e chamar o BOPE e a organização terrorista PM do ES. Os bombeiros estão lascados. =============================================================================================== FORÇAS ÍTALO/AMERICANAS DERROTADAS NO STF Laerte Braga Um dos episódios mais estranhos ? para usar uma expressão suave ? de todo o processo que envolve a extradição (negada) de Cesare Battisti ocorreu há cerca de um mês, quando a Secretaria do STF enviou o feito ao ministro Joaquim Barbosa, quando deveria tê-lo feito ao relator. Por conta de um pedido de liberdade para Battisti. Um engano segundo um funcionário do STF. Gilmar Mendes, Ellen Gracie e o presidente da Corte César Peluso estavam nos Estados Unidos chamados a explicar as razões e os motivos pelos quais o Brasil não queria ? como não vai ? entregar o preso político à sanha do pedófilo Sílvio Berlusconi. Há muito mais que a simples extradição requerida pelo governo italiano, como pela intervenção descabida desse governo ferindo a soberania nacional do que pode parecer à primeira vista. Por trás de toda essa pantomima organizada sob a batuta do ministro Gilmar Mendes está a submissão do Judiciário brasileiro a interesses e conveniências do neoliberalismo em todos os seus sentidos, da globalização com seu caráter de ?globalitarização?, tudo isso expresso na subserviência do acordo assinado pelo ministro Ari Pendengler (o do chilique com um funcionário num caixa eletrônico) e o Banco Mundial. Não é de hoje que o governo dos EUA pressiona o governo brasileiro a adotar uma legislação específica contra o que Washington considera ?terrorismo?, excluindo, evidente, os norte-americanos. Que por sinal não aceitam o Tribunal Penal Internacional. Campo de concentração em Guantánamo inclusive com menores presos isso pode. O STF por maioria de seis votos a três (exatamente os soldados ítalo/americanos sob o comando de Gilmar Mendes) rejeitou as pressões do governo da Itália, a intervenção dissimulada do governo norte-americano e mandou soltar Battisti, sem prejuízo do processo a que responde na justiça estadual do Rio de Janeiro. Reafirmou a soberania nacional. É outra luta que se avizinha, pois todo o foco de pressões será deslocado para o Rio de Janeiro. Todos esses anos de dinheiro público jogado fora ? a lei é clara, a Constituição não deixa dúvidas sobre o poder final do presidente da República em casos de extradição ? para atender a certamente interesses de quem ganhou dinheiro com tudo isso. E pela porta dos fundos. Se Battisti se chamasse Daniel Dantas tudo seria mais fácil. É difícil entender a presença de Gilmar Mendes no STF. Como é fácil compreender a recusa de José Sarney a um pedido de afastamento e investigações sobre o ministro feito por um cidadão brasileiro. Eles se entendem no processo institucional falido que rege o País e mantém intocados privilégios e absurdos como esse do processo de extradição de Cesare Battisti. O relator Gilmar Mendes votou pela anulação do ato do presidente Lula que concedeu a Battisti a condição de refugiado ao aceitar o direito do governo da Itália interferir em negócios internos do Brasil (é célebre a entrada do embaixador da Itália no gabinete do ministro, à época que presidia a Corte. Pela porta dos fundos). Seis ministros ? maioria absoluta ? votaram contra a extradição e pela imediata soltura de Battisti. Luís Fux (que fulminou Gilmar Mendes em seu voto), Ricardo Lewandovsky, Joaquim Barbosa, Ayres Brito, Carmen Lúcia e Marco Aurélio Mello. Os dois ministros que acompanharam o relator foram exatamente seus companheiros de viagem aos EUA. Ellen Gracie e Cesar Peluzo. Era visível, até no tropeçar nas palavras e no não conseguir concatenar seu raciocínio, a irritação da ministra Ellen Gracie ao perceber que os interesses ítalo/americanos estavam derrotados e o Brasil até prova em contrário é uma nação senhora de si. Dois ministros se julgaram impedidos e não votaram. José Antônio Toffoli e Celso Melo. Os ministros alinhados com o governo da Itália e às pressões norte-americanas tentaram de todas as formas desclassificar as razões do presidente Lula para conceder o refúgio e se esqueceram, no quesito direitos humanos, de citar fatos graves e de peso indiscutível na concessão do refúgio. As acusações contra Battisti foram obtidas através de delação premiada e não existem garantias que seus direitos básicos seriam respeitados na Itália, já que foi julgado à revelia com base exatamente nessa figura abominável ?delação premiada?, justo por abrir portas para salvar a própria pele e entregar a do companheiro, ou cúmplice. O ministro Luís Fux lembrou as declarações de um deputado italiano logo no início do caso. ?O Brasil não é famoso por seus juristas, mas por suas dançarinas?, para invocar, além dos fundamentos jurídicos, questões de soberania nacional. A decisão do STF é uma dura derrota para a extrema-direita brasileira em todos os seus campos. A mídia nacional ? privada ? durante todos esses anos referiu-se a Battisti como ?terrorista? e procurou criar na opinião pública condições favoráveis a pressões pela extradição. Foi vencida também. Ao final, visivelmente a contragosto, o presidente do STF, ministro Cesar Peluzo proclamou o resultado e determinou a expedição do alvará de soltura do jornalista e escritor Cesare Battisti. Gilmar Mendes, numa de suas intervenções durante a fala de Ellen Gracie tentou deixar uma porta aberta para futuros processos como esse, já dentro das normas traçadas pelo Banco Mundial e organismos internacionais para judiciários de países submissos ao modelo. Pelo jeito o Brasil continuará sendo soberano. Pelo menos no caso de Cesare Battisti. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110609/24b7943b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 10 19:59:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 10 Jun 2011 19:59:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Caros amigos do Berro, vamos escolher a Rosa Maria Cosenza , membro da ARL para ser homenageada da Feira do Livro 2012 Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Público pode escolher homenageados da Feira do Livro 2012 Sex, 03 de Junho de 2011 16:36 imprensa A Fundação Feira do Livro promove até o dia 10 de junho enquete para escolher os homenageados da próxima edição do evento. Serão cinco opções, entre as categorias país, estado, autor infanto-juvenil, escritor e autor da terra. A escolha do patrono cabe à comissão organizadora do evento. Para votar acesse www.feiradolivroribeirao.com.br/enquete. Abra o site e vote na Rosa Cosenza. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110610/a99243fe/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 10 19:59:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 10 Jun 2011 19:59:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__ANT=D4NIO_CARLOS_NOGUEIRA_CABRAL____?= =?iso-8859-1?q?________________________________=B4CLXI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ANTÔNIO CARLOS NOGUEIRA CABRAL (1948-1972) Data e local de nascimento: 14/10/1948, São Paulo (SP) Filiação: Maria Tereza Nogueira Cabral e Cezario Nogueira Cabral Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 12/4/1972, em Rio de Janeiro (RJ) Este é mais um caso em que o trabalho da CEMDP conseguiu derrubar a versão que prevaleceu durante muitos anos, de que esse estudante de Medicina paulista teria sido morto ao resistir à prisão. Na verdade, Antônio Carlos Nogueira Cabral foi morto depois de preso pelos agentes do DOI-CODI/RJ. Cabral, como era conhecido entre os alunos da Faculdade de Medicina da USP, em Pinheiros, foi presidente do Centro Acadêmico Osvaldo Cruz (CAOC) em 1970, e era militante da ALN desde 1969. Liderança muito querida entre seus colegas de faculdade, participou da tradicional encenação teatral do Show Medicina e também de uma montagem dirigida por Alberto Daversa, Noite de Guerra no Museu do Prado, de Rafael Alberti, que narra a heróica resistência dos republicanos espanhóis frente ao ataque final das forças fascistas, em 1939. Cabral também jogava rúgbi e praticava outras modalidades esportivas, sendo um caso raro de militante de esquerda, naquele período polarizado da história brasileira, a manter amizade normal com os colegas de faculdade alinhados com as posições da direita. Sua prisão, em circunstâncias ainda hoje não esclarecidas, ocorreu provavelmente em 11/04/1972, no Rio de Janeiro, mas os fatos só foram divulgados pelos jornais no dia 18, com a versão de que Cabral morrera ao resistir à prisão na Rua Zizi, nº 115, bairro Lins de Vasconcelos. As informações dos jornais eram coincidentes quanto ao local, mas não quanto ao horário da ocorrência: às 2h20 segundo a Folha da Tarde, ou às 22 horas, conforme o Jornal do Brasil. Ao mesmo tempo, o atestado de óbito registra que Antonio Carlos morreu às 5h25, enquanto os peritos atenderam às 3h40 a ocorrência solicitada pelo DOPS/RJ para laudo em local de morte violenta. Seu corpo foi encaminhado ao IML como sendo de um desconhecido, com a guia nº 5 do DOPS. Diligências efetuadas no âmbito da CEMDP permitiram localizar, nos próprios documentos do IML/RJ e nas fotos de perícia de local as provas que derrubaram cabalmente a versão oficial dos órgãos de segurança. Em todos os documentos oficiais Antonio Carlos aparece como desconhecido. O laudo, assinado por Olympio Pereira da Silva e Jorge Nunes Amorim, descreve tiros em regiões vitais: dois no pescoço e três próximos ao coração, registrando também muitas escoriações, sem definir a origem. As escoriações nas mãos, no tórax, na testa e nas faces do rosto são visíveis nas fotos de seu corpo e atestam torturas. O relatório de perícia relativo à ocorrência 293/72 informa que os peritos compareceram ao local às 3h40 do dia 12 de abril, atendendo requisição do DOPS, e descreve o local do encontro do corpo de Antonio Carlos, na entrada da casa. Assinalaram feridas contusas e equimoses nas nove fotos que acompanham o laudo. Registram que suas vestes se achavam em desalinho, denunciando bruscos movimentos de luta, e que suas vestes e mãos estariam impregnadas de tinta de impressão. Tais fotos, entretanto, não foram localizadas. As duas fotos do corpo de Antonio Carlos que acompanham o processo foram resgatadas dos arquivos do IML/RJ, onde se encontravam sem qualquer identificação. O atestado de óbito foi firmado por Olympio Pereira da Silva, que deu como causa da morte, ocorrida às 5h25 do dia 12 de abril, ferimentos penetrantes e transfixantes do tórax e abdômen, com lesões do pulmão direito, coração e fígado - hemorragia interna. As marcas de tortura são claramente visíveis nas fotos: escoriações nas mãos, tórax e rosto, nem todas descritas na necropsia. O corpo foi reconhecido pela irmã, Maria Elizabeth Nanni, após a publicação da versão oficial. O corpo foi entregue à família em caixão lacrado, tendo o enterro contado com a presença ostensiva de agentes policiais. Cabral era outro dos militantes acusados pelos órgãos de segurança de ter participado da execução do marinheiro inglês David Cuthberg, conforme já relatado no caso anterior, bem como do assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, em que foram mortos três vigilantes de uma transportadora de valores. Não foi possível determinar as condições concretas em que Cabral foi morto, mas o entendimento unânime na CEMDP foi de que sua morte não ocorreu no local indicado pelos órgãos de segurança, apontando também os indícios eloqüentes de que foi torturado antes de morrer. Conforme já relatado na apresentação do caso Gelson Reicher, em 09/11/2006, numa iniciativa conjunta entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e a diretoria do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, foi inaugurado nessa entidade de representação estudantil um memorial, painel metálico com fotos e textos, em homenagem a Gelson e Cabral. ======================================================================================================================= + Informações. ANTÔNIO CARLOS NOGUEIRA CABRAL Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Morto aos 23 anos. Estudante de Medicina na Universidade de São Paulo, era Presidente do Centro Acadêmico Osvaldo Cruz. Segundo versão oficial, Antônio Carlos teria morrido, aos 25 anos, no Rio de Janeiro, em tiroteio ao resistir à prisão, na casa em que morava. Mas, segundo a vizinhança, não houve tiroteio algum. Associado a isto existe o fato de que seu caixão foi entregue à família lacrado e com ordens expressas de não abri-lo. O enterro de Antônio Carlos contou, ainda, com a presença ostensiva de policiais. O corpo de Antônio Carlos entrou no IML pela guia n° 05 do DOPS, como desconhecido, morto ao reagir à prisão. Foi identificado por sua irmã, Maria Elizabeth Nanni, em 18 de abril de 1972 e entregue à família no dia 19. A necrópsia foi assinada pelos Drs. Olympio Pereira da Silva e Jorge Nunes Amorim. O óbito teve como declarante Álvaro Silva e também confirma a versão oficial de que foi morto em "aparelho subversivo" ao reagir à prisão. Entretanto, as fotos da perícia de local ( n° 293/72), obtidas no Instituto Carlos Éboli/RJ, mostram escoriações nas mãos, no tórax e no rosto, faces e testa. Algumas são descritas na necrópsia, outras não. Não se encontrou registro de ocorrência em delegacia policial. Relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica falam que teria morrido no dia 12 de abril de 1972, às 5:25 h na Rua Zizi, 115, Lins de Vasconcelos, após intenso tiroteio ao resistir à ordem de prisão. ============================================================================================= + Informações ANTÔNIO CARLOS NOGUEIRA CABRAL Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Morto aos 23 anos. Estudante de medicina na Universidade de São Paulo, era Presidente do Centro Acadêmico Osvaldo Cruz. Segundo versão oficial, Antônio Carlos teria morrido, aos 25 anos, no Rio de Janeiro, em tiroteio ao resistir a prisão, na casa em que morava. Mas, segundo a vizinhança, não houve tiroteio algum. Associado a isto existe o fato de que seu caixão foi entregue à família lacrado e com ordens expressas de não abri-lo. O enterro de Antonio Carlos contou, ainda, com a presença ostensiva de policiais. O corpo de Antônio Carlos entrou no IML, pela guia nº05 do DOPS, como desconhecido, morto ao reagir à prisão. Foi identificado por sua irmã, Maria Elizabeth Nanni, em 18 de abril de 1972 e entregue à família no dia 19. a necrópsia foi assinada pelos Drs. Olympio Pereira da Silva e Jorge Nunes Amorim. O óbito teve como declarante Álvoro Silva e também confirma a versão oficial de que foi morto em "aparelho subversivo" ao reagir a prisão. Entretanto, as fotos da perícia de local (nº 293/72), obtidas no Instituto Carlos Éboli/RJ, mostram escoriações nas mãos, no tórax e no rosto, faces e testa. Algumas são descritas na necrópsia, outras não. Não se encontrou registro de ocorrência em delegacia policial. Relatórios dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica falam que teria morrido no dia 12 de abril de 1972, às 5:25 h na Rua Zizi, 115, Lins de Vasconcelos, após intenso tiroteio ao resistir à ordem de prisão. ========================================================================================================== + Detalhes. Ministro inaugura memorial em homenagem a vítimas da ditadura 10 de novembro de 2006 O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, participou na noite desta quinta-feira (9) da inauguração do Memorial Pessoas Imprescindíveis, em homenagem aos estudantes Antonio Carlos Nogueira Cabral (foto) e Gelson Reicher, vítimas da ditadura militar. Elaine Patricia Cruz Repórter da Agência Brasil São Paulo - O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, participou na noite desta quinta-feira (9) da inauguração do Memorial Pessoas Imprescindíveis, em homenagem aos estudantes Antonio Carlos Nogueira Cabral e Gelson Reicher, vítimas da ditadura militar. O memorial foi criado a partir de parceria entre a Secretaria e o Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (Caoc), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo o ministro, que lembrou ter sido secretário do Caoc em 1970, a inauguração do memorial resgata um momento importante na história do Brasil. "O país que não tem coragem de olhar profundamente para o seu passado, para saber o que aconteceu, o que foi a ditadura, o que foi a tortura, e se recusa a fazer esse exame, não terá plenas condições de construir hoje uma sociedade sem violência", disse. Vannuchi destacou que o memorial também servirá para a nova geração "reconhecer o bem da democracia e compreender que agora, com todos os defeitos e desequilíbrios que o nosso país continua tendo, pelo menos já há condições de decidir as disputas através do voto, através da vida partidária". De acordo com Ciro Matsui Junior, diretor do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, a inauguração é apenas o primeiro passo de um projeto que pretende retomar a memória do Centro e a do movimento estudantil. "Desde 2005, temos um projeto de restauro e de organização do arquivo histórico", afirmou. Para ele, com a inauguração será retomada "a memória desses dois estudantes e também muitas das bandeiras de luta que eles tinham naquela época, em prol da democracia, da liberdade e de uma sociedade mais igualitária". Vannuchi informou também que a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos deve entrar agora em uma segunda fase de trabalho - a de localização das ossadas, pois mais de 100 corpos de brasileiros mortos e desaparecidos na época da ditadura ainda não foram localizados . "É fundamental que a sociedade civil mantenha esse tipo de pressão e que os governos reconheçam sua responsabilidade para, juntos, mantermos esforços para localizar esses corpos", disse. Antonio Carlos Nogueira Cabral foi estudante de medicina da USP e presidiu o Caoc. Segundo a versão oficial, teria morrido após um tiroteio, quando resistia à prisão, na casa onde morava. A família reconheceu o corpo, que tinha dado entrada no Instituto Médico Legal (IML) como desconhecido no dia 19 de abril de 1972. O grupo Tortura Nunca Mais informou que os relatórios dos ministérios da Marinha e da Aeronáutica apontam a morte de Cabral no dia 12 de abril de 1972. Gelson Reicher estudava na mesma faculdade e era militante da Ação Libertadora Nacional (ANL). No dia 20 de janeiro de 1972, aos 23 anos, morreu depois de alvejado por policiais do DOI-Codi de São Paulo. De acordo com o relatório do Ministério da Marinha, Gelson "morreu em intenso tiroteio com agentes de segurança". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110610/14f457a5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3638 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110610/14f457a5/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 591 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110610/14f457a5/attachment-0003.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 350 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110610/14f457a5/attachment-0004.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 641 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110610/14f457a5/attachment-0005.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2483 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110610/14f457a5/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 11 17:58:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 11 Jun 2011 17:58:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__JOS=C9_MENDES_DE_S=C1_RORIZ_________?= =?iso-8859-1?q?________________________________-CLXII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ MENDES DE SÁ RORIZ (1927-1973) Filiação: Leonina Mendes de Sá e Belarmino de Sá Roriz Data e local de nascimento: 30/12/1927, Crato (CE) Organização política ou atividade: RAN Data e local da morte: 17/02/1973, Rio de Janeiro (RJ) Cearense do Crato, Sá Roriz, aos 15 anos de idade, conseguiu falsificar sua própria idade para se engajar na 9ª Companhia de Fuzileiros Navais, lutando na II Guerra Mundial. Sob o comando do marechal Cordeiro de Farias lutou contra o nazi-fascismo no campo de batalha europeu. Foi ferido na guerra e perdeu a vista de um olho. Recebeu inúmeras condecorações e foi reformado como 2º Sargento em 1956. Tornou-se uma liderança dentre os ex-combatentes e sargentos. No pós-guerra, foi filiado ao Partido Comunista e participou de inúmeras mobilizações sindicais. Morando no Rio com a família, esteve preso várias vezes após abril de 1964, sendo recolhido à Vila Militar, Ilha das Flores, DOPS e Polícia do Exército. Teria ligações com Leonel Brizola e chegou a candidatar-se a deputado federal. Segundo informações dos órgãos de segurança, logo após a derrubada de João Goulart, Sá Roriz esteve vinculado a uma articulação subversiva de integrantes da Polop, desbaratada imediatamente, que foi divulgada pela imprensa como "guerrilha de Copacabana". Por esse episódio, seria condenado pela Justiça Militar, em 27/11/1969, a cinco anos de reclusão, mesma pena imposta a Rui Mauro Marini e Luiz Alberto Moniz Bandeira, intelectuais brasileiros de expressão nacional. Consta num documento do CENIMAR, datado de 06/02/1969, que informa sobre o furto de um fuzil do Exército por elementos "contra- Revolucionários", uma referência ao nome de Sá Roriz, que teria um "aparelho" com João Lucas Alves, dirigente do COLINA que foi morto em março daquele ano, local onde foi aprendido material subversivo. Em 1965, asilou-se na embaixada do México e seguiu para aquele país. Em 1968, sua filha Suely foi presa e levada à Polícia do Exército do Rio de Janeiro, por ter feito declarações à imprensa em defesa do pai. Sá Roriz retornou em 1969 ao Brasil, para rever o filho Eduardo Licarião Roriz, gravemente acometido de meningite. Ficou vivendo no Brasil, clandestinamente, até sua prisão e morte em 17/02/1973, acusado de estar vinculado à organização clandestina RAN - Resistência Armada Nacional. Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio informam no livro Dos Filhos Deste Solo: "No início de janeiro de 1973, Sá Roriz escapou por pouco à prisão no Rio. Em represália, os militares do centro de tortura da Barão de Mesquita invadiram a casa de sua mulher e filhos e tomou como refém o jovem Eduardo, então com 18 anos. Levaram-no para o DOI-Codi, onde por três dias passou sede, fome, em cela onde a temperatura oscilava do frio intenso ao calor forte, tomou choques elétricos. Foi seqüestrado no dia 27 de janeiro". Sá Roriz, ao saber que o filho ficaria preso até que ele próprio se apresentasse e preocupado com as ameaças feitas à sua família, se entregou ao marechal Cordeiro de Farias, sob cujo comando lutara na Itália, acreditando que assim garantia sua vida. No dia 30 de janeiro, Sá Roriz, acompanhado do marechal, foi ao gabinete do chefe do 1º Exército, Sizeno Sarmento, a quem se entregou em troca da liberdade do filho. Levado preso para o DOI-CODI, lá foi morto dezessete dias depois. Após muita pressão, a família conseguiu a liberação do corpo no Hospital Central do Exército. O atestado de óbito só foi assinado cinco meses depois, no dia 11/06/1973, e não apresenta causas para a morte por "depender de exames laboratoriais solicitados". Foi enterrado no dia 18/02/1973, no Cemitério Jardim da Saudade. Não ficaram restabelecidas as reais circunstâncias da morte de Sá Roriz. Estando o pedido amparado nos quesitos da Lei nº 9.140/95, o relator na CEMDP encaminhou o deferimento, concluindo que Sá Roriz foi morto sob responsabilidade do Estado. ========================================================================================================== + Informações. JOSÉ MENDES DE SÁ RORIZ Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nascido no Crato, Ceará, em 30 de dezembro de 1927, filho de Belarmino de Sá Roriz e Leonina Mendes de Sá Roriz. Casado, tinha quatro filhos. Aos 15 anos de idade engajou-se na 9ª Companhia de Fuzileiros Navais, lutando na 2ª Guerra Mundial, onde foi ferido, perdendo um olho. Por sua coragem, recebeu inúmeras condecorações. Em 1956, foi com a família para o Rio de Janeiro, reformado como 2° Sargento. Logo ligou-se ao PCB, participando de vários movimentos sindicais e candidatando-se a deputado federal. Participou do "Grupo dos 11" com Leonel Brizola. Após o golpe militar de 1964, foi preso várias vezes, passando pela Vila Militar, Ilha das Flores, DOPS/RJ e Polícia do Exército. Libertado, em 1965, conseguiu asilo político no México, onde permaneceu até 1969. Em 1968, sua filha mais velha, Suely Roriz foi presa e levada à PE/RJ, aos 18 anos de idade, por ter dado entrevista à imprensa em defesa do pai que, exilado, era acusado pela ditadura por uma série de ações armadas. Em 1969, Sá Roriz voltou do exílio devido à grave doença de seu filho mais novo e viveu clandestino até sua prisão e morte em fevereiro de 1973. Em 28 de janeiro de 1973, sua casa mais uma vez foi invadida pela repressão e seu filho mais novo, Eduardo, de 17 anos, foi preso e torturado e toda a família ameaçada para que se entregasse. Apresentou-se, então, ao Marechal Cordeiro de Farias, seu filho foi libertado e Sá Roriz preso, ficando 17 dias no DOI-CODI/RJ, de onde saiu morto. Seu atestado de óbito afirma que morreu em 17 de fevereiro de 1973, no Hospital Central do Exército e não apresenta causa mortis, afirmando "depender de exames laboratoriais solicitados". Somente foi assinado em 11 de julho de 1973 (5 meses após a sua morte), tendo sido firmado pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janine. O corpo de Sá Roriz foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade (RJ) por sua família, em 18 de fevereiro de 1973, após muita insistência para liberação. O resultado do exame toxicológico das vísceras e sangue de Sá Roriz (Documento de n° 432.117, enviado pelo ofício n° 1142 de 19 de fevereiro de 1973 do Hospital Central do Exército) é negativo. Vários pedidos de abertura de processo foram encaminhados ao Ministério da Justiça, sem qualquer resposta. ================================================================================================= + Informações. 28 subversivos condenados O Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria de Guerra condenou ontem no Rio, após julgamento secreto de durou oito horas, 28 civis e militares cassados pela Revolução, acusados de integrarem uma organização subversiva. Todos foram condenados à revelia, já que estão foragidos. Eis as penas decretadas no julgamento de ontem: 5 anos de reclusão, para Rui Mauro de Araujo Marini, José Medeiros de Oliveira, José Mendes de Sá Roriz e Luiz Alberto Moniz Bandeira; 4 anos e quatro meses de reclusão, para Avelino Bion Capitani, Severino Vieira de Souza, José Alves Diniz, Serafim Pinto Cal, Arnaldo de Assis Mourthe, Antonio Geraldo Costa, Claudio Galeno de Magalhães Linhares, Rui Gomes de Lima, Guido de Souza Rocha; 2 anos de reclusão. Para Guido Afonso Duque de Noric, Jairo Rouras Caballos, Leo Gomes de Oliveira, Dirceu de Assis Mourther, Jayder Rosa Gomes, Walter Augusto da Silva, José Luis Boina, Elio Ferreira Rego, Sebastião de Lemos Vasconcelos; 2 anos e 40 dias de reclusão, para Napoleão Quinto Pereira Junior, Jorge Ferreira Brandão, Fernando Koueritz; 5 anos de reclusão para Raul Alves Nascimento Filho e Antonio Duarte dos Santos. Foram absolvidos, por deficiencia de provas, Dagoberto Rodrigues, Leonel de Moura Brizola, Dante Pelacani, Paulo Schilling, Pedro França Viegas e Eurudilio Barreto da Silva, e tambem porque já estão condenados em outros processos por identicos delitos. Todos eles foram denunciados como incursos na Lei de Segurança Nacional, sob acusação de tentarem a reorganização do Partido Comunista Brasileiro e de fazerem aliciamento de adeptos para um movimento armado contra-revolucionario. (acervo da FSP) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110611/d165509c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10987 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110611/d165509c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 11 17:58:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 11 Jun 2011 17:58:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Dia_18_de_junho_=E0s_14=2Coo_hora?= =?iso-8859-1?q?s_-_Lan=E7amento_do_livro_=22Eduardo_Leite_Bacuri?= =?iso-8859-1?q?=22_-_no_Memorial_da_Resist=EAncia_-_Largo_General_?= =?iso-8859-1?q?Os=F3rio_=2C_66_-_Esta=E7=E3o_da_Luz_-_S=E3o_Paulo?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110611/7f472d86/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 74794 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110611/7f472d86/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 12 14:17:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 12 Jun 2011 14:17:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Homenaje_a_Bob_Marley____________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?________________________________________HOJE_=C9_DO?= =?iso-8859-1?q?MINGO!__M=DASICAS!?= Message-ID: <4141AECFA75C49AF8397E0B894BD9DDD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem El Insurgente prensa crítica vía internet "Por las masas trabajadoras y campesinas, los grupos étnicos y el medio ambiente" Número 205 Año seis Costa Rica, CENTROAMÉRICA A 30 años de la muerte de Bob, millones recordamos su universal legado musical, político y humano. Él está en el cielo de los músicos, conversando muy posiblemente con Sid Barret, Joey Ramone, John Entwistle, Joe Strummer y muchos otros que en los diferentes géneros musicales, han sido grandes por su obra y su actitud ante la sociedad. Otros notables músicos, como Kevin Donovan (Africa Bambaataa), Paul Simonon, Johnny Rotten y Marky Ramone, aún están en este mundo. Honremos la música, escuchemos la que aporta criticidad y compromiso social, y demos su justo lugar a las producciones de calidad. !Larga vida a Bob Marley! *artículo tomado de: http://www.musica.com/letras.asp?biografia=249 * "BIOGRAFÍA DE BOB MARLEY Robert Nesta Marley, nació en Nine Miles (Rhoden Hall, Saint Ann) una pequeña localidad al norte de la isla de Jamaica, en el mar Caribe. Era hijo de Cedella Booker, jamaicana negra de 18 años y de Norval Marley, capitán del ejército británico, blanco, de 50 años, que se desentendió de su hijo, por miedo a ser deshederado. A finales de los años cincuenta, Bob se trasladó con su madre a Kingston, la capital. Era la ciudad donde los habitantes de las zonas rurales acudían en pos de mejorar su situación económica. Por desgracia para la mayoría, su destino eran los barrios pobres. Fue justamente en Trenchtown donde el joven Robert Nesta Marley fue expuesto a la música bebop y el jazz moderno. A pesar de ser ésta una de sus primeras influencias musicales luego admitió: "I couldn't understand it," "yo no lo entendía". Pero, sin embargo, en 1960 comenzó a tomar parte de las sesiones vespertinas de musica encabezadas por Joe Higgs. Mientras trabajaba como soldador en Kingston, Bob formó su primer grupo musical, The Rudeboys, que desde 1963 se llamarían The Wailing Wailers, junto a Neville O'Riley Livingstone (Bunny Wailer) y a Peter Tosh. Juntos comenzaron a tocar, influenciados por la música de Ray Charles, Fats Domino, Brook Benton y Curtis Mayfield. Ese año lanzaron un primer disco que alcanzaría el primer puesto en las listas jamaicanas. Marley se convirtió en uno de los primeros en escribir canciones sobre los jóvenes delincuentes del ghetto de Kingston. En 1966, Bob Marley se casó con Rita Anderson y se marchó unos meses a vivir con su madre, quien estaba viviendo en Estados Unidos con su nuevo esposo. A su vuelta a la isla, la creencia en la religión rastafari creció en Bob, después de ser su esposa testigo de la divinidad de Haile Selassie en su visita a Jamaica el 21 de abril de 1966. Ella infundió esta creencia en él y esto se refleja en sus nuevas canciones. Con sus amigos Bunny y Peter, crean un nuevo grupo, 'The Wailers'. Debido al tipo de espiritualismo que emanaba de sus canciones, tuvieron problemas para encontrar representantes. A principios de los setenta, se alían con Lee Perry, un productor que revoluciona su trabajo, dando como resultado algunas de sus mejores obras, como Soul Rebel, Small Axe, 400 Years, etc. A fines de 1972 el grupo editó su primer álbum, Catch a Fire, que tuvo gran éxito, lo que los llevó a realizar una gira por Inglaterra y Estados Unidos. En 1973 salió a la luz su nuevo disco, Burnin', con nuevas versiones de sus viejos temas. Bunny y Peter dejan el grupo para dedicarse a sus carreras en solitario. Les sustituyen en el grupo la nueva mujer de Bob, Marcia Griffiths, y Judy Mowatt. El grupo pasó a denominarse Bob Marley & The Wailers. En 1975 realizan Natty Dread y un disco de sus temas en vivo: Live!. En 1976 presentó Rastaman Vibrations, disco que llega a las listas de éxitos y es considerado como el más claro exponente de las creencias de Bob. La temática de sus canciones abarcan desde el amor, pasando por la crítica social, hasta llamadas a una revolución espiritual y política. El 5 de diciembre de 1976, Bob se disponía a dar un concierto gratuito en Kingston, como reivindicación de la paz y los derechos de los ciudadanos de su patria. Pero unos desconocidos le atacaron antes del concierto, hiriéndolo en el brazo izquierdo de un disparo. Tras este atentado, Bob Marley abandonó Jamaica y se trasladó a Londres, multiplicando sus giras por Estados Unidos, Europa y África. Al año siguiente editó el álbum Exodus (1977), que se convirtió en un superventas en Inglaterra. Ese mismo año editó Kaya, un nuevo éxito con canciones de amor y de homenaje a la marihuana. Tras la publicación del disco Babylon By Bus (1978), fruto de una gira por Europa y América, Bob visitó África, hecho que le inspiró un nuevo álbum, Survival, homenaje a la patria africana. En 1980, durante la violenta campaña electoral en Jamaica, Bob intervino para conseguir una tregua pública entre los rivales políticos Michael Manley y Edward Seaga. Editó Uprising (1980), cuyo éxito fue arrollador, propiciando una nueva gira europea que batió todos los récords de asistencia. Pero al finalizar esta gira europea, Bob cayó gravemente enfermo de cáncer, de origen incierto. Los médicos le aconsejaron en 1978 que se dejara amputar el pie, pero se negó a hacerlo, aparentemente a raíz de sus creencias rastafaris. El 11 de mayo de 1981 Bob Marley falleció en un hospital de Miami a los 36 años, un mes después de haber recibido la "Orden del Mérito" de Jamaica por su contribución a la cultura jamaiquina. Su cuerpo fue trasladado a su ciudad natal, Nine Mile, donde descansa en un mausoleo. Nesta Robert Marley recibió un gran funeral otorgado por la gente de su pueblo. Al mismo también acudieron el primer ministro de Jamaica y otras altas personalidades del mundo." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110612/aa22c685/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 12 14:17:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 12 Jun 2011 14:17:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LINCOLN_BICALHO_ROQUE________________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CLXIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem LINCOLN BICALHO ROQUE (1945-1973) Filiação: Maria Augusta Bicalho Roque e José Sarmento Roque Data e local de nascimento: 25/05/1945, São José do Calçado (ES) Organização política ou atividade: PCdoB Data e local da morte: 13/03/1973, Rio de Janeiro (RJ) Capixaba de São José do Calçado, Lincoln cursou o primário no Grupo Escolar Bodart Júnior de Rio Novo do Sul (ES) e o Ginásio no Colégio Estadual do Espírito Santo em Vitória, onde tirou primeiro lugar, conseguindo cursar o segundo grau no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Sempre foi um excelente aluno, aprovado em todos os vestibulares que prestou para Medicina do Estado do Rio de Janeiro. Cursou um ano na Faculdade Nacional de Medicina (UFRJ), mas trancou a matrícula para estudar Sociologia na mesma universidade. Formou-se em 1967 e foi contratado como professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Em abril de 1968, em razão de suas atividades políticas, teve aposentadoria compulsória. Tornou-se militante do PCdoB logo após ter participado da conferência de fundação do PCBR, no Rio de Janeiro, assim como fizeram Armando Teixeira Frutuoso e Manoel Jover Telles. Trabalhou como sociólogo no SESC até passar a viver na clandestinidade em 1972. Participou do Programa Nacional de Alfabetização e integrou o Comitê Estadual e o Comitê Central do PCdoB. Antes da clandestinidade foi preso várias vezes. Após 1972 trabalhou para várias instituições usando outras identidades. Pela versão oficial Lincoln morreu ao reagir às forças de segurança. Tinha 28 anos de idade. O corpo foi encontrado ao lado do Pavilhão de São Cristóvão (RJ) em 13/03/1973 com mais de 15 tiros. O cadáver teria entrado no IML/RJ no mesmo dia, como desconhecido, pela Guia N° 15 do DOPS. A necropsia, realizada no dia seguinte por Gracho Guimarães Silveira e Jorge Nunes Amorim, confirmou a versão oficial de morte em tiroteio. Teria sido reconhecido pelas impressões digitais, segundo documento do DOPS/RJ, de 16/03/1973 e, retirado por seu irmão para o enterro realizado pela família, no dia 23, no Cemitério Jardim da Saudade (RJ). Sua morte foi divulgada pelos órgãos de repressão no dia 21/03/1973 A relatora do processo na CEMDP afirmou, baseada em provas anexadas, que era falsa a versão oficial apresentada e que na verdade Lincoln fora assassinado sob torturas no DOI-CODI do Rio de Janeiro, como provam os depoimentos prestados por seus familiares e ex-presos políticos na ação ordinária movida pela família de Lincoln junto à 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro. João Luiz de Santiago Dantas Barbosa Quental, companheiro de militância de Lincoln, preso no dia 06/03/1973 e recolhido à PE da rua Barão de Mesquita, onde funcionava o DOI-CODI/RJ, confirmou ter sido levado para uma praça em São João do Meriti, onde tinha encontro marcado com Lincoln. Ali, escoltado pelos agentes do DOI-CODI, viu quando Lincoln chegou ao local e foi preso, agarrado pelo cós da calça e pelos braços, sem esboçar qualquer reação. Acrescentou que, conforme orientação do partido a que pertencia - e Lincoln era do Comitê Central - os militantes não portavam armas nas cidades, pois o PCdoB defendia que a luta armada deveria ser travada no campo. Soube da morte de Lincoln dias depois, por outro preso, que lhe relatou ter a nota oficial informado que ele faleceu em tiroteio em um outro local. Delzir Antônio Mathias declarou que foi preso no dia 01/06/1975. Como durante a tortura no DOI-CODI/RJ não falava nada, ameaçaram levá-lo para o delegado Fleury em São Paulo, dizendo-lhe que era corajoso como o Lincoln, que resistira muito às torturas, e que lhe passariam um filme para que visse em que estado Lincoln ficara. Amilcar Barroso de Siqueira, que em 1973 era estagiário no escritório do advogado Modesto da Silveira, afirmou que a família de Lincoln procurou o escritório ao saber que ele estava preso. Todas as tentativas feitas para localizá-lo tiveram resposta negativa. A relatora do processo na CEMDP destacou que o documento feito pelo comissário do DOPS, Mário Martins da Veiga, funcionário de plantão no dia 13 para 14/03/1973, dizia que ao receber a mensagem telefônica às 19h30 sobre a morte de um "subversivo" no Campo de São Cristóvão, foi ao local e constatou que, realmente, ocorrera uma morte por volta das 20h, o que entra em contradição com o horário do telefonema. O levantamento pericial, realizado por Luiz Leite Santiago e Brent Bastos, descreve o encontro do corpo, das vestes, os ferimentos, a chuva e a iluminação deficiente, concluindo que houve um homicídio, em circunstâncias a serem esclarecidas e atestam: "Com o cadáver nas proximidades não foram encontrados quaisquer documentos, pertences, ou outros elementos materiais (vestígios) de valor criminalístico que se pudesse relacionar ao evento da causa". A própria perícia desmente a versão oficial ao constatar que ali não havia armas. A história da militância política de Lincoln já tinha sido tema de documentário do diretor Cacá Diegues, intitulado Oito universitários. ========================================================================================================================= + Informações. LINCOLN BICALHO ROQUE Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). NASCEU EM SÃO JOSÉ DO CALÇADO NO ESPÍRITO SANTO NO DIA 25 DE MAIO DE 1945, FILHO DE MARIA AUGUSTA BICALHO ROQUE E JOSÉ SARMENTO ROQUE. Cursou o primário no Grupo Escolar Bodart Júnior de Rio Novo do Sul e o Ginásio no Colégio Estadual do Espírito Santo em Vitória, onde tirou primeiro lugar, conseguindo com isto cursar o segundo grau no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro. Foi aprovado para todas as faculdades de medicina do Estado do Rio de Janeiro, chegando a cursar um ano desta disciplina na Faculdade Nacional de Medicina. Após esse ano, trancou a matrícula, passando a cursar Sociologia também na Faculdade Nacional. Formou-se sociólogo em 1967, quando foi contratado professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Em abril de 1968, por suas atividades políticas, foi compulsoriamente aposentado. Trabalhou ainda como sociólogo no SESC (Serviço Social do Comércio) até passar a viver na clandestinidade em 1972. Após esta data continuou realizando trabalhos para esta e outras instituições utilizando nome de terceiros. Antes de passar à clandestinidade, foi preso várias vezes. Participou do Programa Nacional de Alfabetização e integrou o Comitê Estadual e o Comitê Central do PC do Brasil. Deixou marcas por toda a sua vida estudantil, profissional e política, seja por sua paciência e persuasão nas discussões intelectuais ou por sua genialidade, carinho e carisma em suas diversas e intensas relações pessoais. Lincoln desapareceu em 13 de março de 1973. De imediato, a família percorreu os órgãos policiais à procura de informações. Após uma incansável busca, pediram ajuda à CNBB. Em 21 de março divulgou-se a notícia de que Lincoln fora morto ao resistir à prisão em um choque armado no Campo de São Cristóvão. Após sucessivas idas e vindas ao Ministério do Exército, informaram que o corpo poderia ser encontrado no IML. O corpo apresentava inúmeras marcas de tortura e foi mantido fora da geladeira do dia 22 para o dia 23 de março. Tais fatores, juntamente com as pressões dos órgãos de segurança, dificultaram o reconhecimento e obrigaram a família a realizar o enterro imediatamente, sem ao menos velar seu ente querido. Os algozes da repressão não aliviaram a perseguição a Lincoln sequer na hora de seu enterro, que contou com a incômoda presença de "olheiros", que verificavam atentamente quais dos presentes poderiam também ser enquadrados como subversivos. Hoje se sabe que foi preso em frente à Igreja de São João de Meriti onde tinha um ponto marcado com um companheiro. No momento, a família move um processo responsabilizando a União pelo cruel assassinato de Lincoln. A versão oficial da repressão afirma que morreu "ao reagir às Forças de Segurança", sendo seu corpo encontrado ao lado do Pavilhão de São Cristóvão (RJ) , em 13 de março de 1973, com mais de 15 tiros. Seu cadáver entrou no IML/ RJ, no mesmo dia como desconhecido, pela Guia N° 15 do DOPS. A necrópsia, realizada no dia seguinte pelos Drs. Gracho Guimarães Silveira e Jorge Nunes Amorim, confirma a falsa versão oficial da repressão de que foi morto em tiroteio. Foi reconhecido, segundo documento n° 437 do DOPS/RJ, em 16 de março de 1973, pelas impressões digitais e retirado por seu irmão, sendo enterrado pela família, em 23 de março no Cemitério Jardim da Saudade (RJ). No laudo de perícia de local há a seguinte afirmação: "... com o cadáver, ou nas proximidades, não foram encontrados quaisquer documentos, pertences ou outros elementos materiais...". As fotos de perícias de local mostram claramente sinais de torturas nos olhos e lábios. O que é confirmado pelas declarações do preso político José Auri Pinheiro, em Auditoria Militar, à época, que denuncia as torturas sofridas por Lincoln. Sua morte foi publicada pelo "O Globo" e "Jornal do Brasil", de 22 de março de 1973, sob os respectivos títulos: "Terrorista reage à prisão e é morto a tiros na rua" e "Autoridades de Segurança informam sobre a morte de um militante do PC do B". ================================================================================================ + Informações. A morte de Lincoln Bicalho Roque Por Osvaldo Bertolino Na próxima segunda-feira (12), completam-se 38 anos do início da repressão à Guerrilha do Araguaia no Sul do Estado do Pará. Um dos personagens centrais daquela epopéia de resistência ao regime discricionário implantado com o golpe de 1964 foi Lincoln Bicalho Roque. Agora, o Centro de Documentação e Memória (CDM) da Fundação Maurício Grabois recupera um vídeo em que ele aparece comentando a atuação política à época. Bicalho Roque foi dirigente da União da Juventude Patriótica (UJP), tida como "celeiro privilegiado" para a Guerrilha do Araguaia. Na próxima segunda-feira (12), completam-se 38 anos do início da repressão à Guerrilha do Araguaia no Sul do Estado do Pará. Um dos personagens centrais daquela epopéia de resistência ao regime discricionário implantado com o golpe de 1964 foi Lincoln Bicalho Roque. Agora, o Centro de Documentação e Memória (CDM) da Fundação Maurício Grabois recupera um vídeo em que ele aparece comentando a atuação política à época. Bicalho Roque foi dirigente da União da Juventude Patriótica (UJP), tida como "celeiro privilegiado" para a Guerrilha do Araguaia. Em março de 1973, os jornais anunciaram a morte do jovem dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Lincoln Bicalho Roque, preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Rio de Janeiro em uma operação que começou no Estado do Espírito Santo e resultou também no assassinato dos membros da Comissão de Organização do Comitê Central Carçlos Danielli, Lincoln Oest e Luiz Guilhardini. O objetivo era dizimar o apoio à Guerrilha do Araguaia, depois das duas primeiras campanhas da repressão. Bicalho Roque foi preso em um ponto em frente à igreja de São João do Meriti. "Terrorista reage à prisão e é morto a tiros na rua", anunciou o jornal O Globo dia 22 de março de 1973. No mesmo dia, o Jornal do Brasil noticiou: "Autoridades de Segurança informam sobre a morte de um militante do PCdoB". Ele desapareceu no dia 13 de março. Segundo os jornais, Bicalho Roque fora morto ao resistir à prisão em um confronto armado no Campo de São Cristóvão. Após a divulgação da sua morte, seus familiares encontraram o corpo com marcas de torturas no Instituto Médico Legal. Sob pressão dos órgão da repressão, ele foi sepultado imediatamente - a família sequer pôde velar o corpo de seu ente querido, que, premeditadamente, havia sido mantido fora da geladeira do dia 22 para o dia 23 de março. O jovem dirigente do PCdoB foi o último a ser chacinado na operação que começou com a prisão de Lincoln Oest em 20 de dezembro de 1972, que foi torturado até à morte ocorrida no mesmo dia. A partir daí, a repressão montou uma cilada para prender Carlos Danielli em São Paulo, ocorrida em 28 de dezembro. Principal dirigente da Comissão de Organização, Danielli foi torturado lentamente até à morte, ocorrida na tarde de 31 de dezembro de 1972. Ao ser preso ele sabia que a ditadura queria informações sobre a Guerrilha do Araguaia e foi logo avisando: "Só faço o meu testamento político". Morreu depois que os assassinos do DOI-Codi de São Paulo lutaram persistentemente por quatro dias para arrancar-lhe alguma informação. Nada conseguiram. Cinco dias depois, Luiz Ghilhardini foi preso na cidade do Rio de Janeiro. Treze homens armados invadiram sua residência e ali mesmo começaram os espancamentos. Sua mulher, Orandina, e o filho de oito anos, Gino, foram postos em um quarto separado e também torturados. Levados encapuzados para o DOI-Codi em viaturas diferentes, lá o a criança presenciou o pais sendo covardemente espancado. Separados em seguida, nove dias depois Orandina soube, por um dos torturadores, que Luiz Guilhardini estava morto. ================================================================================================= + Informações. Lincoln Bicalho Roque Veja a parte do documentário "Ou viver a pátria livre, ou morrer pelo Brasil", de Silvio Tendler que mostra Tânia Roque falando de seu companheiro Lincoln, que foi executado pela ditadura militar. Veja o vídeo aqui. Lincoln foi membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil e secretário político da União da Juventude Patriótica. ==================================================================================================== + Informações. Medalha Chico Mendes: Lincoln Bicalho Roque Lincoln Bicalho Roque Do assassinato de Lincoln, os agentes da repressão divulgaram, com desfaçatez, a versão mentirosa de que ele morreu ao reagir às forças de segurança, em choque armado no Campo de São Cristóvão. Seu corpo foi levado ao IML/ RJ , pelo DOPS, como sendo o de um desconhecido, e a necrópsia, realizada no dia seguinte, confirmava a mentira oficial e ignorava as marcas da tortura que ele sofreu. Sequer durante o enterro, os fascistas não relaxaram a perseguição e infiltraram espias no cemitério para identificar outros militantes eventualmente presentes. Sabemos que Lincoln foi preso frente à Igreja de São João de Meriti, ao esperar um companheiro. A brutalidade da repressão desencadeada contra ele correspondia ao medo que lhes dava o jovem guerrilheiro. Em vão, quis a ditadura liquidar às pressas e fazer esquecer a vida desse revolucionário de 27 anos de idade, dirigente do Partido Comunista do Brasil. Lincoln Bicalho Roque veio de Vitória para o Rio, para estudar no colégio Pedro II, como prêmio pelo seu desempenho no curso ginasial. Mais tarde, foi aprovado em todas as faculdades de Medicina do Estado e chegou a cursar um ano dessa disciplina. Decidiu trancar a matrícula e em 1967 veio a se formar em Sociologia. Foi então contratado como professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. No ano seguinte, por seu envolvimento político, foi aposentado compulsoriamente. Vivíamos o tempo noturno em que as vozes da oposição não eram escutadas senão através do fragor das armas. A partir de 1972, ele se enveredou na clandestinidade e continuou a produzir trabalhos no seu campo profissional. Deixou Lincoln para os amigos, companheiros e familiares o exemplo cristalino da sua bravura e a lembrança perene da sua inteligência, da sua ternura e do seu carisma. Até sempre, companheiro. GTNM-RJ ==================================================================== + Detalhes. 11/12/2008 Rio de Janeiro: aqui nasceu a União da Juventude Patriótica Neste artigo, o historiador Augusto Buonicore faz um relato da União Juventude Patriótica (UJP), organização que lutou contra a Ditadura Militar. A UJP, criada no Rio de Janeiro, teve em seus quadros militantes que hoje fazem parte das direções partidárias do PCdoB, como Caíque, Uirtz Sérvulo, Dilcéia Quintela, José Roberto Áreas e José Carlos Áreas. Viva a União da Juventude Patriótica! por Augusto Buonicore* À Joel Vasconcelos dos Santos e Lincoln Bicalho Roque Nasce a UJP Existe uma visão equivocada sobre a política adotada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no auge da ditadura militar. Muitos ainda acreditam que ele, especialmente após a decretação do AI-5, tivesse abandonado sua atuação no movimento de massas para se dedicar exclusivamente à luta armada. De fato, o PCdoB empregou parte importante de suas energias na montagem da guerrilha rural, mas jamais abandonou a perspectiva de se inserir nas lutas sociais urbanas. Foi justamente isso que o diferenciou das demais correntes revolucionárias, tornando-o força política expressiva - ao lado da Ação Popular (AP) - no interior movimento estudantil. Este partido chegou a ter maioria na última diretoria clandestina da UNE (1970-1973). Foi no antigo Estado da Guanabara que esta ascensão foi mais sentida. Neste artigo trataremos de uma das tentativas feitas pelo Partido Comunista do Brasil para se manter vinculado às massas juvenis no auge da truculência ditatorial (1969-1975). Refiro-me a experiência de construção da União da Juventude Patriótica (UJP) na Guanabara. Uma das pessoas indicadas pela direção do Partido para organizar essa entidade foi Myriam Ribeiro Costa, estudante da UFRJ. O PCdoB da Guanabara, afirmou ela, "destacou alguns quadros para participarem de uma Comissão Estadual Provisória, com o objetivo de construir uma agremiação revolucionária que congregasse os jovens independentes interessados e motivados em lutar contra o regime militar e pelas reivindicações populares (...) Durante l969 e no início de l970, reunimo-nos inúmeras vezes para discutir e elaborar o Programa e o Estatuto, que seriam o ponto de partida da empreitada". A decisão não foi fácil, pois existiram opiniões diferentes sobre como esta entidade deveria ser organizada: "quando discutíamos o Estatuto, chegamos a um impasse: a UJP deveria ser oficialmente subordinada ao PCdoB, por menção estatutária, ou ser dirigida por esse partido, sim, mas num quadro de autonomia política? Nesse ponto, solicitamos a presença do Comitê Regional. Não sendo resolvida a controvérsia, apelamos ao Comitê Central, que decidiu pela segunda alternativa (...) Carlos Danielli ajudou a por um ponto final na controvérsia: a UJP deveria ser uma organização de frente única, dirigida pelo PCdoB, sim, mas por meio da eleição democrática de seus dirigentes, e não uma espécie de Juventude Comunista, de antemão vinculada a esse partido e oficialmente subordinada às suas decisões". Carlos Henrique Tibiriçá - ou simplesmente Caíque - começou a se aproximar da esquerda em 1966, ficando dividido entre o PCdoB e a Ação Libertadora Nacional (ALN). Contudo, quando da decretação do AI-5, ele optou por se vincular definitivamente ao primeiro. Enquanto comunista e militante do movimento estudantil, participou ativamente do processo de construção da UJP e compôs a Comissão Estadual, ficando responsável pelo setor secundarista. Este, por sinal, foi um dos setores mais ativos daquela organização, até ser destroçado pela repressão pouco tempo depois. Numa entrevista ao autor, Caíque esclareceu que "a criação da UJP (...) era parte de uma experiência que se desse certo na Guanabara seria paulatinamente estendida aos demais estados (...) As primeiras discussões sobre a criação da UJP que participei, foram com Jover Telles, Armando Frutuoso, Lincoln Bicalho Roque e o assistente do meu setor, que era o José Roberto Brum de Luna, todos dirigentes do Comitê Estadual, os três primeiros também do Comitê Central". Assim, em março de 1970, foi fundada a União da Juventude Patriótica e para se filiar a ela não precisava ser comunista ou marxista-leninista. Bastava ser antiimperialista e contra a ditadura militar. O seu estatuto afirmava que ela se constituía numa "organização revolucionária de jovens patriotas e democratas, sem distinção de raça, classes, princípios ideológicos, religiosos e filosóficos". O seu objetivo era "mobilizar, unir e organizar os jovens cariocas na luta pela derrubada da ditadura militar que infelicita nossa pátria, pela libertação do Brasil do jugo do imperialismo norte-americano e pela extinção do latifúndio; pela conquista de um governo verdadeiramente democrático e popular que assegure à juventude e a todo o povo brasileiro um regime de liberdade, progresso, cultura e um mínimo de vida digna". A entidade se organizava através de núcleos dos quais participavam entre 3 e 5 jovens. Estes núcleos se estruturavam clandestinamente por local de trabalho, setor profissional, de estudo, de moradia, esportivo e de diversão. Seus membros usavam "nomes de guerra" e os diversos núcleos não podiam ter relações horizontais entre si. Era uma estranha mescla de entidade de massas que ao mesmo tempo era clandestina. Uma fórmula que já sinalizava para dificuldades futuras. Da primeira direção da UJP participavam: Lincoln Bicalho Roque (Mário), como secretário político; Myriam Ribeiro Costa (Mariana), como secretária de organização e de imprensa; Carlos Henrique Tibiriçá (Artur), responsável pelo setor secundarista. Havia ainda duas outras pessoas cuja identidade ainda não se tem certeza. Lincoln, segundo Caíque, "era um dirigente preparado, formulador, organizador, sempre parceiro de todos os militantes. Muito querido por todos os que o conheceram. Sua atuação foi fundamental para que a UJP se consolidasse. Atuava com desprendimento e alegria". Ele tinha ingressado no PCdoB após o golpe de 1964 vindo de uma importante dissidência do PCB na Guanabara. Uma juventude contra a ditadura e o imperialismo A opção pela luta armada - especialmente a guerra popular prolongada - estava presente em todos os documentos da entidade. O programa, por exemplo, afirmava que a UJP visava "unir e organizar em suas fileiras, os jovens patriotas da Guanabara (...) para que possamos desempenhar de modo unificado nosso papel (...) nos preparativos para o desencadeamento da guerra do povo". A mesma conclamação era feita em seus boletins. A existência da UJP contribuiu muito para o processo de recrutamento de jovens cariocas para a Guerrilha do Araguaia, iniciada em abril de 1972. Cerca de duas dezenas deles lutaram e morreram na guerrilha. Isso explica a violenta repressão que se abateu sobre aquela organização revolucionária juvenil. Uma das primeiras medidas da nova direção foi lançar um boletim intitulado simplesmente UJP. "A tarefa de editar o jornal da UJP, declarou Myriam, era minha. Lincoln se responsabilizava pelo editorial e ainda escrevia outras matérias. Também era minha função produzir a seção que relatava as lutas do povo brasileiro desde o período colonial (...). O objetivo dessa coluna era, com tais exemplos, despertar uma identidade histórica nacional e estimular a luta revolucionária. (...) Eu admirava (o Lincoln) por sua rapidez de escrever. Como éramos responsáveis pelo jornal, às vezes íamos à Biblioteca do Real Gabinete Português, para discutirmos um pouco mais sobre as matérias. Não raro, ali mesmo ele redigia o editorial, num arranque só. Geralmente, escrevia à mão, no primeiro pedaço de papel que encontrava". Na "Semana da Pátria" de 1970, no ápice do ufanismo ditatorial, os seus militantes distribuíram milhares de manifestos ao povo brasileiro. Neles se afirmava: "A Ditadura entreguista nunca defenderá a Pátria brasileira. Nossa independência precisa ser conquistada pelo povo. É preciso que o povo brasileiro se una e lute corajosamente, inclusive de armas nas mãos. Só assim será derrubada a ditadura assassina e traidora de Médici. Só assim conseguiremos um governo popular e verdadeiramente revolucionário". Em março de 1971, a UJP lançou o manifesto: "7 anos de fascismo - Abaixo a ditadura. O povo vencerá!". Novamente conclamava a necessidade de preparação da guerra popular contra o regime militar. Ser pego com esses panfletos poderia custar muito caro para os jovens militantes da UJP. Entre outubro e novembro de 1970 caiu nas garras da repressão o núcleo da Faculdade de Direito da UFRJ. Mas, o pior ainda estaria por vir. No dia 15 de março de 1971, o líder secundarista Joel Vasconcelos dos Santos e um companheiro foram presos próximo ao morro do Borel. Na ocasião, carregava inúmeros documentos das organizações clandestinas nas quais militava: a UJP e o PCdoB. Os dois passaram a ser imediatamente torturados. O amigo testemunhou que ele foi seviciado durante todo tempo que estiveram juntos na Polícia do Exército. Morreu destroçado nas garras dos seus algozes sem dizer uma palavra. Joel era aluno da Escola Técnica do Rio de Janeiro e um dos principais organizadores da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (AMES) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Os órgãos de repressão ainda tentaram negar sua detenção e, depois, disseram que já havia sido libertado. Ele foi o primeiro militante do PCdoB a ser assassinado pela ditadura militar brasileira. Na mesma época, a polícia invadiu a Escola Técnica Federal de Química e prendeu a estudante Elisabeta Bonetti. Ela, como de praxe, foi muito torturada. O fato de ter nacionalidade italiana quase causou um incidente internacional. Depois de uma negociação entre os dois governos, a jovem comunista foi expulsa do país. Como Joel, a garota Elisabeta era membro da direção do Comitê Secundarista do PCdoB e da União da Juventude Patriótica. Em meados do ano anterior, a UJP tinha tido uma importante participação na campanha da contra a "farsa eleitoral". Em 1970 o total de votos nulos e brancos, defendidos pela esquerda, bateu um recorde histórico, atingindo 30,3% dos eleitores. Some-se a esses os 22,6% que resolveram se abster da votação. Isso mostrava o descontentamento difuso existente com o regime militar. A UJP destacou-se por sua grande capacidade de agitação e propaganda: "Realizávamos grandes panfletagens. Boletins eram amplamente divulgados, pichações eram feitas em todos os bairros, e a maioria dos banheiros de restaurantes e ônibus da cidade tinham inscrições a Pilot da UJP. Organizamos desta forma, centenas de jovens muitos deles não militantes do PCdoB. A 'chuva de panfletos' era realizada na mesma hora por pares de militantes que recebiam na hora a localização da janela onde deveriam jogar os volantes, a justificativa do que faziam no prédio em caso de repressão", concluiu Caíque. Um outro militante secundarista, José Roberto Áreas, descreveu assim a sua militância: "os militantes tinham um pincel atômico e escreviam em todas as portas ou paredes dos banheiros públicos, assinando UJP em um triângulo. Em cada ponta do triângulo uma letra. Nos bancos dos ônibus também era comum escrever nas costas do banco da frente". Em junho de 1970 os estudantes, comandados pela UNE e a UBES clandestinas, realizaram uma manifestação contra a invasão do Camboja pelos EUA e pelo voto nulo. Quem falou pelas duas entidades foram, respectivamente, Ronald Rocha e o Luis Artur Turíbio (Turiba) - dois dirigentes estudantis do PCdoB. Um dos participantes descreveu esse ato: "Queimamos uma bandeira americana, levada por nós, secundaristas, caminhamos com a bandeira vermelha e azul com a estrela dourada dos vietcongs e enforcamos um boneco do Tio Sam". Grande parte dos manifestantes era ligada a UJP. Segundo os órgãos de repressão existiam mais de 15 núcleos da UJP nas escolas secundárias da Guanabara. Sobre a influência da entidade, nos confidenciou Myriam Ribeiro, "de março de l970, quando foi fundada oficialmente, a setembro de l972, a UJP cresceu vertiginosamente, chegando a ter cerca de 600 membros. Afirmo, com certeza, essa data e esse número de militantes porque, em nosso último 'ponto', eu e Lincoln fizemos um balanço geral da situação". Números realmente espantosos, tendo em vista que vivíamos em meio a uma ditadura militar fascista. Um dos motivos deste crescimento é que as organizações de esquerda, como a Dissidência Comunista, que tinham força junto aos estudantes, acabaram se afastando do movimento para se dedicarem quase exclusivamente à atuação guerrilheira. No início dos anos 1970, quando a UJP ainda se formava, a grande parte das jovens lideranças que partiram prematuramente para a luta armada já estava presa, exilada ou morta. Criou-se, assim, um vazio político que foi rapidamente preenchido pela combativa juventude criada pelo PCdoB. Guerrilha, repressão, morte ... e esperança Após o início da Guerrilha do Araguaia, em abril de 1972, teve início a grande repressão contra o PCdoB nas cidades. No Rio de Janeiro as prisões começaram entre maio e junho daquele mesmo ano. Os primeiros a cair foram os combativos secundaristas. Caíque, responsável da UJP pelo setor secundarista, afirmou: "Só fui saber da extensão das quedas quando já estava no DOI CODI da Rua Barão de Mesquita no Rio num ambiente de torturas generalizadas". Do Comitê Secundarista foram presos, além de Caíque, Tasso de Lara Donato Cristina Capistrano (filha de David Capistrano), Iracema Soares, Ubirajara Soares, Luís Artur Turíbio (o Turiba da UBES), Fernando Leite Costa. O principal dirigente comunista preso na ocasião foi José Roberto Brum de Luna, que era membro do Comitê Regional e dava assistência ao comitê secundarista do PCdoB. Na rede também cairia o secundarista José Carlos Areas: "uma companheira não resistiu as tortura e levou a repressão no Colégio Estadual Paulo de Frontin onde eu estudava. Ao entrar na escola fui abordado por vários policiais a paisano, me chamando pelo codinome de João. A partir daí fui seqüestrado e me levaram para um carro. Colocaram um capuz na minha cabeça e me fizeram deitar no chão do carro em frente os bancos detrás (...) Começaram a rodar, e conversando entre eles aonde deveriam despachar o meu corpo. (...) A partir dai foi o tempo todo numa roda e levando porrada por todos os lados sem saber de onde vinha porque estava de capuz (...) Depois me levaram para a geladeira, que era um frigorífico e ficava fechado com frio e escuro e na câmara de som, onde se ouvia um som com várias intensidades, que penetrava nos poros como se fosse agulha espetando, ou nos colocavam numa sala, com holofotes do exército para ver as nuvens se há aviões, aceso em cima de gente fazendo um calor violento (...) Toda hora ouvia a chegada de mais gente, gritos de tortura". José Roberto calculou que mais de cem pessoas estavam presas ali. Alguns afirmam que, no total, foram 300 os militantes comunistas encarcerados naquele momento. A maior operação policial realizada contra o PCdoB nas cidades. Num primeiro momento as estruturas do Comitê Universitário e do Comitê Regional do PCdoB não foram muito atingidas. No entanto, as coisas se complicaram ao longo do ano. A repressão estava decidida a eliminar o PCdoB do Rio de Janeiro, considerado um dos principais celeiros de quadros para a Guerrilha do Araguaia. No final de agosto ocorreu a prisão de Ronald Rocha, dirigente do PCdoB e diretor da UNE. A onda repressiva, finalmente, chegou aos universitários. Entre dezembro de 1972 e março de 1973 três importantes membros do Comitê Central ligado ao Rio de Janeiro foram presos, torturados e assassinados: Lincoln Cordeiro Oest, Luiz Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. O assassinato de Lincoln Bicalho representou um duro golpe contra a UJP. Os principais núcleos agora estavam desorganizados e seus dirigentes presos ou foragidos. Apesar das pesadas baixas, a UJP continuou existindo e resistindo. Uirtz Sérvulo, por exemplo, ingressou na UJP em 1972 e escapou da onda de prisões. Ele era ligado ao setor da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro e, por segurança, não tinha qualquer contato com o setor estudantil. Entre suas atividades estava a divulgação da Guerrilha do Araguaia. Segundo ele, a UJP ainda se envolveu numa campanha pelo voto nulo nas eleições de 1974. Possivelmente não tenha chegado aos seus quadros a nova diretiva do PCdoB que era votar na oposição à ditadura, ou seja apoiar o MDB contra a ARENA. Outra ex-militante da UJP, Dilcéia Quintela, ingressou na organização no início de 1974 e atuava em Nova Iguaçu, baixada fluminense. Em 1975 ela e Uirtz foram presos, na nova queda que atingiu o PCdoB no Rio de Janeiro. "Provavelmente, disse-nos ele, o nosso setor foi o último a ser aprisionado pela ditadura, em maio de 1975. Não conheço registro de ações da UJP após estas quedas". De fato, as novas quedas do Comitê Regional do Rio de Janeiro em 1975, que levaram a morte Armando Frutuoso, impuseram obstáculos instransponíveis à existência de uma organização como a UJP. Durante a sua existência mais de uma centena de jovens militantes foi presa e seviciada. Lincoln e Joel morreram sob torturas e outras dezenas tombaram nas selvas do Araguaia. Eles não conseguiram derrubar a ditadura e construir um poder popular como almejavam, mas deixaram uma semente. Como afirmou um de seus antigos militantes: "A UJP foi um pólo de resistência à ditadura. Nas condições adversas para a luta popular, contribuiu para manter acesa a chama da revolução no Rio de Janeiro". Referências: Agradeço os depoimentos exclusivos dados por Carlos Henrique Tibiriçá (o Caíque), Myriam Costa de Oliveira, ex-dirigentes da UJP; Ronald Rocha; José Carlos Áreas; Uirtz Sérvulo; Dilcéia Quintela; Nelson Nahon e Dyneas Aguiar. Estatuto, Programa, jornais e processos contra membros da UJP encontrados na coleção Brasil Nunca Mais que se encontra depositada no arquivo Edgar Leuenroth/Unicamp. Augusto Buonicore, Historiador, mestre em ciência política ================================================================================================= + Detalhes. Memória Para Uso Diário, de Beth Formaggini (Brasil, 2007) por Rodrigo de Oliveira Arquivos, como antes eram porões Memória Para Uso Diário, e o nome não podia ser melhor. Mais que um filme para forçar o acesso emotivo a um passado coletivo submerso e dar voz a vítimas que se tornaram heróis, este é um projeto lindamente pragmático em sua militância: entre as diversas calhordices cometidas contra os revolucionários antiditadura militar e suas famílias, a mais grave foi certamente o apagamento da dimensão visível de sua história, e se há reparação possível, ela só pode se dar pelo "uso diário" do que sobrou desta gente - sua imagem, seus nomes, os signos associados a eles. Em algum momento do filme, vemos uma parente de um dos militantes assassinados pelo regime falar sobre a perversidade embutida na invenção da expressão "desaparecido político". É contra esse apagamento que Beth Formaggini investe, e o faz pelo desmascaramento, antes de tudo. A ditadura, como o cidadão brasileiro médio a conheceu, era a das imagens icônicas e da propaganda nacionalista institucional, largamente apresentada no prólogo do filme: não apenas os diversos cartazes e slogans repetidos à exaustão pelo regime, mas também a ostentação da caça e prisão dos vários "terroristas", alardeadas nos jornais e na tevê como se aquele fosse um ambiente de faroeste, um "procura-se vivo ou morto" onde o rosto de um perseguido só tinha serventia até que ele fosse capturado - depois disso, o limbo, a morte secreta e o desaparecimento. Uso diário é a experiência cotidiana desta memória, a ação corriqueira que nem por isso deixa de carregar todos os sentidos emocionais e políticos de que está preenchida. Numa das seqüências mais impressionantes do filme (e impressionante justamente por mostrar o caráter habitual da lembrança, e não o grande alarde profundo e pomposo que projetos dessa natureza costumam ter) acompanhamos a visita de Romildo a um cemitério no subúrbio carioca onde se suspeita que seu irmão tenha sido enterrado. Com a ajuda de uma amiga e também ex-militante, o homem começa a listar, de cor e com nome completo, dezenas de pessoas que faziam parte do mesmo aparelho de guerrilha do morto, montando um quebra-cabeça de identidades perdidas que surgem com a naturalidade de quem fala de amigos de infância. Romildo e a amiga não conheceram a maior parte daquelas pessoas em vida, e a única ligação que mantém com elas é a coincidência de terem participado junto com o irmão da luta armada. A memória é superficial e posterior, como a nossa, espectatorial, mas diferente de nós (e do filme), um nome dito é mais que a estampa de uma época, ele é o próprio reaparecimento, a alcunha perversa se desfazendo em nome do presente destas pessoas, mesmo que apenas oral e corriqueiro. É assim, no limite de sua própria inviabilidade, que Memória Para Uso Diário vai se equilibrando. Porque há algo na sobrevivência dessa lembrança que está marcado por um irremediável senso de história íntima que nem todo o caráter coletivo da luta revolucionária pôde superar. Quando Tânia Roque visita a escola que leva o nome de seu marido morto pela polícia da ditadura, vemos uma celebração da figura de Lincoln Bicalho Roque que é marcada pelo reconhecimento emocionado para a família, enquanto nunca perde a sensação de valorização de uma ausência e de um vazio para os pequenos alunos e suas professoras. As crianças carregam faixas com o nome do militante, cantam enfileiradas o hino da escola, que exalta sua luta, fazem perguntas no microfone sobre quem foi e o que fazia aquele homem, mas, no fundo, nunca assumem estes discursos e essa celebração como sua propriamente. Ponto de não-retorno definitivo é quando o filme leva um grupo de familiares dos desaparecidos pelas ruas de um bairro carioca para buscar endereços e placas que homenageiem ex-guerrilheiros (encontram no caminho, por exemplo, uma Praça Lamarca, ironicamente abandonada ao capim pelo poder público). É quando a mãe de Marcos Nonato da Fonseca encontra a rua com o nome do filho, mas, com uma placa enferrujada que impede o reconhecimento do nome, recorre a alguns dos moradores curiosos do lugar para que lhe dêem uma conta de luz que comprove a homenagem. Com a conta na mão, a mulher se dirige à câmera e mostra orgulhosa o nome do filho, enquanto um abismo se cria com o fundo do quadro, onde os moradores ainda não sabem direito do que se trata aquele fuzuê todo, e talvez nunca venham a saber ou se interessar. Não há chamado à memória e ao exercício da reparação que Beth Formaggini e o Grupo Tortura Nunca Mais (financiadores institucionais do filme) possam fazer sem que se esbarre neste abismo. A clandestinidade é a única marca da luta antiditadura que resistiu ao tempo, porque essa memória também é clandestina e, independente dos esforços de ambas as partes, ainda inviável. Em Memória Para Uso Diário utiliza-se a estratégia do nome completo e do retrato 3x4 das vítimas, reforçados pelos letreiros finais que listam todos os ditos "desaparecidos políticos" do país, e ainda assim esta é apenas uma personificação de segunda ordem. É uma fissura da própria sociedade brasileira e sua incapacidade de lidar efetivamente com o período militar que acaba se espalhando para o cinema, do qual o filme de Formaggini acaba não deixando de ser um louvável retorno à regra. Não houve julgamento dos torturadores, não se prenderam os responsáveis pelas mortes, e as vítimas vão sendo indenizadas na surdina, em processos lentos e financeiramente desproporcionais. Do mesmo modo, este cinema brasileiro que fala da ditadura nunca conseguiu nem sequer levar a cabo a máxima godardiana de que as vítimas são sempre filmadas de frente, enquanto os carrascos aparecem sempre de costas. Este acordo tácito pelo esquecimento torna mesmo a filmagem das vítimas um problema - e não só porque, como neste caso, o que resta delas é um retrato ou uma placa de rua. Mais do que a forçosa relação entre os desaparecidos dos 60 e os desaparecidos dos 2000, que o filme faz ao propagandear as ações do Grupo Tortura Nunca Mais contra o abuso policial sobre jovens da periferia e das favelas cariocas, o que Memória Para Uso Diário faz de realmente novo e instigante sobre esta relação do país com seu passado é filmar não os personagens da tragédia, mas seu depositário. Em poucos planos dos arquivos públicos nacionais onde uma viúva tenta buscar provas de que seu marido foi morto pelo Estado e, portanto, merece uma pensão do governo, vemos finalmente materializado todo o horror da desimportância que tanto a ONG como o filme tentam combater. Confusos, sujos, improvisados, escuros, os arquivos são o retrato mais fiel da falta de retrato: pastas e mais pastas com nome completo e eventualmente fotos dos mortos e desaparecidos, sem que isso possa garantir que as histórias guardadas ali possam um dia ser verdadeiramente ouvidas e revisitadas. Abril de 2009 editoria at revistacinetica.com.br ========================================================================================== + Detalhes. «Memória para uso diário», um filme de Beth Formaggini Posted by Diana Andringa under Filmes 1 Comment Melhor documentário Festival do Rio 2007 pelo júri popular e do pelo júri da ABDec. Direção: Beth Formaggini Produção 4Ventos / GTNM-RJ Exibido e apresentado pela realizadora, em Lisboa, no passado dia 6 de Março, durante o seminário «Que fazer com estas memórias?» Um texto de Edu Passos, membro do Grupo Tortura Nunca Mais-RJ É preciso dizer da alegria de assistirmos o filme Memória para uso diário. O GTNM tem agora um filme que documenta a sua luta, que dá a imagem de seu movimento. O cine documentário talvez seja mesmo o meio apropriado para acompanhar e expressar a militância de um movimento social. Por quê? Porque o cinema é imagem-movimento - um estranho movimento, é verdade, já que é produzido por fotogramas, por uma série de quadros que postos lado a lado em um certo ritmo dão a sensação do movimento: um falso movimento? Do ponto de vista da experiência subjetiva não há diferença entre movimento real e falso movimento. O que assistimos na tela experimentamos como movimento. Vivemos como um movimento. Por isso o cinema pode ser tão diferente da fotografia: a foto muito frequentemente quer registrar, quer dar testemunho de uma realidade vivida no passado, deixada no passado. Dessa realidade passada, a foto pode ser como um monumento que aponta para trás, que indica o que já era (um álbum de fotografia tem sempre um aspecto nostálgico, triste, até mesmo melancólico). O cinema, por outro lado, mesmo quando é documentário, porque é imagem-movimento editada, cria aquilo de que trata, sendo menos um retrato do que uma versão do passado. É o caso do documentário Memória para uso diário que vai ao passado sem olhar para trás (tal como Orfeu), recuperando imagens de uma história só vivida e não narrada (grande mérito do trabalho de pesquisa das imagens de arquivo). O filme faz o gesto da abertura dos arquivos, nos indicando que não basta abri-los, sendo ainda preciso completar a tarefa contando uma outra história. O filme faz o gesto e registra o gesto como este movimento tão delicado das mãos de Lola e Cléa ao folhear o passado. Só o cinema pode ter a realidade do gesto, acompanhando-o ao mesmo tempo em que o reinventando. Neste sentido, o cine documentário não está no tempo passado, não tem a nostalgia do vivido. Ele está neste tempo da invenção que é o tempo do porvir, do que poderá ser, não do que já era, mas do que já é. Do que já é como potencialidade, como abertura para outras realidades possíveis. No documentário filmamos o futuro, ou melhor, filmamos no horizonte do futuro. Como pode ser um filme sobre a memória? O que este filme quer nos dizer quando afirma ser um documentário sobre a memória? O seu título nos dá uma pista: Memória para uso diário. Fala-se de memória enquanto uso. Está se indicando que há um sentido pragmático da memória. Daí as perguntas: para quê serve a memória? Para quem serve esta memória? O GTNM desde 1985 tem feito estas perguntas, indicando que há uma luta a ser travada no campo da memória. Há uma história oficial contada, há uma versão hegemônica acerca das lutas, sejam as lutas de resistência ao terrorismo de Estado durante os 20 anos da ditadura militar no Brasil, sejam as lutas atuais, tão cotidianas, que transferem a tecnologia da violência daqueles tempos para as periferias pobres da cidade. Dar uma outra versão para os eventos vividos é não só buscar reparação aos atingidos pela violência do Estado, é não só denunciar e levar ao julgamento os responsáveis pela violação dos direitos humanos, é, sobretudo, poder ser protagonista na narrativa da história, é poder também dar a sua versão, é poder dar um outro sentido para o passado, apostando em outros mundos possíveis, apostando no futuro. Uma memória que aponta para o futuro. O filme Memória para uso diário foi editado como uma trança (parabéns às editoras Márcia Medeiros e Litza Godoy). Vários fios da vida foram sendo tecidos: o fio insistente da vida de Ivanilda buscando informações sobre seu marido por 31 anos; os fios tão delicados das vidas de Cléa e Lola; os fios elétricos das vidas de Cecília e Flora; os fios de aço das vidas de Rosilene e Maria Dalva; o fio da solidariedade daqueles que como Ana ajudaram a construir o projeto do filme - tantos fios de vida ligados por um plano comum que é tanto o plano da edição do filme, quanto o plano do movimento Tortura Nunca Mais. Compor este plano comum, dar consistência a ele é um trabalho de militância. Nossa militância é a da aposta no comum, é a luta pelo comum. Temos, portanto, neste filme as imagens-movimento de uma aposta política, sabendo agora que há muitas maneiras de militar e que Beth Formaggini afirmou conosco a sua. MEMÓRIA PARA USO DIÁRIO é um filme que documenta a luta do Grupo Tortura Nunca Mais do RJ e dá a imagem de seu movimento. Como pode ser um filme sobre a memória? O título nos dá uma pista. Memória para uso diário fala da memória enquanto uso, criando um sentido pragmático para ela. Daí as perguntas: para que serve a memória? Para quem serve esta memória? Há uma disputa a ser travada aqui. Há uma história oficial contada, uma versão hegemônica das lutas, sejam as lutas de resistência ao terrorismo de Estado durante os 20 anos da ditadura militar no Brasil, sejam as atuais, tão cotidianas, que transferem a tecnologia da violência daqueles tempos para as periferias pobres da cidade. Para nossos personagens, conferir outros sentidos ao passado não é só buscar reparação aos atingidos pela violência do Estado, não é apenas denunciar e levar ao julgamento os responsáveis pela violação dos direitos humanos. É, sobretudo, passarem a ser protagonistas na narrativa da história, apostando em outros mundos possíveis. Uma memória que aponta para o futuro MEMÓRIA PARA USO DIÁRIO envolve porque acompanha pessoas comuns que, apesar das lembranças traumáticas que carregam, fazem questão de lembrar e de fazer com que suas histórias não sejam esquecidas. Ivanilda, cuja história acompanhamos ao longo de todo o filme, busca evidências que provem que seu marido, desaparecido desde 1975, foi preso pelo governo brasileiro. Suas idas e vindas se misturam às ações de militantes e parentes das vítimas da ditadura, que reconstroem suas histórias pelas ruas e cemitérios clandestinos do Rio de Janeiro, num esforço grupal situado entre esquecimento e memória. A obra se constrói como uma trança e, assim, vários fios da vida foram sendo tecidos: o fio insistente da vida de Ivanilda; os fios tão delicados das vidas de Cléa e Lola; os fios elétricos das vidas de Cecília e Flora; os fios de aço das vidas de Rosilene e Maria Dalva. Tantos fios de vida ligados por um plano comum. Os fios da trama IVANILDA é o fio condutor . Militante do Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM-RJ), busca evidências que provem que seu marido Itair José Veloso, operário e dirigente do PCB e desaparecido desde 1975, foi preso pelo governo brasileiro. Percorre os arquivos da cidade do Rio de Janeiro para tentar encontrar algum indício de sua passagem pelas prisões da ditadura. No Arquivo Nacional não consegue localizar nada, então segue sua busca no Arquivo Publico do Estado do RJ. O Estado exige um documento da prisão de Itair para que ela possa receber uma reparação no valor de de 20 mil reais. Mas o mesmo Estado que exige estas provas não as fornece. Ivanilda teve seu processo indeferido por falta de provas. Acompanhamos esta mulher pequena e decidida neste périplo entre os arquivos e a Comissão de Reparação do Estado do RJ. Suas idas e vindas se trançam com as ações de outros militantes e parentes das vitimas da ditadura do GTNM-RJ, que vão desvelando um novelo de fios pelas ruas e cemitérios clandestinos do RJ, num esforço grupal entre o esquecimento e a memória: MARIA DOLORES PEREZ GONZALEZ (Lola), com avançada arteriosclerose, e Cléa Lopes de Moraes, portadora do mal de Alzeimer, se encontram depois de muito tempo e remexem em velhos recortes de jornal. Em fluxos de memória e esquecimento, vão lembrando das ações que fizeram no Grupo Tortura Nunca Mais-RJ. Elas foram fundadoras e lutaram durante os últimos 21 anos para esclarecer a morte e o desaparecimento de presos políticos durante a ditadura militar. Uma delas, Sônia, filha de Cléa, foi barbaramente assassinada com a introdução de um cassetete da polícia em seus órgãos genitais.. CECÍLIA COIMBRA e Flora Abreu conversam sobre sua militância política. Falam da fundação do GTNM e de suas ações nestes 21 anos. Falam de suas experiências: a fuga de Flora para o exílio e a prisão de Cecília, estuprada nas dependências do DOI-CODI.. ROMILDO MARANHÃO DO VALE e Cecília Coimbra visitam o Cemitério de Ricardo de Albuquerque no subúrbio do Rio. Ali encontram uma vala clandestina com 13 corpos de desaparecidos políticos. Relembram o longo processo de buscas para a localização desta vala, e rememoram as historias dos companheiros desaparecidos, um deles, Ramirez Maranhão do Vale, irmão de Romildo. ELIZABETH SILVEIRA E SILVA , presidente do GTNM, conta a historia do seu irmão desaparecido político na Guerrilha do Araguaia. Ressalta a importância da abertura dos arquivos militares para o esclarecimento da morte dos militantes desaparecidos. CARMEN LÚCIA LAPOENTE DA SILVEIRA e seu marido, Sebastião Alves da Silveira, relembram a morte violenta do seu filho, o Cabo Márcio Lapoente, assassinado sob maus tratos na Academia Militar de Agulhas Negras, durante um exercício militar. ANA MIRANDA, militante do Grupo Tático Armado da Vanguarda Revolucionária Palmares (VPR) conta como ela e sua família foi presa e torturada. Mostra as marcas da violência policial no seu corpo, cortado por uma cirurgia de retirada de rim, realizada enquanto estava presa. Ela e Gilberto Molina, irmão do desaparecido Flavio Molina, acompanham um grupo de militantes do GTNM para visitar as ruas que tem os nomes de seus entes queridos, para que nunca mais eles sejam esquecidos: Eduardo, Ângela, Sonia e Maria Helena Benevides, irmão e irmãs do militante assassinado Luiz Alberto Sá e Benevides; Victória Grabois, filha de Mauricio Grabois, assassinado e desaparecido junto com seu filho e seu genro no Araguaia e Leda Nonato Fonseca, mãe de Marcus Nonato Fonseca. VERA VITAL BRASIL, psicóloga da Equipe Clínico Grupal, fala sobre sua vinda do exílio e sua decisão de tornar-se psicóloga. Fala do trabalho pioneiro da Equipe Clinico-Grupal do GTNM_RJ, que dá atendimento aos sobreviventes da Tortura de ontem e de hoje, que sofreram ou sofrem ainda violência do Estado. TÂNIA e Tatiana Roque perderam o ex-marido e o pai Lincon Bicalho Roque e são pacientes da Equipe Clínica do GTNM-RJ. Elas vão visitar a Escola Lincon Bicalho Roque na Zona Oeste do RJ, onde respondem `as dúvidas dos alunos sobre este período da história desconhecido das novas gerações. Imagens de Tânia e Lincon nos anos sessenta filmadas por Caca Diegues no filme 8 Universitários nos transportam para as idéias revolucionarias dos dois militantes. UMA longa pesquisa de imagens revela reportagens sobre a Escola das Américas e os militares brasileiros que ali estudaram praticas de tortura. Mostra também os documentos queimados na Base aérea de Salvador, os corpos exumados em Perus/SP e Ricardo de Albuquerque/RJ, os camponeses que testemunharam a Guerrilha do Araguaia auxiliando familiares das vítimas as na busca dos corpos dos parentes desaparecidos. MÃES choram ainda hoje por seus filhos assassinados pela polícia nas favelas: Rosilene Ramos da Silva, da Maré, atendida pelo projeto clínico grupal do GTNM-RJ e Maria Dalva da Costa Correia da Silva, do Borel, integrante do Grupo "Posso me Identificar", relembram o assassinato de seus filhos pela polícia do Rio de Janeiro ocorrido recentemente. Falam da luta em que estão envolvidas para que o Estado reconheça os crimes e puna os responsáveis. Rosi leva a equipe para o local do crime, um parque de diversões no Complexo da Maré, onde seu filho Wallace, de 17 anos, foi baleado enquanto passeava de bicicleta, `as 10h da manhã. MEMÓRIA para uso diário é um filme sobre a tortura que ainda hoje continua atingindo as famílias que não tiveram a chance de enterrar seus entes queridos. É também um filme sobre as vítimas das chacinas que diariamente ocorrem nos bairros populares. Nossos personagens interagem entre a lembrança traumática e o esquecimento, num trabalho de trazer à tona a memória de fatos recentes e de construir uma memória política, revelando a "seletividade" da história oficial. Pensam o passado recente e remoto para que possam libertar o futuro dos fantasmas que ainda os perseguem no presente. