From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 1 19:42:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 1 Aug 2011 19:42:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Entrevista_com__SILVIO_TENDLER_?= =?windows-1252?q?e_o_filme-coment=E1rio=2E_=22O_VENENO_EST=C1_NA_M?= =?windows-1252?q?ESA=22_____________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__?= =?windows-1252?q?MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <163AB15B7E6E4EFC8CCB1188F5E58C3D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O brasileiro come veneno veja ao final os links para assistir o fime. O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os rumos do modelo adotado na agricultura brasileira 01/08/2011- Jornal BRASIL DE FATO Aline Scarso, da Redação Silvio Tendler é um especialista emdocumentar a história brasileira. Já o fez apartir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagemem particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos. Em O veneno está na mesa, lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicosnos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de de senvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contraos Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira. Brasil de Fato ? Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dosagrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional? Silvio Tendler ? Porque a partir deagora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista eescritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João PedroStédile [coordenador do Movimentodos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados comisso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadase respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme fi cou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões. Então seus próximos do cumentários deverão tratar desse tema? Pra você ter uma ideia, no contrato inicialdesse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ?está muito longo?, disseram ?está curto, você tem quefalar mais?. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida deforma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidadede vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir. Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde dessesagricultores é muito grande... É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebeo crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ?não quero plantar transgênico?, ?não quero trabalhar com herbicidas?, ?quero trabalhar com agricultura orgânica, natural?. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo. A impressão que dá é que osbrasileiros estão se envenenandosem saber. Você acha que o fi lmepode contribuir para colocar oassunto em discussão? Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. Esão duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para quea classe média se convença que tem quelutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ?ah, então já sei, perto daminha casa tem uma feirinha orgânica eeu vou me virar e comer lá?, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxicochega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir. Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro? Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ?ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe?, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivemem volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas. No documentário você optoupor não falar com as empresasprodutoras de agrotóxicos. Essa ideia fi cou para um outrodocumentário? É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ?tudo bem, então vamos trabalharem breve isso num outro filme?. Se as empresas que manipulam e produzemagrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ?você vai tomar processo?, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qualeu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso. Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também? Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ?copie e distribua?. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias paraserem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociaise sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levaresse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que veresse filme. E expectativa é boa então? Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui. Foto: Gabriela Nehring O FILME "O VENENO ESTÁ NA MESA." Segue os links do filme "O veneno esta na mesa" do cineasta Silvio Tendler. Documentário denuncia a problemática causada pelos agrotóxicos, e faz parte de um conjunto de materiais elaborados pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. http://www.youtube.com/watch?v=WYUn7Q5cpJ8&NR=1 Parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=NdBmSkVHu2s&feature=related Parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=5EBJKZfZSlc&feature=related Parte 3 http://www.youtube.com/watch?v=AdD3VPCXWJA&feature=related Parte 4 Divulguem. A reprodução e multiplicação é livre. Copiem, multipliquem, distribuam nas escolas, sindicatos, igrejas, etc. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110801/40bf795b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 59019 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110801/40bf795b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 1 19:42:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 1 Aug 2011 19:42:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__MAUR=CDCIO_GUILHERME_DA_SILVEIRA__e__?= =?iso-8859-1?q?GERSON_THEODORO_DE_OLIVEIRA______________-CCVIII-?= Message-ID: <7F398353192C457C80A842B73D154463@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MAURÍCIO GUILHERME DA SILVEIRA (1951-1971) Filiação: Maria Lacerda de Almeida da Silveira e Léo Octavio da Silveira Data e local de nascimento: 03/02/1951, Itaipava (RJ) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 22/03/1971, Rio de Janeiro (RJ) GERSON THEODORO DE OLIVEIRA (1947-1971) Filiação: Maria de Lourdes Oliveira e Geraldo Theodoro de Oliveira Data e local de nascimento: 31/08/1947, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 22/03/1971, Rio de Janeiro (RJ) Gerson Theodoro e Maurício Guilherme, integrantes da VPR, acusados pelos órgãos de segurança de terem participado de várias ações armadas, inclusive dos seqüestros dos embaixadores alemão e suíço, foram mortos no Rio de Janeiro, em 22/03/1971, nas dependências do DOI-CODI/RJ. No dia seguinte, os jornais divulgaram nota oficial emitida no dia 22 informando que, às 11 horas da manhã, na esquina da Avenida Suburbana com a Rua Cupertino, em Madureira, os dois militantes teriam recebido voz de prisão, reagiram a tiros, foram feridos e morreram quando transportados para o Hospital Salgado filho. Gerson era negro e tinha sido estudante secundarista em São Paulo, trabalhando como auxiliar de escritório. Freqüentou, à noite, em 1968, o Cursinho do Grêmio da Faculdade de Filosofia da USP, preparatório ao vestibular. Fora funcionário da Companhia Siderúrgica Nacional, lotado no escritório de São Paulo, de 29/11/1966 a 07/05/1969, quando foi obrigado a abandonar o emprego por perseguição política. Desde então, passou a viver na clandestinidade. Maurício tinha 20 anos e era também estudante secundarista. Não foi possível reunir outras informações a respeito de sua biografia e militância política anterior. Sua certidão de óbito, assinada pelo Dr. José Alves de Assunção Menezes, registra que seu corpo foi enterrado por familiares no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. As certidões de óbito desmentem a versão oficial e foram consideradas na CEMDP uma prova irrefutável que levou ao deferimento final dos casos. Atestadas por José Alves de Assunção Menezes, as certidões informam como local da morte a rua Barão de Mesquita, 425 - sede do 1º Batalhão da Polícia do Exército, ou seja, o próprio endereço do DOI-CODI/RJ, o que contradiz a informação divulgada no comunicado do dia 22. Além disso, documentos anexados ao processo junto à Comissão Especial levantam a possibilidade de que ambos tenham sido localizados e presos na própria residência de Maurício ("aparelho", no documento policial encontrado nos arquivos pesquisados), tornando plausível que o tiroteio aventado nem tenha existido. Em exame preliminar do processo de Maurício, o relator pediu que fossem apresentados mais elementos. Os familiares, após pesquisa no STM, protocolaram mais de 70 páginas de documentos com informações sobre o caso. O relator ressaltou, então, que a descrição dos fatos sustentada no requerimento ganhava força ao se notar que na certidão de óbito constava como local da morte o endereço do DOI-CODI. Não tendo sido localizado o laudo de Maurício, examinou o de Gerson, destacando que levara um único tiro, pelas costas. A foto do corpo de Maurício foi localizada no STM, mas a de Gerson não. O auto de exame cadavérico de Gerson utiliza a falsa identidade Pedro de Castro Corrêa e foi localizado nos arquivos do STM e do extinto DOPS, sendo assinado pelos legistas José Alves Assumpção de Menezes e Ivan Nogueira Bastos. Assim descreve os ferimentos: "na metade esquerda da região frontal existe ferida alongada e rasa, de bordas irregulares", ferida e escoriações também existentes na região mentoniana. O único tiro descrito, apesar do alegado tiroteio, foi dado pelas costas, entrando na região dorsal esquerda, com saída do projétil pela frente, na região peitoral direita. Ou seja, de baixo para cima. O relator da CEMDP, que analisou os casos em conjunto, afirmou em seu voto que a circunstância de o óbito ter ocorrido num hospital e o corpo estar em batalhão militar obscurece a credibilidade da versão da morte por tiroteio durante resistência à prisão. O pedido dos familiares de Maurício foi aprovado pela CEMDP. O processo de Gerson, por ter sido apresentado após o prazo legal estipulado pela Lei nº 9.140/95, foi indeferido num primeiro julgamento. Sua mãe, Maria de Lourdes Oliveira Theodoro, apresentou sucessivos apelos à CEMDP para que reconsiderasse a decisão, argumentando que o DOPS/SP fora responsável pela perda de prazo, ao demorar na entrega dos documentos solicitados. No entanto, em função da intempestividade, foi mantido o indeferimento. Reapresentado em 2002, quando a edição de nova redação da lei tornou a abrir os prazos para apresentação de requerimentos, foi o primeiro caso a ser analisado quando da reinstalação da CEMDP, mas Dona Maria de Lourdes não viveu para acompanhar a aprovação, por unanimidade, do seu pedido. ============================================================================================================================ + Informações. GERSON THEODORO DE OLIVEIRA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Morto aos 23 anos no dia 22 de março de 1971, juntamente com Maurício Guilherme da Silveira, à Rua Barão de Mesquita, nº 425, por agentes do DOI/CODI-RJ. Segundo o boletim de março de 1974 da "Amnesty Internacional", ambos foram fuzilados. Estudante, trabalhava como auxiliar de escritório. Segundo os Relatórios do Ministério da Aeronáutica e da Marinha, "faleceu em tiroteio com agentes dos órgãos de segurança ao reagir à prisão, em 22 de março de 1971, em Madureira/RJ". O registro de Ocorrência nº 1408 da 29º D.P. informa: "Às 15:00 hs compareceu o Capitão Aranha, da Segurança do I Ex., R. barão de Mesquita, nº 425, Tijuca, comunicando que, cerca de 11:30 hs., realizando diligência para o Serviço de Segurança Nacional, localizara à Av. Suburbana, esquina com Rua Cupertino (Quintino), dois elementos conhecidos como subversivos, um preto, de nome falso Pedro de Castro Corrêa e outro branco, nome Falso Raimundo Nazareno Lobato Rodrigues (este era Maurício Guilherme da Silveira), os quais reagiram a prisão, sacando as armas que portavam e atirando contra o comunicante e demais componentes da equipe, que revidaram em defesa, resultando feridos os dois elementos citados. Ao serem transportados para o hospital mais próximo vieram a falecer, estando os cadáveres no 1º Batalhão da Polícia do Exército (DOI)..." MAURÍCIO GUILHERME DA SILVEIRA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Estudante secundarista, foi morto aos 20 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 22 de março de 1971. Na requisição de necrópsia consta como local de morte a Rua Barão de Mesquita, nº425, endereço do DOI-CODI/RJ, junto com Gerson Theodoro de Oliveira. A certidão de óbito de Maurício, firmada pelo Dr. José Alves de Assunção Menezes., informa que foi sepultado pela família no Cemitério São Francisco Xavier (RJ). Maiores detalhes ver caso Gerson Theodoro de Oliveira. =========================================================================================================== + Informações. GERSON THEODORO DE OLIVEIRA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Filho de Geraldo Teodoro de Oliveira e Maria de Lourdes de Oliveira. Morto aos 23 anos no dia 22 de março de 1971, juntamente com Maurício Guilherme da Silveira, à Rua Barão de Mesquita, n° 425, por agentes do DOI/CODI-RJ. Segundo o boletim de março de 1974 da "Amnesty Internacional", ambos foram fuzilados. Estudante, trabalhava como auxiliar de escritório. Segundo os Relatórios do Ministério da Aeronáutica e da Marinha, "faleceu em tiroteio com agentes dos órgãos de segurança ao reagir à prisão, em 22 de março de 1971, em Madureira/RJ". O corpo de Gerson entrou no IML com a Guia n° 48 da 29ª D.P., como Pedro de Castro Corrêa. Feita sua identificação pelas impressões digitais, foram emitidos exame necroscópico e certidão de óbito com o nome verdadeiro. O exame necroscópico foi firmado pelos Drs. José Alves Assunção Menezes e Ivan Nogueira Bastos. A certidão de óbito de Gerson informa que foi retirado do IML por seu pai, que o enterrou no Cemitério São Francisco Xavier, em 30 de março de 1971. O Registro de Ocorrência n° 1408 da 29ª D.P. informa: "Às 15:00 hs compareceu o Capitão Aranha, da Segurança do I Ex., R. Barão de Mesquita, n° 425, Tijuca, comunicando que, cerca de 11:30 hs., realizando diligência para o Serviço de Seguranca Nacional, localizara à Av. Suburbana, esquina com Rua Cupertino (Quintino), dois elementos conhecidos como subversivos, um preto, de nome falso Pedro de Castro Corrêa e outro branco, nome falso Raimundo Nazareno Lobato Rodrigues (este era Maurício Guilherme da Silveira), os quais reagiram à prisão, sacando as armas que portavam e atirando contra o comunicante e demais componentes da equipe, que revidaram em defesa, resultando feridos os dois elementos citados. Ao serem transportados para o hospital mais próximo vieram a falecer, estando os cadáveres no 1° Batalhão da Polícia do Exército (DOI)..." ================================================================================================= MAURÍCIO GUILHERME DA SILVEIRA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Estudante secundarista, foi morto aos 20 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 22 de março de 1971. Na requisição de necrópsia consta como local da morte a Rua Barão de Mesquita, n° 425, endereço do DOI-CODI/RJ, junto com Gerson Theodoro de Oliveira. A certidão de óbito de Maurício, firmada pelo Dr. José Alves de Assunção Menezes., informa que foi sepultado pela família no Cemitério São Francisco Xavier (RJ). Maiores detalhes, ver no caso de Gerson Theodoro de Oliveira. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110801/2edaee70/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/bmp Size: 53926 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110801/2edaee70/attachment-0002.bin -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Fez parte da do Diretório Acadêmico do Instituto de Física e foi membro do Conselho do Dormitório do Alojamento do "Fundão". Preso durante o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), foi indiciado em inquérito e passou a ser perseguido pelos órgãos de segurança do regime militar. Optou pela militância política clandestina, quando já era militante do PCdoB. Mudou-se em 1970 para o Araguaia, fixando residência na localidade de Metade, onde era conhecido como Piauí. Foi o vice-comandante do Destacamento A e, após a morte de André Grabois, assumiu o comando. Conforme já transcrito na apresentação do caso Hélio Luiz Navarro de Magalhães, o Relatório Arroyo registra a ocorrência de um choque armado em 14/01/1974, no qual três guerrilheiros conseguiram fugir, mas não se sabia o que acontecera com outros três: Piauí (Antônio de Pádua Costa), Beto (Lúcio Petit da Silva) e Antônio (Antônio Alfaiate). No já mencionado relatório dos quatro procuradores do Ministério Público Federal, apresentado em janeiro de 2002, a informação é colidente com a da Marinha: "Piauí: Antônio De Pádua Costa, foi identificado sendo conduzido por soldados fardados na cidade de São Domingos do Araguaia. Depois de preso trabalhou como guia para as Forças Armadas na base da Bacaba, havendo, inclusive, foto sua em uma equipe. Manoel Leal Lima (ex-guia conhecido como Vanu) relatou que ao final da guerrilha Piauí for morto na Bacaba, assim como Duda e Pedro Carretel. Vanu disse ter acompanhado a equipe que os executou". O livro de Elio Gaspari, A Ditadura Escancarada, vai na mesma direção: "Piauí, um dos quadros mais qualificados do PCdoB, andou pelo mato por várias semanas, até que um menino que o acompanhava (cujo pai aderira à guerrilha e fora morto) resolveu levá-lo à casa de um tio. Estava faminto, seminu. Foi entregue à tropa, que o encapuzou, amarrou e levou para a Bacaba. O mateiro Peixinho acompanhou-o em cinco patrulhas na busca por depósitos de armas ou mantimentos. A princípio Piauí ia amarrado. Depois andava com a tropa. Um dia disseram ao mateiro que Piauí não o acompanharia mais". O livro de Hugo Studart informa que, no Dossiê Araguaia, a data apontada para a morte é 24/01/1974. O livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, acrescenta detalhes sobre a vida e morte de Antônio de Pádua Costa no Araguaia: "Moradores contam que em uma festa, em meados de 1973, Piauí dançou e namorou uma moça a noite inteira - sem tirar a arma das costas. Tinha temperamento alegre e brincalhão. Preso na casa do morador Antônio Almeida, foi obrigado a andar com o Exército diversas vezes pela mata, em busca dos depósitos de suprimentos. Levou os militares a esconderijos vazios. O ex-guia do Exército Manoel Leal de Lima, o Vanu, afirmou, em depoimento ao Ministério Público, tê-lo visto preso na base de Bacaba. Algum tempo depois, encontrou o corpo na mata, ao lado de outros dois guerrilheiros. Piauí é apontado em duas fotos dos arquivos do Ministério Público. Em uma, está cercado de militares armados. Na outra aparece dentro de um buraco do Vietnã. De acordo com a Marinha, Piauí foi morto pela guerrilheira Rosinha, codinome de Maria Célia Corrêa, no dia 5 de março de 1974. A versão não faz sentido". ================================================================================================================= + Informações. ANTÔNIO DE PÁDUA COSTA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 12 de junho de 1943 no Piauí, filho de João Lino da Costa e Maria Jardilina da Costa. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia desde 1974. Estudante de Astronomia da UFRJ, foi da diretoria do DA do Instituto de Física. Foi indiciado por sua participação no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna. Quando passou a viver na clandestinidade, foi para a região do Araguaia, onde vivia na localidade de Metade, em São João do Araguaia/PA e tornou-se vice-comandante do destacamento A das Forças Guerrilheiras. Com seu jeito alegre e brincalhão, rapidamente conquistou a simpatia dos vizinhos e companheiros. Com seu espírito prático e capacidade de direção, assumiu o Comando do Destacamento A - Helenira Resende - após a morte de André Grabois. Foi visto pela última vez no dia 14 de janeiro de 1974, quando houve intenso tiroteio com as Forças Armadas. Estavam com ele naquele momento Antônio Alfaiate e Lúcio Petit, também desaparecidos. Segundo o depoimento de um morador da região, Antônio foi preso em casa de um camponês, no início do ano de 1974. O Relatório do Ministério da Marinha afirma que teria sido assassinado por uma companheira, "quando estavam acampados em local/região não definidos". Causa estranheza o Ministério da Marinha ter informações tão detalhadas sobre sua morte e nenhuma informação sobre o local onde se deu sua prisão, o que demonstra, mais uma vez, a tentativa de escamotear as informações. ========================================================================================== + Informações. ANTÔNIO DE PÁDUA COSTA (1943-1974) Piauiense de Luís Correia, no Delta do Parnaíba, estudava astronomia na Universidade Federal do Rio de Janeiro quando participou ativamente do movimento estudantil, entre os anos de 1967 e 1970. Preso durante o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), foi indiciado em inquérito e passou a ser perseguido pelos órgãos de segurança do regime militar. Optou pela militância política clandestina quando já estava ligado ao PCdoB. Mudou-se em 1970 para o Araguaia, fixando residência na localidade de Metade, onde era conhecido como Piauí. Foi o vice-comandante do Destacamento A e, após a morte de André Grabois, assumiu o comando. O livro Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, acrescenta um detalhe sobre sua vida: "Moradores contam que em uma festa, em meados de 1973, Piauí dançou e namorou uma moça a noite inteira - sem tirar a arma das costas". O Relatório Arroyo registra a ocorrência de um choque armado em 14 de janeiro de 1974, no qual três guerrilheiros conseguiram fugir, mas não se sabia o que acontecera com outros três: Piauí (Antônio de Pádua Costa), Beto (Lúcio Petit da Silva) e Antônio (Antônio Alfaiate). O relatório dos quatro Procuradores do Ministério Público Federal, apresentado em janeiro de 2002, afirma: Piauí: Antônio De Pádua Costa foi identificado sendo conduzido por soldados fardados na cidade de São Domingos do Araguaia. Depois de preso trabalhou como guia para as Forças Armadas na base da Bacaba, havendo, inclusive, foto sua em uma equipe. Manoel Leal Lima (ex-guia conhecido como Vanu) relatou que ao final da guerrilha Piauí foi morto na Bacaba, assim como Duda e Pedro Carretel. Vanu disse ter acompanhado a equipe que os executou. Piauí é apontado em duas fotos dos arquivos do Ministério Público. Em uma, está cercado de militares armados. Na outra, aparece dentro de um buraco do Vietnã. O livro de Elio Gaspari, A ditadura escancarada, segue na mesma direção: "Piauí, um dos quadros mais qualificados do PC do B, andou pelo mato por várias semanas, até que um menino que o acompanhava (cujo pai aderira à guerrilha e fora morto) resolveu levá-lo à casa de um tio. Estava faminto, seminu. Foi entregue à tropa, que o encapuzou, amarrou e levou para a Bacaba". O livro de Hugo Studart informa que, no Dossiê Araguaia, a data apontada para a morte é 24 de janeiro de 1974. No livro Bacaba, José Vargas Jiménez, militar que combateu a guerrilha, afirma sobre Antônio: Dos guerrilheiros que foram interrogados, 'Piauí' foi o mais corajoso e valente. Não era como os outros, que não aguentavam as técnicas de interrogatório que lhes eram aplicadas e gritavam pedindo pelo amor de Deus que os matássemos. 'Piauí' aguentava o interrogatório sem gritar ou reclamar, era um dos poucos guerrilheiros bem preparados para a luta. [...] o guerrilheiro Antônio de Pádua Costa, 'Piauí', que eu capturei vivo e hoje consta como 'desaparecido', quando fui evacuado da região, em 27 de fevereiro de 1974, ainda se encontrava vivo [...] o seu desaparecimento ocorreu em março de 1974. ===================================================================================================================================== + Detalhes. Antônio de Pádua Costa Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Antônio de Pádua Costa Estado: (onde nasceu) PI País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 12/6/1943 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Piauí, Lino Prisão: 14/1/1974 PA Brasil região do Araguaia Segundo depoimento de morador da região. Morto ou Desaparecido: Desaparecido 14/1/1974 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Fotos original e preto e branco de busto numerada. Relatório Documento do arquivo do DOPS com a lista dos estudantes participantes do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, em 1968. Ficha pessoal Documento do DOPS/SP. Consta que Antônio de Pádua Costa participou do XXX Congresso da UNE em Ibiúna, e que integrava o grupo chefiado por Joaquim Câmara Ferreira, autor do seqüestro ao embaixador norte-americano. ================================================================================================================ O luiscorreiense Antonio de Pádua Costa (o Piauí) será um dos homenageados no Museu do Piauí. Antonio de Pádua era militante do PC do B e foi morto quando fazia parte do movimento que ficou denominado como Guerrilha do Araguaia. O Piauí foi visto com vida pela última vez no dia 24 de janeiro de 1974 quando de intenso tiroteio com as Forças Armadas e ao final el foi encontrado morto às margens da antiga rodovia PA-70 cravado de balas por um pelotão de fuzilamento. Três piauienses que participaram de um dos episódios mais sombrios da história brasileira serão homenageados pelo governo brasileiro. Simão, Sitonio e Piauí estavam entre os jovens militantes do PC do B que ocuparam as matas do Norte do país para formar um grupo armado que oferecesse resistência ao regime militar. O episódio ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia. O memorial fixado no Museu do Piauí será inaugurado no dia 11 de novembro deste ano. Receberá o nome de batismo dos três guerrilheiros: Antônio de Pádua Costa (Piauí), natural de Luís Correia, Antônio Araújo Veloso (Sitonio), de Bertolínea, e Simão Pereira da Silva (Simão), nascido em Ribeiro Gonçalves. Além de homenagear os piauienses, o governo pretende com o memorial reavivar a história do país. "É como um resgate aos direitos que cada pessoa no Brasil tem à memória e à verdade sobre o que foi, o que deve ser considerada a Ditadura Militar", explica Alci Marcus [foto à direita], coordenador de Direitos Humanos e da Juventude do Piauí. =================================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110803/a55d0d1d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4590 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110803/a55d0d1d/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 3 18:34:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 3 Aug 2011 18:34:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__N=DACLEO_MEM=D3RIA=3A__Novo_webs?= =?iso-8859-1?q?ite_do_N=FAcleo_de_Preserva=E7=E3o_da_Mem=F3ria_Pol?= =?iso-8859-1?q?=EDtica?= Message-ID: <4FC0B5BD275B40CDAE8BD37D4065C702@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: 'Maurice Politi' Companheir at s e Amig at s, Queriamos anunciar a todos vocês que o nosso website www.nucleomemoria.org.br foi atualizado há uma semana e, o que é mais importante, traz novas postagens, quase diárias, de notícias, textos, fotos e vídeos. Esperamos que vocês possam nos visitar com frequência, para assim acompanhar, em qualquer lugar onde estejam, as nossas mais recentes atividades e a nossa programação para o futuro. Pedimos a todos que sempre que queiram, que manifestem sua opinião, palpite e contribuição, para que o site possa responder aos anseios daqueles (principalmente dos jovens) que nos procuram, em busca de se atualizar a respeito da nossa luta constante pela preservação da Memória Política e resgate da nossa História. Estamos, também, em fase de finalização de um folder institucional, com as informações mais relevantes sobre nossas atividades e propósitos, que distribuiremos nos nossos Sábados Resistentes e demais atividades. Agradecemos a todos aqueles que nos incentivam a continuar o nosso trabalho. O apoio de cada um de vocês é fundamental! Obrigado, M.Politi Núcleo de Preservação da Memória Política Av. Brigadeiro Luis Antonio 2344 conj 45 CEP 014002-000 Sao Paulo- SP Tel : 011 - 2306 4801 Visite o nosso novo site: www.nucleomemoria.org.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110803/43f4323f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 4 19:51:51 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 4 Aug 2011 19:51:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Moore_p=F5e_a_n=FA_as_gananciosas?= =?iso-8859-1?q?_seguradoras_privadas=2C_a_ind=FAstria_farmac=EAuti?= =?iso-8859-1?q?ca_e_os_pol=EDticos_que_nos_mant=EAm_doentes=2E_Ass?= =?iso-8859-1?q?ista_o_filme=2E?= Message-ID: <8CCEB097AAE9485DBF7560F9A37F5F01@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Combinando poderosos testemunhos pessoais com estatísticas absolutamente chocantes, Moore põe a nú as gananciosas seguradoras privadas, a indústria farmacêutica e os políticos que nos mantêm doentes. Viajando pelo Canadá, Reino Unido, França e Cuba - onde a norma é a assistência de saúde gratuita - forçando a pergunta: Porque não pode ser assim nos Estados Unidos? Oportuno e tocante, "Sicko é o mais apelativo filme de Moore. E é também o mais divertido". - Michael Phillips, Chicago Tribure. "Vai rir até que a barriga lhe doa. Um dos melhores filmes do ano." -Peter Travers, ROLLING STONE "O mais divertido filme de Michael Moore até hoje" -A.O.Scott, THE NEW YORK TIMES clique http://kardeconline.ning.com/video/sicko-1 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110804/a538957e/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110804/a538957e/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 5 19:56:03 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 5 Aug 2011 19:56:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__BERGSON_GURJ=C3O_FARIAS______________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCX-?= Message-ID: <3E0E375B265F47E48F039B577F499AE7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem BERGSON GURJÃO FARIAS (1947-1972) Filiação: Luiza Gurjão Farias e Gessiner Farias Data e local de nascimento: 17/05/1947, Fortaleza (CE) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: Entre 04/05 e 04/06/1972 Existem controvérsias entre diferentes publicações e documentos quanto à data do desaparecimento ou morte desse líder estudantil cearense. Foi a primeira baixa fatal entre os quadros do PCdoB que foram deslocados para o Araguaia. A data 8 de maio sempre constou nas listas de mortos e desaparecidos políticos. Publicações mais recentes, baseadas em trechos de documentos secretos das forças repressivas, indicam 2 ou 4 de junho. Segundo testemunhas, seu corpo foi pendurado em uma árvore, de cabeça para baixo, para ser agredido por páraquedistas e outros agentes das forças repressivas. Bergson atuou no Movimento Estudantil quando cursava Química na Universidade Federal do Ceará. Foi vice-presidente do DCE em 1967, sendo preso durante o 30º Congresso da UNE, em lbiúna (SP), em outubro de 1968, e expulso da Universidade com base no Decreto- lei 477. Ainda em 1968, no Ceará, foi ferido a bala na cabeça quando participava de manifestação estudantil. Em 01/07/1969 foi condenado a dois anos de reclusão pela Justiça Militar. Com isso, passou a atuar na clandestinidade e mudou-se para a região do Araguaia, indo residir na área de Caianos. O desaparecimento de Bergson foi denunciado em juízo pelos presos políticos José Genoíno Neto e Dower Moraes Cavalcante. Genoíno afirmou que lhe mostraram o corpo sem vida de Bergson, com inúmeras perfurações, durante um interrogatório. Dower informou ter sido preso e torturado junto com Bergson e confirmou a versão de Genoíno para a sua morte. Segundo depoimento de Dower - hoje falecido - o general Bandeira de Melo lhe disse que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá. Segundo o Relatório Arroyo, "(...) dias depois, Paulo (comandante do destacamento) procurou um morador, de nome Cearense, seu conhecido, e que já havia prestado alguma ajuda, encomendando-lhe um rolo de fumo, que seria apanhado dentro de uns três dias. Cearense sempre foi muito ajudado por Paulo. No entanto, diante da recompensa oferecida pelo Exército (1.000 cruzeiros) por cada guerrilheiro que entregasse, Cearense foi a São Geraldo e avisou o Exército do ponto marcado por Paulo. No dia de apanhar o fumo, dirigiu-se ao local um grupo constituído por cinco elementos: Paulo, Jorge (Bérgson Gurjão Farias), Áurea (Áurea Elisa Pereira Valadão), Ari (Arildo Valadão) e Josias (Tobias). Ao se aproximar do local, foram metralhados, tendo morrido Jorge". Relatório da Operação Sucuri, de maio de 1974, confirma essa morte. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, também registra junho como mês de sua morte. Um outro documento, assinado pelo general Antonio Bandeira, então comandante da 3ª Brigada de Infantaria, registrou: "Nesta fase das operações, que cobriu o período de 22 Maio 72 a 07 Jul 72, foram obtidos os seguintes resultados: a) Morte de três terroristas. 1) Bérgson Gurjão Farias (Jorge) - morto a 02 Jun 72, em Caiano - pertencia ao Destacamento C - era chefe do grupo 700; 2) Maria Petit da Silva (Maria) - morta a 16 Jun 72, em Pau Preto I - pertencia ao Grupo 900 (Destacamento C); 3) Kleber Lemos da Silva (Carlito) - morto a 29 Jun 72, em Abóbora - pertencia ao Grupo 900 (Destacamento C)". No "livro secreto" do Exército, divulgado em abril de 2007, consta sobre Bergson na página 720: "Em junho (de 1972), começando a rarear os suprimentos, os elementos subversivos começaram a deixar a selva em busca de alimentos. No dia 4, houve um choque de um grupo subversivo com as forças legais na região do Caiano. Dele resultou ferido um tenente pára-quedista, sendo morto Bérgson Gurjão de Farias (Jorge)". No livro A Lei da Selva, de Hugo Studart, a data da morte seria 4 de maio, de acordo com o Dossiê que serviu de base ao autor e foi escrito por militares que participaram diretamente da repressão à guerrilha. O jornalista Elio Gaspari descreve em A Ditadura Escancarada: "O Exército oferecia mil cruzeiros por 'paulista' capturado. Era dinheiro suficiente para a compra de um pequeno pedaço de terra. Esse tipo de incentivo, associado à intimidação, levou um camponês a denunciar um guerrilheiro com quem tinha boas relações. Deveria entregar-lhe um rolo de fumo e avisou o Exército. Cinco 'paulistas' foram para as proximidades do lugar onde deveria ser deixada a encomenda. Um deles, Jorge, aproximou-se. Ouviram-se três rajadas. Bergson Gurjão Farias, 25 anos, ex-aluno de química na Universidade Federal do Ceará, tornou-se o primeiro desaparecido da guerrilha". ================================================================================================================================== + Informações. BERGSON GURJÃO FARIAS Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, Estado do Ceará, filho de Gessiner Farias e Luiza Gurjão Farias. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Era estudante de Química na Universidade Federal do Ceará, e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, em 1967. Foi preso no Congresso da UNE, em lbiúna, em 1968 e foi expulso da Faculdade com base no Decreto-lei 477. Indiciado no inquérito por participação no XXX Congresso da UNE, foi condenado em 1° de julho de 1969 pelo CPJ do Exército a 2 anos de reclusão. Em 1968, no Ceará, foi gravemente ferido à bala na cabeça quando participava de manifestações estudantis. Refeito dos ferimentos e sob feroz perseguição, foi para o interior, indo residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas. Ferido em combate, em 8 de maio de 1972. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido dependurado em uma árvore, com a cabeça para baixo, a qual era chutada constantemente pelos paraquedistas mobilizados na caça aos guerrilheiros. Segundo depoimento de Dower Cavalcanti, ex-guerrilheiro já falecido, o General Bandeira de Melo lhe dissera que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá. O Relatório do Ministério da Marinha diz que em "junho de 1972, foi morto..." Seu desaparecimento foi denunciado em juízo, em 1972 e 1973 pelos presos políticos José Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante. Genoíno afirma que o corpo de Bergson lhe foi mostrado durante um de seus interrogatórios e que sabia que ele estava com malária, tendo sido morto a baioneta. Dower diz que foi preso e torturado junto com Bergson e que ele foi morto a baioneta. ========================================================================================================= + Informações. Bergson Gurjão Farias Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, Estado do Ceará, filho de Gessiner Farias e Luiza Gurjão Farias. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Era estudante de Química na Universidade Federal do Ceará, e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, em 1967. Foi preso no Congresso da UNE, em lbiúna, em 1968 e foi expulso da Faculdade com base no Decreto-lei 477. Indiciado no inquérito por participação no XXX Congresso da UNE, foi condenado em 1° de julho de 1969 pelo CPJ do Exército a 2 anos de reclusão. Em 1968, no Ceará, foi gravemente ferido à bala na cabeça quando participava de manifestações estudantis. Refeito dos ferimentos e sob feroz perseguição, foi para o interior, indo residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas. Ferido em combate, em 8 de maio de 1972. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido dependurado em uma árvore, com a cabeça para baixo, a qual era chutada constantemente pelos paraquedistas mobilizados na caça aos guerrilheiros. Segundo depoimento de Dower Cavalcanti, ex-guerrilheiro já falecido, o General Bandeira de Melo lhe dissera que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá. O Relatório do Ministério da Marinha diz que em "junho de 1972, foi morto..." Seu desaparecimento foi denunciado em juízo, em 1972 e 1973 pelos presos políticos José Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante. Genoíno afirma que o corpo de Bergson lhe foi mostrado durante um de seus interrogatórios e que sabia que ele estava com malária, tendo sido morto a baioneta. Dower diz que foi preso e torturado junto com Bergson e que ele foi morto a baioneta. 07.07.09 - NOTA - Identificados os restos mortais de BERGSON GURJÃO FARIAS 1. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) receberam na noite de ontem, 06/07/2009, a confirmação pelo Laboratório Genomic de que um novo exame de DNA, realizado desta vez com a tecnologia mais recente, deu resultado positivo na identificação dos restos mortais do guerrilheiro BERGSON GURJÃO FARIAS, desaparecido no Araguaia em 1972. 2. Uma assessora especial da SEDH/PR, coordenadora do programa Direito à Memória e à Verdade, foi enviada a Fortaleza (CE) na manhã de hoje e comunicou esse resultado pessoalmente aos familiares de Bergson, iniciando preparativos para o traslado e devidas homenagens na realização do funeral, em data a ser definida. 3. A SEDH/PR e a CEMDP decidiram encomendar esse novo exame, de resultado positivo, imediatamente após discursos do deputado Pompeo de Mattos, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, proferidos na reunião dessa Comissão e também no plenário da Casa. A imprensa noticiou que o deputado exigiu providências urgentes a respeito das ossadas exumadas na região do Araguaia desde 1991. O parlamentar destacou que um exame solicitado por ele, quando presidente da Comissão de Direitos Humanos, ao perito criminal Domingos Tocchetto, apontava fortes indícios científicos de que uma das ossadas, catalogada como Xambioá 2, correspondia aos restos mortais de Bergson Gurjão Farias. 4. Em anexo a esta nota, a SEDH/PR e a CEMDP distribuem uma súmula, detalhando as informações pertinentes a cada uma das ossadas exumadas que estão ou já estiveram sob sua guarda, esperando novos exames, novas informações, novos documentos e novas diligências a serem realizadas naquela região. 5. Nessa súmula, constam os resultados de todos os exames anteriores de DNA, inclusive um resultado negativo e um resultado não-conclusivo para a mesma ossada agora identificada, com precisão científica, como sendo de Bergson Gurjão Farias. 6. O Laboratório Genomic informou, na data de hoje, que o resultado positivo foi obtido a partir de uma tecnologia inovadora para análise de DNA forense, denominada SNP (single nucleotide polymorphisms), o que levará a SEDH/PR e a CEMDP a providenciarem, imediatamente, a realização de novo exame, com essa mesma tecnologia, em todas as demais ossadas mencionadas no item anterior, na esperança de que novos resultados sejam igualmente positivos. 7. A SEDH/PR e a CEMDP rendem tributo a mais este brasileiro que entregou sua vida à causa da justiça e da liberdade, bem como a sua perseverante família, que, finalmente, 37 anos após sofrer a perda irreparável e, durante quase três décadas bater em tod as as portas, terá pelo menos respeitado o direito milenar e sagrado de prantear seu ente querido e dar-lhe sepultura digna, sob profunda admiração de todos os que lutam pela defesa dos Direitos Humanos em nosso país. 8. Esse resultado vale como reafirmação e comprovação de que é indispensável valorizar e apoiar a luta persistente dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, bem como redobrar esforços dos poderes públicos para que o Estado brasileiro, finalmente, resgate mais essa dívida histórica ainda pendente. Quer seja, elucidação completa, com abertura de todas as informações, todos os arquivos e apresentação de uma narrativa oficial definitiva sobre todas as violações de Direitos Humanos - torturas, execuções e desaparecimentos, seus responsáveis, agentes, locais e datas - no triste período 1964-1985. 9. Fica ressaltada, também, a importância de retomar as buscas de todos os restos mortais de guerrilheiros mortos no Araguaia, bem como dos que morreram em outras regiões do País, naquele mesmo período, combatendo pela democracia. Entre tantos outros lutadores, Rubens Paiva, Honestino Guimarães, Heleny Guariba, David Capistrano da Costa, Ana Rosa Kucinsky Silva, Paulo Wright, Mário Alves, Isis Dias de Oliveira, Fernando Santa Cruz, Stuart Edgard Angel Jones, Ruy Frazão, Maria Augusta Thomaz, José Carlos Novaes da Mata Machado e Luiz Ignácio Maranhão Filho. Para que também seus familiares tenham respeitado o elementar direito conquistado, na data de hoje, pelos familiares de Bergson Gurjão Farias e por todos os que se irmanaram nessa causa histórica. Brasília, 7 de julho de 2009 Marco Antonio Rodrigues Barbosa Presidente da CEMDP Paulo Vannuchi Ministro da SEDH/PR Jornal O POVO (Fortaleza-Ceará) Coluna Concidadania De ditadura e concordata Valdemar Menezes 11 Jul 2009 - 18h51min A identificação dos despojos mortais do estudante Bergson Gurjão, morto durante a repressão à Guerrilha do Araguaia, fecha uma página dolorosa, vivenciada há mais de três décadas por familiares e amigos desse bravo jovem cearense. Quando acontecer seu enterro, os democratas do Ceará prometem dar-lhe uma recepção grandiosa que, ao menos simbolicamente, possa traduzir uma reparação mínima a tudo que sofreu, por ser envolvido de maneira tão trágica pelo turbilhão de violências que se desencadeou no Brasil a partir da demolição do Estado Democrático de Direito, pelos que o golpearam. BICHO PAPÃO Hoje, vê-se o quanto foi equivocada a posição dos que quiseram negar aos comunistas brasileiros o direito de disputar livremente com outros partidos a preferência do eleitorado (como fazem hoje, e como sempre ocorreu nos países democráticos). O golpe militar de 64 empurrou-os ainda mais para a clandestinidade e, junto com eles, todos os que não se submeteram à ditadura. Como o que valia não era mais o voto, mas as armas, militantes comunistas, nacionalistas, socialistas e cristãos tiveram de pegar em armas para tentar derrubar a ditadura e reinstaurar o Estado Democrático de Direito e assim poderem defender seu projeto político, livremente, como fazem hoje. Bergson foi um dos heróis dessa resistência e deve ser tratado como tal. ================================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) Bergson Gurjão Farias, Procurando seguir as indicações da carta anônima, uma comissão de pesquisadores havia se deslocado até a Base Cabo Rosas em 2004, e, por orientação da Comissão Interministerial 4850/2003, penetrou na mata, fez explorações do solo com uso de radar, escavações, mas nada foi encontrado no local pesquisado. Em 2009, já no contexto do Grupo de Trabalho Tocantins, nova expedição esteve no local realizando escavações no local indicado pela carta anônima, também sem resultados. As afirmações feitas por Cabral não foram diretamente confirmadas por outras fontes. Ele não conseguiu apresentar provas de sua denúncia, uma vez que, após três viagens feitas por ele à Serra das Andorinhas, acompanhando as missões de busca de ossadas, não conseguiu apontar locais de sepultamento e nem de cremação de corpos. E houve fatos relevantes que contradizem, pelo menos em parte, os argumentos do coronel: dois corpos foram localizados nos locais onde tinham sido originalmente enterrados: o de Maria Lúcia Petit da Silva, em 1991, e o de Bergson Gurjão Farias, em 1996. Entretanto, diferentes documentos das expedições de busca realizadas à região onde os guerrilheiros teriam sido enterrados afirmam haver indícios de que houve tentativas de ocultar os restos mortais ali sepultados. No Informe Técnico da Equipe Argentina de Antropologia Forense que fez buscas no Araguaia em julho de 1996, os técnicos afirmaram que, pelos menos no caso de resíduos de ossos encontrados no território da reserva indígena dos índios Suruí, havia sinais claros de que houvera remoção dos restos mortais de pelo menos dois guerrilheiros, provavelmente após a visita da primeira expedição de familiares à região, em 1980. Segundo o relatório, a forma como os fragmentos ósseos foram achados em uma cova clandestina dentro da reserva mostra que ela foi alterada intencionalmente pelo homem. O motivo pelo qual não foram removidos todos os restos pode ter sido a pressa das pessoas que escavaram as covas 12. ================================================================================================ + Detalhes. Araguaia: a dramática história de Bergson Posted on 08/07/2009 by Osvaldo Bertolino| 2 comentários A história de Bérgson Gurjão Farias é uma das mais dramáticas da guerrilha. Ele e outros quatro ativistas do PCdoB caíram numa emboscada preparada pelos paraquedistas logo no início do conflito. Segundo o Relatório Arroyo (.) Bérgson enfrentou sozinho a tropa para garantir que seus companheiros escapassem ao cerco. Na troca de tiros ele feriu gravemente o então capitão Álvaro de Souza Pinheiro - atualmente general e um dos ideólogos das Forças Armadas -, mas acabou encurralado pela tropa. Ferido, foi executado a golpes de baioneta, num dos episódios mais grotescos protagonizado pelos militares: varado de tiros e barbaramente massacrado, seu corpo foi levado para Xambioá e pendurado numa árvore próxima à delegacia para que a população e outros militantes presos (.). Nessa época, apesar de brutalidades pontuais, os militares tinham ordens expressas do Comando Militar do Planalto de identificar os guerrilheiros mortos e enterrá-los em locais conhecidos. Assim, em 1972, os corpos deveriam ser levados para Xambioá e enterrados no único cemitério da cidade. Vasconcelo Quadros, no Jornal do Brasil, edição do dia 4 de abril de 2009 ________ Após uma espera de 37 anos, a família de Bergson Gurjão Farias recebeu na tarde da terça-feira a noticia da identificação da ossada do guerrilheiro, desaparecido no confronto do Araguaia em 8 de maio de 1972. A primeira a receber a notícia foi uma de suas irmãs, Tânia Gurjão Farias. Dizendo-se ainda trêmula, ela não quis falar sobre o assunto. A confirmação foi repassada pela secretária-executiva da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Vera Rotta, que foi de Brasília para Fortaleza. Segundo ela, "a conversa foi tranquila". A mãe de Bergson, Luiza Gurjão Farias, de 94 anos, também recebeu a notícia. Bergson tem ainda outros dois irmãos - Ielnia, que mora nos Estados Unidos, e Gessiner Júnior, que reside em Brasília. O pai, Gessiner Gurjão Farias, já faleceu. Bergson foi morto às vésperas de completar 25 anos. Segundo Vera, não havia nenhuma decisão dos familiares sobre funeral, acrescentando que a Secretaria dos Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, coloca-se à disposição para o que precisarem. O aguardo por um desfecho trouxe angústia e revolta à família ao longo de quase quatro décadas. No dia 18 de abril passado, em artigo publicado no jornal O Povo, Ielnia, uma das irmãs, criticou o governo diante da notícia veiculada naqueles dias de que os possíveis restos mortais de seu irmão estariam "largados no armário de um anexo do Ministério da Justiça, entre dez esqueletos recolhidos na região em 1991, 1996 e 2001?. Segundo escreveu, isso lhe parecia além de trágico, revoltante. Ielnia também comentou sobre o sentimento da mãe sobre quando e como fariam o enterro "do nosso inesquecível guerreiro". Outros dois testes já haviam sido feitos na ossada, sendo um resultado negativo e outro inconcluso. A confirmação da ossada X-2 como sendo a do guerrilheiro Bergson Gurjão Farias só foi possível graças ao avanço da tecnologia, segundo Vera Rotta. A ossada batizada de X-2 foi retirada da região do Araguaia em 1996 pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal e só encaminhada à Comissão de Mortos e Desaparecidos há cerca de dois anos e meio. Quase na mesma época, foi iniciada a montagem de um banco de DNA de familiares de desaparecidos brasileiros. Mas o sucesso da identificação depende essencialmente do avanço da tecnologia. Há mais de dois anos a comissão mantinha contato com os familiares do guerrilheiro. A informação é do portal O Globo ============================================================================== + Detalhes. Família de Bergson Gurjão Farias, guerrilheiro morto no Araguaia, esperou 37 anos por identificação Publicada em 07/07/2009 às 18h47m Isabela Martin FORTALEZA - Após uma espera de 37 anos, a família de Bergson Gurjão Farias recebeu na tarde dessa terça-feira a noticia da identificação da ossada do guerrilheiro, desaparecido no confronto do Araguaia em 8 de maio de 1972. A primeira a receber a notícia foi uma de suas irmãs, Tânia Gurjão Farias. Dizendo-se ainda trêmula, ela não quis falar sobre o assunto. (Saiba mais sobre o combate no Araguaia) A confirmação foi repassada pela secretária-executiva da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Vera Rotta, que foi de Brasília para Fortaleza. Segundo ela, "a conversa foi tranquila". A mãe de Bergson, Luiza Gurjão Farias, de 94 anos, também recebeu a notícia. Bergson tem ainda outros dois irmãos - Ielnia, que mora nos Estados Unidos, e Gessiner Júnior, que reside em Brasília. O pai, Gessiner Gurjão Farias, já faleceu. Bergson foi morto às vésperas de completar 25 anos. Segundo Vera, não havia nenhuma decisão dos familiares sobre funeral, acrescentando que a Secretaria dos Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, coloca-se à disposição para o que precisarem. Família se revoltou ao saber que ossada 'estaria largada num armário' O aguardo por um desfecho trouxe angústia e revolta à família ao longo de quase quatro décadas. No dia 18 de abril passado, em artigo publicado no jornal "O Povo", Ielnia, uma das irmãs, criticou o governo diante da notícia veiculada naqueles dias de que os possíveis restos mortais de seu irmão estariam "largados no armário de um anexo do Ministério da Justiça, entre dez esqueletos recolhidos na região em 1991, 1996 e 2001". Segundo escreveu, isso lhe parecia além de trágico, revoltante. Ielnia também comentou sobre o sentimento da mãe sobre quando e como fariam o enterro "do nosso inesquecível guerreiro". Outros dois testes já haviam sido feitos na ossada, sendo um resultado negativo e outro inconcluso. A confirmação da ossada X-2 como sendo a do guerrilheiro Bergson Gurjão Farias só foi possível graças ao avanço da tecnologia, segundo Vera Rotta. A ossada batizada de X-2 foi retirada da região do Araguaia em 1996 pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal e só encaminhada à Comissão de Mortos e Desaparecidos há cerca de dois anos e meio. Quase na mesma época, foi iniciada a montagem de um banco de DNA de familiares de desaparecidos brasileiros. Mas o sucesso da identificação depende essencialmente do avanço da tecnologia. Há mais de dois anos a comissão mantinha contato com os familiares do guerrilheiro. ===================================================================================================== + Detalhes. FIQUE POR DENTRO Bergson foi torturado e morto a baioneta O cearense Bergson Gurjão Farias era estudante de Química da Universidade Federal do Ceará e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), em 1967. No ano seguinte, mudou-se para Caianos, na região do Araguaia e desapareceu em 8 de maio de 1972, após ter sido ferido em combate. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido pendurado em uma árvore de cabeça para baixo. O desaparecimento do jovem guerrilheiro foi denunciado em juízo pelos presos políticos Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante. De acordo com os presos, Bergson teria sido morto a baioneta. www.opovo.com.br Da UFC para a luta armada 16 Mai 2009 - 18h53min Segundo dados da organização não-governamental Tortura Nunca Mais, Bergson Gurjão Farias nasceu em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, Estado do Ceará, filho de Gessiner Farias e Luiza Gurjão Farias, e desapareceu na Guerrilha do Araguaia. Ele era estudante de Química na Universidade Federal do Ceará, e vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, em 1967. Foi preso no Congresso da UNE, em lbiúna, em 1968 e foi expulso da Faculdade com base no Decreto-lei 477. Indiciado no inquérito por participação no XXX Congresso da UNE, foi condenado em 1° de julho de 1969 pelo CPJ do Exército a 2 anos de reclusão. Em 1968, no Ceará, foi gravemente ferido à bala na cabeça quando participava de manifestações estudantis. Refeito dos ferimentos e sob feroz perseguição, foi para o interior, indo residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas. Ferido em combate, em 8 de maio de 1972. Seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, tendo sido dependurado em uma árvore, com a cabeça para baixo, a qual era chutada constantemente pelos paraquedistas mobilizados na caça aos guerrilheiros. Segundo depoimento de Dower Cavalcanti, ex-guerrilheiro já falecido, o General Bandeira de Melo lhe dissera que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá. Seu desaparecimento foi denunciado em juízo, em 1972 e 1973 pelos presos políticos José Genoino Neto e Dower Moraes Cavalcante.(PV) Araguaia O acerto de contas com o passado Trinta e sete anos depois, o Ceará reencontra a história do guerrilheiro Bergson Gurjão. Na próxima quarta-feira, dia 20, a Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou julga o pedido de indenização para a família Paulo Verlaine da Redação 16 Mai 2009 - 18h53min A ossada é ou não é de Bergson Gurjão Farias? É a mais nova polêmica que se trava em Brasília. O motivo da discussão é o possível esqueleto de um guerrilheiro cearense, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), morto em combate na Guerrilha do Araguaia (sudeste do Pará, norte de Tocantins, então Goiás, e sul do Maranhão), em 8 de maio de 1972. Ele foi o primeiro guerrilheiro a morrer em choque com o Exército. Bergson Gurjão, de 25 anos, foi mortalmente ferido numa emboscada, após uma troca de tiros com uma equipe de pára-quedistas. Antes disso, ele atirou no então tenente Álvaro Pereira, que sobreviveu e hoje é general da reserva e um dos ideólogos das Forças Armadas. Transtornados, os demais integrantes da tropa trucidaram o guerrilheiro. Relato de um sobrevivente, Dower Moraes Cavalcante, conta que, o corpo, já sem vida, foi perfurado a golpes de baioneta e, depois, pendurado de cabeça para baixo em uma árvore na região do Araguaia. Anistia A Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou julgará no próximo dia 20, às 8h30min, no auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará, o pedido de indenização para a família de Bergson Gurjão Farias. Segundo o presidente da comissão, Mário Albuquerque, o julgamento será público. "Esperamos contar com a presença de entidades e personalidades neste acontecimento", disse Albuquerque. Enquanto isso, a família de Bergson Gurjão Farias quer uma definição sobre o caso da identificação da ossada e lamenta que assunto tão doloroso venha sendo explorado politicamente por setores da mídia, conforme disse ao O POVO Mário Albuquerque. Controvérsia Em 1996, um esqueleto foi exumado no cemitério de Xambioá (Tocantins). Peritos que examinaram a ossada admitiram que ela tem características idênticas ao do cearense oficialmente desaparecido durante o conflito. A ossada, denominada de X-2, está, até hoje, guardada num armário da Secretaria Especial de Direitos Humanos, no anexo do Ministério da Justiça, em Brasília. A confusão se estabeleceu quando a secretária-executiva da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Vera Rotta, anunciou que dois exames de DNA feitos na ossada foram "inconclusivos". Mas o perito Domingos Tocchetto, professor de criminalística da Escola Superior de Magistratura, apontou, na última semana, em parecer feito a pedido da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, coincidências entre as conclusões dos exames nos ossos recolhidos em 1996 e as características físicas de Bergson Gurjão Farias. Domingos Tochetto participou de casos famosos, como as mortes de PC Farias (1996) e da jornalista Sandra Gomide (2000). Tocchetto debruçou-se sobre o "Informe Antropológico Forense", elaborado por peritos argentinos contratados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos para tratar das ossadas da Guerrilha do Araguaia. Novos exames Na última quinta-feira, o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, divulgou nota afirmando que novos exames serão realizados na ossada. Diz o ministro, no final da mensagem: "Considerando os avanços tecnológicos, que nessa área evoluem a cada ano, e a identificação positiva de três desaparecidos políticos por empresa do Brasil, esta Secretaria realizará, com urgência, novas análises de DNA na ossada 'X-2', para comparar com o cadastro do Banco de DNA de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, constituído a partir de 2006 e atualmente com os perfis genéticos de familiares de 108 mortos e desaparecidos políticos do Brasil". O advogado Benedito Bizerril, diretor estadual do PCdoB no Ceará disse ao site Portal Vermelho: "Caso a confirmação ocorra e os restos mortais de Bérgson Gurjão de Farias voltem para o Ceará, o PCdoB, junto à família do guerrilheiro, prestará homenagem ao colega". E-MAIS >A guerrilha do Araguaia foi organizada pelo Partido Comunista do Brasil, entre os anos de 1966 e 1974. Os integrantes do PCdoB pretendiam derrubar o regime militar instituído no Brasil desde 1964, começando o movimento pelo campo, como ocorrera na China e em Cuba. > O cenário do conflito se deu no Bico do Papagaio, região onde os estados de Goiás, Pará e Maranhão fazem fronteira. O nome foi dado por se localizar às margens do rio Araguaia, próximo às cidades de São Geraldo e Marabá no Pará e de Xambioá, no norte de Goiás. Participaram da guerrilha do Araguaia cerca de 80 guerrilheiros. >A maior parte deles entrou no ano de 1970. Entre eles, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno, cearense, que foi preso pelo Exército em 1972. Outros cearenses que participaram da guerrilha, entre os quais: Custódio Saraiva Neto (desaparecido) e Dower Moraes Cavalcante, preso em 1972 e que, posteriormente se formou em Medicina, hoje falecido. ==================================================================================================================- + Detalhes. Direito à memória e à verdade Homenagem a Bergson Gurjão Farias, guerrilheiro do Araguaia A Universidade Federal do Ceará, em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidênmcia da República, prestam homenagens a Bérgson Gurjão Farias, líder estudantil morto durante o período da ditadura militar. A homenagem contará com a presença do ministro Paulo Vannuchi e do deputado federal José Genoino, ex-companheiro de militância. No dia, também será inaugurado o na universidade o Memorial Pessoas Imprescindíveis. O ato será realizado no dia 6 de outubro, no Ceará, a partir das 13h30. Às 15h, serão realizadas homenagens na Concha Acústica da Reitoria da UFC (av. da Universidade, 2853 - Benfica). Às 17h acontece o funeral no cemitério Parque da Paz (av. Presidente Juscelino Kubitschek, 4454). Direito à memória e à verdade - aos que morreram na luta por um Brasil livre A data exata do desaparecimento de Bérgson, líder estudantil cearense e guerrilheiro do Araguaia, entre maio e junho de 1972, perdeu-se no silêncio dos que o mataram. Sua morte, porém, já era conhecida há muitos anos. Documentos oficiais registram que teria morrido metralhado. Presos políticos afirmaram ter visto seu corpo pendurado em uma árvore de cabeça para baixo, sendo espancado por agentes das forças repressivas. Dois ex-companheiros de militância - José Genoino e Dower Moraes Cavalcante - denunciaram nos jornais o assassinato. Bérgson permaneceu, então, na lista dos desaparecidos políticos do Brasil. Em 1996, seus restos mortais haviam sido resgatados no cemitério de Xambloá e trazidos para exames de identificação em Brasília. Em junho de 2006, finalmente, um novo exame de DNA resultou em conclusão positiva na comparação com material genético de familiares. Somente depois de 37 longos anos, sua família, seus amigos e admiradores conseguem finalmente traze-lo de volta para o sepultamento, em 6 de outubro de 2009, no Cemitério da Paz, na capital cearense. Nascido em Fortaleza no dia 17 de maio de 1947, filho de Luiza Gurjão Farias e Gessiner Farias, Bérgson foi um jovem ainda lembrado com muita emoção por todos que o conheceram. Atou no Movimento Estudantil quando cursava química na Universidade Federal do Ceará. Foi vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes em 1967, sendo preso durante o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), em outubro de 1968. Em conseqüência, acabou expulso da Universidade com a aplicação do famigerante Decreto 477. Ainda em 1968, no Ceará, sofreu grave ferimento na cabeça quando participava de um protesto estudantil. Julgado pela Justiça Milita um ano depois, foi condenado a dois anos de prisão. Militante do Partido Comunista do Brasil, passou a atuar na clandestinidade, transferindo-se para Caianos, na região do Araguaia. Sua dedicação generosa à luta pela democracia e pela justiça social seguirá inspirando todos os que sonham com a construção de um Brasil livre de todas as dominações e violência. O retorno de seus restos mortais ao Ceará reforça o compromisso de seguir na busca dos mais de 140 brasileiros e brasileiras que foram mortos pela repressão do regime ditatorial, sem que suas famílias tenham obtido, até hoje, o direito milenar e sagrado de prantear seus entes queridos, promovendo digno funeral. Morreram lutando pela liberdade que hoje o País desfruta e sonhando com os ideais de igualdade que seguem nos impulsionando. 02 de Outubro de 2009 ============================================================================== + Detalhes. Estudantes da Fateci criam DCE Bergson Gurjão abril 5, 2011 por nordestevinteum Estudantes da Faculdade de Tecnologia Intensiva criaram, através de assembleia geral dos estudantes, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Bergson Gurjão Farias, ex-guerrilheiro cearense assassinado em combate no Araguaia.Segundo Fhillipe Antônio, eleito presidente do DCE, já existiam alguns Centros Acadêmicos na Faculdade e crescia a necessidade de reunir estes centros que reivindicam pelos estudantes e qualidade na educação. "Com o tempo, aumentou a vontade de institucionalizar o movimento estudantil na Fateci. A criação do DCE foi uma necessidade", avalia. A escolha do nome foi indicação da primeira presidência do DCE. "Bergson Gurjão apareceu como uma forma de homenagear um estudante que tornou-se um símbolo pela luta no Brasil. Apresentamos sua biografia e a assembleia aprovou a sugestão. Muitos estudantes não conheciam a trajetória de Bergson e concordaram em batizar o DCE com seu nome pela sua história", afirma Fhillipe. O DCE foi criado na última semana, dia 29 de março, através de assembleia geral dos estudantes da Fateci. A expectativa é de, já nesta semana, registrar oficialmente em cartório o novo diretório central dos estudantes. A Fateci reúne os cursos de Gestão de Negócios Imobiliários, Gastronomia, Gestão Hospitalar, Radiologia, Biomedicina, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Psicologia além de cursos de pós-graduação e extensão. Mais sobre Bergson Gurjão Bergson era estudante de Química na Universidade Federal do Ceará (UFC), vice-presidente do DCE eleito em 1968. Foi preso no Congresso da UNE em Ibiúna e, em 1968, excluído da universidade com base no Decreto-lei 477. Em 1968, no Ceará, foi gravemente ferido na cabeça quando participava de manifestação estudantil na Praça José de Alencar. Em 1969, foi residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas. Em 08 de maio de 1972, foi ferido e morto em combate nas selvas do Araguaia. Seus restos mortais foram identificados em julho de 2009. Em outubro do mesmo ano, sua família pode, após 37 anos de esperança e luta, sepultar em Fortaleza seu ente querido. Fonte: Vermelho Ceará ================================================================================================== + Detalhes. Bergson: herói do PCdoB e do povo brasileiro por Luiz Carlos Antero Fonte: Blog do Prof. Evaldo e Amigos - Bergson: herói do PCdoB e do povo brasileiro por Luiz Carlos Antero A família de Bergson Gurjão Farias, guerrilheiro do PCdoB executado pelos militares nas selvas do Araguaia no dia 8 de maio de 1972 - às vésperas de completar 25 anos -, decidiu cair em campo para acelerar sua identificação. Em plena discussão acerca dos "desaparecidos" do Araguaia e a partir de um encontro mantido conosco, uma das irmãs de Bergson, Ielnia Gurjão Farias, publicou um artigo (reproduzido neste portal) no qual pede ao governo federal a identificação dos restos físicos do seu irmão ainda esquecidos no Ministério da Justiça. É o início de uma sequência de medidas que pretende assegurar à sua mãe, Dona Luiza Gurjão Farias, o direito de sepultar dignamente o filho desaparecido. A decisão de Ielnia rompeu um silêncio de quase quatro décadas de sua família, submetida a um choque brutal desde a notícia da sua execução. Ao longo do tempo, as informações foram chegando aos poucos, pois Bergson dissera para seus familiares que iria para a Tchecoslováquia. Depois o descobriram em São Paulo, mas seu deslocamento para o Araguaia, de acordo com o procedimento de segurança adotado na época para todos os quadros que se mantinham na luta, não seria divulgado. Imponente dona Luiza No dia 9 de abril passado, numa iniciativa da ex-guerrilheira baiana Luzia Reis, vivemos um emocionante encontro com a mãe de Bergson, dona Luiza Gurjão Farias - aos 94 anos, uma bela senhora que surpreende pela imponência e lucidez. Sua desenvoltura faz da bengala que carrega algo semelhante a um acessório de decoração. Acompanha com interesse a conversa sustentada com Ielnia e Tânia, a filha que mora com ela, e, a intervalos, emite suas opiniões, cintilando o interlocutor com seus olhos claros e ternos. Serena, dona Luiza chega a sonhar, como confessou certa vez a Ielnia, que gostaria de festejar uma hora dessas a chegada em sua vida de algum rebento do filho guerrilheiro, fruto de alguma relação de amor em sua breve e intensa trajetória. Esperançosa, pergunta como será o enterro de Bergson, se haverá uma lista de convidados e onde será. Lamenta que seu marido, pai do guerrilheiro, não possa presenciar o acontecimento, pois faleceu há algum tempo. Bergson teve a quem puxar, como se diz no meio do povo. O pai, Gessiner Farias, foi um homem decidido: no mesmo dia em que Bergson foi baleado pela repressão, em 1968, doou sangue para salvar um militante que fora atingido por um projétil que se alojou em seu fígado. O terceiro filho, que herdou seu nome, mora em Brasília, é engenheiro químico e químico industrial aposentado, e hoje leciona lá e em Goiânia. Gessiner Júnior também compartilha da ansiedade de ver o irmão, que completaria 62 anos em 17 de maio próximo, enterrado dignamente. Nos Estados Unidos, onde mora, Ielnia participou de uma experiência marcante: seu filho, que pertence a Anistia Internacional, a convidou para fazer uma palestra na universidade que frequenta como aluno. Ielnia pensou que falaria para um grupo seleto, mas o tema (a ação da ditadura de 1964 no Brasil) despertou um interesse tal que ela se viu diante de uma numerosa platéia e muitos questionamentos acerca da brutal experiência que se abateu sobre o povo brasileiro no período da intervenção militar. Primeiro balaço A história de Bergson, a exemplo de cada um dos guerrilheiros que tombaram durante a Guerrilha do Araguaia, merece destacado registro histórico. Nascido em 17 de maio de 1947, em Fortaleza, filho de Gessiner Farias e Luiza Gurjão Farias, hoje com 94 anos, tem sua existência lembrada em muitas homenagens, entre as quais está um logradouro de São Paulo que registra poucas informações sobre sua vida breve e rica. De elevada estatura física, moral e ideológica, entrou na lista negra da repressão do regime militar quando, numa passeata do movimento estudantil cearense, em 1968, resolveu salvar um veículo atingido por um coquetel Molotov na Praça José de Alencar, no centro histórico de Fortaleza. Entendeu que o artefato não deveria causar aquele estrago no automóvel de um cidadão que deveria também se perfilar na luta contra a ditadura. Levou um balaço na cabeça. Entretanto, mesmo gravemente ferido, sobreviveu. Exemplo para a juventude Bergson, uma jovem liderança do curso de Química da UFC (Universidade Federal do Ceará), fora vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes em 1967. Detido em 1968 no Congresso 30º da UNE, em lbiúna, foi expulso da UFC com base no Decreto-lei 477. Indiciado no inquérito promovido pelos militares - que o trucidariam três anos depois -, foi condenado em 1° de julho de 1969 pelo Exército a dois anos de reclusão. Algum tempo depois rumou para o Araguaia, do mesmo modo que outros jovens e antigos militantes "queimados" na luta política pela restauração das liberdades democráticas no País. Refeito dos ferimentos e sob feroz perseguição, foi residir na região de Caianos, onde prosseguiu suas atividades políticas. Em sua família, no convívio com seus camaradas e com os moradores da região, sua presença foi marcante pela simplicidade, espírito solidário e dedicado, e, como diz sua outra irmã, Tânia, afetuoso mas firme e flexível nas atitudes. Um perfil riquíssimo de comunista para a juventude que se capacita na luta pelas transformações requeridas pelo Brasil. Tombou atirando Bergson tombou nos primeiros tempos do confronto com as tropas oficiais. No dia 8 de maio de 1972, numa emboscada dos militares, protegeu a fuga dos seus camaradas. No jornal do Brasil de 04/04/2009, o jornalista Vasconcelo Quadros descreve sua morte: "A história de Bérgson Gurjão Farias é uma das mais dramáticas da guerrilha. Ele e outros quatro ativistas do PCdoB caíram numa emboscada preparada pelos paraquedistas logo no início do conflito. Segundo o Relatório Arroyo (...) Bérgson enfrentou sozinho a tropa para garantir que seus companheiros escapassem ao cerco. Na troca de tiros ele feriu gravemente o então capitão Álvaro de Souza Pinheiro - atualmente general e um dos ideólogos das Forças Armadas -, mas acabou encurralado pela tropa. Ferido, foi executado a golpes de baioneta, num dos episódios mais grotescos protagonizado pelos militares: varado de tiros e barbaramente massacrado, seu corpo foi levado para Xambioá e pendurado numa árvore próxima à delegacia para que a população e outros militantes presos (...). Nessa época, apesar de brutalidades pontuais, os militares tinham ordens expressas do Comando Militar do Planalto de identificar os guerrilheiros mortos e enterrá-los em locais conhecidos. Assim, em 1972, os corpos deveriam ser levados para Xambioá e enterrados no único cemitério da cidade". Identificação do guerrilheiro Outros relatos, entre os quais o do grupo Tortura Nunca Mais, também informam que "seu corpo foi levado para Xambioá, todo deformado, e pendurado em uma árvore, com a cabeça para baixo, a qual era chutada constantemente pelos Paraquedistas mobilizados na caça aos guerrilheiros". Segundo depoimento de Dower Cavalcanti, ex-guerrilheiro também cearense e já falecido, o General Bandeira de Melo lhe disse que Bergson estaria enterrado no Cemitério de Xambioá. Agora, como parte das ações que visam a identificação dos restos físicos de Bergson, o deputado estadual Lula Morais, do PCdoB, deverá encaminhar, pela Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, um requerimento destinado ao Ministério da Justiça e a sua Secretaria Especial de Direitos Humanos, no qual é solicitado o empenho oficial na definitiva solução dessa pendência com História, com a nação e com a família do guerrilheiro barbaramente executado em maio de 1972. O artigo de Ielnia A íntegra do artigo de Ielnia Farias Johnson, irmã de Bergson, publicado no jornal O Povo : Tragédias brasileiras * Por Ielnia Farias Johnson 18 de abril de 2009. Meu passado de militância política se distancia. Porém, hoje residindo nos Estados Unidos, tenho momentos de periódico reencontro com o Ceará, e, integrada numa geração participativa, me toca a realidade atual do País. Nessa condição, observo que duas graves tragédias ainda nos rondam, além das muitas outras, geradas pelas desigualdades sociais - contra as quais lutamos intensamente ao longo ditadura que maltratou a sociedade brasileira por 21 anos. Refiro-me, primeiro, à tragédia das prisões, torturas, caçadas e assassinatos que se deram em nome da raivosa doutrina de segurança nacional. Eu mesma, ainda muito jovem, fui sequestrada por dois homens em Parnaíba (PI), conduzida para Recife (PE) e submetida a bárbaras torturas, sem noção do que poderia acontecer comigo. A segunda tragédia consiste na desumanização dessa memória, na indiferença ou descaso quanto ao destino das vítimas do regime. Inúmeras famílias abaladas pela barbárie têm sido "reparadas" com indenizações, como se a moeda remisse a luta, o luto e a dor da perda de entes queridos, inúmeros deles "desaparecidos". Na atual temporada, fui surpreendida pela noticia (JB, 4/4/2009) de que presumidos restos físicos do meu irmão, Bergson Gurjão Farias, executado pelos militares na Guerrilha do Araguaia (abril-1972 a janeiro-1975), estão largados no armário de um anexo do Ministério da Justiça, entre dez esqueletos recolhidos na região em 1991, 1996 e 2001. Hoje, 37 anos após o início do confronto, isso me parece, além de trágico, revoltante. O governo ainda não agiu para tratar as feridas das famílias enlutadas, mas sabe que há muito está em pauta o clamor pelo enterro digno de seus mortos - um rito da Grécia antiga, onde a um soldado que tombou em combate se rendia sentida homenagem nos solenes funerais. Bergson foi um bom e bravo filho do povo brasileiro - determinado a doar sua vida pela conquista da liberdade. Numa emboscada, protegeu seus camaradas. Enfrentou a fúria dos que covardemente o "trucidaram a golpes de baioneta, num dos episódios mais grotescos protagonizado pelos militares: varado de tiros e barbaramente massacrado, seu corpo foi levado para Xambioá e pendurado numa árvore" (JB). Minha mãe, aos 94 anos, me pergunta (e a Tânia e Gessiner, meus irmãos) quando e como faremos o enterro do nosso terno e inesquecível guerreiro. E isso me instiga a realizar todas as ações necessárias para a viragem desta página infeliz da nossa História, mesmo vivendo num país onde a reação comum é a do espanto quanto aos feitos da ditadura militar brasileira. Ao governo brasileiro, cabe oferecer firme resposta ao nosso anseio, em harmonia com a ansiedade do nosso povo. E, desse modo, restabelecer os laços e sentimentos de confiança e cooperação, nesta questão crucial, na relação com quem o elegeu. * Farmacêutica radicada nos EUA, irmã de Bergson Gurjão. Fonte: Blog do Prof. Evaldo e Amigos - Bergson: herói do PCdoB e do povo brasileiro por Luiz Carlos A ================================================================================================ Vídeo. Governo identifica ossada de militante na Guerrilha do ... dailymotion.virgilio.it2 min - 7 jul. 2009 As ossadas são de Bergson Gurjão Farias era estudante de química na Universidade Federal do Ceará quando entrou para ... a.. Governo identifica ossada de militante na Guerrilha do ... dailymotion.virgilio.it2 min - 7 jul. 2009 As ossadas são de Bergson Gurjão Farias era estudante de química na Universidade Federal do Ceará quando entrou para ... ================================================================================== Ficha Pessoal Bergson Gurjão Farias Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Bergson Gurjão Farias Cidade: (onde nasceu) Fortaleza Estado: (onde nasceu) CE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 17/5/1947 Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade Federal do Ceará UFC Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Jorge, Edmilson Prisão: 9/6/1968 Ibiúna SP Brasil XXX Congresso da UNE 8/5/1972 Xambioá TO Brasil região do Araguaia Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/6/1972 PA Brasil região do Araguaia Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Foto Foto original e preto e branco de busto. Relatório Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 12/02/75. Informa que Bergson participou do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, SP e foi indiciado em inquérito relativo a ele, tinha vida política intensa, foi condenado a 2 anos de reclusão e era terrorista e subversivo. Consta no documento o código das pastas de onde essas informações foram retiradas. Inclui outro relatório de 17/12/70. Relatório Documento do Serviço Nacional de Informações (SNI)/Agência Central, de 26/01/76, sobre a denúncia de torturas ao Gabinete Civil da Presidência da República. Apresenta diversas informações sobre o movimento de denúncias às torturas no Brasil, inclusive em sua atuação fora do país, baseados em documentos produzidos pelos grupos de esquerda, e apontando a preocupação desta campanha pela "difamação" dos órgãos de segurança e a tentativa de transformar "elementos subversivos" em vítimas. Entre outros, cita o documento com a lista dos "torturadores", apreendido no aparelho de Ronaldo Mouth Queiroz e elaborado pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil, formado e dirigido pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), que foi encaminhado aos Bispos do Brasil, em 02/73. O relatório também encara como exemplo da idéia fixa de caluniar o fato dos nomes de Bergson Gurjão Farias e Helenira Rezende de Souza Nazareth, mortos em combate na repressão à guerrilha do Araguaia, em 1972, aparecerem nos relatórios de seus companheiros como "presos políticos assassinados sob tortura e tidos como desaparecidos". Relatório Parte de documento, recolhido no DOPS, com dados pessoais de pessoas que participaram do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna, SP, em 09/06/68. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Bergson Gurjão Farias, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Ficha pessoal Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social, com foto de rosto numerada. Ficha pessoal Documento do DOPS, sem data. Informa que Bergson era estudante da Universidade Federal do Ceará, participou do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) e foi condenado a 2 anos de prisão. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110805/23340eae/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9605 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110805/23340eae/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110805/23340eae/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9570 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110805/23340eae/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Publicado por LUTA PELA EDUCAÇÃO em 3 agosto 2011 às 21:14 em EDUCAÇÃO b.. Exibir tópicos Nota dos editores: . No dia 01 de agosto de 2011 a UJC completou 84 anos de luta pela organização da juventude para Revolução Socialista. Os anos pós Revolução Russa de Outubro foram de grande movimentação no cenário do movimento comunista. A fundação da III Internacional - ou Komintern -, inspiradas não mais na estrutura de "federalismo", como funcionava a II Internacional, mas sim sob a lógica de um Partido Internacional, no qual surge como um formulador de linhas gerais para os partidos comunistas filiados. . No Brasil, em 1922 é criado o PCB, além de ter sua inspiração também na Revolução Bolchevique, o PCB era fruto do novo e em progressivo crescimento movimento operário brasileiro, que não mais se sentia contemplado nas teses do movimento anarquista e carecia de uma organização que unificasse as novas demandas, mobilizações e lutas, uma organização que pudesse formular um programa de intervenção política qualitativamente de maior envergadura, que extrapolasse os limites das "ações diretas e de pouco efeitos produtivos para o movimento operário". . O PCB, que desde seu início buscava se enquadrar nas linhas do Komintern, procura desenvolver no Brasil a orientação de organizar sua Juventude Comunista, orientação esta que já percorria os PCs desde o II congresso do Komintern, em 1920, que havia também organizado o I Congresso da Internacional da Juventude Comunista. Em uma reunião do Comitê Central, no ano de 1924, o PCB já havia encaminhado a organização da Juventude Comunista. No entanto, este encaminhamento encontrou dificuldades em ser aplicado. . Apesar das adversidades, o II Congresso do PCB, realizado em 1925, resolveu que a Juventude Comunista, que até então havia atraído poucos novos membros desde sua aprovação, deveria receber uma maior atenção por parte dos membros da direção nacional do Partido. Após substituição decorrente de problemas de cunho pessoal, a tarefa de organizar a Juventude foi passada ao jovem estudante Leôncio Basbaum, que, em Recife organizara uma forte base da JC. No Rio de Janeiro, em 1926, se organizavam os primeiros DAs e CAs, já sob a influência da JC. . Devido à boa ação de HISTÓRIA DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA (UJC) o Comitê Central lhe encarrega também; a tarefa de organizar a JC em nível nacional. Já no 1° de Maio de 1927, a Juventude Comunista possui uma participação de destaque nas mobilizações, mostrando não só a viabilidade como a necessidade de uma organização do gênero. Esta participação no 1° de Maio incentiva o comitê Central a apressar o processo de organização da JC e, desta maneira, no dia 1° de Agosto de 1927 é oficialmente fundada Juventude Comunista. Sua primeira direção é composta por Leôncio Basbaum, Jaime Ferreira, Elísio, Altamiro, Brasilino, Pedro Magalhães Arlindo Pinho. Logo após a fundação, a JC pede ingresso na Internacional da Juventude Comunista, onde não só é aceita como convidada a mandar delegado ao seu V Congresso, em Setembro de 1928. . Forte Influencia Externa . O Movimento Comunista Internacional (MCI) passava então por uma forte disputa de projetos que culminaria, em fins dos anos 20, na vitória do segmento de Stalin e da política de "Classe contra Classe", uma política de confrontação direta. Essa política, porém, ainda não havia atingido o PCB nem a JC. Em 04 de Janeiro de 1929, após o III Congresso do PCB, é realizado o I Congresso da JC, num momento de grande riqueza de formulações originais por parte do Partido, que na época possuía à sua frente Astrojildo Pereira. O congresso da JC formula ricamente sua intervenção no movimento de juventude, priorizando o meio sindical e cultural, a organização dos Centros de Jovens Proletários, além de manter o dialogo com o nascente movimento estudantil. . A JC entra na década de 1930 ainda sem muita expressão. Tanto o PCB quanto a JC, conseqüentemente, sofrem a crescente influencia do obrerismo, o que por sua vez engessou as organizações levando-as para um estreito isolamento político. . Frente Ampla (Mudança da Linha Política) . Todavia, com o crescimento do movimento fascista na Europa, o Komintern se vê obrigado a recuar de sua política estreita, e, em 1935 é levado à frente do Komintern, Dimitrov, que efetua uma guinada na linha política do MCI com a busca pela construção das frentes únicas contra o avanço do fascismo. No seu relatório apresentado durante o VII Congresso do Komintern, elucidando o Fascismo, suas características e seu avanço, houve um importante espaço para abordar o tema das frentes antifascistas na juventude, onde, de maneira genérica, procurou fazer um balanço das atividades das Juventudes Comunistas: "Nossas Juventudes Comunistas continuam sendo, numa série de países capitalistas, organizações sectárias, desligadas das massas. Sua debilidade principal reside em que se esforçam ainda em copiar as formas e métodos de trabalho dos Partidos Comunistas, e esquecem que as juventudes comunistas não são os Partidos Comunistas da Juventude. Não percebem que são organizações com tarefas especiais. Seus métodos e formas de trabalho, de educação, de luta, hão de adaptar-se ao nível concreto e as exigências da juventude". . No Brasil, desde o ano anterior, já se sentia a necessidade da JC se integrar a um movimento mais amplo diante da fascistização do Estado com Getulio Vargas e sair do isolamento em que se encontrava. Foi com este espírito que a JC participou ativamente da Conferencia Nacional de Estudantes Antifascistas. Nesta ocasião ocorreu, além das grandes mobilizações promovidas pela Juventude Comunista, uma série de conflitos físicos entre os Comunistas e os Integralistas (Movimento de nítida caracterização fascista). Num dos mais famosos confrontos, a chamada Batalha da Sé em São Paulo, houve diversos feridos e quatro mortos, sendo um militante da Juventude Comunista. No Rio, houve violentos confrontos, na Cinelândia (centro da cidade). . A necessidade, cada vez maior, de se intensificar a luta contra não só a fascistização do Estado como também contra a Ação Integralista Brasileira, obrigava a Juventude Comunista a diversificar suas formas de resistência e lutas. Assim, é criado o jornal "Juventude" em 1935, Jornal que conclamava à unidade incondicional dos segmentos antifascistas. . Em um documento do CC do PCB sobre as resoluções do pleno do CC de Maio de 1935, o Partido apontava a necessidade de se organizar, além dos espaços da JC, os "mais amplos e variados organismos de massas, culturais, recreativos, esportivos etc, nas cidades e no campo". A resolução apontava para que a JC formasse comitês juvenis da ANL, a Aliança Nacional Libertadora, e indicava também como prioridade, no meio estudantil, organizar o Congresso da Juventude Proletária, Estudantil e Popular, e que o congresso deliberasse por sua adesão à ANL, fazendo um trabalho paralelo entre os estudantes e entre os Jovens operários nas fábricas, sindicatos etc: "Formar e ampliar a JC dentro de amplos organismos de massa juvenis". . Em comícios por todo o país, os jovens comunistas participavam e muitos eram presos em atos simbólicos, onde se enforcavam galinhas verdes, ironizando os integralistas (que assim eram conhecidos, devido às suas fardas verdes). Em Março, foi aclamado no teatro João Caetano, no Rio, por proposta de um dirigente da JC, o nome de Luís Carlos Prestes para presidente de honra da ANL. . Porém, com a radicalidade crescente da ANL, o Governo de Getúlio a coloca na ilegalidade, desencadeando uma série de prisões e atos arbitrários por parte do Estado, como o fechamento de sedes de partidos políticos, prisões e espancamentos. Com o fracasso dó Levante Comunista de novembro de 1935, se instaura no país uma violenta caça aos comunistas, ocasionando o desmantelamento do Partido e das organizações a ele ligadas. . Os Jovens Comunistas criam a UNE . Os jovens Comunistas passam a intensificar sua atuação no movimento estudantil, onde jogam papel fundamental para a criação da UNE, a União Nacional dos Estudantes, em dezembro de 1938. Um dos principais ativistas do movimento é o Jovem militante Irun Sant Anna (hoje ainda continua militando no PCB), que contribui de maneira decisiva nas mobilizações, agitações e organização do Movimento estudantil na então capital da República, Rio de Janeiro. . Na década de 1940, a JC se encontra dispersa e não orgânica. O que se tem é a militância jovem do PCB atuando de maneira hegemônica no movimento estudantil, onde a UNE começa a ganhar espaço e, mesmo com forte repressão, os comunistas se destacam nas mobilizações pela entrada do Brasil na II Grande Guerra. Em 1943 o PCB realiza a Conferência da Mantiqueira, aprovando como eixo principal a luta pela restauração das liberdades democráticas com anistia para os presos políticos. Amplas mobilizações, integrando todo o conjunto da sociedade civil, dos Estudantes à intelectualidade progressista, e, em abril de 1945, finalmente o Estado recua e o PCB volta à legalidade, podendo assim atuar livremente na sociedade. Nas eleições de dezembro de 1945, o PCB consegue uma expressiva votação, em campanha que empolgou toda a sociedade. . O PCB, então, coloca novamente, como questão de "ordem do dia",a necessidade de reorganizar-se a Juventude Comunista, agora com um novo formato, como UJC, União da Juventude Comunista. Porém, o Partido Comunista teria uma curta trajetória na legalidade, já que foram caçados o Registro do PCB e todos os mandatos de seus deputados e de seu Senador, iniciando, dentro do governo Dutra, uma forte repressão e um grande sentimento Anti-Comunista. O Partido decide fechar a UJC. . Um novo Começo . Em 11 de Novembro de 1950, o jornal "Voz Operária" publica as resoluções do Comitê Central do PCB sobre a reorganização da União da Juventude Comunista, dentro da nova linha do PCB, caracterizada por uma forte guinada à esquerda. A UJC, ao mesmo tempo em que se ampliava em sua base, com uma proposta de se tornar uma organização de massas, se estreitava em sua linha política: "O Partido tem o dever de indicar aos milhões de jovens brasileiros o caminho de sua organização e de sua unidade na luta pela paz, pela libertação nacional, pela democracia popular e pelo socialismo", o documento chega a indicar uma caracterização de como deve ser a UJC, "A União da Juventude Comunista precisa ser uma ampla organização que abarque todos os jovens, moços e moças (...) que queiram lutar decididamente e aceitem a orientação do PCB. A UJC deverá ser a organização revolucionária da juventude brasileira, o instrumento de sua formação política, cultural e moral, educando seus membros nos princípios da luta de classes e do Marxismo-Leninismo-Stalinismo". . O texto da resolução aponta a necessidade de a UJC atuar nos mais amplos movimentos da juventude, dando-lhes um corte de classes, e a necessidade de se organizar uma conferência de reorganização da UJC em nível nacional, onde a comissão nacional provisória da UJC se dissolveria. . A UJC que surge desta reorganização assume posturas nitidamente de confronto aberto contra a ordem burguesa, inclusive participando de lutas armadas no interior do País, onde se destacou a postura de seu presidente, o João sem Medo, como era conhecido o jovem João Saldanha. . Na década de 1950, a UJC teve importante intervenção nas campanhas da não participação brasileira na guerra da Coréia e do "Petróleo é Nosso". Em 1956, integrou a chapa que reconquista a UNE da mão da direita, onde estava desde 1950, podendo, novamente, conduzir uma série de políticas mais progressistas na entidade. Destacavam-se também os Jovens Comunistas na UBES e a atuação decisiva e fundamental dos jovens comunistas para a construção dos CPCs, Centros Populares de Cultura. No plano internacional, a UJC estava associada com a União Internacional dos Estudantes e na Federação Mundial da Juventude Democrática, da qual foi também fundadora. . Com a crise do movimento comunista internacional, decorrente das resoluções do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, onde Kruschev faz duras críticas ao período da direção de Stálin na URSS e aplica uma serie de mudanças internas naquele país, como a abertura do Partido Comunista Russo para a filiação de qualquer pessoa sem nenhum critério. O PCB não fica de fora da crise e é atingido em cheio, principalmente em seu núcleo dirigente, onde se trava forte luta interna. Esta luta culminaria com a saída do Partido de vários dirigentes que adotariam uma linha de não autocrítica do período anterior e assumiriam uma postura sectária ao fundarem em 1962 o PC do B. Na UJC, alguns militantes saem e vão para o PC do B, atraídos pelo seu discurso então radicalizado e estreito. Mesmo com todos os problemas decorrentes da crise interna, a UJC consegue organizar o Seminário Internacional de Países Subdesenvolvidos, em 1963. . Início de uma Longa Noite . O Golpe civil-militar de 1964 que depôs o governo Jango, instala no Brasil uma ditadura com clara postura anti Comunista, que contribui com uma dispersão dos militantes. Porém ainda assim, no ano seguinte se organiza o congresso da UNE, onde a UJC assume cargos na direção da entidade, que então estava na ilegalidade. O movimento estudantil assume papel de vital importância no combate à ditadura civil-militar, onde em parte desenvolve a política do PCB de enfrentar a ditadura com amplos movimentos de massas em mobilizações reivindicando a volta da legalidade democrática. Com o maior tensionamento com a ditadura, diversos setores da juventude optam pela luta armada como forma de combate. Esta postura entrava em choque com a política do PCB e, portanto, da UJC, de combater a ditadura através das mobilizações de massa, o que acarreta novamente a saída de diversos militantes. O AI-5 viria para confirmar que a ditadura não estava disposta a ceder diante da radicalidade de segmentos da esquerda: ao contrário, a ditadura utilizava-se destas posturas para justificar o aumento da repressão. . Com a derrota dos segmentos armados da resistência à ditadura, esta volta sua atenção para o PCB, que era então responsável pelas maiores fissuras na ditadura, com amplas denúncias e passeatas que eram, de fato, as melhores formas de combatê-la. Desencadeia-se, assim, uma forte perseguição aos comunistas, 1/3 do Comitê Central do PCB é assassinado, assim como diversos militantes do Partido e muitos jovens da UJC, inclusive seu secretário geral, que foi "desaparecido" em 1975. Tal situação levou a UJC a praticamente deixar de existir, atuando mais em núcleos dispersos e com pouca funcionalidade. Mesmo assim Jovens Comunistas participaram do Encontro Nacional dos Estudantes que definiu pela reorganização da UNE. . Redemocratização e Crise . Com a volta dos exilados e com a lei da anistia, o PCB organiza uma comissão incumbida de reorganizar a UJC, porem já se iniciava, então, a disputa interna que culminaria no "racha" de 1992. Diversos membros da comissão de reorganização da UJC foram substituídos, vários jovens saíram do PCB com Prestes e outros se afastaram do PCB diante das novas posturas adotadas pelo Partido, importadas do Euro-Comunismo, que levavam o PCB a uma clara postura de conciliação de classes. . A UJC que ressurge neste cenário em 1985, junto com a legalidade do PCB, porém com o discurso muito diluído e de fraca capacidade de mobilização, o que afastava, paulatinamente, a juventude mais aguerrida das fileiras da UJC. O VII Congresso, em 1984 e o VIII Congresso em 1987, aprofundaram a linha conciliadora do PCB. Agravou-se a luta interna. A seqüência de acontecimentos que ocorreram no Leste Europeu no fatídico ano de 1989, e posteriormente com o próprio colapso da URSS, serviu para justificar uma suposta legitimação as posturas liquidacionistas dentro do PCB, que apontavam para a constituição uma nova organização, ideologicamente gelatinosa, que viria a ser o PPS. Porém é fundado o movimento nacional em defesa do PCB, que empolga e conta em suas fileiras com diversos militantes da juventude. É chamado, em caráter de extraordinário, o X Congresso, que ocorre de maneira confusa e não legitima, onde inclusive não-militantes puderam fazer uso do direito de voto. Retira-se do Congresso um expressivo número de militantes e delegados que durante o congresso, que denunciam as posturas liquidacionistas e antimarxistas dos que conduziam o congresso e organizam em outro local uma conferência nacional de reorganização do PCB, rompendo não apenas com as posturas liquidacionistas como com a política de conciliação operante no PCB nos anos de 1980. . Reorganizando-o, assim, de maneira revolucionária, sobre os pilares do Marxismo-Leninismo. . Reorganização dos Comunistas . Em Março de 1993 se realiza de fato o X Congresso do PCB, que aprova a reativação da UJC. As teses para o X congresso do PCB afirmavam "Ter especial atenção com a formação dos jovens comunistas, com a ativa renovação revolucionária da UJC, como instrumento de atuação dos comunistas na juventude, (...) Este é o grande investimento do Partido em longo prazo, pois os jovens são os verdadeiros continuadores da história, tradições e lutas do Partido Comunista Brasileiro". As teses procuravam formular uma serie de bandeiras gerais para unificar a atuação da juventude. . Em 1994, no mês de Agosto, se dá o Congresso de reorganização da UJC no Rio de Janeiro, no Sindicato dos Médicos, onde é eleita uma diretoria nacional com o intuito de organizar a atuação da UJC nacionalmente. Na ocasião, é eleita como presidente da UJC a estudante e militante da UJC em São Paulo, Sofia Pádua Manzano. Nos anos seguintes a UJC volta a participar da UNE e procura desenvolver outras frentes de atuação. O mesmo quadro se manteria no XI Congresso. . Com a realização do XII Congresso do PCB, em 2000 foi aprovada uma resolução que permitia a ativação ou desativação da UJC nos Estados, conforme a prioridade de ação política e de organização do Partido em cada região. No Movimento Estudantil, os Jovens Comunistas atuavam através Movimento "A Hora é Essa, Ousar Lutar - Ousar Vencer". Este priorizou, em âmbito nacional, a atuação dentro da UBES e UNE. Mesmo assim, se mantém a UJC organizada em alguns estados. . As resoluções do XIII Congresso do PCB apontam para a reorganização em nível nacional da UJC, como frente orgânica ao PCB, com suas direções, ações em linha gerais referendados pelo Partido, constituindo assim uma renovada UJC, adaptada às novas demandas e exigências históricas. . Foi constituída uma comissão nacional provisória da UJC, que organizou até a presente data as atuações da organização em diversas frentes e ocasiões, enquanto preparava o Congresso de Reorganização da UJC. A União da Juventude Comunista participou de diversos fóruns da UNE e UBES e do movimento estudantil,principalmente diversos DCEs e CAs, porém ainda de maneira dispersa, com uma atuação não muito unificada. . A UJC desenvolve trabalho cultural em diversos estados, dialogando com todo o conjunto da juventude, e novamente com o jovem trabalhador, trabalho este ainda em estagio embrionário, mas de grande potencial. No âmbito internacional, reativamos as relações internacionais, após diversas investidas nos FSM, e por último no Festival Mundial da Juventude, em Caracas, Venezuela, com uma expressiva e atuante bancada, o que contribuiu para reativarmos contatos que hoje estão sendo trabalhados em grau mais aprofundado, priorizando os contatos com as JCs Latino-Americanas, e a FMJD. . A consolidação da Reconstrução . Pela primeira vez em sua história,a UJC realizou dois congressos nacionais seguidos.Organizado na cidade de Goiânia,nas dependências da Universidade Federal de Goiás,o congresso marcou o aprofundamento político ideológico da juventude comunista com a consolidação do processo de reconstrução revolucionária do PCB,a partir das resoluções do XIV congresso dos comunistas brasileiros.A UJC se mantém como uma frente orgânica de massas do Partido Comunista Brasileiro, como um dos canais de mediação para a juventude da estratégica socialista proposta pelo partido.Durante o congresso da UJC, foram discutidos temas ligados as suas frentes de massa: Jovens trabalhadores, Cultura e Movimento estudantil, além de questões transversais e organizativas. Participaram do congresso nacional, em torno de 120 delegados representando 12 estados que participaram do processo congressual com discussões municipais e estaduais. Como prova de seu bom trabalho no campo internacional, prestigiaram o congresso camaradas da juventude comunista portuguesa e paraguaia, além de inúmeras saudações de outras Juventudes comunistas e da FMJD. . Neste último período a UJC intensificou sua intervenção no movimento estudantil(principalmente a partir da bandeira pela Universidade popular e reconstrução do ME pela Base), no movimento cultural através de interessantes e diferentes experiências e propostas dos núcleos de cultura dos Estado contudo ainda carecendo de melhores resoluções e política a nível nacional, e na organização dos Jovens trabalhadores. . A UJC, através de sua trajetória de mais de 80 anos, mostrou a possibilidade de se organizar de maneira revolucionária a juventude brasileira. Mesmo cometendo erros e desvios em sua história, esteve presente em momentos marcantes das lutas da juventude, e em vários momentos, extrapolando as lutas juvenis e assumindo de coração as mais relevantes lutas do povo brasileiro, ao qual ligou seu nome e história, combatendo, abertamente ou nas trevas, sacrificando vidas jovens em prol da causa mais jovem, a causa do amanhã, do vir a ser, do COMUNISMO. . A UJC reativa-se na prática, diariamente, atraindo diversos jovens, que vêem na UJC, a possibilidade de contribuírem para uma transformação qualitativa da sociedade, potencializando o ser humano na construção não apenas da nova sociedade, mas também na construção do próprio novo homem. . Fonte: http://ujc.org.br/index.php/historia-da-ujc . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110805/a8748e60/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9438 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110805/a8748e60/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8921 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110805/a8748e60/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 6 15:05:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 6 Aug 2011 15:05:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__RONALDO_MOUTH_QUEIROZ________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-CCXI-?= Message-ID: <0FA666AC0F504F64954EC42542E65E88@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem RONALDO MOUTH QUEIROZ (1947 -1973) Filiação: Elza Mouth Queiroz e Álvaro D'Ávila Queiroz Data e local de nascimento: 18/12/1947, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 06/04/1973, São Paulo (SP) Ronaldo Mouth Queiroz estudava Geologia na USP e era um dos raros quadros remanescentes das mobilizações de 1968 que se manteve atuando legalmente nas instâncias estudantis do difícil período entre 1969 e 1972. Dirigiu o DCE da USP a partir de 1970, quando o Movimento Estudantil não podia mais realizar grandes mobilizações abertas, por força do terror repressivo. Ainda assim, trabalhou para manter uma articulação básica entre os Diretórios e Centros Acadêmicos, preparando publicações, organizando campanhas unificadas, apresentações artísticas e, principalmente, a recepção conjunta aos calouros de cada ano, trocando o trote tradicional por debates políticos e culturais. Desde a infância, destacou-se por seu desempenho nos estudos e já aos 13 anos trabalhava em casa, fiscalizando para uma empresa as propagandas de rádio. Residia a 30 km da USP e ainda dava aulas à noite, num curso pré-vestibular. Quando morreu, Ronaldo era o responsável pela estruturação do trabalho da ALN junto ao Movimento Estudantil e movimentos sociais, mantendo vínculos com essa organização clandestina desde 1970. Ex-presos políticos consideram de baixa credibilidade a informação contida no "Livro Negro do Terrorismo no Brasil", escrito por agentes do CIE durante o mandato ministerial do general Leônidas Pires de Vasconcelos, de que Ronaldo teria participado do Comando Aurora Maria Nascimento Furtado, responsável pela execução, em 21/02/1973, no bairro da Mooca, o dono do restaurante que teria provocado a morte de três militantes da ALN em 1972. A partir do trabalho do ex-militante e agente policial "Jota", o médico João Henrique de Carvalho, infiltrado na ALN em 1972, Queiroz passou a ter seus passos vigiados pelo DOI-CODI/SP. Foi morto a tiros no dia 06/04/1973, num ponto de ônibus da avenida Angélica, em São Paulo, por agentes daquele órgão de segurança do regime militar. Com base nas informações coletadas na época, os agentes nem chegaram a dar voz de prisão e atiraram à queima roupa assim que o reconheceram. No entanto, a versão oficial, publicada no dia seguinte, foi de que Ronaldo teria resistido à prisão, sendo morto em tiroteio. Essa versão, que já era questionada pela análise dos documentos oficiais, foi definitivamente derrubada por uma testemunha ocular localizada por Luiz Francisco Carvalho Filho, relator do processo na CEMDP. O corpo de Queiroz deu entrada no necrotério às 8h do dia 06/04/1973, enquanto a requisição do IML registra o horário do óbito como tendo sido às 7h45, sendo impossível num horário de rush o deslocamento entre os dois pontos em 15 minutos. O laudo de Isaac Abramovitc e Orlando Brandão descreve dois tiros, na face anterior do hemitórax esquerdo e no mento, a um centímetro do lábio inferior, tiro este bastante incomum. Relatório localizado no DOPS/SP, assinado pelo então coronel Flávio Hugo Lima da Rocha, chefe da 2ª seção do II Exército, feito 20 dias depois dos fatos, confirma que Queiroz estava sob vigilância, ao afirmar que teriam conseguido localizar sua casa, um quarto de pensão na rua Sergipe, 303, a partir de investigações nas proximidades. Foram anexadas pelo relator reportagens de 07/04/1973 dos jornais Folha de S. Paulo, Folha da Tarde e O Estado de São Paulo, além do depoimento da testemunha localizada por ele. Luiz Francisco Carvalho Filho também procurou por telefone o médico João Henrique Ferreira de Carvalho, o "Jota", que se recusou a depor. No entanto, o ex-agente do DOI-CODI/SP Marival Chaves do Canto, entrevistado para uma reportagem que a Veja publicou na edição de 18/11/1992, afirmou que a delação do médico João Henrique de Carvalho tinha possibilitado a eliminação de pelo menos umas vinte pessoas, atribuindo a ele a morte de todos os dirigentes da ALN a partir de 1973. Essa reportagem trouxe duas referências diretas à morte de Queiroz: "Em março de 1973, por exemplo, três integrantes da organização foram fuzilados no bairro da Penha em São Paulo. Um deles fora contatado por Jota dias antes, e a partir de então uma equipe do DOI não perdeu seu rastro. O mesmo aconteceu com o estudante Ronaldo Mouth Queiroz, conhecido como 'Papa' na ALN, morto a tiros de metralhadora num ponto de ônibus na av. Angélica. Primeiro, investiu junto a um agrupamento da organização na Faculdade de Geologia da USP, onde estudava Alexandre Vannucchi Leme, preso e morto em março de 1973. Na mesma escola estudava Queiroz, que antes de ser assassinado lhe abriu as portas da ALN em outra faculdade, a Medicina da USP. Numa ocasião, sempre disfarçado de militante Jair, o agente Jota, procurou um estudante da Medicina, Jurandir Duarte Godoy, o 'Romeu': que lhe fora apresentado por Queiroz". A testemunha localizada pelo relator declarou, 23 anos depois dos fatos, o que tinha presenciado no ponto de ônibus onde Queiroz foi morto. Seu relato corresponde claramente a uma execução. Viu quando três homens desceram de uma Veraneio C-14 e dispararam contra o rapaz que estava encostado na parede. O primeiro tiro o derrubou e o segundo foi disparado quando já estava caído. Viu ainda que o mesmo homem que atirou colocou uma arma de fogo nas mãos do corpo inerte e outra em sua cintura. E que, ante protestos de populares, um cidadão que reclamava foi preso e levado na viatura. O relator contestou a versão oficial, afirmando que "sempre existiu o sentimento de que ela é falsa: pelos registros oficiais, o estudante deu entrada no necrotério apenas 15min depois de ser atingido; a requisição do exame foi preenchida com seu nome verdadeiro, embora a imprensa tenha informado que ele usava documento falso com o nome de Ghandi Ferreira da Silva; as declarações da testemunha que disse ter presenciado o assassinato de um homem, no mesmo local e na mesma época, que depois associou a Ronaldo". Em seu voto, faz o balanço das evidências contidas nos autos e afirma que prevalece o sentimento de que Ronaldo foi executado. Não há prova do suposto "cerrado tiroteio". O depoimento da testemunha é convincente e se harmoniza com a versão da requerente. O fato de a morte ter ocorrido em via pública não impede o reconhecimento legal. "O dever dos agentes de segurança é deter o infrator, não executá-lo friamente. Poderiam prendê-lo, mas não o fizeram", concluiu o relator. =================================================================================================================== + Informações. RONALDO MOUTH QUEIROZ Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em São Paulo, Capital, filho de Álvaro D'Ávila Queiroz e Elza Mouth Queiroz. Estudante de Geologia e ex-presidente do Diretório Central dos Estudantcs da Universidade de São Paulo, na gestão 70/71. Foi fuzilado no dia 6 de abril de 1973, quando se encontrava na Av. Angélica, em São Paulo, por agentes do DOI-CODI/SP. A necrópsia de Ronaldo feita no Instituto Médico Legal/SP, em 11 de abril de 1973 foi firmada pelos Drs. Isaac Abramovitch e Orlando Brandão, que confirmam a morte em tiroteio. A versão oficial, publicada no dia seguinte, é de que Ronaldo teria resistido à prisão, sendo morto em conseqüência do tiroteio travado, versão esta desmentida pelos populares que assistiram à cena. =================================================================================================== + Informações. Ronaldo Mouth Queiroz Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em São Paulo, Capital, filho de Álvaro D'Ávila Queiroz e Elza Mouth Queiroz. Estudante de Geologia e ex-presidente do Diretório Central dos Estudantcs da Universidade de São Paulo, na gestão 70/71. Foi fuzilado no dia 6 de abril de 1973, quando se encontrava na Av. Angélica, em São Paulo, por agentes do DOI-CODI/SP. A necrópsia de Ronaldo feita no Instituto Médico Legal/SP, em 11 de abril de 1973 foi firmada pelos Drs. Isaac Abramovitch e Orlando Brandão, que confirmam a morte em tiroteio. A versão oficial, publicada no dia seguinte, é de que Ronaldo teria resistido à prisão, sendo morto em conseqüência do tiroteio travado, versão esta desmentida pelos populares que assistiram à cena. Depoimento de Sidnei M. Queiroz enviado ao GTNM/RJ "Quando esperava o ônibus num ponto da Av. Angélica, o Ronaldo foi assassinado por agentes do Dops: um tiro abaixo do lábio esquerdo e outro no hemitorax esquerdo. Segundo o testemunho do sociólogo Paulo Antônio Guerra, "três homens desceram de uma perua Veraneio: um japonês, um de aparência forte e outro de barba, vestindo jaqueta azul e de arma na mão".Um deles disse: "É esse, é esse" O de jaqueta azul friamente disparou um tiro no Ronaldo, que caiu, mas o assassino disparou outro tiro de cima para baixo, embora o estudante universitário (ex contra a vontade, como os outros) não reagisse durante toda a ação. Uma mulher grávida gritou e um senhor protestou, sendo jogado no bagageiro da Veraneio. Anos depois a testemunha soube que o jovem assassinado era o Queiroz, um ex-colega de Geologia. A testemunha não reconheceu o Ronaldo porque ele estava usando barba. O Paulo Antônio Guerra ia fazer um teste no Metrô, fato confirmado pela Comissão Especial, 14 anos depois. O covarde e vergonhoso assassinato oficial do Ronaldo aconteceu as 7, 45 h do dia 06 de abril de 1973. O agente do Dops colocou um revolver na mão do Ronaldo, outro na cintura e uma agenda pequena no seu bolso. Depois mentiram, como sempre, aos jornais que "houve um violento tiroteio". No formulário do Dops o local de assinatura do delegado é identificado apenas como Romeu(?). A maioria dos jovens, infelizmente, não tiveram uma testemunha para desmentir a farsa do tiroteio: morreram como bandidos. Nesses casos valeu a palavra das "autoridades", dos assassinos oficiais do governo. O assassinato do Ronaldo contou com a ajuda do traidor João Henrique Ferreira de Carvalho, atualmente um médico que também atraiçoou o estudante Alexandre Vannuchi.Em entrevista à revista Veja o ex-estudante de medicina e traidor Dr. João Henrique contou com muitos detalhes como agia para entregar os estudantes da USP para os agentes da Ditadura Militar. A traição de João Henrique Ferreira de Carvalho levou à morte pelo menos umas vinte pessoas! O Ronaldo Queiroz e seus colegas faziam comícios-relâmpagos (pois se demorassem seriam preso e torturados) para esclarecer o povo na rua sobre a nova situação do país. No Dops mostraram a perigosa arma que usava: um mimeografo (copiadora antiga) muito antiga e uma pilha de folhetos. O agente assassino demonstrou os instintos sanguinários daqueles que agiam no Dops e no Doi-Code que, com o maior prazer torturavam lentamente as vítimas até a morte ... e depois foram todos "anistiados". Foram bestas humanas, seres infernais beneficiando-se da impunidade das leis brasileiras. Anistiaram os torturados e os mortos, para demonstrarem como a "lei era justa", mas estes não precisavam de perdão, pois não fizeram nada de errado. A anistia foi para os criminosos! Os militares só devolveram o Brasil ao povo porque naquele período a dívida brasileira se tornou impagável e a inflação a mais alta de todos os tempos. O povo sofre até hoje as conseqüências daqueles anos que atrasaram o país em relação ao mundo." São Paulo, 29 de agosto de 2003 ============================================================================================================ + Detalhes. PDF] O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO www.adrianodiogo.com.br/midias/gibi2010.pdf Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML TORTURA NA OBAN. RONALDO MOUTH. QUEIRÓZ FOI. EXECUTADO NA. AV. ANGÉLICA. O PERÍODO QUE ADRIANO PASSOU NO PRESÍDIO DO HIPÓDROMO FOI UM DOS MAIS DIFÍCEIS, ... ============================================================================================================== + Detalhes. [PDF] Somos os filhos da revolução: estudantes, movimentos sociais ... www.teses.usp.br/teses/.../8/.../DANIEL_CANTINELLI_SEVILLANO.pdf Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat 30 abr. 2010 - papel de Leme na ALN após a ida de Ronaldo (ou Ronald, como pode ser visto nos depoimentos) Mouth. Queiroz (também conhecido como "Papa" ou ... ================================================================================================================ Ficha Pessoal. Ronaldo Mouth Queiroz Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Ronaldo Mouth Queiroz Cidade: (onde nasceu) São Paulo Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Atividade: Estudante universitário Universidade Universidade de São Paulo USP Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Nome falso: (Codinome) Alfredo, Papa Morto ou Desaparecido: Morto 6/4/1973 São Paulo SP Brasil Av. Angélica Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Isaac Abramovitch, Orlando Brandão Biografia Documentos Artigo de jornal Alexandre Vannucchi Leme: verdades e mentiras. Jornal do Campus (USP), São Paulo, 16 out. 1986. Descreve a ida de Seu José, pai de Alexandre, a São Paulo aos órgão policiais, assim que soube, por um telefonema anônimo, que seu filho havia sido preso e as contradições com as quais se deparou: soube pela imprensa que Alexandre havia sido morto por atropelamento enquanto fugia; no IML constatou que havia sido enterrado às pressas como indigente; no DOPS, o delegado Sérgio Paranhos Fleury quis presenteá-lo com a placa do caminhão que o atropelou e, em seguida, o delegado Edsel Magnotti disse que a morte foi suicídio. Além disso, como foi verificado depois, as práticas terroristas das quais foi acusado ocorreram quando Alexandre convalescia de uma operação de apendicite ou quando assistia às aulas; a participação na Ação Libertadora Nacional (ALN) foi negada por Ronaldo Queiroz, membro da organização metralhado pela polícia em São Paulo; o atropelamento não teve boletim de ocorrência e o motorista disse que havia atropelado um velho; e vários presos declararam sua morte por tortura. Mesmo assim, o caso foi arquivado. Em 1978, tentou ser reaberto pelo Ministro Rodrigo Otávio Jordão, mas seu voto foi vencido por 13 a 1. O artigo apresenta também breve histórico das idéias, das lutas e do assassinato de Alexandre. Foto Foto original do busto de Ronaldo. Relatório Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social de 03/08/73, informando os dados pessoais e de atividades de membros da Ação Libertadora Nacional indiciados em inquérito. Relatório Documento do Serviço Nacional de Informações (SNI)/Agência Central, de 26/01/76, sobre a denúncia de torturas ao Gabinete Civil da Presidência da República. Apresenta diversas informações sobre o movimento de denúncias às torturas no Brasil, inclusive em sua atuação fora do país, baseados em documentos produzidos pelos grupos de esquerda, e apontando a preocupação desta campanha pela "difamação" dos órgãos de segurança e a tentativa de transformar "elementos subversivos" em vítimas. Entre outros, cita o documento com a lista dos "torturadores", apreendido no aparelho de Ronaldo Mouth Queiroz e elaborado pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil, formado e dirigido pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), que foi encaminhado aos Bispos do Brasil, em 02/73. O relatório também encara como exemplo da idéia fixa de caluniar o fato dos nomes de Bergson Gurjão Farias e Helenira Rezende de Souza Nazareth, mortos em combate na repressão à guerrilha do Araguaia, em 1972, aparecerem nos relatórios de seus companheiros como "presos políticos assassinados sob tortura e tidos como desaparecidos". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110806/c7c7ce18/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4818 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110806/c7c7ce18/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110806/c7c7ce18/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 6 15:05:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 6 Aug 2011 15:05:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Urariano_Mota=3A_a_hist=F3ria_vi?= =?iso-8859-1?q?va_dos_anos_da_ditadura_=3A_O_livro_=2268_a_gera=E7?= =?iso-8859-1?q?=E3o_que_queria_mudar_o_mundo=22__=28baixe_em_pdf?= =?iso-8859-1?q?=29?= Message-ID: <5440D50B10F745E5B3AED0DDF17D5144@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O Vermelho. 5 de Agosto de 2011 - 22h04 Urariano Mota: a história viva dos anos da ditadura O livro "68 a geração que queria mudar o mundo" é um calhamaço de 690 páginas que, em vez de assustar pelo peso e volume, deixa em toda a gente um fascínio. Explico, ou tento explicar. De agora em diante, ele será um volume de consulta obrigatória, para que não se cometam mais tantos atentados à história e à verossimilhança em telenovelas, peças e filmes no Brasil, quando o assunto for ditadura. Por Urariano Mota Organizado por Eliete Ferrer, editado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no livro participam 100 autores em 170 relatos. Em mensagem coletiva no grupo da internet "os amigos de 68", Eliete informa que nele se encontram "histórias reais ocorridas desde 1964 até a abertura política - nas reuniões, na militância, nas manifestações, nas discussões, na prisão, nas ações armadas ou não, nos treinamentos, na clandestinidade, no Brasil ou no exterior, no exílio. O diferencial do nosso livro caracteriza-se pela revelação do lado humano e afetivo daqueles que não aceitaram a prepotência do Golpe de 64, concebido e engendrado nos Estados Unidos". De fato, se em alguns relatos individuais as angústias e o heroísmo de militantes socialistas nem sempre se acham realçados, na maioria dos textos e no seu quadro geral se depreende uma história rica da vida de jovens, de homens e mulheres na última ditadura, que, setores à direita queiram ou não, está na agenda do mundo político do Brasil. O livro vem numa luta que exige resposta da civilização brasileira aos assassinatos até hoje encobertos. Mais precisamente, na batalha incansável dos familiares dos mortos que continuam a busca dos corpos dos filhos, pais e irmãos. "68 a geração que queria mudar o mundo" é parte ativa da consciência do país que deseja uma punição exemplar para crimes contra a humanidade, que são imprescritíveis por todas as convenções internacionais do Direito. O melhor e mais agradável em "68 a geração que queria mudar o mundo" é que ele não é um volume de teses. Em seu conjunto lêem-se relatos plenos de frescor, isso quer dizer, de sangue vivo, da hora, recuperado com o frescor da memória. É um livro necessário, porque nele estão as chamadas fontes primárias, as pessoas fora dos arquivos, contando o que viveram, penaram ou mesmo imaginaram nos anos do terror da ditadura brasileira. Delas vêm os documentos primários da luta dos malditos anos. É um livro urgente, para ser lido e divulgado. Nele hão de se debruçar historiadores, roteiristas, cineastas, teatrólogos e jovens de todo o gênero e escolas para que compreendam o mundo que ainda lhes é desconhecido, de pessoas iguais a eles, que viveram, morreram ou escaparam por um triz, em situação-limite. São relatos da vida clandestina, de acontecimentos inimagináveis de "expropriações revolucionárias", ou como a repressão as chamava, de assaltos a bancos por terroristas. Histórias de treinamento de guerrilha no Brasil, um documento vivo e inédito, e de amor, do amor que sobrevivia entre as porradas e tensões. O curioso, para muitos, é que nele há também lugar para o humor, pois que os tempos eram duríssimos, mas os homens além do terror e crimes sofridos, também possuíam ou procuravam motivos para rir. Como neste caso, digno de Stanislaw Ponte Preta, o grande humorista que desmontou o ridículo da ditadura brasileira. Copio trecho do depoimento de Emílio Myra e Lopez: "Um colega seu de ofício (do advogado Lino Ventura) defendia uma mulher e durante o seu processo ocorre o fato, verídico e registrado em seus autos. O advogado de sua defesa inquire o sargento, sua testemunha de acusação. - Senhor sargento, por que o senhor acusa minha cliente de ser subversiva? - Pelo material apreendido em sua casa - responde. - Mas, especificamente, que material? - Umas cartas... O advogado prossegue. - Sargento, seriam estas castas, às quais se refere? - Sim, senhor, são estas cartas. - Mas sargento, estas cartas estão escritas em idioma francês, o senhor tem conhecimento do idioma francês? - Não senhor - responde o sargento para espanto e risos no plenário. Insiste o advogado. - Senhor sargento, se o senhor não conhece o idioma francês, como pode, por estas cartas, acusar minha cliente de ser subversiva? - Mas é claro - prossegue convicto o sargento - eu li nas entrelinhas". Há outros, muitos outras histórias, casos, depoimentos, poemas, entre o drama, o trágico e a comédia. Há pelo menos 169 outros relatos. Mas tenham pena deste digitador. Leiam o livro. Agenda de lançamentos: 24 de agosto - Brasília , no Ministério da Justiça 25 ou 26 de agosto - Porto Alegre 15 de setembro - Rio de Janeiro - ALERJ 24 de setembro - São Paulo - Memorial da Resistência 30 de setembro - Recife Para encontrar o livro on line, acesse: clique http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=1&ved=0CBcQFjAA&url=http... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110806/851081d4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16103 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110806/851081d4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110806/851081d4/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 7 12:58:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 7 Aug 2011 12:58:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22_A_MPB_dos_Tempos_da_Repress?= =?iso-8859-1?q?=E3o=22=2C_________________________________________?= =?iso-8859-1?q?__________________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASICAS!?= Message-ID: <0BC46B4567CB4FDAA98C6338331E588B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Fatima Ferreira Dos Santos 12:49am Aug 4 Sinopse: O Programa Ensaio preparou em 2004 uma edição especial denominada " A MPB dos Tempos da Repressão", que reunia grandes personalidades da Música Popular Brasileira, que estiveram fortemente ligadas à luta contra a ditadura militar instaurada no Brasil. Chico Buarque, Caetano Veloso, Théo Barros, Carlos Lyra, Maria Bethânia, João do Vale e Zé Ketti compõem o elenco convidado para essa edição especial, feita em 4 blocos. Durante a ditadura esses artistas passavam, por meio de suas composições, mensagens de liberdade política que não agradavam os militares. Por esse motivo, muitas canções foram barradas pela censura. O programa é marcado pela interpretação de músicas que possuem alto teor crítico e político Ficha Técnica: Gênero: Documentário/Musical Duração: 51 min Ano: 2004 Direção: Raimundo Faro Produção: TV Cultura clique e assista. 15:05MPB nos Tempos da Repressão Parte 1 15:07MPB nos Tempos da Repressão Parte 2 12:35MPB nos Tempos da Repressão Parte 3 8:46MPB nos Tempos da Repressão Parte 4 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110807/2015900c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110807/2015900c/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4862 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110807/2015900c/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 4892 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110807/2015900c/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 7 12:58:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 7 Aug 2011 12:58:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__UIRASSU_ASSIS_BATISTA________________?= =?iso-8859-1?q?________________________________-CCXII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem UIRASSU ASSIS BATISTA (1952-1974) Filiação: Aidinalva Dantas Batista e Francisco de Assis Batista Data e local de nascimento: 05/04/1952, Itapicuru (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: entre janeiro e 21/04/1974 Nascido exatamente no mesmo dia, mês e ano que Custódio Saraiva Neto, divide com ele a condição de mais jovem entre todos os militantes do PCdoB deslocados para a região do Araguaia. Quarto filho em uma família de sete irmãos, Uirassu passou a infância e adolescência no interior da Bahia. Iniciou os seus estudos em Itapicuru, fez o curso primário em Rio Real e o ginasial em Alagoinhas. Em 1968, cursando o primeiro ano científico nessa cidade, iniciou a sua militância política no Movimento Estudantil e no PCdoB. Transferido em 1969 para o Colégio Central, em Salvador, teve uma participação ativa e decisiva no movimento secundarista. Fez parte da diretoria da ABES - Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas. No terceiro ano científico, sua participação foi tão intensa que passou a freqüentar muito pouco as aulas Mesmo assim, foi aprovado no vestibular na Universidade Federal da Bahia para a área de saúde. Em fevereiro de 1971, procurado pela Polícia Federal, optou pela militância clandestina. Foi residir na localidade de Metade, no Araguaia. Pertencia ao destacamento A das Forças Guerrilheiras e usava o nome Valdir. Apesar de muito jovem, demonstrou grande capacidade de adaptar-se às novas condições. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, registra que Valdir "foi morto em janeiro/74", contrariando os muitos depoimentos já colhidos e transcritos nos dois casos anteriores. Em matéria publicada no jornal O Globo, em 29/04/96 consta que, "nas 54 fichas individuais, nas quais os arapongas do Exército concentravam os dados sobre cada suspeito de integrar a guerrilha, a informação de que Uirassu Assis Batista havia sido morto em 11 de janeiro - 'em Brejo grande, próximo à Transamazônica'- pela equipe A1 foi riscada a caneta". As condições de sua prisão, portando feridas de leishmaniose foram também registradas por Taís Morais e Eumano Silva em Operação Araguaia: "Muito alegre e cheio de vida, gostava de freqüentar festas e conquistou a amizade dos companheiros e moradores da região. O camponês Antônio Felix da Silva viu Valdir, Antônio e Beto presos pelo Exército antes de serem executados, no dia 21 de abril de 1964. Valdir seguiu para o helicóptero pulando por causa das feridas de leishmaniose que lhe cobriam a batata da perna, e cantarolando. Os documentos da Marinha registram sua morte em abril de 1974". O livro de Hugo Studart, A Lei da Selva, contém a informação, extraída do Dossiê Araguaia, elaborado por militares que combateram a guerrilha, de que Uirassu morreu em 11 de janeiro de 1974. No site www.desaparecidospoliticos.org.br/araguaia estão arquivados vários depoimentos de moradores do Araguaia. Adalgisa Morais da Silva declarou em julho de 1996: "Eu vi o Valdir e o Beto, presos no helicóptero. Eles fingiam que não conheciam a gente e baixavam os olhos". O depoimento de Antônio Félix da Silva, conhecido na região como Tota, já transcrito num caso anterior, acrescenta, especificamente a respeito de Uirassu: "por volta das 7 horas da manhã, do dia 21.04.1974, o declarante viu Antônio, Valdir e Beto sentados em um banco na sala da casa, com os pulsos amarrados para trás com uma corda fina, parecendo ser de nylon; que o declarante viu um militar se comunicando pelo rádio; que, por volta das 9 horas da manhã, chegou o helicóptero que levou os militares e os três prisioneiros; que o declarante apenas percebeu que Valdir estava ferido, parecendo ser um lecho (leishmaniose) na batata de sua perna, que atingia metade da mesma, tendo dificuldade para andar até o helicóptero;(...)". ============================================================================================================================== + Informações. UIRASSU DE ASSIS BATISTA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu a 05 de abril de 1952 em Itapicuru/BA, filho de Francisco de Assis Batista e Aidinalva Dantas Batista. Desaparecido em 1974 na Guerrilha do Araguaia, aos 22 anos. Estudante secundarista da Bahia, participou do movimento estudantil. Perseguido por sua atuação política, mudou-se para o interior, indo residir na localidade denominada Metade, incorporando-se ao Destacamento A - Helenira Resende - da Guerrilha. Com seu gênio alegre, cativou todos que com ele conviveram. Freqüentava todas as festas das vizinhanças, onde dançava e participava de todas as brincadeiras. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto em abril/74". ============================================================================================= + Informações. (do livro Habeas Corpus) UIRASSU ASSIS BATISTA (1952-1974) Natural de Itapicuru, BA, Uirassu morou em diferentes cidades da Bahia, entrou no PCdoB quando residia em Alagoinhas e, em 1969, já em Salvador, teve uma participação ativa no movimento secundarista. Nascido no mesmo dia, mês e ano que Custódio Saraiva Neto, divide com ele a condição de mais jovem entre todos os militantes do PCdoB no Araguaia. Em fevereiro de 1971, procurado pela polícia, optou pela clandestinidade. Foi residir na localidade de Metade. Pertenceu ao Destacamento A das forças guerrilheiras e usava o nome Valdir. Tido como um rapaz alegre, gostava de frequentar festas, conquistou a amizade dos companheiros e dos habitantes da região. O relatório do Ministério da Marinha, de 1993, registra que Uirassu "foi morto em janeiro/74", contrariando outros depoimentos. Em matéria publicada no jornal O Globo, em 29 de abril de 1996, consta que "a informação de que Uirassu Assis Batista havia sido morto em 11 de janeiro - 'em Brejo Grande, próximo à Transamazônica' - pela equipe A1 foi riscada a caneta". As condições de sua prisão foram relatadas por Taís Morais e Eumano Silva em Operação Araguaia: "Valdir seguiu para o helicóptero pulando por causa das feridas de leishmaniose que lhe cobriam a batata da perna, e cantarolando. Os documentos da Marinha registram sua morte em abril de 1974". O livro de Hugo Studart, A Lei da Selva, contém a informação, extraída do Dossiê Araguaia, de que Uirassu teria morrido em 11 de janeiro desse mesmo ano. No site www.desaparecidospoliticos.org.br/araguaia estão arquivados vários depoimentos de moradores do Araguaia. Adalgisa Morais da Silva declarou em julho de 1996: "Eu vi o Valdir e o Beto presos no helicóptero. Eles fingiam que não conheciam a gente e baixavam os olhos". O depoimento de Antônio Félix da Silva, conhecido na região como Tota, acrescenta a respeito de Uirassu: Por volta das 7 horas da manhã do dia 21.04.1974, o declarante viu Antônio, Valdir e Beto sentados em um banco na sala da casa, com os pulsos amarrados para trás com uma corda fina, parecendo ser de nylon; que o declarante viu um militar se comunicando pelo rádio; que, por volta das 9 horas da manhã, chegou o helicóptero que levou os militares e os três prisioneiros; que o declarante apenas percebeu que Valdir estava ferido, parecendo ser um lecho (leishmaniose) na batata de sua perna, que atingia metade da mesma, tendo dificuldade para andar até o helicóptero. Documentação de 1o de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra a data de sua morte em 29 de abril de 1974. ===================================================================================================== + Detalhes. União da Juventude Socialista Por acreditar na transformação da sociedade e na construção de um mundo melhor, justo e igualitário que nasce o movimento da UJS em Alagoinhas, tendo como patrono "Uirassu Batista", este movimento não deve ser visto como uma peça de propaganda e sim como um meio de dar respostas aos desafios ideológicos e políticos colocados para a nossa atuação. Eles podem até tirar minha vida, mas nunca minha liberdade. Che Guevara Nosso Patrono! Uirassu Batista Filho de Francisco de Assis Batista e Aidinalva Dantas Batista, nasceu na Rua Conselheiro Moura, em 05/04/52 em Alagoinhas/Bahia. Sua mãe, professora, nascida na "Fazenda Salobro" no município de Conde/BA, migrou, ainda garota, para Jandaíra/BA, onde viveu até o nascimento do seu primeiro filho. Falecidos em 6 de janeiro de 1970 e 4 de outubro de 2002, respectivamente. O casal teve sete filhos, sendo cinco homens e duas mulheres. Uirassu era o 4º filho. Participou do movimento estudantil secundarista. Foi da direção da ABES (Assossiação Baiana dos Estudantes Secundaristas) e passou a ser perseguido pela repressão. Quando decidiu mudar-se para o interior instalou-se na região de Metade, onde fez parte do Destacamento A, das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Conforme aqueles companheiros que conviveram com ele e de acordo com entrevista de Pedro Marivetti a Romualdo Campos Filho, "Valdir" era muito coragoso e alegre, convicto de seus ideais revolucionários, animava as festinhas que participava na região. O relatório Arroyo faz a última referência a ele, dizendo que em 30/12/73 estava vivo. A última vez que fora visto foi em 21/04/74, pelo morador Antonio Felix da Silva, na casa de Manezinho das Duas. Ele tinha uma ferida de Leishmaniose na perna, mas batucava uma música alegre. Com ele estava Beto e Antonio Alfaiate. O morador viu quando os três foram colocados amarrados dentro de um helicóptero. Margarida Ferreira Felix também afirma que em 21/04 os três guerrilheiros foram presos ao pedir um pouco de sal na casa de Mane. O marido dela teria ajudado a embarcá-los num helicóptero, com vida. Os documentos oficiais não registram sua morte. Postado por União da Juventude ==================================================================================================== + Detalhes. Em julho deste ano, Vitória da Conquista presenciará uma homenagem profunda a 27 baianos, vítimas da ditadura militar. Será inaugurado em praça pública um monumento contendo os nomes de Antonio Carlos Monteiro Teixeira, Aderval Alves Coqueiro, Carlos Marighella, Dermeval da Silva Pereira, Dinaelza Santana Coqueiro, Dinalva Oliveira Teixeira, Eudaldo Gomes da Silva, Jorge Leal Gonçalves, José Lima Piauhy Dourado, João Carlos Cavalcante Reis, José Campos Barreto, Joel Vasconcelos Santos, Luís Antonio Santa Bárbara, Mário Alves de Souza Vieira, Maurício Grabois, Nilda Carvalho Cunha, Nelson Lima Piauhy Dourado, Péricles Gusmão Regis, Pedro Domiense de Oliveira, Otoniel Campos Barreto, Rosalindo Souza, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Uirassu de Assis Batista, Vitorino Alves Moitinho, Vandick Reidner Pereira Coqueiro e Walter Ribeiro Novaes. Dentre as pessoas referidas, são conquistenses: Péricles Gusmão Regis, filho de Adalberto Regis Keller da Silva e Laudicéia Gusmão de Freitas Portela, nascido em 5 de dezembro de 1925, e falecido em 12 de maio de 1964, e Dinaelza Soares Santana Coqueiro, filha de Antonio Pereira de Santana e Jumília Soares Santana, nascida em 22 de março de 1949, e falecida em 1973, no Araguaia. Péricles Gusmão Regis fora eleito vereador pela legenda do MTR - Movimento Trabalhista Renovador - nas eleições de 1962. Preso por força do exército comandada pelo Coronel Bendochi Alves Filho, em 12 de maio de 1964 foi encontrado morto em cela do quartel da polícia militar, em Vitória da Conquista. Dinaelza Santana Coqueiro residira em Jequié, Bahia, e para completar estudo fora para Salvador, Bahia. Aí passou a militar no PCdoB, juntamente com Wandick Coqueiro, e depois ambos foram para o Araguaia e nunca mais foram vistos. O monumento tem a arte de Romeu Ferreira (artista expressionista, que hoje incursiona pelo neo-barroco), a partir de esboço feito pela Professora Ana Palmira B. S. Casimiro. Sobre a idéia de uma figuração vazada em pedra, parcialmente jungida a outra lâmina de ganito, imaginada pela Professora Ana Palmira, Romeu Ferreira desenvolveu o monumento, dando-lhe grande expressividade, completando-o. O desenho vazado, que significa ausência, representa a memória e esta fixa-se ainda mais em razão da "perenidade" do granito e da figuratividade de sua cor verde-ubatuba. Os baianos homenageados foram vítimas da ditadura militar, em razão de seu combate político. A preservação da memória dos que resistiram à opressão fascista é uma tarefa de singular importância: Não se trata de lembrar emotivamente pessoas que foram semente de história, mas de denunciar para hoje e para o futuro que haverá sempre quem se oponha às ditaduras e que o destino do homem é a liberdade com igualdade social. O monumento tenta dizer isso com o nome daqueles que se igualaram na busca do futuro. Em pedra duradoura ( e assim espera-se que o seja), uma memória é resgatada: Não se trata apenas de preservar nomes. Mas é todo um tempo obscuro e terrível que fica lembrado: "Um tempo de guerra, um tempo sem sol". A ditadura ceifou vidas, sonhos e liberdade. Torturou, matou, prendeu, cassou direitos, baniu, exilou. Mas houve a resistência. Então, nomes, momentos e resistência são lembrados. Quem olhar assim com os olhos de ver um monumento de pedras há de pensar que a luta dos homenageados não foi em vão. Afinal estão mortos, estão vivos. ================================================================================= Alice exige justiça sobre os crimes do Araguaia 26-Jun-2009 A revelação do arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975), do agente da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, reforçou a cobrança da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) pela punição dos culpados pelos crimes. "No ocaso da vida, o Major Curió, um algoz, revela seus crimes. Mataram jovens já presos no Araguaia. As famílias querem seus corpos. Querem enterrá-los e nós, o povo, queremos suas histórias de heróis contemporâneos, que lutaram e não tiveram a chance de ver o Brasil livre", reafirmou Alice, acrescentando que "justiça não é revanche!" O regime militar, ao longo de 1974, nas matas do Araguaia, Sul do Pará, executou os guerrilheiros presos, informando que os mesmos tinham fugido. Um dos locais de fuga - termo usado pelos militares para designar uma execução - de guerrilheiros fica no município de Brejo Grande do Araguaia. Pelo menos oito foram mortos numa área conhecida por Clareira do Cabo Rosa. É o que revela o manuscrito Relatório de Prisioneiros, cedido ao jornal Estado pelo agente da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura. O documento, posterior à guerrilha, indica que morreram no local Antonio Ferreira Pinto, o Alfaiate, em 28 de abril de 1974, Luiz Renê Silveira e Silva, o Duda, em março de 1974, e Uirassu de Assis Batista, o Valdir, em 28 de abril de 1974. Todos passaram por interrogatório na base de Marabá (PA). Passados 35 anos, tempo suficiente para a formação de uma mata secundária e transformações de terreno, a informação sobre a Clareira do Cabo Rosa não responde a perguntas de parentes dos guerrilheiros sobre a localização de seus restos mortais. As informações foram retiradas do jornal Estadão. ================================================================================================== Ficha Pessoal Uirassu de Assis Batista Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Uirassu de Assis Batista Cidade: (onde nasceu) Itapicuru Estado: (onde nasceu) BA País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 5/4/1952 Atividade: Estudante secundarista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1974 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Desaparecido 0/4/1974 Brasil Segundo Relatório do Ministério da Marinha. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de revista Isto é, São Paulo, n. 1650, 16 maio 2001, p. 42. Seção rápidas. Informa que o nome da escola "Uirassu de Assis Battista" foi alterado para "Antônio Carlos Magalhães". Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Legislação Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110807/4eab2cdf/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 7244 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110807/4eab2cdf/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 8 19:15:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 8 Aug 2011 19:15:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Cirurgi=C3=A3o_card=C3=ADaco_admite_e?= =?utf-8?q?rro!!_=28para_reflex=C3=A3o_e_pesquisa=29_______________?= =?utf-8?q?___________________________________________HOJE_=C3=89_2?= =?utf-8?q?=C2=BA_FEIRA!_____MEDICINA=2C_SA=C3=9ADE_E_ALIMENTA?= =?utf-8?b?w4fDg08h?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem DANIEL CHUTORIANSCY Cirurgião cardíaco admite erro!! (para reflexão e pesquisa) ? AMIGOS E AMIGAS: LEIAM, Cuidado com os alimentos altamente processados!! Cirurgião Cardíaco admite enorme erro* http://www.tourlife.com.br/blog/?p=509 Lundell, Dwight, MD* Dr. Dwight Lundell é ex-Chefe de Gabinete e Chefe de Cirurgia no Hospital do Coração Banner, Mesa, Arizona. Sua prática privada, Cardíaca Care Center foi em Mesa, Arizona. Recentemente, Dr. Lundell deixou a cirurgia para se concentrar no tratamento nutricional de doenças cardíacas. Ele é o fundador da Fundação Saúde dos Humanos, que promove a saúde humana com foco na ajuda às grandes corporações promover o bem estar. Ele é o autor de "A cura para a doença cardíaca e A Grande Mentira Colesterol"] Nós, os médicos, com todos os nossos treinamentos, conhecimento e autoridade, muitas vezes adquirimos um ego bastante grande, que tende a tornar difícil admitir quando estamos errados. Então, aqui está: admito estar errado. Como um cirurgião com experiência de 25 anos, tendo realizado mais de 5.000 cirurgias de coração aberto, hoje é meu dia para reparar o erro de médicos com este fato científico. Eu treinei por muitos anos com outros médicos proeminentes rotulados como ?formadores de opinião?. Bombardeado com a literatura científica, sempre participando de seminários de educação, formuladores de opinião insistiam que doença cardíaca resulta do fato simples dos elevados níveis de colesterol no sangue. A terapia aceita era a prescrição de medicamentos para baixar o colesterol e uma severa dieta restringindo a ingestão de gordura. Esta última, é claro, que insistiu que baixar o colesterol evita doenças cardíacas. Qualquer recomendação diferente era considerada uma heresia e poderia possivelmente resultar em erros médicos. Ela não está funcionando! Estas recomendações não são cientificamente ou moralmente defensáveis. A descoberta há alguns anos que a inflamação na parede da artéria é a verdadeira causa da doença cardíaca é lenta, levando a uma mudança de paradigma na forma como as doenças cardíacas e outras enfermidades crônicas serão tratadas. As recomendações dietéticas estabelecidas há muito tempo podem ter criado uma epidemia de obesidade e diabetes, cujas consequências apequenam qualquer praga histórica em termos de mortalidade, o sofrimento humano e terríveis consequências econômicas. Apesar do fato de que 25% da população toma caros medicamentos a base de estatina e, apesar do fato de termos reduzido o teor de gordura de nossa dieta, mais americanos vão morrer este ano de doença cardíaca do que nunca. Estatísticas do American Heart Association, mostram que 75 milhões dos americanos atualmente sofrem de doenças cardíacas, 20 milhões têm diabetes e 57 milhões têm pré-diabetes. Esses transtornos estão afetando as pessoas cada vez mais jovens, em maior número a cada ano. Simplesmente dito, sem a presença de inflamação no corpo, não há nenhuma maneira que faça com que o colesterol se acumule nas paredes dos vasos sanguíneos e cause doenças cardíacas e derrames. Sem a inflamação, o colesterol se movimenta livremente por todo o corpo como a natureza determina. É a inflamação que faz o colesterol ficar preso. A inflamação não é complicada ? é simplesmente a defesa natural do corpo a um invasor estrangeiro, tais como toxinas, bactérias ou vírus. O ciclo de inflamação é perfeito na forma como ela protege o corpo contra esses invasores virais e bacterianos. No entanto, se cronicamente expor o corpo à lesão por toxinas ou alimentos no corpo humano, para os quais não foi projetado para processar, uma condição chamada inflamação crônica ocorre. A inflamação crônica é tão prejudicial quanto a inflamação aguda é benéfica. Que pessoa ponderada voluntariamente exporia repetidamente a alimentos ou outras substâncias conhecidas por causarem danos ao corpo? Bem, talvez os fumantes, mas pelo menos eles fizeram essa escolha conscientemente. O resto de nós simplesmente seguia a dieta recomendada correntemente, baixa em gordura e rica em gorduras poliinsaturadas e carboidratos, não sabendo que estavam causando prejuízo repetido para os nossos vasos sanguíneos. Esta lesão repetida cria uma inflamação crônica que leva à doença cardíaca, diabetes, ataque cardíaco e obesidade.* Deixe-me repetir isso: a lesão e inflamação crônica em nossos vasos sangüíneos é causada pela dieta de baixo teor de gordura recomendada por anos pela medicina convencional.* Quais são os maiores culpados da inflamação crônica? Simplesmente, são a sobrecarga de simples carboidratos altamente processados ??(açúcar, farinha e todos os produtos fabricados a partir deles) e o excesso de consumo de óleos ômega-6, vegetais como soja, milho e girassol, que são encontrados em muitos alimentos processados. Imagine esfregar uma escova dura repetidamente sobre a pele macia até que ela fique muito vermelha e quase sangrando. Faça isto várias vezes ao dia, todos os dias por cinco anos. Se você pudesse tolerar esta dolorosa escovação, você teria um sangramento, inchaço e infecção da área, que se tornaria pior a cada lesão repetida. Esta é uma boa maneira de visualizar o processo inflamatório que pode estar acontecendo em seu corpo agora. Independentemente de onde ocorre o processo inflamatório, externamente ou internamente, é a mesma. Eu olhei dentro de milhares e milhares de artérias . Na artéria doente parece que alguém pegou uma escova e esfregou repetidamente contra a parede da veia. Várias vezes por dia, todos os dias, os alimentos que comemos criam pequenas lesões compondo em mais lesões, fazendo com que o corpo responda de forma contínua e adequada com a inflamação. Enquanto saboreamos um tentador pão doce, o nosso corpo responde de forma alarmante como se um invasor estrangeiro chegasse declarando guerra. Alimentos carregados de açúcares e carboidratos simples, ou processados ??com óleos omega-6 para durar mais nas prateleiras foram a base da dieta americana durante seis décadas. Estes alimentos foram lentamente envenenando a todos. Como é que um simples bolinho doce cria uma cascata de inflamação fazendo-o adoecer? Imagine derramar melado no seu teclado, aí você tem uma visão do que ocorre dentro da célula. Quando consumimos carboidratos simples como o açúcar, o açúcar no sangue sobe rapidamente. Em resposta, o pâncreas segrega insulina, cuja principal finalidade é fazer com que o açúcar chegue em cada célula, onde é armazenado para energia. Se a célula estiver cheia e não precisar de glicose, o excesso é rejeitado para evitar que prejudique o trabalho. Quando suas células cheias rejeitarem a glicose extra, o açúcar no sangue sobe produzindo mais insulina e a glicose se converte em gordura armazenada. O que tudo isso tem a ver com a inflamação? O açúcar no sangue é controlado em uma faixa muito estreita. Moléculas de açúcar extra grudam-se a uma variedade de proteínas, que por sua vez lesam as paredes dos vasos sanguíneos. Estas repetidas lesões às paredes dos vasos sanguíneos desencadeiam a inflamação. Ao cravar seu nível de açúcar no sangue várias vezes por dia, todo dia, é exatamente como se esfregasse uma lixa no interior dos delicados vasos sanguíneos. Mesmo que você não seja capaz de ver, tenha certeza que está acontecendo. Eu vi em mais de 5.000 pacientes que operei nos meus 25 anos que compartilhavam um denominador comum ? inflamação em suas artérias. Voltemos ao pão doce. Esse gostoso alimento com aparência inocente não só contém açúcares, é também preparado em um dos muitos óleos Omega-6 como o de soja. Batatas fritas e peixe frito são embebidos em óleo de soja, alimentos processados ??são fabricados com óleos Omega-6 para alongar a vida útil. Enquanto ômega-6 é essencial ? e faz parte da membrana de cada célula controlando o que entra e sai da célula ? deve estar em equilíbrio correto com o ômega-3. Com o desequilíbrio provocado pelo consumo excessivo de ômega-6, a membrana celular passa a produzir substâncias químicas chamadas citocinas, que causam inflamação. Atualmente a dieta costumeira do americano tem produzido um extremo desequilíbrio dessas duas gorduras (ômega-3 e ômega-6). A relação de faixas de desequilíbrio varia de 15:1 para tão alto quanto 30:1 em favor do ômega-6. Isso é uma tremenda quantidade de citocinas que causam inflamação. Nos alimentos atuais uma proporção de 3:1 seria ideal e saudável. Para piorar a situação, o excesso de peso que você carrega por comer esses alimentos, cria sobrecarga de gordura nas células que derramam grandes quantidades de substâncias químicas pró-inflamatórias que se somam aos ferimentos causados por ter açúcar elevado no sangue. O processo que começou com um bolo doce se transforma em um ciclo vicioso que ao longo do tempo cria a doença cardíaca, pressão arterial alta, diabetes e, finalmente, a doença de Alzheimer, visto que o processo inflamatório continua inabalável. Não há como escapar do fato de que quanto mais alimentos processados e preparados consumirmos, mais caminharemos para a inflamação pouco a pouco a cada dia. O corpo humano não consegue processar, nem foi concebido para consumir os alimentos embalados com açúcares e embebidos em óleos Omega-6. Há apenas uma resposta para acalmar a inflamação, é voltar aos alimentos mais próximos de seu estado natural. Para construir músculos, comer mais proteínas. Escolha carboidratos muito complexos, como frutas e vegetais coloridos. Reduzir ou eliminar gorduras Omega-6 causadores de inflamações como óleo de milho e de soja e os alimentos processados ??que são feitas a partir deles. Uma colher de sopa de óleo de milho contém 7.280 mg de ômega-6, de soja contém 6.940 mg. Em vez disso, use azeite ou manteiga de animal alimentado com capim. As gorduras animais contêm menos de 20% de ômega-6 e são muito menos propensas a causar inflamação do que os óleos poliinsaturados rotulados como supostamente saudáveis. Esqueça a ?ciência? que tem sido martelada em sua cabeça durante décadas. A ciência que a gordura saturada por si só causa doença cardíaca é inexistente. A ciência que a gordura saturada aumenta o colesterol no sangue também é muito fraca. Como sabemos agora que o colesterol não é a causa de doença cardíaca, a preocupação com a gordura saturada é ainda mais absurda hoje. A teoria do colesterol levou à nenhuma gordura, recomendações de baixo teor de gordura que criaram os alimentos que agora estão causando uma epidemia de inflamação. A medicina tradicional cometeu um erro terrível quando aconselhou as pessoas a evitar a gordura saturada em favor de alimentos ricos em gorduras Omega-6. Temos agora uma epidemia de inflamação arterial levando a doenças cardíacas e a outros assassinos silenciosos. O que você pode fazer é escolher alimentos integrais que sua avó serviu e não aqueles que sua mãe encontrou nos corredores de supermercado cheios de alimentos industrializados. Eliminando alimentos inflamatórios e aderindo a nutrientes essenciais de produtos alimentares frescos não-processados, você irá reverter anos de danos nas artérias e em todo o seu corpo causados pelo consumo da dieta típica americana. Dr. Dwight Lundell MD Dr. Dwight C. Lundell é um renomado cirurgião cardiovascular com mais de 30 anos de experiência na sala de cirurgia. During his time in private practice, Dr. Lundell has performed over 5,000 heart bypass operations. Durante seu tempo na prática privada, Dr. Lundell já realizou mais de 5.000 operações de ponte de safena. His credentials as a medical doctor include Chief Resident during his cardiac surgery residency at Yale University, Chief of Staff and Chief of Surgery at several hospitals, 'Top Doc' ratings by his peers in Phoenix Magazine, many industry and professional certifications and accreditations, and thousands of happy and grateful patients. Em suas credenciais como médico incluem Residente Chefe durante sua residência em cirurgia cardíaca na Universidade de Yale, Chefe de Gabinete e Chefe de Cirurgia em vários hospitais, as classificações de 'Doc Top' por seus pares na Phoenix Magazine, indústria e muitas certificações profissionais e credenciamentos, e milhares de pacientes satisfeitos e agradecidos. Dr. Lundell's no-nonsense approach to science and medicine , and his caring attitude toward patients, has helped guide his career transformation from surgeon to author of The Cholesterol Lie ? a book which reveals the REAL cause of heart disease, and how to prevent it. Abordagem sem incoerências do Dr. Lundell quanto à ciência e a medicina, e sua atitude solidária para com os pacientes, tem contribuído para orientar a transformação da sua carreira de cirurgião para a de autor do The Lie Colesterol - um livro que revela a verdadeira causa da doença de coração, e como preveni-la . Artigos (em inglês): · Taking Statins? Best Read This, 29 Jun 2010 in Daily Issues & Featured Article & Nutrients & Health · Heart Disease: Inflammation or Cholesterol?, 31 Mar 2010 in Featured Article & Health Warnings & THB Undercover · Senator Questions FDA on Statin Side Effects, 17 Feb 2010 in Featured Article & Health Warnings & THB Undercover · Heart Surgeon Says Low Fat is a Big Fat Lie, 09 Dec 2009 in Daily Issues & Featured Article · Create Your Personal 4-Step Health Care Reform Act, 17 Jul 2009 in Healthy Living · Create Your Personal 4-Step Health Care Reform Act, 10 Jul 2009 in Healthy Living · Heart Surgeon Admits Huge Mistake Part 2, 06 Feb 2009 in Featured Article & Health Warnings · Heart Surgeon Admits Huge Mistake!, 03 Feb 2009 in Featured Article & Health Warnings -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110808/165091de/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20030 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110808/165091de/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 9 19:29:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 9 Aug 2011 19:29:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__WILTON_FERREIRA______________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCXIII-?= Message-ID: <82FFDB30A2F94782BE5EEAB196CD34EA@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem WILTON FERREIRA ( ? -1972) Filiação: Maria Ferreira Dias Data e local de nascimento: não constam no processo Organização política ou atividade: VAR-Palmares Data e local da morte: 30/03/1972, no Rio de Janeiro (RJ) Esses quatros militantes da VAR-Palmares foram mortos no Rio de Janeiro em 29/03/1972, em circunstâncias até hoje não esclarecidas, ficando o episódio registrado como "Chacina de Quintino". A versão dos órgãos de segurança só foi divulgada uma semana depois, em 06/04/1972. A manchete dos jornais informava que nove militantes teriam se entrincheirado na casa 72, na Avenida Suburbana, nº 8695, bairro de Quintino, naquela data, tendo três deles morrido no local (Antônio Marcos, Lígia Maria e Maria Regina), enquanto os demais teriam conseguido fugir. Segundo o "livro negro" do Exército, essa residência seria o aparelho onde moravam James Allen da Luz, o principal dirigente da VAR naquele momento e Lígia Maria. O número da casa também é informado em documentos oficiais como sendo 8988. Outro militante, ainda não identificado segundo as informações publicadas, teria morrido em uma oficina mecânica da VAR-Palmares, em Cavalcanti. O "livro negro" o indica como sendo Hilton Ferreira, com H no nome, em vez de W. .......................................................................... Sobre Wilton, a CEMDP não possui qualquer dado e nem sequer a certeza de ser este o seu nome verdadeiro. O processo foi protocolado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos na expectativa de que sua família pudesse ser localizada, o que não ocorreu. Seu nome constava em dossiês anteriores como Wilson Ferreira ou como Hilton Ferreira, nome que também consta nos documentos oficiais relativos à morte, junto ao de Onofre Rodrigues de Moraes, que seria sua identidade falsa. .................................................................................................................................. Segundo o informe nº 19/72 do DOI/I Exército, difundido internamente para diversos órgãos de segurança, Wilton teria sido morto na oficina mecânica da VAR-Palmares em Cavalcanti, local onde os carros eram pintados, seus motores recebiam números falsos e as placas eram trocadas. Além da morte de Wilton, teria havido a prisão de um militante, que não é identificado, e a fuga de outro, cujo nome tampouco foi revelado. Documentos localizados no IML e no DOPS/RJ mostram que, em 30/03/1972, o cadáver que deu entrada com a guia nº 4 morto um dia antes, fora identificado como Wilton Ferreira. O atestado de óbito, firmado por Valdecir Tagliari informa que morreu devido a feridas transfixantes do tórax, abdômen e perfuração dos pulmões, indicando que seria de cor branca e teria 25 anos presumíveis. O reconhecimento teria sido feito através de suas digitais, confrontadas no Instituto Felix Pacheco. Estranhamente, em resposta à solicitação de informações da CEMDP, o Instituto Felix Pacheco informou que Wilton não requereu a carteira de identidade. Forneceu, entretanto, seu número de RG, acrescentando que era natural do Rio de Janeiro, filho de Maria Ferreira Dias. Wilton foi enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, no Rio, em 27/06/1972, o que é mais estranho ainda, por ocorrer quase três meses após a morte. Em 06/02/1978, seus restos mortais foram para um ossuário geral e, no início da década de 80, transferidos para uma vala clandestina com cerca de 2.000 ossadas de indigentes. Não tendo sido localizados seus familiares, o processo na CEMDP foi retirado de pauta sem exame do mérito. ===================================================================================================================== + Informações. WILTON FERREIRA Militante da VANGUARDA ARMADA REVOLUCIONÁRIA PALMARES (VARPALMARES). Constou como WILSON FERREIRA no Dossiê anterior. Nasceu no Rio de Janeiro e foi morto no dia 29 de março de 1972, na mesma cidade. Também foram mortos nessa data, Lígia Maria Salgado Nóbrega, Antônio Marcos Pinto de Oliveira e Maria Regina Lobo Leite Figueiredo. Mais informações, no caso de Antônio Marcos. O corpo de Wilton entrou no IML/RJ, como desconhecido, pela Guia n° 04 do DOPS, em 30 de março de 1972 e, segundo versão oficial, metralhado em sua casa à Rua Silva Vale, n° 55, Bairro de Cavalcante (RJ), em 29 de março de 1972. O óbito de n° 16.686 é dado como desconhecido, tendo sido firmado pelo Dr. Valdecir Tagliari, que confirmou a versão oficial e teve como declarante José Severino Teixeira. Enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque (RJ), em 27 de junho de 1972 (quase três meses após sua morte), na cova n° 24.604, quadra 19. Em 06 de janeiro de 1978 seus restos mortais foram para um ossário geral e, em 1980/1981, para uma vala clandestina, com cerca de 2.000 ossadas de outros indigentes. No jornal "Correio da Manhã" de 06 de abril de 1972, na matéria "Terroristas morrem em Tiroteio: Quintino", há um trecho que informa: "A ação prosseguiu em diversos bairros da Guanabara, sendo localizada em Cavalcanti, à Rua Silva Vale, n° 55, uma oficina mecânica da VAR-Palmares, onde morreu, reagindo à prisão, outro terrorista, cuja identidade está ainda em exame"(sic). Entretanto, o documento datado de 30 de março de 1972 identifica, pelo Instituto Félix Pacheco, o corpo chegado ao IML, como Wilton Ferreira, apesar de ter sido enterrado como desconhecido, quase três meses depois. Fotos de perícia de local (n° 1883/72) realizadas pelo ICE mostram Wilton baleado. ================================================================================================= + Informações. WILTON FERREIRA (?-1972) (do livro Habeas Corpus) Sobre Wilton, a CEMDP não possui qualquer dado nem sequer a certeza de ser este o seu nome verdadeiro. Seu nome constava em dossiês anteriores como Wilson Ferreira ou como Hilton Ferreira, nome que também consta nos documentos oficiais relativos à morte, junto ao de Onofre Rodrigues de Moraes, que seria sua identidade falsa. Wilton e mais três militantes da VAR-Palmares - Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Ligia Maria Salgado Nóbrega, Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo - foram mortos no Rio de Janeiro em 29 de março de 1972, em circunstâncias até hoje não esclarecidas, ficando o episódio registrado como "Chacina de Quintino". Os jornais da época informaram que nove militantes teriam se entrincheirado na casa 72, na avenida Suburbana, número 8.695, bairro de Quintino, naquela data, tendo três deles morrido no local enquanto os demais teriam conseguido fugir. Segundo o "Livro negro" do Exército, essa residência seria o "aparelho" onde morava James Allen da Luz, o principal dirigente da VAR naquele momento. Segundo o informe número 19/72 do DOI/I Exército, Wilton teria sido morto na oficina mecânica da VAR-Palmares em Cavalcanti, local onde os carros eram pintados, seus motores recebiam números falsos e as placas eram trocadas. Além da morte de Wilton, teria havido a prisão de um militante, que não é identificado, e a fuga de outro, cujo nome tampouco foi revelado. Documentos localizados no IML e no Dops/RJ mostram que, em 30 de março de 1972, o cadáver que deu entrada com a guia número 4 morto um dia antes fora identificado como Wilton Ferreira. O atestado de óbito, firmado por Valdecir Tagliari informa que morreu devido a feridas transfixantes do tórax, abdômen e perfuração dos pulmões, indicando que seria de cor branca e teria 25 anos presumíveis. O reconhecimento teria sido feito através de suas digitais, confrontadas no Instituto Félix Pacheco. Em resposta à solicitação de informações da CEMDP, o Instituto Félix Pacheco informou que Wilton não requereu a carteira de identidade. Forneceu, entretanto, seu número de RG, acrescentando que era natural do Rio de Janeiro, filho de Maria Ferreira Dias. Wilton foi enterrado como indigente no cemitério de Ricardo de Albuquerque, no Rio, em 27 de junho de 1972, quase três meses após a morte. Em 6 de fevereiro de 1978, seus restos mortais foram para um ossuário geral e, no início da década de 80, transferidos para uma vala clandestina com cerca de 2 mil ossadas de indigentes. ============================================================================================================== Ficha Pesoal. Wilton Ferreira Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Wilton Ferreira Cidade: (onde nasceu) Rio de Janeiro Estado: (onde nasceu) RJ País: (onde nasceu) Brasil Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares Brasil Nome falso: (Codinome) Onofre Rodrigues de Moraes Morto ou Desaparecido: Morto 29/3/1972 Rio de Janeiro RJ Brasil Av. Suburbana, 8988, casa 72, Bairro de Quintino Segundo diversos dados da época, morto após cerco da polícia na casa em que estava. Clandestinidade Morto 29/3/1972 Rio de Janeiro RJ Brasil R. Silva Vale, 55, Bairro de Cavalcante Versão do DOPS, foi metralhado. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Valdecir Tagliari Biografia Documentos Foto Fotos originais e preto e branco do corpo. Possui cópia com carimbo do arquivo do DOPS. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, em nome de Hilton Ferreira. Informa que foi punido por Ato Punitivo da Revolução de 1964 e que utilizava o "nome frio" de Onofre Rodrigues de Moraes, pertenceu à Vanguarda Popular Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e foi morto durante tiroteio com agentes de segurança em 30/03/72. Ofício Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 17/08/72, divulgando a outros órgãos de segurança a verdadeira identidade dos "terroristas" mortos durante tiroteio em 30/03/72: Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Wilton Ferreira, Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo e Ligia Maria Salgado Nóbrega. Ofício Documento do Serviço de Informações, do DOPS/SP, de 17/08/72, sobre "terroristas mortos" a ser repassado para a comunidade de informações. Informa a verdadeira identidade de mortos durante tiroteio com órgãos de segurança da Guanabara, em 30/03/72. São eles: Antônio Marcos Pinto de Oliveira, e não James Allen Luz, codinome Evandro; Wilton Ferreira, e não Onofre Rodrigues de Moraes; Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, e não Ranúsia Alves de Oliveira, companheira de Evandro, viúva de Waldemar Rodrigues de Figueiredo, o qual usava os codinomes Marcos ou Chico; e Lígia Maria Salgado Nóbrega, que usava os codinomes, Anita, Célia ou Cecília. Todos eram militantes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Ofício Documento do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA), de 06/06/72. Informa nome de pessoas presas e mortas durante o mês de março de 1972 e a organização às quais pertenciam e solicita os antecedentes de Ruy Osvaldo Aguiar Pfitzenreuter. O documento apresenta carimbo do DOPS. Ofício Documento do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA), de 06/04/72. Informa que, no dia 29/03/72, foram presos integrantes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) que indicaram o endereço de uma oficina mecânica na qual agentes do DOI-CODI-I Exército encontraram Wilton Ferreira (que resistiu à prisão e foi morto) e o de uma residência em que estavam Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Lígia Maria Salgado Nóbrega e Maria Regina Lisboa Leite de Figueiredo (que vieram a falecer depois de tiroteio travado com agentes do DOI-CODI-I Exército). O documento apresenta carimbo do DOPS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110809/ba51695e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4845 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110809/ba51695e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 9 19:29:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 9 Aug 2011 19:29:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_A_Rep=C3=BAblica_se_consolida___-__por?= =?utf-8?q?_Mauro_Santayana?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br O Conversa Afiada republica artigo de Mauro Santayana, extraído do JB online: A República se consolida por Mauro Santayana O Ministro Nelson Jobim, respeitemos os fatos, é um político singular na história recente do país. Ele surge no cenário nacional em 1987, ao eleger-se para a Câmara dos Deputados. Rapidamente, impressionou seus pares pelo desembaraço. Sua vida acadêmica é rica: professor-adjunto de Direito da Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em que se formou, nela também obteve o mestrado em Filosofia Analítica e Lógica Matemática. Não obstante esses títulos, Jobim é intelectualmente discreto: nunca demonstra todo o seu saber nos pronunciamentos políticos ou em seus escritos. A vaidade ele a guarda para a prática cotidiana da política. É um homem que, em todos os atos, parece dizer que nasceu para mandar. Mas, pelo que vemos, não entende que o poder depende da legitimidade. Em seu caso, a legitimidade é conferida pela confiança da Presidente. Quando falta legitimidade a qualquer poder, ele é tão sólido quanto uma nuvem de verão. No duelo de grandeza entre ele e Fernando Henrique, registre-se a verdade, o sociólogo levou vantagem sobre o filósofo e jurista. Matreiramente, como sempre foi, o então presidente valeu-se da intemperança de Jobim, sem que esse percebesse. Fez como se seguisse a orientação do gaúcho, dando-lhe corda, enquanto o conduzia pelos cordéis da lisonja. Jobim tem uma relação quase pavloviana com a real ou falsa admiração alheia. Nesses momentos, ele consegue inflar a alma por dentro do corpo. Em uma visita que lhe fez, quando ocupava o Ministério da Justiça, o saudoso jornalista Márcio Moreira Alves anotou que o Ministro demonstrava sua cultura, ao ter, sobre a mesa, o conhecido compêndio de ensaios políticos de John Jay, James Madison e Alexander Hamilton, The Federalist. Os três grandes pensadores e políticos norte-americanos, mais do que discutir os fundamentos constitucionais da jovem república, redigiram uma espécie de manual republicano, a partir do pensamento clássico e dos filósofos ingleses do século 17. É, na certa, um bom estudo, principalmente para o uso daqueles que se sentem desestimulados a visitar o pensamento original e mais complexo dos clássicos, de Aristóteles a Locke, de Santo Tomás a Montesquieu, que inspiraram os políticos norte-americanos. Marcito, que se encontrava em fase serena de sua carreira, tratou Jobim com tal bonomia que os maliciosos poderiam ter considerado irônica. Jobim é vaidoso, embora, pelo que se sabe, não se mete em negócios estranhos. Tal como Romero Jucá, porém, sua adesão ao governo independe de quem o chefie ou do partido que nele exerça hegemonia. É o terceiro período presidencial em que se destaca, nos poderes republicanos, como parlamentar, ministro, juiz e presidente do STF. Em nenhum cargo Jobim se sentiu tão ele mesmo como no Ministério da Defesa. Seu entusiasmo foi o do escoteiro ao ser admitido no grupo. Tanto assim, que não titubeou: em poucas horas já envergava o uniforme de campanha dos oficiais superiores do Exército. Jobim é assim construído: tem o seu lado lúdico, e algum psicanalista de botequim poderia concluir que ele brinca sempre. Mandar é com ele mesmo. Lula, que tem outro tipo de astúcia, bem diferente da que esgrime Fernando Henrique, também manobrou bem com Jobim. É certo que Lula não ficou muito à vontade quando Jobim, ao substituir um dos homens mais dignos de nossa história política, o baiano Valdir Pires, cometeu a grosseria de insinuar que seu antecessor não ocupara o cargo com a autoridade que lhe competia. A diferença é que Valdir administrava um ministério de militares em tempo de paz, enquanto Jobim parecia sonhar com o desempenho de Rommel e de Patton nos desertos africanos, e de Eisenhower e Zhukov, no desembarque na Normandia e no avanço sobre a Alemanha. Os chefes militares logo descobriram que Jobim estava encantado em brincar de marechal, e com ele se ajeitaram. Enfim, como Jobim fingia que mandava, eles, mais experientes, fingiam que obedeciam. Ele se encontrava pouco à vontade, quando despachava com a presidente. Convenhamos que não é cômodo para Jobim submeter-se ao mando de uma mulher. Talvez mais para justificar-se diante de seus amigos paulistas do que para expressar um sentimento real, disse o que disse na festa dos oitenta anos de Fernando Henrique, a propósito dos ?idiotas? do governo, com os quais era forçado a conviver hoje, bem diferentes dos ?geniais? ministros do excelso intelectual. As suas declarações à Revista Piauí ? que ele, sem muito jeito, tentou desmentir ? ajustam-se à sua personalidade. A mais grave delas se refere ao episódio da nomeação de José Genoíno como seu assessor, quando afirma que, diante da hesitação da presidente sobre a capacidade do ex-guerrilheiro para o cargo, cortou logo a dúvida: quem sabia se Genoíno desempenharia bem a sua função era ele, Jobim, e não ela, Dilma. Se o diálogo realmente houve, ele não só contrariou as normas do poder, mas, ainda mais, violou as regras do cavalheirismo. Por mais Dilma Roussef tenha recebido o apoio de Lula, ao assumir o cargo ela se tornou a chefe de Estado do Brasil, com todas as responsabilidades e prerrogativas do cargo, legitimada pela vontade da nação. Ela só tem que obedecer aos interesses nacionais, e cumprir a Constituição e as leis, de acordo com a sua própria consciência. E os que se sentirem incomodados com sua liderança, se assim lhes parecer melhor, podem deixar o governo. O Brasil tem centenas de milhares de cidadãs e cidadãos, patriotas e de probidade, capazes de exercer bem o múnus republicano ? mesmo que não conheçam os endereços de Brasília. Foi assim que se desfez a pequena crise: Jobim se demitiu no início da noite e um grande e sensato brasileiro, Celso Amorim, já foi nomeado para substituí-lo. O Brasil se consolida como República. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110809/b813f68d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 10 20:03:14 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 10 Aug 2011 20:03:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__PAULINE_PHILIPE_REICHSTUL__e__EVALDO_?= =?iso-8859-1?q?LUIZ_FERREIRA_DE_SOUZA__e__JOS=C9_MANOEL_DA_SILVA__?= =?iso-8859-1?q?______-CCXIV-?= Message-ID: <3972B50E6E7B45C9A0887AE89D729D4F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem PAULINE PHILIPE REICHSTUL (1947-1973) Filiação: Ethel Reichstul e Selman Reichstul Data e local de nascimento: 18/07/1947, em Praga, Tchecoslováquia Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: entre 07 e 09/01/1973, Abreu e Lima (PE) Pauline Reichstul nasceu em Praga, em 1947, filha de judeus poloneses. Seus pais eram sobreviventes da Segunda Guerra e se casaram depois de encerrado o conflito. Viveram primeiramente na Tchecoslováquia, onde Pauline nasceu. Quando a menina tinha 18 meses, a família mudou-se para Paris, onde viveu até 1955, voltando então a migrar, agora em direção ao Brasil. Com 8 anos de idade, Pauline foi estudar no Liceu Pasteur, em São Paulo. Viveu também no Estado de Israel, por um ano e meio, onde trabalhou e estudou. Depois de curtas estadas na Dinamarca e na França, fixou residência na Suíça em 1966, primeiramente em Lausanne e depois em Genebra. Completou o curso de Psicologia na Universidade de Genebra em 1970. Nesse período, passou a ter contatos com movimentos de estudantes brasileiros de resistência ao regime militar. Trabalhou com vários órgãos de divulgação na Europa denunciando as violações de Direitos Humanos no Brasil, em especial as torturas e mortes de militantes. Foi namorada e depois esposa de Ladislas Dowbor, dirigente da VPR banido do país em junho de 1970, quando do seqüestro do embaixador alemão no Brasil. Apesar de perfeitamente identificada pelos órgãos de repressão, Pauline foi sepultada como indigente no Cemitério da Várzea, em Recife. No dia 12/01/1973 foi autorizada a exumação do corpo e o traslado para São Paulo. Após a aprovação do processo na CEMDP, o irmão de Pauline, Henri Philippe Reichstul, ex-preso político e ex-presidente da Petrobras, criou uma fundação com o objetivo de investir em projetos sociais a indenização recebida pela família. Fundado em 1999, o Instituto Pauline Reichstul de Educação Tecnológica, Direitos Humanos e Defesa do Meio Ambiente, é uma organização não-governamental que atende crianças e adolescentes, especialmente no Conjunto Taquari, numa região carente de Belo Horizonte (MG). EVALDO LUIZ FERREIRA DE SOUZA (1942-1973) Data e local de nascimento: 05/06/1942, Pelotas (RS) Filiação: Maria Odete de Souza e Favorino Antônio de Souza Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: entre 07 e 09/01/1973, Olinda (PE) Gaúcho de Pelotas, Evaldo tinha sido marinheiro, companheiro do cabo Anselmo nas mobilizações ocorridas na Armada durante o período que precedeu a derrubada de João Goulart. Participaram ambos da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais. Evaldo ficou preso por nove meses depoi de abril de 1964, sendo expulso da Marinha. Ao ser libertado, retomou sua militância política, vinculando-se ao MNR. Em 1966, foi julgado e condenado a cinco anos de prisão. Optou pelo exílio, onde estreitou seus laços de amizade com o agente Anselmo. Ficou oito anos no exterior, cinco deles em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha com o objetivo de regressar ao Brasil. Não foi possível esclarecer as verdadeiras condições, local e momento da prisão. JOSÉ MANOEL DA SILVA (1940-1973) Filiação: Luiza Elvira da Silva e Manoel José da Silva Data e local de nascimento: 02/12/1940, Toritama (PE) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: entre 07 e 09/01/1973, Abreu e Lima (PE) José Manoel foi cabo até ser excluído dos quadros da Marinha, em 1964, por sua participação nas mobilizações dos marinheiros. Vivia legalmente em Recife, com sua família. Foi enterrado como indigente no Cemitério da Várzea, na capital pernambucana. Algum tempo após sua morte, a esposa Genivalda foi presa e estuprada. Dois anos mais tarde, em 1975, final do prazo em que as ossadas de indigentes são retiradas para incineração, receosa de novas represálias, não reivindicou os restos mortais do marido, mas com a ajuda do coveiro conseguiu retirar os ossos e os enterrou junto a uma árvore na entrada do cemitério, dentro de um saco plástico. Somente 22 anos depois, a ossada foi retirada e liberada para a família. Em março de 1995, os restos mortais de José Manoel foram levados para sua terra natal, Toritama, sendo ali enterrados. =================================================================================== PAULINE PHILIPE REICHSTUL Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu em 18 de julho de 1947, na Tchecoslováquia, filha de Selman Reichstul e Ethel Reichstul. Assassinada sob torturas, aos 26 anos, no Massacre da Chácara São Bento, município de Paulista, em Pernambuco, pela equipe do delegado Sérgio Fleury, com a ajuda do infiltrado ex-cabo Anselmo, em 8 de janeiro de 1973. Juntamente com Pauline foram assassinados Eudaldo Gomes da Silva, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Soledad Barret Viedma e Evaldo Luiz Ferreira. As circunstâncias do massacre que vitimou Pauline e seus companheiros estão na nota referente a Eudaldo Gomes da Silva. =================================================================================================== JOSÉ MANOEL DA SILVA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu em 2 de dezembro de 1940, em Tirotemo, Pernambuco, filho de José Manuel da Silva e Luiza Elvira da Silva. Ex-cabo da Marinha, expulso em 1964. Foi assassinado sob torturas pela equipe do delegado Sérgio Fleury no dia 8 de janeiro de 1973, no Massacre da Chácara São Bento. Os detalhes desse massacre estão na nota referente a Eudaldo Gomes da Silva. Em 19 de dezembro de 1994, sua viúva Genivalda Maria da Silva exumou seus restos mortais. À época da morte de José Manoel, Genivalda também foi presa, torturada e estuprada por soldados do Exército. Ficou, então, sem coragem para reclamar o corpo do marido. Só agora, com o apoio do Grupo Tortura Nunca Mais de Pernambuco, ela tomou a iniciativa de exumar seus restos mortais e dar-lhe uma sepultura digna. ================================================================================= EVALDO LUÍS FERREIRA DE SOUZA MILITANTE DA VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nasceu no Estado do Rio Grande do Sul, em 5 de junho de 1942, filho de Favorino Antonio de Souza e Maria Odete de Souza. Muito jovem entrou para Marinha de Guerra, engajando-se no movimento dos marinheiros. Com o golpe de 1964, foi expulso pelo Ato Ministerial nº 365/64, devido à sua atuação na Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. Foi preso e morto sob torturas juntamente com outros companheiros no dia 07 de janeiro de 1973. Ver nota referente a Eudaldo Gomes da Silva. ============================================================================================== + Informações. Soledad, a mulher do Cabo Anselmo Por Urariano Mota (*) Recife (PE) - Quem lê "Soledad no Recife" pergunta sempre qual a natureza da minha relação com Soledad Barrett Viedma, a bela guerreira que foi mulher do Cabo Anselmo. Eu sempre respondo que não fomos amantes, que não fomos namorados. Mas que a amo, de um modo apaixonado e definitivo, enquanto vida eu tiver. Então os leitores voltam, até mesmo a editora do livro, da Boitempo: "mas você não a conheceu?". E lhes digo, sim, eu a conheci, depois da sua morte. E explico, ou tento explicar. Quem foi, quem é Soledad Barrett Viedma? Qual a sua força e drama, que a maioria dos brasileiros desconhece? De modo claro e curto, ela foi a mulher do Cabo Anselmo, que ele entregou a Fleury em 1973. Sem remorso e sem dor, o Cabo Anselmo a entregou grávida para a execução. Com mais cinco militantes contra a ditadura, no que se convencionou chamar "O massacre da granja São Bento". Essa execução coletiva é o ponto. No entanto, por mais eloquente, essa coisa vil não diz tudo. E tudo é, ou quase tudo. Soledad em Montevidéu, antes de embarcar ao Brasil, início dos anos 1970 Entre os assassinados existem pessoas inimagináveis a qualquer escritor de ficção. Pauline Philipe Reichstul, presa aos chutes como um cão danado, a ponto de se urinar e sangrar em público, teve anos depois o irmão, Henri Philipe, como presidente da Petrobras. Jarbas Pereira Marques, vendedor em uma livraria do Recife, arriscou e entregou a própria vida para não sacrificar a da sua mulher, grávida, com o "bucho pela boca". Apesar de apavorado, por saber que Fleury e Anselmo estavam à sua procura, ele se negou a fugir, para que não fossem em cima da companheira, muito frágil, conforme ele dizia. Que escritor épico seria capaz de espelhar tal grandeza? E Soledad Barrett Viedma não cabe em um parêntese. Ela é o centro, a pessoa que grita, o ponto de apoio de Arquimedes para esses crimes. Ainda que não fosse bela, de uma beleza de causar espanto vestida até em roupas rústicas no treinamento da guerrilha em Cuba; ainda que não houvesse transtornado o poeta Mario Benedetti; ainda que não fosse a socialista marcada a navalha aos 17 anos em Montevidéu, por se negar a gritar Viva Hitler; ainda que não fosse neta do escritor Rafael Barrett, um clássico, fundador da literatura paraguaia; ainda assim... ainda assim o quê? Soledad é a pessoa que aponta para o espião José Anselmo dos Santos e lhe dá a sentença: "Até o fim dos teus dias estás condenado, canalha. Aqui e além deste século". Porque olhem só como sofre um coração. Para recuperar a vida de Soledad, para cantar o amor a esta combatente de quatro povos, tive que mergulhar e procurar entender a face do homem, quero dizer, a face do indivíduo que lhe desferiu o golpe da infâmia. Tive que procurar dele a maior proximidade possível, estudá-lo, procurar entendê-lo, e dele posso dizer enfim: o Cabo Anselmo é um personagem que não existe igual, na altura de covardia e frieza, em toda a literatura de espionagem. Isso quer dizer: ele superou os agentes duplos, capazes sempre de crimes realizados com perícia e serenidade. Mas para todos eles há um limite: os espiões não chegam à traição da própria carne, da mulher com quem se envolvem e do futuro filho. Se duvidam da perversão, acompanhem o depoimento de Alípio Freire, escritor e jornalista, ex-preso político: "É impressionante o informe do senhor Anselmo sobre aquele grupo de militantes - é um documento que foi encontrado no Dops do Paraná. É algo absolutamente inimaginável e que, de tão diferente de todas as ignomínias que conhecemos, nos faltam palavras exatas para nos referirmos ao assunto. Depois de descrever e informar sobre cada um dos cinco outros camaradas que seriam assassinados, referindo-se a Soledad (sobre a qual dá o histórico de família, etc.), o que ele diz é mais ou menos o seguinte: 'É verdade que estou REALMENTE ENVOLVIDO pessoalmente com ela e, nesse caso, SE FOR POSSÍVEL, gostaria que não fosse aplicada a solução final'. Ao longo da minha vida e desde muito cedo aprendi a metabolizar (sem perder a ternura, jamais) as tragédias. Mas fiquei durante umas três semanas acordando à noite, pensando e tentando entender esse abismo, essa voragem". Esse crime contra Soledad Barrett Viedma é o caso mais eloquente da guerra suja da ditadura no Brasil. Vocês entendem agora por que o livro é uma ficção que todo o mundo lê como uma relato apaixonado. Não seria possível recriar Soledad de outra maneira. No título, lá em cima, escrevi Soledad, a mulher do Cabo Anselmo. Melhor seria ter escrito, Soledad, a mulher de todos os jovens brasileiros. Ou Soledad, a mulher que aprendemos a amar. *Urariano Mota é jornalista e escritor. Autor do livro "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do Cabo Anselmo, executada pela equipe de Fleury com o auxílio de Anselmo. Urariano é pernambucano, nascido em Água Fria e residente em Recife. É colunista do site "Direto da redação" e colaborador do blog "Quem tem medo do Lula?" ==================================================================================== + Informações. PAULINE PHILIPE REICHSTUL (1947-1973) Filha de judeus poloneses, Pauline Reichstul nasceu em Praga (na então Tchecoslováquia), em 1947. Seus pais eram sobreviventes da Segunda Guerra e casaram-se depois de encerrado o conflito. Quando a menina tinha dezoito meses, a família mudou-se para Paris, onde viveu até 1955, voltando então a imigrar, agora para o Brasil. Com 8 anos de idade, Pauline foi estudar no Liceu Pasteur, em São Paulo. Viveu também em Israel, por um ano e meio, onde trabalhou e estudou. Depois de curtos períodos na Dinamarca e na França, fixou residência na Suíça, em 1966, primeiramente em Lausanne e depois em Genebra. Em 1970, Pauline completou o curso de Psicologia na Universidade de Genebra. Nesse período, passou a ter contatos com movimentos de estudantes brasileiros de resistência ao regime militar. Assim, passou a trabalhar com vários órgãos de divulgação na Europa, denunciando as violações de direitos humanos no Brasil, especialmente as torturas e mortes de militantes. Foi esposa de Ladislau Dowbor, dirigente da VPR banido do país em junho de 1970 em virtude do sequestro do embaixador alemão no Brasil. Pauline e mais cinco companheiros da VPR foram mortos no Massacre da Chácara São Bento, ocorrido entre 7 e 9 de janeiro de 1973 em Paulista (hoje, Abreu e Lima), na grande Recife. A versão do regime militar era de que as mortes teriam ocorrido em consequência de um tiroteio. No entanto, a investigação sobre o caso na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) reuniu provas de que, na realidade, os militantes da VPR foram detidos em lugares distintos e, posteriormente, torturados. ================== =========================================================================================================== + Detalhes. Depoimento de Mércia Albuquerque acerca do massacre da granja São Bento Eu MÉRCIA DE ALBUQUERQUE FERREIRA, casada, advogada, com identidade de n.º 388.849-SSS/PE, residente a Rua Sete de Setembro n.º 197/52 - Boa Vista, Declaro que: Jarbas Pereira Marques não era um desocupado como na época se dizia. Ele trabalhou na Livraria Ramiro Costa, foi admitido em 02.12.71, como auxiliar de balcão, depois trabalhou na Livro Sete Ltda, como balconista, depois trabalhou na Livraria Moderna da Rede de Cassimiro Fernandes em 73 onde foi preso, três dias antes da prisão , Jarbas, ele procurou-me a noite e entregou fotografias da família, uma fotografia que dizia ser o Cabo Anselmo, Carteira do Trabalho, Certidão de Casamento, Certidão de Nascimento e Certificado de Reservista, que estava para ser preso e me disse que Fleury se encontrava no Recife com a sua equipe, e que o Cabo Anselmo usava os nomes de Daniel, Jadiel, Américo Balduíno, era companheiro de Soledad, mas ele já havia descoberto que esta pessoa era infiltrado na organização daí porque ele estava muito assustado, porque ele já havia conversado com Ayberé Ferreira de Sá e este fora preso, conversado com Martinho Leal Campos e este fora preso e com José de Moura e Fontes que fora preso também e com outras pessoas que ele não citou os nomes na hora que ele estava vivendo momentos de muita angústia e amargura porque ele não tinha pessoalmente nada haver com estas prisões. Jarbas era um tipo romântico ingênuo e eu conversei com ele que fugisse ao que ele se negou dizendo que isso não faria pela segurança da filha e da esposa, eu pei que ele deixasse a criança sob meus cuidados ele me falou que não ia levar Tércia Rodrigues para uma aventura porque ela era uma pessoa frágil e seria também assassinada aí era pior porque a menina ficaria órfã, quando foi no dia 08.01.73, a mãe dele chegou muito aflita ao anoitecer e me disse que ele teria sido retirado por dois homens da Livraria, a Livraria ficava situada na Rua Ubaldo Gomes de Matos, 115, ela focou toda noite na minha casa em estado de ansiedade muito grande, no outro dia pela manhã mandei uma pessoa, uma amiga minha, ir até a Livraria no sentido de comprar um livro do curso primário, a pessoa comprou e lá obteve a mesma informação que ele teria saído com dois homens, a tarde eu voltei para trocar o livro dizendo que o menino teria levado da primeira série mas o livro era da segunda e perguntei ao balconista por Jarbas, ele repetiu a história eu botei o retrato que eu tinha em mãos sobre o balcão e perguntei foi este o homem? Porque se foi este o homem eu acho que não há problemas me parece que é parente dele, o rapaz me respondeu foi este o homem e não tinha cara de amigo, eu voltei e comecei a busca e não estou assim muito segura se foi no dia 09 ou no dia 10 que tomei conhecimento que seis corpos se encontravam no necrotério, que nessa época funcionava em frente ao Cemitério de Santo Amaro, na praça, consegui a licença para entrar e ao entrar encontrei seis corpos realmente, em um barril estava Soledad Barret Viedma, ela estava despida tinha muito sangue nas coxas, nas pernas e no fundo do barril onde se encontrava também um feto. Eu fique horrorizada, como Soledad estava em pé com os braços ao lado do corpo eu tirei a minha anágua e coloquei no pescoço dela, era uma mulher muito bonita, e estava também deitada numa mesa a Pauline, eu então cobri com uma toalha que tinha na entrada do necrotério, uma toalha de mão mas era grande eu botei por cima do corpo dela. Jarbas que eu conhecia muito estava também numa mesa, estava com uma zorba azul clara e tinha uma perfuração de bala na testa e uma no peito e uma mancha profunda no pescoço de um lado só como se fosse corda e com os olhos muito abertos e a língua fora da boca, que me deixou assim muito chocada, os outros corpos jaziam, um estava de bermuda que eu não conhecia, outro estava de zorba e outro despido, estavam pelo chão, todos os corpos estavam muito massacrados. Pauline tinha a boca arrebentada, tinha marcas pela testa, pela cabeça e o corpo muito marcado, então eu ao sair dali fiquei pensando como daria essa notícia a dona Rosália (mãe de Jarbas) que ainda se encontrava em minha casa justamente com Tércia e a outra filha de Jarbas que tinha apenas dez meses, eu ao chegar em casa providenciei um chá para dona Rosália e depois de muito tempo, muita conversa ela disse: "minha filha, meu filho foi assassinado com um tiro na cabeça, não foi?" fique surpresa e disse: foi, contei como estava o problema e voltei com ela ao necrotério, ela viu o corpo do filho na situação que se encontrava, então os corpos foram levados para a Várzea e posteriormente , eu sei que Jarbas foi trazido para o Cemitério de Santo Amaro, e eu não tenho certeza mas me parece que, também as estrangeiras, mas não estou bem a par disso, se elas foram removidas. Agora as pessoas que ali se encontravam sem vida era a Soledad Barret a Paulina, Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira que foi preso na residência de Soledad e Manoel da Silva é que foi preso no Posto de Gasolina em Toritama, a Soledad estava com os olhos muito abertos com expressão muito grande de terror, a boca estava entreaberta e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade que estava, eu tenho a impressão que ela foi morta e ficou algum tempo deitada e a trouxeram, e o sangue quando coagulou ficou preso nas pernas porque era uma quantidade grande e o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror. A Pauline eu já falei o estado que se encontrava e todos os corpos estavam muito estragados, marcas de pancadas, cortes w que me impressionou foi porque aqueles corpos estavam desnudados e todos os corpos estavam inchados, uma coisa muito impressionante ao ponto de um caixão normal não coube o corpo de Jarbas, tendo que ser feito depois um caixão a especial para que ele fosse colocado. Uma coisa que eu quero que fique esclarecida nessas minhas declarações é que eu recebi um telefonema de uma pessoa me falando que os corpos estavam no necrotério e quando eu procurei na época informações no DOPS, a pessoa me informou que estava, e que pelo o que Jarbas me falou seriamente essas prisões foram feitas pelo Cabo Anselmo e por Fleury, Jarbas me disse que ele estava na época aqui em Recife e pela violência da ação, pela barbaridade, pela crueldade , eu acredito que foi por Fleury, e Jarbas quando me disse que Fleury estava aqui ele tinha certeza e ele estava em pânico. A esposa de Jarbas permaneceu na minha casa, depois eu pedi a minha cabeleireira para cortar o cartar o cabelo dela curtinho que o cabelo era grande e ela estava de trança, é possível até que eu tenha essa trança, e ela foi maquiada, um vestido meu foi reformado para ela e ajudei-a a sair de Pernambuco juntamente com a filha, e sei que ela foi para o sul, depois foi para o exterior, eu sei que ela deixou a menina na casa da mãe dela, ela foi embora para o Rio e depois para o Chile, e depois para Cuba, a mãe dela levou a criança para companhia dela. No momento quando eu apresentei a fotografia do Daniel que Jarbas havia me dado à Comissão, a outra testemunha Sonja disse que aquele homem freqüentava com Soledad a sua casa quando ela ia levar blusas para vender em sua boutique, porque Soledade fornecia essas blusas para serem negociadas e colocadas na boutique de Sonja em consignação . Nada mais tenho à declarar. MERCIA DE ALBUQUERQUE FERREIRA Recife, 07 de Fevereiro de 1996. OBS.: Depoimento prestado pela Dra. Mércia, na Secretaria de Justiça do Estado de Pernambuco, tendo como testemunha o Secretário de Justiça do Governo de Pernambuco. ====================================================================================================== + Detalhes. Escrito 01 Jarbas Pereira Marques Granja São Bento Jarbas Pereira Marques Eudaldo Gomes da Silva Evaldo Luiz Ferreira José Manuel da Silva Soledad Barret Viedma José Moura e Fonte Muito cedo dirigi-me à residência de Dona Rosalia Pereira Marques, mas já havia saído. Comuniquei o fato à irmã de Jarbas. Em seguida, localizei a esposa, quase uma menina, que me acompanhou com uma filhinha de uns nove meses. Tercia Maria não falava, apenas apertava fortemente a minha mão. Passamos na casa mortuária, lá tomamos conhecimento que já haviam providenciado o caixão. Segui para o necrotério, cem metros começamos as sentir o odor forte de carne em decomposição. Tercia entregou-me dois botões de rosa e retirou-se. Segui, fora do necrotério Dona Rosália chorava, médicos e enfermeiros lamentavam a tragédia. Aconselharam-me a não entrar, entrei. Uma nuvem de moscas cobriam os corpos deformados, que mortos estavam desde o dia 8 fora da geladeira. Jarbas tinha os olhos arregalados- a boca aberta, língua para fora perfurações no tórax, manchas escuras pelo corpo, e uma marca contornando o pescoço. Coloquei os botões sobre o corpo desnudado, a calça usada chegava até a altura dos joelhos, vestia uma cueca azul de malha. Era filho de Rosalia e Antônio Pereira Marques. Nascera em 27/08/48-Recife. Eudaldo Gomes da Silva e Evaldo Luiz Ferreira estavam despidos, em ereção, com manchas escuras pelo corpo, várias perfurações, e também com marcas, vergões pelo pescoço. José Manuel da Silva seminu; Soledad Barret Viedna inteiramente despida com o ventre cres... Hoje estou triste. Triste e melancólica, apesar da ternura que envolve hoje esta casa. Fui visitar José Moura e Fonte, um jovem estudante condenado a dois anos porque declamara os famosos versos de Castro Alves sobre a bandeira, assim diz a sentença: "A condenação deve-se ao fato de ter chocado os interesses dos professores Andrade, Vicente? e Silvio Carneiro". O meu trabalho não se restringe soa aos autos, vou mais além, vou até o âmago do cliente e sinto que as minhas visitas que se tornam mais intensas quando os familiares se distanciam do réu, trazem um imenso conforto. Preocupa-me o futuro desse rapaz, injustamente encarcerado. Como reagirá? De minha parte só tenho concorrido para ajudá-lo. Os juízes são pessoas, a maioria coloca como primeiro plano, como a maioria dos homens, os seus interesses. Nem bem o dia amanheceu, Dona Rosalia, chorando, me perguntava pelo filho. Já não animei-a e falei-lhe dos meus temores, das minhas angústias. Então a velhinha me deu uma lição: "Dra., a senhora não pode fracassar, a senhora precisa se controlar para ajudar a nós". Fez-me prometer que acharia o filho, vivo ou morto, o que cumpri. Durante toda a tarde procurei o rapaz, então tomei conhecimento que mais cinco pessoas estavam desaparecidas. Consegui saber que um homem louro saíra da livraria com Jarbas, e este revelara a um colega que temia ser morto. A noite recebi um telefonema, a pessoa não se identificou, reconheci a voz, fui ao encontro, era uma amigo que me disse: "Jarbas está morto, o repórter via noticiar". E falei: "E os outros?", ao que me respondeu: "Todos estão mortos". Entristeci com o impacto e regressei para casa, melancólica e infeliz, principalmente pela velha Rosalia. =================================================================================================== + Detalhes. Testemunhas confirmam ação do Cabo Anselmo na repressão Jornal do Commercio - 8 de fevereiro de 1995 Direitos Humanos Depoimentos contestam versão oficial da morte de três militantes da VPR A participação do Cabo Anselmo - informante da polícia durante o regime militar - na prisão de sua companheira e militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) Soledad Barret Viedma foi confirmada ontem, em dois depoimentos prestados ao Grupo Tortura Nunca Mais. Na presença do secretário Roberto Franca (Justiça), a ex-advogada de presos políticos, Mércia Albuquerque e a comerciante Sonja Maria Cavalcanti testemunharam pela primeira vez para contestar a versão oficial das mortes de Soledade, Pauline Reichstul e Jarbas Pereira Marques. Sonja Maria reconheceu o Cabo Anselmo - em uma foto levada por Mércia - como sendo um dos homens que participaram da prisão de Soledad e Pauline. Ela contou que Soledad costumava ir a sua boutique, em Boa Viagem, deixar mercadorias para ser revendidas. No dia 8 de janeiro de 1973, Soledad e Pauline estavam na boutique quando cinco homens, se dizendo policiais, invadiram o local, bateram barbaramente em Pauline, enquanto Soledad, grávida do Cabo Anselmo, apenas indagava insistentemente "por que?". Depois ainda segundo o relato de Sonja, as duas foram levadas em dois carros, um de placa 7831 (pertencente ao Incra) e o outro um volks particular, cuja placa não foi anotada. "Quase enlouqueço na época", disse a comerciante que nunca teve militância política nem sabia do envolvimento das moças com a VPR. "Fui registrar queixa e me aconselharam a deixar as coisas pra lá. No dia seguinte é que vi a foto delas nos jornais e me dei conta da gravidade do caso". Relembrar a cena que presenciou no necrotério deixou Mércia Albuquerque, hoje com 61 anos e hipertensa, emocionada. Procurada por Rosália Marques, mãe de Jarbas Pereira Marques, desaparecido no dia 8 de janeiro de 73, Mércia conseguiu entrar no necrotério em frente ao Cemitério Santo Antônio, no dia 9. Ali reconheceu os corpos de Soledad, Pauline e Jarbas. "Pauline estava nua, tinha uma perfuração no ombro e parecia ter sido muito torturada. Jarbas tinha perfurações na testa e no peito e marca de cordas no pescoço. Soledad, também nua, tinha ao seu redor muito sangue e aos seus pés um feto", disse a advogada. Ela relembrou também uma conversa que teve com Jarbas três dias antes dele sumir. "Ele disse que a equipe de Fleury (Sérgio Paranhos Freury, do antigo Dops, em São Paulo) estava em Recife e que ia ser morto. Me entregou também a foto de Cabo Anselmo dizendo quem era ele e que usava os nomes de Daniel, Jardiel e Américo Balduíno". A versão policial afirmava que os militantes haviam sido mortos durante um estouro de um aparelho subversivo na Granja Timbi. Cabo Anselmo, agente infiltrado no grupo, teria sido o única a escapar com vida. No final dos depoimentos, as duas testemunhas receberam sete rosas do secretário Roberto Franca, exatamente 23 anos depois da data que a sentença contra os militantes foi tomada: 07 de janeiro de 73. ==================================================================================================== + Informações. PAULINE PHILIPE REICHSTUL (1947-1973) Filiação: Ethel Reichstul e Selman Reichstul Filha de judeus poloneses, Pauline Reichstul nasceu em Praga (na então Tchecoslováquia), em 1947. Seus pais eram sobreviventes da Segunda Guerra e casaram-se depois de encerrado o conflito. Quando a menina tinha dezoito meses, a família mudou-se para Paris, onde viveu até 1955, voltando então a imigrar, agora para o Brasil. Com 8 anos de idade, Pauline foi estudar no Liceu Pasteur, em São Paulo. Viveu também em Israel, por um ano e meio, onde trabalhou e estudou. Depois de curtos períodos na Dinamarca e na França, fixou residência na Suíça, em 1966, primeiramente em Lausanne e depois em Genebra. Em 1970, Pauline completou o curso de Psicologia na Universidade de Genebra. Nesse período, passou a ter contatos com movimentos de estu¬ dantes brasileiros de resistência ao regime militar. Assim, passou a trabalhar com vários órgãos de divulgação na Europa, denunciando as violações de direitos humanos no Brasil, especialmente as torturas e mortes de militan¬ tes. Foi esposa de Ladislau Dowbor, dirigente da VPR banido do país em junho de 1970 em virtude do sequestro do embaixador alemão no Brasil. Pauline e mais cinco companheiros da VPR foram mortos no Massacre da Chácara São Bento, ocorrido entre 7 e 9 de janeiro de 1973 em Paulista (hoje, Abreu e Lima), na grande Recife. A versão do regime militar era de que as mortes teriam ocorrido em consequência de um tiroteio. No entanto, a investigação sobre o caso na Comissão Especial sobre Mortos e Desapareci¬ dos Políticos (CEMDP) reuniu provas de que, na realidade, os militantes da VPR foram detidos em lugares distintos e, posteriormente, torturados. Em depoimento formal à CEMDP, Mércia de Albuquerque Ferreira, advogada de presos políticos que viu os corpos no necrotério, declarou: "Todos os corpos estavam muito massacrados. Pauline tinha a boca arrebentada, tinha marcas pela testa, pela cabeça e o corpo muito marcado". Data e local de nascimento: 18/7/1947, Praga (Tchecoslováquia) Data e local da morte: entre 7 e 9/1/1973, Paulista (PE) Além disso, analisando as fotos feitas pela polícia na chácara, nota-se que Pauline recebeu quatro tiros na cabeça e tinha marcas nos pulsos, produzi¬ das por algemas ou cordas. Em relato à CEMDP em 7 de fevereiro de 1996, Sonja Maria Caval¬ canti de França Locio confirmou que Pauline e Soledad Barrett foram presas na manhã do dia 8 de janeiro de 1973 na butique Chica Boa, de propriedade de Sonja, no Recife, desmentindo a versão de que os seis militantes mortos estavam reunidos na chácara São Bento quando começou um tiroteio com a polícia. Segundo Sonja, cinco homens armados, que se identificaram como policiais, prenderam as duas militantes, e Pauline começou a ser espanca¬ da ali mesmo, "com coronhadas de revólver na cabeça que a fizeram cair no chão [...] as duas foram levadas amarradas, e uma delas foi colocada dentro de um carro oficial pertencente ao Incra". Sonja também reconhe¬ ceu o cabo Anselmo, em uma foto, como um dos homens que participa¬ ram da prisão de Soledad e Pauline. Com o codinome Daniel, Anselmo, companheiro de Soledad, agia como agente policial infiltrado na VPR. Apesar de perfeitamente identificada pelos órgãos de repressão, Pauline foi sepultada como indigente no cemitério da Várzea, no Recife. Em 12 de janeiro de 1973, a exumação de seu corpo e o traslado para São Paulo foram autorizados. Após a aprovação do processo na CEMDP, o irmão de Pauline, Henri Philippe Reichstul, ex-preso político e ex-presidente da Petrobras, criou uma fundação com o objetivo de investir a indenização recebida pela família em projetos sociais. Fundado em 1999, o Instituto Pauline Reichstul de Educação Tec¬ nológica, Direitos Humanos e Defesa do Meio Ambiente é uma organi¬ zação não governamental que atende a crianças e adolescentes, especial¬ mente no Conjunto Taquari, numa região carente de Belo Horizonte. ============================================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) EVALDO LUIZ FERREIRA DE SOUZA (1942-1973) Gaúcho de Pelotas, Evaldo tinha sido marinheiro, companheiro do Cabo Anselmo nas mobilizações ocorridas na Marinha durante o período que precedeu a derrubada de João Goulart, em 1964. Ambos participaram da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais. Evaldo ficou preso por nove meses depois do golpe militar, sendo expulso da corporação. Ao ser libertado, retomou sua militância política, vinculando-se ao MNR. Em 1966, foi julgado e condenado a cinco anos de prisão. Optou pelo exílio, onde estreitou seus laços de amizade com o agente infiltrado Cabo Anselmo. Ficou oito anos no exterior, cinco deles em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha com o objetivo de regressar ao Brasil. Não foi possível esclarecer as condições, o local e momento da prisão. A morte de Evaldo teria ocorrido entre os dias 7 e 9 de janeiro de 1973, em Olinda (PE), no episódio conhecido como chacina da Chácara São Bento, já descrito anteriormente. =========================================================================================== Ficha Pessoal Pauline Reichstul Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Pauline Reichstul País: (onde nasceu) Tchecoslováquia Data: (de nascimento) 18/7/1947 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Nome falso: (Codinome) Silvana Denaro Morto ou Desaparecido: Morto 6/1/1973 Paulista PE Brasil Chácara São Bento Segundo dados levantados, trata-se de morte em chacina. Clandestinidade Morto 8/1/1973 Olinda PE Brasil Segundo documento da Secretaria de Segurança Social de Pernambuco. Clandestinidade Morto 9/1/1973 Brasil Segundo documento do DOPS/PE e artigo do Jornal do Comércio de 11/01/73.. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna DOI-CODI Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Cabo Anselmo , Sérgio Paranhos Fleury Biografia Documentos Artigo de jornal Pauline Reichstul, "Silvana". Jornal do Comércio, Recife, 11 de jan. 1973. A reportagem traz uma breve biografia de Pauline, diz que ela participou de um curso de Guerrilha em Cuba, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Amnesty Internacional, banida do Brasil, juntamente com Eudaldo Gomes da Silva e que morreu em 08/01/73. A reportagem está numa ficha pessoal da Delegacia de Segurança Social da Secretaria da Segurança Pública de Pernambuco. O documento está pouco legível. Artigo de jornal Desbaratado Congresso do Terror Paulista. Jornal do Comércio, Recife, 11 de jan. 1973. Reportagem sobre as circunstâncias em que se deram a morte de Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Soledad Barret Viedma, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques, todos considerados terroristas e sobre a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Foto Fotos de Pauline Reichstul e Soledad Barret Viedma, arquivada pela Secretaria de Segurança de Pernambuco. Foto Foto do corpo, encontrada no Instituto de Polícia Técnica, PE. Relatório Documento do Serviço de Informações do DEOPS/SP, de 02/05/73. Traz na íntegra artigo publicado no n. 5 do jornal Campanha, publicado em Santiago do Chile pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), em protesto pela morte de Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Soledad Barret Viedma, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques. O artigo também acusa José Anselmo, o Cabo Anselmo, de traição. Relatório Relatório da Delegacia de Segurança Social de Recife, PE, à Auditoria da 7ª. CJM, de 24/04/73. Informa as circunstâncias em que se deram a morte de Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Soledad Barret Viedna, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques, membros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a localização de outros "aparelhos" desta organização, traz algumas informações prestadas por Jorge Barret Viedma, irmão de Soledad, e alerta sobre "o quão é perigosa a organização citada". Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Pauline Reichstul, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Livro Viana, Gilney. Massacre da Chácara São Bento. (Mortos e desaparecidos II). Brasília, 29/02/1996. 14 p. Livro em homenagem às vítimas do episódio conhecido como "Massacre da Chácara São Bento". Traz pequena biografia de Soledad, Evaldo Luiz Ferreira, Eudaldo Gomes da Silva, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques, vítimas do referido episódio. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem e Política Social, de 20/12/72. Informa que Pauline participou de um curso de guerrilha em Cuba, é integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Ammnesty Internacional e que foi publicado na imprensa, em 29/03/78, que a mesma morreu sob tortura em 08/01/73. Ficha pessoal Documento da Secretaria da Segurança Pública de Pernambuco, de 15/01/73 com alguns dados pessoais e duas fotos de rosto. A cópia está pouco legível. Ficha pessoal Documento da Secretaria de Segurança Social de Pernambuco, sem data. O documento traz pequena biografia de Pauline e diz que a mesma morreu em tiroteio com as Forças de Segurança no município de Olinda em 08/01/1973. Ofício Documento da Delegacia de Segurança Social de Pernambuco, de 08/02/73, respondendo ao ofício da Divisão de Informações da Guanabara que solicitava informações sobre Pauline Philipe Reichstul, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Eudaldo Gomes da Silva. O documento diz que Pauline participou de um curso de guerrilha em Cuba e foi banida do Território Nacional. Ofício Documento do Departamento de Ordem Social de Pernambuco, de 12/01/73, ao chefe do Serviço dos Cemitérios, autorizando a exumação e traslado, para São Paulo, do corpo de Pauline. O documento diz que ela faleceu em 09/01/73 e foi sepultada com identidade desconhecida, com base em artigo do Jornal do Comércio, de 11/01/73.. Ofício Documento do Departamento de Ordem Social de Pernambuco, de 13/01/73, ao Gerente da Varig, autorizando o traslado do corpo de Pauline para São Paulo. Ofício Documentos do Banco do Brasil de Pernambuco, de 12/01/73 e 05/04/73, encaminhados ao Secretário de Segurança Pública desse estado, solicitando dados físicos de Pauline Reichstul e Soledad Barret Viedma, mortas na cidade de Paulista, também neste estado. São solicitados também seus documentos a fim de que sejam incluídos nos arquivos da Comissão de Controle e Prevenção do banco. Em anexo, está a resposta do Secretário de Segurança Pública, de 18/04/73, solicitando a presença do gerente na delegacia a fim de tratar deste assunto, e ainda, nova correspondência do Banco do Brasil, de 04/12/73, reiterando as solicitações acima e reafirmando que as informações recebidas serão mantidas em absoluto sigilo. ========================================================================================================= Ficha Pessoal José Manoel da Silva Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Manoel da Silva Cidade: (onde nasceu) Tirotemo Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 2/12/1940 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 6/1/1973 Paulista PE Brasil Chácara São Bento Clandestinidade Dados da repressão Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Sérgio Paranhos Fleury Biografia Documentos Artigo de jornal Desbaratado Congresso do Terror Paulista. Jornal do Comércio, Recife, 11 de jan. 1973. Reportagem sobre as circunstâncias em que se deram a morte de Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Soledad Barret Viedma, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques, todos considerados terroristas e sobre a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Foto Fotos de José Manoel da Silva e de Eudaldo Gomes da Silva, publicadas no Jornal do Comércio, Recife, 11 jan. 1973. O documento apresenta carimbo do DOPS. Foto Foto do corpo, encontrada no Instituto de Polícia Tecnica, PE. Relatório Documento do Serviço de Informações do DEOPS/SP, de 02/05/73. Traz na íntegra artigo publicado no n. 5 do jornal Campanha, publicado em Santiago do Chile pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), em protesto pela morte de Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Soledad Barret Viedma, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques. O artigo também acusa José Anselmo, o Cabo Anselmo, de traição. Relatório Relatório da Delegacia de Segurança Social de Recife, PE, à Auditoria da 7ª. CJM, de 24/04/73. Informa as circunstâncias em que se deram a morte de Eudaldo Gomes da Silva, Evaldo Luiz Ferreira de Souza, Soledad Barret Viedna, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques, membros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a localização de outros "aparelhos" desta organização, traz algumas informações prestadas por Jorge Barret Viedma, irmão de Soledad, e alerta sobre "o quão é perigosa a organização citada". Relatório Relatório das circunstâncias da morte de José Manoel da Silva, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Livro Viana, Gilney. Massacre da Chácara São Bento. (Mortos e desaparecidos II). Brasília, 29/02/1996. 14 p. Livro em homenagem às vítimas do episódio conhecido como "Massacre da Chácara São Bento". Traz pequena biografia de Soledad, Evaldo Luiz Ferreira, Eudaldo Gomes da Silva, Pauline Reichstul, José Manuel da Silva e Jarbas Pereira Marques, vítimas do referido episódio. ============================================================================================ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110810/a0cc8177/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10370 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110810/a0cc8177/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4533 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110810/a0cc8177/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6618 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110810/a0cc8177/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 10 20:03:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 10 Aug 2011 20:03:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Homenagem_que_ser=E1_feita_a_me?= =?windows-1252?q?u_irm=E3o_mais_velho=2C_Raul_Amaro_Nin_Ferreira?= =?windows-1252?q?=2C_morto_brutalmente_pela_ditadura_militar_em_12?= =?windows-1252?q?_de_agosto_de_1971=2C_h=E1_40_anos=2E?= Message-ID: <0615EBEB21274250940DD1004073849E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Homenagem que será feita a meu irmão mais velho, Raul Amaro Nin Ferreira, morto brutalmente pela ditadura militar em 12 de agosto de 1971, há 40 anos. O motivo deste é convidá-los a participar e a divulgar a homenagem que será feita a meu irmão mais velho, Raul Amaro Nin Ferreira, morto brutalmente pela ditadura militar em 12 de agosto de 1971, há 40 anos. Raul Amaro tinha, então, apenas 27 anos! Formado em Engenharia Mecânica pela PUC-RIO em 1967, foi preso à época em que trabalhava no Ministério da Indústria e Comércio e se preparava para viajar com bolsa de estudos para a Holanda. Foi preso pelo DOPS/RJ, na noite do dia 31 de julho para 01 de agosto de 1971, na rua Ipiranga, em Laranjeiras, no Rio, quando dirigia seu carro em companhia de amigos voltando de uma festa. Em 02 de agosto, foi encaminhado ao DOI-CODI/RJ, localizado no Quartel da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, na Tijuca, depois de ter sua residência invadida e ocupada pela repressão. A família, nesse dia, o viu ser levado algemado de casa e nada pode fazer. Ele foi barbaramente torturado a ponto de ser preciso que o levassem, às pressas, para o Hospital Central do Exército, aonde veio a falecer, no dia 12 de agosto de 1971. Sua necropsia foi realizada no próprio HCE pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janine, médico escalado pela repressão para assinar o laudo. Inicialmente foi impedida a presença do médico da Organização Mundial de Saúde, Prof. Manuel Ferreira, nosso tio-avô, que havia sido chamado para acompanhar os procedimentos. Somente duas horas depois de iniciada a necropsia permitiram-lhe que entrasse e, perplexo, viu as sevícias sofridas por Raul Amaro: suas pernas e coxas cheias de equimoses, formando uma área contínua de hematomas. Em 1979, iniciamos processo judicial contra a União, pois conseguimos, além de outros, também o extraordinário depoimento de um ex-soldado do Exército que prestara serviço militar no DOI-CODI/RJ por ocasião dos fatos, e que viu Raul Amaro sendo torturado nas dependências daquele órgão de repressão do Exército à época. Esse processo judicial ? uma ação apenas declaratória - foi ganho por nós, tendo sido o Estado responsabilizado pela prisão, tortura e morte de Raul Amaro. Como dizia minha mãe, ?Sabemos que a entrega do corpo de Raul Amaro foi um ?privilégio?, pois não fizeram assim com muitos outros. Nunca nos conformaremos com o acontecimento e jamais esqueceremos Raul Amaro?. Para lembrar esta morte brutal, amigos, familiares e outras pessoas solidárias e igualmente indignadas, mandam celebrar missa no dia 12 de agosto de 2011, às 12h, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus da PUC-RIO, onde Raul Amaro estudou e se formou, localizada à Rua Marquês de São Vicente, 225 - Gávea - Rio de Janeiro . Peço que divulguem esta homenagem àqueles que, como nós, nos preocupamos com a consolidação da vida democrática em nosso país! Muito obrigado! Pedro Nin Ferreira + Informações. RAUL AMARO NIN FERREIRA (1944-1971) Filiação: Mariana Lanari Ferreira e Joaquim Rodrigo Nin Ferreira Data e local de nascimento: 02/06/1944, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 12/08/1971, Rio de Janeiro (RJ) Formado em Engenharia Mecânica pela PUC/RJ em 1967, participou de vários encontros nacionais e internacionais sobre sua área profissional. Foi professor assistente do Curso de Engenharia Naval da UFRJ. Quando foi preso, trabalhava no Ministério da Indústria e Comércio e se preparava para viajar com bolsa de estudos para a Holanda. Raul Amaro voltava de carro de uma festa com alguns amigos, em 01/08/1971, quando foi interceptado por uma rádio-patrulha que fazia uma blitz na entrada do Leme, Rio de Janeiro. Tanto ele quanto o colega que estava junto não portavam carteira de trabalho, e seu documento de identidade era antigo. Os policias resolveram deixá-los passar. Algum tempo depois, foi novamente interceptado, em Laranjeiras, pela mesma rádio-patrulha, que fazia outra blitz. Ao revistar o carro, os policiais pegaram dois desenhos com a localização de residências de amigos, que interpretaram como sendo mapas. Raul Amaro foi detido e levado ao DOPS, onde permaneceu sendo interrogado durante toda a manhã de domingo. No dia seguinte, por volta de 13h, foi levado à casa dos pais, por uma rádio-patrulha, para procurar uma chave de seu próprio apartamento. Os pais resolveram seguir a rádio-patrulha para discutir o ridículo da prisão, mas na porta do apartamento de Raul foram impedidos de entrar. O mesmo aconteceu com o cunhado Raul Figueiredo Filho, também advogado. Às 20h, Raul Amaro foi levado algemado na rádiopatrulha sob o comando do policial Mário Borges, notório torturador do DOPS/RJ, que se negou a dizer para onde ele seria levado, afirmando ser assunto de competência do Exército. Na quinta-feira, 12/08, por volta de 14h30, o Hospital Central do Exército entrou em contato com os pais de Raul pelo telefone. A mãe, acompanhada do genro Raul Figueiredo Filho, chegou ao hospital por volta de 15h30, e soube que seu filho morrera antes das 14h. Entre 21h e 22h chegou o legista Rubens Pedro Macuco Janine para o exame do cadáver. O tio-avô de Raul, professor Manoel Ferreira, médico da Organização Mundial da Saúde, também legista, quis assistir à autópsia, mas foi impedido. Somente lhe foi permitido entrar cerca de duas horas depois, quando constatou que o jovem fora seviciado. Raul deu entrada no Hospital Central do Exército no dia 04/08, sem identificação e sem informação alguma sobre o ocorrido, apresentando equimoses nas coxas e pernas. O professor Manoel Ferreira informou que o escrivão leu na frente dele o laudo de necropsia com descrição das sevícias. Na CEMDP, foi anexado ao processo um depoimento do ex-soldado do Exército, Marco Aurélio Guimarães, que prestava serviço no DOICODI/ RJ na época e viu Raul Amaro sendo torturado nas dependências daquele órgão. Os presos políticos Alex Polari de Alverga e Aquiles Ferreira também confirmaram que o viram no DOPS/RJ. O processo na CEMDP foi protocolado intempestivamente, numa primeira vez, sendo indeferido. Com a reabertura do prazo, em 18/09/2002, a Comissão Especial recebeu novo pedido da família. Em seu voto, o relator registrou que nos autos do processo verificava-se uma intensa discussão em torno dos motivos da morte de Raul, preso sob suspeita de exercer atividades consideradas ilegais, durante uma operação de trânsito efetuada pela polícia no Rio de Janeiro. De acordo com o relator, o parecer insuspeito do renomado legista Paulo César Papaleo alertava para o fato de que Raul sofrera agressões que provocaram as lesões que motivaram sua morte, e que ele apresentava perfeita condição de saúde física e mental antes da prisão: existia, assim, relação de causa e efeito entre as lesões apresentadas e a morte. Segundo o relator, a documentação dispensava maiores diligências para uma conclusão, até porque a matéria já havia sido exaustivamente analisada na Ação Declaratória nº 241.0087/99, proposta pela mãe de Raul, julgada na 9ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, e cuja sentença não deixava margem a qualquer dúvida quanto ao rumo dos acontecimentos que culminaram com a morte do engenheiro nas dependências do Hospital Central do Exército. ====================================================================================================================== + Informações. RAUL AMARO NIN FERREIRA Morto aos 27 anos de idade, no Rio de Janeiro. Formado em Engenharia Mecânica pela PUC/RJ, em 1967. Participou de vários encontros nacionais e internacionais, tendo sido professor assistente do Curso de Engenharia Naval da UFRJ. Quando foi preso trabalhava no Ministério da Indústria e Comércio e se preparava para viajar com bolsa de estudos para a Holanda. Foi preso pelo DOPS/RJ, na noite do dia 31 de julho para 01 de agosto de 1971, na rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, quando dirigia seu carro em companhia de outro engenheiro, Saidin Denne. Em 02 de agosto, foi encaminhado ao DOI-CODI/RJ depois de ter sua residência invadida e ocupada pela repressão. A família, nesse dia, o viu ser levado algemado de casa e nada pode fazer. Foi torturado a ponto de ser preciso que o levassem, às pressas, para o Hospital Central do Exército, onde veio a falecer, no dia 12 de agosto. Sua necrópsia foi realizada no próprio HCE pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janine. Inicialmente foi impedida a presença do médico da Organização Mundial de Saúde, Prof. Manuel Ferreira, que havia sido chamado pela família de Raul para acompanhar a citada necrópsia. Somente duas horas depois de iniciada, permitiram-lhe que entrasse e, perplexo, viu as sevícias sofridas por Raul: suas pernas e coxas cheias de equimoses. O exame necroscópico não descreve tais lesões. Em 1979, sua família iniciou processo contra a União, pois conseguiu também o depoimento de um ex-soldado do Exército Marco Aurélio Guimarães, que prestava serviço no DOI-CODI/RJ, na época, e viu Raul Amaro sendo torturado nas dependências daquele órgão da repressão. Há também depoimento de ex-presos políticos, como Alex Polari de Alverga e Aquiles Ferreira, que o viram no DOPS/RJ. Esse processo ganhou em 1ª instância e, em 7 de novembro de 1994, o Estado foi responsabilizado pela prisão, tortura e morte de Raul. A família, representada pelo seu advogado, não quis receber a indenização. Pedro Nin Ferreira, um dos oito irmãos de Raul Amaro, assim declarou: ?Nunca imaginamos receber reparação financeira porque o Estado não pode comprar seus mortos, seus assassinatos...? (JB, 8/11/94) A mãe de Raul Amaro, Mariana Lanari Ferreira, fala de seu filho: ?Sabemos que a entrega do corpo de Raul Amaro foi um ?privilégio?, pois não fizeram assim com muitos outros. Raul Amaro foi sempre um homem brilhante por onde passou e tinha um coração boníssimo, sendo lembrado com carinho por todos que o conheceram. Nunca nos conformaremos com o acontecimento e jamais esqueceremos Raul Amaro?. =========================================================================== + Informações. RAUL AMARO NIN FERREIRA Morto aos 27 anos de idade, no Rio de Janeiro. Formado em Engenharia Mecânica Mecânica pela PUC/RJ, em 1967. Participou de vários encontros nacionais e internacionais, tendo sido professor assistente do Curso de Engenharia Naval da UFRJ. Quando foi preso trabalhava no Ministério da Indústria e Comércio e se preparava para viajar com bolsa de estudos para a Holanda. Foi preso pelo DOPS/RJ, na noite do dia 31 de julho para 01 de agosto de 1971, na rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, quando dirigia seu carro em companhia de outro engenheiro, Saidin Denne. Em 02 de agosto, foi encaminhado ao DOI-CODI/RJ depois de ter sua residência invadida e ocupada pela represão. A família, nesse dia, o viu ser levado algemado de casa e nada pode fazer. Foi torturado a ponto de ser preciso que o levassem, ás pressas, para o Hospital Geral do Exército, onde veio a falecer, no dia 12 de agosto. Sua necrópsia foi realizada no próprio HCE pelo Dr. Rubens Pedro Macuco Janine. Inicialmente foi impedida a presença do médico da Organização Mundial de Saúde, Prof. Manuel Ferreira, que havia sido chamdao pela família de Raul para acompanhar a citada necrópsia. Somente duas horas depois de iniciada, permitiram-lhe que entrasse e, perplexo, viu as sevícias sofridas por Raul: suas pernas e coxas cheias de equimoses. O exame necroscópico não descreve tais lesões. Em 1979, sua família iniciou processo contra a União, pois conseguiu também o depoimento de um ex-soldado do Exército Marco Aurélio Guimarães, que prestava serviço no DOI-CODI/RJ, na época, e viu Raul Amaro sendo torturado nas dependências daquele órgão de repressão. Há também depoimento de ex-presos políticos, como Alex Polari de Alverga e Aquiles Ferreira, que o viram no DOPS/RJ. Esse processo ganhou em 1[ instância e, em 7 de novembro de 1994, o Estado foi responsabilizado pela prisão, tortura e morte de Raul. A família representada pelo seu advogado, não quis receber a indenização. Pedro Nin Ferreira, um dos oito irmãos de Raul Amaro, assim declarou: ?Nunca imaginamos receber reparação financeira porque o Estado não pode comprar seus mortos, seus assassinatos...? (JB, 8/11/94) A mãe de Raul Amaro, Mariana Lanari Ferreira, fala de seu filho: ?Sabemos que a entrega do corpo de Raul Amaro foi um ?privilegiado?, pois não fizeram assim com muitos outros. Raul Amaro foi sempre um homem brilhante por onde passou e tinha um coração boníssimo, sendo lembrado com carinho por todos que o conheceram. Nunca nos conformaremos com o acontecimento e jamais esqueceremos Raul Amaro?. ============================================================================================== + Detalhes. [PDF] Os anos de chumbo - CPDOC Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat de C Castro - 1994 - Citado por 4 - Artigos relacionados Há o caso de um rapaz que morreu, Raul Amaro Nin Ferreira, que deu muito trabalho ao Frota porque, quando ele foi entregue ... Há o caso de um rapaz que morreu, Raul Amaro Nin Ferreira, que deu muito trabalho ao Frota porque, quando ele foi entregue ao Exército, estava com umas marcas, havia sido chicoteado com fio no DOPS. O Frota mandou baixar imediatamente esse rapaz ao Hospital Central do Exército e, após alguns dias ele morreu de infarto. Estava muito deprimido, já sofria do coração e, com a prisão, morreu de infarto. O Frota, como em todos os casos seme?? lhantes, mandou fazer uma autópsia, chamando um elemento da família para assistir. Ele tem o laudo dessa autópsia: foi morte natural. Então, o camarada nos foi entregue já com vergões nas pernas - ele apanhou nas pernas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110810/797744cf/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7163 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110810/797744cf/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 11 20:04:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 11 Aug 2011 20:04:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de___JORGE_LEAL_GON=C7ALVES_PEREIRA_______?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCXV-?= Message-ID: <8A7C4416D4004824A261491C3A3EBECD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JORGE LEAL GONÇALVES PEREIRA (1938-1970) Filiação: Rosa Leal Gonçalves Pereira e Enéas Gonçalves Pereira Data e local de nascimento: 26/12/1938, Salvador (BA) Organização política ou atividade: AP Data e local da morte: 20/10/1970, Rio de Janeiro (RJ) Desaparecido político, seu nome integra a lista anexa à Lei nº 9.140/95. Baiano de Salvador, engenheiro eletricista, trabalhou na Petrobras, na Refinaria de Mataripe, sendo preso em abril de 1964 e, nesse mesmo ano, demitido da empresa estatal. Foi casado com Ana Néri Rabello Gonçalves Pereira, com quem teve quatro filhos. Após ser libertado trabalhou na Coelba - Companhia de Eletricidade da Bahia. Foi seqüestrado na rua Conde de Bonfim, na Tijuca, Rio de Janeiro, no dia 20/10/1970, por agentes do DOI-CODI/RJ. Levado para aquele destacamento no Batalhão de Polícia do Exército, foi acareado com o estudante Marco Antônio de Melo, com quem tinha marcado um encontro de rua. Cecília Coimbra, psicóloga e fundadora, mais tarde, do Grupo Tortura Nunca Mais, presa no DOI-CODI/RJ naquele momento, viu Jorge sendo levado para interrogatório. Em 06/12/1971, o advogado de Jorge Leal conseguiu a suspensão da audiência de um processo na 1ª Auditoria da Aeronáutica, no Rio de Janeiro com 63 réus acusados de pertencerem à AP, pelo fato de seu constituinte não ter sido apresentado ao tribunal, mesmo estando preso conforme informações de outros acusados. O Conselho de Justiça decidiu ouvir, então, o depoimento de Marco Antonio de Melo, que confirmou a prisão de Jorge no DOI-CODI. Mesmo assim, o I Exército oficiou à Auditoria da Aeronáutica negando o fato. Em novembro de 1972, a mãe de Jorge Leal, senhora Rosa Leal Gonçalves Pereira, enviou uma carta, que não obteve resposta, à esposa do presidente da República, senhora Scyla Médici, com o seguinte teor: "Há dois anos meu filho Jorge foi preso na Guanabara. Jorge é casado, tem quatro filinhos e eu, como mãe e avó, venho lhe pedir para ter pena destas crianças que ainda tão pequenas estão privadas do seu amor e do seu carinho. Os meninos têm 8, 6, 4 e 2 anos.(...)E a menina está com 2 anos e meio, e esta não conhece o pai. D. Scyla, perdoe-me tomar algum tempo seu para me ouvir, mas acho que não tenho outra pessoa a quem me dirigir. Assim faço neste momento, lhe dirijo o pedido de uma mãe e avó à outra: onde está Jorge"? Nos arquivos do DOPS/PR o nome de Jorge figura numa gaveta com a identificação de "falecidos". Em 08/04/1987, a revista IstoÉ, na matéria "Longe do Ponto Final", publicou revelações de Amílcar Lobo, médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina em 1989 por participar das sessões de tortura, que afirmava ter visto Jorge no DOI-CODI/RJ, sem precisar a data. A morte de Jorge e de mais outros 11 desaparecidos foi confirmada por um general entrevistado pelo jornal Folha de S. Paulo, no dia 28/01/1979, cujo nome não foi publicado. ====================================================================================================================== + Informações. JORGE LEAL GONÇALVES PEREIRA Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML) Militante da AÇÃO POPULAR MARXISTA-LENINISTA (APML). Nascido em 26.12.38, em Salvador-BA, filho de Enéas Gonçalves Pereira e Rosa Leal Gonçalves+ Informações Pereira. Desaparecido desde 1970, quando tinha 32 anos. Engenheiro Eletricista, ex-empregado da Petrobrás, trabalhou na Refinaria do Mataripe. Foi preso em abril de 64 e neste mesmo ano, demitido da Petrobrás. Teve sua prisão preventiva decrtada em 14 de outubro de 1984. Após ser libertado trabalhou na COELBA. Em 13 de abril de 1964 foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional pela Justiça Militar do Rio de Janeiro. Seqüestrado na Rua Conde do Bomfim, na Tijuca/RJ, no dia 20 de outubro de 1970, por agentes do DOI-CODI/RJ, e levadio por eles ao 10º Batalhão de Polícia do Exército, onde foi acareado com o estudante Marco Antonio de Melo, que prestou testemunho a pedido do advogado Dr. Alexandre Gabriel Gedey e da professora Cecília Maria Bouças Coimbra, (atual presidente do GTNM/RJ), presa no DOI-CODI/RJ que, em outubro de 1970 viu Jorge sendo levado para interrogatório. No arquivo do DOPS/PR, o nome de Jorge figura numa gaveta com a identificação "falecidos". Em 08.04.87, a revista Isto É, na matéria "Longe do Ponto Final", publicou revelações do médico Amilcar Lobo (médico torturador cassado pelo Conselho Federal de Medicina, em 1989), que afirmava ter visto Jorge no DOI-CIDI/RJ, sem precisar a data. A morte de Jorge e mais outros 11 "desaparecidos" é também confirmada pelo general, cujo nome não foi publicado, entrevistado pela "Folha de São Paulo" no dia 28 DE JANEIRO DE 1979. ============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) JORGE LEAL GONÇALVES PEREIRA (1938-1970) Baiano de Salvador, engenheiro eletricista, trabalhou na Petrobras, na Refinaria de Mataripe, sendo preso em abril de 1964 e, nesse mesmo ano, demitido da empresa estatal. Após ser libertado, trabalhou na Coelba - Companhia de Eletricidade da Bahia. Membro da AP, foi sequestrado na rua Conde de Bonfim, na Tijuca, Rio de Janeiro, no dia 20 de outubro de 1970, por agentes do DOI-Codi/RJ. Levado para aquele destacamento do Exército, foi acareado com o estudante Marco Antônio de Melo, com quem tinha marcado um encontro. Cecília Coimbra, presa no DOI-Codi/RJ naquele momento, viu Jorge sendo levado para interrogatório. Em 6 de dezembro de 1971, o advogado de Jorge Leal conseguiu a suspensão da audiência de um processo na 1ª Auditoria da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, com 63 réus acusados de pertencerem à AP, pelo fato de seu constituinte não ter sido apresentado ao tribunal, mesmo estando preso conforme informações de outros acusados. O Conselho de Justiça decidiu ouvir, então, o depoimento de Marco Antonio de Melo, que confirmou a prisão de Jorge no DOI-Codi. Mesmo assim, o I Exército oficiou à Auditoria da Aeronáutica negando o fato. Nos arquivos do Dops do Paraná, o nome de Jorge figura numa gaveta com a identificação de "falecidos". Em 8 de abril de 1987, a revista IstoÉ, na matéria "Longe do Ponto Final", publicou revelações de Amílcar Lobo, médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina em 1989 por participar das sessões de tortura, que afirmava ter visto Jorge no DOI-Codi/RJ, sem precisar a data. A morte de Jorge e de mais outros 11 desaparecidos foi confirmada por um general entrevistado pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 28 de janeiro de 1979, cujo nome não foi publicado. ================================================================================================= Ficha Pessoal Jorge Leal Gonçalves Pereira Dados Pessoais Nome: Jorge Leal Gonçalves Pereira Cidade: (onde nasceu) Salvador Estado: (onde nasceu) BA País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 26/12/1938 Atividade: Engenheiro eletricista Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Popular AP Brasil Ação Popular Marxista-Leninista APML Brasil Prisão: 20/10/1970 Rio de Janeiro RJ Brasil R. Conde do Bomfim, Tijuca 0/4/1964 Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/0/1970 Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil Polícia do Exército PE Brasil Biografia Documentos Artigo de jornal Os desaparecidos, uma questão que vai persistir. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 1979. Parte de artigo sobre a questão dos desaparecidos políticos no período da ditadura militar. Segundo generais do Exército, há somente quatro possibilidades de desaparecimento de uma pessoa: ela teria sido executada por sua própria organização, que jogaria a culpa no Exército; ela poderia ficar tão desestruturada mentalmente que romperia com todos os conhecidos e sua família a ajudaria a se mudar para o exterior alegando que seu ente sumiu; o suposto desaparecido seria na verdade um membro infiltrado pelas forças de segurança nacional que, ao terminar seu serviço, fazia plástica e recuperava sua antiga identidade; ou mortos por acidente, mas que o Exército não permitiu a publicidade do fato. Cita uma lista de pessoas dadas como desaparecidas pelas organizações cujas fichas estavam no necrotério de um órgão de segurança em 12/73. São elas: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale, Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. Apresenta ainda alguns detalhes controvertidos das histórias dos desaparecidos Edgar de Aquino Duarte, Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita e Paulo Costa Ribeiro Bastos. Também contesta a lista de desaparecidos divulgada pelo Comitê Brasileiro de Anistia em relação aos nomes de Antônio dos Três Reis Oliveira. Artigo de jornal Hatori, Elza. Provas confirmam mortes da ditadura. Diário Popular, São Paulo, 1 de ago. 1991, p. 2. Trata da disponibilização do arquivo do DOPS/PR à Prefeitura de São Paulo para a realização de trabalho em Curitiba pela Comissão Especial de Investigação que foi criada por esta Prefeitura para acompanhar o processo das ossadas enterradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. As investigações levaram à confirmação da morte de vítimas da ditadura que não tiveram o óbito assumido pelo regime militar. Foram localizadas 17 fichas de militantes desaparecidos no arquivo do Paraná dentro de uma gaveta com a inscrição "Falecidos". Apesar das fichas e prontuários terem sido localizados em Curitiba, a maior parte destes 17 militantes desapareceu em São Paulo, depois de serem presos e torturados. Artigo de jornal Fiuza e Frota desmentem versão sobre desaparecido. (Sem fonte), de 31 jan. 1980. O general Adir Fiuza de Castro desmente as acusações feitas a ele e ao general Sílvio Frota de serem os responsáveis pelo desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira, afirmando que na época do ocorrido já não comandava o DOI-CODI/RJ. No início de 1979 dois generais e mais um oficial que participavam da repressão declararam que alguns dos desaparecidos foram de fato mortos por órgãos de segurança, mas que por alguma razão não podiam assumir o fato publicamente. Foram citados os seguintes desaparecidos: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar, Paulo César Botelho Massa, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale e Thomaz Antônio da Silva Meireles Neto. O general Frota declarou que isso é impossível de ter acontecido no I Exército. Enquanto isso, o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) continua exigindo que o governo esclareça o desaparecimento de mais de cento e vinte e cinco militantes, após suas prisões. Artigo de jornal A semântica da violência. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 ago. 1979. p. 5. Entrevista com Antônio Houaiss, lingüista, escritor e diplomata que teve seus direitos políticos cassados na ditadura militar. Ele levanta a seguinte questão: "...Como explicar também que o golpe de 1964, no Brasil, se tenha auto-intitulado 'revolução' para combater a 'subversão', palavras que o bom senso e qualquer dicionário identificam como sinônimos?". Também fala sobre o projeto de anistia do governo, que na realidade não dá a anistia e sim obriga os funcionários públicos cassados a requerê-la assumindo, dessa forma, que fizeram algum ato ilegal no passado e, além disso, não abrange todas as pessoas anistiáveis. O quadro intitulado "Estes 'desaparecidos' foram mortos" traz a informação de que dois generais e um coronel afirmaram que catorze pessoas consideradas desaparecidas políticas foram, de fato, mortas pelo serviço secreto das Forças Armadas. Entre elas estão: Ruy Carlos Vieira Berbert, Mário Alves de Souza Vieira, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Paulo César Botelho Massa, Ísis Dias de Oliveira, Stuart Edgar Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Sérgio Landulfo Furtado, Ramires Maranhão do Vale, Rubens Beirodt Paiva e Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. As mortes foram classificadas por esses militares como acidentes de trabalho. Essa declaração possibilitou identificar "aparelhos" secretos utilizados por oficiais para tortura, como a Fazenda 31 de Março, em Parelheiros, SP, muito usada pelo delegado Sérgio Fleury. Artigo de jornal Artigo incompleto, sem fonte e sem data, intitulado: Encontro de anistia divulga lista com novos desaparecidos. Informa que o Congresso Nacional pela Anistia divulgou lista com nomes de pessoas mortas e desaparecidas a partir de 1964. Foto Foto original e preto branco de busto. Possui cópia pouco nítida, do arquivo do DOPS. Relatório Relatório do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 26/08/70, com códigos da pasta onde se encontra a informação citada, sob cada parágrafo e a anotação ao final: "informação para o S.N.I.". Comunica que, em 14/10/64, o Ministério do Exército decretou a prisão preventiva de Jorge Leal e que o jornal Notícias Populares, publicado em São Paulo, de 07/07/70, publicou a denúncia do promotor de Justiça Militar do Rio de Janeiro, acusando 81 pessoas, entre eles Jorge, de organizarem o movimento revolucionário Ação Popular, enquadrando-os na Lei de Segurança Nacional. Relatório Documento da 1ª Auditoria da Aeronáutica, da 1ª Circunscrição Judiciária Militar (C.J.M.), sem data, do arquivo do DOPS. Provavelmente trata-se de parte de Inquérito Policial Militar. Cita várias pessoas, entre elas Jorge Leal, que não foi ouvido no inquérito. Relata que é militante da Ação Popular (AP), fazia panfletagem, apresentou-se em reunião do grupo de favelas com falsa qualidade de líder metalúrgico, conclamando o grupo à greve e recolhendo contribuições financeiras. Duas testemunhas que o conhecem há algum tempo, afirmam que nunca tiveram notícia de que Jorge tivesse atividades subversivas. Relatório Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz. Livro Comitê Brasileiro de Anistia e Comissão de Familiares de Desaparecidos Políticos Brasileiros - familiares, amigos e ex-militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). "Onde estão? - desaparecidos políticos brasileiros". 44 p. Possui a foto de Honestino Monteiro Guimarães à capa, presidente da UNE em 1973 e um dos militantes visados pelo regime militar, além da biografia e documentos referentes a outros mortos ou desaparecidos pela repressão de 1968 a 1973. Material produzido por volta de 1983 como homenagem e instrumento de luta para que estes fatos não voltem a acontecer e para que sejam prestadas contas sobre o paradeiro destas e muitas outras pessoas. Inclui transcrição de alguns artigos de jornais sobre desaparecidos políticos e listas com nomes dos desaparecidos e mortos políticos desde 1964. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, sem data. Informa que Jorge foi acusado de pertencer à Ação Popular. Também registra que, segundo o Jornal do Brasil publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78, morreu sob tortura em 10/70 e, segundo a Folha de S. Paulo de 19/06/78, o nome de Jorge consta em uma lista de desaparecidos feita por D. Paulo Evaristo Arns e enviada ao presidente dos Estados Unidos, em 29/10/77. Artigo de revista Longe do ponto final. Isto É, São Paulo, 8 abr. 1987, p. 24-25. Artigo incompleto. O psicanalista Amílcar Lobo, único membro dos grupos de tortura a reconhecer os crimes cometidos, joga novas luzes sobre as torturas ocorridas nos porões do quartel da Polícia do Exército (PE) e sobre pessoas que estão oficialmente desaparecidas e que foram torturadas neste quartel. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110811/8f6a92e0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4366 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110811/8f6a92e0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 11 20:04:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 11 Aug 2011 20:04:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Lan=E7amento_de_livro__=22PTB_do?= =?iso-8859-1?q?_Getulismo_ao_Reformismo_1945-1964_=22?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Lucília Neves Oi Vanderley, você poderia divulgar lançamento da segunda edição do livro de minha autoria sobre o PTB no período anterior a 1964. As referência seguem abaixo. Muito obrigada. Um grande abraço, Lucilia Neves. PTB do Getulismo ao Reformismo 1945-1964 a.. b.. c.. ISBN: 9788536118260 d.. Editora: LTR e.. Edição: 2 º Edição f.. Acabamento: brochura g.. Formato: 14x21 cm h.. Paginas: 280 i.. Autor(s): Lucília de Almeida Neves Delgado j.. Ano Publicação: 2011 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110811/737bb81a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 51305 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110811/737bb81a/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 11 20:04:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 11 Aug 2011 20:04:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_DECRETO_DE_DESAPROPRIA=C7=C3O_N?= =?windows-1252?q?AS_M=C3OS_DE_ELIZABETH_TEIXEIRA_NO_DIA_DO_ASSASSI?= =?windows-1252?q?NATO_DE_MARGARIDA_ALVES?= Message-ID: <37457342144F494D92E4CF169DC0573E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Ieno UOL From: toninhoaap at hotmail.com From: benjamim.uepb at hotmail.com DECRETO DE DESAPROPRIAÇÃO NAS MÃOS DE ELIZABETH TEIXEIRA NO DIA DO ASSASSINATO DE MARGARIDA ALVES Prezados companheiros e companheiras. No evento promovido pelo Núcleo de Estudos Rurais da UEPB, em Campina Grande, Elizabeth Teixeira, além de receber a Medalha do Mérito Universitário, receberá das mãos do governador da Paraíba, o decreto de desapropriação de 7.0 hectares de terra destinado à construção do Memorial das Ligas Camponesas e do Centro de Formação de Campesinato. Dia histórico para o Movimento Camponês. Dia histórico para Elizabeth Teixeira. Como diz a canção do cubano Silvio Rodriguez: "Mais de uma mão no escuro me conforta, mais de um passo sinto marchar comigo, mas, se nada disso tivesse, não importa: eu sei que há mortos iluminando os caminhos". Que os nossos mártires iluminem nosso compromisso de transformar o Memorial das Ligas Camponesas e o Centro de Formação de Campesinato em instrumentos de luta para unir o campesinato e reascender a luta das ligas camponesas. Todos estão convidados para para participar do evento. Vejam email de Benjamin. Abraços Toninho -------------------------------------------------------------------------------- Vamos manter acesa a Memória das Ligas Camponesas! UEPB concederá Medalha do Mérito Universitário a Elizabeth Teixeira A UEPB Universidade Estadual da Paraíba, através de atividade promovida pelo Núcleo de Estudos Rurais (NER), concederá à líder camponesa Elizabeth Altina Teixeira, a Medalha do Mérito Universitário, em reconhecimento às ações por ela protagonizadas durante sua vida. A solenidade acontecerá no dia 12 de agosto, às 19h30, no Auditório do Centro de Educação (CEDUC), unidade localizada na Rua Antônio Guedes de Andrade, 190 Catolé, em Campina Grande. A homenagem está sendo oferecida à Elizabeth no intuito de manter viva a memória da luta camponesa, por notório merecimento, enquanto liderança das ligas camponesas, em reconhecimento às ações por ela protagonizadas juntamente com seu esposo, João Pedro Teixeira, líder assassinado no mesmo período, por conta da sua atuação na luta pela conquista e afirmação de direitos para os camponeses. Na ocasião, também haverá mesa-redonda tendo a homenageada como tema, com a participação do professor convidado Alder Júlio Calado e a professora do Departamento de História da UEPB, Patrícia Cristina Aragão. Será divulgada ainda a abertura do ?Concurso de redação e artigos científicos sobre as mulheres e os movimentos sociais no campo?. Conheça um pouco da história de Elizabeth Altina Teixeira No campo, ainda se morre de fome e de bala, como nos tempos de João Pedro Teixeira, mas alguma coisa mudou ? as ligas camponesas deram frutos e engendraram os milhares de sindicatos de trabalhadores rurais, suas federações e outros movimentos camponeses, prova de que o povo se organiza e conduz a luta de outra forma. Assim fala o grupo Tortura Nunca Mais/RJ (GTNM/RJ), na ocasião da Medalha Chico Mendes concedida a Elizabeth Altina Teixeira há cerca de 20 anos. Paraibana, hoje com 84 anos, Elizabeth é viúva do líder sindical João Pedro Teixeira, o ?cabra marcado pra morrer? do filme homônimo (Brasil, 1984) do cineasta Eduardo Coutinho. De início, ela não participava na luta de João Pedro, na Paraíba, quando ele resolveu reunir os camponeses para criar uma associação para defender os seus direitos. Quando os latifundiários perceberam que as ligas camponesas estavam cada dia mais fortes, resolveram assassinar João Pedro, morto em abril de 1962. Dois de seus filhos também foram assassinados. Sua filha mais velha não suportou o sofrimento e, inconformada com a impunidade diante do assassinato do pai, suicidou-se. Com a morte de João Pedro, Elizabeth Teixeira assumiu a direção da liga. Foi perseguida e injuriada, mas nunca desistiu nem deixou de reclamar, junto aos proprietários, os direitos dos companheiros. Após o golpe de 64, Elizabeth foi presa por mais de dois meses; ao sair da cadeia, para escapar das perseguições, teve de fugir com um dos filhos para o Rio Grande do Norte, onde viveu 17 anos clandestinamente, com outro nome. Trabalhou colhendo feijão e arrancando batata. Ela e os filhos passaram fome. Elizabeth lavou pratos, lavou roupas, precisava tocar a vida, apesar da dureza do destino e do desejo de justiça ao assassinato de João Pedro. Vivia refugiada para não ter o mesmo fim do marido. Em 1980, foi encontrada pelo diretor Eduardo Coutinho que queria terminar o seu filme sobre as ligas camponesas e reencontrou o filho Abrão. Depois desse encontro, ficou mais fácil localizar os outros filhos. Em 1981, retomou seu nome de batismo, Elizabeth Altina Teixeira. atenciosamente benjamim 8803 8879 - 3315 3375 uepb -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110811/b8cd1d73/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 12 19:57:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 12 Aug 2011 19:57:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Ato_pela_Verdade=2C_Mem=F3ria=2C?= =?iso-8859-1?q?__Justi=E7a_e_Repara=E7=E3o_por_um_Brasil__Mais_Jus?= =?iso-8859-1?q?to_=2E_Dia_25_de_agosto_-_in=EDcio_=E0s_17=2C00hs_-?= =?iso-8859-1?q?_no_Teatro_Cacilda_Becker__e_+?= Message-ID: <25ED6F12929B494891584024AC20C55D@vcaixe> Ato pela Verdade, Memória, Justiça e Reparação por um Brasil Mais JustoCarta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110812/71b835e1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 86336 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110812/71b835e1/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 12 19:57:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 12 Aug 2011 19:57:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Na_segunda-feira=2C_dia_15_de_agosto?= =?utf-8?q?=2C_=C3=A0s_19_horas=2C_o_companheiro_VIRG=C3=8DLIO_GOME?= =?utf-8?q?S_DA_SILVA_-_receber=C3=A1_o_t=C3=ADtulo_de_Cidad=C3=A3o?= =?utf-8?q?_Paulistano_post-mortem_na_C=C3=A2mara_Municipal_de_S?= =?utf-8?q?=C3=A3o_Paulo=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Queridos companheiros, Na segunda-feira, dia 15 de agosto, às 19 horas, o companheiro VIRGÍLIO GOMES DA SILVA - nosso "Jonas" da ALN - receberá o título de Cidadão Paulistano post-mortem na Câmara Municipal de São Paulo. Virgílio morreu na Operação Bandeirantes - DOI-CODI - na rua Tutóia em 29 de setembro de 1969, após ser preso e torturado até a morte. Até hoje está desaparecido. Seu corpo está sendo procurado no cemitério de Vila Formosa, através de ação inicial solicitada pelo Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo ao Ministério Público Federal, que acatou o pedido. Sua companheira, Ilda Martins da Silva, foi presa em seguida com três dos quatro filhos, a mais nova com quatro meses. Os dois mais velhos, Vlademir, com 9 anos na época, e Virgílinho, de apenas 8, chegaram a ficar presos no Dops e foram interrogados, de acordo com documentos da própria polícia. Foram depois encaminhados ao Juizado de Menores, onde ficaram por dois meses, sem nenhum contato com a família. Ilda, também violentamente torturada, ficou presa por dez meses, quatro deles incomunicável. Perseguida após sair do Presídio Tiradentes, seguiu um ano depois para o exílio, inicialmente no Chile e depois em Cuba, de onde retornou após a formatura dos quatro filhos em Engenharia, em Havana. Francisco Gomes da Silva, o nosso companheiro Chiquinho, irmão mais novo de Virgílio, já falecido, além de ferido e torturado na época da prisão, permaneceu preso por dez anos. Este é um convite e uma convocação. Reverenciar a memória de Virgílio é um privilégio e uma obrigação para todos que participaram da luta de resistência à ditadura, e também para os que hoje honram sua memória na continuidade da luta pelos Direitos Humanos em nosso país, em busca de um Brasil justo e sol idário para os que vieram e os que vierem depois de nós. Um abraço fraterno, Rose Nogueira Grupo Tortura Nunca Mais - SP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110812/23f23652/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 12 19:57:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 12 Aug 2011 19:57:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__As_pr=C3=B3prias_pedras_gritar=C3=A3o?= =?utf-8?q?=3A_Frei_Tito_por_ele_mesmo_-_Relato_da_tortura?= Message-ID: <181E1B8F3E314DD1B27D316BFB04ED2F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Relato pessoal do Frei Tito sobre as torturas a que foi submetido na OB (Operação Bandeirantes), criada por inspiração do então governador biônico ROBERTO DE ABREU SODRÉ. Repassem para aqueles que não puderam saber o que se passou neste país. Não deixem apagar nossa memória! Professores, vocês têm mais uma boa oportunidade para despertar o senso crítico dos seus/suas alunos/as. Waldemar De: Carlos Roberto Carvalho Assunto: As próprias pedras gritarão: Frei Tito por ele mesmo - Relato da tortura Data: Quinta-feira, 11 de Agosto de 2011, 23:15 Frei Tito por ele mesmo - Relato da tortura As próprias pedras gritarão Este é o depoimento de um preso político, frei Tito de Alencar Lima, 24 anos. Dominicano. (redigido por ele mesmo na prisão). Este depoimento escrito em fevereiro de 1970 saiu clandestinamente da prisão e foi publicado, entre outros, pelas revistas Look e Europeo. Fui levado do presídio Tiradentes para a "Operação Bandeirantes", OB (Polícia do Exército), no dia 17 de fevereiro de 1970, 3ª feira, às 14 horas. O capitão Maurício veio buscar-me em companhia de dois policiais e disse: "Você agora vai conhecer a sucursal do inferno". Algemaram minhas mãos, jogaram me no porta-malas da perua. No caminho as torturas tiveram início: cutiladas na cabeça e no pescoço, apontavam-me seus revólveres. Preso desde novembro de 1969, eu já havia sido torturado no DOPS. Em dezembro, tive minha prisão preventiva decretada pela 2ª auditoria de guerra da 2ª região militar. Fiquei sob responsabilidade do juiz auditor dr Nelson Guimarães. Soube posteriormente que este juiz autorizara minha ida para a OB sob ?garantias de integridade física?. Ao chegar à OB fui conduzido à sala de interrogatórios. A equipe do capitão Maurício passou a acarear-me com duas pessoas. O assunto era o Congresso da UNE em Ibiúna, em outubro de 1968. Queriam que eu esclarecesse fatos ocorridos naquela época. Apesar de declarar nada saber, insistiam para que eu ?confessasse?. Pouco depois levaram me para o ?pau-de-arara?. Dependurado nu, com mãos e pés amarrados, recebi choques elétricos, de pilha seca, nos tendões dos pés e na cabeça. Eram seis os torturadores, comandados pelo capitão Maurício. Davam-me "telefones" (tapas nos ouvidos) e berravam impropérios. Isto durou cerca de uma hora. Descansei quinze minutos ao ser retirado do "pau-de-arara". O interrogatório reiniciou. As mesmas perguntas, sob cutiladas e ameaças. Quanto mais eu negava mais fortes as pancadas. A tortura, alternada de perguntas, prosseguiu até às 20 horas. Ao sair da sala, tinha o corpo marcado de hematomas, o rosto inchado, a cabeça pe sada e dolorida. Um soldado, carregou-me até a cela 3, onde fiquei sozinho. Era uma cela de 3 x 2,5 m, cheia de pulgas e baratas. Terrível mau cheiro, sem colchão e cobertor. Dormi de barriga vazia sobre o cimento frio e sujo. Na quarta-feira fui acordado às 8 h. Subi para a sala de interrogatórios onde a equipe do capitão Homero esperava-me. Repetiram as mesmas perguntas do dia anterior. A cada resposta negativa, eu recebia cutiladas na cabeça, nos braços e no peito. Nesse ritmo prosseguiram até o início da noite, quando serviram a primeira refeição naquelas 48 horas: arroz, feijão e um pedaço de carne. Um preso, na cela ao lado da minha, ofereceu-me copo, água e cobertor. Fui dormir com a advertência do capitão Homero de que no dia seguinte enfrentaria a ?equipe da pesada?. Na quinta-feira três policiais acordaram-me à mesma hora do dia anterior. De estômago vazio, fui para a sala de interrogatórios. Um capitão cercado por sua equipe, voltou às mesmas perguntas. "Vai ter que falar senão só sai morto daqui", gritou. Logo depois vi que isto não era apenas uma ameaça, era quase uma certeza. Sentaram-me na "cadeira do dragão" (com chapas metálicas e fios), descarregaram choques nas mãos, nos pés, nos ouvidos e na cabeça. Dois fios foram amarrados em minhas mãos e um na orelha esquerda. A cada descarga, eu estremecia todo, como se o organismo fosse se decompor. Da sessão de choques passaram-me ao "pau-de-arara". Mais choques, pauladas no peito e nas pernas a cada vez que elas se curvavam para aliviar a dor. Uma hora depois, com o corpo todo ferido e sangrando, desmaiei. Fui desamarrado e reanimado. Conduziram-me a outra sala dizendo que passariam a carga elétrica para 230 volts a fim de que eu falasse "antes de morrer". Não cheg aram a fazê-lo. Voltaram às perguntas, batiam em minhas mãos com palmatória. As mãos ficaram roxas e inchadas, a ponto de não ser possível fechá-las. Novas pauladas. Era impossível saber qual parte do corpo doía mais; tudo parecia massacrado. Mesmo que quisesse, não poderia responder às perguntas: o raciocínio não se ordenava mais, restava apenas o desejo de perder novamente os sentidos. Isto durou até às 10 h quando chegou o capitão Albernaz. "Nosso assunto agora é especial", disse o capitão Albernaz, ligou os fios em meus membros. "Quando venho para a OB - disse - deixo o coração em casa. Tenho verdadeiro pavor a padre e para matar terrorista nada me impede... Guerra é guerra, ou se mata ou se morre. Você deve conhecer fulano e sicrano (citou os nomes de dois presos políticos que foram barbaramente torturados por ele), darei a você o mesmo tratamento que dei a eles: choques o dia todo. Todo "não" que você disser, maior a descarga elétrica que vai receber". Eram três militares na sala. Um deles gritou: "Quero nomes e aparelhos (endereços de pessoas)". Quando respondi: "não sei" recebi uma descarga elétrica tão forte, diretamente ligada à tomada, que houve um descontrole em minhas funções fisiológicas. O capitão Albernaz queria que eu dissesse onde estava o Frei Ratton. Como não soubesse, levei choques durante quarenta minutos. Queria os nomes de outros padres de São Paulo, Rio e Belo Horizonte "metidos na subversão". Partiu para a ofensa moral: "Quais os padres que têm amantes? Por que a Igreja não expulsou vocês? Quem são os outros padres terroristas?". Declarou que o interrogatório dos dominicanos feito pele DEOPS tinha sido "a toque de caixa" e que todos os religiosos presos iriam à OB prestar novos depoimentos. Receberiam também o mesmo "tratamento". Disse que a "Igreja é corrupta, pratica agiotagem, o Vaticano é dono das maiores empresas do mundo". Diante de minhas negativas, aplicavam-me choques, davam-me socos, pontapés e pauladas nas costas. À certa altura, o capitão Albernaz mandou que eu abrisse a boca "para receber a hóstia sagrada". Introduziu um fio elétrico. Fiquei com a boca toda inchada, sem poder falar direito. Gritaram difamações contra a Igreja, berraram que os padres são homossexuais porque não se casam. Às 14 horas encerraram a sessão. Carregado, voltei à cela onde fiquei estirado no chão. Às 18 horas serviram jantar, mas não consegui comer. Minha boca era uma ferida só. Pouco depois levaram-me para uma "explicação". Encontrei a mesma equipe do capitão Albernaz. Voltaram às mesmas perguntas. Repetiram as difamações. Disse que, em vista de minha resistência à tortura, concluíram que eu era um guerrilheiro e devia estar escondendo minha participação em assaltos a bancos. O "interrogatório" reiniciou para que eu confessasse os assaltos: choques, pontapés nos órgãos genitais e no estomago palmatórias, pontas de cigarro no meu corpo. Durante cinco horas apanhei como um cachorro. No fim, fizeram-me passar pelo "corredor polonês". Avisaram que aquilo era a estréia do que iria ocorrer com os outros dominicanos. Quiseram me deixar dependurado toda a noite no "pau-de-arara". Mas o capitão Albernaz objetou: "não é preciso, vamos ficar com ele aqui mais dias. Se não falar, será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis". "Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia". Na cela eu não conseguia dormir. A dor crescia a cada momento. Sentia a cabeça dez vezes maior do que o corpo. Angustiava-me a possibilidade de os outros padres sofrerem o mesmo. Era preciso pôr um fim àquilo. Sentia que não iria aguentar mais o sofrimento prolongado. Só havia uma solução: matar-me. Na cela cheia de lixo, encontrei uma lata vazia. Comecei a amolar sua ponta no cimento. O preso ao lado pressentiu minha decisão e pediu que eu me acalmasse. Havia sofrido mais do que eu (teve os testículos esmagados) e não chegara ao desespero. Mas no meu caso, tratava-se de impedir que outros viessem a ser torturados e de denunciar à opinião pública e à Igreja o que se passa nos cárceres brasileiros. Só com o sacrifício de minha vida isto seria possível, pensei. Como havia um Novo Testamento na cela, li a Paixão segundo São Mateus. O Pai havia exigido o sacrifício do Filho como prova de amor aos homens. Desmaiei envolto em dor e febre. Na sexta-feira fui acordado por um policial. Havia ao meu lado um novo preso: um rapaz português que chorava pelas torturas sofridas durante a madrugada. O policial advertiu-me: "o senhor tem hoje e amanhã para decidir falar. Senão a turma da pesada repete o mesmo pau. Já perderam a paciência e estão dispostos a matá-lo aos pouquinhos". Voltei aos meus pensamentos da noite anterior. Nos pulsos, eu havia marcado o lugar dos cortes. Continuei amolando a lata. Ao meio-dia tiraram-me para fazer a barba. Disseram que eu iria para a penitenciária. Raspei mal a barba, voltei à cela. Passou um soldado. Pedi que me emprestasse a "gillete" para terminar a barba. O português dormia. Tomei a gillete. Enfiei-a com força na dobra interna do cotovelo, no braço esquerdo. O corte fundo atingiu a artéria. O jato de sangue manchou o chão da cela. Aproximei-me da privada, apertei o braço para que o sangue jorrasse mais depressa. Mais tarde recobrei os sentidos num leito do pron to-socorro do Hospital das Clínicas. No mesmo dia transferiram-me para um leito do Hospital Militar. O Exército temia a repercussão, não avisaram a ninguém do que ocorrera comigo. No corredor do Hospital Militar, o capitão Maurício dizia desesperado aos médicos: "Doutor, ele não pode morrer de jeito nenhum. Temos que fazer tudo, senão estamos perdidos". No meu quarto a OB deixou seis soldados de guarda. No sábado teve início a tortura psicológica. Diziam: "A situação agora vai piorar para você, que é um padre suicida e terrorista. A Igreja vai expulsá-lo". Não deixavam que eu repousasse. Falavam o tempo todo, jogavam, contavam-me estranhas histórias. Percebi logo que, a fim de fugirem à responsabilidade de meu ato e o justificarem, queriam que eu enlouquecesse. Na segunda noite recebi a visita do juiz auditor acompanhado de um padre do Convento e um bispo auxiliar de São Paulo. Haviam sido avisados pelos presos políticos do presídio Tiradentes. Um médico do hospital examinou-me à frente deles mostrando os hematomas e cicatrizes, os pontos recebidos no hospital das Clínicas e as marcas de tortura. O juiz declarou que aquilo era "uma estupidez" e que iria apurar responsabilidades. Pedi a ele garantias de vida e que eu não voltaria à OB, o que prometeu. De fato fui bem tratado pelos militares do Hospital Militar, exceto os da OB que montavam guarda em meu quarto. As irmãs vicentinas deram-me toda a assistência necessária Mas não se cumpriu a promessa do juiz. Na sexta-feira, dia 27, fui levado de manhã para a OB. Fiquei numa cela até o fim da tarde sem comer. Sentia-me tonto e fraco, pois havia perdido muito sangue e os ferimentos começavam a cicatrizar-se. À noite entregaram-me de volta ao Presídio Tiradentes. É preciso dizer que o que ocorreu comigo não é exceção, é regra. Raros os presos políticos brasileiros que não sofreram torturas. Muitos, como Schael Schneiber e Virgílio Gomes da Silva, morreram na sala de torturas. Outros ficaram surdos, estéreis ou com outros defeitos físicos. A esperança desses presos coloca-se na Igreja, única instituição brasileira fora do controle estatal-militar. Sua missão é: defender e promover a dignidade humana. Onde houver um homem sofrendo, é o Mestre que sofre. É hora de nossos bispos dizerem um BASTA às torturas e injustiças promovidas pelo regime, antes que seja tarde. A Igreja não pode omitir-se. As provas das torturas trazemos no corpo. Se a Igreja não se manifestar contra essa situação, quem o fará? Ou seria necessário que eu morresse para que alguma atitude fosse tomada? Num momento como este o silêncio é omissão. Se falar é um risco, é muito mais um testemunho. A Igreja existe como sinal e sacramento da justiça de Deus no mundo "Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio. Fomos maltratados desmedidamente, além das nossas forças, a ponto de termos perdido a esperança de sairmos com vida. Sentíamos dentro de nós mesmos a sentença de morte: deu-se isso para que saibamos pôr a nossa confiança, não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos" (2Cor, 8-9). Faço esta denúncia e este apelo a fim de que se evite amanhã a triste notícia de mais um morto pelas torturas. Frei Tito de Alencar Lima, OP Fevereiro de 1970 [Fonte: http://www.torturanuncamais-sp.org/site/index.php/historia-e-memoria/270-relato-da-tortura-de-frei-tito) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110812/e186f996/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10902 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110812/e186f996/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 13 15:03:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 13 Aug 2011 15:03:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de___EIRALDO_DE_PALHA_FREIRE_____________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CCXVI-?= Message-ID: <5FF9114283DD4DD8940ADA8CA6D8B6A9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem EIRALDO DE PALHA FREIRE (1946-1970) Filiação: Walkyria Sylvete de Palha Freire e Almerindo de Campos Freire Data e local de nascimento: 15/05/1946, Belém (PA) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 04/07/1970, Rio de Janeiro (RJ) Eiraldo de Palha Freire foi baleado e preso no dia 01/07/1970, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, por militares da Aeronáutica, quando tentava seqüestrar um avião de passageiros da empresa Cruzeiro do Sul para libertar presos políticos. Também foram presos na mesma operação seu irmão Fernando Palha Freire e o casal Colombo Vieira de Souza Junior e Jessie Jane, militantes da ALN que teriam decidido realizar o seqüestro para libertar o pai de Jessie, preso político em São Paulo como militante da mesma organização. Eiraldo morreu em 04/07/70, no Hospital da Aeronáutica, sendo sepultado pela família no dia seguinte, no Cemitério São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro. Os três presos sobreviventes da tentativa de seqüestro do avião foram formalmente acusados pela morte de Eiraldo, e Colombo indiciado por tê-lo atingido. No decorrer do julgamento, a Promotoria concordou com a versão da defesa de que Eiraldo havia cometido suicídio. No processo junto à CEMDP, o relatório salienta as diferentes versões contidas nos jornais e documentos oficiais. Numa delas, Eiraldo foi morto por Colombo; em outra, suicidou-se, tendo morte imediata ainda dentro do avião; numa terceira, foi socorrido, morrendo posteriormente. Na verdade, ficou provado que ele chegou a ser acareado com Jessie Jane no DOI-CODI, na rua Barão de Mesquita, onde estava sendo interrogado. O exame de corpo de delito, realizado um dia antes da morte, no Hospital da Aeronáutica, no Galeão, quando Eiraldo já se encontrava em coma, foi firmado por Fausto José dos Santos Soares e Paulo Erital Jardim, que simplesmente registraram estar baleado. A necropsia, firmada por José Alves de Assunção Menezes e Ivan Nogueira Bastos, descreve algumas escoriações no seu corpo, como na fronte, nariz, incisões cirúrgicas nas regiões temporais e traqueostomia. O fato inquestionável é que foi visto por Jessie Jane no DOI-CODI e somente foi levado a exame de corpo de delito dois dias depois da prisão. Além disso, tinha, após o exame de corpo de delito, outros ferimentos não descritos no laudo, mas referidos na necropsia. Em decisão tomada na reunião de 05/05/1998, a CEMDP aprovou o requerimento, por maioria de votos, tendo prevalecido o entendimento de que a soma de contradições entre documentos oficiais, o desencontro entre versões, a prova taxativa de que Eiraldo foi interrogado no DOI-CODI e vários outros indícios convergiam no sentido de recomendar o deferimento. ================================================================================================================================ + Informações. ERALDO PALHA FREIRE Morto aos 24 anos de idade. Baleado no dia 1° de julho de 1970, no Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, por tropas da Aeronáutica, quando tentava seqüestrar um avião de passageiros da Cruzeiro do Sul. Mesmo ferido, Eraldo foi submetido a interrogatórios no CISA, sendo acareado com Jesse Jane V. de Souza, que foi presa junto com ele. Morreu em 04 de julho de 1970, no Hospital da Aeronaútica. O exame de corpo de delito realizado em 03 de julho de 1970, no Hospital da Aeronáutica, no Galeão, quando Eraldo já se encontrava em coma, foi firmado pelos Drs. Fausto José dos Santos Soares e Paulo Erital Jardim que simplesmente confirmam que estava baleado. O corpo de Eraldo chegou ao IML/RJ, pela Guia n° 59, da 37ª D.P. . A necrópsia firmada pelos Drs. José Alves de Assunção Menezes e Ivan Nogueira Bastos descreve algumas escoriações no seu corpo, como na fronte, nariz e incisões cirúrgicas nas regiões temporais e pescoço (traqueostomia). Foi sepultado pela família, em 05 de julho de 1970, no Cemitério São Francisco Xavier (RJ). =================================================================================================== + Detalhes. Jessie Jane Jessie Jane e Colombo Vieira de Souza eram militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e foram presos em 1º de julho de 1970, quando executavam a ação de seqüestro do Caravelle PP-PDX da Cruzeiro do Sul, no Rio de Janeiro, ao lado dos irmãos Heraldo e Fernando Palha Freire. A operação encontrou dificuldades de organização e de realização, tendo o casal permanecido nove anos nas penitenciárias de Bangu (Presídio Talavera Bruce) e Instituto Penal Cândido Mendes (Presídio da Ilha Grande). Em 1972, obtiveram autorização judicial para se casarem e em setembro de 1976, nasceu Leta, filha do casal, na Clínica São Sebastião, Rio de Janeiro, sob vigilância policial. A coleção compreende o conjunto de cartas trocadas entre o casal, de 1970 a 1976. Outros documentos sobre organizações de esquerda, ditadura militar e presos políticos a partir da década de 1960, consulte no AEL: Fundo Duarte Pacheco Pereira, Fundo Gilberto Mathias, Coleção Brasil Nunca Mais, Coleção Comitê Brasileiro pela Anistia e o acervo bibliográfico e de periódicos. =============================================================================================================== Ficha Pessoal. Eiraldo Palha Freire Dados Pessoais Nome: Eiraldo Palha Freire Dados da Militância Prisão: 1/7/1970 Rio de Janeiro RJ Brasil Aeroporto do Galeão Morto ou Desaparecido: Morto 4/7/1970 Rio de Janeiro RJ Brasil Hospital da Aeronáutica Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica CISA Brasil Força Aérea Brasileira FAB Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Fausto José dos Santos Soares, Ivan Nogueira Bastos, José Alves de Assunção Menezes, Paulo Erital Jardim Biografia Documentos Artigo de jornal FAB derrota piratas do ar no Galeão. O Globo, Rio de Janeiro, 2 jul. 1970. Trata do seqüestro do avião "Caravelle" PP-PDX, que era pilotado pelo comandante Harro Cyranka. A intenção era levar o avião para Cuba, mas as Forças Armadas conseguiram tomar o avião. Artigo de jornal A Aeronáutica libera depoimento dos seqüestradores do Caravelle. Folha da Manhã, Porto Alegre, 8 jul. 1970. Descreve o seqüestro da aeronave "Caravelle" PP-PDX, realizado por Fernando Palha Freire, Colombo Vieira de Souza, Eraldo Palha Freire e Jessie Jane. Artigo de jornal Poderá ser pedida a pena de morte para seqüestrador. Diário da Noite, 7 jul. 1970. Cita a intenção do promotor da Aeronáutica em pedir a pena de morte ou prisão perpétua de Colombo Vieira de Souza, participante do seqüestro da aeronave "Caravelle" PP-PDX. Cita também que Eraldo Palha Freire faleceu após o seqüestro da mesma aeronave, em conseqüência dos ferimentos sofridos no tiroteio durante o mesmo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110813/ec0ce449/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10987 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110813/ec0ce449/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 13 15:03:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 13 Aug 2011 15:03:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Veja_o_v=EDdeo_e_tire_suas_pr=F3?= =?iso-8859-1?q?prias_conclus=F5es_sobre_a_revolta_social_dos_joven?= =?iso-8859-1?q?s_pobres_na_Inglaterra_=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Veja o vídeo e tire suas próprias conclusões sobre a revolta social dos jovens pobres na Inglaterra . (clique no link) http://www.youtube.com/watch?v=HI1YSPHVeIA -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110813/dc7022ba/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 14 13:10:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 14 Aug 2011 13:10:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Curtam_essa_maravilha=2E=2E=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?http=3A//www=2Echicobastidores=2E=2E=2E=2E=2E______?= =?iso-8859-1?q?___________________________________HOJE_=C9_DOMINGO?= =?iso-8859-1?q?!__M=DASICAS!?= Message-ID: <216C4781F79542E9A6F927EE60279935@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Acessem o site http://www.chicobastidores.com.br/index e curtam como eu estou curtindo. Bjs, Eloisa Elena -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110814/319143c8/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 14 13:10:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 14 Aug 2011 13:10:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LUIZ_JOS=C9_DA_CUNHA_________________?= =?iso-8859-1?q?______________________-CCXVII-?= Message-ID: <8805018BA62B4D47ACE7C20E9741B303@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem luíz ( foto) com a mãe. LUIZ JOSÉ DA CUNHA (1943-1973) Data e local de nascimento: 02/09/1943, Recife (PE) Filiação: Maria Madalena da Cunha e José Joviano da Cunha Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 13/07/1973, São Paulo (SP) Trinta e três anos depois de morto pelos órgãos de segurança do regime militar, o corpo de Luiz José da Cunha, conhecido como Crioulo, finalmente foi sepultado no dia 02/09/2006, no Cemitério Parque das Flores, em Recife, ao lado do túmulo de sua mãe, Maria Madalena. A cerimônia do traslado dos restos mortais de Crioulo começou em São Paulo no dia 1º de setembro com um ato inter religioso na Catedral da Sé, quando Amparo Araújo, viúva de Luiz José, recebeu oficialmente a urna com os seus restos mortais. Nascido em Recife, em 1943 Luiz José iniciou sua militância no Partido Comunista quando ainda era estudante do Colégio Estadual Beberibe. Em 1965, participou do Comitê Secundarista da Guanabara, no Rio de Janeiro. Fez um curso de formação teórica e política marxista, em Moscou. Foi um dos primeiros a aderir à proposta de Carlos Marighela para organizar a ALN e participou de treinamento de guerrilha em Cuba, em 1969. Integrante do Comando Nacional da organização, foi o principal autor do documento Política de Organização, que abriu, em junho de 1972, um debate autocrítico sobre os problemas e as perspectivas das ações armadas naquele momento. A verdade acerca das circunstâncias de sua morte somente foi conhecida a partir do exame do caso pela CEMDP. A notícia de que tinha morrido em tiroteio fora publicada em 13/07/1973. Sua ossada, sem o crânio, foi exumada do cemitério Dom Bosco, em Perus, em 1991, onde havia sido enterrado como indigente. Somente em junho de 2006, um exame de DNA realizado pelo Laboratório Genomic finalmente identificou com certeza científica aquela ossada como sendo sua. De acordo com o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos, Luiz José da Cunha tinha sido fuzilado "pela equipe do Grupo Especial do DOI-CODI-SP, chefiada pelo agente conhecido como 'capitão Nei' e tenente da Polícia Militar (PM) 'Lott', na altura do nº 2.220 da av. Santo Amaro, em São Paulo". A partir do exame das fotos de seu corpo, no entanto, aquela versão oficial foi derrubada e a morte sob torturas ficou evidente. Com dois pedidos de vistas sucessivos, o caso somente veio a ser aprovado na CEMDP alguns meses depois. As contradições detectadas a respeito do local exato da morte; a diferença de horários contida nos documentos oficiais; o fato de Luiz José ter dado entrada no IML/SP trajando "cueca de nylon vermelha e meias pretas", depois de ter participado de um tiroteio na rua; o fato de o corpo ter permanecido no IML pouco mais de 12 horas, tendo sido enterrado como indigente, e de ter sido levado ao DOI-CODI-SP, conforme declaração de um preso político constante do processo, foram os elementos em que se apoiou a decisão da CEMDP. Esse preso político, Fernando Casadei Salles, assim testemunhou sobre os fatos: "aos gritos de que o 'Crioulo' já era!..., os policiais comemoravam o êxito da operação. O clima de histeria estabelecido só seria superado pela chegada da caravana, quando as comemorações atingiram níveis indescritíveis. Imediatamente, um corpo, aparentemente inerte, foi retirado de uma das peruas e, coberto com um cobertor, foi estendido em frente à porta de entrada que dava acesso aos setores de carceragem e tortura daquele organismo policial. Não obstante do meu ponto de observação não ter sido possível a visualização concreta do cadáver de Luiz José da Cunha, não tenho dúvidas em afirmar tratar-se do próprio, por ter escutado várias vezes e insistentemente referências ao seu nome". Além disso, foi solicitado pela CEMDP um parecer do perito criminal Celso Nenevê. Conforme o perito, "o quadro das lesões contusas que a vítima apresenta na face não coaduna com a terminologia 'tiroteio', uma vez que, necessariamente, indicam uma proximidade do oponente quando de suas produções". Nenevê ressaltou que nenhum órgão vital, como o coração e o cérebro, fora atingido e que o número de lesões contusas, a sede de suas produções, a presença de reação vital e a similaridade de suas formas constituem indícios contundentes de dominação cruel e/ou tortura. Segundo o perito, cumpre lembrar que Luiz José da Cunha sofreu, como descrito no laudo necroscópico, "ferimento pérfuro-contuso transfixante no terço médio da coxa direita com fratura e desvio completo do fêmur", estado patológico que certamente o impossibilitaria de se deslocar em estado de fuga, como mencionado na versão oficial. "É absolutamente lógico inferir que, uma vez ferida nessa condição, a citada vítima tivesse, inclusive, dificuldades de sequer se manter em pé". "Sem falar na causa mortis, hemorragia interna, com a produção de 1.200 ml de sangue fluído na região abdominal, onde não há qualquer ferimento que possa ter sido o causador de lesões nas artérias ou órgãos, mas indicativo sim de que, após ferido, sobreviveu por várias horas". ========================================================================================================================== + Informações. LUÍS JOSÉ DA CUNHA Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 02 de setembro de 1943 em Recife, Pernambuco, filho de José Joviano da Cunha e Maria Madalena da Cunha. Foi fuzilado, quando tinha 27 anos, pela equipe do Grupo Especial do DOI/CODISP, chefiada pelo agente conhecido como "Capitão Nei" e tenente da PM "Lott", na altura do n° 2200, da Av. Santo Amaro, em São Paulo, no dia 13 de julho de 1973. A emboscada montada para o assassinato de Luís José se estendia por toda a região próxima ao n° 2000 da Av. Santo Amaro. A versão oficial divulgada pelos assassinos de Luís José afirma que ele, ao ser abordado em virtude de sua atitude suspeita, teria reagido a tiros, procurando fugir ao tentar tomar à força, um carro dentro do qual havia duas moças. Segundo o testemunho de numerosos populares que assistiram a cena, Luís José realmente tentou tomar o carro, mas antes de ter qualquer chance de defesa, foi atingido pelas costas. Os tiros que feriram as duas moças, segundo ainda os depoimentos dos populares, seriam provenientes das balas dos agentes, que atiravam constante e indiscriminadamente. O laudo necroscópico foi assinado pelo médicos legistas Harry Shibata e Orlando Brandão. As fotos de seu corpo evidenciam torturas, o que faz supor que ele teria sido preso e torturado antes de ser morto. Foi enterrado no Cemitério de Perus/SP como indigente. Seu corpo, exumado em 1991, ainda não foi identificado pela UNICAMP. ============================================================================================== + Informações. Daniel - Luis José da Cunha - Dez anos mais velho que a maioria de nós, militantes do PCB, demorou a se decidir pela luta armada. Quando o fez, jogou-se de cabeça, demonstrando dedicação ímpar à causa e a seus companheiros. Marighella e Câmara Ferreira contavam com seu preparo político e suas atitudes ponderadas. Fez parte da Coordenação Nacional da ALN, e os que o conheceram o respeitam e lamentam sua morte em julho de 1973, entregue por um militante que fez acordo com a polícia. Devo minha vida em grande parte a Luis, articulador de minha saída do Brasil para fazer curso de Estado-Maior em Cuba no ano de sua morte. Durante anos preferi estar em seu lugar, hoje agradeço a meu companheiro. Até sempre, Luis José da Cunha, Daniel, David, Crioulo... ============================================================================================================= Outras Informações. Ação Civil Pública - Caso Ossadas de Perus OMPF entrou com ação em 26 de novembro de 2009, na qual pede a responsabilização da União, do Estado de São Paulo, da Unicamp, da UFMG e da USP e de cinco peritos por negligenciarem compromissos assumidos, ocasionando atrasos nas identificações das ossadas. A responsabilização pessoal dos peritos perante a sociedade brasileira e familiares dos desaparecidos políticos decorre da não conclusão dos trabalhos de identificação das ossadas encontradas no cemitério de Perus e pela demora no reconhecimento de Flávio de Carvalho Molina e Luiz José da Cunha. É pedida a condenação dos peritos a fazer um pedido formal de desculpas aos familiares de desaparecidos e à sociedade brasileira e a pagar uma indenização. A ação requer do Estado de São Paulo e da União a formação de uma estrutura para dar prosseguimento à busca dos desaparecidos. Andamento da causa: 22 de janeiro de 2010 - O juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Federal Cível de São Paulo, concede liminar e determina que a União, por meio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, e o Estado de São Paulo, pelo IML, examinem, num prazo de seis meses, as ossadas descobertas na vala comum do cemitério de Perus. Para executar a missão, o juiz determinou que a União reestruturasse em 60 dias a CEMDP e lhe forneça recursos materiais, financeiros e humanos, dotando-a inclusive de uma equipe ou um núcleo de pesquisas e diligências, com legistas, médicos e dentistas, antropólogos, geólogos e arqueólogos, todos com experiência em ossadas e dedicação exclusiva ao trabalho e de um orçamento anual de 3 milhões de reais. A União também ficaria obrigada a contratar, num prazo de 90 dias, laboratório especializado na realização de exames de DNA, para realizar exames nas ossadas oriundas da vala comum de Perus. Para colaborar com o trabalho, o Estado de São Paulo deveria constituir, em 60 dias, uma equipe de profissionais do IML para atuar no exame das ossadas. 16 de março de 2010 - A AGU recorreu de decisão que fixava prazos e multa para União e pediu a suspensão da decisão, alegando que o cumprimento da decisão, proferida em fevereiro daquele ano, representaria "flagrante afronta à ordem pública", "passível de causar grave lesão à economia pública" por provocar "excessivo ônus ao Estado brasileiro", além da suposta "inexistência de interesse público" no caso. A Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PRR-3) envia parecer ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) pedindo a manutenção da decisão da antecipação de tutela da 6ª Vara Federal Cível de São Paulo que determinou à União e ao Estado de São Paulo a identificação das ossadas. 11 de abril de 2010 - A presidência do TRF suspende a decisão de concessão de tutela antecipada a pedido da AGU. Aguarda-se a citação dos réus para dar prosseguimento ao processo, mas os trabalhos foram retomados em 2010, com peritos federais e do Estado de São Paulo, coordenados pela CEMDP e parceria com MPF. Ação Civil Pública - Ocultação de Cadáveres Em 26 de novembro de 2009, o Ministério Público Federal entrou com ação para que fosse declarada a responsabilidade pessoal de autoridades civis de São Paulo por ocultação dos corpos de militantes políticos durante a ditadura militar e por ajudarem a mantê-los sem identificação. Policiais, legistas, funcionários do serviço funerário e prefeito contribuíram para que o sistema de ocultamento fosse concretizado. O processo cita diretamente as autoridades que comandavam suas áreas. Indica que o delegado Romeu Tuma dirigiu o Dops entre 1966 e 1983 e manteve estreita colaboração com o DOI-Codi; sob sua chefia e com seu conhecimento ocorreram prisões ilegais, tortura e desaparecimentos de opositores da ditadura, sem que tenha informado os familiares. O médico legista Harry Shibata, chefe do necrotério do IML nos anos 1970, atestou falsamente os laudos de militantes mortos sob tortura, eximindo a participação de agentes da repressão na causa mortis, e também colaborou para manter a identidade falsa nos laudos. Nomeado pelos militares, Paulo Maluf (gestão 1969-1971) esteve à frente da Prefeitura de São Paulo durante a fase crítica da ditadura e foi quem ordenou a construção do cemitério de Perus, que se tornou parte do sistema de acobertamento montado pelos militares. Na gestão do prefeito Miguel Colasuonno (1973-1975), foi feita a reforma do cemitério de Vila Formosa, que procurou apagar os vestígios de sepultamento de militantes e tornou praticamente impossível sua identificação. Diretor do Serviço Funerário Municipal entre 1970 e 1974, Fábio Pereira Bueno Filho foi o elo entre o poder municipal e o IML, e, sob suas ordens, os coveiros tinham orientações específicas para dificultar a identificação e a localização das sepulturas dos militantes enterrados nos cemitérios paulistanos. O MPF pede que os cinco sejam condenados à perda de suas funções públicas e/ou aposentadorias e a reparar danos morais coletivos, mediante indenização de, no mínimo, 10% do patrimônio pessoal de cada um, revertidos em medidas de preservação da memória sobre as violações aos Direitos Humanos ocorridas na ditadura militar. O MPF sugeriu a possibilidade de os réus diminuírem a pena em dinheiro se aceitarem contar os fatos que presenciaram no período da ditadura militar e que ainda permanecem desconhecidos do público. A ação pede também a condenação da União, do Estado de São Paulo e da prefeitura paulistana. 12 de maio de 2010 - Após contestação de todas as partes apontadas, MPF pede a continuidade do processo. O juiz deve dar início à fase de produção de provas. ===================================================================================================== Folha de Pernambuco - PE 02.09.2006 | 07:18 Ossada chega ao Recife Nascido no Recife, em 1943, Luiz José iniciou sua militância do Partido Comunista Brasileiro, quando ainda era estudante do Colégio Estadual Beberibe Danilo Tenório Robert Fabisak Urna trouxe restos mortais do Comandante Crioulo Chegaram à capital pernambucana, na tarde de ontem, os restos mortais do ex-comandante da Ação Libertadora Nacional (ALN) na Ditadura Militar, Luiz José da Cunha, torturado e morto em julho de 1973, na cidade de São Paulo. O crime é atribuído à equipe do Grupo Especial do DOI-CODI. A urna que trouxe a ossada do Comandante Crioulo, como também era conhecido, desembarcou no Recife, às 17h, vinda da capital paulista, sendo levada à sede do Movimento Tortura Nunca Mais, no Cordeiro, por um carro do Corpo de Bombeiros, onde recebeu uma solene homenagem. Acompanharam o desembarque do avião na Base Aérea do Recife, entre outras autoridades, Paulo Vannuchi, secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, além da viúva de Crioulo, Amparo Araújo, 56 anos. De acordo com ela, o sentimento é de como se seu marido estivesse morrido agora. "Todo mundo tem o direito a um enterro digno. Quando foi assassinado, ele (Luiz José) foi enterrado como indigente, mas felizmente, o Estado está reparando o mal cometido", comentou. Nascido no Recife, em 1943, Luiz José iniciou sua militância do Partido Comunista Brasileiro, quando ainda era estudante do Colégio Estadual Beberibe. Em 1965, participou do Comitê Secundarista da Guanabara, no Rio de Janeiro e, em meados de 1973, foi preso, torturado e morto numa emboscada armada pelo DOI-CODI, em São Paulo. Hoje, às 16h, acontecerá o enterro dos restos mortais do revolucionário, no Cemitério Parque das Flores, em Tejipió. =============================================================================================================================== Detalhes. Luís José da Cunha Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 02 de setembro de 1943 em Recife, Pernambuco, filho de José Joviano da Cunha e Maria Madalena da Cunha. Foi fuzilado, quando tinha 27 anos, pela equipe do Grupo Especial do DOI/CODI-SP, chefiada pelo agente conhecido como "Capitão Nei" e tenente da PM "Lott", na altura do n° 2200, da Av. Santo Amaro, em São Paulo, no dia 13 de julho de 1973. A emboscada montada para o assassinato de Luís José se estendia por toda a região próxima ao n° 2000 da Av. Santo Amaro. A versão oficial divulgada pelos assassinos de Luís José afirma que ele, ao ser abordado em virtude de sua atitude suspeita, teria reagido a tiros, procurando fugir ao tentar tomar à força, um carro dentro do qual havia duas moças. Segundo o testemunho de numerosos populares que assistiram a cena, Luís José realmente tentou tomar o carro, mas antes de ter qualquer chance de defesa, foi atingido pelas costas. Os tiros que feriram as duas moças, segundo ainda os depoimentos dos populares, seriam provenientes das balas dos agentes, que atiravam constante e indiscriminadamente. O laudo necroscópico foi assinado pelo médicos legistas Harry Shibata e Orlando Brandão. As fotos de seu corpo evidenciam torturas, o que faz supor que ele teria sido preso e torturado antes de ser morto. Foi enterrado no Cemitério de Perus/SP como indigente. Seu corpo, exumado em 1991, ainda não foi identificado pela UNICAMP. "A única luta que se perde é a que se abandona." O pernambucano Luiz José da Cunha, Comandante Nacional da ALN (Ação Libertadora Nacional), conhecido também como Comandante Crioulo devido a sua origem negra, era um militante político que defendia os ideais da Democracia e do Socialismo. Engajado na luta contra a ditadura militar, foi assassinado pelos agentes do DOI-CODI na cidade de São Paulo, no dia 13 de julho de 1973, e enterrado no Cemitério de Perus como indigente. Nasceu em Recife, em 2 de setembro de 1943, filho de José Juviniano da Cunha e Maria Madalena da Cunha. Cedo ainda, secundarista do Colégio Estadual Beberibe, em Recife, começou sua militância no Partido Comunista Brasileiro. Por sua dedicação, seriedade e inteligência, fez o Curso de Formação Teórica e Política Marxista, em Moscou. Gostava de ler e estudar adquirindo assim uma ampla cultura geral sobre história e geografia dos povos. Em 1965, participou do Comitê Secundarista da Guanabara, onde desenvolveu uma grande amizade com Iuri Xavier (*) e sua família, freqüentando a casa nos finais de semana, indo aos teatros e cinemas. Foi um dos primeiros a aderir à proposta de Carlos Marighela para organizar a ALN e fez treinamento em Cuba. Desempenhou importante papel na formação de vários jovens, pois além das suas qualificações como militante experimentado, era ponderado, sabia ouvir e entender as pessoas, contribuindo muito para suportar as durezas da clandestinidade e da guerrilha. Da mesma forma que era amável, era firme e decidido em suas ações, levando até as últimas conseqüências a luta por seus ideais. Dentro da ALN, mesmo nos momentos mais difíceis quando companheiros foram mortos e se fechava o cerco da repressão, Crioulo nunca se desesperou. Até o último momento tentou fortalecer os laços com outras organizações guerrilheiras, certo de que a tarefa era grandiosa e exigia unidade dos que tinham os mesmos ideais. A iminência da morte não lhe atemorizava nem lhe fazia recuar: morreu combatendo pela causa da democracia e do socialismo, a qual dedicou sua vida. Foi preso numa emboscada armada pela equipe do Grupo Especial do DOI-CODI de São Paulo, chefiada pelo agente conhecido como "Capitão Nei" e tenente da PM "Lott", na Av. Santo Amaro, nas imediações do n°. 