From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 1 12:47:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 1 Jan 2011 12:47:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Battisti_sabe_muito_sobre_a_Opera?= =?utf-8?q?=C3=A7=C3=A3o_GLADIO=2E__E_pode_decidir_contar_ao_mundo?= =?utf-8?q?=2E?= Message-ID: <630E68CBF3194AB98DD33C5231018430@vcaixe> Carta O Berro.............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marco Aurelio http://www.voltairenet.org/article145221.html Réseau de presse non-alignée A estratégia da tensão O terrorismo não reinvindicado da NATO por Silvia Cattori Daniele Ganser, professor de história contemporânea na universidade de Basileia e presidente da ASPO-Suíça, publicou um livro de referência sobre os "Exércitos secretos da NATO" . Segundo ele os Estados Unidos organizaram na Europa Ocidental durante 50 anos atentados que atribuíram mentirosamente à esquerda e à extrema esquerda para as desacreditar aos olhos dos eleitores. Esta estratégia continua hoje em dia para criar o temor do Islão e justificar as guerras do petróleo. -------------------------------------------------------------- 8 de Fevereiro de 2007 Depuis Zurich (Suisse) Outils Imprimer Envoyer Todas as versões deste artigo : français Deutsch italiano ??????? English Español País OTAN Assuntos Acção secreta Silvia Cattori: A sua obra consagrada aos exércitos secretos da NATO [1] explica o que é a estratégia da tensão [2] e o grande perigo dos terrorismos bandeira-falsa [3] . O livro mostra-nos como a NATO durante a Guerra Fria ? em coordenação com os serviços de informação dos países europeus ocidentais e com o Pentágono ? serviu-se de exércitos secretos, recrutou espiões nos meios da extrema direita e organizou actos terroristas que foram atribuídos à extrema esquerda. Sabendo isso, podemo-nos interrogar sobre o que se possa passar hoje em dia sem nós o sabermos. Daniele Ganser: É muito importante compreender o que a estratégia da tensão realmente é e como funcionou durante esse período. Isso poder-nos-á ajudar a esclarecer o presente e a ver melhor em que medida ela está hoje em dia ainda em funcionamento. Pouca gente sabe o que a expressão estratégia da tensão significa. Por isso é importante falar dela e explicar o que significa. É uma táctica que consiste em cometer atentados criminosos com as próprias mãos e atribuí-los a um outro qualquer. A palavra tensão refere-se à tensão emocional, àquilo que cria um sentimento de medo. A palavra estratégia refere-se ao que alimenta o medo das pessoas em relação a um certo grupo. As estruturas secretas da NATO eram equipadas, financiadas e treinadas pela CIA, em coordenação com o MI6 (os serviços secretos britânicos) para combater as forças armadas da União Soviética em caso de guerra, mas também, segundo as informações de que hoje se dispõe, para cometer atentados terroristas em diversos países [4] . Foi assim que, nos anos 70, os serviços secretos italianos utilizaram exércitos secretos para cometerem atentados terroristas com o fim de provocar o medo na população e depois acusar os comunistas de terem sido os autores. Foi isto numa altura em que o Partido Comunista tinha um poder legislativo importante no Parlamento. A estratégia de tensão tivera por fim desacreditá-lo e enfraquecê-lo, para impedí-lo de poder chegar ao poder executivo. Silvia Cattori: Saber o que significa é uma coisa. Mas continua a ser difícil acreditar que os nossos governos tenham podido deixar a NATO, os serviços de informação europeus ocidentais e a CIA ameaçar a segurança dos seus próprios cidadãos! Daniele Ganser: A NATO estava no coração dessa rede clandestina ligada ao terror; o Clandestine Planning Committee (CPC) e o Allied Clandestine Committee (ACC), que estão hoje perfeitamente identificados, eram subestruturas clandestinas da Aliança Atlântica. Agora, ainda que tudo isso seja já bem conhecido, continua a ser difícil saber quem fazia o quê. Não há documentos que mostrem quem comandava, quem organizava a estratégia da tensão, como a NATO, os serviços de informação europeus ocidentais, a CIA, o MI6 e os terroristas recrutados nos meios da extrema direita distribuíam os papéis. A única certeza que temos é que havia, no interior dessas estruturas clandestinas, elementos que utilizaram a estratégia da tensão. Os terroristas de extrema direita explicaram nas suas deposições que foram os serviços secretos e a NATO que os haviam apoiado nessa guerra clandestina. Mas quando se pede explicações a membros da CIA ou da NATO - coisa que fiz durante vários anos - limitam-se a dizer que talvez possa ter havido alguns elementos criminosos que tenham escapado ao seu controlo. Silvia Cattori: Esses exércitos secretos estavam activos em todos os países europeus ocidentais? Daniel Ganser: Com as minhas pesquisas consegui provar que esses exércitos secretos existiam, não apenas em Itália, mas em toda a Europa Ocidental: na França, na Bélgica, nos Países Baixos, na Noruega, na Dinamarca, na Suécia, na Finlândia, na Turquia, na Espanha, em Portugal, na Áustria, no Luxemburgo, na Alemanha. Ao princípio pensava-se que houvesse uma estrutura de guerrilha única e que, portanto, todos esses exércitos tivessem participado na estratégia de tensão, logo em atentados terroristas. Ora, é importante saber que nem todos esses exércitos secretos participaram em atentados e compreender o que os diferenciava, porque eles tinham duas actividades distintas. O que parece hoje claro é que as estruturas clandestinas da NATO, no conjunto chamadas Stay Behind [5] , estavam concebidas à partida para levar a cabo guerrilhas em caso de ocupação da Europa Ocidental por parte da União Soviética. Os Estados Unidos diziam que essas redes de guerrilha eram necessárias para colmatar a impreparação em que se encontraram os países invadidos pela Alemanha. Um certo número de países que sofreram a ocupação alemã, como a Noruega, queriam tirar lições da sua incapacidade demonstrada de resistir ao ocupante e disseram a si próprios que, em caso de nova ocupação, deveriam estar mais bem preparados e ter um exército secreto como segunda opção, se porventura o exército clássico ficasse desfeito. Havia nesses exércitos secretos gente honesta, patriotas sinceros que queriam simplesmente defender o seu país em caso de ocupação. Silvia Cattori: Se bem compreendo, esses Stay Behind cujo objectivo inicial era preparar-se para a eventualidade duma invasão soviética foram desviados dele para combater a esquerda. Custa a perceber porque razão os partidos de esquerda não investigaram, não denunciaram esses desvios mais cedo? Daniele Ganser: Se se tomar o caso da Itália, parece que, de cada vez que o Partido Comunista interpelou o governo pedindo explicações sobre o exército secreto que operava no país com o nome de código Gladio [6] , nunca teve resposta sob o pretexto de secredo de Estado. Não é senão em 1990 que Giulio Andreotti [7] reconheceu a existência do Gladio e das suas ligações com a NATO, a CIA e o MI6 [8] . É nessa época também que o juiz Felice Casson conseguiu provar que o verdadeiro autor do atentado de Peteano em 1972, que abalou toda a Itália e que fora até então atribuído a militantes da extrema esquerda, era de facto Vincenzo Vinciguerra, próximo do Ordine Nuovo, um grupo de extrema direita. Vinciguerra confessou haver cometido o atentado de Peteano com a ajuda dos serviços secretos italianos. Vinciguerra falou também da existência desse exército secreto Gladio e explicou como, durante a Guerra Fria, esses atentados clandestinos causaram a morte de mulheres e crianças [9] . Afirmou também que esse exército secreto, controlado pela NATO, tinha ramificações por toda a Europa. Quando apareceu essa informação houve uma crise política em Itália. E é graças às investigações do juiz Felice Casson que se tem hoje conhecimento dos exércitos secretos da NATO. Na Alemanha quando os socialistas do SPD souberam, em 1990, que existia no seu país - como em todos os outros países europeus - um exército secreto, e que essa estrutura estava ligada aos serviços secretos alemães, bradaram escândalo aos quatro ventos e acusaram o partido democrata-cristão (CDU). Este reagiu dizendo: se nos acusais, vamos a público dizer como vós também, com Willy Brandt, participastes na conspiração. Coincidiu isto com as primeiras eleições na Alemanha reunificada, que o SPD esperava ganhar. Os dirigentes do SPD compreenderam que isso não seria um bom tema eleitoral e acabaram por dar a entender que, no fim de contas, esses exércitos secretos eram justificáveis. No Parlamento Europeu, em Novembro de 1990, levantaram-se vozes dizendo que não se podia tolerar a existência de exércitos clandestinos, nem deixar por explicar os actos de terror cuja verdadeira origem não era clara e que era necessário investigar. O Parlamento Europeu protestou na altura por escrito junto da NATO e do presidente George Bush senior. Mas nada foi feito. Só na Itália, Suíça e Bélgica foram levados a cabo inquéritos públicos, e só nestes países se pôs um pouco de ordem neste assunto e se publicou relatórios sobre os exércitos secretos. Silvia Cattori: E hoje em dia? Esses exércitos clandestinos estarão ainda activos? Haverá estruturas nacionais secretas que escapem ao controlo dos Estados? Daniele Ganser: Para um historiador é difícil de responder a essa questão. Não se dispõe dum relatório oficial país por país. Nas minhas obras analiso factos que posso provar. Em relação à Itália, existe um relatório que afirma que o exército secreto Gladio foi suprimido. Sobre a existência do exército secreto P26 na Suíça, houve, em Novembro de 1990, semelhante relatório do Parlamento. Assim, os exércitos clandestinos que armazenaram explosivos em esconderijos um pouco por toda a Suiça foram dissolvidos. Mas nos outros países não se fez nada. Em França quando o presidente François Mitterrand afirmou que tudo isso pertencia ao passado, soube-se logo a seguir que essas estruturas secretas continuavam activas com a afirmação de Giulio Andreotti que o presidente francês mentia: "Diz o senhor que os exércitos secretos já não existem; ora, aquando da reunião secreta no Outono de 1990, vós também franceses estáveis presentes; não diga portanto que já não existem". Mitterrand ficou bastante zangado com Andreotti pois, após esta revelação, foi obrigado a rectificar a sua declaração. Mais tarde, o antigo chefe dos serviços secretos franceses, o almirante Pierre Lacoste, confirmou que esses exércitos secretos existiam também em França e que a França estivera também implicada em atentados terroristas [10] . É portanto difícil dizer se tudo isso está acabado. E, ainda que as estruturas Gladio tenham sido dissolvidas, pode-se sem dúvida ter criado outras, continuando-se a servir desta técnica da estratégia da tensão e das bandeiras-falsas. Silvia Cattori: Pode-se pensar que, após a derrocada da URSS, os Estados Unidos e a NATO tenham continuado a aplicar a estratégia da tensão e as bandeiras-falsas em outras frentes? Daniele Ganser: As minhas pesquisas concentraram-se sobre o período da Guerra Fria na Europa. Mas sabe-se que, em outros sítios, houve bandeiras-falsas cuja responsabilidade provou-se ter sido dos Estados Unidos. Um exemplo: os atentados em 1953 no Irão, no princípio atribuídos aos comunistas iranianos. Ora ficou comprovado que a CIA e o MI6 se serviram de agentes provocadores para orquestrar a queda o governo de Mohamed Mossadegh. Isto no quadro da guerra pelo controlo do petróleo. Outro exemplo: os atentados no Egipto em 1954 que ao princípio se atribuía aos muçulmanos. Ficou mais tarde provado, naquilo que se chama o caso Lavon [11] , que foram agentes da Mossad os autores. Neste caso tratou-se de Israel conseguir que as tropas britânicas não saíssem do Egipto para garantir a segurança de Israel. Assim, temos exemplos históricos que mostram qe a estratégia da tensão e as falsas-bandeiras foram utilizadas pelos EUA, Grã Bretanha e Israel. É preciso continuarmos as pesquisas nestas áreas porque, na sua história, outros países utilizaram também a mesma estratégia. Silvia Cattori: Estas estruturas clandestinas da NATO, criadas depois da Segunda Guerra Mundial por iniciativa dos Estados Unidos para dotar os países europeus duma guerrilha capaz de resistir a uma invasão soviética, no fim de contas não serviram para mais nada que levar cabo acções criminosas contra os cidadãos europeus! Tudo leva a crer que os Estados Unidos tinham afinal outros objectivos. Daniele Ganser: Tem razão em levantar essa questão. Os Estados Unidos estavam interessados no controlo político. Esse controlo político é um elemento essencial da estratégia de Washington e Londres. O general Geraldo Serravalle, chefe do Gladio, a rede italiana do Stay Behind, dá um exemplo disso no seu livro. Ele conta que compreendeu que os Estados Unidos não estavam interessados na preparação dessa guerrilha em caso de invasão soviética quando viu que, o que interessava aos agentes da CIA que assistiam aos exercícios de treino do exército secreto que ele dirigia, era assegurar que esse exército funcionasse de modo a controlar as acções dos militantes comunistas. O medo deles era a subida ao poder dos comunistas em países como a Grécia, a Itália ou a França. Era portanto para isso que servia a estratégia da tensão: orientar e influenciar a política de certos países da Europa Ocidental. Silvia Cattori: Disse que o elemento emocional é um factor importante na estratégia da tensão. Portanto, o terror, cuja origem é ainda vaporosa e incerta, e o medo que ele provoca, servem para manipular a opinião. Ontem ateava-se o medo do comunismo; hoje não se ateia o medo do Islão? Daniele Ganser: Sim, há um paralelo bem claro. Como preparação da guerra contra o Iraque disse-se que Sadam Hussein possuía armas biológicas, que havia um elo entre o Iraque e os atentados de 11 de Setembro, ou que havia um elo entre o Iraque e os terroristas da Al Qaida. Mas nada disso era verdade. Com essas mentiras pretendia-se fazer crer ao mundo que os muçulmanos queriam estender o terrorismo por todo o lado e que essa guerra era necessária para combater o terror. Ora, a verdadeira razão da guerra é o controlo dos recursos energéticos. A geologia determinou que as riquezas em gás e petróleo se concentrem nos países muçulmanos. Quem os queira açambarcar tem de se esconder atrás deste género de manipulações. Eles não podem dizer às pessoas que já não há muito mais petróleo, e que o máximo da produção global ? o "peak oil" [12] ? dar-se-á provavelmente antes de 2020; nem que é preciso ir buscá-lo ao Iraque; porque isso seria dizerem que é necessário matar crianças por petróleo. E têm razões para não quererem dizer tal coisa. Também não podem dizer às pessoas que no Mar Cáspio há reservas enormes e que têm planos para construir um oleoduto até ao Oceano Índico, e que, como não se pode passar pelo Irão ao sul, nem pela Rússia ao norte, será necessário passar por leste, pelo Turquemenistão e pelo Afeganistão, e que é portanto necessário controlar esses países. Por isso se qualifica os muçulmanos de "terroristas". Não são senão grandes mentiras, mas se forem repetidas vezes sem conta, as pessoas acabarão por crer nelas e na utilidade das guerras antimuçulmanas; assim como esquecerão que há muitas formas de terrorismo, e que a violência não é uma especialidade apenas muçulmana. Silvia Cattori: Em suma, essas estruturas clandestinas poderiam ter sido dissolvidas, mas a estratégia da tensão pode ter continuado? Daniele Ganser: Exacto. Pode-se ter dissolvido essas estruturas mas formado outras novas. É preciso explicar como são a táctica e a manipulação na estratégia da tensão. Nada disso é legal. Mas para os Estados é mais fácil manipular as pessoas que dizer-lhes que se está tentando deitar mão ao petróleo alheio. De qualquer modo, nem todos os atentados provêem da estratégia da tensão. Mas é difícil saber quais são os manipulados e quais não são. Mesmo quem saiba que um certo número de atentados são manipulados por Estados para desacreditar um inimigo político, esbarra contra um obstáculo psicológico. Após um atentado as pessoas têm medo, estão confusas. É muito difícil ter ideia que a estratégia da tensão, a estratégia da bandeira-falsa, é uma realidade. É mais fácil aceitar a manipulação e dizer a si próprio: "Há trinta anos que me mantenho informado e nunca ouvi falar de exércitos criminosos nenhuns. Os muçulmanos atacam-nos, e é por isso que os combatemos." Silvia Cattori: Desde 2001 a União Europeia instaurou medidas antiterroristas. Mais tarde tornou-se evidente que essas medidas permitiram à CIA raptar pessoas e transportá-las para sítios secretos para as torturar. Os Estados europeus não se tornaram um pouco reféns da sua submissão aos Estados Unidos? Daniele Ganser: Os Estados europeus tiveram uma atitude bastante fraca em relação aos Estados Unidos após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Depois de terem afirmado que as prisões secretas eram ilegais, deixaram de intervir. E o mesmo fizeram com os prisioneiros de Guantânamo. Na Europa levantaram-se vozes afirmando: "Não se pode privar os prisioneiros de defesa e de advogado." Mas quando Madame Angela Merkel levantou esta questão, os Estados Unidos deixaram claramente entender que a Alemanha estava de certo modo implicada no Iraque e que os seus serviços secretos haviam contribuído para a preparação dessa guerra e que portanto deveriam manter-se calados. Silvia Cattori: Em tal contexto, com tantas zonas de sombra, que segurança traz a NATO aos povos que se presume proteger, permitindo desta maneira aos serviços secretos manipular? Daniele Ganser: Em relação aos atentados terroristas manipulados pelos exércitos secretos da rede Gladio durante a Guerra Fria é preciso determinar com clareza qual foi a implicação real da NATO neles e saber o que realmente se passou. Trataram-se de actos isolados ou organizados secretamente pela NATO? Até hoje a NATO tem sempre recusado falar da estratégia da tensão e do terrorismo durante a Guerra Fria. A NATO rechaça qualquer questão relativa ao Gladio. Hoje em dia a NATO é usada como um exército ofensivo, mas não foi para isso que a organização foi criada. Foi activada dessa maneira no dia 12 de Setembro de 2001, imediatamente após os atentados em Nova Iorque. Os dirigentes da NATO afirmam que a razão da sua participação na guerra contra os afegãos é combater o terrorismo. Ora a NATO está em risco de perder essa guerra. Haverá então uma grande crise, debates; o que virá a permitir saber se a NATO conduz, tal como diz, uma guerra contra o terrorismo, ou se se encontra numa situação análoga à que se encontrava durante a Guerra Fria com o exército secreto Gladio, onde tinha uma ligação ela própria com o terror. Os próximos anos dirão se a NATO age para além da missão para que foi fundada: defender os países europeus e os Estados Unidos em caso de invasão soviética, evento que nunca se deu. A NATO não foi fundada para se apoderar do petróleo e do gás dos países muçulmanos. Silvia Cattori: Percebe-se porque Israel, a quem interessa aumentar os conflitos nos países árabes e muçulmanos, encoraja os Estados Unidos nesse sentido. Mas que interesse possa ser o dos Estados europeus em enviar tropas para guerras decididas pelo Pentágono, como no Afeganistão, por exemplo? Daniele Ganser: Penso que a Europa esteja confusa. Os Estados Unidos são presentemente os senhores da força e os Europeus têm tendência a pensar que o melhor a fazer é colaborar com o mais forte. Mas é bom pensar um pouco melhor. Os parlamentares europeus cedem facilmente à pressão dos Estados Unidos, os quais reclamam continuamente tropas para esta ou aquela frente. Quanto mais os países europeus cederem, tanto mais se submeterão, e tanto mais se confrontarão com problemas cada vez maiores. No Afeganistão, os alemães e os britânicos estão sob o comando do exército americano. Estrategicamente não é uma posição do interesse desses países. Recentemente os Estados Unidos mandaram os alemães dispor as suas tropas também no sul do Afeganistão em zonas onde as batalhas são mais duras. Se os alemães aceitarem, arriscam-se a serem massacrados pelas forças afegãs, que rejeitam a presença de qualquer ocupante que seja. A Alemanha deveria, com toda a seriedade, perguntar-se se não deveria retirar os seus 3000 soldados do Afeganistão. Mas, para os alemães, desobedecer às ordens dos Estados Unidos, de quem são um pouco como vassalos, é um passo difícil a dar. Silvia Cattori: Que sabem as autoridades que nos governam hoje em dia da estratégia da tensão? Continuarão a permitir aos fazedores de guerras fomentarem golpes de Estado, raptarem e torturarem pessoas, sem nada fazer? Têm as autoridades ainda os meios necessários de os impedir de levar a cabo tais crimes? Daniele Ganser: Não sei. Como historiador, observo, tomo notas. Como conselheiro político, afirmo sempre que há que não ceder a manipulações cujo ideia é criar o medo e a fazer crer que os "terroristas" são sempre os muçulmanos; afirmo que se trata duma luta pelos recursos energéticos; que é preciso encontrar formas de sobreviver à penúria energética sem ser no sentido da militirização. Não se pode resolver os problemas de tal jeito; assim só se agravam. Silvia Cattori: Ao observar a diabolização dos árabes e dos muçulmanos na perspectiva do conflito israelo-palestiniano, diz-se que não tem nada a ver com o petróleo. Daniele Ganser: Sim, nesse caso, sim. Mas na perspectiva dos Estados Unidos trata-se de facto de controlar as reservas energéticas do bloco euroasiático que se situa na "elipse estratégica" que vai do Azerbaijão, passando pelo Turquemenistão e o Cazaquistão até à Arábia Saudita, o Iraque, o Kuwait e o Golfo Pérsico. É precisamente aí, nessa região, onde se desenrola toda a pretensa guerra "contra o terrorismo", que se concentram as mais importantes reservas de petróleo e gás. Na minha opinião, tudo isto não é mais do que um jogo geoestratégico no qual a União Europeia não pode senão perder. Porque se os Estados Unidos chegam a controlar esses recursos, e com o agravamento da crise energética, aí estarão eles a dizer: "Quereis gás?, quereis petróleo? Pois sim, mas em troca nós queremos isto e aquilo." Os Estados Unidos não darão de graça petróleo e gás aos países europeus. Pouca gente sabe que o "peak oil", o máximo de produção, já foi atingido no Mar do Norte, e que, consequentemente, a produção de petróleo na Europa - a produção da Noruega e da Grã Bretanha - está em declínio. No dia em que as pessoas se derem conta que estas guerras "contra o terrorismo" são manipulação, e que as acusações contra os muçulmanos são em parte propaganda, ficarão bastante surpreendidas. Os Estados europeus têm que acordar e compreender por fim como funciona a estratégia da tensão. E têm que aprender também a dizer não aos Estados Unidos. Além disso, nos Estados Unidos também há muita gente que não quer esta militarização nas relações internacionais. Silvia Cattori: Fez também pesquisas sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001 e assinou um livro [13] em conjunto com outros intelectuais que se preocupam com as incoerências e as contradições na versão oficial dos eventos e nas conclusões da comissão de inquérito mandatada pelo senhor Bush. Não teme vir a ser acusado de "teoria da conspiração"? Daniele Ganser: Os meus estudantes e outras pessoas têm-me perguntado se esta "guerra contra o terrorismo" está de facto relacionada com o petróleo e o gás e se os atentados de 11 de Setembro foram de facto manipulados, ou é uma coincidência que os muçulmanos de Ossama bin Laden tenham atacado exactamente na altura em que os países ocidentais começavam a perceber uma crise do petróleo? Comecei portanto a interessar-me pelo que se escreveu sobre o 11 de Setembro e a estudar também o relatório oficial apresentado em Junho de 2004. Quando se mergulha neste assunto, uma pessoa apercebe-se de imediato que há um grande debate planetário à volta do que realmente se passou em 11 de Setembro de 2001. A informação que se tem não é muito precisa. Uma pessoa começa-se logo por perguntar porque razão, num relatório de 600 páginas, nem sequer está mencionada a derrocada da terceira torre que ocorreu nesse mesmo dia. A comissão não se refere senão à derrocada das duas torres, as "Twin Towers". No entanto, há uma terceira torre de 170 metros de altura que se esbarrondou: a chamada WTC7. No caso dessa torre, fala-se dum pequeno incêndio. Falei com professores que conheciam bem a estrutura desses edifícios; os quais afirmam que um pequeno incêndio, em tal caso, não poderia nunca destruir uma estrutura daquelas dimensões. A história oficial sobre o 11 de Setembro e as conclusões da comissão não são credíveis. Tal ausência de clareza põe os investigadores numa situação muito difícil. Reina também a confusão sobre o que de facto se terá passado no Pentágono. Nas fotografias que se tem é muito difícil ver um avião e não se consegue perceber como é que um avião teria atingido o edifício. Silvia Cattori: O Parlamento da Venezuela pediu aos Estados Unidos mais explicações sobre a origem dos atentados. Não deveria este ser um exemplo a seguir? Daniele Ganser: Há muitas incertezas sobre o 11 de Setembro. Os parlamentares, os académicos, os cidadãos podem pedir contas sobre os que realmente se passou. Penso que é importante continuarmos a questionar-nos sobre o assunto. É um evento que ninguém consegue esquecer; cada um de nós lembra-se onde estava naquele momento preciso. É incrível que, cinco anos mais tarde, não se tenha ainda clarificado a questão. Silvia Cattori: Dir-se-ia que tudo se passa como se as instituições não quisessem pôr em causa a versão oficial. Ter-se-iam deixado manipular pela desinformação organizada e pelos estrategas da tensão e pelas bandeiras-falsas? Daniele Ganser: É-se manipulável quando se tem medo: medo de perder o seu trabalho, medo de perder o respeito das pessoas que se ama. Não se consegue sair desta espiral de violência e de terror se se deixar tomar pelo medo. É normal ter medo, mas é preciso falar abertamente desse medo e das manipulações que o geram. Ninguém poderá escapar às suas consequências. E isso é tão mais grave quanto os responsáveis políticos agem frequentemente sob o efeito do medo. É preciso encontrar força para dizer: "Sim, tenho medo de saber que estas mentiras causam sofrimento nas pessoas; sim, tenho medo de pensar que não há mais petróleo; sim, tenho medo de pensar que o terrorismo de que se fala é consequência de manipulações, mas não me vou deixar intimidar." Silvia Cattori: Até que ponto países como a Suiça participam, neste momento, na estratégia da tensão? Daniele Ganser: Penso que não haja estratégia da tensão na Suiça. Este país não sofre atentados terroristas. Mas, a verdade é que, na Suiça como em outras partes, os políticos que temem os Estados Unidos e a sua força têm tendência a dizer-se: são bons amigos, não temos interesse em batermo-nos contra eles. Silvia Cattori: Essa maneira de pensar e de cobrir as mentiras que decorrem a estratégia da tensão não os torna um pouco cúmplices dos crimes de que ela é a responsável? A começar pelos jornalistas e pelos partidos políticos? Daniele Ganser: Pessoalmente penso que toda a gente ? jornalistas, académicos, políticos ? devem de reflectir sobre as implicações da estratégia da tensão e das bandeiras-falsas. Estamos perante, é verdade, diante de fenómenos que escapam a qualquer compreensão. Por isso, de cada vez que há um atentado terrorista, é preciso questionarmo-nos e procurar descortinar o que ele esconde. E isso não será senão quando se admita oficialmente que as bandeiras-falsas são uma realidade, e que se possa fazer uma lista das bandeiras-falsas ao longo da história e pôrmo-nos de acordo sobre o que se deverá fazer. A procura da paz é o tema que me interessa. É importante abrir o debate sobre a estratégia da tensão e tomar nota que se trata dum fenómeno bem real. Porque, enquanto se recusar a reconhecer a sua existência, não se poderá agir. Por isso é tão importante explicar o que significa realmente a estratégia da tensão. E, uma vez compreendido, não se deixar tomar pelo medo e pelo ódio contra um grupo. É preciso dizer que não é apenas um país que está implicado nisto; que são só os Estados Unidos, a Itália, Israel ou os iranianos, mas isto sucede em todo o lado, se bem que certos países participem mais intensamente que outros. O que é preciso é compreender, sem acusar tal ou tal país ou tal ou tal pessoa. O medo e o ódio não ajudam a avançar mas sim paralisam o debate. Vejo muitas acusações contra os Estados Unidos, contra Israel, contra a Grã Bretanha, ou alternativamente contra o Irão ou a Síria. A procura da paz ensina-nos que não nos devemos basear em acusações baseadas no nacionalismo, e que não é preciso nem ódio nem medo; que o mais importante é explicar. E essa compreensão será benéfica para todos nós. Silvia Cattori: Porque é que o seu livro consagrado aos exércitos secretos da NATO, publicado em inglês, traduzido em italiano, em turco, em esloveno e, em breve, em grego, não foi publicado em francês? Daniele Ganser: Ainda não encontrei editor em França. Se algum editor estiver interessado em publicar o meu livro, é com muito gosto que o verei traduzido em francês. partilhar este Silvia Cattori Os artigos deste autor Enviar uma mensagem -------------------------------------------------------------- [1] Nato?s secret Armies : Terrorism in Western Europe por Daniele Ganser, prefácio de John Prados. Ed. Frank Cass, 2005. ISBN 07146850032005 [2] Foi depois do atentado na Piazza Fontana em Milão em 1969 que a expressão estratégia da tensão foi ouvida pela primeira vez. [3] False flag operations (operações bandeira-falsa) é a expressão usada para designar as acções terroristas cometidas secretamente por governos ou organizações e de modo que pareça terem sido cometidas por outros. [4] " Stay-behind : les réseaux d?ingérence américains " por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 20 de Agosto de 2001. [5] Stay behind (o que significa : ficar atrás em caso de invasão soviética) é o nome dado às estruturas clandestinas treinadas para levaram a cabo um guerra de guerrilhas. [6] Gladio designa o conjunto dos exércitos secretos europeus que estavam sob a direcção da CIA. [7] Presidente do Conselho de Ministros, membro da democracia cristã. [8] "Rapport Andreotti sur l?Opération Gladio" documento de 26 de Fevereiro de 1991, Biblioteca da Rede Voltaire. [9] "1980 : carnage à Bologne, 85 morts" , Rede Voltaire, 12 de Março de 2004. [10] "La France autorise l?action des services US sur son territoire" por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 8 de Março de 2004. [11] Affaire Lavon, do nome do ministro da Defesa israelense que teve que se demitir quando a Mossad foi desmascarada como tendo tido parte nesses actos criminosos. [12] Ver : "Odeurs de pétrole à la Maison-Blanche" , Rede Voltaire, 14 de Dezembro de 2001. "Les ombres du rapport Cheney" por Arthur Lepic, 30 de Março de 2004. "Le déplacement du pouvoir pétrolier" por Arthur Lepic, 10 de Maio de 2004. "Dick Cheney, le pic pétrolier et le compte à rebours final" por Kjell Aleklett, 9 de Março de 2005. "L?adaptation économique à la raréfaction du pétrole" por Thierry Meyssan, 9 de Junho de 2005. [13] 9/11 American Empire: Intellectual speaks out, sob a direcção de David Ray Griffin, Olive Branch Press, 2006 Voltaire, edição internacional Foco Notícias em resumo Controvérsias Sobre a Rede Voltaire - RSS - Como participar da Rede Voltaire? -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110101/eb4c2939/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 1 12:48:01 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 1 Jan 2011 12:48:01 -0200 Subject: [Carta O BERRO] UMA VOLTA AO MUNDO NAS REPORTAGENS ESPECIAIS DO OPERAMUNDI Message-ID: OperamundiCarta O Berro...................................................repassem Boletim nº352 , 31 de Dezembro de 2010 Boletim Especial: uma volta ao mundo nas reportagens especiais do Opera Mundi De Hanói e Ho Chi Minh, série especial: Vietnã celebra 35 anos da vitória contra os EUA leia na íntegra Tabu no Brasil, aborto é menos restrito na maioria dos países Debate sobre liberdade de imprensa e regulação da mídia avança no mundo Cidade em Portugal constrói muro para isolar comunidade de ciganos Ramadã à brasileira: como os muçulmanos de São Paulo passam o mês sagrado do Islã Traficantes usam tubarões para transportar droga da América Central para os EUA Para moradores de cidade na Hungria, vazamento de lama tóxica era tragédia anunciada Política x sociedade: o paradoxo da mulher em Moçambique Nove anos depois, Argentina relembra pior crise de sua história Crise financeira e queda do câmbio estimulam saída de brasileiros de Portugal Tradição em risco: aquecimento global ameaça produção de vinhos na França Revolução Mexicana começou há 100 anos como rebelião contra ditadura de Porfirio Díaz Mais reportagens especiais do Opera Mundi Conheça o Operaleaks, blog da cobertura especial do Wikileaks Curta a página do Opera Mundi no Facebook - Clique aqui Não deseja mais receber nossas mensagens? Cancele o recebimento aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110101/5cb1b3e9/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 1 12:53:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 1 Jan 2011 12:53:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_J=E1_viram_o_novo_portal_da_Presi?= =?iso-8859-1?q?dencia=3F_Acompanhem_a_posse=2E?= Message-ID: Carta O Berro.....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Carlos Moreira Já viram o novo portal da Presidencia? Acompanhem a posse. Presidência da República Federativa do Brasil http://www.presidencia.gov.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110101/9d9e2a72/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 2 12:16:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 2 Jan 2011 12:16:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_lago_dos_cisnes_como_voc=EA_nun?= =?iso-8859-1?q?ca_viu_=2E=2E________M=FAsica_e_bal=E9_maravilhosos?= =?iso-8859-1?q?=2E_________________________________________HOJE_?= =?iso-8859-1?q?=C9_DOMINGO!__M=DASICA!?= Message-ID: <381DDE09FEC246AEB4378B4C134E5430@vcaixe> Carta O Berro.............................................................repassem Assistam a este espetáculo de rara beleza. Façam a sua avaliação. Swan lake as you have never seen it performed. Balé "Lago dos Cisnes" Amazing!!! Amigos, realmente já vi muitas performances desse balé, mas este impressiona pela originalidade e perfeição; A bailarina principal é d-i-v-i-n-a!!! São alguns minutos de enlevo total. Clicar no site abaixo . http://www.nzwide.com/swanlake.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110102/de8c63b7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 32033 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110102/de8c63b7/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3553 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110102/de8c63b7/attachment-0003.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 32318 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110102/de8c63b7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 2 12:16:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 2 Jan 2011 12:16:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Leia_=EDntegra_do_discurso_de_po?= =?iso-8859-1?q?sse_de_Dilma_Rousseff_no_Congresso__e_a_homenagem_a?= =?iso-8859-1?q?os_companheiros_que_lutaram_contra_a_ditadura=2E_e_?= =?iso-8859-1?q?+_=28veja_tamb=E9m_no_blog_da_Barbet_+_=29?= Message-ID: <57D6E8084D55443BBC6C0E6B8A07BC3E@vcaixe> Carta O Berro.............................................................repassem Leia íntegra do discurso de posse de Dilma Rousseff no Congresso http://terrasemales.blogspot.com/ (Blog da Barbet) Queridas brasileiras e queridos brasileiros, Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Dilma promete ampliar Prouni e 'consolidar' SUS Dilma promete luta obstinada para erradicar pobreza extrema Em discurso, Dilma destaca fato de ser primeira mulher presidente Dilma defende liberdade de imprensa e diz não sentir 'ressentimento ou rancor' Veja fotos da posse de Dilma Ueslei Marcelino/Reuters Dilma toma posse como presidente no Congresso Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão. Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação. Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia. E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país. Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidenta; e para que --no dia de hoje-- todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher. Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos! Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu. Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luis Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos. De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do seu País. A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós. Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história. Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades. Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nestes oito anos: nosso querido vice José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este homem! E que parceria fizeram o presidente Lula e o vice-presidente José Alencar, pelo Brasil e pelo nosso povo! Eu e Michel Temer nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles. Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje. Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do FMI, ao mesmo tempo em que superamos nossa dívida externa. Reduzimos, sobretudo, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média. Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar novas soluções. Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de patamar. Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo - um país de classe média sólida e empreendedora. Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade institucional. Queridos brasileiros e queridas brasileiras, Para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui. Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores. Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma política com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública. Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo de nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar. É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte. Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade. O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes. Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia no norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do centro-oeste, a força industrial do sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do sul. É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro. No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo, decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população. É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovada, efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, vontade expressa das famílias brasileiras. Queridas brasileiras e queridos brasileiros, A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos. Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas, ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido. Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir! Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem. A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações. É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional. Isso significa - reitero - manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres. Continuaremos fortalecendo nossas reservas para garantir o equilíbrio das contas externas. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos. Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção. Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público. O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais. Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional. Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios. O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo. Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas. Este princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso deste meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira. Queridas brasileiras e queridos brasileiros, Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança. Nas últimas duas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio. Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré escolas. No ensino médio, além do aumento do investimento publico vamos estender a vitoriosa experiência do PROUNI para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade. Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens. Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento. Queridas brasileiras e queridos brasileiros, Consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo. Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro. Quero ser a presidenta que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo. O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde. Vou usar a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário. Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS. A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema. Queridas brasileiras e queridos brasileiros, A ação integrada de todos os níveis de governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras. Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com Estados e Municípios. O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo - quando necessário - a participação decisiva das Forças Armadas. O êxito desta experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento de jovens. Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente. Reitero meu compromisso de agir no combate as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as famílias. Queridas brasileiras e queridos brasileiros, O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental. A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos. O grande agente desta política é a Petrobrás, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética. O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no Pré Sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança. Meus queridos brasileiros e brasileiras, Muita coisa melhorou em nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil. Recorro a um poeta da minha terra: "o que tem de ser, tem muita força". Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente da cultura e do estilo brasileiros --o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância. Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e a matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental. O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática. Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e a inovação como instrumento da produtividade. Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade. Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo. Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural. Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade, devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia-a-dia da nação. Queridos brasileiros e queridas brasileiras, Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio-ambiente. Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada. O etanol e as fontes de energia hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e das florestas. Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais. Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais. Meus queridos brasileiros e brasileiras, Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo. O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo. Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Européia. Vamos dar grande atenção aos países emergentes. O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao de nosso continente. Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à Unasul. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais. Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional. Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança. Queridas brasileiras e queridos brasileiros, Disse, no início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo. Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um: Dos movimentos sociais, dos que labutam no campo, dos profissionais liberais, dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores, dos intelectuais, dos servidores públicos, dos empresários, das mulheres, dos negros, dos índios e dos jovens, de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação. Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, na seca nordestina, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas. Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas; no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil. Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país. Respeitada a autonomia dos poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia. Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião. Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intansigente dos direitos humanos, no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos. O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação. Eu e meu vice Michel Temer fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais. Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e as parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio. A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos. Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia. Queridas brasileiras e queridos brasileiros, Chegamos ao final desse longo discurso. Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor. Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem. Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem" É com esta coragem que vou governar o Brasil. Mas mulher não é só coragem. É carinho também. Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa. É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele - só a ele - dedicar os próximos anos da minha vida. Que Deus abençoe o Brasil! Que Deus abençoe a todos nós! + Canais a.. Leia especial sobre os oito anos do governo Lula b.. Confira os principais fatos ocorridos na política este ano c.. Acompanhe a Folha Poder no Twitter d.. Comente reportagens em nossa página no Facebook + Notícias em Poder a.. 'Só não fui porque não me deixaram ir', diz Alencar, vestido de terno para posse de Dilma b.. Cid Gomes toma posse no Ceará e fala sobre integrar crescimento e inclusão social c.. Alckmin diz que terá 'as melhores relações' com Dilma e cita Legião Urbana d.. Além da PF, Dilma será escoltada por 32 policiais do Bope de Brasília e.. Serra é aplaudido de pé em cerimônia para Geraldo Alckmin f.. Ex-governador do Tocantins não entrega faixa e abandona a cerimônia g.. Eduardo Campos toma posse em Pernambuco prometendo apoio ao governo federal -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110102/0780d570/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 138 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110102/0780d570/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 46978 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110102/0780d570/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 3 19:18:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 3 Jan 2011 19:18:33 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_METABOLISMO_=2E_ESTUDE_E_CUIDE?= =?iso-8859-1?q?=2E_______E__+_____________________________________?= =?iso-8859-1?q?____________________________HOJE_=C9_2_=BA_FEIRA!__?= =?iso-8859-1?q?_MEDICINA_=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O_!?= Message-ID: <87401AB388C54AAFA80259577D2AE4F0@vcaixe> Carta O Berro.............................................................repassem IMPORTANTE Das 23 - 01:00: o corpo realiza o processo de desintoxicação da vesícula biliar, e idealmente deve ser processado num estado de sono profundo. Durante as primeiras horas da manhã 01:00- 03:00: processo de desintoxicação do fígado, idealmente deve suceder também num estado de sono profundo. De madrugada 03:00- 05:00:desintoxicação dos pulmões. É por isso que por vezes neste horário se produzem fortes acessos de tosse. Quando o processo de desintoxicação atinge o trato respiratório é melhor não tomar medicamentos para a tosse já que interferem no processo de eliminação de toxinas. Manhã 05:00- 07:00: desintoxicação do cólon. É o horário de ir a casa-de-banho para esvaziar o intestino. Durante a Manhã de 07:00- 09:00:absorção de nutrientes no intestino delgado. É o horário perfeito para tomar o Café da manhã. Se estiver doente o Café da manhã deve ser tomado mais cedo: antes das 6:30 . O Café da manhã antes das 7:30 é benéfico para aqueles que querem manter-se em forma. Os que não têm por hábito tomar o Café da manhã devem tentar mudar o hábito, sendo menos prejudicial realizá-lo entre as 9:00 e as 10:00 em vez de ficar a manhã completa sem comer. Dormir tarde e despertar tarde interromperá o processo de desintoxicação de químicos desnecessários ao teu organismo. Além disso deves ter em conta que das 00:00 às 4:00 é o horário em que a medula óssea está produzindo sangue. Então, procura dormir bem e não te deites tarde. CUIDE DA TUA SAÚDE Viva a vida com limites! PARTILHE ESTA INFORMAÇÃO COM AS PESSOAS QUE TE IMPORTAM OS ALIMENTOS "TOP-FIVE" CAUSADORES DE CÂNCER: 1. Cachorros quentes Porque têm alto teor em nitratos. A "Câncer Preventivo Coalition" adverte que as crianças não devem comer mais de 2 salsichas por mês. 2. Carnes processadas e toucinho Também contêm altos níveis de nitrato de sódio como as salsichas, assim como também no toucinho e outras carnes processadas aumentam o risco de doenças do coração. A gordura saturada do toucinho também é um grande colaborador na geração de câncer. 3. Donés (Donutts) Os donés são duplamente causadores de câncer. Primeiro porque são elaboradas com flúor, açúcar refinado e óleo hidrogenado, depois são FRITOS a altas temperaturas. Os donés são o primeiro "alimento" de todos os que podes comer que elevará altamente o teu risco de gerar câncer. 4. Batatas fritas Assim como os donutts, as batatas fritas são elaboradas com óleos hidrogenados e cozinhadas depois a altas temperaturas. Também contêm acrylamidas que se geram durante o processo de cozedura a altas temperaturas. Deveriam chamar-se batatas de câncer em vez de batatas fritas 5. Biscoitos e bolachas São geralmente elaborados com flúor e açúcar. Até as que em suas etiquetas são orgulhosamente apresentadas como livres de gorduras transgénicas geralmente contêm ainda, só que em quantidades menores. HÁBITOS QUE PREJUDICAM O CÉREBRO (matam neurônios) 1. Não tomar o café da manhã A pessoa que não toma o pequeno-almoço tem baixo nível de açúcar no sangue. Isto gera uma quantidade insuficiente de nutrientes ao cérebro causando a sua degeneração paulatinamente. 2.Comer demais Isto causa o endurecimento das artérias do cérebro, causando também baixa capacidade mental. 3. Fumar Causa a diminuição do tamanho cerebral e promove também a doença de Alzheimer. 4. Consumir altas quantidades de açúcar O alto consumo de açúcar interrompe a absorção de proteínas e outros nutrientes causando má nutrição e pode interferir no desenvolvimento do cérebro. 5. Contaminação do ar O cérebro é o maior consumidor de oxigênio do corpo. Inalar ar contaminado diminui a sua oxigenação provocando uma diminuição da eficiência cerebral. 6. Dormir pouco O dormir permite ao cérebro descansar. A falta de sono por períodos prolongados acelera a perda de células do cérebro 7. Dormir com a cabeça coberta Dormir com a cabeça coberta aumenta a concentração de dióxido de carbono e diminui o oxigênio causando efeitos adversos ao nosso cérebro. 8. Fazer o cérebro trabalhar quando estamos doentes Trabalhar e estudar quando estás doente, além da dificuldade do cérebro para responder nesse estado, prejudica-o. 9. Falta de estimulação Pensar é a melhor maneira de estimular o nosso cérebro e não fazê-lo provoca que o cérebro diminua o seu tamanho e portanto a sua capacidade. 10.Pratica a conversação inteligente Conversas profundas ou intelectuais promovem a eficiência cerebral ------------------------------------------------------------------------------------------- Causas principais que prejudicam o fígado 1. Dormir tarde e despertar tarde 2. Não urinar pela manhã 3. Comer demasiado 4. Pular o café da manhã 5. Consumir muitos medicamentos 6. Consumir conservantes, colorantes, adoçantes artificiais 7. Consumir óleos de cozinha não saudáveis. Reduz o mais possível o consumo de alimentos fritos mesmo quando utilizes azeites benéficos. Não consumas alimentos fritos quando estiveres cansado ou doente a menos que sejas muito magro, mas se puderes, evita-o. 8. Consumir alimentos demasiado cozidos sobrecarrega o fígado. Os vegetais devem ser comidos crus ou pouco cozidos. Se consomes vegetais fritos deves fazê-lo de uma só vez, ou seja, não deves guardá-los para consumo posterior. Devemos seguir estes conselhos sem que signifique maior gasto.Só temos que adotar um estilo de vida mais saudável e melhorar os nossos hábitos alimentares. Manter bons hábitos de alimentação e exercício é muito positivo para que o nosso organismo absorva o que necessita e elimine os químicos no seu "horário". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110103/43e0cbbd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8249 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110103/43e0cbbd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 3 19:18:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 3 Jan 2011 19:18:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__SALVE_OS_113_ANOS_DE_LUIZ_CARLOS?= =?iso-8859-1?q?_PRESTES_O_=22CAVALEIRO_DA_ESPERAN=C7A=22!!!!!?= Message-ID: <3475C449A79B4CF5A68AE3856C8024E0@vcaixe> Carta O Berro.............................................................repassem Camaradas e Amigos (as): Vejam no "sítio" do INSTITUTO LUIZ CARLOS PRESTES - www.ilcp.org.br texto e cartaz (em PDF) em homenagem aos 113 anos de nascimento do saudoso Comandante LUIZ CARLOS PRESTES. COM A REVOLUÇÃO, RUMO AO SOCIALISMO!! PÁTRIA LIVRE E SOCIALISTA!!!! VENCEREMOS!!!! RAGON -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110103/2438f0d9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 38765 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110103/2438f0d9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 4 19:35:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 4 Jan 2011 19:35:22 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O papel dos bancos predadores por Adriano Benayon * Message-ID: <2A8A1542FA744F7D9F234B5F5CC1C530@vcaixe> Carta O Berro.....................................................repassem O papel dos bancos predadores Adriano Benayon * - A grande mídia é extremamente aberta às versões idílicas e fantasiosas da realidade, veiculadas por gente ligada aos concentradores da finança, os quais acionam os cordéis das marionetes aboletadas no Banco Central e demais órgãos com poder sobre a moeda e o crédito. Não é para menos, haja vista, por exemplo, as matérias pagas, com dezenas de páginas inteiras, dos balanços dos grandes bancos, a cada trimestre. 2. Exemplificativo da associação entre eles e a grande mídia é a publicação mensal, pela Folha SP, de artigos do presidente do notório banco estrangeiro Santander, patrocinador das palestras de FHC. O Santander recebeu deste, em 2000, a doação do BANESPA, o maior banco estadual do mundo, com extensa rede de agências por São Paulo e todo o Brasil. Essa doação fez parte do maior festival do Mundo de benesses escandalosas para o capital estrangeiro, as "privatizações". 3. Comparados a essas operações, os casos de corrupção a que a mídia costuma dar ênfase, assemelham-se a meras travessuras de crianças. Nas privatizações, o Estado (União, Estados e municípios) alienou patrimônios inestimáveis e, ainda, gastou, para isso, centenas de bilhões de reais em subsídios e outras vantagens. Os preços dos leilões da privatização, além de ridículos em relação aos patrimônios alienados, não foram senão uma cortina de fumaça para ocultar a realidade de que os preços foram negativos. 4. Vejamos o que diz o presidente do Santander em artigo na Folha SP, de 05.12.2010, intitulado o "O Papel dos Bancos": "De forma simplificada, cabem aos bancos três importantes papéis na sociedade: 1) proteger e rentabilizar a poupança dos indivíduos e das empresas; 2) financiar o consumo e o investimento; 3) prover serviços de pagamento e de recebimento." 5. Na realidade, os bancos fazem estas coisas com o dinheiro dos outros: a primeira é receber dos clientes depósitos à vista, sobre os quais não pagam juros, e ganhar juros do Banco Central, sobre o percentual dos depósitos recolhidos a essa instituição. 6. A segunda é aplicar em títulos do Tesouro e fazer empréstimos a empresas ou a pessoas físicas com a parte dos depósitos não recolhida ao BACEN. Nos empréstimos e financiamentos às empresas cevam-se com juros a taxas equivalentes, em média, a pelo menos três vezes o valor decorrente da taxa SELIC, de 13% aa., que auferem nos títulos do Tesouro. 7. Essa, cerca de 7% aa., descontada a inflação, é de longe a mais alta praticada em todo o Planeta, sem que haja razão válida alguma que o justifique. Nos empréstimos e financiamentos a pessoas físicas as taxas vão de quatro a doze vezes os 13 pontos percentuais da SELIC (52% a 156%), e até mais que isso nos cartões de crédito. 8. As vítimas com renda regular, como salários, são saqueadas através de taxas de juros não tão altas, embora ainda de usura, na modalidade que teve enorme expansão nos últimos anos, o crédito consignado, que propicia aos agiotas não ter qualquer risco, recebendo as prestações descontadas em folha. Chamam isso de democratização do crédito, um modo de extorquir dinheiro de forma massificada. 9. A terceira atividade destina-se aos clientes de maior renda, a quem são oferecidas aplicações em títulos e em fundos de investimentos, que remuneram as poupanças, mas evidentemente proporcionado aos bancos taxas e comissões nada desprezíveis. 10. Outro papel dos bancos, segundo o presidente do Santander, seria "financiar o consumo e o investimento". Nessa "tarefa" obtêm lucros desmedidos, porque, como explicado nos itens anteriores, os bancos "trabalham" com dinheiro que não lhes pertence, em geral nada pagando para dispor dele, e obtêm lucros fabulosos através dos juros. 11. Não admira que os lucros dos bancos no Brasil cresçam a taxas vertiginosas desde o início dos oito anos do governo radicalmente entreguista de FHC e, ainda mais, nos oito anos de Lula. Em 2009, os três maiores bancos (BB, Itaú e Bradesco) somaram lucros oficiais de quase R$ 30 bilhões, cifra que será superada em 2010. 12. Com o dinheiro dos depositantes, do qual os bancos podem emprestar e aplicar um múltiplo, os bancos criam moeda e crédito. Que privilégio, que concessão! Eles têm uma patente que permite fabricar dinheiro, simplesmente lançando em seus livros (computadores) depósitos nas contas dos mutuários dos empréstimos. Esses mutuários, ao contrário, têm que ralar, têm que produzir para pagar ao banco as amortizações e os juros, e esse dinheiro se torna dinheiro do banco. 13. Não bastasse isso, praticam também o "dollar carry-trade", que consiste em converter em reais os dólares captados a juros negativos i.e., a taxas inferiores à depreciação dessa moeda fajuta, a fim de mamar com as altíssimas taxas de juros praticadas no Brasil. Os dólares estão sendo emitidos, sem limite algum, aos trilhões, pelo FED, para ser dados aos grandes bancos e para adquirir destes os títulos podres (derivativos mal lastreados), salvando-os das consequências de suas jogadas fracassadas. 14. No caso específico do Santander, este chegou a remeter a paraísos fiscais, em 2009, lucros obtidos no Brasil de US$ 2 bilhões, para cobrir rombos de operações especulativas em mercados financeiros do exterior. Em 2009, 20% dos lucros mundiais do Santander, de quase 9 bilhões de euros, vieram do Brasil, graças à privatização, que lhe faz até hoje faturar alto com a rede do BANESPA, herdada mais do que de graça. 15. Como partícipe destacado dos bancos fraudadores que geraram o colapso financeiro mundial, cuja primeira grande crise se deu em 2007/2008, o Santander é um dos mais encalacrados, por exemplo, com as bolhas imobiliárias da Espanha, do Reino Unido e outras. Assim, muitos estão rejeitando seus títulos. 16. Milhares de clientes do Chile queixam-se de dinheiro sumido em suas contas. Milhares na Espanha sofrem devido a práticas fraudulentas nas hipotecas. No Brasil, são também vultosas as reclamações sobre os serviços do Santander, mas a mídia o omite. Intencionalmente, o banco sobrecarrega o Judiciário, onde as demandas se arrastam por 10 a 20 anos. Enquanto a Justiça brasileira determina 1% a.m. de multa, mais correção, os bancos emprestam a 10% ao mês, no cheque especial, o que teriam de indenizar. No Santander, um dos que abusam dessa prática, seu sucessor herdará montanhas de indenizações a pagar. 17. O presidente desse banco diz que empresta para consumo e investimentos, mas quais são esses investimentos? - Operações financeiras alavancadas em: derivativos, como credit default swaps (CDS) e mortgage-backed securities (MBS); manipulações nos mercados de commodities, opções, títulos e ações; apostas em índices de juros, taxas de câmbio etc. 18. No Brasil, emprestaram a consumidores, financiaram a aquisição de bens de consumo durável, criando uma bolha que tende a estourar, porquanto a combinação de taxas de juros abusivas e de superexposição (excesso de despesas financiadas em relação à capacidade de pagamento dos devedores) gerou altíssimos níveis de inadimplência. 19. Com a recessão econômica os tomadores dos empréstimos sofrem decréscimo de renda ou, no melhor dos casos, não têm crescimento de renda suficiente para fazer face às despesas com juros e amortizações. Quando isso ganha vulto, dá-se o estouro das bolhas. 20. Quanto ao financiamento a atividades produtivas, houve algum, mas foi marginal em relação ao realizado por bancos públicos: BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Nossa Caixa. 21. Mundialmente, onde está a eficiência dos grandes bancos privados, se não para faturar somas inconcebíveis em operações especulativas e até fraudulentas, que depois geraram rombos imensos? Os rombos levaram os bancos centrais e os governos dos EUA e de países europeus e ao Banco Central Europeu, submetidos àqueles bancos, a emitir dezenas de trilhões de dólares para evitar que eles afundassem com seus ativos podres. 22. O Santander é um braço do grupo britânico Inter-Alpha, cujos ganhos dependem cada vez mais das taxas de juros usurárias com que o Banco Central do Brasil favorece os bancos, e a sangria sofrida pelos brasileiros pode atingir dimensões ilimitadas, por estar esse banco, além de outros, em vários países, com ativos podres em montante muito superior ao seu capital. 23. Além disso, deve haver um limite para a emissão de trilhões de euros, para socorrer bancos nessa situação, criada pela irresponsabilidade, desonestidade e incompetência dele, após terem causado prejuízos incomensuráveis à maioria da população dos países em que operam, os quais só tendem a aumentar. 24. Com efeito, tanto na Europa como nos EUA os orçamentos públicos já estão com déficits de tal monta, e as emissões já foram de tal ordem, que os títulos públicos já se encontram desacreditados, e não há mais como realizar novas operações de socorro (bail-out) em favor dos bancos privados sem causar a desordem e a desestruturação total das economias nacionais. 25. Finalmente, o terceiro dos papéis salientados pelo presidente do Santander: prestar serviços aos clientes. Ora, no Brasil, com o beneplácito do Banco Central, que trabalha em favor deles e contra a sociedade brasileira, os bancos cobram taxas e tarifas de tal monta por tais "serviços", que todas as suas despesas para funcionar são cobertas pela receita dessas taxas e tarifas, e ainda sobra muito dinheiro. Assim, os ganhos monumentais das operações financeiras não sofrem qualquer diminuição decorrente do custeio da máquina administrativa, mas, ao contrário, são aumentados com a diferença entre a receita das tarifas e as despesas operacionais. Publicado em A Nova Democracia, nº 73, janeiro de 2011 * Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento", editora Escrituras. abenayon at brturbo.com.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110104/84e1041f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13910 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110104/84e1041f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 5 19:42:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 5 Jan 2011 19:42:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] VIDEOS - Ao Sul da Fronteira de Oliver Stone Message-ID: Carta O Berro.....................................................repassem Prezados (as) Num momento em que o Brasil elege a Sra. Dilma Roussef como a primeira Presidenta da República em toda sua história, quebrando com isso preconceitos e tabus conservadores predominantes em nossa sociedade que é ainda machista; num momento em que no Uruguai foi eleito - tal como aconteceu com a Sra.Dilma - um ex-guerrilheiro como Presidente da Republica, o pequeno agricultor Sr. José Mujica; num momento em que a Sra. Cristina Kirchner poderá ser reeleita no próximo ano Presidenta da Argentina; num momento em que o Sr. Hugo Chávez radicaliza a revolução bolivariana da Venezuela rumo ao socialismo ? nesse momento histórico para a América Latina e mundo, surge um dos documentários mais esperados do ano! Do aclamado diretor Oliver Stone estadunidense, "South of the Border" é certamente um filme que irá fazer despertar muita gente! A imprensa latino-americana é por tradição alinhada com a norte americana. Se pensarmos que esses grupos na verdade fazem parte de oligarquias que não só atuam na midia, nas também nas grandes petroleiras, nas empresas farmacêuticas multinacionais, nos grandes bancos, etc. e que detém cerca de 80% de todos os canais de TV, das rádios, jornais e revistas do mundo ocidental, fica fácil saber o porquê desse alinhamento. E não é difícil notar que tais grupos constantemente influenciam a opinião pública através de notícias plantadas, embasadas na idéia equivocada de que sempre estamos sendo ameaçados por alguma terrível nação ou ditador, que merecem, por isso, serem alvos de golpes de Estado e Guerras (caso típico da guerra contra o terrorismo desencadeada pelos Estados Unidos à nível mundial ou do medo de que as necessárias mudanças estruturais realizadas nos paises periféricos podem ameaçar o ?establishiment neoliberal?nos paises centrais. Mas, nos últimos anos, a América do Sul mudou radicalmente a forma de ver seus governantes. Apesar de 95% da mídia tradicional massacrar diariamente os presidentes "desobedientes" em relação às políticas dos Estados Unidos, todos contando com enorme apoio popular, mas mesmo assim o povo está reagindo e por isso tais governantes continuam sendo eleitos ou reeleitos. Provavelmente o mais desobediente de todos seja Hugo Chávez, e que por isso seja tão demonizado por quase toda a mídia internacional. Essa demonização é arquitetada atualmente pela Sra. Hillary Clinton digna representante do sionismo internacional que juntamente com seus aliados capitalistas Europeus Ocidentais estão substituindo à altura o renegado e odiado George W. Bush e seus aliados neoconservadores. O documentário visa justamente quebrar alguns dos mitos criados pela mídia oligárquica, desmascararando as mentiras noticiadas frequentemente e trazendo uma mensagem de esperança para o surgimento de sociedades mais justas e equânimes. A Integração Latina Americana, está atualmente embasada no fortalecimento do MERCOSUL, da UNASUL (União das Nações da América do Sul), do BANSUL (Banco do Sul), da TELESUL, da ALBA (Aliança Bolivariana dos Povos das Américas) e da futura CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) onde os Estados Unidos e Canadá não participarão. Uma integração não meramente de retórica ? mas extremamente prática e objetiva. Os endereços dos vídeos estão abaixo transcritos e foram divididos em 8 partes devido ao fato de que não podem ultrapassar certos limites de tempo quando reproduzidos no YouTube. (legendas em português) Saudações Jacob David Blinder DOCUMENTÁRIO: AO SUL DA FRONTEIRA - DE OLIVER STONE http://www.youtube.com/watch?v=mZ4q8Zeg-3c - Parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=BDeNeavdpBg - Parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=RHCqHDYrQjo&feature=related - Parte 3 http://www.youtube.com/watch?v=Iu8dhXUjfAM&feature=related - Parte 4 http://www.youtube.com/watch?v=nhu4BY_OdCQ&feature=related - Parte 5 http://www.youtube.com/watch?v=DnJP9ENN37A&feature=related - Parte 6 http://www.youtube.com/watch?v=iSZrb9wnJdc&feature=related - Parte 7 http://www.youtube.com/watch?v=lsTq5_A0bLI&feature=related - Parte 8 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110105/2067235a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 5 19:42:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 5 Jan 2011 19:42:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__A_REFORMA_AGR=C3=81RIA_PARALISADA=5Fo?= =?utf-8?b?Y3VwYcOnw6Nv?= Message-ID: <3A830B6CEFE6427A9FF4E79CDC346475@vcaixe> Carta O Berro.....