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110612/441b447d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1776 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110612/441b447d/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 12 14:18:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 12 Jun 2011 14:18:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?=E2=80=98O_capitalismo_n=C3=A3o_quer_as?= =?utf-8?q?sumir_responsabilidades=E2=80=99=2C_alerta_Istv=C3=A1n_M?= =?utf-8?b?w6lzesOhcm9z?= Message-ID: <447BFCE5938344A09002642087AD6561@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br ?O capitalismo não quer assumir responsabilidades?, alerta István Mészáros JUN 11 Posted by Quem tem medo da democracia? Por Paulo Pastor Monteiro para o ?Opera Mundi? O teórico húngaro, aos 81 anos, em São Paulo. Quando Rosa Luxemburgo escreveu a frase ?Socialismo ou Barbárie? (no ensaio The Junius Pamphlet, 1916) para apontar as escolhas que os países tinham, ela se referia à segunda opção como um produto natural do capitalismo. ?Se ela escrevesse essa frase hoje, o título deveria ser: ?Barbárie? se tivermos sorte??. A tirada irônica foi feita pelo professor e teórico marxista, István Mészáros, em uma palestra que fez parte do lançamento de dois livros: István Mészáros e os desafios do tempo histórico (Organizações Ivana Jinkings e Rodrigo Nobile) e o segundo volume de Estrutura Social e Formas de Consciência, do próprio Mészáros. Além do número 16 da revista Margem Esquerda, da editora Boitempo. O evento ocorreu na quarta-feira (08/06) no teatro TUCA, em São Paulo. Durante a palestra, Mészáros criticou a ideia do capitalismo como um sistema eficiente para a humanidade. ?O capitalismo é tido como a melhor opção. Então porque, mesmo em tempos de superprodução, ainda há pessoas que se revoltem contra a fome?? questiona o professor. Ele explica que, atualmente, a sociedade global funciona de acordo com três pilares: o capital (que tem o capitalismo como subsistema), o Estado e o Trabalho. ?Para haver mudanças efetivas, precisamos substituir essas bases e não consertá-las?, explica. O capitalismo criou uma lógica de funcionamento na qual ninguém assume a responsabilidade pelos problemas que ele cria, afirma. ?O sistema que estamos operando toma decisões e nenhum personagem assume a responsabilidade por elas, como se ninguém pudesse ser responsabilizado?, aponta o professor Crise de 29: um ?chá da tarde? Ele conta que, nos últimos meses de 1967, conversava com um amigo e ouviu dele que o capitalismo finalmente tinha se organizado e estava funcionando de uma maneira mais justa e menos desequilibrada. ?A minha resposta foi que a crise de 1929 era é um ?chá da tarde com biscoitos? comparada às próximas crises. Logo alguns meses depois da nossa conversa, deram-se os acontecimentos de maio de 1968. Vocês se lembram o que aconteceu em maio de 68, não lembram??, brinca o professor. Ao falar sobre a atual crise econômica, Mészáros argumenta que esta não é uma das crises cíclicas que ocorrem a cada sete ou dez anos como as outras, mas uma profunda crise na estrutura do capitalismo. De acordo com sua análise, ainda não há sinais de uma recuperação da economia mundial. As chamadas ?ondas ascendentes? ? termo usado para definir períodos de recuperação econômica ? ainda não vieram. Apesar de alguns países aparentemente demonstrarem alguma reação, ninguém apresentou uma solução estrutural, via capitalismo, para os problemas mundiais. A guerra como saída Mészáros cita o general alemão Carl von Clausewitz que, em seu livro Da guerra (Vom Kriege, no original), fez a seguinte pergunta: ?O que é a guerra??. E cuja resposta era: ?É a continuação da política por outros meios?. Para o teórico marxista, o capitalismo usa a guerra, que é um ?mecanismo anacrônico?, para tentar solucionar os seus problemas mais imediatos. Ele lembra o ex-presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, o qual alertou que capitalismo estava excessivamente atrelado ao complexo da indústria militar. ?As guerras espalhadas ao redor do mundo não estão resolvendo os problemas do capitalismo. Por isso, é possível ver que está sendo preparado o cenário de uma Terceira Guerra Mundial. Alguns militares norte-americanos já começam a argumentar que é legítimo usar armamento nuclear contra qualquer país?, observa. Consciência mundial Para Mészáros, a saída para a ?crise estrutural? passa necessariamente por uma tomada de consciência mundial. ?É preciso uma ação global unificada, com uma visão estratégia de fundo político, para que sejamos capazes de encontrar uma solução para essa crise estrutural?. As pessoas não podem somente esperar algo dos partidos e achar que estão fazendo política ?quando colocam o papel em uma urna?. O teórico aponta que os trabalhadores e grupos críticos do capitalismo precisam, em escala global, desenvolver e propor ações interligadas que façam frente ao capital. ?Não é fácil apontar uma resposta para um problema deste nível. Por isso, é preciso que as pessoas busquem em parceria uma solução?. Ele também critica a atuação dos partidos de esquerda na Europa os quais, ao longo do tempo, foram mudando as suas políticas e posicionamentos aderindo à social-democracia e, após isso, ao neoliberalismo. ?O antigo partido comunista italiano, que se autodenominava democratas de esquerda, retiraram a palavra ?esquerda? e se autodenominaram somente democratas?, cita o professor. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110612/30604833/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14465 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110612/30604833/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 13 20:10:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 13 Jun 2011 20:10:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__FDA_admite=3A_carne_de_frango_co?= =?iso-8859-1?q?nt=E9m_cancer=EDgeno_______________________________?= =?iso-8859-1?q?______HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!___MEDICINA=2C_SA=DADE_E_?= =?iso-8859-1?q?ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <2D3881F1C22A4D84960930F3B2450198@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem FDA admite: carne de frango contém cancerígeno Enviado por luisnassif, sex, 10/06/2011 - 08:08 Por Stanilaw Calandreli Do Natural News Finalmente o FDA admite que a carne de frango contém arsênio causador de câncer Mike Adams Depois de anos varrendo o problema para debaixo do tapete na esperança que ninguém notasse. O FDA finalmente admitiu que a carne de frango vendida nos EUA contém arsênio, uma substância química cancerígena que é fatal em doses elevadas. Mas a verdadeira história é de onde vem esse arsênio: Isso é adicionado à ração dos frangos de propósito! (?é "fermento" para o crescimento dos galináceos, tu se lembras do boi Ben Johnson?). Pior ainda, o FDA diz que a sua própria pesquisa mostra que o arsênio adicionado à ração acaba na carne do frango, onde é consumida pelos seres humanos. Assim, nos últimos sessenta anos, os consumidores americanos que comem frango convencional engoliram arsênio, Até esse novo estudo, tanto a indústria de aves como o FDA negavam que o arsênio fornecido aos frangos permanecesse em sua carne. O conto de fadas contado para nós durante sessenta anos era a desculpa de que "o arsênio é excretado nas fezes das aves." Não há base científica para fazer uma afirmação dessas ... É só o que a indústria avícola queria que todos acreditassem. Mas agora a evidência é tão inegável que o fabricante do produto conhecido como Roxarsone de alimentação avícola decidiu retira-lo das prateleiras (see here ). E qual é o nome deste fabricante que colocou arsênio na alimentação de frango durante todos esses anos? Pfizer, é claro (see here), - a mesma empresa que fabrica as vacinas contendo adjuvantes químicos que são injetados em crianças. Tecnicamente, a empresa que faz o alimento, Roxarsone, para galinha é uma filial da Pfizer, chamada Alpharma LLC. Mesmo a Alpharma agora concordando em retirar essa substância química tóxica fora das prateleiras dos Estados Unidos, ela diz que não será necessário removê-lo de produtos para alimentação animal em outros países, a menos que seja forçado pelos reguladores locais. Conforme relatado por AP: "Scott Brown, da divisão de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicina Veterinária da Saúde Animal da Pfizer disse que a empresa também vende o ingrediente em cerca de uma dúzia de outros países. Ele disse que a Pfizer está entrando em contato com às autoridades reguladoras nesses países e decidirá se irá vendê-lo numa base individual. (see here) - (? Minha observação: deverá distribuir através de um representante, que no Brasil poderá ser a Novartis, ou não?) Arsênio? Coma mais! Yo! Mas, mesmo com o produto contendo arsênio sendo retirado das prateleiras, o FDA continua a sua campanha de negação, afirmando que o arsênio em frangos está em um nível tão baixo que ainda é seguro comer. Isso é o mesmo que o FDA dizer que o arsênio é uma substância cancerígena, o que significa que aumenta o risco de câncer. O Conselho Nacional do Frango concorda com o FDA. Em um comunicado emitido em resposta à notícia de que o Roxarsone seria retirado das prateleiras das casas de ração, ele declarou: "É seguro comer frango" muito embora admitisse que o arsênio seja utilizado em muitos lotes de aves em crescimento e vendido como carne de frango nos Estados Unidos. O que há de surpreendente nisso tudo é que o FDA diz ao consumidor que é seguro comer arsênio cancerígeno, mas que é perigoso beber o suco de sabugueiro! O FDA, recentemente, conduziu uma invasão armada a um fabricante de suco de sabugueiro, acusando-o de "crime" de vender "drogas não aprovadas." Que droga é essa? O suco de sabugueiro, explica o FDA. Dá para entender? O suco de sabugueiro magicamente torna-se uma "droga" se você disser às pessoas que esse mato pode ajudar a saúde. A FDA também foi atrás de dezenas de outras empresas que vendem produtos naturais à base de plantas ou produtos nutricionais que suportam a saúde. Além disso, está travando uma guerra ao leite puro, dizendo que é perigoso. Então, agora na América, temos uma agência reguladora de alimentos e medicamentos que diz que é bom comer arsênio, mas é perigoso beber suco de sabugueiro ou leite puro. Coma mais veneno, em outras palavras, mas não consuma qualquer alimento que cura. Esse é o FDA, matando os americanos um pouco a cada refeição e protegendo o lucro das próprias empresas que estão nos envenenando com seus ingredientes mortais. Ah, por falar nisso, aqui vai outro fato pouco doce e perturbador, você provavelmente não sabia sobre hambúrgueres e a carne de vaca convencional: O estrume de frango, rico em arsênio, é fornecido ao gado de corte em confinamento. Assim, o arsênio, que é defecado pelos frangos e depois consumido fica concentrado nos tecidos do bovino, que depois é transformado em hambúrguer para ser consumido pelas massas sem noção, que sequer sabem que estão, indiretamente, comendo titica de galinha arsenificada. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110613/8a34e01d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 13 20:10:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 13 Jun 2011 20:10:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__IVAN_MOTA_DIAS_______________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CLXIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem IVAN MOTA DIAS (1942-1971) Filiação: Nair Mota Dias e Lucas de Souza Dias Data e local de nascimento: 29/10/1942, Passa Quatro (MG) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 15/05/1971, Rio de Janeiro Seu nome integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Era militante da VPR e documentos dos órgãos de segurança o acusam de participação em várias ações armadas no Rio de Janeiro, pelas quais foi processado e julgado à revelia em diferentes auditorias militares, inclusive do seqüestro do embaixador suíço no Brasil, concluído em janeiro de 1971, quatro meses antes de sua prisão e desaparecimento. Natural de Passa Quatro (MG), de uma família presbiteriana, cursou História na Universidade Federal Fluminense e militava no Movimento Estudantil. Deu aulas no curso pré- vestibular da Universidade. Terminaria sua graduação universitária em dezembro de 1968, mas dois meses antes foi preso no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP) e, depois de solto, teve a prisão preventiva decretada, passando a viver na clandestinidade. Durante esse período, fazia traduções e morava num quarto alugado em uma pensão próxima à Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua prisão ocorreu no dia 15 de maio de 1971, no bairro carioca de Laranjeiras, por agentes do CISA. Alex Polari de Alverga, que estava preso na Base Aérea do Galeão, declarou ter ouvido o serviço de alto-falante da base anunciar a prisão de Ivan, conhecido como "Comandante Cabanos". Inês Itiene Romeu, em seu relatório sobre o período em que ficou seqüestrada no sítio clandestino conhecido como "Casa da Morte", em Petrópolis (RJ), declara que o carcereiro a quem conhecia como "Dr. Guilherme" lhe afirmou que Ivan iria ser preso e, posteriormente, o mesmo agente lhe disse que Ivan tinha sido morto. Informados, no mesmo dia, por telefonema anônimo, a respeito da prisão do filho, seus pais foram ao Rio de Janeiro para buscar localizá-lo em alguma dependência dos órgãos de segurança. Foram ao DOI-CODI, ao I Exército, à Aeronáutica, ao DOPS, ao Exército em São Paulo e Belo Horizonte. Um habeas-corpus requerido em 22 de junho foi negado. Recorreram à Igreja Presbiteriana, à Igreja Católica, ao Conselho Mundial de Igrejas. Tiveram ajuda do deputado Lysâneas Maciel e também do advogado Marcelo Cerqueira, que seria mais tarde deputado federal pelo Rio de Janeiro. Sua mãe, Nair Mota Dias, assim descreveu, em 1978, suas buscas e angústias, em depoimento publicado no livro de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa: "Aí é que eu digo, o problema é o medo. Todo mundo tem medo. O medo traz muita desordem. As pessoas não querem se comprometer, e por isto não dão informações. Ninguém quer se meter, se complicar. Como é que some uma pessoa assim e ninguém viu? Ninguém sabe de nada? (...) Foi depois da morte de Lucas (seu marido, pai de Ivan, em agosto de 1974), quando o general Geisel assumiu, que eu escrevi uma carta para o Lysâneas. Foi em fevereiro, creio, os jornais diziam que o Geisel ia fazer e acontecer, houve uma esperança muito grande naquele momento. O MDB de São Paulo estava recebendo cartas de familiares de pessoas presas ou seqüestradas, e eu enviei para o Lysâneas, dizendo que não queria que soltassem meu filho, não; se ele tinha errado, eu queria que ele aparecesse e fosse julgado pelas leis do país. Mesmo pelas leis de exceção. Só queria isso: que ele aparecesse. Aí iria a julgamento. A gente poria um advogado e íamos ver. Mesmo morto, tinha que aparecer o corpo. Alguém tinha de assumir a responsabilidade. O que não podia era uma pessoa sumir de repente e ninguém saber de nada, ninguém se responsabilizar". ======================================================================================================================== + Informações. IVAN MOTA DIAS Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLU-CIONÁRIA (VPR). Nasceu no dia 29 de outubro de 1942, em Passa Quatro, sul de Minas, filho de Lucas de Souza Dias e de Nair Mota Dias. Tinha apenas um irmão. Era um menino estudioso, comunicativo, carinhoso, gostava de música e tocava violino. Estudante de História, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, foi professor do cursinho pré-vestibular da própria Universidade e militante do movimento estudantil. Ivan não conseguiu concluir o seu curso de História na UFF. Em dezembro de 1968, por sua participação no Congresso da UNE em Ibiúna/São Paulo, teve sua prisão preventiva decretada, passando a viver na clandestinidade. No período em que ficou clandestino no Rio de Janeiro, fazia traduções e morava num quarto alugado, numa rua perto da Central do Brasil. De 1968 a 1971, dava notícias, regularmente, para a família, através de cartas ou telefonemas, sem nunca deixar o endereço. Sua prisão ocorreu no dia 15 de maio de 1971, provavelmente no bairro carioca de Laranjeiras, por agentes do CISA e, apesar de levado imediatamente para as câmaras de tortura do Aeroporto do Galeão, foi dado como foragido pelas forças da repressão. O ex-preso político Alex Polari de Alverga testemunhou ter ouvido pelo serviço de alto-falantes do CISA que o "Comandante Cabanos", nome de guerra de Ivan, havia sido preso. A única notícia que a família recebeu sobre Ivan foi um telefonema anônimo que denunciava sua prisão. Inúmeros contatos foram feitos, buscando alguma notícia ou informações sobre seu paradeiro. Diversos habeas corpus foram impetrados e negados sob a alegação de que Ivan não se encontrava preso em nenhuma dependência militar. Inês Etienne Romeu, em seu Relatório sobre sua prisão na "Casa da Morte", em Petrópolis, afirma que um dos torturadores daquele aparelho clandestino (Dr. Guilherme) lhe disse, antes de 15 de maio de 1971, que iriam prender Ivan nessa data. Posteriormente, contou-lhe que Ivan havia sido executado. =============================================================================================== + Detalhes. domingo, 3 de abril de 2011 Casa do terror em Petrópolis - Na pista dos desaparecidos Da Revista Época Ivan Mota Dias, estudante de história, era conhecido como o Comandante Cabanos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). A VPR era um dos mais agressivos grupos da esquerda armada que combatiam as forças da ditadura militar (1964-1985). Em 15 de maio de 1971, Dias foi preso no Rio de Janeiro por agentes do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica. Sua família o procurou, em vão. Seu corpo nunca apareceu. Documentos oficiais não registram seu destino. A história de Ivan é semelhante à de outros desaparecidos e as dúvidas que cercam seu destino são compartilhadas por outras famílias. Agora, 40 anos depois, surgem pistas. Os corpos de Ivan e de outros 16 desaparecidos podem ter sido enterrados como indigentes, ou com nomes falsos, em covas rasas no cemitério de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Sem alarde, no ano passado, a Secretaria de Direitos Humanos empreendeu durante oito meses a mais sistemática busca por restos mortais de desaparecidos políticos já feita no país. As buscas foram feitas em quatro Estados por uma equipe formada por funcionários da Secretaria, agentes da Polícia Federal, procuradores da República e um consultor externo. Um dos principais focos foi Petrópolis. Pelo menos entre 1970 e 1974, funcionou na cidade um cruel centro de tortura e assassinato mantido pelas Forças Armadas fora de suas instalações oficiais. A Casa da Morte - codinome Codão - ficava na Rua Arthur Barbosa, 668, no bairro Caxambu. Era um cárcere privado mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE). Para ele eram levados os presos que poderiam ser convertidos em agentes duplos. Mas a função primordial era torturar e matar sem deixar rastros. Isso incluiria a norma macabra de picotar os corpos. As informações levantadas pela missão, no entanto, podem mudar o pouco que se sabe sobre esse episódio sombrio. Ex-militante que foi torturado no DOI-Codi paulista e cumpriu pena na década de 1970, Ivan Seixas foi o consultor da equipe da Secretaria. Há mais de dez anos, ele recebeu uma informação sobre os mortos em Petrópolis. "Procure no cemitério atrás do Quitandinha. Lá você pode achar o pessoal da casa", disse um intermediário. Quitandinha é um hotel desativado, um dos cartões-postais de Petrópolis. Atrás dele fica o bairro onde está o cemitério municipal. No ano passado, a partir de uma lista de 30 militantes desaparecidos no Rio e em São Paulo que podem ter passado pela Casa da Morte, Ivan Seixas e a procuradora da República Vanessa Seguezzi vasculharam os livros dos sepultamentos realizados no cemitério de Petrópolis entre 1970 e 1974. Com base em atestados de óbito, verificaram grandes coincidências entre as datas de prisão de 17 militantes e as de enterro de corpos lá sepultados. As circunstâncias e as causas das mortes - fraturas de crânio, tiros, hemorragias, acidentes - também chamaram a atenção. No caso de Ivan Mota Dias, há coincidências com um desconhecido, de "20 e poucos anos", que foi sepultado no cemitério de Petrópolis no dia 17 de maio de 1971 e cujo cadáver havia sido encontrado na Estrada União Indústria. Dias havia sido preso dois dias antes. O atestado de óbito, assinado pelo médico Alódio Imbroisi, diz que o desconhecido morreu de "hemorragia intracraniana, fratura do crânio, acidente" - causas que podem ser relacionadas à tortura. Sabe-se que Dias passou pela Casa da Morte graças à informação de Inês Etienne Romeu, a única presa a sair com vida daquele matadouro. Leia a matéria completa, de autoria do jornalista Leandro Loyola, clique aqui. ===================================================================================================== + Detalhes. 01/04/2011 - 23:16 - Atualizado em 01/04/2011 - 23:16 Na pista dos desaparecidos O governo investiga as coincidências entre corpos enterrados em cemitério de Petrópolis e 17 vítimas de tortura sumidas durante a ditadura militar Leandro Loyola BUSCAS Uma missão do governo levantou dados e fez buscas por corpos de desaparecidos Ivan Mota Dias, estudante de história, era conhecido como o Comandante Cabanos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). A VPR era um dos mais agressivos grupos da esquerda armada que combatiam as forças da ditadura militar (1964-1985). Em 15 de maio de 1971, Dias foi preso no Rio de Janeiro por agentes do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica. Sua família o procurou, em vão. Seu corpo nunca apareceu. Documentos oficiais não registram seu destino. A história de Ivan é semelhante à de outros desaparecidos e as dúvidas que cercam seu destino são compartilhadas por outras famílias. Agora, 40 anos depois, surgem pistas. Os corpos de Ivan e de outros 16 desaparecidos podem ter sido enterrados como indigentes, ou com nomes falsos, em covas rasas no cemitério de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Sem alarde, no ano passado, a Secretaria de Direitos Humanos empreendeu durante oito meses a mais sistemática busca por restos mortais de desaparecidos políticos já feita no país. As buscas foram feitas em quatro Estados por uma equipe formada por funcionários da Secretaria, agentes da Polícia Federal, procuradores da República e um consultor externo. Um dos principais focos foi Petrópolis. Pelo menos entre 1970 e 1974, funcionou na cidade um cruel centro de tortura e assassinato mantido pelas Forças Armadas fora de suas instalações oficiais. A Casa da Morte - codinome Codão - ficava na Rua Arthur Barbosa, 668, no bairro Caxambu. Era um cárcere privado mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE). Para ele eram levados os presos que poderiam ser convertidos em agentes duplos. Mas a função primordial era torturar e matar sem deixar rastros. Isso incluiria a norma macabra de picotar os corpos. >>Leia mais sobre a Casa da Morte As informações levantadas pela missão, no entanto, podem mudar o pouco que se sabe sobre esse episódio sombrio. Ex-militante que foi torturado no DOI-Codi paulista e cumpriu pena na década de 1970, Ivan Seixas foi o consultor da equipe da Secretaria. Há mais de dez anos, ele recebeu uma informação sobre os mortos em Petrópolis. "Procure no cemitério atrás do Quitandinha. Lá você pode achar o pessoal da casa", disse um intermediário. Quitandinha é um hotel desativado, um dos cartões-postais de Petrópolis. Atrás dele fica o bairro onde está o cemitério municipal. No ano passado, a partir de uma lista de 30 militantes desaparecidos no Rio e em São Paulo que podem ter passado pela Casa da Morte, Ivan Seixas e a procuradora da República Vanessa Seguezzi vasculharam os livros dos sepultamentos realizados no cemitério de Petrópolis entre 1970 e 1974. Com base em atestados de óbito, verificaram grandes coincidências entre as datas de prisão de 17 militantes e as de enterro de corpos lá sepultados. As circunstâncias e as causas das mortes - fraturas de crânio, tiros, hemorragias, acidentes - também chamaram a atenção. No caso de Ivan Mota Dias, há coincidências com um desconhecido, de "20 e poucos anos", que foi sepultado no cemitério de Petrópolis no dia 17 de maio de 1971 e cujo cadáver havia sido encontrado na Estrada União Indústria. Dias havia sido preso dois dias antes. O atestado de óbito, assinado pelo médico Alódio Imbroisi, diz que o desconhecido morreu de "hemorragia intracraniana, fratura do crânio, acidente" - causas que podem ser relacionadas à tortura. Sabe-se que Dias passou pela Casa da Morte graças à informação de Inês Etienne Romeu, a única presa a sair com vida daquele matadouro. Em Petrópolis, funcionou um centro de tortura mantido pelo serviço secreto do Exército Inês ouviu seus torturadores dizer que Ivan seria executado. Ela foi militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), ao lado da presidente Dilma Rousseff. O pouco que sabe sobre a Casa da Morte é resultado de suas observações durante os 96 dias em que esteve presa lá, entre maio e agosto de 1971. Quebrada pelos suplícios, Inês tentou o suicídio duas vezes. Mesmo torturada continuamente, ela foi capaz de guardar nomes de presos, apelidos de torturadores e até o telefone da casa - que serviu para localizar o imóvel anos depois. Guardou um detalhe fundamental: em um dos quartos ficava uma cama de campanha com a inscrição "Centro de Informações do Exército". Em 1979, Inês prestou um depoimento à OAB do Rio de Janeiro. Listou os nomes de 19 militares torturadores e um médico, depois identificado como o psicanalista Amílcar Lobo. Deu informações sobre nove presos torturados e mortos na casa. Não se sabe quantos presos, no total, passaram pela casa enquanto ela funcionou. Dos nove presos vistos por Inês, ou dos quais ela soube, quatro podem ter sido enterrados no cemitério de Petrópolis, segundo o levantamento da Secretaria. Paulo de Tarso Celestino da Silva, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso com a namorada, Heleny Guariba, da VPR, no Rio de Janeiro, no dia 12 de julho de 1971. Segundo Inês, Paulo foi torturado por seis militares durante 48 horas. Foi obrigado a comer muito sal e suplicava por água. Segundo Inês, Heleny teria sido torturada por dois dias até com choques na vagina. O levantamento afirma que Paulo pode ter sido enterrado com o nome de Ari Barbosa, em 16 de julho de 1971, ou de Geraldo Deonídio Silva, em 24 de julho de 1971, ambos citados como indigente nos atestados de óbito. Heleny pode ter sido sepultada como Elvira da Silva Oliveira, no dia 24 de julho de 1971. Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, militante da VPR, foi preso em 9 de maio de 1971. Inês Etienne afirmou que outro preso disse a ela que Aluízio teria chegado à Casa da Morte em "estado deplorável". Aluízio pode ter sido enterrado no cemitério de Petrópolis com o nome de José Neves Filho. Aluízio tinha os mesmos 49 anos da certidão de óbito de Neves Filho. O enterro foi feito no dia 14 de maio, cinco dias após a prisão de Aluízio. No atestado de óbito, a causa da morte é "hemorragia cerebral e acidente vascular cerebral". Os corpos enterrados no cemitério podem ter sido desenterrados e jogados em valas comuns A Casa de Petrópolis existiu graças a uma parceria público-privada. Ela foi emprestada ao Exército pelo alemão Mário Lodders. Simpatizante da ditadura, Lodders morava ao lado da Casa da Morte e a frequentava. Ele via presos torturados, segundo contou Inês. Veterano do Partido Comunista Brasileiro (PCB), David Capistrano Costa pode ter sido um deles. Ele havia participado da Guerra Civil Espanhola e da Resistência Francesa à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. No dia 16 de março de 1974, Costa foi preso com o companheiro de militância José Roman. Militares afirmam que Costa e Roman foram torturados na Casa da Morte. No dia 31 de março foram sepultados no cemitério de Petrópolis os corpos de João Pereira de Melo, Sebastião Luiz dos Santos e José Fernandes. Suspeita-se que João possa ser David Capistrano Costa porque tinham idade parecida. Roman poderia ser Sebastião ou José Fernandes. Fundado há mais de 100 anos, o cemitério municipal São Pedro de Alcântara, onde podem ter sido enterrados os 17 desaparecidos, abriga mais de 6 mil sepulturas. Algumas estão incrustadas nas calçadas da avenida que corta o cemitério ao meio e nas encostas dos morros ao redor. São cerca de 66 mil corpos sepultados. De acordo com a administração do cemitério, os mortos enterrados em covas rasas na década de 1970, como é o caso dos levantados pela missão da Secretaria, podem ter sido desenterrados cinco anos depois e jogados em valas comuns. Procurar mortos da ditadura é um trabalho difícil. Os documentos oficiais ajudam pouco. Os militares que sabem onde essas pessoas foram enterradas não colaboram. As chances de identificar os corpos são remotas. Por que, então, procurá-los? "O Estado tem a responsabilidade de fazer todos os esforços para localizar os restos mortais de pessoas que ele fez desaparecer", afirma o procurador da República Marlon Weichert. A ação civil pública encaminhada por Weichert à Justiça levou às buscas de oito desaparecidos no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. "Esses corpos não foram localizados porque houve resistências dentro do Estado", afirma a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. "Mas é uma obrigação constitucional buscá-los. É uma forma de completar a transição democrática." Nesta semana, uma reunião da Comissão de Mortos e Desaparecidos, em Brasília, vai discutir o que fazer sobre o caso de Petrópolis. Uma busca mais difícil que a de Petrópolis foi feita no ano passado em Foz do Iguaçu, Paraná. O objetivo era localizar os corpos de cinco militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e um militante argentino. Refugiados na Argentina, em junho de 1971, Onofre Pinto, José Lavechia, os irmãos Daniel José e Joel José de Carvalho, Victor José Ramos, todos da VPR, e o argentino Ernesto Ruggia tentavam retomar a luta armada no Brasil. O grupo foi atraído pelo militante Alberi Vieira Soares - que, na verdade, era um agente duplo a serviço do Centro de Informações do Exército. Um ex-militar aceitou colaborar como informante da missão da Secretaria. Ele disse que, com exceção de Onofre, os quatro da VPR e Ruggia foram levados por Alberi e um colega a um suposto esconderijo pela antiga Estrada do Colono, na noite de 14 de julho de 1974. Eles caminhavam pela mata, quando caíram numa emboscada e foram metralhados. A armadilha teria sido executada pelo capitão Ênio Pimentel da Silveira, o doutor Nei do Centro de Informações do Exército, o capitão Paulo Malhães, chamado de Doutor Pablo, e os militares Laecato, Camarão e Presuntinho - os três últimos do CIE e funcionários da Casa da Morte de Petrópolis. Os militares teriam ficado ainda cerca de meia hora no local, comendo e bebendo ao lado dos corpos. No dia seguinte, a mesma turma teria matado Onofre Pinto com uma injeção de Sheltox e jogado seu corpo em um rio. Durante 20 dias, uma equipe da Secretaria fez três expedições e escavações em vários locais dentro do Parque Nacional do Iguaçu para localizar os corpos. Até um helicóptero foi usado. No penúltimo dia, o ex-militar descreveu o local da emboscada e informou que as escavações não estavam sendo feitas no local exato. Ele deu indicações genéricas e novas buscas devem ser feitas neste ano. Será muito difícil encontrar os mortos de Petrópolis ou de Foz do Iguaçu. Os algozes tiveram tempo suficiente para removê-los ou para alterar os locais. Há quase 40 anos, as famílias dos desaparecidos em Foz, São Paulo ou Petrópolis convivem com a dúvida de saber onde eles estão. A família de Mário Lodders, o homem que tornou possível a existência da Casa da Morte, tem mais sorte. De acordo com os registros do cemitério municipal de Petrópolis, Lodders morreu no dia 19 de fevereiro de 2008. Atenta às normas do cemitério, sua família pediu em fevereiro a exumação de seu cadáver. Os ossos estão guardados no ossário A-30, na quadra 04. Graças a esses cuidados, os restos de Lodders escaparam de se perder em uma vala comum. Se quiserem, seus familiares poderão homenageá-lo com flores para sempre. ================================================================================================ Leia a matéria completa, de autoria do jornalista Leandro Loyola, clique aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110613/f1e12010/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5092 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110613/f1e12010/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 13 20:10:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 13 Jun 2011 20:10:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Brasil_Nunca_Mais_na_internet_-_?= =?iso-8859-1?q?Data=3A_14_de_junho=2C_=E0s_14h30_-_Local=3A_Audit?= =?iso-8859-1?q?=F3rio_da_Procuradoria_Regional_da_Rep=FAblica_-_3?= =?iso-8859-1?q?=BA_regi=E3o_-Endere=E7o=3A_Avenida_Brigadeiro_Luiz?= =?iso-8859-1?q?_Ant=F4nio=2C_2020=2C_t=E9rreo=2C_Bela_Vista=2C_S?= =?iso-8859-1?q?=E3o_Paulo/SP?= Message-ID: <5C014721F87E497791D3466FACB7AFBC@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Brasil Nunca Mais na internet Um dos acervos mais importantes da história contemporânea brasileira será digitalizado e disponibilizado na internet O projeto Brasil: Nunca Mais, coordenado pelo arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns e pelo Pastor Jaime Wright, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar, e gerou um importante acervo sobre a história do país. O projeto pretendia evitar o possível desaparecimento de documentos durante o processo de redemocratização. Após seis anos de trabalho em sigilo, a tarefa foi finalizada, resultando na cópia de mais de um milhão de páginas de processos do Superior Tribunal Militar. Porém, diante da preocupação com a apreensão do material, a alternativa encontrada foi microfilmar os documentos e remeter os filmes para o exterior. Hoje, esse acervo será repatriado. E o mais importante: estará acessível a todos os brasileiros. O anúncio oficial da digitalização e disponibilização do Arquivo será feito na próxima terça-feira, dia 14 de junho, à 14h30, através do "Ato Público de Repatriação do Acervo do Brasil Nunca Mais", realizado por uma parceria entre o Arquivo Público do Estado de São Paulo, órgão vinculado à Casa Civil, o Ministério Público Federal e o Armazém Memória. No total, serão digitalizados mais de 707 processos judiciais do Superior Tribunal Militar. Também serão digitalizados cerca de 4 mil documentos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) sobre o mesmo tema. O projeto Brasil Nunca Mais Digital conta ainda com o apoio da OAB/RJ, do Center for Research Libraries (EUA), do Conselho Mundial de Igrejas (Suíça) e do Instituto de Políticas Relacionais. O objetivo do projeto é disponibilizar ao público, pela internet, o acervo integral do Brasil: Nunca Mais, assim como os documentos que registraram o seu desenvolvimento. O prazo estipulado para o término do projeto é de um ano após o seu início, no dia 14 de junho. Caberá ao Arquivo Público a digitalização de cerca de 1 milhão de páginas dos processos datados de 1961 a 1976, que contêm informações e evidências de violações dos direitos humanos praticadas por agentes do Estado durante a ditadura militar. Já o acervo do CMI é formado principalmente por correspondências trocadas entre os responsáveis pelo projeto Brasil: Nunca Mais durante os seus seis anos de execução. Participará do ato o Procurador-Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, entre outras autoridades. Na ocasião, o Conselho Mundial de Igrejas e o Center for Research Libraries (EUA) irão entregar cópias de seus acervos mantidos no exterior ao Procurador-Geral, a fim de que elas sejam digitalizadas para compor o projeto Brasil Nunca Mais Digital. Durante o evento, também serão prestadas homenagens a algumas pessoas que se dedicaram a este projeto: Dom Paulo Evaristo Arns, Rev. Jaime Wright (in memoriam), Paulo Vannuchi e Eny Raimundo Moreira. Se você vai comparecer ou pensar em comparecer ao evento do dia 14, clique aqui. Aproveite também para saber quem estará em São Paulo, no evento. Serviço "Ato Público de Repatriação do Acervo do Brasil Nunca Mais" Data: 14 de junho, às 14h30 Local: Auditório da Procuradoria Regional da República - 3º região Endereço: Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, 2020, térreo, Bela Vista, São Paulo/SP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110613/7ed1bbdc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 84927 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110613/7ed1bbdc/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 14 20:07:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 14 Jun 2011 20:07:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__LUIZA_AUGUSTA_GARLIPPE______________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CLXV-?= Message-ID: <6532EC1A0000410A9432EAFBC8EBDC5C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LUIZA AUGUSTA GARLIPPE (1941-1974) Filiação: Durvalina Santomo Garlippe e Armando Garlippe Data e local de nascimento: 16/10/1941, Araraquara (SP) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre maio e julho de 1974 Luiza nasceu em Araraquara, no interior paulista, onde estudou até completar o ensino médio no IEBA, Instituto de Educação Bento de Abreu. Mudou-se então para São Paulo, onde cursou Enfermagem na USP, formando-se em 1964. Em seguida, passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, chegando ao posto de enfermeira-chefe do Departamento de Doenças Tropicais, assunto em que se especializou. Realizou viagens de estudo pelo interior do país, percorrendo estados como Amapá e Acre. Também participou da Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas. Atuante na militância política contra o regime militar, era integrante do PCdoB. No início dos anos 70, foi deslocada para o Araguaia, indo viver na região do Rio Gameleira, onde desenvolveu trabalho de saúde, destacando- se como parteira. Era conhecida na área como Tuca e assumiu a coordenação do setor de saúde da guerrilha após a morte de João Carlos Haas. No Araguaia, integrava o Destacamento B e era companheira de Pedro Alexandrino de Oliveira, o Peri. Segundo informações de seu irmão Armando Garlippe Junior, a última vez que os familiares a viram foi no início dos anos 70. "Posteriormente, fomos perdendo contato. Não sabíamos onde ela estava. Pensávamos que ela pudesse estar presa. Às vezes, chegavam informações desencontradas sobre o seu paradeiro. Alguns diziam que ela estava no exterior: outros falaram que ela se encontrava no Nordeste. Só muito tempo depois fomos saber sobre o Araguaia. Na verdade, naquela época, a comunicação era difícil. As forças da repressão nos vigiavam". Sabe-se que sobreviveu ao ataque da manhã de Natal de 1973 e existem divergências a respeito da data de sua morte ou desaparecimento. O Relatório do Ministério da Aeronáutica, de 1993, registra apenas que Luiza era "Militante do PCdoB e guerrilheira no Araguaia". O Relatório do Ministério do Exército, do mesmo ano, agrega: "Militante do PCdoB integrando o destacamento da guarda do Comando Militar na Guerrilha do Araguaia, considerada desaparecida desde 5/74". O Relatório do Ministério da Marinha apresenta a informação de que morreu em junho de 1974: "NOV/74, relacionada entre os que estiveram ligados à tentativa der implantação da guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá. Morta em junho/74". Por fim, o Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram da luta contra os guerrilheiros apresenta o mês de julho como data de sua morte, segundo escreve Hugo Studart em A Lei da Selva: "Foi presa em julho de 1974, em companhia da guerrilheira Dinalva Oliveira Teixeira, a Dina. Foi executada no mesmo dia de Dina, perto de Xambioá". Em 17/01/2004, em reunião realizada na Câmara Municipal de Araraquara, foi constituída a Comissão de Direitos Humanos Luiza Augusta Garlippe, em sua homenagem. ====================================================================================================================== + Informações. LUÍZA AUGUSTA GARLIPPE Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Desaparecida desde 1974 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 33 anos. Nasceu em Araraquara, Estado de São Paulo, em 16 de outubro de 1941, filha de Armando Garlippe e Durvalina Santomo Garlippe. Fez o primário, o ginasial e o científico em Araraquara e mudou-se para a cidade de São Paulo onde fez o curso de Enfermagem na USP, formando-se em 1964. Em seguida, passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, chegando a Enfermeira-Chefe do Departamento de Doenças Tropicais, assunto em que se especializou, fazendo inclusive algumas viagens pelo país como ao Amapá e Acre. Participava da Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas, distribuindo panfletos e organizando seus colegas de trabalho. Foi viver na região do Rio Gameleira, no Araguaia, onde desenvolveu intenso trabalho de saúde, destacando-se como parteira. Pertenceu ao Destacamento B da guerrilha. Foi vista viva pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973, num acampamento, próximo à Serra das Andorinhas, antes de haver intenso tiroteio contra os mesmos. O Relatório do Ministério do Exército diz que é "considerada desaparecida desde 5/74" e, o do Ministério da Marinha, que teria sido "morta em junho/74." =============================================================================== + Informações. Luiza Augusta Garlippe Militante do PCdoB Apelidos: Tuca, Dona Maria. Cor: branca Altura: 170 cm Idade: 33 anos Sexo: fem. Cabelo: cast./claro/liso/longo. Sapato: 39. Data e local de nascimento: 16/10/41, em Araraquara/SP. Filiação: Armando Garlippe/Aracy Vieira de Sousa Garlippe. Ficha antropométrica: Dentes grandes, tratados e regulares. Fundação Maurício Grabois Biografia "Foi enfermeira do Departamento de Moléstias Transmissíveis do Hospital das Clínicas de São Paulo nos anos de 1967 a 1969. Perticipava da Associação dos Funcionários deste Hospital, defendendo sempre os direitos dos funcionários e pacientes. Mesmo na mais negra repressão, Maria Luiza participava da vida política, distribuindo folhetos e organizando seus colegas de trabalho. Desde essa época pensava em transferir-se para o interior, daí o seu interesse em trabalhar no Departamento de Moléstias Transmissíveis. Foi viver na região do Gameleira, no Araguaia, onde desenvolveu intenso trabalho de saúde, destacando-se como parteira. Com o assassinato de João Carlos Haas, Tuca substituiu-o no serviço de Saúde do conjunto das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Está desaparecida desde o ataque à Comissão Militar, em 25/12/73." Homenagens: Nome da antiga Rua 07, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Rua 05 e término na antiga Rua 07- Lei nº 9497, de 20/11/97. Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento: Citada como Maria Luiza (Tuca), no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II. Citada como Maria Luiza (Tuca) na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982. Relatório Arroyo: "Quando já estavam a mais ou menos um quilômetro do acampamento, às 11 hs e 25 da manhã (25/12/73), ouviram cerrado tiroteio. Encontraram-se logo depois com Áurea e Peri, que vinham apanhá-los para o acampamento. Os dois afirmaram que o tiroteio tinha sido no rumo do acampamento. Cinco minutos depois do tiroteio, dois helicópteros e um avião começaram a sobrevoar a área onde houvera o tiroteio, e continuaram durante todo o dia nessa operação. Dois helicópteros grandes fizeram duas viagens - da base do Mano Ferreira, a uns cinco ou seis quilômentros, até o local do tiroteio. Tinha-se a impressão de que ou estavam levando mais tropas ou retirando mortos e feridos do local. J. e seus companheiros (eram oito) afastaram-se do local mais ou menos um quilômentro. No dia seguinte, 26 [de dezembro], foram a uma referência para encontro, num local próximo. Aí encontraram os companheiros Osvaldo, Lia [Telma Regina Cordeiro Corrêa], Batista [Uirassú de Assis Batista] e Lauro. Osvaldo informou o seguinte: que o grosso da força havia acampado dia 24, mas percebeu que estava perto da estrada. Dia 25, pela manhã, afastaram-se para uns cem metros de onde se achavam, designando alguns companheiros para limpar (camuflar) o local em que estiveram. Os membros da CM e sua guarda ficaram num ponto mais alto do terreno, e os demais ficaram na parte de baixo . Na hora do tiroteio havia 15 companheiros no acampamento: Mário [Maurício Grabois], Paulo, Pedro, Joca, Tuca, Dina (com febre), Luís (com febre), na parte alta; embaixo: Zeca, Lourival, Doca e Raul (estavam ralando coco babaçu para comer). Lia e Lauro faziam guarda. Osvaldo e Batista realizavam a camuflagem." Relatório do Ministério Exército: Filha de Armando Garlippe e de Durvalina Garlippe, sem data de nascimento e naturalidade. Militante do PCdoB, utilizava os codinomes "Tuca" e "Dª Maria", integrando o Destacamento da guarda do comando militar na guerrilha do Araguaia, sendo considerada desaparecida desde Maio. Relatório do Ministério da Marinha: - Nov./74 - relacionada entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá. - Morta em Jun. 74. Relatório do Ministério da Aeronáutica:. Militante do PCdoB e guerrilheira no Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morta ou desaparecida no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão. Informações e depoimentos Obtidos através da imprensa ou dos familiares: "A Tuca, enfermeira, sempre ajudando todo mundo ..." "As mulheres guerrilheiras eram também parteiras, como a Tuca, formada em enfermagem". "Contam uma história que eu não sei se faz parte do folclore ou não. Nessa ocasião eu ouvi também que havia uma moça loura que era parece quem dava mais assistência, inclusive de obstetrícia. e num combate que houve, de curta distância, corpo a corpo, estava um capitão com um sargento e um cabo. Eles viram um pequeno grupo do outro lado e trocaram tiros e a moça foi atingida. Os outros fugiram...Então ... o que eu soube é que esse capitão ou tenente teria procurado socorrer a moça ferida. ...E quando, ele se aproximou dela com arma baixa - ela estava muito ferida - ela meteu a mão no cano da bota, e ele não tinha visto que ali tinha um revólver, e ela que estava muito ferida ainda acertou o tiro: foi esse que pegou o maxilar e saiu pelo outro lado do rosto. Então as pessoas que o acompanhavam metralharam a moça que já estava muito ferida..." 3 [Depoimento de Jarbas Passarinho]. Curió, em reportagem do SBT, em julho/96, faz referência a um combate com 10 guerrilheiros, no começo da 3ª Campanha, na localidade de Some Home, sendo que quatro deles morrem. Pode ser o cambate do dia 25/12/73. Este local pode ser o descrito por Osvaldão, no Relatório Arroyo, pois Some Home fica a uns 6 Km da Fazenda Consolação e 4 Km distante do rio Saranzal. Pode ser que alguns tenham sido presos, outros escaparam e, provavelmente quatro tenham sido mortos no local. "Sr. José Moraes Silva, (...) que oferecido para reconhecimento do declarante as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Beto (Lúcio Petit da Silva), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente), Sônia (Lúcia Maria de Souza), Fátima (Helenira Rezende Nazareth), Tuca (Luiza Augusta Garlippe), João Araguaia (Dermeva; da S. Pereira), Rosa (Maria Célia Correa) e Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa)". "Sr. Pedro Moraes da Silva, (...)que, oferecido para reconhecimento do declarante, as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia (Lúcia Maria de Souza), João Araguaia (Dermeval da S. Pereira), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente) que usava um chapéu de couro de macaco da noite com rabo; Tuca (Luiza Augusta Garlipe), Beto (Lúcio Petit da Silva), Rosinha (Maria Célia Correa), Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Cristina (Jana Moroni Barroso) que ia sempre aos sábados lavar a roupa na casa do declarante e se escondia no mato, esperando até que a roupa secasse, Nunes (Divino Ferreira de Souza), Fátima (Helenira Resende de Souza Nazareth), (...); Duda (Luis Renê Silveira e Silva), cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, que hoje é a Fazenda Brasil-Espanha; (...)". "Sr. Pedro Vicente Ferreira, conhecido por Pedro Zuza, (...)que dos guerrilheiros, o declarante conheceu Zé Ferreira, Mariadina, Tuca, Lia, Chica, João Goiano e Osvaldão, que conheceu como mariscador (caçador), e outros cujos nomes não se recorda; (...)que a turma que estava com Osvaldão era Mariadina, Tuca, Chica, Lia e o filho do Seu Américo e outras pessoas; que os militares mostravam fotos dos guerrilheiros; que o filho do Seu Américo, que tinha 14 anos, se entregou e nunca mais apareceu. que conheceu major Curió na palestina, quando andava na mata procurando por guerrilheiros". ========================================================================================================= + Informaçoes. LUIZA AUGUSTA GARLIPPE (1941-1974) Luiza nasceu em Araraquara, no interior paulista, onde estudou até completar o ensino médio no Instituto de Educação Bento de Abreu (Ieba). Mudou-se então para São Paulo, onde cursou Enfermagem na USP, formando-se em 1964. Em seguida, passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, chegando ao posto de enfermeira-chefe do Departamento de Doenças Tropicais, área em que se especializou. Realizou viagens de estudo pelo interior do país, percorrendo estados como Amapá e Acre. Também participou da Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas. Atuante na militância política contra o regime militar, Luiza era integrante do PCdoB. No início dos anos 1970, ela foi deslocada para o Araguaia, indo viver na região do Rio Gameleira, onde passou a ser conhecida como Tuca e desenvolveu trabalho de atendimento em saúde, destacando-se como parteira. Companheira de Pedro Alexandrino de Oliveira, o Peri, integrava o Destacamento B da guerrilha, assumindo a coordenação do setor de saúde após a morte do médico guerrilheiro João Carlos Haas. Segundo informações de seu irmão, Armando Garlippe Júnior, a última vez que os familiares a viram foi no início dos anos 1970. "Posteriormente, fomos perdendo contato. Não sabíamos onde ela estava. Pensávamos que ela pudesse estar presa. Às vezes, chegavam informações desencontradas sobre o seu paradeiro. Alguns diziam que ela estava no exterior, outros falaram que ela se encontrava no Nordeste. Só muito tempo depois fomos saber sobre o Araguaia. Na verdade, naquela época, a comunicação era difícil. As forças da repressão nos vigiavam". Sabe-se que sobreviveu ao ataque da manhã de Natal de 1973 e existem divergências a respeito da data de sua morte ou desaparecimento. ==================================================================================================== + Detalhes. Medalha Chico Mendes: Luiza Augusta Garlippe GTNM-RJ Luiza Augusta Garlippe nasceu em Araraquara, no interior paulista, em 1941, filha de Armando Garlippe e Durvalina Santomo Garlippe. Cursou o ensino médio no Instituto de Educação Bento de Abreu, em sua cidade natal. Mudou-se para a cidade de São Paulo, onde fez o curso de Enfermagem na Universidade de São Paulo (USP), formando-se em 1964. Em seguida, passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, chegando a Enfermeira-Chefe do Departamento de Doenças Tropicais, assunto em que se especializou, fazendo inclusive algumas viagens pelo país como ao Amapá e Acre. Participava da Associação dos Funcionários do Hospital das Clínicas, era militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e teve destacada atuação na luta contra o regime militar. No início dos anos de 1970, foi destacada pelo partido para atuar no Araguaia, indo viver na região do Rio Gameleira, onde desenvolveu intenso trabalho de saúde, destacando-se como parteira. Era conhecida na área como Tuca e assumiu a coordenação do setor de saúde da guerrilha após a morte do médico João Carlos Haas. Integrava o Destacamento B e era a companheira de Pedro Alexandrino, também desaparecido desde 1974. Foi vista viva pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973, em um acampamento próximo à Serra das Andorinhas, antes de haver intenso tiroteio do exército contra os guerrilheiros. O Relatório do Ministério do Exército diz que é "considerada desaparecida desde maio de 1974" e, o do Ministério da Marinha, que teria sido "morta em junho do mesmo ano". Segundo relato de Hugo Studart, em seu livro a Lei da Selva: "Foi presa em julho de 1974, em companhia da guerrilheira Dinalva de Oliveira Teixeira, a Dina e as duas foram executadas no mesmo dia, próximo de Xambioá". A Câmara de Vereadores de Araraquara constituiu a Comissão de Direitos Humanos Luiza Augusta Garlippe, em 17 de janeiro de 2004. Companheira Luiza Augusta, você estará presente, agora e sempre na memória de todos que lutam pela democracia em nosso país. Na foto Lorena Moroni, irmã de Jana Moroni que foi homenageada com a Medalha Chico Mendes de Resistência em 1992, entrega a medalha para a sobrinha de Luiza Garlippe ================================================================================================================== + Detalhes. 17/10/2007 - MEMÓRIA Santo André homenageia desaparecida política Por: Liora Mindrisz (liora at abcdmaior.com.br) Prédio do Procon passa a ter o nome da enfermeira Luiza Garlippe, que lutou no Araguaia O Procon (Programa Estadual de Orientação e Proteção ao Consumidor) de Santo André ganhou outro nome na noite de terça-feira (16/10). A sede localizada na rua Arnaldo na Vila Bastos, agora se chama Procon e Assistência Judiciária de Santo André Luíza Augusta Garlippe. Trata-se de uma homenagem à desaparecida política, que em 1973 sumiu na guerrilha do Araguaia, no Pará. Manoel Fernando Marques da Silva, diretor do Procon de Santo André, explica a relação entre a história da enfermeira que se tornou uma guerrilheira e o trabalho efetuado pelo Procon. "Ela foi uma pessoa que doou sua vida para combater a ditadura. A ligação é que pessoas como ela inspiram a nossa atividade, que é a busca dos direitos de pessoas que não tem seus direitos respeitados", explica o diretor do Procon, em relação às famílias que ainda procuram seus parentes que sumiram na época da ditadura. A questão do gênero também fez diferença na hora da escolha da homenageada. "Escolhemos uma mulher, haja vista que mais de 70% das pessoas que são atendidas aqui são mulheres", explicou. O irmão de Luíza, Saulo Garlippe, que foi dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos com o João Avamileno, assessor do João como vereador e hoje trabalha na secretaria de governo, estava presente no evento na companhia de seus dois filhos. O prefeito se emocionou ao fazer o pronunciamento de improviso e convidou o sobrinho de Luíza, João Pedro, de nove anos, para puxar a fita da placa de bronze que está na frente do Prédio. Estavam também presentes representantes de José Genoino Neto, que trabalhou com Luíza no destacamento B da guerrilha do Araguaia, a sobrevivente da guerrilha Criméia Almeida e Fernanda Coelho, do grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, além de representantes da Prefeitura de Santo André. Na mesma noite foi lançado o livro Sem Registro, de Gilberto Linhares, que retratou a vida de Luíza Garlippe, na livraria Alpharrabio. No lançamento foi servido um coquetel oferecido pela Confen (Confederação Nacional de Enfermagem), já que Luíza era enfermeira pela USP e trabalhava no Hospital das Clínicas. ========================================================================================== +Detalhes. Municipal tem sessão nesta terça-feira com transmissão ao vivo pela Internet Reunião ordinária começa às 3 horas da tarde e trará projeto sobre Semana da Mulher de Araraquara: Luiza Augusta Garlippe (Tuca) Compartilhe! Data: 17/05/2011 às 03:06 A 109ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Araraquara será realizada nesta terça-feira (17) a partir das 3 horas da tarde no Plenário da Câmara Municipal. Na Ordem do Dia, o projeto do vereador Carlos Nascimento (PT), que denomina a "Semana da Mulher de Araraquara: Luiza Augusta Garlippe (Tuca)", a semana instituída através da Lei Municipal de 4 de janeiro de 1996, de autoria da então vereadora Vera Botta. A araraquarense Luiza Augusta Garlippe desapareceu entre maio e julho de 1974, na região do Rio Araguaia, quando participava da guerrilha que lutou para combater a ditadura militar instala no país em 1974. ====================================================================================================== + Detalhes. Comissão de Direitos Humanos. Para quê? A Comissão de Direitos Humanos "Luiza Augusta Garlippe", com sede e foro na cidade de Araraquara-SP, surge como uma crítica a uma sociedade que exclui grande parte da população de seus direitos fundamentais, tais como alimentação, saúde, moradia, educação, trabalho, aposentadoria etc. Ao lado de uma imensa exclusão social e política, grandes empresas e poderosos investidores internacionais acumulam fortunas da noite para o dia às custas dos direitos sociais destes trabalhadores. E o pior, enquanto estes excluídos são tratados como marginais pelas nossas elites, ignorados pelos nossos representantes políticos e vivem pelas ruas humilhados, sofrendo as consequências da repressão, os grandes investidores são recebidos com honras de Estado por nossos governantes. No passado, vários brasileiros tentaram acabar com esta exploração e foram violentamente reprimidos pelo Estado. Em homenagem aos que lutaram pela libertação do povo, esta CDH constitui-se como COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS "LUIZA AUGUSTA GARLIPPE", conforme Estatuto. Quem foi Luiza Augusta Garlippe? Maria Luiza-- Militante do PCdoB Apelidos: Tuca, Dona Maria. Biografia Nasceu em Araraquara - SP, em 14 de outubro de 1941, filha de Armando Garlippe e de Aracy Vieira de Sousa Garlippe. Fez o Colegial no antigo IEBA. Formou-se enfermeira e foi trabalhar no Departamento de Moléstias Transmissíveis do Hospital das Clínicas de São Paulo. Participava da Associação dos Funcionários do HC defendendo sempre os direitos dos funcionários e pacientes. Mesmo na repressão política que se seguiu a partir de 1964, distribuía panfletos e ajudava na organização de seus colegas de trabalho. Como militante do PCdoB (Partido Comunista do Brasil, foi para o Araguaia, destacando-se no serviço comunitário de parteira. A repressão militar foi intensa na região e Maria Luiza está desaparecida desde 25 de dezembro de 1973. Homenagens prestadas: Nome da antiga Rua 07, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Rua 05 e término na antinga Rua 07 - Lei nº 9497, de 20/11/97. Em Araraquara - SP. ========================================================================================== + Detalhes. Memória 106 - Procon de Santo André (3º bloco) (vídeo) - 10 min - 17 out. 2007 - Vídeo enviado por memorianatv Procon faz homenagem à enfermeira Luiza Augusta Garlippe. Confira! ... mntv1063b ... www.youtube.com/watch?v=ummHeOS91_U ======================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110614/1e788bf9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110614/1e788bf9/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 14 20:07:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 14 Jun 2011 20:07:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Os_evang=E9licos_e_a_Ditadura_M?= =?windows-1252?q?ilitar?= Message-ID: <8EBE51DAA8B84E58A336CBCCA19F7741@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: elder pacheco De: Neide Pacheco < ISTOÉ Comportamento | N° Edição: 2170 | 10.Jun.11 - 21:00 | Atualizado em 13.Jun.11 - 17:44 Os evangélicos e a ditadura militar Documentos inéditos do projeto Brasil: Nunca Mais - até agora guardados no Exterior - chegam ao País e podem jogar luz sobre o comportamento dos evangélicos nos anos de chumbo Rodrigo Cardoso No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. Pau de arara, choque elétrico, cadeira do dragão e insultos, na tentativa de lhe quebrar a resistência física e moral. ?Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços... Eu dizia: ?Não posso fazer isso.? Como eu poderia trazê-los para passar pelo que eu estava passando?? Foram mais de 20 dias de torturas a partir de 28 de fevereiro de 1970, nos porões do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. O estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo (USP) Anivaldo Pereira Padilha, da Igreja Metodista do bairro da Luz, tinha 29 anos quando foi preso pelo temido órgão do Exército. Lá chegou a pensar em suicídio, com medo de trair os companheiros de igreja que comungavam de sua sede por justiça social. Mas o mineiro acredita piamente que conseguiu manter o silêncio, apesar das atrocidades que sofreu no corpo franzino, por causa da fé. A mesma crença que o manteve calado e o conduziu, depois de dez meses preso, para um exílio de 13 anos em países como Uruguai, Suíça e Estados Unidos levou vários evangélicos a colaborar com a máquina repressora da ditadura. Delatando irmãos de igreja, promovendo eventos em favor dos militares e até torturando. Os primeiros eram ecumênicos e promoviam ações sociais e os segundos eram herméticos e lutavam contra a ameaça comunista. Padilha foi um entre muitos que tombaram pelas mãos de religiosos protestantes. O metodista só descobriu quem foram seus delatores há cinco anos, quando teve acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informações: os irmãos José Sucasas Jr. e Isaías Fernandes Sucasas, pastor e bispo da Igreja Metodista, já falecidos, aos quais era subordinado em São Paulo. ?Eu acreditava ser impossível que alguém que se dedica a ser padre ou pastor, cuja função é proteger suas ovelhas, pudesse dedurar alguém?, diz Padilha, que não chegou a se surpreender com a descoberta. ?Seis meses antes de ser preso, achei na mesa do pastor José Sucasas uma carteirinha de informante do Dops?, afirma o altivo senhor de 71 anos, quatro filhos, entre eles Alexandre, atual ministro da Saúde da Presidência de Dilma Rousseff, que ele só conheceu aos 8 anos de idade. Padilha teve de deixar o País quando sua então mulher estava grávida do ministro. Grande parte dessa história será revolvida a partir da terça-feira 14, quando, na Procuradoria Regional da República, em São Paulo, acontecerá a repatriação das cópias do material do projeto Brasil: Nunca Mais. Maior registro histórico sobre a repressão e a tortura na ditadura militar (leia quadro na pág. 79), o material, nos anos 80, foi enviado para o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organização ecumênica com sede em Genebra, na Suíça, e para o Center for Research Libraries, em Chicago (EUA), como precaução, caso os documentos que serviam de base do trabalho realizado no Brasil caíssem nas mãos dos militares. De Chicago, virá um milhão de páginas microfilmadas referentes a depoimentos de presos nas auditorias militares, nomes de torturadores e tipos de tortura. A cereja do bolo, porém, chegará de Genebra ? um material inédito composto por dez mil páginas com troca de correspondências entre o reverendo presbiteriano Jaime Wright (1927 ? 1999) e o cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, que estavam à frente do Brasil: Nunca Mais, e as conversas que eles mantinham com o CMI. Somente em 1968, quatro anos após a ascensão dos militares ao poder, o catolicismo começou a se distanciar daquele papel que tradicionalmente lhe cabia na legitimação da ordem político-econômica estabelecida. Foi aí, quando no Brasil religiosos dominicanos como Frei Betto passaram a ser perseguidos, que a Igreja assumiu posturas contrárias às ditaduras na maioria dos países latino-americanos. Os protestantes, por sua vez, antes mesmo de 1964, viveram uma espécie de golpe endógeno em suas denominações, perseguindo a juventude que caminhava na contramão da ortodoxia teológica. Em novembro de 1963, quatro meses antes de o marechal Humberto Castelo Branco assumir a Presidência, o líder batista carismático Enéas Tognini convocou milhares de evangélicos para um dia nacional de oração e jejum, para que Deus salvasse o País do perigo comunista. Aos 97 anos, o pastor Tognini segue acreditando que Deus, além de brasileiro, se tornou um anticomunista simpático ao movimento militar golpista. ?Não me arrependo (de ter se alinhado ao discurso dos militares). Eles fizeram um bom trabalho, salvaram a Pátria do comunismo?, diz. Assim, foi no exercício de sua fé que os evangélicos ? que colaboraram ou foram perseguidos pelo regime ? entraram na alça de mira dos militares (leia a movimentação histórica dos protestantes à pág. 80). Enquanto líderes conservadores propagavam o discurso da Guerra Fria em torno do medo do comunismo nos templos e recrutavam formadores de opinião, jovens batistas, metodistas e presbiterianos, principalmente, com ideias liberais eram interrogados, presos, torturados e mortos. ?Fui expulso, com mais oito colegas, do Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1962, porque o nosso discurso teológico de salvação das almas passava pela ética e a preocupação social?, diz o mineiro Zwinglio Mota Dias, 70 anos, pastor emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, da Penha, no Rio de Janeiro. Antigo membro do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que promovia reuniões para, entre outras ações, trocar informações sobre os companheiros que estavam sendo perseguidos, ele passou quase um mês preso no Doi-Codi carioca, em 1971. ?Levei um pescoção, me ameaçavam mostrando gente torturada e davam choques em pessoas na minha frente?, conta o irmão do também presbiteriano Ivan Mota, preso e desaparecido desde 1971. Hoje professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Dias lembra que, enquanto estava no Doi-Codi, militares enviaram observadores para a sua igreja, para analisar o comportamento dos fiéis. Segundo Rubem Cesar Fernandes, 68 anos, antropólogo de origem presbiteriana, preso em 1962, antes do golpe, por participar de movimentos estudantis, os evangélicos carregam uma mancha em sua história por convidar a repressão a entrar na Igreja e perseguir os fiéis. ?Os católicos não fizeram isso. Não é justificável usar o poder militar para prender irmãos?, diz ele, considerado ?elemento perigoso? no templo que frequentava em Niterói (RJ). ?Pastores fizeram uma lista com 40 nomes e entregaram aos militares. Um almirante que vivia na igreja achava que tinha o dever de me prender. Não me encontrou porque eu estava escondido e, depois, fui para o exílio?, conta o hoje diretor da ONG Viva Rio. O protestantismo histórico no Brasil também registra um alto grau de envolvimento de suas lideranças com a repressão. Em sua tese de pós-graduação, defendida na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Daniel Augusto Schmidt teve acesso ao diário do irmão de José, um dos delatores de Anivaldo Padilha, o bispo Isaías. Na folha relativa a 25 de março de 1969, o líder metodista escreveu: ?Eu e o reverendo Sucasas fomos até o quartel do Dops. Conseguimos o que queríamos, de maneira que recebemos o documento que nos habilita aos serviços secretos dessa organização nacional da alta polícia do Brasil.? Dono de uma empresa de consultoria em Porto Alegre, Isaías Sucasas Jr., 69 anos, desconhecia a história da prisão de Padilha e não acredita que seu pai fora informante do Dops. ?Como o papai iria mentir se o cara fosse comunista? Isso não é delatar, mas uma resposta correta a uma pergunta feita a ele por autoridades?, diz. ?Nunca o papai iria dedar um membro da igreja, se soubesse que havia essas coisas (torturas).? Em 28 de agosto de 1969, um exemplar da primeira edição do jornal ?Unidade III?, editado pelo pai do ministro da Saúde, foi encaminhado ao Dops. Na primeira página, há uma anotação: ?