From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 1 19:15:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 1 Feb 2011 19:15:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_WALQU=CDRIA_AFONSO_COSTA______________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-XXV-?= Message-ID: <9F5684B555224DEE9C3605467402AB22@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem WALQUÍRIA AFONSO COSTA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Uberaba, Triângulo Mineiro, no dia 2 de agosto de 1947, filha de Edwin Costa e de Odete Afonso Costa. Desaparecida desde 1974 na Guerrilha do Araguaia quando tinha 27 anos. Seu pai era funcionário do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, hoje Banco Nacional, em Pirapora. Depoimento de sua irmã: "Walquíria fez o curso primário na Escola Normal de Patos de Minas/MG, e as duas primeiras séries do curso ginasial, no Ginásio Rio Branco, em Bom Jesus de Itapapoama, Rio de Janeiro. Com a transferência de sua família para Pirapora, terminou o ginasial no Colégio Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, estabelecimento dirigido por freiras religiosas. No período de 1963 a 1965, estudou no Colégio São João Batista, em Pirapora, onde terminou o Curso Normal de formação de professoras, e lecionou em alguns grupos escolares da cidade. Wal - como era chamada - prestou concurso público para o Estado em 1966 e, nomeada na primeira chamada, transferiu-se para Belo Horizonte, onde passou a lecionar. Aluna exemplar, ocupando sempre os primeiros lugares nas escolas por onde passou, Walquíria prestou o vestibular para o Curso de Pedagogia, na Universidade Federal de Minas Gerais, classificando-se em segundo lugar. Freqüentou apenas os três primeiros anos do Curso, quando passou a tomar consciência dos problemas políticos e sociais do País e, em particular, da própria Universidade. Nessa época, Walquíria gostava muito de cantar e tocar violão. Participou junto com outros colegas da fundação do Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação, em 1968. Lutavam pela defesa de interesses estudantis e buscavam o caminho para soluções de questões mais concretas como: cortes de verbas, acordo MEC-USAID, fechamento de restaurantes universitários, Decreto- Lei 477 etc. As perseguições políticas começaram a se intensificar. O cerco do prédio da Faculdade de Educação, demonstrou um claro desrespeito aos alunos e professores que estavam em seu interior. Intimações para depoimentos no DOPS, muitas prisões, já sob tortura, eram os sinais nítidos do agravamento da situação política. Nesse período, Walquíria era Vice-Presidente do Diretório Acadêmico. Walquíria, até então, não havia sido indiciada em nenhum inquérito, pelo DOPS ou por qualquer outro órgão de segurança. Já prevendo dificuldades futuras e maiores riscos de atuação, decidiu em 1971 partir para outra frente de trabalho político: a luta junto aos camponeses pobres da região do Araguaia. É importante destacar que nessa mesma época foi procurada por agentes da repressão (DOPS/MG) e teve sua casa invadida sob a alegação de envolvimento em reuniões estudantis. Walquíria, Walk ou Wal, e seu marido, Idalísio Soares Aranha Filho, ambos filiados ao PC do B, foram viver na região do Gameleira, Sul do Pará. Fez parte do Destacamento B, comandado por Osvaldo Orlando da Costa, na localidade de Gameleira. Em julho de 1973, Walquíria foi julgada, à revelia, pela Auditoria da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, mas foi absolvida por absoluta falta de provas da sua atuação política. Walquíria Afonso Costa foi dada como desaparecida na região do Araguaia, em 25 de dezembro de 1973, onde provavelmente foi aprisionada e morta sob torturas. 'Os mortos inimigos serão sepultados na selva, após identíficação': esta recomendação está escrita em farto material das Forças Armadas sobre a segunda fase da Guerrilha do Araguaia em 1972, denominada 'Operação Papagaio'. Mas até hoje seus restos mortais não foram entregues à família. Walquíria Afonso Costa - de muitas lembranças e tantas saudades, alta, clara, cabelos castanhos e lisos, rosto ovalado, inteligente e leal é nome da antiga rua 10, no bairro Nova Pirapora, em Pirapora, Minas Gerais, num projeto de lei do Vereador José Carlos Costa." No Relatório do Ministério da Marinha consta que "foi morta em 25/out/74". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110201/000eaee7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4382 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110201/000eaee7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 1 19:15:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 1 Feb 2011 19:15:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__=22Egito=3A_Os_militantes_espe?= =?windows-1252?q?ram_nas_coxias=22_=28Syed_Saleem_Shahzad=2C_Asia_?= =?windows-1252?q?Times_Online=2C_1/2/2011_=5Btraduzido=5D=29_/e__?= =?windows-1252?q?=22_O_trabalho_n=E3o_terminado_da_Al-Qaeda=22?= Message-ID: <4C1C9A4F441B457B8C42C978FACDFF3D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Castor Filho Os militantes esperam nas coxias Syed Saleem Shahzad 1/2/2011, Syed Saleem Shahzad, Asia Times Online Militants wait in the wings Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu Syed Saleem Shahzad é editor-chefe da sucursal de Asia Times Online no Paquistão ISLAMABAD. Não há força de oposição no Egito, ainda que se considere a Fraternidade Muçulmana, suficientemente organizada, nesse ponto, para assumir o poder no caso de as manifestações públicas em marcha nas principais cidades do Egito levar ao fim do governo de Hosni Mubarak e à queda do presidente. Até agora, os protestos não apresentaram demandas estruturadas, além de clamarem pela queda de Mubarak, 83, há 30 anos no poder. Um dos coringas do drama que se desenrola no Egito ? onde um milhão de manifestantes tomam as ruas do Cairo hoje ? são os cerca de 15 mil ex-militantes que foram libertados pelas cortes nos últimos dez anos, mas permanecem nas listas de observação dos serviços de segurança e agências de inteligência egípcios. ?Mártires são necessários para eventos, e eventos são necessários para revoluções. E sem revoluções não há avanço? disse hoje o destacado analista político paquistanês Farrukh Saleem no The News International. ?Há revolução quando o descontentamento público leva ao rompimento da ordem estabelecida. As revoluções são espontâneas, com raízes em áreas política e economicamente desassistidas. As revoluções começam fora dos centros de poder, em áreas nas quais o mando do Estado seja fraco; depois, as revoluções movem-se na direção do centro do poder.? Os milhares de militantes foram cercados e caçados entre o final dos anos 1990s e o início de 2001 por Omar Suleiman, ex-chefe da inteligência, que essa semana foi nomeado vice-presidente. Se o aparelho de segurança do governo Mubarak entrar em colapso, aqueles militantes bem podem ter o que dizer sobre a direção para a qual o país deve andar. A maioria dos militantes pertencem ao grupo al-Gamaa al-Islamiyya e a inúmeras organizações clandestinas que brotaram durante e depois da Jihad afegã contra a União Soviética. Promoveram muita agitação no Egito ao longo dos anos 1980s e 1990s, quando sequestros e ataques a turistas e contra as forças de segurança eram rotina. A maioria dos grupos foi brutalmente dizimada pelos serviços de segurança; centenas de militantes foram executados, milhares metidos em prisões e vários milhares foram libertados depois de cenas de arrependimento e confissões públicas, obrigados, mesmo assim a apresentar-se regularmente às autoridades policiais para controle. Esses militantes, com possivelmente centenas de outros que escaparam das prisões nos últimos dias, estão agora misturados à multidão pelas praças, com as forças de segurança obrigadas a enfrentar o que muito provavelmente é o maior desafio que jamais enfrentaram no Egito. Durante o fim de semana, pela primeira vez desde o início das manifestações, semana passada, apareceu um primeiro sinal de atividade dos militantes islâmicos nas ruas, quando pelo menos quatro prisões foram atacadas e centenas de militantes islâmicos presos foram libertados. É amostra clara da vulnerabilidade de um aparato de segurança conhecido pela brutalidade. O exemplo do Paquistão No início dos anos 2000s no Paquistão, o regime o ex-presidente general Pervez Musharraf atacou duramente organizações militantes como Sepah-e-Sahabah, Harkatul Mujahideen, Laskhar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammad. E tomaram-se medidas estritas para evitar que os membros desses grupos se unissem a grupos ligados à al-Qaeda. Apesar disso, o início de atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais do país mobilizou imediatamente aqueles militantes, e não houve mecanismos das estratégias de contraterrorismo que os detivesse e, sim, eles logo apareceram aliados à al-Qaeda para lutar contra oestablishment. No Iêmen, o quadro é semelhante. As operações anti-al-Qaeda no início dos anos 2000s praticamente eliminaram a al-Qaeda no país. Mas imediatamente depois que alguns líderes militantes iemenitas escaparam da cadeia, começou a haver atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais ? e essa ação despertou muitas células de militantes adormecidas em todo o Iêmen. O Egito tem longa história de militância política de resistência, por mais que tenha permanecido adormecida há muitos anos. Emergiram facções militantes imediatamente depois do assassinato de Hasan al-Banna, fundador da Fraternidade Muçulmana, em 1948. O golpe militar e a consequente chegada ao poder do general Gamal Abdel Nasser em 1956, auxiliado por militares ligados à Fraternidade Muçulmana, reunificou a Fraternidade por algum tempo, a qual então se havia dividido em pelo menos três facções. Depois, as diferenças que começaram a brotar entre Nasser e a Fraternidade levaram a longo período de repressão, que durou até meados dos anos 1960s, quando a Fraternidade desistiu oficialmente da militância armada e abraçou as vias democráticas. No início dos anos 1970s, a Fraternidade Muçulmana e grupos de militância islâmica pareciam relíquias de museu, mas voltaram à vida no final dos anos 1970s e, no início dos anos 1980s já estavam capacitados para, sob o comando de Ayman al-Zawahiri, planejar um golpe de Estado. O golpe falhou por vários motivos, mas os militantes conseguiram assassinar o presidente Anwar Sadat em 1981. Estudo atento da história da militância islâmica no Egito mostra que, embora tenha sido esmagada várias vezes, ela sempre renasce, mesmo que depois de muito tempo. Depois do assassinato de al-Banna, os movimentos militantes surgiram como reação ao crime. Do final dos anos 1950s até os 1960s, a militância assumiu traços de fundamentalismo extremamente ideológico e declarou que o Egito seria sociedade de hereges. Foi o início de uma rebelião, mas foi controlada até meados de 1970s, quando o reatamento de relações diplomáticas entre Egito e Israel deu novo alento aos militantes, ação que culminou com o assassinato de Sadat. A Jihad afegã nos anos 1980s deu nova dimensão à militância islâmica, que trabalhou por uma revolução islâmica no Egito. Mas no início dos anos 2000s, as autoridades outra vez retomaram o controle. Agora, aí estão os protestos de massa gigantes no Egito, e a militância pode renascer ? dessa vez, com outra dimensão: nos palcos de guerra do Afeganistão e do Iraque, as guerrilhas são lideradas pelo campo egípcio controlado pela al-Qaeda, e o levante nas ruas do mundo árabe pode garantir popularidade sem precedentes ao radicalismo. (Ver ?Al-Qaeda's unfinished work? [O trabalho não concluído da Al-Qaeda], 1/2/2011, Asia Times Online, em tradução). http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/02/os-militantes-esperam-nas-coxias.html ============================================================================================================= ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Vila Vudu O trabalho não terminado da Al-Qaeda 1/2/2011, Syed Saleem Shahzad, Asia Times Online http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/GA05Ak03.html KARACHI. Antes do 11/9, a al-Qaeda era vista, nos círculos de inteligência, como grupo de mercenários, ou máfia, sem a organização sofisticada necessária para organizar grandes ataques como os que atingiram os EUA. Hoje, apesar do que já se sabe sobre as capacidades da al-Qaeda, ainda paira denso mistério sobre sua verdadeira natureza e intenções. Investigações intensivas em que esse jornal trabalhou durante vários meses, com discussões que incluíram oficiais da inteligência e fontes direta e indiretamente ligadas à al-Qaeda, mostram que nem Iraque, nem Afeganistão, nem Paquistão, nem qualquer outro país do mundo, só os EUA, cultivam tal obsessão monomaníaca em relação à al-Qaeda. O que só se explica se se conhecem os grandes planos da al-Qaeda. Entra em cena Osama bin Laden Com quase 1,90m de altura, rico e tratado como membro da família real, Osama bin Laden passou a ser considerado ?jovem rebelde? na Arábia Saudita onde nasceu, quando se manifestou contra o rei e o reino, por terem permitido que exércitos ocidentais usassem o território saudita depois da 1ª Guerra do Golfo. Sua família ? de alto prestígio e influente no mundo dos negócios ? recebeu instruções para convencê-lo a comparecer pessoalmente ante o rei Fahd e suplicar o perdão real. Importantes membros da família real, entre os quais os príncipes Turki e Abdullah, esforçaram-se muito para remendar a situação, sem sucesso. Foi o começo das muitas interpretações erradas sobre bin Laden e seu grupo. Começou a aparecer como dissidente saudita nos relatórios da inteligência dos EUA, que combatera bravamente no Afeganistão contra os soviéticos nos 1980s e se convertera depois em problema político para a Arábia Saudita. Os ataques da al-Qaeda contra embaixadas dos EUA na África em 1998 acionaram as percepções dos EUA, que rapidamente concluíram que surgira uma nova aliança do terror no mundo, de olhos postos nos interesses dos EUA. O 11/9 confirmou aquelas piores suspeitas, de forma absolutamente contundente. Mesmo assim, os políticos nos EUA sabiam praticamente nada sobre as ideias da al-Qaeda, apesar dos milhões de dólares e incontáveis horas de trabalho consumidos e das muitas redes de contraterrorismo que se construíram no mundo. A evolução da Al-Qaeda As sementes do que viria a ser o pensamento da al-Qaeda foram plantadas durante a Jihad de uma década contra a ocupação soviética do Afeganistão nos anos 1980s. Os árabes que jorravam no país para unir forças à resistência afegã dividiam-se em dois grandes grupos ? ou se uniam aos iemenitas ou se uniam aos egípcios. Os zelotes religiosos, que partiram para o Afeganistão inspirados pelos clérigos locais juntaram-se aos iemenitas. Treinamento duro, exercícios militares exaustivos, diários, mesmo em tempo de combate, cozinhar a própria comida, dormir imediatamente depois da isha (as últimas orações do dia). Quando a Jihad afegã se aproximava do fim, nos últimos anos da década dos 1980s, esses jihadistas voltaram aos países de origem. Os que não quiseram voltar para as famílias misturaram-se à população afegã ou viajaram para o Paquistão, onde muitos deles casaram e constituíram família. Nos círculos da al-Qaeda eram chamados dravesh ? ?despreocupados?. No campo dos egípcios reuniram-se os mais extremamente motivados politicamente e ideologicamente. Embora muitos deles pertencessem à Fraternidade Muçulmana, estavam descontentes com a organização, que insistia na vida eleitoral e nos processos democráticos para mudar a sociedade. A Jihad afegã serviu como poderoso caldo de cultura e substância de coesão para homens desse tipo, muitos dos quais com formação acadêmica, médicos, engenheiros etc. Muitos, também, eram ex-homens do exército egípcio, associados ao movimento egípcio clandestino Jamaatul Jihad, do Dr. Ayman al-Zawahiri (hoje representante de bin Laden) . Esse grupo foi responsável pelo assassinato do presidente Anwar Sadat em 1981, depois de Sadat ter assinado um acordo de paz com Israel em Camp David. Num ponto, contudo, todos concordavam: a causa da desgraça dos árabes eram os EUA e seus governos-aliados, governos-fantoches no Oriente Médio. Esse campo egípcio era comandado por bin Laden e Zawahiri. À noite, depois da isha, dedicavam-se a longas discussões de problemas contemporâneos no mundo árabe. Lição que os líderes nunca pararam de repetir e que muitos levaram de volta para casa, foi que todos deveriam investir recursos nos exércitos nacionais de seus países, e cultivar ideologicamente os mais inteligentes. Em meados dos anos 1990s, quando o presidente do Afeganistão professor Burhanuddin Rabbani e seu poderoso ministro da Defesa Ahmed Shah Masoud, autorizaram bin Laden a mudar-se do Sudão para o Afeganistão, o campo egípcio deslocou muitos membros de sua comunidade estratégica em todo o mundo para o Afeganistão, para estruturar e dirigir maaskars (campos de treinamento) locais onde se ensinariam estratégias para a luta futura. Quando os Talibã emergiram como força no Afeganistão, em meados dos anos 1990s, o campo egípcio já tinha delineadas suas estratégias, as principais das quais são: ? Criticar governos muçulmanos corruptos e despóticos e defini-los como alvos, o que destruirá a imagem deles aos olhos do homem comum ? ponto de intersecção entre o Estado, os governantes e a nação. E ? Focar-se no papel dos EUA (que apoiam Israel e todos os tiranos em países do Oriente Médio) e esclarecer essas evidências, o mais possível, para todos. Os ataques de 1998 às embaixadas dos EUA em Dar es Salaam, Tanzania, e Nairobi, Kenya, foram o começo ? como agora se sabe ? da ofensiva da al-Qaeda contra os interesses dos EUA. Como retaliação, os EUA lançaram mísseis cruzadores sobre Kandahar e Khost no Afeganistão. Imediatamente, a al-Qaeda constituiu uma força tarefa especial para planejar os ataques do 11/9. O plano exigiu três anos, mas as discussões continuaram depois do 11/9, entre membros do campo egípcio ? que então já eram membros comandantes da al-Qaeda ? sobre planos mais amplos, para por de joelhos a única superpotência mundial. Antes do dia 7/10/2001, quando os EUA invadiram o Afeganistão em retaliação contra os ataques de 11/9, praticamente todos os cérebros da al-Qaeda já haviam deixado o país. Suas missões envolviam vários alvos: ? Educar ideologicamente ?caras novas? das comunidades estratégicas, como nas forças armadas e nos círculos de inteligência. ? Arregimentar novos recrutas e criar novas células. ? Cada nova célula teria a tarefa de levantar seus próprios recursos e esboçar um plano. Mas só uma delas implementaria o plano. As demais serviriam como cortina de fumaça para ?confundir? as agências de segurança. Regimes muçulmanos, como alvos Depois do 11/9, os governos muçulmanos passaram a trabalhar mais ativamente contra a al-Qaeda, e só no Paquistão foram presos mais de 400 militantes. O mesmo aconteceu no Egito, na Síria, na Jordânia, no Iêmen, em Tunis e na Arábia Saudita. Mas nem assim a al-Qaeda lançou qualquer discurso contra governos muçulmanos, até que houve sinais claros de que os EUA atacariam o Iraque. A colaboração entre governos muçulmanos e os EUA, contra o Iraque, foi considerado momento perfeito para incendiar o ressentimento das massas contra seus respectivos governos que se ligassem em aliança estratégica com os EUA contra países muçulmanos. Pouco depois de os EUA invadirem o Afeganistão, bin Laden distribuiu a primeira gravação na qual fala contra o governo saudita. ?Vocês são fantoches dos EUA e seus pais foram fantoches da Grã-Bretanha. Vocês ajudam os EUA a atacar um país muçulmano e seus pais se rebelaram contra o califato para facilitar a expansão do império britânico no Oriente Médio?. Nos poucos meses seguintes, Zawahiri falou pela primeira vez contra o presidente general Pervez Musharraf no Paquistão e disse ao povo que derrubasse do poder ?o mais íntimo aliado muçulmano dos EUA, em todo o mundo?. Imediatamente depois, grupos pró-al-Qaeda foram estimulados promover ataques na Arábia Saudita e no Paquistão. Nunca houve razão para a al-Qaeda envolver-se no Iraque. A estratégia na qual trabalharam por mais de uma década jamais sugeriu que enfrentariam o inimigo em campo de batalha. Seu único objetivo é manter ocupado o inimigo, enquanto organizam a resposta muçulmana, de tal modo que, quando outra vez atacarem os EUA, não estarão isolados, não será ataque isolado, e mudarão a história do mundo em maior escala do que no 11/9: o projeto da al-Qaeda é desaparecer nas sombras e deixar que as massas muçulmanas iradas decidam o curso do mundo -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110201/11a8357a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 2 18:28:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 2 Feb 2011 18:28:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_SANTO_DIAS_DA_SILVA___________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-XXVI-?= Message-ID: <51A6AE1EF69D4CC89FB553D3F351F2DE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem SANTO DIAS DA SILVA Nasceu em 22 de fevereiro de 1942, em São Paulo, filho de Jesus Dias da Silva e Laura Amâncio. Operário metalúrgico, era motorista de empilhadeira da Metal Leve S/A. Antes havia sido lavrador, colono, diarista e bóia-fria. Em 1961, foi expulso, com a família, das terras onde era colono, por exigir registro de carteira profissional, como era lei. Trabalhador em fábrica, foi demitido por participar de campanhas coletivas por aumento de salário e adicional de horas extras. Líder operário bastante reconhecido no meio dos trabalhadores,era casado e pai de dois filhos. Após sua covarde morte, como homenagem de sua luta e seu exemplo, foi criado o Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo. Santo era membro da pastoral operária de São Paulo, representante leigo ante a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, membro do Movimento Contra a Carestia, candidato a Vice-presidente da chapa 3, da Oposição no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e integrante do Comitê Brasileiro pela Anistia - CBA/SP. Assassinado friamente pela PM paulista quando comandava um piquete de greve no dia 30 de outubro de 1979, em frente à fabrica Silvânia, em Santo Amaro, bairro da região sul. Relato da morte de Santo Dias, publicado no Boletim do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, encontrado no Arquivo do DOPS/SP: " Os policiais estavam puxando o Espanhol por um lado. Do outro, Santo segurava o companheiro. Começou então a violência, com tiros para cima e, depois, eu vi o Santo ser atingido na barriga, de lado, e o tiro sair de outro lado. Escutei três gritos: ai, ai, ai. E o Santo caiu no chão. O metalúrgico Luís Carlos Ferreira relatou assim a morte de Santo Dias da Silva, no depoimento que prestou à Comissão de Justiça e Paz, que também ouviu mais duas outras testemunhas sobre a morte do companheiro. Segundo Luís Carlos afirmou à Comissão, ele estava a uns seis metros de distância de Santo Dias, no momento em que ele foi baleado. Os policiais continuaram a perseguir outros - prossegue Luís Carlos no seu depoimento. 'Eu fiquei atrás de um poste e posso, com toda segurança, reconhecer o policial que atirou no Santo: tem cerca de um metro e oitenta, alto, forte e aloirado. E pude ver, depois, na delegacia que ele tem uma falha na arcada dentária. Vi ele bem, quando eu estava sendo levado preso no Tático Móvel 209. Luís Carlos lembra que havia cerca de 50 operários no piquete, que nunca usou de violência, pois só fazíamos o trabalho de conscientização. Ele também desmente a versão de que os trabalhadores teriam iniciado o conflito, afirmando que quando chegamos na porta da Sylvânia, tinha uns quatro ou cinco policiais guardando o local. Não houve nenhum atrito com eles e nenhum de nós estava armado. Luís Carlos Ferreira reconheceu o soldado Herculano Leonel como o autor do disparo que matou o operário. Correndo, assustados e ao mesmo tempo com raiva do ocorrido, os companheiros entraram na sede com a notícia parada na garganta: 'Mataram o Santo'. Num primeiro momento, a dúvida e, após a confirmação, a dor. A repressão diante da Sylvânia, local para o qual Santo se dirigira com a finalidade de acalmar os ânimos, dissolveu a tiros o piquete; fez um ferido (João Pereira dos Santos) e um morto, Santo Dias da Silva. A triste notícia correu de boca em boca. As autoridades procuravam esvaziar e eximir-se da culpa. Imediatamente começou a mobilização dos trabalhadores para protestar contra o assassinato. A polícia não queria nem mesmo liberar o corpo. Depois da interferência de outros sindicalistas e parlamentares, o corpo de Santo chegou à Igreja da Consolação onde foi velado pelo povo de São Paulo. A tristeza se misturava com a incredulidade e a raiva contra os assassinos. Milhares de pessoas desfilaram diante do caixão aberto de Santo, prestando sua homenagem ao novo mártir da luta operária, que estampava no seu rosto um leve sorriso de tranquilidade. Já na madrugada, o povo continuava a rezar por Santo e a se preparar para a grande marcha até a Sé, local fixado para a cerimônia de encomendação do corpo. Às 8:00h da manhã a movimentação diante da Consolação era grande: metalúrgicos, estudantes, todos querendo levar Santo. Saindo da Consolação às 14:10h, o cortejo com faixas e palavras de ordem contava com mais de 10 mil pessoas. Dos prédios caiam papeis picados, um sinal silencioso de solideariedade. Novos manifestantes se acresciam ao cortejo e as palavras de ordem se sucediam: 'A Luta Continua', 'A polícia dos patrões matou um operário', 'Você está presente, companheiro Santo'..." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110202/8e6418e3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2611 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110202/8e6418e3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 2 18:28:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 2 Feb 2011 18:28:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_RIBEIR=C3O_EM_CENA_ESTR=C9IA_NO?= =?windows-1252?q?VO_ESPET=C1CULO_NO_FESTIVAL_INTERNACIONAL_DE_CURI?= =?windows-1252?q?TIBA=2E_Grupo_encenar=E1_texto_in=E9dito_de_Iza?= =?windows-1252?q?=EDas_Almada=3A__=22PAI=22_=2E_entre_29_de_mar=E7?= =?windows-1252?q?o_e_10_de_abril?= Message-ID: <6DB606B4786D485D901E1922C9292BE7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Antonio Gilson Brigaghao RIBEIRÃO EM CENA ESTRÉIA NOVO ESPETÁCULO NO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURITIBA Grupo encenará texto inédito de Izaías Almada Pelo terceiro ano consecutivo a Cia. Ribeirão Em Cena foi qualificada para participar do Festival Internacional de Curitiba que em sua vigésima edição será realizado na capital paranaense entre 29 de março e 10 de abril. Considerado o mais importante evento teatral da América Latina, o Festival de Curitiba consolidou-se como uma imensa vitrine para artistas e companhias de teatro do Brasil e do exterior. Um espaço para todas as artes que mantém o pé firme no teatro, mas reúne dança, circo, improviso, teatro físico e até gastronomia. Promovendo o encontro de uma enorme diversidade artística e humana na cidade, abrange propostas tradicionais e também aquelas que propõem desafios ao público traçando novos caminhos para a arte. ?Pai?, espetáculo que representa Ribeirão Preto no evento, tem a direção do encenador Gilson Filho e texto de Izaías Almada. O elenco reúne Neuza Maria, atriz com trinta anos de carreira e Mariana Casula da nova geração de atrizes formadas nas oficinas da Ribeirão Em Cena. Conta ainda com a participação especial do ator Julio Avanci e Gracyela Gitirana. O enredo é sobre a história de uma família que descobre o corpo do pai, desaparecido político na época da ditadura militar brasileira. A ação se passa em São Paulo, 1991, ano que se descobriram centenas de ossadas numa parte clandestina do Cemitério de Perus, muitas delas de prisioneiros da ditadura. A história, contudo, se faz no dia-a-dia. Um simples telefonema desperta emoções e lembranças, causando uma transformação na relação de mãe e filha, revelando sentimentos reprimidos de uma para com a outra. Por se tratar de um tema intimamente ligado à nossa história mais recente, e ao mesmo tempo expor as conseqüências dos fatos históricos na vida privada dos cidadãos, a peça traz à tona a discussão sobre o relacionamento familiar e a consciência social. Trata também das conseqüências do autoritarismo e da arbitrariedade de um governo sobre os destinos de um povo. Izaías Almada, o autor, é mineiro de Belo Horizonte. Veio para São Paulo em 1965, onde, depois de cursar a Escola de Arte Dramática, tornou-se assistente de encenação de Augusto Boal, no musical Opinião. Nessa época dirigiu algumas peças e participou como ator do espetáculo Arena Conta Zumbi, além de trabalhar como jornalista na Folha de São Paulo. Foi preso em 1969, como militante da Vanguarda Popular Revolucionária. Em 1995, recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de jornalismo com a peça para teatro ?Uma Questão de Imagem? e escreveu os romances ?A metade arrancada de mim? e ?Clarão da América?. Em Curitiba, ?Pai? cumprirá temporada de quatro apresentações no Teatro Solar do Barão entre os dias seis e nove de abril. O elenco viaja com o patrocínio de Bebidas Ipiranga, Independance Veículos-Citroem , UsinaMoreno, Pálpebras Brasil e apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Ribeirão Preto. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110202/a0afd188/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 3 18:57:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 3 Feb 2011 18:57:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_ZULEIKA_ANGEL_JONES___________________?= =?iso-8859-1?q?__________________________________-XXVII-?= Message-ID: <8900DAF1AF424C689D637D45FBA3BB9D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ZULEIKA ANGEL JONES Nasceu em Curvelo, MG, em 5 de junho de 1923, filha de Pedro Netto e Francisca Gomes Netto. Mais tarde sua família se mudou para Belo Horizonte, onde fez o curso primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o ginasial no Colégio Sagrado Coração de Jesus. Ousada, criativa, inovadora, anti-militarista, talentosa, corajosa, envolvente, charmosa e alegre. É essa a definição da personalidade da estilista Zuzu Angel. Começou sua carreira como costureira e, mais tarde, tornou-se "designer",transformando panos de colchão, fitas de gorgurão, rendas do norte, pedras preciosas, estampados de pássaros e papagaios, babados e zuartes em saias, chales e vestidos maravilhosos, criando uma moda brasileira capaz de encantar o mundo O anjo era a logomarca de sua confecção. Seu princípio era a liberdade. Criava uma moda autêntica - a partir de suas raízes e origens de sua vida e emoções. A natureza brasileira estava presente em suas roupas, através das flores, pássaros e borboletas. Morta aos 49 anos de idade, em 14 de abril de 1976, às 3:00 horas, na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (RJ). Figurinista conhecida internacionalmente como Zuzu Angel, era mãe do militante Stuart Angel Jones, desaparecido político, preso em 14 de maio de 1971 pelos agentes do CISA, onde foi torturado e assassinado. O preso político Alex Polari de Alverga, escreveu da prisão - logo após a morte de Stuart- carta a Zuzu Angel, onde narrava as torturas sofridas por seu filho. Alex presenciou Stuart ser arrastado por um jipe pelo pátio interno da Base Aérea do Galeão, com a boca no cano de descarga do veículo. Também ouviu os gritos de Stuart - numa cela ao lado - pedindo água e dizendo que ia morrer e, pouco depois, seu corpo foi retirado da cela. Este depoimento de Alex consta do vídeo "Sônia Morta e Viva", produzido e dirigido por Sérgio Waisman, em 1985. Zuzu Angel incansavelmente denunciou as torturas, morte e ocultação do cadáver de Stuart, tanto no Brasil como no exterior. Em vários de seus desfiles no exterior denunciou a morte do filho para a imprensa estrangeira e a deputados norte-americanos, entregando em mãos uma carta a Henry Kissinger, na época Secretário de Estado do Governo norteamericano, visto que seu filho também tinha a cidadania americana.Sua atitude e a abrangência das denuncias, apesar da férrea censura, desnudavam o que a ditadura tentava esconder, os desaparecidos. Zuzu passou, então a fazer - como ela mesma classificaria - "a primeira coleção de moda política da história", usando estampas com silhuetas bélicas, pássaros engaiolados e balas de canhão disparadas contra anjos. O anjo tornou-se o símbolo de Tuti, o filho desaparecido - caracterizando suas coleções de moda: anjos amordaçados, meninos aprisionados, sol atrás das grades, jeeps e quépis. Durante cinco anos, buscou reaver o corpo de Stuart, cuja morte e prisão jamais foram admitidos pelos órgãos de segurança. O atrevimento, a criatividade, a audácia e até mesmo o bom humor foram as armas que ela usou contra a ditadura. Soube tirar proveito de sua fama, para envolver, a favor da sua causa, inúmeros clientes e amigos importantes: Joan Crawford, Kim Novak, Veruska, Liza Minelli, Jean Shrimpton, Margot Fontein, Henry Kissinger, Ted Kennedy, entre outros. Dizia sempre: "Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade". O acidente de automóvel em que veio a morrer foi bastante estranho, não ficando claro até hoje as circunstâncias dessa tragédia. Há testemunhas que afirmam que havia um jipe do Exército, logo após o acidente, na saída do túnel Dois Irmãos. Ela própria denunciou seu fim: "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho". Seu óbito, de n° 384, foi firmado pelo Dr. Higino de Carvalho Hércules, que confirma a versão policial de morte em acidente. Uma semana antes do acidente que a vitimou fatalmente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque, um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse. Sua postura diante da vida, sua força e sua garra, inspiraram Chico Buarque que compôs a música "Angélica", onde ele pergunta, quem é essa mulher? Zuzu Angel foi sepultada pela família, em 15 de abril de 1976, no Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110203/2bbd4b16/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 58120 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110203/2bbd4b16/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 3 18:57:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 3 Feb 2011 18:57:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Rede_McDonald=27s_=E9_multada_pe?= =?iso-8859-1?q?lo_Minist=E9rio_P=FAblico_do_Trabalho_=28MPT=29_por?= =?iso-8859-1?q?_explora=E7=E3o_do_trabalho_infantil_e_descumprimen?= =?iso-8859-1?q?to_de_leis_trabalhistas?= Message-ID: <4CD58FEAD2FC413AA85DBB3BF55E49C8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Rede McDonald's é multada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por exploração do trabalho infantil e descumprimento de leis trabalhistas Por Altamiro Borges Por descumprir acordos trabalhistas, a poderosa rede de fast food McDonald's será obrigada a destinar R$ 11,7 milhões, nos próximos nove anos, à promoção de campanhas publicitárias contra o trabalho infantil. A punição foi aplicada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e passou a valer a partir de janeiro. A multinacional estadunidense ainda deverá doar outros R$ 1,5 milhão à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para a aquisição de equipamentos de reabilitação física. A decisão representa um duro golpe na imagem do McDonald's. Entre as irregularidades, o MPT listou a ausência da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e da emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), alimentação inadequada e a falta de vestiários. Em algumas franquias, o expediente ultrapassava o limite legal de duas horas extras diárias e os funcionários não tinham descanso semanal previsto em lei. O McDonald's também é acusado de dificultar a sindicalização dos trabalhadores. Abusos na multinacional são antigos As primeiras denúncias por descumprimento de acordos coletivos foram feitas pelo Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Hospedagem, Gastronomia, Alimentação de São Paulo), em 1995. A batalha jurídica foi prolongada e dura, mas agora deu seus frutos. "Foi uma vitória. As empresas têm de cumprir as leis trabalhistas e, se não estiverem dispostas a respeitar os direitos dos trabalhadores, devem ser punidas", disse o presidente da entidade, Francisco Calasans. Numa reportagem de dezembro passado, a própria revista Época lembrou que os abusos trabalhistas na rede são antigos. "Em 2008, o MPT e o McDonald's firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), estabelecendo prazos para a adequação das condições de trabalho dos empregados da rede. Recentemente, ao constatar que os itens do TAC não estavam sendo cumpridos, o MPT ameaçou aplicar multa milionária à rede. O acordo da campanha publicitária e da doação à USP serviu para evitar a multa. Ele não desobriga o McDonald's a encontrar soluções para os problemas trabalhistas listados na Ação Civil Pública original". Postado por Miro às 11:07 http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 McDonald's é multado em R$ 13,2 milhões -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110203/d374483f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 3 18:57:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 3 Feb 2011 18:57:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] BATTISTI: EDITORIAL BRASIL DE FATO DESTA SEMANA Message-ID: <491022D819B347E4A806A14138421BA4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alipio Freire EDITORIAL Senhores Giorgio Napolitano e Silvio Berlusconi, Brasília não é Addis Abeba Brasil de Fato 414 03 de fevereiro de 2011 Finda a guerra fria, ?o perigo comunista? já não mais funcionava como instrumento de submissão dos povos aos EUA. Logo, porém, fabricou-se um novo flagelo, o ?terrorismo internacional?, cujo lançamento envolveu grande pirotecnia: no dia 11 de setembro de 2001, o Mundo amanheceu sob o impacto da derrubada das Torres Gêmeas, o que permitiu, já no mês seguinte, a invasão do Afeganistão; do Iraque, em 2003; as atuais ameaças ao Irã e uma série infindável de desmandos dos EUA mundo afora. Toda a diplomacia desenvolvida pela chefa do Departamento de Estado Condoleezza Rice, e hoje levada adiante pela senhora Hillary Clinton, tem como alicerce e jogo de cena ?o combate ao terrorismo?. São considerados terroristas todos os que se oponham às regras do grande capital. Em nosso país, os desdobramentos mais visíveis dessa política são: a criminalização e massacre dos movimentos sociais e dos pobres em geral, e a ofensiva contra aqueles que resistiram ao golpe de 1964 e ao regime por ele implantado, antes que os liberais ? na segunda metade dos anos 1970 ? resolvessem desmontar a ditadura que eles próprios haviam construído. Sim, somos todos ?terroristas?. Sobre Cesare Battisti Em termos legais, as acusações contra Battisti e o pedido de sua extradição, já tiveram sua improcedência suficientemente comprovada. Battisti não cometeu os atos pelos quais Roma tenta condena-lo e execra-lo enquanto exemplo para todo o povo italiano e o mundo. Está mais que certo, também, que nos anos 1960-1970 a Itália não era sequer uma democracia conforme entende e diz propor oficialmente o establishment capitalista ? exceto se quisermos criar ad hoc o estatuto das ?democracias excepcionais?, ou das ?democracias emergenciais?. No entanto, Battisti não é um inocente. É fundamental ficar claro: Battisti era sujeito de um projeto político que ? com erros e/ou acertos ? se batia contra as injustiças sociais, e no qual a igualdade entre os homens não se subordinava à liberdade. Toda sociedade em que a liberdade se construa às custas da negação da igualdade, será sempre uma sociedade onde a exploração e opressão dos mais fracos pelos mais fortes serão os alicerces da sua legalidade. Ou seja, do nosso ponto de vista, mais que ilegal, é ilegítima a entrega de Battisti à Itália dos senhores Giorgio Napolitano e Silvio Berlusconi que, hoje, incapazes de invadir Addis Abeba, como o fizeram seus ancestrais políticos em 1935, tentam sitiar Brasília. As condenações de Cesare Battisti, Alfred Dreyfus (1894), Mata Hari (1917), Ethel e Julius Rosenberg (1951) pertencem todas a uma mesma estirpe de crimes: a criação de bodes expiatórios (seguida de ?punição exemplar?) que justifiquem os fracassos das políticas da direita. Os resultados perseguidos e induzidos são sempre as nacional-patriotagens, as ondas de xenofobia, de fascismos, etc. Battisti não é apenas Battisti Battisti nunca foi apenas Battisti. Sua condenação e extradição, mais que necessidade do neofascismo italiano, será marco da ascensão da ultradireita em todo o mundo, espetáculo capaz de unificar e fazer crescer essa ultradireita que emerge dos escombros do neoliberalismo. Extraditar Battisti ou não lhe conceder sua condição plena de asilado (com direito, portanto, à garantia da sua segurança), será mais um modo de legitimar todo esse vergar-se radicalmente para a direita que experimentamos hoje, e que nos traz sempre à lembrança, os anos 1930. A xenofobia varre a Europa e os EUA, assumindo expressões aparentemente diferenciadas: seja através da aprovação pelo Parlamento italiano de rondas de cidadãos (milícias paramilitares) para denunciar e seqüestrar estrangeiros com entrada ou permanência ilegal no país e entrega-los em seguida à polícia; seja pelas medidas decididas na França, que permitem (ordenam e consumam) a expulsão dos ciganos; ou o muro construído pelos EUA em sua fronteira com o México. Em Portugal, Espanha, Grécia ? como na Itália e em toda a Europa Meridional e EUA, a progressiva perda de postos de trabalho e de direitos sociais dos assalariados tem como contrapartida o ódio aos imigrados. Mas não apenas de xenofobia se alimenta o neofascismo: há poucos anos, o Congresso dos EUA ?flexibilizou? o conceito de tortura, e passou a indicar seu uso em ?determinadas circunstâncias?. Nas eleições suecas de 2010, pela primeira vez desde 1945, a ultradireita elegeu representação no Parlamento e, na Holanda, a mesma ultradireita ameaça formar maioria entre os parlamentares. A Itália, no entanto, segue na vanguarda: o Parlamento de Roma fez o senhor Silvio Berlusconi primeiro-ministro, provando que a Liga Norte, famosa pela sua origem fascista, mas hoje considerada de centro-direita (!), retoma seu antigo prestígio e rumo. Na América Latina, apesar da euforia que despertam governos de centro-esquerda, o Haiti permanece ocupado há quatro anos; o golpe contra o presidente Manuel Zelaya, de Honduras, foi absorvido e naturalizado pela comunidade internacional, do mesmo modo que a não distante invasão do território do Equador por tropas do narco-estado colombiano; as tentativas de golpes contra os governos da Venezuela, Bolívia, Paraguai em anos recentes e, este ano, no Equador. Também a nova política de militarização da Zona do Canal, no Panamá, é ?natural?. Battisti não é apenas Battisti. E só não enxerga, quem não quer. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110203/2294b737/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 4 19:47:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 4 Feb 2011 19:47:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__PEDRO_VENTURA_FELIPE_DE_ARA=DAJO_POMA?= =?iso-8859-1?q?R____________________________________-XXVIII-?= Message-ID: <6D59BEAF7C834D73A1B89007D0E574C7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem PEDRO VENTURA FELIPE DE ARAÚJO POMAR Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nascido a 23 de setembro de 1913, na cidade de Óbidos (Pará), Pedro Pomar foi o primeiro filho de Felipe Cossio Pomar e Rosa de Araújo Pomar. Deputado federal por São Paulo em 1947. Foi fuzilado aos 63 anos, em 16 de dezembro de 1976, em São Paulo, na Chacina da Lapa. Walter Pomar organizou esta biografia: "Seu pai, pintor e escritor peruano, foi criador do APRA (Aliança Para a Revolução Americana). A mãe, Rosa, era maranhense, tendo ido para Óbidos quando seu pai, subtenente, foi transferido para o Batalhão de Artilharia. Em 1918, quando Pedro tinha 5 anos, a família fez uma viagem aos Estados Unidos. Moraram em Nova Iorque. Um ano depois, o casal se separou. Rosa encarregou-se, então, de sustentar sozinha, como costureira, os três filhos: Pedro, Roman e Eduardo. Com 13 anos, Pedro saiu de Óbidos, sozinho, para fazer o ginásio em Belém, onde se envolveu na movimentação política dos anos 30. Em setembro de 1932, participou ativamente da organização de um levante armado em apoio aos constitucionalistas de São Paulo. Esmagada a revolta, passou algum tempo no Rio de Janeiro, depois retornou a Belém, onde concluiu o ginásio. Não se sabe ao certo quando Pomar passou a integrar as fileiras do PCB, mas é certo que foi recrutado pela escritora Eneida de Moraes. Aos 19 anos, entrou para a Faculdade de Medicina. Nessa época, também jogava futebol, profissionalmente, no Clube do Remo. Em 5 de dezembro de 1935, casou-se com Catharina Patrocínia Torres. Tiveram quatro filhos. Disputou suas primeiras eleições em 30 de novembro de 1935, encabeçando a lista do Partido da Mocidade do Pará, que recebeu apenas 64 votos (o partido mais votado recebeu 4.888 votos). Aos 22 anos, terceiranista de medicina, Pomar foi preso pela primeira vez, em janeiro de 1936. Enquanto estava na cadeia, nasceu seu primeiro filho. Solto em 14 de junho de 1937, foi novamente preso em 2 de setembro de 1940. Fugiu da cadeia, em direção ao Rio de Janeiro, junto com João Amazonas e outros integrantes do Partido, no dia 5 de agosto de 1941. Reuniu-se com a família em julho de 1942. Vivendo com dificuldades, tendo trabalhado inclusive como pintor de paredes, Pomar ajudou a formar a Comissão Nacional de Organização Provisória, que se encarregou de reorganizar o PC em escala nacional, convocando e realizando a Conferência da Mantiqueira, em 1943. Depois, mudou-se para São Paulo. Em 1945, Pomar concorreu a uma vaga de deputado federal pelo Pará. Não fez campanha, e não conseguiu eleger-se, o que não se repetiu na eleição complementar de 1947, quando concorreu pela coligação PCB-PSP (Partido Social Progressista, de Ademar de Barros). Recebeu mais de 100 mil votos, a maior votação da época. Durante seu mandato parlamentar, chefiou a delegação brasileira ao Congresso Mundial da Paz, no México, em 1948; integrou também, a delegação ao Congresso Mundial da Paz de 1949, ocorrido em Varsóvia. Membro do Comitê Central e da Comissão Executiva do PC, foi secretário de Educação e Propaganda, encarregado de supervisionar os cerca de 25 jornais mantidos pelo partido em todo o país. Entre 1945 e 1947, foi diretor da Tribuna Popular, diário de massas do PCB. Mais tarde dirigiu a Imprensa Popular, do Rio, e colaborou ativamente em Notícias de Hoje, de São Paulo. Foi, ainda, secretário político do Comitê Metropolitano do Rio de Janeiro. Em 1950, concluído o mandato, passou à clandestinidade. Nessa época, já havia entrado em conflito com a maioria da direção do PC. De segundo ou terceiro principal dirigente, começou a ser gradualmente rebaixado. Afastado do secretariado, depois da Executiva, foi em seguida transformado em suplente do Comitê Central e deslocado do plano nacional: enviado para o Rio Grande do Sul, onde colaborou nas lutas operárias e populares ocorridas no Estado nos anos 1951 e 1952. Por sua experiência, foi indicado para participar de um comitê especial organizado em São Paulo, por cima da estrutura normal do Partido, com a finalidade de dirigir o processo de lutas grevistas e contra a carestia. Esse comitê orientou a atividades do PCB em São Paulo durante os anos 1952 e 1953. Depois, voltou a morar no Rio de Janeiro. Foi, então, enviado à União Soviética, onde estudou por dois anos. Ao retornar, participou do Comitê Regional Piratininga, responsável pela organização do partido na Grande São Paulo. Em 1956, Pomar integrou a delegação brasileira ao 8° Congresso do Partido Comunista Chinês. De 1957 a 1962, participou ativamente da luta interna no PC, o que lhe valeu a paulatina destituição das posições de direção que ainda ocupava: de dirigente regional passou a dirigente do Comitê Distrital do Tatuapé, do qual o próprio Prestes, pessoalmente, ainda tentou destituí-lo durante as conferências preparatórias do V Congresso. Pressionado pela direção, negou-se a voltar ao Pará e, para sobreviver, passou a fazer traduções e a dar aulas. Traduziu alguns livros de economia, uma série de livros de psiquiatria e de outros ramos científicos, tanto do inglês e do francês, como do russo. Traduziu, também, os dois primeiros volumes de "Ascensão e Queda do III Reich", de W. Schirer, e deu aulas de russo. A maioria das traduções saíram com nomes de outros autores. Em 1959, participou do Congresso do PC Romeno, onde assistiu ao choque direto entre Kruschev, o PC Chinês e o Partido do Trabalho da Albânia. No V Congresso do PC, em 1960, Pomar ainda foi mantido como membro suplente do Comitê Central. Mas a luta interna caminhava para a sua expulsão e a criação, em fevereiro de 1962, do Partido Comunista do Brasil. Pomar, junto com Maurício Grabois, João Amazonas, Kalil Chade, Lincoln Oest, Carlos Danielli e Ângelo Arroyo foram os principais articuladores da conferência que selou o rompimento com o setor majoritário do PCB. Eleito membro do Comitê Central do PC do B e redator-chefe de "A Classe Operária", Pomar dedicou-se a organizar o novo partido, tendo realizado várias viagens ao exterior. Sabe-se que teve papel destacado na VI Conferência Nacional do PC do B, em julho de 1966. Nessa época, continuava morando em São Paulo. Tendo discordâncias com a linha política e com os métodos adotados pela direção, Pomar não integrava o núcleo dirigente mais restrito do PC do B. Só após o assassinato de três membros da Comissão Executiva, em fins de 1972, Pomar incumbiu-se da direção de organização. Após a derrota da guerrilha do Araguaia, Pomar escreveu um balanço crítico, em torno do qual conseguiu reunir a maioria da direção. Pomar não deveria estar presente à reunião da Lapa. Mas a doença de sua mulher Catharina, desenganada pelos médicos, levou a desistir de uma viagem à Albânia. Por uma dessas ironias, vários membros da família reuniram-se para despedir-se de Catharina - que viveria até 1986 -, sem saber que na verdade despediam-se de Pedro. Pomar foi executado pela repressão no dia 16 de dezembro de 1976 na fuzilaria contra a casa 767 da Pio XI. Seu corpo apresentava cerca de 50 perfurações de bala. Morreu ao lado de Ângelo Arroyo. Foi enterrados no Cemitério Dom Bosco, em Perus, sob nome falso. Em 1980, a família conseguiu localizar e trasladar seus restos mortais para Belém do Pará, onde estão enterrados, e, no mesmo ano, editou o livro 'Pedro Pomar' , pela Editora Brasil Debates." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110204/c2120a5c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2049 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110204/c2120a5c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 4 19:47:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 4 Feb 2011 19:47:39 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Outro_mundo_poss=EDvel=3A_F=F3rum_?= =?iso-8859-1?q?Social_Mundial_2011_come=E7a_no_pr=F3ximo_domingo_e?= =?iso-8859-1?q?m_Dacar?= Message-ID: <3635420E370E493B93EA2CA617245108@vcaixe> ADITAL Carta O Berro..........................................................repassem Sexta-Feira, 04 de fevereiro de 2011 CAMPANHA DE AUTOSSUSTENTAÇÃO "Só em ADITAL encontramos esse tipo de informação!" É fato: só em poucos meios da mídia independente encontramos informações e artigos que você lê nesse site. Por exemplo, quem noticiou... .: LEIA MAIS :. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110204/5d4d3a22/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 4 19:47:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 4 Feb 2011 19:47:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Dilma_distribuir=E1_de_gra=E7a_r?= =?iso-8859-1?q?em=E9dios_para_diabetes_e_hipertens=E3o?= Message-ID: <50F4E384EF7C463A8C38D3EB2D52AA30@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Dilma distribuirá de graça remédios para diabetes e hipertensão Farmácia Popular passa a oferecer remédios de hipertensão e diabetes gratuitamente Foto: Agência Brasil Antes, o governo pagava 90% do valor dos medicamentos para hipertensão e diabetes Da Agência Brasil cidades at eband.com.br O programa Aqui Tem Farmácia Popular vai oferecer medicamentos contra hipertensão e diabetes de graça. Antes, o governo pagava 90% do valor desses medicamentos e o cidadão tinha de arcar com o restante. Com a medida anunciada nesta quinta-feira pelo governo, os remédios passam a ser distribuídos gratuitamente. As 15 mil farmácias e drogarias privadas conveniadas ao programa têm até o dia 14 de fevereiro para se adaptar à medida. Qualquer brasileiro pode ter acesso aos medicamentos desde que apresente um documento com foto, o CPF e a receita médica. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 900 mil hipertensos e diabéticos devem ser beneficiados com a medida. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a oferta gratuita desses remédios só foi possível graças a um acordo negociado entre o governo e o setor farmacêutico. O programa oferece ainda remédios subsidiados para mais cinco doenças: asma, rinite, Mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma, além de fraldas geriátricas. No total, são 24 tipos de medicamentos. __._,_.___ __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110204/f33bd33e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 5 16:45:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 5 Feb 2011 16:45:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__Maria_Augusta_Thomaz__e__M=E1rcio_Bec?= =?iso-8859-1?q?k_Machado_____________________________________-XIX-?= Message-ID: <82F53D2BF8714F139C3B2A191E67B4B2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Maria Augusta Thomaz Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nascida a 14 de novembro de 1947, em Leme, Estado de São Paulo, filha de Aniz Thomaz e Olga Michael Thomaz. Foi morta aos 26 anos de idade, juntamente com Márcio Beck Machado. Estudante do Instituto Sedes Sapientae da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, foi indiciada no Inquérito Policial 15/68 por sua participação no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, São Paulo, em 1968. Em 14 de janeiro de 1970 teve mandado de prisão expedido pela 2ª Auditoria da 2ª RM. Em 29 de setembro de 1972 foi condenada no Proc. 06/70, à revelia, à pena de 17 anos de prisão, e no proc. 100/72, à revelia, à pena de 5 anos de reclusão pela 2ª Auditoria da 2ª CJM. Em 27 de agosto de 1976, depois de três anos de seu assassinato, foi absolvida pelo STM por falta de provas concretas em outro processo. O Relatório do Ministério do Exército diz que "consta, segundo noticiário da imprensa, que teria sido morta em 17/5/73, durante confronto com as forças de segurança no interior da Fazenda "Rio Doce" em Rio Verde/GO, juntamente com Márcio Beck Machado... Segundo reportagens veiculadas pela imprensa, os proprietários da Fazenda enterraram os corpos no local em que foram mortos, por solicitação dos agentes que executaram a missão. Ainda, de acordo com o proprietário em 31/07/80, três elementos, dizendo-se do DPF, retiraram os restos mortais do local." O Relatório do Ministério da Marinha, na mesma época diz que em "maio de 73 foi morta em Goiás em tiroteio, durante ação de segurança." ======================================================================= + MARIA AUGUSTA THOMAZ Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nascida a 14 de novembro de 1947, em Leme, Estado de São Paulo, filha de Aniz Thomaz e Olga Michael Thomaz. Foi morta aos 26 anos de idade, juntamente com Márcio Beck Machado. Estudante do Instituto Sedes Sapientae da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, foi indiciada no Inquérito Policial 15/68 por sua participação no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, São Paulo, em 1968. Em 14 de janeiro de 1970 teve mandado de prisão expedido pela 2ª Auditoria da 2ª RM. Em 29 de setembro de 1972 foi condenada no Proc. 06/70, à revelia, à pena de 17 anos de prisão, e no proc. 100/72, à revelia, à pena de 5 anos de reclusão pela 2ª Auditoria da 2ª CJM. Em 27 de agosto de 1976, depois de três anos de seu assassinato, foi absolvida pelo STM por falta de provas concretas em outro processo. O Relatório do Ministério do Exército diz que "consta, segundo noticiário da imprensa, que teria sido morta em 17/5/73, durante confronto com as forças de segurança no interior da Fazenda "Rio Doce" em Rio Verde/GO, juntamente com Márcio Beck Machado... Segundo reportagens veiculadas pela imprensa, os proprietários da Fazenda enterraram os corpos no local em que foram mortos, por solicitação dos agentes que executaram a missão. Ainda, de acordo com o proprietário em 31/07/80, três elementos, dizendo-se do DPF, retiraram os restos mortais do local." O Relatório do Ministério da Marinha, na mesma época diz que em "maio de 73 foi morta em Goiás em tiroteio, durante ação de segurança." Mais informações ver a nota sobre Márcio Beck Machado. ========================================================================================================= MÁRCIO BECK MACHADO Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em 14 de dezembro de 1945, em São Paulo. Filho de Otávio Meneses Machado e Edna Beck Machado. Estudante de Economia da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Foi preso no XXX Congresso da UNE, em 1968 e, em 1° de abril de 1970, teve sua prisão preventiva decretada. Foi indiciado, também, nos Inquéritos Policiais de números 7/72 e 9/72. Em 23/10/72, teve sua prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria Militar, referente a um outro processo de n° 100/72. Foi morto em combate, em maio de 1973, em um sítio entre as cidades de Rio Verde e Jataí, em Goiás, juntamente com Maria Augusta Thomaz, também desaparecida. Os agentes do DOI/CODI-SP comentaram abertamente com os presos políticos que se encontravam naquele órgão policial que Márcio e Maria Augusta haviam sido mortos, apesar de jamais terem admitido tal fato oficialmente. Conforme depoimentos colhidos por jornalistas, em 1980, o casal se encontrava na Fazenda Rio Doce, em Rio Verde, cerca de 240 quilômetros de Goiânia, por ocasião do assassinato. O fazendeiro Sebastião Cabral e seu empregado foram encarregados de enterrar os corpos de Márcio e Maria Augusta, esfacelados pelos tiros. Os policiais lhe recomendaram que o sepulamento fosse feito a "pelo menos 200 metros do asfalto". Três homens foram à fazenda e exumaram seus restos mortais, ao saber das investigações sobre o caso, que iniciaram-se em 1980, deixando em covas abertas alguns dentes e pequenos ossos. No Boletim Informativo do Ministério do Exército de janeiro de 76, os nomes de Márcio Beck e Maria Augusta foram retirados da lista de procurados por serem considerados mortos. Em documento dos órgãos de repressão encaminhado ao Delegado Romeu Tuma, Diretor do Dops em 1978, foram assumidas as mortes de Beck e Maria Augusta. Mesmo assim, as autoridades policiais jamais informaram aos familiares a respeito dessas mortes. O Relatório do Ministério do Exército diz que "teria sido morto em tiroteio juntamente com Maria Augusta Thomaz, numa fazenda em Rio Verde/GO, no dia 17/5/73." O Relatório do Ministério da Marinha afirma que, "em maio/73, foi morto em Goiás, em tiroteio, durante ação de segurança." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110205/569e0776/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110205/569e0776/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9881 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110205/569e0776/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8005 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110205/569e0776/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 5 16:45:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 5 Feb 2011 16:45:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] CARTA ABERTA AO STF : CASO BATTISTI Reenviem aos ministros (vejam os emails abaixo). Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alipio Freire Camaradas e Amig at s, acabo de enviar a mensagem abaixo, sobre o julgamento de Cesare Battisti, para os ministros do STF. Peço que leiam até o final e, caso concordem, tomem iniciativas semelhantes, subscrevendo o mesmo texto ou escrevendo outros, endereçados aos ministros do STF, cujos imêios seguem junto com a minha mensagem. Peço também que, caso concordem, distribuam esta mensagem o mais amplamente possível para suas listas e contatos. Permitirmos que Cesare Battisti seja extraditado, é simplesmente permitir que ele seja assassinado na Itália - de modo abrupto e cínico, ou lentamente e de modo não menos cínico. Temos em nossa história o precedente do caso Olga Benario entregue ao então Governo nazista de Berlim. São Paulo, 6 de fevereiro de 2011 Senhores ministros do Supremo Tribunal Federal - STF, STF Ellen Gracie ? ellengracie at stf.gov.br STF Gilmar Mendes ? mgilmar at stf.gov.br STF Celso de Mello ? mcelso at stf.gov.br STF Marco Aurélio de Mello ? marcoaurelio at stf.gov.br STF Cezar Peluso ? carlak at stf.gov.br STF Carlos Britto ? gcarlosbritto at stf.gov.br STF Joaquim Barbosa ? gabminjoaquim at stf.gov.br STF Eros Grau ? gaberosgrau at stf.gov.br STF Ricardo Lewandowski ? gabinete-lewandowski at stf.gov.br STF Carmen Lúcia ? anavt at stf.gov.br STF Menezes Direito ? alexandrew at stf.gov.br STF CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA: cnj at cnj.gov.br na qualidade de cidadão brasileiro e de contribuinte - portanto, como um dos milhões de brasileiros responsáveis pelo pagamento de cada tostão dos vossos salários - venho reafirmar e subscrever o texto que segue abaixo, publicado pelo jornal Brasil de Fato, e solicitar a Vossas Senhorias que aproveitem esta ocasião para dar uma guinada na política do Tribunal que dirigem e representam, para que esse Poder da nossa República volte a ser respeitado pelos cidadãos brasileiros e pela comunidade internacional - bem como cada um dos senhores. A guinada a que me refiro, significa o cumprimento da nossa Constituição - por sinal, fraudada antes mesmo de entrar em vigor. Ou seja, no caso do cidadão italiano Cesare Battisti - cuja apreciação VVSS marcaram para a próxima semana - reconheçam já no início da sessão a incompetência legal do STF para decidir sobre a matéria, e ordenem a imediata soltura do réu, cumprindo a decisão legal (Constitucional) tomada e anunciada pelo Executivo em dezembro passado, através do seu então chefe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Creio que sucessivas decisões que VVSS venham doravante a tomar, de zelo e subordinação frente à nossa Constiuição (como esta decisão aqui que sugiro), quem sabe possa recuperar paulatinamente o nosso respeito, enquanto cidadãos, pelo Judiciário e por cada um dos seus ministros. VVSS não imaginam o constrangimento que passamos diuturnamente - em qualquer lugar que freqüentemos - ao ouvir os adjetivos contidos nos comentários feitos com relação a essa Casa da Justiça, e a alguns dos seus membros - especialmente aos doutores Gilmar Mendes e Antonio Cezar Peluso. É algo realmente capaz de fazer enrubescer qualquer pessoa de bem. Mais grave (e, quem sabe, até mais injusto), é a generalização dessas opiniões que acabam por recair sobre a reputação de todos os membros dessa Suprema Corte. Entendendo que qualquer atitude contrária ao que proponho acima coloca em risco a nossa soberania, ao mesmo tempo em que fere de morte os avanços democráticos de que necessita o nosso País; entendendo VVSS como servidores públicos; entendendo também que se trata do único Poder da República que não é eleito diretamente por nossos cidadãos - e que, portanto, não é sequer plebiscitado a cada quatro anos, para que VVSS tenham um mínimo de noção do que os brasileiros pensam a respeito das decisões que tomam e dos métodos através dos quais as encaminham; tomo a iniciativa desta carta aberta, que distribuirei ao maior número possível de brasileiros e brasileiras (todos cidadãos, contribuintes e, portanto, como eu, responsáveis pelos salários de VVSS) para que se manifestem diretamente a VVSS, suprindo desse modo - ainda que tenuemente - a ausência de qualquer controle da sociedade civil sobre os atos de VVSS, e criando alguma condição para que VVSS possam cumprir de fato algo essencial da razão do poder de que estão investidos, que é o de servir ao público e à Nação. Cordialmente, Alipio Freire EDITORIAL Senhores Giorgio Napolitano e Silvio Berlusconi, Brasília não é Addis Abeba Brasil de Fato 414 03 de fevereiro de 2011 Finda a guerra fria, ?o perigo comunista? já não mais funcionava como instrumento de submissão dos povos aos EUA. Logo, porém, fabricou-se um novo flagelo, o ?terrorismo internacional?, cujo lançamento envolveu grande pirotecnia: no dia 11 de setembro de 2001, o Mundo amanheceu sob o impacto da derrubada das Torres Gêmeas, o que permitiu, já no mês seguinte, a invasão do Afeganistão; do Iraque, em 2003; as atuais ameaças ao Irã e uma série infindável de desmandos dos EUA mundo afora. Toda a diplomacia desenvolvida pela chefa do Departamento de Estado Condoleezza Rice, e hoje levada adiante pela senhora Hillary Clinton, tem como alicerce e jogo de cena ?o combate ao terrorismo?. São considerados terroristas todos os que se oponham às regras do grande capital. Em nosso país, os desdobramentos mais visíveis dessa política são: a criminalização e massacre dos movimentos sociais e dos pobres em geral, e a ofensiva contra aqueles que resistiram ao golpe de 1964 e ao regime por ele implantado, antes que os liberais ? na segunda metade dos anos 1970 ? resolvessem desmontar a ditadura que eles próprios haviam construído. Sim, somos todos ?terroristas?. Sobre Cesare Battisti Em termos legais, as acusações contra Battisti e o pedido de sua extradição, já tiveram sua improcedência suficientemente comprovada. Battisti não cometeu os atos pelos quais Roma tenta condena-lo e execra-lo enquanto exemplo para todo o povo italiano e o mundo. Está mais que certo, também, que nos anos 1960-1970 a Itália não era sequer uma democracia conforme entende e diz propor oficialmente o establishment capitalista ? exceto se quisermos criar ad hoc o estatuto das ?democracias excepcionais?, ou das ?democracias emergenciais?. No entanto, Battisti não é um inocente. É fundamental ficar claro: Battisti era sujeito de um projeto político que ? com erros e/ou acertos ? se batia contra as injustiças sociais, e no qual a igualdade entre os homens não se subordinava à liberdade. Toda sociedade em que a liberdade se construa às custas da negação da igualdade, será sempre uma sociedade onde a exploração e a opressão dos mais fracos pelos mais fortes serão os alicerces da sua legalidade. Ou seja, do nosso ponto de vista, mais que ilegal, é ilegítima a entrega de Battisti à Itália dos senhores Giorgio Napolitano e Silvio Berlusconi que, hoje, incapazes de invadir Addis Abeba, como o fizeram seus ancestrais políticos em 1935, tentam sitiar Brasília. As condenações de Cesare Battisti, Alfred Dreyfus (1894), Mata Hari (1917), Ethel e Julius Rosenberg (1951) pertencem todas a uma mesma estirpe de crimes: a criação de bodes expiatórios (seguida de ?punição exemplar?) que justifiquem os fracassos das políticas da direita. Os resultados perseguidos e induzidos são sempre as nacional-patriotagens, as ondas de xenofobia, de fascismos, etc. Battisti não é apenas Battisti Battisti nunca foi apenas Battisti. Sua condenação e extradição, mais que necessidade do neofascismo italiano, será marco da ascensão da ultradireita em todo o mundo, espetáculo capaz de unificar e fazer crescer essa ultradireita que emerge dos escombros do neoliberalismo. Extraditar Battisti ou não lhe conceder sua condição plena de asilado (com direito, portanto, à garantia da sua segurança), será mais um modo de legitimar todo esse vergar-se radicalmente para a direita que experimentamos hoje, e que nos traz sempre à lembrança, os anos 1930. A xenofobia varre a Europa e os EUA, assumindo expressões aparentemente diferenciadas: seja através da aprovação pelo Parlamento italiano de rondas de cidadãos (milícias paramilitares) para denunciar e seqüestrar estrangeiros com entrada ou permanência ilegal no país e entrega-los em seguida à polícia; seja pelas medidas decididas na França, que permitem (ordenam e consumam) a expulsão dos ciganos; ou o muro construído pelos EUA em sua fronteira com o México. Em Portugal, Espanha, Grécia ? como na Itália e em toda a Europa Meridional e EUA, a progressiva perda de postos de trabalho e de direitos sociais dos assalariados tem como contrapartida o ódio aos imigrados. Mas não apenas de xenofobia se alimenta o neofascismo: há poucos anos, o Congresso dos EUA ?flexibilizou? o conceito de tortura, e passou a indicar seu uso em ?determinadas circunstâncias?. Nas eleições suecas de 2010, pela primeira vez desde 1945, a ultradireita elegeu representação no Parlamento e, na Holanda, a mesma ultradireita ameaça formar maioria entre os parlamentares. A Itália, no entanto, segue na vanguarda: o Parlamento de Roma fez o senhor Silvio Berlusconi primeiro-ministro, provando que a Liga Norte, famosa pela sua origem fascista, mas hoje considerada de centro-direita (!), retoma seu antigo prestígio e rumo. Na América Latina, apesar da euforia que despertam governos de centro-esquerda, o Haiti permanece ocupado há quatro anos; o golpe contra o presidente Manuel Zelaya, de Honduras, foi absorvido e naturalizado pela comunidade internacional, do mesmo modo que a não distante invasão do território do Equador por tropas do narco-estado colombiano; as tentativas de golpes contra os governos da Venezuela, Bolívia, Paraguai em anos recentes e, este ano, do Equador. Também a nova política de militarização da Zona do Canal, no Panamá, é ?natural?. Battisti não é apenas Battisti. E só não enxerga, quem não quer. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110205/79a5a99a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 5 16:45:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 5 Feb 2011 16:45:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22_=C1frica=2C_o_continente_de_t?= =?iso-8859-1?q?odos=2E=22___por___Emir_Sader?= Message-ID: <614A4C2DCFC44AADAAE24EADC1B85B5F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem África, o continente de todos Grande parte da humanidade olha para a África como quem oha pela janela (de um hotel de 5 estrelas) e não como quem olha para o espelho. No entanto, toda a história mundial tem seu espelho na Africa. Todos os outros continentes - América, Ásia - foram espoliados para que a Europa pudesse trilhar as chamadas revoluções comercial e industrial, no processo de acumulação primitiva. Mas nenhum continente sofreu, além da dilapidação dos seus recursos naturais, da opressão das suas culturas e dos seus povos, a escravidão nas proporções de genocídio que ela assumiu na Africa. Praticamente toda a população adulta da Africa foi submetida à degradante situação de serem levados como gado para trabalhar como escravos, como seres inferiores, para produzir riquezas para a elite branca europeia. O destino da África ficou comprometido pelo colonialismo, pela escravidão e pelas diversas formas de imperialismo. Foi também vítima privilegiada do racismo, da discriminação contra os negros, disseminada pela elite branca por todo o mundo. A África do Sul, o país economicamente mais desenvolvido do continente, até pouco tempo ainda sofria o apartheid. Mas as elites brancas do mundo consideram a África um caso de continente vítima de si mesma: do tribalismo, do atraso, dos conflitos étnicos, dos massacres, das epidemias, das catástrofes. Tentam fazer a África vítima da natureza e não vítima da história - da colonização, da escravidão, do imperialismo. Um caso perdido, para as potências imperiais. Um caso de opressão, exploração, discriminação. Hoje a África tornou-se abastecedor de matérias primas para as potências da globalização, que continuam a extrair os recursos naturais por meio de grandes corporações ou diretamente de governos. As mesmas potências que, na Conferência de 1890 concluíram a repartição do continente entre eles, fatiando-o com regra e compasso, hoje disputam entre si os recursos que alimentam seus processos de industrialização e de consumismo exacerbado. Os colonizadores e os imperialistas não consideram que sejam devedores da África, que devam contemplar como continente privilegiado no apoio dos outros, por tudo ao que submeteram os países e os povos africanos. Podemos julgar a política externa de cada governo e a visão de cada povo do mundo pela atitude que têm com a África. Ao invés de continente marginal, deveria ocupar o lugar central nas relações internacionais contemporâneas. Toda politica externa que não privilegia a Africa, está errada. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110205/d600bf3e/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3755 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110205/d600bf3e/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 6 15:44:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 6 Feb 2011 15:44:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Eles_Cantam=2E___________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?________________________HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS?= =?iso-8859-1?q?!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem 14 Bis * Caçador De Mim 14 Bis * Constelações 14 Bis - Razões do coração 14 Bis - Ronda Altemar Dutra * Meu Velho Amado Batista - Acidente Amado Batista - Dinamite de amor Amado Batista - Estou so Amado Batista - Eu juro (I Swear) Amado Batista - Feiticeira Amado Batista - Folha seca Amado Batista - Meu ex amor Amado Batista - O boêmio Amado Batista - Olhos verdes Amado Batista - Pobretão Amado Batista - Princesa Amado Batista - Serenata Amado Batista - Secretaria Amado Batista - Seresteiro das noites Amado Batista - So pra você ver Arnaldo Brandão * Dinheiro Baden Powell - Berimbau Baden Powell e Mauricio Einhorn - Deixa Baiano e Os Novos Caetanos - Aldeia Baiano e Os Novos Caetanos - Cidadão Da Mata Baiano e Os Novos Caetanos - Ciranda Baiano e Os Novos Caetanos - Dendalei Baiano e Os Novos Caetanos - Folia De Rei Baiano e Os Novos Caetanos - Nega Baiano e Os Novos Caetanos - Selva De Feras Baiano e Os Novos Caetanos - Só Pá Dar Um Toque Baiano e Os Novos Caetanos - Tributo Ao Regional Baiano e Os Novos Caetanos - Urubu Tá Com Raiva Do Boi Baiano e Os Novos Caetanos - Véio Zuza Baiano e Os Novos Caetanos - Vô Bate Pa Tu Banda Hori * Diga Que Me Quer Banda Mercosul - Amor na faculdade Banda Metro - Sandalo de dandi Barão Vermelho - A chave da porta da frente Barão Vermelho - Amor meu grande amor Barão Vermelho - Por que a gente é assim Belchior - Apenas um rapaz latino americano Belchior - Divina comedia humana Belchior - Medo de avião Belchior - Paralelas Beto Barbosa - Adocica Beto Barbosa - Beijinho na boca Beto Guedes - Dias assim Beto Guedes - Maria solidaria Beto Guedes - Sol de primavera Beto Melo - Cancão para meu amor Biafra - Machuca e faz feliz Biafra - Seu nome Biafra - Sonho de Icaro Biquini Cavadão - Camila Biquini Cavadão - Dani Biquini Cavadão - Vento ventania Blitz - A dois passos do paraiso Blitz - Geme Geme Blitz - Você não soube me amar Blitz - Weekend Boca Livre - Toada BR"OZ - Prometida Bruno Miguel - Meu mundo Caetano Veloso e Jorge Mautner - Todo errado Caetano Veloso - Debaixo dos caracois Caetano Veloso - Drão Caetano Veloso - Deusa urbana Caetano Veloso e Jamil - Tempo de estio Caetano Veloso - Eclipse oculto Caetano Veloso - Eu sei que vou te amar Caetano Veloso e Gal Costa - A luz de Tieta Caetano Veloso - Leãozinho Caetano Veloso - Love me tender Caetano Veloso - Lua e estrela Caetano Veloso - Luz do sol Caetano Veloso - Moça Caetano Veloso - Musa hibrida Caetano Veloso - Não enche Caetano Veloso - Não me arrependo Caetano Veloso - Oração ao tempo Caetano Veloso - Pecado original Caetano Veloso - Shy moon Caetano Veloso - Sozinho Caetano Veloso - Trem das cores Caetano Veloso - Tropicalia Caetano Veloso - Vete de mi Capital Inicial * Algum Dia Capita Inicial - Ana Julia (ao vivo) Capita Inicial - Anúncio De Refrigerante Capital Inicial * Aqui Capital Inicial * A vida é Minha Capita Inicial - Cai A Noite (acústico) Capital Inicial * Depois Da Meia Noite Capita Inicial - Eu Nunca Disse Adeus Capita Inicial - Eu Vou Estar Capita Inicial - Fogo Capita Inicial - Independência Capita Inicial - Mais Capita Inicial - Não Olhe Pra Trás Capital Inicial * Natasha Capita Inicial - Olhos Vermelhos Capita Inicial - O Passageiro Capita Inicial - Primeiros Erros Capita Inicial - Quatro Vezes Você Capita Inicial - Que País É Esse? Capita Inicial - Respirar Você Capita Inicial - Só você Carlos Alexandre - A Ciganinha Cartola - Acontece Cartola - Alvorada Cartola - Amor Proibido Cartola - As Rosas Não Falam Cartola - Ciência E Arte Cartola - Cordas De Aço Cartola - Corra E Olhe O Céu Cartola - Disfarça E Chora Cartola - Divina Dama Cartola - Escurinha Cartola - Fita Nos Meus Olhos Cartola - Linda Demanda Cartola - Meu Amor Já Foi Embora Cartola - Minha Cartola - Nós Dois Cartola - O Mundo É Um Moinho Cartola - O Sol Nascer Cartola - No Tom Da Mangueira Casa das Máquinas - Casa Do Rock Casa das Máquinas - Vou Morar No Ar Casseta e Planeta - Eu tô tristão Casseta e Planeta - Paulista Cassiano - Ana Cassiano - A Lua E Eu Cassiano - Coleção Cassiano e Mariza Monte - Cedo Ou Tarde Cassiano - Pensando Nela Cassiano - Salve essa flor Cazusa - Bete Balanço Cazusa - Brasil Cazusa - Codinome Beija-Flor Cazusa - Faz Parte Do Meu Show Cazusa e Bebel - Preciso dizer que te amo Cazuza * O Tempo Não Para (Verinha - Campinas) Catedral - Anjo Catedral - Entre eu e você Catedra - Eu quero sol nesse jardim Catedral - Kiss me Catedral - Mais do que eu imaginei Catedral - Nada mudou Catedral - Não vou te esquecer Catedral - Sabe-la Catedral - Um minuto Catedral - Uma canção de amor pra você César Sampaio - Uma Lágrima Na Garganta Charlie Brown Jr. * Be Myself Charlie Brown Jr. * Como Tudo Deve Ser Charlie Brown Jr. * Lutar Pelo Que É Meu Charlie Brown Jr. * Me Encontra Charlie Brown Jr. * Pontes Indestrutíveis Charlie Brown Jr. * Só Os Loucos Sabem Charlie Brown Jr. * Uma Criança Com Seu Olhar Chico Buarque - Bye, Bye, Brasil Chico Buarque - Cecília Chico Buarque * Chega de Saudade Chico Buarque - Com Açucar e Com Afeto Chico Buarque - Come Se Fosse A Primavera Chico Buarque - Construção Chico Buarque - Cotidiano Chico Buarque e Toquinho - Desencontro Chico Buarque - Eu Te Amo Chico Buarque - Gente Humilde Chico Buarque - Gota D'Agua Chico Buarque - João e Maria Chico Buarque - Luiza Chico Buarque - Minha História Chico Buarque - Meu Caro Amigo Chico Buarque - Morena Dos Olhos D'Água Chico Buarque - Noite Dos Mascarados Chico Buarque - Retrato Em Branco E Preto Chico Buarque e Maria Bethânia - Sem Fantasia Chico Buarque - Sonhos, Sonhos São Chico Buarque - Trocando em Miúdos Chico Buarque - Vai Passar Copacabana Beat - Mel da Sua Boca Chico Buarque - Valsinha D"Black e Negra Li - 1 minuto D"Black - Revolta Dalto - Anjo Dalto e Beto Guedes - Calor humano Dalto - Cinderela Dalto - Faça um pedido Dalto - Flashback Dalto - Guru Dalto - Leão ferido Dalto - Muito estranho Dalto - Nuvem passageira Dalto - Pessoa Dalto - Quase não da pra ser feliz Dalto - Relax Dalto - Sentimental Blues Dalto - Véu dos olhos Dalto - Vinho antigo Dalto - O amor não é um filme Darvin - Pensa em mim Detonautas * Só Nós Dois Djavan - Alegre menina Djavan - Alibi Djavan - Cigano Djavan - Correnteza Djavan - Delirio dos mortais Djavan - Drão Djavan - Faltando um pedaço Djavan - Lilas Djavan - Linha do equador Djavan - Meu bem querer Djavan - Outono Djavan - Petala Djavan - Sabe você Djavan * Sabes Mentir Djavan - Samurai Djavan - Sina Djavan - Um amor puro Djavan - Vamos fugir Djavan - Te devoro Djavan - Um dia triste Djavan - Você disfarça Drive - Olhando pra você Eduardo Dusek * Nostradamus Engenheiros do Hawaii * Depois de Nós Fabio Junior - Choro Fabio Junior - Esqueça Fabio Junior - Pai Fabio Junior - Pareço um menino Fabio Junior - Quando gira o mundo Fagner * Amor Escondido Fagner - Borbulhas de amor Fagner - Canteiros Fagner - Romance no Deserto Francis Hime - Sem Mais Adeus Frejat - Amor pra recomeçar Frejat - Dois lados Frejat - Enquanto ela não chegar Frejat - Eu não sei dizer te amo Frejat - Nada além Frejat - Pedra flor e espinho Frejat - Segredos Frejat - Tão longe de tudo Frejat - Tunel do tempo Gonzaguinha - Feliz Heteen - Se um Dia Lembrar de Mim Hateen - Sozinho A Dois Heitor Villa Lobos * O Trenzinho Caipira Jammil e Uma Noite - Saudade Doi Jammil e Uma Noite - Tchau I Have To Go Now Jessé - Concerto Para Uma Voz Jessé - Porto Solidão Jorge Vercillo - Avesso Jorge Vercillo - Devaneio Jorge Vercillo - Deve Ser Jorge Vercillo - Bem ou Mal Jorge Vercillo - Ela Une Todas As Coisas Jorge Vercillo - Em Orbita Jorge Vercillo - Encontros das Aguas Jorge Vercillo - Fenix Jorge Vercillo - Final Feliz Jorge Vercillo - Fora da Lei Jorge Vercillo - Homem Aranha Jorge Vercillo - Melhor Lugar Jorge Vercillo - Monalisa Jorge Vercillo - Nem um Dia Jorge Vercillo - Que Nem Maré Jorge Vercillo - Rasa Jorge Vercillo - Um Segredo e Um Amor José Augusto - Coisas do Cortação José Augusto - Juro Que Não Vou Mais Chorar José Augusto - Meu Primeiro Amor José Augusto - Você Me Esqueceu Jota Quest - Além do Horizonte Jota Quest - Amor Maior Jota Quest - Dias Melhores Jota Quest - Encontrar Alguém Jota Quest - Facíl Jota Quest - La Plata Jota Quest - Mais Uma Vez Jota Quest - Na Moral Jota Quest - Só Hoje Kid Abelha - Como Eu Quero Kid Abelha - Quero Te Encontrar KLB - Por Causa de Você Latino e Andre e Adriano - Pancadão ou Sertanejo Latino e Daddy Kall - Amigo Fura Olho Latino e Perlla - Selinho na Boca Latino - Renata Legião Urbana * Hoje A Noite Não Tem Luar (Marcinha) Legião Urbana - Pais e Filhos Lenine * Aquilo Que Da No Coração LS Jack - Sem Radar Lulu Santos * Toda Forma de Amor Marcos Sabino - Reluz Mauricio Manieri - Bota Pra Mexer Mauricio Manieri - Ela e Eu Mauricio Manieri - Falando Sério Mauricio Manieri - Minha Menina Mauricio Manieri - Minha Sereia Mauricio Manieri - Nunca Imaginei Mauricio Manieri - Primavera Mauricio Manieri - Se Quer Saber Mauricio Manieri - Te Quero Tanto Milton Nascimento * Anima Milton Nascimento - Canção da América Milton Nascimento - Coração de Estudante Milton Nascimento * Outro Lugar Nando Reis - Dessa Vez Nando Reis - Espatodea Nando Reis - Eu Nasci Ha Dez Mil Anos Atras Nando Reis - Luz Dos Olhos Nando Reis e Marisa Monte - Teu Olhar Nando Reis - Me Diga Nando Reis - N Nando Reis - Por Onde Andei Nando Reis - Sou Dela Nando Reis - Você Pediu e Eu Ja Vou Daqui O Rappa * 7 Vezes O Rappa * Eu Quero Ver Gol O Rappa * Meu Mundo É O Barro O Rappa * Monstro Invisível O Rappa * Na Frente Do Reto Os Paralamas do Sucesso - Aonde Quer Que Eu Vá Os Paralamas do Sucesso - Cuide Bem do Seu Amor Os Paralamas do Sucesso - Meu Erro (Susana - SP) Oswaldo Montenegro - A Lista Oswaldo Montenegro * Agonia Oswaldo Montenegro * Bandolins Oswaldo Montenegro * Condor Oswaldo Montenegro * Fado Doido Oswaldo Montenegro * Intuicão Oswaldo Montenegro * Menestrel Oswaldo Montenegro - Metade Oswaldo Montenegro - Quando A Gente Ama Paulo Ricardo * A Cruz E A Espada Raimundos * Mulher de Fases Raul Seixas - A Maça Raul Seixas - Eu Nasci Ha Dez Mil Anos Atras Raul Seixas - Gita Raul Seixas - Gospel Raul Seixas - Maluco Beleza Raul Seixas - Metamorfose Ambulante Raul Seixas - Mosca na Sopa Raul Seixas - O Trem Das 7 Raul Seixas - Oculos Escuros Raul Seixas - Ouro de Tolo Raul Seixas - Rock Das Aranhas Raul Seixas - Rock do Diabo Raul Seixas - Sociedade Alternativa Raul Seixas - Tente Outra Vez Ritchie - Menina Veneno Roupa Nova e Claudia Leite - Um Sonho A Dois Seu Jorge - Burguesinha Sergio Saas - Chega de Viver Assim Skank e Negra Li - Ainda Gosto Dela Skank * Dois Rios Taiguara - Universo Do Teu Corpo Tim Maia - Gostava Tanto De Você Titãs * Sonífera Ilha Toquinho e Maria Creuza * Eu Sei Que Vou Te Amar Tribalistas - Ja Sei Namorar Zé Ramalho - Banquete Dos Signos Zé Ramalho - Beira Mar Zé Ramalho * Chão de Giz Zé Ramalho - Lobisomen Zeca Baleiro - Bandeira Zeca Baleiro - Bicho De Sete Cabeças Zeca Baleiro - Blues Do Elevador Zeca Baleiro - Comigo Zeca Baleiro - Dezembros Zeca Baleiro e Fagner - Cantor de Bolero Zeca Baleiro - Lenha Zeca Baleiro - Meu Amor Meu Bem Me Ame Zeca Baleiro - Nalgum Lugar Zeca Baleiro - O Mundo Zeca Baleiro - Proibida Pra Mim Zeca Baleiro - Quase Nada Zeca Baleiro e Fagner Balada de Agosto Zeca Baleiro - Samba do Approach Zeca Baleiro - Stephen Fry Zeca Baleiro - Telegrama Zeca Baleiro - Você Me Faz Parecer Zeca Baleiro e Zé Ramalho - Bienal -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110206/34342535/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2818 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110206/34342535/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1834 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110206/34342535/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 6 15:44:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 6 Feb 2011 15:44:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de____JOS=C9_RAIMUNDO_DA_COSTA___________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-XXX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ RAIMUNDO DA COSTA Dirigente da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Ex-sargento da Marinha, participou junto com Carlos Lamarca e outros da Guerrilha no Vale do Ribeira (SP). José Raimundo era perseguido, não só por ser dirigente da VPR, como também por sua participação no movimento dos marinheiros em 1964. Morto aos 32 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 05 de agosto de 1971, após ter sido preso e torturado no DOI-CODI/RJ. Respondeu a alguns processos e estava com prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria da 2ª Região Militar. Seu corpo foi encontrado em terreno baldio na Rua Otacílio Nunes, em frente ao n° 80, no Bairro de Pilares (RJ). Preso em São Paulo e trazido para o Rio de Janeiro e, embora estivesse usando o nome de Odwaldo Clóvis da Silva, o CIE informou ao DOPS/RJ que se tratava de José Raimundo da Costa. Em documento do arquivo do DOPS/RJ, o Comissário Jayme Nascimento, do citado órgão informou que às "7:00 horas pelo telefone, o Cel. Sotero, Oficial de Permanência do CIE, comunicou que, em uma travessa próxima à Rua Otacílio Nunes, em Pilares, havia sido morto um elemento subversivo de nome José Raimundo da Costa, quando reagiu à prisão numa diligência efetuada por elementos pertencentes ao Serviço de Segurança do Exército." Inês Etienne Romeu, em seu Relatório sobre sua prisão na "Casa da Morte", em Petrópolis, afirma que, em 04 de agosto de 1971, ouviu o torturadorLaurindo informar aos torturadores, Dr. Bruno e Dr. César, que José Raimundo havia sido preso numa barreira. Posteriormente, outro torturador, Dr. Pepe, lhe disse que José Raimundo foi morto vinte e quatro horas após sua prisão, num "teatrinho" montado numa rua do Rio de Janeiro. O corpo de José Raimundo entrou no IML/RJ no mesmo dia de sua morte, pela Guia n° 59, da 24ª D.P., com o nome de Odwaldo Clóvis da Silva, sendo necropsiado pelos Drs. Hygino de Carvalho Hércules e Ivan Nogueira Bastos, que confirmam a falsa versão oficial da repressão de que foi morto em tiroteio. Foram, ainda, encontrados laudo (Ocorrência n° 596/71) e fotos de perícia do local (ICE n° 3.916/71). Apesar de ser identificado, José Raimundo foi enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo Albuquerque (RJ), em 09 de setembro de 1971, na cova 23.538, quadra 16. No livro de saída de indigentes do IML, ao lado de seu nome, está manuscrita a palavra: "Subversivo". Em 01 de outubro de 1979 seus restos mortais foram transferidos para um ossário geral e, em 1980/1981, foram levados para a vala clandestina. ========================================================================================= + detalhes. JOSÉ RAIMUNDO DA COSTA (1939-1971) Filiação: Maria Aleixo dos Santos e Manoel Raimundo da Costa Data e local de nascimento: 28/12/1939, Recife (PE) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 05/08/1971, Rio de Janeiro O ex-sargento da Marinha José Raimundo da Costa era casado com Gisélia Morais da Costa e tinha dois filhos. Importante dirigente da Vem 1970 e 1971, conhecido como "Moisés", participou, segundo informações dos órgãos de segurança, de várias ações armadas, inclusive do seqüestro do cônsul japonês em São Paulo. Foi morto no Rio de Janeiro, em 05/08/1971, após ter sido preso pelo DOI-CODI/RJ. Apesar de os organismos de segurança terem conhecimento pleno sobre sua verdadeira identidade, José Raimundo foi enterrado sob identidade falsa no Cemitério de Ricardo Albuquerque. No livro de saída de indigentes do IML, ao lado de seu nome, está manuscrita a palavra "subversivo". Em 01/10/1979, seus restos mortais foram transferidos para um ossuário geral e, entre 1980 e 1981, foram levados para uma vala clandestina. A versão oficial dos órgãos de segurança sobre a morte de José Raimundo é de que ele reagiu à prisão e foi morto por elementos da Inteligência do Exército, no dia 05/08/1971, em uma travessa próxima à rua Otacílio Nunes, no bairro carioca de Pilares. Em documento localizado no DOPS/RJ, de 05/08/71, o comissário Jayme Nascimento registra que "às 7h - pelo telefone, o coronel Sotero, Oficial de Permanência do C.I.E, comunicou que, em uma travessa próxima à rua Octacilio Nunes, em Pilares, havia sido morto um elemento subversivo de nome José Raimundo da Costa, quando reagiu à prisão numa diligência efetuada por elementos pertencentes ao Serviço de Segurança do Ministério do Exército". Entretanto, na mesma data, seu corpo deu entrada no IML/RJ, com o nome de Odwaldo Clóvis da Silva. Ou seja, apesar de já identificado como José Raimundo, sua necropsia foi lavrada com falsa identidade pelos legistas Hygino de Carvalho Hércules e Ivan Nogueira Bastos, que confirmaram a versão oficial de morte em tiroteio. Em laudo do Instituto Carlos Éboli , os peritos registram: "os pulsos da vítima apresentavam hematomas em toda a sua extensão". Na foto de seu corpo, a olho nu, se pode perceber a marca evidente das algemas que prendiam os pulsos de José Raimundo. José Raimundo foi uma das vítimas do agente infiltrado José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo. Esse fato foi comprovado por documento localizado no arquivo do DOPS/SP, onde Anselmo menciona seus encontros com José Raimundo e registra as possibilidades de contatos com ele. Inês Etienne Romeu, no relatório que escreveu sobre o período em que esteve seqüestrada no sítio clandestino de Petrópolis (RJ), afirma que, em 04/08/1971, ouviu o carcereiro "Laurindo" informar aos agentes policiais "Bruno" e "César" que José Raimundo havia sido preso numa barreira. Posteriormente, outro carcereiro, "Dr. Pepe", lhe disse que José Raimundo foi morto 24 horas após sua prisão, numa encenação montada em uma rua do Rio de Janeiro. O relatório para votação final na CEMDP observou que, "considerando-se como provas o depoimento de Inês Etienne Romeu, as evidentes marcas de algemas nos pulsos, as contradições entre os documentos do Instituto Carlos Éboli /RJ e do DOPS, o laudo com nome falso e o enterro como indigente e, acima de tudo, o controle a que estava submetido José Raimundo nos contatos com o agente infiltrado José Anselmo e a necessidade extrema de eliminá-lo para poder dirigir a VPR, fica evidenciado que a versão oficial de tiroteio divulgada pelos órgãos de repressão serviu para encobrir o assassinato sob torturas de José Raimundo da Costa". Lançado em 2006 e várias vezes premiado, o filme O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer, evoca lembranças do diretor em sua infância, quando seus pais, Amélia e Ernest Hamburguer, professores de Física na USP, foram presos em São Paulo como integrantes de um grupo de arquitetos, artistas e intelectuais (entre eles Lina Bo Bardi, Augusto Boal, Flávio Império, Sérgio Ferro e outros) que seriam presos ou perseguidos por ajudarem militantes da VPR e da ALN. A principal acusação contra os pais do cineasta foi, exatamente, ter abrigado em sua residência José Raimundo da Costa e sua esposa, em 1970. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110206/b9f88dd5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23561 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110206/b9f88dd5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 6 15:44:56 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 6 Feb 2011 15:44:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Lan=E7amento_do_livro_A_Coluna_Pr?= =?iso-8859-1?q?estes_na_XX_Feira_Internacional_do_Livro_Cuba_2011?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Lançamento do livro A Coluna Prestes na XX Feira Internacional do Livro Cuba 2011 Durante a XX Feira Internacional do Livro Cuba 2011, que acontecerá entre os dias 10 e 20 de fevereiro,em Havana, e, em seguida, percorrerá todas as províncias do país, a prestigiosa Casa de las Américas lançará cerca de 20 títulos, novos e reedições. Entre eles, "La columna Prestes", de autoria de Anita Prestes, que estará presente ao evento. O livro de Anita foi agraciado com o Prêmio Casa de las Américas 1990. Com 21 anos de atraso, ele agora será lançado por esta renomada instituição. Mais informações: Cubasí.cu Postado por Marcos César de Oliveira Pinheiro. Marcadores: Anita Prestes, literatura -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110206/f97aeaef/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17361 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110206/f97aeaef/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 7 20:05:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 7 Feb 2011 20:05:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_IEDA_SANTOS_DELGADO_=2E________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_______-XXXI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem IEDA SANTOS DELGADO (1945 - 1974) Filiação: Eunice Santos Delgado e Odorico Arthur Delgado Data e local de nascimento: 09/07/1945, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: 11/04/1974, São Paulo (SP) Carioca e afro-descendente, Ieda era advogada e funcionária do Ministério de Minas e Energia há cerca de quatro anos. Embora militante da ALN, conseguiu manter a vida em completa legalidade até ser presa em São Paulo, em 11/04/1974, quando desapareceu. Seu nome consta na lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Sua atuação política teve início entre 1967 e 1968, em Brasília, quando estudava Direito na UnB e participava discretamente das mobilizações estudantis que marcaram o período. Formou-se advogada em 1969 e falava francês, italiano, inglês e espanhol. Como funcionária do Ministério de Minas e Energia, fez curso de especialização na PUC do Rio de Janeiro, de setembro de 1971 a março de 1972. No mesmo ano, fez também outros cursos na Faculdade Cândido Mendes. Tinha trabalhado como assistente da assessoria jurídica do Ministério da Educação e Cultura, no Plano Nacional de Educação, de 1967 a 1970. Foi estagiária e, depois, assistente jurídica do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia e, em 1973, foi secretária jurídica do Centro de Pesquisas Experimentais. Ao ser presa, aguardava sua transferência para Brasília. Durante algum tempo, trabalhou também no suplemento literário do jornal Tribuna da Imprensa. Ieda viajou para São Paulo durante os feriados da Semana Santa de 1974, no dia 11 de abril, para buscar passaportes para um casal de militantes da ALN que precisava deixar o país. Não retornou ao Rio de Janeiro. Por telefonema anônimo, sua família soube que ela tinha sido presa em São Paulo. Sua mãe, Eunice, imediatamente viajou para São Paulo e iniciou uma busca desesperada pelo paradeiro da filha. Chegou a obter a informação, através de um general seu amigo, de que Ieda estivera presa em Campinas (SP), tendo sido hospitalizada em função das torturas, e também em Piquete (SP), onde permanecera por pouco tempo. Tais informações, oficiosas, nunca foram confirmadas. Os diversos habeas-corpus impetrados foram negados.Um mês depois da prisão da filha, Eunice passou a receber cartas de Ieda, o que a deixou ainda mais aflita. Inicialmente, em cinco linhas, em carta postada em Belo Horizonte, Ieda dizia para que a família não se preocupasse, que estava bem. Um mês depois outra carta, nos mesmos termos, postada do Uruguai. Nessa última, sua letra estava muito tremida. Eunice fez exames grafológicos e constatou que a letra era de Ieda. Nesse período do regime militar em que o desaparecimento se tornou regra sistemática nos órgãos de segurança, repetiram-se várias vezes episódios como esse em que, além do violento trauma trazido pelo desaparecimento, os familiares passaram a ser submetidos a verdadeiras operações de contra-informação e, muitas vezes, foram alvo de chantagem para obtenção de dinheiro em troca de informações que, em nenhum dos casos, se comprovaram verdadeiras. Ieda Santos Delgado foi homenageada, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, com a denominação de ruas em bairros da periferia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110207/658e1294/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2434 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110207/658e1294/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 7 20:05:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 7 Feb 2011 20:05:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Medicamento_ou_veneno=3F________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA=2C_SA?