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Kelli Mafort A REFORMA A A REFORMA AGRÁRIA PARALISADA Existem atualmente no estado de São Paulo, cerca de 2.000 famílias acampadas, vivendo em áreas provisórias como beiras de estradas, áreas cedidas ou improvisadas. São famílias que vivem em barracas de lona e enfrentam todo tipo de dificuldade. Entraram na luta do MST por necessitarem de TRABALHO, COMIDA e MORADIA. Lutam para serem assentadas e viverem em uma comunidade com escola, ambulatório de saúde, agroindústria, área de lazer, biblioteca etc. No processo de luta, passaram a entender que a terra no Brasil está concentrada nas mãos do agronegócio e dos latifundiários. E que isso integra um modelo agrícola que mata pessoas de tanto trabalhar nos canaviais, que envenena os alimentos tornando o nosso país o principal consumidor de agrotóxicos do mundo, que destrói as áreas de reservas legais e áreas de preservação permanente. Além disso, as famílias sem terra compreenderam que a riqueza ostentada pelo agronegócio é baseada na sonegação de impostos e na transferência direta de recursos públicos. A Reforma Agrária no nosso país está paralisada. Existem famílias que estão acampadas há cerca de 8 anos. Fazer a Reforma Agrária no Brasil não é somente resolver o problema social das famílias sem terra, mas também significa uma mudança no atual modelo de desenvolvimento do campo, que é insustentável ambientalmente e dependente do ponto de vista econômico. FAMÍLIAS SEM TERRA EM MOVIMENTO Estamos abrindo o ano com uma jornada de ocupações de terra. Na madrugada do dia 05 de janeiro de 2011, cerca de 250 integrantes do MST ocuparam a Fazenda Martinópolis, que pertence à Usina Nova União, situada no município de Serrana, estado de São Paulo. Participaram da ocupação, famílias sem terra da região da Grande São Paulo, Vale do Paraíba, Campinas e Ribeirão Preto. Além de amigos e amigas do MST de diversas regiões. A ação pretende chamar a atenção para nossa pauta de reivindicação estadual e pressionar para a arrecadação da área, afim de que ela seja destinada para o assentamento das famílias do Acampamento Alexandra Kollontai, que existe desde 22 de maio de 2008. HISTÓRICO DO ACAMPAMENTO ALEXANDRA KOLLONTAI ü 22 de maio de 2008: início do acampamento com a ocupação da Fazenda Bocaina, município de Serra Azul. ü Junho de 2008 a junho de 2009: realizamos quatro ocupações de terra na Fazenda Martinópolis, que pertence à Usina Nova União; em todas as ocupações sofremos reintegrações de posse com a presença ostensiva da Polícia Militar do estado de São Paulo. Permanecemos na área em cada ocupação, no máximo 20 dias. ü Realizamos diversas mobilizações junto à Procuradoria do Estado de São Paulo, no município de Ribeirão Preto; ü Violência e criminalização: desde o período da primeira ocupação, começou a funcionar na Fazenda e na Usina um esquema de segurança com uma empresa de segurança privada, armada. Na última ocupação que realizamos na área, dois carros com seguranças armados se aproximaram do acampamento, exibindo duas armas e depois voltaram à noite e atiraram contra as famílias. Felizmente ninguém se feriu, mas essa situação demonstra a verdadeira face do agronegócio, que em sua dita capital, usa métodos de pistolagem. A usina também tem atacado os integrantes do MST, movendo processos para criminalizar a luta pela terra. A VERDADEIRA FACE DA USINA NOVA UNIÃO Esta Usina tem uma dívida de cerca de 300 milhões de Reais devido à sonegação de ICMS. Além de processos trabalhistas e multas ambientais. Até hoje, a Usina ainda não pagou os salários e os direitos trabalhistas de 2010, de seus 600 funcionários. Houve duas audiências no Ministério do Trabalho (ver anexo), que resultaram no pagamento parcial dos trabalhadores, mas o problema total não foi resolvido. Em uma das audiências, a Usina chegou a dizer que iria avaliar se continuaria existindo como usina produtora de álcool e açúcar. A Fazenda Martinópolis pertence à Usina Nova União. Ela chegou a ser arrematada em leilão pelo Governo do Estado por adjudicação fiscal durante o período de 1991 a 2002, conforme o processo 7863/86. Neste período o Governo não destinou a área para Reforma Agrária, o que contraria a legislação brasileira. Portanto a área esteve nas mãos do Governo do Estado como parte do pagamento de dívidas de sonegação de impostos, que não executou nenhum projeto para o benefício da população e até hoje esta dívida com o povo brasileiro não foi paga. REIVINDICAMOS Que a Usina pague imediatamente os salários dos trabalhadores, bem como seus direitos trabalhistas. Que o Governo do Estado arremate a Fazenda Martinópolis e que tanto o Governo Estadual como o Governo Federal se comprometam em destiná-la para a Reforma Agrária e o assentamento das famílias do Acampamento Alexandra Kollontai. Que o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), ligado ao Governo Federal e o ITESP (Instituto de Terras do Estado de São Paulo), ligado ao Governo Estadual, se comprometam na agilidade da pauta estadual do MST. A seguir segue a situação das famílias acampadas, que participam desta mobilização: Vale do Paraíba ü Acampamento Luiz Carlos Prestes ? município de Taubaté, 30 famílias acampadas há 4 anos e meio. Área desapropriada, falta a Justiça conceder a imissão de posse; ü Acampamento Beto e Jurandir ? município de Jacareí, 20 famílias acampadas há 2 anos. Falta desapropriar fazendas vistoriadas na região. Campinas ü Acampamento Roseli Nunes ? município de Americana, 50 famílias acampadas há 2 anos. Falta desapropriação de áreas vistoriadas; ü Acampamento Elizabete Teixeira ? município de Limeira, 150 famílias. Liberação das pendências jurídicas para efetivação do assentamento. Grande São Paulo ü Acampamento Irmã Alberta ? município de São Paulo, 40 famílias acampadas há 8 anos e meio. Pendência: regularização do assentamento; ü Acampamento Dom Pedro Casaldáliga ? município de Cajamar, 35 famílias acampadas há 8 anos. Falta liberação integral da área. Ribeirão Preto ü Pré-assentamento Cida Segura ? município de Orlândia, 60 famílias. Falta a arrecadação total das áreas para o assentamento de todas as famílias e início imediato da implantação do projeto de assentamento. No dia 22 de dezembro de 2010, houve a ocupação de uma destas áreas e até o momento não recebemos nenhum pedido de reintegração de posse e permanecemos na luta; ü Acampamento Alexandra Kollontai ? município de Serrana, 60 famílias acampadas desde 22 de maio de 2008. Arrecadação da área para assentamento. Contatos: Guê (16) 8162 8079 e Ari (19) 8219 6715. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110105/ef252dad/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 6 19:24:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 6 Jan 2011 19:24:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Capitalismo=3A_o_que_=E9_isso=3F?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Capitalismo: o que é isso? As duas referências mais importantes para a compreensão do mundo contemporâneo são o capitalismo e o imperialismo. A natureza das sociedades contemporâneas é capitalista. Estão assentadas na separação entre o capital e a força de trabalho, com aquela explorando a esta, para a acumulação de capital. Isto é, os trabalhadores dispõem apenas de sua capacidade de trabalho, produzir riqueza, sem os meios para poder materializa-la. Tem assim que se submeter a vender sua força de trabalho aos que possuem esses meios - os capitalistas -, que podem viver explorando o trabalho alheio e enriquecendo-se com essa exploração. Para que fosse possível, o capitalismo precisou que os meios de produção -na sua origem, basicamente a terra - e a força de trabalho, pudessem sem compradas e vendidas. Daí a luta inicial pela transformação da terra em mercadoria, livrando-a do tipo de propriedade feudal. E o fim da escravidão, para que a força de trabalho pudesse ser comprada. Foram essas condições iniciais - junto com a exploração das colônias - que constituíram o chamado processo de acumulação originaria do capitalismo, que gerou as condições que tornaram possível sua existência e sua multiplicação a partir do processo de acumulação de capital. O capitalismo busca a produção e a comercialização de riquezas orientada pelo lucro e não pela necessidade das pessoas. Isto é, o capitalista dirige seus investimentos não conforme o que as pessoas precisam, o que falta na sociedade, mas pela busca do que dá mais lucro. O capitalista remunera o trabalhador pelo que ele precisa para sobreviver - o mínimo indispensável à sobrevivência -, mas retira da sua força de trabalho o que ele consegue, isto é, conforme sua produtividade, que não está relacionada com o salário pago, que atende àquele critério da reprodução simples da força de trabalho, para que o trabalhador continue em condições de produzir riqueza para o capitalista. Vai se acumulando assim um montante de riquezas não remuneradas pelo capitalista ao trabalhador - que Marx chama de mais valia ou mais valor - e que vai permitindo ao capitalista acumular riquezas - sob a forma de dinheiro ou de terras ou de fábricas ou sob outra forma que lhe permite acumular cada vez mais capital -, enquanto o trabalhador - que produz todas as riquezas que existem - apenas sobrevive. O capitalista acumula riqueza pelo que o trabalhador produz e não é remunerado. Ela vem por tanto do gasto no pagamento de salários, que traz embutida a mais valia. Mas o capitalista, para produzir riquezas, tem que investir também em outros itens, como fábricas, máquinas, tecnologia entre outros. Este gasto tende a aumentar cada vez mais proporcionalmente ao que ele gasta em salários, pelo peso que as máquinas e tecnologias vão adquirindo cada vez mais, até para poder produzir em escala cada vez mais ampla e diminuir relativamente o custo de cada produto. Assim, o capitalista ganha na massa de produtos, porque em cada mercadoria produzida há sempre proporcionalmente menos peso da força de trabalho e, por tanto, da mais valia - que é o que lhe permite acumular capital. Por isso o capitalista está sempre buscando ampliar sua produção, para ganhar na competição, pela escala de produção e porque ganha na massa de mercadorias produzidas. Dai vem o caráter sempre expansivo do capitalismo, seu dinamismo, mobilizado pela busca incessante de lucros. Mas essa tendência expansiva do capitalismo não é linear, porque o que é produzido precisa ser consumido para que o capitalista receba mais dinheiro e possa reinvestir uma parte, consumir outra, e dar sequencia ao processo de acumulação de capital. Porém, como remunera os trabalhadores pelo mínimo indispensável à sobrevivência, a produção tende a expandir-se mais do que a capacidade de consumo da sociedade - concentrada nas camadas mais ricas, insuficiente para dar conta do ritmo de expansão da produção. Por isso o capitalismo tem nas crises - de superprodução ou de subconsumo, como se queira chamá-las - um mecanismo essencial. O desequilíbrio entre a oferta e a procura é a expressão, na superfície, das contradições profundas do capitalismo, da sua incapacidade de gerar demanda correspondente à expansão da oferta. As crises revelam a essência da irracionalidade do capitalismo: porque há excesso de produção ou falta de consumo, se destroem mercadorias e empregos, se fecham empresas, agudizando os problemas. Até que o mercado "se depura", derrotando os que competiam em piores condições - tanto empresas, como trabalhadores - e se retoma o ciclo expansivo, mesmo se de um patamar mais baixo, até que se reproduzam as contradições e se chegue a uma nova crise. Esses mecanismos ajudam a entender o outro fenômeno central de referência no mundo contemporâneo - o imperialismo - que abordaremos em um próximo texto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110106/5330d362/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3755 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110106/5330d362/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8361 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110106/5330d362/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 7 19:39:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 7 Jan 2011 19:39:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_MARCAS_DA_DITADURA=3A_A_HIST=D3RI?= =?iso-8859-1?q?A_DA_GUERRILHEIRA_RAN=DASIA?= Message-ID: <62D97CD969BE45A78FA06890AAAD6B6A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem maury Online MARCAS DA DITADURA: A HISTÓRIA DA GUERRILHEIRA RANÚSIA Ranúsia Alves Rodrigues PROF. EDVALDO CAVALCANTE Há tempos eu queria escrever um post sobre a ditadura militar.Dentre as tantas histórias de horror envolvendo esse período negro do passado recente do Brasil, repousa a memória da pernambucana Ranúsia Alves Rodrigues. Nascida na cidade de Garanhuns, era estudante do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco. No meio universitário, Ranúsia começou a militar no diretório acadêmico e rapidamente chegou ao PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Atuando na clandestinidade, Ranúsia (que também usava os codinomes de: Florinda, Nuce e Olívia) teve uma filha, Vanúsia. Por conta da militância política, Ranúsia teve que abdicar da filha e como seus pais não aprovavam o envolvimento dela com essa atividade clandestina, também não quiseram saber da garota. A menina terminou ficando aos cuidados de uma empregada da família, Almerinda de Aquino. Hoje em dia Vanúsia mora na periferia do Recife, no bairro da mangueira. Ela só tomou conhecimento da história da mãe em 1991, aos 22 anos, quando os arquivos do DOPS foram abertos. Ranúsia tinha muito medo que a filha sofresse algum tipo de represália por causa das suas atividades políticas. Ela não estava errada. Em 1968, Ranúsia foi presa em Ibiúna, São Paulo, quando participava do XXX Congresso da UNE, e libertada logo em seguida. Fiel à sua ideologia, continuou lutando contra a ditadura militar. Foi brutalmente assassinada na Praça Sentinela, Jacarepaguá (RJ), no dia 27 de outubro de 1973, juntamente com Almir Custódio de Lima, Ramirez Maranhão do Vale e Vitorino Alves Moitinho. Os três últimos morreram carbonizados dentro de um automóvel que explodiu com a saraivada de balas. Ranúsia morreu metralhada fora do carro. Esse episódio foi retratado na série "Anos Rebeldes", da Rede Globo: a personagem usava o nome fictício de Heloísa e foi brilhantemente interpretada por Cláudia Abreu. Na série, por opção do autor Gilberto Braga, os companheiros de Heloísa (Ranúsia) escapam ilesos. Confiram a cena na íntegra no vídeo a seguir : http://www.youtube.com/v/USY4D9JrM8k?version=3"> Carta O Berro..........................................................repassem Jarbas Pereira Marques Jarbas Pereira Marques, estudante e comerciário, nasceu no Recife, a 27 de agosto de 1948, filho de Antônio Pereira Marques e Rosália Pereira Marques. Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), usava o codinome de Sérgio. Foi preso dia 08 de janeiro de 1973, na Livraria Moderna, centro do Recife, onde trabalhava e foi trucidado, juntamente com outros cinco companheiros. O fato teria ocorrido na cidade de Paulista, Região Metropolitana do Recife e o episódio ficou conhecido como O Massacre da Chácara São Bento. Inicialmente, a versão oficial informava que os militantes políticos Soledad Barrett Viedma, Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, José Manoel da Silva, Pauline Reichstul e Jarbas Pereira Marques foram mortos durante uma suposta troca de tiros, na Chácara São Bento, onde a polícia descobrira "um aparelho terrorista". Anos mais tarde, porém, essa versão era desmascarada e surgia a verdade: todos foram presos e torturados até a morte, provavelmente em lugares diferentes, tendo a chácara sido utilizada apenas para forjar o cenário do falso "tiroteio". De acordo com depoimentos de testemunhas reunidos no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, Jarbas e seus companheiros da VPR foram presos pela equipe do delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS/SP), Sérgio Fleury, deslocado a Pernambuco para "cumprir a missão". E o grande responsável pela queda (como se dizia à época) dos seis militantes foi o tristemente famoso Cabo Anselmo, ou José Anselmo dos Santos, um ex-marinheiro que militou nas organizações de esquerda, mas, na verdade, era um agente policial infiltrado. Após o final do regime militar em meados dos anos 1980, os arquivos dos órgãos de repressão política do Governo foram abertos e vieram à tona relatórios oficiais que confirmariam a mentira do "tiroteio" na Chácara São Bento. Também nessa época, o Cabo Anselmo rompeu o silêncio em que se mantinha e concedeu entrevistas assumindo ser delator. Primeiro, disse que fora preso e obrigado a falar. Depois, teve o cinismo de afirmar: "salvei o Brasil do comunismo". Logo ele, que foi o assassino do próprio filho, pois Soledad, sua companheira amorosa, estava grávida quando foi morta. Nesse Capítulo 3 da série Os Pernambucanos Trucidados Pela Ditadura Militar de 1964, o pe-az mostra um pouco da história de Jarbas Pereira Marques. Com um perfil do militante. Um depoimento de Mércia Albuquerque, advogado de presos políticos, que acompanhou de perto a luta dos familiares na terrível busca pelo corpo do torturado. E o depoimento de Nadejda Marques, filha única de Jarbas que mora nos Estados Unidos e tinha apenas meses de idade quando seu pai foi assassinado. (Sobre Soledad Viedma, leia Soledad no Recife, romance de Urariano Mota, Boitempo Editorial, 2009). Um telefonema, a visita de dois estranhos e o massacre Jarbas Pereira Marques nasceu no dia 27 de agosto de 1948 em Recife/PE. Ingressou no Movimento Estudantil Secundarista quando ainda estudava no Colégio Porto Carreiro, em Recife. Foi preso pela primeira vez a 17 de agosto de 1968, quando distribuía panfletos convocando os estudantes a comparecerem ao congresso da UBES. A polícia invadiu sua casa e encontrou livros e manifestos considerados subversivos pelos órgãos de segurança de Pernambuco. Foi torturado e contraiu tuberculose pulmonar logo após sair da prisão. Jarbas Pereira Marques casou-se a 17 de dezembro de 1970 com Tercia Maria Rodrigues Marques e, em seguida, viajaram para São Paulo, regressando no final de 1971. Juntamente com o Cabo Anselmo (conhecido por Daniel), Jarbas trabalhava pela articulação da VPR no Nordeste. No dia 08 de janeiro de 1973, quando estava trabalhando na Livraria Moderna, em Recife, recebeu um telefonema e deixou a livraria com "estranhos" que vieram lhe buscar, deixando um recado para sua esposa, no qual afirmava que não voltaria mais. Jarbas já tinha fortes suspeitas do envolvimento do Cabo Anselmo com a equipe do Delegado Fleury e os órgãos de segurança de Pernambuco. E, segundo informes de seus familiares, Jarbas e a esposa já estavam se mobilizando para deixarem o Recife, o País ou entrarem para clandestinidade. Não houve tempo: no dia 11 de janeiro de 1973 os jornais do Recife noticiaram a morte de Jarbas e mais cinco membros da VPR, na Granja São Bento em Paulista-PE. Jarbas deixou uma filha, com 10 meses de idade e muita saudades na família e entre os inúmeros amigos que tinha.. (Texto Grupo Tortura Nunca Mais) Conheci meu pai através de fotografias em preto e branco Nadejda Marques é economista, consultora e membro-fundadora do Centro de Justiça Global. Filha única de Jarbas Pereira Marques (preso, torturado e morto no Recife em 1973), a partir dos 09 meses de idade ela viveu, com a mãe, refugiada em vários países: Chile, Cuba, Suécia. Ainda criança, voltou ao Brasil, onde estudou e concluiu o curso de Economia. Desde 2003 mora nos Estados Unidos, onde é pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard. Escreveu um livro, Born Subversive: A Memoir of Survival, ainda não traduzido para o português, em que narra parte da sua história de vida. O depoimento a seguir foi concedido por ela, via Internet, ao jornalista Marcos Cirano, em setembro de 2010. "Meu pai foi morto quando eu tinha 9 meses. Fui forçada a me separar da minha mãe quando ainda amamentava. Depois, nos reencontramos. Minha mãe é a personagem mais importante da minha estória até agora. Ela é a heroína, a inspiração e o exemplo de vida. Tento viver meus dias sempre buscando mostrar que a luta deles por justiça e dignidade não foi em vão. Conheci meu pai através de algumas poucas fotografias em preto e branco. Tinha uma foto dele na livraria em que trabalhava. Uma foto com seu time de futebol na escola e uma foto comigo ao colo. Quando olhava as fotografias tentava encontrar um traço em comum. Diziam que eu tinha os olhos do meu pai e eu acreditava. A minha lembrança mais antiga era de quando tinha cinco anos. Naquela época fotografia era uma coisa rara e cara. Guardei essas fotografias como um tesouro. Sempre soube que meu pai fora assassinado e os detalhes se revelavam aos poucos, ao passar dos anos. Talvez a minha compreensão dos fatos ia melhorando ao passar dos anos. Cresci como refugiada até os oito anos, sabendo que era diferente, que pertencia a uma terra diferente, um país que, na minha cabeça, matara meu pai. Foi muito difícil para mim voltar ao Brasil. Antes de completar quinze anos vi as fotos do meu pai torturado e morto. Os detalhes que eu há anos conhecia eram ainda uma abstração, mas as fotos eram viscerais. Essas fotos me afetaram profundamente. Algumas delas estão disponíveis na internet. Passei dias sem dormir e ainda hoje ao me lembrar delas fico com os olhos cheios de lágrimas. Tenho uma filha de dez anos. Escrevi um livro para ela que conta essa história. Aos poucos vou apresentando a ela capítulos de nós. Espero que um dia ela possa conhecer e compreender a nossa história, mas também quero protegê-la. A tortura e a violência deixam cicatrizes em muitas gerações e crianças são especialmente suceptíveis a essa dor" A mutilação era impressionante, que em um caixão normal não coube o corpo de Jarbas Mércia Albuquerque (23/02/1934 - 29/01/2003) foi uma advogada de presos políticos em Pernambuco, tendo iniciado essa atuação em 1964, quando ainda era estagiária (formou-se pela Faculdade de Direito do Recife) e participou da defesa de Gregório Bezerra, líder comunista preso e arrastado com uma corda ao pescoço, pelas ruas do bairro de Casa Forte, na capital pernambucana. Por sua atuação na defesa dos presos políticos, foi presa doze vezes, enquanto perdurou a ditadura militar brasileira. Durante vários anos, organizou um diário em que relatava o sofrimento dos seus clientes, amigos e familiares. Este texto é parte de depoimento prestado por ela a 07 de fevereiro de 1996, na Secretaria de Justiça do Estado de Pernambuco, na presença do Secretário de Justiça do Governo de Pernambuco, Roberto Franca. "Eu Mércia de Albuquerque Ferreira, casada, advogada, com identidade n.º 388.849-SSS/PE, residente à Rua Sete de Setembro n.º 197/52 - Boa Vista, Recife-PE, declaro que: Jarbas Pereira Marques não era um desocupado como na época se dizia. Ele trabalhou na Livraria Ramiro Costa, foi admitido em 02.12.71, como auxiliar de balcão. Depois trabalhou na Livro Sete Ltda, como balconista. Depois trabalhou na Livraria Moderna, da Rede de Cassimiro Fernandes, em 1973, onde foi preso. Três dias antes da prisão de Jarbas, ele procurou-me à noite e entregou fotografias da família e uma fotografia que dizia ser o Cabo Anselmo; Carteira do Trabalho; Certidão de Casamento; Certidão de Nascimento e Certificado de Reservista. Disse que estava para ser preso e me disse que Fleury se encontrava no Recife, com a sua equipe, e que o Cabo Anselmo usava os nomes de Daniel, Jadiel, Américo Balduíno, era companheiro de Soledad, mas ele já havia descoberto que esta pessoa era infiltrada na organização. Daí porque ele estava muito assustado. Porque ele já havia conversado com Ayberé Ferreira de Sá, e este fora preso; conversado com Martinho Leal Campos, e este fora preso. E com José de Moura e Fontes, que fora preso também, e com outras pessoas que ele não citou os nomes na hora. Disse que ele estava vivendo momentos de muita angústia e amargura, porque ele não tinha pessoalmente nada a ver com estas prisões. Jarbas era um tipo romântico, ingênuo, e eu conversei com ele, disse que fugisse, ao que ele se negou dizendo que isso não faria. Pela segurança da filha e da esposa. Eu pedi que ele deixasse a criança sob meus cuidados. Ele me falou que não ia levar Tércia Rodrigues para uma aventura, porque ela era uma pessoa frágil e seria também assassinada. Aí era pior porque a menina ficaria órfã. Quando foi no dia 08.01.1973, a mãe dele chegou muito aflita, ao anoitecer, e me disse que ele teria sido retirado por dois homens da Livraria - a Livraria ficava situada na Rua Ubaldo Gomes de Matos, 115. Ela ficou toda a noite na minha casa, em estado de ansiedade muito grande. No outro dia pela manhã mandei uma pessoa, uma amiga minha, ir até a Livraria, no sentido de comprar um livro do curso primário. A pessoa comprou e lá obteve a mesma informação: que ele teria saído com dois homens. À tarde eu voltei para trocar o livro, dizendo que a pessoa teria levado da primeira série, mas o livro era da segunda. E perguntei ao balconista por Jarbas. Ele repetiu a história. Eu botei o retrato que eu tinha em mãos sobre o balcão e perguntei: foi este o homem? Porque se foi este o homem, eu acho que não há problemas, me parece que é parente dele. O rapaz me respondeu: foi este o homem e não tinha cara de amigo! Eu voltei e comecei a busca. Não estou assim muito segura se foi no dia 09 ou no dia 10 que tomei conhecimento que seis corpos se encontravam no necrotério, que nessa época funcionava em frente ao Cemitério de Santo Amaro, na praça. Consegui a licença para entrar e, ao entrar, encontrei seis corpos realmente: Em um barril estava Soledad Barrett Viedma: ela estava despida, tinha muito sangue nas coxas, nas pernas e no fundo do barril se encontrava também um feto. Eu fique horrorizada. Como Soledad estava em pé, com os braços ao lado do corpo, eu tirei a minha anágua e coloquei no pescoço dela - era uma mulher muito bonita. E estava também deitada numa mesa a Pauline. Eu então a cobri com uma toalha que tinha na entrada do necrotério. Uma toalha de mão, mas era grande, eu botei por cima do corpo dela. Jarbas, que eu conhecia muito, estava também numa mesa, estava com uma zorba azul clara e tinha uma perfuração de bala na testa e uma no peito e uma mancha profunda no pescoço, de um lado só, como se fosse corda, e com os olhos muito abertos e a língua fora da boca. Me deixou assim muito chocada. Os outros corpos jaziam -um estava de bermuda que eu não conhecia, outro estava de zorba e outro despido -, estavam pelo chão.Todos os corpos estavam muito massacrados. Pauline tinha a boca arrebentada, tinha marcas pela testa, pela cabeça e o corpo muito marcado. Então eu, ao sair dali, fiquei pensando como daria essa notícia a dona Rosália (mãe de Jarbas) que ainda se encontrava em minha casa, justamente com Tércia e a filha de Jarbas que tinha apenas dez meses. Eu, ao chegar em casa, providenciei um chá para dona Rosália e, depois de muito tempo, muita conversa, ela disse: "Minha filha, meu filho foi assassinado com um tiro na cabeça, não foi?" Fique surpresa e disse: foi, contei como estava o problema e voltei com ela ao necrotério. Ela viu o corpo do filho na situação que se encontrava. Então os corpos foram levados para a Várzea e, posteriormente, eu sei que Jarbas foi trazido para o Cemitério de Santo Amaro, e eu não tenho certeza, mas me parece que também as estrangeiras. Mas não estou bem a par disso, se elas foram removidas. Agora as pessoas que ali se encontravam sem vida eram a Soledad Barrett, a Pauline, Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira, que foi preso na residência de Soledad e Manoel da Silva, que foi preso num Posto de Gasolina em Toritama. A Soledad estava com os olhos muito abertos, com expressão muito grande de terror. A boca estava entreaberta e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade. Eu tenho a impressão que ela foi morta e ficou algum tempo deitada e a trouxeram, e o sangue, quando coagulou, ficou preso nas pernas, porque era uma quantidade grande. E o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali, ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror. A Pauline, eu já falei o estado que se encontrava. E todos os corpos estavam muito estragados, marcas de pancadas, cortes. O que me impressionou foi porque aqueles corpos estavam desnudados e todos os corpos estavam inchados, uma coisa muito impressionante. Ao ponto que em um caixão normal não coube o corpo de Jarbas, tendo que ser feito, depois, um caixão especial para que ele fosse colocado. Uma coisa que eu quero que fique esclarecida nessas minhas declarações é que eu recebi um telefonema de uma pessoa me falando que os corpos estavam no necrotério e, quando eu procurei, na época, informações no DOPS, a pessoa me informou que estava, e que pelo o que Jarbas me falou seriamente essas prisões foram feitas pelo Cabo Anselmo e por Fleury. Jarbas me disse que ele estava na época aqui em Recife - e pela violência da ação, pela barbaridade, pela crueldade, eu acredito que foi por Fleury. E Jarbas, quando me disse que Fleury estava aqui, ele tinha certeza e ele estava em pânico. A esposa de Jarbas permaneceu na minha casa. Depois eu pedi a minha cabeleireira para cortar o cabelo dela curtinho - que o cabelo era grande e ela estava de trança, é possível até que eu tenha essa trança -, e ela foi maquiada, um vestido meu foi reformado para ela e ajudei-a a sair de Pernambuco, juntamente com a filha. E sei que ela foi para o sul, depois foi para o exterior. Eu sei que ela deixou a menina na casa da mãe dela, ela foi embora para o Rio e depois para o Chile, e depois para Cuba. A mãe dela levou a criança para companhia dela". Cabo Anselmo, agente policial infiltrato José Anselmo dos Santos nasceu a 13 de fevereiro de 1942, na cidade de Itaporanga D'ajuda, Sergipe. Marinheiro de primeira classe, em abril de 1963 foi eleito o segundo presidente da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB), com sede no Rio de Janeiro. Foi nessa época que passou a ser chamado, pela imprensa, de Cabo Anselmo - isso porque os marinheiros de primeira classe têm duas fitas na farda. Entre os dias 25 e 27 de março de 1964, a AMFNB, liderada por Anselmo, promoveu a chamada "revolta dos marinheiros", ocasião em que os marinheiros rebelados ocuparam a sede do Sindicato dos Metalúrgicos da Guanabara. A rebelião provocou divisões e rupturas nas Forças Armadas e teria contribuído decisivamente para apressar o golpe militar daquele ano. Após o golpe, Cabo Anselmo exilou-se numa embaixada, mas acabaria preso. Em 1966 fugiu da prisão, esteve em Cuba e outros países. Anos depois retornou ao Brasil e passou a atuar como militante de organizações de esquerda, sendo inclusive um dos chefes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) na qual também atuavam os seis militantes fuzilados em Pernambuco, dentre eles Soledad Viedma, sua jovem companheira que, segundo versões, estava grávida de quatro meses Nunca ficou definitivamente esclarecido a partir de que momento o Cabo Anselmo passou a agir como agente policial infiltrado nas organizações de esquerda. Segmentos do Partido Comunista do Brasil (PCB) e do Grupo Tortura Nunca Mais afirmam que antes de 1964 Anselmo já era agente da CIA. Outros acreditam que o Cabo mudou de lado e se tornou o maior delator da esquerda armada apenas na década de 1970. Um pouco do que se disse sobre o Cabo Anselmo: 1 - Líder da revolta dos marinheiros em 64, Anselmo atuou em várias organizações da esquerda armada, que ele próprio ajudou a destruir depois como informante do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo. Era protegido do delegado Sérgio Fleury, um dos nomes mais associados à tortura e morte no período. O ex-marujo saiu de cena em 73. (Folha SP, 31/7/09) 2- Em testemunho gravado dois anos antes de morrer, em 2003, Cecil Borer, ex-diretor do Dops da Guanabara. declarou à reportagem da Folha de S. Paulo que José Anselmo dos Santos não só atuava como colaborador do seu departamento no momento do golpe de Estado, como prestava o mesmo serviço ao Cenimar e à CIA. 3 - Cabo Anselmo frequentava o Dops de São Paulo, onde tinha um sócio, o delegado Josecyr Cuoco, com quem mantinha uma agência privada de informações que, com agentes infiltrados no movimento sindical e acesso aos relatórios dos alcaguetes do Dops, vendia informações para as multinacionais, especialmente do setor automobilístico, na época muito assustadas com o novo sindicalismo que nascia no ABC. ( Jornalista Antonio Carlos Fon ao no site do Luiz Nassif) 4 - Reportagem publicada pelo Jornal do Commercio, Recife 08 de fevereiro de 1995, sob o título Testemunhas confirmam ação do Cabo Anselmo na repressão - Depoimentos contestam versão oficial da morte de três militantes da VPR : A participação do Cabo Anselmo - informante da polícia durante o regime militar - na prisão de sua companheira e militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) Soledad Barrett Viedma foi confirmada ontem, em dois depoimentos prestados ao Grupo Tortura Nunca Mais. Na presença do secretário Roberto Franca (Justiça), a ex-advogada de presos políticos, Mércia Albuquerque e a comerciante Sonja Maria Cavalcanti testemunharam pela primeira vez para contestar a versão oficial das mortes de Soledade, Pauline Reichstul e Jarbas Pereira Marques. Sonja Maria reconheceu o Cabo Anselmo - em uma foto levada por Mércia - como sendo um dos homens que participaram da prisão de Soledad e Pauline. Ela contou que Soledad costumava ir a sua boutique, em Boa Viagem, deixar mercadorias para ser revendidas. No dia 8 de janeiro de 1973, Soledad e Pauline estavam na boutique quando cinco homens, se dizendo policiais, invadiram o local, bateram barbaramente em Pauline, enquanto Soledad, grávida do Cabo Anselmo, apenas indagava insistentemente "por que?". Depois, ainda segundo o relato de Sonja, as duas foram levadas em dois carros, um de placa 7831 (pertencente ao Incra) e o outro um volks particular, cuja placa não foi anotada. "Quase enlouqueço na época", disse a comerciante que nunca teve militância política nem sabia do envolvimento das moças com a VPR. "Fui registrar queixa e me aconselharam a deixar as coisas pra lá. No dia seguinte é que vi a foto delas nos jornais e me dei conta da gravidade do caso". Relembrar a cena que presenciou no necrotério deixou Mércia Albuquerque, hoje com 61 anos e hipertensa, emocionada. Procurada por Rosália Marques, mãe de Jarbas Pereira Marques, desaparecido no dia 8 de janeiro de 73, Mércia conseguiu entrar no necrotério em frente ao Cemitério Santo Antônio, no dia 9. Ali reconheceu os corpos de Soledad, Pauline e Jarbas. "Pauline estava nua, tinha uma perfuração no ombro e parecia ter sido muito torturada. Jarbas tinha perfurações na testa e no peito e marca de cordas no pescoço. Soledad, também nua, tinha ao seu redor muito sangue e aos seus pés um feto", disse a advogada. Ela relembrou também uma conversa que teve com Jarbas três dias antes dele sumir. "Ele disse que a equipe de Fleury (Sérgio Paranhos Freury, do antigo Dops, em São Paulo) estava em Recife e que ia ser morto. Me entregou também a foto de Cabo Anselmo dizendo quem era ele e que usava os nomes de Daniel, Jardiel e Américo Balduíno". A versão policial afirmava que os militantes haviam sido mortos durante um estouro de um aparelho subversivo na Granja Timbi. Cabo Anselmo, agente infiltrado no grupo, teria sido o única a escapar com vida. No final dos depoimentos, as duas testemunhas receberam sete rosas do secretário Roberto Franca, exatamente 23 anos depois da data que a sentença contra os militantes foi tomada: 07 de janeiro de 73. ================================================================================ LEIA O LIVRO DE URARIANO MOTTA - "SOLEDAD NO RECIFE" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110108/150a2cc6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 6872 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110108/150a2cc6/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 6880 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110108/150a2cc6/attachment-0015.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 8 13:44:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 8 Jan 2011 13:44:49 -0200 Subject: [Carta O BERRO] CASO BATTISTI x TRIBUNAL DE HAIA: OS LINCHADORES LINCHADORES BLEFANDO por Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional Message-ID: <6FC7A5A011574129A0CBAB730D44D19F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ESTÃOCASO BATTISTI x TRIBUNAL DE HAIA: OS LINCHADORES BLEFANDO Por Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional Desde o anúncio brasileiro de 31 de dezembro, de que Cesare Battisti não seria extraditado, a Itália lançou na mídia um grande número de bravatas, que encontraram repercussão no Brasil apenas na classe alta europeizada e na classe média revanchista. Entretanto, enquanto esses brados estimulavam os profetas do alarmismo nestas terras ex(?)-coloniais, foram diminuindo em intensidade nos meios políticos da metrópole, tanto que um dos porta-brados, o chanceler, mudou significativamente sua maneira de agir. O ministro de Relações Exteriores Franco Frattini (foto) é famoso por duas coisas: 1.. por ser um dois poucos entre os altos dignitários italianos que nunca passou por um partido neofascista, e 2.. por seu incansável combate à difusão dos videogames. Parece que as cenas de sexo (às vezes há algumas figurinhas brincando na tela) pervertem a pureza da alma infantil. No começo, Frattini acompanhou o embalo de seus colegas. Mas, quando viu que o antigo líder fascista juvenil de Milão de 1973, Ignazio La Russa, ameaçava o Brasil com retaliações truculentas, decidiu descer do cavalo, e nos últimos três dias optou por dizer que ninguém ganha nada com retaliações e bloqueios. Não sabemos, mas talvez tenha lembrado que a Fiat tem sua maior fonte de receita nos consumidores brasileiros... Muito mais racional que os outros, o chanceler cada vez usa ameaças mais suaves e discretas, e já no 06/01 fez apenas uma ligeira menção ao que fora, até o dia anterior, seu carro chefe: o Tribunal de Justiça de Haia. Talvez pela necessidade de testar os jogos eletrônicos para poder fundamentar sua censura, o ministro parece possuir uma grande habilidade tática e sabe mudar a posição do joystick em um décimo de segundo. Como sempre, a torcida do mundo periférico corre atrás, e tanto pelos jornais como pela TV a cabo, alguns especialistas brasileiros em generalidades internacionais continuam ameaçando com o fantasma daquele tribunal. Vale a pena ver rapidamente esse assunto da ICJ (Tribunal Internacional de Justiça) de Haia, que tanto reboliço está causando. Só para acalmar o público humanitário (que os ideólogos das elites tentam manter perturbado com informações alarmistas, cuja falsidade nem todos podem aferir), lembremos que a burocracia internacional, por pomposos que sejam seus cargos, está interessada em relações de interesses e vantagens e, salvo alguma exceção, não se importa por justiça nem por direitos humanos (uma exceção à qual desejo fazer justiça é o francês Guy Primm, com quem estive vinculado no Acnur). Quanto à eterna chantagem, que se funda sempre na tendência de elite brasileira à submissão, deve pensar-se que não é inevitável que uma atitude independente afaste o Brasil do 1º Mundo. Por um lado, se a Itália fosse suficientemente poderosa para barrar a entrada do Brasil no CS da ONU, usaria esse poder para obter uma cadeira para ela própria. Por outro lado, o governo brasileiro tem mostrado ultimamente menos fascínio por aquela tão difícil quanto inútil conquista: entre a subserviência da época Collor-FHC e as pretensões de voltar ao império, deve existir um ponto intermediário mais sensato. Aliás, se a imagem internacional depende da seriedade do país, deveríamos refletir até que ponto seria considerado sério um estado cujo governo se ajoelhasse perante um governo integrado pela máfia, o Vaticano, o neofascismo e a embaixada americana. Os colegas dos movimentos humanitários que se sentem alarmados pelas profecias antiasilo difundida por charlatões qualificados, podem acalmar-se: o maior volumedas desinformações atuais é constituído por guerra de boatos. Não se deve esquecer que muitos consultores privados em assuntos internacionais possuem grandes conexões com a altíssima elite mundial, e seus palpites são bem recompensados por grandes empresas exportadoras, fabricantes de armas, exércitos e governos, quando não... Salvo as poucas exceções que confirmam a regra, sua tarefa é tornar submissa a opinião pública de seus países para que aceite as condições dos grandes patrões, sejam subsídios agrícolas, planos militares, pactos antiterroristas ou outras camisas de força. Os menos bem sucedidos, se conformam com colher algumas migalhas que recebem por serviços de desinformação, como tem acontecido permanentemente com o Caso Battisti. Além disso, pensem que desde que se inventou a ciência no século 16 (aliás, justamente por um italiano, Galileu), o conhecimento verdadeiro está ao alcance de todos, e acreditar na falação de mestres, ungidos ou iluminados é pura ingenuidade. Que eles possam vencer é verdade, pois têm o dinheiro e a força bruta, mas suas vigarices não convencem. TRIBUNAL INTERNACIONAL DE JUSTIÇA A International Court of Justice (ICJ, conhecida em português como Tribunal Internacional de Justiça) foi criada em 1945, como o organismo judicial da ONU, e não deve ser confundida com o Tribunal Penal Internacional. A ICJ tem duas missões juridicamente diferentes: 1.. a de dirimir conflitos entre os estados membros, e 2.. fornecer consultoria legal solicitada por governos e agências, ou pela Assembléia Geral da ONU. Seu funcionamento, porém, começou em 1946. Sua primeira tarefa foi arbitrar um conflito entre o Reino Unido e a Albânia, por causa das minas colocadas por esta república no canal de Corfu. A Corte depende da ONU, cuja carta estabelece no artigo 15º que o tribunal está obrigado a aceitar as decisões do Conselho de Segurança. Teoricamente aICJ tem jurisdição compulsória sobre todos os países membros, mas, na prática, os Estados Unidos têm-se colocado fora dessa jurisdição desde 1986, depois que o órgão condenasse este país por sua guerra não declarada contra a Nicarágua, considerada ilegal. Este exemplo mostra que, estando integrado por países dos mais diversos estilos e localizações, o Tribunal não atua como servidor das grandes potências, como algumas pessoas acreditam. Com efeito, os linchadores de Battisti entendem que a ICJ seria tão servil com os perseguidores de Cesare, como o foi a Corte Européia de Direitos Humanos, quando ele reclamou por ter tido seu refúgio revogado pela França. Esta opinião parte de um equívoco, embora qualquer corpo judicial oficial possa ser, obviamente, alvo de conflitos de interesses. Mas a CIJ não está orientada a defender o colonialismo e o imperialismo. O tribunal tem 15 juízes, eleitos pela Assembléia Geral da ONU e pelo Conselho de Segurança, escolhidos entre os candidatos apresentados pela Corte Permanente de Arbitragem. O estatuto impede que haja mais de um membro de um mesmo país. Além disto, segundo as declarações de princípios da organização, os candidatos são escolhidos nos diversos lugares do planeta, para representar da melhor maneira possível a pluralidade de idéias e culturas. Pelo menos em teoria, o intuito da Corte é ministrar uma verdadeira justiça, o que quiçá explique a reticência dos estados para submeter casos para julgamento. Um aspecto importante é o caráter não vitalício dos juízes, o que diferencia o tribunal das cortes da maioria dos países, embora o prazo de nove anos, renováveis, seja excessivo. Neste momento, e até 2018, Brasil está representado por Antonio Augusto Cançado Trindade, professor da Universidade de Brasília, e um dos mais importantes sistematizadores e pesquisadores da teoria do Direito Humanitário, inclusive internacional. Seu trabalho é notável e muito apreciado no exterior, onde é considerado o mais prestigioso juiz da ICJ. Lamentavelmente, Trindade não é muito conhecido fora do meio dos ativistas de direitos humanos brasileiros por seu estilo discreto e nada performático. Dos países europeus, estão atualmente representados o Reino Unido, a França, a Alemanha, a Rússia e a Eslováquia. Os restantes representam as diversas regiões do Planeta. CASOS E PRECEDENTES Desde 1947, quando a Corte começou a funcionar de maneira contínua, o número de casos tratados por ela é pequeno, tendo em conta que sua jurisdição abrange todos os países da ONU. Até 2010, a Corte tinha tratado 132 casos contenciosos (casos de litígios entre estados) e se tinha manifestado em 27 procedimentos consultivos. Os casos litigiosos tratados pela Corte envolvem, em sua enorme maioria, grandes problemas dos países litigantes, como a segurança regional ou nacional, as divergências no uso de fontes naturais, delimitações de fronteiras, cuidado da fauna e da flora, contaminação, produção e extração de produtos nocivos. Dois assuntos que têm ocupado quase um 10% das pautas são os acidentes aéreos. Seguem-se os relativos a fronteiras, caça e pesca, e interpretações genéricas sobre tópicos de direito internacional. É menor o número de casos que se referem a violações massivas aos direitos humanos, manutenção de tropas de ocupação, genocídios, racismo e discriminação. Mas estes também são casos coletivos, em que dois estados litigam por causa das decisões que devem ser tomadas sobre milhares de pessoas. Eventualmente, alguns conflitos envolvem um número menor de cidadãos, como o caso de Avena e outros 53 mexicanos, aprisionados, julgados e condenados a morte pelos EUA (janeiro/2009), no qual a Corte condenou tal país. Aliás, mesmo nestes casos, quando se tratam problemas de direitos humanos, as sanções da Corte têm caído sobre os estados que aplicam punições e não sobre os que ofereceram proteção. Ademais, mesmo os casos contenciosos e não consultivos incluem com freqüência amplas questões de princípio, como a legitimidade do uso da violência, a duração do mandato de uma força de paz, e assim por diante. CASOS DE ASILO E EXTRADIÇÃO Em seus 64 anos de história, a ICJ tratou de apenas dois casos de asilo e/ou extradição, enquanto no mesmo período milhares de extradições foram negadas e milhares de asilos e refúgios foram concedidos no subcontinente latino-americano, onde requerentes ou suplicantes eram de diversos lugares do mundo. O primeiro caso originou-se no asilo diplomático concedido pelo embaixador da Colômbia em Lima, no dia 3 de janeiro de 1949, na sede de sua legação, a Victor Raúl Haya de La Torre (1895-1979), líder populista, fundador e líder da Aliança Popular Revolucionária do Peru. Haya era tão conhecido como hoje é Hugo Chaves ou o ex-presidente Lula. Em 3 de outubro de 1948, ele tinha tentado uma revolta contra o governo peruano, e este o acusava, como sempre, de crimes comuns. (ninguém que pretende a devolução de um refugiado reconhece que seus delitos são políticos ou ideológicos...). A Colômbia reclamou do Peru um salvo-conduto para que Haya pudesse deixar a embaixada rumo a Bogotá, mas o Peru recusou e ambos os países trocaram ofensas (nada aproximado, porém, às da Itália contra o Brasil), até que a Colômbia apresentou seu pedido junto à ICJ, enquanto Peru oferecia uma réplica. No julgamento de novembro de 1950, por 15 votos a 1, a Corte determinou que rebelião não é crime comum, mas político. Apesar disso, negou que o Peru fosse obrigado a entregar um salvo-conduto, pois este documento é requerido só quando o país suplicante exige que o asilado abandone a embaixada, e deva passar pelo território do qual está fugindo para dirigir-se ao país da embaixada asilante, sofrendo risco de captura. Não se precisa curso de diplomacia ou de RI para perceber que o caso não tem nada em comum com o de Battisti. Mas, por via das dúvidas, observemos. Haya foi acusado, com ou sem motivo, de colocar em risco o sistema político do Peru naquele momento. Sua ação, portanto, modificaria a vida de milhões de pessoas, seja para bem ou para mal. Mais: a Colômbia não se limitou a asilar o perseguido, mas exigiu um documento que o Peru tinha o direito de negar, pois não havia nenhum fator (saúde, etc.) que exigissem a saída de Haya da embaixada, um palácio confortável. Finalmente, apesar do caráter extraterritorial das embaixadas, o Peru poderia ter argumentado (o que, com bom critério, não fez) que a soberania da Colômbia sobre o território da embaixada era condicionada, pois dependia de uma concessão do Peru. Numa questão adicional colocada pelo Peru, a Corte retomou o assunto em 13 de junho de 1951, e deliberou, por 13 votos a 1, que a Colômbia não tinha obrigação nenhuma de entregar Haya de La Torre às autoridades peruanas (veja o documento original aqui).. Portanto, protegeu o requerido, apesar da pressão internacional de Peru contra a Corte. De fato, este é um caso de asilo, mas não é bem um caso de extradição. Aliás, o único contencioso de extradição tratado pela ICJ foi o conflito Bélgica contra Senegal, cujos detalhes podem ser vistos aqui. Em 19 de fevereiro de 2009, a Bélgica entrou na ICJ com uma ação contra Senegal para a perseguição de Hissène Habré, ex-presidente do Tchad (morando oficialmente nesse país africano desde 1990). A Bélgica exigia ou que fosse julgado em Dakkar, ou que fosse extraditado à Bélgica por violação da Convenção Internacional contra a Tortura (1984). O caso do ditador Habré é uma situação típica de crime contra a humanidade, um estilo de crime que certamente não é político, e tampouco é comum, como é tratado pela rotina jurídica que ainda não tomou conhecimento dos eventos de Nuremberg nos anos 40. Um crime contra a humanidade é uma atrocidade executada por quem possui o poder, com o objetivo de atingir membros de grupos designados, como raças, nacionalidades, religiões ou, simplesmente, grupos de pessoas definidas como inimigas. Os crimes atribuídos a Habré foram cometidos entre 1982 e 1990, ou seja, a reclamação da Bélgica foi formulada com acentuado atraso. Crimes contra a Humanidade possuem, essencialmente, uma jurisdição planetária, embora esta verdade natural seja contestada por alguns estados (como os EUA e Israel, p. ex.) que não gostariam de ver seus nacionais sendo condenados por crimes de guerra. Trata-se de um caso no qual o perigo que representa a pessoa procurada (pela atrocidade, intensidade e extensão de seus crimes) justifica uma ação compulsória para obrigar à extradição. Apesar disso, a Corte não aceitou a reclamação da Bélgica de tomar medidas provisionais contra o Senegal, argumentando que o criminoso estava suficientemente vigiado no Senegal e seria julgado em tal país, segundo prometeu o governo. E aqui temos uma má notícia para os linchadores de Battisti: o único voto contra este parecer foi o do representante brasileiro, Antonio Augusto Cançado Trindade. O pior não é que seu mandato expire só em 2018, mas que ele é especialista em Direitos Humanos, e que sua eleição para a CIJ no Conselho de Segurança da ONU teve 14 votos a favor e apenas uma abstenção: os Estados Unidos. Trindade já foi presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (não confundir com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, CIDH), na qual destacou-se como um militante devotado e corajoso. Aliás, ele foi um crítico da própria CIDH, pela lentidão com que esta tratou os crimes e atrocidades que se praticam na Febem brasileira. O fato de que o voto do professor Trindade tinha sido vencido na ICJ no caso de Habré não significa necessariamente que, num imaginário caso em que o julgado fosse Battisti, também seria vencido. O que acontece é que o Tribunal Internacional de Justiça, talvez por razões complexas que dependam de seu histórico e de sua miscigenação e cultura, destaca-se por sua tendência garantista, quando os veredictos afetam pessoas específicas. O fato de que seu garantismo proteja crimes contra os Direitos Humanos não é certamente elogiável, mas, é melhor isso que a cumplicidade com perseguidores e linchadores. E ENTÃO? Os assessores de linchamento (uma nova profissão sobre a qual as elites do Brasil e da Itália poderiam produzir uma bem sucedida joint venture) excederam-se na sua picaretagem em várias declarações. Uma delas é a de que, apesar de as sentenças da CIJ não serem de cumprimento obrigatório (o que é verdade, talvez a única em todas as opiniões que vomitaram na mídia), seria absurdo pensar que possam ser desobedecidas. Não desejo entediar o leitor, mas há muitos contenciosos onde as sentenças da Corte foram não apenas desobedecidas, mas totalmente ignoradas. (É só conferir no site que mencionei acima.) Outra é a que o Brasil seria condenado, se a Itália apresentasse queixa. Acho uma crença muito negativa a de pensar que, neste complicado mundo, toda instituição é subornável, e nada se salva. Temos exemplos no Brasil, onde os juízes defenderam sua independência, do qual serve de exemplo o próprio caso Battisti. A ilegal revogação da condição de refugiado foi perpetrada graças a um voto (apenas 11% do total) e o direito do chefe do Estado a decidir foi reafirmado também por um voto. Mas, não há certeza de que a Itália apresente uma reclamação na ICJ. Este é um ponto intrigante, porque o atual estado italiano aproveitou todos os ensejos de fazer papel ridículo, colocando em situação embaraçosa um povo que deveria ser identificado com o Renascimento e o Iluminismo, e não com esta onda decadente, que esperemos seja transitória. Pessoalmente, penso que não se arriscaria a fazer mais uma triste figura, porque ridículo também tem hora. Quanto à sugestão de um jurista que fez parte da sempre lembrada sociedade de gênios de Fernando Collor, de que Brasil deva recorrer à Corte Européia de Direitos Humanos, é tão descabida que nem vale a pena comentá-la. Por que não à Organização Mundial do Comércio, ou a OMS, ou ainda à Unicef? Os nossos linchadores abusam de uma maneira impiedosa da falta de informação do público sobre assuntos jurídicos. Aliás, não é porque o público seja omisso: o caráter hermético do Direito foi criado especialmente para que ninguém saiba o que é verdadeiro e o que é falso. Finalmente, as predições sobre o STF, cujo plenário, segundo os linchadores, reprovará o decreto de Lula, não me parecem exatas. É verdade que vários de seus membros deram uma imagem triste da justiça brasileira ao revogar o ato de refúgio. Mas, não vejo motivo para alguns deles perseverem nos deslizes. Mesmo porque, desta vez, isto seria contraditório, de maneira totalmente ostensiva, sem necessidade de nenhuma reflexão, com o que a maioria aprovou na última oitiva do julgamento de Battisti. O presidente decidiu, sem a menor dúvida, em plena harmonia com o artigo 3º, inciso f do Tratado Brasil-Itália, e a fundamentação da AGU, embora pudesse ter sido muito mais forte, ainda assim é mais do que suficiente. Os que talvez votem contra a decisão de Lula, eu imagino, serão minoria, e são apenas os que têm uma vocação profunda de inquisidor. Ora, uma vocação tão forte Deus só concede a poucos escolhidos... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110108/d19e986a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 9 12:32:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 9 Jan 2011 12:32:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ACERVO_DE_MUSICAS_!!!_PARA_OUVIR?= =?iso-8859-1?q?=2C_SALVAR_e_GUARDAR__=28_repeteco=29______________?= =?iso-8859-1?q?_____________________HOJE_=C9_DOMINGO!___M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: lu Maria Recebi esse acervo, achei legal e repasso: clique sobre os temas abaixo, espere abrir e as músicas começarão automaticamente. Se quiser selecionar uma música, clique sobre ela q abrirá no Windows Multimídia. Ou, se quiser salvar no seu computador (e, depois, gravar em CD, celular, etc.), clique sobre a música com o lado direito do mouse. Depois, clique sobre "Salvar destino como" (escolha uma pasta, por ex. Minhas Músicas), clique em salvar e vc as terá no seu computador. Só clicar no tema que abrirá a página com a lista de músicas..... Nacionais Elas Nacionais Eles Gospel & Gregoriana Comemorativas Latinas Novelas Francesas Instrumentais Internacionais A - B Internacionais C - E Internacionais F - W Internacionais Variadas Internacionais Variadas 1 Internacionais Variadas 2 Infantil Especial Elvis Presley Ave Maria Recordando Michael Jackson Italianas Filmes The Beatles Roberto Carlos Sertanejas Il Divo Links . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/0a35cba9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 47359 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/0a35cba9/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 9 12:33:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 9 Jan 2011 12:33:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_Fernando_Santa_Cruz__-__II_-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Fernando Santa Cruz Fernando Santa Cruz, pernambucano, casado e pai de um filho, tinha 26 anos de idade e estudava Direito na Universidade Federal Fluminense quando foi declarado desaparecido político em 1974. Preso por agentes do DOI-CODI em Copacabana, junto com outro militante da Ação Popular Marxista-Leninista (APML), Eduardo Collier Filho, foi torturado até a morte. A última pessoa que admitiu tê-lo visto com vida foi um carcereiro, de apelido "Marechal", logo desmentido pelo então ministro da Justiça, Armando Falcão. Foi longo o sofrimento de dona Elzita, mãe do estudante, que em vão apelou a dezenas de autoridades militares e civis na época, em busca de notícias do pai de seu neto Felipe. Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira nasceu em 20 de fevereiro de 1949, em Olinda, Pernambuco, sendo o quinto filho do médico-sanitarista Lincoln de Santa Cruz Oliveira e de Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira. Militante do movimento estudantil secundarista, foi preso em 1967, após participar de uma passeata, no Recife, contra o acordo MEC-USAID, projeto que enquadrava o ensino brasileiro nos moldes norte-americanos e que, segundo os estudantes, alienava a classe estudantil e extinguia o seu campo de participação. Detido com o seu companheiro Ramirez Maranhão do Valle, passou uma semana no Juizado de Menores de Pernambuco, onde conheceu o drama dos menores marginalizados e perseguidos pela sociedade. Após a saída da prisão, intensificou o seu processo de militância política, atuando ainda mais nas lutas estudantis. Foi um dos articuladores do movimento em Pernambuco, sendo um dos reestruturadores da Associação Recifense dos Estudantes Secundaristas (ARES). Com o recrudescimento da repressão política no Brasil, através da promulgação do Ato Institucional Nº 5, Fernando se viu obrigado a sair do Recife. Já casado com Ana Lúcia Valença, partiu para o Rio de Janeiro, onde aliou o trabalho profissional na CHISAM, órgão da administração pública, subordinado ao Ministério do Interior, com o trabalho político. Fez vestibular para o Curso de Direito na Universidade Federal Fluminense, obtendo aprovação. Na UFF, participou das lutas dos estudantes fluminenses, através do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito e do Diretório Central dos Estudantes, que hoje tem o seu nome. Fernando Santa Cruz e um grupo de estudantes secundaristas de Pernambuco. Em 1972, dois fatos marcantes aconteceram na vida de Fernando. Nasce o seu primeiro e único filho, Felipe, nome dado em homenagem ao companheiro Felipe, como era conhecido Humberto Câmara Neto, desaparecido após ser preso e torturado pela polícia carioca. O outro fato seria a mudança para São Paulo, onde foi admitido por concurso público na Companhia de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo. Em 1974, Fernando e Ana Lúcia decidem passar o carnaval no Rio de Janeiro. Aproveitam o feriado para estabelecer contatos com companheiros de luta política pertencentes à Ação Popular Marxista-Leninista - APML, que, por força do terror implantado pela repressão, eram obrigados a viver na clandestinidade. O primeiro encontro foi, justamente, com Eduardo Collier. Fernando saiu da casa do seu irmão Marcelo para o encontro marcado para às 16:00 horas daquele sábado de carnaval, marcando para às 18:00 horas o seu regresso. No entanto nunca mais retornou. Logo depois, surgia a primeira evidência de sua prisão: o apartamento de Eduardo Collier, em Copacabana, era invadido por agentes de segurança. Sem se identificarem ao porteiro do prédio, reviraram todo o apartamento e apreenderam uma grande quantidade de livros de conteúdo ideológico, deixando claro que se tratava de uma ação repressiva de natureza política. De imediato, começaram as buscas, ao mesmo tempo que teve início um sinistro jogo de empurra das autoridades militares para coma família e os advogados. Informações trocadas, dissimulações e mentiras generalizadas passaram a ser uma constante no procedimento das autoridades que eram procuradas para elucidar o caso. A procura se estendeu pelos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, nos I e II Exércitos, respectivamente. A Igreja, através do Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, juristas como Sobral Pinto, escritores como Alceu Amoroso Lima, todos tentaram investigar, pedir, colaborar, sem, contudo, obterem resultados concretos. Igualmente inúteis foram os habeas-corpus impetrados pelos advogados junto à Justiça Militar. Nem a presença de militares insuspeitos como os marechais Juarez Távora e Cordeiro de Farias, muito menos o envolvimento direto de entidades internacionais como a O.E.A. e a Anistia Internacional, nada conseguiu surtir efeito ou sensibilizar as autoridades brasileiras. Um ano mais tarde, pressionado pela opinião pública e pelos consecutivos pedidos de informações por parte da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da O.E.A., o ministro da Justiça Armando Falcão fez divulgar pelos veículos de comunicação uma seca nota oficial , na qual Fernando e Eduardo Collier, juntamente com mais 25 pessoas desaparecidas, eram dadas como clandestinos e caçados pelas forças de segurança. Imediatamente, a nota foi contestada pela família de Fernando, através de carta enviada ao ministro por Dona Ezita. Na carta, a farsa oficial era desmontada: Fernando não era clandestino, pois tinha, na época da prisão, residência e emprego fixos; não estava também foragido, já que não havia sido procurado por nenhum órgão de segurança. Fernando Santa Cruz é, hoje, mais um nome na imensa lista de desaparecidos políticos no Brasil. Carta enviada pela mãe de Fernando ao Ministro da Justiça: "Exmo. Sr. Ministro Armando Falcão Ministério da Justiça - Brasília, Distrito Federal Olinda, Pernambuco, 7 de fevereiro de 1975 Sou mãe de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira e fui surpreendida com a Nota Oficial do Ministério da Justiça, divulgada em 6 de Fevereiro pela imprensa falada e escrita, em que são prestadas informações sobre 27 pessoas dadas como desaparecidas com os respectivos registros constantes dos órgãos de segurança. Entre as pessoas desaparecidas encontra-se meu filho, fato ocorrido no dia 23 de fevereiro de 1974, na Guanabara, quando se encontrava com o seu amigo Eduardo Collier Filho conforme alegações apresentadas pelos seus advogados ao Superior Tribunal Militar. Iniciou-se para nós a partir de sua prisão uma verdadeira maratona em busca de informações por este Brasil afora, desde os presídios civis e militares até os ministérios, no sentido de localizá-lo e ter a certeza da autoridade responsável pela sua custódia, a fim de que fosse permitido o acesso de advogado e familiares. Apesar das negativas das autoridades responsáveis, as informações, fatos e indícios que obtivemos junto a pessoas e instituições indicam a sua prisão. Fatos estes, que foram já relatados minuciosamente a sua Excia. Sr. Ministro Golbery do Couto e Silva, em entrevista mantida em 7 de agosto de 1974, promovida pelo arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns. Quero informar-lhe Sr. Ministro que o teor da nota expedida por V. Excia no que se refere ao meu filho, perpetua a incerteza de seu destino, razão pela qual sinto-me na obrigação de assumir, na qualidade de mãe, sua defesa, já que ele não pode se manifestar. Mas faço também imbuída por princípios de justiça e de verdade que acredito serem postulados que devem nortear a conduta humana. A afirmação 'encontra-se na clandestinidade' a ele atribuída nesta Nota Oficial é paradoxal e para contestá-la informo a V. Excia. que Fernando era funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, residia à rua Diana, 698, no Bairro de Perdizes - SP; tendo, portanto, residência e emprego fixos e sendo responsável pelo sustento material de sua esposa e filho. Para maiores esclarecimentos do que afirmo, junto a esta recibo de aluguel em seu nome e contra-cheque do último pagamento referente ao mês de janeiro de 1974, e inclusive poderá ser verificado na repartição que trabalhava o seu cartão de ponto, marcando a sua presença sempre pontual até a véspera do seu desaparecimento. Sr. Ministro da Justiça, diante de tais esclarecimentos pergunto: que clandestinidade seria esta que, repentinamente, transformaria um filho, respeitoso, carinhoso e digno em um ser cruel e desumano, que desprezaria a dor de sua velha mãe, a aflição de sua jovem esposa e o carinho de seu filho muito amado? É fácil concluir que qualquer pessoa, mesmo perseguida, em qualquer lugar onde estiver terá como enviar uma palavra de calma e tranquilidade aos seus familiares. Ora, Sr. Ministro, por que Fernando não o faria? Não posso aceitar pura e simplesmente o argumento de V. Excia, tendo em vista os fatos, indícios e informações já prestadas ao Exmo. Ministro Golbery e espero que não se dê por esgotado este episódio, mas que seja esclarecido o que realmente aconteceu ao meu filho para que possamos sair deste imenso sofrimento que nos encontramos: eu e todos os meus familiares. Escrevo esta carta movida pela crença que sentimentos de justiça e de dignidade nortearão a conduta de V. Excia. e do Exmo. Sr. Presidente da República em relação a este fato. Nada peço ao Sr. para meu filho a não ser os esclarecimentos, que tenho direito, sobre o seu paradeiro, e justiça! Disposta a qualquer esclarecimento que seja necessário, subscrevo-me "Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira." Alunos do Ginásio Pernambucano Recife. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/6d946bd6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 6872 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/6d946bd6/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16655 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/6d946bd6/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20849 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/6d946bd6/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13303 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/6d946bd6/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110109/6d946bd6/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 10 19:50:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 10 Jan 2011 19:50:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__50_SEGREDOS_PARA_UMA_VIDA_SAUD?= =?iso-8859-1?q?=C1VEL_____________________________________________?= =?iso-8859-1?q?____________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=DA?= =?iso-8859-1?q?DE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem 50 SEGREDOS PARA UMA VIDA SAUDÁVEL 50 Segredos das pessoas que nunca adoecem Cinco povos ao redor do mundo se destacam pela longevidade: eles vivem, em média, dez anos a mais do que o restante da humanidade. Conheça agora seus principais hábitos de vida Gene Stone teve a oportunidade de escrever sobre inúmeros tratamentos adotados com sucesso para curar doenças. Porém, continuava ficando de cama. "Também notei que havia populações em que as pessoas nunca ficavam doentes. Então me ocorreu que eu devesse perguntar a essas pessoas o que elas faziam", disse Stone em entrevista à VivaSaúde. As respostas estão no livro Os segredos das pessoas que nunca ficam doentes, recém-lançado nos EUA. Em suas andanças, Stone percebeu que cinco povos eram os mais saudáveis: a Barbagia, na Itália; Okinawa, no Japão; a comunidade dos Adventistas do Sétimo Dia, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha grega de Ikaria. Outro americano, Dan Buettner, escreveu sobre o tema em um livro que virou best-seller: Blue Zones: lições de pessoas que viveram muito para quem quer viver mais. Ambos os autores nos ajudaram a traduzir as experiências dessas pessoas. Confira 50 dicas eficazes, comentadas por 21 especialistas brasileiros. 1. Beber água mesmo sem ter sede ]a água está para o corpo humano assim como o combustível para o carro. Isso porque, sem manter os nossos níveis hídricos sempre abastecidos, todo o organismo sofre. O líquido ajuda a aumentar a saciedade, evitando compulsões que podem levar ao sobrepeso e ao aparecimento de diversas doenças, ao mesmo tempo que mantém a saúde do sistema renal. "É o baixo consumo de água que resulta em urina concentrada e na maior precipitação de cristais, justamente o que leva à formação das pedras nos rins", adverte a nutricionista amanda epifânio Pereira, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. sucos naturais, chás e água de coco também podem ser usados. 2. Ir ao dentista regularmente A boca é como um espelho a refletir a saúde do organismo. Daí a importância de permitir que um profissional a examine a cada seis meses. "Muitas doenças sistêmicas, como diabetes, alterações hormonais e lesões cancerígenas podem ser detectadas numa consulta de rotina", diz o periodontista Cesário Antonio Duarte, professor da Universidade de São Paulo (USP). Além disso, o tratamento das cáries deixa o organismo protegido contra inúmeras doenças. "Cáries não tratadas podem se tornar a porta de entrada para micro-organismos, que poderão atingir órgãos nobres como coração, rins e pulmões", alerta o especialista. 3. Ingerir mais nozes Bateu aquela fome de fim de tarde? Experimente comer duas unidades de nozes todos os dias. Esse é um dos segredos dos Adventistas da Califórnia. Cerca de 25% deles comem nozes cinco vezes por semana. E diminuíram pela metade o risco de problemas cardíacos. 4. Temperar com alho "Ele melhora a saúde do coração, diminui os níveis de colesterol, a pressão arterial e potencializa as nossas defesas", afirma a nutricionista funcional Gabriela Soares Maia. 5. Comprar alimentos regionais Se puder privilegiar alimentos produzidos na sua região, sua saúde sairá ganhando. Isso porque os produtos da safra, que não recebem uma grande quantidade de conservantes, em geral, são muito mais ricos em nutrientes. Agora, se você puder ir pessoalmente à feira ou à quitanda do bairro, tanto melhor. 6. Comer mais frutas Aumentar o consumo de produtos de origem vegetal é uma das medidas mais significativas na prevenção de doenças crônicas. A prática foi observada em pelo menos quatro das cinco Blue Zones e é fácil entender o porquê. "Frutas, legumes e verduras possuem uma quantidade de vitaminas antioxidantes, boas gorduras e fibras que supera em muito a dos alimentos industrializados", diz Isis Tande da Silva, do Ganep Nutrição Humana. 7. Aprender a planejar A tensão constante é extremamente prejudicial à saúde. "Ela afeta o funcionamento do sistema nervoso, hormonal e imunológico", alerta o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor da USP. Uma boa maneira de controlar essas reações é não deixar todos os compromissos para a última hora. "Acostume-se a anotar suas pendências em uma lista", diz o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa. 8. Fracionar a dieta Comer mais vezes ao dia e optar por porções menores é um jeito inteligente de manter o peso estável. "Os jejuns prolongados desencadeiam uma fome tão intensa que é fácil se exceder nas refeições", explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia Nutricional. Quando dividimos a nossa alimentação diária em cinco ou seis refeições, também estamos dando uma forcinha ao processo de digestão e ao intestino, evitando sobrecargas. 9. Aproveitar o contato com a natureza Sinta o cheiro da grama molhada, escute os pássaros, sente-se na sombra de uma árvore... Pratique essa terapia sempre que possível, já que ela é altamente relaxante. "A vegetação transfere umidade ao ar e, portanto, o ambiente fica ionizado negativamente. Isso provoca uma reação química no organismo, gerando uma sensação de muita calma", explica a arquiteta Pérola Felipetti Brocanelli, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A psicóloga Solange Martins Ferreira, do Hospital Santa Catarina, garante que as atividades ao ar livre também contribuem para recuperação de pacientes: "Quando observam a natureza, eles tiram a atenção da doença". 10. Levantar peso A ideia não é apenas ficar forte. "Um dos principais benefícios é o aumento da densidade óssea, auxiliando na prevenção da osteoporose e na reversão da sarcopenia (diminuição no número de sarcômero, a unidade do músculo esquelético). Isso evita a incapacidade funcional, muito comum em idades avançadas", diz Ricardo Zanuto, fisiologista e professor de Educação Física das Faculdades Integradas de Santo André. 11. Ser um voluntário Se você ainda não conseguiu um tempo para isso, é bem provável que não tenha encontrado a causa certa. "Quando se apaixonar de verdade por um trabalho social, acabará colocando-o na lista de prioridades", garante o especialista em produtividade pessoal Christian Barbosa. "Dedicar uma noite por semana já é um bom começo", diz Dan Buettner. 