From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 1 19:48:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 1 Dec 2011 19:48:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de___FERNANDO_BORGES_DE_PAULA_FERREIRA____?= =?iso-8859-1?q?__________________________-CCCXII-?= Message-ID: <663A2572DAD84B46AC8EDF008F6F6265@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem FERNANDO BORGES DE PAULA FERREIRA (1945-1969) Nome: FERNANDO BORGES DE PAULA FERREIRA Data e local de nascimento: 01/10/1945, São Paulo (SP) Filiação: Célia Borges de Paula Ferreira e Tolstoi de Paula Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 30/07/1969, São Paulo (SP) JOÃO DOMINGUES DA SILVA (1949-1969) (veja completo, na série -LXIX-) Filiação: Eliza Joaquina Maria da Silva e Antônio José da Silva Data e local de nascimento: 02/04/1949, Sertanópolis (PR) Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 23/09/1969, São Paulo (SP) Por volta da meia noite do dia 29/07/69 e início da madrugada do dia 30, os militantes da VAR-Palmares João Domingues da Silva e Fernando Borges de Paula Ferreira foram interceptados por policiais civis na Avenida Pacaembu, proximidades do Largo da Banana, em São Paulo. Na versão oficial, os policiais suspeitaram do veículo utilizado por ambos. Fernando teria morrido imediatamente e João Domingues, apesar de gravemente ferido, conseguiu escapar, refugiando-se na casa de sua irmã, em Osasco, onde foi preso no mesmo dia. Três policiais ficaram feridos, de acordo com documentos dos órgãos de segurança. Fernando, conhecido por Fernando Ruivo, cursava Ciências Sociais na USP, tendo sido um dos principais dirigentes da DISP - Dissidência Estudantil do PCB/SP, agrupamento que no final de 1968 se dispersou, repartindo-se a maioria de seus membros entre a ALN e a VPR (em seguida VAR-Palmares). Documentos dos órgãos de segurança do regime militar o incluem como participante do assalto a uma agência do Banco Aliança, em São Paulo, no dia 11/07/1969, quando para fugir de perseguição policial os participantes da ação mataram um motorista de táxi. Processo em seu nome foi protocolado na CEMDP pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, na expectativa de poder localizar seus parentes, o que de fato ocorreu. Entretanto, não quis a família requerer os benefícios da Lei, sendo o processo retirado de pauta, sem exame do mérito, em 08/12/2005. Assinaram o laudo de necropsia os médicos legistas Pérsio Carneiro e Antônio Valentini, que atestaram hemorragia interna traumática. O corpo foi sepultado pela família no Cemitério da Paz. ======================================================================================================================== + Informações. FERNANDO BORGES DE PAULA FERREIRA Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Nasceu em São Paulo, filho de Tolstoi de Paula e Célia Borges de Paula Ferreira. Líder estudantil da Universidade de São Paulo, onde cursava Filosofia. Assassinado aos 24 anos no dia 30 de julho de 1969, em São Paulo, no Largo da Banana, por agentes do Departamento de Investigações Criminais - DEIC, que montaram uma emboscada para prendê-lo. Tal emboscada resultou no assassinato de Fernando e na prisão de João Domingos da Silva, morto posteriormente sob torturas. Assinaram o laudo de necrópsia os médicos legistas Pérsio R. Carneiro e Antônio Valentine. O corpo foi retirado e sepultado no Cemitério da Paz, pela família. O episódio do tiroteio no Largo da Banana é descrito no doc. 30-Z-162-37, DOPSSP, assim como toda a trama para o extermínio dos grupos da ALN e FELA - Frente Estudantil pela Luta Armada. O Relatório do Ministério da Marinha confirma a versão acima. ============================================================================================== FICHA Fernando Borges de Paula Ferreira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Fernando Borges de Paula Ferreira Cidade: (onde nasceu) São Paulo Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade de São Paulo USP Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Nome falso: (Codinome) Fernando Ruivo, Mário Morto ou Desaparecido: Morto 30/7/1969 São Paulo SP Brasil Largo da Banana Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento Especial de Investigações Policiais DEIC Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Antônio Valentini, Pérsio José R. Carneiro Biografia Documentos Artigo de jornal Transcrição do artigo intitulado: As torturas são aplicadas no Brasil sob a direção do Exército nos quartéis e nas dependências de todas as organizações policiais. Prensa Latina, Santiago do Chile, 21 nov. (sem identificação do ano). Informa que a Frente Brasileira de Informações, criada para romper a censura imposta pelo regime militar do Brasil, com sede em Paris, encaminhou a este jornal comunicado sobre os métodos selvagens aplicados aos presos políticos, sobre a morte de mais de 40 trabalhadores, estudantes e camponeses. Dentre as mortes, cita o conhecido líder guerrilheiro, Carlos Marighella, chefe da Ação Libertadora Nacional (ALN) e iniciador da luta armada no país. Outras mortes causadas pelos militares citadas no documento são: o ex-sargento João Lucas Alves, Severino Viana Colon, José Araújo Nóbrega (que era de fato, Eremias Delizoicov, mas foi identificado pela repressão como sendo deste outro militante), Hamilton Cunha e Fernando Borges de Paula Ferreira. O documento pertence ao arquivo do DOPS. Artigo de jornal Artigo intitulado "Lamarca levou cofre do Dr. Rui", sem fonte e data, com carimbo do DOPS de 24/09/69. Informa que o capitão Lamarca, em entrevista distribuída às agências internacionais, afirma que sua organização, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), está com o cofre de Ana Maria Benchimol Capriglione, amante do falecido governador Ademar de Barros e conhecida internacionalmente como Dr. Rui, no qual foram encontrados dois milhões e meio de dólares, em dinheiro. Lamarca esclarece que só se tornou um revolucionário após o golpe de 64. Assume a responsabilidade por 21 "expropriações financeiras" e, em contrapartida, relaciona os nomes de cinco companheiros assassinados pela ditadura, de janeiro a agosto de 1969: João Lucas Alves, Severino Viana Colon, Hamilton Cunha, Carlos Roberto Zanirato e Fernando Borges de Paula Ferreira. Foto Foto original e preto e branco do corpo, encontrada no DOPS/SP. Foto Foto original e preto e branco de busto. Relatório Carta Mensal n. 6, São Paulo, de 31/03/70, incompleta. Documento do arquivo do DOPS, exaltando o esforço do Governo desde 31/03/64, na recuperação econômica, social e moral do país e manifestando a coesão dos que trabalham naquele DOPS frente à luta nesta missão revolucionária. Descreve a ação dos componentes da Ação Libertadora Nacional (ALN), citada como Aliança de Libertação Nacional, e seu confronto com os órgãos de repressão. Dentre os mortos ou desaparecidos políticos, constam neste relatório: Fernando Borges de Paula Ferreira, Luiz Fogaça Balboni e João Domingos da Silva, os dois primeiros mortos e o último ferido, em tiroteio no Largo da Banana (Barra Funda, São Paulo, SP), em 29/07/69, vindo a falecer posteriormente; e Carlos Marighella (morto), Joaquim Câmara Ferreira (foragido), Márcio Beck Machado (teria fugido para Cuba), Virgílio Gomes da Silva (preso) e Carlos Eduardo Pires Fleury (preso), todos citados segundo o cargo que ocupavam na ALN até 1969. Relatório Página 2 de documento com denúncia de organizações de esquerda encontrado no arquivo do DOPS/SP. Possui lista dos brasileiros assassinados pela ditadura militar, cita três brasileiros inválidos e artigo do Estado de São Paulo de 13/05/70, questionando sobre pena de morte no Brasil em virtude de comissão especial de justiça a ser designada para julgar quatro acusados de terrorismo em Olinda, PE, que poderá condená-los à pena de morte. Na lista dos brasileiros assassinados constam: Carlos Marighella, Edson Luiz, José Guimarães, João Roberto, Chael, Padre Henrique (Antônio Henrique), Bernardino Saraiva, Carlos Roberto Zanirato, Carlos Schirmer, José de Souza, João Lucas Alves, Manuel Alves de Oliveira, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Severino Melo, Severino Viana Colon, Reinaldo Pimenta, Fernando Ruivo (Fernando Borges de Paula Ferreira), Virgílio Gomes, Mário Alves, além de José Araújo Nóbrega. Relatório Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus. Ficha pessoal Documento do IML/SP, de 07/08/69, indicando dados do óbito. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 04/08/69, realizado por Pérsio José R. Carneiro e Antônio Valentini. Afirma que Fernando foi vítima de agressão a tiros. Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML/SP, de 30/07 (sem identificação do ano), com nome indicado por "ignorado". O histórico do caso está ilegível. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111201/00492d9a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6348 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111201/00492d9a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4499 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111201/00492d9a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 1 19:48:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 1 Dec 2011 19:48:10 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Primeiro_Boletim_-_=22Mem=F3rias?= =?iso-8859-1?q?_da_Resist=EAncia=22?= Message-ID: <9D8882B845694012BB52F3634A081192@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem MEMÓRIAS DA RESISTÊNCIA. Primeiro Boletim.. http://www.institutopraxis.org.br/web_Boletim-Memorias.pdf -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111201/c870e0ac/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111201/c870e0ac/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 1 19:48:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 1 Dec 2011 19:48:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ONDE_EST=C3O=3F?= Message-ID: <5356096F963A453C8E8F2BFD75A4B9A8@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ONDE ESTÃO? clique http://youtu.be/UyjORq4-JiU -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111201/18063252/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 995 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111201/18063252/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 2 20:17:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 2 Dec 2011 20:17:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CARMEM_JACOMINI__e__GEROSINA_SILVA_PE?= =?iso-8859-1?q?REIRA____________________-CCCXIII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem CARMEM JACOMINI Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Participou da guerrilha do Vale do Ribeira, em São Paulo. Exilou-se no Chile de onde, após o golpe, foi para a França. Em fins de abril de 1977, faleceu em conseqüência de um desastre de automóvel em Aix-en-Provence, na França. GEROSINA SILVA PEREIRA Filha de Antônio Soares de Arruda e de Laura Soares Silva, nasceu no dia 15 de julho de 1918, em São Pedro de Jequitinhonha, no Vale do Jequitinhonha, no Estado de Minas Gerais. De família pobre, Zizinha, nome carinhoso pelo qual se tornou conhecida, desde cedo começou a trabalhar como operária na inúdstria de confecção. Sempre trabalhando como operária, foi viver em São Paulo. Em 1938, casou-se com Antônio Ubaldino Pereira, com quem teve três filhos. Com o golpe de 1964, acabou se ligando à UPR e foi presa incomunicável em fins de 1970. Seu marido havia sido preso desde 1969, sendo banido para o Chile em 13 de janeiro de 1971. Assim que foi solta, Zizinha partiu para aquele país. Ali viveu e trabalhou até o golpe de setembro de 1973, quando o casal novamente se viu separado pelas circunstâncias: enquanto Antônio Ubaldino viajou para a Argentina e daí para a Suécia. Zizinha asilou-se no Panmá. Mesmo sem documentos, prosseguiu sua viagem com o objetivo de se reunir ao amigo e companheiro de vida e de lutas. Finalmente o casal se reuniu em Lund. Em 1974, começou a trabalhar como restauradora de objetos do Museu Lund. Além disso, presidia o Comitê Brasileiro de Mulheres Democráticas, fundado na cidade de Lund. Embora nunca deixasse de desejar retornar ao Brasil e rever seus filhos, netos e amigos, tais desejos não se materializaram: em 9 de setembro de 1978, Zizinha morreu de câncer, no exílio. Seu corpo foi cremado e as cinzas levadas para São Paulo onde viviam seus familiares. Em Lund, a sala onde os exilados brasileiros se reuniam para lutar pelo retorno ao Brasil recebeu seu nome, justa e merecida homenagem àquela que tão bem encarnou a vida de milhares de mulheres brasileiras. ======================================================================================== Ficha Gerosina Silva Pereira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Gerosina Silva Pereira Cidade: (onde nasceu) São Pedro de Jequitinhonha Estado: (onde nasceu) MG País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 15/7/1918 Atividade: Restauradora Dados da Militância Prisão: 0/0/1970 SP Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 9/9/1978 Lund Suécia Estava vivendo no exílio quando faleceu de morte natural. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos ========================== outras informações. acervo e pesquisa - biografia de mulheres detalhes Indicar biografia (volume II) Gerosina Silva Pereira (1918-1978) - VOLUME 1 Século: XX Estado: MG Etnia/cor: Desconhecida Atividade: Ativistas Políticas e dos Movimentos Sociais Descrição: Operária, natural de São Pedro de Jequitinhonha (MG), após o golpe de 1964, ligou-se a uma facção de esquerda. Em fins de 1970 foi presa. Depois de ser solta viveu no Chile até o golpe de Allende, quando exilou-se no Panamá. Presidiu o Comitê Brasileiro de Mulheres Democráticas, fundado na Suécia. A biografia completa pode ser apreciada na obra Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade (biográfico e ilustrado), de Schuma Schumaher e Érico Vital Brasil, Editora Zahar, 2000. ========================== Ficha Carmem Jacomini Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Carmem Jacomini Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 0/4/1977 Aix-en-Provence França Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Quem é quem nos novos cartazes do terror. Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo, São Paulo, (sem data), p. 14. Trata dos cartazes que foram distribuídos pela polícia com a foto de cinqüenta e duas pessoas procuradas por ações políticas. Os órgãos de segurança acreditavam que os movimentos subversivos passavam por uma crise que os levaria à extinção. O artigo traz a lista das organizações de esquerda mais atuantes, além de um rápido comentário sobre cada um dos procurados. Entre eles estão: Hiroaki Torigoi, Iuri Xavier Pereira, Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, Alex de Paula Xavier Pereira, Onofre Pinto, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Stuart Edgard Angel Jones, Antônio Sérgio de Matos, Walter Ribeiro Novaes, Getúlio d'Oliveira Cabral, Sérgio Landulfo Furtado, Carmem Jacomini, José Milton Barbosa. Artigo de jornal STM julga processo de 119 acusados de ações pela ALN. Sem fonte e data. Trata do julgamento do processo da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de Carlos Marighella, que não foi julgado por ter morrido em tiroteio antes da conclusão do inquérito. O processo resultou em vinte e oito condenados, cinqüenta e dois absolvidos, catorze excluídos, treze banidos e oito pessoas com penas prescritas. ================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111202/20f5c3bd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4252 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111202/20f5c3bd/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 508 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111202/20f5c3bd/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 2 20:17:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 2 Dec 2011 20:17:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__MARIO_ALGO_COMPLETARIA_100_ANOS=3A_UM?= =?utf-8?q?_COMUNISTA_POR_OP=C3=87=C3=83O!?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=4418&id_coluna=14 100 Mário Lago, Comunista por Opção* Meu tempo é hoje (Mário Lago) Conhecido por ser um dos grandes atores brasileiros do século XX, com carreira iniciada ainda em 1933, também pela música herdada do pai e por suas composições, especialmente Ai que saudade da Amélia, em conjunto com Ataulfo Alves, Mário Lago foi autor teatral, radialista e advogado. Tendo vivido mais de 90 anos, sobretudo, foi comunista e morreu como tal. Gostava de dizer que era ator por acaso e comunista por opção. Ainda jovem foi Militante do Socorro Vermelho, a Internacional de Solidariedade Proletária, organização da III Internacional Comunista à serviço das classes e nacionalidades oprimidas em luta pela sua libertação, organização que denunciava o caráter terrorista do capitalismo com o ascenso do fascismo e os perigos de uma guerra iminente. Passou a integrar a União da Juventude Comunista, quando freqüentava a Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, onde se formaria em 1933. Ali, se tornou marxista pelo resto de sua vida. Passeando pela notação 1540 do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, o APERJ, no conjunto documental oriundo da polícia política, Fundo DPS - Dossiês, lá está depositada a pasta que também evidencia parte da trajetória do poeta, perseguido no País por expressar em versos sua posição orgânica ao lado dos brasileiros explorados. O livreto ?Eu quero duas rimas?, logo nas primeiras páginas já demonstra porque o nome de Mário Lago está entre centenas de dossiês e inquéritos neste que é um dos principais acervos da repressão do Brasil: ?Muitos dirão que estas poesias falam em tom de comício. Concordo. Muitos dirão que estas poesias foram feitas com sabor de Manifesto. Concordo. Concordo porque são comício e manifesto. São uma das mil formas de se chegar ao povo quando negam ao povo a praça pública. Mas se muitos disserem que elas não têm beleza poética, discordo. Elas foram escritas na linguagem do povo. Inspiradas e ditadas pelo povo?. Sua indignação ao lado deste povo foi contundente quando o Partido Comunista do Brasil foi fechado pelo governo Dutra, por pressão dos Estados Unidos e pelo ato de seus lacaios, em 1947. No poema ?O povo escreve a História nas paredes?, Mário Lago assim se expressou: ?Noite pesada... de tristeza imensa/Noite de lágrimas e de descrenças/Noite de mil perguntas doloridas/Noite de angústia para milhões de vidas/E agora meu companheiro?/Companheiro, o que fazer?/ Fecharam nosso Partido?/ Que mais vai acontecer?/(...) E agora meu companheiro?/ Como vamos escutar palavras que indicam rumos/ se ninguém pode falar? (...) Depois quando surgiu o novo dia (...) vozes que o povo escolheu (...) anunciavam ao céu, anunciavam ao mar/ que o Partido do povo ainda existia/que o Partido do povo não morria/porque o povo não morre e eles eram o povo/Sempre se refazendo/Sempre novo/Sempre no mesmo rumo/sempre novo. (...) Cassação! Cassação! Cassação! (...) Quem vai apontar os crimes/ Os crimes da reação? (...) Há sempre uma mão altiva/pegando um giz ou pincel/E há muros pela cidade/Se nos negarem papel (...) Anda comigo e espia pras paredes/vê quanta História ali já se escreveu/São páginas e páginas de luta/que escrevemos nos muros com o povo, como povo, tu e eu/São páginas que o tempo não apaga e nem apaga a reação/São páginas que o povo diariamente/lê quando passam para as oficinas/e guarda para reler no coração/Essas, não há polícia que apreenda/Essas não há ministro que a suspenda/por que sempre haverá paredes na cidade/e sempre haverá povo/E enquanto o povo sofrer/Enquanto tiver fome e tiver sede/enquanto não tiver direito e liberdade/os muros amanhecerão contando histórias (...)?. Como se vê, na pena de Mário Lago, a cassação do seu Partido e a prisão da sua poesia se libertariam nos muros das cidades, na voz do povo que passa fome e sede. Sua militância social, política e cultural revolucionária tinha berço e apoio da companheira de toda uma vida. Neto do anarquista italiano Giuseppe Croccia, Lago foi casado com Zeli, a quem conheceu num comício do Partido no Largo da Carioca, em 23 de março de 1947, a filha do também militar e comunista Henrique Cordeiro Oest, que fora comandante de um dos batalhões do 6º RI na tomada de Castelnuovo, durante a II Guerra Mundial, mais tarde deputado federal do Partido, eleito por Alagoas e que teve seu mandato cassado, também em 1947, sendo integrante da primeira lista dos cassados pelo Ato Institucional de 9 de abril de 1964 [1]. Por suas posições políticas comunistas, Mário Lago foi preso sete vezes, em 1932, 1941, 1946, 1949, 1952, 1964 e 1969, todas registradas nos arquivos da polícia política, a DOPS. Com o cinema (entre seus filmes destacam-se Assalto ao trem pagador, Terra em transe e São Bernardo) e a televisão (atuou em novelas como Selva de pedra, O casarão, Pecado capital e Dancing days) se tornou conhecido do grande público, mas nunca mudou as suas convicções políticas, tendo atuação pública importante em apoio à candidatura de Lula, em 1989, sendo amigo pessoal de Luiz Carlos Prestes e Oscar Niemeyer. Em 2011, o poeta com compromisso popular faria 100 anos. Os versos da ?Poesia da vida em marcha? dizem mais sobre o que perdemos sem Mário Lago, que páginas e páginas escritas: ?A poesia da vida em marcha/tem cadência diferente./Cadência de passos trôpegos/das crianças sem pão/das mulheres sem lar,/dos homens sem trabalho/Cadência brutal/de patas de cavalo pisando carne,/de patas de cavalo pisando sangue/dos homens sem trabalho/das mulheres sem lar/das crianças sem pão?. por Diorge Konrad doutor em História pelo IFCH * Este artigo foi escrito em 26 de novembro de 2011, exatamente no centenário do nascimento de Mário Lago, coincidentemente no meio das comemorações dos 76 anos da Insurreição Nacional Libertadora, organizada pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) e apoiada por Mário Lago, em 1935. Notas [1] Henrique Cordeiro Oest, também membro destacado da ANL paulista, em 1935, também tem seu dossiê elaborado pela polícia política do Rio de Janeiro, na notação 262, caixa 2422, que pode ser consultado no APERJ. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111202/a703ce2c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 3 16:51:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 3 Dec 2011 16:51:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?b?IOKAnEEgSGlzdMOzcmlhIFNpb25pc3Rh4oCd?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem "A História Sionista" por Renen Berelovich Concluí recentemente um documentário indep endente, ?A História Sionista?, na qual apresento, não somente a história do conflito Israel/Palestina, como também a razões centrais do mesmo: a ideologia sionista, seus objetivos (passados e presentes) e seu total controle, não só da sociedade israelense, como também, e de maneira crescente, da percepção que o mundo ocidental tem do Oriente Médio. Estes conceitos já foram demonstrados no excelente Documentário ?Ocupação 101?, de Abdallah Omeish e Sfyan Omeish, mas em meu documentário utilizo a perspectiva de um israelense, ex-soldado, atualmente na reserva e alguém que passou toda sua vida à sombra do sionismo. Espero que encontrem um lapso de tempo para assistir ?A História Sionista? e, se quiserem/puderem, passar e repassar para outras pessoas. Este Documentário foi realizado somente por mim, Renen Berelovich, sem nenhum pressuposto, ainda que tenha me esforçado para alcançar elevado nível profissional. Oxalá esta produção doméstica, abaixo, venha ao encontro dos interesses dos espectadores: Com legendas em português. Veja aqui: clique http://youtu.be/3jNYlUj2gMU Renen Berelovich 25-04-2011 -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111203/bda34f98/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111203/bda34f98/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 4 13:54:09 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 4 Dec 2011 13:54:09 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Sorriso_Negreo_-_Fundo_de_Quintal?= =?iso-8859-1?q?_______Dia_da_Consci=EAncia_Negra__________________?= =?iso-8859-1?q?______________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASICAS!?= Message-ID: <76D1D22DD8C5448D94AFA89EBE969CB9@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem http://www.youtube.com/artist/Fundo_de_Quintal?feature=watch_video_title -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111204/3a3b0003/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 4 13:54:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 4 Dec 2011 13:54:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_CLOVES_DIAS_AMORIM__e__LUIZ_CARLOS_AUG?= =?iso-8859-1?q?USTO__e__ORNALINO_C=C2NDIDO_DA_SILVA__e__MANOEL_ROD?= =?iso-8859-1?q?RIGUES_FERREIRA______-CCCXIV-?= Message-ID: <8BE333F4E7144D1E8E7D4741DD1C5618@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem CLOVES DIAS AMORIM (1946 - 1968) Filiação: Domergues Dias de Amorim e José Leite de Amorim Data e local de nascimento: 22/07/1946, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 23/10/1968, Rio de Janeiro (RJ) LUIZ CARLOS AUGUSTO (1944 - 1968) Filiação: Conceição Agostinho Augusto e Luiz Augusto Data e local de nascimento: 18/11/1944, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 23/10/1968, Rio de Janeiro (RJ) Ambos foram mortos no Rio de Janeiro, em 23/10/1968, como conseqüência da violenta repressão policial dirigida a manifestações de protesto contra o assassinato de Luiz Paulo da Cruz Nunes, no dia anterior. Ex-servente da Companhia Antarctica Paulista, o operário Cloves Dias Amorim morreu aos 22 anos, no Hospital Pedro Ernesto, após ser baleado por agentes policiais. O estudante e escriturário Luís Carlos Augusto morreu aos 23 anos, quando também participava nas manifestações de protesto, ou percorria suas proximidades. Cópia de sua certidão de óbito aponta como causa mortis "ferimento transfixante do abdômen e penetrante do tórax com lesão do fígado, estômago e perfuração do estômago; hemorragia intestinal". Conforme notícia veiculada à época no jornal O Globo, "Luiz Carlos Augusto, escriturário, 23 anos, e Clóves Dias Amorim, operário, 22 anos, caíram ontem nas ruas do Rio, mortos em conflitos entre estudantes e policiais, quando estes dispararam contra uma passeata de cerca de 2.000 pessoas, que protestavam contra a morte do universitário Luiz Paulo da Cruz Nunes, também vitimado por arma de fogo durante ataque levado a efeito por agentes do DOPS e da Polícia Militar à Faculdade de Ciências Médicas da UFGuanabara e ao Hospital Pedro Ernesto". Em seu voto no primeiro processo formado na CEMDP para examinar o caso de Cloves Dias Amorim, o relator optou pelo indeferimento, considerando que, "as notícias, manchetes e títulos jornalísticos anexados ao processo comprovam a vontade política dos então no Poder, de reprimir policialmente e de tratar duramente os contestadores do regime. Esses objetivos, mesmo que materializados, não podem, per si, comprovar que as ruas do Rio de Janeiro tenham-se transformado em dependência policial assemelhada. (...) Essa prova inexiste nos presentes autos, ficando, a meu ver, o julgador impossibilitado de basear o seu julgamento, em ilações genéricas. O teor das reportagens acostadas não aponta para uma multidão dominada pelas forças policiais. Fala, ao contrário, em conflito entre estudantes e policiais, e em quase três mil manifestantes. Não tendo havido a subjugação completa dos estudantes, não há que se falar em dependência policial assemelhada. Nem mesmo a descrição que o Correio da Manhã faz da morte de Clóves aponta no sentido de que tenha havido um cerco total. Diz apenas que os tiros fatais vieram dos ocupantes de uma camioneta verde, com agentes do DOPS, que estava próxima ao jipe do comando da PM". Foi requerido um pedido de vistas ao processo, por Luís Francisco Carvalho Filho, que terminou acompanhando o relator com o seguinte arrazoado: "as manifestações públicas do final da década de 60 caracterizaram-se por um clima de extrema tensão. Muitas vezes se transformaram em batalha campal. Alguns morreram pelo que hoje se chama de bala perdida. Não havia, pelo menos aparentemente, um motivo concreto para a eliminação das pessoas atingidas. Seus nomes, aliás, não estavam nas listas de suspeitos ou de inimigos do regime militar. Paradoxalmente, este que é um motivo a mais para a reparação política - a morte acidental - aparece como um empecilho no momento de se aplicar a lei. A responsabilidade objetiva do Estado pelas mortes destas pessoas parece inquestionável, tanto que foi reconhecida pela Justiça do Rio de Janeiro no caso de outra vítima que morreu em circunstâncias análogas, Manoel Rodrigues Ferreira. Mas o requisito legal da dependência não pode ser ignorado. A Lei nº 9.140/95 não contemplou genericamente os chamados mortos em passeata. Portanto, cada caso deve ser analisado isoladamente. É preciso verificar, sem sofismas, se configurou uma situação de cerco que situasse a vítima sob o domínio direto dos agentes do poder público". Ao votar pelo indeferimento, Luiz Francisco propôs que a CEMDP encaminhasse mensagem ao Ministro da Justiça sugerindo a elaboração de anteprojeto a ser encaminhado ao Congresso Nacional para que familiares de outras vítimas fatais do regime autoritário fossem contemplados pelo mesmo espírito de reparação histórica que inspirou a edição da Lei nº 9.140/95. Com a edição da nova lei, a 10.875, em 01/06/2004, o processo de Cloves foi novamente protocolado e terminou sendo deferido por unanimidade. O segundo relator destacou a ampliação do escopo da lei e o pedido foi acolhido por unanimidade. De forma semelhante, na primeira análise do caso referente a Luiz Carlos Augusto na CEMDP, o processo não foi aprovado por se tratar de morte em manifestação, situação que não era abrangida pela Lei nº 9.140/95. Em 2004, a Lei nº 10.875/04, ao alterar dispositivos da Lei nº 9.140/95, permitiu segunda avaliação e o caso foi aprovado. ORNALINO CÂNDIDO DA SILVA (1949 - 1968) Filiação: Dorcília Cândida da Silva e Sebastião Cândido da Silva Data e local de nascimento: 1949, Pires do Rio (GO) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 01/04/1968, em Goiânia Ornalino Cândido da Silva foi morto aos 19 anos, numa outra manifestação estudantil em protesto contra o assassinato de Edson Luiz Lima Souto, no quarto aniversário do regime ditatorial, desta vez em Goiânia (GO), dia 01/04/1968, com um tiro na cabeça disparado por policiais que o confundiram com outro estudante. Filho de família pobre, começou a trabalhar desde cedo como lavador de carros. Era casado com Maria Divina da Silva Silvestre, com quem teve um filho. Na noite anterior à passeata, Ornalino havia ajudado a confeccionar os cartazes de protesto no Diretório Central dos Estudantes, e convocou seus amigos para a manifestação. No dia seguinte à sua morte, o jornal O Social informou: "Traindo a palavra empenhada ao arcebispo metropolitano e ao bispo auxiliar de Goiânia, o coronel Pitanga, secretário de Segurança Pública de Goiás e comandante da Polícia Militar, determinou que seus comandados armassem criminosa cilada contra os estudantes, que após o comício retiravam-se pacificamente, rumo à Faculdade de Direito.(...) Armados com fuzis, metralhadoras, bombas, cassetetes e revólveres, os militares cometeram toda sorte de violências, culminando com o fuzilamento de um transeunte, que, alheio ao Movimento Estudantil, postava-se nas imediações do Mercado Central, quando foi mortalmente atingido por um sargento da Polícia Militar, que, deliberadamente, sacou seu revólver, apontou para o jovem desconhecido e acionou o gatilho, julgando, talvez, tratar-se do líder estudantil Euler Vieira, dada a semelhança física entre o desconhecido e o estudante". Com efeito, depoimentos incorporados ao processo na CEMDP confirmam a grande semelhança física entre Ornalino e Euler Ivo Vieira, destacada liderança estudantil de Goiás naquela época, bem como registram ameaças explícitas que foram dirigidas a Euler nas vésperas, que chegou a receber pedidos para não participar da mobilização porque seria morto pelos policiais. Autoridades do Estado sustentaram que houve tiroteio. Mas o tiro foi certeiro, na região temporal esquerda da cabeça, o que seria difícil se Ornalino estivesse correndo. O presidente do Grêmio Literário Felix de Bulhões, do Colégio Estadual de Goiânia, Allan Kardek Pimentel, disse que o estudante, mesmo precisando trabalhar para se sustentar, não deixava de participar das mobilizações, e tinha consciência do momento político. "Ele tinha uma profunda percepção do papel da juventude naquele ano difícil. Ele era o mascote do grupo", contou Allan. Seu enterro teve a participação de muitos estudantes. Documentos particulares do morto não foram juntados, sob a alegação de terem desaparecido. Buscas empreendidas pela família em cartórios e na Secretaria de Segurança Pública, com o intuito de obter 2ª via, resultaram infrutíferas. O único documento anexado foi o atestado de óbito. O relator do processo na CEMDP votou pelo indeferimento, por considerar que o caso não se enquadrava na Lei nº 9.140/95, em virtude de não ter havido qualquer comprovação de participação ou acusação de participação em atividades políticas. Foi feito um pedido de vistas ao processo, para ser anexados documentos confirmando a participação política de Ornalino. O relatório foi apresentado em 24/04/1997, e houve novo pedido de vistas. Mesmo com o voto contrário do novo relatório, em 15/05/1997 a CEMDP deferiu o processo em votação apertada, de 4 a 3. MANOEL RODRIGUES FERREIRA (1950 - 1968) Filiação: Maria Madalena Rodrigues Ferreira e Manoel Alves Ferreira Data e local de nascimento: 06/03/1950, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 05/08/1968, Rio de Janeiro (RJ) O caso de Manoel Rodrigues Ferreira esteve duas vezes na CEMDP. Em reunião realizada em 10/04/1997, o relator do processo votou pelo indeferimento do pedido, por não ter elementos suficientes para comprovar a militância política e a morte do estudante e comerciário, de apenas 18 anos, em dependência policial ou assemelhada. Foi feito pedido de vistas do processo e, em reunião do dia 07/08/1997, o novo relatório acompanhou o voto anterior pelo indeferimento. A Comissão Especial decidiu por 5 a 2 pelo indeferimento do pedido, sendo vencidos Suzana Keniger Lisbôa e Nilmário Miranda. Manoel morreu no Rio de Janeiro, em 05/08/1968, depois de ser ferido na cabeça por duas balas, na avenida Rio Branco, esquina com Sete de Setembro, quando participava da mencionada manifestação de 21 de junho. Ele foi socorrido no Hospital Souza Aguiar e operado. Em seguida, foi transferido para a Casa de Saúde Santa Luzia e, posteriormente, para o Hospital Samaritano, onde não resistiu, conforme consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. O corpo do estudante entrou no IML/RJ pela Guia n° 85, da 10ª DP. O atestado de óbito (n° 92.932) foi assinado pelo legista Rubens Pedro Macuco Janini, tendo como declarante Francisco de Souza Almeida. O enterro, realizado pela família, aconteceu no Cemitério de Inhaúma (RJ). O estudante trabalhava em uma loja chamada 5ª Avenida, no centro da cidade. Ao chegar para trabalhar observou que a passeata avançava e estava cada vez mais perto de seu local de trabalho. Naquele dia as lojas fecharam mais cedo. Ao ver uma pessoa tombar na manifestação, o rapaz correu ao seu encontro e ficou de joelhos, tentando socorrer o ferido, quando recebeu os tiros que o mataram 45 dias depois. O Judiciário reconheceu a responsabilidade civil do Estado, concedendo indenização e pensão requeridas pelos familiares, conforme documentos anexados ao processo. Estava provado que Manoel foi vítima da violência política, mas não existiam provas de que o ocorrido se dera sob o domínio direto dos agentes do poder público. O presidente da CEMDP, à época, solicitou nova diligência para melhor análise do caso. O processo foi novamente protocolado em 12/12/2002. O novo relator destacou que "Manoel foi assassinado durante o regime militar, tendo como prova o exame de corpo de delito anexado nos autos; que a família ganhou o caso contra o Estado na Justiça do Estado do Rio de Janeiro, comprovando a relação entre a morte de Manoel e a manifestação pública, sendo deferido com base na Lei nº 10.875 de 01/06/2004. ======================================================================================================= + Informações. ORNALINO CÂNDIDO DA SILVA Lavador de carros. Morto a tiros pela Polícia Militar durante a repressão às manifestações de rua realizadas em Goiânia, no dia 1º de abril de 1968. Ornalino, ao que tudo indica, não participava das manifestações, conforme denúncia do Deputado Paulo Campos, constante do Diário do Congresso do dia 5 de abril de 1968. MANOEL RODRIGUES FERREIRA Estudante universitário e comerciário. Morto aos 18 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 05 de agosto de 1968. Manoel foi ferido na cabeça por duas balas, em 21 de junho de 1968, ao participar de passeata estudantil, na Av. Rio Branco, esquina da Rua Sete de Setembro. Foi socorrido no Hospital Souza Aguiar, onde foi operado. Transferido para a Casa de Saúde Santa Luzia e, posteriormente, para o Hospital Samaritano, onde veio a falecer no dia 05 de agosto de 1968, após novas cirurgias. Entrou no IML/RJ pela Guia n° 85, da 10ª D.P.. O óbito de n° 92.932 foi assinado pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janini, tendo como declarante Francisco de Souza Almeida. Foi enterrado pela família no Cemitério de Inhaúma (RJ) CLÓVIS DIAS AMORIM Servente da Companhia Antarctica Paulista, no Rio de Janeiro. Morto aos 22 anos de idade, em 23 de outubro de 1968, após ser baleado numa passeata na Av. 28 de Setembro, no Bairro de Vila Isabel. Ao que tudo indica, Clóvis não fazia parte da passeata, tendo sido morto pelas armas dos policiais que tentavam dispersar os manifestantes desarmados. Clóvis deu entrada no Hospital Pedro Ernesto, já sem vida. Seu corpo foi encaminhado ao IML pela Guia n° 76, da 20ª D.P. A necrópsia foi realizada em 24 de outubro de 1968, foi firmada pelos Drs. Ivan Nogueira Bastos e Nelson Caparelli. O corpo foi retirado por seu pai, José Leite de Amorim, sendo enterrado pela família no Cemitério do Mundú. =========================================================================================== + Detalhes. (do livro Crianças e Adolescentes) Justamente em meio às manifestações de repúdio ao assassinato de Edson, realizados em Goiânia, o estudante e lavador de carros Ornalino Cândido da Silva, 19 anos, teve idêntico destino: a vida interrompida por um tiro, desta vez mirado na cabeça do jovem. No dia seguinte, o jornal O Social informou: "Traindo a palavra empenhada ao arcebispo metropolitano e ao bispo auxiliar de Goiânia, o coronel Pitanga, secretário de segurança pública de Goiás e comandante da Polícia Militar, determinou que seus comandados armassem criminosa cilada contra os estudantes, que, após o comício, retiravam-se pacificamente, rumo à faculdade de Direito (...) Armados com fuzis, metralhadoras, bombas, cassetetes e revólveres, os militares cometeram toda a sorte de violências, culminando com o fuzilamento de um transeunte que, alheio ao Movimento Estudantil, postava-se nas imediações do Mercado Central, quando foi mortalmente atingido por um sargento da Polícia Militar que, deliberadamente, sacou seu revólver, apontou para o jovem desconhecido e acionou o gatilho, julgando, talvez, tratar-se do líder estudantil Euler Vieira, dada a semelhança física entre o desconhecido e o estudante". Ornalino não era exatamente um "transeunte". Conforme apurações feitas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), na noite anterior ele tinha confeccionado cartazes e convidado amigos para participar do protesto. Entretanto, sua semelhança com Euler - que já vinha sendo ameaçado - provavelmente foi fatal. Edson e Ornalino, porém, não foram os primeiros nem seriam os últimos. Outros jovens como eles foram assassinados. No dia exato em que o golpe foi anunciado, 1º de abril de 1964, já tinham ocorrido duas mortes: Jonas de Albuquerque Barros e Ivan Rocha Aguiar. Jonas tinha apenas 17 anos. Ambos participavam de manifestações de rua em Recife contra a deposição e prisão do governador comunista Miguel Arraes quando foram atingidos pelas balas da polícia. No mesmo turbulento ano de 68, além de Fernando da Silva Lembo (relato Bala na Cabeça, nesta publicação), Edson Luiz e Ornalino, morreram José Guimarães, Luiz Paulo da Cruz Nunes, Cloves Dias Amorim, Luiz Carlos Augusto e Manoel Rodrigues Ferreira. =============================================================================================== FICHA Manoel Rodrigues Ferreira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Manoel Rodrigues Ferreira Atividade: Estudante universitário e comerciário Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 5/8/1968 Rio de Janeiro RJ Brasil Hospital Samaritano Baleado em 21/06/68, em passeata estudantil, na Av. Rio Branco, esquina com r. Sete de Setembro, Rio de Janeiro. Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Rubens Pedro Macuco Janini Biografia Documentos ============================================================================================= FICHA Ornalino Cândido da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Ornalino Cândido da Silva Atividade: Lavador de carros Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 1/4/1968 Goiânia GO Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Militar PM Brasil Biografia Documentos Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. ============================================================================================= FICHA Cloves Dias Amorim Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Cloves Dias Amorim Atividade: Servente Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 23/10/1968 Rio de Janeiro RJ Brasil Av. 28 de Setembro, Vila Isabel Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Ivan Nogueira Bastos, Nelson Caparelli Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111204/54b6a825/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14543 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111204/54b6a825/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 4 13:54:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 4 Dec 2011 13:54:27 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O Doutor entrou para a cladestinidade Message-ID: <7FA92B0EC1B548BA9E610BE8DB51AE50@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: vidalonga Camaradas Acordei muito triste com a partida do "Doutor". Ele foi embora antes do combinado e sem se despedir. O que me alegra, é saber que ELE entrou para a clandestinidade, como bom COMUNISTA e, certamente foi se encontrar com Che Guevara. Desculpem pelo desabafo, agora é só esperar pelo Penta de logo mais a tarde. Alfredo Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira "Deus não tem idade. O Corinthians é muito maior que a idade que possa ter; é um símbolo, uma essência, um sentimento. É claro que o centenário tem um valor simbólico e as pessoas se reúnem em torno desse símbolo. Mas isso é secundário à importância que tem alguma coisa capaz de agregar tanta gente de origens absolutamente distintas". Sobre o centenário do Corinthians, à Carta Capital, em setembro de 2010 "Eu queria que meu filho nascesse lá, eu queria ser um cubano. Nós estivemos lá agora, nós fomos passear! Peguei minha mulher e fui lá, passear, curtir lampejos de humanidade. Um povo como aquele, numa ilhota, que há mais de 60 anos briga contra um império, só pode ser muito forte, e ditadura alguma faz um povo tão forte. Ditadura não é tempo de serviço, necessariamente é qualidade de serviço. Em Cuba, o povo participa de tudo, em cada quarteirão. E aqui? Pra quem você reclama? Você vota e não tem pra quem reclamar". Sobre Cuba e Fidel Castro, em 2011, à "Folha de S. Paulo" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111204/cde05cd7/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8735 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111204/cde05cd7/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 5 19:39:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 5 Dec 2011 19:39:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LUIZ_RENATO_DO_LAGO_FARIA____________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________________-CCCXV-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem LUIZ RENATO DO LAGO FARIA Residia na Argentina desde 1973. Estudante do 6° ano da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Buenos Aires. Desaparecido desde 7 de fevereiro de 1980. ================================================================================ Detalhes Brasileiros desaparecidos em outros países Na década de 1970, um número desconhecido de brasileiros morreu ou desapareceu em países vizinhos no contexto de ações repressivas de outros Estados, vários deles tendo sido vitimados pela Operação Condor. Teriam sido pelo menos 13, conforme registra o livro Dossiê Ditadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1986, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. São eles: Francisco Tenório Junior (Argentina); Jane Vanini (Chile); Luis Carlos Almeida (Chile); Luiz Renato do Lago Faria (Argentina); Luiz Renato Pires de Almeida (Bolívia); Maria Regina Marcondes Pinto (Argentina); Nelson de Souza Kohl (Chile); Roberto Roscardo Rodrigues (Argentina); Sidney Fix Marques dos Santos (Argentina); Tulio Roberto Cardoso Quintiliano (Chile); Walter Kenneth Neslon Fleury (Argentina); Wânio José de Matos (Chile). ========================================================================================= FICHA Luiz Renato do Lago Faria Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz Renato do Lago Faria Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal de Buenos Aires Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Desaparecido 7/2/1980 Buenos Aires Argentina Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos ] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111205/b090b412/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12536 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111205/b090b412/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 5 19:39:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 5 Dec 2011 19:39:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__SUCOS_SAUD=C1VEIS_______________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________________________HOJE?= =?iso-8859-1?q?_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7?= =?iso-8859-1?q?=C3O!?