= =?iso-8859-1?q?=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <9E4D0E24F0884512A920E88B29DC00D6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ... o modelo capitalista PRECISA DESESPERADAMENTE DA DOENÇA. Manter uma população adoecida é manter o controle. Medicamento ou veneno? O símbolo da Medicina é uma cobra enrolada, com a seguinte frase:" Sedarem dolorem opus divinus est",ou seja: "Sedar a dor é um ato divino". Mas, como na vida tudo é relativo, vai lá uma pergunta: medicamento ou veneno? Na antiguidade grega, a Medicina era um grande sacerdócio, mas foi mudando, mudando até se tornar um grande negócio. O lucro passou a ser o medicamento. O veneno mais eficiente encontrado hoje é o modelo capitalista, que envenena as massas trabalhadoras com seu ódio, desprezo pelas pessoas, pelo trabalho justo e produtivo, pela falta de justiça, pela ausência da reforma agrária, pelo envenenamento com os agrotóxicos produzido pelo agronegócio... Lucro, lucro, lucro sempre o lucro, e tome uma mídia totalmente envenenada. O aumento da média de vida da população aconteceu muito mais em função das conquistas sociais bancadas pela população trabalhadora do que propriamente pelas conquistas científicas. As conquistas sociais sempre foram um medicamento voltado para a Saúde, ao passo que as conquistas cientificas sempre foram voltadas para combater as doenças. Uma complementa a outra...mas e o veneno? O modelo capitalista sempre foi o veneno, na sua forma mais avançada: o imperialismo, que, na fobia de impedir qualquer vestígio de luta de classes, tenta esmagar com a doença, alienação, desinformação, deseducação...Ou seja: o modelo capitalista precisa desesperadamente da doença. Manter a população adoecida é manter o controle. Doença e lucro mantêm essa cobra venenosa ativa e raivosa. As elites são iguais em qualquer lugar do planeta. Mantêm seus enormes "bolsos-familias" plenos de venenos, corrupção e artimanhas, criam leis para seu próprio benefício, mostram o "pau" e escodem sempre a cobra. Lucro com o "pão e circo", lucro com as doenças de massa produzidas pela forma totalmente insalubre ou insana da produção de bens e insumos inteiramente administrada pelo envenamento da "mais e cada vez mais-valia" e o lucro que desqualifica o indivíduo, tornando-o um simples objeto, um simples numerozinho desprezível e vulgar. O modelo capitalista precisa desqualificar e adoecer, eis sua real fonte de lucro. A Medicina, desde algum tempo, vem sendo usada metaforicamente, como no exemplo da cobra: medicamento ou veneno, ou seja, ambiguidade para encobrir outras razões. Escolas e cursos superiores particulares em cada esquina "sem rosto" para gerar lucros e formar gerações adestradas. Todos tem enormes lucros: "a industria da doença", com laboratorios, planos de saude, farmacias, drogarias, "em cada familia um ou vários doentes". E segue essa procissão impiedosa e cruel em nome da "bondade" e da "piedade". O "rabo do cavalo" é o setor público, que pertence verdadeiramente à população, mas só cresce para baixo. Doenças de massa, fome, miséria, causas naturais, desemprego, as grandes "jogadas" do capital especulativo que geram milhões de desempregos, angústia, desespero, cada vez mais doenças contra as quais a Medicina sozinha nunca pôde, nem dará conta. A Medicina é um alivio para a dor... a dor social. A tragédia social é para ser combatida de frente pelo indivíduo, pelo cidadão, pela ação coletiva, para retirar o veneno da exploração de classes... A nossa tarefa é envenenar as cobras, modificar, revolucionar, não acreditar em medicamentos que a cultura burguesa nos dá como líquidos e certos há séculos, como infantilizar-nos com suas verdades venenosas e absolutas. Usemos o medicamento adequado: justiça social. Usemos a Medicina, a Educação, a Arte, a Cultura, a Justiça, no lugar onde devem estar. O veneno da corrupção, do lucro; da alienação; da estupidez pela força das armas, das guerras por mais poder, ditaduras econômicas e culturais,podemos jogar tudo isso no lixo com suas cobras venenosas. É doloroso ver um trabalhador num corredor de um hospital público, totalmente desprotegido, sem nenhuma assistência, nenhum medicamento, quase morrendo, cercado de uma multidão de trabalhadores iguais a ele, nas mesmas circunstâncias, sem a menor chance... e o médico impotente. Aquele trabalhador que deu sua vida pela familia, pela sua dignidade, nunca imaginou que isso acontecesse. E o médico, com seu baixíssimo salário, vê todo dia isso acontecer...sem nada poder fazer. Eis o que o modelo capitalista nos impõe: nossa frustração ou morte, venenos letais. Contra o veneno... o antidoto, que é não se deixar levar pelas "bruxarias" "do não adianta fazer nada", "é impossível fazer alguma coisa", "é melhor negociar com o inimigo", "vamos fazer o jogo", "vamos manter a esperteza" , "os fins justificam os meios", "não adianta remar contra a maré"... A "bruxaria" só existe se você acreditar nela. Companheiro cidadão, coragem e esperança sempre, não se deixe envenenar. A sua voz é a minha voz, a sua angústia é a minha angústia, a tua força é a minha força. O nosso grande medicamento? Lucidez e solidariedade. Contribuição do leitor Daniel Chutorianscy, médico. e-mail: trenzinhocaipira at vnet.com.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110207/965dc150/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 37246 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110207/965dc150/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 7 20:05:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 7 Feb 2011 20:05:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Mais_de_um_milh=C3=A3o_de_pessoas_des?= =?utf-8?q?aparecidos_no_Iraque=2E_Sempre_a_M=C3=A3e_ou_o_Pai_de_Al?= =?utf-8?q?gu=C3=A9m=2C_Sempre_o_Filho_de_Algu=C3=A9m?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Sempre a Mãe ou o Pai de Alguém, Sempre o Filho de Alguém As Pessoas Desaparecidos no Iraque 7 de Fevereiro de 2011 Dirk Adriaensens Fonte: Truthout | Tradução de F.Macias Segundo dados da ONU, o Iraque tem o maior número de pessoas desaparecidas no mundo. Nota do Editor: O que segue é uma adaptação da apresentação que Dirk Adriaensens deu na 6ª Conferência Internacional Contra os Desaparecimentos, realizada em Londres em 9 de Dezembro 2010. Desaparecimentos forçados e pessoas desaparecidas Um desaparecimento forçado (ou obrigado) é definido no Artº 2º da Convenção pela Protecção de Todas as Pessoas de Desaparecimento Forçado, adoptado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 20 de Dezembro de 2006, como a prisão, detenção, sequestro, ou qualquer outra forma de privação da liberdade por agentes do Estado ou por pessoas ou grupos que agem com a autorização, apoio ou acordo do Estado, seguida por uma negação de conhecimento dessa privação de liberdade ou de encobrimento do destino ou paradeiro da pessoa desaparecida, o que coloca essa pessoa fora da protecção da lei. Muitas vezes, o desaparecimento forçado implica assassínio. Nesse caso a vítima é primeiro sequestrada, depois detida ilegalmente e muitas vezes torturada; então a vítima é morta e o corpo é escondido. Tipicamente, um assassínio é furtivo e o cadáver é tratado de forma a nunca mais ser encontrado, de forma a parecer que a pessoa tenha simplesmente sumido. Quem cometeu o crime pode negar sempre a acção, porque não há nenhum corpo para provar que a vítima, de facto morreu. Mais de um milhão de pessoas perdidas no Iraque Estimativas aproximadas indicam que mais de um milhão de pessoas desapareceram no Iraque. Segundo dados das Nações Unidas, o país tem o maior número de pessoas desaparecidas no mundo, resultante de diferentes períodos e que começou na guerra Irão e Iraque em 1980. Os desaparecimentos continuam a ocorrer de um princípio básico muito habitual. As partes mais importantes que estão agora envolvidas são o exército iraquiano, a polícia, diversas milícias, a al-Qaeda e o exército norte-americano. Paul-Henri Arni do Comité Internacional da Cruz Vermelha, disse que o Iraque, depois de três guerras ? contra o Irão em 1980, a primeira guerra do Golfo em 1991 e a invasão dos EUA em 2003 ? está a enfrentar o maior número de pessoas desaparecidas em todo o mundo. As famosas prisões secretas do Iraque A política ambígua das forças de ocupação norte americanas e o crescente fenómeno que são as prisões secretas norte-americanas no Iraque ? que até as organizações internacionais não têm conseguido localizar ? contribuiu para o vasto número de prisões secretas no Iraque (que um membro do actual parlamento iraquiano avaliou que excedam as 420) e deu origem a um enorme número de casos, relatados uns e outros não relatados, de desaparecimentos forçados. Centenas de milhares de Iraquianos têm sido sujeitos a abusos e torturas em prisões e centros de detenção. Dezenas de milhares de Iraquianos desapareceram durante os piores dias desta sórdida guerra, entre 2005 e 2007. Alguns foram apanhados e empilhados em camiões por milícias fardadas; outros parecem ter desaparecido, simplesmente. O ministro dos direitos humanos do Iraque, Wijdan Mikhail, disse que o seu ministério recebeu só em 2005 e 2006 mais de 9,000 queixas de Iraquianos que disseram que um familiar tinha desaparecido. Grupos defensores dos direitos humanos apontam um número muito mais alto. O destino de muitos Iraquianos perdidos permanece desconhecido. Muitos estão desfalecidos em qualquer das famosas prisões secretas do Iraque. Em Setembro de 2010, a Amnistia Internacional divulgou um relatório, ?Nova Ordem, Os Mesmos Abusos? que refere que vários detidos morreram sob custódia iraquiana devido a tortura e maus tratos por parte dos inquiridores iraquianos e guardas das prisões. O relatório denuncia que dezenas de milhares continuam presos sem acusação e que os guardas não informam o paradeiro dos desaparecidos aos seus familiares, o que para as famílias iraquianas que perderam os entes queridos, é um dos aspectos mais devastadores da ocupação dos EUA?. Dezenas de milhares de Iraquianos procuram membros da família desaparecidos Desde que a guerra no Iraque começou em 2003, dezenas de milhares de pessoas procuram membros da família que desapareceram. Segundo a Cruz Vermelha, entre 2006 e Junho de 2007, uns 20.000 corpos - menos de metade dos que foram identificados - foram depositados no Instituto de Medicina Legal (IML) de Bagdade. Corpos que não foram reclamados estão sepultados em vários cemitérios em toda a cidade. Além disso, o IML de Bagdade informou que recebe uma média de 800 corpos por mês desde 2003 e não consegue identificar uma quantidade significativa destes. Em 29 de Agosto de 2007 o Comité Internacional da Cruz Vermelha declarou: Não saber o destino de membros da família desaparecidos, como resultado da guerra e da violência durante a ocupação é uma dura realidade para milhares de Iraquianos. Mães, pais, esposas, maridos, filhas, filhos e as suas famílias alargadas desesperam para saber o paradeiro ou o destino dos seus entes queridos. As pessoas perdidas podem ter sido capturadas, sequestradas, algumas talvez mortas e enterradas em sepulturas não identificadas, ou podem estar num hospital em estado crítico ou permanecer num local de detenção escondido. No meio das guerras, os membros duma família podem ser separados quando fogem das zonas de combate procurando um porto seguro. Às vezes eles nunca mais se reencontram. Cabe às autoridades esclarecerem qual o destino das pessoas perdidas. 2003-2010: Há meio milhão de Iraquianos desaparecidos? O problema das pessoas desaparecidas e perdidas no Iraque é tratado com sigilo pelas forças ocupantes e as autoridades iraquianas. Os EUA e o governo iraquiano dão números subavaliados que não merecem nenhuma confiança. Segundo o governo iraquiano, milhares de Iraquianos são dados como desaparecidos desde a invasão norte-americana há sete anos ? embora ele saiba que os seus números sejam provavelmente apenas uma pequena parte do número real. Acredita-se que a maioria das pessoas que desapareceram, estejam mortas, mas mesmo aquelas cujos corpos foram encontrados não são sempre identificadas rapidamente. Em Maio de 2009, o Dr. Munjid Salah al-Deen, director da morgue central de Bagdade disse ao New York Times que a sua equipa estava a trabalhar na identificação de 28.000 corpos só de 2006 a 2008. Num relatório de 20 de Março de 2008, o Crescente Vermelho Iraquiano (IRCS) disse que tinha registado quase 70.000 casos de pessoas desaparecidas no Iraque logo após o início da guerra. Mesmo o IRCS não está imune à anarquia que assola o Iraque: no dia 17 de Dezembro de 2006, 30 dos seus activistas foram raptados de uma das sedes de Bagdade, 13 dos quais ainda continuam desaparecidos. Mais de 82% das pessoas deslocadas são mulheres e crianças com menos de 12 anos. Inquéritos feitos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em 2009 declararam que 20% das pessoas deslocadas internamente (IDPs) e 5% dos refugiados retornados disseram que tinham filhos desaparecidos. Esta estatística pode ser atribuída à violência em geral, incluindo raptos, e possivelmente recrutamento de pessoas armadas, entre outras causas. O total da população deslocada internamente no Iraque a partir de Novembro de 2009 foi estimado em 2,76 milhões de pessoas, e em número de famílias, 467.517 famílias. Se 20% destas famílias disseram que tinham filhos desaparecidos, um simples cálculo mostra que mais de 93.500 crianças de famílias deslocadas internamente, estão desaparecidas. Além disso, 30% de IDP (deslocados internamente), mais 30% de retornados e 27% de refugiados mencionaram que membros da sua família tinham desaparecido devido a raptos, sequestros e detenções e que não sabiam o que tinha acontecido com eles. Uma estimativa aproximada deu por isso um número de pessoas desaparecidas entre a população de refugiados e deslocados após ?o choque e o medo?, de 260.000 pessoas, sendo a maioria desaparecimentos forçados. O relatório do ACNUR de 2009 dá nota que a maioria (51%) dos refugiados retornados fugiu devido à violência generalizada; outras razões são as ameaças de que eram alvo ou ataques (39%) e operações militares (3%). Um em cada cinco Iraquianos é refugiado, ou IDP. Ao extrapolar os números divulgados pelo ACNUR para os restantes 80% da população iraquiana, o número total de pessoas desaparecidas, a partir ?do choque e a sensação de medo? pode ser mais do que meio milhão. Sheik Muthana Harith Al-Dhari, chefe da influente Associação de Sábios Muçulmanos do Iraque (AMSI) mencionou numa entrevista à Al-Jazeera há poucos meses que desde 2003 estão desaparecidos quase 800.000 iraquianos. E disse que a AMSI documentou com todo o cuidado, pessoas desaparecidas desde 2003 e que ele podia provar esse número com nomes e factos. Relatórios sobre os corpos não identificados Dahr Jamail, um dos poucos jornalistas não incorporados relatou em 6 de Fevereiro de 2009 que na região de al-Adhamiya de Bagdade, o que costumava ser um parque era agora um cemitério com mais de 5.500 sepulturas. O primeiro corpo foi ali sepultado em 21 de Maio de 2006. ? A maior parte dos corpos aqui sepultados nunca foram noticiados pela comunicação social? disse Abu Ayad Nasir Walid, de 45 anos e que geria o cemitério, a Jamail. A maior parte dos mortos nunca foram registados por ninguém? disse um coveiro chamado Ali, ?porque nós não verificávamos as certidões de óbito, e apenas tentávamos colocar os corpos na terra o mais depressa possível. Eu registava os nomes num livro, mas nunca ninguém do Estado nos veio perguntar quantas pessoas aqui estão sepultadas. Ninguém nem da comunicação social nem do ministério da saúde parece estar interessado.? Tais cemitérios ? e há muitos ? levantam questões sobre o número ?oficial? dos desaparecimentos forçados e pessoas desaparecidas no Iraque. Robert Fisk deu uma informação já em 17 de Agosto de 2005 ? meio ano antes do bombardeamento da Mesquita de Samarra Golden ? que se calculava que 1.000 corpos tinham dado entrada na morgue de Bagdade no mês de Julho: a maior parte das vítimas tinham sido executadas, esventradas, esfaqueadas, espancadas e torturadas até à morte. Segundo Fisk, o número de mortos era segredo. Houve uma subida de 85% se comparado com o número do mesmo mês antes da invasão dos norte-americanos. Os últimos números mostram uma tendência de subida: em 2004 e 2003, os números de mortos no mês de Julho foram 800 e 700, respectivamente. Por comparação, os números equivalentes em 1997, 1998 e 1999 foram todos inferiores a 200. ? Há tantos cadáveres a serem trazidos para a morgue que têm que ficar empilhados em cima uns dos outros. Os corpos não identificados têm que ser sepultadosem pouco tempo por causa da falta de espaço ? mas o município está tão sobrecarregado pela quantidade de assassinatos que deixou de poder fornecer veículos e pessoal para levarem os restos mortais para os cemitérios. O CICV informou em 17 de Abril de 2007 que em 2006, cerca de 100 civis eram mortos por dia e metade deles continuavam a não ser reclamados ou identificados. Milhares de corpos não identificados foram assim sepultados em cemitérios do Iraque designados para esse fim. Os corpos eram enterrados em cada três ou quatro dias só para darem lugar aos que entravam diariamente, tornando muitas vezes a identificação dos corpos impossível. Entretanto, dezenas de milhares de pessoas estavam sob custódia das autoridades iraquianas e das forças multinacionais no Iraque. Ao mesmo tempo que dezenas de milhares de famílias continuam sem notícias dos familiares que desapareceram durante as guerras passadas e recentes. Há hoje um novo emprego em Bagdade. Por um curto salário, algumas pessoas fazem a limpeza de lixeiras e das margens dos rios para encontrarem o corpo dum ente querido desaparecido. Por quanto tempo poderão as pessoas viver com tanta violência sem ficarem marcadas para sempre? Relatórios fortuitos de corpos não identificados fora de Bagdade No dia 17 de Julho de 2007, a BBC citou o chefe do departamento forense do hospital de Kurt sobre como se tornou constante o fluxo de cadáveres. Até agora nós recebemos 500 corpos. A maioria dos quais baleados ou torturados. Estão em avançado estado de decomposição, pelo que não se pode estar junto deles por muito tempo.? Demoraram pelo menos três dias a flutuar no rio desde o local donde foram atirados. A maioria não foi identificada. No dia 8 de Fevereiro de 2008, o Vozes do Iraque informou que o número de corpos não identificados que tinha sido enterrado só em Karbala desde Junho de 2006 chegou a 2043. O número de corpos não identificados que foram enterrados desde Dezembro de 2006 a Fevereiro de 2007 em valas comuns na província de Wassit, a 180 km do sudoeste de Bagdade chegou a 177. Um relatório do IPS em Baquba de 17 de Julho de 2007 citava Nima Jima?a, um funcionário da morgue:?A morgue recebe uma média de quatro ou cinco corpos por dia. Muitos mais são deitados aos rios e deixados nos campos ? ou algumas vezes também são enterrados pelos próprios assassinos por outras razões. O número que nós aqui registamos é apenas uma parte dos que foram mortos?. O número dos corpos não identificados não é mencionado. As famílias são muitas vezes incapazes de identificar e recolher os corpos. É até extremamente perigoso andar pela cidade. Além disso, a maior parte dos corpos não são de todo trazidos para a morgue para serem identificados e contabilizados. Mais de 280 pessoas da cidade de Faluja foram dadas como desaparecidas em 11 de Novembro de 2005, num relatório do Observatório Iraquiano pelos Direitos Humanos (MHRI). Desconhece-se ainda o seu destino. Estas pessoas estão oficialmente registadas com nomes e fotos de autoridades locais da cidade. Estima-se ainda que o total de pessoas desaparecidas em Faluja, seja superior a 500. Cada cidade e cada aldeia do Iraque tem uma história parecida para contar acerca de desaparecimentos forçados e de pessoas desaparecidas. Não há relatórios disponíveis de Mossul. Bassorá, Ramadi, Al Qaim, Haditha, e muitas outras cidades e aldeias onde ocorreram combates e limpeza étnica. Conclusões 1ª Conclusão: Só os simples cálculos e projecções que eu fiz, com base em relatórios oficiais e fontes fidedignas, são mais credíveis do que os números ardilosos dados pelos EUA e o governo fantoche iraquiano.É de salientar que os números representam pessoas e que a recusa em revelar os números reais de pessoas desaparecidas ou perdidas é um crime contra a humanidade. Estes números representam uma incompreensível falta de respeito pelos seres humanos que foram votados ao ostracismo porque os norte-americanos e os seus fantoches iraquianos assim quiseram. É de chamar também a atenção para que as pessoas não identificadas, perdidas, desaparecidas ou o que quiserem chamar-lhes, são sempre o pai ou a mãe de alguém, sempre o filho de alguém. Cada um deles tinha um rosto antes de ser desfeito, desfigurado, agredido com ácido, esburacado, queimado, espancado, baleado e lançado para a rua e enterrado anonimamente com outros corpos não identificados. Cada um deles teve um dia um rosto que podia ver, ouvir, rir e chorar, falar e sentir ? antes de ser aniquilado. As suas mortes representam nada menos do que a vida e a dignidade humanas sacrificadas no altar do lucro e da ganância dos poderes corporativos. 2ª Conclusão: Raramente um exército invasor e ocupante resolveu os problemas de um país. A ocupação é a forma extrema de ditadura. Ocupação é pilhagem: roubarem recursos em vez de pagarem por eles. Ocupação é assassinarem pessoas em vez de salvarem vidas humanas. A ocupação dá aos psicopatas a oportunidade e meios para matarem impunemente. Os exemplos da Jugoslávia durante a Segunda Grande Guerra, assim como as guerras sujas no Vietname e na América Central e América Latina deviam ser alertas. Só a total retirada de todas as tropas estrangeiras do solo Iraquiano pode garantir o início de um verdadeiro processo democrático. Só a retirada total pode abrir caminho para o início de uma investigação justa e completa sobre os desaparecimentos forçados e as pessoas desaparecidas no Iraque. Só a retirada total pode pôr fim ao caos que a invasão dos EUA trouxe. Perguntas Irá finalmente a Comissão dos Direitos Humanos acordar e nomear um relator especial para a situação dos direitos humanos no Iraque para investigarminuciosamente uma das piores crises no planeta? Haverá alguma vez revelações da Wikileaks sobre a ?guerra suja? no Iraque? Iremos nós saber alguma vez os verdadeiros números das pessoas desaparecidas no Iraque que foram torturadas e depois mortas pelos famosos esquadrões da morte e milícias organizadas, financiadas, equipadas, treinadas e desenvolvidas pelos proclamadores dos ?Direitos Humanos? ? os Estados Unidos da América e a Inglaterra? Irão as Nações Unidas alguma vez apelar à retirada total das tropas estrangeiras do solo Iraquiano e restituir a verdadeira soberania ao povo do Iraque, para ser representado pelo movimento anti-ocupação iraquiano? Irá a ONU criar finalmente uma comissão para o pagamento de indemnizações pelas forças invasoras e ocupantes, pelos prejuízos causados durante a invasão e a ocupação ilegais do Iraque? http://tribunaliraque.info/pagina/artigos/depoimentos.html?artigo=863 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110207/182372e3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9190 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110207/182372e3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 8 20:57:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 8 Feb 2011 20:57:59 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__W=E1lter_de_Souza_Ribeiro_____________?= =?iso-8859-1?q?______________________________________-XXXII-?= Message-ID: <89EC61643E0F4135B0BC4F24666738C4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Wálter de Souza Ribeiro Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Era filho de Benedito Ribeiro e Maria Natalícia de Souza Ribeiro. Nasceu em Teófilo Otoni, no dia 24 de setembro de 1924 numa família grande: Wanda, Walmira, Analice, Geraldo,Valdir e Conceição eram seus irmãos. Desaparecido desde 1974. Fez o curso primário numa escola pública de Teófilo Otoni e o ginásio em Conceição do Mato Dentro. Resolveu ser oficial do Exército, entrando para o Curso Preparatório de Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras. Pessoas que com ele conviveram e que o conheceram de perto descrevem-no como encantador, inteligente, excelente amigo, fiel companheiro e muito bom pai. Sua família morava em Governador Valadares, quando Walter saiu de casa em busca de formação profissional. Casou-se com Adalcy Byrro Ribeiro, filha de uma família de comerciantes em Governador Valadares e com ela teve três filhos: Marcos, Marina e Marcelo. Foi reformado como oficial do Exército pela Lei n° 1.507-A, de 28 de janeiro de 1950, por incompatibilidade com o oficialato. Foi considerado como "incompatibilidade" o fato de Walter haver assinado documento pela paz mundial, contra o uso de armas atômicas e o envio de tropas brasileiras para a guerra da Coréia. Walter desapareceu no dia 3 de abril de 1974, em São Paulo. Quando desapareceu, a primeira reação de D. Adalcy foi pensar em acidente; em seguida chegou à conclusão de que seu seqüestro e desaparecimento poderia ter sido mais uma arbitrariedade da polícia política implacável e violenta. A peregrinação da família começou, então, na tentativa de encontrar o esposo e pai. Marina, sua filha, procurou pelo pai, colocando anúncios nos jornais. Foram feitos contatos com a Ordem dos Advogados do Brasil e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que, através de D. Paulo Evaristo Arns, conseguiu uma audiência de dez famílias de presos políticos com o General Golbery do Couto e Silva. O General Golbery prometeu a Adalcy e aos outros familiares que, no prazo máximo de um mês, daria uma resposta sobre o paradeiro de Walter, o que não aconteceu no tal prazo, nem nunca. A única reação do governo viria um pouco depois, de forma fulminante, quando, em fevereiro de 1975, o Ministro da Justiça, Armando Falcão divulgou nota sobre os presos políticos, em que acusava Walter de subversivo e indigno para o oficialato, dizendo haver contra ele um mandado de prisão expedido pela 2ª Auditoria da 2ª Circunscrição da Justiça Militar em 1970, e que ele se encontrava foragido. Indignada com a nota do Ministro, Aldacy manifestou-se protestando, veementemente, contra as calúnias e apresentando fatos documentais que desmentiam o Ministro, uma vez que havia sido expedida pela 2ª Auditoria do Exército de São Paulo certidão negativa que atestava a boa conduta de seu marido. Assim ela se manifestou: "A nota é caluniosa também quando diz que meu marido foi expulso do Exército como indigno. Não existe, até agora, que seja do meu conhecimento e dos meus filhos, nenhuma expulsão e sim reforma pela lei n° 1507-A, de 28 de janeiro de 1950, por incompatibilidade para o oficialato... A reforma de um oficial por incompatibilidade não significa indignidade, conforme declarou o Ministro Falcão. Nossa dor já era demasiadamente grande pelo dramático desaparecimento do chefe da nossa família para suportar ainda o peso da difamação que o ministro nos impôs através de toda a imprensa nacional." Para a família de Walter, seu desaparecimento, além de revolta e angústia, significou grandes privações inclusive financeiras, uma vez que não podia, ao menos, receber o soldo a que tinha direito, pois não possuía atestado de óbito. Anos após seu desaparecimento, a família de Walter continuou sua busca através de advogados e da Comissão de Justiça e Paz da CNBB. De acordo com declarações do ex-sargento Marival Dias Chaves do Canto à revista "Veja" de 18 de novembro de 1992, Walter de Souza Ribeiro foi capturado pelo DOI/CODI em São Paulo e levado para o Rio de Janeiro, onde foi assassinado e esquartejado, sendo as partes de seu corpo enterradas em lugares diferentes, para não ser identificado. Essa prática monstruosa foi muito utilizada pela polícia política, naquela época, contra militantes políticos. ================================================================================= + detalhes Walter de Souza Ribeiro era mineiro de Teófilo Otoni e começou seus estudos numa escola pública daquela cidade. Fez o ginasial em Conceição do Mato Dentro e ingressou no Curso Preparatório de Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, tornando-se 2º tenente em 1950. Sua família morava em Governador Valadares (MG) quando saiu de casa em busca de formação profissional. Casou-se com Adalcy Byrro Ribeiro, com quem teve três filhos: Marcos, Marina e Marcelo. Foi reformado como oficial do Exército, em 1951, por ter assinado um manifesto contra o uso de armas atômicas e contra o envio de tropas brasileiras para a Guerra da Coréia. A exclusão utilizou como motivo "incompatibilidade" para o oficialato. Em 1959 mudou-se para Brasília, ainda em construção, trabalhando como funcionário da Novacap até abril de 1964, quando foi demitido por força do primeiro Ato Institucional. Documentos dos órgãos de segurança o citam como integrante do Comitê Central do PCB e registra uma viagem que teria feito a Cuba em 1963, além de ter sido responsável por cursos de formação política no partido. Após o seu desaparecimento, a família conseguiu colocar anúncios nos jornais denunciando o fato e participou do encontro dos familiares com o general Golbery. Na resposta do governo, divulgada somente em fevereiro de 1975, a desastrada nota do ministro da Justiça Armando Falcão acusou Walter de ser subversivo, de ser indigno para o oficialato e que havia contra ele mandado de prisão expedido desde 1970, estando foragido. Indignada com a nota do Ministro, Aldacy protestou contra as calúnias, apresentando documentos que desmentiam o ministro. Havia sido expedida pela 2ª Auditoria do Exército de São Paulo certidão negativa que atestava boa conduta de seu marido. Em seu protesto Aldacy escreveu: "A nota é caluniosa também quando diz que meu marido foi expulso do Exército como indigno. Não existe, até agora, que seja do meu conhecimento e dos meus filhos, nenhuma expulsão e sim reforma pela lei n. 1507-A, de 28 de janeiro de 1950, por incompatibilidade para o oficialato... A reforma de um oficial por incompatibilidade não significa indignidade, conforme declarou o ministro Falcão. Nossa dor já era demasiadamente grande pelo dramático desaparecimento do chefe da nossa família para suportar ainda o peso da difamação que o ministro nos impôs através de toda a imprensa nacional". Para a família de Walter, seu desaparecimento, além de revolta e angústia, significou grandes privações inclusive financeiras, uma vez que viúva e filhos não podiam sequer receber o soldo a que tinham direito, uma vez que não existia atestado de óbito. O jornalista Elio Gaspari colhe vários depoimentos, em A Ditadura Derrotada, examinando a possibilidade de existir algum agente infiltrado no PCB naquele período como explicação para os cinco desaparecimentos ocorridos no início do governo Geisel. Ouviu do dirigente Givaldo Siqueira que ele estava desconfiado da possibilidade de Walter de Souza Ribeiro estar "campanado". Segue a reconstrução de Gaspari: "No dia 3 de abril, Ribeiro saiu de uma reunião numa casa em cuja vizinhança havia pessoas consertando a fiação de postes. Foi a um 'ponto' conversar com Luís Inácio Maranhão. Ex-deputado estadual no Rio Grande do Norte, defensor da anticandidatura de Ulysses Guimarães à Presidência da República e amigo do cardeal Eugênio Sales, Maranhão era uma espécie de chanceler do Partidão. Encarregava-se dos contatos com parlamentares e com a Igreja. Também iria a esse encontro João Massena Mello, ex-deputado estadual carioca e veterano agitador sindical do PCB. Pagara três anos de cadeia e estava em liberdade fazia pouco mais de um ano. Sumiram todos.(...) Em 1992 um ex-sargento do Exército, Marival Chaves Dias do Canto, narrou ao repórter Expedito Filho, da revista Veja, uma parte de seus sete anos de serviço na máquina de repressão militar em São Paulo. Segundo ele, Luís Maranhão e João Massena acabaram num cárcere montado numa fazenda da estrada da Granja 20, em Itapevi. Liquidaram-nos com injeções de uma droga destinada a matar cavalos e jogaram seus corpos num rio. Walter de Souza Ribeiro, David Capistrano e José Roman foram levados para a casa que o CIE mantinha em Petrópolis. Esquartejaram-nos". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/381362e6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2815 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/381362e6/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/381362e6/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 8 20:58:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 8 Feb 2011 20:58:07 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Uma_esperan=E7a=3A_A_Era_do_Ecoz?= =?iso-8859-1?q?=F3ico__por__Leonardo_Boff?= Message-ID: <534EF136C436455B8335D4B27A657A61@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Uma esperança: A Era do Ecozóico Leonardo Boff Teólogo, filósofo e escritor Adital Quem leu meu artigo anterior 'O antropoceno: uma nova era geológica' deve ter ficado desolado. E com razão, pois, quis intencionalmente provocar tal sentimento. Com efeito, a visão de mundo imperante, mecanicista, utilitarista, antropocêntrica e sem respeito pela Mãe Terra e pelos limites de seus ecossistemas só pode levar a um impasse perigoso: liquidar com as condições ecológicas que nos permitem manter nossa civilização e a vida humana neste esplendoroso Planeta. Mas, como tudo tem dois lados, vejamos o lado promissor da atual crise: o alvorecer de uma nova era, a do Ecozóico. Esta expressão foi sugerida por um dos maiores astrofísicos atuais, diretor do Centro para a História do Universo, do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia: Brian Swimme. Que significa a Era do Ecozóico? Significa colocar o ecológico como a realidade central a partir da qual se organizam as demais atividades humanas, principalmente a econômica, de sorte que se preserve o capital natural e se atenda as necessidades de toda a comunidade vida presente e futura. Disso resulta um equilíbrio em nossas relações para com a natureza e a sociedade no sentido da sinergia e da mútua pertença deixando aberto o caminho para frente. Vivíamos sob o mito do progresso. Mas este foi entendido de forma distorcida como controle humano sobre o mundo não-humano para termos um PIB cada vez maior. A forma correta é entender o progresso em sintonia com a natureza e sendo medido pelo funcionamento integral da comunidade terrestre. O Produto Interno Bruto não pode ser feito à custa do Produto Terrestre Bruto. Aqui está o nosso pecado original. Esquecemos que estamos dentro de um processo único e universal -a cosmogênese- diverso, complexo e ascendente. Das energias primordiais chegamos à matéria, da matéria à vida e da vida à consciência e da consciência à mundialização. O ser humano é a parte consciente e inteligente deste processo. É um evento acontecido no universo, em nossa galáxia, em nosso sistema solar, em nosso Planeta e nos nossos dias. A premissa central do Ecozóico é entender o universo enquanto conjunto das redes de relações de todos com todos. Nós humanos, somos essencialmente, seres de intrincadíssimas relações. E entender a Terra com um superorganismo vivo que se autorregula e que continuamente se renova. Dada a investida produtivista e consumista dos humanos, este organismo está ficando doente e incapaz de "digerir" todos os elementos tóxicos que produzimos nos últimos séculos. Pelo fato de ser um organismo, não pode sobreviver em fragmentos mas na sua integralidade. Nosso desafio atual é manter a integridade e a vitalidade da Terra. O bem-estar da Terra é o nosso bem-estar. Mas o objetivo imediato do Ecozóico não é simplesmente diminuir a devastação em curso, senão alterar o estado de consciência, responsável por esta devastação. Quando surgiu o cenozóico (a nossa era há 66 milhões de anos) o ser humano não teve influência nenhuma nele. Agora no Ecozóico, muita coisa passa por nossas decisões: se preservamos uma espécie ou um ecossistema ou os condenamos ao desaparecimento. Nós copilotamos o processo evolucionário. Positivamente, o que a era ecozóica visa, no fim das contas, é alinhar as atividades humanas com as outras forças operantes em todo o Planeta e no Universo, para que um equilíbrio criativo seja alcançado e assim podermos garantir um futuro comum. Isso implica outro modo de imaginar, de produzir, de consumir e de dar significado à nossa passagem por este mundo. Esse significado não nos vem da economia, mas do sentimento do sagrado face ao mistério do universo e de nossa própria existência. Isto é a espiritualidade. Mais e mais pessoas estão se incorporando à era ecozóica. Ela, como se depreende, está cheia de promessas. Abre-nos uma janela para um futuro de vida e de alegria. Precisamos fazer uma convocação geral para que ela seja generalizada em todos os âmbitos e plasme a nova consciência. [Leonardo Boff é autor de 'Cuidar da Terra - Proteger a vida'. Record, 2010]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/0e4e4380/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6579 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/0e4e4380/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 8 20:58:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 8 Feb 2011 20:58:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?ISTO=C9_=3A___A_vers=E3o_de_Cesare?= =?iso-8859-1?q?_Battisti_-_=22Por_que_tudo_isso_comigo=3F=22?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Brasil | N° Edição: 2047 | .Fev.09 Cesare Battisti - "Por que tudo isso comigo?" Em entrevista à ISTOÉ, Cesare Battisti fala de comunismo, guerrilha, arrependimento, inimigos, erros, perseguições e fugas Por Luiza Villaméa ISTOÉ - Como é ser o pivô de uma crise entre o Brasil e a Itália? Cesare Battisti - Eu, sinceramente, não acredito que tudo isso esteja acontecendo.É enorme, é exagerado. Eu não sou essa pessoa tão importante. Sou um dos milhares de militantes italianos dos anos 1970. Sou um das centenas de militantes que se refugiaram no mundo inteiro, fugindo dos anos de chumbo da Itália. Por que tudo isso comigo? ISTOÉ -O sr. teme que o Brasil volte atrás, por causa da reação forte da Itália? Battisti - Não. A decisão do ministro Tarso Genro é bem fundamentada. Ele analisou todos os documentos. Não foi uma leitura superficial. E a perseguição política está provada nos documentos.Acho que o gesto do ministro Genro foi de coragem e de humanidade. A decisão é muito importante não só para mim, Cesare Battisti, mas para a humanidade. A Itália precisa reler a própria história. Nós estamos dando à nação italiana a possibilidade de reler sua história com serenidade, humanamente. ISTOÉ - Junto com a reação italiana, reapareceu um antigo companheiro seu, Pietro Mutti, dizendo que o sr. participou da morte de um joalheiro e de um policial. O sr. matou estas pessoas? Battisti - De jeito nenhum. Está muito longe da realidade. Na época desses assassinatos eu nem fazia mais parte dos PAC. ISTOÉ - O sr. matou alguém? Battisti - Eu nunca matei ninguém. Eu nunca fui um militante militar em nenhuma organização. Nem na Frente Ampla nem nos PAC, onde fiquei dois anos, entre 1976 e 1978. Saí dos PAC em maio de 1978, depois da morte de Aldo Moro (o ex-primeiro-ministro da Itália sequestrado e morto pelas Brigadas Vermelhas). Na época, milhares de militantes abandonaram os movimentos de luta armada. Foi um momento de debate muito importante na Itália. ISTOÉ - O sr. repetiria que não matou ninguém na frente de Alberto, o filho do joalheiro Pierluigi Torregiani, que está na cadeira de rodas em consequência de um atentados dos PAC? Ele faz parte da campanha contra o sr. na Itália. Battisti - É lamentável o que está fazendo o Alberto Torregiani. Ele sabe que eu não tenho nada a ver com isso. Porque eu já troquei muitas cartas com ele. Uma correspondência de amizade, de sinceridade e de respeito. Mas o Alberto Torregiani sofre pressão por parte do governo italiano porque ele, depois de tantos anos de luta, coitado, conseguiu uma aposentadoria como vítima do terrorismo. Desde 2004, tem uma pensão como vítima dos anos de chumbo na Itália. Eles estão fazendo pressão, já que podem tirar a pensão dele. ISTOÉ - Por que o sr. entrou em contato com Alberto Torregiani? Battisti - Sempre me sensibilizei com a situação do Alberto. Ele era um adolescente na época do atentado. Ao reagir ao ataque, o pai acabou acertando o filho, que ficou paraplégico. ISTOÉ - E o Pietro Mutti, como o sr. entende a manifestação dele, depois de anos de silêncio? Battisti - Ele repetiu, palavra por palavra, o que falou para o procurador Armando Spataro, em 1981. E, como outros "arrependidos", ele havia falado sob tortura. Agora, não posso afirmar que ele não foi ressuscitado pela máquina do governo italiano. Mas, mesmo se ele tiver reaparecido de verdade, ele não poderia fazer outra coisa senão repetir exatamente o que exige o procurador conhecido por ter chefiado o esquema de tortura na região de Milão. Naquela época, a tortura fazia parte do cotidiano da Itália. A Itália tem de reconhecer isso. Mas não pode. Porque a Itália é Europa. E a Itália não pode admitir que nos anos 1970 viveu uma guerra civil. ISTOÉ - Mas era uma democracia. Não era uma ditadura. Battisti - Havia uma democracia na qual a máfia estava no poder. Nós temos um primeiro-ministro que ficou décadas no poder e foi condenado por ser mafioso. Estou falando de Giulio Andreotti (líder do Partido Democrata-Cristão italiano, primeiro-ministro nos períodos de 1972-1973, 1976-1979 e 1989-1992). Havia também os fascistas, que nunca foram afastados do poder. E hoje, infelizmente, voltaram. ISTOÉ - Na semana passada, uma mulher identificada como sua ex-namorada Maria Cecília B. disse na mídia italiana que o sr. confessou a ela o assassinato de um agente penitenciário. Battisti - Maria Cecília Barbeta, que nunca foi minha namorada, foi uma colaboradora da Justiça. Era o que chamavam de colaboradora secundária, que confirmava detalhes para sustentar uma acusação. ISTOÉ - E ela pertencia aos PAC? Battisti - Eu nunca tive conhecimento disso. Acho que não. Era da Frente Ampla, na região de Veneza. Devem ter pedido a ela que confirmasse um detalhe. Aí, ela disse que numa noite eu confessei ser o assassino do agente penitenciário. ISTOÉ - Quantos integrantes tinham os PAC? Battisti - Na época em que fiquei nos PAC, entre 1976 e 1978, eu não conhecia todo o grupo, em nível nacional. Mas acho que tinha pelo menos umas 200 pessoas ativas, mas os PAC existiram até 1979. Tinha também grupos de apoio. ISTOÉ - Qual era o seu papel nos PAC? Battisti - Os PAC tinham um jornal, Senza galera. Significava "sem cadeias". Cadeias no sentido mais amplo, de Michel Foucault, a favela, o gueto. Eu entrei para colaborar com este jornal. Mas comecei a fazer política ilegal muito jovem, com 15, 16 anos. Participei de todas as lutas. Na época tinha luta para o divórcio, o aborto, para a redução das tarifas de eletricidade. Tinha também a luta pela legalização da maconha. Era uma época especial. E comecei a me interessar por política dentro de casa. ISTOÉ - Como? Battisti - Eu sou filho e neto de comunistas. Quando tinha dez anos, andava com meu irmão, com toda a família, com um cravo vermelho na roupa. Era uma enfermidade em toda a casa. Ser comunista naquela época não era tão fácil. Na escola, quando criança, eu tinha problemas com isso, porque a Igreja Católica não era muito tolerante com os comunistas. ISTOÉ - E sua família? Battisti - Minha mãe era católica, muito crente. Meu pai, não, mas era tolerante em relação à Igreja. E tínhamos muitos santos em casa. E havia também um quadro de Stálin. Quando eu era criança, com sete, oito anos, eu achava que Stálin era santo também. Um pouco estranho, por causa do bigode, mas eu era uma criança. Entrei cedo na juventude comunista. Depois, saí do partido comunista e entrei no que era o movimento de extrema esquerda da época. ISTOÉ - E, pouco depois, o sr. foi preso pela primeira vez. Battisti - Nessa época, nós financiávamos os movimentos com furtos, pequenos assaltos. ISTOÉ - O sr. chegou a ser condenado por assalto à mão armada? Battisti - Fui, por assalto a uma mansão, na região de Roma. Era na Frente Ampla. Todo mundo praticava ilegalidades nesta época. Chamávamos de expropriações proletárias. Não eram, claro, furtos contra pobres. Eram alvos escolhidos. Era uma prática generalizada. Servia para financiar nossos cartazes, jornais e pequenas revistas. As primeiras rádios livres, por exemplo, foram financiadas por atividades ilegais. ISTOÉ - E por que o sr. resolveu vir para o Brasil? Battisti - Eu morei dez anos no México. Fui fundador de uma revista e de uma bienal de artes gráficas. Sabia que no Brasil existiam muitos refugiados italianos. Eu tinha contato com alguns deles. Eles passavam muito bem. Tinham família, tinham trabalho. Estavam integrados. O povo brasileiro é parecido com o italiano. ISTOÉ - Mas por que o Brasil em 2004? Battisti - Não foi uma fuga, não foi uma escolha de verdade. ISTOÉ - O sr. tinha apoio no Brasil? Battisti - Tinha o contato do Fernando Gabeira. Não o conhecia pessoalmente, mas tínhamos amigos em comum. Tinha também outros endereços que nunca usei, como o do Ziraldo, o escritor. Gabeira foi muito receptivo comigo. Eu não falava português, mas ele falava francês e italiano. Foi uma grande ajuda para mim, psicologicamente. ISTOÉ - Financeiramente também? Battisti - Não, ele me deu ajuda psicológica. Eu vivia dos direitos autorais dos livros que tenho publicado na França. E, desde que cheguei ao Brasil, já escrevi outros três livros. O último, eu preciso revisar para entregar para a editora. É uma continuação de Minha luta sem fim, que foi publicado no Brasil. ISTOÉ - Como foi a sua vinda para o Brasil? Operacionalmente, como se deu? Battisti - Uma parte da França me ajudava. Havia um grande movimento popular, intelectual, que se manifestou a meu favor. E neste momento existiam também alguns membros do governo, que não posso citar os nomes, que haviam se comprometido conosco, refugiados italianos. Eles estavam com dificuldade de aceitar que a França renunciara à palavra dada. ISTOÉ - Eles integravam os serviços de segurança da França? Battisti - Eram pessoas do serviço secreto. Deste pessoal chegou a orientação para eu abandonar a França. A ideia de minha fuga para o Brasil foi de um integrante do serviço secreto da França. No escritório de meus advogados franceses, um deles me disse que a Itália estava pressionando, por causa das denúncias que eu fazia em meus livros. E ele me falou do Brasil, lembrou que havia muitos refugiados italianos no Brasil. Eu, por minha vez, me lembrei de tudo que tinha ouvido falar sobre o Brasil quando vivi no México. ISTOÉ - E como essa saída se concretizou? Battisti - Uma semana depois, ele mandou outra pessoa me entregar um passaporte, italiano, com minha foto e meus dados. ISTOÉ - E foram eles que organizaram sua vinda para o Brasil? Battisti - Não. Eu fui de carro da França para a Espanha e Portugal. De Lisboa, fui para a Ilha da Madeira. De lá, fui de barco até as Ilhas Canárias. Nas Canárias, peguei um avião para Cabo Verde e, em seguida, para Fortaleza. ISTOÉ - O sr. tinha algum contato em Fortaleza? Battisti - Não, mas lá aumentaram as minhas suspeitas de que havia uma informação cifrada no código de barra do meu passaporte. Em todos os lugares, alguém sabia que eu estava chegando. Em Fortaleza, foi na fila do controle de passaporte. Faltava pouco para a minha vez. Chegaram três pessoas. Uma delas, uma mulher, falava francês perfeitamente. Falou que precisava ativar o código de barras de meu passaporte. Me levaram para uma sala, me convidaram para um cafezinho e, depois de dez minutos, me devolveram o passaporte. ISTOÉ - O sr. acredita então que foi monitorado no Brasil? Battisti - Durante dois anos e meio, fui constantemente monitorado. ISTOÉ - Por quem? Battisti - Por brasileiros e pelos franceses. Sempre. Acho que em algum momento entraram também os italianos. ISTOÉ - Mas, se o sr. não tem importância, como disse, por que esse monitoramento? Battisti - Não sei. Fico me perguntando o porquê e os custos. Quem estava financiando isso aí? ISTOÉ - O que sobrou da militância? Battisti - Eu continuo sendo um comunista de verdade, não no sentido partidário. As minhas ideias não mudaram. Continuo pensando que tem muita injustiça social, que a humanidade tem ainda muito a fazer para se desenvolver. Minha maneira de intervir nisso é através da escrita, do voluntariado. Na França, dei cursos de escrita para presos, ajudei a montar bibliotecas em comunidades carentes. Por meio dessas atividades, eu continuo minha militância. ISTOÉ - E como o sr. avalia a luta armada? Battisti - A luta armada foi um erro. Agora não acredito que se possa fazer uma revolução pelas armas. Eu nunca atirei em ninguém, mas usei armas em operações para o financiamento das organizações. ISTOÉ - Se o sr. olhasse para trás e pudesse alterar algo em sua vida, o que mudaria? Battisti - Eu não mudaria minhas ideias, mudaria os meios para alcançar os resultados. Nunca acreditei que se podia mudar o mundo matando pessoas. Nem quando entrei nos PAC, porque a organização não incluía a morte de pessoas em suas diretrizes. Os PAC se diferenciavam das Brigadas Vermelhas e de outras organizações por esta razão. E foi este o motivo de minha ruptura com os PAC depois da morte de Aldo Moro. Os PAC defenderam a morte de Aldo Moro. ISTOÉ - O sr. se lembra da última vez que se encontrou com Pietro Mutti? Battisti - Foi horrível. Porque eu saí da prisão em um momento de derrota total. Estávamos em 1981. Só alguns fanáticos acreditavam ainda que se podia fazer algo com as armas na Itália. Quase todos os chefes de organizações - na Itália eram mais de 100 grupos armados - estavam presos. Na cadeia, nos reuníamos. Para nós, a ofensiva armada tinha acabado. ISTOÉ - Mas o sr. não foi resgatado desta prisão por uma operação armada? Battisti - É. Eu não saí sozinho. Fui escolhido para ser libertado por meio de uma ação pesada, durante a qual não se usou violência física contra ninguém, com uma missão. Falar com Pietro Mutti e outros chefes de organizações para deixar a iniciativa armada, fazer uma retirada estratégica, me reintegrar na Frente Ampla e continuar as ações de financiamento para sustentar os que estavam na clandestinidade e também os que estavam presos. ISTOÉ - E como se saiu nesta missão? Battisti - Esta missão foi um desastre. O Pietro Mutti estava sob uma pressão terrível, tinha sob suas ordens jovens de 18, 20 anos, pelos quais ele se sentia responsável. Brigamos. Esse último encontro foi uma grande briga durante a qual eu joguei um cinzeiro na cara de uma militante que me chamou de traidor. Porque eles acharam que eu sairia da cadeia falando em Che Guevara e na luta pelas armas. E eu cheguei dizendo que tudo estava acabado. ISTOÉ - O sr. desenvolve algum trabalho na cadeia? Battisti - Eu estou acabando meu terceiro livro. O segundo, que está no computador, é Ser Bambu. O terceiro se chama Ao Pé do Muro. É uma trilogia, uma continuação. ISTOÉ - Então é autobiográfico? Battisti - É autobiográfico, mas é um pouco diferente do primeiro. Agora já retomei um pouco meu estilo de romance. ISTOÉ - O sr. escreve à mão ou no computador? Battisti - À mão. ISTOÉ - Como reage à repercussão internacional de seu caso? É mais difícil lidar com o cotidiano da cadeia? Battisti - Agora tenho assistência psiquiátrica e estou tomando antidepressivo. ISTOÉ - Mas o sr. parece animado. É a perspectiva de ser libertado? Battisti - Um pouco e fiquei animado com sua entrevista. Mas a pressão é enorme. Cada vez que penso nisso, não acredito que esteja acontecendo comigo. ISTOÉ - Vê as notícias a seu respeito na TV? Battisti - Fala-se muito sobre meu caso. E os outros presos têm muita solidariedade. Nunca tive problemas nem com os presos, nem com os agentes. ISTOÉ - Há uma acusação de que o sr. matou o comandante de uma cadeia, os agentes penitenciários aqui sabem disso? Battisti - Acho que sim. Mas atualmente estou sendo tratado muito bem, com respeito. E os agentes me tratam como qualquer outro preso. ISTOÉ - Como encara a decisão final que está para sair do Supremo? Battisti - O Brasil me concedeu meu refúgio político. O procurador-geral da República deu parecer favorável ao refúgio. Acho que o Supremo irá na mesma direção, que já tomou em outros casos. ISTOÉ - O sr. está tranquilo ou ansioso? Battisti - Não estou tranquilo porque a pressão é enorme. Está arrebentando comigo. As notícias, a mídia, eu não estou preparado para isso. Agora, uma coisa me surpreende de um lado: porque essa mídia que está fazendo todo esse barulho não se pergunta por que há essa reação exagerada da Itália. Essa histeria da Itália. Por que está acontecendo comigo? Por que o presidente e os ministros italianos estão reagindo dessa maneira pessoal? ISTOÉ - A primeira-dama da França, Carla Bruni, interveio a seu favor? Battisti - Eu acho isso uma mentira. E acho que a Carla Bruni não teria porque intervir a meu favor. ISTOÉ - Mas nos documentos encaminhados ao Conare, consta que a irmã dela, Valerie, interveio no passado. Battisti - Não sei. Ela declarou isso oficialmente? ISTOÉ - O sr. conversa sobre sua situação com suas filhas? Battisti - Sim. Sim. ISTOÉ - É difícil para elas? Battisti - Não. Porque nunca escondi minha vida. Desde criança, cresceram, conhecendo tudo pouco a pouco. ISTOÉ - Mas na imprensa internacional o sr. é um terrorista, assassino. Battisti - Na Itália, não estão todos contra mim, na França, muitas pessoas estão a meu favor. Muita gente não acredita que sou terrorista ou assassino. ISTOÉ - A Fred Vargas abre a lista dessas pessoas? Battisti - Uma pessoa que conhece profundamente meu processo. Acho que ela conhece mais que eu. Foi a única pessoa no mundo que leu essas duas malas de processos. ISTOÉ - Em quem o sr. se apega para continuar tocando em frente, para ter força, diante dessa pressão? O sr. tem fé em Deus? Battisti - Sim. ISTOÉ - Com sua formação, o sr. acredita em Deus? Battisti - Acredito numa força superior. Na lei superior universal. Sempre. Misturo isso com minha vida e meu pensamento político. Acho que estou agindo na direção dessa força superior. Mesmo quando errei. Por exemplo, usei armas, mesmo não matando ninguém, estava num processo de violência. Mas sempre acreditei. ISTOÉ - A que o senhor se apega nesses momentos difíceis? Battisti - Às pessoas, às milhares de cartas que chegam para mim. ISTOÉ - Que pessoas? Battisti - Pessoas que não me conhecem. Muitas cartas de pessoas que eu nem imaginava que gostassem de mim, do mundo inteiro. De pessoas que conheci nos anos 70, que conheço, que sabem porque está acontecendo isso comigo. ISTOÉ - O sr. acha que seus livros influenciam? Battisti - Com certeza. ISTOÉ - Livros denunciando a tortura nos anos 70? Battisti - Denunciando o que a Itália nunca quis assumir. Na Itália existiu na guerra civil, como denunciamos para o orquestrador da repressão na época, o ex-presidente da República italiana Francesco Cossiga. Ele mandou uma carta pessoal para mim, me reconhecendo como militante político. A senhora pode ter acesso a essa carta. Ele diz que éramos um grupo revolucionário que queria tomar o poder pela via das armas num projeto socialista. Palavras do Francesco Cossiga. Será que Berlusconi, o grande mafioso, tem mais crédito do que Cossiga? ISTOÉ - O que o sr. gostaria de fazer depois de sair da prisão? Battisti - Neste período na cadeia, li muito, aprofundei muito o conhecimento do país, historicamente, socialmente, culturalmente. Para mim o Brasil é um país muito interessante do ponto de vista humano, do ponto de vista também profissional. Eu posso fazer muito aqui, exatamente o que fazia na França, ter muita iniciativa cultural, continuar a escrever, reunir aqui a minha família. ISTOÉ - O sr. quer trazer a Valentina e a Charlène? Battisti - Eu quero trazer as minhas filhas. Não estou casado. Quero trazer a mãe de minhas filhas também. A Valentina cursou biogenética. Tem projeto para ela aqui no Brasil, há muito que fazer nessa área. A biogenétia aqui no Brasil é um assunto muito importante, o mundo inteiro está olhando para o Brasil. Eu estou sonhando com isso. ISTOÉ - O sr. tem algum lugar de preferência? Battisti - Eu gosto muito do Rio de Janeiro. É um paraíso. É uma maravilha. Mas na verdade não sei onde vou viver. Acho que minha família vai adorar o Rio de Janeiro. ISTOÉ - Por que o sr. demorou 16 anos para falar que não matou ninguém? Battisti - Porque os outros que confessaram, disseram que tinham matado de verdade. Se eu me defendesse, me diferenciaria e abriria uma brecha na doutrina Mitterrand, que impunha a mesma defesa para todos. Nada de sustentações individuais, como inocência, revelia, como alegações pessoais. Eu obedeço a essa norma de conduta. Em nenhuma das etapas desse processo reivindico a inocência. Fiz um documentário sobre os anos de chumbo na Itália e essa é a causa da vingança dos poderosos políticos italianos. Eu não posso me separar. Para dizer que sou inocente, tenho que renunciar a defesa dos advogados. Fiz procuração para outro advogado, que está me defendendo na França, para poder dizer, agora alto, que não matei ninguém e fui condenado à revelia. Para isso, tive de sair da defesa coletiva. ISTOÉ - E por isso não foi feita essa defesa pontual? Battisti - Exato. Acho que a Itália mente. O governo italiano está mentindo. A mídia italiana, em sua maioria, pertence ao Berlusconi. Estão mentindo. Pessoas estão manipulando, ou estão deixando manipular. Nunca fui ouvido pela Justiça italiana sobre esses quatro homicídios. Nunca. Não existe. Não fui ouvido nenhuma vez num inquérito, na fase de instrução. ISTOÉ - A França se recusou a extraditar Marina Petrella, que era da Brigada. Battisti - Sim. A situação penal dela é muito mais pesada que a minha. Porque não fazem todo esse barulho, porque não fazem nada? Essa pessoa está sendo acusada de coisas muito mais pesadas do que eu. Porque não fazem nada? A pergunta que faço é esta: estaria disposta a Justiça italiana hoje a me ouvir pela primeira vez sobre esses quatro homicídios, antes de me enterrar vivo? A Itália estaria disposta a me ouvir uma só vez sobre esses quatro homicídios antes de me condenar, como condena a Petrella, à privação da luz solar? Privar um homem da luz solar é um homicídio. ISTOÉ - Como é o seu cotidiano aqui? Battisti - De manhã tem café. Os agentes passam o café às 7h10. Neste momento a gente tem que estar acordado e responder à conferência. Fico dentro da cela. Dorme-se com cela trancada. A cela é aberta para o café da manhã. A gente toma um copo de leite de soja. Tem café, mas tem que comprar na cantina. A gente passeia no pátio. Cada um se liga nas suas atividades. ISTOÉ - E você escreve? Battisti - Quando volto para a cela começo a preparar a cabeça para escrever. Mas, nesses últimos dias, não consigo. Há muito pressão, não consigo me concentrar. ISTOÉ - Você tem amigos aqui? Battisti - Somos umas 50 pessoas. Somos todos amigos. Um precisa fazer pelo outro. ISTOÉ - À noite, vocês vão dormir a que horas? Battisti - O banho de sol, de segunda a sexta, termina às 4 da tarde. Todo mundo volta para a cela, onde cada um faz o que quiser. Lê, vê televisão. Antes das 7h30 eu não ligo a televisão. A televisão é do preso. Meu companheiro de cela também não gosta de televisão o dia todo. Isso é bom para mim, que gosto de ler e escrever. O jornal a gente vê, às 8. ISTOÉ - No dia 18 de dezembro você comemorou seu aniversário aqui na cadeia? Battisti - Sim. Aqui na cadeia. Com bolo e tudo. ISTOÉ - Quem fez o bolo? Battisti - Não sei. ISTOÉ - Quem fez? Battisti - Não sei. Chegaram 10 pessoas. Foi a ex-prefeita de Fortaleza que chegou. A Maria Luiza Fontenelle. Ela e outras pessoas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/36b1bf8f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 5365 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/36b1bf8f/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11425 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/36b1bf8f/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24293 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110208/36b1bf8f/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 9 19:46:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 9 Feb 2011 19:46:20 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ISSAMI_NAKAMURA_OKANO_________________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-XXXIII-?= Message-ID: <7340CE73373B4268945312BD63F09287@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ISSAMI NAKAMURA OKANO (1945 - 1974) Número do processo: 155/96 Filiação: Sadae Nakamura Okano e Hideu Okano Data e local de nascimento: 23/11/1945, Cravinhos (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: 14/05/1974, São Paulo (SP) Tanto quanto nos casos de Thomaz Meirelles, Heleni Guariba, João Massena e vários outros, o desaparecimento de Issami Nakamura Okano sugere que, nas regras definidas pelos porões repressivos do regime militar, além dos banidos que retornassem ao Brasil, também os presos políticos que retomassem a militância clandestina após serem libertados estavam condenados à pena máxima, extra-judicialmente decretada. Por sinal, essa sentença foi explicitamente formulada a dezenas de presos políticos no dia em que eram libertados, quando, depois de assinarem na Auditoria Militar os respectivos termos de soltura, muitas vezes eram levados para uma breve e ilegal passagem pelos órgãos de segurança, onde ouviam o comunicado solene. Nascido em Cravinhos, cidade vizinha a Ribeirão Preto, no interior paulista, Issami morava em São Paulo e cursava Química na USP quando começou a participar do Movimento Estudantil. Trabalhou como assistente de laboratório no Departamento de Engenharia Química e no Instituto de Física da USP, ambos na Cidade Universitária. Após a decretação do AI-5, na polarização que se seguiu ao acirramento repressivo do regime militar, Issami foi preso pela primeira vez em setembro/outubro de 1969, sendo torturado e indiciado em inquéritos sobre a ALN, da qual era militante, e também da VAR Palmares, por manter relações pessoais e políticas com alguns de seus integrantes. Foi condenado, em 24/03/1971, a dois anos de reclusão pela Auditoria de Guerra da 2ª CJM de São Paulo. Cumpriu a pena em São Paulo e foi solto do Presídio Tiradentes em outubro daquele ano. Foi novamente preso em 14/05/1974, por agentes do DOI-CODI/SP, em sua casa, e a partir de então desapareceu. É sabido que sua prisão foi conseqüência do trabalho de infiltração do médico João Henrique Carvalho, conhecido como "Jota", conforme já explicado neste livro relatório. Na entrevista concedida ao jornalista Expedito Filho, na revista Veja de 18/11/1992, o ex-agente do DOI-CODI/SP Marival Dias Chaves do Canto tornou pública a informação inédita de que Issami foi preso em São Paulo e levado para o Rio de Janeiro, possivelmente para a casa de Petrópolis, que o jornalista Elio Gaspari relata ser conhecida no círculo dos órgãos de segurança como "Codão". Issami foi julgado também em outro processo, sendo absolvido em 11/02/1974. No dia 07/02/1975, o já referido comunicado oficial do ministro da Justiça, Armando Falcão informou à nação meramente que Issami tinha sido preso, processado e estava foragido. Essa afirmação foi contestada pelo advogado Idibal Piveta, que denunciou a prisão de Issami pelos órgãos de repressão quando saía de casa, no bairro de Pinheiros, na capital paulista. Segundo o advogado, "ele foi condenado, recorreu da sentença, cumpriu pena, foi solto, voltou a estudar e trabalhar para, então, ser seqüestrado". O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, informa que Issami teria "desaparecido em 14/05/1974, quando se dirigia de casa para o trabalho". Seu nome consta da lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95 e também foi conferido a ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110209/8983fcbd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6549 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110209/8983fcbd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 9 19:46:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 9 Feb 2011 19:46:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Cidade e qualidade de vida por Frei Betto Message-ID: <3585FCDB0EFB40B2909175D78330293C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Cidade e qualidade de vida Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Se considerarmos que o ser humano surgiu há cerca de 200 mil anos, a cidade é uma invenção relativamente recente. Durante milênios nossos ancestrais viveram como nômades coletores e, aos poucos, as técnicas de reprodução dos alimentos os fixaram como agricultores e pecuaristas. Havia, naquele longo período -como ainda hoje nas comunidades indígenas tribalizadas- relação direta, e até venerável, entre o ser humano e a natureza. Nossos antepassados se alimentavam sem alterar ecossistemas, biomas, biodiversidade. Essa relação se altera com o advento das cidades. E um dos relatos mais significativos de como isso ocorreu é o episódio bíblico da Torre de Babel (Gênesis 11, 1-9), joia literária em menos de dez versículos. Babel é semantema de Babilônia. Deriva da raiz hebraica "bil", que significa "confundir". Narra o texto bíblico que Javé, ao observar Babel, convenceu-se de que os humanos se fechavam em seus próprios e ambiciosos projetos, deixando de acolher os desígnios divinos. "Isso é o começo de suas iniciativas!" - disse o Senhor. "Agora nenhum projeto será irrealizável para eles." Segundo o autor bíblico, após o Dilúvio "todos se serviam da mesma língua e das mesmas palavras." Não havia diversidade de enfoques e opiniões. O ponto de vista de um - o cacique, o chefe do clã, enfim, o poderoso -, era o ponto de vista de todos. E a atividade agropastoril igualava as pessoas. A invenção do tijolo e da argamassa provoca um movimento migratório do campo para a urbe. Os humanos decidem "construir uma cidade" - Babel. O versículo 4 registra as propostas de construção da cidade e da torre, e destaca o principal motivo de tal empreitada: "Para ficarmos famosos e não nos dispersarmos pela face da Terra." Não se tratava de obter felicidade, bem-estar, bênçãos divinas. Importava a fama, possuir um nome sobreposto aos demais, e permanecer segregado, seguro. A revolução tecnológica representada pelo tijolo (insuperado até hoje) imprime aos humanos a consciência de que não estão mais condicionados pela natureza. A relação se inverte. Agora é o ser humano que condiciona a natureza. Transforma-a em artefato. Desprendido do ciclo da natureza, o ser humano já não funda sua identidade nos vínculos comunitários da sociedade agrária. Sua consciência se personaliza, ele se torna senhor do próprio destino, livre das mutações ecológicas que antes criavam nele a sensação de fatalidade e de temporalidade cíclica. Tais avanços enchem os humanos de orgulho. Não satisfeitos de "construir a cidade", decidem abrir a "porta do deus", ou seja, erguer "uma torre cujo ápice penetre nos céus". Aqui o relato expressa duas ambições: a de edificar uma montanha artificial (a torre), repositório da divindade, e a de "penetrar nos céus", quebrar o limite entre o humano e o divino, o profano e o sagrado, a Terra e o Céu. Já não é a divindade que desce à Terra, é o ser humano que invade o Céu, graças à obra de suas mãos. Antes que a soberba humana se inflasse ainda mais, Javé confundiu a linguagem dos habitantes de Babel e os dispersou. "Eles cessaram de construir a cidade." Portanto, Babel não foi maldição. Foi dádiva. Delimitou a ambição humana e revelou ser obra de Deus a diversidade de pontos de vista e opiniões, contrária à identificação entre autoridade e verdade. Toda essa sabedoria explica a arrogância decorrente, ainda hoje, de avanços científicos e tecnológicos. Queremos ser deuses. Nossa busca de endeusamento e imortalidade se reflete na babel ou confusão reinante em nossas cidades. Não pensamos no comunitário ou coletivo, pensamos no individual e no lucrativo. Assim, nos gabamos de que o Brasil vendeu, em 2010, mais de 3 milhões de veículos automotores, embora isso agrave a congestão metropolitana, a poluição, os acidentes, pela impossibilidade de fiscalizar tantos veículos e abrir tantos espaços urbanos para que se locomovam e estacionem. Não se investe o suficiente em transportes coletivos, assim como não se planeja o espaço urbano, alvo de especulação imobiliária e vulnerável a fenômenos climáticos decorrentes de desequilíbrios ambientais, o que causa enchentes, desabamentos e secas prolongadas. Hoje em dia, ganha cada vez mais espaço a proposta de bem viver dos povos indígenas andinos, conhecida como sumak kawsay. Sumak significa plenitude e kawsay viver. Não se trata de viver melhor ou viver cercado de conforto. Trata-se de viver em plenitude. Plenitude implica fazer da felicidade um projeto comunitário, coletivo. É saber construir relações de solidariedade, não de competição; de harmonia, não de hostilidade; e estabelecer com a natureza vínculos de parceria cuidadosa. Para a sociedade capitalista, a natureza é objeto de propriedade e temos o direito de explorá-la e até destruí-la em função de nossas ambições. O capitalismo se norteia pelo paradigma riqueza-pobreza, enquanto o sumak kawsay rompe esse dualismo para introduzir a de sociabilidade e de sustentabilidade, bases fundamentais de um projeto civilizatório. Fora disso, caminharemos para a barbárie. [Frei Betto é escritor, autor, com Marcelo Barros, de "O amor fecunda o Universo (ecologia e espiritualidade" (Agir), entre outros livros. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110209/0af07a51/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22180 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110209/0af07a51/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 9 19:46:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 9 Feb 2011 19:46:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Pinturas do companheiro Paulo Camargo. Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Pinturas do companheiro Paulo Camargo. (clique no link) http://www.flickr.com/photos/paulimcamargo/sites -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110209/49885741/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110209/49885741/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 10 19:07:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Feb 2011 19:07:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ANA_ROSA_KUCINSKI_SILVA___e___WILSON_S?= =?iso-8859-1?q?ILVA_______________________________________________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-XXXIV-?= Message-ID: <9C1129655F1E484F88D40A69F354B6EE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ANA ROSA KUCINSKI SILVA (1942 - 1974) Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu no dia 12 de janeiro de 1942, em São Paulo, filha de Majer Kucinski e de Ester Kucinski. Esposa de Wilson Silva, ambos desaparecidos desde o dia 22 de abril de 1974. Tinha 32 anos de idade. Professora universitária no Instituto de Química da Universidade de São Paulo. A família de Ana Rosa e Wilson impetrou vários habeas-corpus na tentativa de localizá-los, todos eles prejudicados pela resposta de que nenhum dos dois se encontrava preso. Nas pesquisas feitas pelos familiares aos arquivos do antigo DOPS/SP apenas uma ficha foi encontrada onde se lê: "presa no dia 22 de abril de 1974 em SP". O Relatório do Ministério da Marinha faz referências caluniosas a Ana Rosa. Trechos de depoimento de seu irmão, Bernardo Kucinsky: "Minha irmã, Ana Rosa Kucinski, e meu cunhado, Wilson Silva, foram presos e desaparecidos em São Paulo, na tarde de 22 de abril de 1974. Nesse dia, Wilson Silva e seu colega de trabalho Osmar Miranda Dias foram fazer um trabalho de rotina, saindo do escritório da Av. Paulista para o centro da cidade, um pouco antes da hora do almoço, após o que Wilson se separou de Osmar dizendo que iria se encontrar com sua esposa Ana Rosa, na Praça da República. A partir desta tarde, nunca mais foram vistos. A família tomou conhecimento, através de colegas, da ausência de Ana Rosa na Universidade e, de imediato, passou a tomar providências no sentido de localizar o casal. Impetrou-se Habeas Corpus, através do advogado Aldo Lins e Silva, sem nenhum resultado. No dia 10 de dezembro de 1974, foi enviado pedido de investigação à Comissão de Direitos Humanos da OEA. Meses depois, a família recebeu resposta da OEA, onde esta afirmava que, consultado, o Governo Brasileiro declinava qualquer responsabilidade no episódio. O general Golberi do Couto e Silva chegou a reconhecer, em dezembro de 1974, que Ana Rosa se encontrava presa numa instituição da Aeronáutica. O governo americano - por meio do Departamento de Estado - encaminhou informações à família de que Ana Rosa ainda estaria viva, presa em local não sabido e que Wilson Silva, provavelmente estaria morto. As famílias dos desaparecidos políticos estiveram com o General Golberi do Couto e Silva em Brasília, em audiência solicitada por D. Paulo Evaristo Arns. Dias depois, o Ministro de Justiça, Armando Falcão, em nota oficial, informou sobre os 'desaparecidos políticos' e incluiu na lista nomes de pessoas que jamais foram tidas como desaparecidas. Em relação a Ana Rosa e Wilson Silva, a nota do Ministério alegava que eram 'terroristas' e estavam 'foragidos'. Amílcar Lobo, o médico psiquiatra envolvido com torturas no Rio de Janeiro, e que resolveu denunciar os assassinatos políticos, em uma entrevista comigo, quando lhe mostrei fotos de minha irmã e seu marido, este reconheceu as fotos de Wilson Silva como sendo uma pessoa que ele atendera após uma seção de torturas. Quanto a Ana Rosa, entretanto, o reconhecimento foi positivo, mas não categórico. =================================================================== + detalhes ANA ROSA KUCINSKI SILVA Filiação: Ester Kucinski e Majer Kucinski Data e local de nascimento: 12/01/1942, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: 22/04/1974, São Paulo (SP) WILSON SILVA (1942 - 1974) Filiação: Lygia Villaça da Silva e João Silva Data e local de nascimento: 21/04/1942, Taubaté (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: 22/04/1974, São Paulo (SP) Ana Rosa Kucinski Silva era professora universitária, formada em química, com doutorado em filosofia. Casada com o físico Wilson Silva, trabalhava no Instituto de Química da USP. Wilson era formado pela Faculdade de Física da USP, tinha especialização em processamento de dados e trabalhava na empresa Servix. Os dois conciliavam seu trabalho e estudos com a militância política na ALN. Ambos os nomes estão incluídos na lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Wilson era conhecido na ALN pelo codinome Rodrigues, sendo um dos poucos membros dessa organização clandestina que tinha conseguido manter sua militância por mais de cinco anos, sem ser preso ou sair do país. Em 1961, aos 19 anos, saiu de Taubaté (SP) para estudar em São Paulo, já trazendo consigo o interesse pela política, que nasceu em seus tempos de Escola Estadual Monteiro Lobato. Foi militante da Polop entre 1967 e 1969, ligou-se à ALN a partir desse ano e sempre priorizou a atuação junto ao setor operário. Ana Rosa estudou Química, na USP, durante a efervescência estudantil que marcou o início da resistência ao regime militar nessa área, avançando seu engajamento político a partir do namoro e casamento com Wilson, que em 1966 tinha organizado com Bernardo Kucinski, seu colega na Física da USP e irmão de Ana Rosa, uma exposição sobre os 30 anos da Guerra Civil Espanhola, na rua Maria Antonia. No dia 22/04/1974, Ana Rosa saiu do trabalho na Cidade Universitária e foi ao centro da cidade para almoçar com Wilson, num dos restaurantes próximos à Praça da República. Ele saíra do escritório da empresa, na avenida Paulista, junto com seu colega de trabalho Osmar Miranda Dias, para fazer um serviço de rotina também no centro. Terminado o serviço, Wilson separou-se de seu colega e avisou que almoçaria com sua esposa e depois voltaria para o escritório. O casal desapareceu nas proximidades da Praça da República. Os colegas de Ana Rosa na USP estranharam sua ausência e avisaram a família Kucinski, que imediatamente começou a tomar providências para sua localização. Ao procurarem Wilson, souberam que ele também havia desaparecido. As duas famílias passaram a viver o tormento da busca por informações. O habeas-corpus impetrado pelo advogado Aldo Lins e Silva foi negado, pois nenhuma unidade militar ou policial reconhecia a prisão do casal. A família foi a todos os locais de prisão política em busca de notícias e informações. A Comissão de Direitos Humanos da OEA foi acionada, como recurso extremo, no dia 10/12/1974, data em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, das Nações Unidas, completava 26 anos. O pedido de investigação daquela instância interamericana foi respondido, meses depois, pelo governo brasileiro, afirmando não ter responsabilidade alguma sobre o destino do casal e que não tinha informações sobre o caso. Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa descrevem, em Desaparecidos Políticos, a busca junto ao governo dos Estados Unidos: "O Departamento de Estado norte-americano, solicitado a dar uma informação, comunicou à American Jewish Communitee, entidade dedicada, entre outras coisas, a procurar pessoas desaparecidas na guerra, famílias separadas, e também à American Jewish Congress, espécie de federação das organizações judaicas religiosas culturais, que Ana Rosa estava viva, mas não sabia onde. A última informação do Departamento de Estado foi transmitida à família Kucinski em 7 de novembro de 1974". Esse mesmo livro traz um depoimento de Bernardo Kucinski, que se formou em Física mas optou pelo jornalismo, tendo trabalhado na BBC de Londres e colaborado nos semanários Opinião e Movimento, antes de publicar vários livros e se tornar professor de jornalismo na USP: "Certeza da morte já é um sofrimento suficiente, por assim dizer. Um sofrimento brutal. Agora, a incerteza de uma morte, que no fundo é certeza, mas formalmente não é, é muito pior. Passam-se anos até que as pessoas comecem a pensar que houve morte mesmo. E os pais principalmente, já mais idosos, nunca conseguem enfrentar essa situação com realismo". Bernardo Kucinski também contou, numa entrevista para a revista Veja, que a família foi extorquida em 25 mil dólares em troca de informações, que ao final se mostraram inteiramente falsas. O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, conseguiu, conforme já registrado, uma audiência em Brasília com o general Golbery do Couto e Silva e obteve como resposta promessas de investigação. Pouco tempo depois, o ministro de Justiça, Armando Falcão publicou a insólita nota oficial informando sobre o destino dos desaparecidos políticos, onde Ana Rosa e Wilson Silva foram citados como 'terroristas foragidos'. Anos depois, o tenente-médico Amílcar Lobo, que serviu no DOI-CODI/RJ e na "Casa da Morte", em Petrópolis (RJ), concedeu entrevista denunciando os assassinatos políticos que presenciara naquelas unidades militares. Procurado por Bernardo Kucinski, o médico reconheceu Wilson Silva como sendo uma das vítimas de torturas atendidas por ele. Ao ver a foto de Ana Rosa, o militar a identificou como uma das presas, mas sem demonstrar convicção ou certeza. Também o ex-agente do DOI-CODI/SP, em entrevista à Veja de 18/11/1992, informou: "Foi o caso também de Ana Rosa Kucinski e seu marido, Wilson Silva. Foram delatados por um cachorro, presos em São Paulo e levados para a casa de Petrópolis. Acredito que seus corpos também foram despedaçados". O Relatório do Ministério da Marinha, enviado ao Ministro da Justiça, Maurício Correa, em 1993, confirmou que Wilson Silva "foi preso em São Paulo a 22/04/1974, e dado como desaparecido desde então". Na ficha de Wilson Silva, no arquivo do DEOPS, consta que ele foi "preso em 22/04/1974, junto com sua esposa Rosa Kucinski". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110210/5cb9efbe/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1777 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110210/5cb9efbe/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13400 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110210/5cb9efbe/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 10 19:07:09 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Feb 2011 19:07:09 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Minuto_a_minuto=3A_Tahrir_j=C3=A1_fes?= =?utf-8?q?teja_o_fim_de_Murabak_/_Egipto_se_prepara_para_la_salida?= =?utf-8?q?_de_Mubarak?= Message-ID: <0EB6044B4CDC46D7A163A4ABFA82E3EE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Minuto a minuto: Tahrir já festeja o fim de Mubarak do PÚBLICO.PT Ao 17º dia de revolta nas ruas do Egipto, o exército anunciou que vai tomar as "medidas" necessárias "para proteger a nação" e "para apoiar as exigências legítimas do povo". No Cairo milhares de pessoas estão a confluir para a Praça Tharir e são muitos os rumores de que Mubarak já caiu. A revolução minuto a minuto 16h41: ?Se acabarmos por perceber que agora é o Exército que nos governa vamos descansar no fim-de-semana e começar outra revolução?, escreve no Twitter Mosa'ab Elshamy. 16h34: ? Hossam Badrawi, o novo secretário-geral do PND, no poder, diz à BBC que é seu desejo ver Mubarak abandonar o poder e que essa é ?a posição de todo o partido." 16h31:? O ministro egípcio da Informação, Anas el-Fekky , negou veementemente que Mubarak esteja a chegar ao fim da sua presidência. "O Presidente ainda está no poder e não vai demitir-se... tudo o que ouviram nos media são rumores". 16h30:? O Presidente Hosni Mubarak estará em Sharm el-Sheikh, diz al-Arabiya. Logo no início dos protestos tinha-se especulado que o Presidente estava na cidade costeira, onde aliás costuma passar boa parte do Inverno. Mas Mubarak apareceu a fazer uma visita à Academia Militar do Cairo. 16h23:? A CIA considera ?muito provável que Mubarak abandone o poder esta noite?, disse ao Comité dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes o director da CIA, Leon Panetta. 16h20:?Há notícias de que as estradas para o aeroporto do Cairo estão a ser fechadas, diz Sherine Tadros, um dos jornalistas da Al-Jazira na capital egípcia. 16h13:?Bum! Isto muda tudo!? reporta o jornalista Chris McGreal, citado no Guardian, descrevendo que a atmosfera mudou subitamente na Praça Tahrir na última meia hora. 16h10:O blogger egípcio Sandmonkey acabou de postar no Twitter: ?Estão milhares a caminho de Tahrir, empunhando bandeiras." 16h00: O comunicado do Exército já foi conhecido na praça Tahrir, epicentro dos protestos no Cairo. ?O Exército e o povo do mesmo lado ? o Exército e o povo estão unidos?, grita a multidão ali reunida. Manifestantes relatam que um general do Exército subiu ao palco improvisado no local, e disse-lhes que todas as suas exigências vão ser aceites. 15h55: Os militares consideram ?legais e legítimas? as reivindicações do povo egípcio, que desde 25 de Janeiro pede nas ruas a saída do Presidente Hosni Mubarak. O Exército afirma ?o seu compromisso e a responsabilidade pela salvaguarda do povo e pela protecção dos interesses da nação, e o seu dever em proteger as riquezas do povo e do Egipto?, numa declaração que a Al-Jazira descreve como ambígua. 15h50: Responsáveis militares afirmam que Hosni Mubarak deveria presidir à reunião do Conselho Superior das Forças Armadas mas já não o fará. No seu lugar vai estar o ministro da Defesa, general Mohammed Hussein Tantawi http://ronaldolivreiro.blogspot.com/2011/02/minuto-minuto-tahrir-ja-festeja-o-fim.html?spref=tw ==================================================================================== Egipto se prepara para la salida de Mubarak El Ejército anuncia que las demandas del pueblo "serán cumplidas".- Un alto cargo del régimen señala que el 'rais' puede renunciar al poder esta noche, aunque la situación es de máxima incertidumbre.- Celebraciones en la plaza de la Liberación de El Cairo ENRIC GONZÁLEZ / GEORGINA HIGUERAS / NURIA TESÓN, El Cairo 10/02/2011 El comandante del Ejército egipcio, Hassan al Roweny, se dirige a los manifestantes en la plaza de la Liberación.- REUTERS La revolución en Egipto parece más cerca que nunca del triunfo. El presidente, Hosni Mubarak, podría dejar el poder en las próximas horas, según informaciones procedentes de la cúpula del poder en el país. El Consejo Supremo del Ejército, tras reunirse para discutir sobre su posición en la situación que atraviesa el país, ha expresado su apoyo a las "demandas legítimas del pueblo", que será "protegido" por las Fuerzas Armadas. Los manifestantes en la plaza de la Liberación de El Cairo han celebrado el comunicado militar y un discurso del jefe del Ejército in situ en el que les ha dicho que sus demandas "se cumplirán". Hossan Badrawi, secretario del oficialista Partido Nacional Democrático, ha reconocido que en estos momentos se está discutiendo la salida del rais y el primer ministro, Ahmad Safiq, ha asegurado que el relevo "podría suceder esta noche", según recoge la cadena BBC, aunque luego ha matizado en la televisión nacional egipcia que "todo está en manos de Mubarak". Desde EE UU, la Casa Blanca ha asegurado que sigue los acontecimientos -ha hablado de "situación fluctuante"- y la CIA ve "fuertes probabilidades" de que el traspaso de poder suceda esta noche. "EE UU ayudará a llevar a Egipto a una democracia", ha afirmado el presidente estadounidense, Barack Obama, durante un discurso en Michigan. http://www.elpais.com/articulo/internacional/Egipto/prepara/salida/Mubarak/elpepuint/20110210elpepuint_2/Tes -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110210/3fdd19bc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 21965 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110210/3fdd19bc/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 10 19:07:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 10 Feb 2011 19:07:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] " Violento dicionario amoroso" por Lucilene Machado Message-ID: <6C234BA8AFAA46EFA8C75E68FD44074A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem www.lucilenemachado.blogspot.com Violento dicionário amoroso Ouviu do marido que deveria ser submissa. Foi ao dicionário ver o significado de submissão: "Ato ou efeito de submeter. Obediência voluntária; sujeição: submissão perfeita. Humildade, humilhação, passividade, subserviência." Sentiu um abalo sísmico no corpo. Só guardou uma palavra: voluntária. A partir dela desenvolveu seus argumentos. Não se voluntariava a fazer a vontade de outra pessoa contra seus próprios desejos e interesses. Não, não era outra pessoa, era seu marido, carne de sua carne, que pretendia o bônus de ser o condutor de sua vida. Discordou, questionou, vociferou: "por que eu?" Por que ele não entregava também as rédeas de sua vida a ela? Porque o matrimônio era um corpo e, logo, o marido é a cabeça, a parte pensante, a parte que decide. Era mandamento divino, desígnio de Deus. A ela cabia ser uma mulher virtuosa. Foi ao dicionário ver o significado de virtuosa. "Aquela que tem virtudes". E virtude significa "disposição firme e constante para a prática do bem, força moral e valor." Gostou. Enquadrava-se perfeitamente. O marido disse que não, que ela era rebelde e transgressora, além de distorcer as escrituras sagradas. Percebeu que entendiam as palavras de maneiras distintas. Era inútil discutir. A voz grave do marido selava a decisão, sempre. Quis debandar, desaparecer, mas teve medo. Sobretudo, medo de Deus. A desobediência era fruto do maligno. Melhor obedecer e ser dócil como insistia o marido. Tentou. Vieram os filhos. Dois. Adoçavam seus dias para que pudesse suportar o amargo das noites. Teve a alma rasgada, as vísceras perfuradas e a autoestima dissolvida em lágrimas de solidão. As pessoas não a compreendiam. Outras mulheres invejavam sua condição, dizia o marido nos contínuos sermões que proferia na intimidade do quarto. No calor desses discursos, desejava ser surda. Acionava um tampão virtual para bloquear as palavras. Mas as palavras possuíam um fio cortante e penetravam os tímpanos. Depois ficavam dando voltas em espirais, perturbando o espírito, desestabilizando a alma. A circunvolução dos significados era o mais puro estado de horror, com o agravante de ser para sempre, não enxergava saídas. Sentia pena de si. Sentia na pele a rejeição por parte da humanidade. Depressão? Os filhos cresciam, a ira crescia e crescia um sentimento de mágoa contra Deus. Isso porque Deus estava do lado do marido. Tentou ajuda espiritual, veio a sentença: blasfêmia. Deus amava os limpos de coração. A ela lhe faltavam fé, sabedoria e empenho. A mulher sábia edifica o lar e ela o estava derribando. Para Deus nada era impossível, de forma que o problema estava nela e com ela. Faltava crer, faltava amor, faltava entrega, faltava, faltava, faltava......... Voltou impotente, frustrada, confusa. Era Deus machista? Torturador? A pergunta ficou rodando como um redemoinho em seu cérebro. Era certo que não poderia culpar Deus por suas próprias escolhas. Mas já não sabia o que pensar. Sentiu-se suja, corrompida pelo pecado do ódio e da blasfêmia. Devia perdoar Deus e o marido. Devia amá-los, mesmo estando vazia de amor. Nessas horas, corria para debaixo do chuveiro com roupa e tudo. Tentava lavar a alma, o coração, os pensamentos se possível. Precisava apagar da mente o poema com sentença de morte pregado na parede principal do cérebro. Começaria apagando a primeira frase: "A 'vida' é um lugar onde não se pode viver." Sempre colocava a vida e a morte entre aspas. Estava perturbada, nisso o marido tinha razão. Também devia ter razão quando pronunciou com a boca cheia que ela era frígida. Sexo era a página escura com que abria suas noites. Sexo doía, afetava o estômago e as entranhas. Era uma violência silenciosa que ela conhecia de memória. Mas às vezes não era apenas silenciosa. Amanheceu com os olhos roxos e inchados. Tinha dúvidas sobre o que fazer, perderia a razão se falasse, perderia a vida se calasse. Sentiu-se a poucos passos de uma eternidade desconhecida. Recorreu à autoridade civil. Falou o que estava proibido mencionar. Falou da agonia de viver mascarada por outra realidade, do medo de respirar, o perigo, os riscos... Porém, em seu ser mais profundo sentia que a situação era incomunicável. Ninguém poderia compreender a atmosfera em que estava metida. Chamariam o marido e o alertaria de seus direitos e deveres dentro de uma união. Seria interrogado, talvez ameaçado... Quanto a ela, bem, seria encaminhada a uma psicóloga cuja lista de espera era de dois meses. Ainda assim, aceitou a benevolência. Naquela noite trancou-se no quarto para tentar fugir da hora assombrosa, a intuição dizia que necessitava ser valente. Não conseguiu ser tanto quanto o necessário, a porta foi aberta a golpes estridentes. Sentiu saltar a pulsação da veia do pescoço, sentiu o pulso, o coração e depois um descanso profundo. Acordou no hospital entre paredes brancas e forte cheiro de álcool. Lesão craniana. O marido segurava sua mão enquanto o médico lhe perguntava detalhes sobre o terrível acidente que sofreu. Um vaso de flores havia caído sobre sua cabeça. Não, não se lembrava de nada, assegurou. Tentou mover o pescoço imobilizado e lançou um grito de dor. As lágrimas saltaram por uma comporta e lavaram seu rosto cansado. Iria morrer? Não, mas poderia ter morrido, censurou o médico ao referir-se à sua falta de cuidado. Por conta disso, um longo período de observação e uma semana mais de hospital. A última frase do médico soou como uma felicidade-luz. Um profundo prazer inundou seu interior. Foram dias brancos e felizes. Dias em que não ouviu a voz de seu feitor. Dias em que pensou só, sem nenhum condicionamento autoritário. Os pensamentos ultrapassavam os limites de seu cérebro. Descobriu que dentro de si havia uma voz potente e que podia sentir-se gente no mundo, o mundo que era sempre dos outros. Imaginou se já não era o momento de tomar as rédeas de seu destino. Saiu do hospital sentindo o hálito de um novo dia, um dia que seria só seu. Os filhos, já com dezoito anos, celebraram o que poderia ser a paz. Ela examinou a casa. As paredes azuis da casa, a marca na escada onde havia um vaso com flores... À noitinha observou uma lua jovencíssima no céu. A lua que também recomeçava uma nova fase. Nenhuma palavra desesperada, nenhum remordimento iria tirar o seu prazer. O prazer de ser ela mesma, o prazer de se amar. Pela manhã o médico foi chamado, mas a mulher de semblante doce estava morta. Traumatismo cranioencefálico atestou o doutor. O marido foi ao dicionário buscar o significado da palavra, o conceito, a etmologia... elaborou uma definição ponpoza e explicava a cada um de seus amigos com resignada consternação cristã. Lucilene Machado -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110210/a124f25c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10752 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110210/a124f25c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 11 20:11:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Feb 2011 20:11:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_THOMAZ_ANT=D4NIO_DA_SILVA_MEIRELLES_NET?= =?iso-8859-1?q?TO___________________________-XXXV-?