12. Celebrar a vida Não espere algo de extraordinário acontecer, mas acostume-se a comemorar as pequenas vitórias. Essa é a receita de longevidade dos italianos que vivem na Sardenha, uma das Blue Zones. Eles chamam a atenção pela disposição que têm para festejar tudo e todos. 13. Cultivar a sua fé "A religião empresta sentido às buscas e conquistas do ser humano, dá uma nova dimensão às vitórias e também às perdas. Além disso, orienta e ajuda as pessoas a tomar decisões difíceis", explica Jorge Claudio Ribeiro, professor de Teologia da PUC-SP. 14. Trocar o café pelo chá-verde Ainda que você precise do café para acordar, faça a substituição. Afinal, o cháverde também contém cafeína, que funciona como estimulante. O bom é que ele oferece outros extras. "Diversos estudos mostram que a bebida atua na prevenção e no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson", afirma a nutricionista Andréia Naves. 15. Pegar leve com as carnes vermelhas Embora sejam importantes fontes de ferro, são alimentos de difícil digestão e, portanto, retardam o funcionamento intestinal. Então, se você é do tipo que não pode viver sem um bifinho, contente-se com um filé médio por dia. 16. Praticar mais atividade aeróbica Pode ser uma caminhada ou uma corrida. Esse tipo de exercício tem impacto direto sobre os fatores de risco associados à hipertensão, ao diabetes e à obesidade. "A prática regular melhora a força e a flexibilidade, fortalece ossos e articulações, facilita a perda de peso e diminui o colesterol", afirma Zanuto. 17. Encontrar a sua tribo Se você gosta de esportes, certamente irá sentir-se bem com amigos que também gostam. Portanto, faça um esforço para encontrar pessoas com quem possa compartilhar e trocar ideias. "Uma das atitudes mais importantes para garantir a longevidade é cercar-se de pessoas que vão lhe dar suporte e que conectam ou reconectam você com o sentido maior que você dá à sua vida", diz Dan Buettner. 18. Ser agradável Facilita a convivência social e cria vínculos com pessoas que poderão apoiá-lo quando necessário. Mas como tornar-se uma pessoa agradável? O autor Dan Buettner é quem responde: "Para isso, é preciso ser interessado e não apenas interessante. Pessoas simpáticas perguntam a você como está em vez de falarem apenas de si mesmas". 19. Definir seus objetivos É o que os moradores de Okinawa chamam de ikigai e os habitantes de Nicoya nomeiam de plano de vida. Seja como for, o fato é que eles têm muito bem definidas as suas razões de viver e investem nesses propósitos. 20. Conhecer melhor a ioga Ela une princípios da meditação, exercícios para o equilíbrio, alongamento e o treinamento de força, com foco na respiração. Tudo isso graças à execução de movimentos sequenciados. "A ioga é ótima para a longevidade, porque fortalece os músculos e ligamentos. Então, os movimentos tornam-se mais fluidos e seguros. A prática tem ainda um efeito importante na redução do estresse", diz Dan Buettner. 21. Guardar o despertador na gaveta Dormir bem significa dar ao corpo a chance de se recompor totalmente. "Se você se deita, dorme logo e acorda bem disposto, pode dizer que tem um sono de qualidade", ensina o neurofisiologista Flavio Alóe, do Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas (SP). Quem não tem, corre um risco muito maior de adoecer. "Aqueles que dormem pouco podem ter um aumento do colesterol e dos triglicérides", complementa Alóe. 22. Apostar nos integrais Não basta comer pão integral. Com um pouco de criatividade, é possível incluir a farinha e aveia integrais na preparação de inúmeros pratos. Quer um bom motivo para fazer isso? Pois saiba que os alimentos não processados oferecem um aporte muito maior de nutrientes. "No processo de refinamento, o germe dos grãos são retirados, restando praticamente o amido", explica a nutricionista Patrícia Morais de Oliveira, do Ganep. 23. Pensar na sua vocação Fazer o que gosta é uma forma eficiente de afastar o estresse. Além disso, é interessante que o seu tipo de trabalho seja capaz de fazê-lo sentir-se realizado. Por último, saiba que aquele que se empenha em uma carreira para a qual há um sentido profundo, além da manutenção da renda, se sente mais motivado a investir na atualização dos conhecimentos. E estudar, como já vimos, é um santo remédio para o cérebro. 24. Doar seus pratos grandes A população de Okinawa descobriu um jeito de comer 30% menos: eles utilizam pratos de apenas 23 cm de diâmetro. "Há experiências promissoras sendo realizadas por meio da restrição calórica orientada, que já se mostrou capaz de aumentar o tempo de vida de animais de laboratório em 60%", afirma Ellen Paiva. 25. Ter atitudes positivas "As emoções fazem parte daquilo que somos e, portanto, são capazes de provocar reações físicas muito claras. As positivas curam e determinam uma maior e melhor qualidade de vida", diz Armando Ribeiro das Neves Neto. 26. Emagrecer a despensa Na hora da compra, elimine os alimentos que possuem qualquer quantidade de gordura trans e evite os que contêm gorduras saturadas. E por um motivo simples: as chamadas gorduras ruins têm relação com o aumento dos níveis de colesterol LDL e triglicérides, fazendo crescer o risco de infarto e de acidente vascular cerebral. "Além dos industrializados, convém tomar cuidado com os alimentos de origem animal, como carnes gordas", alerta a nutricionista Andréia Naves, da VP Consultoria Nutricional. 27. Saber como usar a soja Em Okinawa, no Japão, o consumo de produtos da soja é o maior de todo o mundo. O resultado? Dos cerca de 1 milhão de habitantes locais, mais de 900 pessoas já passaram dos 100 anos. "O consumo frequente reduz os riscos de doenças cardiovasculares", afirma a nutricionista Renata C. C. Gonçalves, do Ganep. 28. Estudar sempre Manter as atividades intelectuais é uma maneira de garantir anos extras de vida e muito mais saúde, principalmente nas idades avançadas. "Exercitar o cérebro vai deixá-lo mais protegido contra doenças. Na prática, isso significa um risco menor de limitações físicas, mesmo se algo der errado porque, nesse caso, a recuperação será muito melhor", explica o neurologista André Gustavo Lima, do Hospital Barra D´or. 29. Ter um dia só para você Os Adventistas do Sétimo Dia que vivem em Loma Linda, na Califórnia, recolhem-se em suas casas aos sábados e aproveitam a ocasião para meditar e orar. E esse parece ser mais um bom hábito que poderíamos nos esforçar em copiar. Afinal, essas pessoas vivem de cinco a dez anos mais que o resto da população americana. "Se for impossível fazer isso, tente conseguir pelo menos 15 a 20 minutos por dia para não fazer nada, ou melhor, para pensar apenas. É como marcar uma reunião consigo mesmo", diz Christian Barbosa 30. Apagar o cigarro Quem tem menos 40 anos e fuma até 20 cigarros por dia tem quatro vezes mais chances de infartar. Agora, se o consumo for maior, o risco sobe 20 vezes. A explicação é simples: as substâncias do cigarro levam à contração dos vasos sanguíneos, à aceleração dos batimentos cardíacos, além abaixar o HDL, que age como um protetor das artérias. 31. Ouvir a sua música A musicoterapeuta Maristela Smith, das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), tem uma receita interessante para quem quer tirar proveito da terapia da música. "Faça um CD com as músicas que marcaram positivamente a sua vida para criar a sua identidade sonora musical. Escute-o regularmente, principalmente quando estiver precisando melhorar o astral", ensina a especialista. 32. Respirar com consciência Quando estiver precisando relaxar ou desacelerar seu ritmo, faça a respiração completa. "Inspire calmamente o ar pelo nariz, contando três segundos. Então, bloqueie a respiração por um tempo, retendo o ar, e expire pela boca em seis segundos. Assim, você estará atuando diretamente sobre o sistema nervoso autônomo", ensina o educador físico Estélio Dantas, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 33. Curtir os animais Mesmo que não possa ter um em casa, descubra aqueles com os quais possui mais afinidades e dê a si mesmo a oportunidade de tocá-los. Para a veterinária Maria de Fátima Martins, professora de Zooterapia da USP, a convivência com os bichos é uma rica fonte de benefícios psicológicos, físicos e sociais. Ela coordena uma experiência de terapia assistida com animais em asilos. "O contato com os animais tem melhorado a vida dessas pessoas. Para alguns idosos, a experiência foi tão positiva que eles chegaram a diminuir o número de medicamentos que tomavam", conta. 34. Ser muito mais ativo Comece descendo alguns pontos antes do ônibus. Fazer mais atividades a pé ou de bicicleta, cozinhar, cuidar do jardim, brincar com o seu cachorro, todas essas maneiras de se mexer são válidas. "Um dos segredos da longevidade é encontrar meios de se manter sempre em movimento. De preferência, concentre-se em atividades que também lhe dão prazer, e os benefícios serão maiores", sugere Dan Buettner. 35. Desacelerar o ritmo "Se você não cria um tempo para estar bem, terá que ter tempo para se cuidar quando ficar doente", alerta Dan Buettner. O primeiro estágio do estresse é a fase de alerta. Ele nos permite realizar muitas tarefas em pouco tempo e aí nos sentimos bem. Porém, quando persistimos na tensão, o organismo entra em fadiga. 36. Comer mais iogurtes "Eles reforçam a nossa imunidade", explica a nutricionista Gabriela Maia, da Clínica Patricia Davidson Haiat. O que as bactérias vivas contidas nesses potinhos também fazem é melhorar o nosso humor. Afinal, é o intestino que responde pela produção de 95% da serotonina de todo o corpo. 37. Investir no ômega-3 Peixes de água fria (salmão, arenque, sardinha, atum), sementes de linhaça moídas e óleos de peixe, de soja e de canola são ótimas fontes desse nutriente, que tem ação comprovada na redução dos níveis de colesterol e de triglicérides, além de ajudar no controle da pressão e de prevenir o risco de tromboses, que danificam os vasos sanguíneos. O composto ainda é coadjuvante em tratamentos neurológicos e de osteoporose. 38. Controlar o álcool A curto e médio prazos, o álcool pode engordar, acelerar o processo de envelhecimento e ainda aumentar a pressão arterial. A longo prazo, causa dependência e ainda compromete o funcionamento de todos os sistemas do corpo, com danos mais sérios para o fígado. 39. Brincar com as crianças É uma excelente estratégia para tirar o foco das preocupações, aproximar a família ou amigos e facilitar o contato intergeracional. E todos esses aspectos estão associados à longevidade. Porém, para funcionar, é preciso que se tenha um mínimo de afinidade com os pequenos. 40. Construir o próprio jardim Mexer com plantas e flores pode ser um hobby interessante e saudável, desde que você realmente consiga tirar prazer da atividade. "Esse tipo de passatempo é muito válido para prevenir o estresse, tanto quanto fazer trabalhos manuais ou cozinhar. Só não pode virar rotina e obrigação. Se a pessoa tem que cozinhar ou cortar a grama todos os dias, por exemplo, isso passará a representar, na vida dela, mais uma fonte de tensão. E aí os benefícios não virão", explica Armando Ribeiro Neto. 41. Desfrutar do sol Sentir na pele o calor dos raios solares não é somente uma receita para adquirir disposição e ânimo. Com cerca de 15 minutos de exposição, oferecemos ao corpo algo que só o sol pode dar: a energia necessária para a síntese de vitamina D. "O composto é importantíssimo na fixação de cálcio no organismo, prevenindo a osteoporose, além de fortalecer o sistema imunológico", afirma a endocrinologista Bárbara Carvalho Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais. 42. Perdoar mais "Para envelhecer bem, é preciso olhar para a nossa trajetória de vida aceitando os erros cometidos e desculpando-se por eles. Da mesma forma, é interessante perdoar aos outros, percebendo que não fomos apenas vítimas", diz a psicóloga Dorli Kamkhagi, colaboradora do Laboratório dos Estudos do Envelhecimento do Hospital das Clínicas (SP). "Perdoar é retirar objetos pesados de uma mochila que carregamos", compara. 43. Dar uma chance à laranja Uma única unidade é capaz de prover a necessidade que o nosso corpo tem de vitamina C a cada dia. "Protege contra o câncer, afasta aquela gripe chata e até ajuda a pele a se recuperar mais rapidamente dos estragos promovidos pelo sol", diz a nutricionista Gabriela Soares Maia. 44. Alongar o corpo todo Os problemas mais frequentes do aparelho locomotor, e que estão relacionados ao envelhecimento, são a perda da mobilidade e a osteoporose. "O alongamento, enquanto um treinamento da flexibilidade, é um dos principais fatores de manutenção da autonomia funcional em idosos", garante o educador físico Estélio Dantas. 45. Cochilar após o almoço Na Península de Nicoya, na Costa Rica, a sesta é um costume institucionalizado. E, em muitas outras partes do mundo, as pausas para um cochilo também são comuns. "Para quem dorme pouco, essa pode ser uma estratégia compensatória", diz o neurofisiologista Flavio Alóe. É como renovar as energias, antes de recomeçar a jornada. 46. Priorizar as pessoas amadas Este é outro ponto comum dos que vivem nas chamadas Blue Zones. "Eles contam com famílias fortes e se apoiam mutuamente", conta Dan Buettner. Relações verdadeiras nos protegem de situações adversas. 47. Esquecer do sal A redução de seu consumo é imprescindível para prevenir e controlar a hipertensão que, por sua vez, oferecem as condições favoráveis para que inúmeros problemas de saúde progridam rapidamente, tais como a insuficiência renal e as complicações cardíacas. "O sal em excesso faz o corpo reter mais líquido, o que, além de causar inchaço, também aumenta o volume sanguíneo, elevando a pressão nas artérias", explica a nutricionista Andréia Naves. Para passar bem longe desse drama, vale cortar o sal de cozinha que adicionamos aos pratos durante a preparação, para colocá-lo apenas no momento de consumir, e sempre usando o bom senso. Outra dica é reduzir o consumo de condimentos, pratos prontos, embutidos ou enlatados. 48. Praticar sexo com prazer A atividade sexual ajuda a aliviar as tensões, já que, durante a relação, ocorre a liberação de endorfinas, substâncias que melhoram o humor. O sexo ainda faz bem para a circulação. Por fim, vale como um excelente exercício e ajuda a reforçar vínculos de afeto. 49. Criar um tempo para a família A união e o apoio mútuo entre cônjuges, pais e filhos precisam certo investimento de tempo e atenção. Mas como encontrar períodos livres para dedicar a essas pessoas todo o carinho que merecem? "Vale programar um jogo que possam fazer juntos, que permita confraternizar e trocar ideias", diz Christian Barbosa. 50. Usar as dicas diariamente Caminhar só aos finais de semana ou encontrar mais tempo para os amigos apenas nos períodos em que a rotina de trabalho sossega um pouco podem ser um bom começo, na tentativa de transformar a sua vida para melhor. É preciso, porém, garantir que mudanças pontuais se transformem em hábitos, para colher resultados significativos no que diz respeito à saúde e à longevidade. "As pessoas que eu conheci enquanto preparava o livro possuem diferentes segredos, mas uma coisa que todas elas têm em comum é a disciplina; elas usam seus segredos diariamente, ou seja, fazem da boa saúde uma prioridade, um hábito mesmo", finaliza Gene Stone. Fonte: Revista Viva Saúde - por Rita Trevisan e Giovana Pessoa -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110110/be508aaa/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16651 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110110/be508aaa/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 10 19:50:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 10 Jan 2011 19:50:54 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_do_Padre_Henrique__-_III-?= Message-ID: <9D67F467B73F46B494F564310B1D4A72@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Os pernambucanos trucidados pela ditadura militar de 1964 - Padre Henrique Auxiliar direto de Dom Hélder Câmara - que, à época os militares rotulavam de arcebispo vermelho -, o padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto foi torturado até a morte, no Recife, entre a noite e a madrugada de 26 e 27 de maio de 1969. O crime, nunca esclarecido até a prescrição do processo aberto para apurar os fatos, teve o objetivo claramente político de tentar barrar, através da violência física, o arcebispo nas suas ações e pregações em defesa da liberdade. A macabra lógica dos torturadores era esta: se a eliminação do próprio Dom Hélder não era recomendável porque repercutiria internacionalmente, deixando o governo brasileiro em situação delicada, o caminho era o assassinato de um auxiliar direto da Arquidiocese. Desta forma, deduziam eles, o arcebispo recuaria e o crime não teria grande repercussão porque a vítima, digamos assim, era "menos importante". Responsável pelo setor da Arquidiocese de Olinda e Recife que prestava assistência à juventude, o padre Henrique mantinha encontros inclusive com estudantes cassados e, em várias ocasiões, recebeu ligações telefônicas com ameaças de morte. A maioria delas partidas da organização denominada Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O padre não se curvou às ameaças e pagou um alto preço por isso. O padre Henrique foi seqüestrado na noite de 26 de maio, no bairro de Parnamirim, depois de participar de uma reunião com um grupo de jovens católicos. De acordo com uma testemunha, ele acabava de sair do local do encontro, quando foi abordado por três homens armados que o levaram em um veículo de marca Rural, de cor verde e branca. Às 10 horas do dia seguinte, o corpo seria encontrado num matagal da Cidade Universitária. À época, o governo ainda não havia instituído formalmente a censura à imprensa, mas, mesmo assim, os jornais foram proibidos de noticiar o assassinato do padre. A notícia só foi dada pelo Boletim Arquidiocesano (um informativo mimeografado da Igreja) e lida pelos padres de todas as paróquias recifenses. Mesmo sem notícias na imprensa, cerca de 20 mil pessoas acompanharam o enterro, numa caminhada entre igreja do Espinheiro e o cemitério da Várzea. Peritos da Secretaria de Segurança examinam o veículo que teria sido usado pelos assassinos. De processo controverso e volumoso (dezenas de volumes com milhares de páginas), o caso do assassinato do Padre Henrique foi arquivado e reaberto inúmeras vezes, sem que nada ficasse esclarecido até a prescrição do crime. Um único suspeito foi apontado, o estudante Rogério Matos do Nascimento (que, inclusive, esteve preso), mas as autoridades não chegaram a conclusão nenhuma. Foi mais um bárbaro crime impune. No Departamento de Ordem Pública e Social (DOPS) de Pernambuco não há nenhum registro sobre o Padre Henrique, antes da sua morte. Os arquivos começam com o laudo técnico do Instituto de Polícia Técnica do Estado sobre o seu assassinato. "Sei quem matou meu filho e nada posso fazer" O assassinato do padre Henrique não funcionou para calar Dom Hélder Câmara, que continuou denunciando as injustiças sociais e lutando por liberdade, mas destruiu praticamente toda a família do sacerdote. Em depoimento ao extinto semanário recifense Jornal da Cidade, a 24/07/1981,dona Isaíras Pereira da Silva, mãe do padre, narraria o que se seguiu ao crime: "Depois de assassinarem meu filho, começaram as perseguições. Um dia depois do enterro, o meu marido foi preso e, sob ameaça de tortura, foi obrigado a relatar nomes de pessoas que vinham aqui em casa e que eram amigas de Antônio Henrique. Adolfo, meu segundo filho, que na época havia sido aprovado no concurso de oficial da Polícia Militar, passou a exercer dentro da PM funções de servente, sendo depois transferido para a Polícia Rodoviária, coisa que não tinha nada a ver com o concurso a que foi submetido. Fizeram o possível para sujar o seu nome, até que o ex-agente Wilson Maciel o envolveu com uns roubos de imagens sacras. Passou 11 meses preso e foi absolvido por falta de provas. Pouco tempo depois, um outro roubo de objetos sacros ocorrido em Natal foi motivo para que o meu filho ficasse mais um tempo preso. No terceiro, o da imagem do Carmo em 1979, Wilson Maciel tenta culpá-lo e, como não consegue, o ameaçou de morte. Por conta disso, teve que viver foragido com a mulher e filhos. Justo Henrique, um outro filho, foi preso três vezes como subversivo, porque na época era seminarista e isso tinha muito a ver com o irmão. Tanto fizeram que atualmente ele vive no exterior e, por medida de segurança, não mantemos nenhuma comunicação. Existe um quarto filho que usa nome falso por ter fugido da prisão. Sofreu torturas e, para castigá-lo, eles disseram que meu filho andava espalhando por aí que ia se vingar.Meu marido, com os aperreios, morreu com uma úlcera gástrica. E eu, eu sou o palhaço da história. Sei quem matou meu filho e nada posso fazer." Uma versão na imprensa Em 1975, o Jornal da Cidade, veículo recifense da chamada imprensa alternativa, reconstituiu o episódio assim: "A corda aperta-lhe o pescoço e o homem dobra as pernas, semi-asfixiado e cai de joelhos. Uma pancada de faca ou canivete no rosto e o sangue escorre, grosso, molhando o dorso nu e as calças. Os vultos, ao seu redor, começam a se tornar ainda mais difusos e ele sente um impacto na face e, certamente, não sente o segundo, à queima-roupa, pouco acima da orelha. Dois tiros de mestre, convergindo para um só ponto do cérebro. O homem estende-se em meio à pequena clareira aberta no matagal e, nos últimos estertores da morte, agarra, com a mão direita, crispada, um tufo de capim. Passava da primeira hora da madrugada de 27 de maio de 1969 e não era chegada, ainda, a terceira hora. Os olhos do homem estavam abertos, como abertos e cheio de espanto estavam os olhos do vigia Sérgio Miranda da Silva, quando o encontrou, estirado no chão, às seis e meia da manhã. Antes das dez, o corpo estava identificado: era do padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, 28 anos de idade, visto com vida, pela última vez, por uma testemunha, quando era obrigado a entrar numa rural verde e branca. No final da tarde, a igreja do Espinheiro, no Recife, estava abarrotada de gente para assistir à missa de corpo presente, celebrada por 40 sacerdotes. Durante toda a noite houve vigília e, no dia seguinte, a pé, por mais de 15 quilômetros, uma multidão de 20 mil pessoas acompanhava o enterro até um cemitério próximo à Cidade Universitária, a mesma região onde aconteceu o crime." Silêncio no cemitério Em 1989, numa entrevista para a emissora de televisão estatal de Pernambuco, Dom Hélder Câmara revelaria que, além de assassinar o Padre Henrique, a ditadura militar também proibiu toda e qualquer manifestação de protesto contra aquela violência: - Quando nós chegávamos ao cemitério, eu recebi um aviso de que, se no cemitério houvesse a menor palavra contra os militares, a palavra de ordem era reagir de vez. Aí, quando terminou o enterro, eu disse: meus irmãos, tudo o que nós poderíamos fazer aqui na terra pelo nosso irmão Padre Henrique, nós já fizemos. Vamos rezar mais um Pai Nosso e, depois, vamos fazer uma experiência que nunca foi feita aqui em nossa terra: vamos oferecer a homenagem do silêncio, vamos sair do cemitério sem uma palavra, silêncio profundo!... Nunca eu ouvi um silêncio tão impressionante. Era um silêncio que gritava. O Padre Henrique por Dona Isaíras Antonio Henrique Pereira Neto nasceu no Recife, a 28 de outubro de 1940, filho de José Henrique Pereira da Silva Neto e Isaíras Pereira da Silva. Era sociólogo e professor. No depoimento a seguir, prestado ao Grupo Tortura Nunca Mais, que organizou o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos na Ditadura Militar de 1964,Dona Isaíras fala um pouco do filho: "Padre Henrique era o meu filho primogênito, muito alegre e brincalhão. Escolheu sua missão de sacerdote aos 16 anos e tomou várias iniciativas na profissão escolhida: não cobrava para fazer batizados, celebrar casamentos, porque, dizia ele, "a palavra de Deus não tem preço". Tinha muitos amigos, era professor de três colégios e com o salário ajudava as pessoas realmente carentes. Não gostava de conflitos, nem de ver pessoas sofrendo. Por isso, quando balearam, por questões políticas, o estudante Cândido Pinto, Henrique procurou os grupos de estudantes que planejavam violências e sugeriu-lhes que pedissem ajuda aos governantes. Começaram daí os telefonemas ameaçadores que se identificavam como CCC (Comando de Caça aos Comunistas); mas Henrique dizia que aquilo não passava de piadas, porque "se eles tocassem num fio de cabelo de um padre, o mundo os derrubaria". E as ameaças foram aumentando (...), até metralharam a sala onde ele trabalhava no Giriquiti, gritando, segundo testemunhas, "Viva o CCC!" Mas Henrique não temia (...) até que no dia 26 de maio de 1969, após uma reunião com famílias amigas, quando Henrique voltava para seu lar, uma rural verde e branca com policiais armados levaram-no do Parnamirim até a Cidade Universitária e depois de várias horas de torturas (das 10 às 4 da madrugada), segundo um morador de um barraco de tábuas, mandaram ele se ajoelhar e dispararam, à queima-roupa, três tiros na cabeça do padre indefeso. Para que não fosse identificado, tiraram-lhe os documentos e iam enterrá-lo como "cadáver desconhecido". Porém, um rapaz desconhecido passou e disse: "Não é um desconhecido. É o padre Henrique". Prenderam o rapaz, mas muita gente que havia escutado o comentário espalhou a notícia e não dava mais para esconder. Padre Henrique, depois de passar pelo IML, foi levado para a Igreja do Espinheiro, onde foi velado por milhares de pessoas. No dia seguinte, foi levado em passeata até o Cemitério da Várzea, onde, no percurso, muitas pessoas foram presas como comunistas. Ao chegarmos em casa, após o sepultamento, levaram preso o meu marido José Henrique, para que ele identificasse num álbum de fotografias os comunistas que freqüentavam a nossa casa (...) e, como ele dizia que não sabia, foi também torturado e, às 11 da noite, quando chegou em casa, estava vomitando sangue e não conseguiu recuperar-se: depois de várias hemorragias, também faleceu. E eu, continuei perseguida (...) até que, com a prescrição do crime, cessaram as ameaças". Os supostos matadores e mandantes Sob o título Sepultamento do Insepulto, o Blog Metropolitano - O Lado Positivo da Notícia, do jornalista Ernesto Neves e dos empresários Fábio Lira e Nellyann Carneiro, veiculou o seguinte texto sobre os autores do assassinato do Padre Henrique: "O Padre Henrique Pereira da Silva, trucidado em novembro de 1969 e cujo cadáver foi abandonado no Campus da UFPE, nunca teve os seus assassinos revelados e ninguém foi responsabilizado pelo ato. Apesar de seu cadáver ter sido sepultado, por conta disso, simbolicamente, continuava insepulto. Ontem, durante as discussões sobre o Centenário de Nascimento de Dom Hélder Câmara, o editor do Blog Metropolitano, jornalista Ernesto Neves, narrou as informações de domínio da imprensa nacional e que, até hoje, nunca foram esclarecidas. Logo após a morte do então secretário do Arcebispo de Olinda e Recife, que trabalhava na recuperação de dependentes químicos, surgiu a informação que sua morte significava a morte simbólica de Dom Hélder, uma forma de fazê-lo recuar das denúncias que fazia nos principais fóruns de todo o mundo. A informação dava conta de que a decisão de executar o Padre Henrique nasceu no DOI/CODI e concretizada pelo DOPS da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, que tinha como coordenador o delegado Moacir Salles, sobrinho de Apolônio Salles, fundador da Chesf. A ordem foi dada aos policiais Rivel Rocha, Henrique Pereira Silva, conhecido por X9, e Rogério Matos do Nascimento, que serviu como isca para atrair o Padre Henrique, o fazendo entrar numa rural verde e branca e só reaparecendo morto no Campus da UFPE. Nenhum dos supostos matadores ou mandantes sofreu qualquer punição. A poetisa Isaíras Pereira da Silva, mãe do sacerdote morto, faleceu sem ver a punição dos culpados. O crime prescreveu e os criminosos se beneficiaram pela omissão da polícia e da justiça. A revelação dos supostos responsável pelo menos sepulta o cadáver do insepulto Padre Henrique". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110110/78211cea/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 6872 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110110/78211cea/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13117 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110110/78211cea/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7542 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110110/78211cea/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9463 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110110/78211cea/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 11 19:40:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 11 Jan 2011 19:40:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__Jo=E3o_Leonardo_da_Silva_Rocha_=28193?= =?iso-8859-1?q?9_-_1975=29_-_IV-?= Message-ID: <12D483ED2AFC4C66976D0700A0B0EF1A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem João Leonardo da Silva Rocha (1939 - 1975) João Leonardo da Silva Rocha era filho de Maria Nathália da Silva Rocha e Mário Rocha. Nasceu a 04 de agosto de 1939, na cidade de Salvador, Bahia. Perteceu à organização política denominada Movimento de Libertação Popular (Molipo), da qual foi dirigente, e seu nome integra hoje a lista de desaparecidos políticos brasileiro anexa à lei nº 9.140/95 que reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas no período de 02 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979. Na foto, 13 dos 15 presos políticos libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick, que foi solto em 07/09/1969. João Leonardo é o primeiro abaixado, de branco, escondendo as algemas com o casaco. João Leonardo fez o curso primário em Amargosa, Bahia, onde morava com seus pais. Estudou o primeiro ano do curso secundário no Colégio dos Irmãos Maristas, em Salvador, ingressando, a 29/02/1952, no Seminário Católico de Aracaju, onde permaneceu até 1957. Em 1959, aprovado em concurso público, tornou-se funcionário do Banco do Brasil em Alagoinhas (BA), cidade em que seus pais passaram a residir. Naquele mesmo ano começou ensinar Português e Latim no Colégio Santíssimo Sacramento e Escola Normal e Ginásio de Alagoinhas. No início de 1962, João Leonardo da Silva Rocha muda-se para São Paulo, ainda como funcionário do Banco do Brasil, onde também passou a ensinar Latim e Português em colégios da região do ABC paulista. Era considerado excelente poeta e contista. Ingressou, logo depois, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP, época em que passou participar da militância política. Foi diretor da Casa do Estudante, localizada na Av. São João, que abrigava alunos de sua Faculdade. Vem de uma testemunha inesperada - o filósofo e articulista Olavo de Carvalho - o depoimento de que, nessa época da Casa do Estudante, João Leonardo realizou excelentes duetos musicais com Arno Pires, que foi morto em fevereiro de 1972 e também pertencia ao Molipo. João Leonardo cursava o último ano de Direito e já integrava a ALN (Agrupamento Comunista de São Paulo) quando foi preso pelo DOPS, no final de janeiro de 1969, no fluxo de prisões de militantes da VPR que mantinham contato com a organização de Marighella. O mesmo Olavo de Carvalho já escreveu mencionando as brutais torturas a que foi submetido o seu amigo daquela época. Os órgãos de segurança acusavam João Leonardo de participar do Grupo Tático Armado dessa organização guerrilheira, tendo participado a 10/08/1968 do rumoroso assalto a um trem pagador na Ferrovia Santos/Jundiaí, bem como de outras operações armadas. Foi, inclusive, indiciado no inquérito policial que apurou a execução do oficial do Exército norte-americano Charles Chandler, a 12/10/1968, embora não seja apontado como participante direto do comando que realizou a ação. Em setembro de 1969, com o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, João Leonardo foi um dos 15 presos políticos libertados e enviados ao México, oficialmente banidos do País. Transferiu-se para Cuba e recebeu treinamento militar naquele País, onde se alinhou com o grupo dissidente da ALN que gerou o Molipo. Retornou ao Brasil em 1971, se estabelecendo numa pequena localidade rural de Pernambuco, São Vicente, que era Distrito de Itapetim, sertão do Pajeú, quase divisa com a Paraíba. Raspou totalmente a cabeça e era conhecido como Zé Careca. Tornou-se lavrador, tendo adquirido um pequeno sítio onde trabalhava. Gostava muito de caçar e era exímio atirador. Era muito querido na região e, como tinha habilidades artesanais, fazia brinquedos com que presenteava as crianças. Chegada dos ex-presos políticos ao México, em 1969. No detalhe, Flávio Tavares (carregando objetos), o grande Gregório Bezerra (cabelos brancos), e - segurando uma caixa - , João Leonardo da Silva Rocha Foi um dos poucos sobreviventes entre os militantes que tentaram construir bases rurais do Molipo, entre 1971 e 1972, tanto no Oeste da Bahia quanto no Norte de Goiás, território atual do Tocantins. Quando pressentiu que podia ser identificado na região de São Vicente, mudou-se para o interior da Bahia, onde terminaria sendo localizado e morto em junho de 1975, ano em que o Molipo e ALN já não existiam mais e João Leonardo buscava sobreviver e trabalhar. Num choque com agentes policiais que, ainda hoje, é recoberto por densa camada de mistério e informações desencontradas, foi executado por agentes da Polícia Militar da Bahia em Palmas de Monte Alto, município entre Malhada e Guanambi, no Sertão Baiano, margem direita do Rio São Francisco, divisa entre Bahia e Minas. Seu caso foi o último episódio a confirmar a existência de uma verdadeira sentença de pena de morte extra-judicial, decretada pelos órgãos de segurança para todos os banidos que retornassem ao Brasil com a intenção de retomar a luta contra a Regime. (Texto do livro "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964"). O Molipo O Movimento de Libertação Popular (Molipo) foi um dos grupos que deflagraram a guerrilha urbana no Brasil entre 1968 e 1973. Surgiu em 1971 como uma dissidência da Ação Libertadora Nacional (ALN) que, por sua vez, teve origem no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e era comandada por Carlos Marighella, antigo dirigente do Partidão. Dissidência armada do PCB, a ALN surgiu em 1967. O Molipo tinha contingente reduzido e, segundo o livro Brasil Nunca Mais, "foi extinto com a execução sumária ou sob torturas da maioria dos seus membros, entre os quais se destacaram líderes estudantis paulistas como Antônio Benetazzo, José Roberto Arantes de Almeida e Jeová Assis Gomes". José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do Governo Lula e ex-presidente do PT foi um dos seus integrantes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110111/928bf651/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 6872 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110111/928bf651/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24350 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110111/928bf651/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22301 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110111/928bf651/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 11 19:40:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 11 Jan 2011 19:40:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O LEGADO DE DOM HELDER CAMARA por FREI BETTO Message-ID: <9C2495593CA146CDBA1A98909B24C3BE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O LEGADO DE DOM HELDER CAMARA Frei Betto é escritor, autor do romance "Um homem chamado Jesus" (Rocco), entre outros livros. Twitter:@freibetto O arcebispo Dom Helder Camara (1909-1999) é figura singular na história da Igreja Católica no Brasil. Diminuto, magérrimo, poucos o superavam em oratória: adornava as ideias com gestos efusivos e um senso de humor incomum ao se tratar de bispos. Por onde andasse, lotava auditórios: Paris, Nova York, Roma... Entre os anos de 1960-80, apenas dois brasileiros gozavam de ampla popularidade no exterior: Pelé e Dom Helder. Tamanho o carisma dele que, em 1971, em Paris, convidado a falar num salão capaz de comportar 2 mil pessoas, tiveram que transferi-lo para o Palácio de Esportes, que abriga 12 mil. Hábitos simples Conheci-o em 1962, ao chegar ao Rio, vindo de Minas, para integrar a direção nacional da JEC (Juventude Estudantil Católica). Dom Helder era bispo-auxiliar da arquidiocese carioca e responsável pela Ação Católica. Vivia de seu salário como assessor técnico (aprovado em concurso público) do Ministério da Educação, morava modestamente, almoçava em botequim - ou melhor, beliscava, pois a vida toda comeu como passarinho - e subia as favelas como quem se sente em casa, sempre trajando batina, hábito mantido por toda a vida, mesmo quando o Concílio Vaticano II (1962-1965) permitiu aos clérigos saírem à rua em trajes civis. Desde seus tempos de seminarista em Fortaleza - nascera em Messejana, hoje bairro da capital cearense - Dom Helder cultivava hábitos incomuns: deitava-se por volta das dez ou onze da noite, levantava-se às duas da madrugada, trocava a cama por uma cadeira de balanço, na qual orava, meditava, lia e escrevia cartas e poemas. Todos os seus livros foram concebidos naquele momento de "vigília", como dizia. Às quatro retornava ao leito, dormia por mais uma hora para, em seguida, celebrar missa e iniciar seu dia de trabalho. Com frequência Dom Helder visitava a "república" das Laranjeiras, onde se amontoavam os estudantes dirigentes da JEC e da JUC (Juventude Universitária Católica). Betinho (Herbert Jose de Souza) e José Serra, líderes estudantis, encontravam ali hospedagem garantida ao vir de Minas ou São Paulo. Era Dom Helder quem nos assegurava, graças a seus relacionamentos em todas as camadas sociais, passagens aéreas pelo Brasil, bolsas de estudos, e até alimentação. Na época, o governo dos EUA, preocupado com a ameaça comunista na América Latina (sobretudo após a vitória da Revolução Cubana), lançara a campanha "Aliança para o Progresso", que consistia, basicamente, em remeter alimentos às famílias miseráveis. Para socorrer-nos da penúria na "república", Dom Helder, responsável pela distribuição dos donativos, nos enviava caixas de papelão contendo o que denominávamos "leite da Jaqueline" e "queijo do Kennedy". Como os produtos ficavam meses no porto, sujeitos ao calor carioca, vários de nós tivemos problemas de saúde por ingeri-los. Senso de oportunidade O maior sonho de Dom Helder era a erradicação da miséria no mundo. Sonhava com o ano 2000 sem fome. Ainda no Rio, criou o Banco da Providência e a Cruzada São Sebastião, no intuito de pôr fim às favelas. Graças a doações, edificou no Leblon um conjunto de prédios, para cujos apartamentos transferiu famílias de uma favela próxima. Não deu certo. Sem recursos para pagar os impostos (luz, água, telefone...), os moradores passaram a sublocar os domicílios e a obter renda graças à venda de torneiras, pias e outras peças do imóvel. Para angariar recursos a suas obras, Dom Helder não titubeava em comparecer a programas de auditório de grande audiência televisiva. Certa ocasião, foi convidado por um apresentador para sortear prendas expostas no palco e vistas por todos, exceto pela pessoa trancada numa cabine opaca. Calhou de ser um desempregado. "Seu Joaquim, o senhor troca isto por aquilo?" E sem nomear o objeto, Dom Helder apontava um liquidificador e, em seguida, um carro. Seu Joaquim respondia "sim" e toda a platéia vibrava. Em seguida, Dom Helder indagou se trocava o carro por um abridor de latas. O homem topou. E não mais arredou pé, cismou que escolhera a melhor prenda. Ao sair da cabine, recebeu dos patrocinadores, decepcionado, o abridor. E Dom Helder mereceu um polpudo cheque. O arcebispo não teve dúvidas: "Seu Joaquim, o senhor troca este cheque pelo abridor?" No dia seguinte, no Palácio São Joaquim, onde funcionava a cúria do Rio, criticamos Dom Helder por ter aberto mão de um recurso que poderia reforçar suas obras sociais. Ele justificou-se: "Perdi o cheque, ganhei em publicidade. Esperem para ver quanto dinheiro vou angariar." Visão empreendedora Homem carismático, dotado de forte espírito gregário, era difícil alguém - incluído quem o criticava - não se deixar envolver pela energia que dele emanava no contato pessoal. JK quis que se candidatasse a prefeito do Rio. Dom Helder jamais aceitou meter-se em política partidária; bastava-lhe, como lição, o erro de juventude, quando demonstrou simpatia pelos integralistas. Por sua iniciativa, foram fundados, em 1955, o CELAM - Conselho Episcopal Latino-Americano -, que congrega e representa os bispos do nosso Continente, e a CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pólo articulador dos prelados de nosso país, do qual ele foi o primeiro secretário-geral. Bispo vermelho Numa época em que não havia Igreja progressista nem Teologia da Libertação, Dom Helder, graças à sua sensibilidade social e sua opção pelos pobres, era tido por comunista, difamação acentuada após a implantação da ditadura militar no Brasil, em 1964. Costumava comentar: "Se defendo os pobres, me chamam de cristão; se denuncio as causas da pobreza, me acusam de comunista". Nomeado arcebispo de São Luís (MA) no mesmo mês do golpe, antes de tomar posse o papa Paulo VI o transferiu para Olinda e Recife, onde permaneceu até morrer. Em 1972 o nome de Dom Helder despontou como forte candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Há fortes indícios de que não foi laureado por duas razões: primeiro, pressão do governo Médici. A ditadura se veria fortemente abalada em sua imagem exterior caso ele fosse premiado. Mesmo dentro do Brasil Dom Helder era considerado persona non grata. Censurado, nada do que o "arcebispo vermelho" falava era reproduzido ou noticiado pela mídia de nosso país. A outra razão: ciúmes da Cúria Romana. Esta considerava uma indelicadeza, por parte da comissão norueguesa do Nobel da Paz, conceder a um bispo do Terceiro Mundo um prêmio que deveria, primeiro, ser dado ao papa... No Recife, Dom Helder lançou a Operação Esperança: promoveu reforma agrária nas terras da arquidiocese; passou a visitar favelas, mocambos e bairros pobres; estreitou laços com artistas, universitários e intelectuais. Graças ao seu poder de articulação e carisma profético, em 1973 bispos e superiores religiosos do Nordeste fizeram ecoar a primeira denúncia cabal à ditadura feita por católicos: o manifesto "Ouvi os clamores de meu povo". O documento, recolhido pela repressão, foi divulgado através de edições clandestinas mimeografadas. Homem de fé Um dia, o governo militar, preocupado com a segurança do arcebispo de Olinda e Recife, temendo que algo acontecesse a ele - um atentado ou "acidente" - e a culpa recaísse sobre o Planalto, enviou delegados da Polícia Federal para lhe oferecer um mínimo de proteção. Disseram-lhe: "Dom Helder, o governo teme que algum maluco o ameace e a culpa recaia sobre o regime militar. Estamos aqui para lhe oferecer segurança". Dom Helder reagiu: "Não preciso de vocês, já tenho quem cuide de minha segurança". "Mas, Dom Helder, o senhor não pode ter um esquema privado. Todos que dispõem de serviço de segurança precisam registrá-lo na Polícia Federal. Esta equipe precisa ser de nosso conhecimento, inclusive devido ao porte de armas. O senhor precisa nos dizer quem são as pessoas que cuidam da sua segurança." Dom Helder retrucou: "Podem anotar os nomes: são três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo." Dom Helder morava numa casa modesta ao lado da igreja das Fronteiras, no Recife. Frequentemente, as pessoas que tocavam a campainha eram atendidas pelo próprio arcebispo. Certa noite, a polícia fez batida numa favela da capital pernambucana, em busca do chefe do tráfico de drogas. Confundiu um operário com o homem procurado. Levou-o para a delegacia e passou a torturá-lo. Pela lógica policial, se o preso apanha e não fala é porque é importante, treinado para guardar segredos. Vizinhos e a família, desesperados, ficaram em volta da delegacia ouvindo os gritos do homem. Até que alguém sugeriu à esposa do operário recorrer a Dom Helder. A mulher bateu na igreja das Fronteiras: "Dom Helder, pelo amor de Deus, vem comigo, lá na delegacia do bairro estão matando meu marido a pancadas." O prelado a acompanhou. Ao chegar lá, o delegado ficou assustadíssimo: "Eminência, a que devo a honra de sua visita a esta hora da noite?" Dom Helder explicou: "Doutor, vim aqui porque há um equívoco. Os senhores prenderam meu irmão por engano." "Seu irmão?!" "É, fulano de tal - deu o nome - é meu irmão". "Mas, Dom Helder - reagiu o delegado perplexo -, o senhor me desculpe, mas como podia adivinhar que é seu irmão. Os senhores são tão diferentes!" Dom Helder se aproximou do ouvido do policial e sussurrou: "É que somos irmãos só por parte de Pai". "Ah, entendi, entendi." E liberou o homem. De fato, irmãos no mesmo Pai. Perseguições e direitos humanos Durante o regime militar, Dom Helder moveu intensa campanha no exterior de denúncia de violações dos direitos humanos. O governador de São Paulo, Abreu Sodré, tentou criminalizá-lo. Alegava ter provas de que Dom Helder era financiado por Cuba e Moscou. Alguns bispos ficavam sem saber como agir, como foi o caso do cardeal de São Paulo, Dom Agnelo Rossi, amigo do governador e de Dom Helder. Não foi capaz de tomar uma posição firme na contenda. Mais tarde a denúncia caiu no vazio, não havia provas, apenas recortes de jornais. Incomodava ao governo ver desmoralizada, pelo discurso de Dom Helder, a imagem que ele queria projetar do Brasil no exterior, negando torturas e assassinatos. Dom Helder ressaltava que, se o governo brasileiro quisesse provar que ele mentia, então abrisse as portas do país para que comissões internacionais de direitos humanos viessem investigar, como havia feito a ditadura da Grécia. Se hoje, na Igreja, se fala de direitos humanos, especificamente na Igreja do Brasil, que tem uma pauta exemplar de defesa desses direitos, apesar de todas as contradições, isso se deve ao trabalho de Dom Helder. Nenhum episcopado do mundo tem agenda semelhante à da CNBB na defesa dos direitos humanos. A começar pelos temas anuais da Campanha da Fraternidade: idoso, deficiente, criança, índio, vida, segurança etc. Neste ano de 2010, economia. Isso é realmente um marco, algo já sedimentado. Também as Semanas Sociais, que as dioceses, todos os anos, promovem pelo Brasil afora, favorecem a articulação entre fé e política, sem ceder ao fundamentalismo. A Igreja Católica e o Brasil devem muito a Dom Helder Câmara, que desclandestinizou a pobreza existente em nosso país e induziu poder público e cristãos a encarar com seriedade os direitos dos pobres à vida digna e feliz. O profeta nascido em Messejana foi, sim, um autêntico discípulo de Jesus Cristo. Fonte: http://www.freibetto.org/index.php/artigos/78-o-legado-de-dom-helder-camara -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110111/3c93206d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13229 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110111/3c93206d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 12 19:28:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 12 Jan 2011 19:28:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_Isis_Dias_de_Oliveira______-V-?= Message-ID: <1AB10DD42CBF413185AD83AC1CBD23CD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Isis Dias de Oliveira (1941-1972) Direito à verdade e à memória: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. 2007 Dados pessoais Número do processo 104/96 Filiação Felícia Mardini de Oliveira e Edmundo Dias de Oliveira Data e Local de nascimento 29/08/1941, São Paulo (SP) Organização política ou atividade ALN Datal e local do desaparecimento 30/01/1972, no Rio de Janeiro Data da publicação no DOU Lei nº 9.140/95 - 04/12/95 Militantes [Ísis Dias de Oliveira e Paulo César Botelho Massa] da ALN que residiam na mesma casa no Rio de Janeiro, Ísis e Paulo César foram presos no dia 30/01/1972, pelo DOI-CODI/RJ. Seus nomes integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Ísis nasceu e cresceu em São Paulo, iniciando os estudos no Grupo Estadual Pereira Barreto. Fez o ginasial no Colégio Estadual Presidente Roosevelt e o curso clássico no Colégio Santa Marcelina. Estudou piano e fez curso de pintura e escultura na Fundação Álvares Penteado. Falava inglês, que estudou na União Cultural Brasil-Estados Unidos, dominando também o francês e o espanhol. Trabalhou como secretária bilíngüe na Swift. Em 1965, iniciou o curso de Ciências Sociais na USP e passou a morar no CRUSP - o conjunto residencial da Universidade. Trabalhou no Cursinho do Grêmio da Faculdade de Filosofia e se casou, em 1967, com José Luiz Del Royo, também integrante da ALN na fase de sua fundação, e que foi eleito em 2006 senador na Itália. Isis freqüentou o curso de Ciências Sociais até o 3º ano e, segundo informações dos órgãos de segurança, esteve em Cuba participando de treinamento de guerrilha em 1969. Já separada de Del Royo, retornou clandestinamente ao Brasil e se estabeleceu no Rio de Janeiro a partir de meados de 1970. No dia 4 de fevereiro, Aurora Maria Nascimento Furtado, colega da USP e militante da ALN, que também seria morta sob torturas dez meses depois telefonou a Edmundo, pai de Ísis, avisando da prisão da amiga. "Ela corre perigo, tratem de localizá-la", disse-lhes. E foi o que tentaram com persistência: impetraram cinco habeas-corpus através da advogada Eny Raimundo Moreira, todos negados. Foram a todas as unidades do Exército, Marinha e Aeronáutica do Rio de Janeiro e São Paulo onde imaginassem poder ter notícias de Ísis. Vasculharam os arquivos dos cemitérios do Rio de Janeiro, Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Nova Iguaçu, São Gonçalo. Sem falar das muitas cartas escritas com a letra miúda da mãe ao presidente da República, às autoridades civis e religiosas. Dezenas de pastas guardam os documentos da família na busca por Ísis. Trechos do depoimento de Felícia, que com mais de 90 anos ainda espera alguma notícia sobre o que aconteceu com a filha, retrata a luta dos familiares: (.) Nós chegamos à triste conclusão que todas essas séries de desinformações serviam a um objetivo específico, que era de confundir-nos e fazer-nos reaver, a cada sinal, uma esperança. Cartas: foram escritas muitas. Eu as escrevia, com sacrifício, para poupar meu marido que havia sofrido um grave enfarte do miocárdio. Com o passar do tempo, fui vendo que os destinatários eram os mesmos, a quem as outras famílias de desaparecidos escreviam: Presidente da República, Ministros das três armas, Comandante do I e do II Exércitos, OAB, OEA, ONU, Anistia Internacional, Arcebispos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foram tantas as cartas e inúteis que não gosto de lembrar. Só não esquecerei uma em especial, pelo trabalho e pela satisfação que me deu. Nós, familiares dos presos políticos desaparecidos, pedíamos informações ao Governo, sobre o destino dos nossos parentes. Quando o Ministro da Justiça, através do líder José Bonifácio, vem de público enumerar uma série de delitos praticados por eles. Eu não me conformei com aquelas informações. Achei que era o fim de tudo. Nós queríamos saber o paradeiro deles e não o que eles haviam praticado. Escrevi uma carta de contestação. Mas, como publicar minha carta? A censura não respeitava nem o malote dos deputados. Não tive dúvidas. Fui pelo caminho mais longo, mas o que me pareceu seguro. Viajei 20 horas até Brasília para entregar minha carta ao deputado Lisâneas Maciel. O deputado Lysâneas não se encontrava em Brasília, entreguei então a minha carta em mãos do deputado Fernando Lira. Mais 20 horas de volta. No meio do caminho, em uma parada de ônibus, comprei um jornal 'O Estado de São Paulo'. Lá estava a minha carta publicada. Valeu-me uma grande satisfação no momento. Mas foi só. Porque até hoje estou esperando saber o que eles fizeram com minha filha Ísis (.). Oficiosamente, Felícia e Edmundo souberam que Ísis esteve nos DOI-CODI do Rio de Janeiro e de São Paulo, que em março esteve hospitalizada com uma crise renal, que passou pela base aérea de Cumbica, pelo Cenimar e pelo Campo dos Afonsos. No dia 13/4/1972, a assistente social Maria do Carmo de Oliveira, lotada no Hospital da Marinha, no Rio, informou-lhe que Ísis estava presa na Ilha das Flores. Felícia estava acompanhada de Sônia, sua sobrinha. No dia seguinte, Maria do Carmo, Felícia e Sônia foram intimadas a comparecer ao I Exército, onde um coronel as recebeu com a notícia de que tudo não passava de um lamentável engano. Em matéria do jornal Folha de S. Paulo, em 28/1/1979, um general de destacada posição dentro dos órgãos de repressão confirmou a morte de Ísis e Paulo César, dentre outros 10 desaparecidos. No Arquivo do DOPS/PR, em uma gaveta com a identificação: "falecidos" foi encontrada a ficha de Ísis. A única prova concreta obtida em todos esses anos de busca foi dada pelo ex-médico Amílcar Lobo, que servia ao DOI-CODI/RJ e que reconheceu a foto de Ísis dentre os presos que lá atendeu, sem precisar a data, numa entrevista publicada pela IstoÉ de 8/4/1987. Os órgãos de segurança do regime militar acusavam a ambos de participação em ações armadas, inclusive do assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, já mencionado na apresentação do caso anterior, que resultou na morte de três vigilantes de segurança. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110112/7b7db2e6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110112/7b7db2e6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 12 19:28:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 12 Jan 2011 19:28:33 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Estados_Unidos_queimam_1=2C5_tri?= =?iso-8859-1?q?lh=E3o_de_d=F3lares_com_com_sua_m=E1quina_de_guerra?= =?iso-8859-1?q?=2E?= Message-ID: <5C96E2E8DE5E49FFB3290F36473ACE0C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Estados Unidos queimam 1,5 trilhão de dólares com sua máquina de guerra. Obama gasta mais do que Bush Lá, não tem esse negócio de democrata ou republicano. Obama, que subiu ao poder representando a esperança de milhões de cidadãos do mundo, "propôs um orçamento militar 6% maior do que Bush havia feito em seu último ano de governo". Os Estados Unidos são os Senhores da Guerra Tem gente que diz que os EUA estão perdendo a guerra do Iraque. Depende do ponto de vista. A guerra já custou US$ 1 trilhão (noves fora centenas de milhares de vidas), grande parte alimentando a indústria bélica americana, os barões do petróleo e os empreiteiros. Eles declaram uma guerra e a indústria começa a trabalhar, fabricando bombas, armas dos mais diversos tipos, carros de combate, aviões, helicópteros, uniformes. Bombardeiam e detonam o país, que fica a reduzido a escombros. Em seguida vendem equipamentos militares para seus aliados locais se manterem no inferno que criaram e enviam seus empreiteiros para reconstruírem o país que anteriormente destruíram. O mesmo acontece no Afeganistão, para onde enviaram dinheiro, armas e toda a para(in)fernália de guerra - até para os mujahedin, financiando ninguém menos que Bin Laden. Idem na Colômbia, aonde foram teoricamente para acabar com o tráfico de drogas, mas este, simplesmente, aumentou. Junto com os lucros americanos na venda de armas, helicópteros, aviões de combate, expertise, desfolhantes. Eles entram com os equipamentos, a Colômbia com os mortos. O mesmo acontece agora nas guerras da África. São 25 países que vivem na miséria, provocada por guerras fratricidas, onde até crianças são utilizadas nos combates. Pois os americanos, embora condenem a utilização das crianças, embora acusem desrespeito aos direitos humanos etc., aumentaram a venda de armas na região, que saltou de US$ 400 milhões, em 2005, para inacreditáveis US$ 18 bilhões, em 2007. [esta postagem é de abril de 2008] Veja também: » Vídeo: A guerra do Vietnam como você nunca viu » Vídeo: Guerra do Vietnam - Chuva Tóxica, o Agente Laranja » Vídeo: ¡Papi, cómprame un Kalashnikov! » Vídeo: Sargento, em quem estamos atirando? . http://blogdomello.blogspot.com/2011/01/estados-unidos-queimam-15-trilhao-de.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110112/b827afc4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 13 19:21:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 13 Jan 2011 19:21:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___Alexandre_Vannucchi_Leme____-VI-?= Message-ID: <40D196A227564D45B6932206C4F85F71@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Assassinato de Alexandre Vannucchi Leme Gerou protestos da sociedade Revista da Adusp nº34, maio de 2005 Por Marina Gonzalez Em 1973, Alexandre Vannucchi Leme tinha 22 anos e cursava o quarto ano de Geologia na USP. Era um ótimo aluno, foi o primeiro colocado no vestibular, participava do movimento estudantil e militava no grupo clandestino Ação Libertadora Nacional (ALN). Na manhã de 16 de março, foi preso por agentes do II Exército, pertencentes ao Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). Até hoje não se sabe ao certo como e onde Alexandre foi capturado, mas o fato é que sobreviveu por pouco mais de 24 horas nas mãos dos torturadores do DOI-Codi. A confirmação de sua morte veio somente uma semana depois, com a publicação de um comunicado policial. A versão oficial sustentava que Alexandre morrera a caminho do hospital, depois de ser atropelado por um caminhão. Ele teria sido conduzido pelos órgãos de segurança até o bairro do Brás, para mostrar onde tinha um "ponto" com um companheiro de grupo, e teria tentado fugir. Note-se que a mesma explicação já havia sido usada para justificar o assassinato de Antonio Benetazzo, preso em 28 de outubro de 1972 e morto dois dias depois. No final da década de 1960, Benetazzo era estudante de Arquitetura, presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia e professor em cursos pré-universitários. Diferentemente de Alexandre, abandonou a USP para se dedicar à luta armada contra o regime militar, e desde 1969 vivia na clandestinidade. A morte de Alexandre, apelidado "Minhoca" pelos colegas, teve repercussão imediata. Outros estudantes também haviam sido presos e era preciso tomar alguma atitude. O Conselho de Centros Acadêmicos declarou luto na USP e os alunos pressionaram por uma intervenção do então reitor Miguel Reale que, num ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado, solicitou informações sobre a morte de Alexandre "aos órgãos competentes". A resposta, porém, conteria as mesmas informações já divulgadas pelos jornais. Também partiu dos estudantes a idéia de convidar dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo, para realizar uma missa em memória do colega assassinado. A celebração na Sé, marcada para o dia 30 de março, transformou-se na primeira grande manifestação pública de oposição à Ditadura desde as manifestações de 1968. Centenas de pessoas que estiveram na missa foram levadas ao DOPS, a maioria libertada em seguida. Panfletos assinados pelo fictício "Movimento dos Estudantes Democráticos", provavelmente obra da repressão política, condenavam o suposto exagero das manifestações, pois o pesar pela perda de Alexandre estaria "se transformando numa crítica acintosa e ilegal ao governo", "o 'Minhoca' (.) por suas ligações com bandos subversivos armados teve um triste fim". Partiu dos estudantes a idéia de convidar dom Paulo Arns para celebrar missa na Sé em memória de Alexandre, em 30 de março de 1973, primeiro grande ato de oposição à Ditadura desde 1968 Até a Divisão de Segurança e Informações (DSI) do Ministério de Minas e Energia, sediada na então Guanabara, via nas repercussões do caso o "recrudescimento de atividades esquerdistas" e a "profundidade do trabalho comunista no meio universitário" do Estado de São Paulo. O Informe 30/008, de 10 de maio de 1973, afirma que esse problema espalha-se não só na capital mas em diversas cidades do interior, e que o clero associou-se às manifestações. De fato, não faltam panfletos de centros acadêmicos do interior e relatos de agentes sobre missas em cidades como Sorocaba (onde moravam os pais de Alexandre), Botucatu, São Joaquim da Barra e Ribeirão Preto, em homenagem ao jovem assassinado. O jornalista Caio Túlio Costa, au tor do livro Cale-se (São Paulo, ed. A Giraffa, 2003), que relata as atividades do movimento estudantil na USP no período compreendido entre a morte de Alexandre e o show de Gilberto Gil na Escola Politécnica em maio de 1973, lembra que o momento da prisão do estudante permanece desconhecido porque não houve testemunhas. As dúvidas sobre as circunstâncias de sua morte são ainda maiores porque não se tem acesso aos arquivos do DOI-Codi, órgão em cujas dependências ele teria sido assassinado: "Faltam-nos os documentos do DOI-Codi e também de outros órgãos como o SNI (Serviço Nacional de Informações) e o Cenimar (Centro de Informações da Marinha)." Costa acredita tratar-se de relatórios e fotografias que poderiam ajudar a elucidar o caso. A documentação encontrada até o momento no acervo do DOPS em poder do Arquivo do Estado refere-se a episódios posteriores à morte de Alexandre, como a ida de José de Oliveira Leme ao DOPS, em busca de notícias do filho, o atestado de óbito, os relatos de missas e os impressos produzidos pelos centros acadêmicos da USP com a finalidade de denunciar o crime praticado pela repressão política. Contudo, os papéis do DOPS ainda podem conter surpresas. Em 2004, o jornalista Mário Magalhães localizou ali laudos, do Instituto Médico-Legal e da Divisão de Identificação Civil e Criminal da Polícia, que confirmaram de modo irrefutável que outro militante da ALN, Virgílio Gomes da Silva, o "Jonas", foi assassinado sob tortura em 1969. Alexandre Vannucchi Leme foi enterrado como indigente. Os restos mortais foram entregues à família em 1983, dez anos após o seu assassinato. Em 1976, os estudantes da USP criaram, em assembléia, o Diretório Central dos Estudantes-Livre Alexandre Vannucchi Leme. "Subversivo tenta fugir mas morre atropelado" Assim o jornal O Globo deu título à notícia da morte de Alexandre Vannucchi Leme, dias após o ocorrido. "Os órgãos de segurança revelaram que o terrorista Alexandre Vannucchi Leme, conhecido como 'Minhoca', morreu atropelado por um caminhão quando tentava fugir ao ser levado por agentes a um encontro com outro terrorista, no cruzamento das ruas Bresser e Celso Garcia". Nada menos do que três pessoas teriam testemunhado o atropelamento, segundo o jornal: "Três testemunhas contaram que presenciaram o acidente em que morreu o motorista". Uma delas, "Alcino Nogueira de Souza, empregado de balcão da Confeitaria Santa Cruz (.), chegou a servir uma cerveja ao terrorista. Viu quando ele olhou para um lado e para o outro, atravessou correndo a rua e foi colhido pelo caminhão". O excesso de nomes e detalhes (inclusive a chapa do suposto caminhão atropelador) é pouco usual em casos de acidentes de trânsito, fazendo supor que a matéria de O Globo foi preparada em estreita colaboração com os órgãos de segurança. O texto afirma também que "com base em informações" de Minhoca foi possível "identificar" outros integrantes da ALN, o que é outra operação típica da repressão: sugerir que a pessoa assassinada delatou companheiros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110113/1744cef3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 64084 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110113/1744cef3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 13 19:21:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 13 Jan 2011 19:21:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_quest=E3o_da_moeda=2E___=22=C9?= =?iso-8859-1?q?_o_ouro=2EO_que_ele_n=E3o_=E9_capaz_de_fazer_e_desf?= =?iso-8859-1?q?azer=3F=22_Shakespeare?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem A questão da moeda Marx definiu o caráter social do dinheiro: uma propriedade impessoal que me permite transportar, no meu bolso, o poder social e as relações sociais gerais: a substância da sociedade. O dinheiro repõe, sob a forma de objeto, o poder social nas mãos dos particulares, que exercem este poder enquanto indivíduos. Ari de Oliveira Zenha "É o ouro. O que ele não é capaz de fazer e desfazer?" Shakespeare No modo de produção capitalista a moeda constitui o elo por excelência que caracteriza a relação entre as pessoas. No interior do capitalismo ela tem uma função importante dentro deste contexto, sendo, segundo Karl Marx, "uma relação social de caráter econômico", pois a moeda faz parte das relações capitalistas de produção. É dentro desse enfoque que se vai pautar a nossa análise sobre a questão da moeda. Ao estudar tal questão é importante e necessário começar esclarecendo que no estudo do modo de produção capitalista a circulação simples toma uma forma importante como ponto de partida que permite construir uma teoria geral da moeda. Devemos inicialmente relacionar o crédito com o modo de produção capitalista, tendo a moeda (ouro, prata) como equivalente geral, um dos aspectos da moeda. Antes de Marx, David Ricardo - economista inglês - começa o estudo da moeda por meio do estudo do ouro como moeda mercadoria, em que seu valor, ouro ou prata, como quantidade do tempo de trabalho objetivado nelas; dessa forma, Ricardo concebe que é por meio dele que são medidos os valores de todas as mercadorias. Mas Marx critica Ricardo, por tratar a moeda como simples mercadoria e não compreende o que distingue uma da outra, pois a dificuldade dos economistas burgueses, inclusive Ricardo, está em não demonstrar que dinheiro é mercadoria, mas sim a partir de que forma e meios o dinheiro pode ser considerado uma mercadoria. A teoria marxista da moeda começa pela determinação da forma de equivalente geral, ou seja, moeda, que se diferencia uma mercadoria diante das outras. Marx, em "O Capital", estabelece os três pontos seguintes sucessivamente analisados por ele: a) medida dos valores; b) meio de circulação; e c) moeda ou o dinheiro. Ele encadeia estes três pontos à aparição da moeda e mais ainda, uma vez que é somente ao final dessas "etapas" que "a existência econômica" da moeda fica finalmente estabelecida com sua natureza de equivalente geral. Na "Contribuição à Crítica da Economia Política", Marx faz a seguinte colocação: "(...) Porque todas as mercadorias medem seus valores de troca pelo ouro, na proporção em que determinada quantidade de ouro e determinada quantidade de mercadoria contêm a mesma quantia de tempo de trabalho, o ouro se torna medida de valor". A transformação de valor em preço é "antes de mais nada o valor na forma de dinheiro". O preço mercantil da moeda como meio de circulação num mercado monetário permite que se realizem compras e vendas, pois é na circulação que a moeda substitui realmente as mercadorias, dando fixação dos preços em toda a sua amplitude. A função da moeda tem como condição a variação do seu valor e também na variação da quantidade que ela circula. Essa quantidade dos meios de circulação é dada pela soma dos valores das mercadorias e da velocidade média de sua circulação. Marx, nesse ponto, diz: "(....) Qualquer pesquisa científica sobre a relação entre quantidade dos meios de circulação e o movimento de preços das mercadorias deve ter como dado o valor do material que constitui o dinheiro". (Contribuição à Crítica da Economia Política). Ricardo tem uma concepção monetária em que a quantidade de moeda é dominante e o nível de preço depende dessa quantidade. Marx realiza uma distinção entre papel-moeda de Estado, moeda medida de valores e moeda meio de circulação, negando, com isso, em sua análise, a exclusividade quantitativista da moeda de papel, em que se baseiam os teóricos burgueses. Outra função apresentada pela moeda é a de instrumento de entesouramento que Marx estabelece como uma interrupção do processo de circulação das mercadorias. "O dinheiro petrifica-se em tesouro, o vendedor de mercadoria em entesourador" (O Capital, volume I). Uma característica do entesouramento da moeda é que ela tem uma função reguladora, pois faz parte das condições de circulação, uma vez que seu valor e sua forma específica, seu papel unificador e regulador não eliminam as características contraditórias inerentes à circulação monetária, pelo contrário, o entesouramento conserva a forma moeda de maneira diferente de todas as outras mercadorias. A procura por dinheiro, liquidez, para entesouramento é restrita devido ao poder infinito do dinheiro por ser conversível em qualquer mercadoria. A moeda não é neutra e não se torna completamente neutralizada, não só devido ao desenvolvimento do crédito como pela política monetária. A moeda em processo de circulação não tem dono, não pertence a ninguém, mas sua própria circulação condiciona, ou melhor, proporciona a formação de tesouros. Portanto, seguindo Marx, a sua acumulação (moeda/ dinheiro) é estéril porque a retirada do dinheiro da circulação (entesourar) impediria totalmente sua expansão como capital, pois Marx separa "poupança" e "entesouramento", enquanto Ricardo pensa que poupar é gastar, desconhecendo o sentido do entesouramento que é acumulação de "riqueza abstrata". Entesourar pode apresentar-se como separação de venda e de compra de mercadoria. A moeda como meio de pagamento desempenha o seu papel no final de uma venda a crédito: para liquidar o crédito o devedor deve vender mercadorias, deixando de reserva o dinheiro obtido que deverá ser pago no prazo combinado. Para respeitar esse prazo o dinheiro entra em circulação como meio de pagamento e Marx diz: "(...) surge como mercadoria absoluta no interior da própria circulação, e não fora dela, como o tesouro". "Só no mercado mundial adquire plenamente o dinheiro o caráter de mercadoria cujo corpo é simultaneamente a encarnação social imediata do trabalho humano abstrato. Sua maneira de existir torna-se adequada a seu conceito" (O Capital - Karl Marx). Diante disso, a função da moeda no mercado mundial desempenha o papel de moeda universal, entretanto Marx diz: "(...) Quanto mais se desenvolve a troca das mercadorias entre as diversas esferas nacionais de circulação mais se desenvolve a função do dinheiro universal como meio de pagamento, destinado a compensar as balanças de pagamento internacionais". (Contribuição à Crítica da Economia Política - Marx). O caráter social do dinheiro é dito claramente por Marx nesta passagem de seu livro "Contribuição à Crítica da Economia Política": "(...) O dinheiro é propriedade impessoal. Ele me permite transportar comigo, no meu bolso, o poder social e as relações sociais gerais: a substância da sociedade. O dinheiro repõe, sob a forma de objeto, o poder social nas mãos dos particulares, que exercem este poder enquanto indivíduos". Essa relação social do dinheiro (moeda) proporciona a existência desses, e o papel do dinheiro é a troca privada entre produtores privados de mercadorias. O Estado, por outro lado, pode emitir papel-moeda de curso forçado, ou seja, ele assume, por meio da coerção pública (leis), um padrão monetário puramente convencional que tem validade geral, ou melhor, nacional, dentro de um espaço territorial delimitado, por isso o Estado tem um poder monetário limitado pelo poder social que a própria moeda lhe dá, não implicando isso poder econômico do Estado de determinar o valor da moeda. Este poder - do Estado - é real, mas depende das leis contidas na circulação monetária. A questão da moeda de crédito é analisada por Marx, que as separa entre "sistema monetário" e o "sistema de crédito". Ele faz a seguinte observação: "(...) O dinheiro de crédito decorre diretamente da função do dinheiro como meio de pagamento, circulando certificados das dívidas relativas às mercadorias vendidas, com o fim de transferir a outros o direito de exigir o pagamento delas. À medida que se amplia o sistema de crédito, desenvolve-se a função de meio de pagamento exercida pelo dinheiro". (O Capital, livro I. Karl Marx). Outro aspecto essencial é o fato de a reprodução do capital ser afetada pela vinculação entre período de produção e de circulação, pois quanto mais tempo for necessário o segundo em relação ao primeiro tanto mais desequilíbrio; a valorização do capital é afetada, pois não se produz nenhum valor novo no processo de circulação. O tempo da circulação, ou seja, a venda das mercadorias produzidas, retorno do dinheiro e reinvestimento de capital dinheiro é ao mesmo tempo um obstáculo à produção de valor e de mais-valia. Portanto o ditado popular: "Tempo é dinheiro", aqui se coloca, pois quanto menor o tempo necessário em que fica a mercadoria no processo de circulação mais rápido se da à entrada de receitas das vendas. Por isto o capitalista necessita reduzir ao mínimo o tempo de circulação, ou seja, saltar etapas, não depender da entrada das receitas de acordo com as vendas. Dessa forma, Marx indica que "toda a teoria do crédito, na medida em que na historia da circulação monetária, contém o antagonismo entre o tempo de trabalho e o tempo de circulação". Assim o crédito no sistema capitalista mobiliza recursos monetários como forma e meio de acelerar essa reprodução do capital afetando as condições monetárias da circulação, separando moeda e venda de mercadorias e aproximando a moeda, sob nova forma, ao financiamento do capital produtivo. Marx mostra em suas análises a concentração de trabalhadores e a mobilização significativa de capital-dinheiro em que se apóia no crédito, este ligado ao fato que o empresário não mais trabalha para o cliente e sim para o mercado. Além do mais, segundo Marx, na medida em que o crédito permite acelerar e aumentar a concentração do capital numa só mão, ele contribui para encurtar o período de trabalho. Dessa forma, o crédito interligado ao processo de reprodução do capital que alavanca quantias enormes de dinheiro produz uma mudança não só de ordem quantitativa, mas qualitativa de uma parcela de moeda com a formação de um "sistema de crédito". Brunhoff, nesse ponto, fala o seguinte: "(...) O capitalismo é inseparável de uma circulação mercantil que deve assegurar a combinação de circulações de diferentes tipos". Logo, a questão da moeda é complexa e não se esgota nesse ponto, pois ela envolve questões de relevância dentro do pensamento econômico e da realidade político-econômica do mundo capitalista. Ari de Oliveira Zenha é economista. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110113/f7840a2b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110113/f7840a2b/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9281 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110113/f7840a2b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 14 21:26:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 14 Jan 2011 21:26:27 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__Jos=E9_Carlos_da_Matta_Machado__-VII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem José Carlos da Matta Machado José Carlos Novais da Matta Machado Dirigente da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML). Nasceu a 20 de março de 1946 na cidade do Rio de Janeiro, filho de Yedda Novais da Matta Machado e de Edgard Godói da Matta Machado. Texto escrito por Bernardo, irmão de José Carlos, em outubro de 1993, por ocasião dos 20 anos da morte de José Carlos: "José Carlos freqüentou o curso primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, o ginasial no Colégio Estadual de Minas Gerais, onde fez o curso clássico. Durante a adolescência, fundou, junto com amigos do bairro Funcionários, o Youth Clube, grupo de jovens unidos pela convivência em festas, atividades esportivas, namoros e conversas animadas. Em 1964, entrou para o curso de Direito da UFMG, tendo obtido a primeira colocação no vestibular. Em 1966, concluiu o serviço militar obrigatório no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), sendo sua patente de oficial posteriormente cassada pelo Exército. Na Faculdade, foi um dos fundadores do Grupo de Alunos da Turma de 1964 (GAT-64) que exerceu muita influência política entre os estudantes. Sua liderança foi-se consolidando até o ponto de seus colegas brincarem dizendo que José Carlos não era mais o 'filho do professor Edgard', mas o professor é que se tornara 'pai do Zé'. Em 1967, foi eleito presidente do Centro Acadêmico Afonso Pena (CAAP) e vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Nessa época, já integrava os quadros da Ação Popular. Em outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), José Carlos foi preso e condenado a oito meses de reclusão nas celas do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), de Belo Horizonte. Solto, no segundo semestre de 1969, continua na luta, porém clandestinamente. Em 1970 casou-se com sua companheira de AP, Maria Madalena Prata Soares, e morou, por mais de um ano, numa favela de Fortaleza (CE), exercendo o ofício de comerciário. Gilberto Prata Soares, seu cunhado e ex-membro da AP, preso em fevereiro de 1973, concordou em colaborar com o CIEx na identificação dos militantes da AP. A partir de março de 73, com a ajuda do informante, os seus passos e de Madalena foram minuciosamente rastreados pelos órgãos de repressão. Em conseqüência, militantes e simpatizantes começaram a cair como num jogo de dominó. Pressentindo que o cerco se fechava, advogados do escritório de Joaquim Martins da Silva (companheiro de José Carlos na Faculdade de Direito), em São Paulo, fizeram contato com a família. José Carlos e Madalena já haviam confiado aos avós a guarda do filho Dorival, nascido em Goiânia, no dia 19 de fevereiro de 1972. No dia 18 de outubro, atendendo ao apelo vindo de São Paulo, dois cunhados e um amigo da família foram encarregados de buscar José Carlos e conduzi-lo à fazenda de um tio, no interior de Minas Gerais. Madalena se encontraria com eles num sítio próximo a Belo Horizonte. No dia 19 de outubro, em São Paulo, para onde José Carlos tinha ido com o principal objetivo de providenciar cobertura jurídica para os companheiros presos, encontraram-se no escritório de Joaquim Martins da Silva. Ali combinaram novo encontro em um posto de gasolina na saída da cidade. Não percorreram mais do que alguns quilômetros e foram presos por elementos à paisana fortemente armados. Algemados e encapuzados, foram conduzidos provavelmente para o DOI-CODI/SP, onde foram submetidos a interrogatórios durante três dias. No dia 21 foram transferidos, à exceção do José Carlos, para o 12° Regimento de lnfantaria, em Belo Horizonte, onde permaneceram incomunicáveis. Na noite de 22, Madalena e seu filho Eduardo (do primeiro casamento) foram presos no sítio onde se encontravam. Nesse mesmo dia, Gildo Macedo e sua esposa foram presos em Salvador pela Polícia Federal. No dia 31, quarta-feira pela manhã, os representantes da família foram soltos. Na noite do mesmo dia 31, os meios de comunicação transmitiram nota oficial informando sobre a morte de José Carlos e Gildo Macedo Lacerda num tiroteio em Recife. A nota dizia que ambos confessaram, durante interrogatórios, que teriam no dia 28 um encontro com 'um subversivo de codinome Antônio'. Levados para o local, o referido 'Antônio' pressentiu alguma anormalidade e abriu fogo contra seus companheiros. A morte dos dois militantes estava repercutindo nacional e internacionalmente (New York Times de 13 de novembro, Le Monde do dia 14 de novembro e Avvenire D'all Italia e Dal Mondo de 15 de novembro). No dia 7, a denúncia do Prof. Edgard ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana foi lida na Câmara e no Senado pelos líderes da oposição, Deputado Aldo Fagundes e Senador Nelson Carneiro. A repercussão, somada ao esforço dos advogados de Recife, Oswaldo Lima Filho e Mércia Albuquerque, resultou na autorização para a exumação e o traslado do corpo para Belo Horizonte. A condição imposta pelo coronel Cúrcio Neto, comandante militar da 7ª Região, foi a de que não houvesse publicidade. Até mesmo o aviso fúnebre foi proibido. A Dra. Mércia acompanhou a exumação, realizada no dia 10 de novembro. José Carlos, assim como Gildo, foram enterrados como indigentes num caixão de madeira sem tampa e com fundo de taliscas. No dia 15 de novembro, após ordens e contra-ordens, o corpo de José Carlos foi finalmente liberado e chegou a Belo Horizonte às 13:15 h, em caixão lacrado. Às 14:30 h foi sepultado no cemitério Parque da Colina. Embora, já no dia 9 de novembro de 73 tenha sido protocolada uma representação junto à Procuradoria Geral da Justiça Militar requerendo a instauração de um Inquérito Policial Militar, até hoje não foram tomadas providências para apurar os fatos que cercaram a morte de José Carlos. Não se sabe qual a autoridade responsável por sua prisão em São Paulo, nem se conhecem as circunstâncias de sua transferência para Recife. Sua morte, na madrugada do dia 28, foi testemunhada pela estudante Fernanda Gomes de Matos e Melânia Almeida Carvalho, que estavam presas no DOI-CODI do Recife. Fernanda reconheceu, imediatamente, quando Mata Machado chegou no dia 27 de outubro de 1973, escoltado por agentes, com uma venda nos olhos. Após várias horas de agonia, pedindo ajuda, porque estava perdendo muito sangue, a voz grave de Mata Machado silenciou." O nome de José Carlos Matta Machado foi dado a uma rua em Belo Horizonte no lugar de sua antiga denominação que era Dan Mitrione, torturador que veio dos Estados Unidos para o Brasil com o objetivo de ensinar "Métodos Modernos de lnterrogatório" aos policiais e militares. Suas cobaias eram mendigos recolhidos nas ruas e seu alvo eram os presos políticos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110114/9878c7a5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 13568 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110114/9878c7a5/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 14 21:26:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 14 Jan 2011 21:26:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__A_SUBORDINA=C3=87=C3=83O_DO_JUDICI?= =?utf-8?b?w4FSSU8gw4AgIk5PVkEgT1JERU0i?= Message-ID: <0E9583B6498A43AB9EF4119EA27C86BD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A SUBORDINAÇÃO DO JUDICIÁRIO À ?NOVA ORDEM? Laerte Braga Ari Parglender é o presidente do STJ ?SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ? em tese e de uma forma simples, uma corte criada pela Constituição de 1988 para desafogar o STF ? SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ?. A esse ficariam afetas apenas as questões que implicassem em dúvidas sobre sua constitucionalidade. O presidente do STJ (é aquele tribunal onde o ministro Medina foi afastado por vender sentenças) nos dias que antecederam o Natal estava num caixa eletrônico na sede da instituição e percebeu que atrás de si havia uma pessoa esperando. Mandou-a fazer sua operação noutro caixa e recebeu a resposta ? educada ? que o outro caixa estava sem funcionar e ele esperaria. Aos berros, ?sabe com quem está falando??. ?Saia daqui imediatamente, você está demitido,? demitiu de fato um estagiário ? estudante de direito ? que ao esperar na fila desagradava sua alteza o magistrado. Um ou outro veículo da mídia privada e podre tocou no assunto, acabou ficando por isso mesmo, todo mundo preocupado com Papai Noel e compras, mas o caráter fascista do presidente do STJ ficou explícito ali. Abuso de autoridade, desrespeito a um funcionário, presunção de ?sou o maior do mundo?, ?aqui sou o dono?. Quando a GLOBO, cumprindo o determinado em Washington, fabricou Collor de Mello para ?abrir os portos?, estava dando seqüência a um projeto de adequar o Brasil aos propósitos norte-americanos (os gestores da Nova Ordem decorrente do fim da União Soviética), dentre os quais, por exemplo, a ALCA ?ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS ? uma espécie de recolonização da América Latina (o que acontece com o México, tem até muro para separar mexicanos do segundo povo eleito, o primeiro é o de Israel). Collor falhou e o período em que Itamar Franco ficou segurando a cadeira até FHC chegar, brincando de ?amo Aracaju?, foi já o recomeço do processo previsto para o governo Collor. Duas das primeiras decisões do governo FHC foram o projeto SIVAM (primeira fraude do seu governo, valeu-lhe uma chantagem que teve que ceder) e a Lei de Patentes, votada pelo Congresso antes mesmo de ser traduzida do inglês. O SIVAM é o SISTEMA DE MONITORAMENTO DA AMAZÔNIA, os franceses ganharam a concorrência, os norte-americanos não aceitaram e tomaram conta do pedaço. FHC era presidente exatamente para facilitar esse tipo de dominação. Em todo o processo de privatizações, de adequação do Brasil, que previa a ALCA em 2005, era necessário moldar o Judiciário para evitar transtornos e obstáculos já que a Constituição e leis complementares e ordinárias poderiam vir a ser pedras no caminho do processo de entrega. Votar matérias de interesse do grupo no Congresso era simples. Bastava comprar a bancada ruralista, a bancada evangélica, distribuir concessões de rádio e tevê, em alguns casos pagar em dinheiro vivo mesmo (como na compra da reeleição), importante é que os dois maiores países da América do Sul, Brasil e Argentina, FHC e Menem, cumprissem a agenda do Consenso de Washington, atrelando ambos aos interesses norte-americanos. Os novos e absolutos senhores do mundo. O Judiciário brasileiro era um obstáculo sério. A maior parte dos juízes de primeira instância, um grande número de desembargadores federais e alguns ministros de cortes supremas, não se deixariam levar pelas malas de dólares que entravam e entram pela porta dos fundos dos gabinetes do padrão Gilmar Mendes. Era necessário domar esse poder, eliminar esse obstáculo. O primeiro passo foi com Nelson Jobim, então ministro da Justiça de FHC e que foi para o STF com a tarefa de acabar com as resistências ao processo de entrega do Brasil. E o fez. Chegou num momento crítico para o governo e as leis que se danassem, a Constituição também, o próprio ministro havia confessado que na redação final da Carta Magna alguns pontos foram acrescentados e outros alterados sem votação, ele Jobim o fez, para facilitar ?os negócios?. O fato é público e notório. Jobim gosta de se gabar disso. De quebra arrumou um bom cargo para a companheira. Liquidado o Brasil no neoliberalismo submisso ? pleonasmo ? de FHC, era necessário calçar as cortes supremas com figuras abjetas como Gilmar Mendes, para garantir o que fora feito. E, claro, assegurar a impunidade dos bandidos. Nesse período, oito anos, várias decisões de natureza interna do STF amordaçaram juízes e desembargadores federais que teimavam em respeitar a lei, em cumprir suas funções com dignidade e caráter, uma espécie de AI-5 silencioso, com cumplicidade da mídia, principalmente no que dizia respeito a liminares que pudessem paralisar as operações de venda do País. As mazelas comuns do Judiciário estavam de lado, a prioridade era que o sapatinho de Washington coubesse nos pés dos príncipes do neoliberalismo. Isso foi feito. A coisa chegou a um ponto tal, que na ação dos bancos para que fossem excluídos de responsabilidades perante o Código de Defesa dos Consumidores, Jobim trabalhou feito um louco para que isso acontecesse e os bancos pudessem roubar sem ter que explicar ou responder por isso. Perdeu. Nem todos se chamam Nelson Jobim, Cesar Peluso ou Gilmar Mendes. Foi quando os bancos mudaram de tática. Passaram a convidar juízes, desembargadores, esposas, companheiras e a fornecer acompanhantes se assim o desejassem, em resorts de luxo para discutir temas como juros por exemplo. Tudo pago, boca livre. Muitos foram, outros não. Estou dando um pálido exemplo. O ministro Ari Parglender assinou em visita a Washington e New York um acordo com o Banco Mundial www.anamatra.org.br/downloads/doc318.pdf* onde o servidor do Judiciário é ignorado, como se não existisse e os compromissos do Judiciário brasileiro, pelo menos a corte que preside, passam a ser o de se inserir no processo de uniformização dos interesses dos grupos econômicos multinacionais que operam no País (isso está sendo feito em vários países), mesmo que a Constituição e as leis brasileiras digam o contrário. Induzir o Poder Executivo a cumprir a agenda do Consenso de Washington, eliminar excessos que possam contrariar esses grupos, juízes que se oponham a essa Nova Ordem, transformar a Justiça brasileira num apêndice de um processo de recolonização do Brasil e que se estende a toda a América Latina, mais ou menos aqueles tempos de América Latrina, quando os militares governavam quase toda a região. Se hoje não dispõem de generais como em Honduras (o civil é fachada), dispõem de magistrados nas cortes supremas e juízes que aceitam as bocas livres sem limites que promovem mundo afora. No caso Cesare Battisti querem dar uma demonstração de força, encurralar a presidente Dilma Roussef, mandar a Constituição para o espaço. Exigem, já o fizeram isso durante o governo Lula e Lula não aceitou (Celso Amorim foi visceralmente contra) uma tal lei antiterrorista que, por exemplo, autorizaria a prisão de um cidadão árabe que enviasse algum dinheiro a um parente em seu país de origem, até que provasse que o dinheiro não fora para sustentar organizações ?terroristas?. A maior organização terrorista do mundo é o conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Battisti é só o bode expiatório desse processo de compra do Judiciário brasileiro, através de ministros, desembargadores e juízes corruptos. Há uma luta interna não trazida a público pela mídia dentro desse poder, nem todos os juízes, a maioria, aceitam esse tipo de bandalheira. De submissão, literalmente, de traição. A farsa da gravação telefônica que não houve no gabinete de Gilmar Mendes para justificar os habeas corpus a Daniel Dantas, agente de grupos estrangeiros e afastar o delegado Protógenes Queiroz. Tentar desmoralizar o juiz De Sanctis, o promotor do caso e ao final condenar Protógenes, tudo isso se insere nesse contexto de subordinação e corrupção que permeia esses setores do Judiciário. O acordo com o Banco Mundial tem linhas e entrelinhas e as conversas não reveladas entre o presidente do STJ e autoridades norte-americanas, empresários, entre outras coisas criminalizar o MST para garantir o agronegócio (o veneno do transgênico em nossas mesas todos os dias), enfim, ao lado da mídia privada e podre, controlada por esses interesses, um Judiciário dócil e cúmplice desse processo de recolonização. A aposta dessa gente é que com Dilma será mais fácil. Acreditam que a presidente não terá forças, como tinha Lula, para grandes mobilizações populares impedindo que o Brasil vire BRAZIL. Como perderam as eleições com Serra, partem para esse caminho. *a ANAMATRA é uma associação de magistrados da Justiça do Trabalho e não tem nada a ver com essa bandalheira toda, apenas disponibiliza o documento no endereço citado neste artigo. E há outros documentos, graves o suficiente para que todos esses envolvidos sejam afastados e processados na forma da lei. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110114/b2f2eefc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 15 14:52:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 15 Jan 2011 14:52:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__Aurora_Maria_Nascimento_Furtado_____-?= =?iso-8859-1?q?VIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Aurora Maria Nascimento Furtado (São Paulo, 13 de junho de 1946 - Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972) foi uma militante da Ação Libertadora Nacional. Foi morta pelo regime militar no brasil. São Paulo, 13 de junho de 1946 - Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972 Biografia Era filha de Mauro Albuquerque Furtado e Maria Lady Nascimento Furtado e foi morta aos 26 anos de idade, no Rio de Janeiro. Estudante de psicologia na universidade de São Paulo, era a responsável pela imprensa da união nacional dos estudantes de são Paulo, com ativa militância no movimento estudantil dos anos 1967/68. Foi presa em 9 de novembro de 1972, na Parada de lucas, no Rio de Janeiro, em batida policial realizada por uma patrulha do 2º setor de vigilância norte, após rápido tiroteio ,em que morreu um policial. Após correr alguns metros e se esconder em vários lugares, Aurora foi aprisionada ,viva, dentro de um ônibus onde havia se refugiado antes. Foi torturada desde o momento de sua prisão, inclusive na presença de vários populares que se aglomeravam ao redor da cena. Aurora foi conduzida para invernada de olaria. Lá foi torturada nas mãos dos policiais do DOI/CODI e integrantes do famigerado "esquadrão da morte". Aurora viveu os mais terríveis momentos nas mãos daqueles carrascos, que além dos já tradicionais pau-de-arara, sessão de choques elétricos, somados a espancamentos, afogamentos, queimaduras, aplicaram-lhe a "coroa de cristo", ou "torniquete", que é uma fita de aço, que vai gradativamente sendo apertada, esmagando aos poucos o crânio. No dia 10 de novembro, Aurora morreu em conseqüencia dessas torturas. Seu corpo chegou ao IML/RJ como 'desconhecida' pela guia nº 43 da 26ª D.P. Após prendê-la e torturá-la, jogaram seu corpo crivado de balas na esquina das ruas Adriano com Magalhães Couto, no bairro do méier(RJ). A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança era de que a morte de Aurora seria conseqüencia de uma tentativa de fuga, quando era transportada na rádio-patrulha que a prendera. Ao tentar fugir, teria sido baleada e morta. A necrópsia, feita no IML, em 10 de novembro, foi firmada pelos drs. Elias Freitas e Salim Raphael Balassiano e confirma falsa versão da repressão de morte em tiroteio e assinala "ferimentos penetrantes na cabeça" que dada como a causa mortis. fotos de perícia de local(nº 6507/72) mostram claramente profunda marcas de tortura no corpo de Aurora: percebe-se o aprofundamento do crânio e escoriações nos olhos, no nariz e boca, que não são relatadas na necrópsia. Havia próximo ao corpo um VW DH-4734, marcados de tiros, o que completava a encenação. Em 11 de novembro de 1972, Aurora foi reconhecida no IML/RJ, por seu pai, Mauro Albuquerque Furtado, sendo transladada para São Paulo. O corpo de Aurora foi entregue á família de caixão lacrado, com ordens expressas para que não fosse aberto. Tal ordem não foi acatada pela família que, com auxilio de seus advogados conseguiu novo exame no IML. O corpo de Aurora, além dos inúmeros sinais das torturas sofridas (queimaduras, cortes profundos, hematomas generalizados) apresentava um afundamento no crânio de cerca de 2 cm, proveniente do uso da "coroa de cristo", e causador de sua morte. Aurora Maria Nascimento Furtado (1946-1972), estudava Psicologia na USP e militava na UNE (União Nacional dos Estudantes) e na ALN (Ação Libertadora Nacional). Conforme o livro,"Direito à Memória e à Verdade", "Aurora foi submetida a pau de arara, choques elétricos, espancamentos, afogamentos e queimaduras, além da "coroa de Cristo", fita de aço que vai sendo apertada aos poucos e esmaga o crânio. Morreu no dia seguinte". Seu corpo, porém, foi encontrado no subúrbio do Rio crivado de balas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110115/a1cc4a0b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6467 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110115/a1cc4a0b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 15 14:52:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 15 Jan 2011 14:52:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Livro_acusa_Tuma_de_acobertar_cri?= =?iso-8859-1?q?mes_da_ditadura=2E_Secretaria_de_Direitos_Humanos_l?= =?iso-8859-1?q?an=E7a_=22Habeas_Corpus_-_Que_se_apresente_o_corpo?= =?iso-8859-1?q?=22=2C_sobre_184_casos_de_desaparecidos_pol=EDticos?= Message-ID: <042F7E919A2045B8A26A4B891196C73F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Livro acusa Tuma de acobertar crimes da ditadura Secretaria de Direitos Humanos lança "Habeas Corpus - Que se apresente o corpo", sobre 184 casos de desaparecidos políticos Por: Marina Amaral, jornal Brasil Atual Capa do livro "Habeas Corpus - Que se apresente o corpo" (Foto: Divulgação) São Paulo - Recém-lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), o livro "Habeas Corpus - Que se apresente o corpo", organizado pelo jornalista Carlos Azevedo, traz pistas importantes para desvendar 184 casos de desaparecidos políticos e facilitar a busca dos cadáveres ocultos pela ditadura. Ao desnudar a "operação limpeza" que apagava os vestígios das mortes decorrentes de tortura em órgãos como os DOI/Codi, do Exército, o livro aponta o papel do DOPS e de seu chefe e diretor de 1966 a 1983, o falecido senador Romeu Tuma, na produção de atestados de óbito com nomes falsos, na simulação de "suicídios" e "tiroteios" em inquéritos, na ocultação dos fatos que levaram à morte de dezenas de desaparecidos e no sumiço de seus corpos, prova material do crime. "Desde a entrega dos arquivos do DOPS ao governo de São Paulo, em 1991, sabíamos que Tuma era o agente de ocultação dos corpos da ditadura militar, mas o livro da Secretaria de Direitos Humanos é essencial porque oficializa as acusações e traz novas revelações", diz Suzana Lisboa, do Comitê dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Os familiares dos desaparecidos foram percebendo a importância do papel desempenhado por Tuma durante as longas buscas pelos corpos e pelas histórias dos desaparecidos, como aconteceu com Suzana. Em 1979, ao descobrir a localização da ossada do marido Luiz Eurico Tejera Lisboa, desaparecido em 1972 e enterrado sob o falso nome de Nelson Bueno, ela entrou com um processo para retificar o registro de óbito do marido. Em 1980, o juiz pediu ao DOPS que localizasse cartas endereçadas a Luiz Eurico - com o nome verdadeiro ou "frio" - que haviam sido apreendidas com ele quando foi detido, em setembro de 1972. "Tuma respondeu que não constava nenhum documento em nome de Nelson Bueno nem de Luiz Eurico." Não era verdade. Suzana descobriria, ao ter acesso aos arquivos, papéis do próprio DOPS que informavam a morte de Nelson Bueno. Ele teria se 'suicidado' em uma pensão na Liberdade, em São Paulo, dizia o relatório "Retorno dos exilados", de 1978, documento que se tornaria conhecido como o "listão do Tuma". "Eles fizeram o documento para se preparar para a anistia e junto aos nomes dos alvos da ditadura havia anotações dizendo onde estavam. No caso de Luiz Eurico estava escrito 'morreu em setembro de 1972'. Ou seja, Tuma mentiu para o juiz", diz Suzana. Novas acusações O livro "Habeas Corpus" mostra a atuação de Tuma na ocultação de homicídios sob tortura e no falseamento de informações que poderiam levar à localização de corpos de desaparecidos em vários casos, entre eles o de Flávio de Carvalho Molina, Ruy Berbert, Márcio Beck e de Maria Augusta Thomaz - os dois últimos presos em Goiás. E traz pistas sobre a atuação do delegado na ocultação de cadáveres também fora do Estado de São Paulo. "O DOPS documentava os casos de maneira a ocultar a verdadeira razão da morte e impossibilitar a localização dos restos mortais das vítimas", confirmam os procuradores do Ministério Público Federal Eugenia Gonzaga e Marlon Weichert, que em novembro de 2009 entraram com uma ação civil pública para responsabilizar as autoridades "que contribuíram para a ocultação desses cadáveres, impedindo seu funeral e enterro por familiares e amigos, e promover a verdade no interesse de toda a sociedade brasileira". Romeu Tuma, assim como Harry Shibata, o legista do Instituto Médico Legal (IML) que corroborava a versão do DOPS para os assassinatos com a confecção de laudos falsos, estão entre os réus da ação, que prossegue mesmo com a morte dele. As histórias dos desaparecidos, e de seus algozes, consolidadas no livro da SEDH - são resultado da atuação do Ministério Público Federal e do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) do Ministério da Defesa, que busca os corpos de 70 desaparecidos no Araguaia. A futura Comissão Nacional da Verdade - que depende da aprovação do Legislativo - terá material para restaurar a responsabilidade dos fatos ocorridos nesse período, ainda hoje traumático. As revelações mais importantes do livro também servirão de pauta para novas reportagens que serão publicadas em nosso site. Acompanhe. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110115/cfaaf43f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 47794 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110115/cfaaf43f/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 16 12:59:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 16 Jan 2011 12:59:27 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_M=FAsica_Portuguesa_para_ouvir_e_?= =?iso-8859-1?q?gravar=2E__________________________________________?= =?iso-8859-1?q?__________________________________HOJE_=C9_DOMINGO!?= =?iso-8859-1?q?_M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Para ouvir e gravar. Alberto Ribeiro * Adeus Lisboa Alfredo Marceneiro e Fernanda Maria * Bairros de Lisboa Amália Rodrigues * Lisboa Não Seja Francesal André_Saedet * Hoje Vou Ficar André Sardet * Foi Feitiço André_Sardet * O Azul do Céu André Sardet * Seu Eu Disser Beatriz da Conceição * Lisboa da Cor da Ponte Camané * A Luz de Lisboa (claridade) Carlos do Carmo* lisboa Oxalá Carlos Ramos * Lisboa é Sempre Lisboa Dulce Pontes * Canção do Mar Dulce Pontes * Lágrima DZRT * Estar ao Pé de Ti Fernando Farinha * Guitarras de Lisboa Herminia Silva * Marujo de Lisboa João Ferreira Rosa * Fado Lisboa João Pedro Pais * Deixa o Coração Falar João Pedro Pais * Um Resto de Tudo Lucília do Carmo * Lisboa Antiga Mafalda Veiga * A Fantasia Mafalda Veiga * Fragilidade Mafalda Veiga * O Menino do Piano Mafalda Veiga * O Meu Abrigo Mafalda Veiga * Ouve-se o Mar Mafalda Veiga * Tatuagem Marco Paulo * Amor Eterno Maria da Nazaré * Maria de Lisboa Maria José Valério * Bom dia, Lisboa Mariema * O Fado Mora em Lisboa Paulo de Carvalho * Azul de Lisboa Pedro Abrunhosa * Beijo Pedro Abrunhosa * Escondida Pedro Abrunhosa * Momento Pedro Abrunhosa * Se_eu_Fosse_um_Dia_o_Teu_Olhar Pedro Abrunhosa * Vamos Fazer o que Ainda_não foi Feito Perfume * Intervalo Roberto leal * Ai Mouraria Roberto Leal * Chora Carolina Roberto Leal * Moreninha Linda Tony Carreira * Filho e Pai Tony de Matos * Lisboa a Noite Vitorino * Menina Estas a Janela Xutos_e_Pontapés * Aqui ao Luar Xutos_e_Pontapés * Chuva Dissolvente Xutos_e_Pontapés * Homem_do_Leme -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/818a65d0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2868 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/818a65d0/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1834 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/818a65d0/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 16 12:59:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 16 Jan 2011 12:59:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_Joaquim_Alencar_de_Seixas____-IX-?= Message-ID: <33B9B9F759AC4EE3B14C3929D5A34669@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Joaquim Alencar de Seixas Dirigente do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TIRADENTES (MRT). Nasceu em Bragança, Estado do Pará, em 02 de janeiro de 1922, filho de Estolano Pimentel Seixas e Maria Pordeus Alencar Seixas. Operário, pai de 4 filhos, tornou-se militante político aos 19 anos de idade. Foi assassinado em 17 de abril de 1971. Trabalhou como mecânico de aviões em várias empresas, entre as quais Varig, Aerovias e Panair. Perdeu o emprego várias vezes por questões políticas. Na Varig apresentou denúncia contra a empresa, mostrando a ligação que havia entre ela, o Governo Vargas e o Governo Nazista da Alemanha. Os proprietários da empresa eram de origem alemã e estariam colaborando com o governo alemão. Por esta razão perdeu o emprego. Em 1964 trabalhava na Petrobrás, como encarregado do setor de manutenção e militava no movimento sindical petroleiro, quando foi dado o Golpe de Estado. Ele e vários líderes do movimento sindical simularam um acidente para poderem passar pelo cerco armado pelo Exército, que já havia tomado a Refinaria Duque de Caxias, no Rio. Usando tanques de guerra, carros de combates e muitos soldados armados, as forças militares prendiam as lideranças operárias. Para furar o cerco, o setor de segurança da Refinaria acionou o alarme contra acidentes e as ambulâncias passaram com os líderes cobertos com lençóis sujos de sangue (na verdade, era tinta vermelha). Durante vários meses, Seixas e seus companheiros sindicalistas tiveram suas casas vigiadas por policiais e ficaram escondidos até que a perseguição diminuísse. Quando voltaram para o trabalho foram demitidos sem direito algum. Seus nomes passaram a fazer parte de listas, que não lhes permitiam encontrar emprego. Por essa razão os perseguidos tentaram conseguir saídas para o problema. Muitos se mudaram para outros Estados, na tentativa de furar a perseguição. Seixas e família foram para o Rio Grande do Sul. Seixas trabalhou como marceneiro durante dois anos, montou postos de gasolina, construindo toda a parte de tanques e tubulações de combustíveis, até 1967, quando foi contratado como encarregado do setor de mecânica, pela Pepsi-Cola de Porto Alegre. Sem abandonar sua atuação política, participou do movimento de resistência à ditadura militar, no Rio Grande do Sul. Escapou várias vezes de ser preso e viu vários de seus companheiros caírem nas mãos da repressão política. Um deles foi o ex-sargento do Exército, Manoel Raimundo Soares, morto após 3 meses de torturas no DOPS gaúcho. Por não conseguir emprego, quando foi demitido da Pepsi-Cola, Seixas e sua família se mudaram novamente para o Rio de Janeiro. Até conseguir colocação, teve que trabalhar como motorista de táxi. Seu último emprego foi na Coca-Cola de Niterói, como chefe do setor de mecânica e manutenção. Mudou-se para São Paulo, onde participou do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), tornando-se um de seus dirigentes. Seixas foi preso junto com seu filho Ivan, na Rua Vergueiro, altura do n° 9000, no dia 16 de abril de 1971. Do local da prisão, ambos foram levados para a 37ª Delegacia de Polícia, que fica na mesma rua Vergueiro, na altura do nº 6000, onde foram espancados no pátio do estacionamento, enquanto os policiais trocavam os carros usados para o esquema de prisão. De 1á foram levados para o DOI/CODI, que a esta época ainda se chamava Operação Bandeirantes-OBAN. No pátio de manobras da OBAN, pai e filho foram espancados de forma tão violenta, que a algema que prendia o pulso de um ao outro rompeu-se. Dessa sessão de espancamento, ambos foram levados para a sala de interrogatórios, onde passaram a ser torturados um defronte ao outro. Nesse mesmo dia, sua casa foi saqueada e toda sua família presa. No dia seguinte, 17 de abril de 1971, os jornais paulistas publicavam uma nota oficial dos órgãos de segurança, que dava conta da morte de Joaquim Alencar de Seixas em tiroteio. Em realidade, Seixas estava morto só oficialmente, pois nesta mesma hora se desenrolavam torturas horríveis, o que pôde ser testemunhado por seu fllho Ivan, sua esposa Fanny, e suas duas filhas, Ieda e Iara, presas na noite anterior. Por volta das 19 horas deste dia, Seixas foi finalmente morto. Sua esposa, Fanny, ouvindo que seu marido acabara de morrer, pôs-se nas pontas dos pés e viu os policiais estacionarem uma perua C-14 no pátio de manobras, forrar seu porta-malas com jornais, e colocarem um corpo que reconheceu ser o de seu marido. Não bastasse o seu reconhecimento, ouviu um policial perguntar a outro: "De quem é este presunto?" e como resposta, a afirmação: "Este era o Roque" (nome usado por Seixas). No processo a que responderia se estivesse vivo, consta uma fotografia de seu cadáver com os sinais dos sofrimentos passados, e um tiro na altura do coração, que indicaria a causa-mortis. Os assassinos de Joaquim Alencar de Seixas foram identificados por seus familiares e companheiros como sendo o então major Carlos Alberto Brilhante Ustra, o capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, o delegado Davi Araújo dos Santos, o investigador de polícia Pedro Mira Granziere e vários outros, identificáveis somente por apelidos. Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas Pérsio José B. Carneiro e Paulo Augusto Queiroz da Rocha, que confirmam a falsa versão oficial da repressão de que Joaquim foi morto em tiroteio e omitem as torturas. Vários presos políticos declararam em Auditorias Militares, à época, as torturas e assassinato de Joaquim na OBAN. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/eef8194a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5413 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/eef8194a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/eef8194a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 16 12:59:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 16 Jan 2011 12:59:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_BATTISTI_-_N=C3O_EXTRADITAR=2C_RE?= =?iso-8859-1?q?CUSANDO_O_COMANDO_DE_BERLUSCONI=2E?= Message-ID: <9A51CD98879E47AD8C9238E5C6963D51@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem BATTISTI - NÃO EXTRADITAR, RECUSANDO O COMANDO DE BERLUSCONI. As opiniões sobre a questão "BATTISTI", ou têm sido ideológicas ou resultam do desconhecimento da história política do pós-guerra da Europa e das condições em que Battisti foi preso, julgado e condenado, à revelia.Exatamente nos anos em que tanto as forças de direita, quanto as eclesiásticas dominavam o cenário italiano, pelas mãos dos cidadãos acima de qualquer suspeita, como o arcebispo Paul Marcinkus e os banqueiros Roberto Calvi e Michele Sindona. Culminando com o assassinato do papa Albino Luciani e, posteriormente, de Sindona e Calvi. Durante os 40 anos posteriores ao final da II Guerra, frente ao que se considerava uma ameaça às instituições democráticas do Mundo Ocidental - o Pacto de Varsóvia - os serviços secretos dos EUA e Inglaterra, juntamente com a OTAN, estruturaram forças secretas e clandestinas (stay behind), ao arrepio das leis de cada país, constituídas de para-militares: armados, remunerados, treinados e agindo sob as suas ordens, conhecidas sob denominações diversas, todas na forma de exércitos secretos. Na Itália denominou-se Operação GLADIO. Em todos os países em que se instalaram, não só se transformaram em instituições armadas e organizadas para o combate ao perigo comunista, como passaram a interferir diretamente na política e funções do Estado, implementando ações terroristas, como ficou demonstrado pelos juízes de MÃOS LIMPAS, todas as vezes que qualquer partido julgado de esquerda assumisse posição política capaz de disputar o poder. Na realidade, apesar da força crescente de um partido comunista italiano, jamais as instituições democráticas européias estiveram em perigo, ou o comando escapou das forças de direita. As palavras de Henry Kissinger sempre foram a vanguarda das ações mlitares dos Estados Unidos: "Não vejo por que deveríamos deixar um país se tornar comunista devido à irresponsabilidade de seu próprio povo". Em 31de maio de 1972, um carro explodiu na cidade italiana de PETEANO, matando um carabineiro e ferindo um civil. Esse atentado "foi assumido" pelo grupo terrorista "BRIGADAS VERMELHAS". Doze anos depois, em 1984, inquérito dirigido pelo juiz Felice Cosson, concluiu:1) que o atentado usara explosivo que as Brigadas não possuíam, mas era parte dos estoques da OTAN; 2) que um especialista em explosivos Marco Morin, da policia, falsificara relatórios sobre o caso, de forma a jogar a culpa sobre os comunistas e os extremistas de esquerda. Morin pertencia à organização fascista "ORDINE NUOVO"; 3) que o atentado havia sido preparado pela "ORDINE NUOVO", em cooperação com o SID - Serviço de informação da defesa, pertencente aos serviços secretos do exercito italiano; 4) que a bomba fora colocada por Vincenzo Vinciguerra, do Ordine Nuovo, que fugiu sob a proteção da polícia. Anos após, declarava ele: "É todo um mecanismo que é posto em movimento, desde os carabineiros até o Ministro do Interior, passando pela alfândega e os serviços de inteligência civil e militar, que aceitam o raciocínio ideológico que sustenta o atentado". Foi no contexto da guerra fria da luta pelo poder - capitalistas x comunistas - que os extremistas italianos - da direita e da esquerda - recorreram ao terrorismo. À esquerda destacando-se as BRIGADAS VERMELHAS, que no computo final foram responsáveis diretos por 75 mortes. À direita, destacavam-se os exércitos secretos da OTAN e, especificamente na Italia a OPERAÇÃO GLADIO E ORDINE NUOVO. A diferença fundamental na atuação das organizações estava no alvo escolhido. Enquanto os terroristas de esquerda tinham como alvo pessoas e instituições definidas, os terroristas de direita sempre tiveram como alvo a população civil, buscando espalhar o pânico na população, através do maior número de mortos, possível. Dessa forma, através de uma política midiática, transferiam para os comunistas e os extremistas de esquerda, toda responsabilidade pelos atentados. Outra diferença fundamental foi o apoio que os terroristas de direita tiveram do estado italiano. Não foram presos, à exceção de Vincenzo Vinciguerra. Todos os lideres das Brigadas Vermelhas e de outras organizações terroristas da esquerda, foram presos, julgados e condenados. As estatísticas indicam que entre janeiro de 1969 e dezembro de 1987, haviam sido praticados 14.591 atos de violência por razões políticas, nos quais morreram 491 pessoas e feridas 1 181. Em 03/agosto/1990, o primeiro ministro italiano, Giulio Andreotti reconheceu, perante o Parlamento, as atividades facínoras - atentados violentos seguidos de morte e sofrimento - da organização GLADIO. Declarou ainda que GLADIO e as organizações para-militares existiam e estavam sob o comando da OTAN. Não só na Itália, disse ele mas em toda Europa, inclusive França dirigida pelo partido socialista. Em novembro de 2002, Andreotti foi condenado a 24 anos de prisão, acusado de corrupção, de manipulação clandestina das instituições do Estado, colaboração com a Máfia e do assassinato de políticos da oposição - do jornalista Miro Pirelli, que investigava a morte de Aldo Moro, pelo mafioso Gaetano Badalamenti, e do próprio presidente da república, o social democrata Aldo Moro. Em 2003, Andreotti conseguiu a anulação dos veredictos, tendo sido solto.Uma outra qualidade de Andreotti, à época - anos 70/80 - era a de ser obreiro de Deus, sendo, juntamente com o presidente do banco do Vaticano, monsenhor Donato de Bonis, gestor dos fundos da FUNDACAO CARDEAL FRANCIS SPELLLMAN, cuja propriedade era dele, Andreotti. Acontece que essa era uma fundação fantasma,que movimentou bilhões de dólares, usados na compra de partidos políticos, de políticos e prelados italianos. Incluindo a Democracia Cristã e seus administradores Arnaldo Forlani e Severino Citaristi e o partido socialista italiano e seu líder Bettino Craxi. O novo presidente do IOR nos anos 90 - Angelo Caloia - levantou todas as falcatruas de Andreotti e seus sequazes. Esses dados e informações estão no livro "VATICANO S.A", de Gianluigi Nuzzi, Editora LAROUSSE. Dado o nível das mentiras e dos acumpliciamentos clandestinos, da deterioração moral, das manipulações, da crueldade, dos atentados, dos assassinatos impostos pelo terrorismo de estado,da cumplicidade do judiciário à época em que Battisti foi condenado, com as forças da extrema direita e com a máfia, sua extradição representará uma aceitação, por nosso País, da política e crimes de assassinatos, comandada pelas forças do mal da extrema direita italian. Nada de democrática ou de judiciário independente, à época em que Battisti foi condenado. O PT e a senadora Marina só merecem o apreço de todos os brasileiros, ao tentar impedir que o Brasil se envolva num processo politicamente incorreto, amoral, cruel e desumano. Luiz Fernando Victor. Brasília, verão de 2011 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/90af016f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9600 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110116/90af016f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 17 19:42:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 17 Jan 2011 19:42:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_LISTA_DE_DOEN=C7AS_E_AJUDA_PARA_A?= =?iso-8859-1?q?_RECEITA_ON-LINE___________________________________?= =?iso-8859-1?q?_________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E?= =?iso-8859-1?q?_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem LISTA DE DOENÇAS E AJUDA PARA A RECEITA ON-LINE (clique) http://www.lookfortherapy.com/therapeutic_uses.php?lang=3 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110117/f8046438/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2235 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110117/f8046438/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 17 19:43:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 17 Jan 2011 19:43:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_Lu=EDs_Eurico_Tejera_Lisboa_____-X-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Luís Eurico Tejera Lisboa Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em Porto União (SC), filho de Eurico Siqueira Lisbôa e Clélia Tejera Lisbôa, o mais velho dentre sete irmãos. Cedo iniciou sua militância política na Juventude Estudantil Católica. Integrando-se ao PCB, alternava suas atividades entre Santa Maria, onde residia na JUC, e Porto Alegre. Pertenceu à Direção Estadual do PCB até o do VI Congresso, quando passou a integrar a Dissidência/RS. Estudava, então, no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, centro da efervescência do movimento estudantil secundarista. No Júlio de Castilhos, haviam fechado o Grêmio Estudantil, em meio à intensa agitação provocada pela tentativa da direção de cobrar uma taxa e, ao mesmo tempo, a proibição do uso de mini-saias e cabelos compridos. O Grêmio foi instalado em uma barraca, em frente à escola, concentrando os alunos em assembléias permanentes e de onde saiam freqüentes passeatas que se uniam aos universitários nos protestos contra o acordo MEC-USAID, pelo ensino gratuito, reunindo as forças que protestavam contra a ditadura militar. Luiz Eurico e os integrantes do Grêmio fechado acabaram sendo expulsos do Colégio. Passou a ser membro da Diretoria da União Gaúcha dos Estudantes Secundários. Ao mesmo tempo, a radicalização da ditadura passou a exigir novos posicionamentos. Luiz Eurico questiona a Dissidência para a concretização de ações armadas, ligando-se à VAR-PALMARES. Permanece na VAR como membro de sua Direção Regional até a realização do Congresso da Organização, em 1969, quando integra a ALN. Nesse período, foi preso algumas vezes durante manifestações estudantis. Ao tentar, junto aos alunos do Júlio de Castilhos, como membro da UGES, a reabertura do Grêmio fechado, foi mais uma vez preso e indiciado em IPM. Já casado, trabalhando como escriturário no Serviço Nacional de Indústrias - SENAI - parecia ter encontrado seu caminho. Fora, inclusive, absolvido por unanimidade no IPM, comparecendo à Auditoria Militar no dia do julgamento. No final de outubro de 1969, foi surpreendido por uma notícia de jornal com sua condenação a seis meses de prisão no referido processo, após grosseira falsificação dos prazos de recurso. Não lhe restou outra alternativa: passou à clandestinidade. Esteve algum tempo em Cuba, retornando ao País em 1971, estabelecendo-se em Porto Alegre, na tentativa de reorganizar a ALN no Estado. Foi preso em circunstâncias desconhecidas em São Paulo, na primeira semana de setembro de 1972 e desaparecido desde então. Somente em junho de 1979, a Comissão de Familiares do CBA, consegue reunir pistas para a elucidação dos desaparecimentos, localizando Luiz Eurico enterrado, sob o nome de Nelson Bueno, no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Ao mesmo tempo em que a ditadura pretendia sepultar a luta pelos desaparecidos entregando aos familiares um atestado de morte presumida através da Anistia, apresentava-se à Nação um atestado de óbito de um dos desaparecidos, cuja prisão e assassinato tinham ocultado. A versão oficial para sua morte era de suicídio e, para corroborá-la, foi inclusive montado Inquérito na 5ª DP de São Paulo, sob o número 582/72. A farsa do suicídio é desmascarada pelos depoimentos contraditórios das testemunhas arroladas, bem como pela própria conclusão do inquérito: Luiz Eurico, deitado na cama do quarto da pensão em que morava, teria disparado alguns tiros a esmo antes de embrulhar uma de suas armas (as fotos mostram um revólver em cada mão) na colcha que o cobria e disparar um tiro em sua própria cabeça, no dia 3 de setembro de 1972. Pelo quarto havia marcas de disparos diversos, inclusive em direção ao próprio Luís Eurico. Em processo aberto na 1ª Vara de Registros Públicos de São Paulo, em 25 de outubro de 1979, foi solicitada a reconstituição da identidade e retificação do registro de óbito, que recebeu o n° 1288/79. Apesar do pedido inicial ter sido deferido em 7 de novembro de 1980, o inquérito policial de Luís Eurico foi reaberto por ordem do Juiz da 1ª Vara, pois o corpo exumado da sepultura de Nelson Bueno não correspondia ao laudo descrito no processo - os ossos apresentavam fraturas indiscriminadas e não os orifícios correspondentes ao tiro no crânio com que, na versão policial, Luís Eurico teria se suicidado. O inquérito foi encaminhado pelo Procurador-Geral da Justiqa da 2ª Vara Auxiliar do Júri de São Paulo, e enviada pelo Procurador Dr. Rubens Marchi, para o Departamento de Investigações Criminais - DEIC. A pedido do Delegado Francisco Baltazar Martins, encarregado das investigações, foram realizadas novas exumações no Cemitério Dom Bosco, em Perus, até ser encontrado um corpo que correspondia às características da morte de Luís Eurico. Durante a nova fase de investigações, são evidentes as manobras realizadas junto aos moradores da pensão onde Luís Eurico teria sido encontrado morto, chegando até algumas delas a mudar, por completo, o depoimento feito em 1972. Tais fatos não foram, entretanto, suficientes para processar a União pelo assassinato de Luís Eurico e, por falta de provas, o inquérito foi novamente arquivado, ratificada a conclusão de suicídio e entregues seus ossos, que foram trasladados do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, para Porto Alegre, em 2 de setembro de 1982, 10° ano de seu assassinato. Em 1994 foi lançado o livro "Condições Ideais para o Amor" da Editora Tchê e Instituto Estadual do Livro, com poesias e cartas de Luis Eurico Tejera Lisboa e depoimentos de pessoas que o conheceram. No livro está publicada uma carta de sua mãe, Clélia Tejera Lisbôa, escrita quando soube da descoberta do corpo de seu filho: "Faz hoje vinte dias que fiquei sabendo dos acontecimentos relacionados com a morte de meu filho Luiz Eurico Tejera Lisbôa, desaparecido na primeira semana de setembro de 1972 e localizado, há mais ou menos dois meses, no cemitério de Perus, Estado de São Paulo, sob o falso nome de Nelson Bueno. Por estar em Salvador da Bahia, acompanhando uma fiilha que fora hospitalizada, meus familiares não quiseram comunicar-me logo o que ocorria em relação a Luiz Eurico. Só tomei conhecimento dos fatos após meu retorno a Porto Alegre. Antes de mais nada, quero deixar bem claro que a versão suicídio, dada por ocasião de seu assassinato, jamais será aceita por mim ou por qualquer pessoa que o tenha conhecido de perto. Quanto às tentativas de enlamear seu nome, são torpes e nojentas demais para que me digne a discuti-las. Partindo de quem partiram, nem sequer me causam surpresa. Os amigos de meu filho, os que de um ou outro modo conviveram com ele, sabem que Luiz Eurico era um jovem idealista e estudioso. Seu único vício era a leitura, numa preocupação constante com o momento político-econômico deste país, indo à raiz dos fatos e buscando entender suas causas. Releio neste momento a Declaração apresentada no 1° Encontro Estadual de Grêmios Estudantis, realizado de 21 a 23 de junho de 1968, cuja redaçäo esteve a seu cargo. Escrevendo, e lendo alguns trechos em voz alta para que eu pudesse acompanhar seu pensamento, dizia ele a certa altura: 'A juventude já não aceita refugiar-se no intelectualismo oco de outros tempos, mas também recusa-se a compactuar, por assentimento ou omissão, com uma ordem social que desumaniza o indivíduo e destina à fome e à mais completa ignorância quase dois terços da humanidade. A cultura deve extravasar os círculos limitados do deleite ou realização pessoal para assumir o papel de agente dinâmico na transformação da sociedade. Este mundo de guerras, de sobressaltos e insegurança, do lucro como motor de desenvolvimento, dos grandes monopólios subordinando aos interesses de uma minoria todos os aspectos da vida social, este mundo dividido em explorados e exploradores, em que a fome elimina anualmente milhares de vezes mais vidas humanas do que a criminosa guerra do Vietnã, este mundo perdeu sua razão de ser, quando se consomem milhões de dólares para matar a outro homem, quando os orçamentos militares são constantemente aumentados em detrimento de necessidades vitais, quando a separação entre humildes e poderosos atinge as proporções de um verdadeiro cataclisma, quando as mais ponderadas manifestações de alerta são silenciadas a bala, quando o descontentamento se torna universal e o indivíduo desfalece nas tramas de forças materiais que ele não dirige e muitas vezes não compreende'. Este era o terrorista Luiz Eurico Tejera Lisbôa. Seu dizer era claro, firme e coerente com seu modo de pensar e agir. Seus aterrorizados assassinos, com a cabeça vazia de idéias, souberam apenas empunhar uma arma. Qualquer pessoa com inteligência mediana percebe logo que, tanto ele como vários de seus companheiros também assassinados, constituíam realmente um perigo em potencial. Eram inteligentes, estudiosos, sabiam pensar por si mesmos. Haverá razão mais forte para exterminá-los? Faz hoje vinte dias que venho tentando desviar meu pensamento dessa realidade brutal. Meus olhos estão cansados de chorar. Mas não se enganem. Não choro de pena do meu filho que, onde quer que esteja, deve estar muito bem. É apenas de saudade. Creio numa outra vida. A morte rápida de torturadores me dá a maior certeza disso. Ninguém devendo tanto pode escapar assim ligeirinho se não for pagar em outro lugar. Os Torturadores Pagarão Pelas noites de vigília que passei chorando a ausência de meu filho e a incerteza de seu destino; Pelos dias, horas e minutos que vivi, numa quase obsessão, esperando que alguém chegasse, de repente, ao meu apartamento, para me dizer onde e como ele estava; Pelos sete anos que passei sem poder me concentrar em nada, porque em minha mente só cabia sua imagem; Pelo medo, que tantas vezes me assaltou, de tê-lo de volta inútil e deformado pelas torturas; Pela miséria mais horrível que eu vi neste Brasil de norte a sul; Pela vergonhosa impunidade dos torturadores e assassinos; Pela saudade mais cruel que me acompanhou ao longo destes sete anos e que agora há de prolongar-se até o fim dos meus dias; Por toda a transformação que meu filho tanto desejou ver neste país faminto e esquecido; Tenho a mais profunda convicção de que uma força, bem maior que a capacidade de matar de seus assassinos, há de dar o merecido castigo aos que planejaram e determinaram, aos que, por aceite ou omissão, participaram e aos que executaram todo esse horror que está aí, presente, nas faces e nos olhos de mães, esposas, filhos e irmãos daqueles que foram estupidamente torturados e assassinados e dos que ainda sofrem as prisões! Se Ele Voltasse... Não choro de pena de meu filho. E, se fosse possível voltar de onde ele está, eu lhe pediria para continuar pensando e agindo como sempre pensou e agiu. Ainda que isso importasse em ser novamente assassinado. Pois prefiro vê-lo morto, uma e mil vezes, a tê-lo por longos anos a meu lado numa inconsciência inútil, estúpida e criminosa! Luiz Eurico Tejera Lisbôa, seu espírito há de pairar sobre os justos movimentos reivindicatórios deste país, dando força, lucidez e coragem a seus participantes ! Luiz Eurico Tejera Lisbôa, onde quer que esteja há de estar pedindo justiça e liberdade para este povo humilde e esquecido que ele tanto amou! Porto Alegre,10 de setembro de 1979." Luís Eurico viveu intensamente a sua época e absorveu os ideais de justiça e liberdade. Sua poesia assim se revela e aproxima-se com sensibilidade à resistência do povo vietnamita em Balada da Ham-li: "Na pequenina aldeia de Luang-Dinh um menino de pele amarela e olhos rasgados está silencioso deitado no chão seu nome Ham-li as mãos as pequeninas mãos de Ham-li estão crespadas retorcidas por uma grande dor os pequeninos braços fortes de Ham-Li - menino camponês estão descarnados e já se decompõem. Os pequeninos pés andarilhos de Ham-Li - menino soldado - encolhidos assemelham-se a uma terrível garra A pequenina face de pele macia onde brilhavam os negros olhos rasgados o menino Ham-Li escondeu-a no ventre aberto para que o mundo não visse tanto horror. Mas ao pequenino coração do menino Ham-Li o Napalm não poderá jamais atingir! Entre os escombros da pequenina aldeia de Luang-Dinh um menino de pele amarela e olhos rasgados está silencioso deitado no chão. O pequenino coração do menino Ham-Li pulsa inalterado sobre todo o Vietnã." Reportagem Jornal A Noticia/Joinville 30/06/03 "Um guerreiro da pena e da espada" Há os guerreiros da pena Há os guerreiros da espada Há homens que dão um braço pelo fragor da batalha. Eu sou poeta da Revolução A minha pena é uma espada. E o meu canto se eu cantoé um canto de guerra".(Poema É Hora, de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, 1967) "Inquieto e firme, esse era o poeta nascido em Porto União" Luis Fernando Assunção "Por quê? Por quê?" Era o que se perguntava o moleque gorducho depois de ver o oldsmobile preto do pai quase ser atingido por uma pedra arremessada com raiva por um menino humilhado de uma vila pobre de Caxias do Sul. Foi o primeiro e o mais marcante contato de Luiz Eurico Tejera Lisbôa com as diferenças sociais, com a pobreza, com a má distribuição de renda. Talvez tenha sido a pedra a catapulta para esse jovem de classe média, nascido em Santa Catarina e crescido no Rio Grande do Sul, largar a vida previsível de uma família classe média pela militância nas ruas e guetos em busca de liberdade. Luiz Eurico, o Ico, filho de Eurico de Siqueira Lisbôa e Clelia Tejera Lisbôa, nasceu em 19 de janeiro de 1948 em Porto União, Santa Catarina. Pai nascido pobre, mãe dona de casa, foi o primogênito de sete irmãos. "Era verão de 57, Luiz Eurico já tinha quase nove anos e muita estrada por Santa Catarina: Porto União, Caçador, Tubarão, Itajaí e Florianópolis. Em Caxias, a família de classe média se instalou em uma casa confortável, de vasto pátio", escreveu a irmã Noeli, no livro "Condições Ideais para o Amor", em homenagem ao irmão. Foi quando a família mudou-se para a Capital, Porto Alegre, que Ico entrou definitivamente nas causas comunitárias e políticas. Ainda com uma ingenuidade respaldada por púberes 15 anos, Luiz Eurico elaborou um manifesto contra a ditadura que começava. Acabou acuado por um professor que o ameaçou prendê-lo caso repetisse o gesto. A militância começou a trazer problemas também em casa. Foi expulso pelo pai. Mudou-se para Santa Maria, onde ingressou na Faculdade de Economia. Em meados de 1967, retornou a Porto Alegre depois da separação dos pais. Fez parte da direção da União Gaúcha de Estudantes Secundários (Uges) e começou a atuar no movimento estudantil, quando se envolveu na reabertura do grêmio do Colégio Júlio de Castilhos. Acabou preso e indiciado em inquérito policial militar. Poeta, Luiz Euricio nunca deixou de lado a ternura em seus escritos e em suas relações pessoais. Conheceu Suzana, a companheira ideal. Juntos, até o fim de sua curta existência, intercalaram momentos de paixão avassaladora com tenacidade na resistência contra a repressão. Em 1969, Luiz Eurico integrou a direção estadual do Partido Comunista Brasileiro e idealizou o primeiro movimento gaúcho para enfrentar a onda de violência gerada pelo regime: o 21 de Abril e o Exército de Brancaleone. Com o aumento da repressão ao movimento estudantil e operário, como opção de enfrentamento ao regime, a luta armada começava a tomar força entre os jovens. Ele ingressou então na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e depois na Ação Libertadora Nacional (ALN), comandada por Carlos Lamarca. Mudou-se para São Paulo, já casado com Suzana. Ele 21 anos, ela 18. Como a maioria dos jovens envolvidos na militância da época, começaram a viver na clandestinidade. Mandou escassos bilhetes para a família, por mensageiros desconhecidos. Não revelou seu paradeiro. Em 1971, decidiu retornar a Porto Alegre na tentativa de reorganizar a ALN no Estado. Permaneceu clandestino no Rio Grande do Sul até setembro de 1972, quando viajou para São Paulo, onde desapareceu. Luiz Eurico era sério, quase tímido. Vez por outra, abria um sorriso irônico, meio de lado. Incisivo nos gestos, decidido nos atos. Seu universo foi amplo demais para a vida familiar. Perambulava pela casa com o mapa do Vietnã, estudando a guerra, os movimentos dos vietcongs. "Fazia isso com a mesma fraternidade, a mesma proximidade e o mesmo interesse de quem discute aspectos importantes da vida nacional, ou mesmo a movimentação dos militantes na luta contra a ditadura", escreve a irmã Noeli. E por quê, tudo isso? Luiz Eurico sempre procurou o homem do povo. Queria saber, tinha essa vontade, explícita no poema "Procuro o homem do povo": "Procuro o homem do povo/para ultrapassar a frieza/do vocabulário político/e ver na "massa oprimida"/nas "contradições sociais"/na "luta de classes"/Nas "análises da realidade"/o homem do povo. "NomeLuis Eurico Tejera Lisbôa Desaparecido entre 1972 e 1979 Corpo encontrado na vala de Perus, em 1979. Enterrado em Porto Alegre. Nascimento1948, em Porto União, Santa Catarina Profissão Estudante Militância Vanguarda Armada Revolucionária Palmares(VAR/Palmares) "Renascendo o Ico a cada dia de minha vida" Porto Alegre - Ela foi até o fim na sua luta. Não parou nem depois de encontrar o corpo do marido soterrado em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo. Continuou em busca da verdade, desvanecendo mentiras, humilhando assassinos. Suzana Keniger Lisbôa, 52 anos, funcionária pública, não vai esquecer jamais daquele jovem decidido, sensível e espirituoso. "O amor de Ico era um privilégio. Tinha a doçura de um anjo e a força de um guerreiro", lembra Suzana. "Ele sempre esteve envolvido na luta por justiça e igualdade. Era um vanguardista", garante ela, hoje integrante da comissão de familiares de desaparecidos e mortos políticos. A família Lisbôa sofreu com o desaparecimento de Luiz Eurico. Passou anos à espera do filho, irmão e marido, que talvez pudesse entrar em casa um dia e dizer que estava escondido pela sobrevivência. O irmão Nei, caçula da família, relembra de momentos que passou perto do irmão, em especial a "pós-graduação na arte de fazer pandorgas" que aprendeu com ele em um encontro clandestino na praia do Pinhal, em 1972. "Nas pandorgas colávamos, em papel de seda, a alça de mira, símbolo da ALN. Algumas vezes atingiam o infinito azul do céu, noutras se despedaçavam entre os fios de luz", conta. Nei foi muito influenciado pelos ideais revolucionários do irmão. Certo dia, ainda moleque, disse ao irmão que gostaria de ser guerrilheiro, como ele. "O Ico disse então que ele não revelasse esse desejo a ninguém", conta Suzana. Na escola, o pequeno Nei foi indagado pela professora sobre o que pretendia ser quando crescesse. Não contou, apesar da insistência da professora. "Ele lembrou do pedido do Ico e guardou segredo", recorda Suzana. "Todos acabaram vivenciando as experiências do Ico em casa". Restou para a família uma lembrança forte de Luiz Eurico, que não se apagou com as tentativas sistemáticas de deturpação de sua imagem. "O general Leônidas Pires disse: 'nós também tivemos os nossos mortos'. Vossos, general? E em nome de que Esbórnia se inscreveria o epitáfio nesse par de lápides?", ironiza Nei, hoje cantor e compositor em Porto Alegre. Pela influência do irmão, fez composições em sua homenagem, sempre destacando a luta por justiça. "Luiz Eurico era meu irmão, onze anos mais velho, e com ele aprendi desde o berço a soletrar justiça, liberdade, humanidade", orgulha-se. Em carta logo depois de saber da morte do filho, Clelia Tejera Lisbôa mostrou consciência e segurança ao escrever sobre o filho. "...Quando a separação entre humildes e poderosos atinge proporções de um verdadeiro cataclisma, quando as mais ponderadas manifestações de alerta são silenciadas a bala, quando o descontentamento se torna universal e o indivíduo desfalece nas tramas das forças materiais que ele não dirige e muitas vezes não compreende. (...) Este era o 'terrorista' Luiz Eurico. Seu dizer era claro, firme e coerente com seu modo de pensar e agir. Seus aterrorizados assassinos, com a cabeça vazia de idéias, souberam apenas empunhar uma arma. Ele e seus amigos constituíam realmente um perigo em potencial: eram inteligentes, estudiosos, sabiam pensar por si mesmo. Haveria razão mais forte para exterminá-los?" (LFA) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110117/f957bbd5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110117/f957bbd5/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14958 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110117/f957bbd5/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 18 19:16:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 18 Jan 2011 19:16:59 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_Frederico_Eduardo_Mayr__________-XI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Frederico Eduardo Mayr Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em Timbó, Santa Catarina, em 29 de outubro de 1948, filho de Carlos Henrique Mayr e Gertrud Mayr. Foi baleado e preso pelos agentes do DOI/CODI-SP no dia 23 de fevereiro de 1972, na avenida Paulista, em São Paulo. Levado às câmaras de tortura do DOI/CODI, apesar de ferido com um tiro no abdômen. Frederico foi visto pelos outros presos recolhidos àquele órgão de repressão política, sendo torturado na chamada "cadeira de dragão". Vários companheiros, estiveram com ele antes de ser morto pelos torturadores. Entre os quais, José Carlos Gianini, que afirma não haver possibilidades de Frederico ter travado tiroteio com os policiais, nem mesmo se tivesse conseguido fugir, pois estava muito debilitado devido ao ferimento a bala e às torturas. Segundo os depoimentos desses presos, foi torturado até a morte pelos integrantes da Equipe "C" do DOI/CODI paulista, investigador de Polícia Federal "Oberdan", investigador de polícia do DEOPS lotado no DOI/CODI Aderval Monteiro, vulgo "Carioca", escrivão de polícia Gaeta, vulgo "Mangabeira" e um policial conhecido como "Caio", da Polícia Civil de São Paulo, todos comandados pessoalmente pelo hoje general da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI e pelo vice-chefe, Tenente-Coronel Dalmo Lúcio Muniz Cirillo. No processo n° 100/72 da 2ª Auditoria Militar de São Paulo, vários presos políticos denunciaram a prisão e morte de Frederico, pois o estavam processando como revel, quando o Juiz Nelson Machado Guimarães fez excluir seu nome, extinguindo sua punibilidade por morte, só reconhecida naquele momento. As várias denúncias feitas nunca foram registradas devido à negativa do referido juiz. Enterrado sob nome falso no Cemitério Dom Bosco, em Perús/SP, seus restos mortais estavam na Vala de Perus. A ossada de n° 246 era de Frederico, sendo identificada, em 1992, no Departamento de Medicina Legal da UNICAMP. Seus restos mortais foram trasladados para o jazigo da família, no Rio de Janeiro, em 13 de julho de 1992. Todos documentos policiais têm seu nome verdadeiro e na ficha individual (documento do DOPS/SP 30Z-165-124), além do nome verdadeiro, dados de qualificação, ficha datiloscópica e fotos de frente e de perfil, há também os nomes falsos. Portanto, Frederico foi identificado pelos órgãos da repressão. No DOPS/SP foi encontrada ficha individual , feita no dia 24 de fevereiro de 1972, pelo Serviço de Identificação do Exército com fotos de Frederico ainda vivo, catalogada no DOI sob o n° 1112 e que dá como local da prisão a avenida Paulista e data de 23 de fevereiro de 1972. No entanto, sua certidão de óbito foi lavrada em nome de Eugênio Magalhães Sardinha e enterrado como indigente no Cemitério de Perús/SP. Assinaram o laudo da necrópsia os médicos legistas Isaac Abramovitch e Walter Sayeg. Um documento encontrado no arquivo do antigo Dops/SP, conta a mesma história afirmada pelo IML. O que impressiona na versão oficial são os detalhes do inacreditável tiroteio, onde ele teria morrido. Diz o documento, que os guerrilheiros, a bordo de um fusca "começaram a atirar contra os policiais sem serem provocados". No combate que aconteceu, só Frederico caiu morto e os demais ocupantes do veículo não foram mais citados, nem como presos, nem como foragidos. Dona Gertrud, sua mãe, dá o seguinte depoimento: "O segundo de meus três filhos, Frederico foi educado com muito amor dentro dos mesmos princípios que eu recebi de meus pais. Em meio aos valores encontrados em Timbó, área de colonização européia, lugar onde eu nasci e fui criada, Frederico cedo aprendeu que todos os homens são iguais e têm o seu valor próprio independente de seu trabalho. Ainda criança, veio para o Rio de Janeiro. Viemos todos. Seu pai, Carlos Henrique Mayr é médico e estabelecido com sucesso na Zona Sul do Rio de Janeiro. Convivendo no meio agitado do Rio, Frederico manteve o ensinamento de como a liberdade de um limita a liberdade do próximo, esforço que fiz para prepará-lo a viver harmoniosamente na coletividade. Sempre atento às necessidades dos outros e generoso, demonstrava grande sensibilidade, qualidades próprias que, combinadas com a formação que Ihe dei, o levaram a se preocupar com o próximo. Cursou o primário na escola municipal Dr. Cócio Barcellos, uma escola da rede pública em Copacabana, próxima de nossa casa, ensino igual para todos, princípio que achávamos importante em sua educação. Fez seu curso ginasial e científico no Colégio Mallet Soares, também em Copacabana. Ingressou na Faculdade aos dezoito anos de idade. Foi um escoteiro exemplar, dos sete aos dezesseis, na Tropa Baden Powell. Gostava muito da vida em contato com a natureza, dos acampamentos. Praticou a pesca submarina na adolescência. Era namorador e queria ser arquiteto. Cursava o segundo ano da Faculdade de Arquitetura da UFRJ e se dedicava às artes plásticas, quando foi forçado, pelas circunstâncias, a sair de casa para viver na clandestinidade. Tinha um futuro promissor pela frente, tanto na arquitetura como nas artes. Seu desempenho foi elogiado tanto por seus professores na faculdade, e entre eles Ubi Bava, como por artistas plásticos com quem se relacionava, Ilio Burrini e Ivan Serpa, os mais próximos. Serpa foi o primeiro que lhe ensinou os segredos das tintas e dos pincéis e como dividir o espaço nas telas. Participou coletivamente de sua primeira exposição apresentando dois trabalhos aos quinze anos. Frederico não foi o filho que eu perdi, mas o meu filho que todos nós perdemos. Quando existe um nascimento, sabemos que vai existir a morte. Mas o que aconteceu comigo, com a minha família e outras em situação semelhante, não segue a lei natural. O que se passou conosco foi uma afronta à dignidade humana. Frederico Eduardo, julgado e absolvido, no Conselho Permanente de Justiça, em 21 de setembro de 1972, inocência confirmada no STM em 15 de fevereiro de 1974, já não era vivo. Baleado, preso e torturado por agentes do DOI/CODI de São Paulo, Frederico Eduardo havia morrido em 22 de fevereiro de 1972, fato que só vim a saber muitos anos depois. Em outro depoimento sua mãe conta: "Em 1969, em um dos primeiros processos nas Auditorias Militares do Rio de Janeiro, meu filho viu-se envolvido em uma ação penal que tinha como co-réus os cidadãos Jorge Raymundo Jr., Carlos Fayal, Carlos Alberto Nolasco e outros, sendo Frederico condenado à revelia à pena de três anos. Essa condenação motivou protesto de Jorge Raymundo em plena sessão de julgamento, quando, aos gritos, disse que Frederico era inocente. A partir dessa condenação, meu filho entrou para a clandestinidade. A família recebeu um bilhete dele pedindo para trancar matrícula na Faculdade. Não recebemos mais informações dele. No final de 1972, em uma outra ação penal na Justiça Militar do Rio de Janeiro, foi juntado por um advogado um recorte de jornal que noticiava a morte de Flávio Carvalho Molina. Embora essa notícia não mencionasse Frederico, a família pediu ao advogado Mário Mendonça que fosse a São Paulo para obter informações. O advogado voltou dizendo que nada constava em São Paulo segundo as informações que recebera das autoridades sobre uma eventual prisão ou morte de Frederico. Foi neste momento que Nelson Lott me perguntou se Frederico ainda estava vivo. A partir desse instante tomei consciência de que meu filho pudesse ter sido preso e eventualmente morto. Foi somente em 1979, quando da promulgação da Lei de Anistia, que vimos o nome de meu filho ser publicado em listas dos Comitês Brasileiros pela Anistia, ora como morto, ora como desaparecido. Membros do CBA/SP procuraram familiares meus no Rio de Janeiro com cópias de documentos do processo, onde as autoridades judiciárias extinguiam sua punibilidade por ter sido morto por órgãos de segurança e enterrado no Cemitério de Perus sob o falso nome de Eugênio Magalhães Sardinha. Na justiça foi feita retificação do assentamento de óbito, substituindo os dados falsos pelos verdadeiros. Após ter sido encontrado enterrado em Perus, sob o nome falso de Nelson Bueno, o perseguido político Luis Eurico Tejera Lisboa (o primeiro desaparecido político encontrado), em 1979, fui ao Cemitério de Perus para buscar informarções sobre meu filho e naquele registro não constava o nome de Frederico nem se encontrou anotações com o sobrenome Sardinha. Apesar da informação da morte constar em processo na Justiça Militar, meu filho continuou a responder a outras ações penais em outras auditorias militares." Jornal A Notícia/Joinvile - 04/07/03 Outra vítima inocente da cadeira do dragão "Segundo de meus três filhos, Frederico foi educado com muito amor dentro dos preceitos que recebi de meu pai. Desde cedo aprendeu que os homens são iguais e têm o seu valor próprio independente de seu trabalho. Era namorador, queria ser arquiteto. Frederico não foi o filho que eu perdi, mas o filho que todos nós perdemos. O que se passou conosco foi uma afronta à dignidade humana. Frederico, julgado e absolvido, inocência reafirmada no Superior Tribunal Militar em 1974, já não era mais vivo. Baleado, foi preso e torturado até morrer, três dias depois". (Depoimento da mãe de Frederico, Gertrud Mayr) Mesmo absolvido em inquérito policial, Frederico Eduardo Mayr foi preso e torturado até a morte em 1972 A cadeira do dragão contabilizava mais uma vítima. O jovem sobre o assento agonizava com o buraco de tiro na barriga, recebido horas antes. A equipe "C" estava a postos. Oberdan, Carioca, Mangabeira e Caio, todos policiais civis paulistanos formados na arte da tortura pela cartilha do hoje general da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, insistiam em protagonizar o sofrimento com choques elétricos e batidas com uma madeira dura nas debilitadas pernas do rapaz. A cadeira era um instrumento de tortura pesado, com zinco em sua base. Na parte posterior havia terminais de choque, aplicados em todas as partes do corpo. Tinha também uma travessa de madeira que empurrava as pernas para trás. A cada espasmo do choque, as pernas batiam na travessa, causando ferimentos. Frederico Eduardo Mayr, 24 anos, pedia clemência a seus sarcásticos algozes. Em vão. Torturado por mais 72 horas ininterruptas, não resistiu e morreu. Frederico Eduardo Mayr era o do meio de uma família com três filhos. Alegre, comunicativo, tinha inclinação para as artes, principalmente as plásticas. Seus quadros continham cores vivas, mostrando o cotidiano de sua vida. Seu sonho era ser arquiteto. Filho de descendentes alemães e suíços, nasceu em Timbó em 1948 e enfrentou desde cedo uma educação rígida do pai. "Nada do que os filhos faziam era bom", recorda a mãe, Gertrud. A mãe sempre se preocupou com a educação dos filhos. Sempre que podia, levava as crianças a exposição de artes, concertos musicais e museus. Isso ficou mais freqüente quando a família se mudou para o Rio de Janeiro, onde o patriarca, Carlos Henrique, médico, iria clinicar. Frederico não tinha intimidade com a música; preferiu a pintura. Ao contrário de sua mãe, que sempre dedilhava canções clássicas no piano recostado na sala de estar da residência da família. Como não tinha muito dinheiro para comprar material, Frederico improvisava. Construía suas próprias telas, o que dava ainda mais originalidade a seu trabalho. Convivendo com a agitação cultural do Rio de Janeiro da década de 60, Frederico aos poucos construiu um círculo de amizades onde pôde debater política e sociedade sem constrangimentos. O grupo se reunia de tempos em tempos para discutir a situação do País, ações que pudessem ser feitas para melhorar as condições sociais da maioria da população. Daí para a militância foi um passo. Depois de 1968, integrou-se ao Movimento de Libertação Popular (Molipo) e passou a efetuar ações coordenadas com o grupo. Passou a viver na clandestinidade. Na versão oficial, teria sido preso em 23 de fevereiro de 1972, na avenida Paulista, quando fazia contatos com companheiros estabelecidos em São Paulo. O inquérito policial militar aponta para um tiroteio entre Frederico e policiais, quando ele foi ferido na barriga. Um documento encontrado posteriormente pela família no Dops dá detalhes do inacreditável tiroteio, em um texto recheado de contradições. Diz o documento "que os guerrilheiros, a bordo de um Fusca, começaram a atirar contra os policiais sem serem provocados". No combate que teria acontecido, só Frederico foi baleado e os demais ocupantes do veículo não foram mais citados, nem como presos, nem como foragidos. Frederico foi enterrado como indigente no cemitério de Perus e seus restos mortais só foram identificados oficialmente em 1992. "A arte amenizou minha dor" Blumenau - Demorou longos anos para que Gertrud Mayr convivesse com mais naturalidade com a perda trágica do filho Frederico. O ópio para a dor veio das artes. Foi só depois que começou a pincelar telas que ela conseguiu alento para continuar vivendo. "A arte amenizou minha dor da perda", reconhece Gertrud, enquanto passeia com as mãos pelas obras que faz questão de mostrar num ateliê improvisado na casa de idosos onde vive, em Blumenau. "Agora consigo falar sobre isso e entendo que o sacrifício dele está servindo. Um pouco, mas está servindo". Gertrud lembra da perseguição que a família teve de suportar enquanto Frederico não era detido. "É quase como morrer aos poucos", relembra, ao contar a revista de policiais na casa da família no Rio de Janeiro. "Um deles chegou a pegar o menino, o Luiz Roberto (outro filho) para interrogar", diz. Outro alívio para dona Gertrud foi encontrar os restos mortais do filho, na vala de Perus, em São Paulo. Foi um peso retirado dos ombros. "Se não tivesse recebido a identidade do meu filho não estaria assim, vivendo. Estaria um caco, talvez até em cadeira de rodas", acredita. No pequeno apartamento do lar onde vive, guarda fotos e quadros pintados por Frederico. Os irmãos Carlos Henrique, médico, 56 anos, e Luiz Roberto, arquiteto, 46, continuam sofrendo com a morte de Frederico. "À medida que o tempo vai passando fica ainda mais difícil lidar com tudo isso", reconhece Luiz Roberto. "Essas pessoas foram à luta, atrás de seus ideais. É um exemplo que fica", diz ele. Quando passou a viver na clandestinidade, Frederico perdeu um pouco do contato com a família. Ele foi julgado por participação em assalto a banco e condenado à revelia. O pai se recusou a pagar advogado, deixando o caso para a defensoria pública. "Quando Frederico pediu ajuda ao pai, ele não levou a sério", recorda Gertrud. Foi a partir da condenação que ele passou a viver na clandestinidade, depois de trancar a matrícula na faculdade de arquitetura. (LFA) Nome Frederico Eduardo Mayr Nascimento 1948, em Timbó/SC Profissão Estudante Militância Movimento de Libertação Popular (Molipo) Morto em 1972. Corpo localizado na vala de Perus e identificado em 1992. Enterrado no jazigo da família, no Rio de Janeiro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110118/530b8538/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7095 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110118/530b8538/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 18 19:17:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 18 Jan 2011 19:17:21 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Neoliberalismo_-_a_cara_do_capita?