= Message-ID: <43831137CDA942A1A4D54562E1A2380A@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem SUCOS SAUDÁVEIS SUCO ANTICELULITE Indicação: o pepino hidrata, pois é rico em água. Também é desintoxicante e, com a ajuda da beterraba, que auxilia a circulação sangüínea, colabora para varrer as toxinas das células. O resultado é uma pele mais uniforme. Já a maçã facilita a digestão e a cenoura contribui para o bom funcionamento do intestino. Ingredientes: 1/2 pepino, 1 beterraba, 1/2 maçã, 4 cenouras Modo de preparo: Passe todos os ingredientes na centrífuga. Enfeite com um palito de cenoura. SUCO EMAGRECEDOR Indicação: a maçã e a cenoura ajudam na digestão. A beterraba auxilia a circulação do sangue. E as algas contribuem para inibir a fome, estimulando a saciedade. Ingredientes: 1 punhado peq. de algas secas, 1 beterraba, 1/2 maçã, 4 cenouras Modo de preparo: Centrifugue todos os alimentos, menos a alga, que deve ser batida com o suco no liquidificador. Enfeite o copo com um pedaço de maçã. SUCO ANTIACNE Indicação: é antiinflamatório e desintoxicante, colaborando para limpar a pele. A lima é rica em antioxidante (vitamina C) e a couve facilita o funcionamento do intestino. Ingredientes: 1 folha grande de couve, 3 maçãs verdes, 1 rodela de lima. Modo de preparo: Na centrífuga, passe as maçãs e a couve. Enfeite o copo com a rodela de lima. SUCO ANTIDEPRESSÃO Indicação: a beterraba e o espinafre auxiliam a circulação do sangue, o que estimula as funções cerebrais e acalma os nervos. O espinafre ainda estimula os movimentos peristálticos do intestino, regularizando-os. A maçã e a cenoura facilitam a digestão. Ingredientes: 3 beterrabas, 1 punhado de espinafre, 4 cenouras, 1/2 maçã, 1 punhado de salsa Modo de preparo: Passe todos os ingredientes na centrífuga, menos a salsa. Acrescente-a ao suco já pronto, misturando com uma colher. Enfeite com um ramo de salsa. SUCO ANTIENVELHECIMENTO Indicação: a couve-de-bruxelas, a cebolinha e o brócolis são riquíssimos em antioxidantes, que combatem os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento precoce. E também colaboram para recuperar as células, dando mais viço à pele. A cenoura e a beterraba, ricas em fibras, auxiliam o trato intestinal. Ingredientes: 4 cenouras, 1/2 beterraba, 3 folhas de beterraba, 1 florete de brócolis, 3 couves-de-bruxelas, 2 cebolinhasm Modo de preparo: Passe todos os alimentos na centrífuga. Enfeite com um palito de beterraba. SUCO ANTIENXAQUECA Indicação: o alho auxilia a digestão e colabora para eliminar toxinas. Rico em sódio, o aipo hidrata, ajuda a acalmar e diminui a dor porque colabora com a circulação sangüínea. Já a salsa auxilia a digestão. Ingredientes: 4 cenouras, 1 dente de alho, 2 talos de aipo, 1 punhado de salsa Modo de preparo: Centrifugue todos os ingredientes. Só a salsa deve ser acrescentada por último, sendo misturada com a colher. Enfeite com um ramo de salsa. SUCO ANTIESTRESSE Indicação: a pêra é rica em fibras e ajuda a hidratar. Enquanto o lêvedo de cerveja e a banana estimulam o bem-estar. O morango é calmante. Ingredientes: 2 copos de água, 10 morangos, 1/2 pêra rígida, 1 banana madura, 1 colher (sopa) de lêvedo de cerveja Modo de preparo: No liqüidificador, bata as frutas com água. Por último, acrescente o lêvedo de cerveja, misturando com a colher. Enfeite com um morango. SUCO ANTIFADIGA Indicação: O salsão e a erva-doce estimulam o poder de transporte de oxigênio na corrente sangüínea, proporcionando uma onda instantânea e prolongada de energia. A cenoura, rica em fibra, auxilia a digestão e o funcionamento do intestino. Ingredientes: 4 cenouras, 1 ramo de salsão, 2 ramos de erva-doce Modo de preparo: Centrifugue a cenoura e, no liqüidificador, bata o suco com o salsão e a erva-doce. Enfeite com um ramo de erva-doce. SUCO DIGESTIVO Indicação: a maçã, a uva e o kiwi, ricos em fibras, favorecem a digestão e estimulam o funcionamento do intestino. Ingredientes: 1 kiwi firme, 1 maçã verde, 1 cacho pequeno de uvas, 1 rodela de kiwi Modo de preparo: Passe todas as frutas na centrífuga e enfeite o copo com a rodela de kiwi. SUCO ANTIINSÔNIA Indicação: a maçã e a salsa são sedativos naturais, calmantes e eficazes no controle da insônia. Ingredientes: 3 folhas de couve, 4 cenouras, 1/2 maçã, 1 punhado de salsa Modo de preparo: Centrifugue a couve, as cenouras e a maçã. No suco já preparado, acrescente a salsa, mexendo com a colher. SUCO PARA A CÓLICA MENSTRUAL Indicação: o louro ajuda a diminuir os sintomas da menstruação. O abacaxi e o gengibre são diuréticos, ajudam a diminuir a retenção de líquidos e estimulam o funcionamento do intestino, diminuindo as cólicas. E a maçã, rica em fibra, também colabora para o trato intestinal. Ingredientes: 3 fatias de abacaxi, 1/2 maçã, 1 fatia fina de gengibre, 1 folha de louro Modo de preparo: Passe todos os ingredientes na centrífuga e, por último, bata o suco no liqüidificador junto com o louro. Enfeite com um pedacinho de casca de abacaxi. SUCO DIURÉTICO Indicação: a laranja funciona como diurético. A uva e a melancia são ricas em fibra, o que ajuda a eliminar as toxinas através das fezes e da urina. Ingredientes: 1 laranja sem casca, 1 cacho médio de uvas verdes, 2 fatias de melancia, 1 raminho de hortelã Modo de preparo: Na centrífuga, passe a laranja, as uvas e a melancia. Enfeite o copo com a hortelã. SUCO PARA A BELEZA DA PELE Indicação: o brócolis é um antioxidante, que combate os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele. A cenoura e a beterraba, ambos ricos em fibra, facilitam o funcionamento intestinal, o que, indiretamente, deixa a pele mais bonita. Ingredientes: 4 cenouras, 1 florete de brócolis, 1/2 beterraba Modo de preparo: Na centrífuga, passe todos os alimentos. Enfeite com um florete de brócolis. Consultoria: livros Sucos Para A Vida, de Cherie Calbom e Maureen Keane, editora Ática; e As Vitaminas do Futuro, de Wilson Camargo, editora Mauad. TIRE SUAS DÚVIDAS Quanto beber de água? Oito copos por dia garantem que as reservas de líquido do organismo fiquem em ordem. Água com gás dá celulite? Não, mas colabora para aumentar os gases em pessoas com tendência à flatulência. Chá também hidrata? Sim. A vedete atual é o chá verde. Entre outros benefícios, auxilia no emagrecimento e é rico em antioxidantes, que ajudam a combater o envelhecimento precoce. Se puder, evite os chás escuros, como o preto e o mate, porque são ricos em cafeína. Em contrapartida, invista nas ervas que têm efeito terapêutico. Por exemplo, os calmantes camomila e cidreira. E refrigerante, pode? Não é uma boa pedida porque a formulação inclui muita química, sem contar que é ultracalórico (cada copo tem cerca de 80 kcal!). As versões diet são magrinhas, algumas com menos de 2 kcal, mas não fornecem qualquer tipo de nutriente. E o álcool? Se não quiser ganhar peso, mantenha distância. Afinal, cada mililitro tem 9 kcal. Mas uma opção saudável é o vinho tinto, que aumenta o HDL (bom colesterol). Mas não abuse, pois uma taça é o suficiente para garantir a boa saúde do coração. __._,_.___ "Ser poeta é deixar o coração falar e fantasiar, em sua poesia, deixar um rastro de sua vida e de seus sentimentos escritos no mundo, para a eternidade..." Vanderli Medeiros ((*_*))flor Bem-vindo ao grupo escritores_poetas Owner: Vanderli Medeiros Moderadoras: Teka Nascimento Patty Montenegro Katarina Madeira Maria Marta Cardoso PARTICIPE DO GRUPO, SUA PARTICIPAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA O BOM ANDAMENTO DO MESMO. REGRAS DE POSTAGEM: PODEM ENVIAR E-MAIL QUE ESTIER EM MODO NORMAL, SEM LIMITE POR DIA QUANDO EM WEB: PROIBIDO ENVIO DE E-MAIL EM RESUMO DIÁRIO: SOMENTE 3 FORMATAÇÕES DE E-MAIL POR DIA, SEM FORMATAÇÃO: LIBERADO EM WEB POR MAIS DE 3 MESES, SEM AVISO OU JUSTIFICATIVA SERÁ EXCLUIDO DO GRUPO. Endereços de e-mail do grupo Maneira prática de administrar e gerenciar o recebimento de mensagens do grupo Escritores Poetas no Yahoo sem precisar ir na web do yahoo. Entrar na Listas : enviar um e-mail em branco para escritores_poetas-subscribe at yahoogroups.com De Normal para Resumo Diário: enviar e-mail em branco para escritores_poetas-digest at yahoogroups.com De Resumo Diário para Normal : enviar e-mail em branco para escritores_poetas-normal at yahoogroups.com De Normal para Somente Web: enviar e-mail em branco para escritores_poetas-nomail at yahoogroups.com De Somente Web para Normal: enviar e-mail em branco para escritores_poetas-normal at yahoogroups.com Suas configurações de e-mail: E-mail individual |Tradicional Alterar configurações via web (Requer Yahoo! ID) Alterar configurações via e-mail: Alterar recebimento para lista diária de mensagens | Alterar para completo Visite seu grupo | Termos de Uso do Yahoo! Grupos | Descadastrado __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 17147 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111205/97d4070a/attachment-0027.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 6 19:24:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 6 Dec 2011 19:24:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LYDA_MONTEIRO_DA_SILVA_______________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CCCXVI-?= Message-ID: <1D61775FA1CE4C799496AC800E7D32FE@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem LYDA MONTEIRO DA SILVA (1920 - 1980) Filiação: Ludovina Monteiro da Silva e Luiz Monteiro da Silva Data e local de nascimento: Niterói (RJ), em 05/12/1920 Organização política ou atividade: Ordem dos Advogados do Brasil Data e local da morte: 27/08/1980, no Rio de Janeiro (RJ) Às 13h40min do dia 27/08/1980, no Rio de Janeiro, Lyda Monteiro da Silva morreu ao abrir uma carta-bomba. Ela era diretora da Secretaria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, e ocupava a função de secretária da Comissão de Direitos Humanos da endtidade. A carta era endereçada ao presidente do Conselho Federal da OAB, Eduardo Seabra Fagundes. Lyda faleceu no mesmo dia, não resistindo aos ferimentos causados pelo atentado. Foi enterrada no cemitério São João Batista, comparecendo ao local uma multidão de 4.000 pessoas, consternadas com a brutalidade do atentado. Na época, ficou absolutamente nítido o desinteresse do governo militar na apuração dos fatos, o que fez crescer a certeza da motivação política do atentado criminoso. A interpretação mais plausível do caso foi que teria sido praticado por um grupo de militares insatisfeitos com a abertura política e com a Lei de Anistia aprovada no ano anterior, bem como pretendendo ameaçar o posicionamento combativo da OAB contra o regime militar. Numa manobra típica de despiste, a Polícia Federal fez vazar informações à imprensa de que o principal suspeito era um cidadão de nome Ronald James Watters, que já estivera envolvido na tentativa de atentado a bomba contra uma exposição soviética realizada no Brasil em 1962, quase vinte anos antes. Nessas notícias, se informava que um telefonema anônimo havia denunciado Watters como autor, o que não restou provado, sendo ele absolvido num processo judicial formado sem bases consistentes. No mesmo dia do atentado à OAB, mais duas cartas-bombas foram entregues no Rio de Janeiro: uma no gabinete do vereador Antônio Carlos de Carvalho, do PMDB e outra na sede da Tribuna da Imprensa. Os inquéritos, à época, nada apuraram, além de que as cartas tinham sido enviadas pelo Correio. No requerimento encaminhado à CEMDP, o filho de Lyda, Luiz Felippe Monteiro Dias, afirmou que a morte da mãe ocorreu por motivações eminentemente políticas. Aconteceu no exato momento em que a seccional da OAB em São Paulo e o presidente nacional da entidade, Eduardo Seabra Fagundes, insistiam na identificação de agentes e ex-agentes dos serviços de segurança suspeitos do atentado sofrido pelo jurista Dalmo Dallari - seqüestrado e agredido em 02/07/1980, em São Paulo, durante a visita do papa João Paulo II. Em maio de 1994, o programa Fantástico, da Rede Globo, divulgou entrevista com o mencionado Ronald Watters, que se declarou inocente quanto ao episódio, levando a OAB a pedir reabertura do inquérito sobre autoria do atentado. Em entrevista ao Jornal do Brasil, em 23/05/1999, esse mesmo Watters declarou que houve, na época, uma estratégia para que não recaísse nenhuma suspeita sobre a participação de militares naquele ato terrorista. O governo teria acionado a Polícia Federal na montagem de uma operação usando Watters como bode expiatório, em troca de dinheiro e de uma fuga tranqüila para o exterior. A carta que vitimou Lyda não veio pelo Correio, sendo entregue em mãos. Em setembro de 1980, o perito Antônio Carlos Vilanova, contratado para saber de que tipo era a bomba que explodiu na OAB, entregou um laudo afirmando que foram encontrados dois explosivos: um de dinamite gelatinoso e outro de nitropenta. Concluiu que a bomba não foi produzida industrialmente, mas por alguém com bom conhecimento de eletricidade. Inicialmente, o requerimento foi indeferido pela CEMDP, sob a interpretação unânime de que não restara provado que o atentado tivesse como autores agentes do Estado. Após receber pedido de reconsideração, a CEMDP decidiu reformular, 18 meses depois, sua decisão anterior, acatando um novo parecer: "este pedido de reconsideração enseja o bom exercício do poder revisional da Administração Pública neste caso concreto, reiterando-se que, em se tratando de um órgão colegiado de Direitos Humanos, não é viável uma hermenêutica de restrições ou uma interpretação da lei específica aplicável". ========================================================================================================================= + Informações. LYDA MONTEIRO DA SILVA Nasceu em 5 de dezembro de 1920, em Niterói, Rio de Janeiro, filha de Luiz Monteiro da Silva e Ludovina Monteiro da Silva. Era casada e tinha um filho. Funcionária da Ordem dos Advogados do Brasil, onde ingressou em 1936, quando tinha apenas 16 anos. Por sua capacidade, chegou a ocupar o cargo de Diretora do Conselho Federal da OAB, no Rio de Janeiro. Morta aos 59 anos de idade no Rio de Janeiro, em 27 de agosto de 1980, durante o governo Figueiredo na chamada "Operação Cristal", organizada por grupos extremistas de direita, pela explosão de uma carta bomba, às 14:00 horas, na sede da OAB/RJ. A carta era endereçada ao presidente da entidade, Eduardo Seabra Fagundes, do qual D. Lyda era secretária. O registro de ocorrência de n° 0853 da 3ª D.P. dá sua morte como "ato de sabotagem ou terrorismo" e informa que, na explosão, saiu ferido outro funcionário, José Ramiro dos Santos. D. Lyda veio a falecer no caminho para o Hospital Souza Aguiar. Seu óbito de n° 313 foi assinado pelo Dr. Hygino C. Hércules, do IML, tendo como declarante Joaquim Alves da Costa. Foi enterrada no dia seguinte no Cemitério São João Batista (RJ) com grande participação dos movimentos sociais e cobertura da imprensa. No mesmo dia 27, mais duas cartas-bomba foram entregues, no Rio de Janeiro - no Gabinete do vereador Antonio Carlos de Carvalho (PMDB) e na sede do jornal Tribuna da Imprensa. Inquéritos, na época, foram abertos e nada foi apurado. =============================================================================================== Outras Informações. Anistia e fim do regime militar No âmbito político, 1979 é o ano da Anistia, que foi aprovada em 28 de agosto, envolvendo questões polêmicas a ser abordadas logo adiante neste livro-relatório. Mesmo incorporando o conceito de crimes conexos para beneficiar, em tese, os agentes do Estado envolvidos na prática de torturas e assassinatos, a Lei de Anistia possibilitou o retorno de lideranças políticas que estavam exiladas, o que trouxe novo impulso ao processo de redemocratização. Nesse mesmo ano, foi aprovada a reformulação política que deu origem ao sistema partidário em vigência até os dias de hoje. Desde 1978, no entanto, vinham se repetindo atentados a bomba, invasões ou depredações de entidades de caráter oposicionista, jornais e mesmo bancas de revista, cuja autoria sempre foi interpretada como só podendo caber aos integrantes do aparelho de repressão. Naquele ano, registraram-se 24 atentados desse tipo somente em Minas Gerais. Praticamente coincidindo com o primeiro aniversário da Lei de Anistia, em 27 de agosto de 1980 uma bomba explodiu na sede da OAB do Rio de Janeiro, causando a morte da secretária Lyda Monteiro da Silva. Na medida em que, até hoje, nunca o Brasil foi informado oficialmente sobre a verdadeira radiografia do aparato de repressão, incluindo dados sobre sua história, estruturação interna, orçamento e, sobretudo, sobre as datas e cronograma de seu desmantelamento ou reestruturação, ainda prevalecem incertezas e interpretações ================================================================================================= + Detalhes. O episódio Lyda Monteiro (jornal da OAB) Às 13h40 do dia 27 de agosto de 1980, a funcionária Lyda Monteiro da Silva, com mais de quarenta anos de serviços prestados à OAB, foi fatalmente vitimada por um atentado a bomba, desconhecendo-se o autor do ato terrorista. O atentado, executado na forma de um envelope que chegara como correspondência destinada ao presidente do Conselho Federal, Eduardo Seabra Fagundes, ocorreu quando a Seccional de São Paulo e o presidente nacional da Ordem, na qualidade de delegado do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, insistiam na identificação de agentes e ex-agentes dos serviços de segurança suspeitos do atentado sofrido pelo jurista Dalmo Dallari - seqüestrado e agredido em 02 de julho de 1980, em São Paulo - que terminou arquivado. Cerca de 6 mil pessoas participaram do enterro da funcionária Lyda Monteiro, realizado em tom de protesto, a despeito da posição da família, que não desejava o cortejo transformado numa manifestação política. Partindo da sede da OAB em direção ao cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a caminhada de 8 km, marcada por faixas de muitas cores e tamanhos, foi acompanhada pelo 5.º Batalhão de Polícia Militar e durou três horas e meia. Segundo reportagem da Revista IstoÉ, de 3 de setembro de 1980, houve quem se lembrasse do tenebroso ano de 1968 e de episódios como o enterro do estudante Édson Luís - que antecederam o período mais negro da história da República. "Todo o percurso foi cumprido ao som do Hino nacional e das palavras de ordem 'O povo indignado repudia o atentado' ou 'Chega de omissão, exigimos punição'. (...) Das janelas dos edifícios vinham manifestações de solidariedade. Muitos moradores aplaudiam e alguns acenavam com panos negros". Sua morte brutal e trágica marcou profundamente a Ordem dos Advogados do Brasil desde o primeiro instante. O Conselho Federal empenhou-se em ver o caso apurado, mas não teve êxito. Na primeira sessão, logo após o atentado, quando a exaltação era predominante; no ano de 1994, quando tentou em vão desarquivar o caso e, até hoje, o nome Lyda Monteiro da Silva aparece como um estigma da impunidade com que agiam os contrários à abertura do regime, ressaltando a inoperância e a desatenção do governo. VER MAIS Ronald Watters, acusado como responsável pelo atentado à sede da OAB, em entrevista concedida ao Jornal do Brasil, de 23 de maio de 1999, revelou que houve, à época, toda uma estratégia para afastar qualquer suspeita sobre a participação de militares no ato terrorista. O governo teria acionado a Polícia Federal na montagem de uma operação usando Watters no papel de bode expiatório em troca de dinheiro e uma fuga tranqüila para o exterior. No mesmo dia do atentado, através da Resolução n.º 120/80, o presidente Seabra Fagundes criou a Comissão de Direitos Humanos no Conselho Federal da OAB e apresentou os 14 nomes eleitos para sua composição: Barbosa Lima Sobrinho, Dalmo de Abreu Dallari, Evandro Lins e Silva, Heráclito da Fontoura Sobral Pinto, J. Bernardo Cabral, José Cavalcanti Neves, José Danir Siqueira do Nascimento, José Paulo Sepúlveda Pertence, José Ribeiro de Castro Filho, Miguel Seabra Fagundes, Nilo Batista, Raul de Sousa Silveira, Raymundo Faoro e Victor Nunes Leal. discordantes a respeito de quem foram os responsáveis por mais esse assassinato. ============================================================================================================= + Detalhes. 26/AGO/2010 - 30 ANOS DEPOIS: Ministro Vannuchi participa de ato público em homenagem a Lyda Monteiro da Silva, vítima de atentado em 1979 Data: 26/08/2010 O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), participa na próxima sexta-feira (27), às 13h40, no Rio de Janeiro (RJ), de Ato Público pelos "30 Anos da morte de Lyda Monteiro da Silva", vítima de uma carta-bomba endereçada ao então presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Eduardo Seabra Fagundes, no Rio de Janeiro. A cerimônia terá início no horário exato em que explodiu a bomba: 13h40. Tanto o ato público quanto a sessão solene acontecem no prédio da Avenia Marechal Câmara, 210, que já abrigou o plenário do Conselho Federal e onde hoje funciona a Caarj. A cerimônia é organizada pela OAB do Rio de Janeiro. Ás 15 horas, será inaugurada placa em homenagem à funcionária da OAB. "Com o ato, queremos lembrar, sobretudo às novas gerações de advogados, que no Brasil, em determinado contexto histórico, viveu-se sob uma ditadura militar, que aqui havia um Estado repressivo e que setores militares praticavam atentados terroristas, torturas e tentavam matar seus contestadores com cartas bombas. A OAB continua até hoje a cobrar a apuração do crime e a punição dos responsáveis. E que não se justifique, novamente, que torturadores e terroristas foram anistiados em 1979, porque o atentado foi em 1980. Portanto, seus autores, neste caso, não estão encobertos pela Lei de Anistia", afirmou Wadih Damous, presidente da Seccional do Rio de Janeiro. Ao comentar a passagem dos 30 anos da explosão da bomba na sede do Conselho Federal da OAB, o ex-presidente do STF e hoje de volta à advocacia, ministro Sepúlveda Pertence, lembra que aquele 27 de agosto foi um dos dias mais chocantes de sua vida : "Passados 30 anos, é quase impossível reviver a emoção e a dor daquele momento", diz ele, antes de fazer um breve relato do que viveu naquele mês de agosto, quando estava no exercício da presidência da OAB. Pertence era vice-presidente do Conselho Federal "eu acabara de almoçar com amigos -- o presidente do Conselho Federal da OAB, Eduardo Seabra Fagundes, estava fora do Rio de Janeiro -- e, quando cheguei ao prédio onde funcionava a sede da Ordem dos Advogados do Brasil, na avenida Marechal Câmara, notei que havia um movimento anormal. Custei a acreditar no que me disseram: uma bomba explodira nas mãos de dona Lyda, uma antiga funcionária da entidade". Apesar de seus resultados trágicos, o atentado contribuiu para apressar o fim do regime. Ao contrário do que eles pretendiam, o ato terrorista fortaleceu a posição da OAB e mobilizou diversos setores da sociedade em defesa das eleições diretas e por uma Constituinte livre e soberana. Direito à Memória e à Verdade - No ano passado, Vannuchi prestou homenagem a Lyda. A cerimônia foi realizada juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro e integra o projeto Direito à Memória e à Verdade, da SEDH. O projeto teve início em 2006,com a abertura da exposição fotográfica "Direito à Memória e à Verdade - A ditadura no Brasil 1964 - 1985", no hall da taquigrafia da Câmara dos Deputados, em Brasília. O objetivo é recuperar e divulgar o que aconteceu nesse período da vida republicana brasileira. São registros de um passado marcado pela violência e por violações de direitos humanos. Disponibilizar esse conhecimento é fundamental para o País construir instrumentos eficazes e garantir que esse passado não se repita nunca mais. Lyda Monteiro da Silva - no dia 27 de agosto de 1980, por obra de grupos extremistas de direita, contrários à abertura política, explodia uma carta-bomba endereçada à avenida Marechal Câmara, 210, 6° andar, centro da cidade do Rio de Janeiro. Ali funcionava o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. A chefe da Secretaria da OAB, Lyda Monteiro da Silva, ao voltar do almoço e abrir a carta, foi a vítima. A explosão fez tremer o andar do edifício, além de arrebentar com a mesa de dona Lyda, que morreu no caminho para o hospital. A funcionária Lyda Monteiro acabou vitimada aos 59 anos de vida e 44 de serviços prestados à OAB. O atentado ocorreu quando a OAB Nacional, que tinha como presidente Eduardo Seabra Fagundes e como vice-presidente o advogado José Paulo Sepúlveda Pertence, insistia na identificação de agentes e ex-agentes dos serviços de segurança suspeitos das agressões sofridas pelo jurista Dalmo Dallari - seqüestrado em 2 de julho de 1980, em São Paulo. O que restou da mesa em que Lyda trabalhava está exposto no Museu Histórico da OAB, que pertence ao Centro Cultural Evandro Lins e Silva da entidade e está situado no Setor de Autarquias Sul, em Brasília. À época, a funcionária Lyda Monteiro deixou um filho: o hoje professor universitário Luiz Felippe Monteiro Dias, de 53 anos. Ele perdeu a mãe, no atentado e recebe uma pensão mensal desde 2005, hoje em torno de R$ 670 mensais. Ele ganhou R$ 100 mil da Comissão de Mortos e Desaparecidos, mas tem outro processo tramitando na Comissão de Anistia. Ato Público em homenagem a Lyda Monteiro Data: 27 de agosto de 2010 Horário: 13h40 Local: Casa do Advogado, av. Mal. Câmara, 210, Rio de Janeiro (RJ) Ascom SDH/PR com informações da OAB/RJ ============================================================================================================================ + Detalhes. Jornal Nacional Atentado a Sede da OAB em 1980 - YouTube ? 2:26? 2:26 www.youtube.com/watch?v=InrwOjNPQGE18 jun. 2010 - 2 min - Vídeo enviado por Henrique350z Alert icon. Uploaded by Henrique350z on Jun 18, 2010. Bomba explodiu na sede da OAB no Rio de ... =========================================================================================================================== + Detalhes. POEMAS E CONFLITOS Sou filho de um momento terno entre a Terra e o Sol, amante da Vida e da Poesia e afilhado do Tempo. O Amor é meu companheiro de viagem, junto com a Indignação. Tenho ao meu lado, como guia a Liberdade. O mundo é um caminho regido pelo Destino e sustentado pela Eternidade, por onde ando e encontro pessoas e mestres e em cada dia que passa uma nova lição. Sou aquele a quem a Vida ama e que ama a Liberdade. Autorizamos publicação de nossos textos, desde que citada a fonte e autor. segunda-feira, 27 de agosto de 2007 LYDA MONTEIRO DA SILVA LYDA MONTEIRO DA SILVA Nasceu em 5 de dezembro de 1920, em Niterói, Rio de Janeiro, filha de Luiz Monteiro da Silva e Ludovina Monteiro da Silva. Era casada e tinha um filho. Funcionária da Ordem dos Advogados do Brasil, onde ingressou em 1936, quando tinha apenas 16 anos. Por sua capacidade, chegou a ocupar o cargo de Diretora do Conselho Federal da OAB, no Rio de Janeiro. Morta aos 59 anos de idade no Rio de Janeiro, em 27 de agosto de 1980, durante o governo Figueiredo na chamada "Operação Cristal", organizada por grupos extremistas de direita, pela explosão de uma carta bomba, às 14:00 horas, na sede da OAB/RJ. A carta era endereçada ao presidente da entidade, Eduardo Seabra Fagundes, do qual D. Lyda era secretária. O registro de ocorrência de n° 0853 da 3ª D.P. dá sua morte como "ato de sabotagem ou terrorismo" e informa que, na explosão, saiu ferido outro funcionário, José Ramiro dos Santos. D. Lyda veio a falecer no caminho para o Hospital Souza Aguiar. Seu óbito de n° 313 foi assinado pelo Dr. Hygino C. Hércules, do IML, tendo como declarante Joaquim Alves da Costa. Foi enterrada no dia seguinte no Cemitério São João Batista (RJ) com grande participação dos movimentos sociais e cobertura da imprensa. No mesmo dia 27, mais duas cartas-bomba foram entregues, no Rio de Janeiro - no Gabinete do vereador Antonio Carlos de Carvalho (PMDB) e na sede do jornal Tribuna da Imprensa. Inquéritos, na época, foram abertos e nada foi apurado. O crime na OAB ocorreu quando a Seccional de São Paulo e o presidente da Ordem insistiam na identificação de agentes e ex-agentes dos serviços de segurança suspeitos de um outro atentado, ocorrido no mesmo ano, contra o jurista Dalmo Dallari. =============================================================================== FICHA Lyda Monteiro da Silva Lyda Monteiro da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Lyda Monteiro da Silva Cidade: (onde nasceu) Niterói Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 5/12/1920 Atividade: Secretária Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 27/8/1980 Rio de Janeiro RJ Brasil sede da OAB/RJ Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Hygino de Carvalho Hércules Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/10c09ae6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10077 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/10c09ae6/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3920 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/10c09ae6/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3239 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/10c09ae6/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3197 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/10c09ae6/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 45983 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/10c09ae6/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 6 19:25:06 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 6 Dec 2011 19:25:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse Message-ID: <828EE425BCF1499B92B023C794B356BD@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse Os governantes sionistas já não têm mais do que reclamar. Depois da invasão e ocupação do Afeganistão, do Iraque e da Líbia pelos Estados Unidos, Israel deixou de ser o único detentor do título de último Estado colonialista do planeta. Palestina, Iraque e Líbia, países semitas que, juntamente com o Afeganistão são de predominância religiosa islâmica, pagam o preço da ignorância e da campanha de difamação e racismo da mídia ocidental, que acusa o islamismo de intolerante, mas não informa que no Afeganistão existe há séculos, uma Mesquita de Maria, em homenagem à mãe de Jesus. Alguém conhece alguma Igreja ou Sinagoga com o nome de ( Muhammad) Maomé? Quem é o intolerante? No Marrocos, país árabe-islâmico, o judaísmo é a segunda religião. Alguém já ouviu falar em perseguição aos judeus? No Egito, outro país árabe-islâmico, os cristãos ortodoxos coptas são a segunda religião, e o que dizer do Líbano, hoje país de maioria islâmica governado por um cristão? Quem é intolerante? Nos países árabes-islámicos quando o pai fica idoso, ele envelhece e não apodrece. Idoso em árabe é sinônimo de Sheikh, ou seja, pessoa sábia e depositária do saber. Ali, não existe a excrescência denominada ?asilo de velhos? ou ?casa de repouso?.O idoso fica com a família até o último suspiro. Na Enciclopédia Judaica está escrito que a época de maior esplendor do judaísmo aconteceu sob os governantes árabes muçulmanos . Quem é intolerante? Os talibãs (estudantes), que chegaram ao poder no Afeganistão com o apoio dos Estados Unidos, foram mais tarde acusados de terroristas não por causa do atentado de 11 de setembro, já que os supostos autores do atentado em sua maioria eram da Arábia Saudita. E aqui abro um parêntese para reafirmar pela enésima vez que considero uma afronta à inteligência sugerir que tenham sido muçulmanos os autores do atentado de 11 de setembro. E alguém se importa? Mas, voltando aos talibãs, a mídia ocidental passou a considerá-los inimigos a partir do momento em que eles se recusaram a liberar o plantio e a produção de ópio. Hoje, graças à democracia americana, o Afeganistão tornou-se o maior produtor de ópio do mundo. Aliás, para aqueles que não consideram um insulto exercer o raciocínio, basta ver o que acontece na vizinha Colômbia que, ocupada pelas forças armadas dos Estados Unidos, não cessa de aumentar sua produção de cocaína. Os soldados americanos não combatem pelas armas, mas pelo crime. Droga, indústria bélica, especulação financeira e mídia pilantra são os Quatros Cavaleiros do Apocalipse que, irmanados, governam a humanidade hoje. Até quando? http://blogdobourdoukan.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/ba45366f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 43653 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111206/ba45366f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 7 20:28:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 7 Dec 2011 20:28:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de___DJALMA_CARVALHO_MARANH=C3O=2E______?= =?iso-8859-1?q?_________________________________-CCCXVII-?= Message-ID: <1580FDC29491418E8A3177BD17B8427B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Djalma Carvalho Maranhão Conheça mais sobre Djalma Maranhao Djalma Carvalho Maranhão Livro "Dos Filhos deste Solo" DADOS PESSOAIS Nasceu no dia 27 de novembro de 1915 em Natal, Rio Grande do Norte, filho de Luiz Ignácio de Albuquerque Maranhão e Maria Salmé Carvalho Maranhão, casado com Dária de Souza Maranhão, com quem teve um filho: Marcos Maranhão. ATIVIDADES Sua militância política tem início na década de 30, quando se filia ao Partido Comunista do Brasil (PCB), desenvolvendo ação política no sul do país. Retornando a Natal em pleno Estado Novo, fundou um jornal e um clube de futebol. Com a redemocratização em 1945, Djalma Maranhão diverge da direção regional do partido, acabando por ser expulso de seus quadros, passando a fazer parte do Partido Social Progressista (PSP). Em 1954 é eleito deputado estadual, desempenhando o mandato até 1956 , quando é nomeado pelo governador Dinarte Mariz, prefeito da cidade de Natal. Em 1958 renuncia à Prefeitura e candidata-se a deputado federal, pela legenda da União Democrática Nacional (UDN), logrando conquistar a primeira suplência. De 21 de julho a 03 de novembro de 1960, assumiu a cadeira de deputado federal. Em 1960, em campanha memorável, foi eleito prefeito de Natal pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), assumindo a Prefeitura em 1961. Sua administração representou uma grande revolução no setor educacional, com ênfase na alfabetização de milhares de natalenses, através da campanha De pé no chão também se aprende a ler, inspirada no método Paulo Freire. A passagem de Djalma pela Prefeitura foi assinalada por inúmeras obras: Palácio dos Esportes, Estação Rodoviária, Galeria de Arte, Concha Acústica , etc. Apoiou e estimulou todas as manifestações culturais da cidade de Natal, promovendo eventos e envolvendo a população em diversas práticas artísticas. Com o golpe militar de 1964, foi deposto, preso e teve seu mandato cassado. Levado para Recife, foi posteriormente transferido para a ilha de Fernando de Noronha, onde ficou confinado até o fim de 1964. Logo em seguida, Djalma segue para o exílio no Uruguai. Nesse interím foi julgado e condenado à revelia a 18 anos de prisão. CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE Em 30 de julho de 1971, vítima de uma parada cardíaca, falece em Montevidéu. Segundo seus amigos, Djalma Maranhão morreu de saudade do Brasil e particularmente de sua cidade Natal. Seu corpo foi sepultado no Cemitério do Alecrim =============================================================================================================== + Informações. F a s c í c u l o 1 3 - C r i s e d e 6 4 e P o s t e r i o r P a z O Golpe de 1964 O Jogo Claro de Djalma Maranhão Djalma Maranhão nasceu em Natal, no dia 27 de novembro de 1915. Filho de Luís Inácio de Albuquerque Maranhão e de dona Salomé de Carvalho Maranhão, teve os seguintes filhos: Lamarck (falecido), Marcos e Ana Maria. Djalma Maranhão foi um homem simples, inteligente e que sabia exatamente o que queria da vida. Não transigia nas suas idéias. Amaca os mais humildes e lutava para atender às reivindicações das classes menos favorecidas. Nacionalista, denunciava, gritava, protestava. Expressava sua ideologia de maneira clara e inequívoca, acreditando na vitória do socialismo, convicto de que "somente a dialética marxista-leninista libertará as massas da opressão e da fome através da socialização dos meios de produção e da entrega da terra aos camponeses". Como não se acomodava às intrigas políticas, nem concordava ou se adaptava a qualquer tipo de corrupção, foi expulso de alguns partidos. Militante comunista, quando era cabo do exército participou da Intentona Comunista de 35, sendo preso. É o próprio Djalma Maranhão que diz: "Andei pelos presídios políticos e pelos campos de concentração, martirizado pelos esbirros de Felinto Müller e de Getúlio Vargas". Em 1946, foi expulso do partido comunista, porque denunciou os diretores do partido como desonestos. Foi eliminado, quando se encontrava ausente de plenário, sem que pudesse se defender. A acusação feita por Djalma Maranhão foi escrita. Era de fato um homem temperamental. Às vezes, contudo, sabia se conter. Exemplo: durante a campanha de 1960 para prefeito de Natal, Djalma Maranhão entrou irado na sala de redação da "Folha da Tarde" com um exemplar na mão. Perguntou, então, quem tinha escrito a manchete de seu jornal, que dizia o seguinte: "Lott - Jango - Walfredo - Maranhão - Gonzaga. Vote do primeiro do sexto". Ao saber que o autor da manchete foi Moacyr de Góes, de conteve e disse: "A manchete está certa. É assim mesmo. Não vamos ficar em cima do muro. Jogo claro. Honrar as alianças". Mantinha cordiais relações com a Igreja. Certo dia, uma funcionária criticou as pessoas que trabalhavam para a Arquidiocese. Djalma Maranhão sorriu e disse: "Deixe o padre fazer o trabalho dele. E nós faremos o nosso". Na campanha "De Pé no Chão Também se Aprende a Ler" trabalhavam cristãos (católicos e protestantes), espíritas e marxistas. Por essa razão, o professor Moacyr de Góes chamou o movimento de uma "frente". Profundamente humano. Intransigente contra a falsidade e a desonestidade, admitia o erro, desde que fosse cometido por alguém que desejasse acertar. Para ele, governar era realizar. Nas suas administrações como prefeito de Natal, procurou deixar uma marca de dinamismo. Nas eleições de 31/10/1954, foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Progressista, obtendo ótima votação em Natal. Como legislador, teve um grande desempenho, sendo inclusive autor do projeto que deu autonomia ao município de Natal. Em 1955, Djalma Maranhão apoiou Dinarte Mariz para governador, na coligação PSP-UND. Mariz derrotou Jocelyn Vilar, do PSD. Como conseqüência do acordo dessas eleições, Djalma Maranhão foi designado prefeito da Cidade do Natal, cuja posse ocorreu no dia 1/2/1956. De acordo com Moacyr de Góes, "nessa primeira administração de Djalma Maranhão, a Prefeitura vai implantar o programa municipal de ensino, através das escolinhas de alfabetização e do Ginásio Municipal de Natal". No ano de 1959, Djalma Maranhão rompeu com Dinarte Mariz. Suplente, assumiu o cargo de deputado federal, onde se destacou como membro atuante da Frente Parlamentar Nacionalista. Em 1960, se candidatou a prefeito, participando da coligação "Cruzada da Esperança", juntamente com Aluízio Alves, candidato ao governo do Estado. Vitorioso, no dia 5/11/60 Djalma Maranhão assumiu novamente a Prefeitura de Natal, sendo dessa vez através do voto. Foi, portanto, o primeiro prefeito natalense eleito diretamente pelo povo, obtendo 66% dos voto. Em sua segunda administração, Djalma Maranhão demonstrou toda a sua capacidade de trabalho e de liderança política. Aos poucos conquistou a confiança e o respeito da classe média, aumentando seu prestígio junto das classes populares. Djalma Maranhão não foi apenas um político. Atuou, igualmente, como jornalista. Segundo Leonardo Arruda Câmara, "a imprensa foi a grande vocação. Revisor, repórter esportivo, repórter político, redator, secretário de redação, editorialista, diretor e proprietário de jornais, percorreu na carreira de jornalista todos os postos e funções. Fundou o "Monitor Comercial", o "Diário de Natal" e a "Folha da Tarde". "Foi diretor e proprietário do "Jornal de Natal". Como escritor, publicou "O Brasil e a Luta Anti-Imperialista", pelo Departamento de Imprensa Nacional, edição da Frente Parlamentar Nacionalista, no Rio de Janeiro, em 1960, e "Cascudo", Mestre do Folclore Brasileiro", lançado em 1963. Tem também uma obra póstuma: "Carta de um Exilado". Com o golpe militar de 1964, Djalma Maranhão foi preso. Libertado, posteriormente, através de um "habeas corpus", concedido pelo Supremo Tribunal Federal, conseguiu se asilar na Embaixada do Uruguai, indo morar naquele país, onde veio a faleceu, no dia 30 de julho de 1971. No último livro produzido pelo antropólogo Darcy Ribeiro, "O povo Brasileiro - A formação e o sentido do Brasil", publicado em 1997, o escrito refere-se à morte e ao apego de Djalma Maranhão ao Brasil, sem contudo citar seu nome. "Pude sentir, no exílio, como é difícil para um brasileiro viver fora do Brasil. Nosso país tem tanta seiva de singularidade que torna extremamente difícil aceitar e desfrutar do convívio com outros povos. O prefeito de Natal morreu em Montevidéu de pura tristeza. Nunca quis aprender espanhol, nem o suficiente para comprar uma caixa de fósforo", relata Darcy Ribeiro. Segundo Leonardo Arruda Câmara, Djalma Maranhão "foi sepultado em Natal no Cemitério do Alecrim, graças à interferência do senador Dinarte Mariz, acompanhado de grande multidão no maior enterro já realizado em nossa capital que atestou o quanto ele era amado e querido por sua gente". ================================================================================================================ + Informações. Artigo: 38 anos sem Djalma Maranhão Por Alexandre de Albuquerque Maranhão Ele foi o mais progressista dos prefeitos de Natal. Possuía um amor indescritível por essa cidade. O antigo grande ponto (centro da cidade), era a sede do seu reino. Ali, ele brincava o carnaval, as festas juninas, dançava o bumba-meu-boi, pastoril e fandango. Nessa época, a periferia recebia orquestras e grupos folclóricos. A população revivia as lapinhas, cheganças, ararunas e serestas. Esse gosto e apreço pelas coisas do povo, Djalma Maranhão adquiriu logo cedo. Seu batismo nas lutas sociais foi aos 15 anos de idade, quando participou da Revolução Liberal de 1930. Estava filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual desligou-se em 1946, após desentendimentos com dirigentes da sigla. Sua rebeldia política estende-se ao ano de 1932, quando segue para São Paulo como voluntário para participar da Revolução Constitucionalista. Em 1935, ainda em São Paulo, envolveu-se com a Insurreição Comunista, quando é preso, juntamente com outros companheiros do partido. Em 1937 volta para Natal e trabalha no comércio e ao mesmo tempo é nomeado redator do jornal A República, pelo senador Eloy de Souza. Em 1939 ajuda a fundar o Diário de Natal, jornal que defendia a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial para derrotar o nazi-fascismo. Após dezesseis anos de militância política no PCB, Djalma Maranhão é convidado pelo então deputado federal Café Filho, considerado de centro-esquerda e nacionalista, para ingressar no Partido Social Progressista (PSP). Ao assumir a Presidência da República, Café Filho distancia-se de seu passado de lutas em favor do povo e alia-se à classe dominante da época. Rebelde, coerente, questionador e firme em suas decisões, Djalma Maranhão passa a lutar internamente dentro do PSP, para que este volte a ser um partido comprometido com as causas sociais. Com o Partido Social Progressista dividido, Djalma Maranhão retomou e liderou o "cafeismo dos pobres". Nas eleições de outubro de 1954, aos 38 anos de idade, elegeu-se deputado estadual, na coligação Aliança Social Progressista, formada pelo PSP e o Partido Social Trabalhista (PST). Era o começo da brilhante e curta carreira política de um dos maiores homens públicos do Brasil. Em suas atividades parlamentares foi uma voz firme e um grande defensor do tungstênio, da pesca artesanal, da cultura do algodão e de idéias genuinamente nacionalistas, como a defesa do petróleo brasileiro e de outras riquezas espalhadas pelo nosso país. Nas eleições para governador, em 1955, as esquerdas não se unificaram. Djalma Maranhão permaneceu em sua trincheira política em organizar e fortalecer o PSP. Ocorre então, a aliança partidária entre a União Democrática Nacional (UDN) de Dinarte Mariz com o PSP. Isso fez com que Djalma Maranhão fosse nomeado prefeito de Natal (1956-1959), deixando marcas significativas de sua administração: credibilidade, competência e reconhecimento da população. Honrar e ser fiel aos compromissos políticos assumidos, jamais trair a confiança do povo que o elegeu foram características marcantes da vida de Djalma Maranhão. No episódio que ocorreu contra Juscelino Kubitschek, para este não assumir a presidência da República, quando fora eleito em outubro de 1955, Djalma Maranhão defendeu a legalidade, a posse do candidato eleito nas urnas, contrariando frontalmente a vontade de Café Filho, um dos mais fervorosos opositores de Juscelino. A amizade de Djalma Maranhão com Café Filho fragilizou-se completamente. Concorreu às eleições de outubro de 1958, obtendo a primeira suplência de deputado federal, pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Exerceu o mandato de 27 de maio de 1959 a novembro de 1960. Mas a campanha política que o consagrou como verdadeiro líder político da esquerda nacionalista potiguar, foi a de outubro de 1960, quando elegeu-se prefeito da cidade do Natal com 21.942 votos, contra 11.298 de Luiz de Barros (UDN). A inversão de prioridades começou a ser posta em prática, colocando em primeiro lugar o interesse social. O audacioso plano de obras implantado em Natal por Djalma Maranhão foi interrompido em 2 de abril de 1964, quando ele foi preso por tropas do Exército. Em novembro do mesmo ano é libertado através de Habeas Corpus, conseguindo asilo político no Uruguai, onde veio a falecer na cidade de Montevidéu, em 30 de julho de 1971. Clique aqui e leia mais sobre Djalma Maranhão Alexandre de Albuquerque Maranhão é historiador e dirigente sindical. ======================================================================================================== Outras Informações. (vídeo) 40 ANOS DA MORTE DO PREFEITO DJALMA MARANHÃO ... ? 4:52? 