É preciso ?apertar? os jovens que respondem por este jornal e exigir a documentação de seu registro porque é de âmbito nacional e subversivo.? Sobrinho do pastor José, o advogado José Sucasas Hubaix, que mora em Além Paraíba (MG), conta que defendeu muitos perseguidos políticos durante a ditadura e não sabia que o tio havia delatado um metodista. ?Estou decepcionado. Sabia que alguns evangélicos não faziam oposição aos militares, mas daí a entregar um irmão de fé é uma grande diferença.? Nenhum religioso, porém, parece superar a obediência canina ao regime militar do pastor batista Roberto Pontuschka, capelão do Exército que à noite torturava os presos e de dia visitava celas distribuindo o ?Novo Testamento?. O teólogo Leonildo Silveira Campos, que era seminarista na Igreja Presbiteriana Independente e ficou dez dias encarcerado nas dependências da Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo, em 1969, não esquece o modus operandi de Pontuschka. ?Um dia bateram na cela: ?Quem é o seminarista que está aqui???, conta ele, 21 anos à época. ?De terno e gravata, ele se apresentou como capelão e disse que trazia uma ?Bíblia? para eu ler para os comunistas f.d.p. e tentar converter alguém.? O capelão chegou a ser questionado por um encarcerado se não tinha vergonha de torturar e tentar evangelizar. Como resposta, o pastor batista afirmou, apontando para uma pistola debaixo do paletó: ?Para os que desejam se converter, eu tenho a palavra de Deus. Para quem não quiser, há outras alternativas.? Segundo o professor Maurício Nacib Pontuschka, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, seu tio, o pastor-torturador, está vivo, mas os dois não têm contato. O sobrinho também não tinha conhecimento das histórias escabrosas do parente. ?É assustador. Abomino tortura, vai contra tudo o que ensino no dia a dia?, afirma. ?É triste ficar sabendo que um familiar fez coisas horríveis como essa.? Professor de sociologia da religião na Umesp, Campos, 64 anos, tem uma marca de queimadura no polegar e no indicador da mão esquerda produzida por descargas elétricas. ?Enrolavam fios na nossa mão e descarregavam eletricidade?, conta. Uma carta escrita por ele a um amigo, na qual relata a sua participação em movimentos estudantis, o levou à prisão. ?Fui acordado à 1h por uma metralhadora encostada na barriga.? Solto por falta de provas, foi tachado de subversivo e perdeu o emprego em um banco. A assistente social e professora aposentada Tomiko Born, 79 anos, ligada a movimentos estudantis cristãos, também acredita que pode ter sido demitida por conta de sua ideologia. Em meados dos anos 60, Tomiko, que pertencia à Igreja Evangélica Holiness do Brasil, fundada pelo pai dela e outros imigrantes japoneses, participou de algumas reuniões ecumênicas no Exterior. Em 1970, de volta ao Brasil, foi acusada de pertencer a movimentos subversivos internacionais pelo presidente da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, onde trabalhava. Não foi presa, mas conviveu com o fantasma do aparelho repressor. ?Meu pesadelo era que o meu nome estivesse no caderninho de endereço de alguma pessoa presa?, conta. Parte da história desses cristãos aterrissará no Brasil na terça-feira 14, emaranhada no mais de um milhão de páginas do Projeto Brasil: Nunca Mais repatriadas pelo Conselho Mundial de Igrejas. Não que algum deles tenha conseguido esquecer, durante um dia sequer, aqueles anos tão intensos, de picos de utopia e desespero, sustentados pela fé que muitos ainda nutrem. Para seguir em frente, Anivaldo Padilha trilhou o caminho do perdão ? tanto dos delatores quanto dos torturadores. Em 1983, ele encontrou um de seus torturadores em um baile de Carnaval. ?Você quis me matar, seu f.d.p., mas eu estou vivo aqui?, pensou, antes de virar as costas. Enquanto o mineiro, que colabora com uma entidade ecumênica focada na defesa de direitos, cutuca suas memórias, uma lágrima desce do lado direito de seu rosto e, depois de enxuta, dá vez para outra, no esquerdo. Um choro tão contido e vívido quanto suas lembranças e sua dor. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110614/fdecc81b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 15 16:40:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 15 Jun 2011 16:40:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Palestra_do_Dr=2E_Hil=E1rio_Bocchi?= =?iso-8859-1?q?_Junior_-__=22Como_o_Advogado_deve_Planejar_a_sua_A?= =?iso-8859-1?q?posentadoria=22_-dia_16_de_junho_=28quinta-feira=29?= =?iso-8859-1?q?_-_19h30___-_Casa_do_Advogado_de_Ribeir=E3o_Preto?= Message-ID: <546609EB3D9046E58E9BD3934DCD1CB2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL 12ª SUBSEÇÃO - RIBEIRÃO PRETO Palestra COMO O ADVOGADO DEVE PROGRAMAR SUA APOSENTADORIA - CONTRIBUINTE INDIVIDUAL (AUTÔNOMO), SÓCIO (PESSOA JURÍDICA), CONVÊNIO PGE, EX- IPESP, SPPrev E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA - Após a palestra haverá o lançamento do livro: QUERO ME APOSENTAR O CAMINHO CERTO PARA A APOSENTADORIA de autoria do Palestrante. no dia da palestra haverá a venda do livro com desconto de 30%. Expositor DR. HILÁRIO BOCCHI JUNIOR Advogado; Mestre em Direito Público pela UNIFRAN; Especialista em Previdência Privada; Professor da ESA - OAB SP/ Núcleo de Ribeirão Preto; Conferencista e Escritor. Data/Hora 16 de junho (quinta-feira) - 19h30 Local Casa do Advogado de Ribeirão Preto Rua Cavalheiro Torquato Rizzi, 215 - Jd. São Luiz Informações/Inscrições INSCRIÇÕES GRATUITAS Fones: (16) 3623-0370/0879/7990 ou pelo site: www.oabrp.org.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110615/3693c161/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: palestra 16-06-2011.pdf Type: application/pdf Size: 235235 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110615/3693c161/attachment-0001.pdf From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 15 20:42:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 15 Jun 2011 20:42:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_JO=C3O_ROBERTO_BORGES_DE_SOUZA________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CLXVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOÃO ROBERTO BORGES DE SOUZA (1946-1969) Filiação: Eulina Borges de Souza e Francisco Xavier Borges de Souza Data e local de nascimento: 14/10/1946, João Pessoa (PB) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 10/10/1969, Catolé do Rocha (PB) João Roberto presidiu o Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, e foi vicepresidente da União Estadual dos Estudantes da Paraíba. Sua primeira prisão ocorreu em outubro de 1968, quando participava do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna. Nessa época era membro da AP. Teve seus direitos de estudante cassados por dois anos pelo decreto 477. Já integrante dos quadros do PCB, esteve novamente detido no 1º Grupamento de Engenharia da Construção, em João Pessoa e, pela terceira vez, em Recife (PE), permanecendo no DOPS, por três meses no primeiro semestre de 1969. Durante esse tempo João Roberto sofreu torturas e, ao ser liberado, foi informado que estava marcado para morrer e que isto só não ocorreria se passasse a auxiliar os órgãos de repressão política. João Roberto não aceitou a proposta e voltou para a Paraíba onde, no dia 07/10/1969, foi preso ao sair de casa por integrantes do CCC e do CENIMAR. A prisão foi testemunhada por familiares e vizinhos. A família imediatamente procurou as autoridades para saber de seu paradeiro, mas não obteve nenhuma informação. Três dias depois, em 10 de outubro, foi noticiada a sua morte, segundo a versão oficial, "em conseqüência de afogamento no açude Olho D'Agua", no município de Catolé do Rocha, sertão da Paraíba. Após a divulgação dessa notícia, sua família empreendeu verdadeira luta com os agentes policiais para poder enterrá-lo. As autoridades chegaram a informar que ele já havia sido enterrado. A família conseguiu, por fim, ter acesso ao corpo e constatou que ele estava desfigurado por inúmeros ferimentos - hematomas, queimaduras por cigarros e unhas perfuradas. Além, disso, João Roberto, filho de família de Cabedelo, cidade portuária, foi criado na beira da praia e sabia nadar muito bem. No primeiro processo junto à CEMDP, a mãe de João Roberto requereu os benefícios da Lei nº 9.140/95 após o término do prazo legal estabelecido, o que levou a um indeferimento inicial, por intempestividade. Após a promulgação da Lei 10.536, ampliando o escopo da anterior, a família deu entrada com um novo requerimento na Comissão. Segundo o relator, a documentação anexada aos autos permitiu concluir que havia relação de causa e efeito entre a morte de João Roberto, cujo nome consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e sua militância política. O relator reconheceu a procedência do pedido e considerou que a morte de João Roberto estava amparada pelos benefícios da nova lei. =============================================================================================================== + Informações. JOÃO ROBERTO BORGES DE SOUZA Vice-presidente da UNIÃO ESTADUAL DOS ESTUDANTES da Paraíba. Estudante da Faculdade de Medicina de João Pessoa, foi preso no inicio de 1969, em Recife. Ficou detido por 3 meses para interrogatórios, tendo sofrido torturas, conforme relatou após ser posto em liberdade. Em 7 de outubro, foi seqüestrado por elementos do CCC e do CENIMAR, segundo o testemunho de seus companheiros e familiares. O corpo de João Roberto, apresentando inúmeros ferimentos e tendo o rosto quase que completamente desfigurado, foi jogado em um açude, em Catolé do Rocha, Pernambuco, segundo o boletim de março de 1974 da "Amnesty International". Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco afirmava à época, que João Roberto teria morrido em conseqüência de afogamento. =================================================================================== + Detalhes. 9 de outubro de 2008 Evento homenageia líderes estudantis presos no 30º Congresso da UNE em Ibiúna, esta sexta em SP A solenidade acontece na Estação Pinacoteca, em São Paulo. Haverá também uma sessão da Caravana da Anistia que analisará históricos de lideranças estudantis do período presas durante o Congresso Na data em que se comemorará 40 anos do 30º Congresso da UNE em Ibiúna, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e a UNE, homenageará os mais de 700 líderes estudantis presos durante o encontro realizado em 1968. O evento acontece no Memorial da Resistência da Estação Pinacoteca do Estado nesta sexta-feira (10), a partir das 11h. Serão inaugurados dois painéis em homenagem à data: um com as fotos dos 23 estudantes mortos na época da ditadura e outro, com a lista dos 719 presos durante o Congresso. Entre alguns nomes dessa relação estão Jean Marc Von der Weid, que presidiu a UNE no biênio 1969/71, Wladimir Palmeira, Franklin Martins e José Dirceu. Após a homenagem, será realizada uma cerimônia simbólica de julgamento de ex-perseguidos políticos pelo regime militar, parte da 12ª Caravana da Anistia, atividade integrante do projeto Anistia Política: Educação para a Cidadania, Democracia e os Direitos Humanos. A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, participará do evento. A líder estudantil reforçou a importância de eventos como esse e afirma que é "a partir da reconstituição do passado que podemos garantir o futuro". Lúcia completa: "os sonhos de 68 ainda são os nossos sonhos hoje". Para o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, só conhecendo e trazendo a público os episódios ocorridos durante o período da ditadura no Brasil, o país saberá construir instrumentos eficazes para garantir que violações aos direitos humanos não se repitam mais. "O objetivo é inserir o Memorial da Resistência no contexto dos movimentos nacionais e internacionais dedicados a fortalecer as práticas democráticas e o compromisso cívico das novas gerações com os direitos humanos", diz Claudinéli Moreira Ramos, coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico (UPPM), da Secretaria de Estado da Cultura. "Por meio de estratégias museológicas e pedagógicas interativas, o novo projeto buscará o resgate da memória e da história política do país, sem deixar que se percam a lembrança e a reflexão sobre os mortos e presos desaparecidos durante a ditadura militar", finaliza Claudinéli. 30º Congresso da UNE No dia 12 de outubro de 1968, em um sítio, em Ibiúna (SP), mais de 700 líderes estudantis foram presos pela Força Pública estadual por realizarem o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade que, desde os primeiros dias do regime militar, estava na ilegalidade. A realização do Congresso, que culminou com a prisão dos estudantes, foi mais um passo da luta contra a ditadura que extinguiu as liberdades democráticas, proibiu as reuniões e manifestações de rua, fechou o Congresso Nacional e decretou o AI-5, em dezembro de 1968. Centenas de jovens decidiram, então, engajar-se na resistência clandestina e na luta armada. Em Ibiúna, 719 estudantes foram trazidos para o antigo prédio do DOPS, atual Memorial da Resistência, e indiciados em inquéritos, processados pela Lei de Segurança Nacional, expulsos de suas faculdades e submetidos a torturas. Pelo menos 23 passaram a compor a lista dos mortos e desaparecidos durante a ditadura. Entre os presos no 30º Congresso da UNE estavam os 23 estudantes que constam da lista de mortos e que são homenageados em painel fotográfico no Memorial: Antonio Guilherme Ribeiro Ribas (SP), Antonio Pádua Costa (RJ), Antonio Três Reis de Oliveira (PR), Aylton Adalberto Mortati (SP), Bergson Gurjão de Farias (CE), Eduardo Collier Filho (BA), Gildo Macedo Lacerda (MG), Helenira Resende de Souza Nazareth (SP), Ivan Mota Dias (RJ), Jaime Petit da Silva (MG), João Roberto Borges de Souza (PB), José Carlos Novais da Mata Machado (MG), José Maurílio Patrício (RJ), José Roberto Arantes de Almeida (SP), José Wilson Lessa Sabag (SP), Lauriberto José Reys (SP), Luiz Eduardo da Rocha Merlino (SP), Marcio Beck Machado (SP), Maria Augusta Thomaz (SP), Ranusia Alves Rodrigues (PE), Ruy Carlos Vieira Berbert (SP), Tito Alencar de Lima (SP) e Umberto de Albuquerque Câmara Neto (PE). ====================================================================================== + Detalhes. Depoimento da dra. Mércia Albuguerque (advogada de presos políticos) publicado no DHnet Mércia Albuquerque (final) Jornal do Commercio - 13.02.1989 Presos na porta da fábrica de Paulista, João Roberto Borges de Souza (5º ano de Medicina), Maria do Socorro Morais Cardoso, Maria Lívia Alves Coelho e uma terceira não identificada. Chegando no DOPS, João Roberto afirmou ser de Cabedelo-PB, filho de meretriz e criado em rendez-vous daquela cidade e teria ido à fábrica procurar um amigo. Uma das moças alegava ter sido infelicitada há três dias e que ali estava procurando o autor do fato. A outra se dizia mulher de vida fácil. E a terceira dizia que estava procurando emprego. O Dr. Moacir Sales, não conseguindo apurar nada de positivo, determinou a liberação das moças. Horas após a liberação das moças, através da Polícia Federal, Moacir Sales é informado de atividades da Ação Popular e que as moças que acabavam de ser liberadas eram integrantes da AP. João Roberto foi reinquirido "paulatinamente" e informou que o aparelho funcionava na Rua Alto Benjamim, 97 - Fundão. Lá foram presas, Rosa Maria de Araújo Melo e Ana Rita de Castro Almeida. Descobriu-se que João Roberto era um dos componentes da Delegação da AP ao congresso ilegal da UNE, em Ibiúna. Rosa Maria era esposa de Geraldo Magela, também denunciado. Surge o nome de Simeão Almeida Neto que havia participado do congresso da UNE . no aparelho, foi apreendido uma arma calibre 45, cuja posse foi atribuída ao mineiro João Batista Drumond (economista). Ana Rita era esposa de Simeão Almeida. Saiu da delegacia para a maternidade. Deu à luz uma criança 15 dias após a prisão. As três meninas liberadas sumiram. Moacir nunca conseguiu prendê-las - E elas não estavam tão longe da Secretaria de Segurança. Geraldo Magela foi preso na fábrica de Paulista, onde fazia o curso de treinamento têxtil. Liberado, João Roberto Borges de Souza voltou para Cabedelo. Foi encontrado morto em um açude em Catolé do Rocha em 09.10.69. Tinha apenas 22 anos. A família de João Roberto é honrada e digna, nada tem com bordel. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110615/bd1a5ff6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11458 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110615/bd1a5ff6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 16 20:01:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 16 Jun 2011 20:01:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JOELSON_CRISPIM______________________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CLXVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOELSON CRISPIM (1948-1970) Filiação: Encarnación Lopes Peres e José Maria Crispim Data e local de nascimento: 16/04/1948, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 22/04/1970, em São Paulo (SP) Nascido no Rio de Janeiro e morto na capital paulista, em 22/04/1970, depois de ferido em tiroteio com agentes dos órgãos de segurança, conforme a versão das autoridades na época, Joelson começou a trabalhar muito cedo como operário em fábricas e oficinas de rádios e aparelhos elétricos, cursando também uma escola técnica, em São Paulo. Era filho de José Maria Crispim e de Encarnación Lopes Perez, ambos militantes de oposição ao Regime Militar, sendo o pai ex-sargento do Exército, preso político durante o Estado Novo, um dos integrantes da bancada do Partido Comunista na Constituinte de 1946. A mãe, militante da VPR assim como Joelson, foi também presa em 1970, sendo banida do país em 13/01/1971, por ocasião do seqüestro do embaixador da Suíça no Brasil. A irmã Denise Crispim, também militante da VPR e que havia participado, juntamente com seu irmão, do seqüestro do cônsul japonês em São Paulo, era companheira de Eduardo Collen Leite, o "Bacuri" assassinado sob torturas em dezembro de 1970. Após a abertura dos arquivos do DOPS/SP, foi possível localizar um relatório da Casa de Saúde Dom Pedro II, para onde Joelson teria sido levado, ferido, "vindo a falecer antes de intervenção cirúrgica". Segundo o relatório, ele deu entrada com cinco ferimentos perfurantes por projétil de arma de fogo. Apesar de identificado, como mostram os documentos do DOPS, deu entrada no IML como desconhecido, com requisição marcada com "T" em vermelho, identificado com o nome falso de Roberto Paulo Wilda, sendo o óbito registrado em cartório do Brás, sem referência ao local do sepultamento. Assinam o laudo Sérgio de Oliveira e Paulo Augusto de Queiroz Rocha, que confirmaram a versão de morte em tiroteio. Joelson foi enterrado como indigente, sob o nome falso, no Cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. Afirma o laudo que as balas seguiram uma trajetória de trás para frente, o que, segundo o relator, descaracteriza a existência de tiroteio. Nas buscas realizadas, não foi localizado o assento de óbito de Joelson Crispim e o cartório se negou a entregar o que estava em nome de Roberto Paulo Wilda, alegando haver embargo judicial. O relator concluiu seu voto na CEMDP afirmando a convicção de que, "a identificação falsa de Joelson e seu sepultamento como indigente constituem as evidências maiores de que sua morte deu-se por execução sumária pelos agentes da repressão". Nos documentos do Projeto Brasil: Nunca Mais mencionados nos autos do processo junto à Comissão Especial, consta que os responsáveis pela morte de Joelson foram agentes do DOI-CODI de São Paulo, comandados pelo capitão Coutinho. As irmãs de Joelson, Denise e Olga, solicitaram à Comissão Especial que localize e identifique os restos mortais dele, o que não pode ser concretizado pelas modificações procedidas na quadra de indigentes do cemitério e pela falta de registros exatos do local de sepultamento. ====================================================================================================================== + Informações. JOELSON CRISPIM Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Filho de José Maria Crispim e de Encarnación Lopez Peréz, nasceu em 16 de abril de 1946, na cidade do Rio de Janeiro. Desde criança, revelou algumas características que marcaram sua curta existência. Era calmo, dotado de fino senso de humor e, apesar de tímido, era alegre. Chamava a atenção sua grande habilidade manual. Como seu pai tivera o mandato de deputado federal cassado e a repressão procurasse prendê-lo, a família Crispim mudou-se para a São Paulo onde enfrentou sérias dificuldades políticas e financeiras. Muito cedo Joelson começou a trabalhar como operário em fábricas e oficinas de rádios e aparelhos elétricos. Apesar das dificuldades conseguiu cursar a Escola Técnica de Urubatão, em São Paulo. Assassinado no dia 23 de abril de 1970, aos 25 anos de idade, em uma emboscada montada por agentes do DOI/CODI/SP, chefiados pelo capitão Coutinho da PM. Nos arquivos do IML/SP, foram encontrados a requisição do exame e o laudo necroscópico com o nome falso de Roberto Paulo Wilda assinalado com um "T" vermelho. Assinam o laudo de necropsia os médicos legistas Sérgio de Oliveira e Paulo Augusto de Queiroz Rocha que confirmam sua morte em tiroteio. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Vila Formosa/SP, com o nome falso de Roberto Paulo Wilda. ======================================================================================= + Informações. JOELSON CRISPIM Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). [...] nasceu em 16 de abril de 1946, na cidade do Rio de Janeiro. Desde criança, revelou algumas características que marcaram sua existência. Era calmo, dotado de fino senso de humor e, apesar de tímido, era alegre. Chamava atenção sua grande habilidade manual. Como seu pai teve mandato de deputado federal cassado e a repressão procurava prendê-lo, a família de Crispim mudou-se para são Paulo onde enfrentou sérias dificuldades políticas e financeiras. [...] Assassinado no dia 23 de abril de 1970, aos 25 anos de idade, em uma embocada montada pelos agentes do DOI/CODI/SP, chefiados pelo capitão Coutinho da PM. Nos arquivos do IML, foram encontrados a requisição do exame e o laudo necroscópico com o nome falo de Roberto Paulo Wilda assinalado com um "T" vermelho. Assinam o laudo de necropsia o médicos legistas Sérgio de Oliveira e Paulo Augusto Queiroz Rocha que confirmam sua morte em tiroteio. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Vila Formosa/SP, com o nome falso de Roberto Paulo Wilda. ======================================================================================================== + Detalhes. Visualização do sumário e documento Ato número: 7841 Data de elaboração: 10/10/1997 Data de publicação: 22/10/1997 Processo: 02.97.033240.4 Assunto: Denomina Tipo de ato: Lei Ordinária Autor(es): Leopoldo Paulino Projeto: 164 Ano do projeto: 1997 Autógrafo: 313 Ano do autógrafo: 1997 Observações: Legislações complementares e/ou Regulamentadoras: Ementa: DENOMINA LOGRADOURO PÚBLICO OU PRÓPRIO MUNICIPAL DE "JOELSON CRISPIM". Conteúdo: Faço saber que a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei nº 164/97, de autoria do vereador Leopoldo Paulino, e, eu promulgo a seguinte lei: Artigo 1º - Fica por esta lei autorizado o Chefe do Executivo Municipal a denominar de "JOELSON CRISPIM", a um logradouro público ou próprio municipal. Parágrafo Único - A denominação de trata o presente artigo será dada, por ato do Chefe do Executivo, a um logradouro público ou próprio municipal que ainda esteja sem nomenclatura. Artigo 2º - V E T A D O. Artigo 3º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Palácio Rio Branco LUIZ ROBERTO JÁBALI Prefeito Municipal de Ribeirão Preto. SP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/f19cb6fc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4700 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/f19cb6fc/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4319 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/f19cb6fc/attachment-0004.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3118 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/f19cb6fc/attachment-0005.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2933 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/f19cb6fc/attachment-0006.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2628 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/f19cb6fc/attachment-0007.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 16 20:01:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 16 Jun 2011 20:01:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__MEMORIAL_DA_RESIST=CANCIA_convid?= =?iso-8859-1?q?a=3A_S=E1bado_Resistente_18_de_junho?= Message-ID: <878DA564DD514661AC0BBE30BCDEA25E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Governo de São Paulo apresenta no Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 - Luz Auditório Vitae - 5º andar SÁBADO RESISTENTE 18 de junho, das 14h às 17h30 Terceiro vôo da liberdade completa 41 anos Memórias da luta e confraternização Homenagem a Eduardo Leite Bacuri No auge do período mais repressivo e violento da Ditadura Civil-Militar, entre setembro de 1969 e dezembro de 1970, ocorreram quatro ações de resgate que libertaram cerca de 130 presos políticos que, banidos do país por ato de exceção, puderam retornar somente a partir da promulgação da Anistia, em 1979. Essas ações, as mais emblemáticas da guerrilha urbana, visavam fundamentalmente libertar dos cárceres e das torturas centenas de combatentes que se haviam insurgido contra o golpe de Estado que tomou o poder em 1964, no Brasil, assim como denunciar, principalmente no exterior, o estado de violência e a injustiça que assolavam o País. Por esta razão, essas ações também foram conhecidas como os "Vôos da Liberdade", como na época declarou então à imprensa o eminente jurista Sobral Pinto: "Estas ações são os Habeas Corpus que o regime nos tirou". Exatamente há 41 anos, no Terceiro Vôo da Liberdade, foram libertos 40 presas e presos e políticos em troca do embaixador alemão no Brasil, Ehrenfried Von Holleben. Para homenagear tanto os que participaram desta ação como aqueles que foram libertados, o Sábado Resistente quer debater o significado histórico dessa ação, resgatar memórias e vivências. Que esse dia se converta em momento de esclarecimento histórico e confraternização. Para isso, serão ouvidos depoimentos de pessoas que participaram daquela ação de resgate, assim como os testemunhos dos que foram libertados. Para encerrar o evento, faremos uma homenagem especial a Eduardo Leite - Bacuri - um dos comandantes do Terceiro Vôo - com o lançamento do livro "Eduardo Leite", de autoria da jornalista Vanessa Gonçalves. PROGRAMAÇÃO 14h00: Boas vindas - Katia Felipini, coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo Apresentação - Ivan Seixas, presidente do CONDEPE e do Núcleo Memória 14h30: Palestra e debates Sonia Eliane Lafoz José Gradel Teresa Angelo Jesus Paredes Soto Cid Queirós Benjamim Darci Rodrigues Dulce Maia Domingos Ferreira Carlos Nóbrega 16h00: Apresentação do livro Eduardo Leite pela autora jornalista Vanessa Gonçalves Tarde de autógrafos Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. Se você não deseja mais receber nossos e-mails, cancele sua inscrição neste link -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/66996f6c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 37356 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110616/66996f6c/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 17 19:19:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 17 Jun 2011 19:19:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__VLADIMIR_HERZOG_______________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CLXVIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem VLADIMIR HERZOG (1937 - 1975) Filiação: Zora Herzog e Zigmund Herzog Data e local de nascimento: 27/05/1937, em Osijek, Croácia Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 25/10/1975, São Paulo (SP) O caso Vladimir Herzog produziu uma comoção nacional que fez mudar a atitude da sociedade civil frente às torturas praticadas contra presos políticos. As violências vinham se repetiando há muitos anos, como já ficou claro nas páginas anteriores deste livro-relatório. Mas, até então, os casos eram denunciados no exterior e em segmentos numericamente restritos, dentro do País, como universidades, igrejas, parlamentares e entidades vinculadas à defesa dos Direitos Humanos. Ocorreram exceções a essa regra geral, em alguns poucos episódios, como a missa celebrada na Sé de São Paulo na morte do estudante Alexandre Vannucchi Leme, em março de 1973, que reuniu milhares de pessoas. Mas prevaleceu na sociedade brasileira, desde os primeiros casos que foram noticiados, como a morte do sargento Manoel Raimundo Soares, cujo corpo foi encontrado boiando no rio Guaíba, no Rio Grande do Sul, em 1966, uma postura de ceticismo que repetia, em escala reduzida, o fenômeno alemão da recusa em acreditar que os campos de concentração realmente existiam. A morte de Vladimir Herzog ocorreu quando a censura à imprensa começava a ser abrandada e os cidadãos perdiam o medo de discordar e protestar. A repercussão das denúncias trouxe profundos danos à credibilidade do regime militar e permitiu que explodisse um forte sentimento de indignação em todos os meios capazes de formar opinião. A falsidade do alegado suicídio já ficou patente nas próprias fotos que mostravam o jornalista enforcado nas dependências do DOI-CODI paulista, onde tinha se apresentado para depor, atendendo a uma intimação recebida na véspera. Nascido na Croácia, antiga Iugoslávia, Vladimir Herzog chegou ao Brasil aos nove anos de idade. Brasileiro naturalizado, começou a carreira de jornalista em 1959 no jornal O Estado de São Paulo, onde foi repórter, redator e finalmente chefe de reportagem. Em 1965, se estabeleceu em Londres durante dois anos, onde trabalhou como produtor e locutor da BBC. De volta ao Brasil trabalhou durante cinco anos como editor cultural da revista Visão. Em 1971, elaborou uma extensa reportagem de capa para a revista sobre os problemas das TVs educativas no Brasil. Em 1973, passou a trabalhar como secretário do jornal Hora da Notícia na TV Cultura e, em seguida, assumiu o cargo de diretor do departamento de telejornalismo. Nessa função, começou a colocar em prática seu conceito de "responsabilidade social do jornalismo". Defendia que a TV Cultura deveria produzir um jornalismo profissional, que não fosse servil ao Estado e que, mais do que educativo ou cultural, fosse público. Para Herzog, o jornalismo não podia praticar um monólogo, e sim um diálogo com a sociedade, superando todo tipo de paternalismo e incorporando "os problemas, esperanças, tristezas e angústias das pessoas às quais se dirige". Também era professor universitário e tinha escrito uma peça de teatro. Vladimir Herzog entrou na lista dos visados pelos órgãos de repressão por ser suspeito de integrar o PCB. Foi convocado e compareceu voluntariamente ao DOI-CODI/SP, na rua Tutóia, bairro do Paraíso, às 8 horas da manhã do dia 25/10/1975. No mesmo dia, por volta de 15 horas, teria sido encontrado morto por seus carcereiros e algozes, enforcado com o cinto do macacão de presidiário, mais uma vez com os pés apoiados no chão, em suspensão incompleta. Seus companheiros de prisão foram unânimes em declarar que o macacão obrigatório para todos eles não possuía cinto. Essa farsa terminou de ser desmascarada quando se tornaram públicos os depoimentos de George Duque Estrada e Leandro Konder, jornalistas presos no mesmo local, que testemunharam ter ouvido os gritos de Herzog sendo torturado. Evidências inquestionáveis da tortura tinham sido identificadas pelo comitê funerário judaico, responsável pela preparação do corpo para o sepultamento. Por essa razão, Herzog não foi enterrado na área do cemitério destinada aos suicidas, conforme preceitos religiosos do Judaísmo. Por fim, as afirmações contraditórias dos médicos legistas Harry Shibata, Arildo de Toledo Viana e Armando Canger Rodrigues, durante a ação judicial movida pela família, também contribuíram para desmontar a versão de suicídio. Ao receberem a notícia da morte, jornalistas paralisaram muitas redações em São Paulo, sendo que os responsáveis pelas empresas precisaram negociar para que os profissionais garantissem a edição do dia seguinte. O Sindicato dos Jornalistas declarou vigília permanente e foi convocada uma celebração religiosa na Catedral da Sé, que o então comandante do II Exército, general Ednardo D'Avila Melo, tentou impedir fechando as avenidas que conduziam ao centro de São Paulo. Mesmo assim, milhares de pessoas se aglutinaram no templo superlotado, extravasando para um parte da praça, durante o culto ecumênico concelebrado pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, pela rabino Henry Sobel e pelo reverendo Jaime Wright, irmão do desaparecido político Paulo Stuart Wright. Em 1978, uma decisão judicial declarou a União responsável por sua morte. A partir disso, a tramitação do processo referente a Herzog na CEMDP não teve qualquer controvérsia ou percalço, sendo o requerimento aprovado por unanimidade logo nos primeiros meses de funcionamento da Comissão Especial. Lamentavelmente, o Relatório do Ministério da Marinha, apresentado ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, em 1993, quando o Estado Democrático de Direito já completava cinco anos de vigência plena em nosso país, preferiu manter-se fiel à versão dos porões do regime ditatorial: "suicidou-se em 25 de outubro de 1975, por enforcamento, no interior da cela que ocupava no DOI-Codi do II Exército, segundo apurado em IPM e laudos elaborados pelos órgãos competentes da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo". Em 1979, em homenagem a Vlado - como era conhecido pelos seus colegas, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo criou o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. ==================================================================================================================== + Informações. WLADIMIR HERZOG Nasceu em Osijsk/Iugoslávia, filho de Zigmund Herzog e Zora Herzog. Foi morto aos 38 anos em São Paulo. Jornalista, professor da Universidade de São Paulo e teatrólogo. Acatando intimação feita pelo DOI-CODI/SP para que se apresentasse naquele departamento, Wladimir foi preso no dia 25 de outubro de 1975, acusado por possíveis ligações com o PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nesse mesmo dia, Wladimir morreu em conseqüência das torturas sofridas. Segundo a versão oficial, Herzog teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário que vestia desde sua entrada no DOI/CODI. Porém, de acordo com os testemunhos de Jorge Benigno Jathay Duque Estrada e Leandro Konder, jornalistas presos na mesma época no DOI/CODI, Wladimir foi assassinado sob torturas. Tanto Leandro quanto Duque Estrada foram acareados com Wladimir, permanecendo logo após, próximos à sala onde ele se encontrava para interrogatório, e de onde ouviram com nitidez que Wladimir estava sendo torturado. A morte por suicídio é também desmentida pelas próprias contradições existentes nos depoimentos dos médicos legistas Harry Shibata, Arildo de Toledo Viana e Armando Canger Rodrigues, prestados na ação judicial movida pela família. Esta ação terminou por responsabilizar a União pela prisão, tortura e morte de Wladimir Herzog. O Relatório do Ministério da Marinha insiste na versão dos órgãos de segurança e diz que "suicidou-se no dia 23 de outubro de 1975, em São Paulo. O Relatório do Ministério da Aeronáutica afirma que "suicidou-se em 25 de outubro de 1975, por enforcamento, no interior da cela que ocupava no DOI-CODI do II Exército, segundo apurado em IPM e laudos elaborados pelos órgãos competentes da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo." ================================================================================================ + Detalhes. Vladimir Herzog - 30 anos Os 30 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog. A história de sua morte nos porões da ditadura militar. HERZOG 25/10/2005 10:23 HERZOG - Para que jamais se repita Há exatos 30 anos, o jornalista Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, despediu-se da mulher, Clarice, e saiu de casa na companhia de um amigo. Era um sábado. Por volta das 8h ele se apresentou no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), no bairro Paraíso, 1030. Ali funcionava o aparelho mais brutal de repressão da ditadura militar instalada no país desde abril de 1964. Ali se torturava e até se matava adversários ou supostos adversários do regime. Havia outros jornalistas presos no DOI-CODI. Herzog imaginou que seria ouvido, responderia sobre a suspeita de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e voltaria para casa a tempo de almoçar com Clarice. No início da noite, o comando do então II Exército anunciou que Herzog se enforcara em uma das celas do DOI-CODI. Essa bárbara história começará a ser recontada aqui dentro de instantes. Para que jamais seja esquecida. Para que jamais se repita. 25/10/2005 10:30 HERZOG - Na "Cadeira do dragão" - Por Gustavo Noblat (1) A voz do locutor no rádio informando que o general e ditador espanhol Francisco Franco havia recebido a extrema-unção se confundia com os gritos de dor e de pânico que vinham de uma sala pequena, sem janelas, com um armário, cordas, paus e outros instrumentos de tortura, uma mesa e uma cadeira. Sentado na cadeira, com o assento e o encosto para os braços e para a cabeça revestidos de placas de metal, estava Vladimir Herzog, 38 anos, jornalista. Ou apenas Vlado, como era chamado pelos amigos e parentes. Na sexta-feira, 24 de outubro de 1975, o diretor de jornalismo da TV Cultura havia sido intimado a depor na manhã do sábado, 25, no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-CODI, no Bairro Paraíso, 1030, em São Paulo. A "Cadeira do Dragão", na qual Vlado estava amarrado pelos braços, pés e tronco, era usada em sessões de choques elétricos para arrancar confissões durante a ditadura militar. Ele estava encapuzado para não poder identificar seus algozes. Tinha uma equipe de torturadores na sala junto com Vlado - entre eles, um homem de 1,75 metro de altura e 65 quilos, tatuagem de uma âncora cobrindo quase todo braço, cabelo castanho-claro e 39 anos de idade. O nome dele: Pedro Antonio Mira Grancieri, investigador de polícia e funcionário do DOI-CODI. Grancieri era o mais empenhado em arrancar confissões de Vlado. Em certo momento, os agentes apelaram para os companheiros de trabalho de Vlado que também estavam detidos no DOI-CODI. Os jornalistas Rodolfo Oswaldo Konder e George Benigno Jatahy puderam falar por um breve momento com ele. Seguiram as ordens de Grancieri e pediram a Vlado para confirmar as informações que os agentes queriam ouvir. Não adiantou. Ele disse que não sabia de nada - e voltou a ser espancado. - Tragam a "pimentinha" - ordenou Grancieri. Pimentinha era o nome dado à máquina de choque elétrico que se ligava à "Cadeira do Dragão". Foi nessa hora que os xingamentos e os gritos de dor se misturaram aos ruídos do rádio. Depois de alguns minutos, fez-se silêncio. Um silêncio tão pesado e perturbador que pôde ser ouvido em salas próximas daquela. 25/10/2005 10:45 HERZOG - O Brasil dos militares - (2) Enquanto durou, de abril de 1964 a março de 1985, o regime militar produziu pelo menos 3,5 mil vítimas entre mortos, torturados, presos e banidos. Os três anos que antecederam a cena descrita na nota abaixo foram os mais brutais. Em 1972, morreram 33 homens e 5 mulheres nos porões da ditadura e em confrontos de guerrilha urbana. No ano seguinte, 28 pessoas foram mortas. Em 1975 a imprensa entrou na mira do regime. Quando intimaram Herzog no dia 24, 11 jornalistas já estavam presos no DOI-CODI: Sérgio Gomes, Marinilda Marchi, Frederico Pessoas da Silva, Ricardo de Morais Monteiro, José Póla Galé, Luiz Paulo da Costa, Anthony de Cristo, Paulo Sérgio Markun, Diléia Markun, George Duque Estrada e Rodolfo Konder. A maioria deles tinha ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). O aparelho de repressão do regime havia aniquilado com as demais organizações clandestina de esquerda que pegaram em armas contra a ditadura. O PCB não pegou. Defendia o enfrentamento pelos meios legais - ou quase isso. Nem por isso foi tolerado. 25/10/2005 11:00 HERZOG - Papel picado e choques elétricos (3) Submetido a novos choques elétricos depois de ter se recusado a confirmar o que os investigadores queriam ouvir, Vlado acabou por admitir finalmente que todo mês dava uma quantia em dinheiro para o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e que recebera três vezes exemplares do Jornal Voz Operária. Do lado de fora da estreita sala, no térreo do prédio do DOI-CODI, os jornalistas Rodolfo Konder e Duque Estrada podiam ouvir os berros de dor do colega. Garncieri, o principal carrasco, continuou a sessão de pancadas, até que Vlado não suportou mais e decidiu escrever um depoimento de próprio punho, como era de praxe no DOI-CODI, admitindo ser militante do PCB: "Eu, Vladimir Herzog, admito ser militante do PCB desde 1971 ou 1972, tendo sido aliciado por Rodolfo Konder". Uma vez assinado o documento, num gesto de indignação Vlado rasgou o papel em pedacinhos. Daí em diante foi torturado até não agüentar mais. Eram quase 5 da tarde quando ele sucumbiu de vez às torturas. 25/10/2005 11:15 HERZOG - De repente, a voz dele ficou abafada (4) Rodolfo Konder estava num banco de madeira a poucos metros da porta de entrada da sala onde Vlado foi torturado. Ele acompanhou a agonia do colega. "Vladimir estava lá, sentado numa cadeira, com capuz enfiado e já de macacão." "Tanto eu como Duque Estrada, de fato, aconselhamos Vladimir a dizer o que sabia, inclusive porque as informações que os interrogadores desejavam ver confirmadas já tinham sido dadas por pessoas presas antes de nós. Vladimir disse que não sabia de nada." "A partir de um determinado momento, a voz de Vladimir se modificou, como se tivessem introduzido alguma coisa em sua boca; sua voz ficou abafada, como se lhe tivessem posto uma mordaça. Mais tarde os ruídos cessaram." 25/10/2005 11:30 HERZOG -O dia em que ele quase foi preso (5) Já era fim de noite de sexta-feira, 24 de outubro de 1975. Vladimir Herzog dirigia o telejornal noturno da TV Cultura (Canal 2) quando dois personagens estranhos entraram na redação. Eram agentes da polícia e tinham ordem de levá-lo naquela mesma noite para o DOI-CODI. Ele já esperava ser preso, pois colegas seus de trabalho estavam detidos por participarem de discussões políticas organizadas em sua casa. Sua detenção era uma questão de tempo e parecia que tinha chegado a hora. Enquanto os dois agentes conversavam com ele, Paulo Nunes, jornalista da emissora que cobria a área militar, ligou para o coronel José Barros Paes, chefe da 2ª Seção do Estado-Maior do II Exército. Pediu que Vlado pudesse se apresentar no dia seguinte pela manhã. Ficou acertada a apresentação dele às 8 horas do sábado. Vlado despediu-se confiante dos colegas do Canal 2: "Amanhã vou até lá, presto um depoimento e pronto. Não tenho nada a esconder." 25/10/2005 11:45 HERZOG - A última manhã da vida dele (6) Paulo Nunes dormiu na casa do Herzog na véspera da ida dele para o DOI-CODI. Nunes acompanhou Vlado até o bairro Paraíso, onde ficava o prédio do Destacamento. Fez isso a pedido de Rui Nogueira, diretor do Canal 2, e de Clarice Herzog, mulher de Vlado. Às 6h30 da manhã, Vlado acordou. Levantou-se, fez a barba, tomou banho e depois deu um beijo na mulher que ainda estava deitada. Parecia calmo. Clarice quis se levantar para fazer o café, mas ele não deixou. Os dois se despediram sem imaginar que o faziam pela última vez. No caminho, Vlado, que era judeu, contou para Nunes histórias de torturas e perseguições nazistas vividos por sua família na Europa. 25/10/2005 12:00 HERZOG - "Você fica e você vai" (7) Arquivo Agência Estado No DOI-CODI, Herzog e Nunes foram recebidos por um guarda que exigiu os documentos de identidade. Pelo interfone, o guarda conversou com alguém e em seguida avisou apontando para o Herzog: "Você fica e você vai". Eram 8 horas da manhã e a partir daquele momento ele teria de prosseguir sozinho. Às 10 horas, Nunes telefonou para o coronel Paes e avisou que Herzog já estava no DOI. Na conversa, Paes afirmou que ele não era importante para a investigação. E para não interromper o trabalho no Canal 2, seria liberado provavelmente naquele mesmo dia tão logo fosse ouvido. Nunes ligou às 3h da tarde para Clarice e deu a notícia que mais tarde não se confirmaria: "Seu marido está bem e deve retornar antes do anoitecer". 25/10/2005 12:15 HEROZG - Para resgatar a credibilidade perdida (8) Em 1974, o diretor de jornalismo da TV Cultura era Fernando Pacheco Jordão. Herzog integrava a equipe que tinha a tarefa de fazer do canal uma emissora pluralista que apresentasse opiniões conflitantes e contribuísse para uma sociedade democrática. Sua função era a de secretário de redação. Canal público subordinado à Fundação Padre Anchieta, a Cultura irritou os militares com a sua proposta. Eles resolveram então mudar a direção de jornalismo da emissora, trocando Pacheco Jordão por alguém sintonizado com os ideais do regime. Entrou Walter Sampaio. Não demorou e a equipe formada na época de Pacheco João foi sendo dizimada. Herzog, que antes de ir para lá havia trabalhado durante cinco anos no caderno Cultura da revista Visão, acabou demitido, mas por pouco tempo. Em julho de 1975, Rui Nogueira, então Presidente da TV Cultura, convidou Herzog para coordenar o jornalismo da emissora. O canal perdera credibilidade. A contratação de Herzog era uma tentativa de recuperá-la. Herzog aceitou a proposta e voltou a trabalhar na emissora em setembro de 1975. 25/10/2005 12:30 HERZOG - Delação de graça (9) Desde quando assumiu a coordenação de jornalismo da TV Cultura no primeiro dia de setembro de 1975, Herzog começou a colecionar inimigos. Um deles foi Cláudio Marques, diretor do Diário Comércio e Indústria e autor de uma coluna nos jornais dominicais Shopping News e City News. Marques ocupava 10 minutos diários na TV Bandeirantes de São Paulo patrocinados pela Construtora Adolpho Lindenberg. O dono da construtora, Lindenberg, era diretor tesoureiro da Tradição Família e Propriedade (TFP), organização de extrema direita que combatis o comunista e apoiava o regime. Em 1975, Marques usou sua coluna nos jornais para delatar jornalistas. Herzog foi um deles. Uma das colunas disse: - A TV Educativa continua uma nau sem rumo. Repercutindo - pessimamente - o documentário exibido pelo Canal 2, fazendo apologia do Vietcong. Eu acho que o pessoal do PC da TV Cultura pensa que isso virou um fio.( Shopping News,7/8/1975). Outro jornalista que aderiu à campanha de delação iniciada por Marques foi Lenildo Tabosa Pessoa. No Jornal da Tarde do dia 23/9/1975, ele escreveu o artigo "Uma questão de horário", falando da infiltração da esquerda nos meio de comunicação: - A infiltração da esquerda contestatória no sistema e na democracia em vários escalões, só não vê quem é conivente e burro. O caso da TV VietCultura (uma referência à TV Culltura) extrapolou. E muito." 25/10/2005 12:45 HERZOG - Demissão depois da viagem (10) Quando começam os ataques à TV Cultura, Luiz Weis, editor-chefe de jornalismo, o segundo homem na redação depois de Herzog, foi à Brasília. Conhecia Humberto Barreto, assessor de imprensa do então presidente da República, general Ernesto Geisel. Queria saber quem estava por trás dos ataques à Cultura. Barreto minimizou os fatos e levou Weis até coronel Vilberto Lima, da Casa Militar da Presidência. O coronel também não deu importância aos fatos. E para surpresa de Weis, lhe pediu a data de nascimento e filiação. (Com essas duas informações era possível acessar todos os dados de uma pessoa na Central Nacional de Informação - CNI). Poucos dias depois de sua ida a Brasília, Weis teve de pedir demissão por pressão do Serviço Nacional de Informação (SNI), órgão de espionagem do regime. A alegação era de que ele era do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e por isso não podia trabalhar em uma emissora pública. 25/10/2005 13:00 HERZOG - O cheiro da morte (11) Passava das 5h30 da tarde de sábado, 25 de outubro de 1975. Clarice, mulher de Herzog, perdera a esperança de ter o marido de volta naquele dia. Ela havia esperado até perto das 6 da tarde para contar à sogra, dona Zora, sobre a prisão do filho. Achava que seria melhor para a sogra ouvir a notícia da boca dele, quando já estivesse solto. Às 6 da tarde ela contou a dona Zora que Herzog tinha ido depor no DOI. Tentou suavizar a notícia. Explicou que ele havia sido intimado na sexta e autorizado a se apresentar só no dia seguinte. Que esse tipo de regalia não era comum e que muitos outros jornalistas amigos dele também estavam presos. Dona Zora balançou a cabeça discordando e profetizou: - Vão matar o Vlado. Herzog era ou único filho de dona Zora. Mãe judia e viúva há três anos, ela viu parte de sua família ser exterminada pelos nazistas. Quando Herzog tinha seis anos, ela e o marido fugiram da Iugoslávia para a Itália e depois para o Brasil. A notícia de que o filho estava preso reavivou antigas e amargas lembranças dela. Dona Zora farejou a morte. 25/10/2005 13:15 HERZOG - "Fernando, o Vlado morreu" (12) Às 10 horas da noite do dia 25 de outubro de 1975, o diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e amigo pessoal de Herzog, Fernado Pacheco Jordão, recebeu uma ligação estranha. Era uma companheira de profissão da Rede Globo querendo marcar um encontro para tratar de um assunto urgente em um bar na Praça da República, em São Paulo. Ele não levou a sério e respondeu que estava ocupado. Menos de dez minutos depois, ligou Hélio Oliveira, editor-chefe do Jornal Nacional. - 'Fernando, uma notícia triste para lhe dar, o Vlado morreu. O Lang (jornalista da Rede Globo que cobria a área militar) ligou agora há pouco e disse que o II Exército está preparando uma nota oficial dizendo que o Vlado se suicidou." Pacheco Jordão perdeu a voz por alguns segundos. 25/10/2005 13:30 HERZOG - "Mataram o Vlado" (13) Às 11 da noite do dia 25 de outubro de 1975, tocou a campainha na casa de Herzog. Era o diretor da TV Cultura, Rui Nogueira. Clarice, mulher de Herzog, havia telefonado para ele duas horas antes e ele lhe dissera que precisava vê-la naquela noite. Nogueira estava acompanhado de Armando Figueiredo, assessor de imprensa da Secretaria de Cultura, e de mais quatro homens que Clarice não conhecia. - Olha, as coisas se complicaram - disse Nogueira sem levantar o tom da voz, assim como quem se prepara para dar uma má notícia. - Ccomo assim se complicaram? - perguntou Clarice, nervosa. Amando Figueiredo olhou para Nogueira que estava visivelmente constrangido. Queria dar a notícia, mas só conseguia repetir que as coisas haviam se complicado. Foi então que Clarice desconfiou do que acontecera. - Mataram o Vlado. Eles mataram o Vlado - gritou. A campainha tocou novamente. Era Fátima, mulher de Fernando Pacheco Jordão. Ele já sabia da morte e havia alertado a mulher para procurar Clarice. Chorando muito, Clarice informou à amiga sobre a morte do marido. - Eles mataram o Vlado - repetiu. E era tudo o que ela conseguia dizer. 25/10/2005 13:45 HERZOG - "Foi suicídio", anuncia o Exército (14) Da nota oficial distribuída pelo comando do II Exército na manhã do dia 26 de outubro de 1975: "Cerca dás 16 horas, ao ser procurado na sala onde fora deixado desacompanhado, (Herzog) foi encontrado morto, enforcado tendo para tanto utilizado uma tira de pano. (...) As atitudes do senhor Vladimir Herzog, desde a sua chegada ao órgão do II Exército, não faziam supor o gesto extremo por ele tomado". Arquivo Agência Estado 25/10/2005 14:00 HERZOG - Por um ato ecumêmico (15) Nota oficial do Sindicato do Jornalista de São Paulo em resposta ao comunicado do II Exército sobre a morte de Herzog: "O Sindicato dos Jornalistas, que ainda aguarda esclarecimentos necessários e completos, denuncia e reclama das autoridades um fim a esta situação, em que jornalistas profissionais, no pleno, claro e público exercício de sua profissão, cidadãos com trabalho regular e residência conhecida, permanecem sujeitos ao arbítrio de órgãos de segurança que os levam de suas casas ou de seus locais de trabalho, sempre a pretexto de que irão apenas prestar depoimento, e os mantêm presos, incomunicáveis, sem assistência da família e sem assistência jurídica, por vários dias e até por várias semanas, em flagrante desrespeito à lei. Trata-se de uma situação, pelas peculiaridades, capaz de conduzir a desfechos trágicos, como a morte do jornalista Vladimir Herzog, que se apresentara espontaneamente para um depoimento". A nota foi assinada pelo jornalista Audálio Dantas, presidente do sindicato. Mais de 300 pessoas participaram da primeira reunião promovida pelo sindicato logo após o anúncio da morte de Herozg. Elas estavam tristes, indignadas e com medo. Ninguém acreditava na versão oficial de que Herzog havia se suicidado. Mas ainda não dera tempo de surgirem as evidências de que ele de fato fora torturado e morto. O primeiro gesto daquelas pessoas foi o de aprovar a proposta de batisar com o nome de Vladimir Herzog o auditório onde acontecia a reunião. Depois, o jornalista David de Morais sugeriu a realização de um ato religioso ecumênico em memória de Herzog. O ato serviria para marcar o sétimo dia da morte do jornalista. 25/10/2005 14:15 HERZOG - Sob o império do medo (16) Quem cuidou do enterro de Herzog foi a mãe dele, dona Zora. Ele era judeu e sua mulher, católica. A pedido de Clarice, a cerimônia foi marcada para a segunda-feira, 27 de outubro, ao invés do domingo, dia seguinte à morte, como desejavam os militares. Era para dar tempo de avisar às pessoas. O corpo foi velado no Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Seguindo as tradições judaicas, foi feito o serviço de Tahara (lavagem do corpo) numa sala do necrotério do hospital. Clarice, nesse dia ainda, tentou fazer uma necrópsia do corpo do marido antes da Tahara. Mas ela precisava que três médicos assinassem o exame para ter alguma validade jurídica - e apenas um havia se disposto a assinar. A necrópsia poderia constatar as marcas da tortura. Foto: Elvira Alegre No velório, Audálio Dantas, então presidente do Sindicato dos Jornalistas, chorou a morte do amigo. 25/10/2005 14:30 HERZOG - O velório (17) Foto: Elvira Alegre Dom Paulo Evaristo Arns, então Cardeal Arcebispo de São Paulo (centro) e Franco Montoro, líder da oposição ao governo no Senado (à esquerda), compareceram ao velório de Herzog no Hospital Albert Einstein. 25/10/2005 14:40 HERZOG - Enterro às pressas (18) Foto: Elvira Alegre Herzog foi enterrado no túmulo 64 da quadra 28 do Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo, ao som dos cantos do músico judeu Paul Novak e do barulho das sirenes dos carros dos órgãos de repressão do regime. Quase 600 pessoas, entre jornalistas, estudantes, artistas e parlamentares testemunharam o enterro. A Congregação Israelita foi pressionada para enterrar Herzog o mais rápido possível. A pressa foi tanta que quando Dona Zora, mãe do jornalista, chegou ao cemitério o caixão já estava sendo coberto por terra. Um ritual de enterro judaico costuma durar 2 horas em média. O de Herzog não durou 15 minutos. Clarice ficou revoltada. A cerimônia foi marcada pela incerteza se o túmulo estava em local reservado para suicidas. O rabino-mor Fritz Pinkuss informou depois que o corpo de Herzog fora enterrado em área reservada para suicidas. Na semana seguinte, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, o rabino Henri Sobel, que estava no Brasil há 5 anos, desmentiu a informação e garantiu que a quadra 28 do Cemitério Israelita era reservado a pessoas que tiveram morte natural. 25/10/2005 14:55 HERZOG - "Tanto horror perante os céus" (19) As duas únicas testemunhas das torturas sofridas por Herzog foram os jornalistas Rodolfo Konder e Duque Estrada, que também estavam presos no DOI. Ao encontrar dona Zora, mãe de Herzog, no enterro do amigo, Konder não se conteve. Abraçado a ela e aos prantos, ele acusou os militares: - Eles mataram o Vlado. Repetiu o que dissera Clarice ao saber da notícia. Depois que o caixão desceu à cova, Audálio Dantas, presidente do Sindicato dos Jornalista de São Paulo, declamou a poesia "Senhor Deus dos Desgraçados", de Castro Alves, que a certa altura diz assim: "Senhor Deus dos desgraçados, Dizei-me Vós, Senhor Deus, Se é mentira, se é verdade, Tanto horror perante os céus". A atriz Ruth Escobar ensaiou um curto discurso: "Até quando vamos continuar suportando tanta violência? Até quando vamos continuar enterrando os nossos mortos em silêncio?" A ditadura militar durava há 11 anos. Duraria mais 10. 25/10/2005 15:10 HERZOG - A dor de Clarice (20) Foto: Elvira Alegre Clarice Herzog (ao centro de cabelo curto) depois que foi jogada a última pá de terra sobre o caixão com o corpo do marido. 25/10/2005 15:15 HERZOG - Para combater a subversão (21) Cinco dias após a morte de Herzog, a mídia foi obrigada a divulgar uma nota elaborada pelo Serviço Nacional de Informação (SNI) - o órgão de espionagem do regime criado pelo general Golbery do Couto e Silva, então ministro da Casa Civil do presidente Ernesto Geisel. A nota sustentava a tese de suicídio. Por ordem do SNI, foi divulgada sem que se indicasse o seu caráter oficial, e sem que se pudesse dizer quem a elaborara. Foi para funcionar, digamos, como uma espécie de editorial dos veículos de comunicação, para que as pessoas pensassem que era a opinião deles. "É por todos os motivos, profundamente lamentável o suicídio do jornalista Vladimir Herzog. Sua morte ocorre no contexto da crescente atividade desenvolvida pelo comunismo no Brasil, com sua ação de infiltração e de proselitismo. As chamadas "prisões em massa" constituem parte da técnica desenvolvida pelas organizações comunistas para neutralizar ou impedir a ação dos órgãos de segurança. Não há "prisões em massa", e sim prisões legais, para identificar e aprofundar os dados disponíveis sobre a ação comunista. Situam-se dentro do quadro de combate a subversão, que motivou a nota circular do Ministério da Justiça." 25/10/2005 15:25 HERZOG - Lembranças de Hitler (22) Na mesma quarta-feira em que o SNI soltou para a imprensa a nota sobre a morte de Herzog (leia abaixo), o líder do governo no Senado, Petrônio Portela, defendeu os atos do regime: - O governo prende e prenderá quantos estiverem envolvidos nas malhas da subversão (...) O Estado está vigilante e ativo em sua defesa, usando os mecanismos da lei para que tenhamos paz (...) A repressão é absolutamente necessária. O senador Leite Chaves, da oposição, pediu um aparte a Portela e acusou a repressão militar pela morte do jornalista. - O Exército é uma instituição respeitada pelo povo e que deveria ser intocável (...) "Hitler, quando desejava praticar atos ignominiosos, como os que estamos presenciando, não se utilizava do Exército, mas sim das forças SS, a polícia secreta alemã que praticou inúmeros crimes durante a Segunda Guerra mundial. (Em abril de 1964, Portela era governador do Piaui e foi um dos poucos governadores a se opor ao golpe militar deflagrado no dia 31 de março em Minas Gerais pelo general Mourão Filho. Depois aderiu. Quanto a Mourão Filho, esse se referiu a si mesmo como "vaca fardada", desgostoso com os rumos do regime.) 25/10/2005 15:35 HERZOG - A farsa do inquérito (23) No dia 30 de outubro, o general Ednardo d`Ávila Mello, comandante do II Exército, mandou instaurar um Inquérito Policial-Militar (IPM) para apurar "as circunstâncias em que ocorreu o suicídio do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do centro de Operações de Defesa Interna do II Exército". O IPM deixou claro o objetivo do regime de responsabilizar Herzog por sua própria morte. Ele poderia ter sido aberto para apurar "as circunstâncias em que ocorreu a morte do jornalista". Mas, não: foi aberto para apurar "as circunstâncias em que ocorreu o suicídio" de Herzog. O regime não era nada sutil e não se preocupava em ser. Tinha a força das armas ao seu lado. 25/10/2005 15:45 HERZOG - In memorian (24) O Culto Ecumênico, que havia sido marcado em reunião no Sindicato dos Jornalistas, aconteceu no dia 31 de outubro de 1975, na Catedral da Sé, em São Paulo. O clima era de muita insegurança. A morte de Herzog serviu para fazer estremecer o governo Geisel. Qualquer tumulto que viesse a ocorrer durante o ato religioso daria fôlego à linha dura do regime que resistia à idéia de redemocratização do país. Geisel defendia uma abertura política "lenta, segura e gradual", mas admitia torturas e até assassinatos para defender a ditadura. O culto contou com a presença dos dois líderes religiosos mais odiados pelos militares - Dom Paulo Evaristo Arns, Cardeal Arcebispo de São Paulo, e Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife. Participaram também o pastor protestante James Wright e o rabino Henry Sobel. O nome de Dom Hélder fora banido da mídia por ordem da censura. Nada podia ser dito a respeito dele - nem mesmo contra ele. Era como se ele tivesse morrido ou desaparecido. Mais de 500 policiais foram escalados no dia do Culto Ecumênico para montar 385 barreiras armadas pela cidade de São Paulo. Era a Operação Gutemberg. Em alguns bairros, o trânsito foi delimitado por cones e a passagem de carros se tornou difícil. Em outros locais, carros da polícia travavam as ruas. A operação policial tinha o único objetivo de impedir o acesso do público à Catedral da Sé. Mesmo assim, oito mil pessoas compareceram. Muitas delas foram fotografadas e filmadas à distância por agentes da repressão dirfarçados de jornalistas. Arquivo Agência Estado 25/10/2005 15:55 HERZOG - Censura ampla, geral e irrestrita (25) Quem foi à Catedral da Sé passou por um teste de fogo. A polícia estava nas redondezas, pronta para agir. Do lado de fora da catedral, agentes policiais provocavam quem chegava e quem ía embora. Filmavam e fotografavam. Às 16h, a catedral estava lotada. O culto começou com atraso para que o pastor Jaime Wright pudesse chegar. Ele havia ficado mais de 4 horas preso nas barreiras montadas pela polícia. Os veículos de comunicação foram proibidos de divulgar qualquer notícia sobre o culto. Arquivo Agência Estado 25/10/2005 16:05 HERZOG - Mais um ato da farsa (26) Na sexta-feira 19 de dezembro de 1975, foi divulgado o resultado do Inquérito Policial-Militar instaurado para apurar as circunstâncias que cercaram "o suicídio" de Herzog. O IPM concluiu que Herzog havia se enforcado com um cinto. Em janeiro de 1976, o procurador Oscar Queiroz do Prado pediu o arquivamento do inquérito. Em seu parecer, considerou "uma irregularidade administrativa" a presença de um cinto no macacão de um preso. Do parecer: "Não podemos deixar de lamentar a inadvertida entrega ao então investigado de um macacão com cinto, com o qual ele se enforcou, o que para nós constitui irregularidade administrativa, dado o perigo que pode oferecer". 25/10/2005 16:15 HERZOG - "Em nome da verdade"(27) Depois que conheceu o resultado do IPM sobre a morte de Herzog, um grupo de jornalistas escreveu o documento "Em nome da verdade". Assinado por 1.004 jornalistas de São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, o documento contestava as conclusões do IPM.. Os principais pontos do documento, mais tarde remetido à Justiça Militar: Não havia cinto no macacão que Herzog foi obrigado a vestir tão logo chegou ao prédio do DOI-CODI. Os macacões usados pelos outros presos eram iguais ao dele - e não tinham cinto. A ausência de cinto era para prevenir um possível suicídio. A posição da cadeira supostamente usada por Herzog para se pendurar na cela e em seguida se suicidar não permitiria tal ação. Na fotografia oficial de Herzog enforcado, a cadeira está na frente do corpo, em primeiro plano. Deveria estar atrás caso a cena fosse verdadeira. O pescoço de Herzog apresentava duas áreas roxas, o que caracteriza morte por estrangulamento. Para que a tese do suicídio prevalecesse deveria haver uma única marca. De resto, o laudo de exame do corpo que concluiu pelo suicídio foi assinado por dois legistas - mas um deles, depois, admitiria não ter examinado o corpo. 25/10/2005 16:25 HERZOG - O triunfo da verdade (28 - FIM) Vladimir Herzog tinha dois filhos quando foi morto. Ivan, na época com nove anos, e André com sete. No dia 20 de abril de 1976, Clarice e os dois filhos entraram na Justiça com uma ação declaratória responsabilizando a União pela tortura e morte de Herzog. Era a primeira vez que havia uma ação desse tipo na história da Justiça brasileira. E seria o primeiro de uma série de casos de vítimas da ditadura a serem julgados por um Tribunal Civil. Dois anos depois, a vitória da verdade - por mais brutal que a verdade tenha sido. Em 27 de outubro de 1978, exatos três anos depois do dia do enterro de Herzog, o juiz Márcio José de Morais, da 7a. Vara da Justiça Federal de São Paulo, proferiu sua sentença. Ele declarou a União responsável pela prisão, tortura e morte de Vladimir Herzog. Considerou imprestável o laudo médico-legal que amparava a versão oficial. E terminou afirmando que as autoridades não conseguiram provar que a morte foi por suicídio. Foto: Elvira Alegre Dona Zora, a mãe de Herzog (à esquerda), e Clarice abraçada com os filhos Ivan (à direita) e André no dia do velório de Vlado. ========================================================================================== + Detalhes. Vladimir Herzog Ações do documento 14/12/2006 Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos - Pedro Paulo Filho - Depto. Editorial OAB-SP (Advogados Heleno Fragoso, Sérgio Bermudes, Marco Antônio R. Barbosa e Samuel Mac Dowell de Figueiredo) Em 19 de abril de 1976, deu entrada na Justiça Federal de São Paulo, sendo distribuída para a 7ª Vara Cível, uma ação declaratória intentada por Clarice Herzog e seus filhos Ivo e André, contra a União Federal, pleiteando que fosse declarada a responsabilidade da União pela prisão, torturas e morte do jornalista Vladimir Herzog, marido e pai dos autores. A inicial relatou que Vladimir era brasileiro naturalizado, professor e jornalista da TV Cultura - Canal 2 e que na noite de 24 de outubro de 1975 compareceu às dependências do DOI/CODI do II Exército, por solicitação de seus agentes, a fim de prestar esclarecimentos. Fizeram-no apresentar-se no dia seguinte, à Rua Tomás Carvalhal, 1.030, na capital paulista. No final da tarde do mesmo dia, o Comando do II Exército fez distribuir nota na qual comunicava a morte de Vladimir Herzog, e entre outras inverdades dizia que o jornalista "admitiu exercer atividades no PCB; que, por volta das 15 horas, deixado, sozinho, em uma sala, redigiu declaração dando conta de sua militância no Partido Comunista; que, aproximadamente, às 16 horas, ao ser procurado na sala onde ficara, foi encontrado morto, enforcado em uma tira de pano".? A nota afirmava que, solicitada a perícia, pelo técnicos foi constatada a ocorrência de suicídio e que "o cadáver de Vladimir Herzog foi encontrado, junto à janela, em suspensão incompleta e sustido pelo pescoço, através de uma cinta de tecido verde" e que "o traje que vestia o cadáver compunha-se de um macacão verde de tecido igual ao da referida cinta". O fato provocou a maior repercussão em todo o país. Em 30 de outubro de 1975, o general-comandante do II Exército instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias em que ocorreu o "suicídio" do jornalista Vladimir Herzog, que concluiu, como era esperado, pela ocorrência de suicídio. Ocorre que Rodolfo Konder compareceu, espontaneamente, no dia 7 de novembro de 1975, às 16 horas ao escritório de advocacia dos drs. José Carlos Dias, Maria Luiza Flores da Cunha Bierrembach, José Roberto Leal de Carvalho e Arnaldo Malheiros Filho, no centro de São Paulo, e ali, na presença dos referidos advogados e, mais ainda, do dr. Prudente de Moraes, neto, do prof. Gofredo da Silva Telles Jr., do dr. Hélio Pereira Bicudo e do padre Olivo Caetano Zolin, prestou declarações que esclareceram a morte de Vladimir Herzog. "Às seis horas da manhã do dia 24 de outubro do corrente, tocaram a campanhia de minha casa, e, quando fui atender, vi que eram três agentes da Polícia, os quais me disseram que eu deveria acompanhá-los para prestar alguns esclarecimentos. Fui levado numa caminhonete até as dependências do DOI, na rua Tomás Carvalhal, 1.030, endereço este que vim a conhecer posteriormente. Na estrada colocaram-me um capuz de pano preto na cabeça e me levaram para o interior do DOI. Lá dentro me fizeram tirar a roupa e me deram um macacão do Exército, e eu fiquei sentado num banco com o macacão e o capuz. Fiquei cerca de uma hora esperando, tempo que eu não posso calcular com certeza por terem me tirado o relógio, e fui chamado para o interrogatório. Fui levado para o primeiro andar, pois estava no térreo, e alguém começou a me fazer perguntas sobre minhas atividades políticas. Esta pessoa eu não posso identificar porque eu estava com o capuz na cabeça. Ela começou a se exasperar e me fazer ameaças, porque não estava satisfeita com as respostas que eu dava, e chamou umas duas pessoas para a sala de interrogatório, pediu a uma delas que trouxesse a "pimentinha", que é uma máquina de choques elétricos e, a partir daí, eu comecei a ser torturado. Uma pessoa que mais tarde pela voz eu identifiquei como o chefe da equipe, e era forte, barrigudo, moreno, de cara rasgada. Este homem que batia com as mãos e gritava que ele era um anormal, o que eu achei muito estranho. Depois instalaram nas minhas mãos, amarrando no polegar e no indicador as pontas de fios elétricos ligados a essa máquina; a ligação era nas duas mãos e também nos tornozelos. Obrigaram-me a tirar os sapatos para que os choques fossem mais violentos. Enquanto o interrogador girava a manivela, o terceiro membro da equipe, com a ponta de um fio, me dava choques no rosto, por cima do capuz e, às vezes, na orelha, para isso levantando um pouco o capuz, para que o fio alcançasse a orelha. Para se ter uma idéia de como os choques eram violentos, vale a pena registrar o fato de que eu não pude me controlar e defequei, e, freqüentemente, perdia a respiração. (...) No sábado de manhã, percebi que Vladimir Herzog tinha chegado. Como o capuz é solto, por baixo dele, quando a vigilância não é severa, pode-se ver os pés das pessoas que estão perto. Ao meu lado estava sentado George Duque Estrada, o Estado de S. Paulo, e eu comentei com ele que Vladimir Herzog estava ali presente, isto porque Vladimir Herzog era muito meu amigo e nós comprávamos sapatos juntos, e eu o reconheci pelos sapatos. Algum tempo depois, Vladimir foi retirado da sala. Nós continuamos sentados lá no banco, até que veio um dos interrogadores, levou a mim e ao Duque Estrada a uma sala de interrogatório no andar térreo, junto à sala em que nós nos encontrávamos. Vladimir estava lá, sentado numa cadeira, com o capuz enfiado e já de macacão. Assim que entramos na sala, o interrogador mandou que tirássemos os capuzes, por isso que nós vimos que era Vladimir, e vimos também o interrogador, que era um homem de 33 a 35 anos, com mais ou menos 1,75 metro de altura, uns 65 quilos, magro, mas musculoso, cabelo castanho-claro, olhos castanhos apertados e uma tatuagem de uma âncora na parte interna do antebraço esquerdo, cobrindo praticamente todo o antebraço. Ele nos pediu que disséssemos ao Vladimir 'que não adiantava sonegar informações'. Tanto eu como Duque Estrada, de fato, aconselhamos Vladimir a dizer o que sabia, inclusive porque as informações que os interrogadores desejavam ver confirmadas já tinham sido dadas por pessoas presas antes de nós. Vladimir disse que não sabia de nada e nós dois fomos retirados da sala e levados de volta ao banco de madeira onde nos encontrávamos, na sala contígua. De lá, podíamos ouvir nitidamente os gritos, primeiro do interrogador e depois de Vladimir e ouvimos quando o interrogador pediu que lhe trouxessem a "pimentinha" e solicitou ajuda de uma equipe de torturadores. Alguém ligou o rádio, e os gritos de Vladimir se confundiam com o som do rádio. Lembro-me bem que durante esta fase o rádio dava a notícia de que Franco havia recebido a extrema-unção, e o fato me ficou gravado, pois naquele mesmo momento Vladimir estava sendo torturado e gritava. A partir de determinado momento, a voz de Vladimir se modificou, como se tivessem introduzido alguma coisa em sua boca; sua voz ficou abafada, como se lhe tivessem posto uma mordaça. Mais tarde os ruídos cessaram. Depois do almoço, não sei exatamente a que horas, o mesmo interrogador veio me perguntar sobre uma reunião política na minha casa, realizada em 1972, com a presença de um homem de cabelos grisalhos. Eu não me lembrava dessa pessoa, embora me lembrasse de um único encontro realizado em minha casa naquele ano, com a presença de uma outra pessoa, esta de cabelos escuros. O interrogador saiu novamente da sala e dali a pouco voltou para me apanhar pelo braço e me levar até a sala onde se encontrava Vladimir, permitindo mais uma vez que eu tirasse o capuz. Vladimir estava sentado na mesma cadeira, com o capuz enfiado na cabeça, mas agora me parecia particularmente nervoso, as mãos tremiam muito e a voz era débil." "Que o declarante, da mesma forma que todos os outros presos que teve oportunidade de ver nas dependências do DOI, foi deixado apenas com o macacão, o capuz e os sapatos, sendo que das pessoas que usavam sapatos com cordão para amarrar os cordões eram retirados, não ficando nenhum instrumento que pudesse ser usado contra a vida." "Que quando iniciou-se a tortura de Vladimir o declarante, estando na sala ao lado, chegou a ouvir sons de pancadas que lhe eram desferidas." Vladimir Herzog foi cruelmente torturado, e, depois disso, redigiu a declaração que o comprometia com agremiação política ilegal. O fato de haver rasgado o papel comprova que repudiou totalmente a suposta confissão, obtida mediante métodos violentos. Ademais, não poderia ter se suicidado com o cinto do macacão, pois, segundo Rodolfo Osvaldo Konder, "o macacão que lhe deram para vestir nas dependências do DOI, a exemplo de todos os outros, não tinha cinto". Os advogados Heleno Cláudio Fragoso, Sérgio Bermudes, Marco Antônio Rodrigues Barbosa e Samuel Mac Dowell de Figueiredo sustentaram que o artigo 107 da Constituição Federal obriga as pessoas jurídicas de direito público a responder pelos danos que os seus funcionários causarem a terceiros. Já o artigo 15 do Código Civil Brasileiro é expresso: "As pessoas jurídicas de direito público são civilmente responsáveis por atos dos seus representantes que, nessa qualidade, causem dano a terceiros, procedendo de modo contrário ao direito ou faltando a dever prescrito por lei, salvo o direito regressivo contra os causadores do dano". A prisão foi ilegal e arbitrária, pois efetuada com desatenção ao artigo 153, parágrafo 12 da Carta Magna. Ao torturarem Vladimir Herzog, os agentes da União Federal desrespeitaram o parágrafo 14 do artigo 153 da Constituição Federal, que impõe a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral do detento e do presidiário, constituindo abuso de autoridade nos expressos termos dos artigos 3º e 4º de Lei Federal nº 4.898, de 9-12-65. Na forma do artigo 4º do Código de Processo Civil, Clarice Herzog e seus filhos, ao invés de postularem a condenação da União Federal, pediram apenas que fosse declarada a sua obrigação de indenizá-los, em decorrência dos fatos que culminaram com a morte de seu marido e pai. Queriam uma reparação moral. A União Federal, através do procurador da República, Tito Bruno Lopes, em 2 de julho de 1976, contestou a ação, alegando que os autores da ação eram carecedores por se basearem em fatos considerados inexistentes pela Justiça Militar. Aduziu que a responsabilidade civil é independente da criminal e que, de conformidade com o artigo 1.525 do Código Civil não se poderia questionar sobre o fato ou quem seja o seu autor, quando estas questões já tenham sido decididas no crime. Acrescentou ainda que a ação declaratória era inepta, porque escondia, subjacentemente, uma ação condenatória conta a União Federal. No mérito, confirmou a existência de suicídio, conforme os laudos dos legistas Arildo de T. Viana e Harry Shibata, que concluíram pela inexistência de sinais de violência ou tortura, acrescentando não ter havido culpa dos funcionário, que agiram no estrito cumprimento do dever legal. O juiz do processo era o dr. João Gomes Martins Filho, da 7ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, que, no passado, fora deputado pelo PSD na Constituinte de 1946 e candidato a Vice-Governador em 1951 na chapa de Prestes Maia. Depois de devidamente instruído o processo, com a colheita de todas as provas e as inquirições de todas as testemunhas, o magistrado federal preparou a sentença que seria lida em 26 de junho de 1978, uma segunda-feira. Entretanto, quatro dias antes da audiência de publicação de sentença, chegou à 7ª Vara Federal um telex de Brasília informando que havia sido concedida uma medida liminar junto ao Tribunal Federal de Recursos, requerida pela União, sendo relator do mandado de segurança o ministro Jarbas Nobre. Na segunda-feira, o juiz João Gomes Martins não pôde ler a sentença, em virtude dessa liminar. A manobra foi suficiente para as finalidades pretendidas, porque a Justiça Federal entrou em recesso no mês de julho, e logo no dia 2 deste mês o juiz João Gomes Martins completou 70 anos, aposentando-se, compulsoriamente, nos termos da lei em vigor. Outro magistrado assumiu a 7ª Vara da Justiça Federal, Márcio José de Moraes, casado, 32 anos, e pai de dois filhos. Em 29 de outubro de 1978, o juiz Márcio José de Moraes prolatou a tão esperada decisão no processo nº 136//76, cuja parte dispositiva foi a seguinte: "Pelo exposto, julgo a presente ação procedente e o faço para, nos termos do artigo 4º, inciso I do Código de Processo Civil, declarar a existência de relação jurídica entre os autores e a ré, consistente na obrigação desta indenizar aqueles pelos danos materiais e morais decorrentes da morte do jornalista Vladimir Herzog, marido e pai dos autores, ficando a ré condenada em honorários advocatícios que, a teor do artigo 20, parágrafo 4º do mesmo diploma legal, fixo em Cr$ 50.000,00 (cinqüenta mil cruzeiros). Determino, outrossim, com fundamento no artigo 40 do Código de Processo Penal, sejam extraídas e remetidas ao sr. Procurador-geral da Justiça Militar, para as providências legais que couberem, cópias autenticadas pela Secretaria deste sentença e de todos os depoimentos das testemunhas ouvidas por este Juízo. Custas ex-lege. Oportunamente, observadas as cautelas legais, subam os autos ao Egrégio Tribunal Federal de Recursos, para os fins do duplo grau de jurisdição." Foi uma sentença corajosa que estarreceu o país, devolvendo aos brasileiros a confiança e o respeito pelo Poder Judiciário. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Federal de Recursos. O grande advogado Raymundo Faoro, então presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, escreveu sobre o episódio: "Será esta uma história que mostrará a possibilidade, com a ordem jurídica, de abater o autoritarismo, sempre que se levantem, dentro de seus próprios muros, advogados e juízes, advogados que sejam verdadeiramente advogados e juízes de verdade, ainda que tolhidos pelas restrições às suas prerrogativas e garantias". O juiz federal João Gomes Martins Filho jamais revelou o teor da sentença que redigiria, mas não fora proferida. Sem embargo, escreveu uma carta ao seu colega Márcio José Moraes, cujos excertos reproduzimos: "Chegamos, por palavras diferentes, à mesma conclusão... Senti uma tristeza imensa ao verificar até que ponto podia chegar a tentativa de sufocar uma manifestação do Poder Judiciário... Não poderia desconfiar de um golpe dessa natureza e tanto é assim que havia marcado com antecedência o dia e hora para a prolação da sentença. Veio o telex, anunciando a proibição da leitura e requerendo também informações sobre o processo no mandado de segurança impetrado pelo procurador, que se considera o detentor único da verdade e o cavaleiro andante da honra e do renome nacional. Alegava que a sentença poria em risco a segurança do Estado, e que, por isso, deveria ser impedida, como se a declaração de responsabilidade pela tortura e morte de um homem pudesse constituir-se em perigo para a honra e a segurança das instituições. Ninguém sabia o teor da sentença, a não ser eu. O Brasil inteiro ficou sabendo por esse telex qual seria o seu teor, pois ele já confessava a culpa publicamente. Ninguém mais duvidava daí em diante das conclusões do juiz... Lançou-se sobre o Poder Judiciário a dúvida a respeito da dignidade, da coragem e da honradez do juiz que me substituísse. Supôs-se que com o afastamento de um, a lição permaneceria com o outro e que talvez a verdade não aflorasse com a veemência que se deduzia da ação. Enganaram-se os que assim pensaram porque, talvez mais forte, mais elegante e mais alta se elevou a voz de um jovem magistrado para deixar bem claro que ainda há juízes no Brasil. ======================================================================================= + Detalhes. Instituto Vladimir Herzog 30 maio 2011 ... A abertura do seminário ocorreu em 22 de março com conferência do jornalista Paulo Markun sobre a experiência de Vladimir Herzog na ... vladoherzog.blogspot.com/ - Em cache - Similares ================================================================================================= + Detalhes. As últimas horas de Wladimir Herzog 6 min - 5 maio 2007 - Vídeo enviado por MarioMaquiavelico Dramatização feita pelos alunos do CSP, em homegangem ao Jornalista Wladimir Herzog, morto durante o regime militar ... youtube.com ========================================================================= + Detalhes. YouTube - 30 anos sem Vladimir Herzog 4 min - 17 out. 2008 - Vídeo enviado por radarcultura Em 2005 foram completados 30 anos da morte de Vlado. A repórter Cláudia Piche entrevistou Dom Paulo Evaristo Arns, religioso que ... www.youtube.com/watch?v=m4fAKjfWap8 ================================================================ + Detalhes. VLADIMIR HERZOG - MANCHAS DA TORTURA *J. Dias -------------------------------------------------------------------------- O BÊBADO E A EQUILIBRISTA Caía a tarde feito um viaduto, e um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos. A lua tal qual a dona do bordel, pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel. E nuvens lá no mata-borrão do céu, chupavam manchas torturadas, que sufoco. Louco, o bêbado com chapeu côco, fazia reverencias mil, prás noites do Brasil, meu Brasil. Que sonha com o volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu num rabo de foguete. Chora a nossa pátria mãe gentil, choram Marias e Clarices no solo do Brasil, mas sei que uma dor assim pungente, não há de ser inultimente a esperança, dança na corda bamba de sombrinha e em cada passo dessa linha pode se machucar, azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem de continuar. -------------------------------------------------------------------------- O Bêbado e a Equilibrista, música de João Bôsco e Aldir Blanc, retrata a violência sofrida pelo povo brasileiro durante o longo período da ditadura militar que se instalou no pais no ano de 1964, e que tantos males causou ao nosso povo. Quantos precisaram partir "num rabo de foguete"? Quantos viraram "manchas torturadas"? Quantos perderam suas vidas simplesmente por expressarem sua opinião contrária a dos donos do poder? Que eram os militares. Realmente, durante este negro período da história recente do País, nós caminhávamos como a equilibrista, numa linha, sabendo que a qualquer momento poderia cair e a queda poderia ser fatal. A esperança sempre dançando na corda bamba, sabendo que a cada passo poderia se machucar, mas nunca desistindo de lutar, e a luta não foi inglória. Se hoje temos um país democrático, devemos muito aos que lutaram sabendo que a esperança não seria inútil. No trecho da música que é citado: "Choram Marias e Clarices". As Marias, são inúmeras mães que perderam seus filhos nos porões da tortura. Clarices, está se referindo a Clarice Herzog, esposa de Vladimir Herzog, uma das vitimas inocentes das torturas cometidas contra os cidadãos. Queremos aqui contar um pouco da história de Vladimir Herzog, para que as pessoas tomem conhecimento de como agia a ditadura contra o cidadão. Ninguém era inocente perante a lei da tortura, do assassinato, que quando acontecia durante a sessão de espancamento e outras atrocidades, era chamado de "acidente de trabalho". Herzog foi mais uma vítima de "acidente de trabalho" dos torturadores. Vlado, como era conhecido, era diretor de jornalismo da TV Cultura em São Paulo. Não era integrante de nenhum grupo terrorista. Por isso Vlado não esperava que isso pudesse acontecer com ele, já que tinha uma militância amena. Era de um grupo de jornalistas que jamais imaginava que poderia ser preso. As pessoas presas sempre eram de militancia pesada, gente ligada a luta armada. Quem só militava intelectualmente jamais poderia imaginar que seria submetido a tortura e até morreria por causa disso. Mas aconteceu, e justamente em 1975, ano que começa com o sepultamento da censura prévia dos jornais e termina com a tortura e morte de um jornalista sem nenhuma conexão com movimentos armados. Na manhã do sábado, 25 de outubro, a ditadura militar fazia mais um prisioneiro. Procurado na noite anterior, Herzog, conseguira adiar para o dia seguinte sua apresentação ao DOI-Codi de São Paulo. Ele compareceu às 8 horas da manhã, sozinho, já que achava que não havia nada contra ele. No meio da tarde já estava morto, vitima de torturas que os agentes do DOI tentaram acobertar com a usal farsa do suicidio - era o 38º "suícida" produzido pelos porões da ditadua. Fotos mostrando o cadaver de Herzog enforcado com um cinto preso a uma grade a 1,63 metro do chão eram mostradas aos demais presos. Além das pretensas provas do suícidio, a tese da infiltração comunista nas instituições era alardeado no carcere. "Os agentes nos diziam que do comando do Partido Comunista, acima dos tais dirigentes que já estavam presos, viriam pessoas insuspeitas, como um cardeal, um governador e um general", afirma o jornalista Paulo Markun, colega de Herzog na Tv Cultura e também diretor, detido naquela época. Era uma referencia clara a dom Paulo Evaristo Arns, ao governador de São Paulo, Paulo Egídio Martins, e ao general Golbery do Couto e Silva. Clarice, mulher de Herzog, conta que ele passara a frequentar as reuniões de discussão do PCB havia dois anos, por não ver outra forma de contestar a ditadura. "Ele identificava duas forças organizadas: a Igreja Católica e o Partido Comunista do Brasil. Como era judeu, não teve outra opção", conta Clarice. Na sexta-feira, 31 de outubro de 1975, barreiras bloqueavam os acessos à praça da Sé, centro de São Paulo. Estava marcado para a Catedral da Sé um culto ecumênico em memória de Vladimir Herzog. A força policial era ostensiva e o clima tenso. "Antes de começar, chegaram tres homens para dizer que eu deveria desistir e que havia 500 agentes na praça para atirar em quem dissesse 'abaixo a ditadura," relata dom Paulo Evaristo Arns, que iria realizar o culto ao lado do rabino Henri Sobel. "Eu disse: 'Vocês usam armas, nós usamos o coração'." Dias antes no enterro de Herzog, o rabino Sobel contestara a versão oficial para a morte, negando-se a enterrar Herzog na área do Cemitério Israelita destinada aos suicidas. O Sindicato dos Jornalistas havia redigido uma nota à imprensa tão diplomática quanto desafiadora: "O Sindicato dos Jornalistas deseja notar que, perante a lei, a autoridade é sempre responsável pela integridade física das pessoas que coloca sob sua guarda, e reclama um fim a essa situação, em que jornalistas profissionais, cidadãos com trabalho regular e residencia conhecida, permanecem sujeitos ao arbítrio de orgãos de segurança". "Todos os cuidados eram necessários para que a gente denunciasse o crime, sem dar pretexto para fecharem o sindicato", diz Audálio Dantas, presidente da entidade na época. O sindicato já denunciara as prisões que se sucederam ao discurso da Pá de Cal. A imprensa noticiou a morte de Herzog com destaque, indo muito além das notas oficiais secas que costumavam registrar "suicidios" e "mortes em confronto" de vitimas da repressão. Era a primeira vez que isso acontecia desde que foi instalada a censura prévia nos jornais. Apesar das barreiras e dos policiais, oito mil pessoas compareceram à Catedral da Sé. "Foi uma cerimônia comovente, todo mundo que estava na Catedral chorou", relembra dom Paulo, que já atuava ostensivamente na defesa de presos políticos desde novembro de 1970. No fim, o que poderia ter se transformado num tumulto sangrento, entrou para a História como a primeira grande manifestação popular desde o AI-5, e é uma peça importante no quebra-cabeça da abertura política brasileira. LEIA MAIS SOBRE A DITADURA - A DITADURA E A CULTURA =================================================================================================== + Detalhes. a.. =========================================================================================== + Detalhes. Documentário lembra a morte de Vladimir Herzog 30 anos depois Carlos Honorato em 11/10/2005 21:28:02 Miguel Conde - Globo Online RIO - O cineasta João Batista de Andrade diz que ''Vlado - 30 anos depois'', seu documentário que estréia sexta-feira no Rio de Janeiro, é o filme ''que devia ter feito 30 anos atrás'', em 1975, quando seu amigo, o jornalista Vladimir Herzog, foi torturado... Miguel Conde - Globo Online RIO - O cineasta João Batista de Andrade diz que ''Vlado - 30 anos depois'', seu documentário que estréia sexta-feira no Rio de Janeiro, é o filme ''que devia ter feito 30 anos atrás'', em 1975, quando seu amigo, o jornalista Vladimir Herzog, foi torturado e assassinado numa cela do DOI-Codi. ''Eu, que filmava tudo, não conseguia filmar nada'', lembra o diretor nos momentos iniciais da projeção. Ao filmar, 30 anos depois, um documentário sobre a morte do seu amigo, Andrade não pagou apenas uma dívida pessoal, mas criou um registro fundamental do que significou viver num regime de exceção no Brasil. "Vlado" não traz novas revelações ou teorias sobre a morte de Vladimir Herzog. Não há testemunhos do "lado de lá", de militares ou autoridades da época. A principal contribuição do filme é reunir "vivências", como diz o diretor, de quem atravessou o período militar na oposição ao regime, e sobreviveu para contar o que viu. Enquanto a memória documental da repressão continua represada por carimbos de "sigiloso" e "confidencial", a memória afetiva se exibe, dolorosa, no rosto de cada entrevistado, sempre esquadrinhado em close pela câmera de João Batista de Andrade: - Eu não queria fazer entrevistas, dar explicações. Queria mostrar para as pessoas como foi viver sob a ditadura. Sou chamado muitas vezes para falar em escolas, e a minha fala é sempre totalmente pessoal. As pessoas precisam conhecer bem, entender o que significou aquilo. Numa espécie de prólogo que serve para justificar o filme, o diretor aborda pessoas de microfone em punho, perguntando-lhes o que sabem sobre Vladimir Herzog. Em frente à Catedral da Sé, onde 8 mil pessoas se reuniram em 1975 num culto ecumênico em protesto contra a morte do jornalista, a maioria dos entrevistados diz apenas "não sei". Quem conhece o nome tem idéias vagas. "Vlado" quer mostrar que a memória do assassinato de Herzog não deve ficar restrita a amigos ou estudiosos do período. Clique aqui para ler mais -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110617/580c3e05/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7213 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110617/580c3e05/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2910 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110617/580c3e05/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 186 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110617/580c3e05/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5686 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110617/580c3e05/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 17 19:19:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 17 Jun 2011 19:19:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] ARTIGO DE ALIPIO FREIRE NO BRASIL DE FATO E CONVITE: HOMENAGEM AO SILVA Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas e Amig at s, seguem abaixo (e em arquivo) o meu pequeno artigo mensal para o Brasil de Fato. No pé, o convite (ao qual me junto) para a homenagem ao nosso camarada Cleodon Silva, um dos coordenadores da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, que se constituiu num dos mais importantes instrumentos das lutas e da resistência dos trabalhadores durante a ditadura. Peço que compareçam ao ato e divulguem o convite. abraço, Alipio Freire ARTIGO A morte de um líder operário Brasil de Fato Edição 4XX 13.06.2011 Alipio Freire Terça-feira, 7 de junho de 2011: falece em São Paulo, aos 63 anos, o líder metalúrgico Cleodon Silva. A grande bandeira nacional da Praça dos Três Poderes não foi hasteada a meio-pau. A grande maioria dos brasileiros sequer ficou sabendo. Em seu texto de despedida, ?Vá Silva, seu visionário com olho de águia!?, que circula na internet, Vito Giannotti ? companheiro de Silva desde os anos 1970, nos conta: ?Em 1971, desembarcou na velha rodoviária de São Paulo um dos milhões de nordestinos que deixavam Pernambuco rumo ao Sul Maravilha. A maravilha que Cleodon buscava era a revolução, a grande Revolução Socialista. Na sua mala de couro, trouxe duas armas, que o acompanharam por longos anos até serem trocadas pela Internet: uma velha máquina de escrever e um reco-reco, espécie de mimeógrafo artesanal. Com este arsenal iria se integrar à luta da Oposição Sindical Metalúrgica para lutar contra os patrões, os pelegos seus capachos e aliados e contra a Ditadura instalada a serviço do capital?. Nenhum militante sindical daqueles anos desconhece a importância da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, seu vigoroso trabalho de contestação da estrutura sindical, e de organização dos operários no interior das empresas; a eleição ganha, mas fraudada pelos pelegos e patrões em 1978; ou os 11 dias da greve dos metalúrgicos de São Paulo de 1979, com 80% da categoria parada. Nenhum de nós desconhece Cleodon Silva e seus camaradas de luta: Olavo Hansen e Santo Dias da Silva (ambos assassinados pela ditadura); Carlúcio Castanha (já falecido); Vito Giannotti, Sebastião Neto, Hélio Bombardi ou o Marron; Anízio Batista, ou Cloves Castro; Edésio, Carlão (Delmar Mattes), Maria Lúcia Torres ou o Vicente; Waldemar Rossi, Raimundinho, Farinazzo e tantos outros. Hoje, quando discutimos a Comissão da Verdade, da Memória e da Justiça é indispensável que registremos esta saga. Esta, a nossa maior homenagem ao Cleodon Silva, a todos que já se foram, aos que permanecem e aos que virão. HOMENAGEM AO SILVA dia 04/07 , às 18h30min APEOESP - Pça da República, 282. VALEU, CAMARADA! DOS MILITANTES DA OPOSIÇÃO METALÚRGICA E DOS REVOLUCIONÁRIOS QUE ESTIVERAM CONTIGO Perdemos dia 11 de junho o companheiro Cleodon Silva, dirigente histórico da Oposição Metalúrgica de SP e um dos coordenadores do Projeto Memória da OSM-SP. Essa personalidade histórica foi também o cordelista Pedro Macambira. Silva foi idealizador e diretor do Instituto Lidas e membro da diretoria da Casa dos Meninos. Nas palavras de Hamilton Faria, em sua homenagem: ?Silva, como era chamado na década de 70, naqueles anos de chumbo, temido dirigente sindical, atuava na clandestinidade, organizava comissões de fábrica, comandos de luta dos metalúrgicos, para enfrentar os patrões e a ditadura militar... Na organização dos operários Silva era um espécie de comandante militar, com suas estratégias precisas e aguçadas, também um sonhador que via a mudança do regime logo ali; era também um boa praça que bebia pinga no bar com os peões e traçava aquelas coxinhas espantosamente gordurosas e as comidas enfumaçadas do Largo do Socorro... pensava nos desdobramento futuros, amava a politica e todas as suas possibilidades libertárias. Um intelectual sonhador e inteligente. Era um tempo onde as pessoas que lutavam lado a lado ainda desconheciam o sombrio da politica de morcegos, que morde e assopra, ou a que mata e canta as virtudes do morto. Silva trazia também consigo a poesia de Pedro Macambira que circulava no mundo operário dos bairros e nas fábricas, poesia dos esquecidos, dos vencidos, dos resistentes que não tinham caminho senão lutar ou morrer. Macambira estava presente nos bairros, nas fábricas, na "rádio peão", denunciando o chefete cruel e dedo-duro, os crimes do regime militar, o líder sindical sem princípios que amaciava o arrocho dos ditadores...? Hamilton Faria é poeta e autor de ?A experiência operária nos anos da resistência ? A Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo e a dinâmica do movimento operário ? 1964 -1978?. Foto do Silva tirada durante a gravação do seu testemunho em 2007 para o lançamento do Projeto Memória da OSMSP. Projeto Memória da OSMSP/ IIEP Pça da República, 419 - piso 8 - República CEP 01045 001 São Paulo SP Tel-Fax +55 (11) 3337 6775 Correio eletrônico: memoria at iiep.org.br site: www.iiep.org.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110617/499db5de/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 18 16:25:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 18 Jun 2011 16:25:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__JOS=C9_MILTON_BARBOSA_______________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CLXIX-?= Message-ID: <0B13563B010A4E74BB880AB7F076427C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ MILTON BARBOSA (1939-1971) Filiação: Maria das Dores de Paulo Data e local de nascimento: 22/10/1939, Bonito (PE) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 05/12/1971, São Paulo (SP) Pernambucano de Bonito, morto na capital paulista em 05/12/1971, o afrodescendente José Milton tinha sido sargento radiotelegrafista do Exército, formado pela Escola de Sargento das Armas. Foi cassado em 1964, logo após a deposição de João Goulart, militou no PCB, transferiu- se ao PCBR e teve breve passagem pelo MR-8 antes de ingressar na ALN, da qual foi dirigente. Documentos dos órgãos de segurança o indicam como participante do seqüestro do embaixador alemão, da execução do industrial Albert Henning Boilesen e como sendo uma das 21 pessoas mais procuradas em todo o país, no momento de sua prisão e morte. Em 1967 ingressou no curso de Economia da antiga Universidade do Estado da Guanabara (UEG), atual UERJ, onde estudou até o 3º ano, quando foi forçado a entrar para a clandestinidade. Até fevereiro de 1969, trabalhou na SUNAB. Antes de a CEMDP analisar o caso, praticamente a única informação que constava no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos era que José Milton fora morto em tiroteio no bairro Sumaré, ao lado do cemitério do Araçá, na data citada, sendo enterrado como indigente em Perus, sob o nome falso de Hélio José da Silva. Nos arquivos secretos do DOPS/SP foi encontrada uma requisição ao IML, marcada com o característico "T" de "terrorista", tendo como declarante Altino Pinto de Carvalho. Lavrada com o referido nome falso, informa que ele morrera às 16 horas do dia 5 de dezembro. Mas trazia em anexo a ficha datiloscópica de José Milton. Constava também o local do tiroteio - esquina das ruas Tácito de Almeida e Cardoso de Almeida - e o horário de entrada do corpo no IML: 21 horas. Na CEMDP, o parecer da relatora apontou, como evidências de que José Milton não morreu no alegado tiroteio, a diferença de cinco horas entre a morte e a entrada no IML, realçando também o fato de conhecerem os órgãos de segurança a verdadeira identidade do morto. Como elemento determinante, enfatizou as contradições detectadas na análise das fotos do corpo e do laudo necroscópico. Assinado por Antônio Dácio Franco do Amaral e José Henrique da Fonseca, o laudo de necropsia aponta quatro orifícios de entrada de projétil de arma de fogo, nenhum na cabeça, mas ao exame interno observaram edema e anemia do encéfalo. O exame da foto, encontrada nos arquivos do DOPS/SP, mostra que, em pleno verão, José Milton trajava roupa pesada, com grossa japona de lã e calça de veludo, tendo o pescoço suspeitamente envolto em lenço ou cachecol, com a possível intenção de acobertar sinais de violência. Mesmo assim, a foto permite visualizar, com nitidez, os ferimentos que provavelmente causaram o edema registrado no laudo: lesões e equimoses no nariz, canto do olho esquerdo, queixo e testa, estranhamente não descritos no laudo. Apresentado o voto pela aprovação do requerimento em 19/11/1996, o general Oswaldo Pereira Gomes manifestou-se pelo indeferimento e Paulo Gustavo Gonet Branco pediu vistas dos autos. O processo voltou à pauta em 10/04/1997 e o revisor estabeleceu uma comparação entre as fotografias do corpo e o laudo necroscópico que, embora minucioso, não fazia qualquer referência aos visíveis ferimentos em diversas partes do rosto. Com o argumento de que, "as fotografias emprestam significado relevante à demora ocorrida entre o momento da morte e o da entrega do corpo ao IML, certo de que a polícia, neste período tinha o domínio da situação e ainda que transmitem, de igual sorte, importância à indicação de nome equivocado do cadáver e subseqüente enterro sob o mesmo nome incorreto", Paulo Gustavo Gonet Branco acompanhou o voto da relatora. ======================================================================================================== + Informações. JOSÉ MILTON BARBOSA Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu, em 22 de outubro de 1939, em Bonito, Pernambuco, filho de Maria das Dores de Paulo. Era Sargento radiotelegrafista do Exército, formado pela Escola de sargento das Armas, sendo cassado em 1964, com o golpe militar. Até fevereiro de 1969, era funcionário da SUNAB. Em 1967, ingressou no curso de Economia da antiga UEG, atual UERJ, estudando até o 3º ano, quando por suas atividades políticas, foi forçado a entrar na clandestinidade, em 1969. Foi militante do PCB, do PCBR, do MR-8 e, por fim, da ALN, da qual se tornou dirigente regional. Condenado, à revelia, pela 1ª Auditoria do Exército, em 14 de abril de 1972, à prisão perpétua. Pena esta que, em 30 de agosto de 1972 (quando já estava morto), caiu para 20 anos de reclusão. Teve seus direitos políticos cassados por 10 anos. Também foi condenado pela 2ª Auditoria da Aeronáutica - 1ª CJM à pena de 12 anos de reclusão. Assassinado em 5 de dezembro de 1971, pela repressão política no bairro do Sumaré, em São Paulo. Apesar de plenamente identificado, sendo sua morte inclusive noticiada pela imprensa através de nota oficial dos órgãos de segurança, o corpo de José Milton foi enterrado sob nome falso de Hélio José da Silva no Cemitério Dom Bosco, em Perús, São Paulo. O laudo necroscópico, com nome falso foi assinado pelos médicos legistas Antônio Dácio Franco do Amaral e José Henrique da Fonseca que confirmam a morte em tiroteio nas Ruas Tácito de Almeida com Cardoso de Almeida, em São Paulo. ================================================================================================== + Detalhes. Programa Surgente - Anos de Chumbo Programa Reporter Surgente produzido pelo Sindicato dos Petroleiros do Rio de janeiro e transmitido pela TV Comunitária do Rio de Janeiro, canal 6 da Net, traz nesta edição o lançamento do filme A Grande Partida - Anos de Chumbo de Francisco Soriano no Fórum Mundial Social no Rio de Janeiro. ======================================================================================================= + Detalhes. A Grande Partida:Anos de Chumbo ... acontecimentos épicos estivessem se desenvolvendo diante de nossos olhos, neste momento da leitura: é o caso dramático do sargento José Milton Barbosa. ... www.noentorno.com/agrandepartidaanosdechumbo/.../171 - ================================================================================================== + Informções. sé Milton Barbosa Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu, em 22 de outubro de 1939, em Bonito, Pernambuco, filho de Maria das Dores de Paulo. Era Sargento radiotelegrafista do Exército, formado pela Escola de sargento das Armas, sendo cassado em 1964, com o golpe militar. Até fevereiro de 1969, era funcionário da SUNAB. Em 1967, ingressou no curso de Economia da antiga UEG, atual UERJ, estudando até o 3º ano, quando por suas atividades políticas, foi forçado a entrar na clandestinidade, em 1969. Foi militante do PCB, do PCBR, do MR-8 e, por fim, da ALN, da qual se tornou dirigente regional. Condenado, à revelia, pela 1ª Auditoria do Exército, em 14 de abril de 1972, à prisão perpétua. Pena esta que, em 30 de agosto de 1972 (quando já estava morto), caiu para 20 anos de reclusão. Teve seus direitos políticos cassados por 10 anos. Também foi condenado pela 2ª Auditoria da Aeronáutica - 1ª CJM à pena de 12 anos de reclusão. Assassinado em 5 de dezembro de 1971, pela repressão política no bairro do Sumaré, em São Paulo. Apesar de plenamente identificado, sendo sua morte inclusive noticiada pela imprensa através de nota oficial dos órgãos de segurança, o corpo de José Milton foi enterrado sob nome falso de Hélio José da Silva no Cemitério Dom Bosco, em Perús, São Paulo. O laudo necroscópico, com nome falso foi assinado pelos médicos legistas Antônio Dácio Franco do Amaral e José Henrique da Fonseca que confirmam a morte em tiroteio nas Ruas Tácito de Almeida com Cardoso de Almeida, em São Paulo. Perus abrigou cadáveres sem identificação Folha de São Paulo, 25 de maio de 2003 DA SUCURSAL DO RIO Construído no começo dos anos 1970, o cemitério de Perus foi depósito de cadáveres sem identificação (alguns de vítimas do esquadrão da morte), de ativistas de esquerda e indigentes. Desde o final daquela década as famílias começaram a descobrir os restos de militantes políticos enterrados no local, conforme o livro "Mortos e Desaparecidos Políticos: Reparação ou Impunidade?" (Humanitas, 2000), da historiadora Janaína Teles. Em 1990, foi descoberta uma vala clandestina. Em 1992, as famílias supuseram ter encontrado os restos de Torigoe e de outro militante, Luiz José da Cunha (neste caso não há confirmação). As ossadas -1.049 da vala e algumas dos anos seguintes- foram levadas para a Unicamp, a fim de identificar quais seriam de desaparecidos políticos. Na universidade, passaram boa parte do tempo armazenadas sem os devidos cuidados técnicos, com sacos abertos e restos de móveis jogados por cima. Em 2000, a pedido das famílias, foram transferidas para a USP, cujo Departamento de Medicina Legal as está analisando, sob a coordenação do professor Daniel Muñoz. Mais corpos As famílias dos mortos estimam que, além dos restos de Hiroaki Torigoe, ainda estão em Perus, com certeza, os de Luiz Hirata e de José Milton Barbosa. "Deve haver mais", diz Suzana Lisboa, cujo corpo do marido, o guerrilheiro Luiz Eurico Lisboa, foi desenterrado nos anos 1980 no cemitério paulistano. Suspeita-se que nas ossadas recolhidas na vala estejam as de Flávio Molina, Dimas Casemiro, Francisco José de Oliveira e Grenaldo de Jesus da Silva. Se não estiverem na USP, estão no cemitério, cujos livros registram que lá foram enterradas na vala. Os restos de cinco mortos (dois deles da vala) foram identificados nos anos 1990. Antes, pelo menos seis, todos de covas individuais. (MM) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110618/0a656faa/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6086 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110618/0a656faa/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 8580 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110618/0a656faa/attachment-0002.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 1344 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110618/0a656faa/attachment-0003.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110618/0a656faa/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 18 16:26:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 18 Jun 2011 16:26:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Solicitamos_divulga=E7=E3o_da_car?= =?iso-8859-1?q?ta_abaixo_assinada_por=2C_Anivaldo_Padilha=2C_Marce?= =?iso-8859-1?q?lo_Zelic=2C_Roberto_Monte_e_Vicente_Roig_=2E=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E?= Message-ID: <4FE5B4898B884D31A15A0D2C5170BD34@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Solicitamos divulgação da carta abaixo assinada por, Anivaldo Padilha, Marcelo Zelic, Roberto Monte e Vicente Roig e publicada no site Conversa Afiada. Contamos com o apoio. Abraços Marcelo Zelic Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo Coordenador do Projeto Armazém Memória imagem: Genizah Hermes Fernandes CUMPRA-SE A SENTENÇA INTEIRA Por Anivaldo Padilha, Marcelo Zelic, Roberto Monte e Vicente Roig * O estado brasileiro publicou no site da Secretaria de Direitos Humanos comunicado informando que efetuou a publicação no Diário Oficial e no jornal O Globo dia 15/06 da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre o caso Julia Gomes Lund e outros. Diz a nota da Ministra: "Publicar o resumo dessa sentença é parte do cumprimento do Estado brasileiro em relação ao que foi decidido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso da Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Dentre os aspectos emblemáticos da sentença destaca-se a necessidade de continuar as buscas para identificar e entregar os restos mortais dos desaparecidos políticos aos seus familiares; oferecer tratamento médico, psicológico e psiquiátrico para as vítimas que requeiram e, sistematizar as informações sobre a Guerrilha e demais violações ocorridas durante o regime militar no Brasil." De fato, é parte do cumprimento da sentença dar ciência à população brasileira dos termos da condenação do Brasil pelos fatos ocorridos na Guerrilha do Araguaia, cumprir o prazo de divulgação, mesmo que no último dia, sinaliza desejo de cumprimento, mas destacar como emblemático somente as buscas aos desaparecidos, é reduzir a abrangência da condenação que o Brasil sofreu na Corte. É necessário que o país cumpra a sentença INTEIRA. A apuração dos fatos e a responsabilização dos culpados pelos assassinatos, torturas e desaparecimentos forçados, entendidos na jusrisprudência da Corte Interamericana como crimes de lesa-humanidade, TAMBÉM TEM DE SER cumprida pelo Estado. Estamos no meio do ano e para cumprir a sentença é preciso remover os obstáculos que impedem a apuração e a responsabilização dos autores destes crimes julgados na Corte, ou seja, reorientar o judiciário brasileiro sobre a interpretação da Lei de Anistia, possibilitando aos atingidos e ao Ministério Público Federal abrirem processos e para isso a posição da AGU vai na contra-mão das intenções sinalizadas pela Ministra Maria do Rosário em seu comunicado. No capítulo XI da sentença, que trata sobre as reparações esperadas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, temos que o estado Brasileiro tem a obrigação de investigar os fatos e se for o caso punir. Desta forma o posicionamento da AGU reafirmando a prevalência da decisão do STF frente aos tratados internacionais, incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro, é uma afronta à Corte e aos cidadãos brasileiros. Não se cumprem sentenças condenatórias pela metade, não se escolhe o que cumprir e o que não cumprir de uma condenação. PELO RESPEITO AOS TRATADOS INTERNACIONAIS PRESENTES EM NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO. PELA REVISÃO DA DECISÃO DA ADPF 153 PELO STF. PELA ALTERAÇÃO DA LEI DE ANISTIA E APROVAÇÃO DO PL DA DEPUTADA FEDERAL LUIZA ERUNDINA. PELO FIM DO SIGILO ETERNO. O não cumprimento integral da sentença, diminue o esforço pela criação da Comissão da Verdade. Discutirmos sua criação e silenciarmos frente a revisão da ADPF 153 traz insegurança jurídica para o avanço dos direitos humanos no Brasil e nega-se a justiça. Sabemos do compromisso da Ministra Maria do Rosário com o direito à verdade e a justiça, mas é impensável para os defensores de direitos humanos que o Governo de nossa presidenta Dilma Rousseff insista em remar contra a corrente da evolução dos direitos humanos e da luta contra os crimes de lesa-humanidade no continente e procure esconder em baixo do tapete a impunidade que tanto tem prejudicado nosso país ! Para os que desejarem consultar os termos da condenação do Brasil vejam a partir das páginas apontadas abaixo. XI. REPARAÇÕES 245 A. Parte Lesionada 251 B. Obrigações de investigar os fatos, julgar e, se for o caso, punir os responsáveis, e de determinar o paradeiro das vítimas 253 C. Outras medidas de reabilitação, satisfação e garantias de não repetição 264 D. Indenizações, custas e gastos 298 Leia aqui a íntegra da sentença: http://www.direitoshumanos.gov.br/sobre/sistemasint/lund.pdf Abraços * Anivaldo Padilha Ex-preso político Membro da Igreja Metodista e associado de KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço Marcelo Zelic Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo Coordenador do Projeto Armazém Memória Roberto Monte Coordenador da Rede de Direitos Humanos e Cultura - DHNet Coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular do Rio Grande do Norte Vicente Roig Advogado Ex-preso político Vice-Presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo Secretário Geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/06/17/presidenta-o-pai-do-padilha-fez-o-gurgel-tremer-anistiar-quem/ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110618/686dd8e1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 41237 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110618/686dd8e1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 19 13:03:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 19 Jun 2011 13:03:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__JO=C3O_BOSCO_PENIDO_BURNIER_=28padre?= =?iso-8859-1?q?=29__________________________________-CLXX-?= Message-ID: <646C5F5BF36442AE805ED960455B4160@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOÃO BOSCO PENIDO BURNIER (1917 - 1976) Data e local de nascimento: 11/06/1917, Juiz de Fora (MG) Filiação: Maria Cândida Penido Burnier e Henrique Burnier Organização política ou atividade: religioso Data e local da morte: 12/10/1976, Ribeirão Cascalheira (MT)/Goiânia (GO) Missionário jesuíta, o padre João Bosco foi mortalmente ferido por um soldado da Polícia Militar em Ribeirão Bonito, hoje Ribeirão Cascalheira (MT), em 11/10/1976, falecendo no dia seguinte num hospital de Goiânia, onde já foi internado com morte cerebral. Foi baleado quando se encontrava ao lado de Dom Pedro Casaldáliga, bispo da prelazia de São Felix do Araguaia, odiado pelos órgãos de segurança e por altas autoridades do regime militar devido a suas corajosas denúncias em defesa dos posseiros e índios da região. O padre João Bosco era membro de uma tradicional família de Juiz de Fora (MG) e tinha laços de parentesco com uma das figuras mais truculentas do aparelho de repressão, o brigadeiro João Paulo Penido Burnier, apontado como responsável pela morte sob torturas de vários presos políticos. Quando jovem, o projeto do padre João Bosco era seguir para o Japão. Em 1945, foi estudar em Roma para concluir o mestrado em Filosofia e Teologia na Universidade Gregoriana. Depois de seus estudos na Itália, serviu como Prepósito na Vice-Província Goiano-Mineira dos Jesuítas. De 1959 a 1965, respondeu pelos cargos de mestre de noviços e diretor espiritual dos juniores. Os anos de sua vida madura foram dedicados à Missão de Diamantino, no Mato Grosso. Trabalhou junto aos índios Beiços-de-pau e Bakairi, chegando a aprender sua língua, e também junto aos Merure e Bororo. Vários anos depois de sua morte, esses povos indígenas continuavam a considerá-lo um santo. O padre era uma pessoa de comportamento reservado, de poucas palavras. Não falava de si e nem de suas experiências pessoais com facilidade. Era extremamente disponível e dava atenção a todos. Era considerado no meio religioso uma pessoa que praticava integralmente os preceitos de pobreza evangélica. Tomava as conduções mais baratas, esperava às margens das estradas, pedia carona, até mesmo descansava ao relento à espera de uma condução que o pudesse levar. Quando assassinado, Padre Burnier era missionário da Prelazia de Diamantino e desempenhava a função de coordenador regional do CIMI - Conselho Indigenista Missionário. É do próprio Dom Pedro Casaldáliga a descrição detalhada do episódio que resultou na morte do jesuíta, transcorrido num lugarejo cuja população não atingia dois mil habitantes: "...quando chegamos a Ribeirão logo nos sentimos atingidos por um certo clima de terror que pairava sobre o lugar e as redondezas. A Morte do cabo Félix (...), muito conhecido pelas suas arbitrariedades e até crimes (...) trouxe ao lugar um grande contingente de policiais e com eles a| repressão arbitrária e até a tortura (...) Duas mulheres estavam sofrendo na delegacia torturas - um dia sem comer e beber, de joelhos, braços abertos, agulhas na garganta e sob as unhas (...) Era Margarida Barbosa, irmã de Jovino (que matara o cabo Félix por ter aprisionado os filhos dele). E Santana, esposa de Paulo, filho de Jovino, violentada por vários soldados apesar de estar de resguardo (...) Eram mais de 18h e os gritos delas se ouviam da rua. 'Não me batam'. Resolvi ir à delegacia interceder por elas. O padre João Bosco, que estava lendo e rezando (...), fez questão de me acompanhar (...) Quando chegávamos no terreno da pequena delegacia local, cercada por arame (...) os quatro policiais nos esperavam enfileirados, em atitude agressiva. Entramos pela cerca de arame que ia ser também cerca de morte. Eu me apresentei como bispo de São Felix, dando a mão aos soldados. O padre João Bosco também se apresentou. E tiveram aquele diálogo de talvez três ou cinco minutos; com insultos e ameaças até de morte por parte deles. Quando o padre João Bosco disse aos policiais que denunciaria aos superiores dos mesmos as arbitrariedades que vinha praticando, o soldado Ezy Ramalho Feitosa pulou até ele, dando-lhe uma bofetada fortíssima no rosto. Tentei cortar o impossível diálogo: 'João Bosco, vamos (...)' O soldado descarregou no rosto do padre um golpe de revólver, e em um segundo gesto, fulminante, o tiro fatal, no crânio". Seu enterro foi no dia 14/10/1976, em Diamantino, acompanhado por duas mil pessoas, além de uma caravana com 45 carros. No mesmo dia do atentado, a população de Ribeirão Cascalheira tinha destruído e incendiado a delegacia. Na CEMDP, o relator do processo, deputado Nilmário Miranda, propôs o deferimento do caso com o seguinte arrazoado: "o fato de estar acompanhado por Dom Pedro Casaldáliga, considerado inimigo pelos governos militares, que tentaram expulsá-lo do País, é relevante. Naquele mesmo ano, no dia 22 de setembro, quando agentes policiais militares seqüestraram Dom Adriano, Bispo de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, testemunhas oculares informaram Dom Pedro Casaldáliga da tentativa de matá-lo em São Félix do Araguaia. Segundo Dom Pedro Casaldáliga: 'Queriam, os inimigos do povo, dar uma 'lição' à Igreja do Povo, simultaneamente na cidade e no campo?" No entanto, foi acompanhado em seu voto apenas por Suzana Lisbôa, prevalecendo por 5 a 2, entre os membros da Comissão Especial, a interpretação de que caberia ação judicial responsabilizando as autoridades estaduais de Mato Grosso, e não a União. O padre José Coelho de Souza escreveu um livro, O sangue pela Justiça, em que reconstitui através de documentos e depoimentos a vida e martírio de João Bosco. No local em que o jesuíta agonizou, aguardando transporte para atendimento médico em Goiânia, foi erguida uma capela que até hoje é permanentemente visitada por amigos, religiosos e romeiros. Em julho de 2006, celebrando os 30 anos da morte do padre, foi realizada em Ribeirão Cascalheira, com a presença de Dom Casaldáliga e de outras lideranças religiosas, bem como da Pastoral da Terra e do CIMI, somando mais de 4.000 pessoas, uma Romaria dos Mártires da Caminhada. =============================================================================================================== + Informações. JOÃO BOSCO PENIDO BURNIER (PADRE) Foi fuzilado no dia 15 de outubro de 1976, quando realizava uma visita à cadeia pública de Ribeirão Bonito, em Mato Grosso, em companhia de vários padres e de D. Pedro Casaldáliga. Tal visita era em função de denúncias de que naquela cadeia se encontravam paroquianos que estariam sendo torturados. Assim que chegaram, os padres foram recebidos à bala pelos policiais, duas das quais atingiram mortalmente o crânio do Padre Burnier. ========================================================================================== + Informações. Estado Brasileiro reconhece morte do padre Burnier como crime político Notícias do Mato Grosso do Sul e do Brasil (Arquidiocese de Campo Grande) O Estado brasileiro reconheceu, com 33 anos de atraso, que um sacerdote jesuíta assassinado em 1976 por um policial foi vítima de um crime político. Trata-se do Padre João Bosco Penido Burnier, baleado na nuca por um policial em outubro de 1976 quando defendia duas mulheres que eram torturadas em uma delegacia de Ribeirão Cascalheira (MT), em plena ditadura militar (1964-1985). Burnier estava na delegacia ao lado do hoje bispo emérito da cidade de São Félix do Araguaia (MT), o espanhol Dom Pedro Casaldáliga, que escreveu um livro no qual trata o jesuíta como um mártir. A ata na qual a Comissão Especial para os Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça reconhece que Burnier foi uma das vítimas do regime militar foi publicada no "Diário Oficial da União". Segundo a Comissão, o sacerdote "morreu por causas não naturais em dependências policiais por ter participado ou ter sido acusado de participação em atividades políticas". O policial que atirou no padre nunca foi processado porque o regime considerou o fato um acidente. Segundo Dom Casaldáliga, testemunha do homicídio, quando ambos chegaram à delegacia para defender as mulheres que eram torturadas, Burnier teve uma grande discussão com os policiais e ameaçou denunciá-los na Justiça antes de ser agredido, golpeado na cabeça com um revólver e assassinado com um tiro na nuca. O bispo emérito relata em um de seus livros que, após a missa de sétimo dia pela morte do padre, a população de Ribeirão Cascalheira foi em procissão até a delegacia, arrombou as portas e as grades e libertou os presos. No local, foi construída posteriormente uma igreja, apesar da oposição da Polícia. Além do livro "Martírio do padre João Bosco Penido Burnier" de Dom Casaldáliga, o também jesuíta Pe. Pedro Américo Maia escreveu a obra "Mártir pela justiça" também sobre a vida do jesuíta assassinado. Hoje Burnier é nome de uma ONG em defesa dos direitos humanos e de escolas em Minas Gerais e Mato Grosso. O sacerdote, nascido em 11 de junho de 1917 na cidade de Juiz de Fora, foi o quinto de nove irmãos, dois dos quais também se dedicaram à vida religiosa, entre eles Vicente Burnier, que foi o primeiro sacerdote surdo do Brasil. O jesuíta, que se formou em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, onde foi ordenado padre em 1946, se destacou por sua atuação no país em defesa dos índios e foi um dos membros do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nos últimos anos de vida, Burnier trabalhou como missionário em Diamantino (MT), onde cuidava de membros das etnias Bakairi e Xavante, cujas línguas ele conhecia e falava. (BF) ==================================================================================================== + Detalhes. Oggi il calendario ci porta la memoria di un buon numero di quei discepoli fedeli: padre João Bosco Penido Burnier e Tutti i Martiri dell'America Latina. Era la sera dell'11 ottobre 1976. Due contadine, Margarida e Santana, erano sotto tortura nella prigione del presidio di polizia di Ribeirão Bonito, nel Mato Grosso, località del latifondo prepotente, del bracciantato semischiavo, della brutalità poliziesca. La Comunità celebrava l'ultimo giorno della novena della patrona, N.S. Aparecida. E, in quel giorno erano arrivati in paese il vescovo, dom Pedro Casaldáliga e padre João Bosco Penido Burnier, un gesuita missionario tra gli Indios Bakairi. Informati di quanto stava succedendo, i due si recarono al commissariato per intercedere a favore delle due donne torturate. Quattro poliziotti li aspettavano sul posto. Solo un accenno di dialogo: Sapete che non potete fare questo. Dovete smetterla. Come tutta risposta, uno degli agenti colpì il p. João Bosco prima con un pugno, poi con il calcio della pistola infine gli sparò. Durante l'agonia che seguì, il prete riuscì a sussurrare: Offro la mia vita per il CIMI (Consiglio Indigenista Missionario) e per il Brasile. Poi invocò il nome di Gesù, ripetutamente, e ricevette l'unzione degli infermi. Fu trasportato a Goiânia e morì il giorno dopo, festa della Vergine Aparecida, coronando così con il martirio una vita santa. Le sue ultime parole furono le stesse del maestro: "Abbiamo compiuto la nostra missione". In questo giorno le Comunità cristiane dell'America Latina uniscono alla celebrazione del martirio di p. João Bosco, la memoria di tutti i martiri del nostro continente. Memoria di uomini, donne e perfino di bambini, di differenti razze, fedi e culture, assassinati per il solo fatto di lottare per un mondo più giusto e fraterno, per affermare i diritti degli indigeni, dei negri, delle minoranze, dei lavoratori, contro la violenza e la tortura, per la riforma agraria, la protezione dell'ambiente e la pace. http://giornoxgiorno.myblog.it/tag/pedro+casald%C3%A1lig ========================================================================================================== + Detalhes. Martírio do Pe. João Bosco Penido Burnier livros No itinerário exterior da vida do Pe. João Bosco Burnier nada faria pensar que ele teria um destino de "mártir": testemunho de uma vida "dada" em prol dos outros e selado com o derramamento do próprio sangue. Quem poderia imaginar a virada que supôs na sua vida a partida, em 1966, para a "missão" na Prelazia de Diamantina? Tanto a sua formação como as funções que desempenhou na Companhia de Jesus pareciam indicar que a sua vida de jesuíta seguiria outros derroteiros. Categoria: Religião Autor: Pedro Casaldaliga Editora: Loyola Edição: 1a Acabamento: Brochura Formato: Médio ISBN: 8515032384 Páginas: 39 ==================================================================================== + Detalhes. Romaria dos Mártires da Caminhada -Araguaia lembra morte de religioso 30 anos do assassinato do padre João Bosco Burnier A Romaria dos Mártires da Caminhada celebra 30 anos do assassinato do padre João Bosco Burnier, uma história passada de geração em geração É véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, 11 de outubro de 1976. Na delegacia da vila de Ribeirão Bonito (hoje o município de Ribeirão Cascalheira, 877 quilômetros a noroeste de Cuiabá), duas sitiantes, Margarida e Santana, estão presas e sofrem torturas. Seus gritos ecoam pelos casebres da vizinhança. "Todo mundo estava morrendo de medo. Eu mesma nem ousava sair de casa. Era uma época de repressão muito feia e a nossa região estava fervendo com os conflitos de terra", relembra a aposentada Lídia Rodrigues Valadares, hoje com 59 anos. "Foi quando chegaram o bispo Pedro e o padre João". Vindos de um encontro indigenista na área dos Tapirapés, o bispo de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, e o padre jesuíta João Bosco Penido Burnier, coordenador-regional do Conselho Indigenista Missionário (CIMI/MT), desembarcam no povoado com a intenção de participar da festa em homenagem à padroeira. Informados da situação, seguem direto à delegacia para interceder pelas mulheres. Santana e Margarida são respectivamente a nora e a irmã de um sitiante que, na defesa do próprio filho, atirou e matou um soldado da região. "O soldado tinha prometido matar o filho dele. Quando foi à fazenda cumprir a promessa, o velho já estava esperando e atirou. No dia seguinte, um grupo de dez militares veio atrás". Como não encontraram o autor do disparo, levaram presas as duas mulheres e iniciaram uma sessão de tortura para forçá-las a revelar seu paradeiro. "Elas foram forçadas a ajoelhar no milho, em tampas de garrafa, tiveram as unhas e o bico dos seios furado com agulha", relata outra testemunha do episódio, Eva Domingues da Rocha. Ao chegar à delegacia, Casaldáliga e Burnier encontram quatro soldados de prontidão. Eva, que mora nas proximidades do local, é capaz de ouvir quando o padre avisa aos militares que a situação será denunciada às autoridades em Cuiabá. A advertência, porém, não surte efeito algum. Em vez disso, os policiais se mostram cada vez mais tensos e passam a chamar os religiosos de comunistas e subversivos. Dentre eles, quem decide tomar a iniciativa é o soldado Ezy Ramalho Feitosa, que ataca Burnier com um soco e, em seguida, desfere uma coronhada que o lança ao chão. Depois, um tiro na cabeça. "Ouvimos tudo, sem poder mostrar reação", lamenta o marido de Eva, José Carlos da Rocha, um dos primeiros a socorrer o padre em agonia. "Foi como se todo o povoado tivesse parado no tempo, sem saber para onde ir". A partir daí, o que se seguiu foi uma tentativa desesperada de salvar a vida do missionário. Atendido em condições precárias no próprio povoado, o padre foi levado em um avião monomotor até o Instituto Neurológico de Goiânia (GO), onde morreu, no dia seguinte. Responsável pelo despertar, sete dias depois, de uma pequena revolução naquele distante povoado do Araguaia (ver matéria), a morte de Burnier ainda hoje é um dos mais fortes símbolos da luta travada entre os grandes grupos econômicos apoiados pela ditadura militar e os milhares de peões, índios e posseiros que insistiam em ficar e construir na região o seu futuro. Simboliza também o destino de tantos outros que, no mais das vezes de forma anônima, perderam a vida em favor de quem menos podia. Desde a sexta-feira, no mesmo local onde Burnier foi assassinado, estes mártires são lembrados por milhares de romeiros, vindos de todas as partes de Mato Grosso, de vários estados do Brasil e até do exterior (ver matéria). A Romaria dos Mártires da Caminhada - realizada em julho para facilitar a participação dos visitantes - tem o mesmo Casaldáliga, hoje bispo aposentado, como protagonista. Na sexta-feira, crianças da cidade apresentaram uma peça teatral que reconstituiu o episódio trágico ocorrido há três décadas. "Essa é uma história passada de geração em geração em Ribeirão Cascalheira", explica o padre Laudimiro Borges Mirim, que desde fevereiro está na cidade para organizar a romaria. "É a própria população que insiste em mantê-la viva. Trata-se de um momento de libertação do município". Quem faz o mártir é a causa e não o carrasco, diz bispo Estar disposto a doar a vida inteira a uma causa, a cada novo dia. Estar pronto a doá-la de uma só vez, se for preciso. O martírio, na visão do bispo aposentado de São Félix do Araguaia, Pedro Casaldáliga, não representa um fim em si próprio ou o resultado de um acontecimento isolado. "O martírio é o último ato de uma vida doada. Não é heroísmo ou reação pontual a uma adversidade. Santo Agostinho dizia que não é o carrasco que faz o mártir, ele faz apenas um cadáver. Quem faz o mártir é a causa, a razão de ser da vida", disse ele. Em Ribeirão Cascalheira desde a última sexta-feira, Casaldáliga viveu neste final de semana sua primeira Romaria dos Mártires - esta já é a quarta edição - longe do comando da Prelazia. Ao ser questionado sobre o que sente, o bispo chega a adotar um tom de despedida. "Estou feliz com a continuidade e pronto para o que vier. Como a próxima romaria é daqui a cinco anos, é muito provável que esta seja mesmo a última", diz, sem baixar os olhos. "O importante é que esta continue a ser uma romaria diferente, não apenas piedosa, emotiva, mas a expressão de uma fé comprometida e militante". Compromisso e militância, segundo ele, compõem o legado do mártir que simboliza a romaria. "O padre João Bosco Burnier morreu pelas causas da justiça e de liberdade. Queria libertar aquelas mulheres, queria o fim da violência e dispôs a arriscar a vida em nome disso", avalia. Casaldáliga não descarta a hipótese de que o missionário tenha morrido em seu lugar. A situação era tensa, sua fama era bastante conhecida e na delegacia havia dois novos soldados - um deles, Ezy Ramalho Feitosa. "Muito provavelmente, o soldado achou que o bispo era o padre João". Entre as marcas daquele 11 de outubro, ficaram gravadas para sempre as últimas palavras do padre em agonia. "Ele me disse: 'Dom Pedro, terminamos a nossa tarefa'. Eu entendi que minha reação, em vez de sofrimento, tinha de ser de um compromisso ainda maior com aquela causa". Além de Burnier, Casaldáliga diz que a romaria presta homenagem a outros mártires da América Latina. (RV) Antigos moradores recordam histórias de medo na época Quase todos os antigos moradores de Ribeirão Cascalheira têm histórias de repressão e medo para contar. A maior parte delas, ocorridas durante o período que antecedeu o assassinato do padre João Bosco Penido Burnier. "Quem tentava fazer alguma coisa a favor dos pequenos, era logo chamado de inimigo da revolução. Ficava marcado", conta a aposentada Lídia Valadares. "Depois do que aconteceu aqui em 1976, tudo mudou. Parece que o padre tinha de morrer para libertar a gente". Ela conta que o povoado ficou indignado com o que havia acontecido. Parecia, porém, que toda a raiva seria digerida com o tempo, como já ocorrera em tantas outras oportunidades. Mas daquela vez seria muito diferente. No sétimo dia do assassinato, a multidão reunida para lembrar o missionário percebeu que, daquele modo, tinha força para reagir. Em massa, seguiu em direção à delegacia, destruiu o prédio por completo e fixou no local uma cruz com a inscrição: "Aqui no 11/10/76 foi assassinado por soldado P.M. o Pe. João B. defendendo a liberdade". A partir daquele dia, todo grupo militar que chegava à região era motivo de uma assembléia de moradores. "Eles passaram a ter medo do povo daqui. E nunca mais aconteceu outro episódio como aquele". (RV) Muitos acreditam que alvo, na verdade, era Casaldáliga Do Enviado a Ribeirão Cascalheira "Pedro é que era o alvo. Naquele tempo, ele já tinha recebido muitas ameaças de morte. Só que ele era muito magrinho, mirrado e se vestia de um jeito simples. Nem parecia bispo. O padre João Bosco era muito maior e andava mais alinhado", acredita Eva da Rocha. O padre Laudimiro Borges Mirim também dá crédito a essa hipótese. Segundo ele, o soldado que assassinou Burnier morava há pouco tempo na região e, embora já tivesse ouvido muitas histórias sobre o bispo de São Félix, nunca o vira pessoalmente. "Quando viu a dupla de religiosos chegando à delegacia, o soldado não imaginou que aquele senhor de chinelos fosse o bispo. Por isso é bem provável que o tiro que matou o padre Burnier na verdade estava endereçado a Casaldáliga", aponta. Mirim conta que, durante a viagem no avião que levou o padre ferido a Goiânia, o piloto relatou ter ouvido uma conversa entre dois fazendeiros no dia anterior. "Durante o vôo, eles vieram combinando a morte de Pedro". Detido por alguns dias, o soldado da Polícia Militar Ezy Ramalho Feitosa foi expulso da corporação e, em pouco tempo, ganhou a liberdade. Margarida e Santana, que deixaram a prisão muito feridas, decidiram abandonar a cidade. (RV) ================================================================================================== + Detalhes. João Bosco Burnier morreu tentando defender mulheres Da Reportagem O padre jesuíta João Bosco Penido Burnier trabalhava com os índios bakairis, na então Prelazia de Diamantino. A Convite do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em outubro de 1976, foi a São Félix do Araguaia participar de uma reunião. No dia 11 do mesmo mês, Burnier deixou São Félix para retornar ao seu trabalho. Viajou de carona com o bispo da prelazia local, dom Pedro Casaldáliga, que celebraria missa em Ribeirão Cascalheira (900 quilômetros a nordeste de Cuiabá), no feriado de 12 de outubro. Quando o bispo e o padre chegaram a Ribeirão Cascalheira, foram informados que duas mulheres estariam sendo torturadas na delegacia local para que denunciassem o paradeiro de um parente que dias antes matara um policial. Dom Pedro Casaldáliga e Burnier partiram em defesa das mulheres. O padre teria advertido o soldado da Polícia Militar, Ezy Ramalho Feitosa, que integrava a guarda que vigiava a delegacia, que o denunciaria a seus superiores, em Cuiabá, por tortura. A resposta do PM foi imediata e irracional: esbofeteou o sacerdote, desferiu uma coronhada de revólver em seu rosto, para em seguida disparar um tiro certeiro em sua face. Burnier perdeu massa encefálica e caiu mortalmente ferido. Foi socorrido por médicos da prelazia, ainda em Ribeirão Cascalheira e, posteriormente, removido de avião para o Instituto Neurológico de Goiânia (GO), onde morreu no dia 12. O PM Ezy foi expulso da corporação, esteve detido por alguns dias e posteriormente foi posto em liberdade. Burnier era mineiro de Juiz de Fora e foi ordenado em Roma. Para o bispo Pedro Casaldáliga, o policial matou o padre por engano. O tiro deveria ser disparado contra o próprio Casaldáliga. "Ele pensava que o bispo era o João Bosco Burnier, porque não conhecia as pessoas da região, onde havia chegado poucos dias antes". Dom Pedro guarda detalhes do crime na lembrança. Ele diz que Burnier foi executado quando se preparava para deixar as imediações da delegacia. (EG) LEIA TAMBÉM Maioria dos assassinatos de religiosos permanece impune João Bosco Burnier morreu tentando defender mulheres ================================================================================================= + Detalhes. Revista "MUNDO e MISSÃO" Testemunhos da Vida Missionária João Bosco BURNIER Giorgio Paleari Pe. João Bosco Penido Burnier nasceu no dia 11 de junho de 1917, em Juiz de Fora, MG. Na tarde de 11 de outubro de 1976, foi baleado, em Ribeirão Cascalheira, MT, por tomar a defesa de duas mulheres presas. Faleceu no dia 12 de outubro, em Goiânia, GO. É do relato de dom Pedro Casaldáliga que aprendemos os particulares do martírio de Burnier: "João Bosco estava comigo, vínhamos de um encontro indigenista na aldeia dos tapirapés, e ele quis me acompanhar a Ribeirão Cascalheira, onde íamos celebrar a festa da padroeira. Era 11 de outubro. Diante da cadeia, e delegacia, onde as duas mulheres estavam sendo torturadas, havia a polícia e um caititu bravo que devia despedaçar as duas mulheres. Eu falei: 'Nós vimos aqui simplesmente porque tem duas mulheres que estão sendo torturadas'. Conversamos com eles uns três minutos, só três. O soldado Ezy Ramalho Feitosa deu um soco no pobre João Bosco, uma coronhada e um tiro da bala dundum. Os últimos momentos da vida de Burnier foram uma agonia de santo". Pe. Burnier podia voltar o mais rapidamente possível para a sua aldeia. Os índios estavam esperando por ele. Não! Quando soube das torturas, algo de muito mais forte o fez recorrer e interceder. O que leva um missionário a sacrificar e a doar completamente sua própria vida é somente o amor a Jesus Cristo e a paixão pelo seu Reino. Qualquer injustiça cometida contra as pessoas faz surgir a indignação, o grito profético e o braço estendido. O martírio de um cristão é compreendido somente à luz do sacrifício de Jesus, sua entrega total à vontade do Pai e sua defesa da dignidade humana, até o fim. Os mártires são como sementes que tornam fecunda a vida da Igreja. As comunidades cristãs revitalizam-se, amadurecem e tomam, com mais seriedade, o compromisso da doação. Pe. João Bosco, missionário jesuíta, quando jovem, queria ir para o Japão. Depois de seus estudos em Roma, serviu como prepósito da Vice-Província Goiano-Mineira. De 1959 a 1965, respondeu pelos cargos de mestre de noviços e diretor espiritual dos juniores. Os anos de sua vida madura foram dedicados à Missão de Diamantino, MT. Serviu aos beiços-de-pau e bacairis. Vários anos depois de sua morte, os povos indígenas, entre os quais vivia, continuavam a considerá-lo um santo. De poucas palavras, Burnier era reservado. Não falava de si e de suas experiências pessoais com facilidade. Extre-mamente disponível, dava atenção a todos. A vida não era algo a que se agarrar, mas um dom que devia ser ofere-cido. A morte violenta foi o coroamento de uma vida que não lhe pertencia mais. Vida doada não é vida perdi-da, mas vida enaltecida e realizada. Contam seus amigos que, desde jovem, dava atenção a todos sem fazer distinção de pessoas. O idoso irmão Nicolau Ritter, preso numa cadeira de rodas, e o menino paraplégico, Ataíde, podem testemunhá-lo. Eu mesmo, recém-chegado ao Brasil, num encontro de lideranças indígenas na cidade de Aquidauana, MS, testemunhei seu silêncio e suas poucas palavras, mas também seu profundo compromisso com a causa indígena. Aprendeu, nas reuniões, o fato de ser "um igual" entre os demais. Nada de protagonismo, mas profundamente exigente consigo mesmo e definido nas decisões. Passou a participar da coordenação regional do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e, com muita ponderação e firmeza, fez da justiça e da verdade os objetivos de seu caminho. "Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, não pode dar fruto". xcxcxcxcxcxxcxcxc Jesus Cristo Vivia uma grande pobreza evangélica. Tomava as conduções mais baratas, esperava às margens das estradas, pedia carona, até mesmo descansava ao relento à espera de uma condução que o pudes-se carregar. Às vezes engatava uma viagem de ônibus na outra, sem descanso. O Cristo pobre e humilde era seu exemplo de vida. Para um missionário que cai tombado pelo Reino, outros vão surgindo e continuando o caminho. A vida, ensina-nos pe. Burnier, tem um sentido quando não é centrada sobre si mesma, mas quando é doada. A VIDA não se abastece de vibrações emocionais e não fica encalhada no individualismo. Como Jesus Cristo, a vida deve ser doada numa total entrega ao Reino de Deus. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/2cf255cc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3936 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/2cf255cc/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6309 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/2cf255cc/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 40604 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/2cf255cc/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 19 13:03:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 19 Jun 2011 13:03:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Apresenta=E7=E3o_espetacular_da_?= =?iso-8859-1?q?m=FAsica_ALMA_LLANERA=2E_______=28e_veja_outras=29_?= =?iso-8859-1?q?_____________________________________HOJE_=C9_DOMIN?= =?iso-8859-1?q?GO!__M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: MALVINA LIRMAN Interpretado por la Orquesta y Coro españoles: Voces para la Paz "VOCES PARA LA PAZ" (MUSICOS SOLIDARIOS) CON EL CORO "ESPECIAL" DEL INSTITUTO DE SORDOMUDOS "PONCE DE LEON" DE MADRID http://www.youtube.com/watch?v=C4xVZl0GM_4 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/5fef84ae/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 19 13:03:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 19 Jun 2011 13:03:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Tempo_de_Resist=EAncia__=28o_film?= =?iso-8859-1?q?e_na_=EDntegra=29?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem a.. Play Tempo de Resistência Baseado no livro "Tempo de Resistência" de Leopoldo Paulino, o documentário homônimo é o mais completo sobre a luta do povo brasileiro contra a ditadura militar. A partir do depoimento de pessoas diretamente envolvidas na resistência à ditadura, e impactantes imagens de arquivos, Tempo de Resistência revela a História deste longo e nebuloso período, que se estendeu por 21 anos, resgatando a memória do nosso país. Embalado pelas músicas de Chico Buarque, Francis Hime e Geraldo Vandré entre outras, o filme revela todo o processo do golpe militar, desde o Comício das Reformas até o final da ditadura. Depoimentos, entre outros, de José Dirceu, Aloysio Nunes, Franklin Martins, Leopoldo Paulino, Denize Crispim, Vanderlei Caixe, Don Angélico Bernardino, Carlos Russo, são esclarecedores para que se possa compreender aquele momento da História do Brasil. A realização da obra foi possível graças ao apoio e patrocínio de pessoas físicas e jurídicas em atitudes daqueles que compreendem a importância de retratar a realidade brasileira e incentivar a cultura de nosso país, a extrema dedicação do diretor André Ristum e do produtor Edgard de Castro foram cruciais para a realização deste filme. Através do Projeto Tempo de Resistência, Leopoldo Paulino tem apresentado o documentário em escolas, e realizado debates sobre o tema atingindo milhares de estudantes em todo o país. fonte: http://www.tempoderesistencia.com.br/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/ce34bf16/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 11275 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/ce34bf16/attachment-0002.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 1344 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110619/ce34bf16/attachment-0003.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 20 20:20:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 20 Jun 2011 20:20:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?b?ICBBw6fDumNhciBuw6NvIMOpICJhbGltZW50?= =?utf-8?q?o=22____________________________________________________?= =?utf-8?q?_________________________HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!__MED?= =?utf-8?b?SUNJTkEsIFNBw5pERSBFIEFMSU1FTlRBw4fDg08h?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Olair Rafael Eterno Aprendiz Homeopatia-Pediatria-Med.Trabalho Sempre surgem pessoas perguntando: posso colocar açúcar no meu suco desintoxicante? Posso tomar o limão com açúcar? Posso usar mel? Posso usar adoçantes? Enfim, mesmo tendo como ponto de interesse a desintoxicação e um tratamento de saúde, as pessoas insistem em adoçar a sua grande oportunidade de cura. Vejamos o quanto de insano (não saudável) existe nesta necessidade. Até cerca de 300 anos atrás a humanidade não usava aditivos doces na sua dieta ordinária. Os povos antigos e civilizações passadas não conheciam este famoso aditivo doce. O mel era usado eventualmente, mais como remédio. Como remédio! Este processo histórico prova que o açúcar é desnecessário como alimento. Foi só a partir dos dois últimos séculos que o açúcar começou a ser produzido em larga escala e ser consumido de forma cada vez mais intensa. Cada vez mais purificado, o açúcar de cana (ou beterraba) se transformou em sacarose branca. Um pó branco. Hoje somos uma civilização consumidora de milhares de toneladas diárias de açúcar. O açúcar refinado é o resultado de um processamento físico-químico que extrai da garapa a sacarose purificada e anidra, usando e adicionando produtos químicos como clarificantes, antiumectantes e agentes de moagem. Aditivos químicos, sintéticos ... realmente necessita é de glicose, ou seja, o tijolo básico dos carboidratos. Mas essa glicose pode ser facilmente obtida a partir de uma alimentação balanceada, onde frutas, cereais integrais, legumes e hortaliças são consumidas diariamente. Ao contrário do que dietas como a do Dr. Atkins e a de South Beach preconizam (quando evitam o consumo de carboidratos), a glicose é o principal combustível de ser humano, portanto é muito importante para o seu pleno metabolismo, quando gera energia de crescimento, regeneração, movimento, pensamento e manutenção. Assim, consumida da forma correta, de fontes naturais, ... correto seria dizer que: "açúcar é uma injeção de glicose na veia, ou seja, superabundância de energia química concentrada. E aí reside o problema: açúcar refinado é sempre excesso de energia, acima das necessidades reais. E, uma vez ingerido, para onde vai este excesso? ? Depósito de gordura corporal nas vísceras, órgãos, sistemas... ? Maior demanda de energia metabólica (estresse metabólico) para contornar as desarmonias energéticas geradas; ? Envelhecimento precoce, pois a célula só usa o que necessita, todo o resto passa a ser um "estorvo" metabólico; ? Estímulo excessivo do pâncreas; ? Depressão do sistema imunológico, incluindo problemas como doenças repetitivas; ? Desmineralização orgânica, incluindo problemas de anemia, dentes e ossos; ? Subnutrição pela depressão de enzimas digestivas, portanto pobre aproveitamento e fixação de nutrientes e; ? Problemas digestivos, gases, constipações, etc. Ao se consumir um produto extremamente concentrado, isolado, será exigido do organismo uma compensação química. Ou seja, serão seqüestrados cálcio e magnésio do metabolismo e das reservas. Então, indiretamente, o açúcar "rouba" do organismo depósitos destes minerais, e esta carência de cálcio, magnésio e ferro aumenta quanto maior a ingestão de açúcar. Podemos afirmar então que o açúcar é descalcificante, desmineralizante, desvitaminizante, um agente de desarmonização metabólica. *Açúcar não é "alimento", *mas um "antinutriente". Lembarmos que no consagrado livro de Willian Dufty - Sugar Blues - ele considera o açúcar como uma "droga doce e viciante que dissolve os dentes e os ossos de toda uma civilização". E o pior, seus efeitos são como o de uma verdadeira droga, lentos, acumulativos e insidiosos, vão minando a saúde dia após dia, ano após ano. ... alimentação natural, sem aditivos doces, contém quantidades suficientes de glicose e energia. Não são necessários aditivos adoçantes nem açúcar. Já que o açúcar refinado existe e é impossível negar seus prazeres, vamos ao bom senso, à criatividade, ao adaptar-se? Nestes tempos de modernidade e high tech, ingerimos muito mais "energia" do que o necessário. Principalmente porque a humanidade está muito menos física, ao contrário, mais sedentária. E, como estamos falando de uma droga, quem consome *muito* açúcar torna-se um dependente orgânico, e quanto mais intoxicado, mais deseja açúcar, mais sedentário, porque tende a ter menos força física, emocional e mental. Grandes consumidores de açúcar geralmente são fracos, astênicos, e acreditam que não podem fazer nada sem consumir um pouco de doce. O Brasil, um dos maiores produtores de açúcar do mundo, tem um problema cultural, pois sua economia iniciou-se pelo cultivo da cana. Infelizmente, o brasileiro consome cerca de 200 gramas de açúcar/dia. Por extensão são cerca de 6 quilos/mês ou 72 quilos/ano. Portanto, a cada 13 anos a pessoa consome 1 tonelada de açúcar. Então um cidadão brasileiro de 40 anos já fez passar pelo seu organismo algo como 3 toneladas de açúcar. *Referência: "Relatório Orion" - Dr. Márcio Bontempo - L&PM Editores.* * * fonte: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=5055 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110620/4c96f4d1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 20 20:20:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 20 Jun 2011 20:20:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CARLOS_SCHIRMER______________________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CLXXI-?