= Message-ID: <5EDD96EECC964B45B6F396B7342E1263@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto Thomaz Meirelles Neto nasceu em 1937, em Parintins, no Amazonas. Aos 21 anos, veio para o Rio onde participou, pela UBES e UNE, da direção e da organização das manifestações culturais e políticas dos estudantes. Simultaneamente à sua atividade de jornalista, participou do Centro Popular de Cultura, o CPC da UNE, ocasião em que travou contato com a pobreza e a miséria do povo brasileiro - dos alagados do Recife às minas de carvão de Santa Catarina. No comêço da militância, une-se ao PCB. Mais tarde, abraçou a causa da ALN. Por falta de recursos para estudar, Thomaz solicitou bolsa para completar sua formação universitária na antiga União Soviética e foi para Moscou, em 1962, onde cursou a Faculdade de Filosofia. Em 1969, regressou ao Brasil. Aos poucos meses da chegada, foi ele obrigado a agir em total clandestinidade. Thomaz nunca pôde ter nos braços seu filho, nascido em 1967. Em 1970, foi preso e torturado. Liberado três anos depois, retorna à luta clandestina. Durante esse último período, sua família foi perseguida, culminando com a prisão de Miriam Marreiros Meirelles, sua mulher, que também foi torturada para informar o paradeiro do marido. Thomaz foi novamente preso no dia 7 de maio de 1974, no Leblon, e nunca mais foi visto. Seu nome consta da lista de pessoas desaparecidas, tendo sua morte sido reconhecida em declarações de um agente da repressão. O livro "Brasil Nunca Mais " retrata a primeira prisão de Thomaz, em 1972, e o julgamento que o condenou a três ano e meio como caso ilustrativo do funcionamento tragicômico da Justiça Militar naquele período. Diz a acusação: "Nove anos passados na União Soviética servem de prova da intenção de delinqüir " ... No dizer de um amigo, Thomaz era fascinante. Combatente dos mais procurados pela ditadura, era a antítese da figura geralmente associada ao guerrilheiro. Thomaz gostava de si mesmo e se tratava bem. E era bonito, sabendo cultivar seu encanto pessoal. De interesse diverso, não era ele um fundamentalista dos que se encaramujam na ação estritamente política. Apreciava a obra dos escritores existencialistas e o chamado teatro do absurdo. Espírito aberto, crítico, inquieto, rara combinação de radicalismo e tolerância. À Thomaz, senhor de seus dias, a nossa homenagem e admiração. ======================================================================================================== + detalhes THOMAZ ANTÔNIO DA SILVA MEIRELLES NETTO (1937 - 1974) Filiação: Togo Meirelles e Maria Garcia Meirelles Data e local de nascimento: 01/07/1937, em Parintins (AM) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: 07/05/1974, no Rio de Janeiro Jornalista e sociólogo, dirigente da ALN, o amazonense Thomaz Meirelles desapareceu em 07/05/1974, no Rio de Janeiro. Natural de Parintins (AM), chegou ao Rio de Janeiro em 1958, onde teve início seu engajamento político, participando do movimento secundarista através da UBES e, depois de iniciar a universidade, através da UNE. Em 1961, atuou abertamente na resistência em defesa da legalidade constitucional, contra a tentativa de golpe militar que se seguiu à renúncia do presidente Jânio Quadros. Paralelamente à sua atividade profissional como jornalista, contribuiu na organização de inúmeras manifestações culturais e políticas no final dos anos 50 e início dos anos 60, por meio do Comitê Popular de Cultura da UNE. Sua militância partidária começou no PCB, tendo depois ingressado na ALN. Casado com a jornalista Miriam Marreiro, teve com ela dois filhos, Larissa e Togo. Cumprindo todos os trâmites legais em relação a um país com o qual o Brasil mantinha relações diplomáticas normais, Thomaz Meirelles solicitou uma bolsa de estudos para continuar sua formação universitária e seguiu para a União Soviética, em 1962, onde cursou Filosofia na Universidade Central de Moscou. Retornou ao Brasil em 13/11/1969, já na polarizada conjuntura repressiva do início do governo Médici. Poucos meses depois, foi obrigado a viver na clandestinidade. Preso pela primeira vez em 18/12/1970, quando transitava na Rua da Alfândega (Rio de Janeiro), foi levado para o DOI-CODI e lá sofreu a violência das torturas. Posteriormente, foi condenado a três anos e seis meses de prisão. Cumpriu condenação por suas atividades políticas na ALN, existindo em seu processo judicial forte carga contra o fato de ter estudado na União Soviética. Libertado em 17/11/1972, mais uma vez foi obrigado a refugiar-se na clandestinidade. Thomaz Meirelles foi preso pela última vez em 07/05/1974, no bairro do Leblon, Rio de Janeiro, e a partir dessa data nunca mais visto. Após o seu desaparecimento, foi julgado à revelia, em São Paulo, pela 2ª Auditoria Militar, sendo condenado à pena de dois anos de reclusão. O nome de Thomaz consta da lista de pessoas consideradas desaparecidas e assumidas como mortas por um general responsável pelo aparelho repressivo, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em 28/01/1979. Notícia veiculada pelo Correio da Manhã do Rio de Janeiro, de 03/08/1979, afirma que 14 desaparecidos políticos foram mortos pelos serviços secretos das Forças Armadas e dentre eles está o nome de Thomaz. A reportagem da Folha de S. Paulo ouviu de dois generais e de um coronel essa informação. Em 15/04/1987, a revista IstoÉ, na reportagem Longe do Ponto Final, publicou declarações do ex-médico militar Amílcar Lobo de que havia visto Thomaz no DOI-CODI no Rio de Janeiro, sem precisar a data. O chamado "livro negro sobre o terrorismo no Brasil", produzido pelo CIE entre 1986 e 1988, num trecho delirante que depõe contra a credibilidade e seriedade do documento, registra que, em junho de 1966 "o Comitê Central do PCB realizou uma reunião, na qual criou uma Seção de Trabalhos Especiais que, entre outras atribuições, tinha o encargo principal de preparar o Partido para a luta armada. No mês seguinte, enviou 10 militantes para realizarem um curso de guerrilha em Moscou", sendo que o nome de Thomaz Meirelles é incluído entre esses 10. Daí a necessidade de tratar com muita reserva a informação incluída na página 776 desse controvertido documento secreto, de que Meirelles teria executado, em junho de 1973, um militante da RAN que tinha sido preso e ajudou os órgãos de segurança a montar a emboscada em que foi morto Merival Araújo, da ALN. Vale a mesma ressalva a respeito da acusação, incluída em documentos dos órgãos de segurança, de que Thomaz teria participado da execução do delegado Octavio Gonçalves Moreira Junior, do DOI-CODI/SP e do CCC, em Copacabana, em fevereiro de 1973. Nos arquivos secretos do DOPS/SP foi descoberto um documento onde consta que Thomaz foi "novamente preso em 07/05/1974, quando viajava do Rio de Janeiro para São Paulo". O Relatório do Ministério da Marinha, assinado pelo Ministro Ivan Serpa, relata: "DEZ/72, preso anteriormente e liberado na primeira semana de dez/72, preso novamente no dia 07/mai/74, entre o Rio de Janeiro para São Paulo". O nome de Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110211/79569c8d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11556 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110211/79569c8d/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110211/79569c8d/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 11 20:11:37 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Feb 2011 20:11:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Folha=2Ecom_-_Mundo_-_Especial_-_?= =?iso-8859-1?q?2011_-_Revolta_=C1rabe?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem clique http://www1.folha.uol.com.br/especial/2011/revoltaarabe/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110211/75e994a0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110211/75e994a0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 11 20:11:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 11 Feb 2011 20:11:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O sonho de Nabucodonosor por Frei Betto Message-ID: <79D2A9790A0B48E1AF0B8F8BE2EF3101@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O sonho de Nabucodonosor Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Os países ricos do Ocidente, cuja democracia se baseia no poder do dinheiro, não têm princípios, apenas interesses. Acusam Cuba de ser uma ditadura que não respeita os direitos humanos por não admitirem o caráter socialista daquela Revolução que, há mais de 50 anos, resiste às agressões do maior império econômico e bélico da história da humanidade. No entanto, tecem loas à China. Fazem vista grossa ao regime escravocrata de mão de obra barata, onde se fabrica tudo aquilo que, no Ocidente, exigiria pagar salários mais altos, reduzindo a margem de lucro das empresas ocidentais. Inúmeros produtos em oferta em nossas lojas, embora grifadas por marcas originárias do Ocidente, são "made in China". Para governos como o dos EUA, do Reino Unido, da França e da Alemanha, o fato de um ditador como Hosni Mubarak ocupar, por 30 anos, o poder no Egito, não tem a menor importância. Desde que sirva a seus interesses geopolíticos numa região explosiva. Vale para Mubarak o que John Foster Dulles dizia do ditador Anastácio Somoza, da Nicarágua: "É um filho da p., mas é nosso filho da p." De olho no petróleo, os governos ocidentais sempre respaldaram os governos tirânicos do mundo árabe. Negócios, negócios, princípios à parte. Qual potência europeia rompeu com uma das tantas ditaduras militares que assolaram a América Latina nas décadas de 1960 e 1970? O Ocidente nunca se incomodou com a ausência de eleições periódicas nos países árabes, a opressão da mulher, a perseguição aos homossexuais, o luxo nababesco dos governantes frente à miséria da grande maioria da população. Quantos ditadores africanos engordam os cofres dos bancos europeus? Agora os EUA estão como o rei da história de Hans Christian Andersen: nu, despido de sua arrogância supostamente democrática, de sua prepotência imperial. E o pior, colocado entre a cruz e a caldeirinha: se Mubarak permanece, a Casa Branca sustenta uma ditadura e despreza o clamor do povo egípcio. Se é derrubado, há o risco de o Egito se transformar, como o Irã, numa nação islâmica, hostil a Israel e aos propósitos ocidentais. Narra a Bíblia que o profeta Daniel (2, 31-36) foi convocado para interpretar um sonho que tanto inquietava o rei Nabucodonosor, da Babilônia: "Era uma grande estátua, alta e muito brilhante. Ela estava bem à frente de Vossa Majestade e tinha aparência impressionante. A cabeça era de ouro maciço; o peito e os braços eram de prata; a barriga e as coxas, de bronze; as canelas de ferro e os pés, parte de ferro e parte de barro. Vossa Majestade contemplava a estátua quando, sem ninguém jogar, caiu uma pedra que bateu exatamente nos pés de barro e ferro da estátua, quebrando-os. Em segundos, tudo desmoronou. Ferro, barro, bronze, prata e ouro ficaram como palha no terreiro em final de colheita, palha que o vento carrega sem deixar sinal. Depois, a pedra que tinha atingido a estátua se transformou numa enorme montanha que cobriu o mundo inteiro." A pedra, no caso do mundo árabe, é a ânsia popular de democracia entendida como justiça social e paz. O que pensa um iraquiano vendo seu país há anos dominado por tropas ocidentais que tratam os habitantes como escória da humanidade? O que pensa um afegão vendo aviões ocidentais bombardearem aldeias, matando crianças, mulheres, idosos, sob a desculpa de se tratar de um refúgio talibã? A pedra é a cultura religiosa, muçulmana, que grassa naqueles países, e que nada tem a ver com o suposto cristianismo do Ocidente. Em nome de Deus e de Jesus, o Ocidente subjugou, durante séculos, a África, a Ásia e a América Latina. Escravizou habitantes, extorquiu riquezas, transferiu para a Europa preciosidades arqueológicas, como a Pedra de Roseta - hoje no Museu Britânico -, fragmento de uma estela de granodiorito do Egito antigo, cujo texto foi crucial para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios. Sua inscrição registra um decreto promulgado em 196 a.C., na cidade de Mênfis, em nome do rei Ptolomeu V. O pensamento islâmico não distingue a fronteira entre religião e política. Esta deve ser monitorada por aquela. E a autoridade religiosa é encarada, como ocorria no Ocidente medieval, detentora do poder político. Para tal conjuntura, o Ocidente só conhece uma resposta: armas, guerras, ocupações, subornos e ditaduras. Porque é incapaz de empreender o diálogo interreligioso, de reconhecer o direito daqueles povos à autodeterminação, de pautar-se por princípios e não pela voracidade obsessiva do mercado por lucro. Se o fundamentalismo islâmico incute em jovens a mística do martírio, introduzindo uma forma de terrorismo incontrolável, o fundamentalismo do mercado incute nos ocidentais a convicção de que igrejas e mesquitas devem ceder lugar aos shopping centers, templos de consumismo e miniaturização do paraíso na Terra. Eis a pergunta que, esta semana, se repete em Dakar, no Fórum Social Mundial, e exige resposta urgente: Um outro mundo é possível? [Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110211/3ba72311/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5717 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110211/3ba72311/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 12 15:34:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 12 Feb 2011 15:34:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_LINCOLN_CORDEIRO_OEST__________________?= =?iso-8859-1?q?________________-XXXVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem LINCOLN CORDEIRO OEST Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Participou da insurreição armada de 1935. Deputado federal em 1946, sendo cassado em 1947. Em 1962 foi integrante da Comissão de Solidariedade a Cuba e também organizou a Comissão Cultural Brasil-Coréia do Norte. A partir de 1964 passou a viver na clandestinidade. Foi preso pelo DEOPS/SP em 1968, torturado e, após 18 dias, posto em liberdade, por ausência de acusações. Foi preso novamente em dezembro de 1972, por agentes do DOI/CODI-RJ, e torturado até a morte. Os órgãos de segurança divulgaram nota oficial noticiando a morte de Lincoln, dando a versão de que ele fora morto ao tentar uma fuga na hora da prisão e, encobrindo assim os dias em que passara sendo torturado até a morte. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz: "preso em 20 de Dezembro de 1972, no Rio de Janeiro, foi atingido mortalmente, após tentar fugir da equipe de agentes de segurança." O da Marinha diz que "foi morto em intenso tiroteio com os agentes de segurança após escapar ao cerco à rua Itapemirim/RJ." Segundo a Guia n° 07 do DOPS/RJ que o encaminhou, como desconhecido, ao IML, foi "encontrado num terreno baldio da Rua Garcia Redondo, n° 111, após tiroteio com agentes das Forças de Segurança". Esta versão é totalmente desmentida por depoimentos de presos políticos prestados em Auditorias Militares, à época. José Auri Pinheiro e José Francisco dos Santos Rufino afirmam que Lincoln foi torturado no DOI-CODI/RJ, onde estava preso. A necrópsia, realizada pelos Drs. Adib Elias e Eduardo Bruno, confirma a versão oficial da repressão de que foi morto em tiroteio. O óbito de n° 60.500 tem como declarante Amarilho Ferreira. Somente foi encontrado e reconhecido por sua filha, Vânia Moniz Oest, em 06 de janeiro de 1973, sendo sepultado por sua família no Cemitério São João Batista (RJ), em 08 de janeiro de 1973. Laudo e fotos de perícia de local (Ocorrência n° 946/72 e ICEn° 7379/72) concluem por morte violenta (homicídio) e mostram o corpo de Lincoln baleado. Registro n° 1.517/72 do dia 20 para 21 de dezembro de 1972 do DOPS/RJ, assinado pelo Comissário Manoel Conde Júnior, confirma a farsa de tiroteio. ===================================================================================== + detalhes. Lincoln Cordeiro Oest Centenas de opositores ao golpe militar de 64 foram assassinados, muitos sob bárbaras torturas, e tal era a disparidade entre os recursos da resistência e os do poder militar, que poucos tiveram chance de estender sua luta por muitos anos. O limbo dos mortos da ditadura está povoado de jovens. Já nas mãos de Lincoln Cordeiro Oest, o destino pôs cartas de vida longa, que ele soube aproveitar com generosidade e valentia. Lincoln foi moço boêmio e bom desportista, jogou no time do clube Brasil, e chegou a ser chamado para integrar a seleção brasileira de futebol. na equipe do Flamengo, jogou várias vezes. Com os irmãos, fundou o clube Caiçaras, na zona sul do Rio. A tuberculose veio cindir-lhe a juventude e levar seu pai, imigrante alemão, engenheiro, a mudar-se com a família para Vassouras, em busca do ar de montanhas mágicas. Lá, conheceu sua mulher, filha do médico que finalmente o curou. Lá, também, no verdor dos vinte anos, ao refletir sobre a vida, a morte e a pobreza, tornou-se comunista. Voltou para o Rio, onde participou da insurreição de 35 e começou a atuar intensamente na política do Estado. Na eleição de 46, foi o segundo deputado estadual mais votado- como os demais parlamentares da esquerda, foi cassado no ano seguinte. No breve mandato, marcou a Assembléia com coragem, austeridade e retidão. Lincoln recusava qualquer privilégio pessoal; do que ganhava, só queria o que necessitava para viver. Osvaldo Aranha o queria muito. Tancredo Neves e Juscelino o admiravam. Era sempre procurado por amigos, parlamentares, governadores, que dele recolhiam lucidez e tino político. Em casa, havia amiúde alguém em dificuldade, por falta de saúde ou de recursos para viver, que Lincoln acolhia como um filho. Apesar dos duros encargos da militância, estudava durante a noite e fazia anotações sobre os problemas brasileiros, juntando numeroso textos, aos quais muita gente recorria. Lincoln conheceu diversos países. Dentre os amigos que tinha mundo a fora, estava Chu En Lai, de quem recebeu, como última lembrança, uma caixa de pedrinhas de uma montanha da China, que segundo o líder chinês, lhe daria sorte. Certa feita, Mao lhe dizia que a revolução brasileira devia criar raízes e nutrir-se no seu próprio povo, ao invés de buscar inspiração nos modelos de fora- era o que Lincoln defendia e anotava nos seus cadernos. A partir de 1964, passou a viver na clandestinidade. Mais tarde, rompe com o Partido Comunista, sem perder a amizade que o ligava aos velhos companheiros. Prestes ainda o chamava, com freqüência.Tornou-se dirigente do PC do B. Em 1972, foi preso e levado para o DOI-CODI, na Tijuca,onde o torturaram e mataram. Trataram de esconder o corpo, mas a família o encontrou, ainda no IML, e pode enterrá-lo com a dignidade que Lincoln Cordeiro Oest sempre demonstrou. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110212/23f8bc14/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 67708 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110212/23f8bc14/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110212/23f8bc14/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 12 15:34:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 12 Feb 2011 15:34:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Reportagem dos americanos sobre o Brasil Message-ID: <1719C749D77D4F78870D1ECA69DF976D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Mauriene Freitas Reportagem dos americanos sobre o Brasil ckique http://www.youtube.com/watch?v=DMM7OJ_Kj9I __._,_.___ Suas configurações de e-mail: E-mail individual |Tradicional Alterar configurações via web (Requer Yahoo! ID) Alterar configurações via e-mail: Alterar recebimento para lista diária de mensagens | Alterar para completo Visite seu grupo | Termos de Uso do Yahoo! 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110212/487512b3/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 12 15:34:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 12 Feb 2011 15:34:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Emir_Sader=3A_O_novo_quadro_no_Orient?= =?utf-8?b?ZSBNw6lkaW8u?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Emir Sader: O novo quadro no Oriente Médio Oriente Médio: nada será como antes por Emir Sader, no seu blog Por duas fortes razões o Oriente Médio tornou-se um pilar da política externa do império norteamericano: a necessidade estratégica do abastecimento de petróleo seguro e barato para os EUA, a Europa e o Japão, e a proteção a Israel ? aliado fundamental dos EUA na região, cercado por países árabes. Por isso o surgimento do nacionalismo árabe tornou-se um dos fantasmas mais assustadores para os EUA no mundo. Por um lado, pela nacionalização do petróleo pelos governos nacionalistas, afetando diretamente os interesses das gigantes do petróleo ? norteamericanas ou europeias ?, pela ideologia nacionalista e antimperialista que propagam ? de que o egípcio Gamal Abder Nasser foi o principal expoente ? e pela reivindicação da questão palestina. A história contemporânea do Médio Oriente tem assim na guerra árabe-israelense de 1967 sua referência mais importante. A união dos governos árabes permitiu a retomada da reivindicação do direito ao Estado Palestino, que foi respondida por Israel com a invasão de novos territórios ? inclusive do Egito -, com o apoio militar direto dos EUA. Novo conflito se deu em 1973, agora acompanhado da política da OPEP de elevação dos preços do petróleo. A partir daquele momento ou o Ocidente buscava superar sua dependência do petróleo ou trataria de dividir o mundo árabe. Triunfou esta segunda possibilidade, com a guerra Iraque-Irã, incentivada e armada pelos EUA, que golpeou dois países com governos nacionalistas, que se neutralizaram mutuamente, em um enfrentamento sangrento. Como subproduto da guerra, o Iraque se sentiu autorizado a invadir o Kuwait ? com anuência tácita dos EUA -, o que foi tomado como pretexto para a invasão do Iraque e o assentamento definitivo de tropas norte-americanas no centro mesmo da região mais rica em petróleo no mundo. Os EUA conseguiram dividir o mundo árabe tendo, por um lado os regimes mais reacionários ? encabeçados pelas monarquias, a começar pela Arabia Saudita, detentora da maior reserva de petróleo do mundo, e por outro governos moderados, como o Egito e a Jordânia. A maior conquista norteamericana foi a cooptação de Anuar el Sadar, o sucessor de Nasser, que supreendentemente normalizou relações com Israel ? o primeiro regime da região a fazê-lo -, abrindo caminho para a criação de um bloco moderado, pró-norteamericano na região, que se caracteriza pela retomada de relações com Israel ? portanto o reconhecimento do Estado de Israel ? e praticamente o abandono da questão palestina. Passaram a atuar também dento da OPEP, como força moderadora, favorável aos interesses das potências ocidentais. O Egito, como país de maior população da região, com grande produção de petróleo e país daquele que havia sido o maior líder nacionalista de toda a região ? Nasser ? passou a ser o peão fundamental no plano político dos EUA na região. Não por acaso o Egito tornou-se o segundo país em auxilio militar dos EUA no mundo, depois de Israel e à frente da Colômbia. Essa neutralização do mundo árabe, pela cooptação de governos e pela presença militar dos EUA no coração da região ? atualizada com a invasão do Iraque ? constituiu-se em elemento essencial da politica norteamericana no mundo e da garantia de abastecimento de petróleo para complementar a declinante produção dos EUA e todo o petróleo para abastecer a Europa e o Japão. É isso que está em jogo agora, depois da queda das ditaduras na Tunísia e no Egito. Impotente para agir de forma direta no plano militar, os EUA tentam articular transições que mudem a forma de dominação, mas mantenham sua essência. O Exército preferiu a renúncia de Mubarak, porque se deu conta que sua presença unia a oposição. Tem esperança que, sem ele, possa cooptar setores opositores para uma coalização moderada ? com El Baradei, a Irmandade Mulçumana, com o apoio dos EUA e da Europa ? que possa fazer reformas constitucionais, mas controlar o processo sucessório nas eleições de setembro, conseguindo desmobilizar o movimento popular antes que este consigar forjar novas lideranças. Indepentemente de que possa se estender a outros países da região ? de que a Argélia, a Jordânia, o Marrocos, a Arábia Saudita, são candidatos fortes ? a queda das ditaduras na Tunísia e no Egito demonstra que os EUA já não poderão manter o esquema de poder montado há mais de três décadas. O menos que se pode esperar é a instabilidade política na região, até que outras coalizões de poder possam se organizar, cujo caráter dará a tônica do novo período em que entra o Oriente Médio. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110212/eb446d0a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 13 14:09:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 13 Feb 2011 13:09:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Clipes_musicais_anos_80_e_90=2E______?= =?utf-8?q?________________________________________________________?= =?utf-8?q?__________HOJE_=C3=89_DOMINGO!_M=C3=9ASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem videoclipes dos anos 80 e dos anos 90. clique http://www.80smusicvids.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110213/3a98e9b4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110213/3a98e9b4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 13 14:09:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 13 Feb 2011 13:09:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_JOS=C9_J=DALIO_DE_ARA=DAJO_____________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-XXXVII-?= Message-ID: <32CEC73C4C814075AC41786122446247@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ JÚLIO DE ARAÚJO Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Filho de José de Araújo e Maria do Rosário Corrêa Araújo, nasceu em Itapecerica, Minas Gerais, no dia 21 de julho de 1943. Apesar de ter sido sempre uma criança saudável, perdeu grande parte da visão esquerda, aos dois meses de idade, por causa de uma catapora. Em ltapecerica, onde seu pai era comerciante, estudou no Colégio Herculano Paz. Com a mudança de sua família para Belo Horizonte, José Júlio passou a estudar no Grupo Escolar Cesário Alvim e, posteriormente, no Colégio Anchieta. Aos 14 anos, começou a trabalhar, no Banco da Lavoura de Minas Gerais, onde se destacou pela eficiência. Gostava muito de ler e, por influência de um antigo funcionário do Banco, passou a se interessar pelas idéias socialistas, tornando-se um autodidata, conscientizando-se rapidamente das questões sociais do País. Resolveu, então, abandonar os estudos na 3ª série ginasial, alegando que sabia mais que seus professores. Nessa época, José Júlio tinha muitos amigos e uma militância política sigilosa. Nem os colegas do Banco, nem os familiares suspeitavam de sua participação nos movimentos de resistência à ditadura. Ao sair do Banco da Lavoura, aos 20 anos, foi trabalhar na SOCIMA, firma de atacados, onde seu pai era um dos sócios. José Jú1io era tão nacionalista que não gostava de músicas americanas, ouvindo somente músicas de protesto de compositores e cantores brasileiros como Elis Regina, Carlinhos Lyra e as dos antigos festivais da Record. Em 1968, foi para São Paulo, passando a viver clandestino. O último contato pessoal de José Júlio com a família foi em São Paulo, em 1968, quando, 15 dias após a sua saída de Belo Horizonte, recebeu a visita de Dona Lulu, sua mãe, e de Valéria, sua irmã. Foram todos jantar no "Restaurante do Papai" junto com o amigo Gilney Amorim Viana. Nesse dia, José Júlio comeu uma peixada, brincando que mineiro só gostava de churrasco. Dona Lulu quis marcar um novo encontro e José Jú1io, alegando uma viagem para o Rio, a convite de um amigo, despediu-se. A família acredita que, nessa ocasião, ele já estava de viagem marcada para Cuba. Após sua partida, a polícia esteve, por duas vezes, na casa de seus pais à sua procura. Maurício Paiva, antigo militante, num artigo publicado no "Estado de Minas", de 25 de outubro de 1991, intitulado "Exilados Politicos" conta: "a última vez que vi o José Júlio foi em Havana, quando ele se preparava para retornar, clandestino, ao Brasil. Todos os que estavam em Cuba tinham esse propósito, mas eu acabava de chegar e ele já arranjava as malas para partir." Ainda, nesse artigo, se perguntava por que os brasileiros no exílio sempre mantiveram acesa a chama do retorno ao Brasil, se a vida era mais segura 1á fora? Por que voltar, sob ferrenha ditadura, sujeitando-se ao risco da morte, da prisão e da tortura? E o que levaria uma pessoa a uma luta em que as chances de sair com vida eram tão escassas? No final ele diz: " homens como José Júlio tinham raízes fincadas nas profundezas dessa terra e aqui queriam viver ou morrer." A família de José Júlio de Araújo recebeu uma única carta escrita por ele, enviada do Rio de Janeiro e datada de 2 de março de 1971, onde ele pedia notícias de todos os parentes, nominalmente, e da qual seguem alguns trechos: "Minha querida mãe: Espero que me perdoe por não ter escrito antes, afinal faz tanto tempo que não nos vemos e eu sinto muito por isto. Minha vontade é estar junto de você e de todos. Mas que posso fazer. (...) Você sabe que é a pessoa a quem eu mais quero, por tudo que fez por mim e por meus irmãos. Espero que compreenda que quando não escrevo é porque não posso. Apesar dos problemas que eu trouxe para você, por favor, seja feliz. Eu nunca poderia retribuir tanto carinho que você dedicou a mim. (... ) Apesar de todos os problemas que tiveram por minha causa, eu pediria ao Vinicius e Marcinho que visitassem meus amigos que estão presos em Juiz de Fora, e que lhes levassem cigarros e doces que fazem muita falta para quem está em uma prisão. Eu ficaria eternamente agradecido se meus irmãos pudessem praticar este ato de solidariedade humana. José Júlio, Rio de Janeiro, 2 de março de 1971." Voltando de Cuba, em 1971, José Jú1io morou por um ano no Chile, clandestinamente, retornando ao Brasil em 1972. Ao retornar ao Brasil, José Júlio morou em São Paulo com os companheiros Iara Xavier Pereira e Arnaldo Cardoso Rocha, no seu curto período de clandestinidade, pouco antes de sua morte. Preso em companhia de Valderez Nunes Fonseca, no dia 18 de agosto de 1972, em um bar da Vila Mariana, em São Paulo, pela equipe chefiada pelo torturador "Dr. Nei", do DOI-CODI/SP, ainda tentou resistir. Houve luta corporal e José Júlio saiu ferido por uma coronhada desfechada em sua cabeça por um dos agentes policiais. A VERSÃO OFICIAL É QUE TERIA SIDO MORTO, BALEADO POR AGENTES DE SEGURANÇA EM UMA ESQUINA DA RUA TEODORO SAMPAIO, NO BAIRRO DE PINHEIROS. POR ESSA VERSÃO, JOSÉ JÚLIO TERIA ENCAMINHADO POLICIAIS ATÉ UM OUTRO MILITANTE E ROUBADO A ARMA DE UM SEGURANÇA BANCÁRIO, CORRENDO EM ZIGUE ZAGUE, SENDO FUZILADO. FOI ESSA VERSÃO QUE O CARCEREIRO E TORTURADOR MAURÍCIO JOSÉ DE FREITAS, VULGO "LUNGARETI" APRESENTOU AOS PRESOS, POR MEIO DO JORNAL ONDE ERA PUBLICADA A NOTÍCIA DA MORTE DE JOSÉ JÚLIO. A Equipe "C", responsável pelas torturas e assassinato de José Júlio era composta pelo Capitão Átila, escrivão de polícia Gaeta, agente federal conhecido como "Oberdan", policial do DOPS (servindo na OBAN) Aderval Monteiro e Dr. Nei, Chefe da equipe. Todos eles, sob o comando do então major Carlos Alberto Brilhante Ustra, hoje general da reserva, e tendo como sub-chefe o Tenente-Coronel Dalmo Lúcio Muniz Cirillo. Assinam o laudo necroscópico os médicos legistas Isaac Abramovitch e José H. da Fonseca que confirmam a falsa versão oficial. Foi enterrado no Cemitério de Perus/SP como indigente. O Relatório dos Ministérios da Aeronáutica e Marinha dizem que foi "Preso em 18 de Agosto de 1972, após interrogatório foi levado para encontrar com outro terrorista, quando entrou em luta corporal com um policial que o escoltava, apossando-se de sua arma e tentando fugir, atirando, quando então foi baleado e vindo a falecer." Em agosto de 1975, seus restos mortais foram exumados do Cemitério de Perus, em São Paulo, e levados para Belo Horizonte pelo seu irmão Márcio, que escondeu a ossada no porão da casa onde moravam, no bairro Gutierrez, em Belo Horizonte, alegando aos pais que enterrara os ossos no Cemitério da Lapa, em São Paulo. Em 1976, Márcio, acometido de fortes crises depressivas decorrentes da perda do irmão, suicidou-se, levando consigo o segredo de que os ossos de José Júlio se encontravam em um caixote no sótão da casa. Após a morte de Márcio, a mãe, desconfiada do caixote no sótão, guardado com tanto cuidado, descobriu os ossos de José Júlio e decidiu manter o segredo, já que nem ao menos dispunha de qualquer documento que pudesse oficializar o enterro. Anos depois um encanador contratado pela família, descobriu os ossos no sótão e denunciou o fato ao delegado Miguel Dias Campos, que abriu inquérito contra a mãe e a irmã de José Júlio, por ocultação de cadáver. Feitos exames legistas e constatada a identificação dos ossos como pertencentes a José Júlio, foram liberados para serem enterrados. O enterro aconteceu no dia 6 de novembro de 1993, no Cemitério Parque da Colina, sendo acompanhado por familiares, amigos, antigos companheiros e representantes dos movimentos de Direitos Humanos e da Anistia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110213/ac39beee/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15652 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110213/ac39beee/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 13 14:09:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 13 Feb 2011 13:09:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_BARB=C1RIE_CIVILIZ=D3IDE__por__?= =?iso-8859-1?q?_Miguel_Almir_Lima_de_Ara=FAjo?= Message-ID: <6B6842B83A8445BD8A09447172238B56@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A BARBÁRIE CIVILIZÓIDE Miguel Almir Lima de Araújo Professor da UEFS e da UNEB O caminho sem coração se volta contra os homens e os destrói Yaqui Don Juan. O progresso povoou a história com as maravilhas e os monstros da técnica, mas desabitou a vida dos homens. Deu-lhes mais coisas, mas não lhes deu mais ser. Octavio Paz Tenho que continuar sonhando para não sucumbir. Nietzsche Até onde conhecemos, somos, entre os seres vivos, a espécie que possui mais possibilidades de cuidar da vida, das vidas, do ecossistema, de desenvolver as potencialidades sensíveis e criantes. Na condição de seres bioculturais, somos portadores de um universo vasto de capacidades para pensar e para sentir que nos impulsionam para o lapidar da consciência compreensiva e do espírito inventivo e altivo mediante nossas disposições corpomentais. Cultivando essas potencialidades podemos conduzir nossa existência, individual e coletivamente, na perspectiva de afirmação, de fortalecimento, de renovação e de re-criação dos valores humanos primordiais sedimentados na história da humanidade. Valores que, na heterogeneidade das teias policrômicas das culturas, traduzem os tesouros de sabedorias garimpados pelos diversos povos. Considero valores primordiais aqueles que revelam, na nossa condição de semelhantes e de diferentes, as possibilidades de relações dialógicas e interligantes entre os humanos como a dignidade, a justiça, a fraternidade, a solidariedade, a beleza, a paz, a liberdade, a generosidade etc. Apesar de todo o manancial de potencialidades de que somos portadores em nossa condição de seres humanos, de ser-sendo com os outros, de podermos, assim, atingir as dimensões mais anímicas (de alma) e vastas, temos tido muita dificuldade de garimpar com afinco e desenvoltura esses territórios. As posturas predominantes em nossa teia de relações sociais e ecossitêmicas revelam que temos nos reduzido a seres intensamente perversos e depredadores de nossa condição de seres humanos, de nossas relações conosco mesmos e com os demais seres. As paisagens que nos circundam têm denunciado com bastante visibilidade e até de forma escancarada o quanto temos descuidado e esgarçado nossas vidas e relações. As conseqüências nefastas dos desalinhos de nossas atitudes revelam, de modo geral, que temos nos confinado apenas a nosso estado instintivo de seres vegetativos, à nossa hostilidade primária, à mera condição zoológica. Erguemos estruturas e formas de poder e de relações sociais em que prevalecem os valores do ter, da lógica da apropriação e da competição em detrimento do cuidado com o ser, com o ser-com. Nessa esfera, construímos mercados nos quais nos aprisionamos mediante relações utilitárias de compra e venda de coisas que nos coisificam; passamos a mercadejar a dignidade humana, a própria vida. Desse modo, como lobos enfurecidos, passamos a nos digladiar uns com os outros movidos pelo afã insano do instinto de competição e de apropriação que fomenta a acumulação de bens materiais, de poderes (podreres) econômicos e políticos desprovidos de senso ético. Pod(r)eres que nos brutalizam e barbarizam. Nesse rumo, nos reduzimos apenas à condição de animais, ao abuso de nossa condição instintiva (biológica) e perdemos de vista nossa condição anímica (anima-alma). Temos acervos imensuráveis de recursos tecnológicos mas não aprendemos a conviver, a compartilhar, a celebrar a magnitude da vida humana, da condição humana. Esclarecidos com repertórios largos de informações técnicas, ficamos ignorantes no que se refere à formação dos valores que nos conduzem à alma, às nossas potencialidades de humanização; negligenciamos o cuidado com a sensibilidade, com o espírito de altivez, com a amorosidade, com a dignidade humana. Dessa forma, nossa sociedade supostamente civilizada, com toda sua sofisticação tecnológica, apesar dos bons usos que excepcionalmente se faz desta, tem se convertido numa barbárie civilizóide, num cárcere asfixiante. Em nome da ganância, do lucro, da acumulação de bens etc. os seres humanos se enjaulam em círculos viciosos alimentando vícios dos mais vergonhosos e insanos; se atolam em atitudes das mais indecorosas como a corrupção, o roubo, as mais diversas modalidades de crimes, assassinatos etc., bem como a degradação do ecossistema. A fome viciada de mais lucro, de mais pod(r)er, de mais bens utilitários tem devorado grande parte da raça humana que, assim, perde o senso do humano se convertendo em entes hostis, em máquinas monstruosas, em abutres. Ao sermos reduzidos a esse estado de voracidade, nossa hostilidade primária se converte em atitudes nas quais passamos a nos devorar uns aos outros, a nos monstrificar. Encarcerados nas jaulas desses círculos viciosos nos amesquinhamos e forjamos esse estado de barbárie que tanto nos desumaniza e degrada, que tanto esgarça a teia das relações humanas e sociais, das relações ecossistêmicas. Ainda não aprendemos a afinar as cordas de nossos corações, com a singularidade dos tons de nossas diferenças, para vibrarmos juntos, para entoarmos cantigas in-tensivas de fraternização que nos entrelaça como humanos. Nossa hostilidade primária isolada nos inflou com essas posturas individualistas que levam à crueldade dessa competição brutalizante que selvagemente nos devora uns aos outros. Em nome de Deus, da Ética etc. muitas pessoas, tanto em posturas individualizadas como em posturas que representam instituições, cometem as maiores crueldades e abusos para saciar seus caprichos individualistas e nefastos - na perspectiva da linguagem bíblica devem ser os lobos travestidos de ovelhas. Chegamos a um tal estado de degradação ética que atitudes de honestidade estão virando notícias de jornal. Na predominância desse ethos viciado, procurar afirmar as atitudes e valores da dignidade, da justiça, do bem comum passa a ser considerado demodé, algo estranho e piegas. Numa sociedade em que ser honesto passa a ser sinônimo de ser besta, a iniqüidade passa a imperar através dos monturos das corrupções deslavadas; a dignidade humana fica dilacerada; o ser humano fica reduzido ao mais monstruoso dos animais. Os frutos dessas estruturas sociais apodrecidas cada vez se escancaram mais e das maneiras mais violentas e destrutivas: adulteração de documentos, assaltos, roubos, seqüestros, assassinatos, estupros, corrupções das mais sofisticadas e horripilantes, bem como tantos outros exemplos que compõem o rosário dos fatos que violentam e abusam dos direitos humanos, da dignidade humana e que esgarçam a vida, o ecossistema. Numa mirada superficial, teríamos muitos estímulos para nos confinarmos nas muralhas e cavernas do pessimismo, da inércia, do ceticismo, do desespero etc. Porém, com um olhar mais penetrante, podemos perceber que se não podemos mudar as macroestruturas, podemos sim, com espírito altaneiro de coragem e de dignidade, de paixão e de zelo pela vida, pelas vidas, fazer a diferença, dar nossas pequenas contribuições no âmbito microestrutural envidando pequenas ações que promovem os valores humanos primordiais, que nos dignificam. Se nada fazemos para desafiar esse estado de degradação, acabamos ficando implicados pela conivência e omissão deixando nossas marcas vergonhosas e indeléveis nas páginas da história humana. Temos muitas razões para insistirmos em cuidar desses valores, de nossas vidas e da dos outros, trilhando os caminhos do altruísmo, da amorosidade, da esperança, da utopia, do vicejar o húmus que fecunda o humano. Que ousemos compor os mutirões daqueles que se implicam qualitativamente na afirmação da boniteza e da magnitude do humano, do ecossistema; daqueles que, com audácia e altivez, promovem o fortalecimento dos círculos virtuosos; daqueles que procuram não se contaminar nos monturos indecorosos das corrupções quase que generalizadas na tirania da razão cínica. É tanto fácil como vergonhoso converter-se às mediocridades dos círculos viciosos que maculam, desbotam e desgraçam o humano, o ecossistema. É tanto difícil quanto grandioso e nobre abraçar as causas que primam pela dignificação que embonita e dá graça ao humano, ao planeta Terra. São os feixes dos sonhos que nos nutrem e inspiram; que animam nossa sensibilidade e imaginação criantes; que fazem vibrar nossos corações para compartilharmos os sentires que nos amorizam mediante o cuidado que nos humaniza. Se não cultivamos nossos sonhos, com os pés fincados na cepa do chão, e a alma e coração implicados com o sentimento do mundo, sucumbimos nos porões dos cárceres que nos enfeiam e escravizam, nas cavernas da hostilidade primária que nos brutaliza. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110213/82cd0882/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 14 20:58:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 14 Feb 2011 19:58:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Nossas_crian=E7as_sob_risco_=2E_?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?____________________________________HOJE_=C9_2=BA_F?= =?iso-8859-1?q?EIRA!_MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Nossas crianças sob risco Fonte:Google Marcio Bontempo *, Para entendermos bem os efeitos ou a influência da alimentação sobre a saúde dos estudantes e os reflexos desses fatores sobre o aprendizado, devemos dividir a faixa etária infantojuvenil segundo a sua classe social ou econômica. É bem sabido que as classes mais pobres apresentam um tipo de alimentação quantitativamente mais deficiente, com tendência a problemas de ordem carencial, como anemias, deficiências imunológicas, raquitismo, verminoses, parasitoses em geral e maior tendência também às viroses comuns da infância (caxumba, varicela, sarampo, rubéola) e infecções. As classes mais ricas, incluindo a classe média, possuem uma alimentação quantitativamente mais completa e apresentam menor incidência desses problemas, mas mostram incidência de outros, como alergias respiratórias e obesidade. No entanto, devido à alimentação industrializada - empobrecida nutricionalmente e rica em aditivos e componentes nocivos - há uma diminuição qualitativa da saúde em todas as classes sociais, determinando alguns problemas comuns de saúde como cárie dentária (menor nas classes mais abastadas devido à possibilidade de assistência odontológica particular, mas com tendência praticamente igual pela falta de escovação após as merendas e lanches), desmotivação, dificuldade de aprendizagem, ansiedade e doenças crônicas. Estes dados importantes são motivo de discussão entre autoridades sanitárias e educacionais. A maior possibilidade de acesso por parte das crianças e adolescentes das classes média e alta a alimentos industrializados e proteínas animais condicionadas (ou mesmo as comuns) os expõe a perigos bem maiores, ou seja, doenças degenerativas produzidas pelo excesso alimentar, como o câncer em geral (a leucemia, em particular) as doenças reumáticas, o diabetes e as síndromes de incidência mais recente, como mieloma múltiplo, miastenia gravis, artrite reumatóide e doenças autoimunes em geral. Isso pode ser facilmente comprovado se observarmos estatísticas oficiais que mostram maior incidência de doenças degenerativas e crônicas nos países mais desenvolvidos que adotam a dieta industrializada. Por isso, mesmo que as classes mais pobres possuam uma dieta mais carente, são menos expostas às doenças degenerativas. Em outras palavras, as classes mais favorecidas apresentam qualidade biológica menor. Certamente, por conta da alimentação industrializada, este quadro se inverteu e surpreendeu a muitos nutricionistas e autoridades sanitárias, pois até há pouco tempo acreditava-se que uma alimentação pobre em nutrientes era a causa de numerosas doenças. Hoje, as estatísticas apontam que há mais riscos de doenças com uma alimentação excessiva do que com uma carente. Some-se a isso o fato de que as classes mais pobres geralmente têm acesso a certos alimentos hoje considerados como funcionais ou como fonte de elementos protetores da saúde, como folhas verdes, hortaliças, frutas regionais, rapadura, farinhas, cereais naturais etc. Em contraste, as classes mais ricas acostumaram-se a consumir produtos altamente elaborados: enlatados, empacotados, fritos, ricos em colesterol e açúcar como os chips, a salsicharia, o presunto, os laticínios gordurosos, o pão branco, os cereais matinais empobrecidos em nutrientes mas repletos de sacarose e aditivos, a proteína animal além das necessidades do organismo e outros de difícil aquisição pelas classes mais pobres devido ao custo elevado. Fonte: Google Infelizmente há, no entanto, alguns produtos industrializados de baixo custo - repletos de corantes, aromatizantes e conservantes, gorduras trans, calorias vazias e colesterol, principalmente em guloseimas, chips, doces, sorvetes e refrigerantes - e de fácil acesso também às crianças pertencentes a classes mais pobres, o que expõe uma classe intermediária a maiores problemas que as classes situadas nos extremos de uma escala social e econômica, pois além de uma dieta carente, absorvem também produtos químicos artificiais prejudiciais. De qualquer modo, todas as crianças e adolescentes estão sujeitos a problemas de saúde que põem em risco a saúde e, consequentemente, a capacidade de aprender. Neste ponto, somos forçados a aceitar que muitos desses problemas dependerão de aspectos individuais, de fatores familiares, genéticos, raciais, culturais, regionais e de idiossincrasias de cada organismo. A pergunta é: até que ponto as carências nutricionais, bem como os efeitos da má alimentação e da alimentação industrializada são responsáveis ou contribuem para a desmotivação, o baixo rendimento escolar, a reprovação e o abandono dos estudos? E até que ponto são esses fatores resultantes de uma saúde geral deficiente, também motivados pela dieta precária ou rica em aditivos debilitantes? Esta pergunta abre caminho para outra: temos condições de avaliar completa e amplamente todos os efeitos negativos da alimentação industrializada, principalmente aquela consumida nas escolas e nos lares, sobre os organismos das crianças e jovens? Isso nos leva a mais uma pergunta preocupante: até que ponto a má qualidade alimentar, em todas as faixas sociais de alunos, está prejudicando a qualidade de ensino no Brasil? Enquanto não pudermos responder a estas perguntas, devemos procurar meios para melhorar a qualidade e a quantidade do que os nossos filhos, alunos e estudantes estão comendo. Antes, apenas as deficiências de ferro, de cálcio, vitaminas A e proteínas eram motivo de atenção e estavam diretamente envolvidas com numerosas situações anômalas capazes de produzir tais efeitos. Atualmente, a alimentação industrializada é mais um elemento desse conjunto. Todos os problemas relacionados a este tema, dada a sua gravidade e urgência, envolvem atenção e participação de pais, educadores, autoridades sanitárias, empresários da produção e fornecimento de alimentos, médicos, nutricionistas e da mídia. São urgentes a firme tomada de posição e estudos mais sérios quanto ao tipo de substâncias e compostos ingeridos pelos nossos alunos. Sabemos dos riscos da diminuição da capacidade de aprendizagem e da capacidade intelectual que muitos alimentos podem produzir e também dos riscos que tudo isso representa quanto ao futuro da nossa nação. Precisamos nos conscientizar e atuar, em conjunto, na defesa da saúde e da qualidade de vida e aprendizagem da faixa etária do povo que formará o nosso futuro. * médico e clínico homeopata, especialista em saúde pública e pós graduado em nutrologia. É autor de 59 obras sobre saúde -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110214/d0948b37/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 12879 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110214/d0948b37/attachment-0002.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 8241 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110214/d0948b37/attachment-0003.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 14 20:58:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 14 Feb 2011 19:58:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_CARLOS_ALBERTO_SOARES_DE_FREITAS_______?= =?iso-8859-1?q?___________________________-XXXVIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CARLOS ALBERTO SOARES DE FREITAS Dirigente da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Nasceu em Belo Horizonte, em 12 de agosto de 1939, filho de Jayme Martins de Freitas e Alice Soares de Freitas. Desaparecido desde 1971, aos 32 anos. Caçula de oito irmãos, Beto era um homem reservado e discreto, solteiro, de uma insuspeitada timidez, o que Ihe conferia um certo charme, sempre despertando paixões. Corpo atlético, perfeito, extremamente terno, cavalheiro, educado, arisco, jogador de basquete, prêmios de natação. Filho amoroso, nunca deixou de se corresponder com os pais, mesmo durante a clandestinidade. O curso primário foi feito no Colégio São Francisco e no Grupo Escolar Manoel Esteves, em Teófilo Otoni. O curso secundário, nos Colégios Anchieta e Tristão de Ataíde, em Belo Horizonte. Ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas (FACE/UFMG) para cursar Sociologia e Política, em 1961. Nesse mesmo ano, iniciou sua trajetória de militância política na POLOP e inscreveu-se no Partido Socialista Brasileiro (PSB), tendo se dedicado, desde o início, inteiramente à política. Viajou para Cuba, em janeiro de 1962, para as comemorações da Revolução Cubana. Escolhido pelos seus companheiros da POLOP, buscava obter maiores informações sobre a Revolução Socialista. No período de 1961 a 1965, militou no movimento estudantil e participou, também, do trabalho de implantação das Ligas Camponesas em Minas Gerais, dentro da perspectiva política da aliança operário-camponesa-estudantil. Logo após o golpe militar de 1964, recebeu determinações da Direção Nacional da POLOP para que se transferisse para o Rio de Janeiro. No entanto, dois meses depois estava de volta. Foi preso, em flagrante, pichando muros em Belo Horizonte, no dia 26 de julho de 1964 - com palavras de ordem contra o isolamento cubano imposto pela OEA e contra a ditadura militar - e levado para o DOPS. Posteriormente, foi transferido para a Penitenciária Agrícola de Neves e solto, em novembro do mesmo ano, por meio de um Habeas Corpus. Beto participou, em 1965, da reorganização da seção regional do PSB, tornando-se um dos membros do Comitê Executivo do partido, além de dirigente nacional da POLOP, em Minas Gerais. No período de 1965 a 1968, além de outras tarefas, escreveu semanalmente, artigos para o jornal operário "Piquete". Em 1967, Beto foi julgado e condenado, à revelia, a dois anos de prisão pela Auditoria do Exército da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora. Em 1968 foi eleito para a Direção Nacional do COLINA e elaborou, junto com outros companheiros, documentos de análise política para discussões internas na organização, usando o pseudônimo de Fernando Ferreira. Nesse período, foi um dos diretores da revista "América Latina". Entrou para a clandestinidade, mudando-se para o Rio de Janeiro, no mês de janeiro de 1969. Foi preso, novamente, no dia 15 de fevereiro de 1971, junto com Antônio Joaquim Machado (também desaparecido) e Sérgio Emanuel Dias, na pensão onde moravam na rua Farme de Amoedo, n° 135, em Ipanema. Foram levados para o quartel da PE, na rua Barão de Mesquita, onde ficavam as dependências do DOI-CODI. Segundo Eduardo, seu irmão, quatro dias após sua prisão, a família recebeu uma carta escrita pelo próprio Carlos Alberto, onde ele lhes comunicava que, quando o documento chegasse ao seu destino, era sinal de que teria sido detido pelos órgãos de repressão e, em decorrência disso, todas as medidas necessárias à sua localização deveriam ser tomadas pela família. Foram acionados vários advogados buscando a sua localização: Sobral Pinto, Oswaldo Mendonça e Antônio Modesto da Silveira. Habeas-corpus, impetrado junto ao STM, tomou o número 30.405, com entrada no dia 12 de março de 1971 (menos de um mês após a prisão), atuando como relator o ministro Nelson Sampaio. Inúmeros apelos em caráter dramático foram enviados pelos pais e familiares de Beto às mais altas autoridades do País: Generais Médici, Geisel e Figueiredo e ao ministro do STM, Rodrigo Otávio Jordão Ramos. Várias buscas foram feitas na Base Aérea do Galeão - conhecido centro de tortura no ano de 1971 - na Ilha das Flores, na Vila Militar, na 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, e em Salvador. Foi muito procurado por pessoas conhecidas em outros Estados. Na delegacia de Itaguaí, em junho de 71, Eduardo Soares de Freitas viu um cartaz de "terroristas procurados", exibindo a foto de Beto, riscada com um xis . Em depoimento de Inês Etienne Romeu, ficou-se sabendo que Beto havia sido preso em São Paulo nesta mesma ocasião e conduzido, posteriormente, a um centro clandestino de tortura da repressão, situado no interior do Estado do Rio, onde permaneceu por um período de 100 dias. Inês ouviu dos seus torturadores que Beto fora preso, torturado e assassinado a tiros de revólver naquele local, identificado depois como a "Casa da Morte" em Petrópolis/RJ. Vários outros presos políticos denunciaram a prisão, tortura e morte de Carlos Alberto Soares de Freitas. O psicanalista Amílcar Lobo reconheceu, através de fotos, 10 pessoas que haviam sido torturadas no Quartel da PE, durante o período em que lá serviu (1970 a 1974), entreeles Carlos Alberto Soares de Freitas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110214/94adb01f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6662 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110214/94adb01f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 14 20:58:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 14 Feb 2011 19:58:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__A_ABIN__segue_monitorando_MST_?= =?windows-1252?q?=2E__Isto_=E9__12_de_fev___=22Arapongas_rompem_hi?= =?windows-1252?q?erarquia=2C_rebelam-se_contra_o_controle_militar_?= =?windows-1252?q?na_Ag=EAncia_Brasileira_de_Intelig=EAncia_e_fazem?= =?windows-1252?q?_guerra_de_dossi=EAs=22?= Message-ID: <1DBA52E7D06548CFA4DB6957A7A5CB33@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Isto é Isto é, 12.02.2011 Motim na Abin Arapongas rompem hierarquia, rebelam-se contra o controle militar na Agência Brasileira de Inteligência e fazem guerra de dossiês Claudio Dantas Sequeira AUTONOMIA Agentes da Abin defendem que órgão seja subordinado à Presidência da República Sucessora do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é mantida, desde sua criação, sob estrito controle militar. Agora este comando está sendo confrontado por um barulhento grupo de agentes concursados, insatisfeitos com o que chamam de ?herança maldita dos tempos da ditadura militar?. Os arapongas resolveram rebelar-se, num ensaio de motim, e, pela primeira vez na história dos serviços de inteligência, tornam público o que pensam. Oficiais da Abin sem relação direta com os militares divulgaram uma carta de protesto pedindo à presidente Dilma Rousseff mudanças na direção da agência. No texto, a recém-fundada Associação de Oficiais de Inteligência (Aofi) exige que o órgão saia da estrutura do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado hoje pelo general José Elito Siqueira. ?A exemplo do que é vigente nas democracias modernas, acreditamos que o serviço de inteligência deve ter acesso direto ao chefe de governo?, diz a associação. A Aofi, que representa 170 dos 650 funcionários concursados, considera que a agência ainda é ?refém do legado do SNI?. A demanda por mudanças na estrutura da Abin ganhou força com a posse de Dilma. Por seu passado de prisioneira política, a presidente, conforme os boatos que circularam na comunidade de informações, estaria determinada a promover uma profunda reforma no setor. Mas a nomeação do general José Elito para o comando do órgão frustrou essas expectativas. José Elito, desde sua posse, não deu nenhuma atenção aos focos de insatisfação. Na segunda-feira 7, porém, ele precisou convocar uma reunião de emergência na Abin para tentar acalmar a insurreição que já avançava. No dia seguinte, o general ainda tentou conversar sobre o tema com Dilma, ao encontrá-la pela manhã na garagem do Palácio do Planalto. Mas a conversa não prosperou. Pesa contra José Elito o constrangimento que ele criou para a presidente quando, no início de janeiro, declarou que a existência de ?desaparecidos políticos? no Brasil não era motivo de vergonha. Para acalmar os ânimos, o general José Elito divulgou uma nota protocolar afirmando que ?vem implementando medidas no sentido de valorizar a atividade institucional do GSI?. Mas este é exatamente o ponto que irrita os arapongas rebelados. Eles reclamam que , ao subordinar as atividades da Abin ao trabalho de segurança institucional da Presidência, setores estratégicos acabam paralisados. A ingerência militar, segundo eles, também desvirtuaria os objetivos estratégicos do serviço. ?A Abin monitora o MST e outros movimentos?, acusam. Os agentes civis apelidaram de ?ovos de serpente? os funcionários oriundos do SNI ou que mantêm relações com a caserna. Nesse clima envenenado e de hierarquia rompida, já circula pela Abin um dossiê dos arapongas denunciando que ?critérios pessoais e parentais? norteiam o loteamento das principais funções de chefia e direção da agência. Conforme o texto, o Exército enviaria para a Abin aqueles oficiais que o Centro de Inteligência não quer mais ter por perto. ?Muitos dos quais tiveram ativa participação no regime repressor?, afirmam os agentes. O dossiê lista até nomes. Na mira dos arapongas estão relacionados o diretor-geral da Abin, Wilson Trezza, ex-militar oriundo do SNI; e os diretores de Administração, Geraldo Dantas, e de Planejamento, Luizoberto Pedroni, ambos ex-oficiais R2 do Exército. Na conta de ?militares atuantes na ditadura?, o documento lança o diretor-adjunto Ronaldo Belhan, filho do general José Belhan, que chefiou as operações do CIE, do SNI e atuou na Oban em São Paulo. Ao que parece, o motim está só começando. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110214/0665f48e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 15 21:40:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 15 Feb 2011 20:40:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_JANE_VANINI____________________________?= =?iso-8859-1?q?___________________-XXXIX-?= Message-ID: <66193FABBD0F423CAE27FC4E1F82AEF9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JANE VANINI (1945-1974) Data e local de nascimento: 08/09/1945, em Cáceres (MT) Filiação: Antonia Maciel Vanini e José Vanini Filho Organização Política: MIR (Chile) Desaparecida em: 06/12/1974, em Concepción, Chile Nascida em Cáceres, no Mato Grosso, Jane Vanini foi morta em 06/12/1974, na cidade chilena de Concepción, pelas forças repressivas da ditadura do general Augusto Pinochet. Seu nome somente passou a constar da lista de desaparecidos brasileiros no Chile em 1980, pois seus companheiros no Brasil acreditavam que ela tinha conseguido sobreviver. Sua família foi informada de sua morte no Chile, mas aos pais, idosos, as irmãs preferiram contar que Jane morrera do coração. Com o retorno ao Brasil de seu companheiro e ex-marido Sérgio Capozzi, a história da morte de Jane foi relatada á Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos. No Chile redemocratizado, ela passou a ser homenageada como heroína da luta contra o fascismo, tornando-se, só então, conhecida por sua verdadeira identidade. Jane estudou no Colégio Imaculada Conceição, em sua terra natal, até se mudar para a capital paulista em 1966, onde cursou Ciências Sociais na USP. Além de estudar, também trabalhou no Mappin e na Editora Abril, onde conheceu Sérgio Capozzi. Em agosto de 1969, o casal passou a integrar a ALN, fazendo de sua residência um abrigo seguro de Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, principal dirigente da ALN após a morte de Marighella. Os vizinhos e amigos passaram a conhecê-lo como Tio Nico, pensando que fosse algum parente. Ocorrendo uma série de prisões de membros da ALN em abril de 1970, o casal foi identificado pelos órgãos de segurança do regime militar. Colegas da Editora Abril ajudaram Capozzi a fugir, quando a OBAN tentou prende-lo no trabalho. O casal passou a viver na clandestina e seguiu de navio para Montevidéu. Daquele país vizinho os dois militantes seguiram para Cuba, onde participaram de treinamento militar e Jane trabalhou na Rádio Havana. Com a cisão ocorrida na ALN, Jane Vanini passou a integrar o MOLIPO e regressou ao Brasil em setembro de 1971. Do chamado Grupo dos 28, que fundou essa nova organização, Jane ficou entre os 12 que conseguiram sobreviver após a seqüência de prisões e mortes imposta pelo aparelho de repressão entre novembro de 1971 e maio de 1973, mas terminou executada pelos órgãos de segurança da ditadura-irmã no Chile. Durante sua permanência clandestina no Brasil, documentos dos órgãos de segurança informam que Jane teria se estabelecido, com Sergio Capozzi e Otávio Ângelo (reconhecido fotograficamente) num aparelho rural do MOLIPO na região do rio Lages, entre Araguaina e Vanderlândia, no atual estado do Tocantins. Conseguiu sair do Brasil e se refugiou no Chile durante o governo de Salvador Allende, passando a militar no MIR - Movimento de Isquierda RevoLúcionaria. Trabalhou na Revista Punto Final até 1973, quando já tinha se separado de Capozzi e casado com o jornalista chileno José Carrasco Tapia, conhecido como Pepe Carrasco, dirigente do MIR. Seu novo nome era Gabriela Hernandez. Com o golpe militar que derrubou Salvador Allende, recusou-se a deixar o Chile e novamente passou à clandestinidade. Foi morar com Pepe em Concepción, agora sob a identidade Carmen Carrasco Tapia. No dia 06/12/1974, ao meio-dia, Pepe foi preso pela polícia fascista de Pinochet. A clandestinidade impunha regras a serem seguidas com rigidez. Jane e Pepe tinham um horário certo para estar em casa. Aquele que não voltasse teria sido preso. Após esse horário, o combinado é que poderiam tentar sobreviver às torturas informando onde moravam. Nesse dia, Pepe não voltou e Jane procurou outros militantes do MIR para saber se tinham alguma informação sobre sua ele. Se ele estivesse vivo, queria tentar resgatá-lo das mãos da DINA, a implacável polícia política de Pinochet. A ação proposta por ela foi descartada, mas, sentindo a determinação de Jane, seus companheiros do MIR chegaram a trancá-la num banheiro, buscando preservar sua vida. Por volta de 22 horas, Pepe tinha certeza de que Jane já não estaria em casa. Agüentou a tortura muitas horas além do teto combinado. Mas ela tinha conseguido fugir pela janela do banheiro e, voltou para casa, esperando resgatar seu companheiro. Resistiu sozinha durante quatro horas e os agentes policiais, que não esperavam resistência, chegaram a pensar que ali estivessem muitos guerrilheiros. Pediram reforços, até que Jane foi ferida e presa. Na casa, ficara um bilhete para Pepe, com os dizeres "Perdóname mi amor, fue un último intento por salvarte". Da prisão, Pepe somente conseguiu escrever para a família de Jane em março de 1975. Tinha o endereço de uma das irmãs, Dulce, a quem Jane sempre tratou por Madrinha. Pepe cumpriu sua pena e, libertado, seguiu para o exílio. Retornou ao Chile em 1984, mas, em 08/09/1986, cinco horas depois de um grave atentado contra a vida do ditador Augusto Pinochet, foi retirado de sua casa por agentes da DINA e assassinado a tiros. Ao conhecer a história de Jane, o deputado Nilmário Miranda, presidente da Comissão de Representação Externa da Câmara dos Deputados sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, realizou diversas gestões junto ao governo chileno que, em dezembro de 1993, reconheceu sua responsabilidade pela morte de Jane Vanini, determinando o pagamento de uma pensão à sua mãe. Na CEMDP, o processo referente a este caso foi indeferido, por unanimidade, sob o entendimento de que a morte ocorreu no Chile, sem que se tenha comprovado, com as informações e documentos disponíveis até o presente momento, qualquer responsabilidade ou envolvimento de agentes do Estado brasileiro. Dentre outras homenagens no Brasil e Chile, a Universidade do Estado de Mato Grosso deu o nome de Jane Vanini ao seu Campus Universitário em Cáceres. Os restos mortais nunca foram localizados, embora tenha ocorrido um erro de comunicação, em maio de 2005, entre autoridades brasileiras e chilenas, que levou à divulgação pela imprensa de que eles tinham sido encontrados num cemitério clandestino de Concepción. ========================================================= + informações Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em 8 de setembro de 1945. Estudante de Ciências Sociais. Trabalhava na Editora Abril. Pertenceu à ALN e, mais tarde ao MOLIPO. Por suas atividades políticas foi condenada a 5 anos de prisão, exilando-se, então, no Chile. Lá ligou-se ao Movimiento de Isquierda Revolucionário (MIR) e casou-se com o jornalista Pepe Carrasco. Morta em 6 de dezembro de 1974 em Concepción (Chile). Sobre este período no Chile e sobre seu desaparecimento, sua irmã Dulce Ana Vanini, assim se expressa: "... havia entre eu e Jane uma correspondência semanal por carta e mensal por telefone, que foi interrompida por ocasião de sua morte. Esta me foi comunicada por seu companheiro Pepe Carrasco, em março de 1975. Pepe se encontrava preso, quando ocorreu a morte de Jane. Seu corpo nunca foi encontrado, apesar das buscas feitas pela mãe de Pepe e pela Liga de Senhoras Católicas Chilenas." Pepe Carrasco foi assassinado em 1986 em represália ao atentado realizado por guerrilheiros chilenos contra o ditador Augusto Pinochet. Anches Domingues Vial, hoje Secretário Executivo da "Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación", do governo chileno, em carta de 14 de janeiro de 1994, à irmã de Jane Vanini, assim se expressou: "... Neste caso, quero compartilhar com a senhora minha experiência pessoal de ter conhecido Jane, a quem tentei proteger em minha casa, imediatamente após o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, no Chile. Ela conviveu com minha família durante aproximadamente um mês e meio, até que as perseguições contra mim... puseram em risco minha segurança pessoal e a das pessoas que tentava ajudar. Devido a isso, Jane foi para a cidade de Concepción, cerca de 500 km ao sul de Santiago, onde encontrou a morte nas mãos dos agentes da DINA. O cerco e perseguição contra mim me obrigaram a ir para o exílio, em junho de 1974... Retornei ao Chile em janeiro de 1980 e fundamos a Comissão Chilena de Direitos Humanos, da qual fui Coordenador Geral. Recuperada a democracia, em março de 1990, iniciamos um longo caminho de reparação e de reconciliação entre os chilenos. É com profunda emoção que comunico à senhora o resultado final das investigações que concluíram sobre o caso de Jane... Em dezembro de 1993, o governo chileno assumiu suas responsabilidades no caso Jane Vanini, concedendo à sua família pensão como forma de reparação." Compromisso com a verdade e a justiça: Jane Vanini foi identificada! A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos comemora o encontro dos restos mortais da militante política Jane Vanini, assassinada no Chile em 6 de dezembro de 1974. Os esforços dos familiares brasileiros juntamente com os dos chilenos conquistaram mais uma vitória para o resgate histórico na busca pela localização dos corpos dos desaparecidos políticos. A articulação entre os familiares brasileiros e os de outros países permitiu, em passado recente, a prisão do torturador chileno Osvaldo Romo Mena e do ex-ditador boliviano Garcia Meza, na cidade de São Paulo. Admiramos o empenho de governos latino-americanos na investigação dos crimes políticos e punição de seus responsáveis, em contraste à apatia dos governantes brasileiros. A Comissão de Familiares lamenta o descaso do governo, que nada faz pela busca dos desaparecidos. A garantia do direito à memória, a investigação dos crimes e a punição dos responsáveis é uma exigência dos familiares e da sociedade brasileira. O compromisso dos democratas deve ser com a verdade e a justiça, condição necessária para o fortalecimento da democracia. São Paulo, 15 de maio de 2005. Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos Jornal do Brasil, 16 de maio de 2005 Corpo de guerrilheira encontrado no Chile BRASÍLIA - O governo brasileiro anunciou ontem oficialmente a identificação dos restos mortais da desaparecida política Jane Vanini, morta em 1974 no Chile pela ditadura de Augusto Pinochet. Jane Vanini foi assassinada pela repressão chilena em Concepción, a cerca de 500 km ao sul de Santiago. Na cidade, seu corpo foi enterrado num cemitério clandestino. O ministro Nilmário Miranda, da secretaria de Direitos Humanos, disse que a ossada foi encontrada pelo governo chileno há algum tempo (não soube precisar quando) e identificada somente na última quinta-feira por meio do exame da arcada dentária. Nilmário disse ter conversado com a família da brasileira anteontem e, a pedido dela, os restos mortais de Jane devem ser transportados para a sua cidade natal, Cárceres, em Mato Grosso. Jane nasceu em 8 de setembro de 1945. No começo dos anos 60, se mudou para São Paulo para estudar Ciências Sociais. Ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN ), comandada por Carlos Marighela. Em 1969, viajou para Cuba, onde ficou dois anos recebendo treinamento de guerrilha. Ao retornar para o Brasil, entrou para o Movimento de Libertação Popular (Molipo), dissidência da ALN que tinha entre seus membros o ministro José Dirceu. Condenada à prisão pela ditadura brasileira, Vanini se exilou no Chile em 1971. Lá, se uniu ao MIR (sigla em espanhol para Movimento Revolucionário de Esquerda) e começou a viver com o jornalista chileno Pepe Carrasco. Após o golpe militar chileno, ela e Carrasco passaram a ser perseguidos. Jane Vanini acabou morta pela Dina (a polícia secreta de Pinochet) em 6 de dezembro de 1974. Nilmário conta que a morte de Vanini foi descrita em carta enviada por Carrasco à família da brasileira. O jornalista acabaria sendo assassinado em 1986, como resposta da ditadura daquele país a atentado sofrido por Pinochet. O governo chileno já havia reconhecido sua responsabilidade no desaparecimento da brasileira e, desde 1994, paga pensão à família. Segundo Nilmário, dos brasileiros perseguidos pela ditadura, 160 estão desaparecidos. Desses, 12 devem ter morrido na Argentina e no Chile, sendo que apenas três deles tiveram seus corpos identificados até ontem. Vanini é o quarto caso. A identificação da ossada trouxe alívio e paz para a família dela. - O desaparecimento de Jane já foi um sofrimento grande para nós. A notícia da identificação da ossada traz a esperança de que tudo vai se arranjar. Traz também paz - garante Romano Vanini, irmão de Jane, que mora em Cuiabá. Dulce Ana Vanini, irmã de Jane, disse ter sido informada da identificação da ossada por Nilmário, na sexta-feira. Segundo Dulce, a família não quis divulgar a informação para se preservar. O ministro, segundo Jane, não deu detalhes sobre como foi o reconhecimento. ================================================================= + outros dados Após confirmação, família de Jane Vanini prepara funeral CLARICE NAVARRO DIÓRIO Da Sucursal de Cáceres Os restos mortais da militante de esquerda Jane Vanini serão sepultados em Cáceres, em data ainda não definida. Trinta anos após ser fuzilada no Chile, Jane será sepultada ao lado do lugar onde está o corpo de seu pai, José Vanini, no Cemitério São João Batista. É o final de uma longa espera. Cacerense nascida a 8 de setembro de 1945, Jane estudou Ciências Sociais em São Paulo, onde trabalhava como secretária da editora Abril e militava no Movimento de Libertação Popular (Molipo), um grupo clandestino de esquerda. Por suas atividades políticas, Jane foi condenada a cinco anos de prisão, exilando-se no Chile, onde se ligou ao MIR (Movimento de Isquierda Revolucionário). Foi morta em Concepcion, no Chile, em 6 de dezembro de 1974. De tradicional família cacerense e descendente de italianos, Jane Vanini teve sua história resgatada em 2002 pela professora do departamento de História da Universidade do Estado de Mato Grosso, Maria do Socorro de Souza Araújo. Sua dissertação de mestrado, denominada "Paixões políticas em tempos revolucionários: nos caminhos da militância, o percurso de Jane Vanini (1964-1974)", resgatou sua trajetória. Jane Vanini saiu de Cáceres com menos de 20 anos. Desembarcou em São Paulo entre 1964 a 65. Em 68, começou a prestar serviços de suporte para a Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda armada de grande projeção política nas ações de guerrilha urbana, que enfrentou o regime militar no Brasil após o golpe militar de 64 até o ano de 1973. Casada com o jornalista Sérgio Copozzi, também da Abril, entrou com ele para a clandestinidade em 1970. Para sair do Brasil, o casal embarcou no porto de Santos, em um navio italiano. Com os nomes de Mário e Adélia, chegam ao Uruguai, seguindo depois para Buenos Aires, Roma, Praga e Cuba. Na capital Havana, participaram da fundação do Molipo e, em 1971, voltaram ao Brasil se estabelecendo em Araguaína (GO), onde, no campo, recomeçaram a luta revolucionária. No mesmo ano, fugindo das perseguições da política ditatorial da época, Jane foi para o Chile, seguida pelo marido no ano seguinte. O casamento com Copozzi durou até 73. Com o fim da relação, Jane seguiu na luta e se transformou em "Ana", casando-se com o jornalista José Tapia Carrasco, o "Pepe". O casal atuou no MIR no tempo de transição do capitalismo para o socialismo, no governo chileno do presidente Salvador Allende. Em setembro de 1973, com o golpe de estado no Chile, quando tomou o poder o general Augusto Pinochet, Jane Vanini se tornou clandestina pela segunda vez. Saiu de Santiago para se refugiar em Concepcion, onde na noite de 6 de dezembro de 74 foi assassinada pelas forças repressoras. Morreu lutando, resistindo, sem ceder a ordem de se entregar. Por muitos anos, apesar de personagem importante da história da década de 70, ela foi pouco comentada. Nome de rua no Rio de Janeiro, de praça em Concepcion, ela hoje é nome do campus da Unemat em Cáceres. "Em 1993 comecei a pesquisar, com a autorização da família, a trajetória de Jane Vanini", conta a historiadora Maria do Socorro. "Por medo e devido a grande dor, a família permaneceu calada por décadas". Há dois anos, a ossada foi descoberta em um cemitério clandestino em Concepcion, e removida para Santiago. Os irmãos doaram sangue para o exame de DNA. O resultado saiu há uma semana, e a família recebeu a notícia através da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, que está cuidando da remoção dos despojos para o sepultamento em Cáceres. Tinha cinco irmãos. Hoje, Romano Vanini mora em Cuiabá. Dulce e Magali em São Paulo, onde, há três anos, morreu a mãe, Antonia. Seu outro irmão, Henry Vanini, vive em Goiânia. Todos estarão presentes no sepultamento da irmã. Ricardo Vanini, 41, filho de Romano, conta que a tia era assunto proibido na família. "Era tabu. Só soube a verdade com 28 anos", diz, contando que deu a uma de suas filhas o nome da tia Jane. "Soubemos da confirmação no final de semana. Foi uma mistura de tristeza e alívio por, enfim, sabermos de forma oficial. Agora, ele virá para perto de nós". Ricardo conta ainda que passou a infância e a adolescência ouvindo o nome da tia em conversas sussurradas. "Todos tinham medo. E nós, que achávamos que meus avós e tios não sabiam onde ela estava, já que era uma "desaparecida", não sabíamos que eles se comunicavam por cartas". O sobrinho diz ainda que, em uma carta recente, o ex-marido Sérgio Capozzi, hoje no Canadá, disse que Jane era corajosa, rebelde, com propósitos definidos na luta pela democracia. "Todos na família contam que ela tinha personalidade forte, e, apesar de ser uma garota do interior, fascinada por leitura, Cáceres era pequena para seus sonhos, seus anseios", diz o sobrinho. Quando foi assassinada, ela era "Gabriela Fernandez". Tinha 29 anos e morreu lutando, depois de quatro horas acuada, sozinha na casa em que morava. Pepe Carrasco já estava na prisão. A família de Jane foi comunicada de sua morte em 1975, através de uma carta enviada por Pepe, que acabou sendo assassinado em 1986, também pela ditadura chilena. ======================================================================================= + Perfil de Jane Vanini e Cartas do Chile. Perfil Histórico de Vanini e Pensamento Socialista Perfil de Vanini e Pensamento Socialista A narrativa construída através das cartas de Jane Vanini, segundo o texto In Escrita de Si, Escrita da História, organizada por Regina Guimarães Neto e Maria do Socorro de Souza Araújo, no capitulo 15, em "Cartas do Chile: os encantos revolucionários e a luta armada no tempo de Jane Vanini". É enviada do Chile para o Brasil, endereçada a irmã e madrinha Dulce na cidade de Cáceres Mato Grosso. Assinala a personalidade histórica de uma mato-grossense, que constrói um perfil histórico de luta contra regimes ditatoriais na América Latina, por uma política socialista que almeja mudança não só de um país, mas por um contexto Latino-Americano. Conforme é citada Jane Vanini, nasceu na cidade de Cáceres em Mato Grosso, e com o amadurecer de seus conhecimentos, ampliava sua visão critica social contra uma política de autoritarismo. Assim Jane ganhou espaço, e o espírito de luta e mudança o fez uma militante guerrilheira. Sua trajetória foi construída aos passos do conhecimento, de estratégias, perseguição, mas sobre tudo de uma ideologia em busca de dias melhores por uma sociedade justa e de direito de qualquer nação. Assim o texto decorre, diante das cartas de Jane, que não é somente uma brasileira, mas uma "Latino-Americana", uma guerrilheira de personalidade implacável, pelo bem estar da liberdade diante das imposições opressoras. Certamente por ter visão socialista e sentimentos revolucionários, com forme apresenta trechos das cartas, Jane por alguns momentos sentiu medo e solidão, mas retomava sua ideologia revolucionaria influenciada pelo pensamento "internacionalista" de Ernesto Guevara. Portanto, Jane Vanini teve grande importância na militância de luta contra o regime ditatorial na América Latina, de uma heroína incansável, por crê em uma organização política com o direito de ir e vir pelo direito de expressar, liberdade de todos. Professor: Marcos Ribeiro da Silva Referenciais bibliográficas: ARAUJO, Maria do Socorro de Sousa.Paixões políticas em tempos revolucionários: nos caminhos da militância, o percurso de Jane vanini entre os anos de 1964 a 1974.Dissertação (Mestrado)-Departamento de História /Programa de Pós -Graduação/ICHS/UFMT.jul.2002. ===================================================== + Livro que fala das Cartas do Chile . de Jane Vanini Livros sobre jane vanini (clique) http://books.google.com.br/books?id=nrcymG7G_WwC&pg=PA335&lpg=PA335&dq=Jane+Vanini&source=bl&ots=ViFOXkwCOk&sig=xy3j8s4hho0VK2UpCPjcwvCCZxU&hl=pt-BR&ei=JxJZTffeFsWCtgeb7NHjDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=15&ved=0CGgQ6AEwDg#v=onepage&q=Jane%20Vanini&f=false -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110215/11dd61eb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5201 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110215/11dd61eb/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 15 21:40:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 15 Feb 2011 20:40:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__IMPORTANTE=3A_S=E1bado_Resistent?= =?iso-8859-1?q?e=3A_homenagem_Aderval_Alves_Coqueiro?= Message-ID: <746B7C2E66274AA295166A8BC9B1E1A8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas e Amig at s, O Memorial da Reistência e o Núcleo de Presevação da Memória Política retomam, no próximo sábado, sua programação dos Sábados Resistentes. Em nossa primeira atividade deste ano, homenagearemos o nosso Camarada Aderval Alves Coqueiro, assassinado há 40 anos, no Rio de Janeiro. Militante sucessivamente do Partido Comunista do Brasil - PCdoB; da Ala Vermelha; e do Movimento Revolucionário Tiradentes, Coqueiro - juntamente com outros militantes - foi um dos fundadores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Compareçam e divulguem. Putabraço, e nos encontramos lá, Alipio Freire SÁBADO RESISTENTE Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 - Luz - Auditório Vitae - 5º andar 19 de fevereiro de 2011, das 14h às 17h30 Futebol e resistência política A população brasileira lutou muito pela volta à Democracia, com adesão de praticamente todos os setores da sociedade. A busca por liberdade nunca deu trégua aos ditadores. No esporte, principalmente no futebol, o desejo de volta ao regime democrático e de liberdade teve alguns exemplos notáveis, a partir de meados dos anos 1970, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, e em Minas Gerais, além de outros Estados. Com certeza, a experiência da Democracia Corintiana foi a mais representativa da participação do mundo esportivo contra a Ditadura Militar e será um dos pontos de discussão no Sábado Resistente de 19/02. Lembraremos também a faixa exigindo Anistia Política, que foi aberta em fevereiro de 1979 no Estádio do Morumbi, e que colocou o esporte na luta pela Anistia Política, fortalecendo os setores que já estavam nas ruas clamando por ela. Ainda neste primeiro Sábado Resistente de 2011, faremos uma homenagem a Aderval Alves Coqueiro, o primeiro banido que voltou ao Brasil para lutar contra a ditadura. PROGRAMAÇÃO 14h - Boas-Vindas - Caroline Grassi (Memorial da Resistência de São Paulo) Coordenação - Ivan Seixas (Jornalista - presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum Permanente de ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo) 14h15 - Palestra e debate - Juca Kfouri (jornalista) 16h30 - Homenagem a Aderval Alves Coqueiro (primeiro banido a voltar para a luta contra a ditadura) Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pelo Memorial da Resistência de São Paulo, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110215/8774f63e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 16 20:18:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 16 Feb 2011 19:18:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_ADERVAL_ALVES_COQUEIRO_________________?= =?iso-8859-1?q?______________-XL-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ADERVAL ALVES COQUEIRO (1937-1971) Filiação: Jovelina Alves Coqueiro e José Augusto Coqueiro Data e local de nascimento: 18/07/1937, Aracatu (BA) Organização política ou atividade: MRT Data e local da morte: 06/02/1971, no Rio de Janeiro Aderval Alves Coqueiro foi um dos 40 presos políticos trocados pelo embaixador alemão Von Holleben, em junho de 1970. Tinha sido preso em São Paulo, em 29/05/1969, como militante da Ala Vermelha, sendo torturado na 2ª Companhia da Polícia do Exército, depois transferido para o DOPS/SP e, finalmente, Presídio Tiradentes. Banido e enviado à Argélia, de lá se deslocou para Cuba, regressando ao Brasil já integrado ao MRT - Movimento Revolucionário Tiradentes, grupo dissidente da Ala Vermelha. Coqueiro morreu no Rio de Janeiro, de acordo com o laudo oficial assinado por João Guilherme Figueiredo, no dia 06/02/1971, no Cosme Velho, em conseqüência de "ferida transfixante do tórax e lesão do pulmão direito". Seu corpo foi entregue à família posteriormente, sendo enterrado no cemitério de Inhaúma no dia 14. Nascido no município baiano de Brumado, Coqueiro iniciou cedo sua militância política no PCB e foi um dos candangos que trabalhou na construção de Brasília, além de ter sido operário da construção civil no estado de São Paulo, onde residiu desde 1961. Ao se desligar do PCB, passou a integrar o Comitê Regional do PCdoB/SP, focando suas atividades na zona rural. Por volta de 1967/1968, desligou-se do PCdoB para integrar a Ala Vermelha. Vivendo em São Bernardo do Campo e Diadema, trabalhou também como operador de máquinas e vendedor autônomo. Casado com Isaura, tiveram duas filhas. Coqueiro teria retornado ao Brasil em 31/01/1971, valendo-se de um esquema clandestino da VAR-Palmares, e foi morar no apartamento do bairro Cosme Velho, onde foi morto uma semana depois. Não foi possível localizar perícia de local, fotos e nem o laudo necroscópico. Duas matérias de jornais da época permitiram desqualificar a versão oficial. O Jornal do Brasil de 08/02/1971 referiu-se ao cerco de mais de 50 policiais e publicou uma foto de Coqueiro morto, alvejado pelas costas. O Jornal da Tarde, na mesma data, complementa as informações com o depoimento de um oficial que participara da operação, informando que a localização da casa onde estava Coqueiro começara a ser feita um mês antes. Repetindo a tática já costumeira de manchar a imagem dos militantes detidos, esse agente dos órgãos de segurança disse que a residência teria sido apontada pelo ex-deputado federal Rubens Paiva a um grupo de oficiais da PE antes de ser seqüestrado por companheiros. Tal afirmação levantou indignação na CEMDP, pois Rubens Paiva representa um dos casos mais conhecidos de desaparecimento ocorrido no Brasil, por ser notória a brutalidade do assassinato de um opositor político que, sabidamente, não estava engajado na resistência armada ao regime militar. Para complementar as informações, foi possível localizar o zelador do prédio onde Coqueiro foi morto, que declarou não ter presenciado o tiroteio, pois estava no último andar do edifício. Mas ouviu, durante a operação militar, um agente gritando: "atira e mata". O zelador contou ainda que foi chamado pelos policiais para prestar informações sobre a vítima e viu o cadáver no local, com diversas marcas de tiro. Também afirmou que Coqueiro estava desarmado, vestido com apenas um calção, e que ouviu um dos agentes dizer: "bota a arma do lado dele". O zelador, em seu relato, não deu qualquer indicação de que Coqueiro teria tentado reagir. A Comissão de Familiares juntou ao processo na CEMDP fotos do corpo, cedidas pela Agência JB, e fotos atuais do prédio onde ocorreu a morte, sendo solicitada a expedição de ofício ao IML/RJ, em mais uma tentativa de localização do laudo necroscópico. Apenas uma certidão do IML Afrânio Peixoto foi fornecida, com o seguinte teor: "consta no Livro de Registro de Cadáveres, às fls 03, que na data de 06/02/71, deu entrada no Serviço de Necropsias, o corpo de Aderval Alves Coqueiro, tendo sido encaminhado pelo DOPS, com a guia de remoção s/n., com a idade de 33 anos, brasileiro, casado, profissão: datilógrafo, residência: Rua Bandeirantes 10-B, Diadema, São Paulo, tendo a morte ocorrida em conseqüência de crime, sendo a causa mortis ferida transfixante do tórax - lesão do pulmão direito". O episódio teve grande repercussão na imprensa porque Aderval Alves Coqueiro foi o primeiro banido encontrado no Brasil pelos órgãos de segurança. Franquearam o acesso de fotógrafos ao local, mas não exibiram o ocorrido para a imprensa. Salvo a presença do revólver junto ao corpo, não foi apresentada qualquer indicação precisa comprovando a alegada resistência a tiros. Na CEMDP, as fotos obtidas junto à Agência JB representaram uma prova conclusiva da falsidade da versão oficial, pois as manchas de sangue no piso sugeriam que o corpo fora arrastado e evidenciaram que Coqueiro não fora abatido exatamente no local onde se encontrava o corpo. Tampouco o revólver poderia estar na posição em que se via na foto. Mostraram, ainda, outras lesões não referidas nas informações do IML: nítidos sinais de ferimentos na cabeça, na nádega esquerda e na perna direita. Após o voto favorável do relator, houve pedido de vistas ao processo. O revisor, Luís Francisco Carvalho Filho, acompanhou o voto do relator. A CEMDP concluiu que Coqueiro não morreu conforme a versão oficial. ===================================================================================================== + detalhes Biografia Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TIRADENTES (MRT). Nasceu, em 18 de julho de 1937, em Aracatu, BA, filho de José Augusto Coqueiro e Jovelina Alves Coqueiro. Casado com Isaura, teve duas filhas. De origem operária, iniciou cedo sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Como candango participou da construção de Brasília. Desligando-se do PCB, integrou o Comitê Regional do Partido Comunista do Brasil (PC do B), centrando suas atividades na zona rural. Também participou da Ala Vermelha. Desde 1961 vivia em São Paulo onde trabalhava como operário da construção civil. Preso em 29 de maio de 1969, na 2ª Companhia da Polícia do Exército (PE), em São Paulo. Mais tarde, foi transferido para o DOPS/SP e torturado pelo Delegado Sérgio Fleury. Em junho de 1970, foi banido do território brasileiro, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, Von Holleben, indo para a Argélia com outros 39 companheiros. De imediato, procurou reunir condições de voltar ao país para retomar a luta, sendo o primeiro banido a conseguir voltar. Coqueiro regressou ao Brasil no dia 31 de janeiro de 1971, indo morar em um apartamento no bairro Cosme Velho, Rio de Janeiro, onde foi localizado e morto no dia 6 de fevereiro de 1971. Segundo testemunhas, uma grande área do bairro foi cercada pelos agentes policiais, com o objetivo de evitar sua fuga. Assim que os policiais do DOI-CODI/RJ invadiram o apartamento, começaram a atirar. Coqueiro tentou fugir, mas foi abatido pelas costas, no pátio interno do prédio. Jornais da época noticiaram como sendo mais uma morte em violento tiroteio. Algumas revistas publicaram fotos onde Coqueiro jazia no chão, estando cerca de 30 cm de sua mão estendida um revólver, que ele não chegou a portar. Mais uma farsa dos agentes da repressão para encobrir um frio assassinato. Seu corpo entrou no IML com guia s/n. do DOPS. O óbito foi firmado pelo Dr. João Guilherme Figueiredo e teve como declarante Reinaldo da Fonseca Mota e foi entregue à sua família, que o sepultou no Cemitério de Inhaúma (RJ), em 14 de fevereiro de 1971. Com o intuito de restabelecer a verdade, 25 anos depois a Comissão de Familiares voltou ao prédio onde ocorreu a execução de Aderval e ouviu a versão de Francisco Soares, antigo zelador do prédio, a qual reproduzimos abaixo: "(...) nesse mesmo dia, após algumas horas, cheguei à janela e vi que o prédio estava cercado por uma centena de policiais civis e a Polícia do Exército, logo depois, o prédio foi invadido por vários homens armados, e foram direto para o apartamento 202. Nesse momento, um oficial mandou que eu saísse da janela. Posteriormente, escutei um militar gritar 'atira e mata'. Logo depois escutei uma grande gritaria nos fundos do prédio e vários disparos de armas, que durou somente alguns segundos. Escutei uma pessoa falar 'temos presunto fresco'. (...) quando eu cheguei nos fundos, onde encontra-se a piscina, vi o rapaz do apartamento 202 estirado no chão, perguntaram se eu o conhecia, disse que era a pessoa que estava limpando o apartamento 202, me responderam que ele era um perigoso subversivo chamado 'Baiano Coqueiro'. Observei várias marcas de tiros, não sabendo dizer quantas, estando ele somente de calção, sem camisa e desarmado. Também ouvi o policial dizer 'bota a arma do lado dele' ..." Nas pesquisas feitas no IML não foram encontrados laudo de necrópsia, nem laudos e fotos de perícia local no Instituto de Criminalística do Estado (ICE/RJ), apesar da existência das fotos fornecidas, à época, para imprensa. Posteriormente, foi encontrado o laudo médico no arquivo do DOPS/SP. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110216/4bcf6979/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6860 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110216/4bcf6979/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 16 20:18:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 16 Feb 2011 19:18:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Ditaduras_Militares_na_Am=C3=A9rica_d?= =?utf-8?q?o_Sul_-_Chile?= Message-ID: <4694D93C1D71462A9862999DE6D4581F@vcaixe> Network EmailCarta O Berro..........................................................repassem Cafe Historia A Sua Rede Social de História - Inscreva-se! É rápido e gratuito! Uma mensagem a todos os membros de Cafe Historia O Café História segue em seu especial "Ditaduras Militares na América do Sul". Desta vez, publicamos um artigo sobre o museu que está enfrentando de frente a dura memória do regime autoritário de Augusto Pinochet. Confira: MISCELÂNEA CAFÉ HISTÓRIA O Museu da Memória O maior museu sobre uma ditadura militar sul-americana, o "Museo de La Memoria y Los Derechos Huamanos", faz do Chile um pioneiro enfrentamento de uma das memórias mais tristes da história recente do país. ENQUETE CAFÉ HISTÓRIA Você acredita que o governo Dilma Rousseff vai avançar na abertura de arquivos da Ditadura Militar Brasileira? CONTEÚDO DA SEMANA Esta semana, o destaque fica com o Grupo de Estudos "Nélson Rodrigues", criado por Leandro Santos. A proposta deste grupo é debater assuntos recorrentes ao dramaturgo que implantou o modernismo no teatro brasileiro, suas peças, novelas, contos e todo o seu universo ficcional, além de suas repercussões na sociedade. DOCUMENTO HISTÓRICO Capa histórica da revista americana Time, 19 de junho de 1989. Nesta edição, uma cobertura completa sobre as manifestações populares que aconteciam na China. ACOMPANHE O CAFÉ HISTÓRIA EM OUTRAS REDES SOCIAIS. INFORMAÇÕES, NOTÍCIAS E DEBATES SOBRE HISTÓRIA VOCÊ TAMBÉM ENCONTRA NO FACEBOOK E NO TWITTER DO CAFÉ. Visite Cafe Historia em: http://cafehistoria.ning.com/?xg_source=msg_mes_network Para controlar os emails que você receberá em Cafe Historia, clique aqui -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110216/86a7b972/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 17 19:36:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 17 Feb 2011 18:36:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_DINALVA_OLIVEIRA_TEIXEIRA______________?= =?iso-8859-1?q?