From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 1 12:10:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 1 Jul 2011 12:10:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_VIDEO__-_COMUNICADO_DE_HUGO_CH=C3=81VE?= =?utf-8?q?Z_AO_POVO_DA_VENEZUELA_E_MUNDO_SOBRE_SUA_DOEN=C3=87A?= Message-ID: <927D25FF4CC74D4297E59DF241F0A2EE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem VIDEO - COMUNICADO DE HUGO CHÁVEZ AO POVO DA VENEZUELA E MUNDO SOBRE SUA DOENÇA clique http://www.youtube.com/watch?v=NpUe9fs5Ss8&feature=player_embedded Aseguró que se recupera satisfactoriamente Presidente Chávez confirma que fue operado de tumor cancerígeno 30 junio 2011 | Correo del Orinoco - Venezuela El presidente de la República, Hugo Chávez, explicó al pueblo venezolano sobre el estado de su salud y sobre los hallazgos cancerígenos diagnosticados, los cuales fueron extraídos en su totalidad El presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez Frías, expresó en cadena nacional de radio y televisión, que continúa recuperándose satisfactoriamente, luego de ser sometido a una segunda intervención quirúrgica, debido al hallazgo de un tumor abscesado, con presencia de células cancerígenas. ?Comencé a pedirle a mi señor Jesús, a mis padres, al manto de la Virgen, a los espít¡ritus de la sabana para que me concedieran la posibilidad de hablarles, no desde una oscura caberna, ahora quería hablarles desde este camino empinado donde siento que voy saliendo, creo que lo hemos logrado, gracias Dios mío?, expresó el Mandatario Nacional. Chávez invitó al pueblo a seguir escalando nuevas cumbres. ?Vamos pues, con nuestro Padre Bolívar, a seguir subiendo la cima del Chimborazo. Nosotros venceremos?, agregó. El Jefe de Estado explicó a los venezolanos y venezolanas su estado de salud y el hallazgo de células cancerígenas encontradas en la zona pélvica de su cuerpo, tumor que fue extraído en su totalidad, luego de ser sometido a una segunda intervención quirúrgica en La Habana, Cuba. Dijo que su viaje a Cuba era para realizarse diversos chequeos médicos en su rodilla izquierda, de la cual ya venía sufriendo tiempo atrás. Comentó que el líder de la Revolución cubana, Fidel Castro, notó otras molestias que Chávez intentaba disimular, y entonces se le efectuaron diferentes exámenes, los cuales permitieron detectar una extraña malformación en su zona pélvica. ?Esa misma noche (8 de junio) el avance médico fue puesto a nuestra plena disposición. Se encontró una extraña malformación en mi zona pélvica, (por lo cual se le operó de inmediato el 11 de junio)ante el inminente riesgo de infección, algunas horas antes del anuncio?, recordó. Inmediatamente a la primera intervención quirúrgica recibió tratamiento antibiótico intensivo con una positiva evolución que trajo una notable mejoría; ?sin embargo, y a pesar de la evolución, fueron apareciendo algunas sospechas de formaciones celulares no detectadas hasta entonces. Comenzaron otra serie de estudios, de anatomía patológica, y se detectó la existencia de un tumor abscesado, con presencia de células cancerígenas?, por lo cual fue sometido a una segunda intervención quirúrgica que permitió extracción total del tumor. Sin embargo, aclaró: ?Me he mantenido en todas las funciones (como Presidente) y en constante comunicación con el vicepresidente Elías Jaua?. Asimismo, agradeció las demostraciones de solidaridad del pueblo venezolano y de otros pueblos del mundo, así como de diferentes Jefes de Estado. Agregó: ?Vencer en nuestra batalla que la vida nos ha puesto por delante. Agradezco de manera especial al pueblo cubano, a Fidel, a Raúl. He estado muy conciente de cierto grado de angustia e incertidumbre que ha estado recorriendo el alma y el cuerpo del pueblo venezolano. Esos sentimientos eran y son inevitables, pese a las manipulaciones de sectores que ya conocemos. Desde el primer momento asumí todas las responsabilidades de las informaciones para ser transmitidas?. Texto/Nancy Mastronardi -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110701/35cb2cac/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110701/35cb2cac/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 1 20:13:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 1 Jul 2011 20:13:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__LUIZ_PAULO_DA_CRUZ_NUNES______________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CLXXX-?= Message-ID: <656A5DE5F65744E59B1F70D981A9E0A6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LUIZ PAULO DA CRUZ NUNES (1947 - 1968) Filiação: Lucia da Cruz Nunes e Álvaro Goulart Nunes Data e local de nascimento: 13/10/1947, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 22/10/1968, Rio de Janeiro (RJ) O estudante Luiz Paulo da Cruz Nunes cursava o segundo ano da Faculdade de Medicina da UERJ (à época Universidade do Estado da Guanabara), sendo também estagiário em patologia, quando foi morto, aos 21 anos, no Rio de Janeiro, depois ter sido atingido por um tiro em manifestação estudantil em frente à sua faculdade, no dia 22/10/1968. Internado no próprio Hospital Pedro Ernesto, local da manifestação, com ferimento no crânio, foi operado mas faleceu na mesma data. A necrópsia foi realizada pelos legistas João Guilherme Figueiredo e Nelson Caparelli. De acordo com o médico Lafayette Pereira, colega de turma de Luiz Paulo, os dois estiveram com cerca de outros 600 alunos protestando contra o regime militar no dia 22/10/1968, à tarde, em frente ao Hospital Pedro Ernesto, no bairro de Vila Isabel, quando um camburão da polícia estacionou em frente aos manifestantes e cinco pessoas armadas com pistolas calibre 45 saltaram e descarregaram suas armas contra eles. Acuados pela estreita porta de entrada para o hospital, não tiveram para onde correr. Cerca de 10 colegas foram baleados, mas o único com gravidade foi Luiz Paulo, atingido na cabeça. "Faleceu na mesa de cirurgia do hospital que ele, ainda jovem, já gostava de freqüentar como estudante brilhante que foi. Assisti à luta dos neurocirurgiões para salvar-lhe a vida. Teve duas paradas cardíacas que foram recuperadas e uma terceira, definitiva, às 21 horas", contou Lafayette. Cópia da certidão de óbito juntada aos autos estabelece como causa mortis: "Ferida penetrante do crânio com destruição parcial do tecido nervoso e hemorragia das meninges". O jornal Correio da Manhã de 23/10/1968 estampou: Polícia mata estudante a tiros e ataca Hospital das Clínicas. A matéria descreve: "Pela manhã foram realizadas duas passeatas e várias assembléias internas. Depois das 12h os estudantes da UEG foram para a porta do Hospital das Clinicas e estavam inaugurando a estátua Liberdade-68 quando foram atacados por agentes do DOPS, a tiros. Três policiais foram feridos em lutas corporais. Depois do primeiro choque os estudantes foram para dentro do hospital, que funciona junto da Faculdade de Ciências Médicas, em Vila Isabel, e os policiais os cercaram totalmente. Mas numa das salas do hospital a luta continuava: um aluno do segundo ano de Medicina, Luiz Paulo Cruz Nunes, de 23 anos, baleado no crânio, não resistiu a duas horas de operação, respiração artificial e choques elétricos no coração. Às nove da noite, estava morto". Para o relator do processo na CEMDP, "as publicações anexadas provaram ter havido o cerco total do Hospital Pedro Ernesto, na parte da tarde do dia 22 de outubro de 1968. Luís Paulo, consoante certidão de óbito, faleceu às 21h40. Tendo ele sobrevivido aos tiros e sofrido longa intervenção cirúrgica, é razoável crer ter sido o mesmo atingido ao entardecer do dia em tela, quando, comprovadamente, a dependência universitária, em que os estudantes se haviam refugiado, já estava cercada pela polícia. Não fere à lógica, portanto, considerar que tenha falecido em dependência policial assemelhada devido ao estado de sítio e cerco total no qual se encontravam". A CEMDP votou o deferimento do pedido por unanimidade. ================================================================================================================== + Informações. LUIS PAULO CRUZ NUNES Estagiário de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Morto aos 21 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 22 de outubro de 1968, quando foi atingido por um tiro em manifestação estudantil em frente à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Levado para o Hospital Pedro Ernesto com ferimento no crânio, foi operado e faleceu no mesmo dia. A necrópsia foi realizada pelos Drs. João Guilherme Figueiredo e Nelson Caparelli. Foi retirado pelo tio, Oscar Freire de Sá Siqueira, e sepultado pela família no Cemitério São Francisco Xavier. ====================================================================================== + Informações. Jornal da Tarde sábado, 25 outubro de 2008 Censura, nunca mais A turma de 1967 de medicina da Uerj colou grau ontem, 36 anos depois de ter sido proibida de homenagear colega morto por militares e impossibilitada de concluir a formatura iniciada em 13 de dezembro de 1972, durante a ditadura, conforme o JT antecipou na edição do dia 12 Luísa Alcalde Sob o sol forte de 33 graus que fez ontem no Rio - algumas coisas nunca mudam -, médicos sessentões jogaram para o alto chapéus que cobriam cabelos grisalhos encerrando, com o ato, a formatura da turma de medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) iniciada 36 anos atrás e censurada no meio da festa pela ditadura. Eles se sentiram de alma lavada. Minutos antes, ouviram pedido de desculpa oficial da reitoria da Uerj pela forma "arbitrária" com que a cerimônia foi encerrada em 13 dezembro de 1972 pelo então diretor da Faculdade de Ciências Médicas, Jayme Landmann, já falecido. O reitor atual, Ricardo Vieiralves, disse que os antigos estudantes deveriam se sentir, enfim, reconciliados com a universidade. "A ditadura acabou. Muito se passou. Sentimos muito orgulho da luta de cada um de vocês", testemunhou. A emoção tomou conta de todos. Houve choro. Principalmente quando o sobrinho do patrono da turma (a de 1967), Luiz Paulo da Cruz Nunes - morto por homens do Dops em 1968 durante manifestação estudantil pacífica em frente ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, no segundo ano do curso - fez um discurso emocionado. Antônio Paulo, também formado médico e representando o tio na formatura, lembrou passagens da infância quando a avó, mãe de Luiz Paulo, o levava para almoçar na cantina dos médicos em frente ao hospital onde o tio foi morto. No local, dona Lúcia costumava chorar copiosamente, amargurada com o sofrimento do filho. "Eu era muito pequeno e ainda não entendia tudo aquilo. Tanto a minha avó quanto o meu avô Álvaro morreram sem ter aquela ferida cicatrizada", disse Antônio Paulo, aos prantos. "Eu não conheci o Luiz Paulo. Mas conheço o sofrimento da minha família." Foi aplaudido de pé. Outro momento forte da cerimônia aconteceu quando o orador pôde, 36 anos depois, ler o discurso da turma na íntegra, sem ser interrompido pelas mazelas do regime militar. Na época, a repressão considerou o texto subversivo. Landmann, cumprindo ordens do Dops, proibiu sua leitura. Texto proibido Quem fez a vez de orador ontem foi o cirurgião plástico Ricardo Pieranti. Ele leu o texto guardado pelos estudantes esse tempo todo. "Lá se foi o desventurado Luiz Paulo, para nunca mais, deixando a dor no lar construído por seus pais e fundos ressentimentos no coração de todos nós. Sua juventude em flor somava esperanças que malograram e perdeu-se na estúpida façanha de um policial assassino. Por que incluir no ânimo dos moços a desconfiança implacável? Que fez Luiz Paulo, para ser morto como se o seu instinto fosse o de uma fera? Que trevas terríveis caem sobre todos nós. Seu grande crime: ser digno, brioso e inteligente. Possuir ideal, querer ao estudo e desejar ser, na medicina, para servir ao Brasil e à Humanidade. Quem é o assassino? Que folha corrida haverá de possuir, em confronto com o da vítima? De qual dos dois mais precisaria a nossa Pátria?" Para ouvir pela primeira vez o discurso de 1972, o médico ortopedista Paulo Afonso Lourega de Menezes, de 60 anos, levou a mãe, Ione, a mulher, Maria Rosita, dois filhos e Clara, neta de dois meses à Capela Ecumênica da Uerj na manhã de ontem. Ione, com 81 anos, não imaginava que ainda iria à formatura do filho. "Naquela época, o encerramento foi um choque. Como tenho idade, imaginei que não veria mais esta festa linda", disse ela. O grupo fez um minuto de silêncio pelos colegas que se foram. "Devolveram nossa identidade. Uma das maiores violências é impedir que alguém tenha crenças, valores e identidade", afirmou o pneumologista José Valverde, de 60 anos também. "Tomei remédio antes de vir para cá para suportar a emoção." O paraninfo da turma, Pedro Sampaio, com 98 anos hoje, também leu o discurso que preparara 36 anos antes. "Esses médicos conseguiram transformar noite tão triste numa linda manhã de alegria." Ostentando crachá no peito com foto da época em que era estudante de medicina, o cirurgião Cláudio de Castro Lázaro disse ter a alegria renovada com a conclusão da formatura. "Para reconhecer os colegas, tenho de olhar nas fotos." O cirurgião plástico Fernando Pinto Bravo colocou no dedo o anel de formatura nunca usado. O cientista político Valter Ferreira Duarte, mentor intelectual da "reformatura", foi homenageado pelos colegas, assim como o médico Ivan Matias. No dia da manifestação estudantil que tombou Luiz Paulo, Matias encerrava plantão no hospital universitário e pulou o muro para voltar e operar os feridos. A parte descontraída da festa se deu quando fotos da época de todos os formandos foram exibidas em um telão, ao som de Canção da América, de Milton Nascimento. O grupo se divertiu comentando cortes de cabelo, bigodes e modelos de óculos adotados três décadas atrás. "Estão todos gordos", disse Maria Reis, 75 anos, secretária da turma. ============================================================================================= + Detalhes Luis Fernando Ramadon UERJ - Uma História Apaixonante O MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UERJ - II O ano de 1968 - O Assassinato de Luiz Paulo da Cruz Nunes - O ano de 1969 - O ANO DE 1968 O ano de 1968 iniciou de uma forma trágica. No dia 28 de março, morreu baleado o estudante Edson Luiz de Lima Souto, no Restaurante Calabouço, no Centro do Rio. Uma revolta muito grande se instalou no meio estudantil, provocando no dia seguinte, um gigantesco cortejo para o enterro, reunindo cerca de 50.000 pessoas. No dia 1o de abril, os estudantes, com paus e pedras nas mãos, obrigaram cerca de 1.500 policiais, com cassetes e bombas de gás lacrimogêneo, a recuarem, tamanha era a sua disposição. O conflito só terminou quando o Exército ocupou as ruas e matou mais um estudante: Davi de Souza Neiva. No dia 5 de abril, ao final da missa de sétimo dia, na Igreja da Candelária, a cavalaria da PM espancou os participantes, com golpes de sabre e só não houve um massacre em função dos religiosos, que tendo à frente o vigário-geral do Rio de Janeiro, D. José de Castro Pinto, ficaram entre os estudantes e a cavalaria com seus crucifixos levantados, num ato de extrema coragem. Outro fato que mereceu destaque nacional ocorreu em abril, quando o Capitão Sérgio Miranda de Carvalho, conhecido como "Capitão Sérgio Macaco", do PARA-SAR, da Aeronáutica, se recusou (e denunciou publicamente) a cumprir as ordens do Brigadeiro João Paulo Burnier, Chefe de Gabinete do Ministro da Aeronáutica Márcio de Souza e Mello, de explodir os gasômetros da Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, o que ocasionaria milhares de mortes. O ato terrorista seria atribuído à esquerda e serviria de pretexto para se fechar mais ainda o regime. Por seu ato heróico, por ter salvo milhares de vidas, o Capitão Sérgio Macaco foi expulso da Aeronáutica. Veio a falecer em fevereiro de 1994, sem ter desfrutado da sua nomeação como Brigadeiro, que lutava na Justiça desde a Anistia, em 1979. Neste mesmo mês, no dia 20, uma bomba explodiu no Edifício do Jornal "O Estado de São Paulo", sendo o atentado foi atribuído ao II Exército. Na UERJ, no dia 25 de abril, através do Ato Executivo no 82, o Reitor regulamentou a participação da representação discente, de acordo com o Decreto-Lei no 228, de 28 de fevereiro de 1967. Além das regulamentações previstas no Decreto-Lei, ficou estabelecido que nenhuma assembléia de alunos poderia ser realizada em unidade universitária sem convocação formalizada com a indicação dos fins, sem autorização do respectivo Diretor e sem a existência do quorum de maioria absoluta de seus membros. Para a eficácia dessas medidas, o Diretor deveria designar um representante para fiscalizar cada assembléia. Foram extintos os percentuais destinados à manutenção das Representações Estudantis. Os membros de qualquer órgão estudantil, tinham a seu dispor a cooperação, em caráter contínuo e permanente de um Assessor de Assuntos Estudantis, lotado no Gabinete do Reitor. O primeiro Assessor foi o Professor Kleber Gallart. O tempo passava e a situação política do País se tornava mais violenta. Os militares que haviam tomado a nossa liberdade também queriam tomar a nossa dignidade. No dia 19 de junho de 1968, durante uma assembléia realizada na Faculdade de Economia da UFRJ, na Praia Vermelha, a Polícia Militar invadiu a Universidade e espancou os estudantes, cerca de 400, culminando com todos deitados no chão com os policiais urinando em cima deles e passando o cassetete no meio das pernas das moças. O episódio ficou conhecido como "O Massacre da Praia Vermelha". Em resposta, no dia seguinte ocorreu o que veio se chamar de "Sexta-Feira Sangrenta", que foi uma luta campal, no Centro do Rio, com o povo, do alto dos prédios da avenida Rio Branco, jogando pedras, máquinas de escrever e tudo mais que encontrava pela frente, contra a polícia, que atirava bombas dos helicópteros e com metralhadoras ia acertando os populares. Além de um PM morto devido ao arremesso de um balde de cimento, jogado por um operário de um prédio em construção, diversas pessoas sucumbiram na manifestação. Na semana seguinte, no dia 26 de junho de 1968, aconteceu, no Centro do Rio, a última grande manifestação popular contra a ditadura, que foi a "Passeata dos Cem Mil". Lá estavam, na linha de frente, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Tônia Carrero, Paulo Autran, Othin Bastos, Edu Lobo, Norma Bengell, Nana Caymmi, Wladimir Palmeira, Franklin Martins, José Dirceu, Marcos Medeiros, Jean-Marc Van der Weid (Presidente da UNE) e todo o povo brasileiro que era a favor da liberdade e da justiça social, presentes, mesmo que de coração. As palavras de ordem eram: "você que é explorado não fique aí parado", "o povo organizado derruba a ditadura", "libertem nossos presos" e "mais verbas, mais vagas, abaixo o MEC-USAID". Desta vez, o que jogavam dos prédios eram papéis picados. A passeata sem incidentes, pois fora autorizada, encerrou com a queima de uma bandeira dos Estados Unidos. Uma comissão formada por lideranças estudantis, foi formada depois da passeata para entregar ao Presidente Marechal Costa e Silva uma série de reivindicações. No dia do encontro, além da comissão ser tratada rispidamente, o Presidente não aceitou nenhuma das argumentações apresentadas. Na UERJ, uma vitória importante foi conseguida pelo Movimento Estudantil, dois dias depois da "Passeata dos Cem Mil". No dia 28 de junho, o Reitor João Lyra Filho revogou o Ato Executivo no 82, através do Ato Executivo no 95, "em função de seu apreço pelas generalizadas manifestações da comunidade estudantil contra o referido ato, que apenas adjetivava as normas subsistentes no Decreto-Lei no 228"[4]. As manifestações ocorreram no dia anterior, quando os alunos da UEG concentraram-se na porta da Reitoria, exibindo cartazes contra o "Ato 82" e contra o "Decreto Aragão". O Reitor comprometeu-se em colaborar, junto com os membros do Conselho Universitário, no preparo de um novo texto, que consubstanciando uma minuta de anteprojeto, pudesse ser considerado como base de revisão do Decreto-Lei. Com a finalidade de "promover estágios de serviço para estudantes universitários, objetivando conduzir a juventude a participar do processo de integração nacional", o Presidente Arthur da Costa e Silva instituiu, em 28 de julho de 1968, em caráter permanente, um grupo de trabalho denominado "Projeto Rondon", cujo idealizador foi o Professor da UEG, Wilson Choeri, que organizou uma expedição à Rondônia, em julho de 1967, composta de vinte e sete alunos e dois professores liderados pelo também Professor da UEG, Omir Fontoura. O lema era "Integrar para não entregar". No final de 68, alguns fatos marcaram o início dos verdadeiros anos de chumbo. No dia 12 de outubro, a polícia prendeu 739 estudantes, durante o XXX Congresso da UNE, numa fazenda em Ibiúna, São Paulo. No dia 22 de outubro, foi assassinado pela polícia, durante uma manifestação de repúdio contra os presos no Congresso da UNE, dentro do Hospital da UEG, o aluno da Faculdade de Medicina Luiz Paulo da Cruz Nunes. E no dia 13 dezembro, entrou em vigor o famigerado Ato Institucional no 5, que decretou o recesso do Congresso Nacional; instituiu a censura prévia; a suspensão dos direitos políticos e das garantias constitucionais ou legais. O preâmbulo deste ato demonstrava claramente, sem meias palavras para que veio: "... atos nitidamente subversivos, oriundos dos mais distintos setores políticos e culturais, comprovam que os instrumentos jurídicos, que a revolução vitoriosa outorgou à Nação para a sua defesa, desenvolvimento e bem-estar de seu povo, estão servindo de meios para combate-la e destruí-la". Em 28 de dezembro de 1968, a Lei no 5.540 fez uma profunda modificação no Ensino Superior Brasileiro, com a extinção da Cátedra, até então era vitalícia, como unidade básica de ensino. Estabeleceu que o Departamento passasse a constituir a menor fração da estrutura universitária. Determinou a integração do ensino com a pesquisa e a reunião dos estudos afins das carreiras profissionais em Institutos Centrais de Ciências Básicas. Criou o regime de créditos e estabeleceu a unificação do vestibular. O sentido desta lei seria a diminuição do custo médio do estudante, permitindo a expansão das matrículas a custos adicionais menos que proporcionais. Esta Lei provocou "uma progressiva aceleração do processo de privatização e do empresariamento do ensino; a crescente desobrigação do Estado com o financiamento das Universidades; e a omissão do poder público na definição de uma política educacional que assegurasse efetivamente condições reais de ensino e pesquisa na produção acadêmica"[5]. O Decreto-Lei no 405, da mesma data, determinava a transferência de recursos financeiros adicionais às escolas superiores com o fim de ampliação das vagas nos vestibulares de 1969. O ano de 68 terminou com 13 pessoas com seu direitos políticos ou mandatos cassados. O Assassinato de Luiz Paulo da Cruz Nunes O ano era o de 1968. A Ditadura avançava com as Leis Suplicy e Aragão. Os estudantes elaboravam formas pacíficas de protesto contra as prisões políticas e o fim da liberdade. O Movimento Estudantil determinou o dia 22 de outubro, como o "Dia Estadual de Protesto", em função da prisão dos estudantes no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna no Estado de São Paulo. O Centro Acadêmico "Sir Alexander Fleming", da Faculdade de Ciências Médicas, da UEG, organizou suas manifestações com a exibição do filme "Os Companheiros", de Monicelli, na parte da manhã e a inauguração de um boneco de seis metros de altura, representando um Policial Militar segurando com uma mão um cassetete e com a outra uma metralhadora, com os seguintes dizeres numa placa: "Estátua da 'Liberdade'/ Brasil-68". Esta atividade teve início às 13:00 horas, e mal os estudantes ocuparam a Boulevard 28 de setembro, em frente ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, surgiram os camburões do DOPS, com os policiais atirando e jogando bombas de gás lacrimogêneo. Os alunos responderam às balas com pedras. Diversos estudantes foram feridos. A maioria escondeu-se dentro do Hospital. Os policiais novamente avançaram atirando. Um aluno foi atingido no pulmão, outro ferido no rim e no fígado, mais um outro atingido braço esquerdo, ficou paralítico. E mais outro foi baleado, desta vez na cabeça. Este, também levado para a sala de cirurgia, só que não resistiu e veio a falecer às 21:40 horas. O aluno assassinado era o Luiz Paulo da Cruz Nunes, do 2o ano de Medicina. O fato mereceu a imediata reação , através de uma nota oficial de repúdio emitida pelo Reitor João Lyra Filho: "A Universidade do Estado da Guanabara está de luto em face dos deploráveis acontecimentos ocorridos na tarde de hoje, dentro da Faculdade de Ciências Médicas e com extensão, sobretudo, na área do respectivo Hospital das Clínicas. Todos deploramos ao extremo o comportamento dos agentes policiais que invadiram à bala e com lacrimogêneo as dependências do nosocômio. Esperamos que as autoridades, mais uma vez alertadas, adotem providências drásticas no sentido de punir àqueles que, vindos de fora, conturbaram mortalmente o clima de sinceridade da juventude universidade". O Professor Américo Piquet Carneiro, Diretor da Faculdade de Ciências Médicas e o Professor Jayme Landmann, Diretor do Hospital das Clínicas, emitiram, em conjunto, a seguinte nota oficial: "A Faculdade de Ciências Médicas, em nome do seu corpo docente e do corpo médico do Hospital das Clínicas, associa-se ao protesto feito pelo Reitor da UEG contra a brutal agressão policial desencadeada contra os estudantes, em manifestações pacíficas, que culminou com a morte de um acadêmico de Medicina e ferimentos graves em mais sete estudantes. Expressa, também, o repúdio ao fato inédito do ataque ao Hospital com bombas de gás lacrimogêneo e projeteis de armas de fogo, sem levar em conta os doentes internados, inclusive crianças recém-nascidas. Professores, educadores e médicos, profundamente preocupados, esperam das autoridades medidas que protejam efetivamente o livre exercício das atividades universitárias, indispensáveis à construção de um destino melhor para o nosso País". A tragédia comoveu o País, provocando protestos e gestos de solidariedade à atitude do Reitor João Lyra Filho. O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, a bancada federal do MDB da Guanabara, Parlamentares estaduais e federais, a Universidade de São Paulo - USP, manifestaram-se solidários. A Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro expediu a seguinte nota: "Vimos, publicamente, condenar a ação sanguinária e criminosa dos que invadiram o Hospital Pedro Ernesto com armas e bombas de gás lacrimogêneo. No recinto hospitalar, transformado pelos truculentos invasores em campo de batalha, atingindo a tudo e todos, por pouco não ocorreu uma explosão de incalculáveis prejuízos em conseqüência do tiroteio contra o depósito de substâncias e medicamentos inflamáveis. O Hospital foi sempre respeitado, mesmo em guerras mais bárbaras do que a verificada. A Sociedade apresenta solidariedade ao Reitor da Universidade do Estado da Guanabara e ao Diretor do Hospital, por fazerem respeitar o ambiente hospitalar. Repudia tais atos vandalescos e criminosos. Transmite ao Senhor Governador do Estado da Guanabara seu mais veemente protesto. Aos médicos, aos estudantes e aos doentes do Hospital da Clínicas estende sua solidariedade e à família enlutada expressa a esperança de que o sangue do filho querido, estudante de Medicina, derramado no Hospital, seja uma semente redentora para a harmonia da Nação". No dia seguinte, 23 de outubro, às 12:30 horas, o corpo de Luiz Paulo da Cruz Nunes foi enterrado no Cemitério São Francisco Xavier. Crueldade[6] "A compunção não exclui a revolta. Lá se foi o desventurado Luiz Paulo, para nunca mais, deixando a dor no lar construído por seus pais e fundos ressentimentos no coração de todos nós. Sua juventude em flor somava esperanças que malograram e perdeu-se na estúpida façanha de um policial assassino. Não houve quem deixasse de abrir a alma e a consciência à solidariedade que ainda reiteramos aos seus colegas. Por que matar um jovem de promessas radiantes? Que fez Luiz Paulo, para ser morto como se o seu instinto fosse o de uma fera? Que trevas terríveis caem sobre nós todos! (...) No túmulo da vítima inesquecível, escritas na tarja de uma coroa, estes poucos dizeres: "A Luiz Paulo, nossa Universidade". Estamos de luto e sentimos nojo. Os meses e os anos correrão; talvez sejam vorazes. Mas, na corrida, não nos despojaremos da lembrança ensangüentada. A lembrança perdurará. Que sirva de semente; que frutifique na consciência dos responsáveis pela ordem e pelo bem social o dever de banir, para sempre, uma ilustração tão malvada. A funesta verdade é que um jovem estudante morreu, vítima de um sicário; morreu exatamente no momento em que mais a esperança precisava de sua vida: Luiz Paulo da Cruz Nunes, não lhe diremos adeus: A lembrança de sua presença haverá de seguir com a nossa UEG..." A solenidade de formatura da turma de Luiz Paulo realizou-se em 1972, no Teatro Municipal. O discurso da turma foi quase totalmente censurado pelo DOPS. Após a leitura do discurso, iniciou-se a chamada dos alunos presentes. Após o último nome um estudante gritou: "Luiz Paulo - presente". Os demais aos poucos foram aderindo, até que todos, formandos e convidados, de pé, aplaudiam e repetiam "Luiz Paulo - Presente". A cortina do Teatro foi fechada e a solenidade dada por encerrada, sem que os alunos colassem o Grau, o que ocorreu alguns dias depois na sala do Diretor da FCM. No dia 10 de abril de 1985, durante a gestão Diretoria "Coração de Estudante", do Diretório Central dos Estudantes - DCE-UERJ, presidida pelo aluno Ricardo Cholbi Tepedino, o Movimento Estudantil resolveu resgatar a memória da UERJ, batizando a nova sala do DCE, como "Sala Luiz Paulo da Cruz Nunes". O ANO DE 1969 De forma a extinguir os últimos resquícios de liberdade, que pudessem haver nas escolas e faculdades, o Presidente Costa e Silva e os Ministros Luiz Antônio da Gama e Silva e Tarso Dutra, usando das atribuições do "A.I.- 5", definiram infrações disciplinares praticadas por professores, funcionários e alunos de estabelecimentos de ensino, através do Decreto-Lei no 477, no dia 26 de fevereiro de 1969. O Decreto era bem claro quanto às suas pretensões, não deixando dúvidas sobre os seus limites ou a falta de limites: "É passível de punição: quem aliciar ou incitar à deflagração de movimento que tenha por finalidade a paralisação da atividade escolar e participar nesse movimento; quem atentar contra pessoas ou bens, tanto em prédios ou instalações de qualquer natureza, dentro ou fora dos estabelecimentos de ensino; quem praticar atos destinados à organização de movimentos subversivos, passeatas, desfiles ou comícios não autorizados ou deles participar; quem conduzir ou realizar, imprimir, tenha em depósito, distribuir material subversivo de qualquer natureza; seqüestrar ou manter em cárcere privado qualquer membro da comunidade universitária; usar as dependências escolares para fins de subversão ou para praticar ato contrário à moral e a ordem pública". As penas previstas para professores e servidores seriam a demissão ou a dispensa e a proibição de serem nomeados, admitidos ou contratados por qualquer outro estabelecimento de ensino pelo prazo de cinco anos. Se fosse aluno, a pena seria o desligamento e a proibição de se matricular em outro estabelecimento de ensino pelo prazo de três anos. Se fosse detentor de bolsa de estudo ou recebesse qualquer benefício público, perderia seus benefícios pelo prazo de cinco anos. Se fosse bolsista estrangeiro seria extraditado. O prazo para apuração das infrações, mediante processo sumário, foi estipulado em vinte dias. Havendo a suspeita, o dirigente do estabelecimento de ensino, imediatamente providenciaria a instauração de inquérito policial. Ao infrator foi oferecido um prazo de quarenta e oito horas para apresentar a sua defesa, após ser citado pelo encarregado das diligências. Quando a infração estivesse capitulada na lei penal, deveria ser remetida cópia dos autos à autoridade competente. A Portaria no 149, de 28 de março de 1969, assinada pelo Ministro Tarso Dutra, determinou que em função do Decreto no 477, a apuração das infrações disciplinares seria promovida por iniciativa: a) do dirigente do estabelecimento de ensino a que pertença o professor, aluno, funcionário ou empregado infrator; b) da divisão de Segurança e Informações do Ministério de Educação e Cultura, mediante expediente diretamente encaminhado ao dirigente do estabelecimento de ensino em que houver suspeita de ocorrência de infração; e c) de qualquer outra autoridade ou pessoa. De forma a driblar as ordens militares, os estudantes começaram a se organizar em centros de estudo. Mas isto, foi percebido pelas autoridades. Na UERJ, em 2 de abril de 1969, através do Ato Executivo no 171, o Reitor determinou que os Centros de Estudos, dirigidos por alunos, somente poderiam ser reconhecidos se fossem diretamente vinculados à orientação do Departamento da Unidade, com a participação de um professor designado pela Direção, para supervisionar e acompanhar os trabalhos, e que de forma alguma fossem vinculados aos Diretórios Acadêmicos. A UERJ, apesar de ter como Reitor, neste período, o Professor João Lyra Filho, irmão do Ministro do Exército Aurélio Lyra Tavares, e por isto deveria servir de exemplo, como uma ilha de paz e tranqüilidade, utilizou o Decreto-Lei no 477, primeiramente, no dia 14 de abril de 1969, quando a Diretora Maria Edmée de Andrade Jacques da Silva, da Faculdade de Ciências Econômicas, expulsou dois alunos da Faculdade, por infração disciplinar. E, posteriormente, no dia 17 de junho do mesmo ano, quando o Diretor da Faculdade de Engenharia, Professor Paschoal Villaboim Filho, expulsou os alunos Gilson Fernandes de Andréa, Jones Raposo de Freitas e José Antônio de Azevedo, também por infração disciplinar. Como para cumprir a Lei deveria haver organismos que fiscalizassem sua execução, foi criada em São Paulo, no dia 29 de junho, a Operação Bandeirantes - OBAN, que era a junção do II Exército com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, para combater a subversão. Em setembro de 1970, através de decreto presidencial passou a se chamar Destacamento de Operações e Informações / Centro de Operações de Defesa Interna - DOI-CODI, um dos mais repressivos órgãos a serviço do Estado ditatorial. Um fato político de grande repercussão ocorreu dia 21 de agosto de 1969, com falecimento do Presidente Costa e Silva, devendo assumir a Presidência Vice-Presidente Pedro Aleixo. Entretanto, os militares não aceitaram, de forma alguma, que um civil assumisse o poder. Então, no dia 31 de agosto, assumiu a Presidência uma Junta Militar composta dos Ministros Militares, Augusto Hamann Rademaker Grünewald, da Marinha, Aurélio Lyra Tavares, do Exército (irmão do Reitor da UEG, João Lyra Filho e do Diretor do Instituto de Criminologia da UEG, Roberto Lyra) e Márcio de Souza e Mello, da Aeronáutica. Na UERJ, não foram só os alunos que foram afastados de suas funções, pois no dia 29 de agosto de 1969, foi publicado no Diário Oficial da União, os decretos de aposentadoria dos Professores Carlos Haroldo Porto Carreiro de Miranda e Hélio Marques da Silva, dos cargos que porventura ocupavam na administração direta ou indireta da União, Estados, Distrito Federal, Territórios ou Municípios, baseado no Ato Institucional no 5. O Reitor João Lyra Filho assinou, à sua revelia, pela UEG, as Portarias 393 e 394, em setembro de 1969, aposentando os respectivos professores. O Reitor João Lyra não queria aposentar os professores e só o fez por determinação legal. Isto ficou bem caracterizado, pelas manifestações de apreço efetuadas pelo Reitor. A reação à violência "legal", veio através da luta armada. O primeiro ato de repercussão mundial, ocorreu no dia 4 de setembro, quando foi seqüestrado o Embaixador norte-americano Charles Bueke Ellbrick, no Rio. Esta foi a primeira operação do gênero no mundo, na história da guerrilha urbana. Fez parte deste seqüestro o ex-Presidente do Centro Acadêmico de Medicina da UEG, João Lopes Salgado. Os fatos de maior repercussão, neste final de 1969, ocorreram no dia 17 de outubro, quando a Junta Militar que governava o País outorgou a Emenda Constitucional no 1, que garantiu a posse do Presidente Emílio Garrastazu Médici, no dia 30 de outubro, e incorporou os dispositivos do AI-5, sendo na verdade, uma nova Constituição, face a abrangência de seus 200 artigos; no dia 4 de novembro, quando morreu emboscado em São Paulo, o principal líder da Aliança Libertadora Nacional - ALN, Carlos Mariguella; e no dia 4 de dezembro, quando a 5a Região Militar decretou a prisão do ex-Ministro de Educação no Governo João Goulart, Darcy Ribeiro. O ano de 1969 fechou com 383 pessoas com os direitos políticos ou mandatos cassados. ============================================================================================== + Detalhes. domingo, 12 de outubro de 2008 Ditadura de triste lembrança Médicos retomam formatura congelada pela ditadura por 36 anos No dia 24, um grupo de médicos vai finalmente concluir sua festa de formatura, iniciada e interrompida há 36 anos pelo regime militar. Dia 13 de dezembro de 1972. Anos de chumbo, época de censura. Cerca de 1.700 pessoas lotam o Teatro Municipal do Rio. São 20h30. Na platéia, em elegantes trajes de festa, estão parentes, amigos e convidados dos 128 formandos do curso de medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O convite da festa traz ilustrações de Henfil. A reportagem é de Luísa Alcalde e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 12-10-2008. Vai começar a cerimônia de colação de grau da turma de 1967, com o juramento de Hipócrates, rito de introdução dos acadêmicos em medicina na vida profissional. No palco, vestidos de becas pretas com babado branco e capelo na cabeça, os recém-formados estão emocionados, pois entre os convidados está a família de Luiz Paulo da Cruz Nunes, assassinado aos 21 anos, no segundo ano do curso, com um tiro na cabeça disparado por policiais durante repressão a uma pacífica manifestação estudantil no dia 22 de outubro de 1968, em frente ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel. A ação foi orquestrada pelo Comando do I Exército, DOPS e a PM. Os amigos dizem que o jovem não era ativista político. Estava no local por acaso. Os parentes de Luiz Paulo, escolhido como patrono, levam flores aos formandos. A direção da UERJ, porém, veta a homenagem dias antes e proíbe qualquer menção ao rapaz. Manda colocar uma tarja preta sobre o nome de Luiz Paulo nos convites, mas isso é feito em apenas alguns deles. A direção garante aos alunos que não mencionará a palavra "patrono" na cerimônia. O discurso da oradora Telma Ruth Pereira Silveira é submetido à análise dos censores da ditadura e vetado. A alegação: "atentado contra a segurança nacional". Durante a formatura, no momento em que o texto deveria ser lido, Telma caminha até o púlpito segurando cinco páginas em branco. Folheia lentamente, uma a uma, em silêncio, e agradece. É ruidosamente aplaudida. A atitude irrita o diretor da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ, Jaime Landmann. Em seguida, Landmann anuncia que os pais de Luiz Paulo, "colega falecido", vão ler uma carta. Uma voz de homem vinda da platéia corta o silêncio do teatro: "Luiz Paulo foi falecido !". Fingindo ignorar o protesto, Landmann prossegue a cerimônia e anuncia a homenagem ao patrono, imposto pela direção da faculdade: Albert Schweitzer, médico que atende necessitados na África. Em seguida, chama pelo nome de cada um dos formandos. Mas não chama o de Luiz Paulo. Sem nada combinado, os formandos começam a bradar em coro: "Luiz Paulo, nosso patrono!!!" e a bater os pés no piso. Alguns batem palmas. Imediatamente, Landmann manda fechar as cortinas do palco e encerra a colação de grau. Nenhuma explicação é dada. Muitos pais morreram sem assistir à formatura dos filhos. O protesto daquela noite foi abafado. Não foi publicada uma linha sequer nos jornais da época. Os formandos foram pedir conselhos ao jurista Heráclito Fontoura Sobral Pinto, famoso por defender presos políticos. A punição, além da abertura de um inquérito para descobrir os culpados pelo protesto, foi obrigar os médicos, separados, um a um, a fazer o juramento da profissão na sala do diretor, no ano seguinte, dois meses depois da formatura. No dia 24, dois dias após o assassinato de Luiz Paulo completar 40 anos, 104 médicos da turma de medicina de 1967 da UERJ - hoje profissionais renomados inclusive no exterior - vão se reunir na Capela Ecumênica da UERJ, no Maracanã. Eles vão oficializar a colação de grau da frustrada cerimônia de formatura que não ocorreu 36 anos atrás. E fazem questão de ir trajados de beca, como naquela noite de dezembro de 1972. Os discursos censurados serão lidos. O paraninfo, o neurocirurgião Pedro Sampaio, celebridade em sua área, hoje com 87 anos, já confirmou presença. Desta vez, vão poder homenagear Luiz Paulo, já que a atual direção da faculdade homologou pedido do grupo. Antônio Augusto, sobrinho de Luiz Paulo, também médico, vai representar a família, pois a mãe e o pai dele já morreram. P.S. E ainda tem gente que prefere voltar a estes tempos de obscuridade e absoluta falta de liberdade....batem no peito e dizem sem medo e sem censura nos dias de hoje: sou de extrema direita, sou de direita, odeio a esquerda Postado por Jarosinski Brasil ==================================================================================== + Detalhes a.. Luiz Paulo da Cruz Nunes -Turma 1972 - Fantástico youtube.com8 min - 27 out. 2008 - Vídeo enviado por siulerdna1 Reportagem do Fantástico - 2008 a.. Turma Luiz Paulo da Cruz Nunes -1972 youtube.com5 min - 25 out. 2008 - Vídeo enviado por siulerdna1 Momentos da solenidade de "reformatura" em 24 de outubro de 2008 na Capela Ecumênica da UERJ a.. (RE)FORMATURA MEDICINA UERJ 1972 youtube.com4 min - 27 out. 2008 - Vídeo enviado por hosanamoro de Medicina da UEG- 1972 conseguiu colocar seu colega de turma Luiz Paulo da Cruz Nunes,como Patrono da turma ... ===================================================================================================== + Detalhes [PDF] Advir 22 - ASDUERJ www.asduerj.org.br/publica/revista/imagens/Advir22online.pdfSimilares Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML Efetivar o nome de Luiz Paulo da Cruz. Nunes como patrono da turma de Ciências Médicas ... que Luiz Paulo da Cruz Nunes, estudante da Faculdade de Ciências ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110701/e0774b0a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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M.Politi A HISTÓRIA ENSINADA ÀS CRIANÇAS E ADOLESCENTES DOS COLÉGIOS MILITARES 29/06/2011 Introdução Em 13 de junho de 2010, a jornalista Ana Pinho trouxe à tona, em reportagem da Folha de São Paulo, mais um problema envolvendo política, memória e ensino de História: o livro didático adotado pelos Colégios Militares traz uma versão antidemocrática sobre a ditadura militar brasileira. O material que orienta o ensino de história de filhos de militares do exército e outros alunos admitidos por concurso é produzido pela Bibliex - Biblioteca do Exército - e vendido aos estudantes. Trata-se da obra "História do Brasil: Império e República", de Aldo Fernandes, Maurício Soares e Neide Annarumma, que integra a Coleção Marechal Trompowsky. [1] A primeira edição é de 2001 e a que temos em mãos é a quarta, revisada, de 2005. Na obra, afirma-se que o 31 de Março de 1964 foi uma revolução democrática, reagindo às orquestrações do Partido Comunista, e também para moralizar a administração pública, e, portanto não se configuraria como um golpe contra um governo democraticamente eleito. O fechamento do regime é explicado como intransigência da oposição emedebista. As torturas e assassinatos cometidos por setores das Forças Armadas no período não são mencionados. A matéria suscitou posições contrárias ao uso da obra, publicadas no próprio jornal, tanto de leitores quanto de articulistas da Folha de São Paulo, como Hélio Schartzman e Melchiades Filho. O assunto foi debatido na lista de discussão do Grupo de Trabalho de Ensino de História da ANPUH. Em 05 de Agosto de 2010, a Associação Nacional de História (ANPUH) enviou carta ao Ministério da Educação, Ministério da Defesa e Casa Civil da Presidência da República, manifestando preocupação diante do fato de que o ensino de história nos Colégios Militares legitima o golpe de 1964, com evidente desconsideração das mais básicas evidências factuais e da historiografia que se constituiu sobre o período. A carta apelou também para o significado profundo do ensino e da aprendizagem nos moldes apresentados pelo material didático dos Colégios Militares: "O ensino da História é partícipe direto da produção de subjetividades, da formação de consciências, de formas de ver e interpretar o mundo, ele participa diretamente da formação ética e política do sujeito e do cidadão, por isso é de suma importância a avaliação de que versões do passado estão sendo ensinadas. Que subjetividades, que tipo de consciência, que visões de mundo podem estar sendo formadas por uma versão da história que justifica e legitima um golpe contra as instituições ainda em nome de uma pretensa defesa da democracia e da civilização ocidental e cristã, que cidadãos estão sendo formados por uma literatura que justifica, legitima e esconde o arbítrio, a tortura e a violência. Estes livros são no mínimo um duvidoso exemplo de comportamento ético." Por fim, de todas as cartas enviadas, apenas da do Ministério da Educação obteve resposta, por parte da Coordenação Geral de Materiais Didáticos, vinculada à Secretaria de Educação Básica do Ministério. Na correspondência, a coordenadora geral limita-se a citar o artigo 3º. da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que menciona os princípios gerais do ensino (entre eles, "liberdade de aprender, ensinar, pesquisa e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber"; "pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas" e "respeito à liberdade e apreço à tolerância") e o artigo 83, que regula o ensino militar, dando-lhe a autonomia de uma lei específica. A resposta da COGEAM, se considerada em suas consequências, coloca em xeque a função de regulação do Estado, bem como de orientação temporal da historiografia. Se todos os discursos sobre a história forem igualmente válidos, então todo discurso sobre a história seria igualmente merecedor de crédito diante de seu grupo de interesse, e de tolerância do Estado, sem limites. E ignoraríamos o acúmulo e os avanços qualitativos do conhecimento histórico acadêmico, desenvolvido pelos profissionais de História. Entretanto, para além de qualquer exercício de relativismo histórico oportunista, os limites dos discursos sobre a História são postos pelo texto constitucional, a partir da definição dos crimes. Por exemplo, o MEC tem o dever agir contra uma escola ou conjunto de escolas que professe alguma superioridade ou inferioridade racial, uma vez que isso constitui a base para que alguém incorra no crime previsto no art. 5º., inciso XLII "a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão." E o que dizer de um conjunto de escolas que legitime, justifique ou se omita quanto ao que está disposto no mesmo artigo 5º, inciso XLIII, que considera crimes inafiançáveis e não anistiáveis a "prática da tortura", ou ainda no inciso XLIV "constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democrático." ? É evidente que os valores democráticos que embasam a sociedade brasileira não são compatíveis com os valores que embasam a obra didática em discussão, e que expressam uma determinada linha de pensamento de parte da corporação militar quanto à história recente. [2] Por sua vez, os limites postos pela responsabilidade social da pesquisa histórica estão nas afirmações que são possíveis sobre a história, considerado o estado atual do conhecimento. O estado atual do conhecimento histórico, por sua vez, tem sido uma das principais balizas com as quais o Estado brasileiro, por meio do Programa Nacional do Livro Didático, tem avaliado a qualidade do material que distribui para as escolas públicas nacionais. O que está em tela, portanto, é a coerência de princípios para os materiais didáticos de história que são avalizados pelo Estado para todos os alunos de escolas públicas, independente do subsistema ou órgão ao qual se vinculam. A seleção dentro da LDB, feita pela coordenadora da COGEAM em sua resposta à entidade, quer lembrar à ANPUH determinados princípios, com isso sugerindo que os mesmos não estariam sendo observados no pedido feito pela entidade. Do mesmo modo que selecionou aqueles artigos, poderia ter selecionado o artigo 4º. e seu inciso IX, que reza que o dever do Estado com a educação pública será efetivado através da garantia de "padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem." É esse ponto que deve ser considerado, pois não se trata de uma questão de diferenças ideológicas que mereceriam tolerâncias, mas sim uma questão de defesa dos princípios fundamentais do Estado democrático de direito, como vimos acima, bem como de uma questão de garantia da qualidade do ensino. Uma análise do volume de História do Brasil: Império e República O melhor parâmetro de qualidade que dispomos para ser usado em uma avaliação de livro didático são os critérios do PNLD. Isso porque se trata de um programa que seleciona seus avaliadores entre os melhores pesquisadores e professores nos diversos campos da história e do ensino de história. Esse pessoal estuda e redefine continuamente uma ficha de itens que reflete o estado atual das demandas e exigências não só do campo da História, como da Educação e da própria sociedade, consolidada na legislação vigente. O livro "História do Brasil: Império e República" seria aprovado no Programa Nacional do Livro Didático? A resposta é negativa. Em outros termos, os alunos dos Colégios Militares estão sendo privados do acesso à aprendizagem nos parâmetros contemporâneos de qualidade exigidos pelo Ministério da Educação dos livros didáticos das editoras privadas. A demonstração disso pode ser feita através da submissão do livro didático a alguns itens centrais da ficha de avaliação do PNLD, disponível na internet [3]. Evidentemente, essa análise é parcial porque se trabalha apenas com o livro do aluno e o caderno de exercícios (que é consumível, avesso às regras do PNLD), já que não tivemos acesso ainda ao manual do professor e ao primeiro volume da coleção, que trata da América Portuguesa. Como não tivemos acesso ao manual do professor, não é possível avaliar o livro no que se refere a esse quesito. No sítio de internet da editora responsável, a Biblioteca do Exército, não há manual do professor à venda para esta obra, o que leva a crer que o mesmo é dispensado. Não há, portanto, nenhuma concepção pedagógica ou historiográfica que seja explicitada pelos autores. No entanto, é possível notar alguns traços orientadores. A forma predominante de relação proposta entre os alunos e o conhecimento histórico é a de memorização, uma vez que o conteúdo é exposto de modo declaratório e prescritivo. Isso é confirmado no caderno de atividades, em volume separado, constituído por exercícios em que, na maior parte das vezes, o conteúdo do manual deve ser repetido nas respostas dos alunos. A vasta maioria dos exercícios é recolhida dos exames dos próprios colégios militares brasileiros. Essa opção cria uma situação de aprendizagem que é desfavorável ao pensamento crítico e ao raciocínio histórico, pois os fatos e processos são expostos na condição de verdades sintéticas e não questionáveis. O aluno não terá acesso à noção de que o conhecimento histórico é construído, dotado de historicidade, relacionado a um contexto, e assim por diante. As poucas fontes primárias que são compiladas para a obra não servem para demonstrar a característica histórica do próprio conhecimento histórico. Pelo contrário, funcionam como ilustrações não-problematizadas do texto básico, ou fontes de autoridade para o mesmo. É o caso das diversas citações lapidares de Caxias na parte referente ao Brasil imperial. Adicionalmente, sobre a estrutura da obra, cumpre indicar que sua linha central é a descrição de acontecimentos da história política tradicional. Esta opção é tão marcada que os acontecimentos e processos que não são classificados na esfera política são tratados em partes separadas do texto, que abordam, também isoladamente, a cultura, a economia e as relações sociais. Assim isoladas as esferas da experiência humana, não se facilita a compreensão de que elas são inter-relacionadas e se influenciam mutuamente; os acontecimentos parecem brotar do acaso, e não da intricada relação entre economia, política, cultura e sociedade. Uma concepção de conhecimento em que predomina a cronologia, a linearidade e os fatos de ordem política, com espaço limitado e subordinado para os outros campos da vida humana. Para essa configuração historiográfica, a categoria "tradicional" se aplica. No que se refere à atualização historiográfica, a obra se ressente da incorporação de bibliografia recente. Para termos uma ideia disso, basta dizer que as obras referenciadas na bibliografia têm uma idade média de 28 anos entre a edição consultada e 2005, que é o ano da edição do presente livro didático. Além disso, estão ausentes as obras que marcaram a historiografia brasileira nos últimos 20 anos, e que se pronunciam sobre os assuntos enfocados na obra. Pedagogicamente, as concepções que se pode deduzir a partir do estudo do livro dos alunos indicam, em primeiro lugar, uma patente carência de problematização e reconstrução de saberes. O conjunto do livro do aluno e do caderno de atividades indica uma pobreza profunda de capacidades cognitivas envolvidas. A demanda cognitiva central é memorizar, acompanhada por identificar, relacionar e diferenciar, correlatas àquela. Demandas mais sofisticadas, como argumentar, comparar, criticar, analisar, sintetizar, não estão presentes de modo significativo. A análise do item "Correção e atualização de conceitos, informações e procedimentos pertinentes ao campo da história" pode ser iniciada com uma discussão sobre a estratégia de tratamento dos conteúdos históricos. Como a concepção é de uma exposição linear e enciclopédica da sequência de conteúdos que compõe o modelo tradicional de história nacional, o problema que se colocou para os autores é de fazer caber tantos assuntos numa obra para alunos do Ensino Fundamental 2. A solução foi resumir ao máximo determinados temas, mas essa tática acaba levando a problemas de compreensão, pois faltam informações mínimas para atribuir significado ao que é narrado. Pode-se perceber que a obra é prejudicada por uma tática de resumos para explicar fatos e processos de uma lista tradicional de conteúdos, com o que se perde a clareza em diversos pontos. Como exemplo de uma prática constante ao longo do livro, podemos citar a comparação entre o pós-independência no Brasil e nos demais países da América do Sul: "Na América Latina, as circunstâncias impostas pelo processo histórico quiseram que os sonhos dos grandes libertadores - José Bonifácio de Andrada e Silva, San Martin e Simon Bolívar - se cumprissem segundo o modelo colonizador e a vocação história de suas metrópoles ibéricas, Portugal e Espanha. No entanto, os rumos tomados não confirmaram os anseios de Simon Bolívar, que viu o desmoronar de sua obra, quando o jugo imperial da Espanha foi substituído pelo mando dos "novos déspotas", os caudilhos." (p. 58, grifo no original) Para compreender esse trecho, falta ao leitor saber: a) quais foram as "circunstâncias impostas pelo processo histórico" b) quais eram os "sonhos dos grandes libertadores" (que são colocados como equivalentes, apesar das diferenças expressivas, sobretudo entre José Bonifácio e os libertadores hispano-americanos) c) qual era o "o modelo colonizador e a vocação história de suas metrópoles ibéricas" e como se articulavam com os ideais independentistas. Na página 189, reconhece-se que a cassação do Partido Comunista Brasileiro em 1947 respondeu a um contexto de Guerra Fria, relativizando a alegação jurídica de que o partido teria sido extinto por ser autoritário. Entretanto, em nenhum outro momento o aluno é informado sobre o que vem a ser essa expressão. Esta falta de clareza devido à economia excessiva de detalhes (que por sua vez se deve à opção de dar conta de um amplo panorama tradicional de acontecimentos) espalha-se pela obra, tornando inviável a compreensão dos processos históricos. Muitos, incompreensíveis, somam-se à massa de dados que cumpre ao aluno memorizar, sem atribuir significado ou interpretar, ações que ficam em plano secundário. Além disso, são comuns as excessivas simplificações explicativas e a redução das causas a uma única, não raro de caráter eventual. É o que ocorre, por exemplo, na explicação da renúncia do regente Feijó: ela teria se dado porque o regente não conseguiu organizar um partido para apoiá-lo (p. 19). Na obra verificam-se diversos juízos de valor, sem argumentação que os sustente ou espaço para visões contrárias. Por exemplo, na p. 19, abaixo de uma definição de pátria por Olavo Bilac ("a paridade dos gostos e costumes, comunidade de línguas, coesão de leis, identidade de condições físicas e morais, com participação nas mesmas lembranças e nas mesmas esperanças), há a frase solta dos autores: "Durante a Primeira República isso nem sempre ocorreu". Como essa ressalva é feita apenas para a Primeira República, transmite-se a impressão de que em outros momentos aquela noção de pátria teria encontrado pleno acolhimento na realidade nacional. Como não poderia deixar de ser, a explicação sobre o Golpe de 1964 e a ditadura militar é a maior expressão das características negativas da obra, e não por acaso o trecho que mais chamou a atenção de jornalistas e articulistas pelo seu conteúdo. Queremos demonstrar que o problema não está na opção política da obra, que deveria em tese ser tolerada, mas no fato de que essa opção política conduz a um ensino de história que não somente é de baixa qualidade, mas que beira as raias da desonestidade intelectual para manter uma versão conservadora dos acontecimentos. Omissão de informações, desconhecimento dos estudos acadêmicos aprofundados sobre o assunto, distorção de acontecimentos e processos e explicação por meio dos discursos políticos dos vencedores à época são consequências da estratégia estabelecida. O primeiro elemento a ser considerado é o nome dado ao movimento, na página 199 Ao assumir a expressão "Revolução de 1964", a obra adere ao discurso político da época, em vez de referir-se aos estudos históricos e sociológicos que são considerados hoje o estado atual do conhecimento científico sobre o assunto. Para esses estudos, o movimento de derrubada do presidente João Goulart e a instauração de um novo governo em 1964 não constituem uma revolução, mas um golpe de estado. Sob o subtítulo "Revolução de 1964" ficam subsumidos os mandatos dos presidentes Jânio e Jango, estabelecendo uma estranha periodização em que os últimos governos do período democrático de 1945 a 1964 gravitam em torno do golpe. A narrativa está envolvida em um tom que lembra teorias da conspiração. Exatamente no momento em que a esquerda começa a se fragmentar, os autores descrevem que ocorria uma orquestração revolucionária por obra do Partido Comunista. Entretanto, a linha do PCB nesses anos era de apoio crítico ao desenvolvimento econômico e a aliança com o que se chamava de "burguesia nacional". Em parte por conta dessa opção, em 1961 o PCB perdeu militantes para a organização de esquerda "POLOP", e em 1962 cindiu-se entre PCB e PCdoB. Deste modo é claro que a "orquestração comunista subversiva" corresponde ao discurso político da época, que precisava do fantasma comunista para justificar a quebra da ordem democrática, e não a uma análise fundamentada. Esse sujeito oculto chega a ser nominado como "comando subversivo", na p. 200, como se existisse uma coordenação mutuamente aceita entre os diversos grupos de esquerda, o que não era real. Ao mesmo tempo, se oculta a estruturação do golpe por meio do complexo IPES/ IBAD, fartamente documentada e discutida, por exemplo, pela obra já clássica de Richard Dreifuss, "1964: a conquista do Estado", que funcionava como um estruturador de classes sociais dominantes, interesses estrangeiros e lideranças militares em torno de um novo projeto econômico e social que pudesse superar o desenvolvimentismo e o crescimento do poder de negociação das classes trabalhadoras através de seus sindicatos e movimentos. Na mesma página, são claros os juízos de valor na seleção da ilustração única, que é da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, e da descrição da mesma como "um espetáculo comovente". A parcialidade continua ao descrever a greve dos marinheiros como indisciplina militar, epíteto do qual foram poupados, por exemplo, as revoltas militares tenentistas da década de 1920. O mau hábito do resumo excessivo complica a descrição do período ao afirmar que "uma inusitada reunião política nas dependências do Automóvel Clube do Brasil" agredia nação e significava uma manifestação de indisciplina. Sem a informação de quem participou da reunião e de qual era seu assunto, ao aluno só cabe crer na descrição. Descreve-se o golpe como o resultado da ação de lideranças democráticas, civis e militares, "grupos moderados e respeitadores da lei e da ordem". Para além a dúvida sobre como um grupo de respeitadores da lei depõe um presidente legitimamente eleito e referendado também por um plebiscito, trata-se de uma descrição incompleta, pois não dá conta do conjunto de interesses e classes mobilizadas para o golpe, reduzindo-o a um movimento de poucos líderes militares apoiados de perto por alguns civis e de longe pela massa. Também se descreve o regime de forma lacunar, tanto em suas motivações declaradas (combater a corrupção e a comunização e reorganizar a administração do país) quanto nas consequências efetivas de suas realizações. Por exemplo, o milagre econômico é explicado de modo desvinculado da carestia dos anos 70 e da crise econômica do início dos anos 80, embora sejam processos relacionados. A lacuna mais expressiva, entretanto, é o ciclo de violação dos direitos humanos, tortura, assassinato e desaparecimento de opositores políticos e seus familiares, realizados por setores das forças armadas e associados, ao arrepio inclusive das leis militares. Esse quadro, que seria impossível sem a suspensão de direitos em função do AI-5, é omitido. Omite-se que o recrudescimento da repressão militar chegou mesmo a ameaçar a autoridade do presidente Ernesto Geisel, que se viu na contingência de exonerar o Comandante do 2º Exército, general D'Ávila Mello por ter permitido as mortes de Manuel Fiel Filho e Vladimir Herzog, este nas dependências do exército em São Paulo. Também o tragicamente frustrado atentado terrorista do Riocentro, que estava sendo preparado por militares do exército, é omitido. Com tantas omissões, fica possível para o aluno entender que a Anistia também se referia ao perdão dos crimes cometidos por membros das forças armadas e seus associados na repressão aos opositores da ditadura. De um modo geral, todos os atos antidemocráticos da ditadura são explicados como reações à intransigência dos opositores, explicação que nem serve ao caso, pois transigência é possível num estado de relativa simetria entre as forças opostas, o que não está dado em uma ditadura. -------------------------------------------------------------------------------- [1] O livro é adotado no sistema de escolas militares sob responsabilidade do Exército Brasileiro, através de sua Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial. http://www.depa.ensino.eb.br/pag_projetocmbhistoria.htm. [2] A ANPUH respondeu a esta carta da COGEAM lamentando e manifestando sua decepção com a postura de indiferença manifestada. [3] Disponível em http://www.fnde.gov.br/index.php/ph-arquivos/category/12-guias-pnld-2011?download=40%3Apnld2011historia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110701/c70a5522/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 3 13:23:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 3 Jul 2011 13:23:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__CHICO_BUARQUE_=C9_A_VOZ_DO_BRASI?= =?iso-8859-1?q?L_PARA_TODOS_-_Leia_e_Ou=E7a_______________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________HOJE_=C9_DOMINGO!___M=DA?= =?iso-8859-1?q?SICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CHICO BUARQUE É A VOZ DO BRASIL PARA TODOS - Leia e Ouça eltheatro11 at eltheatro.com Editor: Elpídio Navarro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110703/e4b0f771/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 3 13:23:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 3 Jul 2011 13:23:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__THEREZINHA_VIANA_DE_ASSIS_____________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CLXXXI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem THEREZINHA VIANA DE ASSIS (1941 - 1978) Filiação: Edith Viana de Assis e Antônio Veriano de Assis Data e local de nascimento: 22/07/1941, em Aracaju (SE) Organização política ou atividade: AP Data e local da morte: 03/02/1978, Amsterdam (Holanda) Therezinha estudou em Aracaju, sua cidade natal, e concluiu o curso de Economia na Universidade Federal de Sergipe. Mudou-se para Belo Horizonte, onde trabalhou na Caixa Econômica Federal. Foi presa e torturada em 1972 e, ao ser libertada um ano depois, exilou-se no Chile, onde fez curso de especialização na Universidade de Santiago. Naquele país, tornou-se militante do Movimento de Esquerda RevoLúcionária (MIR). Ao sair do país teria utilizado o nome Therezinha Viana de Jesus, que consta em algumas das listas de mortos e desaparecidos políticos. As referências acerca de seu engajamento político no Brasil são imprecisas, mas foi anexado ao processo na CEMDP um depoimento em que Gilberto Fernandes Gomes de Faria afirma taxativamente que Therezinha pertencia à AP em 1969, enquanto ele atuava na Corrente, organização que mais tarde se incorporaria à ALN. Assim como aconteceu com inúmeros outros militantes das organizações clandestinas, é possível que ela tenha tido mais de um engajamento partidário, conforme atesta um documento anexado por seu irmão ao processo. Em setembro de 1973, após o golpe militar comandado por Augusto Pinochet, viajou para a Holanda. Morou inicialmente em Rotterdam e depois em Amsterdam, cidade em que prosseguiu seus estudos, doutorando-se em Economia. Até 15/09/1977, Therezinha trabalhou na prefeitura local, mas seu contrato não foi renovado. O desemprego agravou os problemas psicológicos que vinha apresentando. Em carta enviada em 07/02/1978 por um exilado brasileiro na Holanda ao bispo de Lins (SP), Dom Pedro Paulo Koop, a morte é informada com as seguintes palavras: "Prezado Dom Pedro Paulo, Com muito pesar comunico a todos que lerem e ao senhor que Teresinha de Jesus, nascida aos 22/02/1941 e exilada na Holanda desde princípios de janeiro de 1974, dia 3 de fevereiro p.p. às 12:00 horas, se jogou da janela de seu quarto, do 3º andar de um edifício em Amsterdam. Em conseqüência deste acidente, ela sofreu fraturas das costelas e uma grande hemorragia no baço. Foi atendida na Academische Ziekenhuis da Vrije Universiteir naquela cidade, e sendo operada veio a falecer às 21:05 do mesmo dia de distúrbios do coração.(...) Sofreu no exílio longamente todos os problemas psicológicos referentes ao isolamento que marca esta vida". Sua irmã Selma Viana de Assis Pamplona escreveu sobre ela: (...) Em meados de 1977 Therezinha começou a me escrever, dizendo estar se sentindo seguida, pois onde estava via as mesmas duas ou quatro pessoas; em julho de 1977 saiu de férias da Prefeitura e fez curso de línguas; viajou pela Rússia e países da Europa Oriental e onde chegava encontrava as mesmas pessoas. Quando voltou da viagem encontrou o seu apartamento todo remexido, desarrumado. Observou que o seu telefone estava "grampeado" e pedia que eu não lhe telefonasse. Às vezes, quando voltava do serviço, encontrava seu apartamento remexido demonstrando ter entrado gente; começou a receber telefonemas anônimos com ameaças. Foi ficando nervosa e preocupada (...) Por fim, apareceu morta, caída da janela. Ocorre que ela era muito católica, tinha medo da morte. E antes de se sentir seguida estava gostando muito de Amsterdam. De repente, ela ficou sabendo que se tratava da polícia secreta do Chile. Quanto aos outros, não chegou a saber. Morreu em fevereiro de 1978, com 36 anos de idade". Documentos juntados ao processo da CEMDP, como a certidão contendo informações da ABIN e cópias de páginas do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos comprovam sua militância política, motivo pelo qual teria se exilado, inicialmente no Chile e posteriormente na Holanda. Dessa forma, acatando a argumentação que apontou a existência de vínculo de causalidade entre as torturas sofridas quando presa no Brasil e o quadro psíquico que a teria levado ao suicídio no exílio, a Comissão Especial acatou o requerimento por unanimidade, seguindo o voto da relatora Márcia Adorno. ============================================================================================================= + Informações. THEREZINHA VIANA DE ASSIS No Dossiê anterior constava como TEREZINHA VIANA DE JESUS. Nasceu em 22 de julho de 1941 em Aracaju, Sergipe. Filha de Antônio Veriano de Assis e de Edith Vianna de Assis. Fez seus estudos em sua cidade natal, concluindo o Curso de Economia na Universidade Federal de Sergipe. Mudou-se para Belo Horizonte, onde trabalhou na Caixa Econômica Federal. Em 1972 foi presa. Ao ser libertada, exilou-se no Chile, onde fez um curso de especialização na Universidade de Santiago. Após o golpe no Chile, em setembro de 1973, viajou para a Holanda onde chegou em fevereiro de 1974. Residiu inicialmente em Rotterdam e depois em Amsterdam, Prosseguindo seus estudos na Universidade de Amsterdam, doutorou-se em Economia. Até 15 de setembro de 1977, trabalhou na Prefeitura de Amsterdãm, mas seu contrato não foi renovado, o que a colocou na condição de desempregada. Esta situação agravou os problemas psicológicos que vinha apresentando. Em 3 de fevereiro de 1978, Terezinha foi encontrada morta sob a janela do apartamento em que residia. De sua irmã Selma Viana de Assis Pamplona: Foi presa política e torturada em Belo Horizonte/MG, não sei precisar o ano, mas foi entre 1968-72 quando tinha aproximadamente 31 anos de idade. Saiu do Brasil e foi para o Chile em fevereiro de 1973. Em setembro/73, com o golpe no Chile que derrubou o Presidente Salvador Allende, ela foi mandada para a Holanda pela ONU; inicialmente, Rotterdam e depois, Amsterdam. Em meados de 1977 ela começou a me escrever, dizendo estar se sentindo seguida sempre, pois onde estava via as mesmas pessoas (entre 2 e 4); em julho/77 saiu de férias (trabalhava na Prefeitura de Amsterdam) e fazia curso de línguas; viajou pela Rússia e países da Europa Oriental e onde chegava, (em cada cidade), encontrava aquelas mesmas pessoas. Quando voltou da viagem encontrou o seu apartamento totalmente remexido, desarrumado, fora do lugar. Observou que o seu telefone estava "grampeado" e pedia que eu não lhe telefonasse. Às vezes, quando voltava do serviço, encontrava seu apartamento remexido demonstrando ter entrado gente; começou a receber telefonemas anônimos com ameaças. Foi ficando nervosa, preocupada... Por fim, apareceu morta, caída da janela embaixo. Ocorre que ela era muito católica, tinha medo da morte. E antes de se sentir seguida, estava gostando muito de Amsterdam. De repente... Uma das pessoas que a seguia, ela ficou sabendo que se tratava de polícia secreta do Chile. Quanto aos outros ela não chegou a saber.Morreu em 2 ou 3 de fevereiro de 1978, com 36 anos." =========================================================================================== + Informações. Therezinha Viana de Assis No Dossiê anterior constava como TEREZINHA VIANA DE JESUS. Nasceu em 22 de julho de 1941 em Aracaju, Sergipe. Filha de Antônio Veriano de Assis e de Edith Vianna de Assis. Fez seus estudos em sua cidade natal, concluindo o Curso de Economia na Universidade Federal de Sergipe. Mudou-se para Belo Horizonte, onde trabalhou na Caixa Econômica Federal. Em 1972 foi presa. Ao ser libertada, exilou-se no Chile, onde fez um curso de especialização na Universidade de Santiago. Após o golpe no Chile, em setembro de 1973, viajou para a Holanda onde chegou em fevereiro de 1974. Residiu inicialmente em Rotterdam e depois em Amsterdam. Prosseguindo seus estudos na Universidade de Amsterdam, doutorou-se em Economia. Até 15 de setembro de 1977, trabalhou na Prefeitura de Amsterdãm, mas seu contrato não foi renovado, o que a colocou na condição de desempregada. Esta situação agravou os problemas psicológicos que vinha apresentando. Em 3 de fevereiro de 1978, Terezinha foi encontrada morta sob a janela do apartamento em que residia. De sua irmã Selma Viana de Assis Pamplona: Foi presa política e torturada em Belo Horizonte/MG, não sei precisar o ano, mas foi entre 1968-72 quando tinha aproximadamente 31 anos de idade. Saiu do Brasil e foi para o Chile em fevereiro de 1973. Em setembro/73, com o golpe no Chile que derrubou o Presidente Salvador Allende, ela foi mandada para a Holanda pela ONU; inicialmente, Rotterdam e depois, Amsterdam. Em meados de 1977 ela começou a me escrever, dizendo estar se sentindo seguida sempre, pois onde estava via as mesmas pessoas (entre 2 e 4); em julho/77 saiu de férias (trabalhava na Prefeitura de Amsterdam) e fazia curso de línguas; viajou pela Rússia e países da Europa Oriental e onde chegava, (em cada cidade), encontrava aquelas mesmas pessoas. Quando voltou da viagem encontrou o seu apartamento totalmente remexido, desarrumado, fora do lugar. Observou que o seu telefone estava "grampeado" e pedia que eu não lhe telefonasse. Às vezes, quando voltava do serviço, encontrava seu apartamento remexido demonstrando ter entrado gente; começou a receber telefonemas anônimos com ameaças. Foi ficando nervosa, preocupada... Por fim, apareceu morta, caída da janela embaixo. Ocorre que ela era muito católica, tinha medo da morte. E antes de se sentir seguida, estava gostando muito de Amsterdam. De repente... Uma das pessoas que a seguia, ela ficou sabendo que se tratava de polícia secreta do Chile. Quanto aos outros ela não chegou a saber.Morreu em 2 ou 3 de fevereiro de 1978, com 36 anos." Informações prestadas por sua irmã Selma Viana de Assis Pamplona Conceição. Dossiê sobre Therezinha Viana de Assis: Therezinha Viana de Assis (22/07/41-03/02/78) Nascida THEREZINHA VIANA DE ASSIS, saiu do Brasil no início de 1973, usando o codinome Terezinha Viana de Jesus. Filha de Antonio Veriano de Assis e de Edith Vianna de Assis, nasceu em Aracaju capital do Estado de Sergipe-Brasil em 22/07/41. Fez seus estudos em sua cidade natal, concluindo o curso de Economia na Universidade Federal de Sergipe. Mudou-se para Belo Horizonte, onde fez outros cursos e era funcionária da Caixa Econômica Federal.Nesta cidade, foi militante da AP e de outras facções. Foi presa e torturada em Belo Horizonte-Minas Gerais, entre os anos de 1968 e 1972, não sabendo eu precisar o período exato que permaneceu presa e sendo torturada . Ao ser libertada e ainda temerosa de nova prisão e de outras torturas, coisas que ela não suportaria, tendo em vista os sofrimentos anteriores , dos quais foi vítima, exilou-se no Chile no início do ano de 1973, onde fez um curso de especialização na Universidade de Santiago, em nível de pós-graduação.No Chile, pelo que vim a saber por terceiros, ela militava no MIR. Em setembro de 1973, com o Golpe de Estado no Chile, do qual resultou a derrubada e morte do então presidente Salvador Allende, ela foi acolhida na condição de asilada política, pelo Governo da Holanda, chegando aquele País em fevereiro de 1974, tendo inicialmente residido em Roterdam e posteriormente mudado para a cidade de Amsterdam, onde se estabeleceu até a morte.Naquela cidade, ela se adaptou muito bem e me escrevia alegre e satisfeita com tudo: com o sucesso nos estudos, com a cidade, com o trabalho que vinha realizando na Prefeitura local na área de planejamento. Estava feliz, apesar de se encontrar na condição de asilada. Era como dizia, uma asilada privilegiada por ter conseguido um emprego. Os seus superiores imediatos na Prefeitura, também estavam satisfeitos com o seu trabalho. Tudo ia bem e ela aproveitava as folgas para conhecer outros paises da Europa. Em Amsterdam, ela prosseguindo com os seus estudos, chegou a doutorar-se na área de Economia. Em meados de 1977, nas férias de verão, ela decidiu conhecer países da Europa Oriental;e de cada cidade, de cada País, por onde passava, me escrevia, mandava fotos e postais; estava feliz, pela oportunidade de conhecer uma região, a qual sempre aspirou conhecer. Mas....tinha algo que a inquietava e ela chegou a falar em algumas correspondências. É que em cada cidade na qual chegava, sempre avistava quatro pessoas, sempre as mesmas, dando a entender, que estavam seguindo-a. Isso a inquietava muito e ela começou a ficar com medo. Retornando desta viagem para Amsterdam, ela encontrou o seu apartamento totalmente remexido, desarrumado mesmo, sinalizando que algum estranho tinha penetrado no ambiente, procurando talvez alguma coisa que ela não soube identificar. Pediu informações a algumas pessoas e ninguém soube esclarecer. Ela que já tinha começado a ficar com medo durante a viagem, começou a ficar apavorada e muito nervosa. Saía para o trabalho e quando voltava, verificava a mesma coisa: que pessoas estranhas tinham penetrado em sua residência e remexendo-a totalmente. Foi ficando nervosa....com medo de tudo e de todos e não encontrava explicações. Até que um dos companheiros asilados falou que ela tivesse cuidado, porque ele havia sido informado de que policiais do Chile e do Brasil, estavam seguindo asilados em diversos paises, inclusive na Holanda. Suspeita esta, que ela não conseguiu comprovação. Mais ou menos em setembro/outubro de 1977, ela me pediu que não mais telefonasse para ela, nem escrevesse, pois achava que havia escuta em sua linha telefônica e que as suas correspondências estavam sendo violadas. Falou que sempre que pudesse, daria notícias. Não deu mais notícias e eu fiquei preocupada. Até que no começo de fevereiro de 1978, o meu irmão mais velho recebeu a notícia do seu falecimento, com informações confusas.Ele foi a primeira pessoa da família a receber a notícia.Ela havia sido encontrada agonizando, quase morta, sobre a calçada do Edifício onde residia na cidade de Amsterdam. Foi levada, ainda com vida, para o Academische Ziekenhuis da Vrije Universiteir, onde foi operada, mas não resistiu. A queda provavelmente do 7º andar onde residia, causou-lhe fraturas de costelas e uma grande hemorragia no baço. A morte foi considerada como suicídio, sem que ocorressem investigações aprofundadas sobre o fato. Mas a Therezinha nunca se suicidaria. Em primeiro lugar, devido a sua formação religiosa a qual conservava; depois, porque estava felicíssima em Amsterdam: gostando do emprego, da atividade que vinha desenvolvendo na Prefeitura local, dos seus estudos, da cidade. Enfim, estava feliz, apesar da condição de asilada política. Foi uma morte que precisava ser apurada e os responsáveis punidos devidamente. 11 de abril de 2004 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ + Informações. Cidade Terezinha Viana de Assis recebe homenagem hoje Uma sergipana é homenageada hoje pela Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, na sessão solene que vai relembrar o Golpe Militar de 1964. É Terezinha Viana de Assis, irmã do ex-deputado e ex-prefeito... 31/03/2004 - 10:49 Uma sergipana é homenageada hoje pela Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, na sessão solene que vai relembrar o Golpe Militar de 1964. É Terezinha Viana de Assis, irmã do ex-deputado e ex-prefeito Viana de Assis. Formada em Economia em Sergipe, Terezinha foi logo depois morar na capital mineira. Após o Golpe Militar, Terezinha foi exilada para o Chile, chegando mesmo a colaborar com o governo do presidente Allende. A chegada ao poder do general Pinochet, conduziu Terezinha à Holanda e o marido à Rússia. Na Holanda, fez doutorado em Economia, mas a depressão diante de tantos acontecimentos, levaram-na à morte. Tal fato só foi comunicado à família em Sergipe algum tempo depois. O seu corpo foi cremado na Holanda. O advogado Viana de Assis assiste hoje pela manhã a solenidade na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110703/e691cd7b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 144 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110703/e691cd7b/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 4 19:59:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 4 Jul 2011 19:59:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Os_benef=EDcios_das_nozes________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________________________HOJE_?= =?iso-8859-1?q?=C9_2=BA_FEIRA!___MEDICINA=2CSA=DADE_E_ALIMENTA=C7?= =?iso-8859-1?q?=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Os benefícios das nozes A semente desse fruto de casca dura é a parte comestível que os antigos chineses já recomendavam para fazer bem ao organismo. Deliciosas, as nozes fortalecem as defesas do corpo, auxiliam na formação de glóbulos vermelhos, ajudam a curar ferimentos mais depressa, fortalecem ossos e dentes e, ainda, atuam contra o envelhecimento das células. Com tantas qualidades, desses frutos de casca dura, e põe dura nisso, o que se come é a semente e elas podem e devem entrar no cardápio todos os outros dias do ano. Mas qual é a melhor: a pecã, nacional, ou a importada? Saiba que as duas são iguais. A noz importada da Europa e da América do Norte e a pecã brasileira (aquela mais comprida e de casca lisa) têm praticamente os mesmos valores nutricionais. Na verdade, a maior parte das mudas de nogueira pecã trazidas para o Brasil nos anos 70 vieram do sul dos Estados Unidos. Elas são tão poderosas que a ingestão diária dessas 'cápsulas de saúde', mesmo em pequenas quantidades, pode evitar - acredite! - até 65% o risco de doenças do coração. Isso porque reduzem as taxas de colesterol e a formação de coágulos no sangue, além de ter ação antiinflamatória. Os responsáveis por esses benefícios são os ácidos graxos essenciais, principalmente o linolênico e o linoléico. Mais: contêm fósforo e potássio e pouco sódio, o que fortalece o músculo cardíaco. Os chineses sempre souberam das vantagens desse alimento. Como a nogueira é originária da Ásia, não é de se estranhar que um milenar ditado da região recomende comer uma noz ao dia para beneficiar o coração. Por serem ricas em antioxidantes, especialmente vitamina E e selênio, as nozes funcionam ainda como agentes de prevenção do câncer. E a mesma vitamina é importante para estimular a fertilidade masculina. Por outro lado, seus compostos chamados fitoestrogênios - aqueles encontrados também na soja - reduzem os problemas relacionados à menopausa. Além disso, o fruto é rico em cálcio, fundamental para a saúde de ossos e dentes. Quem fuma ou vive em cidades poluídas encontra no alimento um grande aliado. Os antioxidantes presentes nas nozes melhoram a resistência pulmonar e reduzem os danos das toxinas inaladas. Essas substâncias aumentam ainda as defesas contra doenças, segundo pesquisa feita na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. E não acabou: ela é um dos itens com maior teor de vitamina B6. Só o gérmen de trigo e peixes como a sardinha ou o salmão, ganham da noz nesse quesito. Essa vitamina atua no bom funcionamento do cérebro e na produção de glóbulos vermelhos. Mas ela engorda? Só para quem exagera no consumo. Para ter todos os benefícios, basta comer cinco nozes (28 gramas) ao longo do dia. Isso equivale a 193 calorias, o que é igual a duas barras de cereais. Você pode saboreá-las no café da manhã, com cereais e frutas ou batidas com leite; no almoço ou jantar, picadas na salada verde, sobre risotos, massas e molhos. No lanche, experimente misturá- las a frutas secas. É difícil encontrar outro alimento tão versátil! Prefira as nozes descascadas na hora e com sabor adocicado. As moídas antes perdem mais rápido seus nutrientes. Se o sabor for amargo, elas estão oxidadas e não devem ser consumidas Fonte: Revista Viva Saúde.. 25 grs / 162.90 Calorias NUTRIENTES qUANT. DDR (%) dENSIDADE DO NUTRIENTE CLASS. Ácidos gordos (omega 3) 2.27 g 94.6 10.4 excelente manganÉsio 0.85 mg 42.5 4.7 muito bom cobre 0.40 mg 20.0 2.2 bom triptofanos 0.05 g 15.6 1.7 bom Benefícios para a Saúde ? Afecções Cardíacas ? Colesterol ? Arteriosclerose ? Insuficiência Cardíaca Angina de Peito Afecções do Sistema Nervoso Transtornos Sexuais e Esterilidade Diabetes Aumento da Necessidade de Nutrientes (desportistas, estudantes, etc) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110704/bc31bdac/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 29096 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110704/bc31bdac/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 4 19:59:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 4 Jul 2011 19:59:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JO=C3O_CARLOS_CAVALCANTI_REIS________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________-CLXXXII?= =?iso-8859-1?q?-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOÃO CARLOS CAVALCANTI REIS (1945-1972) Filiação: Helena Cavalcanti Reis e João Viveiros Reis Data e local de nascimento: 8/8/1945, Salvador (BA) Organização política ou atividade: MOLIPO Data e local da morte: 30/10/1972, em São Paulo (SP) Baiano de Salvador, João Carlos Cavalcanti Reis cursava o quinto ano da Faculdade de Engenharia Mackenzie, em São Paulo, quando se vinculou à ALN e participou de algumas ações armadas durante o ano de 1969. Saiu do país após a onda de prisões que atingiu a organização no final daquele ano, envolvendo um seu sobrinho, Manoel Cyrillo de Oliveira Neto, participante do seqüestro do embaixador norteamericano, Charles Burke Elbrick. Depois de receber treinamento militar em Cuba, retornou clandestinamente ao Brasil, já como militante do Movimento de Libertação Popular - MOLIPO. Foi morto no bairro de Vila Carrão, na capital paulista, no dia 30/10/1972. A versão oficial anunciava que, após travar tiroteio com agentes dos órgãos de segurança, foi ferido e morreu. Os legistas Isaac Abramovitc e Orlando Brandão assinaram o óbito alegando como causa da morte lesões traumáticas crânio-encefálicas. Os familiares viram o corpo no IML, onde também se encontrava o corpo de Antonio Benetazzo, dirigente do MOLIPO morto no mesmo dia. O caixão funerário foi entregue lacrado e soldado, sob o compromisso e a recomendação de jamais ser exumado. Durante o enterro no Cemitério Gethsêmani, um agente de segurança vigiou os procedimentos da família. Antes da montagem do processo referente a João Carlos para exame na CEMDP, a denúncia que constava no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos era de que fora fuzilado na data e local informados na versão oficial. O exame dos documentos, entretanto, revelou dados novos e levou à conclusão de que a versão oficial era falsa. Pelo que foi possível reconstruir a partir de vários depoimentos, João Carlos e Natanael de Moura Girardi tinham perdido há dois dias o contato com Antonio Benetazzo. Na busca de notícias, foram à casa do militante Rubens Carlos Costa, onde Benetazzo havia sido preso dois dias antes. Instalados na casa vizinha, estavam os agentes do DOI-CODI. Natanael conseguiu escapar do cerco, mas João Carlos não. A certidão de óbito, atestada por Issac Abramovitc, anota que João Carlos Cavalcanti Reis teria falecido no dia 30 de outubro de 1972, às 19 horas. O declarante é o funcionário do DOPS Miguel Fernandes Zaniello. Abramovitc e Orlando Brandão descreveram duas lesões de entrada na cabeça: no canto externo do supercílio direito, com ferimento de saída na região occipital; e outro ferimento de entrada no canto direito da rima bucal, que fraturou os incisivos laterais direitos e saiu pela porção inferior da região occipital. Apontam ainda ferimentos no terço inferior de ambas as pernas, sem descrever a natureza das lesões ou os instrumentos que as produziram. A Requisição de Exame ao IML, encaminhada por um delegado do DOPS no dia 30 de outubro, repete o mesmo horário. No entanto, a ficha do IML encontrada nos arquivos do DOPS/SP informa que João Carlos deu entrada no necrotério às 22 horas, vestindo apenas cueca de náilon castanho e meias de algodão cinza. Considerou a maioria da CEMDP que, com certeza, não era possível que João Carlos, assim trajado, tivesse participado de um tiroteio ocorrido supostamente três horas antes da entrada de seu corpo no IML, sendo falsa a versão oficial dos órgãos de segurança. =================================================================================================================== + Informações. JOÃO CARLOS CAVALCANTI REIS Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em 08 de agosto de 1945, em Salvador, Bahia, filho de João Viveiros Reis e Helena Cavalcante Reis. Estudante do 5° ano Engenharia Mecânica da Universidade Mackenzie. Fuzilado no bairro de Vila Carrão, São Paulo, no dia 30 de outubro de 1972, aos 27 anos. Assinaram o laudo de necrópsia os médicos legistas Isaac Abramovitch e Orlando J. B. Brandão. Foi enterrado no Cemitério do Morumbi/SP por seus familiares. =========================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110704/a623389f/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6669 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110704/a623389f/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 5 20:18:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 5 Jul 2011 20:18:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ADRIANO_FONSECA_FERNANDES_FILHO_______?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CLXXXIII-?= Message-ID: <339B5EDC8C2946F3BAB4A4EC70CEFDD4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ADRIANO FONSECA FERNANDES FILHO (1945-1973) Filiação: Zeli Eustáquio Fonseca e Adriano Fonseca Data e local de nascimento: 18/12/1945, Ponte Nova (MG) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre 28/11 e 03/12/1973 Nascido de uma família presbiteriana, em Ponte Nova (MG), era o segundo filho entre cinco irmãos. Fez o curso primário nessa cidade e, aos dez anos, transferiu-se para Belo Horizonte onde estudou como interno no Colégio Batista. Fez o curso científico na cidade de Lavras (MG), no Instituto Gammon, também em regime de internato. Aos 17 anos, Adriano mudou-se para o Rio de Janeiro. As atividades no Movimento Estudantil levaram-no a reduzir a freqüência com que visitava a família, mas sempre que voltava à terra natal levava livros e orientava os irmãos. Morava num apartamento em Ipanema, que compunha uma espécie de república de estudantes, intelectuais e artistas. Trabalhava no Tribunal Super Eleitoral, além de dedicar-se ao teatro, encenando e escrevendo peças teatrais. Uma das peças em que atuou como ator foi montada no Teatro Tereza Rachel. Fez o pré-vestibular do Centro Acadêmico Edson Luís (CAEL) e foi aprovado para o curso de Filosofia da UFRJ, em 1969. O começo do curso marca também seu ingresso na militância do PCdoB. A repressão militar, a partir do AI-5, fez com que entrasse na clandestinidade. No final de 1970, início de 1971, participou da Comissão Organizadora da Juventude Patriótica, movimento criado por iniciativa do PCdoB. Viveu durante um ano e meio no sótão de um prédio antigo no Leblon. Do bairro carioca, foi para a região da Gameleira, no Araguaia, onde passou a integrar o Destacamento B, assumindo o nome Chicão e sendo conhecido também pelo apelido Queixada, devido ao queixo grande. Ângelo Arroyo registrou em seu relatório a respeito da morte de Adriano: "dia 28/29 de novembro, o grupo acampou nas cabeceiras da grota do Nascimento. Chico (Adriano) recebeu um tiro, caindo morto. Eram 17h. Em seguida, ouviram-se mais seis tiros". O relatório do Ministério do Exército diz que Adriano teria morrido em combate com as forças de segurança na guerrilha do Araguaia, onde atuava no Destacamento C. Já o relatório do Ministério da Marinha registra que ele foi "morto na região do Araguaia em 03/12/1973". O livro de Taís Morais e Eumano Silva sustenta que Adriano morreu quando caçava jabuti para alimentação dos guerrilheiros e acrescenta "Uma equipe do Exército segue pela mata por volta das cinco da tarde. O oficial comandante da missão apresenta-se como Doutor Silva. O mateiro Cícero e outro morador, Raimundo Severino, guiam a patrulha. Em uma curva do caminho, aparece um guerrilheiro. Raimundo aponta a espingarda e puxa o gatilho. Chico recebe o tiro no peito, leva a mão ao rosto e solta um gemido profundo. O lamento de dor e desespero ecoa pela mata e faz Cícero estremecer. Chico morre na hora. Orientado pelo Doutor Silva, Raimundo Severino avança com um facão na direção do corpo. A lâmina corta o pescoço e separa a cabeça do combatente. O sangue quente do comunista escorre pelo chão do Araguaia.