From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 1 19:56:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 1 Apr 2011 19:56:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__ALEX_DE_PAULA_XAVIER_PEREIRA_e__GELSO?= =?iso-8859-1?q?N_REICHER_______________________________-XCVI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ALEX DE PAULA XAVIER PEREIRA (1949-1972) Data e local de nascimento: 09/08/1949, Rio de Janeiro (RJ) Filiação: Zilda Paula Xavier Pereira e João Baptista Xavier Pereira Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 20/01/1972, em São Paulo GELSON REICHER (1949-1972) Data e local de nascimento: 20/02/1949, São Paulo/SP Filiação: Blima Reizel Reicher e Berel Reicher Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 20/01/1972, em São Paulo Militantes da ALN, foram mortos em São Paulo, em 20/01/1972, ambos com 22 anos de idade. Durante muito tempo, prevaleceu a versão oficial de que eles foram mortos em troca de tiros com agentes do DOI-CODI/SP. Os trabalhos da CEMDP foram decisivos no sentido de derrubar essa contra-informação, através de um rigoroso trabalho de perícia científica. Alex nasceu no Rio de Janeiro e era irmão de Iuri Xavier Pereira, dirigente da ALN que seria morto cinco meses depois, e de Iara Xavier Pereira, também militante da organização clandestina. Iniciou a participação em atividades políticas no Movimento Estudantil secundarista. Foi diretor do grêmio do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, em 1968. Filho de militantes comunistas, conheceu desde cedo a perseguição e a repressão que atingiu a família a partir de abril de 1964. Ingressou muito jovem no PCB, incorporando-se à ALN desde sua constituição. Paulista da capital, Gelson Reicher cursava o quinto ano de Medicina na USP, na faculdade de Pinheiros, e dava aulas no curso pré-vestibular MED. Muito inteligente e criativo, foi diretor do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz - CAOC, dirigiu o grupo de teatro dos alunos da faculdade, escreveu poesias e peças de teatro, compondo músicas para sua encenação e sendo responsável também pela direção. Único filho homem de Berel e Blima, era irmão de Felícia Madeira, que foi amiga de infância de Iara Iavelberg. O quarto de Gelson, quase dez anos depois de sua morte, era mantido exatamente como deixara da última vez em que ali estieve - todos os objetos no mesmo lugar. Na ALN, junto com Iuri Xavier Pereira, foi responsável pelos jornais Ação e 1º de Maio, retomando também a publicação de O Guerrilheiro. A versão oficial dessas mortes foi publicada pela imprensa dois dias após o ocorrido reproduzindo com pequenas variações, a nota oficial distribuída pelos órgãos de segurança: "O volks de placa CK 4848 corre pela Avenida República do Líbano. Em um cruzamento, o motorista não respeita o sinal vermelho e quase atropela uma senhora que leva uma criança no colo. Pouco depois, o cabo Silas Bispo Feche, da PM, que participa de uma patrulha, manda o carro parar. Quando o volks pára, saem do carro o motorista e seu acompanhante atirando contra o cabo e seus companheiros; os policiais também atiram. Depois de alguns minutos três pessoas estão mortas, uma outra ferida. Os mortos são o cabo da Polícia Militar e os ocupantes do volks, terroristas Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher". (O Estado de São Paulo, 22/02/72). Os órgãos de segurança acusavam ambos de participação em inúmeras ações armadas. Alex era também acusado de ter recebido treinamento de guerrilha em Cuba, estando sua foto estampada em cartazes distribuídos em todo o Brasil com as manchetes "Bandidos Terroristas Procurados". A mesma nota informava os nomes falsos que utilizavam os militantes. Com esses nomes falsos, deram entrada no IML e foram enterrados como se fossem indigentes: Alex como João Maria de Feitas e Gelson como Emiliano Sessa. Isaac Abramovitc, médico legista do IML, foi quem realizou as autópsias. Conhecia Gelson desde menino e era vizinho da sua família. Encontrava-se diariamente com Gelson na garagem do prédio, enquanto Gelson morou com seus pais, mas emitiu laudo e atestado de óbito mantendo o nome falso e permitindo que o corpo fosse enterrado em Perus. Esse legista, que seria mais tarde denunciado junto ao Conselho Regional de Medicina por acobertamento de torturas e conivência alegou, ao depor na CPI sobre a vala clandestina do cemitério de Perus, não ter reconhecido o rosto do autopsiado. Mas, na verdade, foi ele quem avisou Berel Reicher sobre a morte de Gelson, possibilitando que os familiares pudessem resgatar o corpo poucos dias depois, para sepultálo no cemitério israelita. Os familiares de Alex somente encontraram seus restos mortais em 1979, graças à nota oficial publicada pelos jornais em 1972 onde constava o nome falso com que fora enterrado. Após ação de retificação do registro de óbito, Alex foi trasladado em 1982 para o Rio de Janeiro, junto com os restos mortais do irmão, Iuri Xavier Pereira. Agentes policiais estiveram presentes na cerimônia em São Paulo e acompanharam ameaçadoramente a chegada dos corpos ao Rio de Janeiro, portando metralhadoras. Na CEMDP, o primeiro processo examinado foi o de Alex, sustentando sua família que a versão de morte em tiroteio era incompatível com os documentos encontrados no arquivo secreto do DOPS e no IML de São Paulo. Em seu voto, informou o relator: "Aponta-se que antes do encontro dos agentes públicos com o grupo opositor, os organismos de segurança já tinham informações sobre as características físicas de Alex Pereira e os locais de ponto em que poderia aparecer. Nesse sentido, foi anexado ao processo depoimento de militante da ALN, prestado em organismo militar entre os dias l8 e l9 de janeiro de l972, em que descreve Alex e indica locais de encontro. Em um segundo interrogatório, ocorrido em fevereiro de l972, o mesmo militante enfatiza a utilidade da sua colaboração para com o órgão de repressão, mencionando, nesse sentido, a revelação do ponto da rua Jandira nº 500, onde compareceram Alex Paula Xavier Pereira (Miguel) e Gelson Reicher (Marcos), que morreram em tiroteio com os agentes das forças de segurança". Outros documentos confirmaram que o encontro entre militantes e agentes não fora casual, conforme fazia crer o comunicado oficial. A prova de que Alex e Gelson teriam sido levados a outro local após o tiroteio foi trazida pelos documentos do IML/SP: Alex e Gelson deram entrada no órgão trajando apenas cuecas. O exame feito pelo legista Nelson Massini nas fotos do corpo de Alex e nos documentos do IML comprovou que a versão oficial não se sustentava. O laudo do IML descrevia apenas os ferimentos produzidos por projétil de arma de fogo, indicando como causa da morte anemia aguda traumática. Nenhuma referência foi feita às equimoses e escoriações visíveis em seu corpo: nos olhos, no nariz, no tórax e nos dois braços. Afirmou o legista que "com a descrição destas lesões podemos afirmar que o Sr. Alex esteve preso por seus agressores, que provocaram lesões não fatais e posteriormente desferiram lesões mortais, sendo as primeiras absolutamente desnecessárias tendo contribuído apenas para aumento do sofrimento antes da morte configurando-se o verdadeiro processo de tortura". O relator considerou que o parecer técnico era consistente com a tese da requerente de que, ao tiroteio, seguiu-se a detenção de Alex, culminada com a sua morte. Na reunião da CEMDP do dia 14/05/1996 foi examinado o processo de Gelson, recordando o relator o deferimento do pedido dos familiares de Alex. Ressaltou, entretanto, que os casos deveriam ser analisados individualmente, pois a morte em seguida a confronto armado com forças de segurança não gerava o direito aos benefícios da Lei nº 9.140/95. O relator propôs que, da mesma forma como procedera no caso de Alex, a CEMDP deveria buscar opinião técnica, sendo solicitado parecer criminalístico ao perito Celso Nenevê. Gelson recebera dez tiros: três na cabeça, três no tronco, um em cada braço e cada perna. O perito descreveu todas as lesões produzidas por tiro, concluindo não poder restabelecer a dinâmica do evento por falta de elementos. Mas, de forma idêntica ao constatado no caso de Alex, a foto do corpo de Gelson mostrava lesões não descritas por Abramovitc, conforme analisou e descreveu o perito: "(...) Na região orbitária direita, na pálpebra superior direita, e na região frontal direita a presença de edema traumático, aparentemente associado a uma extensa equimose. A formação desta lesão apresenta características da ação contundente de algum instrumento. Considerando ainda, o descrito no Laudo, quando do exame interno 'Aberto o crânio pela técnica habitual, nada se constatou de interesse médico legal', a sua formação aparentemente não deve estar ligada à ação lesiva dos projéteis que atingiram a cabeça da vítima. Na linha da região zigomática, manchas escuras, com características genéricas de lesões, sem que se possa definir suas naturezas, e características do(s) instrumento(s) que as produziram, não se encontrando elas descritas no Laudo. O mesmo pode ser observado para a região deltóidea esquerda e região mamária direita. Outrossim, é provável que Gelson Reicher a partir do momento que teve seus quatro membros atingidos por projéteis de arma de fogo, não oferecia mais condições de resistência armada nem tampouco de fuga. Considerando ainda que o edema e a equimose verificados na região orbital direita e circunvizinhas, se de natureza contusa, as quais para sua formação necessitam, obrigatoriamente, do contato físico entre o instrumento e a vítima, por conseguinte, de grande proximidade. Este ferimento não coaduna com o quadro comumente verificado em tiroteios, sendo possível que esta lesão contusa tenha sido produzida após as lesões perfurocontusas anteriormente relacionadas, em circunstâncias que não estão esclarecidas, uma vez que a vítima provavelmente apresentava-se dominada em decorrência dos ferimentos em seus membros". A partir desse parecer do perito Celso Nenevê, concluiu o relator do processo na CEMDP que, da mesma forma como Alex, "teria havido a inflição de lesões a Gelson antes de sua morte, a conduzir à idéia de que ele estivera detido entre o tiroteio e o falecimento, tendo sofrido tratamento impróprio. Observo, em acréscimo, que não há nenhuma evidência de que antes do tiroteio Gelson estivesse com os ferimentos observados. O senso comum, aliás, aponta para a conclusão de que ele não os tinha, pois seriam incompatíveis com a necessidade de descrição com que os militantes políticos deveriam contar para sair à rua. Em face do exposto, e novamente ressaltando que em casos com carga acentuadamente técnica como este há que se louvar nas palavras do perito". Em 09/11/2006, numa iniciativa conjunta entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e a diretoria do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, foi inaugurado nessa entidade de representação estudantil um memorial, painel metálico com fotos e textos, em homenagem a Gelson Reicher e Antonio Carlos Nogueira Cabral, este último ex- presidente do CAOC, também militante da ALN, que seria morto no Rio de Janeiro três meses depois de Gelson. ================================================================================================================= + Informações. ALEX DE PAULA XAVIER PEREIRA Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 09 de agosto de 1949, filho de João Baptista Xavier Pereira e Zilda Xavier Pereira. Foi morto aos 22 anos de idade. Participou do movimento estudantil secundarista e foi diretor do Grêmio do Colégio Pedro II, no Rio, em 1968, junto com Aldo Sá Brito, Luiz Afonso de Almeida e Marcos Nonato da Fonseca, também mortos na luta contra a ditadura militar. Conheceu desde cedo a perseguição e a repressão que atingiu sua família c om o golpe militar de 1964 e ingressou, ainda muito jovem, no PCB. Quando dentro do PCB surgiu nova perspectiva revolucionária, alinhou-se com aqueles que defendiam a luta armada contra a ditadura, unindo-se ao grupo liderado por Carlos Marighella e ingressando na ALN. Logo tornou-se chefe de um Grupo Tático Armado da ALN, empreendendo intensa atividade política. Passou a viver na clandestinidade e respondeu a alguns processos policiais-militares. Foi fuzilado em 20 de janeiro de 1972, por policiais pertencentes à Equipe B do DOI/CODI-SP, quando se encontrava em um carro junto com Gelson Reicher, igualmente assassinado. A nota oficial divulgada pelos órgãos de segurança descrevia a morte de Alex e Gelson como conseqüência de um tiroteio nas imediações da Av. República do Líbano, em São Paulo, em decorrência de um acidente com o carro dos mesmos, acidente este que, segundo os moradores do local, nunca aconteceu. A familia de Alex procurou incansavelmente por seu corpo, sem encontrá-lo. Apesar de morto oficialmente, continuava a ser processsado. Tal situação permaneceu a ponto de Alex ter sido anistiado em 1979. Na verdade, Alex foi enterrado no Cemitério Dom Bosco, em Perús, sob o nome de João Maria de Freitas. Tal nome é publicado na nota oficial informando sua morte, demonstrando a clara intenção dos órgãos de segurança em ocultar seu corpo, sob falsa identidade. Isto é confirmado no Relatório do Ministério da Aeronáutica, que diz: "o laudo de necrópsia foi feito em nome de João Maria de Freitas, nome falso de Alex". Tal laudo falso foi assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitch e Abeylard de Queiroz Orsini. O nome verdadeiro de Alex, juntamente com sua foto apareceram estampados nos cartazes da repressão com os dizeres "Bandidos Terroristas procurados pelos órgãos de Segurança Nacional", portanto sua identidade era conhecida pela polícia. Em novembro de 1980, os restos mortais de Alex e de seu irmão Iuri, também assassinado, foram exumados Perus e trasladados para o Cemitério de Inhaúma/RJ, por seus familiares juntamente com os Comitês Brasileiros pela Anistia de São Paulo e Rio de Janeiro. ====================================================================================== + Informações. GELSON REICHER Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Estudante de Medicina na Universidade de São Paulo e professor em cursos prévestibulares. Participou de pesquisas científicas e teatro universitário. Fuzilado em 20 de janeiro de 1972, aos 23 anos, por policiais pertencentes à Equipe B do DOI/CODI-SP, quando se encontrava em companhia de Alex de Paula Xavier Pereira, igualmente assassinado. Gelson foi enterrado no Cemitério de Dom Bosco, em Perus, sob o nome falso de Emiliano Sessa, entretanto sua família conseguiu, logo após, retirar seu corpo. O médico Isaac Abramovitch, ao depor à Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal de São Paulo que investigou os Desaparecidos Políticos enterrados em Perus, mostrou que havia um compromisso assumido de colaborar com os órgãos de repressão política sem nenhuma restrição. E fez forte defesa do regime vigente, ao afirmar que a violência havia sido provocada pelos opositores e que portanto a resposta era à altura. Vários depoimentos mostraram que o envio, necrópsia e liberação de corpos obedecia a um ritual próprio, envolvendo geralmente as mesmas pessoas. O que ocorria nas necrópsias noturnas não tinha o testemunho de ninguém. Mas com elas desapareceram grande possibilidade de identificação futura dos corpos autopsiados. O corpo de militante Gelson Reicher, por exemplo, enviado com nome falso pelos órgãos de repressão, tinha o nome verdadeiro escrito à mão na requisição de exame. No IML, a história continua com um detalhe macabro. O médico que fez a autópsia foi Isaac Abramovitch, amigo da família de Gelson e que o conhecia desde o seu nascimento. Mesmo tendo visto seu corpo e o nome verdadeiro manuscrito, Isaac emitiu laudo e atestado de óbito com o nome falso de Emiliano Sessa. Em seu depoimento, ele alega não ter reconhecido o rosto do autopsiado. A foto do cadáver mostra que o rosto não estava deformado, sendo facilmente reconhecido por quem o conhecesse. Isaac Abramovitch também não soube explicar porque havia cometido o mesmo 'engano' outras vezes. Relatório da CPI de Perus-Câmara Municipal de São Paulo. Os detalhes da morte de Gelson estão na nota referente a Alex. O Relatório do Ministério da Marinha diz que Gelson foi "morto em intenso tiroteio com agentes de segurança no dia 20 de janeiro de 1972, na altura do n° 800 da Av. República do Líbano, São Paulo, às 23:30 horas." ============================================================================================================= + detalhes. Gelson Reicher Foi fuzilado em 20 de janeiro de 1972, aos 23 anos, por policiais do Doi/Codi-SP, segundo registros do Grupo Tortura Nunca Mais. Além de estudante de Medicina e militante, ele foi professor em cursos pré-vestibulares. Gelson foi enterrado no Cemitério de Dom Bosco, em Perus, sob o nome falso de Emiliano Sessa. Entretanto sua família conseguiu retirar o corpo daquele local. Relatório do Ministério da Marinha descreve que Emiliano Sessa foi morto em intenso tiroteio com agentes de segurança, no dia 20 de janeiro de 1972. Os órgãos de repressão do Rio enviaram o corpo, com o nome de Emiliano Sessa, ao Instituto Médico Legal de São Paulo. Os detalhes da morte de Gelson estão na nota oficial referente à morte do seu companheiro Alex de Paula Xavier Pereira. ================================================================================================ + detalhes. Anos dourados ou anos de chumbo? Postado por Clarice Alegre Petramale Este ano minha turma da Faculdade de Medicina, a intrépida 58, completa 35 anos de formatura e se prepara para mais um encontro. Época de lembranças, mobilizadas pela visão das fotos lindas do Moa e do Vasco que até parecem cenas do cinema noir! Para quem viveu os anos 70 e para aqueles que não viveram, mas ainda assim, sentem saudades, dedico o relato do meu "debut" na faculdade. Depois de um vestibular duríssimo, com provas escritas e práticas, fui classificada para ocupar uma vaga no curso de Medicina mais valorizado do país. Foi o máximo! Nem eu acreditava... Meu prestígio na família, entre os colegas do Fernão Dias, entre os poucos amigos, subiu como um rojão. Estávamos em 1970, em plena ditadura! A recepção aos calouros preparada pelo Centro Acadêmico Oswaldo Cruz-CAOC, foi memorável: tivemos um ciclo de palestras sobre temas sociais no Depto Científico e o encerramento foi uma apresentação de teatro, com uma peça desenvolvida especialmente para nós. O idealizador, Gelson Reicher, e os atores, todos alunos da escola, participavam da diretoria do CAOC. O espetáculo foi impactante: poesias de Maiakovski, músicas do "Panis et Circences" , a palavra de ordem era liberdade. Saí de lá com a sensação de ter antevisto uma pequena nesga de um novo mundo. Saí entusiasmada do espetáculo, sem saber bem por quê; e a partir daí comecei a circular pelo CAOC e participar de algumas atividades. ======================================================================================= + detalhes. A família dos irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier Pereira, após diversas tentativas para encontrar seus restos mortais em cemitérios da cidade de São Paulo, descobriu que Iuri estava enterrado no cemitério de Perus, quando do enterro de um tio seu neste mesmo cemitério em dezembro de 1973. Passado algum tempo, a família mostrou ao administrador do cemitério a notícia de jornal onde estava relatada a morte de Alex e indicava o nome falso utilizado por ele durante a clandestinidade, João Maria de Freitas. Assim, o administrador encontrou nos livros de registro do cemitério uma pessoa enterrada com aquele nome. Essa descoberta despertou os familiares para a utilização de identidade falsa para o sepultamento de militantes políticos assassinados. Em junho de 1979, a irmã de Iuri e Alex, Iara Xavier Pereira, relatou essas informações aos familiares de mortos e desaparecidos políticos reunidos no III Encontro Nacional dos Movimentos de Anistia, no Rio de Janeiro. Ainda no mês de junho, alguns familiares foram ao cemitério de Perus e localizaram outros militantes mortos e enterrados sob identidade falsa como Gelson Reicher, enterrado com o nome de Emiliano Sessa, e Luís Eurico Tejera Lisbôa, enterrado como Nelson Bueno. Esses novos dados levaram outros familiares a iniciarem suas buscas em cemitérios a partir dos nomes falsos utilizados por seus parentes na clandestinidade. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110401/bd83e912/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13571 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110401/bd83e912/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 4004 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110401/bd83e912/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 1 19:56:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 1 Apr 2011 19:56:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Mem=F3rias_dos_anos_de_chumbo_-_e?= =?iso-8859-1?q?ntrevista_com_Carlos_Eug=EAnio_Paz=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Memórias dos anos de chumbo Por Ana Helena Tavares Um escritório próximo à Cinelândia, a pouquíssimos metros do teatro que foi palco do discurso oco de Barack Obama, tem sido o local das reuniões de pauta do jornal online Rede Democrática. Na noite de sexta-feira, 25 de Março, tive a felicidade de participar dessa reunião e, em seguida, entrevistar um de seus membros: Carlos Eugênio Paz. Podem chamá-lo de comandante "Clemente". Entrou para a Ação Libertadora Nacional (ALN), quando esta organização política ainda era o chamado "Grupo Marighela" do Partido Comunista. Era um jovem de 16 anos. Naquele ano, 1966, a ditadura brasileira estava no "olho do furacão", como definiu, dizendo que talvez isso tenha contribuído para sua sobrevivência, além de, principalmente, a lealdade de seus companheiros. Minha intenção era entrevistá-lo sobre a Lei de Anistia, mas a conversa, saborosamente informal, e acompanhada por outros quatro integrantes da "Rede", todos ex-guerrilheiros, aos quais dei a liberdade de intervir no papo, durou mais de uma hora. Mesmo porque ele não tem o menor problema em falar sobre seu passado. Ao contrário, acha isso importantíssimo. Tanto que já escreveu dois livros sobre o assunto: Viagem à luta armada e Nas trilhas da ALN. Tem um terceiro, pronto pra ser publicado. "Se é revanchismo prestar contas com a história, sou revanchista", diz com ironia Carlos Eugênio. Na verdade, ele se considera um "humanista", que fala do Brasil como "um país a ser reconstruído". A pauta não poderia ser mais variada. Conseguimos ir das reformas de Jango ao "erotismo de açougue" do BBB. Dos desaparecidos políticos ao estupro como "método de governo". Da medalha jogada por "Clemente" num bueiro em Copacabana à jurisprudência dos "crimes conexos", gerada por sua deserção do exército. Da ausência de nomes, como Apolônio de Carvalho, nos livros de história, à onipresença do STF na interpretação das leis de hoje. De Médici como atual patrono de novos oficiais das Forças Armadas à tradição militar de não queimar arquivos. Das mentes desperdiçadas pelo golpe ao "pacto de conciliação" que inexistiu - "Onde eu assinei?", perguntou ele. Dos mais perversos métodos de tortura, como a "malfadada coroa de Cristo", à importância da erradicação da fome. De Karl Marx, com a mais-valia, a Jean Paul Sartre, com "o inferno são os outros". Da ditadura entendida como "opção golpista da direita brasileira" à "democracia domesticada" pelas. "antenas de TV". Saí com a conclusão de que a palavra "herói" está completamente desmoralizada e de que existe uma "democracia post-mortem" para aqueles que foram tiranos em vida. Entrevista altamente aconselhável para quem ainda acha que luta armada, contra um regime de exceção, é terrorismo. "Eu tenho um profundo orgulho de ter participado dessa luta. Olha, eu vou morrer orgulhoso. Sou um nordestino orgulhoso. Meu pai dizia: "Orgulho besta!" E eu dizia: pois eu sou besta, pai.", confessou "Clemente". Ana Helena: Você foi o comandante mais jovem da ALN e o único que não foi preso nem torturado pela ditadura. Quais os fatores decisivos pra isso? Carlos Eugênio: É difícil definir. Acho que duas ou três coisas contribuíram pra eu ter sobrevivido. Digo ter sobrevivido, porque, se eu tivesse sido preso, eu já estava condenado à morte, tanto formal quanto informalmente. Porque tinha pena de morte no Brasil durante a ditadura. E eu fui uma das quatro penas de morte pedidas. Quanto a minha sobrevivência, acho que se deve primeiro ao fato de eu ter entrado cedo. Tive mais tempo de aprender e tinha características individuais próprias pra um guerreiro. Tinha um físico avantajado, dirigia muito bem, atirava bem e tinha um fôlego muito grande. Era praticamente incansável. Ou seja, eu tinha algumas facilidades para a guerrilha urbana. Da rural, nunca participei. Tem um pessoal que fica meio chocado com esse negócio de idade. Eu queria perguntar: qual foi a guerra travada por velhos? As guerras são dirigidas por homens velhos, devido à sua sabedoria. É o caso do general Giap, que dirigiu a guerra do Vietnã. Agora, o combatente tem que ser jovem. No Vietnã mesmo, você via garotos de 14, 15 anos, lutando na frente de libertação deles. O "olho do furacão" Outro fator que creio ter contribuído pra minha sobrevivência é, por incrível que pareça, o fato de eu ter entrado no "olho do furacão". Você sabe que quando o furacão passa, o momento de calmaria é justamente quando você tá no olho. Quer dizer, você tá ali no meio, o vento fica rodando em volta e você nem se despenteia. Quando eu entrei na organização, com 16 anos, eu já estava sendo apresentado ao Marighela e eu acho que isso tem a ver, porque eu mergulhei aí. Por orientação dele, em vez de ir pra Cuba naquela época, fui pro exército brasileiro pra treinar e aprender a ser um militar. Os companheiros Há todas essas razões, tem o acaso, tem tudo, mas a razão mais importante são os meus companheiros. Apesar de eu ter sido por muitos anos a pessoa mais procurada da Ação Libertadora Nacional, eu fui umas das menos abertas. Não no sentido de ninguém dizer "ah, ele fez isso, fez aquilo", mas me preservaram no sentido de não abrirem meus pontos de encontro. Fui agraciado pela valentia, pela dignidade dos companheiros que foram torturados pra dizerem onde eu estava - e muitas vezes eles sabiam - mas não disseram. Minha sobrevivência eu dedico a eles. Ana Helena: Como foi uma história de que você ganhou uma medalha do exército e a jogou fora num bueiro em Copacabana? Carlos Eugênio: Bom, eu fui condecorado com a medalha de melhor soldado do Forte de Copacabana. Era simples ganhar essa medalha. Por que? Porque eu era o único soldado que estava treinando realmente. Os outros soldados todinhos estavam danados da vida de estar lá. Estavam putos, a palavra certa é essa. Ninguém queria servir o exército. Era um atraso de vida. Se o cara era de classe média, estava prejudicando os estudos. Um ou outro queria até estar na instituição, mas não tinham vontade de treinar. Eram caras pobres, que moravam em favelas e o exército para eles era uma certa proteção. Tinham ali o soldo, que era pequenininho, mas almoçavam, comiam e tinham a roupa lavada. Era uma fonte de sobrevivência, mas não queria dizer que estivessem a fim de se esforçar no treinamento. Eu estava. "Pra comandar, tem que obedecer" Fui lá com uma tarefa de aprender a ser um bom militar. Então, me dediquei muito, muito. "Ah, vamos fazer uma corrida." Opa, já ia eu lá. O Marighela dizia: "Pra comandar, tem que aprender a obedecer". Lá fui eu obedecendo. (risos) E ele dizia mais: "Você tem que aprender o pensamento de um militar. Porque nós vamos precisar de quadros militares". Eu ficava observando os militares, como eles pensavam, e tentando me transformar num deles. Foi realmente o que aconteceu. Em Outubro de 1969, eu ganhei a medalha. Levei pra casa, só que houve um problema. Logo em seguida, minha irmã foi presa e torturada, barbaramente, pelo mesmo exército que havia me condecorado. Então, peguei essa medalha e joguei num bueiro na Av. Princesa Isabel, perto do túnel novo. Estava junto com dois companheiros que, infelizmente, não podem estar aqui pra contar história: Luiz Afonso Miranda Rodrigues, o "Girafa" (da ALN); e o Aldo de Sá Brito, meus amigos de infância, de começarmos a vida juntos. Ana Helena: O Aldo de Sá Brito teve uma morte perversa. Queria que você comentasse como foi isso. ["Um dos melhores quadros da esquerda", diz um dos presentes] Carlos Eugênio: O Aldo era sobrinho-neto do cardeal do Rio de Janeiro. Foi preso numa ação de uma expropriação de um banco em Belo Horizonte. A polícia chegou no final do assalto e eles foram tiroteando com a polícia. Ele entrou num prédio de apartamentos, tentou pular da janela do segundo andar pra ir pra outro prédio, caiu e quebrou um osso da bacia. Não conseguiu fugir. Foi preso e torturado até a morte com a famosa "coroa de Cristo". A "coroa de Cristo" Ele é um dos casos comprovados do uso da malfadada coroa de Cristo. Trata-se de um aro de metal, colocado em volta da cabeça, com parafusos do lado de dentro do aro. Daí eles iam regulando e comprimindo o crânio até arrebentá-lo. Outra companheira que morreu assim foi Aurora Maria Nascimento Furtado. Ana Helena: Sobre a Lei de Anistia, como é que você vê a decisão do STF, que reafirmou a impunidade dos torturadores? Carlos Eugênio: Primeiro, eu acho um absurdo o STF tratar disso. Segundo, o problema da Lei de Anistia não começa com o STF, mas com a própria Lei de Anistia. Essa lei foi parte do processo de passagem dos governos militares para os civis. Não houve uma vitória de um lado. Eu costumo dizer que, no Brasil, a ditadura não caiu, ela se transformou. A "democracia domesticada" E, ao mesmo tempo em que se transformava, ela foi criando um novo sistema político que é esse no qual nós vivemos hoje. Chamo de "democracia domesticada". A expressão é do meu amigo Luiz Felipe Miguel, que tem um texto com este título. Porque ainda estamos muito distantes de uma democracia popular e mais distantes ainda de uma democracia direta, que é a forma para a qual, eu acho, a humanidade tem que caminhar pra ela. Primeiro a popular, depois a direta. A lei de anistia Chegou um momento em que a ditadura não conseguia mais se sustentar. Os militares estavam muito desgastados. Não conseguiam mais controlar a economia do país, não conseguiam mais se manter no poder enquanto ditadura, aquela que de cinco em cinco anos trocava de ditador. Ressurgiu um movimento popular. Primeiro, a campanha da anistia tornou-se um clamor crescente na sociedade civil. Até que os militares foram obrigados a fazer uma lei. Só que ela foi sendo reformada. Na primeira versão, votada em 1979, quem participou dos chamados "crimes de sangue" - ações onde morreu alguém - não estava anistiado. Eu, por exemplo, que participei, estava fora. Naquele ano, quem saiu da cadeia, não foi pela anistia, foi por indulto de Natal. A famosa anistia "Ampla, geral e irrestrita" não aconteceu no Brasil. ["inicialmente, permaneceram restrições políticas", lembra um dos presentes]. Além disso, anistiava-se tanto quem lutou pela liberdade como aqueles que solaparam a liberdade. A jurisprudência dos "crimes conexos" Quando voltei ao Brasil, dois anos depois da Lei de Anistia, eu ainda não estava anistiado. Tive que travar uma batalha jurídica clandestina. Em Março de 1982, entrei na embaixada francesa em Brasília e recorri ao STF. Lá é que eu acabei sendo anistiado, em 6 de Maio de 1982, sendo que a lei é de 79. Quase três anos depois. Foi através de um artigo para o qual eu, infelizmente, criei jurisprudência, que é o dos crimes conexos. Eu desertei do exército. E eles diziam: "é crime militar, não é crime político". Aleguei, então, que desertei, porque militava na ALN e lutava contra a ditadura. E a jurisprudência é que os torturadores foram incluídos justamente nesse artigo. De que maneira? Tortura não é crime político, é crime contra a humanidade. Mas foi cometido por motivações políticas. Foi esse o entendimento do parecer emitido pelo STF. Humanistas, socialistas, comunistas e democratas No Brasil, os dois lados estão anistiados. Através de uma lei surgida de um acordo, que foi o possível de se fazer na época. Não é que se diga: "Ah, não devíamos ter aceito aquele acordo". Essas coisas em história não existem. Você faz o que tem força pra fazer. Se a gente tivesse mais força, a gente tinha tomado o poder, instalado uma democracia popular e punido todos esses torturadores com penas de prisão. Jamais a de tortura. Porque nós nunca torturamos, nem torturaríamos. Somos humanistas. O julgamento histórico é o principal Sinceramente, eu acho que o julgamento histórico é o mais importante de todos. Primeiro porque muitos dos torturadores já morreram. Segundo porque havia uma "cadeia de comando" nisso tudo. O cara que ia torturar era o último da "cadeia alimentar". Estava imediatamente antes do prisioneiro, era quem o tocava. Imagine se general Médici alguma vez tocou em algum prisioneiro. Ou Costa e Silva, ou Castello Branco. No entanto, partiu deles a instauração de um regime cuja manutenção do poder baseava-se na censura, na tortura, no assassinato, no sequestro de militantes políticos opositores, etc. Esses é que devem ser primeiramente julgados. E a eles, infelizmente, só vai caber o julgamento da história. Agora, como a gente pode viver num país em que o Médici é tratado como presidente? É só pegar o seu livro de história. ["Nós vamos voltar pra casa atravessando a ponte Presidente Costa e Silva", lembrou um dos presentes referindo-se à Rio-Niterói]. Como é que pode? O exemplo francês Estou chegando da França. Fui passar um tempinho lá na casa de amigos. Em cada canto de Paris, você encontra uma placa: "aqui morreu um combatente da liberdade assassinado pelas forças de ocupação nazista". E as pessoas que colaboraram para o regime nazista são todas conhecidas. Inclusive, algumas tiveram a coragem política de escrever livros e assumir essa colaboração com o regime de Vichy. E há gente a favor deles. Uma opção da direita brasileira Como aqui, é evidente que muita gente colaborou com os militares. Não tivemos uma ditadura militar com um bando de generais de opereta que resolveram dar um golpe de Estado. Foi a direita brasileira que optou pelo caminho golpista e usou as forças armadas como ponta de lança. Apolônio de Carvalho X Duque de Caxias Temos o privilégio de sermos a pátria de nascimento de um herói de três países. Sabe lá o que é isso? E até hoje nós não o chamamos de herói. E eu vivo dizendo isso por aí: para mim, Apolônio de Carvalho deveria ser o patrono do exército brasileiro. Ele foi resistente da guerra da Espanha, herói da resistência espanhola, coronel e herói da resistência francesa, ganhando a mais alta condecoração que é a Legião D'Honeur. Você chega em Toulouse, na França, e todos sabem quem foi Apoloniô de Carvalhô. Porque foi ele quem dirigiu as tropas da resistência que libertaram Toulouse. Eu fui agora e há uma placa em homenagem a ele. No Brasil, até hoje a história não o fez justiça. Enquanto o general Duque de Caxias, um homem que era assassino de negros e dos irmãos paraguaios, é o patrono do exército. ["Ainda passaremos pela rua Moreira César", completou um dos presentes, referindo-se ao algoz de Canudos]. E assim caminha o nosso exército. Recentemente, a Academia Militar das Agulhas Negras escolheu Emílio Garrastazu Médici como patrono de uma turma de novos oficiais. Olha só isso. Nossos jovens oficiais sendo educados dentro do pensamento do general golpista. Um general que mandou matar e torturar milhares de brasileiros ["o pior governo militar", definiu um dos presentes]. A gente fica pensando. "E a punição aos torturadores?". Tudo bem, quanto aos que ainda estão vivos, se a gente conseguir julgá-los e levá-los a tribunal dentro das normas vigentes no país. Tudo bem, vamos lá. Mas mais importante que tudo isso é o julgamento da história. E é disso que a gente tem que correr atrás. O Brasil não abre arquivos, mas o exército não os queima. Porque, por exemplo, os arquivos da guerra do Paraguai. Tente você, como jornalista, acessá-los pra ver se você consegue. Não, porque nesse país há uma tradição de não se abrir arquivos. Ficamos nessa discussão sobre a abertura dos arquivos militares e se eles existem. Existem! Se tem uma coisa que militar faz é arquivo. E se tem uma coisa que militar não faz é queimar arquivo. Ele finge que queima. Ele queima uma parte que não tem importância, mas a parte principal tá lá. Cadê, onde, como? E nós queremos saber. Por exemplo, onde está Paulo de Tarso Celestino? Onde está Virgílio Gomes da Silva? Onde está Heleni Telles Guariba? Onde estão todos esses companheiros que desapareceram, sumiram, as famílias não conseguem encontrá-los nem enterrá-los, simplesmente pra ir lá no dia em que quiserem e colocar uma flor no túmulo? Onde estão esses corpos? Como eles morreram? Por ordem de quem? Em que circunstâncias? Como é que a coisa aconteceu? Essas pessoas vão viver o resto da vida, gerações e gerações, e vai ter um elo que nunca vai se fechar. Nunca? Onde está Stuart? Como mataram a mãe de Stuart? Caminhar pra frente "Ah, mas vamos deixar isso pra lá pra gente caminhar daqui pra frente." Isso não é caminhar pra frente. Caminhar pra frente é exatamente você limpar o terreno - e se alguém tem que ser punido, que seja. Ficam falando sobre a "Comissão Nacional da Verdade". Que tem que olhar os dois lados. Mas o nosso lado já foi julgado, condenado e cumpriu pena. Quem não foi julgado e condenado foi o lado de lá. E estupro e tortura são crimes hediondos, inafiançáveis e imprescritíveis. O mundo inteiro reconhece isso. ["Poucas das mulheres que foram presas tiveram a sorte de não ser estupradas e isso era liberado pelos generais", lembrou um dos presentes]. O estupro não era feito por torturadorezinhos tarados. Isso