__________________________-XLI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem DINALVA OLIVEIRA TEIXEIRA (1945-1974) Número do processo: 049/96 Filiação: Elza Conceição Bastos e Viriato Augusto de Oliveira Data e local de nascimento: 16/05/1945, Castro Alves (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: julho de 1974 Data da publicação no DOU: Lei nº 9.140/95 - 04/12/95 Conhecida no Araguaia como Dina, cercada de fama legendária, Dinalva era baiana de Castro Alves. Cursou o primário na Escola Rural de Argoim e mudou-se para Salvador, cursando o ginasial no Instituto de Educação Isaías Alves, por onde também passaram Anísio Teixeira e Milton Santos. Completou o ensino médio no Colégio Estadual da Bahia e se formou em Geologia pela Universidade Federal, em 1968. Durante o curso universitário, morava na Casa do Estudante e participou ativamente do Movimento Estudantil em Salvador, em 1967 e 1968, como representante da Residência Universitária Feminina, época em que foi presa, mas solta logo a seguir. Era militante do PCdoB. Nesse período, conheceu Antônio Carlos Monteiro Teixeira, seu colega de turma, também do PCdoB, com quem se casou em 1969. Naquele ano, o casal foi morar no Rio de Janeiro e trabalharam ambos no Departamento Nacional de Produção Mineral, do Ministério de Minas e Energia, participando também de atividades na SBPC. Em maio de 1970, foram deslocados para a região do Araguaia, onde Dinalva atuou como professora, parteira e chegou a ser vice-comandante do Destacamento C, única mulher da guerrilha a alcançar um posto de comando. Conforme registrado anteriormente, quando tiveram início os choques armados, em abril de 1972, o casal já estava separado e tinha nascido um novo relacionamento entre ela e Gilberto Olímpio Maria, morto no Natal de 1973. Dina destacou-se por sua habilidade militar ao escapar de ataques inimigos e participar de várias ações armadas, sendo ferida em uma delas. Era tida como exímia atiradora. Sobreviveu ao ataque do Natal de 1973, mesmo enfrentando grave surto de malária. Em A Lei da Selva, Hugo Studart descreve o primeiro desses combates, que chegaram a produzir a lenda de que Dina era capaz de se transformar em borboleta: "A lenda nasceu a partir de episódio ocorrido em 20 de setembro de 1972, quando houve um combate com uma patrulha de oito pára-quedistas do Exército, comandada pelo então capitão Álvaro de Souza Pinheiro, mais tarde promovido a general, e filho do general Ênio de Souza Pinheiro, ex-chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI), primeiro comandante da Escola Nacional de Informações, ESNI, e um dos líderes da inteligência militar na época. Os soldados metralharam a área em que quatro guerrilheiros se escondiam. Dois morreram na hora e um terceiro, apanhado ferido, morreu mais tarde. Dina disparou um tiro que feriu o capitão Álvaro no ombro. Ela escapou, com um arranhão de bala no pescoço". O Relatório da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, assim descreve a atuação de Dina no início de 1973: "entre os dias 30 JAN e 02 FEV/73, acompanhada por outros elementos, percorreu várias casas de caboclos da região de Pau Preto, onde foi comprado arroz e distribuído um manifesto do PCdoB, prometendo aos elementos da região que após a derrubada do governo seriam instalados na mata escolas e hospitais. Na ocasião, foi notado que o grupo de Dina portava armas semelhantes às usadas pelo Exército, e que a mesma portava uma atravessada no peito que aparentava ser automática. A Dina comentou que o grupo estava preparado para vingar os companheiros mortos durante as operações militares ocorridas em SET 72". E o relatório conclui informando a data de sua morte: "JUL/74, teria sido morta em Xambioá". Segundo depoimentos contraditórios de moradores da região, Dina teria sido presa na Serra das Andorinhas em estado adiantado de gravidez, versão que é reforçada, sem certeza, pelo coronel-aviador Pedro Corrêa Cabral no depoimento prestado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Em diferentes versões, ora se afirma que Dina foi presa junta com Lia (Telma Regina Cordeiro Corrêa), ora com Tuca (Luiza Augusta Garlippe). Sobre sua morte, Hugo Studart apresenta um relato bastante detalhado, no livro A Lei da Selva, com destaque para o fato de apontar claramente o nome do autor da execução sumária: "A subcomandante Dina foi presa na selva por uma patrulha de guerra do Exército (...), em junho de 1974, numa localidade chamada Pau Preto, entre o Rio Gameleira e o Igarapé Saranzal. Estava em companhia da guerrilheira Luiza Augusta Garlippe, codinome Tuca, integrante do Destacamento B". Em nota de pé-de-página, o autor do livro escreve: "O Dossiê registra a morte de Tuca em julho daquele ano, mesma época da morte de Dina. Informações de militares dão conta de que Tuca teria sido executada no mesmo dia de Dina, em ações separadas. In: Depoimento oral de Louro (codinome), em 21 de setembro de 2002". Retomando o relato de Studart sobre a morte de Dina, segue a narrativa: "Levada para interrogatório em Marabá, permaneceu por cerca de duas semanas nas mãos de uma equipe de inteligência militar. Estava fraca, desnutrida, havia quase um ano sem comer sal ou açúcar. Por causa da tensão, fazia seis meses que não menstruava. No início de julho, o capitão Sebastião de Moura, codinome Dr. Luchini (Dr. Curió), retirou Dina. Levaram-na de helicóptero para algum ponto da mata espessa, perto de Xambioá. Um sargento do Exército, Joaquim Artur Lopes de Souza, codinome Ivan, chefiava a pequena equipe, três homens.(...) 'Vou morrer agora?', perguntou a guerrilheira. 'Vai, agora você vai ter que ir', respondeu Ivan. 'Eu quero morrer de frente', pediu. 'Então vira pra cá'. Ela virou e encarou o executor nos olhos. Transmitia mais orgulho que medo - relataria mais tarde o militar aos colegas de farda. Ele se aproximou da guerrilheira, parou a dois metros de distância e lhe estourou o peito com uma bala de pistola calibre 45. O tiro pegou um pouco acima do coração. O impacto jogou Dina para trás. Levou um segundo tiro na cabeça. Foi enterrada ali mesmo". Hugo Studart complementa em novo pé-de-página: "Seu corpo foi inicialmente enterrado no local da execução. Em 1975 teria sido exumado e levado para a cremação em outro local". =========================================================================================================================== + detalhes Dinalva Oliveira Teixeira - "Dina" Imagem: Arquivo Pessoal Dinalva Oliveira Teixeira Baiana de Castro Alves, filha de Viriato Augusto de Oliveira e Elza Conceição Bastos, nasceu em 16/05/45. Estudou o Básico na escola rural de Argoim, o ginásio e o colegial no ICEIA e Colégio Estadual da Bahia, em Salvador. Participou ativamente do movimento estudantil, como membro do Partido Comunista do Brasil. Em 1967 e 1968 era representante da Residência Universitária Feminina da UFBA, onde organizou várias bases do PC do B e lutava pelas reivindicações dos estudantes, sendo presa e solta logo a seguir. Formou-se em Geologia pela UFBA, onde fez parte do diretório estudantil. Participou do Congresso de Ibiúna em 1968 e foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional. Em 69, casou-se com Antônio Monteiro Teixeira e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhavam no Ministério das Minas e Energia. Ambos eram sócios da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciencia - SBPC. Em maio de 1970 o casal partiu para o Araguaia, onde ela se encontrava feliz no papel de camponesa e professora e, via de regra, parteira. Humilde e carismática, o povo reconhece em Dina uma mulher de fibra. Muito respeitada e querida pela população local que criou vários mitos sobre ela, confundindo os militares. Foi vice-comandante do Destacamento C das Forças Guerrilheiras do Araguaia, e participou com destaque de varias ações armadas. Carregava uma submetralhadora. Chegou a ser ferida em uma das ações militares realizadas pelos guerrilheiros. No ataque à comissão militar, Dinalva, segundo Arroyo, estava com febre. Outros relatos afirmam que Dinalva teria sido presa em outubro de 74. =============================================================================================================== + detalhes DINALVA OLIVEIRA TEIXEIRA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Argoin, município de Castro Alves, Estado da Bahia, em 16 de maio de 1945, filha de Viriato Augusto Oliveira e Elza Conceição Bastos. Desaparecida desde 1973, na Guerrilha do Araguaia, aos 29 anos. Estudou em Salvador, sendo formada em Geologia pela UFBa, em 1968. Participou do movimento estudantil em Salvador nos anos 67 e 68, tendo sido presa. Conheceu Antônio Carlos Monteiro Teixeira (desaparecido), colega de turma, com quem se casou em 69, em Salvador. No mesmo ano mudaram-se para o Rio de Janeiro, indo trabalhar no Ministério das Minas e Energia e em maio de 1970 ambos foram para a região do Araguaia. Atuou como professora, parteira e foi a única mulher da guerrilha a ocupar o cargo de vice-comandante de Destacamento, o C. Destacou-se na Guerrilha por sua habilidade militar, escapando várias vezes dos cercos do inimigo. Ex-guerrilheiros presos na época comentam que era temida pelos militares. Tornou-se uma figura lendária por ser exímia atiradora. A última vez que foi vista viva e em liberdade pelos seus companheiros foi no dia 25 de dezembro de 1973, desaparecendo após o tiroteio que houve no acampamento, onde estava gravemente enferma. Em comentários de vários moradores da região, teria sido presa na Serra das Andorinhas. O ex-deputado federal e um dos comandantes das operações do Exército na região, Sebastião Curió, diz que ela foi a última guerrilheira morta após quatro meses de perseguição. Depoimento do coronel da Aeronáutica Pedro Cabral à revista "Veja" de 13 de outubro de 1993 e à Comissão de Representação Externa da Câmara Federal, faz referência a uma guerrilheira grávida que teria sido morta. Há também comentários de moradores da região que fazem referência à gravidez em estado adiantado de Dina. O Relatório do Ministério da Marinha diz que ela teria sido morta em julho de 1974. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110217/777cfc47/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4967 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110217/777cfc47/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4967 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110217/777cfc47/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 17 19:36:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 17 Feb 2011 18:36:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Carta_para_Ana_-_comentando_a_hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_Jane_Vanini_=2C_publicada_na_s=E9rie_?= =?iso-8859-1?q?=22PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS=22=2E?= Message-ID: <0FBC32F16C2D46A5B6A356F860516FCC@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Cara(o) leitora(o) da Carta O Berro. Quando começamos pesquisar e reproduzir a série "Para Não Esquecer Jamais", não tínhamos outra pretensão senão divulgar por email (Carta/Revista O Berro), o que já vinha sendo divulgado em livros pelas Comissões de Direitos Humanos de vários Estado e da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Nilmário Miranda, Paulo Vanucchi e outros. Livros que muitos não tiveram ou não terão acesso. Além de textos diversos espalhados pelo mundo da internet. Pela Carta O Berro (email) chegamos a mais de 750.000 recebedores e centenas de repassadores , seja por email ou pelos blogs. Centenas de emails temos recebido em resposta. A maioria dizendo que desconhecia os fatos, haviam nascidos ou eram crianças naquela época da luta de Resistência contra a Ditadura Militar e Civil (dos empresários e do imperialismo). Agradecem a divulgação e pedem que continuemos a divulgar a memória dos nossos heróis e mártires da luta. Jamais pensaram quanta perversidade havia nos governantes da época e seus belenguins assassinos e torturadores. Jamais pensaram que esses policiais e militares pudessem eletrocutar homens, mulheres e até crianças nos seus órgão genitais, produzir afogamentos, espancamentos, quebrando ossos de diversas partes do corpo. Até empalamento como fizeram com o dirigente comunista Mario Alves, por simples sadismo, ou o general do Exercito que mandou entregar um cassetete aos pais que foram procurar sua filha desaparecida. Entregaram o cassetete que a havia estuprada. Os belenguins dos golpistas invadiam casas, roubavam objetos, espancavam familiares e na maior parte das vezes prendiam e torturavam pais, filhos e irmãos do procurado-resistente.Outros como David Capistrano foram esquartejados em todos os seus membros, colocados num saco e atirado em alto mar. Temos recebidos emails agressivos por estarmos divulgando esses fatos verdadeiros e documentados da nossa história. Não gostariam que isso fosse revelado, assim como não abriram os arquivos em poder do exército, da marinha e da aeronáutica. Temem revelar seus criminosos. Querem esconder essa triste história que maculou gerações. Hoje, como exceção, vamos dar conhecimento de um desses emails, enviado por Gisele Zambonini, que ao ler a história de Jane Vanini (codinome Ana) e suas cartas do Chile(*), nos escreveu e divulgamos abaixo (com sua autorização). ----- Original Message ----- From: Gisele Zambonini Pra você, uma carta que fiz para Jane Vanini/Ana CARTA PARA ANA Ana da luta, você não me conhece mas eu te escrevo do futuro daquele futuro que você sonhava, lembra? Pois é, eu vivo nesse futuro mas os operários ainda trabalham para enriquecer seus patrões muita gente ainda não tem onde morar com dignidade e ainda há muita fome, Ana, muita fome. Muitas crianças ainda não vão à escola as escolas hoje oferecem muitos riscos e pouca educação. A violência crescente colocou armas e drogas nas escolas adultos que aterrorizam alunos professores mal pagos e nada de ensinar civismo, cidadania, filosofia ou política. Os seres humanos também pioraram bastante, quase não há pessoas da mesma forja de onde você saiu. Mas olha, houve sobreviventes à toda a tortura e barbaridade dos anos de chumbo. Você mesma sobreviveu, e contribuiu para que hoje pudéssemos continuar nos indignando. Eu aprendi muita coisa com um certo sobrevivente, esse mesmo que me mostrou você mostrou-me também textos, livros, obituários sobre toda essa luta que ainda hoje continua. Hoje as pessoas podem se reunir, escolher representantes, discutir idéias... mas acho que falta gente nova com ideais, sabe, Ana? Como você, eu também não tenho uma opção prática para o Brasil. Mas o homem que me mostrou todo esse material também me falou de Victor Hugo, Brecht, Tiago de Mello e outros assim, e me explicou sobre esse amor que permeia a luta; me falou dessa coragem que anestesia o medo; me fez ver que o mundo pode não ser agora o mundo que desejamos mas que foi conquistado o direito de resistir, de contestar, de reagir. Me ensinou também que a paz é fruto da luta, da guerra; que tudo o que acontece a um de nós atinge a todos. Que a luta não acaba nunca e que os vigilantes da História estão a postos eternamente: seja aí no céu, onde você está entre as estrelas, junto com os outros guerreiros, ou seja aqui, na terra, como testemunhas vivas que mantem - com as memórias cheias de sangue e uma lista imensa de desaparecidos - as mãos fixas no portal aberto da liberdade, para que ele não se feche nunca mais. Ana, a noticia boa é que a História colocou no poder uma mulher da luta, que um dia também foi perseguida, que conheceu o processo ditatorial e também sobreviveu. Agora sim, Ana, a gente tá no futuro, quem sabe seja o futuro que você sonhava. Mas isso é assunto para uma outra carta, é preciso ainda escrever o futuro para que eu possa contá-lo a você. Por tudo o que eu não fiz, porque quando eu cheguei você e os outros já haviam feito, as minhas homenagens. Por tudo o que foi feito, eis aí o tributo da História e o reverso da medalha acontecendo hoje, agora. Fique feliz, Ana!... Ainda está sendo construída a Hora; está sendo possível mudar a História! Gisele Maria Zambonini (*) Livro que fala das Cartas do Chile . de Jane Vanini (clique) http://books.google.com.br/books?id=nrcymG7G_WwC&pg=PA335&lpg=PA335&dq=Jane+Vanini&source=bl&ots=ViFOXkwCOk&sig=xy3j8s4hho0VK2UpCPjcwvCCZxU&hl=pt-BR&ei=JxJZTffeFsWCtgeb7NHjDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=15&ved=0CGgQ6AEwDg#v=onepage&q=Jane%20Vanini&f=false -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110217/0c457ecd/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 17 19:36:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 17 Feb 2011 18:36:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_LAN=C7AMENTO_DE_LIVROS_EM_SANTOS?= =?iso-8859-1?q?=3A_Tempo_de_Resist=EAncia_Oitava_Edi=E7=E3o=2C_de_?= =?iso-8859-1?q?Leopoldo_Paulino_e_Livro_de_Poemas_Candeeiro_do_Tem?= =?iso-8859-1?q?po=2C_de_Pedro_Batista=2E?= Message-ID: <23EE88E74F6849EC8C77F60B67C94DB2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LANÇAMENTO DE LIVROS EM SANTOS: Tempo de Resistência Oitava Edição, de Leopoldo Paulino e Livro de Poemas Candeeiro do Tempo, de Pedro Batista. Na Estação da Cidadania, Av. Ana Costa, 340 - Santos. Sábado dia 26/02/2011, às 18horas -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110217/4e442d06/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10190 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110217/4e442d06/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 18 20:45:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Feb 2011 19:45:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_LUIZ_ALMEIDA_ARA=DAJO__________________?= =?iso-8859-1?q?________________-XLII-?= Message-ID: <18E00FE290AE4516AC10E7842F347730@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LUIZ ALMEIDA ARAÚJO (1943-1971) Filiação: Maria José Mendes de Almeida Araújo e João Rodrigues de Araújo Data e local de nascimento: 27/08/1943, Anadia (AL) Organização política ou atividade: ALN Data e local do desaparecimento: 24/06/1971, em São Paulo Militante da ALN, seu nome integra a lista anexa à Lei nº 9.140/95. Desaparecido desde o dia 24/06/1971, quando se deslocava pela avenida Angélica, em São Paulo. Natural de Anadia (AL), mudou-se para São Paulo em 1957. Começou a trabalhar, aos 14 anos, como office-boy em uma loja de confecções da Clipper e estudava à noite em escola pública. Começou a participar do Movimento Estudantil no curso Santa Inês, tendo ligações com a JEC - Juventude Estudantil Católica. Mais tarde, deu aulas de História nesse mesmo curso. Foi preso pela primeira vez em 1964, sendo torturado. Naquele mesmo ano, viajou ao Chile e foi novamente preso ao retornar. Em 1966, iniciou o curso de Ciências Sociais na PUC/SP. Em 1967, foi preso novamente, quando iniciava sua ligação com a ala dissidente do PCB liderada por Carlos Marighella. Entre 1966 e 1968, ao mesmo tempo em que aprofundava a militância política, engajou-se em atividades artístico-culturais. Fez parte da Escola de Teatro Leopoldo Fróes. Seu grupo de teatro tentou encenar uma peça e, durante a montagem, conheceu a atriz Carmem Monteiro Jacomini, sua futura companheira. Separados em 1968, Carmen se filia a uma organização clandestina e Luiz, por ter emprestado seu carro para uma ação do grupo Marighella, foi identificado e novamente preso. Libertado, viaja imediatamente para Cuba, via URSS, em companhia de Luiz José da Cunha, que seria morto em 1973. Retorna ao Brasil em dezembro de 1970 e se engaja na resistência armada. Na semana anterior à sua prisão e desaparecimento, passou o dia 16/06/1971 com sua irmã, Maria do Amparo Almeida Araújo, que também militava na clandestinidade e atualmente coordena o Grupo Tortura Nunca Mais de Pernambuco. Nesse dia, ela completava 21 anos e foi a última vez que o viu. Quando seqüestrado na Avenida Angélica, Luiz dirigia o mesmo carro que havia levado, pouco antes, Paulo de Tarso Celestino da Silva, da direção nacional da ALN, a um encontro com o agente infiltrado Cabo Anselmo. Paulo de Tarso, que seria preso e desapareceria no mês seguinte, foi a última pessoa a vê-lo vivo. Durante os meses de junho e julho daquele ano, várias pessoas amigas de Luiz e da família foram presas, interrogadas ou molestadas pela polícia. Um deles chegou a contar a sua mãe, Maria José, que ouviu seus gritos durante horas na OBAN (DOI-CODI/SP). Quando Luiz desapareceu, sua companheira Josephina Vargas Hernandes estava grávida e encontrava-se viajando em missão fora do país. Ele morreu sem conhecer a filha, Alina. Três dias após a prisão, a família foi avisada por um telefonema anônimo. Em seguida, começou a longa busca de sua mãe. Acompanhada do filho Manoel, ela foi até a sede do DOI- CODI/SP. Manoel foi obrigado a prestar depoimento a diferentes pessoas. Foi também obrigado a assinar uma declaração de que entregaria seus irmãos, caso os encontrasse. Lá permaneceram das 18h às 2h da madrugada. Depois, mãe e filho foram até o DOPS, onde também não conseguiram descobrir nada. Na 2ª Auditoria do Exército, de São Paulo, informaram que Luiz estava foragido, vivendo na clandestinidade. Após inúmeras tentativas, a família procurou diversos advogados, mas nenhum esforço foi suficiente. Em 29/11/1973, Luiz foi absolvido em um processo na 2ª Auditoria, por insuficiência de provas. O Relatório do Ministério da Marinha, de 1993, afirma sobre ele: "AGO/71 - teria sido dado como morto". Nos arquivos do DOPS/PR, o nome de Luiz consta numa gaveta com a identificação: "falecidos". O Arquivo do DOPS/RJ contém documento do Ministério do Exército, de nº 129 de 02/08/1971, alguns dias após sua prisão e desaparecimento, enviado ao DOPS/RJ e assinado pelo general Frota, contendo a seguinte passagem reveladora de que os órgãos de segurança estiveram na residência de Luiz: "Incumbiu-me o Sr. Ministro informar a V.Exa. que, pela análise realizada no II Ex., de documentação apreendida no aparelho de Luiz Almeida Araújo, vulgo Ruy, terrorista da ALN que se encontra foragido..".. ======================================================================================================================= + detalhes Luís Almeida Araújo Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 27 de agosto de 1943 Mudou-se com a mãe, Maria José Mendes de Almeida e os 4 irmãos para São Paulo, em 1957. Os primeiros anos na cidade foram tempos difíceis. Aos 11 anos, Luiz já trabalhava como office-boy na loja de confecções Clipper e estudava a noite. Começou a participar do movimento estudantil no curso Santa Inês. Por conta disso, foi preso e torturado pela primeira vez em 1964. Em 1966, iniciou o curso de Ciências Sociais na Pontificia Universidade Católica de São Paulo. Segundo Maria José, a família soube de suas atividades políticas através dos registros de suas prisões. Luiz era da Ação Libertadora Nacional (ALN). Em 1967 foi preso novamente. Saindo da prisão voltou às suas atividades normais. Em 1968 viajou para Cuba, de onde voltou em 1970. Na noite de ano novo em 1970, Maria José foi surpreendida com a visita do filho que não aparecia há bastante tempo (nesta época ele já estava na clandestinidade). Eles comemoraram a passagem de ano juntos. Este doi o último encontro dos dois. No dia 16 de junho de 71 ele passou o dia com sua irmã, Maria do Amparo Almeida Araújo, que também estava na clandestinidade, e nesse dia completava 21 anos, foi a última vez que Amparo viu seu irmão, "desde então ficou muito difícil comemorar aniversário" declara. Luiz foi seqüestrado no dia 24 de junho na Av. Angélica, em São Paulo, quando dirigiu o carro que levou Paulo de Tarso Celestino da Silva para encontrar um companheiro dirigente da VPR. Paulo de Tarso foi a última pessoa a ver Luiz vivo. Durante os meses junho e julho várias pessoas amigas de Luiz e da família foram presas, torturadas ou molestadas pela polícia. Sua companheira estava grávida nesta época e encontrava-se viajando, Luiz morreu sem saber da existência de sua filha, Alina de Paula que hoje mora com a mãe na Europa. Três dias após a prisão a família foi avisada por um telefonema anônimo. Em seguida começou a longa busca de Maria José por seu filho. Acompanhada do filho Manoel, ela foi até a sede da Operação Bandeirantes (OBAN). Chegaram às 18h e só foram liberados as 02h da manhã. Manoel foi obrigado a prestar depoimentos a diferentes pessoas durante o tempo que esteve lá. Foi também obrigado a assinar uma declaração de que entregaria seus irmãos caso os encontrasse. Maria José teve que esperar em pé, até que Manoel fosse liberado. De lá eles foram até o DOPS, onde também não conseguiram descobrir nada. Na 2ª Auditoria Militar de São Paulo foram informados que seu filho estava foragido, vivendo na clandestinidade. Após inúmeras tentativas individuais, a família procurou diversos advogados, mas nenhum esforço foi suficiente. Quando foi seqüestrado Luiz tinha 28 anos. Em 29 de novembro de 1973, foi absolvido pela 2ª Auditoria de Guerra, por insuficiência de provas. O Relatório do Ministério da Marinha afirma que, em "AGO/71 - teria sido dado como morto." Nos arquivos do DOPS/PR, o nome de Luiz consta numa gaveta com a identificação: "falecidos". O Arquivo do DOPS/RJ, contém documento do Ministério do Exército, de n° 129 de 02 de agosto de 1971 (alguns dias após a prisão e desaparecimento enviado ao DOPS/RJ e assinado pelo General Frota que afirma: "Incumbiu-me o Sr. Ministro informar a V.Ex. que, pela análise, realizada no II Ex., de documentação apreendida no aparelho de Luiz Almeida Araújo, vulgo Ruy, terrorista da ALN que se encontra foragido..." ======================================================================================= + detalhes LUÍS ALMEIDA ARAÚJO Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 27 de agosto de 1943 Mudou-se com a mãe, Maria José Mendes de Almeida e os 4 irmãos para São Paulo, em 1957. Os primeiros anos na cidade foram tempos difíceis. Aos 11 anos, Luiz já trabalhava como office-boy na loja de confecções Clipper e estudava a noite. Começou a participar do movimento estudantil no curso Santa Inês. Por conta disso, foi preso e torturado pela primeira vez em 1964. Em 1966, iniciou o curso de Ciências Sociais na Pontificia Universidade Católica de São Paulo. Segundo Maria José, a família soube de suas atividades políticas através dos registros de suas prisões. Luiz era da Ação Libertadora Nacional (ALN). Em 1967 foi preso novamente. Saindo da prisão voltou às suas atividades normais. Em 1968 viajou para Cuba, de onde voltou em 1970. Na noite de ano novo em 1970, Maria José foi surpreendida com a visita do filho que não aparecia há bastante tempo (nesta época ele já estava na clandestinidade). Eles comemoraram a passagem de ano juntos. Este doi o último encontro dos dois. No dia 16 de junho de 71 ele passou o dia com sua irmã, Maria do Amparo Almeida Araújo, que também estava na clandestinidade, e nesse dia completava 21 anos, foi a última vez que Amparo viu seu irmão, "desde então ficou muito difícil comemorar aniversário" declara. Luiz foi seqüestrado no dia 24 de junho na Av. Angélica, em São Paulo, quando dirigiu o carro que levou Paulo de Tarso Celestino da Silva para encontrar um companheiro dirigente da VPR. Paulo de Tarso foi a última pessoa a ver Luiz vivo. Durante os meses junho e julho várias pesoas amigas de Luiz e da família foram presas, torturadas ou molestadas pela polícia. Sua companheira estava grávida nesta época e encontrava-se viajando, Luiz morreu sem saber da existência de sua filha, Alina de Paula que hoje mora com a mãe na Europa. Três dias após a prisão a família foi avisada por um telefonema anônimo. Em seguida começou a longa busca de Maria José por seu filho. Acompanhada do filho Manoel, ela foi até a sede da Operação Bandeirantes (OBAN). Chegaram às 18h e só foram liberados as 02h da manhã. Manoel foi obrigado a prestar depoimentos a diferentes pessoas durante o tempo que esteve lá. Foi também obrigado a assinar uma declaração de que entregaria seus irmãos caso os encontrasse. Maria José teve que esperar em pé, até que Manoel fosse liberado. De lá eles foram até o DOPS, onde também não conseguiram descobrir nada. Na 2ª Auditoria Militar de São Paulo foram informados que seu filho estava foragido, vivendo na clandestinidade. Após inúmeras tentativas individuais, a família procurou diversos advogados, mas nenhum esforço foi suficiente. Quando foi seqüestrado Luiz tinha 28 anos. Em 29 de novembro de 1973, foi absolvido pela 2ª Auditoria de Guerra, por insuficiência de provas. O Relatório do Ministério da Marinha afirma que, em "AGO/71 - teria sido dado como morto." Nos arquivos do DOPS/PR, o nome de Luiz consta numa gaveta com a identificação: "falecidos". O Arquivo do DOPS/RJ, contém documento do Ministério do Exército, de n° 129 de 02 de agosto de 1971 (alguns dias após a prisão e desaparecimento enviado ao DOPS/RJ e assinado pelo General Frota que afirma: "Incumbiu-me o Sr. Ministro informar a V.Ex. que, pela análise, realizada no II Ex., de documentação apreendida no aparelho de Luiz Almeida Araújo, vulgo Ruy, terrorista da ALN que se encontra foragido..." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110218/ee69a08c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9027 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110218/ee69a08c/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110218/ee69a08c/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 18 20:45:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Feb 2011 19:45:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] CORREIO ICARABE - 18/02/2011 Message-ID: <316A19EFE60842ADA979C1E4A71C5A70@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Se não conseguir visualizar corretamente as imagens acesse esse link. Notícia | Politica e sociedade ICArabe debate a mulher palestina sob a ocupação Atendendo a chamado global, o ICArabe (Instituto da Cultura Árabe) realizou uma atividade para dar visibilidade à violência que a mulher palestina vivencia por parte da ocupação sionista. Leia mais Notícia | Politica e sociedade Atividade discute as revoluções em curso no mundo árabe O professor Mohamed Habib, vice-presidente do ICArabe e pró-reitor da Unicamp, participa de mesa-redonda dedicada à análise da conjuntura egípcia após a queda do ditador Hosni Mubarak. Leia mais Artigo | Politica e sociedade | Soraya Smaili Os jovens árabes nos lembram que transformação e vitória são possíveis Não me lembro exatamente quando foi que participei de uma manifestação pela primeira vez em minha vida. As lembranças mais claras remontam a um período anterior à faculdade. Leia mais 21 a 24 de Fevereiro ? São Paulo (SP) Até 7 de Maio - São Paulo (SP) Curso de língua árabe O Centro Cultural Árabe-Sírio do Brasil abre, de 21 a 24 de fevereiro, inscrições para as turmas do curso de língua árabe 2011. Leia mais ?São Paulo: seus povos e suas músicas? O ciclo oferecerá encontros semanais e temáticos sobre determinado grupo de imigrantes. Cada um será composto de uma mesa redonda com especialistas, seguida de uma apresentação musical representativa daquela comunidade. Leia mais Facebook | Twitter | RSS Feed | Quem Somos | Associe-se ao ICArabe ICArabe - Instituto da Cultura Árabe - www.icarabe.org Rua Três de Maio, 70 - Vila Clementino (metrô Santa Cruz) - São Paulo, SP - Brasil Tel: + (55) (11) 5084 5131 Se não deseja mais receber o correio do ICArabe cancele sua inscrição aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110218/d26e91f0/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 18 20:45:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 18 Feb 2011 19:45:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Carlos Marighella, poema! pelo centenario 1911-2011 Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem UM CENTENÁRIO CARLOS MARIGHELLA 1911-2011 Então teus olhos Essa centenária [foz Abre-se em [sol Agrada-me teu lenço de rapaz e o bornal rebelde Que atravessas o verão da [morte Sediada no escasso momento da [pátria! Não tenho outro respeito a ti A não ser essa rósea que apanhei nos dias [passados Este sotaque de moço perene Que espia o avesso por [profissão E que deseja um lugar para a tua tática [explicável Um bolso na camisa e uma fogueira sem [nome! És universo Que escapa a dogmas e apelidos do [ridículo Como é bela a intransigência das palavras Num condimento Devolvendo-te ligeira idéia uma [alegria Sã e possível Que jamais deserdei Já na infância tínhamos [amizade É um país teu nome e ritmo e o que mais te [abraça? Vejo-te simples Na alfombra girassol que ganhou do [tempo Indivisível, Na pele discípulo de pedra e [charme Caminhando Os dias agudos do século a dizer-nos em som violino O presente de flande e angústia A porta aberta para o que [fazer! Nos degraus do agora uma plataforma [indômita Sobressai, Na retina todo ato [inolvidável Sem agruras e apelo, Domas porque é bom A urgência do [calendário Há um ponteiro de prata no relógio da tua [emoção! Então teus olhos centelha [intacta Debate o presente neles o pão do assunto é alvo Desfaz a pressa do [degredo Pronuncia algo de mais ardente E educa a desobedecer os [rígidos Pés da fantasia emblemas do que é [caduco! Vês impõem a seda do [afável Habita o território de alguma resposta Outras mariposas estão por aí Por ti, revolvendo tuas horas a esse libelo [de amor, Rasga a tristeza A sombra da ordem e sugeres ânimo a flor que [nasce No timbre Da noite. Aceite O meu riso é o que posso ser [feliz É a minha moleira num tempo difícil De amém e governos devorados por [setas! Mais meus camaradas sabem do [imperialismo Estão lendo desapegos polindo estes conceitos Que costumavas saudar o homem em seu [pulmão Do que sei apenas te admito fogo e arte de ser [arte No olhar dos Enfadados. Agiganta-se duzentas mil vezes o [povo Não é ícone pitado de cal nas avenidas [soberbas De pé rente ao insepulto [inaugura Sem pejo nosso momento assim [inesperado. Saiba, Anti a retórica dos dicionários és paiol do verbo [aurora Nela o meu eu está dividido O crânio é galáxia e te tem estrela [íntima Enquanto o coração te vê Numa demorada manhã de [fevereiro. Charles Trocate Salvador, Bahia IV Assembléia da Consulta Popular Fevereiro de 2.011 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110218/1cc5130f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 19 15:41:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 19 Feb 2011 14:41:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_CARLOS_NICOLAU_DANIELLI________________?= =?iso-8859-1?q?_-XLIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CARLOS NICOLAU DANIELLI (1929-1972) Filiação: Virginia Silva Chaves e Pascoal Egídio Danielli Data e local de nascimento: 14/09/1929, Niterói (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data e local da morte: 30/12/1972, São Paulo (SP) Carlos Nicolau Danielli foi morto sob torturas nas dependências do DOI-CODI/SP, na madrugada de 30/12/1972, conforme denúncia feita naJustiça Militar em depoimentos prestados, respectivamente, nos dias 04/07 e 07/07/1973, pelos militantes Maria Amélia de Almeida Teles e César Augusto Teles, que foram presos junto com ele no dia 28/12/1972, submetidos a sessões de torturas, sendo que Danielli foi de uma forma mais intensa e continuada, vindo a falecer. A versão divulgada pelo DOI-CODI/SP é a de que Danielli teria sido morto em tiroteio com policiais. O depoimento judicial de César Augusto Teles desfez essa farsa: "...foram apresentadas a mim e a minha esposa manchetes de jornais que anunciavam a morte de Carlos Danielli como tendo tombado num tiroteio com agentes policiais sob nossos protestos de que ele havia sido morto em conseqüência e a cabo das torturas que sofreu na OBAN, fomos ameaçados de termos o mesmo destino. Em seguida, foi exigido que assinássemos um documento confirmando que teríamos um encontro com uma pessoa de nome "Gustavo" e que nós poderíamos morrer. Como nos negássemos a assinar tal documento, como absurdo, pois ninguém em sã consciência assina sua própria sentença de morte, fomos torturados e, no fim de um certo tempo, um torturador assinou o documento em meu nome".(...) "ficamos durante 5 meses incomunicáveis, certamente, por termos assistido ao brutal assassinato de Carlos Nicolau Danielli". No julgamento dos depoentes Maria Amélia e César no STM, em virtude de recurso impetrado pelo promotor, mais uma vez a denúncia da morte de Danielli veio à tona. Dessa vez, chegou à imprensa, no dia 24/4/1978, em O Estado de São Paulo, onde se lia: "No STM, novas denúncias em julgamento de presos. A advogada, Dra. Rosa Cardoso declara que 'Nicolau Danielli, cuja morte foi atribuída a um confronto com a polícia, é no mínimo suspeita. Isso porque Danielli foi preso juntamente com César e Maria Amélia Teles e não parece possível que uma pessoa presa pela polícia possa ser armada por ela mesma'". As denúncias feitas no STM fizeram com que o ministro general Rodrigo Octávio Jordão Ramos requeresse a apuração dos fatos que envolveram prisão e a morte de Carlos Nicolau Danielli, ainda que tivesse seu voto vencido. Carlos Nicolau Danielli foi dirigente comunista, membro do Comitê Central do PCdoB. Nasceu em 14/09/1929, em Niterói (RJ), filho de Virginia Silva Chaves e Pascoal Egídio Danielli. Muito jovem, com 15 anos de idade, começou a trabalhar nos estaleiros de construção naval em São Gonçalo (RJ). Tomou contato com o movimento operário, tornando-se assim um ativista sindical. Em 1946, entrou para a Juventude Comunista, chegando a ser um dos seus dirigentes. Em 1948, filiou-se ao Partido Comunista e em 1954, no IV Congresso, foi eleito membro de seu Comitê Central. Em meados de 1962, juntamente com outro dirigente do PCdoB, Ângelo Arroyo, Danielli viajou a Cuba para prestar solidariedade ao povo e ao governo cubano. Era responsável pelo jornal A Classe Operária, editado na clandestinidade e distribuído de mão em mão em vários estados do país. Participou ativamente da preparação do movimento guerrilheiro do Araguaia, recrutando e encaminhando militantes, arrecadando equipamentos, remédios e outros recursos necessários para a guerrilha. Participou de vários eventos internacionais e buscou estreitar laços de amizade e solidariedade entre os povos e os partidos comunistas. Foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, pelos agentes do DOI-CODI. Após a promulgação da Anistia, seus restos mortais foram sepultados por seus familiares e amigos, em 11/04/1980, em Niterói. A relatora do processo na CEMDP destacou em seu voto que: "O laudo necroscópico assinado pelos médicos legistas, Dr. Isaac Abramovitc e Paulo A. de Queiroz Rocha, no dia 02/01/1973, não descreve as torturas sofridas por Danielli e confirma a falsa versão policial de morte em tiroteio. Fotos do corpo não foram localizadas no IML, ou no DOPS em seu nome, mas sim no de Cássio Nascimento Moura. No formulário de requisição de exame e da certidão de óbito, no item profissão, foi preenchido como "terrorista", num flagrante desrespeito aos Direitos Humanos. O recorte de jornal de 05/1/1973, encontrado nos arquivos do DOPS/SP, confirma a prisão de Danielli, quando afirma: "Carlos Danielli, o Antônio, havia sido preso poucos dias antes de morrer..". =================================================================================================== + informações CARLOS NICOLAU DANIELLI Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 14 de setembro de 1929, em Niterói, Rio de Janeiro, filho de Pascoal Egídio Danielli e Virgínia Silva Chaves. Era casado e tinha quatro filhos. Muito jovem ainda começou a trabalhar nos estaleiros de construção naval em São Gonçalo, RJ. Aos 15 anos já fazia parte do movimento sindical. Ingressou na União da Juventude Comunista em 1946, tornou-se membro do Partico Comunista do Brasil e, em 1954 foi eleito no IV Congresso do PCB para o Comitê Central, órgão de direção máxima do Partido. Atuou em diversas áreas e em seus últimos anos de vida era responsável pela imprensa de seu partido. Representou o Partido em diversos congressos internacionais. Bem humorado e muito inquieto, gostava de brincar com os companheiros nos intervalos das atividades. Decidido e solidário, não recusava nenhuma tarefa. Morto aos 43 anos de idade, em São Paulo. Foi preso no dia 28 de dezembro de 1972, às 19 horas, na Rua Loefgreen, no bairro de Vila Mariana, pelos agentes do DOI/CODI-SP, para cuja sede Danielli foi levado. Durante três dias, Carlos Nicolau foi muito torturado sob o comando do então major do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, do capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo e do "Capitão Ubirajara", codinome do Delegado de Polícia Aparecido Laerte Calandra. Apesar das torturas, seus algozes não conseguiram arrancar dele nenhuma informação, conforme os testemunhos dos militantes políticos que estiveram presos junto com ele. Danielli foi lentamente assassinado. Mesmo com o corpo todo esfolado, respondeu sempre de maneira altiva a seus inquisidores: "É disso que vocês querem saber? Pois é comigo mesmo, só que eu não vou dizer." Afirmou diversas vezes: "Só faço o meu testamento político." No 1° dia foi torturado pela Equipe C, chefiada pelo Capitão Átila e integrada pelo capitão Olavo, "Mangabeira" (apelido do escrivão de Polícia de nome Gaeta), "Oberdan" ou "Zé Bonitinho". No 2° dia ficou nas mãos da Equipe A, chefiada por "Dr. José" e integrada por "Jacó", "Rubens", "Matos", "Capitão Tomé", e o investigador do Departamento de Polícia Federal, Maurício, vulgo "Lungareti ". No 3° dia foi torturado pela Equipe B, chefiada pelo capitão do Exército Orestes, vulgo "Ronaldo", e seus subordinados: "Capitão Castilho", ex-policial do DOPS Pedro Mira Granzieri e o soldado da Aeronáutica Roberto, vulgo "Padre". Finalmente, no 4° dia, novamente nas mãos da Equipe C, Carlos Nicolau foi assassinado. Como testemunhas de sua morte sob tortura, há os depoimentos prestados na Auditoria Militar do casal Maria Amélia de Almeida Teles e César Augusto Teles, que foram presos e torturados juntamente com ele. Há ainda declarações do ex-preso político José Auri Pinheiro, informado por um torturador, na Polícia Federal do Ceará, que Danielli havia sido exterminado. Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas Isaac Abramovitch e Paulo A. de Queiroz Rocha. A notícia da morte de Danielli foi dada a conhecimento público, através de uma nota oficial dos órgãos de segurança, que dizia ter sido morto mais um "terrorista" ao tentar fugir quando era levado a um encontro com um companheiro. Na certidão de óbito consta como local da morte a Av. Armando de Arruda Pereira, n° 1800 (SP), tendo sido enterrado no Cemitério de Perus. Em 1981, seus restos mortais foram trasladados por familiares e pelos Comitês Brasileiros pela Anistia de São Paulo e Rio de Janeiro para Niterói, onde foi enterrado dignamente. Em conseqüência das denúncias do casal César e Maria Amélia, as torturas e o assassinato de Danielli chegaram a ser objeto de apreciação pelo STM: "O Superior Tribunal Militar negou a apuração das denúncias sobre as mortes do estudante Alexandre Vanucchi Leme e Carlos Nicolau Danielli, que teriam ocorrido no DOI/CODI do II Exército... somente o General Rodrigo Otávio pediu a apuração dos fatos que considerou graves, assim como as várias denúncias de torturas feitas pelos acusados. Em seu voto solitário o general Rodrigo Otávio pediu que as peças referentes à torturas e sevícias... fossem encaminhadas ao Procurador- Geral da Justiça Militar, para apuração dos possíveis crimes previstos nos artigos 209 do Código Penal Militar e 129 do Código Penal Comum." (Folha de São Paulo- 09/05/78) No seu voto, o general justificou sua atitude, demonstrando que "a fragilidade das provas trazidas como respaldo à veracidade da segunda hipótese, indicariam a necessidade de uma apuração mais completa sobre evento tão contundentemente grave." O Relatório dos Ministérios da Aeronáutica e Marinha mantêm a farsa, de que Carlos Danielli foi ferido em tiroteio 3 dias após a sua prisão e que morreu a caminho do Hospital das Clínicas. O Ministério do Exército, sequer cita Danielli em seu relatório, apesar de sua morte ter ocorrido nas dependências do II Exército. ===================================================================================== + Informações Ustra e o sangue de Carlos Danielli Osvaldo Bertolino * O nome deste torturador lembra o sangue de um herói, de um exemplo de dedicação infinita à causa do socialismo: Carlos Nicolau Danielli. O coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, recentemente julgado por crime de tortura, esteve nas dependências da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra onde proferiu palestra sobre como o Brasil "ruma para o socialismo". No evento, prestigiado por movimentos neofascistas, ele também respondeu a perguntas "sobre o paradigma entre capitalismo e comunismo". São assuntos que não merecem atenção além do registro de que se depender desses neofascistas gente como Ustra deve voltar à ativa o quanto antes. O importante é relembrar a trajetória desse sujeito para que a memória de democratas e patriotas trucidados pela máquina de torturas dirigida por ele não seja esquecida. Faço questão de lembrar, sempre que ouço o nome de Ustra, de Carlos Nicolau Danielli, covardemente torturado até a morte, de quem tive a honra de escrever a biografia lançada pela editora Anita Garibaldi. O coronel comandou pessoalmente o massacre de Danielli, que durou quase quatro dias. A família Teles, responsável pelo processo contra Ustra, foi presa numa operação que tinha por objetivo restabelecer o contado da direção do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), por meio de Danielli, com a Guerrilha do Araguaia - interrompido quando o Exército atacou o Sul do Estado do Pará em abril de 1972. História de terror O assassinato de Danielli talvez tenha sido o mais importante êxito da repressão durante a passagem de Ustra por São Paulo. Ele foi designado para a função de comandante da tortura pelo general José Canavarro Pereira, no dia 28 de setembro de 1970. Em setembro daquele ano, o presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, expediu uma diretriz de "segurança interna" determinando que em cada comando do Exército existissem um Destacamento de Operações de Informações (DOI) e um Destacamento de Operações de Defesa Interna (Codi). Nasciam os tristemente famosos DOI-Codi. O objetivo era unificar as ações repressivas do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, do Serviço Nacional de Informações (SNI), das secretarias de segurança pública (polícias militar e civil) e da Polícia Federal. Em São Paulo, a Operação Bandeirantes (Oban) já funcionava nos moldes do que seriam os DOI-Codi. Foi a partir da experiência paulista que a repressão teve a idéia de criar essas organizações em várias cidades. Era uma organização "ilegal", que foi "legalizada" pela diretriz de Médici. Ou seja: foi a "legalização" do terrorismo de Estado, cujo laboratório era a Oban. Ustra seria o principal personagem da história de terror daquele DOI-Codi. Sob seu comando, aquela sinistra organização se transformou numa galeria de torturas cruéis e assassinatos brutais. Ele seria desmascarado, muito tempo depois, pela atriz Bete Mendes e respondeu às denúncias escrevendo, em 1987, o livro Rompendo o Silêncio. Danielli, o secretário de organização do Comitê Central do PCdoB, era um alvo perseguido pela repressão por ser o principal responsável pela ligação da direção do Partido que estava em São Paulo e no Rio de Janeiro com a Guerrilha do Araguaia. Carta de Grabois Para restabelecer o contato interrompido pelo ataque da repressão ao Sul do Estado do Pará em abril de 1972, Maurício Grabois, que comandava a Guerrilha junto com João Amazonas, enviou uma carta por intermédio da guerrilheira Criméia Schmidt de Almeida - irmã de Maria Amélia Teles, conhecida como Amelinha, responsável com o marido César Teles pelo "aparelho" onde Danielli redigia e imprimia o jornal A Classe Operária - aos dirigentes comunistas que estavam em São Paulo e no Rio de Janeiro. Criméia chegou à capital paulista na tarde do dia 28 de dezembro de 1972. Danielli, previamente comunicado da missão, marcou um encontro com Lincoln Oest, que viria do Rio de Janeiro, para o mesmo dia no começo da noite na Rua Loefgreen, na Vila Mariana. A missão teria o apoio de César e Amelinha. Os três deixaram Criméia com os dois filhos do casal no "aparelho" e se dirigiram ao "ponto" previamente marcado com Lincoln Oest. Danielli desceu antes e disse para os dois buscá-lo algum tempo depois. Na volta, foram recebidos de armas em punho. Danielli havia caído numa cilada armada pela "comunidade de informações", que ligava os DOI-Codi. A operação começou com a prisão de dirigentes locais do Partido no Estado do Espírito Santo e chegou a Lincoln Oest, que neste dia já estava morto. Em seu lugar, a repressão mandou outro militante do Partido, que serviu de isca para atrair Danielli. Vida de heroísmo Levado ao DOI-Codi, Danielli foi posto num cubículo infecto. Assim que chegou, foi interrogado por Ustra sobre a Guerrilha do Araguaia. "É disto que querem saber? Pois é comigo mesmo. Mas não vou falar", disse ele. No dia seguinte, a repressão invadiu o "aparelho" e levou Criméia com as criaças para o DOI-Codi. Todos foram vítimas das brutais torturas comandas por Ustra. Danielli era torturado pessoalmente pelo coronel. Num dos intervalos das sevícias, ele escreveu com seu próprio sangue na parede: "Este sangue será vingado." Ele foi torturado sistematicamente por três equipes de assassinos. À sua volta, na tarde do dia 31 de dezembro de 1972, a equipe comandada por Ustra viu a respiração de Danielli sumir e com ela toda a esperança de obter as informações persistentemente buscadas em quatro dias que entraram para a história com a marca da crueldade sem limite. Acabava ali, aos 43 de idade, uma vida de heroísmo, de dedicação infinita à causa do socialismo e de exemplo de dignidade. ========================================================================================= Pronunciamento de João Amazonas no 10º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) ________________________________________________________ Nestes dias em que as descobertas sobre a Guerrilha do Araguaia avançam, é oportuno lembrar um aspecto raramente mencionado a respeito daquele grande feito do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) - a atuação dos dirigentes comunistas que nunca pisaram no teatro da batalha militar, mas sem os quais aquele movimento de resistência não teria sido possível. Michéias Gomes de Almeida, o Zezinho do Araguaia, diz que para os guerrilheiros Carlos Nicolau Danielli, o então secretário de organização do Comitê Central, era o coração do PCdoB. "Quando soubemos que ele havia tombado, acabou - porque, para mim, quando o coração pára, a coisa fica difícil", diz ele. Trabalhavam com Carlos Danielli, em São Paulo e no Rio de Janeiro, pela Comissão Executiva do Partido, Pedro Pomar, Lincoln Cordeiro Oest e Luiz Guilhardini. Carlos Danielli, o dirigente de maior responsabilidade sobre as tarefas de infra-estrutura do movimento de resistência, ficou quase quatro dias nas mãos dos assassinos que agiam na estrutura repressiva montada pela ditadura militar. Preso no início da noite do dia 28 de dezembro de 1972, ele foi lentamente assassinado. Nada revelou aos seus algozes. Já no início do "interrogatório", ele disse: "É disso que vocês querem saber (a Guerrilha do Araguaia)? Pois é comigo mesmo. Só que eu não vou dizer." Em diversas ocasiões, durante as torturas, Carlos Danielli afirmou: "Só faço o meu o meu testamento político." No intervalo de uma sessão de sevícias, jogado num cubículo infecto, ele escreveu na parede com o seu próprio sangue: "Este sangue será vingado." Carlos Danielli foi preso quando restabelecia o contato com a Guerrilha, depois do primeiro ataque da repressão no Sul do Pará iniciado no dia 12 de abril de 1972. A Comissão Executiva do PCdoB havia sido dividida em duas partes. Uma - composta por João Amazonas, Maurício Grabois, Elza Monnerat e Ângelo Arroyo - ficou encarregada de dirigir a Guerrilha no Araguaia. Outra - composta pelos quatro dirigentes já mencionados - ficou em São Paulo e no Rio de Janeiro. (Dynéas Aguiar, também integrante da Comissão Executiva, foi enviado ao exterior em missão política no dia 5 de novembro de 1969.) João Amazonas havia viajado para São Paulo pouco antes da chegada da repressão no Sul do Pará, onde participou das atividades alusivas aos 50 anos de existência do Partido, e na volta não pôde entrar na região da Guerrilha devido ao ataque dos militares. O mesmo ocorreu com Elza Monnerat, que acompanhou João Amazonas por motivo de saúde. Carta enviada por Maurício Grabois O contato só foi restabelecido com a chegada em São Paulo da guerrilheira Criméia Alice Almeida em setembro de 1972. Em seguida ela viajou até a cidade de Piripiri (PI), onde recebeu documentos de um enviado de Maurício Grabois, e retornou a São Paulo no dia 28 de dezembro. No mesmo dia, à noite, Carlos Danielli havia marcado um encontro com Lincoln Oest, no qual seria discutida uma carta enviada por Maurício Grabois. Ao chegar ao local marcado, foi surpreendido pela repressão - que montou uma cilada para capturá-lo. Lincoln Oest havia sido assassinado no DOI-Codi do Rio de Janeiro no dia 20 de dezembro de 1972. Foi o primeiro a cair na armadilha da máquina repressiva da ditadura, montada a partir da prisão de um dirigente estadual do PCdoB ocorrida no Estado do Espírito Santo. O contato do preso com a direção era com Lincoln Oest e, sob brutais torturas, o dirigente capixaba entregou o "ponto" no Rio de Janeiro. Em 1968, Lincoln Oest havia sido detido pelo Dops de São Paulo - acusado de envolvimento em "atentados terroristas". Após dezoito dias de torturas, foi liberado por falta de provas. Experiente dirigente do Partido - participou do levante revolucionário de 1935 e foi deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 1946 -, ele vivia na mais profunda clandestinidade desde o golpe militar de 1964. A repressão divulgou três versões para o seu assassinato. O relatório do Ministério da Aeronáutica diz: "Preso em 20 de dezembro de 1972, no Rio de Janeiro, foi atingido mortalmente após tentar fugir da equipe de agentes de segurança." O do Ministério da Marinha diz: "Foi morto em intenso tiroteio com agentes de segurança após escapar ao cerco à Rua Itapemirim." E, segundo a Guia nº 07 do Dops do Rio de Janeiro, que o encaminhou como desconhecido ao Instituto Médico Legal, Lincoln Oest foi "encontrado num terreno baldio da Rua Garcia Redondo nº 111, após tiroteio com agentes das forças de segurança." Anúncio oficioso do Jornal Nacional Lincoln Oest nada confessou, mas o mesmo não ocorreu com o motorista que o acompanhava. Debaixo de torturas, ele foi enviado a São Paulo e serviu de isca para a captura de Carlos Danielli. A prisão ocorreu por volta das 19 horas na Rua Loefgreen, na Zona Sul da cidade. As torturas foram comandadas pessoalmente pelo major Calos Alberto Brilhante Ustra, o chefe do DOI-Codi paulista que atuava sob o codinome de "Tibiriçá", e delas participaram as quatro equipes de assassinos que agiam naquela sinistra organização. Os torturadores estavam incumbidos de arrancar de Carlos Danielli informações sobre a Guerrilha do Araguaia. Como disse um comunicado do PCdoB na ocasião, por ser o dirigente do Partido responsável pela ligação das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro com a Guerrilha seu nome de há muito constava da lista preparada pelos órgãos de repressão como um dos revolucionários que deveriam ser exterminados. Ao ter conhecimento desse propósito, Carlos Danielli disse: "Minha decisão está tomada. Serei fiel até o fim à revolução e ao Partido." Ele "cumpriu seu dever de revolucionário. Honrou sua condição de comunista", finalizou o comunicado. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Municipal dom Bosco, localizado no bairro de Perus, em São Paulo, onde eram sepultados indigentes, vítimas de bandos formados por policiais civis - os "esquadrões da morte" - que agiam com autorização do Estado para torturar e matar, e presos políticos assassinados pela repressão. A morte de Carlos Danielli teve repercussão internacional e foi anunciada oficiosamente pelo Jornal Nacional, da Rede Globo de televisão. Era um dirigente comunista exemplar. Seu pai foi um ativo dirigente sindical no Rio de Janeiro e deputado estadual pelo Partido, eleito com a maior votação da bancada comunista em 1946. No final da década de 40, foi um dos principais dirigentes da União da Juventude Comunista (UJC). No começo da década de 50, fez um curso de mais de um ano na ex-URSS e aos 25 anos, no 4º Congresso do Partido, foi eleito para o Comitê Central. Nos intensos debates ocorridos na segunda metade da década de 50, Carlos Danielli foi um dos mais destacados defensores dos princípios comunistas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110219/f13558db/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5159 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110219/f13558db/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 19 15:41:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 19 Feb 2011 14:41:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Desigualdade social e renda injusta por Frei Betto Message-ID: <77B3A65512434E2381C030A31BD2DA79@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Desigualdade social e renda injusta Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Entre os 15 países mais desiguais do mundo, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Atenção: não confundir desigualdade com pobreza. Desigualdade resulta da distribuição desproporcional da renda entre a população. O mais desigual é a Bolívia, seguida de Camarões, Madagascar, África do Sul, Haiti, Tailândia, Brasil (7º lugar), Equador, Uganda, Colômbia, Paraguai, Honduras, Panamá, Chile e Guatemala. A ONU reconhece que, nos últimos anos, houve redução da desigualdade no Brasil. Em nosso continente, os países com menos desigualdade social são Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. Na América Latina, a renda é demasiadamente concentrada em mãos de uma minoria da população, os mais ricos. São apontadas como principais causas a falta de acesso da população a serviços básicos, como transporte e saúde; os salários baixos; a estrutura fiscal injusta (os mais pobres pagam, proporcionalmente, mais impostos que os mais ricos); e a precariedade do sistema educacional. No Brasil, o nível de escolaridade dos pais influencia em 55% o nível educacional a ser atingido pelos filhos. Numa casa sem livros, por exemplo, o hábito de leitura dos filhos tende a ser inferior ao da família que possui biblioteca. Na América Latina, a desigualdade é agravada pelas discriminações racial e sexual. Mulheres negras e indígenas são, em geral, mais pobres. O número de pessoas obrigadas a sobreviver com menos de um dólar por dia é duas vezes maior entre a população indígena e negra, comparada à branca. E as mulheres recebem menor salário que os homens ao desempenhar o mesmo tipo de trabalho, além de trabalharem mais horas e se dedicarem mais à economia informal. Graças à ascensão de governos democráticos-populares, nos últimos anos o gasto público com políticas sociais atingiu, em geral, 5% do PIB dos 18 países do continente. De 2001 a 2007, o gasto social por habitante aumentou 30%. Hoje, no Brasil, 20% da rendas das famílias provêm de programas de transferência de renda do poder público, como aposentadorias, Bolsa Família e assistência social. Segundo o IPEA, em 1988 essas transferências representavam 8,1% da renda familiar per capita. De lá para cá, graças aos programas sociais do governo, 21,8 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema. Essa política de transferência de renda tem compensado as perdas sofridas pela população nas décadas de 1980-1990, quando os salários foram deteriorados pela inflação e o desemprego. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam recursos governamentais. Em 2008, o índice subiu para 58,3%. A transferência de recursos do governo à população não ocorre apenas nos estados mais pobres. O Rio de Janeiro ocupa o quarto lugar entre os beneficiários (25,5% das famílias), antecedido por Piauí (31,2%), Paraíba (27,5%) e Pernambuco (25,7%). Isso se explica pelo fato de o estado fluminense abrigar um grande número de idosos, superior à media nacional, e que dependem de aposentadorias pagas pelos cofres públicos. Hoje, em todo o Brasil, 82 milhões de pessoas recebem aposentadorias do poder público. Aparentemente, o Brasil é verdadeira mãe para os aposentados. Só na aparência. A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE demonstra que, para os servidores públicos mais ricos (com renda mensal familiar superior a R$ 10.375), as aposentadorias representam 9% dos ganhos mensais. Para as famílias mais pobres, com renda de até R$ 830, o peso de aposentadorias e pensões da previdência pública é de apenas 0,9%. No caso do INSS, as aposentadorias e pensões representam 15,5% dos rendimentos totais de famílias que recebem, por mês, até R$ 830. Três vezes mais que o grupo dos mais ricos (ganhos acima de R$ 10.375), cuja participação é de 5%. O vilão do sistema previdenciário brasileiro encontra-se no que é pago a servidores públicos, em especial do Judiciário, do Legislativo e das Forças Armadas, cujos militares de alta patente ainda gozam do absurdo privilégio de poder transferir, como herança, o benefício a filhas solteiras. Para Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, no Brasil "o Estado joga dinheiro pelo helicóptero. Mas na hora de abrir as portas para os pobres, joga moedas. Na hora de abrir as portas para os ricos, joga notas de cem reais. É quase uma bolsa para as classes A e B, que têm 18,9% de suas rendas vindo das aposentadorias. O pobre que precisa é que deveria receber mais do governo. Pelo atual sistema previdenciário, replicamos a desigualdade." A esperança é que a presidente Dilma Rousseff promova reformas estruturais, incluída a da Previdência, desonerando 80% da população (os mais pobres) e onerando os 20% mais ricos, que concentram em suas mãos cerca de 65% da riqueza nacional. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110219/52d20e37/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8085 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110219/52d20e37/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 19 15:41:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 19 Feb 2011 14:41:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_B=EAbado_e_a_Equilibrista_*_Sig?= =?iso-8859-1?q?nificado_da_Letra_=5B1_Anexo=5D?= Message-ID: <65E9527DE7224C98A6EBC59E0C0D32C7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem [Anexos de Vanderley - Revista incluídos abaixo] O Bêbado (1- O bêbado representa os artistas, poetas, músicos e "loucos" em geral, que embriagados de liberdade ousavam levantar suas vozes contra a ditadura.) e a Equilibrista (2- A equilibrista era a esperança de democracia, um projeto de abertura política gradual, que a cada "eleição", a cada evento que incomodava os militares (passeatas, etc), tinha sua existência ameaçada.) Caía a tarde feito um viaduto (3- Um viaduto, obra do governo, caiu, desabou sobre carros e ônibus cheios de pessoas, matando muita gente. Na época, nada pôde ser noticiado nem as pessoas foram devidamente ressarcidas ou indenizadas. Cidade de Belo Horizonte, viaduto da Gameleira, década de 70. ) E um bêbado trajando luto (4- Referência aos militantes de esquerda que foram "sumidos" ou declaradamente assassinados sob tortura.) me lembrou Carlitos A lua (5- A lua representa os políticos civis que se colocaram a favor do regime, a fim de obter ganhos pessoais. Eles "acreditavam" tanto na propaganda oficial que se dizia que se um general declarasse que a lua era preta eles passariam a defender tal tese como verdade absoluta. Em determinada época foram até chamados de luas-pretas.) tal qual a dona do bordel (6- A Câmara de Deputados e o Senado foram algumas vezes comparados a bordéis devido aos negócios imorais que lá se faziam. É claro que os cidadãos indignados não podiam dizer claramente que pensavam isto, ou seriam no mínimo processados por calúnia, injúria, difamação e etc.) Pedia a cada estrela fria (7-As estrelas são os generais, donos do poder. Alguns deles nunca apareceram como governantes, preferindo manipular nos bastidores. Se contentavam com uns poucos privilégios astronômicos e umas ninharias de cargos de direção em estatais ou o poder de nomear umas poucas dezenas de parentes e correligionários em empregos públicos.) um brilho de aluguel (8- O brilho de aluguel era, como mencionado acima, os ganhos pessoais e até eleitorais obtidos pelos civis que aceitavam ser marionetes. Alguns destes civis cresceram tanto que altrapassaram em poder os seus "criadores" fardados.) E nuvens (9- Os torturadores são aqui comparados a nuvens, pois eram intocáveis e inalcançáveis.) lá no mata-borrão(10- O mata-borrão é um instrumento antiquado destinado a eliminar erros, borrões na escrita. O DOI-CODI, nossa temível polícia política da época era o mata-borrão do regime (instrumento antiquado destinado a eliminar erros).) do céu (11- As prisões eram inalcançáveis ao cidadão comum, inacessíveis, por isso a comparação com o céu. ) Chupavam manchas (12- Os rebeldes são comparados a manchas, ou seja um erro na escrita, uma coisa fora da ordem, uma indisciplina.) torturadas (13- Referência à tortura aplicada aos militantes de esquerda, que ocorria às escondidas. O regime jamais admitiu que torturava pessoas, porém nunca houve punições aos casos que conseguiam alguma divulgação, apesar da censura à imprensa.), que sufoco louco O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil (14- Os artistas nunca se calaram. Esta música, ele própria é uma das irreverências.) Pra noite do Brasil (15- Um tema recorrente nas músicas da época. A volta das liberdades políticas é comparada ao amanhecer, bem como a ditadura é comparada à noite.), meu Brasil Que sonha com a volta do irmão do Henfil (16- O Henfil (Henrique Filho) era um afiadíssimo cartunista político muito visado pelo regime, bem como seu irmão o Betinho, que no governo Fernando Henrique organizou o programa de combate à fome. Os dois eram hemofílicos e morreram de Aids.) Com tanta gente que partiu (17- Referência aos exilados políticos.) num rabo-de-foguete Chora a nossa pátria mãe gentil Choram Marias e Clarisses (18-Maria é a esposa do operário Manuel Fiel Filho morto sob tortura nos porões do DOI-CODI (SP) em janeiro de 1976 e Clarice é a esposa do jornalista Wladimir Herzog, também morto sob tortura, no DOI-CODI (SP) em outubro de 1975.) no solo do Brasil. Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente A esperança dança na corda bamba de sombrinha E em cada passo dessa linha pode se machucar Azar , a esperança equilibrista Sabe que o show de todo artista Tem que continuar __._,_.___ Anexo(s) de Vanderley - Revista 1 de 1 arquivo(s) ELIS REGINA-1979.wmv -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110219/3bf7b4e1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 20 15:40:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 20 Feb 2011 15:40:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_MARIA_AUXILIADORA_LARA_BARCELLOS_______?= =?iso-8859-1?q?_____________________-XLIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem MARIA AUXILIADORA LARA BARCELLOS (1945 - 1976) Filiação: Clélia Lara Barcellos e Waldemar de Lima Barcelos Data e local de nascimento: 25/03/1945, Antônio Dias (MG) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 01/06/1976, em Berlim Ocidental, Alemanha Maria Auxiliadora atirou-se nos trilhos de um trem na estação de metrô Charlottenburg, em Berlim, Alemanha Ocidental, em 01/06/1976, tendo morte instantânea. Conhecida pelos amigos como Dora ou Dorinha, tinha sido presa sete anos antes, no dia 21/11/1969, junto com seus companheiros da VAR-Palmares, Antônio Roberto Espinoza e Chael Charles Schreier, na casa em que moravam no bairro do Méier, no Rio de Janeiro. Os três foram torturados no quartel da Polícia do Exército, na Vila Militar, e Chael morreu em menos de 24 horas, conforme já relatado neste livro-relatório. Dora foi vítima de cruéis torturas e passou pelos presídios de Bangu, no Rio de Janeiro, e Linhares, em Juiz de Fora. Foi banida e enviada para o Chile com outros 69 presos políticos no dia 13/01/1971, no episódio do seqüestro do embaixador suíço no Brasil. Nunca mais conseguiu se recuperar plenamente das profundas marcas psíquicas deixadas pelas sevícias e violências de todo tipo a que foi submetida. Durante o exílio registrou num texto recheado de tons literários suas duras memórias: "Foram intermináveis dias de Sodoma. Me pisaram, cuspiram, me despedaçaram em mil cacos. Me violentaram nos meus cantos mais íntimos. Foi um tempo sem sorrisos. Um tempo de esgares, de gritossufocados, um grito no escuro". Mineira de Antônio Dias, Maria Auxiliadora era filha de um agrimensor e, por isso, passou a infância morando em várias cidades no interior de Minas Gerais. Estudou no Colégio Estadual Nossa Senhora de Fátima, em Belo Horizonte e, quando criança, pensou em ser freira. Despertou muito cedo para as questões sociais e lecionou durante dois anos na escola de uma favela. Em 1965, começou a cursar Medicina na UFMG e, ainda estudante, deu plantões na área de psiquiatria no Hospital Galba Veloso e no Pronto Socorro. Participou das mobilizações estudantis de 1968. Após o AI-5, já militante do Colina, que se transformaria logo depois em VAR-Palmares, deixou o quinto ano de Medicina e mudou-se para o Rio de Janeiro, em março de 1969, passando a atuar na clandestinidade. Durante a permanência no Chile, tentou tratar-se das seqüelas das torturas. Após setembro de 1973, com a queda de Salvador Allende, conseguiu asilo na embaixada do México, onde trabalhou como intérprete até seguir para a Europa, através da Cruz Vermelha. Passou pelo México, pela Bélgica e pela França, chegando à Alemanha em 10/02/1974. Nesse país, conseguiu uma bolsa para completar seu curso de Medicina. Pouco antes de concluir os estudos, foi internada para tratamento psiquiátrico. Quando depôs na Justiça Militar do Rio de Janeiro, em 27/05/1970, Maria Auxiliadora denunciou detalhadamente as brutalidades que ela e seus dois companheiros sofreram na Polícia do Exército. Consta de seu depoimento na 2ª Auditoria da Marinha que "foi presa no dia 21/11; estavam juntos a declarante, Antônio Roberto e Chael (...), presos em casa, por uma turma mista, composta por elementos do DOPS e da PE; foram conduzidos ao DOPS, onde se procederam as providências de rotina; se encontravam os três numa sala, de onde Chael foi chamado para dirigir-se a uma sala ao lado, onde ele foi espancado, ouvindo a declarante seus gritos; (...) na sala foram tirando aos poucos sua roupa; que um policial, entre palavras de baixo calão, proferidos por outros, ficou a sua frente como se mantivesse relações sexuais com a declarante, ao tempo que tocava seu corpo, que esta prática perdurou por duas horas; o policial profanava os seus seios e usando uma tesoura, fazia como se fosse seccioná-los; entre semelhante prática, sofreu bofetadas; (...) pelas quatro horas da madrugada, Chael e Roberto saíram da sala onde se encontravam, visivelmente ensangüentados, inclusive no pênis, na orelha e ostentando corte na cabeça; nessa mesma madrugada foram transferidos para a PE, (...); nesta unidade do Exército, os três foram colocados numa sala, sem roupas; primeiro chamaram Chael e fizeram-no beijar a declarante toda, e em seguida chamaram Antônio Roberto para repetir esta prática (...); depois um indivíduo lhe segurou os seios apertando-os, enquanto outros torturadores lhe machucavam; em seguida prosseguiram as torturas, através de choques; (...) foi levada para a 1ª Cia. de Intendência, onde saía para prestar depoimentos perante muita gente; continuou apanhando, embora com um cunho psicológico, torturas físicas suportáveis; o Cap. Guimarães apertou o seu pescoço dizendo que iria enforcá-la (...)". Maria Auxiliadora denunciou as torturas sofridas e o assassinato de Chael, e, respondendo a outro processo em São Paulo, declarou em 17/11/1970, frente ao Conselho Especial de Justiça do Exército, reunido na 1º Auditoria: "(...)perguntada se tem outras declarações a fazer, respondeu afirmativamente e declarou (...) que não cometeu crime algum (...) nem eu, nem qualquer indiciado em outra organização, pois os verdadeiros criminosos são outros; se há alguém que tenha que comparecer em Juízo esse alguém são os representantes desta ditadura implantada no Brasil, para defender interesses de grupos estrangeiros que espoliam as nossas riquezas e exploram o trabalho do nosso povo; (...) além desses crimes, o crime de haver torturado até a morte brasileiros valorosos como João Lucas, Mário Alves, Olavo Hansen e Chael Charles, (...)" O caso foi apresentado à CEMDP após a ampliação dos critérios da Lei nº 9.140/95, que na redação dada pela Lei nº 10.875, de 2004, passou a contemplar as mortes ocorridas em anos posteriores às torturas, quando comprovado que foram em decorrência de suas seqüelas. Em São Paulo, encontra-se hoje em pleno funcionamento, na periferia leste da capital, Cidade Tiradentes, o Centro de Atenção à Saúde Sexual e Reprodutiva Maria Auxiliadora Lara Barcellos. Durante o exílio, seu companheiro de banimento Luiz Alberto Barreto Leite Sanz, hoje professor no Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, realizou um filme sobre o drama de Dorinha. ====================================================================================================================== + Informações Maria Auxiliadora Lara Barcelos Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONARIA PALMARES (VAR-PALMARES). Filha de Clélia Lara Barcellos e Waldemar de Lima Barcelos, nasceu no dia 25 de março de 1945, em Antônio Dias, Minas Gerais, onde seu pai trabalhava como agrimensor. A profissão do pai a levou a regiões diversas: São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e todos eram obrigados a acompanhá-lo em suas andanças. Para os filhos isso significou freqüentar diversas escolas. Em Belo Horizonte, Dora estudou no Colégio Estadual Nossa Senhora de Fátima. Seus avós haviam ajudado a organizar uma escolinha num bairro pobre. Dora, com 14 anos, junto com Maria Helena, sua irmã, lecionava nesta escolinha que ficava numa das favelas da cidade. Lecionaram por mais de dois anos, em contato permanente com a miséria dos moradores da favela, imigrantes de zonas rurais. Quando era aluna do curso primario, Dorinha sonhava ser missionária. Quando moça, ela pensava em servir como médica no próprio Brasil ou no exterior. Começou a estudar Medicina, na UFMG, em 1965. Durante o curso, começou a perceber a miséria que a cercava Dora cursava o quinto ano de Medicina, na área de Psiquiatria, e dava plantões no Hospital "Galba Veloso" e no Pronto Socorro. Nos hospitais onde Dorinha trabalhou, como estudante, havia 80 pacientes em dormitórios planejados para 15 pessoas. Faltava alimentação adequada, os doentes eram submetidos ao penoso processo de choque elétrico e tratados mais como números do que como seres humanos. A partir daí, Dora começou a se rebelar. Em 1968 aderiu à ideologia marxista-lenista, admirando, como grandes exemplos, personalidades como as de Che Guevara e de Carlos Marighella e recebendo uma grande influência das teorias de Regis Debray Nessa época, Dora já estava atuando no movimento estudantil. No dia 19 de março de 1969, Dora mudou-se para o Rio de Janeiro, entrando para a clandestinidade como militante da organização VAR-PALMARES. Dorinha usava os nomes de Maria Auxiliadora Montenegro e Maria Carolina Montenegro e os codinomes Dodora, Maria Alice, Maria Eugênia, Chica e Laura. Mesmo vivendo como clandestina, continuou enviando notícias, através de cartas, para sua família. Dorinha foi presa no dia 21 de novembro de 1969 no Rio de Janeiro, em companhia de Antônio Roberto Espinoza e Chael Charles Schreier, na casa em que moravam na rua Aquidabã, 1053, em Lins de Vasconcelos, por denúncias de vizinhos. Levados para o Quartel da PE na Vila Militar, foram bastante torturados e Chael, em conseqüência das torturas, morreu em menos de 24 horas de prisão, conforme testemunho de Dorinha. Banida para o Chile, em 23 de janeiro de 1971, quando do seqüestro do embaixador Suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, junto com outros 69 presos políticos brasileiros. Dorinha viajou acreditando que poderia levar uma vida normal - estudando e trabalhando - fazendo o que queria, lutando pelos oprimidos. No Chile, que ela tanto amou, onde reencontrou a alegria, a esperança e a liberdade, voltou a estudar. Em 1973, com a queda de Allende e o golpe militar, Dora teve que conseguir asilo político na embaixada do México, onde viveu 6 meses e trabalhou como intérprete. Do México foi para a Bé1gica e da Bé1gica para a França, onde ficou 2 meses e, de lá, para a Alemanha, passando a viver em Colônia e a fazer um curso da língua alemã. Como aluna aplicada e estudiosa conseguiu ir para Berlim Ocidental, depois de passar, em primeiro lugar, no concurso de língua alemã, entre 600 estrangeiros. Na Alemanha, finalmente, conseguiu dar prosseguimento ao curso de Medicina que, no Brasil, interrompera no 5° ano e no Chile não conseguira concluir. Para conclusão do curso, com especialidade em Psiquiatria, pelo seu currículo, foi feita a exigência de que se submetesse a 24 provas, de 4 horas cada uma. Dora, com a coragem e disposição que lhe eram peculiares, dispôs-se a fazer as provas; recebia para isto, uma bolsa do governo alemão, que, era uma das maiores na época, e receberia até carro, a ponto de dispensar a ajuda familiar, que até então fora imprescindível. Parece que Dora não deveria mesmo concluir o curso de Medicina. Quando estava fazendo a 18ª prova, jogou-se sob os trilhos do metrô, encontrando morte instantânea. O governo alemão encarregou-se das providências e arcou com todas as despesas, desde que morreu até o traslado do seu corpo para o Brasil, além de conceder uma indenização que, a pedido de sua famflia, foi revertida em benefício dos seus companheiros que mais precisassem. Seu corpo foi cremado na Alemanha, trazido para o Brasil e enterrado em Belo Horizonte. Em 26 de agosto de 2004, a Comissão Especial da Lei 9140/95 reconheceu a responsabilidade da União no assassinato de MARIA AUXILIADORA LARA BARCELLOS Processo nº. 114/04 RELATÓRIO Requerimento: O requerimento é apresentado pela mãe, Clélia Lara Barcellos. Militância Política e fatos: Maria Auxiliadora foi militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares - Var-Palmares. Consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, na referência a mortes no exílio, com o relato de suicídio. Filha de Clélia Lara Barcellos e Waldemar de Lima Barcelos, nasceu no dia 25 de março de 1945, em Antônio Dias, Minas Gerais e morreu na Alemanha, em 01 de junho de 1976. Cursava o 5º ano de Medicina, quando foi presa, em 21 de novembro de 1969, no Rio de Janeiro, juntamente com Chael Charles Schreier e Antonio Roberto Espinoza. Levados para o Quartel da Polícia do Exército (PE) na Vila Militar foi barbaramente torturada, juntamente com Antonio e Chael. Em conseqüência das torturas, Chael morreu em menos de 24 horas de prisão. A denúncia de Maria Auxiliadora e Antonio Roberto à Auditoria Militar foi fundamental para o resgate da história de Chael. Esteve ainda em várias prisões: Linhares, Juiz de Fora e na Penitenciária de Bangu. Após dois anos como prisioneira política, foi banida para o Chile, junto com outros 69 presos políticos brasileiros, trocados quando do seqüestro do embaixador Suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, em 13 de janeiro de 1971. Lá obteve asilo e voltou a estudar medicina, apesar das dificuldades e da necessidade de regredir em dois anos em função das diferenças de currículo. Em 1973, com a queda de Allende e o golpe militar, Dora viu-se obrigada a conseguir asilo político na embaixada do México, onde viveu 6 meses e trabalhou como intérprete. Do México seguiu para a Europa, tentando prosseguir seus estudos na Bélgica e, posteriormente foi para a França, quando através da Cruz Vermelha, obteve do governo da Alemanha concordância para reabilitar bolsa de estudos que, quando ainda no Chile, havia obtido através de concurso. Chegou à Alemanha no dia 10 de fevereiro de 1974. Prestes a concluir o curso de medicina, com especialidade em psiquiatria, foi internada em uma clínica de tratamento médico-psiquiátrico, acometida de graves problemas emocionais e de amnésia. Em 1º de junho de 1976, logo após ter consultado seu médico, atirou-se frente a um trem na estação de metrô, em Berlim Ocidental. O governo alemão arcou com todas as despesas do traslado do corpo para o Brasil, 15 dias depois. Do governo brasileiro, a família não recebeu qualquer amparo. Durante muito tempo, a família no Brasil pensava que sua Maria Auxiliadora, Dora, Dodora, Dorinha, tinha morrido em um acidente. Para amenizar a dor da família distante, os companheiros na Alemanha ocultaram seu triste fim. No livro "A Fuga", editado em 1984, Reinaldo Guarany, o companheiro com quem vivia na Alemanha, relata: "(...) Dora matou-se a 1º de junho de 1976. Direta e decidida como sempre fora na vida, atirou-se na frente de um trem, na estação de Neu-Westend. Não pudemos ver seu corpo, estava muito estraçalhado. O Brasil foi pressionado pela igreja alemã e pelo governo social-democrata e acabou aceitando que seu corpo fosse transladado para Minas Gerais e, assim, cumpriu-se o que Dora afirmara em 1971, em um filme de um americano chamado Saul Landau: - Tarde ou cedo, voltarei para o Brasil! Durante muitos anos menti para sua mãe, dizendo que Dora morrera em um acidente de carro. Anos depois, o Tristão de Ataíde, no início da campanha pela anistia, relatou a morte de Dora, como suicídio, fruto do desespero dos exilados. Dois meses antes de matar-se, Dora tivera uma pane psíquica. Foi internada em uma clínica em Spandau e minha rotina passou a ser: hospital-universidade-casa-hospital. Teve alta uma semana antes de matar-se, mas seus pesadelos eram constantes. Havia um que a vivia atormentando: éramos perseguidos dentro de um túnel, oprimia-nos uma sensação de sufoco e angústia porque, por mais que corrêssemos, nunca alcançávamos o fim do túnel, depois caíamos em uma espécie de espiral, rodando para baixo, tontos, perdidos. Na manhã em que se matou, Dora avisou-me: - Sabe, tenho pensado em me matar. Quase caí de quatro. Conversei com ela horas, dizendo das coisas bonitas que tínhamos em nossas vidas, que nosso quartinho era pequeno naquela residência estudantil, mas que havia um lindo parque florido naquele início de verão, que logo iríamos nos arrancar para Moçambique e aí ninguém ia segurar a gente que o Geisel estava cai-não-cai no Brasil e que voltaríamos para nossa terra, para escutar um idioma de cristãos, ouvir música de gente, comer comida de reis. Abracei Dora e nunca antes em minha vida fui tão sincero no meu egoísmo: - Dora, se você se matasse o que ia ser de mim? (...) Dora era tudo para mim, era a companheira de todas as horas, juntos nos encolhíamos no escuro dos cinemas berlinenses, tão agarradinhos, que a sensação que eu tinha era a de estar no útero materno. Éramos cicatrizes um do outro, mas dessas cicatrizes que a gente gosta de carregar, que nos lembra a própria identidade. Dora sossegou-me em meu medo e insegurança e garantiu que iria até a clínica. Eu ainda dei adeus para ela, da janela. Não sei se sorria ou chorava, só sei que estava grato a ela. Ela foi caminhando entre as flores do parque do nosso Wohnheim, confundindo-se com os brilhos da chuva da noite passada, que ofuscavam meus olhos. E eu nunca mais a vi (...)." Para se entender o suplício que viveu, basta examinarmos a denúncia de Dora frente à 2ª Auditoria da Marinha, em 27 de maio de 1970: "(...) que foi presa no dia 21 de novembro, que estavam juntos a declarante, Antonio Roberto e Chael (...) que foram presos em casa, na Rua Aquidabã, no Lins, por uma turma mista, composta por elementos do DOPS e da Polícia do Exército; que foram conduzidos ao DOPS, onde se procederam as providências de rotina; que se encontravam os três numa sala, de onde Chael foi chamado para dirigir-se a uma sala ao lado, onde Chael foi espancado, ouvindo a declarante os seus gritos; que depois dessas duas horas, Antonio Roberto também foi chamado, que de dez horas da noite as quatro horas da manhã, Antonio Roberto e Chael ficaram apanhando, durante cujas horas, a declarante permaneceu na sala, de início, assinalada; que nesta sala foram tirando aos poucos sua roupa; que não pode identificar os nomes daqueles que o faziam; que o Dr. Wasconcelos dirigia o que ia acontecendo, que não pode precisar bem se era este o nome do policial; que um policial, entre calões proferidos por outros, ficou a sua frente como traduzindo manter relações de sexo com a declarante, ao tempo em que tocava em seu corpo, que esta prática perdurou por duas horas; que o policial profanava os seus seios e usando uma tesoura, fazia como iniciar seccioná-los; que entre semelhante prática, sofreu bofetadas, já quando a sala vieram cerca de 15 pessoas; que abriram a porta da sala em seguida, e se dirigiram à sala contígua, interpelavam a Chael e Antonio Roberto, como era a declarante sob o prisma sexual, que não era mulher para um só, cabendo ser satisfeita pelos dois; que em seguida, os policiais (...) tentou se encostar na declarante, a quem a declarante fez alvo de uma cusparada; que prosseguiram as torturas, inclusive bofetadas; que pelas quatro horas da madrugada, Chael e Roberto saíram da sala onde se encontravam, visivelmente ensangüentados, inclusive no pênis, na orelha e ostentando corte na cabeça; que daí foram transferidos para a Polícia do Exército, (...) nesta mesma madrugada; que nesta unidade do Exército, os três presos foram colocados numa sala, sem roupas; que inicialmente chamaram Chael e fizeram-no beijar a declarante toda, e em seguida chamaram Antonio Roberto para repetir esta prática, empurrando a cabeça dele sobre os seios da declarante e (...) repetindo que ele tanto estava habituado; que depois um indivíduo lhe segurou os seios, apertando-os, enquanto outros torturadores lhe machucavam, inclusive a palmatória; que depois usaram um cacetete e empurravam a declarante contra a parede; que em seguida prosseguiam as torturas, através de choques secos, que a declarante suportava; que em seguida Antonio Roberto e Chael foram levados para a sala do lado e de onde estava a declarante, que ouvia gritos de Chael dizendo não saber de nada; que após fizeram a declarante deitar-se ao chão, que molharam, prosseguindo com a (...) dos choques; que esta prática se repetiu por duas horas; que tais torturas duraram até sete horas da manhã, quando Chael parou de gritar, ficando caído no chão e Antonio Roberto foi levado para um banco, onde ficou sentado, ainda mais ensangüentado do que viera da polícia; que então chegou o Cap. Lauria e disse que a declarante não ia apanhar mais, que podia vestir sua roupa; que foi conduzida à enfermaria, onde recebeu um ponto à cabeça, tendo os lábios rachados, com o rosto deformado e varizes lhe advieram, somente muito tempo depois, recompondo sua aparência local; que daí foi levada para a 1ª Cia. de Intendência, onde saía para prestar depoimentos perante muita gente, observando a declarante que era considerada como peça muito importante no movimento, antes de prestar declarações; que foi ouvida pelo Cap. Lauria, por um tal de Fernando, o qual teve um comportamento excelente com a declarante; que nos seguintes dias após vinte e um de novembro, a declarante prosseguiu sendo ouvida, que continuou apanhando, embora com um cunho psicológico, torturas físicas suportáveis; que o Cap. Guimarães apertou o seu pescoço dizendo que iria enforcá-la até quanto agüentou e que sendo fria não lhe importaria de morrer, que identificou esse nome até recentemente, quando chegou ao local onde se encontrava a declarante, totalmente bêbado em companhia do Cap. Lauria; que o Cap. Lauria também estava com um comportamento estranho, cheirando a bebidas, de onde tinham vindo de um churrasco da polícia; que proferia insultos morais à declarante; que na 1ª Cia. De Intendência, o pessoal era ótimo, completamente neutro (...); que Chael estava desesperadamente gritando na Polícia do Exército, no sábado pela manhã, que somente vinte dias depois veio ter notícias da morte de Chael; que Antonio Roberto assistiu a morte de Chael (...)." Mesmo depois de tamanho sofrimento, e ainda sob a guarda dos torturadores, Maria Auxiliadora não só teve a coragem de denunciar as torturas sofridas e o assassinato de Chael, como foi capaz de, em 17 de novembro de 1970, frente ao Conselho Especial de Justiça do Exército, reunido na 1ª Auditoria, em São Paulo, de fazer as declarações que seguem: (...) que pelos nomes não conhece as testemunhas arroladas pelo dr. Procurador (...); que não conhece as provas constantes dos autos; que a imputação não vê verdadeira pois não se filiou à Var Palmares e nem prestou qualquer auxílio àquela organização; que não sabe de algum motivo particular a que deva atribuir a acusação e nem conhece pessoa ou pessoas a que deva ser imputada a prática do delito narrado na peça vestibular; que está sendo processada, pelos mesmos motivos, perante a 2ª Auditoria da Marinha, da 1ª CJM; que não foi ouvida pelas autoridades policiais no Estado de S.Paulo; que no Est. da GB prestou depoimento perante a autoridade policial e na 2ª Auditoria da Marinha; (...) que perante aquela autoridade judiciária fez um longo relato das sevícias que sofreu e descreveu, detalhadamente, como ocorreu sua prisão; que, repetindo, afirma não ter pertencido a nenhuma organização clandestina; (...) perguntada se tem outras declarações a fazer, respondeu afirmativamente e declarou (...) ipsis literis, o seguinte: que não cometeu crime algum, (...) nem eu, nem qualquer indiciado em outra organização, pois os verdadeiros criminosos são outros; se há alguém que tenha de comparecer em Juízo esse alguém são os representantes desta Ditadura implantada no Brasil, para defender interesses de grupos estrangeiros que espoliam as nossas riquezas e exploram o trabalho do nosso povo; que, além deste crime, que acho ser o primordial, como conseqüência disso, mais da metade da população brasileira é mantida no sub-emprego, na miséria, no analfabetismo e nas doenças endêmicas. Que, além desses citados crimes, o crime de haver torturado até a morte brasileiros valorosos como João Lucas, Mario Alves, Olavo Hansen e Chael Charles, que foi chutado igual a um cão e cujo atestado de óbito registra 7 costelas quebradas, hemorragia interna, hemorragias puntiformes celebrais, equimoses em todo o corpo. Em segundo lugar, não existe justiça e imparcialidade num Tribunal da Ditadura, só existirá verdadeira Justiça, quando depois da implantação do socialismo no Brasil, for formado um Tribunal Popular que julgará, sem os recursos das torturas e das sevícias, mas implacavelmente, os verdadeiros criminosos.Em terceiro lugar, embora não tenha sido militante da VAR, concordo inteiramente com a linha política da organização e considero que só a luta armada, levada a cabo pelos trabalhadores e explorados, poderá destruir o exército da ditadura e do imperialismo, construindo o socialismo no Brasil (...) Suas declarações atestam sua militância e seu martírio e justificam o gesto alucinado. Voto pela inclusão do nome de Maria Auxiliadora Lara Barcellos dentre as vítimas fatais da ditadura militar, por entender que esta é uma reparação moral indispensável para resgatar tanto a sua memória, quanto a dignidade nacional. Reconhecer a responsabilidade do Estado na sua morte, levada ao suicídio pelas seqüelas das torturas, do banimento e do exílio é um ato do presente voltado para o futuro, representando o mais vivo repúdio à violência, ilegalidades e torturas praticadas pelo Estado durante a vigência da ditadura militar. Nesta semana em que se comemoram os 25 anos da anistia parcial e restrita da ditadura militar, a nossa homenagem a Maria Auxiliadora, guerrilheira morta na luta pela liberdade. ======================================================================================== IN MEMORIAM MARIA AUXILIADORA BARCELOS LARA August 17th, 1999 | Category: Brasilien, Lateinamerika H. Dressel Há poucos dias estivemos em Berlim, aproveitando a ocasião para visitar uns lugares onde em meados da década 70 andava nossa amiga brasileira Maria Auxiliadora Barcelos Lara. Na época ela foi bolsista do Programa Ecumênico de Bolsas de Estudos mantido pela Igreja Evangélica da Alemanha. Visitamos entre outros lugares a Casa de Estudantes na romantica Mollwitzstrasse em Berlin-Charlottenburg, onde a Dora como também outros refugiados brasileiros moravam; fizemos um pulo ao Hospital em Berlin-Spandau, onde há quase um quarto de século tinha visitado a estudante de medicina, que naquele momento ficava mesmo internada lá. Finalmente, busquamos aquela idí­lica igreja de Berlin-Neu Westend, onde no dia 15 de junho de 1976 tinhamos a triste incumbência de conduzir o Ato de Comemoração em memória da jovem exilada. Confesso que, ao lembrar-me de novo dos detalhes da triste história de nossa falecida estudante Maria Auxiliadora Barcelos Lara - todo mundo a chamara de "Dora" - não posso evitar que, dolorosamente comovido como há 23 anos atraz, me correm as lágrimas pelo rosto, e me dóe o coração como naquele dia - 1 de junho de 1976 - quando fui informado do incidente chocante que nos parecia incrí­vel. Foi em meados de Fevereiro de 1974 que - através dos bolsistas Gastão e Jussara Heberle - tomei conhecimento da chegada duma turma de brasileiros na cidade de Colí´nia, que tinha-se refugiado temporáriamente no México depois de ter escapado da caça aos "estrangeiros comunistas" que logo depois do golpe de setembro havia começado em Santiago de Chile. Na época dirigí­ uma instituição da Igreja Evangélica da Alemanha, Obra Ecumênica de Estudos- ÖSW - e fui responsável pelo setor de bolsas para estudantes graduados provindos dos paí­ses do "Terceiro Mundo", e, tradicionalmente incluí­a-se no programa de bolsas também estudantes refugiados, que depois do golpe militar em Chile não fizeram falta na Europa. O hemisféreo latino-americano naqueles anos tinha passado por graves convulsães. Salvador Allende, ainda senador, tinha uma vez observado: "A revolução cubana é uma revolução nacional - mas ao mesmo tempo uma revolução da América Latina inteira. Ela indicou o caminho í libertação de todos os nossos povos." Assim foi. A juventude de orientação esquerdista sentiu-se iludido pelo imobilismo dos comunistas ortodóxos e pela polí­tica de acordos com as forças democráticas da burguesia que tinham tomado posição contra o imperialismo e contraa oligarquia. Muito ao contrário do comunismo ortodóxo, que tinha optado pela ordem, a juventude mostrou-se atraí­da pela esquerda radical-revolucionária com sua retórica da luta armada, inspirada pelas utopias do fidelismo e do maoí­smo, e optou pela luta armada, antes de tudo pela guerrilha urbana. Através dos escritos de Ernesto Che Guevara e de Régis Debray entrou a teoria do foco acompanhado pela idéia da primazia do fator militar sobre o fator polí­tico. Sem dúvida, o impulso mais importante para a juventude foi o mí­to de Che Guevara. Em 10 de março de 1967 a imprensa informava sobre o primeiro encontro armado na selva de Bolí­via. Logo depois, no dia 20 de abril, o jornalista e simpatisante francês Régis Debray foi preso, e em 7 de junho decretou-se o estádo de sí­tio em todo território boliviano até o momento em que o exército assumiu o controle sobre o governo de Bolí­via, no mês de julho. Em 8 de outubro de 1967 Che Guevara foi fuzilado na região da cordillera. O fracasso imediato do profeta da teoria de foco, do í­dolo da juventude latino-americana, Che Guevara, não prejudicou a euforia revolucionária vigente na época: O mí­to de Che Guevara, Ho Chi Minh e Mao Tse Tung ganhou terreno entre os estudantes em todo mundo, de Berkeley, Paris, Berlin, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Santiago de Chile, Lima, La Paz, Bogotá e Guatemala-City. Che tornou-se "a grande esperânça da vanguárdia em toda América Latina. Ele tornou-se multiplicador de revoluçães." (Eduardo Galeano). Apesar de ser morto ele não perdera nada de sua fascinação. Sobreviveu como o mí­to da geração do ano "68? da América Latina. "Haviamos predito que a guerra seria continental. Isto significa que também será prolongada; haverá muitas frentes, custará muito sangue, inúmeras vidas durante um longo tempo ao produzir-se a tomada do poder pela vanguarda armado do povo terá se cristalizando a primeira etapa da revolução socialista " diz Che Guevara nos Textos Revolucionários. Na Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) que tomou lugar em Havana entre os dias de 31 de julho e 10 de agosto de 1967, participou também Marighella, que voltou com a mensagem, que o momento não era para debates, mas que a hora era da luta armada, da guerra popular. Era isto, que também a Dora declarou na entrevista de Havana (Casa de las Américas Mayo-Junio 1972 Año XII N.72 La Habana, Cuba, Testemonio, Brasil: reporte sobre la tortura [Saul Landau]): Disse, que o grupo dela em 1968 tinha escolhido a insurrecão armada, "porque los métodos pací­ficos o la actividad polí­tica no pueden utilizarse como los principales medios en Brasil hoy. Sólo lucha armada dará resultados cuando se trate de organizar al pueblo y de formar un ejército popular. Lo que pasa es que los métodos violentos que utilizamos para luchar contra la dictadura militar brasileña no son el resultado de una decisión gratuita por nuestra parte, sino más bien la consecuencia de la polí­tica gobernamental antidemocrática, que nos ha impedido, desde 1964, participar en el proceso polí­tico brasileño, en una campaña pací­fica por el desarrollo del Brasil. No se puede poner en duda el hecho de que el grupo de los lí­deres militares brasileños, al servicio de intereses extranjeros, ha estado en el poder desde el golpe de 1964. Es decir, el gobierno nos impedió enfrascarnos en procesos polí­ticos pacificos. Si hoy hemos tenido que recurrir a las armas en el Brasil, no es porque seamos asesinos, como proclaman los que están en el poder, sino a causa de la polí­tica criminal de este gobierno hacia los brasileños." Jacob Gorender (COMBATE NAS TREVAS A ESQUERDA BRASILEIRA das ilusoes perdidas í luta armada) consta, que em 1968 registraram-se onze assaltos í agências bancárias, cinco í carros pagadores e um trem pagador em São Paulo, e até meados do ano seguinte já eram atacadas mais 31 agências bancárias e um carro pagador. No anos 60 e 70, depois do choque cubano, e mais tarde, do choque chileno - fatos que profundamente preocuparam todas as sociedades latino-americanas surgiu no continente uma nova filosofia do estado, melhor uma ideologia, baseando-se num conceito de Segurança Nacional, proliferado pelos Estados Unidos. O conceito de Segurança Nacional baseava-se na idéia da ameaça iminente pelo comunismo, que terminaria numa terceira guerra mundial. Nos paí­ses do sub-continente temia-se, antes de qualquer agressor que podia vir de fora, o inimigo interno, tí­po quinta coluna do marxismo internacional que devia ser combatida a fim de garantir um desenvolvimento em ambiente de segurança. No Brasil, o general Golbery do Couto e Silva fundou o SNI - Serviço Nacional de Informação - instrumento principal da repressão, que agiu sem nenhum limite. As forças cristãs-sociais nos paí­ses sulamericanos por tradição combateram o comunismo, mas ao mesmo tempo tomaram posição contra a ordem estabelecida na sua respectiva sociedade. No Brasil muitos dos jovens revolucionários emergiram das respectivas organizaçães da igreja com a sua doutrina social provindo do Vaticano II. A igreja e as suas respectivas organizaçães para a juventude - JUC e JOC etc. - em termos de idealismo, radicalismo e rigor moral na prática quase não se distinguiram dos marxistas em cujas fileiras eles finalmente entraram. "Se exhorte con claridad y firmeza" diz Pe. Miguel Ramondettia, "los cristianos del continente a optar por todo aquello que contribuya a la liberación real del hombre latinoamericano y la instauración de una sociedad más justa y fraternal . estoy completamente de acuerdo en que es imprescindible para la construcción del hombre nuevo, la existencia de una sociedad en la qual sea abolida la propriedad privada y sean socializados los medios de producción." (Alejandro Dorrego, Victoria Azurduy, El Caso Argentino, Hablan sus protagonistas, México 1977). "Tenemos un profundo respeto por los jóvenes católicos que ya, considerando que las instancias pací­ficas han sido clausuradas, eligen el camino de las armas siguiendo el ejemplo de San Martí­n, el ejemplo de "Che" Guevara y luchan por la liberación de sus pueblos." (Pe. Carlos Mújica) Os revolucionários enfrentaram a violência injusta dos opressores com a justa violencia dos oprimidos e entendiam a sua luta como defesa legí­tima. A Organização para a Solidariedade Latino-americana - OLAS - que foi fundada no ano de 1967 em Havana, exigiu e apoiou a luta guerrilheira, considerada necessária e fundamental para a revolução na América Latina. No Brasil, Celso Furtado - Subdesenvolvimento e Estagnação - 3. ed., Rio de Janeiro 1968 entrou nos mesmos trilhos. Assim a juventude latino-americana desilusionou-se cada vez mais com o discurso democrático e optou pela palavra de ordem fidelista: luchar en vez de pleitear ! No Brasil nem existiu a possibilidade do pleito livre. Em 1969, após três anos de estudos bem-sucedidos em Belo Horizonte, também a Dora submergiu para a clandestinidade na metrópole do Rio de Janneiro. Com os seus companheiros não viu outra saí­da. Ironia do destino: o proprietário de sua moradia, na qual convivia com seu namorado, era informante da Policia. As forças de segurança fizeram uma batida. Após dois anos de prisão o governo trocou Dora, junto com outros 69 presos politicos, pelo embaixador suí­ço Giovanni Erico Buch seqüestrado pela guerrilha urbana, e a embarcou para o Chile. Lá, deu seqüência a seu estudo da Medicina, e quase o havia terminado ao ter de procurar proteção polí­tica na embaixada mexicana de Santiago, contra os militares chilenos, após o golpe de de setembro de 1973. Era de fato como Che Guevara tinha profetizado ao falar das convulsães revolucionárias no subcontinente: custará muito sangue, inúmeras vidas durante um longo tempo. Encontrei os amigos brasileiros da turma com que a Dora chegou í Alemanha em meados de fevereiro de 1974. Tratou-se de pessoas que já foram exilados duas vezes. Dora tinha sido levada para Santiago de Chile no mês de janeiro de 1971 no contexto dum intercâmbio polí­tico. Depois do golpe de setembro junto com seu companheiro Guarany ela conseguiu asilo provisória na Embaixada de México. No México eles conseguiram a permissao de entrar na Bélgica e ficar lá entre o dia 13.12.73 e 1. 