2000. O seu laudo necroscópico foi assinado pelos médicos legistas Harry Shibata e Orlando Brandão. As fotos de seu corpo, inclusive de sua cabeça e do seu rosto, evidenciam as torturas sofridas que o levaram à morte. Na certidão de óbito, sua cor foi alterada: colocou-se branca, mais uma vez impedindo que fosse feita sua identificação. Sua morte foi reconhecida como de responsabilidade do Estado, nos termos da Lei 9.140/95, por decisão da Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos. Em 1991, ao serem exumadas sua ossada, foram encontradas apenas algumas partes do esqueleto. Contudo não havia o crânio, o que causou mais uma terrível surpresa aos familiares e amigos que buscavam seus restos mortais, pois as fotos de seu rosto haviam sido encontradas nos arquivos policiais. Assim seus restos mortais só foram possíveis de serem identificados por meio dos exames de DNA dos fragmentos ósseos de sua coxa (o fêmur). Por solicitação da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, o Ministério Público Federal de São Paulo mandou realizar os exames de DNA,com o suporte da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e da Comissão Especial de Mortos Desaparecidos Políticos. O resultado foi positivo e, após mais 15 anos de luta e espera, finalmente Luiz José da Cunha volta para sua terra natal para ser enterrado junto ao túmulo de sua mãe. (*) Yuri Xavier foi assassinado pelos agentes da Operação Bandeirantes - DOI-CODI, em São Paulo, em 14/06/72. "... é uma vitória para os familiares. Espera-se que seja o começo de uma caminhada no sentido de garantir o direito dos familiares dos desaparecidos ao reconhecimento da violência cometida pelo Estado na época." (Marco Antônio Barbosa, Presidente da Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos). "...A melhor maneira de homenagear Luís José da Cunha, Estadista da Ação Libertadora Nacional, é divulgar sua história e sua importância em tudo que ele pôs sua presença. Desde o começo, quando era do Setor Juvenil. A cura da sua tuberculose, sua tranqüilidade, quase impossível nos pernambucanos, sua fé em ver lá na frente um futuro, por mais que os tempos sombrios se abatessem sobre tudo e quase todos." (Domingos Fernandes) Ato de translado dos restos mortais de Luiz José da Cunha Dia 1º de setembro de 2006 - 09h30 Catedral da Sé - São Paulo ·Amparo Araújo, viúva. ·Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos ·Ministério Público Federal ·Comissão Especial de Desaparecidos Políticos ·Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo ·Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Est. de SP ·Comissão de Justiça e Paz ·Fórum de Entidades Sociais, Raciais e Religiosas ·Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo ·Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República ================================================================================================ Fernanda Sucupira - Carta Maior Data: 04/09/2006 SÃO PAULO - No dia 13 de julho de 1973, o pernambucano Luiz José da Cunha, conhecido como Comandante Crioulo, foi preso numa emboscada e assassinado por agentes do DOI-Codi na cidade de São Paulo. As fotos do corpo mostram que a causa da morte foram as tortura sofridas por ele. Cunha era comandante nacional da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda, fundada no fim da década de 60 por ativistas como Carlos Marighella, que adotou a luta armada como forma de resistência à ditadura militar. Sua ossada foi encontrada no cemitério clandestino de Perus, em 1991, onde ele havia sido enterrado como indigente, mas sem a presença do crânio. Por conta disso, a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos iniciou uma longa jornada, com contribuição fundamental do Ministério Público Federal (MPF), até que, em junho deste ano, um exame de DNA finalmente identificou que aquela era a ossada de Crioulo. Só na última sexta-feira (1), após mais de 15 anos da abertura da vala onde ele estava, a viúva Amparo Araújo recebeu os restos mortais de seu marido, num ato ecumênico na Catedral da Sé, em São Paulo, para enterrá-lo no sábado (2). "Eu me comprometi com a mãe dele que, tão logo fosse possível, eu o levaria para ficar ao lado dela, lá em Recife. Hoje estou cumprindo esse compromisso. Quero agradecer ao Estado brasileiro por este momento porque as feridas que o Estado causa às pessoas, aos cidadãos, só ele pode reparar. Agora estou concluindo a morte do Crioulo, que já faz mais de trinta anos, já que a minha filha se casa neste mês, começando uma nova vida", declarou Amparo, durante o ato inter-religioso de traslado dos restos mortais, que reuniu familiares de mortos e desaparecidos políticos, parlamentares, representantes do governo federal e de entidades de direitos humanos, entre outros. Além do corpo do comandante da ANL ter sido ocultado, o atestado de óbito informava que sua cor era "branca", dificultando a identificação de Cunha. "Fomos tomados de uma triste surpresa quando seu crânio não foi encontrado. Talvez os inimigos temessem a sua cabeça, a cabeça de um negro intelectual. Crioulo, agora a sua cor também foi resgatada. De todas as formas tentaram ocultar a verdade dos fatos que envolveram sua morte, como também apagar a participação do povo negro na luta por democracia em nosso país. Mas foram muitos os militantes negros que derramaram seu sangue", disse Amelinha Telles, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Segundo ela, para esclarecer os fatos e circunstâncias em que ocorreram esses assassinatos - e outras brutais violações de direitos humanos - e garantir que todos tenham direito a um sepultamento digno, como Cunha teve, é fundamental que sejam abertos os arquivos da ditadura militar. O Procurador Regional da República, Marlon Alberto Weichert, um dos responsáveis pela identificação de Crioulo, também afirmou que não existem mais razões jurídicas, sociais ou políticas para o sigilo dos arquivos militares. "Não se trata de rever, revisar ou proclamar vencedores. Mas sim de abrir, dar transparência, expor, iluminar. Não haverá real superação das violências que, de parte a parte, caracterizam os períodos de exceção, enquanto inexistir a abertura plena dos arquivos que permitiriam conhecer, efetivamente, os fatos vividos. Impossível o amadurecimento sem o conhecimento. O país precisa conhecer a verdade, seja ela bela ou não. A cultura do segredo traz muitos prejuízos. Utiliza-se o Estado para preservar - ou promover - biografias, impedindo-se com isso o exercício responsável da cidadania, o aperfeiçoamento das instituições e a maturidade política", defendeu o representante do MPF, durante o ato. Segundo Weichert, a figura do desaparecido traz a incerteza, a insegurança e a injustiça, e paradoxalmente permite a esperança. Essa complexidade de sentimentos, diz ele, sempre foi campo propício para o exercício da crueldade. "Infelizmente, passados aproximadamente trinta anos do auge da repressão militar, ainda hoje o poder público parece cruel, protegendo e defendendo a ocultação em detrimento da paz que poderia ser devolvida às famílias. Privilegia-se o silêncio como forma de proteção aos agressores, em detrimento da moral, do decoro, da honestidade, da dignidade, em suma, da justiça", completa o procurador. De acordo com a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, a ditadura militar deixou um rastro de aproximadamente quatrocentos mortos e desaparecidos, na sua maioria jovens que dedicaram suas vidas à construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Desse total, apenas três pessoas tiveram resgatados seus restos mortais antes de Crioulo: Luiz Eurico Terreira Lisboa, assassinado em São Paulo, em 2 de setembro de 1972; Denis Casimiro, assassinado em abril de 1971, em São Paulo; e Maria Lúcia Petit, morta em 16 de junho de 1972, na região do Araguaia. "Esse ato é muito importante porque registra a continuidade de um trabalho histórico que se arrasta por mais de vinte anos e que seguirá adiante nos próximos anos. Marca a continuidade da organização, do trabalho, da pressão, dos vários grupos defensores de direitos humanos, da Comissão de Mortos e Desaparecidos daqui de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais, no sentido de levar adiante o trabalho, para localizar os corpos, fazer a identificação genética e fazer escavações sempre que houver indícios seguros", afirmou o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República. Em relação às críticas sobre a demora nesse processo, Vannuchi justifica que tal lentidão ocorre porque o Estado é burocrático e não basta ter vontade política para fazer as coisas. Em segundo lugar, diz, existe a própria delicadeza evidente do tema. Ele afirma que não é verdade que o Brasil tenha aberto menos arquivos da repressão política do que Argentina, Chile e Uruguai. "Os que estão abertos à visitação pública lá são os arquivos das comissões que ouviram depoimentos de familiares, que trouxeram notícias de jornal e documentos que eles tinham. Nenhum arquivo da repressão política foi aberto nesses países como foi no Brasil", argumenta o ministro. "Muito antes do governo Lula, foram abertos os arquivos estaduais do DOPS de estados como São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Ceará. Agora no governo Lula, em dezembro do ano passado, foram abertos os arquivos da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] e a imprensa com má vontade disse que nesses arquivos não tem nada, sem investigá-los antes, sem ir lá. Todos os jornais disseram que não tinha registro. Mas registros de papel dizendo vai lá e mate o Marighella nunca existiram. Nunca houve documentos montando uma operação e dizendo "fulano está sendo torturado, prossiga a sessão de tortura por mais três dias", os criminosos não fazem ata das suas reuniões. Os arquivos já abertos têm um acervo enorme de dados que vão ajudar o trabalho da Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos agora", acredita Vannuchi. Neste mês, a Comissão Especial da SEDH começa uma nova etapa de seu trabalho iniciado em 1995. Há mais de uma década seus integrantes vêm analisando casos de mortos e desaparecidos políticos e fornecendo reparação moral e indenização financeira à família das vítimas. Ainda em setembro, devem começar a coletar sangue dos familiares de mortos e desaparecidos para constituir um banco de DNA, com o perfil genético de cada um deles, que será armazenado eletronicamente, para a aguardar o desfecho dos trabalhos em curso de investigação e localização das ossadas e poder identificá-las. Depois disso, provavelmente já no início de 2007, a comissão vai colher depoimentos oficiais de qualquer pessoa que tenha informações ou indícios de possíveis sítios de localização dos mortos e desaparecidos, sejam os familiares das vítimas, os sobreviventes ou eventuais ex-agentes dos órgãos de repressão que queiram depor. ==================================================================================================================== + Detalhes. MORTE POR TORTURA Mais um militante morto pela ditadura foi identificado. A ossada de Luiz José da Cunha, o "Crioulo", foi identificada quarta-feira (28) e comprova a morte por tortura e não por tiros, como havia informado o governo na época. Luiz morreu aos 29 anos, quando comandava a Ação Libertadora Nacional (ALN) durante o período da ditadura militar. O resultado do exame de DNA foi divulgado pelo presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Marco Antonio Barbosa, e atendeu a pedido da viúva, Amparo Araújo. Em 1997, com a criação da Comissão, o processo legal para exame de DNA foi iniciado e ela recebeu R$ 111 mil de indenização, depois de atestado que Luiz havia sido torturado antes de morrer. Em 1991, com a abertura dos arquivos do DOI-Codi em São Paulo, as imagens do corpo do militante revelaram 11 lesões no rosto, nenhuma produzida por arma de fogo, e apenas um tiro na perna. Escrito por Marco Weissheimer às 12h31 ======================================================================================================= Poema de Pedro Tierra para o Comandante Crioulo pedro tierra Pseudônimo de Hamilton Pereira, que nasceu em Porto Nacional (TO), em 1948. Viveu em seminários e prisões. Por sua militância na Ação Libertadora Nacional (ALN), cumpriu cinco anos de prisão (1972/77) em Goiânia Brasília e São Paulo, sofrendo tortura. Libertado, contribuiu para fundar e organizar Sindicatos de Trabalhadores Rurais. É membro da diretoria executiva do PT desde 1987. Foi secretário de Cultura do Distrito Federal. Desde 2003 é presidente da Fundação Perseu Abramo. Militante informal do MST; participou da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Bibliografia:Poemas do Povo da Noite, Menção Honrosa no Prêmio Casa de Las Américas, em 1977(Sigueme, Salamanca, Espanha, EMI, Milão, Itália, e Livramento, S. Paulo); Missa da Terra sem-males, em parceria com Pedro Casaldáliga e Martin Coplas (Livramento, Tempo e Presença, S. Paulo); Missa dos Quilombos, com Pedro Casaldáliga e Milton Nascimento (disco da EMI); Água de Rebelião (Vozes); Inventar o Fogo (Goiânia); Zeit der Widrikeiten , antologia (Edition DIÁ, Berlin); Dies Irae (Edição do autor, Goiânia, e MLAL, Roma, Itália). OFICINA Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás. Che Guevara Ao companheiro Luiz José da Cunha, assassinado em julho de 1973 Há nesta cidade uma oficina. Há nesta noite uma oficina. Os ferreiros são apenas sombras, na hora tardia dos encontros. Reter a palavra quando o gesto é possível. Descer a rua como a bruma sobre o mar. O vigia não perceba mais que o vento, um sereno mais intenso. Há neste país uma oficina. Há uma oficina na América. Percebemos daqui o martelar das ordens: recortar no aço o rosto dos ferreiros, a mão taciturna dos ferreiros. Trabalhar no ferro a vontade dos escolhidos, a alma retificada na dor, a crença que resistiu purificada. Há na madrugada uma oficina. Há no sangue do povo uma oficina de reservas infinitas, que se reconstrói a cada minuto. Você, companheiro, encontre os homens que labutam na forja e diz a eles por mim: não malhem na bigorna sem ternura. =========================================================================== Luiz José da Cunha Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz José da Cunha Cidade: (onde nasceu) Recife Estado: (onde nasceu) PE País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 2/9/1943 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Ação Libertadora Nacional ALN Brasil Nome falso: (Codinome) Gomes, Crioulo, David, Gastão, Ivo, Buche, Antônio dos Santos Oliveira, José Mendonça dos Santos Morto ou Desaparecido: Morto 13/7/1973 São Paulo SP Brasil Av. Santo Amaro, altura do n. 2200 Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Capitão Nei , Tenente Lott Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Harry Shibata, Orlando Brandão Biografia Biografia Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 2 de setembro de 1943 em Recife, Pernambuco, filho de José Joviano da Cunha e Maria Madalena da Cunha. Foi fuzilado, quando tinha 27 anos, pela equipe do Grupo Especial do DOI-CODI/SP chefiada pelo agente conhecido como "Capitão Nei" e tenente da PM "Lott", na altura do n. 2200 da Av. Santo Amaro, em São Paulo, no dia 13 de julho de 1973. A emboscada montada para o assassinato de Luiz José se estendia por toda a região próxima ao n. 2000 da Av. Santo Amaro. A versão oficial divulgada pelos assassinos de Luiz José afirma que ele, ao ser abordado em virtude de sua atitude suspeita, teria reagido a tiros, procurando fugir ao tentar tomar à força um carro dentro do qual havia duas moças. Segundo o testemunho de numerosos populares que assistiram a cena, Luiz José realmente tentou tomar o carro mas, antes de ter qualquer chance de defesa, foi atingido pelas costas. Os tiros que feriram as duas moças, segundo ainda os depoimentos dos populares, seriam provenientes das balas dos agentes, que atiravam constante e indiscriminadamente. O laudo necroscópico foi assinado pelos médicos legistas Harry Shibata e Orlando Brandão. As fotos de seu corpo evidenciam torturas, o que faz supor que ele teria sido preso e torturado antes de ser morto. Foi enterrado no Cemitério de Perus, SP como indigente. Seu corpo, exumado em 1991, ainda não foi identificado pela UNICAMP. Documentos Foto Três fotos do corpo, sendo que uma refere-se a material do arquivo do DOPS. Foto Foto de rosto, seguido de breve relato sobre as circunstâncias da morte. Foto Fotos originais e preto e branco de busto. Relatório Informação do II Exército, São Paulo, SP, para o DOI-CODI, de 19/09/73. Relata que, no dia 13/07/73, elementos do DOI-CODI encontraram Luís José da Cunha, na Av. Santo Amaro em São Paulo que, ao receber voz de prisão, iniciou tiroteio que culminou com a sua morte. Um pouco antes de morrer, Luís tentou se apoderar de um carro ocupado por duas moças, ferindo-as também. A vítima portava documentos falsos em nome de José Mendonça dos Santos. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Relatório Informação do II Exército, de 23/08/73, pertencente ao arquivo do DOPS. Relata que, em 13/07/73, elementos do DOI-CODI encontraram Luís José da Cunha na Av. Santo Amaro, na cidade de São Paulo que, ao receber voz de prisão, iniciou tiroteio que culminou com a sua morte. Um pouco antes de morrer, Luís tentou se apoderar de um carro ocupado por duas moças, ferindo-as também. A vítima portava documentos falsos em nome de José Mendonça dos Santos. Relata também que, em 16/07/73, elementos do DOI-CODI encontraram Helber José Gomes Goulart que, da mesma forma, iniciou tiroteio que levou à sua morte. Helber portava documentos falsos em nome de Valter Aparecido dos Santos e de Acrisio Ferreira Gomes. O documento traz a informação de que, em 11/72, Helber, em companhia de Aurora Maria do Nascimento Furtado, travou tiroteio com a polícia, mas ambos conseguiram fugir. Relatório Informação da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, de 24/04/72, com informações pessoais e de militância de Luís José da Cunha. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 27/08/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Maria do Amparo de Almeida Araújo e Maria Madalena da Cunha, companheira e mãe de Luís José da Cunha, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Luís e o voto de Suzana favorável ao deferimento do pedido. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Luís José da Cunha, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 24/04/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Prontuário/ Dossiê Ficha com dados pessoais de identificação para antropologia forense na UNICAMP e IML (Campinas), preenchida por familiares para identificação das ossadas de Perus. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 15/05/72. Informa que Luís José da Cunha era conhecido pelo nome de Antônio dos Santos Oliveira, teria feito curso de guerrilha em Cuba e morrido em tiroteio com órgão de segurança, em 13/07/73. Ficha pessoal Relata que Luis José da Cunha portava carteira de identidade em nome de José Mendonça dos Santos e que foi morto em tiroteio. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Ficha pessoal Prontuário civil de Luiz José da Cunha, do Serviço de Identificação de Pernambuco, de 11/10/76, com foto, dados pessoais, impressões digitais e assinatura. Ficha pessoal Documento do arquivo do DOPS, com carimbo de 26/07/73, com informações manuscritas sobre Luís José da Cunha: indica nomes e documentos falsos, além de dados pessoais. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 16/07/73, realizado por Harry Shibata e Orlando Brandão. Há uma cópia com o carimbo do arquivo do DOPS. Certidão de óbito Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América de São Paulo, SP, em 14/07/73, com atestado de óbito firmado por Harry Shibata, pertencente ao arquivo do DOPS. Há outra certidão do mesmo cartório, original, de 18/08/80. Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML/SP, de 13/07/73. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista. Consta que Luís José da Cunha teria travado tiroteio com órgãos de segurança, vindo a falecer. Impressões digitais Documento do Departamento de Identificação de São Paulo, sem data, do arquivo do DOPS. Ofício Informação do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 13/08/73, comunicando envio de panfleto distribuído aos moradores e comerciantes da Av. Santo Amaro, na cidade de São Paulo, sobre o jovem Luiz José da Cunha. Traz em anexo cópia do panfleto contando que Luís José da Cunha falecera em tiroteio com a polícia e que nos jornais ele apareceu como perigoso subversivo, acusado da morte de um comerciante. O panfleto revela que o tal comerciante era um informante que ocasionou a morte de outros jovens como Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic, Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Seiko Okama, Manoel Penteado (Francisco Emanoel Penteado) e Ronaldo Mouth Queiroz. Ofício Fax do II Exército, de 13/07/73, informando a morte de Luís José da Cunha neste mesmo dia, em combate, na Av. Santo Amaro, em São Paulo, SP, e que, entre outras ações, participou do assassinato de um comerciante português do bairro da Moóca, em fevereiro, na mesma cidade. Pertence ao arquivo do DOPS. Ofício Documento da Secretaria de Estado dos Negócios de Segurança Pública do Paraná ao diretor da Polícia Civil, em 24/05/72. Encaminha a informação da identificação de Luís José da Cunha como terrorista. Consta que Luís participava da coordenação da Ação Libertadora Nacional (ALN) e que estivera em Cuba em 1969. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Não sei se há a intenção de recriminação, comemoração, ou apenas uma ambigüidade intencional. A questão do tratamento de prisioneiros de guerra é normatizada pelas Convenções de Genebra de 1949 (e em vigor desde 1950), e das quais o Brasil é signatário (http://www.icrc.org/web/por/sitepor0.nsf/html/genevaconventions#a1) e que, em seu artigo 3º, contempla os conflitos armados não-internacionais: "O artigo 3º , comum às quatro Convenções de Genebra, marcou um avanço, uma vez que, pela primeira vez, contempla os conflitos armados não-internacionais. Esses tipos de conflito variam muito. Eles incluem guerras civis tradicionais, conflitos armados internos que se expandem para outros Estados ou conflitos internos nos quais um terceiro Estado ou uma força multinacional intervém junto com o governo. O Artigo 3º Comum estabelece regras fundamentais que não podem ser derrogadas. É como uma mini-Convenção dentro das Convenções, pois contém regras essenciais das Convenções de Genebra em um formato condensado e as torna aplicáveis aos conflitos de caráter não-internacional". O fato é que, a impunidade - que já é de inaudita gravidade em qualquer contexto - hoje assume dimensões e conseqüências mais assombrosas. Explico: no presente contexto, onde está posta a quebra da economia dos EUA, e sua expansão em cadeia a arrastar diversos países; onde as guerras e sua generalização tem sido uma das principais medidas de Washington para tentar se manter de pé, mobilizando a Otan e seus aliados em todos os continentes; onde, nas forças armadas do nosso país graçam, além da defesa da impunidade dos crimes da ditadura, idéias como aquelas externadas pelo ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2007), general Jorge Armando Félix, segundo as quais o Brasil tem que "pagar um preço" se quer ser uma liderança mundial, e esse preço a que se refere é exatamente se acostumar "com sacos de corpos" voltando da guerra; qualquer violação das Convenções de Genebra pelo Brasil, mais que nunca, significará permitir e acrescentar mais terrores, aos terrores que são as guerras. No pé desta mensagem, depois das notícias da Folha de S. Paulo, segue um material que pode nos esclarecer sobre as Convenções de Genebra de 1949. Putabraço, Alipio Freire, neste Dia dos Pais sob um céu cinzento em São Paulo -------------------------------------------------------------------------------- To: osamigosde68 From: Urariano Mota Date: Sun, 14 Aug 2011 06:09:47 -0300 Subject: [osamigosde68] Médico da morte no Araguaia Olhem só a mais feroz ironia. O médico saiu candidato depois pelo PHS - Partido Humanista da Solidaiedade. Na Folha de São Paulo, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1408201112.htm Injeção letal teria sido usada no Araguaia Soldados do combate reconhecem coronel reformado como médico suspeito de matar guerrilheiras com o método Militar da reserva do Exército Walter da Silva Monteiro refuta que tenha envolvimento na guerrilha nos anos 70 JOÃO CARLOS MAGALHÃES DE BRASÍLIA FELIPE LUCHETE DE BELÉM Soldados da Guerrilha do Araguaia (1972-74) reconheceram um coronel aposentado de Belém como sendo o médico de bases militares onde ocorreram torturas e levantam a suspeita de seu envolvimento na morte de guerrilheiras com injeções letais. Quatro ex-soldados localizados pela Folha identificaram, por foto, Walter da Silva Monteiro, 74, como o médico militar conhecido à época como "capitão Walter". A suspeita de sua participação nas mortes surgiu em um vídeo com dois ex-soldados, gravado em abril pelo grupo do governo federal que procura ossadas das vítimas. As testemunhas dizem ter convivido com Monteiro no 52º Batalhão de Infantaria de Selva, em Marabá (PA), de onde partia para missões em outras bases na região. O reconhecimento do "capitão Walter" foi feito por meio de sua imagem contida num registro de candidatura, guardado no Tribunal Regional Eleitoral do Pará. Em 2002, ele tentou se eleger deputado federal pelo PHS. INJEÇÕES "Esse aí era da linha de frente", relata o ex-soldado Adaílton Bezerra, que disse ter sido víti ma de um suposto erro do médico -uma lavagem no ouvido teria resultado em danos no tímpano. Monteiro, que já dirigiu dois dos principais hospitais de Belém, nega participação na Guerrilha do Araguaia. Mesmo assim, será convidado a depor na Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos, ligada à Presidência da República. Ele está livre de punição, graças à Lei da Anistia. O militar, hoje na reserva do Exército, pode ser um arquivo vivo das violações aos direitos humanos no Araguaia, diz Paulo Fonteles Filho, observador do grupo do governo que busca ossadas. Foi ele quem produziu o vídeo no qual aparece o relato sobre as injeções letais. As possíveis mortes por esse método existem apenas em relatos. A primeira menção a elas ocorreu há dois anos, por meio de um oficial do Exército que atuou no conflito. Mas a citação ao "capitão Walter" surgiu só no vídeo de abril. "A gente ouviu circular no quartel que duas guerrilheiras tinham sido mortas com injeção. O pessoal dizia que tinha sido o capitão Walter, o médico", disse o ex-soldado Manuel Guido Ribeiro na gravação. Ele confirmou à Folha o teor do vídeo. Nele, está acompanhado por um colega, José Adalto Xavier, não localizado pela Folha. Bezerra e outro ex-soldado, Raimundo Melo, confirmam que ouviram à época a história, mas não a ligam a Monteiro. Agora, o observador do governo federal quer achar outras pessoas que deem mais detalhes das mortes. -------------------------------------------------------------- Médico nega envolvimento na guerrilha DE BRASÍLIA DE BELÉM O coronel da reserva Walter da Silva Monteiro negou ter participado da Guerrilha do Araguaia. O primeiro contato ocorreu por uma mensagem de ce lular, em 15 de julho. O número foi dado pelo vereador Fernando Dourado (DEM), que prop??s o título de "Cidadão de Belém" a Monteiro e disse desconhecer a participação dele na guerrilha. Informado dos relatos dos ex-soldados sobre seu envolvimento em mortes por injeção letal, ele respondeu: "Você é louco. Nessa época eu tinha 16 anos e nem formado eu era, muito menos militar. Vá se informar direito!" Mas, de acordo com seu registro eleitoral, em 1972, quando o conflito começou, ele completou 35 anos. Duas semanas depois, a Folha foi até sua casa, em Belém. Ele não aceitou receber a reportagem. Em uma rápida conversa pelo interfone de seu prédio, limitou-se a afirmar que no período da guerrilha estava em Belém, e não na região do conflito. Procurado, o Exército disse que Monteiro não aceitou liberar as informações sobre em que locais trabalhou durante sua carreira militar. (JCM e FL) As Convenções de Genebra: a essência do Direito Internacional Humanitário As Convenções de Genebra e os Protocolos Adicionais são tratados internacionais que contêm as regras mais importantes que limitam a barbárie da guerra. Elas protegem as pessoas que não participam do combate (civis, médicos e profissionais de socorro) e os que não mais participam do combate (soldados feridos, doentes, náufragos e prisioneiros e guerra). Veja os links para fontes selecionadas. As Convenções de Genebra de 1949 Em que situações se aplicam as Convenções de Genebra? Os Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra As Convenções de Genebra e seus Protocolos Adicionais são a essência do Direito Internacional Humanitário, o conjunto de leis que rege a conduta dos conflitos armados e busca limitar seus efeitos. Eles protegem especificamente as pessoas que não participam dos conflitos (civis, profissionais de saúde e de socorro) e os que não mais participam das hostilidades (soldados feridos, doentes, náufragos e prisioneiros de guerra). As Convenções e seus Protocolos apelam para que sejam tomadas medidas para evitar ou para acabar com todas as violações. Eles contêm regras rigorosas para lidar com as chamadas "violações graves" (em inglês). Os responsáveis pelas violações graves devem ser buscados, julgados ou extraditados, independente de suas nacionalidades. As Convenções de Genebra de 1949 A primeira Convenção de Genebra protege feridos e enfermos das forças armadas em campanha. Esta Convenção representa a quarta versão atualizada da Convenção de Genebra sobre feridos e enfermos depois das adotadas em 1864, 1906 e 1929. Contém 64 artigos que protegem não só os feridos e enfermos, mas também o pessoal médico e religioso, as unidades e os transportes médicos. A Convenção também reconhece os emblemas distintivos. Apresenta dois anexos: um projeto do acordo relativo às zonas e localidades sanitárias e um modelo de cartão de identidade para pessoal sanitário e religioso. A segunda Convenção de Genebra protege feridos, enfermos e náufragos das forças armadas no mar Esta Convenção substitui a Convenção de Haia de 1907 sobre a Adaptação dos Princípios da Convenção de Genebra de 1864 a Guerras Marítimas. Segue as disposições da Primeira Convenção de Genebra em termos de estrutura e conteúdo. Contém 63 artigos que se aplicam especificamente a guerras marítimas. Por exemplo, protege os navios-hospitais. Também contém um anexo com um modelo de cartão de identidade para pessoal sanitário e religioso. A terceira Convenção de Genebra se aplica aos prisioneiros de guerra. Esta Convenção substitui a Convenção sobre Prisioneiros de Guerra de 1929. Contém 143 artigos, enquanto a de 1929 continha apenas 97. As categorias de pessoas com direito ao status de prisioneiro de guerra foram ampliadas de acordo com as Convenções I e II. As condições e os locais de cativeiro também foram definidos com mais precisão, em particular com relação ao trabalho de prisioneiros de guerra, seus recursos pecuniários, o socorro que recebem e os processos judiciais contra eles. A Convenção estabelece o princípio de que os prisioneiros de guerra devem ser liberados e repatriados sem demora após o término das hostilidades ativas. A Convenção tem cinco anexos com vários modelos de acordos e cartão de identidade e outros cartões. A quarta Convenção de Genebra protege os civis, inclusive em territórios ocupados. As Convenções de Genebra, adotadas antes de 1949, se preocupavam apenas com os combatentes, mas não com os civis. Os eventos da II Guerra Mundial mostraram as consequências desastrosas da ausência de uma convenção para proteger os civis em tempos e guerra. A Convenção adotada em 1949 leva em consideração as experiências da II Guerra Mundial. É composta por 159 artigos e contém uma pequena seção referente à proteção geral das populações contra certas consequências da guerra, sem tratar da conduta das hostilidades, que foi examinada depois nos Protocolos Adicionais de 1977. A parte principal das Convenções aborda o status e o tratamento de pessoas protegidas, a distinção entre os estrangeiros em território de uma parte em conflito e os civis em território ocupado. Ela esclarece as obrigações da Potência Ocupante com relação à população civil e contem disposições detalhadas sobre o socorro humanitário em território ocupado. Também contém um regime específico para o tratamento de civis internados. Seus três anexos contêm um projeto de acordo relativo às zonas e localidade sanitárias e de segurança, projeto de regulamento relativo ao socorro humanitário e modelos de cartões. Artigo 3º Comum O artigo 3º (em inglês), comum às quatro Convenções de Genebra, marcou um avanço, uma vez que, pela primeira vez, contempla os conflitos armados não-internacionais. Esses tipos de conflito variam muito. Eles incluem guerras civis tradicionais, conflitos armados internos que se expandem para outros Estados ou conflitos internos nos quais um terceiro Estado ou uma força multinacional intervém junto com o governo. O Artigo 3º Comum estabelece regras fundamentais que não podem ser derrogadas. É como uma mini-Convenção dentro das Convenções, pois contém regras essenciais das Convenções de Genebra em um formato condensado e as torna aplicáveis aos conflitos de caráter não-internacional: a.. Estabelece que todas as pessoas em poder do inimigo, sem qualquer discriminação, devem receber tratamento humano. Proíbe especificamente o homicídio sob todas as formas, as mutilação, as torturas, os tratamentos cruéis, humilhantes ou degradantes, as tomadas de reféns e os julgamentos injustos. b.. Também estabelece que os feridos, enfermos e náufragos sejam recolhidos e tratados. c.. Concede ao CICV o direito de oferecer seus serviços às partes em conflito. d.. Pede às partes em conflito que se esforcem para pôr em vigor todas ou parte das Convenções de Genebra por meio dos chamados acordos especiais. e.. Reconhece que a aplicação dessas regras não afeta o estatuto jurídico das partes em conflito. Devido a que a maioria dos conflitos armados de hoje são não-internacionais, a aplicação do Artigo 3º Comum é de suma importância. Ele deve ser respeitado por completo. a.. Veja também: Crescente respeito pelo Direito Internacional Humanitário em conflitos armados não-internacionais (em inglês) Em que situações se aplicam as Convenções de Genebra? Estados Parte das Convenções de Genebra As Convenções de Genebra entraram em vigor no dia 21 de outubro de 1950. O número de ratificações aumentou de forma gradual nas últimas décadas: 74 Estados ratificaram as Convenções durante a década de 50; 48 Estados o fizeram na década de 60; 20 Estados na década de 70; e outros 20 Estados as assinaram durante a década de 80. Vinte e seis países ratificaram as Convenções no início da década de 90, a maioria depois da dissolução da União Soviética, da Tchecoslováquia e da antiga Iugoslávia. Com as sete novas ratificações desde o ano 2000, o número de Estados Parte totaliza 194, tornando as Convenções de Genebra universalmente aplicáveis. Os Protocolos Adicionais das Convenções de Genebra Nas duas décadas após a adoção das Convenções de Genebra, o mundo testemunhou um aumento no número de conflitos armados não-internacionais e de guerras por independência. Em resposta a isso, foram adotados em 1977 dois Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra de 1949. Eles fortalecem a proteção das vítimas de conflitos armados internacionais (Protocolo I) e não-internacionais (Protocolo II) e determina limites dos métodos de guerra. O Protocolo II foi o primeiro tratado internacional exclusivamente dedicado às situações de conflitos armados não-internacionais. Em 2007, um terceiro Protocolo Adicional foi adotado criando um emblema adicional, o Cristal Vermelho, que tem o mesmo status internacional dos emblemas da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. a.. Protocolo Adicional I ? conflitos internacionais b.. Protocolo Adicional II- conflitos não-internacionais c.. Protocolo Adicional III- emblema distintivo adicional. (em inglês) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110814/2f746307/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 125313 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110814/2f746307/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 15 20:45:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 15 Aug 2011 20:45:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Na_luta_contra_o_c=C3=A2ncer=2C_pesqui?= =?utf-8?q?sador_anuncia_que_resina_cont=C3=A9m_dezenas_de_vezes_ma?= =?utf-8?q?is_flavon=C3=B3ides_do_que_vegetais=2E__________________?= =?utf-8?q?_HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=C3=9ADE_E_AL?= =?utf-8?b?SU1FTlRBw4fDg08h?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Carlos Caridade From: Augusto Moreira http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/novembro2003/ju236pag05.html#top 5 Yong Park extrai mais esperança da própolis Na luta contra o câncer, pesquisador anuncia que resina contém dezenas de vezes mais flavonóides do que vegetais Ultimamente, pesquisadores do exterior não vêm dando paz ao professor Yong Kun Park. Aposentando, mas incapaz de abandonar as atividades na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, ele ganhou notoriedade e prêmios internacionais com pesquisas sobre a própolis brasileira. Park e seus orientados colheram amostras de variados tipos de própolis por quase todo o país (falta a Amazônia, onde já trabalham) e descobriram nelas importantes propriedades anticancerígenas e anti-HIV. Os extratos obtidos motivam pesquisas em centros avançados como Japão e Estados Unidos, na busca por medicamentos que eliminem nos doentes a desesperança. O assédio a Yong Park começou em junho deste ano, quando ele viajou a Kobe para conferir de perto os resultados relativos à concentração de flavonóides nas amostras de própolis que enviara a colegas japoneses. "A própolis possui dezenas de vezes mais flavonóides do que qualquer vegetal", festeja o professor. A festa se justifica. O flavonóide é um composto fenólico presente nos vegetais e, desde o início dos anos 1990, estuda-se mundialmente a sua eficácia no combate a um perigoso invasor do corpo humano: a dioxina, produzida na degradação de produtos contendo cloro, como plásticos e herbicidas. A dioxina contamina o solo, a água e os vegetais, sendo absorvida pelos animais e, na ponta desta cadeia alimentar, invade as células humanas levando à formação de substâncias cancerígenas. Por isso, ganhou o nome de hormônio ambiental. Está associado a cânceres de pulmão, cérebro e próstata. "Dentro do corpo se produz o hormônio endócrino, que entra na célula denominada "receptor" e envia sinais ao núcleo, estimulando o gene a formar compostos necessários para nossa fisiologia. Estamos, então, sobrevivendo. O problema é que a dioxina ocupa o lugar por onde entraria o hormônio endócrino. A ingestão de flavonóides combate essa invasão, porque eles deslocam a dioxina do receptor, ocupando a mesma posição na célula", ensina o professor. Se, por isso, os pesquisadores já reconheciam a importância dos vegetais na dieta alimentar, é imaginável o impacto da notícia de que a própolis contém flavonóides em quantidade exponencial. "Já recebi apoio da Finep para prosseguir nesta linha de pesquisa. Para os testes no Japão, enviei apenas amostras de própolis que tinham o flavonóide em maior concentração. Agora, vamos investigar todas, visto que apresentam propriedades diferentes, além de outros vegetais e ervas que contenham o composto", afirma o pesquisador. Universidades como a de Kobe realizam estudos para supressão do hormônio ambiental há pelo menos dez anos. No Brasil, nada se fez, e os flavonóides da própolis nem provocaram eco. "Já os países desenvolvidos me procuram a toda hora. Estou voltando de uma viagem com os japoneses pelo Nordeste e à Carolina do Norte", revela. Os norte-americanos, igualmente atentos, já sugeriram a Park que redirecionasse o trabalho para a inibição do vírus da Aids. "Se a própolis e seus flavonóides comprovarem eficácia contra o HIV, os pesquisadores envolvidos ganham o Prêmio Nobel", brinca. Brincadeira, mas nem tanto. Instigado, o professor admite que as pesquisas com a própolis, em seu conjunto, não estão tão longe de cumprir requisitos para a premiação. Trajetória ? A postura humilde e o espírito risonho dos orientais se acentuam quando Yong Park é convidado a falar da vida pessoal. Recusa-se, gentilmente. A professora Gláucia Pastore, que convive com ele há tempos na FEA, não titubeia: "O professor Park é a maior autoridade mundial em própolis. Para medir a importância de sua linha de trabalho, basta dizer que a própolis, assim como outros vegetais, possuem componentes capazes de reduzir a poluição ambiental que o próprio indivíduo carrega e que pode levar a doenças degenerativas. A dioxina, no caso, é o grande inimigo oculto nas águas e solos das cidades industrializadas". É a professora, também, quem repassa a trajetória de Yong Park. Nascido na Coréia do Norte, desceu para Seul e formou-se em medicina. Nos tempos da guerra da Coréia, migrou para o Japão, onde estudou por alguns anos, até cruzar o mundo e tornar-se um dos principais patologias das forças armadas americanas. "Mas ele queria propostas novas, nos Estados Unidos seria apenas mais um médico. O Brasil despontava como promessa e o professor veio para o Ital. A convite de Zeferino Vaz, criou na Unicamp a área de bioquímica de alimentos. Nesta área, tudo o que existe no país veio depois dele", afirma. O enxame ? Yong Park guarda na memória as cenas de "O Enxame", de 1978, que enterrou a carreira do produtor de filmes-catástrofe Irwin Allen, depois dos sucessos de "O Destino de Posseidon" e "Inferno na Torre". "A invasão dos Estados Unidos por abelhas africanas é muita fantasiosa, mas comecei a me interessar por própolis", conta. A verdade, na trama, é que tudo começou no Brasil. O pesquisador Warwick Estevan Kerr, considerando baixa a produção de mel pela abelha Apis mellifera, européia, resolveu cruzá-la com uma espécie africana, a mortífera Apis mellifera scutellata. Alguém retirou a malha de proteção e trinta abelhas escaparam, enxameando e se espalhando pelas Américas, fazendo vítimas fatais. Daí, o filme. Kerr levou a culpa pelo acidente, mas conseguiu o cruzamento com as abelhas que restaram e fez nascer a Apis mellifera africanizada. Ele e Yong Park viriam a se conhecer e trocar idéias posteriormente. No Sul, o professor da FEA desenvolveu uma pesquisa comparativa em campo, constatando que a abelha africanizada é muito mais eficiente do que a européia na produção de própolis. Este trabalho foi publicado no Japão e alavancou a trajetória de Park na área de biotecnologia voltada à própolis e outros alimentos funcionais. Kerr, por seu lado, ganhou o respeito dos apicultores brasileiros ao multiplicar por dez a produção de mel. O truque das abelhas O professor Yong Park explica que os vegetais, no estágio de brotos, estão vulneráveis a microorganismos e insetos; para se proteger, produzem enzimas que funcionam como os anticorpos nos humanos. A colméia, que guarda o néctar das plantas, ficaria igualmente vulnerável a invasores. Ocorre que as abelhas aprenderam a coletar as enzimas que protegem os vegetais, fechando com elas a parte externa das colméias. "Países europeus, principalmente do leste, há dois mil anos usam a resina das colméias para tratar de doenças infecciosas", conta. Hoje estão confirmadas as propriedades antiinflamatórias, antimicrobianas, antioxidantes e anticancerígenas da própolis. O detalhe é que não existe apenas um tipo de própolis, como se pensava. Estados Unidos e Europa pensavam assim porque possuem climas temperados, em que maioria dos vegetais é visitada pela abelha da espécie "álamo", sendo esta a resina predominante. "No Brasil, com a maior biodiversidade do planeta e seu clima tropical ou subtropical, encontramos variados tipos de própolis, conforme a origem botânica, e todos com atividades farmacológicas diferentes", acrescenta Yong Park. Em 1994, o professor apresentou o trabalho de sua equipe na Europa e Japão, classificando 12 grupos de própolis, divididos conforme a concentração de compostos químicos. Era fruto da avaliação de 500 amostras coletadas nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Testes nos EUA, comprovando propriedades citotóxicas, anti-HIV e anti-cárie nas amostras, foram repercutidos por publicações científicas e pela mídia. Yong Park orgulha-se de ver seu orientado Michel Koo contratado pela Universidade de Rochester, com seu próprio laboratório e equipe. Michel Koo vem aprofundando as pesquisas que iniciou na Unicamp sobre a ação de compostos da própolis contra a enzima da bactéria Streptococcus mutans, que provoca a cárie. Na Universidade da Carolina do Norte, testes de atividade citotóxica indicaram uma variação de 14% a 97% na inibição do crescimento de células cancerígenas, notadamente as de mama, intestino, naso-faringe e renal. Quanto à atividade anti-HIV, são promissores os resultados obtidos com os grupos 1 e 5, da região Sul, segundo os testes na Biotech Research Laboratories. O caminho ? Mas Yong Park não pensa apenas em própolis. Adverte que o mundo já tomou outro rumo e que o Brasil depende da exploração sustentável de sua rica biodiversidade para sobreviver. Para isso, deve investir na biotecnologia voltada para produtos naturais. "Estados Unidos e Europa sempre usaram medicamentos gerados da síntese química, mas hoje recorrem cada vez mais a produtos naturais com atividades farmacológicas. No ramo de ingredientes e alimentos funcionais, o mercado mundial movimentou 20 bilhões de dólares em 2000, e a cifra deve triplicar até 2010", informa. Trata-se de um alerta de cientista, pois negócios não fazem parte da vida de Yong Park, que vira e mexe recusa convites de empresários para trabalhar em pesquisas com própolis visando à exportação. Quando um colega americano insistiu em patentear uma amostra de própolis capaz de inibir o vírus da Aids, Park rompeu relações e publicou o trabalho para a comunidade científica: "Não sou comerciante, sou professor". __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/5e527387/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 15 20:46:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 15 Aug 2011 20:46:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_GRENALDO_DE_JESUS_DA_SILVA_____________?= =?iso-8859-1?q?_________________________-CCXVIII-?= Message-ID: <555818C03C0F4FE89AE10738084E585C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem GRENALDO DE JESUS DA SILVA (1941-1972) Filiação: Eneida Estela Silva e Gregório Napoleão Silva Data e local de nascimento: 17/4/1941, no Maranhão Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 30/5/1972, em São Paulo (SP) O maranhense Grenaldo de Jesus da Silva, tinha sido um dos 1509 marinheiros que foram expulsos da Armada em abril de 1964. Foi morto em 30/5/1972, no Aeroporto de Congonhas (SP). Tentava seqüestrar um avião da Varig, que havia decolado para Curitiba, obrigando o piloto a retornar a São Paulo. Depois de ser negociada a saída de todos os passageiros e a maior parte dos tripulantes, a aeronave foi invadida e Grenaldo morto. Agentes do DOI-CODI/SP relataram a vários presos políticos que se encontravam naquela unidade de segurança as condições em que tinham executado o seqüestrador. A versão oficial divulgada foi de que se suicidara. Somente em 2003, a repórter Eliane Brum, da revista Época, foi procurada por uma testemunha com novas informações. Mais do que isso, a matéria permitiu que o filho de Grenaldo de Jesus, Grenaldo Erdmundo da Silva Mesut, que ainda não conhecia as circunstâncias reais da morte do pai, encontrasse sua verdadeira história e sua família. O nome de Grenaldo de Jesus sempre constou do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, apesar de não haver contato com seus familiares. Seu corpo, enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, foi parar dentre as ossadas da vala clandestina daquele cemitério. A família não apresentou requerimento à CEMDP quando foi editada a Lei nº 9.140/95. Somente em 2002, um dos irmãos entrou com o pedido, cuja responsabilidade foi transferida ao filho quando finalmente localizado. Nascido no Maranhão, o marinheiro Grenaldo era o filho mais velho dentre 12 irmãos. Seu pai era alfaiate, a mãe servente de escola em São Luís (MA). Ingressou na Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará em 1º/1/1960. Em 30/9/1964, quando era marinheiro de 2ª classe, foi expulso em função de sua participação política e terminou sendo condenado a 5 anos e dois meses de prisão, a mais alta pena dentre os 414 marinheiros julgados. Para evitar a prisão, mudou-se para Guarulhos, na Grande São Paulo. Durante cinco anos, trabalhou como porteiro e vigilante da empresa Camargo Corrêa. Casou-se com Mônica e tiveram um filho. Num dia de 1971, Grenaldo saiu de casa, nervoso após receber cartas que provavelmente lhe avisavam que fora descoberto. A mulher só voltou a saber dele quando foi divulgada sua morte por ocasião do seqüestro. O menino Grenaldo tinha 4 anos e cresceu sem saber do pai. A requisição de exame ao IML, marcada com o "T" que identificava os militantes políticos, foi assinada pelo delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho. O laudo de necropsia foi assinado pelos legistas Sérgio Belmiro Acquesta e Helena Fumie Okajima, que definiram a morte por "traumatismo craniano encefálico". A história começou a ser desvendada quando a foto de Grenaldo foi publicada em matéria da revista Época, de março de 2003. Uma testemunha do seqüestro procurou a revista. Era José Barazal Alvarez, sargento especialista da Aeronáutica e controlador de tráfego aéreo no aeroporto de Congonhas, que estava trabalhando no dia da tentativa de seqüestro e alternava com os colegas a comunicação com a tripulação do avião. Quando a tentativa de seqüestro acabou, ele recebeu a missão de reunir os pertences do seqüestrador e redigir um relatório. Há 30 anos sofria pesadelos ao lembrar da carta-testamento para o filho, que ele mesmo retirou do peito de Grenaldo, junto a um segundo tiro em seu corpo. Percebeu então que Grenaldo não se suicidara com um único tiro, como afirmaram a Aeronáutica e os legistas do IML. Mas José Barazal decidiu permanecer calado até rever a foto publicada, quando então decidiu procurar o filho de Grenaldo e contar- lhe a verdade. Não guardou a carta, mas se lembra que era dirigida ao filho, explicando que seqüestrava o avião para chegar ao Uruguai e que viria buscar a família assim que possível. Mas ninguém conhecia o filho de Grenaldo até que uma cunhada sua, meses depois, viu a mesma revista num consultório dentário e Grenaldo Erdmundo passou a fazer parte desta história. A revista proporcionou um emocionante encontro de José e Grenaldo Erdmundo, resgatando a verdade. A repórter localizou também o mecânico de vôo Alcides Pegruci Ferreira, a única pessoa que permaneceu no avião com Grenaldo após a fuga da tripulação pela janela, e que encontrou o corpo caído, viu o buraco da bala, quase na nuca. Afirmou que "virou piada o seqüestrador suicidado com um tiro na nuca". "A ditadura decidiu que era suicídio e a gente teve de aceitar. Botaram um pano em cima". A relatora do processo na CEMDP observou que, "embora o IPM seja inconclusivo quanto à motivação política de Grenaldo de Jesus da Silva no seqüestro que culminou em sua morte, assim como não há documentação reunida nos autos que comprove que o falecido participava de uma ação politicamente orientada, fica patente que esse entendimento foi o que conduziu toda a ação policial militar quanto aos fatos". Por unanimidade, a Comissão Especial acompanhou o voto da relatora, no entendimento de que "a aeronave em que Grenaldo se encontrava quando morreu se assemelha às dependências policiais, já que a vítima estava sob custódia das forças de segurança". ============================================================================================================================ + Informações. GRENALDO DE JESUS DA SILVA Nasceu em 11 de abril de 1941 no Maranhão, filho de Gregório Napoleão Silva e Eneida Estela Silva. Morto aos 31 anos. Expulso da Marinha em 1964. Ao tentar seqüestrar um avião do vôo São Paulo/Porto Alegre, foi dominado pelos agentes do DOI/CODI-SP que, mesmo tendo imobilizado Grenaldo, deram-lhe um tiro na cabeça. O assassinato de Grenaldo deu-se a 30 de maio de 1972, no Aeroporto de Congonhas, e foi contado em detalhes pelos policiais do DOI/CODI-SP aos prisioneiros políticos que se encontravam detidos nesse órgão. A versão policial da requisição do exame necroscópico, solicitado pelo Delegado Alcides Cintra Bueno Filho é de suicídio. Assinam o laudo os médicos legistas Sérgio Belmiro Acquestra e Helena Fumie Okajima. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que foi "morto em 30 de maio de 1972..." ================================================================================================= + Informações. (do livro Hábeas Córpus) GRENALDO DE JESUS DA SILVA (1941-1972) Nascido no Maranhão, Grenaldo era o mais velho de 12 irmãos. Seu pai era alfaiate, e a mãe, servente de escola em São Luís (MA). Ingressou na Escola de Aprendizes de Marinheiros do Ceará no começo de 1960. Após golpe militar de 1964, quando Grenaldo era marinheiro de segunda classe, foi um dos 1.509 expulsos da Marinha e condenado a cinco anos e dois meses de prisão, a pena mais alta entre os 414 réus julgados. Para evitar a prisão, mudou-se para Guarulhos, na Grande São Paulo. Durante cinco anos, trabalhou como porteiro e vigilante da empresa Camargo Corrêa. Casou com uma moça chamada Mônica e tiveram um filho. Certo dia de 1971, Grenaldo saiu de casa, nervoso após receber cartas que provavelmente lhe avisavam que fora descoberto. A mulher só voltou a saber dele quando foi divulgada sua morte, em 30 de maio de 1972. O filho, então com 4 anos, e também chamado Grenaldo, cresceu sem saber das circunstâncias da morte do pai. A morte de Grenaldo ocorreu no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando ele tentava sequestrar um avião da Varig, que havia decolado para Curitiba, obrigando o piloto a retornar a Congonhas. Depois de ser negociada a saída de todos os passageiros e a maior parte dos tripulantes, a aeronave foi invadida e Grenaldo, morto. Agentes do DOI-Codi/SP relataram a vários presos políticos que se encontravam naquela unidade de segurança as condições em que tinham executado o sequestrador. No entanto, a versão oficial foi de que se suicidara. A requisição de exame ao IML, marcada com o "T" que identificava os militantes políticos, foi assinada pelo delegado do Dops Alcides Cintra Bueno Filho. O laudo de necropsia foi assinado pelos legistas Sérgio Belmiro Acquesta e Helena Fumie Okajima, que definiram a morte por "traumatismo craniano encefálico". O nome de Grenaldo sempre constara do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos, apesar de não haver contato com seus familiares. Seu corpo, enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, foi parar entre as ossadas da vala clandestina daquele cemitério. A família não apresentou requerimento à CEMDP quando foi editada a Lei 9.140/95. Somente em 2002, um dos irmãos de Grenaldo entrou com o pedido, cuja responsabilidade foi transferida ao filho, quando este foi finalmente localizado. A história começou a ser desvendada quando a foto de Grenaldo foi publicada em matéria da repórter Eliane Brum, na revista Época, em março de 2003. Uma testemunha do sequestro procurou a revista. Era José Barazal Alvarez, sargento especialista da Aeronáutica e controlador de tráfego aéreo no aeroporto de Congonhas, que estava trabalhando no dia da tentativa de sequestro e alternava com os colegas a comunicação com a tripulação do avião. Quando o incidente acabou, ele recebeu a missão de reunir os pertences do sequestrador e redigir um relatório. Até fazer o contato com a revista, Alvarez durante 30 anos vivera atormentado pela lembrança de ter tirado do peito de Grenaldo, junto a uma segunda perfuração de tiro, a carta-testamento que o militante havia escrito e endereçado ao filho. Ele concluiu que o sequestrador não poderia ter-se suicidado com um único tiro, como afirmaram a quando viu a foto publicada, decidiu procurar o filho de Grenaldo e contar-lhe a verdade. Não guardou a carta, mas se lembra de que era dirigida ao filho, explicando que sequestrava o avião para chegar ao Uruguai e que viria buscar a família assim que possível. Mas ninguém conhecia o filho de Grenaldo, até que uma cunhada sua, meses depois, viu a revista num consultório dentário. A revista proporcionou um emocionante encontro de Alvarez com Grenaldo Edmundo da Silva Mesut, resgatando a verdade. A repórter localizou também o mecânico de voo Alcides Pegruci Ferreira, a única pessoa que permaneceu no avião com Grenaldo após a fuga da tripulação pela janela, e que encontrou o corpo caído, viu o buraco da bala, quase na nuca. Afirmou que "virou piada o sequestrador suicidado com um tiro na nuca [...] A ditadura decidiu que era suicídio e a gente teve de aceitar. Botaram um pano em cima". A relatora do processo na CEMDP observou que "embora o IPM seja inconclusivo quanto à motivação política de Grenaldo de Jesus da Silva no sequestro que culminou em sua morte, assim como não há documentação reunida nos autos que comprove que o falecido participava de uma ação politicamente orientada, fica patente que esse entendimento foi o que conduziu toda a ação policial militar quanto aos fatos". Por unanimidade, a Comissão Especial acompanhou o voto da relatora, com a interpretação de que "a aeronave em que Grenaldo se encontrava quando morreu se assemelha às dependências policiais, já que a vítima estava sob custódia das forças de segurança". ================================================================================================== Detalhes. Ditadura | 20/02/2009 10:53 | Atualizado em: 17/09/2009 19:36 Três décadas depois, ex-militar conta a verdade ao filho do marinheiro que seqüestrou um avião da Varig e morreu VIDAS ASSINALADAS Grenaldo da Silva Mesut (à esq.) descobriu a verdade sobre o pai pelo testemunho de José Barazal Alvarez (à dir.). Agora, busca a carta deixada pelo pai e desaparecida nos labirintos do regime Na sala de estar, sentados um diante do outro, dois homens estão unidos por um assassinato. É sábado, 26 de julho, e faz frio em São Paulo. Eles se encontram pela primeira vez. O mais velho, José Barazal Alvarez, de 63 anos, tem atravessado na garganta um segredo de mais de três décadas. O mais jovem, Grenaldo Erdmundo da Silva Mesut, de 35 anos, vive um daqueles raros momentos na vida em que um homem descobre, entre o desejo e o horror, que seu destino está prestes a ser alterado. José se liberta: 'Seu pai não se suicidou. Ele foi assassinado', diz. 'Deixou uma carta para você. Tirei essa carta do peito dele, a primeira página estava manchada de sangue. Li e entreguei aos meus superiores.' Grenaldo cai de joelhos diante de José. Juntos, rezam um pai-nosso. A morte do pai - que o mais velho nunca pôde esquecer e o mais jovem desconhecia - ocorreu 31 anos antes. Em 30 de maio de 1972, Grenaldo de Jesus Silva seqüestrou sozinho um avião da Varig. Depois de ter liberado todos os passageiros e de a tripulação ter escapado, ele se suicidou, segundo a versão oficial do regime militar. Com um tiro na nuca. José Barazal Alvarez, sargento especialista da Aeronáutica e controlador de tráfego aéreo do Aeroporto de Congonhas, alternou com os colegas a comunicação com a tripulação do avião nas oito horas de seqüestro. Quando acabou, ele recebeu a missão de reunir os pertences do seqüestrador e escrever o relatório. O que viu causou-lhe pesadelos pela vida afora. Acordava assombrado pela visão do corpo amontoado 'como um saco de lixo' no porta-malas de um Opala preto da polícia. Em suas mãos ainda queimava a carta-testamento escrita para o filho, achada no peito do seqüestrador junto com um segundo furo de bala. Escreveu o relatório e calou-se. Por três décadas não contou nada nem à mulher. Em 10 de março deste ano, José deparou com a imagem do seqüestrador numa reportagem de capa de ÉPOCA. A matéria contava a história da primeira esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morta quando estava com sete meses de gravidez. Um dos médicos que a assistiu, o mesmo que assinou seu atestado de óbito, era Sérgio Belmiro Acquesta. O legista, já falecido, foi acusado de falsificar laudos para a ditadura, mas absolvido pelo Conselho Regional de Medicina em 1999. A necropsia de Grenaldo era uma das peças que teriam sido forjadas por Acquesta para comprovar a tese de suicídio. Ao ver o passado impresso numa página de revista, o ex-sargento teve um choque. Quando amanheceu de uma noite de sobressaltos, decidiu procurar o filho do seqüestrador para lhe contar a verdade. José tinha passado 17 anos na Aeronáutica. Desde 1964 pedia para sair, mas só conseguiu ser desligado em 1975. Tinha medo. Três colegas, capuz enfiado na cabeça, viraram desaparecidos políticos bem na sua frente. Ouviu gritos de torturados por repartições públicas e viu presos do regime algemados em aviões. Naqueles dias de terror, José preparou um envelope lacrado e o confiou à mulher. Nele, as instruções caso não retornasse para casa ao fim do expediente. Como todos os sargentos, trabalhava muito, ganhava pouco, levava para a família a comida que sobrava dos aviões. Desde que deixou a Aeronáutica, ganha a vida como engenheiro. Professor de educação física em São Paulo, Grenaldo, o filho do seqüestrador, desconhecia seu passado. Só descobriu a fotografia do pai em junho. Sua cunhada folheava distraída uma revista velha no consultório do dentista quando viu a imagem. Ligou para a irmã: 'Leila, qual é o nome do pai de seu marido?' Quando ela contou o que havia lido, Leila reagiu: 'Você está delirando'. Ao que a outra retrucou: 'Não, meu coração disparou'. A partir dessa data, o filho empreendeu um doloroso caminho em busca da história - a do pai e a do país. Descobriu-se herdeiro de duas guerras. A da ditadura, trazida pelo pai. E a outra, não menos trágica, encarnada pela mãe. Sua avó, Christina, fugiu da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. No caminho, encontrou uma mulher morta. Nos braços, o bebê ainda respirava. Salvou a criança e, na fuga pela Europa devastada, chegou ao horror: sem leite ou comida, rasgou o pulso e alimentou a menina com seu sangue. O bebê era Mônica, aquela que seria sua mãe. No Brasil, nenhuma das duas alemãs gostava de falar do passado e, por isso, não fizeram perguntas quando Grenaldo, um maranhense robusto de silêncios, instalou-se em suas vidas. EXECUTADO Quando foi morto, o marinheiro Grenaldo de Jesus Silva fugia havia oito anos dos cárceres da ditadura Desde a noite de 26 de julho, nem o filho de Grenaldo nem José conseguiram retomar a vida como era antes. 'Seu pai não era um bandido. Não machucou ninguém. Deixou todo mundo sair do avião e foi executado. Sabe o que era a granada que diziam que ele tinha? Um carretel daqueles de pescaria, enrolado com fita crepe', revelou o ex-sargento. 'Na carta para você ele explicou que estava sendo perseguido, que não podia trabalhar por causa dos documentos e que cometia aquele ato de loucura para chegar ao Uruguai e construir uma nova vida. Depois, mandaria buscar você e sua mãe.' Três décadas antes, às 15h10 de 30 de maio de 1972, o sargento José Barazal Alvarez ouvira a voz do comandante Celso Caldeira, do PP-VJN, modelo Electra, da Varig. 'Estamos sendo seqüestrados.' O avião havia partido às 14h36 de São Paulo rumo a Porto Alegre, a primeira escala em Curitiba, com 48 passageiros a bordo. O seqüestrador, um homem atarracado, vestindo camisa cor-de-rosa, calça de algodão castanho, sapato de couro marrom, exigia Cr$ 1,5 milhão. Tinha uma suposta pistola, que apontava de dentro do bolso. Logo ficou claro para o comando da operação de resgate que ele tinha pouca intimidade com a aviação e nenhuma experiência como criminoso. O avião havia regressado a Congonhas logo após o anúncio do seqüestro e as negociações prosseguiam em terra. Exausto, ele havia deixado todos os passageiros desembarcar, velhos, mulheres e crianças primeiro. Depois a tripulação, com exceção da equipe de cabine. Acreditava em tudo o que lhe diziam com o objetivo de ganhar tempo. 'Era um nordestino calmo. Não tinha cara de marginal. Parecia desesperado', contou o mecânico de vôo Alcides Pegrucci Ferreira. Grenaldo de Jesus Silva era o primogênito dos 12 filhos do alfaiate Gregório e da servente de escola Eneida Estrela da Silva, de São Luís do Maranhão. Embarcou cedo na Marinha por sonho, para ajudar a família e para progredir na vida. Em 1964, os marinheiros perfilaram-se ao lado do presidente João Goulart, pressionando por reformas. Quando os generais espalmaram o poder, foram os mais rigorosamente punidos. Grenaldo era um dos 1.509 marinheiros expulsos pelos golpistas, 414 deles condenados à prisão. Recebeu a pena mais alta: cinco anos e dois meses. Como a maioria dos companheiros, Grenaldo fugiu. Ancorou em Guarulhos. Lá se apaixonou por Mônica, trabalhou de 1965 a 1970 como porteiro e vigilante na Camargo Corrêa - onde era considerado 'sério e inteligente' - e tentou outros negócios fracassados, como uma banca de frutas e um posto de gasolina. Em 1971, começou a receber estranhas cartas. E a ficar muito nervoso. É provável que tenha sido avisado de que a repressão localizara seu paradeiro. Deixou a família prometendo voltar para levá-los a uma vida melhor, em outro lugar. Sua mulher só voltou a ter notícias dele no dia do seqüestro. O desfecho da tragédia ocorreu entre as 22h59, quando a aeronave se preparava para decolar novamente, e as 23h09, quando um membro da repressão informou pelo rádio da cabine que estava tudo acabado. Por volta das 23 horas, dois dos três tripulantes fugiram pela janela. A bordo, restaram apenas o mecânico de vôo e o seqüestrador. Nesse momento, a pista de Congonhas estava ocupada por militares e policiais de forças diferentes, que disputavam os louros da operação. O mecânico Alcides conseguiu empurrar a porta da cabine. O seqüestrador pressionava para entrar, a arma na mão esquerda, no vão da porta. Alcides ouviu vários tiros disparados em direção ao interior da cabine e, em seguida, um baque. Abriu a porta e encontrou Grenaldo no chão. Achou que ele tinha apenas escorregado e botou o pé sobre a cabeça, para que não pudesse levantar. 'Vi então o buraco da bala, perto da orelha, quase na nuca, e o sangue', disse. O interior do avião estava tomado por bombas de gás lacrimogêneo. Alcides virou as costas e fugiu. O seqüestrador morreu oficialmente com 'um único tiro, com orifícios de entrada e de saída, dado encostado, direção da esquerda para a direita, levemente da frente para trás e quase horizontal'. A suposta arma, uma Beretta 9 milímetros, só apareceu para o exame da perícia 15 dias depois, acompanhada do projétil que teria causado a morte de Grenaldo. Os peritos concluíram que não havia 'elementos para se pronunciar a respeito'. No atestado de óbito, assinado pelo legista Sérgio Acquesta, a hora da morte é 22h34. Nesse horário, segundo o inquérito da Aeronáutica, realizado pelo coronel Renato Barbieri, Grenaldo estava vivo. Nas fitas gravadas com a comunicação entre o comando e o seqüestrador, a última mensagem ocorreu 25 minutos depois, às 22h59. O delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, Alcides Cintra Bueno Filho, registrou: 'Os agentes dos órgãos de segurança cercaram a aeronave e, quando conseguiram adentrar na mesma, o epigrafado, vendo frustrado seu plano de fuga e que seria preso, suicidou-se'. A execução de Grenaldo, depois de imobilizado, foi contada em detalhes pelos policiais aos presos políticos do DOI-Codi, em São Paulo, quando voltaram da operação aos gritos de alegria. A tripulação e o chefe da equipe de controle de vôo, Alberto Bertulucci, ganharam a medalha Mérito Santos Dumont, pelo comportamento exemplar no episódio. 'A ditadura decidiu que era suicídio e a gente teve de aceitar. Botaram um pano em cima', disse Alcides, hoje aposentado da Varig. 'Era um ingênuo. Se deixou pegar numa situação estúpida dentro do avião', conta Bertulucci, aos 79 anos. 'Virou piada: um seqüestrador suicidado com um tiro na nuca...' Grenaldo foi sepultado como indigente na cova 2.836 do Cemitério de Perus. Seu filho tinha 4 anos. Na infância, o pai era citado apenas nas brigas familiares. 'Só podia ser filho de ladrão, mesmo', dizia a avó ou o tio. Não lhe permitiam perguntas. Quando tinha 10 anos, sua mãe teve um acidente vascular cerebral e ficou com danos permanentes. Morreria cinco anos depois. Aos 13, ele encontrou a avó morta no quarto. Ficou sozinho com o tio, usuário de drogas. Conseguiu sobreviver a tudo, casou-se com Leila, colega de faculdade, e tem Paola, de 4 anos, e a filha adotiva Cristina, de 13. Grenaldo pouco sabia sobre a ditadura. Desde julho, atravessa as noites dissecando em livros os anos de chumbo. Depois, fala dormindo. Sonha que é um detetive. Tentou obter a carta-testamento do pai no inquérito da Aeronáutica, mas ela não estava lá. Procurou resgatar seus pertences na 1a Auditoria Militar de São Paulo. Só levou a informação de que os livros de registro foram destruídos por mofo e cupins. Busca a avó paterna que ainda vive, aos 88 anos, em São Luís do Maranhão. Ganhou, numa única noite, um pai e uma história - mas ainda são muitas as zonas de sombra. José não sonhou mais com o homem executado no porta-malas do carro. Grenaldo precisa seguir sua busca. Ainda tem de identificar o pai entre os corpos das vítimas do regime resgatados da vala de Perus. Esse capítulo da história só acaba quando conseguir sepultar o pai. Corpos podem ser enterrados. A História, não. HERDEIRO DE TRAGÉDIAS O pai foi morto ao seqüestrar um avião, a mãe é vítima da Segunda Guerra Mundial VIDA DUPLA Grenaldo, o pai, com os colegas de trabalho. Ninguém sabia que era foragido do regime INOCENTE Grenaldo, o filho, antes da execução do pai. Dele, só lembra de um presente: um caminhão MULHERES MARCADAS Christina (à dir.), a avó de Grenaldo, alimentou sua mãe, Mônica, com o próprio sangue. Tinham uma pensão em Guarulhos Fotos: Maurilo Clareto/ÉPOCA, Reprodução, Álbum de família ======================================================================================================== Ficha Pessoal. Grenaldo de Jesus da Silva Dados Pessoais Nome: Grenaldo de Jesus da Silva Estado: (onde nasceu) MA País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 11/4/1941 Dados da Militância Morto ou Desaparecido: Morto 30/5/1972 São Paulo SP Brasil Aeroporto de Congonhas Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Alcides Cintra Bueno Filho Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Helena Fumie Okajima, Sérgio Belmiro Acquestra Biografia Documentos Artigo de jornal Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP. Artigo de jornal Chega a Rio Preto o corpo do ex-militante político. A Notícia, São José do Rio Preto, 12 ago. 1991. Restos mortais de vítima da repressão chegam a Votuporanga depois de 20 anos. Diário da Região, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. 1 e 3. Votuporanga, descanso ao guerrilheiro - Dênis Casemiro será sepultado hoje. A Notícia, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. A-3. Família de desaparecido quer indenização. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991, p. 8. (Caderno SP Norte). Ossada de Dênis Casemiro é sepultada no cemitério local. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 14 ago 1991. Ossada de Dênis Casemiro será sepultada hoje. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 13 ago. 1991. Culto à vítima do Regime Militar. A Cidade, Votuporanga, 13 ago. 1991. Legislativo suspende Ordem do Dia para culto a Dênis Casemiro. A Cidade, Votuporanga, 14 ago. 1991. Dênis é enterrado com honras de herói em Votuporanga, Diário da Região, São José do Rio Preto, 14 ago. 1991. Família só soube das atividades de Casemiro no último contato. A Cidade, Votuporanga, 15 ago. 1991, p. 3. A ossada de Dênis Casemiro foi enterrada em Votuporanga, SP, em meio a várias homenagens. O presidente da Câmara Municipal de Votuporanga, SP, suspendeu os trabalhos do dia, permitindo que os ossos de Dênis Casemiro fossem visitados publicamente. Houve atraso, pois a companhia aérea TAM negou-se a transportar o corpo, que teve de ir de carro. Dênis foi fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury em 18/05/71, após um mês de torturas no DOPS/SP, e enterrado como indigente com dados físicos alterados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Acredita-se que mais presos políticos estejam enterrados na vala: Dimas Casemiro, irmão de Dênis, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus da Silva e Francisco José de Oliveira. Fabiano César Casemiro, sobrinho de Dênis vai pedir indenização ao Estado pela morte de seu tio. Artigo de jornal Artigo intitulado Dênis Casemiro, sem fonte e data. Dênis era militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi preso no sul do Pará, em 04/71, trazido para São Paulo e torturado por um mês, até ser fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury, que relatou como Dênis chorava, implorando para não morrer. A versão oficial publicada foi de que Denis, ao ser preso, tentou fugir com a arma de um policial, morrendo em tiroteio com as forças da repressão. No entanto, seu corpo teria sido encontrado no pátio do IML/SP. O laudo necroscópico apenas descreve os tiros, sem mencionar as marcas de tortura. Dênis foi enterrado em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo, SP, com seus dados alterados. Também estão lá enterrados e esperando identificação seu irmão Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus Silva e Francisco José de Oliveira. Artigo de jornal Seqüestrador é sepultado. Última Hora, Brasília, 2 jun. 1972. Reportagem curta acompanhada de foto sobre o sepultamento de Grenaldo, seqüestrador do Electra II da Varig. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Artigo de jornal Artigo sem fonte e data, intitulado "Ex-companheira: Grenaldo foi bom chefe de família". Depoimento de Mônica Edmunda Messut, companheira de Grenaldo Jesus da Silva, acusado do seqüestro de um avião da Varig. Ela conta como foi a vida com Grenaldo, relatando suas boas qualidades como marido e pai do único filho do casal. Afirma que ele raramente falava da família, sabendo ela apenas que morava no Maranhão. Um dia, Grenaldo apareceu em casa, na cidade de São Paulo, acompanhado de uma moça apresentada a Mônica como Rosa, irmã dele. Disse também que iria para o Rio de Janeiro com ela, onde Rosa faria um tratamento de saúde. Desde então nunca mais voltou nem deu notícias. Mônica entra em algumas contradições, como quando afirmou, mais tarde, que Rosa foi apresentada como amiga de Grenaldo. Estão sendo feitas investigações para saber como Grenaldo conseguiu identidade falsa, em nome de Nelson Mesquita. A polícia acredita que foi com ajuda de falsários, que possuem cópias das cédulas de identidades de todos os estados brasileiros, ou então a cédula de Grenaldo pode ser fruto de um dos roubos sofridos por postos de identificação. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Artigo de jornal "Em cova rasa, ele é o 2836". "Grenaldo, segundo a família e os amigos". (Sem fonte), 2 jun. 1972. O primeiro artigo trata do enterro do Grenaldo Jesus da Silva, realizado em 01/06/72, no cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Um amigo da família ligou para o IML/SP, dizendo que iria retirar o corpo. Como ele não apareceu, Grenaldo foi enterrado como indigente, em vala comum. No segundo artigo, há o depoimento de Mônica e sua mãe Cristina, companheira e sogra de Grenaldo. Elas afirmam que ele era uma boa pessoa, mas que há um ano enfrentou uma falência e começou a receber cartas do norte do país, que ele dizia serem de sua mãe, e desde então tornou-se um pouco intolerante. Em 09/71, chegou em casa acompanhado de uma moça, que ele apresentou como sua irmã. Disse também que iria acompanhá-la em um tratamento médico, mas nunca mais voltou nem deu notícias. Sua família soube pelo rádio que ele havia seqüestrado o avião da Varig. Foto Foto numerada do corpo no arquivo do DOPS. A cópia encontra-se pouco precisa. Há também uma ficha com as impressões digitais de Grenaldo, pouco nítida. Ambas possuem o carimbo do arquivo do DOPS. Foto Foto ampliada do cadáver, encontrada no DOPS/SP. Relatório Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus. Termo de declarações Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social de São Paulo, de 29/06/72, de Leonardo Claro Estrela da Silva, irmão de Grenaldo. Declara que ficou mais de dez anos sem se comunicar com Grenaldo, que o mesmo trabalhava na empresa Camargo Correia e que não tinha conhecimento do envolvimento de seu irmão com política, que somente após o suicídio de Grenaldo é que soube, através de imprensa, que ele tentou seqüestrar um "aparelho" da Varig e que foi montado um esquema para capturá-lo. Informa ainda que comprou, em sociedade com Grenaldo, em 1971, um posto de gasolina, mas depois de reformá-lo, optaram por vendê-lo e com o dinheiro da venda Grenaldo adquiriu outros estabelecimentos comerciais, depois se mudou para o Rio de Janeiro e então voltou para São Paulo. Em anexo, segue ofício de encaminhamento deste termo e documento do Serviço de Informações do DOPS com o endereço de Grenaldo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/d5decea5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4558 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/d5decea5/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23366 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/d5decea5/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6877 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/d5decea5/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18970 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/d5decea5/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6431 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/d5decea5/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6775 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110815/d5decea5/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 16 19:59:59 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 16 Aug 2011 19:59:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__JOS=C9_HUBERTO_BRONCA_________________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CCXIX-?= Message-ID: <1E162D4DA6CB4D40B623C328799DD44E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ HUBERTO BRONCA (1934-1974) Filiação: Ermelinda Mazzaferro Bronca e Huberto Atteo Bronca Data e local de nascimento: 08/09/1934, Porto Alegre (RS) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 13/03/1974 Nascido em Porto Alegre e sem a letra m na grafia de seu nome, por influência do italiano de seus pais, José Huberto era um desportista. Dedicou-se ao ciclismo, motociclismo, natação e remo, tendo conquistado medalhas nesta última modalidade. Desempenhou várias atividades profissionais, chegando a trabalhar em circo como equilibrista de monociclo. Fez o primário na escola do Rosário e o curso de mecânica de máquinas na Escola Técnica de Parobé. Formou-se em mecânica de manutenção de aeronaves e trabalhou na VARIG durante muitos anos. Sua militância política é anterior a abril de 1964. Após o Golpe de Estado, já integrado ao PCdoB, foi para o exterior, permanecendo durante algum tempo na China, onde teria recebido treinamento de guerrilha na Academia Militar de Pequim. Em 1966, voltou ao Brasil e passou a atuar na clandestinidade, no Rio de Janeiro. Vivia num pequeno quarto em São João de Meriti. Chegou ao Araguaia em meados de 1969. Foi vice-comandante do Destacamento B, sendo conhecido como Zequinha ou Fogoió, até ser deslocado para a Comissão Militar, onde fazia parte da guarda. No dia de Natal de 1973, estava no acampamento atacado pelo Exército. Consta em certidão enviada pela ABIN à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos que, em maio de 1972, "pediu emprego em uma fazenda de nome Suiá Missu, mas como não conseguiu uma vaga, se deslocou para São Félix do Araguaia e de lá para Santa Terezinha. Era guerrilheiro ligado ao PCdoB, em Xambioá/PA". O Relatório do Ministério da Marinha registra que Bronca foi "morto em 13 de março de 1974". Segundo o relatório de viagem à região do Araguaia, de Dower Moraes Cavalcante, apresentado à Comissão Justiça e Paz, em 10/12/91: "Na grande maioria das vezes, os soldados, após os combates, resgatavam os corpos para as bases de Xambioá ou São Geraldo. Outras vezes, enterravam os guerrilheiros mortos no próprio local do combate, depois de fotografá-los, levando apenas a cabeça para proceder à identificação. Desta forma, há guerrilheiros que foram sepultados, ou deixados insepultos, nas áreas de Bacaba, Metade, Gameleira e Caianos. É o caso de Zequinha que, acompanhado de Daniel Calado e José Huberto Bronca, caiu numa emboscada na área de Formiga. 'Zequinha' morreu, e foi enterrado lá mesmo.(...)". O jornalista Elio Gaspari escreve em A Ditadura Escancarada: "Sabe-se também como foi capturado Zeca Fogoió (José Humberto Bronca), o último sobrevivente da comissão militar da guerrilha: no início de janeiro ele se acercou da casa de um camponês e lhe pediu água, comida e chão para repousar. Recebeu água e sentou-se num toco à beira de um mandiocal. O menino da casa foi mandado à fazenda onde estava o comando das patrulhas do lugar. Rendido, o guerrilheiro pediu: 'Doutor, não vai me matar'. Tinha o corpo coberto por ulcerações de picadas de mosquitos e desnutrição. Numa mochila de aniagem carregava carne de macaco e mandioca. Identificou-se como José Humberto Bronca. Quando o helicóptero chegou, trazendo sargentos do CIE, um deles esclareceu: 'Que Bronca coisa nenhuma, esse é o Fogoió'. Segundo o registro da Marinha, ele morreu no dia 13 de março de 1974". ================================================================================================================================= + Informações. JOSÉ HUBERTO BRONCA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 8 de setembro de 1934 em Porto Alegre/RS, filho de Huberto Atteo Bronca e Ermelinda Mazaferro Bronca. Fez o primário na Escola do Rosário e o Curso de Mecânica de Máquinas na Escola Técnica Paropé. Formou-se em Mecânica de Manutenção de Aeronaves e trabalhou na Varig durante vários anos e, mais tarde, na Indústria Micheleto. Foi desportista, dedicando-se ao ciclismo, motociclismo, natação e remo, tendo neste último esporte conquistado várias medalhas. Teve várias outras atividades profissionais, chegando, inclusive, a trabalhar em circo como equilibrista de monociclo. Sua militância política é anterior ao golpe militar de 64. Logo após o golpe, foi para o exterior, ficando durante algum tempo na China. Em 1966, foi viver na clandestinidade no Rio de Janeiro. Homem muito simples, vivia num pequeno quarto em São João do Meriti, onde seus únicos haveres eram uma troca de roupas, uma esteira, um pequeno fogareiro a querozene e uma gaita. Foi dos primeiros a chegar na região do Araguaia. Foi vice-comandante do Destacamento B das Forças Guerrilheiras até ser deslocado para a Comissão Militar, onde fazia parte da Guarda. Visto pela última vez por seus companheiros no dia 25 de dezembro de 1973, quando houve um ataque das Forças Armadas ao local onde estavam acampados. O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi "morto em 13 de março de 1974." =============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) JOSÉ HUBERTO BRONCA (1934-1973) Nascido em Porto Alegre, José Huberto era um desportista. Dedicou-se ao ciclismo, motociclismo, natação e remo, tendo conquistado medalhas nesta última modalidade. Chegou a trabalhar em circo como equilibrista de monociclo. Formou-se em mecânica de manutenção de aeronaves e trabalhou na Varig durante muitos anos. Sua militância política era anterior a abril de 1964. Após o golpe, já integrado ao PCdoB, foi para o exterior, permanecendo durante algum tempo na China, onde teria recebido treinamento de guerrilha na Academia Militar de Pequim. Em 1966, voltou ao Brasil e passou a atuar na clandestinidade, no Rio de Janeiro. Chegou ao Araguaia em meados de 1969. Foi vice-comandante do Destacamento B, tornando-se conhecido como Zequinha ou Zeca Fogoió (era ruivo), até ser deslocado para a Comissão Militar, onde fazia parte da guarda. No dia de Natal de 1973, estava no acampamento atacado pelo Exército. Nesse embate teriam morrido oito guerrilheiros, entre os quais o próprio José Huberto, segundo relata José Vargas Jiménez no livro Bacaba. Há controvérsia porque outra data, 13 de março de 1974, aparece como de sua morte no registro do Ministério da Marinha. Consta em certidão enviada pela ABIN à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos que, em maio de 1972, "pediu emprego em uma fazenda de nome Suiá Missu, mas como não conseguiu uma vaga, se deslocou para São Félix do Araguaia e de lá para Santa Terezinha. Era guerrilheiro ligado ao PCdoB, em Xambioá/PA". O jornalista Elio Gaspari escreve em A ditadura escancarada: Sabe-se também como foi capturado Zeca Fogoió (José Huberto Bronca), o último sobrevivente da comissão militar da guerrilha: no início de janeiro ele se acercou da casa de um camponês e lhe pediu água, comida e chão para repousar. Recebeu água e sentou-se num toco à beira de um mandiocal. O menino da casa foi mandado à fazenda onde estava o comando das patrulhas do lugar. Rendido, o guerrilheiro pediu: 'Doutor, não vai me matar'. Tinha o corpo coberto por ulcerações de picadas de mosquitos e desnutrição. Numa mochila de aniagem carregava carne de macaco e mandioca. Documentação de 1º de julho de 2009, preparada pelo Ministério de Defesa para apresentar à Justiça, registra a data de sua morte em 13 de maio de 1974. Segundo relato do camponês Pedro Onça ao advogado Paulo Fonteles Filho e Sezostrys Alves Costa, da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, José Huberto foi morto na Grota da Formiga, no município de Piçarra (PA). ============================================================================================= + Detalhes. Blog do Instituto Socialismo e Democracia "José Campos Barreto" Entrevista revela importante gaúcho da Guerrilha do Araguaia 4 de Novembro de 2008 às 10h 28m 12s · admin · Arquivado sob Entrevistas Leia entrevista realizada pelo historiador Augusto Buonicore com Deusa Maria de Sousa. Ela é a autora do texto biográfico do guerrilheiro José Huberto Bronca. Na verdade, este faz parte de um trabalho mais alentado sobre a vida dos quatro guerrilheiros gaúchos que tombaram assassinados nas matas do Araguaia - uma dissertação de mestrado defendida na Unisinos (RS) em 2006. Este fato indica que podemos esperar para breve novas e edificantes histórias da trajetória de outros guerrilheiros gaúchos, como o médico João Haas Sobrinho, o economista Paulo Mendes Rodrigues e o líder estudantil Cilon Cunha Brun. A dissertação de Deusa Maria foi publicada pela Editora Expressão Popular no novo pacote de biografias de sua coleção Viva o povo brasileiro. Esta foi uma das maiores sacadas editoriais dos últimos anos. O objetivo é oferecer, a preços módicos, a história de pessoas que, de alguma forma, contribuíram para emancipação de nosso povo. Entre os novos títulos se encontram João Cândido, Guimarães Rosa, Henfil, Manoel Bomfim, Patativa do Assaré e Huberto Bronca. Como surgiu a idéia de escrever sobre os gaúchos que participaram da Guerrilha do Araguaia? Deusa Maria: Ela surgiu logo após o início do meu curso de mestrado em História, em 2004. Eu havia pensado, inicialmente, em um projeto que vislumbrasse as concepções doutrinárias daqueles que dizimaram os combatentes do Araguaia. Porém senti o interesse existente acerca da trajetória dos quatro gaúchos desaparecidos no conflito do Araguaia. Foi um chamado para meu papel como historiadora, escrever a história de nosso tempo. Quais foram as dificuldades encontradas para realizar um projeto como este? Sem poder contar com os documentos oficiais não liberados, quais fontes você utilizou para reconstituir a trajetória dos guerrilheiros mortos na guerrilha? Deusa Maria: Essa foi a primeira e a maior dificuldade que se apresentou ainda no processo de seleção para o ingresso no mestrado. Recordo-me quando um membro da banca avaliadora afirmou-me que dificilmente eu conseguiria desenvolver meu trabalho dado às dificuldades de acesso à documentação oficial que versavam sobre o tema. Eu nunca me esquecerei desse dia! Eu vinha animada da graduação, e queria fazer um trabalho significativo sobre o Araguaia e nada me desviaria daquele objetivo. Foi então que decidi buscar documentos que possuíam o mesmo valor histórico e que me possibilitasse recontar a trajetória daqueles guerrilheiros, ou seja, me utilizei dos relatos orais e escritos. Localizei seus amigos, colegas de trabalho e de infância. Pesquisei em fontes primárias (muitas vezes esquecidas pelos pesquisadores), como diários de classe, registros de locais de trabalho, cartas de amigos e, principalmente, acervos dos familiares que viabilizaram a composição do mosaico sobre eles, desde a infância até o seu ingresso na Guerrilha do Araguaia. Foi um trabalho árduo e difícil, porém gratificante! Um das particularidades da vida de José Huberto Bronca é o fato de ele ter sido operário. Foram raros os guerrilheiros pertencentes a esta classe social. Fale um pouco da vida do operário Bronca em Porto Alegre. Deusa Maria: Apesar de oriundo de uma família de classe média, Bronca demonstrava especial interesse pelas máquinas e, inclusive, estudou em uma escola técnica. Certamente, após o seu engajamento no Partido Comunista, ainda na década de 50, era na vida cotidiana de operário porto-alegrense que parecia estar mais à vontade. Alguns depoentes me relataram a facilidade que ele tinha em se entrosar com os demais colegas e de se tornar, rapidamente, num representante da categoria. Além de bom orador, ele era um articulador político. Astuto com os patrões e, ao mesmo tempo, um operário muito qualificado nas funções que exerceu. Na sua pesquisa você deparou com uma tentativa de aproximação entre o PCdoB e Brizola logo após o golpe de 1964. Este é um fato pouco conhecido. Quais os resultados desse encontro? Deusa Maria: Na realidade foi uma surpresa para mim também, pois não tinha conhecimento que tal encontro pudesse ter ocorrido. Sempre que ia entrevistar militantes antigos esse fato aparecia nas narrativas. Inclusive, a irmã do Bronca me mostrou uma lembrança que ele teria recebido de Brizola numa visita que fizera no exílio uruguaio. Esta relação é mais um daqueles mistérios que cabe ao historiador pesquisar. Como foi o processo de ida de Bronca para a região do Araguaia? Deusa Maria: O processo iniciou-se ainda no período de clandestinidade em Porto Alegre, em abril de 1966; ou seja, mais de dois anos antes dos registros de sua chegada à região do Araguaia. Depois ele foi viver na baixada fluminense em condições muito simples. Sabe-se pouco sobre sua vida neste período - e quem sabe não quer falar! Creio que chegar numa região onde pôde gozar da liberdade de transitar, falar e de se relacionar deve ter sido a redenção para ele. Ele deve ter encarado o Araguaia, naquele momento, com uma alegria imensa! Fale-nos um pouco da atuação de Bronca na guerrilha e as condições de sua trágica morte? Deusa Maria: A atuação dele foi muito importante, graças principalmente ao seu exímio conhecimento de montar e desmontar equipamentos. Era conhecido entre seus companheiros como armeiro. Foi responsável pela fabricação e adaptação de várias das armas utilizadas pelos guerrilheiros. Trabalhou também em uma pequena farmácia montada pelos guerrilheiros dentro da mata. Depois ocupou posto de comando até o final da Guerrilha. Sabe-se, segundo relato de moradores, que foi aprisionado com vida pelas forças armadas. Mas, nunca se soube de seu paradeiro nem se teve notícias de onde estariam os seus restos mortais. Qual a importância de conhecer a saga dos guerrilheiros do Araguaia para as novas gerações de militantes das lutas sociais? Deusa Maria: Penso que a importância de conhecer a história da Guerrilha do Araguaia seja semelhante a que temos em conhecer qualquer parte da história de nosso país. Acho que para as novas gerações deve ser garantido o direito de saber que homens e mulheres foram movidos por sonhos e que por eles deram a vida. Acredito que o conhecimento destes fatos fará com que as novas gerações tirem lições e reflitam sobre aqueles tempos sombrios, no qual protestar contra o poder oficial poderia significar uma sentença de morte. Que a liberdade que temos de poder fazer isso hoje, ou de nada fazer, passou pela ação corajosa daquelas pessoas e pelas vidas que foram ceifadas. Essas experiências devem ser pensadas à luz de seu tempo e não em função de seus possíveis erros ou acertos. ================================================================================================= PDFs PDF] QUEM É ESSA MULHER? ERMELINDA MAZZAFERRO BRONCA www.fazendogenero.ufsc.br/.../1278309991_ARQUIVO_Quemeessamulhe... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Bronca que dedicou mais de 20 anos de sua vida na procura por seu filho José Huberto Bronca desaparecido no episódio da Guerrilha do Araguaia. ... [PDF] PROCURA-SE UM CORPO: A ATUAÇÃO DAS MÃES DOS DESAPARECIDOS ... www.eeh2010.anpuh-rs.org.br/.../1279507707_ARQUIVO_ ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida brasileiros, dentre eles José Huberto Bronca, militante guerrilheiro ... José Huberto Bronca o "Zé", foi militante guerrilheiro no Araguaia sua provável ... PDF] A prática da escrita entre mães de desaparecidos políticos do ... www.eeh2008.anpuh-rs.org.br/.../1212270804_ARQUIVO_ ...Similares Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Bronca, mãe do desaparecido político gaúcho José Huberto Bronca, trocada com outras mães de desaparecidos, além de autoridades/entidades civis brasileiras e ... ========================================================================================================== Livro publicado e vendido nas livrarias. José Huberto Bronca - Da Luta Sindical ao Araguaia - Col. Viva o Povo Brasileiro - Passos, Deusa Maria De Souza-pinheiro ================================================================================================================ José Huberto Bronca Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: José Huberto Bronca Cidade: (onde nasceu) Porto Alegre Estado: (onde nasceu) RS País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 8/9/1934 Atividade: Mecânico Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista do Brasil PC do B Brasil Nome falso: (Codinome) Dino, Fogoió Morto ou Desaparecido: Desaparecido 25/12/1973 PA Brasil região do Araguaia Clandestinidade Desaparecido 13/3/1974 Segundo Relatório do Ministério da Marinha foi morto nesta data. Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Hatori, Elza. Provas confirmam mortes da ditadura. Diário Popular, São Paulo, 1 de ago. 1991, p. 2. Trata da disponibilização do arquivo do DOPS/PR à Prefeitura de São Paulo para a realização de trabalho em Curitiba pela Comissão Especial de Investigação que foi criada por esta Prefeitura para acompanhar o processo das ossadas enterradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. As investigações levaram à confirmação da morte de vítimas da ditadura que não tiveram o óbito assumido pelo regime militar. Foram localizadas 17 fichas de militantes desaparecidos no arquivo do Paraná dentro de uma gaveta com a inscrição "Falecidos". Apesar das fichas e prontuários terem sido localizados em Curitiba, a maior parte destes 17 militantes desapareceu em São Paulo, depois de serem presos e torturados. Foto Foto original e preto e branco de busto. Possui cópia em papel timbrado do DOPS/SP, com carimbo de 11/08/66. Foto Fotos de rosto, entre outros, de José Huberto Bronca e Divino Ferreira de Souza, em papel timbrado do DOPS, com carimbo de 12/12/66. Foto Fotos originais e preto e branco de busto, com a familia e outra foto junto a um motor de avião, com dois colegas na Escola Varig de Aeronáutica. Relatório Documento do Serviço Secreto do DOPS/SP, de 18/07/68. Consta que o Departamento Federal de Segurança Pública enviou, em 10/65, pedido de busca com ordem de prisão de José Huberto; que o mesmo saiu da China Comunista, via Suíça; que está sendo procurado por atividades subversivas; que participou de curso de guerrilhas; e que foi indiciado em Inquérito Policial Militar. Em anexo, segue outro ofício do DOPS citando o pedido do Departamento Federal de Segurança Pública acima, em 27/12/66. Os documentos apresentam os códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo. Relatório Documento do arquivo do DOPS/SP, com carimbo de 1972 e a anotação manuscrita "Equipe do Dr. Haroldo". Contém relação de membros constituintes das seguintes organizações: Ala Vermelha, Ação Libertadora Nacional (ALN), Ação Popular (AP), Fração Bolchevique Trotskysta, Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), Movimento 26 de Março (MR-26), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Operário Comunista (POC), VAR-Palmares e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Constam os nomes de Luiz Eurico Tejera Lisboa (ALN), João Carlos Haas Sobrinho e José Huberto Bronca (PC do B) e Jorge Alberto Basso (POC). Ficha pessoal Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social do Paraná. Informa sobre a solicitação de prisão de José Huberto Bronca, pela polícia de Belo Horizonte à polícia do Paraná, em 06/07/66, procurado por exercer atividades subversivas; sobre participação em curso de guerrilha, em Pequim, China; e sobre artigo da Gazeta do Povo, publicado em Curitiba, de 11/01/79, onde o nome de José Huberto aparece entre os presos políticos desaparecidos em relação divulgada pelo Comitê Brasileiro de Anistia. Documento pessoal Foto de Certificado de Conclusão de Curso de mecânico, de 05/02/54. Certidão de óbito Documento emitido pelo Ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais, de Porto Alegre, RS, de 26/01/96, reconhecendo como morto José Huberto Bronca, desaparecido em 1974. Ofício Documento do DOPS/SP, de 10/06/66, com pedido de prisão da Polinter de Belo Horizonte ao Delegado Auxiliar da 5ª Divisão Policial, para Divino Ferreira de Souza e José Huberto Bronca. Depoimento Texto enviado pela mãe de José, Ermelinda Mazzafero Bronca, em 03/01, à Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Traz a vida e militância de José. Sobre sua morte, supõe que tenha sido capturado com vida, pois foi visto pela última vez em 25/12/73 em ataque das Forças Armadas no Araguaia, mas o Relatório da Marinha diz que ele morreu em 12/03/74. Seu atestado de óbito foi emitido através de decreto, sem constar a causa mortis. Foi o primeiro brasileiro tido como desaparecido político a ser reconhecido como morto pela União. Sua mãe vive em Porto Alegre, RS, onde nasceu em 1906. Desde que foi decretada a Anistia em 1979 prestou vários depoimentos a entidades de Direitos Humanos, nacionais e internacionais, denunciando o desaparecimento de seu filho e a falta de informação dos órgãos oficiais brasileiros. Tem participado de homenagens aos desaparecidos políticos da capital gaúcha e seu grande desejo é encontrar os restos mortais de seu filho e dar-lhes uma sepultura digna. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110816/cf9a2541/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2793 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110816/cf9a2541/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 16 20:00:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 16 Aug 2011 20:00:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Ver=F4nica_Ferriani=3A_show_de_N?= =?iso-8859-1?q?Y_chega_a_Ribeir=E3o!_Show_com_Toquinho_em_Curitiba?= =?iso-8859-1?q?_e_outros=2E?= Message-ID: <4D6F120F64864B689A8DB5BEB654045B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Verônica Ferriani: show de NY chega a Ribeirão! O show apresentado em Nova York chega a Ribeirão Preto. Com Verônica Ferriani, voz, e Douglas Lora, violonista vencedor do Concert Artists Guild International Competition 2006 (Carneggie Hall, NY). Assista ao vídeo e leia a crítica do show publicados no Ruffington Post, NY: http://www.huffingtonpost.com/michal-shapiro/brazilliance-part-two-mpb_b_862626.html Verônica Ferriani e Douglas Lora Data: 19 ago (sexta) Horário: 20 h Local: Área Cultural do Novo Shopping - Ribeirão Preto/SP Ingresso: gratuito Outros shows da agenda: Toquinho convida Verônica Ferriani Data: 13 ago (sábado) Horário: 21 h Local: Teatro Positivo - Curitiba/PR Ingressos: a partir de R$ 74 Informações: www.teatropositivo.com.br Verônica Ferriani na Feira do Livro de São Joaquim da Barra Data: 18 ago (quinta) Horário: 21 h Local: Praça 7 de Setembro - São Joaquim da Barra/SP Ingresso: gratuito Verônica Ferriani no SESC Bertioga Data: 20 ago (sábado) Horário: 21h30 Ingresso: gratuito Verônica Ferriani e Douglas Lora em São Paulo Local: Casa de Francisco Dia 28 de agosto h: 21h * Entrevista e gravações inéditas no site da VEJA Música . Um abraço Ferriani -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110816/47234ac6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 16 20:00:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 16 Aug 2011 20:00:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Convite_oficial_para_o_dia_23_de?= =?iso-8859-1?q?_Agosto_no_Sedes_Sapientie__Rua_Ministro_Godoi=2C_1?= =?iso-8859-1?q?484_-_Perdizes_-_SP_-_Evento_em_comemora=E7=E3o_aos?= =?iso-8859-1?q?_10_anos_da_Comiss=E3o_da_Anistia_e_Lan=E7amento_de?= =?iso-8859-1?q?_livro?= Message-ID: <2C6D50DC639140EEA3875192F7FC7508@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Companheir at s e amigos, A Comissão de Anistia festeja seus 10 anos de fundação com eventos em praticamente todos os Estados Brasileiros. Aqui em São Paulo será realizado um evento no Instituto Sedes Sapientie no dia 23 de agosto a partir das 20 horas, com a palestra do Dr. Marlon Weichert, procurador da Republica , intitulada "10 anos da Comissão de Anistia e a Comissão da Verdade " Toda a programação está nos dois anexos. Na oportunidade, a Comissão de Anistia lançará o livro " 1968 - A Geração que queria mudar o mundo" , cujos exemplares serão distribuidos aos assistentes gratuitamente. Esperamos a presença de todos MINISTÉRIO DA JUSTIÇA Gabinete do Ministro de Estado Comissão de Anistia Ofício nº 556/2011/CA/Presidência Brasília-DF, 10 de agosto de 2011. CONVITE Excelentíssimo(a) Senhor(a), O Ministério da Justiça, por meio de sua Comissão de Anistia, tem a honra de convidá-lo(a) para participar da Comemoração aos 10 anos da Comissão de Anistia a ser realizada no Instituto Sedes Sapientiae, sito à Rua Ministro Godoi nº1484, em Perdizes/SP, no dia 23 de agosto, das 20hs às 22hs. A atividade faz parte da programação oficial da I Semana da Anistia, que ocorrerá entre os dias 22 e 26 de agosto celebrando os 10 anos de criação da Comissão, os cinqüenta anos da campanha da legalidade e a realização da qüinquagésima edição das Caravanas da Anistia. A comemoração contará com a presença do Procurador da República em São Paulo, Marlon Weichert, dos Conselheiros da Comissão de Anistia, Maria Emília Guerra Ferreira, Rita Maria de Miranda Sipahi e Juvelino José Strozake, da Diretora do Instituto Sedes Sapientiae, Irmã Pompéa Maria Bernasconi, do Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política, Maurice Politi e da representante da Associação Ação Solidária Madre Cristina, Elza Lobo. A presença de Vossa Senhoria em muito honrará o evento e reafirmará a importância das iniciativas que contribuem com o resgate da memória e das lutas pela redemocratização do nosso país. Para sua comodidade, deixamos disponível a servidora Mariani Faria para quaisquer esclarecimentos, por meio do telefone (61) 2025-9471, ou pelo correio eletrônico mariani.faria at mj.gov.br. Atenciosamente, Paulo Abrão Pires Junior Secretário Nacional de Justiça Presidente da Comissão de Anistia -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110816/7986bc65/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 17 19:14:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 17 Aug 2011 19:14:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ANT=D4NIO_CARLOS_MONTEIRO_TEIXEIRA___?= =?iso-8859-1?q?_________________________-_CCXX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ANTÔNIO CARLOS MONTEIRO TEIXEIRA (1944-1972) Filiação: Luiza Monteiro Teixeira e Gerson da Silva Teixeira Data e local de nascimento: 22/08/1944, Ilhéus (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 21 ou 29/09/1972 Baiano de Ilhéus e geólogo formado pela Universidade Federal da Bahia, Antônio Carlos teve intensa participação no Movimento Estudantil nos anos de 1967 e 1968. Em 1969, casou-se com sua colega Dinalva, a legendária Dina do Araguaia, e foram residir no Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar no Ministério de Minas e Energia, participando simultaneamente de atividades da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC. Nesse período, o casal desenvolveu também um trabalho de conteúdo político e social junto a moradores de uma favela. Em maio de 1970, já incorporados ao PCdoB, Antonio e Dinalva trocaram o Rio de Janeiro pelo sul do Pará. No Araguaia, foram para a região de Caianos. O relatório apresentado pela Marinha, em 1993, ao ministro da Justiça Maurício Correa, afirma sobre Antônio Carlos: "em dezembro de 1972 foi identificado, por fotografia, como sendo o prof. Antônio que lecionava, no período de junho a dezembro de 1971, na Escola dos Padres de São Felix, em Terra Nova, no sopé da Serra do Roncador". Abriu um mercadinho no povoado de Araguanã, onde ficou conhecido como Antonio da Dina. Quando os confrontos armados tiveram início, os dois já estavam separados e continuavam bons amigos. Fez parte do Destacamento C - Grupo 500. Era o instrutor de orientação na mata aos companheiros que chegavam. Conhecia profundamente a área e junto com Dinalva fez todo o mapeamento da região, até a Serra das Andorinhas. Os relatórios dos três ministérios militares não fazem nenhuma menção às condições e data em que foi morto. A referência a seu nome que consta no "livro negro" do Exército é a mesma já transcrita acima, na apresentação do caso Francisco Manoel Chaves. No Relatório Arroyo está registrado: "Antônio foi gravemente ferido e levado para São Geraldo, onde foi torturado e assassinado. Escapou a companheira Dina, que sofreu um arranhão de bala no pescoço.