era uma política, era um método de governo. Ana Helena: Voltando à Lei de Anistia, você comentou que acha um absurdo essa discussão ter ido parar no STF. A tarefa é de quem, então? Do Congresso? Carlos Eugênio: As leis, segundo a nossa Constituição, são tarefa do Congresso. Mas agora virou mania. É o STF que interpreta a lei. Quando eles simplesmente tinham que ajudar a aplicar a lei. Eles não podem ficar dizendo: "Isso aqui é assim e não pode mudar". Que história é essa? E, se a gente conseguir uma maioria no Congresso e resolver mudar a Lei de Anistia, não pode porque o STF diz que não pode? ["Ainda tem uma coisa... no Congresso, as pessoas são eleitas e têm mandatos por tempo determinado... no STF, não são eleitos e são vitalícios... isso é uma aberração", frisou um dos presentes ]. O sujeito comete um crime, como aquele juiz "Lalau", e a grande punição dele é ir pra uma aposentadoria compulsória, recebendo o mesmo valor de que se ele não tivesse cometido o crime. Não vai trabalhar mais e vai poder ganhar dinheiro. Vai poder jogar na bolsa, vai ter tranquilidade. Ana Helena: Quanto à punição aos torturadores, você comentou e todos sabemos que muitos já morreram. Ainda cabe aos vivos uma punição de prisão? Carlos Eugênio: Primeiro, eles têm que passar pra história pela porta que entraram: a lixeira. Porque alguém que comete um atentado contra a democracia, que derruba um governo eleito pelas regras democráticas - parte de uma das Constituições mais democráticas que o Brasil já teve, a de 1946 - que era legítimo e representativo, alguém que arrebenta as portas da legalidade, instaurando um governo ditatorial, tem que passar à história como isso: como ditadores, inimigos da democracia e torturadores. Agora, há uma coisa, que não é questão moral: a Comissão Nacional da Verdade, aprovada ainda no governo Lula. Nós já falamos a verdade. Até pra Globo. Nossos companheiros foram torturados e muitos falaram sob tortura. Além disso, escrevemos nossos livros. Eu não tenho escrito no armário. Tenho dois livros publicados (Viagem à luta armada e Nas trilhas da ALN) e um prontinho. Estão ali as ações armadas de que eu participei, polêmicas ou não, as mortes que eu cometi. Tá tudo ali aberto. Além dos livros, ainda há os jornalistas que me entrevistam. Nunca me recusei a falar. Costumo brincar dizendo que até pra Globo eu falo. Já falei pro Fantástico, pra Veja, pro Estadão, pra Folha, etc. Agora que o SBT tá produzindo uma novela chamada "Amor e Revolução" (sobre a ditadura), eu fui a São Paulo dar minhas declarações pra eles. Enfim. Ana Helena: E o que você acha da idéia dessa novela do SBT? Carlos Eugênio: Bom, eles estão usando a palavra "revolução" em referência ao nosso lado. Muita gente entendeu errado, mas eles não estão chamando o golpe de Estado de revolução. E, sim, a nossa. Porque os personagens principais são dois guerrilheiros. É muito interessante, tô dando a maior força. Estreia em Abril. Mas ainda falta o outro lado se manifestar. Aí eu pergunto: Por que Jarbas Passarinho não vem a público e conta a verdade? Um homem que redigiu o AI-5 é tratado hoje em dia como um democrata. "Ah, é um ex-senador da República e tal." Um homem que foi ministro de Médici. E, quanto ao exército, eu acho que eles têm que colocar na cabeça o seguinte: é muito melhor pro exército abrir os seus arquivos, porque não foi o conjunto do exército brasileiro que cometeu as atrocidades, gente. Isso aí quem tem que pagar historicamente são os comandantes. Quem ganha a guerra não é o comandante? É! Quem perde também é. Foram eles que instauraram a ditadura. Ou vocês acham que foi o soldado, o tenente, o capitão. Não foi! Então, o alto comando das forças armadas tem que assumir que foram cometidos esses crimes de lesa-pátria. E nós ainda nem temos condições de avaliar os prejuízos que esse país teve com aquele golpe de Estado. As reformas traídas Estamos ainda muito centrados em denunciar o que os caras fizeram, mas você já pensou, por exemplo, o atraso que foi pro Brasil a não-promulgação das reformas de base de João Goulart? O Brasil seria outro país se a reforma agrária que João Goulart enviou ao Congresso tivesse sido realizada naquela época. Um monte de camponeses não teriam morrido. Um monte de problemas de abastecimento que esse país teve, de pobreza, de miséria, de violência, tudo isso teria sido diferente. Inclusive, o êxodo rural. Outra: havia também a reforma urbana, da qual muita gente esquece. Reforma educacional, reforma do sistema financeiro, com a lei de remessa de lucros. Enfim. Por enquanto, nós só estamos falando das liberdades, mas o que mais o Brasil perdeu? É tão importante a gente abrir esses baús que estamos muito concentrados, mas um dia haveremos de ter uma ideia do prejuízo que foi o golpe de Estado. Não esquecendo, esquece tortura,esquece tudo, não. Mas pensando: se o Brasil tivesse ido por aquele caminho, quanto nós teríamos ganhado? As mentes desperdiçadas E mais. Ninguém há de duvidar que, entre os nossos companheiros, estavam algumas das mentes mais importantes, que mais contribuições poderiam dar à nossa pátria. Você já imaginou um homem com o poder de discernimento, de clareza que tinha Carlos Marighela, se, ao invés de usar sua energia criadora para a destruição de um sistema, ele a estivesse usando para a construção? Ele era um poeta. Tenho certeza de que teria sido muito mais importante pro Brasil dentro de um processo democrático do que dentro de um processo em que tivemos que fazer uma luta armada. E ele acabou morrendo ali, na Alameda Casa Branca, por um monte de tiros, por um monte de marginais, comandados por um marginal maior chamado Sérgio Paranhos Fleury, homem da pior estirpe, que depois acabou sendo morto como queima de arquivo. Então, vejam bem. O próprio Aldo de Sá Brito era um tremendo poeta, mas, infelizmente, uma pessoa bem próxima a ele, com medo da ditadura, quando ele andava na clandestinidade, queimou os poemas que ele tinha. Uma mulher como Ana Maria, que foi minha primeira companheira na vida, tocava piano de maneira maravilhosa. Era pintora, estudou na antiga Escola Nacional de Belas Artes. Desenhava também, era uma artista. E a mulher morre com 23 anos de idade, assassinada a tiros numa esquina no bairro da Mooca. Um menino como o Marcos Nonato, que entrou na ALN com 14 anos e o mataram com 18. Enfim. Mas morreram em pé Fora uma meia dúzia, ninguém se arrepende disso não. Estávamos lá pra isso mesmo. Era o que tinha que ser feito. Mas o que motivou isso? Foi o golpe de Estado de 31 de Março de 1964, que nos fez termos que sair das nossas ocupações, como brasileiros, pra podermos dizer que nesse país não íamos morrer de joelhos, íamos morrer em pé. Se um dia essa discussão voltar ao Congresso, tem que se discutir: vai se punir ou não essas pessoas? Ora, estamos numa democracia. Tortura é crime? O que a lei prevê como crime? Tem que ser uma discussão técnica, nas letras da lei. Ou será que vai ser uma troca? Quem pegou em armas contra a ditadura vai ter que fazer os anos de cadeia que faria caso não tivesse a Lei de Anistia? Fica essa questão no ar. Ana Helena: Fala-se muito num "pacto de conciliação" e que quebrá-lo seria prejudicial. Existiu tal pacto? Carlos Eugênio: Onde é que eu assinei? Eu era comandante da Ação Libertadora Nacional. Sou o único que ficou vivo, porque todos foram presos, torturados e mortos. Você assinou? Você assinou? [pergunta ele aos companheiros presentes, recebendo a negativa de todos]. Então, eu quero saber onde é que está esse pacto. Isso foi feito lá em cima, dentro da classe dominante. ["Acho que foi feito entre o Sarney e o Jarbas Passarinho, eles se acertaram por lá e fizeram isso", brinca um dos presentes]. Mas o povo brasileiro não participou. Por acaso foi feito algum referendo? Eles disseram ao povo: "vem cá, como é que a gente vai acabar com essa merda? Fizemos um golpe de Estado, ficamos vinte anos no poder e queremos sair, porque agora não tá dando mais. O Jimmy Carter já disse que não vai dar mais dinheiro pro Brasil se continuar essa ditadura." Disseram isso? Foram logo convocadas eleições gerais livres? Ora, a primeira só viria a ocorrer em 1989, dez anos depois da Lei de Anistia. E esse foi o tempo necessário para que os caras montassem um sistema que é o que aí está. E pra montar esse país, que a gente tá tentando, com muita vontade, com muita garra, reconstruir. Quando o Brasil saiu da ditadura, era um país a ser reconstruído, porque ele foi dizimado, acabado - política, econômica e socialmente falando. Ana Helena: O que você acha da expressão "revanchismo"? Carlos Eugênio: Eu sou revanchista. Porque o problema é que os caras criam umas categorias e dão uma conotação, inclusive moral, que não existe. Ou seja, se é revanchismo prestar contas com a história, então eu sou revanchista. Eu prestei minhas contas. Fui condenado à revelia, entrei na clandestinidade, lutei e não me arrependo. Se eu precisasse dar mais dez anos, daria mais vinte. Não importa. Não precisou, tudo bem. Estou vivo. Se estivesse morto, seria mais um nome na lista. Agora, minhas contas estão prestadas em livros, reportagens e teses acadêmicas escritas sobre mim. Por exemplo, tem uma na Unicamp, que é: "A importância dos livros do Carlos Eugênio Paz para reconstrução da história da luta armada no Brasil". Pronto, tá lá. São 400 páginas explicando a importância que tem eu ter falado. O orgulho Quando ninguém falava nada, em 87, quando nem havia a nova Constituição, na época da Constituinte, veio à tona um caso polêmico ligado à ALN. O JB me procurou e eu contei a história todinha. Saiu na primeira página, num domingo. Até o meu padeiro ficou sabendo quem eu era. Aí me perguntaram: "Por que você contou?" E eu respondi: "porque me perguntaram". E por que isso? Porque eu não tenho problema com a minha história, com o meu passado. Tudo o que eu fiz na luta armada eu assumo e, se tiver algum caso que eu ainda não contei, é simplesmente porque não me perguntaram. [risos] Se perguntar, eu conto! Sabe por quê? Porque eu tenho um profundo orgulho de ter participado dessa luta. Vou morrer orgulhoso. Sou um nordestino orgulhoso. Meu pai dizia: "Orgulho besta!" E eu dizia: "pois eu sou besta, pai". Ana Helena: Por tudo o que você disse, fica entendido que o que você acha fundamental nessa discussão, para que nos tornemos de fato uma democracia, é a localização dos dois lados na história, certo? Carlos Eugênio: Exatamente. Marighela é herói do povo brasileiro. Médici é ditador. Brecht dizia "pobre do povo que precisa de heróis". Heróis Mas hoje chamam de heróis os participantes do BBB!!!!! Aquele ex-jornalista. ["Pedro Bial", disse alguém, ao que Carlos Eugênio rebateu: "você falou, mas eu não falo nem o nome"] Ele era jornalista quando cobriu a queda do Muro de Berlim. Agora deveria pensar três, cinco, dez vezes. Será que ele já se deu conta do desserviço que faz à sua própria biografia? Será que a queda do Muro de Berlim é igual a um BBB? Então, eu já vou começar a achar que não tinha que ter caído o muro. (risos) Mas veja. Chamam os participantes de um jogo de televisão, pra ganhar dinheiro, de heróis. Jogo de onde só se tira porcaria, coisas que nossas famílias e crianças não precisam aprender, que é como se faz alianças pra dar golpe. Erotismo E a erotização. Olha que quem tá falando é uma pessoa que assume profundamente a sua própria erotização. Eu não tenho problemas com o erotismo. Nenhum. Sou leitor de Anaïs Nin e Henry Miller. Fui formado na escola do erotismo. Agora, o problema é transformar isso numa mercadoria de mau gosto, como é o BBB. Hoje em dia, tem gente que até vota pras meninas saírem mais rápido da casa, nos tais dos paredões, pra posarem no Paparazzo, na Playboy, Sexy etc. Isso eu tô falando porque ouço caras dizendo: "Vou votar em fulana, porque estou louco pra vê-la no Paparazzo". Incentivando uma coisa que eu chamo de "erotismo de açougue". Como se o erotismo fosse essa coisa de baixo calão que é pregada no BBB. O Juquinha precisa saber Mas, voltando à questão da localização dos sujeitos históricos, eu só vou morrer feliz quando Juquinha chegar na escola, abrir seu livro e estudar sobre João Cândido [o "almirante negro", líder da Revolta da Chibata]. Apolônio de Carvalho, Joaquim Câmara Ferreira (comandante "Toledo" da ALN). Agora na posse da companheira Dilma eu fiquei horrorizado, mais uma vez, porque me horrorizo a cada três segundos nesse país. É que deram o número total de presidentes. E eu pensei: não eram todos presidentes. Como podem até hoje chamar os caras que tomaram o poder pelas armas de presidentes? ["É tradição", comentou um dos presentes] E eles ainda tentaram colocar nas costas da esquerda brasileira um rompimento com a democracia. Que é isso? Quem rompeu com a democracia nesse país? Ana Helena: Como você vê a atuação da mídia nesse processo? Carlos Eugênio: Bom, a Folha de S. Paulo emprestava os carros da redação pra transportar companheiros presos e torturados. E ainda ajudava a montar emboscadas. Porque alguns companheiros, sob tortura, fraquejavam e diziam: "eu vou encontrar com fulano na rua tal". ["Até pra tentar fugir", comenta um dos presentes] Eles usavam os carros da Folha pra que a gente não desconfiasse. A UltraGaz também fazia isso com seus caminhões. O Globo e o Estadão pediam o golpe em seus editoriais. É impressionante como essas pessoas não foram presas na época. Porque você está num país democrático, a pessoa chega e diz claramente: "precisamos derrubar esse governo". Isso é sedição. Eles é que praticaram isso. Então, essa mídia foi construída assim. Ela já era uma mídia de classe, concentrada. A gente sabe que cinco ou seis famílias dominam a grande mídia. Mas agora, felizmente, a coisa já tá se abrindo pra uma mídia alternativa, que já é outra história. A gente vê lá no fundo uma certa luz, há um monte de gente trabalhando, batalhando, pra construção dessa nova mídia e lutando, inclusive, pra democratização das informações e das comunicações. São duas coisas diferentes, informação e comunicação. E a gente tem que lutar pela democratização das duas. Na ponta do fuzil e nas antenas de TV Por exemplo, quando saiu o terceiro Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), essa mídia oficial todinha meteu o pau. Por quê? Porque eles estão defendendo os interesses deles. Mao Tsé-Tung dizia que "o poder está na ponta do fuzil". Pois é, hoje o poder está na ponta do fuzil e nas antenas de TV. [Um dos presentes lembra o caso Proconsult, em que a Globo tentou fraudar a eleição de Brizola para o governo do RJ]. Ana Helena: Qual sua expectativa com relação ao papel da Dilma, uma ex-torturada, nessa questão? Carlos Eugênio: Eu acho que são passos adiante. Por exemplo, o governo Lula foi o dos meus sonhos? Não. Mas foi um passo adiante? Foi. Um tremendo! Por que não foi o governo dos meus sonhos? Porque foi um governo que, ao mesmo tempo que. Sabe o que é? Vamos falar informalmente. Eu não mudo pra incluir ninguém no mercado. A minha luta não é pra isso. É pra acabar com mais-valia, com a exploração do homem pelo homem. É uma luta muito mais profunda, mas que tá muito mais lá na frente. Aí, quando dizem o seguinte: "15% dos miseráveis passaram a ser pobres, 32% dos pobres passaram a ser classe média, tantos por-cento passaram a ser ricos." Isso, pra mim, só é passo adiante porque, se você tem um homem que tá passando fome, é importante que ele passe a comer. Se ele não passar a comer, ele entra num estado de degenerescência humana e que se transforma em degenerescência social. ["Não podemos deixar ninguém morrer de fome na sociedade", diz um dos presentes]. Porque nós somos humanistas e queremos que todo mundo coma. O governo Lula: um passo adiante São passos adiante, dados pelo governo Lula. Agora, os bancos nunca ganharam tanto. Em janeiro, fui a São Paulo, e participei de uma discussão em que alguns companheiros afirmaram: "O governo Lula diminuiu as desigualdades". E eu disse: Não! Se você me falar que o governo Lula distribuiu renda, distribuiu. Mas aumentou a renda de baixo, deixando que a de cima aumentasse também. A desigualdade continuou a mesma. Só que todo mundo subiu um pouco, não é isso? Mas para acabar com a exploração do homem pelo homem ainda há muito a fazer. E se você me perguntar: "será que dois, três, quatro governos desse tipo não vão no levar à democracia que você quer?", eu vou dizer: "Não! Ainda vai faltar outro estágio, que é mudar a estrutura das relações dos meios de produção no nosso país. Aí a gente vai chegar num Brasil fraterno em que ninguém explora ninguém, todo mundo respeita a opinião de todo mundo." A fraternidade: o diferente não é o inferno Porque cadê a fraternidade? É simplesmente uma campanha da CNBB uma vez por ano? É doar um quilo de alimento não perecível? Isso é caridade! Cristã. Fraternidade é você encarar que o seu diferente não é o seu inferno. Sartre é que dizia isso: "o inferno são os outros". Quer dizer, tudo que não sou eu é o inferno pra mim. Então, temos que conseguir que o ser humano, especificamente o brasileiro, encare o seu diferente como seu igual. Falta muito? Falta! Mas são passos adiante. Dilma: duas questões a atacar A Dilma? A gente sabe que, no atual sistema, pra governar você precisa de maiorias e de um monte de coisas, se não você faz um governo horroroso que não anda pra lugar nenhum. Ela vai tentar, e espero que consiga, gerenciar da melhor maneira possível dentro do capitalismo brasileiro. Espero que ela dê mais passos à frente com relação ao governo Lula. Duas das questões que eu acho que ela pode atacar são a Comissão Nacional da Verdade e a democratização da informação. Porque a mídia, que só fala segundo seus interesses de classe, vai ter menos poder do que tem hoje [um dos presentes lembrou sobre a importância dos Pontos de Cultura e do Programa Nacional de Banda Larga]. Democracia post-mortem Quando morreu o Frias pai, todos os órgãos de imprensa disseram que morreu um democrata. Quando morreu o Roberto Marinho, também. E as pessoas dos governos de centro-esquerda têm comparecido aos enterros. ["As pessoas, na política, não são pessoas, elas são o que elas representam e são um conjunto de forças em movimento...Um presidente da República tem que administrar as pressões dentro do governo... e cada um faz isso de uma maneira... então, não se pode julgar ninguém como pessoa", resumiu um dos presentes]. - Os outros ex-guerrilheiros presentes eram: Affonso Henriques, ex-PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) Colombo, ex-ALN Paulo Gomes, ex-ALN Pedro Alves, ex-MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110401/25b77255/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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O GOLPE NORTE-AMERICANO NO BRASIL Laerte Braga A grande preocupação do governo do presidente Lyndon Johnson e do secretário de Estado Dean Rusk com o Brasil é que, antes de Nixon, haviam percebido a importância do País em toda a América Latina ? isso em tempos de guerra fria ? e os tempos de euforia entre setores populares dessa parte do mundo com a revolução cubana de 1959. As chamadas reformas de base que vinham sendo implementadas pelo governo do presidente João Goulart eram entendidas pelo governo dos EUA como o fermento para uma vitória eleitoral em 1965. Acreditavam que no curso dos acontecimentos as diferenças que separavam Leonel Brizola (ex-governador do Rio Grande do Sul e então deputado federal da antiga Guanabara com 25% dos votos do eleitorado) do governador Miguel Arraes (Pernambuco) acabariam por sumir resultando numa aliança que provavelmente faria de Brizola o candidato do antigo PTB a presidente e Arraes seu companheiro de chapa, como vice-presidente. A constituição de 1946 não estabelecia a necessidade de maioria absoluta dos votos, sendo assim, de um segundo turno entre os mais votados e esse fato já havia sido levantado por Carlos Lacerda na tentativa frustrada de impedir a posse de JK, eleito em 1965 com pouco mais de 30% dos votos. Como o quadro se completava com uma divisão entre as forças à direita, o golpe de 1964 começou a se delinear de forma concreta bem antes de sua materialização, na posse do próprio Goulart. Os norte-americanos tinham consciência da aversão de boa parte das forças armadas brasileiras por Goulart (desde o manifesto dos coronéis em 1954 contra o aumento do salário mínimo em 100% e Jango era o ministro do Trabalho). Carlos Lacerda e Magalhães Pinto já estavam com suas campanhas nas ruas, desde 1963, ambos da UDN, mas certo era que Magalhães deixaria o partido se percebesse que seria derrotado na convenção. Teria, à sua disposição um leque de partidos para apresentar sua candidatura, a fidelidade partidária era um termo até então desconhecido. E o PSD lançara o JK-65 no dia seguinte ao da posse de Jânio Quadros. A aliança Brizola-Arraes de saída traria três importantes estados da Federação. A antiga Guanabara, o Rio Grande do Sul e Pernambuco. A direita sairia dividida em Minas com a disputa JK e Magalhães Pinto e Lacerda dependeria de sua retórica golpista, seus dramalhões fascistas para tentar empolgar o eleitorado de outros estados, mas ainda assim com o risco de dividir São Paulo (o maior colégio eleitoral do País e tradicionalmente votando à direita) entre ele Lacerda, Magalhães e JK, que dos três era o mais fraco naquele estado. A presença de Ademar de Barros no governo paulista e o fracasso de Jânio com sua renúncia poderiam vir a acrescentar fôlego à candidatura de Juscelino, abrigo natural para o governador paulista, isso se não cismasse de tentar a presidência pela terceira vez (fora derrotado em 1955 e em 1960. O grande feito do governo Goulart, fato que assustou mais ainda os norte-americanos, foi o despertar dos trabalhadores de um modo geral e incluir entre esses, os até então silenciosos camponeses, em franco processo de organização a partir das Ligas Camponesas criadas pelo deputado Francisco Julião (para se ter uma idéia da força de Julião, em 1962 foi eleito deputado federal e arrastou consigo candidatos com menos de cem votos, isso em Pernambuco). A percepção que as reformas de base poderiam fortalecer uma eventual candidatura de Leonel Brizola e eram muito mais amplas que a reforma agrária e a tributária, tocavam em setores considerados vitais pela direita, o das comunicações, levou os EUA a indicar Lincoln Gordon para embaixador no Brasil e Vernon Walthers, um general, para adido militar. A missão da dupla era derrubar Goulart. Gordon era especialista em missões desse gênero e Walthers um dos mais importantes militares norte-americanos à época (chegou a ser diretor da CIA), além do que amigo íntimo e Castello Branco, primeiro ditador. Falava português fluentemente. Coube a Gordon aliciar o empresariado paulista (o mais expressivo do Brasil), o seu entorno em outros estados da Federação, ligá-los aos setores golpistas da UDN (Lacerda e Magalhães Pinto) e a Walthers formar os batalhões norte-americanos dentro das forças armadas brasileiras. Um registro é importante. A derrubada de Vargas em 1945, significava muito mais que colocar um ponto final num governo errático do ponto de vista ideológico, mas ao mesmo tempo, com fortes bases populares e começando a dar sinais de inclinações para a esquerda. Sonhavam com o início de um Brasil aliado incondicional dos EUA elegendo o brigadeiro Eduardo Gomes presidente da República. Não elegeram, mas não perderam. Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro de Vargas, marechal do exército, figura preponderante no golpe de 1937 virou presidente e os EUA ganharam. Em parte, mas ganharam. Militares brasileiros de extrema-direita torciam o nariz para Dutra, desejavam a capitulação total. Magalhães Pinto, fiel ao seu estilo de cobra peçonhenta, traiçoeiro e ardiloso, ao mesmo tempo que se uniu ao esquema traçado pelo embaixador dos EUA, de olho na sua disputa com Lacerda pela indicação presidencial, fingia-se aliado de Jango e articulava com dois generais de expressão menor dentro do Exército, Carlos Luís Guedes e Mourão Filho (com comandos em Minas) um golpe particular em que pudesse despontar como o grande líder civil do Brasil. Mourão não saiu com as tropas da IV Região Militar sediada em Juiz de Fora de maneira aleatória. Tinha um compromisso com Magalhães Pinto e era amigo pessoal de JK, a quem visitou aliás, quando chegou ao Rio e alojou seus soldados no estádio do Maracanã. O 31 de março não foi o início do golpe de estado. Foi a aventura de Magalhães Pinto (esteve na cidade de Juiz de Fora horas antes das tropas começarem a descida para o Rio). O golpe decidido em Washington, planejado pelo embaixador e pelo adido militar dos EUA no Brasil começou de fato no dia 1º de abril, quando Castello Branco, alertado pelos norte-americanos conseguiu a adesão de militares supostamente leais a Jango, caso de Justino Alves Bastos, comandante do IV Exército (Nordeste) e Amaury Kruel (II Exército, São Paulo). Beneficiou-se da presença das tropas de Mourão já no Rio e o apoio de figuras como o general Muricy, o general Antônio Bandeira, todos em comandos secundários, mesmo tendo perdido o comando do III Exército, Rio Grande do Sul para o general Ladário Telles, leal a Goulart e sem o apoio de Âncora de Moraes, comandante do I Exército que preferiu deixar as coisas correrem à sua revelia sem tomar partido. A maior parte dos seus comandados tomou partido pelo golpe. Aeronáutica e Marinha, no espectro político do País sempre foram forças à extrema-direita, aliaram quase que incondicionalmente ao golpe, a despeito da ação do brigadeiro Moreira Lima, ministro da Aeronáutica, que resistiu com bravura e dignidade na defesa da ordem constitucional. Todos os líderes políticos envolvidos no processo, Lacerda, Magalhães e Ademar de Barros e quando da consumação do golpe JK, contavam com um breve período de intervenção militar e a realização de eleições presidenciais em 1965. Castello assumiu esse compromisso com todos eles. Terminou peitado pelo seu ministro Costa e Silva e acabou morrendo em condições misteriosas assim que deixou o poder. A exceção de Magalhães Pinto que se manteve no entorno do golpe (ministro das Relações Exteriores de Costa e Silva e presidente do Senado), todos os demais, Lacerda. JK e Ademar de Barros se viram privados dos seus direitos políticos. Obcecado, Magalhães acreditou que num determinado momento os civis voltariam a governar o País e era preciso estar ali perto dos militares, nem que isso custasse toda a sorte de concessões possíveis, além dos negócios, evidente, o Banco Nacional. Para qualquer eventualidade a IV Frota norte-americana estava em águas territoriais brasileiras. A hipótese de uma reação de Goulart e uma guerra civil garantiria aos golpistas o apoio necessário para a luta. Perto de dois mil e quinhentos oficiais, sub-oficiais e sargentos das forças armadas foram expurgados num processo de alinhamento absoluto com os norte-americanos e de 1º de abril de 1964 até o último dia do governo do general João Figueiredo, o Brasil foi parte integrante de uma sinistra operação tramada em Washington, que varreu toda a América Latina e se transformou numa longa noite de trevas e sombras, onde o ódio, a tortura, a barbárie foram a regra geral. O rosnar do governo Geisel na ruptura do tratado militar entre os EUA e o Brasil terminou na concessão a pesquisas petrolíferas e empresas de fora dentro do território nacional, o inicio do fim do monopólio estatal, mais tarde liquidado pelo governo FHC e recuperado em alguns pontos pelo governo do presidente Lula, justiça seja feita. Mas só em alguns pontos. Essa parte da História do Brasil ainda está oculta. Os militares resistem a que seja contada, exposta. Hoje, sexta-feira, 1º de abril, fala-se em desmoralização e desrespeito aos militares brasileiros. O terão de volta quando forem capazes de abrir os baús desse período trágico e nocivo ao Brasil e aos brasileiros e se constituírem em forças armadas brasileiras, nunca em ?policiais? do continente latino-americano, sob comando dos EUA. Quando se inspirarem em militares do porte de Teixeira Lott. Rui Moreira Lima, Ladário Pereira Telles, major Cerveira, Carlos Lamarca e muitos outros. Há um detalhe histórico de importância capital e que precisa ser visto com outros olhos. Quando Luís Carlos Prestes, ele próprio militar, líder da Coluna Prestes, defendeu o que chamaram de ?queremismo?, ou seja, eleições em 1945, mas com Getúlio no governo, uma transição de Getúlio para um presidente eleito, Prestes não estava fazendo concessões ao algoz de Olga, ao seu algoz. Estava percebendo e entendendo a História e isso o torna maior ainda no panteão dos grandes brasileiros, dos grandes militares brasileiros, compreendendo que o sacrifício por um ideal é maior que o soldo de Washington, que qualquer soldo que Washington possa pagar. Washington ou qualquer outro. Os militares querem respeito? Que se façam respeitar cessando as reações e intimidações à barbárie que os homens de 1964 promoveram no Brasil em todos os sentidos. E um detalhe, o governo de Johnson apavorou-se quando o governo Goulart começou a ceder concessões de rádios e tevês a sindicatos e a organizações populares, ameaçando quebrar o poder da mídia padrão GLOBO (desde aquela época). Esse artigo, longe de ser História, mas fatos que somam a ela, me trouxe à lembrança o encontro de Goulart com Lacerda, em 1968, presentes o ex-presidente Juscelino e o ex-deputado José Talarico Gomes. Lacerda, no vôo para Montevidéu, estavam formando a Frente Ampla para enfrentar a ditadura, confessou a JK sua dificuldade em como cumprimentar Goulart, tendo sido ele o responsável, um dos principais, pela derrubada do governo. JK respondeu-lhe que não se preocupasse. No encontro, na casa de Goulart, com os olhos cheios de lágrimas Lacerda disse a Jango ? ?presidente eu entendo que o senhor me tenha ódio, mas estou aqui de braços abertos pelo Brasil? ? Em sua extraordinária grandeza Jango abriu os braços e disse o seguinte ? ?não lhe tenho ódio governador, o senhor foi sempre meu adversário e me combateu pela frente. Não guardo ódios e nem rancores, mas desprezo pelo governador Magalhães Pinto que até a última hora se fingiu meu aliado. Esses são os covardes?. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110401/5679c85a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 2 16:37:13 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 2 Apr 2011 16:37:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de_GASTONE_L=DACIA_DE_CARVALHO_BELTR=C3O?= =?iso-8859-1?q?_____________________________-XCVII-?= Message-ID: <376DA044615D44B5889362929EC0D5CF@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem GASTONE LÚCIA DE CARVALHO BELTRÃO (1950-1972) Data e local de nascimento: 12/01/1950, Coruripe (AL) Filiação: Zoraide de Carvalho Beltrão e João Beltrão de Castro Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 22/01/1972, em São Paulo (SP) Trata-se de mais um caso em que o trabalho da CEMDP conseguiu comprovar a falsidade da versão oficial, que prevaleceu durante muitos anos e indicava a morte de Gastone em tiroteio com a polícia. Na verdade, foi executada depois de presa. Alagoana de Coruripe, Gastone manifestou desde jovem preocupação com as desigualdades sociais e, ainda adolescente, visitava os presos comuns levando-lhes roupas e alimentos. Estudou nos colégios Imaculada Conceição e Moreira e Silva, em Maceió, e concluiu o 2º grau no Rio de Janeiro, onde moravam seus avós. Em 1968, de volta a Maceió, prestou vestibular para Economia na Universidade Federal de Alagoas, entrando em 3º lugar. A partir de então, sua militância política se tornou mais efetiva, inicialmente na JUC - Juventude Estudantil Católica. Em 1969, já integrada à ALN, viajou para Cuba, onde recebeu treinamento militar. Foi localizada e morta em São Paulo, pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, quando tinha retornado ao Brasil há menos de um mês. Apenas dois meses depois a mãe de Gastone, Dona Zoraide, e seu pai, o médico sanitarista João de Castro Beltrão, receberam de uma freira a informação de que algo acontecera à filha. Dona Zoraide foi imediatamente ao DOPS paulista e, após muito insistir, conseguiu falar com o delegado Fleury, que inicialmente dizia não se lembrar do caso, mas acabou por lhe dizer que a filha era uma moça muito corajosa e forte, e que resistira até a última hora. Gastone tinha sido enterrada como indigente. Foi preciso esperar três anos para que o traslado fosse realizado para Maceió, estando seus restos mortais sepultados hoje na tumba da família Beltrão, no Cemitério Nossa Senhora da Piedade. Após a abertura de acesso aos arquivos do IML e da polícia técnica de São Paulo, foi possível começar a reconstruir a verdadeira história de sua morte a partir das contradições e omissões dos próprios documentos oficiais. A requisição de exame ao IML e a necropsia registram que Gastone morreu em tiroteio na esquina das ruas Heitor Peixoto e Inglês de Souza, em São Paulo. Assinam o laudo necroscópico os legistas Isaac Abramovitc e Walter Sayeg. Gastone deu entrada no IML às 15h30 do dia 22/01/72. Suas vestes e objetos - anota a requisição de exame - foram entregues ao "Sr. Dr. Fleury". Por solicitação da CEMDP, o processo de Gastone foi submetido a exame pelo perito criminal Celso Nenevê. Pela análise das fotografias, que o deixaram perplexo pelo absurdo número de ferimentos, ele constatou que Gastone tinha 34 lesões enquanto o laudo oficial descrevia 13 ferimentos a bala com os respectivos orifícios de saída. O perito se concentrou em duas lesões, uma na região mamária e outra na região frontal. Ampliou a foto da ferida na região mamária em 20 vezes. Abramovitc descrevera a lesão como resultante de 'tangenciamento de projétil de arma de fogo'. Nenevê concluiu que, ao invés de tiro, tratava-se de uma lesão em fenda, produzida por faca ou objeto similar. E agregou que, dado o formato em meia-lua, o ferimento fora produzido com o braço levantado. A lesão estrelada na região frontal indica que o tiro foi disparado com a arma encostada, de cima para baixo. Além das contradições anteriores, essas duas lesões são totalmente incompatíveis com a versão de tiroteio. A lesão produzida por faca ou objeto similar requer a proximidade entre agressor e vítima. O tiro com arma encostada na testa indica execução. Nenevê concluiu seu parecer afirmando que, considerando a requisição de exame ao IML e o relatório do local, onde é explicitado "violento tiroteio" em alusão " às circunstâncias em que a vítima fora ferida e, considerando que, no laudo de exame cadavérico, o legista constata "fratura de cúbito e rádio esquerdos, ossos do punho esquerdo e do terço superior do úmero direito", entendeu o perito que tanto o relatório de local como o laudo médico legal, não estabelecem pormenores que possibilitem compatibilizar as lesões descritas para o cadáver com as circunstâncias em que fora travado o aludido tiroteio. Salientou que Gastone, a partir do momento em que teve os membros superiores inabilitados, não podia oferecer resistência armada. As circunstâncias da morte não puderam ser restabelecidas com clareza até hoje, mas a CEMDP reconheceu por decisão unânime que Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, com estatura de apenas 1.55m, cujo cadáver mostrava 34 lesões, na maioria tiros, mas também facada, marca de disparo à queima-roupa, fraturas, ferimentos e equimoses pelo corpo inteiro, não morrera no violento tiroteio alegado pelo DOPS e pelos documentos do IML e IPT. E sim depois de presa pelos agentes dos órgãos de segurança. ========================================================================================================================= + Informações. GASTONE LÚCIA BELTRÃO Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu em 12 de novembro de 1950 em Alagoas, filha de João de Castro Beltrão e Zoraide Carvalho Beltrão. Fuzilada no dia 21 de janeiro de 1972, aos 22 anos, na Avenida Lins de Vasconcelos, Cambuci, São Paulo, pela equipe do delegado Sérgio Fleury, quando reagiu à voz de prisão. Assinam o laudo necroscópico os médicos legistas Isaac Abramovitch e Walter Sayeg. Foi enterrada como indigente no Cemitério de Perus, em São Paulo. Segundo o Relatório do Ministério da Aeronáutica, "faleceu dia 22 de janeiro de 1972, após travar tiroteio com agentes de segurança em São Paulo/SP". No Relatório do Ministério da Marinha a versão dada é a mesma, sem data, e com referência ao local, assinala-se a Av. Lins de Vasconcelos. No Arquivo da Polícia Técnica foram encontrados documentos que precisam o local de sua morte à rua Heitor Peixoto, esquina com Rua Inglês de Souza, inclusive com várias fotos da Polícia Técnica. ====================================================================================== + detalhes. GASTONE LÚCIA DE CARVALHO BELTRÃO (1950-1972) Alagoana de Coruripe, Gastone manifestou desde jovem preocupação com as desigualdades sociais. Ainda adolescente, visitava presos comuns, levando-lhes roupas e alimentos. Estudou nos colégios Imaculada Conceição e Moreira e Silva, em Maceió, e concluiu o segundo grau no Rio de Janeiro, Em 1968, de volta a Maceió, Gastone prestou vestibular para Economia na Universidade Federal de Alagoas, entrando em terceiro lugar. A partir de então, sua militância política se tornou mais efetiva, inicialmente na JUC (Juventude Estudantil Católica). Em 1969, já integrada à ALN, viajou para Cuba, onde recebeu treinamento militar. Foi localizada e executada em São Paulo pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, quando tinha retornado ao Brasil havia menos de um mês. No entanto, a versão oficial, que prevaleceu durante muitos anos, indicava a morte de Gastone em tiroteio com a polícia. Por solicitação da CEMDP, o processo de Gastone foi submetido a exame pelo perito criminal Celso Nenevê. O perito se concentrou em duas lesões, uma na região cmamária e outra na região frontal. Ampliou a foto da ferida na