(...) Doutor Silva manda Cícero colocar a cabeça do guerrilheiro em um saco e carregar até outro ponto da floresta. Com os nervos abalados pela cena, o mateiro tem a sensação de carregar um corpo inteiro". Já no livro A Lei da Selva, Hugo Studart aventa a possibilidade de Adriano ter permanecido vivo durante três dias, mas informa que também no Dossiê Araguaia a data da morte é 3 de dezembro. ================================================================================================================ + Informações. ADRIANO FONSECA FERNANDES FILHO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Ponte Nova, Minas Gerais, no dia 18 de dezembo de 1945, filho de Adriano Fonseca, e de Zely Eustáquio Fonseca. Desaparecido em 28 ou 29 de novembro de 1973. Era o segundo de cinco irmãos de uma família presbiteriana. Fez o curso primário numa escola particular em Ponte Nova e, aos 10 anos, transferiu-se para o Colégio Batista, em Belo Horizonte, para fazer o curso ginasial como aluno interno. Posteriormente, mudou-se para Lavras, onde fez o curso científico, no Instituto Gammon, também em regime de internato. Muito ligado à música, Adriano estudava e tocava piano desde os 5 anos. Aos 17 anos terminou o curso científico em Lavras, transferindo-se, então, para o Rio de Janeiro. Aluno brilhante do curso primário ao científico, tirava sempre os primeiros lugares nas escolas por onde passou. No período em que estudou fora, Adriano só passava, em casa, as férias. Depois que se mudou para o Rio, suas idas ficaram mais escassas. Escrevia, raramente, para a mãe. Os irmãos acreditavam que ele desenvolvesse alguma ação política pois, apesar de serem mais novos, tinham conhecimento da luta de oposição ao regime. Como gostava muito de ler e estudava Filosofia, quando ia a Ponte Nova, levava livros para os irmãos e os orientava. Pouco depois da morte de Edson Luís de Lima Souto, no Restaurante do Calabouço em 1968, Adriano foi para Ponte Nova onde ficou por 6 meses com a família. Nos períodos de férias que passava em Ponte Nova, estreitava sua amizade com o compositor e cantor João Bosco. Adriano era também muito ligado às artes plásticas, gostava de pintar e, principalmente, de fazer gravuras. Era um homem muito atraente, fino e elegante. Era muito alto, medindo 1,96 m e foi jogador de basquete, em Ponte Nova. Deve ter ido para o Rio de Janeiro por volta de 1967/1968, indo morar num apartamento em lpanema, a "república" dos intelectuais, escritores e artistas. Trabalhou no Superior Tribunal Eleitoral e se dedicou ao teatro, encenando e escrevendo peças teatrais. Uma das peças em que atuou - como ator - foi encenada no Teatro Tereza Rachel, na Praça Cardeal Arcoverde. Adriano estudou no cursinho pré-vestibular do Centro Acadêmico "Edson Luís", em 1968 e, nesse período, iniciou sua participação no movimento estudantil na luta por aumento de vagas nas Universidades. É importante destacar que o Centro Acadêmico "Edson Luís" - CAEL - foi fundado em 1968 e criado por ocasião do desmembramento da Faculdade Nacional de Filosofia - FNFI, com a criação do lnstituto de Filosofia e Ciências Sociais - IFCS. Adriano foi aprovado no vestibular no final de 1968, iniciando o curso de Filosofia em 1969. Ainda no primeiro semestre de 1969, começou sua militância política no Partido Comunista do Brasil - PC do B. Participou ativamente do movimento estudantil e, após a edição do Ato Institucional N° 5, com a intensificação da repressão, foi obrigado a entrar, em 1970, para a clandestinidade. Nesse período, foi morar num sótão, em um prédio antigo, no Leblon, com Ronald de Oliveira Rocha, seu companheiro de organização. Aí viveu durante um ano e meio. Segundo depoimento de Ronald e Myriam, que foram muito ligados a Adriano, ele era uma pessoa muito meiga, educada e amiga. Pessoa combativa que se atirava por inteiro no que acreditava. Adriano era um idealista, um humanista e sua dedicação ao Partido vinha de um vínculo profundo com a luta popular e os ideais revolucionários. Gostava muito de música popular brasileira, jazz, música erudita e, principalmente, dos Beatles. Jogava xadrez, lia muito, gostando mais de literatura e teatro do que de livros teóricos - mesmo os de Filosofia que eram de sua área. Como bom mineiro, adorava uma goiabada! No final de 1970, início de 1971, participou da Comissão Organizadora da Juventude Patriótica, movimento de frente única de jovens, criado sob a iniciativa do PC do B. Já, nessa época, abandonou o emprego por questões de segurança e por já estar vivendo como clandestino. Foi então que se colocou à disposição do PC do B para fazer um trabalho especial no campo. Em função disso, foi destacado para ir para o Araguaia, indo viver na região do Gameleira, incorporando-se ao Destacamento B, cujo comandante era Oswaldo Orlando da Costa - o Oswaldão e usando os codinomes: Chico, Queixada, Alberto e Felipe. Tinha, nessa época, 23 anos de idade.Adriano Fonseca Filho foi ferido em combate no dia 28 ou 29 de novembro de 1973, próximo à grota do Nascimento, estando desaparecido desde então. O Relatório do Ministério da Marinha diz que ele foi "morto na região do Araguaia em 3 de dezembro de 1973". ============================================================================================== + Detalhes. Adriano Fonseca Filho Adrianinho Muitos jovens ponte-novenses manifestaram-se contra a ditadura militar. Normalmente, eram estudantes que, no ambiente acadêmico dos grandes centros, conviviam com intelectuais, jovens culturas ou inteligências festejadas que se opunham ao regime arbitrário pós-64. Dentre aqueles, o mais expressivo, sem dúvida alguma, foi Adriano Fonseca Filho, Adrianinho, como era conhecido, a despeito de seu 1,96 metro de altura. Seu avô, Alexandre Fonseca, fora pioneiro da grande indústria de Ponte Nova. Tendo adquirido a Fundição Progresso, ampliara-a, com a ajuda dos filhos, até fazer dela uma das maiores indústrias da região. Seu pai, Adriano Fonseca, além do cargo de direção nas empresas da família, fizera incursões no jornalismo e militar na político partidária local. Getulista de primeira hora, filiara-se ao PTB desde sua criação, chegando o compor o Diretório Regional do partido. Com o bipartidarismo, ingressara no MDB, tendo sido eleito seu presidente em 1972. Adrianinho fora estudar no Rio de Janeiro. Lá, pelos portas do Movimento Estudantil, ingressou no Partido Comunista do Brasil-PC do B. Destacou-se como militante ativo, foi um dos fundadores da União da Juventude Patriótica e logo passou a ser procurado pela polícia política. Na clandestinidade, permanece ainda, por algum tempo, no Rio de Janeiro. O jornalista José Alexandre Fonseca descreve assim essa fase da vida de Adrianinho: "Sua principal função era expor a teoria marxista paro os companheiros de lutas, jovens estudantes, ampliar quadros e, eventualmente, fazer algum levantamento estratégico. As vezes ia bem cedo, 4 ou 5 da manhã, até cr porta de alguma fábrica, nos subúrbios do Rio, verificar condições de segurança para uma panfletagem no dia seguinte. Panfletos que ele mesmo iria redigir e muitas vezes rodar nas gráficas clandestinas, à disposição do partido". Com o advento dos focos de guerrilha, Adrianinho se entusiasma e segue para o Araguaia. Ele, como muitos dos seus companheiros de guerrilha, não tinha qualquer treinamento militar, e o sonho deles era, na realidade, uma aventura suicida. Adrianinho, ao que tudo indica, não participara sequer da "guerrilha urbana": "Nunca se soube que tivesse pegado em armas, assaltado bancos ou seqüestrado embaixadores. Era um intelectual, um teórico, cuidava de táticas e estratégias". No Araguaia, Adriano Fonseca Filho alistou-se no Destacamento "B" nas mesmas fileiras em que se encontrava José Genoíno Neto, atualmente Deputado Federal pelo PT, as quais eram comandadas por Osvaldo Orlando da Costa . Acampado com os companheiros no local conhecido como Grota do Nascimento, em novembro de 1973, Adrianinho foi surpreendido e morto a tiros por um franco-atirador, que fazia parte de uma patrulha do exército. Enterrado em local próximo, ali mesmo no meio da mata, como acontecia a todos os guerrilheiros mortos pela repressão, Adrianinho só foi legalmente reconhecido como morto, pelo Governo Federal, em 30 de janeiro de 1996 Página dedicada ao nosso Adrianinho pelo PCdoB - Clique aqui =============================================================================================== + Detalhes Correio Braziliense - Caderno C Brasília - DF Reportagem histórica Data: 09-08-2006 Jornalista Eumano Silva, co-autor de Operação Araguaia - Arquivos secretos da guerrilha, vence o Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do mercado editorial. Livro começou com série publicada no Correio -------------------------------------------------------------------------------- Sérgio Maggio, Da equipe do Correio Houve um tempo em que Eumano Silva perseguiu os fatos da guerrilha do Araguaia. Em outros períodos, a história bateu a sua porta. Até chegar ao livro Operação Araguaia - Arquivos secretos da guerrilha (Geração Editorial), que venceu o Prêmio Jabuti na categoria reportagem, o jornalista do Correio Braziliense viveu nesse vaivém. Do estudante cheio de idéias políticas na cabeça ao repórter fascinado pela investigação, Eumano sempre se debateu com o silêncio que envolvia um dos mais importantes acontecimentos relacionados à ditadura militar. Tanto que, em novembro de 2001, ao ficar diante do mateiro Cícero Pereira Gomes, descobriu que tinha em mãos uma história que daria um livro. "Esse homem testemunhou a morte do guerrilheiro Adriano Fonseca Filho. Viu ele ser decapitado. E, depois, carregou a cabeça do militante." A revelação abriu série de reportagens no Correio. É o começo de uma narrativa que culminou na publicação do livro premiado. "Na época, eu preparava uma biografia do Michéas Gomes de Almeida, o Zezinho do Araguaia", conta. ............................................................................................................................." ============================================================================================= + Detalhes. ADRIANINHO FONSECA É UM HERÓI BRASILEIRO GUERRILHEIROS DO ARAGUAIA 23/12/2010 - 07h55m - Atualizado em 23/12/2010 - 07h58m "Entre os guerrilheiros mortos (assassinados) no Araguaia estava o pontenovense Adriano Fonseca Filho, Adrianinho. Militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Nasceu em Ponte Nova no dia 18 de dezembro de 1945, filho de Adriano Fonseca e de Zely Eustáquio Fonseca". Um verdadeiro herói brasileiro, esquecido em sua terra natal" A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil por não ter punido os responsáveis pelas mortes e desaparecimentos ocorridos na Guerrilha do Araguaia e determinou a realização de todos os esforços para localizar os corpos dos desaparecidos. O Tribunal concluiu que o Estado brasileiro é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas, ocorrido entre 1972 e 1974. A sentença é de 13 de dezembro de 2010. A Corte considerou que as disposições da Lei de Anistia brasileira não podem impedir a investigação e a sanção de graves violações de direitos humanos. Para ela, "as disposições da lei são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos e não podem seguir representando um obstáculo para a investigação dos fatos do presente caso, nem para a identificação e punição dos responsáveis". A sentença da Corte Interamericana foi provocada por três ONGs brasileiras - Centro Pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro (GTNM-RJ) e Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo (CFMDP-SP) - que protestaram em nome dos familiares dos mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Entre os guerrilheiros mortos (assassinados) no Araguaia estava o pontenovense Adriano Fonseca Filho, Adrianinho. Militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Nasceu em Ponte Nova no dia 18 de dezembro de 1945, filho de Adriano Fonseca e de Zely Eustáquio Fonseca. Em dezembro de 1973 quando procurava jabutis na mata para alimentação de um grupo de oito guerrilheiros, foi abatido numa emboscada militar, morrendo na hora. Decapitado por ordem do comandante do pelotão, sua cabeça foi transportada para Xambioá, como prova da morte do guerrilheiro no meio da selva. Seu corpo nunca foi encontrado. O relatório oficial da Marinha informa a data de sua morte como 3 de dezembro de 1973. É dado como desaparecido político. Por incrível que pareça Adriano Fonseca Filho/Adrianinho, que tinha quase dois metros de altura, não tem sua memória imortalizada com nome de Rua, Praça ou Avenida em Ponte Nova. Ele estudou Filosofia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), era amigo do cantor e compositor João Bosco, outro ilustre pontenovense. A memória de Adrianinho está perpetuada no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, pois empresta seu nome a ruas no bairro Paciência e Braúnas. Depois da decisão da Corte da OEA, ocorrida no último dia 13 de dezembro, fiquei pensando: porque políticos e magistrados brasileiros (STF) insistem em querer esconder as atrocidades dos torturadores da época da Ditadura? Têm medo de quê? Quem comete crime tem que pagar. Ainda mais crime de tortura, que pelas leis de estado, é imprescritível. Minha inquietação aumentou ontem, quando veio esta notícia: "A Justiça da Argentina sentenciou na tarde desta quarta-feira à prisão perpétua o ex-ditador Jorge Videla por crimes de lesa-humanidade durante o período em que esteve à frente da ditadura no país, entre 1976 e 1981, como comandante militar. De acordo com o jornal argentino "Clarín" outro importante líder da ditadura no país, Luciano Menéndez, que atuou como ex-chefe militar, também recebeu a mesma sentença. Os dois eram acusados pelo assassinato de 31 presos políticos numa prisão de Córdoba". No depoimento final de 49 minutos que leu pausadamente, o ex-ditador, de 85 anos, disse que assumirá "sob protesto a injusta condenação que possam me dar". A promotoria havia pedido, em novembro, a pena de prisão perpétua para Videla, que, no dia 24 de março de 1976, comandou um golpe que instaurou uma ditadura que deixou 30 mil desaparecidos, segundo entidades humanitárias. Aqui ao lado, no Cone Sul, um ditador sanguinário é condenado à prisão perpétua e avoca para si a glória de ter assassinado centenas de pessoas: "Reclamo a honra da vitória e lamento as seqüelas. Valorizo os que, com dor autêntica, choram seus seres queridos, lamento que os direitos humanos sejam utilizados com fins políticos". Autor: Ricardo Motta ============================================================================================= + Detalhes. Cortando cabeças no Araguaia Eumano Silva, no Correio Braziliense Ex-guia de soldados na selva amazônica revela a crueldade dos métodos utilizados pelos militares para subjugar guerrilheiros. O medo contabiliza três décadas entre os moradores do Sul do Pará e do Norte do Tocantins. No palco da Guerrilha do Araguaia, a população ainda carrega o trauma do tempo em que o Exército, ajudado pela Marinha e pela Aeronáutica, combateu militantes do PC do B. Foram necessários quase três anos de luta sangrenta, entre abril de 1972 e janeiro de 1975, para cerca de dez mil soldados derrotarem 69 comunistas. Os governos dos presidentes Emílio Garrastazzu Medici e Ernesto Geisel mantinham o povo alheio ao que acontecia nas duas margens do rio Araguaia. A crueldade dos métodos usados pelos militares para obter informações sobre os guerrilheiros, porém, não sai da memória dos habitantes da região. Durante duas semanas, a equipe do Correio percorreu cerca de quatro mil quilômetros em busca de pessoas que aceitassem romper o silêncio para contar o que se passou na época da guerrilha. O resultado foi a coleta de dezenas de depoimentos estarrecedores. As pessoas eram proibidas de sair de suas casas nas cidades e as mulheres não podiam andar sozinhas porque temiam ser atacadas por soldados. Atrocidades Velhos camponeses contaram com exclusividade como o Exército torturou e matou guerrilheiros e camponeses sem qualquer respeito à Convenção de Genebra, o regulamento internacional das guerras. Muitas vítimas não tinham qualquer relação com militantes do PC do B. As atrocidades narradas pelos sobreviventes parecem não ter limites. Em troca de recompensas financeiras oferecidas pelo governo federal, os militares apresentavam cabeças cortadas de guerrilheiros mortos. Cemitérios clandestinos foram criados e ainda hoje os familiares das vítimas não sabem onde elas foram enterradas. Cícero Pereira Gomes, 68 anos, foi levado ontem pelo Correio à Comissão de Direitos Humanos da Câmara para contar o que viu durante os dois anos e três meses em que serviu de guia para o Exército. Tem medo de morrer por causa das revelações que fez. Ao contrário dos guerrilheiros - em grande parte provenientes da classe média das grandes cidades -os camponeses nunca tiveram quem reclamasse por seus mortos e torturados. Agora, o Brasil começa a tomar conhecimento do que se passou com aquele povo que vive às margens do Araguaia. É a visão dos que foram obrigados a trabalhar para os vencedores. Cícero Pereira Gomes, hoje com 68 anos, tinha uma posse de terras na região de São Geraldo, no sul do Pará, quando recebeu a visita do Exército em outubro de 1973. ''Os soldados disseram para eu avisar toda vez que visse um guerrilheiro'', contou Cícero em depoimento exclusivo ao Correio na semana passada. ''Sou pai de família e tive de fazer o que eles mandaram''. Na segunda vez que levou notícias aos militares, foi convocado para trabalhar como mateiro, nome usado para designar a função de guia na selva amazônica. O Exército estava à procura de militantes do PC do B embrenhados na selva e empenhados em fazer uma guerrilha para derrubar o governo dos generais com o apoio da população rural. Durante dois anos e três meses, Cícero ficou à disposição do Exército. ''Vi tanta sujeira que nunca mais vou me esquecer'', afirmou o lavrador, agora aposentado. ''Morro e não acaba essa paixão''. Tortura No relato feito em várias conversas, Cícero afirmou que perdeu a conta das vezes que viu moradores da região serem torturados para dar informações sobre os guerrilheiros. Fornecer qualquer tipo de ajuda aos comunistas era considerado um crime sem perdão. ''Apanhavam com tala de coco, que faz o couro murchar para dentro, até ficar inchados e, se morriam, eram jogados no mato'', afirmou o camponês. Uma das práticas mais comuns, segundo a testemunha, era afundar a cabeça dos lavradores em tambores de duzentos litros cheios de água. Outra, era pendurar pelos órgãos sexuais os suspeitos de ajudar os comunistas. Os testículos de um deles teriam ficado com meio metro de comprimento. ''Isso aconteceu com o Zé Novato, e eu não sei como ele resistiu.'' Cícero diz que perdeu a conta das vezes que viu moradores da região serem torturados para dar informações sobre os guerrilheiros. Fornecer qualquer tipo de ajuda aos comunistas era considerado um crime sem perdão. José Novato ainda é vivo, mora em São Geraldo, mas recentemente sofreu um derrame e não pôde dar entrevista ao Correio. Cícero disse estar muito doente, com uma dor no peito que não sabe do que se trata. ''Não quero morrer com esse peso na consciência, sem contar tudo o que vi.'' No trecho mais assustador de seu depoimento, contou como assistiu à morte e decapitação do guerrilheiro Adriano Fonseca Fernandes Filho, conhecido como Chicão ou Queixada. ''Ele foi morto por Raimundinho com um tiro de espingarda no peito, a mando do tenente que comandava a operação'', afirmou Cícero. ''Quando recebeu a bala, o Chicão botou a mão na cara e deu um gemido doído que até hoje parece que eu escuto.'' O atirador era um morador da região, segundo Cícero, e o tenente dizia se chamar Dr. Silva. ''Depois, o mesmo Raimundinho cortou a cabeça do Chicão'', afirmou. ''Ajudei a carregar a cabeça dele num saco pelo meio da mata'', destacou o ex-guia do Exército no Araguaia. ''Pesava tanto que até parecia um corpo inteiro''. Seguindo as indicações de Cícero, o Correio tentou encontrar Raimundinho, um camponês, mas o homem acusado de matar Adriano não foi localizado. Cícero conta que assistiu a tudo com uma espingarda na mão e um pé apoiado num toco. Isso teria acontecido no final de novembro de 1973. Cabeça a prêmio O guerrilheiro Adriano Fonseca era mineiro de Ponte Nova. Cursou Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e participou do movimento estudantil no final dos anos 60. Em 1971, mudou-se para a região da Gameleira, às margens do rio Araguaia. ''Ouvi dizer que a cabeça dele valia 5 mil cruzeiros em Brasília.'' Nas conversas com o Correio, o ex-mateiro diz nunca ter tirado a vida de ninguém. ''O Exército me mandou matar muita gente, mas cansei de brigar com eles porque eu não estava lá para isso'', afirmou Cícero. Numa ocasião, tentou evitar que o guerrilheiro Daniel Callado continuasse apanhando. Estirado no chão, Daniel recebia murros e pontapés dos soldados. ''Eu falei para o Curió que, se o homem merecia morrer, que morresse, mas que não deveria sofrer daquele jeito'', disse Cícero, referindo-se a Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió, um dos comandantes da repressão militar ao movimento armado do Araguaia. Ex-deputado federal, hoje o Major Curió é prefeito de Curionópolis, cidade localizada no Sul do Pará, próxima ao garimpo de Serra Pelada e batizada em homenagem a ele. Daniel Callado nasceu em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e foi preso pelo Exército no final de 1973. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110705/0369c296/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15843 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110705/0369c296/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 5 20:18:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 5 Jul 2011 20:18:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Direito_a_mem=F3ria=2C_a_verdade_?= =?iso-8859-1?q?e_a_justi=E7a=3B_dez_pontos_sob_reflex=E3o?= Message-ID: <3F912AF9D63C4728A3E7122DAA1A70C1@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Direito a memória, a verdade e a justiça; dez pontos sob reflexão Sérgio Muylaert* Não se justifica a inquietude que embaraça e impede a solução definitiva para o tema da memória e da verdade. Trata-se de um direito clássico para as conquistas que devem pavimentar o futuro das nações e dos povos e que aperfeiçoa o rol dos direitos humanos por meio da proclamada justiça de transição. O clamor contra todas as formas de violência surge de todos os lados da sociedade brasileira e não há como retardar a iniciativa cujo escopo é a efetivação de um direito indisponível do povo brasileiro, conforme reiteram os especialistas. O esforço da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, ao promover Audiências Públicas nos dias 29 e 30 de junho constitui avanços substanciais e a relutância é desarrazoada. Será de extrema valia a releitura do ensaio "Raízes da violência" para mostrar os fatos com absoluta atualidade. Com efeito, o pensador e filósofo Roland Corbisier, em 1986, tingiu o horror institucionalizado em sua total dramaticidade ao dizer que a violência tornou-se o nosso pão quotidiano. 2- Sob o foco dos clamores acessos o debate é serenado com a lucidez irretocável do texto "E agora, Brasil", onde o jurista Fabio Konder Comparato passa a limpo os fatos da história do país para referir recente condenação explícita do Estado brasileiro, na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Impõe-se a passagem do voto pronunciado por Roberto de Figueiredo Caldas, juiz "ad hoc" da referida Corte Interamericana, em final do ano de 2010. Nos fundamentos apresentados para sua decisão o juiz Caldas robustece a pretensão de justiça com a qual a interpretação da CIDH se harmoniza com os propósitos do projeto de lei n° 7.376/2010, remetido pelo poder executivo ao Congresso Nacional, que propõe a criação da Comissão Nacional da memória e verdade. Por mais esta razão pesa o voto do juiz Caldas em cujo item conclusivo se reafirma solenemente que: "a Justiça age de forma igualitária na punição de quem quer que pratique graves crimes contra a humanidade, de modo que a imperatividade do Direito e da Justiça sirvam sempre para mostrar que práticas tão cruéis e desumanas jamais podem se repetir, jamais serão esquecidas e a qualquer tempo serão punidas". 3- Será preciso lembrar? Após 47 anos, a mega-operação militar contra o governo constitucionalmente eleito, contou com a colaboração de setores civis e com o destacado apoio da mídia, para a ostensiva colaboração com o golpe e, nos fatos que antecederam o movimento das tropas em 1964, já o governo Goulart, quando democraticamente constituído, viu-se forçado a travar queda de braços com o conservadorismo dominante em razão da constante hostilidade de grupos econômicos e de interesses privados. 3- Será preciso lembrar? Para que o movimento armado chegasse a usurpar o controle do Estado brasileiro o feitio das práticas adotadas se deu mediante atos de força e estes não se convalidam a luz da doutrina constitucionalista. Ao contrair formas de violência institucionalizada por meio dessas ações, de forma sistemática e por escolha deliberada e sob o comando autorizado, o Estado brasileiro perpetrou a negação dos princípios da ordem jurídica do próprio Estado Liberal e, portanto, os efeitos desses atos delituosos se ressentem de tipificação, desde seqüestro, aprisionamento, tortura, estupro e sevícias, bem como, desaparecimento forçado de pessoas, práticas redundantes e condenáveis, seja pelo direito penal quer pelo direito Internacional. 4- Será preciso lembrar? No escopo de positivar estas ações diversos instrumentos desde os Atos institucionais e regulamentos complementares foram utilizados na extensão do nosso direito interno para ampliação dos poderes, ao arrepio da Carta Política de 1946. Cumpre em qualquer tempo, sob a égide do Estado de direito assegurar aos autores dessas práticas o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, sob pena de se tornar esta mesma ordem jurídica destituída de eficácia. Em síntese, a tentativa de obstrução ao projeto de lei contrasta, por certo, com a honradez das instituições públicas nacionais. Contudo, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, enquanto órgão máximo judiciário do sistema de proteção para interpretar e aplicar as normas ditadas pela OEA deixa patente, a partir da sentença proferida no caso Lund VS República Federativa do Brasil, a ausência de prerrogativas dos autores por estas práticas e atentados aos direitos humanos. 6- Será preciso lembrar? Os tratados e convenções de direito internacional, bem assim, a doutrina moderna e a jurisprudência das cortes internacionais, repelem os crimes de lesa-humanidade e não conferem aos delitos de natureza conexa os benefícios que aos praticados contra o Estado, na forma como interpretou o STF na ADPF n° 153. O instituto jurídico da anistia política, portanto, não se compadece da figura do "perdão" exceto para as vítimas das perseguições políticas desenvolvidas pelo Estado. 7- Não se permite a luz do direito vigente fonte interpretativa que materialize a auto-exculpação ou a auto-anistia, razão pela qual o Estado brasileiro, ao conceder anistia política na forma da Lei n° 10.559, de 2002, proclama a reparação com o correspondente pedido de desculpas aos indivíduos que sofreram perseguição política. 8- Diante de atitudes que desrespeitam fatos públicos e notórios é preciso, ainda, revisar posição em que certos órgãos dos meios de comunicação do setor privado contrapõem notícias desavindas. Agora mesmo se reafirma que a Comissão da Memória e da Verdade esteja a servir de instrumento polêmico de discordâncias, no que admitem por intocável a realidade ocultada. A idéia sob a qual se diz que a iniciativa do projeto de lei n° 7.376/2010 promove o acirramento de ímpetos é, por inteira, falaciosa, tendente a extirpar do significado do projeto a essência dos termos memória e verdade e assim anular o seu claro objetivo cujos fins são proclamados pelo estado de direito democrático. 9- A tratativa que visa a sobrepor ao interesse público os interesses privados, como seja a de ocultação dos fatos, presta-se a confundir o objeto do esquecimento como sinônimo de "anistia". Vale lembrar a fala do ex-presidente e membro honorário do Conselho Federal da OAB, Dr. Cesar Britto, para quem o termo "anistia" não é amnésia. 10- Em que pesem relutâncias ao projeto de lei o alcance dos direitos humanos não permite que no Estado democrático de direito prepondere qualquer descompasso ou descaso. Esses direitos se orientam e se reafirmam mediante o III Programa Nacional de Direitos Humanos para a consolidação da ordem republicana. Com isto, iniciativas para a interdição dos direitos humanos não devem postergar o projeto de reconstituição da memória nacional, verdadeiramente, com justiça. Sérgio Muylaert - Advogado em Brasília; membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros; vice presidente da Comissão de Anistia (2004-2008); ex-membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB e presidente da Asociación Americana de Juristas, (ala fundadora da AAJ - Brasília/DF) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110705/3168f256/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 5 20:18:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 5 Jul 2011 20:18:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_A_Hist=C3=B3ria_Oculta_do_Sionismo?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: ana silveira "Vinde, filhas de Sião, contemplar..." e conhecer a verdade real. Saudações! Ana Maria "A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas" Stylianos Tsirakis* Revista Teoria & Debate Ralph Schoenman foi diretor-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel, papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Foi também fundador e diretor da Campanha de Solidariedade ao Vietnã e diretor do Comitê "Quem Matou Kennedy?". Tem sido co-diretor do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos. T&D - Em seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Nós gostaríamos que você explicasse um pouco seu livro. Schoenman - O meu trabalho na Fundação Bertrand Russel foi importante por me dar a chance de documentar fatos da formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e européias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objetivos e de vários fatos. Nessas ocasiões deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual eu abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel. T & D - Quais são esses quatro mitos? Schoenman - O primeiro mito é o da "terra sem povo para um povo sem terra". Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e onde essa população trabalhava. T & D - Quais os outros três mitos? Schoenman - O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade. Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelenses ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina. Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista. A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais. O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais. O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense. O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se "alimentado" da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas. Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar oestablishment, o statu quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários, como o dos mares na Rússia, que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas. T & D - Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazistas? Schoenman - Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas. *Stylianos Tsirakis é arquiteto.Revista Teoria&Debate nº 5 - POSTADO POR GEORGES BOURDOUKAN http://blogdobourdoukan.blogspot.com/ -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110705/8160c456/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jul 6 19:32:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 6 Jul 2011 19:32:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Reintegra=E7=E3o_de_posse_no_Jard?= =?iso-8859-1?q?im_Aeroporto_gera_confronto?= Message-ID: <48376E22830648079D0460727D082B3B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Essa é a "California Brasileira" dos canaviais, dos ricos e doutro lado uma população marginal, favelada, sem-teto que é tratada na porrada, na violência. Isso é Ribeirão Preto, uma parte do Brasil. a.. Reintegração de posse no Jardim Aeroporto gera confronto www.orlandiaonline.com.br/index.php?option=com... 4 jul. 2011 - De acordo com o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Vanderlei Caixe de Filho, já existe ordem judicial para a reintegração. ... a.. YouTube - Reintegração de posse no Jardim Aeroporto gera confronto ... www.youtube.com/watch?v=tdfvkvrdB4I6 min - 17 horas atrás - Vídeo enviado por rone100theone O representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Vanderlei Caixe de Filho , foi atingido por um tiro na perna. ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110706/8c53d869/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 186 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110706/8c53d869/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 7 08:48:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 7 Jul 2011 08:48:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Advogado_agredido_durante_reintegr?= =?iso-8859-1?q?a=E7=E3o_diz_que_PM_est=E1_despreparada?= Message-ID: <23C4A5F733714088A48708F36AC6E95F@vcaixe> a.. Quinta-Feira, 7 de Julho de 2011 Advogado agredido durante reintegração diz que PM está despreparada OAB encaminhará representação à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República 06/07/2011 - 18:51 Da redação O advogado afirmou que se dirigiu ao pelotão da PM para pedir calma enquanto as pessoas saiam dos barracos. Ao retornar para ajudar as famílias que estavam no local, Vanderlei Caixe Filho ouviu uma explosão e sentiu que foi atingido por uma bala. "Essa ação mostra a falta de preparo da Polícia Militar em situações como essa. O excesso na ação que foi desnecessário. Nenhum morador estava revidando de forma semelhante", afirma. Outro membro da comissão foi atingido por uma bala de borracha, informou Vanderlei Caixe Filho. Segundo ele, o advogado Paulo Merli Franco levou um tiro na mão, após se identificar à Polícia Militar. O advogado e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Vanderlei Caixe Filho, afirma que a Polícia Militar de Ribeirão Preto está despreparada para alguns tipos de ações. Ele foi atingido por uma bala de borracha na perna direita durante a reintegração de posse que ocorreu nesta terça-feira (5), na Favela da Família, no Jardim Aeroporto. OAB A Ordem dos Advogados do Brasil de Ribeirão Preto encaminhará uma representação à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República comunicando sobre a atuação da Polícia Militar no cumprimento da reintegração de posse. O documento cita que dois advogados que representam a Comissão de Direitos Humanos da OAB foram atingidos por balas de borracha. O diretor da OAB Daniel Rondi pede esclarecimento do ocorrido ao Ministério da Justiça e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. "O respeito e a dignidade humana ultrapassam as fronteiras de Ribeirão Preto, inclusive com reflexo direto na comunidade internacional", diz Rondi. Não foi registrado boletim de ocorrência e segundo a OAB, a Polícia Militar apura o caso por iniciativa própria. PM A Polícia Militar disse que o uso da força em ações de choque é previsto e estudado. De acordo com o 1º Tenente Antônio Gustavo Campos Rivoiro, a ação foi positiva, com a posse sendo reintegrada ao proprietário, sem lesionados graves. "O procedimento foi normal. Em nossa programação isso é previsto, as lesões ocorridas são sem gravidade, geralmente nas costas. Não houve quebradura de ossos ou pancadas na cabeça", diz. a.. Área desapropriada será loteamento habitacional, afirma advogado b.. "Assistentes sociais estão perdendo tempo", afirma líder comunitário c.. Desfavelados contam com solidariedade para passar a noite e comer d.. Uso de força em retirada de favela foi normal, diz PM e.. Moradores retirados de favela ocuparam área em campo de futebol f.. Vagas na Cetrem são descartadas pelos desabrigados g.. Moradores montam abrigo provisório próximo à favela h.. Reintegração de posse no Jardim Aeroporto gera confronto -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/png Size: 7089 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110707/dce4ca1b/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13054 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110707/dce4ca1b/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1960 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110707/dce4ca1b/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 7 20:04:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 7 Jul 2011 20:04:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__LUCIMAR_BRAND=C3O_GUIMAR=C3ES_______?= =?iso-8859-1?q?________________________________________-CLXXXIV-?= Message-ID: <7B66EC5CAF2144D293A8C037FBBE568F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LUCIMAR BRANDÃO GUIMARÃES (1949-1970) Filiação: Maria Dinah Guimarães e Leovegildo Guimarães Data e local de nascimento: 08/02/1949, Lambari (MG) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 31/07 /1970, Belo Horizonte (MG) Lucimar Brandão Guimarães foi militante do PCB, de onde saiu para a dissidência chamada Núcleo Marxista Leninista (NML) e, posteriormente, ligou-se à VAR-Palmares. Passou sua infância em Lambari, no sul de Minas Gerais, onde nasceu. No Rio de Janeiro, foi líder estudantil secundarista, estudou no Colégio Pedro II e participou da Juventude Estudantil Católica. Em fins de 1969, foi morar em Belo Horizonte (MG). Foi preso na capital mineira no dia 26/01/1970, no apartamento onde residia, na avenida Augusto de Lima. Foram presos também Augusto Cezar Sales Galvão, Fortunato da Silva Bernardes e José Roberto Borges Champs. Lucimar foi visto pelos companheiros quatro dias depois da prisão, quando chegava escoltado à penitenciária Magalhães Pinto, em Ribeirão das Neves (MG). Morreu, aos 21 anos, no dia 31/07/1970, no Hospital Militar de Belo Horizonte, onde teria definhado desde março. Pela versão oficial, a morte foi atribuída a ferimentos sofridos por ocasião de um grave acidente ocorrido com o veículo policial que o transportava e que teria capotado. Essa mesma notícia foi repassada aos companheiros de prisão pelo capitão da PM Pedro Ivo Gonçalves Ferreira, em março de 1970. Em depoimento, José Roberto Borges Champs afirma que esteve com Lucimar no Presídio Magalhães Pinto, sendo que em 28 de janeiro ele foi levado pelos agentes. Decorrido algum tempo, o capitão Pedro Ivo Gonçalves Ferreira compareceu ao presídio exclusivamente para percorrer as celas e comunicar que Lucimar havia sofrido ferimentos graves em conseqüência de acidente ocorrido com a viatura policial que o transportava. José Roberto afirmou ainda que, em março do mesmo ano, quando estava no quartel do 8º Batalhão de Guardas da PM, um sentinela lhe contou ter visto Lucimar agonizando, no Hospital Militar, e que ficara impressionado ao saber sua idade, 21 anos, pois imaginara que tivesse mais de 60. Dessa forma, descrevia o quanto era precário o estado físico em que Lucimar se encontrava, coberto de hematomas e imobilizado por estar com a coluna quebrada. A mãe de Lucimar, ao visitar o filho no hospital após o acidente, no qual também se feriram policiais, soube que ele sofrera sevícias. Relatou que tentara transferi-lo para outro hospital, o que considera poderia ter salvado sua vida. O relator votou pelo deferimento do processo, havendo pedido de vistas após voto em contrário. O pedido de vistas de Paulo Gustavo Gonet Branco pretendeu possibilitar que dois integrantes da CEMDP, ausentes na reunião, também votasem, conforme a praxe observada de evitar que assuntos polêmicos fossem decididos sem o voto de todos os membros do colegiado. Ao acompanhar o voto anterior, Gonet se deteve em examinar se a morte fora ou não por causa natural, conforme os preceitos da Lei nº 9.140/95, concluindo que o acidente causador da morte, conforme a versão das próprias autoridades, se deu durante remoção em veículo policial de um presídio a outro, o que caracteriza claramente o conceito de dependência policial ou assemelhada. ============================================================================================================= + Informações. LUCIMAR BRANDÃO GUIMARÃES Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA (VAR-PALMARES). Nasceu em Lambari, sul de Minas, no dia 31 de julho de 1948, e filho de Leovigildo Guimarães, onde passou sua infância, . Estudou no Colégio Pedro II, participou da Juventude Estudantil Católica -JEC - e foi líder estudantil secundarista no Rio de Janeiro. Militante do PCB, de onde saiu para uma dissidência chamada Núcleo Marxista Leninista - NML - e, posteriormente, filiou-se à - VAR-Palmares. Saiu do Rio de Janeiro em fins de 1969, indo morar em Belo Horizonte no apartamento 1603 do edifício Araguaia, Avenida Augusto de Lima n° 136 - Centro. Usava os codinomes de Calixto e Antunes que acabaram virando Calixto Antunes, no momento de sua prisão, em Belo Horizonte. Foi preso no dia 26 de janeiro de 1970, no apartamento onde residia, com os companheiros José Roberto Borges Champs, Antônio Orlando Macedo Ferreira, João de Barros e Artur Eduardo Consentino Alvarez. Foi visto pela última vez pelos seus companheiros quatro dias depois de sua prisão, quando chegava escoltado à penitenciária Magalhães Pinto, em Neves. Submetido a torturas teve a coluna vertebral quebrada, o que o manteve deitado até sua morte, no dia 31 de agosto de 1970, no Hospital Militar de Belo Horizonte. Os companheiros de Lucimar souberam, através de carcereiros, na época, que ele definhou no Hospital Militar no período de março a agosto. Sua morte foi atribuída a ferimentos sofridos por ocasião de um grave acidente ocorrido com o veículo que o transportava e que teria capotado, segundo nota oficial dos órgãos de segurança. Essa mesma notícia foi repassada aos companheiros de prisão pelo Capitão PM, Pedro Ivo, em março de 1970. A denúncia de sua morte, sob torturas, foi feita no boletim de março de 1974 pela Anistia Internacional. =========================================================================================== + Detalhes. Desaparecidos Políticos a Partir de 1964 Lucimar Brandão Guimarães Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA (VAR-PALMARES). Nasceu em Lambari , sul de Minas, no dia 31 de julho de 1948, e filho de Leovigildo Guimarães, onde passou sua infância, . Estudou no Colégio Pedro II, participou da Juventude Estudantil Católica -JEC - e foi líder estudantil secundarista no Rio de Janeiro Militante do PCB, de onde saiu para uma dissidência chamada Núcleo Marxista Leninista - NML - e, posteriormente, filiou-se à - VAR-Palmares. Saiu do Rio de Janeiro em fins de 1969, indo morar em Belo Horizonte no apartamento 1603 do edifício Araguaia, Avenida Augusto de Lima n° 136 - Centro. . Usava os codinomes de Calixto e Antunes que acabaram virando Calixto Antunes, no momento de sua prisão, em Belo Horizonte. Foi preso no dia 26 de janeiro de 1970, no apartamento onde residia, com os companheiros José Roberto Borges Champs, Antônio Orlando Macedo Ferreira, João de Barros e Artur Eduardo Consentino Alvarez. Foi visto pela última vez pelos seus companheiros quatro dias depois de sua prisão, quando chegava escoltado à penitenciária Magalhães Pinto, em Neves. Submetido a torturas teve a coluna vertebral quebrada, o que o manteve deitado até sua morte, no dia 31 de agosto de 1970, no Hospital Militar de Belo Horizonte. Os companheiros de Lucimar souberam, através de carcereiros, na época, que ele definhou no Hospital Militar no período de março a agosto. Sua morte foi atribuída a ferimentos sofridos por ocasião de um grave acidente ocorrido com o veículo que o transportava e que teria capotado, segundo nota oficial dos órgãos de segurança. Essa mesma notícia foi repassada aos companheiros de prisão pelo Capitão PM, Pedro Ivo, em março de 1970. A denúncia de sua morte, sob torturas, foi feita no boletim de março de 1974 pela Anistia Internacional. =================================================================================================== + Detalhes. Lucimar Brandão Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Lucimar Brandão Cidade: (onde nasceu) Lambari Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 31/7/1948 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Juventude Estudantil Católica JEC Brasil Núcleo Marxista Leninista NML Brasil Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Nome falso: (Codinome) Calixto, Antunes, Calixto Antunes Prisão: 26/1/1970 Belo Horizonte MG Brasil em casa Morto ou Desaparecido: Morto 31/8/1970 Belo Horizonte MG Brasil Hospital Militar Segundo boletim de março de 1974 da Anistia Internacional, morreu em decorrência das torturas. A versão oficial indicava morte em grave acidente de carro. Clandestinidade -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110707/c6ae77c6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12517 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110707/c6ae77c6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 7 20:05:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 7 Jul 2011 20:05:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Poema em homenagem ao companheiro Silva. "Companheiro Silva" por Crispiniano Neto Message-ID: <96D6FC415D244618BBEF8D25EF7B8605@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Companheiro Silva I Os olhos de águia de um visionário Conduziram os pés de um bom nordestino, Homem decidido, guerreiro menino, Fugindo ao flagelo latifundiário Em busca da força do chão proletário, No sonho de ver brotar desse chão O sonho distante da libertação Em plena tragédia de uma ditadura, A alma focando entre a noite escura O sonho de luz da nova nação! II Mais um, entre tantos, que vêm do Nordeste; Mais um entre os "silvas" que sonham silvar O grito de guerra de se libertar; Mais um em milhões de "cabras da peste", A quem este sonho de luta reveste O corpo sofrido, a alma e a mente, Mas aquele SILVA, era diferente E entre os milhões, aquele era um... Que regava o chão da vida comum Do qual sua vida tornou-se semente! III E quando saiu, aos quatorze anos, Do lúdico viver do seu Garanhuns Sonhava que o mundo, que era de alguns, Pudesse ser pátria de todos "hermanos"; Um chão sem fronteiras e sem soberanos, Mundo sem vassalo nem empregador, Sem pobre explorado, sem rico opressor, Sem choros de fome nem banquetes nobres Sem podres de ricos nem podres de pobres Sem: "Não, miseráveis"... E nem: "Sim, senhor"! IV Foi para o Recife, lugar de histórias, Espaço de luta, sangue e consciência, De guerras da pátria pela independência, De gentes rompendo com a dor das escórias, De escravos quebrando troncos, palmatórias, De frades querendo o céu entre nós, Ligas dividindo os chãos "brogodós", Homens caranguejos rompendo com a lama, Poetas lutando com fama ou sem fama Mas com a liberdade na letra e na voz! V Já chegou fazendo luta estudantil, Montando um congresso de secundaristas E já se integrando com os comunistas Históricos e bravos heróis de um Brasil Que tinham enfrentado tortura e fuzil Que vinham tirando a história do escuro, Escoando o mangue, varrendo o monturo Ocupando feudos, alfabetizando, Com greve e cultura, conscientizando, Cimentando as bases, forjando o futuro!... VI Veio "meia quatro", primeiro de abril; A luz se apagou, os tanques rolaram; Baionetas caladas a muitos calaram... O silvo de SILVA se ouviu no Brasil; Sem medo de grade, de algema e fuzil, Imberbe Quixote sem treino e canhão A história na frente, as flores na mão, Peitando os moinhos da máquina de guerra, Que grita, que prende, que arrebenta e berra Que rasga de vez a Constituição! VII As vozes veladas vigoram sem vez Pelas catacumbas das noites e pontes, Buscando encontrar as veias e fontes Da mesma corrente que a luta já fez... Mas eis que o canhão, em prol do burguês, Não dorme nem deixa que alguém durma em paz Às ligas, desliga, arrasta a Arraes, Paulo Freire preso nas mãos da polícia E o povo vetado de ler a notícia: Gregório ralando na forca voraz... IX Doces damas belas perfumam salões Comemora a cana banhada em whiskie; Nos canaviais quem quer que se arrisque Amarga o cambão, chibatas, prisões; Homens gabirus, deuses tubarões, A modernidade marchando pra trás, Soldados e cabos penando no cais, Os barões em festa, o povo em ruínas, Vidas se virando, mortes severinas Ontem coronéis, hoje generais... X E SILVA se viu servindo de caça, Não tinha lugar na grande cidade, Restava somente a clandestinidade A vida distante da vida da massa; Pra não sucumbir tinha que ter raça Que o leviatã queria engoli-lo Vivia a espreitar-lhe, estava a segui-lo Pra dar-lhe o exílio, a grade ou a tumba Restando sussurro, fuga e catacumba A luta truncada e a vida em sigilo. XI Logo a estudantada sentiu-se isolada Pois viu que as palavras de ordem e as flores Não iam barrar canhões opressores E uniu-se à esquerda reorganizada... Pra classe operária trazer pra jornada Que é lá onde está quem produz riqueza, Que dá o poder à nata burguesa E qualquer mudança real, libertária... Teria que vir da mão proletária Que tinha o papel de virar a mesa! XII E SILVA botou a cara de fora Foi para o SENAI pra ser soldador, Queria de fato ser trabalhador Sentindo na pele a unha que explora... Onde a 'Lei do Cão', não há, mas vigora, Onde a ditadura em nada é sutil. Por que o patrão é como um fuzil Com a mira apontada para a consciência... E ele foi sentir toda a prepotência Do solo minado da tal PROFERTIL. XIII Mas logo estaria mau visto e marcado; Caçado sem trégua, sendo perseguido Dizeres gravados, caminho seguido, Processos abertos, o nome fichado; Seu grupo de luta, antes tão fechado, Com gente caindo, na grade ou tombando, Dedos muito duros sempre lhe apontando, Dentes muito agudos sempre escancarados, Olhos muito atentos, sonhos mapeados E os poucos espaços todos se estreitando. XIV Em meio às certezas de tanta incerteza Da desigualdade cruel da peleja, Chegou-lhe o socorro da mão da igreja Tirando-o pra longe da área indefesa... Chegando a São Paulo, nenhuma surpresa, De novo a batalha e a perseguição, A luta operária, a organização, Disfarces enormes pra ter-se um emprego E o sindicalismo em mãos de pelego Tinha que ser feita a oposição. XV E aí companheiros foram aparecendo, Saindo das sombras da ação popular; Outros da Igreja com a fé a guiar, Manuel Fiel Filho, fiel sempre sendo, Santo e Olavo Hansen findaram morrendo, Hirata também... Morreu na tortura! Vito Giannotti, ligado à cultura, Carlúcio Castanha, bom pernambucano, Sem ver o know-how de algum veterano Criava-se o MONSP, contra a ditadura. VXI Sebastião Neto, lutador do bom; Um Waldemar Rossi, que foi grande mastro Anísio Batista ou Cloves de Castro E Hélio Bombardi, chamado Marron, Edésio e Carlão nesse mesmo tom Lúcia ou Vicente, também Raimundinho, Também Farinazzo que sem desalinho Seguia com as teses da ação libertária; Era a liderança da classe operária Traçando outro rumo, buscando um caminho. XVII E em 77 vem a eleição Para o sindicato, a oposição ganha, Ao cruel pelego, se junta o meganha E o poder fardado faz a intervenção... Porque o regime que tinha o canhão, A bala, o coturno, as leis, o degredo, O Pau-de-arara, a ponta do dedo, A cela, a censura, imprensa e mordaça Temia o fermento no meio da massa Com medo do povo deixar de ter medo! XVIII E os estudiosos trazem a teoria Um grupo seleto de bons e de grandes: Zé Souza Martins, Florestan Fernandes Eder Sader, Marco Aurélio Garcia Trazendo o suporte da Filosofia De Marx, de Lênin, de Gramsci, de Rosa, Que a revolução pra ser gloriosa Tem que ser de base contra o capital Conforme a Terceira Internacional Sem querer mudar o rumo da prosa! XIX E aí surgiram novas discussões Que em vez de pelegos, gordos burocratas Em birôs pregados, redigindo atas Lambendo coturnos, babando patrões, Tinham que formar era as comissões De fábrica por fábrica, ligando a energia Por áreas geográficas e por moradia Comandos autônomos, mas articulados, Programas de lutas bem sincronizados Para o enfretamento com a burguesia! XX Com visão bem crítica, o SILVA discute Criar a Central rompendo a estrutura Do sindicalismo que é da ditadura A tese não ganha, porém repercute Pois ele dizia: Pra que uma CUT Só de dirigentes, pregados a empregos Em birôs vidrados, iguais a morcegos Assim novo mundo a luta não forja Não faz soviets, mas pare uma corja De bons carreiristas e novos pelegos! XXI A perseguição veio violenta Aonde existia qualquer comissão Patrão e pelego metia o facão Já não mais se prende, porém se arrebenta Com o PT formado a turma se agüenta Depois se filia, mas fica nos limbos Não quer blakie-tie, não fuma cachimbos, Não disputam votos, não querem gravatas Nem querem mandatos nem ser burocratas Nem querem morrer batendo carimbos! XXII Aí é que SILVA resolve mudar Sai do reco-reco, larga a Olivetti, Pula de cabeça, nada na internet, Estuda a informática, busca se plugar Se empolga na busca de geoprocessar Saberes e lutas territoriais, Nos sítios sem cercas, patrões, generais, Sem regras burguesas, sem eiras nem beiras Fazer soviets, virtuais trincheiras Livres, proletárias, internacionais!!! XXIII E um dia, quem sabe? Talvez, não sei quando... Quando quem produz, possua o que faz; Tempo em que o trabalho dome os capitais, Que banco tornar-se sinônimo de bando... Que a felicidade enfim for chegando Quando a nossa Dilma não mais presidir Que só o legado de Lula existir, Tempo que outro mundo tornar-se possível Talvez as idéias desse SILVA incrível Dirijam por fim, o nosso porvir! XXIV SILVA estudantil e sindicalista, SILVA, militante da luta secreta, SILVA, Macambira, o Pedro poeta Da língua de fogo, bravo cordelista, SILVA liderança, diretor cutista SILVA partidário, da LIDAS, micreiro, SILVA dos meninos, bravo companheiro, Estudando a história, eu logo descubro Que SILVA nasceu a oito de outubro Que é dia da morte do Che guerrilheiro! XXV Portanto, esse cara sem ranço ou vaidade, Que não recuava perante o sofrer, Não queria a glória fugaz do poder, Viveu preso à luta pela liberdade, Quando no Brasil raiar a igualdade, De SILVA teremos a luz da memória A glória da vida sem busca de glória, A paz de um guerreiro de sonho e esperanças Verei professores passando às crianças Lições cujo exemplo será sua história!!! Crispiniano Neto Vila Amazonas da Serra do Mel - RN 04 de Julho de 2011 - Segunda-feira -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110707/32a0e7bf/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 8 20:35:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 8 Jul 2011 20:35:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__=C9LSON_COSTA________________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CLXXXV-?= Message-ID: <01A351A0952B4230B4F99058F163B6F6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ÉLSON COSTA (1913 - 1975) Filiação: Maria de Novaes Costa e João Soares da Costa Data e local de nascimento: 26/08/1913, Prata (MG) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 14/01/1975, São Paulo (SP) Dirigente do PCB, seu nome integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Natural da cidade de Prata, no Triângulo Mineiro, Élson era o responsável pelo setor de agitação e propaganda do PCB, trabalhando na produção e divulgação do jornal Voz Operária, órgão oficial do partido. Iniciou sua militância política liderando uma greve de caminhoneiros em Uberlândia. Já militante do PCB, viajou pelos países socialistas do Leste Europeu na década de 1960. Perseguido após abril de 1964, teve seus direitos políticos cassados. Era casado com Aglaé de Souza Costa e foi deslocado pelo partido para atuar em diferentes cidades brasileiras: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Niterói, Campo Grande, Recife, Curitiba e finalmente São Paulo. Em 1970, foi condenado pela Justiça Militar e cumpriu pena em Curitiba(PR). Solto, passou a viver com o nome de Manoel de Souza Gomes e residia na Rua Timbiras, no bairro de Santo Amaro, quando foi preso na manhã do dia 15/01/1975, no bar ao lado de sua casa, de acordo com as informações contidas no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. O ex-agente do DOI-CODI/SP, Marival Chaves, informaria na já citada matéria da revista Veja, de 18/11/1992, que os integrantes do Comitê Central do PCB que foram mortos pelos órgãos de segurança no início de 1975 tiveram seus corpos jogados no rio de Avaré, no interior de São Paulo. Esse ex-sargento relatou: "Outro que está no rio é Elson Costa, assassinado em 1975. Ele era o encarregado da seção de agitação e propaganda do partido. Na casa de Itapevi, foi interrogado durante vinte dias e submetido a todo tipo de tortura e barbaridade. Seu corpo foi queimado. Banharam-no com álcool e tocaram fogo. Depois, Elson ainda recebeu a injeção para matar cavalo". O Relatório do Ministério do Exército, de 1993, registra o dia 16, e não 15, como data do desaparecimento: "no dia 26/02/1975, seu irmão Oswaldo Costa esteve no QG do II Exército para informar que ele teria sido levado pelos ocupantes de dois veículos tipo 'Veraneio', no dia 16/01/1975. Segundo ele, o fato foi testemunhado pelo proprietário de um bar e noticiado pelos jornais, como sendo o seqüestro de um rico comerciante. A ocorrência foi registrada no 11° DP, conforme BO N. 315/75 como tendo ocorrido na rua Timbiras, 199, em Santo Amaro/SP". Já o jornalista Elio Gaspari, em A Ditadura Encurralada, aponta o dia 14 como data do desaparecimento: "No dia 13 de janeiro o CIE estourou a capa de proteção do PCB e localizou a gráfica clandestina onde se imprimia o jornal Voz Operária, no subúrbio carioca. Ela funcionava num subterrâneo, num sítio. Chegava-se à impressora por um alçapão existente no fundo de uma caixa-d'água, que era esvaziada para que os trabalhadores descessem. A Voz submergira em 1964, mas reaparecera um ano depois, circulando mensalmente. Com a gráfica, sumiu mais um pedaço da cúpula do Partidão. Um dos responsáveis pelas máquinas, Élson Costa, desapareceu no dia 14 de janeiro. Dirigente experimentado, já passara em silêncio por duas cadeias. Segundo um sargento do DOI, mataram-no numa casa do CIE, na periferia de São Paulo". Em 2004, Élson Costa foi homenageado com a Medalha Tributo à Utopia, criada no ano anterior pela Câmara Municipal de Belo Horizonte para lembrar as vítimas da ditadura, mortos e desaparecidos políticos. =========================================================================================================================== + Informações. ELSON COSTA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu em 26 de agosto de 1913, na cidade de Prata, Minas Gerais, filho de João Soares da Costa e Maria Novais Costa. Desaparecido em 1975, em São Paulo. Casou-se com Aglaé de Souza Costa. Era o responsável pelo setor de agitação e propaganda do PCB. Na manhã do dia 15 de janeiro de 1975, Elson foi preso no bar ao lado de sua casa, onde havia ido tomar café. Alguns vizinhos tentaram protestar contra a ordem de prisão dada por seis homens, pois, para eles, quem estava sendo preso era o aposentado Manoel de Souza Gomes que vivia na Rua Timbiras,199, bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Segundo o depoimento do ex-sargento do Exército, Marival Dias Chaves do Canto, do DOI-CODI/SP, publicado na Revista "Veja" de 18 de novembro de 1992, Elson foi levado para uma casa em Itapevi, centro clandestino da repressão ligado ao DOI-CODI/SP, onde foi submetido a todo tipo de tortura. Seu corpo foi banhado em álcool, queimado e afogado no rio Avaré. Sem notícias de Elson, desde seu desaparecimento em 1975, apesar das buscas, sua família conseguiu, na justiça, anos depois, um atestado de morte presumida. Sua irmã Zailde, exprime assim sua dor: "sempre tive um pouco de esperança de que ele poderia aparecer vivo, mas depois de tantos anos é triste parar de acreditar nisso". O Relatório do Ministério do Exército diz que "no dia 26 de fevereiro de 1975, seu irmão Oswaldo Costa esteve no QG do II Exército para informar que o mesmo usava o nome falso de Manoel de Sousa Gomes e que teria sido levado pelos ocupantes de dois veículos tipo 'Veraneio', no dia 16 de janeiro de 1975. Segundo ele, o fato teria sido testemunhado pelo proprietário de um bar e noticiado pelos jornais como sendo o seqüestro de um rico comerciante. A ocorrência teria sido registrada no 11° DP, conforme BO N° 315/75 e tendo ocorrido na rua Timbiras, 199, em Santo Amaro/SP". =========================================================================================== + Detalhes. "Sem terroristas para caçar e com o Araguaia devolvido ao silêncio da floresta, o Centro de Informações do Exército avançara novamente sobre o Partido Comunista. Essa ofensiva, lançada no início de 1975, abriu a primeira crise militar do governo Geisel. No dia 13 de janeiro o CIE estourou a capa de proteção do PCB e localizou a gráfica clandestina onde se imprimia o jornal a Voz Operária, no subúrbio carioca. Ela funcionava num subterrâneo, num sítio. Chegava- se à impressora por um alçapão existente no fundo de uma caixa-d'água, que era esvaziada para que os trabalhadores descessem. A Voz submergira em 1964, mas reaparecera um ano depois, circulando mensalmente. Com a gráfica, sumiu mais um pedaço da cúpula do Partidão. Um dos responsáveis pelas máquinas, Elson Costa, desapareceu no dia 14 de Janeiro. Dirigente experimentado, já passara em silêncio por duas cadeias. Segundo um sargento do DCI, mataram-no numa casa, na periferia de São Paulo. Outro, o gráfico Alberto Aleixo, de 72 anos, foi formalmente preso. Dois meses depois, os policiais internaram o velho comunista, com quinze quilos a menos, no hospital Souza Aguiar. Era irmão de Pedro Aleixo, o vice-presidente de Costa e Silva, de quem se distanciara. Pedro morreu em março, sabendo que seu irmão estava preso. " - As Ilusões Armadas 4 A Ditadura Encurralada ELIO GASPARI ==================================================================================================== + Detalhes. Militares se alarmavam com pedidos de informação de parentes de presos políticos, mas nunca enviavam notícias 25 de julho de 2009 | 0h 00 Marcelo de Moraes e Vannildo Mendes - O Estadao de S.Paulo Quando Elza Rocha de Miranda decidiu escrever para o presidente Ernesto Geisel pela segunda vez em 12 dias, sua resistência já tinha chegado ao limite. Em 10 de março de 1975, não escondia a aflição pela falta de notícias sobre o paradeiro do marido, o jornalista e advogado Jayme Amorim de Miranda, e descrevia seu estado para Geisel como "desesperada e angustiada". Membro do comitê central do PCB, Jayme tinha sido preso no Rio, em 4 de fevereiro de 1975, sem deixar rastro. Como outros, nunca voltou e seu nome faz parte da lista de mortos e desaparecidos políticos. Elza não foi a única a apelar em vão para os generais-presidentes e seus ministros em busca de algum sinal dos familiares. Documentos inéditos da ditadura registram essas tentativas frustradas por parentes de militantes de grupos clandestinos que desapareceram nos porões da repressão. Várias buscas foram preservadas no Arquivo Nacional, em Brasília, no inédito acervo de correspondências recebidas pelos presidentes militares, ao qual o Estado teve acesso. A ditadura arquivou não apenas essas cartas, mas toda a sua tramitação. Só foram guardadas as cartas dirigidas diretamente aos presidentes, que tinham potencial para causar problemas para o governo. Era o caso de textos que também eram enviados para entidades da sociedade civil ou de defesa dos direitos humanos. Por isso, os burocratas da repressão abriam processos internos para registrar a evolução dessas cobranças. Nada irritava mais o governo. Cobrados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em relação ao paradeiro de Jayme Miranda, os órgãos de inteligência divulgaram a informação falsa de que ele teria fugido para Rússia - na ocasião, provavelmente já estava morto. Em memorando ao então ministro da Justiça, Armando Falcão, sugerem que essa informação seja repassada à esposa de Jayme e à OAB. De próprio punho, Falcão redige um bilhete aos subalternos, rejeitando a hipótese de prestação de contas à OAB. "É suficiente comunicar à esposa." E até mesmo isso seria feito com restrições, conforme instruções dadas pelo ministro, em bilhete de 8 de maio de 1975. COBRANÇA EXTERNA Cobranças do exterior, especialmente da Anistia Internacional ou da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, eram rechaçadas, mas causavam enorme desconforto. Em várias ocasiões, obrigavam o governo a montar farsas. Para a Anistia Internacional, a instrução era não responder. "Quanto à Amnesty, há dois avisos do SNI nesse ministério, inclusive com exposição de motivos que mereceu a aprovação do excelentíssimo senhor presidente da República e em que se recomenda que não sejam dadas respostas à correspondência da entidade e que o Serviço Nacional de Informações seja informado de qualquer documentação dali procedente", diz texto de 19 de outubro de 1977, aprovado por Falcão. Longe de sensibilizar os líderes do governo, as dramáticas cartas e telegramas enviadas por familiares foram sempre tratadas com burocracia, desprezo e até deboche. Mesmo sabendo que as pessoas procuradas já tinham sumido em suas prisões, os integrantes do governo militar mantiveram a encenação, sempre respondendo aos parentes com mentiras ou informações desatualizadas. Nas cartas, os parentes parecem já prever o pior para seus parentes. É o caso de Elza Miranda: "Senhor presidente, meus filhos e eu estamos muito aflitos com os rumores de torturas aplicadas aos presos políticos. Meu marido é um homem doente e certamente não resistirá aos maus tratos da prisão." Estava certa. Torturado na cadeia, o corpo de Jayme teria sido jogado de um avião militar a 200 milhas da costa brasileira. Em outra carta, em março de 1975, Aglaé de Souza Costa escreve a Geisel, em busca de notícias sobre o marido Elson Costa, do PCB. "Como brasileira e como esposa é que me dirijo à Vossa Excelência, com todo o respeito, depois de perambular de prisão em prisão em busca de notícias de meu esposo Elson Costa", narra. "Apelo à consciência cristã de Vossa Excelência, em cujas mãos deposito a vida de meu marido e o meu direito de esposa de saber se ele está vivo ou já não está morto." Aglaé recebeu informações erradas, dando conta de que ele não foi localizado em nenhuma prisão do Estado, embora tivesse sido preso em janeiro por seis homens na porta de casa. ============================================================================================================== + Detalhes. jornal A Nova Democracia No ano de 1974, Ernesto Geisel assume a gerência do regime militar que mergulhava em aguda crise, principiada pela bancarrota do chamado "milagre econômico". Por trás da candidatura Geisel, havia uma ala de militares que predicava uma abertura do regime visando conter o avanço de uma situação revolucionária no país. As promessas de abertura política, investigação de denúncias de tortura, maior participação no Estado de setores da burguesia considerados "excluídos", tudo isso permeou a chamada "distensão" política. Mas antes mesmo de completar seu primeiro ano a gerência Geisel sofre uma derrota eleitoral para o "oposicionista" Movimento Democrático Brasileiro - MDB nas eleições para a Câmara e o Senado. Em novembro de 1974 o MDB conseguiu 16 dos 22 senadores e 160 das 364 cadeiras na Câmara. A resposta eleitoral foi apenas um aspecto da revolta popular que já ocupava as ruas. A reação veio de imediato e foi levada a cabo pelos que ficaram conhecidos como os "linha dura" do regime, mostrando na prática que o período Geisel foi semelhante aos seus antecessores, caracterizado pelo mais covarde desrespeito a vida humana e sua submissão ao imperialismo ianque. Empastelamento do Voz Operária No dia 13 de janeiro de 1975 o Centro de Inteligência do Exército - CIE empastelou* a gráfica do jornal Voz Operária, dirigido pelo PCB, que funcionava clandestinamente num sítio no Rio de Janeiro. No dia seguinte à invasão, Élson Costa, um dos responsáveis pela gráfica e dirigente do PCB, desapareceu e, posteriormente, segundo relatos de seus companheiros e investigações de estudiosos do regime militar-fascista, foi morto numa casa mantida pelo CIE na periferia de São Paulo. Após o empastelamento da gráfica do Voz Operária transcorrerá uma onda de prisões de militantes do PCB. - Entre janeiro e julho de 1975, 500 membros do partido foram identificados, 200 foram presos e 14 morreram assassinados - salienta Waldemar. ====================================================================================================== + Detalhes. [PDF] LUTAS PELA TERRA NO TRIÂNGULO MINEIRO www.iica.int/.../... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida caminhoneiro João Cândido, do professor Nélson Cupertino e de Elson Costa, que futuramente se tornaria membro do Comitê Central do Partido, o PCB constituiu ... ============================================================================================================= + Informações. ? Elson Costa Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Elson Costa Cidade: (onde nasceu) Prata Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 26/8/1913 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Nome falso: (Codinome) Manoel de Sousa Gomes, Elio, Velho Prisão: 15/1/1975 São Paulo SP Brasil Rua Timbiras, 199, bairro Santo Amaro, em São Paulo Segundo Relatório do Ministério do Exército, seu irmão declarou que Elson foi seqüestrado no dia 16/01/75. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1975 São Paulo SP Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Marival Dias Chaves dos Santos Biografia Documentos Artigo de jornal Auditoria da Marinha absolve acusados do PC. Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 set. 1978. Com carimbo do arquivo do DOPS. O Conselho Permanente de Justiça absolve, por prescrição da ação penal, Luiz Carlos Prestes, Marco Antônio Tavares Coelho, Dimas de Assunção Perrim, João Massena Melo, Elson Costa, Orlando Rosa, David Capistrano, Luiz Inácio Maranhão Filho, Hiran de Lima, Itair José Veloso, Jaime Amorim, entre outros. O Comitê Brasileiro pela Anistia convocou para uma entrevista coletiva os familiares de desaparecidos que constam na lista de absolvidos com a intenção de apelarem junto ao governo no sentido de obter informações sobre o paradeiro de seus familiares. Artigo de jornal Pessoa desaparecida. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 mar. 1973. Apelo de Aglaé de Souza Costa, esposa de Elson, pedindo pistas do paradeiro de seu marido. Elson foi seqüestrado por alguns homens, próximo a sua residência. Nenhuma informação foi conseguida nos órgãos de segurança pública. Relatório Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP de 09/06/75 com informações retiradas de documentos no arquivo do DOPS relativos às atividades políticas em organizações de esquerda e prisão de Elson, entre 03/52, com seu nome aparecendo como simpatizante comunista em Belo Horizonte, até 25/03/75, com seus familiares prestando depoimento para a delegacia especializada a respeito de publicações em jornais sobre seu desaparecimento. Com códigos de localização de apenas alguns documentos no arquivo. Relatório Indicações para a localização dos restos mortais de Elson Costa. Complementa as informações para a Comissão Especial Lei 9.140/95 a fim de que a morte de Elson seja reconhecida nos termos da lei 9.140/95. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 01/09/65, com dados pessoais e informações colhidas no arquivo sobre atividades políticas de Elson entre 01/09/65, com seu nome constando como membro da executiva e do CC do Partido Comunista Brasileiro até 16/01/79, com seu nome aparecendo em uma relação publicada pela Gazeta do Povo do Comitê Brasileiro pela Anistia como preso político desaparecido. Pedido de busca Documento do III Exército, de 07/04/75. Traz a informação de que Elson seria um dos dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Desapareceu, com a ajuda de pessoas do PCB, e em 01/75 a sua esposa foi interrogada, sendo possível apreender material subversivo que pertencia a Elson. Ele já esteve preso em Curitiba, PR e foi cassado pela revolução de 1964. Ofício Documento de Aglaé de Souza Costa, esposa de Elson, a Miguel Reale Junior, presidente da Comissão Especial da Lei 9.140/95, em 18/01/96. Ela requer a localização e entrega dos restos mortais de Elson e indenização. Em anexo estão as indicações para a localização dos restos mortais, cópia da cédula de identidade e do CPF de Aglaé. Depoimento Documento escrito por Aglaé de Souza Costa, esposa de Elson. Informa que ele iniciou sua vida política pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), em Uberaba, MG. Fez parte do Comitê Central desse partido, divulgando o jornal "A Classe Operária". Teve seus direitos políticos cassados em 1964 e passou a viver com outro nome, em várias cidades, até ser preso em São Paulo, em 1975. Evento/ Homenagem Homenagem aos desaparecidos políticos por meio de ato de oficialização dos nomes das ruas do Jardim da Toca, em São Paulo, SP, em 04/09/91, contando com a presença da prefeita Luíza Erundina, do vereador Ítalo Cardoso, dos familiares dos homenageados e de representantes da sociedade. Homenageados: Ana Rosa Kucinski Silva, Antônio Carlos Bicalho Lana, Antônio dos Três Reis Oliveira, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Aylton Adalberto Mortati, Elson Costa, Hiran de Lima Pereira, Honestino Monteiro Guimarães, Ieda Santos Delgado, Maria Lúcia Petit da Silva e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Acompanha convite para a solenidade. Carta Carta de Aglae de Souza Costa, esposa de Elson, ao Presidente Ernesto Geisel, em 08/02/75. Ela pede notícias sobre seu marido, que foi levado da porta de casa por seis homens, em 15/01/75, e desde então desapareceu. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110708/1b91561b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4216 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110708/1b91561b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 8 20:35:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 8 Jul 2011 20:35:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Em_entrevista=2C_Al=EDpio_Freire_?= =?iso-8859-1?q?destaca_a_urg=EAncia_da_abertura_dos_arquivos_da_di?= =?iso-8859-1?q?tadura?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Por NPC Em entrevista, Alípio Freire destaca a urgência da abertura dos arquivos da ditadura O tema da abertura dos arquivos oficiais voltou à tona no final de junho, quando foi anunciado que o Governo teria dado sinalizações de recuo em relação ao tema. Apesar de afirmar a possibilidade de "sigilo" em relação a alguns documentos, os referentes à soberania nacional e questões de fronteira, a postura do Governo preocupou muitos familiares de desaparecidos e entidades de defesa dos direitos humanos que enxergam possibilidades de manter o silêncio em relação ao período da ditadura civil-militar (1964-1985). Para falar sobre o assunto, o BoletimNPC entrevistou por e-mail o jornalista e ex-preso político Alípio Freire, militante da Ala Vermelha. Nessa entrevista, ele reafirma a importância da abertura dos arquivos como enfrentamento à História Oficial construída pelas elites em função de seus interesses. Ele ainda apresenta dados da violência cometida durante o período da ditadura militar, e fala das conseq??ências, hoje, da impunidade aos crimes cometidos pelos agentes do Estado. Por fim, defende a criação de uma Comissão Nacional da Verdade e a organização dos familiares de desaparecidos e entidades aut??nomas para pressionar o Governo em relação à consolidação da justiça. Confira a entrevista. Por Sheila Jacob Para começar, qual seria, na sua opinião, a importância da abertura dos arquivos da ditadura? No atacado, eu diria que é fundamental e indispensável que a classe trabalhadora e o povo, ou seja, os explorados e oprimidos, conheçam a realidade e a História do país onde vivem, e do qual são responsáveis pela produção de todas as riquezas, bem como por sua circulação. Nos arquivos está toda a documentação de como a classe trabalhadora, suas organizações, seus representantes e os que falaram em seu nome foram vistos, controlados, perseguidos e/ou cooptados pelas classes dominantes. Os arquivos são informações organizadas, e todos sabemos que informação organizada é poder. Portanto nós, que entendemos que a democracia que reivindicamos significa igualdade, mais até do que liberdade, não podemos abrir mão do direito (igualitário) de conhecer essas coleções de conhecimento organizadas pelas classes dominantes e seus aliados, as qua is nos dizem respeito diretamente. Quero deixar claro que, quando insisto na questão da igualdade, é porque entendo que toda liberdade que não venha acompanhada de igualdade será sempre a liberdade do mais forte de dominar, explorar e oprimir o mais fraco. Isto aprendi com os que vieram antes de mim... Os arquivos são, portanto, importante fonte, ainda que não única, para as diversas versões e imagens que se possa fazer da nossa história. Não abrir os arquivos significa deixar a sociedade sempre à mercê de uma História Oficial construída pelas elites, em função de seus interesses, de sua perpetuação em termos de poder econ??mico, político e ideológico. E o que você diria sobre os objetivos do golpe de 1964? Temos, antes de tudo, de entender que o golpe, e o regime de terror e super-exploração dos trabalhadores e do povo que implantou, significou uma ruptura institucional e uma fratura histórica desencadeadas pelo grande capital nacional e internacional e seus aliados, contra um programa de reformas de interesse popular. Estas eram as chamadas Reformas de Base, que unificavam, naquele momento, um conjunto de projetos em torno de um desenvolvimento nacional independente, e fundado na distribuição de renda. Os golpistas, ao contrário, representavam projetos de desenvolvimento fundados na concentração de rendas, subordinados aos interesses do grande capital internacional e à política dos Estados Unidos. O ponto número um desse segundo programa era a derrubada do Governo do presidente João Goulart - o Jango. Uma pesquisa feita pelo Ibope em março de 1964, às vésperas do golpe, mostrou que a maioria esmagadora dos brasileiros apoiava as reformas que o presidente Jango propunha, e votariam pela reeleição do presidente, caso isto fosse possível. Reverter esse quadro, portanto, exigia não apenas dar o golpe, como também implantar um regime fundado na violência. Ou seja, a violência não foi algo acidental ou que em alguns momentos foi praticada nos "porões do regime", fugindo ao controle dos militares e civis que dirigiam o País. Era parte constitutiva e inseparável do programa dos golpistas. O que vimos depois foi que, tendo como objetivo um avanço na concentração de riquezas, na ampliação dos seus lucros e poder, o Estado, controlado pelo grande capital e seus aliados, utilizará impunemente todos os meios de repressão e violência contra a classe trabalhadora, o povo, seus representantes, os que falavam e agiam em nome dos interesses do conjunto, seus movimentos e organizações. Qual a dimensão que assumiu essa violência cometida contra a população? De acordo com a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (dados do início de 2010), durante a ditadura do pós-64, 30 mil pessoas foram torturadas, e 308 mil investigadas. Além disto, milhares de opositores tiveram de viver na clandestinidade, e outros acabaram por se exilar, para não cair nas malhas da repressão. Dentre tantos crimes, os mais graves: por volta de 500 cidadãos foram assassinados, dos quais cerca de 150 são considerados "desaparecidos". Ou seja, seus cadáveres foram ocultados. De qualquer ponto de vista que se proponha a consolidar a democracia em nosso país, é urgente e indispensável a apuração dos crimes que acabei de elencar, crimes atentatórios contra os direitos humanos e, portanto, imprescritíveis. É preciso identificar seus responsáveis diretos e indiretos e submete-los a um processo legal, público e com o mais amplo direito de defesa. Após comprovadas as responsabilidades, puni-los, nos termos da lei. Peguemos um exemplo que considero o mais grave por conter e envolver todos os demais crimes: o caso dos "desaparecimentos forçados", ou seja, dos assassinatos seguidos de ocultação de cadáveres. Nestes casos, somam-se cinco crimes contra os direitos humanos: sequestro; manutenção em cárcere clandestino; torturas; assassinato e ocultação de cadáveres. Vejamos: Durante a ditadura, seus opositores não eram jamais detidos ou presos por ordem judicial, o que configura, portanto, um sequestro. Em seguida, eram levados para dependências de instituições do Estado, como quartéis e delegacias, ou para casas, sítios e campos de concentração, como aconteceu no caso da Guerrilha do Araguaia. Essas casas e sítios eram locais mantidos com verbas públicas, ou provenientes de doações de grandes empresários. Nesses espaços, os opositores permaneciam encarcerados por tempo indeterminado, escondidos das suas famílias, advogados e amigos, e sob constantes interrogatórios - ou seja, em cárceres clandestinos. Os interrogatórios eram sempre feitos sob torturas, durante as quais cerca de 500 homens e mulheres foram assassinados. Destes, cerca de uma cen tena e meia foi dada como "desaparecidos": tiveram seus cadáveres ocultados. Estamos em 2011, e esses crimes de "desaparecimento forçado" foram cometidos entre 47 e 31 anos atrás. Desde então, os familiares dos "desaparecidos" buscam seus restos mortais, para que possam consumar suas despedidas e luto, velar e lhes garantir sepultura digna. Ao longo de tantos anos, muitos já morreram sem conseguir sequer consumar o luto por seu parente. Acredito que, com esse exemplo que acabo de descrever, esteja mais que destacada a urgência da abertura dos arquivos da ditadura. Mais ainda: fica clara a importância de insistirmos na questão dos "desaparecidos". Esse fio, se for desembaraçado e puxado, nos possibilitará desvendar todos os crimes contra os direitos humanos a que nos referimos anteriormente. Há ainda outros crimes que somente agora começam a ser descobertos como, por exemplo, a existência de filhos de militantes "desaparecidos" no Araguaia, dos quais não se tinha notícia. Quais são as consequências dessa impunidade para a sociedade atual? É exatamente a impunidade dos criminosos de ontem que estimula, naturaliza, banaliza e torna impunes os crimes, chacinas e massacres do presente. Hoje esses mesmos crimes são cometidos contra a população de baixa renda das periferias das cidades; contra os trabalhadores rurais e camponeses pobres; estão presentes nas torturas e assassinatos nas sombrias salas de "interrogatório" das delegacias e outros órgãos públicos do presente. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, entre 1999 e 2008 foram assassinadas 365 pessoas no campo. A quase totalidade desses crimes permanece impune. De acordo com a Ouvidoria de Polícia, no primeiro trimestre deste ano (2011), em São Paulo, a média diária de assassinatos de cidadãos por agentes da Polícia Militar (PMs) foi de 0,96. Quase todos impunes. Nas periferias da cidade de São Paulo e da Baixada Santista, em maio de 2006, Policiais Militares trucidaram cerca de 600 pessoas. A maioria era de jovens negros, sem qualquer passagem anterior pela polícia, ou mandado de captura. Mesmo que fossem "bandidos", o procedimento seria igualmente intolerável. São os chamados Crimes de Maio - que permanecem até hoje impunes. A impunidade do ontem é a farsa do hoje. A impunidade do ontem é o cinismo do hoje. E em que irão se traduzir, no futuro, tanta farsa e tanto cinismo? Sabemos que a proposta de abertura dos arquivos da ditadura vem incomodando certos setores e personalidades públicas. Por que será que se sentem tão ameaçados? Assim como os perseguidos, os presos políticos, os torturados e os familiares de mortos e desaparecidos continuam vivos, o mesmo acontece com aqueles que dirigiram o país naqueles anos e que são responsáveis não apenas por todos os crimes contra os direitos humanos, como pela grande corrupção daquele tempo. É do período do "milagre brasileiro" o surgimento de novas fortunas - entre civis e militares. Basta atentarmos para as novas oligarquias que emergiram no Nordeste naqueles anos. Alguns dos exemplos mais notórios são o senador, ex-presidente e beletrista José Sarney - no Maranhão, e o falecido senador e ex-governador Ant??nio Carlos Magalhães - na Bahia. Entre os militares, os assaltos aos cofres públicos não foram menores. Por exemplo, o coronel Mário Andreazza é também um caso (ainda que não o único) a não ser esquecido. Ele foi ministro dos Transportes e do Interior de vários dos governos da ditadura, responsável, dentre outras coisas, pela construção da ponte Rio-Niterói e das obras da Transamaz??nica. Além disto, durante aqueles anos, muitos militares de alta patente foram diretores de diversas empresas multinacionais que atuavam em nosso país - a maioria das quais continua a atuar. Lembro ainda o escandaloso envolvimento de uma primeira-dama brasileira, num grande contrabando de pérolas do Japão, quando da inauguração da primeira linha aérea comercial Rio de Janeiro-Tóquio, em 1968. Ora, se já podemos encontrar hoje tudo isto em arquivos de universidades, em coleções da imprensa popular, socialista ou de resistência, imaginem o que não poderemos descobrir nos arquivos da ditadura? Isto, para não falarmos dos esquadrões da morte, o seu papel na profissionalização e monopolização do crime e sua íntima relação e promiscuidade com o Estado, os governos e o grande capital. Como aconteceu na Alemanha de Adolph Hitler e na Itália de Mussolini, é próprio desses regimes esse entrelaçamento simbiótico entre as máfias, a direita, o Estado, os governos e o poder econ??mico. Todos sabemos que o empresário Henning Albert Boilesen contribuía financeiramente para a criação e manutenção dos aparelhos para-legais de repressão. Além disso, ele participava nas sessões de torturas, lado a lado com militares, delegados, policiais, membros de esquadrões da morte, do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Seu caso é o mais lembrado apenas pelo fato de ter sido executado, ou melhor, justiçado por um comando formado por duas organizações revolucionárias clandestinas: o Movimento Revolucionário Tiradentes - MRT, e a Ação Libertadora Nacional - ALN. Ou seja, é toda essa imensa teia de relações criminosas que os arquivos podem nos revelar ou, pelo menos, fornecer importantes pistas. É por essas e outras que figuras de "ilibada reputação" - como gostam de afirmar a respeito de si próprios -, como o atual vice-presidente Michel Temer; o ex-presidente cassado e hoje senador Fernando Collor de Mello; e o também ex-presidente, beletrista e hoje senador José Sarney, além de outros, tanto temem a abertura dos arquivos. Você acha que as propostas de alteração do governo ameaçam a história do país, mesmo a presidenta Dilma tendo informado que estariam em sigilo "apenas" documentos que ameacem a soberania, a integridade do território e as relações internacionais? Considero mais que legítima a preocupação da presidenta em preservar a soberania nacional e a integridade do nosso território. Trata-se de um dever legal seu, um dever constitucional ao qual deverá sempre se subordinar, na qualidade de chefa de Estado, ainda que eu não desconsidere a possibilidade (bastante provável) de que os "serviços d e inteligência" das grandes potências - especialmente dos EUA - tenham cópias de toda, ou pelo menos da parte que lhes interessa dessa documentação. Além disto, as elites brasileiras devem saber exatamente do que se trata, já que foram elas que produziram. Ou seja, apenas nós, os trabalhadores e o povo, seremos mantidos sempre na mais santa ignorância, manipulados por versões oficialistas da nossa História, onde os diversos golpes perpetrados pelo capital assumem versões heróicas. É assim, por exemplo, que a atabalhoada fuga da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, nos é servida como "Transmigração da família real"; a entrega do comércio do Brasil Col??nia à Inglaterra se traveste de "abertura dos portos às nações amigas"; a quartelada de 15 de novembro de 1889 nos chega sob a pomposa rubrica de "Proclamação da República"; e por aí vai, até chegarmos à "Revolução Redentora" de 1964. Já no que diz respeito à questão de "possíveis ameaças às relações internacionais", estamos no terreno não mais fundamentalmente da chefa de Estado, mas da chefa de Governo, da sua estratégia e projeto político geral para o país e, especificamente, da sua política de relações internacionais. Como tal, trata-se, portanto, de matéria sempre discutível e passível de disputa. E para tornar ainda mais complexo o assunto, a grande mídia comercial atribui ainda à presidenta Dilma Rousseff declaração de que nada que diga respeito a violações dos direitos humanos poderá ficar sob sigilo. Daí, então, algumas perguntas me vêm à cabeça. A Operação Condor; as "ciências" das torturas repassadas para o Brasil por agências de diversos países (pelo menos, EUA, França e Israel), e repassadas pela ditadura brasileira para outras ditaduras do nosso Continente; a presença da Marinha de Guerra Estadunidense em nosso litoral para, "em caso de necessidade", dar cobertura aos golpistas do 31 de março; a participação direta do embaixador e do Governo dos EUA no golpe de 64; o envio de tropas brasileiras para invasão da República Dominicana (1965)... Essas e outras coisas, como serão classificadas e entendidas? Apesar de afirmar o contrário, esta posição não abriria possibilidades de ainda se manter silêncio em relação a casos da ditadura? Neste momento, sobretudo quando há um vai e vem do Executivo sobre esta matéria, o mais importante é entendermos que as organizações de defesa dos direitos humanos são (ou pelo menos deveriam ser), antes de tudo, forças independentes e aut??nomas, que se mobilizam em torno de programas e objetivos próprios. A eles se somam os movimentos pela defesa da memória política do país; os familiares de mortos e desaparecidos; as entidades de perseguidos e presos políticos etc. Todos esses grupos devem buscar se unificar em torno de uma plataforma comum, disputar junto à sociedade, acumular força e pressionar o Executivo e demais poderes da República para atenderem suas propostas. Sinto-me na obrigação de registrar que considero a presidenta Dilma Rousseff uma importante aliada nessa luta. Necessitamos perceber isto, para não metermos os pés pelas mãos em busca de soluções imediatistas. Isto não significa, de modo algum, nos atrelarmos às suas decisões, mas manter a autonomia e independência dos movimentos e entidades empenhados nessa disputa, para sabermos que passo dar a cada recuo ou avanço do Planalto. Além, é claro, da nossa capacidade de construir uma força (de pressão) que possa fazer frente às permanentes investidas da direita e da ultradireita. Meu entendimento se funda não apenas no passado da presidenta nos anos de ditadura, ou em suas declarações a respeito do papel e peso que os direitos humanos terão durante seu Governo. Funda-se, sobretudo, no importante e cuidadoso trabalho que desenvolveu acerca da unificação e organização dos arquivos, quando esteve à frente da Casa Civil - o projeto "Memórias Reveladas". Qual a importância, então, de criação de uma Comissão da Verdade no Brasil? Toda. Sua missão é recuperar a objetividade factual do período sobre o qual se debruçará. Para cumpri-la, é indispensável que todos os arquivos referentes à matéria que investigará necessitam estar totalmente abertos e acessíveis. Do meu ponto de vista, para que seja de fato "da Verdade", a Comissão tem de recuperar seu caráter original definido no 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos, golpeado no final de 2009 pelo então e atual ministro da Defesa, doutor Nelson Jobim. Ou seja, deve retomar seu caráter de Comissão da Verdade, da Memória e da Justiça. Neste sentido, muita gente tem se mobilizado, propondo emendas e outros dispositivos relativos às suas atribuições, e percebo que essa discussão tem avançado bastante em todo o Brasil. Do que eu conheço, o que há de mais avançado nesse sentido é o trabalho desenvolvido pelo Coletivo de Mulheres (de São Paulo) cuja proposta pode ser acessada, em forma de petição pública, através de http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N10720 Para encerrar essa entrevista, sugiro que o documento do Coletivo de Mulheres seja acessado, lido e, havendo concordância, que seja assinado e divulgado amplamente. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110708/715d8f47/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 9 15:57:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 9 Jul 2011 15:57:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CAIUPY_ALVES_DE_CASTRO_______________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CLXXXVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CAIUPY ALVES DE CASTRO (1928-1973) Filiação: Leopoldina Ribeiro de Castro e Mariano Alves de Castro Data e local de nascimento: 16/08/1928, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: não definida Data e local do desaparecimento: 21/11/1973, no Rio de Janeiro Caiupy era bancário aposentado, casado com Marly Paes Leme, sócio da empreiteira São Tomé. Vivia no Rio de Janeiro em situação perfeitamente legal e desapareceu no dia 21/11/1973, às 19 horas, após descer de um ônibus em Copacabana. Já havia sido preso uma vez, em maio de 1968, na véspera das comemorações do 1º de maio, quando participava de uma manifestação perto do campo do São Cristóvão. Ficou por 11 dias incomunicável nas dependências do DOPS/RJ. O Sindicato dos Bancários interferiu, mas as autoridades não reconheceram a prisão. Vinte dias depois, por meio de um habeas-corpus, Caiupy foi solto. Não houve processo, nada foi apurado. Era acusado de ser membro do PCB por ter tirado seu título de eleitor através desse partido, por volta de 1945. Nesse período pós-Estado Novo, o PCB era um partido perfeitamente legal, que montava bancas nas ruas para obter novos filiados. O nome de Caiupy consta na lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Nas várias listas formadas desde os anos 1970 sobre mortos e desaparecidos políticos, seu nome costumava ser gravado como Caiuby, e não Caiupy, e sua vinculação política era dada como sendo o PCB, graças a essa prisão anterior. No entanto, sabe-se que Caiupy era pessoalmente ligado ao major do Exército Joaquim Pires Cerveira, banido do Brasil em junho de 1970, a quem Caiupy visitou no Chile em 1971. Levando em conta que os dossiês e sites ligados aos familiares de mortos e desaparecidos políticos nunca trouxeram maiores informações sobre o vínculo de Caiupy com o PCB, considerando que nesse período Cerveira nada tinha a ver com esse partido, e atentando, finalmente, para a proximidade das datas entre os desaparecimentos de Caiupy e Cerveira, parece mais seguro registrar como não definida a filiação política de Caiupy. Marly, em depoimento no livro Desaparecidos Políticos, organizado por Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, em 1979, conta o que aconteceu no dia do desaparecimento de Caiupy: "Tomamos um ônibus da linha circular Glória-Leblon, no inicio da rua Barata Ribeiro, em Copacabana, e quando chegamos na altura da Galeria Menescal, Caiupy puxou a cigarra e desceu. Antes, me confidenciara um encontro rápido com um amigo, mas garantiu que voltaria logo. Pediu-me, inclusive, que não mudasse a roupa ao chegar em casa, pois iríamos juntos ao cinema. Esperei e nada de Caiupy. O dia já estava quase amanhecendo e o meu marido não tinha voltado. Pensei comigo: vai ver que o encontro se prolongou demais e ele não pode avisar. Dia seguinte, não dava mais para esperar e comecei a tomar as providências, meu marido tinha desaparecido. Comecei a busca. Recorri a amigos que me acompanharam nos distritos policiais. Desconfiava da gravidade do que tinha acontecido. Ninguém desaparece assim de uma hora para outra. Fui pelas vias normais. Percorri todos os hospitais da cidade, minha irmã foi ao necrotério, fomos também ao DOPS e nada encontramos. (...) Procurei um advogado. Fui falar com D. Ivo Lorscheiter na CNBB, comecei a movimentar pessoas amigas, fiz pedidos a generais e nada consegui. Nenhum órgão assumia a prisão de Caiupy. Devido à minha falta de tempo, Lourdes Cerveira, esposa do também desaparecido major Cerveira, me ajudava. Nessa época foi preso um companheiro do Caiupy de nome Otevaldo Silva. A prisão foi de conhecimento público. Pouco depois, Otevaldo foi solto e disse que ouviu a voz de meu marido quando estava sendo interrogado num quartel militar de Brasília..". ============================================================================================== + Informações. CAIUBY ALVES DE CASTRO Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Filho de Mariano Alves de Castro e Leopoldina Ribeiro de Castro, nasceu em 16 de agosto de 1928. Desaparecido aos 45 anos desde 1973. Bancário aposentado e, como militante comunista, foi detido pelo DOPS/GB, em maio de 1968, quando participava de manifestações de rua. Foi posto em liberdade no dia 6 de maio. Foi preso novamente pelos órgãos de segurança do Rio de Janeiro, em Copacabana, no dia 21 de novembro de 1973 e encontra-se desaparecido. ============================================================================== + Detalhes. Novo Dossiê traz informações sobre desaparecidos publicada sexta-feira, 24/04/2009 às 16:12 e atualizada quarta-feira, 02/06/2010 às 16:02 "Operação Condor" não é só o nome pomposo para uma articulação que reunia as ditaduras militares da América Latina durante os anos 70. Não. Esta foi uma Operação de verdade, que deixou vítimas de verdade - com nome, história, família. Vítimas que - em muitos casos - até hoje não ganharam o direito de repousar em paz. Dezenas de pessoas mortas pelos serviços de segurança continuam na lista dos "desaparecidos": os corpos nunca foram localizados ou entregues aos parentes. O "DossiêDitadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)" lança alguma luz, e oferece pistas para que as famílias sigam procurando seus desaparecidos. Mais: oferece base de dados para que - no Brasil - a sociedade pressione o Estado, e exija informações detalhadas sobre aqueles que morreram. O livro - lançado neste fim-de-semana em São Paulo - foi organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.nova edição, revista e ampliada, de um Dossiê já publicado em 1996. Trata-se da Em relação ao relatório da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do governo federal, publicado em 2007, novas pesquisas permitiram acrescentar 22 nomes à lista dos mortos e desaparecidos no Brasil. Além disso, foram acrescentados mais sete casos, de brasileiros ou filhos de brasileiros, que morreram ou desapareceram na Argentina e no Uruguai, entre eles o ex-presidente João Goulart, deixando evidentes algumas conexões entre fatos ocorridos na Argentina e no Brasil. Dessa forma, o total de mortos e desaparecidos chega agora a 426 casos Um dos casos ocorridos na Argentina é o de Maria Regina Marcondes Pinto. Brasileira, militante de esquerda, no Chile ligou-se ao MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionario). Em 1976, ela encontrava-se em Buenos Aires, onde desapareceu. Na época, Maria Regina mantinha-se próxima politicamente de Edgardo Enriquez, médico chileno e militante do MIR. Durante anos, acreditou-se que Maria Regina e Enriquez havam sido presos na Argentina, e enviados para as mãos da DINA (polícia politica de Pinochet). Presumia-se que os dois tivessem morrido no Chile. Pois bem: em 2005, investigações realizadas na Argentina trouxeram uma reviravolta completa. Enriquez foi identificado como o homem morto num tiroteio em Buenos Aires, no dia 10 de abril de 76. Ele havia sido enterrado como "não-identificado" no cemitério da Chacarita, na capital argentina e, alguns anos depois, os restos mortais foram transportados para o ossário do cemitério. Portanto, há esperanças de que o corpo de Maria Regina esteja também em Buenos Aires. Se algum parente ceder sangue será possível realizar exames genéticos para tentar localizar os restos mortais da brasileira. O relatório também traz detalhes sobre desaparecimentos ocorridos, em 1973, no Brasil e na Argentina. Os casos, aparentemente, têm conexão! Os brasileiros João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira - militantes de esquerda exilados em Buenos Aires - foram seqüestrados no dia 5 de dezembro em 1973. O Dossiê traz o relato da mulher de Cerveira: Cerveira e João haviam se encontrado no dia 5 de dezembro, quando realmente foram vistos juntos por pessoas conhecidas, em torno das 18h, em Migraciones, zona do Retiro, tratando do visto de permanência. Foi a última vez que foram vistos em Buenos Aires. Cerveira, por motivos de segurança, usava identidade fictícia em nome de Walter de Sousa ou Moura Duarte, mesmo porque, quando foram desterrados, não receberam seus documentos. Rossi, um homem que se encontrava presente na casa em que Cerveira se hospedava, confirmou-me, pessoalmente, os fatos descritos no processo de habeas corpus. Às 3 horas da madrugado do dia 6 de dezembro de 1973, 6 policiais argentinos dizendo-se da Polícia Federal, realizaram uma busca na residência de Cerveira a procura, segundo disseram, de armas e documentos comprometedores, como nada encontrassem, retiraram-se negando qualquer explicação. Nesse mesmo dia, por volta de 11 horas, o mesmo grupo voltou aquele local, desta vez acompanhados de outro homem, o qual dizia que ali se refugiara um exilado brasileiro que estava sendo requerido pelas autoridade do seu país natal, mostrando-lhes uma foto de Cerveira; o novo componente do grupo e que parecia chefiá-los não havia dúvida, era brasileiro, e notava-se uma cicatriz num dos lados da testa [identificado mais tarde pelos familiares como o delegado Sérgio Paranhos Fleury]. Após nova revista na casa, interrogaram e ameaçaram a família dos residentes e retiraram-se, não sem antes dar a entender que o brasileiro já estava preso. De acordo com o Dossiê, há indícios de que o desaparecimento de Cerveira e João Batista era parte de uma operação maior, na qual foram seqüestrados, em 21 de novembro de 1973, 4 militantes de esquerda no Rio de Janeiro. São eles: Caiupy Alves de Castro (brasileiro, que mantinha contatos com Cerveira desde 1971 no Chile), Jean Henri Raya Ribard, Antonio Luciano PregoniAntonio Graciani (esses três vindos da Argentina alguns dias antes, para reuniões no Brasil). e Há algumas pistas sobre Jean Henri Ribard (nascido na França, vivia na Argentina): ele chegou ao Rio de Janeiro em novembro de 1973 e hospedou-se em um hotel na avenida Atlântica, nº 3.150, ficando no apartamento 204, de onde escreveu a amigos de Buenos Aires. Henri e os outros 2 militantes argentinos desapareceram no mesmo dia em que o brasileiro Caiupy também sumiu no Rio de Janeiro. Caiupy foi visto pela última vez, pela mulher, quando desceu de um ônibus em Copacabana, perto do hotel em que se hospedava Jean Ribard. Caiupy confidenciou à esposa que teria um encontro com um amigo. Nunca mais foi visto. Nada foi noticiado pela imprensa da época, e permanece uma incógnita o que ocorreu. Mas agora, ao menos, sabe-se que o seqüestro dos dois brasileiros em Buenos Aires pode ter ligação direta com o desaparecimento dos 4 militantes no Rio. Uma pista sobre qualquer um deles pode ajudar a encontrar todos os outros. Encontrar pistas, no entanto, não é tarefa fácil. O Dossiê revela "a intenção deliberada da cúpula das Forças Armadas de eliminar aqueles considerados "irrecuperáveis", de forma velada, sem chamar a atenção da sociedade." E cita reportagem da revista Istoé, de 2004, que "tornou públicas partes da ata da reunião que ocorreu entre os generais Ernesto e Orlando Geisel, Milton Tavares, Antônio Bandeira e o presidente da República, Emílio G. Médici. Em maio de 1973, eles redefiniram as diretrizes da repressão política, cujo principal objetivo era "[...] a utilização de todos os meios para eliminar, sem deixar vestígios, as guerrilhas rurais e urbanas, de qualquer jeito, a qualquer preço". O "Dossiê Ditadura" (1964-1985) é uma ferramenta para as famílias, e um documento importante para todos os brasileiros que se interessam em saber mais sobre esse período. Trata-se de documento oportuno para rechaçar afirmações infames, como a da "Folha de S. Paulo", jornal que em editorial recente classificou a ditadura brasileira de "ditabranda". O prefácio do livro, aliás, é de Fabio Konder Comparato. Brilhante jurista, humanista e combatente na luta contra as injustiças, Comparato é aquele a quem Otavinho Frias chamou de "democrata de fachada". Comparato teve a petulância - vejam só -de criticar o editorial da "Folha" que definiu o regime assassino de 64 como uma "diatabranda". Viva Comparato! Parabéns aos responsáveis por esse trabalho importantíssimo de memória, em especial à historiadora Janaina de Almeida Teles e ao editor Flamarión Maués. Leia outros textos de Plenos Poderes ============================================================================================== + Informações. Caiuby Alves de Castro Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Caiuby Alves de Castro Data: (de nascimento) 16/8/1928 Atividade: Aposentado Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Prisão: 21/11/1973 Rio de Janeiro RJ Brasil Bairro Copacabana 0/5/1968 Colocado em liberdade em 06/05/68. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 21/11/1973 Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110709/88d49506/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14468 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110709/88d49506/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23638 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110709/88d49506/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 9 15:57:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 9 Jul 2011 15:57:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite=3A_solenidade_em_comemora?= =?iso-8859-1?q?=E7=E3o_do_centen=E1rio_do_Brigadeiro_Francisco_Tei?= =?iso-8859-1?q?xeira=2E__Dia_25_de_julho_de_2011=2C_=E0s_18=2C00_h?= =?iso-8859-1?q?s_no_9=BA_andar_da_ABI_=2E_Rua_Ara=FAjo_Porto_Alegr?= =?iso-8859-1?q?e=2C_71_-_R_J_-?= Message-ID: <9F9B94F5A26F45AEA8B4B6200E3F3641@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110709/2ff4efde/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 144307 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110709/2ff4efde/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 10 13:40:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 10 Jul 2011 13:40:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Marxism_and_Art=3A_Musicas_revol?= =?iso-8859-1?q?ucion=E1rias=2E____________________________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________H0JE_=C9_DOMINGO!__M?= =?iso-8859-1?q?=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Marxists Internet Archive: Subjects: Marxism and Art: Music -------------------------------------------------------------------------- Songs: The International lyrics | mp3(ru) | mp3(fr) | ram | midi | score (pdf) Lyrics: Eugène Pottier (1816-1887), Paris, June 1871; music: Pierre Degeyter (1848-1932), 1888. The International was written to celebrate the Paris Commune (March - May 1871). Soviet Music International Music The Red Flag Jim Connell, 1889 mp3; mp3 Labour's Call Peadar Kearney, 1918 rm; mp3 Casey Jones - The Union Scab Joe Hill, 1911 ram Where The Fraser River Flows Joe Hill, 1912 ram Talk to me of freedom Martin Whelan rm; mp3 Bread and Roses Martin Whelan rm; mp3 Arbetets söner (Sons of the Workers) Anthem of Swedish Social-Democracy, lyrics: Henrik Menander, music: Nils P. Möller midi La Varsovienne / ?????????? Polish song, written at the end of XIXth century; very popular in Russia during the revolutions of 1905 and 1917 mp3[fr] mp3[ru] mp3[ru] L'appel du Komintern Song written for the 10th anniversary of the Communist International, lyrics: Franz Jahnke, music: Hans Eisler, 1929 mp3 ?? ??????? ? ?? ???????? / Les partisans T. Aturov / S. Alimov mp3[ru] mp3[fr] Bandiera rossa Revolutionary Italian song, lyrics: Carlo Tuzzi mp3 Bella ciao Song of the Italian partisans, 1943 mp3 Fischia il vento Song of the Italian partisans, music: M. Blanter ("Katyusha"), lyrics: Felice Cascione, 1944 mp3 A las barricadas Song of the Spanish revolution, music from "Varshavianka", lyrics: Valeriano Orobón Fernández, 1936 mp3 Die Einheitsfront Hans Eisler / Bertold Brecht mp3 Joe Hill Joe Hill, organizer of Industrial Workers of the World, executed in Utah, USA, in 1915; music: Earl Robinson mp3 Avante Camarada Luís Cília, 1967, Portugal mp3 El pueblo unido jamás será vencido Quilapayún / Sergio Ortega, 1970, Chile mp3 Venceremos Lyrics: Claudio Iturra, music: Sergio Ortega, 1970, Chile mp3 ??????? (Sailing the Seas Depends on the Helmsman) Chinese revolutionary song mp3 ?? (The Long March) Chinese revolutionary song au Music about Che Guevara Hasta siempre Comandante Carlos Puebla, 1965 (Cuba) mp3; rm Lo eterno Carlos Puebla (Cuba) mp3 Que pare el son Carlos Puebla (Cuba) mp3 Un nombre Carlos Puebla (Cuba) mp3 Guitarra en duelo mayor Ángel Parra (Chile), Nicolás Guillen (lyrics) (Cuba) mp3 Fusil contra fusil Silvio Rodríguez, 1968 (Cuba) mp3 América, te habló de Ernesto Silvio Rodríguez, 1972 (Cuba) mp3 Ay, Che camino Matio (France) mp3 Zamba al "Che" Víctor Jara (Chile), Rubén Ortiz mp3 Andes lo que andes Sara González; Amaury Pérez (lyrics/music) (Cuba) mp3 Nada más Atahualpa Yupanqui (Argentina) mp3 Su nombre ardió como un pajar Patricio Manns, 1969 (Chile) mp3 Canción del hombre nuevo Daniel Viglietti, 1965 (Uruguay) mp3 Che esperanza Egon y Los Arachanes mp3 Una canción necesaria Vicente Feliú (Cuba) mp3 Canción fúnebre para el Che Guevara Quilapayún (Chile), Juan Capra mp3 Alma Morena Miguel Ángel Filipini (Argentina) mp3 Siembra tu luz Miguel Ángel Filipini (Argentina) mp3 Carta al Che Inti-Illimani (Chile); Carlos Puebla (lyrics/music) (Cuba), 1969 mp3 El Aparecido Inti-Illimani (Chile); Víctor Jara (lyrics/music) (Chile), 1971 mp3 -------------------------------------------------------------------------- See also: Chinese music Romanian music Yugoslav music Related Sites: The Red Flag (lyrics, audio) Union Songs (lyrics) SovMusic (lyrics, audio) Chants révolutionnaires (lyrics, audio) COMAC (audio) Drapeau rouge (lyrics) Chants de luttes (lyrics) La Merle Rouge (lyrics) Cantilotta (lyrics) Canciones y poesías (lyrics, audio) -------------------------------------------------------------------------- The materials are provided for non-commercial, educational purposes. All rights remain with the authors. Marxism and Art | Subjects | Library -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110710/62644053/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3897 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110710/62644053/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 10 13:40:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 10 Jul 2011 13:40:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ROBERTO_MACARINI_____________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CLXXXVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ROBERTO MACARINI (1950-1970) Filiação: Herminia Juliano Macarini e Dolarato Antônio Macarini Data e local de nascimento: 15/07/1950, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 28/04/1970, São Paulo (SP) O estudante e bancário Roberto Macarini, de 19 anos, foi preso em São Paulo no dia 27/04/1970 e levado à sede da OBAN, onde foi submetido a violentas torturas. Militante da VPR, teria sido levado pelos agentes policiais, conforme a versão oficial, a um suposto encontro com companheiros da organização clandestina no Viaduto do Chá, onde atirou-se sobre o Vale do Anhangabaú, tendo morte instantânea. Foi sepultado por seus familiares no cemitério da Vila Formosa. De acordo com denúncia apresentada por presos políticos, de fevereiro de 1973, reproduzida no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos, Macarini foi preso pelo DOI-CODI/SP e torturado pela equipe C, dirigida pelo capitão do exército Homero Machado e pelos seguintes policiais: escrivão de policia Gaeta; funcionário da Polícia Federal de alcunha "Alemão", tenente da Aeronáutica que participou do IPM da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço, de nome Alberto; o carcereiro de alcunha "Lungaretti". No dia 28/4/1970, Macarini foi retirado do DOI-CODI pela equipe do capitão PM Coutinho, capitão do Exército Benoni de Arruda Albernaz; capitão PM Tomas; investigador do DEIC Paulo Rosa; tenente do Cenimar de alcunha "Marinheiro", cabo PM de alcunha "DKW"; um delegado de polícia que anteriormente havia servido em São Carlos (SP), de alcunha "Dr. Raul", e outros. Fichas sobre Roberto Macarini foram encontradas nos arquivos do DOPS de São Paulo e se referem ao suicídio, ao material de imprensa contendo a denúncia da morte sob tortura e, em uma delas, consta textualmente: torturado p/ equipe C do Exército. O já mencionado relatório da Marinha, de 1993, confirma a versão oficial, agregando que o fato não fora noticiado para não prejudicar as operações em curso de desmantelamento da VPR. A requisição do laudo de necropsia foi feita pelo delegado Michel Miguel, está assinalada com um "T", e é assinada pelos médicos legistas Samuel Haberkorn e Paulo Augusto Queiroz Rocha, que atestaram a causa mortis como "choque traumático, lesões traumáticas crânio encefálicas". A relatora pediu a aprovação alegando que fora confirmada a prisão e, conforme a própria ficha do DOPS, a tortura. Foi acompanhada em seu voto por todos os integrantes da CEMDP. ================================================================================================================= + Informações. ROBERTO MACARINI Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONARIA (VPR). Nasceu em São Paulo, filho de Dolorato Antonio Macarini e Hermínia Juliano Macarini. Bancário, foi morto aos 19 anos, no dia 17 de abril de 1970. Preso em abril de 1970 por policiais e levado para a sede da OBAN foi torturado durante dois dias ininterruptos pelo capitão Benoni Arruda Albernaz e capitão Homero Cesar Machado, com suas respectivas equipes. Roberto, profundamente debilitado em conseqüência das torturas, fez com que seus carrascos o levassem a um suposto encontro com companheiros. Chegando ao Viaduto do Chá, atirou-se de cima do viaduto, segundo a versão oficial. A requisição do laudo de necrópsia foi feita pelo Delegado Michel Miguel e assinado pelos médicos legistas Samuel Haberkorn e Paulo Augusto Queiroz Rocha. Foi enterrado no Cemitério de Vila Formosa por seus familiares. ================================================================================== + Informações. Roberto Macarini Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Roberto Macarini Cidade: (onde nasceu) São Paulo Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) /1951 Atividade: Bancário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Prisão: 27/4/1970 São Paulo SP Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 28/4/1970 São Paulo SP Brasil Viaduto do Chá Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Operação Bandeirante OBAN Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Benoni Arruda Albernaz , Homero César Machado , Michel Miguel Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Paulo Augusto Queiroz Rocha, Samuel Haberkorn Biografia Documentos Foto Foto do original e preto e branco do corpo, encontrada no DOPS/SP. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 27/08/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de José Pedro Macarini, irmão de Roberto Macarini, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Roberto e o voto de Suzana favorável ao deferimento do pedido -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110710/cf720007/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10987 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110710/cf720007/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 10 13:40:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 10 Jul 2011 13:40:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] .A Doutrina do Choque Message-ID: <545E705895C64E5C8C09755BCF8907D9@vcaixe> FacebookCarta O Berro..........................................................repassem . Paola Marsulo posted in DOCUMENTO DITADURA. Paola Marsulo 1:28am Jul 10 É imperativo difundir este vídeo. (clique no título) A Doutrina do Choque vimeo.com É imperativo difundir este vídeo. Ponham nos vossos blogs, murais, mandem o link por mail, façam dow View Post on Facebook · Edit Email Settings · Reply to this email to add a comment. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110710/39359ea1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 11 20:21:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 11 Jul 2011 20:21:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ma=E7=E3s_preservam_a_massa_muscu?= =?iso-8859-1?q?lar_____e/___Nutrientes_importantes_para_a_sa=FAde_?= =?iso-8859-1?q?=F3ssea_____________________________HOJE_=C9_2=BA_F?= =?iso-8859-1?q?EIRA!___MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Maçãs preservam a massa muscular por andreiat O enfraquecimento muscular é uma companhia ruim e constante no processo de envelhecimento e também em várias doenças. Dependendo do grau de depleção muscular, aumenta o risco de quedas e o tempo de internação hospitalar. Hoje são conhecidos 63 genes responsáveis pela diminuição da massa magra, em camundongos e 29 genes, em seres humanos. A indústria farmacêutica vem pesquisando formas de inibir a ativação de tais genes. Mas o que sabe hoje é que o ácido ursólico, composto naturalmente presente em maçãs tem esta capacidade. Em estudo publicado na revista Cell Metabolism o ácido ursólico também diminuiu a resistência à insulina, a glicemia, o colesterol e os triglicerídeos. O estudo mostra mais uma vez que uma dieta balanceada é fundamental à saúde, já que muitos outros compostos como o ácido ursólico, mas que ainda são desconhecidos para nós, devem possuir efeitos favoráveis que vão além do teor de vitaminas e minerais presentes. Nutrientes importantes para a saúde óssea 29/05/2011 por andreiat Fatores de risco para doenças ósseas incluem história familiar de fraturas ósseas, idade avançada, etnia branca, baixa estatura, baixo peso, baixa ingestão de cálcio, alta ingestão de sódio, alta ingestão de proteína animal, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, uso de medicamentos corticosteróides, uso de heparina ou metotrexato. Por isto, a adoção de um estilo saudável o quanto antes é primordial. Além da prática moderada de atividade física, do abandono do tabagismo e da redução do consumo alcoólico, a ingestão de nutrientes envolvidos na saúde óssea é altamente desejável. Boro - Está relacionado à melhoria do conteúdo mineral ósseo, dando força ao tecido. Frutas secas, amêndoas, folhosos verde escuros e suco de uva são fontes do nutriente. Cálcio - o consumo adequado é fundamental mas não é só. Devem ser evitados alimentos que estimulam a excreção do mineral, como proteínas animais, sódio, gorduras em quantidade excessiva e cafeína. Cobre - O cobre atua como co-fator de enzimas envolvidas na síntese de constituintes da matriz óssea. Fontes principais: ostras, cacau, nozes, feijão, farinha de soja, mariscos. Fibras - Diminuem a inflamação do tecido intestinal, fortalecem o sistema imune e melhoram a disponibilidade do cálcio, por servirem de substrato para bactérias probióticas intestinais, as quais acidificam o pH intestinal. Capriche no consumo de frutas, verduras e cereais integrais. Lisina - este aminoácido pode aumentar a absorção do cálcio, por isto o cálcio quelado à lisina é a fórmula de preferência. Magnésio - a deficiência está relacionada à má formação óssea. O magnésio também é fundamental para a memória. Aumente o consumo das fontes principais: vegetais folhosos verde-escuros e cereais integrais. Manganês - Fornece estrutura para a calcificação óssea. As fontes mais ricas em manganês são os grãos integrais, leguminosas e nozes. Ômega-3 - Promove a incorporação do ácido eicosapentanóico (EPA) nos fosfolipídios de membranas, diminuindo a inflamação tecidual. Fontes incluem peixes de água salgada e fria e linhaça. Potássio - O consumo adequado diminui a excreção de cálcio na urina. Frutas e verduras são ricas em potássio. Silício - Atua na formação da matriz óssea, criando ligações de colágeno e proteoglicandos durante o crescimento ósseo. Aveia, milho, arroz, cevada e cavalinha fornecem silício. Vitamina C - Promove a síntese de colágeno. Nos casos de osteoporose é recomendada suplementação de até 1g ao dia. Frutas cítricas são ricas na vitamina. Vitamina D - sem ela, apenas 10 a 15% do cálcio dietético é absorvido, aumentando o risco de fraturas. Zinco - Aumenta a atividade da vitamina D. Fontes incluem carnes, aves, frutos do mar, semente de abóbora, lentilhas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110711/e70ec94f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 27503 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110711/e70ec94f/attachment-0001.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 25209 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110711/e70ec94f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 11 20:21:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 11 Jul 2011 20:21:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__REINALDO_SILVEIRA_PIMENTA____________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CLXXXVIII-?= Message-ID: <8499A3B4F2824B43B52CA4DEBE7D331D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem REINALDO SILVEIRA PIMENTA (1945-1969) Filiação: Maria do Carmo Silveira Pimenta e José Bastos Pimenta Data e local de nascimento: 04/03/1945, Niterói (RJ) Organização política ou atividade: MR-8 Data e local da morte: 27/06/1969, Rio de Janeiro (RJ) No dia 27/06/1969, na rua Bolívar, em Copacabana, Rio de Janeiro, o apartamento onde estava o estudante fluminense Reinaldo Silveira Pimenta foi invadido por agentes da polícia política. Em circunstâncias não esclarecidas, Reinaldo caiu ou foi jogado pela janela do apartamento. Foi encaminhado ao Hospital Miguel Couto, morrendo poucas horas depois. Seu corpo deu entrada no IML/RJ com a guia nº 13, da 14ª D.P., como desconhecido, "morto ao cair na área interna do prédio". A necropsia foi assinada no dia seguinte pelo médico Mário Martins Rodrigues, que determinou a causa mortis como "fratura da coluna vertebral com ruptura do pulmão esquerdo e hemorragia interna". O prontuário do DOPS/RJ, registra que Reinaldo, "suicidou-se em 27/06/69, ao ser preso no aparelho da rua Bolivar, nº 124, apto 510, em Copacabana, alugado pelo Partido". Constam no processo notícias veiculadas nos jornais do dia 01/07/1969, informando o ocorrido, sendo fato que agentes do DOPS (ou do Cenimar, segundo alguns registros) ocupavam o prédio e suas imediações, aguardando a chegada de Reinaldo. O relator da CEMDP considerou não restarem dúvidas acerca da militância política e da morte por causa não natural. Ao exame das circunstâncias, não tendo a morte ocorrido em dependência policial, e sim no hospital, concluiu: "Existe nos presentes autos provas que corroboram que o apartamento de Reinaldo estava sitiado, tendo portanto, se transformado em dependência policial assemelhada. Comprovam esse fato as transcrições dos periódicos da época". Reinaldo cursava o 3º ano de Engenharia na Universidade do Estado da Guanabara (hoje UFRJ), depois de ter estudado no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, freqüentando também aulas de Inglês no Instituto Brasil-Estados Unidos, além de trabalhar como professor. Militante do Movimento Estudantil, morreu como dirigente do primeiro MR-8, grupo nascido da Dissidência do PCB em Niterói, que tentou iniciar a implantação de uma base guerrilheira no Oeste do Paraná. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar incluem seu nome como integrante do "Comando de Expropriações" da organização, imputando-lhe a participação em algumas ações armadas de reduzida expressão, em 1968 e 1969. Foi sepultado no cemitério de Maruí, em Niterói, e durante o mandato do prefeito Saturnino Braga, do Rio de Janeiro, a Câmara Municipal aprovou a designação de uma rua da Vila Kennedy com o seu nome. ================================================================================================================ + Informações. REINALDO SILVEIRA PIMENTA Dirigente do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). No dia 27 de junho de 1969, seu apartamento foi invadido por agentes do CENIMAR. Ao tentar fugir pela janela, Reinaldo acabou pendurado no parapeito, segurando-se com as mãos. Os agentes passaram a desferir golpes com a coronha de suas armas sobre seus dedos, e assim acabou por cair do 5° andar. Seu corpo entrou no IML/RJ pela Guia n° 13, da 14ª D.P., como desconhecido, "morto ao cair na área interna do prédio da Rua Bolivar, n° 214, apt. 510, no Bairro de Copacabana". Deu entrada no Hospital Miguel Couto, morrendo poucas horas depois. A necrópsia de 28 de junho, ainda como desconhecido, foi firmada pelo Dr. Mário Martins Rodrigues, não havendo nome do 2° legista. Enterrado no Cemitério de Maruí, em Niterói (RJ). ==================================================================================== + Informações. Reinaldo Silveira Pimenta Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Reinaldo Silveira Pimenta Dados da Militância Organização: (na qual militava) Movimento Revolucionário 8 de Outubro MR-8 Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 27/6/1969 Rio de Janeiro RJ Brasil Hospital Miguel Couto Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Centro de Informações da Marinha CENIMAR Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Mário Martins Rodrig -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110711/cb851bd0/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4845 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110711/cb851bd0/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 12 20:21:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 12 Jul 2011 20:21:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__ORLANDO_MOMENTE_____________________?= =?iso-8859-1?q?_________________-CLXXXIX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ORLANDO MOMENTE (1933-1973) Filiação: Antônia Rivelino Momente e Álvaro Momente Data e local de nascimento: 10/10/1933, Rio Claro (SP) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 30/12/1973 ou 1974 Paulista de Rio Claro, Orlando Momente fez o curso primário em sua terra natal e também estudou desenho mecânico, concluindo o curso em 1950. Mudou-se para São Paulo e trabalhou como operário na Companhia Antarctica Paulista, entre 1951 e 1959. Em abril de 1961, casou-se com Maria José de Moura Momente, com quem teve uma filha, Rosana de Moura Momente. Militou no PCB desde os anos 1950 e posteriormente transferiu-se ao PCdoB. Com o Golpe de Estado de 1964, foi viver com a família em uma fazenda em Fernandópolis (SP), onde ficou pouco tempo. Passou a atuar na clandestinidade, mas periodicamente visitava seus familiares. A última vez em que esteve com eles foi em 1969. Devido às perseguições políticas, passou a viver no norte de Goiás e, posteriormente, no sul do Pará, próximo à Transamazônica, na localidade de Paxiba. No Araguaia, em algumas ocasiões, esteve frente a frente com agentes da repressão, passando por camponês e dando informações erradas sobre os guerrilheiros, contando para isto com a ajuda dos moradores que o apresentavam como compadre ou parente. Pertencia ao Destacamento A e foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30/12/1973. Após o ataque à Comissão Militar no natal de 1973, os guerrilheiros decidiram se separar em grupos de cinco pessoas. De acordo com o Relatório Arroyo, "os grupos eram cinco. Um chefiado por Osvaldo (que retornou a sua área); outro por J.; outro pelo João; outro pelo Nelito; e o outro pelo Landim (Orlando Momente). (...) Dia 30 pela manhã (30/12/73), os cinco grupos tomaram seus destinos. Às 15h ouviu-se ruído de metralhadora no rumo em que havia seguido Osvaldo ou Landim (Orlando Momente). Não se sabe o que houve". Em 1974, Joana de Almeida, moradora da região e esposa de Luiz Vieira, camponês também desaparecido, esteve em seu antigo sítio na Paxiba, próximo a São Domingos, e encontrou restos de uma ossada humana semi-enterrada. Estavam visíveis o crânio e um fêmur, com características de terem sido enterrados há pouco tempo. Ao lado da ossada estava um chapéu feito de couro de quati curtido, o que lhe deu a certeza de que se tratava de seu compadre e amigo Orlando Momente. Na época, Joana nada pode fazer porque estava proibida pelo Exército de ir a seu sítio, ao qual fora às escondidas à procura de alimentos. Esse depoimento foi dado à equipe de jornalistas da revista Manchete em 1993. Hugo Studart informa que o Dossiê Araguaia, produzido por militares que participaram diretamente da repressão à guerrilha, indica a morte como tendo ocorrido em dezembro de 1973. =============================================================================================================== + Informações. ORLANDO MOMENTE Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nascido em 10 de outubro de 1933, em Rio Claro, Estado de São Paulo, filho de Alvaro Momente e Antônia Rivelino Momente. Operário em São Paulo até transferir-se para o Araguaia, onde desapareceu aos 41 anos. Em sua cidade natal, fez o curso primário e o de desenho mecânico, concluindo-o em 1950. Mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou como operário na Companhia Antarctica Paulista entre 1951 e 1959. Ali conheceu sua esposa com quem se casou em abril de 1961 e tiveram uma filha, Rosana Momente. Militou no PCB e posteriormente no PC do B. Com o golpe militar de 1964, foi viver com sua família em uma fazenda em Fernandópolis, onde ficou pouco tempo, indo para a clandestinidade. Periodicamente visitava a sua família, sendo que, no ano de 1969, foi a última vez que esteve com seus familiares. Devido às perseguições políticas, foi viver no norte de Goiás e posteriormente no sul do Pará, próximo à Transamazônica, na localidade de Paxiba. Tinha um gênio alegre e muito criativo. Sabia sair-se com facilidade de situações difíceis. Muito habilidoso e prestativo, conquistava facilmente a simpatia de todos que o conheciam. Com seu espírito arrojado, em algumas ocasiões esteve frente a frente com agentes da repressão, passando por camponês e dando informações erradas sobre os guerrilheiros, contando para isto com a ajuda dos moradores que o apresentavam como compadre ou parente. Pertencia ao Destacamento A - Helenira Resende - da Guerrilha. Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973. Em 1974, Joana de Almeida, moradora da região e esposa de Luiz Vieira de Almeida, camponês também desaparecido, esteve em seu antigo sítio na Paxiba, próximo a São Domingos, e encontrou restos de uma ossada humana, semi-enterrada. Visíveis estavam o crânio e um fêmur, com características de terem sido enterrados há pouco tempo, porque ainda tinham restos de carne. Ao lado da ossada estava um chapéu feito de couro de coati curtido, o que lhe deu certeza de que se tratava de seu compadre e amigo Orlando. Na época, Joana nada pôde fazer porque estava proibida pelo Exército de ir a seu sítio, ao qual fora às escondidas à procura de alimentos. Este depoimento foi dado à equipe de jornalistas da revista "Manchete" em 1993. ================================================================================================ + Informações. Arquivo revela 41 executados no Araguaia Publicado em 22/6/2009 Dado como desaparecido pelos órgãos oficiais do governo, o rio-clarense Orlando Momente, o Landim, integra a lista inédita de pessoas executadas pelo Exército entre 1972 e 1975, na ação denominada Guerrilha do Araguaia. O nome de Landim entre os mortos na Guerrilha e outros 15 foram revelados pelo major Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, em matéria exclusiva do jornal "O Estado de S. Paulo" publicada neste domingo (21). Curió decidiu abrir seu arquivo ao jornalista Leonencio Nossa, que durante sete anos trabalhou no assunto. De acordo com o jornal, os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas. Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira. Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio punho de Curió, feitos durante e depois da guerrilha, contraria a versão militar de que os mortos estavam de armas na mão na hora em que tombaram. De acordo com as anotações de Curió, reveladas ao jornalista, Orlando Momente teria sido morto em combate. Desde então seus restos mortais nunca foram encontrados e integram a lista de desaparecidos do Araguaia. Os papéis esclarecem passo a passo a terceira e decisiva campanha militar contra os comunistas do PC do B - a Operação Marajoara, vencida pelas Forças Armadas, de outubro de 1973 a janeiro de 1975. O arquivo deixa claro que as bases de Bacaba, Marabá e Xambioá, no sul do Pará e norte do Estado do Tocantins, foram o centro da repressão militar. Landim Nascido em 10 de outubro de 1933, em Rio Claro, filho de Alvaro Momente e Antônia Rivelino Momente. Concluiu o ensino secundário na antiga Escola Industrial (hoje ETEC Armando Bayeux da Silva), onde cursou Desenho Mecânico. Após concluir o curso, em 1950, Landim trabalhou em alguns estabelecimentos comerciais em Rio Claro. Em 1951 mudou-se para São Paulo, para trabalhar na Cervejaria Antarctica, onde ficaria até 1959. Ali conheceu sua esposa com quem se casou em abril de 1961 e tiveram uma filha, Rosana Momente. Ambas vivem até hoje em São Paulo. Nessa época, os integrantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e PC do B (Partido Comunista do Brasil) arregimentavam e faziam forte campanha nas portas das fábricas em busca de mais adesões por parte dos operários. Landim filiou-se ao PCB e posteriormente ao PC do B. Com o golpe militar de 1964, foi viver com sua família em uma fazenda em Fernandópolis, onde ficou pouco tempo, indo para a clandestinidade. Periodicamente visitava a sua família. No ano de 1969, foi a última vez que esteve com seus familiares. Devido às perseguições políticas, foi viver no norte de Goiás e posteriormente no sul do Pará, próximo à Transamazônica, na cidade de Paxiba. No Araguaia pertenceu ao "Destacamento A - Helenira Resende - da Guerrilha". De acordo com relatos de sobreviventes, dado à revista Manchete, em 1993, Landim foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 30 de dezembro de 1973. Em 1974, Joana de Almeida, moradora da região e esposa de Luiz Vieira de Almeida, camponês também desaparecido, esteve em seu antigo sítio na Paxiba, próximo a São Domingos, e encontrou restos de uma ossada humana, semi-enterrada. Visíveis estavam o crânio e um fêmur, com características de terem sido enterrados há pouco tempo, porque ainda tinham restos de carne. Ao lado da ossada estava um chapéu feito de couro de coati curtido, o que lhe deu certeza de que se tratava de seu compadre e amigo Orlando. Na época, Joana nada pôde fazer porque estava proibida pelo Exército de ir a seu sítio, ao qual fora às escondidas à procura de alimentos. A abertura dos arquivos de Curió aumentam a pressão em cima do governo federal para a abertura total e irrestrita dos arquivos da ditadura militar. A guerrilha Em 1966, integrantes do PC do B começaram a se instalar em três áreas do Bico do Papagaio, região que abrange o sul do Pará e o norte do atual Estado do Tocantins. A Guerrilha do Araguaia era composta por uma comissão militar e pelos destacamentos A, B e C. Da força guerrilheira, 98 pessoas pegaram em armas ou atuaram em trabalhos de logística. Deste total, 78 foram recrutadas pelo partido nas grandes metrópoles brasileiras e 20 na própria região do conflito. Entre 1972 e 1974, as Forças Armadas promoveram três campanhas na tentativa de eliminar a guerrilha - só venceu na última. A repressão contou com cerca de 5 mil agentes, incluindo homens das polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e Civil. O conflito deixou um saldo de 84 mortos, sendo 69 guerrilheiros ou apoios da guerrilha, 11 militares e 4 camponeses sem vínculos com o partido ou o Exército. Vinte e nove guerrilheiros sobreviveram às três campanhas. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090621/not_imp390566,0.php) e Partido Comunista do Brasil (http://www.pcdob.org.br) ================================================================================================ + Detalhes. ANOS DE CHUMBO: morto por militares no Araguaia, corpo de Landin nunca foi encontrado 08/05/2011 HOMENAGEADO EM EVENTO NO CENTRO CULTURAL, ORLANDO MOMENTE É UM DOS RIO-CLARENSES QUE FORAM COVARDEMENTE MORTOS PELA DITADURA HOMENAGEADO EM EVENTO NO CENTRO CULTURAL, ORLANDO MOMENTE É UM DOS RIO-CLARENSES QUE FORAM COVARDEMENTE MORTOS PELA DITADURA ARQUIVO Orlando Momente, morto na guerrilha do Araguaia, permanece na condição de desaparecido Marcelo Lapola Mil novecentos e setenta e três. O ano irá terminar com um crescimento econômico nunca visto. O PIB do País atinge os 14%. Durante os trinta anos seguintes, esse índice nunca mais foi alcançado. Sob os auspícios do general Emílio Garrastazu Médici, a ditadura abriu seus porões e a tortura e repressão passaram a ser declaradas, antes maquiadas pela falsa ideia de que os militares subiam ao poder para pôr ordem no país. De 1969 a 1974 surgem às guerrilhas urbanas e rurais, o movimento armara-se legitimando aos defensores do regime militar dar a pecha de terroristas aos integrantes do Partido Comunista do Brasil. O PC do B fortalecia-se com o envio de militantes para treinamentos em países como a China, a extinta União Soviética e em Cuba. Em meados de 1967, os primeiros integrantes do Partido Comunista do Brasil chegavam à fronteira entre os Estados do Pará, Maranhão e Goiás - hoje Tocantins -, a região do Rio Araguaia, o cenário de um dos episódios mais tristes da história recente do Brasil. Nessa época, os guerrilheiros comunistas chegaram ao Araguaia na intenção de convencer camponeses nativos da região a aderirem à causa revolucionária e engrossarem as fileiras dos combatentes. Em maio de 1972, o Exército iniciava sua primeira campanha na região. Duas outras se seguiram. Foram destacados para a missão que aniquilou com o movimento cerca de 750 homens das Forças Armadas, divididos em 3 grupos de 250. Guerrilheiros e camponeses foram executados e a maioria enterrada em locais até hoje não identificados. Em dezembro do mesmo ano, o rio-clarense Orlando Momente, com 41 anos de idade, foi morto com outros 46 guerrilheiros. Trinta e nove anos depois, eles ainda permanecem na condição de desaparecidos. Nascido em Rio Claro no dia 10 de outubro de 1933, Orlando de Moura Momente cursou a antiga Escola Industrial e serviu o tiro de guerra no município pacato e com uma população muito menor que os 180 mil habitantes atuais. Aos 20 anos partiu para Campinas, onde trabalhou por um curto espaço de tempo para em seguida mudar-se para São Paulo. Na Capital, Orlando trabalhara em duas empresas, na Arno indústria de eletrodomésticos e na cervejaria Antarctica. Nessa época, influenciado pelo atuante sindicalismo do fim de 1964, Landin, como ficou conhecido posteriormente, já integrava o Partido Comunista do Brasil. Militante ativo, Orlando começou a ser duramente perseguido, a exemplo do que acontecia com inúmeras pessoas, fato que o obrigou a mudar-se com a família para Fernandópolis. Começava então a clandestinidade. De Fernandópolis para o sul do Pará, onde já se iniciavam os treinamentos para a guerrilha do Araguaia em 1969. De acordo com o Dossiê do Mortos e Desaparecidos Políticos editado pelo governo de Pernambuco, com a criação das forças guerrilheiras no Araguaia, Landin, como passou a ser chamado, ingressou no Destacamento A, sob o comando de Helenira Resende, destacada como chefe de grupo. Criança na época, Rosana Momente, filha de Orlando, conta como naquele período já tinha se acostumado com a ausência do pai. "Minha mãe nunca mencionava nada a respeito do que o meu pai fazia e ele, por sua vez, preservava a família, aparecendo de vez em quando e muito rapidamente", diz Rosana, 42 anos, hoje funcionária pública em um posto de saúde na capital paulista. Antes de ir para o Araguaia, Orlando, já um comunista vivendo na clandestinidade, vinha algumas vezes a Rio Claro visitar a mãe e os irmãos. "Nessa época, chegamos a ficar na casa da minha avó em Rio Claro e ele vinha nos visitar algumas vezes, já vivendo sob forte perseguição dos militares", conta Rosana. Segundo relatórios oficiais do Exército, não revelados até hoje, não há registros sobre a ação que culminou com a execução de Landin. Apenas nos arquivos do Ministério da Marinha consta que Orlando Momente foi morto no Araguaia. Landin permanece sem sepultura ou local preciso onde teria sido enterrado nos inúmeros cemitérios clandestinos abertos pelos militares na região do confronto. ==================================================================================================== + Detalhes. Uma carta que nunca chegou ao destino 28/06/2009 - 11h52 , sem atualização (Ednéia Silva) - Criméia de Almeida ainda hoje mantém contato com a família de Orlando Momente, principalmente com sua filha, Rosana Momente. Na época em que conviveu com Landinho no Araguaia, ela não chegou a conhecer a família dele. Isso aconteceu bem depois. Ela conta que por volta de 1972, quando vinha do Araguaia para São Paulo, Landinho lhe pediu um favor especial: trazer uma carta que ele escrevera para a filha. Criméia não conhecia a família de Landinho, então entregou a carta para a direção do PCdoB, mas essa carta nunca chegou ao destino. Até hoje não se sabe o que foi feito da carta. Criméia conta que até hoje Rosana pergunta a ela o que estava escrito na carta que teria sido o último contato entre pai e filha. Sem saber o que responder, já que não leu a carta, Criméia disse à menina que com certeza o pai a amava e queria reafirmar esse amor, já que contatar a família, naquela época de clandestinidade, era muito perigoso. "Acredito que ele escreveu para a filha porque temia que, por ela ser muito pequena, pudesse esquecê-lo. Com os pais e os irmãos era diferente, porque ele sabia que era amado por eles", avalia. =========================================================================================== + Detalhes. "A esperança estava acabada" "Pouquíssima coisa eu soube do meu pai. Então eu fiquei super feliz de ter uma pessoa que me falou alguma coisa do meu pai, porque ninguém me falava nada. Para minha família - minha vó, meu tio, minha tia - era como se ele não existisse. Como um pai assim fictício. Eu só fiquei triste de saber o que ocorreu... pelo fato de saber que nunca mais ele ia voltar, que não podia mais ter expectativa, que esta esperança realmente estava acabada". Rosana Momente, filha de Orlando Momente, desaparecido na guerrilha do Araguaia desde 1973. Orlando casou-se em 1961 e em 1964 entrou na clandestinidade, indo para o sul do Pará, onde desapareceu. Somente muito mais tarde, 18 anos depois, Rosana ficou sabendo a verdadeira identidade do seu pai. (do livro crianças e adolescentes) ===================================================================================================================== + Detalhes. 15 filhos de guerrilheiros brasileiros falam de suas vidas em meio ... www.socialismo.org.br/.../1981-15-filhos-de-guerrilheiros-... - Em cache 14 abr. 2011 - 15 filhos de guerrilheiros brasileiros falam de suas vidas em meio à ditadura ... A narrativa cabe aos filhos dos presos políticos, ... 15 filhos de guerrilheiros brasileiros falam de suas - BLOG DO MELLO blogdomello.blogspot.com/.../15-filhos-de-guerrilheiros-br... - Em cache 12 abr. 2011 - "15 Filhos" é um "documentário que retrata a época da ditadura militar através da memória de infância dos filhos de militantes presos, ... YouTube - 15 Filhos (part 1 of 2) www.youtube.com/watch?v=u0bzuuW7anc8 min - 2 set. 2010 - Vídeo enviado por bizzoca22 O documentário "15 filhos", de Maria Oliveira e Marta Nehring, retrata a época da ditadura militar no Brasil por meio da memória de ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110712/e2c4d279/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6281 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110712/e2c4d279/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 33606 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110712/e2c4d279/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 186 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110712/e2c4d279/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 12 20:21:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 12 Jul 2011 20:21:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] "Se dependesse da Globo, eu estaria morta" - Maria Luisa de Melo - JB / Blog do Miro Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: urarianoms terça-feira, 12 de julho de 20 "Se dependesse da Globo, eu estaria morta" Por Maria Luisa de Melo, no Jornal do Brasil: ?Se dependesse da TV Globo, eu estaria morta?. A declaração da jornalista Cristina Guimarães ? vencedora do Prêmio Esso em 2001, junto com Tim Lopes, pela série ?Feira das drogas? ? promete causar polêmica e agitar os bastidores do caso que ficou conhecido em todo o país. De volta ao Brasil após passar oito anos se escondendo de traficantes da Rocinha, que ameaçavam matá-la depois de reportagem veiculada no Jornal Nacional, ela conta em livro como a TV Globo lhe virou as costas e garante que o jornalista poderia estar vivo se a emissora tivesse dado atenção às ameaças recebidas. De acordo com Cristina, sete meses antes de Tim ser morto por traficantes do Complexo do Alemão, ela entrou com uma ação judicial de rescisão indireta, na qual reclamava da falta de segurança para jornalistas da emissora. As denúncias integram o livro que está sendo escrito por Cristina e deve ser lançado nos Estados Unidos, no início do próximo ano. A obra, segundo a jornalista e publicitária, também deve virar filme. ?Não dava para escrever meu livro no Brasil. Aqui a Globo ainda tem uma influência muito forte e a obra poderia ser abafada de alguma maneira. Com o apoio do governo americano, fica mais fácil lançar nos EUA?, pondera. O que motivou as suas denúncias de omissão contra a TV Globo na Justiça? Trabalhei durante 12 anos na TV Globo. Em 2001, estava fazendo produção para o Jornal Nacional junto com o Tim Lopes. Produzíamos as matérias de jornalismo investigativo do telejornal. Quando o Tim trouxe o material da feira de drogas ao ar livre na Favela da Grota (Complexo do Alemão), a chefia de reportagem me chamou e perguntou se eu conhecia outras feiras deste tipo. Respondi que na Rocinha e na Mangueira o mesmo acontecia e a chefia do JN me pediu para fazer imagens lá. Fui três vezes à Rocinha e duas à Mangueira, para conseguir um bom material. Na primeira vez que estive nos dois lugares, reclamaram que as imagens não estavam boas e exigiram que eu voltasse até o material estar com boa qualidade. O grande problema começou um mês depois da exibição da série. Comecei a ser duramente ameaçada por traficantes, sem nenhum respaldo da emissora, e decidi ingressar com uma ação judicial pedindo segurança. Quando começaram as ameaças de traficantes? Por volta de um mês depois da exibição das matérias, começaram a me telefonar de um orelhão que fica dentro da Favela da Rocinha me chamando de ?Dona Ferrada? e dizendo que me pegariam. Diziam também que eu não escaparia, era questão de tempo. Diante das constantes ligações, conversei com a chefia do JN e pedi proteção. Fui ignorada. Dias depois, sequestraram um produtor do Esporte Espetacular, o levaram para um barraco na Rocinha. Bateram muito no coitado. Os traficantes queriam saber se ele sabia quem tinha ido à favela fazer as imagens, mas o produtor não sabia. Era de uma editoria diferente da minha e realmente não sabia. O que me assustou foi que a TV Globo não me falou nada. Eu estava voltando de um mês de férias e soube do episódio pela Folha de S. Paulo. Quiseram abafar as ameaças e a ligação entre os dois casos: as ameaças feitas contra mim e o sequestro do Carlos Alberto de Carvalho. O episódio me deixou ainda mais assustada, porque aí eu tive a certeza de que não podia contar com a emissora para nada. Procurei a polícia, registrei o caso na 10ª DP (Gávea), mas acho que sentaram em cima do processo. Na verdade, devem estar esperando para ouvir a outra parte ? os traficantes. (risos). Então, com a denúncia à polícia as ameaças não pararam? Muito pelo contrário. A coisa corria solta e ninguém fazia absolutamente nada. Mas o que tirou meu sono foi quando prenderam um garoto da Rocinha que pagava propina a um coronel. Fui cobrir o caso e me desesperei. Ao encontrar o moleque detido, ele olhou bem para mim e disse ?É, tia! Eu tô ferrado, mas tu também tá. Tá todo mundo atrás de você lá na Rocinha. Tua cabeça tá valendo R$ 20 mil?. Naquele momento, tomei a dimensão da situação em que eu me encontrava. Ele descreveu a roupa que eu usava quando ia à favela fazer as imagens. Todo o meu disfarce: meu boné surrado, a bermuda, a cor da camiseta. Com o processo você conseguiu desligamento da TV Globo? Sim. Por meio da ação judicial que emplaquei no Ministério do Trabalho, meu vínculo com a TV Globo acabou. Sinceramente, hoje eu tenho mais medo da TV Globo do que dos traficantes. O traficante pode te ameaçar e ser violento. No entanto, ele avisa e depois cumpre. A TV Globo é traiçoeira. Enquanto você é subordinado e faz o que te pedem, você é bonzinho. Já quando você questiona os riscos que ela te impõe e se nega a fazer alguma coisa por temer pela sua própria vida, você é tachado de louco. Traficantes me parecem mais confiáveis. Você acha que estaria morta se não tivesse travado uma briga judicial com a TV Globo para não ser mais obrigada a produzir matérias que colocassem sua vida em jogo? Já estaria morta há muito tempo. A Globo não quis saber se eu corria risco de vida. Os meus chefes diziam que as ameaças que eu recebia por telefone eram coisas da minha cabeça. Não me arrependo de ter largado a Globo para trás. A minha vida vale muito mais do que R$ 3.100, que era o meu salário em 2001. A morte do Tim poderia ter sido evitada pela emissora? Sem dúvida nenhuma. Eu falei sobre os riscos que estávamos correndo sete meses antes de os traficantes do Alemão matarem o Tim Lopes. Eu implorei por atenção a estas ameaças e o que fez a TV Globo? Ignorou tudo. Sete meses depois, eles pegaram o Tim. Na ocasião do Prêmio Esso, antes de o Tim ser morto, eu liguei para ele e o alertei sobre os riscos de ter exposto seu rosto nos jornais. Na nossa profissão, é preciso ter muito cuidado para mostrar a cara. É muita ingenuidade achar que traficante não assiste TV e não lê jornal. Procurada pela reportagem do Jornal do Brasil, a assessoria da Rede Globo não retornou às solicitações para esclarecimento das acusações desta matéria. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110712/c88e5f51/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jul 13 19:48:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 13 Jul 2011 19:48:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__PEDRO_JER=D4NIMO_DE_SOUSA____________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CXC-?= Message-ID: <2D5B79BBA3B5448C8A149FD31F499D94@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem PEDRO JERÔNIMO DE SOUSA (1912 - 1975) Filiação: Catarina Evangelista de Souza e José Jerônimo de Souza Data e local de nascimento: 30/06/1912, Aracatí (CE) Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 17/09/1975, Fortaleza (CE) Pedro Jerônimo era cearense de Aracatí, mudou-se muito cedo para Fortaleza e trabalhou como viajante-vendedor para laboratórios farmacêuticos e para outros segmentos comerciais. Ingressou no PCB nos anos 1940 e exerceu papel importante na reestruturação partidária, depois que o registro legal desse partido foi cassado em 1948. Integrou a direção municipal de Fortaleza e também fez parte do Comitê Estadual do Ceará. Após o Golpe de Estado de 1964, já atuando na clandestinidade, desempenhou as funções de tesoureiro durante vários anos. Também participou do Diretório Municipal do MDB em Fortaleza, durante o período em que os integrantes do PCB atuavam legalmente no único partido de oposição que o regime ditatorial consentia. Em 11/09/1975, foi preso e levado para o DOI-CODI quando seguia de ônibus por um bairro da capital cearense. Um amigo que estava no mesmo ônibus comunicou o fato à família e, alguns dias depois, foi possível visitá-lo preso. No dia 17, entretanto, os familiares foram informados por agentes do DOPS que Pedro Jerônimo havia se suicidado dentro de sua cela. O legista Francisco Noronha Filho assinou o laudo indicando como causa da morte "asfixia mecânica por enforcamento". O corpo apresentava diversos hematomas que, segundo os policiais, se deviam à forma como Pedro cometeu o suicídio. Segundo explicavam cinicamente, por ter se enforcado com uma toalha de rosto amarrada em lugar de pouca altura, foi forçado a debater-se contra as paredes e o chão da cela para conseguir o seu intento. Seis meses depois, a família solicitou exumação do cadáver e o exame pericial constatou as diversas torturas sofridas, desmontando completamente a versão do suicídio. Vinte anos depois, um depoimento do advogado Pádua Barroso, prestado em 18/12/1995 à Comissão de Direitos Humanos da OAB do Ceará, voltou a desmascarar a explicação oficial. Pádua mostrou a autópsia realizada no corpo de Pedro, onde há registro de inúmeras fraturas ósseas, e informou ter acompanhado pessoalmente a exumação, "...realizada dentro de um cerco de guerra, tendo em vista que o cemitério Parque da Paz foi tomado por viaturas da PM e da PF; ...a razão da presença dos policiais no cemitério era amedrontar os peritos e os familiares bem como as demais pessoas que estavam interessadas no esclarecimento da morte de Pedro Jerônimo". O relator do processo de Pedro Jerônimo na CEMDP anexou ao seu voto declarações de um tenente coronel da PM do Ceará - cujo nome foi omitido para preserva-lo -, concedidas ao advogado Pádua Barros sobre a prisão e morte de Pedro Jerônimo de Sousa: "Tudo funcionou deste modo - o Chefe da 2ª Secção do QG da 10ª RM, tenente coronel Francisco Valdir Gomes, despachou o Pedido de Busca; a prisão foi efetuada por dois agentes policiais chefiados por um tal de Dr. Evandro, que se supõe tratar-se de oficial do Exército; feita a prisão, levaram Pedro Jerônimo para o Quartel de Guardas (DOI); aí o major Luís Marques de Barros mandou que levassem Pedro Jerônimo para a Casa de Hóspedes, no bairro de Mata Galinha... deram logo uma pancada no frontal de Pedro Jerônimo. Após uma série de sofrimentos foi sentado num banco, sem encosto, e um brutamonte deles se aproximou pelas costas, curvou um joelho encostando-lhe na coluna dorsal e tentou sufocá-lo com um instrumento escuro, puxando nas duas extremidades para trás... e quebrou o pescoço de Pedro Jerônimo. Arrepiados com o crime que cometeram, prepararam, em conluio com o DPF e o DOPS, o enforcamento suicida". O relator acrescentou que os depoimentos de Tarcisio Leitão de Carvalho, Alfredo de Abreu Pereira Marques e de Sarah Pinheiro Sousa (esposa de Pedro) prestados à Comissão de Direitos Humanos da OAB/Ceará, eram plenamente suficientes para atestar a participação de Pedro Jerônimo em atividades políticas de oposição, bem como o fato da prisão e as condições da morte. Além disso, o deputado Alfredo Marques, do MDB, denunciou da tribuna da Assembléia Legislativa de Pernambuco o tenente Horácio Marques Gondim como um dos responsáveis por mais esse assassinato. Numa rápida síntese, assim Elio Gaspari abordou esse episódio no livro A Ditadura Encurralada: "No dia 17, o DOI do Ceará divulgou uma nota informando que o vendedor Pedro Jerônimo de Souza, militante do PCB e membro do diretório do MDB de Fortaleza, se suicidara na prisão. Tinha 61 anos. Era o 37º suicida do regime, o 17º a se enforcar. No caso, com uma toalha de rosto". ================================================================================================================= + Informações. PEDRO JERÔNIMO DE SOUZA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu em 30 de junho de 1914, em Mutamba, município de Icapuí (CE), filho de José Gerônimo de Souza e de Catarina Evangelista de Souza. Ainda jovem, foi residir em Fortaleza, trabalhando como viajante-vendedor a serviço de vários laboratórios farmacêuticos e em outras atividades ligadas ao comércio. Nos anos 40, ingressou no PCB, tendo papel importante a partir de 1948 na reestruturação do Partido, após a cassação de seu registro. Foi da direção municipal e do Comitê Estadual do Ceará. Após o golpe Militar de 1964, já clandestino, Pedro foi tesoureiro do Partido durante vários anos. Foi membro do Diretório do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Fortaleza. Em 11 de setembro de 1975, quando viajava em um ônibus num bairro de Fortaleza, foi preso e levado para o DOI-CODI/CE. Um amigo que viajava no mesmo ônibus, comunicou o fato à família. Depois de alguns dias seus familiares conseguiram visitá-lo. NO DIA 17 DE SETEMBRO DE 1975, SEUS FAMILIARES FORAM INFORMADOS POR AGENTES DO DOPS DE FORTALEZA DE QUE TERIA SE SUICIDADO, DENTRO DA CELA EM QUE SE ENCONTRAVA. O CORPO APRESENTAVA DIVERSOS HEMATOMAS QUE, SEGUNDO OS POLICIAIS, FORAM EM CONSEQÜÊNCIA DO MODO COMO SE SUICIDOU: ENFORCOU-SE COM UMA TOALHA DE ROSTO, QUE FOI AMARRADA EM UM LUGAR DE POUCA ALTURA, O QUE O FORÇOU A DEBATER-SE CONTRA AS PAREDES E O CHÃO DA CELA, PARA CONSEGUIR FINALMENTE O SEU INTENTO. Seis meses após sua morte, a família solicitou exumação do cadáver e o exame pericial constatou torturas, fazendo cair por terra a farsa do suicídio. Outro fato significativo que desmascara a versão oficial foi apresentado pelo advogado Pádua Barroso ao mostrar a autópsia realizada no corpo de Pedro, que registra a existência de inúmeras fraturas ósseas, que não poderiam ter sido ocasionadas com o corpo se debatendo contra as paredes e o chão. O deputado Alfredo Marques, do MDB, denunciou da tribuna da Assembléia Legislativa de Pernambuco, o tenente Horácio Marques Gondim, como um dos assassinos de Pedro. =========================================================================================== + Informações. Pedro Jerônimo de Souza Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Pedro Jerônimo de Souza Cidade: (onde nasceu) Icapuí Estado: (onde nasceu) CE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 30/6/1914 Atividade: Comerciário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Prisão: 11/9/1975 Fortaleza CE Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 17/9/1975 Fortaleza CE Brasil DOI-CODI/CE Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/CE DOI-CODI/CE ============================ Tenente HorácioMarquesGondim Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) ==================================================================== + Detalhes. Homenagens e plenária marcam aniversário do PCdoB em Icapuí O PCdoB de Icapuí realizará neste sábado (19/03) uma confraternização com filiados e amigos do Partido em homenagem aos 89 anos do PCdoB. O encontro será na rua principal da sede do Distrito de Ibicuitaba. Vereador Marcus Nunes e o deputado federal Chico Lopes são lideranças do PCdoB no Ceará. Na programação estão previstas a realização da Plenária "Icapuí uma Experiência de Vida" além das homenagens a João Tavares de Souza e Pedro Jerônimo de Souza, comunistas historicamente ligados a Icapuí perseguidos até a morte. Segundo o vereador do PCdoB, Marcus Nunes a trajetória dos comunistas em Icapuí é marcada pelo compromisso com as lutas dos trabalhadores, com o desenvolvimento da cidade e a melhoria das condições de vida de sua população. "Somos um partido que vive o dia a dia da população e nosso mandato está a serviço da luta", afirmou o parlamentar comunista. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110713/1d07414a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10006 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110713/1d07414a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13711 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110713/1d07414a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jul 13 19:49:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 13 Jul 2011 19:49:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Impunes=2E_At=E9_quando=3F?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Impunes. Até quando? Redação Carta Capital 13 de julho de 2011 às 17:20h Em 30 de agosto de 2010, seis procuradores da República em São Paulo assinaram uma ação civil pública que pedia à Justiça Federal a condenação de três ex-agentes da ditadura militar acusados de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios, em serviço e nas dependências de órgãos da União durante o regime militar (1964-1985). O documento, de 59 páginas, era resultado de uma extensa compilação de relatos, retirados de investigações e documentos oficiais - como processos de auditorias militares, arquivos do Dops e livros, entre eles "Brasil: Nunca Mais" e "Direito à Memória e à Verdade" -, sobre as crueldades praticadas pelos policiais nos porões do Doi/Codi, os órgãos de repressão do regime. Em junho de 2008, CartaCapital publicou a matéria "Impunes, por enquanto". Nela, os repórteres Gilberto Nascimento e Rodrigo Martins conversaram com o delegado Dirceu Gravina, um dos réus da Ação Civil Pública do Ministério Público. Leia aqui a reportagem Em um dos testemunhos contido na ação, uma militante chegou a relatar o dia em que, após tomar choques "nos ouvidos, na boca, nos tornozelos, nos seios, no ânus, na vagina", caiu numa cama de campanha, quase desmaiada, e acordou sendo observada pelos filhos, de cinco e quatro anos, trazidos pelos torturadores para observá-la em seu estado. "Colocaram-me na cadeira do dragão, toda urinada e suja de vômito e me exibiram as crianças. Jamais esquecerei que Janaína (a filha) perguntou: mãe por que você está roxa e o pai, verde?". Com base nesses relatos, e nos reconhecimentos das vítimas dos autores de crimes como este, o Ministério Público Federal iniciou uma batalha na Justiça pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias de três delegados da Polícia Civil paulista que, segundo a ação, participaram diretamente dos atos. Os procuradores pediam a responsabilização pessoal de Aparecido Laertes Calandra (codinome Capitão Ubirajara), David dos Santos Araújo (capitão Lisboa) e Dirceu Gravina (JC), os dois primeiros aposentados e o terceiro ainda na ativa, além da condenação a reparação por danos morais coletivos e restituição das indenizações pagas pela União. Eles foram reconhecidos por várias vítimas ou familiares em imagens de reportagens veiculadas em jornais, revistas e na televisão. Flagrado em Presidente Prudente em 2008, Dirceu Gravina é um dos réus na ação movida pelo MPF. Uma das torturadas diz poder afirmar com certeza que ele, cujo codinome era JC, a torturou no Doi/Codi. Foto: José Reis A ação, no entanto, foi rejeitada em março pela juíza Diana Brunstein, da 7ª Vara Federal Cível, que baseou-se na validade da Lei de Anistia para considerar que a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ainda não havia se pronunciado sobre o tema e, portanto, não caberia a ela decidir sobre o caso. O Ministério Público Federal em São Paulo recorreu da decisão. Em maio, o órgão ingressou com embargos declaratórios - recurso interposto ao próprio juiz do caso - visando correção do que classificou como "erro de fato" e omissão da decisão judicial. Leia aqui a Ação Civil Pública movida pelo MPF O MPF considerou que a sentença continha "erro de fato", pois foi proferida em março de 2011, partindo da ideia de que a Corte Interamericana de Direitos Humanos ainda não havia se pronunciado sobre o caso brasileiro de omissão quanto à responsabilização das violações aos direitos humanos perpetradas durante a ditadura militar. Os procuradores lembraram que a decisão da Corte já havia sido proferida em novembro de 2010 e que o MPF havia juntado cópia aos autos por ocasião de sua réplica. O MPF espera agora que a sentença seja revista com base neste argumento. O recurso, mais uma vez, foi rejeitado pela juíza, segundo quem não cabe à Justiça Federal de primeira instância discutir questões de direito internacional. "As decisões proferidas pela Corte Internacional de Direitos Humanos sujeitam-se às regras firmadas em tratado internacional, competindo aos Estados signatários as providências convencionais de seu cumprimento, operando-se aí mecanismos de Direito Internacional", escreveu. Diante da nova recusa, os procuradores anunciaram nesta segunda-feira 11 que encaminharam a apelação do caso ao Tribunal Regional Federal (TRF). Está, portanto, nas mãos dos desembargadores federais tomarem providência para que, conforme argumentam os procuradores, ao menos neste caso seja concluída a "transição à democracia e a consolidação do Estado de Direito". "Certamente, dar um basta a essa intolerável inércia é de interesse de toda a coletividade", aponta a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga, autora da apelação. Segundo ela, "os órgãos integrantes do sistema de Justiça brasileiro não podem recusar a sentença condenatória da Corte Interamericana sob a alegação de prevalência do direito constitucional interno, pois é este mesmo direito constitucional que vinculou o Estado à autoridade do tribunal internacional". A apelação também contesta a afirmação da juíza de que a Lei da Anistia afasta a tese da responsabilização civil por ato ilícito. "Na verdade ocorre exatamente o contrário. As responsabilidades civil, penal e disciplinar convivem de maneira independente no ordenamento jurídico pátrio", aponta. Carta Capital -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110713/4be33dd4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24633 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110713/4be33dd4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 14 19:10:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 14 Jul 2011 19:10:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__MILTON_SOARES_DE_CASTRO_____________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CXCI-?= Message-ID: <76AE44E84021413A9672FC8FB4305B0B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MILTON SOARES DE CASTRO (1940 - 1967) Filiação: Universina Soares de Castro e Marcirio Palmeira de Castro Data e local de nascimento: 23/06/1940, Santa Maria (RS) Organização política ou atividade: MNR Data e local da morte: 28/04/1967, Juiz de Fora (MG) Gaúcho de Santa Maria, Milton Soares de Castro trabalhava em Porto Alegre (RS) como operário metalúrgico, quando se vinculou ao MNR para participar da frente guerrilheira da Serra do Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. Ele e mais 12 militantes haviam ocupado a serra para mapear o local onde seria feito treinamento de guerrilha. Todos foram presos pela Polícia do Exército, no dia 01/04/1967, sendo levados depois para a Penitenciária Estadual de Linhares, em Juiz de Fora (MG). Companheiros de Milton, presos na mesma época, afirmam que ele foi morto em conseqüência de uma discussão com o major Ralph Grunewald Filho, já falecido, o qual assumiu, logo após a morte de Milton, o comando do 10º Regimento de Infantaria de Juiz de Fora. Após a discussão, Milton foi recolhido a uma cela isolada. No dia seguinte, 28/04/1967, estava morto. Segundo a versão oficial, Milton teria se suicidado por enforcamento, fato desmentido por depoimentos dos próprios soldados do quartel, que disseram ter visto seu corpo sangrando abundantemente ao ser retirado da cela. Preso junto com Milton em Linhares, Gregório Mendonça, também do MNR e depois da VPR, nunca acreditou na versão de suicídio. Ele diz que o amigo teria passado por um longo interrogatório no Quartel general Regional, na noite que antecedeu sua morte. Gregório estava lá quando o corpo do companheiro foi retirado da cela. "Ele foi levado dentro de um lençol, como um embrulho. O que ninguém sabe é se Milton morreu na cela ou se foi colocado dentro dela morto. Ele estava sendo pressionado pelo Exército para entregar outros companheiros". A necrópsia realizada no Hospital Geral de Juiz de Fora, em 28/04/1967, pelos médicos Nelson Fernandes de Oliveira e Marcus Antônio Nagem Assad, descreve algumas equimoses em suas pernas, principalmente nos joelhos, mas confirma a versão oficial de suicídio por enforcamento. A certidão de óbito atesta sua morte no mesmo dia 28, na Penitenciária de Juiz de Fora, sendo assinada pelo legista J. Guadalupe, que não participou do exame. Milton foi enterrado como indigente. O relator do caso na CEMDP, concluiu que, "Milton teve efetivamente participação em atividades políticas, tendo sido preso em conseqüência desta atividade, vindo a falecer por causa não-natural, em dependência policial". Em 28/04/2002, 35 anos depois do ocorrido, o jornal Tribuna de Minas publicou a matéria Cova de militante desaparecido é encontrada em Juiz de Fora, assinada pela jornalista Daniela Arbex, contestando a versão do Exército. Segundo a reportagem, "O atestado de óbito, encontrado pela Tribuna, indica equivocadamente que o sepultamento de Milton ocorreu no Cemitério Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ao contrário do que está escrito no documento, o guerrilheiro da Serra do Caparaó foi enterrado na sepultura número 312, quadra L, do Cemitério Municipal de Juiz de Fora. Um lugar que, de tão óbvio, nunca foi cogitado pelos familiares do militante e nem por pesquisadores, nestes 35 anos. Milton foi enterrado na cidade às 14h do dia 29 de abril de 67, conforme registro do livro de óbito do cemitério". Ainda na matéria, "segundo o irmão de Milton, Edelson Soares de Castro, hoje com 55 anos, sua mãe passou vários anos em busca do corpo do filho, porém jamais conseguiu do Exército a informação sobre onde teria sido sepultado". "Para nós, disseram apenas que era sigilo militar. Somente, agora, com esta matéria, pudemos saber que, enquanto o Exército negociava conosco a entrega do corpo de nosso irmão, ele já havia sido enterrado". A matéria traz ainda depoimento inédito do vice-diretor da Penitenciária, na época, Jairo Vasconcelos. Ele estava na unidade quando Milton e seus companheiros foram capturados na Serra de Caparaó. "Me impressionou o aparato montado para trazê-los para cá. Os militantes estavam com aspecto físico deplorável. Além de algemados no caminhão que os trouxe, estavam presos uns aos outros. A ficha deles estava acompanhada com o termo: perigosos". Em 1980, Vasconcelos deixou a penitenciária. Quando retornou, cinco anos depois, todas as fichas sobre esses militantes haviam desaparecido. Mesmo com as descobertas do Tribuna de Minas sobre o lugar onde o corpo de Milton foi enterrado, os familiares optaram por não fazer a exumação dos restos mortais. A irmã de Milton, Gessi Soares, 65 anos, disse que o assunto lhe trazia muitas lembranças dolorosas. "O que fizeram com o Milton não se faz nem com um bicho. Ele tinha um ideal, queria mudar o país. Quando soubemos de sua morte, lutamos por muito tempo para que o Exército nos entregasse seu corpo. Não tivemos o direito de velar por nosso irmão". ================================================================================================================= + Informações. MILTON SOARES (PALMEIRA) DE CASTRO Militante do MOVIMENTO NACIONALISTA REVOLUCIONÁRIO (MNR) Operário metalúrgico, preso juntamente com vários companheiros, na Serra do Caparaó, quando da repressão ao movimento guerrilheiro que ali se iniciava. Naquela ocasião todos os presos foram levados para um quartel do Exército em Juiz de Fora, MG. Companheiros de Milton, presos na mesma época, afirmam que ele teria sido morto em conseqüência de uma discussão com o Major Half, o qual assumiu, logo após o seu assassinato, o comando do 10º RI de Juiz de Fora. Após a discussão, Milton foi recolhido a uma cela isolada. No dia seguinte, 12 de abril de 1967, apareceu morto nesta mesma cela. Segundo a versão oficial, Milton teria se suicidado por enforcamento, o que foi desmentido pelos depoimentos dos próprios soldados do Quartel, que diziam que seu corpo sangrava abundantemente ao ser retirado da cela, anulando a hipótese do enforcamento. A necrópsia, feita no Hospital Geral de Juiz de Fora, em 28 de abril de 1967, pelos Drs. Nelson Fernandes de Oliveira e Marcus Antonio Nagem Assad, descreve algumas equimoses em sua pernas, principalmente nos joelhos, mas confirma a versão oficial da repressão de suicídio (enforcamento). A certidão de óbito dá sua morte no mesmo dia 28, por enforcamento, na Penitenciária de Juiz de Fora e é assinada pelo Dr. J. Guadalupe (que não havia feito a necrópsia). Milton foi enterrado pela família no Cemitério de Santa Maria, Rio Grande do Sul. ======================================================================================== + Detalhes. Reportagem edição 46 - Agosto 2007 Entre Cabras e Ratos Em 1966 um grupo de 20 militantes instalou na serra do Caparaó a primeira guerrilha contra a ditadura militar por José Caldas da Costa Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo Soldados cercam suspeito de pertencer à guerrilha Após o golpe de 1964, mais de mil militares foram expulsos do exército, da marinha e da aeronáutica. De praças a oficiais, todos foram acusados de subversão. Obrigados a deixar as Forças Armadas, também não podiam trabalhar em outras profissões. "Treinam o homem como soldado e depois que o imprensam contra a parede, ele reage. Até um rato reagiria, quanto mais um soldado", resume o sargento do exército Araken Vaz Galvão. Dois anos depois, ele participaria da primeira insurgência armada contra o regime militar, a guerrilha do Caparaó. A reação ao golpe veio da parte mais fraca da corda: os praças e oficiais subalternos. Os militares expulsos que ousaram continuar lutando tinham uma história de forte envolvimento com os grandes temas nacionais. Entraram nas Forças Armadas em um momento em que o nacionalismo estava em alta e boa parte deles participou da campanha "O Petróleo é Nosso" e da fase de afirmação do país na exploração deste precioso líquido. Viveram a crise do suicídio de Getúlio Vargas, a tensão da tentativa de derrubada de Juscelino Kubitschek e estavam na Campanha da Legalidade (ver Glossário) levantada pelo governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola. O marechal Henrique Lott, então ministro da Guerra, criara uma política de promoção para incentivar os estudos e muitos sargentos aproveitaram bem a oportunidade. Inicialmente, lutaram por melhorias das condições de trabalho, o que os levou à fundação do Movimento dos Sargentos sob o lema "Sargento também é povo fardado". Aproximaram-se dos ferroviários, categoria mais organizada entre os trabalhadores do Rio de Janeiro, e das entidades estudantis. Conseguiram aumentar sua participação política, iniciando os anos 60 com uma nova legislação eleitoral que permitia a candidatura de sargentos a mandatos eletivos. Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo O comandante da guerrilha Amadeu Felipe da Luz Ferreira após ser capturado Em cada uma das três forças - exército, marinha e aeronáutica - as organizações de sargentos estavam fortalecidas. Logo os marinheiros também criaram sua associação. Cada grupo desses pretendia melhorar suas condições de vida. Os marinheiros, por exemplo, lutavam por direitos básicos, como casamento, tratamento humanizado, uso de trajes civis etc. A corrente de oficiais de direita, insensível a essas reivindicações, interpretava-as como infrações disciplinares. O discurso de combate ao comunismo crescia nos setores mais conservadores da sociedade e dos militares, criando uma aliança perfeita para um golpe, sob patrocínio dos Estados Unidos, então preocupados com o crescimento da influência cubana na América Latina. Quando o general Mourão Filho partiu com uma pequena tropa de Juiz de Fora (MG) rumo ao Rio de Janeiro, precipitando o golpe, a direita militar não estava devidamente mobilizada, mas a indecisão do governo para reagir à insubordinação facilitou a tarefa dos insurgidos. João Goulart deposto, logo o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco estaria na cadeira de presidente. Seguiram-se prisões, expulsões, torturas e morte dos que se posicionavam contra os novos interesses. As primeiras vítimas do regime militar foram os sargentos e os marinheiros. Bastava não concordar com a solução imposta pelo golpe para ser considerado comunista e inimigo do povo. Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo Os guerrilheiros que conseguiram escapar do cerco militar foram presos na BR 116 Sob a liderança de Amadeu Felipe da Luz Ferreira, os sargentos estavam convencidos de que não havia outra maneira de resistir a não ser através da guerra de guerrilhas, adotando princípios do francês Régis Debray - princípios que ele depois rejeitaria. O cenário internacional contribuiu muito para essa avaliação: naquele momento, o revolucionário Ernesto Che Guevara pregava a reação à crescente intervenção americana na América Latina com a criação de "milhares de Vietnãs". Ou seja, focos guerrilheiros capazes de desestabilizar qualquer regime. Enquanto os sargentos reagrupavam-se clandestinamente, os jovens da organização Polop (Política Operária) também planejavam enfrentar o regime pela luta armada. Escolheram o vale do rio Doce, onde pensavam ser possível atingir em cheio a Estrada de Ferro Vitória-Minas. Chegaram a visitar a serra do Caparaó, fazendo estudos para uma ação futura, mas a tentativa foi abortada ainda na fase de planejamento, com a prisão de seus líderes em um apartamento em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Na organização da resistência, os militares expulsos decidiram buscar apoio no Uruguai, onde Leonel Brizola e o ex-presidente João Goulart estavam exilados. Os sargentos aproximaram-se de Brizola durante a Campanha da Legalidade e queriam tirar proveito dessa amizade. Criaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), mas o líder gaúcho não tinha a menor simpatia pela guerrilha e acreditava mais no controle que teria sobre as Brigadas Militares do Rio Grande do Sul. Por duas vezes, os sargentos tentaram realizar levantes no estado e fracassaram. Cobraram de Brizola o cumprimento da promessa de apoiá-los na incursão foquista caso o levante não desse certo. Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo Soldado camuflado na operação que prendeu os integrantes do movimento Após uma tentativa abortada de instalar-se na serra do Mar, em Santa Catarina, o grupo partiu para a serra do Caparaó, entre o Espírito Santo e Minas Gerais. Uma engenhosa operação transportou as armas do sul até o sudeste por ônibus, trem e até em uma Kombi da Kellog's. Os guerrilheiros foram chegando em pequenos grupos ou individualmente, a partir de meados de junho ou julho de 1966, e instalaram-se em uma propriedade da família do sargento pára-quedista Anivanir Martins Leite, em São João do Príncipe, Iúna (ES). Simulariam uma criação de cabras. Quando começaram as operações de reconhecimento da região, os guerrilheiros foram surpreendidos com a notícia da morte, sob tortura, de um de seus antigos líderes, o sargento Manoel Raimundo Soares. Ele havia sido preso em março, em Porto Alegre, logo após a segunda tentativa frustrada de levante, e foi assassinado com as mãos amarradas em agosto de 1966, nas águas do rio Jacuí, que deságua no lago Guaíba. A direção em Caparaó era oriunda do exército: o sargento Amadeu Felipe da Luz Ferreira no comando militar, tendo como subcomandantes o sargento Araken Vaz Galvão e o subtenente Jelcy Rodrigues. Um dos primeiros a chegar foi um civil, o gaúcho Milton Soares de Castro. Integraram-se Avelino Capitani, Edival Mello e Amaranto Jorge Rodrigues, todos da marinha e treinados em Cuba. Estavam ainda no grupo o sargento da Aeronáutica Josué Cerejo Gonçalves, o sargento marinheiro Jorge José Silva, o marinheiro João Jerônimo da Silva e o sargento do exército Daltro Jacques Dornellas, além de três pessoas da família dele: o também sargento Dirceu Dornellas, que dava retaguarda na cidade, seu pai Afonso e seu irmão mais novo, Luiz Carlos, que operaram um armazém de apoio em Guaçuí (ES). Dário Viana Reis, primeiro-tenente do exército, emprestou a propriedade onde foram escondidas as armas no Rio Grande do Sul, antes de serem conduzidas ao Caparaó. O capitão Juarez Alberto de Souza Moreira ajudou a escolher a região e abastecia a guerrilha com alimentos transportados num jipe com placas de Nilópolis (RJ). Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo Na serra do Caparaó os habitantes, preocupados apenas com sua subsistência, deparam com a ditadura O comando urbano era do presidente do proscrito PSB, professor Bayard Demaria Boiteux, que recrutou como colaborador direto o estudante de direito Amadeu Rocha. Eles eram responsáveis pela ligação com o Uruguai, onde tinham o apoio de Paulo Schilling junto a Brizola.Mais tarde, ligou-se a este comando o ex-bancário Hermes Machado Neto, que também foi preparado pelo regime cubano. Ele esteve na serra como observador de Amadeu Rocha. Nas primeiras semanas, o grupo era maior, com o civil Gregório Mendonça, o professor Alfredo Néri Paiva, treinado em Cuba, o subtenente Itamar Maximiano Gomes e os sargentos José Carlos Bertoncellos e Pedro Espinosa. Alguns desistiram logo, ao perceber como era dura a tarefa de empreender uma guerrilha. O sargento Deodato Fabrício Batista participou do movimento ainda na ativa. Pouco a pouco, os guerrilheiros fizeram incursões de reconhecimento da serra e fixaram depósitos de comida e armamentos em pontos estratégicos. Precisavam prevenir-se para as ações, que chegaram a ser planejadas para a cidade mineira de Presidente Soares - hoje Alto Jequitibá -, mas não foram executadas. Esta primeira fase visava à adaptação. Pretendiam, em seguida, atuar para chamar a atenção do país para o fato de haver uma insurreição contra o regime. De acordo com a teoria do foco guerrilheiro, a partir daí outros grupos se levantariam e, em pouco tempo, os militares teriam de ceder ao clamor da nação por liberdade. Mapa: Alexandre Mattiuzzi Em plena mata fechada, na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo, homens contrários à ditadura militar decidiram iniciar um combate armado. Eles acreditavam que a iniciativa suscitaria um levante por todo o país Alguns contatos foram feitos com moradores da região, na tentativa de ganhá-los para a causa. Mas descobriram uma população alheia ao regime de arbítrio, resignada com as difíceis condições de vida na região e mais preocupada com a sobrevivência do que com as grandes questões políticas nacionais ou internacionais que moviam os combatentes. Em vez de conquistar, a movimentação dos guerrilheiros gerou desconfiança nos habitantes do local. Quando começou a faltar o dinheiro de Cuba, a fome se abateu sobre o grupo, que até ovo choco comeu. Com a instalação do armazém de Guaçuí (ES) a situação foi regularizada, mas estrago já estava feito. Para piorar, havia um inimigo invisível: os ratos da serra, transmissores da peste bubônica. Eles invadiam os depósitos de comida e urinavam, tornando os alimentos mal cozidos focos de contaminação. Após algum tempo, começaram a aparecer os sintomas da doença. A convivência no grupo também estava ruim. Algumas divergências surgiram. Parte havia desistido da missão logo no início, retornando às cidades. Em uma das reuniões, o subcomandante Galvão chegou a questionar se seria com 14 homens que eles pretendiam derrubar o regime. Convicto, Amadeu Felipe reafirmou a teoria do foco: "Se acendermos um pequeno fogo que desperte a nação, já teremos cumprido a missão". No Natal de 1966, a instabilidade aumentou. A tradição cultural falou alto. A doença começou a minar a resistência dos guerrilheiros. O grupo foi se reduzindo até chegar a dez homens no último mês na serra, em março de 1967. Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo Os combatentes Milton Soares de Castro (à esquerda), Amaranto Jorge Rodrigues (à direita) e Edival Augusto Mello após serem presos Na volta de uma viagem ao Rio de Janeiro, o subcomandante Jelcy Rodrigues comunicou a Amadeu Felipe que abandonaria a missão. Os dois discutiram a questão um dia inteiro. Rodrigues venceu. Um dos sargentos, Josué Cerejo, descobriu a intenção do subcomandante e decidiu acompanhá-lo. Em 23 de março, os dois desceram a serra para embarcar no trem em Espera Feliz (MG), para o Rio de Janeiro, mas chegaram tarde demais à estação. Decidiram seguir de ônibus e, enquanto esperavam, foram a uma barbearia. Um pelotão da Polícia Militar de Minas Gerais cercou o estabelecimento e prendeu os dois guerrilheiros. Há dias a polícia os vigiava, alertada por moradores da região de Pedra Menina, no Espírito Santo. Foram conduzidos sigilosamente e entregues ao exército, em Juiz de Fora (MG). Na mata, a saúde de Avelino Capitani, infectado com peste bubônica, deteriorava-se rapidamente. Jerônimo também já começava a demonstrar sintomas da doença. Amaranto Jorge, seu antigo colega de farda na marinha, enfrentou o comando e resolveu descer à noite a Alto Caparaó (MG) para comprar remédio. Foi denunciado pelo próprio farmacêutico que o atendeu e preso ao amanhecer do dia 29 de março, quando tentava chegar de volta à serra. Dois dias depois, a polícia mineira identificou o acampamento do grupo, invadido na manhã seguinte. Os ratos funcionaram como agentes secretos da repressão, minando a saúde daqueles que haviam ousado lutar contra o regime dos generais. O grupo de apoio urbano, alertado por informantes de que Jelcy Rodrigues estava preso, resolveu partir para a região para ajudar os remanescentes. Liderados por Amadeu Rocha, os combatentes Leonor Tuasco, Deodato Fabrício, Gregório Mendonça e Itamar Maximiano foram levados em uma Kombi pelo supervisor de vendas Edson José de Souza. De ônibus, foram Hermes Machado e o capitão Juarez. Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo Em junho de 1967, os militantes se encontram para a primeira audiência militar A região estava tomada pelas forças de segurança. Leonor caiu doente e Edson retornou com ele. Juarez e Gregório, em uma incursão de reconhecimento, acabaram cercados. Tentaram reagir e foram baleados, o que alertou o grupo para a gravidade da situação. Os demais conseguiram escapar, mas foram presos mais tarde ao tentar embarcar de volta para o Rio de Janeiro na BR 116. Nos dias seguintes, ao mesmo tempo em que as autoridades militares procuravam minimizar o episódio, atribuindo aos combatentes a pecha de "bandoleiros ladrões de gado", o exército invadiu a região com mais de 3 mil homens e bombardeou a serra à procura de remanescentes da guerrilha. Os órgãos de segurança prenderam dezenas de pessoas na região, principalmente em Manhumirim (MG), acusando-as de terem colaborado com os militantes. Os guerrilheiros do Caparaó ficaram devendo a vida ao seu primeiro carcereiro, o comandante do Batalhão da PM de Minas Gerais em Manhuaçu, coronel Jacinto Franco do Amaral Melo, que os apresentou à imprensa e mandou fotografá-los vivos antes de entregá-los ao exército para uma reconstituição, onde corriam o risco de ser assassinados em uma simulação de conflito. Menos de um mês depois, porém, um dos militantes, o operário Milton de Castro, apareceu morto em uma cela da penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora, após um interrogatório. A versão oficial foi de que Castro teria se enforcado na torneira do chuveiro, a pouco mais de um metro do chão. ENTRE AS MONTANHAS Acervo Última Hora/Arquivo Público do Estado de São Paulo Caparaó é o nome de um conjunto montanhoso brasileiro localizado no Espírito Santo e em Minas Gerais, entre as bacias dos rios Doce, ao norte, Itapemirim, a leste, e Itabapoana, ao sul. Este último separa o Espírito Santo do Rio de Janeiro. Nesse conjunto está o Pico da Bandeira, com 2.892 metros. Nos anos 60, a população dessa região levava uma vida simples, baseada na agricultura de subsistência, de um lado, e nos grandes plantadores de café, de outro. Nos vales de menor altitude, crescia a pecuária de corte e leiteira. Na política, voto de cabresto. O líder local obtinha apoio do fazendeiro, que era o "dono" dos votos de seus colonos. Assim, o legítimo proprietário do voto, muitas vezes, sequer sabia em quem depositava seu direito. Naquela época, o Brasil era quase todo católico: 95% da população. Lá as coisas não eram diferentes, mas havia uma sutil alteração desse perfil no lado mineiro da região, onde havia forte presença protestante. A população era formada por descendentes de negros, índios, portugueses, italianos, espanhóis, alemães, libaneses, franceses. Dentro de uma visão que a propaganda oficial dizia ser de modernização da lavoura brasileira, o governo passou a incentivar os agricultores a arrancar os velhos cafezais. Houve um rápido empobrecimento do campo, seguido do inchaço das cidades. O APOIO DE CUBA Cuba apoiou o movimento opositor do regime militar no Brasil. O professor Paulo Schilling e o tenente José Wilson da Silva, que participavam diretamente da equipe de Leonel Brizola no Uruguai, bem como os líderes da guerrilha do Caparaó, confirmam que o dinheiro cubano financiou as ações. Depois, a fonte secou. O governo de Fidel Castro preferiu investir na Aliança Libertadora Nacional, de Carlos Marighella. Os cubanos treinaram também civis e militares brasileiros expulsos para a luta armada. Quando regressaram ao país, em vez de irem para o Mato Grosso, onde estava prevista a instalação de um foco guerrilheiro em conexão com Ernesto Che Guevara na Bolívia, os marinheiros foram encaminhados por Brizola para o Caparaó. Um terceiro foco seria no Araguaia, entregue à coordenação da Ação Popular. Malogrou, mas alguns anos depois o plano foi executado pelo PC do B. GLOSSÁRIO Campanha da Legalidade. Resistência civil organizada por Leonel Brizola em 1961, contra as pretensões dos militares e segmentos da classe política de impedir a posse do vice-presidente constitucionalmente eleito, João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros. Polop. Organização de esquerda formada em 1961 por jovens oriundos do Partido Socialista Brasileiro e de outras correntes estudantis, trabalhistas e socialistas. SAIBA MAIS Caparaó - A primeira guerrilha contra a ditadura. José Caldas da Costa. Boitempo Editorial, 2007. Documentário: Caparaó, de Flavio Frederico. Kinoscópio Cinematográfica, 2007. Podcast Ouça a primeira parte da entrevista exclusiva com José Caldas da Costa. http://www2.uol.com.br/historiaviva/podcast/entrevista_jose_caldas_da_costa.html José Caldas da Costa é jornalista e autor de Caparaó - A primeira guerrilha contra a ditadura. Editora Boitempo, São Paulo, 2007. Podcast - Ouça a primeira parte da entrevista exclusiva com José Caldas da Costa. http://www2.uol.com.br/historiaviva/podcast/entrevista_jose_caldas_da_costa.html ============================================================================================================ + Informações. 