(Provavelmente 21/09/72)". Segundo relatos de moradores, seu corpo foi enterrado clandestinamente no Cemitério de Xambioá. Taís Morais e Eumano Silva escrevem sobre ele em Operação Araguaia: "Reservado, estudioso e carismático, usava a formação universitária para conhecer em profundidade a região. Demonstrava aos amigos consciência das poucas chances do movimento armado. Morreu em confronto com o Exército no dia 29 de setembro de 1972, segundo documentos do Exército. De acordo com o Relatório Arroyo, foi preso durante o combate, torturado e executado". ============================================================================================================================== + informações. ANTÔNIO CARLOS MONTEIRO TEIXEIRA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Nasceu em 22 de agosto de 1944 em Ilhéus/BA, filho de Gerson da Silva Teixeira e Maria Luiza Monteiro Teixeira. Desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Geólogo, formado pela UFBA. Casado com Dinalva Monteiro Teixeira, destacada guerrilheira e também desaparecida. Teve grande participação no movimento estudantil nos anos 1967/1968. Em 1969, após contrair matrimônio com Dinalva, foram residir e trabalhar no Rio de Janeiro, no Ministério das Minas e Energia. Era membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em maio de 1970 foi, juntamente com Dina, para o Araguaia, indo viver na região de Caiano - DestacamentoC. Segundo seus companheiros, foi ferido em combate no dia 21 de setembro de 1972, quando foram mortos Francisco Manoel Chaves e José Toledo de Oliveira. Foi levado preso para São Geraldo do Araguaia e torturado até a morte. Estaria enterrado no cemitério de Xambioá. O Relatório do Ministério da Marinha diz que "em dezembro de 1972 foi identificado, por fotografia, como sendo o prof. Antônio que lecionava, no período de junho a dezembro de 1971, na Escola dos Padres de São Félix, em Terra Nova no sopé da Serra do Roncador." Os relatórios dos três ministérios militares não fazem nenhuma referência à sua morte. ================================================================================================== + Informações. ANTÔNIO CARLOS MONTEIRO TEIXEIRA (1944-1972) Baiano de Ilhéus e geólogo formado pela Universidade Federal da Bahia, Antônio Carlos teve intensa participação no movimento estudantil nos anos de 1967 e 1968. Em 1969, casou-se com sua colega Dinalva, a lendária Dina do Araguaia, e foram residir no Rio de Janeiro, onde desenvolveram um trabalho de conteúdo político e social junto a moradores de uma favela. Em maio de 1970, já incorporados ao PCdoB, Antônio e Dinalva trocaram o Rio de Janeiro pelo sul do Pará. No Araguaia, foram para a região de Caianos. O relatório apresentado pela Marinha, em 1993, ao ministro da Justiça Maurício Correa, afirma sobre Antônio Carlos: "Em dezembro de 1972 foi identificado, por fotografia, como sendo o prof. Antônio que lecionava, no período de junho a dezembro de 1971, na Escola dos Padres de São Felix, em Terra Nova, no sopé da Serra do Roncador". Taís Morais e Eumano Silva escrevem sobre ele em Operação Araguaia: "Reservado, estudioso e carismático, usava a formação universitária para conhecer em profundidade a região. Demonstrava aos amigos consciência das poucas chances do movimento armado. De acordo com o Relatório Arroyo, foi preso durante o combate, torturado e executado". Antônio fez parte do Destacamento C - Grupo 500. Era o instrutor de orientação na mata dos companheiros que chegavam. Conhecia profundamente a área e, junto com Dinalva, fez todo o mapeamento da região até a Serra das Andorinhas. Os relatórios dos três ministérios militares não fazem nenhuma menção às condições e data em que foi morto. No Relatório Arroyo, está registrado: "Antônio foi gravemente ferido e levado para São Geraldo, onde foi torturado e assassinado. Escapou a companheira Dina, que sofreu um arranhão de bala no pescoço. (Provavelmente 21/09/72)". Segundo relatos de moradores, seu corpo foi enterrado clandestinamente no Cemitério de Xambioá. De acordo com o livro Operação Araguaia, "morreu em confronto com o Exército no dia 29 de setembro de 1972, segundo documentos do Exército". ========================================================================================== Dados diversos. Antônio Carlos Monteiro Teixeira » Biografias » Antonio Carlos Monteiro Teixeira » Antônio Carlos Monteiro Teixeira Codinome Heitor Sales Apelidos Antônio, Antônio da Dina Idade 28 anos Sexo masc. Data e local de nascimento 22/08/44, em Ilhéus/Ba Filiação Gerson da Silva Teixeira/ Luiza Monteiro Teixeira Biografia Estudou Geologia na UFBa, tendo grande participação no movimento estudantil dos anos 1967/68. Em 1969, após contrair matrimônio com Dinalva, foi residir no Rio de Janeiro e trabalhar no Ministério das Minas e Energia. Era membro da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC). Em maio de 1970 foi, juntamente com Dinalva, para o Araguaia, indo viver na região de Caiano. Foi preso após ser ferido em combate no dia 20/09/72. Está desaparecido desde a época da sua prisão. Homenagens 1.. Nome de rua em São Paulo - DOM 27/06/92 - dec. 31.804 de 26/06/92. 2.. Nome da antiga Rua 23, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Avenida 1 e término na antiga Rua 1 - Lei nº 9497, de 20/11/97. Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento: Citado no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II. Citado na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982. Relatório Arroyo Como estivessem sem alimento, Vítor resolveu ir à roça de um tal de Rodrigues, apanhar mandioca. Os companheiros disseram que lá não tinha mais mandioca. Vítor, porém insistiu. Quando se aproximavam da roça viram rastros de soldados. Então Vítor decidiu que os quatro deveriam enconder-se na capoeira, próxima à estrada, certamente para ver se os soldados passavam e depois então ir apanhar mandioca. Acontece que, no momento exato em que os soldados passavam pelo local onde eles estavam um dos companheiros fez um ruído acidental. Os soldados imediatamente metralharam os quatro. Dois morreram logo: Vítor e Zé Francisco. Antônio foi gravemente ferido e levado para São Geraldo, onde foi torturado e assassinado. Escapou a companheira Dina, que sofreu um arranhão de bala no pescoço. [Provavelmente 21/09/72]. Relatório do Ministério do Exército Filho de Gerson da Silva Teixeira e de Luiza Monteiro Teixeira, nascido no dia 22 Ago. 44, em Ilhéus/Ba. Geólogo, casado com Dinalva Oliveira Teixeira, possuía o nome falso de Heitor Sales e utilizava-se dos codinomes Antônio, Antônio da Dina e João Goiano [João Goiano era o Vandick, marido da Dinaelza]. Consta que teria morrido em combate na região de Xambioá/Go. Relatório do Ministério da Marinha Nov./72 - foi identificado, por fotografia, como sendo o prof. Antônio que lecionou no período de junho a dezembro/71 na Escola dos Padres de São Félix em Terra Nova no sopé da Serra do Roncador. Foi guerrilheiro do PC do B em Xambioá. Relatório do Ministério da Aeronáutica Militante do PC do B e guerrilheiro no Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morto ou desaparecido no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão. Relatório das Operações contraguerrilhas realizadas pela 3ª Bda Inf. no Sudeste do Pará Ministério do Exército - CMP e 11ª RM - 3ª Brigada de Infantaria - Brasília/DF, 30 out 72 - assinado pelo General de Brigada - Antônio Bandeira - Cmt da 3ª Bda Inf.: Ações mais importantes realizadas pelas peças de manobra: Ação de patrulhamento, em 29 Set 72, executada por 2 GC, na R de Pau Preto, teve como resultado a morte dos seguintes terroristas: José Toledo de Oliveira 'Vitor' (Sub Cmt Dst C) Antônio Carlos Monteiro Teixeira 'Antônio' (Dst C - Grupo 500) José Francisco ou Preto Velho (Dst C - Grupo 500) Relatório da Operação Sucuri, de maio/74: confirma sua morte Informações e depoimentos obtidos através da imprensa e dos familiares Citado como guerrilheiro pela imprensa. Já o médico Dower Morais Cavalcanti, ., relatou ao juiz os nomes dos guerrilheiros João Carlos Haas, José Toledo de Oliveira, Ciro Flávio, Francisco Chaves e Antônio Carlos Monteiro Teixeira, que foram mortos durante a segunda campanha, em fins de 72. Dower, inclusive, após reconhecer essas pessoas em um álbum de fotografias, foi chamado pelo general Antônio Bandeira, ex-comandante do III Exército, para ir pessoalmente à Base Militar de Xambioá identificar os guerrilheiros. "Quando eu cheguei lá, porém, os corpos já haviam sido enterrados em uma vala comum, no cemitério de Xambioá." Ele afirmou ainda ao juiz que o Exército tinha em sua posse vários objetos de uso pessoal e documentos dos guerrilheiros, como por exemplo, o diário de campanha de João Carlos Haas e sua carta-testamento aos familiares e uma carta de Francisco Chaves à comissão militar da guerrilha. O que eu sei de Antônio Carlos é o que está na revista Guerrilha do Araguaia: diz que ele foi preso num combate, no dia 20 de setembro de 1972. Eu quero saber o que, de fato, aconteceu. [Depoimento de Luíza Monteiro Teixeira - mãe de Antônio Carlos] Esclarece também que nesta mesma época viu chegarem outros corpos conduzidos também por soldados, os quais foram sepultados neste mesmo cemitério; entre os mortos identificou por fotografias Antônio Monteiro Teixeira, Daniel Ribeiro Callado. Segundo os depoimentos de Adélia Azevedo de Sousa, Osvaldo Rodrigues, Raimundo Bandeira, que era coveiro no início dos anos 70, e Joaquina de Sousa, no cemitério da cidade foram enterrados em três covas os corpos de oito guerrilheiros do PC do B: João Carlos Haas Sobrinho, Antônio Carlos Monteiro da Silva, Lourival de Moura, Bergson Gurjão Farias, Maria Lúcia Petit da Silva, Áurea Elisa Valadão e Daniel Ribeiro Callado. A descrição da comerciante é confirmada pelo ex-coveiro Osvaldo Rodrigues, que garante ter visto outro coveiro do cemitério - que já morreu - enterrar no mesmo lugar descrito por Adélia o corpo de Haas e de quatro outros guerrilheiros. Segundo Joaquina Pereira, os outros corpos eram de Antônio Carlos Monteiro da Silva, Lourival de Moura, Maria Lúcia Petit da Silva e Áurea Elisa Valadão. (.). ==================================================================================================== Antônio Carlos Monteiro Teixeira -- "Antônio da Dina" » Biografias » Antonio Carlos Monteiro Teixeira » Antônio Carlos Monteiro Teixeira -- "Antônio da Dina" Baiano de Ilhéus nasceu em 22/08/44. Filho de Gerson da Silva Teixeira e Maria Luiza Monteiro Teixeira. Graduou-se em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, onde conheceu Dinalva Oliveira Teixeira com quem se casou. Trabalhou no Ministério das Minas e Energia e foi membro da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC). Em maio de 1970, desembarcou no Araguaia. Abriu um mercadinho no povoado de Araguanã, onde ficou conhecido como Antonio da Dina. Quando a guerrilha iniciou já estava separado de Dinalva. Fez Parte do Destacamento C - Grupo 500. Era o instrutor de orientação na mata aos companheiros que chegavam. Era reservado e carismático. Conhecia profundamente a área que os militantes do PC do B atuava, junto com Dinalva fez todo o mapeamento da região, até a serra das andorinhas, inclusive as próximas, com o conhecimento de geólogo. Dizem que chegou até Serra Pelada, região do garimpo. Foi ferido e preso no mesmo combate em que Vítor e Zé Francisco tombaram. Junto com ele foram apreendidos pelos militares vários mapas da região. Foi barbaramente torturado, conforme relatos de prisioneiros que sobreviveram. Há quem diga que foi decapitado. A morte consta nos documentos oficiais com a data de 29 de setembro de 1972, na primeira campanha do ataque das Forças Armadas à área. ========================================================================================= -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110817/fdce9530/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10501 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110817/fdce9530/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9049 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110817/fdce9530/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 17 19:14:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 17 Aug 2011 19:14:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Mem=F3ria=2C_Verdade_e_Justi=E7a_?= =?iso-8859-1?q?_por____S=E9rgio_Muylaert*?= Message-ID: <258E52ED571C4201B76F9ECF3DF5EF1C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Memória, Verdade e Justiça Sérgio Muylaert* A bem dizer o tema da memória e da verdade é solução. No essencial, nascente do direito clássico e da tradição dos povos, as conquistas sociais devem pavimentar o futuro civilizado, no aperfeiçoamento dos direitos humanos e o clamor contra as formas de violência por todos os lados ressurge em meio a necessidade de uma justiça de transição. A construção da memória não é algo póstumo e a efetivação deste projeto é o indisponível direito que se consubstancia com a verdade dos fatos. Por outra, o resgate da memória, da verdade e da justiça, engloba função de coleta de dados e monitoramento ordenado, para contribuir na formação de bancos de dados, a serem disponibilizados, a partir de um mapeamento e do reconhecimento dos fatos e sua efetiva divulgação. Existe uma extensa realidade ocultada e intocável. Diante dela não parece razoável dizer-se o contrário e a Comissão da Memória e da Verdade terá, portanto, a resposta adequada ao conteúdo deste projeto de lei n° 7.376/2010. Pautado no III PNDH o ministério dos Direitos Humanos instaura o Comitê de gestão da rede dos observatórios, com este objetivo segundo Portaria n° 1.516, de 5 de agosto de 2011. Neste sentido as audiências públicas da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados exercem papel indissociável. E os Comitês? São entidades civis que impulsionam a mobilização iniciada a partir do DF e ampliada entre os Estados da Federação, sendo o mais recente no dia 11 de agosto na capital goiana. Em síntese provisória, a iniciativa do governo federal para o projeto de lei reforça, em profundidade, o sentimento de honradez e reproduz os princípios éticos que informam as instituições republicanas. 2- A partir do caso Gomes Lund (e outros) vs República Federativa do Brasil, em novembro de 2010, é possível constatar a ausência de prerrogativas e, portanto, das imunidades aos que cometeram atentados e práticas nocivas aos direitos humanos. Por outra, a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos se aplica a luz da interpretação das normas internacionais no intuito de dar eficácia plena ao sistema jurídico de proteção integral das pessoas e voto do juiz Figueiredo Caldas coloca em marcha o mesmo sentido do projeto de lei n° 7.376/2010, sobretudo, quando robustece esses fundamentos no âmbito de um ordenamento continental. A releitura dos fatos descritos em "Raízes da violência" (Roland Corbisier, 1986) exibe a memória da tragédia sobre a qual o filósofo e pensador do ISEB afirmava que a violência tornou-se o nosso pão quotidiano. Consistente artigo do jurista e professor Fabio Konder Comparato "E agora, Brasil" reúne, para a atualidade, os fios condutores daquela condenação do Estado brasileiro na OEA. Será preciso lembrar? Os fatos que antecedem o período de exceção remontam a 18 de setembro de 1946 para alcançar o momento crucial da mega-operação, em 1964, para a derrubada de um governo constitucionalmente eleito. O apoio da mídia e a adesão de setores civis ao movimento consolidam a urgência na investigação destes 47 anos. Será preciso lembrar? No instante que se aproximam os 32 anos da primeira lei de anistia, de 29 de agosto de 1979, este processo implica a necessidade de tipificação dos fatos e a dimensão exata de sua gravidade, sendo o enlace principal para o reconhecimento definitivo do que o conjunto da sociedade civil anseia. Os fatos e suas seqüelas se reportam a mecanismos e expedientes, na sua integralidade, tais foram atos institucionais e complementares, ao arrepio da norma constitucional de 1946, para gestação de poder. Será lembrar a "contabilização" das formas conclusivas de delinqüência, de onde agentes públicos, deliberada e sistematicamente, perpetraram atos desmedidos que, ainda, hoje, representam negação dos princípios elementares do Estado Liberal. 3- Frente ao direito penal comum, os seqüestros, aprisionamentos, torturas, sevícias, estupros serviram, como sempre, ao aniquilamento, tanto como, os desaparecimentos forçados de pessoas. Tais foram redundantes da ocultação destes mesmos fatos e, até onde o direito Internacional tem admitido, como lembra o juiz Cançado Trindade, da Corte Internacional de Haia, petições ou recursos ao nível da jurisdição internacional compulsória - independentemente do esgotamento dos recursos internos -, auxiliam as vítimas e, portanto, tendem a reforçar os mecanismos no esclarecimento dos fatos. Cumpre destacar ainda que, contrariamente ao que interpreta o STF sobre a lei de anistia, no julgamento da ADPF n° 153, os tratados e convenções de direito internacional repelem os crimes tipificados de lesa-humanidade. Não cumpre, portanto, o "perdão" que se configura para a concessão da anistia, exceto, para as vítimas das perseguições do Estado e por seus agentes. Com efeito, ao declarar a anistia política esta norma, de 2002, proclama não só o direito a reparação econômica como autoriza o correspondente pedido de desculpas pelas arbitrariedades a que essas mesmas vítimas foram submetidas. Sob a ordem jurídica que se pretende justa, deve ser lembrado a todo instante o aperfeiçoamento do devido processo legal, para a construção da memória, da verdade, em favor do estado democrático de direito. Sérgio Muylaert - integra o Comitê pela Verdade e a Memória (DF); membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros; vice presidente da Comissão de Anistia (2004-2008); ex-membro da CDH/OAB e da Asociación Americana de Juristas, presidente da ala fundadora (2000/2002 -Brasília/DF) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110817/c86c9a75/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 18 20:36:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 18 Aug 2011 20:36:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__DIMAS_ANT=D4NIO_CASEMIRO_____________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCXXI-?= Message-ID: <26B116E8655B4E62A75C763B6FCE85E7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem DIMAS ANTÔNIO CASEMIRO (1946-1971) Filiação: Maria dos Anjos Casemiro e Antônio Casemiro Sobrinho Data e local de nascimento: 06/03/1946, Votuporanga (SP) Organização política ou atividade: MRT Data e local da morte: entre 17 e 19/04/1971, São Paulo (SP) Dirigente do MRT, com militância anterior na Ala Vermelha e na VAR-Palmares, foi morto em São Paulo, entre 17 e 19/04/1971, sendo enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Seus restos mortais estão entre as ossadas da Vala de Perus, à espera de identificação confirmatória. Documentos dos órgãos de segurança o acusam de participação em diversas operações armadas, inclusive na execução, dois dias antes, na capital paulista, do industrial Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragás, empresa que tinha atuado como financiadora da OBAN, em 1969 e 1970. Dimas foi corretor de seguros, vendedor de carros e tipógrafo. Era casado com Maria Helena Zanini, com quem teve o filho Fabiano César Casemiro. Foi militante estudantil em Votuporanga, no interior paulista, e mudou-se para São Paulo a convite de Devanir José de Carvalho, dirigente principal do MRT, morto dez dias antes. Era irmão de Denis Casemiro, militante da VPR, que seria preso pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury no mesmo mês, na região de Imperatriz, e executado em maio . Antes do processamento do caso na CEMDP, a versão contida no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos era de que Dimas morrera fuzilado ao chegar em sua casa, em São Paulo. Entretanto, a análise dos documentos, desenvolvida pela Comissão Especial, trouxe outra certeza: Dimas fora preso e o corpo somente deu entrada no IML depois de ter sido publicada a notícia de sua morte, nos jornais do dia 18/04/1971. A requisição de exame ao IML, assinada pelo delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho, informa que a morte se deu na rua Elísio da Silveira, 27, no bairro Saúde, às 13 horas do dia 17 de abril. Entretanto, o corpo de Dimas, ainda de acordo com a própria requisição de exame, só deu entrada no IML às 14 horas do dia 19 de abril, tendo sido enterrado às 10 horas do dia 20. O laudo necroscópico, assinado por João Pagenotto e Abeylard de Queiroz Orsini, descreve quatro ferimentos causados por arma de fogo e atesta a morte por choque hemorrágico. Além de questionar onde estaria Dimas durante os dois dias que antecederam sua entrada no IML, a CEMDP analisou as fotos de seu corpo, localizadas nos arquivos do DOPS/SP, constatando que eram visíveis algumas lesões na região frontal mediana e esquerda, no nariz, e principalmente, nos cantos internos dos dois olhos, não descritas no laudo. =========================================================================================================================== + Informações. DIMAS ANTÔNIO CASEMIRO Dirigente do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TIRADENTES (MRT). Nasceu em 06 de março de 1946 em Votuporanga, estado de São Paulo, filho de Antônio Casemiro Sobrinho e Maria dos Anjos Casemiro. Casado, tinha 1 filho. Era impressor gráfico. Fuzilado, sumariamente, aos 25 anos de idade, ao chegar em sua casa, no Bairro do lpiranga, São Paulo, no dia 17 de abril de 1971. O laudo de necrópsia foi assinado pelos médicos legistas João Pagenotto e Abeylard de Queiroz Orsini. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Perus. Seus restos mortais se encontram, provavelmente, na vala clandestina de Perus, mas até o momento a equipe do Departamento de Medicina Legal da Universidade de Campinas não logrou identificá-los. ============================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) DIMAS ANTÔNIO CASEMIRO (1946-1971) Natural de Votuporanga, no interior paulista, Dimas foi militante estudantil, além de corretor de seguros, vendedor de carros e tipógrafo. Mudou-se para São Paulo a convite de Devanir José de Carvalho, dirigente do MRT. Antes disso, Dimas havia sido membro da Ala Vermelha e da VARPalmares. Documentos dos órgãos de segurança o acusam de participação em diversas operações armadas, inclusive na execução do industrial Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragás, empresa que tinha atuado como financiadora da Oban em 1969 e 1970. Foi morto em São Paulo, entre 17 e 19 de abril de 1971, sendo enterrado como indigente no cemitério Dom Bosco. Seus restos mortais provavelmente estão entre as ossadas da vala de Perus, à espera de identificação confirmatória. A versão contida no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos era de que Dimas morrera fuzilado ao chegar em sua casa. Mais tarde concluiu-se que fora preso e o corpo somente deu entrada no IML depois de ter sido publicada a notícia de sua morte nos jornais do dia 18 de abril de 1971. A requisição de exame ao IML, assinada pelo delegado do Dops Alcides Cintra Bueno Filho, informa que a morte se deu na rua Elísio da Silveira, 27, no bairro Saúde, às 13h do dia 17 de abril. Entretanto, o corpo de Dimas, ainda de acordo com a própria requisição de exame, só chegou ao IML às 14h do dia 19 de abril, tendo sido enterrado às 10h do dia 20. O laudo necroscópico, assinado por João Pagenotto e Abeylard de Queiroz Orsini, descreve quatro ferimentos causados por arma de fogo e atesta a morte por choque hemorrágico. Além de questionar onde estaria Dimas durante os dois dias que antecederam sua entrada no IML, a CEMDP analisou as fotos de seu corpo, localizadas nos arquivos do Dops/SP, constatando que eram visíveis algumas lesões na região frontal mediana e esquerda, no nariz, e principalmente, nos cantos internos dos dois olhos, não descritas no laudo. ============================================================================================= + Informações. DIMAS ANTÔNIO CASEMIRO Dirigente do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TIRADENTES (MRT). Nasceu em 06 de março de 1946 em Votuporanga, estado de São Paulo, [...] Casado, tinha 1 filho. Era impressor gráfico. Fuzilado, sumariamente, aos 25 anos de idade, ao chegar em sua casa, no Bairro do Ipiranga, ao Paulo, no dia 17 de abril de 1971. O laudo de necrópsia foi assassinado pelos médicos legistas João Pagenotto e Abeylard de Queiroz Orsini. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Perus. Eu restos mortais se encontram, provavelmente, na vala clandestina de Perus, mas até o momento a equipe do Departamento de Medicina Legal da Universidade de Campinas não logrou identificá-los. ======================================================================================================= Outras Informações. [PDF] OPERÁRIA adrianodiogo.com.br/imagens/banco/files/mrtca.pdf Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida Dimas Antônio Casemiro, operário gráfico e ex-militante da VAR-Palmares também reforça ... Dimas. Antônio Casemiro foi fuzilado quando chegava em sua casa. ... ============================================================================================================= Ficha Pessoal Dimas Antônio Casemiro Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Dimas Antônio Casemiro Cidade: (onde nasceu) Votuporanga Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 6/3/1946 Atividade: Impressor gráfico Dados da Militância Organização: (na qual militava) Movimento Revolucionário Tiradentes MRT Brasil Nome falso: (Codinome) Rui, Celso, Rei Morto ou Desaparecido: Morto 17/4/1971 São Paulo SP Brasil em casa, Bairro do Ipiranga Segundo versão oficial. Clandestinidade Morto 19/4/1971 São Paulo SP Brasil órgão de repressão desconhecido Segundo relatório enviado à Comissão Especial da Lei 9.140/95. Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Abeylard de Queiroz Orsini, João Pagenoto Biografia Documentos Artigo de jornal Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP. Artigo de jornal Chega a Rio Preto o corpo do ex-militante político. A Notícia, São José do Rio Preto, 12 ago. 1991. Restos mortais de vítima da repressão chegam a Votuporanga depois de 20 anos. Diário da Região, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. 1 e 3. Votuporanga, descanso ao guerrilheiro - Dênis Casemiro será sepultado hoje. A Notícia, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. A-3. Família de desaparecido quer indenização. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991, p. 8. (Caderno SP Norte). Ossada de Dênis Casemiro é sepultada no cemitério local. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 14 ago 1991. Ossada de Dênis Casemiro será sepultada hoje. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 13 ago. 1991. Culto à vítima do Regime Militar. A Cidade, Votuporanga, 13 ago. 1991. Legislativo suspende Ordem do Dia para culto a Dênis Casemiro. A Cidade, Votuporanga, 14 ago. 1991. Dênis é enterrado com honras de herói em Votuporanga, Diário da Região, São José do Rio Preto, 14 ago. 1991. Família só soube das atividades de Casemiro no último contato. A Cidade, Votuporanga, 15 ago. 1991, p. 3. A ossada de Dênis Casemiro foi enterrada em Votuporanga, SP, em meio a várias homenagens. O presidente da Câmara Municipal de Votuporanga, SP, suspendeu os trabalhos do dia, permitindo que os ossos de Dênis Casemiro fossem visitados publicamente. Houve atraso, pois a companhia aérea TAM negou-se a transportar o corpo, que teve de ir de carro. Dênis foi fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury em 18/05/71, após um mês de torturas no DOPS/SP, e enterrado como indigente com dados físicos alterados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Acredita-se que mais presos políticos estejam enterrados na vala: Dimas Casemiro, irmão de Dênis, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus da Silva e Francisco José de Oliveira. Fabiano César Casemiro, sobrinho de Dênis vai pedir indenização ao Estado pela morte de seu tio. Artigo de jornal Artigo intitulado Dênis Casemiro, sem fonte e data. Dênis era militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi preso no sul do Pará, em 04/71, trazido para São Paulo e torturado por um mês, até ser fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury, que relatou como Dênis chorava, implorando para não morrer. A versão oficial publicada foi de que Denis, ao ser preso, tentou fugir com a arma de um policial, morrendo em tiroteio com as forças da repressão. No entanto, seu corpo teria sido encontrado no pátio do IML/SP. O laudo necroscópico apenas descreve os tiros, sem mencionar as marcas de tortura. Dênis foi enterrado em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo, SP, com seus dados alterados. Também estão lá enterrados e esperando identificação seu irmão Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus Silva e Francisco José de Oliveira. Artigo de jornal Polícia negou a prisão. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991. (Caderno SP Norte). Os irmãos Dênis e Dimas Casemiro, desapareceram durante o regime militar. A família ficou sabendo da morte de Dimas pela televisão e foi Waldemar Andreu, conhecido da família e que esteve preso com Dênis em São Paulo, que relatou a morte dele para a família. Tentaram obter informações com a polícia, que sempre negava a prisão de Dênis, até que, através de um conhecido dentro da polícia, a família teve acesso à certidão de óbito de Dênis em um cartório de São Paulo. Artigo de jornal Barros, Marcelo Faria de. (Sem título). O Globo, Rio de Janeiro, 28 out. 1990. Fabiano César Casemiro, filho de Dimas Casemiro vai entrar na justiça com pedido de indenização pela morte de seu pai, exigindo também o pagamento ou devolução dos móveis e utensílios roubados pelos agentes da repressão, em 17/04/71. Dimas faleceu nesse dia, em tiroteio iniciado por agentes de segurança, quando tentava furar o cerco na rua em que morava, na zona sul de São Paulo, SP. Um mês depois, seu irmão Dênis foi morto pelo DOI-CODI e ambos enterrados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo. A polícia explica que invadiu a casa em busca de materiais subversivos, dinamites, mimeógrafos, cédulas de identidade falsas, chapas de carro frias, armas e munição. Artigo de jornal Morto ontem chefe dos assassinos de Boilesen: baleado e morto chefe dos assassinos do industrial. Diário Popular, São Paulo, 18 abr. 1971. Foi morto Dimas Casemiro, acusado, juntamente com Joaquim Alencar Seixas (morto ao resistir à voz de prisão), do assassinato do industrial Henning Albert Boilesen. Dimas resistiu à voz de prisão, iniciando o tiroteio do qual foi vítima. Dimas era gráfico, executando vários trabalhos para as organizações "terroristas". Foi Devanir José de Carvalho quem trouxe Dimas a São Paulo, sendo que antes atuava como líder estudantil em Votuporanga, SP. Artigo de jornal Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva. Foto Fotos originais do cadáver, encontradas no DOPS/SP. Foto Fotos ampliadas e numeradas de rosto. Relatório Documento do Serviço Público Federal, sem data, sobre José Maria Ferreira de Araújo. Cita que, em material apreendido no "aparelho" de Dimas Antonio Casemiro, na Água Funda, São Paulo, SP, em 17/04/71, havia relação de nomes em que aparecia o de José Maria. Segundo declaração prestada por outro militante, em 01/78, participou de curso de guerrilha em Cuba. Comenta ainda suas condenações e citações em declarações de outros militantes que o conheceram. Possui os códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 14/05/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Fabiano Cesar Casemiro, filho de Dimas Antônio Casemiro, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Dimas e o voto de Suzana favorável ao deferimento do pedido. Relatório Relatório das circunstâncias da morte de Dimas Antônio Casemiro, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 26/04/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95. Ficha pessoal Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 22/10/70. Informa que Devanir fez curso de guerrilha na China, foi chefe do movimento Ala Vermelha e que foi publicada na imprensa notícia sobre sua morte. Faleceu em tiroteio com a polícia juntamente com Joaquim de Alencar Seixas e com Dimas Antônio Casemiro. Artigo de revista Mello, Rodney; Zwetsch, Valdir. A sentença do terror. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 28 abr. 1971, p. 22-27. O artigo trata do assassinato do industrial dinamarquês Henning Albert Boilesen, atribuído a terroristas, no dia 15/04/71. Entre os acusados estão Joaquim Alencar Seixas, morto em 16/04/71 ao resistir à voz de prisão, e Dimas Antônio Casemiro, morto em 17/04/71 nas mesmas condições de Joaquim. Ele e seus companheiros teriam seguido e o veículo do industrial, e quando este e seu filho tentaram fugir, metralharam Boilesen. Fugiram, deixando folhetos subversivos que explicavam o assassinato como resposta à morte de Devanir José de Carvalho. Nas casas dos dois subversivos foi encontrada enorme quantidade de material "subversivo". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110818/f04dc53a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5799 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110818/f04dc53a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5799 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110818/f04dc53a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 18 20:36:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 18 Aug 2011 20:36:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Virg=C3=ADlio_Gomes_da_Silva_=28Jonas?= =?utf-8?q?=29_-_entrega_de_T=C3=ADtulo_de_Cidad=C3=A3o_Paulistano?= Message-ID: <152E72FC6ACF44309636D5819609F8D2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Fernando Garcia de Faria Vanderley, segue Vídeo produzido pelo Centro de Documentação e Memória da Fundação Mauricio Grabois na Sessão Solene de entrega de Título de Cidadão Paulistano para Virgilio Gomes da Silva (Jonas) em 15/08/2011 na Câmara Municipal de São Paulo. http://grabois.org.br/portal/cdm/noticia.php?id_sessao=32&id_noticia=6514 (clique e assista) Abraço Fernando ================================================================================================ Queridos companheiros, Na segunda-feira, dia 15 de agosto, às 19 horas, o companheiro VIRGÍLIO GOMES DA SILVA - nosso "Jonas" da ALN - recebeu o título de Cidadão Paulistano post-mortem na Câmara Municipal de São Paulo. Virgílio morreu na Operação Bandeirantes - DOI-CODI - na rua Tutóia em 29 de setembro de 1969, após ser preso e torturado até a morte. Até hoje está desaparecido. Seu corpo está sendo procurado no cemitério de Vila Formosa, através de ação inicial solicitada pelo Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e pelo Sindicato dos Químicos ao Ministério Público Federal, que acatou o pedido. Sua companheira, Ilda Martins da Silva, foi presa em seguida com três dos quatro filhos, a mais nova com quatro meses. Os dois mais velhos, Vlademir, com 9 anos na época, e Virgílinho, de apenas 8, chegaram a ficar presos no Dops e foram interrogados, de acordo com documentos da própria polícia. Foram depois encaminhados ao Juizado de Menores, onde ficaram por dois meses, sem nenhum contato com a família. Ilda, também violentamente torturada, ficou presa por dez meses, quatro deles incomunicável. Perseguida após sair do Presídio Tiradentes, seguiu um ano depois para o exílio, inicialmente no Chile e depois em Cuba, de onde retornou após a formatura dos quatro filhos em Engenharia, em Havana. Francisco Gomes da Silva, o nosso companheiro Chiquinho, irmão mais novo de Virgílio, já falecido, além de ferido e torturado na época da prisão, permaneceu preso por dez anos. Reverenciar a memória de Virgílio é um privilégio e uma obrigação para todos que participaram da luta de resistência à ditadura, e também para os que hoje honram sua lembrança na continuidade da luta pelos Direitos Humanos em nosso país, em bu sca de um Brasil justo e solidário para os que vieram e os que vierem depois de nós. Um abraço fraterno, Rose Nogueira Grupo Tortura Nunca Mais - SP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110818/ff8c4c1d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 18 20:36:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 18 Aug 2011 20:36:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Trai=E7=E3o_e_exterm=EDnio=3A_?= =?windows-1252?q?infiltra=E7ao_no_PCB=2E__-_Aguarde_que_em_breve_t?= =?windows-1252?q?raremos_dados_sobre_a_infiltra=E7=E3o_de_Roberto_?= =?windows-1252?q?Freire=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem From: Alipio Freire De: Urariano Mota -------------------------------------------------------------------------------- Mensagem original De: Hugo Cortez Assunto: Traição e extermínio: infiltraçao no PCB Enviada: 17/08/2011 18:46 .hmmessage P { PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px } BODY.hmmessage { FONT-FAMILY: Tahoma; FONT-SIZE: 10pt } a.. EXCLUSIVO b.. | Edição: 1799 c.. | 31.Mar.04 - 10:00 d.. | Atualizado em 01.Ago.11 - 14:07 Traição e extermínio Relatório secreto mostra que a ditadura militar e a CIA conseguiram cooptar dirigentes comunistas: a intenção era matar os líderes do PCB Amaury Ribeiro Jr., Eugênio Viola e Tales Faria Numa casa perto da represa Billings, em São Paulo, os 31 membros do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão, encontraram-se, clandestinos, em novembro de 1973. A reunião era para discutir a implacável perseguição da ditadura ao partido. ?As elites, quando usam a repressão para impor o caminho que escolheram, usam-na cercando e aniquilando os inimigos portadores de idéias que podem somar forças suficientes para derrotá-las?, discursou o dirigente Dinarco Reis. ?Você quer dizer que nossa situação é de cerco e de aniquilamento??, perguntou o dirigente Hércules Corrêa. Ouviu um ?sim?. Hércules aproveitou a deixa e retomou outro assunto: a hipótese de infiltração de espiões da Forças Armadas e da CIA (o serviço de espionagem dos EUA) no Comitê Central. Nove meses antes, ele havia recebido de Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do partido, a missão de investigar o tema. As suspeitas se basearam na bombástica entrevista concedida por outro dirigente, Adauto Freire, o agente ?Carlos?, ao Jornal do Brasil, em 3 de dezembro de 1972. Pernambucano franzino, com seu inconfundível bigodinho, Freire era funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) e militante do PCB desde os anos 50. Mais tarde, passou a cuidar, ao lado de Prestes, das relações exteriores do partido. Mas ao JB, cerca de uma década depois, revelou que trabalhava para a CIA infiltrado no PCB. E relatou com minúcias a hierarquia do Partidão e suas atividades. ?Acho que ele se entregou para proteger os outros infiltrados, até mais importantes?, disse Hércules. Mas seu argumento não convenceu os demais. Eles mal podiam imaginar que a estratégia do regime militar até então, de liquidar guerrilheiros rurais e urbanos ? definida numa reunião entre os generais Ernesto Geisel e Emilio Garrastazu Médici em maio de 1973, como revelou ISTOÉ na edição passada ?, àquela altura já se ampliara para atingir também o PCB, mesmo o partido sendo contra a luta armada. A avaliação de Geisel e de seu grupo era de que o PCB ? então a organização de esquerda mais bem estruturada no País e infiltrado no MDB ? estava pronto para se tornar uma legenda de massa no caso de uma abertura política. Era preciso, portanto, exterminá-lo antes da volta ao regime democrático. Documentos e depoimentos obtidos por ISTOÉ mostram que a repressão tinha um plano especial para o Partidão. Comandado pelo chefe do DOI (Destacamento de Operações Internas) de São Paulo, coronel Aldir dos Santos Maciel, o ?doutor Silva?, um grupo ultra-secreto recebeu a missão de prender e executar os membros do Comitê Central do PCB, sem deixar pistas. Os assassinatos ocorreram em chácaras clandestinas, para facilitar a ocultação dos cadáveres. Os demais sobreviventes eram encaminhados pelo comando do II Exército aos delegados do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) José Francisco Setta e Alcides Singillo. Após serem torturados, nas dependências do órgão na rua Tutóia, em São Paulo, os militantes eram obrigados a prestar declarações de próprio punho sobre suas atividades. Dentro dessa estratégia se enquadram os casos do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho. Mas, brutalmente torturados, eles acabaram morrendo. Apelidada de ?Operação Radar?, a caça resultou na morte de 11 membros do Comitê Central. Além de destruir as gráficas clandestinas do partido, a repressão desmantelou seus diretórios nos Estados, em operações que prenderam 679 pessoas. Filme ? Obrigado a abandonar o País em 1975, Hércules aproveitou o exílio na então União Soviética para concluir suas investigações, em 1977. De volta ao Brasil, finalizou o texto do relatório sob o título Que merda é essa?, em 1998. Ele explica: ?Foi essa a frase que pronunciei naquela reunião diante da atitude do Adauto Freire. E foi essa também a frase que o presidente dos EUA, Richard Nixon, pronunciou ao saber do sequestro do embaixador americano no Brasil Charles Elbrick.? As 82 páginas compõem um verdadeiro roteiro de filme de espionagem. Nem mesmo os mortos escapam da suspeita de serem agentes infiltrados da CIA e da repressão. Muitos dos dirigentes em situações duvidosas ainda atuam na política brasileira. No final do ano passado, Hércules entregou cópia do documento a ISTOÉ, trazendo a público a discussão sobre as circunstâncias em que o Partidão foi praticamente aniquilado. Na fronteira ? Fortemente armados, agentes do DOI invadiram um apartamento no bairro da Tijuca, no Rio, em agosto de 1972, e prenderam o militante do PCB Aluísio dos Santos Filho. Em seus pertences, a repressão achou um documento precioso: uma carta indicando o local na fronteira com o Uruguai por onde Fuad Saad, do Comitê Central, regressaria ao País. O alto-comando do partido sabia que a carta caíra nas mãos da ditadura. Mesmo assim, uma operação suicida foi desencadeada. O motorista Célio Guedes, irmão do dirigente Armênio Guedes, foi buscar Fuad. O resultado não podia ser outro: Célio e Fuad foram presos. Torturado, Célio morreu. Segundo o relatório, Aluísio havia mostrado a carta de Fuad a três dirigentes do Partidão: Jaime Miranda, Fernando Pereira Cristino e Dinarco Reis. ?Ao saber da prisão do Aluísio, o secretariado fez uma reunião e decidiu abortar a missão de busca do Fuad. Mas, contrariando a decisão, o Givaldo Siqueira mandou o Célio buscar o Fuad?, acusa Fernando. Indignado, dispara uma acusação ainda mais pesada contra o ex-colega: ?A atitude do Givaldo não me causou surpresa. Tínhamos um militante infiltrado na polícia da Guanabara e ele já havia avisado que o Givaldo trabalhava a serviço da ditadura. É também muito esquisito que ele nunca tenha sido preso, apesar de circular livremente pelo País.? Apontado como uma das maiores lideranças do PCB de todos os tempos, Givaldo Siqueira atualmente é assessor da liderança do PPS na Câmara. Ele se defende das acusações e apresenta outra versão para a queda dos dois dirigentes. ?Eu dei a ordem contrária. Não mandei buscar ninguém. Vieram porque quiseram?, garante Givaldo, que atuava no Departamento de Fronteira do partido. Mas o dirigente também é atacado por outro ex-colega, o jornalista Armênio Guedes, irmão de Célio: ?Givaldo mandou meu irmão para a morte. O Comitê sabia da carta e mesmo assim foi feita a operação?, diz. Respingos ? Como num filme de espionagem em que todos os personagens são suspeitos, o relatório respinga até na vítima Fuad Saad. ?Cabe notar que Saad defendeu a idéia de que Célio Guedes havia cometido suicídio. Ele assinou um depoimento, publicado pela revista Manchete, dizendo que não fora torturado, o que, segundo as informações, não correspondia à verdade?, afirma Hércules no texto. De acordo com o relatório, a reportagem da Manchete teria sido produzida por outro infiltrado, o jornalista Renato Mor, e assinada por um colega dele, também do partido, que estava no Exterior. Depois disso, Renato foi trabalhar no jornal Diário de Notícias, segundo Hércules, por indicação do SNI (Serviço Nacional de Informações). Aos parentes de Célio, Fuad deu outra versão. ?Ele disse que, colocado frente à frente numa acareação com o agente Carlos no Cenimar (Centro de Informação da Marinha), meu irmão, vendo que ele era um infiltrado, partiu para cima dele, o que levou os agentes do DOI a executá-lo?, afirma Armênio Guedes. Não menos intrigante foi outra operação descrita no relatório, realizada pelo Comitê Central para resgatar do Exterior o dirigente David Capistrano, em março de 1974. Segundo o texto, Capistrano, que havia passado vários dias na Checoslováquia, foi para a cidade uruguaia de Paso de los Libres, divisa com Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, onde pediu ajuda ao taxista Samuel Dib, militante do partido na região, para entrar no Brasil. Achando a travessia arriscada, já que Capistrano carregava malas com documentos do PCB, o taxista foi a São Paulo pedir orientação do partido. Enquanto esperava, Capistrano ficou dez dias ?dando bandeira? em um hotel da cidade. De acordo com o relatório, com o aval de Givaldo, o taxista voltou num carro dirigido pelo militante José Roman. Às 23 horas do dia 18 de março, Roman pegou a estrada com Capistrano em direção a São Paulo. No meio do caminho, depararam, segundo disse a ISTOÉ o ex-sargento do DOI Marival Chaves, com um grupo de agentes do Centro de Informações do Exército (CIE), comandados pelo implacável ?Doutor César?, o coronel José Teixeira Brant. Os dois dirigentes foram levados para o DOI de São Paulo. Documento obtido por ISTOÉ mostra que Capistrano chegou a prestar depoimento antes de ser executado junto com José Roman. Sem regras ? Ao investigar a queda dos dois militantes, Hércules apurou também que Roman e um militante chamado Clóvis haviam montado uma imobiliária na capital paulista para servir como lugar de encontros clandestinos ? o chamado ?aparelho?. Clóvis foi expulso da suplência do diretório do partido por ter escondido dos companheiros uma abordagem que havia sofrido por parte da CIA (o serviço de inteligência americano). ?No Caso Capistrano, várias regras de segurança foram quebradas: o fato de ele ter ficado dez dias numa cidade de fronteira com uma enorme bagagem ? e o Rocha (codinome de Givaldo) admitiu isso como normal, apesar da experiência com o Célio Guedes. E José Roman não podia nunca ter ido à fronteira devido à ligação com Clóvis e pela falta de segurança nas ligações com seu filho, que estava estudando no Exterior?, avalia Hércules. Givaldo desmente: ?Dei uma ordem contrária. Não autorizei que ele entrasse no País.? O dirigente do PPS aparece também como personagem principal da incrível história contada por Miguel Batista, ex-militante preso em São Paulo, em 1974. Pernambucano valente, o metalúrgico fez um pacto com ele mesmo ao ser preso: mesmo se tivesse de morrer, não forneceria nenhuma informação à repressão. Ex-vereador pelo PCB, quando este ainda estava na legalidade, ao sair da prisão, no Recife, Miguel enviou uma carta ao dirigente Dinarco Reis, levantando suspeitas sobre Givaldo. ?Miguel conta que, após uma sessão de tortura, entrou no recinto um cidadão, protegido por capuz, aconselhando-o a não resistir e a responder afirmativamente o que a polícia queria, pois tudo já era do conhecimento dos serviços de segurança. Miguel Baptista dizia que o tal cidadão encapuzado era Givaldo porque a voz e a gesticulação eram as mesmas de Rocha?, afirma Hércules. ?Tenho certeza que tinha um ou mais infiltrados no Comitê Central, porque as quedas do PCB são as únicas em que não aparecem quem entregou?, diz Miguel, hoje membro do diretório do PT no Recife. Mais uma vez, Givaldo desmente: ?Essa denúncia é absurda.O Miguel só foi preso porque não seguiu minha orientação de não sair de casa.? O presidente do PPS, Roberto Freire, se recusa a acreditar nas desconfianças: ?O Prestes chegou a pedir informações à União Soviética sobre o Givaldo e a própria KGB informou que nada havia contra ele. Eu deposito total confiança no Givaldo.? No relatório, as suspeitas de infiltração das quedas ocorrem principalmente no setores de fronteira, de gráfica, de empreendimentos e entre militantes de Minas Gerais e da antiga Guanabara. ?O diretório da Guanabara estava tão minado que ninguém queria ir para lá organizar o partido. Aceitei a missão com uma condição: cortei relações com todo mundo de lá e levei o meu pessoal de fora?, afirma Geraldo Rodrigues dos Santos, atual dirigente do PPS. Segundo o relatório, Chico Pinote, agente que se dedicava a caçar comunistas, teria dito a um casal de militantes do partido, em Pernambuco, que possuía um informante no Rio que estava na direção do partido: Venceslau de Oliveira Moraes, ex-secretário do partido na Guanabara e ex-suplente do Comitê Central. Segundo o relatório, em 1967 Venceslau teria deixado, na casa de um militante, uma pasta com documentos do PCB e desapareceu. ?Assim como o Adauto, não temos dúvida de que ele era um infiltrado?, diz Roberto Freire. Venceslau depôs na Justiça contra o dirigente Marco Antônio Tavares Coelho, no final dos anos 70, e foi trabalhar na agência central do Bradesco Seguros, no Rio. Nunca mais foi visto. Omissão ? Era evidente a preocupação da CIA em desmantelar o PCB ao tentar cooptar vários de seus membros desde os anos 60. Segundo relatório, foram assediados pelo serviço americano os seguintes dirigentes: Severino Teodoro de Melo, Armênio Guedes, Orestes Timbaúba e Jarbas Holanda Cavalcanti. ?Quantos outros foram abordados e se omitiram sobre o partido??, questiona Hércules. De acordo com seu relatório, ao ser abordado, Cavalcanti teria ficado impressionado com o grau de conhecimento que os norte-americanos tinham dos dirigentes do PCB, o que o levou a cortar contato com o partido sob o argumento de que o Comitê Central estava minado. ?Inicialmente, diziam-se interessados numa consultoria, mas logo percebi que o interesse era outro?, conta Jarbas. Com tantas desconfianças, até mesmo dirigentes do PCB que teriam sido mortos pela ditadura acabaram com seu papel histórico revisto pelo relatório de Hércules. Elson Costa é um deles. ?A história do Elson é mesmo meio complicada?, admite Roberto Freire. Hércules levanta a suspeita de que Elson teria sido visto por militantes no Paraná, na década de 80. Ele também acha estranho que o coronel Ferdinando Carvalho, apesar de ter fotografado Elson em encontros com dirigentes no Paraná, em 1967, tenha deixado que ele fugisse do Estado. A posição da família de Elson aumenta as desconfianças. Ao contrário das demais famílias de desaparecidos, que tentam localizar os corpos, a viúva Aglaé Costa, de 90 anos, não gosta nem de ouvir falar do assunto. ?Não temos nada a dizer, nem bem nem mal, sobre o Elson?, disse a ISTOÉ o advogado Creanto Souza, cunhado do ex-dirigente. Mas para o ex-agente Marival Dias, ?o Elson foi morto em 1975 no aparelho de Itapevi?, garante. Em meio a tantas incógnitas, ao sair do baú, o Relatório Hércules inicia uma discussão com mais de 30 anos de atraso sobre as quedas do PCB. Suas investigações e conclusões, no entanto, são vistas com restrições pelo PPS, legenda em que o Partidão se transformou, em 1992, e da qual o próprio Hércules se desligou. ?O fato principal é que houve uma política de extermínio contra militantes comunistas por parte da repressão. Não vamos agora fazer caça às bruxas internamente, o que eximiria a ditadura de culpa?, diz Roberto Freire. Nota: Aguarde que em breve traremos dados sobre a infitração de Roberto Freire -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110818/a398d8aa/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 19 17:55:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 19 Aug 2011 17:55:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__D=CANIS_CASEMIRO_____________________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CCXXII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem DÊNIS CASEMIRO (1942-1971) Filiação: Maria dos Anjos Casemiro e Antônio Casemiro Sobrinho Data e local de nascimento: 09/12/1942, Votuporanga (SP) Organização política ou atividade: VPR Data e local do desaparecimento: 18/05/1971, em São Paulo Militante da VPR, com passagem anterior pela Ala Vermelha, seu nome também integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Paulista de Votuporanga, irmão de Dimas Casemiro, do MRT, morto em São Paulo na mesma época, era trabalhador rural e desenvolvia trabalho político clandestino no sul do Pará, onde cuidava de um sítio próximo a Imperatriz (MA). Provavelmente foi localizado naquela região e preso pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, em fins de abril de 1971, sendo levado para o DOPS/SP, onde permaneceu por quase um mês. Durante esse período, era sempre transportado pelos corredores com um capuz cobrindo o rosto, para impossibilitar sua identificação pelos demais presos. Um desses presos era Waldemar Andreu, conterrâneo de Dênis, que chegou a conversar com ele por alguns minutos. Dênis estava confiante de que a retirada do capuz era sinal de que o perigo de morrer havia passado - mas foi morto em 18 de maio de 1971. Em relatório encontrado nos arquivos do DOPS/SP, o delegado Sérgio Paranhos Fleury não esconde o sinismo ao narrar o episódio da morte de Denis. Fleury reporta que voltava do Rio de Janeiro, transportando o preso, quando, ao se aproximarem de Taubaté (SP), Denis declarou que, em Ubatuba (SP), havia um campo de treinamento da VPR. O delegado resolveu, então, seguir até lá para que fosse indicado exatamente o local da área de treinamento. Ao iniciarem a descida da serra, Denis teria dito que necessitava fazer necessidades fisiológicas. Apesar da neblina e da garoa que caía, Fleury autorizou que a viatura parasse, atendendo à insistência do preso. Inesperadamente, quando baixava as calças, segundo o relato sarcástico, Denis apoderou-se da arma de um policial, tendo outro imediatamente alvejado Denis, que, mesmo ferido, conseguiu fugir. Fleury seguiu para Ubatuba, onde deixou de sobreaviso o delegado de polícia na cidade. Na manhã seguinte, Fleury teria sido informado pelo delegado que Denis estava na Santa Casa local, onde assumira a própria identidade e dissera que fora baleado pelos policiais que o transportavam, contando, segundo Fleury, uma história diferente do que ocorrera. O delegado de Ubatuba manteve o preso incomunicável. Fleury mandou que seus agentes o buscassem. Na estrada, encontraram-se casualmente com a viatura que transportava Denis para atendimento médico na capital. Os agentes de Fleury, sempre conforme a ficção mordaz do relatório, receberam o preso e rumavam com toda pressa para a capital, a fim de que pudesse ser medicado, mas o preso não resistiu, e morreu, sendo encaminhado ao necrotério do Instituto de Polícia Técnica. Esse relatório registra que Denis teria chorado e implorado pela própria vida e foi mostrado pelos policiais a alguns presos, posteriormente, como ameaça de que algo igual poderia acontecer com aqueles que não colaborassem. Na requisição de exame ao IML, assinada pelo delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho, não consta o local onde teria sido encontrado o cadáver, e é datada de 19/05, mas informa que o corpo teria entrado no IML no dia anterior. No laudo necroscópico, realizado pelos legistas Renato Cappelano e Paulo Augusto de Queiroz Rocha, está descrita a trajetória dos tiros que teriam matado Denis Casemiro, ocultando-se qualquer referência a marcas de torturas. Dênis foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, capital paulista, com os dados pessoais alterados. No livro de registro de sepultamentos, ele teria 40 anos e os demais dados de identificação ignorados. Na realidade, tinha 28 anos e todos os seus dados constavam do atestado de óbito. Nenhuma comunicação oficial da morte foi feita pelas autoridades. Sua ossada foi localizada a partir das investigações sobre a Vala de Perus. No dia 13 de agosto de 1991, os restos mortais de Denis Casemiro, Antonio Carlos Bicalho Lana e Sonia Maria de Moraes Angel Jones, exumados do mesmo cemitério, foram trasladados. Houve ato na Catedral da Sé, em São Paulo e depois Denis foi velado na Câmara Municipal de Votuporanga, com missa de corpo presente na igreja matriz . =========================================================================================================================== + Informações. DÊNIS CASEMIRO Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Esteve na lista de desaparecidos até 13 de agosto de 1991, quando seus restos mortais foram identificados e trasladados para sua cidade natal. Nascido em 9 de dezembro de 1942, na cidade de Votuporanga, SP, era filho de Antônio Casemiro e Maria Casemiro. Trabalhador rural, desenvolvia trabalho político no sul do Pará, onde cuidava de um sítio próximo a Imperatriz, Maranhão. Localizado e preso pelo Delegado Sérgio Fleury, em fins de abril de 1971, foi trazido para o DOPS/SP, onde foi torturado por quase um mês. Durante esse período, era sempre transportado pelos corredores daquele órgão policial com um capuz cobrindo seu rosto, para impossibilitar sua identificação pelos demais presos. Um desses presos era Waldemar Andreu, conterrâneo de Dênis, que chegou a conversar com ele por alguns minutos. Ele estava confiante de que a retirada do capuz era um sinal de que as torturas acabariam e que o perigo de ser assassinado havia passado. Mas foi fuzilado pelo próprio Delegado Fleury, em 18 de maio de 1971. Em relatório interno do DOPS, é narrada com sarcasmo a morte de Dênis. Segundo um dos torturadores, Dênis pediu para não ser morto, chegando a chorar. A seguir descreve a ten-tativa de fuga e os tiros pelas costas desferidos pelo policial. Este relatório, posteriormente, foi mostrado pelos policiais a alguns presos, como ameaça de que algo igual poderia acontecer com aqueles que não colaborassem. A requisição de exame feita pela polícia para que o IML procedesse à necrópsia, relata a tentativa de fuga seguida de morte. Segundo a polícia, Dênis teria tomado a arma de um policial e morreu ao travar um tiroteio com as forças de repressão. Seu corpo, no entanto, teria sido encontrado no pátio do IML, que procedeu à sua necrópsia. No laudo necroscópico, realizado pelos legistas Renato Cappelano e Paulo Augusto de Queiróz Rocha, apenas está descrita a trajetória das balas que o mataram, sem nada falar sobre o estado do corpo. Preocupados em legitimar a versão policial, ignoraram as torturas sofridas pelo preso. Dênis foi enterrado secretamente com os dados pessoais alterados para dificultar sua identificação. No livro de registro de sepultamentos do cemitério ele teria 40 anos e demais dados ignorados. Na realidade tinha 28 anos e todos os seus dados constavam do atestado de óbito. Sua história passou a ser desvendada a partir da campanha pela Anistia, em 1979, quando foram tomados relatos de ex-presos políticos. Seus restos mortais encontravam-se na Vala de Perus, juntamente com outras 1049 ossadas. Só foi possível a identificação de seus restos mortais porque a prefeita Luíza Erundina, a partir de 1990, determinou as investigações das ossadas encontradas. No dia 13 de agosto de 1991, seus restos mortais, depois de identificados na UNICAMP, foram enterrados em Votuporanga, como herói, velado na Câmara Municipal da Cidade e com missa de corpo presente na Igreja Matriz. ================================================================================================ + Informações. (do livro Habeas Corpus) DÊNIS CASEMIRO (1942-1971) Paulista de Votuporanga e militante da VPR, com passagem anterior pela Ala Vermelha, era trabalhador rural e desenvolvia trabalho político clandestino no sul do Pará, onde cuidava de um sítio próximo a Imperatriz (MA). Provavelmente, foi localizado naquela região e preso pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury em fins de abril de 1971, sendo levado para o Dops/SP, onde permaneceu por quase um mês. Durante esse período, era sempre transportado pelos corredores com um capuz cobrindo o rosto, para impossibilitar sua identificação pelos demais presos. Um desses presos era Waldemar Andreu, conterrâneo de Dênis, que chegou a conversar com ele por alguns minutos. Dênis estava confiante de que a retirada do capuz era sinal de que o perigo de morrer havia passado - mas foi morto em 18 de maio de 1971. Ele foi enterrado como indigente no cemitério Dom Bosco, em Perus, capital paulista, com os dados pessoais alterados. No livro de registro de sepultamentos, ele teria 40 anos e os demais dados de identificação constam como ignorados. Na realidade, tinha 28 anos e todos os seus dados apareciam do atestado de óbito. Nenhuma comunicação oficial da morte foi feita pelas autoridades. Sua ossada foi localizada a partir das investigações sobre a vala de Perus. ============================================================================================= Outras Informações. Foto: Arquivo revista O Cruzeiro/ 1.971 Livre 05/04/2009 - Fábio Balaguer História - Ligações Perigosas Documentário "Cidadão Boilesen" debate apoio de empresário paulista à ditadura. Esta semana a prateleira dos bons filmes que contam a história da ditadura ganhou mais um exemplar. É o documentário "Cidadão Boilesen", dirigido pelo jornalista Chaim Litewski, uma das atrações da 14.ª edição do festival "É Tudo Verdade", realizado no Rio e São Paulo. Infelizmente, seu lançamento nacional é algo fora de cogitação. Além da falta de apelo comercial, o tema abordado, a participação do empresário Henning Boilesen no financiamento à repressão, ainda é tabu. Apenas sugerida em filmes, peças e minisséries de TV, o envolvimento da sociedade civil com a ditadura, é debatido pelo documentário a partir de provas contundentes. Henning Boilesen O dinamarquês Henning Albert Boilensen imigrou para o Brasil nos anos 30 e aqui fez fortuna. No auge da carreira tornou-se presidente do grupo Ultragás. Anticomunista, organizou e participou ativamente na "caixinha" dos empresários para arrecadar fundos para a Operação Bandeirantes (Oban), criada pelo Exército para reprimir grupos esquerdistas que resistiam à ditadura militar. Amigo pessoal do delegado Fleury, Boilesen acompanhava pessoalmente as sessões de tortura. Quem teve a infelicidade de encontrá-lo nas seções de tortura diz que o empresário sentia imenso prazer em ver presos pendurados no pau de arara, apanhando e tomando choques elétricos na tenebrosa "cadeira do dragão". Militantes da esquerda atribuem ao presidente da Ultragás a criação de um instrumento de tortura que emitia choques elétricos graduais, acionado por um teclado, que ficou conhecido como Pianola Boilesen. O empresário também teria sido colaborador da CIA, a agência de inteligência americana. Por outro lado, para o filho do empresário, boa parte das acusações que pesam o pai são absurdas. Em entrevista ao Jornal do Brasil, o diretor, radicado em Nova Yorque, disse não ter nenhuma intenção revanchista ou revisionista com o filme. Segundo a crítica, Litewski nem o acusa e nem o absolve. "Cidadão Boilesen foi feito por meio de dezenas de entrevistas e fartamente ilustrado com cine-jornais, arquivos de TV, filmes de ficção, documentários, arquivos oficiais e particulares e outros materiais iconográficos. Não partimos de conceitos predeterminados. Os diferentes pontos de vista foram articulados e respeitados", disse o diretor ao jornalista do JB. A repórter do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo Sylvia Colombo disse à reportagem do Diário que, de fato, a preocupação do diretor em não tomar qualquer partido do caso é evidente. Sylvia disse ter ficado surpresa com a sensatez do depoimento dado por Fernando Henrique Cardoso. No documentário o ex-presidente disse que "ninguém de boa formação vai ficar feliz porque uma pessoa foi assassinada. Mas, naquele caso, era um a menos. Um do outro lado". Sylvia escreveu em matéria publicada na última segunda-feira (30/4) que a produção "bastante ponderada, alcança a proeza de retratar esse personagem peculiar no contexto de tensão social e política da época". Boilesen foi executado em 19 de abril de 1971 por integrantes do Movimento Revolucionário Tiradentes, MRT. Por estranha coincidência, o empresário foi morto na mesma Alameda Casa Branca onde havia morrido Carlos Marighella dois anos antes. Pouca gente se lembra, mas o votuporanguense Dimas Casemiro, integrante do grupo de esquerda, participou da ação que vitimou o empresário. Três dias depois ele era morto ao sair de casa. Até hoje os restos mortais de Dimas continuam desaparecidos. (Continua...) LEG: Corpo de Henning Boilesen encontrado em 19 de abril de 1971 - foto publicada em 28 de abril de 1971 * Os irmãos Casemiro A história dos filhos de Votuporanga Dênis e Dimas Casemiro, que lutaram contra a ditadura militar, só veio à tona em setembro de 1991 depois que a ossada do militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) Dênis - morto no dia 18 de maio de 1971 no DOPS em São Paulo -, encontrada no cemitério de Perus, foi identificada por legistas da Unicamp e trazida para a cidade. A denúncia da vala clandestina se deu por acaso quando o jornalista da Rede Globo, Caco Barcellos, investigava casos de mortes cometidos por policiais para seu livro Rota 66: a história da polícia que mata nos arquivos do Instituto Médico Legal (IML). Foi feito um velório na Câmara Municipal, quando o presidente da Câmara Jorge Augusto Seba e o vereador Jurandir Benedito da Silva, o Jura, se pronunciaram. O primeiro afirmou a importância da solenidade para que fatos como este não voltem a manchar a história do país e o segundo, ressaltou o heroísmo de Dênis que teve coragem para lutar contra a repressão. Em nome da então prefeita da capital, Luíza Erundina, o jornalista Ivan Seixas comentou os detalhes da vala encontrada no cemitério paulistano. A mãe de Dênis, dona Maria dos Anjos Casemiro, de 85 anos, havia falecido semanas antes. Os restos mortais do seu irmão Dimas continuam desaparecidos. A partir da documentação gentilmente fornecida pelo filho de Dimas Casemiro, o publicitário Fabiano Casemiro, a reportagem do Diário refez os últimos passos dos irmãos Casemiro. Dênis Casemiro Em depoimento prestado no DOPS dia 19 de abril de 1971, Dênis Casemiro, depois de ter sido bastante torturado, relatou com detalhes, ora minuciosos, ora propositadamente confusos, a sua trajetória política até aquele momento. Temeroso de prováveis retaliações ao pai Antônio Casemiro, filiado ao PC do B, fez questão de deixar claro aos policiais que o seu envolvimento com a política não tinha nada a ver com ele. O "primeiro contato" de Dênis com o marxismo se deu, segundo ele próprio, em 1963 durante reuniões do Sindicato dos Lavradores de Votuporanga, fechado logo após o golpe em 64. Sem filiação partidária alguma, Dênis continuou na cidade ganhando a vida como pedreiro até se mudar para a capital em 1967. Logo que chegou se hospedou na casa de uma irmã e até arrumar um emprego fixo como operador de máquinas na Volkswagen em São Bernardo do Campo, fez bicos na construção civil. De acordo com o interrogatório, o hábito de jogar futebol nos campos de Várzea do ABC nos fins de semanas precipitou a sua entrada na luta armada. Depois de um jogo no campo de terra batida próximo à sua casa, o operário de Votuporanga conheceu Daniel Carvalho. A simpatia pelos ideais socialistas aproximou tanto os dois que começaram a sair juntos para os bailes dançantes das redondezas. Não demorou muito e novo amigo o convidou para participar de uma reunião secreta do PC do B onde se discutiu a criação da Ala Vermelha do partido. Todavia, a nova organização não prosperou e apenas em maio de 69, cinco meses depois do anuncio do AI-5, Denis largou o emprego na fábrica e ingressou, por intermédio de "Henrique" e "Gaúcho" (respectivamente, Devanir Carvalho e Plínio Petersen), no GEN (Grupo Especial Nacional). Nos dois assaltos realizados pelo grupo, ao Banco Bradesco na Rua Turiassú em julho, e à agência da Light no Belenzinho em setembro, "Douglas" (nome fictício de Denis) ficou encarregado do fechamento do trânsito durante às ações. Apesar de toda tensão só precisou disparar o seu revólver uma vez. Com o sucesso das "ações revolucionárias", os membros do GEN foram convidados a integrar a organização VAR Palmares e dar início ao plano de guerrilha rural idealizado pelo capitão Carlos Lamarca. Dênis, que havia se transferido para o Rio de Janeiro após as ações, perambulou por Guarapari, Brasília e Feira de Santana para se encontrar com outros militantes e decidir o encaminhamento dos futuros passos do movimento. No entanto, como a ditadura fechava o cerco aos "terroristas", as sucessivas baixas complicavam as tentativas de "pontos" com os companheiros. Diante das dificuldades, "Breno" (Carlos Alberto Soares Freitas) encontrou com "Douglas" em Brasília, deu a ele um mapa do Pará, Cr$ 5.000,00 e a incumbência de criar um foco guerrilheiro naquela região. Depois de idas e vindas para buscar mais dinheiro e concretizar definitivamente o empreendimento, "Douglas", que já havia levado "Cristiano" (Bartolomeu) com sua esposa, cinco filhos e o cunhado surdo, foi avisado por "Breno" das mudanças de planos e da necessidade de venda da área. Indignado com a decisão Dênis rompeu com a organização VAR Palmares e foi encaminhado por "Henrique" para a VPR. Em junho de 1970 Denis foi apresentado ao "Cid" (Capitão Carlos Lamarca). Na ocasião ele reencontrou-se com "Cláudia" (Yara Yavelberg), a mulher que havia participado do assalto à agência do Bradesco, namorada de Lamarca. Depois de conversas com "Japa" (Yoshitane Fujimori) e "Roque" (Joaquim Alencar Seixas), Denis voltou ao Pará levando consigo, além de NCr$ 35.000,00 para adquirir uma viatura, caixotes com barracas, mochilas, coturnos, redes de dormir, carabinas e munição. A prisão de "Breno", porém, obrigou novas mudanças nos planos e Dênis se desfez da caminhonete e, depois de discutir com Lamarca uma nova área para a transferência da guerrilha, se mudou para Imperatriz, no Maranhão. Denis acabou preso pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury em fins de abril de 1971, quando ia buscar mais dinheiro no Rio de Janeiro. De acordo com o relatório assinado pelo delegado do DOPS, a morte de Denis aconteceu durante a viagem para São Paulo. A versão de Fleury diz que na altura de Ubatuba, o militante conseguiu roubar a arma de um policial e fugir depois de troca de tiros. Ferido, Denis foi levado ao hospital, porém, como não havia condições para um "atendimento médico eficaz", foi transferido para o Hospital das Clínicas, onde já teria chegado morto. Na verdade, Denis foi preso e levado para o DOPS onde permaneceu sendo torturado por quase um mês. Na única vez que passou pelas celas sem capuz foi reconhecido pelo votuporanguense e também preso político Waldemar Andreu. Conversaram alguns minutos e Denis se mostrou confiante que a retirada do capuz fosse um sinal de que as torturas estariam no fim. Engano fatal. Foi fuzilado pelo próprio delegado Fleury, que em relatório interno ao DOPS disse ainda que o preso, chorando, pediu para não ser morto. Foi assassinado com vários tiros nas costas. O relatório da necropsia apontou tecnicamente a posição dos 4 disparos e nada disse sobre as marcas de tortura. Para dificultar a identificação, já que não havia registro de sua prisão, Denis, 28, foi enterrado como se tivesse 40 anos. Dimas Casemiro Segundo os documentos fornecidos por Fabiano, o cultivo dos ideais comunistas em casa, o pai Antônio Casemiro era filiado ao PC do B, logo produziu no jovem Dimas o interesse pelas discussões políticas. Nos anos 60 as participações ativas no grêmio da FACLE (Faculdade de Ciências e Letras) eram os primeiros indícios de que por trás daquele rapaz de aparência franzina, havia um homem convicto a mudar o Brasil. Na época Dimas também trabalhava como gráfico no jornal A Vanguarda. De acordo com o site desaparecidos políticos seu ingresso na luta armada se deu por meio do amigo do irmão e líder do MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes) Devanir José de Carvalho. No final de 1967 Dimas foi para São Paulo para atuar como gráfico da organização. Todavia com o extermínio das lideranças de esquerda a partir de 1969, Dimas começou a participar das ações diretas do grupo conforme ações registradas pelo DOPS: 22/1/1971 - Assalto ao carro transportador do banco Andrade Arnaud (um malote de cheques) 4/2/1971 - Assalto ao Pão de Açúcar (8.800 mil cruzeiros) 6/2/1971 - Assalto ao supermercado Fioreto (8 mil cruzeiros) 10/2/1971 - Assalto a firma Mangels do Brasil (240 mil cruzeiros) 15/2/1971 - Assalto à PUC (32 mil cruzeiros) 5/3/1971 - Assalto ao sub-posto da Delegacia Regional do trabalho na Água Branca (102 carteiras profissionais em branco) 29/3/1971 - Assalto a duas joalherias nas ruas Amália Noronha e Oscar Freire (200-300 mil cruzeiros em jóias) 30/3/1971 - Atentado a bomba na ponte do Jaguaré Preocupado com o envolvimento de "Celso ou Rei", nomes adotados por Dimas na clandestinidade, o DOPS enviou um pedido de busca ao delegado seccional local Eduardo Ferreira Fontes. Depois de cercar a casa da família com tanques Urutus e causar pânico na pacata Votuporanga, as forças da repressão certificaram-se que Dimas não estava na casa do pai. "Todas as fotos do meu pai, inclusive a do casamento, foram levadas pela polícia. Só sobrou essa foto 3x4", disse o filho. Na ação mais ousada, o assassinato no dia 15 de abril do presidente da Ultragás, Henning Albert Boilesen, acusado de financiar a repressão, Dimas ficou responsável pelo transporte dos companheiros que deixaram o panfleto supostamente escrito por ele em cima do corpo do industrial: "Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que todos eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente". A revista O Cruzeiro publicou em edição daquele mês reportagem especial com foto de duas páginas com o corpo do empresário de bruços na sarjeta da Alameda Casa Branca. No final da matéria uma foto de Dimas com a legenda "Os terroristas estão morrendo", contava a inusitada história de como a polícia chegou até ele. Na esquina da sua casa no bairro do Ipiranga havia um bar onde funcionava um ponto de jogo do bicho. Um dos inveterados jogadores ávido pelo prêmio chegou a anotar a placa da Kombi de Dimas para fazer seu jogo. Esperançoso com a nova estratégia no dia seguinte o jogador foi se certificar dos números da placa do utilitário para refazer o jogo e percebeu que ela havia sido trocada. Desconfiado ligou imediatamente para a polícia que armou campana e o fuzilou assim que chegou em casa. Como disse o filho Fabiano só quem viveu com ele é que pode saber como ele estava naqueles dias de 1971. No escritório de sua empresa, o publicitário elogiou o governo FHC no atendimento dos pedidos de indenização aos familiares das vítimas de tortura e criticou o governo Lula que tem se mostrado pouco interessado no esclarecimento da morte de seu pai. Apesar do desinteresse dos órgãos públicos Fabiano se submeteu a testes de DNA no laboratório de legistas da Unicamp e ainda tem esperanças que a ossada de seu pai seja identificada. O filho só veio a saber do envolvimento do pai com a luta armada muito tempo depois pela mãe. 2301 - Dênis Casemiro 2302 - Dimas Casemiro 2303 - O filho de Dimas, o publicitário Fabiano Casemiro, guarda documentos que resgatam os últimos passos dos irmãos Casemiro E-Mail Responsável: redacao at diariodevotuporanga.com.br ===================================================================================================== Outros detalhes. Dossiê A História corrigida Nestas duas páginas, algumas informações sobre desaparecidos políticos identificados e não identificados pela perícia realizada na Unicamp. Os dados sobre a vida e as circunstâncias da morte dos militantes foram reproduzidos do livro Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964, editado pela Companhia Editora de Pernambuco, 1995. Os esclarecimentos relacionados à perícia são do médico-legista José Eduardo Bueno Zappa, assessor técnico da Comissão de Perícias da Unicamp. IDENTIFICADOS Dênis Casemiro Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), nascido em 9 de dezembro de 1942, na cidade de Votuporanga (SP), esteve na lista dos desaparecidos políticos até 13 de agosto de 1991. Trabalhador rural, desenvolvia trabalho político próximo a Imperatriz, Maranhão, onde cuidava de um sítio. Localizado e preso pelo delegado Sérgio Fleury, em fins de abril de 1971, foi trazido para o Dops/SP, sendo torturado por quase um mês. Fuzilado pelo próprio Fleury em 18 de maio de 1971. Enterrado secretamente com os dados pessoais alterados como meio de dificultar sua identificação. No livro de registro de sepultamento do Cemitério Dom Bosco, Casemiro teria 40 anos e demais dados ignorados. Na realidade estava com 28 anos e todos os seus dados constavam do atestado de óbito. Os restos mortais encontravam-se na vala comum de Perus. Depois de identificados pela Unicamp, em 13 de agosto de 1991, foram enterrados em Votuporanga. ================================================================================================================ Tese PDF] 1 Produzindo Esquecimento: histórias negadas Cecília Maria Bouças ... www.slab.uff.br/textos/texto65.pdfSimilares Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida As de: Dênis Casemiro, Dimas Casemiro,. Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus e ... ====================================================================================================================== Dênis Casemiro Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Dênis Casemiro Cidade: (onde nasceu) Votuporanga Estado: (onde nasceu) SP País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 9/12/1942 Atividade: Camponês Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Nome falso: (Codinome) Douglas, Dimas Prisão: 0/4/1971 Imperatriz MA Brasil Morto ou Desaparecido: Desaparecido 18/5/1971 São Paulo SP Brasil DOPS/SP Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil Agente da repressão: (envolvido na morte ou desaparecimento) Sérgio Paranhos Fleury Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Paulo Augusto Queiroz Rocha, Renato Capellano Biografia Documentos Artigo de jornal Parte de artigo, sem título, do Jornal Movimento, São Paulo, 27 ago./ 9 set. 1979, p. 9. Descreve a forma como a polícia encobria as mortes de presos políticos por tortura. Segundo depoimento de um ex-funcionário do IML, num primeiro momento os próprios policiais levavam os corpos para serem enterrados na Estrada Velha de Cotia, em São Paulo. Mais tarde, foi necessário sofisticar os métodos e o preso era enterrado com seu nome falso. Isto também se tornou falho pois algum militante poderia denunciar os nomes. Veio então a terceira fase, quando os policiais passaram a montar verdadeiras operações de substituição de cadáveres, uma vez que os corpos de indigentes ficavam até 40 dias aguardando identificação no IML. No caso de Alexandre Vannucchi Leme, as testemunhas da morte de fato viram o atropelamento de um indivíduo. Já Susana Lisbôa não encontrou nenhuma foto do marido Luiz Eurico Tejera no IML e foi informada de que só fotografavam corpos de desconhecidos; no entanto, Luiz foi enterrado como indigente. Norberto Nehring, preso e morto no cárcere pela ação de Fleury, teve seu corpo trocado pelo próprio Fleury que se aproveitou do suicídio de um estrangeiro num hotel próximo à sede do DOPS. Eduardo Leite, o Bacuri, foi entregue à família com a versão de morte em tiroteio; mas, sem a "máquina de atestados", como explicar os dois olhos vazados, as orelhas decepadas e todos os dentes arrancados? O corpo de Luís Eduardo Merlino foi em vão procurado pelos seus familiares no IML até que um parente burlou a vigilância e abriu gaveta a gaveta, encontrando o que buscava. Caso semelhante foi o do estudante Manoel Lisboa de Moura, torturado e morto, noticiado como morte devido a tiroteio. No Cemitério Dom Bosco, de Perus, estão enterrados vários desaparecidos que a polícia não assumiu sequer a prisão: Luiz Eurico, Dênis Casemiro, Iuri Xavier Pereira, Alex Gomes de Paula (de fato, Alex de Paula Xavier Pereira, enterrado com o nome falso de João Maria de Freitas) e, provavelmente, Alexandre Vannucchi Leme. O IML era peça fundamental nestas operações e, por isso, uma das principais manifestações dos médicos que lutam pelo fim do aparelho repressivo do Estado é a não subordinação do IML à Secretaria de Segurança Pública. Artigo de jornal Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP. Artigo de jornal Chega a Rio Preto o corpo do ex-militante político. A Notícia, São José do Rio Preto, 12 ago. 1991. Restos mortais de vítima da repressão chegam a Votuporanga depois de 20 anos. Diário da Região, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. 1 e 3. Votuporanga, descanso ao guerrilheiro - Dênis Casemiro será sepultado hoje. A Notícia, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. A-3. Família de desaparecido quer indenização. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991, p. 8. (Caderno SP Norte). Ossada de Dênis Casemiro é sepultada no cemitério local. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 14 ago 1991. Ossada de Dênis Casemiro será sepultada hoje. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 13 ago. 1991. Culto à vítima do Regime Militar. A Cidade, Votuporanga, 13 ago. 1991. Legislativo suspende Ordem do Dia para culto a Dênis Casemiro. A Cidade, Votuporanga, 14 ago. 1991. Dênis é enterrado com honras de herói em Votuporanga, Diário da Região, São José do Rio Preto, 14 ago. 1991. Família só soube das atividades de Casemiro no último contato. A Cidade, Votuporanga, 15 ago. 1991, p. 3. A ossada de Dênis Casemiro foi enterrada em Votuporanga, SP, em meio a várias homenagens. O presidente da Câmara Municipal de Votuporanga, SP, suspendeu os trabalhos do dia, permitindo que os ossos de Dênis Casemiro fossem visitados publicamente. Houve atraso, pois a companhia aérea TAM negou-se a transportar o corpo, que teve de ir de carro. Dênis foi fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury em 18/05/71, após um mês de torturas no DOPS/SP, e enterrado como indigente com dados físicos alterados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Acredita-se que mais presos políticos estejam enterrados na vala: Dimas Casemiro, irmão de Dênis, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus da Silva e Francisco José de Oliveira. Fabiano César Casemiro, sobrinho de Dênis vai pedir indenização ao Estado pela morte de seu tio. Artigo de jornal Artigo intitulado Dênis Casemiro, sem fonte e data. Dênis era militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi preso no sul do Pará, em 04/71, trazido para São Paulo e torturado por um mês, até ser fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury, que relatou como Dênis chorava, implorando para não morrer. A versão oficial publicada foi de que Denis, ao ser preso, tentou fugir com a arma de um policial, morrendo em tiroteio com as forças da repressão. No entanto, seu corpo teria sido encontrado no pátio do IML/SP. O laudo necroscópico apenas descreve os tiros, sem mencionar as marcas de tortura. Dênis foi enterrado em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo, SP, com seus dados alterados. Também estão lá enterrados e esperando identificação seu irmão Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus Silva e Francisco José de Oliveira. Artigo de jornal Polícia negou a prisão. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991. (Caderno SP Norte). Os irmãos Dênis e Dimas Casemiro, desapareceram durante o regime militar. A família ficou sabendo da morte de Dimas pela televisão e foi Waldemar Andreu, conhecido da família e que esteve preso com Dênis em São Paulo, que relatou a morte dele para a família. Tentaram obter informações com a polícia, que sempre negava a prisão de Dênis, até que, através de um conhecido dentro da polícia, a família teve acesso à certidão de óbito de Dênis em um cartório de São Paulo. Artigo de jornal Barros, Marcelo Faria de. (Sem título). O Globo, Rio de Janeiro, 28 out. 1990. Fabiano César Casemiro, filho de Dimas Casemiro vai entrar na justiça com pedido de indenização pela morte de seu pai, exigindo também o pagamento ou devolução dos móveis e utensílios roubados pelos agentes da repressão, em 17/04/71. Dimas faleceu nesse dia, em tiroteio iniciado por agentes de segurança, quando tentava furar o cerco na rua em que morava, na zona sul de São Paulo, SP. Um mês depois, seu irmão Dênis foi morto pelo DOI-CODI e ambos enterrados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo. A polícia explica que invadiu a casa em busca de materiais subversivos, dinamites, mimeógrafos, cédulas de identidade falsas, chapas de carro frias, armas e munição. Artigo de jornal Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110819/6b2e1d0b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/bmp Size: 50454 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110819/6b2e1d0b/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 19 17:55:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 19 Aug 2011 17:55:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Golpe de Estado nos Estados Unidos Message-ID: <07E373650D1546C990A0797D088841AD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Golpe de Estado nos Estados Unidos ?O que às vezes se passa por alto em nossa situação é o fator propósito: a democracia norte-americana sofreu um golpe de Estado encoberto. Seus autores ocupam os postos mais altos dos negócios e das finanças, seus leais servidores dirigem as universidades, os meios de comunicação e grande parte da cultura, e igualmente monopolizam o conhecimento profissional científico e técnico?, escreve Norman Birnbaum em artigo publicado no jornal espanhol El País. Norman Birnbaum (*) - El País Publicado em português na página do IHU Online/Unisinos. A tradução é do Cepat. Já se escreveu muito sobre a crise dos Estados Unidos. Aludiu-se à complacência e ao fracasso de nossas elites, à ignorante fúria de um segmento de cidadãos espiritualmente plebeus, à importância intelectual e política de boa parte do resto, à ausência de uma conexão entre uma intelligentsia crítica e os movimentos sociais que no passado deram suas ideias à esfera pública, à fragilização da própria esfera pública e à consequente atomização do país. Esses diagnósticos são corretos. O que às vezes se passa por alto em nossa situação é o fator propósito: a democracia norte-americana sofreu um golpe de Estado encoberto. Seus autores ocupam os postos mais altos dos negócios e das finanças, seus leais servidores dirigem as universidades, os meios de comunicação e grande parte da cultura, e igualmente monopolizam o conhecimento profissional científico e técnico. Seus dispostos seguidores se encontram em toda parte, especialmente entre aqueles que sentem que são ignorados, inclusive desprezados, e experimentam uma desesperada necessidade de compensação íntima. Incapazes de atuar de forma autônoma, negam em voz alta que sejam dominados e explorados. Identificam como inimigos os grupos sociais a serviço do bem público, cuja existência rechaçam como princípio. Sua hostilidade ao Governo é tão grande quanto sua falta de conhecimento de como este realmente funciona, ou a história de seu próprio país. Evidentemente, há uma substancial coincidência entre aqueles que deram sua aquiescência ao golpe de Estado e os muitos que pretendem a recristianização do país, que acreditam que o aborto e a homossexualidade são ao mesmo tempo crimes civis e pecados religiosos, que respondem à imigração com xenofobia. Esses são os brancos, principalmente no sul e no oeste, e nas cidades menores, que ficaram escandalizados pela eleição de um presidente afro-americano e que se criaram (e ainda se criam) muitas das falsidades sobre sua pessoa, desde o seu nascimento no Quênia até sua adesão ao islamismo. Os iniciadores do golpe de Estado são, geralmente, muito sofisticados para essas vulgaridades, embora indubitavelmente não sejam muito escrupulosos na hora de utilizá-las para conseguir o apoio para os seus objetivos primários. Que não são outros senão reduzir as funções e poderes redistributivos e reguladores do Estado norte-americano, revogando, privatizando ou, ao menos, limitando importantes componentes do nosso Estado de bem-estar: Seguridade Social (pensões universais), Medicare (seguro público de saúde para os maiores de 65) e todo um espectro de benefícios e serviços nos campos da educação, emprego, saúde e na manutenção de ingressos. A possibilidade de uma regulação ambiental em grande escala, ou de um projeto para reconstruir toda a infra-estrutura de modo que seja mais compatível com um futuro benévolo com o meio ambiente, provoca igualmente sua sistemática oposição. Os obstáculos administrativos e legais à atividade sindical são outra parte do programa. Os esforços do capital politicamente organizado para manter o controle do sistema político são tão velhos quanto a república norte-americana. De modo algum excluíram a utilização do Governo em muitas ocasiões em todas as épocas da nossa história. O que distingue a recente situação é a propagação explícita e resoluta de uma ideologia que declara o mercado como superior ao Estado, que busca transferir para o setor privado funções governamentais até agora reservadas ao Estado, e que não permite que a consideração de um maior interesse nacional (como no comércio com outros países) interfira nos interesses imediatos do capital. A obra de inumeráveis economistas, as simplificações de um grande número de comentaristas e jornalistas, a intromissão nos sistemas escolares e sua manipulação, e, sobretudo, o fato de que os meios de comunicação e o que temos de discurso público fiquem excluídos da discussão séria de alternativas, culminaram na fervorosa obsessão com que os congressistas republicanos fizeram sua a crença de que os déficits orçamentários são uma ameaça para o país. Em 1952, John Kenneth Galbraith publicou sua primeira obra-primaCapitalismo americano: o conceito do poder compensatório (Novo Século Editora). Nela sustentava que a busca do benefício sem limite, a cegueira de curto prazo do capitalismo, havia sido corrigida pelo Governo, apoiado por uma cidadania consciente de seus diferentes interesses, por grupos de interesse público, por sindicatos e por um Congresso (e Governos estatais) com um grau notável de independência política. Em 1961, Galbraith pediu ao presidente Kennedy que não o nomeasse chefe do Conselho de Assessores Econômicos: era um alvo muito visível. Durante alguns anos o ponto de vista de Galbraith seguiu sendo convincente. No entanto, também foi se produzindo um gradual enfraquecimento das forças compensatórias com as quais Galbraith contava para tornar permanente o new deal; e um enfraquecimento, assim mesmo, das elites capitalistas com maior formação e visão de longo prazo, dispostas a aceitar um contrato social. As razões deste duplo declive seguem sendo objeto de discussão para os historiadores. A absorção dos recursos materiais e morais do país pela guerra fria, que se converteu em um fim em si mesma, desempenhou certamente um papel. Tornou-se muito mais difícil desenvolver programas de reconstrução social em grande escala pela composição racial dos pobres nos Estados Unidos, embora os brancos ? de modo geral, brancos do sul ? fossem uma maioria entre eles. A própria prosperidade proporcionada pelo contrato social do pós-guerra socavou a combatividade e a militância da força de trabalho sindicalizada, que ficou relativamente indefesa diante da competição da indústria estrangeira e da fuga do capital norte-americano para outros países. Os efeitos que essas mudanças estruturais tiveram foram magnificados à medida que o capital financeiro (o reino da pilhagem e a liquidação de empresas produtivas, dos derivados, dos hedge funds e da especulação arcana) se fez quantitativa e qualitativamente dominante. Este tipo de capitalismo, especialmente, requeria a abstinência política do Estado, que somente se poderia obter se pouco a pouco se comprasse o Estado. O novo capitalismo fez sérios avanços no Partido Democrata, reduzindo a uma insistente atitude defensiva os herdeiros do new deal que havia em seu interior. Quando, em 2008, o presidente Obama mobilizou milhões de afro-americanos, latinos, jovens e velhos, mulheres e os restos do movimento sindical, não foi menos solícito com o novo capitalismo, que tinha muito menos votos, mas muito mais dinheiro. A singular insignificância das iniciativas da Casa Branca em 2009, 2010 e este ano em matéria de estímulo econômico, emprego e reconstrução nacional poderiam ser explicadas como um reflexo do real equilíbrio de forças políticas do país. Deixando de lado o furor provocado pelo Tea Party e pelo limite da dívida, a explicação também poderia estar nessa quinta coluna constituída pelos agentes ideológicos e políticos do novo capitalismo, que está ocupando a própria Casa Branca. Deste ponto de vista, a extraordinária boa disposição do presidente ao acordo mútuo não é o resultado de um novo alinhamento da política norte-americana, mas uma parte previsível do mesmo (*) Norman Birnbaum é professor emérito na Faculdade de Direito da Universidade de Georgetown. Fotos: The Mad Tea Party (2005) Ilustração de Mark Bryan (EUA) http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18284 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110819/6a0d9dd8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 60001 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110819/6a0d9dd8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 20 16:47:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 20 Aug 2011 16:47:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__PAULO_C=C9SAR_BOTELHO_MASSA___________?= =?iso-8859-1?q?