região mamária 20 vezes. Abramovitc descrevera a lesão como resultante de "tangenciamento de projétil de arma de fogo". Nenevê concluiu que, ao invés de tiro, tratava-se de uma lesão em fenda, produzida por faca ou objeto similar. As circunstâncias da morte não puderam ser restabelecidas com clareza até hoje, mas a CEMDP reconheceu, por decisão unânime, que Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, cujo cadáver mostrava 34 lesões, na maioria tiros, mas também facada, marca de disparo à queima-roupa, fraturas, ferimentos e equimoses, não morrera no violento tiroteio alegado pelo Dops e pelos documentos ofi ciais, e sim depois de presa pelos agentes dos órgãos de segurança. =========================================================================================== + detalhes. sexta-feira, 21 de novembro de 2008 Gastone Beltrão - A guerrilheira alagoana http://lutaarmadabrasil.blogspot.com/2008/11/teste2.html Gabriel Passos - Para o blog A Luta Armada no Brasil - www.lutaarmadabrasil.blogspot.com No dia 12 de janeiro de 1950 nascia, às 22h20min, na Rua do Comércio, em Coruripe (AL), Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão, filha do casal João e Zoraide Beltrão. INFÂNCIA e ADOLESCÊNCIA Gastone viveu uma infância feliz. Tinha muitas amigas e a mais especial delas era sua irmã, Moacyra, um ano mais velha. Nove anos depois de seu nascimento, nascera Thomaz, hoje vereador por Maceió (PT). Na adolescência, viveu entre idas e vindas entre Maceió e Rio de Janeiro. Em Maceió, estudou nos colégios Imaculada Conceição e Moreira e Silva. Concluiu o segundo grau no Rio, voltando a Maceió em 1968, onde prestara vestibular para Economia na UFAL(Universidade Federal de Alagoas), obtendo o terceiro lugar. Foi nessa época em que iniciou a militância política. A MILITÂNCIA Mesmo estando em Maceió, Gastone não deixava de ir ao Rio, onde avó e tia materna moravam. Seus contatos com a militância ficavam cada vez mais fortes. O amigo Zé Pereira, por exemplo, mostrou-a a organização revolucionária ALN, onde ingressariam juntos, provavelmente no final de 1968. Também seria incentivada por Carlos Eugênio Paz, o Clemente, de quem era amiga pessoal e quase-vizinha. A amizade entre Gastone e José se tornou tão forte que, num acordo secreto entre os dois, resolveram se casar. O casamento daria maior idade para Gastone, então com dezenove anos e possibilitaria a ida a Cuba, via Itália, onde treinariam táticas de guerrilha. Em 8 de agosto de 1969, Gastone e José se casaram e partiram, no dia seguinte, para Roma, onde iriam estudar e trabalhar, conforme dito às famílias, além de passar a lua-de-mel. Entre agosto de 1969 e o segundo semestre de 1971 viveram em Cuba, mas informando a família, através de cartas e cartões postais, que estariam em Roma. A tática para não obter desconfiança da família era nunca informar o remetente e enviar a carta através de amigos, que, posteriormente, postavam em Roma. Nota-se na última carta, enviada a família em 10 de agosto de 1971, mas escrita em 11 de julho do mesmo ano. Mesmo com as notícias de Gastone, a família sabia que estava em Cuba e treinava guerrilha. Informações chegavam através de amigos da família. Cartazes com as fotos de Gastone e outros militantes eram espalhados por todo o país, inclusive em Maceió. A VOLTA No segundo semestre de 1971, Gastone e José Pereira deixavam Cuba e partiam para o Chile, onde voltariam clandestinamente para o Brasil, mais precisamente a São Paulo Em 1971, a organização estava mudada. Sem Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, tinha como seus principais pilares Carlos Eugênio Paz e Iuri Xavier Pereira - este último teria tido um romance com Gastone - e outros jovens militantes. O que era uma simples amizade, tornou-se um verdadeiro amor. Gastone e José Pereira iniciaram um romance. "Do dia 26 de agosto até o dia 22 de janeiro de 72", conforme descreveria José Pereira em carta destinada a Zoraide, mãe de Gastone, em 13 de maio de 1972. A MORTE Na manhã de 22 de janeiro de 1972, saiam Gastone e José do "aparelho". Encontraram com o militante Antônio Carlos Bicalho Lana e seguiriam para uma reunião com um dirigente da organização. Porém, agentes do DOPS estavam no encalço dos três militantes, que seguiam de Jipe. A equipe de agentes era comandada pelo delegado Sérgio Fleury. Gastone ficara para fazer compras para a organização numa pequena mercearia, situada no cruzamento entre as ruas Heitor Peixoto e Inglês de Souza, no bairro da Aclimação. Trajava calça e camisa de mangas compridas, de cor escura. A partir de sua descida, os agentes perderam o Jipe de vista. Resolveram, então, capturar Gastone - ou Rosa, nome que usava na clandestinidade. Quando se aproximaram, com armas em punho, Gastone protegera-se em um balcão e trocara tiros. Foi sumariamente metralhada. Mas não morta. Segundo o dossiê de mortos e desaparecidos políticos, Gastone apresentava marcas de algemas nos pulsos e o chamado "tiro de misericórdia", no meio da testa. Ao que tudo indica, morrera no translado ou numa sala de tortura. O assassinato foi publicado no Jornal do Brasil, edição de 25 de janeiro de 1972, mas sem informar a identidade de Gastone e distorcendo totalmente os fatos. A manchete, intitulada "Pistoleira fere e morre em duelo com Policiais", descrevia o fato como ocorrido na Av. Lins de Vasconcelos, partindo da Vila Mariana, e inventava o "ladrão" João Ferreira da Silva, denominado Tião, este que sequer existiu. Apontava Gastone como criminosa comum e não como "subversiva", nome que era dado aos militantes armados da época pelos órgãos repressores. Sabendo se sua morte, freis dominicanos enviaram uma carta a um professor de história da UFAL, orientando-o a procurar a família de Gastone e informar a triste notícia. Procurou Moacyra, sua irmã, e repassou as informações. Imediatamente, Zoraide, sua mãe, viajaria a São Paulo em busca de notícias. Chegando ao DOPS, foi informada que existia sim uma Gastone e que teria sido morta há dois meses. No outro dia, conseguira falar com Sérgio Fleury que, num primeiro momento, disse não lembrar de Gastone. Feita a descrição física, o delegado torturador disse que "essa moça era muito corajosa e forte, resistiu até a última hora" e contara a versão do DOPS, de que teria sido assassinada em tiroteio, versão esta totalmente infundada. Posteriormente, em 1975, seus restos mortais foram retirados do cemitério de Perus e enviados a Maceió, onde foram enterrados no túmulo da família. Gastone lutou e morreu pela causa. Costumava dizer que resistiria até o último momento, pois não agüentaria a prisão e a tortura. Como disse José Pereira da Silva, em carta já citada: "Tudo o que fizemos foi por realmente acreditar, por amor a nossa gente, por amor a nossa pátria. Jamais sequer pensamos em benefício próprio, sacrificamos nossa juventude e nossas vidas [...]". -------------------------------------------------------------- Fotografias(por ordem de aparição): 1. Gastone em festa de família 2. Na infância 3 e 4. Em família 5. Casando-se com José Pereira da Silva - nota-se que o beijo é na testa. 6. Local do assassinato . Agradecemos imensamente ao vereador Thomaz Beltrão, irmão de Gastone, que gentilmente nos cedeu todas as fotografias e documentos a respeito desta alagoana tão forte e atuante. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110402/e511912b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9268 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110402/e511912b/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/bmp Size: 9791 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110402/e511912b/attachment-0011.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 2 16:37:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 2 Apr 2011 16:37:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] comunicado do grupo Guararrapes em Fortaleza que foi publicado hoje no site a Verdade Sufocada + um que teve que calar a boca. Message-ID: <29057205A8574749899322D4C3A13496@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem VIVA A DILMA! De: Maurice Politi Companheir at s, ISSO NOS MOSTRA QUE A ORDEM DA COMANDANTE EM CHEFE , COMPANHEIRA DILMA, SE CUMPRE...e não tem chororó.. dos milicos do Grupo Guararapes ou de outros grupelhos de direita ou de pijama Força Dilma!! M`.Politi 01/04 - FFAA BRASILEIRAS, NOSSOS PÊSAMES. Por Glacy Cassou Domingues* Acabo de chegar do quartel do 23 BC de Fortaleza, onde haveria uma solenidade para comemorar a data de 31 de março. Seria uma comemoração intra muros, pois que já há umas duas semanas, o convite explicava que não haveria as costumeiras celebrações de homenagens de datas militares, que todos OS SOLDADOS BRASILEIROS, independente de patente, faziam de coração e garbosamente. Em todo país mesmo entre muros todos integrantes das FFAA, esperavam este dia para comemorar a coragem de antigos CHEFES. Acredito que o golpe surpresa foi nacional, Ainda não tive notícias de outras unidades militares. Quando chegamos no quartel, onde seria comemorada a data com desfile da tropa, esperava-nos o Cel. Comandante, com o pátio pronto para a solenidade. Acredito que só não esperava, a notícia que recebeu momentos antes da nossa chegada. Fui em companhia do General Torres de Melo, e quando cumprimentávamos o Cel. Comandante, seu tom de voz, sua fisionomia não disfarçava o que lhe ia no coração de SOLDADO. Após os cumprimentos ele acrescentou: General, acabo de receber ordem que a comemoração foi cancelada. Seu tom de voz, traduzia tudo que seu coração de SOLDADO sentia. À medida que os convidados Generais, Coronéis e autoridades civis iam chegando, a notícia era como um soco na cara de cada um. A medida terá sido tomada pela MÃE DO PAC, ou os antigos guerrilheiros do 31 de março de 1064 hoje em postos chave acharam por bem ir à forra, enquanto a presidenta” e Lula estavam chorando por Jose de Alencar, em plagas européias. Ou então, o atual democrático desgoverno está sendo para valer, e a turma do livre arbítrio achou por bem, tomar a acintosa decisão? Os Comandantes das TRÊS FFAA, foram surpreendidos como nós, ou já teriam sido comunicados e concordaram com a medida, que caiu como as bombas que a presidenta usava, como no caso do soldado Koesel? Quem irá fazer parte das NOVAS FFAA que Dilma, Estela, Wanda, Lucia, Luiza, Marina e etc., quer criar? Quem irá fazer parte das NOVAS FFAA, que a “presidenta” quer criar? Os egressos das prisões, os chefes de gangues que planejam assaltos, queima de carros nas ruas. E outros com “escolaridades diferentes” BRASIL, BRASIL, que contingentes seus vão cuidar da segurança do país? Lembra-se quando a NORMA do Exército Brasileiro eram esta?:UMA NAÇÃO TERÀ SEMPRE UM SÓ EXÉRCITO. O SEU; OU DE OUTRA NAÇÃO. Que tal voltar para o que tínhamos? O PAÍS inteiro será GRATO. *Grupo Guararapes. Fort.31 DE MARÇO de 2011 =============================================================================================== + um que teve que calar a boca. Exército manda que general se cale sobre 64 4/1/2011 Palestra com o tema "A contrarrevolução que salvou o Brasil" é cancelada por ordem do comandante da força Roberto Maltchik BRASÍLIA. O Comando do Exército abortou na última hora uma palestra com potencial explosivo do diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), general Augusto Heleno, cujo tema seria "A contrarrevolução que salvou o Brasil", em referência ao 31 de março de 1964, data que marca o início da ditadura militar. A apresentação do general estava confirmada até as 17 h de quarta-feira, quando chegou a ordem do comandante do Exército, Enzo Peri, determinando o cancelamento do evento. A apresentação ocorreria no mesmo dia em que Heleno, liderança expressiva na caserna, foi para a reserva. Primeiro comandante brasileiro no Haiti, o general Heleno preferiu silenciar sobre o conteúdo da palestra e também sobre os motivos pelos quais o evento foi cancelado. Disse apenas que cumpriu ordem superior: - Recebi ordem. Sou militar, recebo ordem. Hierarquia e disciplina. Recebi a ordem ontem, no final da tarde. Tem uma frase famosa: nada a declarar - afirmou Heleno. O general Heleno se limitou a dizer que a abordagem seria exclusivamente "31 de março de 1964", mas não quis entrar em detalhes sobre o contexto histórico que seria levado aos colegas de farda. Nas redes sociais, militares se preparavam para o "desabafo de Heleno". Um oficial ouvido pelo GLOBO disse que o depoimento era aguardado com "grande expectativa". Jobim já havia determinado que não houvesse atos Nesta semana, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou aos comandantes das três Forças que não houvesse qualquer ato que exaltasse a data que deu início ao regime militar. Entretanto, como Heleno é general de quatro estrelas com grande destaque na tropa, coube ao comandante Enzo Peri a tarefa de impedir sua manifestação, às vésperas de sua aposentadoria. Quanto às comemorações nos clubes militares, o ministério avalia que não tem como evitar ou tentar coibir manifestações de oficiais da reserva que estavam na ativa naquele período. O silêncio do quartel no dia da "contrarrevolução" - referência dos militares ao combate à "revolução comunista" que estaria em curso nos anos 1960 - foi imposto para evitar o acirramento dos ânimos, em pleno debate público sobre a criação da Comissão da Verdade, projeto que está tramitando no Congresso. Como O GLOBO revelou, o Comando do Exército chegou a elaborar um documento em que condenava a criação da comissão, idealizada para encontrar informações sobre os desaparecidos políticos durante o regime militar. O mês da "contrarrevolução" foi excluído do site do Exército. As "comemorações" se limitaram a um ato no último dia 25 de março, no Clube Militar do Rio de Janeiro. Segundo o próprio general Heleno, a programação da palestra não tem "absolutamente" nenhuma relação com sua exoneração, publicada no Diário Oficial da União em 29 de março. Heleno explicou que sai da ativa compulsoriamente, após 12 anos na mais alta patente do Exército. Mesmo na reserva, ele continuará à frente da Diretoria de Ciência e Tecnologia até 14 de maio, quando será substituído pelo general Sinclair James Mayer, atual diretor de Material do Exército. -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110402/c08e0dc1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 2 16:37:33 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 2 Apr 2011 16:37:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Arquivo 68 Message-ID: <58D227197ED0466E9C30BF22AD49E4BC@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem "Sonhos e histórias de gente que viveu as aventuras dos anos 60" Um Blog para conhecer e viver esses anos de resistência e luta, na ação, na literatura (nacional e internacional), na música, enfim em todas as àreas e no mundo todo desses anos. Arquivo 68 Para visitar o blog Arquivo 68, clique aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110402/931bb415/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 3 13:35:27 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 3 Apr 2011 13:35:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_LUIZ_FOGA=C7A_BALBONI_________________?= =?iso-8859-1?q?__________________-XCVIII-?= Message-ID: <8296F5843AC448729C20FEF95CFA885D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem LUIZ FOGAÇA BALBONI (1945-1969) Filiação: Francisca Áurea Fogaça Balboni e Luiz Balboni Data e local de nascimento: 25/05/1945, Itapetininga (SP) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 25/09/1969, em São Paulo (SP) Estudante da Escola Politécnica da USP, onde cursou até o 3° ano, trabalhava como professor e desenhista da Empresa Geotécnica. Passou a infância em São Miguel Arcanjo (SP), onde sua história se perpetua hoje no "Parque do Zizo" (seu apelido familiar), uma área de preservação ambiental que soma 300 hectares de Mata Atlântica original, implantado por seus irmãos com o dinheiro da indenização aprovada pela CEMDP. Depois de estudar em Itapetininga (SP), Balboni mudou-se para a capital paulista e integrou a Ala Vermelha até março de 1969, quando passou a militar na ALN. Pela versão oficial, teria morrido fuzilado ao resistir à prisão, em São Paulo (SP), em emboscada montada pelos delegados Sérgio Paranhos Fleury, Rubem Tucunduva e Firminiano Pacheco, do DOPS, dia 24/09/1969, nas proximidades da avenida Paulista. O laudo necroscópico é assinado pelos legistas Irany Novah Moraes e Antônio Valentini. A requisição de exame, datada de 25/09/1969, informa que morreu à 1h30min no Hospital das Clínicas; vem marcada com um T em vermelho, signo que em vários documentos localizados nos arquivos abertos para consulta é associado à palavra terrorista. Dá como histórico: "disparo de arma de fogo a esclarecer". Seu corpo só deu entrada no necrotério às 17:00 horas do dia 25/09/1969 e foi retirado pela família no dia seguinte, para ser enterrado no cemitério de São Miguel Arcanjo. Relatório encontrado nos arquivos do DOPS-SP, datado de 09/11/1969 e assinado pelo delegado Ivair Freitas Garcia, descreve o esquema policial montado para matar Carlos Marighella cinco dias antes, pede a promoção de policiais que participaram da operação e faz referência a outras prisões efetuadas, bem como à morte de Luiz Fogaça Balboni, informando que teria ocorrido no Hospital das Clínicas, após ser baleado entre 18 e 18:30 horas na Alameda Campinas. Na verdade, Luiz Fogaça foi ferido por volta das 15 horas, conforme depoimento prestado por Manoel Cyrillo de Oliveira Neto. Ambos foram surpreendidos pelo cerco policial quando tentavam retirar um veículo que haviam estacionado na área. Manoel conseguiu fugir do cerco montado e relata que, durante a fuga, ouviu Fogaça chamar seu nome. Tinha a camiseta manchada de sangue na altura do peito. Continuava a correr, mas em passo lento. Tentou socorrê-lo, mas em seguida Luiz caiu na calçada. Buscando melhor documentar os fatos, o relator do processo na CEMDP oficiou ao diretor do Hospital das Clínicas solicitando informações sobre "o horário em que Luiz Fogaça Balboni deu entrada no hospital, causa da morte, laudos etc". Não tendo a resposta deixado claro o horário de entrada no hospital, foi refeita a solicitação e se obteve, finalmente, a confirmação de que "foi atendido no Pronto Socorro deste Hospital às 18h33min do dia 24.09.1969, quando foi internado, vindo a falecer às 1h30min do dia 25/09/69". Provado ficou, portanto, que, apesar de preso com ferimento grave, Luiz Fogaça Balboni permaneceu em poder dos agentes do DOPS por pelo menos três horas, antes de ser encaminhado para o devido socorro médico. ================================================================================================= + Informações. LUIZ FOGAÇA BALBONI Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu, em 25 de maio de 1945, em Itapetininga/SP, era filho de Luiz Balboni e Francisca Áurea Fogaça Balboni. Estudante da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde cursou até o 3° ano. Trabalhava como professor e desenhista da Empresa Geotécnica. Desde 1968 fazia parte da Ala Vermelha do PCdoB, como membro do Setor Universitário. Divergindo da organização, ligou-se, em meados de março de 1969, à ALN. Nesse período entrou na clandestinidade, onde permaneceu até sua morte. Fuzilado, com 24 anos de idade, ao resistir à prisão, na Alameda Campinas, em São Paulo, no dia 25 de setembro de 1969, em emboscada montada pelos delegados Sérgio Fleury, Rubens Tucunduva e Firminiano Pacheco. Em entrevista à Revista Realidade, em 1971, Sérgio Paranhos Fleury, assumiu que viu morrer à sua frente Luiz Fogaça Balboni. O laudo necroscópico é assinado pelos médicos legistas Irany Novah Moraes e Antônio Valentini. O corpo foi retirado pela família e sepultado no Cemitério da cidade de São Miguel Arcanjo (SP). ========================================================================================== + detalhes. Luiz Fogaça Balboni, carinhosamente chamado de Zizo por nós, nasceu em Itapetininga no dia 25 de maio de 1945, filho de Luiz Balboni e Francisca Áurea Fogaça Balboni. Viveu até os 10 anos de idade na fazenda do seu pai, no município de São Miguel Arcanjo. Começou seus estudos lá mesmo e terminou o estudo primário no Grupo Escolar José Gomide de Castro, na cidade de São Miguel Arcanjo em 1955. Como não existia ginásio na cidade, precisou sair de casa pra continuar os estudos, com quase 11 anos de idade. Foi então matriculado no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, após haver feito testes para saber se poderia ser aproveitado. Ali fez o 1º e 2º ano do ginásio. Menino criado livre na fazenda, saudável e forte, não se acostumou com o internato do colégio. Foi então transferido para Itapetininga, onde terminou o ginásio em 1959, concluindo também o curso colegial. Mais tarde foi morar na casa do avô materno, Vital Fogaça de Almeida, em São Paulo, para fazer o cursinho Anglo, que fez em dois anos, tendo conseguido bolsa de estudo para o segundo ano. Depois entrou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, para estudar Engenharia de Minas onde cursou por outros dois anos. Ele se desinteressou pelo curso, trancou a matrícula na faculdade e começou a trabalhar. Pensava em fazer arquitetura. Estávamos em 1968. Nessa época, a ditadura militar que havia se estabelecido em 1964 estava recrudescendo suas atividades, decretando atos institucionais que cerceavam as liberdades básicas dos cidadãos e praticamente autorizava o Estado a matar em seu nome, cometer todo tipo de atrocidade para se manter no poder. Para resistir a esse estado de violência, o Zizo se engajou no movimento estudantil. Logo percebeu que manifestações de protestos contra o regime militar não tinham força suficiente para mudar aquele cenário. Ele, como muito outros jovens cheios de ideais de liberdades, decidiram entrar para a luta armada contra a ditadura opressiva. Veio a falecer no dia 25 de setembro de 1969, aos 24 anos, ao resistir a uma emboscada preparada pelas forças de repressão. Passaram-se mais de 30 anos de dor, sofrimento e constrangimento imposto pelos até então vencedores, que taxavam todos os seus opositores de terroristas, sem que nossa Família tivesse notícia do que realmente teria ocorrido, quais foram as circunstancias de sua morte. Quando o Zizo chegou em São Miguel Arcanjo para ser enterrado estava num caixão de zinco lacrado e só apareciam praticamente seus olhos. No inicio dos anos 90, quando estávamos retomando o Estado de Direito, foi decretada a Lei de Anistia, e como conseqüência, muitos exilados políticos começaram a retornar ao país. Naturalmente muitos deles retornaram as atividades parlamentares e se elegeram deputados, senadores e governadores de estado. O então exilado ex Governador Miguel Arraes de Alencar foi eleito então outra vez Governador do Estado de Pernambuco e logo depois que assumiu o mandato, criou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Instituto de Estudo da Violência do Estado, IEVE. Através do Grupo Tortura Nunca Mais SP, enviamos uma foto do Zizo juntamente com um pequeno histórico de suas atividades políticas, que foi publicado no livro Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964 na página 70, que recebemos no dia 22 de fevereiro de 1996. Ficamos muito emocionados, pois foi a primeira vez que conseguimos inserir o Zizo no rol de pessoas assassinadas pela ditadura militar. A luta para saber o que havia ocorrido e restabelecer sua imagem, marcava seu primeiro tento. Na seqüência outro exilado político, Fernando Henrique Cardoso, foi eleito Presidente da República e criou uma lei que responsabilizava o Estado Brasileiro, quando da morte de cidadãos nas suas dependências. Foi criada a Comissão que tratava dos Mortos e Desaparecidos. Também por indicação do Grupo Tortura Nunca Mais, registramos o nome do Luiz Fogaça Balboni, o Zizo, nessa comissão. Em Brasília onde foi instalada a comissão fomos muito bem recebidos e orientados por Nilmário Miranda, Deputado Estadual pelo Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais e presidente da Comissão dos Direitos Humanos. Com o Dossiê patrocinado pelo Governador Arraes nas mãos onde consta: "Desde 1968 fazia parte da Ala Vermelha do PCdoB como membro do Setor Universitário. Divergindo da organização, ligou-se em meados de março de 1969 à ALN. Nesse período entrou para a clandestinidade, onde permaneceu até a sua morte. Fuzilado, com 24 anos de idade, ao resistir à prisão, na Alameda Campinas, em São Paulo, no dia 25 de Setembro de 1969, em emboscada montada pelos delegados Sérgio Fleury, Rubens Tucunduva e Firminiano Pacheco. Em entrevista a Revista Realidade, em 1971, Sergio Paranhos Fleury assumiu que viu morrer a sua frente Luiz Fogaça Balboni. O laudo necroscópico é assinado pelos médicos legistas Irany Novaes Maraes e Antonio Valentini." o Deputado Nimário estabeleceu uma estratégia de apresentar o caso do Zizo, depois de julgarem o caso do ex Deputado Carlos Marighela, fundador e comandante da ALN, que também havia sido morto em emboscada na rua e que evidentemente teria uma repercussão favorável, pois ambos haviam sido mortos fora das dependências do Estado, mas pelo Estado. Faltava um elo ainda perdido. Em que circunstância e que horas o Zizo foi baleado? Ele foi ferido ou morreu na hora? Quem estava com ele? Quanto tempo a polícia da ditadura ficou com ele, antes de darem entrada no Hospital das Clínicas, apenas 5 a 10 minutos do local do incidente? Perguntas duras e difíceis que precisavam de respostas. A pista preciosa partiu da Prefeitura de Santos, comandada pelo prefeito David Capistrano, cuja administração abrigava antigos combatentes da luta armada. Estávamos em 1997 quando conhecemos Manoel Ciryllo, última e única pessoa que estava com o Zizo no momento da emboscada. Orientados por Nilmario, o Manoel deu um depoimento na OAB de São Paulo, relatando que quando estavam fugindo da emboscada, o Zizo foi baleado com um tiro nas costas por volta das 15 horas. Fomos remexer os arquivos do hospital e encontramos o prontuário que dava como 18 horas sua entrada na emergência. Portanto ficou provado que houve omissão de socorro e o Estado foi condenado a indenizar a família pela responsabilidade de sua morte. No dia 06 de fevereiro de 1998 fomos surpreendidos com um deposito de aproximadamente R$ 120.000,00 reais, resultante da indenização paga pelo Governo Federal. Não esperávamos nenhuma indenização, queríamos saber apenas o que tinha acontecido. Foi assim que, em conjunto, mãe e irmãos resolveram investir o recurso da indenização em preservação numa área de Mata Atlântica primária que possuiam. A nossa missão é preservar a sua memória e essa fantástica biodiversidade desse bioma. Veja abaixo um documentário especial (dividido em 6 partes) sobre a ditadura militar, o assassinato de Zizo e trechos da visita do Ministro Paulo Vannuchi ao Parque do Zizo em 2008. =========================================================================================== + detalhes. Os amigos e familiares falam do Zizo e contam suas lembranças. a.. Dna Quinha a.. Vital a.. Manoel Cyrillo -------------------------------------------------------------------------- Dna. Quinha Agora, passados já quase 30 anos completos, em 25 de setembro vindouro, posso falar, posso escrever sem aquela dor funda que me esmagava o coração. Claro, penso sempre nele, rezo muito por ele e peço-lhe que vele por nós - a sua família - lá do lugar que Deus reserva para os seus eleitos. Sim, estou falando do Zizo, como era chamado pelos inúmeros amigos, por todos aqueles que também o amaram. E eram, ou melhor, são muitos os que estão comovidos, mas alegres e felizes como nós, pelo resgate que se faz de sua memória. Esse sempre foi um ponto de honra para os irmãos Aldo e Vital que, há muito tempo, vinham trabalhando por essa causa tão justa, tão importante quanto necessária para todos nós. O Zizo era um menino precioso, especial, muito especial. Afável, doce, manso, disponível, cheio de amor e caridade. Extremamente sensível, tratava as pessoas com o maior respeito, sem distinção entre os humildes e os mais privilegiados. Da extrema sensibilidade dele, quero relatar aqui o episódio seguinte: meu marido, Luiz Balboni, homem trabalhador e progressista - a quem São Miguel deve muito, no campo financeiro e político - teve uma fábrica de raspas de mandioca. O Luizinho, na ocasião, estudava na escola Politécnica, em São Paulo. Nas férias, quando vinha para casa, às vezes, faltara um empregado na fábrica e o Luiz o chamava para trabalhar no lugar do faltoso. Um dia, ele me disse: "Mãe, o Pai pensa que eu sou preguiçoso porque não gosto de trabalhar na fábrica. É que lá trabalha o Quico, meu companheiro de escola, na fazenda. E daí eu sinto vergonha, eu, estudando para doutor, e meu amigo trabalhando de empregado de meu pai...". Assim era meu filho. Alegre, gostava de música, tocava violão, adorava estar com os amigos. O início dos anos sessenta foi a época em que meu marido instalou aqui em São Miguel Arcanjo sua fábrica de farinha de mandioca. É que o governo incentivara bastante o surgimento delas - instalaram-se mais ou menos umas 90 fábricas no Estado - porque o nosso trigo não era suficiente para atender ao consumo interno, e essa seria a forma de complementar essa escassez. No caso do pão, havia uma porcentagem X na mistura do amido de mandioca ao trigo, o que deixava o pãozinho meio amarelado. Porém, abruptamente, ou melhor, sem a menor preocupação ou constrangimento com a situação dos donos das fábricas, o governo começou a subsidiar o trigo e suspendeu a mistura, e o amido de mandioca perdeu completamente o mercado. Mas, para os produtores prejudicados, ficou a enorme folha de pagamento e os inúmeros compromissos que não puderam ser saldados. E assim, o Luiz perdeu a fábrica e não pode mais arcar com as despesas dos estudos dos filhos mais velhos. E eles começaram a trabalhar. Em São Paulo, moraram numa minúscula quitinete que, mesmo tão pequenina, tornou-se o abrigo de estudantes pobres ou estrangeiros que freqüentavam as faculdades e ali se hospedavam até arranjar onde permanecer. Durante a estadia dos três - Luizinho, Aldo e Vital - nessa quitinete, eu só pude ficar com eles uma única vez. Queria estar com eles, dormir perto deles, lavar-lhes as roupas, cozinhar para eles... Mas, nunca havia lugar para mim. Havia sim, sempre, um estudante precisando de um canto para ficar. Essa quitinete ficava na rua Maria Antonia, perto das duas faculdades - o centro nervoso dos estudantes - na época da ditadura militar que oprimia o povo. Na efervescência desses dias, em meio a protestos estudantis, reuniões tumultuadas, a polícia prendendo e torturando gente, instalado o caos, a violência imperava. Tudo isso e mais a revolta pela dor e humilhação do Pai - pelo qual ele tinha e todos os irmãos têm um justo orgulho e uma grande admiração - que havia perdido tudo que construíra em anos e anos de trabalho árduo, incessante e produtivo, vítima de uma lei autoritária e injusta do governo militar, imagino eu, foi para o Zizo a gota d'água. Pela sua formação, pela sua vocação, pelo seu sonho de um mundo melhor, um Brasil mais justo, mais humano e mais fraterno, amadureceu nele uma resolução, que certamente vinha tomando forma na sua cabeça há muito tempo. E corajoso e valente que era, entrou para a luta armada, onde não ficou muito tempo. Em agosto, numa de suas vindas para cá, contou-me que havia mudado de casa. Já não agüentava tanta gente ao seu redor. Estava cansado do contínuo vai e vem. Queria agora, sossego e privacidade. Havia trancado a matrícula na faculdade e ia ensinar matemática num grupo escolar na Vila Sônia. Sei, agora, que essa história era em parte verdadeira. Mas, foi contada para que eu ficasse tranqüila quanto à sua vida em São Paulo. E eu fiquei mesmo muito feliz. Mas, na verdade, eu creio que foi nesse momento que ele entrou para a clandestinidade. No dia 7 de setembro, voltou para casa pela última vez. Na hora do almoço, deu comida para o irmãozinho caçula - o Marcelo - fazendo aviãozinho para ele comer melhor. Acabando o almoço, pôs-me o violão ao colo e olhando-me firmemente com seus lindos olhos verdes, disse: "Mãe, cante Sussuarana". Sussuarana é uma música sertaneja muito antiga e muito linda. Conheci-a em 1931 quando moramos em São Manoel, onde papai foi delegado de polícia. Lá, mamãe arranjou uma costureira ótima que se tornou nossa amiga. Numa conversa, ela me contou que perdera um sobrinho de 16 anos, que adorava música. Teve uma doença súbita e um pouco antes de morrer pediu que lhe cantassem Sussuarana. Eu era menina e esse relato impressionou-me muito e um dia contei-o aos meus filhos. E eu cantei Sussuarana para o meu filho, mas não entendi nada. Jamais, jamais imaginaria... E meu filho morreu no dia 25 do mesmo mês. Foi ceifada assim, uma vida jovem, preciosa e promissora. Posso, também agora, e quero mesmo, agradecer a Deus o filho maravilhoso que eu tive e o tempo que Ele permitiu que ficasse comigo. Francisca Áurea Fogaça Balboni, mãe do Zizo Janeiro de 2002 ^ -------------------------------------------------------------------------- Vital F. Balboni Os anos foram passando e, gradativamente, fomos descobrindo que podíamos lidar com uma ruptura que violentou nossas vidas. De repente, bateu saudade. Os amigos começaram a lembrar os momentos que desfrutaram juntos, a juventude que habitava nosso peito. Todos adoravam o Zizo. Foi uma pessoa intrigante, bonita por natureza. Marcou época na pequena São Miguel Arcanjo de antigamente. Seus amigos e amigas sempre nos encontram trazendo relatos de momentos especiais intensamente vividos com ele. O Zizo foi um jovem sonhador, que certo dia acreditou que mudaria o mundo. Na turbulência do final dos anos sessenta, quando experimentávamos o regime de força na maioria dos países latino-americanos, ditaduras selvagens ceifaram milhares de vidas que desafiavam seu poder e esmagaram todos os movimentos que queriam liberdade e igualdade. Hoje estamos aprendendo que essas vidas não foram perdidas em vão, desaguaram num mar onde reina uma jovem democracia. Luiz Fogaça Balboni, que tão carinhosamente chamamos de Zizo, foi morto numa tarde do dia 25 de setembro de 1969, surpreendido por uma emboscada preparada pelo delegado Fleury, que não hesitou em ficar mais de três horas com o ferido em seu poder antes de levá-lo ao Hospital das Clínicas, a apenas cinco minutos do local, onde faleceu horas depois por não resistir aos procedimentos cirúrgicos. No início de 1998, o Estado reconheceu que matou um dos seus cidadãos e, de acordo com a lei, indenizou a família. Foram inúmeras as pessoas que nos ajudaram nessa árdua tarefa de pesquisar e apresentar provas documentais de tudo que ocorreu à quase trinta anos atrás. Sem querer ser injusto com os demais, ressalto o trabalho do Grupo Tortura Nunca Mais, do Deputado Nilmário Miranda (PT-MG), que incansavelmente trabalhou por vontade própria na Comissão dos Desaparecidos Políticos e, finalmente, Manoel Cyirillo, testemunha viva do acontecimento, cujo depoimento nos emocionou muito. A todos somos muito agradecidos. No bojo desses acontecimentos, estava ali como uma brasa quietinha o desejo imenso de fazer alguma coisa, algo que resgatasse a memória do Zizo, sua vida, sua história, seus amigos, suas amigas, seus sonhos, sua vontade imensa de mudar o mundo para melhor. A indenização de alguma forma deu um empurrão naquela porta semi-aberta que guardava nossos sonhos. As possibilidades começaram a tornar-se reais, era possível fazer alguma coisa. Queríamos fazer um movimento que perdurasse através dos anos, alguma coisa relevante para a humanidade, algo que transcendesse o tempo, para homenagear o Zizo. Foi assim que nasceu o Parque Ecológico do Zizo, área de Mata Atlântica primária, na região de São Miguel Arcanjo - SP. A maior parte do Parque será mantida de forma intacta, e será transformada numa RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural para que as gerações futuras possam desfrutar da sua riqueza natural preservada. A outra área faz parte de um projeto auto-sustentado, pelo qual, com a exploração inteligente do ecoturismo, buscaremos sustentação para a manutenção permanente do Parque. Com a aplicação dos recursos já conseguimos algumas façanhas como construir, no meio do sertão, uma ponte com vão livre de 11 metros sobre o rio Ouro Fino, viabilizando assim a passagem de materiais para a construção da nossa base operacional de apoio. Nosso "rancho", já construído em alvenaria e madeira, conta com ampla cozinha, água corrente na torneira, alojamento para 10 pessoas, banheiro com água quente e privada ligada a fossa séptica. Nossa atividade atual vem sendo catalogar riquezas naturais como cachoeiras, afluentes, córregos, árvores imensas, das quais ainda desconhecemos o nome científico, abrir trilhas, enfim, um imenso trabalho que só está começando. Vital Fogaça Balboni, irmão do Zizo Janeiro de 1999 ^ -------------------------------------------------------------------------- Manoel Cyrillo Corriam os idos de 1969, a longa noite dominava o país. Qualquer observador mais afoito poderia até dizer que a escuridão encurralara a todos, não haveria mais saída. Soara o toque de recolher. Ruas desertas, onde uns poucos vultos moviam-se, seriam a comprovação desse pensamento. Só as criaturas das sombras tinha vez e voz. Engano. Ledo engano... Quando o sol se põe, lá no alto surgem estrelas. Primeiro uma, depois outra, acolá mais outra e, logo logo milhares, milhões delas, umas aparentemente desgarradas, outras tantas caminhando em grupo, todas em conjunto afrontando e vencendo as trevas. Na longa noite em que país foi mergulhado, quiseram os fatos que o Zizo fosse uma daquelas estrelas. Logo ele, o segundo dos oito filhos do sr. Luiz Balboni e de dona Francisca. Zizo, Luis Fogaça Balboni, este era o seu nome completo, foi uma criança como muitas outras, nada de excepcional. Há pouco