= Message-ID: <962F5D2807B64DCA9A021C5B94542173@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CARLOS SCHIRMER -Os primeiros mortos no golpe- MILITANTE DO PARTIDO COMUNISTA DO BRASILEIRO (PCB). Filho de Leopoldo Schirmer e de Maria Benedita da Costa Schirmer nasceu em A1ém Paraíba, Minas Gerais, no dia 30 de março de 1896. Seu pai era austríaco, nascido em Viena, e veio para o Brasil a convite do Imperador D. Pedro II, como engenheiro, para trabalhar na construção da primeira estrada de ferro brasileira - a Estrada de Ferro Baturité. Parte de sua infância e adolescência, viveu no interior de São Paulo, onde seu pai possuía uma fazenda de café. Terminado o Ciclo do Café, a família perdeu todos os bens que possuía, transferindo-se para o Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, seu pai faleceu na cidade mineira de Paracatu, trabalhando na construção de outra estrada de ferro. No Rio de Janeiro trabalhou na Casa Mayrink Veiga: de dia era eletricista e à noite, ascensorista. Como técnico em eletricidade, especializou-se na montagem de usinas hidrelétricas. Algumas das quais funcionam até hoje - Usina de Cajuru, do Camarão, em Itapecerica, outra em Teófilo Otoni. A maioria delas foi encampada pela Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG. Por volta de 1920, ainda solteiro, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro - PCB, permanecendo fiel ao Partido e a sua ideologia até a morte. Mudou-se, em 1921, para Divinópolis onde viveu até 1° de maio de 1964, quando foi preso pelas forças da repressão. Casou-se em 1928, em primeiras núpcias, com Maria de Lourdes Guimarães com quem teve um filho - Luiz Carlos, em homenagem a Luis Carlos Prestes. Sua esposa faleceu em 1932, casando-se novamente em 1933, com Mariana de Carvalho Schirmer, com quem teve uma filha - Sílvia Schirmer. Homem correto, íntegro, fino, educado e de gênio forte, amava, sobretudo, a família, as crianças e os animais. Muito sensível, apreciava música clássica, valsas vienenses e música brasileira. Gostava muito de cantar. Por sua militância, foi preso no dia 1º de maio de 1964 - Dia do Trabalho - em sua mcasa na Rua Serra do Cristal, n° 388, em Divinópolis. Foi ferido e levado para o Hospital Felício Roxo, em Belo Horizonte, onde faleceu no mesmo dia, às 21:00 horas. Sua casa foi devassada e vistoriada pelos policiais que foram prendê-lo. Alegaram que tinha um arsenal guardado em casa - uma espingarda Flaubert e um facão que usava para trabalhar no quintal. A versão oficial indicou suicídio, em 5 de maio de 1964, em Belo Horizonte, para onde, fora transportado para ser operado, após resistir à prisão e ferir dois policiais. Conforme denúncia do boletim de março de 1974 da Amnesty International e do livro "Torturas e Torturados", de Márcio Moreira Alves, Carlos Schirmer foi torturado até a morte. ======================================================================================== + Informações. CARLOS SCHIRMER (1896-1964) Número do processo: 234/96 e 115/04 Filiação: Maria Benedita da Costa Schirmer e Leopoldo Carlos Schirmer Data e local de nascimento: 30/03/1896, Além Paraíba (MG) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 01/05/1964, em Divinópolis (MG) Nascido em Além Paraíba (MG) no final do século 19, Carlos Schirmer era filho de um engenheiro austríaco que veio para o Brasil a convite do Imperador D. Pedro II trabalhar na construção de uma das primeiras estradas de ferro brasileiras, em Baturité, no Ceará. Parte da infância e da adolescência viveu no interior de São Paulo, onde o pai possuía uma fazenda de café. Esgotado o ciclo do café, a família perdeu todos os bens e mudou-se para o Rio de Janeiro. Na capital federal, Carlos trabalhou na Casa Mayrink Veiga, sendo eletricista de dia e, à noite, ascensorista. Como técnico em eletricidade, especializou-se na montagem de usinas hidrelétricas, algumas das quais funcionam até hoje - Carmo do Cajuru, Itapecerica, Teófilo Otoni, todas em Minas. Militou no Partido Comunista desde os primeiros anos de existência do partido, batizando um de seus filhos como Luiz Carlos, em homenagem a Prestes. Viveu em Divinópolis (MG) de 1921 até morrer em 01/05/1964, aos 68 anos de idade, sem ser medicado, de asfixia por um disparo de arma de fogo. A versão oficial foi suicídio. Os órgãos de segurança invadiram sua casa sob a alegação de que teria um arsenal - ele possuía uma espingarda Flaubert e um facão para trabalhar no quintal. Nessa versão, após resistir à prisão e ferir dois policiais, Schirmer foi transportado primeiro ao Hospital de Divinópolis e depois ao Hospital Felício Roxo, em Belo Horizonte, para ser operado. Segundo o relator na CEMDP, o militante, "morreu por omissão de socorro ou socorro intencionalmente inadequado pelos agentes policiais que o conduziram aos hospitais". Na CEMDP, o parecer do perito criminal Celso Nenevê registra que o laudo de necropsia descrevia duas lesões: "uma por tiro de arma de fogo, disparada a curta distância ou à distância, e não por arma encostada ao corpo". Fica evidente, assim, a contradição entre a descrição do laudo de necropsia e o relatório assinado pelo encarregado do inquérito, coronel Melquíades Horta, pois seria impossível para Schirmer disparar uma carabina 22 contra o próprio queixo sem manter a arma encostada no queixo ou à curtíssima distância, porque seu braço não alcançaria o gatilho. A segunda lesão, também por arma de fogo, ocasionou a morte por "hematoma retro-lingual e asfixia". O atestado de óbito, firmado por Celso Tafuri, registra que Schirmer faleceu por asfixia, às 21h do dia 01/05/1964, no Hospital Felício Rocho. O laudo não descreve qualquer intervenção cirúrgica ou que tenham sido ministrados medicamentos. Ele chegou a ser levado ao Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Divinópolis, segundo a esposa, onde foi atendido inicialmente, e em seguida conduzido a Belo Horizonte pelos policiais que o prenderam, onde faleceu antes de ser operado. A conclusão do relator foi de que "quando Schirmer encontrava-se sob a custódia de agentes policiais, e ferido com um hematoma retro lingual, indicando a necessidade de uma traqueotomia para não morrer sufocado, até uma intervenção cirúrgica mais cabal; foi, na verdade, inadequadamente atendido por policiais que o trataram com violência e desmazelo", levando o relator a concluir que o deixaram morrer como represália ao fato de ter reagido à prisão, e ao fato de um homem de 68 anos ter provocado a mobilização de dezenas de policiais, com ferimentos ainda que superficiais em dois agentes. Omissão de socorro ou socorro intencionalmente inadequado pelos agentes policiais que o conduziram aos hospitais. No dia 9/2/1998, o caso foi colocado em pauta pela primeira vez na CEMDP, sendo indeferido por cinco votos a dois, vencidos os conselheiros Nilmário Miranda e Suzana Keniger Lisbôa. No segundo processo, a relatora afirmou que "a introdução da Lei nº 10.875/04 enquadra perfeitamente no caso analisado, posto que a versão oficial das circunstâncias da morte, embora questionada, aponta para a prática de suicídio". Afirmando não ser possível determinar se Schirmer teria sido baleado por agentes da repressão ou tentado suicídio, votou pelo deferimento. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110620/36900bc6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5396 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110620/36900bc6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 20 20:20:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 20 Jun 2011 20:20:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Mem=F3ria_brasileira=3A_sigilo_ou?= =?iso-8859-1?q?_vergonha=3F_____Escrito_por_Frei_Betto?= Message-ID: <107C926D74CA4D46A939DC689E195006@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Memória brasileira: sigilo ou vergonha? Escrito por Frei Betto Correio da Cidadania - Junho de 2011 Há 141 anos terminou a Guerra do Paraguai. Durou de 1864 a 1870. Ao longo de seis anos, Brasil, Argentina e Uruguai, instigados pela Inglaterra, combateram os paraguaios. O pretexto era derrubar o ditador Solano López e impedir que o Paraguai, país independente e sem miséria, abrisse uma saída para o mar. O Brasil enviou 150 mil homens para o campo de batalha. Desses, tombaram 50 mil. Do lado paraguaio foram mortos 300 mil, 20% da população do país. E o Brasil abocanhou 40% do território da nação vizinha. Até hoje o acesso aos documentos do conflito está proibido a quem pretende investigá-los. Por quê? Talvez o sigilo imposto sirva para cobrir a vergonhosa atuação de Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, que comandou nossas tropas na guerra. E do Conde D'Eu, genro de Dom Pedro II, que sucedeu o duque no massacre aos paraguaios. Os arquivos ultra-secretos do Brasil podem permanecer sigilosos por 30 anos. O presidente da República pode prorrogar o prazo por mais 30, indefinidamente. Eternamente. Em 2009, Lula enviou à Câmara dos Deputados projeto propondo o sigilo eterno periodicamente renovado. Cedeu a pressões dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Os deputados federais o aprovaram com esta emenda: o presidente da República poderia renovar, por uma única vez, o prazo do sigilo, e os documentos considerados ultra-secretos seriam divulgados em, no máximo, 50 anos. O projeto passou ao Senado. Caiu em mãos da Comissão de Relações Exteriores, cujo presidente é o senador Fernando Collor. E, para azar de quem torce por transparência na República, ele próprio assumiu a relatoria. E tratou de engavetá-lo. Não deu andamento ao debate nem colocou o projeto em votação. A presidente Dilma decidira sancionar a lei do fim do sigilo eterno a 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Naquela data, o relator Collor foi a plenário e declarou ser "temerário" aprovar o texto encaminhado pela Câmara dos Deputados. Na véspera de ser empossada ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti declarou que Dilma estaria disposta a atender pedidos dos senadores José Sarney e Fernando Collor, e patrocinar no Senado mudança no decreto para assegurar sigilo eterno a documentos oficiais. A única diferença é que, agora, o sigilo seria renovado a cada 25 anos. O Congresso está prestes a aprovar a Comissão da Verdade, que irá apurar os crimes da ditadura militar. Como aprovar esta comissão e vetar para sempre o acesso a documentos oficiais? Isso significa impedir que a nação brasileira tome conhecimento de fatos importantes de sua história. Collor e Sarney não gostam de transparência por razões óbvias. Seus governos foram desastrosos e vergonhosos. Já o Ministério das Relações Exteriores alega que trazer à tona documentos, como os da Guerra do Paraguai, pode criar constrangimentos com países vizinhos. Com países vizinhos ou com nossas Forças Armadas e personagens que figuram como heróis em nossos livros didáticos? O sigilo brasileiro a documentos oficiais não tem similar no mundo. Se não for quebrado, a presidente Dilma ficará refém da chamada base aliada. Ontem foi o "diamante de 20 milhões de reais", hoje o sigilo eterno, amanhã... Na terça, dia 14 de junho, retornaram ao Brasil os arquivos do livro "Brasil Nunca Mais" (Vozes), que relata os crimes da ditadura militar brasileira. A publicação, patrocinada pelo Conselho Mundial de Igrejas, foi monitorada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright. O mérito do "Brasil Nunca Mais" é que não há ali nenhuma notícia de jornal ou depoimento de vítima da ditadura. Toda a documentação se obteve em fontes oficiais, retirada, por advogados, de auditorias militares e do Superior Tribunal Militar. Microfilmada, foi remetida ao exterior, por razões de segurança. Agora retorna ao Brasil para ficar disponível aos interessados. Muitas informações ali contidas não constam da redação final do livro, da qual participei em parceria com Ricardo Kotscho. Os arquivos da Polícia Civil (DOPS) sobre a ditadura militar já foram abertos e se encontram à disposição no Arquivo Nacional. Falta abrir o arquivo das Forças Armadas, o que depende da vontade política da presidente Dilma, ela também vítima da ditadura. As famílias dos mortos e desaparecidos têm o direito de saber o que ocorreu a seus entes queridos. E o Brasil, de conhecer melhor a sua história recente. Um país sem memória corre sempre o risco de repetir, no futuro, o que houve de pior em sua história. Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco), entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110620/aa80678b/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 21 20:10:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 21 Jun 2011 20:10:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__DILERMANO_MELLO_DO_NASCIMENTO________?= =?iso-8859-1?q?_________________-CLXXII-?= Message-ID: <568F2D20CF384ACDBF3BF17F320D6B68@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem DILERMANO MELLO DO NASCIMENTO (1920-1964) -Os primeiros mortos no golpe- Filiação: Olga Mello do Nascimento e Manoel Roberto do Nascimento Data e local de nascimento: 09/2/1920, Paraíba Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 15/08/1964, Rio de Janeiro (RJ) Paraibano de nascimento, afrodescendente e 1º tenente da Reserva do Exército, integrou o 11º Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, embarcando para a Itália no dia 20/09/1944. Participou da célebre Batalha de Monte Castelo, retornando ao Brasil em 8/5/1945. Economista, integrou a equipe da Sudene e fez cursos na Cepal. Era chefe da Divisão de Administração do Ministério da Justiça, quando foi preso no Rio de Janeiro, no dia 12/08/1964, para responder a inquéritos presididos pelo comandante da Marinha de Guerra, José de Macedo Corrêa Pinto, e pelo coronel do Exército Waldemar Raul Turola. Morreu em 15 de agosto, no intervalo do interrogatório a que estava sendo submetido no 4° andar do edifício do Ministério da Justiça. Seu nome consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. Os legistas Cyryaco Bernardino Pereira de Almeida Brandão e Mário Martins Rodrigues determinaram como causa mortis "esmagamento do crânio". De acordo com a versão oficial, Dilermano saltou da janela do 4º andar do prédio do Ministério da Justiça, no Rio de Janeiro, deixando um bilhete que dizia: "Basta de tortura mental e desmoralização". O corpo de Dilermano foi retirado do IML por seu irmão, Paulo Mello do Nascimento, sendo sepultado por sua família no Cemitério São João Batista. A viúva, Natália de Oliveira Nascimento, colocou em dúvida a versão policial (Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 11/11/64). Segundo ela, até mesmo o bilhete seria falsificado. O laudo pericial concluiu, por exclusão de provas, que ele foi induzido a saltar da janela do 4° andar, após longo interrogatório, dirigido pelo capitão-de-mar-e-guerra, Correia Pinto. Laudo elaborado pelo perito Cosme Sá Antunes revelou que não houve nenhum elemento que pudesse fundamentar o suicídio. Nem mesmo foram encontradas marcas no parapeito da janela, de onde teria saltado a vítima. Jorge Thadeu Melo do Nascimento, filho de Dilermano, prestou depoimento ao Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, em 3/01/1995, declarando que, no dia 14/8/1964, às 20 horas, quando tinha 15 anos de idade, dois militares à paisana foram a sua casa, convidando-o para visitar seu pai,, que se encontrava preso desde o dia 12. Ao chegar lá, o capitão Correia Pinto o obrigou a sentar e não o deixou ver o pai, ameaçando-o: "Se seu pai não confessar, não sairá vivo daqui" e "Se ele não confessar, quem vai pagar por tudo é a família". Essas ameaças - ao que lhe pareceu - foram dirigidas a seu pai, que deveria estar ouvindo e sabendo da presença do filho. No dia seguinte, soube que Dilermano estava morto. Para o relator na CEMDP - que votou pelo deferimento - "Dilermano morreu por causa não natural em dependência policial ou assemelhada, acusado de atividades políticas". =========================================================================================================================== + Informações. DILERMANO MELLO DO NASCIMENTO Nasceu em 09 de fevereiro de 1920, natural do Estado da Paraíba, casado com Natália de Oliveira Nascimento. Integrante das Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), embarcou para a Itália no dia 20 de setembro de 1944, participando da Batalha de Monte Castelo, durante a 2ª Guerra Mundial, retornando ao Brasil em 8 de maio de 1945. Fez o curso de Economia no Rio de Janeiro e trabalhou na área de pesquisas. Ex-diretor da Divisão de Material do Ministério da Justiça, preso para responder a um Inquérito Policial Militar (IPM) presidido pelo Cel. Waldemar Turola. Foi morto num sábado, dia 15 de agosto, no intervalo do interrogatório a que estava sendo submetido no 4° andar do próprio prédio do Ministério da Justiça. O corpo de Dilermano entrou no IML/RJ pela Guia n° 29, da 3ª D.P. O Registro de Ocorrência n° 2046 informa: "... houve comunicação que às 9:20 horas, um homem havia se atirado pela janela do 4° andar do Ministério da Justiça, caindo no pátio interno, morrendo imediatamente. Tratava-se de Dilermano Mello do Nascimento que, desde o dia 12 último, vinha, na sala n° 05, do Serviço de Administração do dito Ministério, prestando declarações em inquéritos administrativo-policiais, presididos pelo Comandante da Marinha de Guerra, José de Macedo Corrêa Pinto e pelo Coronel do Exército, Waldemar Raul Turola. Hoje, quando aguardava prosseguimento do inquérito, Dilermano trancou-se na dita sala, cuja maçaneta apresentava defeito e, em seguida, projetou-se por uma janela. Com o morto, dentre outros pertences, havia um bilhete em que se lê: '15/08/64. Basta de tortura mental e desmoralização', com assinatura ilegível". O exame necroscópico de Dilermano feito no IML/RJ, foi firmado pelos Drs. Cyríaco Bernardino Pereira de Almeida Brandão e Mário Martins Rodrigues e confirma que houve suicídio, dando como causa mortis esmagamento do crâneo. O corpo de Dilermano foi retirado do IML por seu irmão, Paulo Mello do Nascimento, em 15 de agosto de 1964, sendo sepultado por sua família no Cemitério São João Batista. A viúva, D. Natália de Oliveira Nascimento, colocou em dúvida a versão policial (Diário de Notícias - RJ 11/11/64). Segundo ela, até mesmo o bilhete seria falsificado. O laudo pericial concluiu, por exclusão de provas, que ele foi induzido a saltar da janela do 4° andar, após longo interrogatório, dirigido pelo Capitão de Mar e Guerra Correia Pinto. O laudo, elaborado pelo perito Cosme Sá Antunes, revelou que não houve nenhum elemento que pudesse fundamentar o suicídio. Nem mesmo foram encontradas as marcas no parapeito da janela, de onde saltou a vítima, o que não ocorre em casos de suicídio puro e simples. Jorge Thadeu Melo do Nascimento, filho de Dilermano, em 03 de janeiro de 1995, prestou depoimento ao GTNM/RJ, declarando que, no dia 14 de agosto de 1964, às 20 horas, quando tinha 15 anos de idade, dois militares à paisana foram a sua casa, convidando-o para visitar seu pai que se encontrava preso desde o dia 12 de agosto. Ao chegar lá, o Capitão de Mar e Guerra Correia Pinto o obrigou a sentar e não o deixou ver seu pai, ameaçando-o: "Se seu pai não confessar, não sairá vivo daqui." e "Se ele não confessar, quem vai pagar por tudo é a família." Essas ameaças - ao que lhe pareceu - foram dirigidas a seu pai, que deveria estar ouvindo e sabendo da presença do filho. No dia seguinte, 15 de agosto de 1964, às 9:30 h da manhã, soube que seu pai estava morto. ======================================================================================= + Detalhes. DILERMANO MELLO DO NASCIMENTO Nasceu em 09 de fevereiro de 1920, natural do Estado da Paraíba [...] Integrante da Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), participou da Batalha de Monte Castelo, durante a Segunda Guerra Mundial [...] Fez curso de Economia no Rio de janeiro e trabalhou na área de pesquisas. Ex-diretor da Divisão de material do Ministério da Justiça, preso para responder a um Inquérito Policial Militar (IPM) presidido pelo Cel. Waldemar Turola. Foi morto num sábado, dia 15 de agosto, no intervalo do interrogatório a que estava sendo submetido no 4º andar do próprio prédio do Ministério da Justiça. O corpo de Dilermano entrou no IML/RJ pela Guia nº 29, da 3ª D.P. [...] "...houve comunicação que às 9:20 horas, um homem havia se atirado pela janela do 4º andar do Ministério da Justiça, caindo no pátio interno, morrendo imediatamente. [...] Tratava-se de Dilermano Mello Nascimento que [...] vinha [...] prestando declarações em inquéritos administrativo-policiais, presididos pelo Comandante de Marinha de Guerra, José de Macedo Corrêa Pinto e pelo Coronel do Exército, Waldemar Raul Turola. Hoje, quando aguardava prosseguimento do inquérito. Dilermano trancou-se [...] e, em seguida projetou-se pela janela. Com o morto, dentre outros pertences havia um bilhete em que se lê: '15/08/64. Basta de tortura mental e desmoralização' com assinatura ilegível". [...] A viúva D. Natália de Oliveira Nascimento, colocou em dúvida a versão oficial. Segundo ela até mesmo o bilhete era falsificado. O Laudo concluiu por exclusão de provas que ele foi induzido a saltar [....] após longo interrogatório, dirigido pelo Capitão de Mar e Guerra Correia Pinto. O laudo, elaborado pelo perito Cosme Sá Antunes, revelou que não hove nenhum elemento que pudesse fundamentar o suicídio. Nem mesmo foram encontradas as marcas no parapeito da janela, de onde saltou a vítima, o que não ocorre em casos de suicídio puro e simples. [...] ====================================================================================================== + Detalhes. Dilermano Mello do Nascimento Nasceu em 09 de fevereiro de 1920, natural do Estado da Paraíba, casado com Natália de Oliveira Nascimento. Integrante das Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), embarcou para a Itália no dia 20 de setembro de 1944, participando da Batalha de Monte Castelo, durante a 2ª Guerra Mundial, retornando ao Brasil em 8 de maio de 1945. Fez o curso de Economia no Rio de Janeiro e trabalhou na área de pesquisas. Ex-diretor da Divisão de Material do Ministério da Justiça, preso para responder a um Inquérito Policial Militar (IPM) presidido pelo Cel. Waldemar Turola. Foi morto num sábado, dia 15 de agosto, no intervalo do interrogatório a que estava sendo submetido no 4° andar do próprio prédio do Ministério da Justiça. O corpo de Dilermano entrou no IML/RJ pela Guia n° 29, da 3ª D.P. O Registro de Ocorrência n° 2046 informa: "... houve comunicação que às 9:20 horas, um homem havia se atirado pela janela do 4° andar do Ministério da Justiça, caindo no pátio interno, morrendo imediatamente. Tratava-se de Dilermano Mello do Nascimento que, desde o dia 12 último, vinha, na sala n° 05, do Serviço de Administração do dito Ministério, prestando declarações em inquéritos administrativo-policiais, presididos pelo Comandante da Marinha de Guerra, José de Macedo Corrêa Pinto e pelo Coronel do Exército, Waldemar Raul Turola. Hoje, quando aguardava prosseguimento do inquérito, Dilermano trancou-se na dita sala, cuja maçaneta apresentava defeito e, em seguida, projetou-se por uma janela. Com o morto, dentre outros pertences, havia um bilhete em que se lê: '15/08/64. Basta de tortura mental e desmoralização', com assinatura ilegível". O exame necroscópico de Dilermano feito no IML/RJ, foi firmado pelos Drs. Cyríaco Bernardino Pereira de Almeida Brandão e Mário Martins Rodrigues e confirma que houve suicídio, dando como causa mortis esmagamento do crâneo. O corpo de Dilermano foi retirado do IML por seu irmão, Paulo Mello do Nascimento, em 15 de agosto de 1964, sendo sepultado por sua família no Cemitério São João Batista. A viúva, D. Natália de Oliveira Nascimento, colocou em dúvida a versão policial (Diário de Notícias - RJ 11/11/64). Segundo ela, até mesmo o bilhete seria falsificado. O laudo pericial concluiu, por exclusão de provas, que ele foi induzido a saltar da janela do 4° andar, após longo interrogatório, dirigido pelo Capitão de Mar e Guerra Correia Pinto. O laudo, elaborado pelo perito Cosme Sá Antunes, revelou que não houve nenhum elemento que pudesse fundamentar o suicídio. Nem mesmo foram encontradas as marcas no parapeito da janela, de onde saltou a vítima, o que não ocorre em casos de suicídio puro e simples. Jorge Thadeu Melo do Nascimento, filho de Dilermano, em 03 de janeiro de 1995, prestou depoimento ao GTNM/RJ, declarando que, no dia 14 de agosto de 1964, às 20 horas, quando tinha 15 anos de idade, dois militares à paisana foram a sua casa, convidando-o para visitar seu pai que se encontrava preso desde o dia 12 de agosto. Ao chegar lá, o Capitão de Mar e Guerra Correia Pinto o obrigou a sentar e não o deixou ver seu pai, ameaçando-o: "Se seu pai não confessar, não sairá vivo daqui." e "Se ele não confessar, quem vai pagar por tudo é a família." Essas ameaças - ao que lhe pareceu - foram dirigidas a seu pai, que deveria estar ouvindo e sabendo da presença do filho. No dia seguinte, 15 de agosto de 1964, às 9:30 h da manhã, soube que seu pai estava morto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110621/f1f2d3af/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10978 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110621/f1f2d3af/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8225 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110621/f1f2d3af/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110621/f1f2d3af/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 21 20:10:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 21 Jun 2011 20:10:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Evolu=E7=E3o_da_Concentra=E7=E3o_?= =?iso-8859-1?q?da_Propriedade_da_Terra_no_Brasil_/_e_Agravamento_d?= =?iso-8859-1?q?o_Quadro_de_Concentra=E7=E3o_da_Terra_no_Brasil=2E/?= =?iso-8859-1?q?E_CONFLITOS_NO_CAMPO=2E=2E=2E=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Evolução da Concentração da Propriedade da Terra no Brasil Medida pelos Imóveis - 2003/2010 Classificação Imóveis 2003 2010 Crescimento da área por setor 2010/2003 Número Área (há.) Peso s/área total Número Área(há.) Peso s/área total 1. Minifúndio 2.736.052 38.973.371 9,3% 3.318.077 46.684.657 8,2% 19,7% 2. Pequena Propriedade 1.142.937 74.195.134 17,7% 1.338.300 88.789.805 15,5% 19,7% 3. Média Propriedade 297.220 88.100.414 21,1% 380.584 113.879.540 19,9% 29,3% 4. Grande Propriedade 112.463 214.843.865 51,3% 130.515 318.904.739 55,8% 48,4% a) Improdutiva 58.331 133.774.802 31,9% 69.233 228.508.510 (40,0%) 71,0% b) Produtiva 54.132 81.069.063 19,4% 61.282 90.396.229 (15,8%) 11,5% 5. Total- Brasil 4.290.482 418.456.641 100% 5.181.645 571.740.919 100% 36,6% Fonte: Cadastro do INCRA - Classificação segundo dados declarados pelo proprietário - e de acordo com a Lei Agrária/93. Notas de esclarecimento: Minifúndio: até 1 módulo área média de 14 ha. Pequena: de 1 a 3 módulos área média = 66 ha. Média: de 3 a 5 módulos área média = 300 ha. Grande Propriedade: > 5 módulos área média = 2.440 ha. As grandes propriedades improdutivas são as passiveis de desapropriação segundo a Lei. Por tanto há no Brasil 69.233 imoveis rurais que totalizam 228 milhões de terras que são improdutivas e poderiam ser desapropriados para reforma agrária. ================================================================================================================== Agravamento do Quadro de Concentração da Terra no Brasil? Complemento Gerson Teixeira (BSB, 21/06/2011) O Potencial de Áreas para Desapropriação para a Reforma Agrária no Brasil Em complemento ao texto Agravamento do Quadro de Concentração da Terra no Brasil? divulgado no dia 16 de junho de 2010, apresentamos, na seqüência, estimativa sobre o potencial de aplicação do instrumento da desapropriação para fins sociais no Brasil e regiões. A exemplo do procedimento na versão original, a estimativa acima foi feita considerando a evolução dos dados entre os anos de 2003 e 2010, com base nas respectivas Estatísticas Cadastrais do Incra. Para tanto, calculamos o número e área das grandes propriedades improdutivas a partir da subtração, dos dados correspondentes das grandes propriedades, aqueles especificados para as grandes produtivas, assim classificadas pelo próprio Incra nos termos da legislação citada no texto anterior. Vale lembrar que não estamos tratando de grandes propriedades que descumprem a função social e, sim, daquelas que sequer cumprem os baixos requisitos de produtividade. Pela legislação em vigor, somente podem ser desapropriadas para fins sociais as grades propriedades improdutivas. Observemos os dados da Tabela abaixo: Brasil e Regiões: Grandes Propriedades Improdutivas 2.003 2010 Variação N. Imóveis Variação Área N. Imóveis Área-ha N. Imóveis Área-ha BRASIL 58.331 133.774.803 69.233 228.508.510 18,7% 70,8% SUDESTE 10.411 10.051.549 11.902 11.820.096 14,3% 17,6% SUL 5.413 3.788.530 7.139 5.288.915 31,9% 39,6% NORDESTE 12.205 24.749.873 15.282 35.564.950 25,2% 43,7% NORTE 12.613 45.523.439 16.452 116.294.865 30,4% 155,5% CENTRO-OESTE 17.689 49.661.412 18.458 59.539.683 4,3% 19,9% Algumas conclusões possibilitadas pela Tabela: v No Brasil, existem 69.2 mil grandes propriedades improdutivas; portanto, passíveis de desapropriação, com área equivalente a 228.5 milhões de hectares v em relação ao ano de 2003, essas posições de3 2010 representaram incrementos de 18.7% no número de imóveis e de 70.8% na área v sintomaticamente, em que pese o maior crescimento de área das grandes improdutivas ter ocorrido no Norte do país (155.5%), em termos de número de imóveis, o maior incremento ocorreu na região Sul do Brasil. Em 2003 havia naquela região 5.413 imóveis classificados como grandes improdutivas. Em 2010 esse número passou para 7.139, o que correspondeu a uma expansão de 32% contra 30% no Norte. Há, no Sul, 5.3 milhões hectares de áreas improdutivas em grandes propriedades; v em todas as regiões foi observado o crescimento do número de imóveis e áreas das grandes propriedades improdutivas v Pro fim resta informar que das 130.5 mil grandes propriedades cadastradas em 2010, com área de 318.9 milhões hectares, 23.4 mil com área de 66.3 milhões de hectares não têm a propriedade reconhecida. Ou seja, são imóveis detidos à título precários, i.e, objeto de posse ou misto. v Portanto, há um amplo território em todas as regiões do país para a execução da reforma agrária com obtenção via desapropriação, sem ameaçar a "eficiência" da grande exploração do agronegócio. ===================================================================================================== 21.06.11 - Brasil Conflitos no campo: violência do agronegócio, conivência do Estado Thiago Valentim Natural de Madalena - CE, formado em Filosofia e Teologia, Educador Popular e atualmente membro da coordenação colegiada da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Ceará Adital Temos acompanhado perplexos, tristes e indignados, nas últimas semanas, a barbárie causada por fazendeiros e madeireiros, fieis escudeiros do agronegócio: o assassinato de lideranças extrativistas e trabalhadores rurais. Este triste fato traz à tona novamente o que já sabemos há muito tempo: a impossível conciliação entre o modelo de desenvolvimento capitalista, representado no campo pelo agronegócio, e as práticas milenares dos pequenos camponeses e dos povos tradicionais de viver na terra e produzir, ou seja, a agricultura familiar camponesa. O grande problema é que o agronegócio usa todas as estratégias possíveis para se sobrepor ao modo de vida e produção do campesinato, ou seja, cooptação de lideranças, aprovação de leis que favorecem o desmatamento e protegem os desmatadores, a exemplo das mudanças no código florestal, perseguição a lideranças comunitárias camponesas, tomada das terras de trabalhadores rurais, entre outras. O que nos entristece e revolta mais ainda é que o agronegócio é um ramo estratégico do governo, mesmo com todos os conflitos que gera no campo. As possibilidades de expansão e os incentivos e isenções fiscais dados pelo governo a empresas nacionais e multinacionais do agronegócio demonstra que nós, os pobres, continuaremos reféns do capital nacional e internacional e dos interesses de quem pensa apenas em produzir em larga escala, para obter lucros exorbitantes, enquanto permaneceremos na miséria e sem garantia dos direitos básicos. Isso questiona a democracia que temos e a soberania que queremos, tornando-as um horizonte cada vez mais distante. Da mesma maneira como o governo federal assume o agronegócio como estratégico, deveria assumir também a investigação de todos estes crimes e a punição dos culpados e não o faz. Porém, esta é uma ação que deve ir para além da federalização dos casos, é preciso verdadeiras políticas públicas que promovam a vida dos povos do campo e das florestas e que coíbam a violência no campo e violação dos direitos humanos. As notícias dos assassinatos destes companheiros tem estado em todos os meios de comunicação nacionais e alguns regionais, o que muito nos admira, dado a posição conhecida da grande maioria destes meios em defesa do grande capital. Tem nos revoltado as mais diversas atitudes e justificativas de parlamentares e outros que ocupam cargos públicos diante dos últimos assassinatos: desde vaia de membros da bancada ruralista e visitantes pelo anúncio dos assassinatos na câmara dos deputados à justificativa de que falta de efetivo suficiente e infraestrutura para dar segurança a todos os ameaçados, como afirmou o secretário de segurança do Pará, Luís Fernandes Rocha, em entrevista concedida à Terra Magazine n dia 16 de junho. Falta de recurso para tanto não é, o que falta mesmo é vontade política de "cortar o mal pela raiz" e passar a valorizar estrategicamente as comunidades camponesas, ao invés de fazendeiros e madeireiros. E o senhor secretário ainda acusa a CPT de "botar tudo dentro de uma mesmo conta". Estas justificativas, que não convencem, escutamo-las a cada investida de fazendeiros e madeireiros sobre a vida das lideranças camponesas. Os assassinos sabem que a prática do governo é agir somente quando a situação se torna insuportável e exige das autoridades públicas alguma reação. Sabem também que toda ação nesse sentido será pontual, emergencial. Este tipo de ação não intimida ou amedronta aqueles que estão acostumados a ameaçar, perseguir e matar para proteger seus interesses, pois sabem que reina no Brasil um sistema de injustiça e impunidade, garantido pelas estruturas públicas de governo. As diversas manifestações nas últimas semanas, greves de fome, audiências e ocupações, mostram que a situação de conflito está insuportável e exige dos governos políticas públicas que garantam a reprodução do modo de vida camponês e a segurança de suas comunidades.Os dados anuais do Caderno de Conflitos no Campo Brasil da Comissão Pastoral da Terra evidenciam o aumento significativo dos conflitos no campo causados pela concentração da Terra, pelo modelo de produção do agronegócio e agravados pela omissão do Estado diante dos conflitos. O Estado, porém, não é somente omisso, mas também conivente, já que garante todas as condições necessárias para que este monstro do desenvolvimento capitalista cresça e ataque com suas garras afiadas os povos do campo e da floresta. De 1985 a 2010, 1.580 pessoas foram assassinadas no campo e, atualmente, a lista de ameaçados inclui 1.855 pessoas. De 1985 a 2010 foram assassinadas 1580 em todo o país, sendo 401 só na primeira década deste século. Das 1186 ocorrências, somente 91 foram a julgamento, com a condenação de apenas 21 mandantes e 73 executores. Destes, somente Vitalmiro Bastos de Sousa, o Bida, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Dorothy Stang, continua preso. Estes dados são uma vergonha para o Brasil e revela a inoperância do Estado frente aos conflitos no campo. Agradecemos a Deus pela força dada a estes companheiros para que resistissem diante das perseguições e continuassem firmes na luta pela vida e na defesa de seus irmãos e irmãs, do projeto popular que vinham ajudando a construir e da floresta. Porém, apesar do martírio ser um ato de doação, a exemplo de Jesus mártir, não desejamos que o número dos mártires aumente, pois esses assassinatos são conseqüência da injustiça social implantada e praticada por aqueles que se sentem ameaçados diante do anúncio da verdade, que brota da memória subversiva do Evangelho da vida, que desmascara os corruptos e assassinos. Não precisamos de outros mártires. Contudo, para que esse desejo se torne realidade, lutamos por um outro mundo, justo e solidário, que já sabemos que é possível. Empenhamos todas as nossas forças na luta contra este sistema de desenvolvimento capitalista que promove a morte, e não a vida. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110621/a1f3b032/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 22 20:28:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 22 Jun 2011 20:28:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ALBERTINO_JOS=C9_DE_OLIVEIRA_e_ARI_DE?= =?iso-8859-1?q?_OLIVEIRA_MENDES_CUNHA_e_ASTROGILDO_PASCOAL_VIANNA_?= =?iso-8859-1?q?e_BERNARDINO_SARAIVA_e_JOS=C9_DE_SOUZA_e_LABIB_ELIA?= =?iso-8859-1?q?S_ABDUCH_______-CLXXIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem -Os primeiros mortos pela Ditadura- ALBERTINO JOSÉ DE OLIVEIRA Presidente das Ligas Camponesas de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco. Desapareceu após o golpe militar de 64. Logo depois seu corpo foi encontrado em estado de putrefação, nas matas do Engenho São José. Em nota oficial da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, foi dado a conhecimento público que Albertino havia se suicidado por envenenamento, não havendo qualquer indício que pudesse comprovar tal fato. + Informações. Albertino José de Oliveira, ex-presidente das Ligas Camponesas em Vitória de Santo Antão, assassinado em 1964, foi encontrado morto, já em estado de putrefação, nas matas do engenho São José. Na época, uma nota da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco sustentava que ele havia se suicidado por envenenamento, sem que houvesse qualquer indício neste sentido. [Fontes: MST; Contag] ============================================================================================== ARI DE OLIVEIRA MENDES CUNHA Morto, em 01 de abril de 1964, em escaramuças de rua, quando populares tentavam se opor ao golpe militar, no Rio de Janeiro, próximo ao Largo do CACO, na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ). Foram cercados pelo CCC que atirou bombas e metralhou o prédio. Dois populares que se encontravam nas proximidades foram baleados. Ari foi levado ao Hospital Souza Aguiar, onde veio a falecer. Seu corpo deu entrada no IML/RJ em 02 de abril de 1964, com a Guia n° 137. + Detalhes revista O Cruzeiro........... ".............................................................. "Estamos em pleno 1º de abril, que desta vez não foi motivo de brincadeiras. 10 horas. Avenida Presidente Vargas e Rio Branco com muita gente em seu cruzamento, procurando apanhar carona para os seus bairros para os seus bairros da Zona Norte, em face da greve geral dos transportes coletivos da cidade. Nas esquinas, piquêtes nitidamente esquerdistas e antimilitares, que dominaram a Cinelância até às 14 horas. A sede do Diretório Regional do PTB, na Cinelândia, ampliava, por seus auto-falantes, a pregação revolucionária, incitando os populares a invadirem o Clube Militar, na esquina da Rua Santa Luzia. Na verdade, populares tentaram, pouco depois, invadir a sede da entidade de classe dos oficiais do Exército, no que foram obstados pelos disparos dos tenentes, capitães, majores, coronéis e generais que lá se encontravam. Os oficiais dispararam de início para o ar e por fim para valer. Às 15 horas, mais ou menos, um automóvel lançou volantes na Cinelândia, convocando o povo a participar de um comício de protesto contra o movimento revolucionário e que deveria realizar-se meia hora depois. 16 horas. É o sangue. A multidão tenta, mais uma vez, invadir e depredar o Clube Militar. Um carro de choque da PM posta-se diante do Clube. O povo presente vaia os soldados. Mais tarde, choques do Exército, chamados a pedido do Marechal Magessi, Presidente do Clube Militar, dispersam os agitadores. Que voltam na recarga, pouco depois (para sua infelicidade). Repelidos a bala, deixam em campo, feridos, vários manifestantes; entre êles Labib Carneiro Habibude e Ari Oliveira Mendes Cunha, que morreram às 22 horas, no Pronto-Socorro." ................................................................................................. =============================================================================================== ASTROGILDO PASCOAL VIANNA (ou ANTOGILDO PASCOAL VIANA) DIRIGENTE PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) Portuário de Manaus e tesoureiro da Federação Nacional dos Estivadores. Torturado e morto pelos agentes de segurança do Rio de Janeiro, segundo denúncia do livro "Torturas e Torturados", de Márcio Moreira Alves. A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança no dia 14 de abril de 1964, indicou suicídio. O corpo de Astrogildo entrou no IML/RJ em 08 de abril de 1964 com a Guia n° 69, da 21ª D.P., que dava como causa mortis "queda". + Informações. ANTOGILDO PASCOAL VIANA (1922-1964) Filiação: Elvira Pascoal Viana e Ranulfo Viana Data e local de nascimento: 21/4/1922, Itacoatiara (AM) Organização política ou atividade: sindicalista Data e local da morte: 08/04/1964, Rio de Janeiro (RJ) Amazonense de Itacoatiara, dirigiu o Sindicato dos Estivadores de Manaus desde 1954 e, pouco antes do movimento que depôs João Goulart, mudou-se para o Rio de Janeiro por ter assumido o cargo de tesoureiro na Federação Nacional dos Estivadores, integrando também o recém- criado Comando Geral dos Trabalhadores. Mereceu dois processos na CEMDP, sendo o primeiro indeferido unanimemente, por não se enquadrar na Lei nº 9.140/95. O sindicalista teria se jogado do 5º andar do prédio do Hospital do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas (IAPETEC), no dia 08/04/1964, morrendo em decorrência da queda. Foram anexadas aos autos cópias de livros que questionam a morte por suicídio, entre eles o de Márcio Moreira Alves, Torturas e Torturados; o de Elio Gaspari, Ditadura Envergonhada e o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. Márcio Moreira Alves denunciou o caso como morte sob tortura por agentes de segurança do Rio de Janeiro. Informe reservado do Serviço Secreto do DOPS/SP, referente à reunião para deliberação sobre eleições na Federação Nacional de Estivadores, traz o nome de Antogildo, que teria vínculos com o PCB, na lista dos 100 maiores inimigos do regime militar, cassados pelo primeiro Ato Institucional, de 10/04/1964. Alguns documentos anexados ao processo na CEMDP apresentam Astrogildo, como grafia incorreta de seu nome, havendo menção também a ter sido dirigente comunista. Segundo o relator do segundo processo na CEMDP, Antogildo foi uma importante liderança sindical brasileira, tendo exercido o cargo de representante do Conselho da Confederação e do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Para o relator, se a dúvida impediu o reconhecimento na primeira apreciação do caso, com a edição da nova lei (Lei nº 10.875/2004), a solução deveria ser diferente, pois cabia deferimento mesmo na hipótese de ter ocorrido realmente suicídio, versão que nos anos seguintes passaria a receber credibilidade sempre decrescente. A atuação sindical, o envolvimento político, as circunstâncias do "suicídio", as práticas de prisão sem motivo justo e de violência dos órgãos de segurança não deixavam dúvidas de que o suposto suicídio teria ocorrido na iminência da prisão. O relator concluiu que o sindicalista poderia ter sido preso, torturado e morto, "ou simplesmente tenha se suicidado, na iminência de ser preso, como tudo leva a crer", e votou pelo deferimento. ============================================================================================== BERNARDINO SARAIVA 2º Sargento, servindo no 19º RI de São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Assassinado em 14 de abril de 1964, segundo denúncia do livro "Torturas e Torturados", de Márcio Moreira Alves. A versão oficial indicou suicídio com um tiro no crânio, após Bernardino ter ferido 4 militares que procuravam prendê-lo. ==================================================================================================== JOSÉ DE SOUZA Mecânico e ferroviário, era membro do Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro. Preso no dia 8 de abril de 1964, para averiguações sobre suas atividades no Sindicato. No dia 17 de abril, às 5:00 horas, após intensos interrogatórios, foi divulgada nota oficial, onde dizia que José havia se suicidado, atirando-se pela janela do 3° andar do prédio da Polícia Central do Rio de Janeiro. O corpo de José entrou no IML no mesmo dia de sua morte, com a Guia n° 30, da 5ª D.P. com a seguinte informação: "atirou-se da janela da sala do Serviço de Atividades Anti-Democráticas do DOPS." (sic) A necrópsia foi feita pelos Drs. Vicente Fernandes Lopes e Elias Freitas que confirmaram a versão de suicídio, com esmagamento do crâneo. Seu corpo foi retirado por seu primo, Edson Campos, sendo enterrado pela família, em 18 de abril de 1964. + Informações. JOSÉ DE SOUZA (1931-1964) Filiação: Nair Barbosa de Souza e Alcides de Souza Data e local de nascimento: 1931, local não definido Organização política ou atividade: sindicalista Data e local da morte: 17/04/1964, Rio de Janeiro (RJ) José de Souza era membro do Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro. Foi preso e conduzido ao DOPS/RJ, na rua da Relação, no dia 08/04/1964, para averiguações. A versão oficial foi de que José cometeu suicídio nove dias depois, atirando-se pela janela do terceiro andar do prédio da Polícia Central do Rio de Janeiro. Em depoimento à Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Seção do Estado do Rio de Janeiro da OAB, em 04/12/1995, anexada ao processo da CEMDP, José Ferreira, também preso nas dependências do DOPS na rua da Relação, conta que viu José de Souza chegar àquela unidade policial. Segundo Ferreira, ele estava bastante nervoso com a prisão, devido aos constantes gritos e tiros de metralhadora, mas, principalmente, por constatar que os presos voltavam desmaiados quando iam prestar depoimento. José Ferreira contou ainda que, na manhã de 17 de abril, às 5 horas, foram acordados pelos agentes policiais que alertaram para o fato de José de Souza encontrar-se morto no pátio do DOPS. A necropsia, realizada por Vicente Fernandes Lopes e Elias Freitas, confirmou a versão de suicídio com esmagamento do crânio. O corpo foi retirado do IML e enterrado em 18/04/1964. O relator do processo na CEMDP aceitou a versão do suicídio, mas votou pelo deferimento, "pois José de Souza encontrava-se em poder do Estado e os agentes não tomaram as mais elementares cautelas que a situação exigia". ============================================================================================== LABIB ELIAS ABDUCH Morto a tiros, em 01 de abril de 1964 pelo CCC, no Largo do CACO, ao lado da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, onde estavam concentrados cerca de 800 estudantes. Foi levado para o Hospital Souza Aguiar, onde morreu. Seu corpo entrou no IML no dia 02 de abril de 1964, com a Guia n° 38, de onde foi retirado e sepultado pela família. + Informações. LABIBE ELIAS ABDUCH (1899-1964) Filiação: Helena Elias Carneiro e João Carneiro Data e local de nascimento: 1899, na Síria Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 01/4/1964, Rio de Janeiro (RJ) A sexagenária Labibe Elias Abduch era casada com Jorge Nicolau Abduch, com quem teve três filhos. Foi morta por um disparo no dia 01/04/1964, quando caminhava pela Cinelândia, no Rio de Janeiro, interessada em obter informações sobre o movimento militar no Rio Grande do Sul, onde se encontrava um filho. Narrando a cena e os fatos desse dia, a revista O Cruzeiro, em edição extra de 10/4/1964, traz a seguinte matéria: "14 horas. É o sangue. A multidão tenta mais uma vez invadir e depredar o Clube Militar. Um carro da PM posta-se diante do Clube. O povo presente vaia os soldados. Mais tarde, choque do Exército... dispersam os agitadores, que voltam a recarga, pouco depois. Repelidos a bala, deixam em campo, feridos, vários manifestantes: entre eles Labib Carneiro Habibude e Ari de Oliveira Mendes Cunha, que morreram às 22h no Pronto-Socorro". O corpo de Labibe deu entrada no IML no dia 02/04/1964, de onde foi retirado para sepultamento pela família. De acordo com o legista Nelson Caparelli, a causa mortis foi "ferimento transfixante do tórax, por projétil de arma de fogo, hemorragia interna". Foram apresentados dois processos à CEMDP sobre o caso. Na primeira apreciação, o relator considerou que não estava comprovada a militância política de Labibe e que sua morte não se deu em dependência policial ou assemelhada. Não considerou possível o enquadramento do caso na Lei nº 9.140/95 e votou pelo indeferimento do pedido. Dois conselheiros apresentaram voto pela aprovação do requerimento e Luís Francisco Carvalho Filho pediu vistas. Depois de analisá-lo, também votou pelo indeferimento, sendo acompanhado por todos os membros da Comissão Especial, "devido à falta dos quesitos participação, ou acusação de participação em atividades políticas", e de não ter falecido em dependência policial ou assemelhada. Tais exigências, constantes na Lei nº 9.140/95, foram superadas pela Lei nº 10.875/04, que passou a reconhecer os casos de mortes em manifestações e passeatas. O caso foi, então, reapresentado e o novo relator concluiu que "pouco importa se o tiro foi ou não desfechado contra a vítima. E nem mesmo discutir a autoria do disparo. O certo é que ela morreu em decorrência do tiro disparado em manifestação pública". ============================================================================================= -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110622/21cd4fef/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13342 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110622/21cd4fef/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 22 20:28:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 22 Jun 2011 20:28:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Gastos com armamento, do imperio. Prensa latina, 21 junho 11 Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Análise A espiral explosiva da despesa mundial em armamentos Sem surpresa os EUA são responsáveis pela metade das despesas Com a despesa mundial em armamentos durante 2010, se poderia-se manter 212 milhões de crianças de aproximadamente um ano, ao custo médio necessário em um país desenvolvido europeu. A manutenção estimada por criança ali, segundo fontes extraoficiais, é de quatro mil 715 dólares ao ano, enquanto o investimento em meios bélicos aumentou em 2010, globalmente, a um trilhão 630 bilhões de dólares. Nove milhões de crianças morrem de fome anualmente no mundo, e só o protótipo do superavião britânico não tripulado Taranis, acumulou um custo de 215 milhões de dólares, os que bastariam para alimentar 45 mil 599 crianças ao ano. Nos países do sul poderiam se alimentar muitos mais pequenos, se só se tratasse de cobrir as necessidades básicas para não morrer de inanição e de doenças previsíveis ou curáveis, ainda que o anterior se assume hoje só como relações matemáticas. Mas o Tiranis, nome do Deus celta do trovão e qualificado como "a cúpula" da engenharia britânica e do desenho aeroespacial, não é o maior exemplo bélico, pois as despesas em armamentos compreendem enormes meios com capacidade de destruição totalmente global. O Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI) considera, em seu relatório sobre o ano passado, que as armas nucleares continuam representando um grande perigo apesar das promessas de redução. Como causa da pronunciada pirâmide armamentística, identifica a luta pelas riquezas naturais, devido ao aumento da demanda internacional e da penúria induzida especialmente pelas mudanças climáticas. Neil Melvin, diretor no SIPRI do programa Conflitos Armados e Gerenciamento dos Conflitos, considera que os recursos são "um fator maior de conflito". Em sua opinião, o petróleo tem desempenhado seu papel nas tensões no Sudão e na Líbia, onde contribui à guerra civil, ao que pode acrescentar, na opinião de analistas, que motiva também os bombardeios da OTAN. O aumento súbito da demanda pelo consumo, segundo o SIPRI, é a causa principal de uma concorrência crescente na busca de recursos exploráveis, até no Ártico, e no aumento dos preços, sobretudo nos da alimentação. Ante tais previsões, o alarme é maior se considera-se que os preços dos alimentos poderiam duplicar de agora a 2020. Em relação a isto, os múltiplos atos de violência da chamada primavera árabe foram engendrados em grande parte "por distúrbios causados pela fome" e os altos "preços dos produtos alimentários", opina. Sobre as armas nucleares, o SIPRI explica que as reduções anunciadas foram amplamente compensadas mediante a modernização e a multiplicação dos vetores. Só oito países possuem mais de 20 mil 500 cabeças nucleares. Desse total, "mais de cinco mil estão deslocadas e prontas para serem usadas, e duas mil mantidas em estado de elevado alerta operacional". Cinco desses estados, assinantes do Tratado de não Proliferação, "ou já estão deslocando novos sistemas de armas nucleares, ou têm anunciado sua intenção de fazê-lo". Considera assim mesmo que as despesas mundiais em armamento, sempre encabeçadas pelos Estados Unidos, experimentaram em 2010 um crescimento de 1,3 por cento, até o trilhão 630 bilhões de dólares. Os cem maiores fabricantes mundiais de armamento, exceto a China, venderam 401 bilhões de dólares de produtos bélicos em 2009, com recorde para os Estados Unidos, cuja demanda governamental continua se elevando. Seu orçamento militar para 2011 é de 708 bilhões de dólares, 42,8 por cento da despesa mundial, com o que quase atinge a todos os demais países juntos. Não obstante o quantioso, e na opinião de muitos inútil comércio e despesa em armas, a realidade evidência que este custo é insustentável, a não ser que se reembolse mediante a conquista de territórios e de outros recursos. Promover as guerras, fratricidas todas, conduz ao aniquilamento humano. Durante a última década, duas milhões de crianças foram assassinadas nas guerras, e calcula-se que 150 milhões, com capacidade trabalhista, são exploradas como força de trabalho. Quatro milhões de recém nascidos, segundo meios jornalísticos, morrem em seu primeiro mês de vida, 82 por cento não recebem antibióticos, vários milhões de menores de 14 anos têm AIDS e 500 mil mulheres falecem anualmente ao parir. Ademais, 600 milhões de crianças no mundo são vítimas da pobreza, 100 milhões vivem na rua, 150 milhões de meninas e 73 milhões de menores de 18 anos são explorados sexualmente e um milhão 800 mil caíram no comércio sexual. Expande-se a opinião de que "há muito os países poderosos... escolheram o caminho da arma e da guerra para resolver suas carências de energia e outros recursos naturais, sem pensar e analisar que podem acarretar estes fatos no futuro". O Taranis, capaz de empreender tanto tarefas de espionagem e vigilância como de transportar armas para atacar todo tipo de alvos, foi desenvolvido por BAE Systems, Rolls-Royce, Qinetiq e GE Aviation com o apoio do Ministério de Defesa britânico, durante quatro anos, concluídos em 2010. Gerald Howarth, o ministro para Assuntos de Defesa, declarou a BBC Mundo que "Taranis é um projeto realmente de vanguarda. Primeiro de seu tipo no Reino Unido, reflete melhorer os avanços de desenho e as habilidades tecnológicas de nosso país e constitui um programa líder no cenário mundial". Mas "é um primeiro passo para o Reino Unido", pois "não se trata de um avião que vá entrar em serviço, senão de uma demonstração tecnológica que provará técnicas, demonstrará capacidades e assinalará a direção na qual vamos". Segundo as pesquisas, compreendeu-se de que se trata... e é só um exemplo. Sobretudo quando os déficits públicos se mantêm à ordem do dia, descem as despesas sociais, se privatizam bens do patrimônio, também na União Européia, e se elevam os orçamentos militares em países aos que ninguém agride. Seus investimentos bélicos impedem salvar aos famintos, ao mesmo tempo que provocam a morte, também em espiral. (*) Redação Global da Prensa Latina. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110622/ca07cceb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3911 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110622/ca07cceb/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 22 20:28:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 22 Jun 2011 20:28:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Vozes_contra_globaliza=E7=E3o=2C_?= =?iso-8859-1?q?contra_o_deus_mercado_-_bom_v=EDdeo?= Message-ID: <9B0398D099ED4C459D0F8F2CF11730CB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Oi. Veja e ouça Galeano, Saramago, Casaldáliga e outros... A luta continua. Eli. eliete@ http://www.youtube.com/watch?v=stV_e8Lk0YM -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110622/278b3edc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 23 16:11:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 23 Jun 2011 16:11:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__PEDRO_DOMIENSE_DE_OLIVEIRA__e__P=C9RI?= =?iso-8859-1?q?CLES_GUSM=C3O_R=C9GIS__e__BENEDITO_PEREIRA_SERRA___?= =?iso-8859-1?q?_____________-CLXXIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem PEDRO DOMIENSE DE OLIVEIRA (1921-1964) Filiação: Januária Domiense de Oliveira e João Fagundes de Oliveira Data e local de nascimento: 14/05/1921, Salvador (BA) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 07 ou 09/05/1964, Salvador (BA) Natural de Salvador, o funcionário público Pedro Domiense era casado com Maria de Lourdes Santana Domiense de Oliveira, com quem teve três filhos. Foi presidente da Associação dos Posseiros do Nordeste de Amaralina, da Sede Beneficente dos Moradores de Ubaranas e das Classes Fardadas do Departamento de Correios e Telégrafos de Salvador (BA). Começou a militância política no Colégio Central da Bahia. Concluiu o curso de bacharel em Ciências e Letras, mas interrompeu os estudos em função de perseguições políticas. Havia trabalhado no jornal O Momento, ligado ao PCB, sendo espancado com outros colegas quando o Exército efetuou ocupação de sua sede. Em 1950, ingressou no Departamento de Correios e Telégrafos. Foi preso no dia 04/05/1964, na sede dos Correios, em Salvador. Segundo a versão oficial, suicidou-se no Quartel da 6ª Região Militar, no dia 09/05, mas uma testemunha indica taxativamente o dia 7 como data da morte. Consta como causa mortis, "intoxicação aguda exógena", assinada pelo legista Edgard dos Passos Marques. Sua esposa passou um ano sendo vigiada pelo Exército. O primeiro relator na CEMDP considerou que a única prova "de que Pedro Domiense de Oliveira fora preso por motivos políticos" era uma breve notícia de jornal e deu parecer pelo indeferimento. Foi apresentado um pedido de vistas do processo e, em 19/11/1996, a relatora apresentou o voto pelo deferimento, com novas provas documentais. Constatou que apesar de o nome de Pedro Domiense não constar do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, fazia parte de outras listas de mortos elaboradas anteriormente, inclusive dos Anais da Comissão Mista sobre Anistia do Congresso Nacional. Constou também no novo relatório um recorte do jornal A Tarde, da Bahia, onde se lê, sob o título Expurgo no DCT, que fora "determinada a prisão de Pedro Domiense de Oliveira, ex- presidente das Classes Fardadas do DCT, encaminhado para a 6ª Região Militar para o devido interrogatório, dentro do plano de expurgo iniciado dias atrás pelo atual diretor regional dos Correios". Foi anexado, ainda, depoimento de Maria Helena dos Santos, que presenciou a prisão de Pedro, declarando que ele foi conduzido por dois soldados do Exército que informaram estar sendo levado ao Quartel general da 6ª Região Militar, na Mouraria, para interrogatório. "No mesmo dia 4 de maio de 1964, me dirigi à 6ª Região Militar para saber o paradeiro do sr. Pedro Domiense e o coronel Maurino informou-me que ele estava preso e incomunicável. Retornei à casa dos seus familiares, que estava tomada por soldados do Exército, e informei à sua esposa o que me foi dito pelo coronel Maurino". No dia 06/05/64, um vendedor ambulante contou à sra. Maria de Lourdes que, ao passar nas imediações da base aérea, no local conhecido como Santo Amaro, havia visto o sr. Pedro Domiense quase morto. Maria se dirigiu ao local e levou o marido à base aérea que imediatamente o encaminhou à 6ª Região Militar. Chegando lá, o mesmo coronel Maurino mandou levá-la em um carro, acompanhado por soldados, até o Pronto-Socorro Getúlio Vargas. No dia 7 de maio de 1964, o sr. Pedro Domiense de Oliveira faleceu às 15h10. Ao encaminhar o deferimento, a relatora ressaltou que as reais circunstâncias da morte de Pedro não poderiam ser restabelecidas, mas que a versão de suicídio por ter ingerido veneno durante a prisão era insustentável. A CEMDP solicitou novas diligências para confirmar a data da prisão. Em reunião do dia 02/10/1997, a relatora apresentou um Adendo ao Relatório, em resposta às diligências solicitadas. Agregou que o Comando Militar do Nordeste, em ofício assinado pelo general Cândido Vargas de Freire, comandante da 6ª Região Militar, informava não dispor das ordens de prisão e soltura de Pedro Domiense de Oliveira, ou de qualquer outro documento sobre ele. Acrescentou a relatora que o IML encaminhara o laudo de exame cadavérico, reafirmando a morte por intoxicação, e que os peritos teriam enviado fragmentos do estômago e fígado para exame toxicológico, sendo detectada a presença de substâncias utilizadas em raticidas ou inseticidas. Foi ainda anexado depoimento de Washington José de Souza, companheiro de prisão de Pedro Domiense, afirmando que ele foi torturado. A relatora reiterou o pedido de deferimento, que foi então acatado por 6 x 1. + Informações. PEDRO DOMIENSE DE OLIVEIRA (1921-1964) Filiação: Januária Domiense de Oliveira e João Fagundes de Oliveira Data e local de nascimento: 14/05/1921, Salvador (BA) Data e local da morte: 07 ou 09/05/1964, Salvador (BA) Pedro recebeu ordem de prisão no dia 04/05/1964, na sede dos Correios, em Salvador, onde trabalhava. Segundo a versão oficial, suicidou-se no Quartel da 6ª Região Militar, no dia 09/05, mas uma testemunha indica taxativamente o dia sete como data de seu falecimento. De acordo com o laudo do legista, ele morreu por "intoxicação aguda exógena". O exame cadavérico feito pelo IML menciona a presença de substâncias utilizadas em raticidas ou inseticidas. No mesmo processo, a testemunha Washington José de Souza, companheiro de prisão Domiense, garante tê-lo visto após sessões de tortura. Natural de Salvador, Pedro foi presidente da Associação dos Posseiros do Nordeste de Amaralina, da Sede Beneficente dos Moradores de Ubaranas e das Classes Fardadas do Departamento de Correios e Telégrafos de Salvador (BA). Começou a militância política no Colégio Central da Bahia, tendo cursado Ciências e Letras. Interrompeu os estudos em função de perseguições políticas. Vinculado ao jornal O Momento, do PCB, foi espancado quando o Exército efetuou uma ocupação da sede do periódico. Sua detenção, efetuada por dois soldados do Exército, diante dos Correios e Telégrafos, foi presenciada por Maria Helena dos Santos. Segundo ela, os militares informaram que ele seria interrogado no Quartel general da 6ª Região Militar. Maria Helena informou a família e conseguiu ordem para visitá-lo no Pronto-Socorro Getúlio Vargas, onde Oliveira morreu, às 15h10min do dia 7 de maio de 1964 ============================================================================================================ PÉRICLES GUSMÃO RÉGIS (1925-1964) Filiação: Laudicéia Gusmão de Freitas Silva e Adalberto Régis Keler da Silva Data e local de nascimento: 05/12/1925, Vitória da Conquista (BA) Organização política ou atividade: vereador do MTR Data e local da morte: 12/05/1964, Vitória da Conquista (BA) Casado e pai de quatro filhos, estando sua esposa no sétimo mês de uma nova gravidez, Péricles Gusmão Régis era vereador em Vitória da Conquista (BA), do partido Movimento Trabalhista Renovador (MTR). Foi preso no Quartel da Polícia Militar (9º BPM/VC), em 06/05/1964, junto com o prefeito, Pedral Sampaio, e várias pessoas de seu grupo político. O vereador era líder do prefeito na Câmara Municipal. De acordo com a versão oficial, foi encontrado morto no dia 12/05/1964. O médico oftalmologista Hugo de Castro Lima, preso na mesma época, atestou como causa mortis anemia aguda, devido à hemorragia externa, devido a secção de vasos sanguíneos (suicídio)". Péricles foi detido por ordem do comandante do 19º Batalhão de Caçadores do Exército, para responder a IPM presidido pelo capitão Antonio Bandoqui em razão de "crime contra a segurança nacional". No inquérito consta que: "Após prolongado interrogatório, realizado em dependências daquele quartel (...) Péricles (...) foi reconduzido à 'sua' cela, onde foi encontrado morto, em 12/05/1964". Na verdade, o vereador foi interrogado ininterruptamente das 7 horas do dia 11 de maio às 2 horas do dia seguinte. O relator na CEMDP ressaltou em seu voto o depoimento do radialista Gilson Moura Silva, que ficou na cela até mais de meia-noite do dia 11/05/1964, quando chegaram dois soldados trazendo Péricles, que, segundo eles, "terminara seu longo e tenso interrogatório". Gilson recebeu ordens de sair da cela para que o vereador ficasse sozinho. "Péricles estava muito deprimido, semblante carregado, muito diferente daquele que eu encontrara dias atrás (...) Mais tarde vimos passar Dr. Hugo de Castro Lima. Horas depois é o próprio Hugo que nos dá a pavorosa notícia da morte de Péricles. Ele não suportara a tortura mental que sofrera na cela, isolado, após o interrogatório". No depoimento de Raul Carlos Andrade Ferraz, consta que "a cela já estava um pouco vazia (...) e quando Péricles voltou (...) o fez apenas para apanhar seus pertences pessoais (...) Foi proibido de conversar (...) estava transtornado (...) saiu e foi para outra cela (...) Pouco depois ouvi vozes e vi Dr. Hugo de Castro Lima entrar pelo corredor e, segundo soube em seguida, este efetuou autópsia e concluiu que Péricles teria se suicidado, teria se cortado com gilete, nos pulsos, no pescoço e no braço". O relator acrescenta em seu voto que, nos depoimentos das pessoas mencionadas, ficou clara a militância política de Péricles, o que causou a sua prisão no quartel da Polícia Militar, restando comprovado que, "tendo sido acusado de participação em atividades políticas, faleceu por causas não naturais, muito provavelmente por suicídio, em dependência policial militar". O reconhecimento da morte de Péricles Gusmão Régis como responsabilidade do Estado foi aprovado por unanimidade, com ressalva à versão de suicídio, apresentada pelos conselheiros Suzana Keniger Lisbôa e Nilmário Miranda. + Informações. HOMENAGEM HOMENAGEM - 03/03/1999 Ruy Medeiros Em julho deste ano, Vitória da Conquista presenciará uma homenagem profunda a 27 baianos, vítimas da ditadura militar. Será inaugurado em praça pública um monumento contendo os nomes de Antonio Carlos Monteiro Teixeira, Aderval Alves Coqueiro, Carlos Marighella, Dermeval da Silva Pereira, Dinaelza Santana Coqueiro, Dinalva Oliveira Teixeira, Eudaldo Gomes da Silva, Jorge Leal Gonçalves, José Lima Piauhy Dourado, João Carlos Cavalcante Reis, José Campos Barreto, Joel Vasconcelos Santos, Luís Antonio Santa Bárbara, Mário Alves de Souza Vieira, Maurício Grabois, Nilda Carvalho Cunha, Nelson Lima Piauhy Dourado, Péricles Gusmão Regis, Pedro Domiense de Oliveira, Otoniel Campos Barreto, Rosalindo Souza, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Uirassu de Assis Batista, Vitorino Alves Moitinho, Vandick Reidner Pereira Coqueiro e Walter Ribeiro Novaes. Dentre as pessoas referidas, são conquistenses: Péricles Gusmão Regis, filho de Adalberto Regis Keller da Silva e Laudicéia Gusmão de Freitas Portela, nascido em 5 de dezembro de 1925, e falecido em 12 de maio de 1964, e Dinaelza Soares Santana Coqueiro, filha de Antonio Pereira de Santana e Jumília Soares Santana, nascida em 22 de março de 1949, e falecida em 1973, no Araguaia. Péricles Gusmão Regis fora eleito vereador pela legenda do MTR - Movimento Trabalhista Renovador - nas eleições de 1962. Preso por força do exército comandada pelo Coronel Bendochi Alves Filho, em 12 de maio de 1964 foi encontrado morto em cela do quartel da polícia militar, em Vitória da Conquista. Dinaelza Santana Coqueiro residira em Jequié, Bahia, e para completar estudo fora para Salvador, Bahia. Aí passou a militar no PCdoB, juntamente com Wandick Coqueiro, e depois ambos foram para o Araguaia e nunca mais foram vistos. O monumento tem a arte de Romeu Ferreira (artista expressionista, que hoje incursiona pelo neo-barroco), a partir de esboço feito pela Professora Ana Palmira B. S. Casimiro. Sobre a idéia de uma figuração vazada em pedra, parcialmente jungida a outra lâmina de ganito, imaginada pela Professora Ana Palmira, Romeu Ferreira desenvolveu o monumento, dando-lhe grande expressividade, completando-o. O desenho vazado, que significa ausência, representa a memória e esta fixa-se ainda mais em razão da "perenidade" do granito e da figuratividade de sua cor verde-ubatuba. Os baianos homenageados foram vítimas da ditadura militar, em razão de seu combate político. A preservação da memória dos que resistiram à opressão fascista é uma tarefa de singular importância: Não se trata de lembrar emotivamente pessoas que foram semente de história, mas de denunciar para hoje e para o futuro que haverá sempre quem se oponha às ditaduras e que o destino do homem é a liberdade com igualdade social. O monumento tenta dizer isso com o nome daqueles que se igualaram na busca do futuro. Em pedra duradoura ( e assim espera-se que o seja), uma memória é resgatada: Não se trata apenas de preservar nomes. Mas é todo um tempo obscuro e terrível que fica lembrado: "Um tempo de guerra, um tempo sem sol". A ditadura ceifou vidas, sonhos e liberdade. Torturou, matou, prendeu, cassou direitos, baniu, exilou. Mas houve a resistência. Então, nomes, momentos e resistência são lembrados. Quem olhar assim com os olhos de ver um monumento de pedras há de pensar que a luta dos homenageados não foi em vão. Afinal estão mortos, estão vivos. + Informações. Lembranças do Mar Cinzento (XIII) Publicado em A TARDE em 27/02/2002 Emiliano José Houve quem não acreditasse no suicídio. O enterro, com a participação de uma multidão, era mais do que uma homenagem ao morto, como diria Ruy Medeiros, advogado e memória viva do município. A cidade fazia o seu protesto. Chorava, homenageava e protestava. Havia os que achavam que Péricles Gusmão Régis fora assassinado pela ditadura. Muito cedo, Vitória da Conquista, encravada no Sudoeste baiano, a 500 quilômetros de Salvador, experimentava o terror do golpe de 1º de abril de 1964. Péricles fora interrogado pelo chefe do Inquérito Policial Militar (IPM), capitão do Exército Antônio Bendochi Alves Filho, no então Quartel da Polícia Militar, na Avenida Brumado, onde atualmente funciona o 9º Batalhão da Polícia Militar. O interrogatório durou vários dias. Começara no dia 6 de maio de 1964, quando Péricles fora preso. O mais duro, longo e tumultuado ocorreu entre as 7 horas do dia 11 e as 2 horas do dia 12. Ao final desse interrogatório, Péricles foi levado à cela onde estavam outros companheiros presos. A ele se pediu que arrumasse rapidamente seus pertences. Foi colocado numa solitária. No dia 12, pela manhã, recebeu a visita de seu primo Hermann Gusmão Prattes, que atendia a pedido da mulher de Péricles, Maria Portela Gusmão, que ficara impressionada com seu estado quando lhe fora levar o café da manhã no quartel. "Sua situação física e moral era realmente ruim. A nossa presença junto a Péricles naquele dia foi escoltada por dois oficiais. Não pudemos conversar quase nada. O ambiente no quartel era horripilante. Ele estava em prisão solitária. Nossa visita durou poucos minutos, por imposição dos militares". Pouco tempo depois, no mesmo dia, foi encontrado morto, com vários ferimentos. "Um dos presos na época relata que ouviu de um companheiro de cela a informação de que havia ocorrido luta corporal entre Péricles Gusmão Régis e o capitão Bendochi Alves Filho", diz Ruy Medeiros. Ele acrescenta: "O primeiro parente a ver o corpo nu de Péricles estranhou a grande quantidade de hematomas e de cortes e ficou com a impressão de que Péricles tenha sido torturado, amarrado com fios metálicos finos que o cortaram quando tentara desvencilhar-se. Os cortes teriam sido provocados pelo fio, não pela lâmina de barbear encontrada na cela". O parente a que se refere Ruy Medeiros era Hermann Gusmão Prattes, que, uma hora depois da visita que lhe fizera, foi apanhado em casa por uma viatura do Exército "com a notícia de sua morte e que eu deveria assistir o seu levantamento cadavérico". Prattes, em depoimento por escrito datado de 10 de setembro de 1995, ressalta que, apesar de Vitória da Conquista contar com médicos-legistas, os militares pediram ao oftalmologista Hugo de Castro Lima, companheiro de prisão de Péricles, que fizesse o levantamento cadavérico. Atestou-se suicídio. O atestado de Castro Lima tinha valor pelo respeito de que desfrutava. Por isso também há os que acreditam que Péricles se matou. Prattes, no entanto, que presenciou tudo, disse que não teve condições psicológicas e emocionais "para perguntar as causas dos hematomas, ferimentos e outros indícios que mostrava em seu corpo nu". Ruy Medeiros foi advogado da família de Péricles Gusmão junto à Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, instituída pelo governo federal. A comissão reconheceu a responsabilidade do Estado na morte de Gusmão. A dúvida sobre o suicídio permaneceu. E quem era este homem? Nascera em 5/12/1925. Envolveu-se muito cedo com a luta política e era defensor das idéias socialistas. Eleito vereador pelo Movimento Trabalhista Renovador (MTR) em 1962, torna-se líder do prefeito Pedral Sampaio, eleito pela coligação PSD/MTR, oposição ao esquema dominante em Conquista. Freqüentava regularmente a Loja Maçônica Cavaleiros do Oriente, onde defendia seus pontos de vista, entre os quais o voto do analfabeto, a reforma agrária e a redistribuição da renda. Suas posições tornavam-se mais irritantes ainda para a classe dominante local porque ele não era uma pessoa pobre. Tudo isso começou com um ônibus estacionado na Praça Rio Branco, que podia ser apropriadamente chamado de ônibus da morte ou do terror, como se queira, sede do golpe militar naquele momento, gerenciado pelo capitão do Exército, Antônio Bendochi Alves Filho. As pessoas delatadas eram primeiramente conduzidas ao coletivo, fichadas, e depois seguiam no próprio ônibus para o Quartel da Polícia Militar, sempre sob as ordens iradas do capitão Bendochi, senhor de baraço e cutelo de Vitória da Conquista naquele momento... Emiliano José é jornalista e vereador (PT/BA). + Detalhes. Há 44 anos, um desesperado maio :Publicado em 17/05/2008 no blog do Paulo Nunes "................................................................................................................................................................ " A fase de governo de João Goulart coincide com momento de lutas sociais. Do ponto de vista político mais amplo, surgiu o debate em torno das chamadas "Reformas de Base". Os reformistas, inclusive o setor majoritário das esquerdas, divulgavam amplamente que o País só cresceria e só sairia da crise se adotasse um amplo conjunto de reformas: reforma do sistema bancário; alteração na política de exportação, câmbio e capital estrangeiro; reforma agrária; reforma urbana; reforma da educação etc. Os sindicatos passaram a atuar de forma mais ampla e fora criada a CGT (impedida, depois, por força dos acontecimentos, de estruturar-se legalmente). As esquerdas mobilizavam-se e o PCB buscava sua legalização. O "programa" do "desenvolvimentismo nacional" ganhava espaço entre políticos, intelectuais e a população. A direita passou a articular o golpe, que seria desferido em 31 de março, ou 1º de abril, tanto faz. O fato de haver sido desferido em 1º de abril, dia da mentira, não impede a realidade do autoritarismo implantado. Em Vitória da Conquista, as idéias de "Reformas de Base" alcançaram repercussão. Na década de 60, eram aqui discutidas e fizeram-se acompanhar de movimento mobilizador. Os bancários realizaram greve. Os pedreiros fundaram seu sindicato. Os estudantes organizaram seus grêmios e passou a haver certo movimento estudantil. A polarização nacional repercutia em Vitória da Conquista e aqui se acentuou quando João Goulart assinou o decreto da Reforma Agrária, tímida medida de desapropriação de áreas ao longo das rodovias federais. A medida motivou muitos protestos e, em Vitória da Conquista, políticos de direita e fazendeiros reagiram. No Cine Conquista, realizaram um ato durante o qual criticaram veementemente o presidente da República, combateram a idéia de reforma e os comunistas. Os discursos dos oradores diziam mais que o simples descontentamento com a reforma agrária trombeteada, apesar de tímida em sua proposta oficial. Mas os derrotados nas eleições de 1962 ainda viviam o desconforto da derrota. Não a aceitavam. Parecia-lhes absurdo a perda do mísero poder local. Na imprensa, com o jornal "O Sertanejo", e na câmara, com os vereadores da UDN e do PTB, desenvolviam a oposição, quer à administração local, quer às reformas pretendidas. O golpe Em abril, o golpe. Parecido com todos os golpes, já disseram. O estabelecimento da ditadura, parecida a todas as ditaduras, já disseram também. A ditadura que dizia ser feita para salvar a democracia, começou como começam as ditaduras em geral - proibindo o direito de emissão do pensamento contrário ao poder e o direito de reunião. Tudo seguido de prisão, torturas, exílios, cassação de mandatos, expulsões de empregos etc, etc. A orgia sádica dos vencedores. Há situações para as quais as definições não bastam. A situação de terror imposta pela ditadura militar no Brasil é uma daquelas. Em Vitória da Conquista, era chegada a hora da desforra. Não se tratava apenas (no entender de alguns derrotados em 1962) de combater a subversão e os comunistas. Era preciso ir à forra. Vingar-se. O caminho até maio foi difícil, mas aquele terrível mês de maio chegou. "O Sertanejo" agitava a defesa dos golpistas e, na Câmara de Vereadores, os edis da UDN e do PTB falavam em "incorporar Vitória da Conquista aos fatos nacionais recentes". Ou seja - para ser claro - o golpe deve agir mais intensamente no município, é o que queriam dizer. Depois, abertamente, sugerem e aprovam o convite para que aqui venha apurar fatos uma comissão dos novos senhores do poder (novos?). Maio de 1964 A.D. (A.D.?) Em 5 de maio de 1964, eles chegaram. Em 6 de maio começaram o trabalho sujo auxiliados pelo despudor da delação. Os "comunistas" iriam "ver como se faz". Já no dia seguinte, 6 de maio, as prisões tiveram início. Pára um ônibus, estacionado na praça Barão do Rio Branco, no centro da cidade, eram conduzidos os prisioneiros. Dali foram levados às celas do Batalhão de Polícia (hoje 9º BPM/VC), onde eram interrogados, respondendo a IPM - Inquérito Policial Militar, sob supervisão do sr. Antonio Bendochi Alves Filho, capitão do Exército. Foram presos Alcides Araújo Barbosa (presidente do Sindicato dos Comerciários), Altino Pereira (presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil), Aníbal Lopes Viana (jornalista e suplente de vereador), Atenor Rodrigues Lima, "Badú", (comerciário), Edvaldo Silva (presidente da Associação dos Panificadores), Érico Gonçalves Aguiar (agricultor), Franklin Ferraz Neto (juiz trabalhista), Galdino Lourenço (motorista), Gilson Moura e Silva (radialista), Hemetério Alves Pereira (livreiro), Hugo de Castro Lima (médico), Ivo Vilaça Freire de Aguiar (funcionário público), Jackson Fonseca (radiotécnico), João Idelfonso Filho (publicitário), José Luiz Santa Izabel (bancário), José Fernandes Pedral Sampaio (engenheiro civil, prefeito), Juracy Lourenço Neto (comerciário), Lúcio Flávio Viana Lima (bancário), Luis Carlos (bancário), Paulo Demócrito Caires (estudante), Péricles Gusmão Régis (comerciário e vereador), Raimundo Pinto (comerciante), Raul Carlos Andrade Ferraz (advogado), Reginaldo Santos (bancário, diretor do jornal "O Combate"), Vicente Quadros Silva Filho (radiotécnico) e outros. Depois, foram presos Everardo Públio de Castro (professor), Anfilófio Pedral Sampaio (funcionário público e suplente de vereador), Camilo de Jesus Lima (escritor e oficial do Registro de Imóveis), este preso em Macarani e transportado para Vitória da Conquista. Flávio Viana de Jesus, marceneiro e diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, não suportando mais a pressão de boatos e intimidações, entregou-se à prisão. A repressão não ficou nisso. O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil foi fechado e a população foi atemorizada. No próprio dia 6, por determinação militar, a Câmara de Vereadores cassou o mandato do prefeito e empossou no cargo o vereador Orlando da Silva Leite, que seria eleito formalmente, pela Câmara Municipal, prefeito, em junho. O cerco aumentava, a direita divulgava boatos, os meios de comunicação elogiavam os ditadores. Em 13 de maio de 1964, um dos presos, Péricles Gusmão Régis(1) apareceu morto na cela onde fora aprisionado. Era um vereador combativo. Embora vinculado ao MTR - Movimento Trabalhista Renovador - pelo qual fora eleito, tinha ligação com grupo de esquerda (sempre que ia a Belo Horizonte, voltava com literatura política entregue pelo grupo, ao que consta). Sua morte não foi bem explicada e a informação oficial (que aparece em seu registro de óbito) é a de suicídio. É possível que tenha sido assassinado. Um dos presos na época relata que ouvira de um companheiro de cela a informação de que havia ocorrido luta corporal entre Péricles Gusmão Régis e o capitão Bendochi Alves Filho. O primeiro parente a ver o corpo nu de Péricles estranhou a grande quantidade de hematomas e de cortes e ficou com a impressão de que Péricles tenha sido torturado, amarrado com fios metálicos finos que o cortaram quando tentara desvencilhar-se. Os cortes teriam sido provocados pelo fio, e não pela lâmina de barbear encontrada na cela(2). O grande cortejo fúnebre de Péricles Gusmão Régis não foi simples homenagem ao morto. Aí estava presente o profundo sentido de protesto: protesto, pesar e homenagem. Dentre os presos, Atenor Rodrigues Lima (Badú), Camilo de Jesus Lima, Flávio Viana de Jesus, Franklin Ferraz Neto, Hemetério Alves Pereira, João Idelfonso, José Pedral, Paulo Demócrito e Raul Ferraz foram transferidos para Salvador, onde permaneceram respondendo a IPM. Seriam liberados depois, demorando mais o professor Everardo, que ficou onze meses e que seria o único formalmente condenado por crime político, em razão do referido IPM, retornando anos depois à prisão(3). José Pedral teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, quando da edição do Ato Institucional nº 2 pela ditadura militar." * Ruy Medeiros é advogado e historiado ======================================================================================================= BENEDITO PEREIRA SERRA (1913-1964) Data e local de nascimento: 08/12/1913, Bragança (PA) Filiação: Tereza Joana Pereira de Moraes e Benvindo de Moraes Serra Organização política ou atividade: sindicalista rural Data e local da morte: 16/05/1964, Belém (PA) Paraense de Bragança, Benedito Pereira Serra adoeceu e morreu em conseqüência de torturas. Antes de ser preso, em 09/04/1964, em Castanhal, quando seguia para sua terra natal, gozava de plena saúde. Na prisão, torturado e submetido a condições degradantes, contraiu hepatite infecciosa viral e, mais tarde, hepatite aguda fulminante, falecendo no mês seguinte. Integrante da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Pará (ULTAP), Benedito morreu no Hospital do Exército, em Belém (PA), em 16/5/1965, sendo atestada hepatite infecciosa, insuficiência hepato-renal e toxemia. A prisão foi noticiada nos principais jornais da região, mas sua esposa, Miracy, só pode vê-lo quase um mês depois, em 3 de maio, quando o marido preso já estava doente, febril e debilitado por torturas e maus tratos. No dia 9, quando foi novamente visitá-lo, Miracy soube que ele fora transferido para o Hospital do Exército. No dia 19, o jornal A Província do Pará informou: "Faleceu o comunista que estava preso", vítima de forte hepatite aguda. Em depoimentos para a CEMDP, tomados no 4° Oficio de Notas de Belém, amigos e companheiros de Benedito confirmaram a liderança que exercia entre os trabalhadores rurais, relembrando que era um homem forte e alegre. Foi com espanto que o encontraram pálido, magro, sem forças, e ouviram os relatos de tortura e as péssimas condições de prisão. O laudo da necropsia foi assinado pelo patologista José Monteiro Leite. O diagnóstico macroscópico foi confirmado pelo exame histopatológico dos órgãos. Edraldo Lima Silveira, médico patologista da Universidade Federal do Pará, confirmou em 23/02/1996 à CEMDP que Benedito Pereira Serra faleceu no Hospital Militar de Belém no dia 16/05/64, às 19h. Em 14/05/1996, o relator na CEMDP votou pelo deferimento, alegando que a morte ocorrera por causa não natural. Devido a questionamentos levantados durante a discussão do parecer, um conselheiro pediu vistas e apresentou seu relatório no dia 19/11/1996. Em seu voto, acrescentou declaração de Edraldo Lima Silveira à CEMP: "Como está fartamente documentado, sabemos que o Benedito foi preso e torturado durante o regime militar de 1964 com posterior morte no Hospital do Exército em Belém do Pará. Conforme depoimento da esposa, a vítima esteve em prisões diversas, onde eram péssimas as condições de higiene. Conforme laudo da necropsia, sua causa mortis foi hepatite infecciosa. Considerando que o Benedito gozava de perfeitas condições de saúde física e mental, antes de ser preso, fica fácil concluir que a doença que ocasionou sua morte foi contraída no ambiente prisional, portanto de inteira responsabilidade do regime da época". Numa primeira decisão, a maioria da CEMDP considerou não ter sido provado que a morte ocorrera por causa não natural, indeferindo o processo. Em 2004, com a ampliação dos critérios da Lei nº 9.140/95, o processo foi reapresentado, incluindo declaração de Almir Gabriel, eleito governador do Pará em 1994, que chegou visitar Benedito no Batalhão de Infantaria da PM, em Belém, 30 anos antes, tendo recomendado sua remoção urgente para o Hospital Geral, em razão de seu precário estado de saúde. O relator do segundo processo tornou a ressaltar a certeza do caráter político da prisão e também dos maus tratos sofridos. Ponderou: "Ainda que a hepatite pudesse ter sido contraída antes da prisão, o fato é que a tortura e os maus tratos, nestes incluídos a falta de assistência médica inicial antes da situação tornar- se crítica, a falta dos cuidados extremamente especiais que a doença exige, a transferência feita na iminência da morte, provocada por reclamação de influente político local, agravaram em muito e devem ter sido determinantes do resultado óbito, além de denotar o desprezo da autoridade militar pela pessoa, pela dignidade e pela integridade e saúde do detido, seguramente por sua suposta condição de militante comunista e 'agitador subversivo'". Votou pelo deferimento, sendo acompanhado na decisão por todos os integrantes da CEMDP. + Informações. Benedito Serra. Lavrador e presidente da União dos Lavradores da Zona Bragantina. Acusado de pertencer ao PCdoB, foi preso e recolhido pelas forças armadas. Apareceu morto no Hospital Militar em 18 de maio de 1964, no município de Castanhal. [Fontes: A Província do Pará, 19.05.64, pág.06, MST]. RetRato da RepRessão política no campo - BRasil 1962-1985 camponeses toRtuRados, moRtos e desapaRecidos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110623/5ef432d6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 22384 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110623/5ef432d6/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 23 16:11:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 23 Jun 2011 16:11:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Come=E7a_uma_revolu=E7=E3o_anti?