2.74. Em 10.2.74 sairam de lá rumo í República Federal da Alemanha onde imediatamente e com o apoio de Amnesty International solicitaram así­lo polí­tico. Sabiamos do bispo Helmut Frenz de Santiago como era assustadora a onda de prisães no Chile, destinada cegamente contra todas pessoas de orientação esquerdista, antes de tudo contra os comunistas estrangeiros. Falei com alguns brasileiros em Colí´nia, e percebí­ como eles estavam extremamente inseguros e assustados. Por solidariedade humana (ou também motivado pelo sentimento da brasilidade, bem como por motivo de zelar como cristão pela dignidade do ser humano) convidei os afim de que se mudassem para o nosso campus em Bochum, onde lhes garantiriamos amparo seguro, incluindo moradia, mensualidade e a participação num curso de alemão para graduados. No dia 19.2.74 a Dora e o Guarany foram inscritos como participantes no curso de lí­ngua alemã do colégio da Obra Ecumênica de Estudos em Bochum. Assim se criaram as pré- condiçães para que eles pudessem enfrentar as primeiras dificuldades deste seu segundo exí­lio. Na ocasião da recepção oficial dos novos bolsistas admitidos em Abril de 1974 na minha alocução me destinei de maneira especial aos estudantes refugiados e exilados: "Quero agora dizer umas palavras destinadas especí­ficamente aos nossos amigos que aqui se refugiaram, para encontrar segurânça pessoal e o começo dum novo futuro: A Obra Ecumênica de Estudos através do Programa em favor aos estudantes refugiados deseja dar apoio humano ao homem perseguido e inquietado por razães sócio-polí­ticas. A Igreja Cristã em toda sua longa historia sempre se preocupou com refugiados. Quero dar apenas uns exemplos: CIMADE já durante a guerra acolheu judeus, social-democrátas, algerianos e pessoas que pertenciam a outros grupos; A Igreja Clandestina do 3er Reich surgiu essencialmente em oposição í polí­tica antisemitista do governo alemão, e em defesa dos cidadãos judeus; a Obra Diaconica em Stuttgart recebeu milhares de refugiados da região de Biafra na Nigéria, como também refugiados e desterrados proveniente de Vietnã ou do Sudão; a Obra Ecumênica de Estudos em Bochum protege um número considerável de brasileiros, uruguaios, chilenos, angolanos e sulafricanos que optaram pelo exí­lio em vez de arriscar a sua liberdade ou até a propria vida; a Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) há muito tempo acolhe estudantes coreânos, e o Conselho Mundial de Igrejas (WCC) apoia um elevado número de moçambicanos. Convidando-lhes para viver conosco durante os proximos meses, queremo-lhes dar pelo menos a oportunidade de aprender a lí­ngua, e lhes oferecer um ambiente humano e tranquilo. Parece-me que são estas as pre-condiçães para um futuro concreto para vocês e para os vossos filhos. Sei que neste paí­s também há muita gente com falta de compreensão junto ao estrangeiro, com um medo irracional dos marxistas, e há até agitadores polí­ticos que querem tirar vantagens polí­ticas através da polêmica que iniciaram contra a atitude do nosso governo social-liberal. Mas vocês podem ter certeza de que nós da Obra Ecumênica de Estudos aqui em Bochum sabemos que vocês não representam nenhuma quinta coluna em nosso meio. Sabemos que vocês são pessoas que merecem todo nosso respeito, toda nossa confiânça e todo nosso carinho por seu espí­rito elevado e por sua motivação social. Temos verteza de que voces que não pensam em tirar vantagens próprias, mas que se preocupam com a justiça social, que defendem a dignidade humana e que desejam paz para os irmãos lá de além mar. Deixem-me saudar-lhes em nome de todos os funcionários da Obra Ecumênic de Estudos, e sejam bemvindos entre nós aqui." No semestre de verão de 1974 o Colégio para Estudantes Estrangeiros da Obra Ecumênica de Bochum organizou um curso especial para os refugiados de Chile que realmente correspondeu í situacao especí­fica dos exilados. Foram os participantes deste curso de lí­ngua os estudantes Maria Auxiliadora Barcellos Lara, Julio Bittencourt, Irany Campos, Athos Magno Costa e Silva, Aluí­sio Rodrigues Coelho, Marta Canedo, Miriam Vásquez Osório, Mabel Pereira Montero, Samuel Reis, Eunice Diniz Reis, Jaime Rodrigues, Miriam Rodrigues, Reinaldo Guarany Simães Souto, José Jorge e Miriam Valjalo. Outros estudantes ´refugiados latino-americanos como Antonio Canedo, Irene Reis Loewenstein, Luiz Travassos e Marijane Vieira Lisboa devido aos seus conhecimentos já avancados da lí­ngua alema foram admitidos ao curso regular para graduados. Por ocasião da Copa do Mundo, em junho de 1974, por ordem do governo provincial, ela e outros refugiados tinham de se apresentar - três vezes ao dia, durante 21 dias - na Delegacia do Uni-Center de Bochum. Em outubro de 1974 se matriculou na Universidade Livre de Berlim. No mês de dezembro a Delegacia de Estrangeiros da cidade de Berlim avisou de que fora iniciado um processo por motivo de entrada ilegal í República Federal de Alemanha. A partir de maio Dora foi interdita de sair de Berlim. Em julho de 1975 expirou o documento de viagem expedido em Chile. Um funcionário da cidade negou-se de expedir um passaporte, alegando de que isso seria feito no momento da concessão do así­lo polí­tico. Devido a isso, Dora entrou com uma queixa na AI London. Durante a preparação para sua licenciatura, com a psique gravemente abala em fevereiro de 1976 teve de se submeter a um tratamento na clinica psiquiátrica de Spandau. Após sua alta, continuou um tratamento ambulante. No dia primeiro de junho atirou-se diante trem do metró, logo após uma consulta com seu médico. Dora foi ví­tima duma guerra sem perdão, desaparecendo na primavera de sua vida, na sua juventude mesmo. No livro BRASIL: NUNCA MAIS (pg.247 f.) pode-se ler algo sobre o inferno da tortura pelo qual Dora havia passado durante a sua prisão no Brasil. 0 destino de Maria Auxiliadora Barcelos Lara serviu de exemplo para a geração de jovens idealistas que na época entraram no redemoinho polí­tico dos acontecimentos e nele pereciam ou padeciam de graves feridas. Para a estatistica e para a Policia Civil, a morte de Dora foi um caso claro de suicidio; para o jornal Bild-Zeitung, até mesmo suicí­dio por crise amorosa. Na verdade, Maria Auxiliadora foi morta por aqueles que a haviam torturado de maneira horrí­vel, sete anos antes, em prisães brasileiras. A enfermidade psí­quica, em 1976, sem dúvida fora conseqüência das tormentas fisicas e psiquicas que a então moça de 25 anos tivera de sofrer nos seus dois anos de prisão, martí­rio que a levou até o limite da loucura e mais além. Muitos já haviam morrido sob a tortura, outros morriam em sua conseqüência e nas prisães. Maria Auxiliadora pereceu sete anos depois, pelas desumanidades nela exercidas. Os pais de Dora haviam rogado pelo traslado do corpo. Maria Auxiliadora, por decreto do presidente Médici, fora banida perpetuamente do Brasil. Perante as autoridades brasileiras expressei minha esperança de que o banimento tenha encontrado seu fim com a morte de Dora, e que não permanecesse em vigor apòs essa tragédia, pois já que não pudera mais pí´r os pés na pátria que amava sobre tudo, ao menos pudesse sepultar seu corpo destroçado ou suas cinzas na terra pátria para que sua famí­lia, profundamente castigada, pudesse despedir-se daquilo que tinha restado da filha, conforme direito e costume humano natural. Por essa argumentação o pessoal diplomático da representação brasileira na República Federal de Alemanha e em Berlim Ocidental demonstrou grande compreensão e também o Ministério de Assuntos Exteriores em Brasí­lia mostrou -se receptivo, de modo que o traslado do corpo pí´de ocorrer. Seja-me permitido de chamar atenção do fato de que naqueles anos os bispos no Brasil insistiam muito em lembrar o grande número de pessoas na diáspora. Sei que também o presidente de Igreja, P. Karl Gottschald, repetidas vezes havia tocado no assunto dos exilados perante o presidente Geisel que, afinal, era mesmo membro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB). Naturalmente também os amigos polí­ticos se empenhavam por uma anistia ilimitada e pelo retorno dos exilados, mesmo que apenas raramente estivessem dispostos a dar-Ihes espaço e oportunidade. Na Europa a International League for Rights and Libertation of the People lutou pela anistia, entre outros num congresso em Roma. Mas, antes de tudo, foi mais uma vez a Igreja Cató1ica que, in loco, assumiu a iniciativa. Já há anos os bispos haviam destacado com vigor o destino dos exilados: "A anistia um direito juridico, quando a condenação se baseia na injustiça Por isso não deve ser adquirida individualmente, rebaixando-se. A anistia é uma questão de justiça e deve ser definida pela lei e pelos tribunais; não pode ser rogada ou pedida." Com essas palavras o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, em São Paulo, iniciou uma campanha pela irmandade. Ao mesmo tempo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) exigia o retorno dos exilados. Disse Arns, em entrevista ä imprensa: "Desde os primórdios da história a maior injustiça que se tem feito a uma pessoa é deixá-la sem pátria. Brasileiro nenhum deve sossegar até que o governo esclareça sua posição e assuma a tarefa de estar á disposição de todos os brasileiros." Como apoio ao empenho por uma anistia dos exilados, no Rio de Janeiro eu havia publicado na Tribuna da Imprensa do dia 11 de setembro de 1978 um apelo: "Chega de exilio! 0 Brasil hoje está a par da situação amarga de milhares de compatriotas que vivem na diáspora européia. 0 mundo inteiro apóia o seu retorno urgente ao pais que tanto amam, e que nestes longos anos nunca desonraram; muito ao contrário, guardaram em seus coraçães como valor mais precioso, embora a conjuntura polí­tica Ihes tenha negado o direito de viver, trabalhar ou estudar em seu paí­s tranqüilamente, sem medo de sofrer toda espécie de repressão e perseguição. Parece-me que chegou a hora em que se deve falar seriamente das vitimas daquelas confusães polí­ticas na América Latina, e dum a juventude que foi traí­da, duma geração inteira que foi marcada pelos desumanos; de tantos jovens que foram sistematicamente destruí­dos por cidadãos desonestos, os quais significam uma vergonha para este grande povo brasileiro. í? hora de falar do grande idealismo da juventude de 1968 como exemplo duma geração iludida, e como exemplo da humilhação que sofreu a maravilhosa juventude acadêmica do Brasil. í? de chorar mesmo, quando se começa a meditar sobre isso. Considero um dever falar disso, pois assisti de perto o que havia acontecido com essa juventude. Fui testemunha involuntária das crueldades que haviam sofrido muitos dos exilados brasileiros em sua pátria antes de chegarem aqui, na Alemanha. Recordo-me da historia horrorosa que me contou um rapaz que, no decorrer do ano de 1968, era procurado pela Polí­cia . Fala-se oficialmente em 127 exilados, trocados há cerca de dez anos por embaixadores seqüestrados. São os assim chamados 'banidos'. Seriam esses os únicos exilados? Disputa-se o número exato da diáspora brasileira estipulado pela Comissão de Justiça e Paz, que tem em mãos uma lista de dez mil exilados. Será que os governantes não sabem que já entre 1964 e 1968, até o começo da era Médici, o Brasil 'exportou' centenas de professores e intelectuais de nome reconhecido? Um desses ilustres professores foi o senhor Paulo Freire, atualmente colaborador do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra. E quanta gente sem repercussão internacional, quantos estudantes seguiram nos anos de 1968 até 1972 e, em menor escala, nos anos seguintes até o ano de 1976? Está na hora de abrir as portas para essa elite da nação, pessoal de altas qualificaçães morais, cí­vicas, polí­ticas, éticas, profissionais e cientí­ficas. Creio que o Brasil até precisa dessa gente amadurecida pelas amarguras do exilio a fim de alcançar seus objetivos nos planos social, economico e polí­tico." Na ocasião do Ecumenical Meeting da Obra Ecumênica em 3 de junho de 1976 muito magoado nós nos lembramos da companheira de estudos. Num comunicado oficial eu tinha escrito: "A Obra Ecumênica lamenta o falecimento de sua bolsista Maria Auxiliadora Barcellos Lara, que no dia 1 de junho em Berlim pí´s fim a sua vida. Esta morte nos deixa profundamente aflitos. Vemos na enfermidade psí­quica e na morte inesperada da companheira a derradeira consequência dos maus tratos por ela sofridas durante a sua prisão no Brasil. A recomendamos í s mãos bondosas de deus, que queira dar a ela a paz que não encontrou como refugiada no estrangeiro." Depois de olhavamos retrospectivamente í vida da Maria Auxiliadoras terminamos o encontro com uma oração perante deus, que escuta os gritos dos miseráveis: "Eterno deus, magoado pelo desaparecer de Dora procuramos amparo contigo. Tu tens chamado ela para esta vida e a deste seus dons e suas tarefas; tu nos conduziste afim de que nos pudessemos tornad amigos dela. Agora ela desapareceu e nós não a ajudamos na hora de desespero. Tu a conheces; conheces seu caminho, seus sofrimentos, sua angustia e sua culpa. Tu também conheces a nossa falha e tudo em que faltamos perante ela e que a ela ficamos devendo. Tu conheces seus derradeiros pensamentos, sua saudade e seu desespero numa situação de impasse sem encontrar saí­da. Rogamos-te que deste a ela a paz que não encontrou no desterro. A recomendamos em tuas mãos." Em 2 de junho de 1976 recebemos a autorizacao telegráfica dos pais de Belo Horizonte, Minas Gerais, para a trasladacao do corpo: AUTORIZAMOS VVSS PROMOVER REMOCAO SEU CORPO APOS LIBERACAO AUTORIDADE POLICIAIS. SOLICITAMOS ENCARECIDAMENTE SEUS ESFORCOS JUNTO GOVERNO ALEMAO E EMBAIXADA BRASIL EM BONN PARA IMEDIATA TRASLADACAO CORPO SEUS PERTENCENTES DOCUMENTOS PARA BRASIL. Numa carta do dia 16 de julho de 1976 Maria Helena Barcellos Ratton, a irmã da Dora informou: " O corpo chegou no dia 17 de junho, e foi enterrado na manhã seguinte, na presença de toda a nossa familia e de inúmeros amigos nossos e da Dora. Foi uma morte muito sentida por todos que a conheceram. Mas foi um grande consolo poder enterrá-la aqui, na pátria que ela amava, junto ao povo pelo qual ela lutou. Antes do enterro foi celebrada missa e, nessa ocasião, mamãe leu uma mensagem escrita por ela mesma. Meus pais não tem conhecimento das verdadeiras condiçães da morte da Dora. Não há condiçães psicológicas para contar-lhes, no momento, e eles acreditam ter havido um acidente. Para mim não deixou de ser um terrí­vel acidente." Numa.arta comovente que recebia dos pais, Waldemar und Clélia, se disse: "A nossa grande esperânça, meu bom, pastor, era a de estar junto de vocês, por ocasião da entrega do diploma de médica e nossa filha diria assí­m: "Meus pais e Sr. Heinz Dressel aqui está o diploma, é de vocês." Eis o teí´r do convite ao Ato Comemorativo: A Obra Ecumênica de Estudos profundamente lastima o falecimento de sua estimada bolsista MARIA AUXILIADORA BARCELLOS LARA. Estamos dolorosamente comovidos, pois sabemos que a Dora foi gradativamente destruí­da, fí­sica- e psí­quicamente, por aqueles que, há anos, durante a sua prisão no Brasil, a maltrataram bárbaramente. Convidamos mui cordialmente os amigos de Maria Auxiliadora a participarem num Ato de Comemoração que realizar-se-há no dia 15 de junho de 1976, í s 6 horas da tarde, na igreja evangélica de Neu-Westend, Eichenallee 47, Berlin 19. Bochum, 9 de junho de 1976 - H. Dressel - Obra Ecumênica de Estudos. Ato de Comemoração em memória da falecida bolsista da Obra Ecumênica, Maria Auxiliadora Barcelos Lara, 15 de junho de 1976, igreja evangélica de Neu-Westend 1.. Prelúdio (Jesus, meine Zuversicht, nro. 330) 2.. Introito e Saudação 3.. Hino (Wo Gott der Herr nicht bei uns hält, nro. 193) Se Deus não nos fortalecer na fúria do inimigo, e a nossa causa defender na angústia e no perigo, se o nosso amparo Deus não for, vencendo o mal e seu furor, perdidos estaremos. Não podem forças e saber dos homens assustar-nos. Deus é supremo em Seu poder, vencendo, há de salvar-nos. Embora queiram resistir, Deus Seu caminho há de seguir. As Suas mãos governam. 4. Leitura bí­blica e Credo 5. Hino (nro. 193) Consolo em abundância dás sempre aos desamparados, jamais a porta fecharás da graça aos angustiados, diz a razão:"Perdido estou", porém a cruz regenerou, Deus, os que Ti esperam. Fizeste terra e céu, Senhor, Deus todo-poderoso, acende a luz do Teu fulgor no coração trevoso, que em fé e amor possa ele arder e sempre em Ti permanecer. Que o mundo se revolte! 6. Alocução P. Dressel e Oração 7. Outros oradores 8. Oração e Benção 9. Pósludio (Wachet auf, ruft uns die Stimme, Nro. 121) Começamos este Ato de Comemoração em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. O Senhor nos conforta em toda nossa tribulação, para podermos consolar aos que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque assí­m como tomamos parte nos sofrimentos de Cristo, assí­m também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Me permitem de saudar-lhes mui cordialmente e de agradecer-lhes por terem chegados aqui para assistir este Ato de Comemoração em homenagem í nossa querida Dora. Quero-lhes transmitir também as saudaçães do sr. Vowe e dos demais colaboradores da ÖSW em Bochum. Dr. Vowe muito lamenta por não poder estar presente, por motivos de outros compromissos que o levaram para Bonn. Um abraço cordial do amigo bolsista Sergio Menezes, Paris, com o qual falei esta manhã em Bochum. Amanhã o corpo de nossa estimada Maria Auxiliadora Barcellos Lara deve seguir í sua terra, e o que nos resta aqui é a sua memória, é a impressão que sua personalidade tem engravada em nossa alma. Profundamente chocados pela amarga experiência que todos nós fizemos nestes dias cheios de tristeza, ouvimos agora as palavras que o apóstolo Paulo destinava aos cristãos romanos, no oitavo capí­tulo de sua carta: "Diante de tudo isso, que é que podemos dizer? Se Deus está do nosso lado, quem nos vencerá? Ele não poupou seu proprio Filho, mas o ofereceu por todos nós! Se ele nos deu seu Filho, será que não nós dará também de graça todas as coisas? Quem acusará o povo escolhido de Deus? í? o proprio Deus quem declara que eles não têm culpa. Poderá alguém condená-los? Foi Cristo quem morreu, ou melhor, quem foi ressucitado. Então, quem pode nos separar do amor de Cristo? Serão os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, o perigo, ou a morte? Na verdade dizem as velhas escrituras, que estamos em perigo de morte o dia todo, que somos tratados como ovelhas que vão para o matadouro. Mas, em tudo isto temos a vitória, por meio daquele que nos amou! Porque eu estou bem certo de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte nem a vida; nem governos nem outros poderes; nem o presente nem o futuro; nem nada no mundo. Em todo o universo não há nada que pode nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Jesus Cristo nosso Senhor.! Creio em Jesus Cristo cuja vida era um exemplo duma existência verdadeiramente humana. Ele fez a experiência, na própria vida dele, como uma pessoa pode ser maltratada pelos próprio homens. Ele mostrou como se pode lidar com outros até ao ponto do sacrifí­cio da própria vida. Creio em Jesus que me dá testemunho do seu amor através de suas palavras e de seus atos, pelo testemunho e pela solidariedade dos membros da comunidade em que vivo. Ele me livra de minha culpa e do medo dos acontecimentos que possam surgir em minha vida ou na hora da morte. Creio em Jesus que me dá ânimo de força para arriscar minha vida, que me encarrega com a tarefa de guiar outros ele, que me dá apoio afim de que eu possa amar os outros como a mim mesmo, assim honrando a Deus. Ele exige de mim o sacrifí­cio de meu tempo, de meus dons, de meu dinheiro, e espera que eu emprego para outros tanta fantasia e tanto entusiasmo como para mim mesmo. A Obra Ecumênica de Estudos profundamente lastima o falecimento de sua bolsista Maria Auxiliadora Barcellos Lara. Desde o mês de fevereiro em tratamento médico, no dia 1 de junho, logo após ter consultado seu médico, ela resolveu pí´r fim a sua vida. Para a polí­cia e para a estatí­stica a morte da Dora consta como um caso evidente de suicí­dio. Em verdade, a responsabilidade por este falecimento cabe a aqueles que, há 7 anos, na prisão no Brasil, a têm submetido í s mais cruéis torturas. A recente enfermidade da Dora, foi sem dúvida alguma o resultado dos tormentos fí­sicos e psí­quicos, os quais a então moça de 25 anos teve de aguentar durante sua prisão de 2 anos no Brasil, tormentos que a levaram í margem da alienação mental ou até mais além. Muitos morreram durante os atos da tortura, outros faleceram devido a suas consequências na prisão. Maria Auxiliadora morreu sete anos depois. Maria Auxiliadora nasceu no dia 25 de março de 1945 em Antonio Dias no Estado de Minas Gerais, onde seu pai trabalhava como agrimensor. Sua profissão o levou í regiães as mais diversas, seja no Estado de São Paulo, em Goiás ou no Estado do Rio de Janeiro. A famí­lia - Dora tem duas irmãs e um irmão - era obrigada a sempre acompanhar o pai. Para os filhos isto significou que sempre tiveram de frequentar outras escolas e séries escolares, pois, nos anos de 50 ainda não havia o sistema homogêneo de educação primária no Brasil. Os antepassados de Dora chegaram ao Brasil provenientes da Itália, de Portugal, da Inglaterra e inclusive da África. Em Belo Horizonte, Dora estudou no Colégio Nossa Senhora de Fátima. Um dos seus avós havia ajudado a organizar uma escolinha num bairro pobre. Também a Dora, com 14 anos, junto com o seu irmão, lecionava numa escola de favela durante um ano. Frente í miséria dos pobres da favela, imigrantes de zonas rurais í s margens da Capital do Estado, na alma de Dora pela primeira vez surgiu a idéia de estudar medicina. Como aluna do curso primário ela sonhava de, mais tarde, tornar-se missionária. Quando moça, ela pensava em servir como médica numa das missães no próprio Brasil ou no estrangeiro. Em 1965 ela começou a estudar Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais. Durante o curso de Medicina, ela começou a perceber a miséria que a cercava, inclusive no terminal de vida, na sala de anatomia, onde ela tinha que preparar cadáveres que pareciam pertencer a sexagenários, mas em realidade pertenciam a trintenários, muitos deles falecidos por subnutrição, ou, em última análise, de pobreza. Nos hospitais onde Dora serviu, havia mais clientes que leitos. Numa Clí­nica de Psiquiatria, onde Dora trabalhou como estudante, havia 80 clientes em dormitórios planejados para 15 pessoas. Faltava alimentação adequada. Submetia-se todos os doentes indiscriminadamente ao penoso processo do choque elétrico. Os doentes eram tratados mais como números do que como seres humanos. Com tudo isto a Dora se rebelou. Em 1968, ela fez parte do movimento estudantil. No Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina exerceu o cargo de secretária. Naquele tempo - educada num catolicismo tradicional - ela chegou a interessar-se pelos livros de Sartre ou de Garaudy, adotando como sua crença filosófica o existencialismo. Em 1968 Dora aceitou a ideologia marxista-leninista, admirando como grandes exemplos personalidades como Ché Guevara e Carlos Marighela. Havia bastante influência nos pensamentos de Maria Auxiliadora das teorias do jornalista francês, Regis Debray, que, na Bolí­via, havia acompanhado Ché Guevara até a sua derrota. O último livro de Debray apareceu sob o tí­tulo: "A crí­tica das armas." í? lamentável que tal crí­tica veio tarde demais para a geração estudantil dos anos de 1968 e 1969. Esta geração de idealistas tornou-se objeto da mais severa repressão governamental. Dora é uma das ví­timas. Foi presa no mês de janeiro de 1969. Depois de dois anos como prisoneira polí­tica, Dora foi libertada, junto com outros 69 companheiros, em troca do embaixador suiço, Giovanni Enrique Bucher. En Chile, onde recebeu asilo, ela continuou com o seus estudos. Em consequência do golpe do dia 11 de setembro de 1973, ela buscou asilo na Embaixada Mexicana. Via México e Bélgica ela chegou í Alemanha no dia 10 de fevereiro de 1974. Naquele tempo cheguei a conhecê-la na casa dos nossos amigos Heberle, em Colí´nia. Desde o dia 1 de março do mesmo ano ela - junto com outros refugiados provenientes de Chile - era bolsista da Obra Ecumênica de Estudos (ÖSW). Entre abril e setembro ela conviveu conosco no campus de Obra Ecumênica de Estudos. Logo após a sua chegada em Colí´nia pediu asilo polí­tico, que até o presente momento não lhe foi concedido. Durante a Copa do Mundo, em junho de 1974, junto com outros refugiados, ela foi obrigada a apresentar-se no posto policial do Uni-Center em Bochum, frequentemente 3 vezes por dia. No mês de outubro, Dora matriculou-se na Universidade Livre dessa cidade. Em plenos preparativos ao exame estadual, a Dora ficou seriamente enferma e por isso hospitalizou-se por algum tempo. Depois continuou o tratamento como paciente ambulante. No dia 1 de junho ela partiu desta vida. Os pais e parentes de nossa estimada amiga Dora pediram encarecidamente pela trasladação do corpo ao Brasil, de onde ela, por um decreto do presidente Médici, fora banida por tempo de vida. Terminou este prazo com a sua morte, e os pais vão receber o que ficou e entregar o corpo í terra brasileira. Fiquemos em silêncio agora em memória de Maria Auxiliadora e na oração perante Deus que ouve o clamor dos oprimidos: Senhor, nosso Deus, profundamente entristecidos pelo súbito desaparecimento de nossa querida Dora procuramos amparo junto a Ti. Tu a chamaste í vida e lhe deste dons, talentos e objetivos; Tu nos deste o privilégio de chegar a conhecê-la. Ela agora nos deixou atrás, e nós estivemos ausentes na hora de seu desespero. Tu a conheces: Tu conheces seu caminho, suas dores, sua angústia e sua culpa. Tu também sabes em que nós falhamos e o que ficamos devendo a ela. Tu conheces seus últimos pensamentos, sua saudade e sua situação de impasse. Rogamos-te: concede-lhe a paz que ela não encontrou no estrangeiro. A recomendamos em tuas mãos. Amém. Deus Criador e Autor da vida, que entregues a nós este mundo para que juntos possamos compartilhar o que Tu criaste; Deus de amor, que através de Jesus Christo compartilhas nossos sofrimentos; Deus da esperança, cujo espí­rito ilumina e dá poder e confiança nas taréfas que Tu nos tens dado: Para que em meio de situaçães quase insuportáveis possamos ainda nos congregar e ouvir sua palavra de apoio e conforto, oremos ao Senhor. Para que se crie uma comunidade tal que nos inspire, que nos mantenha juntos a nossos irmãos e irmãs em todas as partes do mundo, oremos ao Senhor. Para que os pobres saibam se reunir na defesa de seus direitos, oremos ao Senhor. Para que lutemos sem esmorecimento contra o mal e a opressão, que empregemos a nossa liberdade em favor da justiça entre os homens e naçães, oremos ao Senhor. Para que todos que sofrem violencia das injusticias humanas encontrem em Jesus forças para continuar sua luta pela justiça e pelos direitos humanos, oremos ao Senhor. Sem Ti não teremos poder. Portanto oramos em conjunto: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade assim na terra como no céu, o pão nosso de cada dia nos dá hoje, e perdoa-nos as nossas dividas assim como nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, pois teu é o reino e o poder e a glória para sempre, Amém. O Senhor nos abençãe e nos guarde, o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós, o Senhor sobre nós levante o seu rosto e nos dê a paz. ============================================================================================ Assistam o depoimento de Lara e outros. http://www.comunistas.spruz.com/pt/NO-DEIXE-QUE-ESTAS-HISTRIAS-CAIAM-NO-ESQUECIMENTO-CRIMES-CONTRA-A-HUMANIDADE-NO-PRESCREVEM-/blog.htm ========================================================================================================== ilusões armadas - Google Livros ref Lara Barcellos http://books.google.com.br/books?id=_yuLTjvQxgMC&pg=PA164&lpg=PA164&dq=MARIA+AUXILIADORA+LARA+BARCELLOS&source=bl&ots=CrwfP0W3oq&sig=1sgCOFmd4EzhBoGmYZCymXKJ0QQ&hl=pt-BR&ei=-ihhTcfwLseitgeS7-24DA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CEYQ6AEwBTgK#v=onepage&q=MARIA%20AUXILIADORA%20LARA%20BARCELLOS&f=false -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110220/0539bf0b/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 20 15:40:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 20 Feb 2011 15:40:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_O_Alumioso=2C_por_Di_Freitas_e_outras_?= =?utf-8?q?m=C3=BAsicas=2E_________________________________________?= =?utf-8?q?_____HOJE_=C3=89_DOMINGO!__M=C3=9ASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br O Alumioso, por Di Freitas Julio Daio Borges para ouvir... am Digestivo nº 426 >>> Ariano Suassuna tem como uma de suas principais influências Miguel de Cervantes e encontra no Nordeste brasileiro um lado medieval, que persiste, apesar da vinda da Corte (século XIX), da proclamação da República (século XX) e da chamada globalização (século XXI). Quem duvida, deveria escutar O Alumioso, do músico Di Freitas, lançado pelo Selo Sesc, um dos mais dedicados à pesquisa de música realmente brasileira. Além do Nordeste, de compositores como Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (em ?Juazeiro?, que abre o disco), encontramos, nas composições de Di Freitas, surpreendentes traços de música indiana e árabe (em ?Cantigas de Mouro?), africana e caribenha (em ?Salsa com Baião?), música caipira (em ?Lavras da Mangabeira?) e, inclusive, a poética dos romances de cavalaria (em ?Flor de Algodão?, com participação de Juliana Amaral). Di Freitas, que também atende por Francisco, como se não bastasse, fabrica instrumentos e alterna criações suas, enriquecendo as faixas em sonoridade, com violoncelo de cabaça, marimbau e rabeca igualmente de cabaça, fora lira nordestina, ?viola de 13?, violão e alaúde. Sem contar os sopros, como clarinete e flauta doce, que também toca. Com passagens dedicadas a outros mestres, como Nonato Luiz, O Alumioso é tão vasto em influências do cancioneiro de diferentes tradições que mal conseguimos defini-lo ? o que está OK, já que nem Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc, nem Antonio Madureira, mais próximo ao músico, conseguem. Realizações como essa, de Francisco ?Di Freitas?, indicam que sempre há, no Brasil, culturas a serem descobertas. >>> O Alumioso -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110220/8e67ba20/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16963 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110220/8e67ba20/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 20 15:41:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 20 Feb 2011 15:41:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Completo,ILHA DAS FLORES. Vale assistir! Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br @11setembro11setembro (clique) Completo, ilha das flores - filme curta metragemhttp://www.youtube.com/watch?v=KAzhAXjUG28 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110220/6214b696/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 21 19:06:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Feb 2011 19:06:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Receitas_Gerais_para_Ficar_Doente?= =?iso-8859-1?q?_=2E_____________________________________________HO?= =?iso-8859-1?q?JE_=C9_2=BA_FEIRA!__SA=DADE=2C_MEDICINA_E_ALIMENTA?= =?iso-8859-1?q?=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Dr. Marcio Bontempo Considerado o introdutor da medicina natural científica no Brasil, Dr. Marcio Bontempo possui 25 anos de experiência em projetos e atividades voltadas para o povo. Especializado em saúde pública, Bontempo mostra como muitas enfermidades podem ser tratadas com métodos simples e de fácil aquisição. Receitas Gerais para Ficar Doente ,Suplementos Nutricionais e Produtos Naturais Alimentação Natural Açucar e outros Perigos da Alimentação Aditivos e seus efeitos no organismo Alimentação para um Novo Mundo Medicina Alternativa de A a Z A Carne é Fraca - Documentário Ong Instituto Pró-Carne Linho - O Superalimento do Futuro Sal Refinado X Sal Marinho Combinando os Alimentos na Hora de Comer Obtendo os Nutrientes dos Alimentos Integrais Frutas - a Comida que é o Melhor Remédio Consumo de Carnes é um ato Ecológico? O Verdadeiro Natal Açucar Branco - O que mais Precisamos Saber? Politíca Pública de Saúde com Qualidade Utilização de Animais em Experiências Científicas Retratação da Editora Alaúde As Frutas do Cerrado A Importância da Nutrição Mineral para a Saúde Entrevista com a Jornalista Ana Elizabeth Banho e Bem-Estar Como Recuperar a Saúde Dormindo Sentimento "Verde"- a Nova Ideologia Como Melhorar a Saúde Pública no Brasil Receitas Gerais para Ficar Doente Embora seja possível fornecer-se receitas específicas para ser doente, apresentamos a seguir as dicas globais para que possamos ser doentes e sentirmo-nos pessoas comuns, iguais a todos: 1. Alimente-se desregradamente. Comer bastante carne, açúcar, refrigerantes, chocolates, docinhos, enlatados, salsichas, etc. Tudo isso é bom para provocar fermentações, putrefações intestinais sintomáticas ou não, baixa de resistência orgânica, acúmulos e demais determinantes de desequilíbrios que se assentarão com o tempo (antes produzindo fenômenos simples como dores, febres, azias ...). O ideal é comer também a toda hora. Isto é bom para alterar o ciclo biológico natural favorecendo a prisão de ventre, a obesidade, a pressão alta, as infecções e inflamações, os tumores, a ansiedade, a culpa, a barriga grande ... 2. Evitar os alimentos naturais, os cereais integrais, as frutas, os legumes, as raízes, o pão integral puro, o mel, etc. , pois favorecem a desintoxicação das sujeiras, além de fortalecerem o organismo e torná-lo mais saudável. 3. Alimente-se principalmente à noite, após as 22 horas, pois assim o organismo será forçado a trabalhar em regime de hora extra. Isto é excelente para o envelhecimento precoce, a obesidade, a gordura abdominal (não existe coisa melhor para a formação dos pneus abdominais de gordura que comer à noite e em abundância, principalmente queijos ... ). Também é bom para a pessoa acordar cansada e desenvolver falta de memória. 4. Manter sempre hábitos alimentares comuns como a velha feijoada de toda semana. A feijoada, usada com constância, é muito boa para desencadear, sem que o freguês perceba, os seguintes resultados: elevação do colesterol e dos triglicerídios, arteriosclerose, pressão alta, angina pectoris, reumatismo, artrite, gota, lipomatose, cistos sebáceos, envelhecimento precoce, distúrbios da vesícula biliar, gastrite, colite, enterite, hemorróidas, varizes, retenção de líquidos, distensão abdominal, glaucoma e uma grande quantidade de outras doenças. Para melhores resultados, aconselha-se a utilização de feijoada em lata, cujos efeitos são mais intensos ainda. Ela já vem com antibióticos. E ninguém paga nem um centavo a mais por esta vantagem! 5. Freqüentar sempre e constantemente os bons restaurantes. Viver o prazer da boa mesa. Afinal, mais vale viver pouco, mas intensamente, do que viver muito, mas monotonamente, comendo arroz integral ... 6. Evitar os restaurantes naturais, vegetarianos, macrobióticos, os sucos vegetais, saladas, se quiser ser doente. 7. Usar açúcar branco e cafezinho em abundância. Isto favorece não somente a baixa de resistência, mas o famoso sugar blues, a doença do açúcar: depressão, melancolia, adinamia, fraquezas, instabilidade emocional, fomes repentinas, ansiedade ... tudo ajudado pelo excesso de cafezinhos que contribuem para o nervosismo e irritação, etc. Ideal para escritórios ... 8. Evitar ginástica, o trabalho físico, a movimentação do corpo. Levar uma vida sedentária, longe dos esportes e do contato com o ar puro e a natureza. Preferir habitar os grandes centros poluídos.. 9. Participar com freqüência de festas intensas, banquetes. Trocar o dia pela noite e comer bastantes excessos. Morar em apartamentos úmidos, longe da luz do sol. 10. Evitar a sauna, a massagem profissional [...], a dança, a expressão corporal, o Tai-Chi-Chuan, as artes marciais. 11. Fumar uma grande quantidade de cigarros. Bom para produzir vários problemas, entre eles, as alterações nervosas, a bronquite tabágica, alterações de circulação arterial, diminuição do oxigênio do sangue e dos tecidos (grande parte das doenças modernas ocorrem num organismo pobre de oxigênio ...) o câncer, a gastrite, inapetência, enfisema pulmonar, perturbações da memória, alterações do sabor e do olfato, etc. Mas vale o prazer de fumar, não é? Afinal, fumar é uma questão de bom senso... mesmo que no Brasil o hábito seja responsável por cerca de 100 mil mortes anuais e produzirá no mundo a cifra ínfima de trinta milhões de mortes até o ano 2000. Hoje existem cerca de trezentos milhões de pessoas em todo o globo que sofrem muito por enfisema pulmonar e demais problemas derivados do cigarro. 12. Beber álcool com freqüência. Isto é normal. O álcool está presente nos lares, nos escritórios, acompanha as grandes festas, favorece os grandes negócios, acalma e combate a ansiedade. Mesmo sabendo-se que ele é uma grande ilusão e que "tudo o que estimula termina por deprimir", e que na verdade o álcool é depressor do sistema nervoso, convém usá-lo para obter os seguintes males: neurite alcoólica, perturbações visuais, diminuição da resistência orgânica, hepatite, cirrose hepática, pressão alta, inflamações, câncer do estômago, irritação da mucosa, agressividade, tendência ao enfarte. No extremo pode ocorrer delirium-tremens, coma e morte. Quem quiser passar por estas experiências deve consumir muito álcool. Usado com moderação e com sapiência ele não é muito capaz disto. 13. A qualquer simples sintoma como febre, dor de cabeça, mal-estar, lançar mão de drogas alopáticas. Evitar as ervas medicinais, a homeopatia, o do-in, o relaxamento, o jejum, etc. 14. Seguir estritamente as ordens dos médicos sem nenhum comentário, sem questionamento. Tomar todos os remédios, mesmo que produzam efeitos colaterais, piores que o problema ou sejam capazes de gerar mais doenças, além daquela que está sendo tratada. Aceitar também as cirurgias indicadas sem procurar outras opiniões profissionais. 15. Assistir sempre bastante televisão, acompanhar as novelas, acreditar piamente nos noticiários que a televisão emite. Uma família inteira assistindo à TV junta é um excelente método de alienação conjunta. A TV em excesso é excelente para embotamento do raciocínio. Se não estiverem passando programas interessantes, deve-se jogar videogame com as crianças ou ter um vídeo-cassete comum, bom estoque de filmes de violência, de guerra ou pornográficos. Como alternativas, existem computadores com programas alienantes de excelente qualidade. Para completar, convém assistir à televisão comendo biscoitos doces em abundância e a todo instante ir beliscar uma coisinha na geladeira. Para engordar é ótimo. 16. Comprar e consumir tudo o que é indicado pela propaganda na TV, rádio, outdoors e demais veículos de vendas. 17. Levar sempre as crianças em festinhas de aniversário onde reinam as guloseimas cariogênicas, descalcificantes, redutoras de resistência orgânica, favorecedoras das amigdalites, tosses, febres, bronquites, crises de asma, urinas noturnas, dificuldades escolares de fundo alimentar, com aditivos corantes e aromatizantes cancerígenos. Melhor até é organizar as festinhas em sua casa mesmo. Facilita. 18. Andar sempre na moda. Sapatos bem altos são bons para produzir alterações da coluna, como escolioses, lordoses, sifoses, dores musculares, etc. Cosméticos, xampus, brilhos, bases, cremes sintéticos, etc., embelezam mas condicionam a pele, não a deixam respirar direito e a envelhecem. Usá-los é no entanto necessário para manter o status. Evitar os cosméticos naturais, as máscaras biológicas, a sauna, os banhos de luz, a hidroterapia, a acupuntura cosmética, que são benefícios para a pele. 19. Perseguir obstinadamente ideais como a fama, a fortuna, o reconhecimento público, a notoriedade. São formas de busca ansiosa que não trazem nenhum sentido existencial verdadeiro, nenhuma realização interior autêntica, mas atraem a inveja, o ciúme, a inimizade, a falsa amizade. É graças a elas que temos hoje um mundo em pé de guerra. 20. Ter sempre uma vida tensa, agitada, ansiosa mas ... plena de realizações profissionais, mesmo que em casa esteja acontecendo um inferno. É uma receita para morrer mais cedo através do stress, da estafa, do enfarte, da úlcera, dos distúrbios psíquicos e sexuais, da neurastenia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110221/78829a82/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11274 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110221/78829a82/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 21 19:06:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Feb 2011 19:06:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_FRANCISCO_TEN=D3RIO_CERQUEIRA_J=DANIOR_?= =?iso-8859-1?q?_______________________________-XLV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem FRANCISCO TENÓRIO CERQUEIRA JÚNIOR Filiação: Alcinda Tenório Cerqueira e Francisco Tenório Cerqueira Data e local de nascimento: 04/07/1940, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: não definida Data e local do desaparecimento: 18/03/1976, Buenos Aires, Argentina Francisco Tenório Cerqueira Junior, pianista carioca conhecido como Tenorinho, acompanhava Vinícius de Moraes e Toquinho num circuito de apresentações no Uruguai e Argentina, quando desapareceu em Buenos Aires, em 18/03/1976. Após o show no teatro Grand Rex, deixou seu quarto no Hotel Normandie em busca de uma farmácia e querendo comprar cigarros. Nunca mais foi visto. Quando constataram que ele não tinha retornado ao hotel, Vinícius, Toquinho e amigos como o poeta Ferreira Gullar, que vivia naquele país, mobilizaram-se imediatamente. Procuraram em hospitais e delegacias, buscando também ajuda na embaixada do Brasil. O governo brasileiro informou que nada sabia e o Itamaraty anunciou que estava fazendo o possível para localizar o pianista. Vinicius de Moraes, que foi diplomata até ser exonerado em 1968 pelo AI-5 (sendo readmitido e homenageado, post mortem, em 2006), entrou com pedido de habeas-corpus no Judiciário argentino, mas o resultado foi negativo. Tenorinho foi tragado pela escalada do terror de Estado que o país vizinho vivia exatamente naqueles dias. O golpe militar que depôs Isabel Perón só ocorreria em 24 de março, quando o pianista estava preso há uma semana. Mas a Operação Condor já tinha sido lançada e a Triple A (Aliança Anticomunista Argentina) seqüestrava, torturava e matava em plena cooperação com os órgãos de segurança argentinos, mesmo antes do afastamento definitivo de Isabelita. A única pista colhida já no primeiro após o desaparecimento é que tinha ocorrido uma grande blitz na área durante aquela madrugada, com muitas prisões de suspeitos. Tenorinho era um músico desconhecido do grande público brasileiro, mas muito respeitado por seus colegas. Elis Regina foi uma das artistas que se envolveu diretamente na busca de notícias, dedicando um de seus discos "À ausência de Tenório". Em 1979, ainda acreditava que Tenorinho estivesse vivo e pretendia viajar a Buenos Aires para tentar localizá-lo. Tenorinho era casado com Carmem e tinha quatro filhos. A maior tinha oito anos, o caçula três. Carmem estava grávida e o quinto filho nasceu um mês depois do desaparecimento do pai. Começou sua carreira de músico aos 15 anos, tocando acordeom e violão antes de dedicar-se ao piano. Cresceu em Laranjeiras, estudou no Colégio Santo Antonio Maria Zaccaria no Catete, e ingressou na Faculdade de Ciências Médicas do Rio, tendo trancado matrícula quando cursava o 3º ano. Em 1997, foi lançado o livro O crime contra Tenório - Saga e Martírio de um Gênio do Piano Brasileiro, de Frederico Mendonça de Oliveira. O autor, guitarrista, conviveu com Tenorinho de 1974 a 1976. O livro reconstitui com detalhes os últimos passos do pianista, desde 18/02/1976, quando partiu do Rio de Janeiro para apresentar-se em Montevidéu, Punta del Este e Buenos Aires. As primeiras informações concretas sobre o destino do músico só foram publicadas em 1986, quando um torturador argentino, Cláudio Vallejos, do Serviço de Informação Naval, deu entrevista à revista Senhor, em seu número 270. Tenório foi preso na avenida Corrientes, considerado suspeito por usar barba, cabelo grande e roupas "diferentes", existindo também a informação de que ele tinha semelhança física com um líder montonero. Foi levado a uma delegacia de polícia e depois transferido para a temível ESMA, Escola de Mecânica da Armada. Hoje é sabido que para esse quartel foram levados 5.000 argentinos durante o período ditatorial. Com raríssimas exceções, foram todos assassinados sob torturas e seus corpos não foram entregues às famílias. O governo Nestor Kirchner, em 24/03/2006, data do 30º aniversário do golpe militar, inaugurou um museu de memória sobre o terror de Estado nas dependências desse tenebroso centro de torturas e extermínio. Pela manhã, as autoridades argentinas acionaram a embaixada do Brasil. Não havia qualquer suspeita, inquérito ou processo contra Tenório e seu pai era delegado de polícia. Começavam os preparativos para libertá-lo, quando o SNI, do Brasil, manifestou interesse pelo preso. Tenorinho foi torturado para que dissesse nomes de 'artistas comunistas'. Dois dias depois, foi torturado com a técnica chamada 'submarino'. Pendurado de ponta-cabeça, com os tornozelos amarrados e as mãos algemadas para trás, era mergulhado num tonel de água, entre uma pergunta e outra. No dia 21 de março, o preso continuava em silêncio e foi visitado por um alto funcionário da embaixada brasileira. Ocorreu, então, o Golpe Militar do dia 24 e a Argentina mergulhou num longo período de repressão total e silêncio, cessando as condições de se manter qualquer ação judicial com um mínimo de chances. Documentos apresentados pelo ex-torturador Vallejos mostraram que, em 20/03/1976, o capitão de corveta Jorge E. Acosta dirigiu ofício ao contra-almirante Jacinto Ruben Chamorro, Diretor da ESMA, pedindo autorização para estabelecer contato com o agente de ligação do SNI do Brasil. O objetivo era informar ao SNI que o grupo de tarefa chefiado por Acosta estava "interessado na colaboração para a identificação e informações sobre o detido brasileiro Francisco Tenório Jr". Outro documento, também assinado por Acosta, era dirigido ao embaixador brasileiro, em nome do Chefe da Armada Argentina, em 25/03/1976, comunicando oficialmente a embaixada sobre a morte de Tenorinho: 1) Lamentamos informar a essa representação diplomática o falecimento de Francisco Tenório Júnior, passaporte nº 197803, de 35 anos, músico de profissão, residente na cidade do Rio de Janeiro; 2) O mesmo encontrava-se detido à disposição do Poder Executivo Nacional, o que fora oportunamente informado a esta embaixada; 3) O cadáver encontra-se à disposição da embaixada na morgue judicial da cidade de Buenos Aires, onde foi remetido para a devida autopsia. O governo militar brasileiro jamais tomou qualquer iniciativa e não procurou se comunicar com os familiares do músico, que até hoje não receberam seus restos mortais. O caso só foi assumido pelo governo argentino em 1997, após intervenção do Secretário Nacional de Direitos Humanos José Gregori. A CEMDP entendeu estar comprovada a responsabilidade do Estado brasileiro, por omissão, conivência e cumplicidade frente ao seqüestro, tortura, morte e desaparecimento de Tenorinho. ===================================================================================================================== + Informações - Tenorinho, afinal, homenageado Luiz Orlando Carneiro - Jornal do Brasil - 20/05/04 Osvaldinho de Oliveira Castro, baterista amador da maior competência, habitué do Beco das Garrafas na década de 60, vive hoje em Friburgo, mas continua um jazzófilo entusiasmado. No recente Chivas Festival, na Marina da Glória, presentou o ''canonizado'' saxofonista Bud Shank com uma foto, tirada em fevereiro de 1963, no Festival de Jazz de Mar del Plata. Shank, então com 36 anos, aparece em primeiro plano, tocando flauta. A seu lado, o trombonista Edson Machado e, bem ao fundo, o baterista Osvaldinho. Em terceiro plano, ao piano, de óculos escuros, Tenório Júnior, o Tenorinho, 22 anos na época, acompanha o solo de Bud Shank. Em 18 de março de 1976, quando estava em Buenos Aires, em excursão profissional com Vinicius de Moraes e Toquinho, Tenorinho saiu do Hotel Normandie para ir à farmácia e foi detido por agentes da ditadura militar argentina. O pianista não era ativista político, nem era ''fichado'' no SNI ou em qualquer outro órgão de repressão da ditadura militar brasileira - naqueles tempos, os serviços secretos das Forças Armadas dos dois países trocavam informações e presos políticos. Uma semana depois, a chefia da Armada argentina comunicava à Embaixada do Brasil em Buenos Aires: ''Lamentamos informar (...) o falecimento do cidadão brasileiro Francisco Tenório Júnior, passaporte nº 197803, de 35 anos, músico de profissão, residente na cidade do Rio de Janeiro. O mesmo encontrava-se detido à disposição do Poder Executivo nacional, o que foi oportunamente informado a essa Embaixada. O cadáver encontra-se à disposição da Embaixada, no morgue judicial de Buenos Aires, onde foi remetido (sic) para a devida autópsia''. O inexplicável assassinato de Tenorinho fez com que sua refinada arte e sua reputação entre os músicos e aficcionados não fossem repassadas à geração posterior ao boom da bossa nova e, conseqüentemente, do samba-jazz ou sambop. A reedição remasterizada em CD (Dubas Música) do LP Embalo (RGE), gravado em fevereiro e março de 1964 - um ano depois da apresentação de Tenorinho em Mar del Plata - é, assim, uma reparação há muito devida a um pianista que poderia ter hoje, lá fora, os mesmos prestígio e fama de que gozam Sérgio Mendes (seu companheiro do Beco das Garrafas), Eliane Elias, Duduka da Fonseca, Romero Lubambo ou Claudio Roditi. O produtor Edison Viana caprichou na apresentação da reedição desse disco - um dos mais representativos do sambop: ''Francisco Tenório Cerqueira Júnior - escreve Viana no livreto bilíngüe do CD - gravou, aos 23 anos, este Embalo cuja pulsação nunca diminuiu, até hoje, 40 anos depois. Mesmo quem sabia do artista vibrante por trás do rapaz tranqüilo se surpreendeu com tanta energia vinda daquele músico tão recatado. Jovem, Tenorinho quase parecia apenas mais um admirador dos raríssimos LPs de jazz que o dinheiro da garotada de Laranjeiras podia comprar. Na antiga Faculdade de Ciências Médicas, onde Tenório trancou o curso, poucos sabiam que era um dos maiores pianistas de sua geração''. Das 11 faixas de Embalo, cinco são de autoria do pianista: a faixa-título, Nebulosa, Samadhi, Néctar e Estou nessa agora. Na primeira, arranjo de Paulo Moura, Tenorinho exibe um fraseado muito bem articulado e percussivo, lembrando Hampton Hawes. Mas é em Nebulosa e Néctar - duas peças de pequena duração, mas melódica e harmonicamente memoráveis, a partir de vamps simples - que o tão jovem Tenorinho encanta como inspirado inventor de temas. É pena que, na época do LP, sobretudo em se tratando do primeiro de um músico até então reconhecido apenas como um excelente sideman, houvesse a preocupação de reunir o maior número possível de temas no limite dos 30 e poucos minutos das bolachas de 33 r.p.m. A média das faixas é de 2m54s (a mais curta, Estou nessa agora, tem 1m35s de duração). Mesmo assim, em Embalo, Tenorinho e seus companheiros - quase todos músicos já notáveis no início de 1964 - deixaram registrados momentos marcantes, não apenas na base do ''recordar é viver'', mas também em matéria de qualidade de um produto musical resistente à erosão dos modismos inconsistentes. A batida da bossa nova, ao descontrair o tempo, favorecia a decolagem de solistas e sidemen mais ou menos escolados, mas todos empolgados, que aparecem ao lado de Tenorinho, como os saxofonistas Paulo Moura e J.T. Meirelles, os trombonistas Raul de Souza e Edson Maciel, o trompetista Pedro Paulo, os bateristas Ronie Mesquita e Milton Banana, os baixistas Sérgio Barrozo e Zezinho Alves. ============================================================================================================ + O Músico Francisco Tenório Cerqueira Júnior foi um dos pianistas brasileiros mais requisitados na década de 70. Seu primeiro e único disco Embalo, gravado em 1964, quando tinha 21 anos é um dos trabalhos considerado referência da transição da bossa nova para o samba jazz e a nova MPB que surgia. No disco, participam Sérgio Barroso (baixo), Milton Banana (bateria), Rubens Bassini (congas)Celso Brando (violão), Neco (guitarra), Pedro Paulo e Maurílio (trompete), Edson Maciel e Raul de Souza (trombone), Paulo Moura (sax alto), J. T. Meirelles e Hector Costita (sax tenor). Nascido e crescido no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro, costumava apresentar-se no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro. Seu piano também pode ser ouvido em álbuns antológicos da música brasileira como É Samba Novo, de Edson Machado e Vagamente, de Wanda Sá. O pianista desapareceu misteriosamente em Buenos Aires, na Argentina, no dia 27 de março de 1976, enquanto acompanhava os artistas Toquinho e Vinícius de Moraes em show naquele país. Na ocasião, deixou no hotel Hotel Normandie, onde estava hospedado, um bilhete no qual estava escrito: Vou sair pra comprar cigarro e um remédio. Volto Logo. Nunca mais voltou. Vinícius de Moraes, Toquinho e mais alguns amigos, como o poeta Ferreira Gullar (exilado em Buenos Aires) mobilizaram-se inutilmente. Procuraram em hospitais e delegacias e buscaram ajuda na embaixada brasileira. Tenório Jr. Foi tragado pela rede clandestina da repressão oficial sem deixar pistas. Dez anos depois, em 1986, o ex-torturador argentino Claudio Vallejos, que integrava o Serviço de Informação Naval, em entrevista à revista Senhor (n° 270) menciona o destino de diversos brasileiros nas mãos da ditadura argentina: Sidney Fix Marques dos Santos, Luiz Renato do Lago Faria, Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa, Norma Espíndola, Roberto Rascardo Rodrigues e Francisco Tenório Jr. Cláudio Vallejos revelou que ele tinha sido abordado por homens que trabalhavam para o regime militar. Sequestrado, torturado e morto com um tiro na cabeça, Francisco Tenório tinha 35 anos e deixou, na ocasião, quatro filhos e a esposa grávida de oito meses. Fora visto a última vez no ano de 1977 em uma prisão em La Plata, segundo entrevista de Elis Regina dada a Folha de São Paulo em 3 de junho de 1979. Tenório Jr - Embalo (1964) 1 Embalo 2 Inútil Paisagem 3 Nebulosa 4 Samadhi 5 Sambinha 6 Fim De Semana Em Eldorado 7 Néctar 8 Clouds 9 Consolação 10 Estou Nessa Agora 11 Carnaval Sem Assunto Ouça as músicas: (clique) http://www.discogs.com/Ten%C3%B3rio-Jr-Embalo/master/228723 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110221/4f51f663/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110221/4f51f663/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 47135 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110221/4f51f663/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 21 19:07:05 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 21 Feb 2011 19:07:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__A_primavera_=C3=A1rabe_se_espalha?= Message-ID: <39B40614F50B42EF82E72524E4849D2F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br A primavera árabe se espalha De onde o continente africano encontra o oceano Atlântico, no Marrocos, cruzando a extensão dos mares Mediterrâneo e Vermelho, englobando a península arábica para atravessar o golfo Pérsico até os limites da Ásia, no Irã, mais de 300 milhões de pessoas vivem em uma região sob ameaça de convulsão social decorrente de eventos que podem representar a maior redistribuição de forças no tabuleiro geopolítico global desde o fim do comunismo no Leste Europeu. A expressão barril de pólvora nunca fez tanto sentido. O artigo é de Wilson Sobrinho. Wilson Sobrinho (*) A Primavera Árabe, como parte da imprensa tem se referido aos acontecimentos iniciados em dezembro na Tunísia e que na metade de fevereiro derrubaram o governo do Egito, transformou-se em uma rebelião tão grande que agora já transborda os limites daquele que é um dos verdadeiros parâmetros de grandeza do planeta Terra, o deserto do Saara. De onde o continente africano encontra o oceano Atlântico, no Marrocos, cruzando a extensão dos mares Mediterrâneo e Vermelho, englobando a península arábica para atravessar o golfo Pérsico até os limites da Ásia, no Irã, mais de 300 milhões de pessoas vivem em uma região sob ameaça de convulsão social decorrente de eventos que podem representar a maior redistribuição de forças no tabuleiro geopolítico global desde o fim do comunismo no Leste Europeu. A expressão barril de pólvora nunca fez tanto sentido. Argélia ? Os argelinos primeiro foram as ruas para protestar contra a alta no preço dos alimentos em janeiro último. Os confrontos deixaram um saldo de 5 mortos e 800 feridos. No sábado (12/02) depois da queda do governo egípcio, mais protestos foram convocados pela oposição. Duas mil pessoas compareceram às ruas da capital Argel. 30 mil soldados os esperavam. Relatos dão conta de que 350 pessoas foram presas na ocasião. Mais protestos estão programados para este final de semana, apesar do estado de emergência, em vigor desde 1992, que proíbe manifestações públicas no país. Na segunda cidade da Argélia, Orã, por exemplo, as autoridades deram permissão para manifestações, contanto que aconteçam em locais fechado. A dissolução da lei de emergência e a saída do presidente Abdelaziz Bouteflika são algumas das bandeiras dos manifestantes. Bouteflika, que está no poder desde 1999 e recentemente alterou a regra que limitava o número de vezes que pode concorrer à reeleição, anunciou que deverá revogar a lei de emergência em semanas. Nos anos 1990, uma guerra civil ceifou entre 150 e 200 mil vidas no país. Arábia Saudita ? Parcos foram os eventos até agora no país que guarda em seu subsolo um quinto das reservas de petróleo do mundo e que é o alicerce maior dos EUA no Oriente Médio. E poucos acreditam que o pavio saudita possa ser acesso, mas diante de tanta instabilidade ninguém ficará surpreso caso isso aconteça. Neste sábado (19/02), membros da minoria xiitas do país teriam organizado uma manifestação pacífica e silenciosa em apoio aos seus pares de Bahrein, relata a agência Reuters. Bahrein ? As manifestações começaram no dia 14 de fevereiro, três dias depois da queda de Cairo. Quatro pessoas morreram quando as forças do governo tentavam retirar manifestantes da praça Pérola, na quinta-feira (17/02), em Manama, a capital dessa ilha do golfo Pérsico que abriga a Quinta Frota da marinha dos EUA. No enterro dos mortos, mais violência resultou em pelo menos 50 feridos. O governo, que primeiro pediu que os manifestantes abandonassem as ruas, passou chamar o diálogo, rejeitado pelas forças de oposição sob o argumento de que não há conversa possível com o exército nas ruas. Com 1,2 milhões de habitantes apenas, essa ilha do golfo Pérsico espremida entre o Catar e a Arábia Saudita está longe de ser a mais desimportante das repúblicas em convulsão. Analistas alertam que Bahrein pode representar a porta de entrada da Arábia Saudita na crise. Já que as demandas da maioria xiita do país são semelhantes a dos xiitas árabes, minoria concentrada na região leste do país. Egito ? Uma semana depois da queda de Hosni Mubarak ? o mais espetacular dos eventos alcançados pelos manifestantes nessa onda de revolta árabe até o momento ? milhares de pessoas voltaram à praça Tahrir para celebrar o feito. Mas a manifestação pode ser compreendida também como um sinal de alerta às forças armadas que tomaram o poder depois da saída de Mubarak. Depois de derrubar um regime de 30 anos, em 18 dias de protestos, os egípcios sabem que sua revolução ainda não terminou até que o poder provisório dê lugar a um com regras bem claras e estabelecidas. Iêmen ? no sul da península arábica, esse país tem, segundo a revista britânica The Economist, o maior potencial para ruptura social entre todos os envolvidos na revolta até agora. Há 32 anos no poder, Ali Abdullah Saleh anunciou em início de fevereiro que não irá buscar um novo mandato em 2013, nem irá apontar seu filho como herdeiro político. O comprometimento veio depois de uma manifestação que levou 16 mil pessoas às ruas da capital, Sana, pedindo a queda do governo. No dia seguinte ao anúncio, 20 mil pessoas voltaram às ruas da capital e de outras cidades para reforçar o pedido de fim do regime. Depois da queda de Mubarak, no Egito, manifestações diárias vem acontecendo no Iêmen. A maior delas, na sexta-feira, 18, quando milhares de manifestantes antigoverno foram às ruas da capital. Reprimidos pelo exército e por ativistas pró-governo, que chegaram a atirar uma granada em um grupo de pessoas, a contagem de mortos entre os manifestantes já chega a 12. Irã ? Embora aplauda o levante popular em outras partes do mundo islâmico, Teerã ? que divide com a Líbia o posto de maior inimigo dos EUA na região ? não quer que o mesmo aconteça em seu território. Por outro lado, a oposição pretende aproveitar a onda de rebeldia para recobrar forças e voltar a desafiar o governo de Mahmoud Ahmadinejad. Dois manifestantes foram mortos na segunda-feira, dia 14, na capital, em confrontos envolvendo grupos de oposição e forças do governo. Como resposta, a oposição está chamando para domingo, dia 20, uma manifestação contra o governo, que por sua vez colocou os líderes oposicionistas em prisão domiciliar. Jordânia ? Outro país onde as manifestações começaram em janeiro, fomentadas por altas nos preços de comida e energia. Em 28 de janeiro, 3,5 mil ativistas tomaram as ruas da capital, Amã, exigindo a saída do primeiro-ministro e uma ação mais forte do governo em relação ao desemprego e a alta do custo de vida. O rei Abdullah II foi rápido ao intervir e a dissolução do governo foi anunciada em começo de fevereiro. As manifestações seguiram, agora com a oposição pedindo reformas políticas e democracia. O único confronto registrado até agora na Jordânia aconteceu na sexta-feira, 18 de fevereiro, quando um grupo de manifestantes favoráveis ao governo atacou os oposicionistas com paus e pedras, até a polícia intervir. Líbia ? Excluindo-se o rei da Tailândia e a rainha da Inglaterra, ninguém está no poder há tanto tempo quanto Muammar al-Gaddafi. O homem que comanda a Líbia desde o fim dos anos 1960 viu a revolta oposicionista ser incensada pelos eventos do Egito e da Tunísia. Desde o dia 15 de fevereiro, terça-feira, as manifestações contra Gaddafi são diárias no país principalmente na cidade de Bengasi, a segunda maior do país. Segundo agências internacionais, mas de 80 pessoas já teriam morrido em confrontos entre manifestantes e forças do governo. Em Trípoli, porém, não há relatos de grandes protestos até o momento e e o único evento relacionado à crise foi uma resposta de seguidores do governo ao protestos convocados pela oposição. Há relatos de que o governo teria bloqueado o acesso à internet no país, ou pelo menos a sites como Facebook e Twitter, armas reconhecidas dos oposicionistas em outros países. Marrocos ? Os protestos em massa no país ainda não ganharam as ruas, mas estão prestes a fazê-lo. A oposição está convocando uma manifestação neste domingo (20/02). Organizados via Internet os manifestantes afirmam não ser um movimento antimonarquia e que apenas querem ?um governo que represente as pessoas e não a elite?, como descreveu para a Associated Press nessa semana um dos membros do grupo chamado 20 de Fevereiro. Tunísia ? Quando Mohamed Bouazizi colocou fogo em si mesmo, no dia 17 de dezembro de 2010, como um ato de desespero depois de ter suas mercadorias confiscadas pelas autoridades policiais da Tunísia, ele não teria como imaginar o que se seguiria. O ato do jovem vendedor de rua serviu de gatilho para a Primavera Árabe. Menos de um mês depois, o presidente de mais de 24 anos no comando do país africano havia sido colocado para correr e os portões do inferno haviam sido abertos para todos os déspotas da região. Mais de 200 pessoas morreram no processo, que ainda não acabou. Apesar da mudança de governo, os manifestantes tunisianos seguem mobilizados para garantir que antigos membros do governo não voltem à cena e que a transição para a democracia ocorra de fato. (*) Correspondente da Carta Maior em Londres. http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17455 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110221/79575173/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 48672 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110221/79575173/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 22 18:38:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Feb 2011 18:38:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JANA_MORONI_BARROSO__________________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-XLVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JANA MORONI BARROSO (1948 - 1974) Filiação: Cyrene Moroni Barroso e Benigno Girão Barroso Data e local de nascimento: 10/06/1948, Fortaleza (CE) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre 02/01 e 11/02/1974 Cearense de uma conhecida família de Fortaleza, cresceu em Petrópolis (RJ), onde praticou escotismo, primeiro como "Lobinho", depois"Bandeirante". Concluiu naquela cidade o ensino médio e cursou até o quarto ano de Biologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se integrou à Juventude do PCdoB. Trabalhou com outros companheiros como responsável pela imprensa clandestina do partido. Em 21 de abril de 1971, foi deslocada para a localidade de Metade, região do Araguaia, onde trabalhou como professora e ficou conhecida como Cristina, integrando o Destacamento A da guerrilha. Dedicou-se também a atividades de caça e ao plantio. Casou-se com Nelson Lima Piauhy Dourado. Ao se despedir dos pais, deixou-lhes uma carta explicando as razões de sua opção política e um exemplar do clássico de Gorki, A Mãe, que narra uma sensível história de amor entre um militante socialista e sua mãe na Rússia czarista. No livro Operação Araguaia, Taís Morais e Eumano Silva escrevem: "Em entrevista ao historiador Romualdo Pessoa Campos Filho, o morador José Veloso de Andrade contou que Cristina morreu nas mãos dos militares. Segundo o depoimento do ex-mateiro Raimundo Nonato dos Santos, o Peixinho, para o Ministério Público, Jana teria sido presa em um local chamado Grota da Sônia. Ela se deslocava para o ribeirão Fortaleza para encontrar Duda (Luiz René Silveira e Silva). Este, já preso, foi obrigado a levar os militares ao ponto. Raimundo, ao avistá-la, teria feito sinal para que fugisse, mas outra equipe já a cercava. Cristina estava desarmada, mas um soldado disparou contra ela. Raimundo afirma que Jana foi deixada no local, insepulta. Apenas uma foto teria sido feita". Raimundo Nonato relata em outro depoimento que "Cristina foi presa perto de um local chamado "Grota da Sônia" em homenagem a uma outra guerrilheira que gostava muito daquele lugar; que quando viu a Cristina, que estava desarmada, ainda fez sinal para que ela fugisse, no entanto, outra equipe já vinha entrando, a qual estava sendo guiada pelo Taveira. O soldado Silva atirou na Cristina, que morreu na hora. O comandante da operação chegou a criticar o soldado porque a guerrilheira estava desarmada e podia ser pega viva. O corpo da Cristina foi deixado largado, não foi enterrado e nem retirado nenhum pedaço para identificação. Nessa ocasião foi tirada a foto que foi objeto de reconhecimento anterior (...)". Elio Gaspari, em A Ditadura Escancarada, traz outras informações colhidas na mesma fonte: "José Veloso de Andrade, um cearense que sobrevivera à seca de 1932 e desmatava a região desde 68, soube o que aconteceu a Cristina: 'Ela morreu o seguinte: eles andava com uma equipe, a equipe do...chamavam ele Dr. Terra (...) Aí, toparam nela (...) Não foi combate, ela... (...) eles pressentiram o pessoal do Exército, elacorreu (...) Um guia atirou nela. Era o Zé Catingueiro, atirou nela, deu chumbo, mas o chumbo era pequeno, e ela não morreu logo, mas ela morreu...A flor da subversão na boniteza". Em vários outros depoimentos, no entanto, a versão é que Jana foi presa viva. Assim, um camponês que foi guia do Exército testemunhou: "Nós chegamos no 'sapão' (helicóptero) na cabeceira do Caiano. Nós estávamos acampados de tardezinha, todo mundo na folha, quando vimos aquela mulher vim tomando chegada. Aí os soldados alvoroçaram para atirar e o sargento falou com os soldados: 'Não atira não, deixa ver quem é primeiro'. Todo mundo ficou em ponto de tiro. Agora, eu não, eu não ficava em ponto de tiro. Ficava com a FAL de um jeito para não desconfiarem. Aí, ela chegou a uma distância como daqui aquele pauzinho ali. Aí pegaram e irradiaram para o Comando de Pontão na mesma hora. Aí o 'sapão' veio e pegou ela. Botaram dentro de um saco e botaram o saco dentro de uma caixa, de uma jaula, não sei o que era, e trouxeram para Xambioá ...Eu só vi ela essa vez. ... Era ela mesma. Eu vi sim. Eles me mostraram a fotografia dela. Eles me mostraram idêntica que está neste retrato aí. É fotografia dela, pura. ... Foi bem no fim. Agora, eu não sei se eles mataram ela, se prenderam. Só sei que ela foi pega à mão. Eu vi bem, com esses dois olhos, aqui. Ela veio pedindo por tudo mesmo, chorando mesmo. Ela já estava nua. Roupa toda rasgada. Estava vestida de maiozinho e uma blusinha. Estava toda desprevenida, já". Na mesma linha, segue o depoimento de José da Luz Filho, lavrador cujo pai ficou sete meses preso em Marabá: "A Cristina e o Nelito foram presos e levados pra Bacaba". A mãe de Jana, Cyrene Moroni Barroso, visitou várias vezes a região do Araguaia e recorreu aos poderes públicos na busca de informações sobre o paradeiro da filha. Segundo depoimentos colhidos por sua mãe, Jana foi presa e levada para Bacaba, na rodovia Transamazônica, onde operava um centro de torturas. Segundo os moradores da região, na localidade também existe um cemitério clandestino. Conforme o relato de sua mãe, Jana teria sido amarrada praticamente nua e colocada dentro de um saco que foi içado por um helicóptero. Isto teria ocorrido nas proximidades de São Domingos do Araguaia. A discrepância entre a data de sua morte, indicada no Relatório apresentado pelo Ministério da Marinha, em 1993, ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, 08/02/1974, e os convergentes depoimentos apontando sua prisão em 02/01/1974 concorrem no sentido de confirmar que Jana foi presa viva. Tanto o livro de Hugo Studart, baseado no Dossiê Araguaia, quanto a série de matérias publicadas no jornal O Globo em 1996 apresentam como data de sua morte 11/02/1974, três dias depois da apontada pela Marinha. Em Petrópolis, a cidade onde cresceu, existe hoje um centro público de obstetrícia que recebeu o nome Maternidade Jana Moroni Barroso. ====================================================================================================================== + Informações. JANA MORONI BARROSO Militante do PARTIDO COMUNISTA Do BRASIL (PC do B). Desaparecida desde 1974, na Guerrilha do Araguaia, quando tinha 26 anos. Nasceu em 10 de junho de 1948, em Fortaleza, Estado do Ceará, filha de Benigno Girão Barroso e Cyrene Moroni Barroso. Cursou a Faculdade de Biologia da UFRJ e aí ingressou na vida política. Trabalhou com outros companheiros, como responsável pela imprensa clandestina do PCdoB, no Rio de Janeiro. Em abril de 1971, tendo em vista a continuidade de seu trabalho político, mudou-se para a localidade de Metade, no sul do Pará. Nessa região, além do trabalho da roça e da caça, foi professora primária. Casou-se com Nelson Lima Piauhy Dourado (desaparecido). Era combatente do descamento A - Helenira Resende. Sua mãe, D. Cyrene, não poupou esforços à sua procura, indo várias vezes à região do Araguaia ou recorrendo aos órgãos governamentais à procura de informações sobre o seu paradeiro. Desaparecida desde 2 de janeiro de 1974, após ataque das Forças Armadas, quando estava em companhia de Maria Célia Corrêa e Nelson Piauhy Dourado. Segundo depoimentos colhidos por sua mãe, Jana foi presa e levada para Bacaba, localidade às margens da Transamazônica onde foi construído um centro de torturas das Forças Armadas. Segundo os moradores da região, aí também se encontra um cemitério clandestino. Estava quase nua e com muitas arranhaduras pelo corpo. Foi amarrada, colocada em um saco e içada por um helicóptero. Isto teria se dado nas proximidades de São Domingos do Araguaia. O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi morta em 8/02/74. ================================================================================== + Informações Quando já não era mais suportável a opressão da ditadura militar, Jana Moroni Barroso, estudante de Biologia da UFRJ, abriu mão de sua militância na cidade onde vivia junto à sua família, para embrenhar-se no interior do país. Junto com outros companheiros buscava novas formas de luta e resistência. Assim, partiu para viver junto aos camponeses no Sul do Pará. Lá encontrou um povo hospitaleiro, humilde e trabalhador. Tendo sempre em vista ideais de justiça trocou conhecimentos, ensinando crianças, removendo a terra, descobrindo a cada gesto uma outra vida. O Brasil cresce sob o terror do Estado e a pressão. Tribos indígenas são eliminadas, abrem na selva a Transamazônica, vêm o INCRA, a SUDAM e a região se torna arena de guerra. Grileiros, donos de terra e militares antecipam a luta armada. Entre a mata e a enxada escorre muito sangue. Famílias são violentadas e usurpadas em seus direitos, núcleos de moradores são destruídos e difamados. Durante dois anos os guerrilheiros do Araguaia resistiram perseguidos pelas Forças Aramadas. Foram aos poucos eliminados. Desde janeiro de 1974, Jana, conhecida como Cristina, está desaparecida. Seus pais, Cyrene e Benigno, começaram, então, sua incansável luta na busca de informações. O silêncio das autoridades não os fez esmorecer. Milhares de protestos, sob todas as formas foram realizados. Cyrene faleceu em 1990, Benigno, seu pai, inconformado com a impunidade e o descaso, continua a luta na esperança de que um dia a justiça soe mais alto que os interesses obscuros do poder. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110222/0f40802e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15718 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110222/0f40802e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 22 18:38:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Feb 2011 18:38:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?=22A_encruzilhada_norte-americana?= =?iso-8859-1?q?=22__por_Iza=EDas_Almada?= Message-ID: <9C16650FFB66435794668D53E30BC0C1@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Poder desestabilizado A encruzilhada norte-americana publicada segunda-feira, 21/02/2011 às 09:47 e atualizada segunda-feira, 21/02/2011 às 20:43 por Izaías Almada Não consigo entender a razão que me impede de ser um grande admirador dos Estados Unidos da América do Norte. E olhe que já tentei: comprei um chapeuzinho do Mickey na Disneylândia, fantasiei-me de Homem Aranha no Carnaval, compadeci-me com os assassinatos de John Kennedy e Martin Luther King, tenho uma nota de um dólar guardada como talismã, mas não tem jeito, não consigo engolir o tal 'american way of life'. Devo confessar, inclusive, que tenho grande admiração pela produção cultural norte americana, sua literatura, seu teatro dramático e musical, o blues e o soul na música, muitos de seus filmes, poetas como Whitman e Auden, dramaturgos como Albee, Miller e Tennessee Williams, escritores do talento de Faulkner e Baldwin. E a lista aqui seria extensa. Mas quanto à sua decantada democracia e o seu papel de polícia do mundo, não. Aí, não. Aí o assunto se reveste de inquestionável transcendência. O mundo já está cansado da intromissão direta de siglas como CIA, DEA, FBI, MARINES ou indireta como FMI, ONU, OEA, OTAN (onde prevalece a 'visão norte americana' e corporativa do mundo capitalista) e outras menos conhecidas pelo grande público, mas não menos importantes ou perniciosas. Desde que a Segunda Grande Guerra desmontou o poder hegemônico da Europa sobre o mundo, inclusive expondo as vísceras de um colonialismo perverso e ultrajante de países como a Alemanha, a Holanda, a Inglaterra, a Itália, Espanha, França, esse lugar foi ocupado pelos Estados Unidos da América do Norte, que soube, mais do que ninguém se aproveitar da oportunidade oferecida pelas circunstâncias da luta contra o nazi/fascismo, entre outros fatores, e assumir o papel de gendarme da humanidade. Ao ajudar combater o eixo Roma/Berlim/Tóquio e eliminar o fantasma de um mundo governado por um psicopata como Adolpho Hitler, os EUA envolveram-se num manto de simpatia mundial que muito bem souberam canalizar para a defesa de seus interesses econômicos e estratégicos, aos poucos disseminado e sustentado por uma poderosa máquina de manipular ideias e consciências através do rádio, da imprensa, do cinema e da televisão. Pode-se mesmo dizer que os últimos sessenta anos vividos pela humanidade, se caracterizaram por uma monumental propaganda em favor de um sistema econômico que transforma a água em vinho, multiplica os pães, mas deixa na miséria, ou quase, 90% da população mundial. E, o que é mais grave, crucifica a todos aqueles que não rezam pela sua cartilha. E não são poucos os Pilatos que lavam as mãos diante de tal situação. Coréia, Vietnam, Indonésia, ditaduras pela América Central e do Sul nos anos que se seguiram à Segunda Grande Guerra, apoio a genocidas africanos, apoio a golpes de estado em países como Chile, Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai, nos anos 60/70, Kosovo (Bálcãs), Haiti, Honduras em anos mais recentes dão, apesar do volume de ações, uma pálida idéia da intromissão de um país autoritário e arrogante na vida política de outros povos. A livre concorrência e a defesa de interesses econômicos dão aos EUA, no limite dos direitos adquiridos e na prática de uma diplomacia minimamente civilizada, consoante as próprias leis que regem o sistema capitalista, a possibilidade de se fazerem ouvir em qualquer ponto do globo terrestre. Contudo, direito igual têm todos os outros países da comunidade internacional. No entanto, não é esse o filme a que se assiste. Apoiado por uma poderosa máquina de guerra, onde se destacam as armas nucleares (negadas ou permitidas a outros países conforme as alianças que se fazem), a hipocrisia (para dizer o menos) da política norte americana é de transformar o Iago da tragédia shakespeariana numa verdadeira Madre Tereza de Calcutá. Mistificando suas ações de combate ao terrorismo e ao narcotráfico, o Departamento de Estado e sua diplomacia feita de chantagens e espionagem, conforme revelações mais recentes do site Wikileaks, parecem ter chegado a um impasse nessa primeira década do século XXI. Sua economia vai mal, seu poder de barganha diminui, sua influência na América Latina e agora no Oriente Médio declina. Conseguirá o presidente Barack Obama mostrar que foi merecedor de um prêmio Nobel de Paz ou esse galardão se desmoraliza em definitivo? Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor - entre outros - do livro "Teatro de Arena: uma estética de resistência" (Boitempo) e "Venezuela povo e Forças Armadas" (Caros Amigos). Leia outros textos de Izaías Almada Leia outros textos de Reflexões -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110222/c13bf321/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 67342 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110222/c13bf321/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 22 18:39:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 22 Feb 2011 18:39:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Terror_na_Col=C3=B4mbia=2E_Desaparecid?= =?utf-8?q?os_claman_justicia=2C_y_Falsimedia_confunde_para_seguir_?= =?utf-8?q?desapareciendo_la_verdad=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: urarianoms "Colombia es una fosa común. Alertamos a la comunidad internacional: más de 1.500 cuerpos sólo en una región... ¿cómo será en todo el país?" -------------------------------------------------------------------------------- From: Azalea Robles Desaparecidos claman justicia, y Falsimedia confunde para seguir desapareciendo la verdad Colombia: 250.000 Desaparecidos claman justicia, y Falsimedia confunde para seguir desapareciendo la verdad Si no puedes esconder un crimen de estado, confunde. Desde la tierra y los ríos los desaparecidos claman justicia; cada centímetro de paisaje que ha asistido al descomunal despojo y muerte parece gritar que no se conformará con las falacias de los victimarios. (?)varios jefes paramilitares han confesado cómo desde los altos mandos militares y políticos ha sido enviada la orden que desaparecieran ?de cualquier manera? a las víctimas: ?(?) Lo echaron vivo ahí (?) El horno lo manejaba un señor que le decían ?funeraria?; dos señores le hacían mantenimiento a las parrillas y a las chimeneas, porque se tapaban con grasa humana? ?Los inversores pueden estar tranquilos.?J.M. Santos Por Azalea Robles El crimen de Estado de la desaparición forzada perpetrado por la "democracia" en Colombia ha rebasado las dramáticas cifras de la dictadura argentina: sólo en los últimos 3 años el Terrorismo de Estado ha desaparecido a 38.255 personas (1). Se estiman en más de 250.000 las personas desaparecidas en los últimos 20 años. La desaparición forzada es un Crimen de Estado que acalla al desaparecido a la vez que inyecta terror en los sobrevivientes: persigue la parálisis de la reivindicación social. Es un genocidio contra la oposición política. En enero 2011 la Fiscalía publicó un estremecedor informe: en él revela tener documentados 173.183 asesinatos; 1.597 masacres; 34.467 desapariciones forzadas, y al menos 74.990 desplazamientos forzados, crímenes cometidos entre junio de 2005 y el 31 de diciembre de 2010 por el paramilitarismo, una herramienta de terror financiada y coordinada por el latifundio, multinacionales y estado colombiano, que cumple la función de eliminar la reivindicación social, y desplazar poblaciones de manera masiva. Los propios jefes paramilitares denuncian que ?El paramilitarismo de estado sigue vigente?: denunciado reiteradamente por el máximo jefe de las AUC Salvatore Mancuso (3). El informe de enero 2011 re confirma las estimaciones relativas al drama de la desaparición forzada en Colombia: al menos 250.000 personas desaparecidas. Del informe de Medicina legal y del de la Fiscalía se deduce un promedio de 13.000 desaparecidos al año, entre fuerza pública y herramienta paramilitar. Es evidente que las cifras oficiales de desaparición forzada están siempre por debajo de la realidad, pero aún así estas cifras permiten confirmar que el estado colombiano ha desaparecido a más personas que las dictaduras de Chile y Argentina reunidas. La desaparición del cuerpo cumple fines terroristas: se trata de truncar la organización social mediante el terror que la desaparición de una persona inyecta en los sobrevivientes. La angustia de las torturas queda impresa en la sociedad? los familiares y comunidad se imaginan una y otra vez las torturas sufridas por el desaparecido: es Terrorismo de Estado. Desaparecer no solo al desaparecido, sino al hecho de la desaparición en sí A la sociedad se le envía el siguiente mensaje: ?el que persista en reclamar derechos sociales, económicos, políticos, correrá la misma suerte?. Este mensaje busca someter mediante el terror y viene acompañado del mensaje de la plenipotencia del estado que está en capacidad de desaparecer en plena impunidad. La desaparición forzada evidencia la impotencia que representa el encontrarse permanentemente vulnerable ante el poderío de un estado omnipotente en todas las instancias: la militar, la paramilitar, la legal, la administrativa. A la angustia por los sufrimientos del ser querido desaparecido se suma la impotencia de obtener verdad ante entidades estatales. Son innumerables las trabas que encuentran los familiares de desaparecidos por parte del estado, para que sea reconocida la desaparición de su familiar, en un intento estatal evidente de desaparecer no solo al desaparecido, sino al hecho de la desaparición en sí. La sociedad se ve triplemente vulnerada: es privada de un ser humano y sus ideas, es vulnerada en los procesos organizativos que constituyen el progreso histórico de las sociedades y es sometida a constatar la plenipotencia e impunidad de los victimarios. Los hornos crematorios de la ?democracia? colombiana: Desaparecer para salvaguardar Apariencia La desaparición cumple además la funcionalidad ?practica? para los estados represores de reducir las cifras de asesinatos. En Colombia varios jefes Paramilitares han confesado cómo desde los altos mandos militares y políticos ha sido enviada la orden de que desaparecieran ?de cualquier manera? a las víctimas para no dejar rastros y evitar que las cifras de homicidios crecieran de manera desproporcionada en las zonas urbanas. Varios miembros de la Estrategia paramilitar han confesado que implementaron la utilización de criaderos de caimanes y de hornos crematorios para quemar a las víctimas, a veces vivas: ?(?) Lo echaron vivo ahí (?) El horno lo manejaba un señor que le decían ?funeraria?, creo que se llama Ricardo; dos señores le hacían mantenimiento a las parrillas y a las chimeneas, porque se tapaban con grasa humana?? confesó un paramilitar (4). La arremetida de las industrias de la guerra contra la percepción de la realidad Los familiares y las comunidades afectadas por el crimen de desaparición forzada llevan años denunciando y siendo víctimas de la persecución con la que el Estado colombiano ha pretendido silenciar las denuncias: varios denunciantes han sido asesinados? Estas denuncias son muy incómodas para un estado que se pretende ?democracia?. Ante el destape de numerosas fosas comunes en Colombia, los mass-media no han podido silenciar todo el clamor popular de miles de familiares que buscan identificar miles de huesos humanos. Se rompe un silencio por tantos años logrado por la represión estatal, un silencio logrado mediante el asesinato, las amenazas, y con la complicidad de unos medios para los cuales la desaparición forzada era noticia vedada, vedada como los demás crímenes de Estado. La desaparición forzada deviene inocultable: entonces viene la arremetida de las industrias de la guerra contra la percepción de la realidad, que buscarán por todos los medios confundir. Aún no se han logrado hacer oír las voces de los desaparecidos, pero la burbuja del silencio ha estallado, y para los victimarios es muy importante controlar las voces y las versiones que se den acerca de la desaparición forzada. Desde el Estado y agencias afines (USAID), ya se empieza a hablar de la desaparición forzada: pero descontextualizándola, confundiendo, buscando borronear su naturaleza de Crimen de Estado. Desaparecer la Mayor fosa común del continente: 2000 cadáveres de desaparecidos por el ejército La mayor fosa común del continente americano se descubrió en diciembre 2009 en el Meta, detrás del batallón militar de la Macarena: la fosa contenía 2000 cadáveres de desaparecidos por la fuerza Omega del Plan Colombia (5). Desde 2005 el ejército había estado enterrando allí a los desaparecidos. La fuerza Omega cuenta con estrecha asesoría estadounidense. Ante la desaparición de miles de moradores de la zona, y la putrefacción de los cadáveres que se había filtrado a las napas freáticas, la comunidad denunció la mega-fosa. Las autoridades negaron la fosa; los mass-media silenciaron las denuncias. Pero gracias a la visita de una delegación británica, la Fosa se dio a conocer internacionalmente; el estado entonces intentó decir que los cadáveres eran de ?guerrilleros abatidos en combate?, pero los familiares de desaparecidos desmintieron esa versión. En el 2010 se produjo la audiencia a testigos y familiares de desaparecidos de la región: fueron miles las denuncias de desapariciones perpetradas por el ejército en connivencia con paramilitares. El estado por su parte procedió a acallar a los denunciantes: varios denunciantes fueron asesinados, entre ellos Norma Irene Pérez y Jhonny Hurtado (6), otros denunciantes han sido encarcelados bajo montajes judiciales, como es el caso de Marisela Uribe García, quién perdió sus bebés por torturas estando embarazada (7) . Diciembre 2010, más fosas comunes: 1.500 cadáveres de desaparecidos En diciembre de 2010, se comprobó la existencia de otra mega fosa común: Defensores de derechos humanos denuncian que los nuevos 1.505 restos humanos hallados en el Meta podrían ser más asesinatos de civiles perpetrados por el ejército. El abogado defensor de DDHH, Ramiro Orjuela, denuncia el drama (8): "Gracias a las denuncias de organizaciones de derechos humanos y familiares de desaparecidos, se ha logrado que la fiscalía encuentre una nueva enorme fosa común (...) las denuncias que venimos haciendo desde hace tiempo se están corroborando... situación que negó el gobierno a través del ministerio de Defensa que decía que no había fosas comunes. 