a se dizer, são muitas as lembranças. Era um ótimo filho, um irmão amigo, um amigo irmão. Dançava como tantos, sorria como poucos, subia em árvores como ninguém. Era um mestre com um violão, um mestre do povo, um violeiro. Gostava muito de ler, chegava a devorar livros. Com garra e gula preparava-se para o amanhã, sonhava. Em um certo instante, deixou a sua São Miguel Arcanjo e foi estudar em São Paulo, havia entrado na Poli. Preparava-se para o amanhã, voava. Zizo tinha norte, sabia onde estava, sabia o que queria. Gente assim é um perigo para as forças das trevas, eles têm luz própria! Diz o documento lavrado pelos seus algozes: no dia 25 de setembro de 1969, aos 24 anos de idade, Luiz Fogaça Balboni foi abatido. Engano, Ledo engano... Se o processo foi doloroso para os pais, os irmãos, os amigos; foi para todos os amigos. Se o processo foi doloroso para o país, o Zizo simplesmente transfigurou-se de estrela em estrela cadente, guia. Como ontem, hoje prossegue a sua trajetória, indicando-nos o caminho de como preservar as nossas mais profundas raízes. O Parque é uma continuação de um ideal de vida. Viva o Parque do Zizo! Manoel Cyrillo, a última pessoa a estar com o Zizo ainda vivo. Setembro de 1999 ^ -------------------------------------------------------------------------- Em nome de Zizo A cantora entoava o Hino da Independência num solo à capela e nós repetíamos o estribilho: "ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil". Em torno, o frescor da Mata Atlântica cheirosa, barulho de riacho, de folhas. No centro, a memória de um jovem estudante bonito, generoso, que poderia estar ali, entre seus irmãos e amigos, aos 63 anos. Mas morreu aos 24, durante a ditadura militar, numa emboscada armada por delegados do DOPS, perto da avenida Paulista, em São Paulo. De repente me dei conta de que estávamos retomando - especialmente a família de Luiz Fogaça Balboni, o Zizo - a saga de quem resolveu não apenas cantar o refrão do Hino, mas vivê-lo com radicalidade, assumindo morrer numa guerra de objetivos não bélicos, não de conquista de territórios, mas de conquista de democracia, para que o Brasil fosse uma pátria livre. Outros jovens dos anos 1960 e 70 estavam ali, muitos deles pais de moços e moças que hoje tem a idade do amigo quando foi morto. Quando passam pelo quarto dos filhos, talvez achem que ainda são meninos e meninas e lhes cobrem os pés, apagam a luz, fecham a porta. E, no entanto, com a mesma idade, foram uma força criativa, inovadora, corajosa, que abandonou todas as proteções familiares e institucionais para correr os riscos de lutar pelos tesouros mais profundos do Brasil, pelo direito de ir e vir, de pensar e falar, participar da vida nacional, escolher rumos. Isso aconteceu no sábado, dia 16 de agosto. Juntamente com o ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, fui à inauguração de uma escultura em homenagem a Zizo, como parte do projeto "Direito à Memória e à Verdade". Ela fica no Parque do Zizo, no município de São Miguel Arcanjo, uma área de preservação ambiental com 300 hectares, implantada por seus irmãos com o dinheiro da indenização aprovada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. A ONG APAZ cuida do espaço há mais de dez anos e desenvolve ali atividades que unem a educação ambiental de crianças e jovens, como base para o aprendizado dos valores de cidadania, e a observação de pássaros e outros seres da floresta, catalogando-os e estudando seus hábitos. Mais de 250 espécies de aves já foram identificadas, além de onça parda, jaguatiricas, uma família de monos carvoeiros, o maior primata das Américas, e outros animais que guardam a riqueza rara da Mata Atlântica original. A Mata Atlântica sabe como ninguém otimizar espaços e a energia da terra. Nas árvores nasce outra floresta aérea de bromélias, liquens, cipós, uma profusão de vida que não se enraiza diretamente no chão. É uma sinergia total. Como se fossem verdadeiros condomínios vegetais. Parece que agora que sabe que só lhe restou 7% de seu território, a floresta radicalizou na exuberância que enfeita o parque que contribui para que ela sobreviva. A família de Zizo imaginou, inicialmente, construir uma maternidade com a indenização, numa simbólica acolhida aos filhos e netos que ele não teve tempo de ter. Com a opção pelo parque, acabou, de certa forma, fazendo uma maternidade. Para os seres humanos, o parque servirá para estimular o contínuo renascimento, em nossos corações, de sonhos como aqueles que levaram a geração de Zizo à total entrega à causa da liberdade e da justiça. Será ainda a maternidade de borboletas, antas, macacos, cobras, insetos, passarinhos. E também o espaço para elaborar o luto dos anos de chumbo, narrar o trauma, como diz Marcio Seligmann-Silva, no seu texto "Narrar o trauma. A questão dos testemunho de catástrofes históricas". Para não deixar a neurose da raiva e da vingança tomar conta e ocupar o lugar da criação, da relação amorosa com o universo. A vitalidade de um parque é o melhor cenário para que a lembrança seja profundamente generosa, até com quem oprimiu, pois mesmo essas pessoas são beneficiárias da liberdade e da democracia. Não conheci o Zizo, mas reconheço a força que o levou a lutar para refazer o mundo de seu tempo. Reconheço a juventude pulsando em seus atos, alerta, vigorosa, valente, certa de estar atuando em favor de seu ideal de país. Reconheço seus passos apressados, ao encontro da realização do impossível e, depois, fugindo da perseguição, ressoando na calçada, até serem freados por uma bala no peito. Reconheço no seu apelido a intimidade que a família empresta ao Brasil para lembrá-lo no mesmo código de amor de pais e irmãos que o tornou único na infância e, agora, é expressão de um Zizo coletivo que permanecerá neste memorial onde outros jovens virão aprender a gostar da vida em eterno recomeço, expressa na natureza. Não por acaso Zizo dá nome a uma parte da mata que teima e resiste à destruição, à violência, aos equívocos da insensatez e sobrevive aos seus algozes, sendo-lhes necessária e fundamental. ============================================================================================== + detalhes. Tributo a vida Reserva criada com indenização para vítimas do regime militar preserva corredor ecológico Incrustado no alto de uma serra, o Parque do Zizo é uma reserva ecológica particular que se espalha por 300 hectares da mais pura Mata Atlântica. Com trechos intocados, abriga cachoeiras e grande variedade de bromélias, o alimento preferido do monocarvoeiro, o maior macaco das Américas, uma espécie ameaçada de extinção. Um grupo deles acaba de ser avistado no parque pela bióloga Camila Pianca, que estuda o impacto da presença humana na região. "Há um ano, eu vivia encontrando caçadores e palmiteiros pelas trilhas", conta Camila, referindo-se aos cortadores da árvore do palmito. "Com a implantação da reserva, eles se afastaram." Destinado a preservar a vida, o Parque do Zizo foi criado com recursos da indenização do governo a famílias de vítimas do regime militar (1964-1985). Zizo era o apelido do estudante Luiz Fogaça Balboni, morto em setembro de 1969, aos 24 anos, em uma emboscada preparada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, da polícia política paulista. Durante muito tempo, pouco se falou em Zizo na casa de sua família, na cidade paulista de São Miguel Arcanjo. "A dor era tanta que levei dez anos para colocar o retrato dele na lareira", lembra sua mãe, Francisca, a dona Quinha. Pelo menos outra década precisou passar para que o resgate da história de Zizo fosse além da imagem em preto-e-branco que dona Quinha mandara emoldurar. O ápice do processo ocorreu em 1998, quando o governo federal reconheceu a responsabilidade do Estado na morte do estudante. Com uma indenização de R$ 124,6 mil, a família teve dificuldade para decidir o destino do dinheiro. "Procurávamos algo que lembrasse o seu desejo de mudar o mundo", conta Vital, um dos sete irmãos de Zizo. Numa das muitas conversas sobre o tema, alguém se lembrou da antiga área de caça de Francisco, o Chico, 35 anos, um dos irmãos mais novos de Zizo. Depois de passar boa parte da adolescência e juventude embrenhado nas matas dos arredores da cidade, há oito anos Chico enterrou a espingarda de repetição, calibre 22, que tantas vezes usara para abater animais silvestres. "Foi um processo gradativo de conscientização", lembra. Junto com os irmãos, ele vinha adquirindo as terras onde circulara antes como caçador, com o intuito de preservá-las. A área, de difícil acesso, fica a apenas 32 quilômetros de São Miguel Arcanjo, no começo do Vale do Ribeira, no entorno do Parque Estadual Carlos Botelho, que soma 37.644 hectares de Mata Atlântica e vai até a divisa de São Paulo com o Paraná. Decidida a aumentar a extensão das terras a serem preservadas e a criar uma infra-estrutura para alojamento de pesquisadores e ecoturistas, a família Fogaça Balboni investiu os recursos da indenização no projeto ambiental, inaugurado como Parque do Zizo no último dia 30 de janeiro. Entre as pessoas que compareceram à abertura estava o publicitário Manuel Cyrillo, companheiro de Zizo na Ação Libertadora Nacional (ALN), uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro, que defendia a luta armada como alternativa para derrubar o regime militar. "Zizo era muito sereno", lembra Manuel Cyrillo. "Tivemos umas duas reuniões preparatórias para a 'expropriação' de um carro", conta o publicitário, usando o termo adotado pela guerrilha para roubo. Na tarde do dia 24 de setembro de 1969, Manuel Cyrillo e Zizo chegaram juntos à alameda Campinas, em São Paulo, para pegar o carro "expropriado", um Corcel, que haviam deixado estacionado na véspera. O carro seria usado no dia seguinte, na primeira grande ação da qual Zizo participaria: um assalto simultâneo a uma agência do Bradesco e a outra do Unibanco. A operação não chegou a acontecer. Naquela tarde de setembro, acompanhado de sua truculenta equipe, o delegado Fleury esperava por Manuel Cyrillo e Zizo do outro lado da rua, atrás de um muro. Ao perceberam a emboscada, os dois tentaram fugir. Ainda na alameda Campinas, Zizo foi baleado. Depois de tentar, em vão, socorrer o companheiro, Manuel Cyrillo tomou a direção de um carro que passava pelas imediações e conseguiu escapar do cerco. Refugiou-se em São Sebastião, no litoral paulista, mas acabou preso com a mulher e os três filhos do coordenador-geral das operações armadas da ALN, Virgílio Gomes da Silva. Preso 40 dias antes, Virgílio foi um dos primeiros brasileiros a integrar a relação de 152 desaparecidos políticos do País. Em outro rol tenebroso, entre os mais de 200 mortos pelo regime, encontra-se o estudante Carlos Eduardo Pires Fleury, que coordenava o subgrupo ao qual Zizo se integrara. Em depoimento à polícia política, obtido sob tortura, em dezembro de 1969, Fleury chegou a mencionar uma atuação de Zizo na Semana da Pátria daquele ano, citando apenas seu codinome na guerrilha - Matias. Tratava-se de um atentado a bomba contra o Mappin, um dos magazines mais requintados da época, que exibia em sua vitrine uma exposição enaltecendo o Exército. Ao lado de outros militantes, Zizo distribuiu panfletos às pessoas que passavam pela região, afastando-as da vitrine a ser atingida. "Foi tudo muito rápido", recorda o advogado Takao Amano, que teve função similar na ação, mas quase não teve contato com Zizo. "Até por segurança, nós atuávamos compartimentados." Durante o pouco tempo em que viveu na clandestinidade - cerca de três meses -, Zizo continuou em contato com a família. Na véspera da emboscada, ele se encontrou com o irmão Aldo. "Zizo deu um azar medonho", lamenta Aldo. "Mal entrou na clandestinidade e aconteceu aquela tragédia." Primogênito, Zizo morava com os irmãos Aldo e Vital num apartamento da rua Maria Antônia, centro da efervescência político-estudantil na época. Os três estudavam e trabalhavam - Zizo e Vital atuavam originalmente na Ala Vermelha, uma cisão do Partido Comunista do Brasil. Quando se decidiu pela ALN e pela luta armada, Zizo deixou o apartamento. "Era uma quitinete minúscula, que vivia cheia de gente", lembra dona Quinha. "Eu queria pernoitar lá, cozinhar para os meninos, mas não havia espaço." Depois do episódio da alameda Campinas, Vital, que atuava no setor bancário, escapou da ira do delegado Fleury por estar fora de São Paulo. Aldo, que não era militante, chegou a ser torturado para revelar informações que desconhecia. Ambos foram fundamentais na criação do parque. A homenagem em memória de Zizo, que estudou engenharia na USP, é comemorada entre os que o conheceram na época da militância. "Ele era um menino muito querido", lembra a assessora sindical Cida Santos, ex-integrante da ALN. Mesmo quem não o conheceu aplaude a forma escolhida pela família para perpetuar sua memória. "A reserva ajuda a garantir a preservação de um importante corredor ecológico", atesta o diretor do Parque Estadual Carlos Botelho, José Luiz Camargo Maia. Inédita no País, a iniciativa dos Fogaça Balboni representa, na verdade, uma homenagem à vida. ================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110403/0195681e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12301 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110403/0195681e/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2321 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110403/0195681e/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 3 13:35:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 3 Apr 2011 13:35:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Milhares_de_cantores_e_orquestras?= =?iso-8859-1?q?_e_dezenas_de_milhares_de_m=FAsicas=2E_Escolher=2C_?= =?iso-8859-1?q?baixar_na_radi=F3la_e_ouvir_enquanto_trabalha=2E___?= =?iso-8859-1?q?_______HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: <63F3F8DB2FDC47C9BD0E47F647726683@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Milhares de cantores e orquestras e dezenas de milhares de músicas. Escolher, baixar na radióla e ouvir enquanto trabalha. (clique) http://www.radio.uol.com.br/#/home -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110403/219d3ebb/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 3 13:35:43 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 3 Apr 2011 13:35:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?b?TnB2ZWxhOiAiIEFtb3IgZSBSZXZvbHXDp8Oj?= =?utf-8?q?o=22___estreia___nesta_ter=C3=A7a=2C_=C3=A0s_22h15=2C_no?= =?utf-8?q?_SBT?= Message-ID: <946E3E531D554C5686D3BA070F6A9AAD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem http://amorerevolucao.webnode.com/ (link oficial da novela Amor e Revolução.Clique para ver tudo) Amor e Revolução estreia nesta terça, às 22h15, no SBT "Amor e Revolução é uma novela intrigante que vai dar muito o que falar", diz diretor Com mais 55 anos de carreira em televisão, Reynaldo Boury, diretor de Amor e Revolução começou na TV Tupi como cameraman. Teve passagens ainda pela TV Excelsior e TV Globo, onde dirigiu sucessos como "Irmãos Coragem", "Ciranda de Pedra", "Tieta", "Sonho Meu", entre outras. Ao lado de Tiago Santiago, Boury é responsável por levar ao ar a partir desta terça, 5 de abril, às 22h15, a primeira telenovela brasileira a abordar o tema dos anos de chumba da ditadura militar. Nesta entrevista, o diretor fala sobre a trama, os bastidores e revela alguns segredos que o público poderá acompanhar na tela do SBT. SBT - Como aconteceu o convite para dirigir Amor e Revolução? O seu contrato com o SBT vai até quando? Reynaldo Boury - O convite foi do Tiago Santiago e o contrato é de três anos. SBT - Amor e Revolução tem uma trama intensa, com muita ação e dinamismo. Como é dirigir uma telenovela como esta? RB - Faço direção de novelas desde 1962, quando foi implantada pela TV Excelsior a novela diária. Ja fiz novela de todo tipo. Mas confesso que com o tema da ditadura é uma novidade. Um novo campo. Uma nova dimensão. SBT - Por ser uma novela de grande carga dramática como é dirigir os atores, o que mais cobra deles? RB - Tenho que manter a dinâmica da novela, mas sempre com atenção voltada para a interpretação, que se for fora do tom, pode ficar complicado. Mas os atores estão aceitando bem a direção. SBT - Como está sendo a parceria com Tiago Santiago e também com o elenco de Amor e Revolução? RB - A parceria é a melhor possível. Nos entendemos perfeitamente. Sabemos manter o profissionalismo. Com os atores também tudo está correndo dentro dos planos. SBT - Qual a maior dificuldade em dirigir uma novela que se passa na época da ditadura militar, uma história recente do Brasil? RB - Vamos contar a história de uma época do Brasil de muita turbulência, mas praticamente ?esquecida? nas nossas escolas e faculdades. Mas o Tiago está bem informado sobre os acontecimentos e relatando com muita clareza. SBT - Qual a sua opinião sobre a ditadura militar no Brasil? RB - Uma época negra para a nossa história. Reynaldo Boury (Foto: Lourival Ribeiro/SBT) SBT - Você fez alguma pesquisa sobre o período da ditadura militar para dirigir Amor e Revolução? O que pesquisou? RB - A pesquisa foi feita junto com o Tiago. Sempre com base em livros e depoimentos. SBT - Quais as lembranças você tem do período da ditadura militar? Tais lembranças te inspiram na hora de dirigir algumas cenas de Amor e Revolução? RB - Na época era diretor de novelas na TV Excelsior. Nunca fui preso. Tive muita sorte. Mas as cenas estão sendo realizadas com a maior veracidade possível. Reynaldo Boury em ação (Foto: Lourival Ribeiro/SBT) SBT - A novela terá cenas de torturas e perseguições. Em que se baseou para construir tais cenas? RB - Procurando realizar com a maior verdade possível, com uma linguagem de televisão moderna. Assisto muito seriado americano. Sempre é um aprendizado. SBT - Amor e Revolução é uma novela que tem mais cenas gravadas em estúdio ou externas? Quantas e quais as locações de Amor e Revolução? RB - Até agora, por volta do capítulo 30, estamos meio a meio com relação estúdio versus externa. São algumas locações diferenciadas: um Quartel do Exército, um sítio para as cenas de matas, estradas de terra e cachoeiras. SBT - Como acredita que os telespectadores receberão Amor e Revolução? Qual a principal mensagem da novela? RB - Como disse, é uma novela intrigante que vai despertar no telespectador a vontade de assistir um tema nunca debatido e exibido em novelas. A mensagem é que jamais esta situação de ditadura seja novamente implantada no Brasil. SBT - Como você define Amor e Revolução? RB - Uma novela intrigante que vai dar muito o que falar. Amor e Revolução estreia nesta terça, às 22h15, no SBT __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110403/19970cf3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30224 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110403/19970cf3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 4 19:37:46 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 4 Apr 2011 19:37:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Pesquisadores_da_USP_descobrem_tratam?= =?utf-8?q?ento_para_s=C3=ADndrome_das_pernas_inquietas=2E_________?= =?utf-8?q?__________________________HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!_MED?= =?utf-8?b?SUNJTkEsIFNBw5pERSBFIEFMSU1FTlRBw4fDg08h?= Message-ID: <06E66A1BE8A74F95918C08A05FB81B73@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Pesquisadores da USP descobrem tratamento para síndrome das pernas inquietas: masturbação1. http://hypescience.com/pesquisadores-da-usp-descobrem-tratamento-para-sindrome-das-pernas-inquietas-masturbacao/ 2. http://www.newscientist.com/article/dn20323-masturbation-calms-restless-leg-syndrome.html?DCMP=OTC-rss&nsref=online-news Existem diversos mitos sobre as consequências que pode sofrer quem se masturba, desde pelos indesejados na mão até a cegueira. Mas por esse efeito ninguém esperava: a masturbação pode ter um benefício clínico real no alívio para quem sobre da síndrome das pernas inquietas (SPI). Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que a controversa prática pode fornecer um doce alívio para cerca de 7% a 10% das pessoas que sofrem da condição. SPI é um distúrbio neurológico caracterizado por uma angustiante necessidade de movimentar as pernas. É geralmente associada a sensações desagradáveis ??nos membros inferiores, tais como formigamento, dor e coceira. As causas exatas da síndrome ainda estão sendo estudadas, mas as pesquisas já concluídas sobre o assunto, utilizando exames de imagem cerebral, sugerem que um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento da SPI é um desequilíbrio na dopamina ? um neurotransmissor que, entre outras coisas, ativa as áreas cerebrais responsáveis ??pelo prazer. Suspeita-se que o desequilíbrio da dopamina seja também responsável por alguns dos sintomas do Mal de Parkinson. Drogas que regulam os níveis de dopamina mostraram ser efetivas na redução dos sintomas da SPI quando tomadas antes de dormir. Esse é o tratamento inicial ideal. Embora os medicamentos resultem na melhoria significativa dos sintomas de um homem de 41 anos com síndrome das pernas inquietas, ele encontrou um tratamento ainda melhor: o alívio completo após a masturbação ou o sexo. Luis Marin e seus colegas da USP, que publicaram sua pesquisa sobre o novo tratamento este mês na revista ?Sleep Science? (?Ciência do Sono?), especulam que a liberação de dopamina após o orgasmo possa desempenhar um papel determinante no alívio dos sintomas. Um orgasmo proporciona uma das maiores explosões naturais de dopamina disponível para nós. Quando o pesquisador Gert Holstege, da Universidade de Groningen, na Holanda, e sua equipe mapearam o cérebro de homens no momento da ejaculação, eles notaram que as imagens obtidas lembravam o êxtase causado pelo consumo de heroína. O aumento temporário da dopamina pode agir de forma semelhante às drogas que imitam o hormônio, concedendo ao homem bastante alívio nas pernas inquietas ? o suficiente para deixá-lo dormir uma noite inteira. A ciência já provou que a masturbação protege os homens contra o câncer de próstata e ameniza os sintomas da febre dos fenos (reação alérgica ao pólen). Nenhum efeito prejudicial ao sistema visual foi descoberto até agora. [NewScientist] -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/8ad52e86/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 4 19:37:53 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 4 Apr 2011 19:37:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_MERIVAL_ARA=DAJO______________________?= =?iso-8859-1?q?________-XCIX-?= Message-ID: <43FF5018167646FFB0753F69258014E2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MERIVAL ARAÚJO (1949-1973) Filiação: Mery Menezes e Domingos de Araújo Data e local de nascimento: 04/01/1949, Alto Paraguai (MT) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 14/04/1973, Rio de Janeiro (RJ) Mato-grossense de Alto Paraguai, o estudante Merival Araújo foi morto sob torturas pelos agentes do DOI-CODI/RJ, uma semana depois de ser preso em frente do prédio nº 462 da rua das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, em 07/04/1973. Nesse endereço morava Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, conhecido como Professor Jacques, militante da RAN (Resistência Armada Nacional) e amigo de Merival. Jacques fora preso dois dias antes pelo DOI-CODI/RJ e, coagido, decidiu colaborar e participou da montagem da emboscada para prender Merival. O encontro foi acertado por telefone, quando Francisco Jacques já estava preso. Jacques foi solto um mês depois e morto a tiros por um comando da ALN. Com as devidas reservas que merece um documento produzido pelos próprios agentes dos órgãos de segurança e tortura do período ditatorial, cabe transcrever um trecho do "Livro Negro" produzido pelo Exército entre 1986 e 1988: "Menos sorte teve o professor Francisco Jacques Moreira de Alvarenga. Antes de sua prisão, recebera de Júlio Rosas um pacote contendo algumas armas do lote roubado da Guarda Noturna do Rio de Janeiro, com a orientação de desfazer-se dele. Jacques passou as armas para Merival de Araújo - terrorista da ALN - de quem era um elemento de 'apoio'. Durante os seus depoimentos na polícia, Jacques 'abriu' um contato que teria com Merival, que, de forma previsível, se tratando de terrorista da ALN, foi morto ao reagir à prisão. No dia 28 de junho, Francisco Jacques Moreira de Alvarenga seria assassinado pela ALN em pleno Colégio Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro, onde lecionava". Esse mesmo documento inclui o nome de Merival como participante do Comando Getúlio de Oliveira Cabral, que matou o delegado Octavio Gonçalves Moreira Junior, agente do DOI-CODI/SP, em Copacabana, no dia 25/02/1973. Apesar de perfeitamente identificado desde o momento em que os agentes do DOI-CODI obtiveram a informação de Jacques, o corpo de Merival deu entrada no IML como desconhecido, com a versão de que fora morto em tiroteio, no dia 14 de abril, na Praça Tabatinga, sendo enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque em 24 de maio, 40 dias após a suposta data da morte. Foram localizadas algumas das 20 fotos da perícia feita no local pelo Instituto Carlos Éboli/RJ. Os peritos registram múltiplos ferimentos produzidos por armas de fogo, fazendo constar que, "sobre este capítulo, melhor dirão os senhores médicos legistas em laudo próprio". Afirmam ainda que "a pesquisa papiloscópíca resultou negativa face à impropriedade do local". Não foi recomendada nova pesquisa e tampouco registrados, seja pelos peritos, seja pelos legistas Roberto Blanco dos Santos e Helder Machado Pauperio, os inúmeros ferimentos visíveis nas fotos do corpo de Merival que foram localizadas pela CEMDP. Os legistas registram algumas escoriações, mas não que em seu corpo mutilado faltam pedaços de pele, arrancadas não se sabe por qual instrumento. Merival morou em Minas Novas, Vale do Jequitinhonha, onde era professor. No Rio de Janeiro, continuou a dar aulas até ser morto. Seu corpo nunca foi entregue aos familiares. Em 1978 seus restos mortais foram para o ossuário geral e, depois, para a vala clandestina no cemitério. Com base nos documentos apresentados, a CEMDP aprovou por unanimidade o voto do relator, favorável ao deferimento do pedido. ==================================================================================================================== + Informações. Merival Araújo Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Nasceu no Mato Grosso, em 04 de janeiro de 1949, filho de Domingos de Araújo e Mery Menezes. Estudante, foi preso no dia 7 de maio de 1973, em um apartamento em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI-CODI/RJ, onde foi torturado até a morte. A prisão de Merival pode ser testemunhada pelos moradores do prédio, contrariando a versão oficial, que repete a farsa da morte em tiroteio ao tentar fugir à prisão. Foi morto aos 24 anos de idade, no dia 14 de maio de 1973. Seu corpo foi encontrado na Praça Tabatinga, N° 4281, próximo a um poste da Light (RJ) e deu entrada no IML/RJ pela guia N°16 do DOPS/RJ, como desconhecido. É identificado pelo Instituto Félix Pacheco, logo após o exame necroscópio realizado pelos drs. Roberto Blanco dos Santos e Hélder Machado Paupério que descrevem algumas escoriações em seu corpo: no abdômem, no membro superior esquerdo (face posterior do cotovelo e dorsal da mão) e membro inferior esquerdo (joelhos). Entretanto, apesar disso, confirmam a versão oficial. O laudo, ao descrever as vestes de Merival, observa que: "trajava calça de tergal cinza-azulada, trazendo preso ao cós um cordão à guisa de cinto...". As fotos de perícia de local mostram claras marcas de torturas. Em algumas partes chegam a faltar pedaços, como nos braços e pernas. Essas violências não são descritas na necrópsia. Seu atestado de óbito de n° 133.270 teve como declarante José Severino Teixeira e informa que foi sepultado como indigente, em 24 de maio de 1973, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na cova N° 23.274, quadra 21. Em 28 de junho de 1978, seus restos mortais foram para um Ossário Geral e, em 1980/1981, para uma vala clandestina junto com cerca de 2.000 outras ossadas de indigentes. ===================================================================================== + detalhes. DITADURA/HERANÇA Gilney quer retirar nome de Medici Da Redação O deputado Gilney Viana (PT), ex-preso política da ditadura militar, apresentou projeto de lei à Assembléia Legislativa de Mato Grosso modificando o nome da escola Presidente Medici, uma das maiories instituições de ensino médio do Estado, em Escola Estadual de 1o e 2o graus "Merival Araújo". "A melhor forma de fazer justiça é prestar uma homenagem a um autêntico herói mato-grossense, que foi assassinado com requintes de crueldade por um grupo militar liderado pelo general Emílio Garrastazu Medici", afirmou o deputado, justificando o seu projeto. Gilney lembrou que além da escola que leva o nome do ditador-general há na capital do Estado uma estátua em homenagem a Medici na avenida Fernando Corrêa da Costa, no Coxipó. "Mesmo depois de restaurada a democracia ainda restam resquícios da ditadura militar em nosso Estado. Estas homenagens ao presidente Medici ofendem a consciência democrática dos cuiabanos, mato-grossenses e brasileiros que aqui residem. É necessário remetê-las ao rodapé da história", explicou. O HERÓI - Natural de Alto Paraguai, Mato Grosso, Merival de Araújo nasceu em 4 de janeiro de 1949. Em 1968, após a morte de seus pais, mudou-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de fazer um curso de jornalismo, onde o técnico em contabilidade pôde sentir de perto as durezas do regime militar. Em seguida ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN). No dia 7 de abril de 1973 Merival de Araújo foi preso e torturado durante sete dias por agentes dos antigos Destacamento de Operações de Informações (DOI) e do Centro de Operações de Defesa Interna (CODI). Somente no dia 14, seu corpo foi encontrado na Praça Tabatinga, dilacerado e mutilado. "A resistência política, cultural e até mesmo armada à ditadura militar cobrou grandes sacrifícios vivos ao povo brasileiro. Conquistada essa vitória cabe eliminar esses monumentos que nos lembram épocas de dor, tortura e morte", destacou Gilney. Gilney Viana apresenta o projeto no momento em que o assunto envolvendo monumentos relativos à ditadura militar esquentou por causa de informações que circularam semana passada dando conta de uma possível construção de um novo monumento à ditadura em Mato Grosso, precisamente em Cuiabá, que é o centro geodésico da América do Sul. -------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/e6ede128/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13450 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/e6ede128/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/e6ede128/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 4 19:38:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 4 Apr 2011 19:38:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Amor_e_Revolu=C3=A7=C3=A3o_estreia_ne?= =?utf-8?q?sta_ter=C3=A7a=2C_=C3=A0s_22h15=2C_no_SBT_-_com_o_depoim?= =?utf-8?q?ento_da_companheira_AMELINHA=2E?= Message-ID: <65A85F2FF94D4B5CAF3727191EB474A6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem http://amorerevolucao.webnode.com/ (link oficial da novela Amor e Revolução.Clique para ver tudo) No primeiro capítulo , no dia 5 de abril , haverá ao final o depoimento da companheira AMELINHA Avisaremos sempre um dia antes, o depoente que será exibido no dia seguinte. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/324dde54/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30224 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/324dde54/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 4 19:38:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 4 Apr 2011 19:38:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__ENTREVISTA_=BB_ALIPIO_FREIRE__?= =?iso-8859-1?q?=22Temos_uma_anistia_e_uma_transi=E7=E3o_incompleta?= =?iso-8859-1?q?s=22___-Jornal_do_Commercio__-_Recife-PE?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem » Pesquise nas edições anteriores Assinantes JC Comercial JC Classificados JC Recife, 03 de Abril de 2011 - Domingo Editorias Índice Geral Capa do Dia Brasil Caderno C Capa Dois Cidades Ciência & Meio Ambiente Economia Esportes Internacional Política Opinião Artigos Cartas à Redação Charge Editorial Semanais Boa Mesa Imóveis Informática JC - Agreste JC - Vale do São Francisco JC na TV Religiões Revista JC Turismo Veículos Semanais Boa Mesa Imóveis Informática JC - Agreste JC - Vale do São Francisco JC na TV Religiões Revista JC Turismo Veículos Especiais Nas entranhas do Haiti Conexão Recife Pernambucano 2011 A Esperança se Renova Retratos de 2010 A nova fronteira digital Fliporto 2010 Recall de Marcas 2010 Mais Especiais Serviços Edições Anteriores Fale com o JC História do JC Multimídia Versão Editor Ciro Carlos Rocha Editor-assistente Márcio Didier ENTREVISTA » ALIPIO FREIRE "Temos uma anistia e uma transição incompletas" Publicado em 03.04.2011 Gabriela Bezerra gbezerra at jc.com.br Quase meio século depois, os 21 anos em que o Brasil viveu sob a égide militar ainda estão vivos na memória dos que lutaram contra o regime. O ex-preso político Alipio Freire, 66 anos, lembra com detalhes do tempo que passou no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Baiano radicado em São Paulo, ele veio ao Recife como um dos destaques da semana Marcas da Memória, que começou na quarta-feira (30) e se encerra amanhã. A despeito da sua militância, que começou bem cedo no movimento secundarista, e dos interrogatórios com tortura que prestou, Alipio não admite ser visto como vítima ou herói da sua geração. Ele, que pegou em armas para, não apenas resgatar a democracia, mas, principalmente, com o objetivo de construir o socialismo no Brasil, não culpa os jovens pela apatia política de hoje. "Nós somos as possibilidades do nosso tempo". Integrante da Ala Vermelha, uma dissidência do PCdoB que apostava na luta armada como forma de combate, Alipio foi preso, aos 23 anos, pela Operação Bandeirante (Oban), quando estava no primeiro ano da faculdade de jornalismo. Depois de três meses de interrogatórios no Doi-Codi e no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), foi transferido para o Presídio Tiradentes, que abrigou presos políticos durante a Era Vargas e o regime militar. "Não posso reclamar de monotonia", comenta, aos risos. Além de cozinhar e das atividades de limpeza, os presos faziam artesanato, muitos, inclusive, para vender e pagar os honorários de seus advogados. Alipio contava também com as visitas frequentes da mãe, hoje com 98 anos. No presídio, Alipio conheceu Rita Sipahi, sua esposa. Ela integrava o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), que mais tarde se transformou em PSTU. Companheira de cela de Dilma Roussef, Rita foi uma das 11 ex-presas políticas convidadas pela presidente para participar da cerimônia de sua posse, em janeiro. Após a prisão, Alipio retomou o jornalismo e continuou na militância, atuando, inclusive, na fundação do PT. Anistiado, ele recebe indenização do Ministério da Justiça desde 2005. Contudo, para Alipio, o processo de redemocratização "ainda está incompleto", já que a Lei da Anistia, sancionada pelo então presidente João Figueiredo, não atendeu aos anseios dos que lutavam pelo fim do regime. Essa "situação inconclusa da democracia brasileira" foi tema do debate que trouxe Alipio para o Recife na última quinta (31), mesmo dia que ele concedeu esta entrevista ao JC. A MILITÂNCIA "Naquela época não dava para não se envolver, o debate estava colocado. É importante destacar isso para que não se pense que minha geração foi melhor do que a geração dos jovens de hoje. Era um outro momento. Não admito ser visto como vítima ou herói. Não existe isso. Nós somos as possibilidades do nosso tempo. Outra lenda que tem que acabar é a de que só o movimento estudantil lutava pela resistência. Outros setores da sociedade estavam envolvidos." CODINOMES "Eu usava o nome de Severino. Fiquei muito conhecido como Biu. Depois da prisão, me autodenominei Moraes. Esses foram os nomes mais usados, mas também usei outros para circunstâncias específicas." ALA VERMELHA "Muitos dos meus amigos militavam com o PCdoB. Com a cisão do PCdoB e a criação da Ala Vermelha, fui recrutado para o movimento. Não houve um convite oficial, fui participando dos debates e quando vi estava envolvido com a causa. Comparo a um namoro. Eu estava namorando sem me dar conta. Só soube mesmo na hora de ir para o motel. Nosso projeto não era lutar para voltar ao que era antes do golpe (de 1964), queríamos tomar o poder para construir o socialismo no Brasil." LUTA ARMADA "Com o encurralamento do governo, a luta armada era inevitável. Mas nós sabíamos de tudo, inclusive do que poderia nos acontecer. Tínhamos cálculos estimativos do tempo de sobrevida de um militante político. Mesmo assim, eu quis ir. Fiz e faria de novo." PRISÃO "Fui preso no dia 31 de agosto de 1964, pela famosa Oban (Operação Bandeirante, montada em São Paulo), onde fui torturado por uma semana. Em seguida, fui enviado para o Doi-Codi e depois para o Dops, onde sofri novas torturas. Piloto um pau de arara que é uma beleza (risos). Esse período de interrogatório só acabou em novembro, quando fui transferido para o Presídio Tiradentes. Lá conheci a minha esposa, Rita Sipahi, que foi companheira de cela de Dilma Roussef. Nessa época, perdi muitos companheiros. Diziam que eles morreram em tiroteios, mas, na verdade, eles foram capturados e torturados até a morte." TORTURADORES "No presídio, alguns (torturadores) diziam que tinham vencido a guerra, mas eu dizia que era só uma batalha. Eu gostaria que eles estivessem vivos hoje para perguntar quem, realmente, ganhou. Eu posso contar para os meus filhos e netos, com muito orgulho e muita honra, o que vivi, já eles se escondem como ratos." A FAMÍLIA "A minha família foi de uma solidariedade ímpar. A minha mãe principalmente, que sempre me visitava. Todos os presos adoravam ela. Meu pai era mais emotivo, do tipo 'mexicano', então não ia muito. Na primeira visita, ele disse uma coisa que me marcou: 'Você sabe que eu discordo do que você fez, mas como você foi coerente, vim te visitar'." JULGAMENTO "A aparência de justiça, de alguma forma, era mantida pela ditadura para que ela tivesse como se legitimar, inclusive internacionalmente. Em 1972, fui julgado em primeira instância e condenado a 10 anos de prisão. Por sorte, fui julgado pela antiga Lei da Segurança Nacional. Depois do rapto do embaixador (dos EUA, Charles Elbrick), a lei ficou mais severa. O segundo julgamento foi em 1974 e a pena baixou para seis anos. Como eu já tinha cumprido uma parte da pena e era réu primário, em outubro desde mesmo ano fui solto, mas passei 11 meses em liberdade condicional. No fim das contas, fiquei preso por cinco anos." LIBERDADE "Quando saí do presídio, em 1974, mantive a militância política. Até porque, durante o tempo em que estive preso, não deixei de ter contato com o pessoal que estava aqui fora, articulando o movimento. Nesse momento, a gente tinha definido que não era mais correto continuar com a luta armada, embora considerássemos absolutamente legítima. Também dei continuidade à carreira de jornalista. Criei o ABCD Jornal, que chegou a ter tiragem de 200 mil exemplares, trabalhei na TV Bandeirantes e depois fui convidado para compor a nova equipe de Vladimir Herzog na TV Cultura, onde fiquei até o desaparecimento dele. Com a morte de Herzog, percebi que poderia ser o próximo, então não voltei mais lá." LEI DA ANISTIA "Acho que a anistia está incompleta até hoje, porque a anistia pela qual todos os movimentos de resistência lutaram não foi feita. Temos uma anistia e um processo de transição para a democracia incompletos. Não houve a abertura dos documentos, os corpos não foram todos encontrados, os julgamentos dos torturados não aconteceram. Mas a Comissão da Verdade é um avanço nisso." INDENIZAÇÃO "Em 1996, dei entrada no processo para pedir a minha indenização (como anistiado político), que só saiu em 2005. Hoje sou aposentado pela Lei da Anistia e considero justo o recebimento desse dinheiro. O Estado é responsável pela integridade física de todo e qualquer cidadão. Não cumprindo isso, tem que indenizá-los." COMISSÃO DA VERDADE "Não somos revanchistas. Não estamos propondo para os militares o que foi feito com a gente, os sequestros, já que não havia ordem judicial, os cárceres clandestinos, os interrogatórios com tortura, os assassinatos, as ocultações de cadáveres. Não acredito que construiremos uma nova sociedade usando esses métodos, mas você não pode falar de democracia aceitando a impunidade. Queremos que eles (torturadores do regime militar) sejam julgados com todos os direitos que todo e qualquer cidadão tem. Não queremos vingança." O PT "Fui um dos fundadores do PT e continuo filiado ao partido, mas não tenho participado das reuniões internas. Acho que dos partidos existentes, o PT continua sendo o melhoro do País. Até hoje, só voto com o PT." O HOJE "A grande tragédia é que nós sobrevivemos ao pau de arara, mas ele também sobreviveu. Eu, essencialmente, não mudei meu pensamento, continuo não acreditando em liberdade sem igualdade. Como diz a canção de Gonzaguinha, 'começaria tudo outra vez, se preciso fosse, meu amor. A chama em meu peito ainda queima, saiba! Nada foi em vão'." -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/c3c157a4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 989 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110404/c3c157a4/attachment-0019.