= =?windows-1252?q?capitalista=3F?= Message-ID: <56EF983ADBD94DCC9A9DACADE4AFE6E3@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Aldo Rene Vera Sarubbi To: urda at flynet.com.br ---------- Começa uma revolução anticapitalista? Em uma memorável passagem do Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmam que com o seu ascenso a burguesia rasgou impiedosamente o véu ideológico que impedia que os homens e mulheres percebecem a verdadeira natureza de suas relações sociais afogando ?o sagrado êxtase do fervor religioso, o entusiasmo cavalheiresco e o sentimentalismo pequeno burguês na gélidas água do cálculo egoísta?. A atual crise do capitalismo e os crescentes protestos e mobilizações populares contra as políticas de ajuste promovido pelo FMI, o Banco Mundial e o Banco Central Europeu corroboram as palavras proféticas do Manifesto. A nova crise geral do capitalismo mergulhou as ilusões fomentadas pelos mentores e beneficiários da democracia liberal "nas águas geladas do cálculo egoísta". Como dizia um dos cartazes pendurados em Puerta del Sol de Madrid "isto não é uma crise, é uma farsa?. E ao lado dessa dolorosa descoberta, segue outra: a farsa não apenas se executava no terreno econômico. A fraude também foi montada no âmbito político ao ter induzido a maior parte da população a que acreditasse que a sórdida e inescrupulosa plutocracia a que estavam submetidos era uma democracia. Por isso, a reivindicação exigindo uma "democracia real já" e uma "democracia verdadeira" para substituir a pseudodemocracia cujo interesse excludente é a preservação da riqueza dos ricos e o poderio dos poderosos. A crise teve o efeito de tornar as pessoas conscientes do mundo desenvolvido, de que tanto eles, como nós no Sul global, somos vítimas de um sistema que tendo sido despojado das roupas que escondiam a sua verdadeira natureza de ontem, submetendo a todos a uma "exploração aberta, descarada, direta e brutal?. E o que chamam de democracia é na verdade a ditadura da oligarquia financeira, que, como lembrava Che na Conferência de Punta del Este, é incompatível com a democracia. Dias atrás, o Financial Times de Londres publicou um relatório sobre os salários recebidos pelos altos executivos das maiores empresas. A nota diz que "em relação aos banqueiros, a era da contenção (salárial) terminou?. Em 2010, enquanto o mundo continuou continuava a sua queda livre em direção ao desemprego em massa, as execuções hipotecárias e o empobrecimento generalizado da população, "a remuneração média dos chefes de 15 grandes bancos europeus e dos EUA aumentaram 36% até (atingirem uma média de) 9,7 milhões de dólares?. Na Espanha, abalada até em seus fundamentos por uma onda de manifestações de "indignação", o presidente do BBVA, Francisco González, ganha cerca de 8 milhões de dólares por ano, enquanto seu colega do Banco Santander, o mais importante da Espanha foi mais ambicioso e os seus esforços em prol dos seus investidores, recompensados com 13 milhões de dólares. Nesta situação cabe perguntar pelo destino dessas orgulhosas e arrogantes pseudo-democracias, desmistificadas ao calor de uma crise que demonstrou que são regimes políticos fraudulentos à serviço das oligarquias e da opressão dos povos. Serão estes protestos e mobilizações o precipitar de revolução anticapitalista? Difícil saber, mas parece certo que "os de baixo não podem e não querem continuar vivendo como antes?, para usar a formulação clássica de Lênin. Os protestos, que agora comovem a Europa, talvez possam ser a ante-sala de uma revolução anticapitalista, mas isso é um processo e não um ato. A luta de classes e a resistência ao imperialismo e seus "cães de guarda" no sistema financeiro global (o FMI, o Banco Mundial, o BCE) podem fazer com que o princípio iniciado como um protesto contra o desemprego, a redução salarial e os cortes nas verbas sociais terminem sendo o motor que impulsiona até agora a improvável e imprevisível revolução no coração do capitalismo desenvolvido. É muito cedo para dizer, mas nós sabemos que a partir de agora as coisas serão diferentes: a de que os condenados da terra não querem continuar vivendo como antes e os ricos estão começando a perceber que eles não podem continuar dominando como antes. São condições necessárias - embora insuficientes ?, de uma revolução, o que não é pouca coisa. O intelectual Atilio Boron é sociólogo argentino e analista internacional. IHU/Unisinos, Página/12, 21/6/2011 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110623/abe907a2/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 23 16:11:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 23 Jun 2011 16:11:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] OS MITOS EM QUEDA - ENTREVISTA COM RALPH SCHOENMAN Message-ID: <30DCDA4C2E454D478FC2DFE15AB93014@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br OS MITOS EM QUEDA - ENTREVISTA COM RALPH SCHOENMAN O escritor e diretor da Campanha Palestina pede o fim de toda a ajuda ao Estado de Israel e acusa: "A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas" Stylianos Tsirakis* Revista Teoria & Debate Ralph Schoenman foi diretor-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel, papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Com seu trabalho assegurou a libertação de prisioneiros políticos em muitos países e fundou o Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra dos Estados Unidos na Indochina, organização da qual foi secretário-geral. Velho militante na vida política, fundou o Comitê dos 100, que organizou a desobediência civil massiva contra as armas nucleares e as bases americanas na Grã-Bretanha. Foi também fundador e diretor da Campanha de Solidariedade ao Vietnã e diretor do Comitê "Quem Matou Kennedy?". Tem sido líder do Comitê por Liberdade Artística e Intelectual no Irã e co-diretor do Comitê em Defesa dos Povos Palestino e Libanês e do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos. Atualmente é diretor executivo da Campanha Palestina, que clama pelo fim de toda ajuda a Israel e por uma Palestina laica e democrática. T&D - Em seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Nós gostaríamos que você explicasse um pouco seu livro. Schoenman - O meu trabalho na Fundação Bertrand Russel foi importante por me dar a chance de documentar fatos da formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e européias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objetivos e de vários fatos. Nessas ocasiões deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual eu abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel. T & D - Quais são esses quatro mitos? Schoenman - O primeiro mito é o da "terra sem povo para um povo sem terra". Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e onde essa população trabalhava. T & D - Quais os outros três mitos? Schoenman - O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade. Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelenses ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina. Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista. A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais. O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais. O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense. O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se "alimentado" da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas. Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar oestablishment, o statu quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários, como o dos mares na Rússia, que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas. T & D - Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazistas? Schoenman - Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas. *Stylianos Tsirakis é arquiteto. Revista Teoria & Debate (Fundação Perseu Abramo) nº 5 - janeiro/fevereiro/março de 1989 POSTADO POR GEORGES BOURDOUKAN http://blogdobourdoukan.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110623/bf23953c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 24 19:36:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 24 Jun 2011 19:36:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ISRAEL_TAVARES_ROQUE__e__DIVO_FERNAND?= =?iso-8859-1?q?ES_DE_OLIVEIRA__e__ELVARISTO_ALVES_DA_SILVA________?= =?iso-8859-1?q?_______-CLXXV-?= Message-ID: <5D6E1FB45A3F4C619E407C20C9E7389F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ISRAEL TAVARES ROQUE (1929-1964/1967) Filiação: Lygia Violeta Tavares Roque e Lydio José Roque Data e local de nascimento: 03/01/1929, Nazaré (BA) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: Entre 1964 e 1967, Rio de Janeiro (RJ) A primeira prisão de Israel aconteceu ainda na década de 50, mais precisamente no dia 31/07/1953, quando trabalhava no jornal O Momento, órgão do PCB na Bahia. Já no segundo semestre de 1964, Israel seria detido por um policial baiano, em frente à Central do Brasil, no Rio de janeiro, e conduzido a uma delegacia que funcionava na estação. Seu irmão Peres o procurou lá, mas disseram que Israel não se encontrava naquela delegacia. Depois disso, nunca mais foi visto. No primeiro exame feito na CEMDP, o relator registrou a certeza da militância política de Israel no PCB da Bahia, motivo que o levara a ser preso na década de 50. Mas pediu indeferimento do processo, alegando não haver provas da última prisão, embora o irmão afirmasse que Israel fora detido em 15/11/1964, próximo à Central do Brasil, pelo mesmo policial que o prendera em Salvador, e por mais quatro agentes. Houve pedido de vistas ao processo e foi realizada diligência para reunir provas a favor do pedido da família de Israel. No Arquivo Público do Rio de Janeiro, onde estão as fichas do extinto DOPS, foram encontrados documentos referentes a ele: um relatório de 18/5/1955, expedido pela polícia pernambucana, afirmando que Israel era um dos principais dirigentes comunistas do Comitê Municipal de Salvador; documento com data de 13/9/1957 fazendo referência ao relatório de 18/5/1955, da polícia pernambucana. E, por último, documento de 23/2/1958, que afirmava a existência de um relatório de janeiro de 1957, da polícia de Pernambuco, sobre o militante comunista e membro dirigente do Comitê Municipal de Salvador. No parecer, o revisor indicou que os documentos mostram que Israel continuou trabalhando no jornal O Momento e militando no PCB, sendo vigiado pela polícia política. Levou também em consideração as declarações de algumas pessoas, entre elas a professora Sônia de Alencar Serra, da Universidade Federal da Bahia, que serviram para comprovar a militância de Israel no PCB depois de 1953. Colheu, ainda, o depoimento de um capitão-de-fragata, amigo de um colega do requerente, informando que, na época, a pedido de seu amigo, buscou informações sobre Israel e que ele não teria sido preso pela Marinha, Exército ou Aeronáutica, e sim pela polícia política da Bahia, que informou ao DOPS do Rio que faria uma diligência no estado para prender Israel. Esse depoente dá como data da prisão "2º semestre de 1967". A CEMDP seguiu o voto pelo deferimento do pedido. + Informações. ISRAEL TAVARES ROQUE (1929-1964/1967) Baiano de Nazaré, Israel foi preso pela primeira vez em 31 de julho de 1953, quando trabalhava no jornal O Momento, órgão do PCB na Bahia. Em 15 de novembro de 1964, segundo seu irmão Peres, Israel teria sido detido por um policial baiano, que já o havia prendido antes em Salvador, e mais quatro agentes, em frente à Central do Brasil, no Rio de Janeiro, e conduzido a uma delegacia que funcionava na estação. Peres o procurou lá, mas disseram que Israel não se encontrava naquela delegacia. Depois disso, nunca mais foi visto. No Arquivo Público do Rio de Janeiro, onde estão as fichas do extinto DOPS, foram encontrados documentos referentes a ele: um relatório de 18 de maio de 1955, expedido pela polícia pernambucana, afirmando que Israel era um dos principais dirigentes comunistas do Comitê Municipal de Salvador; documento com data de 13 de setembro de 1957, fazendo referência ao relatório de 18 de maio de 1955, da polícia pernambucana. E, por último, documento de 23 de fevereiro de 1958, que afirmava a existência de um relatório de janeiro de 1957, da polícia de Pernambuco, sobre o militante comunista e membro dirigente do Comitê Municipal de Salvador. Os documentos mostram que Israel continuou trabalhando no jornal O Momento e militando no PCB, vigiado pela polícia política. Levaram-se em consideração as declarações de algumas pessoas para comprovar a militância de Israel no PCB depois de 1953. O depoimento de um capitão de fragata informa ainda que, na época, a pedido de um amigo que era colega de Peres, buscou informações sobre Israel e ele não teria sido preso pela Marinha, Exército ou Aeronáutica, e sim pela polícia política da Bahia, que informou ao DOPS do Rio que faria uma diligência no Estado para prendê-lo. Esse depoente dá como data da prisão "2º semestre de 1967". ============================================================================================= DIVO FERNANDES DE OLIVEIRA (1895-1965) Filiação: Thamasia Bernarda de Jesus e João Tomaz de Oliveira Data e local de nascimento: 3/01/1895, Tubarão (SC) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 1964/1965, Rio de Janeiro (RJ) Catarinense de Tubarão, antigo militante do PCB e taifeiro da Marinha, participou, no Rio de Janeiro, do polêmico comício da Central do Brasil, dia 13 de março de 1964, quando Jango anunciou o desencadeamento das chamadas Reformas de Base. Logo depois do Golpe de Estado, Divo foi preso, aos 69 anos de idade, e levado para o presídio Lemos Brito. Sua esposa, Nayde Medeiros, professora em Criciúma (SC), chegou a visitá-lo uma vez. Ao retornar ao Rio para nova visita, descobriu que seu marido havia desaparecido. Recebeu informações desencontradas dos funcionários do presídio. Uns diziam que ele havia fugido outros, que fora transferido para o presídio Bangu I. Nayde visitou todas as prisões e cemitérios, escreveu às autoridades, mas nunca recebeu respostas, nem certidão de óbito, nem o corpo, nem explicação alguma. Em abril de 1965, foram localizados alguns pertences de Divo no Departamento do Sistema Penitenciário (DESIP) do Rio de Janeiro. A CEMDP não conseguiu estabelecer se o desaparecimento ocorreu no final de 1964 ou no início de 1965. A filha de Divo, Alba Valéria, começou a procurar o pai depois de adulta. Em 1989, esteve no Rio de Janeiro visitando várias repartições públicas e presídios. Uma funcionária do DESIP localizou uma pasta, número 21.426, onde havia o nome de Divo Fernandes D'Oliveira. Na pasta, Alba encontrou alguns documentos pessoais e nada mais. Conforme as declarações de Jorge Feliciano, ex-militante do PCB e ex-presidente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma, e de Amadeu Luz, dirigente do PCB em Criciúma e em Santa Catarina, Divo deve ter sido morto na prisão Lemos Brito, no Rio de Janeiro. O corpo nunca foi entregue à família. Com base nos depoimentos e na carta enviada por Nayde ao marido na prisão (em resposta à carta dele), o relator da CEMDP votou pelo deferimento do pedido, sendo acompanhado por todos os integrantes do colegiado em seu voto. + Informações. DIVO FERNANDES DE OLIVEIRA (1895-1965) Catarinense de Tubarão, antigo militante do PCB e taifeiro da Marinha, Divo participou, no Rio de Janeiro, do polêmico comício da Central do Brasil, dia 13 de março de 1964, quando Jango anunciou o desencadeamento das chamadas reformas de base. Logo depois do golpe de Estado, Divo foi preso, aos 69 anos de idade, e levado para o presídio Lemos Brito. Sua esposa, Nayde Medeiros, professora em Criciúma (SC), chegou a visitá-lo uma vez. Ao retornar ao Rio para nova visita, descobriu que seu marido havia desaparecido. Recebeu informações desencontradas dos funcionários do presídio. Uns diziam que ele havia fugido; outros, que fora transferido para o presídio Bangu I. Nayde visitou todas as prisões e cemitérios, escreveu às autoridades, mas nunca recebeu respostas, nem certidão de óbito, nem o corpo, nem explicação alguma. Em abril de 1965, foram localizados alguns pertences de Divo no Departamento do Sistema Penitenciário (Desip) do Rio de Janeiro. A CEMDP não conseguiu estabelecer se o desaparecimento ocorreu no final de 1964 ou no início de 1965. A filha de Divo, Alba Valéria, começou a procurar o pai depois de adulta. Em 1989, esteve no Rio de Janeiro visitando várias repartições públicas e presídios. Uma funcionária do Desip localizou uma pasta, número 21.426, onde havia o nome de Divo Fernandes de Oliveira. Na pasta, Alba encontrou alguns documentos pessoais e nada mais. Conforme as declarações de Jorge Feliciano, ex-militante do PCB e ex-presidente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma, e de Amadeu Luz, dirigente do PCB em Criciúma e em Santa Catarina, Divo deve ter sido morto na prisão Lemos Brito, no Rio de Janeiro. O corpo nunca foi entregue à família. Com base nos depoimentos e na carta enviada por Nayde ao marido na prisão (em resposta à carta dele), o relator da CEMDP votou pelo deferimento do pedido, sendo acompanhado por todos os integrantes do colegiado em seu voto. ======================================================================================= ELVARISTO ALVES DA SILVA (1923 - 1965) Data e local de nascimento: 28/12/1923, Ibirama (RS) Filiação: Julieta Alves da Silva e Francisco Alves Dias Organização política ou atividade: PTB Data e local da morte: 23/04/1965, Santa Rosa (RS) "Elvaristo Alves da Silva - anônimo integrante da comunidade em que vivia, agricultor pobre e sem instrução - era conhecido no distrito de Alto Uruguai, onde residia, pela dedicação ao trabalho necessário ao sustento de numerosa família, pela honestidade e pelo incomum espírito de solidariedade muitas vezes demonstrado. Ativista político, filiado ao Partido Trabalhista, era fervoroso defensor da política desenvolvida por Leonel Brizola, quando governador do Rio Grande do Sul (1958-1962). Suas atividades partidárias e o entusiasmo às vezes demonstrado na defesa de suas idéias jamais chegaram a trazer conseqüências indesejadas à sua vida ou ao seu relacionamento na sociedade, muito menos, à ordem pública". Foi com essas palavras que o ex-deputado gaúcho Fernando Guedes do Canto definiu Elvaristo em depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 1995, antes da aprovação da Lei nº 9.140/95. Esse caso, até então, era desconhecido pelas comissões de familiares e não constava em nenhuma lista ou dossiê de denúncias dos crimes da ditadura. Perseguido pela militância contrária ao regime militar, membro do PTB e conhecido como brizolista ferrenho, Elvaristo chegou a ser preso várias vezes após abril de 1964. Foi morto no 1º Quartel de Cavalaria Motorizada de Santa Rosa (RS), em 23/04/1965, após ter ficado detido em Três Passos (RS). A versão oficial de sua morte indicou suicídio. Em março de 1965, o coronel Jefferson Cardin Alencar Osório, na esperança de desencadear um movimento armado contra o regime vigente, iniciou uma ação de guerrilha a partir de Três Passos. A insurgência não recebeu apoio popular digno de registro, nem mesmo no município em que teve origem, nem trouxe qualquer alteração à vida nacional. Contudo, trouxe várias alterações à vida dos habitantes da cidade. Desencadearam-se severas medidas de repressão, várias pessoas foram presas para averiguação de possível envolvimento com os insurgentes. Comerciantes, profissionais liberais, funcionários públicos e agricultores, entre os quais Elvaristo, foram presos em suas residências ou no exercício de suas atividades cotidianas. Sobre eles não pesava acusação alguma, a não ser a suspeita de cumplicidade com a "subversão". Após a prisão, foram levados para um quartel do Exército no município de Santa Rosa. Entre os presos, conforme conta Fernando do Canto, Elvaristo mostrava-se mais inconformado, tendo, inclusive, ensaiado uma tentativa de fuga. Por tudo isso, foi retirado da companhia dos demais, que na noite do mesmo dia souberam de seu suicídio por enforcamento. Sua esposa, Eva, foi informada de que Elvaristo teria se enforcado no banheiro da prisão, mas estranhou a presença, em seu corpo, de dois cortes, acima e abaixo do peito. No momento de sua prisão, em março de 1965, enquanto o pai se vestia para acompanhar os militares, um tenente que o prendia, dizendo imaginar serem caluniosas as acusações apresentadas, pediu-lhe que negasse ser brizolista, que assim logo seria solto. Elvaristo, segundo seu filho Norberto, pediu desculpas, dizendo-lhe ser o tenente uma autoridade e ele, um preso. A seguir afirmou, "mas se o senhor não é homem, eu sou. Nasci neste partido e morro neste partido; se tocar de brigar junto com Brizola, derramamos sangue juntos". Dez dias depois, a família foi comunicada de sua morte. A CEMDP não teve como analisar o fato do suicídio, já que não há documentos ou testemunhos capazes de questionar a versão oficial, sendo, entretanto, unânime a votação para inclusão do nome de Elvaristo Alves da Silva entre os beneficiários da Lei nº 9.140/95. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110624/2b64887b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11312 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110624/2b64887b/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4614 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110624/2b64887b/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 24 19:36:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 24 Jun 2011 19:36:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Araguaia=3A_o_massacre_que_as_F?= =?windows-1252?q?or=E7as_Armadas_querem_apagar?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Ana Santanna Araguaia: o massacre que as Forças Armadas querem apagar Por Revista Consciência.Net em 21/06/2011 Em meio ao debate sobre a emenda que propõe o sigilo eterno de documentos do governo, a ?Pública? revisita uma das histórias mais obscuras do período militar: a repressão à guerrilha do Araguaia (1972-1975). Em três dias de pesquisa nos 149 volumes do processo judicial que investiga o desaparecimento dos guerrilheiros do Araguaia, a Pública coletou relatos de dezenas de moradores que foram obrigados a prender, enterrar, matar e decapitar guerrilheiros ? e sofrem até hoje as consequências do que viveram nesse tempo. Reportagem especial de Marina Amaral e Tatiana Merlino, da agência Pública Em entrevista exclusiva, a juíza titular da 1a Vara da Justiça Federal, Solange Salgado, diz que, passados quase 40 anos, reina o medo de se falar sobre o assunto entre os que participaram do conflito. Mateiros e ex-militares que colaboraram com o Grupo de Trabalho Araguaia ? que investiga o caso desde 2009 em cumprimento à sentença judicial promulgada por Solange Salgado em 2003, que obriga a União a entregar os corpos dos desaparecidos às famílias ? estão recebendo ameaças. Por isso, quando esteve na região no ano passado, para recolher e checar informações sobre o paradeiro dos corpos, a juíza optou por preservar o sigilo dos autores dos depoimentos. ?Foi uma garantia que o Poder Judiciário deu a essas pessoas. Elas ainda estão muito apavoradas, se sentindo muito acuadas?, disse ela à Pública. Nossa reportagem esteve em Marabá, no Pará, e conversou com ex-mateiros e ex-soldados que confirmaram a realização das chamadas ?Operações Limpeza?, por meio das quais os restos mortais dos guerrilheiros foram desenterrados e transportados a outros locais. Além disso, cinco entrevistados afirmaram ter visto atuando na repressão o ex-diretor do Dops de São Paulo Romeu Tuma, falecido em outubro do ano passado. VÍDEO: 5 MIL CRUZEIROS POR CABEÇA: http://apublica.org/2011/06/video-tres-colaboradores-contam-sua-historia/ a.. LEIA OS DEPOIMENTOS DO PROCESSO b.. Leia mais: Forçados a Matar c.. Leia mais: Apagando o Rastro d.. Leia mais: ?O terrorismo de Estado persiste até hoje?, diz juíza www.consciencia.net -- Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, envie um e-mail para Agencia-ConscienciaNet-unsubscribe at googlegroups.com ou responda solicitando. [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 28 operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110624/9e65f694/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 25 15:48:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 25 Jun 2011 15:48:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LEOPOLDO_CHIAPETTI__e__SEVERINO_ELIAS?= =?iso-8859-1?q?_DE_MELLO________________________________-CLXXVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem LEOPOLDO CHIAPETTI (1906 - 1965) Filiação: Serena Pianta Chiapetti e Giacomo Chiapetti Data e local de nascimento: 17/06/1906, Garibaldi (RS) Organização política ou atividade: Grupo dos Onze Data e local da morte: 21/05/1965, Erexim (RS) Leopoldo Chiapetti foi preso em casa, na cidade de Mariano Moro (RS), no dia 30/04/1964, pela PM gaúcha, sob acusação de participar de atividades políticas contrárias ao regime, mais precisamente, de integrar o chamado "Grupo dos Onze de Mariano Moro", ligado a Leonel Brizola, cujas reuniões eram abertas e destinadas a discutir problemas políticos e sociais do Brasil. Um relatório da Delegacia Regional de Polícia de Erechim, de 30/04/1964, afirmava que ele era presidente do "Grupo dos Onze" e fora enquadrado no Art. 24 da LSN. Durante o período em que ficou preso, na delegacia de Severiano de Almeida e no presídio regional de Erechim, de 30/4 a 21/5/1964, sofreu torturas físicas em todo corpo, inclusive órgãos genitais, afogamento em água gelada e choques elétricos, e também torturas psicológicas, permanecendo nu e incomunicável durante todo o período de detenção, para que "entregasse informações sobre as ações do Grupo e as armas". No dia 03/05/1964 foi internado em decorrência das graves lesões resultantes e ficou sob custódia da polícia, no Hospital Santa Terezinha, de Erechim, como atestam os documentos do Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Posto em liberdade no dia 21/05/1964, Leopoldo continuou sendo obrigado a comparecer semanalmente à delegacia de Severiano de Almeida para assinar o livro dos "elementos vigiados". Em conseqüência dos maus tratos, a saúde ficou debilitada. Não obstante submeter-se a tratamento médico-hospitalar durante vários meses, morreu no dia 21/05/1965, aos 59 anos. Segundo Jofre Laurau, também preso e perseguido como integrante do Grupo dos Onze, o colega Leopoldo sofreu mais violências por ser líder e a morte não aconteceu pelo que consta na certidão de óbito (choque operatório). Para Jofre, ela foi conseqüência das graves lesões corporais das quais o companheiro jamais se recuperou, embora nenhum médico se arriscasse a declarar a verdade, sob pena de sofrer retaliações. Outra testemunha do sofrimento de Leopoldo foi Artêmio Mocelin. Segundo ele, a família de Leopoldo consumiu quase toda a sua pequena propriedade rural na tentativa de salvá-lo. Uma de suas filhas, Leda, então com sete anos, precisou de tratamento médico e psicológico por ter presenciado a prisão do pai e por vê-lo desfigurado na volta. Em declaração à CEMDP, o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, Celso Testa, afirmou que Chiapetti era um grande líder político na região de Mariano Moro. Com a prisão e as torturas praticadas dentro e fora das grades, a mando do coronel Gonçalino Curio de Carvalho, ele ficou abalado psicologicamente. No relatório para a CEMDP, o relator afirmou que o processo de Leopoldo Chiapetti foi aprovado pela Comissão de Indenização aos Presos Políticos do Rio Grande do Sul e, conseqüentemente, votava pela sua aprovação também na CEMDP. + Informações. Leopoldo Chiapetti Nascido em Garibaldi, na serra gaúcha, o agricultor Leopoldo Chiapetti foi preso pela polícia militar em sua casa, na cidade de Mariano Moro (RS), no dia 30 de abril de 1964, sob a acusação de participar de atividades políticas contrárias ao regime, como militante do Grupo dos Onze, ligado a Leonel Brizola. Um relatório da Delegacia Regional de Polícia de Erechim, afirmava que ele era presidente da organização na localidade, o que levou ao seu enquadramento no Artigo 24 da Lei de Segurança Nacional (LSN). Durante o período em que permaneceu preso na delegacia de Severiano de Almeida e no presídio regional de Erechim, de 30 de abril a 21 de maio de 1964, o agricultor foi barbaramente torturado, submetido a afogamentos em água gelada, a choques elétricos e sevícias. Sofreu ainda torturas psicológicas, permanecendo nu e incomunicável durante todo o período de detenção, para que "entregasse informações sobre as ações do grupo e as armas". No dia 03 de maio de 1964, Leopoldo foi internado devido a graves lesões ocasionadas pela tortura e ficou sob custódia no Hospital Santa Terezinha, de Erechim, como atestam os documentos armazenados no Arquivo Público do Rio Grande do Sul. Posto em liberdade no dia 21 de maio de 1964, o agricultor continuou sendo obrigado a comparecer semanalmente à delegacia de Severiano de Almeida para assinar o livro dos "elementos vigiados". Era uma medida destinada a mantê-lo sob rigorosa vigilância e a minar, pouco a pouco, a sua dignidade. Num conjunto de processos de "subversão", cuja denúncia foi oferecida na Auditoria Militar de Santa Maria (RS), além de Leopoldo Chiapetti, havia uma série de agricultores gaúchos que foram processados pela participação no Grupo dos Onze. O processo de nº 1964 apontava, além de Leopoldo, de 57 anos, o também agricultor Helmuth Pedro Notar, de 50 anos, e o vereador pelo PTB Jofre Lourau, de 28 anos, como "cabeças" do movimento em Mariano Moro, distrito de Erechim. A denúncia foi feita em 24 de dezembro de 1964 pelo promotor Sivo Deprat Barreto. Os três acusados foram absolvidos pela Auditoria Militar de Santa Maria em 19 de março de 1966 e condenados pelo Superior Tribunal Militar a seis meses de prisão em 24 de outubro de 1966. A punibilidade de Leopoldo Chiapetti foi extinta devido à sua morte, em 1965. Em depoimentos prestados entre 28 e 30 de abril de 1964 na Delegacia de Polícia de Erechim, Leopoldo, Helmuth e Jofre afirmaram que a fundação do Grupo dos Onze na localidade havia sido uma resposta às solicitações de Leonel Brizola transmitidas pela Rádio Mayrink Veiga. De acordo com eles, Brizola havia garantido benefícios importantes para o distrito, tais como o fornecimento de luz elétrica e a construção de oito escolas. Ao se solidarizarem com o movimento, acreditavam obter novas melhorias para o distrito. Leopoldo afirmou que não conhecia a proibição da escrita de documentos, tais como uma ata de fundação e também sobre as ações relativas à própria organização do Grupo dos Onze. Disse ainda ignorar que os mesmos tivessem "fundamentos comunistas" e que se tratasse de uma "técnica subversiva". Os três homens negaram que fossem comunistas, argumentando que sempre foram "democratas" e "católicos". A ata de fundação do Grupo, anexada ao inquérito, mencionava o apoio à atuação política da organização "dentro dos princípios democráticos e cristãos do ex-governador Leonel Brizola", manifestando seu apoio às Reformas de Base. Em decorrência dos maus-tratos sofridos na prisão, Leopoldo ficou com a saúde debilitada. Mesmo tendo se submetido a tratamento médico-hospitalar durante meses, morreu em conseqüência dos problemas ocasionados pela tortura, em 21 de maio de 1965, aos 59 anos. Jofre Laurau afirmou que Leopoldo sofreu mais violências na prisão porque era considerado pelos militares como sendo o líder do grupo. Segundo ele, a morte de seu companheiro não ocorreu pela causa mencionada na certidão de óbito, o "choque operatório", mas em conseqüência das graves lesões corporais que resultaram das torturas - das quais ele jamais se recuperou. Jofre afirmou que nenhum médico da localidade havia se arriscado a declarar a verdade, sob pena de sofrer retaliações. Outro conhecido, Artêmio Mocelin, relatou que a família de Leopoldo consumiu quase toda a sua pequena propriedade rural para tentar salvá-lo. Uma de suas filhas, Leda, na época com sete anos, precisou de tratamento médico e psicológico por ter presenciado a prisão do pai e por tê-lo visto desfigurado em sua volta para casa. Outras testemunhas confirmaram que Leopoldo, considerado um importante líder político na região de Mariano Moro, ficou abalado física e psicologicamente com a prisão e com o martírio sofrido no cárcere. + Informações. Leopoldo Chiapetti, agricultor do município de Mariano Moro, preso e torturado pela Polícia Militar gaúcha, em 30 de abril de 1964, acusado de pertencer ao Grupo dos Onze na região. [Fonte: DMV] ....................................................................................... "No capítulo 4, "Revoltas e ocupações, a ordem desafiada no Sul", evidencia-se que entre os líderes camponeses que se constituíram em alvo privilegiado da repressão militar no Rio Grande do Sul encontram-se os militantes dos Grupos dos Onze e do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), surgido nos anos 50. Um exemplo é o do agricultor Leopoldo Chiapetti, militante do Grupo dos Onze em Mariano Moro (RS), preso em 30 de abril, quando foi brutalmente torturado, para que "entregasse informações sobre as ações do grupo e as armas". ....................................................................................." "As violências sofridas pelo agricultor Leopoldo Chiapetti, militante do Grupo dos Onze em Mariano Moro (RS), preso em 30 de abril, ilustra de forma contundente as atrocidades cometidas pela polícia sobre os líderes rurais. Durante o período em que esteve preso, o agricultor foi barbaramente torturado, permanecendo nu e incomunicável durante todo o período de detenção, para que "entregasse informações sobre as ações do grupo e as armas". + Detalhes. PDF] A REVOLTA DOS POSSEIROS DO SUDOESTE DO PARANÁ EM 1957 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Chiapetti. Fonte: Caderno. Cultural. Prefeitura de. Francisco Beltrão. ..... chamado Leopoldo Preilepper, o Tigrinho, marchou pela avenida principal para o ... + Detalhes. a.. a.. Agência Brasil | Comisión reconoce responsabilidad de Estado por muertes de militantes en la dictadura 01/12/2004 - 12h23 Brasília - El ministro Nilmário Miranda, de la Secretaría Especial de los Derechos Humanos (SEDH), participó el miércoles de la apertura de la reunión de la Comisión Especial de los Muertos y Desaparecidos Políticos en el Ministerio de Justicia, donde analizaron procesos de indemnización movidos por familiares de víctimas asesinadas durante la dictadura militar en Brasil, de 1964 a 1985. La Comisión reconoció como responsabilidad del Estado brasileño las muertes de los militantes políticos: Gustavo Burque Schiller, que se suicidó en Río de Janeiro a causa del trauma por las torturas; José Inocencio Barreto, asesinado por policiales en un ingenio de azúcar en Pernambuco; Leopoldo Chiapetti, muerto en Río Grande del Sur por participar de grupos revolucionarios; Valdir Salles Sabóia, militante del Partido Comunista Brasileño Revolucionario, muerto en Río de Janeiro, Massafumi Yoshinaga, que también se suicidó a causa de las torturas que recibió en cárceles militares, Santos Dias, líder operario asesinado e Iara Iavelberg, profesora universitaria que fue encontrada muerta en un piso en Salvador, estado de Bahía. ============================================================================================================================== SEVERINO ELIAS DE MELLO (1913 - 1965) Filiação: Geomira Araújo de Mello e Paulino de Mello Data e local de nascimento: 20/07/1913, Espírito Santo (PB) Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 30/07/1965, no Rio de Janeiro (RJ) Paraibano de nascimento, o comerciante Severino Elias se mudou para o Rio de Janeiro aos 17 anos, engajando-se na Aeronáutica. Foi preso em 1935, quando da tentativa de insurreição liderada por Luiz Carlos Prestes, do PCB e da Aliança Nacional Libertadora. Foi preso no dia 28/07/1965 por oficiais da Aeronáutica, que estavam à paisana e armados de metralhadoras, sendo conduzido à Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ). Lá permaneceu incomunicável por um dia, ao fim do qual teria cometido suicídio com um lençol, segundo a versão oficial. O registro de ocorrência nº 1122, da 37ª DP (30/7/1965) confirma comunicação da Base Aérea e informa que "...cerca de zero hora de hoje o indivíduo Severino Elias de Melo, de qualificação ignorada, preso para averiguações por ordem do encarregado de um IPM instaurado no Núcleo do Parque de Material Bélico, suicidou-se (enforcou-se) no xadrez da Base Aérea do Galeão". O óbito nº 29.474 teve como declarante Dalton Pereira de Souza, e foi firmado por Cyríaco Bernardino de Almeida Brandão. A família retirou o corpo de Severino para enterrá-lo no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador (RJ). Consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos que a militância política de Severino é "desconhecida". Mas sua filha incluiu no processo depoimento onde comprova a atividade política do pai. Além disso, o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro guarda um dossiê do departamento Federal de Segurança Pública, Comunismo no Exército, que inclui seu nome em uma lista de pessoas libertadas em 1935. O relator da CEMDP avaliou ter sido preenchidos os requisitos legais para reconhecimento de Severino como vítima da repressão política. Registrou que, independente da apuração da causa mortis, era possível verificar pelos documentos da época que ele não morrera de forma natural e que se encontrava em dependência militar. O relator acrescentou que o fato de não ser conhecidos os detalhes da militância política de Severino não impediam seu reconhecimento. "Essencial é o caráter político da ação, não sua extensão territorial. Não é só a carteirinha de um partido, a simpatia por uma organização ou a notoriedade da militância que contam. Não é necessário que haja um processo formal. Basta a prisão decorrente de atividade política, ainda que apenas verbal e circunscrita". + Informações. SEVERINO ELIAS DE MELO Militância política desconhecida. Comerciante, casado, morto aos 52 anos. Preso para averiguações por oficiais da Aeronáutica, todos à paisana e portando metralhadoras, foi conduzido para a Base Aérea do Galeão. Lá permaneceu incomunicável por um dia, ao fim do qual foi dado como morto, por suicídio. Segundo nota oficial divulgada pelos órgãos de segurança, Elias teria se enforcado com um lençol, no dia 30 de julho de 1965. Registro de ocorrência de n° 1122, da 37ª D.P., de 30 de julho de 1965, confirma comunicação da Base Aérea do Galeão e informa que "... cerca de zero hora de hoje, o indivíduo Severino Elias de Melo, de qualificação ignorada, preso para averiguações por ordem do encarregado de um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado no Núcleo do Parque de Material Bélico, suicidou-se (enforcou-se) no xadrez da Base Aérea do Galeão." (sic) Seu óbito de n° 29.474 teve como declarante Dalton Pereira de Souza e foi firmado pelo Dr. Cyríaco B. de Almeida Brandão. O corpo de Severino foi retirado por sua família, que o enterrou no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador (RJ). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110625/4321dbe6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18337 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110625/4321dbe6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 25 15:49:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 25 Jun 2011 15:49:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_M=DASICA_BRASILEIRA_E_A_CENSURA?= =?iso-8859-1?q?_DA_DITADURA_MILITAR?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem A MÚSICA BRASILEIRA E A CENSURA DA DITADURA MILITAR JEOCAZ LEE-MEDDI Quando o golpe militar foi deflagrado, em 1964, ironicamente o Brasil tinha na época, os movimentos de bases político-sociais mais organizados da sua história. Sindicatos, movimento estudantil, movimentos de trabalhadores do campo, movimentos de base dos militares de esquerda dentro das forças armadas, todos estavam engajados e articulados em entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes), o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), o PUA (Pacto da Unidade e Ação), etc, que tinham grande representatividade diante dos destinos políticos da nação. Com a implantação da ditadura, todas essas entidades foram asfixiadas, sendo extintas ou a cair na clandestinidade. Em 1968, os estudantes continuavam a ser os maiores inimigos do regime militar. Reprimidos em suas entidades, passaram a ter voz através da música. A Música Popular Brasileira começa a atingir as grandes massas, ousando a falar o que não era permitido à nação. Diante da força dos festivais da MPB, no final da década de sessenta, o regime militar vê-se ameaçado. Movimentos como a Tropicália, com a sua irreverência mais de teor social-cultural do que político-engajado, passou a incomodar os militares. A censura passou a ser a melhor forma da ditadura combater as músicas de protesto e de cunho que pudesse extrapolar a moral da sociedade dominante e amiga do regime. Com a promulgação do AI-5, em 1968, esta censura à arte institucionalizou-se. A MPB sofreu amputações de versos em várias das suas canções, quando não eram totalmente censuradas. Para censurar a arte e as suas vertentes, foi criada a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), por onde deveriam previamente, passar todas as canções antes de executados nos meios públicos. Esta censura prévia não obedecia a qualquer critério, os censores poderiam vetar tanto por motivos políticos, ou de proteção à moral vigente, como por simplesmente não perceberem o que o autor queria dizer com o conteúdo. A censura além de cerceadora, era de uma imbecilidade jamais repetida na história cultural brasileira. Os Perseguidos do Pré-AI-5 Antes mesmo de deflagrado o AI-5, alguns representantes incipientes da MPB já eram vistos pelos militares como inimigos do regime, entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Taiguara e Geraldo Vandré. A intervenção de Caetano Veloso era mais no sentido da contracultura do que contra o regime militar. Os tropicalistas estavam mais próximos dos acontecimentos do Maio de 1968 em Paris, do que das doutrinas de esquerda que vigoravam na época, como o marxismo-leninismo soviético e o maoísmo chinês. Mas os militares não souberam identificar esta diferença, perseguindo Caetano Veloso e Gilberto Gil pela irreverência constrangedora que causavam. Na época da prisão dos dois cantores, em dezembro de 1968, os militares tinham de concreto contra eles, a acusação de que tinham desrespeitado o Hino Nacional, cantando-o aos moldes do tropicalismo na boate Sucata, e uma ação que queria mover um grupo de católicos fervorosos, ofendidos pela gravação do "Hino do Senhor do Bonfim" (Petion de Vilar - João Antônio Wanderley), no álbum "Tropicália ou Panis et Circenses" (1968). Juntou-se a isto a provocação de Caetano Veloso na antevéspera do natal de 1968, ao cantar "Noite Feliz" no programa de televisão "Divino Maravilhoso", apontando uma arma na cabeça. O resultado foi a prisão e o exílio dos dois baianos em Londres, de 1969 a 1972. Ainda do repertório do álbum mítico "Tropicália ou Panis et Circenses" , a música "Geléia Geral" (Gilberto Gil - Torquato Neto), sofreu o veto da censura por ser considerada de conteúdo política contestatória, além de segundo os censores, fazer um retrato equivocado da situação pela qual passava o país. Ao retornar do exílio, Caetano Veloso e Gilberto Gil sofreram com a perseguição da ditadura e da censura. Em 1973, Caetano Veloso teve a sua canção "Deus e o Diabo", vetada por causa do último verso "Dos bofes do meu Brasil". Diante do veto, a gravadora solicitou recurso, foi sugerido pelo censor que o autor substituísse a palavra "bofes". Mas um segundo censor menciona os versos "o carnaval é invenção do diabo que Deus abençoou" e "Cidade Maravilhosa/ Dos bofes do meu Brasil", como ofensivos às tradições religiosas. Em 1975, o álbum "Jóia" trazia na sua capa Caetano Veloso, sua então mulher Dedé e o filho Moreno, completamente nus, com o desenho de algumas pombas a cobrir-lhe a genitália. Censurada, o álbum foi relançado com uma nova capa, onde restaram apenas as pombas. Geraldo Vandré tornou-se o inimigo número um do regime militar. A sua canção "Caminhando (Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores)", que ficou com o polêmico segundo lugar no Festival Internacional da Canção, em 1968, tornou-se um hino contra a ditadura militar, cantado por toda a juventude engajada do Brasil de 1968. Esta canção, afirmam alguns analistas de história, foi uma das responsáveis pela promulgação do AI-5. Ficou proibida de ser cantada e executada em todo país. Só voltaria a ser ressuscitada em 1979, após a abertura política e a anistia, quando a cantora Simone a cantou em um show, no Canecão. Perseguido pelo regime, Geraldo Vandré esteve exilado de 1969 a 1973. Após o exílio, jamais conseguiu recuperar a carreira interrompida pela censura da ditadura militar. Calava-se uma expressiva carreira emprestada ao combate à ditadura. Taiguara, uma das mais belas vozes masculinas da MPB, interpretou com maestria diversos gêneros musicais. Foi um dos cantores que mais se opôs contra a repressão da ditadura militar. Sua obra pagou o preço da perseguição e da censura. Deparou-se com a atenção da censura em 1971, que esteve atenta às canções do álbum "Carne e Osso". Em 1973 teve 11 músicas proibidas. Perseguido pela censura, Taiguara teve muitas das suas músicas assinadas por Ge Chalar da Silva, sua esposa na época. Exilado em Londres, Taiguara gravou o álbum "Let the Children Hear the Music", em inglês. O disco foi proibido de ser lançado, pela EMI, por decisão da polícia federal brasileira. O compositor recorreu ao Conselho Superior de Censura, em 1982, tendo o disco finalmente liberado. Chico Buarque, o Alvo Predileto da Censura Militar Tendo silenciado e asfixiado Geraldo Vandré, os militares elegeram o seu novo inimigo do regime: Chico Buarque de Hollanda. No período que durou a censura e o regime militar, Chico Buarque foi o compositor e cantor mais censurado. A sua obra sofreu respingos da censura em todas as vertentes, tanto nas canções de protesto, quanto nas que feriam os costumes morais da época. Os problemas de Chico Buarque com a censura começaram junto com a sua carreira. Em 1966, a música "Tamandaré", incluída no repertório do show "Meu Refrão", com Odete Lara e MPB-4, é proibida após seis meses em cartaz, por conter frases consideradas ofensivas ao patrono da marinha. Era o começo de um longo namoro entre a censura e a obra de Chico Buarque. Exilado na Itália, de 1969 a 1970, Chico Buarque sofreria com a perseguição da censura após o retorno ao Brasil. Em 1970, recém chegado do exílio, o compositor enviou a música "Apesar de Você" para a aprovação da censura, tendo a certeza que a música seria vetada. Inesperadamente a canção foi aprovada, sendo gravada imediatamente em compacto, tornando-se um sucesso instantâneo. Já se tinha vendido mais de 100 mil cópias, quando um jornal comentou que a música referia-se ao presidente Médici. Revelado o ardil, o exército brasileiro invadiu a fábrica da Philips, apreendendo todos os discos, destruindo-os. Na confusão, esqueceram de destruir a matriz. Em 1973 Chico Buarque sofreria todas as censuras possíveis. A peça "Calabar, ou o Elogio à Traição", escrita em parceria com Ruy Guerra, foi vetada pela censura. As conseqüências da proibição viriam no seu álbum, "Calabar", também daquele ano. A capa do disco trazia a palavra "Calabar" pichada num muro. Os censores concluíram que aquela palavra pichada tinha um significado subversivo, o que resultou na proibição da capa. A resposta de Chico Buarque foi lançar o álbum com uma capa totalmente branca e sem título. O disco trazia o registro das canções da peça vetada, por isto teve várias músicas (todas elas em parceria com Ruy Guerra) que amargaram nas malhas da censura. "Vence na Vida Quem Diz Sim" teve a letra totalmente censurada, sendo gravada no disco uma versão instrumental; "Ana de Amsterdam" teve vários trechos censurados. "Não Existe Pecado ao Sul do Equador", que fazia parte deste disco, alcançaria grande sucesso quando gravada por Ney Matogrosso, em 1978, quando foi escolhida como tema de abertura da novela da tevê Globo "Pecado Rasgado", na versão original da música o verso "Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor", foi substituído por "Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor". "Fado Tropical" teve proibido parte de um texto declamado por Ruy Guerra, além da frase "além da sífilis, é claro", herança portuguesa, segundo a personagem Mathias, no sangue brasileiro. "Bárbara", um dueto entre as personagens Ana de Amsterdam e Bárbara, teve cortada a palavra "duas", por sugerir um relacionamento homossexual entre elas. Tanto "Ana de Amsterdam" quanto "Bárbara", já tinham sofrido os mesmos cortes no álbum "Caetano e Chico Juntos Ao Vivo", ali substituídos por palmas. Ainda no registro do encontro de Chico Buarque e Caetano Veloso, além da censura às duas canções citadas, "Partido Alto" (Chico Buarque), interpretada por Caetano Veloso, sofreu alterações na letra, sendo substituídas as palavras "brasileiro" por "batuqueiro" e "pouca titica" por "pobre coisica". Diante de tantas mutilações da censura, o álbum "Calabar", com capa branca, de Chico Buarque, foi um fracasso de vendas. Após o fracasso comercial , a Philips decidiu recolher o disco com capa branca, relançando-o semanas depois, com uma nova capa, trazendo apenas com uma fotografia do artista, de perfil, com o título "Chico Canta". Naquele ano de 1973, a música "Cálice" (Chico Buarque - Gilberto Gil), foi proibida de ser gravada e cantada. Gilberto Gil desafiou a censura e cantou a música em um show para os estudantes, na Politécnica, em homenagem ao estudante de geologia da USP Alexandre Vanucchi Leme (o Minhoca), morto pela ditadura. Ainda naquele ano, no evento "Phono 73", festival promovido pela Polygram, Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram os microfones desligados quando iriam cantar "Cálice", por decisão da própria produção do show, que não quis criar problemas com a ditadura. Em 1974 a censura não dá tréguas ao artista. Impedido de gravar a si mesmo, Chico Buarque lança um disco, Sinal Fechado (1974), com composições de outros autores. Diante de tantas canções vetadas, a sofrer uma perseguição acirrada, Chico Buarque cria os pseudônimos de Julinho da Adelaide e Leonel Paiva. É sob o heterônimo do Julinho da Adelaide que a censura deixa passar canções de críticas inteligentes à ditadura, lidas nas entrelinhas: "Jorge Maravilha", que trazia o verso "Você não gosta de mim mas sua filha gosta", que era lida como uma referência ao então presidente Geisel, cuja filha Amália Lucy, teria dito em entrevista, que admirava as canções do Chico Buarque. "Acorda Amor", outra canção liberada do Julinho da Adelaide, era uma referência clara aos órgãos da repressão, que vinham buscar cidadãos suspeitos de subversivos em suas casas, levando-os em uma viatura, desaparecendo com eles. Diante da polícia repressiva, ele chamava pelo ladrão. "Milagre Brasileiro" também levou a assinatura de Julinho da Adelaide. Outro clássico da MPB que sofreu uma censura moralista foi "Atrás da Porta" (Chico Buarque - Francis Hime), o verso original "E me agarrei nos teus cabelos, nos teus pêlos", seria substituído por "E me agarrei nos teus cabelos, no teu peito", a censura achava a palavra "pêlos" de caráter indecente. Outra canção vetada de Chico Buarque foi "Tanto Mar", uma homenagem do artista à Revolução dos Cravos em Portugal. Por ter sido uma revolução considerada socialista, a canção foi proibida. Seria gravada no álbum "Chico Buarque & Maria Bethânia Ao Vivo" (1975), numa versão instrumental. Mais tarde, em 1978, seria liberada com uma outra letra. Curiosamente, a versão original, sem cortes e cantada de "Tanto Mar", consta no mesmo álbum "Chico Buarque & Maria Bethânia Ao Vivo" lançado em Portugal. Quando o AI-5 foi extinto, em 1978, Chico Buarque vingou-se dos anos de censura, gravou "Cálice", regravou "Apesar de Você", além de criar músicas provocantes, que afrontavam à moral da época, como "Folhetim", que descrevia uma prostituta, ou "Geni e o Zepelim" e "Não Sonho Mais", temas de dois travestis, Genivaldo da peça "A Ópera do Malandro" e Eloína, do filme "A República dos Assassinos", respectivamente. 1973, o Ano Negro da Censura às Músicas da MPB Chico Buarque não teria sido o único cantor da MPB a sofrer mutilações na sua obra naquele opressivo ano de 1973. O endurecimento deve-se à volta das manifestações estudantis, nos últimos anos bruscamente combalidas, resultado das perseguições aos líderes do movimento, que estavam em sua maioria presos, exilados ou desaparecidos. Outro disco mutilado pela censura naquele ano foi "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, lançado em LP e compacto simples. Do álbum seriam vetadas as canções: "Hoje é Dia d'El Rey" (Márcio Borges - Milton Nascimento), "Os Escravos de Jó" (Milton Nascimento - Fernando Brant) e "Cadê" (Milton Nascimento - Ruy Guerra). Uma das faixas proibidas teria a participação de Dorival Caymmi, com a sua exclusão, não aconteceu esta participação. "Diálogo Entre Pai e Filho" teve uma única frase que não foi proibida: "Meu filho". Diante da censura, Milton Nascimento gravou apenas as melodias das canções vetadas. Foi no tumultuado ano de 1973, que a banda Secos & Molhados explodiu, conquistando o país inteiro. O público dos Secos & Molhados, devido à proposta inovadora e ao seu carisma, era composto por todas as idades, inclusive por crianças e por adolescentes. Os três integrantes da banda eram Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo, que se apresentavam com os rostos pintados. Ney Matogrosso além de trazer a cara pintada, tinha uma voz de timbre totalmente diferente da de um homem cantor, um aspecto andrógeno e apresentava-se entre plumas, sem camisa. Os pêlos do peito do cantor e os seus frenéticos rebolados, incomodaram à censura, à moral e aos seus bons costumes vigentes, que proibiu que as câmeras da televisão focassem o cantor de perto, sendo permitido apenas aparecer o rosto em close. Assim apareceriam os Secos & Molhados em um clipe do recém estreado "Fantástico", programa da Rede Globo. Além da capa de "Calabar", também em 1973, Gal Costa teve censurada a capa do disco "Índia", por trazer um close frontal da cantora vestida de uma tanga minúscula, e na contra-capa fotografias da mesma de seios nus, vestida de índia. A gravadora Philips comercializou o álbum coberto por um envelope opaco, de plástico azul. Do mesmo álbum, a música "Presente Cotidiano", de Luiz Melodia, foi proibida de tocar em rádios e locais públicos. Em 1984, já no fim da ditadura, pós Diretas Já, Gal Costa teria outra canção proibida pela censura de ser tocada em público: "Vaca Profana" (Caetano Veloso), do álbum "Profana". Ainda naquele tenso 1973, uma reportagem da revista Veja, dava conhecimento de que o álbum de Gonzaguinha, "Luiz Gonzaga JR." (1973), era resultado do corte feito pela censura de 15 músicas. Ainda em 1973, Raul Seixas teria 18 composições vetadas pela censura. Luiz Melodia, além de ter "Presente Cotidiano" proibida de ser executada nas rádios, teve várias palavras excluídas ou alteradas das canções do seu disco de estréia, e várias músicas vetadas na íntegra. Linguagem Poética e Coloquial Sofrem Censuras Na ignorância cega da censura, sem uma lógica que a sustentasse, até o poeta Mário de Andrade foi vetado. O fato inusitado aconteceu em 1970, quando a gravadora Festa decidiu homenagear os 25 anos da morte do poeta, preparando um disco com alguns dos seus mais conhecidos poemas. Após ser submetido à censura, o projeto teve seis poemas proibidos, entre eles "Ode ao Burguês" e "Lira Paulistana". Os vetos foram justificados pelos censores como estéticos, "falta de gosto". O que se concluía era que, os censores jamais tinham ouvido falar em Mário de Andrade, confundindo-o com um autor vulgar do Brasil da época. Outro exemplo eloqüente da ignorância e do despreparo dos censores, foi com o compositor e cantor Adoniran Barbosa. Conhecido como o mais paulistano dos compositores, Adoniran Barbosa usava em suas canções o jeito coloquial de falar dos paulistanos. Não querendo problemas com a censura, em 1973 o artista decidiu lançar um álbum com várias canções já gravadas na década de cinqüenta. Inesperadamente, cinco das suas canções foram vetadas, mesmo não sendo inéditas. Diante da linguagem coloquial de "Samba do Arnesto" (Adoniran Barbosa - Alocin), que trazia nos seus versos "O Arnesto nos convidou prum samba/ Ele mora no Brás/ Móis fumo/ Num encontremo ninguém/ Fiquemo cuma baita duma réiva/ Da outra veiz nóis num vai mais (Nóis num semo tatu)", o censor só liberaria a música se ele regravasse cantando assim: "Ficamos com um baita de uma raiva/ Em outra vez nós não vamos mais (Nós não somos tatus)". Na letra da música "Tiro ao Álvaro" (Adoniran Barbosa - Oswaldo Moles), a censora faz um círculo nas palavras "tauba", "revorve" e "artormove", concluindo que a "falta de gosto impede a liberação da letra". Para que pudessem ser aprovadas, "Samba do Arnesto" e "Tiro ao Álvaro", teriam que virar "Samba do Ernesto" e "Tiro ao Alvo". Tiveram o mesmo destino "Já Fui uma Brasa" (Adoniran Barbosa - Marcos César), "Eu também um dia fui uma brasa. E acendi muita lenha no fogão" e "O Casamento do Moacir" (Adoniran Barbosa - Oswaldo Moles), "A turma da favela convidaram-nos para irmos assistir o casamento da Gabriela com o Moacir". "O Casamento do Moacir" foi considerada de "péssimo gosto" pela censora Eugênia Costa Rodrigues. Diante da censura, Adoniran Barbosa não mudou a sua obra, deixou para gravar as músicas mais tarde, quando a burrice já tivesse passado. Outro poeta que teve problemas com a censura foi Vinícius de Moraes. Sua música "Paiol de Pólvora" (Vinícius de Moraes - Toquinho), feita para a trilha sonora de "O Bem-Amado", foi proibida de ser o tema de abertura da novela, em 1973, por causa do verso "estamos sentados em um paiol de pólvora", sendo substituída na abertura pela música "O Bem Amado" (Vinícius de Moraes - Toquinho), interpretada pelo coral da Orquestra Som Livre. Também a belíssima canção "Valsa do Bordel" (Vinícius de Moraes - Toquinho), sobre a vida de uma velha prostituta, esteve proibida por dez anos. Vinícius cantava esta música em shows, ironicamente chamando-a de "A Valsa da Pura", por causa da censura. Paulinho da Viola, em 1971, teve no seu álbum "Paulinho da Viola", duas canções proibidas: "Chico Brito" (Wilson Batista - Afonso Teixeira), música composta em 1949, e "Um Barato, Meu Sapato" (Paulinho da Viola - Milton Nascimento), ambas vetadas sob a alegação de que evidenciavam o clima marginal do samba. Outros Tantos Vetos Vale registrar, ainda, que em 1972, Jards Macalé teria que reescrever sete vezes a letra de "Revendo Amigos" (Jards Macalé - Waly Sailormoon), do álbum "Movimento dos Barcos". Sérgio Bittencourt, jornalista e compositor, filho de Jacob do Bandolim, em 1970, teve a sua música "Acorda, Alice", proibida pela censura da ditadura militar por causa do verso "Acorda, Alice/ Que o país das maravilhas acabou". Esta canção seria gravada por Waleska já na época da abertura política. Rita Lee teve as músicas "Moleque Sacana" (Rita Lee e Mu) e "Gente Fina" (Rita Lee) censuradas, a primeira por causa da palavra sacana, considerada obscena, a segunda porque poderia ferir os bons costumes da época. Carlos Lyra sentiu o gosto da censura com a sua música "Herói do Medo", proibida por causa dos versos "odeio a mãe por ter parido" e "o passatempo estéril dos covardes". Carlos Lyra não alterou o conteúdo da letra, preferiu sair do país. Belchior, que durante muito tempo foi considerado autor marginal, teve a música "Os Doze Pares de França" (Belchior - Toquinho) censurada, porque para os censores, os autores vangloriavam a França, fazendo dele um país melhor para se viver do que o Brasil. Também a canção "Pequeno Mapa do Tempo" (Belchior), de 1977, uma crítica implícita ao regime, por causa dos versos "eu tenho medo e medo está por fora" e "eu tenho medo em que chegue a hora, em que eu precise entrar no avião", uma alusão ao exílio, os censores concluíram que a música trazia mensagem de protesto político. Ao contrário do que se pensa, o cantor e compositor Luiz Ayrão foi um dos artistas brasileiros que mais contestou a ditadura militar. A sua música "Quem Eu Devo é Que Deve Morrer", tem como tema uma dívida pessoal que só será paga se Deus quiser. Também a dívida externa brasileira encontrava-se nessas condições. Luiz Ayrão faz um samba provocativo. Diante da afirmação do verso "quem eu devo é que deve morrer", a canção é vetada, sendo a proibição justificada pela censura porque a letra era um incentivo ao homicídio, com uma mensagem de caráter negativo. Sueli Costa deu a canção "Cordilheira" (Sueli Costa - Paulo César Pinheiro) para Erasmo Carlos gravar. Feito o registro, a canção jamais saiu, sendo proibida. Os autores chegaram a ir a Brasília em busca de uma explicação para o veto. Encontram o silêncio dos censores, sem nenhuma justificativa. Mas os versos falavam por si: "Eu quero ver a procissão dos suicidas, caminhando para a morte pelo bem de nossas vidas". "Cordilheira" é uma das mais belas canções de teor contestatório já feita no Brasil. Quando liberada, seria gravada por Simone, em 1979, no álbum "Pedaços". O registro de Erasmo Carlos só saiu em uma caixa de cds comemorativos à carreira do cantor. Outra canção censurada de Sueli Costa foi "Altos e Baixos" (Sueli Costa - Aldir Blanc), que cantava de forma densa uma cena de agressão entre um casal, que trazia um casamento desgastado. A música falava de uísque, Dietil, Diempax, e foi justamente por ter citado o nome do ansiolítico Diempax, que a canção foi censurada. Elis Regina conseguiria a liberação da música, gravando-a no seu álbum "Essa Mulher" (1979). O Brega ou Popularesco, Nada Escapa à Censura Como já se pôde observar , a censura da ditadura militar não obedecia a nenhum critério. Qualquer ameaça não só ao regime por ela imposto ao país, como à sociedade conservadora que a ajudou a ascender ao poder e nele continuar por mais de duas décadas. Vestido de uma moral hipócrita, o regime militar barrava qualquer obra que suspeitasse ofender à moral, ou que se mostrasse obscena a essa moral. Em um mesmo contesto, tanto Chico Buarque, quanto Odair José, um cantor e compositor de sucessos popularescos, sem vínculos com qualquer militância política, ou mesmo o genial e popular Genival Lacerda, sofriam os reveses da censura. "Tanto Mar" (Chico Buarque), "Pare de Tomar a Pílula" (Odair José) e "Severina Xique Xique", apesar de canções antagônicas, de vertentes diversas dentro da música brasileira, oscilando entre a canção política e a considerada "brega" ou "pimba", eram consideradas pela censura um perigo latente ao regime e à moral que se construía naquela época. Em 1975, já Genival Lacerda tinha transformado a sua música "Severina Xique Xique" (Genival Lacerda - João Gonçalves) em um grande sucesso de público no nordeste brasileiro, quando foi vítima do preconceito das famílias do Ceará, que acusavam a palavra "boutique" de ter duplo sentido, ofendendo os bons costumes do lugar. Diante do protesto, o departamento regional da polícia federal do Ceará encaminhou a letra à Divisão de Censura de Brasília. Surpreendentemente, o técnico de censura de Brasília, mantém a liberação da música e afirma que a canção "é um veículo de integração da nacionalidade". Este fato prova que a censura não vinha só do regime militar, mas da sociedade que apoiava este regime, e que muitas vezes, era mais repressiva e conservadora do que ele. Dentro do popularesco da canção brasileira, Odair José foi um dos compositores que mais sofreu com a censura. "O Motel" (Odair José), teve só pelo seu título, o veto da censura. Revelar a intimidade de um casal naqueles preconceituosos anos setenta era inconcebível para a censura militar. Outra música de Odair José vetada pela censura foi "A Primeira Noite", considerada inconveniente para ser consumida pelo público jovem e adolescente da época. O autor mudou o título da canção para "Noite de Desejos", conseguindo liberá-la e gravá-la. A mais polêmica música de Odair José foi "Pare de Tomar a Pílula", onde ele pedia para a namorada deixar de usar anticoncepcionais para que pudesse engravidá-la. Vista à ótica do tempo, a canção chega a ser ingênua, de uma simplicidade quase grotesca, absolutamente inofensiva para um público atual, mas aviltante para as velhas senhoras que em 1964, saíram às ruas de rosários nas mãos, saudando, em nome da família brasileira, os golpistas militares. Dentro da corrente popularesca, a censura não poupou nem mesmo a dupla Dom e Ravel, que em 1970, tornara-se a menina dos olhos da repressão, com uma música que exaltava a nação, tornando-se o hino da ditadura: "Eu Te Amo, Meu Brasil". O motivo que levou o regime a interrogar Dom e Ravel, foi quando eles apresentaram, em 1972, a canção "A Árvore", os censores desconfiaram do trecho "venha, vamos penetrar". Além de imaginar que o tema que falava de árvores, seria supostamente sobre a canabilis (planta da maconha). A música foi proibida, apesar de ter uma gravação da banda Os Incríveis, nunca foi lançada. A esta altura, a incoerência da censura já dava passagem para uma certa esquizofrenia social e política, sem ideologia ou razão. Dentro de um processo repressivo, todos os argumentos tornam-se incoerentes, a razão é substituída pela força bruta. A censura não constrói uma lógica, muitas vezes ela percorre movida pelas decisões pessoais dos censores. Para manter as necessidades de uma ditadura, a censura fazia parte da arma de propaganda do estado repressivo, podava a liberdade de expressão, principalmente as que feriam os princípios que justificam um governo ilegítimo, emanado da força, da opressão e da traição aos princípios da democracia. eltheatro11 at eltheatro.com Editor: Elpídio Navarro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110625/3f4f16b1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 47152 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110625/3f4f16b1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 26 12:51:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 26 Jun 2011 12:51:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?ISTO_=C9_TAMB=C9M_PARA_N=C3O_ESQUE?= =?iso-8859-1?q?CER_JAMAIS!__-_=22Torturas_e_Torturados=22_de_M=E1r?= =?iso-8859-1?q?cio_Moreira_Alves=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Isto também é para não esquecer jamais. O primeiro livro de denúncias de torturas durante o golpe civil-militar. Conheça a canalha golpista pervertida , desde que chegaram ao poder, usurpando um governo legítimo eleito pelo povo. Faça o download para ler o livro todo. (raridade) Rio de Janeiro, Editora Idade Nova. Download clique 1966 - Torturas e Torturados O livro foi escrito ao longo de uma árdua campanha de imprensa. A maior parte dos documentos e testemunhos que o autor reuniu foram lançados em uma batalha que sensibilizou a consciência dos homens de bem do Brasil a tal ponto que o próprio marechal Castelo Branco, sob cujo governo as torturas ocorreram e os torturadores continuaram impunes, teve de mandar ao Nordeste seu chefe da Casa Militar, general Ernesto Geisel. A missão Geisel teve como resultado a permissão para que o autor tivesse condições de penetrar nas prisões do Recife e confirmar as denúncias recebidas. Segundo o autor, "a exposição da onda de crimes oficiais que varreu o Brasil nos primeiros meses do golpe militar de 1964 (...) foi feita com objetividade e com o propósito de deixar estes crimes documentados para o julgamento do futuro". Prefácio de Alceu Amoroso -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110626/ad5a29f7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 36145 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110626/ad5a29f7/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110626/ad5a29f7/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 26 12:51:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 26 Jun 2011 12:51:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_NET_COLECT=C2NEA_MUSICAL_-_713_VI?