= =?iso-8859-1?q?lismo_contempor=E2neo_-_e_p=F3s_neoliberalismo=2E?= Message-ID: <56DC7FCCFFF1474EB918F14971FFCA39@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 17/01/2011 Neoliberalismo - a cara do capitalismo contemporâneo - e pós neoliberalismo O capitalismo passou por várias fases na sua história. Como reação à crise de 1929, fechou-se o período de hegemonia liberal, sucedido por aquele do predomínio do modelo keynesiano ou regulador. A crise deste levou ao renascimento do liberalismo, sob nova roupagem que, por isso, se auto denominou de neoliberalismo. Este impôs uma desregulamentação geral na economia, com o argumento de que a economia havia deixado de crescer pelo excesso de normas, que frearia a capacidade do capital de investir. Desregulamentar é privatizar, é abrir os mercados nacionais à economia mundial, é promover o Estado mínimo, diminuindo os investimentos em politicas sociais, em favor do mercado, é impor a precariedade nas relações de trabalho. A desregulamentação levou a uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo ao especulativo porque, livre de travas, o capital se dirigiu para o setor onde tem mais lucros, com maios liquidez e menos tributação: o setor financeiro. Porque o capital não está feito para produzir, mas para acumular. Se pode acumular mais na especulação, se dirige para esse setor, que foi o que aconteceu em escala mundial. O modelo neoliberal se tornou hegemônico em escala mundial, impondo as politicas de livre comércio, de Estados mínimos, de globalização do mercado de trabalho para os investimentos, entre outros aspectos. É uma nova fase do capitalismo, como foram as fases de hegemonia liberal e keynesiana. Não se pode dizer que seja a última, porque um sistema sempre encontra formas - mesmo que aprofundem suas contradições - se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo. Mas é uma fase difícil de ser superada, porque a desregulação tem muitas dificuldades para ser superada. Mesmo com a crise atual afetando diretamente os países do centro do capitalismo, provocada pela fata de regulação do sistema financeiro, ainda assim pouco ou quase nada foi feito para o controle do capital financeiro, justamente a origem da crise. Como já se disse: Obama salvou os bancos, achando que os bancos salvariam a economia dos EUA. Mas os bancos se salvaram às custas da economia norteamericana, que segue em crise. É difícil para o capitalismo desembaraçar-se do neoliberalismo, etapa que marca o final de um ciclo desse sistema. A discussão que se coloca é de se o modelo chinês representa vida útil e inteligência mais além do neoliberalismo ou do capitalismo. Se sua via de mercado se vale do mercado para superar o capitalismo ou se o mercado o vincula de obrigatória e estreita ao capitalismo. O certo é que ser de esquerda hoje é de lutar contra o neoliberalismo, não apenas resistindo a ele, mas sobretudo construindo alternativas a este modelo, allternativas que projetem para além do capitalismo. O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais. Tudo passa a ter preço, tudo pode ser compra e vendido, tudo é reduzido a mercadoria, em um processo que tem no shopping center sua utopia. Nesse caso, lutar pela superação do neoliberalismo é desmercantilizar, restabelecer e generalizar os direitos como acesso a bens e serviços, ao invés da luta selvagem no mercado, de todos contra todos, para obtê-los às expensas dos outros. Generalizar a condição do cidadão às expensas da generalização do consumidor. Do sujeito de direitos e não do dono de poder aquisitivo. Quanto mais se desmercantilizar, quanto mais se afirmar os direitos de todos, mais se estará criando esfera pública, às expensas da esfera mercantil (que eles chamam de privada). Essa pode ser a via de passagem do neoliberalismo como estágio do capitalismo à sua superação, a uma era pós-capitalista. Mas hoje o que nos une a todos é a luta por distintas formas de pós neoliberalismo - pela universailização dos direitos, pela extensão da cidadania em todas suas formas - politica, econômica, social, cultural -, pelo triunfo do Estado social contra o Estado mínimo, da esfera pública contra a esfera mercantil. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110118/94bd62c1/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3755 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110118/94bd62c1/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 19 20:18:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 19 Jan 2011 20:18:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_DEVANIR_JOS=C9_DE_CARVALHO_____________?= =?iso-8859-1?q?________-XII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem DEVANIR JOSÉ DE CARVALHO UM EXEMPLO DE RESISTENCIA E DE LUTA DE CLASSE OPERÁRIA Thainá Siudá e Fernanda Toscano Mineiro, nascido no dia 15 de julho de 1943, na cidade de Muriaé, Devanir era filho de José Carvalho e Esther Campos de Carvalho e irmão de Derli, Daniel, Joel, Jairo e Helena. Na década de 1950, sua família, de origem camponesa, mudou-se para São Paulo, para a região do ABCD. Era a época do início da instalação das indústrias metalúrgicas e automobilísticas na região.Juntamente com seus irmãos Derli, Daniel e Joel, com quem aprendeu o ofício de torneiro mecânico desde a adolescência, trabalhou nas indústrias da região - Villares e Toyota, entre outras. Em 1963, casou-se com Pedrina, com quem teve dois filhos: Carlos Alberto José de Carvalho e Ernesto Devanir José de Carvalho. A clandestinidade Em 1963, logo que se empregou, uniu-se ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, militou por reformas de base e participou de greves, passeatas operárias e outras formas de mobilização. Nesse mesmo ano ingressou no Partido Comunista do Brasil, no qual militou até 1964. Depois do golpe militar, mudou-se para o Rio de Janeiro, devido às perseguições, e lá continuou sua militância na clandestinidade, trabalhando como motorista de táxi. Em 1967, Devanir uniu-se à Ala Vermelha, dissidência do PCdoB. Em 1969, voltou para São Paulo e, depois de se desligar da Ala Vermelha, fundou o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). O que foi a Ala Vermelha A Ala Vermelha originou-se do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Este, por sua vez, é fruto de uma cisão no Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas considera-se o verdadeiro continuador do partido fundado em 1922. A ruptura deu-se a partir da crítica ao pacifismo do PCB, que se definira por mudar o sistema pela via institucional. Com o golpe de Estado de 1964, o PCdo B reafirma a Guerra Popular como caminho da luta revolucionária no Brasil, diferenciando-se do pacifismo do PCB e também da via da guerrilha urbana adotada pelas novas dissidências do PCB, a exemplo de Aliança Libertadora Nacional (ALN). A Conferência do PCdoB realizada em 1967 provocou divisões internas, entre as quais se situa a do grupo de militantes oriundos, em sua maioria, do movimento estudantil, e em menor escala de setores operários do ABCD paulista e de integrantes das Ligas Camponesas. Este grupo fundou uma nova organização chamada Ala Vermelha. A Ala Vermelha fez a crítica do PCdo B, fundamentalmente, em três aspectos: 1) - Análise da realidade brasileira, caracterizada como semifeudal, que exigiria uma etapademocrático-nacional. A Ala tendia a afirmar o caráter capitalista da economia brasileira; 2) - relegação, a segundo plano, da preparação da guerra popular. A Ala se propunha a"organizar um partido de novo tipo em função da luta armada"; 3) - autoritarismo dos dirigentes do PCdoB na condução dos debates relativos àsdivergências internas. Embora reafirmando a estratégia maoísta da Guerra Popular Prolongada, com o cerco das cidades pelo campo, a Ala Vermelha considerava a necessidade de implantação imediata de um foco guerrilheiro rural como embrião do futuro Exército Popular e a formação de grupos armados na área urbana, para ações de apoio ao campo. Partiu para a ação e foi o primeiro grupo a realizar ações armadas no Brasil, durante a ditadura militar, já no ano de 1968. Essas ações eram dirigidas pelo Grupo Especial Nacional (GEN), do qual participava Devanir Carvalho. Uma intensa repressão desencadeada em 69 levou a Direção Nacional a conduzir uma profunda reflexão interna, a qual levou às conclusões contidas num documento de 16 pontos. A autocrítica considerava que a organização vinha tendo uma prática militarista e reorientava a linha política para a realização de trabalho de massa, especialmente no meio operário e nos bairros populares. MRT - A hora e a vez das armas O Grupo Especial Nacional (GEN) não aceitou a reorientação e, saindo da Ala, criou o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), retomando o nome de uma organização criada por militantes das Ligas Camponesas, que se preparava para desenvolver a luta armada, quando foi dizimada logo após o golpe militar de 1964. Pequena, mas combativa e eficiente, já em dezembro de 1969, o MRT realizou ações armadas em conjunto com outros grupos guerrilheiros com os quais formou uma Frente (ALN, VPR e REDE). Foram assaltos simultâneos a dois bancos. Essa ação teve grande repercussão porque a ditadura militar vinha alardeando o "fim do terror", após o assassinato de Carlos Marighella, ocorrido em novembro daquele ano ( V. A Verdade, Ano I nr. 12 ). O MRT passou todo o ano de 1970, com a Frente, realizando ações armadas de expropriação e o seqüestro do cônsul-geral do Japão em São Paulo para obter a libertação de presos políticos. No início0 de 1971, começou um processo de debates para formulação de sua linha política, mas a repressão se abateu pesada e dizimou seus principais dirigentes (Devanir Carvalho, Joaquim Alencar de Seixas e Dimas Antônio Cassemiro, inviabilizando a continuidade do movimento político-militar. A prisão Por volta de 11 horas da manhã do dia 5 de abril de 1971, Devanir chegou à Rua Cruzeiro, n° 1111, Bairro de Tremembé, em São Paulo, onde foi recebido pela polícia com uma rajada de metralhadora, que o deixou imobilizado. Levado para o Deops, passou a ser torturado pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe. Foi assassinado por volta das 18 horas do dia 7 de abril de 1971. Segundo a versão policial, Devanir foi morto em confronto com a polícia, mas o próprio delegado Fleury fazia questão de deixar claro que pretendia prendê-lo e levá-lo à morte por meio de tortura. Esses avisos eram mandados pelos próprios irmãos de Devanir, que permaneceram presos de 1969 a 1970. Fleury dizia: "Avisem ao Henrique (nome de guerra de Devanir) que encomendei nos Estados Unidos um bastão tranqüilizante para poder pegá-lo vivo e que serei eu, pessoalmente, que o pegarei no pau". A família de Devanir prefere aceitar a versão de que ele foi morto em confronto com a polícia: "É melhor para nós. É muito difícil pensar que meu pai foi torturado até a morte", diz Ernesto, seu filho. Depois da morte de Devanir, Pedrina chegou a ficar presa durante um mês, passando por torturas e conseguindo ser solta em seguida. Em julho de 1971, refugiou-se no Chile juntamente com seus filhos. Em 1973, Joel e Daniel, irmãos de Devanir que se encontravam no Chile, fizeram uma tentativa de voltar ao Brasil para regressar à luta, mas a partir daí são considerados desaparecidos políticos, não tendo até hoje seus corpos sido encontrados. Pedrina só regressou ao Brasil com seus filhos, três meses antes da anistia, em 1978. Sem nenhuma fotografia que retrate o pai - todas foram levadas pela polícia -, Ernesto, filho de Devanir, diz que tentou formar a imagem da figura paterna: "Tenho uma foto em que ele está com o rosto coberto para não ser identificado. Há uma outra em que está comigo e meu irmão, mas foi tirada de muito longe e não dá para reconhecê-lo. O que restou foi uma foto 3x4, onde ele está disfarçado, barbeado e de óculos". O reconhecimento Devanir foi muito reconhecido em países como Portugal, Argentina, França e Brasil, onde sua família esteve exilada. Embora a polícia, cão-de-guarda da ditadura militar fascista, tenha feito de tudo para que Devanir fosse conhecido como criminoso, não conseguiu esconder o que ele foi, verdadeiro herói da luta pela libertação da classe operária do jugo da exploração capitalista. Hoje, sua história também é relembrada em uma escola municipal em Diadema, que se chama Devanir José de Carvalho e que comemorou seus 10 anos em outubro, servindo de exemplo para a juventude e a classe operária que ainda sofrem com a opressão do sistema capitalista. ____________________________________________________________________________________________________ FONTES - Dos Filhos deste solo, Nilmário Mário Miranda e Carlos Tibúrcio - Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964, Comissão de Familiares, Instituto de Estudo da Violência do Estado e Grupo Tortura Nunca Mais. - Perfil dos Atingidos. Projeto: Brasil: Nunca Mais, Arquidiocese de São Paulo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110119/ce25f49e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9616 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110119/ce25f49e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 19 20:18:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 19 Jan 2011 20:18:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O_Pasquim_=96_A_Subvers=E3o_do_?= =?windows-1252?q?Humor?= Message-ID: <2436FEBC66B149E8B672FFB582A4B52A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Antonio Ozaí da Silva Caro(a), bom dia! Informo que foi disponibilizado o vídeo O Pasquim ? A Subversão do Humor clique http://antoniozai.wordpress.com/2011/01/19/o-pasquim-a-subversao-do-humor/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110119/082b6c0c/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110119/082b6c0c/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 20 12:21:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 20 Jan 2011 12:21:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_S=F4nia_Maria_de_Moraes_Angel_Jones___?= =?iso-8859-1?q?_____-XIII-?= Message-ID: <5476023B7A934A8889E16588B05C6F0B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Sônia Maria de Moraes Angel Jones Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 9 de novembro de 1946, em Santiago do Boqueirão, Estado do Rio Grande do Sul, filha de João Luiz Moraes e Cléa Lopes de Moraes. Foi morta aos 27 anos em 1973, em São Paulo. Estudou no colégio de Aplicação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia e, posteriormente, na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ, mas não chegou a se formar, sendo desligada pelo Decreto nº477, de 24 de setembro de 1969. No Rio, trabalhava como professora de Português no Curso Goiás. Casou-se, em 18 de agosto de 1968, com Stuart Edgar Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Em 1° de Maio de 1969, foi presa por ocasião das manifestações de rua na Praça Tiradentes/RJ com mais três estudantes, levada para o DOPS e, posteriormente, para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Somente foi libertada em 6 de agosto de 1969, quando foi julgada e absolvida por unanimidade pelo Superior Tribunal Militar. Passou a viver na clandestinidade. Em maio de 1970 exilou-se na França, onde se matriculou na Universidade de Vincennes e, para se sustentar, trabalhou na Escola de Línguas Berlitz, em Paris, onde lecionava Português. Com a prisão e desaparecimento de Stuart pelos órgãos brasileiros de repressão política, Sônia decidiu voltar ao Brasil para retomar a luta de resistência. Ingressou na ALN e viajou para o Chile, onde trabalhava como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, indo morar em São Paulo. Em 15 de novembro de 1973 alugou um apartamento em São Vicente, junto com Antônio Carlos Bicalho Lana, com quem se unira. Seu apartamento passou a ser vigiado, sendo presa, juntamente com Antônio Carlos, no mesmo mês, por agentes do DOI-CODI/SP, tendo o II Exército divulgado a notícia de que morrera, após combate, a caminho do hospital (O globo 1º de dezembro de 1973). Foi assassinada sob torturas no dia 30 de novembro de 1973, juntamente com Antônio Carlos Bicalho Lana. A autópsia assinada pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine, apenas descreve as perfurações das balas, sem nada mencionar das torturas sofridas. Afirmam que o crânio sofreu corte característico da autópsia e que examinaram detidamente o corpo. Durante quase vinte anos a família investigou os fatos relacionados à prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos. Como resultado dessas investigações, a família produziu o vídeo "Sônia Morta e Viva", dirigido por Sérgio Waismann. A prisão do casal, em São Vicente, foi detalhadamente planejada, como constatou sua família, durante as investigações junto aos empregados do prédio em que Sônia e Antônio Carlos moravam. Ela costumava, assim que se mudou, tomar banho de sol numa prainha ligada ao prédio e, desde então era observada de um prédio próximo por agentes policiais, através de uma luneta. Dias depois, os mesmos agentes comunicaram aos empregados do prédio que moravam ali dois terroristas muito perigosos e para justificar tal afirmativa "empregaram-se" como funcionários do prédio e passaram a observá-los mais de perto. Certa manhã, bem cedo, quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir, já havia dentro do ônibus alguns agentes, inclusive uma senhora vestida de vermelho. Ao mesmo tempo, nas imediações da agência do Canal 1, São Vicente, já se encontravam vários agentes à espera de que um deles, pelo menos, descesse para adquirir passagens, pois as mesmas não eram vendidas no ônibus. Até hoje, a família não pôde precisar o dia exato da prisão, possivelmente num sábado, depois do dia 15 de novembro, fato este testemunhado por Celso Pimenta, motorista do ônibus, e Ozéas de Oliveira, vendedor de bilhetes, ambos da Agência Zefir. Existem duas versões a respeito da prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos. A versão do primo do pai de Sônia, coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOI-CODI de Brasília, amigo pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI de São Paulo: depois de presa, do DOI-CODI de São Paulo foi mandada para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangüe, onde recebeu dois tiros. A versão do Sargento Marival Chaves, membro deo DOI-CODI/SP: Sônia e Antônio Carlos foram presos e levados para uma casa de tortura na Zona Sul de São Paulo onde ficaram de cinco a dez dias, até morrerem, dia 30 de novembro de 73 e foram colocados, no mesmo dia, à porta do DOI-CODI/SP, para servir de exemplo. Ao mesmo tempo, foi montado um "teatrinho" - termo usado pelo sargento - para justificar a versão oficial de que foram mortos em conseqüência de tiroteio, no mesmo dia 30 (metralharam com tiros de festim um casal e os colocaram imediatamente num carro). Versão oficial publicada dia 1° de dezembro de 1973 em dois jornais: "O Globo" e "O Estado de São Paulo": Morte de Sônia e Antônio Carlos, a caminho do Hospital, após tiroteio em confronto com os agentes de segurança, na Avenida de Pinedo, no Bairro de Santo Amaro, cidade de São Paulo, altura do n° 836, às 15 horas. No arquivo do antigo DOPS/SP foi encontrado um documento da Polícia Civil de São Paulo-Divisão de Informações CPI/DOPS/SP que diz: "Consta arquivado nesta divisão uma cópia xerográfica do Laudo de Exame Necroscópico referente à epigrafada com data de 20 de novembro de 1973." (Teve o laudo assinado antes de morrer?). Apesar de haverem identificado Sônia Maria, os seus assassinos enterraram-na, como indigente, no Cemitério Dom Bosco, em Perús, sob o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. A troca proposital do nome de Sônia, demonstra a clara tentativa dos órgãos de repressão em esconder seu cadáver. A família de Sônia conseguiu obter através de processo de número 1483/79 na 1ª Vara Civil de São Paulo, a correção de identidade e retificação do Registro de Óbito. Oficialmente morta, a família pôde transladar seus restos mortais para o Rio de Janeiro, em 1981. Em 1982, na tentativa de apuração das reais circunstâncias da morte de Sônia, através de processo movido contra Harry Shibata, médico do IML/SP que atesta sua morte (inclusive assinando o atestado de óbito sob o nome falso e o laudo com nome verdadeiro), o IML/RJ constatou que os ossos entregues à família, enterrados no Rio de Janeiro, eram de um homem. Para sepultar dignamente os restos mortais de Sônia, a família teve que fazer várias exumações, que chegaram a seis. A última exumação apresentava um crânio, sem o corte característico de autópsia e a família não aceitou os restos mortais, por desconfiar que seria mais um engano do Instituto Médico Legal de S. Paulo. Em um de seus depoimentos à CPI realizada na Câmara Municipal de S. Paulo, Harry Shibata declarou que a descrição feita no laudo necroscópico de que houve corte de crânio, não corresponde à verdade, uma vez que essa descrição é apenas uma questão de praxe. Assim declarando, assumiu a farsa com que eram feitos os laudos. Após serem identificados pela UNICAMP, seu restos mortais, finalmente, foram trasladados para o Rio de Janeiro no dia 11 de agosto de 1991. De seu pai, o Tenente-Coronel da Reserva do Exército Brasileiro e professor de matemática, João Luiz de Morais: "Sônia Maria Lopes de Moraes, minha filha, teve seu nome mudado após o seu casamento com Stuart Edgar Angel Jones, para Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Ambos foram torturados e assassinados por agentes da repressão política, ele em 1971 e ela em 1973. Minha filha foi morta nas dependências do Exército Brasileiro, enquanto seu marido Stuart Edgar Angel Jones foi morto nas dependências da Aeronáutica do Brasil.Tenho conhecimento de que, nas dependências do DOI-CODI do I Exército, minha filha foi torturada durante 48 horas, culminando estas torturas com a introdução de um cassetete da Polícia do Exército em seus órgãos genitais, que provocou hemorragia interna. Após estas torturas, minha filha foi conduzida para as dependências do DOI-CODI do II Exército, local em que novas torturas lhe foram aplicadas, inclusive com arrancamento de seus seios. Seu corpo ficou mutilado de tal forma, a ponto de um general em São Paulo ter ficado tão revoltado, tendo arrancado suas insígnias e as atirado sobre a mesa do Comandante do II Exército, tendo sido punido por esse ato. Procedi a várias investigações em São Paulo, visando a aferição desses fatos, inclusive tentando manter contato, porém sem êxito, com esse General, tendo tido notícia de que o mesmo sofrera derrame cerebral, estava passando mal e de que sua família se opunha a qualquer contato e a qualquer referência aos fatos relativos a Sônia Maria. As informações sobre as torturas, o estupro, o arrancamento dos seios de Sônia Maria e os tiros, me foram prestadas pessoalmente pelo coronel Canrobert Lopes da Costa e pelo advogado Dr. José Luiz Sobral. Minha filha, em sua militância política, utilizava o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Em 1° de dezembro de 1973, ao ler no Jornal "O Globo" vi uma notícia sobre Esmeralda Siqueira Aguiar. Viajei imediatamente em companhia de minha mulher Cléa, de minha cunhada Edy, de minha outra filha, Ângela, e de meu futuro genro, Sérgio, para a cidade de São Vicente, dirigindo-me diretamente para a Rua Saldanha da Gama, 163, apto. 301, local onde residia Sônia Maria. Ao chegar a esse local, à noite, encontrei-o ocupado por alguns homens, em torno de 5 (cinco) ao que me recordo, membros das Forças da Segurança. Ao me recusar entregar minha carteira de identidade, cheguei a ser agredido. Após ter sido agredido, ameaçado de ser atirado do 3°andar e de ser metralhado por esses homens, consegui comunicar-me com o superior-de-dia do II Exército, em São Paulo, quando então, após identificar-me como Tenente-Coronel, consegui deste uma determinação por telefone diretamente a um dos 5 membros das Forças da Segurança, que me libertassem, mediante o compromisso de dirigir-me para um hotel em São Paulo, onde fiquei juntamente com minha mulher à disposição do II Exército e no dia seguinte prestei depoimentos no DOI-CODI. Durante esse depoimento, indaguei aos interrogadores a respeito do paradeiro do corpo de minha filha, sendo que um destes respondeu que o corpo só poderia ser visto com a autorização do Comandante do II Exército. Na tarde desse mesmo dia, viajei para o Rio de Janeiro em companhia de minha mulher para conversar com meu amigo, General Décio Palmeiro Escobar, Chefe do Estado Maior do Exército, já falecido, o qual me deu uma carta para ser entregue ao General Humberto de Souza Mello, carta essa em que o General Décio pedia "ao ilustre companheiro e amigo" que me liberasse, assim como minha mulher, de São Paulo, pois necessitávamos permanecer no Rio, onde dirigíamos um Colégio, bem como fosse liberado o corpo de Sônia para um sepultamento cristão. Regressando a São Paulo em companhia de minha mulher, no dia seguinte, dirigi-me ao Quartel do II Exército para entregar a mencionada carta, sendo certo que o General Humberto não quis receber-me, e a carta foi levada pelo então Coronel Hugo Flávio Lima da Rocha, que, ao voltar do gabinete do General, deu a seguinte resposta: "o General manda te dizer que, por causa desta carta, você está preso a partir deste momento" e, como seu velho companheiro de Realengo, faço questão de, pessoalmente, levá-lo para o Batalhão da Polícia do Exército. No Batalhão da Polícia do Exército, fiquei preso durante 4 (quatro) dias, vindo a ser liberado, sem maiores explicações mas com a recomendação de que "regressasse ao Rio, nada falasse, não pusesse advogado e aguardasse em casa o atestado de óbito de Sônia que seria remetido pelo II Exército e, quanto ao corpo, não poderia vê-lo pois havia sido sepultado". Somente decorridos muitos anos pude entender minha prisão, ou seja, naqueles dias Sônia Maria ainda estava viva e sendo torturada e, na medida em que era mantido preso, era possível evitar minha interferência, ao mesmo tempo que, com essa prisão, buscavam amedrontar toda a família. Apesar do desespero, das ameaças e do conseqüente apavoramento, a família continuou insistindo em conhecer os detalhes sobre a morte de Sônia Maria e, nessa procura, o referido advogado, José Luiz Sobral, que se dizia amigo comum da família e do General Adir Fiúza de Castro, então Comandante do DOI-CODI do Rio de Janeiro, prontificou-se em obter esclarecimentos diretamente com esse General. O Dr. José Luiz Sobral, ao retornar das dependências do DOI-CODI do I Exército, claudicava um pouco, e insinuava 'ter levado umas cassetadas', trazendo-me um presente inusitado: um cassetete da Polícia do Exército, mandado pessoalmente pelo General Fiúza para a família, com a recomendação que não falasse mais sobre o assunto, pois 'todos estavam falando demais'. Na ocasião, a família guardou o cassetete sem lhe dar maior importância e só recentemente, há uns 2 (dois) anos, é que pude fazer a interligação dos acontecimentos, ou seja, conclui estarrecido que o verdadeiro significado desse presente é que o mesmo General Fiúza nos enviava, como advertência, o próprio instrumento que provocara a morte de Sônia Maria. Este cassetete se encontra em meu poder, podendo ser apresentado a qualquer tempo. A partir da morte de Sônia, todo final de semestre, nas Declarações de Herdeiros que prestava ao Ministério do Exército, colocava Sônia Maria Lopes de Moraes como minha herdeira, assinalando sempre que 'presumivelmente morta pelas Forças de Segurança do II Exército, deixo de apresentar a certidão de óbito porque não me foi fornecida ainda pelo II Exército, conforme prometido'. Essas declarações causavam mal-estar entre os militares, tendo sido aconselhado pelo chefe da pagadoria do Exército a requerer a certidão diretamente ao Comandante do II Exército. Apresentado o requerimento, em setembro de 1978, recebi uma correspondência onde o General Dilermando Gomes Monteiro, então Comandante do II Exército, afirmava que 'não cabe ao II Exército fornecer o atestado solicitado. No Cartório de Registro Civil do 20° Sub Distrito - Jardim América/SP, foi registrado o óbito de Esmeralda Siqueira Aguiar, filha de Renato A. Aguiar e de Lucia Lima Aguiar. O requerente procure o Cartório em causa, se assim o desejar.' O documento acrescentava, ainda, que 'mandara retirar do Cartório referido, por pessoa indiscriminada, uma certidão de óbito registrada, que fora fornecida sem qualquer problema'. A referida correspondência, subscrita pelo Comandante do II Exército, foi o primeiro reconhecimento oficial da morte de Sônia Maria. Apesar de ter requerido o atestado de óbito em nome de Sônia Maria Lopes de Moraes, a resposta do Comandante do II Exército foi a entrega de uma certidão de óbito em nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Tempos depois da entrega desse atestado de óbito, tomei conhecimento de um outro documento, 'Auto de Exibição e Apreensão', datado de 30 de novembro de 1973, em cujo verso há uma nota do DOI-CODI do II Exército, onde, no final, consta um 'em tempo: material encontrado em poder de Esmeralda Siqueira Aguiar, cujo nome verdadeiro é Sônia Maria Lopes de Moraes. No Cemitério de Perus, consegui encontrar o registro de sepultamento de Esmeralda Siqueira Aguiar, na Quadra 7, Gleba 2, Terreno 486, com algumas rasuras, em datas principalmente. Nessa oportunidade, os ossos de Sônia não podiam ser exumados porque estava sepultado na parte de cima um outro cadáver. Tivemos que aguardar ainda 3 (três) anos para a pretendida exumação, ocorrida em 16 de maio de 1981. Nessa ocasião reclamei das divergências existentes entre o que constava do laudo assinado pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine e a realidade da ossada retirada, pois, ao contrário do que constava nesse laudo, o crânio que seria o de Sônia não apresentava nenhum orifício de entrada ou saída de projétil de arma de fogo e estava inteiro. Apesar dessas discrepâncias, levamos os ossos para o Rio de Janeiro, sepultando-os no Cemitério Jardim da Saudade, mais precisamente no Lote 18874, Espaço B, Setor IV, e, durante um ano, todos os sábados, juntamente com minha mulher, ia ao Cemitério e levava flores em homenagem a minha filha. Além da ação proposta na I Vara de Registros Públicos para retificação de identidade, intentamos outra na Auditoria Militar de São Paulo, pleiteando a abertura de IPM para averiguar as verdadeiras causas da morte de minha filha, bem como a falsidade da certidão e laudo assinados por Harry Shibata e Antonio Valentine. Esse processo, na Auditoria Militar, teve seu curso normal até que o Comandante da II Região Militar, General Alvir Souto se negou a cumprir determinação do Juiz para a abertura de IPM, alegando insuficiência de provas. Nessa ocasião a Juíza Dra. Sheila de Albuquerque Bierrembach determinou a exumação dos restos mortais sepultados no Cemitério Jardim da Saudade, bem como o seu exame pelo IML do Rio de Janeiro, constatando esse Instituto que aquela ossada não pertencia a Sônia, mas sim a um homem, negro, de aproximadamente 33 anos de idade. Diante do estranho resultado dessa última exumação, a mesma Juíza Sheila Bierrenbach determinou que se fizessem, no Cemitério de Perus, tantas exumações quantas fossem necessárias até serem encontrados os restos mortais de Sônia Maria. Nessa busca, participei juntamente com minha mulher, familiares e amigos ainda de mais 4 exumações nesse mesmo Cemitério de Perus. Terminada a última dessas exumações foi encontrada uma ossada, que poderia ser a de Sônia. Porém, o crânio encontrado também não estava seccionado e os orifícios de entrada e saída de projéteis não coincidiam inteiramente com o laudo. Não tínhamos então a ficha dentária de Sônia, que havia sido perdida por seu dentista no Rio de Janeiro, Dr. Lauro Sued. Não tínhamos elementos de convicção para aceitar aqueles restos mortais como sendo os de Sônia e, por isso, tentamos impugnar as conclusões do IML de São Paulo, apresentando 11 quesitos e 10 fotografias do crânio de Sônia quando esta tinha 11 anos de idade. A juíza, Dra. Sheila, finalmente, aceitou a conclusão do IML de São Paulo, no sentido de que aqueles eram, oficialmente, os restos mortais de Sônia Maria de Moraes Angel Jones." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110120/8f5fc423/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110120/8f5fc423/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14561 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110120/8f5fc423/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 20 12:21:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 20 Jan 2011 12:21:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__eltheatro=2Ecom___=22Miguel_Hern?= =?iso-8859-1?q?=E1ndez=3A_cem_anos_de_um_poeta_comunista=22?= Message-ID: <9ADB1DC5B42840DEAC17112434936D40@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem "Miguel Hernández: cem anos de um poeta comunista" (clique) http://www.eltheatro.com/eltheatro71.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110120/e62420ff/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110120/e62420ff/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 20 12:21:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 20 Jan 2011 12:21:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Civiliza=E7=E3o_ou_Barb=E1rie?= Message-ID: <4CA874CD4C2F40F8AD9F66DFA2D41C66@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Pedro Castilho Declaração final do III Encontro Civilização ou Barbárie Reunidos na cidade portuguesa de Serpa, os participantes no III Encontro Internacional Civilização ou Barbárie - Desafios do Mundo Contemporâneo lançam um alerta quanto ao agravamento da crise global do sistema capitalista. a.. Constatam que pela evolução dessa crise - política, social, financeira, económica, militar, energética, cultural e ambiental - o capitalismo, na sua escalada de agressividade, se tornou um factor de regressão absoluta da civilização, ameaçando a própria continuidade da vida na Terra. b.. Sublinham que os EUA, núcleo do sistema capitalista, optaram por uma estratégia de terrorismo de Estado que assume matizes genocídas nas suas guerras asiáticas. c.. Identificam na União Europeia um bloco politico-económico-militar ao serviço do capital monopolista, empenhado em impor, através do chamado Tratado Constitucional, um reforço da integração capitalista, aprofundando o seu carácter federalista, neoliberal e militarista. d.. Saúdam a resistência dos povos europeus à ofensiva em curso contra os seus direitos e garantias,contra as soberanias nacionais e a democracia, ofensiva que promove o desemprego e a pauperização, favorece o grande capital, e suprime direitos laborais e sociais,sobretudo nos sectores da Saúde, da Educação, da segurança social,destruindo conquistas históricas dos trabalhadores, e atingindo com particular violência as mulheres trabalhadoras. As gigantescas manifestações de protesto em França, em Espanha, Italia, Portugal e sobretudo na Grécia confirmam que a radicalização da luta de massas, como resposta à violência do sistema, se amplia a nível continental. e.. Condenam as guerras imperiais que atingem os povos do Iraque e do Afeganistão, agredidos e ocupados e os monstruosos crimes ali cometidos pelas forças armadas dos EUA e da NATO, com a aprovação e cumplicidade do Governo português; denunciam como farsa os calendários de retirada das tropas invasoras; advertem que autênticos exércitos de mercenários se comportam na Região como hordas fascistas; e saúdam a resistencia dos povos iraquiano e afegão em luta pela liberdade e independencencia. f.. Manifestam a sua solidariedade com o povo mártir da Palestina e o povo do Líbano no seu combate heróico contra o sionismo neofascista. Denunciam o Tribunal Especial das Naçóões Unidas sobre o Líbano como mero serventuário dos EUA e de Israel. Denunciam a hipocrisia da falsa política de paz do governo Obama, aliado incondicional do sionismo e do Estado terrorista de Israel. g.. Advertem contra o perigo de uma agressão iminente dos EUA e de Israel ao povo do Irão - agressão que poderia ser o prólogo da III Guerra Mundial - e denunciam a campanha de desinformação montada para deformar a imagem daquela nação que foi berço de grandes civilizações. h.. Alertam para a política de cerco militar e guerra fria que os EUA conduzem contra a República Popular da China. i.. Condenam as intervenções militares directas e indirectas do imperialismo estadounidense na America Latina; denunciam o regresso da IV Frota da US Navy a águas sul americanas e a instalação de 7 novas bases norte-americanas na Colômbia e reclamam o encerramento de todas as existentes no Continente, incluindo a de Guantanamo, ocupada ilegalmente em Cuba. j.. Denunciam a participação do governo dos EUA, através da CIA e do Pentágono, no golpe de estado nas Honduras e na fracassada intentona no Equador e saúdam as conquistas democráticas e as medidas anti-imperialistas alcançadas pelos governos progressistas de Evo Morales na Bolívia e de Rafael Correa no Equador. k.. Saúdam a luta, corajosa e difícil, de uma percentagem crescente de cidadãos norte-americanos contra as engrenagens de um sistema de poder cuja ambição e irracionalidade configuram ameaça à humanidade e sublinham que as esperanças suscitadas pela eleição de Barack Obama se desvaneceram à medida que se tornou evidente que o novo presidente dava continuidade no fundamental à política externa de George Bush - agravando-a mesmo, como sucede no Afeganistão e na América Latina - e, no plano interno, actuava como aliado do capital contra os trabalhadores. l.. Saúdam calorosamente o povo da Venezuela pelos avanços realizados no desenvolvimento da Revolução Bolivariana, e pela firmeza perante o imperialismo estadounidense e na defesa do projecto de construção de uma sociedade socialista. m.. Reclamam o fim do bloqueio imposto a Cuba pelos EUA e da «Posição Comum da UE»,ambos instrumentos do imperialismo. Sublinham que a sua revolução socialista e a heróica resistência do seu povo a meio século de guerra não declarada foi factor decisivo para o fortalecimento em todo o continente da resistência ao imperialismo norte-americano. Sem essa resistência e exemplo, os avanços revolucionarios registados na Venezuela não teriam sido possiveis, nem a emergência de governos progressistas noutros países. n.. Saudam as primeiras manifestações da classe operária e dos trabalhadores da Rússia contra a exploração desencadeada pela restauração capitalista em curso no país. o.. Saudam a campanha internacional «Gaza Livre» pelo levantamento do criminoso bloqueio a Gaza. p.. Condenam os crimes cometidos pelo governo de Uribe Velez na Colômbia nos quais desempenhou importante papel o actual presidente Juan Manuel Santos e lembram que a solidaridade da União Europeia com o regime neofascista colombiano dificulta uma solução negociada para o conflito existente naquele pais pela qual tem lutado corajosamente o seu povo. Exprimem a sua solidariedade com a senadora Piedad Cordoba e as vítimas do terrorismo de estado. q.. Constatam que o crescimento económico capitalista, baseado no aumento do consumo, mobiliza fluxos colossais de materiais e de energia, causando a degradação e a exaustão de recursos naturais finitos - nomeadamente o petróleo que neste momento atinge o nível máximo de produção possível - ameaçando os processos de renovação natural. Ao invés do bem-estar das populações, o crescimento económico capitalista desfigura assim a relação harmoniosa do Homem com a Terra que habita e que é património comum da humanidade, destruindo o ambiente necessário à vida e os recursos indispensáveis à produção de bens essenciais. r.. Alertam para a necessidade imperiosa do combate à alienação de grande parte da humanidade, envenenada pelo massacre mediático de uma comunicação social - controlada pelo imperialismo - que desinforma e manipula, disseminando a mentira e ocultando a realidade em escala mundial. s.. Apelam ao reforço da defesa da diversidade cultural e da resistência cultural e linguística, contra a hegemonização e a colonização do espaço mediático, comercial, cultural, científico pela expressão anglo-saxónica, enquanto «língua de trabalho» do imperialismo. t.. Proclamam a convicção de que o marxismo - e em particular o seu núcleo fundador assente na obra de Marx e Engels - continua a ocupar um lugar central entre as referências teóricas mobilizadas não somente pelos comunistas mas também pelos progressistas do mundo. A reapropriação e o reforço do marxismo, da sua metodologia e dos seus conceitos, como pensamento da crítica e da transformação do mundo, nem dogmático nem domesticado, e a herança do marxismo-leninismo, continuam a ser uma necessidade absoluta da luta ideológica e na justa definição da estratégia e da táctica das forças que se empenhem no combate anti-capitalista e anti-imperialista. Contra o sistema totalitário de desinformação, de alienação e de manipulação das massas, o marxismo-leninismo permanece como a arma intelectual mais preciosa nas mãos dos trabalhadores e dos povos que resistem. Renunciar a ele equivaleria a desistir da luta pelo socialismo. u.. Denunciam o carácter profundamente reaccionário das campanhas de criminalização do comunismo, recordam as consequências trágicas do desaparecimento da União Soviética e expressam a convicção de que o socialismo é a única alternativa ao sistema capitalista que, ao entrar na fase senil, optou por uma estratégia de desespero e exterminista, que ameaça reconduzir a humanidade à barbárie. v.. Registam o significado das comemorações do I Centenário da Republica Portuguesa, sublinhando a importância decisiva da participação do povo na revolução do 5 de Outubro de 1910 e nas suas conquistas políticas. w.. Constatam com alegria e esperança a intensificação das lutas dos trabalhadores em escala mundial, bem como a resistência às guerras de agressão, designadamente nos EUA, centro do sistema de dominação, e sublinham que o reforço da solidariedade internacionalista entre os explorados e os excluídos de todo o mundo é imprescindivel à globalização do combate contra o inimigo comum: o capitalismo e o imperialismo. Serpa, 1 de Novembro de 2010 O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=1798 Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110120/a2717224/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 21 19:01:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 21 Jan 2011 19:01:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_Soledad_Barret_Viedma__________-XIV-?= Message-ID: <515C191D70274819BA70A296E149B233@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Soledad Barret Viedma Em 08 de janeiro fez 37 anos que Soledad Barret Viedma foi assassinada. Ela era militante da VPR - Vanguarda Popular Revolucionária e estava grávida de 7 meses. O pai da criança assassinada ainda em seu ventre era o controverso Cabo Anselmo: o próprio delator de seu esconderijo em uma chácara no loteamento de São Bento, no município de Paulista, em Pernambuco. Junto com outros companheiros de guerrilha, Eudaldo Gomes da Silva, Pauline Reichstul, Evaldo Luís Ferreira de Souza, Jarbas Pereira Marques e José Manoel da Silva, que são torturados e mortos pelo assassino profissional a serviço da ditadura, delegado Sérgio Paranhos Fleury do DOPS Paulista, amigo de Erasmo Dias, que faleceu recentemente sem responder a um processo sequer. O episódio ficou conhecido como "massacre da chácara São Bento". Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu em 6 de janeiro de 1945, no Paraguai. Casada com José Maria Ferreira de Araújo (desaparecido), tiveram uma filha, que hoje vive no Estado de Santa Catarina. Foi assassinada sob torturas no Massacre da Chácara São Bento, ocorrido no dia 8 de janeiro de 1973, pela equipe do delegado Sérgio Fleury. Juntamente com Soledad, que estava com 4 meses de gravidez, foram assassinados Pauline Reichstul, Eudaldo Gomes da Silva, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva e Evaldo Luiz Ferreira. As circunstâncias do massacre que vitimou Soledad e seus companheiros estão na nota referente a Eudaldo Gomes da Silva. De sua irmã Namy Barret: "Seu nome refletia a ausência de nosso pai, que já nessa época era perseguido por suas idéias políticas, como o fora também seu pai, nosso avô, o escritor Rafael Barret. Quando Soledad tinha apenas 3 meses tivemos que fugir para a Argentina, onde passamos a viver num pequeno povoado às margens do Rio Paraná, durante 5 anos; quatro dos quais, nosso pai esteve preso ou perseguido, tanto pela polícia paraguaia como argentina. Regressamos ao Paraguai e Soledad, com seus cinco anos e sua maneira de ser tão doce, se converteu na adoração de quem a via. Tinha uma forma de falar pausada que lhe valeu o apelido de 'viejita' entre seus irmãos. Era uma criatura formosa, de cabelos cor de ouro, macios e longos, pele branca e sobrancelhas de cor castanho escuro, quase negro. Não gostava de caminhar, preferia sentar-se e inventar histórias entre longos suspiros que provocavam o riso e manifestações de carinho de todos que a ouviam... Adolescente e exilada no Uruguai, dona de uma graça especial para a dança folclórica, se converteu pouco a pouco no símbolo da juventude paraguaia nesse país, tanto que não havia um ato de solidariedade em que ela não era a artista convidada. Eram tempos de mudanças no Uruguai, a tradição democrática ia perdendo terreno, estava sendo minada. No dia 1° de julho de 1962, Soledad foi raptada por um grupo néo-nazista que a colocou em um automóvel e, sob ameaças de todos os tipos, quiseram obrigá-la a gritar palavras de ordem totalmente contrárias às suas idéias. Soledad se negou. Então, com uma navalha lhe gravaram na carne uma cruz gamada, símbolo de Hitler e a abandonaram em um local escuro, atrás do parque zoológico de Villa Dolores. Era o começo das perseguições, prisões e torturas no Uruguai. Soledad, de vítima passou a ser 'culpada' para a polícia e foi de tal forma a perseguição que teve que ir-se. Esteve muitos anos longe de sua família, de sua terra. Um dia conheceu José Maria, se amaram e tiveram uma filha, mas o destino estava traçado, e ele retornou a seu Brasil. Ela em vão o esperou por mais de um ano e decidiu vir a seu encontro. O fruto desse amor é o mais fiel testemunho do triste destino do nosso Continente. Crianças sem pais, sem o direito de serem crianças, sem o direito à felicidade. (Namy Barret - transcrito do Boletim "Hasta Encontrarlos!", publicação da Federação Latinoamericana de Familiares de Desaparecidos - FEDEFAM, Ano IX, n° 46, mayo-junio de 1991.) Os Relatórios dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica dizem que "foi morta em Paulista/PE em 8 de janeiro de 1973 ao reagir a tiros à ordem de prisão dada pelos agentes de segurança." Fora casada anteriormente com José Maria Ferreira de Araújo, desaparecido e provavelmente assassinado, responsável por sua vinda para o Brasil. Viveu na Argentina e no Uruguai, onde foi raptada por um grupo néo-nazista que a colocou em um automóvel e, sob ameaças de todos os tipos, quiseram obrigá-la a gritar palavras de ordem totalmente contrárias às suas idéias. Ela se negou e então, com uma navalha lhe gravaram na carne uma cruz gamada, símbolo de Hitler e a abandonaram em um local escuro, atrás do parque zoológico de Villa Dolores. Para a polícia uruguaia, também vivendo em época de ditadura, foi considera não vítima, mas culpada. Sua situação era insustentável. Um dia conheceu José Maria, se amaram e tiveram uma filha, mas o destino estava traçado, e ele retornou a seu Brasil. Ela acabou por vir um ano mais tarde. A filha de Soledad vive hoje em Santa Catarina. Os torturadores e assassinos crivaram de balas os cadáveres dos seis combatentes, jogaram várias granadas na casa da referida chácara, com o objetivo de aparentar um violento tiroteio, dizendo que lá se realizava um suposto congresso da VPR. Na versão oficial, constava que José Manoel da Silva teria sido preso e conduzido os policiais até o local onde se realizava o congresso, sendo morto pelos próprios companheiros durante a invasão. No tiroteio travado, teria conseguido escapar Evaldo Luís Ferreira de Souza que, no dia seguinte, foi localizado no município de Olinda, numa localidade chamada "Chã de Mirueira" - Jatobá, e ao resistir à prisão, teria sido morto. Segundo ainda a nota, só Jarbas Pereira Marques teria morrido no local, sendo que os outros morreram, em conseqüência dos ferimentos recebidos. Na realidade, todos foram presos pela equipe do delegado Sérgio Fleury, que os torturou até a morte, na própria chácara. Cabo Anselmo foi um dos estopins da revolução de 1964 ao ter sido líder do protesto dos marinheiros. O então ministro de João Goulart prendeu todos os integrantes do motim mas o presidente destituiu o ministro e anistiou os revoltosos. Com a instalação da ditadura, Anselmo, que na realidade era soldado e não cabo, fugiu do Brasil, esteve no Urugai, foi para Cuba aprender táticas militares e retornou na clandestinidade. Em 1970 foi preso pelo mesmo Fleury e, para preservar sua vida, tornou-se (já era) agente duplo, atuando ao lado da guerrilha e fornecendo informações à ditadura, o que causou o assassinato de vários companheiros. Chegou a solicitar reconhecimento como vítima da repressão e solicitou aposentadoria com base em sua patente na Marinha Brasileira. Época conturbada na qual não haviam direitos. Muito menos humanos. Época que deve ser lembrada. Assassinatos que devem ser investigados e julgados, pois se deram sem direito algum, sem julgamento e com requintes de crueldade. Hoje, os amigos da ditadura querem que, como no passado, Soledad seja apontada, pela segunda vez, como culpada e não como vítima. ====================================================================================================== Um poema-homenagem de Mario Benedetti MORTE DE SOLEDAD BARRET Viveste aqui por meses ou por anos traçaste aqui uma reta de melancolia que atravessou as vidas e a cidade Faz dez anos tua adolescência foi notícia te marcaram as coxas porque não quiseste gritar viva hitler nem abaixo fidel eram outros tempos e outros esquadrões porém aquelas tatuagens encheram de assombro a certo uruguai que vivia na lua e claro então não podias saber que de algum modo eras a pré-história do íbero agora metralharam no recife teus vinte e sete anos de amor de têmpera e pena clandestina talvez nunca se saiba como nem por quê os telegramas dizem que resististe e não haverá mais jeito que acreditar porque o certo é que resistias somente em te colocares à frente só em mirá-los só em sorrir só em cantar cielitos com o rosto para o céu com tua imagem segura com teu ar de menina podias ser modelo atriz miss paraguai capa de revista calendário quem sabe quantas coisas porém o avô rafael o velho anarco te puxava fortemente o sangue e tu sentias calada esses puxões soledad solidão não viveste sozinha por isso tua vida não se apaga simplesmente se enche de sinais soledad solidão não morreste sozinha por isso tua morte não se chora simplesmente a levantamos no ar desde agora a nostalgia será um vento fiel que flamejará tua morte para que assim apareçam exemplares e nítido as franjas de tua vida ignoro se estarias de minissaia ou talvez de jeans quando a rajada de pernambuco acabou completo os teus sonhos pelo menos não terá sido fácil cerrar teus grandes olhos claros teus olhos o­nde a melhor violência se permitia razoáveis tréguas para tornar-se incrível bondade e ainda que por fim os tenham encerrado é provável que ainda sigas olhando soledad compatriota de três ou quatro povos o limpo futuro pelo qual vivias e pelo qual nunca te negaste a morrer. Mario Benedetti ================================================================================================== Amigos, aquilo que há muitos e muitos anos eu sentia por todos os poros e sentidos, aquilo que meu faro pressentia, que a hora de Soledad Barret Viedma se acercava, agora chegou. Em julho, a Boitempo Editorial publicou o meu, o nosso livro, "Soledad no Recife". (Urariano Mota) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110121/82b31b7b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 7010 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110121/82b31b7b/attachment-0002.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 26332 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110121/82b31b7b/attachment-0003.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 21 19:01:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 21 Jan 2011 19:01:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Mat=E9ria_sobre_Amor_e_Revolu=E7?= =?iso-8859-1?q?=E3o!__=5B1_Anexo=5D__Ao_final_de_mar=E7o_uma_novel?= =?iso-8859-1?q?a_sobre_a_ditadura_no_SBT?= Message-ID: <85E1E98A9C0F4D6FBC8EF9C1D43795AC@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem [Anexos de Vanderley - Revista incluídos abaixo] Companheiros, Segue matéria sobre Amor e Revolução publicada no Estado de Minas. ATT, Caros, segue matéria sobre Amor e Revolução publicada no Estado de Minas. abraço __._,_.___ Anexo(s) de Vanderley - Revista 1 de 1 arquivo(s) emc2101p0001.pdf -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110121/27f9ae00/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28209 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110121/27f9ae00/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 21 19:01:56 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 21 Jan 2011 19:01:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Cem_anos_de_Werneck_Sodr=E9?= Message-ID: <2DE1A4CCD2D64BB987A450612FBB7D5B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Portal Vermelho Nelson Werneck Sodré, os cem anos do historiador marxista É formada em Itu (SP) uma comissão de historiadores, intelectuais e familiares do general e historiador marxista para comemorar seus cem anos, que se completam em 2011. Por José Carlos Ruy * O decano dos historiadores marxistas brasileiros, Nelson Werneck Sodré, completaria cem anos de idade em 2011. E , para comemorar a data, um grupo de historiadores e intelectuais, juntamente com a filha do historiador, Olga Sodré, começaram um movimento sediado, simbolicamente, na cidade de Itu (SP). A escolha do local tem sentido pois Nelson Werneck Sodré teve fortes ligações com a cidade, onde está inclusive sepultado. Foi no quartel do Regimento de Artilharia (o Regimento Deodoro) sediado em Itu, para onde veio no início da década de 1930 como aspirante a oficial, que teve seus primeiros postos. Foi também em Itu que conheceu uma moça chamada Yolanda Frugoli, com quem viria a se casar. Destacou-se como um militar nacionalista, ligado depois ao Partido Comunista Brasileiro. Como intelectual e historiador, foi um dos fundadores na década de1950 do influente Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), instrutor de história militar da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, da qual foi desligado devido às suas posições políticas nacionalistas e à participação na campanha O Petróleo é Nosso e à publicação de um artigo, sob pseudônimo, onde defendia as posições comunistas contrárias à participação do Brasil na Guerra da Coréia. Seu último posto militar, na ativa, foi a promoção a coronel (1961). Assim, passou para a reserva no posto de general de brigada. Livros clássicos Nelson Werneck Sodré foi um dos pioneiros da historiografia marxista no Brasil, juntamente com Caio Prado Jr. Sua extensa obra começou a ser publicada na década de 1930, inaugurada em 1938 com o clássico Historia da Literatura Brasileira. Em 1939, outro clássico da historiografia imperial, o Panorama do Segundo Império. Aprofundou a visão marxista do passado brasileiro em 1944, com Formação da Sociedade Brasileira. No ano seguinte surgiu também a primeira edição de um guia fundamental para o estudo de nosso passado, o livro O Que Se Deve Ler Para Conhecer o Brasil, que mereceu sucessivas reedições. Nos anos seguintes, publicou alguns clássicos, como As Coasses Solciais no Brasil (1954), A ideologia do Colonialismo (1961), Formação Histórica do Brasil (1962) e, na primeira metade da década de 1964, a prestigiadíssima e perseguidíssima História Nova do Brasil, uma sistematização didática de nosso passado elaborada, por uma equipe de historiadores dirigida por Nelson Werneck Sodré, com base no materialismo histórico. Depois do golpe militar de 1964, a obra foi apreendida e destruída pelos militares e seus autores presos. Nos anos seguintes vieram As razões da Independência, História Militar do Brasil, História da Burguesia Brasileira, História Militar do Brasil, História da Imprensa no Brasil, antologias do pensamento marxista como Fundamentos da Economia Marxista, Fundamentos da Estética Marxista, Fundamentos do Materialismo Histórico e Fundamentos do Materialismo Dialético que, entre outros títulos (Werneck publicou até às vésperas de sua morte, em 1999), compõem um impressionante conjunto de obras dedicadas a esquadrinhar o passado brasileiro a partir do pensamento marxista e a difundir entre nós o pensamento avançado e progressista. No debate sobre o desenvolvimento nacional, nas décadas de 1950 e 1960, Nelson Werneck posicionou-se claramente ao lado dos setores nacionalistas e democráticos que preconizavam a superação das oligarquias latifundiárias e financeiras cujo domínio ainda infelicitava o país. Foi um lutador incansável contra o imperialismo e contra seus aliados internos e depositou uma confiança muito grande na capacidade de uma aliança entre o proletariado e a chamada burguesia nacional superar aquelas contradições, assegurar a democracia e a soberania nacional e alcançar o bem estar para todos os brasileiros. Nacional desenvolvimentismo Foi, nestas condições, um dos principais - senão o principal - teórico do nacional desenvolvimentismo que reunia todos os setores avançados e progressistas (dos comunistas aos democratas e patriotas) que prevaleceu naquela época e opôs-se duramente, durante os governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck e João Goulart, à direita retrógrada, anti democrática e anti nacional que, em 1964, terminou por colocar um fim, pelo golpe militar, à limitada experiência democrática iniciada em 1946. Nelson Werneck esteve entre os perseguidos políticos, tendo seus direitos políticos cassados e sendo proibido de lecionar. A aposta na capacidade da burguesia brasileira de enfrentar o imperialismo, o latifúndio e seus aliados, talvez tenha sido principal limitação do nacional desenvolvimentismo e, assim, do próprio pensamento de Nelson Werneck Sodré. A violência do golpe militar e a quase unânime adesão da classe dominante brasileira a ele (inclusive setores decisivos da "burguesia nacional") foi um cruel desmentido daquela esperança. O que veio depois e que, durante vinte anos, impôs as trevas da repressão e do arbítrio, foi exatamente o contrário do que o nacional desenvolvimentismo esperava. Ao invés de se aliar ao proletariado, a burguesia e a classe média aliaram-se ao latifúndio, ao imperialismo e à alta finança, inaugurando um período em que a democracia foi tratada a ponta-pés e a soberania do país reduzida à incorporação subordinada aos interesses da geopolítica norte-americana. O general historiador foi um gigante, e a crítica às suas teses só é possível, hoje, pois sua obra abriu os caminhos para o aprofundamento do conhecimento histórico. Aquela contradição que apontou, e que opõe os aliados do imperialismo (que, hoje, chamamos de neoliberais) aos setores patrióticos, democráticos e progressistas continua atual e suas ideias ajudam a entender o caráter da luta política em curso no país e a necessidade de enfrentar aqueles setores retrógrados e de direita para que o país continue a avançar. Esta é a atualidade de seu pensamento. Ano comemorativo Daí a relevância da comemoração de seu centenário. A comissão formada na última quinta-feira (6), em Itu, em uma reunião realizada no Centro de Estudos do Museu Republicano e composta por sua filha Olga, pelos professores Jonas Soares de Souza, Maria de Lourdes Figueiredo Sioli, Luis Roberto de Francisco, pelos intelectuais Maria Cristina Monteiro Tasca e Alan Dubner e pelo jornalista Salathiel de Souza, tem um programa ambicioso. Ela pretende fomentar iniciativas locais e nacionais para comemorar a data, transformando 2011 no Ano Nelson Werneck Sodré. O objetivo é envolver entidades como a Academia Brasileira de Letras, a Biblioteca Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, departamentos de história das universidades brasileiras; foi anunciado também o breve lançamento de uma página eletrônica com informações sobre o historiador e sua obra. "Não é apenas por ser meu pai", diz Olga. "A intenção é testemunhar sobre a contribuição de Nelson Werneck Sodré para a cultura brasileira". * Jornalista e editor do jornal A Classe Operária -------------------------------------------------------------------------------- No virus found in this incoming message. Checked by AVG - www.avg.com Version: 8.5.449 / Virus Database: 271.1.1/3391 - Release Date: 01/19/11 19:34:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110121/20641ba1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7608 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110121/20641ba1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 22 15:36:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 22 Jan 2011 15:36:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_Carlos_Eduardo_Pires_Fleury____________?= =?iso-8859-1?q?