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 5 19:44:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 5 Apr 2011 19:44:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_MARIA_C=C9LIA_CORR=CAA________________?= =?iso-8859-1?q?______________________-C-?= Message-ID: <62982770BC6746BDACBB45987FD7E2FB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem MARIA CÉLIA CORRÊA (1945-1974) Filiação: Irene Creder Corrêa e Edgar Corrêa Data e local de nascimento: 30/04/1945, Rio de Janeiro (RJ) Organização política ou atividade: PCdoB Data do desaparecimento: 02/01/1974 Nascida no Rio de Janeiro, Maria Célia era bancária e estudante de Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia. Em 1971, como militante do PCdoB, foi viver na região do Araguaia, onde já se encontrava seu irmão, Elmo Corrêa, e sua cunhada Telma Regina Cordeiro Corrêa, ambos também desaparecidos naquela guerrilha. Pertenceu ao Destacamento A, sendo conhecida como Rosa. Era casada com João Carlos Campos Wisnesky, ex-estudante de Medicina na UFRJ, conhecido como Paulo Paquetá, que desertou da guerrilha. Mais tarde, Telma (Lia) manteve relacionamento com Divino Ferreira de Souza, que morreu em outubro de 1973. Há discrepâncias entre as possíveis datas de sua morte ou desaparecimento, variando entre janeiro e meados de 1974. No texto de Taís Morais e Eumano Silva, de Operação Araguaia, a prisão é assim narrada: "Rosa, ou Rosinha, como a chamavam os camponeses, perdeu-se dos companheiros. Chega à casa de Manoelzinho das Duas - o sujeito vive com duas mulheres na mesma casa. Manoel tenta convencer a guerrilheira a se render. Muita gente está sofrendo por causa do conflito, argumenta o caboclo. 'Prefiro morrer do que me entregar', reage Rosinha. Diante da negativa, Manoelzinho agarra a militante, domina-a e entrega ao delegado de São Domingos, Geraldo da Coló. Muitos moradores do vilarejo viram Rosinha viva, muito magra e suja, dentro de um carro parado na frente da cadeia. Os militares levaram a guerrilheira para Bacaba". O relatório assinado, em 2002, por quatro procuradores do Ministério Público Federal, Marlon Weichert, Guilherme Schelb, Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr. registra que Maria Célia foi vista presa: "Rosinha: Maria Célia Corrêa, em São Domingos do Araguaia, amarrada e, depois, dentro de um carro preto. Também foi vista na base militar da Bacaba, em janeiro de 1974. Teria sido presa pela equipe guiada por Manoel Leal Lima (Vanu)". O livro de Hugo Studart, A Lei da Selva, informa que o Dossiê Araguaia também registra a morte de Maria Célia como ocorrida em janeiro de 1974. E acrescenta: "Teria havido um debate entre os próprios militares sobre a necessidade ou não de executá-la, já que, argumentavam alguns oficiais, Rosa não oferecia perigo. A decisão final foi a de cumprir as ordens superiores de não fazer prisioneiros". Consta no processo junto à CEMDP documento elaborado por Aldo Creder Corrêa, irmão de Maria Célia, informando que, após longos anos de pesquisa, seu pai, Edgar Corrêa, chegou à conclusão de que "todos os indícios apontam na direção de que Maria Célia foi presa viva". Baseando-se nessa conclusão, foi impetrado habeas-corpus junto ao Tribunal Federal de Recursos, em 28 de maio de 1981, que foi negado a partir das informações prestadas pelo chefe de gabinete do Ministério do Exército. Escreveu esse oficial do Exército, coronel Oswaldo Pereira Gomes, mais tarde general e representante das Forças Armadas na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos: "...declaro que, compulsando os arquivos da Assessoria no Judiciário do Ministro do Exército, não encontrei registro algum, nos processos relativos à Lei de Segurança Nacional, sobre custódia ou qualquer outro tipo de cerceamento de liberdade exercido sobre a referida pessoa. Brasília, DF, 21 de maio de 1981". O processo traz ainda um recorte do jornal O Globo, do dia 02/05/1996, onde Manuel Leal Lima declara que "um helicóptero aterrissou trazendo três prisioneiros - Antônio de Pádua, o Piauí, Luís René da Silva, o Duda e Maria Célia Corrêa, a Rosinha. Um oficial ordenou que os presos, todos com os olhos vendados, saíssem do avião e andassem cinco passos em direção ao rio, com as mãos na cabeça. Em seguida, centenas de tiros foram disparados contra eles". Em função desse depoimento os familiares pediram a interdição do local descrito por Manuel. Leal Lima, para em seguida promover a busca dos restos mortais de Maria Célia. ============================================================================================================== + Informações. MARIA CÉLIA CORRÊA Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Desaparecida, na Guerrilha do Araguaia, aos 29 anos. Nasceu em 30/4/45 na cidade do Rio de Janeiro, filha de Edgar Corrêa e Irene Corrêa. Era bancária e estudante de Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia, hoje UFRJ, no Rio de Janeiro. Em 1971 foi viver na região do Araguaia, onde já se encontrava seu irmão Elmo e sua cunhada Telma, ambos também desaparecidos. Pertenceu ao Destacamento A - Helenira Resende, da guerrilha. Foi vista pela última vez por seus companheiros no dia 2 de janeiro de 1974 e estava com Nelson Lima Piauhy Dourado, Jana Moroni e Carretel (todos guerrilheiros desaparecidos), quando houve um tiroteio contra os mesmos. Os moradores de São Domingos viram quando Maria Célia era levada presa, com outros guerrilheiros. Segundo o depoimento de Maria Raimundo Rocha Veloso, moradora na Região, Maria Célia foi presa por "Manezinho das Duas" que a amarrou e levou com a ajuda de outro homem para o acampamento do Exército em Bacaba (Transamazônica). Este depoimento foi confirmado por Geraldo Martins de Souza, delegado de São Domingos na época dos acontecimentos, e que recebeu uma medalha do Comando do Exército na região por serviços prestados. Geraldo disse que "Rosinha", nome com que era conhecida na região, foi presa no local chamado Açaizal. Santinho, vereador pelo PSDB, em 1991, da Câmara de São Domingos e genro de Geraldo Martins de Souza, diz que eram duas as mulheres guerrilheiras levadas para Bacaba por seu sogro, uma delas era Maria Célia. Em todos estes depoimentos as pessoas são unânimes em afirmar que estava viva e sem ferimentos de arma de fogo, em meados de 1974. ================================================================================= + detalhes. MARIA CÉLIA CORRÊA (1945-1974) Nascida no Rio de Janeiro, Maria Célia era bancária e estudante de Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia. Em 1971, como militante do PCdoB, foi viver na região do Araguaia, onde já se encontrava seu irmão, Elmo Corrêa, e sua cunhada, Telma Regina Cordeiro Corrêa, ambos também desaparecidos naquela guerrilha. Maria Célia pertenceu ao Destacamento A, sendo conhecida como Rosa. Era casada com João Carlos Campos Wisnesky, ex-estudante de Medicina na UFRJ, conhecido como Paulo Paquetá e que abandonou a guerrilha. Há discrepâncias entre as possíveis datas de sua morte ou desaparecimento, variando entre janeiro e meados de 1974. No livro de Taís Morais e Eumano Silva, Operação Araguaia, sua prisão é assim narrada: "Rosa, ou Rosinha, como a chamavam os camponeses, perdeu-se dos companheiros. Chega à casa de Manoelzinho das Duas - o sujeito vive com duas mulheres na mesma casa. Manoel tenta convencer a guerrilheira a se render. Muita gente está sofrendo por causa do conflito, argumenta o caboclo. 'Prefiro morrer do que me entregar', reage Rosinha. Diante da negativa, Manoelzinho agarra a militante, domina-a e entrega-a ao delegado de São Domingos, Geraldo da Coló. Muitos moradores do vilarejo viram Rosinha viva, muito magra e suja, dentro de um carro parado na frente da cadeia. Os militares levaram a guerrilheira para Bacaba". O livro de Hugo Studart, A lei da selva, informa que o Dossiê Araguaia também registra a morte de Maria Célia como ocorrida em janeiro de 1974. E acrescenta: "Teria havido um debate entre os próprios militares sobre a necessidade ou não de executá-la, já que, argumentavam alguns oficiais, Rosa não oferecia perigo. A decisão final foi a de cumprir as ordens superiores de não fazer prisioneiros". O processo traz ainda um recorte do jornal O Globo, do dia 2 de maio de 1996, em que Manoel Leal Lima declara que "um helicóptero aterrissou trazendo três prisioneiros - Antônio de Pádua, o Piauí, Luís René da Silva, o Duda, e Maria Célia Corrêa, a Rosinha. Um ofi cial ordenou que os presos, todos com os olhos vendados, saíssem do avião e andassem cinco passos em direção ao rio, com as mãos na cabeça. Em seguida, centenas de tiros foram disparados contra eles". Em função desse depoimento, os familiares pediram a interdição do local descrito por Manoel Leal Lima para promover a busca dos restos mortais de Maria Célia. ============================================================================================== + detalhes. Poema de sua mâe. 60 anos do nascimento da guerrilheira do araguaia e heroína nacional! Maria Célia Corrêa -------------------------------------------------------------------------------- Minha filha, minha heroína* Irene Creder Corrêa Hoje nascia uma flor cheia de beleza, alegria e fulgor. Contra a injustiça e a opressão sempre lutou, e na estrada da liberdade e do amor caminhou. Aos pobres e oprimidos entregou seu coração na luta contra os algozes do povo e da nação, nesta guerra justa talvez tenha caído nas garras ferozes do inimigo Nesta batalha covardemente eles a venceram, mas de uma coisa não se aperceberam: Que outras flores nascerão E o caminho dela seguirão, e seu cheiro se espalhará, e seu perfume todo o povo sentirá. A vitória então chegará afinal e você será heroína nacional. -------------------------------------------------------------------------------- Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Desaparecida, na Guerrilha do Araguaia, aos 29 anos. Nasceu em 30/4/45 na cidade do Rio de Janeiro, filha de Edgar Corrêa e Irene Corrêa. Era bancária e estudante de Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia, hoje UFRJ, no Rio de Janeiro. Em 1971 foi viver na região do Araguaia, onde já se encontrava seu irmão Elmo e sua cunhada Telma, ambos também desaparecidos. Pertenceu ao Destacamento A - Helenira Resende, da guerrilha. Foi vista pela última vez por seus companheiros no dia 2 de janeiro de 1974 e estava com Nelson Lima Piauhy Dourado, Jana Moroni e Carretel (todos guerrilheiros desaparecidos), quando houve um tiroteio contra os mesmos. Os moradores de São Domingos viram quando Maria Célia era levada presa, com outros guerrilheiros. Segundo o depoimento de Maria Raimundo Rocha Veloso, moradora na Região, Maria Célia foi presa por "Manezinho das Duas" que a amarrou e levou com a ajuda de outro homem para o acampamento do Exército em Bacaba (Transamazônica). Este depoimento foi confirmado por Geraldo Martins de Souza, delegado de São Domingos na época dos acontecimentos, e que recebeu uma medalha do Comando do Exército na região por serviços prestados. Geraldo disse que "Rosinha", nome com que era conhecida na região, foi presa no local chamado Açaizal. Santinho, vereador pelo PSDB, em 1991, da Câmara de São Domingos e genro de Geraldo Martins de Souza, diz que eram duas as mulheres guerrilheiras levadas para Bacaba por seu sogro, uma delas era Maria Célia. Em todos estes depoimentos as pessoas são unânimes em afirmar que estava viva e sem ferimentos de arma de fogo, em meados de 1974. HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110405/0eaa9aeb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110405/0eaa9aeb/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 5 19:44:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 5 Apr 2011 19:44:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] A terceira Intifada Palestina Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Castor Filho A terceira Intifada Palestina Jamal Harfoush (enviado por Laerte Braga) Por Jamal Harfoush Convocada a Terceira Intifada do Povo Palestino com a Marcha dos Milhões à Palestina. -------------------------------------------------------------------------------- «O que está acontecendo na Palestina, não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.» Gandhi Dito isto, está marcada para o dia 15 de maio de 2011, a Terceira Intifada e a Marcha dos Milhões à Palestina. Milhões de Refugiados Palestinos estão se organizando ao redor do mundo, na própria terra que nos foi roubada e nas fronteiras, para iniciarem a maior Intifada (revolta) da história da humanidade contra a fundação terrorista de Israel na Palestina, em busca de seus direitos que foram violados pela fundação de Israel, no dia 15 de maio de 1947. Desta vez, as mídias corruptas e compradas para mentir a nosso respeito, não conseguirão esconder as violações e manipularem a verdadeira história do Povo Palestino, como sempre fizeram. Desde a sua fundação, os judeus-sionistas, que não são os judeus palestinos, são os internacionais, de outras terras, não pararam de violar os direitos do povo palestino e ainda continuam matando pessoas indefesas, expulsando famílias de suas próprias casas e dentro do seu próprio país e descaradamente roubando suas terras. Os palestinos nunca aceitaram a fundação de Israel, sempre lutaram contra a sua existência dentro do território palestino. A Palestina é a nossa terra, é o nosso solo sagrado. Nosso povo apelou a todas as entidades internacionais, para reaver seus direitos e obtiveram milhares de resoluções da ONU, favoráveis ao Povo Palestino, que sistematicamente condenam os atos terroristas praticados pelos fundadores de israel. Uma das resoluções imposta pela ONU a Israel é a 194, que afirma aos palestinos refugiados, o direito incontestável de retornarem a sua terra que lhes foi tomada a força. A resolução nunca foi respeitada ou mesmo cumprida pelos israelenses, tanto que nunca permitiram que os palestinos retornassem ao seu próprio país do qual foram expulsos pelos judeus de outros países que acordados pelas Nações Unidas, invadiram e tomaram o nosso solo amado. Para piorar a nossa subsistência o estado terrorista denominado de Israel, conta com o apoio de governantes corruptos, como são os EUA, do regime nefasto da Jordânia e que nesta questão, sempre bloqueou os caminhos para impedir que os palestinos retornassem à sua pátria, garantindo, assim, a segurança dos terroristas israelenses que lhes pagam com o dinheiro que recebem do sionismo internacional. Lembrando que, a Jordânia tem fronteira com a Palestina, e lá vivem milhares de palestinos refugiados, que aguardam o retorno a Palestina. Não podemos também nos esquecer do governante corrupto do Egito, Hosni Mubarak, hoje, destronado, mas que sempre garantiu também a tranquilidade e a segurança dos israelenses na fronteira do lado do Egito em troca, recebendo milhões e milhões de dólares dos Estados Unidos e de todo mundo sionista internacional. Ainda existem mais governantes corruptos no mundo árabe, mas o povo de cada país começou a derrubá-los um a um para abrir os caminhos de retorno à Palestina onde está instalado um estado religioso ilegal, ocupando os espaços físicos do povo nativo palestino, constituído por árabes palestinos, por judeus palestinos e como diz a Constituição Palestina, liberdade religiosa para todos os povos que habitam o seu território, embora a religião oficial seja o islamismo. A Revolução dos árabes tem vários objetivos claros, um deles é derrubar os regimes corruptos, abrir os países para o desenvolvimento sustentável, modernizar-se sem prejudicar a própria história, mostrar ao mundo a sua capacidade intelectual tão prejudicada ao longo dos anos pelos invasores ocidentais que lutam para destruir a nossa cultura milenar, passando a ideia de que sejamos primitivos, tudo com a intenção de nos intimidar e de roubar nossas riquezas nacionais. Os movimentos acontecem para limpar seus países dos falsos patriotas, para afastar os traidores, para afastar os exploradores e o principal, por uma questão de honra e justiça, abrir suas fronteiras para resolver a questão Palestina. Sem Israel, as guerras, as mortes, os prejuízos humanos, tudo desaparecerá e nossas crianças e jovens poderão sonhar com um país, com países livres da ingerência internacional e buscaremos o nosso futuro com alegria e muita satisfação. Assim, até o mês de maio, muitos caminhos se abrirão para que a Marcha dos Milhões ultrapasse a fronteira e adentre na Palestina, ou seja, os palestinos refugiados irão retornar em uma Marcha histórica e pacífica a sua pátria assaltada e hoje gerenciada pelos sionistas-israelenses. É um direito nosso e garantido por todos os códigos de ética e apoiado por centenas de resoluções da ONU. A Terceira Intifada Palestina, contará com apoio de todos os árabes e simpatizantes do mundo que entrarão junto com os palestinos, na Marcha dos Milhões, pela fronteira do Egito que, foi aberta com a queda do regime corrupto pró-Israel. Também, passarão pela fronteira da Jordânia, assim que os movimentos terminem de derrubar o regime corrupto do Rei, e, ainda, milhões irão marchar a partir das fronteiras do Líbano e da Síria, rumo a Terra Santa Palestina. A organização dos jovens conta com milhões de apoiadores que estão se organizando em comissões para garantir o sucesso da sua realização. Essas comissões encontram-se nos países Árabes, no mundo e no espaço virtual. REDE SOCIAL/FACEBOOK ? Uma das redes sociais, o Facebook, destacou-se nos últimos meses pelo alto índice de acessos de internautas que fizeram funcionar essa ferramenta criada pelo Mark Zuckerberg, valorizando muito sua marca e suas ações no mercado financeiro. Ainda, chamou a atenção de grande quantidade de empresas que começaram investir milhões de dólares em publicidade nesta rede. Mais de 350.000.000 dos internautas estão ligados a rede que aborda a Revolução dos Povos Árabes, e, ainda estão apoiando a Marcha dos Milhões para a Palestina. Muitos deles organizam-se conforme orientado pelo movimento, e outros voluntários, através da rede social do Facebook. Se esses milhões de usuários não usarem mais o Facebook, este não se destacará no mercado e não atrairá empresas que investirão milhões em publicidade. O FUNDADOR DO FACEBOOK TREMEU DE MEDO DIANTE DO GOVERNO INVASOR ISRAELENSE O fundador usou da inteligência para criar a rede, mas, não o foi ao aceitar a ordem de um ministro israelense para retirar uma página que aborda a Revolução do Povo Palestino, do ar. A atitude do fundador do Facebook foi infeliz, e cometeu crime contra a liberdade de expressão de mais de 350.000 usuários da página. Ora, o fundador criou a rede para conquistar sua namorada, logo virou uma rede social para as pessoas se expressarem, mas, o mesmo ainda não acordou, e, está ainda brincando como ele brincava com ela. Agindo desta forma os investidores irão abandonar sua rede que ficou inconfiável e desvirtuou o seu objetivo, e assim, não servirá para mais nada. Como acreditar nesta Rede Social se a qualquer momento as opiniões são proibidas? Ou será que a rede só serve para namoricos e para seu dono ganhar dinheiro? A organização do movimento enviou uma carta ao fundador do Facebook, orientando-o, a colocar a página no ar e, a cuidar do sucesso de sua empresa, ao invés de obedecer as ordens dos terroristas israelenses, representados pelo seu ministro da diplomacia e terror israelense para o mundo, Yuli Edelstein, que solicitou a retirada imediata da página, tentando assim, impedir a liberdade de expressão de uma revolta justa do Povo Palestino. No dia 01 de abril de 2011, os usuários não acessaram a rede em resposta a atitude leviana do fundador do Facebook, que tirou a página do ar. Foi uma queda e tanto nos acessos da rede social, pois, o mesmo não contava que a página em versão árabe, tem outras versões em todos os idiomas do mundo e, que a falta de acessos desses usuários fez com que sua rede perdesse 75% do total de acessos do Facebook. Será que a população da República Invasora de Israel irá compensá-lo se já a consideram inimiga dos judeus? Desta forma, o Facebook não valerá mais nada sem ter os milhões de usuários que fizeram essa ferramenta ser muito utilizada, e assim, as ações desta empresa cairão da mesma forma que subiram. Cabe a mobilização de todos para ficarem atentos e denunciarem esse tipo de prática de boicotar a liberdade de expressão cometida por empresas que, antes eram nada, do tipo site Facebook que tirou o site da Terceira Intifada Palestina da versão Árabe, do ar , realizando vontade de um terrorista que faz parte de Israel. Diversas manifestações e campanhas brotaram de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil, para denunciar a atitude leviana do fundador do Facebook e já começaram a boicotar essa empresa imigrando para outras redes. IMPORTANTE: Para colaborar com a defesa da liberdade de expressão, faça o seguinte: 1- Crie uma conta na rede social ORKUT; 2- Entre na sua rede social no site do Facebook e avise seus amigos sobre sua imigração para a nova rede ORKUT, e, incentive-os a fazer o mesmo. Isso é muito importante para todo e qualquer usuário de visão e inteligência que acredita que a liberdade de expressão não tem preço e é inviolável. OBSERVAÇÃO: Ao digitar o endereço do ORKUT para seus amigos na rede social Facebook, procure colocar espaços entre as letras, pois, o sistema do Facebook boicota esse site, já que é seu concorrente. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110405/7ec06b9a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 5 19:45:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 5 Apr 2011 19:45:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Amor_e_Revolu=C3=A7=C3=A3o_nesta_quar?= =?utf-8?q?ta-feira=2C_=C3=A0s_22h15=2C_no_SBT_-_com_o_depoimento_d?= =?utf-8?q?o_companheiro__JARBAS_SILVA_MARQUES?= Message-ID: <7262B3397BCC42E2A2B07EF1309EBDDD@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem http://amorerevolucao.webnode.com/ (link oficial da novela Amor e Revolução.Clique para ver tudo) No segundo capítulo , no dia 6 de abril , haverá ao final o depoimento do companheiro JARBAS SILVA MARQUES Avisaremos sempre um dia antes, o depoente que será exibido no dia seguinte. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110405/c8bbedbb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30224 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110405/c8bbedbb/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 6 19:48:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 6 Apr 2011 19:48:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_AYLTON_ADALBERTO_MORTATI_e_JOS=C9_ROBE?= =?iso-8859-1?q?RTO_ARANTES_DE_ALMEIDA___________-CI-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem AYLTON ADALBERTO MORTATI (1946-1971) Filiação: Carmem Sobrinho Mortati e Umberto Mortati Data e local de nascimento: 13/01/1946, Catanduva (SP) Organização política ou atividade: Molipo Data e local do desaparecimento: 04/11/1971, São Paulo (SP) JOSÉ ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA (1943-1971) Filiação: Aída Martoni de Almeida e José Arantes de Almeida Data e local de nascimento: 07/02/1943, Pirajuí (SP) Organização política ou atividade: Molipo Data e local da morte: 04/11/1971, em São Paulo Mortati e Arantes foram presos no dia 04/11/1971, na Rua Cervantes, número 7, bairro de Vila Prudente, na capital paulista, por agentes do DOI-CODI/SP. Foram os dois primeiros militantes mortos, de um grupo de 28 exilados que participaram de treinamento de guerrilha em Cuba e retornaram clandestinamente ao Brasil como integrantes do MOLIPO, dissidência da ALN. A prisão de Aylton nunca foi assumida pelos órgãos de segurança e seu nome integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Aylton nasceu em Catanduva, interior de São Paulo, em 13/01/1946. Fez o primário, o ginasial e o colegial em sua cidade natal. Depois foi cursar Direito em São Paulo, no Mackenzie, onde recebeu o apelido de "Tenente" por assistir às aulas com a farda de aluno do CPOR - Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Engajou-se no Movimento Estudantil e teve atuação destacada até ser preso no 30º Congresso da UNE, em 1968. Era excelente pianista e faixa preta de caratê. Depois dessa primeira prisão, ingressou na ALN e viajou para Cuba em 1970. Seu codinome era Umberto, em homenagem ao próprio pai, mas todos o conheciam por "Tenente". Nessa época, sua carta patente de oficial da reserva foi cassada pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. Arantes nasceu em Pirajuí, no interior paulista, mas era ainda criança quando sua família se mudou, em 1956, para Araraquara (SP), onde seu pai assumiu o posto de professor de Botânica na Faculdade de Farmácia e Odontologia. Foi escoteiro, tocou piano, praticou natação e pólo aquático, colecionando medalhas esportivas. Estudou no IEBA - Instituto de Ensino Bento de Abreu, daquela cidade. Em 1958, foi porta-bandeira de um desfile patrocinado pelo Clube Pan-Americano de Araraquara carregando o pavilhão nacional de Cuba, o que pode ter sido uma premonição, na medida em que nem Cuba e nem José Arantes eram socialistas ainda. Em 1961, foi aprovado no disputado vestibular para Engenharia no ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Em 1964, em virtude de suas atividades políticas, foi expulso do ITA e levado preso para a Base Aérea do Guarujá. Libertado, retomou os estudos na Faculdade de Filosofia da USP, onde iniciou o curso de Física. Em 1966, foi eleito presidente do Grêmio da Filosofia. Em 1967, tornou-se vice-presidente da UNE. Em 1968, preso na repressão ao 30º Congresso da entidade, em Ibiúna (SP), Zé Arantes, como era conhecido, conseguiu fugir de dentro do DOPS, pela porta da frente, disfarçando-se no meio da balburdia produzida por quase 800 estudantes que lotavam as dependências daquela repartição no largo general Osório, em São Paulo. Era companheiro de Aurora Maria Nascimento Furtado, liderança estudantil na Psicologia da USP, conhecida pelo apelido Lola, que seria torturada até a morte em 1972, como integrante da ALN. Arantes iniciou sua militância partidária no PCB, tornando-se, já em 1967, uma das principais lideranças da DISP - Dissidência Comunista de São Paulo, cujos quadros, a partir de 1969, se integrariam em boa parcela à ALN. Antes da montagem de seu processo para exame na CEMDP, a única informação disponível era a de que fora fuzilado pelos agentes do DOI-CODI. A mãe de Aylton, Carmem Mortati, viveu os anos de 1970 e 1971 sob constante pesadelo: "Minha vida e de minha família passou a ser de constante vigilância e provocação por parte de agentes de segurança, que estacionavam carros à frente de minha residência, subiam no telhado da casa, usavam o banheiro existente no fundo do quintal, revistavam compras de super-mercado, censuravam o telefone, espancaram meus sobrinhos menores e, ao que pude deduzir, provocaram um início de incêndio em minha residência/pensionato. Os agentes que vigiavam minha residência e meus passos por duas vezes atentaram contra minha vida, jogando o carro em minha direção. Nestas oportunidades escudei-me atrás do poste. A partir de então recebi, com constância e permanência, bilhetes ameaçadores, onde estava escrito que meu filho ia morrer e vinha junto o desenho de uma cruz, em preto, nos bilhetes. Quando eu recebia esses bilhetes ameaçadores, os levava de imediato ao Comando da Aeronáutica e os entregava a um capitão, que me havia interrogado anteriormente e que, de tanto eu levar-lhe bilhetes, resolveu me fornecer uma carta onde se consignava que a Aeronáutica tinha feito uma vistoria em minha residência e que eu não tinha nada a ver com as atividades de meu filho". Carmen Mortati contratou o advogado Virgílio Lopes Eney para procurar e defender Aylton. Certo dia, o advogado viu sobre uma mesa na 2ª Auditoria do Exército, em São Paulo, uma certidão de óbito em nome de Aylton Adalberto Mortati. Por tentar ler o documento, foi preso e levado para o DOI-CODI do II Exército, onde os militares o interrogaram e tentaram convencê-lo de que seu cliente nunca havia sido preso. Em 1975, os presos políticos de São Paulo enviaram documento ao presidente do Conselho Federal da OAB, Caio Mário da Silva Pereira, denunciando a prisão, tortura e morte de Aylton, dentre outros casos. Nenhuma informação oficial sobre sua prisão foi divulgada. No Arquivo do DOPS do Estado do Paraná foi encontrada uma gaveta com a identificação "falecidos", onde constava o nome de Aylton. O Relatório do Ministério da Aeronáutica, de 1993, confirma sua morte nos seguintes termos telegráficos: "neste órgão consta que foi morto em 04/11/1971, quando foi estourado um aparelho na rua Cervantes, nº 7, em São Paulo. Na ocasião usava um passaporte, em nome de Eduardo Janot Pacheco". A morte de Arantes foi divulgada apenas no dia 09/11/1971. A família só foi informada quando ele já estava enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, com o nome falso de José Carlos Pires de Andrade. Graças à intervenção de um delegado do DOPS, Emiliano Cardoso de Mello, parente da família de Arantes e pai da ex-ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, o DOPS autorizou o traslado do corpo para o Cemitério Municipal de Araraquara, em 12/11/1971. A falsidade da versão oficial só foi comprovada com o exame dos documentos encontrados, a partir de pesquisa feita por Iara Xavier Pereira, assessora da CEMDP, no IML de São Paulo, bem como da análise da foto do cadáver, localizada nos arquivos secretos do DOPS/SP. Na requisição da necropsia, datada de 04/11/1971, às 18h, encontra-se: "por volta das 17 horas, manteve tiroteio com membros dos órgãos de segurança, sendo nessa oportunidade ferido, e em conseqüência veio a falecer". O corpo, entretanto, só chegou ao IML no dia 05/11/1971 às 18 horas, ou seja, 24 horas depois do suposto tiroteio onde fora morto. E mais, o laudo registra que a autopsia foi realizada às 15 horas do dia 05/11/1971. Portanto, antes de chegar ao IML. Mas foi o laudo de necropsia, assinado por Luiz Alves Ferreira e Vasco Elias Rossi, que trouxe a informação definitiva para elucidar o que realmente se passara: "segundo consta, trata-se de elemento terrorista, que faleceu em tiroteio travado ao resistir à prisão, com militares da OBAN, vindo a falecer às 17h30, aproximadamente, no dia 04/11/1971, sendo encontrado no pátio do trigésimo sexto distrito policial". Como a 36ª DP, na Rua Tutóia, era sabidamente a sede do DOI-CODI de São Paulo, não restou dúvidas para os integrantes da CEMDP: se Arantes só fora recolhido no pátio da delegacia, 24 horas depois do suposto tiroteio, provavelmente chegou vivo àquela unidade. Outras provas reforçaram a falsidade da versão oficial. A foto de Arantes morto, encontrada nos arquivos do DOPS/SP, contradiz frontalmente o laudo do IML. Enquanto o laudo afirma que o corpo tinha dois ferimentos pérfuro-contusos, de formato ovular, medindo três centímetros na maior dimensão, localizados na parte média da região frontal, a foto não mostra esses dois ferimentos a bala, e sim grandes equimoses na região esquerda, sinais evidentes de tortura. Focaliza também a camisa encharcada de sangue do lado esquerdo do tórax, enquanto o laudo não se refere a qualquer ferimento na região. O relator do processo na Comissão Especial ponderou que "Arantes já fora preso na Base Aérea de Santos e em Ibiúna, em 1968. Os órgãos repressivos sabiam de suas ligações com a ALN e o Molipo e, no entanto, foi enterrado com nome falso, como indigente. A ocultação do cadáver visava, sem sombra de dúvidas, encobrir as torturas visíveis na foto e a execução com ferimentos não descritos no laudo". Informações reunidas pelos familiares de Aylton dão conta de que ele permaneceu por cerca de 15 dias no DOI-CODI/SP, desaparecendo desde então. Em 1978, os estudantes da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara decidiram homenagear a memória de Arantes conferindo seu nome ao Diretório Acadêmico daquela unidade da Unesp. ======================================================================================================================== + Informações. JOSÉ ROBERTO ARANTES DE ALMEIDA Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em Pirajuí, Estado de São Paulo, em 7 de fevereiro de 1943, filho de José Arantes de Almeida e Aída Martoni de Almeida. Aluno do ITA, sendo expulso, em 1964, em decorrência do golpe militar. Ingressou, posteriormente, na Faculdade de Filosofia como estudante de Física da Universidade de São Paulo. Em 1966 foi eleito presidente do Grêmio da Filosofia - gestão 66/67. No ano seguinte, elegeu-se Vice-presidente da UNE. Foi indiciado no inquérito que apurava atividade política dos participantes do XXXº Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). Em 20 de outubro de 1968 teve sua prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria novamente em 31 de março de 1970. Foi fuzilado pelos agentes da Equipe C do DOI/CODI-SP, que cercaram sua casa na Rua Cervantes, Vila Prudente, São Paulo, em 4 de novembro de 1971. Sua necrópsia, com o nome falso de José Carlos Pires de Andrade, foi feita no IML/SP, em 09 de novembro de 1971 e firmada pelos Drs. Luiz Alves Ferreira e Abeylard de Queiroz Orsini, que confirmam sua morte em tiroteio. Foi enterrado pela família. ===================================================================================== + Informações AYLTON ADALBERTO MORTATI Dirigente do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO). Nasceu em Catanduvas, Estado de São Paulo, em 13 de janeiro de 1946, filho de Umberto Mortati e Carmem Sobrinho Martins. Desaparecido, aos 25 anos, desde 1971. Em sua cidade natal, fez o primário, o ginasial e o colegial. Mudou-se para São Paulo, onde fez vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie. Era execelente pianista e faixa preta no caratê. Foi preso em 1968, no XXXCongresso da UNE. Viajou para Cuba, onde permaneceu por um ano. Retornou ao Brasil em 1971, vivendo clandestinamente em São Paulo até sua prisão, morte e desaparecimento. Oficial da reserva do Exército Brasileiro, teve sua "Carta Patente" cassada pelo Presidente Médici. Foi preso na Rua