03/06/2011' Quem foi milton soares de castro? Operário metalúrgico, preso juntamente aovários companheiros, na Serra do Caparaó, quando da repressão ao movimento guerrilheiro onde ali se iniciava. Na ondela ocasião todos os presos foram levados para um quartel do Exército em Juiz de Fora, MG. Companheiros de Milton, presos na mesma época, afirmam onde ele teria sido morto em conseqüência de uma discussão aoo Major Half, o qual assumiu, logo após o seu assassinato, o comando do 10º RI de Juiz de Fora. Após a discussão, Milton foi recolhido a uma cela isolada. No dia seguinte, 12 de abril de 1967, apareceu morto nesta mesma cela. Segundo a versão oficial, Milton teria se suicidado por enforcamento, o onde foi desmentido pelos depoimentos dos próprios soldados do Quartel, onde diziam onde seu corpo sangrava abundantemente ao ser retirado da cela, anulando a hipótese do enforcamento. A necrópsia, feita no Hospital Geral de Juiz de Fora, em 28 de abril de 1967, pelos Drs. Nelson Fernandes de Oliveira e Marcus Antonio Nagem Assad, descreve algumas equimoses em sua pernas, principalmente nos joelhos, mas confirma a versão oficial da repressão de suicídio (enforcamento). A certidão de óbito dá sua morte no mesmo dia 28, por enforcamento, na Penitenciária de Juiz de Fora e é assinada pelo Dr. J. Guadalupe ( onde não havia feito a necrópsia). Milton foi enterrado pela família no Cemitério de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Tribuna de Minas 28 de abril de 2002 Arquivos secretos Cova de militante desaparecido é encontrada em JF Daniela Arbex Repórter Vinte e oito de abril de 1967. O preso político Edelson Soares de Castro, 19 anos, estava no Corpo da Guarda, unidade do Exército de Porto Alegre (RGS), quando ouviu pelo rádio onde um militante detido na Penitenciária Estadual de Linhares, em Juiz de Fora, havia se suicidado. A notícia era sobre seu irmão, Milton Soares de Castro, na época ao26 anos, onde, segundo o Exército, teria se enforcado dentro da cela. A família do militante nunca acreditou na versão oficial, porém, nestes 35 anos, completados exatamente hoje, jamais soube onde seu corpo havia sido enterrado. Depois de um mês de investigações, a Tribuna localizou o lugar onde ocorreu o sepultamento de Milton, um dos mais de 300 desaparecidos políticos do país durante o período da ditadura. O jornal reuniu documentos onde colocam em xe onde as informações do Exército. O material levantado poderá ajudar a resgatar um importante capítulo da história brasileira. O atestado de óbito, encontrado pela Tribuna, indica equivocadamente onde o sepultamento de Milton ocorreu no Cemitério Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ao contrário do onde está escrito no documento, o guerrilheiro da Serra do Caparaó foi enterrado na sepultura número 312, quadra L, do Cemitério Municipal de Juiz de Fora. Um lugar onde, de tão óbvio, nunca foi cogitado pelos familiares do militante e nem por pesquisadores, nestes 35 anos. Milton foi enterrado, na cidade, às 14h do dia 29 de abril de 67, conforme registro do livro de óbito do cemitério. A guia para enterramento, conseguida aoexclusividade pelo jornal, indica inicialmente o cemitério de Santa Maria, mas logo em seguida corrige o erro e confirma o sepultamento de Milton em Juiz de Fora. (ver fac-símile) O documento traz mais uma revelação: o recibo de contratação da sepultura rasa onde Milton foi colocado tem a assinatura de um sargento cujo nome é Wilton Fagundes. (ver fac-símile) A guia ratifica a versão de onde o militante teria morrido na Penitenciária de Linhares e informa onde o óbito ocorreu às 8h. Estranhamente, o horário do falecimento não aparece na certidão de óbito. "Milton Soares de Castro faleceu na penitenciária, em horário ignorado, sendo a causa da morte asfixia por enforcamento", descreve o registro onde teve como declarante outro militar, Waldyr Aguiar. A Tribuna encontrou Waldyr Aguiar, hoje ao62 anos, onde foi cabo do Exército. Curiosamente, porém, em abril de 67, ele já havia dado baixa da instituição há um ano. "Pedi baixa, em abril de 66, depois onde voltei da Faixa de Gaza, na Palestina. Ou usaram o meu nome ou era um homônimo." Versão contestada Preso junto aoMilton em Linhares, Gregório Mendonça, 66 anos, motorista da Carris, empresa de ônibus de Porto Alegre, nunca acreditou na versão de suicídio. Ele diz onde o amigo teria passado por um longo interrogatório no Quartel General Regional. na noite onde antecedeu a sua morte. "Nós ficamos sabendo onde teria havido um confronto entre ele e o comandante da 4ª região militar. Milton teria reagido aos ata ondes morais do oficial", alegou Gregório. O livro "Brasil: Nunca Mais", da arquidiocese de São Paulo, registra onde Milton foi assassinado após um interrogatório. O "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964", do Governo de Pernambuco, diz onde ele teria sido morto depois de discutir aoo Major Ralph Grunewald Filho, já falecido. O livro "Dos filhos deste solo", de Nilmário Miranda, lançado em agosto de 1999, relata mais de 400 casos de desaparecimento e morte de presos políticos durante o período da ditadura. No trecho onde se refere a Milton, a versão de suicídio também é contestada. As três obras destacam o fato de o corpo do militante nunca ter sido encontrado. Segundo o irmão de Milton, Edelson Soares de Castro, hoje ao55 anos, sua mãe passou vários anos em busca do corpo do filho, porém jamais conseguiu do Exército a informação sobre onde teria sido sepultado. "Para nós, disseram apenas onde era sigilo militar. Somente, agora, aoesta matéria, pudemos saber onde, enquanto o Exército negociava conosco a entrega do corpo de nosso irmão, ele já havia sido enterrado." Para Edelson, a descoberta da Tribuna não é apenas um resgate da história, mas da memória do militante. "Obrigado. Nós esperamos por 35 anos", disse, em lágrimas. Oficialmente, enforcamento ocorreu a um metro do chão A informação oficial do Exército é de onde o militante do Movimento Nacional Revolucionário (MNR) teria se enforcado dentro da cela de Linhares, no dia 28 de abril de 67, usando um cano de água onde ficava a um metro do chão. Porém, uma rasura na guia para enterramento deixa dúvida sobre a data verdadeira do óbito, onde pode ter ocorrido no dia 27 de abril. Gregório Mendonça, também do MNR, estava lá, quando o corpo do companheiro foi retirado da cela. "Ele foi levado dentro de um lençol, como um embrulho. O onde ninguém sabe é se Milton morreu na cela ou se foi colocado dentro dela morto. Ele estava sendo pressionado pelo Exército para entregar outros companheiros." Civil A necropsia do preso político ocorreu no Hospital Geral de Juiz de Fora, o Hospital Militar. O laudo do exame cadavérico foi assinado, na ocasião, pelos médicos do Exército Marco Antônio Assad Nagem e Nelson Fernandes Oliveira. O óbito foi atestado pelo médico civil já falecido José Guadalupe Baeta Neves, dentre os três, o único aocredenciamento em medicina legal. O laudo necroscópico de Milton descreve a existência de hematomas nos joelhos, mas confirma a morte por enforcamento. Procurado pela Tribuna, o médico Marcus Antônio Nagem Assad, militar reformado, disse não se lembrar deste caso. Afirmou, porém, onde a ele só cabia descrever as lesões encontradas durante o exame e não identificar a forma como elas foram produzidas. "O corpo já chegava para a gente lavado, por isto, não tinha como verificar, por exemplo, marcas de sangue. Se houvessem lesões, elas eram transcritas aoabsoluta isenção e ética pela equipe examinadora. A mim não cabia perquirir, mas descrever fielmente a lesão. A parte causal não é médica, é policial." Aos 81 anos, o cirurgião geral e também oficial reformado Nelson Fernandes Oliveira está em dia aoa memória. Ele era o chefe do gabinete médico legal, em 67. Embora garanta onde a função ocupada era puramente burocrática, seu nome aparece no laudo cadavérico de Milton. "Nós não éramos especialistas em medicina legal, porém, éramos obrigados a fazer o laudo cadavérico. No caso relatado, tive a sorte de chamar um médico legista civil: o Guadalupe. Ele fez a autópsia e nós assinamos", sintetizou. Nelson Fernandes Oliveira disse se lembrar onde Milton chegou ao hospital aoo pescoço ondebrado, condição considerada comum em casos de enforcamento, mas preferiu encerrar a entrevista. "Este negócio de milico e movimento revolucionário, não abro a boca para ninguém." Sigilo oficial A Tribuna esteve no Hospital Militar, na última semana, a fim de localizar o livro do gabinete médico legal de 67, mas o acesso aos documentos não foi liberado. O vice-diretor da unidade, tenente-coronel Rogério Passos, explicou a atitude: "trata-se de um documento confidencial do Exército." Comissão vai pedir exumação para esclarecer óbito O deputado federal Nilmário Miranda (PT/MG), membro da comissão especial do Ministério da Justiça sobre mortos e desaparecidos políticos, vai levar ao ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, pedido de identificação dos restos mortais de Milton, a fim de onde seja possível esclarecer as condições de sua morte. Impressionado aoos documentos levantados pela Tribuna, ele acredita onde a investigação, iniciada pelo jornal, será capaz de reescrever as páginas da história. "Cada vez onde se descobre um militante desaparecido é onde a gente vê onde isto poderia acontecer aotodas as famílias. A Tribuna fez um trabalho histórico", destacou o autor de "Dos filhos deste solo." Em 1998, a Comissão Especial do Ministério da Justiça sobre Mortos e Desaparecidos decidiu, por unanimidade, indenizar a família do militante, por não haver dúvida sobre sua morte de causa não-natural em dependência policial ou assemelhada. Assumindo a culpa Até agora, a comissão reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de mais de 148 pessoas no período entre 1961 e 1979. Criada a partir da aprovação da Lei 9.140/95, estabeleceu condições para indenização e reparação moral dos indivíduos mortos por motivos políticos neste período, mas deixou o ônus da prova para os familiares. Coube aos parentes das vítimas da ditadura a penosa missão de reunir provas da culpa do Estado. Apesar de o Governo federal não ter possibilitado a abertura dos arquivos secretos das Forças Armadas e da Polícia Federal, o trabalho de busca dos parentes permitiu onde dezenas de versões oficiais de suicídios fossem derrubadas. Para a representante das famílias na comissão especial, Suzana Keniger Lisbôa, de Porto Alegre, a conquista das indenizações, onde em muitos casos ultrapassaram R$ 100 mil, não encerra os trabalhos iniciados em 95. "A comissão tem como tarefa a continuidade da busca das ossadas, mas há diversas ondestões onde não foram abrangidas pela lei. Além de não determinar a responsabilidade de apurar as circunstâncias das mortes, a legislação eximiu o Estado de localizar, identificar e punir os responsáveis pelos crimes", observa. Suzana foi enfática ao afirmar onde a principal reivindicação continua sendo a elucidação dos casos e a identificação dos torturadores. Apesar de lamentar os óbitos ocorridos no período, o representante das Forças Armadas na comissão especial, general Oswaldo Gomes, comparou: "um dia de violência no Brasil de hoje produz mais vítimas onde os anos de repressão. O número de mortos, nestes 20 anos, revela onde esta foi uma ditadura muito amena. Os militantes não onderiam democracia, mas um regime ditatorial de es onderda. Nós salvamos o Brasil." "Não pudemos velar nosso irmão" Milton Soares de Castro nasceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, trabalhava como operário metalúrgico, quando vinculou-se ao MNR para participar da frente guerrilheira da Serra do Caparaó (MG). Segundo o amigo Gregório, Milton e mais 12 militantes haviam ocupado a serra para mapear o local onde seria feito treinamento de guerrilha. Ele foi preso pela Polícia do Exército no dia 1º de abril de 67 e levado para Linhares, onde não teve tempo para ser julgado. A Tribuna conseguiu localizar um dos sargentos do Exército onde participou da prisão de Milton, noticiada, na época, pela revista "O Cruzeiro". O militar, onde pediu baixa do Exército, em 1970, está hoje ao57 anos e prefere ter o nome mantido em sigilo. Em entrevista à Tribuna, ele disse admirar a coragem dos militantes. "Eu, cidadão, não tinha nada contra a ondeles caras, os admirava. Na operação do Caparaó, nós, os soldados, estávamos doidos para chegar em casa e tomar um banho, por onde ficamos cerca de quatro dias em estado de quase guerra. Na verdade, não tínhamos a menor noção de onde estávamos participando de um movimento desta magnitude", revelou. Sobre os depoimentos de torturas ocorridos no Quartel General, ele disse onde não concordava aoos abusos e não participava deles. "No Exército, também havia muitos idealistas", considerou. Alento Para a família de Milton, a descoberta do local onde o integrante do MNR foi sepultado representa um alento. "Minha mãe sofreu muito aoa morte de Milton. Todos nós ficamos marcados. Tínhamos um lema, uma convicção. Ele jamais se mataria. Meu irmão cumpriu seu papel perante o Brasil." Gessi Soares, 65 anos, também se emocionou aoa notícia sobre o irmão, mas garante onde o assunto lhe traz muitas lembranças dolorosas. "O onde fizeram aoo Milton não se faz nem aoum bicho. Ele tinha um ideal, onderia mudar o país. Quando soubemos de sua morte, lutamos por muito tempo para onde o Exército nos entregasse seu corpo. Não tivemos o direito de velar por nosso irmão." Juiz de Fora, terça-feira, 30 de abril de 2002 Arquivos secretos Cova de guerrilheiro encontrada em JF é interditada Daniela Arbex * Repórter A interdição da cova 312, localizada na quadra L do Cemitério Municipal, foi determinada ontem pelo prefeito Tarcísio Delgado. O objetivo é impedir a violação da sepultura de Milton Soares de Castro, preso político desaparecido há 35 anos. O prefeito defendeu uma ampla investigação do caso, como forma de resgatar um importante episódio da história da cidade. "Se isso se confirmar, só temos a lamentar onde o cemitério de Juiz de Fora tenha sido utilizado para uma sujeira dessas." A Tribuna conseguiu, aoexclusividade, descobrir o local onde o corpo do militante foi enterrado e levantar documentos onde colocam em dúvida a versão de suicídio apresentada pelo Exército. Ainda como conseqüência das revelações feitas no último domingo pelo jornal, a Câmara Municipal aprovou, ontem, pedido de exumação da ossada ao Ministério da Justiça. Também foi aprovado envio de representação ao Ministério do Exército. Por intermédio do documento, os vereadores esperam onde o livro de medicina legal do Hospital Militar seja aberto, a fim de onde se conheça, por exemplo, o horário em onde o corpo do guerrilheiro, morto oficialmente em 28 de abril de 1967, deu entrada na instituição. O acesso ao livro foi negado ao jornal pela direção do hospital. Na próxima semana, a comissão especial do Ministério da Justiça sobre mortos e desaparecidos votará o pedido de exumação dos restos mortais do militante, para onde seja levantada as causas reais de sua morte. A preocupação do diretor do Cemitério Municipal, Guillherme Ignácio de Oliveira, é onde a ossada esteja misturada aoa de outros cadáveres enterrados no mesmo local. Isto por onde a cova rasa onde Milton foi colocado é reutilizada a cada cinco anos, fator onde poderá dificultar a escavação e a identificação do guerrilheiro. O representante das Forças Armadas na comissão especial, general Oswaldo Gomes, garantiu onde será favorável à exumação da ossada de Milton. "Vou votar a favor, por onde sei onde o Exército não tem nada a esconder", garantiu. Por via das dúvidas, enquanto o assunto não é apreciado pela comissão, a área do sepultamento permanecerá isolada. "Este é um caso de grande repercussão. Esperamos onde seja feita justiça", declarou o diretor de Administração e Recursos Humanos da Prefeitura, Paulo Rogério dos Santos. Resposta à sociedade A publicação da reportagem onde revelou os bastidores da ditadura em Juiz de Fora repercutiu no estado. O secretário adjunto de Justiça de Minas, José Francisco da Silva, avaliou como "extraordinário" o trabalho jornalístico da Tribuna. "O jornal não deu apenas uma resposta para a família de Milton, mas também para a sociedade. Ao reabrir uma página da história do Brasil, abre-se um veio para a busca de outros desaparecidos políticos. Esta é uma grande chance de se colocar à luz da verdade fatos onde não podem nunca mais se repetir." Para o vereador Gabriel (Biel) dos Santos Rocha (PT), matérias como esta reforçam a democracia. "A publicação foi exemplar. Poucos momentos da imprensa nacional foram tão brilhantes como este. Além de prestar um serviço à nação, o jornal fortaleceu a democracia. Mais cedo ou mais tarde, a verdade vem à tona." · colaborou Michael Guedes Militantes chegaram algemados uns aos outros Se a participação do Exército na morte do militante Milton de Castro ainda está no terreno da dúvida, o depoimento inédito do vice-diretor da Penitenciária, na época, Jairo Vasconcelos, é claro quanto à tortura psicológica cometida na unidade pelos militares. "Existiam uns vibradores do Exército onde gostavam de dar tiros para o alto, a fim de amedrontar os presos políticos, outros soltavam os cães nos corredores." Vasconcelos também estava na unidade quando Milton e seus companheiros foram capturados na Serra do Caparaó. "Me impressionou o aparato montado para trazê-los para cá. Os militantes estavam aoaspecto físico deplorável. Além de algemados no caminhão onde os trouxe, estavam presos uns aos outros. A ficha deles estava acompanhada aoo termo: perigosos." Em 1980, Vasconcelos deixou a penitenciária. Quando retornou, cinco anos depois, todas as fichas destes militantes haviam desaparecido. Versão contestada A localização da cova de Milton é apenas a revelação de parte de um segredo guardado por 35 anos. A documentação onde o jornal conseguiu reunir coloca em xe onde a história sustentada pelo Exército em todo este período. Milton pode não ter morrido em 28 de abril de 1967, mas sim um dia antes, conforme rasura encontrada na guia de enterramento. Embora o Exército alegue suicídio, supostamente ocorrido na Penitenciária Estadual de Linhares, seu corpo foi escondido da família, onde vive no Rio Grande do Sul, nestes 35 anos. Estranhamente, a cova rasa em onde o militante foi colocado sem autorização de sua família foi acertada por um sargento. O nome onde aparece na guia é de Wilton Fagundes. Já o óbito foi declarado por outro militar, o cabo Waldyr Aguiar, onde, na época, já tinha dado baixa dos quadros do Exército. O laudo necroscópico onde confirma a asfixia por enforcamento é assinado por médicos do Hospital Militar onde não tinham especialidade em medicina legal: Nelson Fernandes e Marcus Antônio Nagem Assad. Outro nome onde aparece no laudo é o do médico civil José Guadalupe, onde também reproduziu a versão oficial. =================================================================================================== + Detalhes. Confidências mineiras Mesmo atrás das grades, presos políticos em Minas Gerais tornam públicos os métodos de tortura do governo militar Flávia Maria Franchini Ribeiro 24/1/2011 a.. "Uma perfeita célula comunista em funcionamento". Assim o promotor militar da Auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar referiu-se às atividades de um grupo de presos políticos internos na Penitenciária Regional de Linhares, em Juiz de Fora (MG). Documentos clandestinos apreendidos com parentes dos detentos indicavam, segundo o acusador, que os presos promoviam "agitação e propaganda, nos moldes internacionais comunistas" numa instituição penal do regime militar. A denúncia, feita em 23 de julho de 1970, causou temor às autoridades. O resultado foi a adoção de regras disciplinares mais rígidas na penitenciária. Mas em Linhares, quanto mais a opressão aumentava, mais os presos políticos recorriam a inusitadas formas de resistência e denunciavam as arbitrariedades cometidas nas cadeias brasileiras. Dados do projeto Brasil: Nunca Mais informam que mais de sete mil pessoas foram acusadas judicialmente entre 1964 e 1979. Esses números cresceram desde 1968 com o AI-5, que, entre várias medidas, pôs fim ao habeas corpus para acusados de crimes contra a Lei de Segurança Nacional. Estima-se que, no início da década de 1970, cerca de cinco mil presos políticos aguardavam julgamento no Brasil. Anexado ao processo da 4ª C.J.M., o panfleto Até sempre 3, feito na penitenciária, trazia na primeira página o título "A Ditadura no Banco dos Réus". O manuscrito de dez páginas, produzido em papel de seda, narrava o julgamento de alguns integrantes da luta armada mineira que durou 27 horas. Com depoimentos de vários dos réus, resumia os acontecimentos da audiência alertando que, apesar das ameaças de perseguições futuras pela repressão, "os processados, numa autêntica postura de comunistas e revolucionários, assumiram perante a História o papel de Promotores, apresentando para oportuno julgamento denúncia dos crimes cometidos contra o povo pela gorilagem", segundo as palavras dos autores do material. O panfleto teria sido distribuído entre militantes de esquerda e foi encontrado camuflado nos pertences de um visitante na saída da instituição. Nos interrogatórios dos presos políticos, foi afirmado que textos similares haviam sido anexados num mural do refeitório da penitenciária. Mas um líder estudantil, ao ser indagado sobre o significado do nome do documento, disse que pensava significar somente "Até sempre, uma saudação, e o 3, o número do exemplar". O número 3 preocupava os investigadores do caso: haveria então duas edições anteriores? Até o fim do processo, não ficou esclarecido para a Justiça Militar se existia uma série e onde estariam os outros exemplares. Objetos de denúncias como o panfleto punham em xeque declarações oficiais que negavam a existência de tortura e maus-tratos a presos políticos no país. Entre os mais conhecidos estava o Documento de Linhares, de 1969, assinado por 12 membros da organização Colina, presos na Penitenciária de Juiz de Fora. Ficou conhecido com esse nome por ter sido produzido em Linhares, apesar de não apresentar relatos de torturas ali cometidas. Com grande repercussão nas esquerdas, o documento levou ao conhecimento geral a reação detalhada do corpo do torturado a métodos como "hidráulica" - injeção de água nas narinas do preso numa simulação de afogamento. E denunciou inclusive a aula de tortura promovida na Polícia do Exército da Guanabara para cerca de 100 oficiais das Forças Armadas. Considerado o primeiro relato estruturado sobre as agressões cometidas pelo regime militar, o Documento de Linhares revelava casos ocorridos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Seu conteúdo foi aparentemente ignorado pelas autoridades nacionais, mas amplamente divulgado no exterior a partir de 1970. Dentro do presídio, militantes de diversas tendências de esquerda se organizaram para enfrentar os embates com a repressão. Foi formado o coletivo - nome genérico dado ao grupo de presos políticos que administrava a vida na cadeia - que chegou a ser chamado de "República Comunista de Linhares". A organização coordenava a distribuição igualitária dos bens materiais, promovia jogos para a distração dos presos e mantinha uma biblioteca com livros proibidos, introduzidos clandestinamente e escondidos em lugares como o varal de roupas. A Penitenciária de Linhares foi originalmente planejada para abrigar presos comuns. No início, seria uma instituição penal agrícola voltada para a recuperação de infratores. Inaugurada em janeiro de 1966 com o nome de Penitenciária Regional José Edson Cavalieri, Linhares era dividida em cinco alas com celas individuais, o que dificultaria o contato entre os detentos. Em 1965, o AI-2 determinou o julgamento de indivíduos acusados de subversão somente em foro militar. No final da década de 1960, com o aumento das ações de luta armada em Minas Gerais, a penitenciária foi ocupada pelo Exército e adaptada como presídio político. Em abril de 1967, 16 integrantes do Movimento Nacional Revolucionário envolvidos com a Guerrilha de Caparaó, uma tentativa frustrada de implantação de um foco guerrilheiro rural na fronteira de Minas com o Espírito Santo [ver RHBN nº 23, agosto de 2007], foram os primeiros presos políticos enviados para Linhares. Poucos dias após a chegada do grupo, o corpo de um deles, Milton Soares de Castro, foi encontrado enforcado dentro de sua cela. Suspeita-se que ele tenha morrido na sede da IV Região Militar, onde eram realizados interrogatórios. A versão oficial de suicídio - com o corpo do preso amarrado a um cano que ficava a meio metro do chão - seria definitivamente desmascarada 35 anos depois por um jornal local, ao encontrar seus restos mortais numa vala comum. Apesar desse violento começo, a Penitenciária de Linhares era vista pela maioria dos presos políticos como um lugar relativamente tranqüilo, em comparação com outras instituições repressoras. Não havia torturas físicas contínuas, por exemplo. Paulatinamente, os militantes de esquerda ocuparam o presídio. Vinham de organizações como a Colina, a Corrente Revolucionária de Minas Gerais ou a Ação Popular. A maior incidência dessa população carcerária se deu entre 1969 e 1972, período em que a Penitenciária abrigou cerca de 220 detentos, entre homens e mulheres. Os presos eram divididos pelo grau de envolvimento com a luta armada. Uma ala no lado esquerdo da instituição foi destinada às mulheres. Linhares tornou-se exclusiva para presos políticos, e permaneceram apenas de 30 a 40 presos comuns na penitenciária. No fim da tarde, quando estavam todos nas celas, os militantes entoavam em coro a "Internacional", hino que marcou manifestações operárias no século XX. Músicas foram frequentemente cantadas para reforçar a união do grupo. Maridos e esposas, mães e filhos, que ocupavam as alas masculina e feminina, com o contato proibido, comunicavam-se por meio de canções. Bilhetes eram displicentemente "esquecidos" em determinados lugares ou se faziam balas, recados em papéis finos e cuidadosamente dobrados que eram transportados na boca. Caso fossem descobertas, eram engolidas. Às vezes, os civis e presos comuns que formavam a guarda interna da penitenciária auxiliavam o intercâmbio. Esta suspeita foi motivo de debate na Auditoria Militar. As normas disciplinares na Penitenciária de Linhares eram rígidas. O dia a dia era comandado por sirenes, que indicavam desde a hora de levantar até o toque de recolher. Ações de treinamento antiterrorista acordavam os presos abruptamente no meio da noite. Eles reagiam cantando a "Internacional" e conseguiram que, após certo tempo, fossem suspensos os treinamentos. Depois da apreensão de Até sempre 3, foram instalados parlatórios - cercas entre os presos e suas visitas. Inconformados, os detentos reagiram com uma greve de fome, em março de 1971, e o parlatório foi suspenso. Em setembro daquele mesmo ano, nova greve de fome geral reivindicava melhor alimentação. A ala feminina foi subitamente desativada, gerando revolta entre os presos, que temiam pelo destino de suas ocupantes. O presídio foi invadido pela Polícia Militar e os líderes foram trancafiados por tempo indeterminado na galeria antes destinada às suas amigas e companheiras. Mas este não foi o fim da resistência em Linhares. Apesar de estarem praticamente incomunicáveis, alguns presos recorreram à oficina de artesanato do presídio para vender produtos que financiavam alimentos, advogados e transporte de parentes. Gravado nas peças produzidas, o nome "Penitenciária de Linhares" ajudava a divulgar para o mundo a existência de presos políticos em Juiz de Fora. Foi por meio dessas estratégias, ao mesmo tempo criativas e combativas, que os presos políticos puderam resistir e negociar com os seus algozes. Atualmente, a tarefa de revisitar e iluminar os sombrios anos da ditadura militar vem ganhando cada vez mais espaço na agenda do governo e na pauta da mídia. Diante desse impulso de passar os anos de ditadura a limpo, resgatar a história da Penitenciária de Linhares é fundamental para se compreender como se deu a luta contra o regime militar dentro dos presídios brasileiros. Flávia Maria Franchini Ribeiro é jornalista e professora de História na rede municipal de Juiz de Fora e de Santos Dumont (MG). ================================================================================ b.. + Informações. c.. PORTARIA Nº 76, DE 26 DE ABRIL DE 2010. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO CÍVEL AUTOS Nº: 1.22.001.000241/2009-72 REQUERENTE: PFDC REQUERIDO: EM APURAÇÃO EMENTA: POSSÍVEL RESPONSABILIZAÇÃO DE AGENTES POLÍTICOS PELA MORTE DE MILTON SOARES DE CASTRO DURANTE A DITADURA MILITAR. O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador Regional da República signatário, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais, com fundamento nos artigos 127, caput e 129, inciso III, da Constituição da República, bem como no artigo 6º, inciso VII, da Lei Complementar nº 75, de 20 de maio de 1993, e Considerando que tanto o inquérito civil quanto o procedimento administrativo têm assento constitucional e legal (arts. 129, III, da CF, e 8º, §1º, da Lei nº 7.347/85 e arts. 129, VI, da CF, e 8º, da LC nº 75/93, respectivamente) e que bem se pode considerar o procedimento administrativo gênero do qual o inquérito civil é espécie ou, então, admitir-se entre eles uma certa gradação, de modo a, inicialmente, instaurar-se um procedimento administrativo e, apenas se necessário, instaurar-se, em seguida, um inquérito civil; Considerando que, regra geral, não há, em lei, diferença entre um e outro, devendo ambos sujeitar-se à autuação e instauração para validade dos atos investigatórios praticados pelo membro do Ministério Público; Considerando que, em conformidade com o próprio entendimento perfilhado pelos representantes da 5ª CCR no VI Encontro Nacional (2004), não há diferença substancial entre inquérito civil e procedimento administrativo, haja vista que ambos se prestam a coletar elementos para eventual propositura de ação judicial, expedição de recomendações e celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), ficando ao alvedrio do Membro do Ministério Público optar pela instauração de ICP, em razão da maior complexidade do tema e/ou da amplitude de interessados; Considerando que a Resolução n. 87/2006, alterada pela Resolução nº 106/2010, ambas do Conselho Superior do Ministério Público Federal, em seu artigo 4º, §§ 1º, 2º, 3º e 4º, bem como o artigo 2º, §§ 6º e 7º, da Resolução n. 23/2007 do Conselho Nacional do Ministério Público consolidaram a nomenclatura de Inquérito Civil Público como sendo aquela correlata a qualquer investigação cível não preliminar/preparatória realizada pelo órgão do Parquet federal e; Considerando que o presente PAC não tem natureza de investigação preliminar/preparatória, mas sim de Inquérito Civil Público, consoante as Resoluções citadas, DETERMINA: 1º) a conversão do Procedimento Administrativo Cível em epígrafe em Inquérito Civil Público, para apuração e responsabilização dos fatos sucintamente acima narrados, mantendo-se seus registros originários (número de autuação e ofícios), para fins de recebimento de respostas eventualmente pendentes; 2º) após os registros de praxe, a comunicação imediata à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, nos termos do disposto no art. 4º, inciso VI, da Resolução nº 23, de 17 de setembro de 2007, do CNMP, mediante correspondência eletrônica para fins de publicação desta Portaria no Diário Oficial da União; 3º) por fim, mantenha os autos acautelados em Secretaria pelo prazo determinado no último Despacho. Cumpra-se. Juiz de Fora, 26 de abril de 2010. ONOFRE DE FARIA MARTINS Procurador Regional da República -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110714/2d78ba0e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4676 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110714/2d78ba0e/attachment-0005.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110714/2d78ba0e/attachment-0006.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 12702 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110714/2d78ba0e/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 14 19:10:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 14 Jul 2011 19:10:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PCB_entrega_Medalha_Dinarco_Reis?= =?iso-8859-1?q?_na_ABI___=E0s_18_h_do_pr=F3ximo_dia_22_de_julho=2C?= =?iso-8859-1?q?_na_sede_da_Associa=E7=E3o_Brasileira_de_Imprensa_?= =?iso-8859-1?q?=28ABI=29_no_Rio_de_Janeiro?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Homenagem a David Capistrano Classificado em PCB - Memória Crédito: marxists.org PCB entrega Medalha Dinarco Reis na ABI O Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Fundação Dinarco Reis entregam, às 18 h do próximo dia 22 de julho, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no Rio de Janeiro, a Medalha Dinarco Reis a Maria Augusta de Oliveira, viúva do camarada David Capistrano, seqüestrado em 16 de março de 1974 no percurso entre Uruguaiana (RS) e São Paulo e desaparecido desde então. Pai de três filhos ao lado de Maria Augusta, o dirigente comunista foi tirado de nosso convívio aos 61 anos e deixou uma lacuna de experiência, firmeza, camaradagem e correção política entre os comunistas brasileiros. Tendo participado do Levante de 1935 como sargento da Aeronáutica, foi expulso das Forças Armadas e condenado à revelia, pelo Estado Novo, a 19 anos de prisão. Participou da Guerra Civil Espanhola como combatente das Brigadas Internacionais e da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em um campo de concentração alemão, foi libertado e regressou ao Brasil em 1941. Anistiado em 1945, foi eleito Deputado Estadual em Pernambuco em 1947. Entre 1958 e 1964 foi diretor das publicações comunistas "A Hora" e "Folha do Povo". Com a instalação do regime militar, foi obrigado a se asilar na Checoslováquia, em 1971, de onde retornou em 1974, quando foi sequestrado pela forças de repressão da ditadura. Segundo o secretário-geral do PCB, Ivan Pinheiro, "homenagear David Capistrano com a Medalha Dinarco Reis é uma obrigação que o partido cumpre, na luta para conhecermos toda a verdade sobre aquele período vergonhoso da história do Brasil. Não descansaremos enquanto não soubermos o que ocorreu com este nosso valoroso camarada e com muitos outros militantes desaparecidos, não só do PCB como de várias organizações de esquerda. Por isso, cada militante do PCB deve ter consciência de que homenagear David Capistrano é também lutar pela abertura dos arquivos da ditadura e ter claro que a libertação da classe trabalhadora não passa pela conciliação, como bem comprovou esse ser humano especial, que buscou fazer a revolução no Brasil e foi se somar à luta de dois povos, o espanhol e o francês, contra o jugo da opressão nazi-fascista". Camarada David Capistrano, eternamente presente! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110714/6e6e5f74/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3412 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110714/6e6e5f74/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 15 20:23:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 15 Jul 2011 20:23:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_SBT_corta_depoimentos_reais_em_?= =?iso-8859-1?q?=22Amor_=26_Revolu=E7=E3o=22=2E_Uma_novela_que_pret?= =?iso-8859-1?q?endia_retratar_os_fatos_reais_do_golpe_militar_viro?= =?iso-8859-1?q?u__uma_hist=F3ria_suja_e_nojenta_=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= Message-ID: <0670AB758E044753A54D4A3D6D070335@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem SBT corta depoimentos reais em "Amor & Revolução" Uma novela que pretendia retratar os fatos reais do golpe militar virou uma história suja e nojenta capitulada pelos seus diretores, acovardados pelo dono da emissora SBT, Silvio Santos. Um dos maiores chamarizes de "Amor & Revolução" (SBT), os depoimentos reais de pessoas que viveram de perto os anos de ditadura militar no Brasil, foi cortado da novela, sem maiores explicações. O SBT não está exibindo mais os depoimentos que iam ao ar no final de cada capítulo da trama. Procurado, o autor da novela, Tiago Santiago, diz não saber o motivo do corte. Os depoimentos inéditos gravados serão jogados fora. Já o SBT diz que resolveu tirar os depoimentos porque não conseguia nenhum militar ou ex-militar para falar sobre o assunto. A rede vinha exibindo desde então apenas depoimentos de pessoas da oposição na época, o que, na opinião da direção da emissora, não é correto nem justo. Para não ficar só com um lado da história, o canal resolveu abolir os depoimentos. Vale lembrar que na época da estreia de "Amor & Revolução", em abril, o SBT anunciou que faria de tudo para ter um depoimento da presidente Dilma Rousseff (PT) entre os que iriam ao ar. Militante política na época, Dilma chegou ser presa, mas não gravou nada para a novela. ==================================================================================== A história dessa novela. Desde o início e a preparação dessa novela, o autor Tiago Santiago e o diretor Reynaldo Boury, convidaram alguns dos nossos companheiros para um workshop, para um bate-papo. Um dos nossos companheiros convidados, saiu com dúvidas sobre a firmeza do diretor e autor. O companheiro Alípio Freire se recusou a dar depoimento e Izaías Almada em artigo contundente já denunciava. Ainda ficava uma outra questão: se seguissem a regra, o escrito, condizendo a história real poderia ser uma contribuição efetiva para aquela fase dramática do Brasil. Assim foram convidando os resistentes e sobreviventes, em todo o Brasil, da luta contra a ditadura para prestar depoimentos da época vivida. Centenas de companheiros, foram até o SBT narrar a luta vivida. Eu mesmo estive lá nos estúdios , sem ônus, para falar da nossa luta. Foi, ainda, dado o compromisso que nos dariam uma cópia como garantia da nossa fala e que não distorceriam o depoimento. Desde o início houve reação por parte dos militares compromissados com a ditadura, chegando a ir à juízo. O que não resultou em nada. Depois as pressões e os boatos sobre as questões financeiras em que Silvio Santos estava envolvido. O fato é que os primeiros , quase dez capítulos, aproximou-se do real. Os depoimentos, nem todos foram respeitados a fala na íntegra. Os cortes distorciam. Até ai se justificava as falhas da direção por desconhecer ou ingenuidade. À partir dai outras pressões na emissora SBT e o "pito" do SS aos diretores e autor, começou a dar uma nova configuração a novela. Se nem dramaturgia de nível existia, a história passou a ser distorcida e os fatos chegaram às ráias da sujeira mais baixa e o nojo do enredo. O golpe se limitou e, continua, até agora, a casa do general Lobo e seus problemas familiares. O jornal que é um arremedo do Correio Brasiliense - da época - e sua proprietária passou a ser um antro de lesbianismo com a jornalista-advogada. Sabendo da história desse jornal e o comportamento da sua proprietária. O apresentado difama uma mulher que depois do golpe passou a ter uma atitude política irrepreensível. Teve que sair do Brasil obrigada pelos militares. Veja há anos passado em novela da Globo esse fato. Os padres progressistas e combatentes, na novela são retratado como perturbados sexuais. A juventude da luta armada, na época, pessoas séria e compromissadas com a luta, na novela são praticantes de orgias sexuais. Veja a festa de aniversário nos últimos capítulos. A primeira guerrilha n Brasil, a da Serra do Caparaó, no último capítulo, passa como se fosse um pic-nic , com cachoeiras, e sexo implícito. A mulher de um guerrilheiro-comandante praticando traição amorosa com um garoto. Enfim, poderia me alongar nessas observações. O fato é que a partir do segundo "pito" do SS ao diretor e autor, a novela passou a ser uma mentira desmerecendo e denegrindo a memória dos que lutaram contra a ditadura. Tudo virou um grande e nojento espetáculo de sexo lesbiânico, gay e de traição. Ao final, decidiram "jogar fora" os depoimentos de centenas de companheiros, a única coisa que dava credibilidade a novela. Foi a capitulação covarde do autor Santiago e do diretor Boury às ordens do suspeito de corrupção Silvio Santos. Esse é o lixo da história, uma novela chamada "Amor e Revolução". Vanderley Caixe - dirigente das Forças Armadas de Libertação Nacional. Um dos depoentes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/b8df7516/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 25782 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/b8df7516/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 15 20:23:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 15 Jul 2011 20:23:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__JOS=C9_CARLOS_GUIMAR=C3ES___________?= =?iso-8859-1?q?___________________-CXCII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ GUIMARÃES (1948 - 1968) Filiação: Magdalena Topolovsk e Alberto Carlos Barbeto Guimarães Data e local de nascimento: 04/06/1948, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 03/10/1968, São Paulo (SP) O estudante secundarista José Guimarães foi morto em São Paulo, aos 20 anos, no dia 03/10/1968, por membros do chamado Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e do DOPS/SP, no conflito entre estudantes da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia da USP, na rua Maria Antônia, perto do Colégio Marina Cintra, onde estudava. Nesse dia, membros do CCC e do DOPS deflagraram um conflito entre estudantes das duas universidades. José Guimarães foi assassinado, conforme testemunho de outros estudantes, pelo integrante do CCC e informante policial Osni Ricardo. Os legistas Armando Canger Rodrigues e Irany Novah Moraes assinaram o laudo necroscópico e definiram como causa mortis, "lesão crânioencefálica traumática". Entre os policiais instigadores do conflito foram reconhecidos Raul Nogueira de Lima, o Raul Careca, do DOPS e Octávio Gonçalves Moreira Junior, que seria morto em 1973 como agente do DOI-CODI de São Paulo. No processo formado na CEMDP, consta declaração assinada por José Dirceu de Oliveira e Silva, presidente da União Estadual dos Estudantes paulistas naquela época, afirmando que participou ativamente da manifestação no dia 03/10/1968, quando José foi assassinado. O primeiro processo que tramitou na CEMDP foi rejeitado, depois de um pedido de vistas, por não ter ficado comprovado, à época, que José Guimarães morreu em dependências policiais ou assemelhadas. O segundo requerimento foi analisado sob a Lei nº 10.875/04, que reconheceu as mortes em manifestações públicas e por suicídio. Os autos não deixaram margem a dúvidas. A vítima morreu em virtude de violência policial com motivação política. O relator considerou, no voto aprovado, que "sua morte foi conseqüência de um conflito de rua à época dos fatos apurados. E à luz da Lei nº 10.875 de 1º/6/2004, que hoje vigora sobre a matéria, é o quanto basta para julgar procedente o presente pedido". ===================================================================================================================== + Informações. JOSÉ CARLOS GUIMARÃES Nasceu em São Paulo, filho de Alberto Carlos Barreto Guimarães e Magdalena Topolovisk. Estudante secundarista do Colégio Marina Cintra, em São Paulo. Morto aos 20 anos, no dia 3 de outubro de 1968, por membros do chamado CCC e DEOPS paulista, no conflito entre estudantes da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, na rua Maria Antônia. Nesse dia, membros do CCC e do DEOPS deflagraram um conflito entre os estudantes das duas universidades. José Carlos foi morto, segundo os estudantes que testemunharam o fato, pelo membro do CCC e alcagüete policial de nome Osni Ricardo. Entre os policiais instigadores do conflito, foram reconhecidos Raul Nogueira de Lima, vulgo Raul Careca, torturador do DOI/CODI-SP e Otávio Gonçalves Moreira Jr., vulgo Otavinho, torturador daquele departamento militar-policial. José Carlos foi enterrado no Cemitério da Lapa por seus familiares. ================================================================================================ + A história. A Batalha da Maria Antônia A Universidade do Mackenzie, em São Paulo, sempre abrigou a elite conservadora paulistana em suas salas de aula. Enquanto a maioria do movimento estudantil era composta por militantes de esquerda com tendências claramente comunistas, os estudantes do Mackenzie declaravam-se direitistas e defensores do golpe militar de 1964. Na época do golpe, o CCC, composto por estudantes vindos daquela universidade, foram os que perseguiram tenazmente os líderes da UNE. No Rio de Janeiro, membros do CCC teriam incendiado a sede da UNE em 1964. Em 1968 os integrantes do CCC iniciaram uma verdadeira perseguição aos atores e representantes da cultura que parcamente, avaliavam como subversivos e ofensivos aos costumes e à moral vigente. Um dos atos mais radicais que membros do CCC praticaram foi o espancamento dos atores da peça "Roda Viva". Em 1968 o prédio da Universidade do Mackenzie era vizinho da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, que ficava na Rua Maria Antônia, no centro de São Paulo. Se o Mackenzie era reduto do CCC, da FAC (Frente Anticomunista) e do MAC (Movimento Anticomunista), e de outros estudantes de direita, a Filosofia da USP era reduto da esquerda, abrigando a sede da clandestina União Estadual de Estudantes (UEE) e a proscrita UNE. No dia 2 de outubro os estudantes da Filosofia promovem um pedágio na Rua Maria Antônia para angariar fundos para o Congresso da UNE, a realizar-se clandestinamente dentro de alguns dias. Ao assistirem o ato, os estudantes do Mackenzie, em tom provocatório, começou a atirar ovos nos colegas da Filosofia. Iniciou-se um tumulto e ofensas de ambas as partes, com grupos defrontando-se de forma ameaçadora. Para pôr fim ao tumulto, a reitora do Mackenzie Esther Figueiredo Ferraz, chama uma tropa de choque, alegando que pretendia proteger o prédio da universidade de uma possível depredação. No dia seguinte, 3 de outubro, a animosidade entre os estudantes vizinhos continuou. Faixas da Filosofia foram arrancadas pelos estudantes do Mackenzie. Começam a explodir rojões, vidraças são quebradas. Uma batalha armada de pedras, paus e tijolos é iniciada, prosseguindo com bombas e tiros. Armados de metralhadoras, um esquema de guardas protege o Mackenzie. À frente dos estudantes da Filosofia estão o presidente e vice-presidente da UNE, Luís Travassos e Edson Soares respectivamente, e o presidente da UEE de São Paulo, José Dirceu. No meio do tumulto, centenas de pessoas aglomeram-se na Rua Maria Antônia, um policial tenta conter a agitação, disparando tiros para o ar, enquanto que um aluno da Filosofia tenta tomar-lhe a arma. Trocas de coquetéis Molotov voam entre os estudantes rivais, incendiando as paredes da Filosofia. Um estudante do Mackenzie é ferido por um rojão, ele é socorrido por uma ambulância. Os confrontos tornam-se acirrados. Bombeiros são chamados para combater focos de incêndio. O estudante secundarista José Carlos Guimarães, que ao ir a uma livraria da região resolvera ajudar os estudantes da USP, é baleado na cabeça, segundo algumas testemunhas, pelo atirador Osni Ricardo, membro do CCC e informante da polícia. José Carlos é carregado pelos colegas, mas morre a caminho do hospital. Após a morte de José Carlos, José Dirceu faz um discurso relâmpago, incitando os colegas a uma passeata de protesto pelas ruas de São Paulo. 800 pessoas saem em passeata. Pelo caminho incendeiam carros da polícia. São dispersos pelos soldados na Praça das Bandeiras. Ao fim do confronto, que passou para a história como a "Batalha da Maria Antônia", o saldo era desolador e trágico: um morto, três estudantes baleados e dezenas ficaram feridos. À noite o teto do prédio da Filosofia ruiu. A faculdade passaria a funcionar em barracões do campus. O incidente precipitou a transferência da faculdade para o atual campus Armando de Salles Oliveira, no Butantã. O prédio incendiado foi restaurado, nos tempos atuais abriga o Centro Universitário Maria Antônia, um espaço cultural. ========================================================================================================= + Detalhes. domingo, 11 de maio de 2008 Os movimentos divididos e as ilusões mescladas José Carlos Guimarães morto com um tiro na cabeça na rua Maria Antônia em 1968 Apenas alguns dias depois do golpe militar de 31 de março de 1964, li na porta do banheiro masculino que ficava no fim do primeiro lanço de escada da Faculdade de Filosofia, na rua Maria Antônia, esta ponderação: "Em terra de cego, quem tem um olho emigra." Em 1968, os estudantes tomariam o prédio da Faculdade. Acabariam sendo atacados por grupos direitistas organizados, da Universidade Mackenzie, o prédio incendiado com coquetéis molotov e todos seríamos deportados para a Cidade Universitária. Em 1977 teríamos nossas acomodações definitivas numa construção de melancólicas paredes brancas. Logo nos primeiros dias, um estudante grafitou com enormes letras vermelhas, manuscritas, num dos corredores de acesso às salas de aula: "Parede, eu te livro dessa brancura!" É nesse desencontrado imaginário de ceticismo, esperança e ímpeto libertador que se pode compreender 1968 aqui nos trópicos. O maio de 68 francês era outra coisa. O que aqui aconteceu pouco tem a ver com o que aconteceu na França. Lá os estudantes arrebataram a bandeira da luta de classes das mãos da classe operária, uma circulação de elites nas lutas sociais. Aqui as ilusões se mesclaram. Aqui era a classe média alcançada pelo arrocho salarial da ditadura que alimentara esperanças de ascensão social por meio da Universidade e experimentara a luta dos excedentes no começo daquele ano, os aprovados para os quais a Universidade não tinha vagas. Os banidos da esperança, os sem futuro, agarravam-se às asas do último avião. O movimento estudantil estava dividido e as esquerdas dividiam-se mais ainda. Tinham uma concepção do processo que vivíamos norteada pelo marco de realidades muito diferentes da nossa. Os estudantes tentavam encaixar-se na luta de classes, embora fossem de uma classe que não luta nem tem contra o que lutar, a classe média, uma classe híbrida e da ordem. Reivindica em nome de interesses, mas não tem como lutar contra estruturas sociais sem negar-se e anular-se. Os acontecimentos de 1968, na rua Maria Antônia, longe de terem sido expressão de convergência de idéias e de propósitos e de um grande encontro político, foram expressão de divisão, de falta de clareza quanto ao que acontecia no Brasil. As fantasias juvenis da Maria Antônia, libertárias e belas, não davam conta nem mesmo do que estava em andamento lá dentro do prédio. Os estudantes atacaram a Universidade imaginando que por esse meio atacavam a ditadura e, em conseqüência, atacavam o capitalismo. Queriam uma revolução social com o que era apenas um vago projeto de reforma política da Universidade. Atacaram a instituição como se fosse um remanescente da sociedade feudal e demoliram justamente um dos últimos poderes de afirmação da liberdade de pensamento e de criação no contexto de um regime ditatorial. Depois de anos de disputa política com os comunistas, a direção do movimento estudantil estava nas mãos da Ação Popular, dissidência da Juventude Universitária Católica. Os estudantes sussurravam no saguão da Faculdade informações sobre um levante próximo da classe operária nas fábricas de Osasco. De fato, a greve teve início em 16 de julho e expandiu-se para várias indústrias. A Cobrasma foi ocupada. De comum entre o sindicalismo de Osasco e a liderança dos ocupantes da Faculdade de Filosofia a forte presença da Ação Católica, em oposição ao Partido Comunista e outras organizações de esquerda, que só se aproximariam em meados dos anos setenta. O ministro do Trabalho, coronel Passarinho, voou para Osasco, decretou intervenção no Sindicato, pôs o Exército nas ruas e nas fábricas, prendeu gente. A greve operária durou três dias. A aliança operário-estudantil terminava ali. A ocupação da Faculdade de Filosofia terminou em outubro, as aulas transferidas para a Cidade Universitária. Pouco depois, em abril de 1969, professores seriam aposentados compulsoriamente, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Do movimento estudantil, muitos iriam para a prisão e o exílio, outros para a luta armada e a morte. Ao contrário do que aconteceu na França de maio de 1968, aqui pouco sobrou das lutas da Maria Antônia. A repressão ao movimento enfraqueceu a Universidade, privou-a de docentes de renome, abriu caminho para uma reforma universitária de cima para baixo. Mesmo assim, no caso da USP, levou à desagregação da Faculdade de Filosofia e à formação dos Institutos, fortalecendo várias áreas científicas. Antigos valores sociais se tornaram subitamente anacrônicos. Novos valores surgiram. A experiência do confronto e da impotência ante as imensas e invisíveis forças da ordem tornou obsoletas concepções relativas à interdição da atividade política à mulher, quebrou tabus, abriu caminhos. Mostrou, sobretudo, a dominância do cotidiano no processo político. Os jovens da Maria Antônia insurgiram-se contra a vida cotidiana em nome da História. O cotidiano os derrotou, demoliu as inconciliáveis utopias do futuro longínquo, gerou um novo e atualizado conformismo social, amansou corações e mentes, sepultou os mortos. Legou-lhes a imensa parede branca do vazio para que nela grafitassem o vermelho da liberdade. José de Souza Martins, professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP O Estado de S. Paulo [Caderno Cultura], domingo, 11 de maio de 2008, p. D7. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/8fd4c103/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12015 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/8fd4c103/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28627 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/8fd4c103/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 15 20:23:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 15 Jul 2011 20:23:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Lan=E7amento_-_Mem=F3rias=2C_de?= =?windows-1252?q?_Greg=F3rio_Bezerra/?= Message-ID: <180D9D20D1254B9585AEE022235C54EA@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Lançamento Memórias Gregório Bezerra Mais de trinta anos após a publicação das Memórias (1979), de Gregório Bezerra, o lendário ícone da resistência à ditadura militar é homenageado com o lançamento de sua autobiografia pela Boitempo Editorial, acrescida de fotografias e textos inéditos, e em um único volume. O livro conta com a contribuição decisiva de Jurandir Bezerra, filho de Gregório, que conservou a memória de seu pai; da historiadora Anita Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, que assina a apresentação da nova edição; de Ferreira Gullar na quarta capa; e de Roberto Arrais no texto de orelha. Há também a inclusão de depoimentos de Oscar Niemeyer, Ziraldo, da adovogada Mércia Albuquerque e do governador de Pernambuco (e neto de Miguel Arrais) Eduardo Campos, entre muitos outros. Em Memórias, o líder comunista repassa sua impressionante trajetória de vida e resgata um período rico da história política brasileira. O depoimento abrange o período entre seu nascimento (1900) até a libertação da prisão em troca do embaixador americano sequestrado, em 1969, e termina com sua chegada à União Soviética, onde permaneceria até a Anistia, em 1979. No exílio começou a escrever sua autobiografia. Nascido em Panelas, no Agreste pernambucano, a 180 km de Recife, Gregório era filho de camponeses pobres, que perdeu ainda na infância, e com cinco anos de idade já trabalhava com a enxada na lavoura de cana-de-açúcar. Analfabeto até os 25 anos de idade e militante desde as primeiras movimentações de trabalhadores influenciados pela Revolução Russa de 1917, Bezerra teve papel de destaque em importantes momentos políticos da esquerda brasileira, e por conta disso totalizou 23 anos de cárcere em diversos presídios e épocas. Foi deputado federal (o mais votado em 1946) pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), ferrenho combatente do regime militar, e por essa razão protagonizou uma das cenas mais brutais da recém-instalada ditadura pós-golpe de 1964: capturado, foi arrastado por seus algozes pelas ruas do Recife, com as imagens tendo sido veiculadas pela TV no então Repórter Esso. A selvageria causou tamanha comoção que os registros da tortura jamais foram encontrados nos arquivos do exército. Apesar da dura realidade, Gregório jamais cultivou o ódio ou o rancor. Era por todos considerado um homem doce, generoso. Não foi um homem de letras, mas um grande observador e um brilhante contador de histórias. Assim é que suas páginas são narradas, sem afetações ou hipocrisia, passando pelo interior da mata e do agreste nos tempos de estiagem e seca, pelo Recife, o exílio na União Soviética, a militância no PCB. Dizia ele: ?Não luto contra pessoas, luto contra o sistema que explora e esmaga a maioria do povo?. Em 1983, o Brasil perdeu este que foi um de seus grandes defensores. Para sorte dos que estavam por vir, porém, ele deixou suas memórias recheadas de verdades e esperanças e que, acima de tudo, representam a história de muitos outros ?Gregórios? que transformaram o seu destino na luta para transformar a realidade instituída. Trechos do livro ?Foi o Natal mais farto e rico de alegria a que assisti durante os nove anos e dez meses de minha vida. Além disso, ganhei dois metros de algodãozinho para fazer duas camisas, porque só tinha uma e velha, que já estava virando farrapo. Aproveitei a cumplicidade de vovó e pedi-lhe que me fizesse uma camisa e uma calça, em vez de duas camisas. A velha topou as minhas antigas pretensões. Entretanto a costureira, que foi a minha tia Guilhermina, em vez de me fazer uma calça, fez uma ceroula grande, de amarrar acima do tornozelo. Deram-me para vestir. Achei bonita e até mais bonita do que uma calça, porque me fez lembrar do meu falecido avô, que, quando vivo, somente vestia ceroulas compridas amarradas no tornozelo. Calça só vestia quando ia à feira ou em visita aos domingos. Afinal, todos aprovaram a ceroula, menos minha irmã Isabel. Ganhei a ?batalha? de anos atrás, quando pleiteei uma calça no sítio Goiabeira. Era feliz, agora, e me sentia homem. O Natal e Ano-Novo serviram para minhas exibições de ceroulas compridas e camisa fora da calça.? ?Voltei à rua, tentando ver se alguns operários haviam chegado. Não havia ninguém. Fiz um ligeiro comício para os pequenos grupos que se aglomeravam nas sacadas dos prédios vizinhos, concitando-os a pegar em armas, sob o comando do camarada Luiz Carlos Prestes. Fui aplaudido das varandas por alguns estudantes que ali moravam. Mas o apoio, infelizmente, não passou dos aplausos. Um oficial tentou prender-me, pedindo-me que, pelo amor de Deus, eu me rendesse. Ao chegar a dez metros de mim, apontei-lhe o fuzil e o fiz recuar. Vinha chegando um sargento radiotelegrafista que, de longe, perguntou-me o que havia. Respondi-lhe que, se quisesse lutar pela Aliança Nacional Libertadora, tinha um lugar a sua disposição; se não, caísse fora enquanto era tempo.? Ficha técnica Título: Memórias Autor: Gregório Bezerra Apresentação: Anita Prestes Orelha: Roberto Arrais Quarta capa: Ferreira Gullar Páginas: 648 Preço: R$ 74,00 ISBN: 978-85-7559-160-4 Editora: Boitempo -------------------------------------------------------------------------- Mais Informações: Ana Yumi Kajiki comunicacao at boitempoeditorial.com.br 55 11 3875 7285 55 11 8777 6210 Boitempo Editorial Conheça o site da Boitempo Conheça o blog da Boitempo Siga o perfil da Boitempo no Twitter Acompanhe a página da Boitempo no Facebook -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/0f4cdf63/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 54450 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/0f4cdf63/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15690 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110715/0f4cdf63/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 16 16:32:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 16 Jul 2011 16:32:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__CELSO_GILBERTO_DE_OLIVEIRA____________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CXCIII-?= Message-ID: <2BC202712BF7452FBA81B018DE302123@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CELSO GILBERTO DE OLIVEIRA (1945-1970) Filiação: Julieta Pedroso de Oliveira e João Adelino de Oliveira Data e local de nascimento: 26/06/1945, Porto Alegre (RS) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: após 29 e 30/12/1970, Rio de Janeiro (RJ) Desaparecido constante da lista anexa à Lei nº 9.140/95. Praticamente inexistem informações biográficas sobre sua trajetória política anterior à militância na VPR. Gaúcho de Porto Alegre, corretor de imóveis, Celso Gilberto de Oliveira foi preso no Rio de Janeiro, em 9 ou 10/12/1970, num momento em que as forças de repressão política estavam especialmente ativas. No dia 7, tinha sido seqüestrado o embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, e os órgãos de segurança buscavam com voracidade alguma pista que levasse ao cativeiro do diplomata. De acordo com o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos, Celso foi preso por agentes do CISA, o setor de inteligência da Aeronáutica, comandados pelo capitão Barroso, sendo transferido ao DOI-CODI/RJ. Segundo denúncias feitas mais tarde por outros presos políticos, Celso Gilberto foi torturado nessa unidade pelos tenentes Hulk, Teles e James, todos do Exército. O ex-preso político Sinfrônio Mesa Neto afirma em seu depoimento que foi acareado com Celso nos dias 24 e 25 de dezembro, para que ele fosse incriminado como militante da VPR e seqüestrador do embaixador suíço. Segundo o Relatório do Ministério do Exército, apresentado ao ministro da Justiça Maurício Correa em 1993, Gilberto foi preso pelo CISA em 09/12/1970 e entregue ao DOI-CODI do I Exército no dia 11/12/1970. Foi interrogado em 29/12/1970, quando admitiu o seu envolvimento no seqüestro do embaixador da Suíça no Brasil. Na madrugada de 29/30 de dezembro de 1970, conduziu ardilosamente as equipes dos órgãos de segurança ao local que seria o cativeiro, mas, comprovada a farsa, empreendeu fuga conseguindo evadir-se, fato confirmado pelo relatório da Operação Petrópolis de responsabilidade do DOI-CODI/I Exército. Já o Relatório do Ministério da Marinha registra: "teria sido preso em 10/12/70, por Oficial da Aeronáutica e levado para o Quartel da PE, na Guanabara, no dia 18/12/70; a partir daquela data não se soube mais do seu paradeiro. Pertencia à VPR e participou do seqüestro do embaixador suíço". O Relatório do Ministério da Aeronáutica tem uma terceira versão: "Militante da VPR. Participou do seqüestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 07/12/70, do qual resultou o assassinato do agente da Polícia Federal, Hélio Carvalho de Araújo. Enquanto o referido diplomata permanecia em cativeiro, foi detido por uma equipe do então CISA e encaminhado ao DOI/I Ex, em 11 dez 70". Apesar das informações nos documentos oficiais, a morte de Celso nunca foi assumida pelos órgãos de segurança. ============================================================================================================================== + Informações. CELSO GILBERTO DE OLIVEIRA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu em Porto Alegre (RS), filho de João Adelino de Oliveira e de Julieta Pedroso de Oliveira, em 26 de dezembro de 1945. Desaparecido, desde 1970, aos 25 anos de idade. Corretor de imóveis. Foi preso em 10 de dezembro de 1970 por integrantes do CISA, sob o comando do capitão Barroso e levado para a PE, à Rua Barão de Mesquita, Rio de Janeiro. Segundo denúncia de presos políticos, Celso foi torturado na PE do Rio de Janeiro pelos militares conhecidos pelos nomes de "Hulk", "Teles" e "James", todos tenentes do Exército. Entre os dias 24 e 25 de dezembro, Celso foi acareado, na própria PE, com o preso político Sinfrônio Mesa Netto, que pôde constatar as torturas pelas quais Celso vinha passando. No arquivo do DOPS/RJ, em 1992, foram encontrados documentos que confirmam a prisão de Celso. Num documento do CISA de 06 de outubro de 1971, informação n° 160, consta seu nome, ao lado do codinome "Alan", como preso, numa relação de militantes da VAR-PALMARES e VPR. Em sua ficha do DOPS/RJ, Celso consta também como preso. No Relatório da Aeronáutica há a seguinte informação: "foi detido por uma equipe do CISA e encaminhado ao DOI/I Ex., em 11 de dezembro de 1970". Também no Relatório do Exército, há a informação de que Celso "...utilizava-se dos codinomes Ricardo e Alan, tendo sido preso pelo CISA, em 09 de dezembro de 1970 e entregue ao DOI-DODI-I Ex. em 11 de dezembro de 1970. Foi interrogado até 29 de dezembro". Este relatório afirma ainda que, na madrugada de 29 para 30 de dezembro de 1970, Celso fugiu, conforme o Relatório da Operação Petrópolis de responsabilidade do DOI-CODI-I Exército. ======================================================================================= + Informações. CELSO GILBERTO DE OLIVEIRA (1945-1970) Gaúcho de Porto Alegre, corretor de imóveis, Celso exercia sua militância na VPR. Praticamente inexistem informações biográficas sobre sua trajetória política anterior. Foi preso no Rio de Janeiro, em 9 ou 10 de dezembro de 1970, num momento em que as forças de repressão política estavam especialmente ativas. No dia 7, tinha sido sequestrado o embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, e os órgãos de segurança buscavam intensamente alguma pista que levasse ao cativeiro do diplomata. De acordo com o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos, Celso foi preso por agentes do Cisa, o setor de inteligência da Aeronáutica, comandados pelo capitão Barroso, sendo transferido ao DOI-Codi/RJ. Segundo denúncias feitas mais tarde por outros presos políticos, foi torturado nessa unidade pelos tenentes Hulk, Teles e James, todos do Exército. O ex-preso político Sinfrônio Mesa Neto afirma em seu depoimento que foi acareado com Celso nos dias 24 e 25 de dezembro, para que ele fosse incriminado como militante da VPR e sequestrador do embaixador suíço. No relatório do Ministério do Exército apresentado em 1993, consta que Gilberto foi preso pelo Cisa em 9 de dezembro de 1970 e entregue ao DOI-Codi do I Exército no dia 11 de dezembro de 1970. Interrogado em 29 de dezembro de 1970, admitiu o seu envolvimento no sequestro do embaixador. Na madrugada de 29/30 de dezembro de 1970, conduziu ardilosamente as equipes dos órgãos de segurança ao local que seria o cativeiro e, comprovada a farsa, conseguiu fugir, fato confirmado pelo relatório da Operação Petrópolis, de responsabilidade do DOI-Codi/I Exército. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, registra que Celso "teria sido preso em 10/12/70, por Oficial da Aeronáutica e levado para o Quartel da PE, na Guanabara, no dia 18/12/70; a partir daquela data não se soube mais do seu paradeiro. Pertencia à VPR e participou do sequestro do embaixador suíço". O relatório do Ministério da Aeronáutica ratifica sua participação no episódio que "resultou o assassinato do agente da Polícia Federal Hélio Carvalho de Araújo. [...] Foi detido por uma equipe do então Cisa e encaminhado ao DOI/I Ex., em 11 dez. 70. Apesar das informações nos documentos oficiais, a morte de Celso nunca foi assumida pelos órgãos de segurança. Em Petrópolis (RJ), por solicitação da CEMDP, o Ministério Público determinou um levantamento nos livros de registro dos cemitérios da cidade. O estudo da documentação deu indicações sobre a possível localização dos restos mortais de 19 desaparecidos políticos, entre os quais estariam os de Celso Gilberto de Oliveira. =========================================================================================== + a história. sexta-feira, 16 de março de 2007 Celso Gilberto de Oliveira: a vida por uma causa Nos tempos de adolescência e dos muitos jogos e brincadeiras na rua Frederico Guilherme Ludwig, lembro do jovem amigo Celso Gilberto de Oliveira, que lá também morou. Muitas vezes esteve na nossa casa jogando "futebol de botão" e participando de algumas rodas de bate-papo descontraído. Simpático, sempre de bom humor e de pouca fala. No ano de 1966 um grupo de jovens adolescentes, embalados e inspirados nos Festivais de Música Popular Brasileira, da TV Record, projetou a realização de um festival de música na cidade. Muitos daqueles jovens compunham excelentes letras e músicas. O local da exibição seria o Clube Cultural Canoense, onde já havíamos realizado algumas reuniões. Lembro, pelos registros que fazia na minha coluna no semanário O Timoneiro, que a Comissão Organizadora era presidida pelo jornalista José Ribeiro Fontes (presidente), Luiz Carlos Schneider e Bruno Pagot (secretários), Manoel Airton Aquino Guerra e Ivo da Silva Lech (tesoureiros), Carlos Gilberto Fernandes de Vargas (relações públicas) Paulo Jéferson Mendes e este blogueiro (departamento de divulgação). E lá, em algumas reuniões, esteve por vezes, por achar a idéia do festival muito boa, o amigo Celso, com o propósito de colaborar. Era o tempo da ditadura fardada, como se refere o jornalista Mino Carta. Regime de arbítrio e de caça aos opositores do novo regime que não aceitavam o sistema político ditatorial-militar. O Brasil havia sofrido um golpe militar na calada da noite do dia 31 de março para 1º de abril de 1964. As forças do Exército já haviam ocupado os pontos estratégicos e os militares tomado o poder à força. O presidente João Goulart, o Jango, havia determinado que fosse evitado por todos os meios o derramemento de sangue. E assim se fez. Acompanhado pelo general Argemiro de Assis Brasil, então ministro da Casa Militar, Jango se exilou no Uruguai. Os militares se acomodaram no Palácio do Governo e passaram a ditar normas, leis e Atos Institucionais. O pior e mais grave, o famigerado AI-5, veio em 13 de dezembro de 1968, mesmo depois do veemente discurso proferido por Ulisses Guimarães, em Campos, na Bahia, quando asseverou: "Na cadeira de Rui Barbosa, que representou as tradições libertárias desta Estado, não podem sentar os penetras indicados pela oligarquia e pelos conchavos entre amigos e parentes". E mais disse Ulisses: "Vocês ouvem falar do achatamento salarial. Vocês ouviram falar e de se tomar providências do achatamento dos lucros criminosos que fazem a opulência de poucos e enchem as burras e as arcas das multinacionais, fazendo com que tenhamos uma sangria às avessas, o sangue e o suor dos trabalhadores para enriquecer outras pátrias, outrso países?". E concluiu com enfática coragem: "Baianos, marchemos para a vitória a 15 de novembro. Baioneta não é voto e cachoro não é urna". Em 1970 o Brasil inteiro, levado pela institucional propaganda indutiva, torce e vibra com a seleção de futebol no México, ano em que o Brasil, coincidentemente, conquista o tricampeonato mundial de futebol e, em definitivo, a Taça Jules Rimet. Enquanto isso, distante da opinião pública, prisioneiros políticos eram torturados nos porões da ditadura militar e inocentes passaram a ser vítimas da violência e das barbáries que foram impetradas nos 21 anos de duração do caos moral e político, quando só pensar em voz alta já era um inimaginável risco. E, em meio à euforia do milagre econômico e da vitória da Seleção na Copa de 1970, emerge a idéia da realização de um filme-denúncia. O quadro das bárbaras atrocidades inspirou o diretor Roberto Farias ("Assalto ao Trem Pagador") a realizar Prá Frente, Brasil, filme onde todos esses acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e desaparece. Conforme edição da revista Veja, por ocasião do lançamento do filme, a enigmática história do desaparecimento de Celso Gilberto de Oliveira teria sido uma das inpirações à realização do filme. Sequer algum de nós, do grupo que projetava o festival, imaginava ou desconfiava do envolvimento do amigo Celso com grupos revolucionários do centro do país. Quando tinha que viajar para o Rio de Janeiro, Celso alegava estar trabalhando na Enciclopédia Barsa, até porque no Rio era mais fácil prá vender, justificava. Outras vezes "arranjava" viagens para outros lugares. Mas jamais abriu ou deixou desconfiar que era um ativista militante do MR-8. Só depois de sabê-lo morto é que tomei conhecimento através do seu companheiro de ideal revolucionário, Paulo Rocha da Rocha, que também esteve preso no Doi-Codi, e cujos registros no então SNI - Serviço Nacional de Informação - devem confirmar. O propósito desta crônica - que também é uma homenagem ao amigo e herói anti-redentora - me veio à idéia ao navegar pela Internet e me deparar com o site Desaparecidos - Grupo Tortura Nunca Mais. Apesar que, o jornal Gazeta de La Stampa, sob minha direção e editoria, nos anos 90, já havia publicado matéria a respeito dos presos e desaparecidos no período do arbítrio, incluindo o general Argemiro de Assis Brasil, que foi preso logo após retornar do local do exílio do presidente Jango, e que, enquanto sobrevivendo como professor, morou em Canoas, no edifício da rua Tiradentes, nº 17, esquina BR-116; e o médico e ex-vereador Edson Medeiros. "Vi, então, ainda jovem, que os problemas decorrentes de nossa estrutura social, imobilizada pelos interesses das classes dominantes, se agravavam com a eficácia e a eficiência da exploração permanente daqueles novos senhores". A frase do general Argemiro de Assis Brasil, mesmo dita em tempo anterior à ditadura militar, define perfeitamente o clima que passava a existir no que na década seguinte passou a ser definido como Anos de Chumbo. Celso e Paulo foram presos na mesma época, com alguns dias de diferença. Daí, conta o ativista Paulo da Rocha, que a última vez que ouviu a voz do amigo Celso foi durante um interrogatório numa das celas do Doi-Codi, que ficava próximo a que se encontrava. Disse que apenas ouvia os berros dos carrascos, tipo "fala seu filha da p...", "nós vamos fazer tu falar ..." e coisas mais. E o Celso nada de responder. Silêncio absoluto. Fidelidade absoluta à causa. Até que num dado momento, enquanto era torturado com socos, ponta-pés e choques impetrados pelos carrascos da ditadura, Celso revidou com uma cuspida no rosto de um dos seus algozes. Paulo disse que sabia que era cuspida porque o próprio algoz bradou em voz alta e em tom hiper irritado: "Esse filho da p... cuspiu na minha cara". A história, ainda segundo Paulo, é que depois disso teriam levado o Celso para um passeio num camburão do Exército. No meio do caminho, em local ermo e rodeado de mato, teriam parado o camburão, abrido a porta traseira e dito: "Se tu quesé vivê, corre! Te manda! Não olha prá trás!". E Celso correu em direção ao mato e à liberdade, mas nunca mais pode olhar prá trás e nem para lugar algum, as balas covardes e traiçoeiras dos carrascos foram mais rápidas e o alcançaram pelas costas. Era um dia do mês de dezembro de 1970. E assim chegava ao fim a luta de um jovem por um ideal de liberdade ... e de um suplício, que suportou com fidelidade. Postado por XICO JÚNIOR -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110716/68b973e1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110716/68b973e1/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24917 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110716/68b973e1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 16 16:32:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 16 Jul 2011 16:32:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Hugo_Rafael_Ch=E1vez_Frias?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Hugo Rafael Chávez Frias "Mulata com gato preto" (1966), de Di Cavalcanti Por Izaías Almada. Daqui do espaço deste blog, envio - na contramão da má fé e da desinformação da imprensa nacional e internacional, para dizer o mínimo - a minha solidariedade e o meu desejo sincero de restabelecimento ao presidente Hugo Chávez da Venezuela, batalhador incansável pela dignidade de seu povo e dos povos latino-americanos. Faço-o, transcrevendo o capítulo de um livro meu sobre a Venezuela, escrito em 2007, sob o título Venezuela Povo e Forças Armadas: "Entre o menino de pés descalços que vendia doces em Sabaneta de Barinas, cidadezinha próxima à cordilheira de Mérida, por volta de 1960, e o eloquente e aplaudido discurso pronunciado em 15 de setembro de 2005 perante a 60 a Assembléia Geral das Nações Unidas, em nome do povo venezuelano, o mundo assistiu ao nascimento de uma nova liderança política latino-americana e mundial, forjada na mesma pobreza de outros milhões de excluídos do planeta, alicerçada na convicção de que nada é perene e imutável, e conquistada sob o risco de uma ação que sua condição de militar lhe impusera como cidadão e patriota. Esse líder é Hugo Rafael Chávez Frias. Já muito se escreveu (e ainda se escreverá) sobre esse tenente-coronel do Exército venezuelano que, em 04 de fevereiro de 1992, comandou um levante militar contra o governo de Carlos Andrés Pérez, sendo derrotado - naquela ocasião - em menos de 24 horas. Enviado à prisão após um pronunciamento pela televisão, e até mesmo por causa dele, tornou-se uma esperança para milhares de venezuelanos. Uma esperança que ultrapassou rapidamente as grades da prisão de Yare em 1994, onde esteve enclausurado por dois anos, e hoje, anos depois, ultrapassa as fronteiras da sua Venezuela e da própria América do Sul. No livro Chávez Nuestro, trabalho dos jornalistas cubanos Rosa Miriam Elizalde e Luis Báez, um dos livros mais pungentes e humanos que li até agora sobre Chávez e a Revolução Bolivariana, há na introdução uma curiosa versão do "Pai Nosso" cristão, que foi entregue a Chávez por um anônimo cidadão de Caracas na prisão de São Carlos, pouco depois do seu levante de 1992: ORAÇÃO A CHÁVEZ NOSSO Chávez nosso, que estás na prisão, Santificado seja teu golpe, Vinga a todos nós, teu povo, Faça-se a tua vontade E a de teu Exército. Dá-nos hoje a confiança já perdida E não perdoes aos traidores. Assim como também não perdoaremos Aos que te prenderam. Salva-nos de tanta corrupção E livra-nos de Carlos Andrés Pérez. Amém. Escrita por um popular anônimo, penso que a oração, além de emblemática, sintetiza de forma significativa, uma das principais, senão a principal, bases de sustentação da Revolução Bolivariana: a integração cívico-militar. Essa integração, escopo primordial deste trabalho, salientada pela maioria das pessoas com as quais conversei na Venezuela, militares ou civis, tem no próprio Chávez a sua expressão mais autêntica, mais arraigada, pelas duas condições que ele reúne em si mesmo: a de militar e a de cidadão originário das camadas mais humildes da população. Para muitos da sua geração, pobres como ele, só a carreira militar oferecia a possibilidade de estudos numa academia. Embora o beisebol, o esporte nacional venezuelano, fizesse parte também do seu interesse pela carreira militar, foi nos estudos que o jovem cadete encontrou sua verdadeira vocação. Das inúmeras entrevistas dadas por Chávez a jornalistas e escritores de vários países, algumas delas - em particular aquelas em que o entrevistador não se coloca na perspectiva de um provocador a serviço de seus opositores - apresentam com transparência e objetividade o pensamento político do presidente, desde a sua formação escolar. Numa delas, Chávez fala de seu processo de conscientização política, um processo que se inicia ainda em seus tempos de cadete quando realizava manobras e exercícios militares pelas montanhas da Venezuela: "Eu escrevia diários quando era cadete. Um desses apareceu por aí, num programa de televisão, quando fui surpreendido pelo apresentador que me mostrou o diário. Há lá uma frase escrita aos meus dezoito anos: 'hoje passamos por vários casebres e vejo sempre a mesma coisa. Uma casa miserável, uma mulher esfarrapada e umas crianças miseráveis. E depois, uma conclusão: algum dia é preciso fazer alguma coisa por eles.'" Para a elite venezuelana, o que incomoda em Chávez, além da sua trajetória rebelde, de seus inegáveis conhecimentos de estratégia política, de sua coerência ideológica, são também os seus traços de negro e índio. Para seus opositores, os colonizadores brancos e os mestiços nacionais que trazem dentro de si o preconceito e o aculturamento, nada mais humilhante de que se submeter aos avanços de um processo revolucionário comandado por alguém que não se assemelha ao biótipo anglo-saxão ou ibérico. As elites venezuelanas (e nisso elas não se diferem de suas congêneres em toda a América do Sul), mais afeitas a Washington, Miami e Madrid do que a Caracas, usam todos os meios possíveis para inviabilizar o seu governo e, apoiada por dólares e euros das corporações transnacionais e de uma mídia comprometida (*) com os interesses antinacionais, investe furiosamente contra Chávez, na tentativa de reverter um quadro que tomou ares de definitivo após a tentativa do golpe de estado de Carmona & Cia em abril de 2002 e mais recentemente com as várias eleições parlamentares e presidenciais, incluindo-se um plebiscito em que foi derrotado. Criado pela avó paterna, Rosa Inês, junto com o irmão Adan (na altura em que escrevo este livro, Adan é embaixador da Venezuela em Cuba), Hugo Chávez teve uma infância muito pobre. Uma infância de pés descalços, roupas rotas e o sacrifício dos pais professores que - para minorar as dificuldades na educação de cinco filhos - enviaram os dois mais velhos aos cuidados da avó. Já pós-adolescente, o menino Hugo, fã ardoroso do beisebol - esporte mais popular do que o futebol no país - e premido pela necessidade de vencer as dificuldades econômicas para poder estudar, procura pela carreira militar, fato corriqueiro para muitos jovens venezuelanos. Em 08 de agosto de 1971, com 17 anos de idade, ingressa na Academia Militar da Venezuela. Dessa data até 04 de fevereiro de 1992, passa por um rico processo de estudos e conscientização política e ideológica. Destaca-se como aluno dedicado aos estudos e vai sucessivamente, sempre com distinção, galgando os degraus da hierarquia militar: subtenente em 1975, tenente em 1978, capitão em 1982, major em 1986, tenente-coronel em 1990 e é com essa patente que se lança na insurreição de 1992. Em 1982, alguns meses depois de se tornar capitão, presta um juramento na companhia de mais três companheiros de armas: Felipe Acosta Carlez, morto em 1989, Jesus Urdaneta Hernández e Raul Isaías Baduel (**). O juramento ficou conhecido como o Juramento de Samán de Güere, local onde Simón Bolívar costumava descansar em meio às suas batalhas. Nele, os quatro companheiros prometiam lutar por mudanças dentro do Exército venezuelano, e não só. Sob a árvore em que descansara Bolívar, iniciavam os quatro companheiros de farda - com solenidade - aquilo que se transformaria no movimento bolivariano e na própria Revolução Bolivariana. Seu percurso militar inclui a graduação como subtenente de Artilharia, especializado em Ciências e Artes Militares, divisão de Engenharia. Realiza cursos de capacitação profissional na Escola de Comunicação e Eletrônica das Forças Armadas; curso de capacitação na arma de Blindados. Serve sucessivamente como chefe do Departamento de Educação Física do Exército, chefe do Departamento de Cultura e Comandante de Companhia. Em 1988, é designado secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa no Palácio de Miraflores. Em julho de 1991, ao terminar o curso de Comando e Estado Maior na Escola Superior do Exército, assume o comando da Brigada de Pára-quedistas Nicolas Briceño em Maracay, uma das mais importantes unidades militares do país. Em 04 de fevereiro de 1992 lidera uma insurreição militar que é derrotada em 24 horas. Assume a responsabilidade pela ação, mas ganha enorme simpatia popular, principalmente pelo descrédito que já desfrutava o governo neoliberal de Carlos Andrés Pérez. É feito prisioneiro e enviado para o quartel de San Carlos em Caracas, sendo transferido depois para uma prisão em San Francisco de Yare, onde permanece recluso por dois anos. É na prisão de Yare que Chávez fortalece seus contatos, seu movimento bolivariano e suas convicções políticas. Como também é a prisão que o transforma no centro de atração de muitos dissidentes dentro e fora das Forças Armadas, ampliando-se o elo de simpatia civil, particularmente entre os mais desfavorecidos socialmente. De minha parte, não tenho a menor dúvida em afirmar que, se vivo fosse, o sociólogo e pensador Florestan Fernandes, teria acrescentado Hugo Chávez ao seu pequeno dicionário de homens íntegros a que chamou de A Contestação Necessária, obra editada em 1995, quando ainda Chávez e seus companheiros traçavam a estratégia da sua Revolução Bolivariana." (*) - Alguns dos principais jornais, revistas e emissoras de televisão brasileiras, vêm deliberadamente ocultando ou mesmo mentindo sobre a Revolução Bolivariana e o governo de Chávez há vários anos. (**) - Hoje em lados opostos, tendo Baduel sido acusado e respondido a processo por corrupção no Exército. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110716/b4169819/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16008 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110716/b4169819/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 16 16:32:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 16 Jul 2011 16:32:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Convite=3A_solenidade_em_comemora?= =?iso-8859-1?q?=E7=E3o_do_centen=E1rio_do_Brigadeiro_Francisco_Tei?= =?iso-8859-1?q?xeira=2E__Dia_25_de_julho_de_2011=2C_=E0s_18=2C00_h?= =?iso-8859-1?q?s_no_9=BA_andar_da_ABI_=2E_Rua_Ara=FAjo_Porto_Alegr?= =?iso-8859-1?q?e=2C_71_-_R_J_-?= Message-ID: <644D7CB84E114F9296F44036C599F85A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 144307 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110716/604c7445/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 17 13:22:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 17 Jul 2011 13:22:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__COLECCI=D3N_MUSICAL_DE_MERCEDES_?= =?iso-8859-1?q?SOSA=2E=2E_________________________________________?= =?iso-8859-1?q?____________________________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DA?= =?iso-8859-1?q?SICAS!?= Message-ID: <7437CB06E79946829D87DA39CF993298@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: lu Maria Vuele hacia ti la música de Mercedes Sosa.. ¡COLECCIÓN MUSICAL DE MERCEDES SOSA..¡UN FELIZ DIA DOMINGO.! 1.. Todo Cambia. 2.. Alfonsina Y El Mar. 3.. Gracias A La Vida. 4.. Solo Le Pido A Dios. 5.. Como La Cigarra. 6.. Ojos Azules 7.. Honrar La Vida 8.. Yo Vengo A Ofrecer Mi Corazón 9.. Canción Con Todos. 10.. Juana Azurduy 11.. Volver A Los 17. 12.. Luna Tucumana 13.. La Maza 14.. Soy Pan, Soy Paz, Soy Más 15.. Zamba Para No Morir 16.. Razón de Vivir 17.. Si Se Calla El Cantor 18.. Sube, Sube, Sube 19.. Duerme Negrito 20.. Piedra Y Camino 21.. Años 22.. Los Mareados 23.. Balderrama 24.. Cristal 25.. Como Pajaros En El Aire 26.. María Va 27.. Me Gustan Los Estudiantes 28.. Sobreviviendo. 29.. Déjame Que Me Vaya 30.. Agitando Pañuelos 31.. Canción De Las Simples Cosas 32.. Entre a Mi Pago Sin Golpear 33.. Chacarera de Un Triste 34.. Canción de Amor Para Mi Patria. 35.. Palabras para Julia 36.. La Arenosa 37.. El Cosechero 38.. Al Jardín De La Republica 39.. Como Un Pájaro Libre 40.. Santafesino de Veras 41.. La Flor Azul 42.. Pedro Canoero 43.. Canción para Carito 44.. Carito 45.. María, María 46.. La Estrella Azul 47.. Hermano Dame Tu Mano 48.. Todavía Cantamos 49.. El Unicornio Azul 50.. Corazón De Estudiante. 51.. Y Dale Alegría A Tu Corazón 52.. El Olvidao (Chacarera) 53.. Los Hermanos 54.. O Cio da Terra 55.. Chacarera de Las Piedras 56.. Calle Angosta 57.. El Tiempo Es Veloz 58.. A Que Florezca Mi Pueblo. 59.. A Mi Hermano Miguel. 60.. Cuando Ya Me Empiece A Quedar Solo. 61.. Poema 15. 62.. 1970 Navidades. 63.. Cuando Tenga La Tierra 64.. A Quien Doy. 65.. Como Dos Extraños 66.. Taki Ongoy II 67.. Solo Se Trata de Vivir 68.. Vientos Del Alma 69.. Corazón libre 70.. Cancion Para Mi America 71.. Inconsciente Coléctivo 72.. Almas En El Viento 73.. Al Despertar. 74.. Antiguos Dueños de Flechas 75.. Plegaria A Un Labrador 76.. Alcen La Bandera 77.. Venas Abiertas. 78.. Canto A Mi América 79.. Del Tiempo de Mi Niñez 80.. Hablando a Tu Corazón 81.. Un Vestido Y Un Amor 82.. Caruso 83.. Serenata Para La Tierra De Uno 84.. Canción Para Un Niño En La Calle 85.. El Puente de Los Suspiros 86.. Yo No Te Pido 87.. Eu só peço a Deus 88.. Canciones Y Momentos 89.. Caja de Música 90.. Zamba de Los Mineros 91.. Vuelvo Al Sur 92.. A Víctor. 93.. De Mí 94.. Encuentros Y Despedidas 95.. Sueño Con Serpientes 96.. Sueñero 97.. A Un Semejante. 98.. Luna 99.. La Carta 100.. Guitarra Dimelo Tú 101.. Amargura. 102.. Zambita de Los Pobres 103.. Siembra 104.. Agnus Dei. 105.. El Tiempo, El Implacable, El Que Pasó 106.. Fragilidad 107.. Ay Este Azul 108.. Canción Y Huayno 109.. Mon Amour 110.. Ay Soledad 111.. Una Canción Posible 112.. Oración Al Sol 113.. Fuegos en Anymaná 114.. Alla Lejos Y Hace Tiempo 115.. La Navidad De Luis 116.. Criollita Santiagueña 117.. Unicornio 118.. La Belleza 119.. Acércate Cholito. 120.. Vengo A Ofrecer Mi Corazon 121.. Bajo El Sauce Solo 122.. Pueblero de Allá Ité 123.. A Monteros 124.. Viejo Corazón 125.. Parte Del Aire 126.. Madre de Madres 127.. Cuando Me Acuerdo de Mi Pais 128.. Los Pueblos Americanos 129.. Viejas Promesas 130.. Azul Y Blanco En Mi Corazón 131.. Zamba a Monteros 132.. Cinco Siglos Igual 133.. La Peregrinación 134.. Canción Para Despertar A Un Negrito 135.. De Alguna Manera 136.. El Corazón Al Sur 137.. Dorotea, La Cautiva 138.. Cerca de La Revolución 139.. La Última Curda 140.. Promesas Sobre El Bidet 141.. Por Un Solo Gesto De Amor 142.. Caserón de Tejas 143.. Agüita Demorada 144.. El Otro País 145.. Tonada del viejo amor 146.. Es Sudamérica Mi Voz 147.. Retrato 148.. Cuando Me Ves Así 149.. Los Reyes Magos 150.. Los Bailes de La Vida 151.. Como Mata El Viento Norte 152.. Regreso a La Tonada 153.. Qué He Sacado Con Quererte 154.. Como flor del campo 155.. Credo 156.. El Alazán 157.. Agosto en Tucumán 158.. Madurando Sueños 159.. Despertar 160.. Un Son Para Portinari 161.. Rezo Por Vos 162.. Arriba Quemando El Sol -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110717/443899d8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 79448 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110717/443899d8/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 17 13:22:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 17 Jul 2011 13:22:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__H=C9LIO_LUIZ_NAVARRO_DE_MAGALH=C3ES_?= =?iso-8859-1?q?______________________________-CXCIV-?= Message-ID: <14B6FA461A734ADDAEE2858DA8543B36@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem HÉLIO LUIZ NAVARRO DE MAGALHÃES (1949-1974) Filiação: Carmen Navarro Rivas e Hélio Gerson Menezes de Magalhães Data e local de nascimento: 23/11/1949, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 14/01/1974 Filho de um comandante da Marinha, o estudante carioca Hélio Luiz Navarro de Magalhães cursou Química na Universidade Federal do Rio de Janeiro e também estudava piano. Participou ativamente do Movimento Estudantil entre os anos de 1967 e 1970. Devido às dificuldades impostas pelo AI-5, terminou abandonando a vida universitária e foi viver na região do Araguaia, já incorporado à militância do PCdoB, sendo conhecido por Edinho no Destacamento A. Seus companheiros relataram que, inicialmente, enfrentou dificuldades de adaptação à vida na selva, principalmente para cozinhar e calcular distâncias. Como passou a contar cada passo, Edinho adquiriu o apelido de "passômetro", mas também a capacidade de calcular distâncias com grande precisão. Tocava flauta na floresta. Referindo-se ao mês de janeiro de 1974, Ângelo Arroyo escreveu em seu Relatório: "dia 14, acamparam próximo a uma capoeira abandonada e onde a casa do morador havia sido queimada pelo Exército. Ao amanhecer do dia 14, dois companheiros foram ver se conseguiam alguma mandioca. (...) Às 9h30, quando estavam preparando uma refeição, ouviram um barulho estranho na mata. Ficaram de sobreaviso, com as armas na mão. Viram então os soldados que vinham seguindo o rastro e passaram a uns dez metros de onde os companheiros se encontravam. Os soldados atiraram, ouviram-se várias rajadas. J., Zezim e Edinho (Hélio Luiz Navarro) escaparam por um lado. Não se sabe se os outros três - Piauí, Beto e Antônio - também escaparam". O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça, contém três anotações sobre Hélio: "Fev/74 - Foi preso gravemente ferido, como terrorista, na região de Chega com Jeito, portando um fuzil metralhadora adaptado cal.38, um revólver cal.38 e uma cartucheira com 36 cartuchos. Fev/74 - filho do Comte. Hélio Gerson Menezes Magalhães, foi preso após ter sido ferido. Possibilidades de sobrevivência desconhecidas. Nov 74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação da guerrilha rural, levada a efeito pelo CC do PCdoB, em Xambioá. Morto em 14/03/74". O Correio Braziliense publicou, em 17/06/2007, matéria de Leonel Rocha, que acabava de realizar uma visita de quatro dias à região da guerrilha. O jornalista informa: "quem também voltou à sua antiga roça foi Raimundo Nonato dos Santos. Aos 77 anos, é conhecido como Peixinho e esteve no centro dos combates. Ele conta que perdeu porcos, patos, galinhas e uma chácara com frutas e legumes plantados. 'Me corta o coração falar desse assunto hoje', diz Peixinho, que chama os antigos guerrilheiros de 'o povo da mata'. Obrigado pelo Exército, localizou o guerrilheiro Hélio Luiz Navarro de Magalhães, conhecido como Edinho, preso e ferido pela patrulha em março de 1974". No livro de Elio Gaspari, A Ditadura Escancarada, consta a informação de que o ex-encarregado da lanchonete da Bacaba, José Veloso de Andrade, viu Edinho preso naquele acampamento. O já mencionado relatório que quatro procuradores do Ministério Público Federal produziram em 2002 registra que ele foi preso e ferido em confronto com as Forças Armadas, em São Domingos do Araguaia, na mesma ocasião em que foi preso Luiz René Silveira e Silva, o Duda. Essa informação é confirmada por Taís Morais e Eumano Silva em Operação Araguaia: "Preso quando o mateiro Raimundo Nonato dos Santos, o Peixinho, junto com o soldado Ataíde e o capitão Salsa, encontrou-o com Duda perto da 'cabeceira da Borracheira'. Durante o embate Edinho levou três tiros. Duda nada sofreu. Edinho foi colocado em uma padiola e socorrido Os dois foram transportados de helicóptero". Em carta escrita por Carmen Navarro Rivas mãe de Hélio Luiz Navarro de Magalhães, a família abriu mão da indenização prevista na Lei nº 9.140/95 e pediu às autoridades esclarecimentos sobre o desaparecimento de seu filho: "que se abra o caminho da verdade que está nas mãos daqueles que o possuem". A carta também é assinada por Diana Pilo, mãe de Pedro Alexandrino Oliveira Filho. No site www. desaparecidospoliticos.org.br/araguaia, considerado como a mais abrangente fonte de informações e documentação pertinentes àquele episódio de guerrilha, constam outras informações sobre o caso. ========================================================================================================================== + Informações. HÉLIO LUIZ NAVARRO DE MAGALHÃES Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 23 de novembro de 1949 no Rio de Janeiro, filho de Gerson Menezes Magalhães e Carmem Navarro de Magalhães. Desaparecido, desde 1974, na Guerrilha do Araguaia quando contava 25 anos. Estudante da Escola de Química e de Música, ambos os cursos na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Devido a dificuldades de continuar estudando após a decretação do AI-5, optou por abandonar a escola e foi viver no interior, próximo à Transamazônica. Inicialmente, teve grandes dificuldades de adaptação, principalmente em cozinhar e calcular distâncias na mata. A primeira, superou com a prática e a segunda, contando passos e tempo. Isto valeu-lhe o apelido de 'passômetro' e a capacidade de calcular com grande precisão as distâncias. Edinho, como era conhecido no Araguaia, gostava muito de música, e na cidade tocava piano. Ao mudar-se para a mata, procurou adaptar seus conhecimentos musicais, tornando-se flautista. Deslocou-se para a região do Araguaia em 3 de outubro de 1970. No dia 14 de janeiro de 1974, após combate entre seu grupo e as Forças Armadas, não foi mais visto. Provavelmente tenha sido preso. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi preso gravemente ferido, como terrorista, na região de Chega Com Jeito... Possibilidades de sobrevivência desconhecidas... Morto em 14/03/74." Atualmente, a família entrou com interpelação Judicial contra a União Federal e Ação de Reparação de Perdas e Danos. ================================================================================================== + Detalhes. Edinho: procurado, vivo ou morto Compartilhe A história singular de Hélio Navarro, o Edinho, um guerrilheiro que a Marinha diz ter morrido em 1974, mas que pagava imposto, tinha CPF e até conta em banco em 2004 matheus leitão HÉLIO, O EDINHO Foto do estudante do final da década de 60, que consta do registro de desaparecidos políticos em que Hélio Navarro é conhecido pelo codinome Edinho. Ele era filho e sobrinho de almirantes. O governo nunca declarou se ele está vivo ou morto Durante o regime militar, um dos episódios mais soturnos ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia (1968-1974). A guerrilha era uma tentativa de criar uma área militarizada na região que hoje abrange o norte do Tocantins e o sudeste do Pará, promovida por integrantes do PCdoB. Outro objetivo era derrubar a ditadura. Um dos personagens mais intrigantes desse movimento armado, dizimado pelos militares, foi Hélio Luiz Navarro de Magalhães, cujo codinome era "Edinho". Com 24 anos na época, Hélio é mencionado em todas as listas de desaparecidos políticos. Um relatório militar de fevereiro de 1974 diz que ele foi "preso, gravemente ferido" e que tinha possibilidade de "sobrevivência desconhecida". Um segundo registro, da Marinha, diz que ele morreu em 14 de março de 1974. O Exército também registrou sua morte. A Marinha é uma Arma especial no destino de Hélio Navarro. Seu pai, o almirante Hélio Gerson Menezes de Magalhães, tinha contatos no serviço de informações da Arma, na mesma época em que o filho empunhava fuzis no Bico do Papagaio, no sudeste do Pará. Pela função profissional, o pai tinha as condições de acompanhar a vida do filho, envolvido num confronto que centralizou as atenções do regime. Um tio de Hélio também era oficial da Marinha, de patente mais alta. Seu nome: Gualter Maria Menezes de Magalhães. Ele foi comandante em chefe naquele período. Conhecido pela rigidez de suas ideias políticas, Gualter de Magalhães chegou a ministro da Marinha. Até por causa desse parentesco com patentes tão altas, que poderia permitir um tratamento humano num universo implacável pela violência, os oficiais ouvidos por ÉPOCA dizem que o destino de Hélio Navarro foi outro. Depois de tomar três tiros na perna e de ser capturado pelos militares, afirmam, ele teria colaborado com o regime. Sua vida teria sido preservada. Na versão relatada por esses oficiais, ele teria recebido uma nova identidade e levaria uma vida anônima e segura num ponto qualquer do Brasil. Será verdade? Após 50 entrevistas, duas viagens ao Araguaia, outras tantas ao Rio de Janeiro e uma estadia em Estrela d'Oeste, no interior de São Paulo - onde os próprios familiares dizem ter procurado Hélio Navarro anos atrás -, a reportagem de ÉPOCA concluiu que o caso permanece um mistério, com tantas perguntas como respostas. Mortos, o pai e o tio levaram possíveis segredos para o túmulo. Ainda nesta matéria Página 1 de 4 | Próxima Página: Edinho: procurado, vivo ou morto a.. Página 1: Edinho: procurado, vivo ou morto b.. Página 2: Edinho: procurado, vivo ou morto c.. Página 3: Edinho: procurado, vivo ou morto d.. Página 4: Edinho: procurado, vivo ou morto ============================================================================================== + Detalhes. terça-feira, 25 de janeiro de 2011 Os fantasmas do Araguaia Queria vê-lo uma única vez antes de morrer, meu filho." Foi com esse apelo emocionado que Carmem Navarro, 80 anos, encerrou a carta que escreveu no final do ano passado a Hélio Luiz Navarro Magalhães. O ex-militante do PCdoB, codinome Edinho, é dado como morto desde março de 1974, um mês depois de ter sido preso por militares. A carta de Carmem foi entregue, por intermediários, a um oficial reformado da Marinha, que garante manter contato com o ex-guerrilheiro, que estaria vivendo há 40 anos com nova identidade. Dona Carmem não quis dar entrevista, mas o conteúdo da carta foi confirmado por seu advogado, Márcio Donnici. Magalhães não seria o único dos desaparecidos da guerrilha do Araguaia a desfrutar de uma vida clandestina. Luís René da Silveira, Antônio de Pádua Costa, Áurea Elisa Valadão e Dinalva Oliveira Teixeira também são apontados como "mortos-vivos" em relatório do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), formado por militares, pesquisadores e familiares de desaparecidos políticos. O núcleo foi criado pelo Ministério da Defesa para tentar encontrar as ossadas de 69 guerrilheiros mortos pelo Exército nos anos 70, na região de Xambioá (TO). Não é de hoje que surgem relatos de que guerrilheiros presos pelos militares no Araguaia foram poupados das execuções. A maioria foi morta pelo Exército, que se nega a revelar onde estão os corpos. A novidade é que o Ministério da Defesa e a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminharam um ofício à Justiça Federal pedindo que a PF investigue se os cinco ex-militantes do PCdoB estão vivos. O pedido foi baseado em depoimentos colhidos pelo GTT entre camponeses e ex-militares. Nenhuma das testemunhas, porém, oferece evidências. "O que queremos é ter instrumentos legais para avançar na investigação", diz a pesquisadora Myriam Alves, que integra o GTT. A juíza Solange Salgado deu parecer favorável ao ofício, mas a Polícia Federal decidiu não apurar o caso, alegando que se trata de uma investigação administrativa, e não judiciária. A investigação tem poucas chances de progredir. Para alguns familiares de desaparecidos, a iniciativa seria uma tentativa de desviar o foco da busca pelas ossadas dos guerrilheiros. "É um deboche", diz Beth Silveira, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais e irmã de Luís René. "Não apresentaram uma prova de que possam estar vivos. Isso é uma tortura para os familiares." A ministra Maria do Rosário, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, vai na mesma linha. "Trabalhamos com a convicção de que os desaparecidos foram executados e tiveram seus corpos subtraídos. Vamos continuar essa busca se houver informação precisa, não só para jogar confusão." ==================================================================================================================== + Detalhes. Araguaia: PF faz busca de possíveis guerrilheiros vivos BRASÍLIA - Com base em depoimentos e relatórios, e pela primeira vez em quase 40 anos após a Guerrilha do Araguaia, o governo investiga se estão vivos cinco guerrilheiros do PCdoB considerados oficialmente desaparecidos políticos. No final de outubro passado, a juíza federal Solange Salgado atendeu a ofício do Ministério da Defesa e da Advocacia-Geral da União (AGU) e determinou à Polícia Federal que tente localizar Hélio Luiz Navarro, Luis René da Silveira, Antônio de Pádua Costa, Áurea Elisa Valadão e Dinalva Conceição Teixeira. Eles teriam sido "poupados" pelos militares. Diz um trecho do ofício: "Há pelo menos duas décadas que aparecem informes de militares, de militantes de direitos humanos e de moradores e camponeses da região do Araguaia de que alguns guerrilheiros presos teriam sido poupados das execuções, recebido novas identidades e desaparecido vivos nas cidades. São conhecidos como mortos-vivos". A iniciativa do governo foi duramente atacada por alguns familiares de desaparecidos, que classificaram essa desconfiança como deboche e desrespeito. Outros, porém, apoiam a ação, mas não acreditam que seus parentes sejam encontrados vivos. Fonte: O Globo a.. HÉLIO LUIZ NAVARRO DE MAGALHÃES - O HOMEM QUE OUVIA A TERRA b.. Hélio tocava violão. Tinha dedos longos de instrumentista. Sua tia viu, no aeroporto de Fortaleza, ao lado da aluna que acabara de defender tese, o noivo de pele morena, crestada de sol, que ela não soube se conhecia ou não. O rapaz estendeu-lhe a mão para despedir-se e era a mão de Hélio. Na Escola de Química da UFRJ ele era bom aluno. Às vezes varava a noite estudando, para compensar as aulas que tinha faltado e repor na segunda chamada a prova que havia perdido. Em meados de 1970, ele chegou uma tarde à casa da amiga e companheira de lutas estudantis, carregando sua mala, animado e feliz. Embora ela estivesse um tanto consternada, brincaram sobre os desconfortos que o esperavam, como a falta de um bom chuveiro quente, mas acabaram concluindo que isso não seria tão grave. "Eu não tomo banho mesmo", admitiu ele, e riram. Na manhã seguinte, ele foi à padaria Três Poderes comprar pão e naquela última ceia matinal a dois comeram as bananas muito maduras do cesto de frutas. Ele partiu para longe da Escola de Química, dos estudos para violão e da Zona Sul do Rio de Janeiro, para tornar-se Edinho e viver como camponês, medindo distâncias em passos e ouvindo as pisadas de quem se aproximava ao colar na terra seu ouvido de músico. Lá do Araguaia escreveu à mãe. Mandou recadinhos carinhosos para a irmã e a avó, falou até da novela. Não esqueceu Maria, a moça de olhos grandes que ajudava a família. Por alegadas razões de segurança a carta nunca chegou às mãos de Dona Carmen. Ela e Aglaé, durante duas décadas pensaram, com amargura, que ele as esquecera. Nos começos de 1974, tudo caminhava para o fim. Ele e Arroyo ficaram sozinhos na mata. Ele deitou-se, o ouvido ao chão, para ouvir a voz da terra. O chão da floresta avisou-o que os soldados, com seus passos pesados, estavam chegando perto. Decidiram separar-se, para que cada, um, sozinho, tivesse mais chances. Arroyo conseguiu sair da área com a ajuda de Micheas. Chegou a São Paulo, mas não escapou da traição de Jover Telles e foi morto na chacina da Lapa. O jornalista da Folha de São Paulo, Hugo Studart, em sua tese defendida na UnB, diz que Hélio foi preso, depois de levar três tiros na perna. Diz que o major Curió errou ao dá-lo por morto, executado com os outros. Hélio teria sido poupado e teria assumido nova identidade. O pai e o tio almirantes teriam movido alguma palha para isso. O relatório da Marinha diz que ele foi preso gravemente ferido e o dá como morto em 14 de abril de 1974. A mãe nunca quis acreditar nessa morte. Conseguiu a curatela dele, desaparecido, cuidou de heranças, da avó e do pai, inscreveu-o no imposto de renda. Uma revista semanal insinuou que isso era um sinal de que ele estaria vivo, com renda e bens. Mas Dona Carmen, hoje octogenária, recusa-se a dar entrevistas, não quer mais ser atormentada por boatos importunos, a remexer as feridas de sua alma para sempre magoada. Teria Hélio escolhido viver, em troca do silêncio? Quem lhe atiraria uma pedra? Quem não se compadeceria do seu sofrimento e angústia, de sua solidão sem esperança, de sua impotência e desespero final? Quem não compreenderia o horror diante da tortura e da perspectiva da morte? E quem não preferiria sabê-lo vivo, mesmo vivendo outra vida? Quem seria capaz de reter lágrimas de saudade, culpa, frustração? O que não valeria vê-lo de novo, ouvir a voz bem articulada de carioca da Zona Sul, que ele nunca deve ter conseguido transformar na de um camponês do Araguaia? Mas quem pode confiar em testemunhos oblíquos velados pela malícia, pela incapacidade de compreender sonhos, de acreditar que por eles se possa deixar tudo para trás, mesmo a vida? Quem pode acreditar nos que só venceram ideias e ideais pela tortura, assassinato, pelo aniquilamento físico e moral de seres humanos? Quem poderia acreditar naqueles que como perversa vingança contra a vitória simbólica da coragem e do idealismo dos que se imolaram, querem manchar-lhes a memória, negar-lhes o respeito dos que viveram porque escolheram correr menos riscos? Um pacto de silêncio já teria caducado, com o rumo que tomaram o país e o mundo. Quem, o quê poderia hoje ameaçar ou envergonhar Hélio, se ele quisesse, se pudesse, voltar à antiga vida? Quando foi preso, já não havia mais nada a defender, mais ninguém a entregar. Na cidade, ninguém que ele conhecia foi preso ou procurado. Micheas, o Zezinho do Araguaia, tem uma história de amnésia, que pode ser verdadeira. Uma segunda vida apagaria todos os vestígios da primeira? Tantos são os clandestinos que um dia se deram a conhecer, que contaram suas histórias passadas e disseram enfim seus nomes verdadeiros a filhos e esposas - algumas até acusadas de bigamia. O esquecimento total, talvez forçado, poderia ser um poço profundo onde Hélio estaria para sempre mergulhado? Quem saberá? Crer em alguma vida, amnésica ou sob um pacto de silêncio, não seria uma forma de aliviar culpas, de acreditar em um martírio a menos, em menos uma vida sacrificada? Hélio deixou de fazer parte do mundo dos que o conheciam e amavam. De um mundo concreto, palpável. Mas ainda é parte viva do mundo intangível da memória, de um mundo de amor e fraternidade em tantos corações e mentes e do relato perene da história dos seres humanos e de suas lutas libertárias. Comentado por Maria Elisabete Barbosa de Almeida em 23/01/2011 c.. ====================================================================================== _+ Detalhes. Farsa Histórica 05 de agosto de 2009 Indignados e perplexos, tomamos conhecimento da participação do Sr. Carlos Hugo Studart Corrêa como Observador Independente do Comitê Interinstitucional de Supervisão das atividades do Grupo de Trabalho criado pelo Ministério da Defesa, que busca localizar e identificar os corpos dos guerrilheiros na região do Araguaia. Surpreendentemente, seu nome foi indicado como pesquisador pela Universidade de Brasília - UnB, por decreto do Ministro da Defesa publicado no Diário Oficial da União, nº 131, de 13 de julho de 2009. Neste mesmo decreto, consta como Comandante da Equipe de Apoio Logístico, o General de Brigada, Mário Lúcio Alves de Araújo, comandante do 23º Batalhão de Infantaria de Selva que, como já assinalado em nota anterior, em entrevista ao jornal "O Norte de Minas", publicada em 31 de março de 2008, declarou "(...) há exatos 44 anos o Exército brasileiro atendendo a um clamor popular foi às ruas contribuindo substancialmente e de maneira positiva, impedindo que o Brasil se tornasse um país comunista". No que se refere ao Sr. Hugo Studart, nossa surpresa se prende ao fato de que em seu livro "A Lei da Selva" (Geração Editorial, 2006) - produto de sua dissertação de mestrado defendida em 2005, na UnB - deixa claro o acordo que fez para manter o anonimato dos militares que participaram diretamente dos crimes cometidos na região do Araguaia contra os guerrilheiros e a população local. Afirma ele: "A condição exigida, respeitada, implicou citar os militares colaboradores por codinomes" (p. 23, nota de rodapé 43). Além disso, informa que teve acesso a "documentos oficiais das Forças Armadas" como "mapas, relatórios de ações, ordens de batalha" (p.23), assim como o que chamou de Dossiê Araguaia "elaborado por militares entre 1998 e 2001" (p.23). Este Dossiê teve como coordenador geral um coronel "hoje na reserva, que doravante conheceremos pela identidade fictícia de George Costa, o Dr. George, codinome que de fato usava durante a Guerrilha do Araguaia" (p.31). É importante assinalar que os familiares e as entidades de direitos humanos jamais tiveram acesso a esses documentos, apesar da luta de mais de 20 anos pela abertura ampla, geral e irrestrita dos arquivos da ditadura. Indagamos se esse tipo de pesquisa histórica contribui para a sociedade brasileira conhecer criticamente parte de sua história recente. A nosso ver, tal trabalho continua mantendo na obscuridade e nas sombras os responsáveis pelos crimes contra a humanidade cometidos em nome da segurança nacional. Fortalece, também, a idéia de que "o ponto essencial é desvendar o destino dos mortos e desaparecidos" (p.19), o que vai de encontro com a atual proposta governamental através da formação do Grupo de Trabalho e do Comitê de Supervisão. Entendemos que a história não pode se resumir apenas à entrega dos restos mortais de todos os opositores políticos da ditadura civil-militar. É fundamental que possamos conhecer o que aconteceu, como aconteceu, quando aconteceu, onde aconteceu e quais os responsáveis pelas atrocidades cometidas pelo Estado terrorista implantado, em nosso país, em 1964. Outra questão refere-se ao fato de que o Sr. Studart ao afirmar ter conhecimento de documentos e informações ainda hoje secretos, relata acontecimentos que nunca estiveram presentes nos depoimentos colhidos pelas várias caravanas de familiares e pelo Ministério Público Federal, em 2001, na região do Araguaia, assim como por diferentes pesquisadores do tema. Em seu artigo "A Guerra Acabou", publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 06/07/09, (p. A2) afirma que "(...) três guerrilheiros que se entregaram, foram poupados e receberam novas identidades: Hélio Navarro de Magalhães, Antônio de Pádua Costa e Luiz René Silva" Em nenhum momento revela as fontes e documentos comprovando tais afirmações. Essa prática de informar sem apresentar as fontes e os documentos ditos secretos está presente em várias reportagens, publicações e depoimentos de militares e colaboradores do aparato de repressão. Em realidade, tem servido para confundir e desinformar, desqualificando a memória e a luta dos opositores políticos. Além disso, submete os familiares e amigos a um "crime continuado", torturando-os, provocando mais dor e sofrimento. É, ainda, uma tentativa perversa de enfraquecer a militância dos familiares e das entidades de direitos humanos em busca da justiça e da afirmação de outras memórias. Por tudo isto, continuamos reafirmando nossa posição de repúdio ao Grupo de Trabalho e ao Comitê de Supervisão cuja composição e funcionamento não merecem a nossa confiança e o nosso apoio. Exigimos, portanto, a formação de um novo Grupo de Trabalho sob a coordenação da Secretaria Especial de Direitos Humanos, como já proposto em nota anterior. Pela Vida, Pela Paz! Tortura, Nunca Mais! Rio de Janeiro, 05 de agosto de 2009 Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro Comitê Catarinense Pró-memória dos Mortos e Desaparecidos Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110717/eb6b9729/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 19217 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110717/eb6b9729/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/png Size: 641 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110717/eb6b9729/attachment-0005.