4:52 www.youtube.com/watch?v=E1mbIF4DKoc1 ago. 2011 - 5 min - Vídeo enviado por RilderMedeiros Reportagem veiculada no Bom Dia RN, da Intertv Cabugi, em 01/08/2011, numa homenagem dos 40 ... ================================================================================================= + Outras Informações. ================================================================================================== + Detalhes. Djalma Maranhão Apresentação Moacyr de Góes Prefeito Djalma Maranhão, 40 anos de saudades (2011 - 2014) Roberto Monte 40 anos sem Djalma Maranhão Alexandre de Albuquerque Maranhão, Historiador Com o pé no chão e a cabeça no futuro Há 40 anos morria Djalma Maranhão que revolucionou a Educação Pública implantando o programa "De Pé no Chão, Também se Aprende a Ler" Tribuna do Norte, 30/07/11 Projeto Memória Virtual Djalma Maranhão Palavras ao Povo Rio de Janeiro, Novembro de 1964 (Publicado pelo Correio da Manhã) Mensagem ao Povo Brasileiro Djalma Maranhão Montevideo, julho de 1965 Evocação de Natal Poema incompleto, escrito no exílio Cartas do Exilio a Esposa Montevidéu/Uruguai - Jan 1965 Cartas do Exílio ao Filho Montevidéu/Uruguai - Ago 1968 Poema a Djalma Maranhão Palmira Wanderley A Djalma Maranhão - (Carta Aberta para o Alem) Poema de Expedito Silveira Texto Extraído do Livro de Pêsames Montevidéu/Uruguai - 1971 Dez lembranças de Djalma Maranhão Moacyr de Góes HP Djalma Maranhão Djalma Maranhão Áudios Djalma Maranhão Vídeos Djalma Maranhão Projeto Memória Virtual DHnet Uma moldura histórica para Djalma Maranhão Moacyr de Góes PDF 0,34 MB Memórias de 1964 Djalma Maranhão PDF 0,40 MB Documento do Superior Tribunal Militar STM Termo de Declarações que presta o Indiciado Djalma Maranhão PDF 0,58 MB ============================================================================================================================== + Detalhes . Livros sobre Djalma Maranhão Dois livros de Djalma Maranhão no Exílio Moacyr de Góes, 1999 ======================================================================================= + Detalhes. Um Encontro com Djalma Maranhão ampliar Dispondo apenas da informação, colhida a partir de uma reportagem sobre exilados políticos, de que Djalma Maranhão estaria residindo nas proximidades do centro de Montevidéu, o então jornalista e deputado estadual Geraldo Queiroz, regressando de uma viagem ao Equador, resolveu testar seus conhecimentos sobre investigação jornalística. Era o ano de 1968, as comunicações eram deficientes e o Brasil vivia o auge da ditadura militar, essa foi uma verdadeira missão na capital do Uruguai que o ex-reitor da UFRN revela agora com fotos e fatos inéditos, em depoimento publicado na primeira pessoa. A missão seria encontrar o ex-prefeito de Natal, e juntos tentarem achar a resposta para o grande enigma: "Até quando?" A saudade de cada cidadão natalense, uma cidade apaixonada pelo seu prefeito que lhe ensinara que "De pé no chão também se aprende a ler", mostrando o sentido da cooperação, a força da solidariedade e o poder das manifestações populares, impulsionara-lhe a isso. Geraldo Queiroz contou com a sorte, pois encontrou no meio do caminho um Cangaceiro. Lá, ele encontrou o seu direcionamento. Os detalhes dessa viagem e o reencontro com ex-prefeito, que "ornamentava" o seu pequeno apartamento do exílio em Montevidéu com jornais de Natal, você vai conhecer agora. *** Outubro de 1968. Fazia dois meses que estava em Quito, participando de um curso de aperfeiçoamento no Centro Internacional de Estudos Superiores de Jornalismo para a América Latina (CIESPAL). O curso terminara no dia 11, era o momento da volta, mas não pretendia vir imediatamente ao Brasil. Ao contrário do que fizera na ida, viajando por Belém, desejava voltar pelo sul do país, passando pelo Chile, Argentina e Uruguai. Além de conhecer esses países, seria uma boa oportunidade para tentar descobrir, em Montevidéu, o ex-prefeito Djalma Maranhão. Não dispunha do seu endereço, mas tinha para me animar toda a disposição de vê-lo. Até Buenos Aires viajei em companhia de Nelly de Camargo, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, colega de curso no CIESPAL. Para Montevidéu fiz sozinho o roteiro, no qual incluíra um encontro com Djalma. Lembrava-me que antes de sair de Natal lera uma matéria sobre exilados políticos na revista REALIDADE, que se reportava ao ex-prefeito de Natal e informava ser nas proximidades do centro da cidade o local onde ele vivia na capital uruguaia. Era o único dado de que dispunha para começar minha pesquisa e descobri-lo naquela cidade. Seria uma boa oportunidade para aplicar estratégias e técnicas de investigação estudadas no curso realizado no Equador. Cheguei a Montevidéu no final da tarde. Do táxi que nos conduziu do aeroporto ao centro, ia vendo a cidade se descortinar através de avenidas, ruas e praças, admirando seu traçado urbanístico, seus tipos humanos. Nessa primeira visão, a cidade me parecia familiar. E mais familiar ainda me pareceu quando em uma de suas avenidas avistei o restaurante O Cangaceiro. Tive a imediata sensação de que ali poderia encontrar novos dados para a investigação que iria proceder. Fui ao hotel, guardei a bagagem e, como se aproximava da hora do jantar, tomei outro táxi e indiquei ao motorista o destino: O Cangaceiro. Minha previsão não falhara. Ao chegar, me deparo com a figura do ex-Ministro do Trabalho e Previdência Social do governo João Goulart, o amazonense - com raízes familiares no Rio Grande do Norte - Almino Afonso. Também no exílio, ele assumia a gerência daquele restaurante especializado em comida brasileira. Apresentei-me e após comunicar-lhe o motivo que havia me levado até ali, pedi que me informasse, se dispusesse, o endereço de Djalma Maranhão. Com toda gentileza, e num gesto solidário, ele ligou imediatamente, falou com Djalma e passou o telefone para que eu o cumprimentasse. Mantivemos uma rápida conversa e acertamos que no dia seguinte, pela manhã, eu iria à sua casa. Quando cheguei ao apartamento, Djalma já me esperava na porta. Conduziu-me à sala, onde uma pilha de revistas e jornais brasileiros ajudava a compor o ambiente de sua morada e de seu mundo no Uruguai. Naquela coleção desalinhada de periódicos - alguns atuais, outros não muito - vi todos os jornais de Natal. Exemplares e mais exemplares, talvez a grande maioria, naquele monte de notícias do Brasil. Só não estava lá o seu Folha da Tarde, atingido como ele pelo golpe militar de abril de 64, quando foi desativado. No seu refúgio, o acesso ao noticiário impresso (ou radiofônico) era a forma que ele encontrava de estar mais perto do Brasil, de reduzir a distância que o separava de Natal, da família e dos amigos. E de minimizar a saudade, tão presente, tão sofrida. Lá fora, os versos de uma música do compositor uruguaio Daniel Viglietti davam realce ao cenário, motivando uma reflexão sobre a América Latina e o futuro do nosso Brasil: "Que lejos está mi tierra y, sin embargo, que cerca." Até quando a distância? Até quando a separação? Até quando o impedimento de ir e vir? Apesar de não pronunciadas, eram indagações presentes a marcar toda a nossa conversa. Como vinha de Quito, as notícias que eu trazia do Brasil e sobre Natal talvez não tivessem a atualidade necessária aos seus questionamentos. Mesmo assim, ele demonstrava atenção a tudo. Perguntou sobre Roberto Furtado, seu Secretário de Finanças na Prefeitura de Natal, à época companheiro nosso na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, onde exercíamos o mandato de Deputado Estadual pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Roberto era nosso líder na bancada oposicionista, uma minúscula bancada que - diziam - cabia num fusquinha. Numa assembléia de 40 deputados, onde 37 pertenciam à ARENA, dividindo-se entre as cores verde e vermelha da política local, éramos ainda conhecidos naquele período legislativo - 1966 a 1970 - como os três mosqueteiros. Pedro Lucena Dias completava o trio. Perguntou por Carlos Lima, seu Assessor de Imprensa na prefeitura, nosso colega na então Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza, atingido também pelo golpe militar de 1964 e impedido, por isso, de concluir conosco na primeira turma formada pela faculdade em 1965. Penalizado com mais de dez meses de prisão, onde foi companheiro de Djalma mais uma vez, somente no ano seguinte pôde concluir o curso de jornalismo. Depois dos traumas que o golpe lhe provocara, Carlos começava em Natal uma inovadora experiência de trabalho no campo gráfico-editorial, que terminou dando-lhe reconhecimento anos depois, como editor de importantes trabalhos sobre a realidade e a cultura do Rio Grande do Norte. Sobre a sua experiência na Folha da Tarde, certa vez o vi afirmar: "foi ali que começou a minha amizade com Djalma Maranhão... Djalma era um jornalista de mão cheia; foi ele quem mais me ensinou sobre jornalismo". A conversa ia longe, já passava de meio-dia, quando Djalma sugeriu irmos à feira de Tristán Narvaja ali perto. Realizada aos domingos, ele sempre a visitava. Talvez a semelhança com a nossa feira do Alecrim fazia deste um dos seus programas favoritos. Em geral, as feiras exercem um grande fascínio sobre as pessoas. O número de transeuntes, as cores, os tipos exóticos, os pregões, a variedade de ofertas, a diversidade de opções, o convite ao diálogo, tudo faz da feira um espaço de possibilidades. Não apenas de compra e venda, de consumo; mas de compartilhamento, de encontro, de vida. Assim, Tristán Narvaja talvez significasse para Djalma a possibilidade de rememorar os tipos e as manifestações populares com os quais tanto se identificava. E romper a distância e a separação, como nos versos do poeta uruguaio: "Yo quiero romper mi mapa formar el mapa de todos mestizos, negros y blancos trazarlo codo con codo". Na prática, seu trabalho na Prefeitura de Natal, que tinha como alicerce a participação da população, caminhara nessa perspectiva, mostrando com os seus resultados a força da solidariedade e o poder da cooperação. Após o almoço, ainda caminhamos um pouco e nos despedimos. Uma pergunta ficava conosco, sem resposta. Até quando o exílio? Voltei ao hotel com duas encomendas enviadas por Djalma. Uma para Dona Dária, sua esposa, e um bilhete para Afonso Laurentino Ramos, então secretário da Associação Norte-rio-grandense de Imprensa, entregues logo que cheguei a Natal. Dois meses depois, no dia 13 de dezembro, o Presidente Costa e Silva decretava o Ato Institucional n°. 5, considerado o mais cruel dos atos estabelecidos pelo governo militar. Com ele e com as ações que o sucederam se escancarava o caráter ditatorial do regime. Com mais dificuldade de se prever e arriscar qualquer resposta, ficava no ar a pergunta. Até quando? ================================================================================================ Ficha. Djalma Carvalho Maranhão Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Djalma Carvalho Maranhão Cidade: (onde nasceu) Natal Estado: (onde nasceu) RN País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 27/11/1915 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro PCB Brasil Partido Social Progressista PSP Brasil Partido Trabalhista Nacional PTN Brasil União Democrática Nacional UDN Brasil Prisão: 0/0/1964 RN Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 30/7/1971 Montevidéu Uruguai Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos ======================================================================================================= -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111207/3cb9511a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 5096 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111207/3cb9511a/attachment-0005.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 8154 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111207/3cb9511a/attachment-0001.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8079 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111207/3cb9511a/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 7 20:28:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 7 Dec 2011 20:28:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ato_em_homenagem_ao_centen=E1rio_?= =?iso-8859-1?q?de_nascimento_do_jornalista_Edmundo_Moniz=2C_com_la?= =?iso-8859-1?q?n=E7amento_do_livro_Eternas_Lutas_de_Edmundo_Moniz_?= =?iso-8859-1?q?do_jornalista_S=E9rgio_Caldieri?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem MODECON CONVIDA Dia 12 de dezembro de 2011 das 17:30 às 18:30: Rua Arújo Porto Alegre, 71 - 10º andar Centro - Rio de Janeiro - RJ Ato em homenagem ao centenário de nascimento do jornalista Edmundo Moniz, com lançamento do livro Eternas Lutas de Edmundo Moniz, do jornalista Sérgio Caldieri, e palavras do presidente da ABI, jornalista Maurício Azedo. Dia 12 de dezembro de 2011 das 18:30 às 20:00: Confraternização do MODECON. Lincoln de Abreu Penna Presidente Quem foi Edmundo Moniz Edmundo Ferrão Moniz de Aragão nasceu em 2 de novembro de 1911, em Salvador, Bahia. Seu pai foi o ex-governador da Bahia (1915-1920) e senador federal Antônio Ferrão Moniz de Aragão. Membro do IHGB, Edmundo Moniz foi professor de história e de filosofia, jornalista, historiador, poeta, teatrólogo e ensaísta. Durante os governos dos presidentes Juscelino Kubitschek (1956-1961) e João Goulart (1961-1964) exerceu o cargo de diretor do Serviço Nacional de Teatro e criou o Teatro Nacional de Comédias. Também foi diretor do Correio da Manhã e, adversário da ditadura militar, teve de exilar-se e viveu na Argentina, México, Argélia, França e Uruguai, até 1978, quando pôde regressar ao Brasil. No segundo governo de Leonel Brizola (1991-1994) exerceu o cargo de Secretário da Cultura do Estado do Rio de Janeiro. O atual Centro de Documentação da Fundação Nacional de Artes (Funarte) tem o nome de Edmundo Moniz. Foi composto pelos acervos das bibliotecas de três fundações de caráter nacional extintas em 1990: a Fundação Nacional de Arte/Funarte, a Fundação Nacional de Artes Cênicas/Fundacen e a Fundação do Cinema Brasileiro/FCB. Reune mais de 1 milhão de itens sobre Artes Plásticas e Gráficas, Música, Fotografia, Teatro, Dança, Ópera, Circo, Cinema e Vídeo. A Biblioteca fica no Rio de Janeiro, na rua São José, 50 / 2º andar - Centro, Rio de Janeiro. Obras de Edmundo Moniz As Mulheres Proibidas - o Incesto em Eça de Queiroz, José Olympio, 1993. · A Originalidade das Revoluções, Espaço e Tempo, 1987. · O Golpe de Abril. Civilização Brasileira, 1965. · O Espírito das Épocas. Dialética da Ficção, Elo, 1994 (1950). · Canudos A Luta Pela Terra. Ed. Gaia / Global, 2001. · A Guerra Social de Canudos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. Rio de Janeiro: Elo, 1987. · D.João e o Surrealismo. Mec, 1960. · Teatro. Branca de Neve. A Vila de Prata. Egléia. Livraria São José, 1960. · Francisco Alves de Oliveira (Livreiro e Autor). RJ:Academia Brasileira de Letras, 2009. · A Lei de Seguranca Nacional e a Justica Militar. Editora: Codecri, 1984. · Trotski, Leon. Da Noruega ao México: Memórias. Rio de Janeiro: Epasa, [s.d.]. 486 p. (Tradução de Edmundo Moniz). · Bertolt Brecht Antologia Poética / o Processo de Lucullus. Elo,1982 (trecho em Bertolt Brecht - Uma Breve Biografia (1898- 1956) (Tradução de Edmundo Moniz). · Poemas da Liberdade uma Antologia Poética de Dante a Brecht. Civilização Brasileira, 1967 Surrealismo e política - Facioli, Valentin, (Org). Breton- Trotsky: Por uma arte revolucionária. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111207/cfcd7d6a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 8 20:28:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 8 Dec 2011 20:28:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__LUIZ_AFFONSO_MIRANDA_DA_COSTA_RODRIGUE?= =?iso-8859-1?q?S____________________________-CCCXVIII-?= Message-ID: <339A05F89675415AAEE0F8656C1AE81D@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem LUIZ AFFONSO MIRANDA DA COSTA RODRIGUES Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Morto, acidentalmente, em 25 de janeiro de 1970, aos 19 anos, no Rio de Janeiro, quando a arma de um de seus companheiros disparou, atingindo-o mortalmente. Seu atestado de óbito de n° 119.761 teve como declarante Durval Muniz Machado e informa que foi retirado do IML, em 29 dejaneiro, tendo sido enterrado pela família no Cemitério São João Batista (RJ). ======================================================================================= FICHA Luiz Affonso Miranda da Costa Rodrigues Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz Affonso Miranda da Costa Rodrigues Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 25/1/1970 Rio de Janeiro RJ Brasil Morto acidentalmente quando a arma de um de seus companheiros disparou. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111208/5804ddf9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4845 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111208/5804ddf9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 8 20:28:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 8 Dec 2011 20:28:51 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_S=C1BADO_RESISTENTE_-_10_DE_DEZ?= =?windows-1252?q?EMBRO_-_A_QUEST=C3O_DOS_DESAPARECIDOS_POL=CDTICOS?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem A QUESTÃO DOS DESAPARECIDOS POLÍTICOS NOSSA CONTRIBUIÇÃO PARA A COMISSÃO DA VERDADE SÁBADO RESISTENTE 10 de dezembro, das 14h às 17h30 A aprovação da Lei mostra que a vontade política é fundamental para a revelação da verdade histórica e elucidação de nosso passado recente. O Sábado Resistente dá sua contribuição à Comissão da Verdade no dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos, apresentando os relatórios de buscas aos desaparecidos e os resultados obtidos. Com essa iniciativa será possível constatar o que já foi feito e muito do que ainda pode ser feito na revelação dos crimes cometidos pela ditadura que infelicitou o país durante 21 anos. Programação 14h00 Boas Vindas de Kátia Felipini (Coordenadora do Memorial da Resistência) Apresentação e coordenação: Alipio Freire (Núcleo de Preservação da Memória Política) 14h15 Dra. Eugênia Gonzaga (Procuradora Federal do Ministério Público Federal) Relatório sobre as buscas em cemitérios de São Paulo e a localização de mais uma vala clandestina 14h45 Diva Santana (Familiar de desaparecidos no Araguaia) - Giles Gomes (Coordenador ? Geral da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos)< br /> Relatório das buscas na região do Araguaia Informe sobre a reestruturação da Comissão 15h15 Ivan Seixas (Familiar de desaparecido político) Relatório das buscas realizadas em Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro e Nordeste e a localização de desaparecidos políticos 15h45 Dr Marco Antonio Barbosa (Presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos) Síntese das ações que poderão contribuir com a Comissão da Verdade e mobilização em torno delas 16h:15 Debate 17h00 Distribuição do livro ?Habeas Corpos: que se apresente o corpo?(Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 2010). Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 ? Luz Auditório Vitae ? 5o andar Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. Anexo(s) de Alipio Freire 1 de 1 arquivo(s) message-footer.txt __._,_.___ Suas configurações de e-mail: E-mail individual |Tradicional Alterar configurações via web (Requer Yahoo! ID) Alterar configurações via e-mail: Alterar recebimento para lista diária de mensagens | Alterar para completo Visite seu grupo | Termos de Uso do Yahoo! Grupos | Descadastrado __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111208/53be3119/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 9 19:08:56 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 9 Dec 2011 19:08:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__SEBASTI=C3O_GOMES_DA_SILVA__________?= =?iso-8859-1?q?________________________-CCCXIX-?= Message-ID: <3A9B155304C0420295B7A565AE4E47A4@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem SEBASTIÃO GOMES DOS SANTOS (SEBASTIÃO GOMES DA SILVA) (? - 1969) Nome: Sebastião Gomes dos Santos (Sebastião Gomes da Silva) Filiação: Leopoldina Gomes dos Santos e Pedro Gomes dos Santos Data e local de nascimento: Rio Grande do Norte Organização política ou atividade: Colina Data e local da morte: 30/05/1969, Cachoeiras do Macacu (RJ) Segundo o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, em 2 de junho de 1969, junto com o corpo de Severino Viana Colou, deu entrada no IML/RJ o corpo de Sebastião Gomes da Silva. Ainda segundo o Dossiê ele fora fuzilado em Cachoeiras de Macacu (RJ), no projeto de colonização do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, quando resistiu à prisão. Os dois processo encaminhados à CEMDP foram protocolados em nome de Sebastião Gomes dos Santos. Nenhum dos documentos anexados provou que eles fossem a mesma pessoa. Também não foi anexada nenhuma documentação comprobatória da sua morte, nem atestado de óbito. Com base nos autos dos processo, a Comissão Especial indeferiu o pedido por unanimidade. =============================================================================================== + Informações. SEBASTIÃO GOMES DA SILVA Lavrador. Fuzilado em Cachoeiro de Macacú (ES), no projeto de colonização do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, quando resistiu à prisão, em junho de 1969. Seucorpo entrou no IML/RJ, em 02 de junho de 1969, vindo do HCE, para onde foi levado junto com o de Severino Viana Colon. ========================================================================== FICHA Sebastião Gomes da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Sebastião Gomes da Silva Atividade: Lavrador Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 0/6/1969 Cachoeiro do Macacu RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111209/53d1df54/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3637 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111209/53d1df54/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 9 19:09:05 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 9 Dec 2011 19:09:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Vejam_repercuss=F5es_do_livro_de?= =?windows-1252?q?_Amaury_Ribeiro_Jr=2E___sobre_as_privatiza=E7=F5e?= =?windows-1252?q?s_nos_tempos_do_governo_FHC=2C_nos_dois_principas?= =?windows-1252?q?i_Blgos_de_jornalistas_do_pa=EDs=2E=2E=2E9_dez_11?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Amaury Ribeiro Jr. explica: ?os tentáculos da privatização levam a José Serra? publicada sexta-feira, 09/12/2011 às 11:39 e atualizada sexta-feira, 09/12/2011 às 12:18 Amaury: "está tudo documentado" por Rodrigo Vianna Amaury Ribeiro Jr. estava agitado na noite de quarta-feira. Não era pra menos: depois de mais de um ano de trabalho (só pra redigir, porque a apuração começara muito antes), o livro sobra a ?Privataria Tucana? finalmente saíra da gráfica. Havia marcado de conversar com ele à tarde. Mas Amaury teve que correr até a editora, para alguns acertos finais e pequenas correções. Quando entrei na pequena sala onde ele trabalha, por volta das seis da tarde, Amaury tinha já vários livros sobre a mesa. A cada pergunta que eu fazia, ele corria direto para a página onde estava o documento que poderia embasar sua resposta. ?O livro está muito bem documentado?, o jornalista não cansa de dizer. E o Serra? ?Os tentáculos da privatização levam ao José Serra?, afirma o jornalista. A seguir, uma entrevista exclusiva de Amaury Ribeiro Jr. ao Escrevinhador? ? - Por que Ricardo Sergio (ex-caixa de FHC e Serra) é tão importante nessa história? Por 3 motivos. Primeiro, na condição de diretor internacional do Banco do Brasil, ele assinou uma portaria que permitia a bancos brasileiros possuir contas em bancos correlatos no Paraguai, e vice versa. Essa medida tinha como pretexto facilitar a movimentação de dinheiro dos brasileiros que possuem comércio no Paraguai. No entanto, se transformou no maior duto para lavagem de dinheiro. Em vez do dinheiro vir para o Brasil, os doleiros passarama a usar esse mecanismo pra mandar toda a grana para uma agência do Banestado em Nova York. Pode-se dizer que Ricardo Sérgio atuou nessa ponta da lavanderia do Banestado. Segundo ponto, Ricardo Sergio foi o grande artesão dos consórcios das empresas de telecomunicações durante as privatizações, no governo FHC. Ele conseguia manipular a formação dos grupos porque controlava o Previ (milionário Fundo de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil), e decidia a forma como o Previ participaria dos consórcios. Ele conseguia isso porque o presidente do Fundo era um aliado dele ? João Bosco Madeiro da Costa. Por fim, Ricardo Sérgio criou a metodologia de usar as ?offshores? nas Ilhas Virgen Britânicas, principalmente no Citco. Essas ?offshores? eram usadas pra internar [trazer de volta ao Brasil] dinheiro que saiu ilegalmente do país, por meio de uma rede de doleiros. - Ricardo Sergio foi indicado para o Banco do Brasil por quem? Clovis Carvalho, homem muito próximo de FHC (foi ministro da Casa Civil) e Serra. - O livro mostra uma rede de pessoas muito próximas a Serra e que teriam ligação com o esquema das ?offshores?. Quem faz parte dessa rede? A filha de Serra, Verônica. O genro dele, Alexandre Bourgeois. O primo de Serra, Gregorio Marin Preciado. Além de Madeiro da Costa. - Qual a relação do banqueiro Daniel Dantas com Serra? Os documentos mostram que a empresa Decidir, aberta na Flórida,era uma sociedade entre a irmã do banqueiro e a filha de Serra ? as duas Verônicas. A empresa foi aberta com recursos das próprias empresas de Dantas. Depois, a Decidir foi transferida para as Ilhas Virgens Britânicas, no mesmo escritório da Citco onde Ricardo Sérgio opera com várias ?offshores?, desde a década de 80. A exemplo das empresas de Ricardo Sergio, as offshores de Verônica e Alexandre Bourgeois eram usadas pra internar dinheiro em empresas deles no Brasil. - Isso está provado por documentos? Sim. Tudo está documentado, papéis obtidos de forma lícita em cartórios , na Junta Comercial, nos arquivos da Justiça brasileira e no governo da Florida, além de papéis obtidos nas Ilhas Virgens. - No governo tucano, Serra era tido como um ?desenvolvimentista?, em oposição aos ?liberais? que queriam privatizar tudo. Sua investigação mostra que Serra foi mesmo um personagem secundário nas privatizações? Não, ao contrário. Todos os personagens importantes na privatização eram muito proximos a Serra, a começar pelo Ricardo Sérgio, que foi caixa de campanha do Serra antes de ir para o Banco do Brasil. Isso mostra que Serra era um personagem central no processo, não era figura secundária, aliás ele fez questão de bater o martelo pessoalmente em mais de um leilão . Se fizermos um gráfico com as pessoas citadas no livro, vemos que os tentáculos da privatização levam ao José Serra. O nome dele aparece em poucos documentos, mas nos papéis surge gente muito próxima ao Serra ? a filha, o genro, o Ricardo Sérgio? - Ano passado você virou pivô de um escândalo durante a campanha. Não tem medo de retaliações agora? Fui colocado no foco das eleições, com dois objetivos: evitar que os papéis desse livro fossem divulgados e afetar a candidatura da atual presidenta Dilma. Mas o livro está aí para provar que nenhum desses papéis é fruto da suposta quebra de sigilo de que fui acusado no ano passado. Quanto a retaliações, estou preparado pra tudo, e aviso: tudo que relato no livro está muito bem documentado http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/12/09/como-o-livro-do-amaury-leva-o-fhc-para-a-cadeia/ Como o livro do Amaury leva o FHC para a cadei Como diz o Amaury Ribeiro Junior, no ?Epílogo? de ?A Privataria Tucana?: No México, o presidente Carlos Salinas de Gortari, santo padroeiro das privatizações (ele entregou o México ao Slim) fugiu para Nova York num jatinho. O presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez Lozada, que entregou até a água do país, fugiu para Miami aos gritos de ? assassino !?. Fujimori, o campeão das privatizações peruanas, admitiu pagar propinas ou ?briberization? ? expressão do Joseph Stiglitz, que o Amaury gosta de usar ? no valor de US$ 15 milhões. Na Argentina, ninguém, mais fala ?Menem?. Quando é para se referir ao herói da privatização argentina, ?el saqueo?, o presidente Carlos Menem, se diz ?Mendéz?, para não dar azar. Menem fugiu para o Chile atrás de uma starlet e voltou para a Argentina munido de um mandato de Senador, para não ir em cana. Aqui, levam o Fernando Henrique a sério. Cerra, Ministro do Planejamento, e o Farol de Alexandria presidiram à maior roubalheira das privatizações latino-americanas. Não há o que se compare ! O Daniel Dantas lavou e deslavou dinheiro. O Carlos Jereissati e Sergio Andrade compraram a Telemar com ajuda de uma ?briberization? ao Ricardo Sérgio. A Vale também teve ?briberization?, ofertada ao mesmo chefe da Tesouraria das campanhas de Cerra e Fernando Henrique. O Ricardo Sergio lavou, deslavou, cuidou da filha do Cerra e do genro do Cerra. O Farol de Alexandria entra no diálogo com o André Lara Rezende a tramar um lance da privatização. Entre o Ministério das Comunicações e o BNDES entrava consorcio por uma porta, saía outro pela outra, entrava a Previ por um lado, o dinheiro do Banco Brasil por outro, a Elena saía por uma porta, o Arida entrava pela outra ? tudo no limite da ?irresponsabilidade !?. ?Se der m ?? Com o Amaury, deu, amigo navegante ! Deu ?m?? Roubaram em todos os tempos e modos, diria o Vieira. Segundo o Aloysio Biondi, que analisou o papel das ?moedas podres? e dos empréstimos do Mendonção no BNDES, O BRASIL DO FHC E DO CERRA PAGOU, PAGOU PARA VENDER AS EMPRESAS ESTATAIS. O Amaury cita o Bresser Pereira: ?só um bobo dá a estrangeiros serviços públicos como as telefonias fixas e móveis?. ?Um bobo ou esperto?, ponderou o Amaury. Espertíssimo ! O Delfim costuma dizer que o Cerra e o FHC ?venderam o patrimônio e endividaram o país !?. Dois jenios ! E espertos ! (Para dizer pouco !, não é isso Rioli, Preciado ?) E o FHC com isso ? Nada ? Presidiu a roubalheira e não vai parar na Justiça ? Todo mundo roubava e ele ali, a ler Max Weber ? A roubalheira no primeiro andar e ele na cobertura a tomar vinho francês. O Fujimori na cadeia, o Sanchez Lozada em Miami, o Salinas escondido num bunker na cidade do México, o Mendéz refugiado no Senado, e o Farol de Alexandria no Roda Morta e a pregar a Moralidade ! Como é que é Zé (clique aqui para ler como os amigos do Dantas se referem ao Zé, com carinho e afeto) ? E o brindeiro Gurgel: vai encarar o FHC ? Ele não sabia de nada, brindeiro ? O pau comia solto lá embaixo e ele ouvia Wagner ! Viva o Brasil ! (Só o Visconti ?) Paulo Henrique Amorim -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111209/3450afc7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 10 16:22:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 10 Dec 2011 16:22:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___GERALDO_MAGELA_F=2E_T=2E_DA_COSTA___?= =?iso-8859-1?q?_________________________________-CCCXX-?= Message-ID: <622E79E626AB49F09FEE26337874681B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem GERALDO MAGELA F. T. DA COSTA DADOS PESSOAIS Nasceu em 1950 no município de Caicó, Rio Grande do Norte, filho de Luis Fernandes da Costa e Francisca Jandira Torres Fernandes da Costa. ATIVIDADES Gerardo era poeta e jornalista. Durante o período em que residiu em Itu/SP, participou do jornal BIDU, gazeta poética e política que mobilizava a juventude daquela cidade do interior paulista. Depois, passou a morar em Sorocaba, onde prestou exame vestibular na Universidade local, tendo alcançado a 5a série do curso de medicina. Como estudante universitário engajou-se no movimento estudantil, inclusive foi eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Sorocaba. Era amigo de Alexandre Vanucci Leme, estudante de Geologia na USP e assassinado pelo DOI-CODI do II Exército na mesma época de Gerardo. Era sobrinho, pelo lado materno, do ex-deputado e ex-prefeito de Caicó, Manoel Torres. CIRCUNSTÃNCIAS DA PRISÃO E MORTE Gerardo morreu em 28 de maio de 1973. Segundo a versão oficial divulgada pela repressão política, Gerardo teria se suicidado, atirando-se do Viaduto do Chá, centro de São Paulo. A causa da morte do militante político foi atribuída a traumatismo crânio-encefálico. O laudo foi assinado por Otávio D'Andréia, legista da ditadura militar, responsável por inúmeros laudos falsos de morte de prisioneiros políticos, a exemplo de Luís Eurico Tejera Lisboa, morto sob torturas em São Paulo. Paradoxalmente o laudo oficial não registra, no cadáver de Gerardo, nenhuma outra fratura ou mesmo escoriações, prováveis em alguém caído de uma altura razoável. O jornal francês, Le Monde, veiculou à época a morte de Gerardo, atribuindo-lhe motivação de natureza política. Gerardo teria sido enterrado no cemitério de Perus/São Paulo com o nome verdadeiro. SITUAÇÃO ATUAL Em 27 de outubro de 1977 foi exumado o corpo de Gerardo, para logo em seguida ser reinumado na sepultura 537, quadra 08, gleba 02 do cemitério de Perus. Gerardo Magela não consta da relação oficial de mortos e desaparecidos políticos do Brasil. Sua família nega-se a pronunciar-se a respeito dos acontecimentos que resultaram na prisão e morte de seu ente querido. Informacões indicam que a família teria selado um acordo com os órgãos de segurança para obter os restos mortais de Gerardo, em troca do silêncio absoluto sobre as circunstâncias reais do assassinato do jovem estudante. O Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), questiona que os restos mortais enterrados em Caicó pela família, sejam realmente de Gerardo. No contexto desse acordo feito com a repressão, não foram realizados os exames técnicos e científicos (DNA, por exemplo ) que comprovassem a verdadeira identidade dos despojos, restando, no limite, a dúvida e incerteza, que só será dissipada quando da exumação do suposto Gerardo Magela. ======================================================================================================= Outras Informações. sexta-feira, 9 de setembro de 2011 GERALDO MAGELA F.T. DA COSTA Nasceu em 1950 no município de Caicó, Rio Grande do Norte, filho de Luís Fernandes da Costa e Francisca Jandira Torres Fernandes da Costa. Gerardo era poeta e jornalista. Durante o período em que residiu em Itú/SP, participou do jornal BIDU, gazeta poética e política que mobilizava a juventude daquela cidade do interior paulista. Depois, passou a morar em Sorocaba, onde prestou exame vestibular na Universidade local, tendo alcançado o 5º ano do curso de medicina. Como estudante universitário engajou no movimento estudantil, inclusive foi eleito presidente do Diretório Central dos studantes da Universidade de Sorocaba. Era amigo de Alexandre Vanucci Leme, estudante de Geologia na USP e assassinado pelo DOI-CODI do II Exército na mesma época de Gerardo. Era sobrinho, pelo lado materno, do exdeputado e ex-prefeito de Caicó, Manoel Torres. Circunstâncias da Prisão e Morte Gerardo morreu em 28 de maio de 1973. Segundo a versão oficial divulgada pela repressão política, Gerardo teria se suicidado, atirando-se do 94 Viaduto do Chá, centro de São Paulo. A causa da morte do militante político foi atribuída a traumatismo crânio-encefálico. O laudo foi assinado por Otávio 'Andréia, legista da ditadura militar, responsável por inúmeros laudos falsos de morte de prisioneiros políticos, a exemplo de Luís Eurico Tejera Lisboa, morto sob tortura em São Paulo. Paradoxalmente o laudo oficial não registra, no cadáver de Gerardo, nenhuma outra fratura ou mesmo escoriações, prováveis em alguém caído de uma altura razoável. O jornal francês, Le Monde, veiculou à época a morte de Gerardo, atribuindo-lhe motivação de natureza política. Gerardo teria sido enterrado no cemitério de Perus/São Paulo com o nome verdadeiro FONTE: LIVRO O GOLPE MILITAR NO RIO GRANDE DO NORTE E OS NORTE-RIO-GRANDENSES MORTOS E DESAPARECIDOS: 1969/73, DE LUCIANO FABIO DANTAS CAPISTRANO ================================================================================================================= FICHA Geraldo Magela Torres Fernandes da Costa Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Geraldo Magela Torres Fernandes da Costa Cidade: (onde nasceu) Caicó Estado: (onde nasceu) RN País: (onde nasceu) Brasil Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 28/5/1973 São Paulo SP Brasil Viaduto do Chá Segundo requisição do exame de cadáver. Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Antônio Valentini, Octávio D'Andrea Biografia Documentos Artigo de jornal Diário Popular, São Paulo, 27 abr. 1991. "Família fez acordo em troca de corpo". "Entidade pedirá nova exumação". Informa que o corpo de Geraldo pode estar enterrado no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Seu irmão afirmou que na ocasião da morte, a família não fez a denúncia devido a um acordo com o Exército, que prometeu devolver o corpo num prazo de dois anos depois do ocorrido. O segundo artigo informa que as entidades de direitos humanos irão pedir a exumação dos despojos a fim de se verificar a identidade. Ficha pessoal Documento do IML/SP, de 29/05/73, com os dados do óbito. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 18/06/73, realizado por Octávio D'Andrea e por Antônio Valentini. Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo 1º Distrito Policial da Sé, em 28/05/73. Informa que Geraldo Magela morreu após se jogar do Viaduto do Chá, em São Paulo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111210/04a75a37/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4288 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111210/04a75a37/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 10 16:22:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 10 Dec 2011 16:22:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O fim programado da democracia Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: felipe miranda Octopus O fim programado da democracia Posted: 06 Dec 2011 06:37 AM PST . O poder já mudou de mãos. Os verdadeiros donos do mundo já não são os governos, mas sim os donos dos grupos das multinacionais financeiras e industriais, e das instituições internacionais opacas (FMI, Banco Mundial, OCDE, OMC, bancos centrais). No entanto, esses líderes não são eleitos, apesar do impacto das suas decisões sobre a vida das populações. O poder destas organizações é exercido com um dimensão global, enquanto que o poder dos estados está limitado a uma dimensão nacional. Além disso, o peso das multinacionais no fluxo financeiro há muito que superou o dos estados. Dada a sua dimensão transnacional, mais ricos que os estados, mas também as principais fontes de financiamento dos partidos políticos qualquer que seja a tendência e qualquer que sejam os países, estas organizações estão, de facto, acima das leis e do poder político, acima da democracia. A General Motors, por exemplo, com um volume de negócios de 178 mil milhões de dólares, está acima do PIB da Dinamarca, que é de 161 mil milhões de dólares, bem acima do PIB de Portugal, de 97 mil milhões de dólares, e o que dizer de um pequeno pequeno país como a Nigéria com um PIB de 30 mil milhões de dólares. A ilusão democrática. A democracia já deixou de ser uma realidade. Os responsáveis das organizações que exercem o poder real não são eleitos e o público não é informado das suas decisões. A margem de acção dos estados está cada vez mais limitada por acordos económicos internacionais para os quais os cidadãos não foram consultados nem informados. Todos esses tratados elaborados nos últimos cinco anos (GATT, OMC, AMI, NTM, NAFTA) têm um único propósito: a transferência do poder dos estados para organizações não-eleitas, através de um processo chamado "globalização". Se uma suspensão da democracia tivesse sido declarada, isso teria provocado uma revolução. Por isso, foi decidido manter uma democracia de fachada e de deslocar o verdadeiro poder para novos centros. Os cidadãos continuam de votar, mas o seu voto foi esvaziado de conteúdo. Votam para líderes que não têm qualquer poder real. É por essa razão, não haver nada para decidir, que os programas políticos de "esquerda" ou de "direita" passaram a assemelhar-se em todos os países ocidentais. Resumindo, não podemos escolher o prato, mas podemos escolher o molho. O prato chama-se "nova escravidão" com molho picante de direita ou molho agridoce de esquerda. Desaparecimento da informação. Desde o início dos anos 90, que a informação desapareceu dos media destinados ao grande público. Como para as eleições, os jornais televisivos continuam de existir, mas foram esvaziados do seu conteúdo. Um jornal noticioso contém no máximo 2 ou 3 minutos de verdadeira informação. O resto é constituído por assuntos de "revista", reportagens anedóticas, "faits divers" e reality-shows sobre a vida diária. A análise feita por jornalistas especializados, assim como os programas de informação foram quase totalmente eliminados. A informação está agora reduzida à imprensa escrita, lida por uma minoria de pessoas. O desaparecimento da informação é um sinal claro de que a natureza do nosso sistema político já mudou. 2000 anos de história.Durante os dois últimos milénios, a civilização passou por quatro eras sucessivas marcando quatro formas de poder político: 1 - A era das tribos Exercida sobretudo pela força, como nos grupos de animais em que o poder é assumido pelo "macho dominante". 2 - A era dos impérios e reinos Poder hereditário. Nascimento da noção de estado. 3 - A era dos Estados-nação Era aberta pela monarquia parlamentar na Grã-Bretanha em 1689, pela revolução francesa em 1789 e pela fundação dos Estados Unidos. Aqui, o poder não é hereditário, mas exercido por líderes supostamente representantes do povo e designados por eleições (estado-nação democrático) ou por um sistema de cooptação no seio de um partido único (estado-nação totalitário). 4 - A era dos conglomerados económicos Iniciada em 1954, posta em pratica nos anos 70 e 80 e plenamente operacional a partir dos anos 90. Aqui o poder já não é do tipo representativo ou eletivo e deixou de ser geograficamente localizado. É exercido diectamente pelos que controlam o sistema financeiro e a produção de bens. Os instrumentos desse poder são o controle da tecnologia, da energia, do dinheiro e da informação. este poder é global, planetário. Tradução de Octopus de parte de um texto de: http://www.syti.net/Topics2.html . You are subscribed to email updates from Octopus To stop receiving these emails, you may unsubscribe now. Email delivery powered by Google Google Inc., 20 West Kinzie, Chicago IL USA 60610 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111210/e428029f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 10 16:22:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 10 Dec 2011 16:22:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] CEM ANOS DE MARIGUELLA -em SP- Message-ID: <15C69A9077754F27B6AB155E67D262F8@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111210/5f7881ad/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 128918 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111210/5f7881ad/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 11 13:02:09 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 11 Dec 2011 13:02:09 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__SILVANO_SOARES_DOS_SANTOS_____________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________-CCCXXI-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem SILVANO SOARES DOS SANTOS (1929-1970) Data e local de nascimento: 15/08/1929, Três Passos (RS) Filiação: Malvina Soares dos Santos e Antônio Vieira dos santos Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 25/06/1970 em Humaitá (RS) Silvano era camponês e vivia na cidade de Campo Novo (RS). Participou da chamada Guerrilha de Três Passos, no Rio Grande do Sul, que não passou de uma tentativa de desencadeamento de reação da população gaúcha contra o regime militar, às vésperas de completar seu primeiro aniversário. No dia 26/03/1965, o coronel cassado do Exército, Jefferson Cardim Osório, ligado a Leonel Brizola, liderou algumas pequenas operações militares no extremo noroeste daquele estado, divisa com Santa Catarina e fronteira com a Argentina, entre Três Passos e Tenente Portela. O movimento foi rapidamente debelado e Cardim submetido a violentas torturas. Silvano Soares dos Santos tem seu nome registrado no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, no capítulo "Outras Mortes", onde estão incluídos os óbitos ocorridos entre 1964 e 1979 que de alguma forma estão vinculados à ação da repressão política. Silvano teria sido preso no 2º andar do Batalhão de Fronteiras, vindo a morrer 15 dias depois, em 25/06/1970, com 41 anos de idade, vitimado por um derrame. O médico, que assina o atestado de óbito, indicou como causa da morte "caquexia", informamos que Silvano morreu em seu domicílio. Após voto pelo indeferimento inicial, houve pedido de vistas ao processo, mas não foi possível comprovar o nexo causal entre a sua última prisão e a morte. O processo não foi reapresentado após a ampliação dos critérios da Lei nº 9.140/95, o que poderia ter permitido seu deferimento. =============================================================================================================================== + Informações. SILVANO SOARES DOS SANTOS Agricultor de Campo Novo, no Rio Grande do Sul. Participante da guerrilha deflagrada na cidade de Três Passos, no Rio Grande do Sul, comandada pelo Cel. Jefferson Cardim de Alencar Osório, em março de 1965. Segundo denúncia de seu irmão Alberi Vieira dos Santos, que também foi assassinado em 79, Silvano foi preso, torturado e jogado do 2° andar do Batalhão de Fronteiras, vindo a morrer 15 dias após, vitimado por um derrame. ================================================================================================= Ficha. Silvano Soares dos Santos Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Silvano Soares dos Santos Atividade: Agricultor Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto RS Brasil 2° andar do Batalhão de Fronteiras Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos ====================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111211/7fd8eae9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6766 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111211/7fd8eae9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 11 13:02:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 11 Dec 2011 13:02:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] A verdade do traidor - Reportagem da Laura Capriglione no suplemento Ilustrissima da Folha de SP de hoje Message-ID: <2C284AD602B44E5CBFCA7D7413D43CB2@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Reportagem A verdade do traidor Anselmo e a delação detalhada por escrito Arquivo Núcleo de Preservação da Memória Política À esq., José Raimundo da Costa, o Moisés, morto pela ditadura após informações de Anselmo (ao microfone) Resumo Documentos reunidos por entidade que tenta resgatar a memória dos anos de chumbo mostram com riqueza de detalhes informações que cabo Anselmo, o mais notório militante da esquerda a mudar de lado, reuniu sobre a luta armada e entregou à ditadura. Relatórios a que a Folha teve acesso incluem textos do próprio "cachorro", escritos com estilo quase jornalístico. LAURA CAPRIGLIONE No dia 7 de maio de 2008, a então ministra da Casa Civil do governo Lula, Dilma Rousseff, foi confrontada pelo senador José Agripino Maia (DEM-RN) em audiência no Senado. Para sugerir que ela mentia a respeito de um dossiê secreto sobre desafetos do petismo, produzido no seio do governo federal, Maia argumentou que a ministra, ex-guerrilheira, já havia faltado com a verdade antes, ao ser presa pela ditadura militar. Dilma lembrou que tinha então 19 anos, ficou três anos na cadeia e foi "barbaramente" torturada. "Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogadores compromete a vida de seus iguais, entrega pessoas para serem mortas", prosseguiu. "Eu me orgulho muito de ter mentido, porque mentir na tortura não é fácil. Agora, na democracia, se fala a verdade." Vinte e seis anos após o fim da ditadura, quando o Brasil se prepara para instaurar sua Comissão da Verdade, destinada a apurar violações de direitos humanos cometidas pelo Estado naquele período, é revelador ler relatórios, detalhados e coloridos, em bom português e com estilo quase jornalístico, de alguém que resolveu (e orgulha-se disso) "falar a verdade" nos anos de chumbo. A Folha teve acesso a quase uma centena de documentos daquele período sobre o ex-marinheiro José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo -vários escritos por ele mesmo-, que entrou para a história como o mais famoso dos "cachorros", como eram chamados os militantes de esquerda que passavam a atuar como espiões para os órgãos de segurança. Os relatórios foram coligidos pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, entidade que tenta resgatar a memória do período de 1964 a 85, quando sucessivos governos militares assenhoraram-se do poder no Brasil. Saídos dos arquivos da repressão, de órgãos como o Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops) e os centros de informações do Exército (CIE) e da Marinha (Cenimar), são instantâneos dramáticos da história enquanto ela era escrita. O CARA Bom de discurso, carismático, Anselmo foi "o cara" nos tempos irados que marcaram o fim do governo João Goulart (1961-64). Era então presidente da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. Depois, ainda envolto na aura mística de líder sindical de massas, virou guerrilheiro quando parte da esquerda nativa embarcou no sonho heavy metal de derrubar a ditadura pela via das armas. Preso, em 1971, Anselmo -que nunca chegou a cabo, mas recebeu a alcunha por um mal-entendido com suas insígnias militares- tornou-se um traidor. Chegou a se vangloriar de ter fornecido à repressão informações que levaram à morte 200 militantes. Seguro é que as delações de Anselmo permitiram à polícia liquidar pelo menos 11 "inimigos do regime", entre os quais sua própria mulher, a "sensível", "loira", "esguia", "de olhos azuis", "simpática" e poeta (assim designada por ele mesmo, qual namorado apaixonado) Soledad Barrett Viedma, então com 28 anos, grávida de um filho seu, gestação de quatro meses. Os documentos sobre ele, reunidos em pesquisa capitaneada pelo ex-guerrilheiro e ex-preso político Ivan Seixas, membro da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, estão repletos de descrições como essas, numa pilha de 20 centímetros de altura. Todos produzidos em máquinas de escrever, nenhum manuscrito, vários papéis contêm o testemunho do próprio cabo Anselmo no ato da delação, ainda sem se preocupar com o acerto de contas com a história (hoje, aos 69 anos, Anselmo diz que lutava "para salvar o Brasil do comunismo"). Como método, o detalhe e a precisão. NAMORADA O destinatário dos textos caprichosamente datilografados era o delegado Sérgio Paranhos Fleury (1933-79), do Dops de São Paulo, notório torturador de presos políticos, o mais bem-sucedido caçador de inimigos do regime -foi ele quem montou a operação que liquidou Carlos Marighella (1911-69), um dos principais ideólogos da luta armada. A ele Anselmo entregou um relato biográfico sobre Soledad, codinome Lurdes del Sol, sua namorada, no texto com o sugestivo título de "Relatório de Paquera", de novembro-dezembro de 1971. "Lurdes (del Sol) é filha de um chefão do PC paraguaio", ele escreveu. "Desde a infância fazia trabalhos de militância. Passou à Argentina, viveu no Uruguai e depois, por volta de 1965/66, viajou a Moscou, onde cursou marxismo-leninismo como bolsista da Universidade Patrice Lumumba. Enjoou dos russos, separou-se do pai, que, segundo disse, colocou a polícia em sua pista por militar na Argentina e ser contrária à linha do Partido a que ele pertencia." Anselmo contou ainda que, em 1967, a moça encontrou os cinco irmãos, "na Alemanha ou na Argentina", e eles lhe propuseram que fossem juntos a Cuba treinar guerrilhas. Lá, ela conheceu o brasileiro José Maria Ferreira de Araújo, o Ariboia, também militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). "Casaram-se, enfrentando todas as pressões cubanas em contrário. Cada irmão pertence a uma das facções do PC paraguaio. E ela agora é uma simpática aventureira, ligada emocionalmente à VPR. Seu fim: servir à 'Revolução'. 