______________________-XV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Carlos Eduardo Pires Fleury Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em 5 de janeiro de 1945, em São Paulo, capital, filho de Hermano Pires Fleury Jr. e Maria Helena Dias Fleury. Foi morto aos 26 anos. Estudante de Filosofia da Universidade de São Paulo e do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica. Preso em setembro de 1969 e, banido do Brasil em junho de 1970, juntamente com outros 39 presos políticos, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, von Holleben. Em 1971, retornou ao Brasil clandestinamente e foi morto em condições não esclarecidas, no dia 10 de dezembro do mesmo ano. Seu corpo foi registrado no IML/RJ com o nome falso de Nelson Meirelles Riedel, professor, de 26 anos, pela Guia n° 235, da 23ª D.P. A necrópsia afirma que "foi encontrado morto no interior de um veículo", tendo sido baleado. Foi assinada pelo Dr. Elias Freitas; não havendo nome do 2° legista. Fotos de perícia de local do ICE/RJ, mostram Carlos Eduardo baleado no banco traseiro de um carro Dodje Dart CB4495. O laudo de perícia de local indica morte violenta (homicídio), ocorrida na Praça Avaí, n° 11, no Bairro de Cachambi. O cadáver de Carlos Eduardo foi retirado do IML por seu irmão, Paulo Pires Fleury, sendo sepultado no Cemitério da Consolação, em São Paulo, por seus familiares. No arquivo do DOPS/SP foi encontrada a seguinte informação, de n° 850, do Ministério da Aeronáutica-4ª Zona Aérea, datada de 2 de dezembro de 1971, oito dias antes de sua morte: "traz ao nosso conhecimento, entre outras coisas, que através de reconhecimento fotográfico, foram identificados diversos banidos já em atividades no Brasil, entre os quais Carlos Eduardo Pires Fleury." A nota oficial divulgada pelos órgãos de segurança dizia que a morte de Fleury, ocorrida em tiroteio no bairro de Caxambi, teria sido por volta de 4 horas da madrugada. Mas, para quem conhecia os hábitos de Fleury, é difícil acreditar nessa possibilidade, principalmente porque estava vivendo em total clandestinidade. A notícia não dava conta da existência de outros militantes no tiroteio, o que não esclarece como estaria Fleury sentado no banco traseiro de um carro (onde ele aparece morto) se não havia ninguém que dirigisse tal carro. O relatório do Ministério da Aeronáutica mantém a mesma versão dizendo que foi alvejado e faleceu posteriormente no dia 10 de dezembro de 1971. ===================================================================== CARLOS EDUARDO PIRES FLEURY Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em 5 de janeiro de 1945, em São Paulo, capital, filho de Hermano Pires Fleury Jr. e Maria Helena Dias Fleury. Foi morto aos 26 anos. Estudante de Filosofia da Universidade de São Paulo e do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica. Preso em setembro de 1969 e, banido do Brasil em junho de 1970, juntamente com outros 39 presos políticos, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, von Holleben. Em 1971, retornou ao Brasil clandestinamente e foi morto em condições não esclarecidas, no dia 10 de dezembro do mesmo ano. Seu corpo foi registrado no IML/RJ com o nome falso de Nelson Meirelles Riedel, professor, de 26 anos, pela Guia n° 235, da 23ª D.P. A necrópsia afirma que "foi encontrado morto no interior de um veículo", tendo sido baleado. Foi assinada pelo Dr. Elias Freitas; não havendo nome do 2° legista. Fotos de perícia de local do ICE/RJ, mostram Carlos Eduardo baleado no banco traseiro de um carro Dodje Dart CB4495. O laudo de perícia de local indica morte violenta (homicídio), ocorrida na Praça Avaí, n° 11, no Bairro de Cachambi. O cadáver de Carlos Eduardo foi retirado do IML por seu irmão, Paulo Pires Fleury, sendo sepultado no Cemitério da Consolação, em São Paulo, por seus familiares. No arquivo do DOPS/SP foi encontrada a seguinte informação, de n° 850, do Ministério da Aeronáutica-4ª Zona Aérea, datada de 2 de dezembro de 1971, oito dias antes de sua morte: "traz ao nosso conhecimento, entre outras coisas, que através de reconhecimento fotográfico, foram identificados diversos banidos já em atividades no Brasil, entre os quais Carlos Eduardo Pires Fleury." A nota oficial divulgada pelos órgãos de segurança dizia que a morte de Fleury, ocorrida em tiroteio no bairro de Caxambi, teria sido por volta de 4 horas da madrugada. Mas, para quem conhecia os hábitos de Fleury, é difícil acreditar nessa possibilidade, principalmente porque estava vivendo em total clandestinidade. A notícia não dava conta da existência de outros militantes no tiroteio, o que não esclarece como estaria Fleury sentado no banco traseiro de um carro (onde ele aparece morto) se não havia ninguém que dirigisse tal carro. O relatório do Ministério da Aeronáutica mantém a mesma versão dizendo que foi alvejado e faleceu posteriormente no dia 10 de dezembro de 1971. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110122/a564e493/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110122/a564e493/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15826 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110122/a564e493/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 22 15:37:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 22 Jan 2011 15:37:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] PROYECTO DESAPARECIDOS Message-ID: <4D076A3D524445B19099703B42B9008E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem PROYECTO DESAPARECIDOS El Proyecto Desaparecidos es un proyecto de diversos organismos y activistas de derechos humano para mantener la memoria y alcanzar la justicia. Es un lugar donde poder conocer y recordar a las víctimas del terrorismo de estado en América Latina y el mundo. Y es es un lugar donde poder conocer tambien quienes fueron y quienes son los secuestradores, torturadores, asesinos y cómplices culpables por las desapariciones de miles de personas. (clique) http://www.desaparecidos.org/main.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110122/442621c8/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9644 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110122/442621c8/attachment.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110122/442621c8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 23 13:57:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 Jan 2011 13:57:27 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Cantante_Il_Divo_=2C_somente_som_?= =?iso-8859-1?q?e/ou_v=EDeos=2E____________________________________?= =?iso-8859-1?q?__________HOJE_=C9_DOMINGO!_MPUSICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Il Divo * Ave Marie Il Divo * Caruso Il Divo * Come Primavera Il Divo * Dentro Un Altro Si Il Divo * Everytime I Look At You Il Divo * Feelings Il Divo * Hasta Mi Final Il Divo * Have Youever Really Loved a Woman Il Divo * Hero Il Divo * Hoy Ya No Estas Aqui Il Divo * I Believe In You Il Divo * Isabel Il Divo * La Vida Sin Amor Il Divo * Mama Il Divo * Musica Il Divo * My Way Il Divo * Nada Cambiara mi Amor por Ti Il Divo * Nella Fantasia Il Divo * Nights Inwhite Satin Il Divo * O Holy Night Il Divo * Passera Il Divo * Pour Que Tu Maimes Encore Il Divo * Regresa a Mi Il Divo * Senza Catene Il Divo * Somewhere Il Divo * Tell That To My Heart Il Divo * The Man You Love Il Divo * Ti Amero Il Divo * Una Noche Il Divo * Vivo por Ella Il Divo * Without You Il Divo * A Mi Manera Il Divo * Ave Marie Il Divo * Caruso Il Divo - Come Primavera Il Divo * Dentro Un Altro Si Il Divo * Everytime I Look At You Il Divo * Feelings Il Divo * Hallelujah Il Divo * Hasta Mi Final Il Divo * Have Youever Really Loved a Woman Il Divo * Hero Il Divo * Hoy Ya No Estas Aqui Il Divo * I Believe In You Il Divo * Isabel Il Divo * La Vida Sin Amor Il Divo * Mama Il Divo * Musica Il Divo * My Way Il Divo * Nada Cambiara mi Amor por Ti Il Divo * Nella Fantasia Il Divo * Nights Inwhite Satin Il Divo * O Holy Night Il Divo * Passera Il Divo * Pour Que Tu Maimes Encore Il Divo * Regresa a Mi Il Divo * Senza Catene (Ghost) Il Divo * Somewhere Il Divo * Tell That To My Heart Il Divo * The Power of Love Il Divo * Ti Amero Il Divo * Una Noche Il Divo * Vivo por Ella Il Divo * Without You -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 1532 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110123/96bc7775/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 23 13:57:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 Jan 2011 13:57:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_Ana_Maria_Nacinovic_Corr=EAa___________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-XVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Ana Maria Nacinovic Corrêa Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 25 de março de 1947, no Rio de Janeiro, filha de Mário Henrique Nacinovic e Anadyr de Carvalho Nacinovic. Depoimento da mãe de Ana Maria: "Teve uma infância feliz, apesar da separação de seus pais quando tinha apenas 7 anos de idade, vivendo a partir desta época na companhia da mãe, tia e avós, que procuraram suprir, com muito carinho, a ausência do pai. Fez o primário, ginásio e científico no Colégio São Paulo, de freiras, em Ipanema. Destacou-se sempre durante o seu curso pelo companheirismo e cumprimento de suas obrigações escolares. Simultaneamente, estudava piano com o professor Guilherme Mignone. Possuindo um ouvido privilegiado, era estimulada pelo seu mestre a dedicar-se mais à arte. Terminou o científico com 17 anos e sua grande inclinação para a matemática levou-a a freqüentar um curso pré-vestibular, com o objetivo de futuramente tornar-se uma engenheira. Um casamento mal sucedido interrompeu seus estudos. Aos 21 anos, ingressou, como 2ª colocada, na Faculdade de Belas Artes. Para a idealista que era, o que sempre demonstrou no seu dia-a-dia, em atitudes de solidariedade em relação ao próximo, caíram em campo fértil as sementes de rebelião contra o regime autoritário que dominava o país. Era a época aterrorizante do ditador Emílio Garrastazú Médici. Aquela mocinha inexperiente, mal saída dos bancos escolares e de um casamento frustrado, aos poucos se converteria na guerrilheira cujos retratos nos aeroportos, rodoviárias e outros lugares públicos, apontavam como uma subversiva perigosa. Seguiu-se uma época de aflição e angústia para sua mãe e demais familiares, até que chegasse o momento fatal. Momento em que toda a ternura daquele coraçãozinho que só aspirava à igualdade entre os homens, daqueles imensos olhos azuis que só queriam contemplar o lado bom da vida, converteu-se em escuridão e trevas. Ana Maria foi metralhada e morta na Moóca, em 14 de junho de 1972. Estava com 25 anos de idade. Com ela morreram Marcos Nonato da Fonseca e Iúri Xavier Pereira." Enquanto Ana Maria, Iúri, Marcos Nonato e Antônio Carlos Bicalho Lana almoçavam no Restaurante Varella, o proprietário do estabelecimento, Manoel Henrique de Oliveira, que era alcagüete da polícia, telefonou para o DOI/CODI-SP, avisando da presença de algumas pessoas que tinham suas fotos afixadas em cartazes de "Procurados", feitos na época pelos órgãos de segurança. Os agentes do DOI/CODI, assim que se certificaram da presença dos quatro companheiros, montaram uma emboscada em torno do restaurante, mobilizando um grande contingente de policiais. De imediato, foram fuzilados Iúri e Marcos Nonato. Ana Maria, ainda vivia, quando um policial, ouvindo seus gritos de protesto e de dor, impotente perante a morte iminente, aproximou-se desferindo-lhe uma rajada de fuzil FAL, à queima-roupa, estraçalhando-lhe o corpo. Ato contínuo, os policiais fizeram uma demonstração de selvageria para a população que se aglomerou em volta daquela já horrenda cena. Dois ou três policiais agarravam o corpo de Ana Maria e o jogavam de um lado para o outro, às vezes lançando-o para o alto e deixando-o cair abruptamente no chão. Descobriram-lhe também o corpo ensagüentado, lançando impropérios e demonstrando o júbilo na covardia de tê-la abatido. Não satisfeitos, desfechavam-lhe ainda coronhadas com seus fuzis, como se mesmo morta Ana Maria representasse ainda algum perigo. Tal cena repetiu-se com o corpo de Iúri e Marcos Nonato, sendo entretanto Ana Maria o alvo preferido. A população, revoltada com tamanha violência e selvageria, esboçou, dias depois, uma reação de protesto, tentando elaborar um abaixo-assinado que seria encaminhado ao Governador do Estado. Mas, devido ao clima de terror existente no País naquela época, somado ao pânico de que aquelas cenas de verdadeiro horror pudessem se repetir com eles, a iniciativa foi posta de lado. Também as ameaças feitas pelos policiais, na hora do crime, intimidaram os populares. No entanto, a versão de morte na rua, em tiroteio, não pôde ser confirmada após a abertura dos arquivos do DOPS com informações que indicam a morte sob tortura. O Relatório do Ministério da Aeronáutica contém a falsa versão de que Ana Maria foi ferida após assalto em que resistiu à voz de prisão, "ocasião em que a nominada saiu gravemente ferida, vindo a falecer posteriormente". Após o tiroteio, os três foram enviados ao DOI-CODI, quando tiveram fichas abertas, levando a crer que dentre eles estivesse algum vivo após a emboscada, vindo a morrer nos interrogatórios no DOI-CODI. Portanto, não há dados e perícias que possam comprovar a morte em tiroteio, tais como fotos, relação de armas utilizadas, exame de corpo delito nem dos militantes, nem dos policiais feridos na versão oficial. Por outro lado, contrariamente ao alegado à época, os corpos não foram levados para o necrotério, mas sim para as dependências do DOI-CODI do II Exército, onde foram vistos pelo preso político Francisco Carlos de Andrade, conforme seu depoimento: "Fui preso no dia 27 de novembro de 1971 por um grupo de militares subordinados ao II Exército, que atuavam clandestinamente com o nome de Operação Bandeirantes e usavam como sede a delegacia de polícia situada na rua Tutóia, em São Paulo. Fiquei detido nessa delegacia até novembro de 1972, sendo então transferido para a Casa de Detenção de São Paulo. Numa data que não posso precisar ao certo do ano de 1972, devido às condições que nos impunham os carcereiros, vi no pátio dessa delegacia três corpos estendidos no chão. Reconheci, de imediato, tratar-se de Iuri Xavier Pereira e Ana Maria Nacinovic Correa; o terceiro corpo não reconheci. Minha certeza de que se tratava de Iuri e Ana vem de que os conheci muito bem durante meu período de militância na ALN, organização na qual os dois também militavam. Tempos depois, vim a saber que o terceiro corpo estendido naquela delegacia era de um terceiro companheiro que não havia conhecido e que se chamava Marcos Nonato da Fonseca." Além disso, há que se explicar o fato de o tiroteio ter ocorrido ás 14 horas e os corpos só terem chegado ás 17 horas no IML. Onde estiveram durante estas 3 horas? Outra questão que impede a versão de mortos em tiroteio é o fato dos corpos terem chegado ao IML já despidos. Onde teriam sido despidos? De acordo com o relato acima de Francisco de Andrade, os corpos estiveram no DOI-CODI onde foram despidos e, provavelmente, torturados. Em 16 de outubro de 1973, apesar de morta oficialmente, é condenada à revelia a 12 anos de prisão com base no artigo 28 do Decreto lei n° 898/69. O Relatório do Ministério da Aeronáutica contém a falsa versão de que Ana Maria foi ferida após assalto em que resistiu à voz de prisão, "ocasião em que a nominada saiu gravemente ferida, vindo a falecer posteriormente". Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini. Em 16 de outubro de 1973, apesar de morta oficialmente, é condenada à revelia a 12 anos de prisão com base no artigo 28 do Decreto lei n. 898/69. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110123/94b3cf0e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110123/94b3cf0e/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8400 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110123/94b3cf0e/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 23 13:57:56 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 Jan 2011 13:57:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_IMPORTANTE=3A_CONVOCAT=D3RIA_PA?= =?windows-1252?q?RA_ATIVIDADES_EM_DEFESA_DE_CESARE_BATTISTI__-_dia?= =?windows-1252?q?s_26_e_28_de_janeiro?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem De: Alipio Freire segue abaixo a agenda de atividades e manifestações promovidas pelo Movimento Battisti Livre-SP. Reforço o convite, e peço que compareçam e divulguem. CONVOCATÓRIA PARA ATIVIDADES EM DEFESA DE CESARE BATTISTI Qual o significado do caso de Cesare Battisti para as diferentes lutas sociais no Brasil? O que motiva a perseguição do escritor italiano pelos seus inquisidores? Que consequências ela acarreta para o direito à organização dos explorados, a esquerda brasileira, demais setores progressistas e todo o ambiente democrático do país? É sabido que Lula, no último dia de seu mandato, negou a extradição de Cesare Battisti para a Itália. No entanto, este continua preso há quase 4 anos no Brasil por uma arbitrariedade do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Cezar Peluso e o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, alegam agora que terão de avaliar a resolução que eles mesmos deixaram para Lula, antes de expedirem o alvará de soltura, prorrogando, assim, indefinidamente a libertação de Battisti. Diversos juristas brasileiros denunciam essa manobra e alertam para o seu caráter ilegal e ditatorial. O advogado de Battisti afirma estarmos diante de ?uma espécie de golpe de Estado?. O ?caso Battisti? é eminentemente político e seu desfecho dependerá da correlação de forças entre a crescente onda conservadora (no caso da Itália, neofascista) e os que lutam pela defesa e pelo aprofundamento da democracia. Ou seremos ingênuos a ponto de acreditar que a sanha com que acusam de ?terrorista? este lutador do passado não se estenderá a nós, os lutadores de hoje, e aos que vierem depois de nós? Várias regionais pelo país constituíram comitês rumo a uma mobilização nacional unitária para mudar esta correlação de forças. Para nos aprofundarmos sobre essas questões e traçarmos meios de agir conjuntamente, convidamos entidades sindicais, estudantis, de direitos humanos, religiosas, partidos políticos, coletivos ativistas, movimentos sociais e pessoas interessadas a participarem das seguintes atividades: ATO-DEBATE Cesare Battisti: O que está em jogo na democracia brasileira? FACULDADE DE DIREITO DA USP Largo São Francisco, 95 (ou Rua Riachuelo, 184) DIA 26/01, ÀS 19H MANIFESTAÇÃO PÚBLICA Em frente ao CONSULADO ITALIANO Avenida Paulista, 1993 (próximo ao metrô Consolação) DIA 28/01, ÀS 11H Movimento Battisti Livre - SP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110123/2a37ecf6/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 24 19:26:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 24 Jan 2011 19:26:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__=C1GUA_E_CERVEJA_-_N=C3O_DEIXEM_?= =?iso-8859-1?q?DE_LER!____________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_____________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2CSA=DA?= =?iso-8859-1?q?DE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <3919CAFEA77D419E8CE0D3AA9AFEB689@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A HORA CORRETA PARA TOMAR ÁGUA Você vai ao bar e bebe uma cerveja. Bebe a segunda cerveja. A terceira e assim por diante. O teu estomago manda uma mensagem pro teu cérebro dizendo "Caracas véio... o cara tá bebendo muito liquido, tô cheião!!!" Teu estômago e teu cérebro não distinguem que tipo de liquido está sendo ingerido, ele sabe apenas q "é líquido". Quando o cérebro recebe essa mensagem ele diz: "Caracas, o cara tá maluco!!!" E manda a seguinte mensagem para os Rins "Meu, filtra o máximo de sangue que tu puderes, o cara aí tá maluco e tá bebendo muito líquido, vamo botar isso tudo pra fora" e o RIM começa a fazer até hora-extra e filtra muito sangue e enche rápido. Daí vem a primeira corrida ao banheiro. Se você notar, esse 1º xixi é com a cor normal, meio amarelado, porque além de água, vem as impurezas do sangue. O RIM aliviou a vida do estômago, mas você continua bebendo e o estomago manda outra mensagem pro CÉREBRO "Cara, ele não pára, socorro!!!" e o CÉREBRO manda outra mensagem pro RIM "Véio, estica a baladeira, manda ver aí na filtragem!!!" O RIM filtra feito um louco, só q agora, o q ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas ÁGUA (o líquido precioso do corpo). Por isso que as mijadas seguintes são transparentes, porque é água. E quanto mais você continua bebendo, mas o organismo joga água pra fora e o teor de álcool no organismo aumenta e você fica mais "bunitim". Chega uma hora q você tá com o teor alcoólico tão alto q teu CÉREBRO desliga você. Essa é a hora que você desmaia... dorme... capota... Ele faz isso porque pensa "Meu, o cara tá a fim de se matar, tá bebendo veneno pro corpo, vou apagar esse doido pra ver se assim ele pára de beber e a gente tenta expulsar esse álcool do corpo dele" Enquanto você está lá, apagado (sem dono), o CÉREBRO dá a seguinte ordem pro sangue "Bicho, apaguei o cara, agora a gente tem que tirar esse veneno do corpo dele. O plano é o seguinte, como a gente está com o nível de água muito baixo, passa em todos os órgãos e tira a água deles e assim a gente consegue jogar esse veneno fora". O SANGUE é como se fosse o Boy do corpo. E como um bom Boy, ele obedece as ordens direitinho e por isso começa a retirar água de todos os órgãos. Como o CÉREBRO é constituído de 75% de água, ele é o que mais sofre com essa "ordem" e daí vêm as terríveis dores de cabeça da ressaca. Então, sei que na hora a gente nem pensa nisso, mas quando forem beber, bebam de meia em meia hora um copo d'água, porque na medida que você mija, já repõe a água. Sabia que tomar água na hora correta maximiza os cuidados no corpo humano? 2 copos de água depois de acordar ajuda a ativar os órgãos internos. 1 copo de água 30 minutos antes de comer ajuda na digestão. 1 copo de água antes de tomar banho ajuda a baixar a pressão sanguínea. 1 copo de água antes de ir dormir evita ataques do coração. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110124/d5b407ee/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 24 19:26:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 24 Jan 2011 19:26:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__Eudaldo_Gomes_da_Silva________________?= =?iso-8859-1?q?__-XVII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Eudaldo Gomes da Silva =============================================================================================== Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nascido a 1 de outubro de 1947, no Estado da Bahia, filho de João Gomes da Silva e Izaura Gomes da Silva. Estudante de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, membro do Diretório Central dos Estudantes, durante o ano de 1968, e presidente do Diretório Acadêmico de sua Faculdade. Banido do Brasil, em 15 de junho de 1970, por ocasião do seqüestro do embaixador da Alemanha, Von Holleben, com mais 39 presos políticos. Retornando ao Brasil clandestinamente, foi morto no dia 7 de janeiro de 1973 juntamente com Pauline Reichstul, Evaldo Luís Ferreira de Souza, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva e Soledad Barret Viedma em uma chácara no loteamento de São Bento, no município de Paulista, em Pernambuco. O caso é conhecido como Massacre da Chácara São Bento. Os torturadores e assassinos crivaram de balas os cadáveres dos seis combatentes, jogaram várias granadas na casa da referida chácara, com o objetivo de aparentar um violento tiroteio, dizendo que lá se realizava um suposto congresso da VPR. Na versão oficial, constava que José Manoel da Silva teria sido preso e conduzido os policiais até o local onde se realizava o congresso, sendo morto pelos próprios companheiros durante a invasão. No tiroteio travado, teria conseguido escapar Evaldo Luís Ferreira de Souza que, no dia seguinte, foi localizado no município de Olinda, numa localidade chamada "Chã de Mirueira" - Jatobá, e ao resistir à prisão, teria sido morto. Segundo ainda a nota, só Jarbas Pereira Marques teria morrido no local, sendo que os outros morreram, em conseqüência dos ferimentos recebidos. Na realidade, todos foram presos pela equipe do delegado Sérgio Fleury, que os torturou até a morte, na própria chácara. As prisões e conseqüentes assassinatos foram fruto do trabalho do informante infiltrado na VPR, ex-cabo Anselmo e, para encobrir sua ação, bem como possibilitar que ele pudesse levar à morte outros combatentes, a nota oficial falava da traição de José Manoel que teria possibilitado a localização e aniquilamento dos demais, dando ainda a notícia de que um outro "terrorista", não identificado, teria conseguido fugir na hora da invasão. Esse fato foi noticiado exatamente para tentar dar cobertura à continuação do trabalho de infiltração do assassino ex-cabo Anselmo. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que "faleceu em 8 de janeiro de 1973, em Recife/PE, ao reagir a ordem de prisão, travando intenso tiroteio com agentes dos órgãos de segurança, vindo a falecer em conseqüência dos ferimentos. Mesma circunstância da morte de Pauline Philipe Reischstul." Já o Relatório do Ministério da Marinha afirma que "foi morto em Paulista/PE, em 8 de janeiro de 1973 ao reagir a tiros à voz de prisão dada pelos agentes de segurança. Do intenso tiroteio resultaram vários feridos." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110124/b091af6c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110124/b091af6c/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26328 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110124/b091af6c/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 25 19:30:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 25 Jan 2011 19:30:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__Heleny_Telles_Ferreira_Guariba_______?= =?iso-8859-1?q?____________________-XVIII-?= Message-ID: <89F933599D3F4F96B08D4D3144A7DCB2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Heleni Telles Ferreira Guariba Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu em 13 de março de 1941 em Bebedouro, Estado de São Paulo, filha de Isaac Ferreira Caetano e Pascoalina Alves Ferreira. Desaparecida desde 1971 aos 30 anos. Professora universitária e diretora do "Grupo de Teatro da Cidade", de Santo André, São Paulo. Presa no Rio de Janeiro no dia 12 de julho de 1971, juntamente com Paulo de Tarso Celestino da Silva (desaparecido), por agentes do DOI-CODl/RJ. Inês Etienne Romeu, em seu relatório sobre a "Casa da Morte", em Petropólis, denuncia que Heleny esteve naquele aparelho clandestino da repressão no mês de julho de 1971, tendo sido torturada por três dias, inclusive com choques elétricos na vagina. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que Heleny foi "presa em 20 de outubro de 1970, em Poços de Caldas/MG, sendo libertada em 01 de abril de 1971..." Já o Relatório do Ministério do Exército afirma que "foi presa em 24 de abril de 1970 durante a Operação Bandeirantes e libertada a 1° de abril de 1971." De Ulisses Telles Guariba Netto: "Casei-me com Heleny Ferreira Teles Guariba em 1962 e nos separaramos judicialmente em fins de 1969. Estudamos na Faculdade de Filosofia da USP-Departamento de Filosofia. Foi um longo namoro. Ambos militávamos na VPR. No final de 1969, após separar-me de Heleny, retirei-me do movimento. Depois de separar-me vim morar na Rua Maria Antônia. Heleny foi morar nas Perdizes. Tínhamos, então, dois filhos, Francisco e João Vicente, que continuaram morando com a mãe. Eu sempre visitava meus filhos, semanalmente, mantendo, assim, também contatos com Heleny. No início de fevereiro de 1970, em um sábado à noite, Heleny me procurou para dizer que Olavo, seu namorado, tinha sido preso e me pedia auxílio, uma vez que meu pai era general reformado. Eleni pediu também que eu falasse com o Capitão Maurício da OBAN, uma vez que esse oficial havia, anos atrás, namorado com minha irmã, ainda mantendo relações de amizade comigo. Quando procurei Maurício, este confirmou que Olavo realmente estava preso e que era membro da VPR. Meu pai foi à OBAN pedir que, ao menos, Olavo não fosse torturado, mostrando-se interessado na própria pessoa de Olavo. Com a prisão de Olavo, Heleny deixou a residência das Perdizes, deixando os filhos comigo. Nessa mesma época, mudei-me para a Rua José Antônio Coelho, na Vila Mariana, em São Paulo, em um anexo da casa de meus pais. No início de março daquele mesmo ano o pai de Olavo me procurou, desesperado e contou-me que os órgãos de segurança ameaçavam prendê-lo, bem como a sua esposa e os filhos, pois queriam que eles prestassem informações a respeito do paradeiro de Eleni. Ela, por sua vez, estava escondida em Serra Negra. O pai de Olavo, contou-me também que, não resistindo às pressões, havia contado onde estava Eleni e que ela havia sido presa, naquele dia, no final da tarde. Diante disso eu e meu pai fomos à OBAN. Fomos, também, procurar o Capitão Maurício, que nessa época prestava serviços ao DOPS. Procuramos, também, delegados do DOPS e todos diziam que não podiam prestar informações a respeito de Heleny. Três dias após, eu e meu pai fomos ao DOPS, à noite, para encontrar Heleny, no Gabinete de Romeu Tuma, então um dos delegados do DOPS. Ela então contou que havia sido torturada pelo Capitão Albernaz. Tinha marcas roxas nas mãos e nos braços, provocadas por choques elétricos. Albernaz havia tido contato conosco antes de torturar Heleny. Fôra, em tal conversa, extremamente simpático. Heleny contou também que estava no início do período menstrual e que, com as torturas, havia tido uma hemorragia, que havia assustado os torturadores, que a haviam retirado da OBAN e enviado ao Hospital Militar, onde ficou 48 horas, tendo naquele dia, sido encaminhada para o DOPS. Foi solta em fins de abril de 1971, por decisão da própria Justiça Militar. Ao ser libertada, desejava viajar para o exterior. Ela tinha também a intenção de ajudar familiares de perseguidos e mortos. Ficou uns tempos na casa da mãe e na casa de amigos, enquanto se preparava para a tal viagem. Por volta do dia 25 de julho, recebi um telefonema em casa informando-me que Heleny havia sido presa no Rio de Janeiro. Meu pai foi para Brasília, bem como ao Comando do I Exército, no Rio de Janeiro, procurando autoridades e amigos. Todas as informações foram no sentido de que Heleny não havia sido presa e que, provavelmente havia embarcado para o exterior..." ========================================================================================= + Informações sobre a vida de Heleny Ferreira Telles Guariba. Quando o golpe de 1964 instaurou a ditadura militar no Brasil, mulheres e homens amargaram nas prisões de delegacias e aparelhos clandestinos de repressão, sofrendo as mais desumanas torturas físicas e psicológicas. Com o poder nas mãos dos militares, muitas destas pessoas foram exiladas e deixaram o país. Outras ficaram, para lutar das mais variadas formas para reconquistar a liberdade e a democracia do Brasil. O ideal era o mesmo, mas as formas de luta variavam: alguns decidiram pegar em armas, através das guerrilhas, outros escolheram a arte. Dentre aqueles que optaram por este instrumento está a diretora teatral Heleny Guariba, que junto com outros nomes desconhecidos pela maioria dos brasileiros, contribuiu para semear o ideal de liberdade e de justiça em um período crítico da história nacional. Heleny Ferreira Telles Guariba nasceu em Bebedouro, interior de São Paulo, em 1941 e se criou numa família essencialmente feminina. Orfã de pai, aos 2 anos de idade, foi criada pela mãe, pela avó e por uma tia. Filha única e centro das atenções de sua família, a pequena Heleny encantava a todos com seu jeito gentil e falante. Ainda adolescente, começou a dar aulas para crianças e jovens na Escola Dominical da Igreja Metodista Central , em São Paulo, cidade para onde sua família seguiu depois da morte de seu pai. Nesta escola, desenvolveu uma de suas características mais marcantes: saber ensinar e ouvir com interesse e respeito a consideração do outro. Estudos no exterior Em 1965, um ano depois de se formar na Faculdade de Filosofia da USP, Heleny parte para a Europa para estudar teatro, política e artes. Na Alemanha, frequentou o teatro do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, o Berlinder Ensemble. Já na França, a diretora fez seu doutorado, além de estágios em diversos teatros do país, como o Theatre de la Cité, de Roger Planchon, também discípulo do teatro idealizado por Brecht. Na volta ao Brasil, Heleny queria colocar em prárica tudo aquilo que tinha aprendido, visto e sentido na sua temporada no exterior. Para colocar seus ideais revolucionários de transformação política e de resgate da liberdade de expressão em prática, ela usou o teatro como instrumento. Passou a dar aulas na Escola de Artes Dramáticas da USP, onde seu objetivo de popularizá-lo ganhou força entre seus alunos. Assim como Brecht, Heleny queria fazer um teatro operário, que pudesse agir como ferramenta de conscientização política. Assim, foi em Santo André, no ABC paulista, que ela encontrou o campo favorável para isso. Na década de 60, a instalação de diversas fábricas faziam com que a cidade tivesse uma forte concentração de trabalhadoras e trabalhadores, além de uma grande representatividade estudantil, o que tornava o contexto perfeito para o trabalho de Heleny. Foi então que em 1968, a diretora fundou o grupo Teatro da Cidade, formado em sua grande maioria por operários. A primeira montagem do grupo, Jorge Dandin, o Marido Traído, do dramaturgo francês Moliére, foi vista por mais de 7 mil pessoas. Em 1969, o grupo montou A Ópera dos Três Vintens, de Bertolt Brecht, um dos autores preferidos de Heleny, por causa de sua intensa veia social. O grupo tinha a alma de Helleny, que através de seu teatro popular buscava a intensificação do envolvimento político dos trabalhadores no contexto social pelo qual o Brasil passava. Mas sua história com o teatro ultrapassou as fronteiras de Santo André. Além das aulas na EAD, Heleny trabalhou com Augusto Boal, dando aulas no seminário de dramaturgia do Teatro de Arena, criado pelo diretor, A diretora também escreveu diversos artigos, publicados em jornais dos anos 60. Censura dos militares cala a voz de Heleny Tanto envolvimento político provocou a ira dos militares da ditadura que não toleravam nenhuma iniciativa de transformação no pensamento dos brasileiros. Em março de 1971, Heleny foi presa pelo Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), sendo torturada por dois meses. Foi solta, mas detida novamente em julho do mesmo ano e enviada ao Destacamento de Operações de Informações, no Rio de Janeiro. Testemunhas afirmam que ela sofreu torturas por três dias e que foi assassinada na ''casa da morte'', em Petrópolis, um dos aparelhos clandestinos de repressão da ditadura. Depois disso, Heleny ingressou na extensa lista dos desaparecidos políticos da ditadura militar. A artista deixou dois filhos: João Vicente e Francisco. Todos que conviveram com ela têm como lembrança a imagem de uma pessoa companheira e sempre pronta para enfrentar situações difíceis. ''De jeito alegre e cativante, pequena, arisca e bonita - beleza que a gente percebe que vem de dentro pra fora, enraizada no espírito ágil que lhe conservava, no corpo, o jeito de menina'', disse Frei Betto sobre Heleny. Uma brava guerreira, que apesar de permanecer no quase anonimato para a grande maioria dos brasileiros deixou sua marca na história recente do Brasil, como um exemplo de fibra, coragem e perseverança. Heleny provou que não importa de que maneira, o importante é lutar por mudanças. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110125/5189d02a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110125/5189d02a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20334 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110125/5189d02a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 25 19:30:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 25 Jan 2011 19:30:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Especial=3A_120_anos_de_Ant=F4ni?= =?iso-8859-1?q?o_Gramsci?= Message-ID: <9F922D3231DC490D89B217C99AA7A1AE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem (clique nos itens abaixo para ler todos os textos) Camaradas Vejam o especial da Maurício Grabois em homenagem aos 120 anos de Antônio Gramsci. Um abraço Augusto Buonicore Especial: 120 anos de Antônio Gramsci a.. Construir ou tomar o poder? A estratégia socialista de Marx a Gramsci Qual o papel da coerção e do consentimento na dominação de classes nos Estados modernos? Marx, Lênin, Mao e Gramsci enfrentaram essa questão na busca dos caminhos da revolução. Por Lincoln Secco Publicado em 22.01.2011 b.. Crise e revolução em Marx e Gramsci O pensamento revolucionário deve apropriar-se criticamente do legado marxista de Antonio Gramsci e retomar as leituras reformistas "A política não pode deixar de ter primazia sobre a economia. Pensar o contrário é esquecer o abc do marxismo" (Lênin). Por Lincoln Secco Publicado em 22.01.2011 c.. Gramsci e a Escrita da História Gramsci utilizou a literatura como documento histórico. Mesmo no cárcere, isolado da luta política, contrubuiu com a teoria marxista, analisando a história a partir dos elementos que lhe eram possíveis Nenhum teórico marxista estabeleceu um diálogo mais fecundo da modernidade com a tradição ocidental antiga e medieval do que Antonio Gramsci. Por Lincoln Secco Publicado em 22.01.2011 d.. Gramsci, Lênin e a questão da hegemonia Criou-se um hábito - um mau hábito - de se separar um autor das bases teóricas que lhes serviram de suporte; separá-lo de seus pressupostos teóricos e históricos imediatos. Esta separação levou alguns a conferirem os louros de pensamento original, no sentido de exclusividade, a autores cujo grande mérito foi justamente desenvolver teses elaboradas por outros, ainda que as enriquecendo. Nos trabalhos acadêmicos sobre Gramsci parece ser bastante comum este procedimento. Estudou-se, e escreveu-se, sobre o pensamento de Gramsci desvinculando-o de seus pressupostos teóricos e políticos imediatos, que foram o pensamento e a ação política de Lênin. E Gramsci foi, em minha opinião, acima de tudo um leninista. Por Augusto C. Buonicore Publicado em 21.01.2011 e.. Ideologia e intelectuais na obra de Antônio Gramsci Ele concebe a ideologia como "uma concepção de mundo que se manifesta implicitamente na arte, no direito, nas atividades econômicas e em todas as manifestações da vida intelectual e coletiva". (1) Portanto, para Gramsci, a ideologia estaria presente em todas as atividades humanas, não se traduziria apenas no campo da produção de ideias. Por Augusto C. Buonicore Publicado em 21.01.2011 f.. A vida e a obra de Antônio Gramsci O autor, através deste artigo, pretende mostrar em grandes traços alguns momentos da vida e da elaboração teórica do dirigente comunista italiano Antônio Gramsci. Apesar de sua importância para o movimento comunista nas décadas de 1920 e 1930, sua vida e obra são ainda pouco conhecidas pelo conjunto da militância socialista no Brasil. Por Augusto C. Buonicore Publicado em 21.01.2011 g.. Torino Rossa: os Conselhos de Fábrica na Itália Com o impacto da Revolução Russa de 1917 e a crise econômica e social do pós-guerra, o movimento operário italiano adquiriu uma dimensão até então nunca vista. Isso fez com que a burguesia, amedrontada, lhe concedesse alguns direitos sociais. Nesse mesmo período começou a se desenvolver um novo instrumento de organização e de luta dos trabalhadores: as comissões internas de fábrica. Por Augusto César Buonicore Publicado em 21.01.2011 h.. Antônio Gramsci: chefe da classe operária italiana Quando Antônio Gramsci, deputado ao Parlamento Italiano e portanto protegido pelas imunidades asseguradas na Constituição, acusado de crimes que não havia cometido, foi arrastado ao Tribunal Especial de Roma, em 1928, o procurador fascista não se deu ao trabalho de demonstrar que as acusações, lançadas contra ele, se baseavam cm fatos. Por Palmiro Togliatti Publicado em 20.01.2011 i.. Dossiê: Gramsci e a política É inegável a influência do pensamento de Antonio Gramsci nas Ciências Sociais brasileiras1. Desde que Florestan Fernandes levou a cabo o complexo e sofisticado projeto intelectual de fusão do método funcionalista de Émile Durkheim com o método compreensivo de Max Weber e o método dialético de Karl Marx, este último havia recebido a legitimidade que lhe permitia integrar a matriz do pensamento social brasileiro. E mesmo aceito a contragosto por uma ciência em via de institucionalização, ele lá permaneceu como dos clássicos das Ciências Sociais, ou pelo menos dessa forma particular que as Ciências Sociais assumiram em nosso país. Mas Gramsci? O que ele está fazendo nessa matriz? Por Álvaro Bianchi Publicado em 20.01.2011 j.. O pensamento de Gramsci na época da mundialização O ano de 1997, sexagésimo aniversário da morte de Gramsci, foi um ano de celebrações em todo o mundo, aberto pelo seminário ocorrido no mês de fevereiro em Havana, que pela primeira vez sediava um encontro internacional inteiramente dedicado ao pensamento gramsciano; e continuado em seguida com encontros internacionais de estudo na Itália - Cagliari, Nápoles e Turim - mas também no Japão, em Kyoto, e no Brasil, em Juiz de Fora e outras universidades; e ainda em muitos outros países e lugares. Por Guido Liguori Publicado em 20.01.2011 k.. A economia política de Gramsci Giorgio Lunghini, em sua introdução à coletânea antológica dos Escritos de economia política de Gramsci, recentemente publicada por Bollati Boringhieri, quase sentiu a necessidade de "justificar" a atribuição de um título como este aos textos nela incluídos, que vão desde os escritos anteriores à prisão até algumas das notas dos Cadernos. "A teoria econômica de Gramsci - escreve - é a crítica marxiana da economia política (verdadeiro título de O capital)". Por Luigi Cavallaro Publicado em 20.01.2011 l.. Gramsci e o americanismo À primeira vista pode parecer surpreendente que um pensador como Gramsci, inteiramente comprometido com a práxis marxista, tenha se dedicado ao tema do americanismo, território distante das análises clássicas desta vertente, e mesmo resistente à organização operária de tipo comunista. Num exame mais detido, entretanto, a surpresa se desfaz. Por Felipe Maia Guimarães da Silva (1) Publicado em 20.01.2011 m.. Togliatti, Gramsci e o fascismo O primeiro elemento teórico de destaque no pensamento de Togliatti (ainda em fase de maturação, no segundo lustro dos anos vinte) foi, sem sombra de dúvida, o uso, originado pela sua adesão juvenil ao historicismo, da categoria de "análise diferenciada". Por Marco Mondaini - 2003 Publicado em 20.01.2011 n.. Americanismo e direito A visível e crescente expansão do direito, dos seus procedimentos e instituições sobre a política e a sociabilidade da vida contemporânea tem sido objeto de uma vasta produção que não mais se contém no seu campo específico de conhecimento, tornando-se matéria corrente da reflexão de vanguarda da teoria social e da filosofia política. Por Luiz Werneck Vianna - Novembro 2005 Publicado em 20.01.2011 o.. Atualidade de Gramsci Coube-me, como tema de abertura deste seminário [Franca, 1997], falar sobre a atualidade de Gramsci. Irei me deter aqui em algumas das razões pelas quais, em minha opinião, Gramsci continua atual, talvez mais atual do que nunca. Digo "algumas" porque, decerto, são muitíssimas as razões que asseguram essa atualidade. Por Carlos Nelson Coutinho - 1997 Publicado em 20.01.2011 p.. ntônio Gramsci a.. A questão da ideologia em Gramsci O italiano Antonio Gramsci desenvolveu uma interpretação bastante original da filosofia de Marx. Para ele, a perspectiva do pensador alemão era a de um "historicismo absoluto". No essencial, o pensamento de Marx nos desafia - sempre! - a pensar historicamente. E esse desafio nos põe diante tanto de possibilidades magníficas como de dificuldades colossais. Por Leandro Konder - 2002 Publicado em 20.01.2011 b.. A biblioteca gramsciana na prisão A história do livro e da leitura constitui um campo de estudo de muitas possibilidades analíticas. Numa zona intermediária que une a história social e a história econômica, ela tem inspirado estudos sobre livrarias, livreiros, editoras, bibliotecas [1]. É também um ramo fecundo para iluminar novas facetas da Revolução Francesa (por exemplo, os estudos de Robert Darnton), da história cultural (Roger Chartier), da História Antiga (Luciano Canfora e Guglielmo Cavallo). Desde o clássico de Daniel Mornet (As origens intelectuais da Revolução Francesa), foi possível ampliar muito o conhecimento das relações (nem sempre tão diretas) entre as luzes e a Revolução. Por Lincoln Secco - Dezembro 2005 Publicado em 20.01.2011 c.. Gramsci: uma introdução Tradução: Luiz Sérgio Henriques Por Valentino Gerratana - 1997 Publicado em 20.01.2011 d.. Cronologia da vida de Antonio Gramsci Da edição brasileira dos Cadernos - 1999 Por Tradução: Carlos Nelson Coutinho Publicado em 20.01.2011 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110125/0ab594a2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4800 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110125/0ab594a2/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 41856 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110125/0ab594a2/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 26 19:14:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 26 Jan 2011 19:14:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_ALU=CDSIO_PALHANO_PEDREIRA_FERREIRA____?= =?iso-8859-1?q?__________________________-XIX-?= Message-ID: <705F631F4FD840FF889C0D1180B4FFC8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Aluísio Palhano Pedreira Ferreira Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu a 05 de setembro de 1922, em Pirajuí/SP, filho de Henrique Palhano Pedreira Ferreira e Henise Palhano Pedreira Ferreira. Desaparecido aos 49 anos de idade. Trechos de um texto escrito por Branca Eloysa, sua cunhada: "Em 1929, Aluisio e seu irmão Honésio, com 7 e 8 anos respectivamente, foram internados no Colégio Mackenzie, em São Paulo. Três meses depois, Aluísio apareceu sozinho em Pirajuí, a 350 km de São Paulo. Não havia se conformado com o regime do internato. Em 1932, com a morte de seu pai, a família mudou-se para Niterói. Mais uma vez foi internado, desta vez no Colégio Salesiano em Santa Rosa. Uma vez mais Aluísio se rebelou contra o internato. Terminou o curso secundário no Colégio Plínio Leite e trabalhou como bilheteiro no Cine Royal, em Niterói. Aos 21 anos ingressou no Banco do Brasil onde trabalhou até ser cassado pelo AI-1 em 1964. Formou-se advogado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense. Por duas vezes foi presidente do Sindicato dos Bancários. Em 1947, casou-se com Leda Pimenta e tiveram dois filhos Márcia e Honésio. Em 1963 foi eleito presidente da CONTEC(Confederação dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Crédito) e vice-presidente da antiga CGT. Com o golpe de 1964, Aluísio teve seus direitos políticos cassados e passou a ser literalmente caçado pelos órgãos de repressão. Em fins de maio de 1964 asilou-se na Embaixada do México, indo posteriormente para Cuba. Em 1969, representou o Brasil na OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), em Havana, Cuba. Em 1970, regressou clandestino ao Brasil. Manteve contato com familiares por ocasião do casamento de sua filha. Em 24 de abril desse mesmo ano ainda fez contato com a família. Depois desse dia, o silêncio. Em 1976 correram os primeiros boatos de sua morte, confirmados em 1978 através de carta de Altino Dantas Jr., seu companheiro de prisão, encaminhada ao Ministro do Superior Tribunal Militar, General Rodrigo Otavio Jordão Ramos, denunciando o assassinato de Aluísio Palhano, nas dependências do DOI-CODI da Rua Tutóia, em S.Paulo na madrugada de 21 de maio de 1971. Segundo esse relato, Aluísio esteve prisioneiro durante 11 dias, sofrendo as piores torturas. A Anistia Internacional confirmou esse depoimento. " O preso político Nelson Rodrigues Filho também denunciou que esteve no DOI-CODI/RJ com Aluísio Palhano. Apesar de todos estes testemunhos, os órgãos de segurança não reconheceram, até hoje, a prisão e a morte de Aluísio. Foi preso no dia 9 de maio de 1971 e assassinado pelo torturador Dirceu Gravina no dia 21 de maio de 1971. Inês Etienne Romeu, em seu Relatório, afirmou que Aluísio foi levado para a "Casa da Morte", em Petrópolis, em 13 de maio de 1971. Informou que quem o viu pessoalmente naquele aparelho clandestino da repressão foi Mariano Joaquim da Silva, também desaparecido desde aquela época, que presenciou sua chegada, narrando o seu estado físico deplorável. Inês ouviu a voz de Aluísio várias vezes, quando interrogado na "Casa da Morte". Os relatórios dos Ministérios da Marinha, Exército e Aeronaútica não fazem refrências à sua morte. O nome de Aluisio Palhano foi encontrado, em 1991, no arquivo do DOPS/PR numa gaveta com a identificação "falecidos". ========================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110126/63a19527/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110126/63a19527/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12116 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110126/63a19527/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 26 19:14:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 26 Jan 2011 19:14:39 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__ASSINEM=3A_PETI=C7=C3O_PELO_FI?= =?windows-1252?q?M_IMEDIATO_DO_SEQUESTRO?= Message-ID: <6F53822E4AF04E2D9C72FAEFF9EDC291@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem UMA PETIÇÃO CONTRA A "ABOMINAÇÃO JURÍDICA" QUE É MANTER BATTISTI PRESO MANIFESTO PELO FIM IMEDIATO DA PRISÃO INSUSTENTÁVEL E INCONSTTITUCIONAL DE CESARE BATTISTI, que pode ser acessada aqui. Endereçada ao STF e ao Governo Federal, a petição recebeu inicialmente, no papel, as assinaturas de 32 profissionais do Direito e/ou professores universitários dedicados ao ensino jurídico. Recomendo a leitura atenta do documento, que sintetiza admiravelmente o Caso Battisti e as anomalias jurídicas que o marcam -- tão graves que o maior jurista brasileiro vivo, Dalmo de Abreu Dallari, não hesitou em alertar a cidadania que Cezar Peluso está dando vazão à sua "vocação arbitrária" ao manter sequestrado o escritor: "Os cidadãos abaixo assinados expressam total inconformidade com a decisão do ministro Cézar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, de manter preso o cidadão italiano Cesare Battisti e instam pela sua soltura imediata e inadiável, por ser de justiça. A situação atual constitui profundo desprezo a) à decisão do presidente da república pela não-extradição, b) ao estado democrático de direito e, sobretudo, c) à dignidade da pessoa humana. Imprescindível, portanto, virmos a público manifestar: 1. No dia 31 de dezembro de 2010, o presidente da república decidiu negar o pedido de extradição de Cesare Battisti, formulado pela Itália. A legalidade e legitimidade dessa decisão são inatacáveis. O presidente exerceu as suas competências constitucionais como chefe de estado. A fundamentação contemplou disposições do tratado assinado por Brasil e Itália, em especial o seu Art. 3º, alínea f, que obsta a extradição para quem possa ter a situação agravada se devolvido ao país suplicante, por ?motivo de raça, religião, sexo, nacionalidade, língua, opinião política, condição social ou pessoal?. 2. O presidente da república assumiu como razões de decidir o detalhado e consistente parecer da Advocacia-Geral da União, de n.º AGU/AG-17/2010. A decisão do presidente também condiz com os sólidos argumentos de cartas públicas e manifestos firmemente contrários à extradição, assinados por juristas do quilate de Dalmo de Abreu Dallari, Bandeira de Mello, Nilo Batista, José Afonso da Silva, Paulo Bonavides e Juarez Tavares, entre outros. A decisão também confirmou o refúgio concedido a Cesare Battisti pelo governo brasileiro, em janeiro de 2009, pelo então ministro da justiça Tarso Genro, que da mesma forma admitira o status de perseguido político dele. 3. Vale lembrar que o STF, em acórdão de dezembro de 2009, confirmado em abril de 2010, reafirmou (por cinco votos contra quatro) que a palavra final no processo de extradição cabe exclusivamente ao presidente da república ? o que já constituía praxe na tradição constitucional brasileira e no direito comparado. Na ocasião, o ministro Marco Aurélio de Mello (um dos votos vencidos) fez uma observação cristalina: o extraditando está preso enquanto se decide sobre sua extradição. 4. Em conseqüência, Cesare Battisti permaneceu preso aguardando o posicionamento do presidente da república. Nesse ínterim, o governo italiano encabeçado pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi utilizou de intimidações jactantes e declarações despeitadas para pressionar as autoridades brasileiras e fazer de Battisti uma espécie de espetáculo circense, para salvar o seu governo da crise interna que notoriamente atravessa. 5. Causou perplexidade e repúdio, portanto, quando, tendo conhecimento da decisão do presidente da república, o ministro Cézar Peluso, presidente do STF, negou a soltura de Cesare Battisti. O Art. 93, inciso XII, da Constituição determina que ?a atividade jurisdicional será ininterrupta? e o faz, precisamente, para contemplar casos de emergência, em que direitos fundamentais estejam ameaçados. Ora, o magistrado investido da jurisdição dispunha, em 6 de janeiro, de todos os elementos factuais e jurídicos para decidir sobre o caso. Porém, resolveu não agir, diferindo a decisão para (pelo menos) fevereiro, determinando nova apreciação pelo plenário da corte. Tal adiamento serviu a novas manobras dos interessados na caça destemperada a Battisti, num assunto que, de direito, já foi decidido pela última instância: o presidente da república. 6. A decisão em sede monocrática do ministro Cézar Peluso afronta acintosamente o conteúdo do ato competente do presidente da república. Se, como pretende o presidente do STF, o plenário reapreciará a matéria, isto significa que o presidente da república não deu a palavra final. Ou seja, o ministro Cézar Peluso descumpriu não somente a decisão definitiva do Poder Executivo, como também os acórdãos de seu tribunal, esvaziando-os de eficácia. Em outras palavras, um único juiz, voto vencido nos acórdões em pauta, desafiou tanto o Poder Executivo quanto o Poder Judiciário. O presidente do STF não pode transformar a sua posição pessoal em posição do tribunal. Não lhe pode usurpar a autoridade, já exercida quando o plenário ratificara a competência presidencial sobre a extradição. 7. A continuidade da prisão de Cesare Battisti tornou-se uma abominação jurídica. Negada a extradição, a privação da liberdade do cidadão ficou absolutamente sem fundamento. A liberdade é regra e não exceção. A autoridade judicial deve decretar a soltura, de ofício e imediatamente, como prescreve o Art. 5º, inciso LXI, da Constituição. Cesare está recluso no presídio da Papuda, em Brasília, desde 2007. Mantê-lo encarcerado sem fundamento, depois de todo o rosário processual a que foi submetido nos últimos três anos, com sua carga de pressão psicológica, consiste em extremo desprezo de seus direitos fundamentais. Significa ser cúmplice com uma prisão arbitrária e injustificada, absolutamente vergonhosa para o país, em indefensável violação ao Art. IX da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, dentre inúmeros tratados e documentos internacionais de que o Brasil é signatário. Manifestamos a total inconformidade diante da manutenção da prisão de Cesare Battisti, mal escorada numa sucessão incoerente de argumentos e decisões judiciais, que culminou no ato ilegal e inconstitucional do ministro Cézar Peluso, ao retornar o caso mais uma vez ao plenário do STF. Por todo o exposto, reclamamos pela liberdade imediata de Cesare Battisti, fazendo valer a decisão competente do presidente da república em 31 de dezembro de 2010. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110126/fb2469c5/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 27 20:10:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 Jan 2011 20:10:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_IARA_IAVELBERG_________________________?= =?iso-8859-1?q?_______-XX-?= Message-ID: <0AD757C9FE584CE0A04856244F1F9F0E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem IARA IAVELBERG Militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) Nasceu em 07 de maio de 1944, na cidade de São Paulo, filha de David Iavelberg e Eva Iavelberg. Psicóloga e professora universitária. Foi morta no dia 20 de agosto de 1971, aos 27 anos, em circunstâncias ainda não esclarecidas. Da militância ao amor clandestino Iara Iavelberg, psicóloga e professora da USP, participou de quatro organizações clandestinas de combate à ditadura militar: Polop, VAR-Palmares, VPR e MR-8. Panfletava em porta de fábrica e pichava muros. Nas reuniões clandestinas, ajudava na cozinha. Iara e o ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, que desertara em 24 de janeiro de 1969 levando armas do quartel em que servia, se conheceram na VPR e se transferiram juntos para o MR-8. Além das dificuldades óbvias de dois clandestinos se encontrarem, o namoro foi tumultuado pelo ciúme dele dos ex-namorados dela e pelo sentimento de culpa de estar traindo a mulher, Maria Pavan, que mandara com os filhos pequenos para Cuba. Escondida num apartamento na Praia de Pituba, em Salvador, Iara foi vista com dois revólveres por um menino, que avisou à mãe, trazendo de volta a polícia, que já terminara a batida no prédio, em 23 de agosto de 1971. Aos 27 anos, Iara suicidou-se, segundo a versão do Exército, ou foi assassinada, a tiros de metralhadora, pelo sargento do Corpo de Fuzileiros Navais Rubem Otero, já falecido. O laudo do Instituto Médico-Legal da Bahia desapareceu e a família foi proibida pelo Exército de abrir o caixão. Iara se casara aos 16 anos com Samuel Haberkorn, de 25 anos. Cinco anos depois, continuava virgem. A decepção de descobrir que Samuel tinha outra mulher a fez livrar-se da rígida educação moralista. Entre seus ex-namorados estão o hoje presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), e o economista Luciano Coutinho. Sua vida está contada no livro "Iara", de Judith Patarra, lançado em 1992, e, em parte, no filme "Lamarca", de Sérgio Rezende, que estreou em 1993. Corpo de guerrilheira segue para exames após exumação Família de companheira de Lamarca quer provar que Iara não cometeu suicídio Jornal do Brasil 23/09/03 Há duas versões sobre a morte de Iara. Uma delas diz que teria sido morta após rápido tiroteio com policiais do DOI/CODI-RJ, deslocados a Salvador para prendê-la. Consta que Iara teria se refugiado no banheiro de uma casa vizinha à sua, na tentativa de escapar à perseguição dos policiais, ocasião em que teria sido localizada, tendo se matado com um tiro na cabeça. Esta é a versão oficial, conforme nota divulgada na época pelos órgãos de segurança. A outra versão é colocada por alguns de seus companheiros, baseados nos testemunhos de populares que assistiram à prisão e/ou morte de Iara. Segundo o apurado, Iara teria sido presa, e levada para a sede do DOPS local. Vários presos que se encontravam naquele estabelecimento no mesmo período, ouviram os gritos de uma mulher sendo torturada, identificando tais gritos como sendo de Iara. O Relatório do Ministério da Marinha diz que ela foi "morta em Salvador/BA, em ação de segurança", o relatório do Ministério da Aeronáutica "suicidou-se em Salvador/BA, em 06 de agosto de 1971, no interior de uma residência, quando esta foi cercada pela polícia". A certidão de óbito dá sua morte, em 20 de agosto de 1971, tendo sido firmada pelo Dr. Charles Pittex e informando que Iara foi sepultada por sua família no Cemitério Israelense de São Paulo. Jornal "O Golbo " 05/05/02 Corpo de mulher de Lamarca vai ser exumado Evandro Éboli BRASÍLIA. A família de Iara Iavelberg, última companheira do guerrilheiro Carlos Lamarca, obteve uma histórica vitória. Desde 1998, briga na Justiça para que o corpo de Iara seja exumado, e que um exame pericial determine as reais causas de sua morte. Na semana passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a exumação. O motivo da ação é religioso. Iara está enterrada na ala dos suicidas no Cemitério Israelita de São Paulo, perto de um muro, de costas para a área central e longe do túmulo do pai, Davi Iavelberg. Ela morreu em Salvador, durante uma ação do Exército, em 20 de agosto de 1971. O relatório oficial da Operação Pajussara diz que Iara suicidou-se após o cerco dos policiais. A família contesta a versão. O suicídio é considerado um dos mais graves crimes pela lei judaica. O judaísmo prega que ninguém tem o direito de se matar. Por isso, a cova de Iara fica isolada das demais, numa ala destinada aos suicidas. Se provarem que ela foi assassinada, os Iavelberg conseguirão levá-la para perto do túmulo do pai. - O suicídio é considerado uma desonra pelas leis judaicas - diz Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista. Exumação já havia sido tentada em 1996 Pela primeira vez em processos movidos por parentes de vítimas da repressão, o motivo da ação não é pedido de indenização nem de pensão. A família Iavelberg já tentou na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério da Justiça, a indenização a que dizia fazer jus. Mas o pedido foi negado por falta de provas da participação dos militares em sua morte. Em setembro de 1996, antes de entrarem com a ação, Samuel, Raul e Rosa Iavelberg, irmãos de Iara, pediram à Sociedade Chevra Kadisha, que controla o cemitério, a exumação do corpo, com base na publicação de versões de que Iara poderia ter sido assassinada pela ditadura militar. O pedido foi negado. Os judeus só permitem a exumação em casos de transferência dos restos mortais para Israel, para enterro próximo a parentes ou se a sepultura for profanada. Iara integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e, depois, o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). O relatório oficial da operação do Exército afirma que "a fim de evitar sua prisão e sofrendo ação de gases lacrimogêneos, Iara suicidou-se". O corpo de Iara foi entregue embalsamado pelos militares aos parentes um mês depois de sua morte, num caixão lacrado. Os militares proibiram que ele fosse aberto. SÃO PAULO - Foi exumado, em São Paulo, o corpo da companheira do guerrilheiro Carlos Lamarca, Iara Iavelberg, e levado para a Faculdade de Medicina da USP, onde será periciado. Ela morreu em 20 de agosto de 1971, durante a invasão de seu apartamento, em Salvador, cercado por forças da repressão. A versão do regime militar é a de que ela teria cometido suicídio. Irmão da guerrilheira, Samuel Iavelberg afirma que a família pediu a exumação para tentar provar, numa perícia, que ela teria sido assassinada pela polícia. Disse que a família não pretende pedir indenização ao Estado caso essa versão seja comprovada. Além disso, diz Samuel, a família quer mudar a forma como o corpo foi enterrado, caso seja confirmado o crime. Seguindo a tradição judaica, por ter supostamente cometido o suicídio, a guerrilheira foi sepultada ''com desonras'', em solo não-consagrado e ''de costas'' para o restante do Cemitério Israelita do Butantã, ou seja, com os pés - em vez da cabeça - próximos à lápide. A exumação foi determinada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, dia 4 de novembro do ano passado, a partir de recurso impetrado pela família, após a Sociedade Cemitério Israelita de São Paulo conseguir, em primeira instância, impedir que o corpo fosse desenterrado para exames. Segundo Abrão Bernardo, assessor da instituição judaica, exumá-la é contra aquela religião por representar ''uma violação do corpo, que é sagrado''. Semana passada, porém, o juiz Alexandre Alves Lazzarini, da 16ª Vara Cível de São Paulo, determinou a imediata exumação. Como informara o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), advogado da família, o Instituto Médico Legal marcara para ontem a data da exumação. Ao meio-dia, entretanto, o mesmo juiz determinou a suspensão do procedimento, ao aceitar a argumentação dos advogados do cemitério. - Não fomos notificados e não tivemos condição de nos preparar - disse Bernardo. Greenhalgh recorreu ao juiz e conseguiu fechar um acordo com a necrópole para a exumação prosseguir. Abrão Bernardo afirma que a entidade aceitou a versão oficial de suicídio porque ''o óbito veio dessa forma''. Samuel garante que a Sociedade Cemitério Israelita é uma ''entidade ultraconservadora e com tendências direitistas''. - No fundo, é uma questão política. Eles não querem que se afronte a versão militar - afirmou. Bernardo, no entanto, afirma que não teriam ''como agir de forma diferente naquela época''. Um mistério de 32 anos A psicóloga Iara Iavelberg, mulher de Carlos Lamarca (do MR-8), morreu em 20 de agosto de 1971, aos 27 anos, num apartamento em Salvador (BA). A versão oficial é que, quando a polícia invadiu o apartamento, ela estaria armada e que, para não ser presa, teria se suicidado com um tiro. Lamarca foi morto pouco depois, em 17 de setembro, na Bahia. Segundo o jornalista Elio Gaspari relata no livro A Ditadura Escancarada, o corpo de Iara ficou numa gaveta do necrotério de Salvador por mais de um mês, para atrair Lamarca. Depois, foi levado para São Paulo, num caixão lacrado. A família não pôde abri-lo. Em 9 de julho de 1996, irmãos de Iara pediram a exumação do corpo à Federação Israelita de São Paulo. O pedido foi negado. No mês seguinte, o médico Lamartine Lima disse ter ouvido do militar Rubem Otero a confissão de que ele teria matado Iara. Suspeita-se que Iara tenha resistido à prisão e foi atingida por uma rajada de metralhadora. Três tiros teriam atingido a cabeça e o tórax. Iara Iavelberg é exumada, 32 anos depois O Globo 23/09/03 Soraya Aggege SÃO PAULO. 32 anos depois de sua morte, e após uma longa batalha judicial de sua família contra a sociedade Chevra Kadisha, responsável pelo Cemitério Israelita de Butantã, em São Paulo. Peritos da Universidade de São Paulo (USP) vão tentar apurar se Iara se matou ou se foi assassinada por órgãos de repressão do regime militar. A exumação ficou suspensa por sete horas ontem porque a sociedade judaica recorreu à Justiça para suspender a medida, sem sucesso. A família de Iara só recorreu à Justiça para garantir a exumação depois que a sociedade se recusou a desenterrar o corpo dizendo que isso é proibido pela religião judaica. Segundo as tradições judaicas ortodoxas, o corpo estava sepultado na ala dos suicidas (junto ao muro, de costas para os outros túmulos) e Iara foi enterrada sem que seu corpo fosse lavado e envolto em lençol. Família de militante não quer indenização do Estado A família de Iara não quer indenização do Estado e diz que a Chevra Kadisha tem uma orientação de direita. - Eles sempre acharam que não era bom lutar contra a ditadura. E alegam preceitos religiosos para barrar a apuração da história. Há 13 anos tentamos exumar o corpo e eles nos impedem. Há uma divisão de opiniões na comunidade judaica, mas esse grupo é afinado com a direita - disse o jornalista Samuel Iavelberg, irmão de Iara. O advogado da sociedade, Márcio Pollet, afirmou que a entidade não fora informada com antecedência sobre a decisão da Justiça. Além disso, ele alegou que esta semana é sagrada para os judeus e que, por isso, seria difícil encontrar um rabino para acompanhar a exumação: - Não temos nada contra a produção de provas. Só queremos o cumprimento mínimo da tradição judaica. Os jornalistas não podem fazer festa em solo sagrado. Segundo o advogado da família de Iara, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), a sociedade judaica queria que a exumação só fosse concluída em 8 de outubro, após o ano novo judaico: - Se chove, acaba a possibilidade de fazer a análise. E eles também não queriam que a família de Iara acompanhasse a exumação. Uma morte misteriosa Última companheira do guerrilheiro Carlos Lamarca, a psicóloga Iara Iavelberg tinha 28 anos e estava grávida quando morreu, em agosto de 1971, em Salvador. O laudo do IML sumiu e a família foi proibida pelo Exército de abrir o caixão. Há duas versões sobre sua morte. Oficialmente, ela teria se matado com uma bala no peito após tiroteio com policiais do DOI/Codi. No entanto, há depoimentos dizendo que Iara foi morta, a tiros de metralhadora, pelo sargento do Corpo de Fuzileiros Navais Rubem Otero, já falecido. Folha de São Paulo 23/09/03 Corpo da mulher de Lamarca é exumado Família pretende provar que Iara Iavelberg não se suicidou, contrariando versão dada pelo governo DA REPORTAGEM LOCAL Foi exumado ontem em São Paulo o corpo da mulher do guerrilheiro Carlos Lamarca, Iara Iavelberg, que morreu em 20 de agosto de 1971, após a polícia invadir o apartamento em que ela morava, em Salvador (BA). A versão do regime militar para a morte de Iara é a de que ela teria cometido suicídio. O irmão da guerrilheira, Samuel Iavelberg, afirma que a família pediu a exumação para tentar provar, após perícia, que ela, na verdade, teria sido morta pela polícia. Ele disse que a família não pretende pedir indenização ao Estado caso essa versão seja comprovada. Além disso, diz Samuel, a família quer, caso seja provado que Iara não cometeu suicídio, mudar a forma como ela está enterrada. Seguindo a tradição judaica, por ter supostamente se suicidado, a guerrilheira foi sepultada "com desonras", em terreno não-consagrado e "de costas" para o restante do Cemitério Israelita do Butantã -ou seja, com os pés, em vez da cabeça, próximos à lápide. A exumação foi determinada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no dia 4 de novembro de 2002, a partir de recurso da família, após a Sociedade Cemitério Israelita de São Paulo conseguir, em primeira instância, impedir que o corpo fosse desenterrado para a perícia. Segundo Abrão Bernardo, assessor da presidência da entidade, exumá-la vai contra a religião judaica, por ser, ele diz, "uma violação do corpo, que é sagrado". Paralisação O juiz Alexandre Alves Lazzarini, da 16ª Vara Cível de São Paulo, cumprindo a decisão do Tribunal de Justiça, determinou que a exumação fosse realizada. Segundo o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), advogado da família no processo, o IML (Instituto Médico Legal) marcou para ontem a data da exumação. Ao meio-dia de ontem, porém, o juiz mandou suspender o procedimento, aceitando argumentação dos advogados do cemitério. "Não fomos notificados e não tivemos condição de nos preparar", disse Bernardo. Segundo Greenhalgh e Samuel, também teria sido argumentado incorretamente que se tratava de um feriado religioso para os judeus, o que impossibilitaria trabalhos no cemitério. Greenhalgh recorreu ao juiz e conseguiu um acordo com a Sociedade Cemitério Israelita para que a exumação prosseguisse sem a presença da imprensa, o que, ainda segundo Greenhalgh, teria sido exigido porque representaria uma "profanação do túmulo". O irmão de Iara conta que a família briga na Justiça, em outros processos, há 13 anos para conseguir exumar o seu corpo. Segundo ele, o enterro foi uma "operação militar", em que o caixão chegou lacrado ao cemitério, e que não foi permitido que as cerimônias tradicionais, como a lavagem do corpo, fossem realizadas. Abrão Bernardo afirma que a entidade aceitou a versão oficial de suicídio porque "o óbito veio dessa forma". Samuel diz que a Sociedade Cemitério Israelita é uma "entidade ultraconservadora e com tendências direitistas". "É uma questão política, no fundo. Eles não querem que se afronte a versão militar", afirmou. "Não tínhamos como agir de forma diferente naquela época", disse Bernardo sobre as declarações de Samuel, negando qualquer motivação política. Após ser exumado, o corpo foi levado para a faculdade de medicina da USP, onde será analisado. (RAFAEL CARIELLO) Psicóloga morreu em 1971 cercada pela polícia na BA -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110127/33eed3c3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8542 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110127/33eed3c3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 27 20:10:13 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 Jan 2011 20:10:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Mais trabalho e menos descanso Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Mais trabalho e menos descanso Reproduzo artigo de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado no sítio da Agência Sindical: A conhecida semana inglesa de trabalho parece se transformar rapidamente em miragem para parcela crescente dos ocupados. Pesquisa realizada sobre condições de vida e trabalho no Reino Unido revela que, nas atividades de serviços, o antigo descanso semanal de 48 horas foi reduzido na prática para somente 27 horas. Há fortes indícios de que a jornada de trabalho deixa de começar na manhã de segunda-feira e se encerrar na tarde de sexta para, cada vez mais, se iniciar no meio da tarde de domingo e prolongar-se até o início da tarde do sábado. Assim, o tempo do descanso semanal é diminuído em 21 horas (43,7%), conforme estudos sobre hábitos do trabalho de 4.000 empregados de 16 a 60 anos de idade no setor de serviços britânico. A cada dez ocupados, seis efetuam tarefas relacionadas ao trabalho heterônomo (pela sobrevivência) no final de semana. Entre as principais atividades laborais fora do local de trabalho estão as ligadas ao uso contínuo do computador pessoal, especialmente em tarefas de correio eletrônico, internet e no desenvolvimento de relatórios e planejamento. A maior parte dos ocupados que trabalham no final de semana informa exercê-lo por pressão da empresa, embora haja aqueles que são estimulados a fazê-lo pela concorrência entre os colegas. No tempo da Revolução Industrial, décadas de lutas do movimento social e trabalhista foram necessárias para conter as extensas jornadas de trabalho (superiores a 14 horas diárias e a mais de 80 horas semanais). Por meio de férias, do descanso semanal e dos limites máximos impostos à jornada (oito horas diárias e 48 horas semanais), a relação do trabalho com o tempo de vida reduziu-se de mais de dois terços para menos da metade. Assim, os laços de sociabilidade urbana foram construídos por meio do avanço de atividades educacionais, lazer e turismo, entre outras fundamentais à consolidação de um padrão civilizatório superior. Paradoxalmente, o curso atual da revolução tecnológica nas informações e comunicações faz com que o ingresso na sociedade pós-industrial seja acompanhado da elevação da participação do trabalho no tempo de vida. O transbordamento laboral para fora do local de trabalho compromete não apenas a qualidade de vida individual e familiar como também a saúde humana. Não são diminutos os diagnósticos a respeito das novas doenças profissionais em profusão. O predomínio do trabalho imaterial, não apenas mas substancialmente estendido pelas atividades no setor terciário das economias ? a principal fonte atual de geração de novas vagas ?, permite que o seu exercício seja fisicamente mais leve, embora mentalmente cada vez mais cansativo. Antigos acidentes laborais provocados pelo esmagamento em máquinas são substituídos por novos problemas, como o sofrimento humano, a solidão e a depressão, cada vez mais associada às jornadas excessivas de trabalho e ao consumismo desenfreado. A imaterialidade do trabalho, mesmo nas fábricas, por efeito da automatização e das novas tecnologias de informação e comunicação, torna o exercício laboral mais intenso e extenso. Por força do transbordamento laboral para além do local de trabalho, a jornada de 48 horas aumenta para 69 horas semanais, enquanto o descanso reduz-se de 48 horas para 27 horas na semana. http://altamiroborges.blogspot.com/2011/01/mais-trabalho-e-menos-descanso.