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 17 13:22:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 17 Jul 2011 13:22:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_SBT_corta_depoimentos_reais_em_?= =?iso-8859-1?q?=22Amor_=26_Revolu=E7=E3o=22=2E_Uma_novela_que_pret?= =?iso-8859-1?q?endia_retratar_os_fatos_reais_do_golpe_militar_viro?= =?iso-8859-1?q?u__uma_hist=F3ria_suja_e_nojenta_=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= Message-ID: <9B0FB3F2C02A4721A884277A37AAC36D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem SBT corta depoimentos reais em "Amor & Revolução" Uma novela que pretendia retratar os fatos reais do golpe militar virou uma história suja e nojenta capitulada pelos seus diretores, acovardados pelo dono da emissora SBT, Silvio Santos. Um dos maiores chamarizes de "Amor & Revolução" (SBT), os depoimentos reais de pessoas que viveram de perto os anos de ditadura militar no Brasil, foi cortado da novela, sem maiores explicações. O SBT não está exibindo mais os depoimentos que iam ao ar no final de cada capítulo da trama. Procurado, o autor da novela, Tiago Santiago, diz não saber o motivo do corte. Os depoimentos inéditos gravados serão jogados fora. Já o SBT diz que resolveu tirar os depoimentos porque não conseguia nenhum militar ou ex-militar para falar sobre o assunto. A rede vinha exibindo desde então apenas depoimentos de pessoas da oposição na época, o que, na opinião da direção da emissora, não é correto nem justo. Para não ficar só com um lado da história, o canal resolveu abolir os depoimentos. Vale lembrar que na época da estreia de "Amor & Revolução", em abril, o SBT anunciou que faria de tudo para ter um depoimento da presidente Dilma Rousseff (PT) entre os que iriam ao ar. Militante política na época, Dilma chegou ser presa, mas não gravou nada para a novela. ==================================================================================== A história dessa novela. por Vanderley Caixe Desde o início e a preparação dessa novela, o autor Tiago Santiago e o diretor Reynaldo Boury, convidaram alguns dos nossos companheiros para um workshop, para um bate-papo. Um dos nossos companheiros convidados, saiu com dúvidas sobre a firmeza do diretor e autor. O companheiro Alípio Freire se recusou a dar depoimento e Izaías Almada em artigo contundente já denunciava. Ainda ficava uma outra questão: se seguissem a regra, o escrito, condizendo a história real poderia ser uma contribuição efetiva para aquela fase dramática do Brasil. Assim foram convidando os resistentes e sobreviventes, em todo o Brasil, da luta contra a ditadura para prestar depoimentos da época vivida. Centenas de companheiros, foram até o SBT narrar a luta vivida. Eu mesmo estive lá nos estúdios , sem ônus, para falar da nossa luta. Foi, ainda, dado o compromisso que nos dariam uma cópia como garantia da nossa fala e que não distorceriam o depoimento. Desde o início houve reação por parte dos militares compromissados com a ditadura, chegando a ir à juízo. O que não resultou em nada. Depois as pressões e os boatos sobre as questões financeiras em que Silvio Santos estava envolvido. O fato é que os primeiros , quase dez capítulos, aproximaram-se do real. Os depoimentos, nem todos foram respeitados a fala na íntegra. Os cortes distorciam. Até ai se justificava as falhas da direção por desconhecer ou ingenuidade. À partir dai outras pressões na emissora SBT e o "pito" do SS aos diretores e autor, começou a dar uma nova configuração a novela. Se nem dramaturgia de nível existia, a história passou a ser distorcida e os fatos chegaram às ráias da sujeira mais baixa e o nojo do enredo. O golpe se limitou e, continua, até agora, a casa do general Lobo e seus problemas familiares. O jornal que é um arremedo do Correio Brasiliense - da época - e sua proprietária passou a ser um antro de lesbianismo com a jornalista- advogada. Sabendo da história desse jornal e o comportamento da sua proprietária. O apresentador difama uma mulher que depois do golpe passou a ter uma atitude política irrepreensível. Teve que sair do Brasil obrigada pelos militares. Veja há anos passado em novela da Globo esse fato. Os padres progressistas e combatentes, na novela são retratados como perturbados sexuais. A juventude da luta armada, na época, pessoas sérias e compromissadas com a luta, na novela são praticantes de orgias sexuais. Veja a festa de aniversário nos últimos capítulos. A primeira guerrilha n Brasil, a da Serra do Caparaó, no último capítulo, passa como se fosse um pic-nic , com cachoeiras, e sexo implícito. A mulher de um guerrilheiro-comandante praticando traição amorosa com um garoto. Enfim, poderia me alongar nessas observações. O fato é que a partir do segundo "pito" do SS ao diretor e autor, a novela passou a ser uma mentira desmerecendo e denegrindo a memória dos que lutaram contra a ditadura. Tudo virou um grande e nojento espetáculo de sexo lesbiânico, gay e de traição. Ao final, decidiram "jogar fora" os depoimentos de centenas de companheiros, a única coisa que dava credibilidade a novela. Foi a capitulação covarde do autor Santiago e do diretor Boury às ordens do suspeito de corrupção Silvio Santos. Esse é o lixo da história, uma novela chamada "Amor e Revolução". Vanderley Caixe - dirigente das Forças Armadas de Libertação Nacional. Um dos depoentes. -------------------------------------------------------------------------------- _______________________________________________ Cartaoberro mailing list Cartaoberro at serverlinux.revistaoberro.com.br http://serverlinux.revistaoberro.com.br/mailman/listinfo/cartaoberro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110717/ef6013cf/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 18 20:15:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 18 Jul 2011 20:15:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Ana_Reis=3A_Sa=FAde_n=E3o_d=E1_n?= =?iso-8859-1?q?o_hospital_nem_no_posto____________________________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!?= =?iso-8859-1?q?__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Ana Reis: Saúde não dá no hospital nem no posto por Ana Reis* Desde o fim da ditadura, os movimentos sociais, os feministas inclusive, e com muita força, têm lutado por políticas públicas para impedir a destruição neoliberal do sistema público de saúde, exigindo que os serviços melhorem e se multipliquem. O acesso a serviços de qualidade tem que ser garantido para todas e todos. Mas. será que isso basta para ter saúde? O que deixamos de fora da agenda quando na pauta "saúde" as reivindicações ficam centradas nos serviços médicos? Uma comunidade que não disponha de renda, comida, água limpa, esgoto sanitário, coleta de lixo e habitações dignas e mesmo assim tenha acesso a um hospital com as últimas tecnologias de diagnóstico, tomografia e ressonância magnética vai ser saudável? Pensar a saúde associada à medicina é como achar que se você tem cartão de crédito é rica. O que a medicina pode fazer, quando pode, na maioria das vezes é tratar das doenças. Tirando as vacinas, a prevenção das enfermidades e a construção da saúde, que é diária, fica praticamente fora dos serviços de saúde. Mas quando se precisa das consultas médicas, sabemos como elas funcionam: alguns minutos, medir pressão, pedir exames de sangue, urina. Mais exames, mais consultas, mais pagamentos para um mesmo atendimento. Tem gente que até diz que já começou o tratamento quando fez um exame qualquer de laboratório. E exame trata alguma coisa? Na maior parte dos casos os pedidos desses testes servem para maquiar a falta de escuta das queixas, a falta do exame físico cuidadoso, ou seja: a falta de medicina clínica que examina a pessoa e sabe qual o problema e como tratar. O laboratório só entra para confirmar ou não as hipóteses de diagnóstico. Assim funciona a medicina clínica, ouvindo o que a pessoa traz, o que sente, olhando e examinando o corpo. Sem roupa. Com tempo e respeito. E quando se tem acesso aos hospitais é bom torcer para não pegar uma infecção hospitalar, uma "intercorrência" absurda e criminosa, que devia ser alvo de ações judiciais e indenizações. A má qualidade de atendimento resulta, em boa parte, do próprio sistema de formação das faculdades de medicina que orienta alunas e alunos para as especializações e para a atuação em hospitais super equipados. O conhecimento fica fragmentado e insuficiente e, para piorar, o pessoal se torna arrogante e autoritário. As más práticas médicas não estão somente nos serviços públicos. As mortes por lipoaspirações e o récorde de cirurgias plásticas são escândalos das clínicas privadas. Recentemente, devido à deterioração e descrédito da medicina mercantilizada e sucateada, houve um crescimento importante das chamadas terapias alternativas tradicionais, como a homeopatia, a acupuntura, as massagens, o uso de ervas medicinais. Além disso, a fragmentação das especializações fez crescer o papel das psicoterapias, da orientação nutricional e da fisioterapia, entre outras. A maior presença de profissionais dessas outras áreas causou uma reação furiosa entre os mais reacionários do poder médico, dando origem ao Projeto de Lei do Ato médico, que pretende concentrar nas mãos da medicina a chefia das equipes de saúde e o poder/saber do diagnóstico. A lei já foi aprovada na Câmara e está ainda sob debate tramitando no Senado. Outra demonstração do poder médico é a reação feroz às casas de parto e mais recentemente ao curso de obstetrizes na USP. Qualquer tentativa das mulheres tomarem nas próprias mãos o controle da procriação é violentamente atacada. Fecham as casas de parto, negam o acesso ao conhecimento. Estamos voltando às fogueiras da igreja católica, que em 3 séculos assassinou 8 milhões das mulheres que tinham o saber/poder sobre seus corpos? Paralelamente, a indústria farmacêutica vem reagindo ao uso de ervas medicinais e remédios homeopáticos, forçando regulamentações e retirada do mercado desses recursos que são eficazes, têm mínimos efeitos negativos, são mais baratos e acessíveis. Todas essas questões interferem na saúde das mulheres. Mas além de serviços e remédios, a saúde depende fundamentalmente daqueles fatores lembrados no começo. As lutas pelo emprego, pela comida, por água e esgoto fazem parte das agendas há muito tempo. A atualização dessa lutas, no entanto, tem se tornado mais complexa com o avanço do capitalismo industrial. Não basta ter alimentos, se estes estão contaminados com agrotóxicos, se são transgênicos, se têm quantidades absurdas de conservantes, corantes, estabilizantes, espessantes e um monte de "antes" que a maioria das pessoas nem lembra de ler nas embalagens. Toda mulher que cozinha sabe que se fizer uma fornada de biscoitos e que - se sobrarem alguns depois do ataque das crianças - em pouco tempo eles estarão duros ou mofados. Imagine a quantidade de produtos químicos que contêm os industrializados para durarem meses nas prateleiras dos mercados. Depois ninguém sabe porque estamos assistindo a uma epidemia de câncer no planeta. Isso sem falar nos salgadinhos bem salgados e cheios de gordura que estão deixando as crianças com pressão alta e obesas. Quanto ao abastecimento de água, ignoramos todas as substâncias químicas que os sistemas de "purificação" não conseguem retirar. De hormônios a antidepressivos, metais pesados e sabe-se lá mais o quê. Então, não basta ter água. Precisamos saber o que vem nessa água. E que ela seja realmente potável. O ar poluído das grandes cidades, o ar das queimadas no campo causam doenças também. Os produtos com "cheirinho de limpeza", os produtos de "beleza", cremes, xampus, alisantes de cabelo, são fontes de doenças sobretudo para as mulheres, muito mais expostas a eles. Recentemente o Greenpeace fez uma pesquisa da poeira doméstica em 4 cidades brasileiras que revelou a presença de substâncias que dão câncer, interferem nos hormônios e nas defesas imunológicas. Mas a pressão para se usar só substâncias conhecidamente inócuas ainda é muito frágil entre nós. A propaganda nas novelas e nos programas infantis empurra esse lixo tóxico para a população. Assim como ela não dá no posto nem no hospital, a responsabilidade de controlar a saúde nos alimentos, na água e no ar atmosférico não fica no Ministério da Saúde. Como sabemos, no caso dos produtos agrícolas entupidos de agrotóxico, o controle fica nas mãos do agronegócio que controla o Ministério da Agricultura. E, no Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não cumpre suas responsabilidades. As decisões sobre os trangênicos fica nas mãos da CNTBio, onde a preocupação/responsabilidade com a saúde da população não tem vez nem voz. Então, quem controla tudo isso? Outro fator importante para a saúde das mulheres é a diminuição do esforço físico no trabalho doméstico. Serviços públicos de lavanderias coletivas - com máquinas de lavar - são urgentes. Creches e restaurantes coletivos igualmente urgentes. Para a chamada saúde mental, espaços de convívio e trocas de experiências e saberes são também necessários, assim como o tempo e o lugar para o lazer. Qualquer comunidade, por mais pobre que seja, tem um campinho de futebol e o buteco com a sinuca. Os homens por mais marmanjos que sejam, têm tempo livre e lugar para brincar e se divertir. Para as mulheres, encontrar outras e conversar, só nas filas do posto de saúde e nas igrejas. Por ironia nada engraçada, dois lugares dos discursos mais patriarcais e inimigos da nossa autonomia: o discurso médico e o religioso. Se o governo fizesse colônias de férias e garantisse para as mulheres ao menos 10 dias de repouso e diversão por ano - sem tomar conta das crianças e sem obrigações - a economia do SUS em remédios e atendimentos pagaria essas colônias. Da mesma forma, o acesso das mulheres à prática de esportes não competitivos oferece oportunidades de vida social para todas as idades e promove saúde. Antidepressivos e calmantes não resolvem, só pioram as condições psíquicas. Manter as mulheres sob a camisa de força química dos medicamentos é uma estratégia de dominação disfarçada em atendimento. Por fim, é preciso falar das questões que estruturam as desigualdades em nossa sociedade. Falar delas por último deixa mais acesa na lembrança a sua urgência. Essas questões são o racismo, a misoginia, a heteronormatividade e o classismo, formas de dominação, exploração e exclusão baseadas no ódio, no desprezo, cujas práticas estão presentes nas relações sociais e que resultam em sofrimento, doenças e mortes. Práticas presentes também no posto, no hospital, da recepção à sala do parto, nas consultas e na falta delas. Como falar em humanização sem enfatizar o racismo, a misoginia, a norma heterosexual e o classismo institucionais? Com certeza estes serão debatidos na Conferência Nacional de Saúde convocada pelo governo para este ano. Que não seja mais uma conferência que resultará em propostas de políticas sem verbas. E por fim mesmo, cabe perguntar como andam as instâncias de controle social e como funciona o acesso a elas. Burocratizaram-se? Transformaram-se em capitanias hereditárias das facções dos partidos? Das centrais sindicais? Ou são estruturas dinâmicas, lugares de exercício da cidadania apontando para possibilidades de autogoverno? Qual a sua representatividade? Repetem relações racistas, misóginas, LGBTT-fóbicas, burguesas? Vivemos um momento histórico de grandes oportunidades, com uma mulher presidenta, pela primeira vez. Que seja a primeira de uma longa série.. Fazer desse e dos próximos, um governo antirracista e feminista depende de todas. Com ousadia e rebeldia. * Ana Reis é médica em Salvador, BA. TEXTO COPIADO DO : Vio o Mundo (Luiz Carlos Azenha) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110718/a9d8dd99/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 18 20:15:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 18 Jul 2011 20:15:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__S=C9RGIO_ROBERTO_CORR=CAA__e__ISHIRO_N?= =?iso-8859-1?q?AGAMI___________________________-CXCV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem (destroços do veículo) SÉRGIO ROBERTO CORRÊA (1941-1969) ISHIRO NAGAMI (1941-1969) Data e local de nascimento: 1941, São Paulo (SP) Filiação: Kikue Nagami e Keizo Nagami Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 04/09/1969 em São Paulo (SP) Em 04/09/1969, na madrugada seguinte à prisão de Antenor Meyer e morte de José Wilson Sabag, um veículo Volkswagen placa 44-52-75 explodiu na rua da Consolação, esquina com Maria Antonia, em São Paulo, causando a morte de dois militantes que, segundo informações dos órgãos de segurança, pertenceriam à ALN. Na época, especulou-se que os dois jovens de 28 anos se dirigiam rumo ao edifício sede da Nestlé, poucas quadras adiante, para praticar um atentado a bomba, quando o petardo teria explodido, causando a morte imediata dos ocupantes do automóvel. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar informam que Ishiro usava o codinome Charles e teria ligações com José Wilson Lessa Sabag e também com outro militante da ALN, Otávio Ângelo, que em 1970 foi banido do país em troca da libertação do cônsul japonês em São Paulo. Os jornais informaram que, imediatamente após a explosão, policiais localizaram o endereço do motorista, Ishiro Nagami, à rua Jaguaribe, 619, prendendo em seu apartamento os professores Francisco Roberto Savioni e Suziko Seki, do cursinho Equipe, apreendendo também mais de 50 cartuchos de dinamite que teriam sido roubados da pedreira Rochester, em Mogi das Cruzes. O nome de Ishiro Nagami consta do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, mas seu processo foi indeferido por não ter se caracterizado a morte por responsabilidade de agentes do Estado vinculados à repressão política. Há informações de que ele também era professor no referido curso pré-vestibular. Seus restos mortais foram sepultados pela família no Cemitério de Guarulhos (SP). Sérgio Corrêa teve o corpo completamente destroçado e foi enterrado como indigente no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, não tendo sido apresentado, por seus familiares, requerimento à CEMDP em seu nome. Nascido em Mogi das Cruzes em 27/07/1941, filho de Benedito e de Dona Helena, tendo como irmãos Tom e José. Estudou naquela cidade até concluir o colegial no Instituto de Educação Dr. Washington Luís e ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, na rua Maria Antonia, por volta de 1966. Documentos dos órgãos de segurança e da Justiça Militar Federal de São Paulo o incluem como militante da ALN, integrante de seu Grupo Tático Armado, onde adotava o codinome Gilberto e teria participado de várias ações armadas. Teria participado, ainda, de um curso sobre explosivos, ministrado pelo militante Hans Rudolf Manz. =============================================================================================================================== + Informações. ISHIRO NAGAMI Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 1941, em São Paulo, filho de Keizo Nagami e Kijue Nagami. Era professor. Aos 28 anos, morreu juntamente com Sérgio Correia, em setembro de 1969, na rua Consolação, São Paulo, quando o carro em que viajava explodiu em conseqüência da detonação de explosivos que transportavam. Enterrado no Cemitério de Guarulhos pela família. =============================================================================================== + Informações. SÉRGIO CORREIA Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Morto, juntamente com Ishiro Nagami, em 4 de setembro de 1969, na rua Consolação, São Paulo, quando o carro em que viajava explodiu em conseqüência da detonação de explosivos que transportavam. Enterrado no dia 19 de setembro de 1969, como indigente, no Cemitério de Vila Formosa (SP). ============================================================================================== + Detalhes. O arquivo secreto da Resistência - I jornal O Diário Foto: Arquivo PASSEATA - Universitários mogianos saem em passeata de protesto contra o regime militar. Era março de 1968 Sérgio Roberto Correa é um mogiano. Nasceu aqui no dia 27 de julho de 1941, filho do sr. Benedito e de dona Helena, irmão de Tom e Zé. Fez o curso Primário na Cidade, o Secundário e o Colegial no Instituto de Educação Dr. Washington Luís. Há um tempo, meados dos anos 60, mudou-se para São Paulo e para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Vinha sempre a Mogi visitar os pais, irmãos, os amigos. Até que, em 1967, fez sua última visita. Uma visita rápida. E nunca mais foi visto. Neste domingo começa a ser publicada a reconstituição dessa história e de muitas outras que envolveram jovens de Mogi naqueles anos rebeldes de oposição ao regime militar. Não dá para esquecer o último encontro que tive com Serginho. Na verdade, eu e Sérgio Roberto Correa não fomos aquilo que se pode chamar de amigos próximos. Seis anos mais velho do que eu, Serginho fez o Colegial no Instituto de Educação Dr. Washington Luís ao tempo em que eu frequentava o Ginasial no Liceu Braz Cubas. Quando cheguei ao Instituto para o Colegial, ele já estava em São Paulo, frequentando os corredores da Maria Antônia, como conhecíamos a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Mas, em uma Cidade de menos de 80 mil habitantes, todos os jovens estudantes se conheciam. E Serginho era contemporâneo de meu irmão, Guilherme, no Instituto. Pois naquela manhã de 66 em que encontrei Serginho para um programa estudantil em uma rádio da Cidade, nós dois já havíamos vencido a etapa Colegial dos estudos. Eu estava entrando na Faculdade de Direito, um calouro; ele tinha muito a falar sobre os estudos em São Paulo. Àquele tempo, com apenas duas faculdades (Direito da Braz Cubas e Filosofia da OMEC), Mogi mandava muitos dos seus jovens para as escolas da Capital. E todos se conheciam, dividiam repúblicas, pratos-feitos e falta de dinheiro em São Paulo. O programa de rádio, dirigido pelo Cid Jardim, tratava de tudo o que, supúnhamos, interessasse aos estudantes. E Serginho estava ali para falar de suas experiências no Grêmio Estudantil Ubaldo Pereira, do Instituto, das dificuldades em enfrentar a vida na Capital (nesse ano, obteve uma bolsa de 75% no Cursinho da Filosofia/USP) e do dia a dia. Ele tinha 25 anos. Os jovens de Mogi, nesse ano (1966), começavam a viver uma nova rotina. Até então, o movimento estudantil da Cidade era totalmente apolítico, dominado por secundaristas que se dedicavam às competições esportivas da Braz-Col (uma olimpíada entre o Liceu e o Instituto) e à rivalidade entre as duas fanfarras, que se digladiavam nos campeonatos promovidos pela TV Record. A mesma emissora que movimentava a juventude brasileira com seus festivais de MPB, lançando Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Nara Leão e Elis Regina no meio artístico. A rotina alterada pela consciência política expressada nos festivais de música e transmitida pela televisão branco e preto era reforçada em Mogi pelo surgimento dos primeiros cursos superiores. Até então, o jovem mogiano interessado em uma faculdade tinha de procurar as escolas da Capital. A mudança começou em 65, com a instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da OMEC, evolução do pioneiro curso de admissão ao ginásio instalado em 1962 por Manoel Bezerra de Melo e que caminhou, em seguida, para o Ginásio Diocesano. Em 66, a Sociedade Civil de Educação Braz Cubas instalou a sua primeira faculdade, a de Direito. Os dois primeiros cursos superiores trouxeram consigo professores da Capital e passaram a irradiar pela cidade provinciana - e por sua juventude - o espírito universitário. A isso coincidiu a evolução do TEM - Teatro Experimental Mogiano, reconhecidamente um núcleo de debates e do Clube de História Professor Jair Rocha Batalha. Paralelamente, decaíam as competições da Braz-Col e das fanfarras. Os interesses dos jovens eram outros. Eles discutiam os rumos da política brasileira, iam às estações da Estrada de Ferro Central do Brasil ver passar a Caravana da Esperança. A Caravana foi um trem que o ex-governador carioca Carlos Lacerda idealizou para percorrer o interior do Brasil em 1967 na difusão da Frente Ampla, movimento político que defendia a democracia, eleições diretas para a Presidência da República e tinha, como líderes principais, além de Lacerda, os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart. Na política local, os espaços eram divididos entre o prefeito de então, Carlos Alberto Lopes e o seu vice-prefeito, opositor ferrenho, Waldemar Costa Filho. O ano de 66 foi de eleição federal e, pela primeira vez desde os anos 30, a Cidade via um residente ser conduzido ao Congresso: Manoel Bezerra de Melo, que havia feito campanha em dobradinha com Chiquito Franco, deputado estadual com laços familiares na Cidade. Este conjunto de "coincidências" marcou em definitivo a juventude de Mogi das Cruzes, que já vinha recolhendo experiências de atuação política. No golpe de março de 64, por exemplo, alguns alunos do Instituto de Educação chegaram a ser presos. Foi o caso de Kunio Suzuki, então matriculado no 3º ano clássico e apanhado como colaborador do Sindicato dos Metalúrgicos. De volta ao Brasil após anos na Europa e na África, Kunio Suzuki lembrou essa época como algo muito distante: "Eu tinha feito campanha nas eleições do Sindicato dos Metalúrgicos. Lembro-me, dessa época, de vários companheiros. Fiquei preso uma semana em um processo que não foi em frente" disse-me ele próprio há algum tempo. 1968 foi um ano complicado. Nele aconteceu de tudo. Logo no início do período letivo escolar, uma manifestação no Rio de Janeiro resultou na morte de um estudante secundarista - Edson Luís de Lima Souto. Era o cadáver que os líderes estudantis mais radicais precisavam para deflagrar um processo de sucessivas manifestações públicas. Também em 1968, as organizações clandestinas, como a Aliança Libertadora Nacional (ALN) e a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), ampliaram suas ações de resistência ao regime militar. Eram assaltos a bancos para coletar fundos que sustentassem a clandestinidade de seus membros. Havia atentados a bomba e uma ação governamental forte de combate a tudo, que desaguou na edição do Ato Institucional nº 5, em dezembro. Nesse ano, informam os arquivos do antigo DOPS - Departamento de Ordem Política e Social da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o mogiano Serginho Correa participou das primeiras ações como integrante da ALN. O Diretório Acadêmico 1º de Setembro da Faculdade de Direito Braz Cubas funcionava, em 1968, numa casa alugada na Rua Santos Cardoso. Era ali que seu presidente na época, o atual procurador de Justiça aposentado e professor universitário Euclides Ferreira da Silva Junior, conduzia as reuniões da diretoria e todos idealizavam as ações da entidade. Em fevereiro de 1968 pensou-se em um trote de recepção aos calouros da faculdade que rompesse a violência tradicional dos cortes de cabelo. E imaginou-se uma passeata para sábado (30 de março) pelas ruas da Cidade no mais puro estilo das "peruadas" da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Mas... Na quinta-feira, dia 28, no Rio de Janeiro, morreu o estudante Edson Luís de Lima Souto. A sexta-feira toda foi dedicada pelos estudantes da Faculdade de Direito Braz Cubas e do Diretório Acadêmico 1º de Setembro a debater o que fazer com a passeata de sábado. Suspendê-la? Mantê-la? Decidiu-se, no início da noite de sexta-feira, pela manutenção, incluindo entre seus participantes manifestações de repúdio à ação policial no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o clima não era diferente. O ex-deputado José Dirceu, um dos líderes do movimento estudantil em 68, conduzia, ao lado de Catarina Meloni, seguidas manifestações públicas. Paralelamente ao movimento estudantil, iam se estruturando as organizações clandestinas de resistência. O mogiano Sérgio Roberto Correa já então integrava os quadros da Aliança Libertadora Nacional - ALN. Um comunicado sigiloso, da Divisão de Informações do DOPS afirma: "Consta nesta Divisão uma relação de assaltos praticados por elementos subversivos-terroristas, em 1968, pela ALN, figurando o marginado (N.do A.: Sérgio Correa), no atentado a bomba contra a casa do diretor do Parque da Aeronáutica, em 1971, tendo sido considerado como morto". Sérgio era conhecido, no movimento de resistência, pelo codinome "Gilberto". Esse informe da Divisão de Informações do DOPS é apenas um dos indícios de sua morte em ação. Como se verá na sequência desta série, muitos outros fatos irão confirmar - e desmentir - isso. Em São Paulo, Serginho alterava sua rotina de vida dividindo-se entre as aulas na Faculdade de Filosofia, o trabalho no cursinho da Filosofia e no cursinho Equipe. Nesses locais era visto sempre em companhia de Ichiro Nagami, personagem que terá muita importância a seguir. Era, também, amigo de Hans Hudolf Jacob Manz, outro personagem importante na sequência desta série para definir a trajetória do mogiano Serginho Correa. Em São Paulo, Sérgio encontrava-se esporadicamente com outros mogianos. "A esse tempo - disse-me Kunio Suzuki, contemporâneo do movimento estudantil - eu frequentava o curso de História na Universidade de São Paulo, fui preso duas vezes em manifestações estudantis e, em dezembro de 1968, acabei entre os 2 mil estudantes presos na desocupação do CRUSP - Conjunto Residencial da USP -, onde morava. Até hoje não sei o motivo, mas fui o último a ser solto. E acabei indiciado nesse processo". O CRUSP, em 68, foi ocupado literalmente pelos estudantes que o mantinham como "território livre". Mas, em dezembro, coincidindo com a edição do AI-5, forças do Exército retomaram os prédios e seus pátios, prendendo 2 mil estudantes. Entre eles, vários mogianos como Kunio Suzuki. Sérgio Correa não estava lá. Como também não esteve na ação de Sabaúna, onde explosivos foram levados da Pedreira Rochester. Um dos participantes dessa ação, Denisson Luiz de Oliveira, na época com 21 anos, declarou ao DOPS que "Gilberto", o codinome de Sérgio, era integrantes da ALN, mas não esteve em Sabaúna. Afirma Denisson, entretanto, que a ação no distrito de Mogi das Cruzes foi liderada pelo ex-capitão do Exército Carlos Lamarca. Um mês antes do AI-5 e da desocupação do CRUSP, em novembro de 1968, Sérgio Correa encontrou-se com Aimar Biu na residência de Hans Manz para um curso sobre explosivos. A informação foi dada pelo próprio Aimar também aos serviços de segurança do governo. Em Mogi das Cruzes, o ano de 68 terminou com a eleição de um novo prefeito: Waldemar Costa Filho. A edição do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968, e a forte reação aos movimentos formais de resistência ao regime militar provocaram, a partir do início de 1969, um divisor de águas, principalmente entre os jovens. De um lado, o grupo de estudantes que optou por seguir os estudos e iniciar uma carreira profissional; de outro, aqueles que se engajaram nos movimentos de resistência e ingressaram nas organizações que iam se formando. Sérgio Roberto Correa estava entre estes. Integrante da Aliança Libertadora Nacional, seu nome é citado como participante de várias ações empreendidas pela organização nos anos de 1968 e 1969. Ao todo, foram 24 atos creditados à ALN. Sérgio é citado em vários, mas a comprovação de sua participação fica por conta, apenas, de depoimentos hoje arquivados. Sérgio nunca foi preso, e os membros da organização ouvidos pela polícia, na época, colocaram-no, em 1969, nas seguintes ações: Abril - Atentado a bomba contra a residência do diretor do Parque da Aeronáutica. Junho - Atentado a bomba, pela segunda vez, contra a residência do diretor do Parque da Aeronáutica; ação contra o Banco do Brasil, agência de Utinga; atentado a bomba contra a Companhia Brasileira de Investimentos, no Vale do Anhangabaú. O fato de nunca ter sido preso torna impossível confirmar a presença de Serginho em todas essas ações. Pelo menos um dos participantes do atentado de junho contra a CBI garante que Sérginho não esteve envolvido diretamente na ação. "Talvez ele formasse na equipe de apoio, incumbida de dar cobertura àqueles que ingressaram no prédio, como eu. Ali, eu não vi o Sérgio". Essa questão é importante por conduzir a algumas conclusões. Esse mesmo personagem, hoje advogado em São Paulo, com família formada, fez parte do GTA - Grupo Tático Armado da Aliança Libertadora Nacional e participou da ação contra a agência do Unibanco em Suzano, em maio de 1969. Nessa ocasião houve tiroteio e morreu o investigador de polícia José de Carvalho. Em dezembro de 1971, quando foi morto Carlos Eduardo Pires Fleury, também dos quadros da ALN, a polícia informou que Carlos, conhecido na organização como "Humberto", foi o responsável pelo tiro que atingiu o investigador. O personagem, que não viu Sérginho no prédio da CBI, também não viu Carlos no banco de Suzano. "Eu fui ferido nesse dia e é impossível determinar de qual arma saiu o tiro; foi tudo muito confuso depois que apareceu aquela viatura policial. Além do mais, nós não andávamos armados. Quando havia ação, recebíamos a orientação e as armas. Sabíamos que havia equipe de cobertura, mas não sabíamos quem a integrava. Depois da ação, que ao todo envolvia cerca de 20 pessoas, das quais apenas três ou quatro tinham participação direta, saíamos em um carro e, algum ponto depois, deixávamos armas e dinheiro nesse carro e tomávamos outro. Nesse dia, o Carlos Fleury não estava dentro do banco". A primeira referência a "Gilberto", codinome de Sérgio Roberto Correa na ALN, disponível nos arquivos pesquisados, foi feita em 6 de novembro de 1969. Nesse dia, o estudante Celso Antunes Horta Júnior descreveu "Gilberto" como "pessoa de estatura média, magro, aparentando 25 anos de idade e usando bigodes de tamanho normal". Quando os policiais lhe apresentaram uma foto de Sérgio, ele não o identificou como "Gilberto". Em setembro de 1969, quando explodiu o Volkswagen na Rua da Consolação e Sérginho desapareceu, todos os seus companheiros passaram a alimentar a convicção de que ele era o ocupante do carro e que não foi identificado. A estação de trens de Jundiapeba ainda hoje registra um movimento pequeno. Mas, em setembro de 1969, ele era ainda muito menor. Pois é nessa época - dia 11 - que os arquivos disponíveis relatam que várias pedras colocadas sobre os trilhos causaram dois acidentes perto da estação de Jundiapeba, distrito de Mogi das Cruzes. As notícias sobre várias ações contra bancos chegavam a Mogi das Cruzes, em 1969, apenas por meio dos jornais, rádio e televisão. Parecia até que a região estava vacinada contra esse tipo de ação. Até que... Foi em maio de 1969. Um grupo, depois identificado como pertencente à Aliança Renovadora Nacional programou um assalto à agência da União de Bancos Brasileiros em Suzano. Durante a ação, o investigador de polícia José de Carvalho morreu. Sua morte foi creditada a Carlos Eduardo Pires Fleury, conhecido nos quadros da ALN como "Humberto", "Teixeira" ou "Quincas", integrante do Grupo Tático Armado da organização. Carlos foi preso em setembro de 1969 em São Paulo e responsabilizado por dois atentados contra a residência do diretor do Parque da Aeronáutica em São Paulo (abril e junho de 1969) e por várias ações em banco, inclusive a do Banco do Brasil em Utinga (julho de 1969). Em junho de 1970, Carlos Eduardo foi banido para a Argélia. Ele era aluno da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP até 68 e morreu em dezembro de 1971 no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, reagiu quando abordado em um Dodge Dart roubado, localizado no bairro do Meier. Tinha 26 anos. Naquela madrugada de 4 de setembro de 1969, o cruzamento das ruas Maria Antônia e Consolação, em pleno centro de São Paulo, vivia um típico amanhecer paulistano: fazia frio, garoava e poucos carros obedeciam ao semáforo. Não foi o caso do sedan Volkswagen azul, com as placas 44-52-75. Ele parou no sinal vermelho. Em seguida, explodiu. Os destroços do carro, totalmente destruído, espalharam-se por dezenas de metros, levando junto restos humanos. Todos os vidros de um edifício de quatro andares, a 50 metros do local da explosão, foram quebrados. Uma das portas do carro caiu no estacionamento de uma repartição pública, distante 100 metros do cruzamento. O motorista do Volks, com as duas pernas amputadas, foi encontrado ainda com vida. Era Ichiro Nagami. Seu companheiro, não identificado, morreu na hora. A polícia, tão logo identificou o proprietário do veículo - Ichiro -, correu ao seu apartamento, no 6º andar do prédio 619 da Rua Jaguaribe. Lá, prendeu um amigo e os professores Francisco Roberto Savioni e Suziko Seki, do cursinho "Equipe". E recolheu, no apartamento, mais de 50 quilos de cartuchos de dinamite, identificados como parte da carga roubada em dezembro de 1968 na Rochester, localizada no distrito de Sabaúna, em Mogi das Cruzes. Publicado originalmente em dezembro de 2006 =============================================================================== + Detalhes. Ishiro Nagami Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Ishiro Nagami Cidade: (onde nasceu) São Paulo Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) /1941 Atividade: Professor Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 0/9/1969 São Paulo SP Brasil R. Consolação Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) José Gonçalves Dias, Paulo Augusto Queiroz Rocha Biografia Documentos Ficha pessoal Documento do IML, de 24/09/69 com os dados do óbito. Está quase ilegível. Laudo de exame de corpo delito Documento do IML/SP, de 17/09/69, realizado por José Gonçalves Dias e Paulo Augusto de Queiroz Rocha. Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS, em 04/09/69. Indica morte por acidente (explosão de veículo). A cópia encontra-se pouco legível. Ofício Documento do DOPS/SP, de 05/09/69, solicitando ao IML a liberação do corpo de Ishiro, o qual foi vítima de uma explosão em automóvel, após autopsiado, a ser entregue para sua irmã, Utata Nagami Hori. ========================================================================================= + Detalhes. Sérgio Correia Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Sérgio Correia Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 4/9/1969 São Paulo SP Brasil R. Consolação Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) José Gonçalves Dias, Paulo Augusto Queiroz Rocha Biografia Documentos Foto Foto original dos restos do cadáver, em preto e branco. Foto Foto de Sérgio, acompanhada de número de cédula de identidade. Há mensagem ordenando seu arquivamento, datada de 02/07/70. Documento encontrado no arquivo do DOPS. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 04/09/69, realizado por José Gonçalves Dias e Paulo Augusto Queiroz Rocha. Consta a informação: "Desconhecido n. 3700". Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS/SP, em 04/09/69, indicando morte devido a explosão de veículo em via pública. No item nome, consta a informação "restos de cadáver". O documento foi manuscrito. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110718/60adf105/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2270 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110718/60adf105/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 55474 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110718/60adf105/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 18 20:15:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 18 Jul 2011 20:15:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O CORONEL ASSASSINO - O JORNALISTA ASSASSINADO - A TORTURA Message-ID: <9EC02EAC928942469087A1B52790AEBE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O CORONEL ASSASSINO ? O JORNALISTA ASSASSINADO A TORTURA Laerte Braga É difícil você ter respeito pelas forças armadas quando nos quartéis resistem e impedem a divulgação de documentos que mostram o que foi o golpe militar de 1964 e todo o aparato repressivo montado para sustentar a monstruosidade que se abateu sobre o Brasil. ?De um modo geral os homens prisioneiros se despiam fácil, mas as mulheres se negavam e resistiam. Primeiro argumentavam. Com paciência e com ira perguntavam se o torturador faria isso com a mulher, a mãe, a irmã, ou a filha. Depois empurravam o sargento que lhes ia arrancando a blusa ou a saia. Outras vezes mentiam e se diziam menstruadas, sem saber que provocavam, assim, um sadismo abominável e abjeto: dois ou três se atiravam sobre a prisioneira e, subjugada, era apalpada e cheira nos órgãos genitais, enquanto lhe arrancavam a roupa. E logo bolinada por aquelas mãos habituadas ao sangue, que tocavam a pele e o sexo, não como carícia nem para amar, mas para destruir ou marcar a ferro como numa rês. E como ela já estava no chão deitada e inerme, abriam-lhe as pernas e ? para começar e não como requinte final, como era norma ? metiam-lhe o cabo elétrico diretamente na vagina. Nesses casos o major M.F. costumava gritar para o sargento: ?calma, calma. Não coma a sobremesa antes do feijão. E aquele pequeno e poderoso estado-maior da tortura, ali reunido em torno da presa, ria e ria muito, numa gargalhada galhofeira, festando o triunfo? (MEMÓRIAS DO ESQUECIMENTO, Flavio Tavares, Editora Globo, 1999). O coronel Brilhante Ulstra, hoje colunista do jornal FOLHA DE SÃO PAULO (cedia os caminhões de entrega para a desova de corpos de presos assassinados no DOI/CODI paulista, na simulação de atropelamento), já condenado em primeira instância e declarado torturador pela Justiça, jorra patriotismo em defesa do que chama democracia e valores como liberdade, pátria, etc. É um dos exemplos a justificar a frase de Samuel Johnson ? ?o patriotismo é o último refúgio dos canalhas?. No segundo processo ? conseguiu paralisar o primeiro ? movido pela família do jornalista Luís Eduardo Merlino, agora, dia 27 de julho, às 14h e 30m, no Fórum João Mendes, no centro da capital de São Paulo, vai ser confrontado pelas testemunhas arroladas pela família de Merlino. Ulstra assassinou o jornalista na forma cruel e covarde que foi marca registrada dele e outros militares, do regime imposto pelo golpe de 1964. Como a outros presos que caiam em suas garras de fascista sem qualquer escrúpulo ou respeito pelo ser humano. Merlino morreu nas dependências do DOI/CODI, o coronel era o comandante, em julho de 1971. Serão ouvidas testemunhas que presenciaram as torturas sob o comando de Brilhante Ulstra. Entre as testemunhas de defesa arroladas pelo torturador está o ex-presidente da República José Sarney, atual presidente do Senado, um dos principais interlocutores de Dilma Roussef. Sarney tem comprometimento direto com a tortura, valeu-se dela para afastar adversários no Maranhão, serviu de maneira rasteira à ditadura e hoje tenta a todo custo impedir que os documentos da época sejam tornados públicos. Teme que sua face monstro (além de corrupto) também apareça. Outra delas é Jarbas Passarinho, coronel é ministro dos governos Costa e Silva e Médice que na reunião que deliberou sobre a assinatura do Ato Institucional nº 5, o símbolo da boçalidade do regime militar, afirmou alto e bom som diante de algumas dúvidas do presidente Costa e Silva ? ?as favas com os escrúpulos senhor presidente, vamos assumir que somos uma ditadura mesmo?. A ação movida pela família de Merlino ? sua irmã Regina Merlino Dias de Almeida e sua ex-companheira Ângela Mendes de Almeida, é subscrita pelos advogados Fábio Konder Comparato, Claudineu de Melo e Aníbal Castro de Sousa. É por danos morais, o suficiente para comprovar o caráter perverso, animalesco do coronel e ?patriota? Brilhante Ulstra. O reconhecimento da morte por crime de tortura. Crime contra a humanidade, imprescritível. No mesmo livro citado acima, do jornalista Flávio Tavares (ex-preso político e trocado no seqüestro do embaixador Charles Burke Elbrick) há uma revelação que mostra o caráter repugnante dos torturadores. Muitas vezes, afirma o jornalista, familiares, dentro da lógica da Escola das Américas ? mantida pelos EUA para todos os fins golpistas e brutais que caracterizam aquele país ? eram detidos para forçar a apresentação dos que resistiam à ditadura. O jornalista refere-se a Iracema Ferreira Silva e sua cunhada Marlene. Foram presas por conta do irmão de Marlene e torturadas a exaustão. ?...Veio tenente Magalhães, jovem e ágil de pernas, e me enxotou dali a pontapés nos testículos. E, nuas, elas foram torturadas noite adentro penduradas no pau de arara, o choque elétrico deve ter percorrido nelas toda a intimidade do corpo e da alma, pois elas gritavam e gritavam fundo, em cadência. Era o cadenciado balé orquestrado pelo major que, maquininha não mão, costumava dar três passos para um lado e acionar a manivela de 220 volts, e logo repetir a operação com três passos para o outro lado, numa dança interminável. Nenhum preso dormiu aquela madrugada: os gritos das duas soavam ritmados, como chibatadas no ar, e só terminaram quando o dia raiava. Por cansaço dos carrascos?. Nas escolas e colégios militares ainda ensinam a ?história? do golpe segundo a visão de boçais como esses. Majores, sargentos, coronéis, tenentes, etc. Não se respeita uma força armada por gente assim e pela covardia de se esconder atrás de uma anistia que apenas beneficiou a eles. Torturadores, estupradores, assassinos frios e impiedosos comandados por potência estrangeira. Continuam a ser até prova em contrário. Merlino era jornalista, foi assassinado aos 23 anos de idade, militava no Partido Operário Comunista. . No dia 30 de julho o COLETIVO MERLINO, no ciclo dos SÁBADOS RESISTENTES, realizados pelo MEMORIAL DA RESISTÊNCIA e pelo NÚCLEO DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA POLÍTICA, em São Paulo, organizará uma homenagem ao jovem jornalista vítima da bestialidade da ditadura militar e especificamente de um dos seus mais monstruosos torturadores, o coronel Brilhante Ulstra, escondido impune atrás da anistia. Estarão presentes, além da companheira de Merlino, a historiadora Ângela Mendes de Almeida, João Machado, economista e militante da IV Internacional, filiado ao PSOL. Valério Arcary, historiador e militante do PSTU. Joel Rufino dos Santos, historiador e escritor e Tonico Ferreira Jornalista. No evento será projetado um vídeo com as inspirações políticas de Merlino e uma fala do cientista político Michael Lowy sobre a convivência que tiveram. Convidados, familiares, militantes e amigos dirão breves palavras sobre Merlino. Isso no Largo General Osório, 66, bairro da Luz. No auditório VITAE, no 5º andar. Um resgate da vida e da luta pelo direito à memória e a verdade. Conhecer o que de fato aconteceu no Brasil com o golpe militar de 1964, revelar toda a sanha assassina de torturadores como Brilhante Ulstra, até para que a história não se repita. Dele ?Brilhante Ultra -, o caráter do golpe e todos os torturadores acovardados e agachados diante da lei da anistia. Não é possível fugir da História e nem se deve temer a luta. É o resgate do ser humano em seu sentido pleno. Brilhante Ulstra não está nesse plano. Luís Eduardo Merlino, ao contrário, é essência e presença na coragem e na busca de ideais de um mundo alternativo e diverso desse mundo gerado nas entranhas do capitalismo e seus tentáculos mortais. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110718/682d1dab/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 19 20:20:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 19 Jul 2011 20:20:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__IDAL=CDSIO_SOARES_ARANHA_FILHO_______?= =?iso-8859-1?q?____________________-CXCVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem IDALÍSIO SOARES ARANHA FILHO (1947-1972) Filiação: Aminthas Rodrigues Pereira e Idalísio Soares Aranha Data e local de nascimento: 21/08/1947, Rubim (MG) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 12 ou 13/07/1972 Idalísio fez o curso primário em Rubim (MG), sua cidade natal, e o ginasial em Teófilo Otoni (MG), no Colégio São José. Em 1962, mudou-se para Belo Horizonte, onde estudou no ex- Colégio Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais. Em 1968 participou da luta dos excedentes por mais vagas na Universidade. Nesse mesmo ano iniciou o curso de Psicologia na UFMG. Em 1970, casou-se com Walkíria Afonso Costa, que seria a última das desaparecidas na guerrilha do Araguaia. Foi eleito presidente do Centro de Estudos de Psicologia de Minas Gerais e do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas em 1971. Em janeiro de 1971, Idalísio e Walkíria, já militantes do PCdoB, decidiram mudar-se para o Araguaia, região do Gameleira. Como violeiro e cantador, conquistava rapidamente a simpatia daqueles com quem convivia. Em julho de 1972, seu grupo entrou em combate com uma patrulha do Exército, perto da Grota Vermelha. Idalísio perdeu-se do grupo. Em 12/07/1972, em Perdidos, distante nove léguas a Oeste de Caianos, Idalísio foi emboscado e morto, aos 25 anos de idade, segundo documento dos Fuzileiros Navais entregue anonimamente à Comissão de Representação Externa da Câmara Federal, em 1992. Relatório do Ministério da Marinha diz que Idalísio foi morto, em julho de 1972, "por ter resistido ferozmente". Na mesma época em que Idalísio morreu no Araguaia, a casa de seus pais, em Belo Horizonte, foi invadida por policiais. Em julho de 1973, foi condenado à revelia pela Justiça Militar. Segundo o relatório Arroyo, "em julho, a CM resolveu enviar um grupo de companheiros, chefiados pelo Juca (João Carlos Haas Sobrinho), para conseguir reatar o contato com o C. Faziam parte do grupo: Flávio (Ciro Flávio de Oliveira Salazar), Gil (Manoel José Nurchis), Aparício (Idalísio Soares Aranha Filho) e Ferreira (Antônio Guilherme Ribeiro Ribas), do B. Esta medida se impunha porque o C não atendeu aos pontos previamente estabelecidos. Este grupo caiu numa emboscada do Exército na Grota Vermelha, a uns 50 metros da estrada. Juca levou dois tiros: um na perna e outro na coxa, mas conseguiu, juntamente com os outros companheiros, embrenhar-se na mata. Ficaram parados alguns dias para que Juca se restabelecesse. Durante esse período, Aparício saiu para caçar e se perdeu. Procurou a casa de um morador chamado Peri, por onde sabia que os demais iam passar. Lá ficou à espera. O dono da casa onde se refugiou levou-o para um barraco no mato, próximo à casa. Aí lhe serviam a comida. Dias depois, apareceu o Exército e travou tiroteio com Aparício. Este descarregou todas as balas do revólver que tinha e quando tentava enchê-lo de novo recebeu um tiro e morreu. Não se sabe se o Exército chegou por acaso ou se foi denúncia". O livro de Hugo Studart, A Lei da Selva, acrescenta informações que adquirem um tom quase ficcional: "Dossiê dá sua morte em JUL 72. Entrou em combate com uma equipe de militares da inteligência. Levou 53 tiros de metralhadora, inclusive no rosto, e ainda assim conseguiu escapar pela mata. Foi apanhado pelos militares dois quilômetros adiante, agonizando no chão. Um mateiro o executou com um tiro de espingarda Winchester calibre 44. O tiro atingiu sua cabeça, que foi praticamente arrancada do tronco. Idalísio foi levado numa rede para Xambioá a fim de ser identificado. Foi inicialmente enterrado no cemitério local, na ala dos indigentes. Os militares mataram um cachorro e enterraram em cima do seu corpo para futura identificação". Em abril de 2007, as citadas reportagens de Lucas Figueiredo revelam que existe a seguinte passagem no chamado "livro negro do terrorismo no Brasil", de responsabilidade do CIE e do ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves: "Nesse mês (julho de 1972), no dia 13, num choque com as forças legais em Perdidos, foi morto o subversivo Idalísio Soares Aranha Filho (Aparício)" =================================================================================================================================== + Informações. IDALÍSIO SOARES ARANHA FILHO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Rubim, Minas Gerais, no dia 27 de Agosto de 1947, filho de Idalísio Soares Aranha e de Aminthas Rodrigues Pereira. Desaparecido desde 1972 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 25 anos. Afetivo, carinhoso, observador e de pouca conversa - assim era o Idalísio cantador, seresteiro e tocador de violão. Era o penúltimo de nove irmãos. Fez o curso primário em Rubim e o ginasial em Teófilo Otoni/MG, no Colégio São José. Em 1962, foi para Belo Horizonte, onde estudou até o 2° ano no Colégio Estadual e o 3° ano no ex-Colégio Universitário da UFMG. Em 1968 participou da "luta dos excedentes" por mais vagas na Universidade. Neste mesmo ano iniciou o Curso de Psicologia na UFMG. Em 1970 casou-se com Walkíria Afonso Costa (desaparecida). Foi eleito presidente do Centro de Estudos de Psicologia de Minas Gerais e do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas em 1971. Numa homenagem póstuma, foi dado o nome de Idalísio Aranha ao Diretório Acadêmico da Faculdade Em janeiro de 1971, Idalísio e Walkíria, decidiram mudar-se para o Araguaia, região do Gameleira. Como violeiro e cantador, conquistou rapidamente a simpatia daqueles com quem ele convivia. Pouco tempo viveu no Araguaia. Em julho de 1972, seu grupo entrou em combate com uma patrulha do Exército, perto da Grota Vermelha, em decorrência do qual Idalísio perdeu- se do grupo. Em 12 de julho de 1972, em Perdidos, a 9 léguas a Oeste de Caianos, Idalísio foi emboscado e morto, segundo documento dos Fuzileiros Navais entregue à Comissão de Representação Externa da Câmara Federal, em 1992. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Idalísio foi morto em uma localidade de nome Peri, "por ter resistido ferozmente". Na mesma época em que Idalísio foi morto no Araguaia, a casa de seus pais em Belo Horizonte foi invadida por policiais que acusavam a ele e Walquíria de pertencerem ao PC do B. Em julho de 1973, depois de morto, foi condenado à revelia à pena de prisão pela Justiça Militar. ==================================================================================================== + Informações. Seg, 08 de Novembro de 2010 19:25 Heróis do Movimento Estudantil Idalísio Soares Aranha Filho nasceu no dia 27 de agosto de 1947 na cidade de Rubim, interior de Minas gerais, filho de Idalísio Soares Aranha e de Aminthas Rodrigues Pereira. Afetivo, carinhoso, observador e de pouca conversa, assim era Idalísio, que também era cantador, seresteiro e tocador de violão. Grande lutador de nosso povo, participou ativamente do movimento estudantil durante a década de 60. Quando secundarista estudou na principal escola de Minas Gerais, Escola Estadual governador Milton Campos (conhecida como Estadual Central) situada na cidade de Belo Horizonte. Entrando para o curso de Psicologia na UFMG - Universidade Federal do Estado de Minas Gerais - participa e dirige a grande "Luta dos Excedentes" de 68. A questão dos "excedentes" era bastante grave à época uma vez que o vestibular era classificatório, ou seja, todos que superassem o mínimo de pontos tinham direito à vaga nas universidades. Com o tempo cresceu enormemente o número de alunos aprovados, porém o Estado não atendia mais à demanda e muitos estudantes, mesmo tendo o direito à vaga, ficavam sem ela na prática. Estes eram os excedentes. Logo após essas grandes mobilizações, Idalísio foi eleito presidente do Diretório Acadêmico (DA) de Psicologia. Junto a outros colegas e militantes do movimento estudantil, lutou em defesa dos interesses dos estudantes, contra o corte de verbas que precarizava cada vez mais o ensino científico; contra o fechamento de restaurantes universitários e cortes na assistência estudantil; contra o acordo MEC/USAID (que expandia a intervenção dos EUA na elaboração das políticas educacionais brasileiras) e o reacionário Decreto-lei 477, que instituía a expulsão de militantes do movimento estudantil das universidades. Em janeiro de 1971 Idalísio e sua companheira, Walkíria Afonso Costa, ambos militantes do Partido Comunista do Brasil, mudam-se para a região do Araguaia aonde o PC do B concluía os preparativos para a deflagração da luta armada revolucionária, como Guerra Popular Prolongada. Em 12 de abril de 1972, os militantes do Partido Comunista e camponeses da região iniciam o episódio que marcará a história de nosso país, como a mais alta tentativa já realizada até hoje em nosso país de tomada do Poder para as massas populares: era a gloriosa Guerrilha do Araguaia, que se desenvolveria com a participação da massa de camponeses pobres objetivando cercar a cidade a partir do campo. Em que pesem os erros de concepção, apontados pelo grande dirigente comunista Pedro Pomar em seu relatório "Sobre o Araguaia" (soterrado pela direção revisionista de Amazonas e consortes) essa foi uma grande experiência revolucionária, de grande valor e inapagável lembrança na história de nosso povo. Já região do Araguaia, Idalísio Aranha foi viver na região do Gameleira e incorporou-se ao Destacamento B comandado por Osvaldo Orlando da Costa - o Osvaldão. Na ocasião a organização militar do Partido dividia os Destacamentos em 3 agrupamentos guerrilheiros e Idalísio compunha o "Grupo do Castanhal", com mais 5 combatentes, dentre eles sua companheira Walkíria. Segundo o "Relatório Sobre a Luta no Araguaia", produzido por Ângelo Arroyo, membro da Comissão Militar do Partido Comunista, Idalísio tombou em combate em julho de 1972. Segue abaixo o trecho do Relatório: "A Comissão Militar resolveu enviar um grupo de companheiros, chefiados pelo Juca (João Carlos Haas Sobrinho), para conseguir reatar o contato com o Destacamento C. Faziam parte do grupo: Flávio (Ciro Flávio de Oliveira Salazar), Gil (Manoel José Nurchis), Aparício (Idalísio Soares Aranha Filho) e Ferreira (Antônio Guilherme Ribeiro Ribas), do Destacamento B. Esta medida se impunha porque o Destacamento C não atendeu aos pontos previamente estabelecidos. Este grupo caiu numa emboscada do Exército na Grota Vermelha a uns 50 metros da estrada. Juca levou dois tiros: um na perna e outro na coxa, mas conseguiu, juntamente com os outros companheiros, embrenhar-se na mata. Ficaram parados alguns dias para que Juca se restabelecesse. Durante esse período, Aparício saiu para caçar e se perdeu. Procurou a casa de um morador chamado Peri por onde sabia que os demais iriam passar. Lá ficou à espera. O dono da casa onde se refugiou levou-o para um barraco no mato próximo à casa. Nesse local lhe serviam a comida. Dias depois apareceu o Exército e travou tiroteio com Aparício". Emboscado e mesmo ferido, Idalísio conseguiu se embrenhar na mata e escapar ainda por dois quilômetros, antes de ser atingido fatalmente. Mesmo o "Relatório Oficial do Ministério da Guerra", documento em que o podre Estado brasileiro assume suas ações criminosas no Araguaia, destaca que Idalísio Aranha "foi morto por ter resistido ferozmente". Mesmo após seu covarde assassinato pelo exército fascista, foi ainda julgado e condenado à prisão pelo Poder Judiciário burguês-latifundiário, esse mesmo que até hoje mantém sua posição anti-povo. Idalísio foi um, dentre centenas de jovens de uma geração, que deu sua vida pela libertação de nosso povo e pela Revolução. Devemos nos mirar nestes grandes exemplos que, rejeitando o conforto e as facilidades da vida pequeno-burguesa nas cidades, tomaram firme decisão de servir às massas de todo o coração, inclusive no nível mais elevado da luta de classes, que é a luta armada. Oswaldos, Tucas e Aris Nunes, Landins, Amauris Nada se faz em vão E apesar da noite que disfarça Apesar dos tiros, dos choques Da boca que delata Ainda nos restam as pedras Os gritos Os cânticos Os punhais! Aos guerrilheiros do Araguaia/1970 Rendemos honras e glórias a esse grande combatente de nosso povo. Viva Idalísio Aranha! Viva os heróis do Movimento Estudantil! MEPR ========================================================================================================================= processo por atividades políticas na 2ª Auditoria Militar de São Paulo." -------------------------------------------------------------------------------- IDALÍSIO SOARES ARANHA FILHO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Rubim, Minas Gerais, no dia 27 de Agosto de 1947, filho de Idalísio Soares Aranha e de Aminthas Rodrigues Pereira. Desaparecido desde 1972 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 25 anos. Afetivo, carinhoso, observador e de pouca conversa - assim era o Idalísio cantador, seresteiro e tocador de violão. Era o penúltimo de nove irmãos. Fez o curso primário em Rubim e o ginasial em Teófilo Otoni/MG, no Colégio São José. Em 1962, foi para Belo Horizonte, onde estudou até o 2° ano no Colégio Estadual e o 3° ano no ex-Colégio Universitário da UFMG. Em 1968 participou da "luta dos excedentes" por mais vagas nas universidades públicas federais. Neste mesmo ano, iniciou o Curso de Psicologia na UFMG. Em 1970 casou-se com Walkíria Afonso Costa, também desaparecida na guerrilha do Araguaia. Em janeiro de 1971, Idalísio e Walkíria decidiram mudar para o Araguaia, região da Gameleira. Como violeiro e cantador, conquistou rapidamente a simpatia daqueles com quem ele convivia. Pouco tempo viveu no Araguaia. Em julho de 1972, seu grupo entrou em combate com uma patrulha do Exército, perto da Grota Vermelha, em decorrência do qual Idalísio perdeu-se do grupo. Em 12 de julho de 1972, em Perdidos, a 9 léguas a Oeste de Caianos, foi emboscado e morto, segundo documento dos Fuzileiros Navais entregue à Comissão de Representação Externa da Câmara Federal, em 1992. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Idalísio foi morto em uma localidade de nome Peri, "por ter resistido ferozmente". Na mesma época em que Idalísio foi morto no Araguaia, a casa de seus pais em Belo Horizonte foi invadida por policiais que acusavam ele e Walquíria de pertencerem ao PC do B. Em julho de 1973, depois de morto foi condenado à revelia, à pena de prisão pela Justiça Militar. Foi eleito presidente do Centro de Estudos de Psicologia de Minas Gerais e do Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas em 1971. Em uma homenagem póstuma, foi dado o nome de Idalísio Aranha ao Diretório Acadêmico da Faculdade, posteriormente trocado pelo do Prof. Arthur Versiane Velloso, falecido em 1986. (dados encontrados no site: www.fafich.ufmg.br/fil/dep histórico.htm). O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ lamenta a falta de respeito da universidade por ter trocado o nome de Idalísio pelo de um professor, apesar da importância da trajetória deste, que foi um dos fundadores do curso de Filosofia da UFMG. Fica aí um fato a pensar sobre o direito que temos à memória e a verdade do período da ditadura militar. ===================================================================================================================== Casamento e morte no Araguaia Última a ser capturada na guerrilha, Walquíria Afonso Costa foi morta em 1974 aos 27 anos. Ela e o namorado, Idalísio Soares Aranha Filho, morto em 1972 aos 25, se casaram no Araguaia. Os dois mineiros e estudantes da UFMG continuam desaparecidos. Valéria Costa Couto, única irmã de Walquíria, diz não ter esperanças de encontrar a ossada, mas quer esclarecer aquele triste período do país. "Queremos ver os arquivos oficiais. A família e a nação têm esse direito. A história tem que ter começo, meio e fim. Ninguém tem o direito de ocultar nada", afirma. Segundo Valéria, sua mãe faleceu acreditando na sobrevivência da filha. Antônia Vitória Soares Aranha viu o irmão Idalísio pela última vez em janeiro de 1971. "Ele disse que ia fazer trabalhos populares, mas não sabia onde. Minha mãe ficou desesperada, mas entendemos que era a opção dele." Em 1976, Idalísio começou a constar na lista de mortos e desaparecidos. Quando José Genoíno saiu da prisão, disse que o militante do PCdoB havia sido assassinado. "Foi uma coisa dura, indescritível. A gente tem sempre a esperança. A primeira reação é de não enfrentar a realidade." A notícia, do início de 1978, só foi contada para a mãe no final do mesmo ano. "A reação dela foi uma das mais tristes que já vi. Ela tinha muita expectativa da volta dele." Hoje, a mãe de Idalísio, Aminthas Rodrigues Pereira, tem 97 anos. Antônia viu o irmão pela última vez quando tinha 15 anos. "A última imagem que tenho é de alguém dizendo pra mim: 'Não fica triste porque a gente ainda vai se encontrar.'" Para ela, a perda do irmão "é uma chaga que não fecha nunca. Aprende-se a viver com a dor, mas ela nunca passa. Queria ele aqui tocando violão, não como um herói". ============================================================================================================== IDALÍSIO SOARES ARANHA FILHO Idalísio Soares Aranha Filho nasceu no dia 27 de agosto de 1947 na cidade de Rubim, interior de Minas gerais, filho de Idalísio Soares Aranha e de Aminthas Rodrigues Pereira. Afetivo, carinhoso, observador e de pouca conversa, assim era Idalísio, que também era cantador, seresteiro e tocador de violão. Grande lutador de nosso povo, participou ativamente do movimento estudantil durante a década de 60. Quando secundarista estudou na principal escola de Minas Gerais, Escola Estadual governador Milton Campos (conhecida como Estadual Central) situada na cidade de Belo Horizonte. Entrando para o curso de Psicologia na UFMG - Universidade Federal do Estado de Minas Gerais - participa e dirige a grande "Luta dos Excedentes" de 68. A questão dos "excedentes" era bastante grave à época uma vez que o vestibular era classificatório, ou seja, todos que superassem o mínimo de pontos tinham direito à vaga nas universidades. Com o tempo cresceu enormemente o número de alunos aprovados, porém o Estado não atendia mais à demanda e muitos estudantes, mesmo tendo o direito à vaga, ficavam sem ela na prática. Estes eram os excedentes. Logo após essas grandes mobilizações, Idalísio foi eleito presidente do Diretório Acadêmico (DA) de Psicologia. Junto a outros colegas e militantes do movimento estudantil, lutou em defesa dos interesses dos estudantes, contra o corte de verbas que precarizava cada vez mais o ensino científico; contra o fechamento de restaurantes universitários e cortes na assistência estudantil; contra o acordo MEC/USAID (que expandia a intervenção dos EUA na elaboração das políticas educacionais brasileiras) e o reacionário Decreto-lei 477, que instituía a expulsão de militantes do movimento estudantil das universidades. Em janeiro de 1971 Idalísio e sua companheira, Walkíria Afonso Costa, ambos militantes do Partido Comunista do Brasil, mudam-se para a região do Araguaia aonde o PC do B concluía os preparativos para a deflagração da luta armada revolucionária, como Guerra Popular Prolongada. Em 12 de abril de 1972, os militantes do Partido Comunista e camponeses da região iniciam o episódio que marcará a história de nosso país, como a mais alta tentativa já realizada até hoje em nosso país de tomada do Poder para as massas populares: era a gloriosa Guerrilha do Araguaia, que se desenvolveria com a participação da massa de camponeses pobres objetivando cercar a cidade a partir do campo. Em que pesem os erros de concepção, apontados pelo grande dirigente comunista Pedro Pomar em seu relatório "Sobre o Araguaia" (soterrado pela direção revisionista de Amazonas e consortes) essa foi uma grande experiência revolucionária, de grande valor e inapagável lembrança na história de nosso povo. Já região do Araguaia, Idalísio Aranha foi viver na região do Gameleira e incorporou-se ao Destacamento B comandado por Osvaldo Orlando da Costa - o Osvaldão. Na ocasião a organização militar do Partido dividia os Destacamentos em 3 agrupamentos guerrilheiros e Idalísio compunha o "Grupo do Castanhal", com mais 5 combatentes, dentre eles sua companheira Walkíria. Segundo o "Relatório Sobre a Luta no Araguaia", produzido por Ângelo Arroyo, membro da Comissão Militar do Partido Comunista, Idalísio tombou em combate em julho de 1972. Segue abaixo o trecho do Relatório: "A Comissão Militar resolveu enviar um grupo de companheiros, chefiados pelo Juca (João Carlos Haas Sobrinho), para conseguir reatar o contato com o Destacamento C. Faziam parte do grupo: Flávio (Ciro Flávio de Oliveira Salazar), Gil (Manoel José Nurchis), Aparício (Idalísio Soares Aranha Filho) e Ferreira (Antônio Guilherme Ribeiro Ribas), do Destacamento B. Esta medida se impunha porque o Destacamento C não atendeu aos pontos previamente estabelecidos. Este grupo caiu numa emboscada do Exército na Grota Vermelha a uns 50 metros da estrada. Juca levou dois tiros: um na perna e outro na coxa, mas conseguiu, juntamente com os outros companheiros, embrenhar-se na mata. Ficaram parados alguns dias para que Juca se restabelecesse. Durante esse período, Aparício saiu para caçar e se perdeu. Procurou a casa de um morador chamado Peri por onde sabia que os demais iriam passar. Lá ficou à espera. O dono da casa onde se refugiou levou-o para um barraco no mato próximo à casa. Nesse local lhe serviam a comida. Dias depois apareceu o Exército e travou tiroteio com Aparício". Emboscado e mesmo ferido, Idalísio conseguiu se embrenhar na mata e escapar ainda por dois quilômetros, antes de ser atingido fatalmente. Mesmo o "Relatório Oficial do Ministério da Guerra", documento em que o podre Estado brasileiro assume suas ações criminosas no Araguaia, destaca que Idalísio Aranha "foi morto por ter resistido ferozmente". Mesmo após seu covarde assassinato pelo exército fascista, foi ainda julgado e condenado à prisão pelo Poder Judiciário burguês-latifundiário, esse mesmo que até hoje mantém sua posição anti-povo. Idalísio foi um, dentre centenas de jovens de uma geração, que deu sua vida pela libertação de nosso povo e pela Revolução. Devemos nos mirar nestes grandes exemplos que, rejeitando o conforto e as facilidades da vida pequeno-burguesa nas cidades, tomaram firme decisão de servir às massas de todo o coração, inclusive no nível mais elevado da luta de classes, que é a luta armada. ================================================================================================================== UFMG homenageia estudantes mortos pela ditadura quinta-feira, 9 de setembro de 2004, às 20h26 Uma homenagem aos quatro alunos da UFMG mortos pela ditadura militar marcou a abertura, na tarde de quinta-feira, dia 9, da exposição Liberdade, essa palavra, que comemora os 77 anos da Universidade e celebra a resistência do movimento estudantil a um dos períodos mais autoritários da história brasileira. A memória dos estudantes Gildo Macedo Lacerda, Idalísio Soares Aranha Filho, José Carlos Novaes Mata Machado e Walkíria Afonso Costa ganhou um monumento no gramado da Biblioteca Universitária, materializado por quatro troncos cortados, que simbolizam as vidas ceifadas pelo autoritarismo. Homenagem Na abertura da cerimônia, o reitor em exercício, Marcos Borato, lembrou que a homenagem aos quatro estudantes "condensava" a reverência feita pela Universidade ao movimento estudantil, que sempre se envolveu em grandes causas, como a resistência à ditadura militar. Participaram da cerimônia o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda - que descerrou junto com Borato a placa do monumento que homenageou os estudantes - o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, o deputado federal Sérgio Miranda, além de três ex-reitores da Universidade: Aluísio Pimenta, Tomaz Aroldo da Mota Santos e Celso Vasconcelos Pinheiro. Ativo militante do movimento estudantil da época, o prefeito Fernando Pimentel disse que a luta dos quatro estudantes e de tantos outros que perderam suas vidas ou foram torturados, cassados e exilados não foi em vão. "Olhando para trás e observando tudo o que passamos, tenho a certeza de que o sacrifício valeu a pena". Tradição de luta Já o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, destacou a tradição de luta da Universidade pelas liberdades democráticas. "Esta universidade nunca se curvou. Ela sempre soube resistir ao autoritarismo", disse o secretário, que também enalteceu o caráter acolhedor da UFMG. "Logo que saí da prisão, em 1975, fui reintegrado à Universidade. Isso ocorreu quatro anos antes da anistia", relatou Nilmário. A cerimônia foi encerrada com um testemunho do chefe de gabinete, Mauro Braga, outro de intensa atuação no movimento estudantil. Braga relembrou sua convivência com os quatro homenageados. "Com José Carlos participei do Congresso de Ibiúna, de Gildo fui companheiro de prisão", relatou o professor, que foi mais próximo de Walkíria e Idalísio. "Deles, não fui apenas companheiro de militância. Foram meus amigos". De Walkíria, Mauro Braga não esquece o "riso barulhento e franco" e de Idalísio guarda as noitadas embaladas com o seu violão e a lembrança de ter compartilhado com ele a notícia de um acontecimento que marcaria para sempre aquela geração: a edição do AI-5, em 1968. A exposição A exposição Liberdade, essa palavra, em cartaz até o dia 13 de outubro no saguão da Reitoria, reúne cerca de 90 imagens, entre fotos, cartazes, charges e panfletos, que retratam momentos marcantes do movimento estudantil, de 1964 a 1984. Outro destaque está na montagem de uma "trilha sonora", com mais de cem músicas entoadas pelos estudantes da época. A mostra foi preparada pelo Projeto República, que organizou o seu acervo, e pelo Centro de Comunicação (Cedecom), responsável pela produção do catálogo. A curadoria é do professor Fabrício Fernandino. =========================================================================================================== [PDF] Bernardo Joffily www.mme.org.br/services/.../FileDownload.EZTSvc.asp?...0337...Similares Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Algumas pessoas que eram da AP participaram até da guerrilha do Araguaia, como o Idalísio. [Soares Aranha Filho], de Minas. Passei um tempo em Minas e ... =============================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110719/915889ed/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11446 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110719/915889ed/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11446 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110719/915889ed/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 22688 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110719/915889ed/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 19 20:20:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 19 Jul 2011 20:20:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_AMOR=2C_REVOLU=C7=C3O=2C_SACANAGE?= =?iso-8859-1?q?M_E_PEITO_BONITO___por____Elp=EDdio_Navarro?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem PALCO & PLATEIA por Elpídio Navarro AMOR, REVOLUÇÃO, SACANAGEM E PEITO BONITO Alguém escreveu que a novela do SBT "Amor e Revolução" transformara-se em "Nem Amor Nem Revolução". O pior é que, agora, numa porcaria maior ainda. Também, por determinação não se sabe ainda de quem, cessaram de colocar ao fim de cada capítulo, um depoimento de pessoas que vivenciaram e sofreram a violência e a tortura dos policiais e militares da quartelada de 64. Era previsto. Uma emissora dirigida por um empresário falido, que topou revelar para as gerações posteriores o que foram os anos de chumbo, somente pensando numa grande audiência e bastante lucro, só podia dar com os burros n'água. A novela aproveitou a grande efervescência gay de São Paulo e misturou história com romances lésbicos (não foi só um) e ainda, para contrabalançar, a tendência de um policial à prática do homossexualismo com um prisioneiro. Nada disso tem a ver com o que foi proposto inicialmente: tele-dramatizar um período negro da nossa história, acrescentado de momentos românticos e de paixões. Tudo parecia ser uma mistura de verdades históricas com a ficção, pelo menos em doses equivalentes. Mas não é o que está acontecendo e, para completar a baboseira, uma personagem que havia morrido reaparece com ares de fantasma! Coisa que a TV Globo gosta de fazer! EL THEATRO -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110719/8c1d1c4a/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5035 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110719/8c1d1c4a/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 19 20:20:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 19 Jul 2011 20:20:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Fam=EDlia_de_jornalista_Eduardo_?= =?iso-8859-1?q?Merlino_comenta_julgamento_de_cel=2E_Ustra?= Message-ID: <955D501E54A8411AA0CFAFBFF6D81783@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Família de jornalista Eduardo Merlino comenta julgamento de cel. Ustra Ana Ignacio Em de julho de 1971 o jornalista Luiz Eduardo Merlino foi morto. Há 40 anos, foi levado de sua casa, em Santos. Foi para São Paulo "explicar" sua militância política. Nunca mais voltou. Merlino, então com 23 anos, foi mais uma vítima da Ditadura Militar no país. Com passagens pelo Jornal da Tarde, Folha da Tarde, jornal Amanhã e Jornal do Bairro, mais um capítulo de sua história - não esquecida - será escrito no próximo dia 27. Nessa data, o coronel reformado do Exército Brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, será julgado pelo assassinato do jornalista. Merlino foi torturado e morto nas dependências do Doi-Codi. Na época, o órgão era comandado por Ustra. Essa é a segunda ação movida pela família de Merlino - a primeira foi extinta em 2008 antes que se chegasse à audiência das testemunhas. No dia 27, ex-militantes do Partido Operário Comunista (POC), organização em que Merlino militava, irão depor em defesa do jornalista. O presidente do Senado José Sarney é uma das testemunhas do cel. Ustra. IMPRENSA conversou com Tatiana Merlino, jornalista e sobrinha de Eduardo Merlino. Tatiana falou sobre a importância do julgamento, as dificuldades que a família encontrou para conseguir concretizá-lo e o significado de uma possível condenação de Ustra. Acompanhe. IMPRENSA - QUAL A EXPECTATIVA DA FAMÍLIA PARA O JULGAMENTO? Tatiana Merlino - Nossa expectativa é grande, pois não foi fácil chegar até essa audiência. Essa é a segunda ação movida pela família contra o coronel Ustra. A primeira, uma ação civil declaratória, foi extinta em 2008 antes que se chegasse à audiência das testemunhas. Nessa nova ação por danos morais, de 2010, o coronel Ustra tentou impedir que chegássemos à audiência, mas o juiz não aceitou o recurso, chamado de agravo de instrumento, e aí estamos. Acreditamos que diante dos relatos das testemunhas, que são ex-militantes do Partido Operário Comunista, o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi e o escritor Joel Rufino dos Santos, que relatam detalhes das torturas que Merlino passou até morrer, e do momento que precede sua morte, a Justiça Paulista pode se convencer da responsabilidade de Ustra no assassinato de Merlino. QUAL A IMPORTÂNCIA DESSE JULGAMENTO? Importantíssimo para a história do país, visto que estamos muito atrasados em relação ao que se chama de Justiça de Transição: memória, verdade e justiça. Até hoje, há apenas uma decisão da justiça declarando que um agente do Estado foi torturador: a da família Teles contra o próprio Ustra. Nós passamos por essa dificuldade enorme para chegar até a audiência das testemunhas, sendo que essas ações nem são na área penal, como as que estão sendo movidas na Argentina, onde os torturadores e agentes do Estado que cometeram assassinatos e torturas estão sendo levados para a cadeia. Ou seja, no aspecto justiça ainda estamos engatinhando. Já em relação à verdade, também corremos grandes riscos, dependendo de como a Comissão da Verdade será, e por conta da discussão do sigilo dos documentos. Aí ressalto que entre os defensores do sigilo eterno está o senador e ex-presidente José Sarney, que foi arrolado como testemunha do coronel Ustra na ação que a família move contra ele. QUAL SERIA O SIGNIFICADO DA CONDENAÇÃO DO CORONEL USTRA, CASO ISSO OCORRA? Se Ustra for condenado, o Brasil dará um passo importante para consolidação da democracia brasileira. Se não resolvermos a impunidade do passado, e saber exatamente quem esteve envolvido nos crimes de tortura, estupro, sequestro e assassinato dos opositores do regime militar, não conseguiremos fortalecer as instituições do país. Fonte: Núcleo Memória -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110719/193bea96/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jul 20 20:15:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 20 Jul 2011 20:15:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ROSALINDO_DE_SOUZA____________________?= =?iso-8859-1?q?_____________-CXCVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ROSALINDO DE SOUZA (1940-1973) Filiação: Lindaura Correia Silva e Rosalvo Cypriano Sousa Data e local de nascimento: 02/01/1940, Caldeirão Grande (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre 16/08 e setembro/1973 Baiano de Caldeirão Grande mudou-se para a cidade de Itapetinga, em 1945, com a família, onde concluiu o curso ginasial no Centro Educacional Alfredo Dutra. Em 1957, já em Salvador, interrompeu os estudos, no terceiro ano, para ingressar no serviço militar. No Exército, fez os cursos de cabo e sargento, dando baixa em 1960. Em 1961, trabalhou como diretor da secretaria da Câmara Municipal de Itapetinga. Em 1963, iniciou o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia, sendo nomeado na mesma época escriturário do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários. Cinco anos depois, já militante do PCdoB, foi eleito presidente do Diretório Acadêmico Rui Barbosa da Faculdade de Direito da UFBA, quanto teve início a sua perseguição política. Tornou-se dirigente estadual do PCdoB na Bahia. Após o AI-5, foi impedido de se matricular em sua faculdade e mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1969, onde residiu por algum tempo com o casal Dinalva e Antonio Carlos, seus amigos da Bahia, também combatentes e mortos no Araguaia. Rosalindo terminou o curso de Direito na Faculdade Cândido Mendes e se inscreveu na OAB em 31/03/1970. Voltou a Itapetinga e montou um escritório de advocacia. No ano seguinte, foi denunciado perante a Justiça Militar e julgado à revelia no dia 13/05/1971, sendo condenado a dois anos e dois meses Conforme o relatório Arroyo, "Alfredo (Antônio Alfredo) na ocasião insistiu com Zé Carlos (André Grabois) para que fossem apanhar dois porcos dele que se encontravam numa roça próxima. Os porcos ajudariam a alimentação dos guerrilheiros. Zé Carlos considerou temerário o projeto de Alfredo. Chegou a dizer: 'Não vamos morrer pela boca'. Sabia que o Exército provavelmente estaria emboscado na roça onde se encontravam os porcos. No dia seguinte, saíram cinco companheiros para apanhar farinha num depósito e, se nada de anormal notassem, poderiam ir apanhar os porcos. Mas no caminho decidiram ir, primeiramente, apanhar os porcos. Lá chegaram cerca das 9 horas. Mataram os porcos com quatro tiros e os levaram para um lugar limpo a fim de retalhá-los. Fizeram fogo de palha para pelar os porcos. Uma hora depois estava terminado o serviço. Mas quando foram carregar a carne, as alças das mochilas quebraram. Alfredo resolveu então improvisar um atado de cipó (vira-mundo) para carregar nas costas. Quando terminou o último atado eram já 12 horas. Estavam presentes os companheiros: Zé Carlos (André), Nunes (Divino Ferreira de Souza), Alfredo, Zebão (João Gualberto) e João (Dermeval da Silva Pereira). Preparavam-se para sair quando Alfredo ouviu um barulho esquisito. Chamou a atenção de João. Este, porém, achou que era uma palha de coqueiro que tinha caído. Ato contínuo, apareceram os soldados, apontando suas armas. Atiraram sobre o grupo. João conseguiu escapar, os outros foram mortos. Não tiveram tempo nem de pegar as armas (14/10/73)". Matérias publicada no jornal O Globo, em 02/05/96 com os títulos, "Ex-guia mostra onde os corpos foram enterrados", "De Xambioá a Marabá, o roteiro dos cemitérios" e "Moradores contam a prisão e a morte de guerrilheiros", assinadas por Amaury Ribeiro Jr., trouxeram depoimento de uma testemunha ocular do ocorrido. Segundo o guia Manuel Leal Lima, o Vanu, contou ao jornalista, "ele guiava o pelotão de 15 soldados, comandados pelos oficiais Cid e Adulpro, por volta das 2h da tarde. Famintos, os quatro guerrilheiros carregavam nas costas três porcos abatidos na Fazenda do Caçador, de propriedade de Geraldo de Souza, um ex-delegado de São Domingos que trabalhava como guia do Exército. O barulho dos tiros dos guerrilheiros para matar os porcos alertou a patrulha. Segundo Vanu, o Exército chegou na fazenda atirando. Alfredo ainda tentou reagir, disparando dois tiros que se perderam na mata. Foi fuzilado em seguida. João Gualberto também foi morto, quando tentou se esconder atrás de uma castanheira. André Grabois foi o primeiro a ser atingido, morrendo em seguida. Depois de recolher a munição e as armas dos guerrilheiros - sete quilos de munição e cinco revólveres 38 - o major Cid ordenou ao guia: - Ponha os corpos em cima do burro e enterre os terroristas a três quilômetros de distância em direção ao rio. As covas têm que ficar a um quilômetro e meio de distância uma da outra. - As cabeças dos 'paulistas' iam balançando no burro lentamente, totalmente arrebentadas. Depois de enterrar os corpos, fui resgatado por um helicóptero que levou o Nunes, ferido com vários tiros, até o DNER, onde ele e mais 20 outros guerrilheiros foram enterrados - conta Vanu". Dias antes do julgamento, em 22/04/1971, viajou para o Araguaia, região de Caianos, integrou-se ao Destacamento C e ficou conhecido como Mundico. Lá, desenvolveu o hábito de fazer cordéis, sendo de sua autoria um que aborda os 27 pontos da União de Luta pelos Direitos do Povo - ULDP. Esse cordel chegou a ser recitado por moradores da região. Quanto à data de sua morte, existe uma referência ao dia 16 de agosto, mas também existe o registro do mês setembro. Ângelo Arroyo comenta em seu relatório: "...acontecimentos negativos ocorreram também em setembro: a morte de Mundico, do C, por acidente com a arma que portava..".. No entanto, segundo o Relatório do Ministério do Exército, entregue em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, Rosalindo "teria sido morto no dia 6 Ago 73, em combate com as forças de segurança". Já o relatório da Marinha, do mesmo ano, também marca setembro: "relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá. Morto em SET 73". Em declaração prestada ao Ministério Público, em São Geraldo do Araguaia, em 19/07/01, Sinésio Martins Ribeiro, ex-colaborador do Exército na região, conta que quando ainda estava preso no curral da base de Xambioá, viu a cabeça do Mundico. Isto se deu entre agosto e setembro, "porque as roças ainda não tinham sido queimadas e quem descobriu a sepultura foi o João do Buraco, proprietário do local onde estava enterrado o Mundico. As terras do João do Buraco eram freqüentadas pelos guerrilheiros e João do Buraco, ao ser preso pelo Exército, mostrou a sepultura. O Exército não havia travado combates neste local e por isso disse que foram os guerrilheiros que mataram o Mundico. O Exército chegou lá por volta de 4 ou 5 dias após, cavou a sepultura, cortou a cabeça e enterrou novamente o corpo. A cabeça foi levada para a base e mostrada aos presos para reconhecimento. Ela estava meio destruída, o cabelo solto e João do Buraco reconheceu o Mundico. Os documentos estavam com o morto e a cabeça do Mundico ficou exposta uns dois dias perto do barracão do Exército e foi enterrada perto de um pé de jatobá que ficava perto da base". Importa registrar, aqui, que nos dois livros mais recentes sobre o episódio histórico do Araguaia, os autores dão guarida a uma versão que militares participantes da repressão à guerrilha sustentam, taxativamente, de que Mundico teria sido "justiçado" pelos próprios guerrilheiros. Vale registrar que tal informação também pode representar mais uma tentativa de desmoralizar os militantes mortos, como era prática rotineira dos órgãos de segurança do regime militar, conforme já relatado em inúmeros casos deste livro-relatório. =========================================================================================================================== + Informações. ROSALINDO SOUZA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu a 2 de janeiro de 1940, em Caldeirão Grande, Estado da Bahia, filho de Rosalvo Cypriano Sousa e Lindaura Correia de Sousa Desaparecido desde 1973 na Guerrilha do Araguaia, aos 33 anos. Mudou-se com sua família, em 1945, para Itapetinga, onde concluiu o curso ginasial no Centro Educacional Alfredo Dutra. Em 1961 trabalhou como diretor da secretaria da Câmara Municipal de Itapetinga, Bahia. Indo para Salvador, iniciou o científico no Colégio Antônio Vieira, em 1957, interrompeu o curso no 3° ano para ingressar no serviço militar. No Exército, fez os cursos de Cabo e Sargento, dando baixa em 1960. Também em Salvador, fez o curso de contabilidade no Instituto Valença. Em 1963 iniciou o curso de Direito na UFBa e nesta mesma época foi nomeado escriturário do IAPETEC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários). Em 1968 foi eleito presidente do Diretório Acadêmico Rui Barbosa da Faculdade de Direito da UFBa, quanto teve início a perseguição política. No ano seguinte, foi impedido de se matricular, indo para o Rio de Janeiro, onde terminou o curso na Faculdade Cândido Mendes. Inscreveu-se na OAB em 31 de março de 1970, sob o n° 3106. Voltou a Itapetinga, montando escritório de advocacia, em 1970. Também era poeta. Foi indiciado na Justiça Militar com outros 10 estudantes e julgado à revelia no dia 13 de maio de 1971, sendo condenado a 2 anos e 2 meses de reclusão. Dias antes do julgamento, em 22 de abril de 1971, viajou para o Araguaia para a região de Caiano, integrando-se ao Destacamento C da Guerrilha. O Relatório do Ministério do Exército diz que foi "morto em confronto com as forças de segurança em 16 de agosto de 1973." Poema de Rosalindo, publicado no "O Anuário do Colégio Antônio Vieira", em 1958: GRANDEZAS Aos píncaros mais altos Sonhei um dia subir, Galgar em grandes saltos A glória de um belo porvir. Imaginava grandeza Em tudo, não sei porque. O futuro uma beleza, Ser grande, queria ser. Sonhei viver abastado, Senti o amor nascer, Sonhei na glória e honrado, Sonhei meu nome crescer... As dificuldades chegaram Trazendo mil confusões, Os sonhos elas levaram Deixando desilusões. Vivo hoje acabrunhado, Cismando, só a pensar, Me sentindo o culpado Deixando o tempo passar. Mas não morre a esperança De uma glória eu alcançar, Porque fica na lembrança A vontade de lutar!! ============================================================================== + Informações. ROSALINDO DE SOUZA (1940-1973) Baiano de Caldeirão Grande, Rosalindo mudou-se em 1945, com a família, para a cidade de Itapetinga, onde concluiu o curso ginasial no Centro Educacional Alfredo Dutra. Em 1957, já em Salvador, interrompeu os estudos no terceiro ano do ensino médio, para ingressar no serviço militar, dando baixa em 1960. Em 1963, iniciou o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia e, já militante do PCdoB, foi eleito presidente do diretório acadêmico. Após o AI-5, foi impedido de se matricular em sua faculdade. Em 1969, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde residiu por algum tempo com o casal Dinalva e Antonio Carlos, seus amigos da Bahia, também combatentes e mortos no Araguaia. Rosalindo viajou para a região de Caianos em abril de 1971, dias antes de ser condenado à revelia a dois anos e dois meses de prisão pela Justiça Militar. No Araguaia, integrou-se ao Destacamento C da guerrilha e ficou conhecido como Mundico. Era um artista, fez canções, poemas, peças de teatro. Desenvolveu o hábito de fazer cordéis, sendo de sua autoria um que aborda os 27 pontos da União de Luta pelos Direitos do Povo - ULDP. Esse cordel chegou a ser recitado por moradores da região. Quanto à data de sua morte, existem referências ao dia 16 de agosto e também ao mês de setembro. Ângelo Arroyo comenta em seu relatório: "[...] acontecimentos negativos ocorreram também em setembro: a morte de Mundico, do C, por acidente com a arma que portava...". No entanto, segundo o relatório do Ministério do Exército, de 1993, Rosalindo "teria sido morto no dia 6 Ago 73, em combate com as forças de segurança". O relatório da Marinha marca setembro. Em declaração prestada ao Ministério Público, em São Geraldo do Araguaia, em 19 de julho de 2001, Sinésio Martins Ribeiro, ex-colaborador do Exército na região, conta que, quando ainda estava preso no curral da base de Xambioá, viu a cabeça de Rosalindo. Isto se deu entre agosto e setembro porque as roças ainda não tinham sido queimadas e quem descobriu a sepultura foi o João do Buraco, proprietário do local onde estava enterrado o Mundico. As terras do João do Buraco eram frequentadas pelos guerrilheiros e João do Buraco, ao ser preso pelo Exército, mostrou a sepultura. O Exército não havia travado combates neste local e por isso disse que foram os guerrilheiros que mataram o Mundico. O Exército chegou lá por volta de 4 ou 5 dias após, cavou a sepultura, cortou a cabeça e enterrou novamente o corpo. A cabeça foi levada para a base e mostrada aos presos para reconhecimento. Ela estava meio destruída, o cabelo solto e João do Buraco reconheceu o Mundico. Os documentos estavam com o morto e a cabeça do Mundico ficou exposta uns dois dias perto do barracão do Exército e foi enterrada perto de um pé de jatobá que ficava na base. Nos dois livros mais recentes sobre o episódio histórico do Araguaia, os autores dão guarida à versão que militares participantes da repressão à guerrilha sustentam, taxativamente, de que Mundico teria sido "justiçado" pelos próprios guerrilheiros. Tal informação, entretanto, poderia representar mais uma tentativa de desmoralizar os militantes mortos, como era prática rotineira dos órgãos de segurança. (do livro Habeas Corpus) =============================================================================== + Detalhes. Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos da Bahia O Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos da Bahia foi edificado na praça Tancredo Neves e inaugurado em 9 de julho de 1998, por iniciativa do Grupo Labor - Assessoria, Documentação e Pesquisa. O monumento presta homenagem àqueles que foram submetidos aos horrores da Ditadura Militar, instalada no Brasil, em 1964. Traz uma figura humana vazada, dando o sentido de ausência. A arte é dos conquistenses Romeu Ferreira e Ana Palmira Cassimiro. Os nomes dos baianos, vítimas fatais do Regime Militar, são os seguintes: Antonio Carlos Monteiro Teixeira Aderval Alves Coqueiro Carlos Marighela Demerval da Silva Pereira Dinaelza Soares Santana Coqueiro Dinalva Oliveira Teixeira Ednaldo Gomes da Silva José Lima Piauhy Dourado João Carlos Cavalcante Reis José Campos Barreto Joel Vasconcelos Santos Jorge Leal Gonçalves Pereira Luis Antonio Santa Bárbara Mário Alves de Sousa Vieira Maurício Grabois Nelson Lima Piauhy Dourado Nilda Carvalho Cunha Péricles Gusmão Régis Pedro Domiense de Oliveira Otoniel Campos Barreto Rosalindo Souza Sérgio Landulfo Furtado Stuart Edgard Angel Jones Uirassú de Assis Batista Vandick Reidner Pereira Coqueiro Vitorino Alves Martinho Walter Ribeiro Novaes ============================================================================================================== Dados pessoais. Rosalindo Souza Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Rosalindo Souza Cidade: (onde nasceu) Caldeirão Grande Estado: (onde nasceu) BA País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 2/1/1940 Atividade: Advogado Universidade Faculdade Cândido Mendes Universidade Federal da Bahia UFBA Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 16/8/1973 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério do Exército Clandestinidade -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110720/dad39ae8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4513 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110720/dad39ae8/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jul 20 20:15:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 20 Jul 2011 20:15:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Muita_terra_nas_m=E3os_de_poucos?= Message-ID: <934E0B20ED0A4EA1BFE582842F63D867@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Muita terra nas mãos de poucos Escrito por Cláudio Marques Terça, 19 de Julho de 2011 (correio da cidadania) Com 850 milhões de hectares, o Brasil é o 5° maior país do planeta e o maior da América do Sul, mas grande parte desse imenso território está concentrada nas mãos dos grandes proprietários rurais - os "aristocratas modernos". Dos 850 milhões de hectares, 120 milhões estão improdutivos, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Esse grave problema, pouco discutido na última campanha eleitoral, persiste há séculos. Combinada com a monocultura para exportação e a escravidão, a forma de ocupação das terras brasileiras pelos portugueses estabeleceu as raízes da desigualdade social que atinge o país até os dias de hoje. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1% da população detém 50% das terras brasileiras. A reforma agrária, a principal forma de modificar a distribuição desigual de terras, avança a passos lentos no Brasil. Durante os dois governos de Fernando Henrique, cerca de 300 mil famílias foram assentadas; nos dois governos de Lula, que também priorizou o agronegócio exportador em detrimento da reforma agrária, foram assentadas 520 mil, até o início de 2009. O crescimento acelerado do agronegócio brasileiro e seus (supostos) resultados econômicos têm contribuído para esta lentidão no processo de distribuição de terras. Hoje, o agronegócio é responsável por cerca de um quarto do PIB e tem grande participação nos seguidos superávits da balança comercial. Esta produção a todo vapor, entretanto, tem trazido conseqüências drásticas à população e ao meio ambiente. Um relatório divulgado pela ONG Greenpeace Internacional aponta que, além de devastar a floresta, o avanço na produção de soja impulsiona a exploração da mão-de-obra escrava: moradores pobres de áreas rurais e da periferia das cidades são levados para áreas remotas para trabalhar como escravos em áreas de desmatamento ilegal. Segundo a organização ambientalista, "as vilãs da indústria da soja brasileira" são três multinacionais norte-americanas do setor do agronegócio: a Cargill, a Bunge e a Archer Daniels Midland (ADM). As empresas oferecem facilidades aos produtores, como crédito e mercado garantido, "dando incentivos e recursos para que eles comprem e desmatem grandes extensões de terra a fim de que a produção de soja seja lucrativa". Os povos indígenas e comunidades locais e tradicionais, que vivem e dependem das florestas, também são dramaticamente violentados e ameaçados, sendo expulsos de suas terras. Por sua vez, a modernização da produção no campo acabou provocando um forte êxodo rural - com os lavradores migrando do campo e engrossando as populações urbanas. Sem infra-estrutura para tanta gente, a população urbana sofre também com a degradação da qualidade de vida e as desigualdades sociais se acentuam. Diante dessa realidade, a reforma agrária se tornou uma questão-chave da problemática rural, urbana e ambiental. Uma reforma, porém, é um desafio e tanto, pois afeta o modelo econômico brasileiro, que tem como pilar a exportação de produtos agrícolas - todos cultivados em grandes propriedades monocultoras - baseado na mecanização intensiva e nos agrotóxicos (o Brasil se transformou na safra de 2008/2009 no maior consumidor mundial de agrotóxicos). Os principais defensores da manutenção deste modelo predatório fazem parte da União Democrática Ruralista (UDR), uma entidade composta por "aristocratas modernos", cuja finalidade é pressionar o Congresso Nacional e impedir a sanção de leis a favor da reforma agrária. Desde a década de 80, eles lutam contra todos aqueles que defendem o uso social da terra, ao mesmo tempo em que fincam seus interesses no Congresso com a bancada ruralista, composta por 95 parlamentares, além de senadores, principalmente do partido do DEM, antigo PFL, antigo PDS, antiga ARENA, partido mantenedor da ditadura de 1964. Foi a pressão da bancada ruralista, por exemplo, a responsável pelo atraso na votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, apelidada de "PEC do Trabalho Escravo", que prevê o confisco de terras onde esse crime seja encontrado, destinando-as à reforma agrária. Em contrapartida, há o mais antigo movimento já existente no Brasil, chamado Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que, ao contrário do que dizem os setores conservadores, luta pela reforma agrária como "uma forma de melhorar a vida não só dos camponeses como de todos aqueles que vivem nas cidades, com a redução do inchaço urbano e, principalmente, com a produção de alimentos sadios e acessíveis aos trabalhadores". O MST se utiliza de ocupações, e não de invasões, para que o artigo 5° da Constituição atual, que determina que a propriedade deve atender a sua função social, seja cumprido. Cerca 80% das desapropriações foram realizadas graças às ocupações, nos últimos 10 anos. Sem elas, não há reforma agrária. O movimento recebe apoio de vários intelectuais, pensadores, escritores, artistas e cantores nacionais e internacionais. Entre eles, Eduardo Galeano, Noam Chomsky, Fernando Moraes, Beth Carvalho, Chico César e Leonardo Boff. Entretanto, o MST é atacado por setores conservadores e patrimonialistas da sociedade brasileira, que utilizam vários instrumentos para combatê-lo e todos aqueles que lutam pela reforma agrária. Os partidos DEM e o PSDB, recentemente, instalaram uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) a fim de investigar, segundo eles, se havia desvio de dinheiro público para a ocupação de terras no Brasil. No total, foram realizadas treze audiências públicas em oito meses. Ao final, concluíram que não há desvio de recursos públicos. Segundo o relator da CPMI, deputado federal Jilmar Tatto (PT/SP), o DEM e o PSDB, na verdade, estavam com uma política de criminalizar o movimento social no Brasil. "Eles praticamente não apareceram nas reuniões." A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), por exemplo, não participou de nenhuma sessão, embora tenha sido a maior defensora da sua instalação, segundo o MST. Esta política de opressão contra os movimentos sociais não é recente. De acordo com os historiadores, há cinco séculos estão sendo travadas lutas e resistências populares no país. "As lutas contra a exploração e, por conseguinte, contra o cativeiro da terra, contra a expropriação, contra a expulsão e contra a exclusão, marcam a história dos trabalhadores". O seringueiro Chico Mendes, por exemplo, foi morto, covardemente, em 1988, por defender a luta pela preservação da Amazônia. Em 1996, aconteceu outro crime bárbaro: a polícia militar confrontou 1,5 mil manifestantes sem-terra, em Eldorado de Carajás, no Pará, e 19 trabalhadores rurais foram assassinados, enquanto realizavam uma marcha pacífica - crime que permanece impune até hoje. Indígenas e quilombolas também testemunham a violência diariamente em suas comunidades pelas mãos de empresas que destroem o meio ambiente de forma acelerada. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram assassinados 1.469 trabalhadores rurais entre 1985 e 2009. Apenas 85 casos foram julgados e somente 19 mandantes receberam condenações. Os setores conservadores, que controlam o Brasil, ainda "não perceberam" que para se tornar um país desenvolvido é fundamental que haja a redistribuição de terras. No Japão, por exemplo, havia grande concentração de terras e uma economia arruinada, e a reforma agrária, na década de 50, foi considerada necessária para impulsionar a economia e reconstruir o país. Com a distribuição de terras, quatro milhões de famílias entraram para economia de mercado e o Japão deu seu primeiro impulso para a escalada rumo à posição de grande potência. A necessidade da reforma agrária está diretamente ligada ao direito à posse de terra pelas populações do campo, para mantê-las produzindo em seu local de origem, e à necessidade de produzir alimentos para o conjunto da sociedade, itens que definem a função social da terra. Vale ressaltar que, daquilo que vai para a mesa dos brasileiros, 70% é produzido pelos pequenos agricultores. Só 30% vêm das grandes propriedades. Diversas razões fazem da reforma agrária uma prioridade nacional: a concentração da propriedade da terra, o êxodo rural, o crescimento sem controle da população urbana, o aumento do desemprego e o confronto muitas vezes violento entre os sem-terra, os proprietários rurais e as forças policiais. O fim das mortes, ameaças e agressões contra trabalhadores sem-terra depende, inevitavelmente, da realização da reforma agrária. Contudo, a perspectiva de uma reforma agrária, no Brasil, não é das melhores. Os setores conservadores, que dominam o país, enxergam a agricultura apenas como um espaço para a obtenção de lucros fáceis e rápidos, às custas da pobreza da população, da depredação ambiental e do atendimento dos interesses e das demandas do mercado externo. Triste sina dos brasileiros! Cláudio Marques é estudante de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110720/f4e272b0/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 21 20:30:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 21 Jul 2011 20:30:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__MARIA_REGINA_MARCONDES_PINTO__________?= =?iso-8859-1?q?______________________________-CXCVIII-?= Message-ID: <8288A89D1DB241C89725D80EB389990A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MARIA REGINA MARCONDES PINTO Nasceu em Cruzeiro, São Paulo, em 17 de julho de 1946, filha de Benedito Rodrigues Pinto e Iracy Ivette Marcondes Pinto. Desaparecida desde 1976, aos 29 anos de idade. No Relatório do Ministério da Marinha consta que Maria Regina "desapareceu após ser seqüestrada... (DOU n° 60 de 28/03/81 - DOU/SP)". Já o Relatório do Exército, é mais preciso e afirma: "em 08 de abril de 1976, foi presa na Argentina." Em fins de 1969 ou início de 1970 saiu do Brasil, com documentação legal e foi para Paris, onde já se encontrava o seu companheiro Emir Sader, professor da Faculdade de Ciências Sociais da USP, que tivera problemas com a Justiça Militar no Brasil. Em Paris permaneceu por cerca de seis meses, indo ambos para Santiago, no Chile, onde ligou-se ao Movimiento de Isquierda Revolucionario (MIR). Durante o tempo que residiu e estudou em Santiago, veio 3 ou 4 vezes a São Paulo para visitar os familiares. Após a queda do Presidente Salvador Allende esteve presa no Estádio Nacional. Conseguindo sair, veio para o Brasil, onde permaneceu cerca de seis meses. Foi para Buenos Aires, onde passou a residir em companhia de Emir e estudar. Em 10 de abril de 1976, em Buenos Aires, Maria Regina foi encontrar-se com Edgardo Enriquez, médico, filho do ministro da Educação do Governo Allende (já deposto) e ligado ao MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionário). Nunca mais foram vistos. De Edgardo, chegou, tempos depois, a notícia de que um preso político chileno ouvira sua voz num presídio do Chile, gritando: "Sou Edgardo Enriquez e eles vão me matar". Houve comentários de que foi presa e teria sido vista num presídio de mulheres. Seu companheiro havia saído dias antes para Paris. Foi noticiado por jornais europeus que Regina fora presa pelo governo argentino, sendo posteriormente entregue à polícia chilena. Em maio de 1976, o Comitê Francês de Apoio à Luta do Povo Argentino denunciou que a Junta Militar argentina havia detido Edgardo e Maria Regina e encaminhado ambos às autoridades chilenas do governo de Pinochet. Mais tarde chegou outra informação que dava conta que Maria Regina fora levada, já sofrendo perturbações de ordem psiquiátrica, da Argentina para Santiago, por uma pessoa de nome Eduardo Allende. Ainda outra informação que chegou, posteriormente confirmada por outras fontes, dizia que Maria Regina estaria internada em uma clínica psiquiátrica de Santiago, situada em um prédio de três pavimentos na Calle Victorya, n° 293, mas aí também não foi encontrada. ================================================================================================== + Informações. Regina Marcondes El 10 de abril de 1976 al atardecer Edgardo ENRIQUEZ ESPINOZA, tercer hombre del MIR en importancia y hermano del fallecido Secretario General, fue detenido al salir de una reunión de la Junta Coordinadora Revolucionaria, en Buenos Aires. Conjuntamente fueron detenidos por la Policía Federal argentina, en colaboración directa con agentes del Departamento Exterior de la DINA, la joven brasileña Regina Marcondes, también desaparecida y varios otros chilenos del MIR. Edgardo Enríquez fue trasladado a los campos de concentración argentinos El Olimpo, Campo de mayo y a la Escuela Mecánica de la Armada (ESMA) ubicados en las cercanías de Buenos Aires. Aunque las autoridades chilenas han negado terminantemente la detención de Edgardo Enríquez, la Comisión ha llegado a la convicción, basada en testimonios fidedignos y serios, de que el dirigente, que gozaba de la protección del Acnur fue trasladado desde los recintos de detención argentinos a Villa Grimaldi en Santiago. Para corroborar esta convicción, cabe destacar uno de los informes confidenciales de la DINA a su servicio exterior con sede en Buenos Aires - que la Comisión pudo examinar - el que señala que en fecha 23 de diciembre de 1975, o sea cuatro meses antes de su captura, la DINA ya tiene tendido el cerco alrededor del alto dirigente del MIR y de varios de sus colaboradores y ordena a sus agentes en el extranjero "su traslado a Chile, después de capturarlos". Otro testimonio dio fe ante esta Comisión de que efectivamente existió un télex que daba la misión por cumplida. La Comisión está convencida de que su desaparición fue obra de agentes del Estado, quienes violaron así sus derechos humanos. (Informe Rettig) [ Desaparecidos ] Memoria Viva -------------------------------------------------------------------------------- Archivo digital de las Violaciones de los Derechos Humanos de la Dictadura Militar en Chile (1973-1990) ====================================================================================================== + Informações. Maria Regina Marcondes Pinto Nasceu em Cruzeiro, São Paulo, em 17 de julho de 1946, filha de Benedito Rodrigues Pinto e Iracy Ivette Marcondes Pinto. Desaparecida desde 1976, aos 29 anos de idade. No Relatório do Ministério da Marinha consta que Maria Regina "desapareceu após ser seqüestrada... (DOU n° 60 de 28/03/81 - DOU/SP)". Já o Relatório do Exército, é mais preciso e afirma: "em 08 de abril de 1976, foi presa na Argentina." Em fins de 1969 ou início de 1970 saiu do Brasil, com documentação legal e foi para Paris, onde já se encontrava o seu companheiro Emir Sader, professor da Faculdade de Ciências Sociais da USP, que tivera problemas com a Justiça Militar no Brasil. ============================================================================================================ + Detalhes. [PDF] MARCONDES PINTO, Maria Regina www.archivochile.com/Memorial/caidos_mir/.../marcondes_pinto_maria.pd... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida CEME - Centro de Estudios Miguel Enríquez - Archivo Chile. Sida 1. MARCONDES PINTO, Maria Regina. NOMBRE COMPLETO: Maria Regina Marcondes Pinto ... [PDF] Colóquio Internacional Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul ... www.coloquioconesul.ufsc.br/luiz_fernando_f_ramos.pdf Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Outra brasileira Maria Regina Marcondes Pinto, era militante do Partido Operário . Comunista (POC) deixou o Brasil entre 1969 e 1970, indo para Paris, ... [PDF] NILSON CEZAR MARIANO MONTONEROS NO BRASIL Terrorismo de Estado no ... tede.pucrs.br/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=308 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML Maria Regina Marcondes Pinto: nascida em São Paulo, tinha 29 anos, trabalhava como professora de português. Desapareceu quando estava com o chileno Edgardo ... [PDF] BRASIL Y LA OPERACIÓN CONDOR - [ Traduzir esta página ] www.dhnet.org.br/direitos/militantes/.../jair_krischke_operacion_condor.pd...Similares Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida CONADEP nº3008), Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa (08/04/76 - CO-. NADEP nº3089), Jorge Alberto Basso (15/04/76 - CONADEP nº1956), Walter Ken- ... =========================================================================================== + Informações. Breve biografia de Emir Sader por Carlos Eduardo Martins Emir Sader nasceu em 1943, em São Paulo, segundo filho do imigrante libanês, Nahul Sader, e da professora de piano Ercilia Simão, pais também de Eder Sader e Eliana Sader. Emir estudou no Grupo Escolar Floriano Peixoto, engajou-se no movimento estudantil e a partir de então passou a sofrer forte influência do tio Aziz Simão - que se tornará professor de sociologia da USP após a cegueira interrompe-lhe a carreira de farmácia -, para quem lia junto com seu irmão Eder os clássicos da sociologia. Através de Aziz, Emir entrou em contato com grandes intelectuais do pensamento crítico paulista como Antonio Cândido, Florestan Fernandes e Paulo Emílio Salles Gomes. Seu engajamento político o levou a formar, com Eder, a Política Operária (POLOP) que reuniu um grupo dirigente cujos integrantes se destacariam mais tarde como importantes referências intelectuais da esquerda latino-americana e mundial, como Ruy Mauro Marini, Michael Löwy, Theotonio dos Santos, Vânia Bambirra, Moniz Bandeira e Paul Singer, entre outros. Ingressou em 1962 no curso de filosofia da USP, onde graduou-se em 1965. Mestre em filosofia política, em 1968 defendeu a dissertação Estado e Política em Marx, frente à banca examinadora composta por Ruy Fausto, Bento Prado Jr. e Jose Arthur Gianotti. Perseguido politicamente pela ditadura, Emir passou a clandestinidade em 1970 e ao exílio no Chile, sendo condenado pelo regime militar, à revelia, a dois anos de prisão. No Chile tornou-se professor assistente da Faculdade de Economia da Universidade do Chile e vinculou-se como pesquisador ao Centro de Estudos Sócio-econômicos (CESO) que reunirá parte do pensamento crítico mundial em seminários e conferências de grande impacto e notoriedade. Esta experiência foi destruída em 1973, pelo golpe militar chileno, quando então passou ao segundo exílio em Buenos Aires - onde sua segunda companheira, Maria Regina Marcondes Pinto, é assassinada e desaparecida pela Operação Condor durante a ditadura de militar dirigida por Jorge Rafael Videla -, seguido de períodos em Paris, Roma e finalmente Havana. Retornou ao Brasil em 1983, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e defendeu sua tese de doutorado em 1987, A crise hegemônica e sua ideologia: teorias do Estado brasileiro durante o regime militar, orientada por Francisco Weffort. Tornou-se por concurso professor do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (UERJ) em 1987-88, do Departamento de Sociologia (USP), entre 1988-97, e do Departamento de Políticas Sociais da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1993-2009. Pesquisador do FLACSO (1986-88), coordenador do Programa de Estudos da América Latina e o Caribe do Centro de Ciências Sociais da UERJ (1996-1999), Emir Sader foi eleito Presidente da Associação Latino-americana de Sociologia (ALAS) entre 1997-99. Atualmente é Secretário-Executivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO), por dois mandatos consecutivos, 2006-09 e 2009-2012, coordena o Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, desde 2000, e leciona no Departamento de História da UERJ desde 2009. É autor de uma vasta obra bibliográfica, composta por 96 livros (entre autoria, co-autoria e organização), 154 publicações como capítulos de livros, 243 em periódicos e 736 em jornais de notícias e revistas. Foi ainda o organizador (com Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile), autor e principal idealizador da Latinoamericana: Enciclopédia Contemporânea de América Latina e do Caribe, vencedora do prêmio Jabuti de melhor livro do ano de não-ficção em 2007. Entre seus livros mais recentes estão A nova toupeira - Os caminhos da esquerda latino-americana - traduzido e publicado na Argentina, na Espanha e na Inglaterra -, de sua autoria, e O Brasil, entre o passado e o futuro - este organizado em parceria com Marco Aurélio Garcia -, ambos publicados pela Boitempo Editorial. Baixe para ler! Breve biografia por Carlos Eduardo Martins ================================================================================================ + Detalhes. Livro aproxima sociólogo de pistas sobre o fim de sua mulher 25 de abril de 2009 | 23h 59 Emir Sader* - O Estado de S.Paulo Eu estava viajando quando soube que minha mulher, Maria Regina Marcondes Pinto, havia sido sequestrada pelas forças repressivas da ditadura militar argentina, com o dirigente político chileno Edgardo Enriquez, no dia 10 de abril de 1976, pouco tempo depois do golpe dirigido pelo general Videla - hoje em prisão domiciliar. A partir daquele momento, participei das múltiplas tentativas de localizá-los, com todas as dificuldades que os familiares de desaparecidos enfrentam. De negar que tivessem sido presos - primeira atitude na grande maioria dos casos, postura exportada pela ditadura brasileira para os regimes de terror congêneres na região -, passando por pistas falsas (teriam sido vistos em um campo de concentração no Chile, ou Maria Regina estaria internada em uma clínica psiquiátrica no centro de Santiago, que não existia), até situações como a do jovem militar argentino que veio ao Brasil vender informações sobre brasileiros desaparecidos em seu país. Este foi entrevistado por Maurício Dias para IstoÉ. Disse que todos tinham sido jogados no mar, nos "voos da morte", em que presos eram embarcados sedados, dizendo-se que iam ser transferidos para outro presídio, mas, na presença de um capelão das Forças Armadas, eram jogados no mar. Nada se confirmou. Recentemente, me ligaram em Buenos Aires pedindo dados físicos sobre ela, para verificar se algum dos novos corpos encontrados corresponderia ao dela. Rumores sobre a morte de Edgardo - pouco verossímeis, na minha opinião - também surgiram no Chile, porém não incluíam nenhuma referência a Maria Regina, que, ao que tudo indica, foi presa com ele. Fui convocado a depor por Baltasar Garzón (juiz espanhol que determinou a prisão de Augusto Pinochet em 1998), em Madri, no marco de suas investigações sobre a Operação Condor. Maria Regina é uma das 25 mil pessoas assassinadas pela ditadura militar argentina, várias ainda desaparecidas. Seu nome consta no mausoléu construído em frente a um dos mais terríveis locais de tortura, a Esma, Escola de Mecânica da Marinha argentina - hoje entregue pelo governo dos Kirchners a entidades de direitos humanos. *Sociólogo, professor da USP e autor de América Latina e a Globalização e A Nova Toupeira (ambos pela Boitempo, em 2009) ====================================================================================================== + Detalhes. Novo Dossiê traz informações sobre desaparecidos publicada sexta-feira, 24/04/2009 às 16:12 e atualizada quarta-feira, 02/06/2010 às 16:02 (O ESCRIVINHADOR)Blog do Rodrigo Vianna "Operação Condor" não é só o nome pomposo para uma articulação que reunia as ditaduras militares da América Latina durante os anos 70. Não. Esta foi uma Operação de verdade, que deixou vítimas de verdade - com nome, história, família. Vítimas que - em muitos casos - até hoje não ganharam o direito de repousar em paz. Dezenas de pessoas mortas pelos serviços de segurança continuam na lista dos "desaparecidos": os corpos nunca foram localizados ou entregues aos parentes. O "DossiêDitadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)" lança alguma luz, e oferece pistas para que as famílias sigam procurando seus desaparecidos. Mais: oferece base de dados para que - no Brasil - a sociedade pressione o Estado, e exija informações detalhadas sobre aqueles que morreram. O livro - lançado neste fim-de-semana em São Paulo - foi organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.nova edição, revista e ampliada, de um Dossiê já publicado em 1996. Trata-se da Em relação ao relatório da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do governo federal, publicado em 2007, novas pesquisas permitiram acrescentar 22 nomes à lista dos mortos e desaparecidos no Brasil. Além disso, foram acrescentados mais sete casos, de brasileiros ou filhos de brasileiros, que morreram ou desapareceram na Argentina e no Uruguai, entre eles o ex-presidente João Goulart, deixando evidentes algumas conexões entre fatos ocorridos na Argentina e no Brasil. Dessa forma, o total de mortos e desaparecidos chega agora a 426 casos Um dos casos ocorridos na Argentina é o de Maria Regina Marcondes Pinto. Brasileira, militante de esquerda, no Chile ligou-se ao MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionario). Em 1976, ela encontrava-se em Buenos Aires, onde desapareceu. Na época, Maria Regina mantinha-se próxima politicamente de Edgardo Enriquez, médico chileno e militante do MIR. Durante anos, acreditou-se que Maria Regina e Enriquez havam sido presos na Argentina, e enviados para as mãos da DINA (polícia politica de Pinochet). Presumia-se que os dois tivessem morrido no Chile. Pois bem: em 2005, investigações realizadas na Argentina trouxeram uma reviravolta completa. Enriquez foi identificado como o homem morto num tiroteio em Buenos Aires, no dia 10 de abril de 76. Ele havia sido enterrado como "não-identificado" no cemitério da Chacarita, na capital argentina e, alguns anos depois, os restos mortais foram transportados para o ossário do cemitério. Portanto, há esperanças de que o corpo de Maria Regina esteja também em Buenos Aires. Se algum parente ceder sangue será possível realizar exames genéticos para tentar localizar os restos mortais da brasileira. O relatório também traz detalhes sobre desaparecimentos ocorridos, em 1973, no Brasil e na Argentina. Os casos, aparentemente, têm conexão! Os brasileiros João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira - militantes de esquerda exilados em Buenos Aires - foram seqüestrados no dia 5 de dezembro em 1973. O Dossiê traz o relato da mulher de Cerveira: Cerveira e João haviam se encontrado no dia 5 de dezembro, quando realmente foram vistos juntos por pessoas conhecidas, em torno das 18h, em Migraciones, zona do Retiro, tratando do visto de permanência. Foi a última vez que foram vistos em Buenos Aires. Cerveira, por motivos de segurança, usava identidade fictícia em nome de Walter de Sousa ou Moura Duarte, mesmo porque, quando foram desterrados, não receberam seus documentos. Rossi, um homem que se encontrava presente na casa em que Cerveira se hospedava, confirmou-me, pessoalmente, os fatos descritos no processo de habeas corpus. Às 3 horas da madrugado do dia 6 de dezembro de 1973, 6 policiais argentinos dizendo-se da Polícia Federal, realizaram uma busca na residência de Cerveira a procura, segundo disseram, de armas e documentos comprometedores, como nada encontrassem, retiraram-se negando qualquer explicação. Nesse mesmo dia, por volta de 11 horas, o mesmo grupo voltou aquele local, desta vez acompanhados de outro homem, o qual dizia que ali se refugiara um exilado brasileiro que estava sendo requerido pelas autoridade do seu país natal, mostrando-lhes uma foto de Cerveira; o novo componente do grupo e que parecia chefiá-los não havia dúvida, era brasileiro, e notava-se uma cicatriz num dos lados da testa [identificado mais tarde pelos familiares como o delegado Sérgio Paranhos Fleury]. Após nova revista na casa, interrogaram e ameaçaram a família dos residentes e retiraram-se, não sem antes dar a entender que o brasileiro já estava preso. De acordo com o Dossiê, há indícios de que o desaparecimento de Cerveira e João Batista era parte de uma operação maior, na qual foram seqüestrados, em 21 de novembro de 1973, 4 militantes de esquerda no Rio de Janeiro. São eles: Caiupy Alves de Castro (brasileiro, que mantinha contatos com Cerveira desde 1971 no Chile), Jean Henri Raya Ribard, Antonio Luciano PregoniAntonio Graciani (esses três vindos da Argentina alguns dias antes, para reuniões no Brasil). e Há algumas pistas sobre Jean Henri Ribard (nascido na França, vivia na Argentina): ele chegou ao Rio de Janeiro em novembro de 1973 e hospedou-se em um hotel na avenida Atlântica, nº 3.150, ficando no apartamento 204, de onde escreveu a amigos de Buenos Aires. Henri e os outros 2 militantes argentinos desapareceram no mesmo dia em que o brasileiro Caiupy também sumiu no Rio de Janeiro. Caiupy foi visto pela última vez, pela mulher, quando desceu de um ônibus em Copacabana, perto do hotel em que se hospedava Jean Ribard. Caiupy confidenciou à esposa que teria um encontro com um amigo. Nunca mais foi visto. Nada foi noticiado pela imprensa da época, e permanece uma incógnita o que ocorreu. Mas agora, ao menos, sabe-se que o seqüestro dos dois brasileiros em Buenos Aires pode ter ligação direta com o desaparecimento dos 4 militantes no Rio. Uma pista sobre qualquer um deles pode ajudar a encontrar todos os outros. Encontrar pistas, no entanto, não é tarefa fácil. O Dossiê revela "a intenção deliberada da cúpula das Forças Armadas de eliminar aqueles considerados "irrecuperáveis", de forma velada, sem chamar a atenção da sociedade." E cita reportagem da revista Istoé, de 2004, que "tornou públicas partes da ata da reunião que ocorreu entre os generais Ernesto e Orlando Geisel, Milton Tavares, Antônio Bandeira e o presidente da República, Emílio G. Médici. Em maio de 1973, eles redefiniram as diretrizes da repressão política, cujo principal objetivo era "[...] a utilização de todos os meios para eliminar, sem deixar vestígios, as guerrilhas rurais e urbanas, de qualquer jeito, a qualquer preço". O "Dossiê Ditadura" (1964-1985) é uma ferramenta para as famílias, e um documento importante para todos os brasileiros que se interessam em saber mais sobre esse período. Trata-se de documento oportuno para rechaçar afirmações infames, como a da "Folha de S. Paulo", jornal que em editorial recente classificou a ditadura brasileira de "ditabranda". O prefácio do livro, aliás, é de Fabio Konder Comparato. Brilhante jurista, humanista e combatente na luta contra as injustiças, Comparato é aquele a quem Otavinho Frias chamou de "democrata de fachada". Comparato teve a petulância - vejam só -de criticar o editorial da "Folha" que definiu o regime assassino de 64 como uma "diatabranda". Viva Comparato! Parabéns aos responsáveis por esse trabalho importantíssimo de memória, em especial à historiadora Janaina de Almeida Teles e ao editor Flamarión Maués. ========================================================================================================= + Detalhes. Brasil se omite sobre desaparecidos na ditadura argentina Da Redação Mães na Praça de Maio. O governo autoritário deixou marcas na Argentina mesmo após a ditadura. O Brasil evita tornar-se parte em ações na Justiça argentina que investigam o desaparecimento de brasileiros no país durante sua última ditadura militar (1976-83). Desde 2007 o Brasil reconheceu que pelo menos seis brasileiros desapareceram na ditadura argentina e poderia participar de pelo menos três ações em andamento que estão relacionadas ao desaparecimento de brasileiros. Além de cobrar por Justiça, poderia contribuir com informações e documentos para ajudar a esclarecer os casos. Os dados estão no "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos", organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. O governo adota o balanço como oficial. Os desaparecidos são: Francisco Tenório Cerqueira Júnior (1976), Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa (1976), Sidney Fix Marques dos Santos (1976), Walter Kenneth Nelson Fleury (1976), Roberto Rascardo Rodrigues (1977) e Luiz Renato do Lago Faria (1980). Desde 2005, a Argentina já processou mais de 820 pessoas por crimes ocorridos no período, resultando em mais de 200 condenações. Diferente do Brasil, países como Chile, Espanha e França já se tornaram parte em ações que investigam o desaparecimento de cidadãos durante o terrorismo de Estado argentino. Anistia Em 2010, o Supremo Tribunal Federal declarou que a Lei de Anistia, de 1979, é válida também para ex-agentes da ditadura acusados de torturas e desaparecimentos. Além de se recusar a participar das ações no país vizinho, o Brasil dificulta o acesso a informações pedidas por promotores argentinos. Integrantes do Ministério Público relataram dificuldades para obter papéis no Brasil. Em junho, o promotor argentino Miguel Osorio, responsável pela investigação da Operação Condor, enviou ao Brasil pedido de informações sobre a aliança das ditaduras do Cone Sul. Não recebeu resposta até o momento. Tags: Argentina, Brasil, crimes políticos, desaparecidos políticos, ditadura argentina, Ditadura Militar, Justiça, mortos e desaparecidos, omissão, Tortura ==================================================================================================== + Informaçoes. Maria Regina Marcondes Pinto Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Maria Regina Marcondes Pinto Cidade: (onde nasceu) Cruzeiro Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 17/7/1946 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Movimento Izquierda Revolucionario MIR Chile Prisão: 8/4/1976 Argentina Segundo Relatório do Ministério do Exército. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 10/4/1976 Buenos Aires Argentina Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Foto do rosto de Maria Regina Marcondes Pinto. Foto Foto de rosto. Termo de declarações Termo de depoimento à Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, de 14/11/90, de Iraci Ivete Marcondes Pinto, mãe de Maria Regina Marcondes Pinto. Conta que sua filha fora presa na Argentina em 1976, e desde então desapareceu. No início dos anos oitenta, um policial argentino deu entrevista no Brasil, dizendo que Maria Regina havia sido torturada, assassinada e jogada no mar. Há, ainda, outra versão de que ela se encontraria em um hospital chileno, fazendo sonoterapia. Ofício Informação oficial do Alto Comissariado das Nações Unidas no Itamarati, dizendo que em 11/76, Maria Regina Marcondes Pinto teria sido localizada internada em um hospital chileno, fazendo tratamento de sonoterapia, e encontra-se atualmente sob os cuidados da família de Eduardo Allende. Depoimento Depoimento sobre Maria Regina Marcondes Pinto. Conta que em fins de 1969 mudou-se para Paris, acompanhando seu companheiro que estava com problemas políticos, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Emir Sader. Após seis meses, mudaram-se para o Chile, vindo sempre visitar os familiares no Brasil, e depois mudou-se para a Argentina. Lá foi presa, e desde então desapareceu. A última informação foi de que estaria internada numa clínica psiquiátrica chilena. Carta Carta da mãe de Maria Regina Marcondes Pinto, de 20/04/92. Traz alguns dados pessoais de Maria Regina e conta que em fins de 1969 ela mudou-se para Paris, acompanhando seu companheiro que estava com problemas políticos, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Emir Sader. Após seis meses, mudaram-se para o Chile, e depois para a Argentina, onde Regina desapareceu. Carta Documento escrito por Eliana Sader Souza à Comissão 261/90 de São Paulo, SP, em 20/04/92. Informa alguns dados físicos de Maria Regina Marcondes Pinto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110721/6c7c41cf/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10687 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110721/6c7c41cf/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 920 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110721/6c7c41cf/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23638 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110721/6c7c41cf/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 37650 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110721/6c7c41cf/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 21 20:30:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 21 Jul 2011 20:30:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convoca=E7=E3o_para_audi=EAncia_e?= =?iso-8859-1?q?m_que_o_ex-comandante_do_DOI-Codi_paulista=2C_Carlo?= =?iso-8859-1?q?s_Alberto_Brilhante_Ustra=2C_ser=E1_confrontado_com?= =?iso-8859-1?q?_as_testemunhas_da_morte_do_jornalista_Luiz_Eduardo?= =?iso-8859-1?q?_Merlino?= Message-ID: <049B959C10C04E339D39D0E1C244C37A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Os companheiros que moram em São Paulo tem um dever a cumprir na 4ª feira (27) da semana que vem: o Coletivo Merlino e o Grupo Tortura Nunca Mais/SP pedem comparecimento em peso à audiência marcada para as 14h30, no Fórum João Mendes (pça. João Mendes, centro velho de SP). Na ocasião, o ex-comandante do DOI-Codi paulista, Carlos Alberto Brilhante Ustra, será confrontado com as testemunhas da morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, um dos aproximadamente 40 resistentes assassinados naquele centro de torturas da rua Tutóia, durante os anos de chumbo. Trata-se do segundo processo movido pela família de Merlino contra Ustra. O anterior foi arquivado em 2008 graças a um subterfúgio legal, conforme expliquei na época: "...[Ustra] dsprezou a chance que teve de provar sua inocência, alegada desde que a atriz Bete Mendes, em 1985, o identificou como seu torturador. Ao invés de deixar a ação seguir até que o mérito fosse julgado, a defesa conseguiu seu arquivamento sob a alegação de que uma das várias pessoas que acusavam Ustra não comprovara sua legitimidade como parte do processo (dizia ter sido companheira de Merlino, mas não anexara documentos que o provassem). Ou seja, Ustra escapou pela tangente, aproveitando uma brecha jurídica para evitar a sentença que certamente lhe seria desfavorável". A família voltou à carga com uma ação por danos morais acusando Ustra de responsável pela morte sob tortura de Merlino, em julho de 1971, nas dependências do DOI-Codi. E a corte, desta vez, rechaçou as manobras evasivas. Vão depor, no dia 27, testemunhas da tortura e morte de Merlino, como cinco companheiros de militância no Partido Operário Comunista (Otacílio Cecchini, Eleonora Menicucci de Oliveira, Laurindo Junqueira Filho, Leane de Almeida e Ricardo Prata Soares); o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vanucchi; e o historiador e escritor Joel Rufino dos Santos. As testemunhas do torturador, ouvidas por carta precatória, serão José Sarney, Jarbas Passarinho, um coronel e três generais da reserva do Exército brasileiro. O primeiro foi um figurão do partido de pinóquios que negavam a existência das torturas e o segundo, ministro de governos ditatoriais que praticaram a tortura em larga escala e sem limites. Para bom entendedor... Já declarado torturador pela Justiça paulista noutro processo, Brilhante Ustra agora poderá ter oficializada a condição de assassino. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110721/c80af76f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 78846 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110721/c80af76f/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 22 20:04:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 22 Jul 2011 20:04:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_hist=F3ria_de_um_valente=2E_GRE?= =?iso-8859-1?q?G=D3RIO_BEZERRA=2E?= Message-ID: <6499553A40284FDF99B60DF19C70B191@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CARTA MAIOR - 21/07/2011 A história de um valente Quando aos sete anos ficou órfão de pai e mãe, transformou-se em trabalhador rural assalariado. Condição que só foi interrompida quando, aos dez anos, foi trazido por uma família latifundiária para o Recife com a promessa de criá-lo e alfabetizá-lo, promessa que não foi cumprida. Ao invés da escola prometida, o pequeno "Grilo", como era chamado na infância, tornou-se um escravo mirim: acordava às 4h da manhã, varria, lavava banheiros, encerava pisos e cuidava de animais. Não aceitou este estado de coisas e fugiu. O artigo é de Luciano Morais e Roberto Numeriano. Luciano Morais e Roberto Numeriano A reedição do livro "Memórias", autobiografia de Gregório Bezerra, pela Boitempo Editorial (648 págs., R$ 74,00), comemora um símbolo de resistência e convicção política e ideológica, valores cada vez mais ausentes no meio político brasileiro. No livro, o revolucionário comunista narra toda sua trajetória de vida e militância, momentos vividos durante os principais acontecimentos da vida política e social do Brasil no século XX. Gregório começa a autobiografia "Memórias" narrando a seca e a escassez de alimentos que maltratava constantemente os nordestinos, e que o atingiu duramente em sua infância no município de Panelas, "Fui, assim, uma criança gerada com fome no ventre materno. Sim, porque minha mãe passava fome, e eu só podia nutrir-me de suas entranhas enfraquecidas pela fome". Quando aos sete anos ficou órfão de pai e mãe, transformou-se em trabalhador rural assalariado. Condição que só foi interrompida quando, aos dez anos, foi trazido por uma família latifundiária para o Recife com a promessa de criá-lo e alfabetizá-lo, promessa que não foi cumprida. Ao invés da escola prometida, o pequeno "Grilo", como era chamado na infância, tornou-se um escravo mirim: acordava às 4h da manhã, varria, lavava banheiros, encerava pisos e cuidava de animais. Não aceitou este estado de coisas e fugiu. Morou nas ruas do Recife pegando fretes na Estação Central, vendendo jornais e dormindo embaixo da ponte Buarque de Macedo. Trabalhou na construção civil e aos dezessete anos foi preso e condenado há quatro anos por agitação grevista, já influenciado pelos recentes acontecimentos protagonizados pelo proletariado russo. Os trabalhos no porto do Recife foi sua atividade após a liberdade. E neste período resolveu dedicar-se à carreira militar, entrando no Exercito Brasileiro, onde se destacou nas atividades físicas e na prática de esportes individuais e coletivos. Ao ser humilhado por um colega de farda, ele decide alfabetizar-se. Isso, aos 27 anos. Alfabetizou-se por conta própria, dedicou-se e foi aprovado para Sargento, consagrando-se Sargento-Instrutor em Educação Física. Sua ascensão militar coincide com a aproximação com o Partido Comunista Brasileiro, o PCB, ainda em 1929. Mas foi por causa da organização da Aliança Nacional Libertadora - ANL, onde foi o principal nome do levante de 1935, liderado pelo Partido Comunista, que Gregório Bezerra foi declarado inimigo nº 1 das oligarquias pernambucanas e das forças armadas. Foi preso e ficou incomunicável por dois anos, integrando-se depois aos demais presos políticos da Casa de Detenção do Recife (atual Casa da Cultura). Ali, criou uma sólida e influente base do Partido até sua transferência para o Presídio na ilha de Fernando de Noronha, onde encontrou com vários camaradas insurretos, oriundos do Rio de Janeiro e de outros estados. Com o final da Segunda Guerra Mundial e o início do movimento pela democratização do país, são postos em liberdade todos os presos políticos e concedida a legalidade ao PCB. Neste Período de reformas políticas, o Partido Comunista surge no cenário nacional como uma força significativa, pelo prestígio da URSS ao fim da guerra. Pela adesão de vários intelectuais e artistas ao Partido, pelo reconhecimento da classe operária e pelo carisma e admiração em torno de Luiz Carlos Prestes e Gregório Bezerra. Em seguida, a participação nas eleições à Constituinte de 1946 garante ao PCB uma grande representação parlamentar em nível federal, elegendo 15 deputados. Gregório é eleito Deputado Federal com a maior votação em Pernambuco. A participação de Gregório Bezerra e dos comunistas na Assembléia Nacional Constituinte e no Congresso Nacional durou pouco. Apenas o suficiente para aprovar uma avançada Constituição à época e o necessário para mostrar o quão frágeis eram os conceitos de liberdade e democracia para as oligarquias nacionais, quando os trabalhadores reivindicam seus direitos e questionam a exploração. Cassados os mandatos dos comunistas, Gregório é vítima de uma grande farsa: ainda residindo no Rio de Janeiro, é acusado pelo incêndio criminoso no 15º Regimento de Infantaria na Paraíba. Foi preso e levado à João Pessoa, onde é hostilizado pelos militares influenciados com aquela armação. Após um longo período incomunicável no 15º RI, foi transferido para o Recife e jamais poderia imaginar que os fogos que explodiam por toda a cidade era parte da mobilização do PCB para saldar sua chegada. No dia seguinte, em frente ao quartel da Companhia de Guardas da 7ª Região Militar se concentrou uma verdadeira multidão para visitá-lo. Prevenido pelo comandante responsável por sua guarda que só poderia visitá-lo, os parentes, Gregório disse: Mas todos os que estão aí fora, tenente, são da minha família. Ele retrucou: Impossível, Gregório. Tem gente aí fora de todos os tipos: tem gente bem vestida, branca, mas também tem pretinhos descalços e esfarrapados. Então ele arremata: "Pois bem, mande entrar primeiro os pretinhos esfarrapados, que são os meus parentes mais próximos (...)" O comandante sorriu, e disse: "É por isso que tu estás aqui, Gregório..." Após um longo período de dura clandestinidade organizando sindicatos rurais em Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, ressurge para atuar na articulação da Frente do Recife, elegendo primeiro o udenista Cid Sampaio e depois Miguel Arraes. A atuação mais expressiva do homem feito de ferro e flor é registrada neste período. Gozava de grande prestígio na zona da Mata Sul, reunindo centenas de delegados sindicais filiados ao Partido Comunista. Em 30 de março de 1964, retorna ao Recife para oferecer resistência ao golpe em andamento e solicitar armas para munir os trabalhadores. Encontrou o Palácio do Campo das Princesas ocupado pelos militares. Tal episódio mereceu um comentário posterior: em 1935 tínhamos as armas e não tínhamos os homens, e agora temos os homens e faltam-nos as armas. Foi capturado no dia 2 de abril pelo 20º Batalhão de Caçadores nas proximidades do município de Cortez enquanto tentava desmobilizar os camponeses desarmados. Levado ao Quartel de Moto mecanização de Casa Forte, sob os "cuidados" do sanguinário coronel Villoc que, com golpes de cano de ferro, pontapés na boca, tórax e testículos, e o ódio de anos fora descarregado. "Já estava totalmente ensopado de sangue e com todos os dentes quebrados. Sentaram-me numa cadeira com três homens me segurando por trás enquanto Villoc arrancava meus cabelos com um alicate. Depois, obrigaram-me a pisar numa poça de ácido de bateria. Em pouco tempo, estava com a sola dos pés em carne viva." O espetáculo de horrores promovido pelo sádico Villoc precisava de platéia. Então, saíram às ruas. A sola dos pés estava repleta de pedregulhos encravados, uma corda no pescoço amarrada ao jipe que carregava o verdugo gritando "Linchem este bandido! É um monstro!" E assim percorremos as principais ruas do bairro de Casa Forte sob uma dor alucinante. Foi um desfile doloroso. Ninguém o aplaudiu. Ninguém o atendeu. "Mas eu queria viver." A atitude das pessoas deu forças para resistir física e moralmente. Gregório Bezerra foi salvo pelo clamor do povo. No início de setembro de 1969, o mundo foi surpreendido pela notícia do seqüestro do Embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick. Em troca do Embaixador, os esquerdistas exigiram a libertação de 15 líderes revolucionários. Gregório era o primeiro da lista. Na URSS, ele tentou, com o luxuoso auxílio dos médicos soviéticos, recuperar a saúde debilitada, até poder retornar novamente ao Brasil. Morreu no dia 23 de outubro de 1983, na cidade de São Paulo. Seu corpo foi trazido para Pernambuco e velado na Assembléia Legislativa. O cortejo fúnebre atraiu milhares de militantes e curiosos. No caminho, um trabalhador do serviço de limpeza da Prefeitura do Recife saudou pela última vez o líder comunista de espírito inquebrantável. Paulo Cavalcanti recriou bem o ambiente desta última homenagem a este lutador no livro O Caso eu conto como o caso foi: "Uma toalha vermelha foi hasteada na sacada de um apartamento residencial, e outra faixa reproduzia os versos da música cantada por Elis Regina: choram Marias e Clarices no solo do Brasil" (*) Luciano Morais e Roberto Numeriano são membros da Direção Estadual do PCB - Pernambuco. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110722/d7400a97/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8341 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110722/d7400a97/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 22 20:04:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 22 Jul 2011 20:04:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Memoria_Viva=2E__A_Repress=E3o_M?= =?iso-8859-1?q?ilitar_no_Chile=2E?= Message-ID: <69759D3BE6D3483DBF66B07EC7399DFE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem clique http://www.memoriaviva.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110722/dfd42b66/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110722/dfd42b66/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 22 20:04:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 22 Jul 2011 20:04:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Palestina=3A_a_mais_nova_na=C3=A7?= =?utf-8?b?w6NvLiBBc3NpbmUh?= Message-ID: Avaaz.org - The World in ActionCarta O Berro..........................................................repassem Caros amigos, O povo palestino está reivindicando o reconhecimento da Palestina como Estado. Mais de 120 países já endossaram essa reivindicação, mas os Estados Unidos e Israel se recusam a unir-se a eles e as lideranças de países importantes da Europa estão em cima do muro. Se conseguirmos persuadir a Europa a apoiar essa proposta não-violenta e legítima agora, isso poderá gerar uma drástica mudança rumo à paz. Clique aqui para assinar a petição: Dentro de quatro dias, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá e o mundo terá oportunidade de aceitar uma nova proposta capaz de reverter décadas de fracasso nas negociações para a paz entre Israel e Palestina: o reconhecimento da Palestina como Estado pela ONU. Mais de 120 países do Oriente Médio, África, Ásia e América Latina já endossaram essa iniciativa, mas o governo de direita de Israel e os Estados Unidos opõem-se veementemente a ela. Portugal e outros importantes países europeus ainda estão indecisos, mas uma gigantesca pressão pública agora poderá convencê-los a votar a favor dessa importante oportunidade de dar fim a 40 anos de ocupação militar. As iniciativas de paz lideradas pelos EUA têm fracassado há décadas, enquanto Israel tem confinado o povo palestino a pequenas áreas, confiscando suas terras e impedindo sua independência. Esta nova e corajosa iniciativa poderá ser a melhor oportunidade de impulsionar a solução do conflito, mas a Europa precisa assumir a liderança. Vamos construir um apelo global em massa para que Portugal e outros importantes países europeus endossem imediatamente a proposta de soberania e vamos deixar claro que cidadãos de todos os cantos do mundo apoiam essa proposta legítima, não-violenta e diplomática. Assine a petição e envie esta mensagem a todos os seus contatos: http://www.avaaz.org/po/independence_for_palestine_9/?vl Embora as raízes do conflito entre Israel e Palestina sejam complexas, a maioria das pessoas em todos os lados concordam que o melhor caminho rumo à paz imediata é a criação de dois Estados. Porém, vários processos de paz têm sido arruinados pela violência em ambos os lados, pela ampla construção de assentamentos na Cisjordânia e pelo bloqueio humanitário na Faixa de Gaza. A ocupação israelense diminuiu e fragmentou o território onde se poderia construir um Estado palestino e transformou a vida cotidiana do povo palestino em um suplício atroz. A ONU, o Banco Mundial e o FMI recentemente anunciaram que os palestinos estão prontos para administrar um Estado independente, mas eles dizem que a principal restrição ao sucesso dessa empreitada é a ocupação israelense do território palestino. Até mesmo o presidente norte-americano pediu o fim da expansão dos assentamentos e o retorno às fronteiras de 1967 com trocas de territórios em comum acordo, mas o primeiro-ministro israelense Netanyahu, furioso, recusou-se a cooperar. Chegou a hora de uma drástica mudança, deixando de lado um processo de paz inútil e partindo para um novo caminho de progresso. Enquanto os governos de Israel e Estados Unidos classificam a iniciativa palestina de ?unilateral? e perigosa, a verdade é que a esmagadora maioria das nações do mundo apoiam essa proposta diplomática não-violenta. O reconhecimento mundial da Palestina como Estado poderá derrubar os extremistas e fomentar um crescente e não-violento movimento palestino-israelense em consonância com a arrancada da democracia em toda a região. E o mais importante é que ele retomará um caminho rumo a um programa de assentamento negociado, permitirá aos palestinos acesso a diversas instituições internacionais que podem ajudar a promover a liberdade da Palestina e enviará um sinal transparente ao governo de Israel, que é favorável aos assentamentos, de que o mundo não mais aceita a impunidade e intransigência dos israelenses. Israel já passou tempo demais enfraquecendo a esperança de criação de um Estado palestino. Os Estados Unidos já passaram tempo demais satisfazendo as exigências de Israel, com o apoio da Europa. Neste momento, Portugal, França, Espanha, Alemanha, Reino Unido e o Alto Representante da UE estão indecisos quanto à soberania palestina. Vamos fazer um apelo para que eles assumam o lado certo da história e apoiem uma declaração palestina de liberdade e independência, prestando ampla assistência e ajuda financeira. Assine a petição urgente agora mesmo para pedir que a Europa apoie a proposta e endosse essa iniciativa de paz duradoura entre Israel e Palestina: http://www.avaaz.org/po/independence_for_palestine_9/?vl A soberania palestina não significará de uma hora para a outra o fim desse espinhoso conflito, mas o reconhecimento pela ONU mudará a dinâmica e começará a abrir a porta rumo à liberdade e paz. Em toda a Palestina, as pessoas estão se preparando com esperança e expectativa para recuperar uma liberdade que sua geração nunca viveu. Vamos dar nosso apoio e pressionar as lideranças europeias a fazer o mesmo, assim como elas apoiaram os povos do Egito, Síria e Líbia. Com esperança, Alice, Ricken, Stephanie, Morgan, Pascal, Rewan e toda a equipe da Avaaz MAIS INFORMAÇÕES Palestinos estão decididos a se tornar um membro pleno da ONU http://bit.ly/rhR0vM Liga Árabe endossa projeto de reconhecimento palestino http://bit.ly/nG4vEF Marcha cobra reconhecimento de estado palestino por ONU http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/israelenses-e-palestinos-protestam-por-estado-palestino Israel: demanda palestina na ONU será fim do processo político http://bit.ly/pb7W3o Palestina: Estado Número 194? http://portuguese.ruvr.ru/2011/07/15/53280044.html Israelenses e palestinos se unem em manifestação por independência palestina http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110715_palestinos_manifestacao_gf.shtml Lista de países que reconhecem o Estado da Palestina (em inglês) http://www.avaaz.org/en/countries_recognizing_palestine/?info Apoie a comunidade da Avaaz! 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110722/81cb0e74/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 23 15:39:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 23 Jul 2011 15:39:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__TELMA_REGINA_CORDEIRO_CORR=CAA________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CXCIX-?= Message-ID: <0D2E5837679649CE809CD39FB7AEAE5B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem TELMA REGINA CORDEIRO CORRÊA (1947-1974) Filiação: Celeste de Almeida Cordeiro e Luiz Durval Cordeiro Data e local de nascimento: 23/07/1947, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: setembro de 1974 Nascida no Rio de Janeiro, Telma era casada com Elmo Corrêa e cunhada de Maria Célia Corrêa, igualmente desaparecidos no Araguaia. Foi estudante de Geografia em Niterói, na Universidade Federal Fluminense, de onde foi expulsa em 1968 pelo Decreto-Lei 477, devido a sua militância nas atividades do Movimento Estudantil. Militante do PCdoB, foi deslocada para a região do Araguaia em 1971, junto com o marido, indo morar nas margens do rio Gameleira. Ali, era conhecida como Lia e seu marido como Lourival. Integraram o Destacamento B das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Segundo depoimentos colhidos junto à caravana de familiares na região, em 1981, pelo advogado paraense e representante da OAB, Paulo Fontelles (também ex-preso político, dirigente estadual do PCdoB e assassinado em 1987 por sua militância na denúncia dos crimes praticados por latifundiários no sul do Pará), Telma teria sido presa em São Geraldo do Araguaia (PA) e entregue a José Olímpio, engenheiro do DNER que trabalhava para o Exército. Passou a noite amarrada no barco desse funcionário, que a entregou aos militares em Xambioá. José Ferreira Sobrinho, o Zé Veinho, lavrador de idade avançada declarou aos familiares: "Só vi presa a Lia (Telma Regina Corrêa), que se entregou lá no Macário e foi presa. Aí o Macário mandou chamar o Zé Olímpio. Ela dormiu no barraco do Zé Olímpio, que era uma pessoa deles, do Exército. Ela tava sozinha. Disse que tava com um revólver 38 e um facão. Parece que o marido dela era chamado Lourival, esse dizem que tinham matado ele lá no Carrapicho. Isso foi no final. Ela falou que tavam as duas. A Valquíria mais ela. Depois a Polícia foi para ela achar a outra. Ela não achou. Depois eu soube que pegaram essa outra... O Amadeu, um negro, morador, ajudou-as. Foi preso e muito espancado. (...) A Lia não sabia que tinham matado o marido dela. Quando ela foi presa, o Zé Olímpio trouxe ela para a base de Xambioá". O jornalista Hugo Studart registra versão completamente diferente em A Lei da Selva: "Camponeses dizem ter sido presa pelo agente José Olímpio. Segundo militares, teria morrido de sede e fome, em JAN 74. Após escapar do Chafurdo de Natal e dos cercos posteriores, Lia teria rumado para oeste, perdendo-se numa região rochosa, sem água ou comida, algo raro. Seu corpo teria sido encontrado pelos militares meses depois. Junto, haveria um diário. Segundo os militares, Lia registrou que estava passando fome e sede, mas que não poderia morrer, pois ainda tinha muita coisa a passar para os outros guerrilheiros para que pudessem continua a causa. Escreveu que, quando estava na iminência de se entregar à morte, então cantava, a plenos pulmões, a canção dos guerrilheiros, repetindo sem cessar a estrofe que mais a animava (Guerrilheiro nada teme/ Jamais se abate/ Afronta a bala a servir/ Ama a vida, despreza a morte/ E vai ao encontro do porvir).(...) As últimas anotações de Lia registram palavras como 'estou nas últimas' e 'não agüento mais'. A letra já estava muito fraca, tremida, segundo um militar que leu o diário. Depois disso, nada mais escreveu". Em 26/03/2007, o jornalista Leonel Rocha publicou no Correio Braziliense uma versão que, a exemplo da transcrição anterior de Hugo Studart, deve ser registrada com cautela. Trata- se do depoimento de um dos recrutas do Exército que serviram na área durante a repressão à guerrilha, e que vêm se articulando nos últimos anos para exigir da União uma indenização pecuniária por seqüelas que alegam lhes terem sido provocadas pelos combates. Raimundo Antônio Pereira de Melo, formado em 1974 no 52º Batalhão de Infantaria de Selva, hoje com 53 anos, conta uma história completamente diferente para o desaparecimento de Telma, responsabilizando exatamente o capitão Pedro Correia Cabral, da Aeronáutica. Esse oficial já escreveu um livro sobre o Araguaia, foi capa da revista Veja e prestou contundente depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com chocantes revelações sobre a "Operação Limpeza", determinada pelos altos poderes da República, em Brasília. Cabral sustenta que participou pessoalmente, como piloto de helicóptero, de uma missão hedionda de transporte de cadáveres de guerrilheiros, exumados após muitos meses e, portanto, já em adiantado estado de decomposição, para incineração no topo da Serra das Andorinhas numa fogueira onde se entremeavam restos mortais de combatentes e pneus. Nessa matéria, Leonel Rocha apresenta como data do desaparecimento 7 de setembro: "Melo recorda-se da tarde do 7 de setembro de 1974. Ele estava de guarda junto com dois colegas xarás, Raimundo Lopes de Souza e Raimundo Almeida dos Santos, quando chegou à base do Exército, em Xambioá, a guerrilheira Lia. Era o codinome de Telma Regina Cordeiro Corrêa. Eles vigiaram a militante do PCdoB durante toda a noite. Melo relembra que ela só bebeu água antes de dormir. No dia seguinte pela manhã e armados com fuzil FAL, Melo e os colegas levaram Lia algemada e encapuzada para embarcar em um helicóptero. A prisioneira foi entregue viva ao então capitão Cabral. O antigo soldado anotou a numeração do fuzil que usava no dia (106361) e a identificação do helicóptero (VH 1H) que transportou a guerrilheira. Ele temia que um dia pudesse ser acusado de alguma irregularidade por ter sido o carcereiro de Lia. O ex-recruta conta que o capitão Cabral recebeu Lia presa, levantou vôo e retornou com o helicóptero vazio à base de Xambioá apenas 20 minutos depois. Segundo Melo, o oficial disse, na ocasião, que tinha levado a mulher para Brasília, a cerca de mil quilômetros de distância. 'Entregamos a presa viva ao oficial. Ele é quem tem de dar conta do corpo até hoje desaparecido', diz Melo. Segundo informações das Forças Armadas, Lia teria sido morta em combate em janeiro de 1974, oito meses antes de Melo tê-la vigiado e entregue ao oficial Cabral. 'Estamos dispostos a testemunhar que entregamos a guerrilheira viva ao capitão', promete Melo". Anteriormente, em 1974, a revista IstoÉ já tinha publicado matéria de Leandro Loyola que aponta a data de setembro para o desaparecimento, a partir da mesma fonte: "Quatro meses depois, no final da tarde de 7 de setembro, chegou Lia. Estudante de Geografia, ela estava na luta havia três anos com o marido, Elmo Corrêa, estudante de Medicina. Já viúva, Lia foi presa junto com a guerrilheira Dinalva Oliveira Teixeira, a Dina, em São Geraldo, às margens do Rio Araguaia. Lia desceu do helicóptero encapuzada. Foi amarrada em um pau atrás da casa de comando da base. À meia-noite, depois do interrogatório dos oficiais, o soldado Raimundo Pereira foi chamado para montar guarda. 'Ela chorava muito', conta ele. Até as 4 horas da manhã, Lia só conseguiu cochilar um pouco. Pediu água, contou que era estudante e disse ser solteira. Depois suplicou para Raimundo amarrá-la sentada. Dormiu com a cabeça para trás. Na manhã do dia 8 foi encapuzada de novo e escoltada por dois soldados até a pista de pouso, onde entrou em um helicóptero. Meia hora depois o helicóptero voltou. Sem ela". No relatório apresentado pelo Ministério da Marinha, em 1993, ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, a data registrada para a morte de Telma, no entanto, é janeiro de 1974. ============================================================================================================================ + Informações. TELMA REGINA CORDEIRO CORRÊA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu a 23 de julho de 1947 na cidade do Rio de Janeiro, filha de Luiz Durval Cordeiro e Celeste Durval Cordeiro. Desaparecida desde 1974, na Guerrilha do Araguaia, aos 27 anos. Universitária, estudante de Geografia da Universidade Federal Fluminense, de onde foi excluída em 1968 pelo Decreto-lei 477. Deslocou-se para a região do Araguaia em 1971, juntamente com seu marido Elmo Corrêa indo morar às margens do Rio Gameleira e ingressando no Destacamento B da Guerrilha. No início do ano de 1974 foi presa na casa do Sr. Macário em São Geraldo e entregue a José Olímpio, engenheiro do DNER que trabalhava para o Exército. Passou a noite amarrada no barco de José Olímpio antes de ser entregue às autoridades em Xambioá. (Depoimentos colhidos na região pelo advogado Paulo Fontelles, representante da OAB junto à Caravana de Familiares que estiveram no Araguaia à procura de informações em 1981.) Segundo o Relatório do Ministério da Marinha, "foi morta em janeiro de 1974". ======================================================================================================= + Informações. TELMA REGINA CORDEIRO CORRÊA (1947-1974) Filiação: Celeste de Almeida Cordeiro e Luiz Durval Cordeiro Nascida no Rio de Janeiro, Telma era esposa de Elmo Corrêa e cunhada de Maria Célia Corrêa, igualmente desaparecidos no Araguaia. Foi estudante de Geografia em Niterói, na Universidade Federal Fluminense (UFF), de onde foi expulsa em 1968 pelo Decreto-Lei 477, por suas ati¬ vidades no movimento estudantil. Militante do PCdoB, Telma foi deslo¬ cada para a região do Araguaia em 1971, juntamente com o marido, indo morar nas margens do rio Gameleira. Ali, era conhecida como Lia, e seu marido, como Lourival. Ambos integraram o Destacamento B das forças guerrilheiras do Araguaia. Mais tarde, Telma (Lia) manteve relacionamen¬ to com Divino Ferreira de Souza, que morreu em outubro de 1973. Segundo depoimentos colhidos na caravana de familiares à região - ocorrida em 1981 - pelo advogado paraense e representante da Or¬ dem dos Advogados do Brasil (OAB) Paulo Fontelles (também ex-preso político, dirigente estadual do PCdoB e assassinado em 1987 por sua militância na denúncia dos crimes praticados por latifundiários no sul do Pará), Telma teria sido presa em São Geraldo do Araguaia (PA) e entregue a José Olímpio, engenheiro do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) que trabalhava para o Exército. Ela teria passado a noite amarrada no barco desse funcionário, que a entregou aos militares em Xambioá. José Ferreira Sobrinho, o Zé Veinho, lavrador de idade avançada, declarou aos familiares da caravana: "Só vi presa a Lia (Telma Regina Corrêa), que se entregou lá no Macário e foi presa. Aí o Macário mandou chamar o Zé Olímpio. Ela dormiu no barraco do Zé Olímpio, que era uma pessoa deles, do Exército. Ela tava sozinha. Disse que tava com um revólver 38 e um facão. Parece que o marido dela era chamado Lourival, esse dizem que tinham matado ele lá no Carrapicho. Isso foi no final. Ela 142 falou que tavam as duas. A Valquíria mais ela. Depois a polícia foi para ela achar a outra. Ela não achou. Depois eu soube que pegaram essa outra... O Amadeu, um negro, morador, ajudou elas. Foi preso e muito espanca¬ do. [...] A Lia não sabia que tinham matado o marido dela. Quando ela foi presa, o Zé Olímpio trouxe ela para a base de Xambioá". O jornalista Hugo Studart registra versão completamente diferente em A lei da selva: "Camponeses dizem ter sido presa pelo agente José Olímpio. Segundo militares, teria morrido de sede e fome, em J AN 74. Após escapar do Chafurdo de Natal e dos cercos posteriores, Lia teria rumado para oeste, perdendo-se numa região rochosa, sem água ou co¬ mida, algo raro. Seu corpo teria sido encontrado pelos militares meses depois. Junto, haveria um diário. Segundo os militares, Lia registrou que estava passando fome e sede, mas que não poderia morrer, pois ainda tinha muita coisa a passar para os outros guerrilheiros para que pudessem continuar a causa. Escreveu que, quando estava na iminência de se entregar à morte, então cantava, a plenos pulmões, a canção dos guerrilheiros, repetindo sem cessar a estrofe que mais a animava (Guer¬ rilheiro nada teme/ Jamais se abate/ Afronta a bala a servir/ Ama a vida, despreza a morte/ E vai ao encontro do porvir). [... ] As últimas anota¬ ções de Lia registram palavras como 'estou nas últimas' e 'não aguento mais'. A letra já estava muito fraca, tremida, segundo um militar que leu o diário. Depois disso, nada mais escreveu". Em 26 de março de 2007, o jornalista Leonel Rocha publicou no Correio Braziliense uma versão que, a exemplo da transcrição anterior de Hugo Studart, deve ser registrada com cautela. Trata-se do depoimento de um dos recrutas do Exército que serviram na área durante a repressão à guerrilha e que vêm se articulando nos últimos anos para exigir da União uma indenização pecuniária por sequelas que alegam lhes terem sido provocadas pelos combates. Raimundo Antônio Pereira de Melo, formado em 1974 no 52o 143 Batalhão de Infantaria de Selva, conta uma história completamente diferente para o desaparecimento de Telma, responsabilizando o capi¬ tão Pedro Corrêa Cabral, da Aeronáutica. Esse oficial já escreveu um livro sobre o Araguaia, foi capa da revista Veja e prestou depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com chocantes revelações sobre a Operação Limpeza, que teria sido deter¬ minada pelos altos poderes da República, em Brasília. Cabral sustenta que participou pessoalmente, como piloto de helicóp¬ tero, de uma missão de transporte de cadáveres de guerrilheiros - exuma¬ dos após muitos meses e, portanto, já em adiantado estado de decompo¬ sição - para incineração no topo da Serra das Andorinhas, numa fogueira onde se entremeavam restos mortais de combatentes e pneus. Na matéria publicada no Correio Braziliense, Leonel Rocha apre¬ senta, como data do desaparecimento de Telma, o dia 7 de setembro: "Melo recorda-se da tarde do 7 de setembro de 1974. Ele estava de guarda junto com dois colegas xarás, Raimundo Lopes de Souza e Rai¬ mundo Almeida dos Santos, quando chegou à base do Exército, em Xambioá, a guerrilheira Lia. Era o codinome de Telma Regina Cordei¬ ro Corrêa. Eles vigiaram a militante do PCdoB durante toda a noite. Melo relembra que ela só bebeu água antes de dormir. No dia seguinte pela manhã e armados com fuzil FAL, Melo e os colegas levaram Lia algemada e encapuzada para embarcar em um helicóptero. A prisioneira foi entregue viva ao então capitão Cabral. "O antigo soldado anotou a numeração do fuzil que usava no dia (106361) e a identificação do helicóptero (VH 1H) que transportou a guerrilheira. Ele temia que um dia pudesse ser acusado de alguma irregularidade por ter sido o carcereiro de Lia. O ex-recruta conta que o capitão Cabral recebeu Lia presa, levantou voo e retornou com o he¬ licóptero vazio à base de Xambioá apenas 20 minutos depois. Segundo Melo, o oficial disse, na ocasião, que tinha levado a mulher para Bra- 144 sília, a cerca de mil quilômetros de distância. 'Entregamos a presa viva ao oficial. Ele é quem tem de dar conta do corpo até hoje desapareci¬ do', diz Melo. Segundo informações das Forças Armadas, Lia teria sido morta em combate em janeiro de 1974, oito meses antes de Melo tê-la vigiado e entregue ao oficial Cabral. 'Estamos dispostos a testemunhar que entregamos a guerrilheira viva ao capitão', promete Melo". Anteriormente, em 1974, a revista IstoE já tinha publicado matéria de Leandro Loyola que apontou o mês de setembro como a data do desa¬ parecimento de Telma, a partir da mesma fonte: "Quatro meses depois, no final da tarde de 7 de setembro, chegou Lia. Estudante de Geografia, ela estava na luta havia três anos com o marido, Elmo Corrêa, estudante de Medicina. Já viúva, Lia foi presa junto com a guerrilheira Dinalva Oliveira Teixeira, a Dina, em São Geraldo, às margens do rio Araguaia. Lia desceu do helicóptero encapuzada. Foi amarrada em um pau atrás da casa de comando da base. À meia-noite, depois do interrogatório dos oficiais, o soldado Raimundo Pereira foi chamado para montar guarda. 'Ela chorava muito', conta ele. Até às 4 horas da manhã, Lia só conseguiu cochilar um pouco. Pediu água, contou que era estudante e disse ser sol¬ teira. Depois suplicou para Raimundo amarrá-la sentada. Dormiu com a cabeça para trás. Na manhã do dia 8 foi encapuzada de novo e escoltada por dois soldados até a pista de pouso, onde entrou em um helicóptero. Meia hora depois o helicóptero voltou. Sem ela". No relatório apresentado pelo Ministério da Marinha, em 1993, ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, a data registrada para a morte de Telma, no entanto, é janeiro de 1974. ========================================================================================================================= + Detalhes. (NÚCLEO TEMA REGINA - Núcleo da UJS na UFF.) Telma Regina TELMA REGINA CORDEIRO CORRÊA (1947-1974) Nascida no Rio de Janeiro, Telma era esposa de Elmo Corrêa e cunhada de Maria Célia Corrêa, igualmente desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Foi estudante de Geografia em Niterói, na Universidade Federal Fluminense (UFF), de onde foi expulsa em 1968 pelo Decreto-Lei 477, por suas atividades no movimento estudantil. Militante do PCdoB, Telma foi deslocada para a região do Araguaia em 1971, juntamente com o marido, indo morar nas margens do rio Gameleira. Ali, era conhecida como Lia, e seu marido, como Lourival. Ambos integraram o Destacamento B das forças guerrilheiras do Araguaia. Mais tarde, Telma (Lia) manteve relacionamento com Divino Ferreira de Souza, que morreu em outubro de 1973. Segundo depoimentos colhidos na caravana de familiares à região - ocorrida em 1981 - pelo advogado paraense e representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Paulo Fontelles (também ex-preso político, dirigente estadual do PCdoB e assassinado em 1987 por sua militância na denúncia dos crimes praticados por latifundiários no sul do Pará), Telma teria sido presa em São Geraldo do Araguaia (PA) e entregue a José Olímpio, engenheiro do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) que trabalhava para o Exército. Ela teria passado a noite amarrada no barco desse funcionário, que a entregou aos militares em Xambioá. José Ferreira Sobrinho, o Zé Veinho, lavrador de idade avançada, declarou aos familiares da caravana: "Só vi presa a Lia (Telma Regina Corrêa), que se entregou lá no Macário e foi presa. Aí o Macário mandou chamar o Zé Olímpio. Ela dormiu no barraco do Zé Olímpio, que era uma pessoa deles, do Exército. Ela tava sozinha. Disse que tava com um revólver 38 e um facão. Parece que o marido dela era chamado Lourival, esse dizem que tinham matado ele lá no Carrapicho. Isso foi no final. Ela falou que tavam as duas. A Valquíria mais ela. Depois a polícia foi para ela achar a outra. Ela não achou. Depois eu soube que pegaram essa outra... O Amadeu, um negro, morador, ajudou elas. Foi preso e muito espancado. [...] A Lia não sabia que tinham matado o marido dela. Quando ela foi presa, o Zé Olímpio trouxe ela para a base de Xambioá". O jornalista Hugo Studart registra versão completamente diferente em A lei da selva: "Camponeses dizem ter sido presa pelo agente José Olímpio. Segundo militares, teria morrido de sede e fome, em JAN 74. Após escapar do Chafurdo de Natal e dos cercos posteriores, Lia teria rumado para oeste, perdendo-se numa região rochosa, sem água ou comida, algo raro. Seu corpo teria sido encontrado pelos militares meses depois. Junto, haveria um diário. Segundo os militares, Lia registrou que estava passando fome e sede, mas que não poderia morrer, pois ainda tinha muita coisa a passar para os outros guerrilheiros para que pudessem continuar a causa. Escreveu que, quando estava na iminência de se entregar à morte, então cantava, a plenos pulmões, a canção dos guerrilheiros, repetindo sem cessar a estrofe que mais a animava (Guerrilheiro nada teme/ Jamais se abate/ Afronta a bala a servir/ Ama a vida, despreza a morte/ E vai ao encontro do porvir). [...] As últimas anotações de Lia registram palavras como 'estou nas últimas' e 'não aguento mais'. A letra já estava muito fraca, tremida, segundo um militar que leu o diário. Depois disso, nada mais escreveu". O Núcleo da União da Juventude Socialista da UFF homenageia esta importante lutadora dos jovens brasileiros! Com informações do http://www.comunistas.spruz.com/mulheres3.htm ===================================================================================================== + Detalhes. Fundação Mauricio Grabois Telma Regina Corrêa Militante do PCdoB Apelido: Lia Cor: branca Altura: Idade: 27 anos Sexo: fem. Tipo sangüíneo: Fator Rh: Data e local de nascimento: 23/07/47, no Rio de Janeiro. Filiação: Luís Durval Cordeiro/ Celeste Durval Cordeiro Biografia: "Era estudante de Geografia da Universidade Federal Fluminense. Participou do movimento estudantil. Posteriormente, mudou-se com seu companheiro Elmo para a região do Gameleira. Com o ataque das Forças Armadas a moradores da região, Telma e Elmo não vacilaram, ingressando ambos no Destacamento B das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Está desaparecida desde 1974." Homenagens: " Nome da antiga Rua 08, no Residencial Cosmo, em Campinas, com início na antiga Avenida 03 Cid. Sat. Íris e término na Rua I 48 do Jd. Florence - Lei nº 9497, de 20/11/97. " Nome de rua em Campinas - Lei nº 9497, de 20/11/97. Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento: Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69. Parte II. Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982. Relatório Arroyo: 30/12/73 - estava viva. Relatório do Ministério Exército:- filha de Luiz Durval Cordeiro e de Celeste Durval Cordeiro, nascida em 23 Jul. 47 no Rio de Janeiro/RJ. Militante do PC do B, deslocou-se em 1970 para a região do Araguaia, onde utilizava os codinomes "Maria", "Bolinha" e "Lia". Relatório do Ministério da Marinha: - Nov./74 - relacionado entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PC do B, em Xambioá. - Morta em Jan. 74. Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PC do B, guerrilheira no Araguaia. Dada por diversas publicações e por seus parentes como "desaparecida". Neste órgão, não há dados que comprovem essa versão. Casada com Elmo Corrêa, também guerrilheiro no Araguaia. Arquivos do DOPS/SP:. Fichas entregues ao Jornal O Globo, em 1996: - "Maria", "Lia", "Bolinha". - IPF [ RG do Instituto Pereira Faustino] 2 176 948 - casada com Elmo Corrêa - segundo depoimento de José Roberto Brun de Luna, estaria em Xambioá, com o marido - não foi localizada - segundo Tobias Pereira Jr, está na área Informações e depoimentos Obtidos através da imprensa ou de familiares: "José Ferreira Sobrinho, o Zé Veinho, lavrador de idade avançada declarou aos familiares: .... toda quinta-feira tinha que viajar 3 léguas para assistir a reunião deles (do Exército). E aquilo era sem apelo. Se não fosse, tinha que explicar o motivo que não fui. Se não fosse, daí a pouco chegava 4 a 5 soldados. Lá nessas reuniões tinha o retrato do pessoal. O que eles iam pegando, iam tirando do mapa. Só vi presa a Lia, que se entregou lá no Macário e foi presa. Aí o Macário mandou chamar o Zé Olímpio. Ela dormiu no barraco do Zé Olímpio, que era uma pessoa deles, do Exército. Ela tava sozinha. Disse que tava com um revólver 38 e um facão. Parece que o marido dela era chamado Lourival, esse dizem que tinham matado ele lá no Carrapicho. Isso foi no final. Ela falou que tavam as duas. A Valquíria mais ela. Depois a Polícia foi para ela achar a outra. Ela não achou. Depois eu soube que pegaram essa outra... O Amadeu, um negro, morador, ajudou-as. Foi preso e muito espancado. Perguntaram pra ele, se ele queria apanhar ou morrer. Ele disse que preferia morrer. Deram logo um tapa na cara dele. Ele estava com os olhos inchados, os dedos furados ... A Lia não sabia que tinham matado o marido dela. Quando ela foi presa o Zé Olímpio, trouxe ela para a base de Xambioá. Mas de tantas interrogações, uma deixou-nos varados de angústia. Onde estão os que foram presos, vivos? Dina, Áurea, Daniel, Rosinha, Lia, Nelito, Cristina, Josias, Duda, João Araguaia, dezenas talvez, onde estão?" "Informações colhidas pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) entre a população da região da guerrilha indicam que Telma Regina Cordeiro Correa, Dinalva Oliveira Teixeira, Daniel Callado, Jana Moroni, Áurea Valadão e Maria Célia Correia, seis dos 59 desaparecidos, foram capturados pelo Exército. Há testemunho de que Daniel Callado chegou com um ferimento no pé à cadeia de Xambioá, onde os prisioneiros eram torturados. O último vestígio de Daniel foram seus gritos, ouvidos na noite do mesmo dia, provavelmente quando era torturado." " "Sr. Pedro Vicente Ferreira, conhecido por Pedro Zuza, (...)que dos guerrilheiros, o declarante conheceu Zé Ferreira, Mariadina, Tuca, Lia, Chica, João Goiano e Osvaldão, que conheceu como mariscador (caçador), e outros cujos nomes não se recorda;(...) ; que a turma que estava com Osvaldão era Mariadina, Tuca, Chica, Lia e o filho do Seu Américo e outras pessoas; (...)". Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes ==================================================================================================== + Detalhes. Blog "A Trincheira" domingo, 30 de novembro de 2008 Carta de Telma Regina Cordeiro Hoje, arrumando as gavetas, deparei-me com uma carta nunca antes publicada. Uma cópia da carta original me foi cedida pela sobrinha da militante comunista Telma Regina Cordeiro, autora do texto abaixo, desaparecida política, brasileira que lutou contra a ditadura militar na épica Guerrilha do Araguaia. Pelo ineditismo e importância histórica da carta, resolvi compartilhá-la com vocês. Nela, Telma anuncia aos pais sua decisão de se juntar aos revolucionários, na selva amazônica, num gesto comovente de desprendimento e patriotismo. Seus restos mortais nunca foram encontrados. . 31/01/1971 . Querida família, . Espero que vocês tenham entendido o que está ocorrendo. Estamos felizes e na certeza de que isto é realmente o que queríamos. Não poderíamos viver tranqüilos, sossegados na vida do "dia a dia", tendo consciência que é preciso fazer alguma coisa para libertar nosso povo dessa miséria e exploração. A revolução brasileira está em processo acelerado e não podemos nesta hora nos omitir e deixar de dar nossa contribuição efetiva. Ninguém vai lutar pelo nosso povo a não ser nós mesmos, cabe a nós esta nobre tarefa de ser vanguarda na luta pela libertação de nosso povo e do povo explorado do mundo todo... . Este mundo corrupto, infeliz, cheio de contradições, de miséria, de vícios que conhecemos, não deixaremos para os outros. Nas mãos de cada um de nós está esta responsabilidade. Qualquer homem comum é capaz de construir um mundo melhor. Para isso é necessário que se tenha disposição para lutar, dedicar-se de corpo e alma a esta tarefa, que é a maior contribuição que um homem pode dar à história, à humanidade... . ...Agora sabemos que nossa passagem pelo mundo foi importante. É necessário estar-se convicto para poder de sã consciência abdicar da vida privada, particular, para dedicar-se de corpo e alma a uma causa política universal... Estamos muito felizes... Esta foi a vida que de livre e espontânea vontade escolhemos... É movido pelo amor de vocês que lutamos. É pensando nos pais, filhos e irmãos que sofrem e morrem nas prisões. É pensando em milhões de famílias que vivem em condições subumanas, vendo seus filhos morrerem de fome... É para que todos possam ter o carinho e o amor de suas famílias, e possam ser felizes como nós, que lutamos... . ...Estamos aqui, porque precisam de nós. Este povo miserável, doente e analfabeto precisa de quem os ajude e nós estamos prontos para isso... Vocês devem ficar orgulhosos em saber que o quê nos ensinaram e a cultura que vocês nos possibilitaram ter, não está sendo utilizado à toa, que nós não nos corrompemos pelo dinheiro e fomos fiéis ao nosso ideal... . ...Esta vontade terrível de viver, esta alegria pela vida, este amor pelo homem, pela humanidade, esta esperança de um mundo melhor, aprendemos com vocês, em todas nossas alegrias e tristezas... Não deixaram que nos transformássemos em egoístas, individualistas. Quero que meus sobrinhos se orgulhem de mim... Quero que eles, ao serem adultos, desfrutem daquilo que me esforcei para deixar para eles... Alguém dizia: "Quem não conhece a verdade é apenas um ignorante, mas quem a conhece e a esconde é um criminoso". . Telma Regina Cordeiro Corrêa Publicado por Bruno Ribeiro =========================================================================================== + Detalhes. Blog ADjazzCÊNCIAS de Renato Modernell domingo, 21 de novembro de 2010 O CANTO DE TELMA Um trabalho recente me fez mergulhar nas biografias de mais de 150 militantes clandestinos que as Forças Armadas, passadas três décadas, ainda não assumem ter executado. O eufemismo desaparecidos me parece tão cínico, hoje, quanto a pecha de terroristas com que o governo da época os difamava. Nos últimos meses, li versões conflitantes sobre a prisão e a morte de cada um desses ditos desaparecidos. Telma Regina Cordeiro Corrêa, militante carioca do PCdoB, combateu no Araguaia sob o codinome "Lia". Desapareceu em 1974, aos 27 anos. Segundo os militares, teria relatado em caligrafia trêmula seus últimos dias antes da prisão. Já sucumbia à fome e à exaustão. Ao pressentir a morte, Telma bradava uma canção de combate: "Guerrilheiro nada teme / Jamais se abate / Afronta a bala a servir / Ama a vida, despreza a morte / E vai ao encontro do porvir". A atitude de Telma me trouxe uma lembrança. Aos seis ou sete anos, no sul, deparei com um tal de Anuário Inaciano em um quartinho de despejos no fundo de casa. Não sei por que cargas d'água aquilo teria ido parar no meio dos gibis. Impressionou-me a imagem de um padre que submergia preso em uma gaiola. Teria sido colocado ali pelos comunistas, claro. A detração ao inimigo (de ambos os lados) chegou ao ridículo durante a Guerra Fria. A Igreja também entrou nessa. O que mais me espantou foi que o padre, com água pela cintura, brandisse o crucifixo para algozes supostamente ateus. Em face da morte, lançar um último sinal ao mundo seria um ato de bravura ou de exorcismo? Ou apenas o senso do dever? Engraçado, isso de a guerrilheira me recordar o padre. Se ele de fato existiu, e morreu por afogamento, presume-se que quisesse a figura de Cristo voltada para si. Assim como Telma, para conforto próprio, poderia limitar-se a recordar os versos da canção. Preferiu cantar. Na solidão da mata, quem poderia ouvi-la senão o ouvido do inimigo? Pode não haver mais inimigos na hora da morte. Apenas o homem às voltas com seus símbolos. E o impulso de proclamar o que mereceu seu esforço para preencher o vazio. ================================================================ + Detalhes. Outras Guerrilheiras do Araguaia Muitos foram os nomes das mulheres que pegaram em armas e tornaram-se guerrilheiras, combatendo corpo a corpo contra a ditadura. Falar sobre cada uma delas seria escrever páginas e páginas da história, fazendo descobertas fascinantes e inesgotáveis. Entre elas está Telma Regina Cordeiro Correa, conhecida como Lia. Nascida no Rio de Janeiro, em 23 de julho de 1947, foi estudante de Geografia da Universidade Federal Fluminense, de onde foi excluída em 1968. Em 1971 deslocou-se para a região do Araguaia, ao lado do marido Elmo Corrêa, indo morar às margens do Rio Gameleira. Telma destacar-se-ia no Destacamento B da Guerrilha. Teria sido presa no início de 1974, em São Geraldo, na casa do Sr. Macário, e, entregue ao engenheiro José Olimpio, que trabalhava para o exército. Passou a noite amarrada no barco de José Olímpio, desnutrida e faminta, sendo entregue no dia seguinte, às autoridades em Xambioá. Segundo dados de um relatório da Marinha, teria sido morta em janeiro de 1974. Desde esta época, é considerada desaparecida. Ainda não tinha 27 anos completos. ======================================================================================================= + Detalhes. Telma Regina Cordeiro Corrêa Ter, 08 de Setembro de 2009 03:07 Heróis do Movimento Estudantil Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu a 23 de julho de 1947 na cidade do Rio de Janeiro, filha de Luiz Durval Cordeiro e Celeste Durval Cordeiro. Desaparecida desde 1974, na Guerrilha do Araguaia, aos 27 anos. Universitária, estudante de Geografia da Universidade Federal Fluminense, de onde foi excluída em 1968 pelo Decreto-lei 477. Deslocou-se para a região do Araguaia em 1971, juntamente com seu marido Elmo Corrêa indo morar às margens do Rio Gameleira e ingressando no Destacamento B da Guerrilha. No início do ano de 1974 foi presa na casa do Sr. Macário em São Geraldo e entregue a José Olímpio, engenheiro do DNER que trabalhava para o Exército. Passou a noite amarrada no barco de José Olímpio antes de ser entregue às autoridades em Xambioá. (Depoimentos colhidos na região pelo advogado Paulo Fontelles, representante da OAB junto à Caravana de Familiares que estiveram no Araguaia à procura de informações em 1981.) Segundo o Relatório do Ministério da Marinha, "foi morta em janeiro de 1974". HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110723/ae6162bd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14741 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110723/ae6162bd/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9711 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110723/ae6162bd/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8086 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110723/ae6162bd/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6381 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110723/ae6162bd/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13985 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110723/ae6162bd/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 23 15:39:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 23 Jul 2011 15:39:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Leia_abaixo_a_apresenta=E7=E3o_d?= =?windows-1252?q?o_livro_Mem=F3rias=2C_autobiografia_do_revolucion?= =?windows-1252?q?=E1rio_comunista_Greg=F3rio_Bezerra=2C_feita_pela?= =?windows-1252?q?_historiadora_Anita_Leocadia_Prestes=2E?