'Revolução' indefinida, contra o imperialismo ianque e soviético, contra Cuba, contra os PCs tradicionais, ao lado das guerrilhas. Anarquismo total para o mês que vem." Segue o relato de Anselmo para Fleury: "Lurdes está treinada para o trabalho de cidade, conhece explosivos e fala português, russo e espanhol, além de guarani. É loura, esguia, olhos azuis, aproximadamente 1,80 m. Escreve poesias revolucionárias que nunca publicou. É extremamente sensível. Estou muito ligado afetivamente a ela. Mais, no entanto, prezo o que estou reconquistando. Caso seja possível, caso seja possível desejar, que sua solução final fosse a expulsão do Brasil, ou pelo menos, não fosse extrema". O que estava "reconquistando" o traidor que não sabia nem se tinha direito a desejar algo? Ele não diz. Fleury massacraria Soledad dois anos depois, em emboscada armada pelo próprio Anselmo na cidade de Paulista (PE), na qual foram mortos seis membros da VPR. CONFIDENCIAL Anselmo ensinou à repressão tudo o que havia aprendido em Cuba, transformada na época em polo exportador de revolução. Provém dele boa parte das informações contidas no relatório do Centro de Informações do Exército de 13 de novembro de 1973, em que se arrolam os nomes de 204 esquerdistas que fizeram cursos de guerrilha na ilha de Fidel Castro. O "relatório confidencial" distribuído aos departamentos da repressão parece à primeira vista a lista de matrícula de uma faculdade. Linha por linha, lê-se o nome real de cada militante, os codinomes que usava, as organizações a que era ligado, os cursos que fez em Cuba. Esses podiam ser de armamento, fotografia, imprensa, enfermagem, inteligência, instruções revolucionárias, explosivos. Constam entre os "alunos" dessa "Universidade da Guerrilha", segundo o CIE, o hoje militante do PV Fernando Gabeira, o petista Carlos Minc e os ex-ministros José Dirceu e Franklin Martins. Anselmo escreve a Fleury que foi enviado a Cuba por uma organização criada por Leonel Brizola no seu exílio uruguaio, o MNR ou Morena (Movimento Revolucionário Nacionalista, às vezes apresentado como Movimento Nacionalista Revolucionário), para "aprender as táticas de guerrilha". Brizola levou a sério (por pouco tempo, é verdade) a hipótese de uma reação armada à ditadura militar. Em outro relatório para a polícia, sem nome ou data, Anselmo contou como fez a viagem a Cuba, em típico enredo de livro de espionagem (gênero literário pelo qual, aliás, ele confessa sua admiração). "Em fevereiro de 1967, após receber um passaporte e os necessários meios financeiros, roteiro de viagem, o dia e a companhia aérea que devia usar, [com Evaldo, ex-marinheiro] segui de navio para a Argentina. [Lá], compramos passagem pela Air France para Paris, onde nos esperava Max da Costa Santos, que nos orientou a viajar para a Tchecoslováquia. Devolvemos os passaportes e viajamos pela companhia Cubana de Aviación para Cuba com papéis que nos foram dados pela embaixada cubana." Sobre a experiência em Cuba, onde permaneceu até setembro de 1970, Anselmo relata: "Instrutores militares ensinaram-nos a atirar, limpar armas e tática guerrilheira, práticas de defesa de acampamentos, confecção de armadilhas, trabalho com explosivos, confecção de minas, identificação de sons, cálculo de distâncias, orientação, codificação de mensagens". Ele aprendeu ainda a escrever com tinta invisível (com urina, no verso de cartas falsas: bastava expor a mensagem a uma fonte de calor, como um ferro elétrico ou uma lâmpada, e a urina escurecia, permitindo a visualização do recado secreto), a enviar textos em fotogramas de filmes analógicos não revelados (se o militante fosse pego, bastaria abrir o filme; a exposição ao sol apagaria a mensagem) e a programar pontos de encontro entre militantes com senhas e contrassenhas, de modo a lhes garantir a segurança. Rotina dura, segundo Anselmo. "Recebemos fardamento, armas e mochilas do Exército cubano e fomos levados à região central de Las Villas, para três meses de treinamento de guerrilha. Além dos brasileiros, havia no grupo cinco uruguaios. Depois da primeira semana, começaram as desistências por enfermidade, indisciplina (com os pés rachados, alguns se recusaram a caminhar). Foram separados. Ficariam num quartel até que os cubanos e as organizações que os haviam mandado ali decidissem o que fazer." 'RECESSO' Segundo o relatório, a intensidade do treinamento e a rigidez dos instrutores fizeram com que se deteriorasse a "unidade do grupo". "Só restava um uruguaio. Entre os brasileiros havia desistências. Em outubro [de 1967], soubemos da queda de Che Guevara. O treinamento entrou em franco recesso. Não havia mais o interesse anterior. [...] Pouco depois, entrei em choque com o encarregado do treinamento. Fui isolado num quartel até fins de janeiro." Houve mais problemas entre Anselmo e os cubanos. Ele diz que pediu para trabalhar e estudar. "Não nos foi permitido, não tínhamos nenhum documento e nem por iniciativa própria poderíamos fazer alguma coisa para sair da condição de parasitas." Em setembro de 1970, finalmente, Anselmo conseguiu voltar ao Brasil. "Trazia uma mensagem cifrada de apresentação para Carlos Lamarca [dirigente máximo da VPR, que havia desertado do Exército em 1969], e ele deveria dar-me tarefas para desempenhar, explicar o funcionamento da organização. Trazia também filmes com esquemas para a construção de armas. Depois de Praga, deveria seguir para Milão, Itália. De Milão para Genebra, onde compraria uma passagem no voo da Swissair até São Paulo." Anselmo, que também usava os codinomes Augusto, Daniel, Paulo, Renato e Sérgio, entre outros, foi preso menos de um ano depois, justamente quando as organizações de esquerda acumulavam uma sucessão de baixas em seus quadros. Para continuar o assédio contra o governo militar, começaram a trazer de volta militantes que estavam fora do país, como banidos ou exilados -a maior parte proveniente do Chile ou de Cuba. A resposta da repressão foi condenar à morte, extrajudicialmente, quem voltava. Segundo o jornalista Elio Gaspari, em "A Ditadura Escancarada" (Companhia das Letras, 2002), "a sentença de morte contra os banidos autodocumenta-se. Entre 1971 e 1973, foram capturados dez. Nenhum sobreviveu". Anselmo revelou ao delegado Fleury as senhas que os militantes da VPR que voltavam ao Brasil usariam para apresentar-se e incorporar-se a sua organização. "Em Recife, a partir de janeiro: Restaurante Maxim, praia do Pina, todas as sextas-feiras, às 11h. O que recebe estará na varanda, apoiando-se com o punho fechado numa das colunas de sustentação, olhando o mar. Quem entra pergunta: 'Será que tem galinha ao molho pardo hoje?' A contrassenha do que recebe será: 'Tem peixada'". Bastava à polícia, de posse das senhas e contrassenhas, comparecer ao ponto de encontro, para fazer a colheita de informações. JUDAS Se encarnou o Judas da esquerda brasileira, Anselmo foi só o mais notório a mudar de lado. Segundo Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, são conhecidas as identidades de 26 "cachorros". "Quem fez esse tipo de acordo não tem caminho de volta. Já fez o inaceitável. O problema é conseguir se olhar no espelho. A maior parte deles se tornou alcoólatra", diz. Os "cachorros" representavam uma ferida de morte num princípio básico da luta guerrilheira: a absoluta confiança que deveria existir entre seus membros. No "Minimanual do Guerrilheiro Urbano", escrito por Carlos Marighella em junho de 1969, espécie de bíblia dos grupos da luta armada, lê-se: "O pior inimigo da guerrilha e o maior perigo que corremos é a infiltração em nossa organização de um espião ou um informante. O espião apreendido dentro de nossa organização será castigado com a morte. O mesmo vale para o que deserta e informa a polícia". Já no final de 1971, Anselmo avisava à equipe de Fleury de que sua atividade como espião havia sido descoberta: "Num informe chegado do Rio, constava, com todas as letras: 'O cabo Anselmo se entregou à repressão'". Quem passou a informação foi uma militante, Olga (Inês Etienne Romeu, dirigente da VPR), que, presa, ouviu dois agentes comentando o assunto. Torturada, estuprada, "quase morta de pancada" segundo o próprio "cachorro", Olga foi enviada a um hospital. De lá, conseguiu mandar a mensagem da traição de Anselmo ao comando da sua organização. Mas o comandante da VPR no Chile, Onofre Pinto, de origem militar como Anselmo, não lhe deu ouvidos. No longo período em que atuou como infiltrado, Anselmo chegou a fazer viagens internacionais para encontrar Onofre Pinto, para recolher fundos que financiassem as ações armadas e, enfim, conhecer detalhes da organização no Chile. Na época, o Chile era uma espécie de Meca da esquerda, governada pelo socialista Salvador Allende, depois deposto por Augusto Pinochet. Mesmo relativamente livre, leve e solto, Anselmo nunca tentou desaparecer, fugir de seu papel de delator. "Sem Anselmo e outros tantos informantes, os comunistas teriam tomado o poder. Ele traiu os companheiros, mas não traiu a pátria", costuma dizer o policial Carlos Alberto Augusto, 68, o Carlinhos Metralha, assim denominado porque, mesmo no Dops, onde trabalhava, andava sempre com uma metralhadora pendurada no ombro. 'A FONTE' Em 8 de janeiro de 1973, na mesma ação em que foi assassinada Soledad, morreram os militantes Pauline Reichstul, Eudaldo Gomes da Silva, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva e Evaldo Luiz Ferreira. Relatórios dos ministérios da Marinha e da Aeronáutica atestam que os seis foram mortos "ao reagir a tiros à ordem de prisão dada pelos agentes de segurança", a explicação padrão até hoje usada em casos de execução. Anselmo diz que não participou diretamente do massacre porque já tinha sido retirado da área por Augusto. Seis meses depois, o Dops distribuiu para toda a chamada "Comunidade de Informações" o informe 25-B/73, assinado por "A Fonte". Assunto: a situação no Chile. Como prova de que a atividade de alcaguete continuava firme e forte, era o relatório de um infiltrado da polícia que participou do "Tribunal Revolucionário" realizado em Santiago, Chile, para julgar o cabo Anselmo e Fleury, entre outros. "O resultado do julgamento do Tribunal Revolucionário, que reuniu ALN, PCBR, VAR-Palmares, VPR e MR-8 [siglas de organizações da esquerda armada], foi a condenação à morte do delegado Fleury e do ex-cabo Anselmo", contou o informante. A VPR, principal acusadora no "tribunal", leu um informe em que chamava Anselmo de "traidor da luta popular a serviço da ditadura fascista". Segundo o infiltrado, a VPR afirmava que o cabo "foi preso em São Paulo em junho de 1971 e a partir daí renegou todo o seu passado de lutas e começou a prestar serviços para a ditadura". Era tarde demais. Sem braços, sem organização, sem armas, sem dinheiro, os grupamentos armados não conseguiram levar a cabo as execuções. Fleury morreu em 1979, em episódio mal explicado -por suposto afogamento, e o corpo foi sepultado sem ter sido necropsiado-, mas nunca reivindicado por qualquer grupo daqueles. Anselmo, bem, depois de mudar de rosto em uma cirurgia plástica realizada numa madrugada de 1973 no hospital Albert Einstein, reapareceu aqui e ali, em poucas e ruidosas entrevistas, a última das quais ao programa "Roda Viva" da TV Cultura, em 17 de outubro. Ele reclama da solidão e do não reconhecimento, por parte da história, de seus serviços. Que fazer? Ainda que agrade a traição, ao traidor tem-se aversão, sabe-se. "Até dentro da comunidade de informações, eu percebia, você percebe, né?, que algumas pessoas [me] desprezavam: 'Pô, esse filho da mãe aí traiu todo mundo, entregou tudo, vira-casaca', ou coisa parecida", disse Anselmo ao repórter Percival de Souza, em relato reproduzido no livro "Eu, Cabo Anselmo" (Globo, 1999). "Arrependimento? Não tenho. Absolutamente, nenhum", repete sempre. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111211/d6281819/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17023 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111211/d6281819/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 12 19:58:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 12 Dec 2011 19:58:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ELMO_CORR=CAA________________________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CCCXXII-?= Message-ID: <985CA41576534283A33C4F6C52DAC68B@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ELMO CORRÊA (1946-1974) Filiação: Irene Creder Corrêa e Edgar Corrêa Data e local de nascimento: 16/04/1946, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 14/05/1974 Carioca de nascimento, Elmo cursou até o 3° ano da Escola de Medicina e Cirurgia no Rio de Janeiro, onde participou do Movimento Estudantil. Casado com Telma Regina Cordeiro Corrêa, foram juntos para a região do Araguaia, em fins de 1971, onde desapareceriam três anos mais tarde. Sua irmã, Maria Célia Corrêa, casada com João Carlos Wisnesky, conhecido como Paulo Paquetá, que desertou da guerrilha, também desapareceu no Araguaia no ano de 1974. Elmo era conhecido na região como Lourival e foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973. Segundo o depoimento de um camponês da região, teria sido morto pelas forças da repressão na localidade de Carrapicho. Possivelmente seus restos mortais estejam enterrados ali. O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Marinha Maurício Corrêa, registra que Elmo "foi morto em 14/05/1974", sem esclarecer mais nada. Com base no Dossiê Araguaia, escrito por militares que atuaram diretamente na repressão à guerrilha, o jornalista Hugo Studart registra em A Lei da Selva que sua morte teria ocorrido em dezembro de 1973. =========================================================================================================================== + Informações. ELMO CORRÊA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 16 de abril de 1946, no Rio de Janeiro, filho de Edgar Corrêa e Irene Guedes Corrêa. Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 28 anos. Estudante da Escola de Medicina e Cirurgia no Rio de Janeiro,, cursando até o 3° ano. Participou do movimento estudantil. Casado com Telma Regina Cordeiro Correa, também desaparecida, e, juntos, foram para a região do Araguaia em fins de 1971. Sua irmã Maria Célia Corrêa também é desaparecida na guerrilha do Araguaia. Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973. Segundo o depoimento de um camponês da região, foi morto pelas forças da repressão na localidade de Carrapicho. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Elmo "foi morto em 14 de maio de 1974", sem esclarecer outros detalhes de sua morte. =========================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) ELMO CORRÊA (1946-1974) Carioca de nascimento, Elmo cursou até o 3° ano da Escola de Medicina e Cirurgia no Rio de Janeiro, onde participou do movimento estudantil. Casado com Telma Regina Cordeiro Corrêa, eles foram juntos para a região do Araguaia em fins de 1971, onde desapareceriam três anos depois. Sua irmã, Maria Célia Corrêa - casada com João Carlos Wisnesky, conhecido como Paulo Paquetá, que desertou da guerrilha - também desapareceu no Araguaia em 1974. Era conhecido na região como Lourival e foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973. Segundo o depoimento de um camponês da região, teria sido morto pelas forças da repressão na localidade de Carrapicho. Possivelmente seus restos mortais estejam enterrados ali. O Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, registra que Elmo "foi morto em 14/05/1974", sem esclarecer mais nada. Em um registro de 1972, o relatório indica que Elmo "fez parte de um grupo de aproximadamente 15 militares (sic) do PCdoB que se deslocou da Guanabara para a área de Xambioá". Com base no Dossiê Araguaia, escrito por militares que atuaram diretamente na repressão à guerrilha, o jornalista Hugo Studart registra em A Lei da Selva que sua morte teria ocorrido em dezembro de 1973. O advogado Paulo Fonteles Filho e Sezostrys Alves Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, informam que sua morte teria se dado por envenenamento com Aldrim, em 14 de agosto de 1974, conforme relatado pelo guia Antônio Vieira Leal. ================================================================================================== + Informações. Seg, 07 de Setembro de 2009 23:18 Heróis do Movimento Estudantil MEPR Elmo Corrêa Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 16 de abril de 1946, no Rio de Janeiro, filho de Edgar Corrêa e Irene Guedes Corrêa. Desaparecido desde 1974 na Guerrilha do Araguaia aos 28 anos. Estudante da Escola de Medicina e Cirurgia no Rio de Janeiro,, cursando até o 3° ano. Participou do movimento estudantil. Casado com Telma Regina Cordeiro Correa, também desaparecida, e, juntos, foram para a região do Araguaia em fins de 1971. Sua irmã Maria Célia Corrêa também é desaparecida na guerrilha do Araguaia. Foi visto pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973. Segundo o depoimento de um camponês da região, foi morto pelas forças da repressão na localidade de Carrapicho. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Elmo "foi morto em 14 de maio de 1974", sem esclarecer outros detalhes de sua morte. HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO! ============================================================================================================== + Detalhes. A guerra biológica no Araguaia Por Paulo Fonteles Filho A modalidade de guerra biológica é conhecida pela humanidade desde a Antiguidade e consiste no uso de microorganismos ou de toxinas letais para matar ou incapacitar adversários. Considerada uma das mais temidas armas de guerra, a biológica têm efeitos devastadores e desconhecidos para a maioria dos médicos na atualidade. Nos termos no Brasil há registros dessa guerra suja no conflito contra o Paraguai (1865-1870). Em um conjunto de documentos do Museu Mitre, na Argentina, indicam uma inconveniente carta de Duque de Caxias, patrono do Exército brasileiro, endereçada a Dom Pedro II. Nesse documento, o militar tupiniquim sugere que cadáveres infectados por cólera tivessem sido propositadamente lançados no rio Paraná com intuito de infectar os inimigos paraguaios. A possibilidade destes acontecimentos na vida militar brasileira do Século XIX tem gerado muitas polêmicas entre historiadores e militares. Um dos maiores críticos da atuação brasileira na Guerra do Paraguai, o historiador José Chiavenato, afirma, ainda, que o Conde d´Eu, tido pelo Exército como herói militar nacional, costumava libertar paraguaios adoentados para que infectassem compatriotas no retorno as tropas guaranis. Passados mais de cem anos o Exército brasileiro vai aos tempos de Duque de Caxias e de Conde d´Eu e volta a praticar, pela segunda vez em sua história os artifícios letais de guerra biológica. Agora, o inimigo, não são os paraguaios de Solano Lopez, mas os brasileiros que se insurgiram nos anos 70, nas matas do Pará ,contra a ditadura terrorista dos generais. E quem vai nos contar essa história é o ex-mateiro Anísio. Anísio até hoje vive no Jatobá, uma das muitas currutelas dos sertões do Araguaia. Em 1973, diante das pressões da repressão política passa a integrar, como rastejador, as várias patrulhas que promoveram a maior caçada militar que se têm notícia na história do Brasil contemporâneo. Ao longo de mais de dois anos de pesquisas na região conflagrada da Guerrilha do Araguaia, sempre buscando informações que desvendem o paradeiro dos desaparecidos políticos, bem como os acontecimentos daquela epopéia resistente vamos nos deparando com informações que nos dão a nítida visão da brutal atuação das tropas oficiais de então. Desde 1980, com a passagem da primeira caravana de familiares na região é que se sabe que camponeses, sob ameaças de torturas e assassinatos, teriam envenenado guerrilheiros que os procuravam para colher informações e, também, aplacar a fome. Esse relato de envenenamentos fora dado pela primeira vez pelo advogado da caravana, Paulo Fonteles, numa exposição aos caravaneiros em Marabá. O advogado e o Bispo Dom Alano Penna fizeram longa abordagem sobre o clima político na região e as táticas da ditadura militar naquela região, então área de segurança nacional. Mas nunca ficou claro, nos anos que se seguiram, como é que fora utilizado veneno no arsenal das muitas armas utilizadas no Araguaia pelo regime dos generais. E Anísio vai nos esclarecer. Diz o ex-mateiro que apartir de 1973, em todas as bases militares do Araguaia houve farta distribuição do inseticida "Aldrin" e a orientação do comando das operações militares de que os camponeses deveriam, naturalmente que sob fortes pressões e ameaças, envenenar a comida dos insurgentes do Araguaia. Sabe-se que centenas de lavradores, depois de torturados, levaram o inseticida para as suas casas. A intoxicação pelo "Aldrin" é sobre o Sistema Nervoso Central e é caracterizada por forte cefaléia, mal-estar geral, vertigens, visão borrada, náuseas e vômitos, dentre outros. Um inseticida absolutamente mortal se ingerido ou com o simples contato com a pele humana. Foi assim com Elmo Correa, o "Fogoió", morto por envenenamento. Afirma Anísio: "O Fogoió foi morto por "Aldrin", isso foi na barraca do castanheiro Raimundão, na Pimenteira(...)". Anísio nos indica que o "Aldrin" era uma "massa branca, dissolvida em água". E quem ministrava o veneno era um tal de "Dr.Piau" que, para o Anísio, "parecia um monstrão". Relata-nos o ex-mateiro que o "Fogoió" era amigo de "Raimundão" e que sempre o combatente visitava o castanheiro. Tinha confiança no amigo e que o Elmo Correa já havia ajudado-lhe muitas vezes. O fato é que outros mateiros, os mais afinados com a repressão, sabiam disso e denunciaram o castanheiro o que fez com que o "Raimundão" fosse severamente torturado na Base de Xambioá. Ou ele envenenava o guerrilheiro ou pagaria com a própria vida se poupasse o combatente do veneno repressivo. Diante do dilema, o castanheiro aplicou o veneno com seringa em um ovo entregue ao Elmo. Sabe-se que o insurgente caiu morto uns 2 km da casa do castanheiro e teve a cabeça cortada à facão e seus restos enterrados ali mesmo. O Elmo, antes de cair morto, estava fazendo um preparado de ervas que nos indica que os guerrilheiros já sabiam da aplicação de veneno, através de torturados camponeses, pelas forças armadas. Anísio encerra o relato afirmando que o guerrilheiro caiu por cima da lata de óleo de soja que fervia as ervas do mato, e que, enfim, não teve tempo de ingerir e que poderia ter salvado-lhe a vida. Qual a diferença dos corpos infectados por cólera lançados no rio Paraná na Guerra do Paraguai e a morte do guerrilheiro "Fogoió"? O fim do sigilo eterno sob os documentos oficiais e a Comissão da Verdade irá esclarecer tenebrosos momentos da vida brasileira no sentido de vacinar nossa consciência nacional para a construção do futuro que queremos. Fonte: Portal Vermelho. ========================================================================================================= FICHA Elmo Corrêa Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Elmo Corrêa Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 16/4/1946 Atividade: Estudante universitário Universidade Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia Data em que foi visto pela última vez pelos seus companheiros; no entanto, segundo camponês da região, foi morto pelas forças da repressão na localidade de Carrapicho. Clandestinidade Desaparecido 14/5/1974 Data de morte segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. ======================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111212/54d1ed71/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4544 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111212/54d1ed71/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11928 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111212/54d1ed71/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 12 19:58:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 12 Dec 2011 19:58:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__70_ANOS_DE_SACERD=D3CIO_DE_DOM_J?= =?iso-8859-1?q?OS=C9_MARIA_PIRES__PROGRAMA=C7=C3O_NA_PARA=CDBA?= Message-ID: <2900888D0AC242B482C7AFFBABD190B2@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 70 ANOS DE SACERDÓCIO DE DOM JOSÉ MARIA PIRES PROGRAMAÇÃO NA PARAÍBA Dia 19.12 - Chegada ao aeroporto Castro Pinto, em João Pessoa a 01:30h, onde será recebido Pelo Padre José Floren que o levará na mesma madrugada para Santa Fé . Dia 19.12 - Manhã de descanso. À tarde, a partir das 15:00h, será inaugurado por Dom José o Memorial do Pe. Comblin. Às 15:30h, presidirá a celebração da tradicional "Missa de Padre Ibiapina", que encerra a romaria em Santa Fé. Com os romeiros e amigos e junto aos túmulos dos Padres Ibiapina e Comblin, louvará a Deus pelos seus 70 anos de sacerdócio;(*) Dia 20.12-Aniversário de 70 anos de ordenação Presbiteral de Dom José: - Às 09:00h na Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, missa em Ação de Graças, organizada pela Arquidiocese da Paraíba; - Após será lançado na Paraíba o livro "Um Profeta em Movimento" com entrevista e artigos de Dom José e depoimentos de alguns de seus amigos, organizado pelo Pe. Mauro Passos (Editora O Lutador, de Belo Horizonte-MG); - Em seguida, será promovido um almoçode adesão no Sonho Doce Recepções, em Tambiá. - Às 15:00h solenidade de Colação de Grau do grupo de Pedagogia da Educação do Campo (pessoal dos assentamentos), na Universidade Federal da Paraíba. Dom José será o Paraninfo da Turma; Dia 21.12-Pela manhã, reuniãoreservadacom a antiga Equipe de Promoção Humana. Será uma manhã celebrativa, seguida de almoço. Dia 22.12 - Às 09:00h Dom José visitaráo Memorial das Ligas Camponesas em Barra dos Antas. Dia 22.12 - Às 15:00h encontro celebrativo com as Missionárias Leigas Servas do Senhor. Dia 23.12 - Às 10:00h celebração em Mucatu, no município de Alhandra, onde ocorreu a primeira desapropriação de terra pelo INCRA no Estado (1975), após a luta de agricultores apoiados pela Arquidiocese da Paraíba. Hoje, a terra, que é muito rica e da qual sobrevivem inúmeras famílias de agricultores que foram ali assentados, está sob nova ameaça, desta vez por uma cerâmica que planeja instalar no local fábrica de cimento e para explorar ali o minério necessário. Dia 23.12 - Às 16:00hencontro com os ex-Animadores de Crisma, seguido de jantar com o grupo. Dia 24.12 - Às15:30h encontro com os Quilombolas em Matão, onde também se reunirão as Comunidades Quilombolas de Pedra D'Água, Grilo, Matias e Caiana dos Crioulos para a celebração da Missa de Véspera de Natal, presidida por Dom José. Dia 24.12 - À meia noite, Dom José celebrará a Missa da Vigília do Natal - Missa do Galo - na Igreja de São Pedro e São Paulo, no Brisamar/Jardim Luna. Dia 25.12-Às 09:00h missa do dia de Natal, no Santuário de Nossa Senhora da Penha, na Penha, em João Pessoa - (Transmitida pela Rádio da Consolação Misericordiosa). (*) Para quem quiser ir de João Pessoa a Santa Fé: o Padre Luís Antônio está organizando a ida de ônibus, com saída às 12:30h do dia 19/12 do Seminário Arquidiocesano (CENTREMAR), no Conjunto Castelo Branco I, e retorno após a celebração. Preço por pessoa: R$ 25,00 Os interessados deverão entrar logo em contato com a Sra. Marisa, pelo telefone 3226.1878, para garantir a vaga e para controle do número de ônibus necessários. Deverá, também, indicar o número de sua Carteira de Identidade, para preparação da lista de passageiros exigida pelo DNER. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111212/d2a9ff76/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 35676 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111212/d2a9ff76/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 13 19:39:52 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 13 Dec 2011 19:39:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___MIGUEL_SABAT_NUET___________________?= =?iso-8859-1?q?___________________-CCCXXIII-?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem MIGUEL SABAT NUET (? -1973) Filiação: não consta Data e local de nascimento: não consta Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 30/10/1973, São Paulo (SP) A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos tomou conhecimento da morte de Miguel Sabat Nuet ao examinar os arquivos secretos do DOPS/SP, em 1991. Encontraram uma requisição de exame ao IML com um "T" em vermelho, característica da marca utilizada pelos órgãos de repressão para identificar os militantes políticos mortos, aos quais chamavam de terroristas. Desde então, todas as tentativas de localizar sua família e resgatar sua história foram infrutíferas. Os documentos do DOPS atestam a prisão de Miguel, no dia 09/10/1973, conforme relação de presos, datada de 12/12/1973 e assinada por José Airton Bastos e Manoel Nascimento da Silva. Dentre outros 19 nomes, alguns deles estrangeiros em situação irregular ou aguardando expulsão do país, Miguel Sabat Nuet consta como preso pelo DOPS na data referida, para averiguações. O investigador Fábio Pereira Bueno Filho informou ao delegado de plantão da Equipe "B" que conforme ordem recebida por volta das 19h30min, se dirigira à estação da Fepasa, acompanhado do investigador Mário Adib Nouer, buscando saber detalhes de uma mala que fora encontrada pelos funcionários, pertencente a um passageiro que descera na estação Barra Funda, com o trem em movimento. Diziam os funcionários que o passageiro estava muito agitado e nervoso. Ao final do informe do investigador, onde é feita a descrição física do passageiro, existe a anotação: "passado telex nº 23509 para capturar o Miguel Sabat Nuet". Nascido em Barcelona, mas com cidadania venezuelana, Miguel tinha identidade nº V1866133V, expedida em 17/06/71, em Caracas. Foram também localizadas cartas de próprio punho, sendo uma delas escrita em Buenos Aires, em 31/08/1973. Nelas, se percebe a aflição e perturbação em que se encontrava, obrigado que fora a sair da Venezuela por perseguição política. Relata seus temores e sua vida profissional por mais de 30 anos na Venezuela, onde era casado e tinha três filhos. Lá trabalhou como motorista particular, camareiro no litoral, representante comercial e assistente de engenheiro. A requisição de exame informa que Miguel se suicidou e que seu corpo foi enterrado no cemitério de Perus, em São Paulo, como indigente. O mais intrigante nesse caso é que seu corpo foi enviado ao cemitério junto com os corpos de Antônio Carlos Bicalho Lana e Sonia Maria de Moraes Angel Jones, mortos sob tortura em novembro daquele ano, conforme já relatado, na mesma data. Os dois militantes foram presos em Santos, tendo sido montada uma falsa versão de morte em tiroteio no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, no dia 30 de novembro, data em que supostamente Miguel Sabat Nuet teria se enforcado na carceragem do DOPS. Os corpos foram enterrados em sepulturas subseqüentes, sendo que a de Miguel Sabat talvez ainda possa ser localizada. A foto de Miguel e as circunstâncias de sua morte foram amplamente divulgadas às entidades do Cone Sul, sem ter havido qualquer retorno de localização de sua família. O processo foi retirado de pauta sem exame do mérito. ============================================================================================================================== + Detalhes. Deus e o Diabo na terra do mal Os ossos de um espanhol, vítima da ditadura militar, vão lançar o temível juiz Garzon no encalço de policiais do antigo Dops, um deles Romeu Tuma. Rui Martins ___________________________________ Berna (Suiça) - Dizem as Escrituras que nada ficará todo tempo encoberto e que mais ou menos dias, tudo virá a público. O segredo, a impunidade, a manipulação geralmente têm um dia em que acabam e são descobertos. Em 2001, num bate-boca no Senado, o senador Jader Barbalho, teve a seguinte explosão verbal com o também senador Romeu Tuma- "Não sei quem irá nos julgar: Deus ou o Diabo. E vossa Excelência vai ter que prestar conta lá pelo presente ou pelo passado. E pode estar perto. A palidez de vossa excelência está indicando que é em breve isso". Essa frase agourenta e profética ficou registrada no jornal paulista Folha de São Paulo, pois Romeu Tuma, é senador por São Paulo. E, enfim, se realizou, mas não caberá ainda a Deus ou o Diabo julgar Romeu Tuma, porém um homem mais rigoroso que o inspetor Javert dos Miseráveis, de Vitor Hugo, o juiz Balthazar Garzon. Garzon, o juiz sombra que acabou com a velhice tranquila de um criminoso, o general Augusto Pinochet. Garzon é pior que Deus, porque não tem misericórdia, e que o Diabo, porque aplica aqui na vida terrena do condenado a pena do Inferno. Não precisam as almas dos mortos, assassinados depois de torturados, virem assombrar os que viveram tranquilos, como bons pais e avós de famílias, depois de tantos crimes cometidos sob sua responsabilidade. Não, Garzon, não deixa a punição para Deus ou o Diabo, que afinal podem não existir. Ele quer o castigo nesta nossa terrinha, aquele castigo que consiste em destruir a hipocrisia de uma vida respeitável. Nem todos os assassinos terminam atrás da grades, já velhos ou doentes, podem mesmo se beneficiar de uma tolerância, que não tiveram com suas vítimas. O supremo castigo é o opróbio, palavra complicada que significa a vergonha a que se submete o bandido diante do povo, depois de revelado seu crime. É uma espécie de pelourinho virtual. Uma vergonha seguida de rejeição. É o Inferno ardente, no qual o juiz Garzon costuma jogar seus condenados. Antes de Garzon, Pinochet era citado como ditador chileno nas enciclopédias; depois de Garzon, Pinochet entra para a História como ditador assassino. O castigo que não vem a cavalo é pior que uma pena de morte. Filinto Mueler, por exemplo, mão pesada da ditadura de Vargas, era o como o Fleury do DOPS durante a ditadura militar brasileira. Acabou conhecido pela nova geração como o autor indireto do assassinato de Olga, a mulher de Prestes. Escapou de qualquer castigo humano, ficou para Deus ou o Diabo decidirem, mesmo se morreu carbonizado no único acidente da Varig na rota Paris, em chamas ao aterrissar. Eu daria o premio Petrobrás (nunca fui muito com a Esso Standard Oil) de reportagem aos jornalistas da Folha que descobriram a família do espanhol Miguel Sabat Nuet, assassinado no Dops, em outubro de 1973. E 35 anos depois ressurgem os ossos e o fantasma de uma das tantas vítimas da repressão brasileira. Esta na hora de se ler o livro do jornalista Percival de Souza, Autópsia do Medo, meu colega na Major Quedinho, no Estadão e JT, antes de minha partida para o exílio. Percival compara Tuma a Fleury. E meu professor de Direito na UPS, Gofredo da Silva Telles, falou assim para a Folha, em outubro de 2000: Romeu Tuma assinava documentos comprometedores. Os papeis avalizariam versões policiais de que presos mortos sob tortura haviam de suicidado. O espanhol Miguel Sabat Nuet praticamente ressuscitou da vala no cemitério de Perus, onde tinha sido lançado entre indigentes e outras vítimas da ditadura, para pedir Justiça. E, sem dúvida, Garzon e a Espanha farão a justiça, esperada há tanto tempo por tantos perseguidos, confirmando a praga lançada por Jader Barbalho, no Senado há 7 anos. Rui Martins - Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Escreveu "O Dinheiro Sujo da Corrupção", sobre a Suíça e Maluf. Vive em Berna, na Suíça, onde é correspondente do Expresso, de Lisboa. [31.08.2008] Fonte: www.diretodaredacao.com ====================================================================================================== ATUALIZANDO. O Brasil pede desculpas à família de Miguel Nuet Enviado por luisnassif, seg, 12/12/2011 - 16:24 Autor: Luis Nassif Saindo agora do teatro do XI de Agosto. Gravação do Brasilianas me impede de acompanhar um momento histórico: a entrega dos restos mortais do espanhol Miguel Sabat Nuet a seus três filhos. No sábado, convidado pela procuradora Eugênia Gonzaga, jantei com ela e os filhos de Miguel. Não abri mão da presença das minhas caçulas, para poderem saber um pouco de uma história que teima em ser escondida. Talvez não haja capítulo mais simbólico da impunidade daqueles tempos de repressão. Miguel era um vendedor de carros, espanhol de nascimento, morando na Venezuela, que resolveu visitar o Brasil. Foi preso pela repressão, talvez pelo fato de falar espanhol. Policiais sem nenhum lustro intelectual, sem dominar o espanhol, julgaram que fosse subversivo. Preso, foi torturado. Na cela, passava os dias escrevendo textos com considerações sobre a humanidade. Passado algum tempo, os torturadores se deram conta de que havia sido um engano. Em sua ficha constava um "metido a filósofo" e a informação de que nada tinha a ver com a luta armada. Mas foi torturado sem capuz. Poranto, poderia reconhecer os torturadores. A saída foi o assassinato. Durante anos sua ossada foi uma incógnita. Do grupo da guerrilha, ninguém sabia quem era. Do lado do governo federal, pouco empenho em avançar no tema, pelo receio de açular setores radicais das Forças Armadas. Na Venezuela, os filhos supondo ter sido abandonados pelo pai, sem a menor ideia sobre o que havia acontecido. O caso jamais teria sido desvendado não fosse o empenho dos procuradores federais Eugênia Gonzaga e Marlon Weichert. Por muito tempo tentaram identificar aquela estranha ossada. Mas até o sobrenome estava escrito errado. Até que uma reportagem de Rubens Valente, em cima dos arquivos da repressão, permitiu chegar à identidade da vítima. Saio, agora, do XI de Agosto assistindo a chegada da Ministra Maria do Rosário, do cônsul da Espanha, da líder argentina das Mães da Praça de Maio, de lideranças civis brasileiras. Oa três filhos vieram da Venezuela. Estão mais velhos do que o pai, quando foi assassinado. Na cerimônia faltou a presidente da República para, em nome de todos os brasileiros, pedir desculpas oficiais pelo crime cometido. ================================================================ Atualizando. 12/12/2011 - 19h39 Governo entrega restos mortais de espanhol preso na ditadura MAÍRA TEIXEIRA F.S.P.DE SÃO PAULO Em cerimônia em São Paulo, o governo entregou nesta segunda-feira os restos mortais do espanhol Miguel Sabat Nuet aos seus três filhos, Miguel, Maria Del Carmen e Lorenzo. O comerciante foi morto em 1973, numa cela do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo, aos 50 anos. Sabat Nuet é uma das vítimas enterradas na "vala de Perus", hoje um cemitério regularizado na zona norte da capital. Família recebe cinzas de espanhol morto no Dops A entrega dos restos mortais é simbólico, segundo a ministra da Secretária dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, porque demonstra claramente que a repressão prendeu, torturou e matou pessoas que não tinham participação política. Arquivo pessoal O espanhol Miguel Sabat Nuet posa para foto ao lado da família Sabat Nuet, um comerciante de automóveis, morava na Venezuela com os filhos quando veio ao país para vender automóveis. Foi preso e classificado pela repressão como "filósofo", por gostar de escrever em prosa e verso. "A entrega [dos restos mortais] não apaga a conexão perversa entre as ditaduras do cone sul. Na chamada Operação Condor -- onde as ditaduras argentina, uruguaia, chilena, paraguaia e brasileira atuaram para perseguir ativistas políticos --cometeram crimes, desaparecimentos, torturas e morte", destacou a ministra. No evento, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no centro da cidade, Maria do Rosário pediu que a população se mobilize e informe o que souber sobre os crimes da ditadura. "Hoje estamos realizando um momento para podermos resgatar a verdade de Miguel Sabat Nuet, pedindo perdão em nome do Estado brasileiro, mas acreditando que este momento é tão importante para os filhos de Sabat Nuet como para nós brasileiros. Porque nós não queremos mais a existência da tortura e da morte como ação de um Estado, de um governo." A ministra lembrou que a presidente Dilma Rousseff foi presa e torturada na ditadura e disse ainda que o país quer reconhecer todos que continuam desparecidos políticos. "No Araguaia e em todos os cantos dos Estados. Estamos dedicados a que possamos responder onde estão essas pessoas. Estamos unidos pelo direito à verdade." Em 2008, a ossada foi exumada por técnicos do IML e o DNA comparado com a dos familiares de Nuet. Segundo a secretaria, um documento do Dops registra o nome de Miguel Sabat Nuet como preso em 9 de outubro de 1973 para "averiguações". Em outro registro, do dia 12 de outubro do mesmo ano, seu nome aparece em uma relação de presos "disponíveis para as autoridades". "Nosso pai, finalmente, poderá repousar. Ele foi assassinado de forma criminosa no Brasil, mas hoje sua voz se escuta claramente graças a homens e mulheres desse país, que localizaram seu corpo, permitindo sua identificação. Agora, podemos seguir adiante, mas seus filhos e netos imploram por Justiça", discursou na cerimônia um de seus filhos, Miguel Sabat Diaz. Fábio Braga/Folhapress Maria do Rosário (esq.) entrega aos filhos os restos mortais de Miguel Sabat Nuet Não há informações precisas sobre as circunstâncias de sua morte. Também não há indícios de que o espanhol tivesse ligação política com qualquer grupo brasileiro ou de outro país. Durante o evento, o governo brasileiro também homenageou Estela Carlotto, presidente das Abuelas de Plaza de Mayo, principal grupo de direitos humanos sobre desaparecidos da ditadura na Argentina. ========================================================================= Atualizando. Filhos de espanhol morto pela ditadura querem identificar carrascos do pai São Paulo, 12 dez (EFE).- Os filhos do cidadão espanhol Miguel Sabat Nuet, torturado e morto pela ditadura militar, pediram nesta segunda-feira durante o ato de entrega das cinzas de seu pai que seus 'carrascos' sejam identificados pelas autoridades brasileiras. 'Falamos com o cônsul espanhol em São Paulo e pedimos uma ação especial para conseguir os nomes daqueles que foram seus carrascos', disse hoje à Agência Efe Miguel Sabat Díaz, um de seus três filhos. Sabat Nuet, de 50 anos, morreu no dia 30 de outubro de 1973 em uma cela do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), que na época alegou suicídio. No entanto, um processo administrativo concluiu que o espanhol foi 'vítima de sequestro, tortura e homicídio'. Seus parentes garantem que Sabat Nuet, que vivia na Venezuela, foi detido por engano em São Paulo, cidade na qual havia feito uma escala em uma viagem entre Buenos Aires e Caracas. Seu corpo, que estava enterrado no cemitério paulistano de Dom Bosco, foi exumado e identificado em 2008 e cremado nesta semana a pedido de seus filhos. Miguel Sabat Díaz, que anunciou que as cinzas de seu pai serão espalhadas nas serras catalãs de Montjuic, descartou que, por enquanto, a família apresente perante a Justiça brasileira um pedido de indenização pelo assassinato de seu pai. Sabat Nuet é até agora o único espanhol do qual se tem notícia que tenha sido torturado e morto pela ditadura, mas o Ministério Público de São Paulo considera que pode haver mais estrangeiros vítimas da repressão. A família do espanhol participará ativamente na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos, conhecida como a Comissão da Verdade, que conseguiu o reconhecimento do caso e pretende esclarecer outros desaparecimentos e mortes durante a ditadura. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que presidiu o ato, declarou aos jornalistas que a entrega das cinzas 'é o resgate da memória de uma pessoa que tinha filhos, família. Era uma obrigação que tínhamos perante essa família e é uma obrigação que temos ainda com muitas famílias'. Para o cônsul espanhol, José María Matres, com a entrega dos restos mortais 'se homenageia a memória de todas as pessoas das famílias que perderam alguém de forma injusta'. A entrega das cinzas aconteceu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em um ato do qual também participaram autoridades argentinas, ativistas das Avós da Praça de Maio e o escritor Eric Nepomuceno, entre outros. EFE -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111213/6f97f6ed/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4892 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111213/6f97f6ed/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24019 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111213/6f97f6ed/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 61441 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111213/6f97f6ed/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 13 19:39:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 13 Dec 2011 19:39:59 -0200 Subject: [Carta O BERRO] 35 anos da chacina da Lapa Message-ID: <2C3169C3C97D4879A485183FA9A7D4BC@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 163736 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111213/75a95714/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 14 19:34:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 14 Dec 2011 19:34:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__DARCY_JOS=C9_DOS_SANTOS_MARIANTE____?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCCXXIV-?= Message-ID: <145FEADCAEB64B4FA94C9E1818D208A0@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem DARCY JOSÉ DOS SANTOS MARIANTE (1928 - 1966) Filiação: Maria Cândida dos Santos Mariante e Theotonio Mariante Filho Data e local de nascimento: 29/11/1928, Caxias do Sul (RS) Organização política ou atividade: PTB e Grupo dos Onze Data e local da morte: 08/04/1966, Porto Alegre (RS) Darcy José dos Santos Mariante era capitão da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, casado com Ires Melo Mariante, com quem teve dois filhos. Membro do PTB e do "Grupo dos Onze", foi preso e torturado de janeiro a fevereiro de 1965 no I Batalhão da Polícia Militar de Porto Alegre. Devido às humilhações sofridas, Mariante se matou com um tiro no peito, diante da família, no dia 08/04/1966. A versão oficial foi de "suicídio dentro da residência, em prédio administrado pela Brigada Militar, com arma de fogo". O legista do caso foi Jacob Maestri Filho, que definiu como causa mortis "parada cardíaca pós-operatória, hemotórax agudo, ferimento por projétil de arma de fogo". O relator do primeiro requerimento apresentado à CEMDP concluiu não haver provas de que o envolvimento político do capitão fosse a causa da sua morte, nem que o suicídio tenha ocorrido em dependências policiais ou assemelhadas. Votou pelo indeferimento do pedido, que foi então negado por unanimidade num primeiro exame. No segundo processo, os autos registram que Darcy José dos Santos Mariante foi processado, punido disciplinarmente e afastado de suas funções em função com base no artigo 7, I, do Ato Institucional de 09/04/1964, pois teria permitido discussão interna de assuntos políticos. De acordo com o pedido inicial, "responder a inquérito e ser processado, por insubordinação, motim, revolta com arma, concentração para prática de crime, desobediência, indisciplina, e aliciamento de militares, entre outros crimes, representou para Darcy José uma grande coação psicológica e o desmoronar de um perfil e de uma família". Na opinião do segundo relator, não restava qualquer dúvida em relação à atividade de caráter político da vítima e da perseguição decorrente. O processo, as punições, as humilhações por ele sofridas estão relatadas na palavra de seus ex-companheiros de Brigada Militar, como o coronel Itaboraí Pedro Barcellos, que afirmou ter conhecimento da afinidade política de Darcy com a ideologia trabalhista, tendo sido ligado a Leonel Brizola e João Goulart. Segundo a testemunha, o fato de ter sido destituído das funções contribuiu para seu suicídio. Maildes Alves de Mello, advogado e coronel reformado da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, relatou ter sido colega de academia de Darcy. Em 1954, segundo ele, ambos aderiram à candidatura de Alberto Pasqualini ao governo do Estado, com o que ficaram visados pelo movimento militar de 1964. "Diante da pressão política irresistível e envergonhado perante os colegas, suicidou-se", afirmou Maildes. Depois de analisar os testemunhos, o segundo relator concluiu que, no caso, "o suicídio decorreu, como demonstrado pelas testemunhas, da prisão e da tortura psicológica - esta, nos depoimentos, afirmada como humilhações, constrangimentos etc. - a que foi submetido o capitão Darcy José dos Santos Mariante". Votou pelo reconhecimento da morte como tendo ocorrida em decorrência da prisão e das seqüelas psicológicas conseqüentes dessas detenções e do tratamento humilhante que recebeu no Comando da Brigada Militar. ========================================================================================================================= + Informações. Darcy José dos Santos Mariante Nasceu em 29 de novembro de 1929 em Caxias do Sul (RS), filho de Maria Cândida dos Santos Mariante e Theotonio Mariante Filho. Militante do PTB na década de 1960, mais tarde se integrou ao Grupo dos Onze. Darcy era capitão da BM. Em janeiro de 1965, foi preso e sofreu torturas. Enquadrado no AI-1, foi alijado de suas funções profissionais, o que o fez mergulhar em profunda depressão. Em 8 de abril de 1966, matou-se com um tiro no peito. Seu caso tornou-se conhecido a partir do requerimento de sua família à Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos. ===================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111214/f7335eaa/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8309 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111214/f7335eaa/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 14 19:34:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 14 Dec 2011 19:34:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] LINK_PDF DO LIVRO A PRIVATARIA TUCANA Message-ID: <987EA25F52534D6CBCA08276B0FBD8C0@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger LINK_PDF DO LIVRO A PRIVATARIA TUCANA clique http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2011/12/13/o-pdf-do-privataria-tucana.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111214/245ae8b3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111214/245ae8b3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 15 20:16:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 15 Dec 2011 20:16:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__HIGINO_JO=C3O_PIO___________________?= =?iso-8859-1?q?_________________________________________-CCCXXV-?= Message-ID: <185DC82998CC43A6AD4F0A9AB66874D2@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem HIGINO JOÃO PIO (1922-1969) Filiação: Tarcília Maria Simas e João Francisco Pio Data e local de nascimento: 11/1/1922, Itapema (SC) Organização política ou atividade: Prefeito eleito pelo PSD Data e local da morte: 3/3/1969, Florianópolis (SC) Higino João Pio foi o primeiro prefeito de Balneário Camboriú (SC), eleito pelo PSD em 1965, assim que o novo município foi desmembrado de Camboriú. Em função de disputas políticas locais e, sendo amigo pessoal de João Goulart, foi acusado de irregularidades administrativas após o Golpe de 1964, sendo inocentado na Câmara Municipal. Em fevereiro de 1969, precisamente na quarta-feira de cinzas, Higino João Pio e outros funcionários da Prefeitura foram presos por agentes da Polícia Federal e conduzidos para a Escola de Aprendizes de Marinheiros de Florianópolis. Após prestarem depoimento, todos foram soltos, exceto Higino, que permaneceu incomunicável. No dia 3 de março, a família foi notificada de sua morte, por suicídio. Em seu voto na CEMDP, o relator afirmou que, "os adversários políticos apelaram para a legislação excepcional baixada pelo AI-5, submetendo- o à Comissão Geral de Investigações". Concluiu pelo deferimento em função da morte na prisão por causas não naturais. Sendo um caso pouco conhecido até então, houve pedido de vistas ao processo, buscando-se confirmar a real motivação política da prisão e esclarecer as circunstâncias da morte. A CEMDP localizou no Superior Tribunal Militar o IPM instaurado por ocasião de sua morte. Parecendo evidente, pelo exame das fotos ali contidas, que a cena de suicídio fora forjada, buscaram-se novas informações acerca da prisão. Exame documental revelou que os adversários políticos do prefeito encaminharam cópias da investigação realizada pela Câmara Municipal à Polícia Federal de Curitiba e à Procuradoria Geral. Cerca de um ano depois, o SNI requisitou à Câmara os originais do processo. Insatisfeitos com a morosidade das providências, os denunciantes pediram, por meio de ofício, aplicação do AI-5, com enquadramento no art. 4º, solicitando a cassação do mandato e envio dos autos à Comissão Geral de Investigações para averiguação de enriquecimento ilícito. Foram colhidos depoimentos para comprovar a natureza política da prisão de Higino, todos ressaltando a liderança e o grande prestígio que tinha na cidade. A família fora ameaçada, à época, e optara pelo silêncio. A CGI tentou trancar o andamento do inventário, mas a tentativa foi infrutífera, pois Higino, segundo todos os depoimentos, era cidadão honesto, um político sem mácula, cujo patrimônio diminuíra durante a gestão. O laudo necroscópico, assinado por José Caldeira Ferreira Bastos e Leo Meyer Coutinho, indicava morte por asfixia e enforcamento, registrando não haver equimoses ou escoriações em todo corpo. O laudo de perícia de local mostra que o corpo fora encontrado, trancado à chave, dentro do banheiro, em posição de suspensão incompleta, com o rosto encostado à parede, tendo ao pescoço uma toalha. O exame das fotos, no entanto, mostra que a referida posição de suspensão incompleta é invisível do ângulo tomado. Pelo contrário, o prefeito Higino, um homem de grande porte, tem os pés completamente apoiados ao chão. Considerou a autora do pedido de vistas que estava clara a montagem de cena para sustentar a versão de suicídio, mais clara e mais evidente, já à primeira vista, do que a própria motivação política do assassinato, para a qual fora necessário buscar provas. Apesar do medo, o enterro do prefeito foi o mais concorrido do cemitério de Itajaí e seu nome, desde 1976, batizou uma importante praça daquele concorrido balneário catarinense. ===================================================================================================================== + Detalhes. Fragmento acerca do Regime Militar em Santa Catarina Por Chico Braun O texto abaixo, é um fragmento sobre as perseguições realizadas pelo regime militar em Santa Catarina, que desde a implantação do golpe em 31 de março de 1964, reprimiu, perseguiu e torturou políticos, sindicalistas e estudantes. O caso de higino João Pio é mais um dos que sofreram com as perseguições do regime autoritário em Santa Catarina. A historiografia catarinense ainda tem muito a desvelar sobre a atuação política de estudantes, sindicalistas e outros que pereceram diante o autoritarismo e falta de bom senso provocados pelo regime através da tortura. As perseguições seguiam em Santa Catarina e nem o primeiro prefeito eleito de Balneário Camboriú, Higino João Pio (PSD) não escapou das teias obscuras os órgãos repressivos. Higino João Pio foi mais um dos políticos catarinense a sofrer com as arbitrariedades do ato institucional nº5 (A-5). Figura 4: Higino João Pio foi mais uma vítima dos porões da ditadura sua história ainda necessita ser contada. http://www.hpioconstrutora.com.br/index.php/balneario_camboriu/ Higino João Pio havia recentemente se filiado ao PSD e nas eleições municipais de 1965 derrotou Paulo Wilerich da UDN tornando-se prefeito de Balneário Camboriú. Isso provocou um desencontro político entre Higino e a UDN que era seu antigo partido e que formaram na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, instituindo ampla oposição ao prefeito, os vereadores da oposição iniciam uma investigação em 1966. Depois de uma rápida investigação comandada por vereadores de oposição, a Câmara enviou um documento que pedia a condenação do prefeito ao Ministério Público, que devolveu o processo com a justificativa de 'ilegitimidade dos denunciantes'. Os vereadores levaram então para votação em plenário. Resultado: 4 a 3 pelo arquivamento do processo. Não satisfeitos, os vereadores recorreram à Polícia Federal de Curitiba e à Procuradoria Geral, tentando garantir a prisão preventiva do prefeito. Pouco mais de um ano depois, o SNI requisitou à Câmara os originais do processo (ASSUNÇÃO, 2004, P. 73). Em seguida os vereadores e partidários da oposição solicitaram a aplicação do A-I 5, e o enquadramento de Higino no artigo 4º reivindicando a cassação do mandato e averiguação de enriquecimento ilícito. Esse foi o ponto para que os militares, definitivamente acionassem a repressão, Higino João Pio foi preso na prefeitura junto com assessores e levado a Florianópolis, no quartel da Escola dos Aprendizes da Marinha. Seus assessores foram interrogados e posteriormente liberado ficando Higino João Pio, preso e incomunicável. Em 3 de março de 1969, a família foi comunicada de sua morte a versão oficial descrevia morte por enforcamento com um arame, dentro do banheiro do quartel, indicando que Higino João Pio havia cometido suicídio. A Comissão Especial que tratou dos casos de mortes e desaparecimentos e indenização as famílias pela lei 9.140/95 refutou a versão de suicídio e indicando no texto da comissão: 'A cena montada para a versão de suicídio é mais do que clara e bem mais evidente, num só primeiro olhar, do que a própria motivação política de assassinato, para a qual foi necessária busca de provas' (ASSUNÇÃO, 2004, P. 74). O caso de Higino João Pio é mais um exemplo de que a repressão do regime militar em Santa Catarina foi exercido de maneira brutal e covarde na tentativa de silenciar vozes ou resolver rusgas políticas, demonstrando o vergonhoso caráter autoritário do regime. Referências: ASSUNÇÃO, Luis Fernando. Assassinados pela ditadura - Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 2004. WELCH, Clifford Andrew. Jôfre Corrêa Netto, Capitão camponês (1921 a 2002). São Paulo: Expressão Popular, 2010. ===================================================================================================== FICHA. Higino João Pio Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Higino João Pio Dados da Militância Prisão: 0/0/1969 Camboriú SC Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 3/3/1969 Florianópolis SC Brasil Escola de Aprendizes da Marinheiros Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Federal PF Brasil Biografia Documentos Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. ========================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111215/88ff4ce3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4979 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111215/88ff4ce3/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7048 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111215/88ff4ce3/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 15 20:16:50 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 15 Dec 2011 20:16:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__NOT=CDCIA_DE_PLANO_PARA_ASSASS?= =?windows-1252?q?INAR_JOS=C9_RAINHA?= Message-ID: <7551D667CB69450AA58F0EACD98267CA@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem NOTÍCIA DE PLANO PARA ASSASSINAR JOSÉ RAINHA São Paulo, 13 de dezembro de 2011 JOSÉ RAINHA JR e CLAUDEMIR SILVA NOVAIS, presos pela Policia Federal desde o dia 16 de junho de 2011, por ordem do Juiz Federal da 5ª Vara Federal de Presidente Prudente/SP, foram transferidos em setembro para a Penitenciária Estadual Zwinglio Ferreira (P1) de Presidente Venceslau/SP. Esta semana, José Rainha informou a seus familiares haver recebido notícia, via carta redigida por outro detendo, dando conta de um plano para dar fim a sua vida, bem como a vida de Claudemir Silva Novais. Segundo o conteúdo da carta, o valor oferecido por fazendeiros a outros detentos para executar José Rainha seria de R$500.000,00 (quinhentos mil reais). José Rainha Jr. já foi vítima de tentativas de assassinato por várias vezes, articuladas por setores contrários a reforma agrária, e seu nome foi incluído na lista dos ameaçados de morte divulgada recentemente pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Esta nova ameaça, grave e preocupante, deve ser apurada, sobretudo porque neste momento há uma disputa por terras públicas no Pontal do Paranapanema, reivindicadas para a reforma agrária. A prisão de José Rainha Jr e de outros defensores da reforma agrária ocorreu às vésperas do envio do Projeto de Lei ? PL 687/2011, do governo paulista à Assembléia Legislativa de São Paulo, que busca regularizar a grilagem de terras na região, principalmente para expandir o monocultivo de cana-de-açúcar. E mais, a prisão de José Rainha e Claudemir Silva ocorreu após a publicação da decisão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concluiu o julgamento do Recurso Especial nº617.428-SP, reconhecendo a existência de terras públicas (devolutas) no 15º perímetro da Região do Pontal do Paranapanema, conhecida nacionalmente como região de intensos conflitos agrários. Ao julgar o mencionado Recurso Especial, o STJ considerou como terra devoluta uma área de 92,6 mil hectares (do 15º Perímetro do Pontal do Paranapanema que vai da cidade de Euclides da Cunha Paulista até Teodoro Sampaio/SP), invadidos irregularmente por grandes grileiros de terras, principalmente usineiros. Conclamamos as autoridades, entidades e órgãos públicos, defensores dos direitos humanos, que prezam pela vida, para que dêem amplitude ao fato, com o que, espera-se, não passará despercebido. Rede Social de Justiça e Direitos Humanos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111215/bba5b1ac/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 16 19:55:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 16 Dec 2011 19:55:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O ovo da serpente por Frei Betto Message-ID: <66A0A72866AF489CA824C22A18E991EB@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 16.12.11 - Mundo O ovo da serpente Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Não é preciso ser economista para perceber a grave turbulência que afeta a economia globalizada. Se a locomotiva freia, todos os vagões se chocam, contidos em seu avanço. E o Brasil, apesar do PIB de US$ 2,5 trilhões, ainda é vagão... Todo ano, desde 1980, cumpro a maratona de uma semana de palestras na Itália. Desde o início deste novo milênio eram evidentes os sintomas de que a próxima geração não desfrutará do mesmo nível de bem-estar dos últimos 20 anos. Nenhuma economia podia suportar tamanho consumismo e a monopolização crescente da riqueza. Agora, a realidade o comprova. A carruagem da Cinderela virou abóbora. A União Europeia patina no pântano... Muitas são as causas da atual crise econômica. Apontá-las com precisão é tarefa dos economistas que não cultivam a religião da idolatria do mercado. Como leigo no assunto, arrisco o meu palpite. Desde os anos 80, a especulação se descolou da produção. O mundo virou um cassino global. Sem passaporte e sem vistos, bilhões de dólares trafegam livremente, dia e noite, em busca de investimentos rentáveis. Enquanto o PIB do planeta é de US$ 62 trilhões, o cacife do cassino é de US$ 600 trilhões. A famosa bolha... Haja papel sem lastro! A lógica do lucro supera a da qualidade de vida. A estabilidade dos mercados é, para os governos centrais, mais importante que a dos povos. Salvar moedas, e não vida humanas. Todos sabemos como a prosperidade da Europa ocidental foi alcançada. Para se evitar o risco do comunismo, implantou-se o Estado de bem-estar social. Combinaram-se Estado provedor e direitos sociais. Reduziu-se a desigualdade social, e as famílias de trabalhadores passaram a ter acesso à escolaridade, assistência de saúde, carro e casa própria. Em contrapartida, para não afetar a robustez do capital, desregularam-se as relações de trabalho, desativou-se a luta sindical, sepultou-se a esquerda. Tudo indicava que a prosperidade, que batia à porta, viera para ficar. Não se deu a devida importância a um pequeno detalhe aritmético: se há duas galinhas para duas pessoas, e uma se apropria das duas, a outra fica a ver navios... E quando a fome bate, quem nada tem invade o espaço de quem muito acumulou. Assim, os pobres do mundo, atraídos pelo novo Eldorado europeu, foram em busca de um lugar ao sol. Ótimo, a Europa, como os EUA, necessitava de quem, a baixo custo, limpasse privadas, cuidasse do jardim, lavasse carros... A onda migratória viu-se reforçada pela queda do Muro de Berlim. A democracia política chegou ao Leste europeu desacompanhada da democracia econômica. Enquanto milhares tomaram o rumo de uma vida melhor no Ocidente, seus governos acreditaram que, para chegar ao Paraíso, era preciso ingressar na zona do euro. A Europa entrou em colapso. A culpa é de quem? Ora, crime de colarinho branco não tem culpado. Quem foi punido pela crise usamericana em 2008? Os desmatadores do Brasil não estão sendo anistiados pelo novo Código Florestal? Culpados existem. Todos, agora, se escondem sob a barra da saia do FMI. E nós, brasileiros, sabemos bem como este grande inquisidor da economia pune quem comete heresias financeiras: redução do investimento público; arrocho fiscal, desemprego, aumento de impostos, corte de direitos sociais, punição a países com déficit público etc. O descaramento é tanto que o pacote do FMI inclui menos democracia e mais intervencionismo. Quando Papandréu, primeiro-ministro da Grécia, propôs um plebiscito para ouvir a voz do povo, o FMI vetou a proposta, depôs o homem e nomeou Papademos, um tecnocrata, para o seu lugar. Também o governo da Itália foi ocupado por um tecnocrata. Como se o fim da crise dependesse de uma solução contábil. A história recente da Europa ensina que a crise social é o ovo da serpente - chocado pelo fascismo. Sobretudo quando a crise não é de um país, é de um continente. Não adiantam mobilizações em um país, é preciso que elas se expandam por toda a Europa. Mas como, se não existem sindicalismo combativo nem partidos progressistas? As mobilizações tipo Ocupem Wall Street servem para denunciar, não para propor, se não houver um projeto político. Quem se queixa do presente e teme o futuro, corre o risco de se refugiar no passado - onde se abrigam os fantasmas de Hitler e Mussolini. [Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de "Conversa sobre fé e ciência" |(Agir), entre outros livros. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111216/683ba320/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 16 19:55:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 16 Dec 2011 19:55:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__LAN=C7AMENTO_CONJUNTO_da_galer?= =?iso-8859-1?q?=EDa_virtual__de_fotografias_e_textos_sobre_o_tema_?= =?iso-8859-1?q?=3A_Transic=F5es-_Das_ditaduras_para_a_Democracia_n?= =?iso-8859-1?q?a_Am=E9rica_Latina?= Message-ID: <9A8C77499C48486886292233DBC6B9DA@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Prezados Companheir at s e amig at s A representação regional da Coalizão Internacional dos Lugares de Memória e Consciência, órgão que reúne entidades que lutam pela preservação das memórias políticas de seus países, propôs no ano de 2010 que se montasse uma exposição fotográfica virtual que demonstrasse a história política recente dos países da América Latina. O Núcleo de Preservação da Memória Política, entidade de Sao Paulo criada em maio de 2009 e primerio membro brasileiro da Coalizao , se dispôs a ajudar a elaborar a parte referente ao Brasil , em conjunto com o Memorial da Resistencia em SP, que também faz parte da Coalizão , como primeiro Lugar de Memoria e de Consciencia no Brasil . Foram escolhidas 3 fotos que , ao entender das duas entidades , possuem uma importancia significativa na transição do nosso país de um regime ditatorial, ilegal e ilegitimo, para o caminho da Democracia que vivemos hoje Acreditamos que a importância de se conhecer o passado, é para que violações aos direitos humanos como as praticadas no período ditatorial nunca mais se repitam. E compreendendo o passado, possamos entender o presente e construir um futuro de mais respeito aos direitos humanos e a dignidade humana Espero que gostem e possam espalhar esta exposição virtual entre os jovens e não tão jovens....Tambem anexamos um recorte do jornal Pagina 12 da Argentina que saiu publicado ontem e que faz referencia a esta mostra . Um abraço M.Politi Núcleo de Preservação da Memória Política Av. Brigadeiro Luis Antonio 2344 conj 45 CEP 014002-000 Sao Paulo- SP Tel : 011 - 2306 4801 Visite o nosso site : www.nucleomemoria.org.br -------------------------------------------------------------------------------- TRANSIÇÕES. Da ditadura para a democracia na América Latina. Galeria. http://www.flickr.com/photos/transiciones/sets/72157627958361889/ A presença cada vez mais crescente de regimes democráticos na Amaerica Latina é uma realidade a qual não se pode negar. Mas a combinação de luzes e sombras deste mapa não nos permite uma fácil celebração. Ao mesmo tempo em que nos congratulamos pela frequencia com que participamos de processos eleitorais, não se pode minimizar em alguns países a persistência de funções institucionais ainda deficitárias em graus diversos os quais , em muitas ocasiões, facilitam a violação de Direitos e Garantias elementares de amplos setores da população. Enquanto isso, em outros países, estas mesmas funções institucionais ainda mostram uma severa incapacidade de garantir, a partir do Estado, o direito à vida e à integridade física dos seus cidadãos. Em 2010, os membros da Coalizao Internacional dos Lugares de Memória e Consciencia da Rede Latino Americana se propuseram formatar uma exposição fotográfica que pudesse abordar, através de imagens particularmente relevantes , a história política de nossos países durante o passado recente. Tratou-se de um exercício grupal que levaram adiante as insituições-membros da Coalizão, em cada país , na seleção de imagens mais representativas ou emblemáticas dos periodos de transição de governos autoritários ou de ditaduras nos processos em direção à Democracia, de transições de conflitos armados internos a processos democráticos ou ainda de imagens daqueles momentos considerados chaves e que constituiram-se em fraturas ou pontos de inflexão na história social e política das ultimas décadas. As fotografias de cada painel têm identidade própria , mas os tres painéis, que mostram fatos ocorridos em cada um dos nove países que compõem esta exibição, podem unirr-se numa sequencia possível de vinculação entre si. Como toda tarefa coletiva, a elaboração da exibição fotográfica que hoje publicamos, não foi de fácil realização, principalmente devido à questões de ordem práticas, derivadas do fato de ser esta justamente uma obra que , além de coletiva, foi necessariamente realizada à distancia , além do fato de que se constituiu em uma tarefa que se agregou às agendas e programas de cada um destas instituições . Mas foi também - e olhando este aspecto num sentido positivo - um esforço de entendimento para encontrar os acordos ente olhares distintos, no interior de cada país e cada instituição , para que se constituísse uma seleção efetivamente representativa. Ao desenhar esta nova atividade, tivemos um duplo objetivo: Em primeiro lugar quisemos estudar a possibilidade de gerar uma obra que pudesse ser itinerante , na medida em que utilizando-se de simples mecanismos de reprodução dos paineis, esta pudesse ser exibida em cada um dos Lugares de Memória e Consciencia , membros da rede, e até mesmo em outras instituições. O segundo objetivo foi provocar o debate sobre as formas com as quais representamos - nas exposições museológicas de nossas instituições- as transições ou os fatos que marcaram verdadeiras etapas nesta história recente que pretendemos contar. Seus autores somos as seguintes instituições: * Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos de Paine (Paine, Chile) * Asociación Caminos de la Memoria (Lima, Perú) * Archivo Histórico de la Policía Nacional (Ciudad de Guatemala, Guatemala) * Archivo Provincial de la Memoria (Córdoba, Argentina) * Asociación Paz y Esperanza (Perú) * Casa por la Memoria y la Cultura Popular (Mendoza, Argentina) * Centro Cultural por la Memoria de Trelew (Argentina) * Centro Cultural y Museo de la Memoria - MUME (Montevideo, Uruguay) * Centro de Investigaciones Regionales de Mesoamérica (La Antigua Guatemala, Guatemala) * Centro Fray Bartolomé de las Casas (San Cristóbal de Las Casas, México) * Corporación Parque por la Paz Villa Grimaldi (Santiago, Chile) * Dirección de Derechos Humanos del Municipio de Morón (Morón, Argentina) * Dirección de Verdad, Justicia y Reparación (Asunción, Paraguay) * Estadio Nacional (Santiago, Chile) * Memoria Abierta (Buenos Aires, Argentina) * Memorial Da Resistencia ( Sao Paulo , Brasil) * Movimiento Ciudadano Para que no se Repita (Perú) * Museo de la Memoria (Rosario, Argentina) * Museo de la Memoria y los Derechos Humanos (Santiago, Chile) * Museo de las Memorias: Dictaduras y Derechos Humanos (Asunción, Paraguay) * Museo de la Palabra y la Imagen (San Salvador, El Salvador) * Museo Memorial de la Resistencia Dominicana (Santo Domingo, República Dominicana) * Núcleo da Preservacao da Memória Política ( Sao Paulo, Brasil) * Sociedad Civil Las Abejas (Acteal, México) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111216/8ce4fc42/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 17 15:16:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 17 Dec 2011 15:16:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__JOS=C9_INOC=CANCIO_BARRETO__e__Luiz_?= =?iso-8859-1?q?Inoc=EAncio_Barreto_e__Jo=E3o_Inoc=EAncio_Barreto__?= =?iso-8859-1?q?____________-CCCXXVI-?= Message-ID: <19289099EAE244D9B4299293E59E4A71@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem JOSÉ INOCÊNCIO BARRETO (1940-1972) Filiação: Cosma Laurinda de Lima e Manoel Inocêncio Barreto Data e local de nascimento: 16/10/1940, Escada (PE) Organização política ou atividade: sindicalista rural Data e local da morte: 05/10/1972, Escada (PE) O camponês e líder sindical rural José Inocêncio Barreto era casado com Noemia Maria Barreto e tinha três filhos. Foi morto a tiros por agentes do DOPS/PE, em 05/10/1972 no Engenho Matapiruna, na cidade de Escada (PE). Seu nome constava no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos como José Inocêncio Pereira, a partir de denúncia apresentada pela CNBB, divulgada em nota oficial emitida pela Arquidiocese de Olinda e Recife. Relatório do DOPS/PE informa que forças de segurança foram ao município de Escada para efetuar a prisão de Luiz Inocêncio Barreto, conhecido na região por 'Luiz Carneiro', irmão de José Inocêncio, e de outro trabalhador citado apenas como Anselmo. Anselmo foi detido e os oficiais foram em busca de Luiz Inocêncio no Engenho Matapiruna de Baixo. Na versão oficial constante do inquérito, os policiais do DOPS afirmam que os irmãos Barreto teriam reagido com golpes de foice à prisão. O ofício assinado pelo delegado Bartolomeu Ferreira de Melo e encaminhado ao DOPS na mesma data da morte do camponês fala de atos subversivos praticados por Luiz Inocêncio Barreto e seus adeptos. O documento diz, ainda, que foram apresentados os cadáveres de Severino Fernando da Silva e José Inocêncio Barreto ao IML. Os legistas José Marcos Ionas Pereira Barbosa e Lúcio José Rodrigues apontaram como causa mortis "hemorragia interna e externa, decorrente de ferimentos transfixantes da cabeça, tronco e membros causados por projéteis de arma de fogo". Na CEMDP o requerimento foi deferido por unanimidade em julgamento realizado em 1º/12/2004. Os familiares de Severino não apresentaram requerimento à CEMDP. Estranhamente os nomes de Severino Fernandes da Silva e José Inocêncio Barreto constam dos livros de Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-CODI/SP, como tendo sido mortos, em 6/10/72, por "terroristas durante agitação no meio rural". ========================================================================================================================= + Informações. JOSÉ INOCÊNCIO BARRETO (JOSÉ INOCÊNCIO PEREIRA) Camponês. Foi morto a tiros por agentes do DOPS, em 5 de novembro de 1972, no Engenho Matapiruna, na cidade de Escada, em Pernambuco, segundo denúncia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, divulgada em nota oficial emitida pela Arquidiocese de Olinda e Recife. ========================================================================================================== + Informações José Inocêncio Barreto, Luiz Inocêncio Barreto e João Inocêncio Barreto Filhos de um camponês, os irmãos José, Luiz e João Inocêncio Barreto cortavam cana no Engenho Matapiruma, em Escada (PE), quando, em 5 de outubro de 1972, ocorreu o chamado "Massacre de Matapiruma". Na ocasião, um grupo de lavradores trabalhava no canavial quando chegaram três viaturas policiais, com oito homens armados que passaram a fuzilar os camponeses. Eram agentes do Departamento de Ordem Política e Social de Pernambuco (DOPS/PE). Cinco trabalhadores reagiram, defendendo-se com foices e facões, enquanto a maioria do grupo fugia. O conflito deixou dois mortos e vários feridos. O lavrador José Inocêncio Barreto, de 31 anos, foi morto a tiros, deixando órfãos dez filhos. Também foi morto o vigia do engenho, Severino Fernandes da Silva, que atuava como capanga do usineiro. Alvejado com oito tiros, João Inocêncio Barreto, de 35 anos, foi internado no Hospital Pronto Socorro, assim como os investigadores Pedro Vieira e José Timóteo. O terceiro dos irmãos, considerado um dos líderes dos trabalhadores, Luiz Inocêncio Barreto, de 37 anos, conseguiu fugir. Na época, os jornais da região silenciaram sobre o massacre. Apenas uma reportagem publicada pelo O Estado de São Paulo, em 09/10/1972, noticiava o fato, com informações dadas pela única testemunha que se propôs a falar: o menino José Inocêncio Barreto Sobrinho, de onze anos. Quarenta e três dias depois do episódio, a Arquidiocese de Recife divulgou um boletim fornecendo os detalhes do conflito iniciado um ano antes e que teve ali seu triste ápice. O enfrentamento entre o dono do engenho Matapiruma, José Metódio Pereira, e os trabalhadores na cana foi deflagrado quando setenta e dois empregados ingressaram na Justiça do Trabalho com ações reclamando o não pagamento de férias, 13º salário, repouso, entre outras irregularidades. Os trabalhadores venceram a questão em todas as instâncias, mas o proprietário do engenho recusou-se a pagar seus direitos. Os trabalhadores passaram a ser perseguidos não apenas pelo senhor de engenho, mas também pela polícia local, apontados como "comunistas". Havia treze processos trabalhistas em fase de execução quando o clima de terror foi espalhado na propriedade, com vigias armados ameaçando os líderes para que recuassem do processo. Os trabalhadores fizeram um documento detalhando o caso e o encaminharam à Secretaria de Segurança Pública, à Delegacia Regional do Trabalho, à Polícia Federal, a autoridades civis e militares, sem que nenhuma providência fosse tomada. O padre Antônio Melo sugeriu que os líderes do movimento apresentassem o caso ao Comando Militar, em Recife. Os camponeses enviaram, então, a documentação ao comandante do IV Exército. No dia 14 de setembro de 1972, um tenente e um sargento, apresentando- se como do Exército, foram até o engenho. Com uma relação de nomes de trabalhadores, o sargento passou a interrogá-los e apreender as armas que mantinham para sua defesa pessoal. Depois disso, o advogado dos camponeses dirigiu-se ao IV Exército e recebeu a informação de que não havia nenhuma ordem oficial para a ação.Nordeste, uma região "perigosa" Em entrevista concedida, em 1998, ao historiador Antônio Montenegro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luiz Inocêncio Barreto afirmava que, quando ocorreu o golpe de 1964, muitos trabalhadores rurais da região foram mortos. Taxavam o cabra de comunista. E, por causa disso, queriam também me taxar de comunista, que eu nem era comunista, nem sou e nem sei o que é esse tal de comunista... Em meio às mudanças do pai de um engenho a outro, Luiz tinha crescido no Engenho Matapiruma. As dificuldades para estudar eram grandes, mas o filho de um morador do sítio Olho D'Água montou uma classe para ensinar às crianças. Naquele grupo, Luiz era considerado o "mais desenvolvido". Depois, a convite do professor, Luiz passou a freqüentar reuniões no Centro Social Urbano em Ribeirão. "Através do colégio, eu tive o conhecimento com Zé Pedro (diretor da escola) e esse Zé Metódio (dono do engenho) ficou dizendo que eu era comunista". Na década de 1960, Luiz havia sido suplente numa chapa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Escada. Depois, veio uma nova campanha eleitoral e Marcos Martins da Silva, o então presidente, sugeriu seu nome como vice. Mas houve fraude nas eleições e a chapa perdeu. Nesta época, a vida era difícil no engenho. "Quando morria um trabalhador, o senhor de engenho não queria dar o caixão, nada, nem queria que o trabalhador fosse pro enterro". Agora, se morresse alguém ligado à casa-grande, havia um caminhão à disposição para o transporte. Se uma morte ocorria nas famílias camponesas, sendo o cemitério distante, iam dez pessoas, doze, no máximo eram quatorze pessoas pra arrastar três léguas um morto nas costas. A gente chegava com isso aqui... aqueles tampos arrancados, feridos. Então, quando foi um dia eu disse à turma: "Olha, nós estamos numa escravidão enorme. Então, vamos fazer o seguinte: quando morrer uma pessoa da nossa família, nós largamos o serviço e todos vão. Se precisar ir de tarde, então de tarde vamos para o enterro. Se a pessoa morre de noite, vamos de manhã". Daí surgiu a idéia de uma caixinha em que todos contribuíssem para as despesas da compra do caixão. Sabendo dessas iniciativas, o patrão mandou os capangas vigiá-lo. Não integrando a gestão do sindicato, Luiz passou a reunir-se com os companheiros na barbearia em que trabalhava nos fins de semana. Eu aprendi o trabalho de barbeiro e eles se agrupavam pra gente trocar idéias. Quando é um dia os trabalhadores disseram: "Mas, rapaz, nós não ganhamos... décimo, nós não ganhamos férias, aqui nós não ganhamos nada, esse homem não paga direito nenhum". Eu fui ao sindicato. No sindicato, um rapaz lá disse: "Olha, vamos botar na Justiça." Aí nós nos juntamos e botamos na Justiça, eram 72 trabalhadores. Ganhamos todos os processos, aí foi que a marcação ficou em cima de nós. (...) Quando nós ganhamos a questão, o patrão não respeitou a Justiça, não. Foi preciso penhorar o gado dele. Penhoram o caminhão, penhoraram um jipe, uma máquina de datilografia. Ele não respeitava. Trabalhador com 25 anos no engenho ele botou pra fora. Tinha um vigia que era o terror de lá (...). Numa ocasião o vigia estava limpando um rifle e fez um comentário ouvido por Francisco, um rapaz que trabalhava na casa-grande e que era amigo de Luiz Inocêncio: "Esse rifle já... tem muita morte, hein, Chico?" E passou a contar, vangloriando-se das atrocidades cometidas: "Olha, Francisco, nós chegava, naquela época de 64, nós chegava na fechadura, atirava na fechadura (...), entrava, pegava o trabalhador e metia...Matava no canto. Teve gente que foi arrastado no rabo do cavalo... Era amarrado e saía arrastado... naquela época de 64". Apavorado, o rapaz que ouviu essas histórias contou-as aos companheiros. Em seguida, desapareceu. Aí a gente soube que mataram o menino. O menino desapareceu... até hoje... Quando viemos a saber, chegou a ossada dele no cemitério de Escada. O coveiro não queria enterrar. Aí ele [o vigia] disse: "Ou enterra ou vai se dar mal!". O coveiro, com medo de morrer, enterrou. Não tomaram nem conhecimento. Quando era suplente da direção do sindicato, Luiz denunciou os crimes e violências praticados pelos capangas do usineiro, mas sabia que o delegado de polícia de Escada, o "capitão Bartolomeu", como ele denomina, estava "do lado do patrão". Recordava-se das perseguições e das ameaças de morte - de fato cumpridas - contra o trabalhador Severino Joaquim porque ele, com a esposa grávida, reclamava os seus direitos. Para acabar com o incômodo, o vigia atirou no trabalhador. Tudo prenunciava a tragédia de Matapiruma. Até que na manhã do dia 5 de outubro de 1972, chegou o grupo de oito homens armados em três carros. Um dos carros estacionou na chamada Volta da Gamela. Outro ficou na curva do caminho que dava para a colheita. Eram 37 trabalhadores cortando cana. Naquele dia, às oito horas da manhã, os canavieiros haviam recebido a informação de que iam receber todos os seus direitos: o patrão ia pagar tudo o que devia. Perto das dez horas, Luiz terminou de cortar a cana e amarrou os vinte e cinco feixes. Estava saindo para uma audiência na Junta de Conciliação e Julgamento de Escada. Viu quando chegaram os carros na estrada de cima. Um dos homens desceu e disse: "Chama aí, José Inocêncio Barreto e João...". Depois acrescentou: "Não, são três: é Luiz também!" Luiz estava a uma distância de cinqüenta metros, encontrou José e lhe disse: "Não vá não, esses homem são estranhos. Não vá não... não vá não que isso aí tem coisa!" O irmão respondeu: "Quem não deve, não teme". Luiz ainda insistiu: "Não vá não, José." Mas a esta altura, o outro irmão, João, já andava em direção aos forasteiros: "Eles não tão chamando, quem não deve, não teme, vamos!" Vendo o irmão, José disse: "É, se... se você vai, eu vou também, se morrer um, morre os dois!" Luiz decidiu: "Assim não são os dois, são os três!" Foi seguindo os irmãos, a uma distância de dez metros. O vigia já chamando: "Venha você, venham, venham os três." Quando os irmãos se aproximaram o vigia avançou sobre José, que desviou o corpo. Depois, atacou João. "Nós sabendo que ele era pistoleiro, quando ele foi em cima de João foi logo com a mão no revólver. Aí José não teve dúvida: meteu-lhe a foice, pegou na mão dele, o revólver caiu". Policiais balearam José e João. José ainda se levantou. Luiz estava em meio ao tiroteio. A maior parte dos trabalhadores correu, jogando-se em meio às palhas da cana. E o senhor de engenho, esperando na mata do lastro, com uma buchada de bode, que era para comer, para fazer tira-gosto.... E a gente ser torturado, que era pra dizer que a gente tinha envolvimento com comunista, com as pessoas comunistas. E a gente não tinha. Quer dizer que ele queria que a gente tivesse. Porque o Marco [Marcos Martins da Silva] também... O Marco que era presidente do sindicato foi pego três vezes como que fosse comunista e o Marco não era... Lá [no confronto] morreu meu irmão [José], morreu o vigia. O meu irmão [João] levou oito tiros. Eu saí baleado (...) e deles ficou cinco cortado. Um ficou sem orelha, outro ficou sem a mão, outro ficou sem o dedo... E eles pensando que iam só pegar... foi engano deles! Quando vieram, se os outros tivessem uma atitude, tinham tocado fogo logo no carro, tinham tocado fogo na cana, tocava fogo no carro que eles não tinham pra onde correr também. Mas eles pegaram o carro e saíram. Quando chegaram no rumo de Matapiruma com Campestre (...) tinha uma caixa d'água, que era da máquina, caíram com a Rural dentro da cana [acidentados]. E eles vieram pro hospital em Escada. Uns pistoleiros [do grupo] eram da Polícia Federal. Depois do massacre, Luiz, com uma bala alojada no braço, rumou para a Volta do Cachorro. Entrou na cana, viu um carro e pôde escutar uma conversa: "É, um morreu, o outro não escapa, talvez não escape. E o outro... deve tá morto dentro da cana." Continuou a andar até chegar num lugar chamado Rampa do Pixá, onde nasceu. Pensou: "Eu vou dormir naquele lajedo, vou dormir dentro dos matos". Quando saiu dali, foi até a casa da irmã. Ela e o marido lhe deram dinheiro, assim como seu Justino e seu Amaro José, que lhe disse: "Pode ir embora, que se você ficar aqui vai ser morto!" Escondendo-se, foi à casa de Zé Pedro, o diretor da escola. Por intermédio dele conheceu o padre Servat, que se tornou para ele uma espécie de "herói". "Servat foi duas ou três vezes lá na casa de Zé Pedro conversar comigo". Foi através dele que o líder camponês conheceu os bispos Dom Hélder, Dom Lamartine e Dom Fragoso. "Então, encontrei uma firmeza no padre Servat e uma coragem nele pela qual ele encorajava todo aquele pessoal". O padre foi visitar seu irmão João, no hospital, e também foi ver sua família para levar notícias suas. Luiz soube que José, o irmão morto no conflito, havia sido enterrado como indigente. João permaneceu seis meses no hospital e outros vinte e seis meses preso. Outros dois irmãos, Mariano e Francisco, também foram detidos por algum tempo. Nem as rádios, TVs ou jornais da região noticiaram a tragédia. O fato estava encoberto por uma cortina espessa de medo. Mas, dias depois, o dono do engenho, José Metódio Pereira, "ficou horrorizado quando a notícia saiu no jornal do sul [O Estado de São Paulo]. Foi quando ele foi preso". Por longo tempo, Luiz teve de viver escondido, mudando de cidade e até de estado. "Eles estavam me procurando, nem a mulher sabia onde eu estava". Nos recados que mandava para a esposa, mencionava, por exemplo, que se encontrava em Campina Grande quando, na verdade, já estava em Olinda. No interior de Campina Grande, ainda com a mão ferida, trabalhou numa plantação de tomates. Depois, já tendo recebido a indenização trabalhista, foi trabalhar como vigilante. A abertura dos arquivos do DOPS forneceu novas chaves para a elucidação do episódio de Matapiruma.17 Uma correspondência confidencial enviada pelo delegado do DOPS/PE, Bartolomeu Ferreira de Melo, ao comando do IV Exército, datada de 11 de janeiro de 1973, informava que havia sido instaurado, em 5 de outubro de 1972 - mesma data da chacina - um inquérito policial, já então em fase de conclusão, "para apurar as atividades subversivas que estariam ocorrendo no Engenho Matapiruma", segundo os documentos confidenciais que haviam sido enviados pelo Delegado de Polícia de Escada (PE). Uma lista elaborada pela Secretaria de Segurança Pública continha 16 nomes de camponeses que estariam diretamente envolvidos em atividades de "subversão". Entre eles, os irmãos Luiz e João Inocêncio Barreto e o sindicalista Marcos Martins da Silva, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Escada. Nos arquivos, um documento confidencial, datado de 4 de outubro de 1972, que foi enviado pela Delegacia de Polícia de Escada ao DOPS, "em atenção à solicitação verbal". Neste, eram mencionadas as "agitações subversivas" que existiriam nos Engenhos Matapiruma de Baixo, Cachoeira Tapada e Usina Barão de Suassuna, entre outras. Um item descrevia a rotina do trabalhador Luiz Inocêncio Barreto, conhecido como "Luiz Carneiro", inclusive com pormenores de que, aos domingos vendia frutas na feira e que, aos fins de semana, exercia a atividade de barbeiro. Mencionava que ele era eleitor inscrito na zona eleitoral e também associado ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Escada, do qual tinha sido candidato a vice. Outro item do documento informava que Luiz Inocêncio Barreto "vinha fazendo reuniões de camponeses em sua residência, muitas vezes à noite e a portas fechadas". Mencionava que ele tinha passado a realizar reuniões na barbearia onde trabalhava, "para onde se dirigem seus adeptos, em pequenos grupos". Além dos nomes de supostos subversivos - como Aniceto Sebastião Pereira, Manoel Vieira de Moura, Antônio Sebastião Ferreira e José Tertuliano, em outros engenhos -, o delegado de polícia de Escada remetia ao DOPS uma fotografia de Luiz Inocêncio Barreto. Uma correspondência anterior mostra que um relatório com essas informações havia sido solicitado ao DOPS pelo comando do IV Exército em 4 de setembro de 1972 - paralelamente aos esforços dos trabalhadores do Engenho Matapiruma para que seus direitos fossem reconhecidos. Em 2004, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), com base na Lei da Anistia, deferiu o requerimento apresentado pela família de José Inocêncio Barreto para o reconhecimento da responsabilidade do Estado na sua morte. O relatório da Comissão menciona que o nome de José Inocêncio e do vigia Severino Fernandes da Silva constam dos livros escritos pelo ex-comandante do DOI-CODI/SP, o conhecido torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, como tendo sido mortos em 06/10/1972 por "terroristas durante agitação no meio rural". Nos documentos do DOPS, investigações sobre as "agitações subversivas" 17. Cópias destes documentos foram fornecidos a este projeto pelo historiador Antônio Montenegro, da UFPE. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111217/b52813dd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3637 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111217/b52813dd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 17 15:16:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 17 Dec 2011 15:16:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__=22O_estado_de_d=EDvida_--_A_?= =?windows-1252?q?=E9tica_da_culpa=22_=5B_Christian_Marazzi_=28entr?= =?windows-1252?q?evista=29_Il_Manifesto=2C_It=2E_=28traduzido=29?= =?windows-1252?q?=5D?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Vila Vudu O estado de dívida ? A ética da culpa 3/12/2011, Christian Marazzi, entrevista a Ida Dominijanni, Il Manifesto, Itália http://mobile.ilmanifesto.it/area-abbonati/argomenti/manip2n1/20111203/manip2pz/314394/? (em italiano) http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=6399 (em inglês, trad. Jason Francis Mc Gimsey, de Uninomad 2.0) Missão impossível: salvar o euro, a avalanche da des-europeização e o cataclismo geopolítico que pode advir daí. Mas a crise tampouco pode ser resolvida com ?austeridade?, que só produz recessão e depressão. Entrevista com Christian Marazzi sobre expiação, depois do surto neoliberal, e sobre o comum, como antídoto. Christian Marazzi é economista, professor universitário na Suíça, em Pádua, em New York e em Genebra, e intelectual ativista muito respeitado nos movimentos da esquerda radical; é também um dos analistas mais lúcidos da atual crise financeira: foi dos primeiros a diagnosticar, em 2009, o caráter histórico e o impacto global da crise; quando explodiu nos EUA, Christian Marazzi, previu o inevitável envolvimento da eurozona. Analista inteligente e afiado da financialização ? o modus operandi do biocapitalismo pós-fordista ?, Marazzi não acredita que a crise seja superável ou que se possam conter, com política economicamente duras, as suas contradições. Começamos pelo resgate do euro, para, adiante, considerarmos o que vem pela frente. Il Manifesto: O desenrolar da crise provou que suas análises estavam certas. Em dois anos, o epicentro da crise deslocou-se dos EUA para a Europa e, em apenas poucas semanas, trocamos o risco de calote de vários países, entre os quais a Itália, para o risco de colapso de toda a eurozona. Seria o colapso da União Europeia, nos termos em que foi (mal) construída até agora. Em sua opinião, como a situação pode evoluir? Christian Marazzi: As entrelinhas das notícias são eloquentes. Na Europa, cresce a ira conta a rigidez da Alemanha e de Angela Merkel. Ela não dá qualquer sinal de apoiar as duas propostas que todos consideram indispensável para evitar o cataclismo na Europa: a monetização da dívida soberana, pelo Banco Central Europeu (BCE) e a criação dos eurobonds para reduzir o peso dos juros sobre eles nos países mais vulneráveis aos mercados financeiros. Il Manifesto: Você também considera indispensáveis essas medidas? Christian Marazzi: São medidas importantes, mas infelizmente vêm tarde demais: a crise acelerou tanto nas últimas semanas, que essas medidas tornaram-se inaceitáveis. Transformar o BCE num verdadeiro banco central, como o Federal Reserve ? que pode funcionar como financiador de última instância para comprar os papéis dos países-membros endividados, tirando o poder dos mercados para decidirem como e onde intervir ? é ideia sacrossanta, mas já é irrealizável, ante a fuga de capitais que já estão voando para fora da eurozona. Vê-se a fuga bem claramente, no último leilão de papéis alemães e nas 1.500 toneladas de ouro que, ao que se ouve dizer, acabam de chegar à Suíça. Nesse ponto, a monetização da dívida, pelo BCE, só aumentará a fuga de capitais e acelerará o colapso do euro. Não foi acaso que, até hoje, até Draghi se oponha a essa solução. O mesmo vale para a instituição dos eurobonds, papéis lançados e garantidos pelo conjunto dos países-membros para ?mutualizar?, ou socializar, as várias dívidas soberanas: também é medida sensível, mas a probabilidade é zero, de vê-la posta em prática, porque os países mais fortes, como França, Holanda, Finlândia, Áustria e Alemanha veriam subir instantaneamente as suas taxas de juros, num momento em que as empresas já enfrentam aumentos dolorosamente proibitivos no preço do dinheiro, porque o dinheiro líquido em circulação encolhe dia a dia. Seja como for, nem o acordo parcial a que chegaram na Cúpula de Bruxelas na 5ª-feira, nem a austeridade máxima imposta a países endividados conseguirá ser ?austera? o suficiente para resgatar o euro. Não será resgatado. É questão de tempo. Il Manifesto: Você, então, prevê um colapso? Christian Marazzi: O fato é que a crise da moeda única construída por princípios monetaristas e neoliberais chegou a um beco sem saída. Aparece bem claro, na rigidez de Merkel, que é movimento tático para tornar inevitável o afastamento da Alemanha, do euro, e aproximar a Alemanha, outra vez, do marco. Há novas reuniões já mencionadas, talvez entre o Natal e o início de janeiro, quando todos estivermos ocupados com outras coisas. A inconvertibilidade do dólar também foi resolvida assim, nos feriados do verão, em agosto. Aqui na Suíça já há lendas urbanas, em circulação, sobre o início da impressão de notas de marcos. Il Manifesto: Se realmente acontecer, teremos que tipo de cenário? Christian Marazzi: Nascerá uma forte zona monetária, com Alemanha, Holanda, Finlândia e Áustria, com o franco suíço e a coroa sueca amarrados. O euro, fortemente desvalorizado e com a consequente inflação, continuará a ser a moeda dos países fracos os que, em troca, encontrarão o meio para reduzir suas dívidas. Nessa hipótese, a França é a carta coringa. Para os países mais destruídos pelos mercados, será um cataclismo no plano econômico. Mas o verdadeiro cataclismo será geopolítico. De fato, essa fissura iniciaria um processo de des-europeização, com um eixo de Alemanha, China, Rússia e Brasil, e outro de França e EUA. Não é ficção científica e as agências financeiras internacionais já trabalham com esse modelo. Contudo, o que ninguém diz que isso pode, sim, iniciar uma Guerra Fria com China, Rússia e Turquia coordenando ações para defender o Irã contra as ameaças de Israel. É muito preocupante que ninguém esteja discutindo essa questão: a situação dos iranianos é explosiva. Também é muito preocupante que só se fale da crise europeia e que se ignore a situação dos EUA onde, até hoje, continua a crise dos papéis podres, o número de pobres já alcança 46 milhões, o desemprego é de 15% (em vários setores é três vezes maior que isso), Obama nada consegue fazer, e a única esperança de que seja reeleito é a agressividade, a loucura, dos Republicanos. Il Manifesto: Há diferenças entre as tendências da crise nos EUA e na Europa? Christian Marazzi: No plano econômico, não. As dívidas soberanas na Europa são equivalentes aos papéis podres que circulam nos mercados dos EUA; os estados endividados representam o mesmo papel que as pessoas, os indivíduos, endividados. Mas há uma diferença, com desvantagem para a Europa, e é desvantagem política. Melhor ainda, é diferença nos planos institucional e constitucional: na Europa não há Constituição nem há Banco Central. Há o BCE, mas que delega a monetização das dívidas aos mercados, injetando liquidez nos mesmos bancos que ajudaram a criar a dívida pública e que, hoje, especulam contra ela. Il Manifesto: Nesse quadro macrorregional e global, que papel têm e que sentido fazem as políticas nacionais de ?austeridade?? Na Itália, criaram-se muitas expectativas com a transição Berlusconi-Monti e o surgimento da equipe ?técnica? de Monti, se não de alguma recuperação da credibilidade, pelo menos de algum poder efetivo para intervir nos mercados ou em dinâmicas que dependam deles. Mas que efeito podem tem os chamados ?sacrifícios? sobre a dívida soberana e a especulação contra ela? Christian Marazzi: Não como sair da crise. A Itália não sairá da crise: a recessão já está à vista, e estará completamente à vista em poucos anos. As políticas de ?austeridade? têm efeito deflacionário, porque comprimem a demanda interna e não cabe esperar que as exportações compensem isso. Mas só se fala sobre políticas de ?austeridade?, porque esse é o catecismo neoliberal que ainda prevalece na Europa e em todo o ocidente e é muito duro de matar. As medidas de ?austeridade? são usadas e continuarão a ser usadas como ?medidas emergenciais? ou, para usar o termo de Naomi Klein, como ?economia de choque?, porque permitem fazer coisas que não se podem fazer em tempos normais: arrochar salários, reduzir empregos públicos, atacar sindicatos; o famoso ?açougue social?. Essa é a lógica da crise da governança: uma regulação técnica e tecnocrática das relações sociais, no estado de emergência. O vice-primeiro-ministro da China disse muito bem, em entrevista ao Financial Times: o que vem pela frente é uma nova Idade Média financeira e social. Il Manifesto: E com que características políticas e antropológicas? Você jamais fala só de economia... Christian Marazzi: Alguns processos já estão visíveis. O primeiro, é a precarização da Constituição. O segundo ? você também escreveu sobre ele, analisando a ?passagem para Monti? ? é a autonomia política que passa a valer zero no estado de exceção. O terceiro é a passagem de um estado de bem-estar para um estado de dívida, no sentido de falta, de carências dentro da sociedade: nesse estado, o social representa-se ele mesmo, sob a forma das dívidas e dos disciplinamentos; é disciplinado, de fato, pela própria dívida. Ou, então, é disciplinado pela dívida e pela culpa, nos dois sentidos da palavra Schuld em alemão: um termo nietzscheano, que reapareceu no coração do maravilhoso livro de Maurizio Lazzarato, La fabrique de l'homme endetté [A Fábrica do Homem Endividado][1]. É a dívida como ferramenta antropológica da autodisciplina do homem neoliberal. Il Manifesto: É bem claro no que está acontecendo na Itália, onde, numa piscadela, passamos da ética do prazer, nos 20 anos de reinado de Berlusconi, para uma ética de penitência, com o governo Monti. Mas por quanto tempo você acha que essa ferramenta pode durar? O sujeito neoliberal descrito por Foucault, o empresário-de-si-mesmo que se alimenta de consumo e endivida-se, está alimentando-se agora de culpas pelas próprias dívidas? Houve alguma evolução, ou vivemos a crise da ética neoliberal? Christian Marazzi: Por hora, vejo uma completação, uma realização: o neoliberalismo está realizado, na essência, nessa fábrica que fabrica o homem endividado. O empresário-de-si-mesmo produz as próprias dívidas que agora o disciplinam mediante uma ferramenta, a culpa. Mais que isso, há também a completação, a realização, ou a revelação, da essência do dinheiro: dinheiro é dívida, a financialização do capital nos transformou todos em sujeitos endividados; o valor é produzido pela via negativa, por uma máquina depressiva. Il Manifesto: Mas há os indignados, os que não concordam, os que se rebelam, felizmente. O que você pensa dos Indignados e de Occupy Wall Street? Christian Marazzi: Para ficarmos com Foucault, ele diria que os Indignados são um movimento parresiástico[2]: movimento de pessoas que dizem a verdade. Denunciando a hipocrisia dos mercados, revelando que todas as dívidas são ?odiosas?, ilegítimas, fruto de usura, ganância e expropriações, declarando que os bancos provocaram essa crise e não pagarão por ela. Tudo isso significa afirmar a verdade, do ponto de vista do povo, contra os mercados. Assim, o movimento de Madrid trabalhou um espaço de absoluta democracia, como uma grande assembleia constituinte do comum, baseada no estar e permanecer juntos no espaço público: uma espécie de virar pelo avesso a ética hobbesiana do medo, depois do qual se tornam para mim muito claramente visíveis uma marca ?feminina? nas práticas relacionais e uma ecologia política do cuidado. O crescimento do movimento em escala europeia é o único antídoto ao processo de des-europeização que discutimos no início. Mas um ânimo constituinte também está presente, sob a forma de autodeterminação local. Não há outro modo para quebrar a ferramenta-chave do pós-fordismo, a exploração do conhecimento e das relações, se não se investe na produção do comum, sobretudo hoje, quando as políticas de ?austeridade? trazem mais privatização e venda de bens comuns ? da água ao patrimônio cultural. Mas produzir o comum significa organizar-nos em planos locais, nos equiparmos, nós mesmos, para resolver os problemas de fornecer a nós mesmos a água, a eletricidade, o transporte, saneamento básico, e até, porque não, serviços bancários nos nossos próprios bairros. Il Manifesto: Loretta Napoleoni, com quem você se reunirá hoje numa livraria feminista em Milão, escreveu, há dois anos, que hoje, no mundo, só as finanças islâmicas ainda preservam a função social dos bancos. E que deveríamos redescobrir as finanças islâmicas de, pelo menos, um ponto de vista: nas finanças islâmicas não há especulação. Christian Marazzi: É verdade, no sentido de que temos de reintroduzir o nível justo de solidariedade, no coração das contradições produzidas pela crise. Uma re-socialização da dívida e atenção à função social original dos bancos pode ser um caminho para deter, a nosso favor, a financialização do capital, enfrentando essas questões. Il Manifesto: Mas a financialização pode ser interrompida ou revertida? Você explicou que a economia da finança já não pode ser separada da economia real e que isso é resultado de os comportamentos e as formas de vida das pessoas comuns terem sido envolvidos no mesmo processo: o consumidor que compra picolés com cartão de crédito; trabalhadores que organizam fundos de pensão, classes médias que se afundam na miséria por insistir em comprar casas hipotecadas a bancos, os pobres que se afogam em dívidas, para as quais só têm a oferecer, como garantia, a própria ?vida nua?... Se isso é verdade, será ainda possível des-financializar o sistema, parcialmente, pelo menos? Ou trata-se, só de extrair daí pelo menos um pouco dos abusos dos bancos? E se produção e consumo são processos tão intimamente conectados às dívidas, é possível ainda evitar os resultados mais recessivos e depressivos da crise? Christian Marazzi: A des-financialização está sendo usada pelo próprio capitalismo, na forma recessiva que adota para reduzir a dívida, que já discutimos. É uma forma que deprime a demanda e o consumo. E a disciplina da dívida, que deprime a vida propriamente dita. Em vez disso, temos de trabalhar para reconverter a renda privada em renda social: socializar a dívida, relançar a demanda e o consumo de bens socialmente úteis, reapropriar-nos do espaço público, reconstruir a socialidade e a felicidade coletiva. Isso, precisamente, é o comum e não há outro meio para escapar da espiral automutilante da financialização. Algumas das palavras-chaves que se usaram nas lutas sociais nos últimos anos, como a renda mínima e uma taxa Tobin, já trabalham nessa direção. Il Manifesto: E o que você pensa sobre o direito à insolvência? Os movimentos sociais apresentam-no como um direito de resistir à financialização da vida, muitos economistas disseram que é movimento demagógico, outros veem aí a possibilidade de restaurar a soberania nacional negada pela tecnocracia europeia. Christian Marazzi: Acho que está certo se se tornar prática subjetiva e contextual, mas não se for deixada nas mãos do estado. Por exemplo, nos EUA uma bolha de empréstimos estudantis vem engordando já há algum tempo, equivalente a mais ou menos metade do volume das hipotecas podres: nesse caso, o direito à insolvência deve, sem dúvida alguma, ser exercido pelos estudantes e suas famílias, para demarcar a diferença entre dívida legítima e dívida ilegítima. Mas o estado não pode fazer isso, nem servir-se disso para renovar alguma soberania nacional perdida. -------------------------------------------------------------------------------- [1] LAZZARATO, Maurizio, La fabrique de l'homme endetté : Essai sur la condition néolibérale, Paris, Ed. Amsterdam, 2011. [2] Do gr. Parrhêsia [port. parrésia]. Retórica. Figura do discurso: ?dizer sinceramente?, ?dizer tudo?, ?falar livremente?. É figura do discurso ético, indispensável no discurso filosófico, por exemplo, no Gorgias de Platão, onde significa não só a liberdade para falar, mas a obrigação de enunciar a verdade, com vistas ao bem comum, mesmo que sob risco pessoal (mais em http://www.ufpel.edu.br/isp/dissertatio/revistas/29/29-resumo-03.htm). Foucault reflete sobre esse conceito em conferências em Berkeley, em 1983: ?Na parrésia, o falante faz uso de sua liberdade e opta por falar francamente em vez de persuadir; pela verdade, em vez da mentira ou do silêncio; pelo risco de morrer, em vez da vida e da segurança; pela crítica, em vez da bajulação; pelo dever moral, em vez dos próprios interesses e da apatia moral? [Le gouvernement de soi et des autres: le courage de la vérité (1984)/GROS, Frederic (Org.), Foucault: a coragem da verdade, Lisboa: Ed. PARABOLA, 2004/ [NTs]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111217/a8f4ad28/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 18 13:02:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 18 Dec 2011 13:02:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ADAUTO_FREIRE_DA_CRUZ________________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CCCXXVII-?= Message-ID: <11AF24E33F554C1DA809FAE1869AD094@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ADAUTO FREIRE DA CRUZ (1924 - 1979) Data e local de nascimento: 15/02/1924, Bananeiras (PB) Filiação: Olívia Freire da Cruz e Manoel Freire da Rocha Organização política ou atividade: Ligas Camponesas Data e local da morte: 13/05/1979, entre Rio de Janeiro e Petrópolis (RJ) O pedido de reconhecimento de Adauto Freire da Cruz foi encaminhado à CEMDP por intermédio de sua companheira, Delzuita da Costa Silva, com quem tinha dois filhos. Submetido a duas sessões de julgamento, foi indeferido em ambas. Adauto Freire da Cruz morreu no dia 13/05/1979, vítima de um infarto do miocárdio quando viajava num ônibus interurbano com sua companheira. O ano de 1979 foi marcado pela retomada dos movimentos populares que se organizavam em busca da Anistia e de participação democrática. No dia 13 de maio, Adauto e sua companheira encontravam-se num ônibus seguindo do Rio para Teresópolis. Eles levavam material de propaganda em defesa da Anistia. Um grupo de policiais parou o ônibus para uma blitz e Adauto tentou esconder um pacote de panfletos. Mas os policiais apreenderam o material e pediram seus documentos de identidade. Ele dizia que os havia esquecido em casa. Começou então a ser espancado dentro do ônibus. Sua companheira gritava para que os policiais não batessem nele, pois seus documentos estavam em sua bolsa. Um dos policiais começou a ler o panfleto da Anistia e acusou Adauto de "comunista". Quando os policiais interromperam as agressões, Adauto havia sofrido um infarto e quebrado a perna. Foi levado para o hospital, mas lá chegando foi constatado o óbito. Adauto era militante político desde os anos 1950. Integrou as Ligas Camponesas, tendo viajado para Cuba em 1961, sendo que documentos da chamada comunidade de informações o arrolavam como integrante do primeiro grupo de brasileiros a receberem treinamento militar naquele país. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, Adauto era um lugar-tenente de Francisco Julião. Há anotações de que, na noite de 31/03/1964, ele teria comparecido ao Palácio do Governo daquele Estado para distribuir armas aos camponeses das Ligas. Foi formalmente inquirido em 29/05/1964 e, em 1973, um documento confidencial do Ministério do Exército solicitava informações a seu respeito. Não há dúvida de que era um militante político, perseguido pelos órgãos da repressão. Vivia na clandestinidade e usava o nome falso de Celestino Alves da Silva, que figurou na certidão de nascimento de seus filhos e no seu atestado de óbito. Nem seu nome verdadeiro e nem seu nome falso constam do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Sua história somente foi revelada com o trabalho da CEMDP. No entanto, o requerimento apresentado por seus familiares foi indeferido por terem os integrantes da CEMDP entendido que não tinha ficado suficientemente clara a relação entre sua morte e a militância política anterior. ============================================================================================================================== + Informações. Adauto Freire da Cruz Nascido em 1924, em Bananeiras, na Paraíba, Adauto Freire da Cruz começou a militar ainda nos anos 50. Tornou-se uma espécie de braço-direito de Francico Julião, líder das Ligas Camponesas em Pernambuco. Ele morreu em 13 de maio de 1979, em decorrência de um infarto sofrido depois que foi espancado por policiais no interior de um ônibus que seguia do Rio de Janeiro para Teresópolis. O pedido de reconhecimento da responsabilidade do Estado brasileiro na sua morte foi encaminhado à CEMDP por sua companheira, Delzuite da Costa Silva, com quem ele teve dois filhos. Em suas atividades nas Ligas Camponesas, Adauto havia viajado a Cuba em julho de 1961, numa delegação de 13 líderes camponeses que foram visitar o país para conhecer os avanços da revolução socialista de 1959. O convite havia sido formulado, em março daquele ano, por José Felipe Carneado Rodriguez, membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano. O dirigente cubano veio ao Brasil convidar camponeses brasileiros para acompanhar os festejos pelo Dia do Trabalho e conhecer a reforma agrária promovida por Fidel Castro. No Brasil, o dirigente comunista cubano ficou hospedado na casa de Clodomir Morais, em Recife (PE). Neste mesmo ano, Francisco Julião teve seu segundo encontro com Fidel - o primeiro havia ocorrido no ano anterior - durante as comemorações do 1º de maio de 1961. Em julho de 1961, desembarcou na ilha o grupo de militantes das Ligas Camponesas, entre eles, Adauto Freire da Cruz, Amaro Luís de Carvalho, João Alfredo Dias, Pedro Inácio de Araújo e Joaquim Mariano da Silva. Todos eles seriam perseguidos pelo regime militar. Registros feitos pela Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco sustentam que, na noite de 31 de março de 1964, Adauto teria comparecido ao Palácio do Governo daquele estado para distribuir armas aos camponeses organizados pelas Ligas. Ele foi formalmente inquirido pelos militares em 29 de maio de 1964. Em 1973, um documento oficial do Ministério do Exército solicitava informações a seu respeito. Desde o golpe militar, Adauto vivia na clandestinidade, usando o nome falso de Celestino Alves da Silva, que figurou na certidão de nascimento de seus filhos e em seu atestado de óbito. Ex-militante das Ligas viveu quase toda a sua vida com nome falso para fugir da repressãoordeste, uma região "perigosa" Em entrevista a Dacier Barros e Silva e Cecília Santana, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Delzuite, a companheira de Adauto, contou como ela própria passou a militar nas Ligas, em 1962. Tinha 26 anos quando conheceu Adauto e se encantou pelo companheiro de militância. Ele tinha 46 anos e estava separado de seu primeiro casamento. Nesta época, Adauto era o homem que assumia as funções na ausência de Julião. "Passei a adorar o que eu fazia, e a pregar 'reforma agrária na lei ou na marra'. Quando eu subia num palanque e falava da reforma, eu dizia que a terra tinha que ser do homem do campo, a terra é para quem nela trabalha, com condições e com tecnologia. Eu já falava nessa linguagem. Eu era aclamada no meio dos camponeses", contou Delzuite. Para manter sua relação amorosa teve que enfrentar o conservadorismo familiar. Como Adauto era procurado pelos órgãos de repressão, eles se casaram usando os documentos falsos dele. Dias depois, Delzuite soube que os militares haviam invadido a casa da sua família, intimando que ela se apresentasse. Fazia apenas 15 dias que o golpe militar havia sido deflagrado. Submetida a seu primeiro interrogatório na Secretaria de Segurança, foi detida e acusada de "comunista", mas conseguiu fugir. Delzuite e Adauto mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhavam com artesanato e participavam de atividades políticas. Até que, em maio de 1979, quando participavam de manifestações em defesa da Anistia, perceberam que estavam sendo seguidos. Voltavam para casa, num ônibus interurbano, quando ocorreu a sinistra abordagem dos policiais. Primeiro agrediram a mulher para lhe tomar das mãos os panfletos em defesa da Anistia. Adauto tentou esconder o pacote de material de propaganda, mas os policiais apreenderam o material e pediram seus documentos de identidade. Ele dizia que os havia esquecido em casa. Um dos policiais começou a ler o panfleto e o acusou de "comunista". Os policiais começaram então a espancá-lo. O casal foi jogado para fora do ônibus. Com as agressões, ele sofreu um infarto e tinha a perna quebrada. Delzuite conseguiu uma carona para levá-lo ao hospital, mas ele não resistiu. Com a morte do marido, Delzuite achou que não conseguiria suportar a dor de sua perda: "Entrou uma névoa na minha cabeça que eu não sabia quem eu era, não sabia o que fazer. Voltei pra casa e abracei os meninos. Eu só queria sair de lá morta, junto com as crianças. Fiquei com meus filhos esperando o pior", contou. Nesta época, ela descobriu que estava grávida de dois meses. O bebê nasceu prematuro de oito meses e não resistiu. Alguns anos depois, ela perderia outro filho, atropelado, aos 13 anos. Cerca de três meses após a morte de Adauto, em 28 de agosto de 1979, o governo assinou a Lei 6.683, conhecida como Lei da Anistia. Em sua dor, Delzuite escreveu versos em homenagem ao "companheiro Freire": "Teu filho último/ Tu não viste nascer/ A flor de maio/ Tu não viste brotar /Tanto que lutou /Tanto que esperou/ Tu não viste/ A anistia chegar (...)" ======================================================================================= + Detalhes. Francisco Julião e as Ligas Camponesas Em janeiro de 1961, o dirigente das Ligas Camponesas, Francisco Julião, visitou a República Popular da China, integrando uma delegação de advogados brasileiros, entre os quais Sinval Pereira, militante do PCB, e Aguiar Dias, ministro do extinto Tribunal Federal de Recursos. Em Pequim, Julião teve um encontro reservado com dirigentes chineses que, falando em nome de Mao Tse-tung, lhe fizeram uma proposta atraente: treinar militantes das Ligas Camponesas na Academia Militar de Pequim. Julião retornou ao Brasil e iniciou os preparativos para montar o grupo. Três agentes chineses vieram ao Brasil, especialmente destacados para atender as Ligas, encontrando-se com Julião no Rio de Janeiro. Os planos, todavia, tiveram que ser suspensos por causa da crise política que se seguiu à renúncia do presidente Jânio Quadros. Os dirigentes das Ligas Camponesas planejaram dedicar de cinco a dez anos para a organização das massas rurais para a chamada "aliança operário-camponesa", tida como imprescindível para a futura Revolução Socialista no Brasil. Em março de 1961, José Felipe Carneado Rodríguez, membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, veio ao Brasil com a missão de convidar líderes camponeses brasileiros para a comemoração do 1 de Maio em Havana, e para que conhecessem a Reforma agrária feita pelo governo castrista. Ficou hospedado em Recife (PE), na casa de Clodomir Morais. A delegação acabou excedendo o número inicialmente previsto e terminou com 122 nomes. Além do Britannia, o avião oficial da Presidência cubana, veio um DC-4 extra para transportar os convidados brasileiros de Fidel. Nesta comemoração do 1o de Maio de 1961, em Havana, Francisco Julião teve seu segundo encontro com Fidel Castro (o primeiro fora em março de 1960, quando Julião fez parte da comitiva do candidato presidencial Janio Quadros, em visita a Cuba). Foi nessa comemoração que Fidel declarou o caráter marxista-lenista da Revolução Cubana e que se ouviu pela primeira vez a Internacional executada oficialmente por um governo do Continente Americano. Em julho de 1961 desembarcaram em Cuba treze militantes das Ligas Camponesas que receberiam adestramento militar em Cuba. Entre eles, Adalto Freire da Cruz, paraibano, membro do comitê estadual do PCB em Pernambuco, designado comandante militar do grupo; Amaro Luís de Carvalho, militante do PCB e aluno do curso Stalin; Adamastor Bonilha, militante do PCB, e Joaquim Mariano da Silva, também militante do PCB. Os treze militantes foram alojados no quartel de Manágua, 30 quilômetros ao sul de Havana. A maioria tinha feito o serviço militar obrigatório no Brasil e sabia manejar armas com desembaraço. Estabelecida a relação oficial entre as Ligas Camponesas e a Revolução Cubana, o advogado Francisco Julião seria o homem da Organização de Massas (OM), e Clodomir de Morais o homem da Organização Política (OP). O plano da esquerda brasileira era que as Ligas Camponesas desatassem a guerrilha rural no Nordeste e Norte brasileiros, enquanto eclodissem simultaneamente outros movimentos revolucionários na Colômbia e na Venezuela. Comandando uma força internacionalista, afirmam que Che Guevara pretendia estabelecer-se na Amazônia sul-americana, ligando assim as guerrilhas do Brasil, da Colômbia e da Venezuela. Por volta de novembro de 1961, começou a ser executado um projeto político-militar das Ligas Camponesas. Francisco Julião percorria o país convidando militantes do PCB para aderirem à tese da Revolução Socialista através da luta armada. O líder da revolta camponesa de Formosa (Goiás), José Porfírio de Sousa, foi convidado por Julião para ser o instrutor militar da guerrilha. As movimentações de Julião, entretanto, terminam em escândalo. Em 27 de novembro de 1962, um avião da VARIG colidiu com uma montanha nas proximidades de Lima, Peru. Entre as vítimas estava o Presidente do Banco Nacional de Cuba, Raúl Cepero Bonilla. Dentro da pasta que ele carregava, havia relatórios que foram atribuídos, não comprovadamente, por alguns a Carlos Franklin Paixão de Araújo e Tarzan de Castro, militante das Ligas de Goiás, acusando Julião e Clodomir Morais de malversação dos fundos recebidos para a guerrilha. Dizem alguns ainda, sem comprovação, que os relatórios (que não foram apresentados a público) detalhavam o atraso nos preparativos, a inexistência de infra-estrutura para o treinamento guerrilheiro, a precariedade e as deficiências dos planos políticos e paramilitares. Descrevia também, detalhadamente, as supostas algazarras e festas em que eram gastos os recursos enviados para a guerrilha rural. Os relatórios encontrados com Cepero foram encaminhados para a CIA dos Estados Unidos e o embaixador peruano no Brasil, César Echecopar Herce, entregou uma cópia ao Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, que iniciou uma virulenta campanha na imprensa contra a interferência cubana no Brasil. ================================================================================ PDF DOI:10.4025/5cih.pphuem.0518 O Impacto da Revolução Cubana ... www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/14.pdf Você marcou isto com +1 publicamente. Desfazer Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de JR Sales Morais, Adauto Freire da Cruz, Mário Luiz de Carvalho, Ozias Ferreira e Adamastor. Bonilha), foram até um quartel em Manágua para iniciar o treinamento. ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 14151 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111218/345a4379/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 18 13:02:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 18 Dec 2011 13:02:45 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Mireille_Mathieu=2C__Nana_Mousko?= =?iso-8859-1?q?ury=2C_Charles_Aznavour=2C_Serge_Larma_and_others?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2Em=FAsicas_para_deliciar_os_seu?= =?iso-8859-1?q?s_ouvidos=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2EHOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro...............................................................................................repassem [TRADUZIDO] Mireille Mathieu - Non, je ne regrette rien 83033views [TRADUZIDO] Nana Mouskoury sing la Paloma by anthony Kinh Nana Mouskoury sing la Paloma by anthony Kinh La Paloma in spanish 76898views [TRADUZIDO] Je ne regrette rien - Mireille Mathieu Mon Dieu!!!!!!!!!!! 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Ele foi uma das inúmeras vítimas da repressão política exercida contra manifestações de protesto que ocorreram naquela cidade no dia 21/06/1968 A virulência policial atingiu tal escala, nessa data, que ensejou a realização de uma gigantesca manifestação cinco dias depois, a histórica Passeata dos Cem Mil, quando a população do Rio tentou dar um basta à escalada repressiva das autoridades de segurança do regime militar. Atingindo na cabeça, Lembo foi levado para o Hospital Souza Aguiar. Lá, permaneceu em estado de coma e faleceu no dia 1º de julho. O legista Alves de Menezes definiu como causa mortis: "ferida penetrante no crânio com destruição parcial do cérebro". O benefício de indenização, segundo o relator, encontra "tutela jurídica no texto da Lei nº 10.875/04 que contempla todas as vítimas da violência política, ainda que não fossem participantes ativos das manifestações de rua". No requerimento encaminhado à CEMDP, a família de Lembo tomou como exemplo o processo de Edson Luiz, morto em condições muito semelhantes. O relator acolheu a petição "em homenagem à Lei mais favorável que entrou em vigor no ano de 2004, e que vem sendo invocada para fundamentar o direito em casos análogos". O estudante morreu no Hospital Souza Aguiar. O boletim de informações fornecido pelo IML/RJ, documento indispensável para a remoção do cadáver, também informa que Lembo, ao ser internado naquele hospital, apresentava "ferida por projétil de arma de fogo com orifício de entrada na região temporal. Projétil localizado na região occipital". O relator afirma não haver dúvida de que Lembo morreu vítima da violência policial, o que também é comprovado por matéria jornalística anexada aos autos. ============================================================================================================= + Informações. FERNANDO DA SILVA LEMBO Morto a tiros, pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1968, durante repressão às manifestações de rua. Seu corpo entrou no IML/RJ no mesmo dia com a Guia n° 105 do Hospital Miguel Couto (RJ). ======================================================================================== + Detalhes. domingo, 7 de novembro de 2010 Mensagem do Fagner Fagner Moreira Lima Dirijo-me de forma Humilde a todas pessoas que freqüentam o Meu Blog site com respeito e Alegria em saber que vocês apreciam meu trabalho social pois assim podemos cada vez mais cobrar dos Direitos Humanos que tanto precisamos. É com esta convicção que venho por meio deste expressar meu sentimento sobre os assuntos importantes para nos Brasileiros. Como diz a nossa presidente Eleita a qual quero Parabenizar " prefiro o Barulho da Democracia do Que o silencio da Ditadura" que tantas crianças e Adolescentes sofreram sem poder de se defender durante o Governo militar , que com muito trabalho foi tirado pelo Povo desta forma sei que Brasil tem crescido e Melhorado muito , mais precisa de melhor investimento nos Direitos Humanos. A poucos Dias finalizei a leitura do Livro Direito á Memória e á Verdade que recebir do Ministro Paulo Vannuchi livro este que conta a Historia de meninos e meninas marcados pela Ditadura historia como a de Fernando Silva Lembo , um menino de apenas 15 anos que sofreu tragicamente até a morte durante a Ditadura , As crianças e os Adolescentes também foram alvos para o regime ditorial imposto ao Brasil entre 1964 e 1985, nesta época as leis da constituição e do Estatuto da Criança e do Adolescentes eram violadas. Hoje no Atual Governo temos o Comitê de combate a Tortura , Ligada a Secretara Especial dos Direitos Humanos da presidência da Republica , que é mais uma forma de garantir os Direitos humanos principalmente das Crianças e dos Adolescentes. Como diz a musica de Gonzaguinha precisamos "Viver e Não ter a Vergonha de ser Feliz " e lutar cada vez mais pelos nossos ideais . Tenho uma Historia de vida que foi feita com superação, e Vitórias e isso agradeço a Deus e aos Meus Pais , pois esta minha historia que mim mantém firme e com mais vontade de Lutar e em busca dos meus Ideais. Historias triste do Brasil ninguém gosta de ouvir. Mas precisa ser lembrada , contada e recontada para nunca se repetir a assim também é nossa Vida precisa ser lembrada todos os momentos bons e ruins, para colocarmos como uma Historia , uma memória uma Verdade. =========================================================================================== FICHA Fernando da Silva Lembo Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Fernando da Silva Lembo Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 21/6/1968 Rio de Janeiro RJ Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Militar PM Brasil Biografia Documentos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111219/aa753f7f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17031 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111219/aa753f7f/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9456 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111219/aa753f7f/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 19 20:51:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 19 Dec 2011 20:51:20 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_5_fatores_que_aumentam_o_risco_de?= =?iso-8859-1?q?_c=E2ncer_de_mama__________________________________?= =?iso-8859-1?q?_________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_MEDICINA_=2C_SA=DADE_?= =?iso-8859-1?q?E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <7C71421B688B47049C32ABA98FDD2A69@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem 5 fatores que aumentam o risco de câncer de mama Por Natasha Romanzoti em 8.12.2011 as 20:00 Um Instituto de Medicina analisou estudos publicados sobre a ligação de fatores ambientas e risco de câncer de mama, e pesou os resultados pela força do estudo. Grandes estudos populacionais foram considerados fortes evidências de uma ligação entre um determinado comportamento ou fator ambiental e um risco reduzido de câncer de mama. Alguns fatores mostraram evidências consistentes de uma ligação com câncer de mama. Certos riscos para câncer de mama são inevitáveis, como uma predisposição genética para a doença. Mas há várias coisas que as mulheres podem fazer para reduzir seu risco da doença. Essas ações incluem evitar radiação médica desnecessária, certos tipos de terapia de reposição hormonal, tabagismo, limitar o consumo de álcool, manter um peso saudável e fazer exercícios regularmente. Confira fatores que podem aumentar seu risco de câncer de mama: 1 - Radiação ionizante Um fator de risco foi a radiação ionizante, que é usada em exames médicos, tais como tomografia computadorizada, raios-X dentais e mamografias. Os pacientes devem seguir o conselho de seus médicos sobre o quanto precisam desses exames, e evitar se puderem. 2 - Terapia hormonal Outro fator de risco foi o uso de terapia hormonal que combina estrogênio e progesterona. Essa terapia reduz os sintomas da menopausa. Porém, seguindo o mesmo caso da radiação, os pacientes só devem recorrer a terapia se realmente precisarem. 3 - Ganho de peso Ganho de peso foi associado a um risco aumentado de câncer de mama, principalmente para as mulheres na pós-menopausa. O certo é se exercitar para diminuir as chances do câncer. 4 - Substâncias químicas Algumas pesquisas sugerem que certas substâncias químicas em fumaças de escape dos veículos a gasolina aumentam o risco de câncer de mama, mas a evidência não é tão persuasiva. O uso de tintura de cabelo e celulares, por outro lado, não deve aumentar o risco de câncer de mama. Para outros produtos químicos, não há provas suficientes para dizer se contribuem ou não para o câncer de mama, como pesticidas, ingredientes em cosméticos e suplementos alimentares. 5 - Consumo de álcool Enquanto o consumo de álcool foi associado com um risco aumentado de câncer de mama, pequenas quantidades também podem reduzir o risco de doenças cardíacas. A recomendação é que as mulheres pesem os riscos e benefícios do consumo de álcool. Segundo os pesquisadores da aérea, muito mais estudos são necessários para entender como nosso meio ambiente influencia o risco de câncer de mama durante a vida de uma mulher. [LiveScience] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111219/bf93cee5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 32166 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111219/bf93cee5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 20 19:51:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 20 Dec 2011 19:51:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__HENRIQUE_CINTRA_FERREIRA_DE_ORNELLAS_?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CCCXXIX-?= Message-ID: <0BADF76D8C5F432AB89894571ACB4308@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem HENRIQUE CINTRA FERREIRA DE ORNELLAS ( ? - 1973) Filiação: Maria Ferreira de Ornellas e Henrique Cintra de Ornellas Data e local de nascimento: por volta de 1920, em Itapira (SP) Organização política ou atividade: não consta Data e local da morte: 21/08/1973, Brasília (DF) Data da publicação no DOU em: 25/06/1996 Paulista de Itapira mas radicado no Paraná, o advogado Henrique Cintra Ferreira de Ornellas era viúvo de Yara Walkyria de Carvalho Ornellas, com quem teve dois filhos, Manoel Augusto e Juliana. Antes do exame do processo pela CEMDP, a única informação citada no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos era de que, segundo informações prestadas à imprensa pelo general Antônio Bandeira, Henrique teria se suicidado no 8º Agrupamento de Artilharia Antiaérea, em Brasília, onde estava preso para averiguações. A verdadeira história de sua morte, conforme documentos anexados ao processo, foi então conhecida. Henrique foi preso em Arapongas (PR), conforme descrito no livro de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio, Dos Filhos Deste Solo: "As prisões iniciaram-se no dia 18 de agosto de 1973 como demonstração de prepotência e de força, típicas da época: quatro peruas Veraneio da PF e do Exército invadiram a chácara onde renderam Ornellas e seus dois filhos, Manoel (17 anos) e Juliana (15 anos). Ornellas ficou algemado por várias horas enquanto tudo era revistado, devassado. Procuravam túneis secretos e provas de sua vinculação com os criminosos a que assistia como advogado criminalista mais conhecido e procurado da região". Foram presos também dois outros advogados, um tabelião e comerciantes da cidade. Henrique foi conduzido inicialmente ao 30º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, em Apucarana (PR), sendo transferido no dia seguinte para Brasília num avião da FAB. Três dias depois, em 21/08/1973, quando teria sido encontrado sem vida em sua cela, enforcado com três gravatas de tergal pretas e um cinto preto, usava o mesmo pijama com que fora preso. O inquérito aberto para "apurar responsabilidades de componentes de uma quadrilha de assaltantes", à qual estaria ligado, não comprovou qualquer envolvimento seu em atividades criminosas. O livro de Nilmário e Tibúrcio também registra que "a OAB protestou contra as prisões arbitrárias e as calúnias oficiais, e por intermédio do advogado Luís Carlos Sigmaringa Seixas, assistiu aos detidos. Dirigentes da OAB do Paraná, Rio, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Amazonas, Pará e Brasília foram a Arapongas acompanhar o enterro, apesar do clima repressivo, e a OAB desagravou publicamente os advogados presos". A prisão de Ornellas por possíveis atividades políticas já constava no próprio comunicado oficial da Polícia Federal, publicada pela imprensa: "o advogado Henrique Ornellas (...) perpetrou suicídio na tarde de ontem, nesta Capital Federal, onde se achava detido à disposição deste Departamento (...), após sua prisão (...), em operação efetivada pela PF, em decorrência da instauração de inquérito policial destinado a apurar responsabilidades de componentes ligados à subversão, que vinham atuando em alguns Estados da Federação (...)". O legista Hermes Rodrigues de Alcântara definiu como causa mortis "asfixia por enforcamento". Em seu voto, o relator do processo na CEMDP lembrou que o advogado Henrique Ornellas envolveu-se em atividades políticas em 1963, quando se candidatou a vereador na cidade de Arapongas (PR). Sua prisão, segundo a portaria de instauração de Inquérito Policial baixada pelo diretor-geral da Polícia Federal, estava baseada no fato de "apenas apurar responsabilidades de componentes de uma quadrilha de assaltantes, corruptores, falsificadores e homicidas, com possíveis ligações com a subversão, que vem atuando em alguns Estados da Federação, em especial nos estados do Paraná, São Paulo, Goiás e Mato Grosso". E conclui que o processo traz "prova eloqüente do suicídio do advogado, prova pericial e testemunhal: o suicídio deu-se em Quartel do Exército e foi aberto IPM para apurar os fatos cuja cópia consta do Processo". Termina seu parecer declarando que Henrique Ornellas "foi preso, entre outras acusações, por motivos de supostas atividades subversivas e faleceu por causas não-naturais na prisão". O requerimento dos familiares foi dessa forma aprovado por unanimidade na Comissão Especial, sendo que dois integrantes desse colegiado fizeram registrar em ata que não concordavam com a tese de suicídio, acatada pelo relator. ========================================================================================================================= + Informações. HENRIQUE ORNELAS FERREIRA CINTRA ADVOGADO EM ARAPONGAS, NO PARANÁ. Segundo nota oficial e declarações prestadas à imprensa pelo Gen. Antônio Bandeira, Henrique teria se suicidado no 8° Grupo de Artilharia Antiaérea, em Brasília, onde se encontrava preso para averiguação de possíveis ligações subversivas. ================================================================================================= + Detalhes. quinta-feira, 17 de junho de 2010 6:02 \ Judiciário MP investiga desaparecidos políticos no DF 1 O Ministério Público Federal em Brasília abriu inquérito civil na sexta-feira para apurar a possível responsabilidade de autoridades das Forças Armadas no desaparecimento de quatro perseguidos políticos em Brasília durante a ditadura. O MP pretende descobrir o que efetivamente ocorreu com Abelardo Rausc de Alcântara, Epaminondas Gomes de Oliveira, José Porfírio de Souza e Henrique Cintra Ferreira de Ornellas. A suspeita é que tenha havido a participação de agentes do governo no sumiço ou na morte em circunstância misteriosa dos quatro, ocorridas entre fevereiro de 1970 e agosto de 1973. Em investigações preliminares do Ministério Público, as Forças Armadas alegaram não ter documentos quaisquer documentos dos perseguidos. Por Lauro Jardim =============================================================================== FICHA Henrique Cintra Ferreira de Ornellas Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Henrique Cintra Ferreira de Ornellas Atividade: Advogado Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 0/0/1973 Brasília DF Brasil 8º Grupo de Artilharia Antiaérea Segundo nota oficial. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Força Aérea Brasileira FAB Brasil Biografia Documentos Parte de livro Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111220/a52aafd7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10987 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111220/a52aafd7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 20 19:51:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 20 Dec 2011 19:51:30 -0200 Subject: [Carta O BERRO] A Privataria Tucana - O Filme Message-ID: <6DA95B8CA8244D40802F2108867B0E92@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem A Privataria Tucana - O Filme http://youtu.be/1y6GPuYuYzc -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111220/1619ca16/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 21 19:50:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 21 Dec 2011 19:50:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__INOC=CANCIO_PEREIRA_ALVES___________?= =?iso-8859-1?q?___________________-CCCXXX-?= Message-ID: <70E5BE93622344A4943F48B4C8361627@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem INOCÊNCIO PEREIRA ALVES (? - 1967) Data e local de nascimento: Feira de Santana (BA) Filiação: Hemenegildo Pereira Valee e Cecília Pereira Valee Organização política ou atividade: PCB Data e local da morte: 1967 Militante político do PCB desde 1945. Ajudou a fundar o Sindicato dos Alfaiates em Feira de Santana, na Bahia. Foi preso em março de 1964 pelo Batalhão de Polícia Militar de Feira de Santana. Morreu em 1967 como indigente em um albergue. O processo foi indeferido porque não foi localizada qualquer prova que pudesse estabelecer uma clara ligação entre a morte e sua prisão e tortura. ============================================================================================== + Informações. SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS COMISSÃO ESPECIAL LEI 9.140/95 ATA DA 46ª SESSÃO ORDINÁRIA REALIZADA EM 10 DE SETEMBRO DE 2009 A COMISSÃO ESPECIAL , reunida na quadragésima sexta sessão ordinária a contar de sua reinstalação, reconheceu a pessoa abaixo como inserta na tipificação do artigo 4º, I, "b", da Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995: INOCÊNCIO PEREIRA ALVES, brasileiro, casado, natural de Feira de Santana - BA, filho de Hermenegildo Pereira do Vale e Cecília Pereira do Vale, morto em Salvador - BA, no dia 18 de março de 1967. Da data da publicação deste ato de reconhecimento, conta-se o prazo explicitado no parágrafo 1º, in fine, do artigo 10, da já referida lei. MARCO ANTÔNIO RODRIGUES BARBOSA Presidente -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111221/5ac2017a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 42527 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111221/5ac2017a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 21 19:50:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 21 Dec 2011 19:50:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Chacina da Lapa - Vejam e divulguem! Message-ID: <2020ABE9B2434217B65A81D187F3468D@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Camaradas Assistam o vídeo sobre a Chacina da Lapa feito pelo pessoal do Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabois (CDM). Depoimentos de Renato Rabelo, Aldo Arantes, Haroldo Lima e Dyneas Aguiar. http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=51gHdK9YWio Vejam também o especial sobre a Chacina da Lapa. http://www.grabois.org.br/portal/cdm/revista.php?id_sessao=33&id_publicacao=480 Um abraço Augusto Buonicore -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111221/c77fa8cc/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 22 20:17:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 22 Dec 2011 20:17:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] A volta de Jesus por Frei Betto Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem A volta de Jesus Frei Betto Escritor e assessor de movimentos sociais Adital Sem chamar a atenção, Jesus voltou à Terra em dezembro de 2010. Veio na pessoa de um catador de material reciclável, morador de rua. Comia prato feito preparado por vendedores ambulantes ou sobras que, pelas portas do fundo, os restaurantes lhe ofereciam. Andava sempre com uma pomba pousada no ombro direito. Na porta de um teatro, estranhou o modo como as pessoas bem vestidas o encaravam. Lembrou que, na Palestina do século 1, sua presença suscitava curiosidade em alguns e aversão em outros, como fariseus e saduceus. Agora predominava a indiferença. Sentia-se, na cidade grande, um Ninguém. Um ser invisível. Ao revirar latas de lixo à porta de uma faculdade, nenhum estudante ou professor o fitou. "Fosse eu um rato a remexer no lixo, as pessoas demonstrariam asco," pensou. Agora, nada. Nem o percebiam. Ou consideravam absolutamente normal um homem andrajoso remexer o lixo. Graças a seu olhar sobrenatural, capaz de apreender alma e mente das pessoas, Jesus sabia que eram, quase todas, cristãs... Roubaram um carro defronte da faculdade. A vítima, uma estudante cirurgicamente embelezada, apontou-o como suspeito de cúmplice dos ladrões. A polícia, sem pistas dos criminosos, decidiu prendê-lo para aplacar a ira da moça, filha de um empresário. O delegado inquiriu-o: - Nome? - Jesus.- Jesus de quê? - Do Pai e do Espírito Santo. O delegado ditou ao escrivão: - Jesus da Paz, natural do Espírito Santo. A polícia conhece a diferença entre bandidos e moradores de rua. Tão logo a moça e seus pais deixaram a delegacia, Jesus foi liberado. Saiu pela avenida, de olho nas vitrines das lojas. Todas repletas de enfeites de Natal. Tentou avistar um presépio, os reis magos, uma imagem do Menino Jesus... Viu apenas um velho de barba branca, gordo, com a cabeça coberta por um gorro tão vermelho quanto a roupa que vestia. O menino nascido em Belém havia sido substituído por Papai Noel. A festa religiosa cedera lugar ao consumismo compulsivo e à entrega compulsória de presentes. Impressionou-se com os rápidos flashes coloridos dos televisores expostos nas lojas. A profusão de anúncios. Comentou com o Espírito Santo: - Houvesse TV naquela época, teriam transmitido o Sermão da Montanha como um discurso subversivo e exibido no Fantástico a multiplicação dos pães. Se eu facilitasse, uma marca qualquer de cerveja iria querer me patrocinar... Em busca de material reciclável, Jesus se surpreendeu com a quantidade e a variedade de lixo. Quanta coisa ele não conhecia! Como as pessoas consomem supérfluos! Quanta devastação da natureza! Dormiu num banco de praça. Ao acordar, deu-se conta de que desaparecera seu saco repleto de latinhas e papéis. Possivelmente outro catador o levara. Pobre roubando pobre. Resignado, passou o dia revirando lixo para ganhar uns trocados e poder garantir a janta. Tarde da noite, viu defronte de uma igreja. Decidiu entrar. Os fiéis, ao vê-lo tão maltrapilho, torceram o nariz. Jesus preferiu ficar de pé no fundo do templo. A Missa do Galo se iniciava. Achou o padre com cara triste, como se celebrasse um ritual mecânico. O sermão soou-lhe moralista. Não sentiu que houvesse, ali, a alegria da comemoração do nascimento de Deus feito homem. Os fiéis se mostravam apressados, ansiosos por retornarem às suas casas e se fartarem com a ceia natalina. Terminada a missa, Jesus perambulou pela cidade. Pelas calçadas, sacos de lixo estufados de embalagens para presentes, caixas de papelão, ossos de frango e peru, cascas de ovos... Observou os moradores de um prédio reunidos no salão do andar térreo. Comiam vorazmente, estouravam garrafas de espumantes, trocavam presentes, abraços e beijos. Nada ali, nenhum símbolo, que lembrasse o significado originário daquela festa. Passou diante de uma padaria que fechava as portas. O padeiro, ao ver o catador, pediu que esperasse. Retornou lá de dentro com uma sacola de pães, fatias de salame e um refrigerante. - É pra você comemorar o Natal - disse o homem. Jesus chegou a uma praça semiescura. Havia ali uma mulher excessivamente maquiada. Buscou um banco e ali se instalou para poder comer. A mulher se aproximou: - Ei, cara, tem o que aí? - Pão, salame e refrigerante. - Não comi nada hoje. E a noite tá fraca. Faz duas horas que estou aqui e nada de freguês. Acho que em noite de Natal os caras ficam com culpa de pegar mulher na rua. Jesus preparou o sanduíche e estendeu-o à mulher. - Se não importa de beber no mesmo gargalo... - Tenho lá nojo de alguma coisa? - murmurou a mulher. - Se tivesse, não estaria rodando a bolsinha na rua.- Você não tem família? - Tenho, lá na roça. Larguei aquela miséria pra tentar uma vida melhor aqui na cidade. Como não fui pra escola, o jeito é alugar meu corpo. - Esta noite de Natal não significa nada pra você? - Cara, você não imagina o que já chorei hoje lá na pensão. A gente era pobre, mas toda noite de Natal minha mãe matava um frango e, antes de comer, a família rezava um terço e cantava Noite feliz. Aquilo me deixava muito feliz. Não posso relembrar que as lágrimas logo inundam os olhos - disse ela, puxando o lenço de dentro da bolsa. A mulher fez uma pausa para enxugar as lágrimas e indagou: - Acha que, se Jesus voltasse hoje, esse mundo iria melhorar? - Não sei... O que você acha? - Acho que ninguém ia dar importância a ele. Essa gente só quer saber de festa, e não de fé. Mas bem que ele podia voltar. Quem sabe esse mundo arrevesado tomava jeito. - Eu não gostaria que ele voltasse. Não adiantaria nada. Há dois mil anos ele veio e deixou seus ensinamentos. Uns seguem, outros não. Se o mundo está desse jeito, a ponto de eu ter que catar lixo e você alugar o corpo, a culpa é nossa, que não damos importância ao que ele ensinou. Veja, hoje é noite de Natal. Jesus renasce para quem? - No meu coração, ele renasce todos os dias. Gosto muito de orar, não faço mal a ninguém, ajudo a quem posso. Mas, sabe de uma coisa? Eu gostaria de poder falar com Jesus, assim como nós dois estamos conversando aqui. - E o que diria a ele? - Bem, eu perguntaria se ser prostituta é pecado. Já vi um padre dizer que sim, e ouvi outro falar que não. O que você acha? - Acho que Deus é mais mãe do que pai. E lembro que Jesus disse um dia aos fariseus que as prostitutas iriam entrar no céu primeiro que eles. [Frei Betto é escritor, autor do romance "Um homem chamado Jesus" (Rocco), entre outros livros. Copyright 2011 - FREI BETTO - Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato - MHPAL - Agência Literária (mhpal at terra.com.br)]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111222/40e332c3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6187 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111222/40e332c3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 23 19:55:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 23 Dec 2011 19:55:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__ELIANE_CANEDO_GUIMAR=C3ES_DOS_SANTOS?= =?iso-8859-1?q?_____________________________________-CCCXXXI-?= Message-ID: <34A82D2BD4994996A196A639A7394731@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ELIANE CANEDO GUIMARÃES DOS SANTOS (1948-1971) Data e local de nascimento: 08/07/1948, Goiânia (GO) Filiação: Lígia Canedo Guimarães dos Santos e Enéas Gomes dos Santos Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 14/06/1971, Goiânia (GO) O processo foi indeferido na CEMDP porque a relatora considerou que o pedido não foi instruído com documentos que comprovassem efetivamente a participação (ou acusação de participação) de Eliane Canedo em atividades políticas de oposição, conforme prescrito na Lei 9.140/95. No requerimento constava apenas que Eliane "foi presa em 12 de dezembro de 1969, pela Polícia Federal e condenada com base na Lei de Segurança Nacional pela 4ª Região da Militar", não esclarecendo o motivo pelo qual fora presa e quais atividades exercia na época. Os autos se referem a torturas que Eliane teria sofrido ("foi muito torturada pelos agentes da Polícia Federal e Exército Brasileiro") alegando ainda que teria sido seduzida pelo então tenente Francisco Batista Nepomuceno que "dela se aproximou com o objetivo de obter informações sobre a esquerda". Narra a requerente, Enely Canedo Guimarães dos Santos Pinheiro, irmã de Eliane, que "Francisco Nepomuceno, ao terminar seu relacionamento com ela, na verdade deixava claro seus propósitos de mantê-la refém psicologicamente, como acontece com pessoas que se apaixonam pelos seus raptores, carcereiros, seqüestradores. É a chamada 'Síndrome de Estocolmo'". A documentação constante nos autos confirma os fatos quanto à prisão de Eliane, bem como sua morte, dez meses depois de libertada, por suicídio, em companhia do tenente coronel Francisco Nepomuceno, na noite de 14/06/1971, em logradouro público. Não esclarece nada sobre seu estado de saúde mental e as eventuais seqüelas psicológicas resultantes de atos de tortura praticado pelos agentes do poder público. Em seu primeiro parecer, a relatora concluiu: "não havendo provas suficientes nos autos que endossem a relação de causa e efeito entre a prisão, tortura e posterior desequilíbrio que teria levado Eliane ao suicídio, o que possibilitaria o seu reconhecimento como vítima da ditadura militar, necessária a juntada de documentos que comprovem de forma inequívoca tais circunstâncias". Foram solicitadas, dessa forma, diligências que comprovassem efetivamente a participação de Eliane em atividades políticas no período mencionado pela lei. Foram, então, acrescentadas aos autos novas informações que não deixaram dúvidas quanto à primeira questão suscitada: documento oriundo da ABIN, denúncia ofertada pela Procuradoria Militar da 4ª Região Militar, auto de prisão em flagrante, sentença proferida pelo Conselho Permanente de Justiça, da Auditoria da 4ª Região Militar. Segundo a relatora, o conjunto de documentos trazidos aos autos foi suficiente para comprovar a participação de Eliane Canedo em atividades políticas de oposição, que causaram a prisão. No entanto, a documentação juntada, no entender da relatora, não esclarecia de forma satisfatória que o estado de saúde de Eliane era resultante de seqüelas psicológicas advindas dos atos de tortura praticados por agentes do poder público. A relatora solicitou reunião com a família requerente, de forma a possibilitar o esclarecimento dos fatos e a coleta de novos subsídios, tais como parecer psicológico, provas testemunhais ou materiais que comprovassem o nexo de causalidade. Realizada a reunião em 19/09/2005, a relatora Maria Eliane Menezes de Farias considerou que a situação dos autos permaneceu inalterada e opinou pelo indeferimento, no que foi acompanhada por todos os membros do colegiado. ======================================================================================================================= + Informações. SECRETARIA ESPECIAL DOS DIREITOS HUMANOS COMISSÃO ESPECIAL - LEI 9.140/95 EXTRATO DA ATA DA 18ª SESSÃO ORDINÁRIA REALIZADA EM 2 DE FEVEREIRO DE 2006 A COMISSÃO ESPECIAL , reunida na décima oitava sessão ordinária a contar de sua reinstalação, reconheceu as pessoas abaixo como insertas na tipificação do artigo 4 , I,"a","d","b","d" respectivamente, da Lei n 9.140, de 04 de dezembro de 1995: AMARO FÉLIX PEREIRA, brasileiro, natural de Rio Formoso - PE, filho de Félix Pereira da Silva e de Caitana Maria da Conceição, nascido em 10 de maio de 1929. CARLOS ANTUNES DA SILVA, brasileiro, natural de Piranga - MG, filho de Benone Antunes da Silva e Odete Isaurina Reis, nascido em 12 de setembro de 1939 e falecido em 16 de janeiro de 1970. LUCINDO COSTA, brasileiro, casado, natural de Laranjeira - SE, filho de Pedro Costa e de Maria Costa, nascido em 29 de maio de 1919 e falecido em 26 de julho de 1967. THEREZINHA VIANA DE ASSIS, brasileira, natural de Aracaju - SE, filha de Antonio Veriano de Assis e de Edith Viana de Assis, nascida em 22 de julho de 1941 e falecida em fevereiro de 1978. Da data da publicação deste ato de reconhecimento, conta-se o prazo explicitado no parágrafo 1 , in fine, do artigo 10, da já referida lei. A Comissão Especial, na mesma reunião, não reconheceu, no enquadramento da Lei n 9.140/95, a pessoa abaixo listada: ABDON DA SILVA SANTOS, brasileiro, filho de João Silvestre Santos e Florentina da Silva Santos. ELIANE CANEDO GUIMARÃES DOS SANTOS PINHEIRO, brasileira, filha de Enéas Gomes dos Santos e de Ligia Canedo Guimarães dos Santos. JOSÉ ALVES DA ROCHA, brasileiro, filho de Antonio Vieira da Rocha e de Joana Alves da Rocha. MANOEL BEZERRA SOBRINHO, brasileiro, filho de José Bezerra de Albuquerque Preacó e Maria Tenório de Albuquerque. MANOEL GOMES DA SILVA, brasileiro. AUGUSTINO PEDRO VEIT Presidente -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111223/cf8eaacb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13342 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111223/cf8eaacb/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 23 19:56:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 23 Dec 2011 19:56:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Conferir_o_v=EDdeo_=27Feliz_Natal?= =?iso-8859-1?q?_!_A_GUERRA_ACABOU!=27?= Message-ID: <8BD8CBCFC47545F78C5ABB27AADB9802@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Conferir o vídeo 'Feliz Natal ! A GUERRA ACABOU!' "E então é Natal E o que nós fizemos? Um outro ano se foi E um novo apenas começa..." Feliz Natal ! A GUERRA ACABOU! Happy Xmas (War is Over) é uma canção composta por John Lennon em 1971 e que veio a se tornar um dos hinos pela paz mundial, por sua letra... Link do vídeo: Feliz Natal ! A GUERRA ACABOU! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111223/7317908c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 24 15:52:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 24 Dec 2011 15:52:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] FELIZ NATAL ! Message-ID: <6089E70D15B547C98E6700037C2E1D4D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Feliz Natal! Que o simbólico do Natal signifique sempre uma perspectiva do novo que nasce com o Cristo, da luta pela verdade, pela paz e pela justiça. Seja essa mensagem (que repito) que nos trás esse Auto de Natal. Estou encaminhando o Auto de Natal de lavra do nosso companheiro Pedro Osmar, músico, poeta, escritor, teatrólogo, pessoa a qual aprendemos admirar pelo seu talento e sensibilidade, e que conhecemos quando morávamos e advogávamos na Paraíba, João Pessoa. O Auto de Natal foi enviado por Eudes Hermano, outro companheiro de lutas nas terras paraibanas. Leiam e guardem esse auto verdadeiro do Cristo real. Novamente Feliz Natal! Vanderley AUTO DE NATAL (Pedro Osmar) Vocês conhecem Jesus cristo Aquele que nasceu na manjedoura De um acampamento palestino De um assentamento do MST Conviveu com os pobres, Os fracos, desesperados e suicidas E viveu toda a sua vida Correndo sério risco? Pois ele está aqui, agora, entre nós Para mais uma vivencia sobre sua palavra e luz Humanista, humanitária, humanizadora Com seu olhar atento, atencioso, acalentador Na construção de tantos bairros libertos E suas populações libertas da miséria. Ali, olhem ele alí, agora, no meio do povo Povo de cristo em armas Orando e lutando Por este mundo melhor. Cristo Che Guevara Cristo Fidel, Camilo Cienfuegos Cristo Manoel Fiel Filho Cristo Lamarca, Marighela, Gregório Bezerra E Prestes Cristo Heleniras, Violetas, Marias da Penha Cristo filho do povo Em armas, pela justiça e cidadania Um cristo em armas Pela paz de um socialismo democrático. Cristo filho das multidões em passeata Esperançosas Cristo filho do povo do Brasil Que se organiza para a liberdade E a democracia Cristo que prega pela paz Nos desertos do capitalismo Mas uma paz sem miséria Uma paz sem lixo político Em baixo do tapete. E nunca esqueçam: O cristo que somos O cristo do povo O cristo que mora nas ruas Que pede esmolas e mendiga nosso amor O cristo das comunidades em festa O cristo das comunidades em guerra Contra suas misérias e calamidades É o mesmo cristo que habita Em cada um de nós Nossa consciência e sentimentos De mundo sadio. Cristo de vida livre Vida que olha para o horizonte e vê E constrói o seu futuro Pelas armas da inteligência Contra as ditaduras da impunidade E da burrice. Um cristo do futuro Para o presente E não um cristo do passado Pregado numa cruz De ignorâncias E brutalidades. Um cristo dos direitos humanos Cristo de um povo atento Mesmo errante Povo que se achou no meio de suas lutas Um povo de luta Contra suas misérias, vaidades, hipocrisias E calamidades sociais. Venham, venham ver O cristo que voltou! O cristo resistente que, em verdade Nunca saiu daquí Nunca nos abandonou Nunca morreu Nunca se evaporou. O cristo que somos É o mesmo cristo luminoso Que nos orienta nas preces de socialismo Preces de democracia socialista Democracia humanista Para uma melhor compreensão de ser Ser uma sociedade em mudança Em grandes transformações humanistas Para uma melhor condição de vida Em comum. É este o cristo que se apresenta É o cristo que estamos aprendendo A cada dia O mesmo cristo solidário Que nos ama e abraça Naquelas horas em que nos perdemos E nos achamos, em nossas lutas Pela dignidade de nossa sobrevivência. Um cristo das lutas! Um cristo soldado na guerra Contra todas as nossas misérias Um cristo em vida Provocando as belezas do bem Nas pessoas que pensam e agem Pelo bem. Este é o seu reino: Um cristo sem igrejas Sem templos, seitas, bolsa de valores Do livre comércio da fé Um cristo das ruas Amigo das Marias Nuas Sem propriedade de ninguém. Cristo homem Cristo mulher Cristo criança Cristo idoso. O mesmo cristo que deu a luz À nossa consciência E que junto com seu povo Busca a luz perdida da fé na luta No túnel das misérias fabricadas. É este o cristo que se apresenta. É o cristo que estamos aprendendo. Cristo somos todos nós! Negros e brancos Índios e ciganos Palestinos e judeus Comunistas e socialistas De povos em fé Na sua busca pela liberdade Na construção das democracias Necessárias. Cristo pobre Cristo miserável Morando, vivendo e morrendo Nas favelas do mundo Faminto, subnutrido Desempregado e sem teto Indignado com as balas perdidas Que recebe como presente de aniversário Todo santo dia. Este é o cristo que sobrou Dos monturos da fé Nossa fé do que resta De um amor que está enjaulado Entregue aos cães raivosos do capitalismo Cães dos donos do planeta Cães da brutalidade cruel Dos que não amam mais O seu semelhante. É este o Jesus Cristo Que nós conquistamos para voar E que assumimos E que somos ele todo dia, Em luta pela liberdade. Um cristo em revolta Um cristo revoltado Um cristo palestino Um pobre cristo menino Sem pão, sem terra E sem liberdade. É este o Cristo que nos ensinaram E que levamos com o nosso coração aberto Para nossas vidas famintas Nossas famílias aflitas Nossa esperança em luta Contra todas as injustiças Deste mundo de meu deus. Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 9.0.872 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/3331 - Data de Lançamento: 12/24/10 21:59:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111224/918c13c2/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 24 15:52:42 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 24 Dec 2011 15:52:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Encerrando_a_primeira_etapa_da_s?= =?iso-8859-1?q?=E9rie_=22Para_N=E3o_Esquecer_Jamais=22?= Message-ID: <5E45576916EB410E8B0FF512EB15681F@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Caros companheiros, ao longo deste ano publicamos quase diariamente a série "Para Não Esquecermos Jamais". Os dados aqui relatados foram coletados de diversas fontes: Direito à Memória e a Verdade. Dossiê dos Mortos e Desaparecidos políticos à partir de 1964. Retrato da Repressão Política no Campo - Brasil 1962 - 1985 Camponeses Torturados , Mortos e Desaparecidos. Habeas Corpus - Que se apresente o corpo. Luta, Substantivo Feminino. Mulheres Torturadas, Mortas e Desaparecidas na Resistência a Ditadura. Crianças e Adolescentes. História de Meninas e Meninos Marcados pela Ditadura. Catálogo Negro. Torturas e Torturas. Pesquisa na Internet, Google, Grupo Tortura Nunca Mais- RJ. SP.MG.Bahia. Brasil Nunca Mais. Sítios Internacionais, blogs, revistas, etc. DHnet ; Armazém da Memória; Isto posto, com o apoio do companheiro Fádel, estamos criando um blog com todos os apresentados, Mortos e/ou Desaparecidos. Aguardem que em breve estaremos divulgando e colocando a disposição de vocês para repassarem sempre, Para que Nunca Mais esqueçam. Feliz Natal e que seja uma homenagem a esses bravos companheiros (as) que ousaram lutar contra a Ditadura Civil-Militar-EUA. Abraços. Vanderley Caixe -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111224/c6ff6905/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 25 13:27:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 25 Dec 2011 13:27:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Os_24_maiores_sucessos_da_era_do_rock?= =?utf-8?q?________________________________________________________?= =?utf-8?q?______________HOJE_=C3=89_DOMINGO!__M=C3=9ASICAS!?= Message-ID: <9D83541402754A6E87DD90494A2FD36D@vcaixe> WordPress.comCarta O Berro..........................................................repassem New post on blues, jazz, mpb e etc. Os 24 maiores sucessos da era do rock by Antonio Ozaí da Silva Os 24 maiores sucessos da era do rock (1973) download Antonio Ozaí da Silva | 24/12/2011 at 16:06 | Categories: raul seixas | URL: http://wp.me/p1gGoZ-Lh -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111225/b6daf610/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 25 13:27:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 25 Dec 2011 13:27:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_legado_dos_EUA_no_Iraque=2C_oit?= =?iso-8859-1?q?o_anos_ap=F3s_a_invas=E3o?= Message-ID: <434F116FEEFF4C8CBB2AFB05CBAB4DCC@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Boletim Carta Maior - 17 de Dezembro de 2011 Ir para o site Leia nossas Páginas Especiais: O legado dos EUA no Iraque, 8 anos depois da invasão Passaram-se oito anos e os EUA fecharam a porta do Iraque deixando um desastre atrás dela. Durante o conflito, morreram mais de 100 mil civis, 4.800 soldados da coalizão perderam a vida (4 .500 dos EUA), junto com 20 mil soldados iraquianos. Para os iraquianos, o legado da invasão é morte, dezenas de milhares de mutilados, insegurança, desemprego, falta de água potável e eletricidade. A democracia exportada com bombas ultramodernas não mudou o curso das coisas. O art igo é de Eduardo Febbro. > LEIA MAIS | Internacional | 17/12/2011 Brasil completa um ano de desrespeito à Corte da OEA sobre Guerrilha do Araguaia Condenado em 2010, o país tinha até esta semana para investigar os responsáveis pelos homicídios da ditadura, e entregar os restos mortais dos desaparecidos. Buscas seguem infrutíferas e Campanha Cumpra-se faz vigília para cobrar presidenta Dilma. > LEIA MAIS | Direitos Humanos | 17/12/2011 Escolher o alvo certo: reduzir o juro para o consumidor A economia está caminhando rapidamente para a estagnação, independentemente da crise europeia e isso se deve não à Selic, mas ao crédito caro. Se o governo não intervier rápida e duramente nessa área não vai adiantar botar a culpa na crise externa. É necessário atirar firme no alvo certo. > LEIA MAIS | Economia | 16/12/2011 Com Ibope em alta, Dilma avisa: tolerância zero com desvio continua Presidenta reúne jornalistas para café da manhã de confraternização, faz balanço do primeiro ano e manda recado. Não abre mão de 'tolerância zero' com desvios éticos, e ministro tem de seguir 'critérios do governo', não de partidos. > LEIA MAIS | Política | 16/12/2011 Com crise global à frente, Dilma vende confiança para salvar 2012 Em balanço de fim de ano durante café com jornalistas, Dilma Rousseff assume postura otimista para manter 'espírito animal' vivo na sociedade, em momento de incerteza global. E reafirma pacto pelo crescimento: 'Meu cenário é entre 4,5% e 5%, mas a minha meta é 5%'. Segundo ela, país conhece e rejeita receita recessiva 'sem luz no fim do túnel' que domina Europa em crise. > LEIA MAIS | Economia | 16/12/2011 Privataria: Dilma diz que não leu e que CPI Em café da manhã com jornalistas, Dilma Rousseff afirma não ter lido o livro A Privataria Tucana. Segundo presidenta, CPI é para 'caso extremo', mas ela não comenta se considera que denúncias se encaixam na definição. Ela diz que vai manter 'relações civilizadas' com oposição, pois ajuda Brasil na crise global e porque falta delas 'é uma das piores doenças da democracia'. > LEIA MAIS | Política | 16/12/2011 Combate à pobreza fecha 2011 com a melhor avaliação no governo Dilma Segundo pesquisa trimestral do Ibope feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI), combate à fome e à pobreza é o campeão de popularidade do governo Dilma, com 56% de aprovação. > LEIA MAIS | Política | 16/12/2011 Balanço do combate à miséria vê mais 400 mil no Bolsa Família Saldo do programa Brasil sem Miséria em seis meses mostra que 'busca ativa' por pobres de fora da transferência de renda encontra metade dos excluídos e supera meta de 2011. Dilma Rousseff assina os últimos pactos com estados e diz que erradicação da pobreza extrema já é política de Estado. > LEIA MAIS | Política | 16/12/2011 A feroz indústria do casamento na China Em uma sociedade na qual dinheiro e família são quase tudo, o matrimonio se converteu em um gasto multimilionário. A solidez material é condição indispensável. A competição é feroz. Os solteiros com idade legal para contrair matrimônio (22 anos para os homens, 20 para as mulheres) superam 180 milhões. > LEIA MAIS | Internacional | 16/12/2011 Manual de justificativas pra velha mídia alegar por que deixou passar em branco o livro do Amaury Algumas das justificativas da velha mídia para silenciar sobre o livro: faltou tempo, faltou espaço, faltou vergonha, o FHC disse que tudo tinha sido bem feito e era pelo bem do Brasil, o Serra ligou e pediu pra não dar nada. - 11/12/2011 Mauro Santayana Hora de rever as privatizações Se outros efeitos não causar à vida nacional o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., suas acusações reclamam o reexame profundo do processo de privatizações e suas razões. A presidente da República poderia fazer seu o lema de Tancredo: um governante só consegue fazer o que fizer junto com o seu povo. - 16/12/2011 Gabriel Medina As juventudes querem disputar os rumos do Brasil: a 2ª Conferência Nacional de Juventude A Conferência foi marcada por forte protagonismo dos movimentos, redes, fóruns de juventude, jovens trabalhadores, estudantes, rurais, vinculados a movimentos religiosos, partidários que demonstraram amadurecimento na perspectiva de construir pactuações, acordos e sínteses que pudessem avançar na conquista de direitos e na disputa do projeto de desenvolvimento. - 16/12/2011 José Roberto Torero Privadas japonesas e o acidente nuclear de Fukushima Governo japonês demorou um mês para ampliar evacuações da população que vivia perto de Fukuhsima. Não basta ter um grande arsenal tecnológico feito especialmente para administrar evacuações. É necessário apertar os botões, tomar as decisões. O mês de hesitação do governo pode ter custado muitas vidas. - 15/12/2011 Paulo Kliass Política econômica conservadora: prudência ou medo? O crescimento consolidado da produção e dos serviços coloca o Brasil bem atrás dos demais países com características similares, como os parceiros do BRICS - sem contar os mais próximos como Argentina e Chile. O ano que se encerra vai entrar na lista imensa das oportunidades históricas desperdiçadas por nossos governantes. - 15/12/2011 Caso deseje cancelar o recebimento, clique aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111225/b249cfb5/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 26 19:43:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 26 Dec 2011 19:43:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_As_doen=C3=A7as_que_mais_vender=C3=A3o?= =?utf-8?q?_em_2012________________________________________________?= =?utf-8?b?ICAgICAgSE9KRSDDiSAywrogRkVJUkEhIE0sRURJQ0lOQSwgU0HDmkRF?= =?utf-8?b?IEUgQUxJTUVOVEHDh8ODTyE=?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br As doenças que mais venderão em 2012 ?Se há um remédio capaz de gerar lucros, deve haver consumidores?. O que as corporações querem que você compre agora Por AlterNet | Tradução: Daniela Frabasile Como a indústria farmacêutica conseguiu que um terço da população dos Estados Unidos tome antidepressivos, estatinas, e estimulantes? Vendendo doenças como depressão, colesterol alto e refluxo gastrointestinal. Marketing impulsionado pela oferta, também conhecido como ?existe um medicamento ? precisa-se de uma doença e de pacientes?. Não apenas povoa a sociedade de hipocondríacos viciados em remédios, mas desvia os laboratórios do que deveria ser seu pepel essencial: desenvolver remédios reais para problemas médicos reais. Claro que nem todas as doenças são boas para tanto. Para que uma enfermidade torne-sc campeã de vendas, ela deve: (1) existir de verdade, mas ser constatada num diagnóstico que tem margem de manobra, não dependendo de um exame preciso; (2) ser potencialmente séria, com ?sintomas silenciosos? que ?só pioram? se a doença não for tratada; (3) ser ?pouco reconhecida?, ?pouco relatada? e com ?barreiras? ao tratamento; (4) explicar problemas de saúde que o paciente teve anteriormente; (5) precisar de uma nova droga cara que não possui equivalente genérico. Aqui estão algumas potenciais doenças da moda, que a indústria farmacêutica gostaria que você desenvolvesse em 2012: Déficit de atenção com hiperatividade em adultos Problemas cotidianos rotulados como ?depressão? impulsionaram os laboratórios nas últimas duas décadas. Você não estava triste, bravo, com medo, confuso, de luto ou até mesmo sentindo-se explorado. Você estava deprimido, e existe uma pílula para isso. Mas a depressão chegou a um ápice, como a dieta Atkins e Macarena. Com sorte, existe o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (DDAH) em adultos. Ele dobrou em mulheres de 45 a 65 anos e triplicou em homens e mulheres com 20 a 44 anos, de acordo com o Wall Street Journal. Assim como a depressão, a DDAH em adultos é uma categoria que pode englobar tudo. ?É DDAH ou menopausa?? pergunta um artigo na Additude, uma revista voltada exclusivamente à doença DDAH. ?DDA e Alzheimer: essas doenças estão relacionadas?? pergunta outro artigo da mesma revista. Estou deprimida, pode ser DDAH?? diz um anúncio na Psychiatric News, mostrando uma mulher bonita, mas triste. Na mesma publicação, outro anúncio diz ?promessas quebradas ? adultos com DDAH têm quase duas vezes mais chances de se divorciar?, enquanto estimula médicos a checar a presença de DDAH pacientes para DDAH em seus pacientes. Adultos com DDAH são normalmente ?menos responsáveis, confiáveis, engenhosos, focados, autoconfiantes, e eles encontram dificuldades para definir, estabelecer e propor objetivos pessoais significativos?, diz um artigo escrito pelo dr. Joseph Biederman, psiquiatra infantil de Harvard, que leva os créditos por colocar ?disfunção bipolar pediátrica? no mapa. Eles ?mostram tendências de ser mais fechados, intolerantes, críticos, inúteis, e oportunistas? e ?tendem a não considerar direitos e sentimentos de outras pessoas?, diz o artigo, numa frase que poderia ser usada por muitas pessoas para definir seus cunhados. Adultos com DDAH terão dificuldade em se manter em um emprego e pioram se não forem tratados, diz WebMD, apontando para o seguindo requisito para as doenças campeãs de venda ? sintomas que se agravam sem medicação. ?Adultos com DDAH podem ter dificuldade em seguir orientações, lembrar informações, concentrar-se, organizar tarefas ou completar o trabalho no prazo?, de acordo com o site, cujo parceiro original era Eli Lilly. Como as empresas farmacêuticas conseguiram fazer com que cinco milhões de crianças, e agora talvez seus pais, tomem remédios para DDAH? Anúncios em telas de 9 metros por 7, quatro vezes por hora na Times Square não vão fazer mal. Perguntam: ?Não consegue manter o foco? Não consegue ficar parado? Seu filho pode ter DDAH?? (Aposto que ninguém teve problemas em se focar neles!). Porém, convencer adultos que eles não estão dormindo pouco, nem entediados, mas têm DDAH é apenas metade da batalha. As transnacionais farmacêuticas também têm que convencer crianças que cresceram com o diagnóstico de DDAH a não pararem de tomar a medicação, diz Mike Cola, da Shire (empresa que produz os medicamentos para DDAH: Intuniv, Addreall XR, Vyvanse e Daytrana). ?Nós sabemos que perdemos um número significativo de pacientes com mais ou menos vinte anos, pois saem do sistema por não irem mais ao pediatra?. Um anúncio da Shire na Northwestern University diz ?eu lembro de ser uma criança com DDAH. Na verdade, eu ainda tenho?, a frase está escrita em uma foto de Adam Levine, vocalista do Maroon 5. ?É sua DDAH. Curta?, era a mensagem subliminar. (O objetivo seria: ?continue doente??). Claro, pilhar crianças (ou qualquer um, na verdade) não é muito difícil. Por que outra razão traficantes de metanfetamina dizem que ?a primeira dose é grátis?? Mas a indústria está tão empenhada em manter o mercado pediátrico de DDAH que criou cursos para médicos. Alguns exemplos: ?Identificando, diagnosticando e controlando DDAH em estudantes?. Ou ?DDAH na faculdade: procurar e receber cuidado durante a transição da infância para a idade adulta?. Para assegurar-se de que ninguém pense que a DDAH é uma doença inventada, WebMD mostra ressonâncias magnéticas coloridas de cérebros de pessoas normais e de pacientes com DDAH (ao lado de um anúncio de Vyvanse). Mas é duvidoso se as duas imagens são realmente diferentes, diz o psiquiatra Dr. Phillip Sinaikin, autor de Psychiatryland. E mesmo que forem, isso não prova nada. O ponto central do problema é que simplesmente não existe um entendimento definitivo de como a atividade neural está relacionada à consciência subjetiva, a antiga relação não muito clara entre corpo e mente?, Sinaikin contou ao AlterNet. ?Não avançamos muito além da frenologia, e esse artigo do WebMD é simplesmente o pior tipo de manipulação da indústria farmacêutica a fim de vender seus produtos extremamente caros. Nesse caso, um esforço desesperado da Shire para manter uma parte do mercado quando o Addreall tiver versão genérica?. Artrite Reumatóide A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença séria e perigosa. Mas os supressores do sistema imunológico que a indústria farmacêutica oferece como alternativa ? Remicade, Enbrel, Humira e outros ? também são. Enquanto a AR ataca os tecidos do corpo, levando à inflamação das articulações, tecidos adjacentes e órgãos, os supressores imunológicos podem abrir uma brecha para câncer, infecções letais e tuberculose. Em 2008, a agência norte-americana para alimentação e medicamentos (FDA) anunciou que 45 pessoas que tomavam Humira, Enbrel, Humicade e Cimzia morreram por doenças causadas por fungos, e investigou a relação do Humira com linfoma, leucemia e melanoma em crianças. Esse ano, a FDA avisou que as drogas podedm causar ?um raro tipo de câncer nas células sanguíneas brancas? em jovens, e o Journal of the American Medical Association (JAMA) advertiu o aparecimento de ?infecções potencialmente fatais por legionela e listeria?. Medicamentos que suprem o sistema imunológico também são perigosos para os bolsos. Uma injeção de Remicade pode custar US$ 2.500; o suprimento de um mês de Enbrel custa US$ 1.500; o custo anual do Humira é de US$ 20 mil. Há alguns anos, a AR era diagnosticada com base na presença do ?fator reumatóide? e inflamações. Mas, graças ao marketing guiado pela oferta da indústria farmacêutica, bastam hoje, para o diagnóstico, enrijecimento e dor. (Atletas e pessoas que nasceram entes de 1970, entrem na fila, por favor). Além do espaço de manobra para o diagnóstico e um bom nome, a AR possui outros requisitos das doenças campeãs de vendas. ?Só vai piorar? se não for tratada, diz WebMD, e é frequentemente ?subdiagnosticada? e pouco relatada, diz Heather Mason, da Abbott, porque ?as pessoas costumam não saber o que têm, por algum tempo?. Uma doença tão perigosa que o tratamento custa US$20 mil por ano, mas que é tão súbita que você pode não saber que tem? AR desponta como uma doença da moda. Fibromialgia Outra doença pouco relatada é a fibromialgia, caracterizada dores generalizadas e inexplicadas no corpo. Fibromialgia é ?quase a definição de uma necessidade médica não atendida?, diz Ian Read, da Pfizer, que fabrica a primeira droga aprovada para fibromialgia, o medicamento anticonvulsivo Lyrica. A Pfizer doou US$ 2,1 milhões a grupos sem fins lucrativos em 2008 para ?educar? médicos sobre a fibromialgia e financiou anúncios de serviço da indústria farmacêutica que descreviam os sintomas e citavam a droga. Hoje, a Lyrica lucra US$ 3 bilhões por ano. Mesmo assim, a Lyrica concorre com Cymbalta, o primeiro antidepressivo aprovado para fibromialgia. A Eli Lilly propôs o uso de Cymbalta para a ?dor? física da depressão, em uma campanha chamada ?depressão machuca? antes da aprovação do tratamento para fibromialgia. O tratamento de pacientes com fibromialgia com Lyrica ou Cymbalta custa cerca de US$10 mil, segundo diários médicos. A indústria farmacêutica e Wall Street podem estar felizes com os medicamentos para fibromialgia, mas os pacientes não. No site de avaliação de medicamentos,askapatient.com, pacientes que usam Cymbalta relatam calafrios, problemas maxilares, ?pings? elétricos em seus cérebros, e problemas nos olhos. Nesse ano, quatro pacientes relataram a vontade de se matar, um efeito colateral frequente do Cymbalta. Usuários de Lyrica relatam no askapatient perda de memória, confusão, ganho extremo de peso, queda de cabelo, capacidade de dirigir automóveis comprometida, desorientação, espasmos e outros ainda piores. Alguns pacientes tomam os dois medicamentos. Disfunções do sono: Insônia no meio da noite Disfunções do sono são uma mina de ouro para os laboratórios porque todo mundo dorme ? ou assiste TV, quando não consegue. Para agitar o mercado de insônia, as corporações criaram subcategorias de insônia, como crônica, aguda, transitória, inicial, de início tardio, causada pela menopausa, e a grande categoria de sono não reparador. Nesse outono [primavera no hemisfério Sul], as apareceu uma nova versão do Ambien para insônia ?no meio da noite?, chamado Intermezzo ? ainda que Ambien seja, paradoxalmente, indutor de momentos conscientes durante o sono. As pessoas ?acordam? em um blackout do Ambien e andam, falam, dirigem, fazem ligações e comem. Muitos ficaram sabendo desse efeito do Ambien quando Patrick Kennedy, ex-parlamentar de Rhode Island, dirigiu até Capitol Hill para ?votar? às 2h45min da manhã em 2006, sob efeito do remédio, e bateu seu Mustang. Mas foi comer sob o efeito do Ambien que trouxe a pior discussão sobre o medicamento. Pessoas em forma acordavam no meio de montanhas de embalagens de pizza, salgadinhos e sorvete ? cujo conteúdo tinha sido comido pelos seus ?gêmeos maus?, criados pelo remédio. Sonolência excessiva e transtorno do sono por turno de trabalho Não é preciso dizer: pessoas com insônia não estarão com os olhos brilhando e coradas no dia seguinte ? tanto faz se elas não tiverem dormido, ou se tiverem, em seu corpo, resíduos de medicamentos para dormir. Na verdade, essas pessoas estão sofrendo da pouco reconhecida e pouco relatada epidemia da Sonolência Excessiva durante o Dia. As principais causas da SED são apnéia do sono e narcolepsia. Mas no ano passado, as corporações farmacêuticas sugeriram uma causa relacionada ao estilo de vida: ?transtorno do sono por turno de trabalho?. Anúncios de Provigil, um estimulante que trata SED, junto com Nuvigil, mostram um juiz vestindo um roupão preto, no trabalho, com a frase ?lutando para combater o nevoeiro??. Obviamente, agentes estimulantes contribuem com a insônia, que contribui com problemas de sonolência durante o dia, em um tipo de ciclo farmacêutico perpétuo. De fato, o hábito de tomar medicamentos para insônia e para ficar alerta é tão comum que ameaça a criação de um novo significado para ?AA? ? Adderal e Ambien. Insônia que é depressão Disfunções do sono também deram nova vida aos antidepressivos. Médicos agora prescrevem mais antidepressivos para insônia que medicamentos para insônia, de acordo com a CNN. É também comum que eles combinem os dois, já que ?insônia e depressão frequentemente ocorrem conjuntamente, mas não fica claro qual é a causa e qual é o sintoma?. WebMD concorda com o uso das duas drogas. ?Pacientes deprimidos com insônia que são tratados com antidepressivos e remédios para dormir se saem melhor que aqueles tratados apenas com antidepressivos?, escreve. De fato, muitas das novas doenças de massa, desde DDAH em adultos e AR até fibromialgia são tratadas com medicamentos novos junto com outros que já existiam e que não estão funcionando. É uma invenção das corporações polifarmácia. Isso lembra do dono de loja que diz ?eu sei que 50% da minha propaganda é desperdiçada ? só não sei qual 50%?. ? (*) Martha Rosenberg escreve sobre o impacto das indústrias farmacêuticas, alimentícias e de armamentos na saúde pública. http://www.outraspalavras.net/2011/12/16/as-doencas-que-mais-venderao-em-2012/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111226/fadefa96/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10842 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111226/fadefa96/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 26 19:43:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 26 Dec 2011 19:43:21 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Simplesmente_Ed=EDria_=281920-2?= =?windows-1252?q?011=29?