Cervantes, n° 7, Vila Prudente, no dia 4 de novembro de 1971, quando sua casa foi invadida por agentes do DOI-CODI, para onde foi levado e torturado. Os presos políticos de São Paulo denunciaram, em documento enviado ao presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Dr. Caio Mário da Silva Pereira, em 1975, a prisão, tortura e assassinato de Aylton. Tinha prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria de Guerra e o procurador militar havia 'pedido pena de morte' para o ele. Estava clandestino desde outubro de 1968. Desde essa época, até seu desaparecimento, sua família foi presa e perseguida várias vezes. Seu nome consta, no Arquivo do DOPS/PR, em uma gaveta com a identificação: "falecidos". O Relatório do Ministério da Aeronáutica apresenta sobre ele a seguinte informação: "Neste órgão consta que foi morto em 04 de novembro de 1971, quando foi estourado um aparelho na rua Cervantes, n° 7, em SP. Na ocasião usava um documento (passaporte), em nome de Eduardo Janot Pacheco." Em matéria publicada pelo jornal "Folha de São Paulo", feita com base em depoimento de um general com responsabilidade dentro dos órgãos de repressão, a morte de Aylton é assumida quando o mesmo confirma a morte de doze opositores considerados desaparecidos. De sua mãe, D. Carmem Martins: "Recordo-me que, na primeira vez, a caravana de policiais era do DOPS e, em outubro de 1968, invadiram minha residência à rua Rafael de Barros, 209, Paraíso, em São Paulo, onde tinha um pensionato. Revistaram tudo e levaram fotografias de meu filho. Cerca de 15 dias depois, ainda em outubro de 1968, mais uma vez, minha residência foi invadida pela madrugada por elementos da Aeronáutica, mais precisamente cinco pessoas, que, aos ponta-pés entraram e reviraram tudo, levando presos eu própria, um pensionista de nome José Roberto Sobhia e a pensionista Eugenia Zeviani, que hoje está casada e, ao que parece, reside em Catanduvas. Fui levada, juntamente com meus hóspedes, ao Comando Aéreo de São Paulo, na Avenida do Estado, e interrogados separadantente. As autoridades da Aeronáutica alegavam que Aylton havia seqüestrado um avião e o desviara para Cuba. A partir daí minha vida e de minha família passou a ser de constante vigilância e provocação por parte de agentes de segurança, que estacionavam carros à frente de minha residência, subiam no telhado da casa, usavam o banheiro existente no fundo do quintal, revistavam compras de super-mercado, censuravam o telefone, espancaram meus sobrinhos menores e, ao que pude deduzir, provocaram um início de incêndio em minha residência/pensionato. Os agentes que vigiavam minha residência e meus passos por duas vezes atentaram contra minha vida, jogando o carro em minha direção. Nestas oportunidades escudei-me atrás do poste. A partir de então recebi, com constância e permanência, bilhetes ameaçadores, onde estava escrito que meu filho ia morrer e vinha junto o desenho de uma cruz, em preto, nos bilhetes. Quando eu recebia esses bilhetes ameaçadores, os levava de imediato ao Comando da Aeronáutica e os entregava a um Capitão, que me havia interrogado anteriormente e que, de tanto eu levar-lhe bilhetes, resolveu me fornecer uma carta onde se consignava que a Aeronáutica tinha feito uma vistoria em minha residência e que eu não tinha nada a ver com as atividades de meu filho. Essa situação continuou até o final de 1971, quando, em torno do dia 4, 5 ou 6 de novembro, recebi telefonema anônimo, feito para a casa de meu vizinho que é médico, de nome Dr. Michelangelo Losso, dando conta de que Aylton Adalberto Mortati havia sido preso pelos órgãos de segurança e estava na OBAN, baleado e muito mal e que a família tomasse providências. De imediato, fui até a rua Tutóia. Procurei os serviços profissionais do advogado Virgílio Lopes Enei, que me orientou para continuar levando roupas em nome de Aylton, na OBAN. Essas roupas não eram aceitas pelos funcionários daquele local. Virgílio, num dia na Auditoria Militar, viu sobre uma mesa a certidão de óbito de Aylton Adalberto Mortati e tentou pegá-la, quando foi surpreendido e acabou sendo detido e encaminhado para a OBAN, onde passou 15 dias preso. Procurei também um promotor da 2ª Auditoria Militar em São Paulo de nome Durval Moura de Araújo, que me entregou uma carta para que eu fosse buscar o atestado de óbito de meu filho nas dependências do DOPS. Peguei a carta e fui ao DOPS falar com seu diretor, o delegado Alcides Cintra Bueno Filho. Não fui recebida por este delegado, mas por um funcionário subalterno que alegou a inexistência do atestado de óbito. Retornei ao Dr. Durval e devolvi a carta ao promotor. O Dr. Virgílio, após a prisão e por motivos pessoais, declinou de continuar prestandome assistência profissional. Fui à Cúria Metropolitana de São Paulo, onde, em conversa com D. Paulo Evaristo Arns, recebi a sugestão de procurar o advogado Luis Eduardo Greenhalgh, o que fiz em seguida. Após o advento da Lei de Anistia, requeri à Justiça o atestado de meu filho Aylton, por morte presumida, conforme faculta a Lei de Anistia de 1979. Nesse processo, foram ouvidas testemunhas que, na época em que estiveram presos, se certificaram da prisão e morte de meu filho. Com base nesses depoimentos, a Justiça deu-me o referido atestado. Durante todo esse tempo procurei localizar o paradeiro de meu filho Aylton nas repartições policiais, judiciais, hospitalares e outros, mas sempre em vão. Recordo-me que, no mês de agosto de 1972, encontrei por baixo da soleira da porta de minha casa um bilhete para que guardasse como recordação o anel de formatura de música de meu filho Aylton. Junto com o bilhete, efetivamente estava o anel. Das repartições em que procurei meu filho a única que não visitei foi o IML. Meu irmão, Perfeito Sobrinho Filho, foi ao Cemitério de Perus e nada encontrou. =============================================================================== + detalhes. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL 3.4 AYLTON ADALBERTO MORTATI "A mãe de Aylton, Carmem Mortati, viveu os anos de 1970 e 1971 sob constante pesadelo: 'Minha vida e de minha família passou a ser de constante vigilância e provocação por parte de agentes de segurança, que estacionavam carros à frente de minha residência, subiam no telhado da casa, usavam o banheiro existente no fundo do quintal, revistavam compras de super-mercado, censuravam o telefone, espancaram meus sobrinhos menores e, ao que pude deduzir, provocaram um início de incêndio em minha residência/pensionato. Os agentes que vigiavam minha residência e meus passos por duas vezes atentaram contra minha vida, jogando o carro em minha direção. Nestas oportunidades escudei-me atrás do poste. A partir de então recebi, com constância e permanência, bilhetes ameaçadores, onde estava escrito que meu filho ia morrer e vinha junto o desenho de uma cruz, em preto, nos bilhetes. Quando eu recebia esses bilhetes ameaçadores, os levava de imediato ao Comando da Aeronáutica e os entregava a um capitão, que me havia interrogado anteriormente e que, de tanto eu levar-lhe bilhetes, resolveu me fornecer uma carta onde se consignava que a Aeronáutica tinha feito uma vistoria em minha residência e que eu não tinha nada a ver com as atividades de meu filho'. Carmen Mortati contratou o advogado Virgílio Lopes Eney para procurar e defender Aylton. Certo dia, o advogado viu sobre uma mesa na 2ª Auditoria do Exército, em São Paulo, uma certidão de óbito em nome de Aylton Adalberto Mortati. Por tentar ler o documento, foi preso e levado para o DOI-CODI do II Exército, onde os militares o interrogaram e tentaram convencê-lo de que seu cliente nunca havia sido preso." (p. 185/187). ================================================================ + detalhes. La Policía Federal brasileña comenzará mañana a operar en Sao Paulo una base especializada en la identificación de cadáveres de supuestos activistas desaparecidos durante la dictadura militar que gobernó el país entre 1964 y 1985, informó hoy la prensa digital. La base permanente contará con especialistas en pruebas genéticas de identificación de cadáveres del Instituto de Medicina Legal (IML) de Sao Paulo, quienes analizarán los cuerpos no identificados que están sepultados en los cementerios de Vila Formosa y Perús, en la capital paulista. La iniciativa surgió después de un pedido de la Justicia por una acción promovida por los familiares de Sergio Correa, militante del grupo Acción Libertadora Nacional (ALN) y desaparecido durante la dictadura. En la búsqueda de Correa, peritos en medicina forense retiraron en diciembre pasado varios restos no identificados que estaban enterrados en Vila Formosa y que al parecer podrían ser los del activista. Según el jefe de medicina forense del Instituto Nacional de Criminología de la Policía Federal, Jefferson Evangelista Correa, las pruebas incluirán exámenes antropológicos para verificar el sexo, estatura y señales dentarias. Uno de los nombres de los desaparecidos que las autoridades buscarán entre los cadáveres no identificados de los dos cementerios paulistanos es el del también militante del ALN Virgilio Gomes da Silva. Antes de la creación de la base permanente, las pruebas eran realizadas por la Policía Federal en Brasilia, donde se analizan desde octubre de 2010 algunos restos de los cementerios en mención. Entre las decenas de desaparecidos durante la dictadura figuran también los activistas de izquierda Luiz Hirata, de la organización Acción Popular (AP), y Aylton Adalberto Mortati, del Movimiento de Liberación Popular (Molipo), de quienes nunca más se supo desde 1971. ========================================================================= + detalhes. Titulo:José Roberto Arantes de Almeida Data:2009-05-24 Autor: Luís A. de Almeida José Roberto Arantes de Almeida José Roberto Arantes de Almeida, nasceu em Pirajui, estado de São Paulo, em 7 de fevereiro de 1943, filho de Mário Arantes de Almeida e Aída Martoni de Almeida. Criança ainda, em 1956, sua família mudou-se para Araraquara. Participou dos escoteiros, tocou piano, praticou natação e polo aquático, colecionou medalhas. Em 1958 foi porta bandeira de um desfile patrocinado pelo Clube Pan-Americano de Araraquara carregando o pavilhão nacional de Cuba. Isto parece ter sido uma premonição, pois nem Cuba e nem o nosso José Arantes eram socialistas ainda. Seu pai trouxe a família para Araraquara para assumir seu cargo de professor da Faculdade de Farmácia e Odontologia, na disciplina Botânica Aplicada à Farmácia. Estudou no IEBA e junto com seu colega Salinas foi aprovado, em 1961, no vestibular para engenharia no ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Em 1964, em virtude das suas atividades políticas, nesta ocasião já militante comunista, foi expulso do ITA e levado preso para a Base Aérea do Guarujá. Libertado, retomou seus estudos na Faculdade de Filosofia da USP, localizada na famosa Rua Maria Antonia, onde iniciou o curso de Física. Em 1966 foi eleito presidente do Grêmio da Filosofia, órgão representativo dos estudantes da faculdade. Foi um líder nato, seus colegas chamavam-no de Zé Arantes, ou simplesmente Arantes. Entre estes colegas o hoje famoso e poderoso Ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu de Oliveira e Silva, o Zé Dirceu. Outro, de seus inúmeros amigos e companheiros, era Frei Beto, o dominicano que hoje é conselheiro espiritual do Presidente Luís Inácio Lula da Silva e assessor especial do Programa Fome Zero. Todos os seus contemporâneos referem-se ao Zé Arantes com grande carinho. Os dois Zés estudaram e militaram juntos. Com ideal socialista, eles eram da base do Partido Comunista Brasileiro, que começou a se desmanchar em vários grupos que questionavam a política adotada por este partido nos períodos pré e pós golpe militar de 1964. Entraram na Dissidência Comunista de São Paulo, transformada posteriormente em ALN - Ação Libertadora Nacional, e terminaram no MOLIPO - Movimento de Libertação Popular, que pregava a luta armada como forma de derrotar a ditadura militar. Em 1967 tornou-se vice-presidente da UNE - União Nacional dos Estudantes, à época uma importante e representativa entidade da sociedade civil, com enorme influência política e social. Em 1968 a UNE tentou realizar seu 30º Congresso, em Ibiuna/SP que declarado proibido pelo governo militar foi invadido pela polícia. Todos os seus participantes foram presos, levados para o DOPS e seus líderes processados. Zé Arantes conseguiu fugir de dentro do DOPS, pela porta da frente, disfarçando-se no meio da balburdia produzida por quase 800 presos que lotavam as dependências do famoso prédio do largo General Osório em São Paulo. Posteriormente teve sua prisão decretada pela Auditoria Militar que, então, julgava os crimes políticos. Clandestino, viveu com nomes falsos, teve seus últimos momentos de ternura e contato familiar na Semana Santa de 1969 quando, junto com seu irmão Dado e sua namorada Lola, passou alguns dias na praia deserta de Bertioga. Vivendo na clandestinidade foi para Cuba participar de treinamento para a guerra de guerrilhas. Voltou ao Brasil na chamada Turma dos 28. Caçados pelos órgãos de segurança, DOPS, DOI-CODI, CENIMAR e outros, todos os jovens idealistas que voltaram ao Brasil nesta turma foram mortos ou desapareceram para sempre. No dia 04 de novembro de 1971, aos 28 anos, foi descoberto pelo DOI-CODI numa casa da Rua Cervantes nº 7, na Vila Prudente, em São Paulo. Resistiu à prisão, e as torturas que fatalmente se seguiriam, lutando bravamente e terminou morto. Usava o nome falso de José Carlos Pires de Andrade, com o qual foi necropsiado pelo IML. Em seguida foi enterrado no Cemitério de Perus, muito utilizado pela ditadura para enterrar os oposicionistas mortos. Resgatado pela família, seu corpo foi exumado e levado para sepultamento, sob um manto de silêncio, com seu nome verdadeiro em Araraquara. Sua namorada Lola, a jovem Aurora Maria Nascimento Furtado, foi assassinada sob torturas, em novembro de 1972, no Rio de Janeiro. Homenageando-o em 1978, os estudantes da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara, deram seu nome à sua entidade representativa: Diretório Acadêmico José Arantes. Em 24 de novembro de 1983, através do Decreto Municipal nº 4.944, do prefeito municipal Clodoaldo Medina, atendendo uma solicitação de autoria do então vereador petista Domingos Carnesecca Neto, a cidade de Araraquara denominou Avenida José Arantes, uma via pública do bairro Cidade Jardim. Outras homenagens se sucederam em várias cidades do nosso país, entre as quais Ribeirão Preto que também tem a sua Avenida José Roberto Arantes de Almeida. A Câmara Municipal de Araraquara aprovou projeto de lei do vereador Eduardo Lauand, sancionado pelo prefeito Edinho Silva, que cria a Praça Memorial da Liberdade, em área do município contornada pela Avenida "2" e Avenida Jorge Miguel Saba, no loteamento Parque Residencial Iguatemi, em homenagem aos araraquarenses vítimas do regime militar pós-1964: Luiza Augusta Garlippe (Tuta), Jurandir Rios Garçoni e José Roberto Arantes de Almeida. (Colaborou Domingos Carnesecca Neto). * Luís Eduardo Arantes de Almeida, irmão de José Roberto Arantes de Almeida. =================================================================== + detalhes.Titulo: Ao Arantes, in memoriam Data: 2009-05-24 Autor: Luiz Tyller Pirola Ao Arantes, in memoriam Acreditaram Ter-me matado Mas não Foi apenas o meu corpo. E a ele o tempo Acrescenta-se contado Em anos, décadas Dezenas de mil Escondam-no Da família da multidão Que ninguém o veja Que o enterrem Em meio a pedras Terra e uma pá De cal Saiba Oh! Iniquidade Eu não morri Eu não estou enterrado ali Pois minha alma É imortal! 15/04/09 19/04/09 Fonte: site tylle =================================================================== + detalhes. Filhos Ilustres de Pirajuí Quarta-feira, Maio 09, 2007 Obirosca 13 comentários Filhos Ilustres Muitos são os pirajuienses ou Pirajuienses de coração que se destacaram nos mais diversos setores e levaram o nome de Pirajuí aos quatro cantos do País e do mundo. Destacamos alguns deles e aproveitamos a oportunidade para pedir a colaboração de todos que conhecem um Pirajuiense que nos envie material para que possamos, com justiça, fazer essa devida homenagem: José Roberto Arantes de Almeida ( em memória) José Roberto Arantes de Almeida, nasceu em Pirajui, estado de São Paulo, em 7 de fevereiro de 1943, filho de Mário Arantes de Almeida e Aída Martoni de Almeida. Criança ainda, em 1956, sua família mudou-se para Araraquara. Participou dos escoteiros, tocou piano, praticou natação e polo aquático, colecionou medalhas. Em 1958 foi porta bandeira de um desfile patrocinado pelo Clube Pan-Americano de Araraquara carregando o pavilhão nacional de Cuba. Isto parece ter sido uma premonição, pois nem Cuba e nem o nosso José Arantes eram socialistas ainda. Seu pai trouxe a família para Araraquara para assumir seu cargo de professor da Faculdade de Farmácia e Odontologia, na disciplina Botânica Aplicada à Farmácia. Estudou no IEBA e junto com seu colega Salinas foi aprovado, em 1961, no vestibular para engenharia no ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Em 1964, em virtude das suas atividades políticas, nesta ocasião já militante comunista, foi expulso do ITA e levado preso para a Base Aérea do Guarujá. Libertado, retomou seus estudos na Faculdade de Filosofia da USP, localizada na famosa Rua Maria Antonia, onde iniciou o curso de Física. Em 1966 foi eleito presidente do Grêmio da Filosofia, órgão representativo dos estudantes da faculdade. Foi um lider nato, seus colegas chamavam-no de Zé Arantes, ou simplesmente Arantes. Entre estes colegas o hoje famoso e poderoso Ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu de Oliveira e Silva, o Zé Dirceu. Outro, de seus inúmeros amigos e companheiros, era Frei Beto, o dominicano que hoje é conselheiro espiritual do Presidente Luís Inácio Lula da Silva e assessor especial do Programa Fome Zero. Todos os seus contemporâneos referem-se ao Zé Arantes com grande carinho. Os dois Zés estudaram e militaram juntos. Com ideal socialista, eles eram da base do Partido Comunista Brasileiro, que começou a se desmanchar em vários grupos que questionavam a política adotada por este partido nos períodos pré e pós golpe militar de 1964. Entraram na Dissidência Comunista de São Paulo, transformada posteriormente em ALN - Ação Libertadora Nacional, e terminaram no MOLIPO - Movimento de Libertação Popular, que pregava a luta armada como forma de derrotar a ditadura militar. Em 1967 tornou-se vice-presidente da UNE - União Nacional dos Estudantes, à época uma importante e representativa entidade da sociedade civil, com enorme influência política e social. Em 1968 a UNE tentou realizar seu 30º Congresso, em Ibiuna/SP que declarado proibido pelo governo militar foi invadido pela polícia. Todos os seus participantes foram presos, levados para o DOPS e seus líderes processados. Zé Arantes conseguiu fugir de dentro do DOPS, pela porta da frente, disfarçando-se no meio da balburdia produzida por quase 800 presos que lotavam as dependências do famoso prédio do largo General Osório em São Paulo. Posteriormente teve sua prisão decretada pela Auditoria Militar que, então, julgava os crimes políticos. Clandestino, viveu com nomes falsos, teve seus últimos momentos de ternura e contato familiar na Semana Santa de 1969 quando, junto com seu irmão Dado e sua namorada Lola, passou alguns dias na praia deserta de Bertioga. Vivendo na clandestinidade foi para Cuba participar de treinamento para a guerra de guerrilhas. Voltou ao Brasil na chamada Turma dos 28. Caçados pelos órgãos de segurança, DOPS, DOI-CODI, CENIMAR e outros, todos os jovens idealistas que voltaram ao Brasil nesta turma foram mortos ou desapareceram para sempre. No dia 04 de novembro de 1971, aos 28 anos, foi descoberto pelo DOI-CODI numa casa da Rua Cervantes nº 7, na Vila Prudente, em São Paulo. Resistiu à prisão, e as torturas que fatalmente se seguiriam, lutando bravamente e terminou morto. Usava o nome falso de José Carlos Pires de Andrade, com o qual foi necropsiado pelo IML. Em seguida foi enterrado no Cemitério de Perus, muito utilizado pela ditadura para enterrar os oposicionistas mortos. Resgatado pela família, seu corpo foi exumado e levado para sepultamento, sob um manto de silêncio, com seu nome verdadeiro em Araraquara. Sua namorada Lola, a jovem Aurora Maria Nascimento Furtado, foi assassinada sob torturas, em novembro de 1972, no Rio de Janeiro. Homenageando-o em 1978, os estudantes da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara, deram seu nome à sua entidade representativa: Diretório Acadêmico José Arantes. Em 24 de novembro de 1983, através do Decreto Municipal nº 4.944, do prefeito municipal Clodoaldo Medina, atendendo uma solicitação de autoria do então vereador petista Domingos Carnesecca Neto, a cidade de Araraquara denominou Avenida José Arantes, uma via pública do bairro Cidade Jardim. Outras homenagens se sucederam em várias cidades do nosso país, entre as quais Ribeirão Preto que também tem a sua Avenida José Roberto Arantes de Almeida. A Câmara Municipal de Araraquara aprovou projeto de lei do vereador Eduardo Lauand, sancionado pelo prefeito Edinho Silva, que cria a Praça Memorial da Liberdade, em área do município contornada pela Avenida "2" e Avenida Jorge Miguel Saba, no loteamento Parque Residencial Iguatemi, em homenagem aos araraquarenses vítimas do regime militar pós-1964: Luiza Augusta Garlippe (Tuta), Jurandir Rios Garçoni e José Roberto Arantes de Almeida. (Colaborou Domingos Carnesecca Neto). =============================================================== + detalhes. a.. Homenagem em Araraquara. b.. c.. José Roberto Arantes de Almeida - Criança ainda, em 1956, já em Araraquara com a família, participou dos escoteiros, tocou piano, praticou natação e polo aquático, colecionou medalhas. Estudou no IEBA e junto com seu colega Salinas foi aprovado, em 1961, no vestibular para engenharia no ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Em 1964, em virtude das suas atividades políticas, nesta ocasião já militante comunista, foi expulso do ITA e levado preso para a Base Aérea do Guarujá. Libertado, retomou seus estudos na Faculdade de Filosofia da USP, localizada na famosa rua Maria Antonia, onde iniciou o curso de Física. Em 1966 foi eleito presidente do Grêmio da Filosofia, órgão representativo dos estudantes da faculdade. Foi um líder nato. Era o Zé Arantes, ou simplesmente Arantes. Entrou na dissidência comunista de São Paulo, transformada posteriormente em ALN - Ação Libertadora Nacional, e terminaram no MOLIPO - Movimento de Libertação Popular, que pregava a luta armada como forma de derrotar a ditadura militar. Em 1967 tornou-se vice-presidente da UNE - União Nacional dos Estudantes, à época uma importante e representativa entidade da sociedade civil, com enorme influência política e social. Em 1968, quando a UNE tentava à sorrelfa realizar seu 30º Congresso, em Ibiúna/SP, todos seus participantes foram presos, levados para o DOPS e seus líderes processados. Zé Arantes conseguiu fugir de dentro do DOPS, pela porta da frente, disfarçando-se no meio da balburdia produzida por quase 800 presos que lotavam as dependências do famoso prédio do largo General Osório em São Paulo. Posteriormente teve sua prisão decretada pela Auditoria Militar que, então, julgava os crimes políticos. Clandestino, viveu com nomes falsos, teve seus últimos momentos de ternura e contato familiar na Semana Santa de 1969 quando, junto com seu irmão Dado e sua namorada Lola, passou alguns dias na praia deserta de Bertioga. Vivendo na clandestinidade foi para Cuba participar de treinamento para a guerra de guerrilhas. Voltou ao Brasil na chamada Turma dos 28. Caçados pelos órgãos de segurança, DOPS, DOI-CODI, CENIMAR e outros, todos os jovens idealistas que voltaram ao Brasil nesta turma foram mortos ou desapareceram para sempre. No dia 4 de novembro de 1971, aos 28 anos, foi descoberto pelo DOI-CODI numa casa da rua Cervantes nº 7, na Vila Prudente, em SP. Resistiu à prisão, e as torturas que fatalmente se seguiriam, lutando bravamente e terminou morto. Usava o nome falso de José Carlos Pires de Andrade, com o qual foi necropsiado pelo IML. Em seguida foi enterrado no Cemitério de Perus, muito utilizado pela ditadura para enterrar os oposicionistas mortos. Resgatado pela enlutada família, seu corpo foi exumado e levado para sepultamento, sob um manto de silêncio, com seu nome verdadeiro em Araraquara. Sua namorada Lola, a jovem Aurora Maria Nascimento Furtado, foi assassinada sob torturas, em novembro de 1972, no Rio de Janeiro. Homenageando-o em 1978, os estudantes da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara, deram seu nome à sua entidade representativa: Diretório Acadêmico José Arantes. Em 24 de novembro de 1983, através do Decreto Municipal nº 4.944, do prefeito municipal Clodoaldo Medina, atendendo uma solicitação de autoria do então vereador petista Domingos Carnesecca Neto, a cidade de Araraquara denominou Avenida José Arantes, uma via pública do bairro Cidade Jardim. Outras homenagens se sucederam em várias cidades do nosso país, entre as quais Ribeirão Preto que também tem a sua Avenida José Roberto Arantes de Almeida. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110406/fa071925/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6811 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110406/fa071925/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3282 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110406/fa071925/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 484 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110406/fa071925/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 6 19:48:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 6 Apr 2011 19:48:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Fome: cresce a extrema pobreza nos EUA Message-ID: <4DDBE40E60C34816AB4DD45550441300@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Fome: cresce a extrema pobreza nos EUA Por Altamiro Borges Num artigo contundente publicado no jornal mexicano La Jornada, David Brooks apresenta a face cruel dos EUA pouco difundida pela mídia colonizada. Mostra que a pobreza extrema cresce em ritmo acelerado no império. Já as poderosas corporações batem recordes de lucros. No capitalismo, a crise mata de fome o trabalhador e engorda ainda mais os tubarões. ?Aqui milhões padecem de fome. Não estamos falando do Haiti, nem de países africanos, nem asiáticos, nem das ?favelas? sul-americanas, e sim do extraordinário fato de que no país mais rico do mundo, milhões sofrem do que se chama insegurança alimentar, o que o cristianismo traduz como: não saber de onde virá a próxima comida?, afirma, indignado, David Brooks logo na abertura do seu artigo. 16 milhões de menores na miséria ?Nos EUA é permitido ? sem transformar em escândalo nacional ? que as crianças não tenham o suficiente para comer. O programa nacional de televisão da CBS News, ?60 minutos?, mostrou recentemente as faces e as histórias de famílias de sem-teto, cujos filhos falavam o que sentem quando não comem o suficiente. Mais de 16 milhões de menores de idade vivem na pobreza ? dois milhões mais que antes da crise econômica que explodiu em 2007?. Um das crianças entrevistadas na Flórida explicou o que se sente quando tem fome. ?É difícil. Não dá para dormir. Dorme-se por cinco minutos e desperta novamente. Dói o estômago. É porque não tem alimento nele?. Muitas famílias contaram à CBS que jamais imaginaram ficar sem casa ou sem alimento suficiente para seus filhos, já que gozavam de uma vida de classe média. ?Com a crise, tudo acabou?, aponta o jornalista do La Jornada. Milhares alojados em motéis Parte da reportagem da CBS foi feita na mesma zona conhecida como o lugar mais feliz do mundo ? nos condados em volta da Disney World, em Orlando, Flórida. A CBS detectou ali 67 motéis que alojam mais de 500 crianças sem-teto. Em volta das escolas do condado de Seminole, mil estudantes perderam recentemente suas casas. ?O governo aloja milhares de famílias de sem-teto em motéis por todo o país durante um período?. Segundo recente estudo da Feeding, a maior organização do país dedicada à assistência das famílias carentes, mais de um a cada seis estadunidenses (16,6% da população) sofreu de insegurança alimentar em algum momento de 2009. A entidade hoje presta serviços de apoio para 37 milhões de estadunidenses, entre eles 14 milhões de crianças, um aumento de 46% na comparação com 2006. ?A fome está por todas as partes? ?Até na capital do país mais poderoso do mundo há cada vez mais fome. Na zona metropolitana de Washington, mais de 400 mil residentes sofreram períodos de fome durante a recessão?, relata Brooks. Outras partes do país, em zonas ricas ou marginalizadas, também registraram cifras crescentes de fome, segundo recente relatório da Feeding. ?A maioria ficaria surpresa ao saber das dimensões da fome em suas comunidades. As pessoas tendem a pensar que a fome ocorre em algum outro lugar, mas não no seu quintal. Mas o informe mostra que a fome está por todas as partes de nossa nação agora mesmo?, comentou Vicki Escarra, diretora da Feeding América, ao jornal Washington Post. Obama ainda corta gastos sociais Diante da gravidade da situação, qual é a resposta do governo? Barack Obama propõe reduzir a assistência alimentar aos necessitados, promover mais cortes no gasto social e reduzir os impostos dos milionários. Para Brooks, esta conduta, que nega os compromissos de campanha do ?democrata?, tem elevado o tom das críticas ao seu governo. Mark Bittman, crítico de gastronomia do jornal New York Time, anunciou que se somaria ao jejum de uma semana com quatro mil pessoas por todo o país, com o propósito de chamar a atenção da opinião pública sobre as propostas de redução drástica dos programas de assistência aos pobres. ?Os cortes para supostamente reduzir o déficit farão com que mais pessoas morram de fome e vivam miseravelmente?, explicou. ?A fome não é prioridade nos EUA? A revolta aumenta quando se observa a opulência dos ricaços e o aumento dos lucros das corporações empresariais em plena crise. Em 2010, os lucros empresariais cresceram a taxas mais aceleradas desde 1950, enquanto houve um recorde no número de pessoas que dependem da assistência federal para comer. Como já apontou o cineasta Michel Moore, os 400 estadunidenses mais ricos têm mais riqueza que a metade dos lares do país, enquanto 45% dos estadunidenses gastam um terço de sua renda em alimentos e uma a cada quatro crianças dorme com fome no país. O aumento dos protestos nos EUA parece, no entanto, não incomodar a elite e seu governo de plantão. ?A fome não está entre as prioridades das cúpulas políticas e econômicas deste país. Aparentemente, a segurança alimentar não é assunto considerado de segurança nacional?, conclui David Brooks. http://altamiroborges.blogspot.com/2011/04/fome-cresce-extrema-pobreza-nos-eua.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110406/63a37db1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 6 19:48:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 6 Apr 2011 19:48:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Amor_e_Revolu=C3=A7=C3=A3o_nesta_quin?= =?utf-8?q?ta-feira=2C_=C3=A0s_22h15=2C_no_SBT_-_com_o_depoimento_d?= =?utf-8?q?o_companheira_ROSE_NOGUEIRA?= Message-ID: <9253CD9504D14F959F0A11AC038F2D67@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem http://amorerevolucao.webnode.com/ (link oficial da novela Amor e Revolução.Clique para ver tudo) No terceiro capítulo , no dia 7 de abril , haverá ao final o depoimento do companheira ROSE NOGUEIRA Avisaremos sempre um dia antes, o depoente que será exibido no dia seguinte. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110406/d9bf0c13/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30224 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110406/d9bf0c13/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 7 19:25:20 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 7 Apr 2011 19:25:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__DAVID_CAPISTRANO_DA_COSTA_e_JOS=C9_RO?= =?iso-8859-1?q?MAN______________________________-CII-?