________________-CCXXIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ÍSIS DIAS DE OLIVEIRA (1941-1972) Filiação: Felícia Mardini de Oliveira e Edmundo Dias de Oliveira Data e Local de nascimento: 29/08/1941, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: ALN Datal e local do desaparecimento: 30/01/1972, no Rio de Janeiro Nota: A história de Ísis Dias de Oliveira, foi publicado no nº V da Série "Para não Esquecer Jamais" PAULO CÉSAR BOTELHO MASSA (1945-1972) Filiação: Laís Maria Botelho Massa e Cristovan Sanches Massa Data e local de nascimento: 05/10/1945, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: ALN Datal e local do desaparecimento: 30/01/1972, no Rio de Janeiro Militantes da ALN que residiam na mesma casa no Rio de Janeiro, Ísis e Paulo César foram presos no dia 30/01/1972, pelo DOI-CODI/RJ. Seus nomes integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Ísis nasceu e cresceu em São Paulo, iniciando os estudos no Grupo Estadual Pereira Barreto. Fez o ginasial no Colégio Estadual Presidente Roosevelt e o curso clássico no Colégio Santa Marcelina. Estudou piano e fez curso de pintura e escultura na Fundação Álvares Penteado. Falava inglês, que estudou na União Cultural Brasil-Estados Unidos, dominando também o francês e o espanhol. Trabalhou como secretária bilíngüe na Swift. Em 1965, iniciou o curso de Ciências Sociais na USP e passou a morar no CRUSP - o conjunto residencial da Universidade. Trabalhou no Cursinho do Grêmio da Faculdade de Filosofia e se casou, em 1967, com José Luiz Del Royo, também integrante da ALN na fase de sua fundação, e que foi eleito em 2006 senador na Itália. Isis freqüentou o curso de Ciências Sociais até o 3º ano e, segundo informações dos órgãos de segurança, esteve em Cuba participando de treinamento de guerrilha em 1969. Já separada de Del Royo, retornou clandestinamente ao Brasil e se estabeleceu no Rio de Janeiro a partir de meados de 1970. Carioca, Paulo César cursou o 1º grau na Escola Argentina e na Escola Marechal Trompovsky, em sua cidade natal. Fez o 2º grau no Ginásio Santo Antônio, em São João Del Rey e no Colégio Mello e Souza. Sua mãe contava, com orgulho, que o filho ganhou o primeiro prêmio num concurso literário promovido pela Prefeitura do Rio sobre o Dia das Mães, quando fizeram parte do júri Manuel Bandeira e Dinah Silveira de Queiroz. Trabalhou no Banco do Brasil, onde entrou por concurso aos 16 anos. Depois de cumprir o serviço militar, foi trabalhar na agência Paranaguá. Em 1968, iniciou o curso de Ciências Econômicas, na antiga Universidade do Estado da Guanabara, hoje UERJ, passando a participar do Diretório Acadêmico e do Movimento Estudantil. Em 20/03/1969, foi preso pela primeira vez, pelo DOPS/RJ, para averiguações sobre essas atividades. Respondeu a vários processos, sendo absolvido em todos. Em 15 de novembro de 1971, desligou-se do Banco do Brasil e passou a atuar na clandestinidade. Filho do general Cristóvão Massa, e com outros três tios generais, Paulo era chamado pelos companheiros de "general". Paulo continuava freqüentando a casa dos pais, onde esteve pela última vez um dia antes da prisão. Quatro dias depois, três policiais que se identificaram como sendo do DOPS revistaram a residência na busca de uma metralhadora. Levaram roupas do filho, o que constitui indício eloqüente de que ele se encontrava preso. Um deles entregou-lhes um cartão com o nome de Otávio K. Filho, pessoa que nunca mais conseguiram encontrar. O general Massa recorreu aos seus colegas de farda, mas terminaria ouvindo de um deles a terrível frase: "esqueça o Paulo Massa". Os pais não obedeceram e o procuraram incansavelmente. O general Massa se emocionou ao saber que o filho tinha o codinome de "general" e lembrava que, em 1º de abril de 1964, tinha se apresentado com ele no Palácio Guanabara, dispostos ambos a defender de armas na mão o regime militar. No dia 4 de fevereiro, Aurora Maria Nascimento Furtado, colega da USP e militante da ALN, que também seria morta sob torturas dez meses depois telefonou a Edmundo, pai de Ísis, avisando da prisão da amiga. "Ela corre perigo, tratem de localizá-la", disse-lhes. E foi o que tentaram com persistência: impetraram cinco habeas-corpus através da advogada Eny Raimundo Moreira, todos negados. Foram a todas as unidades do Exército, Marinha e Aeronáutica do Rio de Janeiro e São Paulo onde imaginassem poder ter notícias de Ísis. Vasculharam os arquivos dos cemitérios do Rio de Janeiro, Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Nova Iguaçu, São Gonçalo. Sem falar das muitas cartas escritas com a letra miúda da mãe ao presidente da República, às autoridades civis e religiosas. Dezenas de pastas guardam os documentos da família na busca por Ísis. Trechos do depoimento de Felícia, que com mais de 90 anos ainda espera alguma notícia sobre o que aconteceu com a filha, retrata a luta dos familiares: "(...) Ísis mostrava-se segura e coerente com suas definições de vida. Este pareceu-nos ser o traço mais marcante de sua personalidade. Verificamos uma total coerência na sua maneira de pensar e agir. Em 16 de junho de 1970 Ísis foi morar no Rio de Janeiro. A princípio vinha, sempre, visitar-nos em São Paulo. Outras vezes, nós a encontrávamos no Rio, em lugares pré-combinados. Um dia, ao despedir- se ela disse: - Mãe, se alguma coisa me acontecer, uma companheira dará notícias para vocês. Eu fiquei muito nervosa com essa informação. No dia seguinte, conforme havíamos combinado, eu fui ao seu encontro. Esperei por várias horas, Ísis não apareceu. Nunca mais a vi. Em 22 de novembro de 1971 Ísis fez um telefonema para a casa de um vizinho, chamando-me. Disse não ter sido possível ir ao meu encontro, conforme havíamos combinado, mas que tudo estava bem com ela. Foi a última vez que ouvi sua voz (...). Eu estive por três vezes na Ilha das Flores, sem nada conseguir. Mas foi lá que conheci Lêda Medeiros, esposa de Jorge Medeiros. Lêda me falou ter conhecimento de uma família denominada 'Massa'. Foi assim que eu cheguei até a família do Paulo César Botelho Massa, companheiro de Ísis, que teria sido preso antes da minha filha (...)". Como ocorreu com muitos dos familiares de desaparecidos políticos, a família de Ísis foi envolvida em falsas informações para acreditar que a filha estava viva. Em 20/02/1974, um conhecido da família de Ísis, que trabalhava no DOPS, deu-lhes a informação de que uma guia turística que o acompanhara em viagem por Londres era brasileira, se chamava Íris e poderia ser a filha desaparecida. Mostrara a foto de Ísis a outros que participavam da excursão e todos achavam que, de fato, a guia poderia ser Ísis. Edmundo restabelecia-se de cirurgia cardíaca. Felícia viajou com o filho para Londres e lá encontrou a moça, de nome Íris - uma brasileira no exterior. O depoimento de Felícia demonstra sua luta e sua dor: "(...) Nós chegamos à triste conclusão que todas essas séries de desinformações serviam a um objetivo específico, que era de confundir-nos e fazer-nos reaver, a cada sinal, uma esperança. Cartas: foram escritas muitas. Eu as escrevia, com sacrifício, para poupar meu marido que havia sofrido um grave enfarte do miocárdio. Com o passar do tempo, fui vendo que os destinatários eram os mesmos, a quem as outras famílias de desaparecidos escreviam: Presidente da República, Ministros das três armas, Comandante do I e do II Exércitos, OAB, OEA, ONU, Anistia Internacional, Arcebispos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foram tantas as cartas e inúteis que não gosto de lembrar. Só não esquecerei uma em especial, pelo trabalho e pela satisfação que me deu. Nós, familiares dos presos políticos desaparecidos, pedíamos informações ao Governo, sobre o destino dos nossos parentes. Quando o Ministro da Justiça, através do líder José Bonifácio, vem de público enumerar uma série de delitos praticados por eles. Eu não me conformei com aquelas informações. Achei que era o fim de tudo. Nós queríamos saber o paradeiro deles e não o que eles haviam praticado. Escrevi uma carta de contestação. Mas, como publicar minha carta? A censura não respeitava nem o malote dos deputados. Não tive dúvidas. Fui pelo caminho mais longo, mas o que me pareceu seguro. Viajei 20 horas até Brasília para entregar minha carta ao deputado Lisâneas Maciel. O deputado Lysâneas não se encontrava em Brasília, entreguei então a minha carta em mãos do deputado Fernando Lira. Mais 20 horas de volta. No meio do caminho, em uma parada de ônibus, comprei um jornal 'O Estado de São Paulo'. Lá estava a minha carta publicada. Valeu-me uma grande satisfação no momento. Mas foi só. Porque até hoje estou esperando saber o que eles fizeram com minha filha Ísis (...)". Oficiosamente, Felícia e Edmundo souberam que Ísis esteve nos DOI-CODI do Rio de Janeiro e de São Paulo, que em março esteve hospitalizada com uma crise renal, que passou pela base aérea de Cumbica, pelo Cenimar e pelo Campo dos Afonsos. No dia 13/4/1972, a assistente social Maria do Carmo de Oliveira, lotada no Hospital da Marinha, no Rio, informou-lhe que Ísis estava presa na Ilha das Flores. Felícia estava acompanhada de Sônia, sua sobrinha. No dia seguinte, Maria do Carmo, Felícia e Sônia foram intimadas a comparecer ao I Exército, onde um coronel as recebeu com a notícia de que tudo não passava de um lamentável engano. Em matéria do jornal Folha de S. Paulo, em 28/1/1979, um general de destacada posição dentro dos órgãos de repressão confirmou a morte de Ísis e Paulo César, dentre outros 10 desaparecidos. No Arquivo do DOPS/PR, em uma gaveta com a identificação: "falecidos" foi encontrada a ficha de Ísis. A única prova concreta obtida em todos esses anos de busca foi dada pelo ex-médico Amílcar Lobo, que servia ao DOI-CODI/RJ e que reconheceu a foto de Ísis dentre os presos que lá atendeu, sem precisar a data, numa entrevista publicada pela IstoÉ de 8/4/1987. Os órgãos de segurança do regime militar acusavam a ambos de participação em ações armadas, inclusive do assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, já mencionado na apresentação do caso anterior, que resultou na morte de três vigilantes de segurança ============================================================================================================================= + Informações. PAULO CESAR BOTELHO MASSA Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu a 05 de outubro de 1945, na cidade do Rio de Janeiro, filho do General Cristovan Sanches Massa e Laís Maria Botelho Massa. Desaparecido aos 26 anos de idade, no Rio de Janeiro. Cursou o 1° grau na escola Argentina e na Escola Marechal Trompovsky, no Rio. Fez o 2° grau no Ginásio Santo Antônio, em São João del Rei e no Colégio Mello e Sousa, no Rio. Trabalhou no Banco do Brasil, onde entrou por concurso em 1965. Em 1968, iniciou o Curso de Ciências Econômicas, na antiga Universidade do Estado da Guanabara, hoje Universidade Estadual do Rio de Janeiro, passando a participar do Diretório Acadêmico e do movimento estudantil. Depoimente de sua mãe: "Em 20 de março de 1969, por participação no movimento estudantil, foi preso no DOPS/RJ para averiguações. Respondeu a vários processos, sendo absolvido em todos eles. Em 15 de novembro de 1971, desligou-se do Banco do Brasil, onde trabalhava e entrou na clandestinidade, pois já militava na ALN." Em 30 de janeiro de 1972 foi preso, juntamente com Ísis Dias de Oliveira, sendo levado para o DOI-CODI/ RJ. Em 02 de fevereiro de 1972, logo após a prisão de Paulo César, agentes do DOPS/RJ estiveram em casa de seus pais. Estes, só souberam de sua prisão através de Robson Grace, vizinho, que esteve preso no DOI-CODI/RJ, de fevereiro a abril de 72, e os informou que soube naquele local que Paulo César estava preso. Em entrevista ao jornal "Folha de São Paulo", um general de destacada posição dentro dos órgãos de repressão, confirma a morte de Paulo e outros 11 desaparecidos. ===================================================================================================== + Informações. PAULO CÉSAR BOTELHO MASSA (1945-1972) (do livro Habeas Corpus) Carioca, Paulo César foi cursar o segundo grau na cidade mineira de São João Del Rey, onde ganhou o primeiro prêmio num concurso literário que teve Manuel Bandeira entre seus jurados. Em 1968, já no Rio, Paulo César entrou no movimento estudantil e foi preso pela primeira vez em 20 de março de 1969, pelo Dops/RJ. Respondeu a vários processos, sendo absolvido em todos. Em 15 de novembro de 1971, desligou-se do Banco do Brasil, onde trabalhava, e passou a atuar na clandestinidade, como militante da ALN. Por ser filho do general Cristóvão Massa, tendo outros três tios também generais, era chamado pelos companheiros de "general". Paulo César morava com Ísis Dias de Oliveira no Rio de Janeiro, quando ambos foram presos, no dia 30/1/1972, pelo DOI-Codi/RJ. Os órgãos de segurança do regime militar acusavam ambos de participação em ações armadas, inclusive do assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, que resultou na morte de três vigilantes de segurança. Paulo continuava frequentando a casa dos pais, onde esteve pela última vez um dia antes da prisão. Quatro dias depois, três policiais que se identificaram como sendo do Dops revistaram a residência na busca de uma metralhadora. Levaram roupas do filho, o que constitui indício de que ele se encontrava preso. Um deles entregou aos familiares um cartão com o nome de Otávio K. Filho, pessoa que nunca mais conseguiram encontrar. O general Massa recorreu aos seus colegas de farda, mas terminaria ouvindo de um deles a terrível frase: "esqueça o Paulo Massa". Os pais não obedeceram e o procuraram incansavelmente. O general Massa se emocionou ao saber que o filho tinha o codinome de "general" e lembrava que, em 1º de abril de 1964, tinha se apresentado com ele no Palácio Guanabara, dispostos ambos a defender de armas na mão o regime militar. Em matéria do jornal Folha de S.Paulo, em 28 de janeiro de 1979, um general de destacada posição dentro dos órgãos de repressão confirmou a morte de Ísis e Paulo César, dentre outros dez desaparecidos. ======================================================================================================= Outras Informações. Medalha Chico Mendes: Paulo César Botelho Massa Paulo César Botelho Massa Cristovam e Lais Maria trouxeram Paulo César ao mundo para envolvê-lo de carinho na infância e vê-lo emplumar-se e partir, com a benção dos seus olhares, no devir de todo homem. Viram de perto seus primeiros passos na escola e não disfarçaram o orgulho ao vê-lo alcançar o segundo lugar em um concurso literário, já aos nove anos, em um evento patrociando pela Tribuna da Imprensa e que contou com Manuel Bandeira e Dinah de Queiroz como juizes. Viram Paulo César aprovado em concurso para o Colégio Militar de Belo Horizonte e para um ginásio em São João Del Rey, para completar, mais tarde, o cruso ginasil no Rio. Ao longo de cada estação daqueles anos de infância do filho, Cristovam e Lais Maria observavam o surgimento do seu espírito indagador e independente. Notaram que se preparou sozinho para concurso do Banco do Brasil, para onde foi admitido aos 20 anos, após o serviço militar, e como começou a trabalhar no banco, em Paranaguá, e a sonhar com a chance de estudar Economia, o que veio fazer pouco depois na Universidade do Estado da Guanabara. Em 1970, no ano seguinte de estudos, tornou-se diretor social do diretório acadêmico e passou a envolver-se diretamente na política. Cristovam e Lais Maria não sabiam, à época, que Paulo César havia ingressado nas fileiras da ALN. Em 1971, receberam do filho um longo abraço muito carinhoso e souberam que ele saía de casa porque "não tinha o direito de trazer problemas para eles". Passaram então a vê-lo somente no final de cada mês, para nunca deixar de cultivar o eterno afeto que os unia. Vinte e nove de janeiro de 1972 foi o dia da última visita aos pais. Poderiam saber que nunca mais estariam juntos? Cristovam e Lais já não o viram mais. Jamais reveriam o filho, no qual viam brotar um homem indonformado com as desigualdades, revoltado com a miséria que o cercava, decidido a buscar soluções, a todo sacrifício pessoal, para esse imenso problama. Percebiam que na defesa dos seus ideais, no porte de seu caráter de cristal, Paulo César chegaria a dar a própria vida. A inauguração da Praça Paulo César Botelho Massa inclui-se na concretização de um dos objetivos do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ. Na ocasião, sua professora Helly Leiras falou dos seus olhos claros e dos seus cabelos anelados que via sob sua janela quando o menino Paulo Cesar ia ao cinema com os pais aos domingos. Falou do moço consciente e maduro e de sua grave opção pela luta revolucionária. Lembrou que Paulo César disse: "Eu sei que estou plantando uma semente que não verei crescer, mas outros verão". Não morre quem deu a vida por um idela, disse Helly, ao mostrar que estamos presentes a primeira brotação do que foi plantado. Já temos uma Praça Paulo César onde as crianças poderão brincar sob a sombra dessa árvore de liberdade que o sangue de Paulo Cesar Botelho Massa ajudou a nutrir. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110820/68a606b4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4822 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110820/68a606b4/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110820/68a606b4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 20 16:47:15 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 20 Aug 2011 16:47:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] A Alma do Homem Sob o Socialismo - Oscar Wilde Message-ID: <72A4CB8C42864E2D800F738C8022E5F2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marcelo Mário de Melo A ALMA DO HOMEM (SOB O SOCIALISMO) - 1891 - OSCAR WILDE A ALMA DO HOMEM A vantagem principal da consolidação do Socialismo está, sem dúvida, no fato de que ele poderia nos livrar dessa imposição sórdida de viver para outrem, que nas condições atuais pesa de forma implacável sobre quase todos. Com efeito, dificilmente alguém consegue escapar. De quando em vez, no decorrer do século, um grande cientista como Darwin; um grande poeta como Keats; um aguçado espírito crítico como M. Renan; um artista supremo como Flaubert pode isolar-se, manter-se ao largo do clamor das exigências alheias, por-se "ao abrigo do muro", no dizer de Platão, e assim elevar à perfeição o que está nele, para o bem inestimável de si mesmo, e para o bem inestimável e definitivo da humanidade. Estes, porém, são exceções. A maioria dos homens arruína suas vidas por força de um altruísmo doentio e extremado - são forçados, deveras, a arruiná-las. Acham-se cercados dos horrores da pobreza, dos horrores da fealdade, dos horrores da fome. É inevitável que se sintam fortemente tocados por tudo isso. As emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência; e, como ressaltei há algum tempo em um ensaio sobre a função da crítica, é bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a idéia. Conseqüentemente, com intenções louváveis embora mal aplicadas, atiram-se, graves e compassivos, à tarefa de remediar os males que vêem. Mas seus remédios não curam a doença: só fazem prolongá-la. De fato, seus remédios são parte da doença. Buscam solucionar o problema da pobreza, por exemplo, mantendo vivo o pobre; ou, segundo uma teoria mais avançada, entretendo o pobre. Mas isto não é uma solução: é um agravamento da dificuldade. A meta adequada é esforçar-se por reconstruir a sociedade em bases tais que nela seja impossível à pobreza. E as virtudes altruístas têm na realidade impedido de alcançar essa meta. Os piores senhores eram os que se mostravam mais bondosos para com seus escravos, pois assim impediam que o horror do sistema fosse percebido pelos que o sofriam, e compreendido pelos que o contemplavam. Da mesma forma, nas atuais circunstâncias na Inglaterra, os que mais dano causam são os que mais procuram fazer o bem. Por fim presenciamos o espetáculo de homens que estudaram realmente o problema e conhecem a vida - homens cultos do East End - virem a - 3 - público implorar à comunidade que refreie seus impulsos altruístas de caridade, benevolência e coisas desta sorte. Fazem-no com base em que essa caridade degrada e desmoraliza. No que estão perfeitamente certos. A caridade cria uma legião de pecados. E há mais: é imoral o uso da propriedade privada com o fim de mitigar os males horríveis decorrentes da instituição da propriedade privada. É tão imoral quanto injusto. Com o Socialismo, tudo isso naturalmente será mudado. Não haverá pessoas enfiadas em antros e em trapos imundos, criando filhos doentes e oprimidos pela fome, em ambientes insuportáveis e repulsivos ao extremo. A segurança da sociedade não dependerá, como hoje, das condições climáticas. Se cair uma geada, não teremos uma centena de milhares de homens desempregados, vagando pelas ruas em estado repugnante de miséria, implorando esmolas ao próximo, ou apinhando-se às portas de albergues abomináveis para garantir um pedaço de pão e a pousada suja por uma noite. Cada cidadão irá compartilhar da prosperidade e felicidade geral da sociedade; e, se vier uma geada, ninguém será prejudicado. Por outro lado, o Socialismo em si terá significado simplesmente porque conduzirá ao Individualismo. Socialismo, Comunismo, ou que nome se lhe dê, ao transformar a propriedade privada em bem público, e ao substituir a competição pela cooperação, há de restituir à sociedade sua condição própria de organismo inteiramente sadio, e há de assegurar o bem-estar material de cada um de seus membros. Devolverá, de fato, à Vida, sua base e seu meio naturais. Mas, para que a Vida se desenvolva plenamente no seu mais alto grau de perfeição, algo mais se faz necessário. O que se faz necessário é o Individualismo. Se o Socialismo for Autoritário; se houver governos armados de poderes econômicos como estão agora armados de poderes políticos; se, numa palavra, houver Tiranias Industriais, então o derradeiro estado do homem será ainda pior que o primeiro. Atualmente, em virtude da existência da propriedade privada, muitos têm condições de desenvolver um certo grau bastante limitado de Individualismo. Ou estão desobrigados da necessidade de trabalhar para sustento próprio, ou em condições de escolher a esfera de atividade que seja realmente compatível com sua índole e lhes dê satisfação. Estes são os poetas, os filósofos, os homens da ciência, os homens da cultura - numa palavra, os verdadeiros homens, os que fizeram verdadeira sua individualidade, e nos quais todo o Humano alcança uma parcela dessa verdade. Por outro lado, há muitos que, por não possuírem qualquer - 4 - propriedade privada, e por estarem sempre à beira da inanição completa, são compelidos a fazer o trabalho de bestas de carga, a fazer um trabalho totalmente incompatível com sua índole, ao qual são forçados pelo compulsório, absurdo e degradante jugo da privação. Estes são os pobres, e entre eles não há elegância nas maneiras nem encanto no discurso, civilização, cultura, refinamento nos prazeres, ou alegria de viver. Da força coletiva deles, a Humanidade ganha muito em prosperidade material. Mas o que ela ganha é apenas o produto material, e o homem pobre não tem em si mesmo nenhuma importância. É apenas o átomo infinitesimal de uma força que, longe de tê-lo em consideração, esmaga-o. Na verdade prefere-o esmagado, de vez que nesse caso ele é bem mais obediente. Naturalmente, poder-se-ia dizer que o Individualismo que se desenvolve sujeito às condições da propriedade privada nem sempre, ou sequer em regra, é de espécie refinada ou admirável, e que os pobres, se não têm cultura e atrativos, guardam, no entanto muitas virtudes. Ambas as declarações seriam bastante verdadeiras. A posse da propriedade privada é amiúde desmoralizante ao extremo, e esta é, evidentemente, uma das razões por que o Socialismo quer se ver livre dessa instituição. De fato, a propriedade é um estorvo. Alguns anos atrás, saiu-se pelo país dizendo que a propriedade tem obrigações. Disseram-no tantas vezes e tão fastidiosamente que, por fim, a Igreja começou a repeti-lo. Falam-no agora em cada púlpito. É a pura verdade. A propriedade não apenas tem obrigações, mas tantas que sua posse em grandes dimensões toma-se um fardo. Exige dedicação sem fim aos negócios, um sem-fim de deveres e aborrecimentos. Se a propriedade proporcionasse somente prazeres, poderíamos suportá-la, mas suas obrigações a tomam intolerável. Para bem dos ricos, devemos nos ver livres dela. Algumas virtudes dos pobres são prontamente aceitas, e há muitas a lamentar. Freqüentemente ouvimos dizer que os pobres são gratos pela caridade. Decerto alguns são gratos, mas nunca os melhores dentre eles. São ingratos, insatisfeitos, desobedientes e rebeldes. Têm toda razão em o serem. Para eles, a caridade é uma forma ridícula e inadequada de restituição parcial, ou esmola piedosa, em geral acompanhada de alguma tentativa por parte da alma apiedada de tiranizar suas vidas. Por que deveriam ser gratos pelas migalhas que caem da mesa do homem rico? Deveriam é estar sentados a ela, e já começam a se dar conta disso. Quanto à insatisfação, aquele que não se sentisse insatisfeito com essa condição inferior de vida seria um perfeito estúpido. A desobediência é, aos olhos de qualquer estudioso de História, a virtude original do homem. É através da desobediência que se faz o progresso, -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110820/cbd92c81/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/bmp Size: 58518 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110820/cbd92c81/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 21 15:03:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 21 Aug 2011 15:03:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Minha_Bossa_Nova_+_Leila_Maria___?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?____________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASICAS=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem MINHA BOSSA NOVA. DIVERSOS INTÉRPRETES. clique www.minhabossanova.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110821/ea14c993/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110821/ea14c993/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 21 15:03:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 21 Aug 2011 15:03:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CARLOS_LAMARCA__e__JOS=C9_CAMPOS_BARR?= =?iso-8859-1?q?ETO________________-__1=BA_Parte_-_________________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CCXXIV-?= Message-ID: <8481871D19414338BE74076E4B50066B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CARLOS LAMARCA (1937-1971) Filiação: Antônio Lamarca e Gertrudes da Conceição Lamarca Data e local de nascimento: 27/10/1937, Rio de Janeiro Organização política ou atividade: VPR/MR-8 Data e local da morte: 17/09/1971, Brotas de Macaúbas (BA) JOSÉ CAMPOS BARRETO (1946-1971) Filiação: Adelaide Campos Barreto e José de Araújo Barreto Data e local de nascimento: 02/10/1946, Bahia Organização política ou atividade: VPR/MR-8 Data e local da morte: 17/09/1971, Brotas de Macaúbas (BA) Carlos Lamarca, o capitão do Exército que se engajou na luta armada contra o regime militar, assumiu características de um mito que angariou paixões e ódios. Foi executado no sertão da Bahia, em 17/09/1971, sem condições de opor resistência à prisão. Com ele, foi morto José Campos Barreto, conhecido como Zequinha naquela sua região, e como Barreto na greve metalúrgica de Osasco, em 1968. A versão da morte em tiroteio com agentes dos órgãos de segurança foi desmentida no polêmico processo formado na CEMDP por requerimento de Maria Pavan Lamarca. Durante a apreciação do caso, houve pedidos de indeferimento e de vistas, antes de a maioria dos integrantes votar pelo deferimento, decisão que teve grande repercussão de imprensa. Os requerimentos foram deferidos com base na análise do Relatório Reservado da Operação Pajuçara e no parecer dos peritos Celso Nenevê e Nelson Massini, após a exumação do corpo do capitão, em 18/06/1996. Com um histórico militar brilhante, Lamarca desenvolveu desde jovem idéias políticas nacionalistas e revolucionárias, que se tornaram proibidas no ambiente da caserna após abril de 1964. Filho de um sapateiro, nasceu no Rio de Janeiro e viveu até os 17 anos no Morro de São Carlos. Em 1955, ingressou na Escola de Preparação de Cadetes de Porto Alegre, cursou a Academia Militar das Agulhas Negras a partir de 1958, formou-se aspirante-a-oficial em 1960. Em 1962, integrou o contingente das Nações Unidas em Suez, por 13 meses. Recebeu a patente de capitão em 1967, sendo conhecido como exímio atirador. Documentos dos organismos de segurança do regime militar registram que ele chegou a ser simpatizante do PCB e que, em dezembro de 1964, ajudou na fuga do capitão da Aeronáutica Alfredo Ribeiro Daudt, preso político no quartel da Polícia do Exército de Porto Alegre, onde Lamarca servia no dia da evasão. Em janeiro de 1969, já militante da VPR, liderou um grupo de militares do 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, município de Osasco (SP), que desertaram daquela unidade levando consigo 63 fuzis e metralhadoras leves que deveriam servir para a luta armada contra o regime ditatorial. Meses depois da fuga de Quitaúna, a VPR se fundiu com o COLINA para formar a VAR-Palmares, mas Lamarca alinhou-se no grupo que deixou a nova sigla pouco tempo depois, para reconstituir a VPR. Viveu quase um ano clandestino em São Paulo, participando de ações de guerrilha urbana, até instalar-se no Vale do Ribeira, com um reduzido grupo de militantes, para realizar treinamentos militares. O local foi descoberto pelos órgãos de segurança em abril de 1970 e cercado por tropas do Exército e da Polícia Militar. Uma gigantesca operação de cerco se prolongou por 41 dias, mas, após dois choques armados, o pequeno grupo guerrilheiro, sob a liderança do capitão rebelde, conseguiu escapar rumo a São Paulo. Ficou enterrado na região o corpo do tenente PM Alberto Mendes Junior, promovido post mortem a capitão e cultuado, a partir de então, como herói daquela corporação policial. Sua execução sob coronhadas pelos guerrilheiros, que argumentaram não poder disparar suas armas nas condições de cerco em que se encontravam, foi utilizada como propaganda contra a resistência ao regime e, certamente, contribuiu para aprofundar o ódio visceral devotado pelos órgãos de segurança a Carlos Lamarca, que consideravam traidor da Pátria. Militante disciplinado, Lamarca viveu dois anos e meio em condições de dura clandestinidade. Comandou importantes operações de guerrilha urbana, como o seqüestro do embaixador suíço, estudou textos marxistas e escreveu documentos de discussão interna na VPR, bem como cartas de amor a Iara Iavelberg. Seis meses antes de sua morte, desligou-se da VPR para integrar-se ao MR-8, que o deslocou para o sertão da Bahia com a finalidade de estabelecer uma base da organização naquela região. José Campos Barreto era o mais velho dos sete filhos de José e Adelaide, a quem todos conheciam por Dona Nair. O pai, já mencionado como vítima de violentas torturas 20 dias antes, era conhecido e respeitado no município de Brotas de Macaúbas. Em Buriti Cristalino, era proprietário de roças e lavrador. Durante anos, fora proprietário de uma loja de tecidos. Educava os filhos com rigor, trazia e hospedava em sua casa uma professora para as crianças do vilarejo e mandara construir a igreja do lugar. Zequinha foi enviado a um seminário, em Garanhuns (PE), onde ficou por quatro anos. Aos 13 anos, já discutia política. Em 1963, decidiu que não queria ser padre e não voltou ao seminário. Lá estudou francês e inglês, além de conhecer o latim. Em 1964, mudou-se para São Paulo e serviu o Exército no ano seguinte, exatamente no quartel de Quitaúna. Estudou em Osasco, no Colégio Estadual e Escola Normal Antonio Raposo Tavares, tornando-se presidente do Círculo Estudantil Osasquense. Trabalhou como operário e destacou-se como importante liderança no Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco em 1968. Em 1966, trabalhou na Lonaflex. Mas foi na Cobrasma, fabricante de vagões, que protagonizou um de seus mais conhecidos feitos, quando a fábrica foi cercada, durante a greve de 1968. Barreto, de cima de um vagão, discursou aos soldados, explicando as razões do movimento: chegou a paralisar a tropa por um momento. Barreto, de posse de uma tocha acesa, ameaçou explodir o tanque de combustível da fábrica. A tropa hesitou e muitos operários conseguiram escapar da polícia. Cerca de 400 foram detidos. Barreto sofreu espancamentos já no ato da prisão. Permaneceu 98 dias entre os cárceres do DEIC e do DOPS, até ser libertado por força de um habeas-corpus. Numa viagem a Buriti, Zequinha levou para São Paulo o irmão Olderico. Em 1969, estava de volta ao sertão baiano, ao lado da mãe em seu leito de morte. Nessa época, militava na VPR. Depois deslocou-se para o Rio de Janeiro e voltou à Bahia, onde passou a militar no MR-8, junto com o irmão Olderico. Com a chegada de Lamarca ao Estado, foi designado para acompanhá-lo e com ele ficou até a morte. Para fundamentar o processo de Lamarca, foi requerido que a CEMDP providenciasse exumação e exame dos seus restos mortais. O pedido foi negado e a exumação foi garantida pela família. Marcada a sessão da Comissão Especial para julgamento conjunto com o processo referente a Carlos Marighella, houve novos pedidos de vistas de ambos os processos. Conforme já relatado neste livro-relatório, em 28/08/1971, os agentes da chamada Operação Pajuçara sob o comando do DOI-CODI da 6ª Região Militar, invadiram o povoado de Buriti Cristalino, município de Brotas de Macaúbas, região do Médio São Francisco. Na casa de Zequinha, mataram um de seus irmãos, Otoniel, e feriram Olderico. Seu pai, José de Araújo Barreto, de 65 anos, foi torturado durante dias. Zequinha e Lamarca ouviram os tiros de Buriti Cristalino, desmontaram a barraca de campanha no sertão e fugiram para dentro da caatinga. Caminharam durante vários dias cerca de 300 quilômetros, em fuga. Fracos e doentes, procuraram ajuda e alimentação em casas isoladas de sertanejos locais. Zequinha foi visto pelos moradores carregando nos ombros o capitão Lamarca, que estava doente. Como não foram localizados, no início de setembro a Operação Pajuçara se desmobilizou. Ao invés de 215 homens, permaneceram apenas alguns agentes, chefiados por Nilton de Albuquerque Cerqueira. Em meados de setembro, recuperada a pista dos guerrilheiros, eles retornaram em peso ao local. Lamarca e José Campos Barreto foram encontrados descansando sob uma árvore, na região conhecida como Pintada. Estavam fracos, desidratados, doentes e sem força, devido à caminhada de muitos dias na caatinga e sem alimentação. Segundo o relatório da Operação Pajuçara, "foi fácil e rápido exterminá-los: Zequinha despertou com o barulho da aproximação dos agentes e acordou Lamarca. Tentou correr, mas foi metralhado por um soldado, gritando, antes de cair morto: 'Abaixo a ditadura'! Os agentes estabeleceram um pequeno diálogo com Lamarca, já ferido, e logo também o executaram com rajadas". O objetivo da operação fora cumprido, sem que o relatório contenha qualquer descrição de resistência ou combate por parte de Barreto ou Lamarca. Os corpos foram levados para Brotas de Macaúbas e jogados no campo de futebol da cidade para apreciação da população. Os agentes comemoraram, dando rajadas para o alto, gritando vitória e chutando os corpos. Depois, os cadáveres foram colocados em um helicóptero e transportados para Salvador. A família ainda tentou localizar o corpo de José Campos Barreto, mas ficou sem qualquer informação sobre o local onde poderia estar enterrado. Jamais conseguiu seu atestado de óbito. A ordem para a Operação Pajuçara assim foi escrita e assinada pelo então major chefe da 2ª Seção do EMR/6, Nilton de Albuquerque Cerqueira: "localizar, identificar, capturar ou destruir o bando terrorista que atua na região de Brotas de Macaúbas. Para isso: 1. Numa 1ª fase intensificará a busca de informes. 2. Numa 2ª fase, após localizar e identificar o bando terrorista, isolará e investirá à área de treinamento para capturá-lo ou destruí-lo". Em nenhuma das 101 páginas do relatório é mencionada qualquer reação armada dos dois mortos. Mas o texto refere-se "ao estado físico em que se apresentavam os dois terroristas ao final da ação totalmente esgotados(...)". Nenhuma foto da operação acompanha o relatório. Por isso, na tramitação do processo junto à CEMDP, levantou-se o questionamento: "Por que não preservar, documentar, imortalizar tamanha façanha, a de ter atingido mortalmente o lendário capitão Lamarca, mais do que exímio atirador, arma na mão, morto em tiroteio? Por que não preservar para a história o momento exato em que foi abatido o grande mito?" Até mesmo os jornalistas que cobriram o fato foram impedidos de fotografar o corpo. Genésio Nunes Araújo, policial na época, garantiu em seu testemunho não ter ocorrido reação armada. Ele carregou o corpo dos dois guerrilheiros abatidos e lembra: "os próprios soldados contavam isso com orgulho". Peça importante para a reconstrução dos fatos foi o álbum com fotos de Lamarca morto, entregue pela Polícia Federal ao ministro da Justiça Nelson Jobim, após intensa busca e pressão da mídia. Com base nesse registro, decidiu-se por exumar o corpo do guerrilheiro. O exame dos restos mortais de Lamarca foi decisivo para o deferimento do processo na Comissão Especial. De acordo com o parecer dos peritos Celso Nenevê e Nelson Massini, Lamarca foi atingido por sete disparos, exatamente o mesmo número identificado pela perícia oficial. O sentido das balas, porém, difere, invertendo completamente a versão apresentada pelos órgãos repressores. Após analisar meticulosamente o laudo, o relatório afirma "Lamarca, cercado, recebeu tiros de ambos os lados, inclusive por trás, sendo que o tiro fatal foi de cima para baixo. O que nos leva à presunção de que, provavelmente abatido pelas costas, caído, foi mortalmente atingido". Após o voto do relator propondo indeferimento, em 30/05/1996, houve pedido de vistas de Nilmário Miranda. Em 01/08/1996, o processo voltou à pauta, contendo o voto de Nilmário pelo deferimento e do general Osvaldo Pereira Gomes contra, anexados ao processo, quando houve pedido de vistas de Suzana Keniger Lisbôa. A votação final ocorreu em 11/09/1996, mesma data do julgamento do processo de Carlos Marighella. Em sua apreciação, o jurista Miguel Reale, presidente da CEMDP, escreveu: "No encontro entre as forças militares (...) e dois guerrilheiros, revela o relatório, não houve troca de tiros. Apenas acordados, os dois buscam fugir, sendo José ferido e em seguida metralhado ao jogar uma pedra. Lamarca, puxando um saco na mão caminha cinco metros e cai por ter sido atingido em movimento por vários disparos como indica o laudo de exame necroscópico com tiros na mão, na nádega, clavícula, braços e região do tórax. Os dois guerrilheiros, sem reação, apenas procuraram fugir sem portar no instante qualquer arma, a ponto de José lançar uma pedra sendo fuzilado por diversos tiros. Havia nas circunstâncias pleno domínio da situação por parte das forças do Estado, que poderia facilmente prender a ambos os guerrilheiros ao invés de tê-los abatido a tiros". Com relação a José Campos Barreto, a CEMDP ponderou que as considerações e o deferimento no parecer de Carlos Lamarca eram extensivos, por analogia, ao seu processo. ================================================================================================================================ + Informações. CARLOS LAMARCA Comandante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nascido no Rio de Janeiro, em 27 de outubro de 1937, Carlos Lamarca foi o terceiro entre os seis filhos de Antônio e Gertrudes Lamarca, uma família modesta da zona norte carioca. Magro, com 1,75 m de altura, olhos e cabelos castanhos escuros, casou-se em 1959 com Maria Pavan, com quem teve dois filhos: César e Cláudia. Aos 16 anos participou de algumas manifestações de rua durante a campanha nacionalista 'O petróleo é nosso'. Tinha como livro de cabeceira a obra Guerra e Paz, de Tolstoi. Nessa época já havia tomado uma firme decisão: queria ser oficial do Exército Brasileiro. A carreira então projetada foi ganhando contornos definidos. Formou-se, em 1960, pela Escola Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), obtendo a patente de Capitão em 1967. Em entrevista concedida ao periódico chileno Punto Final, em abril de 1970, dizia Lamarca: 'Sou um dos poucos oficiais brasileiros de origem operária. Estudei com sacrifício de meus pais e escolhi a carreira por entender que as Forças Armadas teriam condições de contribuir para o desenvolvimento e emancipação do meu País. Logo me desiludi.' Em setembro de 1962, Lamarca foi recrutado para integrar o contingente militar da Organização das Nações Unidas. Seu destacamento permaneceu um ano na zona de Gaza, no Egito, perto do canal de Suez. Regressando ao Brasil, foi designado para servir num batalhão da Polícia do Exército, na cidade de Porto Alegre (RS), período em que, admirando a tentativa de resistência de Leonel Brizola ao golpe de 1964, solicitou inscrição junto ao Partido Comunista Brasileiro, que nunca chegou a se formalizar. Mas foi em São Paulo, no quartel de Quitaúna, para onde pediu transferência em 1965, que Lamarca, estudando e discutindo com um grupo de companheiros as perspectivas de luta armada, fez sua opção revolucionária. Era preciso buscar 'um caminho para a revolução brasileira', que, nos termos da referida entrevista, supunha modificar a situação agrária e, por conseguinte, 'romper com todo o sistema, baseado e construído exatamente sobre o atraso e a miséria de nossas regiões rurais'. Para tanto, era necessário construir 'a primeira coluna guerrilheira, alternativa do poder das classes dominantes, embrião do futuro Exército Popular', com a simultânea implantação de 'guerrilhas irregulares em todos os pontos importantes do País.' Influenciado pela revolução cubana e pelos movimentos guerrilheiros latino-americanos, Lamarca passou a defender as teses de Guevara e Régis Debray, teóricos do foco guerrilheiro: um pequeno grupo de homens bem treinados e bem armados, atuando em alguma área do campo, poderia desencadear a luta armada e despertar as massas para a insurreição. Já estava organizado, em 1967, o grupo de Carlos Marighella, a Ação Libertadora Nacional (ALN), e havia também um grupo de militares expulsos das Forças Armadas que mantinham ligações com operários metalúrgicos de Osasco e outros setores proletários da região industrial de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano. Lamarca acompanhava com grande interesse o grupo de ex-sargentos que, inicialmente vinculado ao Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), uniu-se a um setor dissidente da Política Operária (POLOP) e deu origem à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Sua perspectiva, naquele momento, era a de entrar em contato com algum grupo da esquerda armada brasileira que o aceitasse como simples militante e oferecer, de imediato, a possibilidade de realizar uma ação de expropriação no quartel de Quitaúna. 'Durante esses anos' - prossegue Lamarca na mesma entrevista - 'busquei contato com as organizações revolucionárias que propusessem um caminho para a revolução brasileira de acordo com as conclusões a que eu chegara'. As numerosas discussões então realizadas com Joaquim Câmara Ferreira, um dos principais dirigentes da ALN, levaram-no a optar por outra linha política, a da VPR. Passou a integrar a célula do IV Regimento de Infantaria. Por iniciativa de Lamarca, preparou-se a ação de expropriação de armas e munições do quartel, com o imediato ingresso de toda a célula na guerrilha urbana. Em 24 de janeiro de 1969, Lamarca deixou Quitaúna com a carga de 63 fuzis FAL, algumas metralhadoras leves e muita munição. A idéia era seguir imediatamente para uma região onde pudesse preparar a guerrilha, o que o obrigou, de imediato, a separar-se da mulher e dos filhos, enviados para Cuba, via Itália, no mesmo dia de sua deserção. Lamarca passou 10 meses trancado em 'aparelhos' na cidade de São Paulo, vivendo clandestinamente, até seguir para o Vale da Ribeira, com mais 16 militantes, a fim de realizar um treinamento em guerrilha. Lá permaneceu até maio de 1970, quando a região foi cercada por tropas do Exército e da Polícia Militar. Houve combates, mas Lamarca conseguiu romper o cerco ao lado de dois companheiros, após a retirada de vários outros. A 'Operação Registro', como a denominou o II Exército, durou 41 dias e resultou na prisão de quatro guerrilheiros. De volta à cidade, continuou no comando e planejamento de ações armadas, para resgatar prisioneiros políticos e obter recursos para a sobrevivência da organização. Foram ao todo dois anos e oito meses de clandestinidade, nos quais reforçou seu caráter introspectivo e exercitou sistematicamente - com a mesma disciplina que emprestava ao treinamento físico - o hábito de ler e escrever. Nas sucessivas mudanças a que era obrigado por razões de segurança, de duas coisas nunca se separava: da arma e dos manuscritos, que intitulava provisoriamente de 'Estudos militares'. Utilizando como nomes de guerra João, Renato, Cláudio, César, Cid e Cirilo, Lamarca não se limitou a traçar as estratégias de algumas das ações da VPR, mas participou diretamente do comando de seqüestros e expropriações. Em abril de 1971, em discordância com a VPR, ingressou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). No mês de junho, Lamarca foi para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, com a finalidade de estabelecer uma base desta organização no interior. Com a prisão em Salvador, em agosto, de um militante que conhecia seu paradeiro e a localização de um aparelho onde se encontrava a psicóloga paulista Iara Yavelberg, companheira de Lamarca desde 1969 (Iara suicidou-se com um tiro de revólver no dia 23), os órgãos de segurança iniciaram o cerco à região. A direção do MR-8 não cuidou de retirálo de lá, mesmo considerando que Lamarca não tinha poder de decisão, pois se recusara a participar da organização como dirigente. Um tiroteio travado entre a polícia e os irmãos de José Campos Barreto, o Zequinha, que acompanhava Lamarca, obrigou-os a iniciar uma longa e penosa rota de fuga, de 28 de agosto a 17 de setembro, com um percurso de quase 300 quilômetros. Ao descansarem à sombra de uma baraúna, foram surpreendidos pela repressão. Lamarca estava desnutrido, asmático, provavelmente com a doença de Chagas. A imprensa brasileira apresentou na ocasião duas versões sobre o diálogo que teria havido entre Lamarca e o 'agente federal'. Para O Globo, foram apenas três frases: 'Você é Lamarca?' - 'Sou o Capitão Carlos Lamarca.' - 'Era. Agora você vai ser defunto.'. A versão da maioria dos jornais foi um pouco mais longa: 'Quem é você?' - 'Carlos Lamarca.' - 'Sabe o que aconteceu com a Iara?' - 'Ela se suicidou em Salvador.' - 'Onde está sua mulher e seus filhos?' - 'Estão em Cuba.' - 'Você sabe que é um traidor da Pátria?'. Lamarca teria morrido sem responder a esta última pergunta. O desfecho que, com pequenas variações, caracteriza a versão oficial da morte de Lamarca, reforçada mais tarde pela publicação do chamado Relatório Pajussara do Major Cerqueira e consagrada pelo filme de Sérgio Rezende, é inverossímil. Os que o caçaram pelos sertões da Bahia deveriam temer, na realidade, o vigor, a atilada inteligência, os reflexos precisos, o esmerado preparo militar do Capitão Lamarca, e jamais entrariam em sua linha de tiro. Limitaram-se a matar em silêncio um homem desfalecido. ========================================================================================================= + Informações. JOSÉ CAMPOS BARRETO Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Operário metalúrgico em Osasco, Grande São Paulo. Ex-seminarista e presidente do Círculo Estudantil Osasquense. Assassinado, aos 26 anos, junto com o Capitão Carlos Lamarca no interior baiano, município de Fazenda Pintada, em cerco montado pelos órgãos de repressão, no dia 17 de setembro de 1971. A certidão de óbito de José dá sua morte nesta data, em Brotas de Macaúbas (BA) por tiro, sendo assinada pelo Dr. Charles Pittex. Informa, ainda, que foi enterrado no Cemitério de Campo Santo (BA). O relatório Pajussara (documento do Exército sobre a operação que matou Lamarca) diz que José Campos ao receber o tiro de misericódia, gritou "Abaixo a ditadura". =================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110821/ea477da0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7204 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110821/ea477da0/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4762 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110821/ea477da0/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 21 15:03:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 21 Aug 2011 15:03:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_LAN=C7AMENTO_DO_COMIT=CA_ESTADU?= =?windows-1252?q?AL_DE_MEM=D3RIA=2C_JUSTI=C7A_E_VERDADE=2E__Dia_23?= =?windows-1252?q?_de_agosto_=E0s_9=2C00_horas__-_CENTRO_CULTURAL_R?= =?windows-1252?q?OSSINI_ALVES_COUTO__-_RECIFE_-_PE?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem CONVITE -------------------------------------------------------------------------------- LANÇAMENTO DO COMITÊ ESTADUAL DE MEMÓRIA, JUSTIÇA E VERDADE. LOCAL: CENTRO CULTURAL ROSSINI ALVES COUTO ? MPPE DATA/HORÁRIO: 23/AGO - 09:00hrs 09:00 ? 09:45 MESA DE ABERTURA 09:45 ? 10:00 EXIBIÇÃO DO FILME ?OS 30 ANOS DA ANISTIA?. 10:00 ? 11:00 LEITURA DA CARTA DE PRINCÍPIOS / APRESENTAÇÃO DOS PROPÓSITOS DO COMITÊ / LANÇAMENTO COORDENADORES: MARCELO SANTA CRUZ; CAJÁ; FALAS: MPPE OAB APAP CLODOMIR 11:00 ? 12:00 A COMISSÃO DA VERDADE E AS POLÍTICAS DE REPARAÇÃO NO BRASIL PALESTRA: IVAN SEIXAS COORDEBADOR DA MESA: MARCELO SANTA CRUZ/AMPARO ARAÚJO DEBATEDORES:RODRIGO DEODATO MANOEL MORAES 12:00 ? 12:30 DEBATE 12:30 ? 13:30 INTERVALO 13:30- 13:35 ABERTURA DOS TRABALHOS: ? O HINO DAS LIGAS CAMPONESAS? Maestro Geraldo Menucci 13:35-14:00 EXIBIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO ?VOU CONTAR PARA OS MEUS FILHOS?, DE TUCA SIQUEIRA 14:00 ? 16:00 DEPOIMENTOS Elzita Santa Cruz Elizabete Teixeira Alexina Crespo Abelardo da Hora Clodomir Morais Iberê Agassiz Almeida Pe.Reginaldo Veloso Sílvia Montarroyos Zezito da Galiléia Magnólia Cavalcanti COORDENADOR DA MESA : WESTEI CONDE/ ANTONIO CAMPOS 16:00-16:20- APRESENTAÇÃO CULTURAL 16:00 ? 17:00 ? LANÇAMENTO DO LIVRO ?BACURI?, de Vanessa Gonçalves -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110821/30d61b78/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 22 19:46:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 22 Aug 2011 19:46:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CARLOS_LAMARCA__e__JOS=C9_CAMPOS_BARR?= =?iso-8859-1?q?ETO________________-__2=BA_Parte_-_________________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CCXXIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Carlos Lamarca nasceu no dia 27 de outubro de 1937, no bairro do Estácio, zona norte, do Rio de Janeiro. Seu pai Antonio Lamarca era sapateiro, e sua mãe Gertrudes dona de casa. Lamarca tinha seis irmãos. Desde criança era um homem decidido e sempre teve liderança nas brincadeiras com os outros garotos. Cursou o primário na Escola Canada e o ginasial no Instituto Arcoverde, ele foi o único dos filhos a chegar a Ter curso superior. Em 1947, Carlos Lamarca ingressa na Escola Preparatória de Cadetes em Porto Alegre, e se mostra um cadete muito aplicado Em 1957, foi transferido para Rezende, para Academia Militar de Agulhas Negras, na Academia Lamarca lê o jornal a "Voz Operaria" do PCB ( esse jornal era colocado debaixo dos travesseiros dos cadetes escondido), e começa a se simpatizar com as idéias comunistas. Em 1958, Lamarca fica noivo de Maria Pavan, uma amiga desde a infância. Em 1959 ainda aspirante e contra o regulamento, casa-se secretamente com Maria, que já esperava o primeiro filho. Lamarca e Maria vão morar no campo do Santana no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1960 nasce César Lamarca ainda em 1960 Lamarca é declarado oficialmente aspirante, e vai servir em São Paulo, no 4 Regimento de infantaria em Quitaúna, Osasco. Em 1962 vai servir como segundo tenente nas forças da ONU, na ocupação do canal de Suez, no Oriente Médio, no Suez Lamarca começa a tomar consciência da pobreza do povo Árabe , e compara a situação do povo Árabe com a situação do povo brasileiro. Nessa época Maria Pavan já estava grávida novamente, a criança nasce em outubro de 1962 e se chama Claudia. Em 1963, volta ao brasil, nesse momento as idéias comunistas vão ganhando mais força em Lamarca através da leitura de clássicos marxistas. Lamarca serve até 1965 na 6 companhia da policia do Exército, em Porto Alegre. Lamarca considerava Leonel Brizola um autentico líder popular, admirou a sua tentativa de resistência no Rio Grande do Sul e deplorou a atitude de Jango considerando-a covarde. Lamarca jamais concordara com o golpe militar, e não suportava ser guardião de presos políticos, numa noite de sábado promoveu a fuga do Capitão da Aeronáutica Alfredo Ribeiro Dandt que era acusado de atividades subversivas, esse fato ocorreu em dezembro de 1964. Após a fuga foi aberto um inquérito para apurar os responsáveis , mas o inquérito não deu em nada. Após esse acontecimento Lamarca pede transferencia para o 4 regimento de Infantaria em Quitaúna. Em Quitáuna Lamarca reencontra velhos amigos: o cabo José Mariane, o sargento Darcy Rodrigues, todos eles de oposição dentro do Exército. Em Quitaúna Lamarca organiza um clube, um local para que os militares de oposição pudessem discutir política dentro do Quartel. Mariane, Darcy e Lamarca estavam convencidos da necessidade de estruturar o foco guerrilheiro numa área rural. Lamarca se une ao grupo de revolucionários do 4 Regimento, e logo a rede política se expande e chega até outras corporações. Apesar da atividade política Lamarca segue a risca suas obrigações no exército, tornando se um oficial exemplar e se mostrando um excelente atirador. Perante aos soldados Lamarca era severo mas amigo, sempre procurando ajudar os soldados, e chegando até a emprestar dinheiro, mas perante aos outros oficias era o inverso. Em 25 de agosto de 1967, Carlos Lamarca é promovido a Capitão, nesse ano ele retoma os estudos sobre marxismo, o trabalho político que desenvolve com os outros militares "revolucionários" vai prosperando, e a sua idéia de guerrilha se consolida em seus planos. Em 1967 Lamarca sente muito a morte de Che Guevara e diz "perdemos um dos maiores lideres internacionalistas mas a visa é assim ou se morre ou se vence. Che Guevara morreu, mas deixa sua semente, raízes que não morrerão". Em 1968 Lamarca procura uma organização que tivesse em seus planos deflagrar guerrilha e levar o povo ao poder. Entra em contato com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), com Carlos Marighela ex- dirigente do PCB e principal comandante da ALN (Aliança de Libertação Nacional), e encontra-se também com a direção do PC do B. Lamarca e o sargento Darcy ingressam na VPR em dezembro de 1968, Lamarca foi convencido pelos dirigentes da VPR que após roubar as armas do quartel a VPR teria um local para iniciar a guerrilha rural. O sargento Darcy desviava do quartel munição e granadas, já que ele falsificava documentos sobre o gasto de munição nos treinamentos. Três dias antes de Lamarca roubar as armas do quartel, militantes da VPR são presos, e pôr saberem os nomes de Lamarca, Darcy e Mariane os três resolveram tirar as armas do quartel imediatamente. Então no dia 24 de janeiro de 1969 Lamarca entra com sua Kombi no quartel de Quitaúna e retira 63 fuzis FAL, três metralhadoras INA e munição, em certo momento dois sargentos perguntam a Lamarca para que que as armas estavam sendo retiradas, e ele responde que é para um treinamento de tiro, messe momento Lamarca passa a viver na clandestinidade. Na verdade a VPR ainda não tinha condição de fazer a guerrilha, como havia dito. Maria Pavan e os dois filhos saem do Brasil pôr segurança e vão morar em Cuba até 1969. Após o roubo ao quartel Lamarca passa a viver em "aparelhos em São Paulo. Três meses após o roubo ao quartel Lamarca participa de sua primeira ação armada, essa ação ocorreu no dia 9 de maio de 1968, a VPR assaltou dois bancos o Mercantil e o Itáu ao mesmo tempo, durante o assalto Lamarca vê o guarda civil Orlando Pinto Saraiva apontar a arma em direção a Darcy, Lamarca então dispara e acerta a nuca do guarda. Mesmo participando da luta armada Lamarca desejava a guerra de guerrilhas no campo. A rotina de Lamarca se mantia, ele era obrigado a passar o dia todo escondido em apartamentos da VPR, com isso ele ocupa seu tempo estudando marxismo lendo sobre Trotsky, Lenin, Mao, Che Guevara, já que ele nesse momento ainda não possuía grandes conhecimentos teóricos. Lamarca enfrenta outro problema; além de não existir a área de guerrilha a, VPR a partir de janeiro de 1969 estava passando por um momento difícil após a prisão de vários militantes. Devido a crise a VPR convoca um congresso para se discutir as próximas ações, nesse congresso Lamarca é nomeado dirigente, ele aceita esse cargo a contra gosto, pois perseguia somente o papel de líder da guerrilha rural e não de uma organização tipicamente urbana onde seria obrigado a dar respostas a problemas não militares. Já como dirigente Lamarca conhece Iara em abril de 1969, Iara era uma militante que passara por algumas organizações, e que no inicio de 1969 tinha a função de manter contato ente a VPR e a Colina Em junho de 1969 a VPR se une a Colina e forma VAR- Palmares, as duas tinham divergências mais possuíam um ponto em comum, a luta armada através da guerrilha. para uma futura união das duas organizações. Lamarca e Iara se apaixonam, mas Lamarca tenta lutar contra esse sentimento, já que não seria justo com Maria que estava fora do país. Lamarca reluta em ficar com Iara, mas no meio de 1969 ele assume seu relacionamento com Iara e passam a viver juntos sempre que possível. Após o assalto ao banco Lamarca comanda uma operação na casa da amante de Adhemar de Barros, um político completamente corrupto. Então no dia 18 de julho de 1969 Lamarca e seus companheiros roubam o cofre da casa, e quando o abrem vêem uma montanha de dinheiro, um total de 2 milhões e 500 mil dólares. Os militantes tiveram que trocar os dólares também no mercado negro, já que as casas de cambio freqüentemente eram vigiadas, cada militante recebeu 800 dólares para despesas, uma parte foi utilizada para preparar novas ações, uma fortuna foi gasta para manter os militantes na clandestinidade e 600 mil dólares caíram nas mãos da repressão. Entre Julho e Agosto de 1969 se realiza o congresso da VAR-Palmares, desse congresso Lamarca , Iara e outros companheiros saem da VAR por causa de entre outros motivos a relutância da VAR em se dirigir ao campo para guerra de guerrilhas. Com isso Lamarca refunda a VPR absorvendo vários dissidentes da VAR, a nova VPR é fundada oficialmente no final de 1969. A nova VPR compra um sítio no vale do Ribeira que seria usado para treinar os militantes para guerrilha, em janeiro de 1970 já havia chegado todos os militantes que receberiam treinamento inclusive Iara. Mas um sério distúrbio ginecológico hormonal fez com que Iara fosse obrigada a abandonar o campo de treinamento. Após o treinamento, o plano seria enviar alguns militantes para duas regiões do nordeste para desencadear a guerra de guerrilhas, mas a prisão de Mário Japa dirigente da VPR que conhecia a localização do sítio de treinamento, fez com que se desmobiliza-se parcialmente o campo de treinamento, já que Mário estando preso e sofrendo torturas poderia entregar o campo. Preocupados com a vida de Mário Japa a VPR decide seqüestrar o cônsul do Japão. Com o seqüestro, Mário e outros companheiros são soltos, mas a repressão continua a prender vários militantes, dois desses militantes delatam a área de treinamento. Lamarca ao saber da delatação inicia a evacuação da área , oito companheiros saem do campo de treinamento, nove permanecem, eram eles: Lamarca, os ex-sargentos Darcy Rodrigues e José Araujo Nóbrega, Gilberto Faria Lima, Ioshitante Fujimoto, Edmauro Gopfert, Diogenes Sabrosa, o ex-soldado Ariston Lucena e José Lavenchia. Os guerrilheiros estavam escondidos em áreas perto do campo principal. Lá pelo dia 22 de Abril já havia 1500 homens a procura dos guerrilheiros, havia vários helicópteros, aviões com pára-quedistas. José Lavenchia e Darcy Rodigues são presos pelo exército no dia 27 de Abril, os outros guerrilheiros continuavam a fugir, Lamarca e seu pequeno grupo se mostrara extremamente eficiente contra o exército. José Araujo Nobrega e Edmauro também são presos pelo exército. No dia 8 de Maio, Lamarca num confronto consegue render um tenente, dois sargentos, dois cabos e doze soldados, e lê os termos de rendição para o tenente, 1- os guerrilheiros não fuzilariam ninguém, 2- os feridos seriam atendidos, facilitando o transporte dos mesmos, 3- os guerrilheiros apenas trocariam algumas armas sem expropriar nenhuma, 4-reabasteceriam de munição as armas, 5- O tenente levantaria o bloqueio do exército em Sete Barras (cidade próxima). O tenente concordou com os termos só que não ordenou o levantamento do bloqueio, fazendo com que Lamarca e seu grupo caíssem numa emboscada. Os guerrilheiros conseguem fugir da emboscada e decidem executar o tenente, afinal, ele não havia comprido o acordo e não havia condição de prosseguir com ele naquela situação de cerco. O tenente deveria ser fuzilado mas para não fazer barulho o executam com uma coronhada de fuzil no dia 10 de maio. Lamarca e seu pequeno grupo continuavam a fugir, começaram a fazer contato com os camponeses da região para obter comida e se impressionaram como eram bem recebidos na maioria das vezes, alguns camponeses que ajudaram o grupo de Lamarca foram mortos e torturados pelo exército. Lamarca decide que o companheiro Gilberto Faria Lima que não estava identificado pêlos órgãos de repressão deveria sair da região para buscar ajuda em São Paulo. No dia 30 de Maio Gilberto pega um ônibus para a Capital sem problemas. No dia 31 de Maio Lamarca e seu grupo montam uma emboscada e conseguem capturar um veiculo do exército , fazem 5 prisioneiros, sendo um sargento e quatro soldados, os guerrilheiros vestem os uniformes dos prisioneiros e conseguem passar pelo bloqueio do exército sem problemas, e seguem para São Paulo, ao chegarem a São Paulo abandonam o caminhão e deixam os prisioneiros amarrados na caçamba. Lamarca e seu grupo conseguem incrivelmente escapar do Vale da Ribeira, mesmo sendo perseguidos pôr milhares de soldados, sendo bombardeados pôr aviões. Essa vitória prova que um pequeno grupo se movimentando rapidamente, com tática de guerrilha é extremamente eficiente. Após a fuga no Vale do Ribeira, Lamarca encontra sua organização em crise devido a prisão de vários militantes. No início de junho de 1970 o Conselho Permanente de Justiça da 2° Auditoria Militar de São Paulo condena Lamarca a revelia a 24 anos de prisão pelo roubo de armas do Quartel de Quitauna, condena o ex-cabo Mariane a 12 anos e o ex-sargento Darcy Rodrigues a 16 anos. Devido a situação difícil que passava a VPR, ela decide junto com a ALN realizar mais um seqüestro . O seqüestro foi realizado no Rio de Janeiro. Alguns militantes cercaram o carro do embaixador da Alemanha Ocidental e o seqüestraram. No dia 12 de junho, o dia após o seqüestro o presidente Médici e os ministros da justiça militar e das relações exteriores decidem aceitar parte das exigências dos seqüestradores , Os militares permitem que seja publicado na imprensa um manifesto dos militantes de nome "Ao povo brasileiro". No dia 13 de junho o governo concorda com em libertar presos políticos, e dois dias depois um avião levanta vôo levando 40 presos políticos para a Argélia, entre os presos libertados estão: José Lavenchia, Darcy Rodrigues, José Araújo Nobrega e Edmauro Gopfert. Em Setembro de 1970 Lamarca vai para um aparelho no interior do estado do Rio, Lamarca ainda acreditava na guerrilha, mas estava muito preocupado com o crescente numero de companheiros presos e torturados, também percebia que grande parte do povo não estava preocupado com os presos políticos e com as torturas que eles sofriam, o trabalhador explorado continuava submisso e calado. No dia 7 de Dezembro de 1970, Lamarca comanda o seqüestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, no bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro, no momento do seqüestro o agente de segurança Hélio Araújo de Carvalho é ferido e morre no hospital, o motorista é dominado e os militantes levam o embaixador para o cativeiro. A VPR faz as seguintes exigências para libertar o embaixador: O governo deveria soltar 70 presos políticos, divulgar textos de propaganda e distribuir gratuitamente passagens nos trens do subúrbio até o final das negociações. Mas dessa vez o presidente Medici endureceu e só concordou em libertar os presos políticos, a VPR manda várias listas com os nomes dos presos que deveriam ser soltos mas o governo não concorda em libertar alguns presos citados. A nova estratégia do governo surpreende a VPR que só tinha duas opções: aceitar as condições do governo ou matar o embaixador. A maioria decide matar o embaixador, mas Lamarca é contra porque matar o embaixador iria repercutir mal junto ao povo e afinal se deixaria de libertar 70 companheiros que estavam sofrendo todo o tipo de tortura nos porões da ditadura. Então Lamarca como comandante da operação diz: "Sou o comandante da ação, decido eu. Não vamos matar Bucher." Após se chegar a um acordo a cerca dos presos que seriam libertados, 70 presos políticos partem no dia 16 de janeiro rumo ao Chile de Allende. Após o fim do seqüestro Lamarca e Iara passam uns dias morando juntos, a decisão de Lamarca de não matar o embaixador é o estopim para uma série de discussões dentro da VPR. A VPR queria que Lamarca saísse do país já que ele era o homem mais procurado, mas Lamarca não aceita e permanece no Brasil. No dia 22 de março de 1971 Lamarca rompe com a VPR e entra para o MR-8, Lamarca gostava de todos da VPR mas politicamente considera a VPR muito vanguardista, negava qualquer espaço para o povo e não via como mudar essa situação por isso entra para o MR-8, Iara o acompanha. No MR-8 Lamarca via novamente a possibilidade de ir para o campo, implantar o foco guerrilheiro e levar o povo ao poder, o MR-8 reservava ao povo um papel no processo revolucionário, isso foi um dos motivos da aproximação de Lamarca. De repente o MR-8 começa a ruir, no dia 14 de maio Stuart Edgard Angel de 27 anos, membro da direção do MR-8 é preso e levado para a base aérea do Galeão, lá é torturado de todas as formas para dizer a localização de Lamarca, apesar das torturas Stuart não o entrega. Stuart morre após ser amarrado na traseira de um jipe da Aeronáutica e ser arrastado de um lado para o outro com a boca no cano de descarga do jipe, Stuart morre asfixiado e intoxicado pelo monóxido de carbono. Os oficiais que participaram do assassinato de Stuart eram o Brigadeiro Burnier, Carlos Afonso Dellamara comandante do CISA, os tenente-coronel Abílio Alcantra e Muniz, o capitão Lúcio Barroso e o major Pena, todos do CISA., Alfredo Poeck capitão do Cenimar e pelo agente do Dops Jair Gonçalves da Mota. Neste momento o MR-8 estava cercado no Rio de Janeiro e Lamarca e Iara estavam correndo perigo, então os dois partem em direção a Bahia ( Iara consegue vencer a resistência da Organização em deixa-la ir junto com Lamarca já que não se sabia como absorve-la no trabalho no campo. Lamarca e Iara chegam a Bahia mas não ficam juntos, Lamarca se dirige a Buriti Cristalino e Iara a Salvador. No dia 29 de junho de 1971 Lamarca chega a área de campo em Buriti Cristalino, e fica escondido no meio do mato, somente recebendo visitas de companheiros do MR-8 que levavam sua comida, esses companheiros já estavam na região fazendo um trabalho de conscientização e educação com os camponeses. No dia 30 de julho Lamarca e seus companheiros discutem sobre a região e sobre as perspectivas de atuação, e percebem que seria um erro fazer a guerrilha ali, era necessário que a região tivesse alguma importância econômica para que a ação pudesse abalar o governo, e todo aquele agreste não tinha nenhuma importância para o país. Então ficou decidido que ali só se faria um trabalho de conscientização, recrutamento e formação de militantes de origem camponesa para mais tarde serem deslocados para uma região mais favorável a guerrilha.. No dia 6 de Agosto o militante Zé Carlos do MR-8 é preso em Salvador e fica a duvida se ele entregaria o local onde estava Lamarca e Iara, Zé Carlos é torturado mas não fala tudo de uma vez, fala sobre onde estava Iara porque achava que ela já tinha ido para Feira de Santana mas estava enganado, no dia 20 de agosto de 1971 os militares envadem o prédio onde estava Iara, prendem o companheiro Jaileno e outras pessoas, Iara parecia estar salva mas um menimo a vê com duas armas e avisa aos militares, Iara fica presa num quarto porque o menino que a viu bateu a porta e a porta só abria por fora, acuada, sem chances de escapar se suicida com um tiro no meio do peito. Com a morte de Iara os militares tem certeza que Zé Carlos sabia onde estava Lamarca, e ainda possuíam o diário de Lamarca que falava da região onde estava. Em cima das informações de Zé Carlos e com o diário da Lamarca nas mãos, os agentes vão mapeando a região. Lamarca e os militantes ficam sabendo que Zé Carlos estava preso, e mesmo sabendo dos riscos em permanecer em Buriti Cristalino resolvem ficar porque não podiam abandonar todo o trabalho que estava sendo feito com o povo da região, por precaução montam vários táticas de fuga caso fosse necessario. No dia 28de Agosto os militares e policiais chegam a Buriti Cristalino, Olderico, militante do MR-8, percebe que tudo havia sido descoberto e quando os militares ordenam que todos saiam das casas ele começa a atirar para que Zequinha e Lamarca que estavam no acampamento ouvissem os tiros e fugissem, a atitude corajosa de Olderico deu certo ao ouvirem os tiros no vilarejo Lamarca e Zequinha fugiram pela Caatinga. Olderico é baleado. Buriti Cristalino foi palco do terror com a presença dos militares e policiais na região, vários camponeses foram torturados e espancados a troco de nada, animais dos camponeses foram fuzilados só por diversão, o militante Otoniel foi morto. Os militares continuavam a perseguição a Lamarca, este estava muito doente o que dificultava sua locomoção, o próprio Lamarca dizia para Zequinha o largar e fugir mas Zequinha respondia que "Quem é amigo na vida é amigo na morte!". No dia 17 de Setembro Zequinha e Lamarca estão descansando embaixo de uma arvore, já haviam percorrido mais de 300km em fuga, quando Zequinha percebe que estão cercados, ele então grita para Lamarca " Capitão os homens estão ai", Lamarca não tem tempo nem para atirar, é fuzilado pelo Major Cerqueira, Zéquinha corre ainda alguns metros mais também é morto, antes de cair Zequinha grita: "Abaixo a ditadura!". O corpo de Lamarca e Zequinha são levados para Brótas de Macaúbas onde são jogados num campo de futebol para todo mundo ver. Os Agentes se divertiam dando chutes nos cadaveres, rindo e dando gargalhadas de felicidade. ================================================================================================= O capitão Lamarca e a VPR O capitão Lamarca e a VPR Wilma Antunes Maciel 208 págs. R$ 34,00 ISBN: 85-98325-27-9 Compre online na Livraria Última Instância [PDF] Wilma Antunes Maciel www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde.../tdeWilmaMaciel.pdfSimilares Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat de RJNO BRASIL - 2003 - Artigos relacionados REPRESSÃO JUDICIAL NO BRASIL: O CAPITÃO CARLOS LAMARCA E A ... emblemática de Carlos Lamarca que permeia todas as fases dos processos, o perfil dos ... Filme Lamarca | CineDica www.cinedica.com.br/Filme-Lamarca-2482.php - Em cacheSimilares SINOPSE: Drama que acompanha os dois últimos anos da vida do Capitão Carlos Lamarca (Paulo Beti), desde o momento em que decide fazer uma opção radical pela ... 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Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007). ==================================================================================================== + Informações. 04/02/05 - 08h:58mDenunciar CARLOS LAMARCA - HERÓI DO POVO BRASILEIRO E DA REVOLUÇÃO Comandante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Nascido no Rio de Janeiro, em 27 de outubro de 1937, Carlos Lamarca foi o terceiro entre os seis filhos de Antônio e Gertrudes Lamarca, uma família modesta da zona norte carioca. Magro, com 1,75 m de altura, olhos e cabelos castanhos escuros, casou-se em 1959 com Maria Pavan, com quem teve dois filhos: César e Cláudia. Aos 16 anos participou de algumas manifestações de rua durante a campanha nacionalista 'O petróleo é nosso'. Tinha como livro de cabeceira a obra Guerra e Paz, de Tolstoi. Nessa época já havia tomado uma firme decisão: queria ser oficial do Exército Brasileiro. A carreira então projetada foi ganhando contornos definidos. Formou-se, em 1960, pela Escola Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), obtendo a patente de Capitão em 1967. Em entrevista concedida ao periódico chileno Punto Final, em abril de 1970, dizia Lamarca: 'Sou um dos poucos oficiais brasileiros de origem operária. Estudei com sacrifício de meus pais e escolhi a carreira por entender que as Forças Armadas teriam condições de contribuir para o desenvolvimento e emancipação do meu País. Logo me desiludi.' Em setembro de 1962, Lamarca foi recrutado para integrar o contingente militar da Organização das Nações Unidas. Seu destacamento permaneceu um ano na zona de Gaza, no Egito, perto do canal de Suez. Regressando ao Brasil, foi designado para servir num batalhão da Polícia do Exército, na cidade de Porto Alegre (RS), período em que, admirando a tentativa de resistência de Leonel Brizola ao golpe de 1964, solicitou inscrição junto ao Partido Comunista Brasileiro, que nunca chegou a se formalizar. Mas foi em São Paulo, no quartel de Quitaúna, para onde pediu transferência em 1965, que Lamarca, estudando e discutindo com um grupo de companheiros as perspectivas de luta armada, fez sua opção revolucionária. Era preciso buscar 'um caminho para a revolução brasileira', que, nos termos da referida entrevista, supunha modificar a situação agrária e, por conseguinte, 'romper com todo o sistema, baseado e construído exatamente sobre o atraso e a miséria de nossas regiões rurais'. Para tanto, era necessário construir 'a primeira coluna guerrilheira, alternativa do poder das classes dominantes, embrião do futuro Exército Popular', com a simultânea implantação de 'guerrilhas irregulares em todos os pontos importantes do País.' Influenciado pela revolução cubana e pelos movimentos guerrilheiros latino-americanos, Lamarca passou a defender as teses de Guevara e Régis Debray, teóricos do foco guerrilheiro: um pequeno grupo de homens bem treinados e bem armados, atuando em alguma área do campo, poderia desencadear a luta armada e despertar as massas para a insurreição. Já estava organizado, em 1967, o grupo de Carlos Marighella, a Ação Libertadora Nacional (ALN), e havia também um grupo de militares expulsos das Forças Armadas que mantinham ligações com operários metalúrgicos de Osasco e outros setores proletários da região industrial de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano. Lamarca acompanhava com grande interesse o grupo de ex-sargentos que, inicialmente vinculado ao Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), uniu-se a um setor dissidente da Política Operária (POLOP) e deu origem à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Sua perspectiva, naquele momento, era a de entrar em contato com algum grupo da esquerda armada brasileira que o aceitasse como simples militante e oferecer, de imediato, a possibilidade de realizar uma ação de expropriação no quartel de Quitaúna. 'Durante esses anos' - prossegue Lamarca na mesma entrevista - 'busquei contato com as organizações revolucionárias que propusessem um caminho para a revolução brasileira de acordo com as conclusões a que eu chegara'. As numerosas discussões então realizadas com Joaquim Câmara Ferreira, um dos principais dirigentes da ALN, levaram-no a optar por outra linha política, a da VPR. Passou a integrar a célula do IV Regimento de Infantaria. Por iniciativa de Lamarca, preparou-se a ação de expropriação de armas e munições do quartel, com o imediato ingresso de toda a célula na guerrilha urbana. Em 24 de janeiro de 1969, Lamarca deixou Quitaúna com a carga de 63 fuzis FAL, algumas metralhadoras leves e muita munição. A idéia era seguir imediatamente para uma região onde pudesse preparar a guerrilha, o que o obrigou, de imediato, a separar-se da mulher e dos filhos, enviados para Cuba, via Itália, no mesmo dia de sua deserção. Lamarca passou 10 meses trancado em 'aparelhos' na cidade de São Paulo, vivendo clandestinamente, até seguir para o Vale da Ribeira, com mais 16 militantes, a fim de realizar um treinamento em guerrilha. Lá permaneceu até maio de 1970, quando a região foi cercada por tropas do Exército e da Polícia Militar. Houve combates, mas Lamarca conseguiu romper o cerco ao lado de dois companheiros, após a retirada de vários outros. A 'Operação Registro', como a denominou o II Exército, durou 41 dias e resultou na prisão de quatro guerrilheiros. De volta à cidade, continuou no comando e planejamento de ações armadas, para resgatar prisioneiros políticos e obter recursos para a sobrevivência da organização. Foram ao todo dois anos e oito meses de clandestinidade, nos quais reforçou seu caráter introspectivo e exercitou sistematicamente - com a mesma disciplina que emprestava ao treinamento físico - o hábito de ler e escrever. Nas sucessivas mudanças a que era obrigado por razões de segurança, de duas coisas nunca se separava: da arma e dos manuscritos, que intitulava provisoriamente de 'Estudos militares'. Utilizando como nomes de guerra João, Renato, Cláudio, César, Cid e Cirilo, Lamarca não se limitou a traçar as estratégias de algumas das ações da VPR, mas participou diretamente do comando de seqüestros e expropriações. Em abril de 1971, em discordância com a VPR, ingressou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). No mês de junho, Lamarca foi para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, com a finalidade de estabelecer uma base desta organização no interior. Com a prisão em Salvador, em agosto, de um militante que conhecia seu paradeiro e a localização de um aparelho onde se encontrava a psicóloga paulista Iara Yavelberg, companheira de Lamarca desde 1969 (Iara suicidou-se com um tiro de revólver no dia 23), os órgãos de segurança iniciaram o cerco à região. A direção do MR-8 não cuidou de retirá-lo de lá, mesmo considerando que Lamarca não tinha poder de decisão, pois se recusara a participar da organização como dirigente. Um tiroteio travado entre a polícia e os irmãos de José Campos Barreto, o Zequinha, que acompanhava Lamarca, obrigou-os a iniciar uma longa e penosa rota de fuga, de 28 de agosto a 17 de setembro, com um percurso de quase 300 quilômetros. Ao descansarem à sombra de uma baraúna, foram surpreendidos pela repressão. Lamarca estava desnutrido, asmático, provavelmente com a doença de Chagas. A imprensa brasileira apresentou na ocasião duas versões sobre o diálogo que teria havido entre Lamarca e o 'agente federal'. Para O Globo, foram apenas três frases: 'Você é Lamarca?' - 'Sou o Capitão Carlos Lamarca.' - 'Era. Agora você vai ser defunto.'. A versão da maioria dos jornais foi um pouco mais longa: 'Quem é você?' - 'Carlos Lamarca.' - 'Sabe o que aconteceu com a Iara?' - 'Ela se suicidou em Salvador.' - 'Onde está sua mulher e seus filhos?' - 'Estão em Cuba.' - 'Você sabe que é um traidor da Pátria?'. Lamarca teria morrido sem responder a esta última pergunta. O desfecho que, com pequenas variações, caracteriza a versão oficial da morte de Lamarca, reforçada mais tarde pela publicação do chamado Relatório Pajussara do Major Cerqueira e consagrada pelo filme de Sérgio Rezende, é inverossímil. Os que o caçaram pelos sertões da Bahia deveriam temer, na realidade, o vigor, a atilada inteligência, os reflexos precisos, o esmerado preparo militar do Capitão Lamarca, e jamais entrariam em sua linha de tiro. Limitaram-se a matar em silêncio um homem desfalecido. ==================================================================================================== + Detalhes. CARLOS LAMARCA - CARTA AOS FILHOS.wmv? - YouTube www.youtube.com/watch?v=dO0sZuJajig5 min - 7 set. 2010 - Vídeo enviado por zrtama Lamarca foi um ícone da resistência ao Regime Militar implantado no? Brasil em 1964. Para entendê-lo, devemos mergulhar naqueles ... Mais vídeos para Carlos Lamarca » ===================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110822/75759096/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 1376 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110822/75759096/attachment-0005.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 22 19:46:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 22 Aug 2011 19:46:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Debates_de_lan=E7amento_das_Me?= =?windows-1252?q?m=F3rias=2C_de_Greg=F3rio_Bezerra=2E___Recife=2C_?= =?windows-1252?q?Rio_de_Janeiro_e_S=E3o_Paulo=2E?= Message-ID: <7E0519A424C94BCDBBCB1A5B51BA718B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Luiz Ragon Debates de lançamento das Memórias, de Gregório Bezerra A Boitempo Editorial convida para uma série de debates gratuitos (sem necessidade de inscrição prévia) em torno do livro Memórias, autobiografia do lendário líder camponês Gregório Bezerra. Os eventos marcam o lançamento da nova edição da obra que inspirou gerações de militantes em todo o Brasil. Todos os eventos são gratuitos e não há inscrição prévia. Haverá sorteio e venda dos livros da Boitempo com descontos. Acompanhe a página do evento no Facebook Debate de lançamento de Memórias Programação completa 01/09 - 18h - Recife (PE) Auditório Sala Aloisio Magalhães da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ) R. Henrique Dias, 609 ? 1º andar Debate com Anita Leocadia Prestes (apresentação do livro), Eduardo Campos (Governador de Pernambuco ? PSB), Fernando Freire (Presidente da Fundaj), Ivana Jinkings (editora da Boitempo), Ivan Pinheiro (Secretário Geral ? PCB), João da Costa (Prefeito do Recife ? PT), Jurandir Bezerra (filho de Gregório) e Roberto Arrais (orelha do livro). Realização: Prefeitura do Recife, PCB e Boitempo Editorial. Apoio: Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Fundação Dinarco Reis, Associação de Presos e Anistiados Políticos (APAP) e Associação Cultural Brasil x Cuba ? Casa Gregório Bezerra. 13/09 - 10h - Rio de Janeiro (RJ) Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ Largo São Francisco, 01 ? Centro Debate com Anita Leocadia Prestes (PPGHC/UFRJ e ILCP), Ivan Pinheiro (PCB), Joba Alves (MST) e Leonilde Servolo de Medeiros (CPDA/UFRRJ). Realização: Arquivo da Memória Operária do Rio/UFRJ, Instituto Luiz Carlos Prestes, Programa de Pós-Graduação em História Comparada/UFRJ e Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia/UFRJ. Apoio: Boitempo Editorial 14/09 - 18h - São Paulo (SP) Sala 8 - Filosofia - FFLCH/USP Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 - Cidade Universitária - (11) 3091-8592 "Gregório Bezerra e a história do comunismo no Brasil" ? integrando a programação do IV Colóquio Marx e os Marxismos Debate com Antonio Carlos Mazzeo (Unesp e PCB), Francisco de Oliveira (USP), João Quartim (Unicamp) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). Realização: Laboratório de Estudos Marxistas da Universidade de São Paulo (LeMarx-USP) e Boitempo Editorial. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110822/1f345052/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 23 19:54:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 23 Aug 2011 19:54:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__CARLOS_LAMARCA__e__JOS=C9_CAMPOS_BARR?= =?iso-8859-1?q?ETO________________-__3=BA_Parte_-_=28final=29_____?= =?iso-8859-1?q?_______________________________-CCXXV-?= Message-ID: <7DCB09E0881D4B6DA895117AEF5D03CE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Lutas e Heróis do Povo : ZEQUINHA BARRETO: A luta para destruir a ditadura e implantar uma sociedade sem classes em 19/06/2009 (1295 leituras) No sítio do Buriti Cristalino, Município de Brotas de Macaúbas, interior da Bahia, uma família camponesa. Seu José de Araújo Barreto era também comerciante e sua mulher, dona Adelaide Campos Barreto, doméstica, tiveram seis filhos, três mulheres e três homens. Dona Adelaide, católica fervorosa, queria que um dos meninos fosse padre. Aos 12 anos de idade, Zequinha (José Campos Barreto), que nasceu no dia 2 de outubro de 1946, resolveu atender ao desejo da mãe e foi estudar no seminário de Garanhuns (PE). Mas não desenvolveu a vocação sacerdotal, saindo aos 17 anos. Voltou para sua cidade de origem e se engajou na vida cultural da região e na defesa dos mais sofridos. Sua primeira ação foi para que as caixas de alimentos doadas pela Aliança para o Progresso (programa assistencialista dos EUA) viessem com a inscrição "distribuição gratuita". Ocorre que os coronéis desviavam os alimentos e os vendiam aos comerciantes da cidade. Foi, entretanto, um comerciante de Brotas que transmitiu para Zequinha idéias socialistas. O jovem assimilou tais idéias e convidou o "professor" para botá-las em prática, mas ele não aceitou. Jogava futebol no time de Buriti Cristalino, escrevia peças de teatro, tocava violão, cantava com os amigos e traduzia para eles as letras das canções dos Beatles. Trabalhou com o irmão, Olderico, como garimpeiro em acampamentos de mineração; como o resultado era muito pequeno, mudou-se para São Paulo, onde foi acolhido em Osasco por seu tio Pedrão. Em 1964, ano do fatídico golpe militar, servia ao Exército no quartel de Quitaúna, o mesmo do capitão Carlos Lamarca; queria seguir carreira mas foi dispensado após o período obrigatório. Foi trabalhar e estudar; entrosou-se com os líderes estudantis de Osasco e chegou à presidência do Círculo Estudantil. Integrava a Comissão de Fábrica da Cobrasma, que era presidida por José Ibrahim. Nos protestos que aconteceram em todo o país após o assassinato do estudante Édson Luiz Souto (Rio de Janeiro, março de 1968), três mil estudantes foram às ruas de Osasco. Na Frente, um grupo de jovens, entre eles Zequinha Barreto, levava uma bandeira dos vietcongs, fato que irritou sobremaneira as Forças Armadas. A partir de sua atuação, Zequinha entrou em contato com organizações de esquerda e, juntamente com a maioria dos líderes estudantis e operários de Osasco, aderiu à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) à qual pertencia também o capitão Carlos Lamarca. Um primeiro de maio inesquecível 1968 foi um ano de grandes mobilizações estudantis e operárias no Brasil (V. A Verdade Nº 97). O grupo de Osasco uniu-se ao Movimento Intersindical Antiarrocho (MIA), uma frente formada por sindicalistas de todas as tendências, inclusive pelegos. O MIA programou um ato a ser realizado na Praça da Sé, dia primeiro de maio, mas no processo de preparação afastou o grupo de Osasco, por considerá-lo muito radical, já que não aceitava que o então governador Abreu Sodré (Arena, partido oficial da ditadura militar) fosse convidado para o ato. No dia do Ato, o grupo de Osasco reuniu 1.500 pessoas e seguiu para a Praça da Sé, gritando pelo caminho "Abaixo a Ditadura", depredaram fachadas de bancos e empresas estrangeiras. Durante o ato, quando o governador Sodré discursava, o grupo partiu para a ofensiva. Atingiu o orador com uma pedrada e ocupou o palanque; derrubou-o e chamou o povo para uma passeata, que algum tempo depois foi dispersada pelos militares. Antes, Zequinha Barreto discursou conclamando os trabalhadores e os estudantes a enfrentarem a ditadura por meio da luta armada, "a justa violência do oprimido contra o opressor". Uma greve memorável No dia 16 de julho de 1968, os operários de Osasco entraram em greve por aumento de salário e melhoria das condições de trabalho, liberdade de organização, etc. Zequinha, que estava trabalhando na indústria Braseixos, foi um dos líderes do movimento, no qual cerca de 6 mil operários cruzaram os braços e pararam as máquinas. O governo militar mandou desocupar as fábricas. Os operários resistiram. Zequinha discursou para os soldados, lembrando que eram filhos de trabalhadores, deviam ficar ao lado destes. A resposta foram rajadas de metralhadoras e bombas de gás. Zequinha acendeu uma tocha e ameaçou explodir um depósito de gasolina que mandaria todo o complexo industrial pelos ares. As tropas recuaram e os operários saíram calmamente. Ele foi o último. Pulou o muro mas foi preso cantando o Hino Nacional. Passou 98 dias na prisão, que foi relaxada pelo Ministro do Supremo Tribunal Militar ( STM), general Peri Beviláqua. Na sua decisão, ele negou o pedido de enquadramento dos líderes operários na Lei de Segurança Nacional (LSN), argumentando que greve proibida se enquadra na Lei de Greve e não na LSN e que a Justiça Militar era incompetente para se pronunciar sobre o assunto, que era da alçada da Justiça Civil. Assim, Zequinha foi solto. Pouco tempo depois, o general Beviláqua foi afastado de suas funções, perdeu todas as suas condecorações e foi aposentado com base no AI-5. Zequinha Barreto e José Ibrahim assinaram um balanço da greve no qual afirmam que apesar da repressão a greve foi vitoriosa parcialmente, tanto do ponto de vista econômico (houve reajustes de salário de 10 a 35%), quanto político, pois não houvera recuo. Novas lideranças surgiram e estavam se organizando em núcleos clandestinos. E a disposição de luta da massa continuava em alta. Destacam no mesmo balanço que estão conscientes de que "só com a violência justa dos explorados contra a violência injusta de que somos vítimas é que iremos destruir a ditadura dos patrões e implantar uma sociedade sem classes". Conclamam os companheiros a iniciarem "uma proveitosa troca de experiências para a organização da classe operária que possa, aliando-se aos camponeses, conduzir o proletariado ao poder". A edição do AI-5 impossibilitou aos líderes continuarem na fábrica e realizando trabalho de massa. Eles tiveram de passar para a clandestinidade. Ibrahim viria a ser preso e exilado, após a troca do embaixador estadunidense, Charles Elbrick, pela libertação de um grupo de prisioneiros políticos. De volta ao campo Zequinha voltou para Buriti Cristalino, com a intenção de organizar os camponeses da região, despertar sua consciência, desenvolver um trabalho coletivo a partir de mutirões de solidariedade e treinar os mais avançados para uma futura guerrilha rural. Com as cisões ocorridas na VPR, aderiu ao Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), assim como o capitão Lamarca que, sem condições de atuar na área urbana, foi transferido para o interior baiano, para desenvolver o trabalho político entre os camponeses junto com Zequinha. Isto se deu em junho de 1971 ( V. A Verdade. Nº 28). A repressão identificou e prendeu um grupo de militantes do MR8 em Salvador. Um deles conhecia a existência do núcleo rural. Resistiu a sete dias de tortura, mas terminou "abrindo" para os torturadores. O núcleo havia tomado conhecimento das prisões mas optou por escapar na própria área. No dia 28 de agosto de 1971, a tropa comandada pelo famigerado Sérgio Fleury, chegou a Brotas de Macaúbas. A família Barreto sofreu. José Barreto, o pai, apesar de idoso, foi submetido a torturas barbaramente, covardemente. Os irmãos foram presos. Otoniel conseguiu apoderar-se de uma arma, disparou contra os soldados e tentou fugir mas caiu baleado mortalmente. Olderico, que havia disparado logo na chegada dos soldados, não para enfrentá-los, mas para avisar a Zequinha e Lamarca, escondidos em mata próxima, foi baleado mas sobreviveu à prisão e às torturas. Dias depois, um grupo de camponeses viu Zequinha e Lamarca a 300 quilômetros de Brotas. Estavam famintos. O capitão, com asma, não conseguiu remédios e se encontrava bastante debilitado. Os camponeses ajudaram-nos mas denunciaram sua presença à polícia. No dia 17 de setembro de 1971, a tropa cercou-os. Foram metralhados juntos e seus corpos expostos como troféus em Brejinhos. Depois desapareceram. Olderico Barreto, irmão sobrevivente, afirma que não há qualquer registro de onde eles possam ter sido enterrados, se é que o foram. No dia 14 de junho de 2003, um grupo de militantes do movimento sindical e popular de Osasco criou o Instituto Socialismo e Democracia José Carlos Barreto - Zequinha Barreto, com o objetivo de divulgar as idéias socialistas e a trajetória dos militantes que deram sua vida pela causa. Participam do Instituto pessoas de várias correntes políticas. Ele é um espaço de incentivo e apoio às lutas dos trabalhadores e do povo. Ali se desenvolvem, ainda, atividades culturais: teatro, música, dança, pintura, etc. Tem um acervo de 5 mil livros à disposição do povo. A biblioteca tem o nome de Arcênio Rodrigues da Silva, que foi militante do Partido Operário Comunista (POC) e participou das lutas de 68 junto com Zequinha de quem era amigo pessoal. Fonte: textos compilados por Márcio Amêndola de Oliveira, coordenador do Núcleo de Memória Operária e Popular do Instituto Zequinha Bazrreto. Sítio: ww.zequinhabarreto.org.br Endereço postal: Praça Joaquim dos Santos Ribeiro, 265, bairro Km 18 - Osasco (SP), CEP: 06190-210. Fone: (11)3695.0661 José Levino, historiador =================================================================================================================== Outras Informações. Maio de 1968, na Praça da Sé 10 10UTC maio 10UTC 2011 O dia em que trabalhadores e estudantes arrancaram o governador biônico do palanque da ditadura e gritaram por liberdade e revolução *Márcio Amêndola Neste primeiro de maio completaram-se 43 anos da grande manifestação dos trabalhadores na Praça da Sé de 1968, que foi um marco na luta contra a Ditadura e os chamados 'pelegos' sindicais aliados aos patrões, que aderiram ao golpe civil-militar brasileiro. Em Osasco havia um fortíssimo reduto de trabalhadores que, juntamente com os estudantes e lideranças católicas de esquerda resistiam e travavam nas ruas a luta contra o regime de opressão que se abatera sobre o País. No ano anterior, 1967, José Campos Barreto (Zequinha) e José Ibrahim participavam ativamente da Oposição Sindical, que acabou levando Ibrahim à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, com o apoio da FNT (Frente Nacional do Trabalho). Zequinha Barreto na Praça da Sé, no 1º de Maio de 1968 Em trecho do livro "Zequinha Barreto, Um Revolucionário Brasileiro", os episódios que levaram à preparação do protesto de 1º de Maio é relatado: "No final do ano de 67, em novembro, forma-se o M.I.A. (Movimento Intersindical Anti-Arrocho) em São Paulo, e o pessoal de Osasco adere em massa, porém com uma proposta ainda mais independente e radical, numa perspectiva militante e revolucionária. A experiência do M.I.A. durou poucos meses, mas numa de suas assembléias, em dezembro de 1967, José Ibrahim e os representantes de Osasco (a própria assembléia foi feita em Osasco) propõem uma 'Carta de Princípios', na qual havia uma proposta arrojada: a da criação de uma Central Única de Trabalhadores que se encarregaria de uma grande campanha contra o achatamento salarial nas diversas categorias de trabalhadores. O grupo também defendia a aliança entre estudantes e trabalhadores e propunha que o 1º de Maio do ano seguinte fosse marcado por protestos e boicote às festas promovidas pelos sindicatos pelegos. E veio o 1º de Maio de 1968, que marcou a história de Osasco, de São Paulo e do País. Decididos a repudiar a 'festa' que a ditadura e o governador 'biônico' (nome dado aos Governadores indicados pela Ditadura Militar, sem eleições) Roberto de Abreu Sodré haviam preparado em conjunto com os sindicatos pelegos, os estudantes e trabalhadores de Osasco realizaram uma ação de sabotagem da festa preparada pela ditadura na Praça da Sé. O sindicato de Osasco teve uma participação significativa no boicote ao evento oficial da ditadura. Em primeiro lugar, trabalhou a unidade das oposições sindicais para um ato unificado. Em segundo lugar, preparou uma intervenção com a esquerda e seus aliados, desde a logística de mapeamento da Praça da Sé, seus lugares de entrada e saída, trabalho feito pelo grupo de Osasco, e a criação de um grupo de autodefesa, com 60 barras de ferro embrulhadas em jornal. A chegada do grupo de Osasco na Praça foi decisiva para romper o cordão de isolamento. Abreu Sodré e os pelegos sindicais, pouco antes da expulsão do palanque armado na Praça da Sé, no 1º de Maio de 1968 A tomada e a queima do palanque foram decisões acertadas com os estudantes de São Paulo. Escondidos entre os trabalhadores presentes ao evento, o grupo de Osasco, acompanhado por outros membros da Oposição Sindical em São Paulo, iniciou um tumulto em frente ao palanque, quando o governador já estava no local. Abreu Sodré, seus assessores, os sindicalistas pelegos e até a polícia, foram todos expulsos do palanque. A ação decisiva de Zequinha Barreto e de seu companheiro Neto garantiram a evacuação dos pelegos e o uso da palavra por Zequinha e outros companheiros, que exigiram o fim da ditadura, apoio à revolução cubana, o fim do arrocho salarial e apoio à greve de Contagem (MG). Em seguida, após a destruição do palanque, todos saíram em passeata, liderados por Zequinha Barreto e outras lideranças. Mais de 1.500 trabalhadores e estudantes rumaram da Sé à Praça da República. No caminho, gritavam as palavras de ordem: 'Abaixo a Ditadura' e outras expressões contra o regime militar. Várias fachadas de Bancos e empresas estrangeiras foram destruídas com pedradas. Ao chegar na Praça da República, o grupo ouviu vários discursos. O mais inflamado foi Zequinha Barreto, que provavelmente pela primeira vez em público no Brasil naquele período, conclamou os trabalhadores e estudantes do País a enfrentarem a ditadura através da luta armada. Naquela época, Zequinha já tinha uma vida dupla, exercendo algumas atividades na clandestinidade, como a preparação da grande greve dos trabalhadores de Osasco, que seria realizada pouco depois. Segundo um de seus companheiros mais queridos, Jesse Navarro (Zequinha viria a usar um nome na clandestinidade, 'Jesse', em sua homenagem), uma vez, ao discutir com Zequinha, que preferia a ação direta, sem se submeter a um partido ou direção, Zequinha defendeu a luta armada como justa na autodefesa do povo: "Nós temos é que partir para a luta armada. A justa violência do oprimido contra a violência do opressor", afirmou Barreto. Segundo uma descrição da OSM-SP (Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo) publicada no site do Instituto Zequinha Barreto, os acontecimentos do 1º de Maio na Sé ocorreram resumidamente assim: "No início do ato uma chuva de pedras cai sobre o palanque. À frente da ofensiva dos trabalhadores estava Zequinha Barreto dos Metalúrgicos de Osasco. Waldemar Rossi lembra que alguns companheiros da Empresa Lassen, onde trabalhava, ajudaram a incendiar o palanque. A 'rataiada', após se refugiar na catedral, foi para o Sindicato dos Metalúrgicos, presidido pelo pelego Joaquinzão, para lamber as feridas e a desmoralização. Os militantes da OSM-SP seguiram em passeata pela rua XV de Novembro até a República. Foi um ato de afirmação da independência de classe". A tomada do palanque no 1º de Maio na Sé e a agressão ao governador biônico de São Paulo foram alguns dos fatos que levaram à edição do AI-5 (Ato Institucional número cinco) em dezembro de 1968, mandando para a clandestinidade a maioria daqueles jovens e idealistas estudantes e trabalhadores, muitos dos quais que, como Zequinha Barreto, deram suas vidas ou perderam a liberdade para colocar um fim à ditadura. Durante a passeata puxada por Zequinha e seus companheiros, entre a Sé e a Praça da República, relatos de companheiros que sobreviveram àqueles tempos duros dão conta de algumas das palavras de ordem gritadas pelos estudantes e trabalhadores, entre as quais: "Só a luta armada derruba a ditadura!". Este seria o caminho sem volta de Zequinha Barreto e outros camaradas após aquele fatídico ano de 1968. (*Márcio Amêndola - Graduando em História, USP / Coordenador de Memória e Documentação Histórica do Instituto Socialismo e Democracia José Campos Barreto / Editor do Jornal Fato Expresso Online =============================================================================================== Livro do José Campos Barreto « Instituto Zequinha Barreto zequinhabarreto.org.br/?page_id=155 - Em cacheSimilares José Campos Barreto, Zequinha, nasceu em Brotas de Macaúbas, Bahia, em 02 de outubro de 1946. No ano de 2008, portanto, ele faria 62 anos de idade. ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110823/a00fc57a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5525 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110823/a00fc57a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14594 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110823/a00fc57a/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 13033 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110823/a00fc57a/attachment-0002.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 36576 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110823/a00fc57a/attachment-0003.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 23 19:54:07 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 23 Aug 2011 19:54:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_lan=E7amento_do_livro_=2268_a_ger?= =?iso-8859-1?q?a=E7=E3o_que_queria_mudar_o_mundo=22=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e Os amigos de 68 , convidam para o lançamento do livro "68 a geraçao que queria mudar o mundo". Os lançamentos ocorrerão nas datas abaixo, nessas cidades. O livro será distribuido gratuitamente. Divulguem! Compareçam Divulguem Pautem Cubram Publiquem Lançamentos - Estaremos presentes - Datas já marcadas: 24 de agosto - 11h - quarta-feira - Brasília - Semana da Anistia - Ministério da Justiça. 25 de agosto - 18h - quinta-feira - Porto Alegre UFRGS Salão Nobre da Faculdade de Direito 15 de setembro - 18h - quinta-feira - Rio de Janeiro - ALERJ 22 de setembro - 18h quinta-feira - Osasco Espaço Cultural Grande Otelo 24 de setembro - 14h - sábado - São Paulo - Memorial da Resistência - Ato Lamarca (Sena e Roque). 30 de setembro - sexta-feira - Recife - Prefeitura ( Amparo) e Caravana da Anistia. 13 de outubro - quinta-feira - Fortaleza - Associação 64-68 Anistia. Eli Ferrer organizadora. Patrocínio de Paulo Abrão da Comissão de Anistia do MJ. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110823/7e25f68c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 24 19:57:25 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 24 Aug 2011 19:57:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JORGE_ALBERTO_BASSO__________________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________-CCXXVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JORGE ALBERTO BASSO (1951 - 1976) Data e local de nascimento: 17/02/1951, Buenos Aires Filiação: Sara Santos Mota e Jorge Victor Basso Organização política ou atividade: POC Data e local do desaparecimento: 15/04/1976, em Buenos Aires Estudante brasileiro que tinha nascido em Buenos Aires, Jorge Alberto tinha sido militante do POC, no Rio Grande do Sul, e desapareceu na capital argentina em 15/04/1976. No final da década de 60, morava em Porto Alegre e participou ativamente do Movimento Estudantil gaúcho, como aluno do Colégio Estadual Julio de Castilhos. Pertenceu à direção da UMESPA - União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre Em 1971, viajou para o Chile durante o governo de Salvador Allende. Naquele país, cursou História na Universidade do Chile. Com o golpe militar que derrubou o presidente chileno em setembro de 1973, seguiu para Buenos Aires, não constando nos documentos da CEMDP mais informações sobre atividades políticas desenvolvidas a partir de então. Foi preso no dia 15/04/1976 em um hotel do centro de Buenos Aires, nunca mais sendo visto. Na época, uma Carta da Amnesty International, datada de 01/06/1978 abordou o seu desaparecimento: "argentino-brasileiro, Jorge Basso, estudante que desapareceu na Argentina após ter sido oficialmente detido juntamente com o jornalista suíço Luc Banderet, em abril de 1976. O jornalista foi mais tarde posto em liberdade, e temos tentado localizá-lo, ora no México onde se encontra, na esperança de que este confirme os detalhes que já conhecemos e nos forneça fatos novos sobre a prisão e desaparecimento. Amigos de Jorge Basso acreditam que este esteja preso na prisão de segurança máxima, a Unidad Penal Numero 6, Carcel de Rawson, na Província argentina de Chubut. Todos os mandados de habeas-corpus impetrados em seu favor foram, como tem sido, negados pelos tribunais argentinos. Nos arquivos secretos do DOPS/SP, com carimbo de 1972 e a anotação manuscrita "Equipe do Dr. Haroldo", foi encontrado um documento contendo referência a Jorge Alberto Basso. A Comissão de Representação Externa para os Mortos e Desaparecidos Políticos, da Câmara dos Deputados, quando esteve em Buenos Aires, em junho de 1993, recebeu a informação de que Jorge teria sido visto na Penitenciária de Rawson. No Relatório do Ministério da Marinha, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, consta sobre Jorge a seguinte informação: preso em um hotel no Centro de Buenos Aires... (DOU n° 60 de 28/03/81 - DOU/SP). Pela internet é possível acessar, hoje, no endereço www.pontodevista.jor.br o seguinte depoimento de um colega de Jorge Basso em Porto Alegre, que assina o texto como WU na edição 23 do blog: "Militei com Jorge Basso (nome de guerra 'Felipe'), tanto no Movimento Estudantil como, posteriormente, nas portas das fábricas de Porto Alegre, em incansáveis tentativas de organizar células de base do POC (Partido Operário Comunista). 'Felipe' era um dos integrantes da Coordenação Regional Operária, grupo responsável por todo o trabalho de base da organização. Distribuíamos um jornal (mimeografado) de nome Resistência Operária, quase todo escrito por nós mesmos, com notícias das lutas dentro das fábricas. 