1.500 personas NN, sin identificar. Una situación dantesca para la humanidad, que muestra la violación de los derechos humanos por parte de la fuerza pública contra el pueblo" Persecución contra denunciantes y connivencia militar-paramilitar en genocidio: "Los defensores de DDHH somos perseguidos, víctimas de asesinatos, de encarcelamientos (?) El desplazamiento de millones de personas viene produciéndose desde hace varios años; los asesinatos de miles de personas por parte del ejército y por bandas paramilitares que trabajan en compañía del ejército y con apoyo y defensa por parte del ejército, vienen desde hace decenios, la tragedia viene básicamente por parte del ejército colombiano". "(...) Creemos que el ejército colombiano se convirtió en un ejército de ocupación contra su propio pueblo: un ejército que solamente vela por los intereses de las grandes multinacionales, por los intereses de los multimillonarios de Colombia en contra de nuestro pueblo, un ejército que quiere entregar las riquezas, el petróleo, el oro, las esmeraldas, la biodiversidad a las empresas multinacionales; y por eso persiguen a nuestros campesinos que son los únicos que están prestando resistencia para defender la soberanía y para defender las riquezas naturales de Colombia, que es uno de los países más ricos del mundo" "Colombia es una fosa común. Alertamos a la comunidad internacional: más de 1.500 cuerpos sólo en una región... ¿cómo será en todo el país? (...) Las investigaciones tienen que llegar al más alto nivel: aquí deben estar involucrados altos generales, políticos? Miles de desaparecidos surgen de la tierra: osamentas que son la evidencia del genocidio y que el estado intenta negar por todos los medios. Acerca de la Fosa de la Macarena y sus 2.000 cadáveres la propaganda trató, en un primer momento, de difundir la falsimedia de que eran cadáveres de ?asesinados por la guerrilla?, omitiendo el detalle de que la fosa está justo detrás del batallón militar de la fuerza Omega, y que por consiguiente, dada la ubicación de la fosa era imposible que los enterradores fueran otros que los mismos militares. Al advertir que esa mentira no colaba, la falsimedia trató entonces de aducir que los cadáveres eran de ?guerrilleros abatidos en combate por el ejército?; pero las evidencias forenses y miles de testimonios han demostrado que son cadáveres de víctimas civiles asesinadas en estado de indefensión. Lo otro ha sido negar y negar las fosas gigantescas: y gracias al silencio cómplice de los mass-media nacionales e internacionales se ha logrado acallar lo que debería ser un escándalo mundial: la Fosa no tiene parangón sino con las fosas nazis, y surgen cada día más fosas. Construir una realidad virtual para ocultar el carácter de Crimen de Estado de la desaparición forzada Ante la imposibilidad de tapar el sol con un dedo, la nueva estrategia del gobierno colombiano es hablar de la desaparición forzada, pero confundiendo responsabilidades, con el fin de lograr impunidad por este crimen de Estado. Los artífices de la manipulación van a retomar los estudios hechos por las víctimas, presentar cifras de desaparición (pormenorizadas); y siempre manipular acerca de la naturaleza misma del crimen, y manipular acerca de los responsables. Recurrirán al martilleo mediático y a la confusión. Mediante la confusión y el empleo sistemático del comodín"grupos armados", los artífices de la manipulación logran dar la sensación de caos absoluto, en un planteamiento impreciso que busca sentar la idea del ?estado desbordado por la guerra civil y los grupos armados ilegales? : así se evita dar detalles del origen del Paramilitarismo. Presentar a los victimarios como una entidad confusa (?grupos armados?) es evitar dar detalles de que el Paramilitarismo, más allá de ser un llano ?grupo armado?, es una Herramienta del despojo y del terror: una herramienta fomentada, apoyada y financiada por grandes grupos económicos y por el mismo Estado. La estrategia de la confusión busca impedir la comprensión de la realidad e impedir que esta realidad se pueda cambiar sustancialmente. La herramienta paramilitar ha sido muy útil a la concentración de tierras y de capital en pocas manos, muy útil a la penetración multinacional en la región, y para el Gran Capital se trata de darle continuidad a esta Herramienta sin que se evidencie su carácter de Herramienta. Para darle continuidad a la herramienta de despojo y acumulación de capital, que es no solamente el paramilitarismo, sino todo el funcionamiento del Terrorismo de Estado, es importante que no se desvele a la luz pública el carácter criminal de dicho Estado. Y si se llegan a hacer visibles los crímenes de Estado, como en el caso de la desaparición forzada, es muy importante adelantar la manipulación mediática que buscará en un primer tiempo descalificar a los denunciantes y minimizar las cifras, y en un segundo tiempo la estrategia será silenciar el móvil del crimen y diluir responsabilidades. Fingir explicar para exculpar La US office on Colombia acaba de publicar un informe muy ilustrativo de la manera en que se busca confundir: ?Es poca la atención que se presta a las desapariciones en Colombia. La razón de ello podría ser simplemente porque el número de víctimas de asesinatos, masacres, y bajas en combate?en los que existen cuerpos?es tan alto que las desapariciones quedan fuera del foco de interés.? (9) Esta ?explicación? del por qué se invisibiliza la desaparición forzada es una manera cínica de obviar totalmente las reales causas de ese silencio: la represión estatal que se ha abatido sistemáticamente sobre todo aquel que buscara hacer visible la desaparición forzada es la queexplica este silencio. Son innumerables los asesinatos, las amenazas, los desplazamientos forzados y el exilio que han sufrido los familiares de desaparecidos, las comunidades y los abogados, justamente por denunciar las desapariciones forzadas. Ha habido una clara voluntad estatal de silenciar este tema, justamente porque es un tema que pone de relieve el Terrorismo de Estado, al ser la desaparición forzada un crimen de Estado. No es cuestión de que las desapariciones ?queden fuera del foco de interés?, es cuestión de que hay una clara voluntad de silenciar el tema, y que dicho ?foco de interés? es uno para la población afectada, y otro para los mass-media. Geometría variable encubre genocidio 1. Presos de guerra son llamados ?secuestrados? Mientras que los mass-media en Colombia han tratado con bombo y platillo el tema de los secuestros (de una parte ínfima de los secuestros), han silenciado totalmente el tema de la desaparición forzada, siendo que esta es una vulneración a los derechos humanos muy grave que se compone de detención, secuestro, tortura, asesinato y desaparición del cadáver. La explicación de este desigual tratamiento entre secuestro y desaparición forzada se encuentra en la función política y propagandística que cumplen los mass-media: al ser la desaparición forzada un Crimen de Estado, la consigna es callar las denuncias, mientras que el tema del secuestro es ampliamente difundido y manipulado. Así, los militares del ejército estatal que según el derecho internacional (DIH) son presos de guerra (10), han sido presentados como ?secuestrados? por el martilleo mediático, asimilados a los civiles. 2. Personas privadas de su libertad por montajes judiciales son secuestradas Además de esta primera manipulación, la geometría variable hace invisibles a las víctimas civiles en las cárceles del estado colombiano. Los mass-media sólo hablan de un tipo de secuestro, nunca hablan de los más de siete mil quinientos presos políticos, la mayoría de ellos encarcelados con montajes judiciales (11): de los 7.500 presos políticos y de guerra que están hoy encarcelados en las cárceles del estado colombiano, hay más de 7000 civiles encarcelados por ?delito de opinión?, que no son presos de guerra, sino sólo presos políticos: sindicalistas, estudiantes, sociólogos, maestros, campesinos, indígenas, afro descendientes, ambientalistas, encarcelados para acallar sus reivindicaciones sociales y políticas, muchos de ellos liberados por falta de pruebas, tras haber sido secuestrados de su libertad durante años (12). Estos encarcelamientos masivos que perpetra el estado colombiano buscan destruir la organización social. Las condiciones de vida de las y los presos políticos vulneran su integridad y su salud, son expuestos permanentemente a torturas activas o pasivas: como las agresiones físicas y verbales, el no acceso a la salud que conlleva la muerte, la exposición a patios llenos de paramilitares, con la consecuencia de que puedan allí ser maltratados y asesinados. Sólo en enero 2011 se cuentan dos fallecimientos de presos políticos a consecuencia de torturas (13). ?Estamos levantados en solidaridad con todos aquellos compañeros que están presos. El estado colombiano en cabeza del presidente y sus grandes socios industriales han saqueado todos los recursos del país, y ahora buscan los recursos de los resguardos (?) la región de Arauca es un objetivo para ellos y esta es la razón por la cual encarcelan a los líderes populares: nosotros lo llamamos secuestro estatal?. Así lo expresó el líder indígena Victor Chivadaquia (14) y así lo reclamó la comunidad de Arauca durante el paro cívico de enero- febrero 2011 en protesta contra los encarcelamientos arbitrarios de líderes indígenas y campesinos (entre ellos Ismael Uncacía, Verónica Solís y Álvaro Leal Tolosa). 3. Redadas masivas del ejército son secuestro de la juventud Nunca se habla tampoco de las redadas masivas que perpetra el ejército en barriadas pobres y zonas rurales, en las que secuestra a jóvenes para enrolarlos en el ejército: práctica común para llenar contingentes, mientras que los hijos de la oligarquía no van al ejército (15). Es curioso que en el lenguaje de los mass-media e informes financiados por la USAID, no sea considerado ?secuestro? el retener por la fuerza a miles de jóvenes para el ejército, o el privar de libertad a miles de personas, encarceladas sin pruebas. 4. Desaparición forzada es secuestro agravado de tortura y asesinato con fines de terror Curioso que la gran cobertura que le han dado los mass-media a los secuestros no haya nunca contemplado el crimen de desaparición forzada, que es un secuestro agravado de tortura, muerte y desaparición del cadáver. Sin embargo ahora profundizan su línea de geometría variable, queriendo contabilizar aquellos secuestros enarbolados por la propaganda como desapariciones; lo cual es abusivo, dado que la desaparición forzada es de mayor gravedad que el secuestro, pues representa asesinato y desaparición del cadáver con fines de terror (16). La propaganda se ha ensañado en hacer invisible al drama de la desaparición forzada, y si se llega a nombrar tímidamente, la estrategia es aunarle confusión. Dramática situación humanitaria de Colombia no se explica sólo como resultado del conflicto social y armado, sino como resultado directo del Terrorismo de Estado contra la población desarmada Resulta muy útil a los intereses de los que se benefician de la represión y del despojo, el plantear que los desaparecidos, los muertos y los desplazados son el resultado de una guerra civil entre ?grupos armados violentos, ilegales, sin rumbo político?, y que el ?desbordado Estado? estaría intentando controlar por todos los medios. Es mucho más incómoda la realidad: la mayoría de muertos, desaparecidos y desplazados son el resultado de políticas del despojo que benefician al gran capital nacional y transnacional; y son el resultado de acciones dirigidas contra la población civil. El asesinato de sindicalistas es claramente el asesinato de las reivindicaciones laborales, sociales, económicas y ecológicas, el asesinato de líderes sociales es claramente la desarticulación de la organización social que se opone al saqueo multinacional. Ante el empobrecimiento causado por el saqueo, la población empobrecida protesta y la represión es la respuesta para ahogar las protestas y perpetuar el Estatus Quo de saqueo. Para mantener el expolio se implementa el Terrorismo de Estado con sus herramientas confesas (militares, policías) y su herramienta de terror encubierta (paramilitarismo). Sin olvidar los bombardeos y fumigaciones de poblaciones bajo la falacia de ?la lucha contra el narcotráfico?, que sirven para hambrear poblaciones y lograr su desplazamiento. En Colombia el número de víctimas civiles es mayor que el número de ?bajas en combate?; y esto, aunque el ejército colombiano haya implementado una macabra estrategia que consiste en asesinar a civiles, para luego disfrazar sus cuerpos y mediatizarlos como ?guerrilleros abatidos en combate?, para lograr incrementar las cifras de ?muertos en combate? (?falsos positivos?) (17). En Colombia hay miles de personas no-combatientes que han sido víctimas del Terrorismo de Estado que se ha abatido sobre ellas, fundamentalmente por 2 razones: · la primera consiste en la aplicación por parte del ejército de la doctrina militar del ?enemigo interno? que conceptualiza como enemigo a toda persona simpatizante con las guerrillas, o simplemente a toda persona cuyas ideas sean progresistas: esto explica que los maestros, los sindicalistas, los estudiantes, los campesinos, los comunistas y los académicos hayan sido víctimas preferenciales dentro de esta concepción del ?enemigo interno?. Se trata de acallar la reivindicación social. Colombia es el país más peligroso del mundo para ejercer el sindicalismo: el 60% de los sindicalistas asesinados en el mundo son asesinados en Colombia a manos de la herramienta paramilitar del Estado y multinacionales, o directamente a manos de la fuerza pública (18). El Estado colombiano persigue, encarcela y asesina a todo aquel que ose adelantar un pensamiento crítico; el régimen mantiene encarcelados a 7.500 presos políticos, muchos en condiciones de tortura (OMCT). El Estado colombiano ha sido demandado por genocidio político por el exterminio físico del partido Unión Patriótica: 5000 militantes asesinados por el Terrorismo de Estado para impedir la posibilidad de un cambio (19). La doctrina militar de ?la tierra arrasada? se deriva de la doctrina del ?enemigo interno?: se trata de vaciar el campo de población para ?quitarle el agua al pez?; o sea quitarle el apoyo campesino a las guerrillas, mediante el exterminio y desplazamiento de millones de personas; esta doctrina militar de?tierra arrasada? fue la que emplearon los estadounidenses en Vietnam, asesinando familias campesinas para inyectar terror en las comunidades y desplazarlas de sus tierras, impidiendo que fueran apoyo del FNL (Viet Cong). · la segunda razón por la cual miles de personas han sido víctimas del Terrorismo de Estado en Colombia es la capitalización de la tierra para la explotación multinacional de la mega-minería o del agro industrial. Colombia es el país del mundo con mayor cantidad de desplazados, con 4,9 millones de personas (20). El desplazamiento forzado en Colombia obedece a una estrategia que busca vaciar extensos territorios de su población, con el fin de explotar los recursos de dichos territorios; las masacres son usadas por el Estado para lograr el desplazamiento masivo de poblaciones: mediante el accionar de la herramienta paramilitar en coordinación con el ejército ha logrado el despojo de 10 millones de hectáreas (21) de tierras, que han sido entregadas vacías de habitantes a la codicia de las multinacionales y terratenientes, que son co-financiadores del paramilitarismo. Herramienta Paramilitar para inyectar Terror; y propaganda para presentar a la herramienta como ?grupo armado al margen de la ley? Si bien la constante de la propaganda oficial es presentar al paramilitarismo como un ?grupo armado al margen de la ley?, la realidad es estremecedoramente distinta. El Estado colombiano funge de garante de los intereses del gran capital, y por ?seguridad para las inversiones? se entiende el exterminio de las reivindicaciónes sociales. Para inyectar el Terror en la población el Estado dispone de la Herramienta paramilitar (22) que actúa hoy con renovados nombres, tras a un simulacro de ?desmovilización? que fue orquestado por el gobierno de Uribe, para hacer bajar la presión internacional ante las denuncias de la barbarie paramilitar y la connivencia estatal. Hoy la herramienta paramilitar goza de un acrecentado margen de acción que le da el simulacro dedesmovilización: continúan las masacres, los asesinatos políticos y el robo de tierras; y la herramienta del Terrorismo de Estado continúa beneficiándose de la financiación de multinacionales y latifundistas, además de regentar el narcotráfico junto con el ejército colombiano y sus instituciones aduaneras (23). La apariencia: componente esencial de una ?democracia? genocida que descuartiza personas vivas En enero 2011 la Fiscalía publicó un informe acerca de los crímenes confesados por el paramilitarismo: al menos 173.183 asesinatos; 1.597 masacres; 34.467 desapariciones forzadas, entre otros crímenes cometidos entre 2005 y diciembre 2010 (ver 2). A este informe hay que sumarle el de febrero 2010, según el cual paramilitares aseguran haber perpetrado 30.470 asesinatos en 15 años (24). Y esto no es sino la punta del iceberg: en efecto, para acallar las revelaciones acerca de los comanditarios de las masacres (multinacionales, empresarios, políticos de alto nivel) el Estado colombiano ha procedido a extraditar a los principales capos paramilitares a Estados Unidos, en lo que las víctimas llamaron ?la extradición de la verdad?. Asimismo han sido asesinados varios familiares de paramilitares cuando los paramilitares se han puesto muy locuaces a gusto de los comanditarios del genocidio (25). Pese a lo anterior, existen multitud de pruebas, de documentos, de informes y de testimonios que evidencian que el paramilitarismo es una Estrategia estatal. Existen pruebas fílmicas y fotográficas de la connivencia estatal-paramilitar y el paramilitarismo está preconizado en manuales militares (26). Testimonios de paramilitares, de sobrevivientes, y los resultados de los equipos forenses evidencian que la Estrategia paramilitar del Estado diseñó un método para descuartizar a seres humanos, y ?Cursos de descuartizamiento? para adiestrar a los paramilitares en su función más específica: infundir terror en la población. ?Cursos? en los que utilizaban a personas vivas llevadas hasta sus campos de entrenamiento para ?ejercitarse? en descuartizamientos, torturándolas vivas. Francisco Villalba, el paramilitar que dirigió la barbarie del Aro, en la que torturaron y masacraron a 15 personas durante 5 días, revela detalles de esos ?cursos?: "Eran personas que llevaban en camiones, vivas, amarradas (...) Se repartían entre grupos de a cinco (...) las instrucciones eran quitarles el brazo, la cabeza... descuartizarlas vivas (?) Ellos salían llorando y le pedían a uno que no les fuera a hacer nada, que tenían familia" (27) Los jefes de la herramienta paramilitar denuncian: ?El paramilitarismo de estado sigue vigente? Jefe de las AUC Salvatore Mancuso. Así se expresó el paramilitar Hebert Velosa, alias ?HH?, refiriéndose al ejército de Colombia: ?Nosotros éramos ilegales y son más culpables ellos que nosotros, porque ellos representaban al Estado y estaban obligados a proteger a esas comunidades y nos utilizaban a nosotros. Nosotros cometimos muchos homicidios, pero ellos también deben responder?? (28) El ?buen Estado desbordado? Pese a tantas evidencias existentes de que Colombia lo que sufre es el yugo del Terrorismo de Estado, hay todavía agencias que buscan reforzar la idea del ?buen estado desbordado?. Fingiendo severidad y objetividad, dice el ?informe? de la US office: ?La reacción del gobierno colombiano ante el problema de las desapariciones ha sido retardada e insuficiente? (29). Planteando, en línea directa con la propaganda estatal, la idea del buen gobierno desbordado? El gobierno colombiano, según la US office, peca por ?insuficiencia de reacción ante?? cuando la cuestión es que sí que ha ?reaccionado? ante las denuncias: centenares de denunciantes han sido asesinados por la herramienta paramilitar del Estado, y miles de ellos dan cuenta de reiteradas amenazas por parte de la fuerza pública para que se callen. La propaganda del ?post conflicto? encubre la profundización del genocidio La falsimedia busca inyectar la idea de ?post-conflicto? en un país cuyo ejército descomunal ejecuta bombardeos por toda la geografía y mantiene amplias zonas del país con restricción de alimentos y medicinas. Se busca establecer la idea del ?post-conflicto? por encima de la realidad. No hay ?post-conflicto? cuando las raíces del conflicto no han sido subsanadas: la tenencia de la tierra y la injusticia social en Colombia son dramáticas: el 68% de la población sufre miseria en el undécimo país más desigual del mundo. No hay ?post conflicto? bajo las bombas y las fumigaciones, así como no hay ?post conflicto? cuando la herramienta de la guerra sucia que adelanta el Estado sigue asesinando de forma exponencial: bajo Santos, la Herramienta paramilitar sigue activa. Sin embargo se intensifica la propaganda de ?post-conflicto?, y se pretende presentar a Santos como?moderado?, cuando en los 90 primeros días de su mandato fueron asesinados 50 opositores políticos (denuncia PDA). Mientras la herramienta paramilitar sigue masacrando y los militares siguen asesinando niños para disfrazarlos de ?guerrilleros abatidos en combate? (30), mientras continúan las fumigaciones hambreadoras, en la cámara de representantes se votan las leyes estrella del Uribo-Santismo (mayoría parlamentaria): la ?Ley de Tierras?, y la ?Ley de Víctimas?. La ?Ley de Tierras? es una ley inconsulta que favorece los grandes monocultivos, vulnera a los pequeños campesinos (desmonta la UAF), impulsa la minería multinacional y finge restituir tierras en lo que es en realidad la legalización del despojo, pues no hay desplazado que retorne a vivir en medio de los victimarios. Varios reclamantes de tierras han sido asesinados en estos meses en medio de la farsa de la restitución de tierras como es el caso de Óscar Maussa, apedreado y torturado hasta la muerte por la herramienta paramilitar, agonizando 7 horas mientras la policía, advertida al momento de las torturas, no hizo nada para salvarle la vida. (31). La ?Ley de Víctimas? ha sido denunciada por el Movimiento de Víctimas de Crímenes de Estado como otra ley inconsulta que deja por fuera del reconocimiento de ?Víctimas? al genocidio contra la Unión patriótica (5000 asesinados por el estado), y a las víctimas de antes de 1991, entre otras aberraciones. Otro de los engaños es la noción de ?Justicia Transicional? que se ha venido planteando desde la parodia de ?proceso de desmovilización? de los paramilitares en 2005. La estafa de la Justicia Transicional Ingrid Vergara, del Movimiento de Víctimas de Crímenes de Estado (MOVICE), denuncia que no hay tal Transición: ?Lo que la gente vive en las comunidades no es precisamente una ?transición? (?) no hay garantías ni para los defensores de DDHH ni para las víctimas. La Ley de Víctimas no fue consultada con las víctimas, hay una institucionalidad permeada por el paramilitarismo: ¿Cómo se puede hablar de restitución de tierras si muchos de los despojadores están sesionando en el congreso?? ?La ley carece de una ruta de protección: No hay acompañamiento para la restitución de tierras? en el territorio están los despojadores con el poder político y el poder de las armas ¿Cómo se va a proteger la vida de los reclamantes de tierras??(32) El MOVICE objeta la denominación ?Justicia Transicional?, cómo lo expresó María Cardona: ?Nosotros objetamos la Ley de Víctimas porque desde el Movimiento de Víctimas nosotros no nos comemos el cuento de que estamos en post-conflicto, las altas esferas del poder gubernamental, la iglesia católica y los medios de comunicación masivos nos quieren hacer creer que Colombia está en post conflicto, y eso no es cierto. (?) La Ley Transicional es válida en un país que ha superado las causas estructurales que ocasionaron el conflicto y ya no tiene conflicto; pero ese no es el caso nuestro, por el contrario la brecha social es cada vez más grande? no hay razón para una Justicia Transicional que lo único que produce es más impunidad (?)(Ibíd.) Por asesinar 5.100 personas, sólo 8 años de prisión? para la Herramienta paramilitar Finalizando 2010 el Jefe Paramilitar Iván Laverde alias ?el Iguano?, quién se declaró culpable de 5.100 asesinatos, fue condenado a sólo a 8 años de cárcel? (33) La Herramienta paramilitar goza de leyes especiales: en virtud de la mal llamada ?Ley de Justicia y Paz?, la máxima pena que se le puede imponer a un paramilitar son 8 años de cárcel. El Movimiento de Víctimas de Crímenes de Estado ha denunciado que la Ley de Justicia y Paz es una suerte de premio de impunidad a la herramienta paramilitar, por favores hechos al gran capital. La ley fue impulsada por el ex presidente Uribe, quién figura en las listas del Pentágono cómo el narcotraficante número 82 más peligroso del mundo (34)? sin que los Estados Unidos, quienes siempre andan declarando que?luchan contra el narcotráfico? hayan sabido dónde encontrarlo. El Iguano fue hallado culpable de: tortura, homicidio agravado, desplazamientos forzados, 28 masacres, los homicidios de los fiscales Carlos Arturo Pinto y María del Rosario Silva, el asesinato del candidato a la Gobernación del Norte de Santander Tirso Vélez y el del asesor de la Alcaldía de Cúcuta Alfredo Enrique Flórez, perpetrados entre 1999 y 2005. El paramilitar admitió haber utilizado hornos crematorios para hacer desaparecer a sus víctimas, y torturas como el descuartizamiento de personas vivas? Sin embargo, a ojos de la ?Justicia? colombiana, en pocos años habrá ?saldado? cuentas con la sociedad: los acuerdos firmados durante la pantomima del ?proceso dedesmovilización?, sirvieron para premiar a los asesinos, para legalizar el despojo, y para darle una capa de pintura al propio impulsor de la Herramienta paramilitar: el Estado colombiano. Bajo Santos se profundiza el blindaje de impunidad para paramilitares y sus financistas Bajo el gobierno de Santos acaba de ser votada otra ley de impunidad para la herramienta paramilitar y sus financistas: se trata de la Ley 1424, que estipula: ?(?)La información que surja en el marco de los acuerdos no podrá, en ningún caso, ser utilizada como prueba en un proceso judicial en contra del sujeto que suscribe el Acuerdo de Contribución a la Verdad Histórica y a la Reparación o en contra de terceros?. El 29 de diciembre se convirtió en la ley 1424 de 2010 ?Por la cual se dictan disposiciones de justicia transicional que garanticen verdad, justicia y reparación a las víctimas de desmovilizados de grupos organizados al margen de la ley, se conceden beneficios jurídicos y se dictan otras disposiciones? (35). Evidentemente, con esta ley se blindan de impunidad los financistas de la herramienta paramilitar, los ?terceros?. Detrás del drama de millones de personas se esconde la mano del gran capital Una entrevista realizada al presidente Juan Manuel Santos en enero 2011, sintetiza la esencia de las motivaciones para la continuidad del genocidio: el drama colombiano está íntimamente relacionado con el capitalismo transnacional, no es el drama de ?la bala perdida?, sino bien de una violencia ejercida desde el poder estatal y económico contra la población de un país cuyas riquezas son altamente codiciadas. Se trata de garantizarles a las empresas multinacionales la posibilidad de saquear sin trabas. Se trata de ofertarles el saqueo de los recursos y de la fuerza laboral, sin importar la destrucción del medio ambiente y de la seguridad alimentaria. Euronews le pregunta a Santos: ?¿Hoy por hoy, es Colombia un país seguro para las inversiones extranjeras?? Santos: ?Sin duda y no solamente lo digo yo, sino que lo dice el Banco Mundial, por ejemplo en su estudio Doing Business, Colombia aparece como uno de los países que más protege la inversión extranjera . Yo comparo mi política con las relaciones personales. Cuando uno dice que una persona es predecible, se piensa que es muy aburrida. Pues bien, yo quiero que para los inversores extranjeros, Colombia sea aburrida, es decir predecible, con reglas de juego estables y una seguridad jurídica. Eso es lo que queremos y por eso los inversores pueden estar tranquilos.?(36) Seguridad Democrática, Seguridad Cuidadana: enfoque distorsionado La propaganda estatal plantea que se necesita reforzar la militarización para salvaguardar la seguridad de los ciudadanos. Un discurso de Francisco Santos condensa esta peculiar idea de ?post conflicto gracias a la militarización?: ?Hoy, una familia puede comenzar a lograr un cierre, y hoy el gobierno está reforzando su presencia para que en Colombia deje de correr sangre ". (37) Lo que la propaganda plantea es que las violaciones a los DDHH se resuelven con la presencia del ejército en cada rincón del país; esto, si se debiera resumir en una frase de parodia, sería: "malos grupos armados ilegales (sin precisar quién hace qué) versus buen estado desbordado, que debe ser reforzado para vencer al mal, y lo está logrando; ¡vamos juntos hacia la reconciliación nacional en esta etapa de post-conflicto! (caminen sin mirar hacia las fosas)?" Los familiares de desaparecidos han infatigablemente denunciado la desaparición forzada como Estrategia Estatal para neutralizar al desaparecido e inyectar terror en los sobrevivientes... no es más presencia represiva del Estado que va a mejorar la situación de los derechos humanos en Colombia, al contrario. ***** NOTAS (1) http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/71765-NN/colombia-registra-mas-de-38-mil-personas-desaparecidas-en-tres-anos/ El crimen de Estado de desaparición forzada de la "democracia" en Colombia ha rebasado las dramáticas cifras de la dictadura argentina: sólo en los últimos 3 años el Terrorismo de Estado ha desaparecido a 38.255 personas (cifras febrero 2010, medicina legal y fiscalía)... para una estimación total en los últimos 20 años de 250.000 personas desaparecidas... Las estimaciones de desaparición forzada son minimizadas desde el Estado (el victimario), sin embargo ha debido reconocer al menos 50.000 desaparecidos. Piedad Córdoba, Madrid, mayo 2010 "Hay 250.000 desaparecidos en Colombia en los últimos años":http://www.rebelion.org/noticia.php?id=106344&titular=%22hay-250.000-desaparecidos-en-colombia-en-los-%FAltimos-a%F1os%22- http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104558&titular=piedad-c%F3rdoba-denuncia-la-pasividad-internacional-y-pide-que-se-condicione-el-tlc-con-europa- Colombia: Segundo Congreso Mundial de Desaparición Forzada: http://www.youtube.com/watch?v=YNQgkbV12tU http://www.kaosenlared.net/noticia/celebrado-ii-congreso-mundial-desaparicion-forzada-colombia-sos-desapa Desaparición, crimen del Terrorismo de Estado en Colombia: http://justiciaypazcolombia.com/50-000-personas-desaparecidas-en (2) Informe Fiscalía, enero 2011 : 173.183 asesinatos; 1.597 masacres; 34.467 desapariciones forzadas, y al menos 74.990 desplazamientos forzados, cometidos entre 2005 y el 31 de diciembre 2010 por el paramilitarismo:http://www.fiscalia.gov.co/justiciapaz/Index.htm (3) Paramilitar Mancuso denuncia rearme de paramilitares, advierte acerca de la existencia del paramilitarismo de estado ?El paramilitarismo de estado sigue vigente?: http://www.youtube.com/watch?v=Hk6dVnuIuIc http://www.rebelion.org/noticia.php?id=100903 Ya son 3 los jefes paramilitares en denunciar a los Santos: Mancuso, el Alemán y Jorge 40 relacionan al paramilitarismo con los hermanos Santos, Francisco Santos, quién fuera vicepresidente de Uribe y Juan Manuel Santos, presidente actual de Colombia: Mancuso ya había relacionado a Santos con las AUC: http://www.youtube.com/watch?v=YhQ9yXqmq0E Vínculos DAS, paramilitarismo, Santos y Bloque Capital de paramilitares, entrevista por caso Noguera: http://www.youtube.com/watch?v=ezzmiO91txM Mancuso denuncia a Multinacionales de financiar el paramilitarismo, entre ellas Chiquita Brands, y Del Monte: http://www.youtube.com/watch?v=nCZ-E7R745I&feature=related Según el Jefe paramilitar Mancuso el actual Presidente Juan Manuel Santos habría estado vinculado con el paramilitarismo: http://www.pusstv.com/5mxWMcE5JjCp7 http://www.caracoltv.com/noticias/justicia/video175996-mancuso-dice-juan-manuel-santos-le-propuso-tumbar-a-ernesto-samper http://www.youtube.com/watch?v=EQd8wRfPHeM http://www.dailymotion.com/video/xd1brk_salvatore-mancuso-declaro-en-contra_news (4) ?(?) se tapaba con grasa humana (?)? http://www.tercerainformacion.es/spip.php?article17112 Paramilitar Mancuso reitera que ?cremaron' víctimas para bajar estadísticas:http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo138469-mancuso-reitera-cremaron-victimas-bajar-estadisticas Documental peridismo humano, testimonio de Manuel Ramírez alias ?el Mocho?: hornos crematorios, descuartizamientos y connivencia en masacres y en asesinatos de civiles ?falsos positivos? de paramilitares con el ejército oficial: http://desentranando-colombia.periodismohumano.com/2010/06/10/descuartizamientos-y-hornos-crematorios/ «En Colombia se han utilizado hornos crematorios para hacer desaparecer rastros de personas asesinadas o para quemar a personas vivas. Las llevaban los paramilitares por instrucción del Ejército y la policía». Senadora Piedad Córdoba:http://www.piedadcordoba.net/piedadparalapaz/modules.php?name=News&file=article&sid=3345&mode=thread&order=0&thold=0 http://www.elespectador.com/noticias/paz/articulo197845-piedad-cordoba-denuncio-hornos-crematorios-paras-desaparecer-cadaveres-d http://plano-sur.org/index.php?option=com_content&view=article&id=147:viaje-a-los-hornos-crematorios-que-construyeron-los-paramilitares-en-norte-de-santander&catid=38:derechoshumannos&Itemid=59 http://cantv.radiomundial.com.ve/yvke/noticia.php?t=25044&sid=ac7fe9457371cdb98bb851262d19572b Estado Colombiano emula crímenes Nazis: Paramilitares y Hornos Crematorios...http://www.kaosenlared.net/noticia/estado-colombiano-emula-crimenes-nazis-paramilitares-hornos-crematorio http://carlosmora.wordpress.com/2009/05/22/hornos-crematorios-principal-arma-de-guerra-de-paramilitares-en-colombia/ (5) La mayor fosa común del Continente americano:http://www.publico.es/internacional/288773/aparece/colombia/fosa/comun/cadaveres http://www.rebelion.org/noticia.php?id=99507 Los Medios ocultan la mayor fosa común de América, mientras el Estado colombiano busca alterarla: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=100898 (6) varios denunciantes de la gigantesca fosa de la Macarena fueron asesinados para callar sus denuncias, entre ellos Norma Irene Pérez: http://www.youtube.com/watch?v=6O7vb71NQSQ http://www.tercerainformacion.es/spip.php?article17843 http://www.protectionline.org/Norma-Irene-Perez-defensora.html http://www.pazcondignidad.org/index.php?option=com_content&view=article&id=588:asesinatocolombianormairene&catid=89:otras-redes&Itemid=126 Asesinado defensor de derechos humanos Jhonny Hurtado: http://prensarural.org/spip/spip.php?article3738 (7) Marisela Uribe García, perdió sus bebés por torturas estando embarazada http://www.aporrea.org/imprime/n169680.html http://www.tercerainformacion.es/spip.php?article20102 (8) Nuevo hallazgo de fosas comunes: al menos 1.500 cadáveres de ?falsos positivos? y desaparecidos http://www.rebelion.org/noticia.php?id=119299 (9) La US office on Colombia acaba de publicar un informe muy ilustrativo de la manera en que se busca confundir, Escrito por Lisa Haugaard y Kell y Nicholls:http://lawg.org/storage/documents/Colombia/RompiendoElSilencio.pdf (10) DIH, Estatuto del prisionero de guerra ?todo combatiente que caiga en poder de una parte adversa será prisionero de guerra?(Art. 4 del III Convenio) http://www.monografias.com/trabajos36/derecho-humanitario/derecho-humanitario2.shtml (11) http://www.traspasalosmuros.net/ El régimen colombiano mantiene encarcelados a 7.500 presos políticos:http://www.arlac.be/A2009/2009/Tlaxcala.htm Campaña europea 2009-2011 por la liberación de los presos políticos en Colombia. Son 7500, en su mayoría presos de opinión, activistas sociales. Las asociaciones y personas que quieran apoyar la campaña por la liberación de los presos políticos en Colombia, son bienvenidas. Para firmar pinchar aquí: http://www.tlaxcala.es/detail_campagne.asp?lg=es&ref_campagne=14 Entrevista a defensor de DDHH denuncia los montajes judiciales, la tortura y las condiciones de los presos políticos en Colombia: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SKDPsES5Vgs (12) 40 personas encarceladas durante 3 años por montaje judicial:http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104161 Así desarticula el Estado las organizaciones sociales: 17 dirigentes sociales acusados de rebelión, 3 años en prisión: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=117123&titular=absuelven-a-17-dirigentes-sociales-acusados-de-rebeli%F3n-despu%E9s-de-3-a%F1os-en-prisi%F3n- (13) Tortura contra presos políticos: http://www.omct.org/es/urgent-campaigns/urgent-interventions/colombia/2010/06/d20764/ Expertos de Naciones Unidas expresan grave preocupación por Tortura:http://www.colectivodeabogados.org/Grave-preocupacion-por-la-tortura La tortura contra presos políticos en Colombia, caso Diomedes Meneses:http://blip.tv/file/3374604/ http://www.youtube.com/watch?v=RGfCfbpjbx0 Aunque un juez determinó prisión domiciliaria, un preso político invidente y con los brazos amputados, sigue encarcelado en situación limite: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=105346 Muere, tras meses de tortura y en total abandono, el preso político José Albeiro Manjarrés:http://www.rebelion.org/noticia.php?id=120514 Se suicida Leandro Salcedo tras 9 meses de tortura en cárcel colombiana:http://www.comitedesolidaridad.com/index.php?option=com_content&view=article&id=373:se-suicida-recluso-en-la-tramacua&catid=1:nacionales&Itemid=66 Devis Ochoa, preso político con diabetes agravada que corre riego de muerte por tortura de privación de medicinas, aunado al intento de homicidio por situarlo en patio paramilitar:http://www.prensarural.org/spip/spip.php?article5255 El INPEC impide a los detenidos denunciar violaciones a los derechos humanos en cárcel La Tramacua: ?el detenido JOSE OVIDIO RESTREPO GALLEGO, cuando era trasladado a una diligencia fuera del establecimiento, llevaba en su poder la denuncia disciplinaria por la muerte del detenido JORGE RUSSO MONTES identificado con el TD4617 de la Torre 8 y las denuncias por otras irregularidades en el centro de reclusión, con destino a la Procuraduría General de la Nación, pero el comandante de guardia, de apellido Peñaloza, se la arrebató?:http://www.prensarural.org/spip/spip.php?article5278 (14) http://contagioradio.com/otra-mirada/doble-bloqueo-en-las-carreteras-de-arauca (15) redadas masivas que perpetra el ejército en barriadas pobres y zonas rurales, en las que secuestra a jóvenes para enrolarlos forzadamente:http://www2.ohchr.org/english/bodies/hrc/docs/ngos/WRI_Colombia97_sp.pdf http://www.rebelion.org/noticia.php?id=103822 http://www.nodo50.org/tortuga/El-reclutamiento-en-Medellin http://www.colectivodeabogados.org/El-Ejercito-Nacional-continua http://www.redjuvenil.org/index.php?option=com_content&view=article&id=397%3Acorre- joven-corre-de-las-balas-de-las-batidas-y-de-la-represion-del-esmad&catid=1%3Anoticias&Itemid=2&lang=es (16) -- [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. 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Isto é um porco". MiltonGomes, um humilde trabalhador do cemitério de Paraíso do Norte, em Goiás, não retrucou diante dos policiais militares, mas olhou penalizado para o cadáver mutilado e pensou: "Isso não é um porco, este é um homem. Alguém um dia virá procurar por ele". Tomou então o cuidado de montar uma pirâmide de pedra e fincar uma cruz sobre a sepultura para demarcar o local. Sua atitude foi decisiva para que, 21 anos depois, o corpo fosse localizado. Descendente de alemães e catarinense de Forquilinha, a mesma cidade onde nasceu Dom Paulo Evaristo Arns, Arno Preis estudou a maior parte de sua infância e adolescência em escolas católicas, desistindo do seminário quando já estava próximo de se ordenar padre. Mudouse para São Paulo e formou-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, tendo iniciado o curso em 1957. Era poliglota, seu irmão relata que ele falava 12 idiomas, entre os quais grego, latim, romeno, alemão, russo e japonês, língua da qual traduziu três livros para o português: Kamikaze, Cruz Vermelha e Iwo Jima. Sonhava em ser diplomata e tocava instrumentos musicais, principalmente flauta. Arno foi militante da ALN, acusado pelos órgãos de segurança de ter participado de várias ações armadas em 1969, antes de ter viajado para Cuba, onde recebeu treinamento militar. O "livro secreto" do Exército informa que ele comandou o Grupo Tático Armado da ALN, em 1969, após a morte de Marco Antonio Brás de Carvalho, passando a função, em seguida, para Virgílio Gomes da Silva. Arno Preis retornou ao Brasil em 1971 como militante do MOLIPO, sendo deslocado para o norte de Goiás, hoje Tocantins, onde essa organização clandestina trabalhava para implantar uma base revolucionária, ao que tudo indica, Arno vinha atuando em interligação com as atividades de Jeová Assis Gomes e Ruy Berbert, mortos no mês anterior, conforme já relatado. A falsa versão da sua morte foi anunciada no jornal Folha de S. Paulo em 22/03/1972, obedecendo a uma fórmula repetida inúmeras vezes pelos órgãos da repressão para acobertar execuções: "ao ser abordado pelas forças policiais, reagiu a tiros". Seu corpo só foi localizado em 1993, depois de longas buscas, feitas pelo colega de faculdade e amigo Ivo Sooma. Para isso, foi providencial o gesto do coveiro que marcara a sua tumba. A exumação e a identificação da ossada de Arno ocorreram com o apoio da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, presidida na época pelo deputado Nilmário Miranda. No dia 09/04/1994 os restos mortais do advogado foram sepultados oficialmente, após homenagem em São Paulo, depois na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, e finalmente em Forquilhinha (SC), sua terra natal. O laudo da necropsia, lavrado com o nome falso - Patrick McBundy Cormick - é bastante genérico, atestando como causa da morte "hemorragia interna, possivelmente produzida por projétil de arma de fogo" e grande número de orifícios "parecidos" com tiros, "provavelmente" de calibre 38. Mesmo sendo impreciso, esse laudo já deixava evidências de que Arno não tinha sido morto em tiroteio, pois menciona feridas feitas por faca ou baioneta: "(...) apresentava lesões perfurocortantes (...) na linha axilar anterior, ao nível do mamilo esquerdo (...)". Os exames feitos durante a exumação não acrescentaram detalhes conclusivos, mas a apreciação pericial do legista Celso Nenevê durante os trabalhos da CEMDP forneceu as evidências da execução. O perito confirmou as lesões produzidas por arma branca : "(...) as lesões perfuro-incisas, conforme descritas, são produzidas por instrumentos de natureza perfurocortantes, ou seja, dotados de ponta e gume (...)". E reforça a interpretação de que Arno estava vivo, mas imobilizado, quando foi cortado à faca ou baioneta. Nenevê ressaltou ainda que o exame da única foto disponível revelava contradições entre a posição da arma e do coldre. A versão oficial de que Arno estaria em um bar, às 3 horas da madrugada, com a presilha da capa da arma visível, tendo aberto fogo ao ser abordado foi igualmente contestada por alguns integrantes da CEMDP. Diz o parecer do relator: "Nenhum guerrilheiro agiria com tamanha irresponsabilidade na sua vida clandestina. Muito menos Arno Preis, com sua experiência, andaria em bares ou bailes de madrugada, com arma e dinheiro aparentes". Na primeira vez em que a CEMDP julgou o caso, essas evidências não foram suficientes para enquadrar o caso de Arno na Lei nº 9.140/95. Houve apenas dois votos defenderam o deferimento, entre os sete membros da CEMDP. A maioria indeferiu o pedido por considerar que Arno morrera em conseqüência do tiroteio travado, que causou a morte de um policial militar (Luzimar Machado de Oliveira) e ferimentos em outro (Gentil Pereira Mano). Esse primeiro veredicto motivou protestos veementes por parte dos familiares e de entidades ligadas à defesa dos Direitos Humanos. Com a nova redação introduzida pela Lei nº 10.875/04, a amplitude dos benefícios foi estendida, o prazo para apresentação de requerimentos foi reaberto e o processo retornou à Comissão Especial, sendo então aprovado por unanimidade. Após a aprovação do processo, o jornalista Luiz Maklouf Carvalho a participação do coronel do Exército Lício Augusto Ribeiro Maciel na morte de Arno Preis, informação que desmontou a versão oficial que falava da casualidade do encontro e da displicência de Arno ao chegar à cidade. Esse oficial, conforme já mencionado no capítulo sobre a Guerrilha do Araguaia, teria marcante participação nas operações de repressão àquele movimento, a partir de abril de 1972. Em correspondência ao então Ministro Nilmário Miranda, o jornalista Maklouf retransmitiu as palavras do próprio Lício: "O Arno Preis foi eliminado na mesma área (ao longo da Belém-Brasília, em Paraíso, uma vila na época); acuado num matagal às margens da rodovia, não se entregou e foi alvejado utilizando-se faróis de caminhões, para evitar a fuga. Conseguiu matar dois militares, um morreu na hora, outro, depois. (...) O Arno Preis, verdadeiro cão raivoso que, a despeito de todo o aparato e apelos para que se entregasse, desabalou em corrida para a mata, assinando a própria sentença de morte: suicidou-se claramente. Teria sido mais rápido ter tocado fogo na toceira de capim seco em que se escondeu, à beira da estrada, a ter que esperar que ele se arrependesse e se entregasse. Pensou que de noite conseguiria fugir ao cerrado tiroteio que aconteceu, pois ninguém é trouxa. Foi preparada uma cortina de chumbo quente eele que escolheu (...)". ========================================================================================================================== + informações. Declarações feitas por seu irmão João Preis, por ocasião do traslado dos seus restos mortais, em 9 de abril de 1994: "Natural de Forquilhinha, Santa Catarina, Arno Preis era filho de Paulina Back e Edmundo Preis. Estudou no Seminário dos padres Franciscanos em Santa Catarina e, em São Paulo, formou-se em Direito pela USP. Brilhante, inteligente, entusiasta, queria ser Diplomata. Falava 12 idiomas. "Mas os tempos eram duros. A pátria vivia sob um regime ditatorial militar e Arno, como centenas de jovens, decidiu que primeiro era necessário derrubar a ditadura para depois realizar seus sonhos". De Ivo Sooma, advogado e amigo de Arno Preis: "Foi ele morto no dia 15 de fevereiro de 1972, em confronto com policiais militares e civis da então Paraíso do Norte de Goiás, e enterrado no cemitério local, sem guia de sepultamento, nem lavratura de óbito. À época, policiais entregaram seu corpo ao coveiro, dizendo-lhe: 'Enterra de qualquer jeito. Isto é um porco.' O coveiro, Milton Gomes, pensou consigo: 'Isto não é um porco. Este é um homem. Alguém um dia virá procurar por ele.' Tomou então o cuidado de, junto ao local do sepultamento, erguer uma pequena pirâmide de concreto, sobre a qual fincou uma cruz de madeira, o que iria facilitar sua posterior localização, diferentemente do que ocorreu com muitos desaparecidos políticos. Uns dez dias depois, enorme aparato policial militar cercou o cemitério, que não tinha muros e levou um dos braços do corpo de Arno para identificação. O próprio governo reconheceu sua morte, segundo notícias publicadas nos jornais, em março de 1972, com a versão oficial de morto ao tentar fugir. Seu corpo e atestado de óbito não foram entregues à família até 1994. Foi enterrado com o nome de Patrick McBund Cornik. Identificado, em 22 de março de 1972, a imprensa noticiou sua morte como a de um líder terrorista. Pertencera ele à ALN, fundada sob a liderança de Carlos Marighella, estivera em Cuba e retornara integrando o MOLIPO. Quem era Arno Preis antes de entrar na guerrilha? Conheci-o em 1957, quando, sendo eu secundarista, ingressou ele na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Chamou-me a atenção a maneira determinada com que perseguia seus objetivos. Pretendia ele prestar concurso no Itamarati e seguir a carreira diplomática. Vocacionado para uma carreira de diálogos e negociações, acabou por empunhar armas e morrer em cidade do interior de Goiás. Tomados de indignação cívica, centenas de jovens dobraram as folhas de seus livros, uniram-se a pessoas de outras origens que também deixaram suas rotinas e foram enfrentar o sacrifício. Muitos, o martírio. Não fosse o fechamento de todos os canais de comunicação entre a Nação e o Estado, o Brasil não teria amargado a perda de muitos de seus mais dignos e generosos filhos. Arno Preis, como tantos outros, dobrou uma folha do livro da História e imolou-se no sertão de Goiás, passando a ser parte da própria História. Compete a nós, agora, retomar a sua leitura, a partir das novas páginas que foram escritas." Passados 22 anos, familiares e amigos localizaram o seu corpo com o apoio e o respaldo dado pela Comissão Externa da Câmara Federal, presidida pelo deputado Nilmário Miranda, que acompanhou a exumação e a identificação das ossadas e seu sepultamento oficial em 9 de abril de 1994 na cidade de Forquilhinha. Em 15 de outubro de 1993 seus restos mortais foram exumados do Cemitério de Tocantins e levados para o IML/Brasília. No traslado de recebeu várias homenagens: na Câmara Federal em Brasília, em São Paulo, na Assembléia Legislativa de Florianópolis e em Criciúma, sua terra natal, onde teve um enterro digno. Derlei de Lucca, professora e companheira de militância política, escreveu este artigo-homenagem a pedido do Jornal da Manhã, de 03 de maio de 1994: "Carta Aberta ao Arno Preis Criciúma, 29 de abril de 1994. Arno, Você não ia acreditar mas Nelson Mandella é o favorito nas eleições presidenciais da África do Sul. Acusado de terrorista, subversivo, como tu, cumpriu 29 anos de cadeia. Isak Shamir acusado de subversivo e terrorista pelos ingleses é Primeiro Ministro em Israel. Yasser Arafat o líder da OLP acusado de terrorista e subversivo foi recebido pelo Presidente dos Estados Unidos, em dezembro do ano passado, e é recebido na ONU como chefe de Estado. Forquilhinha já é município e está orgulhosa de ti. Lurdes, Zilda, tia, sobrinhas e primas, estão mobilizando a cidade pra te levar flores. Existe um aparelhinho chamado FAX. Em questão de segundos a gente se comunica com o mundo, mandando documentos. Meu filho estuda automação na UFSC. Dulcinha, Amelinha, Suzana estão tristes com a confirmação da tua morte, mas firmes organizando as homenagens. O Ivo Sooma foi heróico. Realmente quem tem um amigo tem um tesouro. Ivo é o teu tesouro. Nilmário, Genoíno, Zé Dirceu são deputados federais, Brizola é governador do Rio. Tem um operário do ABC candidato a Presidente da República. Betinho renegou a luta armada, mas dirige uma campanha linda contra a fome e a miséria. Mobilizou o país todo. Tu fazes muita falta. Serias nosso Ministro das Relações Exteriores, brilhante, defendendo as posições do Brasil no mundo. Ia esquecendo: o Brasil reatou relações diplomáticas com Cuba. Eu já voltei lá algumas vezes com passaporte e tudo, legalmente. A gente não diz mais 'turma', diz 'galera'. Fumar não é mais moda, é cafona, coisa de Boko Moko. Nada melhor do que um dia depois do outro. Seja feliz no céu protegendo a nossa terra. Aqui tu não serás esquecido." ======================================================================== Escreveu Pedro Tierra: "Sobrevivi. Levarei na pela e na alma o nome de meus mortos." Sentimos na pele e na alma a dor dos nossos familiares ao examinar - com lupas e lentes - as fotos de seus corpos dilacerados encontradas nos poucos arquivos que nos foram franqueados. Vivenciamos o pesadelo e a tristeza de descobrir, no andamento deste trabalho, que muitas das versões de mortes em tiroteios que sustentávamos no nosso Dossiê dos Mortos e Desaparecidos eram falsas e que, na verdade, nossos familiares haviam sido baleados, presos e mortos à míngua, sob tortura, ou executados sem chance de defesa. A ditadura institui legalmente a pena de morte, mas preferiu praticá-la com crueldade e fora dos tribunais. Quantos anos levamos para conhecer a extensão dos crimes praticados pelos nazistas? Há que lembrar porque decidiram cremar os corpos - para que os mortos não pudessem ser pranteados, para que suas vidas fossem esquecidas. Assim fez a ditadura militar brasileira. Quantos anos levaremos ainda para conhecer a extensão de seus crimes e punir os responsáveis? Os familiares de mortos e desaparecidos nunca buscaram indenização. Lutamos por Verdade e Justiça, pelo esclarecimento circunstancial das mortes e desaparecimentos, pela busca e identificação dos corpos, pela punição dos responsáveis. Após 25 anos da promulgação da anistia, o Brasil ainda não conhece a totalidade dos mortos e desaparecidos na luta contra a ditadura. Muitos dos casos que examinaremos foram indeferidos durante a fase anterior porque os principais arquivos dos órgãos repressivos não foram abertos. A Lei 10.875/04 fará a correção das injustiças cometidas nos indeferimentos anteriores, mas nossa luta por Justiça persistirá - em homenagem a Arno Preis e a todos os que deram suas vidas por liberdade e justiça social. Venceremos! Militância Política e fatos: Arno nasceu em Forquilhinha, Santa Catarina, em 8 de julho de 1934, filho de Paulina Back e Edmundo Preis. Estudou em seminários católicos desde os 7 anos, tendo uma educação rígida para os preceitos religiosos, mas desistiu da batina antes da ordenação. Foi para São Paulo e formou-se em Direito na Faculdade do Largo São Francisco. Brilhante, inteligente, entusiasta, tocava flauta e queria ser diplomata. Falava 11 idiomas: japonês, grego, latim, inglês, italiano, francês, espanhol, romeno, alemão, russo. Traduziu três livros do japonês para o português: Kamikaze, Cruz Vermelha e Iwo Jima. Começou sua militância na Ação Libertadora Nacional - ALN e a seguir integrou-se ao Movimento de Libertação Popular - Molipo, dissidência da ALN. A versão oficial de sua morte foi publicada nos jornais de 22 de março de 1972, como tendo ocorrido no dia 15 de fevereiro de 1972. O jornal Folha de São Paulo publicou: "(...) Os órgãos de segurança revelaram ontem que o terrorista Arno Preis foi morto dia 15 do mês passado (terça-feira de carnaval) na cidade goiana de Paraíso do Norte. Justificou-se o atraso na divulgação pela necessidade de investigações sigilosas após o incidente. (...) Ao ser abordado pelas forças policiais, reagiu a tiros, matando Luzimar de Oliveira e ferindo gravemente Gentil Mano, ambos da PM goiana. (...) Na noite de 15 do mês passado, Arno Preis estava no Bar São José, sede do Clube Social de Paraíso do Norte. Era noite de carnaval. Abordado pelos elementos de segurança, identificou-se como Patrick Mc Burdy Cormick, apresentando identidade falsa. Os policiais aguardaram que Preis saísse do baile, quando foi convidado a ir à delegacia. Naquele momento, sacou de um revólver e disparou à queima-roupa contra dois soldados PMs, correndo, em seguida na escuridão, rumo a um matagal. (...) O refúgio de Preis foi cercado, iluminado por faróis de carros, transformando-se em palco de intenso tiroteio, resultando na morte do terrorista (...)." Foi enterrado no cemitério local, sem guia de sepultamento, nem lavratura de óbito. Somente em 1993 a família ingressou com ação para retificar os registros de óbito, tendo o traslado ocorrido em 1994. As informações sobre a morte de Arno, bem como o local de sepultamento foram investigadas em 1980 pelo advogado Ivo Sooma, seu colega de faculdade, e amigo para todas as horas. Do relato de Ivo: "(...) Os policiais entregaram seu corpo ao coveiro, dizendo-lhe: 'Enterra de qualquer jeito. Isto é um porco'. O coveiro, Milton Gomes, pensou consigo: 'Isto não é um porco. Este é um homem. Alguém um dia virá procurar por ele.' Tomou então o cuidado de, junto ao local do sepultamento, erguer uma pequena pirâmide de concreto, sobre a qual fincou uma cruz de madeira, o que facilitou a localização em 1993, com o apoio e o respaldo dado pela Comissão Externa da Câmara Federal, presidida pelo então deputado Nilmário Miranda, que acompanhou a exumação e a identificação das ossadas e seu sepultamento oficial em 9 de abril de 1994 na cidade de Forquilhinha, após homenagens por ocasião do traslado na Câmara Federal, na USP, em São Paulo, na Assembléia Legislativa de Florianópolis, em Criciúma e Forquilhinha, sua terra natal (...)" Ainda do relato de Ivo Sooma, destacamos de sua conversa com o coveiro Milton: "(...) Afirma Milton que tem muita coisa a contar e que existem várias pessoas na cidade que também têm coisas para dizer. O bate-pau, (refere-se ao policial que era motorista de taxi - Luzimar Evaristo de Oliveira) e muita gente ficou rica. Passado mais de um ano foi encontrada a mala de Arno, jogada, abandonada em um terreno baldio. (...) Diz que, segundo ouviu dizer, Arno foi intimado por Luzimar e Gentil para ir à Delegacia, tendo se recusado. Luzimar sacou a arma e Arno atirou nele e em Gentil, correndo em seguida. A mala, que estava no taxi, ficou ali mesmo. Quando corria, foi atingido na perna por um tiro disparado pelo sub-delegado Benedito (do DOPS/GO). Parou em um terreno baldio onde havia um toco, atrás do qual se escondeu. Foi feito um cerco, de que participaram também populares. Foram buscar balas de fuzil com o delegado, capitão Alaor. Atingiram Arno. Na opinião de Milton, Arno foi morto na delegacia, pois tinha um tiro no ouvido. (...) Uns dez dias depois chegaram vários aviões. O cemitério, que na época não tinha cerca, foi todo cercado por aparato policial militar. Levaram o braço de Arno (...)." O laudo de necropsia, assinado pelo Dr. Sandoval de Sá, com o nome de Patrick McBundy Cormick, de uma forma genérica e irresponsável atesta como causa da morte possivelmente hemorragia interna, possivelmente produzida por projétil de arma de fogo. Registra ainda que o corpo teria grande número de orifícios parecidos com tiros e que provavelmente seriam do calibre 38, como se fosse possível uma pessoa capacitada para elaborar um laudo cadavérico não ter a certeza se as lesões são ou não produzidas por arma de fogo. O que não é possível determinar cientificamente é o calibre das balas que teriam originado os tiros. Diz o laudo: "(...) apresentava lesão perfuro-cortante sob reborda costal direita de mais ou menos 15 cm de diâmetro (...) lesão idêntica, porém de menor diâmetro, mais ou menos 10 cm, na linha axilar anterior ao nível do mamilo esquerdo; (...) deve-se deixar claro que além destas lesões o cadáver apresentava um grande número (total de 18) orifícios em todo o tórax e pescoço parecidos com aqueles produzidos por projéteis de armas de fogo, possivelmente de calibre 38 (...)." Apesar das lesões à faca ou baioneta, a versão da morte em tiroteio é mantida no auto de resistência e nos depoimentos de policiais e civis prestados na Delegacia de Polícia de Paraíso do Norte nos dias 15, 19, 20 e 21 de fevereiro de 1972 (fls. 24 a 37), com informações contraditórias que visam reforçar a versão oficial. Luzimar Evaristo de Oliveira relata: "(...) que no dia 14 do corrente mês, cerca das 03 horas da manhã, o declarante se encontrava no (....) Bar São José, em companhia dos policiais Luzimar Machado de Oliveira e Gentil da Costa Mano e o agente de polícia Benedito Luiz de Paiva, quando entrou no referido bar um indivíduo de mais ou menos 36 anos de idade, que após falar boa noite aos presentes se recostou no balcão do bar, ficando numa posição que mostrava acintosamente que portava uma arma de fogo, sendo que era bem visível a presilha da capa da arma e inclusive o espelho da mesma (...)." O relato segue dizendo que Arno teria se identificado a pedido de Luzimar e solicitado informações de um local para dormir, tendo como resposta que o único disponível ficava a 2 km do centro, tendo o próprio Luzimar se oferecido para levá-lo, por ser motorista de taxi. O mesmo Luzimar resolveu pedir a Arno que apresentasse seu porte de arma, já que a mesma era visível. Arno teria respondido não ter porte, sendo convidado a comparecer à DP. Como resposta, de imediato, Arno teria atirado em Luzimar e em Gentil. Declara ainda que antes de começar a atirar, Arno passara a pasta que portava da mão esquerda para a direita. Arno era destro, porquê, então, a referência a esse detalhe? Digo que certamente foi para justificar o fato de que a cena da morte foi montada com a arma junto à mão esquerda, como se vê na única foto resgatada. A versão é uma paródia. É totalmente inverossímil, pois jamais um guerrilheiro com o preparo de Arno Preis teria tido comportamento tão grotesco. As condições de clandestinidade em que vivia jamais permitiriam tais atitudes. Benedito Luiz de Paiva, do DOPS, faz depoimento semelhante, acrescentando alguns outros absurdos, como o de que Arno, ferido por ele em uma perna, teria se refugiado junto a um toco, onde estava tranqüilo fumando, enquanto o cerco se montava. De todas as versões oficiais, certamente a leitura dos depoimentos tomados torna esta uma das mais fantasiosas. Hora dizem que foi pedida a identidade a Arno ao chegar, hora que só souberam da identidade do morto depois da morte. O desaparecimento da pasta de Arno tem diversas versões, ninguém sabe e ninguém viu, pois dizem que conteria muito dinheiro. Todos são unânimes, entretanto, ao dizer que Arno foi cercado e morto a tiros. Mas teria sido mesmo assim? Talvez Arno tenha realmente chegado na madrugada, talvez em função das quedas seqüenciais que atingiam o Molipo, mas nunca agiria como descrito. E os ferimentos à faca ou baioneta? Foram produzidos como e quando? Não há qualquer referência a eles nos depoimentos tomados. Buscando elementos para desmascarar a versão oficial, foi solicitado parecer do perito Celso Nenevê, anexado às fls. 73 a 79. O perito refere-se à precariedade e omissões do laudo, feito na própria DP, restringindo-se à análise externa das lesões. Ressalta o que diz o próprio laudo: "(...) evidentemente, se houver interesse, as regiões anatômicas dos orifícios podem ser determinadas e bem caracterizadas bastando que haja bastante espaço (...)." Do exame, constata Celso Nenevê: "(...) O signatário do laudo determina duas lesões pérfuro-incisas, quais sejam: - lesão perfurocortante sob a reborda costal direita, de mais ou menos quinze centímetros de diâmetro, onde se via a presença de parenquima hepático bastante danificado, além de elementos normais da região; - lesão idêntica, porém de menor diâmetro, mais ou menos 10 cm, na linha axilar anterior, ao nível do mamilo esquerdo, que se caracterizam por serem as únicas devidamente descritas. As lesões pérfuro-incisas, conforme descritas são produzidas por instrumentos de natureza perfurocortantes, ou seja, dotados de ponta e gume, que atuam por mecanismo misto, definido da seguinte forma: 1. penetração do instrumento contra a superfície, causando a sua penetração. A profundidade varia conforme o comprimento da lâmina e a intensidade da pressão exercida, associado a: 2. deslizamento em profundidade produzindo cortes e promovendo, em conseqüência, a separação e secção das fibras dos tecidos transfixados. Este efeito é notadamente perceptível pela descrição 'onde se via a presença de parênquimas hepáticos bastante danificados, além de elementos normais da região'. As feridas desta natureza são consideradas graves em função dos danos sofridos pelos órgãos atingidos. As lesões desta natureza requerem necessariamente, quando de sua produção, uma proximidade entre vítima e agressor, o que diverge daquilo descrito nos autos, ou seja: '(...) Não tivemos outra alternativa senão fazer fogo no indivíduo no que resultou a morte do resistente Patric Mcbund Cormick (...)' Quanto às demais lesões produzidas por projéteis de arma de fogo, afirma o perito que a analise é prejudicada por total falta de elementos. Registra que, considerando a troca de tiros relatada, é presumível que as lesões pérfuro-incisas tenham ocorrido em momento posterior aos ferimentos perfurocontusos ou, pelo menos, depois de parte deles. O laudo não é conclusivo quanto às lesões pela precariedade de informações. Mas reforça nossas dúvidas, ou seja, talvez Arno ainda estivesse vivo, mas certamente imobilizado, quando foi cortado à faca ou baioneta, ou talvez valha o conhecimento dos fatos do General Gomes ao dizer que após matar um soldado da PM e ferir outro, apresentando 18 perfurações à bala no tórax e pescoço, é possível que na escuridão da madrugada, um soldado tenha furado o morto desta forma... Celso Nenevê ressalta, ainda, que o exame da única foto disponível revela contradição entre a posição da arma e do coldre, já que a arma está posicionada junto à mão esquerda do corpo e, embora seja possível empunhar uma arma com qualquer uma das mãos, o coldre deveria estar posicionado de forma condizente. Não temos, ainda, como recuperar os fatos que envolveram a morte de Arno Preis. Ficam muitas perguntas sem resposta não só quanto às reais circunstâncias em que foi ferido e morto, mas especificamente quanto às condições em que chegou na cidade e foi abordado. Nenhum guerrilheiro agiria com tamanha irresponsabilidade na sua vida clandestina. Muito menos Arno com sua experiência, andaria em bares ou bailes, de madrugada, com a arma e dinheiro aparentes, como a dizer: vejam, estou armado e tenho dinheiro! Há documentos oriundos dos arquivos do DOPS, um deles anexado ao processo, que demonstram estar o Molipo convivendo com um agente infiltrado. As mortes de militantes da organização que se iniciam em novembro de 1971 praticamente comprovam o fato. A tentativa de preservar a identidade de seu agente, poderia justificar versão tão grotesca. Fato é que os órgãos repressivos estavam na região. Em 02 de janeiro, em Natividade, prenderam, assassinaram e desapareceram com Ruy Carlos Vieira Berbert, somente localizado em 1991, com a versão de suicídio na DP de Natividade e enterrado com nome falso; em 09 de janeiro, em Porto União, executaram sumariamente Jeová de Assis Gomes, caso já analisado quando da Lei 9.140/95 e, em fevereiro, na pequena Paraíso do Norte, em plena terça-feira de carnaval, estavam os órgãos de segurança esperando por Arno. A dificuldade de obter a documentação necessária para provar definitiva e irrefutavelmente as circunstâncias da morte de Arno Preis pelos órgãos de repressão revela a persistência, passados mais de 30 anos, dos interesses em manter na sombra as cruéis formas de ação da ditadura militar. Mantenho meu voto de inclusão do nome de Arno Preis dentre os preceitos da Lei 9.140/95 e, tendo em vista a ampliação dos critérios de inclusão pela Lei 10.875/04 não há mais questionamentos possíveis. Voto pela inclusão do nome de Arno Preis dentre as vítimas fatais da ditadura militar, por entender que esta é uma reparação moral indispensável para resgatar tanto a sua memória, quanto a dignidade nacional. Reconhecer a responsabilidade do Estado no seu assassinato é um ato do presente voltado para o futuro, representando o mais vivo repúdio à violência, ilegalidades e torturas praticadas pelo Estado durante a vigência da ditadura militar. Suzana Keniger Lisbôa Relatora Comissão Especial - Lei 10.875/04 Em 26 de agosto de 2004. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110223/bb49c6a7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2734 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110223/bb49c6a7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 23 18:41:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 23 Feb 2011 18:41:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Entrevista_com_Doutora_Raquel_?= =?windows-1252?q?Rigotto=3A_A_heran=E7a_maldita_do_agroneg=F3cio?= =?windows-1252?q?=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Raquel Rigotto: A herança maldita do agronegócio. Manuela Azenha agencia Vi o Mundo, 22 de fevereiro de 2011 "O uso dos agrotóxicos não significa produção de alimentos, significa concentração de terra, contaminação do meio ambiente e do ser humano? Raquel Rigotto é professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Coordenadora do Núcleo Tramas ? Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, Raquel contesta o modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Brasil e prevê que para as populações locais restará a "herança maldita? do agronegócio: doenças e terra degradada. Desde 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos para se tornar o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, é também o principal destino de agrotóxicos proibidos em outros países. Na primeira parte da entrevista, Raquel fala sobre o "paradigma do uso seguro? dos agrotóxicos, que a indústria chama de "defensivos? agrícolas. De um lado todo mundo sabe que eles são nocivos. De outro se presume que haja um "modo seguro? de utilizá-los. O aparato legislativo existe. Mas, na prática? Raquel dá um exemplo: o estado do Ceará, que é onde ela atua, não dispõe de um laboratório para fazer exames sobre a presença de agrotóxicos na água consumida pela população. Ela começa dizendo que em 2008 e 2009 o Brasil foi campeão mundial no uso de venenos na agricultura. Na segunda parte da entrevista, Raquel diz que os agrotóxicos contribuíram mais com o aumento da produção de commodities do que com a segurança alimentar. Revela que cerca de 50% dos agrotóxicos usados no Brasil são aplicados na lavoura da soja. Produto que se tornará ração animal para produzir carne para os consumidores da Europa e dos Estados Unidos. Diz que o governo Lula financiou o agronegócio a um ritmo de 100 bilhões de reais anuais em financiamento ? contra 16 para a agricultura familiar ? e que foi omisso: não mexeu na legislação de 1997 que concedeu desconto de cerca de 60% no ICMS dos agrotóxicos. Enquanto isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) está completamente despreparado para monitorar e prevenir os problemas de saúde causados pelos agrotóxicos. Na terceira parte da entrevista Raquel diz que Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem sempre tem apoio dentro do próprio governo para tratar do problema dos agrotóxicos. Afirma que é tarefa de pesquisadoras como ela alertar o governo Dilma para a gravidade do problema, já definida por pesquisadores como uma "herança maldita? que as grandes empresas do agronegócio deixarão para o Brasil; doenças, terras degradadas, ameaça à biodiversidade. Ela lembra que o rio Jaguaribe, que corta áreas de uso intensivo de agrotóxicos, é de onde sai a água para consumo da região metropolitana de Fortaleza. Transcrição da entrevista: Viomundo ? O Brasil continua sendo o maior consumidor de agrotóxicos do mundo? Raquel Rigotto - Os dados de 2008 e 2009 apontaram isso, eu não vi ainda os de 2010. Mas nos anos anteriores tivemos esse triste título. V ? Por que a senhora acha que o Brasil vai nesse contra-fluxo? Os Estados Unidos e a UE proibindo o uso de agrotóxicos e o Brasil aumentando o consumo? RR - É um fenômeno que tem muito a ver com o contexto da reestruturação produtiva, inclusive da forma como ela se expressa no campo. Nós estamos tendo na América Latina, como um todo, uma série de empreendimentos agrícolas que se fundam na monocultura, no desmatamento, são cultivos extensivos, de área muito grande, então isso praticamente obriga a um uso muito intenso de agrotóxicos. Então tem a ver com a expansão do chamado agronegócio na América Latina, como um todo. V ? Existem pesquisas que comprovam os malefícios dos agrotóxicos? RR ? Sim, os agrotóxicos antes de serem registrados no Brasil, eles são analisados pelo Ministério da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente e eles são classificados de acordo com sua toxicidade para a saúde humana e de acordo com o seu impacto para o meio ambiente. Então desde o começo, quando eles são registrados, a gente já sabe que eles são produtos nocivos. Isso já vem descrito nas monografias que as próprias indústrias fabricantes apresentam para os órgãos dos governos. Aqueles que são classificados como grupo 1, por exemplo, do ponto de vista da toxicidade para a saúde humana, são aqueles que são extremamente tóxicos, depois vêm os altamente tóxicos e os moderadamente tóxicos ou os pouco tóxicos. Já sabemos desde o início que são substâncias nocivas à vida e têm impacto não só sobre as pragas mas sobre as pessoas e os ecossistemas. Agora, para além disso nós temos uma larga gama de estudos mostrando os impactos ambientais dos agrotóxicos, as contaminações de água, de ar, de solo, de redução da biodiversidade, de contaminação de alimentos, e também do ponto de vista da saúde humana, que vai desde a intoxicação aguda até os chamados efeitos crônicos. V ? Se a nocividade desses produtos é algo comprovado, por que eles não são banidos? RR - Na verdade, o que se construiu foi o que a gente chama de paradigma do uso seguro. Quer dizer, se reconhece que háuma nocividade mas também se propõe estabelecer condições para o uso seguro. Aí você tem limitações desde os tipos de cultivos em que cada produto pode ser usado, o limite máximo de tolerância dele no ambiente de trabalho, até mesmo na água de consumo humano, o tipo de equipamento de proteção que deve ser fornecido aos trabalhadores e também a informação que eles devem ter. Você tem um amplo aparato legislativo que criaria condições para um suposto uso seguro desses produtos. Mas a partir das experiências nossas aqui de cultivo na fruticultura irrigada para exportação no Ceará, a gente vem questionando muito se existe esse uso seguro. Por exemplo, o governo estadual, que tem o órgão estadual de meio ambiente, que deteria a atribuição de acordo com a legislação federal de monitorar os impactos ambientais dos agrotóxicos, não dispõe de um laboratório que seja capaz de identificar a contaminação da água por agrotóxicos. Na pesquisa, enviamos as amostras para Minas Gerais porque no Ceará não tem órgãos públicos que o façam. E nem mesmo no setor privado tem instituições de segurança. E existem uma série de outras evidências de que essas condições do uso seguro não estão vigendo. V ? Hoje o mundo precisa dos agrotóxicos? RR ? Vivemos um discurso de que os agrotóxicos redimiriam o mundo da fome. Isso nós experimentamos historicamente e própria ONU e a FAO reconhecem que houve o aumento da produção daquilo que chamamos hoje de commodities, como a soja, o açúcar, a cana, mas isso não implicou segurança alimentar e redução dos padrões de desnutrição e subnutrição entre os mais pobres. Ampliou-se a produção dessas commodities mas sequer a gente pode chamá-las de alimentos porque o problema da fome persiste. Quem produz alimentos, quem produz comida realmente no Brasil, é a agricultura familiar. No ano de 2008, mais de 50% dos agrotóxicos consumidos no Brasil foi nas plantações de soja. Essa soja é em grande parte exportada para ser transformada em ração animal e subsidiar o consumo europeu e norte-americano de carne. Então isso não significa alimentação para o nosso povo, significa concentração de terra, redução de biodiversidade, contaminação de água, solo e ar e contaminação dos trabalhadores e das famílias que vivem no entorno desses empreendimentos. Além das enormes perdas para os ecossistemas, o cerrado, a caatinga e até mesmo o amazônico, que está sendo invadido pela expansão da fronteira agrícola. Então é claro que deixar de usar agrotóxico não é algo que se possa fazer de um dia para o outro, de acordo com o que os agrônomos têm discutido, mas por outro lado nós temos muitas experiências extremamente positivas de agroecologia, que é a produção de alimentos utilizando conhecimentos tradicionais das comunidades e saberes científicos sensíveis da perspectiva da justiça sócio-ambiental. Esses sim, produzem qualidade de vida, bem viver, soberania e segurança alimentar, e conservação e preservação das condições ambientais e culturais. V - Como a senhora avalia a política do governo Lula em relação aos agrotóxicos? RR ? O governo Lula teve um papel muito importante na expansão do agronegócio no Brasil. Para dar dados bem sintéticos, o financiamento que o governo disponibilizou para o agronegócio anualmente foi em torno de 100 bilhões de reais e para a agricultura familiar foi em torno de 16 bilhões de reais. Então há um desnível muito grande. O governo Lula foi omisso em relação às legislações vigentes no Brasil desde 1997, que concedem uma isenção de 60% do ICMS para os agrotóxicos. Ou seja, existe um estímulo fiscal à comercialização, produção e uso dos agrotóxicos no país. Isso, evidentemente, atrai no espaço mundial investimentos para o nosso país, investimentos que trabalham com a contaminação. Também poderíamos falar das políticas públicas, continuamos com o Sistema Único de Saúde, que apesar de ser da maior importância enquanto sistema de universalidade, equidade, participação e integração, ainda é um sistema completamente inadequado para atender a população do campo. Ainda é um sistema cego para as intoxicações agudas e os efeitos crônicos dos agrotóxicos. E com raríssimas exceções nesse enorme país, é um sistema que ainda não consegue identificar, notificar, previnir e tratar a população adequadamente. Existe uma série de hiatos para a ação pública que precisam ser garantidos para que se possa respeitar a Constituição Federal no que ela diz respeito ao meio ambiente e à saúde. V ? Alguns agrotóxicos têm sido revistos pela ANVISA. Como esse processo tem corrido? RR ? A ANVISA pautou desde 2006, se não me engano, a reavaliação de 14 agrotóxicos. Segundo estudos inclusive dos próprios produtores, as condições relatadas no momento do registro tinham se alterado e, portanto, pensaram em reavaliar as substâncias. Esse processo vem correndo de forma bastante atropelada porque o sindicato da indústria que fabrica o que eles chamam de "defensivos agrícolas?, utiliza não só de suas articulações com o poder político no Senado Federal, com a bancada ruralista, mas também de influências sobre o Judiciário, e gerou uma série de processos judiciais contra a ANVISA, que é o órgão do Ministério da Saúde responsável legalmente por essas atribuições. Mas alguns processos já foram concluídos. V ? A senhora acha que essa reavaliação pode ser vista como um avanço na política nacional? RR ? A ANVISA é um órgão que tem lutado com competência para cumprir aquilo que a legislação exige que ela faça mas às vezes ela tem encontrado falto de apoio dentro dos próprios órgãos públicos federais. Muitas vezes o próprio Ministério da Agricultura não se mostra comprometido com a preservação da saúde e do meio ambiente como deveria, a Casa Civil muitas vezes interfere diretamente nesses processos, o Ministério da Saúde muitas vezes não tem compreensão da importância desse trabalho de reavaliação dos agrotóxicos. A ANVISA é uma das dimensões da política pública, no que toca às substâncias químicas, que vem tentando se desenvolver de maneira adequada, mas com muitos obstáculos. No contexto mais geral, a gente ainda enxerga poucos avanços. V ? As perspectivas daqui pra frente, no governo Dilma, não trazem muita esperança, então? RR ? Acho que vamos ter a tarefa histórica, enquanto pesquisadores, movimentos sociais e profissionais da saúde, de expor ao governo Dilma as gravíssimas implicações desse modelo de desenvolvimento agrícola para a saúde da população como um todo. Porque não são só os agricultores ou os empregados do agronegócio, os atingidos por esse processo. Aqui no nosso caso [do Ceará], por exemplo, o rio que banha essas empresas e empreendimentos, que é o rio Jaguaribe, é o mesmo cuja água é trazida para Fortaleza, para abastecer uma região metropolitana de mais de 5 milhões de pessoas. Essa água pode estar contaminada com agrotóxicos e isso não vem sendo acompanhado pelo SUS. Nós temos toda a questão das implicações da ingestão de alimentos contaminados por agrotóxicos na saúde da população. Em que medida esse acento dos cânceres, por exemplo, na nossa população, como causa de morbidade e de mortalidade cada vez maior no Brasil, não tem a ver com a ingestão diária de pequenas doses de diversos princípios ativos de agrotóxicos, que alteram o funcionamento do nosso corpo e facilitam a ocorrência de processos como esse, já comprovado em diversos estudos. Então é preciso que o governo esteja atento. Nós temos uma responsabilidade de preservar essa riqueza ambiental que o nosso país tem e isso é um diferencial nosso no plano internacional hoje. Não podemos deixar que nossa biodiversidade, solos férteis, florestas, clima, luz solar, sejam cobiçados por empresas que não têm critério de respeito à saúde humana e ao meio ambiente quando se instalam naquilo que elas entendem como países de terceiro mundo ou países subdesenvolvidos. V ? Por que o Brasil com tamanha biodiversidade, terra fértil e água necessita de tanto agrotóxico? RR ? Porque a monocultura, que é a escolha do modelo do agronegócio, ao destruir a biodiversidade e plantar enormes extensões com um único cultivo, cria condições favoráveis ao que eles chamam de pragas, que na verdade são manifestações normais de um ecossistema reagindo a uma agressão. Quando surgem essas pragas, começa o uso de agrotóxico e aí vem todo o interessa da indústria química, que tem faturado bilhões e bilhões de dólares anualmente no nosso país vendendo esse tipo de substância e alimentando essa cultura de que a solução é usar mais e mais veneno. Nós temos visto na área da nossa pesquisa, no cultivo do abacaxi, eram utilizados mais de 18 princípios ativos diferentes de agrotóxicos para o combate de cinco pragas. Depois de alguns anos, a própria empresa desistiu de produzir abacaxi porque, ainda que com o uso dos venenos, ela não conseguiu controlar as pragas. Então é um modelo que, em si mesmo, é insustentável, é autofágico. As empresas vêm, degradam o solo e a saúde humana e vão embora impunemente. Fica para as populações locais aquilo que alguns autores têm chamado de herança maldita, que é a doença, a terra degradada, infértil e improdutiva. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110223/d52a0691/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 23 18:41:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 23 Feb 2011 18:41:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Paulo Henrique Amorim: os cinco crimes capitais da Globo Message-ID: <56BFB889587A4154ADBF89E0A35AE21D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Paulo Henrique Amorim: os cinco crimes capitais da Globo No inesquecível encontro de blogueiros sujos em Fortaleza, o presidente do Instituto Barão de Itararé da Mídia Alternativa, Miro Borges, arrancou da plateia um minuto da vaia retumbante, quando bradou: William Bonner e a Fatima Bernardes não podem mais massacrar um candidato e pedir perdão a outro. E tome vaia. Por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada A caminho da saída, um blogueiro sujo perguntou a este ansioso blogueiro que cadeira sugerir para um Curso de Jornalismo para Blogueiros Sujos em Pernambuco. Este ansioso blogueiro sugeriu um curso de nome ?Os cinco crimes capitais da Globo?. E reproduziu o breve relato que tinha acabado de fazer a mil e tantas pessoas da plateia. Primeiro crime capital. A Globo começou como uma infratora. Ela não era a Globo quando nasceu, nas uma extensão do grupo americano Time-Life. O presidente Costa e Silva mandou o Roberto Marinho expulsar os americanos do Brasil. Delfim Netto, o ministro da Fazenda, chamou o Dr Roberto para conversar. Dr Roberto disse que não tinha dinheiro para continuar. E, ou vendia a Globo, inteira, ao Time-Life, ou comprava a parte do Time-Life se o governo enchesse a programação da Globo de anúncios do governo, comprados pela tabela ?cheia? de publicidade. Tabela sem desconto. E ninguém no mundo vende publicidade na tevê pela tabela ?cheia?. E Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa, a Eletrobrás ? o governo militar encheu o Roberto Marinho de tabela cheia e ele comprou a parte dos americanos. Foi assim que a Globo se tornou ?brasileira?. Segundo crime capital. Em 1982, a Globo coonestou numa patranha montada pelo governo Figueiredo para derrotar Leonel Brizola e dar a vitória a Wellington Moreira Franco, na campanha para governador do Rio. Foi a primeira eleição a usar computador no Brasil e o SNI operou uma empresa de ?tecnologia? chamada Proconsult, que introduziu um ?coeficiente Delta? no programa de apuração. O ?coeficiente Delta? tirava votos do Brizola e jogava na coluna dos ?brancos? e ?nulos?. O papel da Globo foi dar destaque às primeiras apurações da Proconsult, e anunciar na tevê, no rádio e no jornal que Wellington saía na frente e ia ganhar a eleição. O papel da Globo era criar o fato consumado. Melar a apuração e levar para a Justiça Eleitoral. A Globo foi a precursora da Fox, que ?elegeu? George Bush, antes de concluída a apuração, a vitória na eleição fraudada na Florida. Depois, a Suprema Corte confirmou a notícia da Fox. A partir dessa tentativa de Golpe da Globo, Brizola passou a lutar pelo ?papelzinho? da urna eletrônica. ?Papelzinho? que já é lei, mas que a dra. Cureau, sempre imparcial, quer rasgar. Sobre esse tema, o ansioso blogueiro escreveu, com Maria Helena Passos o livro ?Plim-Plim ? a peleja do Brizola contra a fraude eleitoral?. Terceiro crime capital. No dia 25 de janeiro de 1984, no primeiro comício das diretas, o jornal nacional entrou ao vivo da Praça da Sé, em São Paulo, para dizer que aquela multidão estava ali para comemorar o aniversário da cidade. Quarto crime capital. A edição do jornal nacional na véspera da eleição de 1989. O jornal nacional editou o debate entre Collor e Lula com instruções expressas de Roberto Marinho: tudo de bom do Collor e tudo de mau do Lula. Os autores da obra marinha foram o diretor de jornalismo Alberico de Souza Cruz e o editor de política, Ronald Carvalho. E editor que seguiu as instruções de Cruz e Carvalho, na ilha de edição, Octavio Tostes, deu histórico depoimento ao Sindicato dos Jornalistas do Rio, convidado pelo então diretor, Oswaldo Maneschy. E Tostes contou, ali, como foi a patranha. Cruz e Carvalho preferiram não aceitar o convite do Maneschy. Nesta mesa edição do jn, foi feita uma pesquisa por telefone ? naquela altura, 1989, só quem tinha telefone era branco de olhos azuis ? que atestava que Collor tinha vencido o debate. Por fim, o jn se encerrava com um editorial de Alexandre Maluf Garcia ? que continua a desempenhar o mesmo papel até hoje - para enaltecer a democracia: aquela democracia, que, logo antes, considerava que Collor vencera o debate. Quinto crime capital. Ali Kamel levou a eleição de 2006 para o segundo turno. Kamel, diretor de jornalismo ainda mais poderoso que Souza Cruz, omitiu o desastre da Gol em que morreram 154 brasileiros. (Porque dois pilotos americanos de um jato Legacy não ligaram o transponder.) Kamel omitiu a tragédia para não desmontar a paginação do jornal nacional, ali, na véspera da eleição do primeiro turno ? Lula, x Alckmin. O jn estava montado para tratar, quase que exclusivamente, da foto do dinheiro dos ?aloprados?. Como se sabe, um delegado da policia federal de São Paulo (sempre São Paulo!), o famoso delegado Bruno (onde anda o delegado Bruno ?) esqueceu as pilhas de dinheiro dos aloprados em cima da mesa. E, sem que ele percebesse, ou por mera coincidência, o Rodrigo Bocardi, da Globo e a Lílian Christofoletti, da Folha, passavam ali, na hora, e fotografaram tudo. Uma coincidência impressionante ! Essa histórica edição do jn ? talvez mereça capítulo dourado no próximo livro (sempre um best-seller) do Kamel ? mostrou também a cadeira vazia do Lula, que não foi ao debate da véspera, na Globo. Um trabalho golpista irretocável. O Conversa Afiada tratou deste momento inesquecível da carreira fulminante de Kamel no post ?O primeiro Golpe já houve. Falta o segundo?. Este ansioso blogueiro se ofereceu ao blogueiro sujo de Pernambuco para dar seu testemunho pessoal a dois segmentos do curso. O do ?crime da Proconsult? e o do ?crime do debate do Collor?. Este ansioso blogueiro sugeriu também que o paraninfo da turma seja o Mino Carta. E que a turma tenha o nome de ?Turma Ali Kamel ? 2010.? http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=148083&id_secao=6 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110223/590fe05a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 24 18:47:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 24 Feb 2011 18:47:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__RUY_FRAZ=C3O_SOARES___________________?= =?iso-8859-1?q?