= =?iso-8859-1?q?DEOS_HIST=D3RICOS_=28_PRECIOSIDADE_=29_=2E=2E=2E___?= =?iso-8859-1?q?____________________________HOJE_=C9_DOMINGO!___M?= =?iso-8859-1?q?=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: lu Maria NET COLECTÂNEA MUSICAL - 713 VIDEOS HISTÓRICOS ( PRECIOSIDADE ) ... 713 videos históricos - Preciosidade! Tem vídeo para todos OS gostos. Alguns já foram retirados, mas a a maioria permanece. Aproveitem. Tem desde o tango dançado por Al Pacino no filme Perfume de Mulher (no papel de cego) e a exibição de dois excepcionais instrumentistas brasileiros (Yamandu Costa e Armandinho), até uma seleção de eclética André Rieu, James Last, Pavarotti e muitos outros. Corra o mouse na lista e escolha OS seus preferidos. 713 Videos Históricos (de A a Z ) Pra guardar bem guardado e assistir sempre que quiser. Preciosidade ! 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Carole King - "You've got a friend" Cartola - "Peito Vazio" Cartola - "Alvorada" Cat Stevens - "Father and Son" Charles Aznavour - "Sa jeunesse" e "Hier encore" Chiclete com Banana - "100% Você" Chiclete com Banana - "Diga que valeu" Chiclete com Banana - "Chicleteiro eu" Chiclete com Banana - "Amor Perfeito" Chiclete com Banana - "A fila andou" Chiclete com Banana - "Não vou chorar" - "Mulher amada" Chico Buarque e Nara Leão - "Com Açúcar, Com Afeto" Chico Buarque e Nara Leão - "A Banda" - Festival 1966 Chico Buarque e Caetano Veloso - "Tatuagem / Esse Cara" Chico Buarque e Gilberto Gil - "Cálice" Chico Buarque e Milton Nascimento - "Cálice" Chico Buarque - "Trocando em Miúdos" Chico Buarque - "Olhos nos Olhos" Chico Buarque e Dorival Caymmi - "A vizinha do lado" Chico Buarque e Dorival Caymmi - "Maricotinha" Chico Buarque - "Como se fosse a primavera" Chico Buarque e Edu Lobo - "Chega de Saudade" Chico Buarque e Tom Jobim - "Sem Compromisso" Chico Buarque e Zizi Possi - "Anema e Core" Chico Buarque - "Conversa de Botequim" Chinese Dance (1) Chinese Dance (2) - By Sichuang Dance Academy Chinese Dance (3) - "Yellow River Piano Concerto" Chinese Dance (4) - "Yue Yin Ni Shang" Chinese Dance (5) - "Nan - Mulan" Chinese Dance (6) - "Tao Yao" Chinese Dance (7) - "Chu Yao" Claudette Soares - "Vivo Sonhando" Claudio Abbado-Wiener Philharmoniker-Johann Strauss-"Radetzky March" Claudio Arrau "Beethoven - Piano Concerto no. 5" Claudio Arrau "Beethoven - Waldstein Sonata" Classical 78 rpm's & Lp's from Rolf den Otter's collection (Netherlands) . D Danilo Caymmi e Tom Jobim - "A Felicidade" David Oistrakh - "Clair de Lune" - Debussy Dean Martin & Tony Bennett Dinah Washington - "All of me" Newport Jazz Festival Diana Krall - "Fly me to the moon" Dick Farney - "Copacabana" Dick Farney - "Alguém como tu" Djavan e Barbara Mendes - "Meu bem querer" Domenico Modugno - "Nel blu di pinto di blu" - Volare Domenico Modugno - "La Lontananza" Dominguinhos e Luiz Gonzaga - "Sete Meninas" Dominguinhos, Luiz Gonzaga e Elba Ramalho - "Sanfoninha Choradeira" Dóris Monteiro - "Mudando de Conversa" Dorival Caymmi - "O vento" Dorival Caymmi - "É doce morrer no mar" Dorival Caymmi e Chico Buarque - "A vizinha do lado" Dorival Caymmi e Chico Buarque - "Maricotinha" Dulce Pontes - "Canção do mar" Dulce Pontes - "Fado português" Durval Ferreira e Leny Andrade "Batida Diferente" E Ed Motta - "Colombina" Ed Motta - "Caso Sério" Ed Motta - "Solução" Ed Motta - "Manuel" Edith Piaf & Charles Dumont - "Non, je ne regrette rien" Elba Ramalho, Luiz Gonzaga e Dominguinhos - "Sanfoninha Choradeira" Elis Regina - "Ilusão à toa" Elis Regina - "O Bêbado e a Equilibrista" Elis Regina e Adoniran Barbosa, em 1978, no Bexiga Elis Regina e Tom Jobim - "Céu e Mar" Elis Regina e Tom Jobim - "Na Batucada da Vida" Elis Regina - "É com esse que eu vou" Ella Fitzgerald - "The man I Love" Enya - "Watermark" Ennio Morricone - "Gabriel's Oboe - The Mission" Ennio Morricone - "Deborah's Theme" Enrico Caruso - "Torna Surriento" Erroll Garner - "Spring is here - It might as well be spring - Lover" Erroll Garner - "Medley" Erroll Garner - "One note samba" F Fafá de Belém - "Só Nós Dois" Fafá de Belém - "Fado Tropical" Francoise Hardy - "Mon ami la rose" Frank Sinatra - "New York, New York" II Festival da MPB - TV Record 1966 - Jair Rodrigues - "Disparada" II Festival da MPB - TV Record 1966 - Chico Buarque e Nara Leão - "A banda" II Festival da MPB - TV Record 1966 - Chico Buarque e Nara Leão - "A banda" - Comentários de ambos II Festival da MPB - TV Record 1966 - Elza Soares - "De amor e paz" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Chico Buarque e MPB4 - "Roda Viva" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Caetano Veloso - "Sem lenço e sem documento" III Festival da MPB - TV Record 1967 - MPB4 - "Gabriela" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Gilberto Gil - "Domingo no parque" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Gilberto Gil - "Domingo no parque" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Roberto Carlos - "Maria, carnaval e cinzas" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Roberto Carlos - "Maria, carnaval e cinzas" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Edu Lobo e Marília Medalha - "Ponteio" V Festival da MPB - TV Record 1969 - Paulinho da Viola - "Sinal Fechado" (o polêmico 1° lugar) Fred Astaire & Ginger Rogers - "Carioca" from the movie "Flying down to Rio" Fred Astaire & Ginger Rogers - "Cheek to Cheek" Fred Astaire & Ginger Rogers - "Smoke Gets in Your Eyes" Fred Astaire e Eleonor Powel - "Beguin the beguine" G Gal Costa - "Eu vim da Bahia" Gal Costa - "Brigas nunca mais / Discussão" Gali Atari - "Shemesh Aduma" Gali Atari and Milk & Honey - "Hallelujah" Gene Kelly & Cyd Charisse from "Singin' in the rain" Gene Kelly - Making of from "An American in Paris" Gheoghe Zamfir - "Doda,doda" and "M-am suit in dealul Clujului" ("I was climbing the Cluj hill") Gheorghe Zamfir - "Lonely Sheferd" Gheorghe Zamfir - "Lonely Sheferd" Gheorghe Zamfir - "Einsamer Hirte" Gilbert Becaud - "L'important c'est la rose" Gilbert Becaud - "Et maintenant" Gino Paoli - "Sapore di sale" 2006 Gino Paoli - "Canzoni da Ricordare" Glenn Miller - "In the Mood" Gigliola Cinquetti - "Anema e Core" Gonzaguinha - "E vamos à luta" Gonzaguinha - "É" - "O que é, o que é" Gonzaguinha - "Ponto de Interrogação" Gonzaguinha e Maria Bethânia - "Explode Coração" Guilherme Arantes - "Cheia de Charme" Gustavo Naveira y Giselle Anne - "La Cumparsita" H Henry Mancini and Andy Williams - "Moon River" Herbert von Karajan - "The Blue Danube Waltz" Hildegard Knef - "Eins und Eins das macht Zwei" Hildegard Knef - "Für mich solls rote Rosen regnen" Hildegard Knef - "Von nun an gings bergab" Hildegard Knef - Last tour 1 - "In dieser Stadt" Hildegard Knef - Last tour 2 - "Die Welt war jung" Hildegard Knef - Last tour 3 - "Ich brauch?Tapetenwechsel" Hildegard Knef - Last tour 4 - "Berlin, dein Gesicht hat Sommersprossen" Hildegard Knef - Last tour 5 - "Eins und Eins das macht Zwei" Hildegard Knef - 6 Minutes About Her Hildegard Knef - Best of/Greatest hits 1 Hildegard Knef - Best of/Greatest hits 2 I Ivan Lins - "Lembra de mim" Ivan Lins - "Bilhete" Ivan Lins e Toquinho - "Amor em Paz" Ivete Sangalo - "Eva" , "Alo Paixão" , "Beleza Rara" Ivete Sangalo - "Eva" Ivon Curi - "Delicadeza" J Jacques Brel - "Ne me quitte pas" James Last - "Medley I James Last - "Medley II (Romance in F - Beethoven...) 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Norah Jones - "Cold cold heart" Norah Jones - "Drown in my own tears" Norah Jones - "Feeling the same way" O Ofra Haza - "Ha'Shana InshaAlla-h" Ofra Haza - "Tzur Menti" Ofra Haza - "Im Nin'Alu" - 1978 Orquestra Filarmônica de Berlim - "Bolero" - Ravel P Paco de Lucia - "Concierto de Aranjuez" Paul Mauriat - "Love is blue" Paul Mauriat - "Toccata" Paul Mauriat - "My hearth will go on" Paulinho da Viola e Maria Bethânia - "Rosa Maria" Paulinho da Viola e Marisa Monte - "Carinhoso" Paulinho da Viola - "Foi um Rio que passou em minha vida" Paulinho da Viola e Velha Guarda da Portela - Documentário - 1ª parte Paulinho da Viola e Velha Guarda da Portela - Documentário - 2ª parte Paulinho da Viola e Clara Nunes - "O Mar Serenou" e outros grandes sucessos Paulinho da Viola - "Nervos de Aço" Peppino di Capri - "Roberta" Pery Ribeiro - "Garota de Ipanema" - 2005 Pery Ribeiro e Leny Andrade - "Gemini V" Pery Ribeiro - "Samba do Avião / Barquinho / Garota de Ipanema" R Ray Charles - "Georgia on my mind" Ray Conniff - "Besame Mucho" Renato Russo - "Strani Amore" Renato Russo - "Quando eu estiver cantando / Endless love" Rildo Hora e Maysa - "Último Desejo" Rita Hayworth as "Gilda" Rita Lee & Milton Nascimento - "Mania de Você" Rita Pavone - "Sapore di Sale" Rita Pavone - "Datemi un martello" Roberto Carlos e Martinho da Vila - "Aquarela do Brasil" Roberto Carlos e Wanderléa - "Agora você vem dizendo adeus" Roberto Carlos e Wanderléa - "Ternura" Roberto Carlos - "Que sera de ti" Roberto Carlos - "Emoções" Roberto Carlos - "Volver" Roberto Carlos - "Piel Canela" Roberto Carlos - "Detalhes" Roberto Carlos - "O Cadillac" Roberto Carlos - "O calhambeque" Roberto Carlos - "Pra sempre" Roberto Carlos - "Ilegal, imoral ou engorda" Roberto Carlos - "Um milhão de amigos" Roberto Carlos - "Jesus Cristo" Roberto Carlos - "Amada Amante" Roberto Carlos - "Desahogo" Roberto Carlos - "Café da manhã" Roberto Carlos - "Detalhes" Roberto Menescal e Wanda Sá - "Nós e o mar" Rocio Durcal - "Granada - Maria Bonita - Solamente una vez" Roger Williams - "Impossible Dream" Rostropovich - "Haydn Cello Concerto 1981" Rostropovich - "Allemande from Bach's Cello Suite No.1" Rostropovich - "Prelude from Bach's Cello Suite No.5" Rui Veloso e Leila Pinheiro - "Eu não existo sem você" S Sarah Brightman & Antonio Banderas - "The Phantom Of The Opera" Sarah Chang - "Cantabile" (Paganini) Sarah Chang - "Air on the G String" (J.S.Bach) Sarah Chang - "Meditation (from Thais)" (Massenet) Sarah Chang - "Mendelssohn Violin Concerto Mov 1" Sarah Chang - "Mendelssohn Violin Concerto Mov 2" Sarah Vaughan - "Don't blame me" Sarah Vaughan - "You're not the kind" Sarah Vaughan - "These things I offer you" Sara Vaughan e Wilson Simonal Simon & Garfunkel - "The Sound of Silence" Stanley Jordan - "Autumn Leaves" Stanley Jordan - "Stairway to Heaven" Stevie Wonder - "For once in my life" Stevie Wonder - "Yester me Yester You Yesterday" Stevie Wonder - "I just called to say I love you" Stevie Wonder - "You are the sunshine of my life" Stevie Ray Vaughan & Double Trouble - "Texas Flood" Silvio Caldas - "Chão de Estrelas" Sinead O'Connor - "Sacrifice" Sivuca - "Céu e Mar" T Tango Show from Buenos Aires, Argentina The Beatles - "Till there was you" The Beatles - "Help" The Beatles - "Day Tripper" The Beatles - "She loves you" The Beatles - "I Wanna Hold You Hand" The Beatles - "Please Mr. Postman" The Beatles - "Let it be" The Beatles - "Yesterday" (Tokio - 1966) The Platters - "Smoke gets in your eyes" The Platters - "Only You" The Platters - "Twilight time" Three Tenors singing "La donna e mobile" Three Tenors singing "Solamente una vez" Three Tenors singing "Te voglio tanto bene" Three Tenors singing "O Sole Mio" Tim Maia - "Gostava tanto de você" Tim Maia - "Me dê motivo" Tim Maia - "Não quero dinheiro" Tim Maia - "Dia de Domingo" Tom Jobim e Elis Regina - "Céu e Mar" Tom Jobim e Elis Regina - "Na Batucada da Vida" Tom Jobim e João Gilberto - "Garota de Ipanema" Tom Jobim e João Gilberto - "Desafinado" Tom Jobim e Leila Pinheiro - "Falando de Amor" Tom Jobim - "Eu sei que vou te amar" Tom Jobim - "Wave" Tom Jobim - "Você e eu" Tom Jobim - "Luiza" Tom Jobim, Vinícius, Miucha e Toquinho - "Samba de uma nota só" Tom Jobim, Vinícius, Miucha e Toquinho - "Samba de Orly" Tom Jobim, Vinícius, Miucha e Toquinho - "Samba pra Vinícius" Toquinho - "O bem do Mar, Saudade da Bahia, O mar" Toquinho - "Este seu olhar - Se todos fossem iguais a você" Toquinho - "Regra Três" Toquinho - "Escravo da Alegria" Toquinho - "Aquarela" Toquinho e Ivan Lins - "Amor em Paz" Tony Bennett & Stevie Wonder - "For once in my life" Tony Bennett - "I left my heart in San Francisco" Tony Bennett - "I left my heart in San Francisco (dance)" Toquinho e Vanda Breder - "Tristeza / A Felicidade" Tátrai Tibor & Sz?cs Antal Gábor - "Vidám part" V Vera Lynn - "We'll meet again" Vera Lynn - "Lili Marlene" Vera Lynn - "White Cliffs of Dover" Vera Lynn - "Comemoração dos 50 anos do Dia D" W Walt Disney - "Aquarela do Brasil" Walt Disney - "Blame it on The Samba - Apanhei-te Cavaquinho" Walt Disney - "Donald Duck and the Gorilla" Wanda Sá e Roberto Menescal - "Nós e o mar" Wilhelm Kempff - "Beethoven's Moonlight Sonata mvt. 1" Wilhelm Kempff - "Beethoven's Moonlight Sonata mvt. 2" Wilhelm Kempff - "Beethoven's Moonlight Sonata mvt. 3" Wilson Simonal - "Meu limão, meu limoeiro" Wilson Simonal - "Tributo a Martin Luther King" Wilson Simonal e Sara Vaughan Wilson Simonal e Elis Regina Wilson Simonal - "Ninguém sabe o duro que dei" Wolfgang Sawallisch and Philadelphia Orchestra - "Clair de Lune" Y Yamandu Costa e Armandinho - "Noites Cariocas" Yamandu Costa e Armandinho - "Apanhei-te cavaquinho" Yamandu Costa e Armandinho - "Assanhado" Z Zé Keti - "Mascarada" Zeca Pagodinho - "Maneiras" Zeca Pagodinho - "Caviar" Zeca Pagodinho e Almir Guineto - "Insensato Destino" Zeca Pagodinho - "Faixa Amarela" Zeca Pagodinho - "Beija-me" Zeca Pagodinho - "Exaustino" Zeca Pagodinho - "Eu não quero mais" Zizi Possi e Chico Buarque - "Anema e Core" (Jô) Zizi Possi - "Per Amore" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110626/45babc3a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 27 19:56:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 27 Jun 2011 19:56:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Mem=C3=B3ria=2C_Tes=C3=A3o_e_Vitamina?= =?utf-8?q?_D______________________________________________________?= =?utf-8?q?__________________________HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!___M?= =?utf-8?b?RURJQ0lOQSwgU0HDmkRFIEUgQUxJTUVOVEHDh8ODTyE=?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: urarianoms Em http://blog.antinovaordemmundial.com/2010/07/novos-estudos-sobre-a-vitamina-d-aumento-do-testosterona-melhora-da-memoria-e-da-funcao-cognitiva-e-diminuicao-dos-riscos-mal-de-parkinson/ Novos estudos sobre a vitamina D: aumento do testosterona, melhora da memória e da função cognitiva e diminuição dos riscos mal de Parkinson Em poucos dias a Vitamina D voltou a ser centro das atenções. Já divulgamos aqui a influencia da Vitamina D na i munidade e vários benefícios que está vitamina multi-uso fornece para nós, de graça, bastando apenas nos expor ao sol. Novos estudos demonstram ainda outros benefícios da Vitamina D: - Níveis de testosterona, hormonio sexual masculino, sao maiores nas pessoas com maior nível de vitamina D Testosterona e a Vitamina D De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Médica de Graz, na Áustria, aumentar os níveis de vitamina D no corpo pode ajudar a aumentar os níveis de testosterona dos homens e seu desejo sexual. O trabalho foi publicado no jornal científico Clinical Endocrinology. ?Homens que garantem que seu corpo é suficientemente abastecido com vitamina D estão fazendo bem para os seus níveis de testosterona e sua própria libido, entre outras coisas?, disse Ad Brand do Fórum de Pesquisa da Luz Solar, baseado na Holanda? Os investigadores testaram os níveis de vitamina D e de testosterona de 2.299 homens ao longo de vários meses. Eles descobriram que, assim como os níveis de vitamina D, os níveis de testosterona chegaram ao máximo no verão e caiu durante o inverno. Eles também descobriram que homens que tinham ao menos 30 nanogramas de vitamina D em cada mililitro de sangue tinham os níveis mais altos de testosterona circulante. a.. Vitamina D promove a memória e a função cognitiva em idosos Definida como a habilidade de uma pessoa de processar pensamentos, a função cognitiva inclui a memória ea capacidade de aprender novas informações, bem como a fala e compreensão de leitura. O envelhecimento é conhecido por afetar a função cognitiva em muitas pessoas, resultando em perda de memória e dificuldade de pensar nas palavras certas, enquanto fala ou escreve. Mas e se a falta de vitamina D poderia ser o culpado que está causando ou contribuindo para o prejuízo do processo cognitivo em muito s idosos ? e não simplesmente o envelhecimento por si só? Se for este o caso, existe a esperança de que o fornecimento adequado de vitamina D pode ajudar a manter a mente ágil e memória afiada. Pesquisa liderada pelo epidemiologista Katherine Tucker, com Jean Mayer USDA Human Nutrition Research Center on Aging (HNRCA), da Universidade Tufts em Boston, Massachusetts, e publicados em revistas de Gerontologia levanta esta possibilidade. Caminhos metabólicos da vitamina D foram encontrados no hipocampo e no cerebelo ? áreas do cérebro envolvidas no planejamento, processamento e formação de novas memórias. Assim, parece uma falta de vitamina D pode atrapalhar os processos cognitivos. Em uma declaração à imprensa, os pesquisadores notaram que as pessoas idosas que necessitam de cuidados em casa tem um elevado risco de não obter quantidade suficiente de vitamina D devido à limitacao de sua exposição à luz solar. E, de fato, apenas 35 por cento dos idosos que fizeram parte da pesquisa apresentaram níveis suficientes de vitamina D em seu sangue. Aqueles idosos que tiveram quantidade adequada de vitamina D tiveram resultados muito melhores em testes cognitivos do que os das categorias deficiente e insuficiente de vitamina D, em particular as medidas de desempenho executivo, que incluiu a flexibilidade cognitiva, a comple xidade da percepção e do raciocínio. As associações persistiram após tomar em consideração outras variáveis que também poderiam ter influenciado o desempenho em testes de capacidade cognitiva a.. Vitamina D pode diminuir risco de mal de Parkinson Um novo estudo indicou que pessoas com níveis elevados de vitamina D podem ter menor risco de desenvolver doença de Parkinson. O trabalho foi publicado na edição de julho dos Archives of Neurology. O papel da vitamina D na saúde óssea é conhecido, mas estudos anteriores apontaram a relação também com problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Paul Knekt, do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar da Finlândia, e colegas acompanharam 3.173 homens e mulheres com idades entre 50 e 79 anos e que não tinham diagnóstico de Parkinson no início do estudo, entre 1978 e 1980. Os participantes completaram questionários e foram submetidos a entrevistas sobre aspectos de saúde e socioecon??micos. Também foram examinados e forneceram amostras de sangue para análise. Em um período de 29 anos, até 2007, os pesquisadores observaram que 50 dos participantes desenvolveram a doença de Parkinson. Após serem feitos os ajustes para fatores potencialmente relacionados (como atividade física e índice de massa corporal), os indivíduos no grupo com níveis mais elevados da vitamina D apresentaram 67% menos risco de desenvolver a doença do que o grupo com menores níveis. Os participantes haviam sido divididos em quatro grupos com relação aos níveis da vitamina. ?Apesar dos níveis baixos de vitamina D em geral na população estudada, uma relação de dose e resposta foi encontrada. O estudo foi conduzido na Finlândia, onde há exposição restrita à luz solar e, portanto, tem como base uma população com níveis continuamente baixos da vitamina?, disse Knekt. ?De fato, o nível médio da vitamina D na população estudada é cerca da metade do nível considerado ideal, de 75 a 80 nanomoles por litro. Os resultados do estudo são consistentes com a hipótese de que uma deficiência cr??nica de vitamina D é um fator de risco para Parkinson?, destacou. Segundo os pesquisadores, os mecanismos pelos quais os níveis da vitamina podem afetar o desenvolvimento da doença são desconhecidos, mas o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro por meio de atividades antioxidantes, da regulação de níveis de cálcio, da desintoxicação, da modulação do sistema imunológico e da melhoria na condução de eletricidade nos neur??nios. ?O estudo reúne os primeiros dados promissores em humanos que sugerem que um estado inadequado de vitamina D está associado com o risco de desenvolver Parkinson, mas outras pesquisas são necessárias, tanto básicas como clínicas, para elucidar o papel, mecanismos e concentrações exatas?, disse Marian Leslie Evatt, da Universidade Emory, nos Estados Unidos, em editorial na revista sobre o estudo. Fontes: Estadao: Vitamina D pode diminuir risco de mal de Parkinson BBC: Low vitamin D levels ?linked to Parkinson?s disease? Estudo:Archives of Neurology: Is There a Role for Vitamin D in Parkinson Disease? BBC:Sunbathing ups men?s testosterone Estudo: Association of vitamin D status with serum androgen levels in men Estudo (Journals of Gerontology) : Vitamin D Is Associated With Cognitive Function in Elders Receiving Home Health Services a.. Testosterona e a Vitamina D De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Médica de Graz, na Áustria, aumentar os níveis de vitamina D no corpo pode ajudar a aumentar os níveis de testosterona dos homens e seu desejo sexual. O trabalho foi publicado no jornal científico Clinical Endocrinology. ?Homens que garantem que seu corpo é suficientemente abastecido com vitamina D estão fazendo bem para os seus níveis de testosterona e sua própria libido, entre outras coisas?, disse Ad Brand do Fórum de Pesquisa da Luz Solar, baseado na Holanda? Os investigadores testaram os níveis de vitamina D e de testosterona de 2.299 homens ao longo de vários meses. Eles descobriram que, assim como os níveis de vitamina D, os níveis de testosterona chegaram ao máximo no verão e caiu durante o inverno. Eles também descobriram que homens que tinham ao menos 30 nanogramas de vitamina D em cada mililitro de sangue tinham os níveis mais altos de testosterona circulante. a.. Vitamina D promove a memória e a função cognitiva em idosos Definida como a habilidade de uma pessoa de processar pensamentos, a função cognitiva inclui a memória ea capacidade de aprender novas informações, bem como a fala e compreensão de leitura. O envelhecimento é conhecido por afetar a função cognitiva em muitas pessoas, resultando em perda de memória e dificuldade de pensar nas palavras certas, enquanto fala ou escreve. Mas e se a falta de vitamina D poderia ser o culpado que está causando ou contribuindo para o prejuízo do processo cognitivo em muito s idosos ? e não simplesmente o envelhecimento por si só? Se for este o caso, existe a esperança de que o fornecimento adequado de vitamina D pode ajudar a manter a mente ágil e memória afiada. Pesquisa liderada pelo epidemiologista Katherine Tucker, com Jean Mayer USDA Human Nutrition Research Center on Aging (HNRCA), da Universidade Tufts em Boston, Massachusetts, e publicados em revistas de Gerontologia levanta esta possibilidade. Caminhos metabólicos da vitamina D foram encontrados no hipocampo e no cerebelo ? áreas do cérebro envolvidas no planejamento, processamento e formação de novas memórias. Assim, parece uma falta de vitamina D pode atrapalhar os processos cognitivos. Em uma declaração à imprensa, os pesquisadores notaram que as pessoas idosas que necessitam de cuidados em casa tem um elevado risco de não obter quantidade suficiente de vitamina D devido à limitacao de sua exposição à luz solar. E, de fato, apenas 35 por cento dos idosos que fizeram parte da pesquisa apresentaram níveis suficientes de vitamina D em seu sangue. Aqueles idosos que tiveram quantidade adequada de vitamina D tiveram resultados muito melhores em testes cognitivos do que os das categorias deficiente e insuficiente de vitamina D, em particular as medidas de desempenho executivo, que incluiu a flexibilidade cognitiva, a comple xidade da percepção e do raciocínio. As associações persistiram após tomar em consideração outras variáveis que também poderiam ter influenciado o desempenho em testes de capacidade cognitiva a.. Vitamina D pode diminuir risco de mal de Parkinson Um novo estudo indicou que pessoas com níveis elevados de vitamina D podem ter menor risco de desenvolver doença de Parkinson. O trabalho foi publicado na edição de julho dos Archives of Neurology. O papel da vitamina D na saúde óssea é conhecido, mas estudos anteriores apontaram a relação também com problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Paul Knekt, do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar da Finlândia, e colegas acompanharam 3.173 homens e mulheres com idades entre 50 e 79 anos e que não tinham diagnóstico de Parkinson no início do estudo, entre 1978 e 1980. Os participantes completaram questionários e foram submetidos a entrevistas sobre aspectos de saúde e socioecon??micos. Também foram examinados e forneceram amostras de sangue para análise. Em um período de 29 anos, até 2007, os pesquisadores observaram que 50 dos participantes desenvolveram a doença de Parkinson. Após serem feitos os ajustes para fatores potencialmente relacionados (como atividade física e índice de massa corporal), os indivíduos no grupo com níveis mais elevados da vitamina D apresentaram 67% menos risco de desenvolver a doença do que o grupo com menores níveis. Os participantes haviam sido divididos em quatro grupos com relação aos níveis da vitamina. ?Apesar dos níveis baixos de vitamina D em geral na população estudada, uma relação de dose e resposta foi encontrada. O estudo foi conduzido na Finlândia, onde há exposição restrita à luz solar e, portanto, tem como base uma população com níveis continuamente baixos da vitamina?, disse Knekt. ?De fato, o nível médio da vitamina D na população estudada é cerca da metade do nível considerado ideal, de 75 a 80 nanomoles por litro. Os resultados do estudo são consistentes com a hipótese de que uma deficiência cr??nica de vitamina D é um fator de risco para Parkinson?, destacou. Segundo os pesquisadores, os mecanismos pelos quais os níveis da vitamina podem afetar o desenvolvimento da doença são desconhecidos, mas o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro por meio de atividades antioxidantes, da regulação de níveis de cálcio, da desintoxicação, da modulação do sistema imunológico e da melhoria na condução de eletricidade nos neur??nios. ?O estudo reúne os primeiros dados promissores em humanos que sugerem que um estado inadequado de vitamina D está associado com o risco de desenvolver Parkinson, mas outras pesquisas são necessárias, tanto básicas como clínicas, para elucidar o papel, mecanismos e concentrações exatas?, disse Marian Leslie Evatt, da Universidade Emory, nos Estados Unidos, em editorial na revista sobre o estudo. Fontes: Estadao: Vitamina D pode diminuir risco de mal de Parkinson BBC: Low vitamin D levels ?linked to Parkinson?s disease? Estudo:Archives of Neurology: Is There a Role for Vitamin D in Parkinson Disease? BBC:Sunbathing ups men?s testosterone Estudo: Association of vitamin D status with serum androgen levels in men Estudo (Journals of Gerontology) : Vitamin D Is Associated With Cognitive Function in Elders Receiving Home Health Services __._,_.___ | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico Mensagens neste tópico (1) Atividade nos últimos dias: a.. Novos usuários 2 Visite seu Grupo Y! Ofertas. Conheça e tenha descontos de 50% em suas compras. -------------------------------------------------------------------------------- Conheça agora quem está faltando! -------------------------------------------------------------------------------- Compre Sapatilhas na Dafiti! 30 dias de devolução em 12x! Clique! Trocar para: Só Texto, Resenha Diária ? Sair do grupo ? Termos de uso. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/90dc2f0b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 27 19:56:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 27 Jun 2011 19:56:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___PEDRO_ALEXANDRINO_DE_OLIVEIRA_FILHO_?= =?iso-8859-1?q?____________________________________-CLXXVII-?= Message-ID: <8771E957700546CDA2514107048BA2F2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem PEDRO ALEXANDRINO DE OLIVEIRA FILHO (1947-1973) Filiação: Diana Piló de Oliveira e Pedro Alexandrino de Oliveira Data e local de nascimento: 19/03/1947, Belo Horizonte (MG) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 04/08/1974 Mineiro de Belo Horizonte, Pedro fez o 1º e o 2º graus no Colégio Anchieta, naquela capital. Bancário, começou a trabalhar, em 1962, aos 15 anos, no Banco Hipotecário do Estado de Minas Gerais, atual Bemge. Em 1967, foi transferido para São Paulo, onde terminou seus estudos e fez um curso de Inglês. Dois anos depois, retornou para Belo Horizonte. Nessa época, já era procurado pela polícia por suas atividades políticas. Como estudante universitário participou do Movimento Estudantil em São Paulo. Foi preso pela primeira vez em dezembro de 1969, dentro da casa de sua irmã Ângela, no bairro Gutierrez, para onde correu quando se sentiu seguido e ameaçado. Lá, levou coronhadas na cabeça, pontapés e foi desnudado e espancado na frente de suas duas sobrinhas, de três e quatro anos de idade. Levado para o DOPS/MG foi torturado. Quando solto, estava surdo de um ouvido e com o outro em péssimo estado. Pedro passou o Natal de 1969 com a família. Depois dessa data, nunca mais foi visto por seus familiares, passando a viver na clandestinidade, como militante do PCdoB. A casa de seus pais foi várias vezes invadida por policiais à sua procura. Sua mãe, Diana, não suportando as constantes invasões, resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro. Lá tentou encontrar o paradeiro de seu filho. Bateu em todas as portas: Igreja, Comissão de Direitos Humanos, Comissão Justiça e Paz e outras tantas, até que encontrou um casal, Edgar e Cirene (hoje falecidos), que buscava notícias de dois filhos e uma nora, também desaparecidos. Nessa ocasião, a família soube que Pedro tinha uma namorada, Tuca (Maria Luiza Garlipe, também desaparecida), enfermeira do Hospital das Clínicas de São Paulo e que havia ido com ele para o Araguaia. No Araguaia, Pedro adotou o nome Peri e viveu a partir de 1970 na Região do Gameleira, incorporando-se ao Destacamento B. Nas cartas enviadas à família pedia notícias de todos e falava de sua caminhada, de seu compromisso com o povo brasileiro e do significado da luta política. Em uma delas escreveu: "Tudo do amanhã está sempre no campo das possibilidades, é de hoje que temos a certeza, é hoje que criamos as condições objetivas para o amanhã". O relatório apresentado em 1993 pelo Ministério da Marinha ao ministro da Justiça informa que Pedro Alexandrino foi morto em 04/08/1974, em Xambioá. O jornalista Elio Gaspari acrescenta informações novas em A Ditadura Escancarada: "Peri (Pedro Alexandrino de Oliveira Filho), achado sozinho na mata, tinha consigo uma garrafa com sal, uma garrucha e um caderno de notas no qual louvava os jabutis e maldizia os mateiros. Levou um tiro na cabeça, e um helicóptero buscou seu cadáver. Deixado no chão da base de Xambioá, foi chutado pela tropa até que um oficial da FAB interveio, exigindo que respeitassem o inimigo morto" . Em nota de pé-de-página o autor explica que a informação lhe foi transmitida em fevereiro de 2001 por um oficial cujo nome prefere preservar. No requerimento à CEMDP, a mãe de Pedro Alexandrino, Diana Piló Oliveira, não pede o pagamento da indenização prevista em lei. Ela solicitou notícias do filho e, se morto, a localização de seus restos mortais. Em carta conjunta, Diana e Carmen Rivas, mães de Pedro Alexandrino e Hélio Luiz Navarro de Magalhães, pedem que as autoridades facilitem informações que possam ajudar a esclarecer o mistério que envolve o desaparecimento de ambos. ======================================================================================================================= + Informações. Pedro Alexandrino de Oliveira Filho Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Filho de Pedro Alexandrino de Oliveira e de Diana Piló Oliveira, nasceu em Belo Horizonte, no dia 19 de março de 1947. Tinha três irmãs: Ângela, Eliana Maria e Diana Maria. Sempre foi um filho e um irmão muito amigo, amoroso e alegre. Perto ou longe, participava intensamente da vida da família e tratava as irmãs com um carinho incomum. Fez o curso primário e o ginasial no Colégio Monte Calvário e o científico no Colégio Anchieta. Gostava muito de cantar e o fazia muito bem, pois era dono de uma belíssima voz. Adorava fazer serenatas com os seus amigos, inclusive para as próprias irmãs. Duas eram as músicas de sua preferência, as que mais marcaram sua irmã Eliana: "Perfídia" e "Relógio". Era uma pessoa tranqüila e muito querida por seus inúmeros amigos: Fredinho Silésio, Leonardo Andrade, Didiu e muitos outros. Pedro trabalhou no antigo Banco Hipotecário, hoje Banco do Estado de Minas Gerais e, quando foi transferido para São Paulo, em 1967, lá terminou seus estudos, fazendo também um curso de Inglês. Retornou a Belo Horizonte em 1969, onde já era procurado e foi preso em dezembro do mesmo ano, dentro da casa de sua irmã Ângela, no bairro Gutierrez, para onde correu quando se sentiu seguido e ameaçado. Na própria casa de Ângela, que se encontrava no trabalho, levou coronhadas na cabeça, pontapés, foi colocado nu e espancado na frente de suas duas sobrinhas, de 3 e 4 anos de idade. Levado para o DOPS/MG, foi torturado com choques elétricos no intestino, "pau de arara", palmatória, enforcamento e outras atrocidades. Quando foi solto, estava surdo de um ouvido e o outro encontrava-se em estado lastimável. Pedro Alexandrino passou o Natal de 1969 com a família, almoçando com todos na casa dos avós. Depois do almoço, foi à residência do casal Mário Silésio e D. Maria Eugênia, pais de seu amigo Fredinho. Saiu da casa dos amigos e nunca mais foi visto. Sem condições de viver como até então, optou pela clandestinidade. Estudante universitário, Pedro já participava ativamente do movimento estudantil em São Paulo. A partir desse período, a família não teve mais paz: a casa onde moravam era freqüentemente invadida por policiais à procura de Pedro Alexandrino. D. Diana, não suportando as constantes violências, resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, onde foi tentar encontrar o paradeiro de seu filho tão querido. Bateu em todas as portas possíveis: Igreja, Comissão de Direitos Humanos, Comissão Justiça e Paz e outras tantas, até que encontrou um casal, Sr. Edgar e D. Cirene (hoje falecidos), que buscavam notícias de dois filhos e uma nora, também desaparecidos. Nessa ocasião, a família soube que ele tinha uma namorada, Tuca (Maria Luiza Garlipe, também desaparecida), enfermeira do Hospital das Clínicas de São Paulo, e que havia ido com ele para o Araguaia. Pedrinho - como era carinhosamente chamado pela família - ou Peri pelos companheiros, ao transferir-se para a região do Araguaia, foi residir na região do Gameleira, incorporando-se depois, como combatente, ao Destacamento B. Desapareceu naquela região, em 1974, quando tinha 24 anos. As cartas escritas por Pedro Alexandrino para a família eram extremamente afetivas e carinhosas. As saudades eram sempre imensas e a vontade de poder abraçar, beijar, sorrir e cantar com as irmãs era seu cuidado constante. Sempre se colocava como um grande amigo e companheiro delas, para o que viessem a precisar algum dia. Perguntava pelos sobrinhos, queria notícias de todos. De seus projetos pessoais e de sua vida, pouco falava. Mas falava de sua caminhada, de seu compromisso com o povo brasileiro, do significado da luta política, da importância da honestidade, da seriedade, do crescimento interior, de atitudes decentes e até da vontade de ter um filho, um dia. Dizia numa das cartas: "Tudo do amanhã está sempre no campo das possibilidades, é de hoje que temos a certeza, é hoje que criamos as condições objetivas para o amanhã." O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi morto em 4 de agosto de 1974, em Xambioá. Já o Relatório do Ministério do Exército, afirma que Pedro Alexandrino de Oliveira Filho participou da Guerrilha do Araguaia, usando os codinomes de Moisés, Chico e Peri, sem esclarecer sobre o seu paradeiro. ======================================================================================================================== + Detalhes. =============================================================================================================================== + Detalhes. Soldados descobertos por ÉPOCA mostram onde enterraram guerrilheiros e o governo ordena escavações Dois corpos na mesma vala Peri e Atista chegaram mortos. Doca virou refém SELVA À esquerda: Peri chegou morto. À direita: Doca (agachado) com Santa Cruz (em pé) Dois corpos cravados de balas foram despejados na pista. Sem camisa, vestiam bermudas jeans desfiadas, presas com cintos de couro. Um deles estava descalço, o outro usava tênis Topa Tudo. Foram chutados pelos militares. Um soldado pegou o facão e abriu um buraco no peito de um dos mortos. ''Tem gordura aí'', zombou. O cadáver com o peito aberto a facão era do guerrilheiro Peri, de 27 anos, disfarce do bancário Pedro Alexandrino de Oliveira Filho. O outro era de Batista, um dos poucos camponeses que os membros do PCdoB conseguiram cooptar para a luta. Os dois não foram mortos juntos. Batista, conforme relatos de agricultores da região, foi preso com a guerrilheira Áurea perto da casa de uma camponesa amiga. O soldado Antônio Fonseca e um colega foram escalados para sepultar os corpos numa cova dentro da base. ''Eles já estavam duros'', conta. Fonseca pegou Peri pelos cabelos, levantou-o e jogou-o nas costas. O colega fez o mesmo com Batista. Ambos foram largados no mesmo buraco, um por cima do outro. Para cobrir os corpos foi usado um pano com listras vermelhas e brancas. Um camponês que estava preso na base encheu a cova de terra. ======================================================================================================================= + Detalhes. José Dirceu: Desaparecidos políticos, justiça e reconhecimento Não adianta deixar o tempo passar, o assunto estará sempre ressurgindo enquanto o Brasil se mantiver como o último país do mundo a abrir seus arquivos militares e da repressão. A Folha de S.Paulo publica nesta segunda-feira (2) reportagem sobre a morte de Pedro Alexandrino de Oliveira Filho, assassinado pelos militares, em 1974, na ocasião em que integrava a guerrilha rural do Araguaia, do PCdoB. O militante havia desaparecido em Belo Horizonte, depois de sair para uma simples compra de cigarros e, desde então, a família sofre com mais uma pessoa que integra a lista dos desaparecidos políticos. O caso só foi esclarecido em abril deste ano, quando o mateiro Abel Honorato de Jesus prestou depoimento à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O mateiro contou à Comissão que viu o corpo de Pedro Alexandrino de Oliveira Filho ser retirado do local em que foi metralhado enquanto descansava, e levado para um helicóptero que o transportou para Xambioá (PA), onde militares que combatiam à guerrilha na região tinham uma base de operações. De tempos em tempos, relatos como esse vêm à tona. E os militares ainda resistem a abrir os arquivos sobre esse conflito - a guerrilha do Araguaia - e sobre a repressão política comandada pela ditadura. É inútil. É certo que a verdade surgirá e os militares que praticaram crimes não se eximirão da condenação pública por tê-los praticado. O melhor - e o inevitável, o futuro mostrará - será contar de uma vez toda a verdade, mostrar a localização dos restos mortais de todos os desaparecidos para que as famílias possam dar-lhes sepultura digna segundo a tradição religiosa de cada um. Reafirmo minha opinião, já expressa em outras notas deste blog: a questão não vai ser calada, voltará sempre enquanto os responsáveis não derem todas as informações que os familiares de mortos e desaparecidos reivindicam. Manter a situação atual, sem abrir os arquivos, é mais um erro que só agrava os cometidos no passado. Não adianta deixar o tempo passar, o assunto estará sempre ressurgindo enquanto o Brasil se mantiver como o último país do mundo a abrir seus arquivos militares e da repressão. Fonte: Blog do Dirceu Leia, abaixo, a matéria da Folha sobre Pedro Alexandrino Guia dá pista sobre sumiço de guerrilheiro no Araguaia Mateiro conta a comissão que viu Pedro Oliveira Filho ser fuzilado por militares Militante de esquerda saiu de casa em 1969 e não foi visto mais por familiares; segundo depoimentos, teria sido assassinado em 1974 Rafael Andrade/Folha Imagem Diana Temporão, irmã de Oliveira Filho, em sua casa no Rio SERGIO TORRES DA SUCURSAL DO RIO Pedro Alexandrino de Oliveira Filho saiu de casa no dia de Natal de 1969 para visitar a família do amigo Hélio Garcia, 22 anos depois eleito governador de Minas Gerais. Lá chegando, conversou um pouco e avisou que sairia para comprar cigarros. Nunca mais foi visto em Belo Horizonte, onde morava com a mãe e duas irmãs. Desapareceu. Só agora, quase 39 anos depois, a família teve notícias dele. O depoimento do mateiro e lavrador Abel Honorato de Jesus à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no último dia 26 de abril, pode ajudar os parentes a saber o que aconteceu com Pedrinho -apelido de infância ainda empregado pela família quando o cita. Abel Jesus disse que Oliveira Filho, a quem conhecia como Peri, foi metralhado quando descansava na então densa selva amazônica que cobria o sudeste do Pará. Foi no início de 1974. Ele era um dos guerrilheiros rurais do PCdoB. Bancário de profissão, criado em ambiente urbano, estava na mata havia quatro anos. O corpo do rapaz, à época com 26 anos, foi retirado da floresta em um helicóptero do Exército, segundo o mateiro. Teria sido levado para a então ativa base militar do município de Xambioá, à época Goiás, hoje Tocantins. Jamais foi localizado por aqueles, que desde a década de 80, vasculham as terras do Araguaia em busca das ossadas dos guerrilheiros. A Folha revelou, em abril, o teor do depoimento de Abel Jesus, 63. Ele afirmou que o guerrilheiro estava doente, deitado em uma rede. Não reagiu nem a ele foi perguntado algo pelos pára-quedistas do Exército que o guia orientava na área chamada de Grota da Lima, ainda de acordo com seu relato. "Os militares pegaram o Peri, chegaram atirando", disse Abel Jesus. A frase está reproduzida na ata de seu interrogatório pela Comissão de Anistia. A família já sabia que Pedrinho havia passado pelo Araguaia, após deixar Belo Horizonte. O nome dele consta da relação de desaparecidos na região de 1972 a 1974, quando Exército, Marinha e Aeronáutica se uniram para aniquilar a guerrilha iniciada na década anterior pelo Partido Comunista do Brasil. Antes do sumiço, Pedrinho já havia sido preso e torturado por cinco dias, sob a acusação de envolvimento em atividades subversivas. Em São Paulo, onde morara antes, tornara-se militante de organizações de esquerda, conforme a família tinha conhecimento. Mas a vinculação dele ao PCdoB e à guerrilha do Araguaia era desconhecida. Além do registro oficial de desaparecido, a morte de Peri é citada no livro "A Ditadura Escancarada", do jornalista Elio Gaspari (Companhia das Letras, 2002). A fonte do escritor foi um oficial cuja identidade não revelou. "No dia de Natal de 69 Pedrinho almoçou em família. Depois saiu para encontrar Hélio Garcia, de quem era muito amigo. Foi para a casa do sogro dele. Mais tarde, saiu para comprar cigarro. Nunca mais o vimos. Na realidade, até agora a gente não sabia de nada", disse à Folha a jornalista Diana Maria Temporão, 55, irmã caçula de Oliveira Filho. Mãe de Pedrinho, a psicóloga Diana Piló Oliveira, 84, chegou a conversar, anos atrás, com o deputado federal José Genoino (PT-SP), sobrevivente da guerrilha. Ele confirmou que Peri era mesmo filho dela e que, no Araguaia, chegaram a morar juntos em uma cabana. Na década de 90, ela percorreu a região, mas não encontrou pessoas que pudessem ajudá-la na busca ao filho. Emocionada com o relato do mateiro, Diana não se sentiu em condições de falar à Folha. "Sempre fica uma esperança, mesmo passados tantos anos, mais de 30. É muito difícil falar quando surge um relato como esse. Até agora ninguém tinha visto ele morrer", disse a irmã. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/211e78e0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22795 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/211e78e0/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/211e78e0/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3569 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/211e78e0/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7266 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/211e78e0/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20872 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/211e78e0/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 27 19:57:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 27 Jun 2011 19:57:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Crise terminal do capitalismo. por Leonardo Boff Message-ID: <877E27311007400197859DB5B655ECFD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 27.06.11 - Mundo Crise terminal do capitalismo. Leonardo Boff Teólogo, filósofo e escritor Adital Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação. A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo. A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível. O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural. Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina. A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas. Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil. As ruas de vários países europeus e árabes, os "indignados? que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: "não é crise, é ladroagem?. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador. Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas. [Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra-cuidar da vida: como evitar o fim do mund, Record 2010 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110627/f7d9d70a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 28 20:20:09 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 28 Jun 2011 20:20:09 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JO=C3O_MASSENA_MELO__e__LUIZ_IGN=C1CI?= =?iso-8859-1?q?O_MARANH=C3O_FILHO__________________________-CLXXVI?= =?iso-8859-1?q?II-?= Message-ID: <455C276D7D644B3490C286A23ADCB04F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOÃO MASSENA MELO (1919 - 1974) Filiação: Olímpia Melo Maciel e Sebastião Massena Melo Data e local de nascimento: 16/08/1919, Água Preta, à época distrito de Palmares (PE) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 03/04/1974, São Paulo (SP) LUIZ IGNÁCIO MARANHÃO FILHO (1921 - 1974) Filiação: Maria Salomé de Carvalho Maranhão e Luiz Ignácio Data e local de nascimento: 25/01/1921, Natal (RN) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 03/04/1974, São Paulo (SP) WALTER DE SOUZA RIBEIRO (1924 - 1974) Veja no email "PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de Wálter de Souza Ribeiro -XXXII-" Esses três integrantes do Comitê Central do PCB foram presos em São Paulo no mesmo dia, 03/04/1974, e seus nomes integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. João Massena Melo era pernambucano de Palmares, filho de pai carpinteiro e de mãe costureira. Começou a se interessar por política ainda na adolescência. Era casado com Ecila Francisca Massena Melo, com quem tinha três filhos. Começou sua militância política entre 1932 e 1933, no Rio de Janeiro, quando trabalhava na Fábrica de Tecidos Nova América. Durante o Estado Novo esteve preso em Fernando de Noronha, convivendo ali com Agildo Barata e Carlos Marighella. Sua liderança no meio operário possibilitou se eleger vereador pelo Partido Comunista, em 1947, no Rio de Janeiro, na época capital da República. Seu mandato foi extinto em 1948 com o fechamento do partido, voltando então a morar em Pernambuco até 1950. De volta ao Rio de Janeiro, trabalhou como soldador e se integrou ao Sindicato dos Metalúrgicos, o que o levou a ser eleito nas eleições de 1962 deputado estadual na Guanabara, pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Teve novamente seu mandato interrompido pelo primeiro Ato Institucional, de 09/04/1964, tornando-se um caso singular de representante popular duas vezes cassado. Seis anos depois, voltou a ser preso em 1970, em sua residência, graças à decretação de sua preventiva pela 2ª Auditoria da Marinha, sob acusação de estar reorganizando o clandestino PCB. Foi torturado e ficou preso por dois anos e sete meses entre a Ilha das Flores e a Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Documentos dos órgãos de segurança registram que ele teria feito cursos na União Soviética e que teria recebido várias condenações na Justiça Militar. Solto em fevereiro de 1973, vinha cuidando de se recuperar do período de prisão e das torturas. Sua mulher, Ecila, avalia que sua libertação foi uma verdadeira armadilha, já que os órgãos de segurança não podiam fazê-lo desaparecer durante cumprimento da ordem judicial de prisão preventiva. Permaneceu com a família até viajar para São Paulo, no dia 19 de março, cidade em que foi preso no dia 03/04/1974, estando desaparecido desde então. Em 20 de abril, Ecila recebeu em casa a visita do amigo com quem Massena se hospedava em São Paulo, que lhe trouxe, além da maleta com roupas e objetos de uso pessoal, a triste notícia da prisão ocorrida no início do mês. Apesar da intensa busca e dos habeas-corpus impetrados, nenhuma informação foi obtida. Em 25/04/1974, o líder do MDB na Câmara dos Deputados, Laerte Vieira, denunciou da tribuna o seu desaparecimento, sendo acompanhado pelo deputado oposicionista pernambucano Marcos Freire. Na entrevista do ex-sargento Marival Chaves ao jornalista Expedito Filho, da Veja, esse agente do DOI-CODI/SP afirmou que Massena era um dos oito integrantes do PCB que tiveram seus corpos atirados nas águas do Rio Novo, em Avaré (SP). Luiz Ignácio Maranhão Filho era advogado, jornalista, professor universitário e foi deputado estadual. Teve seu mandato cassado pelo primeiro Ato Institucional, em abril de 1964. Nascido em Natal (RN), estudou no Atheneu Norteriograndense, escola em que mais tarde seria professor, lecionando também na Fundação José Augusto e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Seu irmão, Djalma Maranhão, era prefeito de Natal quando da deposição de João Goulart, liderando nessa cidade uma gestão municipal inteiramente engajada na mobilização pelas reformas de base, em sintonia com as propostas de Paulo Freire, através de um programa de alfabetização que teve repercussão nacional: "De pé no chão também se aprende a ler". Jornalista, colaborou com diversas publicações do Rio Grande do Norte, particularmente com o Diário de Natal. Escreveu vários artigos para a Revista Civilização Brasileira. Filiou-se ao Partido Comunista em 1945, tendo sido eleito para o seu Comitê Central no VI Congresso do partido, em 1967. Preso em 1952 pela Aeronáutica em Parnamirim (RN), foi brutalmente torturado, constituindo esse episódio um capítulo do livro História Militar do Brasil, de Nélson Werneck Sodré. Em 1958, foi eleito Deputado Estadual pela legenda do Partido Trabalhista Nacional (PTN), desempenhando o mandato até 1962. No início de 1964, visitou Cuba a convite de Fidel Castro, juntamente com Francisco Julião, o líder das Ligas Camponesas. Com o Golpe de Estado de abril, foi preso e levado para a ilha de Fernando de Noronha, junto com o governador de Pernambuco Miguel Arraes e seu irmão prefeito, todos cassados. Libertado no final do ano, imediatamente passou à clandestinidade, fixando-se no Rio de Janeiro. Durante o período de vida clandestina, atuou em diversas missões e comissões partidárias. Maranhão foi o dirigente que mais trabalhou no PCB a relação entre cristãos e marxistas, na trilha do diálogo proposto então pelo filósofo marxista Roger Garaudy, filiado ao Partido Comunista Francês. Essa face de sua militância foi estudada pela professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maria Conceição Pinto de Góes, que lançou em 1999 o livro A Aposta de Luiz Ignácio Maranhão Filho - cristãos e comunistas na construção da utopia. Nesse trabalho a pesquisadora registra que Maranhão organizou a publicação de três encíclicas fundamentais na renovação da Igreja Católia - Populorum Progressio, Pacem in Terris e Mater et Magistra - sob o título A Marcha Social da Igreja, com uma introdução de Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde. No livro do Comitê Brasileiro pela Anistia do Rio de Janeiro, Desaparecidos Políticos, Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa fornecem algumas informações sobre o seu desaparecimento: "Sua prisão foi testemunhada por algumas pessoas e se deu numa das praças de São Paulo, quando foi cercado por homens que pareciam assaltantes. O que levou testemunhas a acorrerem com o intuito de ajudá-lo. Mas ao constatarem que se tratava de agentes policiais - colocaram algemas em seus pulsos - se afastaram, observando que ele foi conduzido num veículo comumente usado para transporte de presos comuns. Desde então Inácio nunca mais foi visto". Em maio de 1974, o deputado federal Thales Ramalho, que era secretário-geral do MDB, de sua ala moderada, mas colega de infância do comunista desaparecido, leu da tribuna da Câmara carta de sua esposa denunciando o desaparecimento. Elio Gaspari registrou, em A Ditadura Derrotada: "Ramalho entrincheirou-se no embaraço, cobrando explicações do governo. Leu uma carta da viúva e concluiu: 'É com sentimento de vergonha que transmito a esta Casa esse impressionante depoimento para o conhecimento de todos. Vergonha de que, em meu país, uma carta dessas possa ser escrita. Daqui, quero fazer um apelo ao presidente Ernesto Geisel: mande apurar este caso'". Em 08/04/1987, matéria publicada na revista IstoÉ trouxe declarações do ex-médico Amílcar Lobo reconhecendo ter atendido Luís Ignácio no DOI-CODI/RJ, sendo essa a única informação obtida até hoje acerca de seu paradeiro. Walter de Souza Ribeiro era mineiro de Teófilo Otoni e começou seus estudos numa escola pública daquela cidade. Fez o ginasial em Conceição do Mato Dentro e ingressou no Curso Preparatório de Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, tornando-se 2º tenente em 1950. Sua família morava em Governador Valadares (MG) quando saiu de casa em busca de formação profissional. Casou-se com Adalcy Byrro Ribeiro, com quem teve três filhos: Marcos, Marina e Marcelo. Foi reformado como oficial do Exército, em 1951, por ter assinado um manifesto contra o uso de armas atômicas e contra o envio de tropas brasileiras para a Guerra da Coréia. A exclusão utilizou como motivo "incompatibilidade" para o oficialato. Em 1959 mudou-se para Brasília, ainda em construção, trabalhando como funcionário da Novacap até abril de 1964, quando foi demitido por força do primeiro Ato Institucional. Documentos dos órgãos de segurança o citam como integrante do Comitê Central do PCB e registra uma viagem que teria feito a Cuba em 1963, além de ter sido responsável por cursos de formação política no partido. Após o seu desaparecimento, a família conseguiu colocar anúncios nos jornais denunciando o fato e participou do encontro dos familiares com o general Golbery. Na resposta do governo, divulgada somente em fevereiro de 1975, a desastrada nota do ministro da Justiça Armando Falcão acusou Walter de ser subversivo, de ser indigno para o oficialato e que havia contra ele mandado de prisão expedido desde 1970, estando foragido. Indignada com a nota do Ministro, Aldacy protestou contra as calúnias, apresentando documentos que desmentiam o ministro. Havia sido expedida pela 2ª Auditoria do Exército de São Paulo certidão negativa que atestava boa conduta de seu marido. Em seu protesto Aldacy escreveu: "A nota é caluniosa também quando diz que meu marido foi expulso do Exército como indigno. Não existe, até agora, que seja do meu conhecimento e dos meus filhos, nenhuma expulsão e sim reforma pela lei n. 1507-A, de 28 de janeiro de 1950, por incompatibilidade para o oficialato... A reforma de um oficial por incompatibilidade não significa indignidade, conforme declarou o ministro Falcão. Nossa dor já era demasiadamente grande pelo dramático desaparecimento do chefe da nossa família para suportar ainda o peso da difamação que o ministro nos impôs através de toda a imprensa nacional". Para a família de Walter, seu desaparecimento, além de revolta e angústia, significou grandes privações inclusive financeiras, uma vez que viúva e filhos não podiam sequer receber o soldo a que tinham direito, uma vez que não existia atestado de óbito. O jornalista Elio Gaspari colhe vários depoimentos, em A Ditadura Derrotada, examinando a possibilidade de existir algum agente infiltrado no PCB naquele período como explicação para os cinco desaparecimentos ocorridos no início do governo Geisel. Ouviu do dirigente Givaldo Siqueira que ele estava desconfiado da possibilidade de Walter de Souza Ribeiro estar "campanado". Segue a reconstrução de Gaspari: "No dia 3 de abril, Ribeiro saiu de uma reunião numa casa em cuja vizinhança havia pessoas consertando a fiação de postes. Foi a um 'ponto' conversar com Luís Inácio Maranhão. Ex-deputado estadual no Rio Grande do Norte, defensor da anticandidatura de Ulysses Guimarães à Presidência da República e amigo do cardeal Eugênio Sales, Maranhão era uma espécie de chanceler do Partidão. Encarregava-se dos contatos com parlamentares e com a Igreja. Também iria a esse encontro João Massena Mello, ex-deputado estadual carioca e veterano agitador sindical do PCB. Pagara três anos de cadeia e estava em liberdade fazia pouco mais de um ano. Sumiram todos.(...) Em 1992 um ex-sargento do Exército, Marival Chaves Dias do Canto, narrou ao repórter Expedito Filho, da revista Veja, uma parte de seus sete anos de serviço na máquina de repressão militar em São Paulo. Segundo ele, Luís Maranhão e João Massena acabaram num cárcere montado numa fazenda da estrada da Granja 20, em Itapevi. Liquidaram-nos com injeções de uma droga destinada a matar cavalos e jogaram seus corpos num rio. Walter de Souza Ribeiro, David Capistrano e José Roman foram levados para a casa que o CIE mantinha em Petrópolis. Esquartejaram-nos". ================================================================================================================== + Informações. JOÃO MASSENA MELO Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu em 18 de agosto de 1919, em Palmares, Estado de Pernambuco, filho de Sebastião Massena Melo e Olímpia Melo Maciel. Desaparecido desde 1974, quando tinha 55 anos. Operário tecelão da Fábrica de Tecidos Nova América e, posteriormente, operário metalúrgico. Casado, tinha 3 filhos. Em 1945, foi eleito vereador no antigo Distrito Federal. Seu mandato foi extinto em 1948, com o fechamento do Partido e sua cassação. Em 1962 foi eleito Deputado Estadual pelo antigo Estado da Guanabara pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Teve novamente seu mandato cassado de acordo com o art. 10 do AI n° 1 de 9 de abril de 1964. Foi condenado pelo Conselho Permanente de Justiça Militar, em 7 de julho de 1966, a 5 anos de reclusão. Preso em 1970 por agentes da 2ª Auditoria da Marinha, foi brutalmente torturado. Toda sua família foi presa e levada para a Ilha das Flores e sua casa foi saqueada. Posto em liberdade em fevereiro de 73. Foi novamente preso na cidade de São Paulo no dia 3 de abril de 1974. Em documentos referentes a João Massena, arquivados no antigo DOPS/SP, foram encontradas as seguintes anotações: "Em 24/06/74, sua filha Alice Massena Melo, solicitou ao Exmo. Sr. Presidente da República, General Ernesto Geisel, providências no sentido de localizar seu pai." E, mais adiante, "RPI n° 08/76 - 10/09/76 - Ministério do Exército nos cientificou que o marginado e outros, a partir de maio de 1974, o PCB passa a dar como desaparecidos." Trechos do livro "Desaparecidos Políticos", de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa: "Massena permaneceu preso durante dois anos e sete meses apenas com a prisão preventiva decretada... mas nesse período não puderam desaparecê-lo, no dizer de sua mulher,... afinal ele fora preso com testemunhas... Massena foi solto em fevereiro de 1973, embora seu julgamento só tenha ocorrido cinco anos depois, em 20/09/78, quando foi absolvido, juntamente com outras pessoas submetidas às mesmas acusações e igualmente desaparecidas, como Jayme Amorim Miranda, Orlando Bonfim Jr., David Capistrano, Itair José Veloso, Hiram de Lima. A libertação de Massena, para sua mulher, foi uma verdadeira armadilha. Eles - os organismos de repressão - ficaram à espreita e, na primeira oportunidade apanharam o ex-deputado. Massena escreveu sua última carta para a família... marcava um encontro com sua mulher, que seria realizado num fim de semana, entre os dias 5 e 6 de abril. Ela foi ao encontro, esperou todo o fim de semana, mas Massena não apareceu. Então julgou que alguma coisa acontecera, mas ainda não colocara a prisão dele como uma possibilidade... No dia 20/4, o homem na casa de quem Massena se hospedara em São Paulo, lhe informou que Massena saiu de casa dia 3 ou 4 de manhã, 'apenas com a roupa do corpo, dizendo que voltaria para o almoço e não voltou.' Depois disso, a família de Massena desenvolveu intensa busca, seguindo o mesmo ritual das outras famílias de desaparecidos: foi a São Paulo e procurou a Igreja, buscou os conhecidos órgãos de repressão, foi a hospitais de emergência, cemitérios, Instituto Médico Legal. Ninguém sabia do seu paradeiro... A família impetrou um habeas corpus no STM... foi negado sob a alegação de que Massena não se encontrava preso em nenhuma dependência militar... =================================================================== + Informações. LUÍS INÁCIO MARANHÃO FILHO Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) Nasceu em 25 de janeiro de 1921, em Natal (RN), filho de Luís Inácio Maranhão e Maria Salmé Carvalho Maranhão. Desaparecido aos 53 anos. Em 1964 esteve em Cuba, juntamente com Francisco Julião a convite de Fidel Castro. Com o golpe militar foi cassado, em 1964, pelo AI-1. Ex-deputado estadual, advogado, jornalista e professor universitário. Em São Paulo, no dia 3 de abril de 1974, em uma praça, foi preso, fato testemunhado por diversas pessoas que tentaram socorrê-lo, pensando tratar-se de um assalto comum. Algemado, foi conduzido em um veículo usado para transporte de presos. Em maio de 1974, sua esposa denunciou que ele estava em São Paulo sendo torturado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, através de carta encaminhada ao MDB e lida na Câmara Federal pelo então Secretário-Geral do Partido, Deputado Thales Ramalho. No dia 15 de maio de 1974 o Jornal do Brasil dizia que o vice-líder da ARENA na Câmara, deputado Garcia Neto, reafirmara a disposição do governo em verificar a procedência de prisões denunciadas freqüentemente pelo MDB. Garcia Neto assegurava que, tanto o presidente da República, quanto o ministro da Justiça, "estão empenhados em constatar a veracidade dos fatos". Chegou a dizer que "o Governo, de maneira alguma, pode ficar sem tomar providências". Providências estas que jamais foram tomadas. Em 8 de abril de 1987, a revista Isto É, na matéria "Longe do Ponto Final", publica declarações do ex-médico e torturador Amílcar Lobo (cassado em 1989, pelo Conselho Federal de Medicina), que reconheceu Luís Inácio no DOI-CODI/RJ. ======================================================================================= + Detalhes Massena, João (1919-1974): Nome completo João Massena Melo, dirigente do Partido Comunista Brasileiro - PCB, nasceu em Pernambuco. Operário tecelão e metalúrgico. Em 1945, foi eleito vereador no antigo Distrito Federal. Seu mandato foi extinto em 1948, com o fechamento do Partido e sua cassação. Em 1962 foi eleito Deputado Estadual pelo antigo Estado da Guanabara pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Teve novamente seu mandato cassado de acordo com o art. 10 do AI n° 1 de 9 de abril de 1964. Foi condenado pelo Conselho Permanente de Justiça Militar, em 7 de julho de 1966, a 5 anos de reclusão. Preso em 1970 por agentes da 2ª Auditoria da Marinha, foi brutalmente torturado. Toda sua família foi presa e levada para a Ilha das Flores e sua casa foi saqueada. Posto em liberdade em fevereiro de 73. Foi novamente preso na cidade de São Paulo no dia 3 de abril de 1974 e nunca mais foi visto. João Massena Fonte: Movimento Tortura Nunca Mais ================================================================================= + Detalhes. Medalha Chico Mendes: João Massena Melo João Massena Melo "(...) Bem unidos façamos / Nesta luta final / Uma terra sem amos / A Internacional / Senhores, patrões, chefes supremos / Nada esperamos de nenhum / Sejamos nós que conquistemos / A terra mãe livre e comum (...) (Hino Internacional Comunista. Eugène Pottier (1871) e Pierre Degeyter (1888). Pernambucano de Palmares, filho de pai carpinteiro e de mãe costureira, nasceu em 16 de agosto de 1919. Começou a se interessar por política ainda na adolescência. Era casado com Ecila Francisca Massena Melo, com quem teve três filhos. Iniciou sua militância política entre os anos de 1932 e 1933, no Rio de Janeiro, quando trabalhava na Fábrica de Tecidos Nova América. Durante o Estado Novo esteve preso em Fernando de Noronha onde conviveu com Agildo Barata e Carlos Marighella. Sua liderança no meio operário possibilitou sua eleição para vereador pelo Partido Comunista em 1947, quando a capital da República era no Rio de Janeiro. Seu mandato foi extinto em 1948 com o fechamento do Partido Comunista. Por esse motivo, Massena voltou a morar em Pernambuco. Anos depois, de volta ao Rio, trabalhou como soldador e integrou o Sindicato dos Metalúrgicos. Foi eleito deputado estadual do antigo estado da Guanabara pela legenda do Partido Social Trabalhista (PST). Teve novamente seu mandato interrompido pelo Ato Institucional número I, de 09 de abril de 1964. Em 1970 foi preso e barbaramente torturado, enviado para a Ilha das Flores, depois para a Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Solto em fevereiro de 1973, vinha cuidando de se recuperar do período de prisões e torturas. Sua mulher, Ecila, avalia que sua libertação foi uma verdadeira armadilha, já que os órgãos de segurança não podiam fazê-lo desaparecer durante o cumprimento de ordem judicial de prisão preventiva. Permaneceu com a família até viajar para São Paulo, no dia 19 de março, cidade em que foi preso no dia 03 de abril de 1974, estando desaparecido desde então, no âmbito da Operação Radar, coordenada pelo DOI-CODI do II Exército, levada a efeito em vários estados. A Operação Radar prendeu centenas de pessoas e assassinou Vladimir Herzog, David Capistrano, Itair José Veloso, Orlando Boafin, entre muitos outros bravos militantes do PCB. Nos anos de 1990, em entrevista do ex-sargento Marival Chaves ao jornalista Expedito Filho, da revista Veja, esse agente do DOI-CODI/SP afirmou que Massena era um dos oito integrantes do Partido Comunista Brasileiro que tiveram seus corpos atirados nas águas do rio Novo, em Avaré/SP. Até sempre, companheiro!!! João Massena... PRESENTE!!! ============================================================================== + Detalhes. [PDF] "Já anunciaram diversas vezes o fim das Ideologias, mas o homem ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida 11 abr. 2008 - João Massena Melo, presente! metalúrgico pernambucano Massena, meu companheiro de lutas e amigo, era um guerreiro valoroso e de extrema ... ========================================================================================= + Informações. Maranhão Filho, Luís Inácio (1921-1974): Natural do Rio Grande do Norte, militante do Partido Comunista Brasileiro - PCB. Ex-deputado estadual, advogado, jornalista e professor universitário. Em 1964 esteve em Cuba a convite de Fidel Castro. Com o golpe militar foi cassado, em 1964, pelo AI-1. Em São Paulo, no dia 3 de abril de 1974, em uma praça, foi preso, fato testemunhado por diversas pessoas que tentaram socorrê-lo, pensando tratar-se de um assalto comum. Em 8 de abril de 1987, a revista Isto É, na matéria "Longe do Ponto Final", publica declarações do ex-médico e torturador Amílcar Lobo (cassado em 1989, pelo Conselho Federal de Medicina), que reconheceu Luís Inácio no DOI-CODI/RJ. ============================================================================================= + Detalhes. POST MORTEM Luis Maranhão será homenageado pela Caravana da Anistia Postado as 18h50 | 23.08.2010 Da Redação, com informações da DHNET Foto: Arquivo - Luis Maranhão, desaparecido político desde 1972 A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República vai inaugurar o Memorial "Pessoas Imprescindíveis" em homenagem post mortem a Luiz Inácio Maranhão Filho, advogado, jornalista e ex-deputado estadual, que teve o mandato cassado durante o regime militar. Luiz Maranhão permanece desaparecido desde 1972, quando foi preso por agentes do DOI-CODI em São Paulo. Seu processo de anistia política também será apreciado durante a Caravana. A solenidade acontecerá nesta quinta-feira(26), às 9:30, na Assembleia Legislativa, depois da sessão que vai apreciar requerimentos de anistia política de potiguares e paraibanos, realizada pela 42ª Caravana da Anistia. Luis Inácio Maranhão Filho nasceu em 25 de janeiro de 1921 em Natal, Rio Grande do Norte, filho de Luís Inácio Maranhão e Maria Salmé Carvalho Maranhão e foi casado com Odete Roselli Garcia. Advogado, professor do Atheneu Norteriograndense, da Fundação José Augusto e da Universidade Federal do RN. Jornalista, colaborou com diversos jornais do Estado, particularmente com o Diário de Natal. Escreveu vários artigos sobre questões candentes da realidade para a Revista da Civilização Brasileira. Membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo sido eleito para o seu Comitê Central no VI Congresso do partido em 1967. Preso em 1952 pela Aeronáutica em Parnamirim, foi brutalmente torturado, constituindo essa saga vivida por Luís, um capítulo do livro A História Militar do Brasil, de Nélson Werneck Sodré. Em 1958 é eleito Deputado Estadual, pela legenda do Partido Trabalhista Nacional (PTN), desempenhando o mandato até 1962. No início de 1964, a convite de Fidel Castro visita Cuba. Com o golpe militar de abril do mesmo ano, Luís é preso e, novamente, submetido à tortura. Permanece preso até fins de 1964. Libertado, imediatamente passa à clandestinidade, no Rio de Janeiro. Durante o período de vida clandestina, Luís Maranhão Filho, atua em diversas missões e comissões partidárias. Era importante elo de ligação nos contatos do partido com a Igreja Católica e políticos de oposição legal. Circustâncias e Morte Luís Maranhão foi preso no dia 03 de abril de 1974 numa praça em São Paulo, capital. Pessoas que presenciaram a cena, informam que ele foi algemado e conduzido num transporte de presos pelos agentes do DOI-CODI do II Exército. A ditadura militar jamais reconheceu a prisão do militante político; foi incluído no rol dos desaparecidos. Sua esposa denunciou, através do Secretário Geral do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), deputado Thales Ramalho, que Luís estava sendo torturado em São Paulo pelo famigerado assassino Sergio Fleury. Em 15 de maio de 1974, o vice-líder da ARENA, Deputado Garcia Neto prometia "que o governo tomaria providências para elucidar os sequestros de presos políticos, inclusive de Luís Maranhão Filho". Providências nunca encaminhadas. Em 08 de abril de 1987, o ex-médico e torturador Amilcar Lobo revelou, em entrevista à Revista Isto É, que viu Luís sendo torturado no DOI-CODI do I Exército no Rio de Janeiro. Em 1993 o ex-agente do DOI-CODI, Marival Chaves, em entrevista à Revista Veja, disse que Luís fora trucidado pelos órgãos de segurança da ditadura militar; seu corpo não foi localizado. Situação Atual Luís Inácio Maranhão Filho foi homenageado em 1993 com a criação do Instituto Prof. Luís Maranhão Filho, entidade vinculada à campanha de legalização do PCB no início da década de 80. Com a Lei no. 9l40/95, seu nome consta da primeira relação dos mortos e desaparecidos políticos, tendo a União reconhecido sua responsabilidade pela morte desses militantes. =================================================================================================== + Detalhes A Campanha De Pé no Chão também se Aprende a Ler Djalma Maranhão PDF 0,55 MB PDF] Politica Demoinddcratica 20. Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML ca e intelectual do dirigente comunista Luiz Inácio Maranhão Filho, ... tiu das esquerdas e Luiz Ignácio Maranhão Filho teve papel decisivo ... depoimento de um ex-sargento que viveu no - De Olho na Notícia ... É o caso de Hiram de Lima Pereira, interrogado em Itapevi, e de Luís Inácio Maranhão Filho, preso em São Paulo em 1974. Levado para Itapevi, Maranhão Filho ... PDF] O GOLPE MILITAR NO RIO GRANDE DO NORTE E OS NORTE-RIO- GRANDENSES ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de LFD CAPISTRANO Luís Inácio Maranhão Filho. Dados Pessoais. Nasceu em 25 de janeiro de 1921 em Natal, Rio Grande do Nrte, filho de. Luís Inácio Maranhão e Maria Salmé ... ========================================================================================= + Detalhes. Terça-feira, 24 de agosto de 2010 Luiz Ignácio Maranhão Filho. 1921- Aos 25 de janeiro nasce em Natal Luiz Maranhão, quarto filho do casal Luiz Ignácio de Albuquerque Maranhão e Maria Salomé de Carvalho Maranhão. Foi Presidente do Centro Estudantil Potiguar e aluno dos Colégios Pedro II e Atheneu, onde depois foi professor. Participou intensamente da vida cultural e intelectual da cidade, integrou o grupo "Teatro do Estudante", trabalhou nos jornais "A República", "Diário de Natal" e serviu ao Exército no Tiro de Guerra. 1944- Ingressa na Faculdade de Direito em Maceió e no Partido Comunista Brasileiro. 1945- Cai o "Estado Novo", o PCB volta a legalidade e Luiz integra a comissão executiva do RN, para as eleições da Assembléia Nacional Constituinte. 1948- O PCB tem seu registro cancelado pelo TSE, o Congresso cassa o mandato dos seus representantes e Luiz é demitido do cargo de professor do Atheneu. Em janeiro foi preso juntamente com Hiran Pereira, outro dirigente do PCB que também integraria mais tarde, a lista dos desaparecidos políticos. Ambos eram redatores da "Folha Popular", órgão do PCB local. Ainda em 1948, transfere-se para Recife, onde conclui o curso de Direito e vai trabalhar no jornal Folha do Povo. 1952- Após denunciar na imprensa torturas ocorridas na Base Aérea de Parnamirim-RN, é seqüestrado por soldados no centro do Recife e enviado àquela mesma unidade militar, sofrendo os mais perversos requintes da barbárie de seus torturadores. 1953- É absolvido pelo Superior Tribunal Militar, volta a Natal, ao Atheneu, ao jornalismo, ao partido e vai lecionar Geografia na Faculdade de Filosofia. 1958- Eleito Deputado Estadual pelo Partido Trabalhista Nacional, exerce o mandato até 1962. Segundo o Jornalista Carlos Lima:"Um momento diferente no Plenário dava-se quando Luiz Maranhão discursava. Os deputados silenciavam para ouvi-lo, pois quase sempre era uma aula de rico conteúdo". 1964- Após o golpe militar, é preso, demitido do Atheneu e barbaramente torturado no Regimento de Obuses em Natal. Depois é levado a Ilha de Fernando de Noronha, com o ex-deputado Floriano Bezerra, o suplente de deputado federal Aldo Tinoco e o seu irmão Djalma Maranhão, ex-prefeito de Natal. Ao final deste ano, após ter sua liberdade autorizada pelo STM, retornou a Natal e viajou para o Rio de Janeiro. 1967- É eleito membro do Comitê Central do PCB no VI Congresso e com a edição do AI-5 em 1969, passou a lutar na clandestinidade. Hábil no dialogo, atuou em varias missões e comissões partidárias, sendo um dos organizadores da frente ampla para derrotar o regime militar em 1973, com a anti-candidatura presidencial de Ulisses Guimarães, do MDB, que tinha Barbosa Lima Sobrinho, como vice. Foi o dirigente comunista que mais trabalhou a aproximação entre cristãos e marxistas, organizando a publicação de três encíclicas fundamentais na renovação da Igreja Católica. Era amigo pessoal do cardeal Eugênio Sales. 1974- Aos 3 de abril é seqüestrado por policiais, numa Praça em São Paulo. Sua prisão é denunciada no plenário da Câmara Federal, pelo então Deputado Tales Ramalho, que leu carta da esposa de Luiz, Odette Roselli Garcia Maranhão, solicitando ao governo explicações sobre o seu desaparecimento. 1996- Aos 5 de dezembro, vinte e dois anos depois, Odette recebe a certidão de óbito do seu marido, Luiz Ignácio Maranhão Filho. O Estado brasileiro reconhece a sua morte, de acordo com o artigo 1º da Lei nº 9.140, de dezembro de 1995. Deste modo, finalmente entregava-se a ela e aos familiares de Luiz Maranhão, o código indecifrável do seu cadáver insepulto. Haroldo Maranhão. Fontes: GÓES, Maria da Conceição Pinto de. A Aposta de Luiz Ignácio Maranhão Filho: Cristãos e Comunistas na Construção da Utopia, Editora UFRJ/Revan, Rio 1999. 