= Message-ID: <5045FA82044A4C378ECCBD680ABE7D94@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem DAVID CAPISTRANO DA COSTA (1913 - 1974) Filiação: Cristina Cirilo de Araújo da Costa e José Capistrano da Costa Data e local de nascimento: 16/11/1913, Boa Viagem (CE) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 16/03/1974 JOSÉ ROMAN (1926 - 1974) Filiação: Trenida Gonzalez e Manoel Roman Data e local de nascimento: 04/10/1926, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: PCB Data e local do desaparecimento: 16/03/1974 Em 15/03/1974, tomou posse como presidente da República o general Ernesto Geisel, anunciando um processo de distensão política lenta, gradual e segura. No dia seguinte os militantes comunistas David Capistrano da Costa e José Roman foram presos no percurso entre Uruguaiana, cidade gaúcha que fica na fronteira com a Argentina, e a capital paulista. Seus nomes integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Com esses dois desaparecimentos, começou a se tornar pública uma extensa ofensiva dos órgãos de segurança do regime militar contra o PCB que se alongaria até janeiro de 1976, quando foi morto sob torturas o operário metalúrgico Manoel Fiel Filho. No cômputo geral dessa investida, que mais tarde receberia o nome de Operação Radar, Operação Marumbi ou Operação Barriga Verde, dependendo do estado atingido, centenas de integrantes desse partido foram presos, atingindo uma cifra que a revista IstoÉ de 31/03/2004 calculou em 679. Se até aquele momento a estratégia do regime militar tinha sido exterminar os opositores envolvidos com a resistência armada, o foco central da repressão passaria então a ser o PCB, que sempre se posicionou contra as ações de guerrilha e tinha conseguido preservar uma estrutura partidária que, para o aparelho de repressão, se tornaria uma ameaça caso a distensão de Geisel evoluísse para uma verdadeira abertura política. Tratava-se, pois, de neutralizar o PCB antes da volta à democracia. Em São Paulo, segundo declarações do ex-agente Marival Chaves à matéria já citada da revista IstoÉ, o comando da operação encarregada de aniquilar o PCB ficou a cargo do chefe do DOI, coronel Aldir dos Santos Maciel, codinome 'Dr. Silva'. Diz a reportagem, citando explicitamente o papel do coronel reformado José Brant Teixeira: "Narradas por Marival, as histórias dos doutores do CIE parecem não ter fim. Em 1974, quando trabalhava em São Paulo, ele diz ter visto o coronel Brant chegar ao DOI-Codi com os dirigentes comunistas José Roman e David Capistrano, presos quando tentavam regressar ao Brasil pela fronteira do Uruguai. Segundo ele, ambos foram transferidos para a Casa de Petrópolis, onde morreram assassinados. Em 1977, quando servia no Batalhão de Infantaria de Selva, Marival diz ter deparado novamente com Brant, que se dirigia ao Araguaia numa operação de controle para evitar a localização dos corpos dos guerrilheiros do PCdoB. Em 1981, a Operação Limpeza foi reforçada com a transferência de André Pereira Leite Filho, o Doutor Edgar, oficial do DOI-Codi de São Paulo, para o CIE de Brasília. Ele integrava a tropa de choque de Aldir Santos Maciel, que eliminou oito dirigentes do Comitê Central do PCB". José Roman era nascido na capital paulista, filho de espanhóis, operário metalúrgico e, desde 1950, participava ativamente do sindicato e das lutas da categoria junto com sua esposa, Lídia Pratavieira Roman. Tiveram dois filhos. Em 1952, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde passou a atuar no Partido Comunista. Em 1966, a família retornaria a São Paulo. Quando de seu desaparecimento, trabalhava como corretor de imóveis num esquema operacional do PCB. Em 19/03/1974, Lídia recebeu um telegrama assinado por José Roman e informando que sua viagem para buscar David Capistrano no Uruguai tinha sido bem sucedida e que estava voltando. No dia 21 de março, José Luiz, filho de José Roman, recebeu um telefonema informando que o pai estava preso e que a família deveria providenciar um advogado. À época, o advogado Aldo Lins e Silva impetrou habeas-corpus, que foi negado. Lídia registrou queixa sobre o desaparecimento na delegacia policial do Itaim Bibi, em São Paulo, e fez buscas em diversos órgãos de segurança, mas não obteve qualquer informação sobre o paradeiro do marido. David Capistrano nasceu na localidade de Jacampari, distrito de Boa Viagem, município de Quixeramobim, no Ceará, em 16/11/1913. O pai era um pequeno proprietário rural. Aos 13 anos, David mudou-se para o Rio de Janeiro, onde viveu aos cuidados de um tio materno. Sem condições de estudar, trabalhou em bares e botequins até a idade de servir ao Exército, em 1931. Conheceu nesse ano o tenente Ivan Ribeiro, que começou a lhe entregar material do Partido Comunista. Em 1935, participou do levante da ANL como sargento da Aeronáutica, atacando o Regimento de Aviação de Realengo. Foi preso e levado para o presídio da Ilha Grande, sendo condenado a sete anos de prisão. Em 1936, fugiu a nado pelo canal que separa a ilha do continente. Viajou então para o Uruguai, onde sobreviveu como mecânico de automóveis. Em meados de 1936 foi para a Europa e lutou na Guerra Civil Espanhola como combatente das Brigadas Internacionais, até que elas fossem desmobilizadas em 1938. Foi então para a França, onde lutou como partisan na Resistência contra a ocupação nazista. Preso em um campo de concentração alemão durante oito meses, foi poupado da execução por não ser francês. Libertado, pesando apenas 35 quilos, recuperouse e retornou ao Uruguai em 1941. Entrou no território brasileiro e foi preso em setembro de 1942. Anistiado em 1945, fixou residência em Recife e se engajou abertamente nas atividades do PCB, integrando o seu Comitê Central a partir de 1946. Em 1947 foi o mais votado dos deputados estaduais constituintes de Pernambuco. Com o cancelamento do registro do PCB, foram cassados os mandados dos comunistas eleitos. David foi então deslocado para São Paulo e se fixou inicialmente em Sorocaba, participando da organização do núcleo comunista na fábrica de tecidos Votorantin. Atuou por algum tempo na capital paulista, no bairro da Mooca e foi destacado pelo partido para se estabelecer na Baixada Santista. Ali foi preso em 1952, quando morava em São Vicente e matinha atividade profissional de mecânico simultaneamente à atuação como dirigente partidário. Viveu também no Rio de Janeiro, em 1953, antes de seguir para a Escola de Quadros do Partido Comunista da União Soviética, em Moscou, onde permaneceu por dois anos. No retorno ao Brasil, foi deslocado para atuar no Amazonas, Pará e Ceará, só voltando a atuar legalmente em Pernambuco no ano de 1957, onde dirigiu os jornais A Hora e Folha do Povo. Ao lado de Hiran de Lima Pereira, Gregório Bezerra e outros dirigentes comunistas, teve papel destacado nas articulações políticas para construir a Frente do Recife, que propiciou a eleição de Pelópidas da Silveira para a prefeitura daquela capital em 1955, e em seguida sua sucessão por Miguel Arraes, que depois de prefeito seria eleito governador do estado em 1962. Na crise da renúncia de Jânio Quadros, David foi novamente preso, assim como Hiran e outros líderes comunistas, sendo enviado à ilha de Fernando de Noronha. Após a deposição de João Goulart, em abril de 1964, teve seus direitos políticos cassados e ficou escondido em Pernambuco, dirigindo a edição do jornal clandestino Combater. Emborra alinhado com as posições mais à esquerda no Comitê Central do PCB, não se engajou em nenhuma das várias cisões sofridas por esse partido entre 1966 e 1968, permanecendo como intransigente defensor da unidade partidária. Em 1971, contra sua vontade, acatou a decisão do partido de enviá-lo para a Tchecoslováquia como seu representante na revista Problemas da Paz e do Socialismo. Teria permanecido naquele país de 1972 até o momento em que ingressou no Brasil, sendo preso e transformado em mais um desaparecido político. O livro de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio, Dos Filhos Deste Solo registra a informação de que a bagagem de Capistrano foi vista no DOPS de São Paulo por outros presos políticos, o que indica sua passagem por aquele órgão de repressão. Uma publicação da Assembléia Legislativa de Pernambuco, "David Capistrano - entre teias e tocaias", da autoria de Marcelo Mário de Melo, traz mais informações sobre o seu desaparecimento: "Em 1974, David Capistrano firmou a posição de voltar ao Brasil e avisou à família. Em março, chegou à França, vindo da Tchecoslováquia, portando documentos em nome de Enéas Rodrigues da Silva. Armênio Guedes e o cientista Luiz Hildebrando, que o receberam, fizeram restrições à sua volumosa bagagem, com quinze quilos a mais, sendo catorze só de livros, e à compra em Praga da passagem para Buenos Aires". No seu livro de memórias, Luiz Hildebrando registra esse contato com David Capistrano, a quem se refere como "uma força da natureza" e "o capitão coragem". De Orly, Capistrano chegou à Argentina. Daí, acompanhado por um argentino, foi à cidade uruguaia [argentina, na verdade] de Paso de Los Libres, fronteira com Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, onde se fez o contato com o encarregado pelo esquema da travessia, que acionou em Uruguaiana Samuel Dib, militante do PCB, e juntos providenciaram a passagem de David para o lado brasileiro, tendo havido dificuldades, devido ao grande volume da bagagem. Depois de uns dias de espera num aparelho do PCB, chegou a Uruguaiana José Roman, enviado pelo PCB de São Paulo, com um Volkswagen, para transportar David Capistrano. Os dois seguiram com destino a São Paulo no dia 15 de março de 1974. Uma viagem sem chegada e sem retorno, que deu início ao seu martírio e à via crucis das suas famílias. Avisada no trabalho de que David e José Roman não tinham comparecido a nenhum dos encontros programados, Carolina voltou para casa e disse a Maria Augusta: "Mamãe, papai entrou, mas desapareceu". Chorando ao telefone, David Capistrano Filho avisou Cristina: "Pegaram ele!" David Capistrano e Maria Augusta de Oliveira viveram juntos desde 1947. Maria Augusta era dirigente estadual do PCB na Paraíba e tinha concorrido à Assembléia Legislativa daquele estado. Tiveram três filhos: David Capistrano da Costa Filho, Maria Cristina e Maria Carolina. Maria Augusta teve papel destacado na luta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, sendo uma das fundadoras e dirigentes do Comitê Brasileiro pela Anistia, de São Paulo. Dona de carisma e memória excepcionais, tornou-se porta voz da luta. Maria Augusta participou da citada audiência com o general Golbery e esteve presente em todos os atos referentes às denúncias dos familiares. O filho de Capistrano, também chamado David, se tornaria mais tarde um importante médico sanitarista, dirigente do PCB, sendo preso nove vezes durante o regime militar, a primeira com 16 anos, em abril de 1964. Recuperado o Estado Democrático de Direito, foi eleito prefeito de Santos pelo PT, seu novo partido, obtendo essa vitória em 1992 no mesmo dia em que a revista Veja publicou a informação de que seu pai teria sido esquartejado pelos órgãos de segurança em 1974. Intervieram diretamente junto ao governo brasileiro apelando pela vida de David Capistrano o primeiro secretário do Partido Socialista Francês, François Miterrand, o presidente Giscard d'Estaing e até mesmo o papa Paulo VI, que enviou ao Rio de Janeiro dois missionários para tratar diretamente com Geisel desse e de outros casos de desaparecimentos. Em fevereiro de 1975, o preso político Samuel Dib, taxista em Uruguaiana, acusado de pertencer ao comitê de fronteira do PCB, prestou declarações ao DOPS afirmando que estivera com David em março de 1974, em Paso de los Libres, e que ele tinha entrado no Brasil com José Roman num carro Volkswagen, cor gelo, no dia 15 de março e que soubera que não haviam chegado a São Paulo. O documento 203/187, do DOPS/RJ registra: "Segundo anotações neste Departamento em 16 de setembro de 1974, David Capistrano da Costa, encontra-se preso há quatro meses, sendo motivo da Campanha da Comissão Nacional Pró-Anistia dos Presos Políticos". Prontuário do DOPS/RJ repete a informação. Na entrevista que deu à revista IstoÉ de 01/04/1987 o ex-médico Amílcar Lobo declarou que atendeu David nas dependências do DOI-CODI/ RJ. O ex-sargento e ex-agente do DOI- CODI/SP, Marival Dias Chaves, em entrevista à revista Veja, declarou que David Capistrano esteve preso no DOI-CODI do Rio de Janeiro e foi levado para a Casa de Petrópolis, juntamente com José Roman, onde foi executado e esquartejado, tendo seus restos mortais sido ensacados e jogados num rio próximo. Nos relatórios militares de 1993, apenas o da Marinha contém uma informação sobre David Capistrano, por sinal contendo um dado truncado e misterioso sobre o local em que teria sido atendido, podendo, em tese, ser uma referência ao manicômio judiciário de Franco da Rocha, para onde alguns presos políticos foram levados naquele período: "desapareceu em São Paulo, no dia 16/03/74. Pertencia ao Comitê Central do PC, tendo sido preso na unidade de atendimento do Rocha, em São Paulo/SP". ============================================================================================== + Informações. JOSÉ ROMAN Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Nasceu em 4 de outubro de 1926, em São Paulo. Desaparecido aos 49 anos, em março de 1974. Corretor de imóveis. No dia 16 de março de 1974 foi a Uruguaiana encontrar-se com David Capistrano da Costa, que chegava clandestinamente do exterior. De Uruguaiana rumaram para São Paulo sendo presos no percurso da viagem. Mais informações ver no caso de David Capistrano. ===================================================================================================== + Informações. DAVID CAPISTRANO DA COSTA Dirigente do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB). Filho de José Capistrano da Costa e Cristina Cirila de Araújo, nascido em 16 de novembro de 1913, em Boa Viagem, Ceará. Desapareceu desde 1974 com 61 anos de idade. Casado com Maria Augusta de Oliveira, tinha três filhos. Participou do Levante de 1935, como sargento da Aeronáutica, sendo expulso das Forças Armadas e condenado, à revelia, pelo Estado Novo, a 19 anos de prisão. Participou da Guerra Civil Espanhola como combatente das Brigadas Internacionais e da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em um campo de concentração alemão, foi libertado e regressou ao Brasil em 1941. Em 1945 foi anistiado e, em 1947, eleito Deputado Estadual em Pernambuco. Entre 1958 e 1964 atuou na política pernambucana e dirigiu os jornais "A Hora" e "Folha do Povo". Com o golpe militar, entrou na clandestinidade e asilou-se na Checoslováquia, em 1971. Retornou ao Brasil em 1974, atravessando a fronteira em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em um taxi de propriedade de Samuel Dib, que o hospedou em sua casa. David Capistrano foi seqüestrado juntamente com José Roman no dia 16 de março de 1974, no percurso entre Uruguaiana e São Paulo. Sua bagagem foi vista por presos políticos no DOPS de São Paulo, o que indica a passagem de David por aquele departamento policial. Em março de 1978, o Superior Tribunal Militar reconheceu sua prisão, afirmando entretanto sua libertação após uma semana, sem esclarecer as condições. Julgado à revelia e absolvido pela Justiça Militar, em setembro de 1978, juntamente com 67 pessoas acusadas de reorganizar o PCB. O documento n° 203/187 DOPS/RJ afirma: "Segundo anotações neste Departamento em 16 de setembro de 1974, David Capistrano da Costa, encontra-se preso há quatro meses, sendo motivo da Campanha da Comissão Nacional Pró-Anistia dos Presos Políticos". No Relatório da Marinha consta a seguinte informação sobre David: "... tendo sido preso na Unidade de Atendimento do Rocha, em SP". Seria o Hospital Psiquiátrico de Franco da Rocha? De Maria Augusta, sua companheira: "David, em 1972, foi para a Europa, uma vez que a situação política do país não permitia sua permanêcencia no Brasil. Desde 1965 sofria perseguições políticas, mas a partir de 1972 não foi mais possível ficar no Brasil. Durante o tempo em que esteve fora do Brasil era difícil manter contato, mas a família sabia que pretendia voltar. Em março de 1974 fomos avisados de que voltaria ao Brasil. Certa manhã, no mês de março, minha filha, Maria Carolina, chegou em casa muito preocupada informando que a família de José Roman havia avisado que David e José Roman haviam saído do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo e não se tinha mais notícias deles. Imediatamente fui à imprensa para denunciar o fato. Somente agora soube pela esposa de José Roman que certo indivíduo que trabalhava em um posto de gasolina contou há pouco tempo que David e José Roman estiveram no posto de gasolina deixando escrito seus nomes em um papel porque desconfiavam que estavam sendo seguidos. Na mesma ocasião desapareceram Hiran Pereira, Luis Maranhão Filho, João Massena e Jaime Miranda. Os familiares desses desaparecidos começaram a se reunir no escritório do advogado Modesto da Silveira, no Rio de Janeiro, e em seguida outros familiares de desaparecidos nos procuraram e começamos a agir coletivamente. Começamos a procurar movimentos organizados da sociedade, pedindo apoio, tendo conseguido na época que Tristão de Athaíde, furando o bloqueio da censura, publicasse um artigo sobre os desaparecidos. O título era: "Os esperantes". Estive em todos os órgãos de repressão em busca de David sendo sempre negada a prisão do mesmo. Em certa ocasião fui ao DOI-CODI da Barão de Mesquita acompanhada da irmã de David, pessoa com grande semelhança física com ele. O oficial que nos atendeu, embora negasse sua prisão e desconhecesse a identidade de sua irmã, traiu-se ao perguntar à mesma se era irmã de David. Tenho certeza pela reação do oficial que ele estava preso na Barão de Mesquita nessa ocaisão. Naquela época, comentava-se também que vários presos políticos, e entre eles David, estariam no Juqueri (Hospital Psiquiátrico Franco da Rocha). Foi tentada a comprovação desse fato, inclusive por D. Paulo Evaristo Arns, mas nada foi conseguido. Pressionado pelo movimento dos familiares e entidades da sociedade civil, o governo da época divulgou notícia afirmando que David continuava na Europa, não tendo retornado ao Brasil. Meses depois, juntamente com outros familiares e D.Paulo Evaristo, estivemos com Golbery do Couto e Silva, quando foi entregue relatório de cada um dos desaparecidos, sendo que o general Golbery disse aos presentes que analisaria os documentos e daria uma resposta. Tal resposta nunca veio David foi indiciado em processo o qual, finalmente julgado, o absolveu. O médico Amílcar Lobo, há pouco tempo, disse a minha filha Maria Carolina, que David foi o último preso que ele assistiu enquanto torturado na Barão de Mesquita. Eu sei que David portava documento em nome de Eneas Rodrigues da Silva. Algum tempo após o desaparecimento de David, Samuel Dib, em depoimento prestado à policia, descreveu pormenorizadamente a entrada de David no Brasil através da fronteira com a Argentina e sua viagem até São Paulo." ============================================================================== + detalhes. Quem foi David Capistrano da Costa David Capistrano da Costa nasceu em 1913, no povoado de Jacampari, município de Boa Viagem, Ceará. Ainda adolescente, veio para o Rio de Janeiro morar com parentes. Em 1931, aos 18 anos entrou para a Escola de Aviação, aprovado no curso da FAB, onde conheceu o tenente Ivan Ramos Ribeiro, que o convidou a participar do movimento político e a ingressar no Partido Comunista. Participou do Levante Comunista em 1935, foi expulso das Forças Armadas e recolhido ao presídio na Ilha Grande. Mas não ficou muito tempo preso. Ajudado por colegas militares, num dia de maré baixa, com mais três companheiros, fugiu a nado pelo canal e chegou ao continente. Em seguida, atravessaria a fronteira. Em meados de 1936, David Capistrano partiu do Uruguai para a Espanha, com um grupo das Brigadas Internacionais, integrando a Brigada Garibaldi, sob o comando do dirigente comunista italiano Luigi Longo. Em 1938 lutou na frente do Ebro, numa das mais sangrentas batalhas da Guerra Civil Espanhola. Diz Apolônio de Carvalho: "Com José Correia de Sá e Dinarco Reis, David Capistrano integrou-se na 12. Brigada, a Garibaldi. Anos depois, em Marselha, eu teria oportunidade de ler um jornal de trincheira dessa tropa italiana, no qual se destacava o feito de David no Ebro, a garantir com uma metralhadora Hotkiss, sob o furor dos bombardeios franquistas, a retirada do seu pelotão". Atuou junto aos partisans da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em ação, foi deportado para o campo de Gurs, na Alemanha, e após a liberação voltou ao Brasil em 1941, sendo novamente preso. Em 1945 foi anistiado e retornou à militância política no PCB. Em 1947 casou com Maria Augusta de Oliveira, militante paraibana do PCB. Foi eleito Deputado Estadual em Pernambuco, em 1947. Entre 1958 e 1964 dirigiu a Folha do Povo e A Hora, jornais vinculados ao PCB em Pernambuco. Após o golpe militar, viveu clandestinamente no Brasil e asilou-se na Tcheco-Eslováquia, em 1971. Retornou ao Brasil em 1974, pela fronteira em Uruguaiana, RS. Desapareceu no percurso entre Uruguaiana e São Paulo, juntamente com José Roman, em março de 1974. Em 1974, o documento n. 203/187, do DOPS/RJ, afirma: "[...] David Capistrano da Costa encontra-se preso há quatro meses, sendo motivo da Campanha da Comissão Nacional Pró-Anistia dos Presos Políticos". Em 1978, quatro anos após seu desaparecimento, David Capistrano foi julgado à revelia e absolvido pela Justiça Militar, com 67 pessoas acusadas de reorganizar o PCB. Em 1992, um torturador do DOI-Codi do Rio de Janeiro, em depoimento publicado, declara que viu David Capistrano ser torturado na PE da rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, tendo sido o corpo esquartejado em uma casa de Petrópolis, para impedir a identificação. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil. ======================================================================================== + detalhes. Perfil Parlamentar de David Capistrano http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/perfil/parlamentares/DavidCapistrano/04.html ================================================================================================================= + detalhes. ................................................................. Uma Articulação Multinacional do Terror A Operação Condor foi uma articulação multinacional do terror das ditaduras militares do Cone Sul das Américas, ou seja, entre as forças de repressão do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia para o sequestro, tortura, assassinato e desaparecimento de opositores às ditaduras militares. Dela participaram ditadores, comandantes militares e agentes civis do Brasil, Uruguai, Chile, Argentina, Bolívia e Paraguai. Na verdade, "o trabalho de cooperação" entre as "forças de segurança" brasileiras e uruguaias teve início na segunda metade da década de 60, quando policiais brasileiros atuavam livremente em território uruguaio, inclusive, no Aeroporto de Carrasco em Montevidéu, onde imperava a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos). Esta era a Operação Pré-Condor. ........................................................................................................... Em consequência da Operação Condor e do aumento da repressão interna na região sul do continente, milhares de argentinos, chilenos, brasileiros, uruguaios e paraguaios foram cruelmente torturados e assassinados e milhares estão desaparecidos. David Capistrano, Onofre Pinto, Joel e Daniel Carvalho e o jovem argentino Ruggie tiveram o mesmo destino, vítimas de ações coordenadas da Operação Condor e de militares da repressão interna. Segundo informações bem recentes publicadas no Jornal Opção, no Estado de Goiás, contidas no livro de Taís Morais e baseadas no depoimento do agente secreto do CIE (Centro de Informações do Exército), Ivan Carioca, traz mais informações sobre o que aconteceu com David Capistrano. Com o título David Capistrano é o Tiradentes comunista, o Jornal Opção escreve que o dirigente David Capistrano foi preso no Rio Grande do Sul e esquartejado na Casa de Petrópolis. "Depois de destruir a esquerda armada, tanto a Ação Libertadora Nacional de Carlos Marighela quanto o PC do B de Maurício Grabois e o Molipo de José Dirceu, as forças repressivas voltaram-se para o velho e moderado Partido Comunista Brasileiro (PCB), conhecido como Partidão, (hoje PPS). Um de seus presos e desaparecidos mais conhecidos é o lendário David Capistrano da Costa, que participou da Guerra Civil Espanhola (l936-1939), ao lado dos republicanos. Exilado na Tchecoslováquia, retornou ao Brasil, via Uruguaiana, no Rio Grande do Sul." "Em 13 de março de 1974, David Capistrano e um companheiro foram presos. Ivan Carioca foi um dos agentes secretos do CIE enviados a Porto Alegre para levá-lo para São Paulo e entregá-lo à Operação Bandeirantes. Depois o agente recebeu ordens de encaminhá-lo para a famosa Casa de Petrópolis, de onde era difícil sair vivo". A reportagem do Jornal Opção, assinada pelo jornalista Euler França Belém, informa, com base no livro de Taís as terríveis torturas a que foi submetido David Capistrano, que o próprio agente Ivan Carioca chegou a perder o fôlego. Era sangue por todo o lado, impregnando o ambiente, com aquela textura pegajosa do processo de coagulação. O líquido formava pequenas poças no chão, mas sem sinal de um corpo humano íntegro. Cheiro de carne e vísceras. Morte recente. Sabia distinguir muito bem. Afinal, onde estava o preso submetido à tamanha ferocidade? Chocado, sem articular uma só palavra, o estômago embrulhado, percebeu que as partes, amontoadas num canto, estavam a ponto de serem colocadas em sacos plásticos. Lentamente, levantou a cabeça em direção a algo pendurado em ganchos. A princípio não distinguiu bem o que era . Um tronco, dividido ao meio. As costelas de Capistrano pendiam do teto, e ele, reduzido a pedaços como se fosse uma carcaça de animal abatido, pronta para o açougue. Não pôde evitar a imediata associação com uma câmara frigorífica, mas expondo um ser humano. Se um agente secreto da ditadura chegou a passar mal ao ver as atrocidades cometidas por agentes da ditadura, pode-se muito imaginar o que poderá sentir uma pessoa comum ou familiares da vítima e que para piorar ainda mais o sofrimento de todos ainda desaparecem covardemente com os corpos. O escritor Agassiz Almeida no seu livro "A Ditadura dos Generais", que eu recomendo a todos os interessados em saber o que aconteceu durante as ditaduras nazi-militaristas na região sul do continente latino-americano, afirma que o que aconteceu no Brasil, Chile, Uruguai e Argentina foi pior que durante o regime nazista na Alemanha de Adolf Hitler. =============================================================================================== + detalhes. Taís Morais lança em Brasília seu novo livro-bomba 3rd/dez/2008 . "Sem Vestígios - revelações de um agente secreto da ditadura militar brasileira ", um lançamento da Geração Editorial CARIOCA, UM AGENTE SECRETO, VAI FAZER VOCÊ DESCER AOS PORÕES MAIS REVOLTANTES DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA, NOS ANOS 70 Prepare-se para uma experiência chocante: Carioca, o agente secreto da ditadura militar cuja trágica história é contada neste livro, vai fazer você descer aos porões mais revoltantes da ditadura militar brasileira, principalmente na fase da guerra suja contra os grupos de esquerda, nos anos 70. Imagine a seguinte cena: nosso homem, que ajudou a prender o líder comunista David Capistrano da Costa, é acordado no meio da noite, por um colega, que o leva para assistir aos últimos momentos do infeliz personagem: preso, interrogado, torturado, aparentemente ele já não é útil e os comandantes militares do Palácio do Planalto já deram a ordem: matar e desaparecer com o corpo. E o corpo está lá, espedaçado, pendurado em ganchos, uma costela aqui, uma perna ali, pingando sangue. Carioca, o agente - cujo final também haveria de ser trágico - tem engulhos, o estômago se revolve, mas, ao lado dele, outro agente ri cinicamente: o inimigo derrotado já não serve para nada e precisa ser descartado - sem deixar Vestígios. Esta é a questão: que vestígios sobraram daquele período negro em que homens, mulheres e até crianças, alguns deles inocentes, foram presos, torturados e mortos com requintes de sadismo por verdadeiras bestas que operaram num verdadeiro açougue humano? Carioca, o agente que infelizmente é preciso deixar anônimo, deixou numa caixa os vestígios de suas ações e seu remorso. Seu depoimento fragmentado e atormentado, que Taís Morais costurou em livro, é uma acusação mais que terrível: ele estava lá, participou dos atos. Investigou, prendeu, interrogou, matou. Algumas vezes matou sem necessidade, matou porque quis. Outras vezes, tentou não matar, mirou para errar o corpo. Mas os outros haveriam de acertar. Este livro dramático, terrível, em que pela primeira vez uma testemunha das atrocidades revela que estava lá e foi daquele jeito mesmo, terá sem dúvida uma repercussão intensa nos meios políticos e militares. Muitos de seus personagens - os presidentes Médici e Geisel, o general Antônio Bandeira - estão mortos e só poderão ser julgados pela História. Outros, porém, estão vivos e seus nomes não foram poupados. A sociedade brasileira discute no momento o que fazer com este lixo do passado. Esquecer, já que houve uma anistia? Responsabilizar, ainda que ninguém seja preso de fato? Deixar de lado, finalmente, a busca de corpos que foram transformados em cinzas ou comida de peixes e não podem ser resgatados? O projeto era não deixar vestígio algum: documentos, corpos e até algumas testemunhas, que foram convenientemente apagadas. Mas alguma coisa imprevista ficou: o depoimento desse agente atormentado e cheio de remorsos que se lê com ansiedade e apreensão. Taís Morais, autora também de Operação Araguaia - os arquivos secretos da guerrilha teve em mãos um conjunto de informações que nenhum brasileiro jamais teve. O resultado é este livro incômodo e aterrador. Fonte: Luiz Fernando Emediato -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110407/2c5b095b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4888 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110407/2c5b095b/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11556 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110407/2c5b095b/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 7 19:25:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 7 Apr 2011 19:25:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=22As_esquecidas_ra=EDzes_fasci?= =?windows-1252?q?stas_do_intervencionismo_humanit=E1rio=3A_100_ano?= =?windows-1252?q?s_de_bombas_contra_a_L=EDbia=22_=5B6/4/2011=2C_Ma?= =?windows-1252?q?rk_Almond=2C_Cunterpunch_=28traduzido=29=5D?= Message-ID: <393DAD4C5024493FB7329FD52B2E0C3E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Vila Vudu As esquecidas raízes fascistas do intervencionismo humanitário 100 anos de bombas contra a Líbia 6/4/2011, MARK ALMOND, Counterpunch http://www.counterpunch.org/almond04052011.html As celebrações dos 150 anos da unificação da Itália, em março de 2011, foram obscurecidas pela crise na Líbia. Coincidindo com o aniversário da Itália, o governo de Sílvio Berlusconi decidiu oferecer sete bases aéreas aos aliados da OTAN para bombardear a Líbia. Outra coincidência, há cem anos os italianos inventaram o bombardeio aéreo e iniciaram essa prática, precisamente, contra a Líbia. Passam-se 100 anos, e os bombardeios voltam à cena do próprio sangrento nascimento. Clio, a musa da história, parece viver algum gozo perverso. fazendo a história repetir-se ali, primeiro como imperialismo, depois como intervenção humanitária, sem nem precisar trocar de cenário. Dia 1/11/1911, o tenente Giulio Gavotti pela primeira vez na história lançou uma bomba de um aeroplano. Segundo as autoridades otomanas, a bomba explodiu sobre o hospital militar em Ayn Zara no deserto líbio. Os italianos negaram ter mirado instalação protegida pela Convenção de Genebra. A moderna guerra aérea e a batalha da propaganda que sempre a acompanharia daí em diante nasceram assim. As quatro bombas do tenente Gavotti não passavam de granadas de mão modificadas, mas em pouco tempo os italianos aprenderam a lançar bombas incendiárias e bombas que ao explodir lançam estilhaços mortais ? que hoje se chamam ?cluster munitions?, em inglês. O impacto inicial do bombardeio aéreo foi assustador e desorientou as forças atacadas. O pânico se espalhava, ao simples som de avião que se aproximasse. Mas em pouco tempo os turcos e árabes em terra aprenderam as limitações de ataques aéreos, e o terror diminuiu. Os italianos decidiram que era preciso aumentar o efeito terrorífero de suas bombas, para impedir que o inimigo se reorganizasse. Os pilotos italianos também logo aprenderam que alvos fixos, como vilas ou oásis eram mais fáceis de localizar e atacar, que guerrilheiros de alta mobilidade. O arabista britânico G.F. Abbott que estava com as forças conjuntas turco-árabes na resistência à invasão, observou que os atacados rapidamente se recobraram do susto e do medo, em parte porque bombas que caíssem na areia muito frequentemente explodiam sem causar qualquer dano. Mas anotou que ?mulheres e crianças nas vilas são praticamente as únicas vítimas, o que fez aumentar a fúria dos árabes?. Antagonizar a população civil foi um infortunado efeito colateral dos bombardeios que se tornou fator decisivo no processo de converter a invasão italiana em muito longa guerra de contraguerrilha, que hoje se chama ?counter-insurgency?, em inglês. Quando a ideia de ocupar a Líbia como presente de 50º aniversário para eles mesmos foi posta em prática, em setembro de 1911, os italianos estavam certos de que chegariam rapidamente à vitória. Haviam sido informados de que o regime turco era odiado pelos árabes que ali viviam, e que podiam contar com recepção calorosa aos soldados que traziam civilização e libertação contra a tirania do sultão. Em jargão contemporâneo, os italianos foram encorajados a esperar ?uma moleza?. A imprensa garantia aos soldados que ?a hostilidade dos árabes não passa de invenção dos turcos?. O fato de Gavotti ter jogado as primeiras bombas aéreas da história apenas um mês depois de iniciada a campanha foi prova de o quão rapidamente os italianos perceberam que as coisas não estavam saindo como previstas. A resistência nas principais cidades, como Trípoli, foi rapidamente esmagada, mas em grandes porções de território nem os 100 mil soldados lá distribuídos pela Itália eram suficientes para controlar país muito extenso, boa parte do qual já invadido pelo Sahara. O recém-inventado avião bombardeiro provia meios para distribuir o poder italiano por vastas porções de terra que, de fato, eram controladas por árabes locais que preferiam os turcos muçulmanos aos italianos cristãos ? pelo menos no que tivesse a ver com distribuir civilização mediante bombas de fragmentação lançadas de aviões que voavam baixo. A muito comentada crueldade dos árabes e turcos locais contra soldados italianos capturados foi uma das justificativas para insistir no uso de bombas, na Líbia. Em luta contra gente bárbara, não civilizada, as regras da guerra podiam ser suspensas. Mas a Líbia mostrou-se muito mais difícil de assustar para submeter, do que Roma previra. Mesmo assim, dia 9/11/1911, o governo italiano declarou vitória, embora a guerra só estivesse começando. Com a missão ainda não cumprida, a guerra custou muito mais do que os italianos esperavam pagar. Não surpreendentemente, o primeiro-ministro italiano, Giovanni Giolitti, mentiu ao parlamento em Roma: disse que a guerra custara 512 milhões de liras. Era muito dinheiro, se se considera que o orçamento do ministério da guerra no último ano de paz fora de apenas 399 milhões de liras. A verdade é que nesse relatório já estava ocultado quase um bilhão de liras, que foi o déficit gerado na guerra contra o Império Otomano pela Líbia. Em termos de custo humano, 8 mil italianos foram mortos ou feridos. E ninguém contou os árabes mortos. Embora a elite italiana visasse a objetivos econômicos na ocupação da Líbia, que foram embalados em retórica nacionalista e civilizacional, o petróleo não foi o motivo real dos italianos. Só no fim do período fascista houve alguma exploração mais consistente, que indicou que havia petróleo no subsolo líbio. O principal poço de petróleo foi encontrado nos arredores da cidade natal de Gaddafi, Sirte, em 1959. Ao final de 30 anos de poder italiano na Líbia, o principal item de exportação do país não era o petróleo, mas o sal. Os italianos estavam convencidos de que a Líbia voltaria a ser o celeiro do Mediterrâneo, que fora sob o Império Romano. Poucos, em 1911, parecem ter percebido que, já há muito tempo, os campos plantados e as cidades romanas na Líbia haviam sido tomados pelo deserto. Com o tempo, o entusiasmo pela guerra começou a fenecer na Itália, mas os jornais e a literatura de ocasião registram o quanto toda a imprensa e os formadores de opinião eram unanimemente a favor da guerra desde os primeiros tiros. Particularmente louvados eram os pilotos, os homens da morte que desce dos céus. Nasceu ali o culto ao piloto capaz de atingir, dos céus, com precisão cirúrgica, um inimigo animalesco que rasteja pelo chão. O mais importante poeta italiano vivo, Gabriele D'Annunzio, imediatamente imortalizou o feito do tenente Gavotti em sua Canzone della Diana. (Poucos anos adiante, na 1ª Guerra Mundial, D'Annunzio sobrevoaria Viena, distribuindo panfletos que anunciavam as bombas que logo chegariam.) Giovanni Pascole sentimentalizou os feitos dos pilotos italianos, quando a guerra da Líbia festejou seu primeiro Natal, em La Notte di Natale. E o futurista Filippo Marinetti, embarcou ele mesmo num avião e sobrevoou a Líbia, para estimular os soldados italianos a armar as baionetas e atacar. No começo, parecia que todo mundo apoiava a invasão. O grande filósofo e depois antifascista Benedetto Croce declarou ? ao que parece sem qualquer ironia ? que ocupar a Líbia era presente muito merecido que a Itália se dava no 50º aniversário da unificação. Laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1907, E.T. Moneta, seria o primeiro ? mas não, de modo algum, o último beneficiado com prodigalidade pela fortuna do dinamite ?, antes de Barak Obama, a manifestar fé inabalável no bombardeio aéreo como ferramenta de progresso para a humanidade e, por isso, a declarar que bombas aéreas não ferem princípios pacifistas. A hierarquia da igreja católica havia hostilizado a elite política italiana secular (para não dizer maçônica), mas endossou a cruzada de Giolitti na Líbia, com muito mais entusiasmo que os antecessores haviam apoiado a versão original 800 anos antes. A reunião dos poetas e intelectuais da Sociedade Dante Aligheri, dia 20/9/1911, foi encerrada com brados de ?Para Trípoli!? Nem só intelectuais protofascistas como D'Annunzio e Marinetti inebriaram-se com a ideia de um piloto atravessar os céus sobre o deserto, matando selvagens rastejantes em terra. O sueco Janson Sweden descreveu a inebriante sensação de poder ilimitado e a perfeita impunibilidade dos pilotos em ação no céu, contra primitivos rastejantes no solo, cujas defesas antiaéreas em incapazes de evitar ou vingar as mortes: ?A terra deserta abaixo dele, o infinito vazio dos céus acima dele, e o piloto, cavaleiro solitário, flutuando entre os dois mundos! O piloto é tomado de uma sensação de poder. Voava pelos espaços infinitos, comprovando a indiscutível superioridade da raça branca. Ao seu alcance, ali, estava a prova, sete bombas de alto poder explosivo. O poder para lançá-las dos céus, eis a prova convincente e irrefutável.? Alguns italianos protestaram contra a flagrante agressão à Líbia. Mas coube ao editor do jornal socialista extremista, Benito Mussolini, fazer o mais absoluto e incondicional discurso de rejeição da guerra. E foi preso depois de dizer, da bandeira nacional italiana, ?esse trapo que tremula sobre uma masmorra?, em discurso contra a guerra em Forli. É muito claro contraste com a atitude que Mussolini teria depois, já ex-marxista no poder e Duce do Fascismo depois de 1922. O aeroplano e o poder destrutivo que podia gerar projetar excitou Mussolini o Fascista, tanto quanto horrorizara Mussolini o Marxista. Declarou que o avião foi ?o primeiro fascista?. E tornou-se bombardeador obcecado. Foram passos simultâneos: Mussolini rejeitou o marxismo e abraçou o frenesi da guerra ultramoderna. Quase imediatamente ao assumir o poder, Mussolini foi levado a voar em avião pilotado pelo ás da guerra aérea, Mario Stoppiani, que testemunhou o ?delírio entusiástico? do Duce durante a experiência. Depois, aprendeu a pilotar (e para grande temor de seu aliado mais pedestre, Hitler, assumiu os controles do avião, em momento em que o assustadiço Fuehrer estava a bordo.) Antes de George W. Bush e Vladimir Putin que outro líder político assumiu publicamente, com as próprias mãos, o manche de aviões? O avião também foi usado para destruir diretamente os inimigos de Mussolini: chefões da Máfia e líderes tribais líbios eram embarcados em voos sem volta sobre o Mediterrâneo e jogados ao mar, uns já mortos, outros ainda vivos. Mussolini desenvolveu o uso do poder aéreo para reprimir rebeldes na Líbia e, vez ou outra, para quebrar a resistência, depois de já quase 25 anos de ocupação. Na Etiópia, levou a própria guerra pela civilização a novas profundidades. A Itália fascista anunciou que aboliria a escravidão, mas antes teria de conquistar os nativos. O imperador etíope no exílio, Hailé Selassié, narrou à Liga das Nações como os italianos usavam técnicas de dispersão de fungicidas sobre as plantações, para envenenar pessoas. O regime de Mussolini não discutiu os próprios métodos e não tentou esconder-se por trás de relatórios oficiais segundo os quais ?não há registros de baixas na população civil?. Fascistas Voadores passou a ser a ordem do dia, quando Mussolini tornou-se expansionista, em meados dos anos 1930s. Seu filho mais velho Vittorio e seu enteado, Galeazzo Ciano, fizeram sua parte no papel de pilotos de guerra, bombardeando a Etiópia. Outro filho de Mussolini, Bruno, escreveu descrição lírica da experiência de ver etíopes cujos corpos abriam-se como pétalas, explodidos, sob as bombas do próprio Bruno. Bertrand Russell viu a evocação de Bruno Mussolini, a louvação do imaculado poder aéreo para destruir minúsculos humanos como corporificação da realidade dos modernos regimes totalitários mas, ainda pior que isso, como objetivação de um mundo futuro controlado do ar. Russell perguntou: ?Imagine-se um governo que governe de dentro de um avião. Não é evidente que esse governo vê a oposição de modo absolutamente diferente?? Russell temia que um governo com poder aéreo ?exterminaria? qualquer resistência, qualquer oposição ou divergência. Para Russell, o avião bombardeiro tornava obsoletos os exércitos de soldados nacionais alistados, que Russell previa que logo seriam substituídos por mercenários altamente treinados, para fazer o que os patrões mandassem, e que não se veriam como parte da população: ?Agora, com os aviões, voltamos à necessidade de pequenos exércitos de poucos homens, todos altamente treinados. Deve-se esperar portanto que os governos, em todos os países expostos a guerra em