______________________-XLVIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem RUY FRAZÃO SOARES (1941 - 1974) Filiação: Alice Frazão Soares e Mário da Silva Soares Data e local de nascimento: 04/10/1941, São Luís (MA) Organização política ou atividade: PCdoB Data e local do desaparecimento: 27/05/1974. Recife (PE) Nascido em São Luiz (MA), viveu desde bebê no Rio de Janeiro até que, aos cinco anos, com a morte do pai, voltou para a terra natal com sua mãe e irmãos. Estudou no Colégio de Aplicação Gilberto Costa e no Liceu Maranhense. Ainda estudante secundarista, organizou uma banda que percorreu o interior do Maranhão. Colaborou em jornais de São Luís, publicando artigos sobre a situação dos professores estaduais. Mudou-se para Recife em 1961, iniciando o curso de Engenharia na Universidade Federal de Pernambuco. Começou a participar da Juventude Universitária Católica. Logo depois de abril de 1964, foi determinada a mudança da Faculdade de Engenharia para o Engenho do Meio, local de difícil acesso e sem estrutura adequada. Ruy Frazão era um dos representantes dos estudantes junto à Congregação e liderou a resistência dos alunos, sendo preso e experimentando pela primeira vez a violência da tortura. Libertado e ainda com a cabeça raspada, Ruy viajou para Boston, nos Estados Unidos, onde participou de um seminário sobre Economia do Desenvolvimento, como bolsista na Universidade de Harvard, expondo um trabalho que recebeu menção honrosa. Passando por Nova York em julho de 1965, denunciou na Assembléia das Nações Unidas as torturas que começavam a ser praticadas no Brasil. Voltando ao Brasil, sentiu que seria impossível concluir o curso de Engenharia, embora já estivesse no 5º ano, e decidiu retornar ao Maranhão para assumir o cargo de Exator Federal, que tinha conseguido mediante concurso ao terminar o curso científico. Foi nomeado para Viana, nas proximidades de Pindaré-Mirim, onde se engajou nas atividades do Movimento de Educação de Base, ligado à Igreja Católica, junto à população camponesa da região. Nessa época, Ruy estudava a obra de Teillard Chardin e se sentia esperançoso com o processo evolutivo da humanidade. Em novembro de 1966, recebeu a notícia de que tinha sido condenado a 2 anos de reclusão pela Justiça Militar, em Recife, devido à referida resistência estudantil em 1964/1965. A partir de 1967, quando já tinha se tornado militante da AP, teve papel destacado na orientação política junto ao movimento dos trabalhadores do rio Pindaré, luta que foi se ampliando até gerar um grave conflito armado, em julho de 1968, quando Manoel Conceição, principal lider entre os camponeses, foi baleado e detido, tendo de amputar uma perna por falta de atendimento médico na prisão. Ruy Frazão casou-se com Felícia Moraes em 1968, com quem teve o filho Henrique, nascido em 1972. Com a repressão generalizada que se abateu sobre o trabalho camponês desenvolvido pela AP no interior do Maranhão, Ruy teve de passar à vida clandestina, adotando a identidade de Luís Antônio Silva Soares. Na disputa interna vivida por essa organização clandestina entre 1971 e 1972, Ruy Frazão alinhou-se na ala que optou pelo ingresso no PCdoB. Residia, então, em Juazeiro da Bahia, na margem direita do rio São Franciso, em frente a Petrolina (PE). Fez um curso de técnico de rádio e televisão e, com Felícia, negociava artigos de artesanato. Na manhã do dia 27/05/1974, Ruy foi preso na feira de Petrolina, por três policiais armados de revólveres que o agrediram, ameaçaram de morte, algemaram e jogaram no porta-malas de uma viatura preta, da Polícia Federal. Conseguiu gritar para uma colega feirante: Avisa Licinha! Os policiais retornaram mais tarde para recolher as mercadorias e até a lona da barraca da Ruy. A feirante Lélia perguntou aos policiais para onde o tinham levado, recebendo como resposta que não era para se meter porque a boca era quente. Felícia de Moraes Soares, sua esposa, escreveu à Folha de S. Paulo, ao Jornal do Brasil e a diferentes órgãos da imprensa brasileira, embora consciente dos perigos que corria com essa atitude. Dona Alice, a mãe de Ruy Frazão, escreveu também uma carta ao ministro da Justiça Armando Falcão, que havia sido colega do seu marido no Instituto Nacional do Sal. Ela também viajou para Recife e lá procurou os altos comandos militares, encontrando sempre a mesma negativa: ninguém sabia de seu filho. O encaminhamento jurídico do caso também esbarrou na justificativa de sempre: Ruy não se encontrava em nenhuma dependência policial-militar. Quando foi preso o militante Alanir Cardoso, em setembro de 1974, em Pernambuco, os agentes lhe apresentaram uma foto de Ruy, de perfil, que havia sido feita no cárcere, e afirmaram: "o Comprido já virou presunto". Felícia e Henrique moveram uma ação judicial responsabilizando a União pelo desaparecimento de Ruy. Entre os que se ofereceram para testemunhar, está um ex-companheiro, que foi torturado até falar sobre a localização de Ruy Frazão. Esta ação foi vencedora, em 26/03/1991, quando a sentença do juiz Roberto Wanderley Nogueira, da 1ª Vara da Justiça Federal de Pernambuco, responsabilizou a União pela prisão, morte e ocultação do cadáver de Ruy Frazão Soares, sendo a decisão confirmada em outubro de 2002 e a União condenada a pagar uma indenização superior a 6,5 milhões de reais. Seus restos mortais, no entanto nunca foram entregues à sua família. Seu nome integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95 e batizou, em vários estados, ruas, praças e escolas. ======================================================================================================================== + Informações. RUY FRAZÃO SOARES Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu a 4 de outubro de 1941, em São Luiz do Maranhão, filho de Mário da Silva Soares e de Alice Frazão Soares. Desaparecido aos 33 anos de idade, em 27 de maio de 1974. Biografia publicada quando da passagem dos 14 anos de seu desaparecimento: "Com raízes que se estendem há mais de quatro gerações de famílias maranhenses, Ruy Frazão Soares nasceu no dia 4 de outubro de 1941, tendo sido o quinto dos sete filhos do casal, Mário da Silva Soares (professor e advogado) e Alice Frazão Soares. Ainda recém-nascido, Ruy mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até os 5 anos, quando retornou ao Maranhão face à morte de seu pai. Lá, estudou na escola pública - Colégio de Aplicação 'Gilberto Costa' e no Liceu Maranhense. Ainda estudante, organizou uma banda com a qual viajou por algumas cidades interioranas do Maranhão e colaborou com jornais de S. Luis, publicando artigos onde abordava a problemática dos professores estaduais e outros tópicos sociais daquela atualidade. Terminado o curso científico, Ruy confirmou o seu desejo de formar-se em Engenharia, curso que não era oferecido pela Universidade do Maranhão. Sua mãe decidiu enfrentar as dificuldades de um orçamento já limitado para apoiar o seu filho na busca de sua realização profissional. Iniciando o seu curso na Universidade Federal de Pernambuco, em 1961, Ruy logo começou a participar da JUC e a 'viver seu compromisso de cristão, desejoso de entender e concretizar com sua vida, o plano de Deus'. As reivindicações estudantis remetiam Ruy à configuração dos desvios da sociedade brasileira. Logo depois de abril de 1964, foi determinada a mudança da Faculdade de Engenharia para o Engenho do Meio, local sem restaurante, biblioteca e mal servido por transportes. Ruy, eleito representante discente junto à congregação, foi um dos líderes da resistência à mudança. Preso, ao sair da Faculdade, Ruy foi mantido incomunicável e submetido ao horror da tortura, que ele, com tenacidade, soube desqualificar. O seu silêncio, o comando de sua fala, teceu o fracasso do intento dos seus torturadores, além de confirmar que até o impossível, dentro da perspectiva animal e instintiva, pode tornar-se espaço para o exercício e ampliação da liberdade humana. Libertado e, ainda com a cabeça raspada, Ruy viajou para os Estados Unidos, onde como bolsista, na Harvard University, participou de um seminário 'Economia do Desenvolvimento', concluindo-o com a apresentação de um trabalho que mereceu uma 'menção honrosa'. Em Nova York, na Assembléia das Nações Unidas, pronunciou-se sobre as 'Torturas no Brasil' (julho 1965). De volta, percebendo a impossibilidade de concluir o seu curso de Engenharia (estando já no 5° ano), Ruy voltou ao Maranhão e assumiu o cargo de Exator Federal, obtido em concurso público, quando terminou o segundo grau. A sua nomeação para Viana o localizou no interior do Maranhão com os seus contrastes: de um lado os resíduos de uma aristocracia rural, de outro a opressão secular em que vivia a população rural maranhense. Nessa época, Ruy estudava a obra de Teilhard de Chardin e se sentia esperançoso com o processo evolutivo da humanidade. Em novembro de 1966, Ruy foi condenado a 2 anos de reclusão pela Justiça Militar acusado que fora, no processo 64/65, de "agitação da classe universitária." Acreditando que só através da organização consciente da maioria da população brasileira seríamos capazes, como sociedade, de satisfazer nossas necessidades e realizar nossos sonhos, Ruy confirmou o seu engajamento na Ação Popular. Casou-se com Felícia Moraes em 1968 e, no Pindaré-Mirim-MA participou da vida, das lutas e das experiências de organização dos trabalhadores rurais, aproveitando o trabalho iniciado pelo MEB (Movimento de Educação de Base), numa área em que o conflito pela posse da terra, incluía o assassinato de lavradores e de seus líderes políticos. Sem maiores oportunidades de escolha, passou a viver na clandestinidade, sob o nome de Luis Antônio Silva Soares, com todos os riscos, sofrimentos e limitações que o isolamento e o contexto político lhe impunham. Em 1972 nasceu o seu filho Henrique Ruy de Moraes Soares, sacudindo o seu coração com uma das maiores alegrias de sua vida. Para manter a família, Ruy fez um curso de técnico de rádio e televisão e, com Felícia, negociava artigos de artesanato do Ceará. Moravam em Juazeiro-Bahia. Politicamente continuava a pertencer à Ação Popular que, em parte, se fundiu com o Partido Comunista do Brasil (PC do B). Na manhã do dia 27 de maio de 1974, Ruy foi preso, na Feira de Petrolina, por três policiais armados de revólveres que o espancaram, o ameaçaram de morte, o algemaram e, contra sua reação e dos companheiros da feira, que vieram em sua defesa, foi jogado no porta-malas de uma camioneta negra. Suas últimas palavras, dirigidas a uma feirante foram: - Avisa Licinha! Logo em seguida, voltaram os policiais ao local da prisão para recolher as mercadorias e até a lona da barraca. A pasta de documentos e o dinheiro já haviam levado. D. Lélia, uma das feirantes, aproximou-se e perguntou para onde o levaram e qual a razão daquela prisão e recebeu a seguinte resposta: - Não se meta com o caso - é uma boca quente. Desde então, sua família começou a desesperada busca. Sua mãe viajou para Recife e lá procurou os altos comandos militares, encontrando sempre a mesma negativa: ninguém sabia de seu filho. O encaminhamento jurídico do caso também esbarrava na mesma justificativa: 'Ruy não se encontrava em nenhuma dependência policial-militar'. Felícia de Moraes Soares, sua esposa, escreveu à 'Folha de S. Paulo', ao 'Jornal do Brasil' e a diferentes órgãos da imprensa brasileira, embora consciente dos perigos que ameaçavam sua sobrevivência e a de seu filho. Ao então Ministro da Justiça - Armando Falcão, que havia sido colega do pai de Ruy, no Instituto Nacional do Sal, D. Alice enviou carta. No dia 6 de fevereiro de 1975, ouvimos atônitos o pronunciamento oficial do Governo, através daquele Ministro, dando o caso de Ruy por encerrado, por ter ele com mais outros três desaparecidos - 'destino ignorado'. Quando da prisão de Alanir Cardoso, em setembro de 1974, em Pernambuco, os torturadores lhe apresentaram uma foto de Ruy, de perfil, que sem dúvida, foi tirada do cárcere, afirmando: 'o Comprido já virou presunto'." Felícia e Henrique Ruy moveram uma ação judicial - processo n° 10.980-0, responsabilizando a União pelo desaparecimento de Ruy. Entre os que se ofereceram para testemunhar, está um ex-companheiro, que, vítima da selvageria instalada pela tortura, foi coagido a falar, indicando o endereço e o local de trabalho de Ruy. Esta ação foi vencedora, em 26 de março de 1991, quando a 1ª Vara da Justiça Federal de Pernambuco, responsabilizou a União pela prisão, morte e ocultação do cadáver de Ruy Frazão Soares, sem, entretanto, devolver os restos mortais. Foram advogadas neste processo as Dras. Ana Müller e Francisca Abigail Barreto Paranhos. =============================================================================== Por CELIA FRAZÃO SOARES LINHARES Irmã de Rui Frazão Soares, Professora Titular de Política Educacional da UFF. Portal: www.aleph.org.br 30 anos sem Rui Frazão Soares? "Eu já vivi 43 anos e tenho visto a vida como ela é. Sofrimento, miséria, crueldade... Vi meus companheiros de batalha morrerem sob o forte calor da África, e eu tomei esses homens em meus braços e vi seus olhos cheios de confusão, perguntando: por que? Eu não acredito que esses homens estivessem perguntando por que estavam morrendo, mas por que tinham vivido. Quando a vida por se só parece louca, quem sabe onde está a loucura; ver tesouros onde só existe lixo pode ser loucura, porém mais loucura é ver apenas a vida como ela é e nunca como ela poderia ser." Dale Wassermann Não há dúvidas de que o tempo administrado pelo capitalismo funciona como um seletor, ora apagando ou desqualificando marcas e traços deixados por grupos e sujeitos históricos que ativamente lutaram por seus sonhos de liberdade e justiça, ora apregoando triunfalmente as trajetórias conformistas, as desistências e os processos de cooptações que, em nome do poder e dos consensos, são realizadas diariamente. Há quem acredite que se a ditadura silenciou Ruy Frazão Soares e seus quase 500 companheiras e companheiros que foram subtraídos de nossa convivência como desaparecidos políticos e que suas mortes se multiplicam, em nosso cotidiano, por um tipo de assassinato menos perceptível que aqueles perpetrados pela ditadura, mas que vai esmaecendo e fazendo desbotar as cores de seus projetos de vida, a grandeza e a pujança de seus compromissos e desejos patrióticos e políticos. Temos que admitir que vivemos sob esta ameaça: a de que os serviços macabros da tirania, que não se extinguiram de nosso tecido social e político, acabem se acumpliciando com um tipo de esquecimento e nos condenem a perder as palavras, como um dos raros instrumentos a se opor à crueldade do terror e da onipotência expressa pela barbárie que matou e extinguiu adversários e opositores ao seu império ditatorial. Palavras que amadurecidas no meio da sociedade pudessem traduzir as dores, as tormentas, as revoltas, os espantos, os lutos, os medos, os pavores e os dilaceramentos por termos sido subtraídos de uma convivência que ampliava nossa porção mais ética, mais afetada pela construção de um presente dialogante e intenso onde cabiam o melhor dos passados, como penhor de um futuro, com o qual Rui Frazão Soares sempre nos convidou a sonhar e a conquistar, compartilhadamente. Recordando o 27 de Maio de 1974, quando Rui foi de modo brutal preso e espancado publicamente na Feira de Petrolina, para em seguida ser algemado e jogado numa mala de carro, que representou o empurrão fatal para os subterrâneos da tortura, das violências mais inomináveis e da própria morte, com a ocultação de seu corpo, um longo inverno de sombras, desesperos e procuras se abteu sobre nós. Esse nós, além de estar carregado com a tragédia familiar de dimensões indizíveis, também se entrelaça, civicamente, com os destinos de nosso povo, a quem Rui e seus quase 500 companheiros de sonho de um Brasil livre e justo, tanto apostou política e existencialmente. Não podemos deixar de considerar, em nosso tempo histórico, a intensificação com que se processa a erosão das memórias - sobretudo daquelas que inquietam privilégios pela afirmação de um sonho, um sonho experimentado como uma ação organizada, desdobrada num agir extremamente generoso - num período em que as apatias conformistas expandem mercados, concentram riquezas, com a mesma agressividade e consentimento social com que alimenta uma lógica de excludência e de rebaixamento das expectativas sociais e humanas. Se nesses 30 anos, sentimos passar cada vez mais velozes os minutos e as horas, com que vão nos arrancando, sorrateira e sutilmente esse bem social - nossa memória de sonhos e lutas pelo engrandecimento de nosso povo e pela sua soberania -,onde vidas heróicas como a de Rui e de seus companheiros e companheiras têm uma permanência inquestionável, não podemos deixar de experimentar as ressonâncias que sua potência continua exercendo politicamente. Em múltiplas viagens profissionais, raras vezes quando falamos para auditórios ampliados, não encontramos alguém que tenha convivido direta ou indiretamente com Rui - em sua intensa trajetória de 33 anos. Jovens e velhos reverenciam em Rui a memória de um estudante e de um trabalhador que aliou a delicadeza da vida amorosa a um sonho exigente de conquista de dignidade para e com os oprimidos desse nosso Brasil. Em várias cidades de nosso país, avenidas, praças, cieps e centros educacionais ganham o nome de Rui Frazão Soares como um emblema de um saber capaz de repercutir numa busca contínua de uma vida melhor para todas e todos dessa infinita e múltipla legião humana e vital à qual pertencemos. Quando percebemos o dinamismo de movimentos como os do MST, os dos Negros, os das Mulheres, os dos Jovens e o dos que afirmam seus direitos às suas escolhas sexuais, os dos ecologistas sabemos que Rui Frazão Soares, e os que lutaram ao seu lado, está presente, não deixando extinguir as esperanças de uma includência que envolva a todas e todos, não só por tentarmos, sem tréguas nos tornarmos mais iguais, mas também, por afirmarmo-nos diferentes e plurais. Isto significa que as fagulhas de seu testemunho continuam nos alimentando, abrindo caminhos para um exercício ético que só tem vigência quando acreditamos que o terror não é nem maior e nem mais forte do que o desejo humano e vital de liberdade. Essa é um legado inextinguível de Rui Frazão Soares. Tal Antígona que buscando enterrar o corpo de seu irmão luta por uma outra Tebas, também todos nós que ficamos, nos fazemos herdeiros desses sonhos de solidariedade vividos por RUI e procurando deles sermos dignos, os ressignificamos a cada dia enquanto nos é dado viver. Afinal estamos certos de que pior do que não saber porque morrer é não saber porque viver. E Rui nesses 30 anos esteve dentro da sociedade brasileira e em nossos corações nos ajudando a viver, com sentido, ampliando com seu testemunho um tipo de compartilhamento com que gestamos um empenho de dignificação para o povo brasileiro. Assim, tomando emprestado palavras e canção de Caetano Velozo, lembramos Rui Frazão Soares para quem amar e viver foram ações conjugadas com alegria e sorriso; sorriso de quem sabe por que morreu e para que viveu. "Enquanto os homens exercem seus podres poderes Morrer e matar de fome de raiva e de sede São tantas vezes gestos naturais Eu quero aproximar meu cantar vagabundo Daqueles que velam pela alegria do mundo Indo mais fundo..." http://www.esp -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110224/6649bb21/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5165 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110224/6649bb21/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 1214 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110224/6649bb21/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 24 18:47:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 24 Feb 2011 18:47:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=5BBrasil_de_Fato=5D_McDonald?= =?windows-1252?q?=B4s=3A_Maus_tratos_e_superexplora=E7=E3o?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem DESTAQUES McDonald´s Maus tratos e superexploração Nesta semana, nas bancas, o jornal Brasil de Fato traz uma grande reportagem sobre a superexploração e maus tratos que sofrem os jovens e adolescentes na maior rede fast food do mundo. Confira trechos Michelle Amaral NACIONAL Rede Walmart Cliente negra sofre racismo em supermercado Dona-de-casa de 56 anos foi parar no hospital depois de ser acusada de furto Jorge Américo Entrevista Brasil registra primeiro caso de indiciamento por tortura motivada por racismo Jorge Américo Moradia em São Paulo Jornada reúne comunidades em luta por moradia em São Paulo Patrícia Benvenuti São Paulo Projeto revela péssimas condições de presídios femininos Danilo Augusto Metrô em São Paulo A política do aperto Eduardo Sales de Lima Justiça Quem matou o cacique Verón Egon Heck e Vanessa Ramos Entrevista Como o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos Raquel Júnia INTERNACIONAL Chile Justiça condena líderes mapuches Os advogados de defesa já adiantaram que pedirão a anulação do julgamento por inconsistência das provas Da redação WikiLeaks Juiz britânico determina extradição de Assange para a Suécia Da redação Colômbia Uma oportunidade para a paz Marcela Valente CULTURA Política Cultural Ana de Hollanda promete "portas abertas" a Pontos de Cultura Ministra garante diálogo sobre futuro do programa Cultura Viva, cujo principal expoente são os Pontos de Cultura Anselmo Massad O fotógrafo da Revolução Russa Confira exposição de Aleksandr Ródtchenko na Pinacoteca de São Paulo Do portal da Pinacoteca de São Paulo ANÁLISE A voz das ruas árabes As revoltas populares fortalecem a confiança e aumentam a autoestima do povo, politizam as pessoas e põem as lutas em movimento Editorial Brasil de Fato (ed. 417) Manifesto de Intelectuais e Artistas contra o aumento Ônibus caro SP ?O silêncio é ouro e a palavra é prata? Dora Martins Sade e Berlusconi Leandro Konder Em nome de Deus? João Brant EDIÇÃO 417 ASSINATURAS Assine o BRASIL DE FATO impresso e receba todas as semanas, em sua casa, um jornal comprometido com uma visão popular dos fatos do Brasil e do mundo. Você pode pagar com cartão de crédito, cheque ou boleto bancário. Clique aqui e veja como é fácil assinar o Brasil de Fato agora mesmo, pela internet, ou então ligue para (0xx11) 2131-0800. Esse é o boletim informativo do jornal Brasil de Fato, enviado eletronicamente. Se você não quer mais recebê-lo, envie um e-mail para o endereço agencia at brasildefato.com.br e coloque no assunto: descadastramento. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110224/29319b48/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 24 18:47:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 24 Feb 2011 18:47:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] " A arte de seduzir" por Frei Betto Message-ID: <67B64302D7BB48B99C0A9494F7ADA0FA@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A arte de seduzir Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Toda ditadura é megalômana. E a que governou o Brasil sob botas e fuzis, de 1964 a 1985, não foi diferente. A construção da rodovia Transamazônica simboliza a arrogância do regime militar. Rasgou-se a selva de leste a oeste. Abriu-se a estrada em paralelo a caudalosas vias fluviais. Em vez de aprimorar o sistema de navegação pelo rio Amazonas e seus afluentes, a ditadura preferiu obrigar a floresta a ajoelhar-se a seus pés. Possantes máquinas puseram abaixo árvores milenares encorpadas de madeiras nobres, destruíram ecossistemas preciosos, alteraram o equilíbrio ecológico da região. Tudo em nome de uma palavra tão propalada e, no entanto, vazia de significado: desenvolvimento. Leia-se: exploração predatória da maior floresta tropical do mundo, aberta à voracidade de mineradoras, madeireiras e, sobretudo, do latifúndio predador, quase sempre movido a trabalho escravo. "No meio do caminho havia uma pedra", repetiria Drummond. Povos indígenas. Como impedir que oferecessem resistência? Simples: através da arte de seduzir. A Funai ergueu tapini (cabanas de folhas). Dentro, utensílios de caça e cozinha, ferramentas etc. Os índios, encantados com os objetos, acolhiam gentilmente os caras-pálidas. E ingenuamente eram cooptados pelas relações mercantilistas. Em troca de bugigangas perdiam saúde, terras, liberdade e vida. Detalhe: o mato, não o gato, comeu a Transamazônica, fonte de riqueza e poder de umas tantas empreiteiras. Hoje, os índios somos todos nós. Os tapini, os shopping, a publicidade, as veneráveis bugigangas que nos agregam valor. O inumano imprime sentido ao humano, como faziam os deuses de ouro denunciados pelos profetas bíblicos: tinham boca, mas não falavam; olhos, mas não viam; ouvidos, mas não escutavam; pés, mas não andavam... Estamos todos somos sob o efeito hipnótico do consumismo. Não importa se o produto é frágil ou de má qualidade. Seu design nos cativa. Sua publicidade nos faz acreditar que estamos comprando a oitava maravilha do mundo! E, ingenuamente, que se trata de um produto durável, mesmo conscientes de que o capitalismo não se importa com o direito do consumidor, e sim com a margem de lucro do produtor. Como se livrar do labirinto consumista que, na verdade, se consuma nos consumindo? Não vejo outra porta de saída fora da espiritualidade, somada a uma nova visão do mundo. Sem espiritualidade corremos o risco - sobretudo os mais jovens - de dar importância àquilo que não tem. Imbuídos da baixa autoestima que nos incute a publicidade ("você não é ninguém porque não possui este carro, não veste esta roupa, não faz esta viagem...") encaramos a mercadoria como algo que nos agrega valor. Não basta a camisa, a bolsa ou o tênis. Têm que ser de grife, com a etiqueta exibida do lado de fora. Assim, todos à nossa volta haverão de reconhecer o nosso status. E quiçá invejar-nos. E aquele ser humano que, ao lado, carece de produtos refinados, é visto como não tendo nenhuma importância. Pois não se enquadra no atual princípio pós-cartesiano: "Consumo, logo existo." É espiritualizada toda pessoa cujo sentido de vida deita raízes em sua subjetividade e cujas opções são movidas por ideais altruístas. Ela não faz do que possui -conta bancária, títulos, casa, carro etc.- seu fator de autoestima. Sabe que tem valor em si, que não é nutrido pela posse de bens e sim por sua capacidade de fazer o bem aos outros. Sua autoestima se funda na generosidade, solidariedade e compaixão. Ela é feliz porque sabe fazer outras pessoas felizes. O mercado tudo oferece. Todos os seus produtos nos chegam embrulhados em papel de presente: se compramos este carro, seremos felizes; se bebemos aquela cerveja, nos sentiremos alegres; se adquirimos tal roupa, ficaremos joviais. O único bem que o mercado jamais oferta é justamente este que mais buscamos: a felicidade. No máximo, o mercado tenta nos convencer de que a felicidade é o resultado da soma de prazeres. Ora, a felicidade é um bem do espírito, jamais dos sentidos, da cobiça ou da arrogância. É feliz quem ousa destampar o próprio ego e conectar-se com o Transcendente, o próximo e a natureza. Esse irromper para fora de si mesmo tem nome: amor. E se manifesta nas dimensões pessoal, no dom de si ao outro, e na social, no empenho de construir um mundo melhor. [Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando - nos cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco), entre outros livros. www.freibetto.org - twitter:@freibetto -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110224/07db41ac/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 25 19:29:29 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 25 Feb 2011 19:29:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_RUBENS_BEIRODT_PAIVA___________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-XLIX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem RUBENS BEIRODT PAIVA (1929-1971) Filiação: Aracy Beirodt Paiva e Jaime de Almeida Paiva Data e local de nascimento: 26/09/1929, Santos Organização política ou atividade: não definida Data e local do desaparecimento: 20/01/1971, Rio de Janeiro Paulista de Santos, engenheiro civil, empresário, Rubens Paiva tinha sido, em abril de 1964, vice-líder do PTB na Câmara dos Deputados, o mesmo partido político do presidente deposto. Teve seu mandato cassado imediatamente, conseguiu asilo na embaixada da Iugoslávia e viveu durante alguns anos no exílio. Desapareceu em janeiro de 1971. Não houve processo na CEDMP porque a família não requereu a indenização prevista, preferindo a via do Poder Judiciário para garantir a devida reparação. Rubens Paiva era casado com Eunice Paiva, que integrou a CEMDP nos meses iniciais de suas atividades. Tiveram cinco filhos. Em 1982, Marcelo Rubens Paiva, o filho que se tornou escritor e que tinha 11 anos em 1971, emocionou o país ao relatar o grave acidente que o deixou paraplégico, evocando também suas memórias sobre o desaparecimento do pai, em Feliz ano velho, livro de grande sucesso entre a juventude, vencedor do Prêmio Jabuti e levado ao teatro e ao cinema. Rubens formou-se engenheiro civil em 1954, na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, em São Paulo, sendo escolhido orador da turma. Quando universitário, foi presidente do centro acadêmico de sua faculdade e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Também desenvolveu atividades jornalísticas. Parlamentar muito ativo, defensor das bandeiras nacionalistas desde a luta pela criação da Petrobras, Rubens Paiva foi cassado pelo primeiro Ato Institucional como represália a sua corajosa participação na CPI do IBAD - Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que apurou o recebimento de dólares provenientes dos Estados Unidos por segmentos de direita, inclusive militares, que estariam envolvidos na geração do ambiente político favorável ao Golpe de Estado que terminou se consumando em abril de 1964. Não sendo militante de qualquer organização clandestina de oposição ao regime ditatorial, voltou a se instalar em seu país, mantendo atividade empresarial regular e próspera. Há registros de que, em 1970, teria reunido documentação empresarial a respeito de corrupção em contratos para a construção da ponte Rio-Niterói, uma das obras que foram conduzidas como alta prioridade pelo regime militar, no período repressivo mais agudo. No dia 20/01/1971, feriado de São Sebastião do Rio de Janeiro, depois de voltar da praia com duas filhas e receber telefonema de uma pessoa que dizia querer entregar-lhe correspondência do Chile, sua residência, no Leblon, foi invadida, vasculhada e ocupada por agentes dos órgãos de segurança. Rubens tratou de acalmar a todos e foi levado preso, tendo dirigido seu próprio carro até o Quartel da 3ª Zona Aérea, junto ao aeroporto Santos Dumont. Foi essa a última vez que a família o viu. No dia seguinte, sua mulher e Eliane, a filha de 15 anos, foram presas e levadas para o DOI-CODI/RJ, onde permaneceram sem poder se comunicar com Rubens, apesar de os agentes policiais confirmarem que ele se encontrava lá. Interrogadas várias vezes, Eliana foi libertada 24 horas depois e Eunice apenas no dia 2 de fevereiro. Ao ser solta, Eunice viu o carro de Rubens no pátio interno do quartel, que posteriormente lhe foi entregue sob recibo. Relata Elio Gaspari em A Ditadura Escancarada: "Levaram-no para uma sala e acarearam-no com duas senhoras (Cecília Viveiros de Castro e Marilena Corona). Os três foram obrigados a ficar de pé, com os braços levantados. Era um fio que começara a ser puxado pelos serviços de informação do governo dois dias antes, em Santiago do Chile. Elas haviam visitado os filhos, tomaram o avião de volta ao Rio e foram presas ao desembarcar. Na bagagem de uma delas acharam-se pelo menos duas cartas endereçadas a Rubens Paiva. Uma era de Almino Affonso. Outra vinha de Helena Bocayuva, filha do ex-deputado Luiz Fernando (Baby) Bocayuva Cunha. Militante do MR-8, ela fora fiadora da casa do Rio Comprido onde ficara o embaixador americano Charles Elbrick. Mesmo tendo sido identificada e fotografada durante o seqüestro, escapulira para o exílio. Rubens Paiva, amigo e sócio de seu pai, escondera-a no Rio. Uma das senhoras sentiu se mal, Rubens Paiva amparou-a, foi golpeado por um oficial e respondeu com um palavrão. Surrado, ficou estendido no chão. Horas depois anunciaram que iam levá-lo para o Aparelhão. Era o DOI da Barão de Mesquita. No caminho ele reclamava de que não conseguia respirar, mas chegou consciente ao quartel da Polícia do Exército.(...) Passava pouco de uma hora da madrugada do dia seguinte, quando Amílcar Lobo, aspirante-a-oficial e médico do DOI, foi acordado em casa e levado para o quartel. Subiu à carceragem do segundo andar e lá, numa das celas do fundo do corredor, encontrou um homem nu, deitado, com os olhos fechados. Tinha todo o corpo marcado de pancadas e o abdômen enrijecido, clássico sintoma de hemorragia interna. 'Rubens Paiva', murmurou duas vezes o preso, abrindo os olhos". Para justificar o desaparecimento de Rubens, o Exército divulgou nota à imprensa informando que ele teria sido resgatado por terroristas quando era transportado pelos agentes do DOI-CODI, em 22/01/1971. Tentando dar credibilidade à fuga, as autoridades do Estado fizeram registros do suposto seqüestro na Delegacia Policial da Barra da Tijuca. Abriram sindicância para investigar e deliberadamente suspenderam a férrea censura que impunham a esse tipo de noticiário, convocando a imprensa para cobrir a investigação. Mas a história montada era completamente inverossímil. Pela primeira vez, o regime militar começou a ser pressionado publicamente a responder pelos assassinatos sob tortura. Eunice Paiva recorreu ao STM, tendo negado o seu recurso. O caso foi também levado ao CDDPH - Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, mas o seu presidente, ministro da Justiça Alfredo Buzaid, desempatou a votação para indeferir o pedido de investigação. A morte de Rubens Paiva também é referida no relatório feito por Inês Etienne Romeu, sobrevivente da "Casa da Morte", em Petrópolis. Ela relata que um de seus carcereiros, conhecido como "Dr. Pepe" contou-lhe que haviam cometido um erro ao matar Rubens Paiva. Trechos da reportagem de Márcio Bueno, publicada em Retratos do Brasil, 23 a 29 de março de 1987, com o título "O caso Rubens Paiva, um homicídio executado e até hoje acobertado pelos setores militares" recolhida do site www.desaparecidospoliticos.org.br, resgata os fatos com todos os seus detalhes. Em 1985, foi solicitada a reabertura do inquérito pelo procurador geral da Justiça Militar, Francisco Leite Chaves. Presidido pelo delegado Carlos Alberto Cardoso, o inquérito conduziu as investigações até concluir que Rubens Paiva fora morto nas dependências do Pelotão de Investigações Criminais/RJ. Quando chegou a este ponto, o encarregado julgou-se incompetente para prosseguir e remeteu o inquérito para a Justiça Militar. O comandante militar da Região Leste, general Brum Negreiros, indicou o general Adriano Áureo Pinheiro para presidir o IPM. O general Adriano não pediu a indicação de um procurador para acompanhar as investigações, como é praxe nesses casos, cabendo a iniciativa ao próprio Leite Chaves, que indicou o procurador Paulo César de Siqueira Castro. Paulo César enfrentou inúmeras dificuldades para se desincumbir de sua missão, mas persistiu no esforço. O presidente do inquérito impediu que ele acompanhasse as investigações, recusou-se a ouvir as testemunhas indicadas e, por fim, ignorou o prazo de 40 dias que teria para concluir o IPM. Diante de tantas barreiras, Paulo César começou a fazer investigações paralelas, justificando sua atitude com a falta de confiança quanto ao interesse do encarregado do IPM em realmente apurar os fatos. Chegou a cinco nomes indicados por Leite Chaves como responsáveis pelas torturas, morte e ocultação do cadáver de Rubens Paiva: coronel Ronald José da Motta Batista Leão, capitão de Cavalaria João Câmara Gomes Carneiro, apelidado na Academia Militar de João Coco, o sub-tenente Ariedisse Barbosa Torres, o major PM/RJ, Riscala Corbage e o segundo-sargento Eduardo Ribeiro Nunes. Em março de 1987, o delegado Carlos Alberto foi assassinado em um duvidoso assalto. Em todos esses anos, surgiram muitas hipóteses a respeito de onde estaria o corpo de Rubens Paiva. Buscas e escavações foram feitas, sem qualquer resultado. O caso do parlamentar cassado e desaparecido foi evocado por Ulisses Guimarães no emocionado discurso em que promulgou, em 05/10/1988, na qualidade de presidente da Assembléia Nacional Constituinte, a nova Carta Magna que marcou o reencontro do Brasil com o Estado Democrático de Direito. ===================================================================================================================== + Informações. RUBENS BEIRODT PAIVA Nasceu em 26 de dezembro de 1929, em Santos, Estado de São Paulo, filho de Jaime de Almeida Paiva e Aracy Beirodt Paiva. Casou-se em 1952 com Maria Eunice Facciola Paiva. Diplomou-se Engenheiro Civil em 1954 na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, sendo orador de sua turma. Tinha o registro CREA n° 10.200-A - 6ª Região. Participou de todos os grandes momentos da vida nacional. Quando universitário, foi Vice-Presidente da União Estadual de Estudantes e depois Engenheiro e Deputado Federal, sendo eleito Presidente da Comissão de Transportes, Comunicação e Obras da Câmara Federal. Foi vice-líder do PTB na Câmara. Foi vice-Presidente da CPI do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), além de suas atividades jornalísticas. Ativo deputado federal, defensor das bandeiras nacionalistas desde a luta pela criação da Petrobrás, Rubens Paiva foi cassado pelo Ato Institucional n° 1 em 1964, em decorrência de sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito do IBAD, que apurou o recebimento, pelos generais comprometidos com o golpe militar, de dólares provenientes dos Estados Unidos, em 1963. No dia 20 de janeiro de 1971, depois de receber um telefonema de uma pessoa que queria lhe entregar correspondência do Chile, sua casa em Ipanema foi invadida, vasculhada e ele levado, em seu próprio carro, para o Quartel da 3ª Zona Aérea e depois para o DOI-CODI/RJ. Sua casa ficou ocupada e, no dia seguinte, Eunice Paiva, sua mulher, e Eliane, sua filha de apenas 15 anos, foram também levadas ao DOI-CODI/RJ, onde ficaram sem conseguir avistar-se com ele, apesar da confirmação dos agentes do DOI de que ele se encontrava lá. Interrogadas várias vezes, sua filha foi libertada 24 horas depois e sua esposa somente 12 dias após. A acusação que pesava sobre Rubens Paiva era a de manter correspondência com brasileiros exilados no Chile. O Exército, para justificar o desaparecimento de Rubens, divulgou nota à imprensa informando que ele teria sido resgatado por seus companheiros "terroristas" ao ser transportado pelos agentes do DOI/CODI, em 28 de janeiro de 1971. Tal versão foi criada, evidentemente, para encobrir o assassinato sob torturas, já que havia testemunha da prisão de Rubens, não só sua mulher e a filha Eliana, mas de outra presa política,Cecília Viveiros de Castro, acareada com Rubens no quartel da 3ª Zona Aérea. Em seu Relatório, Inês Etienne Romeu diz que um dos carrascos da "Casa da Morte", em Petrópolis, onde esteve, conhecido como Dr. Pepe, contou-lhe que Rubens morreu lá. Em 1986, em várias matérias da grande imprensa e, em 08 de abril de 1987, a revista "Isto É", na matéria "Longe do Ponto Final", há declarações do ex-médico torturador Amílcar Lobo que afirmava ter visto e atendido Rubens Paiva no DOI-CODI/RJ, quando lá esteve preso, em janeiro de 1971. Declara que Rubens "era uma equimose só" e que no dia seguinte - não sabe precisar o dia - soube que havia morrido. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que foi "preso em jan/71. Dias depois, segundo a imprensa, evadiu-se de um carro, quando estava sendo transportado, por agentes do DOI, para outro local, tendo sido instaurado um IPM para apurar o fato, tendo suas conclusões sido amplamente divulgadas pela imprensa. Neste órgão, não há dados que confirmem a versão de que estaria morto." Já o do Ministério do Exército afirma que "consta que o nominado, quando conduzido para que indicasse a casa onde poderia estar um elemento que trazia correspondência de banidos que viviam no Chile, foi resgatado nas imediações do Alto da Boa Vista pelos ocupantes de dois carros que interceptaram a viatura em que viajava, após travarem tiroteio com a equipe que o escoltava... Em out/87, o Procurador Geral da Justiça Militar determinou o arquivamento do processo, por extinção da punibilidade do réu, com base na Lei da Anistia.... Após o episódio da interceptação e fuga, não existe registro sobre o seu paradeiro." A versão do Relatório do Ministério da Marinha é: "Dez/70, preso por atividades subversivas da organização terrorista VPR. Quando foi mostrar a casa onde moravam terroristas, fugiu, tendo o carro em que se encontrava sido atacado por subversivos. Houve troca de tiros, tendo um terrorista sido ferido e apanhado pelos companheiros sem ser identificado." Trechos da reportagem de Márcio Bueno, publicada em Retrato do Brasil, 23 a 29 de março de 1987, com o título "O caso Rubens Paiva, um homicídio executado e até hoje acobertado pelos setores militares": "O caso Rubens Paiva caminhava finalmente para um desfecho. Quase ninguém mais acreditava que um dia se pudesse chegar aos responsáveis pelo seu assassinato e que se pudesse localizar os seus restos mortais. A elucidação do caso está acontecendo devido a desavenças entre homens que integraram os sinistros órgãos de repressão, dando sangue novo a uma máxima já desmoralizada - a que diz não haver crime perfeito. A reabertura do inquérito foi pedida no ano passado pelo então procurador geral da Justiça Militar, Francisco Leite Chaves (que assumiu a sua cadeira de senador, na última quarta-feira, dia 18), exatamente porque a versão oficial falava no seqüestro do deputado por um grupo de terroristas. Este crime escapa à Lei da Anistia e só prescreve depois de 20 anos, o que ocorreria em 1991. Leite Chaves determinou à Polícia Federal que reabrisse o inquérito. O superintendente do órgão, Romeu Tuma, escolheu para presidi-lo o delegado Carlos Alberto Cardoso, garantindo ao procurador-geral, que ele não recuaria diante das dificuldades que porventura surgissem. De fato, o delegado indicado conduziu as investigações até concluir que Rubens Paiva fora morto nas dependências do PIC (Pelotão de Investigações Criminais) do Rio. Quando chegou a este ponto julgou-se incompetente para prosseguir e remeteu o inquérito para a auditoria do Exército do Comando Militar Leste. Longe demais. Tudo indica, no entanto, que o delegado Carlos Alberto Cardoso já tinha ido longe demais para os padrões de tolerância dos envolvidos no caso... Ao chegar à Auditoria do Exército, o comandante militar da Região Leste, general Brum Negreiros, indicou o general Adriano Áureo Pinheiro para presidir o IPM (Inquérito Policial Militar). E aconteceu o que era de se prever, pelo menos se for considerado o antecendente das investigações sobre o atentado ao Riocentro. O general Adriano não pediu a indicação de um procurador para acompanhar as investigações, o que é praxe nestes casos, cabendo a iniciativa ao próprio Leite Chaves, que indicou o procurador Paulo César de Siqueira Castro. Paulo César encontrou todas as dificuldades para se desincumbir de sua missão, mas não desanimou. O presidente do inquérito simplesmente impediu que ele acompanhasse as investigações, recusou-se a ouvir as testemunhas que ele indicou e por fim ignorou o prazo de 40 dias, que teria para concluir o IPM. Não concluiu, não deu satisfações e sequer pediu prorrogação do prazo, demonstrando um desprezo profundo pela Justiça. Diante do que encontrou, Paulo César arregaçou as mangas e começou a fazer investigações paralelas, justificando com a falta de confiança no trabalho do IPM. O procurador chegou aos 5 nomes indicados por Leite Chaves como os responsáveis pelas torturas, morte e ocultação do cadáver de Rubens Paiva. Os acusados. São o coronel Ronald José da Motta Batista Leão, que foi chefe da II Sessão do I Exército, hoje Comando Militar Leste, e comandante do PIC, o Capitão de Cavalaria João Câmara Gomes Carneiro, apelidado na Academia Militar de João Coco, o sub-tenente Ariedisse Barbosa Torres, o major PM-RJ, Riscala Corbage e o segundo-sargento Eduardo Ribeiro Nunes... Cisão Militar. Um dos principais colaboradores da Justiça neste caso foi o psiquiatra Amílcar Lobo, que atuou na repressão política como médico que avaliava as condições clínicas dos torturados, para novas sessões de torturas. Depois que foi reconhecido por um grupo de presos politicos, há cerca de 5 anos, o 'doutor Carneiro', apelido irônico que recebeu de seus colegas nos porões da repressão, admitiu a participação, mas ressalvando que atuava como médico que aliviava as dores e procurava salvar os torturados... Depois de várias ameaças e de se safar de pelo menos um atentado, Amílcar Lobo concluiu que sua melhor defesa era denunciar seus antigos colegas de profissão História de horror. Esta história de horror começou no dia 20 de janeiro de 1971, um feriado carioca, por ser dia de São Sebastião. Rubens Paiva preparava-se para ir à praia quando foi preso por um grupo de 6 homens. 'Apenas uma formalidade' disse o chefe do grupo. O ex-deputado, eleito pelo PTB em 1962 e cassado pelo golpe de 1964, pediu licença para trocar de roupa e para apanhar alguns charutos. Depois seguiu com o grupo em seu próprio carro, para nunca mais voltar. O I Exército acobertou os torturadores, emitindo uma nota oficial em que diz que Rubens Paiva fugira 'quando era conduzido para ser inquirido sobre fatos que denunciam atividades subversivas'. Quando Leite Chaves determinou a reabertura do inquérito, a Assessoria de Comunicação Social do Exército referendou a farsa montada pelo I Exército. Através de nota oficial, repetiu a versão da fuga, depois da troca de tiros entre militares e subversivos." ============================================================================== + Informações. Rubens Paiva '''Rubens Beirodt Paiva''' (Santos, São Paulo , 29 de dezembro de 1929) foi um engenheiro e político brasileiro. Filho de Almeida Paiva e de Araci Beiro de Paiva. Formou-se em Engenharia pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, em 1954. Foi também advogado e industrial. Iniciou sua vida política em outubro de 1962, quando foi eleito deputado federal por São Paulo, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte e participou da comissão parlamentar de inquérito criada na Câmara dos Deputados para examinar as atividades do IPES-IBAD (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais - Instituto Brasileiro de Ação Democrática). A instituição financiava palestrantes e escritores que escreviam artigos avisando sobre a chamada "ameaça vermelha" no Brasil. Nas investigações da CPI, Rubens Paiva começou a descobrir os cheques que eram depositados nas contas de alguns militares. Com o golpe militar, teve seu mandato cassado no dia 10 de abril de (1964), editado no dia anterior pela junta militar que assumiu o poder a partir da deposição de João Goulart . Rubens Paiva se exilou na Iugoslávia e depois na França (Paris). Passados seis meses, iria para Buenos Aires, se encontrar com João Goulart|Jango e com Brizola, quando em uma escala do vôo no Rio de Janeiro disse à aeromoça que ia comprar cigarro, saiu do avião e pegou outro vôo para São Paulo , seguindo para a casa de sua família. Teria aparecido de surpresa, dizendo: "Entrei no brasil, estou no Brasil, vou ficar no Brasil". Se mudaram então para o Rio de Janeiro e Rubens Paiva voltou a exercer a engenharia e cuidar de seus negócios, mas sempre fazendo contatos com os exilados. Apesar de sua família acreditar que Rubens Paiva não tinha participação efetiva em nenhuma organização de esquerda, ele era um "quadro legal" da luta armada e participava ativamente do combate à ditadura. Seu contato com a guerrilha, na época liderada por Carlos Lamarca, era feito através de Carlos Alberto Muniz, codinome "Adriano", que mantinha reuniões frequentes com Rubens. Após a prisão das pessoas que traziam a carta de Helena Bocayuva para Rubens, outras cartas trazidas pelas mesmas pessoas fizeram com que os agentes da repressão identificassem Rubens Paiva como o contato de "Adriano", que por sua vez era o contato de Lamarca, à época o homem mais procurado do país. Na esperança de prender "Adriano" e consequentemente chegar á Lamarca, sua casa no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1971, foi invadida por pessoas armadas de metralhadoras que, sem apresentar qualquer mandato de prisão, se diziam da Aeronáutica . Teve tempo de se arrumar e saiu de terno e gravata, guiando o próprio carro, cuja recuperação posterior seria a prova de que fora preso, já que os órgãos de repressão se negavam a afirmar oficialmente tal ação. Desde então Rubens Paiva foi dado como desaparecido. Segundo nota oficial dos órgãos de segurança, o carro que o conduziu dois dias depois da prisão ao Centro de Operações de Defesa Interna (CODI) teria sido abalroado e atacado por indivíduos desconhecidos que o teriam seqüestrado. Essa versão, contudo, foi negada por sua mulher, Maria Lucrécia Eunice Facciolo Paiva. Ela permaneceu durante 15 dias incomunicável, após haver sido detida com sua filha Eliana no dia 21 de janeiro. Eunice foi interrogada na mesma sala em que as pessoas eram torturadas, tendo visto o pau-de-arara, sangue e o retrato do marido nas fichas de reconhecimento, além de ouvir os gritos dos torturados no DOI-Codi. Em carta, ainda em 1971, ao Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, com base em relato de testemunhas, Eunice Paiva afirmava que seu marido começara a ser torturado no mesmo dia de sua prisão, durante o interrogatório realizado na III Zona Aérea, localizada junto ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, à época sob o comando do brigadeiro João Paulo Penido Burnier , também acusado de matar Stuart Angel Jones, que teria sido obrigado a "fumar" um escapamento de jipe até morrer. Entre esse dia e o seguinte, Rubens Paiva foi transferido para o Destacamento de Operações Internas (DOI), situado no Quartel da Polícia do Exército, onde teria sido novamente torturado. A única testemunha que viu Rubens Paiva no DOI-CODI, Cecilia Viveiros de Castro, assim que saiu da prisão, deu um depoimento confirmando a prisão, tortura e morte de Rubens Paiva, sendo tal depoimento publicado na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Após a publicação, a Comissão foi extinta. Anos depois, Amilcar Lobo, que na época era médico do DOI-Codi, afirma que o ex-deputado teria sido morto e esquartejado após sessões de tortura. Cecília Viveiros de Castro, que foi a única pessoa que na época havia prestado depoimento público confirmando a prisão e morte de Rubens Paiva, mais tarde foi acusada de omissão pelo filho de Rubens, Marcelo Rubens Paiva, onde relatou fatos em seu livro Feliz Ano Velho. Rubens Paiva é reconhecido legalmente como morto, mas mesmo com a realização de escavações em locais em que possivelmente teria sido enterrado, seu corpo até hoje não foi encontrado. Apesar de sua família acreditar que Rubens Paiva não tinha participação efetiva em nenhuma organização de esquerda, ele era um "quadro legal" da luta armada e participava ativamente do combate à ditadura. Nas investigações da CPI, Rubens Paiva começou a descobrir os cheques que eram depositados nas contas de alguns militares. Entre esse dia e o seguinte, Rubens Paiva foi transferido para o Destacamento de Operações Internas (DOI), situado no Quartel da Polícia do Exército, onde teria sido novamente torturado. Se mudaram então para o Rio de Janeiro e Rubens Paiva voltou a exercer a engenharia e cuidar de seus negócios, mas sempre fazendo contatos com os exilados. Teve tempo de se arrumar e saiu de terno e gravata, guiando o próprio carro, cuja recuperação posterior seria a prova de que fora preso, já que os órgãos de repressão se negavam a afirmar oficialmente tal ação. Após a prisão das pessoas que traziam a carta de Helena Bocayuva para Rubens, outras cartas trazidas pelas mesmas pessoas fizeram com que os agentes da repressão identificassem Rubens Paiva como o contato de "Adriano", que por sua vez era o contato de Lamarca, à época o homem mais procurado do país. A única testemunha que viu Rubens Paiva no DOI-CODI, Cecilia Viveiros de Castro, assim que saiu da prisão, deu um depoimento confirmando a prisão, tortura e morte de Rubens Paiva, sendo tal depoimento publicado na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Desde então Rubens Paiva foi dado como desaparecido. Com o golpe militar, teve seu mandato cassado no dia 10 de abril de (1964), editado no dia anterior pela junta militar que assumiu o poder a partir da deposição de João Goulart . Rubens Paiva se exilou na Iugoslávia e depois na França (Paris). Rubens Paiva é reconhecido legalmente como morto, mas mesmo com a realização de escavações em locais em que possivelmente teria sido enterrado, seu corpo até hoje não foi encontrado. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Análise de Instrutores e Alunos Brasileiros da "School of Americas" http://www.dhnet.org.br/denunciar/tortura/escola/analise.html O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ (GTNM/RJ), tendo recebido lista de instrutores e alunos da "School of Americas", referente aos anos de 1954 a 1995, pesquisou os nomes ali constantes em diversas fontes. Principalmente, em lista da própria entidade e nos 12 volumes do Projeto Brasil Nunca Mais, coordenado pela Arquidiocese de São Paulo, encontrou alguns militares ligados à tortura política e ao aparato de repressão que existiu em nosso país nos anos 60 e 70. É importante ressaltar que o Projeto Brasil Nunca Mais é a microfilmagem de muitos dos processos que se encontram no Superior Tribunal Militar, em Brasília, referentes ao período de 1964 a 1979. Trata-se, portanto, de documentação oficial que não pode ser rotulada de facciosa. Os resultados das pesquisas realizadas apontam para: LISTA DE INSTRUTORES 1 - MOYSÉS THOMPSON DO NASCIMENTO - Primeiro Sargento do Exército, serviu no 1° BC de Goiânia em 1964. Em 1971, esteve no Forth Gullick, na Zona do Canal (Panamá), como instrutor. Consta da lista do GTNM/RJ como membro do aparato de repressão. Foi instrutor da "Escola das Américas", de 27 de outubro de 1971 a 08 de novembro de 1972. 2 - JOSÉ FRANCISCO LAMAS PORTUGAL - Como Primeiro Tenente de Infantaria do Exército, serviu no 2° Batalhão de Polícia do Exército, em São Paulo, em 1970. Consta da lista do GTNM/RJ como membro do aparato de repressão. Foi instrutor da "Escola das Américas", de 27 de novembro de 1989 a 27 de novembro de 1990. LISTA DOS ALUNOS 1 - LUIZ ALBERTO DE SOUZA - Aparece na lista do GTNM/RJ como membro do aparato de repressão sendo, em 1966, Capitão intendente servindo no III Exército. Cursou a "Escola das Américas" em 1959, de 08 de setembro a 09 de dezembro, quando Capitão, concluindo o curso "Military Police Office". 2 - ALTEVIR LOPES - Seu nome consta do Projeto Brasil Nunca Mais (BNM) no volume "Os Funcionários", pag. 63, na lista de "Elementos Ligados a Prisões e Cercos". Esta denúncia foi feita em dezembro de 1968, apontando-o como Tenente-Coronel, atuando na Polícia Militar do Paraná, envolvido diretamente em prisões e cercos. Foi citado no Processo 477/68 da 5° Região Militar. Cursou a "Escola das Américas", em 1960, de 14 de março a 03 de junho, quando capitão, concluindo o curso de "Military Police Office". 3 - PAULO MAGALHÃES - Aparece como Francisco Paulo Manhães à pag. 19 do volume "Os Funcionários" do BNM, na lista de "Elementos Envolvidos Diretamente em Torturas", como Capitão do Exército, trabalhando no Centro de Informações do Exército - CIE, na Polícia do Exército-RJ, em 1969. Dois presos políticos denunciam sua atuação em torturas: Sérgio Ubiratan Manes e Paulo Roberto Manes. O primeiro, em 1969, tinha 19 anos, era estudante e em Auditoria Militar declarou: " ... que, sofreu torturas, foi espancado na PE sediada à Rua Barão de Mesquita; que deseja declinar o nome dos seus torturadores e que foi torturado pelo Capitão do CIE Francisco Paulo Manhães ... ". O segundo testemunho é de Paulo Roberto Manes que, em 1969, tinha 20 anos e era estudante, e declarou em Auditoria Militar: " ... que tem queixas da coação que sofreu vinda da pessoa do Capitão Francisco Paulo Manhães do CIE ... ". Tais declarações encontram-se, respectivamente, às pags. 728 e 474 do Vol. III, "As Torturas" e fazem parte do Processo n° 648 da 2° Auditoria da Marinha. Seu nome ainda aparece na mesma lista de envolvidos diretamente em torturas como "Manhães" atuando no Rio Grande do Sul, em 1970, e tendo sido denunciado por Paulo Roberto Telles Franck que tinha na ocasião 27 anos, era eletricista, e na Auditoria Militar declarou: que " ... de volta ao DOPS, foi submetido a choques em várias partes da cabeça ...; que foi obrigado a ingerir tóxicos; que durante o tempo que estava no pau-de arara havia elementos que cuspiam e urinavam no rosto do interrogado, afora outros tipos de torturas psicológicas .... Foi perguntado se podia dizer o nome de algumas pessoas que o torturaram ... declinou o nome Manhães que se dizia do Rio." Este depoimento encontra-se no Vol. III "As Torturas", pag. 477 e faz parte do Processo n° 34/70 da 1° Auditoria do Exército. O nome de Paulo Magalhães (como aparece na lista de alunos da "Escola das Américas") consta da lista de membros dos órgãos de repressão do GTNM/RJ como Capitão da Cavalaria do Exército, servindo na Polícia do Exército/RJ, tendo sido comissionado no DOI-CODI/RJ em 1969. Entre 1970 e 1972 esteve no Centro de Informações de Exército-RS, atuando na repressão em vários Estados. Em 1972, esteve combatendo a Guerrilha do Araguaia na Brigada de Paraquedistas, sendo conhecido como Dr. Pablo. Serviu no gabinete do Ministro do Exército em 1974; em 1986 era Tenente-Coronel. Seu nome aparece ora como Paulo Manhães ora como Paulo Malhães. Ainda no Projeto BNM consta como Paulo Magalhães no volume "Os Funcionários", pag. 76 na lista de "Elementos Envolvidos em Prisões e Cercos". Esta denúncia é de julho de 1969, atuando junto ao DOPS/RJ, desempenhando papel de membro dos órgãos de repressão, envolvido em prisões e cercos. Tal informação encontra-se no Processo n°24/69 da 1° Auditoria do Exército. Cursou a "Escola das Américas" em 1959, de 08 de setembro a 09 de dezembro, quando ainda era 2° Tenente, tendo concluindo o curso "Military Police Officer". 4 - THAUMATURGO SOTERO VAZ - Oficial de Infantaria do Exército, foi paraquedista com Cursos de Guerrilha na Selva feitos na Zona do Canal do Panamá pela "Escola das Américas". Recebeu a "The Army Commedation Medal" e no Brasil a Medalha do Pacificador, esta em 1969. Participou da repressão à Guerrilha do Araguaia. Algumas fontes o denunciam erradamente como Daumaturgo. Estas informações encontram-se na lista do GTNM/RJ de membros do aparato de repressão. Em depoimento feito ao GTNM/RJ o ex-preso político Danilo Carneiro, confirmou que foi torturado pessoalmente por Sotero Vaz. Este militar também comandou outras torturas feitas a Danilo, em 1972, na Rodovia Transamazônica e em Marabá. Esta denúncia consta na 9° Vara Federal de Justiça num processo que Danilo Carneiro move contra a União por perdas e danos, onde dentre outros torturadores, é denunciado Thaumaturgo Sotero Vaz. Em 1962 fez a "Escola das Américas", quando era Capitão, no período de 24 de setembro a 30 de novembro. 5 - WALFRIDO SILVA - Seu nome aparece no Projeto BNM, no volume "Os Funcionários", na pag. 118, na lista de "Elementos Envolvidos em Diligências e Investigações". A denúncia, de 1969, coloca-o como Major, atuando em Goiânia, como encarregado de IPM (Inquérito Policial Militar), tendo também participado de diligências e investigações. Estas informações constam do Processo n° 41/70 da 11° Região Militar. Cursou a "Escola das Américas", em 1964, como Capitão, no período de 10 a 28 de agosto, diplomando-se em "Operações na Selva". 6 - CLEMENTE JOSÉ MONTEIRO FILHO - Seu nome aparece no Projeto BNM, no volume "Os Funcionários", em quatro listas. Na primeira, às pags. 12 e 28, de "Elementos Envolvidos Diretamente em Torturas", é denunciado como Capitão de Mar e Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais, atuando em 1969 no CENIMAR - Centro de Informações da Marinha. Na pag. 12 aparece como Clemente José Monteiro sendo denunciado pelos presos políticos abaixo, em Auditorias Militares: Humberto Trigueiros Lima, Iná de Souza Medeiros, Marta Maria Klagsbrunn, Marta Mota Lima Alvarez, Sebastião Medeiros Filho e Luis Carlos de Souza Santos. O depoimento de Humberto Trigueiros Lima que, em 1969 era estudante com 21 anos, consta da pag. 190 à 192 do Volume II - "As Torturas", afirma que: "... Antônio Rogério da Silveira afirmou ter sido torturado por meio de choques elétricos, pancadas, pau-de-arara, tanto na Polícia Federal do Paraná, como na Base Naval da Ilha das Flores, sendo que ai, por ordem do encarregado do Inquérito, Capitão de Mar e Guerra Clemente José Monteiro Filho; que pode ainda constatar que àquela época Antônio Rogério estava evacuando sangue, o que começou a acontecer depois de ter sido submetido a choques elétricos no ânus ...". O depoimento de Iná de Souza Medeiros que, em 1969, era estudante com 21 anos, consta da pág. 208 à 210 do Volume II - "As Torturas". Declara que: "... foi levada à presença do Clemente, encarregado do Inquérito, na Ilha das Flores, sob a alegação de que iria prestar esclarecimentos; que o Comandante indicou outro local para que o guarda a conduzisse; que assim foi levada para uma casa abandonada chamada Ponta dos Oitis; que lá três pessoas ... que pertenciam ao CENIMAR ... mandaram a declarante despir-se; ... foi espancada com fio molhado; ... como não encontrassem palmatória, começaram a espancá-la com a mão mesmo; ... foi amarrada por fios e passaram a lhe aplicar choques elétricos; que neste estado permaneceu até à noite, quando foi conduzida para a cela; ... vê como estão sendo torturadas as moças do outro Inquérito, chamado de Inquérito de Ação Popular, chefiado também pelo Comandante Clemente; que essas moças passaram ... várias torturas ainda piores que as da declarante; ... levaram ferro na unha, choque elétrico, afogamentos, ...". A terceira denúncia, de Sebastião Medeiros Filho que, em 1969, tinha 23 anos, está contida às pags. 705 e 706 do Volume III - "As Torturas", afirma que: " ... depois de ter sido torturado no Paraná, foi transferido para a Ilha das Flores onde foi colocado num banheiro sem cama, completamente despido durante treze dias, quando foi retirado para assinar o depoimento ...; que as verdadeiras declarações que fez em presença do Comandante Clemente não foram transcritas no seu depoimento". As declarações de Luiz Carlos de Souza Santos sobre Tiago Andrade de Almeida, feitas em 1969 e contidas à pag. 788 do Volume III - "As Torturas", informam que: "... em 28 de maio de 1969 foi colocado diante de Tiago Andrade de Almeida, completamente esquartejado, com inflamações no ouvido devido aos "telefones", sendo segurado, pois não se agüentava em pé, pelos policiais vindos do Paraná, segundo lhe consta por ordem do Comandante Clemente". A denúncia de Marta Mota Lima Alvarez que, em 1969, era estudante com 20 anos, consta da pag. 191 do Volume III - "As Torturas" e informa que; "... o seu depoimento era batido na casa do ... Clemente, na Ilha das Flores, para onde era levada a depoente; que este depoimento era lido e interrompido várias vezes com ameaças de torturas e pancadas se a depoente não concordasse com o que havia sido feito no dito depoimento; ... que na Ilha das Flores lhe tocavam a corneta no ouvido; que o Comandante Clemente entrou no recinto e lhe disse que não podia fazer nada ...". Todos esses depoimentos encontram-se no Processo n° 70/69 da 1° Auditoria da Marinha. Há ainda um depoimento no Processo n° 43/69 da 1° Auditoria da Aeronáutica, de Marta Maria Klagsbrunn, contido da pag. 188 à 190 do Volume III - "As Torturas". Em 1969 era estudante com 23 anos e fez as seguintes denúncias: "... que o primeiro encarregado do IPM ... não estava de acordo com os métodos empregados na Ilha das Flores, foi afastado e substituído pelo Comandante Clemente que se dedicava a torturar psicologicamente os presos, afim de assinarem o que desejava; quer responsabilizar o Comandante Clemente pelas condições desumanas da prisão da Ilha das Flores". Na pag. 28 do volume "Os Funcionários" há uma denúncia contra José Clemente Monteiro feita pela presa política Marijane Vieira Lisboa, contida às pags. 153 e 154 do Volume III - "As Torturas". Declara em 1969, enquanto estudante com 23 anos, que: "... o Comandante foi afastado do Inquérito e nomeado em seu lugar o Comandante José Clemente Monteiro; que, é essa pessoa, a quem deve atribuir os sofrimentos que lhe foram infligidos, pois além de encarregado do Inquérito, era o Comandante da Ilha". Este depoimento encontra-se também no Processo n° 43/69 da 1° Auditoria da Aeronáutica. Em depoimento dado ao GTNM/RJ a ex-presa política Maria Dalva de Castro Bonet afirma que: "Conheci este senhor no DOI-CODI/RJ, em 1972, e lá soube chamar-se Clemente da Ilha das Flores. Eu estava muito doente e já não me alimentava, pois havia perdido o paladar em virtude das torturas sofridas. Estas, eram diferentes da minha prisão anterior: agora eram de privação de sentidos. Mantinham-me viva com injeções de glicose na veia. Eles diziam que haviam feito muitos cursos para chegarem àquele resultado .... Este senhor invadiu minha cela, me espancou e novamente aplicou-me eletro choques para que "confessasse" o conteúdo do relatório sobre torturas que me acusava de ter escrito ...". O nome de José Clemente Monteiro aparece numa segunda lista do Projeto BNM, à pag. 62 do mesmo volume "Os Funcionários", como "Elemento Envolvido em Prisões e Cercos". É denunciado como Capitão de Mar e Guerra, atuando no Rio de Janeiro. Este depoimento, feito em agosto de 1970, acusa-o de ser funcionário de presídio da Marinha, estando envolvido diretamente em prisões e cercos e consta do Processo 32/70 da 2° Auditoria. Uma terceira lista, às pags. 89 e 90 do mesmo volume "Os Funcionários", de "Elementos Envolvidas em Diligências e Investigações", aponta o nome de José Clemente Monteiro. São duas as denúncias: a primeira, de julho de 1964, indica-o como elemento da Marinha no Rio de Janeiro, participando de diligências e investigações e consta do Processo n° 8216/65 da 1° Auditoria da Marinha. A segunda denúncia é de junho de 1969 e indica-o também como Capitão de Mar e Guerra, atuando no Rio de Janeiro, em diligências e investigações e consta do Processo n° 56/69-S da 1° Auditoria. Na lista de membros do aparato de repressão do GTNM/RJ, Clemente José Monteiro Filho aparece como tendo feito o Curso de Informações no Panamá e tendo sido Comandante da Ilha das Flores de 1968 a 1970. Fez a "Escola das Américas" em 1965, participando do Curso "Millitary Intelligence", no período de 11 de janeiro à 30 de abril. 7 - HÉLIO LIMA IBIAPINA - Na lista do GTNM/RJ aparece como Coronel do Exército em 1964, quando serviu na Companhia de Guardas da 7° Região Militar, no Recife, sendo membro do aparato de repressão. Atualmente é presidente do Clube Militar no Rio de Janeiro. Cursou a "Escola das Américas", ainda como Tenente Coronel, em 1966, tendo se diplomado em "Millatry Intelligence Phase 1". Maiores informações ver Dossiê feito pelo GTNM/RJ em anexo. 8 - JOÃO PAULO MOREIRA BURNIER - Na lista do GTNM/RJ há informações de que comandou a III Zona Aérea, estando envolvido no Caso PARASAR em 1968. Participou do CISA - Centro de Informações da Aeronáutica - de 1970 a 1971, tendo sido responsável pelas torturas e morte do desaparecido político Stuart Edgard Angel Jones, em junho de 1971. Tal denúncia foi feita à época pelo preso político Alex Polari de Alverga que testemunhou as torturas de Stuart (arrastado por um jipe, com a boca no cano de descarga do veículo, pelo pátio interno do CISA, na Base Aérea do Galeão) e sua morte. Tais torturas, segundo Alex, tiveram a participação direta de Burnier. Este fato também foi denunciado pelo genro de Stuart, João Luis de Moraes, em um vídeo (Sônia Morta Viva) e em um livro (O Calvário de Sônia Angel nos Porões da Ditadura). Fez, em 1967, a "Escola das Américas", ainda como Coronel, diplomando-se em "Military Intelligence Phase 1", no período de 02 de outubro a 07 de dezembro. 9 - CARLOS ALBERTO CÂMARA BRAVO - Consta na lista de membros do aparato de repressão do GTNM/RJ como sendo Coronel Aviador servindo na Base Aérea de Recife e, posteriormente, em 1973, comandando o Campo dos Afonsos (RJ). Nos 12 volumes do Projeto BNM, consta o nome de Carlos Alberto Bravo de Câmara, à pag. 196 do volume "Os Funcionários", na lista de "Membros dos Órgãos da Repressão". A denúncia foi feita em setembro de 1971, sendo ele Tenente-Coronel aviador, atuando no CISA do Rio de Janeiro. Tal informação encontra-se no Processo 13/72-C da 2° Auditoria da Marinha. Fez, em 1967, a "Escola das Américas", graduando-se no "Military Intelligence Phase 1", no período de 21 de agosto a 06 de outubro e no "Counter Intelligence Off", de 02 de outubro a 07 de dezembro. 10 - SÉRGIO MAZZA DE AZEVEDO - Consta na lista de membros do aparato de repressão do GTNM/RJ que, como Sargento do Exército, de 1964 a 1969, serviu no PIC - Pelotão de Investigações Criminais - do 1° Batalhão da Polícia do Exército/RJ. Em 1968, fez a "Escola das Américas", como 3° Sargento, diplomando-se nos Cursos "Combat Intelligence", no período de 19 de agosto a 04 de outubro e no "Advanced Radio Rapair", de 09 de setembro a 13 de dezembro. O:P 11 - BISMARCK BARACUHY AMÂNCIO RAMALHO - Seu nome aparece nos 12 volumes do Projeto BNM em dois tipos de lista no volume "Os Funcionários". Na primeira, à pag. 65, referente aos "Elementos Ligados a Prisões e Cercos", há duas denúncias: uma de junho de 1968, colocando-o como Major do Exército, atuando em Pernambuco. Era escrivão de IPM, mas participava de prisões e cercos. Esta denúncia consta do Processo n° 576/68-C da 2° Auditoria da Marinha. A segunda denúncia desta lista é de novembro de 1964, colocando-o como Capitão do Exército, atuando no Espírito Santo, também como escrivão de IPM, mas participando de prisões e cercos. Tal informação encontra-se no Processo n° 39/65 da 7° Região Militar. A 2° lista em que seu nome aparece por duas vezes, refere-se a "Elementos que Participavam de Diligências e Investigações". À pag. 88 as denúncias dizem respeito a: em agosto de 1969, como Major do Exército, atuava no Rio de Janeiro. Tal informação encontra-se no Processo n° 58/69 da 2° Auditoria do Exército. A segunda denúncia é de março de 1965 e aponta-o como Capitão do Exército, atuando em Pernambuco como membro de escolta. Tal informação encontra-se no Processo n° 7735 da 2° Auditoria do Exército. Bismarck B. A. Ramalho fez a "Escola das Américas", em 1967, como Major, diplomando-se em "Military Intelligence - Phase II", no período de 20 de fevereiro a 28 de abril. 12 - JOÃO FLÁVIO DE FREITAS COSTA - Seu nome aparece nos 12 volumes do Projeto BNM, à pag. 100 do volume "Os Funcionários", como 2° Soldado da Aeronáutica, atuando no Pará em diligências e investigações. Esta denúncia, de agosto de 1969, aparece no Processo n 152/69. Fez a "Escola das Américas", em 1967, como 2° Sargento, diplomando-se em "Counter Intelligence", no período de 26 de junho a 25 de agosto. 13 - FRANCISCO RENATO MELLO - Seu nome aparece nos 12 volumes do Projeto BNM, à pag. 68 do volume "Os Funcionários", como Capitão Aviador, atuando no DOI-CODI de São Paulo, sendo encarregado de IPM, mas também envolvido em prisões de cercos. Esta denúncia de junho de 1964 encontra-se no Processo n 245/64 da 2° Auditoria do Exército. Fez "Escola das Américas", em 1967, como Major, diplomando-se em "Military Intelligence - Phase I", no período de 21 de agosto a 06 de outubro. 14 - MAURO BATISTA LOBO - Seu nome aparece nos 12 volumes do projeto BNM, à pag. 109 do volume "Os Funcionários". É denunciado em agosto de 1969, como 1° Sargento do Exército, atuando no Rio de Janeiro, em diligências e investigações. Tal informação encontra-se no Processo n° 58/69 da 2° Auditoria do Exército. Fez "Escola das Américas", em 1967, como 1° Sargento, diplomando-se em "Counter Intelligence", no período de 26 de junho a 25 de agosto. 15 - UBIRAJARA ESCÓRCIO - Aparece nos 12 volumes do Projeto BNM, à pag. 117 do volume "Os Funcionários", na lista de "Elementos Envolvidos em Diligências e Investigações" com três denúncias. A primeira, de abril de 1967, coloca-o atuando no Rio de Janeiro em diligências e investigações e consta do Processo n° 50/67. A segunda denúncia, de abril de 1964, aponta-o como 3° Sargento, atuando no Rio de Janeiro, em diligências e investigações e consta do Processo n° 1574 da 3° Auditoria do Exército. A terceira denúncia, de novembro de 1964, aponta-o também como 3° Sargento, atuando no Rio de Janeiro em diligências e investigações e consta do Processo n° 7.509 da 2° Auditoria do Exército. Fez "Escola das Américas", em 1968, como 3° Sargento, diplomando-se em "Combat Intelligence", no período de 19 de agosto a 04 de outubro. 16 - JOSÉ GOMES DA SILVA - Aparece nos 12 volumes do Projeto BNM, à pag. 180 do volume "Os Funcionários". A denúncia de agosto de 1964, coloca-o como soldado atuando na Polícia Militar de Pernambuco, como colaborador e informante. Tal informação consta do Processo n° 146/65. Fez "Escola das Américas", em 1969, como 2° Sargento, diplomando-se em "Military Police", no período de 21 de julho a 12 de setembro. 17 - PAULO RUBENS SCHOLOENBACK - Aparece nos 12 volumes do Projeto BNM, à pag. 77 do volume "Os Funcionários", na lista de "Elementos Envolvidos em Prisões e Cercos". A denúncia, de outubro de 1969, aponta-o como sendo Capitão da Aeronáutica, atuando em São Paulo em prisões e cercos e encontra-se no Processo n° 197/69 da 2° Auditoria do Exército. Fez "Escola das Américas", em 1970, como Capitão, diplomando-se em "Inteligencía Militar para Oficiales", no período de 05 de janeiro a 24 de abril. 18 - CLODOALDO PAES CABRAL - Seu nome aparece na lista do Grupo Tortura Nunca Mias/RJ, como membro dos órgãos de repressão. Em 1969, era 2° Sargento do Exército, servindo no PIC do 1° Batalhão da Polícia do Exército no Rio de Janeiro. Em 1972, recebeu a Medalha do Pacificador. Fez "Escola das Américas", em 1970, como 2° Sargento, diplomando-se em "Inteligencía Militar para Alistados", no período de 06 de julho a 23 de outubro. 19 - LUCIO VALLE BARROSO - Seu nome aparece nos 12 volumes do Projeto Brasil Nunca Mais, à pag. 08 do volume "Os Funcionários", como elemento ligado diretamente à tortura. A denúncia feita em 1971, coloca-o como Capitão, atuando no CISA do Rio de Janeiro (Base Aérea do Galeão) e é feita pelo preso político Alex Polari de Alverga, nos Processos n° 85 da 1° Auditoria da Marinha; n° 89/71-T da 1° Auditoria da Aeronáutica e n° 307/71 da 2° Auditoria da Marinha. Declara Alex que, em 1971, tinha 21 anos e era estudante, e em Auditoria Militar denunciou que: "... foi também interrogado no CISA pelo delegado Sérgio Fleury, que a tortura foi comandada pelo Brigadeiro Delamora, Coronel Alcântara, capitão Lúcio Barroso ... que o declarante também sofreu torturas no CISA, na Base Aérea do Galeão, praticados pelo Brigadeiro Delamora, Coronel Alcântara, Capitão Lúcio Barroso ..., que o declarante veio a saber dos nomes acima referidos por serem notórios torturadores ...; foi encaminhado ao CISA, onde sofreu também torturas (pau-de-arara, choques elétricos, afogamentos e injeção de pentotal); que neste local as torturas lhe foram aplicadas pelo diretor do CENIMAR, pelo Coronel Alcântara e pelo capitão Barroso ...; no CISA passou 25 dias sendo torturado ...". Estas declarações encontram-se da pag. 222 à 229 do Volume I - "As Torturas", do Projeto Brasil Nunca Mais. Na lista do GTNM/RJ, o nome de Lúcio Valle Barroso aparece como membro dos órgãos da repressão, sendo em 1971, Capitão Aviador, atuando no CISA/RJ, e tendo o codnome de Dr. Celso. Em 1972 foi transferido para Brasília. Fez "Escola das Américas", em 1970, como Capitão, diplomando-se em "Inteligencía Militar para Oficiales", no período de 05 de janeiro a 24 de abril. Rio de Janeiro, 07 de junho de 1999 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110225/0b4fac8c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Concluiu ali o curso Clássico no Instituto de Educação Prof. Clibas Pinto Ferraz, onde foi uma das fundadoras do grêmio de representação dos alunos. Mudou-se então para São Paulo e cursou Letras na Faculdade de Filosofia da USP, localizada então na rua Maria Antônia, sendo eleita presidente do Centro Acadêmico. Tornou-se importante liderança no Movimento Estudantil, sendo conhecida também pelo apelido "Preta". A primeira prisão de Helenira aconteceu em junho de 1967, quando escrevia nos muros da Universidade Mackenzie, na própria rua Maria Antônia, a frase: "Abaixo as leis da ditadura". Voltou a ser presa em maio de 1968, quando convocava colegas a participarem de uma passeata na capital paulista. Naquele mesmo ano de fortes mobilizações estudantis, foi presa pela terceira vez em Ibiúna (SP), agora como delegada ao 30º Congresso da UNE, entidade da qual era vice-presidente. Na ocasião, quando o ônibus que transportava estudantes presos passou pela avenida Tiradentes, Helenira conseguiu entregar a um transeunte bilhete para ser levado à sua residência, no Cambuci, avisando a família sobre a prisão. Apontada como liderança no Movimento Estudantil, foi transferida do Presídio Tiradentes para o DOPS. Depois, a estudante seria transferida para o Presídio de Mulheres do Carandiru, onde ficou detida por dois meses. A família conseguiu libertá-la mediante habeas-corpus na véspera da edição do AI-5. A partir de então, Helenira, que já era militante do PCdoB, passou a viver e atuar na clandestinidade, morando em vários pontos da cidade e do país antes de mudar-se para o Araguaia. Conhecida como Fátima naquela região, integrou o Destacamento A da guerrilha, unidade que passou a ter seu nome após sua morte, em 28 ou 29/09/1972. Teria matado um militar e ferido outro, antes de ser ferida e morta. Metralhada nas pernas e torturada até a morte, segundodepoimento da ex-presa política Elza de Lima Monnerat na Justiça Militar, foi enterrada na localidade de Oito Barracas. O jornal A Voz da Terra, de Assis, publicou na edição de 08/02/1979 extensa reportagem sob o título A Comovente História de Helenira. A matéria descreve sua juventude na cidade, filha de um médico negro, conhecido e respeitado por suas tendências humanistas. Informa também que a jovem se destacou como atleta, com desempenho especial na equipe de basquete da cidade, uma das melhores na região sorocabana. De acordo com esse jornal, o lugar onde Helenira tombou ferida se tornou uma poça de sangue, segundo soldados do Pelotão de Investigações Criminais, confirmando que a coragem da moça irritou a tropa. Além da descrição de sua morte feita por Ângelo Arroyo, já registrada anteriormente, sabe-se que o Relatório da Aeronáutica, de 1993, afirma que Helenira era militante do PCdoB e guerrilheira no Araguaia. No arquivo do DOPS/PR, sua ficha foi encontrada na gaveta com a identificação "falecidos". No "livro secreto" do Exército, divulgado pela imprensa em abril de 2007, consta a respeito dela na página 724: "No dia 28(de setembro de 1972), um grupo que realizava um patrulhamento quase caiu numa emboscada fatal. No entanto, falhou a arma ou fraquejou um dos terroristas e o grupo foi alertado. Como se tratasse de uma passagem perigosa, o grupo tinha exploradores evoluindo pela mata, os quais reagiram a tempo. O terrorista cuja arma falhara logrou fugir. O outro, que abriu fogo com uma espingarda calibre 16, caiu morto no tiroteio que se seguiu. Trata-se de Helenira Resende de Souza Nazareth (Fátima), do destacamento A" No livro A Lei da Selva, Hugo Studart relata sua morte como ocorrendo na localidade chamada Remanso dos Botos, em choque com uma patrulha de fuzileiros navais, não do Exército, sem confirmar a ocorrência de baixas entre os militares da Marinha, que teriam sido retirados da região em seguida, por falta de condições psicológicas para permanecerem na selva. Studart transcreve o seguinte trecho do diário de Maurício Grabois, de autenticidade ainda não comprovada, cuja narração tem pontos comuns e pontos divergentes em relação ao Relatório Arroyo, transcrito anteriormente: "Novas informações foram trazidas sobre o incidente em que o co Flávio tombou sem vida. Os combatentes do DA estavam preparando uma emboscada. Dividiram-se em 2 grupos que deveriam atuar em conjunto. Um sob o comando do Pe (da CM) e outro sob a direção de Nu. Este último, que vinha na frente, deixou no caminho da corrutela de S.José dois observadores, Lauro e Fátima, e fez alto a uma certa distância. Precisamente nesse momento surgiu na estrada uma força inimiga de 16 homens que acompanhava 4 burros tropeados pelo Edith. À frente da unidade do Exército vinham três batedores (o que levou Isauro a pensar que a tropa era constituída apenas de 3 soldados). Um deles, o sargento, veio para o lado do barranco onde estavam nossos combatentes. Lauro, que portava arma longa semi-automática de 9 tiros, atrapalhou-secom a arma, não atirou e fugiu. O milico pressentiu a Fátima e disparou o FAL em sua direção. Esta, com sua arma de caça 16, o fuzilou. Em seguida, correu e se entrincheirou mais adiante. Um soldado, que pesquisava o local à sua procura, foi por ela abatido mortalmente com tiros de revólver 38. Ferida nas pernas, foi presa. Perguntaram-lhe onde estavam seus co. Respondeu que poderiam matá-la, pois nada diria. Então os milicos a assassinaram friamente. Seu corpo foi enterrado nas Oito Barracas, para onde foi transportado em burro". O relatório do Ministério Público Federal de São Paulo, assinado pelos procuradores Marlon Alberto Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr, de 28/01/2002, também registra a partir de depoimentos tomados de moradores da área, quase 30 anos depois: "Fátima: HELENIRA REZENDE, foi vista por um depoente, baleada na coxa e na perna, sendo carregada em cima de um burro de um morador da região, próximo à localidade de Bom Jesus. Outro depoente ouviu referências de que Fátima foi vista na base de Oito Barracas. E um terceiro conta que 'ouviu falar' ter Fátima chegado já morta em Oito Barracas, em função de ferimentos". Os procuradores também registram como possível local de sepultamento as proximidades do igarapé Tauarizinho, na base de Oito Barracas. Entre 1969 e 1972, a família de Helenira foi chamada sistematicamente a prestar declarações ao DOPS/SP e ao II Exército. =================================================================================================================== + Informações.] HELENIRA REZENDE DE SOUZA NAZARETH Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em Cerqueira Cesar, SP, no dia 19 de janeiro de 1944, filha de Adalberto de Assis Nazareth e Euthália Resende de Souza Nazareth. Desaparecida, desde 1972, na Guerrilha do Araguaia, quando contava 28 anos. Integrante do Destacamento A das Forças Guerrilheiras. Este Destacamento passou a chamar-se Helenira Resende após sua morte. Depoimento de Helenalda Rezende, sua irmã: "Em que leito de rio correrá seu sangue? Lenira , para uns ... Preta para os colegas da USP ... Nira entre os familiares, Fátima para os companheiros do Araguaia... Helenira foi, acima de tudo, uma cidadã brasileira consciente de seus atos, que empunhou a bandeira da justiça e da liberdade, lutando obstinadamente até a morte. Nascida na pequena cidade de Cerqueira Cesar, próximo a Avaré, mudou-se para Assis aos 4 anos, onde cresceu, tendo concluído o Curso Clássico na EEPSG 'Prof. Clibas Pinto Ferraz'. Participante da Seleção de basquete da cidade, sobressaiu-se como uma das melhores jogadoras da região da Alta Sorocabana, tendo também sido contemplada com várias medalhas no atletismo, na modalidade de salto à distância. Dedicada ao estudo da teoria marxista, desde cedo sua presença se fez sentir como líder estudantil que, com posições avançadas defendia com firmeza suas propostas. Fundadora e lª presidente eleita do Grêmio Estudantil da Escola, já se pronunciava nos palanques e na Rádio Difusora de Assis, durante campanhas políticas dos candidatos que julgava dignos de seu apoio. E desde então, ou talvez desde o berço, foi-se formando 1íder estudantil, grande oradora nos Congressos Estudantis e nas manifestações de rua dos anos 60. Foi vice-presidente da UNE, em 1968. 'Estudante nota cem' (depoimento de uma professora), ingressou na Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia, no Curso de Letras onde, através dos movimentos estudantis, passou a viver intensamente a vida política do país. Com seus alunos de Português de duas escolas estaduais, uma no Jardim Japão e outra em Guarulhos, preparava peças de teatro consideradas subversivas na época. Helenira foi presa a primeira vez quando conclamava os colegas a participarem de uma passeata em maio de 1968, em São Paulo. E, no mesmo ano, mais uma vez foi presa, no 30° Congresso da UNE, em lbiúna com outros 800 estudantes. Nesta ocasião, quando o ônibus que os transportava passava pela Avenida Tiradentes, conseguiu entregar a um transeunte um bilhete que foi levado à sua residência à Rua Robertson, no Cambuci, avisando à familia de sua prisão. Procurada pelos policiais como Nazareth e apontada como sendo uma das líderes do movimento, foi transferida do Presídio Tiradentes para o DOPS onde caiu nas garras do famigerado Fleury, que a jurou de morte. Uma outra mensagem foi entregue então, à sua familia avisando sua localização e a dos companheiros José Dirceu, Antônio Ribas, Luís Travassos e Vladimir Palmeira. A polícia continuava negando sua prisão, enquanto um policial não identificado atuava como mensageiro entre o DOPS e o Cambuci. Após alguns dias de 'vai e vem' ao DOPS, o contato direto com Helenira foi conseguido por intermédio da advogada Maria Aparecida Pacheco. Alguns dias depois a 'estudante', como era chamada pelo carcereiro, foi transferida para o Presídio de Mulheres do Carandiru, onde ficou detida por dois meses. Seu Habeas Corpus foi conseguido um dia antes da edição do AI-5. A partir de então passou a viver na clandestinidade, tendo residido em vários pontos da cidade e do país, antes de se dirigir ao Araguaia." Morta a golpes de baioneta, em 29 de setembro de 1972, depois de metralhada nas pernas e torturada. Enterrada na localidade de Oito Barracas. No Relatório do Ministério da Marinha encontra-se a cínica "informação"de que se encontra foragida. No arquivo do DOPS/PR, o nome de Helenira consta em uma gaveta com a identificação: "falecidos". Declarações da ex-presa política Elza de Lima Monnerat, em Auditoria Militar, à época, afirmou que "... Helenira, ao ser atacada por dois soldados, matou um deles e feriu outro. Metralharam-na nas pernas e torturaram-na barbaramente até a morte..." De 1969 a 1972 (mesmo após sua morte na Guerrilha do Araguaia) sua família foi chamada a prestar declarações ao DOPS/SP e ao II Exército. Em 06 de junho de 1979, um jornal publicou sobre Helenira que: "...o lugar onde estava virou uma poça de sangue, conforme falaram soldados do PIC (Pelotão de Investigações Criminais)... e confirmaram que a coragem da moça irritou a tropa. Helenira foi morta a baionetadas!" No jornal "A Voz da Terra", de 08 de fevereiro de 1979, há uma extensa matéria que, sob o título "A Comovente História de Helenira", conta a história dessa combatente pela liberdade no Brasil. Até hoje, sua família, oficialmente, de nada foi informada. ================================================================================================== + Informações. Carta póstuma para Helenira » Biografias » Helenira Rezende de Souza Nazareth » Carta póstuma para Helenira Revista Semana 3 edição 31, junho de 2005 Querida Helenira, Esta carta chegará com 33 anos de atraso. Mas escrevo para lhe agradecer o gesto tão nobre de ter tentado. Dizem que não se deve tentar, porque o mundo é assim mesmo. Mas é um erro achar que o mundo não muda. Se o primeiro negro norte-americano não tivesse se recusado a ceder o lugar para um branco, no ônibus, talvez o apartheid persistisse até hoje, nos Estados Unidos. A história registra inúmeros casos de sacrifícios individuais que geraram mudanças no plano coletivo. Quando balas da ditadura vararam teu coração de mulata, estavas na flor da idade. Na poética definição de um camponês que lhe conheceu na luta, eras "a flor da subversão na boniteza". Deixastes de ser uma estudante paulista para virar heroína nacional na selva do Araguaia. Os anos passaram, o mato cresceu e a tornou parte do solo brasileiro - este solo que um dia há de ser nosso. Quando vice-presidente da UNE, pedistes para que a juventude nunca deixasse de acreditar. Que o sonho não deveria ser inatingível pelo simples fato de ser sonho. Ora, o avião também não era um sonho antes de ser inventado? E quem diria ser possível, antes que o primeiro riscasse o céu? Por isso, quando o comandante da guerrilha lhe perguntou o que gostaria de fazer quando viesse o triunfo, respondestes sem titubear: "Quero ser crítica de arte". Uma menina carregando um fuzil e sonhando ser crítica de arte. Há de chegar o dia, Helenira; a paciência é virtude revolucionária. Por isso alguns homens preferem não exaurir a vida e optam por trilhar o caminho da solidariedade desinteressada e da justiça. Os exemplos são incontáveis e podemos começar com Jesus Cristo, se quisermos ter um ponto de partida. Não é sintomático que todos tenham sempre o mesmo fim? Devemos sentir orgulho. Pior seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas. É tão certa a nossa convicção como é verde e amarela a bandeira, como é vasto o mar, como é fértil a terra. Para os arrivistas, nosso otimismo é imperdoável. Mas há motivos para crer no futuro: armas não matam idéias; e enquanto "eles" nos dão por mortos, começamos tudo de novo, como formigas reconstruindo o formigueiro após cada temporal. Independente de qualquer ideologia, que admirável gesto dedicar a própria vida em nome de milhões de brasileiros que sequer sabiam de sua existência! Homens analfabetos, famintos, embrutecidos pelo desemprego e pelo trabalho escravo. Assim como no poema, tinhas apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Nos livros de escola, teu nome não aparece. Os capítulos importantes são reservados aos generais, como Duque de Caxias - o que ordenou o massacre de velhos e crianças na Guerra do Paraguai - ou a heróis consentidos, como Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea para evitar a revolução negra. O presente pode ser injusto, mas o futuro está do nosso lado. Não importa que tenhas caído. Certas derrotas deixam o legado de perseverança e mantêm vivas as grandes mensagens. O resto, Helenira, é a barbárie. Ontem, visitando um amigo na Vila Esperança, me deparei com teu nome numa placa de rua - Helenira Rezende de Souza Nazareth. Ao menos ali, naquela ruazinha de terra, em Campinas, habitada por gente sofrida e trabalhadora, alguém soube de ti. Na Vila Esperança - e que nome mais sugestivo para um bairro pobre - Dona Marcolina, de 68 anos, rega diariamente a roseira que plantou ao pé da placa que leva teu nome. A flor da subversão na boniteza. Bruno Ribeiro ======================================================================== + A triste história de Helenira Resende e a memória desalmada » Biografias » Helenira Rezende de Souza Nazareth » A triste história de Helenira Resende e a memória desalmada Mídia & Poder, 2007 Por Alzimar Rodrigues Ramalho1 Abril de 2007. Últimos capítulos da minissérie "Amazônia", da Rede Globo de Televisão. O personagem de Chico Mendes, no momento do nascimento de sua filha, diz para sua mulher Ilzamar que vai dar o nome de Helenira à filha que acaba de nascer, em homenagem a uma mulher guerreira, que lutou pela liberdade no Brasil. Um nome que traz como significações bravura e justiça. Apesar da lembrança em rede nacional, contam-se nos dedos os nomes de pessoas que sabem quem foi Helenira. Até mesmo na cidade onde viveu grande parte da sua vida. 29 de setembro de 1972. Morre no Pará Helenira Resende de Souza Nazareth. No Araguaia era "Fátima", "Preta" ou "Rosa". Guerrilheira, alegre, destemida. Até hoje não foram localizados seus restos mortais. É apenas um nome nos documentos oficiais e uma lembrança carinhosa no coração de quem conviveu com ela. 11 de janeiro de 1944. Nasce de parto normal feito pelo próprio pai, na casa da família em Cerqueira Cesar (SP), a "Nira" - caçula das seis filhas de dona Euthália e do Dr. Adalberto de Assis Nazareth, o "médico dos pobres", baiano que antes de estudar medicina tinha sido marceneiro como o pai, e grande conhecedor do marxismo. Foi também jornalista, tendo fundado e dirigido o jornal "A Semana" de Cerqueira César (SP). Quatro anos depois a família mudou-se para Assis (SP), pois além de garantir a continuidade do estudo das filhas, o dr. Adalberto já sentia-se perseguido pelos políticos e religiosos daquela cidade, pois em 47 havia sido candidato a vereador pelo Partido Comunista. A menina feliz, que desde criança já gostava de viver diversos personagens nas brincadeiras de circo que organizava no quintal de casa; que já lutava por seus ideais como líder do grêmio como estudante secundarista; que já demonstrava seu espírito de equipe como pivô da seleção de basquete da cidade; que já antecipava sua determinação pelo ativismo político ao ser quase detida por participar de uma passeata dos ferroviários; que aproveitou um ano de pneumonia para se aprofundar nas leituras marxistas; que passou a viver mais de perto a política no "Cursinho do Grêmio" da USP em 1964; que assumiu a presidência do Centro de Letras da FFCL no ano seguinte; que começou a participar de reuniões da JUC (Juventude Universitária Católica), depois da Ação Popular (AP) e posteriormente ingressou no Partido Comunista do Brasil (PC do B); que conheceu o gosto amargo da repressão a partir de 1967 e 1968, com prisões pelo DOPS (Departamento de Organização Política e Social) sendo fichada como "ativa fanática em subversão e filha de um ativo comunista"; que foi novamente presa em 1968, no 30º Congresso Estudantil promovido pela UNE (União Nacional dos Estudantes) em Ibiúna (SP); que driblou a morte por ter sido solta do Carandiru, onde permaneceu por dois meses, um dia antes da edição do AI-5 (Ato Institucional nº 5); que a partir de então passou a viver na clandestinidade. A notícia, sete anos depois Em Assis, a notícia foi divulgada no dia 8 de fevereiro de 1979, quase sete anos depois de ter sido morta a baionetadas no Araguaia, após atirar no peito de um soldado enquanto outro a metralhava nas pernas, por ter se negado a dar informações sobre seus companheiros. Muitos sabiam que ela estava foragida, mas não morta. A notícia abalou a cidade. As informações foram apuradas pelo jornalista Júlio Cezar Garcia, que na época era jornalista da Editora Abril em São Paulo, e teve acesso por meio do então ex-combatente do Araguaia, José Genoíno, sua principal fonte. Sabia-se que ela era filiada ao PC do B, mas ninguém tinha conhecimento do grau de seu envolvimento. Júlio Garcia, que hoje é repórter do jornal Diário da Região (São José do Rio Preto-SP), conta que soube da morte de Helenira por volta de 1976, mas não conseguiu confirmar. Das informações obtidas com José Genoíno, no final de 1978, até a publicação da reportagem, foram cerca de quatro meses para romper as resistências. Apesar do processo de abertura política que o País vivia, muitos ainda tinham medo de tratar de um tema tão delicado. A publicação da reportagem "A comovente história de Helenira", no jornal "Voz da Terra" de Assis, foi uma revelação. Como ironiza o também jornalista Roberto Silo, "a cidade não sabia que havia a guerrilha, muito menos que havia acabado". A reportagem de Júlio Garcia foi além do épico, revelando todo o contexto que envolvia a personagem e - principalmente - apresentando para a cidade os horrores da ditadura. A tiragem de 11.500 exemplares do Jornal "Voz da Terra" esgotou-se. Considerando quatro leitores por exemplar, a história chegou a 50 mil pessoas - quase 80% da população da época. Mas, no dia seguinte, nenhuma linha. Nem no editorial, ou na coluna do leitor, nenhum artigo, nada. Silêncio. O editor-chefe, Eli Elias, explica que o motivo foi o medo. Outros assisenses também haviam sido perseguidos, alguns detidos. Apesar de o jornal não ter sofrido qualquer represália, permanecia o receio de tocar no assunto, ainda considerado proibido. Mas lembra que, verbalmente, a cidade manifestou apoio pela coragem da publicação. Jornalismo tem uma queda especial por efemérides, datas cheias são sempre motivo de retomada. Em 29 de setembro de 2002, nenhuma linha. 30 anos de morte. A explicação: não havia fato novo. 29 de setembro de 2007 também pode ser emblemático: 35 anos de desaparecimento. Quem sabe Helenira mereça alguns segundos no rádio ou na TV, algumas linhas nos jornais impressos ou online. Com ou sem um fato novo. Nenhuma novidade também pode ser notícia. Ou não? Fontes: ELIAS, Eli. Entrevista pessoal realizada em 03 de maio de 2007. GARCIA, Júlio Cezar. A comovente história de HELENIRA. Jornal Voz da Terra - Assis (SP) 8 de fevereiro de 1979, pp. 4-5. GARCIA, Júlio Cezar. Entrevista pessoal realizada em 16 de abril de 2007. MEGA, Natalie Maluf. Memórias sobre Helenira. Fundação Educacional do Município de Assis - FEMA: Assis, 2006. 62p. Monografia de conclusão do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo. SILO, Roberto. Entrevista pessoal realizada em 05 de abril de 2007. Footnotes 1. Alzimar Rodrigues Ramalho é jornalista, mestre em Comunicação - Mídia e Cultura e doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Professora de Jornalismo e Assessora de Comunicação da FEMA (Fundação Educacional do Município de Assis). ======================================================================================== + Helenira, a Guerrilheira de Assis, tombou há 30 anos » Biografias » Helenira Rezende de Souza Nazareth » Helenira, a Guerrilheira de Assis, tombou há 30 anos Fórum Assisense em 03 de abril de 2.003 De Marcio Amêndola de Oliveira No dia 29 de setembro de 1972, a guerrilheira 'Fátima', ou 'Nega', como era conhecida, foi asssasinada pelos soldados da ditadura militar que dominava o País, e que durou de 1964 a 1984. Eram os chamados anos de chumbo no Brasil, e a repressão aos chamados movimentos de esquerda, particularmente do meio estudantil, era feroz e de uma crueldade indescritíveis. 'Nega', ou Helenira Rezende de Souza Nazareth era então uma jovem de 28 anos de idade. Líder estudantil, Helenira chegou a ocupar a Vice-Presidência da UNE (União Nacional de Estudantes), que já teve líderes como os atuais José Direceu (Ministro Chefe da casa Civil de Lula), e José Serra (ex-senador). Foi justamente como vice-presidente da UNE que Helenira começou a ter problemas com o regime militar. Presa por duas vezes em 1968, a vida normal para ela não era mais possível num país dominado pela repressão, pela tortura e pelo medo. Foi então que Helenira decidiu, a exemplo de centenas de outros jovens de sua época, entrar para a clandestinidade. Mudou de nome e ingressou na chamada 'Guerrilha do Araguaia', uma romântica e fracassada tentativa dos grupos de esquerda da época de organizarem uma resistência armada à ditadura, através da guerra de guerrilhas, no sul do Pará. De Assis para a História Helenira era filha de um ilustre morador de Assis, nos anos 40/60, Adalberto de Assis Nazareth. Médico, Negro, Comunista e Espírita, Dr. Adalberto tinha todos os 'quesitos' para sofrer perseguições e desprezo de uma comunidade provinciana e conservadora da época. Mas não se importava com isto. Dr. Adalberto era um tipo de 'médico de família', muito antes dos programas atuais que tentam imitar esta prática. Ele recebia o povo em seu humilde consultório, e quase não ganhava dinheiro, já que se penalizava com a condição dos mais humildes. Há relatos de que Dr. Adalberto, muitas vezes, recebia seus honorários por meio de leitões, frangos, espigas de milho, mandioca e outras coisas, 'trocadas' por suas consultas médicas. Ao morrer, Dr. Nazareth recebeu, como homenagem, o nome de uma Rua (uma das travessas da rua do Cemitério). Cresci ouvindo essas histórias, e percebi porque uma das filhas de Dr. Adalberto adquiriu o gosto pela política e pela luta popular por melhores dias para este País tão cheio de miséria e contrastes. Vida abreviada Helenira nasceu em Cerqueira César, na região de Avaré em 1944, e mudou-se para Assis com seu pai, passando a infância e a juventude em nossa cidade. Foi aprovada para o curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (Universidade de São Paulo), que nos anos 60 funcionava na Rua Maria Antonia, no bairro da Consolação, na Capital. Durante o curso de Letras, Helenira tornou-se rapidamente uma destacada líder estudantil, chegando à Vice-Presidência da UNE (União Nacional de Estudantes). Com o golpe militar de 1968, a exemplo de milhares de outros jovens estudantes da época, passou a ser vigiada pela ditadura, chegando a ser presa duas vezes, uma das quais em 1968, no famoso Congresso da UNE, na cidade de Ibiuna (SP). Helenira entrou então para a Guerrilha do Araguaia. Em setembro de 1972 foi emboscada e presa. Segundo a ex-presa política Elza de Lima Monnerat, que sobreviveu à ditadura, Helenira, ao ser emboscada pelos militares, resistiu a bala, matando um soldado e ferindo outro. Metralhada nas pernas, ficou gravemente ferida. Isto não impediu que fosse torturada barbaramente. Como não delatou seus companheiros escondidos na floresta, 'Nega' acabou sendo morta a golpes de baioneta, no dia 29 de setembro de 1972. Helenira Rezende de Souza Nazareth entrou para a História da resistência à ditadura militar. Seu nome consta em vários livros, entre os quais "Brasil Nunca Mais" (1985), coordenado pela Arquidiocese de São Paulo e pelo Grupo Tortura Nunca Mais; e "Dos Filhos desde Solo", escrito por Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio (1999, Editora Boitempo, Páginas 179 e 233). Márcio Amêndola de Oliveira é Jornalista e 'filho' de Assis-SP ============================================================================================================ + Helenira Rezende de Souza Nazareth Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B) Nasceu em Cerqueira Cesar, SP, no dia 19 de janeiro de 1944, filha de Adalberto de Assis Nazareth e Euthália Resende de Souza Nazareth. Desaparecida, desde 1972, na Guerrilha do Araguaia, quando contava 28 anos. Integrante do Destacamento A das Forças Guerrilheiras. Este Destacamento passou a chamar-se Helenira Resende após sua morte. Depoimento de Helenalda Rezende, sua irmã: "Em que leito de rio correrá seu sangue? Lenira , para uns ... Preta para os colegas da USP ... Nira entre os familiares, Fátima para os companheiros do Araguaia... Helenira foi, acima de tudo, uma cidadã brasileira consciente de seus atos, que empunhou a bandeira da justiça e da liberdade, lutando obstinadamente até a morte. Nascida na pequena cidade de Cerqueira Cesar, próximo a Avaré, mudou-se para Assis aos 4 anos, onde cresceu, tendo concluído o Curso Clássico na EEPSG 'Prof. Clibas Pinto Ferraz'. Participante da Seleção de basquete da cidade, sobressaiu-se como uma das melhores jogadoras da região da Alta Sorocabana, tendo também sido contemplada com várias medalhas no atletismo, na modalidade de salto à distância. Dedicada ao estudo da teoria marxista, desde cedo sua presença se fez sentir como líder estudantil que, com posições avançadas defendia com firmeza suas propostas. Fundadora e lª presidente eleita do Grêmio Estudantil da Escola, já se pronunciava nos palanques e na Rádio Difusora de Assis, durante campanhas políticas dos candidatos que julgava dignos de seu apoio. E desde então, ou talvez desde o berço, foi-se formando 1íder estudantil, grande oradora nos Congressos Estudantis e nas manifestações de rua dos anos 60. Foi vice-presidente da UNE, em 1968. 