400 nomes de Natal / Coordenação editorial, Rejane Cardoso. Natal/RN: Prefeitura Municipal de Natal, 2000. STUDART, Heloneida. Luiz, o Santo Ateu, Natal, RN: EDUFRN - Editora da UFRN, 2006. Direito á verdade e a memória: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos/ Comissão Especial sobre Mortos e desaparecidos Políticos - Brasília: Secretaria Especial dos direitos Humanos, 2007. Postado por Haroldo Maranhão ========================================================================================================= + Detalhes/Informações. Capistrano: Luiz Ignácio Maranhão Filho - 1921-1974 Antonio Capistrano foi reitor da UERN é filiado ao PCdoB + No dia 25 de janeiro de 2011, se vivo estivesse, Luiz Maranhão completaria 90 anos de idade. Pensei em realizar um evento em sua memória, não foi possível. Como não poderia deixar passar em branco, escrevi esse registro, é apenas uma pequena homenagem. Conheci Luiz Maranhão em 1962, através do meu irmão Franklin Capistrano, que já era do Partido, eu tinha 15 anos, era um garoto, começava a trilhar a militância política. O nosso primeiro encontro ocorreu em uma reunião realizada na sede do Sindicato dos Motoristas, localizado no Baldo. Era uma reunião com o objetivo de traçar ações de solidariedade ao povo cubano. Cuba sofrera a invasão da Baía dos Porcos, invasão patrocinada pelo governo ianque e executada pelos exilados cubanos com o apoio da CIA. Invasão frustrada pela reação enérgica do povo e das forças revolucionárias cubanas. Naquela noite ficou decidido fazer uma serie de pichações com frases de apoio ao povo e ao governo cubano. As palavras de ordem eram: "Viva Cuba, fora ianque", "Cuba sim, ianque não", "Viva Cuba livre", "Abaixo o imperialismo". Além da pichação, o nosso grupo, que era de jovens estudantes, ficou com a tarefa de paralisar os colégios. Outra ação com a participação de todos foi de panfletagem, distribuição de um manifesto assinado por diversas entidades condenando o ataque ianque e manifestando o apoio ao povo cubano. A partir daí passei a ter um contato mais freqüente com Luiz Maranhão, indo, vez por outra, com o meu irmão Franklin Capistrano, ao apartamento de Luiz que ficava na av. Rio Branco, de frente ao antigo mercado da Cidade Alta, hoje, Banco do Brasil. Lá também funcionava o consultório de odontologia da sua esposa, Dona Odete. Luiz, um marxista convicto, era uma figura boníssima, carismático, ganhava logo a confiança das pessoas com quem conversava. Como deve ser todo comunista, Luiz era democrático, internacionalista, defensor da autodeterminação dos povos. Gostava de conversar com os jovens, não sei se por ser professor ou pela sua formação marxista, acreditava na juventude e incentivava a participação dos jovens nas atividades partidárias, transmitia confiança aos seus camaradas. Sua biografia comprova sua dedicação a causa socialista, tornou-se mártir da luta do movimento comunista no Brasil. Para mim era motivo de orgulho, ainda muito jovem, iniciando a militância política, participar de reuniões com a presença de dirigentes do partido. Tínhamos uma verdadeira admiração pelos nossos líderes. Aqui, no estado, dois se destacavam - Dr. Vulpiano Cavalcanti, uma figura humana exemplar, médico nascido no Ceará, veio morar em Natal no final dos aos de 1930, aqui viveu até o fim da sua vida. Tive o privilégio de conhecê-lo e, como deputado estadual, de conceder-lhe o título de cidadão norte-riograndense, diploma entregue em uma bela sessão solene na Assembleia Legislativa em 1993. O outro, o camarada Luiz Maranhão, professor, advogado, jornalista, chefe de redação do Diário de Natal, homem das letras, um grande camarada. Estas duas personalidades sintetizam a abnegação da maioria dos comunistas, despojados de interesses pessoais, dedicados às causas coletivas. Na época, ser militante comunista era ter uma vida atribulada pelas perseguições políticas, pelas prisões, pelo terror da tortura. Tanto Luiz como Vulpiano poderiam ter tido uma vida burguesa "tranqüila", um era médico e o outro advogado e jornalista, ambos muito conceituados aqui no estado, mas, preferiram se dedicar aos seus ideais, as suas convicções, ao sonho de um mundo justo, um mundo socialista, um mundo de paz. Os dois tiveram uma vida cheia de perseguição, foram diversas vezes presos, torturados, mas, mantendo as suas convicções de forma inquebrantáveis, enfrentando a sanha fascista sem perder a fleuma dos justos. O Partido Comunista, desde sua fundação, em 25 de março de 1922, até o fim da ditadura militar em 1984, foi perseguido e os seus militantes presos e torturados e muitos assassinatos, sem contar a campanha mentirosa que a mídia, historicamente, faz contra nós Luiz era dirigente nacional do Partido, homem culto, respeitado por todos, mantinha um importante diálogo com Roger Garaudy, na época, dirigente do PC francês, que como Luiz, acreditava na aproximação dos comunistas com os cristãos, juntos na construção da utopia, aliança basilar na luta pela vida e pela paz mundial. Nascido em Natal no dia 25 de janeiro de 1921, Luiz, como outros dirigentes comunistas, foi preso em abril de 1974, na cidade de São Paulo e, nos porões da ditadura foi torturado até a morte. Leandro Konder, prefaciando o livro de Conceição Góes, sobre a vida intelectual de Luis Maranhão, disse: "o prior do mosteiro dominicano do Leme, no Rio, dando um depoimento sobre o comunista com quem se encontrava declarou que era impossível conhecer Luis sem se sentir seu amigo". É verdade, até hoje eu guardo essa imagem de Luiz Maranhão, um amigo de verdade, um exemplo de militante, um grande comunista. Portanto, fica aqui o registro dos 90 anos do nascimento desse grande homem - Luiz Ignácio Maranhão Filho. Marxismo e cristianismo: A aposta de Luiz Maranhão publicado em 19/06/2007 por Gleyton Trindade A militância revolucionária e nordestina de Luiz Maranhão, desaparecido político, tem a relevância histórica de evocar uma busca pioneira do diálogo entre marxistas e cristãos. As décadas de 50 e 60 marcaram no Brasil o princípio do diálogo entre tradições que até então pareciam totalmente antagônicas: o catolicismo e as esquerdas socialistas e comunistas. Se nas décadas anteriores a relação Igreja/comunismo se caracterizava pelo mais puro estranhamento e negação mútua, em meados do século XX as condições políticas específicas vivenciadas pela América Latina e pela igreja abririam a possibilidade de diálogos positivos entre as duas tradições em torno de temas em comum: a defesa da democracia, dos direitos humanos, da justiça. Este árduo trabalho de diálogo foi, antes de tudo, resultado da ação política de homens ilustrados, capazes de reconhecer as ricas possibilidades da aproximação entre a esquerda socialista e o catolicismo progressista. Na biografia "A aposta de Luiz Ignácio Maranhão Filho" (Editora UFRJ/Revan, Rio de Janeiro, 199),escrita por Maria Conceição Pinto de Góes, somos colocados diante de um destes homens ilustrados que foram capazes de se colocar como "corda sobre o abismo", provavelmente o mais importante elo entre Igreja e comunismo no interior do PCB. A "aposta" a que se refere a biografia se expressa na opção de um homem pelo socialismo como meio de se alcançar uma sociedade mais justa, tarefa só possível, no entanto, com a conciliação daquelas tradições que se fundamentam na dignidade da pessoa humana. A aliança entre comunismo e o catolicismo progressista seria, assim, a aposta de um ateu convicto, profundamente humanista e solidário. Luiz Ignácio Maranhão Filho ou simplesmente Luiz Maranhão, como era mais conhecido, nasceu sertanejo no interior do Rio Grande do Norte, mas se criou na cidade de Natal. Conviveu na infância e adolescência com a agitada Natal dos anos 30 e 40; a cidade da Intentona Comunista e posterior perseguição política de seus líderes, sede também da base aérea militar dos Estados Unidos durante a 2ª. Guerra Mundial. Do contexto político vivenciado na cidade carregaria impressões que marcariam sua personalidade e militância política. Estudante e posteriormente professor do tradicional colégio Ateneu, tomaria contato e simultânea aversão ao fascismo, então em moda no país e particularmente em Natal onde era defendido por Câmara Cascudo, mais prestigiado professor do colégio. Contra o fascismo, tornaria sua personalidade decididamente democrática. Dos tempos do colégio outras duas experiências lhe seriam decisivas: as leituras de Marx e Nietzsche. Do primeiro Luiz Maranhão aprenderia a reconhecer no capitalismo a civilização da "coisificação" do homem, das injustiças e opressões humanas. No segundo, tema de sua conferência no colégio em 1943 quando tinha 21 anos, reconheceu um antídoto contra todo tipo de dogmatismo e preconceito. Em suas próprias palavras: "Vindo de um mundo intensamente emocional foi que eu cheguei para Nietzsche e encontrei Zaratustra. Naquele livro, que Nietzsche considerou para todos e para ninguém, livro em que a vida e os valores da vida se encaram de uma maneira nova e surpreendente, deparei-me com idéias, que, em dado instante, exerceram uma ação de obscurecimento sobre todas as coisas que eu antes vira e aprendera". Neste contexto, ser comunista para Luiz Maranhão significava se colocar contra o fascismo e a favor dos movimentos de cultura popular e das liberdades democráticas. Desta forma, entra para o PCB em 1945, já então professor, jornalista e estudante de direito. Dando mostras de sua "aposta" desde o início de sua militância, funda uma célula chamada "Frei Miguelinho", homenageando um padre potiguar, republicano e libertário que pegou em armas contra o Primeiro Reinado. Desenvolveria suas atividades políticas em estreita conexão com movimentos católicos como a Juventude Operária Católica e a Juventude Universitária Católica em consonância com as idéias defendidas pelo Concílio Vaticano II. Eleito deputado estadual no Rio Grande do Norte nas eleições de 1958, sua atuação parlamentar seria caracterizada pela luta contra a "privatização do Estado" realizado pelas oligarquias e pela defesa da reforma agrária e educação popular. Na busca de somar opiniões em favor destes temas, organizou uma diligência percorrendo seu estado, viagem que ficaria conhecida como "Trem da Reforma Agrária". Como parlamentar, Luiz Maranhão teria papel destacado também em duas campanhas eleitorais importantes: na "Frente do Recife" que elegeu Miguel Arraes prefeito da capital de Pernambuco em 1959 e na "Cruzada da Esperança" que elegeu seu irmão Djalma Maranhão prefeito de Natal em 1960. Nestas duas administrações municipais se desenvolveriam experiências sínteses do tipo de articulação política desejado por Luís Maranhão. O "Movimento de Cultura Popular" de Recife, coordenado pelo católico e educador Paulo Freire e a campanha "De Pé no Chão Também se Aprende a Ler" de Natal conciliavam a participação de sindicatos, movimentos sociais, partidos de esquerda e setores progressistas da igreja em favor da cultura popular, da conscientização política e dos direitos de cidadania. Experiências ricas de possibilidades rompidas com o golpe de 64. Na década de 60, já em plena repressão da ditadura, Luiz Maranhão se tornaria o homem designado pelo PCB para articular a oposição em conjunto com a igreja. Como resultado de seus estudos sobre o catolicismo e a política, organizou para publicação os textos das três encíclicas do Concílio Vaticano II em um volume intitulado "A Marcha Social da Igreja" com introdução de Alceu Amoroso Lima. Neste mesmo período troca correspondências com o filósofo e dirigente comunista francês Roger Garaudy. Embora profundamente pluralista e tolerante Luiz Maranhão não deixou de ser vítima da incompreensão e preconceito presentes na trajetória política do país. O homem que caracterizou sua atuação política pela negociação e debate, pela defesa intransigente dos direitos humanos, que condenou á repressão á Primavera de Praga e defendeu a democracia durante o IV congresso do PCB sofreu com a perseguição durante toda sua vida política. Isto desde sua primeira prisão em 1948 com o fechamento do jornal Folha Popular do qual era diretor passando pela prisão e terrível tortura em 1952 na base aérea de Natal, ambas em pleno regime democrático. Já durante a ditadura, Luiz Maranhão seria preso em 1964 na ilha de Fernando de Noronha com Miguel Arraes e Djalma Maranhão além de ser processado pelo regime militar. Posto em liberdade, Luiz Maranhão entraria num táxi no dia 27 de março de 1974 após encontro com um companheiro de partido em São Paulo e nunca mais seria visto novamente. Seu corpo nunca foi encontrado apesar dos esforços de entidades como a OAB e a CNBB e de sua obstinada esposa Odete Maranhão. Certa vez, indagado por esta última sobre sua inquietude e desassossego político, assim respondeu-lhe Luiz Maranhão numa carta: "Sei que não me transformei, ainda, nem quero me transformar, nesse tipo de gente para quem nada existe de melhor do que uma hora de sossego, seja em torno de uma mesa ou em cadeiras na calçada. Longe de tudo isso. Para mim o sentido da vida está na ação. Muito mais do que na contemplação". Aposta de uma vida. ====================================================================================================== + Detalhes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110628/8bcc823d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 4005 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110628/8bcc823d/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 28 20:20:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 28 Jun 2011 20:20:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] FARC-EP: 47 ANOS PELA PAZ E O SOCIALISMO Message-ID: <9DCA608C63C44D2280299617B0001491@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: REDE BOLIVARIANA 47 anos de batalhas pela paz da Colômbia a partir da resistência armada Colombianas e colombianos, irmãos e irmãs da América Latina: Neste mês de maio completam-se 47 infaustos anos de morte traiçoeira, de persecução implacável, de prisões injustas, de negação de direitos fundamentais aos cidadãos, de despojo de terras e moradias, de desterros e êxodos forçados, de enriquecimentos imorais e ilícitos e de empobrecimento violento, tão violento como a própria pobreza, causados pelos diferentes governos que exerceram o poder para a minoria opulenta da Colômbia. São 47 anos de violência partindo desde o dia em que o bipartidarismo liberal-conservador personificado no excludente, corrupto e infame pacto de alternância presidencial da Frente Nacional (vigente entre 1958-1974), no governo de Guillermo León Valencia, tomou a decisão de rumar o curso histórico da pátria pelos despenhadeiros da barbárie, lançando a maior ofensiva militar que até o momento se conhecera na América Latina, com mais de 16 mil efetivos da força armada governamental e orientada a partir da Casa Branca, em sua estratégia para o controle geopolítico do continente e contenção dos ventos de dignidade e independência que sopravam desde a Revolução Cubana, articulado no Plano LASO (Latin American Security Operation) para aniquilar o campesinato de Marquetalia. É que a violência e a submissão perante o amo imperial, foi por excelência a conduta política das classes dominantes na Colômbia. http://multimedia.telesurtv.net//pt/1/6/2011/36742/farc-completam-47-anos-e-lancam-comunicado/ Há verdades que incomodam as classes que detêm o poder e seus porta-vozes, como a de que a violência é a característica principal de sua conduta política. É por isso que lançam às vistas toda a sua maquinação midiática para fazer de suas trapaças e mentiras "verdades oficiais", como a justificativa para a agressão às comunidades agrárias em Marquetalia sob o estigma de "repúblicas independentes", quando o coro da irracionalidade no congresso da República, encabeçado pelo senador ultraconservador Álvaro Gómez Hurtado incitou o terror para expulsar a sangue e fogo a resistência em Marquetalia, por cima do clamor nacional de paz que os acompanhou, obrigando-os a proferir a resistência das FARC-Exército do Povo que cresce imbatível acompanhada de amor, esperanças, iniciativas e críticas dos colombianos. De Marquetalia até hoje, as FARC-Exército do Povo jamais renunciamos à solução política do conflito social e armado que a oligarquia colombiana aprofunda em cada ciclo de governo porque a busca da paz com justiça social é parte de nossa gênese e razão de luta, além da certeza de que é com a participação do povo voltado para ações e iniciativas como a construiremos. http://multimedia.telesurtv.net//15/4/2011/32117/colombia-pesquisa-revela-dados-sobre-conflito-armado/ É com o povo mobilizado pela distribuição justa da terra, pelo estabelecimento de efetivas políticas de saúde que priorizem o homem e a mulher e não as contas bancárias dos empórios econômicos da corrupção que a comercializam; para alcançar estratégias sociais que priorizem moradia digna no campo e na cidade, educação para todos, democracia plena para a convivência nacional e para o exercício pleno e integral dos direitos humanos; por redução do gasto militar e pelo redirecionamento da política de defesa. É a mobilização de todos os setores da sociedade colombiana que imporá a saída política do conflito armado, a começar pelo acordo humanitário (troca de prisioneiros) que liberte todos os presos políticos que se encontram nos cárceres do regime (incluindo os guerrilheiros marxista-leninistas) e os prisioneiros de guerra em poder da insurreição guerrilheira. "As contradições de interesses entre monopólios capitalistas "brasileiros" atuantes na Colômbia, Venezuela e Cuba e os monopólios imperialistas e os interesses geoestratégicos ianques na região obrigam o regime brasileiro a tomar a iniciativa, dando apoio logístico ao regime colombiano para que as FARC-Exército do Povo libertem os prisioneiros de guerra em seu poder unilateralmente: a "neutralidade" brasileira é, de fato, conveniente aos "interesses nacionais" da burguesia monopolista". Posição desta REDE BOLIVARIANA ANTIIMPERIALISTA http://www.youtube.com/user/cra8329#p/u/21/JtJSTUqBcBE Quando o governo ordenou o ataque à Marquetalia, os camponeses agredidos ergueram sua voz por saídas de paz e bem-estar, mas a ambição bipartidarista da Frente Nacional desencadeou a sangria que nos golpeia. E todas as ameaças caíram contra as forças de resistência encabeçadas pelos legendários comandantes Manuel Marulanda Vélez, Jacobo Arenas, Isaías Pardo, Hernando Gonzáles Acosta, Joselo Lozada, Ciro Trujillo, Miguel Pascuas, Fernando Bustos, Jaime Guaracas, Miriam Narváez e os 46 integrantes da plêiade fecunda da gesta Marquetaliana e da insurgência que hoje representamos as FARC-Exército do Povo. E prometeram seu aniquilamento físico e com isso o fim da resistência em poucas semanas. Desde então as ameaças e os jargões como ?foi abatido?, ?está gravemente ferido?, ?estamos fungando na nuca?, ?em cinco meses os derrotamos?, ?necessito outros quatro anos para derrotá-los?, ou o ?este é o fim do fim? da guerrilha foi o argumento para justificar o exorbitante gasto militar que disparou o contingente das forças armadas oficiais para mais de 500 mil efetivos e que consumirá a quinta parte do orçamento nacional do ano entrante. E que, além disso, recepcionou cerca dos quase US$ 10 bilhões de dólares de ajuda norte-americana do fracassado Plano Colômbia e sua eufemística ?guerra ao narcoterrorismo?, ratificando quão falaciosa é a publicitada tese governamental do ?pós-conflito?, mas aprofundando as desigualdades que hoje deixa mais de 30 milhões de pobres. QUEM DIZ QUE A POLÍCIA DA COLÔMBIA É MODELO PARA AS POLÍCIAS BRASILEIRAS? A partir da esquerda: O agente do DAS e sociólogo Hugo Acero (enviado ao Brasil por J.J. Rendón na extrema-direita) é assessor do Gal. Óscar "El Coca" Naranjo, diretor da Polícia da Colômbia e agente especial da DEA, completando o "serviço" do DAS-CIA na mídia burguesa: Estratégia: Infiltração nas polícias brasileiras para comprometê-las com o Terrorismo de Estado sob a fachada de combate ao "Terrorismo e a ao narcotráfico" http://www.wradio.com.co/nota.aspx?id=1298946 Barbarie policial na Colômbia:http://www.youtube.com/user/TheRpasur#p/u/15/f5kMTsz9I24 Vínculos de Óscar Naranjo com o narcotráfico: http://www.youtube.com/watch?v=scNIEQJDWDk http://www.rebelion.org/noticia.php?id=64104 http://www.youtube.com/user/ActualidadRT#p/search/4/IZyCDcrwYzU http://www.youtube.com/watch?v=1ACFcm6BzmM Neste quase meio século de confrontação armada, colocamos todas as nossa energias pela solução políticanegociada do conflito, mas os setores do poder, que aumentam os privilégios com a guerra, dispararam seusarsenais para que isso não seja possível. Os acordos de La Uribe, assinados há 27 anos (no governo de Belisario Betancourt) e que foram esperança de paz e prosperidade para a nação, foram afogados em sangue com o assassinato de mais de 5 mil integrantes da União Patriótica (frente de partidos legais saídos dos acordos, incluindo as FARC-EP), o maior genocídio contra um partido de oposição esperançado de paz. http://multimedia.telesurtv.net//pt/4/6/2011/37142/colombia-avanca-investigacao-sobre-genocidio-de-partido/ Em Caracas e Tlaxcala (México) colocamos todo nosso entusiasmo para retomar os caminhos da solução política negociada, mas o guerreirismo da classe dominante, ostentado na guerra integral do governo neoliberal de Cesar Gaviria, apostou no jogo da derrota militar da guerrilha e, no aspecto econômico, na chamada abertura de mercado, que deixou em quebra centenas de médias e pequenas empresas, elevando os níveis de pobreza. Chegamos aos diálogos de San Vicente del Caguán (com o governo de Andrés Pastrana, 1998-2002) com os nossos comissários com as esperanças elevadas na reconciliação do povo, mas a estratégia da classe dominante, orientada a partir de Washington, não era de paz, era ganhar tempo para recompor as estruturas de sua força armada atingida duramente pelas ações das FARC-Exército do Povo e desenvolver os planos de guerra contidos no fracassado Plano Colômbia e colocar o território à disposição das forças de ocupação ianques como cabeça de praia para a agressão contra os povos irmãos da América Latina que constroem soberania e democracia. A violência nunca foi nossa razão de ser, a violência nos foi imposta e é a característica principal de um regime decadente que se mantém com ela. Que assassina os opositores para monopolizar o poder político e encher os bolsos com a corrupção ou conseguir reconhecimento com a morte estratificada estabelecida pelo ministério da defesa para recompensar os crimes de Estado, eludindo sua responsabilidade com os eufemisticamente denominados ?falsos positivos? (execuções de civis que aparecem trajados de guerrilheiros mortos). Violência que obrigou ao êxodo interno de mais de 5 milhões de compatriotas e desapareceu com mais de 19 mil colombianos, somente nos 8 anos do governo de Uribe Vélez, para garantir o enriquecimento de industriais, agro-industriais, pecuaristas, narco-latifundiários e militares. http://multimedia.telesurtv.net//pt/27/5/2011/36275/colombia-lei-de-vitimas-continua-gerando-polemica/ Nossa razão de ser é a paz da moradia digna, a do desenvolvimento humano equilibrado, a da educação gratuita em todos os níveis, a da saúde preventiva para toda a nação, a da reforma agrária integral que beneficie as comunidades camponesas, indígenas e afro-descendentes, a paz do salário justo e do emprego estável, a da proteção integral do meio ambiente, a paz das garantias políticas para o debate e a participação nos órgãos do poder político, a garante do exercício pleno dos direitos humanos integrais, paz do respeito e garantias para as comunidades LGBT, a paz do reconhecimento pleno dos direitos de gênero, a paz do reconhecimento do aborto como parte substancial de uma sociedade que deve crescer em direitos e finalmente a paz do direito ao protesto e à mobilização social. E é por esta PAZ que arriscamos tudo, inclusive a própria vida, como a ofereceram generosamente e com compromisso indeclinável centenas de combatentes revolucionários marxistas-leninistas, entre os quais destacamos os inesquecíveis comandantes guerrilheiros Manuel Marulanda Vélez (?Tiro Certeiro), Jacobo Arenas, Efrain Guzmán, Raúl Reyes, Iván Rios, Jorge Briceño, Mariana Páez e todos os nossos heróis farianos. Compatriotas, Cmte Alfonso Cano e os heróis Jorge Briceño e o inesquecível Cmte Manuel Marulanda A paz é um direito que temos que tornar realidade nesta pátria inundada de humilhações. A barbárie não pode continuar sendo parte de nosso destino durante outros 47 anos mais, muito menos agora que, com a mobilização, podemos nos impor um futuro verdadeiro e civilizado, agora que o terror e o medo acrescentado pelo modelo de Estado mafioso (implantado por Uribe Vélez é revelado pela corrupção ocultada pela famigerada ?segurança democrática?, quando a para-política, a Yidis-política, os ?falsos positivos?, as prisões massivas, as fossas comuns com cadáveres em todos o país, o roubo de recursos destinados ao campo através do programa ?Agro-receita segura? para enriquecimento dos aliados clientelistas do regime, as zonas francas para benefício dos bolsos familiares do ex-presidente, os seguimentos ilegais do DAS (a narco-polícia política do regime (http://multimedia.telesurtv.net/17/5/2011/35168/dictan-aseguramiento-contra-ex-subdirector-del-das/) a extradição de seus aliados narco-paramilitares para se assegurar da impunidade, as mansões dentro de guarnições militares para albergar oficiais das forças armadas condenados por crimes de guerra e de Estado já não amedronta o nosso povo, como este já expressou em suas reiteradas manifestações. DAS-CIA na Colômbia: CARTÉIS NARCOTRAFICANTES DAS TRÊS LETRAS Aliança com qual Estado, Presidente Chávez? Razões de Estado ou traição a Bolívar e colaboração com a CIA? Ou submissão e medo do marqueteiro e agente da CIA J.J. Rendón, o rei da guerra suja desinformativa? http://www.youtube.com/watch?v=hfmfc0F-Dwc Mobilizações que vêm crescendo desde o ano passado e continuarão crescendo, como cresce o clamor por justiça social reclamada pela nação, contra o continuísmo do Uribismo representado pela ?Unidade Nacional? do atual presidente Juan Manuel Santos, com seu neoliberalismo que propende por um modelo de enclave e garantia para as multinacionais minero-energéticas, que aprofundará a crise humanitária que afeta o país e a crise meio ambiental que castiga de forma inclemente o país em cada mudança de estação, de corte de gastos sociais e repressão das liberdades públicas, de aprofundamento do conflito social e armado, justificado em uma concepção de ?segurança nacional? imposto por Washington e que fundamenta todas a modalidades de crimes de Estado aplicados na Colômbia, de impunidade para a corrupção que campeia em todos os escalões do Estado, como os cartéis da saúde estabelecidos pela lei 100. No entanto, será a mobilização e a unidade de todos e de todas as organizações e expressões de luta que tornará possível conseguir a reconciliação e a reconstrução nacionais e nossos esforços e os de todos os combatentes farianos estão à disposição desta patriótica causa. http://multimedia.telesurtv.net//pt/2/6/2011/36872/colombia-e-aprovada-lei-que-criminaliza-protestos/ A estes 47 anos de barbárie oligárquica temos que impor a saída civilizada para o conflito com o incontível poder da mobilização. Convidamos todos os colombianos e suas organizações para que tornemos visíveis todas as esperanças de paz com justiça social que palpitam no coração da pátria, com atividades culturais, expressões de arte, de música, dança e poesia: em encontros esportivos, caminhadas ecológicas, encontros literários, grupos de estudo, fóruns, conversatórios, encontros, oficinas, mobilizações e passeatas, para que a tocha da paz se acenda desde já e ilumine as sonhadas esperanças que nos quiseram cercear. Saudamos todos os nossos irmãos e irmãs latino-americanos que vêm acompanhando o povo colombiano neste empenho. Declaração pública pela libertação de todos os presos políticos (deixe sua assinatura) http://www.patriaessolidaridad.com.ve/ patriaessolidaridad at yahoo.com http://www.youtube.com/user/tribuna70#p/u/5/BuiHlPZ_fjo Convocamos todo o povo à ação e à mobilização para rumar a nação pelo caminho da solução política e dialogada, impondo regras fiscais cujo propósito consista em beneficiar os mais desprotegidos, com impostos mais altos para os que maiores ganhos adquirem. Convocamos a estabelecer uma política de saúde pública que priorize o colombiano comum e não os bolsos dos polvos financeiros e dos cartéis mafiosos que dela se beneficiam, como se evidencia pelo roubo de Saludcop, resultado de um modelo que beneficia exclusivamente os empresários. Convocamos por uma política educacional que redima e eleve os níveis de pesquisa científica do país e não as contas bancárias dos monopólios privados do ensino. Convocamos pelo estabelecimento de uma lei de vítimas que restitua as terras em benefício do sem-terra, dos despojados e das vítimas para que a impunidade e a repetição dos crimes de Estado não continuem sendo a regra e que avance rumo a uma profunda e verdadeira reforma agrária e não a pretensa política do presidente Santos de entregar terras devolutas ao sem-terra e as terras férteis aos empresários agro-industriais e fazendeiros. http://multimedia.telesurtv.net//pt/1/6/2011/36746/colombia-parentes-de-vitimas-questionam-nova-lei/ Convocamos a que se proteja os recursos naturais da exploração das multinacionais que alija a mineração artesanal e a pequena mineração e deteriora o meio ambiente. Convocamos a derrotar o continuísmo da chamada ?segurança democrática?, agora chamada de ?unidade nacional? e que persiste na militarização da nação e na criminalização do protesto social, de suas organizações e dirigentes. Convocamos, enfim, a uma reforma do infame regime de pensões e das lesivas normas trabalhistas que oprimem o trabalhador e afrouxam para os patrões. Nestes 47 anos de batalhas pela paz a partir da resistência armada, ratificamos o empenho pela reconstrução e reconciliação da Colômbia bolivariana, da Pátria Grande e do socialismo, iluminados pelo pensamento unitários do libertador Simón Bolívar. Para lutar pela paz e pelo socialismo as FARC-Exército do Povo criaram o Movimiento Bolivariano pela Nova Colômbia:http://www.youtube.com/user/mbolivariano#g/p Porque a unidade e a paz são possíveis sim. ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP 27 de maio de 2011. http://www.abpnoticias.com TODOS PELA LIBERDADE DE JOAQUÍN PÉREZ E JULIAN CONRADO Jornalista Joaquín Pérez, diretor da Agência de Notícias Nova Colômbia Entregue pelo Presidente Chávez ao Estado terrorista colombiano http://anncol.info Entregará Chávez também o cantor revolucionário Julián Conrado? Baixe as músicas de Julián: http://alsurdelriobravo.blogspot.com/2009/12/8-discos-julian-conrado-el-cantor-de-la.html Eis o que dizia Chávez antes sobre o caráter beligerante e legítimo das FARC-Exército do Povo: http://www.youtube.com/watch?v=V64IiB2Kbc4&feature=player_embedded -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110628/bcd3c2c7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 29 20:29:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Jun 2011 20:29:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?A_hist=F3ria_de__Che_Guevara_=28Do?= =?iso-8859-1?q?cumental_completo=29__2h_e_26_m=2E?= Message-ID: <7674DB71B33D4F4C8D0C1EFEC13918CD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Carta O Berro..........................................................repassem publicado em "O DIA NACIONAL DA INDIGNAÇÃO." Geraldo Dantas Poderoso 16 de junho de 2011 09:32 Che Guevara (Documental completo) www.youtube.com la historia del che guevara documental completo este video tiene contenido de The Orchard Music y Koch Entertainment del cual no tengo fines de lucro y tampo... . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110629/18c7af02/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 29 20:29:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Jun 2011 20:29:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22O_que_a_fal=E1cia_da_ditabrand?= =?iso-8859-1?q?a_revela=2E=22_____CARTA_MAIOR?= Message-ID: <6255098AF49E470EA4BCA049EE89DB71@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Quarta-Feira, 29 de Junho de 2011 O que a falácia da ditabranda revela A escolha do termo "ditabranda" pela Folha de S. Paulo para caracterizar a ditadura militar brasileira não foi um descuido linguístico. Trata-se de uma profissão de fé ideológica embalada por uma falácia. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a América Latina. A ditadura brasileira apoiou política e materialmente uma série de outras ditaduras na região, sendo responsável por muitas torturas, mortes e desaparecimentos em outros países. "A gente não matava. Prendia e entregava", admitiu um general brasileiro. Marco Aurélio Weissheimer Em um editorial publicado no dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo utilizou a expressão "ditabranda" para se referir à ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Na opinião do jornal, que apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o governo constitucional de João Goulart, a ditadura brasileira teria sido "mais branda" e "menos violenta" que outros regimes similares na América Latina. Como já se sabe, a Folha não foi original na escolha do termo. Em setembro de 1983, o general Augusto Pinochet, em resposta às críticas dirigidas à ditadura militar chilena, afirmou: "Esta nunca foi uma ditadura, senhores, é uma dictablanda". Mas o tema central aqui não diz respeito à originalidade. O uso do termo pelo jornal envolve uma falácia nada inocente. Uma falácia que revela muita coisa sobre as causas e consequências do golpe militar de 1964 e sobre o momento vivido pela América Latina. É importante lembrar em que contexto o termo foi utilizado pela Folha. Intitulado "Limites a Chávez", o editorial criticava o que considerava ser um "endurecimento do governo de Hugo Chávez na Venezuela". A escolha da ditadura brasileira para fazer a comparação com o governo de Chávez revela, por um lado, a escassa inteligência do editorialista. Para o ponto que ele queria sustentar, tal comparação não era necessária e muito menos adequada. Tanto é que pouca gente lembra que o editorial era dirigido contra Chávez, mas todo mundo lembra da "ditabranda". A falta de inteligência, neste caso, parece andar de mãos dadas com uma falsa consciência culpada que tenta esconder e/ou justificar pecados do passado. Para a Folha, a ditadura brasileira foi uma "ditabranda" porque teria preservado "formas controladas de disputa política e acesso à Justiça", o que não estaria ocorrendo na Venezuela. Mas essa falta de inteligência talvez seja apenas uma cortina de fumaça. O editorial não menciona quais seriam as "formas controladas de disputa política e acesso à Justiça" da ditadura militar brasileira, mas considera-as mais democráticas que o governo Chávez que, em uma década, realizou 15 eleições no país, incluindo aí um referendo revogatório que poderia ter custado o mandato ao presidente venezuelano. Ao fazer essa comparação e a escolha pela ditadura brasileira, a Folha está apenas atualizando as razões pelas quais apoiou, junto com a imensa maioria da imprensa brasileira, o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart. Está dizendo, entre outras coisas, que, caso um determinado governo implementar um certo tipo de políticas, justifica-se interromper a democracia e adotar "formas controladas de disputa política e acesso à Justiça". A escolha do termo "ditabranda", portanto, não é acidental e tampouco um descuido. Trata-se de uma profissão de fé ideológica. Há uma cortina de véus que tentam esconder o caráter intencional dessa escolha. Um desses véus apresenta-se sob a forma de uma falácia, a que afirma que a nossa ditadura não teria sido tão violenta quanto outras na América Latina. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se elas não mantivessem relação entre si, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a região. O golpe militar de 1964 e a ditadura militar brasileira alimentaram política e materialmente uma série de outras ditaduras na América Latina. As democracias chilena e uruguaia caíram em 1973. A argentina em 1976. Os golpes foram se sucedendo na região, com o apoio político e logístico dos EUA e do Brasil. Documentos sobre a Operação Condor fornecem vastas evidências dessa relação. Recordando. A Operação Condor é o nome dado à ação coordenada dos serviços de inteligência das ditaduras militares na América do Sul, iniciada em 1975, com o objetivo de prender, torturar e matar militantes de esquerda no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia. O pretexto era o argumento clássico da Guerra Fria: "deter o avanço do comunismo internacional". Auxiliados técnica, política e financeiramente por oficiais do Exército dos Estados Unidos, os militares sul-americanos passaram a agir de forma integrada, trocando informações sobre opositores considerados perigosos e executando ações de prisão e/ou extermínio. A operação deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos na Argentina, entre 3 mil e 7 mil no Chile e mais de 200 no Uruguai, além de outros milhares de prisioneiros e torturados em todo o continente. Na contabilidade macabra de mortos e desaparecidos, o Brasil registrou um número menor de vítimas durante a ditadura militar, comparado com o que aconteceu nos outros países da região. No entanto, documento secretos divulgados recentemente no Paraguai e nos EUA mostraram que os militares brasileiros tiveram participação ativa na organização da repressão em outros países, como, por exemplo, na montagem do serviço secreto chileno, a Dina. Esses documentos mostram que oficiais do hoje extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) ministraram cursos de técnicas de interrogatório e tortura para militares chilenos. Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (30/12/2007), o general Agnaldo Del Nero Augusto admitiu que o Exército brasileiro prendeu militantes montoneros e de outras organizações de esquerda latino-americanas e os entregou aos militares argentinos. "A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso", justificou na época o general. Humildade dele. Além de prender e entregar, os militares brasileiros também torturavam e treinavam oficiais de outros países a torturar. Em um dos documentos divulgados no Paraguai, um militar brasileiro diz a Pinochet para enviar pessoas para se formarem em repressão no Brasil, em um centro de tortura localizado em Manaus. Durante a ditadura, o Brasil sustentou política e materialmente governos que torturaram e assassinaram milhares de pessoas. Esconder essa conexão é fundamental para a Folha afirmar a suposta existência de uma "ditabranda" no Brasil. A ditadura brasileira não teve nada de branda. Ao contrário, ela foi um elemento articulador, política e logisticamente, de outros regimes autoritários alinhados com os EUA durante a guerra fria. O editorial da Folha faz eco às palavras do general Del Nero: "a gente só apoiava e financiava a ditadura; não há crime nisso". Não é coincidência, pois, que o mesmo jornal faça oposição ferrenha aos governos latino-americanos que, a partir do início dos anos 2000, levaram o continente para outros rumos. Governos eleitos no Brasil, na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai passam a ser alvos de uma sistemática oposição midiática que, muitas vezes, substitui a própria oposição partidária. A Folha acha a ditadura branda porque, no fundo, subordina a continuidade e o avanço da democracia a seus interesses particulares e a uma agenda ideológica particular, a saber, a da sacralização do lucro e do mercado privado. Uma grande parcela do empresariado brasileiro achou o mesmo em 64 e apoiou o golpe. Querer diminuir ou relativizar a crueldade e o caráter criminoso do que aconteceu no Brasil naquele período tem um duplo objetivo: esconder e mascarar a responsabilidade pelas escolhas feitas, e lembrar que a lógica que embalou o golpe segue viva na sociedade, com um discurso remodelado, mas pronto entrar em ação, caso a democracia torne-se demasiadamente democrática. Envie para um amigo Versão para Impressão -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110629/36dd46d9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110629/36dd46d9/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 32563 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110629/36dd46d9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 29 20:29:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Jun 2011 20:29:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__S=E1bado_Resistente_no_Memorial_?= =?iso-8859-1?q?da_Resistencia_dia_2_de_julho_-_das_14_as_17=3A30_-?= =?iso-8859-1?q?_Teatro_e_Resistencia_Politica_e_Homenagem_aos_40_a?= =?iso-8859-1?q?nos_do_desaparecimento_de_Heleny_Guariba?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Companheir at s e amig at s, Compareçam e divulguem ... M.Politi __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________- Nucleo de Preservação da Memória Politica e Memorial da Resistência convidam para o próximo SÁBADO RESISTENTE no Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 - Luz Auditório Vitae - 5º andar 2 de julho, das 14h às 17h30 Teatro e Resistência Política - Ontem e Hoje / Homenagem à Heleny Guariba aos 40 anos de seu desaparecimento Desde antes do golpe civil-militar de 1964, artistas, estudantes e intelectuais, unidos pelo objetivo de transformar o Brasil a partir da ação cultural, atuavam no CPC - Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes que, inspirado no pernambucano Movimento de Cultura Popular de Miguel Arraes, levou à população diversas manifestações artísticasvisando conscientizar as classes trabalhadoras a lutar pelas reformas de base e pela revolução social. Um dos principais nomes deste movimento foi Oduvaldo Vianna Filho que, com sua obra "A mais-valia vai acabar, seu Edgar", encenada no Teatro Jovem do Rio de Janeiro em 1962, dá início ao que se chamou o teatro político de resistência. Com o golpe de 1964 e o incêndio provocado no prédio da União Nacional de Estudantes, o CPC é intensamente reprimido e dá lugar a um movimento teatral de oposição ao regime. Um conjunto de dramaturgos, entre eles Gianfrancesco Guarnieri, Carlos Estevam, Chico de Assis e Augusto Boal redigem textos que enfocam a repressão política, o papel da censura, o arrocho salarial, o milagre econômico, a supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e alegóricas. A partir de 1969, com o Ato Institucional nº 5, a repressão e a censura ficam mais acirradas. Muitas peças são proibidas ou mutiladas. O espírito de resistência e denúncia vai unir, a partir de então, a classe teatral em assembléias, ciclos de leituras dramáticas e outras atividades. Com a redemocratização do país em 1985, os textos políticos começam a abordar temas como a desigualdade social, a pobreza, as injustiças e a mercantilização do teatro. O teatro de resistência continua até hoje e inúmeros grupos de jovens são os herdeiros dos combativos artistas dos anos da ditadura. Nesse Sábado Resistente, será abordado o papel que o teatro tem na conscientização dos valores ao respeito aos Direitos Humanos e aos Princípios Democráticos. Também será feita uma homenagem à inesquecível companheira e diretora de teatro Heleny Ferreira Telles Guariba. Formada pela Universidade de São Paulo, fez inúmeros cursos de teatro na Europa, tendo regressado ao país em 1967 para dirigir o grupo de teatro de Santo André. Presa em março de 1970, foi solta um ano depois, por falta de provas contra ela. Quando se preparava para prosseguir na Europa sua carreira teatral, Heleny foi novamente presa e, desde então, está desaparecida. Segundo testemunhos de companheiros de prisão, entre elas Inês Etienne Romeu, ela foi vista pela última vez em julho de 1971, na famosa casa da morte de Petrópolis. Para esta homenagem contaremos com a colaboração de atores e atrizes do Núcleo Teatral do 184 que, dirigido por Dulce Muniz, encenarão alguns trechos da obra "Heleny, Heleny Doce Colibri", escrita pela própria Dulce e levada ao teatro no ano de 2006, ficando um ano em cartaz. PROGRAMAÇÃO 14h00: Boas vindas - Katia Felipini (coordenadora do Memorial da Resistência) Apresentação - Alípio Freire (diretor do Núcleo Memória) 14h30: Debate - O Teatro de Resistência - Ontem e Hoje Moderadora - Dulce Muniz (Militante política desde sua juventude, Dulce é atriz, dramaturga e diretora do Núcleo Teatral do 184, que tem sua sede na Praça Roosevelt) Participantes: Maria Silva Betti (Licenciada em Letras pela USP, onde defendeu o mestrado e doutorado sobre o teatro de Oduvaldo Vianna Filho. É professora assistente da Universidade de São Paulo, atuando no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês - FFLCH/USP; é autora e tradutora de vários livros de teatro, fez parte de vários coletivos de teatro como orientadora). Maria Cristina Castilho Costa (Livre-Docente em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, é coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura da USP e do Projeto Temático "Comunicação e Censura - Análise teórica e documental de processos censórios a partir do Arquivo Miroel Silveira" da ECA/USP; é autora do livro "Censura, Repressão e Resistência no Teatro Brasileiro"). Marcos Kaloy (Sociólogo formado pela USP, é ator, diretor e produtor cultural. Foi coordenador do Festival de Teatro de Campinas; entre as peças em que atuou, a de maior destaque foi a peça "Feliz Ano Velho") João das Neves (Dramaturgo, diretor, ator e escritor, tem um currículo eclético que inclui prêmios como o Molière, Bienal Internacional de São Paulo, APCA, Golfinho de Ouro e Quadrienal de Praga. Dirigiu o teatro de rua do CPC da UNE até a sua extinção pelo golpe de 1964. Nesse mesmo ano foi um dos fundadores do Grupo Opinião) 16h30: Homenagem à Heleny Guariba Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110629/b02a6530/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 30 20:05:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 30 Jun 2011 20:05:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__ARNALDO_CARDOSO_ROCHA__e__FRANCISCO_?= =?iso-8859-1?q?EMMANUEL_PENTEADO__e__FRANCISCO_SEIKO_OKAMA________?= =?iso-8859-1?q?____-CLXXIX-?= Message-ID: <71920702CCF14BBFB90D7BEF3FB4F47A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ARNALDO CARDOSO ROCHA (1949-1973) Filiação: Annete Cardoso Rocha e João de Deus Rocha Data e local de nascimento: 28/03/1949, Belo Horizonte (MG) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 15/03/1973, São Paulo (SP) FRANCISCO EMMANUEL PENTEADO (1952-1973) Filiação: Nair Pereira Pinto e Francisco Santa Cruz Negreiros Penteado Data e local de nascimento: 29/12/1952, Taquaritinga (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 15/03/1973, São Paulo (SP) FRANCISCO SEIKO OKAMA (1947-1973) Filiação: Yocico Okama e Masahares Okama Data e local de nascimento: 02/05/1947, São Carlos (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 15/03/1973, São Paulo (SP) Esses três integrantes da ALN foram capturados, feridos a bala, após um cerco policial previamente montado pelos agentes do DOI-CODI/SP, em 15/03/1973, na rua Caquito, proximidades do cemitério da Penha, na capital paulista. Baleados pelos agentes, foram os três levados ao DOI-CODI. A versão oficial, divulgada pela imprensa, foi de que pouco antes das 14h 30min os três militantes teriam sido localizados na rua Caquito, por um carro que patrulhava a zona leste. Ao receberem voz de prisão, teriam reagido a tiros. Dois deles teriam morrido no local, em frente ao nº 247, e um conseguido fugir, morrendo logo após, ao enfrentar a tiros outro grupo de agentes. A mesma versão consta das requisições de exame encaminhadas pelo DOPS ao IML e nos laudos necroscópicos, feitos por Isaac Abramovitc e Orlando Brandão. Arnaldo Cardoso nasceu em Belo Horizonte e começou cedo sua participação política, inspirado pelo pai, João de Deus Rocha, velho militante comunista. Cursou o primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o ginásio no Colégio Padre Machado, militando no setor secundarista do PCB. Ex-soldado do exército, trabalhou no Colégio Militar, na Pampulha. Arnaldo deixou o PCB junto com vários outros jovens que constituíram em Minas Gerais a Corrente, organização que mais tarde se incorporou à ALN. Em 1969, passou a atuar na clandestinidade. No início de 1971, era o principal dirigente da ALN e integrou o comando nacional da organização. Foi deslocado para o Nordeste durante alguns meses, tendo participado de assalto à Coletoria de impostos de Bodocó, no sertão pernambucano. No segundo semestre de 1972, após a morte de Iuri Xavier Pereira, Arnaldo foi deslocado para São Paulo. Os órgãos de segurança o acusavam de participação em várias ações armadas e incluiam seu nome entre os integrantes do comando da ALN que executou, em 21/02/1973, o dono do restaurante onde foram cercados, em junho do ano anterior, Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Marcos Nonato da Fonseca e Antonio Carlos Bicalho Lana. Panfletos da organização acusaram o comerciante de ter delatado ao DOI-CODI/SP a presença daqueles militantes em seu estabelecimento, o que resultou na prisão e morte dos três primeiros. Seus familiares souberam da notícia da morte de Arnaldo pela televisão. Viajaram imediatamente para São Paulo e conseguiram trasladar o corpo para que fosse enterrado em Belo Horizonte, no Cemitério Parque da Colina. Ele morreu sem conhecer o filho, que sua companheira Iara Xavier Pereira estava esperando. Arnaldo Xavier Cardoso Rocha nasceu em 1974. Francisco Emanuel era estudante secundarista de um grupo de militantes da ALN que foi estruturado, a partir de 1969, na cidade de Taquaritinga, no interior paulista, e que gradualmente se transferiu para a capital onde seus integrantes passariam a cursar a universidade. Estudando e, ao mesmo tempo, participando de pequenas ações armadas, teve de passar à clandestinidade entre o final de 1971 e início de 1972, quando pessoas desse grupo começaram a ser presas, algumas ligadas à ALN, outras ao MOLIPO. Incorporou-se, então, à subequipe coordenada por Gelson Reicher, no Grupo Tático Armado. Sua prisão preventiva tinha sido decretada pela Justiça Militar em 23/10/1972. Os órgãos de segurança também incluíam seu nome como integrante, ao lado de Arnaldo, do Comando Aurora Maria Nascimento Furtado, responsável pela execução do comerciante acusado de ser delator, conforme já mencionado. Chico Penteado, como era conhecido entre os amigos, foi morto logo após completar 20 anos de idade, sendo sepultado pela família no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo. Francisco Seiko era operário metalúrgico em São Carlos (SP) antes de militar na ALN. Morto aos 26 anos, foi enterrado por seus pais no Cemitério de Mauá. Também era acusado de participação no Comando Aurora Maria Nascimento Furtado. Antes da montagem dos processos para análise na CEMDP, a informação disponível era de que os três teriam morrido no cerco montado no local. Novos elementos surgiram a partir da pesquisa detalhada dos documentos do IML e da localização de uma nova testemunha. As reais circunstâncias das mortes dos três jovens nunca foram totalmente restabelecidas, mas a versão oficial passou a ser questionada ainda na década de 80, quando integrantes da Comissão de Familiares estiveram na rua Caquito buscando informações. Ao conversar com os moradores da rua, souberam que dois meninos haviam assistido ao ocorrido. Conseguiram localizar um deles, de nome Carlos, que relatou o que observou enquanto andava de bicicleta com um amigo. Segundo ele, "um rapaz moreno corria rua abaixo e, após cambalear, dobrara as pernas e caíra de bruços", quase na sua frente. Os detalhes contados por Carlos foram fundamentais para a conclusão de que essa pessoa era Arnaldo Cardoso Rocha, visto que Okama era nissei e Penteado era louro. Ao tombar, ele foi imediatamente colocado no banco traseiro de um Volkswagen verde, ao lado de uma mulher com uma mecha branca no cabelo, agente não identificada nominalmente mas que por suas características já participara de outras incursões dos agentes do DOI-CODI, conforme relato de militantes sobreviventes. Em depoimento à relatora da CEMDP, o professor universitário baiano Amílcar Baiardi, preso no DOI-CODI na época, ofereceu o testemunho que faltava. Contou que viu, pela janela, à distância, dois jovens feridos jogados na quadra de esportes e aparentemente sendo interrogados, em meio a regozijos e comemorações ruidosas dos agentes. Ali foram deixados por mais de uma hora, até serem recolhidos por um rabecão do IML. Amilcar calcula que os viu depois do meio dia. Estavam vivos com certeza. Um tinha traços orientais e era chamado pelos agentes de "japonês". Quando foi libertado, Amílcar teve acesso aos jornais e associou o fato à morte dos três militantes da ALN. O relato encontra solidez nos laudos de necropsia feitos pelos legistas do IML. Em Arnaldo, são descritos sete tiros, três na perna direita, os que provavelmente o fizeram tombar junto à testemunha. Mas é registrado também um tiro fatal, no canto externo do supercílio direito - local idêntico ao registrado no laudo de Francisco Seiko Okama - e outro que causou diversas fraturas na mão direita, característica de lesão de defesa, quando o atirador está perto e a mão é levantada instintivamente buscando proteção. Francisco Emanuel recebeu três tiros, sendo que um foi desferido de cima para baixo. Okama recebeu cinco tiros. Ferido na emboscada, tentou fugir, sendo atingido pelas costas poucos metros adiante do local onde tombaram seus companheiros. Pelo menos três tiros foram desferidos de cima para baixo. A prova definitiva de que foi montado previamente um cerco no local surgiu mais de 10 anos depois, quando foi desvendada pelo jornalista Expedito Filho, da revista Veja, a atuação do agente infiltrado na ALN João Henrique Ferreira de Carvalho, apelidado de "Jota" em sua atuação como "cachorro" dos órgãos de segurança. No dia 02/03/1973, Arnaldo tinha escapado de um cerco policial, ferido na perna, logo após se encontrar com esse Jota, evidenciando que o encontro do DOI-CODI com os três militantes na Rua Caquito não foi casual, e sim conseqüência de uma operação de infiltração. Os três casos foram relatados em conjunto na CEMDP, por Luís Francisco Carvalho Filho, que registrou outras fragilidades da versão oficial: "as armas que teriam sido encontradas em poder dos militantes só foram formalmente apreendidas pela autoridade militar em 19 de março, quatro dias depois, e não há noticia de que tenham sido submetidas a exame perícia". O relator afirmou ainda que, "a evidência mais gritante de que os militantes não foram conduzidos diretamente para o IML é o registro oficial de suas vestes. Segundo a requisição do IML e os próprios legistas, os três estariam sem calças, vestindo camisas, cuecas, meias e sapatos. Houve até uma certa confusão em relação às cuecas de Arnaldo e Francisco Penteado, ora vermelha, ora preta, mas em relação às calças, há unanimidade: nem sinal delas". O fato é que os próprios registros oficiais demonstram que, antes dos corpos chegarem ao IML, os três militantes foram conduzidos para algum lugar. Se chegaram sem calças ou despidos, este dado é importante, segundo o relator, porque contradiz a versão oficial. Com efeito, não há uma explicação razoável para o fato de eles não usarem calças e o único lugar para onde poderiam ser levados, naquelas circunstancias, era o DOI-CODI. Luís Francisco concluiu seu voto a favor do deferimento dos três processos declarando: "Registra-se que o número de tiros (15 certeiros) confere credibilidade à tese dos requerentes, de que os militantes foram executados. Mostra disposição de matar não de deter. A palavra 'eliminação', por outro lado, pelo extraordinário clima de tensão política e de guerra daquela época, não causava tanta estranheza. 'Segurança elimina três terroristas, registrou a imprensa no dia seguinte. Se eliminar faz parte da lógica da guerra, não faz parte da lógica do Direito, que disciplinava as ações dos agentes do poder público. Seu dever, naquele momento, era cumprir a ordem de prisão da Justiça Militar". ======================================================================================================================== + Informações. ARNALDO CARDOSO ROCHA Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Filho de Annette Cardoso Rocha e João de Deus Rocha, nasceu em Belo Horizonte, no dia 28 de março de 1949. De uma família com 9 irmãos, onde reinava o respeito, o carinho e sobretudo a alegria na casa cheia de amigos, com os almoços domingueiros regados a discussão política e cerveja, quando se reuniam todos. Foi um menino como os demais. Cursou o primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o ginásio no Colégio Padre Machado. Arnaldo era um garoto alegre, carinhoso com os pais e os irmãos. Ex-soldado do exército, trabalhou no Colégio Militar, na Pampulha. Já no Colégio, iniciou sua militância política no PCB. Não concluiu o 2° grau em razão dos rumos que o movimento estudantil tomou, a partir da repressão política. Com relação a sua militância política era bastante reservado, segundo depoimento de sua mãe. Ao deixar o PCB, juntamente com outros jovens, participou da CORRENTE e mais tarde integrou-se à ALN. A partir daí foi para a clandestinidade e começaram as fugas, os paradeiros incertos. Já casado com Iara Xavier Pereira, e apesar dos momentos difíceis da luta, Arnaldo não perdeu o jeito doce de viver o cotidiano, participando e dividindo com a esposa as tarefas e afazeres de casa, cultivando, sempre que possível, os hábitos familiares e conservando o seu jeito mineiro de ser. Perseguido pela repressão, em l972 foi para o exterior, onde permaneceu pouco tempo, recusando-se a ficar longe do Brasil e da luta. Arnaldo foi assassinado, aos 25 anos, em São Paulo, no dia 15 de março de 1973, na Rua Caquito, altura do número 300, no Bairro da Penha, juntamente com Francisco Emanoel Penteado e Francisco Seiko Okano, numa emboscada montada pelos agentes do DOI-CODI/SP. O laudo necroscópico foi assinado pelo médicos legistas Isaac Abramovitch e Orlando Brandão. Sua família soube da notícia pela televisão, viajou para São Paulo conseguindo trasladar o corpo para que fosse enterrado em Belo Horizonte, no Cemitério Parque da Colina. Segundo depoimento de sua mãe à época de sua morte, Arnaldo escrevia um livro, mas não sabe o que foi feito dele. Arnaldo tinha um sonho: ter filhos, muitos filhos. Teve tempo de ter apenas um, Arnaldo Xavier Cardoso Rocha, nascido a 5 de setembro de 1973 de sua união com Iara, que com 20 anos, estudante de Engenharia Florestal em Viçosa/MG, faleceu tragicamente, em 1994. ===================================================================================================== + Informações. FRANCISCO EMANOEL PENTEADO Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em Taquaritinga, São Paulo, a 29 de dezembro de 1952, filho de Francisco Santa Cruz Negreiros Penteado e Nadir Pereira Pinto. Estudante secundarista. Teve prisão preventiva decretada em 23 de outubro de 1972. Foi assassinado no dia 15 de março de 1973, na Rua Caquito, n° 300, no bairro da Penha, São Paulo, juntamente com Arnaldo Cardoso Rocha e Francisco Seiko Okamo, por agentes do DOI-CODI/SP. O laudo de necrópsia foi assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Orlando Brandão. Seu sepultamento foi feito pela família no Cemitério Ghethessêmani, em São Paulo, no dia 16 de março de 1973. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que "faleceu em 15 de março de 1973, em tiroteio com agentes dos órgãos de segurança no bairro da Penha/SP". O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto em tiroteio com agentes dos órgãos de segurança na Penha, São Paulo." ========================================================================================== + Informações. FRANCISCO SEIKO OKAMO Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nascido em São Carlos, Estado de São Paulo, filho de Masahare Okama e Nabe Okama. Era operário metalúrgico. Assassinado aos 25 anos, no dia 15 de março de 1973, na Rua Caquito, n° 300, no bairro da Penha, em São Paulo, juntamente com Arnaldo Cardoso Rocha e Francisco Emanoel Penteado, por agentes do DOI-CODI/SP. Francisco, apesar de ferido na emboscada, tentou a fuga, tendo sido metralhado pelas costas, poucos metros adiante do local onde tombaram seus companheiros. O laudo necroscópico foi assinado pelo médicos legistas Isaac Abramovitch e Orlando Brandão. Foi enterrado no Cemitério de Mauá por seus familiares. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110630/8ce30f2b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5223 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110630/8ce30f2b/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10225 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110630/8ce30f2b/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8409 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110630/8ce30f2b/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 30 20:05:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 30 Jun 2011 20:05:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Trabalhador e Direitos Sociais: o ataque final. por Norberto Emmerich Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Trabalhador e Direitos Sociais: o ataque final Reajustamento, desregulação, privatizações, despedimentos e encerramentos nos Estados Unidos Norberto Emmerich Uma das vias através das quais o capitalismo procura superar a actual crise é a da destruição de direitos sociais. Este artigo contém importante informação acerca da violência dessa ofensiva de classe nos EUA. Os Estados da União estão, um após outro, a desenvolver políticas ortodoxas de ajustamento neoliberal e esta semana o próprio presidente Obama deu a conhecer pormenores do seu plano para reduzir drasticamente a regulação económica, parte integrante do esforço para eliminar todas as restrições à actividade das grandes empresas. Este esquema desregulatório da Casa Branca integra-se na viragem à direita da administração democrata desencadeado em consequência do resultado eleitoral de 2010. O chefe de departamento do Departamento de Informação e Ajustamentos Regulatórios, Cass Sunstein, converteu-se no porta-voz desta política, fazendo apelo a todo o léxico disponível da ultra-direita norte-americana. Sustentou que o seu trabalho tem como objectivo ?salvar os dólares do sector privado e desbloquear o crescimento económico através da eliminação de medidas de regulação injustificadas?. Um dos aspectos da política de desregulação do governo democrata tem o seu epicentro na Occupational Safety and Health Administration (OSHA), o departamento do governo federal encarregado da supervisão dos acidentes de trabalho. Sunstein comunicou que as novas normas ?eliminarão mais de 1,9 milhões de horas anuais de tarefas redundantes de prestação de informação pelos empresários e pouparão mais de $40 milhões de custos anuais. As empresas deixarão de ter a seu cargo a obrigação de preencher formulários do governo [relativos a acidentes de trabalho] desnecessários?. O relatório de 2011 da AFL-CIO, designado ?Dead on the Job? (?Morto no trabalho?) assinala que ?em 2009, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho, 4.340 trabalhadores morreram no seu posto de trabalho - uma média de 12 trabalhadores mortos diariamente -, e calcula-se que 50 mil trabalhadores morreram em consequência de doenças profissionais. Foram indicados mais de 4,1 milhões de acidentes relacionados com o trabalho e com doenças profissionais, mas trata-se de um número que peca por defeito. A dimensão real dos danos provocados por acidentes de trabalho é duas a três vezes superior ? cerca de 8 a 12 milhões de lesões e doenças provocadas pelo trabalho em cada ano?. Tal como foi concluído pela investigação acerca do desastre mineiro de Upper Big Branch, no qual 29 mineiros morreram em Abril de 2010, as empresas violam por sistema as regras básicas de segurança, pondo diariamente em perigo a vida e a segurança dos trabalhadores. A Casa Branca não faz nada mais do que associar-se à vaga de ajustamentos orçamentais que percorre todo o país e que, em contraste com a política de ataque directo contra os trabalhadores de que Cass Sunstein é porta-voz, opta por uma estratégia de ataque indirecto, tomando como prioridade o sistema educativo. No próximo dia 1 de Julho tem início o novo ano fiscal e as legislaturas estaduais estão a trabalhara a toda a velocidade para concretizar acordos bipartidários em torno de novos orçamentos de ajustamento. Argumentam com a redução dos défices que sobrecarregam as economias do interior, mas o que realmente pretendem é estabelecer uma moldura estratégica de políticas que lhes permita aumentar a margem de lucro das empresas no quadro da crise. No Texas o acordo nas duas câmaras concluído em 16 de Maio impõe cortes drásticos na educação, na saúde e noutros serviços sociais. Existe alguma preocupação entre o pessoal político texano, porque a alternativa de impor despedimentos em massa e o encerramento de escolas, hospitais e lares de terceira idade deixaria intocada uma avultada soma em dinheiro pertencente ao Rainy Day Fund, o fundo estatal para a prevenção dos efeitos dos tornados que ascende a 9 mil milhões de dólares. O governador republicano Rick Terry, um agente dos multimilionários desprovido de complexos, já anunciou que se oporá a qualquer projecto de lei que inclua verbas do Fundo de Reserva, embora ele próprio já tenha utilizado dinheiros do fundo em projectos seus. Embora sejam os republicanos quem domina ambas as câmaras da legislatura estatal, os democratas não manifestaram qualquer oposição séria face aos cortes nos programas sociais. Muitos dos distritos escolares locais prevêem cortes no financiamento estatal na ordem de milhares de milhões e propuseram despedimentos de pessoal e outras reduções nos programas. Alguns distritos escolares queixam-se de que estão a ser forçados a um tal volume de despedimentos que estão em vias de ultrapassar o número máximo de alunos por professor autorizado pela lei. No que diz respeito ao ensino superior, os cortes nos subsídios às universidades, nas bolsas e noutros programas de apoio irão repercutir-se no aumento das matrículas. A Universidade Tecnológica do Texas, uma das maiores do Estado, informou já que irá efectuar este ano 800 despedimentos, cerca de 5% do seu pessoal total, em resultado do corte de fundos. Outras universidades anunciaram igualmente despedimentos e aumentos de matrículas. Por seu lado o governador democrata de Nova Iorque, Andrew Cuomo, prevê um corte de $1,3 mil milhões na educação, ao mesmo tempo que elimina a chamada ?sobretaxa? aos milionários, remetendo 5 mil milhões de dólares para o bolso dos grandes empresários. O Sindicato de Professores do Estado de Nova Iorque calcula que haverá 3.500 profissionais despedidos. A Aliança para a Qualidade da Educação relatou que em 88% dos 700 distritos escolares está a haver despedimentos de pessoal escolar: conselheiros, bibliotecários, pessoal de apoio e professores. O Estado do Nevada, por seu lado, vai à frente nos indicadores de desemprego, falências e execuções de hipotecas, e tem um défice orçamental que atinge 54% do orçamento total do Estado, a percentagem mais alta do país. Brian Sandoval, o republicano que recentemente assumiu o cargo de governador, propôs um orçamento de $ 5,8 mil milhões para os próximos dois anos, um valor idêntico ao do período 2007-2008. Projecta reduzir a educação K-12 (inicial, primária e secundária) em $270 por estudante, e no ensino superior efectuar um corte total $162 milhões de dólares. Este corte $162 milhões de dólares que Sandoval propõe implica duas opções: se se concretiza através de despedimentos pressupõe a eliminação de 1.850 professores e outro pessoal; se for coberto através do aumento das matrículas estas teriam, no caso típico da Universidade de Nevada, Las Vegas (UNLV), de passar dos actuais $ 6.574 para $ 10.744, um aumento de mais de 60%. Já foram feitos cortes importantes no ensino superior no Nevada. O orçamento da Universidade de Nevada em Reno teve uma redução de $ 44 milhões, ou seja de 20%, desde 2009. Daqui resultou o despedimento de mais de 100 professores e funcionários e a eliminação definitiva de 400 postos de trabalhos, o encerramento de vinte e três programas de licenciatura e o aumento de 28% na valor da matrícula. Com a nova proposta de orçamento deverão ser eliminados os programas de teatro e de dança bem como o programa de licenciatura em francês. O défice orçamental no Nevada tem feito os trabalhadores e os estudantes sair à rua com frequência, protestando contra os ataques contra as suas condições de vida. Desde o passado mês de Março os protestos sucedem-se diariamente. Nas últimas semanas os administradores das escolas comunitárias do condado de Plymouth, a oeste de Detroit, enviaram aos professores 269 notificações de despedimento. Embora alguns deles possam vir a ser de novo contratados após uma reestruturação maciça, centenas de pessoas ficarão sem trabalho. A Fiegel Elementary School, a escola com maior possibilidade de se deparar com o encerramento, é a casa de muitos estudantes oriundos de famílias de baixos rendimentos que habitam próximo. Se a instituição fechar, os pais e os educadores ver-se-ão na necessidade de encontrar formas de transportar as crianças para uma das quatro escolas das proximidades. Serão quebrados os laços há muito estabelecidos entre estudantes, pais, professores e outro pessoal. Em Ann Arbor, que fica perto, sede da Universidade de Michigan, o distrito escolar enfrenta cortes orçamentais de $ 15,1 milhões para o ano escolar de 2011/2012. A administração planeia despedir cerca de 70 professores, eliminar o transporte dos estudantes do secundário, cortar o financiamento de programas desportivos, concentrar vários serviços de administração e despedir os vigilantes. Segundo o governador do Michigan, Rick Snyder, o orçamento da educação reduziria a despesa por aluno das escolas K-12 num total de $ 470 dólares ? combinando $ 300 dólares em cortes estaduais e $ 170 dólares em fundos federais. Isto equivale a uma redução de 8 a 10% no financiamento da maioria dos distritos do Estado. A câmara de representantes do Michigan propõe fazer cortes ainda maiores. Segundo o seu plano o financiamento estatal e federal total teria uma redução que atingiria os 501 dólares por estudante. Os legisladores democratas colocaram algumas objecções aos cortes em preparação, mas estão de acordo com os seus colegas republicanos no sentido de que deve haver cortes. Tal como sucede com o partido no plano nacional, os democratas do Michigan apoiam a ?reforma educativa? isto é, a introdução de salários baseados no ?mérito?, a revogação da valorização do tempo de exercício docente e a concretização de avaliações que conduzam à identificação de ?escolas falhadas?, que ou serão encerradas ou objecto de despedimentos maciços, ou serão transformadas em escolas ?charter?. O partido democrata, que controla o município de Detroit, pôs novos cortes na agenda. O Conselho propõe cortar outros $ 65 milhões na despesa, para além da redução de 200 milhões de dólares já contida no orçamento apresentado em Abril pelo presidente da câmara David Bing. Entre as áreas objecto de cortes encontram-se os transportes públicos, os bombeiros e a polícia. O orçamento contém igualmente enormes reduções no financiamento das instituições culturais de Detroit como o Instituto de Artes de Detroit (DIA), o Museu Histórico de Detroit e o Museu Charles H. Wright de História Afro-americana. Os democratas de Illinois, que controlam ambas as câmaras da Assembleia geral, estão de acordo em que o défice do Estado será combatido sobretudo através de cortes no sistema de saúde, na educação, nas indemnizações aos trabalhadores e na ajuda aos municípios. A Câmara pretende também reduzir os pagamentos aos hospitais do sistema Medicaid num montante de $ 463 milhões, o que terá um efeito devastador em muitos hospitais. Prevê-se também, embora integrado num outro projecto de lei, a redução dos honorários pagos aos médicos pela assistência às vítimas de acidentes de trabalho. O porta-voz democrata da Câmara, Michael Madigan, manifestando o seu desprezo pelos muitos trabalhadores que sofrem acidentes no desempenho das suas tarefas disse: ?hoje em dia as compensações aos trabalhadores são um entendimento de conveniência entre os médicos, os advogados e por vezes os sindicatos que não defendem os verdadeiros interesses dos trabalhadores. Creio que isto deve ser alterado?. Os legisladores da Florida, por seu lado, votaram na sexta-feira 13 de Maio no sentido de colocar um limite aos pagamentos de Medicaid, que sustentam o sistema de saúde, substituindo o actual sistema de reembolsos pagos por serviços. Esta legislação irá alterar profundamente a qualidade e a disponibilidade da assistência médica aos 2,9 milhões de beneficiários de Medicaid naquele Estado. Esta medida constitui a iniciativa mais radical proposta até agora pela elite dirigente em qualquer Estado com a finalidade de liquidar o Medicaid, o programa de seguros de saúde destinado aos pobres e financiado aos níveis estatal e federal. Os defensores deste projecto de lei afirmam, absurdamente, que o novo sistema poupará ao Estado $ 100 milhões de dólares, sem afectar a qualidade e a disponibilidade da assistência. Na Pensilvânia, em consequência da brutal proposta de orçamento do governador Tom Corbett que retira $ 1,2 mil milhões de fundos à educação pública, o distrito escolar de Filadélfia encontra-se perante um défice de 629 milhões de dólares. Para fazer face a esta situação, o distrito escolar irá aumentar o número de alunos por turma, redimensionar as turmas de arte e de humanidades, substituir os programas de creche de dia inteiro por programas de meio-dia, e despedir 3.820 funcionários. Acaba com o transporte em autocarro, e desaparecem também os passes SEPTA para 45.000 estudantes de escolas públicas e privadas. Entregou alguns dos seus edifícios aos operadores de escolas ?charter?, várias das quais se transformaram em ?Academias Promessa? (?Promise Academies?), que recebem fundos adicionais para compensar horários escolares mais alargados, mais anos de escola e trabalhar aos sábados. Mesmo assim, até estas escolas irão ver-se afectadas por cortes de $ 200 por estudante. Ao mesmo tempo, o governador concessionou mais terras do Estado para a expansão da indústria do gás natural e sugeriu inclusivamente que, para compensar os cortes, as universidades estatais abram as suas sedes às empresas de gás natural. Seis das 14 escolas do sistema estatal encontram-se em terrenos da plataforma Marcelo, a formação rochosa subterrânea que constitui o foco do desenvolvimento energético na Pensilvânia. Tom Corbett recebeu da indústria de gás natural $ 1 milhão de dólares em fundos de campanha. Em 16 de Maio Jerry Brown, governador democrata da Califórnia, deu a conhecer o seu projecto de orçamento conhecido como a ?revisão de Maio? no qual se esforça para diminuir o défice através de medidas fiscais regressivas contra a classe operária, num montante de $ 9,1 mil milhões. Ameaçou avançar com milhares de milhões mais de cortes na educação K-12 e noutros serviços sociais se as suas propostas fiscais não fossem aprovadas. Ao mesmo tempo, consagra milhares de milhões de dólares em isenções fiscais às grandes empresas. Estas novas medidas vêm somar-se aos mais de $ 8 mil milhões de cortes já aprovados pela legislatura no decurso deste ano. Estes cortes, aprovados com o apoio dos democratas no Senado no passado Março, incluem $ 1 mil milhões de CalWorks, o programa de assistência ao trabalho na Califórnia; 1,7 mil milhões de dólares em práticas médicas, o programa estatal de seguro de saúde para os moradores pobres; e $ 1,4 mil milhões no ensino superior. O emprego estatal reduziu-se também em 5.500 empregos, e 70 parques estaduais foram encerrados. Deste panorama desolador apenas se destaca Vermont, que se converterá no primeiro Estado a oferecer um sistema de saúde de pagador único, o que deixa de fora as empresas de seguros de saúde, que são a causa principal do aumento dos custos da saúde nos EUA. Num sistema de pagador único podem intervir operadores de saúde tanto públicos como privados, como sempre têm feito. Mas em vez de ser o paciente ou a sua empresa de seguro de saúde a pagar o serviço, este é pago pelo Estado. Isto significa, basicamente, que existirá Medicare para todos: ele abrange toda a população. E isto pode ser feito, mesmo no meio de uma crise, mesmo no quadro do capitalismo, porque o objectivo dos planos de reajustamento que estão em curso nos EUA não é reduzir o défice fiscal, mas desfechar um golpe político estratégico contra a classe operária americana, de modo a preservar e aumentar a taxa de lucro em qualquer dos cenários possíveis. -- http://gilsonsampaio.blogspot.com/2011/06/trabalhador-e-direitos-sociais-o-ataque.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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