= Message-ID: <0EFE6720F767483086D9FF3E01679E9C@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Castor Filho SIMPLEMENTE EDÍRIA (1920-2011) * Por Augusto Buonicore ** Edíria morreu neste Natal. No começo, tendia a vê-la apenas como companheira de João Amazonas. Nestes últimos anos, conforme fomos conversando e ouvindo suas histórias, fui me dando conta da enorme injustiça que cometia e da grandeza desta instigante personagem feminina, uma artista talentosa e camarada exemplar. Este singelo artigo é fruto dessas longas e agradáveis conversas que tivemos no seu modesto apartamento na rua Ruy Barbosa em São Paulo. Nasce a artista e militante comunista Edíria Carneiro nasceu em 1920 na cidade de Salvador. Sua mãe era muito católica, mas seu pai era um juiz de idéias bastante avançadas para época. Muito cedo ela se interessou pela cultura, por isso ingressou na Escola de Belas Artes. Neste período começou a participar do movimento estudantil e colaborou, como ilustradora, na revista Seiva, dirigida pelo comunista João Falcão. Vendo o seu interesse por temas políticos e sociais, o jovem Mário Alves a recrutou para o PC do Brasil. Por sua atuação, acabou sendo eleita delegada ao Congresso da UNE, que se realizou no Rio de Janeiro em julho 1945. Comentaria ironicamente: ?votaram em mim porque me consideravam mais simpática ou com mais coragem de sair da Bahia naqueles tempos de fim de guerra?. Edíria entre os delegados baianos (terceira da direita para esquerda). Mario Alves, sentado na ponta esquerda. A viagem de navio foi uma festa. Nenhum dos jovens estava muito preocupado com a ameaça representada pelos submarinos alemães. Apenas o comandante pensava nisso. Quando escurecia, mandava apagar todas as luzes e cobrir as escotilhas para não chamar a atenção de possíveis inimigos. Por segurança, também parava os motores à noite, atrasando a viagem. As famílias dos passageiros acabaram entrando em desespero com o atraso e a falta de notícias. Temiam pelo pior. A vida cultural e política no Rio de Janeiro cativaram a jovem Edíria que decidiu não voltar mais para Bahia. Passou a morar e militar no bairro de Ipanema. Um dia perguntaram-lhe se queria ser ilustradora do jornal comunista A Classe Operária e ela aceitou de pronto. O editor-chefe era Maurício Grabois da qual se tornou admiradora e amiga. Edíria ao lado de Maurício Grabois na frente da sede nacional do PC do Brasil Na sede nacional do Partido, onde funcionava o jornal, é que conheceria João Amazonas. No início o achou meio reservado. Um belo dia, pensando que todos os dirigentes haviam saído, ela e uma amiga resolveram conhecer os demais andares do prédio. Para surpresa delas, no quarto andar, encontraram João e começaram a conversar. Foi essa a primeira vez que Edíria teve a oportunidade de falar com aquele que seria seu companheiro por toda vida. Passado alguns meses, em meados de 1947, houve uma festa partidária. As festas eram comuns naqueles anos em que o PC do Brasil desfrutava de legalidade. Edíria estava um pouco deslocada, quando João chegou e, gentilmente, convidou-a para dançar. Ele já era deputado federal e tinha realizado uma brilhante campanha para o Senado, no qual conquistara um honroso segundo lugar. Ao final do baile, João perguntou-lhe se desejava ir ao cinema. Ela, sem perder tempo, aceitou a proposta.. Naquela noite os dois comunistas assistiram Sempre no meu coração. Nada mais adequado. Assim começou o namoro que duraria cerca de 55 anos. Contudo, esse tempo de relativa liberdade logo terminaria. Em agosto de 1947, o PC do Brasil teve cassado seu registro e em janeiro do ano seguinte seus parlamentares perderiam seus mandatos, entre eles João Amazonas. Era o início da Guerra Fria e iniciava-se uma dura repressão aos comunistas. Sem mandato e imunidade parlamentar, Amazonas passou a ser procurado pela polícia e entrou na clandestinidade. Tempos clandestinos Amazonas foi para São Paulo, contudo, antes de partir, perguntou se Edíria queria morar com ele. Mesmo prevendo a difícil vida que a esperava, aceitou alegremente o convite e também mergulhou na clandestinidade. A ordem do Partido era partir sem dizer nada para ninguém, como se fosse a um passeio. Viajou num trem noturno levando apenas uma bolsa contendo apenas o estritamente necessário. Alguém havia lhe reservado um quarto de pensão e quando chegou, telefonaram para João avisando que ?Amélia? já estava em São Paulo. Alguns dias depois recebeu um comunicado que deveria deixar a pensão e ir ao encontro dele. Daí por diante passaram viver juntos. Naqueles anos a relação com os outros membros da Comissão Executiva do Partido Comunista dava-se por meio de Apolônio de Carvalho e sua esposa. Os contatos eram feitos através das companheiras desses dois dirigentes nacionais: Edíria e Renée. As duas amigas encontravam-se ?casualmente? em igrejas e jardins públicos levando sacolas iguais. Depois de uma rápida conversa uma pegava a sacola da outra. A missão estava cumprida. Dentro dos embrulhos estavam as correspondências secretas, além de livros e revistas. Edíria enquanto vivia na clandestinidade. Ao lado de sua babá, que a abrigou diversas vezes. Em 1950 o casal voltou para o Rio de Janeiro. A vida clandestina trouxe inúmeras dificuldades à família Amazonas. Quando a primeira filha ia nascer, João estava acompanhando uma greve em São Paulo. Edíria, como combinado, foi ter o filho num hospital em Laranjeiras, mas descobriu que não tinha dinheiro para pagar e ninguém estava lá para socorrê-la. Ela fingiu que estava doente e ficou deitada pensando apenas como sair daquela situação embaraçosa. Certo momento ficou tão deprimida que acabou chorando. A enfermeira entrou no quarto, notou as lágrimas e pensou que havia sido abandonada pelo ?pai da criança?. Aflita, Edíria esperou a chegada da senhora que morava com ela e lhe pediu que procurasse Déia Paraguassu, companheira de Diógenes Arruda Câmara. No dia seguinte, Déia foi visitá-la e resolveu a situação. Então, finalmente, pode deixar a maternidade com a pequena Zélia, a filha recém-nascida. Somente alguns dias depois, João conseguiu vê-la e soube o que tinha acontecido. Quando do nascimento do segundo filho, em 1953, Amazonas também estava acompanhando movimentos grevistas em São Paulo. Conseguiu chegar dois dias antes do nascimento de João Carlos. Contudo, menos de um mês depois viajou para a União Soviética, onde permaneceu por dois longos anos. Ele chefiava um grupo de militantes que faria um curso de aprofundamento em marxismo-leninismo. Edíria ficou com os dois filhos pequenos e foi morar com a esposa de Mário Alves, que também tinha ido para União Soviética. Era uma casinha no pé de um morro que não tinha água. Havia apenas uma bica distante e elas tinham que carregar latas de água na cabeça até a casa onde moravam. Ao contrário do que diziam os conservadores, a vida das famílias dos dirigentes comunistas não era nada fácil. Neste momento, foi convocada a fazer o Curso Stalin. Não tendo com quem deixar as duas crianças, levou-as consigo. ?Foi um sufoco!?, exclamou mais tarde. Saiu-se tão bem que foi convidada por Jacob Gorender para ministrar algumas aulas. Ela resistiu, pois era muito tímida. Contudo, não podia recusar tão gratificante tarefa. O lugar escolhido para sua estréia foi a estratégica base dos marítimos, uma das mais importantes do país. A sede da Escola dos Marítimos ficava em São Gonçalo, Rio de Janeiro. Além das aulas, a professora Helena ? esse era o seu nome de guerra - dava palestras sobre as teses do IV Congresso que se realizaria em 1954. Essas atividades, destinadas aos amigos e simpatizantes, serviam para recrutar novos membros para o PC do Brasil. Ela ficou muitos meses cumprindo esta gratificante tarefa na área da formação. Um dos seus maiores orgulhos foi saber, durante o congresso, que aquela base operária tinha sido a que mais recrutou membros, graças ao seu trabalho de professora. Quando Amazonas voltou, se opôs que Edíria continuasse dando aulas naquelas condições. Achava que poderia representar um perigo para a segurança dela e do núcleo dirigente. Mas, o secretário de organização, Diógenes Arruda, ainda a enviou para dar algumas palestras aos operários de Morro Velho, Minas Gerais. Cumprida esta tarefa chegou ao fim sua carreira de professora dos cursos partidários. Edíria e seus filhos voltaram à vida nos aparelhos desertos. João estava novamente na União Soviética quando do nascimento de Helena, a terceira filha. Quem ia fazer o parto era a Maria Grabois, irmã do Mauricio. No entanto, ela atendia num hospital em Copacabana e Edíria morava em Del Castilho, subúrbio do Rio de Janeiro. Quando estava para nascer a filha, tomou um táxi e no caminho parou numa Casa de Saúde para averiguar a situação. O médico bstante preocupado disse: ?já vai nascer?. Então, ela acabou dando a luz ali mesmo em Piedade, bairro Bonsucesso. Amazonas e Edíria, por razões de segurança, mudavam-se constantemente. Chegaram a perder as contas do número de casas em que moraram entre 1948 e 1957. Estima-se que foram mais de 16 locais. Isso representava uma dificuldade extra, especialmente para as crianças. Elas viviam trocando de escolas e às vezes até de nome. Não fincavam raízes e nem podiam cultivar amizades mais permanentes. Comunistas a céu aberto Em 1958, depois que havia sido destituído do secretariado do Comitê Central, João Amazonas foi transferido para o Rio Grande do Sul. Essa mudança coincidiu com o momento de redução das perseguições políticas e o fim dos pedidos de prisão preventiva. Este era um compromisso que havia sido assumido pelo presidente Juscelino Kubitschek, eleito com apoio dos comunistas. Assim, todos os seus dirigentes puderam voltar à legalidade e colocar sua vida em ordem. João e Edíria logo após o casamento em 1958 João e Edíria aproveitaram a conjuntura favorável para legalizar sua situação. O casamento civil e o registro das crianças se deram em Niterói, no cartório do camarada Lincoln Cordeiro Oest. O ex-deputado paraense Agostinho de Oliveira, propôs que se fizesse uma festa de casamento e de despedida para a família Amazonas, que estava se mudando para Porto Alegre. O evento foi muito animado. Os convidados dançaram a noite toda ao som de um velho rádio. Aqueles anos representariam uma verdadeira revolução para eles, pois puderam romper com a angustiante vida clandestina. Em Porto Alegre, fizeram muitos amigos, iam ao cinema e ao teatro. Amazonas dirigia o partido no estado e Edíria integrou-se a uma célula de artistas e intelectuais. Ali pode voltar a freqüentar exposições e tornou-se aluna do renomado pintor Iberê de Camargo. Contudo, no final de 1961, a decisão de romper com Prestes e reorganizar o PC do Brasil, levou a uma nova modificação na vida de Amazonas e sua família. Afinal, ele era profissional do Partido há muitos anos e precisava refazer sua vida. Necessitava principalmente arranjar meios de sobrevivência para continuar sua ação revolucionária. João e Edíria passaram por enormes dificuldades materiais. No Natal de 1961 não tinham nem mesmo como dar presentes para os filhos. Foi preciso que um casal de intelectuais comunistas, Riopardense Macedo e Leda Maria, dessem uma festa e distribuíssem brinquedos as crianças. Todos ficaram muito emocionados e jamais esqueceram aquele ato de solidariedade. As necessidades impostas pela reorganização do Partido levaram que Amazonas deixasse o Rio Grande do Sul e fosse para o Rio de Janeiro. No entanto, estavam sem um tostão. Os móveis e algumas roupas tiveram que ser vendidos para que conseguissem algum dinheiro para as passagens. Inicialmente, Edíria e as crianças ficaram na casa da antiga babá. Depois, com apoio do pai, foram para Bahia e ali permaneceram menos de dois meses. Neste ínterim João conseguiu alugar um bom apartamento em São Paulo para onde acabou se mudando com a família. A situação financeira, no entanto, continuava crítica. O casal tinha um apartamento, mas ainda não tinha os móveis. Aproveitando os seus conhecimentos de artista plástica, Edíria conseguiu um emprego de estilista numa confecção paulista. Com esse salário começou lentamente a mobiliar seu novo lar. Ainda no primeiro ano que estava em São Paulo, o SESC organizou o chamado Salão do Trabalho. Edíria enviou três xilogravuras e ganhou a medalha de ouro. A instituição ainda ficou com os três quadros. Com o dinheiro do prêmio e das vendas comprou presentes de Natal para as crianças e completou o mobiliário da casa. Mais tarde Edíria conseguiu um emprego no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). Enquanto isso, Amazonas se envolvia de corpo e alma no trabalho de reorganização do PC do Brasil. A sede d?A Classe Operária ficava no Rio de Janeiro. Por isso, viajava muito e somente nos finais de semana podia estar com a família. Aos domingos ia ao Ibirapuera, onde as crianças andavam de patins e corriam pelo parque. A situação parecia estar melhorando, mas isso não duraria muito tempo. Estávamos nas vésperas do golpe militar. Tempo fechado, temperatura sufocante e ar irrespirável. Com a instauração da ditadura, Amazonas entrou novamente na clandestinidade. Eles não podiam mais se ver nos finais de semana. Passaram a ter encontros em ?pontos? na rua e às vezes eram levados para algum aparelho partidário, que nem ao menos sabiam onde ficava. Essa situação não era nada fácil para as crianças. Aos filhos mais velhos Edíria contou tudo o que ocorria. João não podia vê-los porque a ditadura estava atrás dele. O mais difícil era explicar para Helena, a caçula, com apenas sete anos de idade. Um dia ela perguntou: ?Mamãe, você não tem arrependimento de ter se casado com o pai? Ele nem liga para nós?. Seguindo a sugestão de João, mesmo sem saber se a menina entenderia, Edíria buscou pacientemente explicar a situação. O casal Amazonas recebeu a notícia da decretação do AI-5 pelo rádio, quando estava num ?aparelho? em São Paulo. Até aquele momento ainda podiam dar-se ao luxo de se encontrar algumas poucas vezes. O recrudescimento da repressão e as necessidades impostas pela montagem da guerrilha no Araguaia levaram que Amazonas se afastasse ainda mais de sua família. De vez em quando, alguém telefonava querendo saber como estavam as coisas. Quando ocorreu a Chacina da Lapa, em dezembro de 1976, Amazonas fazia uma visita oficial à China. Não podendo mais voltar ao Brasil, estabeleceu-se na França. No exílio foi constatado que padecia de uma doença grave. Edíria foi ao seu encontro e resolveu ficar definitivamente no exterior. Para isso teve que se afastar dos filhos ? que já estavam crescidos ? e o emprego público. Casal Amazonas ao lado de Enver Hoxha, Nexhmije Hoxha e Ramiz Alia. Edíria resolveu retomar os estudos e matriculou-se no ateliê de Stanley Hayter, um artista gráfico mundialmente conhecido. Além de não ser caro, fornecia atestado para os alunos estrangeiros apresentarem às autoridades de imigração, condição para permanecerem na França. Ela aproveitou o exílio para visitar as galerias e exposições. Chegou mesmo a apresentar trabalhos em várias delas. Mesmo no exterior, João Amazonas vivia clandestino, com identidade falsa. Passava-se por português cujo sobrenome era Pereira. A segurança ainda era necessária, pois a polícia política brasileira mantinha sob vigilância os líderes oposicionistas no exterior. Uma vez João e sua família ? os filhos os estavam visitando em Paris ? foram seguidos por vários homens que suspeitavam fossem policiais brasileiros. Quando estavam no metrô, para se desvencilhar deles, ameaçaram descer numa estação parisiense. Foram até a porta e Helena saltou. Os homens saltaram em seguida, mas ela rapidamente voltou ao vagão e os supostos policiais ficaram do lado de fora. Uma verdadeira cena de filme de suspense policial. Encontro familiar em Paris durante o exílio Voltando e pintando o amanhã. A notícia da anistia foi recebida com festa pelos exilados. João ficou eufórico, queria arrumar tudo, distribuir as coisas que não podia trazer ao Brasil. Viajou em 24 de novembro. Edíria seguiria alguns dias depois, pois tinha que organizar os pertences familiares e acertar a entrega do apartamento no qual viviam. Desde que voltou ao Brasil ela foi - ainda que timidamente ? retomando sua produção artística, aproveitando-se de tudo que havia aprendido em Paris Em 2002 o estado de saúde de João Amazonas piorou e ele veio a falecer. Quando estava nos seus últimos momentos de vida, diante da recusa em alimentar-se, foi-lhe perguntado: ?Seu João, do que é então que o senhor gosta? E ele respondeu incontinente: ?Eu gosto mesmo é de Edíria!". Em cartas ainda se referia a ela como minha eterna namorada. Este é um lado do grande dirigente comunista que ainda é pouco conhecido. Apesar das dificuldades crescentes, fruto da idade avançada, Edíria manteve uma ativa militância político-cultural. Extraordinariamente, nos últimos anos, tinha inclusive aumentado o ritmo de sua produção artistica e de participações em exposições. Destaque especial merece as realizadas sob patrocínio da Escola Florestan Fernandes - ligada ao MST ? da Fundação Maurício Grabois ? vinculada ao PCdoB - e da União Brasileira de Mulheres (UBM). Ela doou várias de suas obras para entidade ligadas às lutas sociais. Sendo, por isso mesmo, homenageada por essas instituições. Edíria durante do 11º Congresso do PC do Brasil Durante toda sua vida ? desde que era estudante de ?belas artes? na Bahia - sempre procurou vincular sua obra ao projeto de emancipação social. Uma de suas últimas séries de quadros era intitulada As excluídas. Um sensível panorama da opressão que ainda sofre as mulheres trabalhadoras em nosso país e no mundo. Edíria viveu e morreu como verdadeira artista comunista. Vejam comunicado do Comitê Central do PCdoB - http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=171866&id_secao=8 * Utilizei-me amplamente das entrevistas feitas, em ocasiões diferentes, pela equipe composta por mim, Pedro de Oliveira, José Carlos Ruy, Fernando Garcia e Priscila Lobregati. Aproveitei também de outras entrevistas concedidas a Olívia Rangel, Osvaldo Bertolino e Mazé Leite. ** Augusto C. Buonicore é historiador e secretário geral da Fundação Maurício Grabois. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111226/8666fa1f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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A criançada queixava-se: alguém mentia. Papai-noel não pode ter nascido -como sugeria a concorrência entre agências de turismo- na Lapônia e na Groenlândia, lugares distintos e distantes um do outro. Não conheço o resultado da conferência de Oslo. Espero que, se não chegaram a um acordo, pelos menos a guerra, se vier, seja apenas de travesseiros. Mas é a Finlândia que melhor explora a figura do velho presenteador transportado no trenó puxado por renas. Assinala inclusive a sua terra natal: Rovaniemi, onde o Santa Park é, todo ele, tematizado por Papai-noel, lá denominado Santa Claus. Sabemos todos que Papai-noel nasce, de fato, na fantasia das crianças. Acreditei nele até o dia em que me perguntei por que o Paulo, filho da empregada, não recebera tantos presentes de Natal como eu. O velhinho barbudo discrimina os pobres? Malgrado tais incongruências, Papai-noel é uma figura lendária, reaviva a criança que trazemos em nós. E disputa a cena com o Menino Jesus, cujo aniversário é o motivo de festa e feriado de 25 de dezembro. Papai-noel enriquece os correios no período natalino, tantas as cartas que são remetidas a ele. Aliás, basta ir aos Correios e solicitar uma das cartas que crianças remetem ao velhinho barbudo. Com certeza o leitor fará a alegria de uma criança carente. Não se sabe o dia exato em que Jesus nasceu. Supõem alguns estudiosos que em agosto, talvez no dia 7, entre os anos 6 ou 7 antes de Cristo. Sabe-se que morreu assassinado na cruz no ano 30. Portanto, com a idade de 36 ou 37 anos, e não 33, como se crê. Tudo porque o monge Dionísio, que no século 6 calculou a era cristã, errou na data do nascimento de Cristo. Até o século 3, o nascimento de Jesus era celebrado a 6 de janeiro. No século seguinte mudou, em muitos países, para 25 de dezembro, dia do solstício de inverno no hemisfério Norte, segundo o calendário juliano. Evocavam-se as festas de épocas remotas em homenagem à ressurreição das divindades solares. Os cristãos apropriaram-se da data e rebatizaram a festa, para comemorar o nascimento Daquele que é "a luz do mundo". Para não ficar de fora da festa, os não cristãos paganizaram o evento através da figura de Papai-noel, mais adequado aos interesses comerciais que marcam a data. Vivemos hoje num mundo desencantado, porém ansioso de reencantamento. Carecemos de alegorias, mitos, lendas, paradigmas e crenças. O Natal é das raras ocasiões do ano em que nos damos o direito de trocar a razão pela fantasia, o trabalho pela festa, a avareza pela generosidade, centrados na comensalidade e no fervor religioso. Pouco importa o lugar em que nasceu Papai-noel. Importa é que o Menino Jesus faça, de novo, presépio em nosso coração, impregnando-o de alegria e amor. Caso contrário, corremos o risco de reduzir o Natal à efusiva mercantilização patrocinada por Papai-noel. Isso é particularmente danoso para a (de)formação religiosa das crianças filhas de famílias cristãs, educadas sem referências bíblicas e práticas espirituais. Lojas não saciam a nossa sede de Absoluto. Há que empreender uma viagem ao mais íntimo de si mesmo, para encontrar um Outro que nos habita. Esta é, com certeza, uma aventura bem mais fascinante do que ir até a Lapônia. Contudo, as duas viagens custam caro. Uma, uns tantos dólares. Outra, a coragem de virar-se pelo avesso e despir-se de todo peso que nos impede de voar nas asas do Espírito. [Frei Betto é escritor, autor do romance Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111227/d8dc5ce6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 27 20:07:44 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 27 Dec 2011 20:07:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Balan=E7o_do_ano_velho_e_perspect?= =?iso-8859-1?q?ivas_para_2012?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Balanço do ano velho e perspectivas para 2012 MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Brasil Adital O ano termina e, mais uma vez, temos o sentimento de dever cumprido por todas as nossas lutas, atividades e alianças que conseguimos construir e aprofundar com diversos setores da classe trabalhadora. Em mais um ano muito duro, tivemos que travar grandes lutas contra o latifúndio do agronegócio, que continua a sua ofensiva sobre as nossas terras, recursos naturais e investimentos públicos. O agronegócio, que é formado pela aliança dos fazendeiros capitalistas com empresas transnacionais e o capital financeiro, controla a nossa agricultura e tenta aprofundar a sua dominação, lançando mão de iniciativas em várias frentes. Uma das prioridades do agronegócio foi a flexibilização do Código Florestal. A legislação ambiental brasileira, que é avançada no sentido da preservação do meio ambiente, da produção sustentável e da geração de renda, é uma barreira para o avanço do capital na agricultura. Os conceitos de Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente são obstáculos para que as empresas transnacionais avancem sobre as nossas terras para implementar a produção de monoculturas para a exportação, baseada na expulsão das famílias do campo e na utilização sem limites de agrotóxicos. O projeto do senador Luiz Henrique, aprovado no Senado Federal, herdeiro do texto do deputado federal Aldo Rebelo, anistia os fazendeiros que desmataram e desobriga a recomposição de grande parte dessas áreas, cria a possibilidade de que, por meio de uma auto-declaração, qualquer um seja desobrigado de recuperar a área de Reserva Legal e não tem mecanismos para impedir mais desmatamentos. Fizemos parte de uma grande articulação, que reúne os movimentos do campo, a agricultura familiar, o movimento sindical, as entidades de defesa do meio ambiente, cientistas, artistas e setores da Igreja Católica, das entidades de advogados e do Poder Judiciário para enfrentar o ofensiva do capital na agricultura e seus representantes, a bancada ruralista. No entanto, não tivemos força para tirar esse projeto da pauta e pressionar para que o governo tivesse uma posição firme para cumprir os compromissos de campanha da presidenta Dilma Rousseff. Está prevista a votação do projeto na Câmara dos Deputados para o começo de março. Nesse período, temos a tarefa de fazer uma grande jornada de lutas, com a participação de todos os setores articulados na defesa das florestas, para impedir a aprovação do texto e pressionar para que a presidenta vete as mudanças que criem condições para ampliar o desmatamento e a controle do capital sobre a nossa agricultura. Agrotóxicos A sociedade brasileira está a cada dia mais atenta com os problemas causados com a má alimentação e problemas na saúde, especialmente com a contaminação pelos agrotóxicos. Os venenos são um dos eixos de sustentação do modelo de produção do agronegócio, como o latifúndio, a monocultura e a expulsão das famílias campo, para uma produção voltada para o exterior. O Brasil ocupa desde 2008 o primeiro lugar no ranking mundial da utilização de agrotóxicos. Mais de 1 bilhão de litros são jogados nas lavouras. Em 2010, foi construída a campanha nacional contra os agrotóxicos, com a participação de entidades importantes como o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fiocruz e a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Especialistas têm apontado a relação dos agrotóxicos com o câncer. Nos próximos dois anos, mais de 1 milhão de brasileiros receberão o diagnóstico de câncer, de acordo com o Inca. Apenas 60% dos afetados conseguirão se recuperar. As contradições causadas na saúde de toda a população pelo uso sem limites de agrotóxicos levará a sociedade a questionar o modelo do agronegócio, que além de impor a concentração das terras, a devastação do meio ambiente e a expulsão das famílias do campo, contamina o organismo de toda a população. Reforma Agrária A ofensiva das forças do capital e a falta de iniciativa política do governo federal fizeram de 2011 mais um ano ruim para a Reforma Agrária. Apenas 35 áreas foram transformadas em assentamentos, beneficiando apenas 6 mil famílias. Os números correspondem a 20% do que o ex-presidente Lula realizou em seu primeiro ano de mandato, quando 135 assentamentos foram criados, assentando 9.195 famílias. Ao mesmo tempo, 90 processos de desapropriação de terras amarelam nas mesas da Casa Civil e da Presidência da República. Para que estes processos, tecnicamente concluídos, transformem-se em assentamentos basta a assinatura da presidenta Dilma. Durante todo o ano, realizamos mobilizações para denunciar a lentidão da Reforma Agrária, a inoperância do Incra e os crimes do agronegócio. No mês de abril, foram mais de 70 ocupações de latifúndios, além de marchas e acampamentos em 19 estados. Em agosto, os movimentos organizados pela a Via Campesina realizaram um acampamento com 4 mil trabalhadores rurais em Brasília, somado a mobilização de 50 mil agricultores em 20 estados. Essa jornada arrancou compromissos importantes do governo federal, que ainda não saíra do papel, e conquistou a suplementação de R$ 400 milhões para o orçamento da obtenção de terras. Perspectivas Com o avanço do capital na agricultura, a realização da Reforma Agrária depende tanto da luta dos trabalhadores rurais, com as nossas ocupações, marchas e protestos, como também de uma grande mobilização da sociedade brasileira por reformas estruturais, que serão impulsionadas a partir da organização e luta do povo brasileiro em torno de um projeto popular para o Brasil. Por isso, temos acompanhado com bons olhos o aumento da quantidade de greves e mobilizações de diversas categorias por aumento de salários e melhores condições de trabalho, assim como os protestos dos estudantes nas universidades públicas. As grandes empresas têm lucrado muito no último período, com o crescimento da economia, o que cria melhores condições de luta para os trabalhadores. Embora essas greves tenham na sua maioria um caráter economicista, demonstram que a classe trabalhadora está em movimento, abrindo um horizonte para intensificar as lutas e criando perspectivas de um debate político com a sociedade brasileira sobre a necessidade de transformações profundas no nosso país. As políticas implementadas pelo governo desde 2003 conseguiram melhorar as condições de vida da população, mas não foram realizadas mudanças estruturais que transformassem o nosso país. Para enfrentar essas questões, as organizações da classe trabalhadora têm construído um programa político, tendo como pontos principais a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução salarial, medidas para garantir melhores condições de trabalho e menor rotatividade, a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para educação, a realização da Reforma Agrária e a proibição de agrotóxicos, uma Reforma Urbana que garanta moradia, reorganização do sistema de transporte e melhores condições de vida nas grandes metrópoles, uma Reforma Tributária Progressiva para taxar aqueles que concentram a renda, a riqueza e o lucro e a democratização dos meios de comunicação de massa. O desafio é construir a partir das lutas de todos os setores que defendem essas bandeiras um grande movimento de massas, que tenha organização e força para enfrentar a ofensiva do capital e garantir conquistas para o povo brasileiro. No próximo período, vamos participar dessas lutas e cobrar esses compromissos assumidos pelo governo, com muitas lutas, ocupações, marchas e mobilizações. Temos também a tarefa de avançar na organização dos nossos assentamentos para serem referência de produção de alimentos de qualidade e sem venenos para a população brasileira, organizar os pobres em novos acampamentos e ocupações e realizar alianças ainda mais fortes com a classe trabalhadora em todos os espaços. Os compromissos assumidos só se converterão em conquistas concretas com pressão social e unidade no programa e na luta com outros setores da classe trabalhadora. Se o lema desse governo é "País rico é país sem pobreza", temos que abrir os olhos da população brasileira que o modelo de desenvolvimento do agronegócio, baseado no latifúndio, na exportação, na exclusão social, no envenenamento da natureza e na destruição das florestas não poderá acabar com a pobreza no campo, pois é a própria raiz da pobreza. Com nossos lutas e campanhas, vamos avançar nas conquistas e a sociedade compreenderá que combater a pobreza no campo é fazer a Reforma Agrária. O ano novo será feliz com a força e mobilização do povo. Secretaria Nacional do MST. Veja vídeo com balanço do ano e perspectivas com o dirigente do MST João Pedro Stedile Boas Festas! Veja cartão de final de ano do MST -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111227/6d8ba60a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 28 20:01:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 28 Dec 2011 20:01:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_verdade=2C_a_justi=E7a_e_o_per?= =?iso-8859-1?q?d=E3o?= Message-ID: <4DE0EE81123D4F738C10D0091ABFC0BB@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem DEBATE ABERTO A verdade, a justiça e o perdão Em nome dos homens firmes e honrados, que não conseguiram resistir, e falaram, mais do que daqueles que foram capazes de suportar a tortura, é que a verdade deve ser conhecida. Essa verdade redimirá a alma dos que já se foram e aliviará o peso dos que conduzem, ainda vivos, sua alma dilacerada. Mauro Santayana Quando se discute sobre a responsabilidade e os limites da Comissão da Verdade, as razões e as emoções de todos se dirigem ao ponto mais doloroso daqueles tempos: a tortura. Por ser tão anti-humana, e nem mesmo corresponder ao instinto animal da caça, que recomenda a rapidez do golpe, a fim de eliminar qualquer reação, o ato da tortura é incompreensível. Só um torturador poderia explicar a natureza de seu comportamento. Os torturados lembram o prazer dos algozes e a sua frustração animalesca, quando encontram a resistência das vítimas. Ao se referir à violência da extrema-direita na Europa, Theodor Adorno dá uma explicação, que já se encontrava no núcleo do pensamento freudiano: o fascista é, na verdade, um masoquista, que só a mentira transforma em sádico, isto é, em agente da repressão. Em um de seus inquietantes relatos sobre o auge do totalitarismo nazista, Arthur Koestler - o mesmo autor de "O Zero e o Infinito" - conta, em "Ein Mann springt in die Tiefe" ("Um homem salta no abismo") uma história de torturas na Hungria, sob a ditadura de Miklós Horthy. Um jovem prisioneiro é torturado sempre à mesma hora da tarde, e sua astúcia para a resistência é a de masturbar-se várias vezes ao dia. Estando debilitado pela subnutrição, o esforço reduz a resistência física ainda mais: assim, aos primeiros golpes do torturador, desmaia - e é devolvido à cela com o seu silêncio. Um dos aspectos menos discutidos da Revolução Francesa é o da ausência de atos de tortura. Houve a violência no ato de prisão de algumas personalidades, por ordem do Comitê de Salvação Pública e dos reacionários termidorianos, como foi o caso de Robespierre, alvejado e ferido na mandíbula, na noite de 27 de julho de 1794, ao resistir na Prefeitura de Paris. No dia seguinte sem ter sido ultrajado, foi guilhotinado. A tortura sempre fora empregada na História, e tivera seu momento mais forte durante a Inquisição e a Reforma Protestante. A hierarquia católica e os reformistas luteranos e calvinistas (sobretudo os calvinistas) nada ficaram devendo a seus inimigos teológicos. A partir da Revolução Francesa, ela foi virtualmente abandonada pela repressão, até ressurgir durante a Primeira Guerra Mundial. Em um de seus escritos, Hélio Pellegrino define a tortura como uma tentativa do torturador em colocar o corpo do torturado em conflito com a sua alma: o objetivo da dor é o de vencer o espírito. Antes do poeta e psicanalista mineiro, Albert Camus usaria a mesma imagem, a do conflito entre o corpo e o espírito, em um de seus mais incisivos libelos contra a barbárie dos ocupantes alemães. Na série dos artigos que escreveu, logo depois da libertação, para Le Combat, destacam-se os dedicados aos torturados e mortos pelos colaboracionistas franceses, a serviço dos ocupantes. No texto publicado em 30 de agosto de 1944 - quando se refere a uma das muitas denúncias de tortura daqueles quatro anos de abjeção - Camus se espanta de que torturadores e torturados tivessem a mesma face humana. E lembra a figura de Himmler, que fizera da tortura uma ciência e um ofício, e que entrava em silêncio em sua casa à noite, depois dos crimes perpetrados durante o dia, para não acordar o canarinho amado, que serenamente dormia em sua gaiola. E descreve os torturadores, os torturados, a natureza justa do castigo e do perdão: "Eles acreditavam que há sempre uma hora do dia ou da noite na qual o mais valente dos homens se sente covarde. Souberam sempre esperar essa hora. E nessa hora, buscaram a alma, por meio das feridas do corpo, e a tornaram selvagem e demente, e, às vezes, traidora e mentirosa. Quem se atreveria a falar, aqui, de perdão? Já que o espírito compreendeu por fim que só podia vencer a espada com a espada, já que tomou as armas e obteve a vitória, quem lhe queria pedir que esqueça? Amanhã não falará o ódio, senão a justiça mesma, baseada na memória. E é justiça, a mais eterna e sagrada, perdoar, talvez em nome de todos os que, entre nós, morreram sem ter falado, com a paz superior de um coração que jamais traiu: mas também é justiça castigar terrivelmente, em nome dos mais valentes de nós, que foram convertidos em covardes, quando degradaram sua alma, e morreram desesperados, levando em seu coração, devastado para sempre, seu ódio aos torturadores e seu desprezo por si mesmos". Em nome dos homens firmes e honrados, que não conseguiram resistir, e falaram, mais do que daqueles que foram capazes de suportar a tortura, é que a verdade deve ser conhecida. Essa verdade redimirá a alma dos que já se foram e aliviará o peso dos que conduzem, ainda vivos, sua alma dilacerada. Uns por terem sido capazes de resistir, apesar da cicatrizes no espírito, e os outros, por haverem sucumbido ao flagelo da tortura. Lembrar Camus e seu texto pungente, nestes dias de Natal, pode não ser adequado, mas essas reflexões tristes são necessárias. Ocorre que Cristo foi também torturado - por interesse do Império daquele tempo - até o momento da morte, quando o sofrimento do corpo fez com que a alma perguntasse, na agonia: "Pai, por que me abandonaste?" Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111228/8878f94e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111228/8878f94e/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3418 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111228/8878f94e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 28 20:01:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 28 Dec 2011 20:01:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Por Sara, que tanto amamos! - Portal Vermelho Message-ID: <9F4347E8CA3441FDBBA6AC29B8D878CB@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem (clique abaixo) http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=171921&id_secao=11 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111228/92ea3965/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 29 20:11:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 29 Dec 2011 20:11:20 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Presente_um_Feliz_Ano_Novo=2E_Um_?= =?iso-8859-1?q?livro_A_hist=F3ria_da_Tortura_e_da_Repress=E3o_Pol?= =?iso-8859-1?q?=EDtica_no_Brasil=2E?= Message-ID: <96D9BF827C4E450BBDAA021D966D1F4A@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Aton Fon Para todas as pessoas que se esforçaram e continuam se esforçando para que sejamos capazes de produzir a Memória, a Verdade e a Justiça, um livro que ajuda a restaurar as três. Com votos de Feliz Ano Novo Fon (clique) http://xa.yimg.com/kq/groups/18028573/10234462/name/Tortura+-+A+História+da+Repressao+Politica+no+Br http://xa.yimg -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111229/87d90130/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 30 20:13:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 30 Dec 2011 20:13:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_lista_dos_acusados_de_tortura?= =?iso-8859-1?q?=2E__Dos_pap=E9is_de_Luiz_Carlos_Prestes_consta_um_?= =?iso-8859-1?q?relat=F3rio_do_Comit=EA_de_Solidariedade_aos_Revolu?= =?iso-8859-1?q?cion=E1rios_do_Brasil=2C_de_1976=2E?= Message-ID: <64097A9DCEE543E49FC3B41E66C4D056@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem A lista dos acusados de tortura Dos papéis de Luiz Carlos Prestes consta um relatório do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil, de 1976. O documento traz uma lista de 233 torturadores feita por presos políticos em 1975 Alice Melo e Vivi Fernandes de Lima 29/12/2011 a.. O acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes, que será doado por sua viúva, Maria Prestes, ao Arquivo Nacional, traz entre cartas trocadas com os filhos e a esposa, fotografias e documentos que mostram diferentes momentos da história política do Brasil. Entre eles, o "Relatório da IV Reunião Anual do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil", datado de fevereiro de 1976. Neste período Prestes vivia exilado na União Soviética e, como o documento não revela quem são os membros deste Comitê, não se pode afirmar que o líder comunista tenha participado da elaboração do relatório. De qualquer forma, é curioso encontrá-lo entre seus papéis pessoais. O documento é dividido em seis capítulos, entre eles estão "Mais desaparecidos", "Novamente a farsa dos suicídios", "O braço clandestino da repressão" e "Identificação dos torturadores", que traz uma lista de 233 militares e policiais acusados de cometer tortura durante a ditadura militar. Esta lista foi elaborada em 1975, por 35 presos políticos que cumpriam pena no Presídio da Justiça Militar Federal. Na ocasião, o documento foi enviado ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Caio Mário da Silva Pereira, mas só foi noticiado pela primeira vez em junho de 1978, no semanário alternativo "Em Tempo". Segundo o periódico, "na época em que foi escrito, o documento não teve grandes repercussões, apenas alguns jornais resumiram a descrição dos métodos de tortura". O Major de Infantaria do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra é o primeiro da lista de torturadores, segundo o relatório. A Revista de História tentou ouvi-lo, mas segundo sua esposa, Joseita Ustra, ele foi orientado pelo advogado a não dar entrevista. "Tudo que ele tinha pra dizer está no livro dele", diz ela, referindo-se à publicação "A verdade sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" (Editora Ser, 2010). A repercussão da lista em 1978 A Revista de Históriaconversou com um jornalista que integrava a equipe do "Em Tempo". Segundo a fonte - que prefere não ser identificada - a redação tinha um documento datilografado por presos políticos. Era uma "xerox" muito ruim do texto, reproduzido em uma página A4. Buscando obter mais informações sobre o documento, os jornalistas chegaram ao livro "Presos políticos brasileiros: acerca da repressão fascista no Brasil" (Edições Maria Da Fonte, 1976, Portugal). Depois desta lista, o "Em Tempo" publicou mais duas relações de militares acusados de cometerem tortura. Na época, a tiragem do semanário era de 20 mil exemplares, rapidamente esgotada nas bancas, batendo o recorde do jornal. A publicação fechou o tempo para o jornal, que sofreu naquela semana dois atentados. A sucursal de Curitiba foi invadida e pichada. Na parede, os vândalos deixaram a marca em spray "Os 233". O outro atentado aconteceu na sucursal de Belo Horizonte: colocaram ácido nas máquinas de escrever. Na capital mineira, a repercussão foi maior porque os militantes de esquerda saíram em protesto a favor do jornal. O próprio "Em Tempo" publicou esses dois casos, com fotos. Os autores da lista As assinaturas dos 35 que assumem a autoria também foram publicadas no "Em Tempo". Hamilton Pereira da Silva é um deles. O poeta - conhecido pelo pseudônimo Pedro Tierra e hoje Secretário de Cultura do Distrito Federal - fez questão de conversar com a Revista de História sobre o assunto, afirmando que a lista não foi fechada em conjunto. Os nomes e funções dos torturadores do documento teriam sido informados pelas vítimas da violência militar em momentos distintos de suas vidas durante o cárcere. "Essas informações saíam dos presídios por meio de advogados ou familiares. A esquerda brasileira, neste período, não era unida, era formada por vários grupos isolados, que não tinham muito contato entre si por causa da repressão", conta Tierra. "Quando a lista foi publicada no 'Em Tempo', eu já estava em liberdade. Sei que colaborei com dois nomes: o major, hoje reformado, Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o capitão Sérgio dos Santos Lima - que torturava os presos enquanto ouvia música clássica". Hamilton lembra ainda que, após a publicação da lista no periódico, a direita reagiu violentamente realizando ataques a bomba em bancas de jornal e até uma bomba na OAB, além de ameaças à sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 1985, já em tempos de abertura política, a equipe do projeto Brasil: Nunca mais divulgou uma lista de 444 nomes ou codinomes de acusados por presos políticos de serem torturadores. Organizado pela Arquidiocese de São Paulo, o trabalho se baseou em uma pesquisa feita em mais de 600 processos dos arquivos do Superior Tribunal Militar de 1964 a 1979. Os documentos estão digitalizados e disponíveis no site do Grupo Tortura Nunca Mais. Entre os autores da lista de acusados de tortura feita em 1975, além de Hamilton Pereira da Silva, estão outros ex-presos políticos que também assumem cargos públicos, como José Genoino Neto, ex-presidente do PT e assessor do Ministério da Defesa, e Paulo Vanucchi, ex-ministro dos Direitos Humanos e criador da comissão da verdade. Os outros autores da lista são: Alberto Henrique Becker, Altino Souza Dantas Júnior, André Ota, Antonio André Camargo Guerra, Antonio Neto Barbosa, Antonio Pinheiro Salles, Artur Machado Scavone, Ariston Oliveira Lucena, Aton Fon Filho, Carlos Victor Alves Delamonica, Celso Antunes Horta, César Augusto Teles, Diógenes Sobrosa, Elio Cabral de Souza, Fabio Oascar Marenco dos Santos, Francisco Carlos de Andrade, Francisco Gomes da Silva, Gilberto Berloque, Gilney Amorim Viana,Gregório Mendonça, Jair Borin, Jesus Paredes Soto, José Carlos Giannini, Luiz Vergatti, Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, Manoel Porfírio de Souza, Nei Jansen Ferreira Jr., Osvaldo Rocha, Ozeas Duarte de Oliveira, Paulo Radke, Pedro Rocha Filho, Reinaldo Moreno Filho e Roberto Ribeiro Martins. A seguir, a reprodução de parte do "Relatório do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil", com as páginas que trazem os 233 nomes dos acusados de praticarem tortura direta ou indiretamente. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111230/7dd3e6e0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15743 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111230/7dd3e6e0/attachment-0012.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. ............ ......... ......... ......... ......... ... Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente." Feliz Ano Novo! Eu desejo para todos vocês a Paz que desejo ao sofrido povo palestino, hoje, neste novo ano, esmagado, destroçado pelos nazi-sionista- israelenses que ocupam o poder no estado norte-americano- israelita; Eu desejo para todos vocês a fartura e a saciedade de comida e de viver , que desejo ao povo africano do Quênia, Zimbawe, Etiópia e outros, hoje, neste ano novo, novamente esmagado pela cobiça dos EEUU. França Alemanha e Inglaterra, no roubo de suas riquezas naturais; Eu desejo a vocês a liberdade e a segurança de vida em uma pátria livre, que desejo ao povo do Afeganistão e , hoje, neste ano novo, mais uma vez , destruído e encarcerado pelas tropas norte-americanas, inglesas e dos seus aliados; Eu tenho a certeza de que ninguém pode viver feliz enquanto outros seres humanos sofrem. Por isso, neste novo ano, eu lhes desejo a renovação da esperança de dias melhores para todos os povos; de janelas abertas para a luz do sol para todos;a alegria de poder ajudar, solidarizar, amar o outro, desde que você se ame; Faça do ano novo o novo. Faça da utopia os votos de realidade; do egoísmo a doação; do acanhado a generosidade; da escuridão a claridade para os olhos, hoje, cegos (a cegueira da nossa alienação); do preconceito apenas o conceito; abrace a vida que está em você e no outro. Não se envergonhe de demonstrar carinho; não tema sonhar. Construa caminhos neste Novo Ano. São os votos da Carta O Berro para todas (os) amigas (os), listeiras (os), companheiras (os), nessa literatura diferencial que os grandes "jornalões" não publicam. Quisemos ser uma oportuna espectativa para a reflexão do contraditório, seja na política, na poesia, na prosa, na informação, na reprodução de dados e fatos, para que você tenha sempre um parâmetro , evitando os comuns da repetição dos jornais nacionais, abrindo espaço para que a verdade seja a sua consciência; que estejamos unidos pela justiça, pela igualdade de oportunidades, pelo respeito ao próximo, na solidariedade, na luta pela páz, soberânia, no Brasil, na América Latina e no Mundo.. Feliz Ano Novo, De Novo. Vanderley Caixe. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20111231/a4add453/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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