'Felipe' foi talvez, pelo menos aqui no Sul, um dos poucos militantes a, de fato, entrar para uma fábrica metalúrgica na condição de operário. Perseguido em nosso país, ele foi para o Chile. Estudava história na Universidade do Chile mas, com o golpe militar contra o governo Allende, Jorge Basso seguiu para Buenos Aires, onde morava seu avô. O governo era de Isabelita Perón. Durante algum tempo, sem sofrer qualquer tipo de perseguição, escrevia para jornais da Europa, em especial para periódicos da Suíça. Com o golpe militar e a posse do general Rafael Videla, sua situação mudou; pois, quase que imediatamente, passou a ser procurado. Sua mãe, Sara Basso, a partir de algumas poucas informações, vasculhou Buenos Aires durante um mês, porém não conseguiu nenhuma pista sobre o que de fato aconteceu com 'Felipe'. Ele se dizia - e era - um intelectual orgânico da classe operária. Ia para as portas das fábricas. Estudava muitas horas por dia. Tinha sempre um livro dentro de uma velha pasta, da qual nunca se separava. Contando um pouco de sua história às novas gerações, homenageamos um brasileiro internacionalista que acreditava na possibilidade de construirmos um mundo mais justo. (wu)". Na CEMDP, o requerimento apresentado por sua família foi indeferido porque Jorge desapareceu na Argentina e não foi possível localizar depoimentos ou documentos que efetivamente comprovassem a participação, direta ou indireta, de agentes do Estado brasileiro nesse caso. ================================================================================================================================ + Informações. JORGE ALBERTO BASSO Militante do PARTIDO OPERARIO COMUNISTA (POC). Desaparecido desde 1976. Viajou para o Chile em 1971, ingressando no curso de História da Universidade do Chile. Com o golpe que derrubou Salvador Allende, mudou-se para a Argentina. Preso no dia 15 de abril de 1976, em um hotel do centro de Buenos Aires, está desaparecido até hoje. A Comissão de Representação Externa para os Mortos e Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, quando esteve em Buenos Aires, em junho de 93, recebeu informações de que Jorge teria sido visto na Penitenciária de Rawson. No Relatório do Ministério da Marinha, encontra-se sobre Jorge a seguinte informação: "... preso em um hotel no Centro de Buenos Aires... (DOU n° 60 de 28/03/81 - DOU/SP)". ================================================================================================= + Detalhes. PDF] NILSON CEZAR MARIANO MONTONEROS NO BRASIL Terrorismo de Estado no ... tede.pucrs.br/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=308 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Ver em HTML Contreras, da DINA); Argentina (capitão-de-navio Jorge Casas); Bolívia (major ..... Jorge Alberto Basso: preso em 15 de abril de 1976, aos 25 anos, em ... =================================================================================================================== + Detalhes. DESAPARECIDO -------------------------------------------------------------------------- Fiz política de resistência à ditadura com Jorge Basso (nome de guerra "Felipe"), tanto no movimento estudantil como, posteriormente, nas portas das fábricas de Porto Alegre, em incansáveis tentativas de organizar células de base do POC (Partido Operário Comunista). "Felipe" era um dos integrantes da Coordenação Regional Operária, grupo responsável por todo o trabalho de base da organização. Distribuíamos um jornal (mimiografado) de nome Resistência Operária, quase todo escrito por nós mesmos, com notícias das lutas dentro das fábricas. "Felipe" foi talvez, pelo menos aqui no Sul, um dos poucos militantes, a de fato, entrar para uma fábrica metalúrgica na condição de operário. Perseguido em nosso país, ele foi para o Chile. Estudava história na Universidade do Chile mas, com o golpe militar contra o governo Allende, Jorge Basso seguiu para Buenos Aires, onde morava seu avô. O governo era de Isabelita Perón. Durante algum tempo, sem sofrer qualquer tipo de perseguição, escrevia para jornais da Europa, em especial para períodicos da Suíça. Com o golpe militar e a posse do general Rafael Videla, sua situação mudou; pois, quase que imediatamente, passou a ser procurado. Sua mãe, Sara Basso, a partir de algumas poucas informações, vasculhou Buenos Aires durante um mês, porém não conseguiu nenhuma pista sobre o que de fato aconteceu com "Felipe". Ele se dizia - e era -um intelectual orgânico da classe operária. Ia para as portas das fábricas. Estudava muitas horas por dia. Tinha sempre um livro dentro de uma velha pasta, da qual nunca se separava. Contando um pouco de sua história às novas gerações, homenageamos um brasileiro internacionalista que acreditava na possibilidade de construirmos um mundo mais justo. (wu) Jorge Alberto Basso, gaúcho, militante do POC (Partido Operário Comunista), preso em um hotel de Buenos Aires, em 15 de abril de 1976. Provavelmente foi jogado ao mar, ainda vivo. Nome de guerra, no POC, Felipe. -------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------- Em 15 de abril de 2007 completou-se 31 anos do desaparecimento de Jorge Basso. =============================================================================================================== Ficha Pessoal. Jorge Alberto Basso Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Jorge Alberto Basso Universidade Universidade do Chile Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Operário Comunista POC Brasil Prisão: 15/4/1976 Buenos Aires Argentina Hotel no centro da cidade Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/4/1976 Buenos Aires Argentina Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Artigo de jornal Deputados vão ao Chile apurar desaparecidos. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 2 jun. 1993. Tortura no Chile, Correio Braziliense, Brasília, 2 jun. 1993. Chiaretti, Marco. Argentina já tem pista de um brasileiro desaparecido em 76. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 1993. Os dois primeiros artigos citam a ida a Santiago do Chile, em 06/93, do presidente da Comissão Externa para os Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, deputado Nilmário Miranda (PT/MG), e do também deputado Roberto Valadão (PMDB/ES), o qual perdeu um irmão na Guerrilha do Araguaia em 1973 (Arildo Valadão). Os deputados foram em busca de informações de cinco desaparecidos políticos brasileiros no Chile, junto à Corporación Nacional de Reparación y Reconciliación: Túlio Quintiliano, Vânio Matos, Luiz Carlos de Almeida, Nelson Kohl e Jane Vanini, sendo que apenas os dois primeiros tiveram suas mortes reconhecidas pelo Governo do Chile. O terceiro artigo cita a ida destes deputados a Argentina, onde obtiveram informações sobre o desaparecido político em 08/76, Walter Kenneth Nelson Fleury, além de Jorge Alberto Basso e Roberto Rascado Rodrigues. Não foram encontradas notícias do músico Tenório Jr. (Francisco Tenório Júnior) e de outros três desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1980. Relatório Documento do arquivo do DOPS/SP, com carimbo de 1972 e a anotação manuscrita "Equipe do Dr. Haroldo". Contém relação de membros constituintes das seguintes organizações: Ala Vermelha, Ação Libertadora Nacional (ALN), Ação Popular (AP), Fração Bolchevique Trotskysta, Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), Movimento 26 de Março (MR-26), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Operário Comunista (POC), VAR-Palmares e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Constam os nomes de Luiz Eurico Tejera Lisboa (ALN), João Carlos Haas Sobrinho e José Huberto Bronca (PC do B) e Jorge Alberto Basso (POC). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110824/a1490e09/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6177 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110824/a1490e09/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6177 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110824/a1490e09/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 24 19:57:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 24 Aug 2011 19:57:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Depoimentos_das_testemunhas_na_segunda?= =?utf-8?q?_a=C3=A7=C3=A3o_movida_contra_o_torturador__CARLOS_ALBER?= =?utf-8?q?TO_BRILHANTE_USTRA?= Message-ID: <951A47D2130F43308C856424EE9E7EA9@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Vilemar F.Costa Seguem anexos os depoimentos das testemunhas na segunda ação movida contra o Ustra pela família Merlino. PODER JUDICIÁRIO SÃO PAULO 20ª Vara Cível Central Processo nº 583.00.2010.175507-9 ANGELA MARIA NENDES DE ALMEIDA e REGINA MARIA MERLINO DIAS DE ALMEIDA X CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA 1ª TESTEMUNHA DAS AUTORAS Nome: ELEONORA MENICUCCI DE OLIVEIRA (qualificada nos autos) TESTEMUNHA COMPROMISSADA E INQUIRIDA PELA MMª JUÍZA DE DIREITO, NA FORMA E SOB AS PENAS DA LEI, RESPONDEU: MMª JUÍZA: Eu tenho aqui alguma menção à senhora no processo; a senhora esteve na OBAN em mil novecentos e setenta ou mil novecentos e setenta e um? DEPOENTE: Sim. MMª JUÍZA: O que significa OBAN? DEPOENTE: Operação Bandeirantes. MMª JUÍZA: Operação Bandeirante? A senhora esteve lá e encontrou lá com o Sr. Luís Eduardo? O viu lá? DEPOENTE: Primeiro, boa tarde. MMª JUÍZA: Boa tarde! DEPOENTE: Fui presa em onze de julho com o então meu marido, Ricardo Prata Soares; e ficamos na Operação Bandeirantes uma média de sessenta a sessenta e cinco dias. Estive sim com o Luís Eduardo Merlino e ouvia ele sendo barbaramente torturado. MMª JUÍZA: Quem batia nele? Quem o torturava? DEPOENTE: Existiam três equipes: equipes A, B e C, e essas equipes se alternavam por turno. MMª JUÍZA: As equipes era formadas por quantas pessoas? DEPOENTE: Variava, variava. Todas as equipes muito disciplinadas e muito agressivas. MMª JUÍZA: A senhora viu o General Ustra por lá? DEPOENTE: Vi. MMª JUÍZA: E ele estava junto com alguma dessas equipes? DEPOENTE: Desde o dia que eu fui presa, o que me impressionou, eu tinha uma filha de um ano e dez meses? MMª JUÍZA: Com relação ao Seu Luiz Eduardo. DEPOENTE: Chegarei lá se possível. Eu vi o Coronel Ustra. E no momento da prisão do Senhor Luiz Eduardo da Rocha Merlino eu já estava presa. Numa madrugada eu fui chamada, retirada da cela e fui a uma sala chamada sala de tortura, onde tinha um Pau-de-Arara e a Cadeira-do-Dragão. Neste Pau-de-Arara estava o Luís Eduardo da Rocha Merlino, nu, já com uma enorme ferida nas pernas, numa das pernas era maior. E eu fui torturada na Cadeira-do-Dragão. Neste momento eu vi o Luís Eduardo Merlino, eu assisti à tortura, sendo torturada, e vi o Coronel Ustra entrar na sala e sair. MMª JUÍZA: Entrou viu e assistiu? DEPOENTE: Sim. Entrou na sala, assistiu. MMª JUÍZA: Não falou nada? Ficou um tempo lá? DEPOENTE: É, não sei precisar o tempo que ele permaneceu na sala. A outra oportunidade o outro momento em que o vi foi no momento que existiu uma ameaça de tortura de minha filha; e ele entrava na sala e fazia assim, assim, assim (a depoente faz sinais de afirmativo e negativo com o polegar direito, alternadamente) dizendo positivo ou negativo, para os torturadores da equipe MMª JUÍZA: Nessa mesma ocasião, quando estava lá o Senhor Luiz Eduardo? DEPOENTE: Sim, sim. Foram dois ou três dias muito fortes. Eu tinha vinte e três anos? vinte e quatro?, e tenho plena convicção que o Coronel Ustra não só participava mas ele autorizava as torturas para mais ou para menos. Eu Acho importantíssimo esse momento em que estamos aqui, consignar, em função do resgate total da verdade. MMª JUÍZA: O Senhor Luiz Eduardo ficou mau, pior e teve que ser levado ao hospital? A senhora também viu isso? DEPOENTE: Esse machucado que vi foi gangrenando, segundo?, porque a cela das mulheres era separada da dos homens. E o Luís, por informações dadas pelos carcereiros, ele estava na cela forte junto com o Guido. E depois um silêncio absoluto, não se falava mais nele. E depois, novamente se falava que ele tinha falecido e, na realidade, ele não morreu, ele foi assassinado. Ele foi levado para o hospital, não sei dizer para a senhora qual era o hospital, porque a mim não cabia. Eu estava no outro lado com outro registro. E depois do silêncio, uma total informação de que ele tinha falecido por gangrena na perna. Então, a gangrena na perna levou a ser amputada a perna; ele voltou para a OBAN e depois foi retirado morto da OBAN MMª JUÍZA: NADA MAIS. Nada mais. Lido e achado conforme, vai devidamente assinado. Eu, ________________, Lilian de Oliveira Melo Poma Boga, escrevente-estenotipista, estenotipei, transcrevi e subscrevi. Em 02 de agosto de 2011, e assino. 2ª TESTEMUNHA DAS AUTORAS Nome: LAURINDO MARTINS JUNQUEIRA FILHO (qualificado nos autos) TESTEMUNHA COMPROMISSADA E INQUIRIDA PELA MMª JUÍZA DE DIREITO, NA FORMA E SOB AS PENAS DA LEI, RESPONDEU: MMª JUÍZA: O senhor também estava na OBAN? DEPOENTE: Sim. MMª JUÍZA: Que idade o senhor tinha, então? DEPOENTE: Vinte e seis anos. MMª JUÍZA: Quando foi isso? DEPOENTE: Mil novecentos e setenta e um. MMª JUÍZA: O senhor lembra a data em que o senhor foi preso? DEPOENTE: Eu me lembro que foi? no dia dezesseis de julho, se não me engano. MMª JUÍZA: Junto com a Dona Eleonora ou não? DEPOENTE: Sim, sim, sim. MMª JUÍZA: Lá o senhor viu o Seu Luiz Eduardo? DEPOENTE: Sim. MMª JUÍZA: Quando o senhor o encontrou ele estava bem? DEPOENTE: Absolutamente! Ele estava sendo torturado, numa sessão de tortura e todo lesado. MMª JUÍZA: O senhor assistiu o momento que ele estava sendo torturado? DEPOENTE: Ele me fez um relato de que havia sido torturado e que me haviam enviado para me convencer a eu falar o que sabia, pra interromper minha tortura. E que ele, por ter sido torturado, não tinha agüentado a tortura e tinha relevado o endereço que pediram pra ele. MMª JUÍZA: O senhor sabe qual foi a participação do requerido, o Senhor Brilhante Ustra nessa tortura? Ele participou diretamente? Ele disse para o senhor? DEPOENTE: Ustra era o Comandante da unidade e assistiu minha tortura, assistiu a tortura do meu companheiro que estava comigo. Ele não viu o Luiz Eduardo sendo torturado, mas ele era o Comandante da unidade de tortura e orientava essa tortura pessoalmente. MMª JUÍZA: Isso o senhor assistiu acontecer? DEPOENTE: Eu assisti comigo. MMª JUÍZA: Mas o Luiz Eduardo comentou que com ele também aconteceu isso: do Ustra estar lá na hora? DEPOENTE: Sim, sim. Eu gostaria de acrescentar mais uma informação. Posso falar? MMª JUÍZA: Claro. DEPOENTE: Após o contato com o Luiz Eduardo, eu recebi informações de um soldado do exército, que prestava serviço na Unidade da OBAN, de que o Luiz Eduardo tinha morrido, tinha sido torturado durante a noite. E esse soldado, de suposto nome Washington, de cor negra, veio até mim e falou que o Luiz Eduardo tinha morrido de gangrena nas pernas; tinha sido conduzido para um passeio ? foi a expressão que ele usou ? na madrugada, e que tinha sido várias vezes atropelado por um caminhão que prestava serviços para a Unidade da OBAN. Isso teria se repetido tantas vezes que os órgãos dele tinham sido decepados pelo caminhão. Então, esse foi o relato feito pelo soldado que prestava assistência aos presos nas celas, era militar; não sei com que intenção ele me fez esse relato, se era me forçar a falar o que eu sabia. Mas, de fato, o relato ocorreu. REPERGUNTAS DO ADVOGADO DAS AUTORAS: MMª JUÍZA: Esses fatos que foram relatados, do caminhão indo e voltando, ocorreram dentro da unidade? DEPOENTE: Sim, perfeitamente. Ele disse que o Luiz Eduardo foi conduzido do presídio da OBAN já morto para esse passeio, com um caminhão que servia a Unidade da OBAN. E que isso tinha ocorrido? MMª JUÍZA: Em alguma estrada por aí? DEPOENTE: Ele não citou onde teria sido, mas, em outras palavras, teriam simulado um acidente de trânsito com ele, como se tivesse havido uma fuga. Na realidade a morte dele não foi intencional, não teria sido prevista. MMª JUÍZA: NADA MAIS. Nada mais. Lido e achado conforme, vai devidamente assinado. Eu, ________________, Lilian de Oliveira Melo Poma Boga, escrevente-estenotipista, estenotipei, transcrevi e subscrevi. Em 02 de agosto de 2011, e assino. 3ª TESTEMUNHA DAS AUTORAS Nome: LEANE FERREIRA DE ALMEIDA (qualificada nos autos) TESTEMUNHA COMPROMISSADA E INQUIRIDA PELA MMª JUÍZA DE DIREITO, NA FORMA E SOB AS PENAS DA LEI, RESPONDEU: MMª JUÍZA: A senhora também esteve presa em setenta, setenta e um? DEPOENTE: Sim. MMª JUÍZA: Quando a senhora foi presa? DEPOENTE: Em quinze de julho de mil novecentos e setenta e um. MMª JUÍZA: E lá a senhora encontrou com o Luiz Eduardo, na OBAN? DEPOENTE: Eu ouvi os gritos do Luis Eduardo durante três dias, durante o período que as equipes comandadas pelo Major Ustra o torturaram. MMª JUÍZA: A senhora viu o senhor Ustra lá fazendo alguma coisa? DEPOENTE: Ele me torturou pessoalmente desde o primeiro dia. MMª JUÍZA: Ele pessoalmente com relação à senhora? DEPOENTE: Eu fui a primeira militante que estava atuando a ser presa, do nosso grupo. A esperança do Ustra e suas equipes é que eu tivesse grandes informações a dar. Então, ele participou pessoalmente da tortura desde a hora em que cheguei na OBAN, no dia quinze. MMª JUÍZA: E com relação ao seu Luiz Eduardo, também a senhora tem essa notícia de que ele participou diretamente na tortura dele? DEPOENTE: Ele passou a ser torturado a partir do momento em que ele chegou. E eu fui tirada da sala de tortura para o Luiz Eduardo Merlino entrar. MMª JUÍZA: E lá estava o Ustra, na sala de tortura? DEPOENTE: Estava o Ustra. A coisa principal que ele estava fazendo naquele dia era torturar as pessoas que poderiam levar a uma pessoa que ele procurava muito fortemente; e era em código, eu não entendia o que ele dizia, ele pronunciava repetidamente: ?Hiroaki Toigoy, Hiroaki Toigoy!?. Ele gritava esse nome pessoalmente enquanto ele era torturado no Pau-de-Arara. Parece um código, mas era o nome de um militante. O objetivo dele era chegar aos militantes. Quando eu não tive essa informação pra dar, o Luiz Eduardo foi preso e passou a ser torturado na mesma sequência e sala que eu, durante três dias consecutivos. Todos os presos escutavam os gritos dele incessantemente, até sua retirada da Operação Bandeirantes, desacordado e colocado no porta-malas de um carro. Isso foi visto por mim, no pátio do Presídio Bandeirantes, comandado pelo Major Ustra; colocado no porta-malas de um carro por quatro outros policiais da mesma equipe. Foi colocado no porta-malas do carro, desacordado. Parecia até já morto. Foi assim que eu vi o Luiz Eduardo na OBAN. REPERGUNTAS DO ADVOGADO DAS AUTORAS: MMª JUÍZA: A senhora pode explicar melhor como foi que a senhora viu e onde a senhora estava? A senhora estava onde nessa hora? DEPOENTE: Quando começaram a torturar mais fortemente o Merlino eu fui transferida para uma outra cela porque eu estava em péssimas condições físicas. Então me tiraram da carceragem onde ficavam os demais presos. Eles me levaram para a enfermaria por algumas horas; o enfermeiro fez alguns curativos nos meus ferimentos, devido ao Pau-de-Arara e à Cadeira-do-Dragão; e me levaram para uma outra cela. Eu fui várias vezes na enfermaria, mas sempre voltando para essa outra cela que ficava no primeiro andar da Operação Bandeirantes, não no térreo. Nesta cela tinha uma janela basculante e duas outras companheiras tiveram que me segurar porque a gritaria fui muito grande quando retiraram o corpo do Luiz Eduardo? MMª JUÍZA: Quem gritava? DEPOENTE: Os policiais, porque aparentemente não seria possível salvá-lo. Enfim, eles fizeram um alarido muito grande e nós nos organizamos; as duas companheiras ? eu era a menor das três ? me seguraram e eu consegui chegar até a basculante pra ver o corpo dele sendo colocado no porta-malas de um carro, jogado no porta-malas de um carro, vestido, inerte, totalmente vulnerável, por quatro homens comandados pelo Major Ustra. MMª JUÍZA: NADA MAIS. Nada mais. Lido e achado conforme, vai devidamente assinado. Eu, ________________, Lilian de Oliveira Melo Poma Boga, escrevente-estenotipista, estenotipei, transcrevi e subscrevi. Em 02 de agosto de 2011, e assino. 4ª TESTEMUNHA DAS AUTORAS Nome: PAULO DE TARSO VANUCCHI (qualificado nos autos) TESTEMUNHA COMPROMISSADA E INQUIRIDA PELA MMª JUÍZA DE DIREITO, NA FORMA E SOB AS PENAS DA LEI, RESPONDEU: MMª JUÍZA: O que o senhor tem a dizer a respeito desses fatos e da participação do senhor Ustra na tortura com relação ao Senhor Merlino? DEPOENTE: Meritíssima, eu fui preso no Doi-Codi no dia dezoito de fevereiro de setenta e um e fui levado imediatamente à presença do Comandante Ustra, que usava, então, o nome de Major Tibiriçá. Fiquei preso ali três meses, tendo contato estreito com ele; depois fui levado ao Dops, um mês e meio; uma semana de presídio Tiradentes; e retornei ao Doi-Codi na Rua Tutóia no mês de julho. E no mês de julho eu já estava iniciando o processo sub judice; respondi relatórios curtos e conheci o Merlino, que foi trazido para a porta da minha cela, no xadrez três. Rabisquei um croquis para a senhora, pra deixar para a senhora, explicando onde foi a massagem, deitado numa escrivaninha, que um enfermeiro ? conhecido como Boliviano ? fez durante uma hora na minha frente Pude conversar com o Merlino, eu era estudante de medicina e notei que ele tinha numa das pernas a cor da cianose, que é um sintoma de isquemia, risco de gangrena. E nos dias seguintes perguntei para carcereiros, sobretudo para um policial de nome Gabriel ? negro, atencioso ? o que tinha acontecido com aquele moço e ele respondeu que ele tinha sido levado para o hospital. Nos dias seguintes vi essa versão ser repetida e tinha contato com o Major Tibiriçá, cheguei a perguntar sobre isso e ele nada me respondeu. E nesse sentido eu tenho a dizer que o Major Ustra era o comandante que determinava tudo o que podia, o que devia ser feito lá e o que não tinha. MMª JUÍZA: Ele assistiu quando o senhor Merlino foi agredido? Ustra assistiu? Estava na cela? DEPOENTE: Não posso responder porque não assisti Merlino sendo agredido ou torturado. Assisti só a sessão de massagem, que era um episódio raro. Os presos torturados não eram socorridos dessa forma, tampouco em alguma situação especial de risco e emergência, que levou a essa massagem. E o semblante das respostas dos funcionário era que alguma coisa grave ali tinha acontecido. MMª JUÍZA: Nessa hora o senhor conversou com o Merlino, quando ele estava lá? DEPOENTE: Bastante. MMª JUÍZA: E ele comentou quem estava na sala? DEPOENTE: Não, não comentou. Ele estava com muita dor, com uma voz muito fraca e se limitou a responder à pergunta: ?Como você chama?? ? Ele respondeu: ?Merlino? ? Eu não entendi, entendi que fosse Merlim, e ele acenou. E o silêncio era absolutamente comum entre nós, porque nós éramos levados para as celas e não sabíamos quem eram as pessoas que nos perguntavam coisas. E poderiam não ser presos, como várias vezes ocorreu, mas pessoas do próprio sistema do Doi-Codi. REPERGUNTAS DO ADVOGADO DAS AUTORAS: MMª JUÍZA: Com relação ao senhor, houve tortura por ele? DEPOENTE: Houve no momento da minha prisão seções de tortura comandadas por ele, inclusive a decisão, no décimo dia da minha prisão, ele entra na sala e manda parar. Então, dele veio a decisão de que eu parasse de ser torturado. Um ano depois, em junho de setenta e dois, eu retornei pela sexta vez ao Doi-Codi e fui submetido a uma sessão de tortura comandada pessoalmente por ele, não mais para confissão, e, sim, porque nós estávamos em greve de fome, exigindo um tratamento compatível com a dignidade humana e com a dignidade de presos políticos. E Paulo de Tarso Venceslau e eu fomos trazidos, escolhidos entre os grevistas que eram dezenas, para sermos torturados e obrigados a nos alimentar. Não aceitamos e eu retornei à auditoria militar, à presença do Juiz Auditor Nelson da Silva Machado Guimarães, a minha Defensora Enir Raimundo Moreira, assistente do Sobral Pinto, e houve um laudo em que o próprio Juiz Auditor constatou equimoses, hematomas e essa sessão de espancamento que foi comandada pessoalmente por Ustra, em Junho de setenta e dois. MMª JUÍZA: Major Tibiriçá e Major Ustra são a mesma pessoa? DEPOENTE: Sim. MMª JUÍZA: NADA MAIS. Nada mais. Lido e achado conforme, vai devidamente assinado. Eu, ________________, Lilian de Oliveira Melo Poma Boga, escrevente-estenotipista, estenotipei, transcrevi e subscrevi. Em 02 de agosto de 2011, e assino. 6ª TESTEMUNHA DAS AUTORAS Nome: JOEL RUFINO DOS SANTOS (qualificado nos autos) TESTEMUNHA COMPROMISSADA E INQUIRIDA PELA MMª JUÍZA DE DIREITO, NA FORMA E SOB AS PENAS DA LEI, RESPONDEU: MMª JUÍZA: O senhor também esteve preso no Doi-Codi? DEPOENTE: Sim. MMª JUÍZA: Em setenta e um? DEPOENTE: Em setenta e dois. MMª JUÍZA: Quando o senhor foi pra lá? DEPOENTE: Fui pra lá nos últimos dias de dezembro de setenta e dois. MMª JUÍZA: O senhor conhecia o Merlino? DEPOENTE: Conheci muito, ele era meu amigo. MMª JUÍZA: O senhor acompanhou quando ele foi preso? DEPOENTE: Não. Eu soube depois. MMª JUÍZA: O senhor também sofreu tortura? DEPOENTE: Sofri. MMª JUÍZA: Quem tomava conta disso? DEPOENTE: O mandante era o Comandante Ustra. MMª JUÍZA: Ele participava diretamente das seções de agressão? DEPOENTE: No meu caso sim, no meu caso sim; seções de choques elétricos, tapas? REPERGUNTAS DO ADVOGADO DAS AUTORAS: MMª JUÍZA: As equipes lá do Doi-Codi, parece que havia mais de uma equipe? O senhor sabe disso? DEPOENTE: Havia mais de uma equipe. MMª JUÍZA: Eles comentavam alguma coisa com o senhor a respeito do Merlino? DEPOENTE: Principalmente um torturador, o Oderdan, ele me relatou como foi a tortura do Merlino. Quer que eu conte isso? MMª JUÍZA: Nós estamos mais interessados em saber quem foi que torturou, essa é a nossa idéia; saber se o Coronel, ou Major Ustra estava na sala quando ele foi torturado. DEPOENTE: Pela versão que me deu esse torturador, ele estava presente e comandou a tortura sobre o Merlino. E decidiu ao final se amputava ou não a perna do Merlino. A versão que recebi foi essa, que o Merlino, depois de muito torturado, foi levado ao hospital e de lá telefonam, se comunicam com o Comandante Ustra pra saber o que fazer. Ele disse para deixar morrer. MMª JUÍZA: Ah! Não amputou? DEPOENTE: Não amputou, nessa versão. MMª JUÍZA: Ele, então, morreu no hospital? DEPOENTE: No hospital. MMª JUÍZA: Ele foi para o hospital, voltou pra lá e foi de novo, ou ele já foi para o hospital e ficou? DEPOENTE: Isso não sei. MMª JUÍZA: Não sabe essa sequência? DEPOENTE: Não. MMª JUÍZA: NADA MAIS. Nada mais. Lido e achado conforme, vai devidamente assinado. Eu, ________________, Lilian de Oliveira Melo Poma Boga, escrevente-estenotipista, estenotipei, transcrevi e subscrevi. Em 02 de agosto de 2011, e assino. ****************************** Luiz Eduardo Merlino, repórter do Jornal da Tarde, entrou como preso no DOI-CODI e, quatro dias depois, estava irremediavelmente morto, antes de completar 23 anos. Na noite de 15 de julho de 1971, ele dormia na casa da mãe, em Santos, quando foi despertado por três homens em trajes civis, armados com metralhadoras. ?Logo estarei de volta?, disse Merlino, tentando tranqüilizar a mãe e a irmã. Nunca mais voltou. Merlino passou a madrugada e o dia seguinte na sala de tortura. Ao lado ficava a solitária, conhecida como ?X-Zero?, uma cela quase totalmente escura, com chão de cimento, um colchão manchado de sangue e uma privada turca. O único preso do lugar, Guido Rocha, ouvia os gritos e gemidos de Merlino, submetido a sessões continuadas de tortura pelas três turmas de agentes que se revezavam em turnos de oito horas no DOI-CODI para preservar o ritmo da pancadaria ao longo do dia. Horas depois, arrastado pelos torturadores, ele foi jogado na ?X-Zero?. Estava muito machucado, as duas pernas dormentes pelas horas pendurado no pau-de-arara. Para ir à privada, Merlino precisava ser carregado por Guido. Estava tão debilitado que, no lugar da usual acareação com outro preso na sala de tortura ao lado, Merlino teve o ?privilégio? de ser acareado na própria ?X-Zero?. Na manhã do dia 17, o enfermeiro da Equipe A de Ustra arrastou uma mesa até o pátio para onde se abriam sete celas. O carcereiro carregou Merlino até a mesa improvisada, onde o enfermeiro, com bata branca, calças e botas militares, colocou-o de bruços para massagear as pernas. Quando lhe tiraram o calção, os presos viram que as nádegas de Merlino estavam esfoladas. Os presos das celas 2 e 3 o ouviram dizer que fora torturado toda a noite e que suas pernas não o obedeciam mais. Um dos detidos, Rui Coelho, seria anos depois vice-diretor da Faculdade de Filosofia da USP. De volta ao ?X-Zero?, Merlino foi submetido pelo enfermeiro ao teste de reflexo no joelho e na planta do pé. Nenhum respondeu. Tudo o que ele comia, vomitava. Havia sangue no vômito. Guido deu uma pêra a Merlino, que lhe fez um apelo: ?Chame o enfermeiro, rápido! Eu estou muito mal?, disse Merlino, agora com os braços também dormentes. O companheiro bateu na porta, gritou por socorro. O enfermeiro voltou, com outras pessoas identificadas por Guido como torturadores. Merlino foi transferido para o Hospital Geral do Exército. No dia 20, pela manhã, o PM Gabriel contou aos presos do DOI-CODI de Ustra que Merlino morrera na véspera. ?Problemas de coração?, disse. Às 20h daquele mesmo dia, dona Iracema Merlino recebeu um telefonema de um delegado do DOPS com uma versão menos caridosa: seu filho, contou o policial, matou-se ao se jogar embaixo de um carro na BR-116, ao escapar da escolta que o levava a Porto Alegre. O corpo do jornalista foi entregue à família num caixão fechado. Dois anos depois, ainda preso no DOI-CODI, o historiador Joel Rufino dos Santos ouviu de um de seus torturadores, o agente Oberdan, esta versão: ?O Merlino não morreu como vocês pensam. Ele foi para o hospital passando mal. Telefonaram de lá para dizer: ?Ou cortamos suas pernas ou ele morre?. Fizemos uma votação. Ganhou ?deixar morrer?. Eu era contra. Estou contando porque sei que vocês eram amigos?. O laudo do IML, assinado por dois médicos legistas, apontava como causa da morte ?anemia aguda traumática por ruptura da artéria ilíaca direita?, e finalizava com uma suposição nada científica: ?Segundo consta, foi vítima de atropelamento?. Amigos de Merlino acorreram ao local do suposto atropelamento, e não encontraram nenhum vestígio do acidente. Não houve registro policial, o atropelador não deixou pistas. A censura impediu a notícia da morte de Merlino. Só no dia 26 de agosto de 1971 é que O Estado de S.Paulo conseguiu vencer a barreira, publicando o anúncio fúnebre para a missa de 30? dia na Catedral da Sé. Quase 800 jornalistas compareceram ao culto na Sé, cercada por forte aparato policial, que incluía agentes com metralhadoras infiltrados até no coro da igreja. Esta é a história que José Sarney vai ouvir no tribunal. A estória que o coronel Ustra contará é a mesma de sempre e foi antecipada por ele, no início do mês, num site de ex-agentes da repressão e nostálgicos da treva, o Ternuma, abreviatura de ?Terrorismo Nunca Mais?. Esta é a delirante, cândida versão de Ustra: ?Ao voltar [da França, Merlino] foi preso e, depois de interrogatórios, foi transportado em um automóvel para o Rio Grande do Sul, a fim de ali proceder ao reconhecimento de alguns contatos que mantinha com militantes. Na rodovia BR-116, na altura da cidade de Jacupiranga, a equipe de agentes que o transportou parou para um lanche ou um café. Aproveitando uma distração da equipe, Merlino, na tentativa de fuga, lançou-se na frente de um veículo que trafegava pela rodovia. Se bem me lembro, não foi possível a identificação que o atropelou. Faleceu no dia 19/7/1971, às 19h30, na rodovia BR-116, vítima de atropelamento?. Um parágrafo adiante, Ustra concede: ?Hoje, quarenta anos depois, se houve ou não tortura, é impossível comprovar?. Assim, só cuspindo marimbondos de fogo para confiar na versão de uma equipe tão distraída do mais temido DOI-CODI do país e para acreditar na repentina agilidade física de um preso capaz de correr para uma rodovia federal e incapaz de alcançar a privada da masmorra pela paralisia das pernas destroçadas no pau-de-arara. Nem o imortal José Sarney, autor de 22 livros, três deles romances, conseguiria produzir ficção tão ordinária, tão sórdida, tão indecente. No Tribunal de Justiça de São Paulo, a partir desta semana, um ex-presidente da República poderá apressar (ou não) o seu melancólico final de carreira. Acreditando no inacreditável e defendendo o indefensável, José Sarney encontrou, enfim, o roteiro e o personagem que podem levá-lo definitivamente ao brejal da desmemória, da inverdade e da injustiça. Pensando bem ? pensando no presidente e no torturador, no ?coronel? e no coronel ?, Sarney e Ustra bem que se merecem! O Brasil e os brasileiros é que não mereciam isso. *Luiz Cláudio Cunha é jornalista. -- (85) 9937 2697 - 3088 8380 SERVIÇOS INFORMATICA HTTP://VIAPOESE.BLOGSPOT.COM HTTP://SACODETEXTOS.BLOGSPOT.COM A LIBERDADE É MAIS FORTE QUE O MEDO - REI HARALD V, DA NORUEGA ********************* O que sei é tão volátil e quase inexistente que fica entre mim e eu. Clarice Lispector *************** ... Não serei domesticado, / Pelos rebanhos / Da terra. / Morrerei inocente / Sem nunca ter /Descoberto / O que há de bem e mal / De falso ou certo / No que vi.? Roberto Piva ------------------ -------------------- Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade.? (F Nietzsche) ************* Uma vida sem o pensar é possível, mas ela fracassa em fazer a sua própria essência - Uma vida sem pensamento não é apenas sem sentido, ela não é totalmente viva. Homens que não pensam são como sonâmbulos. HannaArendt *********** Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der." C. G. Jung ****************************************************************************** __._,_.___ | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico Mensagens neste tópico (1) Atividade nos últimos dias: Visite seu Grupo "A esperança tem duas filhas ousadas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las". Quem quer fazer encontra um meio,ou meios de realizar coisas,quem não quer fazer arranja obstâculos ou desculpas. DIFERENÇA ENTRE MONARQUIA E REPÚBLICA - Estado e Governo são coisas diferentes. Na Monarquia ocorre a separação entre o Estado, que é permanente, e o Governo, que é transitório. O Imperador é o Chefe do Estado; o Primeiro Ministro é o Chefe do Governo. O Imperador não governa: ele é o "Quarto Poder" - um moderador e um árbitro neutro, isento, colocado acima das lutas partidárias e da influência dos grupos econômicos.De um lado, estão as pessoas físicas, insatisfeitas com a destinação dos impostos arrecadados e determinadas a cobrar investimentos em áreas como saúde, educação, etc. De outro, as pessoas jurídicas impossibilitadas de crescer devido aos altos encargos e à falta de infra-estrutura. Unidas, elas buscam o pleno exercício de um de seus principais direitos, a cidadania, e a construção de um Brasil melhor. A oposição possibilitava se: o chefe permanente das oposições estava no trono, ao logo desta linha, Rainha Elisabette, declarou: "MINHA FUNÇÃO, É DEFENDER O MEU POVO DE SEUS GOVERNOS". http://www.brasilimperial.org.br/ http://www.causaimperial.org.br/ http://www.monarquia.org.br/portal/ http://partidomonarquista.ning.com/ http://www.slide.com/r/yIcUfVXM0D9msnxUEZ2V205V6Jc5Z9f4?previous_view=TICKER&previous_action=TICKER_ITEM_CLICK&ciid=3314649326027453496 "O objetivo dos Governos é sempre o mesmo: limitar o indivíduo, domesticá-lo, subordiná-lo e subjugá-lo". (Max Stirner) Pessoas sábias falam sobre idéias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas. Trocar para: Só Texto, Resenha Diária ? Sair do grupo ? Termos de uso. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110824/0ef40e7a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 25 20:06:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 25 Aug 2011 20:06:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LU=CDS_ALBERTO_ANDRADE_DE_S=C1_E_BENE?= =?iso-8859-1?q?VIDES___e___MIRIAM_LOPES_VERBENA______________-CCXX?= =?iso-8859-1?q?VII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem LUÍS ALBERTO ANDRADE DE SÁ E BENEVIDES (1942-1972) Data e local de nascimento: 28/9/1942, em João Pessoa (PB) Filiação: Jerusa Andrade de Sá e Benevides e José Estácio de Sá e Benevides Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 08/03/1972 em Caruaru (PE) MIRIAM LOPES VERBENA (1946-1972) Data e local de nascimento: Irituia-Guamá (PA) em 11/02/1946 Filiação: Joaquina Lopes da Cunha Verbena e Alfredo Lopes Verbena Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 08/03/1972 em Caruaru (PE) Dirigente nacional do PCBR, Luís Alberto tinha sido funcionário do Banco do Estado da Guanabara e estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro até 1969. Depois das inúmeras prisões que atingiram o PCBR no Rio de Janeiro a partir de 1970, vários de seus integrantes foram deslocados para atuar no Nordeste, entre eles Luís Alberto. Miriam Verbena, também militante do mesmo partido, era professora e, quando morreu, estava grávida de oito meses. Luís Alberto e Miriam eram casados e as circunstâncias das suas mortes ainda seguem recobertas de mistério e dúvidas: acidente rodoviário ou assassinato? A versão oficial é de que eles morreram em decorrência de um acidente de carro, conforme informações encontradas nos arquivos do DOPS/PE. Documento da Comissão de Familiares, elaborado por Iara Xavier Pereira após minuciosa pesquisa revela que o acidente foi causado pela perseguição ao casal de militantes. Eis o resumo do documento: "Em 24/02/1972 Luís Benevides esteve em Cachoeirinha (PE) para obter um certificado de alistamento militar com documentação falsa em nome de 'José Carlos Rodrigues'. Os depoimentos da responsável da Junta do Serviço Militar, Jaidenize, mudaram a cada vez em que foram prestados. Na última vez, em 04/03/98, fez questão de afirmar que Luís Benevides não estivera com ela no dia 08/03/1972 na Junta Militar, em Cachoeirinha. Nesse dia o carro do casal saiu da pista e capotou do lado direito da rodovia, no sentido Cachoeirinha - São Caetano. A razão da viagem era dar continuidade ao processo de obtenção do Certificado de Alistamento Militar para Luís Benevides. Pelo sentido de direção, eles já haviam passado em Cachoeirinha. Não se pode deixar de considerar a hipótese, portanto, de a repressão ter sido avisada do provável retorno de Luís Benevides à Junta Militar, após ter dado entrada do pedido, no dia 24/02/1972, ou seja, desconfiada de alguma coisa, Jaidenize pode ter informado ao coronel Geraldo Isaias de Macedo, de Belo Jardim, sobre o pedido de Luís Benevides e o seu retorno marcado para 8 de março do mesmo ano. Nessa hipótese, Luís Benevides e Miriam Verbena, ao chegar em Cachoeirinha, podem ter sido perseguidos na BR 234 (hoje BR 423), o que pode ter gerado o acidente, premeditadamente ou não. A versão apresentada no inquérito policial por Ernesto Máximo não condiz com os fatos. Ele diz que viu um carro acidentado com pessoas feridas e não parou para prestar socorro, tendo avisado ao posto e à delegacia. Naquela época, não era costume, em um local como aquele, as pessoas não pararem para prestar socorro. Não se sabe quem socorreu e transportou Luís Benevides e Miriam Verbena para o hospital. O depoente e o delegado dizem que foram os patrulheiros, mas não informaram os nomes deles. O patrulheiro que saiu do posto para o local do acidente só encontrou o carro. Os feridos já tinham sido retirados". O relatório registra outros depoimentos levantando aspectos intrigantes como a forte presença de policiais no hospital para onde os corpos foram removidos, e principalmente, a informação de que a morte de Luís Alberto e Miriam ocorreu no bojo de uma seqüência de prisões de militantes do PCBR em Pernambuco. Os corpos foram enterrados no cemitério Dom Bosco, em Caruaru, com os nomes falsos de José Carlos Rodrigues e Miriam Lopes Rodrigues, nas covas de números de 1.538 e 1.139, respectivamente. Outro aspecto bastante misterioso está ligado à denuncia apresentada em 1991 pelo deputado estadual Jorge Gomes, na Assembléia Legislativa de Pernambuco, informando que dois anos após o enterro, as ossadas haviam sido recolhidas da sepultura, encontrando-se desaparecidas desde então. O relator do processo na CEMDP recomendou indeferimento: "o fato é que não há uma evidência concreta de que as vítimas foram eliminadas ou que estavam sob o domínio de agentes do poder público. Há dúvidas, suspeitas, suposições. Tecnicamente, contudo, ainda não há uma hipótese indiciária que leve ao reconhecimento da Lei nº 9.140/95". Em 2002, com a promulgação da Lei nº 10.559, a família de Luís Alberto entrou com novo processo na CEMDP, que seria novamente indeferido em 2005. O relator, entretanto, ponderou dessa vez que, "ante a notícia de desaparecimento dos despojos mortais, que inequivocamente haviam sido enterrados no Cemitério Dom Bosco, entendo que devemos adotar as providências necessárias e possíveis para a localização dos restos mortais de Luís Alberto e Miriam, e/ou para a punição dos responsáveis pelo desaparecimento, se doloso, desses restos mortais. Assim, voto no sentido de que dossiê selecionado com as principais peças destes autos seja encaminhado para: o senhor governador Jarbas Vasconcelos, à época dos fatos combativo deputado estadual, mencionado nos autos como autor de denúncias de atrocidades ocorridas durante o regime militar; e ao Dr. Francisco Sales de Albuquerque, dd. Procurador Geral da Justiça de Pernambuco. Acompanhando o dossiê deverá seguir ofício subscrito pelo presidente da CEMDP solicitando as providências necessárias para a recuperação dos restos mortais e punição dos responsáveis". Os documentos foram encaminhados, mas nenhuma resposta foi enviada à CEMDP. ======================================================================================================================= + Informações. LUÍS ANDRADE DE SÁ E BENEVIDES Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Funcionário do Banco do Estado da Guanabara e estudante de Ciências Sociais. Morto no dia 8 de março de 1972, em Caruaru, Pernambuco, ao ser perseguido por agentes da Polícia Federal. Juntamente com Luís Andrade, foi assassinada Miriam Lopes Verbena. As pesquisas do DOPS-PE indicam que os dois morreram em acidente de carro. MÍRIAM LOPES VERBENA Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Foi morta no dia 8 de março de 1972, juntamente com Luís Andrade de Sá e Benevides, perto de Caruarú, em Pernambuco, por agentes da Polícia Federal. Pesquisas no DOPS/PE indicam que morreram em decorrência de acidente de carro. =============================================================================================== + Informações. (do livro Habeas Corpus) LUÍS ALBERTO ANDRADE DE SÁ E BENEVIDES (1942-1972) Natural de João Pessoa, na Paraíba, e radicado no Rio de Janeiro, era dirigente nacional do PCBR. Tinha sido funcionário do Banco do Estado da Guanabara e estudante de Ciências Sociais até 1969. Depois das inúmeras prisões que atingiram a organização no Rio de Janeiro, a partir de 1970, vários de seus integrantes foram deslocados para atuar no Nordeste, entre eles Luís Alberto. Sua mulher, Miriam Verbena, também militante do PCBR, quando morreu, estava grávida de oito meses. As circunstâncias das mortes de Luís Alberto e Miriam ainda seguem recobertas de mistério e dúvidas. A versão oficial é de que morreram em acidente de carro, conforme informações encontradas nos arquivos do Dops/PE. Documento da Comissão de Familiares, elaborado por Iara Xavier Pereira, revela que o acidente é suspeito: Luís Benevides e Miriam Verbena, ao chegar em Cachoeirinha, podem ter sido perseguidos na BR 234 (hoje BR 423), o que pode ter gerado o acidente, premeditadamente ou não. A versão apresentada no inquérito policial por Ernesto Máximo não condiz com os fatos. Ele diz que viu um carro acidentado com pessoas feridas e não parou para prestar socorro, tendo avisado ao posto e à delegacia. Naquela época, não era costume, em um local como aquele, as pessoas não pararem para prestar socorro. [...] O patrulheiro que saiu do posto para o local do acidente só encontrou o carro. Os feridos já tinham sido retirados. O relatório registra outros depoimentos levantando aspectos intrigantes, como a forte presença de policiais no hospital para onde os corpos foram removidos. Além disso, esse episódio ocorreu no bojo de uma sequência de prisões de militantes do PCBR em Pernambuco. Os corpos foram enterrados no cemitério Dom Bosco, em Caruaru, com os nomes falsos de José Carlos Rodrigues e Miriam Lopes Rodrigues, nas covas de números 1.538 e 1.139, respectivamente. Mas denúncia apresentada em 1991 pelo deputado estadual Jorge Gomes, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, informa que, dois anos após o enterro, as ossadas haviam sido recolhidas da sepultura, encontrando-se desaparecidas desde então. MIRIAM LOPES VERBENA (1946-1972) Paraense de Irituia-Guamá, Miriam era professora e militante do PCBR, mesmo partido de seu marido, Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides. Quando morreu, estava grávida de oito meses. Depois das prisões que atingiram o PCBR no Rio de Janeiro a partir de 1970, vários de seus integrantes foram deslocados para o Nordeste, entre eles Miriam Verbena e Luís Alberto. As circunstâncias de suas mortes ainda seguem recobertas de mistério e dúvidas, se foi acidente rodoviário ou assassinato. A versão oficial é de que eles morreram em acidente, conforme informações encontradas nos arquivos do Dops/PE. Porém, um documento da Comissão de Familiares ressalta: Luís Benevides e Miriam Verbena, ao chegarem em Cachoeirinha, podem ter sido perseguidos na BR 234 (hoje BR 423), o que pode ter gerado o acidente, premeditadamente ou não. A versão apresentada no inquérito policial por Ernesto Máximo não condiz com os fatos. Ele diz que viu um carro acidentado com pessoas feridas e não parou para prestar socorro, tendo avisado ao posto e à delegacia. Naquela época, não era costume, em um local como aquele, as pessoas não pararem para prestar socorro. O relatório registra outros depoimentos levantando aspectos intrigantes como a forte presença de policiais no hospital para onde os corpos foram removidos e, principalmente, a informação de que as mortes de Verbena e seu marido ocorreram no bojo de uma sequência de prisões de militantes do PCBR em Pernambuco. Os corpos foram enterrados no cemitério Dom Bosco, em Caruaru, com os nomes falsos de José Carlos Rodrigues e Miriam Lopes Rodrigues, nas covas de números 1.538 e 1.139, respectivamente. Mas denúncia apresentada em 1991 pelo deputado estadual Jorge Gomes, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, informa que, dois anos após o enterro, as ossadas haviam sido recolhidas da sepultura, encontrando-se desaparecidas desde então. =========================================================================================== Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides Atividade: Bancário e estudante universitário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro Revolucionário PCBR Brasil Nome falso: (Codinome) José Carlos Rodrigues Morto ou Desaparecido: Morto 8/3/1972 Caruaru PE Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Federal PF Brasil Biografia Documentos Folheto Folheto por ocasião dos 20 anos do desaparecimento de Ezequias Bezerra da Rocha, produzido pela Comissão de Pesquisa e Levantamento dos Mortos e Desaparecidos Políticos e pelo Grupo Tortura Nunca Mais/PE, os quais estendem a homenagem a Miriam Lopes Verbena e Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides. Apresenta trecho da declaração prestada por Guilhermina Bezerra da Rocha, esposa de Ezequias, a familiares destes, após ter sido libertada do DOI-CODI/PE: foi presa junto com Ezequias no dia 11/03/72 ficando na cela enquanto ele foi interrogado e torturado. Viu-o ser levado para a cela ao lado completamente ensangüentado, quando pôde trocar algumas palavras com ele pela última vez. Segundo o histórico relatado neste folheto, Ezequias era opositor ao regime militar, mas tinha idéias pacifistas. Fez o curso de Geologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPe), concluído em 1968. Em 09/03/72, Miriam Lopes Verbena, sua amiga de infância, pediu-lhe emprestado seu Fusca. Ela e seu marido, Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides, eram ativistas políticos e faziam parte de um partido político de oposição ao regime militar. Ocorreu um acidente com o carro e ambos morreram. Depois disso, a irmã de Miriam foi presa e em seguida Ezequias e Guilhermina. Dois dias após o desaparecimento de Ezequias, um corpo totalmente mutilado com sinais de tortura foi encontrado em outra cidade. Apesar das características se assemelharem às de Ezequias, a família não pôde identificar o cadáver pois a polícia dizia tratar-se de pessoa já identificada por outra família (mas esta família e o local onde foi enterrado o corpo não foram encontrados). Guilhermina voltou então para sua cidade de origem no Piauí, vindo a falecer num estranho desastre automobilístico, em 09/77, sendo a única vítima fatal do acidente. Em 03/91, foi instituída a Comissão de Pesquisa e Levantamento dos Mortos e Desaparecidos Políticos, que analisou, entre centenas de prontuários do DOPS de Recife, PE, os de Ezequias, Guilhermina, Miriam e Luís Alberto, confirmando que as impressões digitais encontradas no cadáver que a família foi impedida de identificar eram mesmo de Ezequias, o qual passou da lista dos desaparecidos para a dos mortos políticos. Inclui foto de rosto de Ezequias. Míriam Lopes Verbena Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Míriam Lopes Verbena Dados da Militância Organização: (na qual militava) Partido Comunista Brasileiro Revolucionário PCBR Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 8/3/1972 Caruaru PE Brasil Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia Federal PF Brasil Biografia Documentos Folheto Folheto por ocasião dos 20 anos do desaparecimento de Ezequias Bezerra da Rocha, produzido pela Comissão de Pesquisa e Levantamento dos Mortos e Desaparecidos Políticos e pelo Grupo Tortura Nunca Mais/PE, os quais estendem a homenagem a Miriam Lopes Verbena e Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides. Apresenta trecho da declaração prestada por Guilhermina Bezerra da Rocha, esposa de Ezequias, a familiares destes, após ter sido libertada do DOI-CODI/PE: foi presa junto com Ezequias no dia 11/03/72 ficando na cela enquanto ele foi interrogado e torturado. Viu-o ser levado para a cela ao lado completamente ensangüentado, quando pôde trocar algumas palavras com ele pela última vez. Segundo o histórico relatado neste folheto, Ezequias era opositor ao regime militar, mas tinha idéias pacifistas. Fez o curso de Geologia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPe), concluído em 1968. Em 09/03/72, Miriam Lopes Verbena, sua amiga de infância, pediu-lhe emprestado seu Fusca. Ela e seu marido, Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides, eram ativistas políticos e faziam parte de um partido político de oposição ao regime militar. Ocorreu um acidente com o carro e ambos morreram. Depois disso, a irmã de Miriam foi presa e em seguida Ezequias e Guilhermina. Dois dias após o desaparecimento de Ezequias, um corpo totalmente mutilado com sinais de tortura foi encontrado em outra cidade. Apesar das características se assemelharem às de Ezequias, a família não pôde identificar o cadáver pois a polícia dizia tratar-se de pessoa já identificada por outra família (mas esta família e o local onde foi enterrado o corpo não foram encontrados). Guilhermina voltou então para sua cidade de origem no Piauí, vindo a falecer num estranho desastre automobilístico, em 09/77, sendo a única vítima fatal do acidente. Em 03/91, foi instituída a Comissão de Pesquisa e Levantamento dos Mortos e Desaparecidos Políticos, que analisou, entre centenas de prontuários do DOPS de Recife, PE, os de Ezequias, Guilhermina, Miriam e Luís Alberto, confirmando que as impressões digitais encontradas no cadáver que a família foi impedida de identificar eram mesmo de Ezequias, o qual passou da lista dos desaparecidos para a dos mortos políticos. Inclui foto de rosto de Ezequias. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110825/28a51cb5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 5097 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110825/28a51cb5/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/bmp Size: 59346 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110825/28a51cb5/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 25 20:06:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 25 Aug 2011 20:06:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_MUNDO_=C0_BEIRA_DO_CAOS___por__?= =?iso-8859-1?q?__Miguel_Urbano_Rodrigues?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem O MUNDO À BEIRA DO CAOS Miguel Urbano Rodrigues A crise do capitalismo é tão profunda que até os líderes dos EUA e da União Europeia e os ideólogos do neoliberalismo assumem essa realidade. Estão alarmados por não enxergarem uma solução que possa deter a corrida para o abismo. Esforçam-se sem êxito para que apareça luz no fim do túnel. Apesar das contradições existentes, os EUA e as grandes potências da União Europeia puseram fim às guerras interimperialistas - como a de 1914-18 e a de 1939-45 - substituindo-as por um imperialismo colectivo, sob a hegemonia norte-americana, que as desloca para países do chamado Terceiro Mundo submetidos ao saque dos seus recursos naturais. Mas a evolução da conjuntura mundial demonstra também com clareza que a crise do capital não pode ser resolvida no quadro de uma «transnacionalizao global», tese defendida por Toni Negri e Hardt no seu polémico livro em que negam o imperialismo tal como o definiu Lenine. Entre os EUA e a União Europeia (e os países emergentes da Ásia e da América Latina) existe um abismo histórico que não foi nem pode ser eliminado em tempo previsível. A crescente internacionalização da gestão não desemboca automaticamente na globalização da propriedade. O Estado transnacional, a que aspiram uma ONU instrumentalizada, o FMI, o Banco Mundial e a OMC é ainda uma aspiração distante do sistema de poder.* O caos em que o mundo está cair ilumina o desespero do capital perante a crise pela qual é responsável. A ascensão galopante da direita neoliberal ao governo em países da União Europeia ressuscita o fantasma da ascensão do fascismo na Republica de Weimar. A Historia não se repete porem da mesma maneira e é improvável que a extrema-direita se instale no Poder no Velho Mundo. Mas a irracionalidade do assalto à razão é uma realidade. O jogo do dinheiro nas bolsas é hoje muito mais importante na acumulação de gigantescas fortunas do que a produção. O papel dos «mercados» - eufemismo que designa o funcionamento da engrenagem da especulação nas manobras do capital - tornou-se decisivo no desencadeamento de crises que levam à falência países da União Europeia. Uma simples decisão do gestor de «uma agência de notação» pode desencadear o pânico em vastas áreas do mundo. O surto de violência em bairros degradados de Londres, Birmingham, Manchester e Liverpool alarma a Inglaterra de Cameron e motiva nas televisões e jornais ditos de referência torrentes de interpretações disparatadas de sociólogos e psicanalistas que falam como porta-vozes da classe dominante. Em Washington, congressistas influentes manifestam o temor de que, o «fenómeno britânico» alastre aos EUA e, nos guetos das suas grandes cidades, jovens latinos e negros imitem os das minorias da Grã Bretanha, estimulados por mensagens e apelos no Twitter e no Facebook. Mas enquanto a pobreza e a miséria aumentam, incluindo nos países mais ricos, a crise não afecta os banqueiros e os gestores das grandes empresas. Segundo a revista «Fortune», as fortunas de 357 multimilionários ultrapassam o PIB de vários países europeus desenvolvidos. Nos EUA, na Alemanha, na França, na Itália os detentores do poder proclamam que a democracia política atingiu um patamar superior nas sociedades desenvolvidas do Ocidente. Mentem. A censura à moda antiga não existe. Mas foi substituída por um tipo de manipulação das consciências eficaz e perverso. Os factos e as notícias são seleccionados, apresentados, valorizados ou desvalorizados, mutilados e distorcidos, de acordo com as conveniências do grande capital. O objectivo é impedir os cidadãos de compreender os acontecimentos de que são testemunhas e o seu significado. Os jornais e as cadeias de televisão nos EUA, na Europa, no Japão, na América Latina dedicam cada vez mais espaço ao «entretenimento» e menos a grandes problemas e lutas sociais e ao entendimento do movimento da Historia profunda. Os temas impostos pelos editores e programadores - agentes mais ou menos conscientes do capital - são concursos alienantes, a violência em múltiplas frentes, a droga, o crime, o sexo, a subliteratura, o quotidiano do jet set, a vida amorosa de príncipes e estrelas, a apologia do sucesso material, as férias em lugares paradisíacos, etc. Evitar que os cidadãos, formatados pela engrenagem do poder, pensem, é uma tarefa permanente dos media. As crónicas de cinema, de televisao, a musica, a critica literária reflectem bem a atmosfera apodrecida do tipo de sociedade definida como civilizada e democrática por aqueles que, colocados na cúpula do sistema de poder, se propõem como aspiração suprema a multiplicar o capital. Em Portugal surgiu como inovação grotesca um clube de pensadores; os debates, mesas redondas e entrevistas com dóceis comentadores, mascarados de «analistas», são insuportáveis pela ignorância, hipocrisia e mediocridade da quase totalidade desses serventuários do capital. Contra-revolucionários como Mario Soares, António Barreto, Medina Carreira, Júdice; formadores de opinião como Marcelo Rebelo de Sousa, um intoxicador de mentes influenciáveis que explica o presente e prevê o futuro como se fora o oráculo de Delfos; jornalistas his master voice, como Nuno Rogeiro e Teresa de Sousa; colunistas arrogantes que odeiam o povo português e a humanidade, como Vasco Pulido Valente, pontificam nos media imitando bruxos medievais, servindo o sistema em exercícios de verborreia que ofendem a inteligencia. O Primeiro-ministro e o seu lugar-tenente Portas, exibindo posturas napoleónicas, pedem «sacrifícios» e compreensão aos trabalhadores enquanto, submissos, aplicam o projecto do grande capital e cumprem exigências do imperialismo. Desde o inicio do primeiro governo Sócrates, o que restava da herança revolucionaria de Abril foi mais golpeado e destruído do que no quarto de século anterior. Ao Portugal em crise exige- se o pagamento de uma factura enorme da crise maior em que se afunda o capitalismo. Nos EUA, pólo hegemónico do sistema, o discurso do Presidente Obama, despojado das lantejoulas dos primeiros meses de governo, aparece agora como o de um político disposto a todas as concessões para permanecer na Casa Branca. A sua ultima capitulação perante o Congresso estilhaçou o que sobrava da máscara de humanista reformador. Para que o Partido Republicano permitisse aumentar de dois biliões de dólares o tecto de uma divida publica astronomica- já superior ao Produto Interno Bruto do país - aceitou manter intocáveis os privilégios indecorosos usufruídos por uma classe dominante que paga impostos ridículos e golpear duramente um serviço de saúde que já era um dos piores do mundo capitalista. A contrapartida da debilidade interior é uma agressividade crescente no exterior. Centenas de instalações militares estadounidenses foram semeadas pela Ásia, Europa, América Latina e África. Mas «a cruzada contra o terrorismo» não produziu os resultados esperados. As agressões americanas aos povos do Iraque e do Afeganistão promoveram o terrorismo em escala mundial em vez de o erradicar. Crimes monstruosos foram cometidos pela soldadesca americana no Iraque e no Afeganistão. O Congresso legalizou a tortura de prisioneiros. A «pacificação do Iraque», onde a resistência do povo à ocupação é uma realidade não passa de um slogan de propaganda. No Afeganistão, apesar da presença de 140 000 soldados dos EUA e da NATO, a guerra está perdida. Os bombardeamentos de aldeias do noroeste do Paquistão por aviões sem piloto, comandados dos EUA por computadores, semeiam a morte e a destruição, provocando a indignação do povo daquele país. O bombardeamento da Somália (onde a fome mata diariamente milhares de pessoas) por aviões da USAF, e de tribos do Iémen que lutam contra o despotismo medieval do presidente Saleh tornou-se rotineiro. Como sempre, Washington acusa as vítimas de ligações à Al Qaeda. Na África, a instalação do AFRICOM, um exército americano permanente, e a agressão da NATO ao povo da Líbia confirmam a mundialização de uma a estratégia imperial. O terrorismo de Estado emerge como componente fundamental da estratégia de poder dos EUA. Obviamente, Washington e os seus aliados da União Europeia, tentam transformar o crime em virtude. Os patriotas que no Iraque, no Afeganistão, na Líbia resistem às agressões imperiais são qualificados de terroristas; os governos fantoches de Bagdad e Kabul estariam a encaminhar os povos iraquiano e afegão para a democracia e o progresso; o Irão, vítima de sanções, é ameaçado de destruição; o aliado neofascista israelense apresentado como uma democracia moderna. A perversa falsificação da Historia é hoje um instrumento imprescindível ao funcionamento de uma estratégia de poder monstruosa que, essa sim, ameaça a Humanidade e a própria continuidade da vida na Terra. O imperialismo acumula porem derrotas e os sintomas do agravamento da crise estrutural do capitalismo são inocultáveis. O capitalismo, pela sua própria essência, não é humanizável. Terá de ser destruído. A única alternativa que desponta no horizonte é o socialismo. O desfecho pode tardar. Mas a resistência dos povos à engrenagem do capital que os oprime cresce na Ásia, na Europa, na América Latina, na África. Eles são o sujeito da História e a vitoria final será sua. Vila Nova de Gaia, 15 de Agosto de 2011 *Estes temas são tratados em profundidade pelo economista argentino Claudio Katz num livro a ser editado brevemente -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110825/8c03d03c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 26 20:30:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 26 Aug 2011 20:30:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_JORGE_OSCAR_ADUR___e___LORENZO_ISMAEL_V?= =?iso-8859-1?q?I=D1AS______________________________-CCXXVIII-?= Message-ID: <1082CD6960AD4BFB9FBB3CE9EA48C1D7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JORGE OSCAR ADUR (1932 - 1980) Filiação: Juana Dominga Bernachea e Manuel Adur Data e local de nascimento: 19/03/1932 em Nogoyá/Argentina Organização política ou atividade: Religioso e Montonero Data e local do desaparecimento: julho de 1980, no Brasil Religioso argentino, veio ao Brasil em julho de 1970 para acompanhar a primeira visita que o papa João Paulo II realizou ao país. Não há outras informações sobre data e local precisos do desaparecimento. Seu registro na Conadep da Argentina tem o número 400 e seu nome integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Nascido em Nogoyá, província de Entre Rios, Argentina, tinha sido preceptor de noviços na Congregação de Religiosos de Assumpción, Chile, em 1969. Estudou no Colégio Nacional de Nogoyá e na Escuela Apostólica de los Religiosos Asuncionistas em Olivos. Os cursos de Filosofia e Teologia foram feitos no Chile. Foi um dos fundadores da Juventude Independente Católica, em 1970. Era membro da Organização de Padres do Terceiro Mundo e conselheiro de grupos paroquiais da juventude e da Ação Missionária. Era padre titular das Igrejas Paroquiais de San Isidro e Olivos, em Buenos Aires, e responsável pela Pastoral das Vocações da Argentina. Depois do golpe militar de março de 1976 na Argentina, mudou-se para a França, passando a residir na Congregação dos Religiosos Assumpcionistas, em Paris. Apresentava-se como capelão do Exército Montonero. Quando veio ao Brasil, em 1980, deveria se reunir com diferentes grupos de vários países da América Latina, particularmente cristãos engajados na luta sindical e camponesa, familiares de desaparecidos e de presos políticos argentinos e outros movimentos religiosos ou leigos que apresentariam ao Papa seu testemunho das injustiças sociais e perseguições políticas na América Latina. Desapareceu nos primeiros dias de julho de 1980, vítima da Operação Condor. ========================================================================================================================== + Informações. JORGE OSCAR ADUR (PADRE) Cidadão argentino, desaparecido no Brasil desde 1980. Nasceu em Nogoya, provincia de Entrerrios, Argentina. Preceptor de noviços na Congregação de Religiosos de Assumpción, Chile, em 1969. Membro da Organização de Padres do 3° Mundo, na Argentina e conselheiro de grupos paroquiais da juventude e da Ação Missionária da Argentina, era padre Titular das Igrejas Paroquiais de San Isidro e Olivos, em Buenos Aires e responsável pela Pastoral das Vocações da Argentina. Depois do golpe militar de 1976, na Argentina, mudou-se para a França, residindo junto à Congregação dos Religiosos Assumpcionistas, em Paris. Em junho de 1980, veio ao Brasil, por ocasião da visita do Papa João Paulo II. Deveria reunir-se com diferentes grupos de vários países da América Latina, particularmente cristãos engajados na luta sindical e camponesa, familiares de desaparecidos e de presos políticos argentinos e outros movimentos religiosos ou leigos que apresentariam ao Papa seu testemunho das injustiças sociais e perseguições políticas da América Latina. Desapareceu no Brasil, durante os primeiros dias de julho de 1980, vítima, certamente, da coordenação das forças repressivas das ditaduras latinoamericanas. ===================================================================================================== + Informações. LORENZO ISMAEL VIÑAS (1955 - 1980) Filiação: Maria Adelalda Gigli e Boris Davi Viñas Data e local de nascimento: 20/06/1955, na Argentina Organização política ou atividade: Montoneros Data e local do desaparecimento: 26/06/1980, em Uruguaiana (RS) Relator: Augustino Pedro Veit Lorenzo Ismael Viñas desapareceu no Brasil em 26/06/1980 sendo o seu caso registrado com o nº 992 na Conadep da Argentina. Era estudante universitário em Buenos Aires, onde cursava Ciências Sociais. Desde 1976 estava exilado no México com sua esposa, Cláudia Olga Romana Allegrini, que se tornou depois da redemocratização argentina uma funcionária da Subsecretaria de Direitos Humanos do Ministério do Interior daquele país. Entre 1979 e 1980, o casal já tinha retornado pela primeira vez à Argentina, onde nasceu a filha Maria Paula. No entanto, um mês após o nascimento, as perseguições e a repressão política os obrigaram a novo exílio. Seu plano era morar na Itália, onde já viviam os pais de Lorenzo. Ele embarcou em Buenos Aires num ônibus da empresa brasileira Pluma com destino ao Rio de Janeiro, no dia 26/06/1980. Um mês depois, sua esposa Cláudia percorreu o mesmo trajeto, pois os dois haviam combinado de se encontrar na capital carioca e juntos viajarem para a Itália. Ao chegar no Rio de Janeiro, Cláudia não encontrou o marido e começou imediatamente a buscar informações. Em Curitiba, sede da empresa Pluma, obteve a informação de que Lorenzo havia embarcado, mas não conseguira ir além de Uruguaiana, cidade gaúcha na fronteira com a Argentina. Nos autos, encontra-se um documento oficial contendo informações sobre o seu embarque, com o nome falso de Nestor Manuel Ayala, chegando a cruzar a fronteira do Brasil. Claudia esteve no Brasil muitas vezes, em reuniões com entidades ligadas aos Direitos Humanos e autoridades governamentais, reivindicando o reconhecimento pelo governo brasileiro dos três argentinos que não faziam parte da lista oficial dos desaparecidos: seu marido, Mônica Susana e Horacio Domingo. Lorenzo tinha também cidadania italiana, o que motivou uma ação judicial da família na Itália. Diversas gestões do Ministério do Interior da Argentina e da Subsecretaria de Direitos Humanos e Sociais foram dirigidas às autoridades brasileiras e a organismos internacionais solicitando informações sobre o paradeiro ou desaparecimento de Lorenzo. A primeira votação na CEMDP foi pelo indeferimento por estar a data fora do prazo de abrangência da Lei nº 9.140/95. Alargada a abrangência com a redação de 2002, o requerimento foi aprovado por unanimidade. ======================================================================================================================= + Detalhes. Lorenzo Ismael Viñas Desaparecido el 26/6/80 Lorenzo nació el 20 de junio de 1955, hijo de María Adelaida Gigli y Boris David Viñas. Era estudiante universitario y cursaba Ciencias Sociales. Militaba en Montoneros. Desde 1976 estaba exiliado en México con su esposa Claudia Olga Romana Allegrini. Entre 1979 y 1980 el matrimonio retorna por primera vez a la Argentina donde nace su hija María Paula. No obstante un mes después del nacimiento las persecuciones y la represión política obligan a un nuevo exilio. Sus planes eran de irse a vivir a Italia, donde ya vivían los padres de Lorenzo. Lorenzo embarcó en Buenos Aires en un ómnibus de la empresa Pluma con destino a Río de Janeiro, el día 26 de junio de 1980. Cuenta Claudia Olga Ramona Allegrini que Lorenzo viajaba en el coche Nº 7825 que el día 26 de junio de 1980 había salido desde Santa Fe a las 11:30 con rumbo a Río de Janeiro. El nombrado había adquirido el pasaje Nº 93.034, le había sido asignado el asiento Nº 11 a nombre de "Néstor Manuel Ayala" a fin de asegurar su integridad.- Su detención se produjo en Paso de los Libres el mismo día de su partida y antes de haber cruzado la frontera hacia Brasil.- Un mes después su esposa Claudia hizo el mismo trayecto, pues habían quedado en encontrarse en la capital carioca y juntos viajar a Italia. Al llegar a Río de Janeiro, Claudia no encontró a su esposo y comenzó inmediatamente a buscar información. En Curitiba, sede de la empresa Pluma, obtuvo información de que Lorenzo había embarcado mas no consiguió pasar de Uruguayana, ciudad que da con la frontera argentina. En los bus se encontró información oficial sobre su embarque, con el nombre falso de Néstor Manuel Ayala, llegando a cruzar la frontera con Brasil. Claudia estuvo varias veces en reuniones de derechos humanos, pero el gobierno brasilero adujo que su marido no formaba parte de la lista de desaparecidos. Lorenzo tenia tambien ciudadania italiana que motivo una accion judicial de la familia en Italia. Diversas gestiones en el Ministerio de Interior de la Argentina y la Subsecretaria de Derechos Humanos fueron dirigidas a las autoridades brasileras y a los organismos internacionales solicitando informaciones sobre el paradero de Lorenzo ==================================================================================================== + Informações. Quarta-feira, Janeiro 27, 2010 Vestígios da Operação Condor na fronteira da Argentina com o Brasil Escavações revelam detalhes da repressão na Operação Condor Antiga fazenda na fronteira com a Argentina foi um centro de detenção clandestino para opositores de ditaduras nos anos 70 Local passou a ser usado em 1976 para que suspeitos de atuar em grupos de esquerda pudessem ser interrogados, torturados e executados ANA FLOR ENVIADA ESPECIAL A URUGUAIANA (RS) Novas escavações em uma fazenda na fronteira entre Brasil e Argentina trouxeram à tona detalhes das atividades da repressão no fim dos anos 70 na chamada Operação Condor -ação das ditaduras militares dos países da América do Sul. A Estância La Polaca, a 15 km de Paso de Los Libres (Argentina) e às margens do rio Uruguai, foi um centro de detenção clandestino para onde eram levados opositores das ditaduras. Em dezembro, a Justiça argentina determinou nova busca de corpos no local. Acredita-se que lá possam estar enterrados militantes de esquerda. Antiga fazenda de gado, La Polaca é um local sem moradores. Sua existência como centro de detenção foi confirmada em 2005, pelo depoimento de um ex-agente de inteligência do Exército argentino, Carlos Waern. O local começou a ser usado em 1976. Para lá eram levadas pessoas suspeitas de pertencer a grupos de resistência que passavam por Uruguaiana -fronteira binacional- para ir a Brasil, Argentina e Uruguai. Segundo a pesquisadora Sabrina Steinke, da PUC-RS, de 1976 a 1978 várias fazendas foram tomadas por empréstimo na Argentina. Serviam de prisão onde os detidos eram interrogados, torturados e executados. "A prisão clandestina de estrangeiros na Argentina mostra que esses centros não serviam apenas ao governo argentino, mas sua manutenção estava relacionada à Condor." La Polaca surgiu na contraofensiva da ditadura argentina para deter montoneros, grupo de origem peronista que tentou fazer um levante contra o regime no país no final dos anos 70. Ao menos dois deles foram detidos pela Argentina em Uruguaiana -procedimento ilegal que a Condor tornou rotineiro. A partir de 1978, a Argentina passou a usar os presos, depois de torturados, como "marcadores". Tornavam-se informantes da repressão e, levados à ponte onde fica a fronteira de Libres e Uruguaiana, delatavam companheiros da esquerda que tentavam cruzar de ônibus. Lorenzo Ismael Viñas e Jorge Oscar Adur, detidos em Uruguaiana em 26 de junho de 1980, teriam sido identificados por marcadores. O desaparecimento dos dois em solo brasileiro, reconhecido pelo Brasil, é investigado pela Procuradoria da República de Uruguaiana, que pretende denunciar os responsáveis criminalmente. Segundo depoimentos, Adur teria passado por La Polaca. Copa La Polaca e os outros centros podem ter sido usados para esconder do mundo a repressão no país durante a Copa de 1978. Com o campeonato, foi necessário tirar presos ou sessões de interrogação de Buenos Aires. Em documento obtido pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre, a polícia argentina pede ajuda ao Brasil para "localizar e deter montoneros" que eram uma ameaça para a "tranquilidade" da Copa do Mundo. "A busca dessas pessoas, consideradas inimigas do governo, era feita em conjunto e sistematicamente", afirma Jair Krischke, presidente do movimento. Ministério Público investiga dois desaparecimentos na fronteira DA ENVIADA A URUGUAIANA (RS) Com base em uma ação da Justiça italiana que responsabiliza militares sul-americanos pelo desaparecimento de militantes de esquerda de origem italiana durante as ditaduras militares, o Ministério Público Federal investiga o sumiço de duas pessoas em Uruguaiana. No único inquérito aberto no país para apurar criminalmente ações do regime militar, o procurador da República da cidade, Ivan Cláudio Marx, solicitou à Polícia Federal a investigação do desaparecimento do ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas e do padre argentino Jorge Oscar Adur. Os dois sumiram no mesmo dia, em ônibus diferentes, quando cruzavam a fronteira entre Paso de Los Libres (Argentina) e Uruguaiana. Os crimes ocorreram por conta da Operação Condor. O caso de Viñas, por ser de origem italiana, faz parte do processo do país europeu. A Justiça da Itália indiciou 13 militares brasileiros. Em 2007, o país pediu ajuda ao Brasil para que os acusados ainda vivos fossem julgados. Entre eles, responsáveis à época pelo SNI (Serviço Nacional de Informações) e um ex-secretário de Segurança do Rio Grande do Sul. Tanto o caso de Viñas quanto o de Adur foram reconhecidos pelo governo brasileiro, que pagou indenização às famílias. Notícias da Folha de São Paulo, de 25 de janeiro de 2010: 1 e 2 ================================================================================================= + Informações. 03/08/2011 - 00h34 Ministério Público Federal vai à Argentina investigar Operação Condor da ditadura militar O procurador da República Ivan Claudio Marx esteve na Argentina, no último mês de julho, para investigar o desaparecimento de dois argentinos ocorrido em solo brasileiro durante a Ditadura Militar. O padre argentino Jorge Oscar Adur e o ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas teriam sido capturados por órgãos repressores brasileiros enquanto atravessavam a ponte que liga Uruguaiana à cidade argentina de Paso de los Libres, em junho de 1980. Indícios levam a crer que os argentinos, após a captura, teriam sido entregues à repressão argentina e desapareceram. As viagens de Marx integram os trabalhos para esclarecer o sequestro, alvo de uma investigação requisitada à Polícia Federal. Membro do Grupo de Trabalho "Memória e Verdade" da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, o procurador viajou a convite do representante do Consejo de la Magistratura del Poder Judicial de la Nación Argentina en la Unidad de Superintendencia para Delitos de Lesa Humanidad, Pablo Andrés Vassel. Em Buenos Aires, o procurador da República se reuniu com juízes responsáveis por causas que envolvem delitos de lesa-humanidade na Argentina e com a Procuradoría General de la Nación, "Unidad Fiscal de Coordinación y seguimiento de las causas por violaciones a los derechos humanos cometidas durante el terrorismo de Estado". Na capital argentina, Marx obteve acesso aos arquivos da Comissão Nacional Sobre o Desaparecimento de Pessoas na Argentina ("Legajos Conadep"), bem como visitou a Justiça Federal de San Martín, que conduz investigação sobre o desaparecimento das mesmas pessoas que é objeto da investigação em Uruguaiana. A viagem permitiu a Marx acompanhar a sentença do processo "Vesúbio", onde dois ex-coronéis do exército argentino foram condenados à prisão perpétua por conta de 156 crimes de lesa-humanidade cometidos em um centro de detenção clandestino durante a ditadura militar naquele país. "El Vesúbio", no distrito de Matanzas (província de Buenos Aires) abrigou presos que depois foram enviados a bases aéreas de onde seriam lançados no Oceano Atlântico nos "Voos da Morte". Na província de Corrientes, Marx acompanhou julgamento por crime de lesa-humanidade na cidade de Goya (onde inclusive testemunhou Adolfo Pérez Esquivel, arquiteto, escultor e ativista de direitos humanos argentino, agraciado com o Nobel da Paz de 1980), e se reuniu com fiscais chefes da província. A Operação Condor foi uma aliança político-militar entre os vários regimes ditatoriais da América do Sul, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile, criada com o objetivo de coordenar a repressão às dissidências políticas nesses países nas décadas de 60, 70 e 80. ============================================================================================= + Detalhes. Padre Jorge Oscar Adur Detenido-Desaparecido el 26/6/80 en Paso de los Libres/Uruguayana No te olvidamos Jorge nació el 19 de marzo de 1932 en Nogoyá, provincia de Entre Rios, hijo de Juana Dominga Bernachea y de Manuel Adur. Al momento de su secuestro era religioso e integraba la Organización Montoneros. Figura en la Conadep con el numero de registro 4000. Jorge había sido preceptor de novicios en la Congregación de Religiosos de Asuncionistas en Chile en el año 1969. Estudió en el Colegio Nacional de Nogoyá y en la Escuela Apostólica de los Religiosos Asuncionistas en Olivos, Provincia de Buenos Aires. Los cursos de Filosofía y Teología los realizó en Chile. Fue fundador de las Juventudes Independiente Católica, en 1970. Era miembro de la Organización de Padres del Tercer Mundo y consejero de grupos parroquiales de la juventud y de Acción Misionaria. Era padre titular de las Iglesias de San Isidro y Olivos, Provincia de Buenos Aires y responsable de la Pastoral de las Vocaciones en la Argentina. Después del golpe militar, se exilió a Francia, pasando a residir en la Congregación de los Religiosos Asuncionistas en Paris. Era Capellán del Ejército Montonero. Cuando viajó a Brasil en 1980 debía reunirse con diferentes grupos de varios países de América Latina, particularmente cristianos que estaban comprometidos con la lucha sindical, familiares de desaparecidos y de presos políticos argentinos y otros movimientos religiosos, luego presentarían al Papa un reclamo sobre las injusticias sociales y las persecuciones políticas en América Latina. Según sus allegados, Jorge Oscar Adur fue secuestrado el 26 de junio de 1980 en Paso de los Libres/Uruguayana cuando viajaba a Puerto Alegre, en la empresa General Urquiza, bajo el nombre de Pedro Ramón Altamirano DNI 4.066.191. Ese mismo día y en ese mismo lugar secuestran a Lorenzo Ismael Viñas quien se dirigía a Río de Janeiro en la empresa de transporte brasilera Pluma, en el autobús 7825, boleto 93034. Adur y Viñas viajaban en sendos asientos nº 11. Cuentan que ambos fueron llevados al Centro Clandestino de Detención conocido como "La Polaca", un campo de unas 40 has. ubicado a la vera del río Uruguay y a pocos kilómetros de la ciudad correntina de Paso de los Libres. El predio La Polaca fue utilizado cuando comenzaron a producirse los secuestros de militantes de la organización Montoneros que regresaban al país en el marco de los que se llamó la "contraofensiva Montonera". Por estar muy cerca de la frontera, "La Polaca" era un lugar discreto para los traslados de detenidos desde Brasil. De lo contrario había que cruzar toda la ciudad hasta llegar a la zona donde estaban los distintos regimientos. Actualmente, el Juzgado de Paso de Los Libres tiene en su poder causas que investigan secuestros sistematizados, torturas y muerte en ese predio. Silvia Tolchinsky, secuestrada y durante su cautiverio en una serie de quintas situadas en las inmediaciones de Campo de Mayo vio a Lorenzo Viñas y pudo escuchar los gritos bajo tortura de quien supone era el cura Adur. En aquella época, Paso de los Libres contaba con Aeronáutica; el Batallón y el Regimiento de Infantería del Ejército; Gendarmería; Prefectura; Policía Federal; Policía de la Provincia y el Destacamento 123 de Inteligencia. Cada uno de ellos con sus respectivos grupos de inteligencia. Presentan querella por capellán Jorge Adur desaparecido durante la dictadura - 2008 Jorge Adur, capellán del ejército montonero - el ortiba El sacerdote Jorge Adur - Algunas crónicas de Fabián Domínguez y Alfredo Sayus ================================================================================================================== + Detalhes. derechos humanos Argentina NOTICIAS del mundo "La Polaca" a estância do pavor Jair Krischke em depoimento ao Juiz Juan Oliva "Isto aqui foi uma espécie de entreposto, por onde passavam aqueles considerados subversivos, na visão dos torturadores". A afirmação é de Jair Krischke, Conselheiro Secretário do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, uma das maiores autoridades no assunto, após ter visitado "La Polaca", uma estância situada nas cercanias de Paso de los Libres, distante 15 quilômetros da cidade, a 600 metros do Rio Uruguai, proximidades da Ilha do Pacu. Segundo Jair, para La Polaca, argentinos chamados subversivos presos detidos "no Brasil, território do Rio Grande do Sul e, eventualmente brasileiros também, eram levados para aquele local (La Polaca), especialmente os brasileiros que estavam em Buenos Aires na condição de refugiados políticos e que desejavam entrar clandestinamente no Brasil pela fronteira de Libres e Uruguaiana", disse ele. O prédio, diz Jair Krischke, "é de pavor. Há um porão que, provavelmente tenha sido o local de tortura. Os elementos que se tem é de que ali funcionou um campo de concentração e de transição", garantiu. Krischke, Claudia Allegrini e o advogado Jorge Olivera na Estância La Polaca Ele garante que uma das preocupações das repressões tanto brasileiras como argentinas era de saber se esse dito "subversivo", teria contato com outros. Então seguravam a criatura, sob tortura, para ver se conseguiam capturar outro", disse ele. Desaparecidos Está em Paso de los Libres e prestou depoimento ao juiz Juan Angel Oliva, assim como Jair, Cláudia Allegrini, de 46 anos, que há exatos 25 anos, teve o marido Lorenzo Ismael Vinãs, capturado quanto tentava entrar no Brasil, para escapar da repressão Argentina. Ela disse que o marido desapareceu no dia 26 de junho de 1980, quando entrava em Uruguaiana num ônibus rumo ao Rio de Janeiro. Era da Juventude Universitária Peronista. Antes a irmã dela Maria Adelaida fora assassinada. Jair conta que o Padre Jorge Oscar Adur, foi seqüestrado em Uruguaiana no mesmo dia em que Lorenzo desapareceu. Ambos, segundo Jair, estavam marcados pela Operação Condor - uma entidade secreta entre as ditaduras do Cone Sul. Jair disse que "no final de setembro daquele ano, os dois já em Buenos Aires para onde foram levados, foram colocados no interior de um avião que decolou e os despejou no rio da Claudia observa o porão ============================================= + Informações. ''''Brasil agiu duríssimo na operação'''' Jair Krischke: fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos 29 de dezembro de 2007 | 0h 00 Moacir Assunção - O Estadao de S.Paulo Nascido em Porto Alegre, mas cidadão do mundo, como gosta de se definir, Jair Krischke, de 69 anos, tem suas digitais impressas na decisão da Justiça italiana que determinou a prisão de 140 sul-americanos ligados às ditaduras militares da região, entre os quais 13 brasileiros. Fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Krischke, um gaúcho com forte sotaque da fronteira, investigou todos os casos de desaparecimento de brasileiros em países vizinhos e de uruguaios, argentinos e chilenos no Brasil e municiou com informações o promotor italiano Giancarlo Campaldo, que pediu à Justiça de seu país a prisão dos responsáveis pela repressão no continente e pelo assassinato de pessoas de ascendência italiana. Qual o seu estado de espírito com os pedidos de prisão? É de imensa satisfação por termos chegado aonde chegamos e de grande curiosidade: quero saber como a Justiça brasileira agirá para ver alguns destes 146 facínoras na prisão, pagando por seus crimes. O senhor acredita na punição dos acusados, apesar dos problemas jurídicos que a questão tem suscitado, como, por exemplo, a impossibilidade constitucional de extradição de brasileiros? No Brasil, até hoje não molestamos nem o cabo da guarda que agiu no período. Na Argentina e Uruguai, ao contrário, altas patentes das Forças Armadas e até presidentes e ministros estão presos. Eu também participei, como testemunha, em alguns desses processos. Estou muito curioso para ver como a Justiça vai se comportar nesse caso porque ela será provocada, já que a Justiça italiana avisou que enviará o pedido de extradição e, como se sabe, a Constituição brasileira proíbe a extradição de nacionais. Essa mesma Constituição, entretanto, diz que a tortura é um crime imprescritível. Em reforma constitucional, datada de 2004, já se decidiu que a Carta brasileira incorporará como emenda os tratados internacionais assinados pelo País. O Supremo Tribunal Federal (STF) terá de decidir. Mas boa parte dos crimes não está prescrita? Tem se falado em homicídio, que estaria prescrito, mas ninguém se refere a isso e sim à tortura, crime contra a humanidade, e ao desaparecimento de pessoas, um crime continuado que continua em vigência até que se encontre o corpo. Não se extradita ninguém, mas se julga no Brasil, que tem obrigação moral de fazê-lo. Como disse o presidente do Conselho Federal da OAB, César Britto, a nossa negligência com a história nos deixou na situação de não ter moral para reclamar da decisão da Justiça italiana. Como foi a pesquisa dos casos e o posterior contato com o promotor Giancarlo Campaldo? Começamos a pesquisa há mais de 20 anos, com uma história dos argentinos Mónica Binstock e Horacio Campiglia, desaparecidos no Aeroporto do Galeão, no Rio, que não teve repercussão, mas, em junho de 1980, quando o papa João Paulo II estava no Brasil e teria uma reunião com as Mães da Praça de Maio, dois montoneros (grupo de oposição à ditadura argentina) - Lorenzo Ismael Viñas, filho de italianos, e o padre Jorge Oscar Adur - desapareceram ao entrar em território nacional. Esse caso teve muito mais repercussão. Em dezembro de 1999, fui ouvido pelo promotor, que estava na Embaixada da Itália em Buenos Aires, e lhe relatei os casos. Depois, passei para ele uma lista das autoridades que atuaram no período, o que deu origem aos pedidos de prisão. O governo brasileiro tem repetido que não participou da Operação Condor. O sr. confirma? Não é verdade. Os militares brasileiros demonstraram muita habilidade em não deixar impressões digitais, mas o Brasil agiu duríssimo. A ditadura já praticava a Operação Condor antes que ela existisse de fato, a partir da reunião de 1975. Em 1976, no Chile, o embaixador brasileiro no país, Câmara Canto, era tido como o quinto homem da junta militar que derrubou Salvador Allende. Quem é Jair Krischke Presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos Fundador do Centro Latinoamericano de Investigación, em Montevidéu Fundador do Movimento de Ex-presos e Desaparecidos Políticos do Rio Grande do Sul (Mepp) REGISTROS: "Os militares brasileiros demonstraram muita habilidade em não deixar impressões digitais" EXPECTATIVA: "Quero saber como a Justiça agirá para ver alguns destes 146 facínoras na prisão" SEM PUNIÇÃO: "No Brasil, até hoje não molestamos nem o cabo da guarda que agiu no período ================================================================================== + Informações. El capellán de Montoneros El asistente religioso y espiritual del principal grupo armado de la década del '70. En 1968 el cura Jorge Adur, luego de predicar el retiro para alumnos del colegio San Román, fue abordado por dos adolescentes, quienes le pidieron un libro de espiritualidad. Los jóvenes eran Luis Alberto Spinetta y Emilio del Guercio, quienes cursaban el mismo año, se sentaban en el mismo banco y compartían los mismos intereses por la música, la poesía, la literatura y estaban entusiasmados con armar una banda de rock, que con el tiempo se llamaría Almendra. El sacerdote, que pertenecía a la congregación de los asuncionistas, influía notablemente en la vida espiritual del colegio, ubicado en Capital Federal. También sería importante su influencia en la de la parroquia Nuestra Señora de la Unidad de Olivos, al norte del Gran Buenos Aires, y en el barrio Manuelita, de General Sarmiento. Su prédica entre pobres y militantes revolucionarios lo llevarán a convertirse en el único capellán que tuvo Montoneros. Entre pobres y guerrilleros El cura, un entrerriano ordenado durante los primeros años de la década del '60, abrazó la opción por los pobres, como pidieron los obispos en el encuentro de los obispos católicos del Celam en Medellín, con la presencia de Paulo VI. También participó del Movimiento de Sacerdotes para el Tercer Mundo, y en septiembre de 1970 estuvo presente en el funeral de los primeros montoneros muertos en un enfrentamiento con la policía: Carlos Gustavo Ramus y Fernando Abal Medina. Los dos jóvenes habían participado del secuestro y asesinato del general Pedro Aramburu, el mismo que derrocó a Juan Perón en el '56, y ordenó el fusilamiento de militares y civiles en junio del '56, durante el alzamiento peronista del general Juan José Valle. Los secuestradores, junto al resto de la incipiente organización Montoneros, se reunieron en el bar La Rueda, de William Morris, y allí se vieron enfrentados sorpresivamente con un reducido grupo de policías, produciéndose la baja de los guerrilleros. Durante la misa exequial, concelebrada por los tercermundistas Jorge Adur y Jorge Vernazza en la parroquia de San Francisco Solano, el que predicó la homilía fue el padre Carlos Mujica, amigo de los muertos, con quienes compartió retiros y trabajos de misión en el interior del país. Mujica y el antiguo confesor de Eva Perón, el padre Hernán Benítez, también presente en la misa, fueron arrestados por unas horas bajo el cargo de apología del crimen. Adur organizaba reuniones en su parroquia de la diócesis de San Isidro, y en más de una oportunidad dio refugio a militantes montoneros que estaban en la clandestinidad. Muchos de los jóvenes que se inscribían en los cursos prematrimoniales, luego utilizaban el espacio para las discusiones políticas, situación que a monseñor Justo Laguna no le caía nada bien. En 1976, luego del golpe de Estado, fue buscado intensamente por los grupos de tareas. El operativo más sangriento se llevó a cabo durante el 4 de junio de ese mismo año, con la desaparición de casi diez integrantes de la comunidad parroquial, entre ellos dos hermanos asuncionistas que fueron secuestrados de su casa en el barrio Manuelita de San Miguel (Ver La Hoja Nº 1283). Gracias a sus contactos en la cúpula eclesiástica, Adur logró huir, exiliarse y radicarse en Francia. Con la experiencia de ser perseguido, de ver morir a sus más allegados y ser exiliado, el sacerdote asumió un compromiso mayor con la guerrilla, hasta que en 1978 lo nombran capellán y director espiritual de los cuadros católicos de los Montoneros. El Cóndor sobre Adur Al finalizar 1976 la conducción de Montoneros le había mandado una carta a la cúpula eclesiástica de Argentina donde proponían la apertura al diálogo con miras al logro de una 'pacificación', pero no hubo respuesta del obispado. El "comandante" montonero Mendizábal le dirigió una carta al Papa, pero tampoco obtuvo respuesta. En 1978 la cúpula guerrillera le manda una carta al cardenal Jean Villot para informarle de que, "con el fin de animar a los católicos a unirse al Ejército Montonero, éste (sin convertirse en una entidad confesional) había establecido una capellanía y designado al padre Jorge Adur como capellán de la misma" (Comunicación oficial del Ejército Montonero al Vaticano, suplemento especial de Estrella Federal, nº 5 -agosto de 1978-, pág. 2/4). El consejo superior del Movimiento Peronista Montonero (MPM) también disponía de un sacerdote, el padre Rafael Iaccuzzi, con el mismo objeto, pero en aquel momento los montoneros no eran creíbles en los cenáculos eclesiásticos. En una carta, Adur explica que no deja los hábitos y confirma su aceptación al cargo de capellán de la guerrilla: "En esta carta quiero hacerles partícipes de mi decisión de asumir, personal y públicamente la capellanía del Ejército Montonero y responder, así, al pedido de su Comandancia.... He vivido 17 años de sacerdocio sin descansos, con los pobres y los ricos, con los oprimidos y los sin voz, hoy les anuncio con alegría que continuaré junto a los que amo, asumiendo el desafío de la hora histórica, difícil prueba para nuestro pueblo, pero seguro camino para la pacificación y la libertad. Desde la Iglesia a quien todo le debo y por la cual todo lo he perdido, comparto los destinos de los hombres que viven y mueren por los grandes intereses del pueblo...Con el convencimiento de que todo se orienta a la instauración de una paz basada en la justicia y la verdad, quiero saludar a todos los que de una manera o de otra, resisten a la sangrienta dictadura militar. En especial a los prisioneros del régimen, hombres y mujeres responsables de su misión histórica, sin olvidar particularmente a los familiares muertos, presos y desaparecidos. Con este abrazo va la certeza de la victoria final". En 1979 los Montoneros, que se consideran la vanguardia revolucionaria por excelencia sin reconocer que sus fuerzas están diezmadas, deciden enfrentarse con las Fuerzas Armadas Argentinas y ordenan una contraofensiva. Muchos de los militantes que están en el exilio vuelven al país para pelear, pero al poco tiempo son secuestrados, torturados y desaparecidos para siempre. Dentro de esa ofensiva, el cura Adur recibe la orden de entrevistarse con el Papa Juan Pablo II durante su visita pastoral a Brasil, en julio de 1980. Adur llega a Brasil, desconociendo la existencia del Plan Cóndor, a través del cual las Fuerzas Armadas de algunos países de América Latina intercambian información y realizan operativos conjuntos. El cura fue secuestrado, sin lograr entrevistarse con el Papa, y la Conferencia Episcopal Brasileña denunció el hecho a las autoridades, pero Adur jamás volvería a aparecer. =============================================================================== Jorge Oscar Adur (Padre) Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Jorge Oscar Adur (Padre) Cidade: (onde nasceu) Nogoya, Entrerrios País: (onde nasceu) Argentina Atividade: Religioso (Padre) Dados da Militância Nome falso: (Codinome) Fernando, Hilário, Aloysio Morto ou Desaparecido: Desaparecido 0/7/1980 Brasil Clandestinidade Dados da repressão Biografia Documentos Legislação Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes. Prata. Ele também garantiu que certamente há corpos enterrados em La Polaca. Disse que um dos comandantes da Polaca, foi conhecido por muitas pessoas em Uruguaiana, o chamado "Turco Júlio" ou "Julian Simon", ex-agente da Polícia Federal Argentina. "Este sujeito era um dos mais ferozes torturadores da Argentina. Ele tem a responsabilidade de mais de 200 casos de desaparecimentos. Conheço uma pessoa tetraplégica que foi levada de cadeira de rodas e foi torturada por ele. Esta besta humana estava aqui, operava aqui. Um homem que não tinha limites. É um dos que comandaram La Polaca", afirmou Jair Krinschke. O que foi a Operação Condor Formalizada em 1975 por sugestão do general Augusto Pinochet, interligou os aparatos de repressão do Chile, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, do Brasil e da Bolívia na perseguição a adversários políticos. A Operação Condor montou um banco de dados com os nomes dos subversivos e formou comandos policiais para caçar inimigos além das fronteiras. Empregou o terrorismo de Estado - com seqüestros, torturas, prisões, assassinatos e desaparições forçadas. O símbolo foi inspirado na ave condor. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110826/87ec2420/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 3314 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110826/87ec2420/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14736 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110826/87ec2420/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11246 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110826/87ec2420/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 26 20:31:00 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 26 Aug 2011 20:31:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Hoje_o_Conselho_de_Seguran=C3=A7a_da_O?= =?utf-8?q?NU_se_reuniu_para_discutir_o_apelo_da_Palestina_para_se_?= =?utf-8?q?tornar_o_194=C2=BA_pa=C3=ADs_do_mundo=2E__ASSINE!?= Message-ID: Avaaz.org - The World in ActionCarta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alice Jay - Avaaz.org Caros amigos, Hoje o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir o apelo da Palestina para se tornar o 194º país do mundo. No entanto, governantes de países de destaque ainda estão em cima do muro. Somente um esforço gigantesco da opinião pública pode mudar a situação. A Avaaz fez um pequeno, mas emocionante vídeo mostrando que essa proposta legítima é de fato a melhor oportunidade para acabar com o beco sem saída das infinitas negociações mal-sucedidas e abrir um novo caminho para a paz. Clique para assistir o vídeo, assine a petição e, em seguida, encaminhe para todos: www.avaaz.org/mepeacepo Enquanto a violência se espalha novamente e as tensões sobem no Oriente Médio, uma nova proposta de independência da Palestina ganha fôlego em todo o planeta. Se conseguirmos a aprovação dessa proposta na ONU, ela poderá significar um novo caminho para a paz. Porém, os chefes de governo de países de destaque ainda estão em cima do muro e para convencê-los a apoiar a independência da Palestina precisamos reforçar a pressão da opinião pública. Muita gente acha que não entende a situação suficientemente bem para se mobilizar. Para ajudar, a Avaaz fez um novo vídeo de curta duração contando a verdade sobre o conflito. Se uma quantidade suficiente de pessoas assistir ao vídeo, assinar a petição e a encaminhar a todos os seus contatos, nossas lideranças serão forçadas a nos ouvir. Quase 10 milhões de membros da Avaaz estão recebendo este e-mail. Vamos mudar o teor da conversa sobre o Oriente Médio e criar um maremoto de apoio à independência da Palestina. Clique no link abaixo para assistir ao vídeo, assine a petição e, em seguida, encaminhe este e-mail a todos os seus contatos: http://www.avaaz.org/po/middle_east_peace_now/?vl Enquanto a maioria dos palestinos e israelenses querem uma solução para o conflito baseada em dois Estados, o governo extremista de Israel continua aprovando a construção de assentamentos em áreas contestadas, alimentando ódio e massacres. Apesar dos esforços, décadas de negociações para a paz lideradas pelos EUA fracassaram na tentativa de refrear os inimigos da paz e chegar a um acordo. Hoje, essa proposta de independência poderia ser a melhor oportunidade em vários anos para sair do impasse, evitar outra espiral da violência e equilibrar o campo de ação entre as duas partes em favor das negociações. No mês passado, os palestinos apresentaram sua proposta ao Conselho de Segurança. Mais de 120 países a apoiam, mas os Estados Unidos não só a rejeitam como estão enviando um claro sinal a seus aliados europeus de que qualquer apoio à proposta legítima dos palestinos dificultaria as relações bilaterais. Cabe a nós dizer às lideranças de países europeus de destaque que a opinião pública apoia esse avanço não-diplomático e não-violento e que a opinião dos cidadãos é que deveria influenciar as decisões estratégicas, e não as preferências do governo americano. Nossa campanha está explodindo em todo o mundo -- mais de 830.000 membros se juntaram ao apelo nos primeiros dias! Ela foi mencionada na primeira página de grandes veículos de notícia, citada no Conselho de Segurança da ONU e tuitada pelo próprio presidente da Palestina! Agora vamos fazer com que ela ressoe nos ouvidos das lideranças de países europeus de destaque, cujo apoio é crucial. Clique no link abaixo para assistir ao vídeo, assine a petição e, em seguida, encaminhe este e-mail a todos os seus contatos ? nossa meta é conseguir 1 milhão de assinaturas: http://www.avaaz.org/po/middle_east_peace_now/?vl Há muita falta de informação sobre o conflito entre Israel e Palestina e muita gente não se sente segura para se engajar. Mas este pequeno vídeo explica claramente os detalhes e pode nos munir de informações para uma mobilização. Por sermos uma sólida rede global reforçada por quase 10 milhões de membros em todos os países do mundo, temos a oportunidade de provocar uma votação capaz de reverter décadas de violência. Com esperança, Alice, Pascal, Emma, Ricken, David, Rewan e a equipe da Avaaz MAIS INFORMAÇÕES: EUA declaram que novos assentamentos de Israel na Cisjordânia são 'preocupantes? (UOL) http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/08/15/eua-novos-assentamentos-judeus-sao-profundamente-preocupantes.jhtm Palestinos pedirão entrada na ONU como Estado-membro em setembro (Folha.com) http://www1.folha.uol.com.br/mundo/959322-palestinos-pedirao-entrada-na-onu-como-estado-membro-em-setembro.shtml Presidente irá pedir reconhecimento do Estado Palestino na ONU (R7 Notícias) http://noticias.r7.com/internacional/noticias/presidente-ira-pedir-reconhecimento-do-estado-palestino-na-onu-20110816.html Quarteto 'preocupado' com novos assentamentos de Israel (Veja) http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/quarteto-preocupado-com-novos-assentamentos-de-israel Apoie a comunidade da Avaaz! Nós somos totalmente sustentados por doações de indivíduos, não aceitamos financiamento de governos ou empresas. Nossa equipe dedicada garante que até as menores doações sejam bem aproveitadas: -------------------------------------------------------------------------------- A Avaaz é uma rede de campanhas globais de 9 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 13 países de 4 continentes, operando em 14 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter. Esta mensagem foi enviada para vanderleycaixe at revistaoberro.com.br. Para mudar o seu email, língua ou outras informações, entre em contato pelo link http://www.avaaz.org/po/contact/?footer. Não quer mais receber nossos alertas? Para decadastrar envie um email para unsubscribe at avaaz.org ou clique aqui. Para entrar em contato com a Avaaz, não responda este email, escreva para nós no link www.avaaz.org/po/contact. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110826/c93e426a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 27 15:45:18 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 27 Aug 2011 15:45:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__BOANERGES_DE_SOUZA_MASSA_____________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CCXXIX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem BOANERGES DE SOUZA MASSA (1938-1972) Filiação: Laura Alves Massa e Francisco de Souza Massa Data e local de nascimento: 07/01/1938, Avaré (SP) Organização política ou atividade: MOLIPO Data e local do desaparecimento: entre 21/12/1971 e 21/06/1972, preso em Pindorama (TO) Entre todos os desaparecidos políticos brasileiros, o caso de Boanerges de Souza Massa é um dos mais cercados de dúvidas, mistérios e controvérsias. Participante da rede de apoio da ALN e, posteriormente, militante do MOLIPO, foi preso em circunstâncias e data desconhecidas. Ele chegou a ser visto na prisão por outros presos políticos, mas sua prisão nunca foi assumida oficialmente pelos órgãos de segurança do regime militar. Seu nome não constava da lista oficial dos mortos e desaparecidos políticos e, portanto, não integrou a lista anexa à Lei nº 9.140/95. Apesar da certeza de que fora preso, não se tinha confirmação por parte dos familiares de que Boanerges não tivesse sobrevivido, o que só ocorreu quando o requerimento foi apresentado à CEMDP. Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, tendo concluído o curso em 1965, Boanerges passou a ser perseguido intensamente após realizar uma cirurgia para socorrer Francisco Gomes da Silva, militante da ALN baleado durante uma ação armada e irmão de Virgílio Gomes da Silva, também dirigente da ALN, desaparecido em setembro de 1969. A partir desse episódio, Boanerges foi obrigado a viver na clandestinidade, integrando a ALN. Viajou para Cuba, de onde regressou como militante do Molipo, depois de receber treinamento militar naquele país. Foi visto pela última vez em 1972, sem que se possa precisar a data. Como prova de sua prisão, foi anexado documento localizado no arquivo do DOPS, originado no Centro de Informações do Exército, onde consta que estava preso em 21/6/1972. Ali também foi encontrada cópia da informação 850 do Ministério da Aeronáutica, 4ª Zona Aérea, de 02/12/1971, relatando que Boanerges regressou ao país após treinamento em Cuba. Documentos localizados na ABIN posteriormente à aprovação de seu requerimento na CEMDP, informam que Boanerges foi preso em dezembro de 1971, em Pindorama. Em matéria publicada no Correio Braziliense em 22/4/2007, o jornalista Lucas Figueiredo, responsável pela divulgação, uma semana antes, do "livro negro do Exército", analisa as informações constantes naquele dossiê a respeito de Boanerges: "O livro secreto do Exército não esclarece um dos maiores mistérios da luta armada - quem foi o informante da repressão infiltrado em Cuba, que, com suas delações, levou à morte quase 18 guerrilheiros do Grupo da Ilha? A obra, contudo, nega uma suspeita que circula há décadas, tanto na esquerda quanto em meios militares: o informante não era o médico Boanerges de Souza Massa.(...) Médico que atendia a guerrilheiros feridos, Boanerges foi obrigado a se exilar e acabou por se tornar um aspirante a combatente. Ele começou a figurar na lista de suspeitos de ser o informante ao desaparecer misteriosamente em 1971, quando vários de seus companheiros do Grupo da Ilha foram mortos. Como nada foi provado, seu caso foi aprovado pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, e sua família recebeu indenização. Ainda assim, as suspeitas continuaram. O livro secreto do Exército, porém, rejeita essa tese. Informa que Boanerges foi descoberto e preso a partir de informações colhidas em outra operação contra o Grupo da Ilha, no Rio de Janeiro. 'Orientada pela documentação apreendida nos aparelhos estourados, teve início uma operação de informações visando atingir o setor camponês do Movimento de Libertação Popular (Molipo, que teve como origem o Grupo da Ilha). No dia 21 de dezembro (de 1971), foi preso em Pindorama, em Goiás, usando nome falso: Boanerges de Souza Massa', destaca a obra, na página 607. Portanto, a acreditar que o livro secreto diz a verdade, Boanerges não ajudou a repressão antes de ser preso. A obra ressalta, contudo, sem especificar as condições, que Boanerges 'abriu' informações nos interrogatórios que levaram à prisão e morte dos guerrilheiros do Grupo da Ilha: Ruy Carlos Vieira Berbert e Jeová Assis Gomes. Relata, ainda, que o médico contou a seus interrogadores sobre uma fazenda que o Molipo tinha na região de Araguaína (no atual estado do Tocantins), para servir de base para ações de guerrilha rural. Segundo o livro, os agentes da repressão demoraram a localizar a fazenda, o que permitiu aos três guerrilheiros que a ocupavam fugir". =================================================================================================================================== + Informações. BOANERGES DE SOUZA MASSA (1938-1972) Paulista de Avaré e médico formado pela Faculdade de Medicina da USP em 1965, Boanerges passou a ser perseguido após realizar uma cirurgia para socorrer Francisco Gomes da Silva, militante da ALN baleado durante uma ação armada e irmão de Virgílio Gomes da Silva, dirigente da ALN desaparecido em setembro de 1969. A partir desse episódio, Boanerges, que era participante da rede de apoio da ALN, foi obrigado a viver na clandestinidade. Viajou para Cuba, de onde regressou como militante do Molipo, depois de receber treinamento militar naquele país. Foi visto pela última vez em 1972, sem que se possa precisar a data. Boanerges foi preso em circunstâncias e data desconhecidas. Ele chegou a ser visto na prisão por outros presos políticos, mas sua prisão nunca foi assumida oficialmente pelos órgãos de segurança. Seu nome não constava da lista oficial dos mortos e desaparecidos políticos e, portanto, não integrou a lista anexa à Lei nº 9.140/95. Apesar da certeza de que fora preso, não se tinha confirmação por parte dos familiares de que Boanerges não tivesse sobrevivido, o que só ocorreu quando o requerimento foi apresentado à CEMDP. Como prova de sua prisão, foi anexado documento localizado no arquivo do Dops, originado no Centro de Informações do Exército, onde consta que estava preso em 21 de junho de 1972. Ali também foi encontrada cópia da informação 850 do Ministério da Aeronáutica, 4ª Zona Aérea, de 2 de dezembro de 1971, relatando que Boanerges regressou ao país após treinamento em Cuba. Documentos localizados na Abin, após a aprovação de seu requerimento na CEMDP, informam que Boanerges foi preso em dezembro de 1971, em Pindorama. Entre os desaparecidos políticos brasileiros, o caso de Boanerges é um dos mais cercados de controvérsias. Em matéria publicada no Correio Braziliense em 22 de abril de 2007, o jornalista Lucas Figueiredo afirma: O livro secreto do Exército não esclarece um dos maiores mistérios da luta armada - quem foi o informante da repressão infiltrado em Cuba, que, com suas delações, levou à morte quase 18 guerrilheiros do Grupo da Ilha? A obra, contudo, nega uma suspeita que circula há décadas, tanto na esquerda quanto em meios militares: o informante não era o médico Boanerges de Souza Massa. [...] A obra ressalta, contudo, sem especificar as condições, que Boanerges 'abriu' informações nos interrogatórios que levaram à prisão e morte dos guerrilheiros do Grupo da Ilha: Ruy Carlos Vieira Berbert e Jeová Assis Gomes. Relata, ainda, que o médico contou a seus interrogadores sobre uma fazenda que o Molipo tinha na região de Araguaína (no atual Estado do Tocantins), para servir de base para ações de guerrilha rural. Segundo o livro, os agentes da repressão demoraram a localizar a fazenda, o que permitiu aos três guerrilheiros que a ocupavam fugir. Outra informação controversa foi dada pela jornalista Taís Morais, no livro Sem Vestígios, publicado em 2008. Citando como fonte um agente do CIE, que não nomeia, de apelido Carioca, escreve que Boanerges teria ficado preso numa instalação clandestina rural do Exército, nas proximidades da cidade de Formosa, em Goiás. Teria sido executado ali e sepultado nas vizinhanças. ===================================================================================================== + Detalhes. Boanerges de Souza Massa: um guerrilheiro passou por Avaré Para muitos que estudaram com ele na escola "Coronel João Cruz" e no antigo "Sedes Sapientiae", Boanerges de Souza Massa não passava de um colega inteligentíssimo, superdotado talvez, mas de hábitos simples. Não chegava nem a levar caderno para estudar, mas sempre tirava as melhores notas nas provas. Chegava ao ponto de fazer provas em latins para que os colegas não colassem dele e a substituir professores quando algum deles faltava. Foi aluno do professor Joaquim "Tininho" Negrão, que conta que Boanerges era de uma inteligência fora do comum. Apesar de não ser avareense, sua família aqui residiu e durante alguns anos Boanerges fez parte do cotidiano da cidade, onde formou-se em 1958, ao mesmo tempo, no Científico e no Contador. Mudando-se para São Paulo, Boanerges também deu provas de sua inteligência, cursando Direito no Largo São Francisco e Medicina na USP. Com o passar dos anos, Boanerges começou a mudar seus hábitos, passando a fazer parte da Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização revolucionária comunista brasileira de oposição ao regime militar de 1964, surgida no fim de 1967, com a expulsão de Carlos Marighella do Partido Comunista do Brasil (ex-PCB), após sua participação na conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) em Havana (Cuba). Segundo pesquisadores e militantes de esquerda, como Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio (ambos ex-guerrilheiros), a ALN tinha a proposta de uma ação objetiva e imediata contra a ditadura militar, defendendo a luta armada e a guerrilha como instrumento de ação política. Durante uma ação da ALN, um assalto ao União de Bancos Brasileiros, em Suzano, da qual participaram, entre outros, Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Takao Amano, Ney da Costa Falcão, Manoel Cyrilo de Oliveira Neto e João Batista Zeferino Sales Vani, Takao Amano foi baleado na coxa. Os militantes da ALN, armados, invadiram um hospital e o mesmo foi operado por Boanerges. Anos mais tarde, após um período em Cuba, Boanerges de Souza Massa volta como militante do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), uma dissidência da ALN, montando um foco guerrilheiro no oeste baiano e, foi preso em Goiás em 1971. Segundo consta, após sessão de tortura, foi conduzido à Bahia para reconhecer o local e, na volta foi executado em um sítio em Formosa, Goiás. ==================================================================================== + Detalhes. quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 Boanerges de Souza Massa: história finalizada Boanerges formou-se em medicina na USP em 1965 (ano a confirmar). Durante muito tempo foi uma figura mítica na Faculdade, pouco se falava dele, a maioria das vezes como se fosse ou um louco irresponsável ou um agente policial disfarçado. (assim ouvi mais de uma vez nos anos 70) Nunca foi alçado à condição de "herói da resistência". Alguns lembravam dele por uma cirurgia realizada em ambiente clandestino em um militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) que fora baleado. Eduardo Manzano e Heloisa L. Manzano, médicos que moram em Porto Nacional e, se formaram com ele, afirmam que o viram no início dos anos 70 e, mantinham a descrição de Boanerges em seu livro "Memórias de um casal de médicos nas barrancas do Tocantins" como a de um sujeito estranho. (expressão a confirmar, transcrita pela memória do blogueiro) Nessa semana, duas publicações, uma transcrita no Correio Braziliense de um livro que não foi publicado de autoria do próprio Exército nos anos 80 e, a outra o livro Sem Vestígios de Taís Morais trazem informação nova. Boanerges de Souza Massa era militante do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), uma dissidência da ALN esteve em Cuba, montou um foco guerrilheiro no oeste baiano e, foi preso em Goiás em 1971.Após sessão de tortura foi conduzido à Bahia para reconhecer o local e, na volta foi executado em um sítio em Formosa, Goiás. O secretário dos direitos humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, ex-militante da ALN, ex-aluno da FMUSP poderia conduzir o reconhecimento póstumo de Boanerges, como mais um daqueles da Casa de Arnaldo que tombaram nos anos de chumbo. ============================================ + Detalhes. LIVRO SECRETO DO EXÉRCITO É REVELADO Livro secreto do Exército é revelado Reportagem do Correio/Estado de Minas obtém cópia da obra sigilosa que a Força produziu há 19 anos para contar sua versão da luta armada: 1,7 mil pessoas são citadas No livro, o Exército também narra a prisão de Boarnerges de Souza Massa (Molipo) e Kleber Lemos da Silva (PCdoB), cujos corpos nunca foram encontrados. O fato reforça o indício de que ambos foram assassinados quando se encontravam presos. O caso de Boanerges é ainda mais revelador. Sabia-se apenas que ele treinara guerrilha em Cuba e que desaparecera ao voltar clandestino ao Brasil em 1971. Desconhecia-se, porém, se tinha sido preso, se morrera em combate ou se simplesmente deserdara. Sabe-se agora, de acordo com a página 607 do livro secreto do Exército, que naquele ano ele "foi preso em Pindorama, em Goiás, utilizando nome falso", e que passou por interrogatórios. ============================================================================================================ + Detalhes. MISTÉRIO DA LUTA ARMADA: ONDE ESTÁ O GENIAL MÉDICO DE AVARÉ QUE COMBATEU O REGIME MILITAR? (jornal A Bigorna) GESIEL JÚNIOR Sujeito estranho, cheio de ideias revolucionárias e dono de uma inteligência incomum. Essa é a unânime impressão deixada por Boanerges de Souza Massa na lembrança de seus colegas de escola em Avaré, onde estudou entre 1951 e 1958. Impressionante, de fato, foi à carreira universitária desse avareense de origem humilde - conseguiu a proeza de cursar medicina e direito, ao mesmo tempo, nas duas melhores faculdades do Brasil, ambas da Universidade de São Paulo. Diplomou-se em meados dos anos 60, exerceu a medicina por pouco tempo e hoje figura entre as vítimas da ditadura militar na lista dos desaparecidos políticos. A militância ideológica de Boanerges começou na Ação Libertadora Nacional (ALN), o que o levou a treinar guerrilha em Cuba e combater na região do Araguaia. Contemporâneo de célebres ex-guerrilheiros como a presidente eleita, Dilma Rousseff, e os deputados Fernando Gabeira e José Genoíno, ele foi parceiro do ex-ministro José Dirceu, na ilha de Fidel Castro. . Por muito tempo nada se soube a respeito do fim do guerrilheiro avareense. Recentes documentos liberados pelo Exército finalmente apontam para sua prisão e execução, no Planalto Central, há quase 40 anos. Quem foi Boanerges, afinal? Para muitos um símbolo de heroísmo. Para alguns, de traição. Para a memória avareense, entretanto, ele merece ter a sua trajetória melhor entendida à luz do contexto em que viveu para a verdade histórica definitivamente ser libertada de versões sufocantes dos porões da ditadura. Estudante prodígio Neto de italianos, Boanerges nasceu em Avaré no dia 7 de janeiro de 1938. Ainda pequeno mudou-se com os pais Laura e Francisco de Souza Massa para Ajicê, distrito de Rancharia (SP), onde mantinham um bar. Como no lugarejo não havia o curso ginasial, o rapaz veio estudar e morar com os tios na terra natal. "O Boanerges era um tipo participativo, falava com a língua presa e já dava para perceber que sua cabeça fervilhava", diz a educadora Luzia Lopes, sua colega no colégio Cel. João Cruz. "Era realmente um prodígio, uma figura marcante", complementa Renato Cavallini, que se formou contador na mesma turma que ele, em 1958, pelo Instituto de Ensino Sedes Sapientiae. Em julho de 1962, como bolsista da Associação Universitária Internacional, Boanerges viajou aos Estados Unidos para estagiar em Harvard. Fez parte do seu grupo o senador pernambucano Marco Maciel, na época estudante de direito. Na mesma ocasião, em Washington, o presidente John Kennedy os recebeu nos jardins da Casa Branca como parte da "Aliança para o Progresso", projeto norte-americano de ajuda aos países da América Latina. Surpreendendo os presentes, de dedo em riste, "o estudante de Avaré" - assim o identificaram os jornais da época - questionou Kennedy sobre sua ingerência em países pobres. Anos depois, convidado para ser o orador da turma de medicina, Boanerges, já visado pelos órgãos de repressão e pela reitoria da USP, teve o seu discurso censurado. Porém, ele distribuiu cópias do texto "Um copo d'água e um prato de comida" aos convidados. Esse discurso, muitos anos depois, virou tese de doutorado em linguística, na Unicamp, com o título de "O sujeito subversivo: uma leitura da tragicidade". Sonhos rebeldes Ainda como aluno da USP Boanerges mostrou-se um contestador das desigualdades sociais no país. Indignado com a miséria, a qual classificava de inimiga a ser exterminada, escreveu: "Nós sabemos, tranquilamente, que o Brasil não é um país rico. Poderá a vir a ser isso; tem tudo para ser isso, mas não é". Antes de sumir na clandestinidade para combater a ditadura, Boanerges atendeu no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ali foi visto participando de cenas espetaculares como quando fez uma cirurgia plástica no capitão Carlos Lamarca, grande opositor do regime, em pleno centro da capital paulista bem "debaixo do nariz da repressão" no fim de 1968. Em 1970, o médico avareense vai para Cuba como integrante do Grupo dos 28. Hospedaram-se numa casa cedida por Fidel Castro. Pela manhã, ele e seus companheiros faziam exercícios físicos e à tarde estudavam. Visitavam a cidade, frequentavam a praia, sempre pensando na volta ao Brasil. Criou lá o Movimento de Libertação Popular (Molipo), resultado dos questionamentos em relação à ALN. No regresso, adotou o codinome "Felipe" e tentou se instalar no sertão da Bahia, entre Ibitorama e Bom Jesus da Lapa, para iniciar a guerrilha rural. Mas logo se deslocou para a região de Araguaína, atual Tocantins. Ali acabou preso junto de dois companheiros no dia 21 de dezembro de 1971. Desde então desapareceu e, tempos depois, passou a ser suspeito de, sob tortura, ter delatado os companheiros do Molipo. Isto porque a maioria deles foi assassinada nessa época pela polícia política. Só sobreviveram dois ex-militantes do Molipo, Ana Corbisier e José Dirceu. Ambos, porém, jamais acreditaram na deslealdade de Boanerges. "É uma infâmia", reagiu Dirceu ao saber da acusação feita ao companheiro por simpatizantes da repressão. A propósito, essa suspeita de traição entristeceu os amigos e familiares do médico guerrilheiro, cujos sonhos rebeldes convergiam para o ideal de tornar o país mais justo e igualitário. Contudo, de acordo com registros do livro secreto do Exército, recentemente publicados, o "subversivo" avareense teve sua inocência provada no depoimento do caseiro de uma propriedade rural situada em Formosa (GO), onde ele "foi feito e enterrado por aí". "Fazer" alguém era executá-lo. O corpo de Boanerges nunca apareceu. Tudo fica compreensível agora, pois a mesma testemunha revelou que uma tropa de agentes federais "veio, levou o homem de madrugada e sumiu com ele". O tempo passou e, enfim, o guerrilheiro teve seu final trágico e solitário desvendado. Assim o seu testemunho de amor à liberdade fica inscrito sobre esses anos de chumbo. Inscrito com cores de sangue e de coragem. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110827/95691ae3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4868 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110827/95691ae3/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 27 15:45:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 27 Aug 2011 15:45:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Revista_Militares_e_Pol=C3=ADtica_n=2E?= =?utf-8?q?=C2=BA_6?= Message-ID: <91CA2FD87741412CB8E646B3EE44B2EB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Informamos que está on line a edição nº 6 de Militares e Política, dedicada a questões relativas ao regime ditatorial pós-64. ARTIGOS a.. O ?exército político? brasileiro: faccionalismo militar e a dinâmica do regime de 1964-1985 Kees Koonings a.. A ?primeira linha dura? do regime militar: trajetórias de oficiais do Exército nos anos 60 e 70 Maud Chirio a.. Ditadura militar e segurança nacional: o restabelecimento da pena de morte em 1969 Angela Moreira a.. Forças Armadas, industrialização e desenvolvimento: as políticas de controle sobre a importação de tecnologia (1970-1984) Leandro M. Malavota a.. Ditadura e educação: legalização do arbítrio, repressão judicial e representações dos militares e dos civis Afonso Celso Scocuglia a.. As Forças Armadas, a anistia de 1979 e os militares cassados Flávia Burlamaqui Machado Militares e Política recebe propostas de artigos em fluxo contínuo. Para maiores informações, visitar http://www.lemp.ifcs.ufrj.br/revista/ Solicitamos a gentileza de divulgar esta informação. Att. Cláudio Besera de Vasconcelos p/ Comitê de Redação -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110827/b2d3fbbd/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 28 14:11:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 28 Aug 2011 14:11:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Pra_quem_gosta_de_m=FAsicas=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_________________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASICAS!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: marcos c PARA QUEM GOSTA DE MÚSICAS BASTA CLICAR NUMA LETRA QUE APARECEM TODOS OS INTÉRPRETES DE MÚSICA CUJO NOME COMEÇA POR ESSA LETRA. ESCOLHA O TEMA PRETENDIDO E COMEÇA A MÚSICA ACOMPANHADA DE UM VIDEO DESSA CANÇÃO. A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z 0...9 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110828/a8c43376/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 28 14:11:56 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 28 Aug 2011 14:11:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__HAMILTON_FERNANDO_CUNHA______________?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CCXXX-?= Message-ID: <34A9712336D849DA9214BE31A60D4809@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem HAMILTON FERNANDO CUNHA (1941-1969) Filiação: Filomena Maria Rosa e Fernando Manoel Cunha Data e local de nascimento: 1941, Florianópolis (SC) Organização política ou atividade: VPR Data e local da morte: 11/02/1969, São Paulo (SP) O catarinense Hamilton Fernando Cunha, conhecido como "Escoteiro", afro-descendente e operário da indústria gráfica, foi morto em 11/2/1969, por policiais do DOPS/SP, em seu local de trabalho, a Gráfica Urupês, no bairro paulistano da Mooca. Militante da VPR, Hamilton participava do cotidiano cultural e intelectual de São Paulo, atuando em grupos de teatro e, com voz de tenor, cantava em coral. A onda de prisões ocorrida logo após o AI-5 atingiu a rede de apoio da VPR, fazendo que, naquele início de fevereiro de 1969, Hamilton estivesse morando na mesma residência de outros dirigentes da organização, entre eles Carlos Lamarca, que abandonara o quartel do Exército em Quitaúna, Osasco, poucos dias antes. Preocupado com a possibilidade de ser identificado pelos órgãos de segurança, Hamilton resolveu se demitir da gráfica onde trabalhava e, ao comparecer para assinar a rescisão trabalhista, por volta de 16 horas daquela data, foi preso e morto. Na CEMDP, o processo teve dois indeferimentos, tanto no início dos trabalhos desse colegiado, em 18/3/1996, quanto em setembro do ano seguinte, ao ser apresentado recurso relatando novos fatos. Nessa segunda ocasião, houve pedido de vistas e o processo voltou à pauta um ano depois, sendo então aprovado. Para sustentar que a morte não ocorreu em tiroteio, conforme versão oficial, a Comissão Especial se baseou em documentos do próprio DOPS, que registravam os antecedentes da operação policial e informavam que Hamilton deixara a arma na entrada da gráfica. As demais provas foram extraídas do depoimento de um companheiro, do exame da documentação do IML e da foto de seu corpo. O laudo necroscópico, assinado por Pérsio José Ribeiro Carneiro, descreve um único tiro e registra que o fato teria ocorrido às 16 horas, no Alto da Moóca, em São Paulo. Não descreve os grandes edemas na face e na fronte, as equimoses e ferimentos corto-contusos visíveis na foto do cadáver. Além disso, o corpo de Hamilton deu entrada no IML somente às 23h30 - sem calças - trajando apenas camisa de náilon verde, meias de lã e sapatos pretos. Em depoimento prestado a Nilmário Miranda, membro da Comissão Especial, o militante da VPR, José Ronaldo Tavares de Lira e Silva, conhecido como "Roberto Gordo", que comparecera à gráfica junto com Hamilton, conta que aguardou na recepção por um tempo que lhe pareceu demasiado longo, já que Hamilton dissera ter acertado todos os detalhes anteriormente. De repente, ouviu o companheiro gritando que não era bandido, foi em sua direção e o viu sendo carregado por policiais. Foi José Ronaldo quem reagiu a tiros, buscando salvar o companheiro. Declarou ter disparado um único tiro, ferindo um dos policiais. Na versão oficial, ele foi responsabilizado pela morte de Hamilton, fato debatido exaustivamente durante o julgamento do caso na CEMDP. Ao aprovar o requerimento, a Comissão levou em conta a diversidade de informações e as contradições constantes nos documentos do DOPS, e desconsiderou a versão oficial, dando como provado que Hamilton estivera sob a guarda de agentes do Estado antes da morte. ========================================================================================================================= + Informações. HAMILTON FERNANDO CUNHA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONARIA (VPR). Nasceu em Florianópolis/SC em 1941, filho de Fernando Manoel Cunha e Filomena M. Rosa. Fuzilado em 11 de fevereiro de 1969, ao resistir à prisão, quando policiais do DOPS paulista tentavam prendê-lo em seu local de trabalho, na Gráfica Urupês. A versão policial da repressão diz que Hamilton teria sido atingido por um companheiro ao receber voz de prisão, o qual teria fugido sem ser identificado. Foi enterrado como indigente no Cemitério de Vila Formosa, São Paulo. ================================================================================================ + Informações. A mesma versão, o mesmo tipo de morte A morte do militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) Hamilton Fernando da Cunha parece ser uma repetição de todas as outras durante o regime militar. De acordo com relatórios oficiais da época, agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) faziam uma "vistoria" de rotina na Gráfica Urupês, em São Paulo, quando Hamilton teria reagido. Ainda segundo esses relatórios, Hamilton estaria sendo procurado "por atentados a bomba, roubo de armas e assaltos a bancos". No "tiroteio" na frente da gráfica, Hamilton teria sido ferido mortalmente por um dos companheiros. Essa é a versão oficial, levantada pelo grupo de familiares de desaparecidos junto aos arquivos do Dops. A versão dos familiares é outra. Os policiais teriam chegado à gráfica já com a intenção de prender Hamilton. Segundo sua irmã Nilsa, em requerimento encaminhado para a Comissão Especial da Lei 9.140 - que reconheceu a responsabilidade do Estado em mortes ocorridas durante o regime militar -, ao receber voz de prisão Hamilton teria levantado os braços para o alto, assustado, perguntando o que estava acontecendo. Em seguida, teria recebido uma rajada de metralhadora. Depois da morte, Nilsa foi impedida de tomar as providências para o enterro. Só seis dias depois ela foi chamada para reconhecimento do corpo. O caixão, lacrado, foi levado ao cemitério por quatro policiais. A perseguição policial a Nilsa continuou. Seu apartamento em São Paulo foi vasculhado e ela submetida a diversos interrogatórios e ameaças. Passou dois anos com o prédio onde morava vigiado pelos policiais. Em parecer da Comissão Especial em 18 de março de 1996, o nome de Hamilton foi incluído na relação dos crimes políticos e sua família indenizada. A única irmã, Nilsa, reside hoje em São Paulo. Hamilton nasceu em Florianópolis, em 1941. Foi cedo com a família para São Paulo onde passou, já na adolescência, a participar dos movimentos operários. Pouco antes de morrer, atuava no grupo Centro Popular de Arte, que se reunia na sede do Partido Socialista Brasileiro, em São Paulo. Funcionário da Gráfica Urupês, auxiliava na promoção de espetáculos em favelas, portas de fábricas, vilas operárias, praças públicas e auditórios de faculdades. Negro e forte, Hamilton também era atuante militante da VPR, e participou de diversas ações do grupo em São Paulo junto com Yoshitame Fujimori, Carlos Marighela e Diógenes José Carvalho de Oliveira. (LFA) Nome Hamilton Fernando Cunha Nascimento 1941, em Florianópolis/Santa Catarina Profissão Gráfico Militância Vanguarda Popular Revolucionária(VPR) Morto em fevereiro de 1969 por policiais do Dops. ================================================================================================ + Informações. ( do livro Catálogo Negros ) HAMILTON FERNANDO CUNHA (1941-1969) Filiação: Filomena Maria Rosa e Fernando Manoel Cunha Data e local de nascimento: 1941, Florianópolis (SC) Data e local da morte: 11/02/1969, São Paulo (SP) Hamilton Fernando Cunha, conhecido como "Escoteiro", era catarinense, operário da indústria gráfica. Foi morto em 11/02/1969, por policiais do DOPS/SP, no seu local de trabalho, a Gráfica Urupês, localizada no bairro paulis tano da Mooca. Militante da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR, Hamilton participava do cotidiano cultural e intelectual de São Paulo, atuando em grupos de teatro e emprestando sua bela voz de tenor a um coral. Naquele início de fevereiro de 1969, quando uma onda de prisões logo após o AI-5 atingiu a rede de apoio da VPR, Hamilton compartilhava residência com outros dirigentes da organização, entre eles Carlos Lamarca. Preocupado com a possibilidade de ser identificado pelos órgãos de segurança, Hamilton resolveu se demitir da gráfica. Mas, ao comparecer ao local para assinar a rescisão trabalhista, foi preso e morto. Como em outros casos similares, a versão oficial foi de que Hamilton teria morrido durante tiroteio. Porém, documentos do próprio DOPS/SP registravam os antecedentes da operação policial e informavam que ele deixara sua arma na entrada da gráfica. Além disso, o laudo necroscópico descreve um único tiro. ===================================================================================================================== Hamilton Fernando da Cunha Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Hamilton Fernando da Cunha Cidade: (onde nasceu) Florianópolis Estado: (onde nasceu) SC País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) /1941 Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Nome falso: (Codinome) Escoteiro Morto ou Desaparecido: Morto 11/2/1969 SP Brasil Gráfica Urupês Segundo uma funcionária da gráfica, recebeu voz de prisão seguida de tiros que o matou. Clandestinidade Morto 11/2/1969 SP Brasil Gráfica Urupês Segundo a versão policial, foi atingido por um companheiro quando recebeu voz de prisão. Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Paulo Augusto Queiroz Rocha, Pérsio José R. Carneiro Biografia Documentos Artigo de jornal Transcrição do artigo intitulado: As torturas são aplicadas no Brasil sob a direção do Exército nos quartéis e nas dependências de todas as organizações policiais. Prensa Latina, Santiago do Chile, 21 nov. (sem identificação do ano). Informa que a Frente Brasileira de Informações, criada para romper a censura imposta pelo regime militar do Brasil, com sede em Paris, encaminhou a este jornal comunicado sobre os métodos selvagens aplicados aos presos políticos, sobre a morte de mais de 40 trabalhadores, estudantes e camponeses. Dentre as mortes, cita o conhecido líder guerrilheiro, Carlos Marighella, chefe da Ação Libertadora Nacional (ALN) e iniciador da luta armada no país. Outras mortes causadas pelos militares citadas no documento são: o ex-sargento João Lucas Alves, Severino Viana Colon, José Araújo Nóbrega (que era de fato, Eremias Delizoicov, mas foi identificado pela repressão como sendo deste outro militante), Hamilton Cunha e Fernando Borges de Paula Ferreira. O documento pertence ao arquivo do DOPS. Artigo de jornal Artigo intitulado "Lamarca levou cofre do Dr. Rui", sem fonte e data, com carimbo do DOPS de 24/09/69. Informa que o capitão Lamarca, em entrevista distribuída às agências internacionais, afirma que sua organização, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), está com o cofre de Ana Maria Benchimol Capriglione, amante do falecido governador Ademar de Barros e conhecida internacionalmente como Dr. Rui, no qual foram encontrados dois milhões e meio de dólares, em dinheiro. Lamarca esclarece que só se tornou um revolucionário após o golpe de 64. Assume a responsabilidade por 21 "expropriações financeiras" e, em contrapartida, relaciona os nomes de cinco companheiros assassinados pela ditadura, de janeiro a agosto de 1969: João Lucas Alves, Severino Viana Colon, Hamilton Cunha, Carlos Roberto Zanirato e Fernando Borges de Paula Ferreira. Artigo de jornal Armas, um objetivo que valia qualquer risco. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 abr. 1980, p. 12. Artigo que faz parte de uma série de reportagens deste jornal com depoimentos de Hermes Camargo Batista. Relato de ação efetuada por membros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Dentre as cinco pessoas participantes, Ismael de Souza, José Raimundo, Hamilton Cunha, Antônio Nogueira e Diógenes Oliveira, dois foram posteriormente metralhados pela polícia. Documento pertencente ao arquivo do DOPS. Foto Foto de busto, ampliada, onde Hamilton tinha aproximadamente 22 anos. Foto Foto do corpo do IML/SP, de 12/02/69. Encontrada no DOPS/SP Relatório Relatório de investigadores de plantão, de 18/02/69, informando sobre encaminhamento de presos e morte de subversivos. Entre outros, comunica recebimento de ofício que informa sobre o homicídio contra Hamilton Fernando da Cunha, a fim de ser anexado aos autos de inquérito que tramita naquele DOPS. Relatório Documento do Serviço Secreto do DOPS, sem data, intitulado "Relação de vulgos conhecidos integrantes da VPR". A lista apresenta 40 codinomes em ordem alfabética, seguidos de respectivos nomes, quando identificados. Dentre eles, constam Onofre Pinto, Eduardo Leite, Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, Yoshitane Fujimori, Hamilton Fernando da Cunha e Carlos Lamarca. Relatório Documento sem data, do DOPS, provavelmente parte de inquérito policial. Cita várias pessoas como Yoshitame Fujimori, que se encontra foragido, Hamilton Fernando da Cunha, que teria sido morto por um de seus companheiros em tiroteio com a polícia, e Marco Antônio Brás de Carvalho, que também teria morrido em tiroteio com a polícia. Relatório Ofício do delegado Alcides Cintra Bueno Filho, de 11/02/69, relatando a ida de investigadores à Gráfica Urupês, São Paulo, SP, para efetuar a detenção de Hamilton Fernando da Cunha, pertencente à quadrilha de terroristas e que para lá fora receber seus dias de trabalho, pois havia se demitido da firma. Quando sua detenção estava sendo conduzida, Hamilton começou a se debater e a gritar por socorro. Uma pessoa desconhecida que o acompanhara até a firma entrou armada, disparando. Os tiros feriram várias pessoas e acertaram Hamilton, pois um dos investigadores o usou como escudo, levando-o a falecer no local. O desconhecido e mais duas outras fugiram. Foram apreendidos um revólver e cinco balas que Hamilton havia deixado embrulhados em um banco da firma, no saguão de entrada. Relatório Comunicado da Assessoria de Imprensa, do Gabinete de Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, de 24/02/69, sobre a prisão de "terroristas" em São Paulo. Comunica a população sobre o prosseguimento dos inquéritos sobre atentados a bombas, roubos de armas e dinamites e assaltos a bancos e informa sobre esclarecimentos de assaltos a bancos por grupo de terroristas, apreensão de armas, munições e equipamentos de telecomunicações e outros. Também informa sobre diligência realizada pelo DOPS no dia 11/02/69 à Gráfica Urupês, na cidade de São Paulo, para a prisão de Hamilton Fernando Cunha, envolvido em atentados a bomba, roubo de armas e assalto a banco; este e mais três companheiros resistiram à prisão a bala, decorrendo um tiroteio que feriu um investigador e um motorista e levou à morte de Hamilton, sendo que seus três companheiros conseguiram fugir. Finaliza afirmando que as diligências do DOPS prosseguem com êxito, em sintonia com as realizadas pelas Forças Armadas e pela Polícia Federal. Documento do arquivo do DOPS. Relatório Parte de relatório do Serviço Secreto do DOPS, com foto do corpo. Informa que Hamilton participou do atentado a bomba ao Jornal O Estado de S. Paulo, em São Paulo e de roubo de armas. Relatório Relatório sem identificação de fonte e data, pertencente ao arquivo do DOPS, intitulado "Informação Reservada". Discorre sobre a criação do grupo denominado Centro Popular de Arte que se reunia na sede do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e que se propunha a promover espetáculos em favelas, portas de fábricas, vilas operárias, praças públicas e auditórios de faculdades. Foram criados vários departamentos, sendo que o informante deste relatório foi designado para o Departamento de Folclore. Além dos diretores, são citados outros membros, entre eles, Hamilton Fernando da Cunha. Relatório Parte de relatório do DOPS/SP com nomes de pessoas e seus dados gerais, em ordem alfabética. Constam os nomes de Hamilton Fernando da Cunha e Heleny Ferreira Telles Guariba. Informa que Hamilton é foragido. Relatório Lista do DOPS/SP, com nomes, codinomes, páginas dos processos e organização a que pertence, onde Hamilton está indicado. Relatório Página 2 de documento com denúncia de organizações de esquerda encontrado no arquivo do DOPS/SP. Possui lista dos brasileiros assassinados pela ditadura militar, cita três brasileiros inválidos e artigo do Estado de São Paulo de 13/05/70, questionando sobre pena de morte no Brasil em virtude de comissão especial de justiça a ser designada para julgar quatro acusados de terrorismo em Olinda, PE, que poderá condená-los à pena de morte. Na lista dos brasileiros assassinados constam: Carlos Marighella, Edson Luiz, José Guimarães, João Roberto, Chael, Padre Henrique (Antônio Henrique), Bernardino Saraiva, Carlos Roberto Zanirato, Carlos Schirmer, José de Souza, João Lucas Alves, Manuel Alves de Oliveira, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Severino Melo, Severino Viana Colon, Reinaldo Pimenta, Fernando Ruivo (Fernando Borges de Paula Ferreira), Virgílio Gomes, Mário Alves, além de José Araújo Nóbrega. Relatório Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus. Relatório Parte de documento, encontrado no arquivo do DOPS, de organização de esquerda contendo denúncias de mortes, violências e ilegalidades cometidas pela ditadura militar. Comenta que, para a ditadura defender-se, viola as leis que ela própria elaborou, entregando o comando da repressão a órgãos clandestinos como o DOI-CODI e a OBAN e cita nomes de pessoas mortas ou desaparecidas por estes órgãos, como: Marighella, Edson Luís, José Guimarães, João Roberto, Padre Henrique (Antônio Henrique Pereira Neto), Bernardino Saraiva, João Domingues da Silva, Carlos Schirmer, Marco Antônio Braz Carvalho, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Eremias Delizoicov (considerado aqui como ex-militar morto no Rio), Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, José Wilson Lessa Sabag, José Roberto Spiegner, Dorival Ferreira, José Idésio Brianezi e Juarez P. de Brito. Relatório Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 18/03/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Nilsa Cunha, irmã de Hamilton Fernando da Cunha, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Hamilton e o voto de Suzana favorável ao deferimento do pedido. Prontuário/ Dossiê Conjunto de documentos manifestando apoio para que sejam reconhecidas as responsabilidades do Estado pelas mortes de Arno Preis e Hamilton Fernando da Cunha e o direito de suas famílias à indenização devida. São eles: moção de 1996 de autoria do Deputado Renato Simões, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo ao Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, com tal requerimento; parecer do relator da Comissão de Constituição e Justiça, comunicado de manifestação de apoio do presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Legal, aprovação da moção sem emendas pela Divisão de Proposições Legislativas da Assembléia e ofício do presidente da Assembléia Legislativa. O apelo ao Presidente da República segue em função da reprovação da inclusão das pessoas citadas na lista de indenizados, por ter sido assumida a versão oficial de suas mortes. Ficha pessoal Auto de Qualificação Indireta, da Delegacia Especializada de Ordem Social, do DOPS/SP, de 04/09/70, informando dados gerais e residência ignorada. Ficha pessoal Documento, da Delegacia de Ordem Política e Social, de 19/07/71, com a palavra "Falecido" manuscrita. Informa que Hamilton é simpatizante e militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), que aparece como indiciado em inquérito que apurou as atividades da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e que morreu em combate em 08/02/69, segundo o Jornal do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78. Ficha pessoal Documento do IML/SP, de 24/02/69, com dados do óbito. Ficha pessoal Documento do DOPS com foto, dados gerais e a informação de que um companheiro de Hamilton, no momento em que este estava sendo preso, fez diversos disparos ferindo um investigador de polícia do DOPS e matando Hamilton. Documento pessoal Registro de empregado, de 01/11/67 a 04/02/69. Documento do arquivo do DOPS. Laudo de exame de corpo delito Laudo de exame do IML/SP, de 12/02/69, realizado por Pérsio José Ribeiro Carneiro e Paulo A. de Queiroz Rocha. Certidão de óbito Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, em 21/02/69, firmado pelo médico Pérsio J. R. Carneiro. Interrogatório Parte de interrogatório de Diógenes José Carvalho de Oliveira, na Delegacia Especializada de Ordem Política, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. Segundo as palavras do documento, Diógenes afirma que embarcou para São Paulo, no segundo semestre de 1967, com endereço de Onofre Pinto, a fim de tentar trabalhar. Encontrou-se com Onofre que disse estar em fase de iniciação uma nova organização clandestina de caráter "terrorista", denominada Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), passando a reunir-se com ele e outros militantes, dentre os quais, Hamilton Fernando da Cunha e Yoshitane Fujimori. Conta que a organização foi crescendo e se estruturando. Além disso, afirma que manteve dois contatos com Carlos Marighella em 1968. Interrogatório Parte do auto de qualificação e interrogatório de preso político, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. A partir de um álbum de fotografias reconheceu, entre outros, Carlos Lamarca, Onofre Pinto, Hamilton Fernando Cunha, Marco Antônio Brás de Carvalho, Yoshitane Fujimori, Eduardo Leite e Antônio Raymundo Lucena. Interrogatório Parte de interrogatório de Onofre Pinto, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, com carimbo do DOPS de 23/06/69. Interrogatório Transcrição do interrogatório de Ladislas Dowbor, na Delegacia Especializada de Ordem Social, incompleto, sem data. Cita vários militantes mortos: Eduardo Leite, o Bacuri; José Raimundo da Costa; Hamilton Fernando da Cunha; Onofre Pinto e Gerson Teodoro de Oliveira. Requisição de exame de cadáver Requisição de exame ao IML/SP, de 11/02/69. Informa que Hamilton Fernando Cunha, ao ser detido por ser participante de quadrilha de assalto a bancos, reagiu e um companheiro de identificação desconhecida atirou, ferindo gravemente um investigador e atingindo Hamilton, vindo a falecer em conseqüência. Ofício Comunicado do Serviço de Informações do DOPS, de 16/06/69, sobre a morte de Hamilton. Uma das cópias possui o carimbo do DOPS e os códigos das duas pastas do arquivo que informam sobre este fato. Ofício Cartas manuscritas de Nilsa Cunha, irmã de Hamilton, de São Paulo, 05/05/95, ao Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, ao Ministro da Justiça Nelson Jobim e ao Deputado Federal Nilmário Miranda, pedindo a inclusão de seu nome na lista das vítimas fatais em decorrência da ação policial do Estado no período da ditadura militar. Depoimento Documento ao Dr. Miguel Reale Júnior, Presidente da Comissão Especial da Lei n. 9140, de Nilsa Cunha, irmã de Hamilton, de 23/01/96, requerendo os benefícios da Lei, de 05/12/95, pelos motivos que expõe em seu depoimento e em função dos documentos que cita como anexados. Nilsa conta as circunstâncias de morte de seu irmão em 11/02/69. Informa que os agentes do DOPS ligaram para a Gráfica Urupês, em São Paulo, SP, onde Hamilton trabalhava e perguntaram sobre ele. Confirmada a informação, foram até lá, deram voz de prisão a Hamilton que, assustado, levantou as mãos e perguntou o que estava acontecendo, após o que recebeu uma rajada de metralhadora e morreu no mesmo instante. Seis dias depois, Nilsa cita que recebeu intimação para ir reconhecer o corpo de seu irmão. Os policiais não permitiram que tomasse iniciativas para o enterro, o qual ocorreu com ela e seu outro irmão seguidos de quatro policiais, sendo os amigos obrigados a acompanhar à distância. Um dos amigos que se aproximou foi preso. A perseguição policial a Nilsa continuou, tendo seu apartamento vasculhado e sido submetida a vários interrogatórios, ameaças e torturas. Passou dois anos com o prédio em que morava sendo vigiado. Boletim de ocorrência Documento do DOPS/SP, de 11/02/69, sobre o assassinato de Hamilton. O indiciado é apontado como desconhecido. . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110828/fe0182d4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4271 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110828/fe0182d4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 28 14:12:09 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 28 Aug 2011 14:12:09 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Sete_pontos_acerca_da_L=EDbia____?= =?iso-8859-1?q?por_Domenico_Losurdo?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Sete pontos acerca da Líbia por Domenico Losurdo Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia: 1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela NATO. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de "informação" burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra "inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da NATO"; foi "o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi". Uma peça do International Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos "rebeldes" que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da NATO. 2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que "três semanas" antes da resolução da ONU já estavam em acção na Líbia "centenas" de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de "pequenos grupos da CIA" e de uma "ampla força ocidental a actuar na sombra", sempre "antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março". 3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: "A NATO que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra". Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise económica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das "nações não ocidentais" e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa, em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: "Nova Líbia, desafio Itália-França". Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético activismo de Sarkozy, "compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra económica, com um novo adversário: a Itália obviamente". 4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: "Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço". 5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: "Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa". Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi. 6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a NATO martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a protecção dos civis! E a imprensa, a "livre" imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a "notícia" segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta "notícia" caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra "nova" segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar. 7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a NATO apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o "Negus dos negreiros"; hoje a NATO exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o "ditador". Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: "O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: 'a guerra deve fazer-se', a guerra seguia-se efectivamente". Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma "liberal" daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os "monarcas absolutos" da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais. Agosto/2011 O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.com/ ; a versão em francês em http://www.legrandsoir.info/sept-points-sur-la-libye.html Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Cancele o recebimento aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110829/c8abae48/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 30 19:22:57 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 30 Aug 2011 19:22:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de__CATARINA_HELENA_ABI-E=C7AB___e___JO?= =?iso-8859-1?q?=C3O_ANTONIO_SANTOS_ABI-E=C7AB_____________________?= =?iso-8859-1?q?__-CCXXXI-?= Message-ID: <26516DA5A788469AABEFAFFDE1F11F33@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CATARINA HELENA ABI-EÇAB (1947 - 1968) Filiação: Helena Elias Xavier Ferreira e Trajano Xavier Ferreira Data e local de nascimento: 29/01/1947, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 08/11/1968, Vassouras (RJ) JOÃO ANTONIO SANTOS ABI-EÇAB (1943 - 1968) Filiação: Beatriz Abi-Eçab e João Abi-Eçab Data e local de nascimento: 04/6/1943, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 08/11/1968, Vassouras (RJ) Nascidos na capital paulista, Catarina e João Antônio se conheceram quando estudavam Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. João era um ativista estudantil. Fez parte da Comissão de Estruturação de Entidades, no 18º Congresso da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, realizado em Piracicaba, entre 4 e 9 de setembro de 1965, e do Diretório Acadêmico da Filosofia em 1966. Em 31/01/1967 esteve detido no DOPS, sendo indiciado por terrorismo. Foi solto por habeas-corpus. João e Catarina se casaram em maio de 1968. Morreram juntos, no dia 8/11/1968, na BR-116, altura da cidade de Vassouras (RJ). Durante três décadas, não havia sido possível contestar a versão oficial indicando que o casal teria falecido em virtude de um acidente de carro. No veículo teriam sido encontrados uma mala com armamentos e grande quantidade de munição. Os legistas Pedro Saullo e Almir Fagundes de Souza estabeleceram como causa mortis "fratura de crânio com afundamento (acidente)". Os processos de Catarina Helena Abi-Eçab e de João Antonio Santos Abi-Eçab foram analisados em conjunto, porque uma única solução deveria ser dada aos dois pedidos. A CEMDP recebeu e anexou aos autos cópia do processo nº 206/69, com informações dos órgãos de repressão sobre o caso, arquivado no Superior Tribunal Militar (STM), e cópia do processo E-06/070928/2004, instaurado pelo Estado do Rio de Janeiro, buscando coletar informações sobre as circunstâncias das mortes documentadas no Arquivo do Estado. O relator colheu depoimentos de Aluísio Elias Xavier Ferreira e de Márcio Edgard Paoliello incumbidos pelas famílias de buscar os corpos na cidade de Vassouras. Apesar da referência sobre a realização de exame necroscópico nos corpos, nem o material vindo do estado do Rio de Janeiro ou o pesquisado no STM trouxe essa prova. Não há registro de perícia de local ou dos veículos, apenas da metralhadora encontrada. Os documentos oficiais afirmam a tese do acidente - o carro em que viajavam colidiu com a traseira de um caminhão, na BR-116, às 19h35. A polícia foi avisada às 20 horas, providenciando a remoção dos cadáveres e a recolha dos pertences das vítimas. Além da metralhadora e da munição, teriam sido encontrados dinheiro, livros e documentos pessoais. No Boletim de Ocorrência que registrou o acidente consta que "foi dado ciência à Polícia às 20 horas de 8/11/68. Três policias se dirigiram ao local constatando que na altura do km 69 da BR-116, o VW 349884-SP dirigido por seu proprietário João Antonio dos Santos Abi-Eçab, tendo como passageira sua esposa Catarina Helena Xavier Pereira (nome de solteira), havia colidido com a traseira do caminhão de marca De Soto, placa 431152-RJ, dirigido por Geraldo Dias da Silva, que não foi encontrado. O casal de ocupantes do VW faleceu no local. Após os exames de praxe, os cadáveres foram encaminhados ao necrotério local". Em abril de 2001, entretanto, denúncias feitas pelo repórter Caco Barcellos, veiculadas no Jornal Nacional (TV Globo), derrubaram a versão policial de acidente e mostraram que João e Catarina foram executados com tiros na cabeça. O jornalista entrevistou o ex-soldado do Exército Valdemar Martins de Oliveira, que relata algumas missões reservadas a ele atribuídas por órgão militar de segurança - entre elas a infiltração em grupos de teatro -, a prisão, tortura e a execução de um casal de estudantes pelo chefe da operação militar. A suspeita era de participação desses jovens na execução do capitão do exército norte-americano Charles Chandler. Valdemar reconheceu Catarina como presa, torturada e morta em um sítio em São João do Meriti e afirmou que os órgãos de repressão, após a execução, teriam forjado o acidente. Com base nesses relatos, Caco Barcelos entrou em contato com a família de Catarina, que concordou em exumar os restos mortais. Os laudos da exumação concluíram que a morte foi conseqüência de "traumatismo crânio-encefálico" causado por "ação vulnerante de projétil de arma de fogo", indo contra a hipótese de acidente. O relator, na tentativa de obter o laudo necroscópico realizado em 9/11/1968, fez diligência ao Conselho Regional de Medicina/RJ e conseguiu entrevistar, por telefone, o médico Almir Fagundes de Souza, cujo nome consta no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos como legista do exame necroscópico. Ele declarou que, "(...) admite a possibilidade de o Dr. Pedro Saullo, diante das informações prestadas pela Polícia e dada sua pouca experiência, sequer ter necropsiado a calota craniana. (...) que acredita que esse caso possa ser um dos primeiros casos analisados de Pedro Saullo (...)". A prova dos autos, segundo o relator, não autorizava a tese de acidente. Nenhum indício aponta para qualquer detonação de explosivos, hipótese que também foi aventada. A reportagem de Caco Barcellos e as providências que a ela se seguiram introduziram duas novas possíveis versões: 1) prisão, tortura e execução do casal, com preparo forjado de uma cena de acidente na seqüência; 2) perseguição do VW por agentes do Estado, com disparos fatais. O relator sustentou que ambas as hipóteses eram verossímeis e tinham amparo na prova, conduzindo ao mesmo resultado de responsabilização do Estado. E concluiu:... "presentes as condições legais e após detida análise de toda a prova defiro o pedido inaugural, reconhecida a condição de Catarina Helena Abi-Eçab e de João Antonio dos Santos Abi-Eçab como mortos por ação de agentes do Estado, no período previsto pela Lei". ===================================================================================================== + Informações. CATARINA ABI-EÇAB Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Estudante universitária morta, aos 21 anos de idade, em acidente de automóvel em 08 de novembro de 1968, às 19:00 horas, no km 69 da BR-116, próximo a Vassouras (RJ), quando o carro em que viajava com o marido Antônio Abi-Eçab, explodiu devido à detonação de explosivos que transportavam. O exame necroscópico de Catarina, realizado em 9/11/68, no Instituto Médico Legal de Vassouras e firmado pelos Drs. Pedro Sarillo e Almir Fagundes de Souza, dá como "causa mortis" fratura de abóboda craniana provocada por instrumento contundente. Foi sepultada por sua família no Cemitério do Araçá/SP. JOÃO ANTÔNIO ABI-EÇAB Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Estudante universitário, morto em acidente de automóvel em 08 de novembro de 1968, às 19:00 horas, no km 69 da BR-116, próximo a Vassouras (RJ) com sua esposa Catarina Helena Abi-Eçab, quando o carro em que viajavam explodiu em conseqüência da detonação de explosivos que transportavam. Foi sepultado por sua família. ============================================================================================= + Informações. CATARINA HELENA ABI-EÇAB (1947-1968) Nascida na capital paulista, Catarina, militante da ALN, era casada, desde maio de 1968, com João Antônio Santos Abi-Eçab, também integrante da organização. Eles se conheceram quando estudavam filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. João era ativista estudantil. Morreram no dia 8 de novembro de 1968, na BR-116, altura da cidade de Vassouras (RJ). Durante três décadas, não havia sido possível contestar a versão oficial de que os dois teriam falecido em virtude de um acidente de carro. No veículo, teriam sido encontradas armas e grande quantidade de munição. Os legistas Pedro Saullo e Almir Fagundes de Souza estabeleceram como causa mortis "fratura de crânio com afundamento (acidente)". A Comissão recebeu documentos dos órgãos de repressão sobre o caso, arquivados no Superior Tribunal Militar (STM), e cópia do processo instaurado pelo Estado do Rio de Janeiro, buscando coletar informações sobre as circunstâncias das mortes. No boletim de ocorrência que registrou o acidente, consta: "foi dado ciência à polícia às 20 horas de 8/11/68. Três policiais se dirigiram ao local, constatando que na altura do km 69 da BR-116, o VW 349884-SP, dirigido por seu proprietário João Antônio dos Santos Abi-Eçab, tendo como passageira sua esposa, Catarina Helena Xavier Pereira (nome de solteira), havia colidido com a traseira do caminhão de marca De Soto, placa 431152-RJ, dirigido por Geraldo Dias da Silva, que não foi encontrado. O casal de ocupantes do VW faleceu no local. Após os exames de praxe, os cadáveres foram encaminhados ao necrotério local". Em abril de 2001, entretanto, denúncias feitas pelo repórter Caco Barcellos, veiculadas no Jornal Nacional, da TV Globo, derrubaram tal versão e mostraram que João e Catarina foram executados com tiros na cabeça. O jornalista entrevistou o ex-soldado do Exército Valdemar Martins de Oliveira, que relatou algumas missões atribuídas a ele pelo órgão militar de segurança - entre elas a infiltração em grupos de teatro -, e a prisão, tortura e execução de um casal de estudantes pelo chefe da operação militar. A suspeita era de participação desses jovens na execução do capitão do Exército norte-americano Charles Chandler =============================================================================================================== + Detalhes. João Antônio Abi-Eçab Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Estudante universitário, morto em acidente de automóvel em 08 de novembro de 1968, às 19:00 horas, no km 69 da BR-116, próximo a Vassouras (RJ) com sua esposa Catarina Helena Abi-Eçab, quando o carro em que viajavam explodiu em conseqüência da detonação de explosivos que transportavam. Foi sepultado por sua família. 02/04/2001 - 21:37:56 Jornal Nacional revela assassinato de dois jovens por militares em 1968 Globo.com O Jornal Nacional de hoje mostrou a primeira parte de uma reportagem do jornalista Caco Barcellos sobre o assassinato de dois jovens estudantes de filosofia pela ditadura militar, em 1968. A investigação, que durou um ano, revela que Catarina Helena e João Antônio Abiassabi, que moravam na cidade da Vassouras (RJ), foram torturados e mortos por militares por terem supostamente participado da morte de um agente da CIA no Brasil. Quem revela a história é Waldemar de Oliveria, que era recruta do exército e foi deslocado para atuar como espião junto a possíveis inimigos do regime militar. Uma das missões de Waldemar foi a de seguir estudantes suspeitos do assassinato do agente da CIA em bares da Cinelândia e Vila Isabel, no Rio. Waldemar acabou apontando um casal com os codinomes Leocádia Cristina e Edenilson como possíveis envolvidos. Ele conta que o casal foi retirado algemado e amordaçado da casa onde moravam e colocado no porta-malas de um automóvel, sendo levados para a Floresta da Tijuca e depois para a casa de um coronel do exército em S. João de Meriti (subúrbio do Rio), onde a mulher teria sido despida e espancada cruelmente. Mas o fim do casal chegaria depois, quando o chefe da operação acertou Catarina Helena e João Antônio com tiros fatais. Os corpos foram jogados no quintal da casa, onde hoje se encontra um shopping center. Amanhã, o Jornal Nacional vai mostrar a segunda parte da reportagem sobre o assassinato. Jornal Último Segundo - 04/04/2001 RIO - A Comissão Especial de Mortes e Desaparecidos, que apura o que aconteceu com os presos políticos durante o regime militar, que está com os trabalhos parados desde 1998 por falta de dados novos, pode voltar a se reunir. O presidente da comissão, advogado Miguel Reale Júnior, disse ao Último Segundo, que a série de denúncias que têm chegado à imprensa podem motivar a reativação dos trabalhos. "Os membros da comissão estão verificando a veracidade das informações veiculadas nas reportagens. Se for comprovado que há motivo para a retomada, não hesitaremos em fazê-lo", disse. Para o presidente da comissão duas matérias são o alvo principal das verificações: a publicada no jornal O DIA em 22 de março, revelando uma associação entre policiais cariocas e um esquema de execução de presos políticos e a do Jornal Nacional de segunda-feira e terça-feira, falando sobre a tortura e a execução de um casal de ativistas que teriam matado um agente da CIA. O grupo Tortura Nuca Mais está conversando com os membros da comissão para tentar agilizar o retorno aos trabalhos. =================================================================================================== + Informações. (do livro Luta, substantivo feminino) CATARINA HELENA ABI-EÇAB (1947-1968) Filiação: Helena Elias Xavier Ferreira e Trajano Xavier Ferreira Nascida na capital paulista, Catarina, militante da ALN, era casada, des¬ de maio de 1968, com João Antônio Santos Abi-Eçab, também integrante da organização. Eles se conheceram quando estudavam filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. João era ativista estudantil. Morreram no dia 8 de novembro de 1968, na BR-116, altura da cidade Data e local de nascimento: 1899, Síria Data e local da morte: 1/4/1964, Rio de Janeiro (RJ) Data e local de nascimento: 29/1/1947, São Paulo (SP) Data e local da morte: 8/11/1968, Vassouras (RJ) de Vassouras (RJ). Durante três décadas, não havia sido possível contestar a versão oficial de que os dois teriam falecido em virtude de um acidente de carro. No veículo, teriam sido encontradas armas e grande quantidade de munição. Os legistas Pedro Saullo e Almir Fagundes de Souza estabelece¬ ram como causa mortis "fratura de crânio com afundamento (acidente)". Os processos de Catarina Helena Abi-Eçab e de João Antônio Santos Abi-Eçab na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) foram analisados em conjunto, porque uma única solução de¬ veria ser dada aos dois pedidos. A Comissão recebeu documentos dos órgãos de repressão sobre o caso, arquivados no Superior Tribunal Militar (STM), e cópia do processo instaurado pelo Estado do Rio de Janeiro, buscando coletar informações sobre as circunstâncias das mortes. Nascida da cisão do PCB, a ALN . oi a organização de maior expressão e contingente entre os grupos de guerrilha urbana que atuaram entre 1968 e 1973. Sua história está indissoluvel¬ mente ligada ao nome de Carlos Marighella, antigo dirigente do PCB. Crítico da linha oficial desse partido, propôs a resistência armada após 1964 e, no campo das alianças, a troca do binômio burguesia- proletariado pelo proletariado-campesinato. Desde seu nascimento, a ALN es¬ tabeleceu fortes laços com Cuba. "A ação faz a vanguarda" torna-se lema central da organização, que passa a realizar operações de forte impacto, como o sequestro do em¬ baixador americano no Brasil, em conjunto com o MR-8. A escalada repressiva que se seguiu, no entanto, terminou por atingir Marighella, executado em 4 de novembro, em São Paulo. Sua morte abalou a capa¬ cidade de ação da ALN, que passa a dar ênfase à implementação de uma "Frente Revolucionária" com as demais organiza¬ ções de guerrilha urbana, conhecida como "Frente Armada". Mas a sequência de prisões e a ferocidade da repressão acaba¬ riam comprometendo a sobrevivência do grupo, que se desarticulou definitivamente entre abril e maio de 1974. Apesar da referência à realização de exame necroscópico nos corpos, nem o material vindo do Estado do Rio de Janeiro nem o pesquisado no S TM trouxe essa prova. Não há registro de perícia do local ou dos veículos, apenas da metralhadora encontrada. Os documentos oficiais afirmam a tese do acidente - o carro em que viajavam colidiu com a traseira de um caminhão, na BR-116, às 19h35. A polícia foi avisada às 20 horas, providenciando a remoção dos cadáveres e o recolhimento dos pertences das vítimas. Além de metralhadora e munição, teriam sido encontrados dinheiro, livros e documentos pessoais. No boletim de ocorrência que registrou o acidente, consta: "foi dado ciência à polícia às 20 horas de 8/11/68. Três policiais se dirigiram ao local, constatando que na altura do km 69 da BR-116, o VW 349884-SP, dirigido por seu proprietário João Antônio dos Santos Abi-Eçab, tendo como passageira sua esposa, Catarina Helena Xavier Pereira (nome de solteira), havia colidido com a traseira do caminhão de marca De Soto, placa 431152-RJ, dirigido por Geraldo Dias da Silva, que não foi encon¬ trado. O casal de ocupantes do VW faleceu no local. Após os exames de praxe, os cadáveres foram encaminhados ao necrotério local". Em abril de 2001, entretanto, denúncias feitas pelo repórter Caco Barcellos, veiculadas no Jornal Nacional, da TV Globo, derrubaram tal versão e mostraram que João e Catarina foram executados com tiros na cabeça. O jornalista entrevistou o ex-soldado do Exército Valdemar Martins de Oliveira, que relatou algumas missões atribuídas a ele pelo órgão militar de segurança - entre elas a infiltração em grupos de teatro -, e a prisão, tortura e execução de um casal de estudantes pelo chefe da operação militar. A suspeita era de participação desses jovens na execu¬ ção do capitão do Exército norte-americano Charles Chandler. Valdemar reconheceu Catarina como presa, torturada e morta em um sítio em São João do Meriti (RJ), e afirmou que os órgãos de re¬ pressão, após a execução, teriam forjado o acidente. Com base nesses relatos, Caco Barcellos entrou em contato com a família de Catarina, que concordou em exumar os restos mortais. Os laudos da exumação concluíram que a morte foi consequência de "traumatismo crânio-encefálico", causado por "ação vulnerante de projétil de arma de fogo". O relator do caso na CEMDP, na tentativa de obter o laudo necroscópico realizado em 9 de novembro de 1968, fez diligência no Conse¬ lho Regional de Medicina do Rio de Janeiro e conseguiu entrevistar, por telefone, o médico Almir Fagundes de Souza, cujo nome consta do Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos como legista do exame necroscópico no casal. Ele declarou que, "[...] admite a possibilidade de o dr. Pedro Saullo, diante das informações prestadas pela polícia e dada sua pouca experiência, nem sequer ter necropsiado a calota craniana. [... ] que acredita que esse caso possa ser um dos primeiros casos analisa¬ dos de Pedro Saullo [...]". f A Comissão Especial sobre dos Deputados, a Comissão Especial Mortos e Desaparecidos Politi- analisou, investigou e julgou 339 casos, cos (CEMDP) foi criada pela Lei garantindo a indenização para as fami- 9.140, em dezembro de o 1995, com lias de 221 vitimas e indeferindo 118 pe- O.. as atribuições de examinar os casos didos. Além desses, 136 outros mortos e de assassinados e desaparecidos poli- desaparecidos já constavam do anexo à ticos na ditadura, avaliar a concessão Lei 9.140, sendo considerados deferidos de indenizações e localizar os restos ex officio. O levantamento das informamortais das vitimas que não foram se- ções foi feito com base em depoimentos pultadas. Formada por representantes de ex-presos politicos e de agentes dos do governo federal, Forças Armadas, órgãos de repressão da época, e em do- Ministério Público Federal, familiares cumentos dos arquivos secretos já localidos mortos e desaparecidos e Câmara zados e abertos para consulta. A prova dos autos, segundo o relator, não autorizava a tese de aci¬ dente. Nenhum indício aponta para qualquer detonação de explosivos, hipótese que também foi aventada. A reportagem de Caco Barcellos e as providências que se seguiram introduziram duas novas possíveis ver¬ sões: a primeira delas, de que o casal teria sido preso, torturado e executado e, em seguida, os militares teriam forjado uma cena de acidente; a segunda, de que o carro de ambos teria sido perseguido por agentes do Estado, que teriam efetuado os disparos fatais. ================================================================================================================ + Detalhes. 24/03/2003 - 08h39 Mais que indenização, parentes pedem reconhecimento do Estado da Folha de S.Paulo Mais do que indenização, os familiares dos militantes políticos desaparecidos dizem querer o reconhecimento do Estado e a verdade do que ocorreu a eles no momento em que se encontravam em poder da polícia. A Folha conversou com cinco famílias. As histórias são distintas, mas, em geral, todos narram as mesmas frustrações quando tentaram obter informações de órgãos de Estado. O processo de reconhecimento movido pela família do estudante José Wilson Lessa Sabbag, morto em São Paulo em 1969, mostra essa "ginástica" a que os familiares têm de se submeter para enquadrar o pedido na lei em vigor. Sabbag foi preso por policiais do DOPS (Departamento de Ordem e Política Social) após ser reconhecido na rua e levou um tiro. Pela versão oficial, ele teria sido morto em uma troca de tiros na rua, situação que a lei não prevê. O presidente do Tortura Nunca Mais de Goiás, Waldomiro Batista, revirou arquivos do IML (Instituto Médico Legal) paulista. Encontrou um boletim de ocorrência de 1969 que registra a passagem de Sabbag pelo plantão policial. Com essa prova, o processo poderá ser aceito pela comissão. Os irmãos dos estudantes João Antonio Abi-Eçab e Catarina Helena Abi-Eçab, mortos aos 24 e 21 anos, respectivamente, também têm provas do envolvimento da polícia na morte do casal, em 1968. A versão contada à família foi a de que os dois teriam morrido em um acidente de carro. Quase 30 anos depois, uma exumação no corpo de Catarina mostrou que ela havia levado um tiro na nuca e, somente depois, colocada no carro. "Na época, em nossa ignorância ou inocência, nem imaginávamos o que teria ocorrido", disse a irmã do estudante, Mariliana Santos Abi-Eçab. Outro caso que também não se encaixa na lei em vigor é o do estudante Abílio Clemente Filho, que, aos 22 anos, desapareceu na praia de Santos, em 1971. Caçula de uma família humilde, Abílio foi o único dos nove irmãos a estudar. "Eu achava que ele tinha perdido a memória. Há pouco tempo fiquei sabendo que ele era do movimento estudantil", disse a irmã Helena Ibanês Morins, 70. Em sua época de sindicalista, o presidente Lula conheceu Nativo da Natividade, fundador do PT em Goiás. A família de Natividade, morto pela polícia em 1985, espera hoje que o presidente reconheça a responsabilidade do Estado em sua morte. A foto de Lula e de Natividade foi feita no início da década de 80. ==================================================================================================================== FICHA Catarina Abi-Eçab Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Catarina Abi-Eçab Atividade: Estudante universitária Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 8/11/1968 Vassouras RJ Brasil km 69 da BR-116 Clandestinidade Dados da repressão Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Almir Fagundes de Souza, Pedro Sarillo João Antônio Abi-Eçab Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: João Antônio Abi-Eçab Atividade: Estudante universitário Dados da Militância Organização: (na qual militava) Vanguarda Popular Revolucionária VPR Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 8/11/1968 Vassouras RJ Brasil km 69 da BR-116 Clandestinidade -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110830/190c7eea/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10532 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110830/190c7eea/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110830/190c7eea/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 30 19:23:05 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 30 Aug 2011 19:23:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Saulo_Gomes_autografa_na_Bienal_?= =?iso-8859-1?q?do_Rio_=7C_As_M=E3es_de_Chico_Xavier?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Se você não conseguir visualizar esta mensagem, acesse este link -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110830/c6e63824/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 31 19:50:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 31 Aug 2011 19:50:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__LUIZ_GONZAGA_DOS_SANTOS______________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CCXXXII-?= Message-ID: <54978CE46FB54B3CB8A67435521A0D1F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LUIZ GONZAGA DOS SANTOS (1919 - 1967) Filiação: Maria Domingos dos Santos e Napoleão Clementino dos Santos Data e local de nascimento: 18/06/1919, Natal (RN) Organização política ou atividade: ex-vice-prefeito de Natal Data e local da morte: 13/09/1967, Recife (PE) Vice-prefeito de Natal em abril de 1964, quando era prefeito Djalma Maranhão, Luiz Gonzaga dos Santos já tinha sido preso no próprio gabinete, logo nos primeiros dias do novo regime, permanecendo sete meses detido e submetido, em seguida, a reiterados constrangimentos e perseguições. Casado com Maria de Lourdes Barbalho dos Santos, com quem teve dois filhos, era definido em jornais da época como político "ligado às hostes esquerdistas e ao presidente João Goulart". Ao ser libertado, mudou-se com a família para Niterói (RJ), trabalhando como comerciante. Em meados de 1967, Luiz Gonzaga recebeu, em Niterói, nova ordem de prisão, decorrente de condenação pela Auditoria da 7ª Região Militar, de Recife. Sob custódia, recebia a visita diária da família. Em setembro, os familiares foram comunicados de que ele havia sido transferido para Recife. Dois dias depois, receberam a notícia de seu falecimento. Na certidão de óbito consta como data da morte 13/09/1967. O óbito ocorreu no Hospital Geral do Recife, causado por "edema agudo do pulmão e insuficiência cardíaca", conforme o legista Elói Faria Telles. Documentos obtidos no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro mostram que Luiz Gonzaga dos Santos fora condenado, à revelia, a pena de detenção, em 16/06/1967, por crime contra a segurança nacional. Consta ainda, nos autos do processo na CEMDP, ofício de 11/09/1967, proveniente da Companhia de Guardas, apresentando a vítima ao Diretor do Hospital Geral de Recife. Nele se faz menção a um prévio entendimento verbal entre as autoridades, bem como ao precário estado de saúde do preso, apontando-se problema de insuficiência cardíaca. Pelas informações constantes no processo, a morte teria ocorrido dois dias depois, em 13/09/1967. Conforme o relator na CEMDP, "não se pode duvidar, de acordo com avaliação do caso, que Luiz esteve preso, em Recife, quando morreu. O motivo específico da prisão não está comprovado, mas é certo que se tratava de pessoa com envolvimento político contrário ao regime então estabelecido e morto sob guarda do Estado". ============================================================================================================================ + Informações. Socorro negado Luiz Gonzaga dos Santos (18/6/1919 - 13/9/1967) DHnet Luiz Gonzaga era vice-prefeito de Natal quando ocorreu o Golpe Militar de 1964, ocasião em que era prefeito Luiz Inácio Maranhão Filho (dirigente do PCB desaparecido em 1974 e incluído no anexo da Lei 9.140/95). Luiz Gonzaga nasceu em Natal e era filho de Napoleão Clementino dos Santos e Maria Domingos dos Santos. Casou-se com Maria de Lourdes em 1947. Foi preso no dia 2 de abril em seu gabinete de trabalho. No mesmo dia, sua casa foi revistada. Maria de Lourdes e seus filhos, Maria Jurema e Eduardo Silvino, passaram a conviver com prisões, perseguição, tensão, angústia, tristeza, insônia e falta de dinheiro. Além de cassado por Ato Institucional, o pagamento dos seus vencimentos no IAPAS foi suspenso. Ficou preso por sete meses em quartel. Visitas só uma vez por semana. Quando voltou, sua casa estava alugada e era a única renda da família. Mudou-se com a família para Niterói, onde passou a viver como comerciante. Em 16 de junho de 1967 foi condenado à revelia pela auditoria da 7ª Região Militar no Recife a 15 anos de prisão. No dia 1º de agosto de 1967 foi preso em Niterói e conduzido ao quartel do Exército no bairro de Neves. Certo dia, Maria de Lourdes foi visitá-lo e recebeu a informação de que o marido fora conduzido ao Recife, "para ser indultado". Dois dias depois foi informada de que ele estava morto e já fora enterrado, no Cemitério de Santo Amaro, no Recife. Ele tinha 48 anos. O Atestado de Óbito, assinado por Elói Faria Telles, dá como causa da morte "edemia aguda do pulmão e insuficiência cardíaca" e, como local do óbito o Hospital Geral do Exército, na capital de Pernambuco. Data da morte: 13 de setembro de 1967. O relator Paulo Gonet Branco, apoiando-se em documentos, registra que Luiz Gonzaga dos Santos tinha histórico de cardíaco e que um boletim do Hospital Geral do Exército deixa claro que, quando foi internado, tinha apresentado há três dias vômitos e falta de ar. Houve, portanto, retardo na prestação de auxílio ao preso, o que "atrai a responsabilidade civil do Estado". Seu voto pelo deferimento foi acompanhado por todos os integrantes da Comissão Especial (7 x 0) em 10 de abril de 1997. ========================================================================================================= Ficha Luiz Gonzaga dos Santos Ficha Pessoal Dados Pessoais Nome: Luiz Gonzaga dos Santos Cidade: (onde nasceu) Natal Estado: (onde nasceu) RN País: (onde nasceu) Brasil Data: (de nascimento) 18/6/1919 Dados da Militância Prisão: 2/4/1967 Natal RN Brasil em seu gabinete 1/8/1967 Niterói RJ Brasil Morto ou Desaparecido: Morto 13/9/1967 Recife PE Brasil Hospital Geral do Exército Clandestinidade Dados da repressão Orgãos de repressão (envolvido na morte ou desaparecimento) Polícia do Exército PE Brasil Médico legista: (envolvido na morte ou desaparecimento) Elói Faria Telles -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110831/6be30901/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9027 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110831/6be30901/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 31 19:50:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 31 Aug 2011 19:50:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_UM_FAMOSO_CIENTISTA_ITALIANO_ES?= =?windows-1252?q?CREVE_SOBRE_A_NEGATIVA_DE_EXTRADI=C7=C3O_DE_CESAR?= =?windows-1252?q?E_BATTISTI_PELO_GOVERNO_BRASILEIRO?= Message-ID: <074AF004170042C1B3F8265A30D6EFA4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Um Físico Escreve sobre Cesare Battisti Carlos A. Lungarzo AIUSA 9152711 Esta matéria contém, após esta introdução minha, um artigo do físico italiano Franco Piperno, um importante dirigente da esquerda alternativa durante os anos 70 e atual especialista em física da matéria, sobre Cesare Battisti, a quem pouco conhece e do qual não é amigo pessoal, o que dá garantia de raciocínio isento. Hoje em dia, é difícil encontrar, nos países latinos, cientistas que se ocupem de problemas de direitos humanos, mas é muito interessante a colaboração entre o rigor e a objetividade do cientista, com a sensibilidade do ativista humanitário, como se encontra neste artigo. Observando a vida pública italiana de nosso tempo, pode ser difícil imaginar que o país já teve a cultura mais interessante do planeta, cujos rastos sobreviveram dispersos e fragmentados, tanto nas propostas sociais e comportamentais da esquerda alternativa dos anos 70, como nas novas formas da excelente filmografia das últimas décadas, e em vários outros aspectos. Mas, quando a Itália era uma região de estados independentes, unidos por alguns nexos culturais (entre eles, a língua), nela floresceu o Renascimento, o Humanismo, o direito moderno com o célebre Marquês de Beccaria, e uma abundância de arte e literatura que inspirou o maior escritor da história, William Shakespeare, a situar em Verona e Veneza quatro de suas melhores peças. Nem sempre houve fascismo nem máfia, e nem sempre o poder papal, que se apossou ?espiritualmente? de toda a península, reinou em todos os estados, alguns dos quais foram exemplo de iluminismo, secularidade e tolerância. Além de tudo, a Itália criou a ciência experimental. Com efeito, antes da Galileu Galilei (1564-1642), a experimentação era uma curiosidade escondida nos porões de alguns ?hereges? como Roger Bacon, que conseguiram florescer apenas em países como a Inglaterra a Dinamarca, ou a Holanda. Antes da Galileu, a única ciência desenvolvida era a matemática, que não entrava em conflito com a Igreja porque não interferia na teologia cristã. (A astronomia clássica é, em grande medida, matemática aplicada e não uma ciência empírica.) O apogeu da ciência italiana, preanunciado pela filosofia natural de Giordano Bruno e o universalismo de Leonardo da Vinci, foi atingido entre os séculos XVI e XVIII com os grandes matemáticos da escola de Cardano, e os físicos posteriores a Galileu, especialmente com os pesquisadores em fluídos como Torricelli. Entretanto, a furiosa perseguição do papado contra os novos hereges fechou não apenas as portas da Itália, mas também de quase todo o Mediterrâneo ao pensamento científico. Na Itália ficaram algumas grandes figuras, porém isoladas e sem possibilidade de formar escola, como os famosos Alessandro Volta e Luigi Galvani, concorrentes no desenvolvimento do eletromagnetismo. Mas, a unificação não foi auspiciosa para os cientistas, e o fascismo muito menos. Quando, em 1938, o Duce adoptou a política racial do nazismo, alguns físicos e matemáticos judeus, como Federigo Enriques (Livornio, 1871-1946) e Beppo Levi (1875-1961), ou ainda outros casados com esposas judias, como Enrico Fermi (1901-1954), deveram exilar-se. Por sua vez, Bruno Pontecorvo (1913-1993), judeu e comunista, fugiu a Paris em 1936, depois aos EEUU, quando os nazistas atacaram a França, e finalmente, em 1950 à URSS. Das grandes figuras da física do século XX, Guglielmo Marconi foi um dos poucos que no sofreu perseguição. Com o fim do fascismo, as estruturas científicas modestas que ficaram, conseguiram recompor uma escola de físicos razoável. Mas a violência política dos Anos de Chumbo, também afetou a ciência. Físicos italianos foram colocados sob suspeita por sustentar uma visão democrática e igualitária da sociedade. Não deve parecer esquisito, então, que este artigo apresente um pesquisador e professor de física que também fora um relevante dirigente de grupos autonomistas. A repressão italiana dos anos 70 foi uma das mais violentas na história do país. A data de 7 de abril de 1979 está marcada na memória da esquerda italiana. Foi o dia em que o procurador de Padua, Pietro Calogero (n. em 1936, Messina), próximo do neo-stalinismo, fez uma grande blitz contra intelectuais. Entre eles estava o físico Franco Piperno, cujo trabalho sobre Cesare Battisti apresentamos neste post. Franco Piperno (nascido em Catanzaro, na Calabria, em 1942) foi, junto com Toni Negri, fundador do movimento Potere Operaio e um de seus líderes principais junto com Oreste Scalzone, Lanfranco Pace e Valerio Morucci. Tinha sido membro do Partido Comunista Italiano, mas foi expulso durante a agitação estudiantil de 1968, da qual foi um dos principais líderes. Durante o Verão de 1969, participou das lutas sindicais na Fiat, e, no final de 1969, fundou juntamente com outros grupos políticos Potere Operaio. Foi, ao mesmo tempo, Secretário nacional e reconhecido líder com Toni Negri, Oreste Scalzone e Sergio Bologna. Tentou ser mediador no caso de Aldo Moro, e tentou dialogar com o Presidente democrata-cristão Amintore Fanfani, mas, como sabemos, a morte de Moro convinha à direita italiana e os EEUU. Piperno foi um dos que denunciou publicamente que a Itália estava vivendo uma guerra civil em pequena escala. Após o nefasto "7 de abril? foi acusado de ser um dos apoiadores armados da Autonomia Operaia, e fugiu a França, sendo ele também um beneficiado pela doutrina de François Mitterrand. Posteriormente se deslocou ao Canadá. Piperno continuou refletindo sobre política e sociedade e publicou vários livros e numerosos artigos baseados em suas reflexões. Franco formou-se em física na Universidade de Pisa (a mesma de Galileu) em 1967, e fez aperfeiçoamento em Roma e Trieste. Publicou vários artigos e quatro livros sobre física da matéria, mecânica quântica, física nuclear e astronomia. Atualmente es professor associado (efetivo) de Física da matéria na Universidade da Calábria. O artigo sobre Cesare Battisti é muito interessante pela objetividade e racionalidade com que trata o problema da extradição exigida pela Itália. Agradeço ao autor por permitir sua tradução e publicação; e a Cesare Battisti por ter revisado minha tradução. Original Si iscrisse al Partito Comunista Italiano ma ne venne espulso prima dei moti studenteschi del 1968. Lembrar para Julgar O caso Battisti, a desinformação brasileira e a mentira italiana Franco Piperno Partamos de alguns fatos para depois, através do exercício da dúvida, chegar a uma certeza que se conclui com um ?caveat?. Primeiro Fato Battisti foi condenado pelos magistrados milaneses, há trinta anos, por gravíssimos crimes. Em particular, a sentença definitiva lhe atribui 4 homicídios. Por dois destes crimes é acusado de responsabilidade moral. Ele se proclama inocente. A autoridade política do Brasil, país regido por um regime considerado democrático pela diplomacia ocidental, lhe há concedido o status de imigrante em consideração da natureza política dos delitos dos quais é acusado e dos processos sucessivos que o têm envolvido. Em outras palavras, o governo brasileiro tem julgado que o desenvolvimento dos processos dos anos 70, quando estavam em vigor as ?leis especiais contra o terrorismo?, estava gravemente eivado pelos procedimentos emergenciais adotados pelo estado italiano, para fazer frente a uma revolta social, uma ?insurgência de massa?, sem precedentes na história do país. Segundo Fato Este juízo negativo não é certamente uma surpresa, uma ofensa inesperada e irresponsável à dignidade do nosso país, devida ao mau conhecimento da história italiana, em particular, da mais recente. De fato, nestes 30 anos, aconteceu muitas vezes que os requerimentos de extradição, pedidos por nossa magistratura pelos delitos referidos aos ?anos de chumbo? foram formalmente rejeitados pela autoridade estrangeira, com motivações totalmente análogas à formuladas, há algumas semanas, pelo presidente brasileiro saliente Lula da Silva. Aconteceu assim com o Canadá, a Suíça, a Alemanha, a Grã Bretanha, a Suécia, a Nicarágua, a Argentina, o Japão, para não falar da habitual França. La possibilidade de que as autoridades de todos estes países errassem no julgamento e carecessem de informações sobre nosso país é pouco provável. Parece mais provável, pelo contrário, que exista no sistema político italiano uma compulsão para voltar a suas origens, uma vontade surda de continuar sua legitimação com base na repressão dos movimentos revolucionários dos anos 70; ou, para dizê-lo com os chavões mediáticos, com base no mérito de ter salvado a república democrática do terrorismo vermelho, omitindo, talvez por modéstia, sua poderosa contribuição a gera-lo. Assim, então, qualquer episódio que coloque dúvidas sobre as medidas liberticidas adotadas naquela época, e também sobre as sentenças judiciais naquele período, é visto pela classe política com emoção transversal, não desprovida de histeria, com a maioria e a oposição atuando conjuntamente, como se fosse um atentado à credibilidade do poder. Em soma, será que o presidente Lula erra em seu juízo sobre a tragédia italiana dos anos setenta, ou erra o presidente Napolitano a promover irresponsavelmente a gesta do companheiro [Ugo] Pecchioli [senador e ministro comunista] ministro sombra da polícia e ator protagonista naquela tragédia? Terceiro Fato É paradoxal que o presidente do Conselho [ou seja, o premiê; o autor se refere aqui a Silvio Berlusconi] e o ministro da justiça [Angelino Alfano] se lamente da escassa consideração em que é tida nossa magistratura junto à autoridade brasileira, quando ambos, ao uníssono e cotidianamente, denunciam a ?doença italiana?, o uso político da justiça por partes dos juízes. Depois de tudo, pode acontecer que Lula leia, de tanto em tanto, o jornal de família ou escute il noticiário do TG1... [O autor se refere ao Tele Giornale 1, o nome dos telejornais do Canal de TV Rai Uno] Talvez, Berlusconi e Alfano acreditem, de boa fé que esta distorção do papel da ordem judiciária, esta doença institucional, tenha sido contraído só recentemente, quando o mesmo Berlusconi, [Cesare] Previti [ex-ministro de defesa] e [Marcello] dell?Utri [ambos íntimos colaboradores de Berlusconi] têm ficado capturados naquela rede. Talvez, eles parecem acreditar que nos anos 70 a situação era diferente, e que então sim que a magistratura era confiável e imparcial e os juízes não se candidatavam a deputados. Lamentavelmente, podemos testemunhar, alguns entre nós por experiência direta, que não era assim, o vicio é velho para não dizer antigo. Ainda, para falar verdade, os métodos judiciários eram, com certeza, mais sumários e cruéis nessa época do que hoje, e a imprensa, toda a imprensa, como mínimo, mentia por omissão. Ainda, devemos neste sentido, por honestidade intelectual, notar que, então, não se tratou só de pulsões reacionárias de um bom número de juízes, mas da exiguidade do poder político que, incapaz de mediar, de desenvolver seu papel, acabou tratando aquele áspero confronto social como um problema de ordem pública, confiando a solução, através da legislação de emergência, à policia e à magistratura. Esta delegação do poder político na polícia está ainda em vigor, nesta Segunda República, quando se volta a invocar, por um motivo ou por outro, aqueles anos; e isto com próprias razões, porque a 2ª República é uma consequência não tanto da desaparição da União Soviética, e ainda menos da corrupção de Targentopoli, que continua mais vigorosa do que no começo; porém, a insurreição armada de estudantes e operários foi gerada no sentido de provocar, por assim dizer, a rotura do galho e a descoberta do verme: la emergência na consciência coletiva do país, do ?dar-se conta? da verdadeira natureza das instituições republicanas nascidas da Resistência, aquele vazar de lagrimas e sangue deflagrado pelas leis liberticidas e pela licença para matar conferida à máquina repressiva do estado. A Dúvida Nós nutrimos mais de uma dúvida sobre as sentenças articuladas entorno do nebuloso instrumento jurídico da responsabilidade moral. E isto vale para Battisti como para [Adriano] Sofri, quaisquer que sejam as diferenças pessoais e humanas entre ambos. De fato, em apoio da racionalidade de nossa perplexidade, poderemos mostrar aqui centenas e centenas de casos de ordinária iniquidade acontecidos nesses anos, quando a responsabilidade moral vinha regada com certa generosidade a esquerda e direita; e, por consequência, a ?melhor parte? do país, cerca de 5000 jovens e menos jovens, tem conhecido o exílio, o cárcere, a tortura, e a morte em dezenas de casos; apresentada alguma vez até na forma bizarra da ?doença ativa?, para a defenestração desde os andares altos da delegacia, durante um interrogatório de polícia, como aconteceu em Milão; ou, de maneira vil, execuções sumárias enquanto, ainda, o sono da primeira parte da manhã tornava as pessoas indefesas, como em Genova. Parece-nos evidente que a responsabilidade moral é uma circunstância difícil de aferir; e ter solicitado seu uso, soa como uma ordem de serviço surgida do aparato repressivo. O análogo da ?responsabilidade moral? dos anos 70 é, em nossos dias, o delito de ?associação externa? na máfia, hipótese legal de recente aparição na jurisprudência, porém desconhecida nos códigos ? também neste caso, a indeterminação intrínseca do crime, conjunto ao uso do cárcere especial, permite à repressão se exercer não tanto sobre os criminais quanto aterrorizar o tecido social na qual a criminalidade encontra a nutrição de suas raízes, alimenta um consenso que provém da pertinência à mesma cultura. A Certeza Suponhamos também que os processos aos quais tem sido submetido Battisti se tenham celebrado na rigorosa obediência das garantias que a leis ordinárias outorgam ao imputado; e que as provas oferecidas pela acusação sejam resultado de uma evidência deslumbrante ¾ o que, enfatizo, é quase totalmente improvável. Ainda neste caso, fica um argumento forte a favor de Battisti, no sentido de que, apesar dos crimes cometidos, convém que seja restituído à vida civil, ou pelo menos deixado em paz, com seus turbamentos e remorsos, no país que decidiu acolhê-lo. Isto concorda com a Constituição, tão frequentemente invocada de maneira retórica e demasiadas vezes traída. Em nossas leis fundamentais, a expiação da pena não é concebida como a primitiva aflição do réu, dirigida a punir a dor irreparável e o rancor compreensível das vítimas, dos familiares e dos amigos. Mais exatamente, a função civil da privação da liberdade e de outras sanções acessórias, é aquela de redimir o culpado, de modo que o término da pena coincida com a realização de seu fim e a expiação se conclua com a recuperação de um ser humano para a comunidade. Assim, nos parece que se pode concluir que, segundo a carta fundamental da república na qual nos há acontecido viver, Battisti tem terminado seu período de expiação; de fato, nos últimos 30 anos, vivendo num país ou em outro, nunca há violado os costumes e as leis. Por outro lado, seus livros, com seu discreto sucesso, testemunham que o processo de reinserção na vida civil já está positivamente concluído. Por outro lado, como já foi dito, as sentenças contra Battisti implicam a prisão perpétua; e só clima justiceiro [linchador] que envenena o debate italiano sobre o tema, pode explicar o esquecimento no qual tem caído a voz, racional e apaixonada, dos juristas democráticos que desde há tempo avançam colocando dúvida sobre a coerência de tal pena com o espírito e a letra do ordenamento constitucional. Assim, aquilo que a nossa melhor tradição jurídica nos permite aceitar, dificilmente poderia ser compartilhado pela autoridade de um país como o Brasil, onde a prisão perpétua é desconhecida. Por sinal, esta pena é considerado em muitas partes do mundo uma exceção desumana, mesmo se, entre nós, parece ter-se diluído o sentido de sua intrínseca e inútil crueldade. Para concluir sobre este ponto, o requerimento italiano de extraditar um condenado a prisão perpétua por um país onde nunca a pena acaba, é considerado uma ?tortura juridicamente legitimada? e resulta com toda evidência inadmissível. Todavia, na Italia, a mídia unanimemente não apenas considera que a extradição seja correta, mas julgam uma ofensa à dignidade nacional o fato que o Brasil não tenha resolvido concedê-la. Respeito e Piedade Nossa análise do caso Battisti não pode ignorar o trágico sofrimento aos quais estiveram sujeitos (algumas vezes, é bom dizer, por causa do fogo amigo) as vítimas e seus parentes. Mas, sendo que o mal feito não é reversível, a única possibilidade de resgatá-lo e tirar partido disso, aprender dos erros, por trágicos que possam ser. Isto quer dizer que o respeito que devemos às vítimas é o de reconstruir a verdade comum recolhida nos anos de chumbo, aquele período formidável, quando atuou a insurgência de massa contra os aspectos tirânicos do poder, suas mentiras e hipocrisias. Não teremos uma verdade comum se vem negada ou, ainda pior, privada daquela experiência, a inebriante paixão civil que há levado centenas de milhares de jovens e menos jovens a tomar a palavra em público, a tirar a humilhante máscara de súbdito, para virar cidadãos ativos, protagonistas de seu destino, artífices de sua realização. Também se isto tem implicado, como tem acontecido outras vezes na história, que se gerasse e se recebesse destruição e morte. Dizer a verdade quer dizer antes de tudo, rejeitar a blasfema redução da insurgência de massa à prática terrorista, dos rebeldes aos criminais. Deve-se partir do reconhecimento do fato de que a Itália, nos anos 60, teve uma pequena guerra civil, e, como em toda guerra, tanto as vítimas como os algozes estavam em ambas as partes. Só sob esta condição, é possível perceber um percurso de verdade, de crescimento interior de nosso país que o conduza a se liberar do senso de culpa que o oprime. De fato, que na Itália o poder público seja possuído de uma coação a repetir a mentira pública resulta evidente do uso cínico do sentimento de piedade com as vítimas (sentimento que vem deformado e representado de maneira despudora na forma de reivindicações teatralizadas; e, ao mesmo tempo, pelo silêncio, quebrado pela propagação de calúnias, dentro do qual é omitida a dor pelas outras vítimas, caídas sob o fogo dos tutores da ordem, quando não pela mano dos mercenários da reação), este último intento, em aqueles anos, mais ou menos secretamente, à subversão da república enquanto hoje sentam nos assentos do parlamento republicano. Caveat O caso Battisti, justamente porque não se pode dizer que seu protagonista é um herói, é a ocasião, o tempo justo para acertar contas publicamente com o passado, guardando a verdade para passa-la ao futuro. E é por isto que nós, conscientes da responsabilidade que assumimos, concluímos lembrado (aos desmemoriados herdeiros da classe política dos anos 70, altos funcionários da repressão, ex-mercenários) um antigo ditado da Magna Grécia [colônias gregas no sul da Itália entre os séculos VII e II a. C.], que soa ao mesmo tempo como um reclamo e uma advertência. Os vencedores só se salvarão se respeitarem a honra e os Deuses dos vencidos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110831/dafc6276/attachment-0001.html