'Estudante nota cem' (depoimento de uma professora), ingressou na Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia, no Curso de Letras onde, através dos movimentos estudantis, passou a viver intensamente a vida política do país. Com seus alunos de Português de duas escolas estaduais, uma no Jardim Japão e outra em Guarulhos, preparava peças de teatro consideradas subversivas na época. Helenira foi presa a primeira vez quando conclamava os colegas a participarem de uma passeata em maio de 1968, em São Paulo. E, no mesmo ano, mais uma vez foi presa, no 30° Congresso da UNE, em lbiúna com outros 800 estudantes. Nesta ocasião, quando o ônibus que os transportava passava pela Avenida Tiradentes, conseguiu entregar a um transeunte um bilhete que foi levado à sua residência à Rua Robertson, no Cambuci, avisando à familia de sua prisão. Procurada pelos policiais como Nazareth e apontada como sendo uma das líderes do movimento, foi transferida do Presídio Tiradentes para o DOPS onde caiu nas garras do famigerado Fleury, que a jurou de morte. Uma outra mensagem foi entregue então, à sua familia avisando sua localização e a dos companheiros José Dirceu, Antônio Ribas, Luís Travassos e Vladimir Palmeira. A polícia continuava negando sua prisão, enquanto um policial não identificado atuava como mensageiro entre o DOPS e o Cambuci. Após alguns dias de 'vai e vem' ao DOPS, o contato direto com Helenira foi conseguido por intermédio da advogada Maria Aparecida Pacheco. Alguns dias depois a 'estudante', como era chamada pelo carcereiro, foi transferida para o Presídio de Mulheres do Carandiru, onde ficou detida por dois meses. Seu Habeas Corpus foi conseguido um dia antes da edição do AI-5. A partir de então passou a viver na clandestinidade, tendo residido em vários pontos da cidade e do país, antes de se dirigir ao Araguaia." Morta a golpes de baioneta, em 29 de setembro de 1972, depois de metralhada nas pernas e torturada. Enterrada na localidade de Oito Barracas. No Relatório do Ministério da Marinha encontra-se a cínica "informação"de que se encontra foragida. No arquivo do DOPS/PR, o nome de Helenira consta em uma gaveta com a identificação: "falecidos". Declarações da ex-presa política Elza de Lima Monnerat, em Auditoria Militar, à época, afirmou que "... Helenira, ao ser atacada por dois soldados, matou um deles e feriu outro. Metralharam-na nas pernas e torturaram-na barbaramente até a morte..." De 1969 a 1972 (mesmo após sua morte na Guerrilha do Araguaia) sua família foi chamada a prestar declarações ao DOPS/SP e ao II Exército. Em 06 de junho de 1979, um jornal publicou sobre Helenira que: "...o lugar onde estava virou uma poça de sangue, conforme falaram soldados do PIC (Pelotão de Investigações Criminais)... e confirmaram que a coragem da moça irritou a tropa. Helenira foi morta a baionetadas!" No jornal "A Voz da Terra", de 08 de fevereiro de 1979, há uma extensa matéria que, sob o título "A Comovente História de Helenira", conta a história dessa combatente pela liberdade no Brasil. Até hoje, sua família, oficialmente, de nada foi informada. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110226/b7307c29/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 8546 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110226/b7307c29/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 26 14:32:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 26 Feb 2011 14:32:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] "Marx e Nietzsche diante da modernidade capitalista" por Augusto Buonicore Message-ID: <403936849E814094A4C0DBE641328BAC@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Marx e Nietzsche diante da modernidade capitalista Nos marcos da onda pós-moderna que varreu o mundo durante as décadas de 1980 e 1990, houve uma tentativa revalorização do pensamento de Nietzsche e, inclusive, de aproximá-lo de Marx. Qual a razão disso? Segundo Marshall Berman, ambos estariam envolvidos na "mesma tentativa de expressar e de agarrar um mundo o qual tudo está impregnado de seu contrário". E mais: eles estariam preocupados na construção de uma "nova espécie de homem (...) que, colocando-se em oposição ao seu hoje, teria a coragem e a imaginação de 'criar novos valores'". Por Augusto Buonicore http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&id_noticia=4936 Marx e Nietzsche diante da modernidade capitalista Por Augusto Buonicore Nos marcos da onda pós-moderna que varreu o mundo durante as décadas de 1980 e 1990, houve uma tentativa revalorização do pensamento de Nietzsche e, inclusive, de aproximá-lo de Marx. Qual a razão disso? Segundo Marshall Berman, ambos estariam envolvidos na "mesma tentativa de expressar e de agarrar um mundo o qual tudo está impregnado de seu contrário". E mais: eles estariam preocupados na construção de uma "nova espécie de homem (...) que, colocando-se em oposição ao seu hoje, teria a coragem e a imaginação de 'criar novos valores'". Para ele, Marx e Nietzsche, teriam sido "simultaneamente entusiastas e inimigos da vida moderna". Neste sentido, contrapunham-se a maioria dos autores atuais, que possuem uma visão unilateral da modernidade, pois caminhariam para polarizações rígidas e anti-dialéticas na qual a modernidade "ou é vista com um entusiasmo cego, acrítico, ou é condenada (...), sempre concebida como um monólito fechado, que não poderia ser moldado ou transformado pelo homem moderno". De fato, os dois autores alemães captaram a crise que impregnava a sociedade capitalista moderna e se colocaram contra ela; mas, indubitavelmente, olhavam esta sociedade em crise de maneira muito diferente. Marx foi um crítico feroz do capitalismo, advogando o fim da exploração do trabalho, a destruição do Estado burguês e sua substituição pelo chamado Estado-Comuna. A perspectiva marxista, portanto, era assentada num democratismo radical-popular, no qual as massas tinham um papel central e positivo na história. Nietzsche, pelo contrário, era fortemente marcado por um ódio aristocrático às classes populares e ao socialismo, inclusive nas suas formas mais amenas. A sua crítica ao capitalismo era essencialmente conservadora e reacionária. Concentrava seus ataques ao liberal-democratismo que permitiria, ainda que de maneira limitada, a participação política de setores despossuídos. Na sua obra clássica Para além do Bem e do Mal, afirmou: o movimento democrático era "uma forma de degradação da organização política", equivalente à "degradação e apequenamento do próprio homem". Nietzsche, também, não mostrou nenhuma simpatia por aqueles que chamava "cães anarquistas", que vagueavam "nos becos da civilização", nem pelos "fanáticos de irmandades que se denominam socialistas" e almejavam construir uma "sociedade livre". Expressou, por diversas vezes, sua repugnância pela "instintiva hostilidade" dos socialistas "contra toda forma de sociedade que não a do rebanho autônomo (chegando até à própria rejeição dos conceitos 'senhor' e 'servo' - ni dieu ni maître, diz uma fórmula socialista-)". Repugnava particularmente a irritante resistência à "todo direito particular e privilégios". Nietzsche se arremeteu furiosamente contra este "novo homem" emancipado, proposto pelos socialistas. Afirmou ele: "A degeneração geral do homem, até chegar àquilo que hoje aparece aos broncos e cabeças rasas do socialismo como seu 'homem do futuro', como seu ideal! - essa degeneração e apequenamento do homem em completo animal-rebanho (ou, como eles dizem, em homens da 'sociedade livre'), esta animalização do homem em animal anão dos direitos e pretensões iguais, é possível, não há dúvida nenhuma! Quem pensou uma vez nesta possibilidade até o fim, conhece um nojo a mais do que os outros homens." Ele era um dos que, compreendendo o perigo que o socialismo representava, compartilhava desse nojo aristocrático contra a plebe e seus porta-vozes. O "homem do futuro" de Nietzsche era de outra natureza. A sua essência seria "guerreira". Ele estaria, todo momento, "pronto a sacrificar à sua causa seres humanos", pois seus "instintos viris se alegrariam com a guerra e a vitória". E concluiu: este "homem do futuro" renegaria "a desprezível espécie de bem-estar com que sonham merceeiros, cristãos, vacas, mulheres, ingleses e outros democratas". Nietzsche sonhava com a chegada deste "homem do futuro", o "homem redentor", que nos redimiria "do grande nojo" igualitário. Não foi por acaso que a irmã deste autor, Elisabeth, confundiria o super-homem nietzschiano com Adolf Hitler, o Führer do terceiro Reich. A maior crítica que dirigiu aos governantes e à sociedade alemã de seu tempo foi quanto sua incapacidade de impedir a barbárie que viria com a vitória da democracia e o ascenso do movimento operário-socialista. Afirmou: "Ninguém hoje tem mais coragem de ter direitos particulares, de ter direito de domínio (...). Nossa política está doente dessa falta de coragem! - O aristocratismo dos sentimentos foi solapado da maneira mais subterrânea pela mentira da igualdade das almas". Aqui está, portanto, o radicalismo anti-moderno do pensamento de Nietzsche. O nosso autor fez, então, uma interessante analogia entre os primeiros cristãos e os movimentos contestatórios contemporâneos, anarquistas e socialistas. Esta mesma operação seria feita por Karl Kautsky e Rosa de Luxemburgo, dois importantes membros da social-democracia alemã, mas com um conteúdo e objetivos completamente diferentes. Afirmou Nietzsche: "Pode-se estabelecer entre cristãos e anarquistas uma perfeita equação: sua finalidade, seu instinto, visa somente a destruição (...). O cristianismo foi o vampiro do Império Romano (...). Esta organização (o Império) era firme o bastante para suportar maus césares (...) (mas) não era firme o bastante contra a mais corrupta espécie de corrupção: os cristãos (...). Este bando covarde, feminino açucarado, que passo a passo afastou as 'almas' desse descomunal edifício (...). Todo espírito respeitável no império romano era epicurista: então apareceu Paulo (...) contra Roma, contra o "mundo", o judeu, o judeu eterno par excellence (...). Ele compreendeu como, com o auxílio do pequeno e sectário movimento cristão (...) se pode ascender um 'incêndio do mundo'; como, com o símbolo 'Deus na cruz', se pode somar tudo o que está por baixo, tudo o que é secretamente sedicioso, a inteira herança de agitação anarquista dentro do império, em uma potência descomunal". O cristianismo e o socialismo eram os símbolos da decadência imperial antiga e moderna. O que os socialistas viam de positivo na ideologia e na prática igualitaristas, niveladoras, dos primeiros cristãos, Nietzsche via degenerescência e corrupção. Por isto mesmo o seu nojo se estendeu até estas antigas comunidades cristãs. Nietzsche nunca escondeu sua ideia sobre a necessidade de manutenção da divisão da sociedade em classes sociais como condição sine qua non para manutenção e desenvolvimento da moderna civilização ocidental. Afinal, como ele mesmo disse, "uma cultura superior só pode surgir onde existam duas castas distintas no seio da sociedade: a dos trabalhadores e a dos ociosos (...) ou para dizê-lo com palavras mais fortes, a casta do trabalho forçado e a do trabalho livre". Os antigos filósofos gregos já haviam difundido esta tese, que se tornou "pedra de toque" de todo pensamento conservador posterior. Por fim, uma breve nota sobre o anti-semitismo nietzschiano. É verdade que, em alguns momentos, ele se levantou contra os exageros das posições anti-semitas de alguns de seus diletos amigos alemães. No entanto, nunca procurou esconder suas posições preconceituosas contra os judeus, que o incluem no campo dos teóricos anti-semitas. "Que a Alemanha, afirmou ele, tem judeus mais do que o bastante, que o estômago alemão, o sangue alemão tem dificuldade (e ainda por muito tempo terá dificuldade) para dar conta desse quantum de 'judeu' (...) tal é o (...) instinto geral, ao qual é preciso dar ouvidos e pelo qual é preciso agir". Isto o levaria a conclamar aos alemães: "'Não deixem entrar novos judeus!' - em especial do Oriente. 'Aferrolhem os portões!' - assim ordena o instinto de um povo cuja espécie ainda fraca e indeterminada, de modo que poderia facilmente (...) ser extinta por uma raça mais forte". E conclui: "um pensador, que tem na consciência o futuro da Europa, contará, em todos os projetos que faz sobre esse futuro, com os judeus assim como com os russos, como os fatores que, de imediato, se apresentam como os mais seguros e prováveis no grande jogo e combate de forças". Premonitoriamente Nietzsche previu os "grandes combates de forças" que se travariam mais tarde entre o império nazista dirigido por Hitler. Neste confronto de titãs, duas perspectivas de humanidade se chocaram. Uma, representada pelo nazismo, advogava a superioridade de alguns poucos escolhidos e a renascimento de um mundo de senhores e escravos. Outra, representada pelos comunistas, que apontava a conquista de uma verdadeira igualdade entre os homens como ponto de partida de uma humanidade emancipada. Marx e Nietsche não estiveram completamente ausentes nestes dias tormentosos da II Grande Guerra Mundial. Decerto, seria incorreto traçar uma linha reta, sem mediações, entre Para Além do Bem e do Mal e Auschewitz ou entre o conceito "vontade de poder" e a política de extermínio dos nazistas. Mas, sem dúvida, suas ideias faziam parte de um amplo movimento intelectual reacionário e irracionalista que se expandiu pela Europa no pós-1848, como resposta teórica e política à ascensão do movimento democrático, operário e socialista. Elas ajudariam a assentar as bases para a construção de uma forte ideologia militarista e imperialista na Europa, especialmente na Alemanha. As perspectivas de Marx e Nietzsche são completamente diferentes. Mais do que diferentes, são antagônicas e, portanto, não podem ser conciliadas. O ecletismo teórico, a tentativa de fusão entre dois pensadores tão distantes entre si, só pode ser explicado pela quadra histórica em que viveram estes intelectuais pós-modernos. Espremidos entre a radicalidade do pensamento crítico dos agitados anos 1960, que se esvaziava, e o pessimismo crônico que ganhava corpo com o início da crise das experiências socialistas (e social-democratas) e a ofensiva liberal-conservadora, no final da década de 1970. Ou seja, este ecletismo teórico era um dos reflexos superestruturais de um tempo sóbrio. Condições que só começaria a se alterar nos últimos anos do século passado. Bibliografia Berman, Marshall, Tudo que é sólido se desmancha no ar, Ed. Companhia das Letras. Lukács, Georg, Ela salto a la razón, Ed. Grijaldo Marx K, Engels, F., O Manifesto do Partido Comunista, Nietzsche, Os pensadores, volume I e II, Ed. Nova Cultural ** Augusto César Buonicore é historiador; mestre em ciência política pela Unicamp; secretário-geral da Fundação Maurício Grabóis; membro do conselho editorial das revistas Princípios e Crítica Marxista e do Comitê Central do PCdoB. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110226/a550c3c2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 54569 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110226/a550c3c2/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 27 12:59:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 27 Feb 2011 12:59:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__M=DASICA_DE_BOA_QUALIDADE=2E____?= =?iso-8859-1?q?____________________________________HOJE_=C9_DOMING?= =?iso-8859-1?q?O!__M=DASICA!?= Message-ID: <35DD7C9F5087426FBD861FBE90432C72@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Enquanto trabalha no seu computador, você pode ouvir música de boa qualidade, da Renascença ao Século XX, 24 horas por dia. Acesse: www.radioclassica.com.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110227/d0ffd955/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 27 12:59:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 27 Feb 2011 12:59:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_VIRG=CDLIO_GOMES_DA_SILVA______________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-LXI-?= Message-ID: <6ADA133D0F6C4844AAF865A5CA846288@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem VIRGÍLIO GOMES DA SILVA (1933-1969) Filiação: Izabel Gomes da Silva e Sebastião Gomes da Silva Data e local de nascimento: 15/08/1933, Santa Cruz (RN) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 29/09/1969 em São Paulo Nascido no Rio Grande do Norte e dirigente da ALN em São Paulo, seu nome integrou a lista de 136 desaparecidos do Anexo à Lei nº 9.140/95. Ainda criança, deslocou-se com sua família para o Pará, onde o pai trabalhou na extração de borracha, em Fordlândia. Aos 11 anos, retornou à terra natal em 1945, com sua mãe e irmãos, decidindo mudar-se sozinho para São Paulo em 1951, na busca de sobrevivência e apoio à família. Nos primeiros tempos na capital paulista, chegou a dormir em bancos de jardim no Largo da Concórdia. Operário da Nitroquímica, importante indústria do Grupo Votorantim em São Miguel Paulista, zona leste da cidade, filiou-se ao PCB em 1957, tornou-se membro da diretoria do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São Paulo, e liderou uma forte mobilização grevista naquela empresa em 1963. Foi preso em 1964, permanecendo detido por quatro meses. Perseguido pela sua militância, não conseguia ser readmitido nas fábricas. Próximo a Carlos Marighella, acompanhou esse dirigente comunista no rompimento com o PCB em 1967, sendo enviado a Cuba para treinamento de guerrilha, segundo várias anotações constantes de sua biografia. Com o nome de guerra Jonas, dirigiu o Grupo Tático Armado da ALN e era acusado pelos órgãos de segurança de participação em ações armadas que resultaram em mortes. Foi preso no dia 29/09/1969, na Avenida Duque de Caxias, em São Paulo, por agentes da OBAN, poucas semanas após ter comandado, no Rio de Janeiro, o seqüestro do embaixador norte-americano no Brasil, operação guerrilheira que representou forte derrota para o regime militar, levando-o a desencadear violenta escalada repressiva em resposta. No dia anterior, fora preso seu irmão, Francisco Gomes da Silva. No mesmo dia 29, a polícia também deteve, num sítio em São Sebastião, litoral paulista, sua mulher Ilda e três de seus quatro filhos: Wladimir, com 8 anos, Virgílio, com 7, e Maria Isabel, um bebê de quatro meses. Gregório, que tinha dois anos, não foi levado por não estar na casa. Ilda permaneceu presa por nove meses, sendo que incomunicável, sem qualquer notícia dos filhos durante a metade desse tempo. Depois da OBAN, foi levada para o DOPS e, por último, esteve no Presídio Tiradentes. As crianças foram enviadas por dois meses ao Juizado de Menores, onde a menina sofreu grave desidratação. Virgílio chegou à OBAN encapuzado, por volta de 10:30, e morreu 12 horas depois. Francisco, o irmão, foi informado da morte pelo capitão Albernaz. O preso político Celso Antunes Horta viu o corpo na cela. Outros presos políticos foram informados da morte de Virgílio. Mas a informação oficial dos órgãos de segurança a partir desse dia foi sempre no sentido de que Virgílio estava foragido. A denúncia de seu assassinato foi feita em depoimentos na Justiça Militar e em documentos elaborados pelos presos políticos. Segundo eles, Virgílio morreu nas mãos de torturadores liderados pelo major Inocêncio F. de Matos Beltrão e pelo Major Valdir Coelho, chefes da OBAN. Participaram também os capitães Benone Arruda Albernaz, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero César Machado - capitão conhecido como "Tomás", da PM-SP - delegado Octávio Gonçalves Moreira Jr., sargento da PM Paulo Bordini, agentes policiais Maurício de Freitas, vulgo "Lungaretti", Paulo Rosa, vulgo "Paulo Bexiga" e um agente da Polícia Federal conhecido como "Américo". Na busca de esclarecimento, os familiares foram reunindo, ano a ano, cada uma das informações que terminaram comprovando as verdadeiras circunstâncias de sua morte. Nos arquivos do DOPS/PR, seu nome constava de uma gaveta de "falecidos". No encaminhamento nº 261 do SNI, de 31/10/1969, lê-se: "Virgílio Gomes da Silva - 'Jonas', falecido por resistir à prisão". Em sua ficha nos arquivos do DOPS/SP está escrito, à máquina, ao lado do seu nome, entre parênteses: "morto". Um relatório da Marinha, de 1993, solicitado pelo ministro Maurício Corrêa, reconhece a morte, mas com falsa versão: "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho". Novas informações surgiram com a abertura da Vala de Perus, em 1990 e o acesso aos arquivos do IML/SP. A Comissão de Familiares tentou resgatar, no Cemitério de Vila Formosa, o corpo enterrado através da requisição de exame identificada com o nº 4059/69. Tratava-se do corpo de um desconhecido enterrado como indigente na data do desaparecimento de Virgílio, com suposta procedência da 36ª DP - sede da OBAN. As buscas foram infrutíferas, por não existir um mapa das quadras na época por ter sido plantado um bosque no local. Somente em 2004 a verdade sobre o destino de Virgílio foi confirmada por documentos oficiais. O jornalista Mário Magalhães, ao pesquisar o arquivo do DOPS, localizou o laudo e a foto do corpo de Virgílio. Enterrado como desconhecido sob o nº 4059/69, anteriormente pesquisado, o corpo fora identificado. O laudo assinado por Roberto A. Magalhães e Paulo A. de Queiroz Rocha descreve escoriações em todo o rosto, braços, joelhos, punho direito e ainda equimoses no tórax e abdômen, hematomas intensos na mão direita e na polpa escrotal. Internamente registraram hematoma intenso e extenso na calota craniana, fratura completa com afundamento do osso frontal, hematomas em toda a superfície do encéfalo, hematoma intenso no tecido subcutâneo e muscular da sétima à décima-primeira costelas esquerdas, fratura completa da oitava, nona e décima costelas direitas. A morte, que concluem ter sido em conseqüência de traumatismo crânio-encefálico, causado por instrumento contundente, não teria sido causada por tortura, como fizeram questão de registrar os legistas, interessados em homologar a versão oficial dos órgãos de segurança. A identificação foi feita através das digitais. O texto é assinado pelo delegado Emílio Mattar e pelo agente Gilberto da Cruz, da Divisão de Identificação Civil e Criminal da Secretaria de Segurança Pública, sendo que o delegado Mattar era o diretor do órgão que identificou o cadáver desconhecido como sendo o de Virgílio. Junto aos documentos, um bilhete escrito à mão arbitra o desaparecimento: Não deve ser informado. ====================================================================================================================== + Informações. VIRGÍLIO GOMES DA SILVA Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu a 15 de agosto de 1933 em Sítio Novo - Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, filho de Sebastião Gomes da Silva e Izabel Gomes da Silva. Desaparecido desde 1969. Casado, tinha 3 filhos. Foi operário da indústria química e dirigente do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São Paulo. Preso durante 4 meses em 1964. Perseguido pela sua militância, não conseguia emprego nas fábricas e sobreviveu mantendo um pequeno bar em São Miguel Paulista. Foi preso no dia 29 de setembro de 1969, na Av. Duque de Caxias, em São Paulo, por agentes da Operação Bandeirantes - OBAN (DOI-CODI/SP). Morto sob torturas na sede da OBAN, nas mãos dos assassinos torturadores liderados pelo major Inocêncio F. de Matos Beltrão e pelo Major Valdir Coelho, chefes daquele centro de torturas, além dos capitães Benone Arruda Albernaz, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado, capitão conhecido como "Tomás", da PMSP, delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr., sargento da PM Paulo Bordini, agentes policiais Maurício de Freitas, vulgo "Lungaretti", Paulo Rosa, vulgo "Paulo Bexiga" e agente do Departamento da Polícia Federal conhecido como "Américo". Militantes presos na mesma época afirmam que a polícia torturou sua mulher e o filho mais novo, ainda bebê, para obrigá-lo a colaborar. Em sua ficha encontrada nos arquivos do DOPS/SP ao lado do seu nome, entre parêntesis está escrito à máquina "morto". No encaminhamento n° 261 do Serviço Nacional de Informações de 31 de outubro de 1969, encontrado no DOPS/PR, lê-se "Virgílio Gomes da Silva - 'Jonas', falecido por resistir à prisão; que também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima." Ainda no DOPS/PR, consta o nome de Virgílio numa gaveta com a identificação: "falecidos". No DOPS/RJ, consta o nome de Virgílio no documento do CIE-S/103 - Terroristas da ALN com Cursos em Cuba (situação em 21 de junho de 1972), como estando morto. O Relatório da Marinha afirma que "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho." Depoimentos dos ex-presos políticos Paulo de Tarso Venceslau, Manoel Cyrillo de Oliveira Neto, seu irmão Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, feitos em Auditorias Militares na época, denunciam as torturas sofridas por Virgílio na OBAN. De Francisco Gomes da Silva, irmão de Virgílio e que também foi preso político: "Meu irmão Virgílio Gomes da Silva foi preso e morto no DOI-CODI da Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969. Virgílio era militante da ALN e estava sendo procurado pelos órgãos da repressão aparecendo inclusive em cartazes com fotografia onde se lia Procura-se. Eu fui preso no dia 28 do mesmo mês de setembro, tendo passado por várias sessões de tortura, quando no dia 29, Virgílio chegou no mesmo local, ou seja Operação Bandeirantes, algemado, tendo sido preso pela equipe do Capitão Albernaz (eu, pela equipe do Raul Careca). Eu estava sendo interrogado quando ouvi os gritos de Virgílio, que chegou algemado e estava sendo espancado, quando levou um chute no rosto, que se abriu e comecou a jorrar sangue. Continuaram os gritos de Virgílio que estava sendo torturado para que entregasse os companheiros. Ele recusava-se a delatar e reagia xingando os torturadores. Acredito que Virgílio chegou ao DOI-CODI por volta de 11:00 h da manhã, tendo sido assassinado por volta das 21:00 h. O corpo foi mostrado ao Celso Horta, também preso político. Virgílio foi morto pendurado no pau de arara. Mais ou menos meia hora depois que eu soube da morte de Virgílio, através de um outro preso, o Capitão Albernaz dirigiu-se a mim, informando que Virgílio havia fugido. Ouvi comentários na prisão que os torturadores haviam retirado os olhos de Virgílio, bem como seus testículos. Mais tarde fui transferido para o DOPS e lá, um delegado cujo nome não me recordo, falou que Virgílio havia sido enterrado na quadra do DOPS no cemitério de V. Formosa. Mais ou menos um ano depois, minha mãe e meu irmão Vicente foram ao cemitério de V. Formosa e souberam através de um funcionário o local onde Virgílio estava enterrado, tendo se dirigido ao referido local que, entretanto, estava fortemente vigiado pela polícia militar, sendo que os policiais determinaram que se afastassem e não voltassem mais ao local. Os jornais publicaram que Virgílio estava foragido, quando na verdade já estava morto." Apesar das buscas efetuadas no Cemitério de Vila Formosa pela Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, seu corpo não foi encontrado. ============================================================================= + Informações. Virgílio Gomes da Silva Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu a 15 de agosto de 1933 em Sítio Novo - Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, filho de Sebastião Gomes da Silva e Izabel Gomes da Silva. Desaparecido desde 1969. Casado, tinha 3 filhos. Foi operário da indústria química e dirigente do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São Paulo. Preso durante 4 meses em 1964. Perseguido pela sua militância, não conseguia emprego nas fábricas e sobreviveu mantendo um pequeno bar em São Miguel Paulista. Foi preso no dia 29 de setembro de 1969, na Av. Duque de Caxias, em São Paulo, por agentes da Operação Bandeirantes - OBAN (DOI-CODI/SP). Morto sob torturas na sede da OBAN, nas mãos dos assassinos torturadores liderados pelo major Inocêncio F. de Matos Beltrão e pelo Major Valdir Coelho, chefes daquele centro de torturas, além dos capitães Benone Arruda Albernaz, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado, capitão conhecido como "Tomás", da PM-SP, delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr., sargento da PM Paulo Bordini, agentes policiais Maurício de Freitas, vulgo "Lungaretti", Paulo Rosa, vulgo "Paulo Bexiga" e agente do Departamento da Polícia Federal conhecido como "Américo". Militantes presos na mesma época afirmam que a polícia torturou sua mulher e o filho mais novo, ainda bebê, para obrigá-lo a colaborar. Em sua ficha encontrada nos arquivos do DOPS/SP ao lado do seu nome, entre parêntesis está escrito à máquina "morto". No encaminhamento n° 261 do Serviço Nacional de Informações de 31 de outubro de 1969, encontrado no DOPS/PR, lê-se "Virgílio Gomes da Silva - 'Jonas', falecido por resistir à prisão; que também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima." Ainda no DOPS/PR, consta o nome de Virgílio numa gaveta com a identificação: "falecidos". No DOPS/RJ, consta o nome de Virgílio no documento do CIE-S/103 - Terroristas da ALN com Cursos em Cuba (situação em 21 de junho de 1972), como estando morto. O Relatório da Marinha afirma que "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho." Depoimentos dos ex-presos políticos Paulo de Tarso Venceslau, Manoel Cyrillo de Oliveira Neto, seu irmão Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, feitos em Auditorias Militares na época, denunciam as torturas sofridas por Virgílio na OBAN. De Francisco Gomes da Silva, irmão de Virgílio e que também foi preso político: "Meu irmão Virgílio Gomes da Silva foi preso e morto no DOI-CODI da Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969. Virgílio era militante da ALN e estava sendo procurado pelos órgãos da repressão aparecendo inclusive em cartazes com fotografia onde se lia Procura-se. Eu fui preso no dia 28 do mesmo mês de setembro, tendo passado por várias sessões de tortura, quando no dia 29, Virgílio chegou no mesmo local, ou seja Operação Bandeirantes, algemado, tendo sido preso pela equipe do Capitão Albernaz (eu, pela equipe do Raul Careca). Eu estava sendo interrogado quando ouvi os gritos de Virgílio, que chegou algemado e estava sendo espancado, quando levou um chute no rosto, que se abriu e comecou a jorrar sangue. Continuaram os gritos de Virgílio que estava sendo torturado para que entregasse os companheiros. Ele recusava-se a delatar e reagia xingando os torturadores. Acredito que Virgílio chegou ao DOI-CODI por volta de 11:00 h da manhã, tendo sido assassinado por volta das 21:00 h. O corpo foi mostrado ao Celso Horta, também preso político. Virgílio foi morto pendurado no pau de arara. Mais ou menos meia hora depois que eu soube da morte de Virgílio, através de um outro preso, o Capitão Albernaz dirigiu-se a mim, informando que Virgílio havia fugido. Ouvi comentários na prisão que os torturadores haviam retirado os olhos de Virgílio, bem como seus testículos. Mais tarde fui transferido para o DOPS e lá, um delegado cujo nome não me recordo, falou que Virgílio havia sido enterrado na quadra do DOPS no cemitério de V. Formosa. Mais ou menos um ano depois, minha mãe e meu irmão Vicente foram ao cemitério de V. Formosa e souberam através de um funcionário o local onde Virgílio estava enterrado, tendo se dirigido ao referido local que, entretanto, estava fortemente vigiado pela polícia militar, sendo que os policiais determinaram que se afastassem e não voltassem mais ao local. Os jornais publicaram que Virgílio estava foragido, quando na verdade já estava morto." Apesar das buscas efetuadas no Cemitério de Vila Formosa pela Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, seu corpo não foi encontrado. COMUNICADO POLÍTICO URGENTE 24 DE JUNHO DE 2004 O Grupo Tortura Nunca Mais - SP comunica que foram encontradas no Arquivo do Estado as provas da morte por tortura de Virgilio Gomes da Silva, nas dependências da Operação Bandeirantes (DOI CODI-SP.) em 29de setembro de l969. Até hoje Virgílio está desaparecido e seu corpo não foi encontrado. Sua viúva, Ilda Martins da Silva, e seus quatro filhos exigem que seja indicada a localização de seus restos mortais para que possam finalmente enterrá-lo com a dignidade que merece. A família de Virgílio exibirá à imprensa, aos amigos e ao país o laudo do Instituto Médico Legal de São Paulo, feito àquela época, que prova a morte por tortura de Virgílio Gomes da Silva, com sua foto depois de morto e suas impressões digitais. Sobre esse laudo, aparece um aviso escrito à mão com a frase "Não deve ser informado", o que prova que houve uma ordem para o desaparecimento do corpo e o não comunicado da morte à família ou à imprensa. Sua viúva, aliás, foi presa no mesmo dia e permaneceu presa na Operação Bandeirantes (Doi-Codi), no Dops paulista e no presídio Tiradentes por dez meses num verdadeiro sequestro, pois não foi processada. Seus filhos, com idade de 8, 7 e 2 anos, além de uma filha de quatro meses, foram levados ao Juizado de Menores. Contamos com a sua presença para este ato em defesa da memória e da justiça, que será realizado em 24 de junho de 2004, no auditório Wladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas - Rua Rego Freitas, 230 -Sobreloja/SP - Fones para contato: 9615-3293 | 3283-3082 Rose Nogueira GRUPO TORTURA NUNCA MAIS -SP Presidente Fonte: Boletim Agência Carta Maior 35 ANOS DEPOIS Documentos comprovam morte por tortura na ditadura Encontrados por acaso no Arquivo do Estado, laudos mostram que Virgílio Gomes da Silva, preso político desaparecido em 1969, foi torturado e assassinado nas dependências da Operação Bandeirante, o Doi Codi-SP Bia Barbosa 24/06/2004 São Paulo - Gilberto da Cruz, Emílio Máttar, Roberto A. Magalhães e Paulo A. de Queiroz Rocha. Onde estão esses homens? Hoje, eles são a única pista que a família de Virgílio Gomes da Silva tem para tentar encontrar seu corpo, desaparecido há 35 anos. Virgílio, operário da indústria química e militante da Aliança de Libertação Nacional (ALN), foi preso pela ditadura militar em setembro de 1969 e nunca mais visto. Nesta quinta-feira (24), o Grupo Tortura Nunca Mais/SP divulgou em São Paulo documentos encontrados no Arquivo do Estado que comprovam o assassinato de Virgílio por tortura nas dependências da Operação Bandeirantes (o DOI CODI-SP), no dia 29 de setembro de 1969. Roberto A Magalhães e Paulo A de Queiroz Rocha são os médicos que assinam o laudo do Instituto Médico Legal, datado de 30 de setembro, que atesta a morte do militante. Gilberto da Cruz e Emílio Máttar trabalhavam na época na Divisão de Identificação Civil e Criminal da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública, sendo que o delegado Máttar era o diretor do órgão, que identificou o cadáver desconhecido como sendo o do preso político. Os documentos divulgados nesta quinta foram encontrados no meio de 180 mil pastas pelo jornalista e escritor Mário Magalhães, durante pesquisas que realizava para o livro que está escrevendo sobre a vida de Carlos Marighella e da ALN. As informações até hoje secretas sobre o destino de Virgílio Gomes da Silva estavam "perdidas" no meio de dossiês que tratavam da atuação dos freis dominicanos durante a ditadura. Sobre tais papéis, um aviso manuscrito com a frase "Os símbolos 30-Z-160-4820, 4821, 4819 e 4918 não podem ser informados". Na opinião da família, esta é uma prova de que houve uma ordem para o desaparecimento do corpo e o não comunicado da morte de Virgílio aos familiares. Com o codinome de Jonas, Virgílio foi uma das lideranças na luta contra a ditadura militar no Brasil. Uma de suas ações foi o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, posteriormente trocado por 15 presos políticos, entre eles o Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu. Preso pouco tempo depois do sequestro, Virgílio foi o primeiro brasileiro dado como desaparecido no processo da ditadura. Esta foi a versão oficial dada pelo Estado. Em 1995, Ilda Martins da Silva, sua esposa, recebeu o atestado de óbito do marido, por morte presumida por desaparecimento. Mas os papéis que comprovavam a morte do preso político existem há 35 anos - e sempre estiveram sob poder do Estado. A descoberta desses documentos vira de ponta cabeça a história oficial contada pelo país sobre o destino de seus desaparecidos políticos. "Desde que meu pai morreu existe um laudo e nós só ficamos sabendo disso agora. Para mim, ele morreu esta semana, por isso estamos de luto. Minha avó morreu sem saber o destino do meu pai", disse emocionado Vladimir da Silva, filho mais velho de Virgílio. "Estes documentos me enchem de esperança. Da mesma forma que eles apareceram por acaso, os de outros companheiros podem estar lá. Há uma urgência em se estudar este arquivo. Ao mesmo tempo, já que tudo foi registrado, queremos saber de quem partiu a ordem de ocultar o corpo do meu pai. Queremos rever este atestado de morte presumida. Estamos aqui não para pedir uma indenização, mas o reestabelecimento de uma verdade histórica. Não tenho esperança de que estas pessoas que são citadas nos laudos venham a público fazer este reconhecimento. Nunca vieram. Minha esperança é na Justiça", explica Vladimir. 20/10/2005 - 14h01m Aprovada anistia para militante da ALN assassinado Evandro Éboli - O Globo BRASÍLIA - Numa sessão histórica e marcada pela emoção, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou nesta quarta-feira a concessão de anistia post-mortem para o ex-guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN) Virgílio Gomes da Silva, morto pela ditadura em setembro de 1969, e também para sua esposa, a viúva Ilda Martins da Silva, que foi presa e torturada. A comissão aprovou também anistia para dois filhos do casal, Vladimir e Isabel Maria Gomes da Silva. Os dois, quando crianças, foram parar na prisão acompanhando a mãe e foram ameaçados por agentes da ditadura de serem entregues para adoção. Foi aprovada ainda o pagamento de indenização, em prestação única, de R$ 100 mil para cada um dos processos, valor máximo desse tipo de reparação. A sessão foi acompanhada por Ilda e pelos seus quatro filhos, Vladimir, Virgílio, Gregório e Maria Isabel. A família chorou emocionada, várias vezes, durante as duas horas e meia de duração do julgamento dos quatro casos. No combate à ditadura, Virgílio usou a codinome "Jonas" e coordenou o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, trocado por 15 companheiros comunistas que estavam presos, entre eles o ex-ministro da Casa Civil e deputado José Dirceu (PT-SP). Com a morte de Jonas, em 29 de setembro de 1969, Ilda, depois de passar um tempo na cadeia, sem condições de cuidar dos filhos e perseguida pelos militares, exilou-se em Cuba. Ilda recebia uma ajuda de custo do governo cubano. Os quatro filhos estudaram na ilha e todos se formaram e fizeram curso superior. Três deles casaram-se com cubanas. A família começou a retornar ao Brasil somente a partir dos anos 90, até a caçula Isabel Maria tirar o diploma em geologia. Jonas foi filiado ao PCB nos anos 50 e virou líder sindical, da categoria dos químicos, em São Paulo. Foi no movimento sindical que conheceu Ilda, funcionária de uma indústria do setor e envolvida na política. Fundou a ALN ao lado de Carlos Marighela. Foi preso várias vezes, torturado e morto em 29 de setembro de 1969. O regime militar divulgou que ele havia fugido da prisão e prevaleceu durante muito tempo a versão de que ele estava foragido. Somente no ano passado, com o aparecimento de um laudo do Instituto Médico Legal (IML), descobriu-se que Jonas morreu numa das vezes que foi preso. Até hoje sua ossada não foi localizada. Ilda ficou dez meses presa. Foi detida pela Operação Bandeirantes, a Oban. Incomunicável, não viu os filhos nesse período. Os filhos seguiram para uma instituição de menores. Durante os 25 dias que tiveram nesse local, eles dormiam sempre juntos e unidos por um cordão. Caso tentassem retirar algum deles, os outros perceberiam e acordariam. Ilda fez um agradecimento ao governo cubano e comemorou a decisão da comissão. - Agradeço muito a Cuba que permitiu que continuasse a viver e educasse meus filhos. Espero que os brasileiros nunca esqueçam a luta do Virgílio. Ele deu a vida para muitas das pessoas que hoje estão no poder. Ajudou a tirar muitos deles da cadeia - disse, emocionada, Ilda Martins da Silva. ==================================================================================================== + Informações. Jonas, o primeiro desaparecido Virgílio Gomes da Silva (15/8/1933 - 29/9/1969) Francisco Gomes da Silva, Chiquinho, foi baleado e preso no dia 28 de setembro de 1969. Passou por várias sessões de tortura na Oban. No dia seguinte, por volta das 11h, seu irmão Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, foi levado à Oban, preso pela equipe do capitão Benone Albernaz. Chegou algemado e encapuzado. Deram-lhe um chute no rosto, fazendo jorrar sangue, em uma demonstração de que estavam dispostos a tudo. Virgílio sobreviveu por 12 horas às torturas, desafiando seus carrascos. Chiquinho ficou sabendo da morte do irmão meia hora depois, às 21h30, pelo capitão Albernaz. Celso Antunes Horta viu o corpo de Jonas e denunciou posteriormente às Auditorias Militares que ele morrera no pau-de-arara. Comandavam a Oban naquela época os majores Inocêncio Beltrão e Valdir Coelho. Os capitães Dalmo Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado (PM) e Benone Albernaz revezavam-se no comando das torturas. Na morte de Virgílio participaram também o delegado Otávio Moreira Jr., o sargento PM Paulo Bordini, o agente policial Lungaretti (Maurício de Freitas), Paulo Bexiga (Paulo Rosa) e o agente da Polícia Federal Américo. Apesar dos testemunhos dos presos políticos Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, que juntamente com Paulo de Tarso Wenceslau e Manoel Cyrillo denunciaram às Auditorias Militares o assassinato de Virgílio Gomes da Silva, sua prisão e morte não foram reconhecidas. Jonas transformou-se, assim, no primeiro desaparecido político brasileiro. Sua mulher, Idalina, e os três filhos foram presos em São Sebastião, no litoral norte do Estado de São Paulo. A repressão utilizou-os para pressionar Virgílio a dar informações, mas nem assim teve sucesso. Sabe-se que seu corpo foi enterrado no Cemitério De Vila Formosa, em São Paulo, mas nunca foi encontrado. Documentos pesquisados no arquivo do Dops/SP comprovam sua prisão, enquanto os órgãos de segurança continuavam divulgando que ele se encontrava foragido. Em sua ficha individual no Dops/SP, ao lado do seu nome, batido à máquina, vem entre parênteses, escrito à mão: morto. No arquivo do Dops/PR, em um documento do serviço Nacional de investigação (SNI) de 31/10/69, lê-se: "Virgílio Gomes da Silva (Jonas), falecido por resistir à prisão; também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima". No arquivo do Dops/RJ há um documento do CIE intitulado: "Terrorista da ALN com curso em Cuba" que relata no texto: situação em 21 de junho, morto. Mesmo assim, em 1993, Relatório da Marinha obtido por Requerimento de informação feita pelo deputado Nilmário Miranda ainda afirma: Virgílio Gomes da Silva "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho". Quando o filme O Que é Isso, Companheiro? Apresentou Jonas como um militante frio e violento, dezenas de pessoas que o conheceram fizeram desagravos, resgatando sua imagem e história verdadeiras. Virgílio nasceu no Rio Grande do Norte, Sítio Novo - Santa Cruz, e foi assassinado aos 36 anos. O seu caso foi reconhecido pela Anexo da Lei 9.140/95. ======================================================================================================= + Informações. Depoimentos "Quero os restos de Virgilio Gomes da Silva"- Ilda Martins da Silva. A primeira. Virgilio(Jonas), teria morrido num tiroteio ao reagir à prisão. Mentira dos serviços secretos da Marinha e da Aeronáutica. A segunda. Versão do II Exército- Morto virou "Foragido". Mentira. A terceira, em 2004, Jonas foi massacrado na versão do filme O que é isso companheiro?, baseado no livro de Fernando de Gabeira. "O filme é uma fraude. A VERDADE : Virgílio Gomes da Silva " foi morto na tortura. Pode-se ver no laudo que ele não tinha nenhum osso inteiro. Acreditamos que ele não foi morto com pontapé, como falam, e sim com barras de ferro. Todos os órgãos vitais foram danificados, com a única exceção do coração." Após quatro décadas de silêncio, foi revelado o relatório sobre a morte do revolucionário Virgílio Gomes da Silva, conhecido como Jonas. Ele era considerado um desaparecido da época da ditadura militar. As informações dos laudos divulgados neste último domingo (30) mostram que, na verdade, Jonas foi morto devido às torturas sofridas por militares e civis da Operação Bandeirante, em São Paulo. A viúva de Jonas, Ilda Martins da Silva, conta que, a partir do relatório, vai dar entrada em processo pelo Ministério Público Federal (MPF). "Isso já revela que eles estão assumindo a morte dele, que eles o mataram. Isso para nós é importante para podermos dar entrada na busca das ossadas dele." Ilda conta com o apoio e solidariedade de companheiros, organizações, a exemplo do Grupo Tortura Nunca Mais. A diretora do grupo, Rose Nogueira, detalha o laudo divulgado: "Ele foi morto na tortura. Pode-se ver no laudo que ele não tinha nenhum osso inteiro. Acreditamos que ele não foi morto com pontapé, como falam, e sim com barras de ferro. Todos os órgãos vitais foram danificados, com a única exceção do coração." A viúva de Jonas, Ilda Martins da Silva, afirma que, a partir do relatório, vai dar entrada em processo pelo Ministério Público Federal (MPF). O paradeiro do corpo nunca foi revelado, e as Forças Armadas jamais admitiram o crime oficialmente. O documento foi produzido pelo Centro de Informações do Exército (CIE), vinculado ao gabinete do então ministro da Força, general Aurélio de Lyra Tavares. Sua existência comprova que a cúpula da ditadura foi avisada sobre a morte de Jonas nos porões sanguinários dos órgãos oficiais da ditadura. Mesmo assim, a Justiça Militar o condenou "à revelia" duas vezes, em 1970 e 1977, com base na Lei de Segurança Nacional. Somadas, as penas chegariam a 33 anos de prisão. O relatório foi redigido em 8 de outubro de 1969, com o título de "Informação n. 2.600" e carimbos de "confidencial". Jonas foi capturado e morto nove dias antes, em 29 de setembro. No documento, os militares evitam a palavra tortura. Dizem que o revolucionário reagiu à prisão e morreu em virtude de "ferimentos recebidos" sob custódia da Oban. O trecho que elucida o crime ocupa apenas quatro linhas do relatório. Diz o seguinte: "Virgílio Gomes da Silva, vulgo Jonas, vulgo Borges, reagiu violentamente desde o momento de sua prisão, vindo a falecer em consequência dos ferimentos recebidos, antes mesmo de prestar declarações". Segundo o cabeçalho, o documento circulou na época por dez órgãos militares, incluindo os serviços secretos da Marinha e da Aeronáutica. Ao fim do dossiê, foram anexadas informações e fotos de 19 militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) presos após o sequestro. Há cópias de três documentos de Jonas (título eleitoral, carteira de habilitação e uma carteirinha de sócio do Jardim Zoológico de São Paulo) e três retratos 3x4, nos quais ele aparece com e sem bigode. E uma anotação, à mão: "Jonas - Morto - Participou do Sequestro". Ele está enterrado no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. "Não sabemos em que sepultura. Quero que o Exército se responsabilize por essa busca, especialmente agora que eles reconheceram a morte dele dentro de suas dependências. Virgilio merece um enterro decente" Ilda Martins da Silva. A falsa versão do II Exército- Morto virou "Foragido" Outro documento secreto mostra que a ditadura fabricou uma versão falsa para encobrir o assassinato quatro dias depois do dossiê em que admitia a morte de Jonas. Trata-se do Relatório Especial de Informações n. 28, assinado pelo general Aloysio Guedes Pereira, comandante da 2ª Divisão de Infantaria do II Exército, de 12 de outubro de 1969. Desta vez, no entanto, Jonas foi apresentado como foragido. Para dar credibilidade à suposta fuga, o relatório mistura fatos verídicos e inventados. Na parte verdadeira, informa o endereço em que ele foi capturado pela Oban e que participou do sequestro de Elbrick "na qualidade de chefe da ação". Na falsa, que "evadiu-se na ocasião em que foi conduzido para indicar um 'aparelho'". Enquanto o Exército se manteve em silêncio, outros órgãos apresentaram versões divergentes para o caso desde a redemocratização. Em 1985, o projeto "Brasil: Nunca Mais", coordenado por Dom Paulo Evaristo Arns, divulgou depoimentos de dois presos que viram Jonas ser morto na Oban. Em 1993, a Marinha enviou ofício ao então ministro da Justiça, Maurício Corrêa, com outra versão fantasiosa: ele teria morrido num tiroteio ao reagir à prisão. Só em 2004 foi descoberto, no Arquivo do Estado de São Paulo, laudo do IML com a foto do rosto de Jonas, já morto e desfigurado por agressões. O que é isso companheiro? de Fernando de Gabeira. O filme é uma fraude. Virgilio não era louco e agressivo como eles mostraram. Também não fumava, mas nas cenas aparece fumando sem parar. Processei a produtora e ganhei em primeira instância. Perdi na segunda e estou aguardando a terceira", diz a viúva Ilda Martins da Silva. "Fizeram uma caricatura covarde e infame do Jonas. No filme ele é retratado como um idiota. O Gabeira não teve a decência de vir a público dizendo que o filme distorcia a verdade", afirma o historiador Daniel Aaarão Reis, um dos idealizadores do sequestro. . "Fizeram uma caricatura covarde e infame do Jonas. No filme ele é retratado como um idiota. O Gabeira não teve a decência de vir a público dizendo que o filme distorcia a verdade", afirma o historiador Daniel Aaarão Reis, um dos idealizadores do sequestro. Depoimento de Francisco Gomes da Silva "Meu irmão Virgílio Gomes da Silva foi preso e morto no DOI-CODI da Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969. Virgílio era militante da ALN e estava sendo procurado pelos órgãos da repressão aparecendo inclusive em cartazes com fotografia o­nde se lia Procura-se. Eu fui preso no dia 28 do mesmo mês de setembro, tendo passado por várias sessões de tortura, quando no dia 29, Virgílio chegou no mesmo local, ou seja Operação Bandeirantes, algemado, tendo sido preso pela equipe do Capitão Albernaz (eu, pela equipe do Raul Careca). Eu estava sendo interrogado quando ouvi os gritos de Virgílio, que chegou algemado e estava sendo espancado, quando levou um chute no rosto, que se abriu e começou a jorrar sangue. Continuaram os gritos de Virgílio que estava sendo torturado para que entregasse os companheiros. Ele recusava-se a delatar e reagia xingando os torturadores. Acredito que Virgílio chegou ao DOI-CODI por volta de 11:00 h da manhã, tendo sido assassinado por volta das 21:00 h. O corpo foi mostrado ao Celso Horta, também preso político. Virgílio foi morto pendurado no pau de arara. Mais ou menos meia hora depois que eu soube da morte de Virgílio, através de um outro preso, o Capitão Albernaz dirigiu-se a mim, informando que Virgílio havia fugido. Ouvi comentários na prisão que os torturadores haviam retirado os olhos de Virgílio, bem como seus testículos. Mais tarde fui transferido para o DOPS e lá, um delegado cujo nome não me recordo, falou que Virgílio havia sido enterrado na quadra do DOPS no cemitério de V. Formosa. Mais ou menos um ano depois, minha mãe e meu irmão Vicente foram ao cemitério de V. Formosa e souberam através de um funcionário o local o­nde Virgílio estava enterrado, tendo se dirigido ao referido local que, entretanto, estava fortemente vigiado pela polícia militar, sendo que os policiais determinaram que se afastassem e não voltassem mais ao local. Os jornais publicaram que Virgílio estava foragido, quando na verdade já estava morto." Apesar das buscas efetuadas no Cemitério de Vila Formosa pela Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, seu corpo não foi encontrado. Vladimir da Silva- "Queremos rever este atestado de morte presumida." "Desde que meu pai morreu existe um laudo e nós só ficamos sabendo disso agora. Para mim, ele morreu esta semana, por isso estamos de luto. Minha avó morreu sem saber o destino do meu pai" "Estes documentos me enchem de esperança. Da mesma forma que eles apareceram por acaso, os de outros companheiros podem estar lá. Há uma urgência em se estudar este arquivo. Ao mesmo tempo, já que tudo foi registrado, queremos saber de quem partiu a ordem de ocultar o corpo do meu pai. Queremos rever este atestado de morte presumida. Estamos aqui não para pedir uma indenização, mas o reestabelecimento de uma verdade histórica. Não tenho esperança de que estas pessoas que são citadas nos laudos venham a público fazer este reconhecimento. Entretanto,nunca vieram. Minha esperança é na Justiça" =============================================================================================== + Informações Virgilio Gomes da Silva: de retirante a guerrilheiro História Mamoel Cyrillo de Oliveira Netto Este livro dedica-se a recuperar a trajetória pessoal e política de Virgilio Gomes da Silva, cuja biografia transcende sua morte porque sua história faz parte das lutas históricas do povo brasileiro contra a miséria e a opressão. Virgilio começou vencendo a miséria. Retirante, saiu do sertão do Rio Grande do Norte nos anos 50 para tentar a vida em São Paulo, onde, por meio das lutas sindicais, adquiriu consciência política e tomou contato com as idéias do Partido Comunista Brasileiro. Após a institucionalização da ditadura, processo iniciado a partir do golpe civil-militar de 1964, Virgilio passou a assumir posição destacada na luta contra a opressão, tornando-se um guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional, organização cujos fundadores e líderes foram Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Menos de um mês após ter comandado uma das ações mais espetaculares da luta de resistência contra a ditadura, o seqüestro do embaixador americano, Virgilio, o "Jonas" da ALN, foi brutalmente assassinado sob torturas na sede da famigerada Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969, e se tornou o primeiro desaparecido político brasileiro Apresentação feita por Manoel Cyrillo de Oliveira Netto Soube da morte do Jonas de cabeça pra baixo, pendurado em um pau-de-arara, na Operação Bandeirantes.Diante de paredes e pisos manchados pelo seu sangue, entre dezenas e dezenas de perguntas e afirmações simultâneas, em meio a muita pancada, chutes e choques, registrei a triste notícia: - Tá vendo este sangue, é do Jonas, é o sangue de um brasileiro, o filho da puta tá morto! Na véspera de minha prisão, no dia 29 de setembro de 69, o Estado brasileiro havia assassinado o companheiro Virgílio naquela mesma câmera de tortura. Hoje, o Virgílio está mais vivo do que nunca. Cresceu. Perpetuou-se. Fez história. Diferentemente, os seus algozes, os vivos e os mortos, estão encurralados em uma câmera do inferno, sofrem, torturam-se - são uns pobres-diabos. Parabéns à Edileuza e ao Edson, historiadores de ótima cepa, que fizeram uma pesquisa e um trabalho maravilhosos. Virgílio Gomes da Silva: De retirante a guerrilheiro passa a ser uma referência. É um livro que, praticamente, nasce como um clássico, de leitura obrigatória. E, o melhor, o trabalho também é uma mostra de que está em andamento o fim do reinado do revisionismo subserviente na historiografia do período. Virgílio Gomes da Silva: De retirante a guerrilheiro revela-nos o seu personagem central, o nosso Jonas, como um homem, como gente e, nunca, como o anti-herói ou o vilão, como retratado no filme O que é isso, companheiro? Ao longo da narrativa, descobriremos a bela trajetória pessoal e política do Virgílio, um cidadão que não desceu de pára-quedas para comandar a ação de captura do embaixador Elbrick. Também nos depararemos com capítulos e episódios duros e cruéis, retratos do que era a vida do país naquela época. E, no final, o resultado será gratificante e saberemos melhor prezar o esforço e a resistência do Virgílio, um brasileiro. Virgilio Gomes da Silva de retirante a guerrilheiro autores: Edileuza Pimenta e Edson Teixeira 112 páginas - Plena Editorial / Núcleo Memória ============================================================================================= + Informações. VIDEOS Vídeos para VIRGÍLIO GOMES DA SILVA Virgilio Gomes da Silva Presente! 1 7 min - 18 nov. 2009 Vídeo enviado por deangelis8x youtube.com Homenagem à Virgílio Gomes da Silva I 6 min - 3 dez. 2009 Vídeo enviado por deangelis8x youtube.com Vídeos para VIRGÍLIO GOMES DA SILVA Virgilio Gomes da Silva Presente! 2 6 min - 18 nov. 2009 Vídeo enviado por deangelis8x youtube.com Homenagem à Virgílio Gomes da Silva II 5 min - 3 dez. 2009 Vídeo enviado por deangelis8x youtube.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110227/e9998492/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Jason Bourne, interpretado pelo ator Matt Dammon é considerado uma ?arma? fluente em vários idiomas, conhecedor de técnicas de combate e que cumpre ?missões? mundo afora. Recrutado nas forças armadas do conglomerado é treinado e transformado em Jason ao custo de 39 milhões de dólares para os acionistas. Seu nome real e seu passado desaparecem, vira apenas a arma de 39 milhões de dólares. Num dado momento foge do controle ? quando aborta uma das missões, assassinar um líder africano ? e passa a ser perseguido por seus criadores. Vira um perigo em potencial. O embaixador do Brasil em Trípoli, Líbia, disse a jornalistas que ?não houve bombardeio sobre Trípoli. Isso foi um bombardeio noticioso da Al-Jazeera. O conflito existe, a tensão é grande, mas está havendo uma série de notícias terrivelmente alarmantes e falsas. Quando começaram a falar, ontem (as declarações foram feitas na quinta-feira) que Gaddafi tinha fugido para a Venezuela, ou para o Brasil fiquei muito preocupado?. George Ney de Sousa Fernandes, afirmou-se ?aliviado quando felizmente Gaddafi apareceu em praça pública para desmentir?. E mais ? ?mas, sinceramente, o quadro está muito amplificado pela falta de informações precisas?. O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou medidas determinando uma série de sanções contra a Líbia ? com o voto do Brasil ? e Barack Hussein Obama, dublê de espertalhão e branco disfarçado de negro exigiu, por conta própria, a saída de Muammar Gaddafi, ?imediatamente? do poder. Foi seguido pelos governadores das colônias do conglomerado na Europa, o que chamam de Comunidade Européia. O povo líbio não tem a menor importância para a organização EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Importa o petróleo e o risco de expansão a ponto incontrolável dos protestos populares em países árabes governados por ditadores amigos de Washington, freqüentadores dos regabofes da Casa Branca. Mubarak era um deles. É impensável para o conglomerado terrorista que os protestos possam levar de roldão o governo da Arábia Saudita, principal aliado dos EUA na região e na esteira de uma eventual mudança, o petróleo, além, lógico de colocar em risco as ações terroristas do parceiro Israel. Sobre líbios terem ou não importância para os norte-americanos/israelenses não custa lembrar a observação de Madeleine Albright a um jornalista sobre 200 mil crianças iraquianas mortas por conta de um bloqueio econômico contra o país, à época do governo Clilnton ? ?é o preço que se paga pela democracia?. Que democracia? O Conselho de Segurança da ONU estuda uma proposta para levar Gaddafi ao Tribunal Criminal Internacional por crimes contra a humanidade (os EUA sonham com Isso, mas são contra, não aceitam o Tribunal com medo de o feitiço virar contra o feiticeiro, já se fala em alguns países em julgar Bush) George Bush mentiu ao mundo (ele e Tony Blair) sobre a existência de armas químicas e biológicas no Iraque, invadiu o país, mais de dois milhões de iraquianos morreram, destruiu toda a infra-estrutura da antiga Babilônia (roubou peças do museu babilônico, hoje exibidas em New York) e decretou o ATO PATRIÓTICO, que permitia que presos por suspeita, note bem, por suspeita, de terrorismo ou atividades hostis aos EUA fossem interrogados com técnicas de tortura como falso afogamento, choques elétricos, confinamento, tentativa de destruir sua fé e outras coisas mais típicas do conglomerado terrorista. Há dias se falou sobre levá-lo a julgamento por crimes contra a humanidade no Iraque e no Afeganistão. Obama mantém o campo de concentração de Guantánamo, versão século XXI do campo de Dachau, onde milhões de pessoas perderam suas vidas, foram escravizadas ou transformadas em cobaias. Dali iam para os campos de extermínio. As ditaduras militares da Argentina e do Chile adotaram a mesma prática e os norte-americanos confinaram japoneses, descendentes, alemães, descendentes, italianos, descendentes em campos semelhantes durante a IIª Grande Guerra Mundial. David Cameron, primeiro-ministro da colônia norte-americana outrora conhecida como Grã Bretanha, disse numa reunião de outras colônias (países da chamada Comunidade Européia), que ?o multiculturalismo fracasssou?. Ou seja, a existência, coexistência e convivência entre diferentes. Todos os pontos convergem para um mundo em que a verdade seja única, a deles. Não são fatos isolados e o filme a que me referi ? A IDENTIDADE BOURNE ? é uma mostra do que se pratica e se vive no centro do terror mundial, a Casa Branca. A notícia sobre a fuga de Gaddafi para a Venezuela ? mentirosa como se viu ? não é gratuita e nem foi arroubo de um ou outro jornalista. É a percepção clara que nos planos do conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A a América Latina é o Oriente Médio de amanhã. Se milhares de latino-americanos tiverem que morrer como moscas, isso é o de menos, já acontece no Haiti, onde as patas e coturnos nazi/sionistas (com a cumplicidade do Brasil) escravizam e impõem sua ordem àquele país. O ex-ditador Jean Claude Duvalier voltou com o consentimento de Washington depois de um acordo financeiro sobre bens depositados em bancos da colônia chamada Suíça. São negócios, apenas negócios. Por isso líbios, egípcios, palestinos, sauditas, iraquianos, afegãos, colombianos, brasileiros, paquistaneses, turcos, os povos do mundo não entram na contabilidade do neoliberalismo e do terrorismo da chamada nova ordem mundial. Exceto como bucha de canhão. É a IDENTADE OBAMA, como a foi a IDENTIDADE BUSH, ou CLINTON, ou REAGAN, qualquer um deles. São executivos de uma empresa sanguinária e bárbara escorada em hordas de soldados transformados em zumbis, movidos à doença denominada ?patriotismo? e que imaginam libertar o mundo do pecado. Por onde passam a destruição é plena. Como o cavalo de Átila. O governo do Irã fechou quatro igrejas evangélicas na capital. Foram plantadas ali com dinheiro norte-americano/sionista para tentar começar a erradicar o islamismo. A fé é só o pretexto para ação política em cima de incautos. Como no caso do Irã são os Baha?i. Quando da ocupação do Iraque uma das primeiras preocupações dos zumbis/soldados dos EUA foi a de distribuir filmes pornográficos entre iraquianos para quebrar a resistência do povo à nova ordem. A denúncia foi feita pelo THE NEW YORK TIMES. ?Os rapazes estavam espargindo o modo de vida do Tio Sam através de suas ?sisters?. A sedução cristã, democrática e ocidental sobre os ?impuros?. A prisão de Abu Ghraib, no Iraque, foi usada pelas forças invasoras a partir de 2003 até 2006 e palco de cenas degradantes e abjetas de tortura praticadas por norte-americanos contra iraquianos. Nem a mídia ocidental, dócil e comprada, teve como esconder tamanho o nível da barbárie. A Cruz Vermelha Internacional denunciou à época que mais de 90% dos presos e torturados em Abu Ghraib foram vítimas da violência dos norte-americanos, pois comprovadamente eram inocentes. Patrulhas norte-americanos prendiam ao seu bel prazer. A sugestão de demolir o campo de terror foi negada pelo governo do Iraque atendendo a apelos de ?oficiais? norte-americanos. A IDENTADE OBAMA é diferente da de Jason Bourne. Ao contrário da ?arma de guerra humana de 39 milhões de dólares? que busca sua identidade, Obama é um terrorista sem nenhum escrúpulo. Sem nenhum princípio. Achou a sua, assassino, genocida, executivo de um conglomerado de empresas e bancos terroristas. Fingiu-se negro para eleger-se presidente dos EUA, nada mais que presidente do conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Jornalistas norte-americanos de colunas de fofocas revelam que o ?presidente? tive crises de ?presidentite? (doença que acomete juízes ? juizite ?, fiscais de um modo geral, etc), quando Angelina Jolie recusou-se a aceitar suas cantadas. É só um pilantra que se deu bem na vida, nada além disso. Tanto serve cerveja como garçom, como manda matar como assassino que é. A Líbia deve ter o seu destino decidido pelos líbios. Sem as patas e coturnos nazi/sionistas dos EUA, de Israel e suas colônias (a Comunidade Européia). Um mês antes de Bush determinar a invasão do Iraque, no FÓRUM SOCIAL MUNDIAL de Porto Alegre, num evento promovido pelo MST, a freira iraquiana Irmã Sherine, diante de uma platéia de mais ou menos 15 mil pessoas no ginásio do Internacional, disse mais ou menos o seguinte ? ?a nossa riqueza, o petróleo, que poderia promover o bem de nosso povo, acaba sendo a grande dor de todos os iraquianos? ? A propósito, o governo Dilma deveria dar uma sincronizada entre o chanceler Anthony Patriot (descalço nos EUA) e os embaixadores do Brasil nos países onde ocorrem conflitos ou manifestações populares. É que esses embaixadores ainda pensam que estão representando interesses nacionais brasileiros. Precisam adequar-se aos interesses nacionais dos EUA. Não somos mais protagonistas, somos coadjuvantes do processo. Gente para Dilma é número, só isso. E seria bom a mídia mostrar as explosões populares nos EUA contra as políticas dos dois últimos governos, milhões de desempregados, de sem teto, verbas para a saúde cortadas, para a educação eliminadas, mas um orçamento que contempla a guerra e a propaganda (comprar mídia tipo GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, etc), tudo no orçamento de Obama. Obama lembra aquele cara que chega, carrega sua pasta, corre para buscar água para você beber, ajeita sua cadeira, limpa tudo à sua volta, serve a cerveja e num dado momento, dá-lhe a rasteira e vira o dono do ?negócio?. A identidade Obama é essa, com a diferença que a dimensão é maior. Deveria responder por crimes contra a humanidade. Ao contrário do que vende a mídia ocidental, os muçulmanos não servem gente picadinha em programas tipo BBB. Não se alimentam de ódio e nem se sustentam na pornografia que transcende a filmes e atinge em cheio o modelo neoliberal. Quer maior pornografia que Obama discursando? O Corão fala em solidariedade, em amor, em misericórdia, fala em paz, fala em convivência fraterna, mas não fala em submissão e medo. É essa a realidade que não mostram. E nem o que a cerveja que Obama está servindo a Anthony Patriota ? a garçonete é Hilary Cinton ? e pessoalmente o tirano vai servir a Dilma quando de sua visita ao Brasil. E da marca PRÉ-SAL. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110227/f7327a8c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 28 21:20:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 28 Feb 2011 21:20:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__JOAQUIM_PIRES_CERVEIRA________________?= =?iso-8859-1?q?________________________-LXII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOAQUIM PIRES CERVEIRA (1923-1974) Filiação: Auricela Goulart Cerveira e Marcelo Pires Cerveira Data e local de nascimento: 14/12/1923, Pelotas (RS) Data e local do desaparecimento: 12 ou 13/01/1974, no Rio de Janeiro Organização política ou atividade: FLN João Batista Rita e Joaquim Pires Cerveira foram vítimas da "Operação Mercúrio", que de certa forma antecipou a Operação Condor de 1975 e tinha por objetivo eliminar todos os banidos e ex-militares que tentassem voltar ao Brasil. Ambos tinham sido alvo de banimento, valendo o seu desaparecimento como mais uma confirmação de que os órgãos de segurança do regime militar teriam decretado a pena de morte para todos, dentre eles, que ousassem retornar clandestinamente ao Brasil. Foram seqüestrados na Argentina em dezembro de 1973 e trazidos para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, desaparecendo a partir de 12 ou 13/01/1974. Durante todo o ano de 1974 será mantida essa tônica: os órgãos de segurança não anunciam a morte de nenhum opositor; todos se tornam desaparecidos. Cerveira tinha sido banido em junho de 1970, quando do seqüestro do embaixador alemão, e João Batista quando do seqüestro do embaixador suíço, em janeiro de 1971. Seus nomes fazem parte da lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Em alguns documentos, o nome de João Batista aparece acrescido de um último sobrenome, Pereda, não confirmado por documentos de identidade. Segundo as informações constantes no processo formado na CEMDP, eles foram presos juntos, em Buenos Aires, a depender da fonte em 5 ou 11/12/1973, por policiais brasileiros, entre os quais estaria o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Foram vistos por alguns presos políticos no DOI-CODI/RJ, quando chegaram trazidos por uma ambulância. Segundo a descrição das testemunhas, estavam amarrados juntos, em posição fetal, tendo os rostos inchados e com a cabeça repleta de sangue. Catarinense de Braço do Norte, João Batista mudou ainda criança para Criciúma (SC), onde estudou no Ginásio Madre Tereza Michel, até completar o curso ginasial. Foi então viver em Porto Alegre, onde começou sua militância política. Trabalhava em um escritório de advocacia e participava das mobilizações estudantis de 1968. Por sua estatura miúda, seu sobrenome lhe rendeu entre os amigos o apelido de "Ritinha". Morava em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre com a irmã Aidê. Integrado ao M3G, foi preso em 10 de abril de 1970, poucos dias depois da tentativa frustrada de seqüestro do cônsul americano no Rio Grande do Sul pela VPR, sendo muito torturado. Era considerado o número 2 de um pequeno grupo liderado por Edmur Péricles Camargo, que se afastou de Marighella e fundou a organização denominada M3G (Marighella, Marx, Mao e Guevara). De acordo com documentos dos órgãos de segurança, João Batista participou de pelo menos três ações armadas realizadas por esse grupo em Porto Alegre, Viamão e Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. Depois de viver algum tempo no Chile, transferiu-se para a Argentina, onde se casou com uma exilada chilena, Amalia Barrera, que chegou a escrever uma carta para Aidê, irmã de João Batista, em março de 2004. A nota emitida em 06/02/1975 pelo ministro da Justiça Armando Falcão, a respeito dos desaparecidos políticos, mencionou apenas que João Batista havia sido banido do país. Constam do processo na CEMDP recortes de jornais relatando que esse exilado "preparava os documentos para sua ida à Itália, quando os órgãos de repressão do Brasil, articulados pelo capitão do Exército, Diniz Reis, o seqüestraram. A ação foi desenvolvida por um grupo de indivíduos falando português que o colocaram à força dentro de um automóvel, na presença de numerosas pessoas". Foi levado para o Rio de Janeiro e desapareceu no Quartel da Polícia do Exército. Foi visto pela última vez, por outros presos políticos, na noite de 13/01/1974. Leopoldo Paulino, ex-exilado político, músico e atualmente vereador pelo PSB em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, escreveu a respeito desses dois desaparecidos, num texto de 2004: "No dia 11 de dezembro de 73, foi seqüestrado em Buenos Aires o companheiro João Batista Rita, chamado de 'Catarina' por todos nós, exilado que morava conosco no Aparelhão. Com João Batista, foi seqüestrado também o major Cerveira, exilado político brasileiro, cuja operação foi realizada em Buenos Aires pela polícia brasileira, com o aval dos órgãos de segurança do governo argentino. Os dois companheiros foram vistos, pela última vez, por alguns presos políticos no DOI-CODI do Rio de Janeiro, já arrebentados pela tortura, nunca mais se conhecendo seu paradeiro". Major da Cavalaria do Exército Brasileiro, Joaquim Pires Cerveira era gaúcho de Pelotas, casado com Maria de Lourdes Romanzini Pires Cerveira, com quem tinha três filhos. Filho de militar e órfão de pai aos 7 anos, foi enviado com os quatro irmãos para o Colégio Militar de Porto Alegre, onde estudou em regime de internato. Formado em Odontologia pela Universidade de Coimbra, também se dedicou ao ensino de Matemática após cursar a Academia Militar de Agulhas Negras. Filiou-se ao Partido Comunista logo após a derrubada do Estado Novo, quando tinha apenas 13 anos. Engajou-se nas mobilizações nacionalistas dos anos 50 e participou da campanha presidencial do Marechal Lott, em 1955. Radicou-se com a família em Curitiba e, já licenciado do Exército, foi eleito vereador. Passou à reserva pelo primeiro Ato Institucional, de 09/04/1964, por força de seus vínculos políticos com Leonel Brizola e de seu alinhamento com o chamado nacionalismo Revolucionário. Conforme documentos encontrados nos arquivos secretos do DOPS/SP, Cerveira já tinha sido preso uma vez em dia 21/10/1965, sendo encaminhado à 5ª Região Militar e entregue ao Coronel Fragomini. Em 29/05/1967 foi absolvido pelo Conselho Especial de Justiça da 5ª Circunscrição Judiciária Militar, da denúncia por crime de subversão. Os órgãos de segurança o acusavam de ter facilitado a fuga da prisão do coronel Jefferson Cardim Osório, que liderou uma tentativa de insurreição popular contra o regime militar no final de março de 1965, nas cidades gaúchas de Três Passos e Tenente Portela. Cerveira foi preso novamente em abril de 1970, junto com sua mulher e um filho, pelo DOI-CODI/RJ, onde foi submetido a violentas torturas. Nessa época, liderava uma pequena organização clandestina denominada FLN - Frente de Libertação Nacional, que atuava muito ligada à VPR, tendo participado do levantamento conjunto e preparativos do seqüestro do embaixador alemão, que realmente se concretizou em junho, dois meses depois de Cerveira estar preso e nada informar aos torturadores sobre a operação. A já mencionada nota oficial do ministro da Justiça Armando Falcão, de 1975, informou a respeito de Cerveira apenas que estava banido do país, nada esclarecendo sobre seu paradeiro. Nos arquivos secretos do DOPS/PR, o nome do major foi encontrado numa gaveta com a identificação de "falecidos". A morte do Major Cerveira e de outros 11 desaparecidos foi confirmada em uma reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo, combase em entrevista com um general que participou diretamente do aparelho de repressão política. No dossiê encaminhado à CEMDP, sua esposa informou que "no dia 03/01/1974 recebemos um telefonema anônimo avisando que meu marido fora seqüestrado em Buenos Aires, junto com outro brasileiro, João Batista Rita, também banido e vindo do Chile pelo mesmo motivo". Neusah Cerveira, pesquisadora universitária e filha do oficial desaparecido, descreve com detalhes a prisão do pai em Buenos Aires, apontando, no entanto, uma outra data para o seqüestro: "...05 de dezembro de 1973, o major Joaquim Pires Cerveira, 49 anos (usando por questões de segurança o nome de Walter de Souza ou Walter Moura Duarte) encontra João Batista de Rita Pereda, 25 anos, e sua esposa Amália (com quem estava casado há 15 dias, tendo como Padrinho o amigo Cerveira) se encontram ao meio dia para tratar de assuntos referentes a documentação, já que ambos estavam radicando-se na Argentina, vindos do Chile quando da deposição de Salvador Allende. Conversam um pouco e marcam na presença de Amália um novo encontro para as 18h do mesmo dia. Foram vistos no horário combinado por várias pessoas. 18:30, esquina da rua Corrientes, um carro com vários homens simula um atropelamento dos dois e na presença de testemunhas os leva sob protestos. Amália é alertada em Combate de los Pozos, onde viviam os exilados do Chile. 23h - Agentes da Repressão Argentina, acompanhados de brasileiros, chegam à casa onde Cerveira residia com uma família deamigos na calle Horácio Quiroga. A família já estava preocupada com a demora de Cerveira, que tinha o hábito de sempre deixar um bilhete avisando onde ia e a que horas chegaria. Os agentes invadem a residência, vasculham tudo, levam pertences pessoais de Cerveira, que dizem estar sendo requerido pelas autoridades de seu país, o Brasil. Vão embora depois de muitas ameaças. 4 horas da manhã - os agentes voltam, desta vez comandados por um brasileiro com uma cicatriz no rosto (mais tarde identificado por fotografia pelas testemunhas como o delegado Sérgio Paranhos Fleury), agridem a família e procedem a nova busca de armas e documentos. Fleury mostra uma foto de Cerveira e diz à família que o mesmo já está detido e será levado para o Brasil. Antes de se retirar, o delegado Fleury deixa de 'regalo' para a menina mais jovem da família uma bala de revolver. Os moradores são novamente espancados e ameaçados. A última notícia que se tem é que ambos chegaram quase mortos numa ambulância vinda da OBAN em SP para o DOI-CODI do RJ, na rua Barão de Mesquita, na madrugada do dia 12/13 de janeiro de 1974, segundo testemunhos prestados à ONU. No dia 11 de dezembro de 1973, a Associação Gremial dos Advogados da Argentina denunciou o seqüestro e protestou contra a violação da soberania nacional Argentina. Um advogado da Gremial, o Dr. Rossi, impetrou habeas-corpus para o major Cerveira, que resultou inútil". ============================================================================================================== + Informações. JOAQUIM PIRES CERVEIRA Militante da FRENTE DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (FLN). Nascido a 14 de dezembro de 1923, em Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, filho de Marcelo Pires e Auricela Goulart Cerveira. Desaparecido desde 1973, quando tinha 50 anos de idade. Casado, tinha filhos. Major do Exército Brasileiro, passou à reserva pelo ato institucional n° 1, de 1964. Conforme documentos encontrados nos arquivos do antigo DOPS/SP foi preso no dia 21 de outubro de 1965 e encaminhado à 5ª Região Militar e entregue ao Coronel Fragomini. Em 29 de maio de 1967 foi absolvido pelo Conselho Especial de Justiça da 5ª Auditoria, da denúncia do processo 324, por crime de subversão. Foi preso novamente, em 1970, com sua mulher e o filho, que foram torturados no DOI-CODI/RJ. Foi banido do país em junho de 1970, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, viajando para a Argélia com outros 39 presos políticos. Preso em Buenos Aires em 11 de dezembro de 1973, juntamente com João Batista Rita, por policiais brasileiros, provavelmente comandados pelo delegado Sérgio Fleury. Ambos foram vistos por alguns presos políticos no DOI-CODI-RJ quando chegavam trazidos por uma ambulância. Estavam amarrados juntos, em posição fetal, tendo os rostos inchados, esburacados e repletos de sangue na cabeça. A nota do Ministro da Justiça Armando Falcão esclarecendo os casos de desaparecimentos no Brasil, dava conta que Cerveira estava banido do País, nada esclarecendo sobre seu paradeiro. Em matéria publicada no jornal "Folha de São Paulo", baseada em entrevista com um general de responsabilidade comprovada dentro dos órgãos de repressão política, a morte do Major Cerveira e outros 11 desaparecidos é confirmada. No Arquivo do DOPS/PR, o nome do major Cerveira foi encontrado numa gaveta com a identificação "falecidos" ================================================================================== + Depoimento de Neusah Cerveira LÁGRIMAS NÃO COMOVEM CARRASCOS Depoimento de Neusah Cerveira * Joaquim Pires Cerveira nascido em 14 de dezembro de 1923 em Pelotas - RS. Este filho do alferes da cavalaria Marcello Pires Cerveira, e de Auracele Goulart Cerveira (uma das tias de João Goulart), ingressou muito jovem no PCB. Era poliglota e formou-se engenheiro em telecomunicações. Não tinha interesse inicial em seguir a carreira militar, mas o fez com o intento de sustentar sua família. Era um homem reto, de olhar franco e primava pela justiça. Foi entusiasta e ativista da campanha O Petróleo é Nosso. Era uma grande liderança entre os sargentos e ferroviários no Paraná. Sua influência entre os trabalhadores e militares futur+amente o levariam a se candidatar como deputado estadual pelo PTB e depois eleger-se como vereador pelo mesmo partido. No final dos anos de 1950 meu pai foi convidado para a reunião da Organização Latino-Americana de Solidariedade - OLAS. Essa organização surgiu tendo como centro a revolução cubana e tinha como objetivo difundir a sua linha, o foquismo, que tinha em Régis Debray seu principal ideólogo. Ele voltou de lá decidido a aplicar a linha de revolução de libertação de Cuba. Nesse período o major Cerveira já sustentava diversas contradições com a direção do PCB e decidiu desligar-se de seu Comitê Central. Em 1958 chegaram a lhe designar para a direção do comitê regional de São Paulo afim de que reconsiderasse suas posições, mas não foi o que aconteceu. Após realizar diversos contatos e travar intenso debate, ele e um grupo de militantes organizam a Frente de Libertação Nacional. O golpe Morávamos em Curitiba. Meu pai viajava muito e a frequência de estrangeiros em nossa casa era muito grande. Todos os dias havia reuniões em casa. Quando veio o golpe, meu pai ficou marcado como líder da resistência, foi preso e julgado, bem como todos os seus irmãos. Ele era vereador e teve seus direitos políticos cassados por dez anos. Depois de solto, permaneceu apenas seis meses em liberdade. Foi novamente detido, dessa vez com maior brutalidade. Mas dessa vez permaneceu apenas três dias preso, fugindo da prisão com o auxílio de sargentos. A clandestinidade No início de 1968 nossa casa foi novamente invadida. Minha mãe havia saído com um de meus irmãos para fazer compras e ambos foram sequestrados em uma ação conjunta da Polícia Federal, Exército e Cenimar. Os militares invadiram nossa casa e eu fugi com meu irmão mais novo. Os militares disseram que só libertariam minha mãe quando meu pai se apresentasse. Meu pai estava em Curitiba reorganizando a FLN. Enquanto minha mãe e meu irmão eram torturados pelos militares, meu pai anunciou que estava com a esposa de um coronel e só a libertaria se minha mãe e meu irmão fossem libertados, caso contrário, a mataria. Somente assim libertaram os dois. Com o apoio de companheiros, a família deslocou-se para São Paulo e de lá para o Rio de Janeiro. Passamos todos à clandestinidade, vivendo em aparelhos (1). Minha mãe não aceitou ir para Cuba. Nessa época meu pai mantinha contatos e fazia ações conjuntas com o Lamarca, então comandante da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR. A VPR preparou, em conjunto com a FLN, o sequestro do embaixador alemão Von Holleben. A FLN tinha como tarefa a logística e a segurança da operação. Dias antes do sequestro, um membro da VPR caiu e revelou as informações sobre meu pai. Uma operação para tirar minha família do Brasil foi montada. Mas quando tudo estava pronto, o carro que levava minha mãe e meus irmãos foi cercado. Era abril de 1970. Todos foram levados para o DOI-CODI e torturados. Meu pai estava preso em uma cela solitária e minha mãe foi colocada na sala das "mulheres perigosas". Eu, a única em liberdade, fui deixada em uma igreja em Copacabana, onde seria apanhada. Sem saber da prisão da minha mãe e irmãos, fiquei um dia inteiro esperando. O padre estranhou minha demora e eu pensei que ele fizesse parte do apoio. Contei tudo a ele, que foi para a sacristia. Cheguei mais perto e ouvi que ele dava com a língua nos dentes sobre mim. Saí correndo e cheguei até o Arpoador, quando senti que alguém me tocava os ombros. Me assustei, mas eram novos companheiros do meu pai, que me levaram para um local seguro. [Somente depois Neusah saberia que o casal de companheiros com quem estava eram Carlos Lamarca e Iara Iavelberg, dirigentes da VPR. Dando continuidade aos planos de sequestrar o embaixador alemão e trocá-lo por presos políticos do regime militar-fascista, Lamarca incluiu o nome do Major Cerveira entre os prisioneiros a serem libertados e enviados ao exílio na Europa. Após esses acontecimentos, a esposa, (Maria de Lourdes Cerveira) do Major Cerveira foi solta e durante quatro anos teve que ir periodicamente ao quartel assinar papéis e prestar informações sobre suas ocupações. Cerveira foi banido e demitido do exército.] Luta sem fronteiras [Neusah e seu pai só foram se reencontrar na França. De lá foram para Cuba, Argélia e finalmente, no final de 1970, para o Chile, logo após a vitória de Salvador Allende nas eleições presidenciais.] Ele trabalhava junto ao Ministério das Telecomunicações. Frequentava a casa de Allende. Meu pai viajava o tempo todo, ampliando seus contatos, planejando ações. Era o responsável por uma gráfica clandestina da FLN. [Quando do golpe militar de Pinochet em 1973, o Major Cerveira ficou no palácio e resistiu aos ataques e bombardeios, saindo de lá apenas quando se feriu. Na sua saída do Chile, ele foi ajudado pelos mapuches e pelo povo andino, com quem mantinha contatos. Ele e mais 15 companheiros conseguiram se retirar de forma heroica. Após uma curta passagem por Cuba, Cerveira foi para a Argentina. Reagrupando companheiros brasileiros e de outros países da América Latina, construíram a Frente de Esquerda Revolucionária.] A Frente realizou pelo menos uma ação de maior envergadura na Argentina e atribuem a ela a morte de meu pai. A última vez que conversamos foi antes de Allende ser deposto. Um amigo havia sido morto e perguntei porque não íamos embora. Ele respondeu: "porque somos internacionalistas". Me recordo que na última vez que estivemos na casa de Allende, meu pai defendia a necessidade de armar o povo. Nos separamos na região fronteiriça, já no Uruguai. Ele me disse que devia lutar por meus ideais. Nas garras da Condor [A ação da Frente levada a cabo na Argentina tratou-se do justiçamento de um general. Cerveira foi entregue aos órgãos de repressão através de um agente infiltrado. Era um militante próximo do major, comprado pela Operação Condor.] Cerveira foi sequestrado às 18hs do dia 5 de dezembro de 1973 com outro companheiro, João Batista de Rita Pereda. Antes de ser preso, ele foi atropelado por uma equipe que, segundo relatos de testemunhas, era comandada pelo torturador Sérgio Paranhos Fleury. Depois de atropelado o puseram em uma ambulância. Um avião fretado o levou de Buenos Aires ao Galeão, no Rio de Janeiro. Cerveira e Rita Pereda passaram um dia no DOI-CODI no Rio. Rita Pereda ficou no Rio e o Major Cerveira foi levado para o Paraná. Lá ele foi brutalmente torturado e teve os olhos vazados. Em São Paulo, foi novamente torturado sob as ordens do então coronel Brilhante Ustra. O próprio Brilhante Ustra, agora general reformado, reconheceu que meu pai foi preso e torturado em uma entrevista concedida a mim. Esta entrevista foi reconhecida por ele, tem sua assinatura e está anexada à minha tese de doutorado - detalha Neusah. [Neusah iniciou um grande movimento de denúncias, acionou a Anistia Internacional e a ONU. Um preso político testemunhou ter visto o Major Cerveira nas dependências do quartel.] Mas não conseguimos legalizar sua prisão. Mesmo ele tendo sido reconhecido pelo capelão Major Barroso, que confirmou a sua prisão em São Paulo. Os militares começaram a me seguir e a perseguir meus familiares. Recebemos um "recado" de que devíamos sair de São Paulo. Estava tudo perdido. Uma militante presa na ocasião disse que viu meu pai muito maltratado em uma acareação, ela disse que na madrugada do dia 13 de janeiro de 1974 ele chegou em uma ambulância com o Ustra. Durante as torturas, em um determinado momento o Ustra, que comandava as seções de sevícias, deu um chute no rosto do meu pai já desacordado e gritou: "esse não fala nada". Essa é a marca que fica gravada da retidão, firmeza e dignidade do meu pai. Assim que ele e o Rita Pereda foram presos, as quedas de companheiros pararam imediatamente. Ninguém da Frente caiu mais na Argentina ou em outros países. Eles não entregaram nada nem ninguém. Uma profissão de fé [Neusah Cerveira tem se dedicado ao longo dos últimos anos ao estudo da Operação Condor. Desse modo, tem investigado documentos no Brasil e no exterior em busca de informações sobre a operação e suas distintas fases.] Não fiz esta pesquisa com cunho memorialista. Como consequência das minhas pesquisas, tornei-me especialista de período. Se não houvesse ocorrido o que ocorreu com meu pai, talvez eu não teria realizado tudo isso. Descobri que meu pai foi o primeiro caso da Operação Condor e busquei aprofundar a pesquisa. Se eu quisesse fazer algo memorialista, faria um livro para vender, como esses elementos que andaram por aí no exílio e voltaram para fazer livrinhos. Não é esse meu objetivo. Também devido a todos esses motivos, desenvolvi uma militância. Fui fundadora do grupo Tortura Nunca Mais e do Comitê Brasileiro pela Anistia. Sempre me liguei a organizações de luta popular no Brasil e na América Latina. Perseguições à Neusah e sua família Em 2007, antes da defesa da minha tese de doutorado Memória da Dor - A operação Condor no Brasil (1973/1985), fui sequestrada no Rio de Janeiro. Fui sedada e torturada. [Neusah mostra marcas de queimaduras nos seus braços.] Ainda assim, sob o choque desse sequestro, apresentei o conteúdo da tese. Depois desse acontecimento no Rio de Janeiro, fui para Natal - RN, ainda no mesmo ano. Lá, eu e minha filha de sete anos de idade fomos novamente sequestradas. Eu fui separada de minha filha, jogada em uma cela sob ameaças para que assinasse um "termo de culpa". Interrogaram minha filha, que precisou de atendimento psicológico. O fato é comprovado e foi a própria ONU quem pagou o tratamento dela durante três meses. [No final de 2008, o exército suspendeu a pensão de sua mãe, que então contava 77 anos. Na ocasião Neusah denunciou: "Pensão que ela tem direito, não é um favor, meu pai descontou para que ela tivesse esse benefício durante toda sua carreira militar. Mesmo assim suspenderam a pensão fazendo com que minha mãe passe por constrangimentos, como cheques devolvidos e o não pagamento do seu seguro saúde. Num momento bem difícil quando ela está com uma grave pneumonia. Minha mãe continua sendo punida de forma violenta pelo crime de ser a viúva do meu pai. E, também por ser minha mãe." A pensão de sua mãe só foi restabelecida após uma série de amargas discussões com o Ministério da Defesa.] Hoje eu tenho elementos para afirmar que essas perseguições já não são feitas tanto pela militância do meu pai, mas pela minha postura e militância política. Eu sou uma mulher independente, com minhas próprias convicções. Minha militância não tem mais conexão com a do meu pai. A justiça há de ser feita Não há a menor vontade política ou intenção dos governantes e desse Estado em investigar, revelar e fazer justiça. O presidente da república, em tese, é o comandante em chefe das Forças Armadas. Não seria necessário fazer uma campanha, demagogia, ou coisa nenhuma para abrir os arquivos e punir os torturadores. Se ele quisesse, poderia fazer isso. Bastaria uma ordem. Mas não, faz-se o alarde para depois dizer que "não foi possível". O PNDH3 é uma mentira, uma patranha. De quatro em quatro anos eles evocam os mortos para "levantarem de suas tumbas" por razões eleitoreiras. No restante do tempo, preferiam que não existíssemos. Pode ser que alguns queiram dar um enterro cristão aos seus mortos. Eu prefiro lutar pelo como, pelo onde, e punir os responsáveis. E não foram só os militares que cometeram crimes. Também devem ser incluídos os empresários que pagavam pela tortura no nosso país, que financiaram o estudo dos filhos desses militares no estrangeiro. Eles tem que pagar pela tortura, pela pilhagem, pelo assassinato. Eu particularmente fui contra essa Anistia, mas fui voto vencido. Meu pai não foi um criminoso. E também não suporto que me chamem de vítima, não sou. Sou filha de um lutador que estava convicto da sua luta e do que poderia sofrer. Os torturadores e seus comparsas sim, cometeram crimes contra a humanidade. Eu não considero que viva em uma democracia e não vou me acovardar por isso. Por isso eu sigo lutando, pesquisando, apresentando estudos. Isso para fazer justiça. Existem companheiros, familiares de mortos e desaparecidos, passando necessidades, morrendo à míngua, traumatizados. As campanhas que temos visto atualmente são oportunistas e os coniventes com elas também são. Uma vez por semana tentam me cooptar para que eu capitule. Mas não vão conseguir. Se um criminoso está hoje com 78 anos ele deve morrer na cadeia. Por que ele merece anistia sendo que há pessoas também com 78 anos que lutaram e não tem direito à justiça e são perseguidos até hoje? Acredito que isso é o mínimo pelo que devemos lutar, pois o povo só terá mesmo sua plena justiça quando contar com uma vanguarda experimentada que a conduza a uma nova sociedade. Lágrimas não comovem carrascos. O caminho é a luta. ___________________________ *A doutora Neusah Cerveira é membro do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - Cebraspo. É também economista, geógrafa e jornalista. Pós-graduada em História da América Latina pela UFRN. Pós-graduada em Literatura Comparada e Crítica Literária de Cinema. Pós-Graduada em Metodologia de Ensino Superior pela Universidade de Havana. Pós-Graduada em Geografia e Organização do Espaço. Mestre em Geografia e em Ciências Sociais pela UFRN. Doutora em Ciências Humanas pela USP. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110228/7fbb1430/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13483 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110228/7fbb1430/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 28 21:20:13 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 28 Feb 2011 21:20:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Conhe=C3=A7a_a_Revista_Medicando_e_Sa?= =?utf-8?q?=C3=BAde_em_Movimento___________________________________?= =?utf-8?q?_________HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA?= =?utf-8?b?w5pERSBFIEFMSU1FTlRBw4fDg08h?= Message-ID: <1400873C62CB4F0CADCDA893E0DD6CE3@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Olá, Você se cadastrou no site www.saudeemmovimento.com.br e aceitou receber nossas mensagens. A partir de agora, também passará a receber a Revista Medicando Saúde em Movimento. A Revista Medicando trará, a cada edição, matérias, informações e artigos exclusivos para profissionais da Saúde e, também, para os demais interessados na área. No primeiro número, a revista traz como matéria principal os perigos do álcool, uma droga legalizada, mas que pode ser muito destrutiva. Ainda como destaques, você vai conhecer as possibilidades da vitamina D como solução para doenças autoimunitárias e neurodegenerativas, e uma pesquisa que aponta para a necessidade de acompanhamento psicológico para os pacientes de cirurgia bariátrica. Mas e o que é Medicando? O Medicando é a Rede Social da Saúde em que os profissionais terão a oportunidade de fazer intercâmbio de informações, de serem encontrados e contactados por clientes, de publicar estudos e artigos, dentre outras ações. Acesse www.medicando.com.br, cadastre-se e comece a aproveitar as vantagens de fazer parte do Medicando. Caso não queira mais receber e-mails, clique aqui -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110228/93f2bf0e/attachment.html