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110127/a84d94e5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 21444 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110127/a84d94e5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 27 20:10:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 Jan 2011 20:10:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_BBB=2E=2E=2E=2E=2E=2Epor_Luiz_F?= =?windows-1252?q?ernando_Veriss=EDmo=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Oi Vanderley, leia essa manifestação do Veríssimo Acho que seria otimo reproduzi-la na sua revista um beijo Gisele -------------------------------------------------------------------------------- Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o "BBB" ( LEIA COM ATENÇÃO, EM RESPEITO À SUA FAMÍLIA ) Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos ?heróis?, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE.. Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um ?zoológico humano divertido? . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas. Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os ?animais? do ?zoológico?: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a ?não sou piranha mas não sou santa?, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!). Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade. Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? HERÓIS ? São esses nossos exemplos de HERÓIS ? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados.. Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia. Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns). Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!! Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão. Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!) Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar.... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... ,telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rio$$$$$ de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade AMIGO : A LEI BRASILEIRA AUTORIZA ESSAS BESTIALIDADES, MAS O SEU LAR É INVIOLÁVEL DESLIGUE SUA TV NA HORA QUE ANUNCIAREM O PROGRAMA, E DESSA FORMA A AUDIÊNCIA VAI CONTINUAR EM QUEDA LIVRE ( JÁ É A MENOR DE TODAS AS EDIÇÕES) E OS PATROCINADORES TIRARÃO O PROGRAMA DO AR. BRASIL...! Acima de tudo...!!! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110127/4db84b11/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 27 21:17:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 Jan 2011 21:17:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_hist=F3ria_n=E3o_se_julga_nos_?= =?iso-8859-1?q?tribunais=2C_ela_ela_=E1_sempre_mat=E9ria_de_histor?= =?iso-8859-1?q?iadores=2E___Uma_carta_de_Cesare_Battisti?= Message-ID: <3A5F3A46AED7493CAD3968FD74B39090@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Uma carta de Cesare Battisti: serA história não se julga nos tribunais, ela á sempre matéria de historiadores Desde o ano 2000 estamos assistindo à impiedosa tentativa do Estado italiano enterrar definitivamente a tragédia dos anos de chumbo, jogando na prisão e levando à morte o bode expiatório Cesare Battisti. Por Cesare Battisti Caros companheiros(as), há meia hora, nesta terça, antes da visita dos companheiros decidi escrever um recado para todos vocês que participam dessa luta em meu favor. Resultado: pouco tempo para escrever algo vigoroso; cabeça cheia de insultos grifados de uma cela a outra; e o espírito fica longe: palavras que não se deixam prender e, enfim, o recado é para já. Tem-se dito e escrito tanto sobre esse "Caso Battisti" que já não sei mais distinguir direitinho o eu do outro. Aquele Battisti surgido do nada e jogado pela mídia como pasto para gado. Mas essas são só palavras, vazias como as cabeças desses mercenários que costumam facilmente trocar a pistola com a caneta e até uma cadeira no Congresso. No entanto, os companheiros/as de luta, assim, todos/as aqueles que ainda sabem ler atrás da "notícia", vocês sabem quem é quem, qual a minha história e também a manipulação descarada que está servindo a interesses políticos e pessoais, de carreira e de mercado: em 2004, depois de 14 anos de asilo, a França de Sarkozi me vendeu à Itália de Berlusconi em troca do trem-bala [comboio de grande velocidade] de Lyon-Turin. Desde o ano 2000 estamos assistindo à impiedosa tentativa do Estado italiano enterrar definitivamente a tragédia dos anos de chumbo, jogando na prisão e levando à morte o bode expiatório Cesare Battisti. Entre centenas de refugiados dos anos 70 que se encontram em vários países do mundo, não fui escolhido eu por acaso nem pela importância do papel de militante, mas pela imagem pública que eu tinha enquanto escritor, o que me dava o acesso à grande mídia para denunciar os crimes de Estado naquela época e os atuais. Eis que de repente há tantas coisas por dizer que eu não sei mais me orientar! Pela rua, claro, só a rua vai me dirigir até vocês. Na rua comecei mil anos atrás e nela continuo; nela mesmo onde será praticamente impossível evitar-nos. E então falo, falo de homens e de mulheres, de companheiros(as), de sonhos e de Estados (esses também ficam no caminho, de ladinho). Falo sobre minha vida que não conheceu hinos, nem infância, mas que em troco tive o mundo todo para brincar com outra música que não essas fanfarras de botas. Contudo, parece quase que estou falando como homem livre, não é? Porém, estou preso. Vai fazer quatro anos no próximo março. Ainda assim, essas cariátides da reação não conseguiram me pegar em tempo. Quase três anos se passaram (antes de eu ser preso), de rua a outra, nesse tempo conheci o país, cheirei o povo, me misturei a ele, ao ponto de quase esquecer o hálito fedorento dos cães de caça. Ainda estou preso, está certo, mas isso não me impede de sentir lá fora vossos corações batendo pela liberdade. Talvez eu tinha que falar-lhes algo mais sobre esta perseguição sem fim, dar-lhes algumas dicas de como driblar a matilha. Mas acabei por pintar-lhes um abraço sincero e libertário. É o que conta. Cesare Battisti, 18 de janeiro de 2011 Leia aqui para saber mais sobre o caso de Cesare Battisti. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110127/8aa360ab/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18575 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110127/8aa360ab/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 28 19:20:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 28 Jan 2011 19:20:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_do_sargento_Manoel_Raimundo_Soares________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-XXI-?= Message-ID: <060AD6F774D34200BBF9B5F746712889@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Vida, luta e martírio do sargento Manoel Raimundo Soares História Mário Maestri e Helen Ortiz Fundada há quase 400 anos na boca do Amazonas, a cidade de Belém domina o norte brasileiro. Hoje, sua região metropolitana supera os dois milhões de habitantes, vivendo em condições que lembram as que ensejaram, há mais de 160 anos, a luminar revolta social cabana. Em fins dos anos 1930, Belém mantinha seu perfil colonial, com seus suntuosos casarões e as mangueiras que, ao longo das ruas centrais, esforçavam-se para amainar o calor equatorial opressivo. Na época, possuiria pouco mais de cem mil moradores, em geral de pele morena, herdada dos antigos senhores dessas regiões. Em 15 de março de 1936, Etelvina Soares dos Santos pariu Manoel Raimundo, possivelmente em sua residência humilde. Como tantas outras mulheres paraenses fortes, criou o menino e seus dois irmãos desejando-lhes um futuro melhor como trabalhadores dignos. Manoel Raimundo mostrou-se logo menino muito inteligente e de fibra. Após concluir o primário no Grupo Escolar Paulino de Brito, cursou estudos técnicos no Instituto Lauro Sodré, enquanto trabalhava em oficina mecânica. Em 1953, com apenas 17 anos, Manoel Raimundo abandonou a pacata Belém para morar com conhecidos na capital federal, então grande palco dos fortes confrontos políticos e sociais que dilaceravam o Brasil. Por se envolver neles, mais e mais, com a galhardia dos velhos guerreiros cabanos, o menino de dona Etelvina conheceria a morte, na luta por seus ideais, aos trinta anos, distante de sua terra natal, nas águas geladas do rio-estuário da capital do Brasil meridional. A crise do nacional-desenvolvimentismo Em 1950, três anos antes de Manoel Raimundo chegar ao Rio de Janeiro, o rio-grandense Getúlio Vargas elegera-se presidente da República, com 48,7% dos votos, pelo PSD, PTB e PSB, propondo continuar a industrialização nacional autônoma, apoiada no mercado interno. Durante a campanha eleitoral, atacara a "velha democracia liberal e capitalista" e defendera o "industrialismo" e os "direitos trabalhistas". Seu governo seria varado por graves conflitos e contradições. A valorização do cruzeiro e a desvalorização do preço das matérias-primas no mercado internacional deprimiam o valor das exportações, exigindo o controle governamental das remessas de lucros e de dividendos, necessário à compra de tecnologia, de equipamentos, de petróleo etc. Como no Estado Novo, o getulismo expressava, sobretudo, a burguesia industrial e os proprietários agropastoris voltados para o mercado interno, e, agora, secundariamente, o operariado fabril, mantido na subordinação social, política e ideológica. O governo Vargas iniciou-se com orientação nacional-desenvolvimentista moderada, oferecendo abertura aos capitalistas estrangeiros, desde que associados aos nacionais e respeitosos aos "interesses do país". Então, o Brasil tinha 52 milhões de habitantes. As classes industriais, médias e operárias haviam se fortalecido grandemente em relação ao Estado Novo, enquanto decrescera o poder dos exportadores, organizados, sobretudo, na UDN, que expressava igualmente o imperialismo e o capital financeiro. Nova relação de forças O novo governo Vargas ampliou a intervenção do Estado na economia que levara, no Estado Novo, à criação da Companhia Siderúrgica Nacional e da Companhia Hidroelétrica do Vale do São Francisco. Foram fundados os bancos da Amazônia e do Nordeste; o BNDE e a Eletrobrás. Em 1951, ditou-se o monopólio estatal sobre o petróleo e minerais radioativos. Em 1953, a fundação da Petrobrás galvanizou os sentimentos nacionalistas da população e, a seguir, restringiu a hemorragia das contas públicas com as importações do petróleo. A estreiteza do mercado interno e da poupança nacional emperrava o nacional-desenvolvimentismo. O mercado urbano era limitado e o rural, menor. Os salários fabris aproximavam-se ao mínimo necessário à subsistência. O prosseguimento do padrão nacional-desenvolvimentista burguês exigia maiores investimentos e maior consumo, através do fim do latifúndio (sem indenização), da generalização das leis trabalhistas, da elevação dos salários, de maior participação estatal na economia etc. Essas medidas democrático-burguesas sequer interessavam aos industrialistas ligados ao governo, pois fortaleceriam o mundo do trabalho e quebrariam o pacto agrário-industrial, que assegurava a manutenção do latifúndio. Em agosto de 1954, o suicídio de Vargas assinalou o fim da capacidade e disposição do capital industrial nacional de garantir ao país desenvolvimento capitalista tendencialmente autônomo. Nesse momento, ele já abandonara maciçamente a política populista, com a qual subordinara os trabalhadores industriais urbanos aos seus interesses. Rápida progressão Em 1955, meses após a comoção nacional causada pelo suicídio de Getúlio Vargas, Manoel Raimundo Soares, com 19 anos, alistou-se no Exército, alcançando o posto de segundo sargento, após quatro promoções. Em 20 de setembro do mesmo ano, após namoro de apenas três meses, casou-se com a jovem Elisabeth Chalupp, mineira de origem humilde, criada por família estranha, trabalhando no Rio de Janeiro como operária industrial. Manoel Raimundo gostava de chamar a esposa de Betinha e Beta. Falta-nos ainda informação mais precisa sobre a precoce e destacada participação do jovem sargento paraense nos conflitos vividos pela sociedade e, junto com ela, pelas Forças Armadas, nesses anos em que o país foi fortemente tensionado por iniciativas golpistas conservadoras, com destaque para a tentativa de deposição de Goulart, em 1961. Ensaio golpista derrotado que transformou o jovem governador sulino Leonel Brizola no principal líder popular-nacionalista e grande referência para o movimento dos suboficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica. Desde o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), Manoel Raimundo começara a despontar como militante de vanguarda da luta pela organização sindical e política dos suboficiais do Exército. Araken Vaz Galvão, seu companheiro de farda e de luta, assinala que, por volta de 1958, ele vivia em Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e servia, como escrevente, no Batalhão Escola de Saúde, em Magalhães Bastos. Nesse então, Manoel Raimundo exercia o que Araken definiu como "liderança suave, relacionada com os problemas" dos sargentos discutidos no Clube da classe, transformando-se, logo, em um dos "principais fundadores" do "Movimento dos Sargentos", assim batizado por ele. Além de outras reivindicações sindicais e democráticas, os suboficiais do Exército mobilizavam-se pelo direito de progressão ao oficialato; pelo direito de casamento civil, sem autorização do Exército; pela estabilidade após cinco anos de serviço; pela elegibilidade ao parlamento dos suboficiais. Por sua cultura, inteligência e decisão, Manoel Raimundo era referência para seus companheiros de farda. O ex-subtenente pára-quedista do Exército Jelsi Rodrigues descreve-o como homem de estatura baixa e corpo franzino, "cabeçudo", de "bigodinho", de pele levemente morena, habitual do paraense, muito culto e sobremaneira corajoso. O ex-sargento Araken Galvão, seu particular amigo, lembra que era um "grande orador" e "neurótico por cultura", tendo procurado intelectuais como o sociólogo Vinícius Caldeira Brant, o filósofo Álvaro Vieira Pinto, entre outros, para ampliar os horizontes do movimento dos sargentos. Antes mesmo do golpe, Manoel Raimundo interessava-se pela literatura marxista, lendo e divulgando Marx, Engels, Lênin. Na ante-sala do golpe No mínimo desde 1963, Manoel Raimundo preocupava-se com a necessidade de organizar resistência ao golpe militar, que se aproximava, tendo procurado preparar as condições para resistência, na Serra do Mar, nas proximidades do Rio de Janeiro, possivelmente inspirado na experiência cubana. O que lhe ensejou inquérito no Exército, por desvio de armas e cooptação de sargentos. Devido à manifestação de sargentos do Exército, em 11 de maio de 1963, no Sindicato dos Comerciários, no centro do Rio de Janeiro, Manoel Raimundo sofreu pena disciplinar e foi transferido, do Rio de Janeiro para Campo Grande, no Mato Grosso, o mesmo ocorrendo com seus companheiros, promotores da reunião, do Comando Geral dos Sargentos, enviados para o mesmo estado e para outras destinações. Do manifesto de posições muito duras lido quando da manifestação, faria parte frase de autoria de Manoel Raimundo que dizia: "O martelar das oficinas, o ribombar dos tambores confundir-se-ão com o choro das crianças famintas. O instrumento de trabalho dos sargentos é o fuzil". A repressão afastou da capital da República grande parte do núcleo central do Comando Geral dos Sargentos. O golpe de Estado de 1964 Em 1964, as burguesias industrial e financeira nacionais romperam com o projeto nacional-desenvolvimentista autônomo, para impor padrão de acumulação de capitais através de maior integração ao capital mundial; super-exploração do trabalho; orientação do consumo aos segmentos ricos nacionais e ao comércio mundial etc. O golpe iniciou em Minas Gerais, em 31 de março, chefiado por militar ex-integralista, com o apoio dos EUA, que preparou intervenção no Brasil, caso houvesse resistência - Operação Brother Sam. Em Porto Alegre, Leonel Brizola tentou reviver a Legalidade, apoiado pelo comandante do 3º Exército, pela Brigada, pelos suboficiais do Exército e da Aeronáutica, por populares. Em 2 de abril, já na capital sulina, João Goulart negou-se a chefiar a resistência, permitindo que o golpismo se instalasse praticamente sem oposição. João Goulart viajou para uma sua estância em São Borja e, dali, para o Uruguai. O PCB, única organização de esquerda com força sindical e popular, subordinara a oposição ao golpismo à direção de Goulart e ao esquema militar organizado em torno de altos membros das forças golpistas. Políticos e historiadores defenderam e defendem a negativa de João Goulart de opor-se ao golpe como ato que impediu "derramamento de sangue" no Brasil, tese proposta pelo próprio ex-presidente. A imposição da ditadura sem resistência ensejou a maior derrota histórica que o mundo do trabalho e da democracia jamais viveu no Brasil, com gravíssimas conseqüências para o país, para a América Latina e para o mundo, que se mantêm até hoje. Golpismo em marcha Após o golpe e o "Ato Institucional" n.º1, de 9 de abril, ao qual seguiriam outros, a alta oficialidade militar interveio nas associações sindicais e profissionais, no legislativo, no executivo e no judiciário; expurgaram, prenderam, torturaram opositores, que abandonaram comumente o país, quando puderam, sobretudo pelo Uruguai, onde se encontravam João Goulart e Leonel Brizola, com as relações políticas e pessoais cortadas. O golpe militar, apoiado pelas classes proprietárias do Brasil, objetivava relançar o padrão de acumulação de capital, a partir de bases distintas das nacional-desenvolvimentistas, que exigiam, como visto, reformas estruturais não aceitas mesmo pelo capital industrial nacional. A ditadura militar expressava também a necessidade dos capitais externos, sobretudo estadunidenses, de intervenção mais direta no país, onde haviam conquistado maiores posições. Sob a direção do general Castelo Branco, expressão do capital financeiro e imperialista, o governo implementou política liberal e recessiva, que estendeu a seguir o descontentamento até mesmo a setores que haviam apoiado o golpe, com destaque para as classes médias, ensejando a primeira tentativa de reunificação de oposição anti-ditatorial política superestrutural, a fracassada Frente Ampla, de 1966, promovida sobretudo por Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart. A sub-oficialidade nacionalista A frustração ensejada pela derrota sem resistência e o crescente descontentamento popular levaram a que suboficiais nacionalistas de esquerda das forças armadas, em especial do Exército e da Marinha, presos e reformados em grande número, tenham sido o setor social que se disponibilizou prontamente para a luta antiditatorial direta, no contexto prático e político próprio ao mundo castrense, organizando-se em torno de Leonel Brizola, que seguia no Uruguai disposto a lutar pelas forças das armas pelo fim da ditadura. Manoel Raimundo teve a prisão decretada em abril, e foi expulso do Exército em junho de 1964. Para não ser preso e poder integrar-se à luta antiditatorial, apenas estourou o golpe, desertou de seu quartel em Campo Grande, junto ao sargento Araken Galvão, também destacado no Mato Grosso. Manoel Raimundo e Araken viajaram para Juiz de Fora e, a seguir, para o Rio de Janeiro, de onde partiram, mais tarde, para o Rio Grande do Sul. Manoel Raimundo teria declarado à polícia que viajou para Porto Alegre em 26 de janeiro de 1965 à procura de emprego, retornando ao Rio de Janeiro em 6 de março. Em 29 de setembro teria voltado ao Sul, sob promessa de trabalho feita pelo suboficial Leony Lopes, que lhe teria igualmente apresentado Edu Rodrigues, civil pretensamente oposicionista, mas nos fatos informante da polícia, como veremos. Mais de 20 sargentos teriam viajado, como Manoel Raimundo, do Rio de Janeiro a Porto Alegre para integrar-se à resistência. Uma transferência mais do que compreensível, pois desde 1964 o Rio Grande do Sul tornara-se a principal via para alcançar ou manter contatos com o Uruguai, então centro anti-ditatorial. Em 1965, haveria mais de 2.000 brasileiros refugiados naquele país. De 1964 a 1966, o ex-governador Leonel Brizola depositou grande esperança na possibilidade de sublevar Porto Alegre e o Rio Grande do Sul apoiado em oficiais e suboficiais constitucionalistas, nacionalistas e de esquerda ainda em serviço. A primeira resposta armada à ditadura Foi precisamente do Uruguai, em 20 de março de 1965, que o coronel do Exército Jéferson Cardin de Alencar Osório e o sargento da Brigada Militar Alberi Vieira dos Santos ingressaram no Rio Grande do Sul para organizar coluna de pouco mais de 20 homens. O grupo armado, após tomar a cidade sulina de Três Passos, em 25 de março, dirigiu-se ao oeste do Paraná, onde no dia 27 foi dispersado após combate desigual com as forças da ditadura. No combate morreu um sargento das forças repressivas. O objetivo da coluna do Movimento Nacionalista Revolucionário, ligado a Leonel Brizola, era sublevar militares oposicionistas no Rio Grande do Sul e a seguir no Brasil. Em Porto Alegre, desde começos de 1965, como assinalado, o sargento Manoel Raimundo, companheiros seus do Comando Geral dos Sargentos e outros resistentes locais participaram ativamente da organização de dois levantes de quartéis da Brigada e do Exército da capital. O primeiro contaria com "entre 40 e 70 pessoas prontas para fazer a insurreição", "espalhadas por aparelhos em Porto Alegre", e mais outros suboficiais que chegariam do Rio de Janeiro. O plano teria desandado devido à prisão de Araken Vaz Galvão. Em fevereiro-março de 1966, após o fracasso da chamada "Guerrilha de Três Passos", um segundo projeto de levante em Porto Alegre não prosperou, devido à denúncia do plano ao comandante Osvino Ferreira Alves, um dia antes da sua eclosão por capitão da Brigada Militar envolvido no movimento, com a prisão de oficiais, suboficiais, trabalhadores, estudantes etc. O fracasso do segundo levante fortaleceu a proposta da organização da luta antiditatorial através de focos armados rurais, desejada pelos suboficiais do Exército e Marinha, e à qual Leonel Brizola resistia. A queda de Manoel Raimundo Às 17h35 da tarde de 11 de março, Manoel Raimundo foi preso ao entregar entre 500 e 2.000 panfletos, possivelmente por ele escritos, com os dizeres "Abaixo a ditadura militar", contra a chegada naquele dia a Porto Alegre do general-ditador Castelo Branco, e a Edu Rodrigues, um civil alcagüete, em frente ao auditório Araújo Viana. Na distribuição dos manifestos estariam envolvidos funcionários da Carris, empresa pública com antiga tradição de luta sindical e política. Conhecido pelo serviço de informação do Exército como uma das principais lideranças do movimento dos sargentos e, possivelmente, por seu envolvimento nos movimentos de resistência em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, Manoel Raimundo era uma presa valiosa para a repressão, já que, se vergado, causaria baixas duríssimas entre seus companheiros de luta e no movimento de resistência à ditadura. A documentação conhecida assinala que, quando da sua prisão, Manoel Raimundo militava em pequeno grupo reunindo, principalmente, remanescentes da "Guerrilha de Três Passos", denominado Movimento Revolucionário 26 de Março (MR-26). A denominação seria uma homenagem ao primeiro combate armado com a ditadura, quando da chamada "Guerrilha de Três Passos". Praticamente toda a escassa informação disponível publicada sobre Manoel Raimundo reafirma essa militância. Jelsi Rodrigues, companheiro de Manoel Raimundo no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, lembra que, naquele então, os suboficiais resistentes reconheciam-se como membros do Comando Geral dos Sargentos. Quando muito, Manoel Raimundo se compreenderia como parte do Movimento Nacionalista Revolucionário, organizado pelos suboficiais do Exército e da Marinha, em associação com Leonel Brizola e seguidores. Jelsi Rodrigues sequer tem conhecimento do MR-26. Araken Galvão, com participação destacada na primeira tentativa de levante em Porto Alegre e um dos companheiros mais próximos de Manoel Raimundo, declarou: "Ao que eu saiba, Soares nunca militou no MR-26. Aliás, nem sei que movimento foi esse (...)". Companheiros de farda Manoel Raimundo foi preso no dia 11 de março por dois militares à paisana, da 6ª Companhia da Polícia do Exército, Carlos Otto Bock e Nilton Aguiadas, sem qualquer determinação judiciária, ao arrepio das próprias leis então reconhecidas pela ditadura, devido à denúncia do informante Edu Rodrigues, como visto. A ordem de prisão teria partido de Darci Gomes Prange, capitão da referida companhia. Era o início do longo calvário do jovem paraense, nas mãos dos torcionários do Exército e da Polícia Política. Manoel Raimundo foi levado em um táxi DKV verde à sede da Polícia do Exército, onde, sem delongas, sofreu as primeiras sevícias infligidas por ex-colegas de farda, o sargento Pedroso e os tenentes Nunes e Glênio Carvalho de Sousa. A seguir, foi transferido para o mais experiente Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no Palácio de Polícia na avenida João Pessoa, para ser duramente torturado e espancado, por longos dias, agora pelos delegados Enir Barcelos da Silva, Itamar Fernandes de Souza, José Morsch, entre outros. Na época, especialmente no Rio Grande, a tortura não se transformara ainda em prática institucionalizada, sobretudo nas forças militares. O ódio acumulado por oficiais golpistas e direitistas contra o destacado líder do Comando dos Sargentos e sua importância na resistência antiditatorial talvez expliquem a violência com que foi interrogado. Sem qualquer resultado. Ainda hoje, os companheiros de Manoel Raimundo lembram-se emocionados da decisão com que o jovem enfrentou o interrogatório, não raro cantando o Hino Nacional e a Marselhesa, sem jamais se dobrar, não revelando sequer um nome de companheiros e depósitos de armamentos, prontamente transferidos após a sua queda. Depoimentos incontornáveis Possivelmente a improvisação da repressão na época e a importância e galhardia de Manoel Raimundo ao enfrentar seus algozes tenham ensejado a paradoxal exposição pública das duras torturas a que foi submetido, realidade que se procurou manter sob sigilo, mesmo quando do fechamento do regime, após o Ato Institucional n.º 5, em fins de 1968. São precisas, abundantes e concordantes as declarações de outros presos políticos sobre os maus-tratos sofridos pelo jovem paraense na semana em que permaneceu no DOPS. Em depoimento publicado no jornal gaúcho Zero Hora, de 17 de setembro de 1966, Antônio Giudice, detido no DOPS, de 10 a 15 de março de 1966, relatou "que conversou com Manoel Raimundo, vendo "os hematomas e cicatrizes das torturas que vinha sofrendo", pois "era diariamente, torturado, colocado várias vezes no pau-de-arara, sofrendo choques elétricos, espancado e queimado por pontas de cigarros". O pau-de-arara é haste de pau ou ferro, para suspender o prisioneiro durante a tortura, com os pés e as mãos amarrados para trás, de cabeça para baixo. Aldo Alves Oliveira, funcionário da Companhia Carris, preso na DOPS desde 10 de março, testemunhou ter conhecido Manoel Raimundo, que "mostrava vários sinais de sevícias". Na ocasião, viu, quando o ex-sargento "estava sentado no corredor" de "acesso à cela", "sem camisa", "as marcas de queimaduras" e sinais de violência. Tão forte fora o espancamento que ele "não podia engolir alimentos sólidos, razão pela qual" Aldo e outros presos forneciam-lhe "alguma porção" do "leite que lhes era enviado por familiares". As noites e os dias Aldo Alves relatou igualmente que, durante o tempo que esteve preso, "percebia que, quase todas as noites, pela madrugada, o ex-sargento Manoel Raimundo Soares era torturado, o que podia ser comprovado pelos gritos da vítima e também pelo aspecto físico que apresentava quando era trazido de volta a sua cela e passava defronte a porta em que se encontrava o depoente [...]". Também presa no DOPS em março de 1966, a advogada Élida Costa afirmou que, ao ouvir "gritos, urros de dor e ruídos de coisas que caíam", um "agente policial" lhe explicara que "se tratava de uma festa em [um] outro andar". Ao deparar-se com "uns seis ou oito presos, todos da Carris", quando ia ao banheiro, ela contou-lhes o que passava, "e o risco que todos (eles) corriam". Élida passou a noite temendo "que o mesmo poderia lhe suceder". Temor acrescido quando, de madrugada, "viu, com os próprios olhos, um rapaz que, pelo estado de seu corpo, que estava inclinado para frente, ia sendo carregado por dois homens". Na ocasião, "ouviu dizer" que o preso estava ferido, sangrava e se encontrava em "coma" e que "fora recolhido a uma cela fechada à chave". Mais tarde, o ex-sargento "foi levado", com dificuldades, "pelos presos", até a advogada, que ouviu do mesmo se chamar Soares. Na ilha do Presídio Por não se dobrar às exigências dos algozes, Manoel Raimundo foi torturado em forma incessante, por mais de uma semana pelos torcionários à procura de informação sobre seus companheiros de luta e de ideal, sendo recolhido apenas em 19 de março de 1966, nove dias após sua prisão, à ilha do Presídio, no rio Guaíba, destinada desde o golpe militar também ao encarceramento de presos políticos. A ilha contaria com guarnição de mais de 30 policiais. A pequenina ilha do Presídio, com uns 150 metros de comprimento por 30 a 80 de largura, destaca-se por suas grandes pedras de granito, a pouco mais de dois quilômetros da costa de Guaíba. Conhecida inicialmente como ilha das Pedras Brancas, fora ponto estratégico de ataque-defesa de Porto Alegre na Guerra dos Farrapos. Passara a ser denominada de ilha da Pólvora, ao receber duas construções para armazenar munição, em 1857. De 1956 a 1973 e de 1980 a 1983 funcionara como presídio, o que lhe assegurou sua última denominação. A ilha do Presídio, caracterizada pela forte umidade, era local onde os prisioneiros políticos encontravam-se relativamente protegidos das torturas policiais, devido à estreiteza das instalações, ao elevado número de detidos, às dificuldades dos inquisidores de se deslocarem até ela. Para serem interrogados, os prisioneiros eram habitualmente levados de volta a Porto Alegre, onde ficavam entregues à violência e ao arbítrio dos militares e policiais torturadores. Hoje, as instalações da ilha encontram-se abandonadas e depredadas. Em 1966, o guarda civil Selço José Muller dos Santos permaneceu encarcerado na ilha por dez dias. Mais tarde, declarou que, na ocasião, auxiliou Manoel Raimundo a se mover "até sua cela", pois se encontrava "bastante ferido", com "dificuldade para locomover-se". À noite, Selço preparava "salmoura para passar nas costas e pernas de Manoel", partes do corpo muito feridas devido aos espancamentos, segundo relatou o próprio Manoel. Selço teria aconselhado ao sargento que "pusesse água com açúcar" em "uma espécie de hematoma" que tinha no olho. Devido a ferimento propiciado pelo tenente Nunes durante a tortura, Manoel Raimundo perdera parcialmente a visão de um olho. Cartas do cárcere Elizabeth, esposa de Manoel Raimundo, vivera com ele por algum tempo em Porto Alegre, abandonando a seguir a capital rio-grandense para retornar a Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Logo que pôde, Manoel Raimundo arranjou-se para retomar contato com ela através de correspondência. Em 15 de abril de 1966, em carta que chegou às mãos de sua esposa, relatava que fora preso para "averiguações": "Finalmente acabei sendo preso. Caí em uma cilada de um 'dedo-duro' chamado Edu e vim parar nessa ilha-presídio. Fui preso às 16:50 do dia 11 de março, sexta-feira, em frente ao Auditório Araújo Viana. Fui levado para o quartel da PE (Polícia do Exército), onde fui 'interrogado' durante duas horas e depois fui levado para o DOPS. Estou bem. Nesta ilha (do Presídio) me recuperei do 'tratamento' policial. Até o dia em que fui preso estava dormindo em hotéis e pensões variadas". Manoel Raimundo seguia: "Não sei como vou me arranjar no dia em que eu for solto, pois o Leo (possivelmente o já citado sargento Leony Lopes), único amigo que eu tinha em Porto Alegre, perdi o contato com ele e eu não sei o endereço. Espero que você esteja bem e que se mantenha em calma. Isto passa. Nos dias seguintes ao que eu for solto, teremos uma nova lua de mel em uma cidade bonita qualquer". No inverno, sem sapatos Manoel Raimundo pedia à esposa que enviasse, se pudesse, "algum dinheiro" através da agência de Porto Alegre do Banco Nacional de Minas Gerais, onde tinha conta, pois precisava de coisas como "aparelho de barba, um sapato 38, escova de dentes, roupa de frio e coisas de comer". O prisioneiro lembrava ter deixado "na gaveta da mesa de cabeceira do Hotel onde dormi a última noite antes da prisão todo o dinheiro que tinha". O fato de ser filho de família humilde, sem relações no Sul, dificultava a já difícil situação do prisioneiro, preocupado igualmente com a sorte de sua esposa. Na mesma carta, Manoel Raimundo avançava sugestão para a esposa: "Você NÃO precisa vir aqui. Isto não ajudará NADA e você não conseguirá ver-me. Não permitirão". Possivelmente temia envolvimento da esposa com a repressão. Pedia também para que ela mantivesse a "calma", "pois, nestas horas só a calma ajuda". Sobretudo, instruía a esposa a procurar "o Dr. Sobral Pinto, à rua Debret nº. 39", no Rio de Janeiro, para providenciar "pedido de habeas no Superior Tribunal Militar". Em 5 de maio de 1966, em um momento em que o verão já se despedia do Sul, fazendo a temperatura cair rapidamente, Manoel Raimundo escreveu a quinta carta à esposa, a segunda que ela recebia. Na correspondência, refere-se às suas condições de aprisionamento e às torturas que recebera. "Em meu corpo ficaram gravadas algumas das medalhas com que me agraciaram. Aqui estou sem sapatos, sem roupas de frio, sem cobertas, usando unicamente uma camisa de Nylon e uma calça de lã preta. [...] Não sei bem, mas creio que estou preso à disposição do III Exército. Por isto, só um 'habeas-corpus' do Superior Tribunal Militar poderá libertar-me". Sentimento e esperança A carta era igualmente momento de tentar estreitar sentimentos pela esposa fortalecidos pelo sofrimento: "Como vês o papel está acabando, por isto aproveito para lembrar-te que meu pensamento é só para ti; durante todas as horas destes últimos dias não sais do meu pensamento. O banquinho da cozinha, os beijos nos olhos, tudo aquilo que liga meu corpo a tua alma (ou espírito que é mais certo). Recebe mil beijos e um caminhão de abraços do teu Manoel". Manoel Raimundo permaneceu durante cinco meses na ilha do Presídio, incomunicável, privado de notícias da família e do mundo, passou fome e certamente muito frio, ao qual estaria pouco habituado. Nas suas primeiras cartas conhecidas, dos primeiros meses de cárcere, registra sua calma e esperanças. Pensava no futuro, fazia planos de viagem com a mulher amada. Intensificando-se o martírio e a solidão, tentou fortalecer-se, centrando-se também no sentimento que nutria pela esposa. O ex-sargento acreditava que seria posto em liberdade em pouco tempo. Na época, a instituição do habeas corpus ainda vigia. Não sabia que dois pedidos de libertação impetrados junto ao Superior Tribunal Militar (STM) haviam sido negados, já que, em falsas declarações, as autoridades militares e policiais afirmavam que não estava preso. Mais tarde, o Exército tentaria negar sua responsabilidade na prisão ilegal e assassinato de Manoel Raimundo, afirmando que respondera ao STM que não tinha Manoel em seu poder, sem informar, logicamente, que ele fora entregue pela Polícia do Exército ao DOPS. Quando o terceiro habeas corpus estava para ser julgado, os torturadores já haviam dado fim a sua vida. "Ainda estou vivo" As duas últimas cartas que Elisabeth recebeu do marido foram escritas em 10 de julho de 1966. Na primeira, afirmava: "Ainda estou vivo. Espero de todo o coração que você tenha recebido as cartas que remeti anteriormente. Esta é a oitava. Nunca pensei que o sentimento que me une a você chegasse aos limites de uma necessidade. Nestes últimos dias, tenho sido torturado pela idéia de que estou impedido de ver teu rosto ou de beijar teus lábios. Todas as torturas físicas a que fui submetido na PE e no DOPS não me abateram. No entanto, como verdadeiras punhaladas, tortura-me, machuca, amarga, este impedimento ilegal de receber uma carta, da mulher, que hoje, mais do que nunca, é a única razão de minha vida". Manoel Raimundo contava: "(...) já tenho escova de dente, sabonete e até roupas e sapatos fizeram chegar até aqui. Mas, nada disso pode aliviar a dor que me causa o fato de não poder receber cartas de minha Beta. Acredito que minha situação ainda não mudou muito. Até hoje (amanhã completam-se quatro meses), não fui ouvido em IPMs (Inquéritos Policial-Militares) e desde que mandaram-me para esta ilha não mais saí". Portanto, após os duros primeiros tempos de tortura na Polícia do Exército e no DOPS, o prisioneiro conhecera tranqüilidade relativa na ilha. Mais adiante, insistia com a esposa na necessidade do pedido de habeas corpus perante o Superior Tribunal Militar para libertá-lo e desabafava: "Apesar do sofrimento espiritual a que estou submetido, ainda assim recomendo que você mantenha a calma. (...) Acredito que agora, você já poderia tentar visitar-me aqui em Porto Alegre. O que você acha disto? Espero que você não tenha estado em dificuldades em matéria de dinheiro. Isto seria para mim pior do que a pior coisa que pudesse me acontecer. Não podendo abraçá-la com a força do bem que te desejo, deixa que em forma espiritual, te beije ardentemente, este que é até morrer, o teu Manoel." Última carta A segunda das duas cartas escritas por Manoel Raimundo, em 10 de julho, foi a quarta e última que a esposa recebeu. Ele iniciou com a mesma afirmação, que à leitora deveria causar alívio e esperança, mas que parece registrar a consciência do prisioneiro da ameaça sob a qual vivia: "Ainda estou vivo". Em seguida, relatava: "A saúde que havia chegado ao meu corpo, partiu, deixando a normalidade que você tão bem conhece. Fígado, intestinos e estômago. Espero de todo o coração que você tenha recebido as cartas anteriores. Esta é a de número nove. Penso que a estas horas você deve estar chorando. Não quero isso. A jovem senhora, valente, das respostas desconcertantes, deve agora substituir a moça ingênua e humilde com quem tive a felicidade de casar.". Manoel Raimundo seguiu falando de seu amor: "Nestes últimos dias tenho sido torturado pela realidade de estar impedido de ver o rosto da mulher que amo. Eu trocaria se possível fosse, a comida de oito dias, por oito minutos junto ao meu amor, ainda que fosse só para ver. Tenho uma fé inabalável de que, os adversários não conseguirão destruir nosso amor. Sei hoje que você tinha razão em muitas de nossas discussões sobre nosso tipo de vida". Manoel Raimundo retomava temas passados, em seu dilacerante diálogo com a esposa distante: "Você ganhou. (...) Tudo passará. A política, a cadeia, os amigos; só uma coisa irá durar até a morte: o amor que tenho por essa mulherzinha que é hoje a única razão de querer viver deste presidiário (...) Só agora avalio o que é estar junto da mulher amada. Com a tranqüilidade da certeza de que apesar de tudo ainda mereço o teu amor remeto um caminhão de beijos, com o calor dos dias mais felizes de nossa vida. Do sempre teu Manoel". Novo interrogatório Em 13 de agosto de 1966, pouco mais de um mês depois de escrever a última carta recebida pela esposa, Manoel Raimundo foi retirado da ilha do Presídio para ser levado outra vez ao DOPS, para novo interrogatório e tortura, agora sob as ordens dos tenentes-coronéis Átila Rochester e Luiz Carlos Menna Barreto, chefe do DOPS. Não sabemos as razões precisas para o novo e violento inquisitório de Manoel Raimundo, após longos meses na prisão. Em depoimentos concedidos recentemente, seus companheiros de luta relatam que ele teria escrito clandestinamente também para o Superior Tribunal Militar sobre sua detenção e torturas em Porto Alegre e, com a concessão de habeas corpus, fora subtraído da prisão para revelar, sob tortura, os carcereiros que eventualmente teriam facilitado a correspondência clandestina. Em agosto de 1966, prosseguiam febrilmente os preparativos do MNR para implantar colunas combatentes em Goiás-Maranhão, no Mato Grosso, e em Caparaó, entre o Espírito Santo e Minas Gerais. Um quarto foco armado deveria nascer no norte do Rio Grande do Sul e sudoeste de Santa Catarina. Nos fatos, tratava-se de ambiciosa articulação anti-ditatorial, envolvendo argentinos, paraguaios e bolivianos. Quando a pequena coluna do MNR instalou-se no alto da serra de Caparaó, em fins de 1966, Che Guevara e seus companheiros organizavam-se também na selva da Bolívia. Manoel Raimundo participara ativamente da preparação desses movimentos, após o fracasso do segundo levante em Porto Alegre. Teria escrito até mesmo um "decálogo do guerrilheiro" para as operações. Há alguma divergência sobre as razões do abandono da frente armada no Brasil meridional. Flávio Tavares propõe que a desistência deveu-se à prisão, "no inverno de 1965", do "seu subcomandante, o ex-sargento Manoel Raimundo Soares". Segundo a informação confirmada por Jelsi Rodrigues Correa, envolvido diretamente na iniciativa, apesar da notícia da queda, continuaram os planos para o estabelecimento do núcleo armado na serra do Mar, em Santa Catarina, inclusive com a compra de propriedade e transporte de armas. A desconfiança de camponeses com a perambulação de estranhos na região e a prisão de dois militantes, sob suspeita de assalto a banco, teriam levado ao abandono da proposta. Dos quatro núcleos guerrilheiros planejados pelo MNR, em associação com outras organizações clandestinas nacionais e internacionais, prosperou apenas o de Caparaó, instalado em outubro de 1966 e desbaratado em inícios de 1967, ensejando com esse tropeço o abandono de Leonel Brizola do projeto de resistência militar à ditadura, insurrecional ou guerrilheira. A seguir, o MNR dividir-se-ia, confluindo seus militantes em outras organizações armadas, como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a VAR-Palmares etc., nas quais os ex-suboficiais desempenharam papel fundamental. Mãos amarradas Talvez a vontade de arrancar rapidamente informações de Manoel Raimundo sobre apoios na ilha do Presídio ou sobre os atos em cursos de seus companheiros tenha levado seus torturadores a transportá-lo, na mesma noite de 13 de agosto, em um jipe do Exército, até ao rio Jacuí, para ser submetido a falsos afogamentos. Essa é uma tortura sobremaneira aterrorizadora, especialmente quando praticada em um rio isolado, de águas revoltas e geladas, sob a ameaça de afogamento definitivo. Nos últimos anos, tal forma de tortura conheceu destaque na imprensa mundial ao ser legalizada pelas autoridades estadunidenses como recurso a ser usado pela CIA nos interrogatórios de prisioneiros políticos. Possivelmente jamais saberemos se Manoel Raimundo escapou inadvertidamente das mãos dos seus torcionários ou foi abandonado às águas do Jacuí para morrer. Era habitual militares e policiais torturarem alcoolizados e drogados seus prisioneiros políticos. Até agora, o que sabemos de certo é que, 11 dias mais tarde, Manoel Raimundo foi encontrado, morto, boiando no rio, com os pés atados e as mãos atadas. O corpo de Manoel Raimundo Soares foi descoberto, por volta das 17 horas do dia 24 de agosto de 1966, boiando entre algumas taquareiras, por dois moradores da ilha das Flores, próxima a Porto Alegre, que informaram rapidamente as autoridades policiais. À noite, um guarda civil compareceu ao local para recuperar o cadáver, que foi amarrado com uma corda e rebocado até a ilha da Pintada. Morte por afogamento O policial responsável pela operação de resgate declararia que o cadáver tinha "as mãos amarradas às costas pela própria camisa que vestia, sendo as ataduras cobertas por um suéter banlon que a vítima trajava; os bolsos laterais das calças completamente repuxados para fora [...]; calças de cor escura; um pé calçado com um sapato marrom e outro descalço". Na madrugada do dia 25, peritos do Instituto de Criminalística analisaram o corpo, determinando que a morte se dera por afogamento, devido à "ausência de lesões traumáticas", "aliada à conclusão do exame histopatológico, acusando a presença de elementos característicos do plâncton mineral no interior dos bronquíolos e raros elementos isolados nos alvéolos pulmonares", o que permitia "afirmar que a vítima respirou dentro da água e que, portanto, a causa imediata da morte foi afogamento". Apesar da situação do cadáver, os peritos concluíram que a vítima estaria embriagada. Destaque-se que Manoel Raimundo era abstêmio, entre outras razões, por problemas com o fígado. Entretanto, mesmo que ele se encontrasse embriagado, quando de sua morte, não significa que se houvesse alcoolizado. Anos após o homicídio, em processo movido pela viúva, os defensores da União alegaram o estado de embriaguez do ex-sargento. Defesa rejeitada pelo juiz, que, irônico, lembrou que "seria realmente uma façanha de Manoel Raimundo Soares: amarrar as mãos às costas, e então embriagar-se. Ou então embriagar-se e amarrar suas mãos às costas". ================================================================================= Mário Maestri é historiador, é doutor em História pela UCL, Bélgica, e professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. Helen Ortiz, historiadora, é mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110128/ab31ca77/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44638 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110128/ab31ca77/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 28 19:20:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 28 Jan 2011 19:20:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_ARTIGO_ALIPIO_FREIRE_-_BRASIL_D?= =?windows-1252?q?E_FATO_-_Riscos_do_Economicismo_/_e__Doen=E7as_do?= =?windows-1252?q?_Capitalismo_Senil__por_Fl=E1vio_Tavares_de_Lyra?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ARTIGO Riscos do economicismo Brasil de Fato Edição 413 21.01.2011 Alipio Freire (*) Economistas do campo da esquerda, inclusive vários deles não ligados ao Governo da presidenta Dilma Rousseff, anunciam que as finanças e a economia brasileira vão bem-obrigado; que a política desenvolvida particularmente nos últimos oito anos para esta área é sólida; e que a crise que neste momento afeta, sobretudo, o Hemisfério Norte, pouco ou nada atingiria o nosso país. No campo da esquerda, os que não participam desse consenso, se existem, estão em silêncio. O bordão é sempre o mesmo. Variam os cálculos técnicos de índices e/ou nuances do jargão do economês. Mas, noves-fora, no final das contas, as contas dão no mesmo. CQD. O problema é que esquecem que, além do capital estar cada vez mais globalizado, seus movimentos continuam a depender da política a ser adotada pelos grandes centros. Não falamos apenas das políticas econômicas. Resumindo: o Governo dos EUA não deixará sua economia sucumbir sozinha. Pelo bem, ou pelo mal, a Casa Branca arrastará todos os que puder, para pagar sua falência. Ilusão imaginar que O Império se submeterá à legalidade e acordos internacionais. Inútil esperar que apenas fóruns econômicos e/ou políticos mundiais (e menos ainda regionais) possam arbitrar a possível bancarrota de Washington. Enfim, mísseis não existem para garantir a paz, e produtos da indústria armamentista não se realizam enquanto mercadorias sem as guerras, além das guerras reativarem diretamente muitos setores da economia. Mais que isto, sabe-se que toda a indústria estadunidense pode rapidamente ser redirecionada para a produção para guerras. Ou seja, é necessário começarmos a pensar desde agora o que fazer com a crise do grande capital. E não esqueçamos jamais, que esse grande capital tem uma forte base social interna no nosso país. Talvez seja isto que a doutrina de segurança nacional ? que está sendo reescrita pelo ministro da Defesa, doutor Nelson Jobim ? queira significar, quando diz que as Forças Armadas não mais têm que se ocupar do inimigo externo, pois esse inimigo hoje está no interior das nossas fronteiras. Bem, é tudo uma questão de ponto de vista de classe. (*) Alipio Freire, jornalista e escritor, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato. ======================================================================================================== DOENÇAS DO CAPITALISMO SENIL a.. por Flavio Tavares de Lyra O sistema capitalista, nascido há menos de 400 anos, em que pesem as doenças congênitas de que sempre foi possuidor, que lhe levavam períodicamente ao leito com as crises ligadas aos ciclos econômicos, já há algum tempo vem dando sinais claros de esclerose, típicos da velhice que, por menos que se deseje, anunciam sua morte em algum momento no futuro não muito distante. As enfermidades que, atualmente, o afetam têm muito a ver com o crescimento exacerbado dos ativos financeiros em comparação com a base real de bens e serviços que são o seu suporte, cujos limites não podem ser superados em qualquer proporção impunente. A verdade, porém, é que com o envelhecimento, o sistema capitalista que, na juventude e maturidade, já tinha dificuldade de controlar seu metabolismo, tornou-se cada vez menos capaz de auto-toregular-se. Os remédios de uso continuado que necessita para seguir vivendo não são capazes de propiciar a cura definitiva e, sempre que são esquecidos, produzem crises que ameaçam a vida do paciente. O esquecimento do uso da regulação do Estado para o controle da expansão do crédito e dos ativos financeiros das últimas décadas e a confiança em que a intensificação dos exercícios ao ar livre ( livre mercado), aconselhados pelo neoliberalismo, fossem a terapia adequada, criaram um quadro nosólogico complicado para o envelhecido sistema. A crise que, atualmente, se abate sobre a Grécia e ameaça outros paises como Irlanda, Portugal, Espanha e Itália e que já levou a pequena Islândia à lona, nada mais é do que a síndrome da esclerose do sistema. O descontrole do sistema na geração de ativos financeiros é que possibilita o financiamento de grandes defícites públicos e privados e o crescente endividamento interno e externo. Com a oferta abundamente de crédito para financiar os gastos púbicos e privados, os paises podem avançar com suas políticas sociais e com o consumo sem necessitar aumentar a tributação dos mais ricos. Mas, essas políticas têm vida curta, pois em algum momente o processo de endividamento encontra seu limite. Os credores começam a desconfiar, acertadamente, da capacidade dos devedores para honrar seus compromissos e, assim, cortam o crédito abrubtamente. Com isto, a demanda de bens e serviços tem que se ajustar à distribuição da renda, normalmente, muito concentrada. Vem, então a recessão e o desemprego que só agravam o problema. O pior de tudo é que, para se manterem na expecativa de receber seus empréstimos, os credores passam a exigir dos devedores compormissos de austeridade nos gastos que somente aprofundam a insuficiência da demanda de bens e serviços que move o sistema. Tem sido assim no caso dos devedores menores. Quando se trata dos grandes paises, a receita tem sido outra, como foram os casos recentes dos Estados e dos grandes paises europeus. Nestes, o Estado foi chamado a cobrir as brechas nos balanços dos grandes bancos e em outras entidades financeiras, às custas do aumento da dívida pública, já que os consumidores não tinham mesmo com que pagar as dívidas assumidas. Acontece que o cobertor é curto, cubriu os buracos do sistema financeiro e abriu um buraco nas finanças públicas, que somente poderá ser tranferido para a população em prazo muito longo. Conclusão, não dá para saber quando o idoso vai poder sair da UTI, pois a qualquer momento outros sintomas podem se manifestar em qualquer parte do corpo capitalista, ao qual pertecemos. Com um agravante, como o organismo já está debilitado, é muito difícil isolar os problemas que surgem em uma parte, do restante do corpo. O choque sofrido por nossa bolsa de valores com a crise da Crécia, mostra claramente como estamos vulneráveis à propagação dos probemas surgidos em outras partes do sistema -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110128/65e97521/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 29 15:47:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 29 Jan 2011 15:47:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_L=CDGIA_MARIA_SALGADO_N=D3BREGA________?= =?iso-8859-1?q?______________________________-XXII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem LÍGIA MARIA SALGADO NÓBREGA Lígia Maria Livro "Dos Filhos deste Solo" DADOS PESSOAIS Nasceu em 30 de julho de 1947 em Natal, Rio Grande do Norte. Filha de Georgino Nóbrega e Naly Ruth Salgado Nóbrega, foi a terceira numa família de seis irmãos. ATIVIDADES Ainda pequena, Lígia mudou-se para a cidade de São Paulo onde estudou, terminando o curso de Normalista no Colégio Estadual Fernão Dias Paes. Em 1967, entrou no curso de Pedagogia da Universidade de São Paulo (USP) e se destacou pela sua capacidade intelectual, pela liderança e empenho em abrir horizontes, modernizar métodos de ensino, implicar as pessoas em sua responsabilidade social em uma vida dígna, onde os direitos humanos fossem respeitados e o indivíduo fosse um verdadeiro cidadão. Após a edição do Ato Institucional no. 5, com os canais de participação aberta e legal fechados pela ditadura militar. Em 1970, Lígia se engaja na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-PALMARES) e com outros companheiros, passa à luta armada para enfrentar a violência do regime autoritário vigente no país à época. CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE Foi metralhada em 29 de março de 1972, quando a casa em que se encontrava no bairro de Quintino, Rio de Janeiro, foi invadida por agentes do DOI-CODI do I Exército. Com Lígia, foram mortos seus companheiros: Antonio Marco Pinto de Oliveira e Maria Regina Lobo Leite Figueiredo. Seu corpo foi reconhecido por seu irmão Francisco Salgado da Nóbrega, em 07 de abril de 1972, tendo sido sepultada em cemitério de São Paulo. ====================================================================================================== MARIA REGINA LOBO LEITE FIGUEIREDO MILITANTE DA VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VAR-PALMARES). Ex-integrante da Juventude Universitária Católica, era formada em Filosofia pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Pedagoga, foi morta aos 33 anos. Casada com Raimundo Gonçalves Figueiredo, morto em 28 de abril de 1971, deixou duas filhas menores. Maria Regina foi ferida quando a casa em que se encontrava foi invadida por agentes do DOI/CODI-RJ no dia 29 de março de 1972. Lígia Maria Salgado Nóbrega e Maria Regina, juntamente com Antônio Marcos Pinto de Oliveira, foram presos e assassinados. O corpo de Maria Regina chegou ao IML pelaGuia n° 02 do DOPS, como desconhecida, vindo da Av. Suburbana, n° 8988, casa 72, Bairro de Quintino (RJ), como tendo sido morta em tiroteio. Entretanto, há testemunhas que dizem que, após ser baleada, foi levada para o DOI-CODI, onde veio a morrer horas depois, tendo inclusive sido levada para o Hospital Central do Exército. Sua necrópsia, feita em 30 de março de 1972, pelos Drs. Eduardo Bruno e Valdecir Tagliari confirma a versão oficial. Foi identificada nesse mesmo dia 30, através de ficha do Instituto Félix Pacheco/RJ. Maria Regina foi reconhecida por suas irmãs Maria Eulália, Maria Alice e Maria Augusta, em 07 de abril de 1972, e sepultada no dia seguinte no Cemitério São João Batista. Fotos e laudo de perícia de local (n° 1884/72 e Ocorrência n° 264/72) feitas pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli/RJ, mostram o corpo de Maria Regina baleado. O jornal "Correio da Manhã", de 06 de abril de 1972, publicou a notícia de sua morte, sob o título "Terroristas Morrem em Tiroteio: Quntino"e capciosamente dá, ao lado de sua foto, o nome de Ranúsia Alves Rodrigues. No entanto, Maria Regina já havia sido identificada no IML/RJ. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110129/0c6668f7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 62105 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110129/0c6668f7/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 29 15:47:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 29 Jan 2011 15:47:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Brev=EDssima_hist=F3ria_de_40_a?= =?windows-1252?q?nos_de_pol=EDticas_neoliberais?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Ana Santanna Brevíssima história de 40 anos de políticas neoliberais Por Marshall Auerback - de Washington It's a new deal Um assíduo leitor de New Deal 2.0 faz uma aguda questão: ?Há uma questão que nunca consigo responder. Muitos especialistas dizem que a ideologia neoliberal iniciou nos anos 80 com Reagan, Thatcher e a Escola de Chicago. Mas sigo sem entender o que tornou possível esse giro na economia política. Que elementos, que novas forças nos anos 80 podem explicar essa mudança ideológica e as desigualdades que a seguiram?? Todos esses temas são muito dignos de exploração e eu, quero dizer desde logo, não posso fazer justiça a eles com uma resposta de duas linhas. É melhor recomendar o soberbo livro de Yves Smith, Econned. O livro proporciona uma excelente explicação histórica do modo como algumas teorias infundadas, mas amplamente aceitas, levaram à execução de políticas que geraram o atual estado de coisas. Também ilumina a capacidade dessas filosofias para ressuscitar mesmo quando se acumulam provas conclusivas contra elas. Documenta não só a crescente degradação dos economistas profissionais neoclássicos (e sua concomitante tendência a reduzir a soma da experiência humana a uma série de equações matemáticas), mas também a maneira pela qual fundações muito bem financiadas subvencionaram universidades e think tanks que, por sua vez, legitimaram e validaram essas filosofias charlatanescas. A ideia de que governos democraticamente eleitos devem servir-se de políticas fiscais discricionárias para contraestabilizar as flutuações do ciclo do gasto público chegou a ser visto como algo muito próximo ao socialismo. Os poderes que tomam decisões políticas foram postos gradualmente nas mãos de um corpo de tecnocratas neoliberais que pontificavam sobre as limitações dos governos e reforçavam as posições fiscalmente pró-cíclicas, ou seja: reforçavam a contração discricionária quando os estabilizadores automáticos levavam a grandes déficits orçamentários como resultado da frágil demanda não-pública. Essa mudança em nossas políticas públicas foi acompanhada por um processo de tomada de controle dos juristas em uma longa marcha através do poder Judiciário. Foi um esforço patrocinado pelas grandes empresas, centrado exclusivamente no tema da desregulação, e culminou com um esforço titânico para revogar as reformas do New Deal, limitar o poder dos sindicatos e do próprio governo (salvo em matéria de Defesa, cabe assinalar, que organizou seu próprio e formidável exército de lobistas). Responder a questão colocada por nosso leitor passa por reconhecer que este foi um processo que durou décadas e que veio acompanhado de enormes somas de dinheiro e de vasto exército de forças empresariais, jurídicas e políticas, empenhado em frustrar qualquer alternativa progressista. O processo inteiro ocorreu em um período de aproximadamente 40 anos. Flexibilização da regulação e da supervisão; uma crescente desigualdade que levou às famílias a se endividar para manter o nível de gasto; cobiça e exuberância irracional e liquidez global excessiva: todos esses são sintomas do mesmo problema. Mas como tudo começou? A análise que o grande economista Hyman Minsky realizou no final de sua vida é particularmente potente, porque permite ver essas mudanças a partir de uma vasta perspectiva histórica. Minsky chamou a situação de saída da II Guerra Mundial de ?capitalismo paternalista?. Ela se caracterizava por um ?enorme Tesouro público? (cujo custo equivalia a 5% do PIB) dotado de um orçamento que oscilava contraciclicamente a fim de estabilizar a renda, o emprego e os fluxos de lucros; um Banco Central ao estilo de um ?enorme banco? que mantinha baixas as taxas de juros e intervinha como emprestador último de recursos; uma ampla variedade de garantias estatais (seguro de depósitos, respaldo público implícito ao grosso das hipotecas); programas de bem estar social (Seguridade Social, ajuda às famílias com filhos dependentes, ajuda médica); estreita supervisão e regulação das instituições financeiras; e um leque de programas públicos para promover a melhoria da renda e a igualdade de riqueza (tributação progressiva, leis de salário mínimo, proteção para o trabalho sindicalmente organizado, maior acesso à educação e à habitação para pessoas de baixa renda). Além disso, o Estado jogava um papel importante em matéria de financiamento e refinanciamento (por exemplo, a corporação pública para financiar a reforma de imóveis e a corporação pública para o crédito destinado à compra de imóveis) e na criação de um mercado hipotecário moderno para a compra de imóveis (baseado em um empréstimo de tipo fixo amortizável em 30 anos), sustentado por empresas patrocinadas pelo Estado. Minsky reconheceu papel desempenhado pela Grande Depressão e pela II Guerra Mundial na criação de bases para a estabilidade financeira. Nas palavras de Randy Wray: ?A Depressão pulverizou e expulsou o grosso dos ativos e passivos financeiros: isso permitiu às empresas e às famílias saírem com pouca dívida privada. O ciclópico gasto público durante a II Guerra Mundial criou poupança e lucro no setor privado, enchendo os livros de contabilidade com dívida saneada do Tesouro (60% do PIB, imediatamente depois da II Guerra). A criação de uma classe média, assim como o baby boom, mantiveram alta a demanda de consumo e alimentaram um rápido crescimento do gasto público dos estados federados e dos municípios em infraestrutura e em serviços públicos demandados pelos consumidores metropolitanos. A elevada demanda dos entes públicos e dos consumidores trouxe por sua vez consigo a possibilidade de se cobrir o grosso das necessidades das empresas para financiar o gasto interno, incluindo os investimentos. Assim, durante as primeiras décadas que se seguiram à Segunda Guerra, o capital financeiro desempenhou um papel muito menor. A lembrança da Grande Depressão gerou relutância em relação ao endividamento. Os sindicatos pressionavam e, frequentemente, obtinham mais e mais compensações, o que permitiu o crescimento dos níveis de vida, financiados em sua maior parte somente com a renda dos trabalhadores.? Na década de 1970 tudo isso começou a mudar, como é bem explicado em Econned. O gasto público começou a crescer mais lentamente que o PIB; os salários ajustados à inflação se estancaram a medida que os sindicatos perdiam poder; a desigualdade começou a crescer e as taxas de pobreza deixaram de cair; as taxas de desemprego dispararam; e o crescimento econômico começou a desacelerar. Nos anos 70 assistimos também aos primeiros esforços sustentados para fugir das restrições impostas pelo New Deal, a medida que as finanças respondiam para aproveitar as oportunidades. Com o desastroso experimento monetarista de Volcker (1979-82), muitos dos velhos vestígios do sistema bancário estabelecido pelo New Deal foram arrasados. O rito de inovações se acelerou a medida que foram se adotando muitas práticas financeiras novas para proteger as instituições do risco da taxa de juros. A despeito de todas as apologias feitas sobre os anos de Volcker a frente da Federal Reserve, o certo é que suas políticas de juros altos assentaram as bases do atual sistema financeiro baseado no mercado, incluídas a titulação hipotecária, a inovação financeira na forma de derivativos para cobrir o risco das taxas de juros, assim como muitos dos veículos financeiros ?extra contábeis? que proliferaram nas duas últimas décadas. Legislou-se para criar um tratamento fiscal muito mais favorável aos juros, o que, por sua vez, estimulou as compras alavancadas para substituir ativos por dívida (como a tomada de controle empresarial financiada com dívida que seria servida pelos futuros fluxos de receita da empresa assim controlada). Os excedentes orçamentários dos anos Clinton ? outro exemplo de ascendência de uma filosofia neoliberal que fugiu da política tributária e determinou a primazia da política monetária ? restringiram a demanda agregada, encolheram as receitas e criaram uma maior dependência da dívida privada como meio de sustentar o crescimento e as receitas. Esse foi claramente facilitado por inovações que ampliaram o acesso ao crédito e mudaram os critérios das empresas e dos lares para definir o nível de endividamento prudente. O consumo conduzia o timão e a economia voltou finalmente aos rendimentos dos anos 60. Regressou o crescimento robusto, agora alimentado pelo déficit do gasto privado, não pelo crescimento do gasto público e da receita privada. Tudo isso levou ao que Minsky chamou de capitalismo dos gestores do dinheiro. Esse é o contexto histórico básico que veio se desenvolvendo nos últimos 40 anos. E essa é, provavelmente, uma resposta que vai mais além do que nosso amável leitor queria, mas sua questão não é daquelas que possa ser respondida laconicamente. Marshall Auerback é analista econômico, pesquisador do Roosevelt Institute, colaborador da New Economic Perspectives e da NewDeal 2.0. Tradução para SinPermiso: Casiopea Altisench Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto Enviado pelo Correio da Cidadania -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110129/ec9438ce/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 30 14:46:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 30 Jan 2011 14:46:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__Ruy_Carlos_Vieira_Berbert____________?= =?iso-8859-1?q?_________________-XXIII-?