= Message-ID: <44860126373E45EDAA5A9019850320A6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil Leia abaixo a apresentação do livro Memórias, autobiografia do revolucionário comunista Gregório Bezerra, feita pela historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga Benario e Luiz Carlos Prestes. Gregório Bezerra personificou os explorados e oprimidos do Brasil Por Anita Leocadia Prestes* É com profunda emoção que escrevo esta apresentação do livro de Memórias de Gregório Bezerra. Quando penso em Gregório, vejo diante de mim o povo brasileiro, os milhões de homens, mulheres e crianças do nosso país, maltratados e sofridos durante séculos de exploração e opressão. Gregório é a legítima expressão desse povo, no que ele tem de mais autêntico e verdadeiro. É a genuína personificação dos explorados e oprimidos da nossa terra ? jamais dos poderosos, dos exploradores. Estes sempre lhe dedicaram um indisfarçável ódio de classe, ódio dos opressores, conscientes do perigo, para os interesses dominantes, das ?ideias subversivas? difundidas por homens como ele. Na grande trincheira da luta de classes, Gregório sempre esteve do lado dos trabalhadores, dos desvalidos e dos oprimidos. Justamente por isso suportou constantes perseguições policiais, atrozes torturas e um total de 23 anos de cárcere em diversos presídios do Brasil. Teve de suportar a feroz campanha que os meios de comunicação a serviço dos interesses dominantes sempre moveram contra ele e contra os comunistas. Conheci Gregório há muitos anos. Em 1946, eu tinha apenas nove anos de idade quando ele, eleito deputado federal por Pernambuco na legenda do Partido Comunista do Brasil (PCB), foi morar conosco, na casa de meu pai, Luiz Carlos Prestes. O partido havia conquistado a legalidade e elegera para a Assembléia Nacional Constituinte uma bancada comunista composta de um senador, Luiz Carlos Prestes, e catorze deputados, entre os quais Gregório Bezerra. Em nossa casa, além da família, moravam vários camaradas do PCB. Gregório destacava-se, dentre todos, pela dedicação ao partido e à causa revolucionária que abraçara ainda jovem, mas sobretudo pelo humanismo que irradiava de sua pessoa. Ele sabia compreender os problemas de todos que o cercavam e relacionar-se bem e de maneira afetuosa tanto com as crianças quanto com os idosos, com pessoas importantes ou humildes, com homens ou mulheres. Gregório não incomodava; ao contrário, sempre ajudou em nossa casa e era capaz de manter permanentemente um convívio agradável com todos que o rodeavam. Lembro como minhas tias observavam que, d e tantos companheiros que passaram por nossa casa, nenhum deixara tão boas lembranças e tantas saudades quanto ele. Se Gregório sabia conversar com os adultos, também o sabia com as crianças, como era meu caso. Eis a razão por que guardo gratas lembranças dessa convivência que durou apenas dois anos, pois em 1948, após o fechamento do PCB pelo governo Dutra e a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas, ele foi sequestrado em pleno centro do Rio de Janeiro e levado clandestinamente para a Paraíba, onde, por meio de grosseira provocação policial, seria acusado de incendiar um quartel. Mais tarde, eu já adulta, nossos caminhos, os meus e os dele, cruzaram-se algumas vezes na vida partidária. Foram, entretanto, encontros fugazes. Mas Gregório continuava sendo o mesmo companheiro atencioso, afável, amigo. Sempre acompanhei sua trajetória de dedicado militante comunista nos mais diversos pontos do país para onde o partido o enviava, seja na legalidade, seja na clandestinidade. Foi com horror e indignação ? como tantos outros brasileiros e também democratas de todo o mundo ? que tomei conhecimento de sua prisão em Pernambuco, após o golpe militar de abril de 1964, e das bárbaras torturas a que fora submetido. Sua foto sendo arrastado seminu pelas ruas de Recife chocou a todos. Mas Gregório resistiu, apesar de já contar então com 64 anos de idade. Naquela ocasião, foi condenado a 19 anos de detenção. Mas então, em setembro de 1969, teve lugar no Rio de Janeiro o seqüestro do embaixador norte-americano, promovido por organizações da esquerda armada. Em troca da vida do embaixador, os dirigentes desses grupos exigiram a libertação de quinze prisioneiros políticos que deveriam ser enviados para o exterior ? entre eles estava o nome de Gregório Bezerra. Embora discordando desse tipo de ação, ele aceitou a libertação, divulgando, ao mesmo tempo, uma ?Declaração ao povo brasile iro?, na qual explicava suas razões. Dizia então: - Por uma questão de princípio, devo esclarecer que, embora aceite a libertação nessas circunstâncias, discordo das ações isoladas, que nada adiantarão para o desenvolvimento do processo revolucionário e somente servirão de pretexto para agravar ainda mais a vida do povo brasileiro e de motivação para maiores crimes contra os patriotas. E adiante acrescentava: - Não quero que, nesta hora, minha atitude ponha em risco a vida dos demais presos políticos a serem libertados. Nem desejo, como humanista que sou, o sacrifício desnecessário de qualquer indivíduo, ainda que seja o embaixador da maior potência imperialista de toda a história. Luto, por princípio, contra sistemas de força. Não luto contra pessoas, individualmente. Só acredito na violência das massas contra a violência da reação. É uma declaração reveladora da personalidade de Gregório Bezerra: militante comunista dedicado e consequente, de firmeza inabalável na defesa de suas convicções revolucionárias e, por isso mesmo, insigne humanista. Reencontrei Gregório em Moscou, em 1973, onde ambos estivemos exilados, juntamente com outros compatriotas. Embora fisicamente alquebrado, como consequência das torturas a que fora submetido nos cárceres da ditadura militar, ele mantinha intacta a postura de profunda dignidade humana e as convicções de revolucionário comunista que sempre marcaram sua personalidade. Forçado a viver no exílio, mesmo cercado do respeito, da admiração e do carinho dos companheiros soviéticos, assim como de exilados brasileiros e de outros países que então residiam na União Soviética, Gregório tinha seu pensamento permanentemente voltado para o Brasil. Sua maior aspiração era regressar à pátria e poder continuar lutando pelos ideais revolucionários a que dedicara toda sua vida. Foram dez anos de exílio, até a conquista da anistia no Brasil, em agosto de 1979. Gregório seria um dos primeiros a regressar à terra natal, onde foi recebido com entusiasmo e carinho pelos trabalhadores, companheiros e amigos. Durante os anos de exílio, Gregório, assim como Prestes, não deixou de contribuir para a luta pela anistia em nosso país. Viajou por diferentes países denunciando os crimes da ditadura militar. Com seu prestígio, tratou de mobilizar os mais diversos setores da opinião pública mundial em campanhas de solidariedade aos presos e perseguidos políticos no Brasil. Participou de congressos, conferências, seminários e entrevistas, sempre empenhado na luta pela democracia, contra o fascismo e por um futuro socialista para toda a humanidade, pois ele era também um militante internacionalista, para quem a luta do nosso povo não poderia jamais estar dissociada da luta dos trabalhadores do mundo inteiro. Ao mesmo tempo, dedicou-se nesses anos a escrever suas Memórias, cuja nova edição em boa hora nos é proporcionada pela editora Boitempo. Sou testemunha de que Gregório escreveu seu livro sozinho e à mão. Companheiros residentes em Moscou naquela época se revezavam na datilografia das páginas já redigidas por nosso talentoso autor. Gregório soube produzir um relato de sua vida, em linguagem simples e direta, sem qualquer afetação literária. Descreveu a vida de um camponês nordestino miserável, que se transformou em operário e soldado e, nesse processo, ingressou no Partido Comunista. Um militante que dedicou sua vida aos ideais comunistas, arcando com todas as consequências de tal escolha, sem jamais perder as características de grande figura humana. Sou também testemunha do espírito de solidariedade e de companheirismo de Gregório durante aqueles difíceis anos de exílio, quando muitos companheiros entravam em desespero ou perdiam a perspectiva revolucionária. Gregório animava a todos que o procuravam, encorajava a quem estava abatido ou angustiado. Mostrava-se solidário com aqueles que precisavam de uma palavra ou de um gesto de amizade e de carinho. Seu apartamento em Moscou era um recanto aconchegante, onde se podia saborear algum prato da cozinha brasileira, por ele muito bem preparado, e de onde se saía reconfortado e confiante num futuro melhor. Gregório era um otimista e infundia otimismo em todos que o procuravam, incluindo os jovens brasileiros que estudavam na URSS. Aos jovens, ele se esforçava por transmitir sua experiência e seus conhecimentos do Brasil para que, quando regressassem à pátria, estivessem preparados para enfrentar o futuro. A trajetória de vida de Gregório Bezerra é exemplar e deve servir de inspiração para os jovens de hoje, para aqueles que estão empenhados na realização de transformações profundas em nosso país que abram caminho para um futuro de justiça social e liberdade para todos os brasileiros. Futuro que, como nos ensina Gregório Bezerra, da mesma maneira que José Carlos Mariátegui, Fidel Castro, Che Guevara, Luiz Carlos Prestes e tantos outros revolucionários latino-americanos, só poderá ser alcançado com a revolução socialista. Gregório foi um comunista que jamais se dobrou diante das dificuldades e soube ?endur ecer sem jamais perder a ternura?, na feliz expressão cunhada por Ernesto Guevara. Esperamos que a publicação desta nova edição das Memórias de Gregório Bezerra pela Boitempo constitua um estímulo à formação de jovens revolucionários em nosso país e em nosso sofrido continente latino-americano. * Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes. Postado por Marcos César de Oliveira Pinheiro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110723/fb1c1a92/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 24 13:47:05 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 24 Jul 2011 13:47:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__PAULO_DE_TARSO_CELESTINO_DA_SILVA_____?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CC-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem PAULO DE TARSO CELESTINO DA SILVA (1944-1971) Filiação: Zuleika Borges Pereira Celestino e Pedro Celestino da Silva Filho Data e local de nascimento: 26/05/1944, Morrinhos (GO) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: 12/07/1971, no Rio de Janeiro Goiano de Morrinhos, Paulo de Tarso estudou no colégio Universitário da Universidade Federal de Goiás, onde concluiu o curso de Humanidades em 1962 e foi escolhido orador da turma. Ingressou na UnB, na Faculdade de Direito, onde se formou, em 1967, aos 23 anos. Foi presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília - FEUB. Inscrito na OAB, exerceu advocacia em Goiânia (GO), chegando a fazer sustentação oral em processo no STF. Em outubro de 1968, viajou para a França e fez curso de pós-graduação na Sorbonne. Companheiros de militância política na ALN informaram que, após a morte de Joaquim Câmara Ferreira, ele era um dos principais dirigentes da organização, utilizava o nome-de-guerra "Vovô" e tinha recebido treinamento militar em Cuba. Seu pai, Pedro Celestino, advogado e deputado federal pelo estado de Goiás, foi cassado pelo AI-5, em 13 de dezembro de 1968. Usou de todos os meios ao seu alcance para descobrir o paradeiro do filho. Em dezembro de 1971, como resposta à solicitação da OAB, seccional de Brasília, o Ministério do Exército chegou a informar que Paulo de Tarso fora preso por autoridades militares, mas que havia sido entregue à Polícia Federal, devendo o Ministério da Justiça prestar informações. Tempos depois, o Ministério do Exército desmentiu o fato, alegando erro. Em 20/02/1975, o então ministro da Justiça Armando Falcão fez um pronunciamento em rede de televisão para falar sobre 27 desaparecidos políticos, estando dentre esses o nome de Paulo de Tarso. Na versão do ministro, estavam todos foragidos. Em resposta, Pedro Celestino redigiu carta pública a Armando Falcão, que foi publicada no Jornal do Brasil em 21/02/1975 e em outros jornais do país. No ano anterior já tinha enviado ao general Golbery, homem forte do Governo Geisel, apelando: "Como cidadão e chefe de família é que dirijo-me a Vossa Excelência, rogando fazer chegar ao presidente da República o meu apelo extremo, depois de ver frustrados todos os recursos judiciais e extra judiciais permitidos pela ordem jurídica vigente no país (...) para encontrar meu filho. Não venho pedir-lhe que o solte, mas o mínimo que se deve garantir à pessoa humana, isto é, seja processado oficialmente, com o direito de sua família dar-lhe assistência jurídica e principalmente humana". Apesar do silêncio e da negativa sistemática das autoridades, as provas acerca da prisão e desaparecimento dos dois militantes foram sendo coletadas. Inês Etienne Romeu, em seu relatório de prisão, testemunhou que, durante o período em que esteve seqüestrada no sítio clandestino em Petrópolis (RJ), conhecido como "Casa da Morte", dentre outros desaparecidos ali estiveram, no mês de julho de 1971, Walter Ribeiro Novaes, Paulo de Tarso e uma moça, que acredita ser Heleny. Na casa clandestina em Petrópolis, Heleny foi torturada durante três dias, inclusive com choques elétricos na vagina. Paulo de Tarso foi torturado durante 48 horas pelos carcereiros conhecidos por Inês como "Dr. Roberto", "Laecato", "Dr. Guilherme", "Dr. Teixeira", "Zé Gomes" e "Camarão". Colocaram-no no pau-de-arara, deram-lhe choques elétricos e o obrigaram a ingerir grande quantidade de sal. Durante muitas horas Inês ouviu-o suplicando por um pouco de água. Em 08/04/1987, a revista IstoÉ, na reportagem Longe do Ponto Final, publicou declarações do ex-médico, então lotado no DOICODI/ RJ, Amílcar Lobo, que reconheceu ter atendido Paulo de Tarso quando estava preso nas dependências do DOI-CODI/RJ, sem, no entanto, precisar a data. ================================================================================================== + Informações. PAULO DE TARSO CELESTINO DA SILVA FILHO Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu a 26 de maio de 1944 em Morrinhos, Estado de Goiás, filho de Pedro Celestino da Silva e Zuleika Borges Pereira Celestino. Desaparecido aos 27 anos. Presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília. Advogado em Goiânia. Em 24 de março de 1971 foi julgado e condenado à revelia, à pena de 2 anos e 6 meses de reclusão. Foi preso no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1971, juntamente com Eleni Guariba. Inês Etienne Romeu, em seu relatório sobre sua prisão na "Casa da Morte", em Petrópolis, afirma que ouviu Paulo de Tarso sendo torturado naquele aparelho clandestino da repressão, em julho de 1971. Foi interrogado durante 48 horas pelos torturadores conhecidos como Dr. Roberto, Lalcato, Dr. Guilherme, Dr. Teixeira, Zé Gomes e Camarão. Colocaram-no no pau-de-arara, deram-lhe choques elétricos e obrigaram-no a ingerir grande quantidade de sal. Durante muitas horas Inês ouviu-o suplicando por um pouco d'água. Apesar da denúncia pública da OAB, sua prisão não foi reconhecida. Em 8 de abril de 1987, a revista "Isto É", na matéria "Longe do Ponto Final", publicou declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo (cassado em 1989 pelo Conselho Federal de Medicina) que reconheceu que Paulo de Tarso esteve no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data. +===================================================================================== + Detalhes. PAULO DE TARSO CELESTINO DA SILVA (1944-1971) Goiano de Morrinhos, Paulo de Tarso formou-se em direito em Brasília e fez pós-graduação na Sorbonne, em Paris. Companheiros de militância política na ALN informaram que, após a morte de Joaquim Câmara Ferreira, ele era um dos principais dirigentes da organização, utilizava o nome de guerra "Vovô" e tinha recebido treinamento militar em Cuba. Foi preso no Rio de Janeiro, no dia 12/7/1971, por agentes do DOI-Codi/RJ, ao lado de Heleny Ferreira Telles Guariba. O pai de Paulo, Pedro Celestino, advogado e deputado cassado pelo AI-5, usou de todos os meios para descobrir seu paradeiro. Em dezembro de 1971, como resposta à solicitação da OAB, seccional de Brasília, o Ministério do Exército chegou a informar que Paulo de Tarso fora preso por autoridades militares, mas que havia sido entregue à Polícia Federal, mas depois desmentiu o fato, alegando erro. Em 20 de fevereiro de 1975, o então ministro da Justiça Armando Falcão fez um pronunciamento na TV para falar sobre 27 desaparecidos políticos, entre os quais Paulo de Tarso. Na versão do ministro, estavam todos foragidos. Em resposta, Pedro Celestino redigiu carta pública a Falcão, que foi publicada no Jornal do Brasil em 21/2/1975 e em outros jornais do país. No ano anterior já tinha enviado ao general Golbery, homem forte do Governo Geisel, um apelo: Como cidadão e chefe de família é que dirijo-me a Vossa Excelência, [...] depois de ver frustrados todos os recursos judiciais e extrajudiciais permitidos pela ordem jurídica vigente no país [...] para encontrar meu filho. Não venho pedir-lhe que o solte, mas o mínimo que se deve garantir à pessoa humana, isto é, seja processado oficialmente, com o direito de sua família dar-lhe assistência jurídica e principalmente humana. Inês Etienne Romeu testemunhou que, durante o período em que esteve sequestrada em local clandestino em Petrópolis (RJ), conhecido como "Casa da Morte", Paulo de Tarso também passou por lá, no mês de julho de 1971. Ele fora colocado no pau de arara, recebeu choques elétricos e foi obrigado a ingerir grande quantidade de sal. Durante muitas horas Inês ouviu-o suplicando por um pouco de água. Em 8/4/1987, a revista IstoÉ publicou declarações do ex-médico Amílcar Lobo, que reconheceu ter atendido Paulo de Tarso nas dependências do DOI-Codi/RJ. Em Petrópolis, RJ, por solicitação da CEMDP, o Ministério Público Federal determinou um levantamento nos livros de registro dos cemitérios da cidade. O estudo da documentação deu indicações sobre a possível localização dos restos mortais de 19 desaparecidos políticos, inclusive Paulo de Tarso. ============================================================================================================= + Detalhes. Paulo de Tarso Celestino da Silva Filho Ter, 08 de Setembro de 2009 03:02 Heróis do Movimento Estudantil Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu a 26 de maio de 1944 em Morrinhos, Estado de Goiás, filho de Pedro Celestino da Silva e Zuleika Borges Pereira Celestino. Desaparecido aos 27 anos. Presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília. Advogado em Goiânia. Em 24 de março de 1971 foi julgado e condenado à revelia, à pena de 2 anos e 6 meses de reclusão. Foi preso no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1971, juntamente com Eleni Guariba. Inês Etienne Romeu, em seu relatório sobre sua prisão na "Casa da Morte", em Petrópolis, afirma que ouviu Paulo de Tarso sendo torturado naquele aparelho clandestino da repressão, em julho de 1971. Foi interrogado durante 48 horas pelos torturadores conhecidos como Dr. Roberto, Lalcato, Dr. Guilherme, Dr. Teixeira, Zé Gomes e Camarão. Colocaram-no no pau-de-arara, deram-lhe choques elétricos e obrigaram-no a ingerir grande quantidade de sal. Durante muitas horas Inês ouviu-o suplicando por um pouco d'água. Apesar da denúncia pública da OAB, sua prisão não foi reconhecida. Em 8 de abril de 1987, a revista "Isto É", na matéria "Longe do Ponto Final", publicou declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo (cassado em 1989 pelo Conselho Federal de Medicina) que reconheceu que Paulo de Tarso esteve no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data. HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO! ============================================================================================================== Desaparecidos políticos O fenômeno da detenção arbitrária ou seqüestro, seguido do desaparecimento da vitima, se propagou rapidamente na América Latina durante as últimas décadas, em que a maioria dos países foi governada sob a Doutrina de Segurança Nacional. A condição de desaparecido corresponde ao estágio maior do grau de repressão política em um dado pais. Isso porque impede, desde logo, a aplicação dos dispositivos legais estabelecidos em defesa da liberdade pessoal, da integridade física, da dignidade e da própria vida humana, o que constitui um confortável recurso, cada vez mais utilizado pela repressão. O perseguido político, muitas vezes, para manter-se incólume, opta por viver na clandestinidade, longe do grupo comunitário a que pertence, sem contato com a família, e apenas com a esporá­dica ligação com sua agremiação política, também perseguida e obrigada a se manter clandestina. Quando os órgãos de segurança conseguem deter uma pessoa nessas circunstâncias, desse fato não tomam conhecimento a socie­dade, os tribunais, a família, os amigos e os advogados do preso. Isso representa vantagem para os órgãos de repressão, que passam a exercer total poder sobre o preso, para torturá-lo e para exterminá-lo, quando lhes aprouver. Quando se obtém a certeza da prisão, os organismos de segu­rança já eliminaram a vítima e já destruíram todos os vestígios que pudessem levar ao seu paradeiro. A perpetuação do sofrimento, pela incerteza sobre o destino do ente querido, é uma prática de tortura muito mais cruel do que o mais criativo dos engenhos humanos de suplício. No Brasil, alguns desaparecidos foram vistos em dependências oficiais ou clandestinas por outros presos que tiveram melhor sorte. Seus testemunhos constam nos processos analisados pelo Projeto BNM. E sobre os desaparecidos, propriamente ditos, o que emanou de resultado prático na pesquisa realizada, é a certeza de que eram pessoas procuradas pelos órgãos de repressão. Dificilmente os pro­cessos contêm algum tipo de informação que possa levar à desco­berta de seus paradeiros. Isto porque esta forma de repressão pre­tende, de um lado, insinuar que as autoridades governamentais não seriam responsáveis por esses fatos criminosos, e, por outro, per­mitir aos serviços de inteligência maior mobilidade e desenvoltura, sem provocar nenhuma intervenção, quer do Judiciário, quer da imprensa, quer das famílias e dos advogados. O único fato que se sabe sobre um desaparecido é que foi detido por organismos de segurança. O mais se baseia em hipóteses. A vitima quase certamente foi objeto de assassinato impune, sendo enterrada em cemitério clandestino, sob nome falso, geralmente à noite e na qualidade de indigente. No Brasil, existem cerca de 125 cidadãos desaparecidos por mo­tivação política. Os movimentos de anistia e familiares lograram en­contrar alguns deles, sempre enterrados sob falsas identidades, pela policia. Dentre os casos mais significativos, o Projeto BNM destacou alguns exemplares, como o de Mariano Joaquim da Silva, secretário do Sindicato Rural de Timbaúba, Pernambuco, em 1964, e membro do Secretariado Nacional das Ligas Camponesas, lavrador e sapa­teiro, que foi preso no dia 1º de maio de 1971, em Recife, sob a acusação de ser dirigente da VAR-Palmares. O órgão que efetuou sua prisão foi o DOI-CODI-I Exército, tendo sido levado para o Rio de Janeiro. Posteriormente, foi transferido para local clandestino de repres­são em Petrópolis ("Casa da Morte"), onde foi visto por Inês Etienne Romeu. Em seu relatório, Inês afirma ter visto e falado várias vezes com Mariano, que se identificou, tendo-lhe relatado que ali chegara no dia 2 de maio, proveniente de Recife, onde tinha sido preso. Inês foi inclusive "acareada" com Mariano Joaquim da Silva, perante os torturadores, que queriam, por toda a sorte, saber se ambos já se conheciam. Inês relata ter tido contato com Mariano até o dia 31 de maio, quando na madrugada ouviu uma movimen­tação estranha e percebeu que ele estava sendo removido. No dia seguinte, indagou a seus carcereiros sobre Mariano, os quais lhe disseram que ele havia sido transferido para o quartel do Exército no Rio de Janeiro. Desde então, nada mais se soube de Mariano. Na residência que serviu como centro clandestino de torturas, em Petrópolis, referida no capitulo 19, Inês Etienne Romeu viu pessoas que são consideradas "desaparecidas" e ouviu referências sobre outras: [ .................................................................................................................................................. 6. No mês de julho, estiveram na casa dois militantes da VPR e um da ALN. O primeiro penso ser Walter Ribeiro Novais, ex-salva-vidas de Copacabana. Márcio me afirmou que o mataram. Inclusive na época (oito a quatorze de julho de 1971), houve urna ruidosa comemoração, em virtude de sua morte. O segundo, é urna moça que acredito ser Heleni Gua­riba. Foi barbaramente torturada durante 3 dias, inclusive com choques elétricos na vagina, O terceiro é Paulo de Tarso Ce­lestino da Silva, que foi torturado durante quarenta e oito horas por Dr. Roberto, Laecato, Dr. Guilherme, Dr. Teixeira, Zé Gomes e Camarão. Colocaram-no no pau-de-arara, deram-lhe choques elétricos, obrigaram-no a ingerir uma grande quan­tidade de sal. Durante muitas horas o ouvi suplicando por um pouco d'água. ============================================================================================================= Comitê da Verdade e da Justiça de Goiás será lançado dia 11 de agosto Familiares de mortos e desaparecidos políticos, ativistas e organizações não-governamentais que atuam em direitos direitos humanos vão lançar no dia 11 de agosto o Comitê da Verdade e da Justiça de Goiás. Na data, simbólica, comemora-se o Dia do Estudante e o aniversário do Centro Acadêmico XI de Agosto, ,da USP, que teve atuação decisiva no combate à ditadura. ?Goiás também terá o seu Comitê da Verdade e da Justiça que se juntará aos atuais 19 comitês regionais formados no País na luta para ampliar a discussão sobre o projeto de lei que instaura a Comissão Nacional da Verdade, destinada a investigar violações aos direitos humanos cometidas durante o regime militar. Na terça-feira (05/07), na sede do Instituto Brasil Central (IBRACE), representantes do Associação dos Anistiados de Goiás (ANIGO), da assessoria do professor Pedro Wilson Guimarães (ex-Reitor da PUC Goiás), históricos militantes combatentes da ditadura e dos mandatos da deputada federal Marina Sant'Anna e do estadual Mauro Rubem tiveram reunião que deu importante passo nesse sentido. O grupo discutiu a minuta de uma carta-manifesto que será submetida aos ativistas de direitos humanos do Estado e, após aprovada, servirá como base do Comitê da Verdade do Estado de Goiás. O documento (veja a íntegra abaixo) pede a abertura de todos os arquivos políticos secretos brasileiros, a formação da do Comitê de Memória e Verdade de Goiás e da Comissão Nacional da Verdade e da Justiça. "Nossos sonhos são os sonhos de todos os perseguidos, presos, torturados, assassinados e desaparecidos, homens e mulheres que honraram sua história, sua terra, sua gente lutadora por um mundo mais fraterno, solidário, humano e justo", expressa um dos trechos do documento, que cita nominalmente os seguintes desaparecidos políticos: Arno Preis, Cassimiro Luiz de Freitas, Divino Ferreira de Souza, Durvalino Porfírio de Souza, Honestino Monteiro Guimarães, Ismael Silva de Jesus, James Allen Luz, Jeová de Assis, José Porfirio de Souza, Márcio Beck Machado, Marco Antônio Dias Batista, Maria Augusta Thomaz, Ornalino Cândido, Paulo de Tarso Celestino e Rui Vieira Bebert. O Comitê da Verdade e da Justiça de Goiás deverá ser lançado no dia 11 de agosto, às 19h, pelo simbolismo da data (o local ainda será confirmado). Neste dia, no Brasil, se comemora os dias do Estudante, do Advogado, do Jurista e o aniversário de criação do Centro Acadêmico de Direito da USP, que atuou na luta contra a ditadura militar e foi decisivo nas mais relevantes campanhas politicas nacionais, principalmente nos movimentos de defesa do estado democrático de direito. A próxima reunião do grupo será no dia 19 de julho, às 14horas, na sede do IBRACE (Av. Anhanguera, 5.674, 10º andar, sala 1.008, Edificio Palácio do Comércio, Setor Central - em frente ao Jóquei Clube. Participaram do encontro desta terça, 05, Élio Cabral e Marcantônio Dela Corte (ANIGO), Joana Darc Vieira Neto e Maria Deia Vieira (ativistas em direitos humanos, irmãs do vereador Euler Ivo) e Maria Paixão (assessora do professor Pedro Wilson). Fonte: Site da Deputada Federal Marina -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110724/e431b401/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/bmp Size: 19558 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110724/e431b401/attachment-0001.bin -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3483 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110724/e431b401/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 24 13:47:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 24 Jul 2011 13:47:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_V=CDDEOS_DE_TODOS_OS_CANTORES_DO_?= =?iso-8859-1?q?MUNDO______________________________________________?= =?iso-8859-1?q?___HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Francisco Ramalho VÍDEOS DE TODOS OS CANTORES DO MUNDO Para guardar!!! Um espetáculo !!!!!!! ESSE SITE É SIMPLESMENTE FANTÁSTICO. (repeteco) DEPOIS DE ABRIR O SITE, APARECEM OS CANTORES. ENTRETANTO, SE VOCÊ QUISER FAZER BUSCA DE UM PREFERIDO QUE VOCÊ NÃO ACHOU, É SÓ ESCREVER O NOME NA CAIXA QUE APARECE NO VISOR. ABAIXO DO VÍDEO QUE VOCÊ CLICOU, APARECEM TODAS AS MÚSICAS DESSE CANTOR (SE VOCÊ DEIXAR ELAS IRÃO ABRIR TODAS EM SEQUÊNCIA) http://uwall.tv/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110724/57f6f156/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 24 13:47:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 24 Jul 2011 13:47:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite=3A_solenidade_em_comemora?= =?iso-8859-1?q?=E7=E3o_do_centen=E1rio_do_Brigadeiro_Francisco_Tei?= =?iso-8859-1?q?xeira=2E__Dia_25_de_julho_de_2011=2C_=E0s_18=2C00_h?= =?iso-8859-1?q?s_no_9=BA_andar_da_ABI_=2E_Rua_Ara=FAjo_Porto_Alegr?= =?iso-8859-1?q?e=2C_71_-_R_J_-?= Message-ID: <4F07A4E3822D4E15AC454653675FA370@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Homenagem aos 100 Anos do Brigadeiro Francisco Teixeira Brigadeiro Teixeira será homenageado no dia 25 de julho, às 18 horas, no 9º andar da Associação Brasileira de Imprensa-ABI, na Rua Araújo Porto Alegre, 71, Centro - RJ. O Major Brigadeiro Francisco Teixeira, oriundo da Aviação Naval, foi um exemplo de amor à Pátria e à Ordem Legal Vigente, até a data do Golpe Fascista de 1964, em que rasgou a Constituição Federal, traiu o juramento militar;no que diz respeito à Constituição na defesa do território da Soberania Nacional e das autoridades constituídas, tendo, por isso, sido preso e excluído do serviço ativo, junto com todos os militares legalistas e nacionalistas da época. Por ter se rebelado ao golpe militar, o Brigadeiro Teixeira foi perseguido de forma infame, até sua morte, nos deixando um legado de honestidade e integridade pessoal e de respeito à Pátria. Após a cerimônia será servido um coquetel no saguão. Apoio: Associação Brasileira de Imprensa-ABI, Associação Democrática Nacionalista de Militares - ADNAM, Associação dos Engenheiros da Petrobrás -AEPET, O Movimento em Defesa da Economia Nacional -MODECON e o Clube de Engenharia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110724/cd6df20e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 144307 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110724/cd6df20e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 25 20:16:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 25 Jul 2011 20:16:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__MIGUEL_PEREIRA_DOS_SANTOS_____________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CCI-?= Message-ID: <8C5403466CEF42EE90DECA6EDDC5A6C9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MIGUEL PEREIRA DOS SANTOS (1943-1972) Nascido em Recife, Miguel começou a trabalhar quando tinha apenas 13 anos. Em 1964, mudou-se com a família para São Paulo e, nesse mesmo ano, concluiu o curso científico no Colégio de Aplicação da USP. Iniciou cedo sua participação na vida política, filiando-se ao PCdoB. Em 1965, teve de assumir militância clandestina devido à perseguição política. Em 1968, agentes do DOPS, ao procurarem Miguel, interrogaram sua mãe, a quem foram mostradas fotocópias de documentos que teriam sido enviadas pela Central Intelligence Agency - CIA -, dos Estados Unidos, dizendo que ele estivera na China. Por este motivo, a casa de sua mãe foi várias vezes invadida pela polícia política. Quando trocou São Paulo pelo interior do país, residiu na Praia Chata, norte de Goiás, às margens do Rio Tocantins e, posteriormente, no sul do Pará, na localidade de Pau Preto. Integrou o Destacamento C dos guerrilheiros, entre os quais era conhecido como Cazuza. Teria sido morto no dia 20 de setembro de 1972, conforme informação do general Bandeira, responsável pelos interrogatórios no Pelotão de Investigações Criminais da Polícia do Exército. Segundo Regilena Carvalho Leão de Aquino, uma das poucas sobreviventes do Araguaia, a mão direita de Miguel foi cortada para identificação de suas impressões pelos órgãos de segurança. Nos arquivos secretos do DOPSdo Paraná, Miguel está incluso em um fichário com 17 militantes classificados como falecidos. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, afirma que ele "participou ativamente da Guerrilha do Araguaia, onde teria desaparecido em 1972". O "livro secreto" do Exército, divulgado em abril de 2007 pelo jornalista Lucas Figueiredo, registra na página 724 outra data: "Nesse dia (27 de setembro de 1972), o terrorista Miguel Pereira dos Santos (Cazuza), do destacamento C, foi morto numa emboscada". Em A Lei da Selva, Hugo Studart apresenta duas datas para a morte de Miguel. Na página 135, escreve: "No dia 25, um tenente (Felipe Macedo Junior) é ferido com um tiro de espingarda. Nada grave. A 26 de setembro, tomba em combate um guerrilheiro, o primeiro na Operação Papagaio - Miguel Pereira dos Santos, o Cazuza". E na página 372: "MIGUEL PEREIRA DOS SANTOS, Cazuza [...] Foi um dos guerrilheiros mais atuantes, dos mais citados por Velho Mário em seu Diário. PCdoB e Dossiê registram sua morte a 20 SET 72, metralhado na selva". (do livro Habeas Corpus) =========================================================================================== + Informações. MIGUEL PEREIRA DOS SANTOS Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nascido a 12 de julho de 1943, em Recife/PE, filho de Pedro Francisco dos Santos e Helena Pereira dos Santos. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia aos 29 anos. Muito cedo, quando contava apenas 13 anos, começou a trabalhar. Em 1964, mudou-se com a família para São Paulo e, neste mesmo ano concluiu o curso científico no Colégio de Aplicação da USP. Trabalhava no Banco Intercontinental do Brasil. No ano seguinte entrou na clandestinidade por perseguição política. Em 1968, o DOPS, ao procurar Miguel, interrogou sua mãe, ocasião em que o Delegado Wanderico mostrou-lhe fotocópias de documentos de Miguel que teriam sido enviadas pela CIA, e dizendo que Miguel estivera na China. Várias vezes a casa de sua mãe foi invadida pela polícia política. Indo para o campo, residiu inicialmente na Praia Chata, ao norte de Goiás às margens do Rio Tocantins e, posteriormente no sul do Pará, na localidade de Pau Preto, integrando o Destacamento C da guerrilha. Segundo Regilena, ex-guerrilheira do Araguaia, Miguel foi morto no dia 20 de setembro de 1972, conforme informação do General Bandeira de Melo, responsável pelos interrogatórios no Pelotão de Investigações Criminais da Polícia do Exército, em Brasília, onde a mesma se encontrava presa. O Relatório do Ministério do Exército afirma que Miguel "participou ativamente da Guerrilha do Araguaia, onde teria desaparecido em 1972." No movimento guerrilheiro Miguel era conhecido como Cazuza. ============================================================================================= + Detalhes. Qui, 07 de Abril de 2011 15:29 O golpe, os desaparecidos e o direito à verdade Destaque Escrito por FRANCISCO BICUDO (Blog do Borges de Jesus) As lembranças inocentes da primeira infância me dizem que eram tempos estranhos. Não entendia muito bem a movimentação e a correria na praça da igreja matriz, as tropas marchando nas ruas, a cavalaria, as bombas de gás lacrimogêneo, os professores agitados e tensos, os comerciantes apressados fechando suas lojas, as pessoas caminhando com passos largos e acelerados querendo chegar logo em suas casas, os semblantes carrancudos e nervosos espalhados pelas esquinas. Aos sete anos, reconheço que, sem saber ao certo o que estava acontecendo, ficava feliz quando as aulas eram suspensas e saíamos mais cedo da escola, o saudoso colégio São José. Em casa, vivíamos uma espécie de pacto do silêncio motivado pelo medo: eu desconfiava que algo não ia bem, mas não perguntava; como não eram provocados, meus pais não respondiam. São as primeiras memórias que guardo da ditadura militar, na minha São Bernardo, ABC paulista, em 1979. Muitos anos depois, morando então na capital paulista, já tinha conseguido escapar dos limites dos segredos para começar a montar essa história e perceber o tamanho da tragédia que havia se abatido sobre o Brasil no dia 1 de abril de 1964, com o golpe militar - e as perseguições, prisões, censura, exílios, torturas, mortes e desaparecimentos. Ao final da graduação, ao decidir o tema de meu Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo (ECA/USP), conheci Helena Pereira dos Santos, àquela época presidenta do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo. Nascida em Ilha das Flores, interior de Pernambuco, em 1919, Helena conheceu uma infância sofrida, vagando pelas usinas de açúcar da região, com o pai sempre em busca de trabalho. Sonhava ser professora. O pai proibiu. Casada muito jovem, veio para São Paulo em busca do eldorado em março de 1954, já com dois filhos, Miguel e Misael. Enfrentou na megalópole toda sorte de preconceitos - "o nordestino atrasado e preguiçoso, que chega para tirar os nossos empregos". Começou a trabalhar como costureira. Para orgulho da mãe, Miguel, o filho mais velho, terminou o ensino secundário na Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo e entrou em Agronomia na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq, em Piracicaba. Pouco mais de um ano depois, em 1965, aos 19 anos, abandonaria o curso, dizendo para a mãe que "queria conhecer o mundo". Terminou um namoro de quatro anos. Mergulhou na militância política e logo caiu na clandestinidade, para finalmente participar da Guerrilha do Araguaia, integrando o exército revolucionário popular mantido pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B). Helena passou anos sem ter notícias do primogênito. Com a Anistia, conseguiu confirmar que Miguel combatera mesmo no Araguaia. Em 1979, decidiu procurar José Genoino, que a colocou em contato com João Amazonas. Consternado, o então presidente do PC do B confirmou a morte de Miguel na guerrilha, vítima das forças de repressão. "Ele me disse que foi uma perda irreparável, que o Miguel era muito dedicado e preparado, que era ele quem abria os caminhos na selva para os companheiros passarem", me contou Helena, durante a produção do TCC. Os anos restantes da vida dela foram incansavelmente dedicados a buscar informações sobre as condições da morte - e o corpo - do filho, que a ditadura (e depois a democracia) insistia em lhe negar. Participou de caravanas ao Araguaia, de reuniões com representantes dos governos e das forças armadas, presidiu o Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo. Faleceu em 28 de novembro de 1996, sem conseguir reencontrar e enterrar Miguel. Quando viu o filho pela última vez, em 1967, estava doente, tinha sido operada e se recuperava da cirurgia. Foram apenas 15 minutos. "Ele estava muito maltratado, magro, um bigode enorme. Quase nem reconheci. Chorou nos meus braços", lembrou, sempre em nossos encontros para o TCC. Miguel Pereira dos Santos, conhecido também pelo codinome Cazuza, é um dos 379 mortos e desaparecidos políticos assassinados pela ditadura militar brasileira. De acordo com depoimentos de companheiros, foi morto pelas forças armadas em 20 de setembro de 1972. Na Argentina, foram julgados e condenados 486 ex-militares por terrorismo de Estado ou violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar que governou o país vizinho (1976-1983). No Brasil, torturadores e militares que participaram da repressão seguem impunes. Muitos dos arquivos produzidos sobre o período continuam fechados, secretos e inacessíveis. A História recente do país vem sendo apagada. "Lamentavelmente, temos que dizer que as forças armadas brasileiras, as daquele período histórico, têm as mãos sujas de sangue. Essa gente tem nome e sobrenome. Daí a importância do resgate da verdade. Se ainda estão vivos, torturadores e assassinos precisam ser punidos, e o primeiro passo é o conhecimento da verdade. Não há prescrição para esse tipo de crime. Não pode haver. À luz do direito internacional, do nosso direito e à luz dos direitos humanos", escreve o jornalista e deputado federal Emiliano José (PT/SP), em artigo publicado pela Agência Carta Maior. Ele continua: "a Comissão da Verdade quer apenas a verdade, o exercício do direito à verdade, à memória. O direito que tem qualquer pai, qualquer mãe de família, qualquer parente de saber o que ocorreu com seus entes queridos, muitos deles desaparecidos, milhares torturados pelos criminosos fardados ou não sob as ordens dos generais-presidentes entre 1964 e 1985". Em entrevista publicada originalmente pelo jornal "O Estado de São Paulo", o cientista político Paulo Sergio Pinheiro afirmou que "é preciso saber a verdade sobre os crimes cometidos pelos agentes do Estado. O que aconteceu com os dissidentes estamos cansados de saber". Segundo o pesquisador, "as pesquisas mostram que nos países onde houve Comissões da Verdade as democracias tornaram-se muito mais eficientes, os crimes contra os direitos humanos diminuíram e se tortura muito menos. No Brasil, os torturadores atuais continuam torturando, apesar de ser crime. Eles acham que está tudo numa boa, que não acontecerá nada". Basta. O silêncio é também criminoso, nefasto. Não é mais possível aceitar que a História nos seja negada. Nesse aspecto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou profunda decepção. Espera-se que a presidenta Dilma Rousseff, que carrega no corpo e na alma as marcas da tortura, crie finalmente a Comissão da Verdade, com poderes para investigar, publicizar e estabelecer responsabilidades pelos crimes cometidos pelas forças da ditadura, entre 1964 e 1985. Para que não caiam no esquecimento as trajetórias de sonhos, de esperanças, de lutas e de resistências de Helena e de Miguel Pereira dos Santos, a quem presto reverência e homenagem, na semana em que o golpe completa 47 anos. Francisco Bicudo é jornalista e professor de Comunicação na Universidade Anhembi Morumbi. Blog: http://www.oblogdochico.blogspot.com/ ============================================================================================= + Ficha. Miguel Pereira dos Santos Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Miguel Pereira dos Santos Cidade: (onde nasceu) Recife Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 12/7/1943 Atividade: Bancário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Cazuza Morto ou Desaparecido: Desaparecido 20/9/1972 PA Brasil região do Araguaia Conforme informação do General Bandeira de Melo, citando depoimento da guerrilheira Regilena. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) General Bandeira de Melo , Wanderico -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110725/e9f47a1c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7481 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110725/e9f47a1c/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 41758 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110725/e9f47a1c/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jul 25 20:16:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 25 Jul 2011 20:16:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Acesso_e_qualidade_em_sa=C3=BAde=3A_e_?= =?utf-8?q?+_A_LISTA_DOS_MEDICAMENTOS_QUE_O_GOVERNO_FORNECE_GRATUIT?= =?utf-8?q?AMENTE=2E_______HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_?= =?utf-8?b?U0HDmkRFIEUgQUxJTUVOVEHDh8ODTy4=?= Message-ID: <00D7D2424A444AFC8C29453CBAE55BFF@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Acesso e qualidade em saúde: seis meses enfrentando uma das prioridades do governo Dilma O Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que optou pela construção de um sistema nacional universal público de saúde, o SUS. Apesar dos avanços desde 2003, quando aceitei o convite da presidenta Dilma para o Ministério da Saúde, sabia que assumiria o desafio de um dos principais problemas em todos os níveis de gestão da nossa federação. Com seis meses de trabalho e parceria com estados, municípios e sociedade, já temos resultados que mudam a vida das pessoas: ? Redução de 45% de mortes por dengue e de 32% de casos de malária, comparando o primeiro semestre deste ano com o do ano passado. ? Com a Saúde Não Tem Preço, lançado em janeiro, o número de hipertensos com acesso gratuito a medicamentos aumentou em 190% e, no caso dos diabéticos, em 133%. ? Em junho deste ano, 2,8 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo Aqui Tem Farmácia Popular, 1,6 milhão a mais que o registrado no início do Saúde Não Tem Preço. ? Chegamos a 17 mil farmácias credenciadas na rede Aqui tem Farmácia Popular, número superior a soma de agências do Banco do Brasil, Caixa e Correios. ? Foram vacinadas 10,5 milhões de pessoas a mais contra gripe em comparação a 2010. Pela primeira vez, gestantes e crianças participaram da campanha. ? A campanha de vacinação contra pólio superou a meta histórica, atingindo 99% das crianças de até 5 anos de idade. ? Novo regulamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu tempo máximo de espera para planos de saúde e direitos na portabilidade e condições para aposentados. ? Recorde de ressarcimento dos planos de saúde: o total arrecadado nos primeiros seis meses deste ano é superior ao valor dos últimos cinco anos. ? Pacto assinado com a indústria de alimentos e varejo reduz a quantidade de sódio nos alimentos, um dos principais fatores de risco para hipertensão. ? Novas regras para doação de sangue aumentaram a segurança e jovens a partir dos 16 anos e idosos de até 68 podem doar sangue e ajudar a salvar vidas. ? 630 novos leitos de UTI foram credenciados em todo o país, o maior número dos últimos três anos. ? Houve um aumento de 60% na oferta de teste rápido para AIDS e, com a definição de novas regras para o tratamento de hepatite C, ampliamos o acesso ao tratamento dessa doença. ? O Brasil Sorridente passou a oferecer implante dentário e atendimento na área de ortodontia. ? Início do programa nacional de reforma, ampliação e construção de Unidades Básicas de Saúde em todo o país ? aberto para estados e municípios. ? O programa Academias da Saúde vai repassar recursos para custeio de equipes especializadas e construção de áreasapropriadas para a prática de exercícios físicos e de lazer. ? Mudança na forma de financiamento por meio do programa de qualidade na atenção básica, aumentando os recursos para as equipes dos municípios queatinjam metas de qualidade no atendimento à população. ? Novo critério de repasse para atenção básica privilegia municípios mais pobres e rurais ? A Saúde da Mulher passou a ser prioridade, com a adoção de ações de notificação e acolhimento às vítimas de violência, com o programa do câncer de colo de útero e mama e a Rede Cegonha. ? Pela primeira vez, cada um dos mamógrafos do país foi vistoriado. O diagnóstico aponta soluções para a oferta deste exame a todas as mulheres que tenham indicação. ? Economia de R$ 630 milhões com adoção de novo modelo de compra de insumos e medicamentos, ampliando serviços. ? Medidas para o maior controle do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) levaram ao descadastramento de profissionaiscom vínculos irregulares. ? Está no ar o Portal Transparência, aberto ao público para consulta dos repasses fundo a fundo feitos para os municípios e estados. ? Incentivo para os médicos atuarem em áreas onde o SUS precisa, por meio da redução da dívida pelo FIEs, crédito educacional para estudantes se formarem na faculdade privadas/filantrópicas. ? Foram assinadas novas parcerias entre empresas públicas e privadas para produção de medicamentos no país, totalizando 28 acordos. ? O Saúde Toda Hora, nova rede de urgência e emergência, além de garantir a expansão das UPAs e do SAMU, vai reformar os principais Prontos Socorros, criar enfermarias de retaguarda, unidades coronarianas para o infarto e um programa de atenção domiciliar do SUS. ? A presidenta Dilma assinou decreto que regulamenta a lei que criou o SUS ? um marco histórico que cria metas e responsabilidade dos entes federativos em cada região, com a saúde. Em seis meses, conseguimos incluir novos serviços e ampliar a atenção em diferentes áreas. Em breve, outras políticas inovadoras serão apresentadas e construídas de forma conjunta com os estados e municípios. Estamos dialogando com as entidades de saúde mental, estados e municípios para reformularmos nossa política de enfrentamento ao crack, álcool e outras drogas. Queremos implantar em todo o Brasil o Cartão SUS (Cartão Nacional de Saúde), uma iniciativa decisiva para aumentar as ações de controle e aprimorar a gestão da saúde pública. Outro ponto fundamental é o fortalecimento do setor saúde, com a fabricação de produtos biotecnológicos e possibilidade de ofertar vacinas para o mercado global. Nada fará sentido se não tivermos humildade para compreender que há muito por fazer com uma obsessão maior, que é melhorar o acesso e a qualidade do atendimento a mais de 190 milhões de brasileiros. Esta é a prioridade estabelecida pela presidenta Dilma e que hoje é tema de debate da sociedade nas conferências municipais e estaduais até nossa 14ª Conferência Nacional de Saúde, em novembro. Todos usam o SUS. Vamos cuidar bem e fazer valer de fato esta conquista do povo e da democracia brasileira. Alexandre Padilha é ministro de Saúde. ================================================================================= ----- Original Message ----- From: urarianoms clique http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/rol_med_fp2_cod_031210.pdf A LISTA DOS MEDICAMENTOS QUE O GOVERNO FORNECE GRATUITAMENTE APÓS 16 DE FEVEREIRO PARA TODOS QUE NECESSITAREM. BASTA LEVAR A RECEITA E SEU CPF MAIS IDENTIDADE A QUALQUER FARMÁCIA POPULAR. REMÉDIOS PARA ANTICONCEPÇÃO, ASMA, DIABETES, DOENÇA DE PARKINSON, GLAUCOMA, HIPERTENSÃO, OSTEOPOROSE, RINITE E OUTROS ESTÃO DISPONíVEIS à TODA POPULAÇÃO. CONFIRA Faça esta lista correr! Envie aos seus amigos e familiares -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110725/6e3c2667/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110725/6e3c2667/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 26 20:26:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 26 Jul 2011 20:26:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__FRANCISCO_JOS=C9_DE_OLIVEIRA__________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CCII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA (1943-1971) Filiação: Maria das Neves Knalfec Oliveira e Olívio Oliveira Data e local de nascimento: 05/04/1943, Cabrália Paulista (SP) Organização política ou atividade: MOLIPO Data e local da morte: 05/11/1971, São Paulo (SP) Relator: Suzana Keniger Lisbôa Deferido em: 18/03/1996 por 6x1 (voto contra do general Oswaldo Pereira Gomes) Francisco José de Oliveira, conhecido pelos amigos como "Chico Dialético", era aluno de Ciências Sociais na USP, participante do Movimento Estudantil e foi militante da DISP até 1968. Ingressou na ALN em 1969 e conseguiu escapar, em 03/09/1969, da perseguição policial que levou à morte de José Wilson Sabag, em São Paulo. Pouco depois desse episódio, decidiu refugiar-se em Cuba, onde participou de treinamentos de guerrilha. Retornou ao Brasil em 1971, como militante do MOLIPO. Segundo a versão oficial, Chico morreu em São Paulo (SP), no dia 05/11/1971, após enfrentamento com agentes do DOI-CODI/SP na rua Turiassu, zona oeste da capital paulista. Comunicado dos órgãos de segurança informou que, no tiroteio ocorrido, teria sido baleado na perna o delegado Antonio Vilela, que servia naquele DOI. Conseguiu escapar do cerco policial a militante do MOLIPO Maria Augusta Thomaz, que relatou a seus companheiros de clandestinidade ter visto Francisco sendo atingido por disparos dos policiais. Ela também seria morta em 1973 e seu nome integra a lista de 136 desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95 . Antes do exame da documentação sobre o caso no processo formado junto à CEMDP, os familiares denunciavam que Francisco José tinha sido morto naquela rua, alvejado por uma rajada de metralhadora nas costas, quando tentava fugir. Enterrado com nome falso no Cemitério Dom Bosco, em Perus, seus restos mortais foram colocados na vala comum descoberta em 1990, conforme já mencionado neste livro-relatório. Existe a possibilidade de que corresponda a ele uma das ossadas que aguardam identificação científica a partir dos exames de DNA, sob os cuidados da CEMDP. O laudo de necropsia foi lavrado com o nome falso de Dario Marcondes, sendo assinado pelos legistas Mario Nelson Matte e José Henrique da Fonseca, que descrevem vários tiros, entre eles um que provavelmente abateu Francisco: o projétil penetrou na região lombar, linha média, contornou a coluna, lesou alças intestinais delgadas e se alojou na parede anterior do abdômen, ao nível da cicatriz umbilical. A relatora do processo na CEMDP destacou que o laudo registra ainda outros seis tiros, sendo digno de nota um que sugere ter sido disparado quando Francisco já estava abatido: o projétil penetrou no ângulo nasogeniano esquerdo, lesou a língua, desceu por diante da coluna cervical, passou por trás da clavícula esquerda e se exteriorizou na região axilar direita. Contradição flagrante foi detectada na comparação entre esse laudo, que não descreve edemas e escoriações no rosto, queixo, olho direito e pescoço, e a foto do IML onde esses sinais estão perfeitamente visíveis. Além disso, o laudo está lavrado com nome falso, embora haja anotações ao lado com a identidade verdadeira. A requisição de exame ao IML, marcada com um "T" (terrorista) em vermelho e registrada como homicídio, foi feita em nome de Dario Marcondes, apesar de ter sido fichado e fotografado, conforme requisição encontrada no DOPS, com a data de 5 de novembro, 16 horas. No verso da requisição, a data de entrada no necrotério é do dia 4, às 20 horas. Seu corpo, portanto, teria dado entrada no IML, sem roupas, antes da data da morte no suposto tiroteio, mas teria saído para o Cemitério de Perus às 10h do dia 06/11. A mesma requisição de exame foi encontrada no DOPS com o nome verdadeiro - Francisco José de Oliveira, vulgo Amaro - e sem a identificação da ocorrência de homicídio. A relatora na CEMDP ponderou em seu voto que Francisco dera entrada no necrotério quase 24 horas antes de ser morto, com nome falso e fotografado como desconhecido, apesar de identificado pelos órgãos de segurança. Concluiu pela evidente tentativa de ocultação da prisão, tortura e morte, votando pelo deferimento, no que foi acompanhada pelos demais integrantes da Comissão Especial, com exceção de um voto discordante. ============================================================================================================== + Informações. FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nascido em Cabrália Paulista a 22 de fevereiro de 1943, filho de Olívio Oliveira e Maria das Neves Knafelc. Estudante de Ciências Sociais na USP. Morto no dia 5 de novembro de 1971, na Rua Turiassú, bairro de Pompéia, em São Paulo. Francisco e uma companheira foram surpreendidos em uma lanchonete na rua Turiassú. Assim que foram reconhecidos, iniciou-se um violento tiroteio, no qual Francisco foi ferido gravemente. A companheira conseguiu fugir. Francisco, embora ferido, tentou ainda escapar dos policiais chefiados pelo delegado Antônio Vilela, mas foi atingido pelas costas por uma rajada de metralhadora. Além do delegado Vilela, participou do seu assassinato, o investigador Osvaldo Pinheiro do Amaral. O laudo de necrópsia, assinado pelos médicos legistas Mário Nelson Matte e José Henrique da Fonseca, é feito com o nome falso de Dario Marcondes, sendo que, em anotação feita à mão está o nome verdadeiro Francisco José de Oliveira. No doc. 30-Z-165-118, encontrado no arquivo do DOPS/SP, ao lado de um xerox de identidade de nome Dario Marcondes, está anotado à máquina, nome, filiação e data de nascimento de Francisco José de Oliveira. No entanto, a certidão de óbito é feita em nome de Dario Marcondes, mostrando a intenção dos órgãos de repressão de manter escondida a sua verdadeira identidade. Sepultado como indigente no Cemitério Dom Bosco foi colocado na Vala de Perus e, encontra-se hoje na UNICAMP para ser identificado. Segundo os Relatórios dos Ministérios da Aeronáutica e da Marinha, "no dia 5/11/71, em São Paulo/SP, ao encontrar-se com outro terrorista, agentes de segurança tentaram realizar a sua prisão, reagindo a tiros, sendo morto". =============================================================================================== + Informações. Francisco José de Oliveira Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nascido em Cabrália Paulista a 22 de fevereiro de 1943, filho de Olívio Oliveira e Maria das Neves Knafelc. Estudante de Ciências Sociais na USP. Morto no dia 5 de novembro de 1971, na Rua Turiassú, bairro de Pompéia, em São Paulo. Francisco e uma companheira foram surpreendidos em uma lanchonete na rua Turiassú. Assim que foram reconhecidos, iniciou-se um violento tiroteio, no qual Francisco foi ferido gravemente. A companheira conseguiu fugir. Francisco, embora ferido, tentou ainda escapar dos policiais chefiados pelo delegado Antônio Vilela, mas foi atingido pelas costas por uma rajada de metralhadora. Além do delegado Vilela, participou do seu assassinato, o investigador Osvaldo Pinheiro do Amaral. O laudo de necrópsia, assinado pelos médicos legistas Mário Nelson Matte e José Henrique da Fonseca, é feito com o nome falso de Dario Marcondes, sendo que, em anotação feita à mão está o nome verdadeiro Francisco José de Oliveira. No doc. 30-Z-165-118, encontrado no arquivo do DOPS/SP, ao lado de um xerox de identidade de nome Dario Marcondes, está anotado à máquina, nome, filiação e data de nascimento de Francisco José de Oliveira. No entanto, a certidão de óbito é feita em nome de Dario Marcondes, mostrando a intenção dos órgãos de repressão de manter escondida a sua verdadeira identidade. Sepultado como indigente no Cemitério Dom Bosco foi colocado na Vala de Perus e, encontra-se hoje na UNICAMP para ser identificado. Segundo os Relatórios dos Ministérios da Aeronáutica e da Marinha, "no dia 5/11/71, em São Paulo/SP, ao encontrar-se com outro terrorista, agentes de segurança tentaram realizar a sua prisão, reagindo a tiros, sendo morto". Perus abrigou cadáveres sem identificação Folha de São Paulo, 25 de maio de 2003 DA SUCURSAL DO RIO Construído no começo dos anos 1970, o cemitério de Perus foi depósito de cadáveres sem identificação (alguns de vítimas do esquadrão da morte), de ativistas de esquerda e indigentes. Desde o final daquela década as famílias começaram a descobrir os restos de militantes políticos enterrados no local, conforme o livro "Mortos e Desaparecidos Políticos: Reparação ou Impunidade?" (Humanitas, 2000), da historiadora Janaína Teles. Em 1990, foi descoberta uma vala clandestina. Em 1992, as famílias supuseram ter encontrado os restos de Torigoe e de outro militante, Luiz José da Cunha (neste caso não há confirmação). As ossadas -1.049 da vala e algumas dos anos seguintes- foram levadas para a Unicamp, a fim de identificar quais seriam de desaparecidos políticos. Na universidade, passaram boa parte do tempo armazenadas sem os devidos cuidados técnicos, com sacos abertos e restos de móveis jogados por cima. Em 2000, a pedido das famílias, foram transferidas para a USP, cujo Departamento de Medicina Legal as está analisando, sob a coordenação do professor Daniel Muñoz. Mais corpos As famílias dos mortos estimam que, além dos restos de Hiroaki Torigoe, ainda estão em Perus, com certeza, os de Luiz Hirata e de José Milton Barbosa. "Deve haver mais", diz Suzana Lisboa, cujo corpo do marido, o guerrilheiro Luiz Eurico Lisboa, foi desenterrado nos anos 1980 no cemitério paulistano. Suspeita-se que nas ossadas recolhidas na vala estejam as de Flávio Molina, Dimas Casemiro, Francisco José de Oliveira e Grenaldo de Jesus da Silva. Se não estiverem na USP, estão no cemitério, cujos livros registram que lá foram enterradas na vala. Os restos de cinco mortos (dois deles da vala) foram identificados nos anos 1990. Antes, pelo menos seis, todos de covas individuais. (MM) =================================================================================================== + Informações. FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA (1943-1971) Paulista de Cabrália Paulista, Francisco era conhecido pelos amigos como "Chico Dialético". Era aluno de Ciências Sociais na USP, participante do movimento estudantil e militante da Disp (Dissidência Universitária de São Paulo - PCB) até 1968, tendo ingressado na ALN em 1969. Conseguiu escapar, em 3 de setembro de 1969, da perseguição policial que levou à morte de José Wilson Sabag, em São Paulo. Refugiado em Cuba, recebeu treinamento de guerrilha e retornou ao Brasil em 1971, como militante do Molipo. Segundo a versão oficial, Francisco morreu no dia 5 de novembro de 1971, após enfrentamento com agentes do DOI-Codi/SP na rua Turiassu, zona oeste da capital paulista. Comunicado dos órgãos de segurança informou que, no tiroteio ocorrido, teria sido baleado na perna o delegado Antonio Vilela, que servia naquele DOI. Conseguiu escapar do cerco policial a militante do Molipo Maria Augusta Thomaz, que relatou a seus companheiros ter visto Francisco sendo atingido por disparos dos policiais. Ela também seria morta em 1973. Antes do exame da documentação sobre o caso no processo formado junto à CEMDP, os familiares denunciavam que Francisco tinha sido morto naquela rua, alvejado por uma rajada de metralhadora nas costas, quando tentava fugir. Enterrado com nome falso no cemitério Dom Bosco, em Perus, seus restos mortais foram colocados na vala comum descoberta em 1990. Existe a possibilidade de que corresponda a ele uma das ossadas que aguardam identificação. O laudo de necropsia foi lavrado com o nome falso e assinado pelos legistas Mario Nelson Matte e José Henrique da Fonseca, que descrevem vários tiros. Contradição flagrante foi detectada na comparação entre esse laudo, que não descreve edemas e escoriações no rosto, queixo, olho direito e pescoço, e a foto do IML onde esses sinais estão perfeitamente visíveis. Há, além disso, anotações ao lado que indicam a identidade verdadeira. A requisição de exame ao IML, marcada com um "T" (terrorista) em vermelho e registrada como homicídio, foi feita em nome de Dario Marcondes, apesar de Francisco ter sido fichado e fotografado, conforme requisição encontrada no Dops, com a data de 5 de novembro, 16h. No verso da requisição, a data de entrada no necrotério é do dia 4, às 20h. Seu corpo, portanto, teria dado entrada no IML, sem roupas, antes da data da morte no suposto tiroteio, mas teria saído para o Cemitério de Perus às 10h do dia 6 de novembro. A mesma requisição de exame foi encontrada no Dops com o nome verdadeiro - Francisco José de Oliveira, vulgo Amaro - e sem a identificação da ocorrência de homicídio. A relatora na CEMDP ressaltou a contradição de que Francisco, segundo consta, teria dado entrada no necrotério quase 24 horas antes de ser morto, com nome falso e fotografado como desconhecido, apesar de identificado pelos órgãos de segurança. Concluiu pela evidente tentativa de ocultação da prisão, tortura e morte. ===================================================================================================== + Detalhes. FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nascido em Cabrália Paulista a 22 de fevereiro de 1943, [...] Estudante de Ciências Sociais na USP. Morto no dia 5 de novembro de 1971, na Rua Turiassú, bairro de Pompéia, em são Paulo. Francisco e uma companheira foram surpreendidos em uma lanchonete na Rua Turiassú. Assim que foram reconhecidos, iniciou-se em violento tiroteio, no qual Francisco foi gravemente ferido, tentou ainda escapar dos policiais chefiados pelo delegado Antônio Vilela, ma foi atingido pelas costas por uma rajada de metralhadora. Além do delegado Vilela, participou do seu assassinato, o investigador Osvaldo Pinheiro do Amaral. O laudo da necrópsia, assinado pelos médicos legistas Mário Nelson Matte e José Henrique da Fonseca, é feito com o nome de Dário Marcondes, sendo que, em anotação feita à mão está o nome verdadeiro Francisco José de Oliveira. No doc. 30-Z165-118, encontrado no DOPS/SP, ao lado de um Xerox de identidade de nome Dário Marcondes, está anotado à máquina, nome, filiação e data de nascimento de Francisco Joe de Oliveira. No entanto, a certidão de óbito é feita em nome de Dario Marcondes, mostrando a intenção dos órgãos de repressão de manter escondida a sua verdadeira identidade. Sepultado como indigente no Cemitério Dom Bosco foi colocado na Vala de Perus e, encontra-se hoje na UNICAMP para ser identificado. Segundo os Relatórios dos Ministérios da Aeronáutica e da Marinha, "no dia 5/11/71, em São Paulo/SP, ao encontrar-se com outro terrorista, agentes de segurança tentaram realizar a sua prisão, reagindo a tiros, sendo morto. ========================================================================================================== Ficha Francisco José de Oliveira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Francisco José de Oliveira Cidade: (onde nasceu) Cabrália Paulista Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 22/2/1943 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade de São Paulo USP Dados da Militância Organização: (na qual militava) Movimento de Libertação Popular MOLIPO Brasil Nome falso: (Codinome) Amaro, Floro Frisch, Dario Marcondes Morto ou Desaparecido: Morto 4/11/1971 São Paulo SP Brasil R. Turiassú, Pompéia Segundo companheiros. Clandestinidade Morto 5/11/1971 São Paulo SP Brasil Segundo os Relatórios dos Ministérios da Aeronáutica e da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Antônio Vilela , Osvaldo Pinheiro do Amaral Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) José Henrique da Fonseca, Luiz Alves Ferreira, Mário Nelson Matte Biografia Documentos Artigo de jornal Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP. Relatório Documento do arquivo do DOPS intitulado "Relação de aparelhos estourados nos meados de julho de 1971 a fevereiro de 1972". Entre outros, cita os aparelhos do MOLIPO pertencentes a Aylton Adalberto Mortati, na Rua Cervantes, Vila Prudente, Francisco José de Oliveira, na Rua Capote Valente, Flávio Carvalho Molina, na Rua Gonçalves Dias, Eduardo Antônio da Fonseca, na Praça Laurindo de Brito, e Frederico Eduardo Mayr, na Rua Arujá, em São Paulo, SP. Relatório Documento do Ministério do Exército, de 19/09/77, comunicando "estouro" pelo DOI-CODI de um "aparelho" do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO) na Vila Prudente, São Paulo, SP, onde residiam Aylton Adalberto Mortati, José Roberto Arantes de Almeida e Maria Augusta Thomaz. Cita que, dentre inúmeros materiais e documentos, foi encontrado passaporte adulterado de Flora Frisch para Floro Frisch, utilizado por Francisco José de Oliveira, morto em 05/11/71, em parte de seu trajeto de Cuba para o Brasil. O documento apresenta carimbo do DOPS. Relatório Documento do Ministério da Aeronáutica, de 08/12/71. Traz relação de nomes de pessoas que fizeram curso de "terrorismo" em Cuba e de pessoas banidas do território nacional que retornaram ao país, dando continuidade às suas atividades políticas. O documento possui carimbo do DOPS. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 18/03/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Nella Oliveira Menin, irmã de Francisco José de Oliveira, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Francisco e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Francisco José de Oliveira, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110726/c7155996/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5018 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110726/c7155996/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5018 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110726/c7155996/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jul 26 20:26:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 26 Jul 2011 20:26:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_IMPORTANT=CDSSIMO=3A_AMANH=C3?= =?windows-1252?q?=2C=2827=29_TODOS_PRESENTES=3A_Testemunhas_de_a?= =?windows-1252?q?=E7=E3o_contra_coronel_Ustra_ser=E3o_ouvidas=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas e Amig at S TODOS PRESENTES!!! O Tribunal de Justiça de São Paulo ouvirá testemunhas de ação contra o coronel Brilhante Ustra movida pela família do jornalista LUIZ EDUARDO MERLINO AMANHÃ QUARTA-FEIRA 27 de julho de 2011 HORÁRIO 14h30 FÓRUM JOÃO MENDES Centro de São Paulo NOS ENCONTRAMOS LÁ Putabraço Alipio Freire ---------------------------- Testemunhas de ação contra coronel Ustra serão ouvidas AMANHÃ, dia 27 de julho O Tribunal de Justiça de São Paulo marcou a audiência da ação movida pela família do jornalista Luiz Eduardo Merlino no dia 27 de julho, às 14h30, no Fórum João Mendes, centro da capital paulista. O Tribunal de Justiça de São Paulo ouvirá, em julho, as testemunhas que presenciaram a tortura e morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, em audiência da ação movida por sua família contra o coronel reformado do Exército Brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra ? como o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humano Paulo de Tarso Vanucchi . Do outro lado, entre as testemunhas arroladas por Ustra está o senador e ex-presidente José Sarney. Merlino foi torturado e assassinado em São Paulo, em julho de 1971, nas dependências do Doi-Codi, centro de tortura comandado por Ustra entre outubro de 1969 e dezembro de 1973. A audiência acontece no mês em que se completam 40 anos do assassinato do jornalista. Além de Vanucchi, devem depor sobre o crime o historiador e escritor Joel Rufino dos Santos e ex-militantes do POC (Partido Operário Comunista), organização na qual Merlino militava, como Eleonora Menicucci de Oliveira, Laurindo Junqueira Filho, Leane de Almeida e Otacílio Cecchini. Entre as testemunhas de defesa arroladas por Ustra, que serão ouvidas por carta precatória, estão ainda o ex-ministro Jarbas Passarinho, um coronel e três generais da reserva do Exército Brasileiro, Gélio Augusto Barbosa Fregapani Paulo Chagas, Raymundo Maximiano Negrão Torres e Valter Bischoff A ação por danos morais está sendo movida pela irmã do jornalista, Regina Maria Merlino Dias de Almeida, e sua ex-companheira, Angela Mendes de Almeida e é subscrita pelos advogados Fábio Konder Comparato, Claudineu de Melo e Aníbal Castro de Souza. Em 2008, Ustra foi declarado torturador pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em ação movida pela família Teles. Esta é a segunda ação movida pela família de Merlino contra o coronel da reserva do Exército. Merlino era jornalista. Trabalhou nas publicações Jornal da Tarde e Folha da Tarde . Era militante do Partido Operário Comunista (POC). O quê Audiência testemunhas ação contra o coronel Ustra Quando Dia 27 de julho, às 14h30 Onde Fórum João Mendes, Pça. João Mendes, s/n - Centro, São Paulo Mais informações (11) 8327-5319 Tatiana __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110726/ec7df7fb/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jul 27 20:26:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 27 Jul 2011 20:26:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__DIVINO_FERREIRA_DE_SOUZA______________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CCIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem DIVINO FERREIRA DE SOUZA (1942-1973) Filiação: Maria Gomes Santos e José Ferreira de Souza Data e local de nascimento: 12/09/1942, Caldas Novas (GO) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 13 ou 14/10/1973 Filho de uma família pequena, tinha apenas uma irmã, Terezinha. A família mudou-se de Caldas Novas para Goiânia em 1947. Já aos 8 anos de idade, passou a trabalhar vendendo jornais. Ainda estudante do Colégio Comércio de Campinas, participou de várias greves. Em 1961 tornou-se membro da União Goiana dos Estudantes Secundaristas. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, atribui a ele a participação em um assalto ao Tiro de Guerra de Anápolis (GO), em 1965, de onde foram roubadas armas e munições. Em 1966, Divino viajou para a China junto com Michéas Gomes de Almeida, o Zezinho do Araguaia, que retirou da área Ângelo Arroyo no início de 1974. Numa escala no aeroporto de Karachi, no Paquistão, a CIA teria retido por duas horas o avião querendo prender Divino. A solidariedade dos demais passageiros teria inviabilizado a tentativa da agência norte-americana de inteligência e o grupo conseguiu chegar a Pequim, onde recebeu capacitação política e militar. Depois da China, Divino regressou clandestinamente ao Brasil, indo viver no interior de Goiás e depois no Araguaia, na região de Brejo Grande, onde trabalhava como comerciante e agricultor. Lá passou a integrar o destacamento A da Guerrilha, sendo conhecido por Nunes. As condições em que foi morto já foram detalhadas na descrição das mortes anteriores. O Relatório do Ministério da Marinha o relaciona entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural pelo Comitê Central do PCdoB, em Xambioá, e traz como data da morte 14/12/1973, aparentemente por equívoco em relação ao mês. Há convergentes informações no sentido de que Divino foi preso vivo. O jornalista Elio Gaspari registrou em A Ditadura Escancarada: "Um dos mortos era Zé Carlos, filho de Grabois. O oficial que comandava a tropa mandou que o mateiro Vanu os enterrasse na direção do rio. Um dos feridos era Nunes, um veterano do curso na China, que vivera como comerciante na região. Enquanto foi interrogado na mata, ameaçou os militares com a possibilidade da chegada da imprensa e da televisão àquele pedaço de selva, para que registrassem o que lá acontecia. O outro era Antonio Alfredo Campos, um lavrador analfabeto. Foram levados de helicóptero para a Casa Azul e assassinados". Ainda mais contundente é o depoimento prestado pelo guia Manoel Leal Lima, o Vanu, em 28/01/2001, aos procuradores da República Marlon Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Junior: "Que na primeira vez que foi usado como guia foi para a localidade chamada Caçador, acompanhando o Major Adurbo e o Sargento Silva, um Cabo e cinco soldados; Que dormiram na mata e no outro dia, por volta de três a quatro horas da tarde ouviram tiros, foram em direção ao local e o depoente identificou um grupo de cinco guerrilheiros que portava fardamento e arma da PM, que haviam roubado do Posto do Entroncamento; Que este grupo estava matando três porcos, na casa do velho Geraldo; Que o depoente disse para os militares que eram os guerrilheiros Zé Carlos, Nunes, Alfredo, João Araguaia e Zé Bom; Que a tropa do Exército abriu fogo contra os guerrilheiros; Que foram pegos de surpresa no momento em que se preparavam para carregar os porcos, os guerrilheiros estavam conversando e as coisas sendo preparadas para levantar acampamento; Que morreram no local Zé Carlos, Alfredo e Zé Bom; Que João Araguaia conseguiu fugir e que NUNES foi baleado, vindo a morrer em Marabá no dia seguinte; Que depois do tiroteio o Sargento CID passou a noite toda aplicando anestesia no guerrilheiro para que ele agüentasse a investigação; Que o preso, baleado, foi interrogado a noite toda sobre os locais por onde tinha passado, onde havia lutado, quantas pessoas havia matado e outras investigações sobre a guerrilha; Que durante o interrogatório o preso pedia que o seu interrogatório fosse divulgado na televisão;...Que os corpos dos mortos foram fotografados no heliponto; Que depois de fotografados foi feito (sic) uma vala rasa onde coubesse os três corpos que foram cobertos com terra e pau..".. ====================================================================================================================== + Informações. DIVINO FERREIRA DE SOUZA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 12 de setembro de 1942 em Caldas Novas e registrado em Mossâmedes, Estado de Goiás, filho de José Ferreira de Souza e Maria Gomes de Souza. Desaparecido desde 1973, na Guerrilha do Araguaia, aos 30 anos. De família pequena, tinha apenas uma irmã, Terezinha. Foi para Goiânia em 1947, com 5 anos. Ele era uma criança, aos 8 anos quando começou a trabalhar, vendendo jornal. Depois foi trabalhar no comércio. Estudava no Colégio Comércio de Campinas. Participou de várias greves estudantis. Em 1961, era membro da União Goiana dos Estudantes Secundaristas. Era um idealista: sonhava com um país mais justo e igual. Preocupava-se muito e defendia o homem do campo. Saiu de Goiânia no dia 28 de janeiro de 1966, e nunca mais voltou. Em 1967 esteve na China e na Albânia, regressando clandestinamente ao Brasil, foi viver no interior de Goiás e posteriormente no Araguaia, trabalhando como comerciante e agricultor, na região de Brejo Grande e integrando o Destacamento A. Foi ferido numa emboscada das Forças Armadas no dia 14 de outubro de 1973, juntamente com André Grabois, Antônio Alfredo Campos e João Gualberto, na roça de Antonio Alfredo, às margens do Rio Fortaleza. Depoimentos de moradores da região dizem que seus corpos foram enterrados no mesmo local onde morreram e que, nesta roça, anos depois, havia sido encontrada uma arcada dentária. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Divino teria morrido em 14 de dezembro de 1973, ou seja, 2 meses após ser ferido na referida emboscada. =============================================================================================== + Informações. DIVINO FERREIRA DE SOUZA (1942-1973) Nascido em Caldas Novas, Goiás, mudou-se com a família para Goiânia em 1947. Aos 8 anos, trabalhava como vendedor de jornais. Ainda estudante, participou de várias greves. Em 1961, tornou-se membro da União Goiana dos Estudantes Secundaristas. O relatório do Ministério do Exército, de 1993, atribui a ele a participação em um assalto ao Tiro de Guerra de Anápolis (GO), em 1965, de onde foram roubadas armas e munições. Em 1966, Divino viajou para a China em meio a um grupo de militantes. Numa escala no aeroporto de Karachi, no Paquistão, a CIA teria retido por duas horas o avião e tentado prender Divino. A solidariedade dos demais passageiros teria inviabilizado a investida e o grupo conseguiu chegar a Pequim, onde recebeu capacitação política e militar. Divino regressou clandestinamente ao Brasil, indo viver no interior de Goiás e depois no Araguaia, na região de Brejo Grande. Lá passou a integrar o Destacamento A da guerrilha, sendo conhecido por Nunes. O relatório do Ministério da Marinha o relaciona entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural pelo Comitê Central do PCdoB, em Xambioá, e traz como data da sua morte 14 de dezembro de 1973, aparentemente equivocada em relação ao mês. Há convergentes informações no sentido de que Divino foi preso vivo. O jornalista Elio Gaspari registra em seu livro A ditadura escancarada: Um dos feridos era Nunes, um veterano do curso na China, que vivera como comerciante na região. Enquanto foi interrogado na mata, ameaçou os militares com a possibilidade da chegada da imprensa e da televisão àquele pedaço de selva, para que registrassem o que lá acontecia. O outro era Antônio Alfredo Campos, um lavrador analfabeto. Foram levados de helicóptero para a Casa Azul e assassinados. Ainda mais contundente é o depoimento prestado pelo guia Manoel Leal Lima, o Vanu, em 28 de janeiro de 2001: [...] que na primeira vez que foi usado como guia foi para a localidade chamada Caçador, acompanhando o major Adurbo e o sargento Silva, um cabo e cinco soldados; que dormiram na mata e no outro dia, por volta de três a quatro horas da tarde ouviram tiros, foram em direção ao local e o depoente identificou um grupo de cinco guerrilheiros que portava fardamento e arma da PM, que haviam roubado do posto do entroncamento; que este grupo estava matando três porcos, na casa do velho Geraldo; que o depoente disse para os militares que eram os guerrilheiros Zé Carlos, Nunes, Alfredo, João Araguaia e Zé Bom; que a tropa do Exército abriu fogo contra os guerrilheiros; que foram pegos de surpresa no momento em que se preparavam para carregar os porcos, os guerrilheiros estavam conversando e as coisas sendo preparadas para levantar acampamento; que morreram no local Zé Carlos, Alfredo e Zé Bom; que João Araguaia conseguiu fugir e que Nunes foi baleado, vindo a morrer em Marabá no dia seguinte; que depois do tiroteio o sargento Cid passou a noite toda aplicando anestesia no guerrilheiro para que ele aguentasse a investigação; que o preso, baleado, foi interrogado a noite toda sobre os locais por onde tinha passado, onde havia lutado, quantas pessoas havia matado e outras investigações sobre a guerrilha; que durante o interrogatório o preso pedia que o seu interrogatório fosse divulgado na televisão; que os corpos dos mortos foram fotografados no heliponto; que depois de fotografados foi feito (sic) uma vala rasa onde coubesse (sic) os três corpos que foram cobertos com terra e pau. José Vargas Jiménez, autor de Bacaba, reforça essa versão dos fatos: "Divino Ferreira de Souza (Nunes) foi ferido, feito prisioneiro e posteriormente morto". Em O Coronel Rompe o Silêncio, Luiz Maklouf Carvalho afirma: O coronel Lício [Augusto Ribeiro] sustenta a versão de que os três mortos e o ferido foram levados, em burros, até o sítio da Oneide, que não sabe localizar, e lá entregues a militares do Pelotão de Investigações Criminais. Divino Ferreira de Souza foi efetivamente levado para a Casa Azul. Morreu lá, segundo Vanu. Ou em 14 de dezembro de 1973, segundo relatório que a Marinha enviou ao deputado Nilmário Miranda. Documento do Ministério da Defesa, de 1o de julho de 2009, que organizou informações para apresentar à Justiça, refere a 14 de outubro de 1973 como data de sua morte. =============================================================================================== + Detalhes. Jornal Opção. Assim morreu Nunes Goiano Divino Ferreira de Souza teria sido ferido em 13 de outubro de 1973 pela equipe do coronel Lício Maciel e morreu, agonizando, no dia seguinte Reprodução Guerrilheiro goiano Divino Ferreira de Souza, codinome Nunes, teria visto a morte de André Grabois, filho do comandante da guerrilha do Araguaia, Maurício Grabois: Divino morreu agonizando após ser baleado e preso Renato Dias Especial para o Jornal Opção Araguaia, 13 de outubro de 1973. Em um tiroteio com a equipe do coronel Lício Maciel, o guerrilheiro Divino Ferreira de Souza, de 31 anos de idade, codinome Nunes, é ferido. Subcomandante do Destacamento A, ele vê a morte de André Grabois, o Zé Carlos, filho do comandante-em-chefe da guerrilha do Araguaia, Maurício Grabois. Mais: na Operação Marajoara, terceira campanha das Forças Armadas na região, João Gualberto Calatroni, o Zebão, e o camponês Antônio Alfredo Lima também morrem. Guerrilheiro, João Araguaia consegue escapar e relata as quedas. O combate está registrado no "Diário do Velho Mário", escrito por Maurício Grabois durante 605 dias. É o que aponta o documento obtido pelo Jornal Opção com o jornalista Hugo Studart, autor de "A Lei da Selva" (Geração Editorial, 2009). A nova revelação é que o goiano Divino Ferreira de Souza, que havia feito treinamento de guerrilha na China de Mao Tsé-tung, teria morrido, agonizando, após ser baleado e preso. A jornalista Taís Morais, autora de "Operação Araguaia - Os Arquivos Secretos da guerrilha" (Geração Editorial, 656 páginas, 2005), afirma ao Jornal Opção que um militar que teria participado da operação informou-lhe que ele morrera na Casa Azul. "A versão não é minha ou do Hugo [Studart]. Quem me disse que Nunes foi levado com vida para a Casa Azul foi um militar que estava na Operação. Portanto, foi execução." Ex-líder estudantil, Nunes era um devorador de livros e gostava de futebol. Um camponês, conhecido como Abelinho [Abel Honorato de Jesus], informou a um membro do Grupo de Trabalho do Ministério da Defesa, que faz buscas dos corpos do conflito armado (1972-1975), que passou a noite com Nunes, ferido, antes de ele morrer. O comunista disse a seguinte frase: "Vocês ainda vão ouvir falar muito de mim". O subcomandante do DA era companheiro de Maria Célia Correia, irmã de Elmo Correia, o Lourival, e ex-namorada de João Carlos Wisneky, o Paulo Paquetá. A Guerrilha do Araguaia começou a ser preparada em 1966. Ela ocorreu no Norte de Goiás, hoje Estado do Tocantins, e no Sul do Pará entre os anos de 1972 a 1975. Inspirada nas táticas e estratégias formuladas por Mao Tsé-tung, que liderou a revolução socialista na China, em 1949, foi dirigida pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), queria cercar as cidades pelo campo, derrubar a ditadura civil e militar, implantada no Brasil em 31 de março de 1964, e construir o socialismo no País. O PCdoB deslocou para a região do Araguaia 69 guerrilheiros e 18 camponeses teriam sido incorporados ao movimento. O Exército calcula que o número de colaboradores populares da guerrilha teria sido de 30. O número de mortos, segundo Studart, chegou a 95. Dos três lados do conflito: PCdoB, camponeses e Forças Armadas. Entre presos e desertores, 14 sobreviveram, relata o jornalista e historiador. Entre eles José Genoíno Neto (PT), atual assessor do ministro da Defesa, Nelson Jobim. As Forças Armadas desencadearam, para acabar com a Guerrilha do Araguaia, três campanhas distintas - Papagaio, Sucuri e Marajoara. Na terceira, a ordem era não fazer prisioneiros, relata o autor. Duas equipes de execuções de guerrilheiros foram montadas: a Zebra e Jiboia. A repressão teria ainda terceirizado a guerra com a contratação de jagunços e de índios que viviam na região. Detalhe: chegou a ser criada uma tabela de preço por cabeça. Trinta guerrilheiros acabaram executados. Mais mortes Setenta e três dias depois, o "Diário do Velho Mário" não recebe mais nenhuma linha. É que tropas de paraquedistas chefiadas por Nilton Cerqueira, comandante da base de São Raimundo, que ficava na divisa da reserva dos índios suruí, matam Maurício Grabois, comandante da guerrilha e pai de André Grabois. Em 1971, Cerqueira havia executado o capitão da guerrilha urbana, Carlos Lamarca, fundador da VAR-Palmares, membro da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), à época no MR-8. Cerqueira foi convocado pelos irmãos Ernesto e Orlando Geisel para a terceira campanha contra a Guerrilha do Araguaia. Depois, virou general, secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro e até deputado federal. Coronel do CIE, Carlos Sérgio Torres, que chefiava as equipes de execuções, recebeu todos os pertences dos guerrilheiros abatidos. Menos o "Diário do Velho Mário". O documento que relata o cotidiano da guerrilha reapareceu no Rio, onde mora Cerqueira, confidencia Studart. Doutorado Após oito anos de pesquisas em documentos militares, com a realização de dezenas de entrevistas com participantes do conflito, Studart, inspirado pelo cineasta Clint Eastwood, diretor de "A Conquista da Honra" e "Cartas de Iwo Jima", diz ter feito o caminho inverso. Agora, debruça-se sobre o imaginário dos guerrilheiros. Para contar o cotidiano dos comunistas, ele conclui, em julho, a sua tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB). Na linha de pesquisa do direito à memória e à verdade. O trabalho deve virar livro. Com novas revelações. Terezinha Souza Amorim, irmã de Divino Ferreira de Souza (Nunes), diz que a sua mãe, Maria Gomes dos Santos, morreu, em 2 de fevereiro de 2004, sonhando em encontrar os restos mortais do filho para dar-lhe um sepultamento cristão. Apesar disso, ela acompanha as ações do GT do Araguaia, do governo federal e Ministério Público, espera a abertura dos arquivos da repressão política (1964-1985) e aguarda a aprovação, no Congresso Nacional, ainda em 2011, da criação da Comissão da Verdade. Entrevista | Lucas Figueiredo "É o documento mais profundo" O "Diário do Velho Mário", codinome do comandante-em-chefe da Guerrilha do Araguaia, Maurício Grabois, é o documento mais profundo sobre o conflito, diz, em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o jornalista Lucas Figueiredo. Segundo ele, 605 dias da guerra são relatados no texto. Autor de "Olho por Olho - Os Livros Secretos da Ditadura", (Editora Record), Figueiredo revelou que, assim como os mateiros, os índios aikewara da aldeia suruí-sororó foram obrigados, na base da tortura e da ameaça, a caçar e matar os guerrilheiros do PC do B. Qual a importância histórica do "Diário"? Por parte dos guerrilheiros, ele é o documento mais profundo sobre a guerrilha. Foi escrito pelo seu comandante durante 605 dias de combate e chega até o ano da terceira campanha do Exército, período mais obscuro da luta no Araguaia. Como morreu Nunes - Divino Ferreira de Souza? Há várias versões. Eu não poderia dizer qual está correta. O "Diário" registra quantos dias de luta? Como disse, são 605 dias (de 30 de abril de 1972, ou seja 18 dias após o início dos combates, até 25 de dezembro de 1973, dia da morte de Grabois). Índios participaram da caçada aos guerrilheiros, como o SR. apontou em QG? Sem dúvida. Assim como os mateiros, os índios aikewara da aldeia suruí-sororó foram obrigados, na base da tortura e da ameaça, a caçar e matar os guerrilheiros. Para comprovar que a missão havia sido cumprida, os índios tinham de levar as cabeças dos guerrilheiros Quantos homens e mulheres chegou a ter a guerrilha, do início ao fim? Há também várias versões sobre o número exato. O que se sabe é que, quando a luta começou, havia 69 integrantes do PCdoB nas matas do Araguaia. Qual o número exato de mortos? Também não se sabe ao certo, pois, além dos guerrilheiros, foram mortos moradores. Até o Exército esconde o número de militares mortos. Quantos conseguiram escapar e sobreviveram? Outra pergunta sem resposta. Fala-se que, dentre os que estão na lista de desaparecidos, haveria desertores que vivem hoje com outros nomes. Não sabemos ainda se isso procede ou não. Qual o papel, na guerrilha, de Zezinho do Araguaia, que ainda está vivo e mora em Goiânia? Depende da visão de quem olha. O certo é que deu muito apoio para a guerrilha e possibilitou a fuga de Ângelo Arroyo da região. Sua posição hoje não é totalmente clara. Ele precisa contar o que sabe. Qual era seu codinome? Que eu saiba, ele não tinha codinome. Quantos exemplares de "Olho por Olho - Os Livros Secretos da Ditadura", foram vendidos? Aproximadamente 5 mil. O sr. tem projeto de novo livro sobre o tema? Por ora não. Hugo Studart escreve sua tese de doutorado sobre a guerrilha? Novas revelações? Quais? A tese será tornada pública no meio do ano. Até lá teremos de esperar. Entrevista | Taís Morais "Não acredito que aquele seja o Diário" A jornalista Taís Morais, autora de "Operação Araguaia - Os Arquivos Secretos da Guerrilha" (2005), (Geração Editorial), diz, com exclusividade ao Jornal Opção, que não acredita que o documento publicado por "CartaCapital" no último domingo seja o verdadeiro "Diário do Velho Mário", codinome do comandante-em-chefe da Guerrilha do Araguaia (1972-1975), organizada pelo PCdoB no norte de Goiás, atual Tocantins, e sul do Estado do Pará. Divino Ferreira de Souza morreu em 13 de outubro de 1973, como aponta o "Diário" de Maurício Grabois? Não existem documentos que comprovem a data da morte do Divino. Depoimentos afirmam que houve um tiroteio no dia 14 e ele foi atingido. Lício Maciel é quem comandava a operação? Sim, era o coronel quem estava no comando. Coronel Lício Maciel foi quem atirou em Nunes? Não há como saber quem atirou nele, era um pelotão, houve vários disparos na mesma hora. Hugo Studart diz que ele morreu, na mata, sangrando. A sra. diz que foi na Casa Azul. Qual é a versão correta? A versão não é minha ou do Hugo. Quem me disse que Nunes foi levado com vida para a casa Azul foi um militar que estava na Operação. Portanto, foi execução. Lucas Figueiredo, em entrevista ao Jornal Opção, diz que o "Diário do Velho Mário" é o documento mais profundo sobre a guerrilha. Procede? Não. E, mais, nem acredito que aquele seja o verdadeiro diário do Maurício. Um comandante do cacife do Grabois não pode ter sido um mero expectador da guerrilha, muito menos ter tempo para ficar escrevendo sobre alimentação ou transcrevendo as cartas distribuídas pela população. Parece-me que as Forças Armadas, ou os militares que pegaram o verdadeiro diário, fizeram questão de escrever coisas para que Maurício parecesse um covarde, alienado, que acreditava na Rádio Tirana. Ora, os militares fizeram uma pausa de seis meses. Retiraram as tropas todas em outubro e só mandaram agentes de informação em abril do outro ano. Não me parece que os guerrilheiros não soubessem que estavam em trégua. O próprio livro do PCdoB afirma isso. E o comandante sabia pela população das mortes. No caso de João Carlos Haas, o diário afirma que o comandante só ficou sabendo da morte do Juca em novembro... Dois meses depois? Sinceramente, esse diário, sem o manuscrito, para mim tem o mesmo valor de um zero a esquerda. É sensacionalismo, é golpe baixo, é um desserviço ao Brasil e à memória do Grabois. Quantos morreram na guerrilha. Dos três lados: PCdoB, camponeses e militares? Cinquenta e oito guerrilheiros, três populares e quatro militares. Quantos militantes o PCdoB teve na área? Quantos camponeses foram incorporados ao movimento? Sessenta e nove militantes. Dois camponeses, que se sabe, Quantos sobreviveram ou desertaram? Militantes, 11 sobreviventes. Leia trechos do "Diário" "30/10 - Novo acesso de malária e más notícias do DA (para mim particularmente terríveis) deixaram-me em estado de não poder escrever coisa alguma. Hoje, livre do ataque de impaludismo e, em parte, refeito do choque emocional, disponho-me a relatar o sucedido com um grupo de combatentes daquele D. No dia 26, chegaram Joca e Ari, depois de caminharem 12 dias, gastos na ida e na volta, até o ponto com os mensageiros do DA. Jo. relatou que vieram ao local do encontro Piauí e Antonio. O VC daquela unidade guerrilheira contou o seguinte: no dia 13, um grupo chefiado por ZC, composto por Nunes, João, Zebão e Alfredo, dirigiu-se a um depósito para apanhar farinha. No dia anterior, Alfredo e outros combatentes insistiram junto ao C para se matar 3 porcos do D, que estavam numa capoeira abandonada. ZC repeliu com energia a proposta, dizendo que ela afetava a segurança e que "não se devia morrer pela boca". Por isso, só iriam buscar farinha. No entanto, no meio do caminho, sob pressão de alguns combatentes, deixou-se convencer de apanhar os porcos. E o grupo enveredou capoeira adentro. Então, foram cometidas uma série de facilidades: os porcos foram mortos a tiros, acendeu-se o fogo, não se deu importância ao helicóptero que sobrevoava o local e permaneceu-se demasiado tempo na capoeira. Ainda estavam os guerrilheiros dedicados à tarefa de tratar os porcos quando foram surpreendidos pelo inimigo. João procurou fugir ao ouvir descargas de metralhadora. Mas obteve êxito. Foi ele que relatou o ocorrido. Em sua opinião, os outros 4 combatentes, que não apareceram no acampamento, foram mortos. Assim, o DA foi duramente golpeado. Perdeu seu comandante, homem capaz e um dos mais puros revolucionários. Estava ligado ao P desde os 16 anos e ainda podia dar muito à revolução. Era excelente comandante. O primeiro erro que, no entanto, cometeu, lhe foi fatal. Tinha 27 anos e seu verdadeiro nome era André Grabois. Nunes era a terceira pessoa do D. tinha raras qualidades de combatente e destacava-se por seu espírito combativo. Seu nome era Divino Ferreira de Souza. Tinha 31 anos. Zebão, jovem espirituoso, incorporou-se à guerrilha aos 19 anos e agora tinha 23. Era um guerrilheiro exemplar. Alfredo, que não conheci, era elemento recrutado entre a população local. Eficiente, calmo e corajoso, constituía a melhor aquisição das FF GG entre os camponeses." ============================================================================================================== + Detalhes. Comitê da Verdade e da Justiça de Goiás será lançado dia 11 de agosto E-mail Familiares de mortos e desaparecidos políticos, ativistas e organizações não-governamentais que atuam em direitos direitos humanos vão lançar no dia 11 de agosto o Comitê da Verdade e da Justiça de Goiás. Na data, simbólica, comemora-se o Dia do Estudante e o aniversário do Centro Acadêmico XI de Agosto, ,da USP, que teve atuação decisiva no combate à ditadura. ?Goiás também terá o seu Comitê da Verdade e da Justiça que se juntará aos atuais 19 comitês regionais formados no País na luta para ampliar a discussão sobre o projeto de lei que instaura a Comissão Nacional da Verdade, destinada a investigar violações aos direitos humanos cometidas durante o regime militar. Na terça-feira (05/07), na sede do Instituto Brasil Central (IBRACE), representantes do Associação dos Anistiados de Goiás (ANIGO), da assessoria do professor Pedro Wilson Guimarães (ex-Reitor da PUC Goiás), históricos militantes combatentes da ditadura e dos mandatos da deputada federal Marina Sant'Anna e do estadual Mauro Rubem tiveram reunião que deu importante passo nesse sentido. O grupo discutiu a minuta de uma carta-manifesto que será submetida aos ativistas de direitos humanos do Estado e, após aprovada, servirá como base do Comitê da Verdade do Estado de Goiás. O documento (veja a íntegra abaixo) pede a abertura de todos os arquivos políticos secretos brasileiros, a formação da do Comitê de Memória e Verdade de Goiás e da Comissão Nacional da Verdade e da Justiça. "Nossos sonhos são os sonhos de todos os perseguidos, presos, torturados, assassinados e desaparecidos, homens e mulheres que honraram sua história, sua terra, sua gente lutadora por um mundo mais fraterno, solidário, humano e justo", expressa um dos trechos do documento, que cita nominalmente os seguintes desaparecidos políticos: Arno Preis, Cassimiro Luiz de Freitas, Divino Ferreira de Souza, Durvalino Porfírio de Souza, Honestino Monteiro Guimarães, Ismael Silva de Jesus, James Allen Luz, Jeová de Assis, José Porfirio de Souza, Márcio Beck Machado, Marco Antônio Dias Batista, Maria Augusta Thomaz, Ornalino Cândido, Paulo de Tarso Celestino e Rui Vieira Bebert. O Comitê da Verdade e da Justiça de Goiás deverá ser lançado no dia 11 de agosto, às 19h, pelo simbolismo da data (o local ainda será confirmado). Neste dia, no Brasil, se comemora os dias do Estudante, do Advogado, do Jurista e o aniversário de criação do Centro Acadêmico de Direito da USP, que atuou na luta contra a ditadura militar e foi decisivo nas mais relevantes campanhas politicas nacionais, principalmente nos movimentos de defesa do estado democrático de direito. A próxima reunião do grupo será no dia 19 de julho, às 14horas, na sede do IBRACE (Av. Anhanguera, 5.674, 10º andar, sala 1.008, Edificio Palácio do Comércio, Setor Central - em frente ao Jóquei Clube. Participaram do encontro desta terça, 05, Élio Cabral e Marcantônio Dela Corte (ANIGO), Joana Darc Vieira Neto e Maria Deia Vieira (ativistas em direitos humanos, irmãs do vereador Euler Ivo) e Maria Paixão (assessora do professor Pedro Wilson). Fonte: Site da Deputada Federal Marina Sant´Anna -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110727/29998ef7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7465 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110727/29998ef7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jul 27 20:26:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 27 Jul 2011 20:26:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Testemunhas_refor=E7am_acusa=E7?