= Message-ID: <7E5F5608AEA44D828714D0323D77BAF2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Ruy Carlos Vieira Berbert Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Estudante universitário. Nasceu em Regente Feijó (São Paulo), no dia 16 de dezembro de 1947, filho de Ruy Thales Jaccoud Berbert e Ottilia Vieira Berbert. Desaparecido em 1972, aos 25 anos de idade, assim permanecendo até 30 de junho de 1992, quando a Justiça reconheceu sua morte em 2 de janeiro de 1972, na cidade de Natividade (Tocantins). Poucas informações se tinha a respeito de Rui Carlos e de seu desaparecimento. Sua morte foi admitida por um general estreitamente ligado ao aparelho repressivo em entrevista fornecida ao jornal "Folha de São Paulo", em 28 de janeiro de 1979. Foi indiciado no inquérito 15/68, referente ao XXX Congresso da UNE, em Ibiúna/SP. Em 27 Julho/72 foi condenado pela 2ª Auditoria da Marinha à pena de 21 anos de reclusão. Em meados de junho de 1991 foi entregue por Hamilton Pereira, membro da Comissão Pastoral da Terra, à Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, criada no governo da prefeita Luíza Erundina, para acompanhar a identificação das 1049 ossadas encontradas na vala clandestina de Perus, um atestado de óbito em nome de João Silvino Lopes, causa mortis: suicídio, datado de 02 de janeiro de 1972, em Natividade (na época, Estado de Goiás). Havia probabilidade de ser de um militante desaparecido político. Na ocasião, não se tinha a possibilidade de identificar este provável militante. Este nome não constava na lista dos desaparecidos políticos. Caso fosse um nome falso, era necessário mais informações para identificá-lo. Em Janeiro de 1992, quando se teve acesso aos arquivos do DOPS-SP, encontrou-se uma relação elaborada a pedido do Dr. Romeu Tuma intitulada: "Retorno de Exilados". Na relação das pesssoas, estava o nome de Ruy Carlos Vieira Berbert com as seguintes observações: preso em Natividade, suicidou-se na Delegacia de Polícia, em 02 de janeiro de 1972. Concluiu-se que João Silvino Lopes era o nome falso de Ruy Carlos Vieira Berbert e buscaram-se meios para prosseguir nessas investigações. Solicitou-se à Comissão de Representação da Câmara Federal ajuda para investigar, naquela cidade, a verdadeira identidade do morto. Organizou-se uma caravana integrada pelas seguintes pessoas: o Presidente da Comissão de Representação Externa do Congresso, deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), deputado federal Roberto Valadão (PMDB-ES), Idibal Piveta, advogado da família de Ruy Carlos Vieira Berbert e representante da OAB-SP, Hamilton Pereira, da Comissão Pastoral da Terra, de Goiás e Suzana Keniger Lisboa, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Os integrantes da Caravana tomaram os depoimentos de populares que presenciaram os fatos da época. Foram entrevistados alguns moradores, funcionários públicos e membros da PM, que confirmaram que Ruy Carlos e João Silvino eram realmente a mesma pessoa. Feito levantamento das sepulturas do Cemitério e localizado o possível local do sepultamento, foi encaminhado à Justiça pedido para reconstituição de identidade e posterior exumação e traslado dos restos mortais. Contatos com o Prefeito e o Governador do Estado foram feitos para providenciar as medidas necessárias para guarda da sepultura localizada. No dia 30 de junho de 1992, a juíza de Direito da Comarca de Natividade, Dra. Sarita Von Roeder Michels, concluiu os termos de retificação da Certidão de Óbito, requerida pelo Sr. Ruy Jaccoud Berbert, pai de Ruy Carlos. O parecer da juíza diz o seguinte: "A documentação acostada aos autos não deixa quaisquer dúvidas de que Ruy Carlos Vieira Berbert seja a mesma pessoa que morreu na cadeia pública desta cidade de Natividade, foi sepultado no Cemitério local e cujo óbito lavrou-se em nome de João Silvino Lopes." Em seguida encaminhou o cancelamento do registro de óbito em nome de João Silvino Lopes e foi lavrado novo assento que registra o óbito de Ruy Carlos Vieira Berbert, falecido em 02 de janeiro de 1972, às 3:00 horas na cadeia pública da Praça Senador Leopoldo de Bulhões. Seu corpo, entretanto, não pode ser localizado, apesar das tentativas realizadas pela Equipe do Departamento de Medicina Legal da UNICAMP. No dia 19 de maio de 1992, em Jales, São Paulo, uma urna funerária vazia foi depositada no jazigo da família Berbert, simbolizando o enterro de Ruy Carlos, vinte anos após sua morte. De sua mãe, D. Ottília: "Rui Carlos tinha uma única imã, Regina Maria Berbert Pereira. Ele passou a adolescência em sua terra natal. Sempre foi uma pessoa tranqüila e bondosa, especialmente para sua família. Ao concluir o Curso Científico, deixou sua cidade seguindo para São Paulo com o intuito de se preparar para o vestibular e conseguiu, para tal, bolsa de estudos integral. E venceu essa etapa na vida estudantil conseguindo ser aprovado na PUC e USP, com distinção. Com o resultado dos vestibulares, optou pelo seu ingresso na USP, no curso de Letras. Porém, após um ano, trancou a matrícula e começou a ministrar aulas em cursinhos particulares, entre outros no Capi-Vestibulares, na Av. São João e também num cursinho da Liberdade. Neste ínterim, iniciou seu envolvimento nas atividades políticas estudantis, quando, em outubro de 1968, foi preso em decorrência de sua participação no Congresso da UNE, em Ibiúna. Após a sua prisão retornou à sua terra natal, permanecendo uns 15 dias e voltando logo em seguida para o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, onde morava, continuando a sua participação nos movimentos estudantis, até que, por motivos óbvios, se retirou do país. Logo após sua saída do país, no final de 1969, em dezembro, recebemos uma carta da Europa na qual reconhecemos a letra dele. Porém, percebia-se claramente que, por motivos de força maior, dizia estar como turista pelo velho mundo, que estava bem, mas que seria muito difícil nos escrever sempre. Meses após recebemos um bilhetinho escrito às pressas e falando apenas que estava bem e que pensássemos sempre nele com carinho. A partir daí saíram algumas notícias na imprensa sobre ele, tais como: 25/11/78: 'Folha de São Paulo' - O Congresso Nacional pela Anistia divulgou uma lista de 37 nomes de pessoas mortas e desaparecidas a partir de 1964 e nela constava o nome de Ruy Carlos como desaparecido em Dezembro de 69. 28/01/79: 'Folha de São Paulo' - 13 nomes de desaparecidos, cujas fichas estavam no 'necrotério' de um órgão de segurança em dezembro de 1973 e que são dados como desaparecidos pelas famílias e organizações de defesa dos direitos humanos; consta que o desaparecimento de Ruy Carlos está ainda em investigação. 03/08/79: 'Correio da Manhã' - Rio - Noticia uma lista de 14 nomes, com este título: 'Estes desaparecidos foram mortos'. Entre esses nomes estava o de Ruy Carlos. 18/08/79: 'Estado de São Paulo'- O Dr. Idibal Piveta envia carta ao Ministro da Justiça, Petrônio Portela, solicitando informação de Ruy Carlos e outros. 22/09/79: 'Folha de São Paulo'. O Juiz Antonio Carlos de Seixas Teles, anistiou várias pessoas condenadas por atividades estudantis contra a segurança nacional e entre elas estava o nome de Ruy Carlos. 01/08/1991: 'Diário Popular' noticia trabalho feito em Curitiba pela Comissão Especial de Investigação, onde foram encontradas fichas de 17 desaparecidos em um arquivo de aço, com a identificação "falecidos", constando o nome de Ruy Carlos. Após este histórico sobre a vida de Ruy Carlos, gostaria de mostrar a luta constante pela qual passamos, na busca incerta da solução de um passado certo. Apesar dos fatos comprovarem a quase certeza de sua morte, nós vivemos mais de uma década com a esperança e o sonho de vê-lo novamente. A partir do momento em que tivermos a certeza de que ele não voltaria mais, passamos a viver momentos ainda mais angustiantes e mais uma década se passou. Hoje, o nosso maior sonho é conseguir dar para Ruy Carlos um lugar digno de grande herói que foi. É esta a nossa última e grande esperança. Se assim o conseguirmos, não olvidaremos jamais a grande luta dos amigos e, porque não dizer, irmãos, que lutam e lutaram para a elucidação de uma época tão negra para nós. Esperamos que a História nunca se esqueça de mencionar esses jovens heróis, muitas vezes anônimos para a maioria da população alienada a respeito dos acontecimentos passados. Todavia, para nós, Ruy Carlos Vieira Berbert não é um herói anônimo pois, além de dar a sua contribuição para as grandes transformações sócio-políticas brasileiras, nos é lembrado como um filho digno das mais belas recordações, como um ser humano maravilhoso que foi: jovem, belo, inteligente, honesto e carinhoso que soube lutar pelos seus ideais." Desaparecidos: à margem do rio dos Mortos Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos da ditadura civil-militar. Corpos à espera do sepultamento. Familiares à espera de concretizar o luto, de acabar com a incerteza. Almas à espera da travessia do Aqueronte. Como definiu Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, "são os fantasmas que voltam sempre. São os fantasmas que querem lembrar que não podem ser esquecidos". A reportagem especial é de Paula Sacchetta, publicada originalmente no Brasil de Fato. Paula Sacchetta - Brasil de Fato - 02/08/2010 Queres tu, realmente, sepultá-lo, embora isso tenha sido vedado a toda a cidade? Fala de Ismênia na tragédia Antígona Cena 1: o começo ou sepultamento inusitado Segunda-feira, 18 de maio de 1992. Em Jales, a 600 quilômetros de São Paulo, um caixão fechado é velado na Câmara Municipal. Foi decretado feriado, a cidade inteira está parada. A Câmara está lotada. Presentes crianças e adolescentes, gente de todas as idades. É um dia de sol muito quente, daqueles que nem ferro de marcar. Após o velório, um cortejo segue a pé até o cemitério. Depois de anos de busca do filho desaparecido, Ruy Thales consegue enterrá-lo. O caixão é finalmente depositado no jazigo da família Berbert. Dentro dele, porém, não havia um corpo. Nem restos mortais. Apenas um terno completo e os sapatos de Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido desde 1972. Objetos que haviam permanecido até então intocados em seu quarto, para "caso ele voltasse". Antes do início das cerimônias, Ruy Thales, o pai, chamou Amélia Teles em casa para tomar um café. Ela estava em Jales representando a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. "Ele havia me chamado para o enterro, mas eu sabia que os restos mortais não haviam sido encontrados. Aceitei o convite e não perguntei nada. Ele também não me disse nada". Depois do café, o conteúdo do caixão foi revelado. Naquele dia, Amélia foi cúmplice de Ruy Thales. Ninguém, além dos dois, sabia que o ataúde estava praticamente vazio. O pai já estava bastante idoso, e, prevendo que morreria logo, quis enterrar o filho. Mesmo sem ter um corpo. No fim do dia, depois do ato na Câmara e do enterro, deu um jantar para 80 pessoas. "Era uma mesa enorme, parecia um banquete", conta Amélia. O pai de Berbert morreu pouco tempo depois. Mas conseguiu enterrar seu filho. Cena 2: Ruy Carlos Vieira Berbert, presente! O ritual foi a forma encontrada pela família Berbert para acabar com a espera. A maneira de encerrar o luto que já durava 20 anos. Estavam se libertando de um fantasma que, até hoje, assombra a vida de famílias inteiras: filhos, pais, mães e irmãos. Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos. "Não pode haver aceitação da ideia de que ainda existem mais de 140 brasileiros que muitos vivos sabem onde estão seus corpos ou como seus corpos deixaram de existir", afirma Paulo Vannuchi, à frente da Secretaria Especial de Direitos Humanos desde o final de 2005. O caso de Ruy Carlos Vieira Berbert é emblemático. Nascido em Regente Feijó, no interior paulista, em 1947, veio para São Paulo tentar o vestibular da USP. Passou em letras, começou o curso e se tornou militante no movimento estudantil. Mais tarde, passou à luta armada. Em 1969, viajou, pela ALN - Ação Libertadora Nacional, organização de maior expressão no cenário da guerrilha urbana, nascida como dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e que teve Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira como dirigentes -, para Cuba, de onde retornou como militante do Molipo - Movimento de Libertação Popular, surgido a partir de um racha da própria ALN. A maioria dos que voltavam do treinamento na ilha socialista já chegava ao Brasil "queimada" e procuradíssima pela repressão. Quando os serviços de informação da ditadura souberam que os integrantes do Molipo estavam se espalhando de forma clandestina para dentro do país, o governo baixou uma ordem exigindo a prisão de todo e qualquer estranho recém-chegado às cidades do interior. O turista relâmpago Na virada de 1971 para 1972, Berbert instalou-se em Natividade (na época, em Goiás, hoje, no Tocantins), em uma pequena pensão. No dia seguinte, foi preso enquanto conversava tranquilamente na calçada com a filha do dono do estabelecimento. A delegacia da cidade era bem antiga. Suas celas possuíam amplas janelas gradeadas que davam para a praça principal. Da janela, o preso conversava com as pessoas que por ali passavam. Em algumas horas, o militante tornou-se celebridade, quase uma atração turística. Ficou conhecido. Dois ou três dias após sua prisão, baixou em Natividade "o pessoal de São Paulo", como eram chamados os agentes do DOI-Codi. Nesse mesmo dia, Berbert apareceu enforcado em sua cela. A versão oficial: suicídio. No dia seguinte, um grande proprietário de terras da região, não muito querido pela população local, também morreu. Os dois corpos partiram em cortejo rumo ao cemitério, seguidos por boa parte dos habitantes daquela cidade. Os agentes da repressão acreditavam que era por conta da morte do latifundiário, mas as pessoas estavam seguindo Berbert, o turista relâmpago, que, embora tivesse ficado tão pouco tempo na cidade, angariou simpatia e admiração, e que, do mesmo jeito que chegou, foi-se embora num piscar de olhos. Enterraram o latifundiário na ala "dos ricos" do cemitério, e o militante, numa vala comum, junto aos indigentes. A família Berbert passou a ter informações sobre o filho somente através de notícias de jornal. Em 1979, um general ligado ao aparelho repressivo admitiu sua morte em entrevista concedida à Folha de S. Paulo. Na ocasião, dona Ottília, mãe de Ruy Carlos, disse ao grupo Tortura Nunca Mais que gostaria de mostrar a luta constante pela qual passaram, na busca incerta da solução de um passado certo: "Apesar dos fatos comprovarem a quase certeza de sua morte, nós vivemos mais de uma década com a esperança e o sonho de vê-lo novamente". Corpo que não era corpo Apenas em 1991 começaram a obter dados mais concretos. Um atestado de óbito com o nome de João Silvino Lopes foi entregue à Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, criada no mandato da prefeita Luiza Erundina, para acompanhar a identificação das 1.049 ossadas encontradas na vala clandestina do cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus. Segundo a versão oficial, Lopes havia se suicidado em 2 de janeiro de 1972, em Natividade. Embora pudesse ser um militante político, seu nome não constava na lista de desaparecidos. Só um ano mais tarde, em 1992, quando os familiares dos mortos e desaparecidos tiveram acesso aos arquivos do Dops, foi encontrada uma relação elaborada a pedido de Romeu Tuma, diretor da unidade paulista do órgão entre 1977 e 1982. Nela, estava o nome de Ruy Carlos Vieira Berbert com as seguintes observações: preso em Natividade, suicidou-se na Delegacia de Polícia, em 2 de janeiro de 1972. Concluiu-se que João Silvino Lopes era o nome com que fora enterrado Ruy Carlos Vieira Berbert. Tendo-se como base esse mesmo documento, foi possível saber que seu corpo estava no cemitério de Natividade, mas não em qual local exatamente. Para exumá-lo e fazer a posterior identificação, seria preciso escavar o cemitério inteiro. Membros da Comissão 261/90 explicaram a situação à família Berbert, que, resignada, se contentou com um atestado de óbito, concordando em não fazer a exumação praticamente impossível. O corpo permaneceu no local, mas um enterro simbólico foi realizado na cidade onde seus pais moravam. Naquele dia, quem passou pela Câmara Municipal de Jales prestou homenagens frente ao caixão vazio de corpo, mas repleto de símbolos. Velaram um corpo que não era corpo, que não sabiam que não era corpo, mas que reverenciavam e o fariam ainda que o soubessem. No cemitério, colocaram a bandeira a meio-pau e cantaram o hino nacional. Tudo isso para o homem que não estava lá. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110130/43aaac8d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 45721 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110130/43aaac8d/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110130/43aaac8d/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 30 14:46:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 30 Jan 2011 14:46:39 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ELAS_CANTAM______________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________HOJE_=C9?= =?iso-8859-1?q?_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: <2B3E82D7FE4B4D719258F32DC2B152E4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Adriana Calcanhotto - Chaves de Casa Adriana Calcanhotto - Clandestino Adriana Calcanhotto - Devolva-me Adriana Calcanhotto - Esquadros Adriana Calcanhoto * Gatinha Manhosa Adriana Calcanhotto - Oito Anos Adriana Calcanhotto - Outra vez Adriana Calcanhotto - Se Tudo Pode Acontecer Adriana Calcanhotto - Vambora Adriana Mezzadri - Iluminar Alcione e Maria Bethânia - O meu amor Ana Cañas - A Ana Ana Cañas - Esconderijo Ana Carolina * Um Dia de Domingo Ana Carolina - Carvão Ana Carolina - Confesso Ana Carolina * Evidências Ana Carolina - Nua Ana Carolina - Pra rua me levar Ana Carolina * Pra Terminar Ana Carolina - Que se danem os nos Ana Carolina - Tolerância Ana Carolina - Um edificio no meio do mundo Ana Carolina - Vai Ana e Angela - Cara de Pau Barbarela - Sedução Barbarela - Só uma canção Bruna Caram - Palavras do coração Cassia Eller * All Star Cassia Eller * Gatas Extraordinarias Cassia Eller * Malandragem Cassia Eller * O segundo Sol Clara Nunes * Canto das Tres Raças Clara Nunes - Conto de areia Clara Nunes - É agua no mar Clara Nunes - É Baiana Clara Nunes e Filhos de Gandhy - Ijexa Clara Nunes - Guerreira Clara Nunes - Lama Clara Nunes - Macunaina Clara Nunes e Marisa - Gata Mansa Clara Nunes - O mar serenou Clara Nunes - Valsa de realejo Cidia e Dan - Close to you Cidia e Dan - Pra você eu digo sim Claudia Leite * As mascaras Daniela Mercury - A primeira vista Daniela Mercury - Cada Vez Que Te Vejo Daniela Mercury e Alexandre Pires - Como Uma Onda Daniela Mercury e Carlinhos Brown - Maimbê Dandá Daniela Mercury - Meu Plano Daniela Mercury - Nobre Vagabundo Daniela Mercury - O Canto Da Cidade Daniela Mercury - O Mais Belo Dos Belos, O Charme Da Liberdade Daniela Mercury - O Reggae E O Mar Daniela Mercury e Olodum - País Tropical Daniela Mercury - Pensar Em Você Daniela Mercury - Pérola Negra Daniela Mercury - Rapunzel Daniela Mercury - Rio de Janeiro Daniela Mercury - Sol Do Sul Daniela Mercury - Toda Menina Baiana Daniela Mercury - Topo Do Mundo Daniela Mercury - Vai sacudir, vai abalar Danni Carlos - Arcanjo Danni Carlos - Coisas que eu sei Danni Carlos - Não me leve a mal Denise Reis - Abre Alas Denise Reis - Alfândega Denise Reis - Bem Me Quer Denise Reis - Berrante Denise Reis - Chá De Hortelã Com Caviar Denise Reis - Conversar Comigo Denise Reis - Coração A Capela Denise Reis - É... Denise Reis - Irene Denise Reis - Luciana Denise Reis - Minha Neblina Denise Reis - Miss's Celie Blues Denise Reis - Palavra De Mulher Denise Reis - Palhaço Denise Reis - Par ou Ímpar Denise Reis - Perseguição Denise Reis - Rio X Denise Reis - Trenzinho Do Caipira Denise Reis - Um certo azul Elba Ramalho * Canção da Despedida Elba Ramalho * Imaculada Elba Ramalho * Ouro Puro Elis Regina - Fascinação Elis Regina - Me Deixas Louca Fafá de Belém * Abandonada Fafá de Belém * Coração do Agreste Isabella Taviani - Canção para um grande amor Isabella Taviani - De qualquer maneira Isabella Taviani - Falsidade desmedida Isabella Taviani - Luxuria Isabella Taviani - Momentos Isabella Taviani - O último anjo Isabella Taviani - Olhos de escudo Isabella Taviani - Outro mar Isabella Taviani - Recado do tempo Isabella Taviani - Sentido contrario Isabella Taviani - Sobmedida Isabella Taviani - Tem que acontecer Isabella Taviani - Ternura Isabella Taviani - Último grão Isabella Taviani - Diga sim pra mim Ivete Sangalo - Foi culpa da lua Joana - Agora eu sei Joana - Amor alheio Joana - Como é grande o meu amor por você Joana - De tanto amor Joana - Mensagem pra você Joana - Meu primeiro amor Joana - Momentos Joana - Que queres tu de mim Joana - Saudade Joana - Sem você não faz sentido Joana - Só mais uma vez Joana - Teu caso sou eu Joana - To fazendo falta Joana - A Padroeira Kátia * Lembranças Kátia * Não Está Sendo Fácil Kid Abelha * Por Que Eu Não Desisto de Você? Maria Bethânia - Palavras Maria Bethânia - Ronda Maria Bethânia * Um jeito estupido De Te Amar Maria Gadú * A História De "Lilly Braun" Maria Gadú * Alta Particular Maria Gadú * Baba Maria Gadu * Bela Flor Maria Rita - Agora so falta você Maria Rita - Cara valente Maria Rita - Cupido Maria Rita - Dom de iludir Maria Rita - Dos gardenias Maria Rita - Feliz Maria Rita - Minha alma Maria Rita - Ta perdoado Maria Rita - Veja bem meu bem Maria Rita - Voa bicho Marina Elali - All she wants Marina Elali * Só Com Você Marina Lima * Nada Por Mim Marina Lima * Virgem (Susana SP) Marisa Monte - Beija Eu Marisa Monte - Dança da Solidão Marisa Monte - Quem foi Marisa Monte - Infinito Particular Marjorie Estiano - Brava Marjorie Estiano - Reflexo do amor Marjorie Estiano - So easy Nana Caynni e Erasmo Carlos - Não se esqueça de mim Patricia Max * Destino Pitty - Admiravel chip novo Pitty - Equalize Pitty - Me adora Pitty - Memorias Pitty - Semana que vem Rita Lee - Amor e Sexo Rita Lee - Mania de Você Rosana - Nem um toque Sandy * Ela e Ele Sandy * Pés Cansados Simone - Yolanda Vanessa Camargo * Eu Posso Te Sentir (Susana) Vanessa da Mata e Ben Harper - Boa sorte (Good Luck) Zélia Duncan - Catedral Zizi Possi - Asa morena Zizi Possi - Caminhos de Sol Zizi Possi - Love for sale Zizi Possi * Noite Zizi Possi - Nunca Zizi Possi - Perigo Zizi Possi - Renascer Zizi Possi - Senza fine Zizi Possi - Sol e chuva -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 1834 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110130/674670d1/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 30 14:46:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 30 Jan 2011 14:46:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Pode_ser_o_fim=2E_Com_certeza_=E9?= =?iso-8859-1?q?_o_come=E7o_do_fim=2E_Em_todo_o_Egito=2C_dezenas_de?= =?iso-8859-1?q?_milhares_de_=E1rabes_enfrentaram_g=E1s_lacrimog=EA?= =?iso-8859-1?q?neo=2C_canh=F5es_de_=E1gua=2C_granadas_e_tiroteio_p?= =?iso-8859-1?q?ara_exigir_o_fim_da_ditadura_de_Hosni_Mubarak_depoi?= =?iso-8859-1?q?s_de_mais_de_30_anos=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem A multidão contra o ditador Manifestantes são atacados pela polícia egípcia na ponte Qasr al-Nil, perto da Praça Tahrir, no Cairo, em 28 de janeiro. por Robert Fisk/The Guardian Tradução: Coletivo Vila Vudu/São Paulo Pode ser o fim. Com certeza é o começo do fim. Em todo o Egito, dezenas de milhares de árabes enfrentaram gás lacrimogêneo, canhões de água, granadas e tiroteio para exigir o fim da ditadura de Hosni Mubarak depois de mais de 30 anos. Enquanto Cairo mergulha em nuvens de gás lacrimogêneo das milhares de granadas lançadas contra multidões compactas, era como se a ditadura de Mubarak realmente andasse rumo ao fim. Ninguém, dos que estávamos ontem nas ruas do Cairo, tínhamos nem ideia de por onde andaria Mubarak - que mais tarde apareceria na televisão, para demitir todos seus ministros. Nem encontrei alguém preocupado com Mubarak. Eram dezenas de milhares, valentes, a maioria pacíficos, mas a violência chocante dos battagi - em árabe, a palavra significa literalmente "bandidos" - uniformizados sem uniforme das milícias de Mubarak, que espancaram, agrediram e feriram manifestantes, enquanto os guardas apenas assistiam e nada fizeram, foi uma desgraça. Esses homens, quase todos dependentes de drogas e ex-policiais, eram ontem a linha de frente do Estado egípcio. Os verdadeiros representantes de Hosni Mubarak. Num certo momento, havia uma cortina de gás lacrimogêneo por cima das águas do Nilo, enquanto as milícias antitumultos e os manifestantes combatiam sobre as grandes pontes sobre o rio. Incrível. A multidão levantou-se e não mais aceitará a violência, a brutalidade, as prisões, como se essa fosse a parte que lhe coubesse na maior nação árabe do planeta. Os próprios policiais pareciam saber que estavam sendo derrotados. "E o que podemos fazer?" - perguntou-nos um dos guardas das milícias antitumulto. "Cumprimos ordens. Pensam que queremos isso? Esse país está despencando ladeira abaixo." O governo impôs um toque de recolher noite passada. A multidão ajoelhou-se para rezar, à frente da polícia. Como se descreve um dia que pode vir a ser página gigante da história do Egito? Os jornalistas devem abandonar as análises e apenas narrar o que aconteceu da manhã à noite, numa das cidades mais antigas do mundo. Então, aí está a história como a anotei, garatujada no meio da multidão que não se rendeu a milhares de policiais uniformizados da cabeça aos pés e e milicianos sem uniforme. Começou na mesquita Istikama na Praça Giza: um sombrio conjunto de apartamentos de blocos de concreto, e uma fileira de policias especializados em controle de tumultos que se estendia até o Nilo. Todos sabíamos que Mohamed ElBaradei ali estaria para as orações do meio dia e, de início, parecia que não haveria muita gente. Os policiais fumavam. Se fosse o fim do reinado de Mubarak, aquele começo do fim pouco impressionava. Mas então, logo que as últimas orações terminaram, uma multidão de fiéis apareceu na rua, andando em direção aos policiais. "Mubarak, Mubarak", gritavam, "a Arábia Saudita o espera". Foi quando os canhões de água foram virados na direção da multidão - a polícia estava organizada para atacar os manifestantes, mesmo não sendo atacada. A água atingiu a multidão e em seguida os canhões foram apontados diretamente contra ElBaradei, que retrocedeu, encharcado. ElBaradei desembarcara de Viena poucas horas antes, e poucos egípcios creem que chegue a governar o Egito - diz que só veio para ajudar como negociador -, mas foi atacado com brutalidade, uma desgraça. O político egípcio mais conhecido e respeitado, Prêmio Nobel, trabalhou como principal inspetor da Agência Nuclear da ONU, ali, encharcado como gato de rua. Creio que, para Mubarak, ElBaradei não passaria de mais um criador de confusão, com sua "agenda oculta" - essa, precisamente, é a linguagem que o governo egípcio fala hoje. Aí, começaram as granadas de gás lacrimogêneo. Alguns milhares delas, mas algo aconteceu, enquanto eu caminhava ao lado dos lança-granadas. Dos blocos de apartamentos e das ruas à volta, de todas as ruas e ruelas, centenas, depois de milhares de pessoas começaram a aparecer, todas andando em direção à Praça Tahrir. Era o movimento que a polícia queria impedir. Milhares de cidadãos em manifestação no coração da cidade do Cairo daria a impressão de que o governo já caíra. Já haviam cortado a internet - o que isolou o Egito, do resto do mundo - e todos os sinais de telefonia celular estavam mudos. Não fez diferença. "Queremos o fim do regime", gritavam as ruas. Talvez não tenha sido o mais memorável brado revolucionário, mas gritaram e gritaram e repetiram, até derrotar a chuva de granadas de gás lacrimogêneo. Vinham de todos os lados da cidade do Cairo, chegavam sem parar, jovens de classe média de Gazira, os pobres das favelas de Beaulak al-Daqrour, todos marchando pelas pontes sobre o Nilo, como um exército. Acho que sim, são um exército. A chuva de granadas de gás continuava sobre eles. Tossiam e esfregavam os olhos e continuavam andando. Muitos cobriram a cabeça e a boca com casacos e camisetas, passando em fila pela frente de uma loja de sucos, onde o dono esguichava limonada diretamente na boca dos passantes. Suco de limão - antídoto contra os efeitos do gás lacrimogêneo - escorria pela calçada e descia pelo esgoto. Foi no Cairo, claro, mas protestos idênticos aconteceram por todo o Egito, como em Suez, onde já há 13 egípcios mortos. As manifestações não começaram só nas mesquitas, mas também nas igrejas coptas. "Sou cristão, mas antes sou egípcio" - disse-me um homem, Mina. "Quero que Mubarak se vá!" E foi quando apareceram os primeiros bataggi sem uniforme, abrindo caminho até a frente das fileiras da polícia uniformizada, para atacar os manifestantes. Estavam armados com cassetetes de metal - onde conseguiram? - e barras de ferro, e poderão ser julgados e condenados por agressão grave e assassinato, se o regime de Mubarak cair. São pervertidos. Vi um homem chicotear um jovem pelas costas, com um longo cabo amarelo. O rapaz gritou de dor. Por toda a cidade, os policiais uniformizados andam em pelotões, o sol refletindo no visor dos capacetes. A multidão já deveria ter sido intimidada, àquela altura, mas a polícia parecia feia, como pássaros encapuzados. E os manifestantes alcançaram a calçada da margem leste do Nilo. Alguns turistas foram colhidos de surpresa no meio do espetáculo - vi três senhoras de meia idade, numa das pontes do Nilo (os hotéis, claro, não informaram os hóspedes sobre o que estava acontecendo -, mas a polícia decidiu que fecharia a extremidade leste do viaduto. Dividiram-se outra vez, para deixar passar as milícias não uniformizadas, e esses brutamontes atacaram a primeira fileira dos manifestantes. E foi quando choveu a maior quantidade de granadas de gás, centenas de granadas, em vários pontos, contra a multidão que andava sem parar por todas as grandes vias, em direção cidade. Os olhos ardem, e tosse-se horrivelmente, até perder o fôlego. Alguns homens vomitavam nas soleiras das portas fechadas das lojas. O fogo começou, ao que se sabe, noite passada, na sede do NDP, Partido Democrático Nacional, partido de Mubarak. O governo impôs um toque de recolher, e há relatos de tropas na cidade, sinal grave de que a polícia pode ter perdido o controle dos acontecimentos. Nos abrigamos no velho Café Riche, perto da Praça Telaat Harb, restaurante e bar minúsculo, com garçons vestidos de azul; e ali, tomando café, estava o grande escritor egípcio Ibrahim Abdul Meguid, bem ali à nossa frente. Foi como dar de cara com Tolstoi, almoçando em plena revolução russa. "Mubarak está sem reação!" - festejou ele. "É como se nada estivesse acontecendo. Mas vai, agora vai. O povo fará acontecer!" Sentamos, ainda tossindo e chorando por causa do gás. Foi desses instantes memoráveis, que acontecem mais em filmes que na vida real. E havia um velho na calçada, cobrindo os olhos com a mão. Coronel da reserva Weaam Salim do exército do Egito, que saiu para a rua com todas as suas medalhas da guerra de 1967 contra Israel - que o Egito perdeu - e da guerra de 1973 que, para o coronel, o Egito venceu. "Estou deixando o piquete dos soldados veteranos" - disse-me ele. "Vou-me juntar aos manifestantes". E o exército? Não se viram soldados do exército durante todo o dia. Os coronéis e brigadeiros mantêm-se em silêncio. Estarão à espera da lei marcial de Mubarak? As multidões não obedeceram ao toque de recolher. Em Suez, caminhões da polícia foram incendiados. Bem à frente do meu hotel, tentaram jogar no rio Nilo um caminhão da Polícia. Não consegui voltar à parte ocidental do Cairo pelas pontes. As granadas de gás ainda empesteiam as margens do Nilo. Mas um policial ficou com pena de nós - emoção absolutamente inexistente, devo dizer, ontem, entre os policiais - e nos guiou até a margem do rio. E ali estava uma velha lancha egípcia a motor, de levar turistas, com flores plásticas e proprietário disponível. Voltamos em grande estilo, bebendo Pepsi. Cruzamos com uma lancha amarela, super rápida, da qual dois homens faziam sinais de vitória para a multidão sobre as pontes. Uma jovem, sentada na parte de trás da lancha, carregava uma imensa bandeira: a bandeira do Egito. Ver original em http://www.independent.co.uk/news/world/africa/robert-fisk-a-people-defies-its-dictator-and-a-nations-future-is-in-the-balance-2197769.html. ========================================================================================================= Robert Fisk Egito: uma ditadura nas vascas da morte 30/1/2011, The Independent, UK http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-egypt-death-throes-of-a-dictatorship-2198444.html Os tanques egípcios, os manifestantes em delírio sentados sobre eles, as bandeiras, os 40 mil manifestantes lacrimejando e gritando vivas na Praça da Liberdade e rezando à volta dos tanques, um membro da Fraternidade Muçulmana sentado entre os ocupantes do tanque. Pode-se talvez comparar à libertação de Bucareste? Subi eu também sobre um tanque de combate, e só conseguia pensar naqueles maravilhosos filmes da libertação de Paris. A apenas algumas centenas de metros dali, os guardas da segurança de Mubarak, nos uniformes pretos, ainda atiravam contra manifestantes perto do ministério do Interior. Foi celebração selvagem de vitória histórica, os tanques de Mubarak libertando a capital de sua própria ditadura. No mundo de pantomima de Mubarak - e de Barack Obama e Hillary Clinton em Washington -, o homem que ainda se diz presidente do Egito deu posse a um vice-presidente cuja escolha não poderia ter sido pior, na tentativa de aplacar a fúria dos manifestantes - Omar Suleiman, chefe-negociador do Egito com Israel e principal agente da inteligência egípcia, 75 anos de idade e muitos de contatos com Telavive e Jerusalém, além de quatro ataques cardíacos. Não se sabe de que modo esse velho apparatchik doente conseguiria enfrentar a fúria e a alegria de 80 milhões de egípcios que se vão livrando de Mubarak. Quando falei a alguns manifestantes ao meu lado sobre o tanque, da nomeação e posse de Suleiman, houve gargalhadas. Os soldados que conduzem os tanques, em uniforme de combate, sorridentes e às vezes aplaudindo os passantes, não fizeram qualquer esforço para apagar das laterais dos tanques os graffiti ali pintados com tinta spray. "Fora Mubarak! Caia fora, Mubarak!" e "Mubarak, seu governo acabou" aparecem grafitados em praticamente todos os tanques que se veem pelas ruas do Cairo. Sobre um dos tanques que circulavam pela Praça da Liberdade, vi um alto dirigente da Fraternidade Muçulmana, Mohamed Beltagi. Antes, andei ao lado de um comboio de tanques próximo de Garden City, subúrbio do Cairo, onde as multidões subiram aos tanques para oferecer laranjas aos soldados, aplaudindo-os como patriotas egípcios. A nomeação ensandecida e sem sentido de um vice-presidente [o primeiro, em 30 anos, e nomeação que significa que Mubarak desistiu de nomear o filho para substituí-lo no poder (NTs)] e a formação de um 'novo' Gabinete sem poder algum, constituído só de velhos conhecidos dos egípcios, evidenciam que as ruas do Cairo viram e veem o que nem os estrategistas e políticos dos EUA e da União Europeia souberam ver: que o tempo de Mubarak acabou. As frágeis ameaças de Mubarak de que empregará repressão violenta em nome do bem estar dos egípcios - quando já se sabe que a sua própria polícia e suas milícias são responsáveis pelos ataques mais violentos dos últimos cinco dias - só geraram ainda mais fúria entre os manifestantes, vítimas de 30 anos de ditadura várias vezes muito violenta. Crescem as suspeitas de que os piores ataques da repressão foram executados por milícias não uniformizadas - inclusive o assassinato de 11 homens numa vila do interior do país nas últimas 24 horas -, tentativa de dividir o movimento e criar suspeitas contra as intenções democratizantes das manifestações contra o governo de Mubarak. A destruição dos centros de comunicações por grupos de homens mascarados - que se suspeita que tenha sido ordenada por alguma agência da segurança de Mubarak - também parece ter sido obra das milícias não uniformizadas que espancaram manifestantes. Mas o incêndio de postos policiais no Cairo, Alexandria, Suez e outras cidades não foram obra daquelas milícias. No final da 6ª-feira, a 40 milhas do Cairo, na estrada para Alexandria, havia grandes grupos de jovens em torno de fogueiras acesas no meio da estrada e, quando os carros paravam, eram assaltados; os assaltantes exigiam dólares, sempre muitos, em dinheiro. Ontem pela manhã, homens armados roubavam carros, de dentro dos quais arrancavam motoristas e passageiros, no centro do Cairo. Infinitamente mais terrível foi o vandalismo contra o Museu Nacional do Egito. Depois que a polícia abandonou o serviço de segurança do museu, houve invasão de saqueadores e vândalos, que roubaram ou destruíram peças de 4 mil anos, múmias e peças de madeira esculpida de valor inestimável - barcos, esculpidos com todos os detalhes e a tripulação, miniaturas magníficas, feitas para acompanhar os faraós na viagem pós-morte. Vitrines que protegiam trajes milenares foram quebradas, os guardas pintados de preto arrancados e depredados. Outra vez, é preciso registrar que há boatos de que os próprios policiais destruíram o museu, antes de fugir na 6ª-feira à noite. Lembrança fantasmagórica do museu de Bagdá em 2003. Bagdá foi pior, a destruição foi mais total, mas mesmo assim foi terrível o desastre do museu do Cairo. Em minha jornada noturna da Cidade 6 de Outubro até a capital, tive de diminuir a velocidade várias vezes, porque a estrada está cheia de restos de veículos queimados. Havia destroços e vidros quebrados pela estrada, e muitos policiais armados, com rifles apontados para os faróis do meu carro. Vi um jipe semidestruído. Os restos do equipamento da polícia antitumulto que os manifestantes expulsaram da cidade do Cairo na 6ª-feira. Os mesmos manifestantes que, ontem à noite, formavam círculo gigantesco em torno da Praça da Liberdade para rezar. Gritos de "Allah Alakbar" trovejavam pela cidade no ar da noite. Há também quem clame por vingança. Uma equipe de jornalistas da rede al-Jazeera encontrou 23 cadáveres em Alexandria, aparentemente assassinados pela polícia. Vários tinham os rostos horrivelmente mutilados. Outros onze cadáveres foram encontrados no Cairo, cercados por parentes que gritavam por vingança contra a polícia. No momento, Cairo salta em minutos da alegria para a mais terrível fúria. Ontem pela manhã, andei pela ponte do rio Nilo e vi as ruínas do prédio de 15 andares onde funcionava a sede do partido de Mubarak, que foi incendiado. À frente, um imenso cartaz pregava os benefícios que o partido trouxe ao Egito - imagens de estudantes formados bem sucedidos, médicos e pleno emprego, promessas que o governo de Mubarak sempre repetiu e jamais cumpriu em 30 anos - emoldurados pela fuligem, semiqueimados, pendentes das janelas enegrecidas do prédio. Milhares de egípcios andavam pela ponte e pelos acessos laterais para fotografar o prédio ainda fumegante - e muitos saqueadores, a maioria velhos, que tiravam de lá mesas e cadeiras. No instante em que uma equipe de televisão escocesa preparava-se para filmar as mesmas cenas, foi cercada por várias pessoas que disseram que não tinham o direito de filmar os incêndios, que os egípcios são povo orgulhoso que não roubaria nem saquearia. O assunto foi discutido várias vezes ao longo do dia: se a imprensa teria ou não o direito de divulgar imagens sobre essa "libertação", que veiculassem ideias menos dignas do movimento. Mesmo assim, os manifestantes mantinham-se cordiais e - apesar das declarações acovardadas de Obama, na 6ª-feira à noite - não se viu nenhum, nem qualquer mínimo sinal de hostilidade contra os EUA. "Tudo que queremos, tudo, exclusivamente, é que Mubarak vá-se daqui, que haja eleições que nos devolvam a liberdade e a honra" - disse-me uma psiquiatra de 30 anos. Por trás dela, multidões de jovens limpavam o leito da rua, removendo restos de veículos e barreiras postas nas intersecções e esquinas - releitura irônica do conhecido ditado egípcio, de que os egípcios nunca varrerão as próprias ruas. A alegação de Mubarak, de que as atuais demonstrações e atos de delinqüência - a combinação foi tema do discurso em que Mubarak declarou que não deixaria o Egito - seriam parte de um "plano sinistro" é evidentemente o núcleo de seu argumento, na tentativa de não perder o reconhecimento mundial. De fato, a própria resposta de Obama - sobre a necessidade de reformas e o fim da violência - foi cópia exata de todas as mentiras que Mubarak sempre usou para defender seu governo durante 30 anos. Os egípcios riram de Obama - inclusive no Cairo, depois de eleito - quando exigiu que os árabes abraçassem a liberdade e a democracia. Mas até essas aspirações sumiram completamente quando, na 6ª-feira, Obama assegurou seu desconfortável e incomodado apoio ao presidente egípcio. O problema é o de sempre: as linhas do poder e as linhas da moralidade em Washington jamais convergem quando os presidentes dos EUA têm de lidar com o Oriente Médio. A liderança moral dos EUA cessa de existir quando há confronto declarado entre o mundo árabe e Israel. E o exército egípcio, desnecessário lembrar, é parte da equação. Recebe de Washington mais de 1,3 bilhão de dólares de auxílio anual. O comandante desse exército, general Tantawi - que casualmente estava em Washington, quando a polícia tentava esmagar os manifestantes - sempre foi muito amigo, pessoal, íntimo, de Mubarak. Não é bom sinal, parece, pelo menos no futuro imediato. Assim, a "libertação" do Cairo - onde houve notícias, ontem à noite, de saques no hospital Qasr al-Aini - ainda tem a andar, até a consumação. O fim pode ser claro. A tragédia ainda não acabou. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110130/23ba12d5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 73986 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110130/23ba12d5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 31 21:50:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 31 Jan 2011 21:50:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_M=C1RIO_ALVES_DE_SOUZA_VIEIRA__/_e_tex?= =?iso-8859-1?q?to_de_MMM_=22DESCOBRINDO_M=C1RIO_ALVES=22________-X?= =?iso-8859-1?q?XIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem MÁRIO ALVES DE SOUZA VIEIRA Secretário-Geral do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Nasceu em 14 de fevereiro de 1923 em Santa Sé, Estado da Bahia, filho de Romualdo Leal Vieira e Julieta Alves de Sousa Vieira.Desaparecido aos 47 anos, no Rio de Janeiro.Jornalista, tendo dirigido os jornais Novos Rumos e Voz Operária. Fez o curso secundário em Salvador e foi um dos fundadores da União dos Estudantes da Bahia. Participou da UNE. Ingressou no PCB e foi um dos líderes do movimento de massas de 1942 em Salvador, contra o nazi-fascismo. Em 1945 passou a integrar o Comitê Estadual do PCB na Bahia e em 1957, foi eleito para o Comitê Central. Com o golpe de 1964, tornou-se um dos líderes da corrente de esquerda dentro do PCB. Atuando nas difíceis condições de clandestinidade, foi preso, em julho de 1964, no Rio de Janeiro, sendo libertado somente um ano depois por concessão de habeas-corpus. Por sua oposição à orientação predominante na direção do PCB, Mário Alves foi afastado da Comissão Executiva e deslocado para atuar em Belo Horizonte, onde permaneceu até 1967. Já, em 20 de maio de 1966, um ato do Presidente Castelo Branco cassa seus direitos políticos por 10 anos. Em 6 de junho do mesmo ano, foi julgado à revelia no chamado processo das "Cadernetas de Prestes" e condenado a 7 anos de prisão, pela 2ª Auditoria Militar de São Paulo. A luta interna no PCB também se acirrava e, no VI Congresso, realizado em 1967, Mário Alves, juntamente com Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho, Manuel Jover Telles e Miguel Batista dos Santos foram expulsos. Em 1968, junto com Jacob Gorender, Apolônio de Carvalho e outros, Mário Alves fundou o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), continuando a militar clandestinamente. Em 16 de janeiro de 1970, entre 19:30 e 20:00 horas, saiu de casa para voltar dentro de pouco tempo. Foi preso pelo DOI/CODI-RJ, para onde foi levado. Na madrugada do mesmo dia, Mário Alves morreu sob torturas. Mário foi visto sangrando, abundantemente, na sala de tortura, por vários presos políticos que se encontravam no DOI/CODI, dentre os quais, René Carvalho, Antônio Carlos de Carvalho e o advogado Raimundo Teixeira Mendes . Os soldados que serviam no PIC (Pelotão de lnvestigações Criminais), onde está situado o DOI-CODI, foram retirados do local, para que o corpo de Mário pudesse ser removido sem testemunhas. Apesar das evidências, os órgãos de segurança negam a prisão de Mário. Em 01 de dezembro de 1987 foi julgada a apelação civil n° 75.601 (RJ), registro 2678420, onde sua mulher e filha conseguiram da União a responsabilidade civil por sua prisão, morte e danos morais. Foi o 1° caso de desaparecido político em que a União reconheceu sua responsabilidade. Foram advogadas as Dras. Francisca Abigail Barreto Paranhos e Ana Maria Müller. O Relatório do Ministério do Exército diz que "foi condenado em 06/06/66 a 7 anos de reclusão e em 17/11/73, a três anos, ambos a revelia." Dilma, companheira de Mário Alves, enviou uma carta à esposa do cônsul brasileiro, seqüestrado no Uruguai. Destacamos aqui alguns trechos: "Todos conhecem seu sofrimento, sua angústia. A imprensa falada e escrita focaliza diariamente o seu drama. Mas do meu sofrimento, da minha angústia, ninguém fala. Choro sozinha. Não tenho os seus recursos para me fazer ouvir, para dizer também que "tenho o coração partido", que quero meu marido de volta. O seu marido está vivo, bem tratado, vai voltar. O meu foi trucidado, morto sob tortura, pelo 1° Exército, foi executado sem processo, sem julgamento. Reclamo seu corpo. Nem a Comissão de Direitos da Pessoa Humana me atendeu. Não sei o que fizeram dele, onde o jogaram. Ele era Mário Alves de Souza Vieira, jornalista. Foi preso no dia 16 de janeiro do corrente, na Guanabara, pela polícia do 1° Exército e levado para o quartel da P.E., sendo espancado barbaramente de noite, empalado com um cassetete dentado, o corpo todo esfolado por escova de arame, por se recusar a prestar informações exigidas pelos torturadores do 1° Exército e do DOPS. Alguns presos, levados à sala de torturas para limpar o chão sujo de sangue e de fezes, viram meu marido moribundo, sangrando pela boca e pelo nariz, nu, jogado no chão, arquejante, pedindo água, e os militares torturadores em volta, rindo, não permitindo que lhe fosse prestado nenhum socorro. Sei que a sra. não tem condições de avaliar meu sofrimento, porque a dor de cada um é sempre maior que a dos outros. Mas espero que compreenda que as condições que levaram meu marido a ser torturado até a morte e o seu seqüestrado são as mesmas; que é importante saber que a violência- fome, violência-miséria, violência-opressão, violência-atraso, violência-terrorismo, violência-guerrilha; que é muito importante saber quem pratica a violência - os que criam a miséria ou os que lutam contra ela". Do livro "Desaparecidos Políticos": "- Não dormíamos, acompanhando os interrogatórios e sofrendo cada uma das torturas que sabíamos estarem sendo aplicadas - e que cada um de nós conhecia de perto - na cela ao lado. Não demorou muito para termos certeza que a vítima era Mário Alves... - Diante da recusa de Mário a atender às exigências dos torturadores e das formas cada vez mais violentas de tortura a que foi submetido (afogamentos, empalamento etc.) temi por sua vida. Alguém por ali havia dito que ele já estava com 56 anos de idade e tinha pouca saúde. - De manhã, bem cedo, o cabo da guarda chamou Manoel João, Augusto e eu para fazer a faxina da sala ao lado. A sala estava enlameada, cheia de água e , no chão, deitada, estava uma pessoa totalmente machucada, a pele bem ferida, cheia de hematomas... era um rosto magro com um pequeno bigode... era Mário Alves." Depoimento do advogado Raimundo Teixeira Mendes, também detido na época na P.E., do mesmo livro: - Cerca de 20:30 horas do dia 16 de junho de 1970, sexta-feira... o DOICODI/ RJ... acabava de prender o Jornalista Mário Alves de Sousa Vieira...conduzido para a cela que ficava ao lado...foi submetido a interrogatório, findo o qual iniciou-se a sessão de tortura que acabou às 5 horas. - Depois de violentamente espancado... torturado com choques elétricos, no pau de arara, afogamentos, etc. Mário Alves manteve a posição de nada responder a seus torturadores... então introduziram um cassetete de madeira com estrias, que provocou a perfuração de seus intestinos e a hemorragia que determinou a sua morte." ============================================================================ DESCOBRINDO MÁRIO ALVES Marcelo Mário de Melo Purgar os erros. Lembrar os mortos Fecundar os sonhos. Festejar as vitórias. Se não fizermos isto pela nossa causa quem o fará? (MMM) Em 1970 o esquema repressivo da ditadura militar matou sob tortura o militante político Mário Alves Vieira, baiano de nascimento, jornalista, intelectual, fundador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário - PCBR e integrante do seu comitê central. Na ocasião, Mário tinha 47 anos de idade. Se estivesse vivo, comporia com Apolônio de Carvalho e Jacob Gorender a tríade dos comunistas históricos e ex-integrantes do comitê central do PCB, que esgotando uma luta interna anterior a 1964, partiram para viver uma nova experiência partidária. Mário Alves resistiu às torturas, enfrentou e afrontou os seus carrascos, "sacrificando o bem-estar da carne, a vida, para manter cerrados dentes, compromissos". Depoimentos de testemunhas oculares e auditivas revelam rasgos de elevada altivez da parte de um homem conhecido como fisicamente frágil, que carregava uma úlcera e, naquela ocasião, já tinha o corpo macerado e as palavras ecoando manchadas de sangue. Isto revela a sua estirpe o situa numa pequena parcela de presos políticos brasileiros de todas as épocas, "queimados na face com uma luminosa cicatriz de silêncio". Mas é insuficiente para caracterizar a sua personalidade, que não pode ser apreendida por aspectos isolados, nem através de equação, média ou denominador comum. Compor o perfil de Mário Alves de corpo inteiro constitui um desafio a ser enfrentado. E é na perspectiva de juntar pedras e seguir pistas que alinho antigas impressões, recolhidas em textos seus e nos contatos tidos com ele em 68 e 69, que embora breves, foram intensos e inesquecíveis. Antes, quero ressaltar a importância da matéria escrita por Otto Filgueiras, publicada no número 20 da revista Brasil Revolucionário, ano de 1996, que trás revelações sobre a atividade intelectual de Mário Alves, aspectos da sua vida familiar e dos seus jeitos de ser como simples mortal. Primeiros rumores - Militando no PCB do Recife desde 1961, a partir da base do Colégio Pernambucano, eu sabia da existência de Mário Alves como diretor do jornal oficial do partido, o Novos Rumos. De vez em quando, lia algum dos seus artigos. Seu nome esteve muito presente nas rodas militantes, a partir de um trabalho publicado numa revista, em parceria com Paul Singer, criticando o Plano Trienal de Desenvolvimento de Celso Furtado, então Ministro da Economia de um dos gabinetes do governo João Goulart, no período de regime parlamentarista implantado sob pressão militar, depois da renúncia de Jânio Quadros, ocorrida em agosto de 1961. Em certa altura ele passou a ser citado como integrante do chamado "grupo baiano" do comitê central do PCB, que tinha posições mais à esquerda e era composto, também, por Jacob Gorender e Carlos Marighella. Naquela época, talvez por alguma associação com o cantor Francisco Alves, que povoou as manchetes e o cinema nacional até meados da década de 50, eu sempre imaginava Mário Alves um tipo alto, forte, moreno e vivaz, de paletó e gravata. Debates e Ditadura - Um mês antes do golpe militar de 64, o comitê central do PCB publicou no Jornal Novos Rumos as Teses para Discussão do seu VI Congresso. Na tradição dos PCs, começaram os debates e a eleição de delegados, a partir das assembléias de base, preparando as conferências setoriais, que partiriam para as municipais, as estaduais e, finalmente, o congresso nacional. A polarização era forte em torno de alguns aspectos. Uma ala dizia que havia a possibilidade de um caminho pacífico para a revolução brasileira, que deveria ser esgotado. Mantinha a crença na chamada burguesia nacional como integrante da frente nacionalista e democrática e, embora com um caráter dúplice e vacilante, possuindo um potencial revolucionário. A outra ala afirmava que a tentativa de golpe militar era inevitável e deveríamos estar preparados para enfrentá-lo, que o papel dúplice e vacilante dos setores burgueses progressistas era orgânico e insuperável, e que o eixo da frente deveria ser constituído por operários, camponeses e camadas médias. Mário Alves desenvolvia estas posições. O golpe interrompeu o congresso e acirrou a luta interna no PCB. A primeira grande polarização se deu em torno de qual tinha sido o erro fundamental: se os desvios de direita, caracterizados na não preparação para a resistência pelas armas, na dependência ao esquema militar de João Goulart, ou se os desvios de esquerda, expressos na "pressa pequeno-burguesa" de querer acelerar o processo político artificialmente e, com isso, permitir a ofensiva da direita e a ampliação das suas bases de apoio. Dois a três anos depois é retomado o VI Congresso do PCB e se abre de novo a Tribuna de Debates, agora nas páginas do jornal A Voz da Unidade, órgão oficial do comitê central. Mário Alves teve uma presença marcante nos debates, através de artigos assinados com o pseudônimo de Martim Silva. As tendências alinhadas mais à esquerda se organizaram na chamada Corrente Revolucionária do PCB, ou simplesmente Corrente, que era uma grande articulação anti-comitê central e alimentou diversas organizações de esquerda. Nasceu oficialmente, o PCBR, em abril de 1968, tendo na direção Mário Alves, Apolônio de Carvalho, Jacob Gorender, Bruno Maranhão e outros companheiros. Marigella, ex-secretário político do comitê estadual do PCB em São Paulo, partiu para fundar a ALN. Dirigentes estudantis da Dissidência do Rio formaram um grupo autônomo, que depois se integrou à POLOP e resultou no POC. Dirigentes do Rio, entre eles Jover Telles, membro do Comitê Central, um certo tempo depois de fundado o PCBR, lançaram um manifesto intitulado Um Reencontro Histórico, e se integraram ao PC do B. Me impressionou a qualidade do texto de Mário Alves: conciso, denso, objetivo, desprovido de gorduras e retóricas. Jornalista e com tarimba de tradutor de livros em inglês, francês e russo, Mário Alves agregou uma qualidade literária aos documentos políticos que escreveu, merecendo destaque a Resolução da Conferência Estadual de Minas, preparatória do VI Congresso do PCB, os artigos na Tribuna de Debates, a Linha Política do PCBR, o documento Raízes Ideológicas dos Nossos Erros e o texto em que polemizou com os dirigentes do Rio que optaram pelo PC do B, intitulado: "Reencontro Histórico, ou Simples Mistificação?" Agora, um esclarecimento. O texto escrito por Mário Alves sobre o comportamento do revolucionário na prisão e no tribunal, não é, originalmente, seu. Trata-se de uma síntese de material constante do livro do advogado, escritor e comunista francês, Marcel Willard, intitulado "A Defesa Acusa". Marighella cita esse autor, num folheto divulgado no PCB, em que também trata de interrogatórios e torturas. Não me lembro se a primeira distribuição da síntese de Mário informava sobre a fonte do seu trabalho. Com o tempo, predominou a versão de que as normas sobre o comportamento do revolucionário na prisão e no tribunal seriam da sua autoria. Mas se não teve o mérito de concebê-las, coube a Mário Alves, que as sintetizou e difundiu, a suprema dignidade de cumpri-las integralmente, até o último suspiro. Contato ao vivo - Meu primeiro contato com Mário Alves se deu numa viagem de emergência que fiz ao Rio, para tratar junto ao Comitê Central, como representante do Comitê Regional do Nordeste, do rateio do apurado de um assalto a banco feito pelo nosso Comando Militar. Fui levado de olhos fechados a uma reunião do Comitê Central e lá conheci Apolônio de Carvalho e Mário Alves, com quem tive depois um encontro. Sentamos num bar, conversamos e continuamos andando, até o momento em que ele pegou o seu rumo. Eu achava que as informações que chegavam ao comitê central sobre as forças do partido e as possibilidades da ação armada no Nordeste, principalmente no campo, eram inflacionadas. Comecei a levantar algumas ponderações quanto à necessidade de uma maior preparação. Falei das dificuldades de recrutamento em função do refluxo do momento de massas, da nossa inserção, basicamente, nos segmentos pequeno-burgueses, das deficiências estruturais do partido e da precariedade do nosso trabalho de campo, com uma estrutura de militância de características mais típicas de um trabalho de massas do que de uma ação de partido, com as exigências propostas. Ele não levou muito em conta as restrições, não entrou em detalhes, nem alimentou o papo, afirmando que as dificuldades eram superáveis e não se constituíam em impedimento maior. Senti uma pressa em aprofundar o processo armado a todo custo e desconfiei de um certo espírito de concorrência pesando sobre o comitê central do PCBR, em face das ações armadas desencadeadas pelos chamados agrupamentos militares. Nesse encontro, caiu por terra a imagem física que eu fazia de Mário Alves. Estava diante de um homem alvo, magro, ombros estreitos, meio franzino e um pouco encurvado. O rosto jovem, expressivo, atento e com linhas bem desenhadas. Mário Alves tinha cabelos pretos e lisos, penteados pra trás, e usava uns óculos escuros modernosos, que lhe caíam muito bem. Reuniões no Recife - Mário Alves chegou no Recife no primeiro trimestre de 69, para reunir com o Comitê Regional do Nordeste. No primeiro dia, reunião nos dois expedientes, entrando pela noite. E aí começou a se desenhar o estilo do homem. Uma meia folha de papel-ofício, dividida ao meio, de cima a baixo, pela marca de uma dobra, foi o terreno onde ele esquematizou sua intervenção. Do lado esquerdo, no alto, um pequeno esquema do que iria dizer. Abaixo disso, foi lançando as sínteses telegráficas das falas dos circunstantes. Em paralelo, na metade direita, as suas observações sobre elas. Ele abriu a reunião, ouviu os reunintes e, no fim, fez considerações detalhadas, com base naquele pequeno papel. Até hoje, em reuniões e debates, me valho do esquema de Mário Alves. Mas além do macete técnico, as marcas substanciais. Havia uma tendência entre assistentes e dirigentes de instâncias superiores, em inflacionar muito a realidade, dando informes exagerados e excessivamente otimistas sobre as forças do partido em termos nacionais, ou simplesmente obscurecendo os aspectos de limitação e dificuldade. Mário Alves foi uma verdadeira ducha de água fria nessa deformação. Secou balões ilusionistas e deixou desenhada a verdadeira realidade orgânica do PCBR em todos os estados, muito mais limitada do que se imaginava. Quando da sua vinda, eu atravessava um certo isolamento no Comitê Regional do PCBR. Considerado "à direita", por manter uma resistência contra o que considerava militarismo, tive cortadas as assistências aos comitês zonais mais importantes e me concentrei na montagem da imprensa partidária. Quando Mário Alves chegou, estava pronto o primeiro exemplar do "Luta de Classe", jornal do Comitê Regional, que trazia como centro a análise do Ato Institucional número 5, editado em 13 de dezembro de 1968. Eram considerados os aspectos políticos e se fazia uma abordagem da conjuntura econômica. Nessa segunda parte houve a colaboração do companheiro Frederico Oliveira (Fred), militante do PCBR, advogado e técnico em desenvolvimento econômico da Sudene, que atraiu a participação dos economistas Alcino Rufino e Abelardo Baltar, que integrava o núcleo de profissionais liberais do PCBR com o pseudônimo de Abreu. O miolo do jornal já estava aprovado e faltava o editorial, que Mário Alves leu em silêncio e, em seguida, olhou para mim, levantando o polegar. Lembro-me de que o texto começava assim: "A crise que antecedeu a edição do Ato institucional número 5 foi essencialmente política.". No fim da reunião, Mário Alves declarou que as divergências existentes no interior da direção eram normais e não deveriam levar a desconfianças e restrições entre os companheiros, todos empenhados em levar as tarefas revolucionárias à frente. Depois disso, desfez-se o cerco às minhas atividades e melhorou o clima no trabalho de direção. História & Humor - No segundo dia, a reunião durou somente o expediente da manhã e partimos para um almoço descontraído, que se esticou numa gostosa roda de bate papo em torno da mesa, até o anoitecer, quando Mário Alves pegou a estrada de volta ao Rio. Foram muitas histórias, com esclarecimentos, folclore político e piadas, onde apareceu o seu lado irreverente e satírico. Ele falou em detalhe sobre as entrelinhas do PCB em vários momentos: o período de transição da ditadura para a anistia de 46, as reações ao informe secreto de Nikita Kruschev, em 1953, denunciando os crimes de Stalim, as polarizações no interior do Comitê Central no período posterior ao golpe. Aspectos caricaturais e pitorescos vivenciados na sua juventude, envolvendo a figura de Otávio Brandão, fundador do PCB, provocaram ataques de riso. Mário fez algumas gozações com Jason, o agitado companheiro do Comitê Central, que dava assistência ao Nordeste: "O Jason é uma demonstração viva da dialética entre a causa e o efeito: quando ele está tenso, aperta em baixo; quando aperta em baixo, fica mais tenso em cima". Dizia isto fazendo demonstrações dos dois apertos, com movimentos de abre-e-fecha das duas mãos levantadas. Foi essa abertura humorística de Mário Alves - soube por Jason - que me salvou, depois, de uma medida disciplinar do Comitê Central do PCBR. Nos primeiros contatos em Pernambuco, Jason escreveu um documento de 10 laudas, datilografado em espaço-um, sobre as potencialidades da luta armada na área rural do Nordeste, e lhe deu o título de "Anotações para um Esboço de Esquema". Apolônio de Carvalho, em alguns documentos, quando se referia ao PCBR, colocava este acréscimo: "partido motor e guia", e costumava fazer longas citações da Resolução Política aprovada no Congresso. O grupo de trabalho indicado pelo comitê central para concluir um estudo sobre o movimento estudantil, não apresentava o resultado. Mário Alves, ao fim de uma rodada de reuniões do Comitê Central, foi encarregado de escrever três documentos, sendo um deles, o "Raízes Ideológicas dos Nossos Erros". Tudo isso eram motes para a minha produção satírica. Um dia, escrevi para Jason uma carta intitulada "Prefácio para um Prólogo de Bosquejo", começando assim : "O PCBR, partido motor e guia, caixa de marcha, arranque, acelerador..." A torto e a direito, meti citações da Resolução Política.E ainda encaminhei em anexo um livreto datilografado, em forma de brochura, com uma série de poemas satíricos inspirado nas coisas do PCBR. Hoje esses textos, com ligeiras adaptações, compõem a série dos Poemas Antiburocráticos. Na época eram, simplesmente, os "burocras", organizados assim: Burocra 1, Burocra 2, Burocra 3, etc. Jason me disse que, no intervalo de uma das reuniões do comitê central, expôs a carta e os textos, provocando a indignação de um dirigente, que falou em anarquismo intelectual e sugeriu uma medida disciplinar. Mário Alves veio em minha defesa, tirando por menos e argumentando que a sátira também era uma forma válida de luta interna no partido. São palavras de Jason: "o Mário quase se mija de tanto rir, lendo o teu material". Esclareço que Jason era o nome de guerra do jornalista carioca Nicolau Tolentino de Abrantes. A FALTA QUE FAZ - Mário Alves era um dirigente comunista que procurava manter as antenas ligadas ao que rolava culturalmente na sociedade. Traduzia em vários idiomas, possuía estofo intelectual, um grande poder de síntese, um texto denso e muito bem acabado. Sendo um dirigente político e um redator partidário, sua produção intelectual, que ainda não está reunida, foi muito marcada pelas urgências, sobrecargas, tensões e dificuldades da militância clandestina. Se tivesse sobrevivido, Mário Alves teria podido desenvolver, nas condições pós-anistia, uma atividade intelectual de maior fôlego, exercitando a análise política da experiência vivida e dos desafios atuais. Esta é uma incalculável lacuna que a sua morte nos deixou. POEMAS AINTIBUROCRTICOS - Os Poemas Antiburocráticos (Burocras), na sua maioria, foram escritos entre os anos de 1968 e 1969 e constituem uma crítica ao burocratismo, compreendido sob dois aspectos: a apreensão da realidade sob o filtro das quatro paredes dos pequenos círculos e a intervenção a partir das formas e das normas ossificadas. Nas formulações e no cotidiano do PCBR e da esquerda armada, mesmo emascarado nas capas do ativismo e das ações ousadas, fui descobrindo a essência e as nuances do burocratismo, a que dei um tratamento satírico, com o natural exagero das caricaturizações. A seguir, o desfile de alguns Burocras, tal e qual foram escritos e divulgados na época, em rodas de militantes. Todos os meus textos, em poesia e em prosa, foram apreendidos quando da prisão (e do assassinato sob tortura) de Odijas Carvalho, no aparelho da praia de Maria Farinha, no Recife, onde eu estava morando e de cuja queda escapei, por me encontrar numa reunião noutro estado. O grosso da parte de poesia foi reconstituído nos meus primeiros meses na Casa de Detenção do Recife, em 1971. BUROCRA 1 O verde burocrata ou o burocrata maduro no seu casulo respira o mundo em ondas redondinhas. O verde burocrata ou o burocrata maduro no seu casulo refaz o mundo arredondando-lhe o corte com a sua implacável grave e disciplinada tesoura de decretos burocráticos. Sucedem-se as resoluções insossas num mar de consequências buroanêmicas. Ou os decretos irreais pomposos gerados em euforias de birô. A vida irregular e borbulhante então se organiza em prateleiras cumprindo a cachoeira de decretos. É quando o burocrata já cansado de tanto recortar a vida e o vivo encerra o expediente da tesoura e vai dormir ou arquivar seus sonhos. No exato momento em que a ditadura publica mais um ato institucional. BUROCRA 2 A vida é simples para o burocrata. No seu birô com a sua caneta o seu papel quorum o verbo e a hierarquia ele constrói e reconstrói o mundo como edição pilulificada de Deus nos sete dias da sua majestática criação. Algum problema? - Resolução. Deficiência? - Um curso, irmão. Com morto e vivo façam um ativo. Para o incremento mais um documento. Para organizar uma circular. Ponto diário. Mais reunião. Mais um secretário. Mais discussão. Abaixo o foquismo e o partidão! BUROCRA 3 E o principal motivo para nós sermos ateus, companheiros, é que Deus foi um burocrata: fez tudo por decreto hemorroidalmente sentado. Por isso mesmo a sua criação pressupôs o cão e o seu cabedal: o pecado a cobra e o Jardim do Mal. BUROCRA 4 Raízes Ideológicas: primeiro documento. Caules ideológicos: segundo documento. Folhas ideológicas: terceiro documento. Flores ideológicas: quarto documento. Frutos ideológicos: os foquistas tomam o poder. Ah! Que prazer! Mais um documento para escrever! BUROCRA 5 O grupo de trabalho não está trabalhando porque está elaborando um plano de trabalho. [Publicado originalmente na Revista Brasil Revolucionário] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110131/13d15820/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Militar da ativa e oficial do Arsenal de Armas do Rio Grande do Sul, capitão Fernando, como é conhecido, está preso e sentará no banco dos réus nos próximos dias diante de um Tribunal Militar que poderá afastá-lo dos quartéis. Considerado inimigo do Exército brasileiro, ele fundou há dois anos um movimento, junto com outros capitães, batizado de Capitanismo - que defende a adequação das normas da caserna à Constituição Federal. Na prática, Fernando advoga pela reformulação do Estatuto e do Código Penal Militar, ambos anteriores à Carta Magna de 1988. "Defendemos a manutenção da hierarquia e da disciplina militar, mas as coisas mudaram nas últimas quatro décadas", escreveu ele à presidente da República, Dilma Rousseff, ainda durante a campanha eleitoral. Fernando foi candidato do PT a deputado federal no Rio Grande do Sul nas últimas eleições. Durante a campanha, saiu às ruas defendendo propostas que causaram extremo desconforto no alto comando do Exército, como mais democracia nos quartéis, a descriminalização da presença de homossexuais assumidos nas tropas, assim como a implantação da Comissão da Verdade, apuração dos crimes praticados por militares durante a ditadura. O capitão não se elegeu, teve 2.158 votos, mas suas propostas têm repercutido até hoje. Também no Rio Grande do Sul, um outro oficial do Exército tem enfrentado reprimendas severas das Forças Armadas por conta de suas opiniões. Autor do livro "Exército na Segurança Pública: uma Guerra Contra o Povo Brasileiro" (editora Juruá), o capitão Mário Soares, lotado no 3º Batalhão Logístico do Exército, em Bagé (RS), também enfrentou a prisão domiciliar ao criticar as Forças Armadas. "O Exército não pode mais ser uma ilha dentro do Estado", argumenta. O livro, lançado no final de 2010, é resultado do mestrado em ciências penais que ele concluiu no ano passado e contém críticas ao uso das Forças Armadas no combate ao crime comum. "O preparo do Exército para desenvolver ações de polícia enfraquece a Defesa Nacional", afirma Soares. Para ele, os armamentos adotados pelos militares em operações na cidade "têm capacidade de perpassar e destruir várias pessoas, pois os militares têm na força de seus armamentos a condição única de sua existência". Em ambos os casos, o Exército justifica que, oficialmente, os militares foram confinados em seus respectivos quartéis não pelas opiniões, mas pelo crime de deserção, ou seja, se afastarem por mais de oito dias consecutivos da caserna. A mesma estratégia já havia sido adotada com o casal de sargentos homossexuais Leci de Araújo e Fernando Figueiredo, em 2008. Após se declararem abertamente gays, os dois foram detidos por deserção. Agora, o Ministério Público Federal investiga se houve irregularidades na detenção e se houve tortura enquanto os dois estavam presos no quartel em que eram baseados. No episódio dos militares do Rio Grande do Sul, não há acusações de agressão. Mas em ambos os casos os oficiais dizem que foram detidos de forma irregular. Soares se defende, afirmando que tinha bons motivos para não estar no quartel na data prevista de seu retorno. O militar foi passar as festas de fim de ano na Bahia, onde vive sua família, e encontrou o pai com uma doença degenerativa em estágio adiantado, a mãe em depressão profunda e procurou ajudar o irmão, deficiente físico, que mora com os dois. Diante dos problemas, Soares - que é tutor do pai - resolveu ficar um pouco mais para ajudar e, por fim, o drama familiar acabou por abatê-lo também. "Um psiquiatra diagnosticou que eu estava emocionalmente abalado", explica Soares. "Tive o cuidado de levar o atestado ao quartel na Bahia no dia 31 de dezembro, para justificar o fato de não estar presente na data marcada para o regresso." O documento não foi suficiente para justificar sua ausência, e ele ficou preso durante oito dias. Como o companheiro de farda, o capitão Fernando também está sendo acusado da prática do crime de deserção. Assim que terminaram as eleições em outubro, o Exército exigiu o retorno imediato do militar ao trabalho, antes mesmo da publicação oficial dos resultados do Tribunal Regional Eleitoral, que aconteceu em 3 de novembro. Segundo o militar, ele não recebeu a ordem: "O Exército enviou a convocatória para um endereço errado e não para o meu na vila militar onde vivo". O imbróglio não para por aí. Ao convocar seu retorno ao quartel, a ordem do Comando do Sul contraria a decisão do chefe-maior do Exército, general Enzo Martins Peri, que, em março de 2010, afastou o capitão Fernando das atividades militares por tempo indeterminado até que ele responda ao Conselho de Justificação - um tribunal que pode expulsá-lo das fileiras militares por causa de suas opiniões públicas sobre as Força Armadas. A decisão de Peri foi baseada em entrevistas que Fernando deu a órgãos de imprensa e a blogs na internet, em que defendia suas ideias. De acordo com especialistas em área militar, as Forças Armadas utilizam-se do artifício da deserção para condenar as vozes dissidentes. Quem desqualifica a tese de deserção é o procurador aposentado da Justiça Militar João Rodrigues Arruda. Uma das maiores autoridades brasileiras sobre direito militar, Arruda explica que o crime não tem mais lugar entre os oficiais, já que eles não precisam desertar para sair do Exército. "A qualquer momento, eles podem pedir demissão. Então, para que praticar um crime?", questiona Arruda. Procurado para explicar os motivos das prisões dos dois oficiais baseados no Rio Grande do Sul, o Exército não quis se pronunciar. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110131/db0da58f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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