= =?iso-8859-1?q?=F5es_de_tortura_contra_coronel_Ustra?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Testemunhas reforçam acusações de tortura contra coronel Ustra Militar comandava o DOI-Codi entre 1970 e 1974, período em que cerca de 55 pessoas foram assassinadas e outras 700 torturadas Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 27/07/2011 17:22 Testemunhas reforçam acusações de tortura contra coronel UstraMilitar comandava o DOI-Codi entre 1970 e 1974, período em que cerca de 55 pessoas for Testemunhas ouvidas na tarde desta quarta-feira na 20ª Vara Cível de São Paulo afirmaram ter presenciado o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra ordenar a tortura do jornalista Luiz Eduardo Merlino. Além disso, uma testemunha disse ter visto Ustra dar a ordem, por telefone, que resultou na morte de Merlino. O jornalista, então militante do Partido Operário Comunista (POC), morreu em julho de 1971 depois de ser submetido a três dias de tortura nos porões do Departamento de Operações e Informações (DOI Codi), em São Paulo. Segundo ex-companheiros de prisão, ele morreu em um hospital em decorrência de gangrena em uma das pernas, causada pela tortura. Os torturadores teriam proibido os médicos de amputarem a perna gangrenada, o que teria levado à morte de Merlino. Já os militares alegam que ele foi atropelado quando tentou fugir durante uma excursão de reconhecimento de aparelhos na avenida Anchieta. Foto: AE Ampliar Testemunhas que atestaram ordens de tortura dadas pelo coronel Ustra foram ouvidas na tarde desta quarta-feira, em São Paulo Ustra, na época major do Exército, comandou o DOI Codi entre 1970 e 1974, período em que cerca de 55 pessoas foram assassinadas e outras 700 torturadas no local. A família de Merlino move uma ação indenizatória por danos morais contra o coronel. Ustra, por meio do advogado Paulo Esteves, negou ter participado ou ordenado a tortura de Merlino. A testemunha Eleonora Oliveira, ex-companheira de militância do jornalista, disse que particiou de uma sessão de tortura comandada por Ustra ao lado de Merlino. "Eu estava na cadeira do dragão e o Merlino no pau-de-arara. O Ustra entrou e saiu umas duas ou três vezes. Era ele que ordenava tudo", disse ela. Já Otacílio Cechini, que estava preso no mesmo local, disse que viu Ustra atender ao telefonema do agente que acompanhava Merlino no hospital. "Ouvi quando Ustra disse ao telefone que tomaria a decisão final falando: 'Deixa comigo'", afirmou. No total, foram ouvidas seis testemunhas de acusação. Entre elas o ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi, hoje assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instituto Cidadania. Vanuchi disse ter visto Merlino sendo carregado no DOI Codi. "Vi um rapaz sendo levado em uma escrivaninha até o corredor. Ele ficou a menos de um metro da grade da minha cela. Perguntei o nome, ele disse Merlino e ainda repetiu porque eu não tinha entendido direito. Eu era estudante de medicina e percebi que a perna dele estava já escurecida, com sinal de gangrena", disse o ex-ministro. Leia também a.. Procuradoria contesta decisão sobre torturadora b.. Acusado de torturar Dilma leva vida tranquila c.. Lula critica torturador de Dilma Vannuchi disse também ter sido torturado pessoalmente por Ustra quando ele e outros 40 presos políticos fizeram uma greve de fome, em 1972, pedindo tratamento digno. "Na ocasião foram levados dois presos, eu e Paulo de Tarso Venceslau (um dos sequestradores do embaixador norte-americano Charles Elbrick) e o Ustra comandou aquela sessão com objetivo não de falarmos sobre nossos companheiros mas de nos obrigar a parar a greve de fome", afirmou. Um grupo de aproximadamente 100 pessoas fez um protesto na porta do Fórum João Mendes, onde ocorreu a audiência. A manifestação se transformou em um ato pela criação da Comissão da Verdade e pela punição aos torturadores. Anistia Embora o Supremo Tribunal Federal tenha descartado rever a Lei da Anistia, Vannuchi disse ainda acreditar que a Corte reveja a decisão. "O STF terá que apreciar mais uma vez a questão em vista de uma decisão posterior da Corte Interamericana de Direitos Humanos (que condenou a não punição aos torturadores no Brasil). É comum que a Justiça reveja ou reinterprete a jurisprudência", disse ele. Os próximos passos do processo serão as oitivas das testemunhas de defesa de Ustra. Entre elas o senador José Sarney e o ex-ministro da Justiça Jarbas Passarinho, além de três generais da reserva. Ustra já foi condenado em uma ação cível declaratória na qual foi considerado formalmente torturador. Ele recorre da decisão junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110727/8ae1f8a8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 57395 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110727/8ae1f8a8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 28 20:20:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 28 Jul 2011 20:20:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__SEVERINO_VIANA_COLOU_________________?= =?iso-8859-1?q?______________-CCIV-?= Message-ID: <80845475AE574E5683832A6746F9AB5C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem SEVERINO VIANA COLOU (1930-1969) Filiação: Maria Belarmina da Conceição e Ulisses Viana Colou Data e local de nascimento: em 1930, Caruaru (PE) Organização política ou atividade: COLINA Data e local da morte: 24/05/1969, Rio de Janeiro (RJ) O sargento Severino Viana Colou, nascido em Pernambuco e ex-presidente da Associação de Cabos e Sargentos da PM do Estado da Guanabara, militante do COLINA, foi preso e morreu em uma cela da 1ª Companhia da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. De acordo com o IPM nº 1.478, realizado no quartel general da 1ª Divisão de Infantaria, na Vila Militar, ele estava preso e foi encontrado morto por volta das 11h35 do dia 24/05/1969, enforcado com a própria calça, amarrada em uma das barras da cela. Assinou a necropsia o legista Rubens Pedro Macuco Janine. A família somente requereu em 2002. Da mesma forma que já mencionado a respeito de João Lucas Alves, documentos dos órgãos de segurança do regime militar acusam Severino, genericamente, de participação em algumas ações armadas ocorridas em 1968, ao lado do sargento Lucas, tanto em Belo Horizonte quanto no Rio de Janeiro, incluindo-o também como integrante do comando que matou o major do exército alemão Edward Von Westernhagen, já mencionado. Em seu parecer, o relator do processo na CEMDP alertou para o fato de que, no processo, constavam contradições em relação à data da morte e o sobrenome do morto. A documentação não fazia referência a Severino Viana Colou, mas nas folhas 12 uma certidão de óbito expedida em nome de Severino Viana Callôr, falecido em 24/06/1969, registrava filiação de Ulisses Viana Colou e Belarmina da Conceição, o que coincide com a documentação fornecida pela requerente, a irmã Gertrudes Maria Colou. Também o inquérito policial realizado na Vila Militar do Rio de Janeiro registra cópia autêntica do expediente assinado pelo major comandante da 1ª Companhia de Polícia do Exército, de 24/05/1969, comunicando a morte de Severiano Viana Callôr, com a mesma filiação. O auto de autópsia é datado de 24/05/1969, sendo que o cadáver deu entrada no IML às 17h20 do dia 02/06/1969, oriundo do Hospital Central do Exército. Sua morte sob torturas foi denunciada em depoimentos de presos políticos nas auditorias militares. Ainda de acordo com o relator, pequenas imprecisões encontradas no processo não retirariam da requerente a legitimidade para buscar na CEMDP o esclarecimento sobre a morte de seu irmão. O laudo pericial do local de morte foi assinado pelos sargentos Euler Moreira de Moraes e Erivaldo Lima dos Santos. Embora registre que "Em ambas as pernas, na altura da canela, apresentava ferida contusa e escoriações generalizadas pelo tronco. Nas nádegas apresentava hematomas de formato irregular", o documento não menciona torturas e, pelo contrário, tece malabarismos de interpretação para justificar outro dos suicídios em que o corpo é encontrado com pés apoiados no solo: "efetuou rodopios da esquerda para a direita até que com essa ação as duas pernas da calça enrolaram-se, passando a constituir um tirante único. Com a continuação dos movimentos, a pressão produzida passou a agir diretamente sobre o pescoço, causando o desfalecimento. Conseqüentemente, suas pernas perderam a sustentação do tronco, aumentando, desse modo, a pressão sobre o pescoço, atuando com mais eficácia por baixo do queixo, pouco acima do ´pomo de adão`, ocorrendo com a duração da ação aí localizada, a interrupção do fluxo normal de ar" ========================================================================================================================== + Informações. Severino Viana Colon Militante da COMANDO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (COLINA). Morto aos 39 anos de idade. Natural de Pernambuco. Preso na 1ª Cia. da Polícia do Exército, na Vila Militar (RJ), à disposição de IPM a cargo do I Exército, morto nas dependências daquele órgão de repressão, em 24 de maio de 1969. Conforme denúncia do boletim de março de 1974 da "Amnesty Internacional" e do livro "Oposição no Brasil, Hoje", de Marcos Freire é falsa a versão oficial da repressão de que Severino suicidou-se, por enforcamento, em sua cela. Em declarações prestadas em Auditorias Militares, à época, Antônio Pereira Mattos, Ângelo Pezzuti da Silva e Afonso Celso Lana Leite denunciaram as torturas que Severino sofreu na Vila Militar. Seu corpo somente deu entrada no IML/RJ, em 02 de junho, juntamente com o de Sebastião Gomes da Silva, vindo do HCE o, onde foi feita a necrópsia, assinada pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janini, que confirmou a versão policial da repressão. O atestado de óbito, de n° 11789 teve como declarante José Severino Teixeira e informa que foi enterrado como indigente no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador (RJ), em 25 de julho de 1969, sepultura11.252, quadra 26. ============================================================================================== + Informações. Severino Viana Colon Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Severino Viana Colon Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Dados da Militância Organização: (na qual militava) Comando de Libertação Nacional COLINA Brasil Prisão: 0/0/1969 Rio de Janeiro RJ Brasil Vila Militar Morto ou Desaparecido: Morto 24/5/1969 Rio de Janeiro RJ Brasil Vila Militar Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia do Exército PE Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Rubens Pedro Macuco Janini Biografia Documentos Artigo de jornal Transcrição do artigo intitulado: As torturas são aplicadas no Brasil sob a direção do Exército nos quartéis e nas dependências de todas as organizações policiais. Prensa Latina, Santiago do Chile, 21 nov. (sem identificação do ano). Informa que a Frente Brasileira de Informações, criada para romper a censura imposta pelo regime militar do Brasil, com sede em Paris, encaminhou a este jornal comunicado sobre os métodos selvagens aplicados aos presos políticos, sobre a morte de mais de 40 trabalhadores, estudantes e camponeses. Dentre as mortes, cita o conhecido líder guerrilheiro, Carlos Marighella, chefe da Ação Libertadora Nacional (ALN) e iniciador da luta armada no país. Outras mortes causadas pelos militares citadas no documento são: o ex-sargento João Lucas Alves, Severino Viana Colon, José Araújo Nóbrega (que era de fato, Eremias Delizoicov, mas foi identificado pela repressão como sendo deste outro militante), Hamilton Cunha e Fernando Borges de Paula Ferreira. O documento pertence ao arquivo do DOPS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110728/f5833ae0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2538 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110728/f5833ae0/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110728/f5833ae0/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jul 28 20:20:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 28 Jul 2011 20:20:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Carta-Den=FAncia_de_Diogo_Cabral?= =?iso-8859-1?q?=2C_advogado_da_Pastoral_da_Terra_do_Maranh=E3o?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Castor Filho De: Alipio Freire From: Maurice Politi Carta-Denúncia de Diogo Cabral, advogado da Pastoral da Terra do Maranhão Hoje, eu, advogado da CPT Maranhao e padre Inaldo Serejo, estivemos no município de Cantanhede, Maranhao, aproximadamente 200 km de Sao Luis, para realização de audiência preliminar do processo de n 3432010, onde os autores sao trabalhadores rurais quilombolas do quilombo de Salgado, município de Pirapemas e os réus, latifundiários da região, cujos nomes sao Ivanilson Pontes de Araujo, Edmilson Pontes de Araujo e Moisés Sotero. Estes homens perseguem os trabalhadores quilombolas desde 1981, e ano passado ingressaram com ação de manutenção de posse conta estes fazendeiros, pois os mesmo destruiram roças, mataram animais, areas de reserva, cercaram os acessos as fontes de água, alem de ameaçarem se morte os trabalhadores. Em 7 de outubro de 2010, após audiência de justificação previa, foi concedida manutenção de posse em favor dos quilombolas numa area de 1089 hectares.Ainda assim, os réus continuaram a turbar a posse dos trabalhadores, realizando incêndios criminosos, matando pequenos animais, abrindo picadas na floresta, etc... Nao satisfeitos, com a mudança de juiz da comarca e com a entrada de um novo, por nome Frederico Feitosa, os fazendeiros ingressaram com uma ação de reintegração de posse contra as famílias, que foi deferida em 24 minutos, inaudita altera pars, no dia 6 de julho. Eu tive ciência da ação no momento em que pesquisa sobre meus processos naquela comarca.... Imediatamente, fui no dia seguinte com padre Inaldo na comarca de Cantanhede, tomei ciência da decisão e agravei. Dia 18 de julho foi concedido efeito suspensivo através do agravo aquela decisão que reintegrava a posse em favor dos fazendeiros... Pois bem, hoje, quando chegava naquela comarca, para realização de audiência preliminar, o fazendeiro Edmilson Pontes de Araujo esbravejava na porta do fórum de que ' era um absurdo gente de fora trazer problema para o povoado, que era uma vergonha criar quilombo onde nunca teve nada disso( se referindo a mim, ao Inaldo e ao agente da CPT Marti Micha, alemão naturalizado brasileiro).... E por isso que a gente tem que passar o fogo de vez em quando, que nem fizeram com a irma Doroty!' Camaradas, a CPT Maranhao tem enfrentado de tudo: duas vezes foi arrombada, onde levaram documentos e HDs, ligações ameaçadoras e agora mais esta ameaça contra três agentes pastorais. Peço aos companheiros que possam espalhar essa mensagem por suas listas, porque eu, Diogo Cabral, advogado da CPT e padre Inaldo, coordenador tememos por nossas vidas! Mas apesar das ameaças, nao recuaremos um milímetro!!! Diogo Cabral advogado da CPT Maranhão -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110728/fb43c413/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 29 19:53:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 29 Jul 2011 19:53:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__SOLANGE_LOUREN=C7O_GOMES____________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCV-?= Message-ID: <2A9F1DC2446C4AFE877FB9A0841CE50D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem SOLANGE LOURENÇO GOMES (1947 - 1982) Filiação: Helena Martins de Camargo Lourenço Gomes e Alcides Lourenço Gomes Data e local de nascimento: Campinas (SP), em 13/05/1947 Organização política ou atividade: MR-8 Data e local da morte: 01/08/1982, no Rio de Janeiro (RJ) Militante do MR-8, esteve presa entre 1971 e 1973 e cometeu suicídio, no Rio de Janeiro, em 01/08/1982. Embora a data de sua morte seja muito posterior ao episódio da prisão e dos maus tratos sofridos nos órgãos de segurança do regime militar, a CEMDP considerou nitidamente comprovado que o suicídio decorreu dos traumas irreversíveis sofridos em 1971. Atirou-se da janela de seu apartamento, no terceiro andar da rua Barão da Torre, no Rio, vindo a falecer no Hospital Miguel Couto. Paulista de Campinas, Solange Lourenço Gomes vivia no Rio de Janeiro e fez o curso clássico no Colégio Andrews e começou a estudar Psicologia na UFRJ em 1966. Participou de grupos de estudo sobre marxismo naquela faculdade e manteve por algum tempo ligações com o PCBR. Em 1968 vinculou-se à Dissidência da Guanabara, que posteriormente adotaria o nome MR-8, tendo de passar à clandestinidade por volta de setembro ou outubro de 1969. Morava com Daniel Aarão Reis Filho, dirigente daquela organização, e após o seqüestro do embaixador norte-americano, foi identificada pelos órgãos de segurança a fiadora do imóvel em que o casal residia. Documentos policiais informam que Solange participou de várias ações armadas entre 1969 e 1970. No final de 1970 foi deslocada para a Bahia. Nos primeiros dias de março de 1971, depois de participar de uma panfletagem no jogo de reinauguração do estádio da Fonte Nova, em Salvador, quando ocorreu uma perigosa correria entre a multidão, Solange parece ter sofrido um grave surto psicótico e teria se apresentado a uma dependência policial afirmando ser subversiva e fornecendo informações sobre o MR-8. Há documentos policiais comprovando que ela foi interrogada pelo DOI-CODI do Rio e também em Salvador. Em julho, a grande imprensa divulgou amplas matérias preparadas pelo aparelho de repressão do regime, apresentando-a como arrependida. Adotando a postura de cumplicidade com o regime militar que pautou boa parte da imprensa naquele período, um grande diário carioca de circulação nacional, em 28/07/1971, estampou com estardalhaço a manchete: Sexo é arma para atrair jovens à subversão. Um ano depois, em 06/07/1972 foi julgada pela Justiça Militar, na 2ª Auditoria do Exército, no Rio, que determinou sua internação no manicômio judiciário pelo prazo mínimo de dois anos. Depois de solta, em 1973, cursou Medicina e se casou em 1980 com Celso Pohlmann Livi. No requeri mento que apresentou à CEMDP, o marido informou que ela se manteve em tratamento psiquiátrico desde que saiu da prisão. Anexou ao processo uma declaração do psiquiatra, Dr.Alberto Quielli Ambrósio, CRM 52 1830-3, atestando: Durante estes anos pude testemunhar seu enorme esforço para recuperar-se do grave quadro psiquiátrico, psicótico, conseqüência de sua prisão em 1971. As torturas físicas e mentais a que foi submetida enquanto presa fizeram-na revelar nomes de companheiros de movimentos políticos, bem como esse 'depoimento' no qual se dizia arrependida e renegava sua militância, foi amplamente divulgado em jornais, denegrindo sua moral enquanto mulher. Estes fatos fizeram-na sentir-se sempre culpada pela desgraça e morte das pessoas. Ajudada por nossos esforços, de sua família e marido, Solange obteve muitas e significativas melhoras, mas não conseguiu conviver com tantas marcas - insuperáveis - e continuar viva. O relator do processo na CEMDP, Belisário dos Santos Junior, argumentou em seu voto que "não se pode furtar as informações da literatura especializada sobre o assunto, que dão plena conta que a tortura e as demais sistemáticas e massivas violações dos Direitos Humanos na época da ditadura militar, praticadas pela cooperação de organismos e servidores do Estado e da União, eram regra na prisão. Assim o relator considerou "perfeitamente coerente e razoável entender verificada a clara vinculação entre o evento morte por suicídio e a prisão anterior por motivos políticos, com os constrangimentos inerentes, entre eles as publicações do suposto arrependimento". ========================================================================================================================== + Informações. SOLANGE LOURENÇO GOMES (1947-1982) Paulista de Campinas, Solange Lourenço Gomes vivia no Rio de Janeiro, onde fez o curso clássico no Colégio Andrews e começou a estudar Psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966. Participou de grupos de estudo sobre marxismo naquela faculdade e manteve, por algum tempo, ligações com o PCBR. Em 1968, vinculou-se à Dissidência da Guanabara, que posteriormente adotaria o nome MR-8, e passou para a clandestinidade por volta de setembro ou outubro de 1969. Morava com Daniel Aarão Reis Filho, dirigente daquela organização. Documentos policiais informam que Solange participou de várias ações armadas entre 1969 e 1970. No final de 1970, foi deslocada para a Bahia. Nos primeiros dias de março de 1971, depois de participar de uma panfletagem num jogo de reinauguração do estádio da Fonte Nova, em Salvador, quando ocorreu uma perigosa correria entre a multidão, Solange teria sofrido um grave surto psicótico e se apresentado a uma dependência policial, afirmando ser subversiva e fornecendo informações sobre o MR-8. No ano seguinte, em 6 de julho, Solange foi julgada pela Justiça Militar, na 2a Auditoria do Exército, no Rio, quando foi determinada sua internação no manicômio judiciário pelo prazo mínimo de dois anos. Depois de solta, em 1973, cursou Medicina e casou-se, em 1980, com Celso Pohlmann Livi. No requerimento que apresentou à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), o marido de Solange informou que ela se manteve em tratamento psiquiátrico desde que saiu da prisão. Anexou ao processo uma declaração do psiquiatra, dr. Alberto Quielli Ambrósio, atestando: "Durante estes anos, pude testemunhar seu enorme esforço para recuperar-se do grave quadro psiquiátrico, psicótico, consequência de sua prisão em 1971. As torturas físicas e mentais a que foi submetida enquanto presa fizeram-na revelar nomes de companheiros de movimentos políticos, bem como esse 'depoimento' no qual se dizia arrependida e renegava sua militância foi amplamente divulgado em jornais, denegrindo sua moral enquanto mulher. Estes fatos fizeram-na sentir-se sempre culpada pela desgraça e morte das pessoas. Ajudada por nossos esforços, de sua família e do marido, Solange obteve muitas e significativas melhoras, mas não conseguiu conviver com tantas marcas - insuperáveis - e continuar viva". Em 1o de agosto de 1982, Solange atirou-se da janela de seu apartamento, no terceiro andar da rua Barão da Torre, no Rio, vindo a falecer no hospital Miguel Couto. Embora a data de sua morte seja muito posterior ao episódio da prisão e dos maus-tratos sofridos nos órgãos de segurança do regime militar, a CEMDP considerou comprovado que o suicídio decorreu dos traumas irreversíveis sofridos em 1971. ============================================================================================================ + Informações. Enfim, anistiados Vitor experimentou ser morto por um dia. O feito foi durante a apresentação da trupe de teatro "Ta na rua". Depois de baleado por um soldado, o falso cadáver foi carregado nos ombros dos companheiros enquanto atores, conselheiros da Comissão, estudantes e participantes da sessão seguravam velas. A encenação trouxe um pouco do sofrimento enfrentado por milhares de brasileiros nos anos de chumbo. E terminou bradando: "tão criminoso quando fazer um cadáver é oculta-lo". A peça encerrou a primeira parte das atividades. A segunda teve início no começo da tarde, com o julgamento dos requerimentos de Mario Magalhães Lobo Viana, Dione Damasceno, Olívia Rangel Joffilly, Solange Lourenço Gomes, Ana Maria Santos Rocha e Edson Menezes da Silva, todos deferidos por unanimidade. Dione Damasceno era estudante de Medicina na Universidade Federal de Goiás, quando foi presa, em 1972. Além de ter sua vida acadêmica interrompida, Dione foi torturada com choques nos mamilos, orelhas e órgãos genitais. Depois procurou exílio na Alemanha, foi mais tarde para a Suécia e só retornou ao Brasil em 1983. Olívia Rangel cursava Ciências Sociais na Unicamp quando começou sua militância, primeiro na Ação Popular e depois, com sua incorporação ao PCdoB, passou a participar das atividades do partido. Por conta da perseguição, teve de mudar seu nome para Olívia Rangel Magalhães e seu marido, Bernardo Joffily - hoje editor do portal Vermelho e membro do Comitê Central do PCdoB - foi "rebatizado" José Ricardo Magalhães. Temendo por sua vida, Olívia foi para a Albânia em 1974, onde ficou até 1979. Retornando ao Brasil, conta que continuou sofrendo perseguição, apesar da Lei da Anistia já ter sido então promulgada. Hoje presidente do PCdoB-RJ, Ana Rocha era estudante de Psicologia na Universidade Federal da Bahia quando passou a ser perseguida por sua atuação militante no partido, juntamente com o então marido Edson Silva, igualmente anistiado. Ambos tiveram de rumar para a Albânia por também temerem cair nos cárceres da ditadura. Um dos casos mais dramáticos julgados hoje, no entanto, foi o de Solange Lourenço Gomes, levado à Comissão pelo viúvo Celso Livi. Sua esposa foi presa na Bahia em 1971, onde foi barbaramente torturada. Jornais da época noticiaram o suposto arrependimento de Solange por sua militância política, manobra dos militares com o propósito de desgastar os militantes políticos, o que a deixou profundamente deprimida. Abalada emocionalmente por todos os sofrimentos trazidos pela ditadura, Solange suicidou-se em 1982. Por sua situação, a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos classificou sua morte como de responsabilidade do Estado brasileiro. Hoje, 26 anos após sua partida, Solange teve reconhecido o direito à anistia post mortem. O Brasil pediu, finalmente, perdão pelos males causados à militante e sua família pela ousadia de questionar o regime autoritário da caserna. Fonte: Vermelho Publicado em 16/05/2008 =============================================================================================== + Detalhes. Primeira página Memorial da Anistia Política é lançado no Rio de Janeiro 15/5/2008 A Associação Brasileira de Imprensa foi representada por seu Presidente, Maurício Azêdo, no lançamento do Memorial da Anistia Política, realizado pelo Ministro da Justiça, Tarso Genro, nesta quinta-feira, dia 15, na antiga sede da União Nacional dos Estudantes, no Rio de Janeiro. Com inauguração prevista para 2010, o local abrigará o acervo do período de repressão no País. A solenidade em que Tarso Genro assinou a portaria que cria o Memorial da Anistia Política no Brasil aconteceu no próprio terreno que abrigou a UNE, na Praia do Flamengo, e foi destruída pela ditadura militar. Participaram também do evento o Presidente do Conselho Federal da OAB, Cézar Britto, e a Presidente da União Nacional dos Estudantes, Lúcia Stump. Durante a cerimônia, foi prestada homenagem post-mortem a Honestino Guimarães e Elza Monnerat, que lutaram contra a ditadura. Após o ato, o grupo de teatro Tá Na Rua apresentou esquetes relacionadas à anistia e aos direitos humanos Arquivos O Memorial vai abrigar um centro de divulgação e de documentação, com acervos históricos dos períodos de repressão entre 1946 e 1988 e todos os arquivos da Comissão de Anistia: - A anistia não é um esquecimento, nem contribuição financeira, porque o Estado nunca vai pagar todos os tipos de prejuízo que as pessoas que se opuseram ao regime militar tiveram. É um processo integrante da constituição do Estado democrático de direito e o momento pelo qual o País está passando é importante para a consolidação da democracia e da república - disse o Ministro Tarso Genro. Segundo o Presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, a iniciativa vai entrar para a História: - A sede da UNE no Flamengo foi um dos lugares onde a repressão atuou de forma veemente. A anistia é o reconhecimento da dívida política que o País ainda tem e é um direito constitucional. À tarde, dentro da terceira edição do projeto Caravanas da Anistia, foi realizado o julgamento de anistia dos seguintes requerentes: Edson Menezes da Silva - integrou o movimento estudantil contra a ditadura quando cursava Economia na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Militante da Ação Popular (AP), ajudou a fundar o Instituto dos Economistas da Bahia, alvo constante de repressão por parte dos militares. Dione Damasceno - presa em 1972, acusada de praticar atividades subversivas, quando cursava Medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG). Foi interrogada e torturada. Exilou-se na Suécia em 1975 e retornou ao Brasil em 1983. Mário Magalhães Lobo Viana - teve sua matrícula suspensa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) por ser considerado subversivo. Foi um dos nove estudantes presos no Maracanãzinho durante show de Geraldo Vandré, por distribuir panfletos que conclamavam o público a apoiar o músico, compositor de canções que criticavam a ditadura. Solange Lourenço Gomes - Celso Pohlmann Livi requer a declaração de anistiada política post-mortem de sua esposa. Solange teve destacada militância política nos anos 1960 e 70. Foi presa e submetida a sessões de tortura. A Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, instituída pela Lei nº. 9.140/95, reconheceu a responsabilidade do Estado Brasileiro pela tortura e conseqüente morte de Solange Lourenço Gomes. Ana Maria Santos Rocha - aluna da Psicologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi militante estudantil e atuou no PCdoB a partir de 1973. Por conta das perseguições, perdeu o emprego. Exilou-se na Albânia, retornando ao Brasil em 1980. Olivia Rangel Joffily - militante do movimento estudantil paulista, também atuou na Ação Popular (AP). Foi perseguida, abandonou o curso de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o emprego. Passou a viver na clandestinidade e partiu para o exílio. Retornou ao Brasil em 1979. ABI (Associação Brasileira de Imprensa) - Rua Araújo Porto Alegre, 71 - Rio de Janeiro - RJ / CEP 20030-012 - Tel. (21) 2282-1292 =============================================================================================== + Informações. SOLANGE LOURENÇO GOMES (1947-1982) (do livro "Luta: Substantivo Feminino.) Filiação: Helena Martins de Camargo Lourenço Gomes e Alcides Lourenço Gomes Paulista de Campinas, Solange Lourenço Gomes vivia no Rio de Janeiro, onde fez o curso clássico no Colégio Andrews e começou a estudar Psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966. Participou de grupos de estudo sobre marxismo naquela faculdade e manteve, por algum tempo, ligações com o PCBR. Em 1968, vinculou-se à Dissidência da Guanabara, que posterior¬ mente adotaria o nome MR-8, e passou para a clandestinidade por volta de setembro ou outubro de 1969. Morava com Daniel Aarão Reis Filho, dirigente daquela organização. Documentos policiais informam que Solange participou de várias Data e local de nascimento: 13/5/1947, Campinas (SP) Data e local da morte: 1/8/1982, Rio de Janeiro (RJ) 189 ações armadas entre 1969 e 1970. No final de 1970, foi deslocada para a Bahia. Nos primeiros dias de março de 1971, depois de par¬ ticipar de uma panfletagem num jogo de reinauguração do estádio da Fonte Nova, em Salvador, quando ocorreu uma perigosa correria entre a multidão, Solange teria sofrido um grave surto psicótico e se apresentado a uma dependência policial, afirmando ser subversiva e fornecendo informações sobre o MR-8. Há documentos policiais comprovando que ela foi interrogada pelo DOI-Codi no Rio e também em Salvador. No mesmo ano, a grande imprensa divulgou matérias preparadas pelo aparelho de re¬ pressão do regime nas quais Solange era apresentada como arrependi¬ da. Adotando a postura de cumplicidade com a ditadura que pautou boa parte da mídia naquele período, um grande diário carioca estam¬ pou com estardalhaço, em 28 de julho, a manchete: "Sexo é arma para atrair jovens à subversão". No ano seguinte, em 6 de julho, Solange foi julgada pela Justiça Militar, na 2a Auditoria do Exército, no Rio, quando foi determinada sua internação no manicômio judiciário pelo prazo mínimo de dois anos. Depois de solta, em 1973, cursou Medicina e casou-se, em 1980, com Celso Pohlmann Livi. No requerimento que apresentou à Co¬ missão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), o marido de Solange informou que ela se manteve em tratamento psi¬ quiátrico desde que saiu da prisão. Anexou ao processo uma declara¬ ção do psiquiatra, dr. Alberto Quielli Ambrósio, atestando: "Durante estes anos, pude testemunhar seu enorme esforço para recuperar-se do grave quadro psiquiátrico, psicótico, consequência de sua prisão em 1971. As torturas físicas e mentais a que foi submetida enquanto presa fizeram-na revelar nomes de companheiros de movimentos políticos, bem como esse 'depoimento' no qual se dizia arrependida e renegava sua militância foi amplamente divulgado em jornais, denegrindo sua 190 moral enquanto mulher. Estes fatos fizeram-na sentir-se sempre cul¬ pada pela desgraça e morte das pessoas. Ajudada por nossos esforços, de sua família e do marido, Solange obteve muitas e significativas melhoras, mas não conseguiu conviver com tantas marcas - insuperáveis - e continuar viva". Em 1o de agosto de 1982, Solange atirou-se da janela de seu apartamento, no terceiro andar da rua Barão da Torre, no Rio, vin¬ do a falecer no hospital Miguel Couto. Embora a data de sua morte seja muito posterior ao episódio da prisão e dos maus-tratos sofridos nos órgãos de segurança do regime militar, a CEMDP considerou comprovado que o suicídio decorreu dos traumas irreversíveis sofri¬ dos em 1971. O relator do processo, Belisário dos Santos Júnior, argumentou em seu voto que "não se podem furtar as informações da literatura especializada sobre o assunto, que dão plena conta que a tortura e as demais sistemáticas e maciças violações dos direitos humanos na época da ditadura militar, praticadas pela cooperação de organismos e servidores do Estado e da União, eram regra na prisão". Assim, o relator considerou "perfeitamente coerente e razoável en¬ tender verificada a clara vinculação entre o evento morte por suicídio e a prisão anterior por motivos políticos, com os constrangimentos inerentes, entre eles as publicações do suposto arrependimento". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110729/75e70f03/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6322 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110729/75e70f03/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11601 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110729/75e70f03/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110729/75e70f03/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 29 19:53:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 29 Jul 2011 19:53:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] VEJAM E REFLITAM QUAL O NOSSO FUTURO? Message-ID: <87132DC3E6AC4C519DCD178BD5180D3E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br CAROS AMIGOS E AMIGAS VEJAM E REFLITAM QUAL O NOSSO FUTURO? DANIEL CHUTORIANSCY clique http://dotsub.com/view/8446e7d0-e5b4-496a-a6d2-38767e3b520a -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110729/5a86215a/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110729/5a86215a/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jul 29 19:54:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 29 Jul 2011 19:54:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Anos_Pinochet_no_Chile=2E_Uma_s=C3=A9r?= =?utf-8?q?ie_de_TV_baseada_em_fatos_reais=2E____Enquanto_aqui_no_B?= =?utf-8?q?rasil_uma_emissora_de_TV_e_seu_propriet=C3=A1rio_e_os_di?= =?utf-8?q?retores_e_produtores_se_=22borram=22?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: urarianoms Na BBC Brasil, http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110728_tv_chile_pinochet_mc.shtml Seriado sobre os anos Pinochet causa polêmica no Chile Marcia Carmo De Buenos Aires para a BBC Brasil Atualizado em 29 de julho, 2011 - 05:21 (Brasília) 08:21 GMT Uma série de TV baseada em fatos reais, passados durante o regime do general Augusto Pinochet (1973-1990), no Chile, está gerando forte polêmica no país. O seriado Os Arquivos do Cardeal, que estreou na semana passada na emissora pública TVN, lidera a audiência no Chile. A série, de 12 capítulos (1 por semana), é estrelada por atores famosos do grande público. O produtor executivo, Rony Goldschmied, e o diretor do seriado, Nicolas Acuña, disseram que a pesquisa sobre fatos ocorridos sob o regime durou três anos. Para eles, a polêmica surgiu porque "as feridas da ditadura ainda estão abertas" no Chile. "Muitos corpos continuam desaparecidos e o Chile jamais debateu de verdade o que aconteceu durante a ditadura. E é a primeira vez que o assunto é abordado num grande meio, como a TVN, e num horário nobre", disse Acuña. O primeiro capítulo mostra o encontro de ossadas que seriam de quinze camponeses sequestrados e mortos em 1973, cujos restos foram encontrados em 1978. O seriado mostra também o drama das famílias que não sabiam do paradeiro de parentes, sequestrados e mortos. O chamado Informe Retting, da Comissão Nacional de Verdade e de Reconciliação concluiu que mais de duas mil pessoas foram presas e desaparecidas ou mortas naquele período. Telefones grampeados dos opositores e a rede de solidariedade formada por padres e jovens advogados também aparecem. Críticas O senador do partido conservador Renovação Nacional (RN), Carlos Larrín, disse ao jornal El Mercúrio que não concordava com o seriado porque não mostraria toda a realidade. "Se querem refrescar a memória nacional devem fazer um balanço completo (do que ocorreu). Aí sim seria um trabalho integrador. Esta série parece que vai carregar nas tintas e não vai servir para o que deve ser uma televisão estatal", disse Larraín. O deputado e ex-subsecretário do Interior entre 1984 e 1988, Alberto Cardemil, da mesma legenda RN, também criticou o seriado. Num artigo no jornal La Segunda, ele disse que "o contexto e intenção da série, com um jovem terrorista puro (...) é um abuso do dinheiro público". Para o reitor da Faculdade de Direito Finis Terrae, Miguel Schweitzer, o seriado "não ajudará na pendente reconciliação nacional". Para o diretor, "nunca houve reconhecimento da direita sobre o que ocorreu na ditadura de Pinochet". Segundo Acuña, a polêmica "só está começando", porque os próximos capítulos vão mostrar "cenas de tortura" que devem "incrementar o debate" sobre o que o Chile viveu durante o regime de Pinochet e sobre o que "ainda não foi investigado". Direitos humanos A diretora do Instituto Nacional de Direitos Humanos, Lorena Fries Monleon, disse que o seriado é uma forma de mostrar aos chilenos ?informações que circulam de forma fragmentada (sobre aquele período)?. Ouvido pela BBC Brasil, o professor chileno Claudio Fuentes, diretor da Faculdade de Ciências Sociais e História da Universidade Diego Portales (UDP), de Santiago, disse que o seriado gera polêmicas porque a sociedade chilena continua "dividida". Uma pesquisa do instituto UDP, no ano passado, mostrou que a maioria dos chilenos (70,5%) rejeita, "sob qualquer circunstância", qualquer violação de direitos humanos, "incluindo 1973". Mas 47,9%, recordou Fuentes, acham que os casos da ditadura devem ser "fechados e o país deve olhar para frente". Outros 55,9% acham que os crimes daquele período "devem continuar sendo investigados". __._,_.___ | -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110729/09b3648b/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 30 15:32:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 30 Jul 2011 15:32:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__DORIVAL_FERREIRA____________________?= =?iso-8859-1?q?____________-CCVI-?= Message-ID: <37E0BF46C21B4BBCB04EAD5D185794A4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem DORIVAL FERREIRA (1931-1970) Filiação: Alvina Ferreira e Domingos Antonio Ferreira Data e local de nascimento: 05/12/1931, Osasco (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 03/04/1970, São Paulo (SP). Militante da ALN, operário era filiado ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Osasco e Região - do qual foi candidato à presidência em 1965. Casado, pai de seis filhos, Dorival Ferreira morreu aos 38 anos, após ser preso pelos agentes do DOI-CODI/SP. Na noite de 02/04/1970, agentes de segurança invadiram a tiros sua casa em Osasco, à rua Zuma Sá Pereira, 18, quando foi ferido e preso. A versão oficial alegou que Dorival morreu em tiroteio e documentos dos órgãos de segurança registram que ele pertenceria ao setor de apoio da ALN mas seria responsável pela fabricação de explosivos. A relatora do processo na CEMDP assim analisou os fundamentos do pedido: "foi preso em sua própria casa, em Osasco- SP, em 02/04/1970, depois de receber um tiro nas costas, na altura dos quadris, logo que atendeu a um chamado, no portão de sua casa". As provas que contrariam a versão oficial vieram do IML, da perícia técnica e do DOPS. No Termo de Declarações do pai de Dorival - Domingos Antônio Ferreira -, prestado ao delegado Edsel Magnotti, colhido no DEOPS no dia 2 de junho, consta que ao chegar na casa do filho só encontrou policiais que lhe disseram que Dorival tinha sido preso, sem informar para onde fora levado. Também veio do DOPS uma ficha de Dorival, com data de 30/04/1970, informando que ele morreu em 03/04/1970, isto é, no dia seguinte à sua prisão. Jornais da época - Notícias Populares e Última Hora -, anexados ao processo na CEMDP, divulgaram a versão oficial, mas também informaram que "depois do tiroteio Dorival foi detido, e que foi solicitado reforço policial, principalmente, para as imediações da Delegacia de Polícia de Osasco". A cópia do laudo necroscópico, assinado por Otavio D'Andrea e Antônio Valentini, não está muito clara em alguns trechos, mas nas duas últimas linhas se pode ler: "retiramos um projétil de calibre maior que os anteriores e localizado na articulação coxo femural esquerda". O relatório da Polícia Técnica identifica, nas seis fotos que o acompanham, 11 ferimentos perfuro-contusos, número muito superior ao tiro nas costas que teria recebido ao ser preso. A relatora concluiu que as notícias oficiais e as reproduzidas nos jornais confirmavam os relatos da família de que Dorival Ferreira estava vivo quando foi levado para a prisão. Seu voto favorável ao deferimento foi acompanhado por todos os integrantes da Comissão Especial. ============================================================================================================== + Informações. DORIVAL FERREIRA Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em Osasco (SP), a 05 de novembro de 1932, filho de Domingos Antônio Ferreira e Albina Biscuola Ferreira. Era casado e tinha filhos. Mecânico. Morto aos 38 anos de idade, em São Paulo. Líder operário em Osasco e membro ativo da oposição sindical, dentro do Sindicato da Construção Civil. No dia 02 de abril de 1970, por volta das 21 horas, agentes do DOI-CODI/SP invadiram sua casa atirando. Mesmo ferido Dorival tentou fugir pelos fundos da casa, quando foi preso. Seu pai, que chegou nesse instante, não conseguiu saber dos policiais que estavam na casa para onde Dorival tinha sido levado preso. A versão policial é de que Dorival morreu em tiroteio. Os relatórios dos Ministérios da Marinha e Aeronáutica continuam a afirmar que ele morreu em tiroteio sem fazer referências à sua prisão. O laudo de necrópsia assinado pelos legistas Otávio D'Andrea e Antonio Valentini, bem como o da Polícia Técnica feito por Vladimir Zubkovsky, insistem na versão de morte em tiroteio. ================================================================================================ + Detalhes. Debates e homenagens marcam aniversário de 40 anos da greve que colocou o Sindicato na história contra a ditadura O aniversário de 40 anos da Greve de Osasco foi marcado por debates e homenagens na semana "1968: Memórias de uma História de Luta", promovida pelo Sindicato e pela Prefeitura da cidade. Debates sobre a greve, depoimentos de participantes da greve e de pesquisadores se mesclaram à exibição de uma prévia do documentário sobre o movimento produzido pelo Sindicato, à estréia da peça de teatro "68+40", à exposição "Direito à Memória e à Verdade" e à homenagem aos trabalhadores de Osasco mortos pela ditadura militar: José Campos Barreto, João Domin-gues e Dorival Ferreira. Na abertura da semana, na quarta-feira, 16, dia em que há 40 anos metalúrgicos da Cobrasma e da Lonaflex iniciaram a greve, o então presidente do Sindicato, José Ibranhin, disse que Osasco teve "visão de combinar a luta reivindicatória com a luta política" e que "68 ainda não acabou porque há muito que fazer". O presidente da Comissão de Fábrica da Cobrasma, José Groff, disse que "Osasco é outro depois de 68, graças ao nosso trabalho". E deu um recado para os jovens trabalhadores. "A juventude precisa da balada e do futebol, mas também se organizar no ambiente de trabalho." Documentário - O público de cerca de 200 pessoas que prestigiou a abertura das comemorações conferiu a prévia do documentário "1968: Memórias de uma História de Luta", produzido pelo Sindicato. O filme é rico em depoimentos de pessoas que participaram direta e indiretamente na organização do movimento, que falam sobre seu papel na greve, o contexto em que o movimento foi organizado e a repressão empreendida pela ditadura. A versão completa será finalizada até o final deste ano. "É a história dos trabalhadores, a partir de Osasco, que procuramos retratar no documentário, que também é uma homenagem aos companheiros e companheiras que organizaram a greve", explica o presidente do Sindicato, Jorge Nazareno. O filme é produzido pela Associação Eremim. Homenagem - Os companheiros mortos pela ditadura, José Campos Barreto, José Domingues da Silva e Dorival Ferreira, foram homenageados com a inauguração de um monumento ao lado da estação da CPTM de Osasco. A homenagem é resultado da parceria entre Prefeitura, Sindicato e Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Barreto, Domingues e Dorival foram militantes políticos originários de Osasco, que tiveram papel significante na greve e na luta armada contra a ditadura e que, por isso, foram perseguidos e brutalmente assassinados. "Não foram terroristas, bandidos, foram lutadores pela liberdade, pela democracia", enfatizou o ministro Paulo Vannuchi, que recebeu familiares dos homenageados num encontro na Prefeitura de Osasco, que teve a presença do prefeito Emidio de Souza. Vannuchi disse que a homenagem é uma forma de reparação aos danos provocados pelo Estado às vítimas da ditadura. "É o país, o Estado brasileiro, que reconhece a sua responsabilidade pelos assassinatos, que promoveu a reparação indenizatória e agora começa a promover a recuperação política e simbólica [dos militantes que lutaram contra a ditadura]". A Secretaria prepara homenagens semelhantes a outros militantes, cujos rostos e histórias serão retratados em monumentos espalhados pelo País. O projeto também compreende a exposição "Direito à Memória e à Verdade", que pode ser visitada pelo público no Centro de Formação dos Professores até setembro. A entrada é franca. A greve e seus atores também passam a ser lembrados todo dia 16 de julho, com a instituição do Dia Municipal em Homenagem à Greve dos Trabalhadores de Osasco de 1968, com a aprovação da lei 4.243, do vereador Aloizio Pinheiro (PT). 68+40 - A estréia do espetáculo "68+40" foi outro ponto alto da comemoração. Com muita música e dança, o grupo Boca de Pano retrata de forma poética momentos da greve e da repressão contra o Sindicato e os trabalhadores que participaram do movimento. A peça emocionou o público. "Foi um resgate emocional. Provocou a platéia", avaliou Antonio Roberto Espinosa, que participou da greve. "A peça tem uma visão muito correta, mostrando a abrangência, a solidariedade e a firmeza da mobili-zação", complementou Manoel Dias do Nascimento, outro participante do movimento. A peça fica em cartaz até dezembro, no Teatro Municipal de Osasco, na Av. dos Autonomistas, 1533, na Vila Campesina. Clique abaixo para baixar o jornal especial do evento: Jornal VT - ed. especial dos 40 anos da Greve de osasco (Arquivo em formato PDF) ==================================================================================================== Ficha. Dorival Ferreira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Dorival Ferreira Cidade: (onde nasceu) Osasco Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 5/11/1932 Atividade: Mecânico Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Nome falso: (Codinome) Moraes Prisão: 2/4/1970 Osasco SP Brasil em casa Morto ou Desaparecido: Morto 2/4/1970 Osasco SP Brasil em casa Versão oficial relata morte em tiroteio, sem mencionar a prisão. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Antônio Valentini, Octávio D'Andrea Biografia Documentos Artigo de jornal Morreu fuzilado na luta com a polícia. Última Hora, Brasília, 4 abr. 1970. Artigo do arquivo do DOPS sobre a morte de Dorival Ferreira, depois de haver enfrentado agentes do DOPS e da Operação Bandeirantes (OBAN). O artigo comenta que, devido ao envolvimento com a OBAN, a imprensa teve pouco acesso na apuração das causas reais que provocaram o tiroteio. Sabe-se que, à noite, em frente à casa de Dorival, surgiu um carro comum seguido de uma viatura policial; no interior do primeiro carro, estaria uma pessoa que teria apontado a casa de Dorival. Um agente do DOPS entrou pela lateral da casa, encontrando-se com Dorival que estava armado de um revólver. Dorival baleou este agente e, ao tentar fugir, recebeu uma rajada de metralhadora. A casa foi invadida e algumas armas apreendidas. O pai de Dorival foi preso ao comparecer ao local quando soube do ocorrido. Segundo amigos, Dorival tinha algumas idéias subversivas mas nunca as comentava abertamente. Artigo de jornal Enfrentou polícia a bala e foi fuzilado. Notícias Populares, São Paulo, 4 abr. 1970. Descreve o cerco da casa de Dorival por policiais quando este matou um deles e acabou sendo morto. Artigo de jornal Relação de chapas para a eleição da diretoria, conselho fiscal e delegados representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção Civil, de Olaria, de Cerâmica para Construção, de Ladrilhos Hidráulicos, Produtos de Cimento e Oficiais Eletricistas de São Paulo, de 16/08/65. Dorival Ferreira consta na Chapa Verde para a diretoria e para delegado representante ao Conselho da Federação. Documento do DOPS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110730/13d69239/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14651 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110730/13d69239/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22454 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110730/13d69239/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 1535 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110730/13d69239/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 30 15:32:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 30 Jul 2011 15:32:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__=22O_FUTEBOL_S=C3=93_EVOLUIU_DA_BOCA_?= =?utf-8?q?DO_T=C3=9ANEL_PARA_DENTRO_DO_CAMPO=22__por___Laerte_Brag?= =?utf-8?q?a?= Message-ID: <2620C1172A4F4481A3CF78B72A17DB66@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ?O FUTEBOL SÓ EVOLUIU DA BOCA DO TÚNEL PARA DENTRO DO CAMPO? Laerte Braga A frase é de Flávio Costa, técnico da seleção brasileira na copa de 1950, várias vezes campeão carioca ? torcedor do Flamengo ? e personagem de uma célebre briga com o jogador Gerson quando quis escalá-lo como ponta esquerda. Gérson saiu do Flamengo e foi para o Botafogo, mesmo sendo torcedor declarado e ostensivo do Fluminense, onde, aliás encerrou sua carreira. Flávio Costa fez essa declaração após a célebre derrota para a seleção do Uruguai e a perda do título. Às vésperas daquela final desde o prefeito do Rio, o truculento general Ângelo Mendes de Morais, aos dirigentes da antiga CBD ? CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS ? hoje CBF (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL), todos festejaram a conquista antecipada da copa, exigiam a presença dos jogadores nos eventos que muitas vezes se esticavam noite à dentro e no jogo, entre outras coisas, o peso das comemorações ? peru não morre de véspera ? juntou-se à falta de pernas para reagir ou definir a partida com um segundo gol. E diga-se de passagem a seleção do Uruguai era de fato uma senhora seleção, mas ainda assim muito inferior à brasileira. João Havelange trouxe para a CBD algo que não existia no futebol do Brasil. Planejamento. Banqueiro, empresário ligado ao grupo J.P. Morgan quando foi buscar Vicente Feola, em 1958, para técnico do que chamavam scratch brasileiro. A imprensa o crucificou. Feola era administrador do futebol do São Paulo Futebol Clube e poucos perceberam que pela primeira vez estava se formando uma comissão técnica. Um supervisor, Carlos Nascimento, um preparador físico de alta envergadura Paulo Amaral, um coordenador José de Almeida, o médico Hílton Gosling e mais dois ou três, inclusive um dentista, o célebre doutor Mário Trigo que deu um tapinha nas costas do rei da Suécia depois da vitória do Brasil na final. Havelange ligado ao Fluminense pegou a estrutura do clube e acrescentou Feola e Paulo Amaral. Naquele tempo o tricolor era considerado um modelo de organização, hoje é um modelo de bagunça (sou tricolor, o atual presidente está fazendo das tripas o coração para tentar colocar a casa em ordem). Campeão em 1958 com uma geração de jogadores notáveis (Newton Santos, Djalma Santos, Pelé, Didi, Garrincha ? uma espécie de extraterrestre no futebol ? Zito, etc, repetiu a dose em 1962 e o fracasso de 1966 foi conseqüência do tal negócio de sucesso subir à cabeça. Figura fundamental em todo esse processo, percepção de Havelange, até nos equilibrismos políticos, foi levar Paulo Machado de Carvalho ? empresário paulista ? para a chefia da seleção. Dono da antiga Tevê RECORD o empresário era de uma geração que fazia de São Paulo ainda integrante da federação brasileira. Hoje é um país vizinho que fala a mesma língua e tem a governá-lo um triunvirato tucano, FHC, Serra e um pastel chamado Geraldo Alckimin. Um condado da quadrilha FIESP/DASLU. A eleição de Havelange para a presidência da FIFA foi uma espécie de mingau comido pelas beiradas (pegou os votos africanos, americanos, asiáticos e isolou a Europa). A ditadura militar colocou o Itamaraty como principal cabo eleitoral do brasileiro e a retribuição veio em 1978, quando a copa foi montada para a ditadura argentina triunfar. E curiosamente, Menotti, o técnico argentino, pertencia ao partido comunista daquele país e acabou sendo marginalizado após a conquista. A vitória argentina em 1978 foi parte de um acordo entre o governo do ditador Médici e os generais argentinos. Havelange fora eleito em 1974. Isso contribuiu para aumentar a aversão que o general Ernesto Geisel, que sucedeu Médice tinha pelo presidente da FIFA (acumulava a presidência da CBF). Forçou a renúncia de Havelange e colocou na CBF um almirante Heleno Nunes, que inventou um técnico chamado Cláudio Coutinho ? capitão do exército ?. Entre outras coisas Coutinho inventou o ?ponto futuro?, escalou o quarto zagueiro Edinho de lateral esquerdo, barrou Nelinho e Rivelino. Ao final, como o Brasil não perdera proclamou-se ?campeão moral?. É que, no macete de diferenças de gols o goleiro argentino da seleção peruana tomou todos os gols necessários para que a Argentina fosse à final. O nome era Quiroga. A volta do grupo de Havelange se deu com Ricardo Teixeira. Sucedeu a Otávio Pinto Guimarães, um ex-diretor do Botafogo, ora amigo, ora inimigo de Havelange. Ricardo Teixeira foi eleito exclusivamente por ser genro e da estrita confiança de Havelange. Anos mais tarde teria sido afastado do cargo ? em eleições -. É que se separou da filha de Havelange com a qual era casado, foi viver com uma cidadã norte-americana. A moça morreu num acidente de automóvel e para não perder a boca voltou à filha do sogro. Conservou o cargo. De lá para cá ganhou autonomia, a presença de Havelange é simbólica. Não apita mais nada. Associou-se aos bandidos costumeiros do futebol (o primeiro tricampeonato do Vasco da Gama, único, foi arranjado entre Teixeira e Caixa D?Água, presidente da Federação Fluminense de Futebol e juízes, o que não difere muito de hoje). Eurico Miranda era um dos principais aliados de Teixeira. Num dos jogos o já falecido juiz Margarida deu mais dez ou doze minutos de acréscimo, até o gol do Vasco sair, acho que contra o Olaria. Como se vê, máfia pra ninguém colocar defeito. Os técnicos à época de Flávio Costa ficavam assentados nas escadas dos túneis utilizados pelos clubes para entrar em campo, falo da Maracanã, daí a frase do treinador. Com uma incrível capacidade de colar-se a governantes (oferece entradas grátis, coloca nas delegações da seleção quando esta vai ao exterior, é useiro e vezeiro em fazer isso com desembargadores e juízes que julgam processos nos quais é réu) sobrevive e destrói o futebol no Brasil, agora em parceria exclusiva com a REDE GLOBO. Torcidas organizadas dos grandes clubes começam a protestar contra os desmandos e a corrupção generalizada no futebol brasileiro sob a batuta de Ricardo Teixeira. Faz até doações para campanhas eleitorais. O que é corriqueiro. A escorá-lo a GLOBO (corrupta na gênese, gambá cheira gambá) e toda essa corja de senadores, deputados, juízes, desembargadores, Gilmar Mendes etc, ávidos de um dinheirinho extra ou uma ajuda no período eleitoral. ´ Tem um acordo com Blatter, atual presidente da FIFA, para sucedê-lo. Mas aí é outra história. O futebol europeu é hoje o retrato da Europa, um continente em processo de extinção. A crise começa a afetar grandes clubes e os poucos sobreviventes já sabem que terão que diminuir o ímpeto de grandes concentrações (ainda que uma ou outra aconteça), mesmo porque as máfias russas que por lá lavam o seu dinheiro, os xeques árabes, não são tão idiotas assim, sentem o cheiro da falência. A corrupção no futebol da Europa é semelhante à que acontece no Brasil. Teixeira vai disputar a presidência da FIFA com um europeu qualquer, de olho, ambos, no tesouro que é o esporte mais visto em todo o mundo. Neste momento precisa sobreviver na CBF, um problema que não contava. A sorte dele é que a corrupção generalizada permeia as federações estaduais, vai fundo nos eleitores que compõem o colégio eleitoral da CBF e para derrubá-lo vai ser preciso mais que protestos. Mas é importante afastá-lo. Se continuar, em breve, o futebol vira um esporte em extinção, só de cartolas corruptos e venais como ele. Outro dia um desses juízes que ?apitam? no campeonato nacional lembrou os ajustes para esse ou aquele ser campeão. Lá pelas tantas ninguém entendeu nada que o ?magistrado? havia marcado e um locutor lembrou certinho uma frase, outra, essa de Leônidas da Silva ? ?apitou o que? Perigo de gol?? É por aí que anda o futebol brasileiro. Como ano passado o Corinthians se indispusera com Teixeira andou tomando uns pênaltis um tanto esquisitos. Esse ano, até agora, a coisa está acerta direitinho. Mas... Ah! O mas. Se Mano Menezes não der conta do recado e não vai dar, é tapa buraco, Teixeira quer mesmo é Felipão e aí o Palmeiras ou aceita, ou dança. Muricy segundo o presidente da CBF é ?engenheiro de obras prontas, só pega clube montado e cheio de craques?. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110730/2ce97b4b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jul 30 15:32:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 30 Jul 2011 15:32:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Podemos_estar_perto_de_reviver_a?= =?iso-8859-1?q?_crise_de_1930__por___Paul_Krugman___-__Professor_d?= =?iso-8859-1?q?e_Economia_em_Princeton_e_Pr=EAmio_Nobel_2008?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem 29.07.11 - Mundo Podemos estar perto de reviver a crise de 1930 Paul Krugman Professor de Economia em Princeton e Prêmio Nobel 2008 Adital [Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o "impulso" que a economia precisava]. *** Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza. De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de Depressão Menor, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim. Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes. Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda. Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles - os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA - viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes - incluindo aí o plano de estímulo de Obama - apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada. De modo que temos hoje economias deprimidas. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, 53% dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente 7% mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos. Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa. Na quinta-feira, os "chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE" - esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu - publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral. Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit "em todos os países salvo naqueles com um programa" que deve entrar em vigor "antes de 2013 o mais tardar". Dado que esses países "com um programa" se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos. Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava. Mencionei que o Banco Central Europeu - ainda que, felizmente, não a Federal Reserve - parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros? Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: "Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo". Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história. E a Depressão Menor continua. [Tradução: Katarina Peixoto / Sin Permiso]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110730/e0b9d9c1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 31 13:42:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 31 Jul 2011 13:42:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__***_Baile_da_Saudade_=28Show=29*?= =?iso-8859-1?q?**_________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASICAS!?= Message-ID: <6FFC41C0F11B4BFF930FD45737AC2F07@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: lu Maria *** Baile da Saudade (Show)*** MUSICAS DE VÁRIAS ÉPOCAS.SENSACIONAL.......... ----- -------------------------------------------------------------------------------- Baile da Saudade (Show) Olha que máximo! É só clicar em cima do nome da música aumentar o volume e aguardar pra ouvir!!...música originais, algumas tão antigas como a história . Divirtam-se! Desenho de Deus (2006) Dandara(2005) Mulher Ideal(2002) Eu Sei (2004) Meu Ébano(2005) Passarela no ar(2006) Por mais que eu tente(2005) Se não é amor(2005) Epitáfio(2001) A Miragem (2001) A Loba(2001) Se quer saber (2002) Amor e Sexo(2003) As Loucuras de uma Paixão(1997) Vê se me erra(1992) Devagar...Devagarinho(1995) Dois(1997) A canção tocou na hora errada(1999) Mal Acostumado(1998) Paratodos(1993) Espanhola(1999) Partituras(1995) Sonhos(1994) Tem coisas que a gente não tira do coração(1996) Chama da Paixão(1994) Sol de Primavera(1994) Lenha(1999) Mulheres(1998) SE(1992) Beija eu (1991) O Canto da Cidade(1992) Nobre Vagabundo(1996) Recado(1990) Encontro das Águas(1993) Sozinho(1999) Ta na Cara(1998) Resposta ao Tempo(1998) Ainda lembro(1994) Nuvens(1995) Dez a Um(1997) Bem Querer(1998) Caça e Caçador(1997) Alma Gêmea(1995) Quem é Você(1995) Um Dia de Domingo(1985) Coração de Estudante(1983) Momentos(1983) Quarto de Hotel(1980) Se eu quiser falar com DEUS(1980) Meu Bem Meu Mal(1981) Você é Linda(1983) Baila Comigo(1980) Vai Passar(1984) Menino do Rio(1980) Oceano(1989) Fonte da Saudade(1980) Conselho(1986) Alma(1982) Mel na Boca(1985) Saigon(1989) De volta pro meu aconchego(1985) Faz parte do meu show(1988) Só Pra Contrariar(1986) Um Homem também chora(1983) Deslizes(1989) Bilhete(1980) Balada do Louco(1982) Viajante(1989) Um certo alguém(1983) Purpurina (1982) Verde(1985) O que é o que é (1982) Me dê Motivo(1983) Lança Perfume(1980) Estranha Loucura(1987) Tiro ao Álvaro(1980) Anos Dourados(1986) Caçador de mim(1980) Agonia(1980) Meu Bem Querer(1980) Ao que vai chegar(1984) Como Uma Onda(1983) Tudo com você(1983) Paixão(1981) Codinome Beija Flor(1985) Samba pra Vinicius(1980) Papel Machê (1984) Judia de Mim(1986) Brasil (1988) Ontem (1988) Encontros e Despedidas(1985) Nos bailes da vida(1981) Samurai(1982) O Caderno(1983) Pedacinhos(1983) O último romântico(1984) Cama e Mesa(1984) Todo o Sentimento(1987) Apesar de Você (1972) Grito de Alerta (1979) Naquela Mesa (1970) Detalhes (1970) Gabriela(1975) Gostava Tanto de Você(1973) Tigresa(1977) Coisinha do Pai(1979) Quando eu me chamar Saudade(1974) Canta Canta minha gente(1974) Foi um Rio que passou em minha vida(1970) Cio da Terra(1976) Juízo Final(1976) O Mar Serenou(1975) Gota D'Agua(1976) Não deixe o samba morrer(1975) Viagem(1973) Sufoco(1978) Bandolins(1979) Atrás da Porta(1972) Argumento(1975) Regra Três(1973) A paz do meu amor(1974) Toada(1979) Meu mundo e nada mais(1976) Você abusou(1971) Tristeza pé no chão(1972) Rosa de Hiroshima(1973) Valsinha(1971) Retalhos de cetim(1973) Águas de Março (1972) Começar de Novo ( 1978) Loucura (1979) Começaria Tudo Outra Vez(1976) Foi Assim (1977) Outra Vez(1977) Café da Manhã (1978) Folhas Secas(1973) Só Louco(1976) 1.800 Colinas(1974) Dança da Solidão(1972) Olho por Olho(1977) Conto de Areia(1974) A Deusa dos Orixás(1975) Alvorada no Morro(1973) Pra Você(1972) Os Amantes(1977) O Surdo(1975) Pedaço de Mim(1979) To Voltando(1979) Pela Luz dos Olhos Teus(1977) Se queres saber(1977) O Bêbado e a Equilibrista(1979) Wave(1977) Você(1974) Canto das Três Raças(1974) Desabafo(1979)Samba de Orly(1971) Seu Corpo(1975) Madalena(1970) Samba de uma Nota Só ( 1960) Disparada(1965) Travessia( 1967) Matriz ou Filial ( 1964) Trem das Onze (1965) Viola Enluarada (1967) A Banda (1965) Cantiga por Luciana ( 1969) Carolina (1967) Festa de Arromba ( 1964) Hoje (1966) Upa Neguinho (1967) Prova de Fogo (1967) Samba do Avião(1967) Noite dos Mascarados(1967) Laranja Madura (1966) Mas que nada(1963) País Tropical(1969) Modinha(1968) Poema do Adeus(1961) Sem Fantasia(1967) Estão voltando as flores (1961) Samba em preludio(1962) Negue (1960) Garota de Ipanema ( 1962) Apelo(1967) O Barquinho ( 1961) Gente Humilde ( 1969) Minha Namorada (1962) Arrastão(1965) Alegria Alegria (1967) Caminhando (1968) Você passa eu acho graça(1968) Namoradinha de um amigo meu(1965) A Flor e o Espinho ( 1964) Preciso aprender a ser só(1965) Volta por cima(1962) Mulher de Trinta(1960) A Praça(1967) Chove Chuva(1963) Brigas(1966) Fotografia(1967) Andança(1968) Roda Viva(1967) Samba do crioulo doido(1968) Ninguém Me Ama( 1952) Eu Sei Que Vou Te Amar (1958) Saudosa Maloca ( 1955) Chega de Saudade ( 1958 ) Conceição( 1956) Desafinado (1958) Esse seu olhar(1959) Iracema(1956) Dindi(1959) Ronda(1953) Evocação nº1(1957) Eu não existo sem você(1958) A Noite Do Meu Bem(1959) Se Todos Fossem Iguais a Você(1957) Castigo( 1958) Ouça( 1957) Lábios de Mel ( 1955) Molambo( 1953 ) Estrela do Mar(1952) Tereza da praia(1954) Alguém como tu(1952) Evocação nº2(1958) E daí?(1959) A Deusa da Minha Rua ( 1940) Chuvas de Verão (1949) Copacabana ( 1947) Amélia(1941) Adeus -Cinco Letras que choram-( 1947) Última Inspiração ( 1940) Marina( 1947) Ave Maria no Morro (1942) Eu sonhei que tu estavas tão linda (1942) Atire a Primeira Pedra ( 1944) Brasileirinho( 1949) Mensagem ( 1946) Velho Realejo( 1940) Caminhemos( 1947). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110731/74cbfe90/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jul 31 13:42:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 31 Jul 2011 13:42:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de___DINAELZA_SANTANA_COQUEIRO__e__VANDI?= =?iso-8859-1?q?CK_REIDNER_PEREIRA_COQUEIRO_____________________-CC?= =?iso-8859-1?q?VII-?= Message-ID: <2B971D1C37F147B98C7FCCED29DBB388@vcaixe> ----- Original Message ----- From: Vanderley - Revista To: Vanderley - Revista Sent: Sunday, July 31, 2011 1:39 PM Subject: PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de DINAELZA SANTANA COQUEIRO e VANDICK REIDNER PEREIRA COQUEIRO -CCVII- Carta O Berro..........................................................repassem DINAELZA SANTANA COQUEIRO (1949-1973) Filiação: Junília Soares Santana e Antônio Pereira de Santana Data e local de nascimento: 22/03/1949, Vitória da Conquista (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 08/04/1974 Baiana de Vitória da Conquista, estudou em Jequié (BA), no Instituto Educacional Régis Pacheco, onde organizou o grêmio dos alunos. Em 1969, foi para Salvador cursar Geografia na Universidade Católica. Participou ativamente do Movimento Estudantil, sendo eleita para a Comissão Executiva do DCE. Nessa época, casou-se com Vandick, estudante de Economia, também desaparecido no Araguaia. Em 1970, ela e o marido já integravam o comitê estudantil do PCdoB. Trabalhou na empresa aérea Sadia, depois Transbrasil, até 1971, quando pediu demissão e foi deslocada para a região do Gameleira, no Araguaia, onde se tornou mais conhecida como Mariadina. No sul do Pará, integrou o Destacamento B da guerrilha. Dinaelza participou de vários enfrentamentos armados. Sinésio Martins Ribeiro, guia do Exército na época, afirmou em depoimento prestado em São Geraldo do Araguaia, em 19/07/01: "ficou sabendo pelo Pedro Galego e Iomar Galego que a Mariadina (Dinaelza) foi presa no rumo da OP-1, dentro da mata; que quem prendeu ela foi o mateiro Manoel Gomes e entregou para o Exército; que segundo soube o depoente, ela foi levada para a casa do Arlindo Piauí para contar onde estavam os outros e outras informações; que ela não falou nada; que lhe contaram que ela era muito bruta, porque ela não respondia nenhuma das perguntas e também cuspiu nos doutores; que por isso mataram ela um pouco adiante da casa do Arlindo Piauí, dentro da mata; (...)". No relatório do Ministério do Exército, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, consta que, "usava os codinomes Dinorá e Maria Dina e que sua carteira de identidade havia sido apreendida em um aparelho rural do PCdoB". Já o relatório do Ministério da Marinha, do mesmo ano, registra que "Dinaelza foi morta em 8 de abril de 1974. (...) relacionada entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural. Levada a efeito pelo Comitê Central do PCdoB, em Xambioá". Segundo depoimento de moradores de Xambioá, Dinaelza foi capturada por forças do Exército. No relatório apresentado pelos procuradores Marlon Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr., em 28/01/2002, também ficou registrado: "Mariadina: Dinaelza S. Coqueiro, foi presa por um mateiro e entregue ao Exército. Interrogada na casa de um camponês, teria cuspido em um dos oficiais e então executada". O livro de Elio Gaspari traz depoimento de José Veloso de Andrade, encarregado da lanchonete da Bacaba, informando ter visto seis guerrilheiros, vivos, naquele acampamento militar: Mariadina (Dinaelza), Chica (Suely Yumiko Kanayama), Edinho (Hélio Luiz Navarro de Magalhães), Beto (Lúcio Petit), Valdir (Uirassu de Assis Batista), Pedro Carretel (Pedro Matias de Oliveira) e Rosa (Maria Célia Corrêa). No livro de Hugo Studart, consta: "Foi presa e executada pelos militares. A arma do militar falhou no momento da execução, de acordo com depoimento a esta pesquisa. Teria sido enterrada perto de São Geraldo, segundo camponeses". Taís Morais e Elmano Silva escreveram em Operação Araguaia sobre Dinaelza: "Presa pelo mateiro Manoel Gomes nas proximidades da OP- 1, revoltou-se com o tratamento recebido do Exército. Meiga com os familiares, xingou o Major Curió de 'chifrudo' e cuspiu na cara de um oficial. Foi morta em 8 de abril de 1974, segundo os registros da Marinha". O número 208 de A Classe Operária, órgão oficial do PCdoB, trouxe trechos do depoimento prestado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados por Cícero Pereira Gomes, posseiro no Araguaia que colaborou com o Exército no combate à guerrilha. Depois de descrever com detalhes as torturas aplicadas a guerrilheiros e moradores da região, informou que o corpo de Dinaelza Santana Coqueiro está enterrado na altura do quilômetro 114 da rodovia que liga São Geraldo a Marabá, indicando o local da cova, perto de uma casa de tábua. Dinaelza era irmã de Diva Santana, que hoje dirige o Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia e integra a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, responsável por este livro-relatório. ================================================================================================================================= VANDICK REIDNER PEREIRA COQUEIRO (1949-1973) Filiação: Elza Pereira Coqueiro e Arnóbio Santos Coqueiro Data e local de nascimento: 09/12/1949, Boa Nova (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 17/01 ou setembro/1974 Vandick estudou em Jequié, no Instituto Régis Pacheco. Naquela cidade, participou de um grupo de estudo de literatura junto com outras duas guerrilheiras do Araguaia: sua futura esposa, Dinaelza, também desaparecida, e Luzia Reis Ribeiro, presa em 1972 . Mais tarde, cursou Economia na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, até o 3º ano. Fez parte do Comitê Estudantil do PCdoB, em 1970, quando foi eleito para o DCE da Universidade. Era também professor de História. Em 1971, ele e Dianelza Santana Coqueiro, sua mulher, foram juntos para a região do Gameleira, onde ficou conhecido como João Goiano, do Destacamento B. Segundo o Relatório Arroyo, "Dinaelza e Vandick haviam ficado perto do local onde houvera o tiroteio em 17/12 contra Antônio Teodoro e Elmo, para encontrá-los e deveriam retornar no dia 28/12 num local bem próximo de onde houvera o tiroteio do dia 25/12, segundo informações de Osvaldão. No entanto, Antônio e Elmo já haviam se encontrado com Arroyo em outro local. Desde esta data estão desaparecidos". O relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, registra apenas que foi "morto em 17/01/1974, pela equipe C 11". Pedro Vicente Ferreira, conhecido por Pedro Zuza, em depoimento prestado ao Ministério Público Federal, em 07/07/2001, disse que serviu de guia durante dois meses na região do Embaubal e que buscavam a turma do Osvaldão, já tendo matado o Amaury (Paulo Roberto Pereira Marques) e Zé Goiano ou João Goiano, como era chamado o Vandick, na região. Baseado no Dossiê Araguaia, escrito por militares que participaram da repressão à guerrilha, Hugo Studart, em A Lei da Selva, apresenta uma data completamente diferente: "O Dossiê informa que morreu em SET 74. Foi o penúltimo guerrilheiro a ser apanhado pelos militares". ====================================================================================================================== + Informações. DINAELZA SOARES SANTANA COQUEIRO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 22 de março de 1949 em Vitória da Conquista, Estado da Bahia, filha de Antônio Pereira de Santana e Junília Soares Santana. Desaparecida desde 1973 na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos. Concluiu o curso primário e secundário no Instituto Regis Pacheco, em Jequié e, em 1969, iniciou o curso de Geografia na Pontifícia Universidade Católica de Salvador. Participou do movimento estudantil e fazia parte da Comissão Executiva do Diretório Central dos Estudantes da sua Universidade. Trabalhou na Sadia, hoje Transbrasil, até início de 1971. Estava decidida a lutar contra a ditadura e defender os ideais de justiça. Decidiu, então, participar do movimento guerrilheiro, indo para o Araguaia com seu marido Vandick Reidner Pereira Coqueiro (desaparecido). O Relatório do Ministério do Exército diz que ela "utilizava os codinomes Dinorá e Maria Dina, tendo sua carteira de identidade n° 792454-SSP/BA apreendida em um 'aparelho rural' do PC do B. Atuava na área de Xambioá e Marabá." O Relatório do Ministério da Marinha diz que ela foi "morta em 8 de abril de 1974". Seus companheiros a viram viva e em liberdade pela última vez em 30 de dezembro de 1973. Segundo informações de moradores da região foi aprisionada por tropas do Exército. ========================================================================================== VANDICK REIDNER PEREIRA COQUEIRO Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Boa Nova, Estado da Bahia, aos 09 de dezembro de 1949, filho de Arnóbio Santos Coqueiro e Elza Pereira Coqueiro. Desaparecido em 1974 na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos. Fez o 1° e 2° graus no Instituto Regis Pacheco, em Jequié. Cursou até o 3° ano de Economia, em Salvador, na UFBa. Membro do DCE e professor de História em cursinhos. Casado com Dinaelza Coqueiro (desaparecida), foram para a região do Araguaia em fins de fevereiro de 1971 para a localidade de Gameleira. Pertencia ao Destacamento B da Guerrilha O relatório do Ministério Marinha diz que foi "morto em 17/01/74". ============================================================================================= + Informações. VANDICK REIDNER PEREIRA COQUEIRO (1949-1973) ( do livro Habeas Corpus) Vandick estudou em Jequié (BA), onde participou de um grupo de estudo de literatura junto com outras duas guerrilheiras do Araguaia: sua futura esposa Dinaelza, também desaparecida, e Luzia Reis Ribeiro, presa em 1972. Mais tarde, cursou Economia na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, até o 3º ano. Fez parte do Comitê Estudantil do PCdoB em 1970, quando foi eleito para o DCE da universidade. Era também professor de História. Em 1971, ele e Dinaelza foram para a região do Gameleira, onde Vandick ficou conhecido como Zé Goiano e também João Goiano, do Destacamento B. Segundo o Relatório Arroyo, "Dinaelza e Vandick haviam ficado perto do local onde houvera o tiroteio, em 17/12, contra Antônio Teodoro e Elmo para encontrá-los, e deveriam retornar no dia 28/12 num local bem próximo de onde houvera o tiroteio do dia 25/12, segundo informações de Osvaldão. No entanto, Antônio e Elmo já haviam se encontrado com Arroyo em outro local. Desde esta data estão desaparecidos". O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, registra apenas que Vandick foi "morto em 17/01/1974, pela equipe C 11". A data coincide com a que o tenente José Vargas Jiménez assinala em seu livro Bacaba. Pedro Vicente Ferreira, conhecido por Pedro Zuza, em depoimento prestado ao Ministério Público Federal, em 7 de julho de 2001, disse que serviu de guia durante dois meses na região do Embaubal. Os militares, segundo ele, buscavam a turma de Osvaldão, já tendo matado Amaury (Paulo Roberto Pereira Marques) e Vandick. Baseado no Dossiê Araguaia, escrito por militares que participaram da repressão à guerrilha, Hugo Studart, em A Lei da Selva, apresenta uma data completamente diferente: "O Dossiê informa que morreu em Set. 74. Foi o penúltimo guerrilheiro a ser apanhado pelos militares". Documentação de 1o de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra a data de sua morte em 12 de janeiro de 1974. ========================================================================================================== DINAELZA SANTANA COQUEIRO (1949-1973) (do livro Habeas Corpus) Baiana de Vitória da Conquista, Dinaelza cursou Geografia na Universidade Católica de Salvador. Participou ativamente do movimento estudantil. Nessa época, casou-se com Vandick, também desaparecido no Araguaia. Em 1970, ela e o marido já integravam o comitê estudantil do PCdoB. Em 1971, foi deslocada para a região do Gameleira, no Araguaia, onde se tornou conhecida como Mariadina. Integrou o Destacamento B da guerrilha e participou de vários enfrentamentos armados. Sinésio Martins Ribeiro, guia do Exército na época, afirmou em 19 de julho de 2001 que: Mariadina [...] foi levada para a casa do Arlindo Piauí para contar onde estavam os outros e outras informações; que ela não falou nada; que lhe contaram que ela era muito bruta, porque ela não respondia nenhuma das perguntas e também cuspiu nos doutores; que por isso a mataram um pouco adiante da casa do Arlindo Piauí, dentro da mata [...]. No relatório do Ministério do Exército, de 1993, consta que "usava os codinomes Dinorá e Mariadina e que sua carteira de identidade havia sido apreendida em um aparelho rural do PCdoB". Já o relatório do Ministério da Marinha registra que "Dinaelza foi morta em 8 de abril de 1974". Segundo depoimentos de moradores de Xambioá, Dinaelza foi capturada por forças do Exército. No relatório apresentado pelos Pprocuradores Marlon Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr., em 28 de janeiro de 2002, também ficou registrado: "Mariadina: Dinaelza S. Coqueiro foi presa por um mateiro e entregue ao Exército. Interrogada na casa de um camponês, teria cuspido em um dos oficiais e então executada". O livro de Elio Gaspari traz o depoimento de José Veloso de Andrade, encarregado da lanchonete da Bacaba, informando ter visto seis guerrilheiros vivos naquele acampamento militar, entre os quais estava Mariadina (Dinaelza). . 197 DESAPARECIDOS No livro de Hugo Studart, consta: "Foi presa e executada pelos militares. A arma do militar falhou no momento da execução, de acordo com depoimento a esta pesquisa. Teria sido enterrada perto de São Geraldo, segundo camponeses". Taís Morais e Eumano Silva escreveram em Operação Araguaia sobre Dinaelza: "Presa pelo mateiro Manoel Gomes nas proximidades da OP-1, revoltou-se com o tratamento recebido do Exército. Meiga com os familiares, xingou o Major Curió de 'chifrudo' e cuspiu na cara de um oficial". O número 208, de janeiro de 2002, de A Classe Operária, órgão oficial do PCdoB, trouxe trechos do depoimento prestado por Cícero Pereira Gomes, posseiro no Araguaia que colaborou com o Exército. Ele informou que o corpo de Dinaelza está enterrado na altura do quilômetro 114 da rodovia que liga São Geraldo a Marabá, indicando o local da cova, perto de uma casa de tábua. Diva Santana, irmã de Dinaelza, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de Salvador e membro da CEMDP, descobriu com seus esforços importantes informações sobre Dinaelza e outros desaparecidos, baseada em relatos que obteve junto à população local. Diva diz que Antônia Ribeiro da Silva, moradora da região de Gameleira, às margens da estrada operacional 2, contou a ela que Dinaelza foi morta perto de sua casa. Quatro homens chegaram num helicóptero, com Dinaelza. Saíram todos levando-a presa. Pouco depois, ouviu tiros. Os homens voltaram sem a Dinaelza. Um deles era o major Curió. E o Curió muito irritado porque a arma dele falhou. Ele a xingava, vagabunda, filha dumas quantas. Disse que ela cuspiu nele. Aí ele foi matar e emperrou a arma, outro soldado matou. Quando eles subiram no helicóptero, Dona Antônia foi ver o local. Havia uma poça de sangue, já com mosca, junto, um montinho de terra, ela não viu o corpo. Esse local já foi explorado pela equipe técnica do GTT em setembro de 2009, porém nenhum vestígio humano foi localizado. ============================================================================================== + Detalhes. Dinaelza Soares Santana Coqueiro Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 22 de março de 1949 em Vitória da Conquista, Estado da Bahia, filha de Antônio Pereira de Santana e Junília Soares Santana. Desaparecida desde 1973 na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos. Concluiu o curso primário e secundário no Instituto Regis Pacheco, em Jequié e, em 1969, iniciou o curso de Geografia na Pontifícia Universidade Católica de Salvador. Participou do movimento estudantil e fazia parte da Comissão Executiva do Diretório Central dos Estudantes da sua Universidade. Trabalhou na Sadia, hoje Transbrasil, até início de 1971. Estava decidida a lutar contra a ditadura e defender os ideais de justiça. Decidiu, então, participar do movimento guerrilheiro, indo para o Araguaia com seu marido Vandick Reidner Pereira Coqueiro (desaparecido). O Relatório do Ministério do Exército diz que ela "utilizava os codinomes Dinorá e Maria Dina, tendo sua carteira de identidade n° 792454-SSP/BA apreendida em um 'aparelho rural' do PC do B. Atuava na área de Xambioá e Marabá." O Relatório do Ministério da Marinha diz que ela foi "morta em 8 de abril de 1974". Seus companheiros a viram viva e em liberdade pela última vez em 30 de dezembro de 1973. Segundo informações de moradores da região foi aprisionada por tropas do Exército. A história do DA GEO Estudante de Geografia da UCSal, fundadora do diretório acadêmico e membro da comissão executiva do DCE, filha de Antônio Pereira Santana e Junília Soares Santana, nasceu em 22 de março de 1949 em Vitória da Conquista, Bahia. Desapareceu em 1973, na Guerrilha do Araguaia, aos 25 anos de idade. DINAELZA COQUEIRO, assim como centenas de outros jovens de sua época, estava decidida a lutar contra a ditadura militar e defender os ideais de justiça e liberdade. Foi assim que decidiu participar do movimento guerrilheiro, indo para o Araguaia com seu marido Vandick Reidner Pereira Coqueiro (também desaparecido). Que os ideais de DINAELZA estejam sempre vivos entre nós. E que os mesmos nos motivem sempre a continuar lutando por um Brasil mais justo, igualitário, livre e democrático. DA GEO DINAELZA COQUEIRO Gestão GEOGRAFIA PARA GEOGRAFIA ========================================================================================== + Detalhes. 1/8/2007 12:33:41 Novos Tempos Boa Nova presta homenagem a desaparecido político O comunista Vandick Reidner Pereira Coqueiro, militante político foi uma das vítimas da ditadura militar no Brasil. Rangel Almeida Daniel e prefeito Adonias ao lado de D. Elza Coqueiro, mãe de Vandick. O município de Boa Nova, no sudoeste baiano, a 438 km de Salvador teve um final de semana de festa e homenagens. No último sábado, 28, o prefeito Adonias da Rocha Pires, ex DEM, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Para marcar a data, o administrador público, que já vinha recebendo o apoio constante do deputado Daniel Almeida, prestou uma homenagem aos familiares do militante comunista Vandick Coqueiro, desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Totalmente reformada, a antiga escola, que por ironia do destino, chamava-se General Médici - presidente responsável pelos assassinatos no Araguaia - atenderá mais de 900 alunos do primeiro grau. Vandick Reidner Pereira Coqueiro é natural de Boa Nova, filho de Arnóbio Santos Coqueiro e Elza Pereira Coqueiro. Militante do PCdoB, foi um dos mártires da luta no Araguaia. Desapareceu em 1974, no rastro da ação dos militares para dizimar a resistência à ditadura. Relatórios divulgados agora pelo governo, pertencentes à Marinha, mostram que ele foi morto em 17/01/74, aos 25 anos. "Agora, 33 anos depois, o prefeito Adonias faz justiça à história e ao filho-herói dessa terra, ao mudar o nome da escola, que passará a se chamar Vandick Coqueiro", elogiou o deputado Daniel Almeida, que ao lado de representantes do Grupo Tortura Nunca Mais e familiares de Vandick, participou do evento. Para Daniel, a mudança é uma demonstração de que novos ventos sopram na Bahia, com o povo valorizando a memória de seus verdadeiros heróis. O deputado saúda Boa Nova, o prefeito Adonias, e rende homenagens a Vandick Coqueiro, que morreu levantando alto a bandeira da liberdade e da democracia. Por: Moacy Neves e Karlo Dias ===================================================================================================== + Detalhes. Procurando Dinaelza Em relato de outubro de 2010, Diva Santana, irmã de Dinaelza Santana Coqueiro, conta que: Ficamos de 1971 até 1978 sem saber do paradeiro da minha irmã. Nessa época, eu e meu irmão tínhamos uma livraria, a Literarte. Em novembro de 1978, saiu a revista História Imediata, sobre a guerrilha do Araguaia, da editora Global. Nela, o Genoíno falou que, em 1971, chegaram na região, vindos da Bahia, Maria Dina e João. Não liguei o nome às pessoas. Mas a menina da Global me disse que a Maria Dina era estudante de Geografia e o João, de Economia. Falei: 'É Dinaelza'. Meu irmão foi encontrar o Genoíno em São Paulo. Quando ele chegou, o Genoíno falou: 'Não precisa nem falar, você é irmão da Dinaelza', porque eles eram muito parecidos. Pelo que o Genoíno contou, não sobrou nada daquela história. E a nossa luta começa a partir daí, no Comitê de Anistia, buscando todos os familiares, as pessoas que estavam fora, voltando do exílio, outros, saindo da prisão, e a gente foi fazer aquele trabalho miudinho, de casa em casa, é um trabalho muito difícil. A LUTA DOS FAMILIARES DOS DESAPARECIDOS . 67 O que os moradores contaram Minha irmã foi presa na casa de um camponês, ela estava há mais de um mês escondida na selva, falou que já tinha comido 50 jabutis crus. Dizem que essa camponesa recebeu 5 milhões de cruzeiros [valores da época] e entregou a minha irmã para a polícia. A mulher diz que foi em abril ou maio de 1974. Entregou ela, ela ficou presa, amarraram com corda, de noite dormiram, ela queimou as cordas numa lamparina e fugiu, com o braço todo queimado. Mas não foi muito longe, estava muito debilitada, subiu numa árvore perto da casa. Aí eles saíram com cachorros à procura, um cachorro a encontrou, o guia pediu que ela se entregasse, ela não desceu. (...) O Zezão, vaqueiro da fazenda Taboca [em 2010, Rainha do Araguaia] (...), pegou um machado, derrubou a árvore, amarrou-a pelos cotovelos, porque os braços estavam queimados. Ele passou um rádio para o Curió, e ele veio com helicóptero e levou ela presa. Diva conheceu pessoalmente a Dona Antônia (Antônia Ribeiro da Silva, viúva do ex-guia dos militares, Arlindo Vieira da Silva, e moradora da região de Gameleira, às margens da Estrada operacional 2 (OP 2) no estado do Pará. Ela me contou que esse mesmo helicóptero desceu dias depois no terreno do Arlindo Piauí, pistoleiro da região e guia do Exército. Descem quatro homens com a Dinaelza presa. A mulher descreve direitinho como ela estava, com os braços enfaixados, e os três homens perguntaram onde morava um irmão da Dona Antônia que se chamava Iomar Galego. Todos eles eram guias do Exército. Ela pega um filho mais velho e o manda ensinar onde é a casa do irmão dela, ali próximo. Daí a pouco chega o menino dizendo que não encontrou o tio, e os homens saíram todos levando Dinaelza presa. A Dona Antônia diz que demorou um pouco, ouviu tiros, ficou apavorada, se fechou dentro de um quarto com todos os filhos. Chegam os quatro homens sem Dinaelza, e o Curió muito irritado porque a arma dele falhou. Ele a xingava, 'vagabunda, filha dumas quantas'. Disse que ela cuspiu nele. Aí ele foi matar e emperrou a arma, outro soldado foi quem matou. =============================================================================================== + Informações. Medalha Chico Mendes: Dinaelza Soares Santana Coqueiro Dinaelza Soares Santana Coqueiro Em algum lugar, por entre as folhagens da selva amazônica, se prestarmos bastante atenção, podemos até hoje ainda ouvir o vento murmurando respeitosamente um nome: Maria Dina ......, Diná ......., Dinorá ........ Mas a baiana Dinaelza foi calada há muito tempo, e a resposta ao chamado somos nós que assobiamos: Dinaelza presente ! Como uma sinfonia que não pode ser interrompida, com seus momentos de suavidade e suas passagens trágicas, a vida de Dinaelza não acabou num dia duvidoso de 1973 ou 1974, prossegue vigorosa em nossas atitudes de denúncia das injustiças sociais que ainda permanecem entre nós, no meio rural e nas cidades. Dinaelza Soares Santana Coqueiro nasceu em Vitória da Conquista, Bahia, em 22 de março de 1949. Foi assassinada aos 25 anos e teria agora 53. Filha de Antônio Pereira de Santana e Junília Soares Santana. Concluiu os cursos primário e secundário no Instituto Regis Pacheco, em Jequié e, em 1969, iniciou o curso de Geografia na Pontifícia Universidade Católica de Salvador. Participou do movimento estudantil pertencendo à Comissão Executiva do Diretório Central dos Estudantes de sua Universidade. Trabalhou na Sadia, hoje Transbrasil, até o início de 1971. Como militante do Partido Comunista do Brasil - PC do B - ingressou no movimento guerrilheiro, indo para o Araguaia com seu marido Vandick Reidner Pereira Coqueiro, também lá desaparecido. Seus companheiros a viram viva e em liberdade pela última vez em 30 de dezembro de 1973. Em depoimento recente a procuradores federais, um morador da região do Araguaia, ex-guia das forças federais, revelou que Dinaelza foi presa e levada para uma base militar, onde sofreu torturas para que informasse onde se encontravam seus companheiros. Foi descrita como "uma mulherzinha muito bruta, que xingava os doutores e cuspia em suas caras". Foi fuzilada por um pistoleiro que cumpria ordens do Coronel Sebastião de Moura Curió e sepultada perto da Serra das Andorinhas. Bem junto de onde o vento canta. Um relatório do Ministério da Marinha diz que ela foi morta em 8 de abril de 1974. Não diz tudo o que sabe, e principalmente, pela natureza de sua crosta, não percebe a nossa verdade: pois mulheres guerreiras não são mortas simplesmente. Elas se retiram do cenário concreto no momento adequado, dentro de uma estratégia lógica, e retornam etéreas, com força, multiplicadas, diversificadas, com mil faces e os mesmos ideais. Dinaelza está presente. Uma parte está comigo, outra parte com você. Dinaelza é um presente. * Na foto, Lorena Moroni entrega a medalha à irmã de Dinaelza, Diva Santana ================================================================================================= + Detalhes. Memórias Reveladas - Dinaelza Santana Coqueiro? - YouTube www.youtube.com/watch?v=2lsCInP6fh01 min - 31 out. 2009 - Vídeo enviado por cartasdetiro Filmete de 60 segundos do site www.memoriasreveladas.gov.br (campanha da TV) ( vídeo fornecido ao autor pelo próprio site) Mais vídeos para DINAELZA SANTANA COQUEIRO » =================================================================================================================== Detalhes. Sindicato de Conquista homenageia Dinaelza Coqueiro Escrito por SEEB-VC 09/03/2009 No dia 5, no primeiro dia programação em celebração ao Dia Internacional da Mulher (8 de março), o Sindicato dos Bancários de Vitória da Comquista homenageou a conquistense Dinaelza Coqueiro, militante comunista e guerrilheira que foi morta pelos militares na Guerrilha do Araguaya, em 1974, aos 25 anos. Na ocasião, houve a exibição no Cine Clube Mulher do filme "Araguaya: Conspiração do Silêncio", de Ronaldo Duque. A representante da União Brasileira de Mulheres e integrante do Conselho Municipal da Mulher, a bancária aposentada Lídia Rodrigues, fez o comentário. Estiveram presentes a mãe de Dinaelza, Junilia Soares Santana, a irmã Diva Santana e outros familiares. Diva deu seu testemunho sobre a luta travada por ela e demais familiares de mortos e desaparecidos durante o regime militar para que o Estado esclareça o ocorrido a seus entes e possa tornar público os arquivos da Ditadura. ================================================================================================== + Detalhes. quinta-feira, 16 de abril de 2009 Alice presta homenagem a Dinaelza Santana, guerrilheira morta no Araguaia e que tem ligações com Jequié No dia do aniversário do golpe militar de 1964, a deputada Alice Portugal ocupou a tribuna da Câmara dos Deputados para prestar uma homenagem à guerrilheira Dinaelza Santana Coqueiro, desaparecida durante a repressão militar contra a resistência armada do Araguaia. "Todos sentimos a falta de Dinaelza, ninguém mais porém sente esse vazio do que seus familiares. Uno-me a eles, ressaltando a lutadora pela anistia e pelo fim da tortura, sua irmã Diva Santana, e sua outra irmã, educadora, sindicalista competente e experiente, professora Dilma Santana", ressaltou Alice. "Quero prestar homenagem a uma brasileira, vítima da ditadura, que deu sua vida em defesa da liberdade, da democracia e do socialismo. Quero homenagear a baiana Dianelza Santana Coqueiro, cujo aniversário de nascimento se deu no último dia 22 de março, quando ela, se viva, completaria 60 anos de idade", disse Alice em seu pronunciamento.A parlamentar historiou a trajetória de lutas de Dinaelza e afirmou que, ao homenagear a guerrilheira, renovava seu apelo ao governo do presidente Lula para que assegure a abertura dos arquivos da ditadura e permita aos familiares das vítimas da repressão obter informações sobre seus entes mortos e desaparecidos. Ao concluir, a deputada estendeu sua solidariedade a todos os familiares de mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar, que merecem que o Estado reconheça a vida heróica de seus entes que se foram na luta pela liberdade =========================================================================================== + Detalhes. Feliz aniversário: Dinaelza Soares Santana Coqueiro! Hoje é aniversário de uma sertaneja de Vitória da Conquista nascida em 1949. Mas, ela já não se encontra em nós, foi brutalmente assassinada pela ditadura militar aos 25 anos e faria 61. Filha de Antônio Pereira de Santana e Junília Soares Santana. Conhecida por nós pelo sobre-nome que adquiriu depois de casada com Vandick Reidner Pereira Coqueiro, também lá desaparecido político. É registrada em nossa história local por Dinaelza Coqueiro. Também é imortalizada na história da ditadura militar no Brasil pelo codinome: "Mariadina". Homenageada no filme Narradores de Javé, como uma heroína no mito de fundação que conta a origem do povoado. Aliás, única representante feminina no heróico e memorial panteão dessa narrativa cinematográfica. Para que seja um incentivo a participação e ação de outras mulheres na militância política, registramos aqui o respeito pela sua memória e reconhecimento pelo imenso valor de sua luta! Feliz aniversário: Dinaelza Soares Santana Coqueiro! por Maris Stella Schiavo Novaes -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110731/05a5269b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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