maior escala, serão o que mais interesse aos aviadores, o que nada sugere que tenha qualquer conteúdo democrático.? Mas os fascistas italianos logo descobririam que o poder aéreo é rua de duas mãos. Líbios e etíopes não tinham poder para declarar ?zonas aéreas de exclusão? sobre Roma nem podiam bombardear Florença. Mas, depois de 1940, sim, os britânicos e os EUA já podiam. E os esforços pioneiros dos italianos na guerra aérea foram amplamente admirados e imitados. Fiorello La Guardia foi treinado para pilotar por instrutores italianos depois que os EUA entraram na 1ª. Guerra Mundial em 1917. O pioneiro norte-americano das bombas, Billy Mitchell, reconheceu o papel da Itália como pioneira da guerra aérea e tornou-se empenhado admirador dos fascistas, dos quais disse, em 1927, que seriam ?um dos poderes mais construtivos para construir um bom governo que há hoje no mundo?. Mas, como os comandantes voadores de Mussolini, Mitchell também foi ultrapassado pelo avanço rápido das mudanças: como os fascistas voadores, Mitchell também logo concluiu que o transporte aéreo não tinha futuro. Também na Grã-Bretanha, houve fortes laços entre o fascismo e guerra aérea. Lady Houston, que financiou o Spitfire, embrião do Supermarine, para vencer o Troféu Schneider, também ofereceu 200 mil libras à União Fascista Britânica liderada por Oswald Mosley, também entusiasta da aviação ?, de modo que sua contribuição para derrotar o fascismo foi maior que o efeito de apoiar a União Fascista Britânica ? aspecto do mito patriótico que foi omitido no filme de Leslie Howard First of the Few (Spitfire, nos EUA, 1942). Ainda hoje, sobrevive uma estranha, quase erótica ironia: uma das netas de Mosley, a glamurosa modelo Daphne Guinness, mantém laços amorosos com Bernard-Henri Levi, o intelectual francês líder do bombardeio aéreo como via para a liberdade na Líbia: aliança maldita entre a Repubblica Salo e a République Sarkozyste, ou reconciliação de falsa dicotomia? Mas seja qual for o papel de outros países nos anos pioneiros da guerra aérea ou mesmo do fascismo, cabe à Itália o título de primeira nação a liderar nos dois campos. A Itália pôs aviões de guerra nos céus com extrema rapidez, com um fascista no joy-stick. Giulio Douhet foi o primeiro estrategista do bombardeio aéreo. Apesar de ter apoiado Mussolini, a carreira de Douhet como artista da guerra aérea foi muito dificultada na Itália fascista por rivais com melhores credenciais no partido. Uma das raras vozes dissidentes em 1911 foi um adolescente de Ferrara que viria a ser o segundo mais famoso fascista depois de Mussolini, pelo menos por suas façanhas aéreas. Italo Balbo, então com 15 anos, rompeu a atmosfera nacionalista e publicou artigo denunciando a invasão do território líbio que, depois de 1933, ele governaria como vice-rei de Mussolini. Mas até lá, Balbo seria o Charles Kindbergh italiano ? aviador-pioneiro e celebridade, que voou por quase todo o mundo para demonstrar o compromisso do novo regime fascista com a mais moderna manifestação do poder ? o avião. Mas em 1911, como Mussolini, Balbo era só um sujeito esquisito. Claro que nem todos os futuros fascistas fizeram antes oposição à guerra. Sergio Panunzio, por exemplo, discordou do jovem Balbo que publicara artigo contra o consenso pró-guerra: ?Por quê? Para ir contra a corrente, contra a realidade, contra o governo?. Panunzio antecipava aí o argumento fascista clássico, segundo o qual ?certo? seria o que fosse declarado ?certo? pela imprensa e pelo poder do Estado. Os italianos deviam orgulhar-se de sua aviação militar pioneira, em nome da civilização. Em 1911, os italianos foram os primeiros em vários feitos aéreos: o primeiro voo noturno, a primeira fotografia aérea, o primeiro bombardeio aéreo ? e o primeiro avião abatido a tiros. Há quem insista que, se valerem bombas lançadas de balões, a Itália merece mais um primeiro lugar. Em 1849, os austríacos sitiavam os rebeldes de Veneza e atacaram-nos do céu, com balões carregados de explosivos que deveriam ter voado rumo à Serenissima, mas acabaram voando na direção das próprias tropas austríacas, onde explodiram. É o primeiro episódio conhecido de mortos por ?fogo (aéreo) amigo?. O governador da Líbia foi também, pessoalmente, vítima de fogo (aéreo) amigo, quando o trimotor em que viajava foi abatido por sua própria artilharia antiaérea manejada por seus próprios soldados, em Tobruk, dia 28/6/1940. Em 1941, Bruno Mussolini também foi morto, ao testar um novo avião. O avião começava a devorar os fascistas. Foi quando a nação decidiu que aviões seriam perfeitos como arma militar. Rejeitando qualquer nostalgia romântica dos dias do piloto solitário em duelos aéreos na 1ª Guerra Mundial, Balbo propôs que, nas guerras futuras, se lançassem ?centenas e centenas? de aviões nos céus. Ataques aéreos massivos seriam a maneira fascista de conduzir guerras aéreas ? mas o regime de Mussolini mostrou-se mais forte na bombástica arte da propaganda de intimidação, do que em investir recursos no que logo se viu que seria programa caríssimo. Não foram os fascistas, portanto, mas as democracias, que construíram e puseram a voar as primeiras brigadas e frotas de bombardeiros aéreos pesados. Conforme a 2ª Guerra Mundial avançava, o norte da Itália mais sofria sob pesado bombardeio aéreo dos aliados que avançavam ? contra os alemães e contra o regime Salo de Mussolini. Deixando de lado o custo humano, as perdas culturais eram terríveis. Prédios como o La Scala em Milão, ou a igreja de Bramante, que abrigava A Última Ceia de Leonardo, num refeitório miraculosamente não destruído, podiam ser reconstruídos; mas os trabalhos artísticos que havia neles, como o afresco de Mantegna da vida de São James na capela Ovetari em Pádua, estavam perdidos para sempre, destruídos por bombas aliadas. O impacto da 2ª Guerra Mundial fez com que a esquerda italiana passasse a desconfiar de qualquer envolvimento em guerras, muito mais se a guerra exigisse bombardear territórios de ex-colônias. Mas em 1999, outra vez a Itália quebrou o tabu. Liderado por ex-marxistas, o governo italiano aceitou que o território da Itália fosse usado como principal base de lançamento de ataques aéreos contra a Sérvia, em disputa pelo Kosovo, que, por curta temporada, fora parte do inglório novo Império Romano de Mussolini (1941-43). Até hoje há pescadores no Adriático que lembram o terror de ser morto por fogo da OTAN. Mas o que se vê hoje é um governo com participação de ?pós-fascistas?, que compete com pós-marxistas para explicar por que outra vez a Itália está em guerra contra a Líbia, exatamente quando acontece o centenário de uma Itália parteira da guerra aérea. Nesse mórbido aniversário, a cruzada da civilização, de então, está convertida em cruzada dos direitos humanos, hoje. A máquina de guerra dos cruzados contemporâneos talvez seja mais rápida que os bimotores de 1911, e as bombas são muito mais mortíferas, mas a unanimidade entre os políticos e a imprensa em todo o ocidente é um estranho eco da câmara de eco da propaganda inventada pelos fascistas italianos para reforçar, simultaneamente, os homens do poder político e os homens do poder da imprensa, todos a favor da guerra. O pior é não já há, sequer, um Mussolini, que fosse, nem no Parlamento, nem na imprensa, para declarar que não, não: o poder dos aviões de guerra não é força que, algum dia, tenha levado algum progresso ou alguma civilização a alguém! FONTES Há vasta bibliografia de autores italianos sobre a guerra da Líbia em 1911 e a invenção do bombardeio aéreo por italianos. Em inglês, as principais fontes são: Richard Bosworth, Italy and the Approach of the First World War (Macmillan: London, 1983) Azar Gat, A History of Military Thought from the Enlightenment to the Cold War (Oxford University Press: Oxford, 2011), Alan Kramer, Dynamic of Destruction. Culture and Mass Killing in the First World War (Oxford University Press: Oxford, 2007) Sven Lindqvist, A History of Bombing (translated by Haverty Rugg) (Granta: London, 2001) Bertrand Russell, Power (introd. Kirk Willis (Unwin, 1938, reprinted by Routledge: London, 1995) Dan Segre, Italo Balbo: A Fascist Life (University of California Press: Berkeley, 1987) David Stevenson, Armaments and the Coming of War. Europe, 1904-1914 (Oxford University Press: Oxford, 2000) John Wright, The Emergence of Libya: Historical Essays (Society for Libyan Studies: London, 2008). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110407/7c74a131/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 7 19:25:36 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 7 Apr 2011 19:25:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Amor_e_Revolu=C3=A7=C3=A3o_nesta_sexta?= =?utf-8?q?-feira=2C_=C3=A0s_22h15=2C_no_SBT_-_com_o_depoimento_do_?= =?utf-8?q?Curi=C3=B3_e_do_Jarbas_Passarinho?= Message-ID: <96FEDAC5801040CFB3B687E601010CF0@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem http://amorerevolucao.webnode.com/ (link oficial da novela Amor e Revolução.Clique para ver tudo) No quarto capítulo , no dia 8 de abril , haverá ao final o depoimento Curió e do Jarbas Passarinho Eles não gravaram para a novela, mas iremos retransmitir a reportagem feita pelo cabrini. Avisaremos sempre um dia antes, o depoente que será exibido no dia seguinte. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110407/9b748305/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30224 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110407/9b748305/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 8 19:28:02 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 8 Apr 2011 19:28:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__EDUARDO_COLLEN_LEITE_________________?= =?iso-8859-1?q?________________-CIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem EDUARDO COLLEN LEITE (1945-1970) Filiação: Maria Aparecida Leite e Alberto Collen Leite Data e local de nascimento: 28/08/1945, Campo Belo (MG) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 08/12/1970, São Sebastião (SP) Conhecido como Bacuri, Eduardo Leite tinha sido da VPR e liderou uma pequena organização clandestina de oposição armada, denominada Rede - Resistência Democrática, que se incorporou em 1970 à ALN. Foi preso no Rio de Janeiro em 21/08/1970. Seu caso foi escolhido para ser o primeiro a ser colocado em julgamento pela CEMDP, em função dos testemunhos e documentos que comprovam a premeditação de sua morte, conforme registrado no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos. Mineiro de Campo Belo, estudou em São Paulo e, muito jovem, ligou-se à Polop. Em 1967, foi incorporado ao Exército, servindo na 7ª Companhia de Guarda e, posteriormente, no Hospital do Exército, no bairro do Cambuci, em São Paulo. Técnico em telefonia, era casado com Denise Crispim, grávida quando de sua prisão. A filha, Eduarda, nasceu meses depois, na Itália, onde a mãe decidiu se refugiar. Denise era irmã de Joelson Crispim, cuja morte já foi relatada neste livro-relatório, e filha do deputado constituinte pelo Partido Comunista, em 1946, José Maria Crispim. Os agentes dos órgãos de segurança do regime militar não escondiam, a respeito de Bacuri, uma atitude de temor que se apoiava na lista de operações armadas em que tinha participado, incluindo dois seqüestros de diplomatas, o do cônsul japonês em São Paulo e do embaixador alemão no Brasil. Preso no Rio de Janeiro pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, foi levado para uma residência particular utilizada como cárcere clandestino, em São Conrado. Ali estava preso Ottoni Guimarães Fernandes Júnior, também militante da ALN, que denunciou o fato em depoimento à Auditoria Militar. Eduardo foi levado a São Paulo, voltou ao Rio de Janeiro e retornou novamente à capital paulista, onde, em outubro, foi colocado na cela 4 do compartimento conhecido como fundão do DOPS/SP, onde as celas eram totalmente isoladas. No dia 25 de outubro, a imprensa divulgou amplamente as notas oficiais anunciando a morte de Joaquim Câmara Ferreira, principal dirigente da ALN, sendo que a informação farsante mencionava que, no momento da prisão de Câmara, Eduardo Leite havia fugido. O comandante da tropa de choque do DEOPS, tenente Chiari, da PM paulista, mostrou a Eduardo, no dia 25, os jornais que noticiavam sua fuga. Cerca de 50 presos políticos que se encontravam no DOPS compreenderam que a falsa informação era a sentença de morte de Bacuri e passaram a manter vigília permanente. Para facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, o delegado Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, responsável pela carceragem do DOPS, remanejou os presos, mantendo Bacuri em uma cela longe da observação dos demais. As dobradiças e fechaduras foram lubrificadas, de forma a evitar qualquer ruído. Aos 50 minutos do dia 27 de outubro, três dias depois de sua fuga ter sido oficialmente divulgada, Eduardo foi retirado dali sob gritos de protestos dos demais presos. A partir daí, informa Elio Gaspari em A Ditadura Escancarada: "Bacuri chegou ao forte dos Andradas, no Guarujá, dentro de um saco de lona. Trancaram-no numa pequena solitária erguida na praia do Bueno e depois levaram-no para um túnel do depósito de munições, a três quilômetros de distância. Era certo que se houvesse algum seqüestro de diplomata, ele entraria na lista de presos a serem libertados. No dia 8 de dezembro, passadas menos de 24 horas do seqüestro, no Rio de Janeiro, do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, uma Veraneio estacionou na entrada do depósito. Dela saltaram um major e dois tenentes. Foram ao banheiro onde Bacuri estava trancado e disseram-lhe que iam levá-lo ao hospital militar. Um soldado ajudava-o a encostar-se na pia para lavar-se quando o major mandou que saísse: 'Escutei uma pancada. Não sei se era tiro ou o barulho de uma cabeça batendo na parede. Só sei que logo depois o corpo dele foi retirado do banheiro no mesmo saco de lona em que chegou' (narrativa do soldado Rinaldo Campos de Carvalho). A polícia paulista informou que Bacuri, localizado, 'ofereceu tenaz resistência a tiros'. Tinha 25 anos, e seu corpo foi abandonado no cemitério de Areia Branca, em Santos, com dois tiros no peito, um na têmpora e outro no olho direito". O exame necroscópico assinado pelos legistas Aloysio Fernandes e Décio Brandão Camargo confirma a versão farsante de tiroteio. O corpo foi entregue à família e continha hematomas, queimaduras e escoriações. Muitos anos mais tarde, com a abertura dos arquivos do DOPS de Pernambuco, foi possível comprovar a falsidade da suposta fuga. Foi encontrada transcrição de uma mensagem assinada pelo chefe da 2ª seção do II Exército coronel Erar de Campos Vasconcelos. Nela, o DOPS comunica a prisão de Joaquim Câmara Ferreira, informando que tinha resistido à prisão, vindo a morrer no decorrer das diligências. Continua a mensagem: "Informo ainda foi dado conhecer repórteres imprensa falada escrita seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado na área". O comunicado repete, então, na íntegra, o descrito antes sobre a prisão e morte de Câmara, sendo acrescido que "Eduardo Leite, o Bacuri, cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades, havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira, visto que se sabia que este se utilizava de tintura de cabelo e lentes de contato e outros artifícios para modificar sua aparência. Aproveitando-se daconfusão, Bacuri, implicado nos seqüestros do cônsul japonês e do embaixador alemão, logrou fugir, auxiliado por dois comparsas de Joaquim Câmara Ferreira, também conhecido pelos nomes de 'Toledo' e 'Velho', que também conseguiram evadir". O Dossiê dos Mortos e Desaparecidos afirma que, durante o período em que esteve preso, Eduardo esteve nas mãos do delegado Fleury e sua equipe, dentre os quais foram identificados os investigadores João Carlos Trali, vulgo "Trailer"; Jose Carlos Filho, vulgo "Campão"; Ademar Augusto de Oliveira, vulgo "Fininho"; Astorige Corrêa de Paula e Silva, vulgo "Correinha", além de vários outros conhecidos apenas por apelidos, todos denunciados em processos sobre o Esquadrão da Morte. ======================================================================================================================== + Informações. EDUARDO COLLEN LEITE (BACURI) Dirigente da ACÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN). Técnico em Telefonia. Filho de Alberto Collen Leite e Maria Aparecida Leite, nasceu em Campo Belo, Minas Gerais, em 28 de agosto de 1945. Morto aos 25 anos, em São Paulo. Eduardo fez seus estudos em São Paulo, para onde sua família se mudou. Muito jovem começou sua militância política, integrando-se à POLOP. Em 1967, foi incorporado ao Exérctio, servindo na 7ª Companhia de Guarda e, posteriormente, no Hospital do Exército, no bairro do Cambuci. Em 1968, vinculou-se à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), da qual se retirou para fundar a Rede Democrática (REDE), em abril de 1969. Posteriormente, Eduardo, juntamente com outros componentes dessa organização, passaram para a Ação Libertadora Nacional (ALN). O assassinato de Eduardo Leite, o "Bacuri" é um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos, deixando-o completamente mutilado. Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe, quando chegava em sua casa. Passou pelo CENIMAR/RJ e DOICODI/ RJ, onde foi visto pela ex-presa política Cecília Coimbra, já quase sem poder se locomover. Do local da prisão, Eduardo foi levado a uma residência particular onde foi torturado. Seus gritos e de seus torturadores chamaram a atenção dos vizinhos, que avisaram a polícia. Ao constatarem de que se tratava da equipe do delegado Fleury, pediram apenas para que mudassem o local das torturas. Após ser torturado na sede do CENIMAR, no Rio de Janeiro, Eduardo foi transferido para o 41° Distrito Policial, São Paulo, cujo delegado titular era o próprio Fleury. Novamente transferido para o CENIMAR/RJ, Eduardo permaneceu sendo torturado até meados de setembro, quando voltou novamente para São Paulo, sendo levado para a sede do DOI/CODI. Em outubro, foi removido para o DEOPS paulista, sendo encarcerado na cela 4 do chamado " fundão" (celas totalmente isoladas). No dia 25 de outubro, todos os jornais do país divulgaram a nota oficial do DEOPS/SP relatando a morte de Joaquim Câmara Ferreira (Comandante da ALN), ocorrida em 23 de outubro. Nesta nota, foi inserida a informação de que Eduardo Leite havia conseguido fugir, sendo ignorado seu destino. Foi encontrado nos arquivos do DOPS, a transcrição de uma mensagem recebida do DOPS/SP pela 2ª seção do IV Exército, assinada pelo coronel Erar de Campos Vasconcelos, chefe da 2ª Seção do II Exército, dizendo "que foi dado a conhecer a repórteres da imprensa falada e escrita o seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado". O tal roteiro falava da morte súbita de Câmara Ferreira após ferir a dentadas e pontapés vários investigadores. E mais adiante diz "Eduardo Leite, o 'Bacuri', cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades, havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira (..). Aproveitando-se da confusão, Bacuri, (...) logrou fugir (...)". Estava evidenciado o plano para assassinar Eduardo. O testemunho de cerca de 50 presos políticos recolhidos às celas do DEOPS paulista neste período prova que Eduardo jamais saíra de sua cela naqueles dias, a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura. Eduardo era carregado porque não tinha mais condições de manter-se em pé, muito menos de caminhar ou fugir, após 2 meses de torturas diárias. O comandante da tropa de choque do DEOPS/SP, tenente Chiari da PM paulista, mostrou a Eduardo, no dia 25, os jornais que noticiavam sua fuga. Para facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, sem que os demais prisioneiros do DEOPS percebessem, o delegado Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, responsável pela carceragem do DEOPS àquela época, exigiu o remanejamento total dos presos, e a remoção de Eduardo para a cela n° 1, que ficava defronte à carceragem e longe da observação dos demais presos. Seu nome foi retirado da relação de presos, as dobradiças e fechaduras de sua cela foram oleadas de forma a evitar ruídos que chamassem a atenção. Os prisioneiros políticos, na tentativa de salvar a vida de seu companheiro, montaram um sistema de vigília permanente. Aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970, Eduardo foi retirado de sua cela, arrastado pelos braços, pela falta total de condições de pôr-se em pé, com o corpo repleto de hematomas, cortes e queimaduras, sob os protestos desesperados de seus companheiros. Eduardo não foi mais visto. Os carcereiros do DEOPS, freqüentemente questionados sobre o destino de Bacuri, só respondiam que ele havia sido levado para interrogatórios em um andar superior. Os policiais da equipe do delegado Fleury respondiam apenas que não sabiam; apenas o policial conhecido pelo nome de Carlinhos Metralha é que afirmou que Eduardo estava no sítio particular do delegado Fleury. Tal sítio era usado pelo delegado e sua equipe para torturar os presos considerados especiais ou os que seriam certamente assassinados e, por isso, deveriam permanecer escondidos. No dia 8 de dezembro, 109 dias após sua prisão, e 42 dias após seu seqüestro do DEOPS, os jornais do país publicavam nota oficial informando a morte de Eduardo em um tiroteio nas imediações da cidade de São Sebastião, no litoral paulista. A noticia oficial da morte de Eduardo teve um objetivo claro: tirar as condições da inclusão de seu nome na lista das pessoas a serem trocadas pela vida do Embaixador da Suíça no Brasil, que havia sido seqüestrado no dia 7 de dezembro. Seu nome seria incluído nessa lista e seria impossível soltar o preso Eduardo que, oficialmente estava foragido e, além do mais, completamente desfigurado e mutilado pela tortura. A única alternativa para o delegado Fleury foi criar mais uma morte em tiroteio. O corpo de Eduardo foi entregue à família, que constatou o nível animalesco a que chegaram as torturas a ele infligidas. Seu corpo, além de hematomas, escoriações, cortes profundos e queimaduras por toda a parte, apresentava dentes arrancados, orelhas decepadas, e os olhos vazados, segundo o testemunho de Denise Crispim, esposa de Eduardo, desmascarando por completo a farsa montada pelo delegado Fleury e sua equipe. O exame necroscópico solicitado pelo delegado José Arary Dias de Melo, de Santos, é assinado pelos médicos legistas Aloysio Fernandes e Décio Brandão Camargo, que responde não à pergunta se houve tortura, e confirma a falsa versão oficial de que Eduardo morreu em tiroteio, às 22:00 horas do dia 08/12/70, em Boracéia, estrada que liga o Distrito de Bertioga com o de São Sebastião (SP). Os Relatórios do Ministério da Aeronáutica e Marinha confirmam a versão policial. Durante o período em que foi torturado, Eduardo esteve nas mãos do delegado Fleury e sua equipe, composta por membros do famigerado Esquadrão da Morte. Entre eles podem ser identificados os investigadores João Carlos Trali, vulgo Trailer, José Carlos Campos Filho, vulgo Campão, Ademar Augusto de Oliveira, vulgo Fininho, Astorige Corrêa de Paula e Silva, vulgo Correinha e vários outros conhecidos apenas por apelidos. O assassinato de Eduardo foi denunciado por diversas vezes na 2ª Auditoria da Justiça Militar de São Paulo por seus companheiros de prisão, mas o juiz Nelson Guimarães Machado da Silva negou-se sempre a registrar a denúncia nos autos dos processos. Denise Peres Crispim, sua esposa, estava grávida quando foi presa. Saiu do país, logo após ser libertada, vindo a nascer, no exterior, a filha Eduarda, que ele não chegou a conhecer. ================================================================================= + detalhes. Crônica de uma morte anunciada: o assassinato de Bacuri "Prepare o seu coração pras as coisas que eu vou contar..." (Disparada - Geraldo Vandré e Théo de Barros) Todos os militantes de esquerda que tiveram a morte como desfecho de sua luta contra a ditadura militar têm histórias tristes e trágicas, mas a de Eduardo Collen Leite - Bacuri - talvez seja a mais violenta de todas. Bacuri nasceu em Campo Belo, Minas Gerais, no dia 28 de agosto de 1945. Ainda criança mudou-se para São Paulo onde iniciou os estudos. Ingressou na militância política integrando-se à Polop (Política Operária) e, em 1967, incorporou-se ao Exército servindo na 7ª Companhia de guarda e, posteriormente, no Hospital do Exército. Em 1968 transferiu-se para a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), porém, em abril de 1969, retirou-se para fundar a Rede Democrática (REDE). Em seguida, mudou-se para a ALN (Ação Libertadora Nacional). Como todo militante de organizações clandestinas, recebeu um codinome pelo qual seria reconhecido pelos companheiros para que, dessa forma, ninguém conhecesse sua verdadeira identidade, criando, assim, um dispositivo de segurança. Entretanto, com Eduardo, o apelido pegou e apagou todos seus nomes de guerra. Até sua morte seria conhecido apenas como Bacuri. Todos os que conheceram Bacuri têm a mesma opinião sobre ele: "era um tipo simples, afável e bem-humorado". Bacuri era um militante total, como quase todos os integrantes dos grupos armados, para os quais estava descartada definitivamente qualquer outra opção de vida, mas, nele, havia uma coragem a toda prova, pois excluía hesitações. A ousadia que se transformou em ódio Bacuri era um militante determinado e corajoso. E foi personagem de uma série de episódios que o transformaram num dos homens mais odiados e perseguidos pela ditadura. Ao lado de Denise Crispim (sua esposa) e Devanir José de Carvalho foi capaz de furar uma barreira policial quando voltavam de um treinamento com o carro repleto de armas. Após uma perseguição cinematográfica, conseguiram escapar da polícia e, assim, salvar os armamentos da organização. Para salvar a vida de Chizuo Osava (Mário Japa - preso após um acidente automobilístico), a VPR e o campo de treinamento no Vale do Ribeira que tinha nada menos que o capitão Carlos Lamarca no comando, ajudou Ladislau Dowbor, Devanir José de Carvalho, Listz Vieira e Osvaldo Soares a seqüestrarem o cônsul japonês. Em troca do diplomata conseguiram a liberdade de Mário Japa, Damáris Lucena e seus três filhos, Madre Maurina Borges, Diógenes José de Carvalho de Oliveira e Otávio Ângelo - todos banidos para o México, salvando, assim, muitas vidas por algum tempo. Entretanto, nenhum ato cometido por Bacuri poderia ter despertado tanto ódio entre os militares quanto a história que vem a seguir: no aparelho em que moravam Bacuri e Denise ficou hospedada por um tempo a militante Ana Bursztyn. Ana, ao cobrir um ponto acabou presa e, no 8º dia após torturas incessantes, abriu o endereço do aparelho. O resultado disso foi a prisão de Denise, grávida de pouco tempo. À distância, Bacuri, Carlos Eugênio Paz e Ana Maria Nacinovic assistiram impunes à prisão da companheira. Temeroso pela vida da mulher e do filho, Bacuri telefonou para o comandante do II Exército deixando o seguinte recado: "Aqui é o Bacuri, guerrilheiro da ALN. O DOI-CODI acabou de prender minha mulher e vão torturá-la para me entregar. Não há necessidade disso, assistimos a sua prisão, não tem mais informações a dar. Seu comandante responde pela vida dela e do bebê e, se algo acontecer, não descansaremos enquanto não matá-lo". De início ninguém levou a ameaça a sério, até que Carlos Eugênio telefonou novamente e propôs a troca da vida de Denise e seu bebê pela do general-comandante do II Exército, pois deixou claro que conhecia a rotina do general e não pouparia a vida do mesmo. Contrariados, os militares aceitaram o acordo, mas também juraram acabar com a vida de Bacuri. O calvário de Bacuri Bacuri caiu nas mãos dos militares no dia 21 de agosto de 1970, preso quando chegava em sua casa, no Rio de Janeiro, pelo temido delegado Sérgio Paranhos Fleury. Foi torturado durante 109 dias em diversos centros de tortura. O sofrimento de Bacuri foi resultado da sanha dos torturadores diante das ameaças feitas quando da prisão de Denise. Bacuri foi submetido a um intenso processo de trucidamento na tortura. Uma das testemunhas disso foi Ana Bursztyn que relatou: "Bacuri era levado e retirado. Ficava sempre sozinho numa cela ao fundo (...). [Os presos] faziam sempre protestos desesperados cada vez que ele saía, arrastando-se". No dia 24 de outubro de 1970, o tenente da PM Chiari informa a Bacuri, recolhido na solitária do fundão do DOPS/SP, que o jornal daquele dia noticiava sua fuga ocorrida no dia anterior. Cerca de 50 presos políticos testemunharam que Bacuri jamais saíra de sua cela a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura, pois já não tinha mais condições de se locomover sozinho. No dia 27 de outubro Bacuri foi retirado de sua cela e nunca mais foi visto com vida. Posteriormente, soube-se que foi levado para o sítio particular do delegado Fleury, um temido centro clandestino de torturas. No dia 8 de dezembro, 42 dias após seu seqüestro e 109 de sua prisão, os jornais publicaram uma nota oficial divulgando a morte de Bacuri após tiroteio nas imediações de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Na verdade, Bacuri foi prontamente assassinado após a divulgação do seqüestro do embaixador suíço, ocorrido no dia 07 de dezembro, pois, certamente, seu nome estaria na lista de presos políticos trocados pelo diplomata e seria impossível soltá-lo por duas razões: encontrava-se oficialmente foragido e estava completamente desfigurado e mutilado pela tortura. A solução era acabar definitivamente com sua vida. O corpo de Bacuri foi entregue à família que pôde constatar o que o ódio é capaz de fazer: seu corpo tinha hematomas, escoriações, cortes profundos e queimaduras por toda parte. Além disso, tinha dentes arrancados, as orelhas decepadas e os olhos vazados. A farsa sobre o assassinato de Bacuri incluía um laudo de exame necroscópico que afirmava que não houve tortura e ainda confirmava a versão oficial de morte em tiroteio. O horror da visão de um corpo mutilado pelo ódio calou Denise para sempre e a levou a sair do país com a filha Eduarda, fruto de seu amor por Bacuri. Embora não tenha conhecido a filha, Bacuri a amava imensamente. O último resquício de amor que pôde guardar nos 109 dias de seu calvário foi um sapatinho de lã da filha, encontrado no bolso de sua calça; prova de que o amor supera o ódio, mesmo em circunstâncias de dor e sofrimento. A morte de Bacuri, de forma tão macabra, é apenas o reflexo do que a tortura fez ao Brasil. Mutilou uma nação e manchou para sempre as páginas da nossa história. Vanessa Gonçalves da Silva é jornalista formada na Universidade Estadual de São Paulo "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) e mestranda em História Social na Universidade de São Paulo (USP) onde realiza uma dissertação sobre o papel e a importância das mulheres na luta armada no Brasil (1964-1985). Contato: vangoncalves at gmail.com ============================================================================= + detalhes. 109 Dias no Inferno " nenhum tormento conseguiu arrancar qualquer informação do BACURI " Jacob Gorender É difícil para mim falar de Eduardo Collen Leite. Devido a vários fatores, mesmo sendo muito difícil, é extremamente necessário falar desse homem. Eduardo nasceu em Minas Gerais no ano de 1945, era técnico em telefonia, começou a militar muito cedo no POLOP ( Política Operária ) e no ano de 1967 serviu as forças armadas na 7ª Companhia de Guarda e depois no Hospital do Exército no bairro do Cambuci. Em 1968 Eduardo entra para a VPR ( Vanguarda Popular Revolucionária ), onde milita até o ano de 1969 e no mês de abril desse ano se desliga da VPR para fundar a REDE ( Resistência Democrática ) e posteriormente ele e alguns militantes da REDE vão para a ALN (Ação Libertadora Nacional ). A vida de Eduardo é marcada pelas ações armadas que ele participa. A sua coragem, inteligência e disciplina são características na vida desse guerrilheiro, que os companheiros dele fizeram questão de frisar. Para o ex-guerrilheiro Carlos Eugenio Paz, Eduardo era um homem de uma inteligência acima da média. Já a ex-guerrilheira Rosa Paz afirma que Eduardo passava muita segurança e confiança aos seus parceiros. O também ex-guerrilheiro Alfredo Sirkis o chama de "herói" no livro de sua autoria livro chamado Os Carbonários. Por mais elogios que possam ser feitos a Eduardo é fácil falar de suas ações na luta contra a ditadura. Podemos começar falando de dezenas de expropriações a bancos e carros fortes na cidade de São Paulo, juntamente com Devanir José de Carvalho e o MRT ( Movimento Revolucionário Tiradentes ) Eduardo e seus companheiros faziam várias dessas expropriações a fim de levantar dinheiro para as organizações estarem lutando contra a ditadura. Porém as ações que mais "pesaram" em seu vasto repertório foram o seqüestro do cônsul do Japão em março de 1970 e o seqüestro do embaixador Alemão em julho do mesmo ano. O seqüestro do cônsul foi comandado por Ladislas Dowbor, e juntaram-se a ele vários guerrilheiros dentre os quais Eduardo, que participou ativamente deste seqüestro que resultou na libertação de 5 presos políticos. Já no seqüestro do embaixador Alemão a coisa foi diferente, porque esse seqüestro foi comandado pelo próprio Eduardo, que numa ação incrível conseguiu realizar o seqüestro com a ajuda de outros valentes revolucionários. E o resultado dessa ação não foi diferente. Em uma ação quase perfeita a VPR e a ALN libertam de uma só vez 40 presos políticos que sofriam barbaridades nos porões da ditadura. Dentre esses 40 presos que foram libertados estão hoje o deputado federal Fernando Gabeira, o jornalista Cid Benjamin e o ex-deputado estadual do PT do Rio de Janeiro Liszt Benjamin. A vida de Eduardo era como a de qualquer outro guerrilheiro urbano brasileiro daquela época, eles viviam sobre uma pressão enorme, podendo ser capturado a qualquer momento e a captura significava uma execução sumária ou a tortura. E devido as prisões estarem lotadas de militantes uma frente formada pela VRP, ALN, Mr8 ( Movimento Revolucionário 8 de Outubro ) e PCBR ( Partido Comunista Brasileiro Revolucionário ) estavam armando um triplo seqüestro que teria grande repercussão e soltaria de uma só vez 200 militantes das prisões e dos porões da ditadura. Eduardo foi ao Rio de Janeiro fazer o levantamento da vida do embaixador inglês ( que seria um dos seqüestrados ), e lá ele foi preso pela equipe do delegado Fleury. Eduardo era um homem esperto e inteligente, só poderia ter sido capturado mesmo pela traição, e foi o que realmente aconteceu. Eduardo Collen Leite, codinome BACURI, temido por muitos militares e admirado por seus companheiros foi capturado porque o seu parceiro o "aconselhou" a fazer o levantamento da vida do embaixador desarmado, pois poderia "chamar a atenção", e assim ele foi capturado por Sérgio Paranhos Fleury e sua equipe. Começa ai meus amigos, os 109 dias infernais vividos por Eduardo Collen Leite. A sua prisão se deu no dia 21 de agosto de 1970 no Rio de Janeiro. Depois de dominado por Fleury e seus homens ele foi levado para o CENIMAR/RJ, após ser torturado no CENIMAR/RJ, Eduardo é levado para o 41º Distrito policial em São Paulo, onde o delegado titular é o próprio Fleury. Passados alguns dias Eduardo volta para o CENIMAR/RJ, onde é torturado até meados de setembro. Depois ele volta novamente para São Paulo, agora indo para a sede do DOI-CODI, depois ele foi transferido para o DEOPS paulista, onde foi encarcerado na cela 4 chamada de fundão ( celas totalmente isoladas ). No dia 20 de outubro Joaquim Câmara Ferreira é preso, e no dia 23 ele é morto, pois já de idade avançada sobrevive apenas há 3 dias com as torturas que lhe são impostas. No dia 25 de outubro a imprensa divulga a nota oficial do DEOPS/SP divulgando a morte de Joaquim e dizendo que Eduardo estava preso e que a policia manteve a sua prisão em segredo. Eles disseram que Eduardo foi junto na diligencia para prender Joaquim Câmara Ferreira mais acabou fugindo. Como o que o publicaram era a mais deslavada mentira, estava praticamente assinada a sentença de morte de Eduardo, que se encontrava ainda nas mãos da repressão. O comandante do DEOPS/SP onde Eduardo se encontrava nessa data, mostra pra ele os jornais divulgando a sua fuga. Mais de 50 presos testemunharam que Eduardo jamais saiu de sua cela enquanto esteve no DEOPS/SP, há não ser quando era carregado para as seções diárias de tortura, que eram feitas pelos militares ( aqueles mesmo que juraram proteger e servir). Os presos que se encontravam no DEOPS/SP aquela época tentaram salvar a vida de Eduardo, montando um sistema de vigilância 24 horas. Não deu certo. A presa política Cecília Coimbra viu Eduardo que não podia nem andar, mais ela afirma que ele estava com plena consciência do que fazia e falava. E aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970 Eduardo é levado pelos torturadores e nunca mais volta para o DEOPS/SP, na verdade ele nunca mais foi visto por ninguém, exceto pelos seus torturadores. O policial de codinome Carlinhos Metralha afirma que Eduardo ficou no sitio particular de Fleury, onde ficou vivo até o dia 07 de dezembro de 1970. Mesmo dia em que Carlos Lamarca e a VPR seqüestraram o embaixador suíço. A VPR sabendo que Eduardo estava preso, colocou seu nome em primeiro lugar na lista de militantes a serem libertados em troca do embaixador. O seqüestro foi o motivo maior para ser consumada a morte de Eduardo, que acreditem vocês ou não queridos leitores, ficou 109 dias num inferno, sendo levado de lá para cá, sem ver seus entes queridos e sendo torturado todo santo dia. E saibam vocês que Eduardo não delatou ninguém, não falou nada sobre os esquemas que sabia e nenhuma queda ocorreu pela boca de Eduardo. A sua morte foi sem sombra de duvidas uma das mais cruéis já registradas nos anais da história. O corpo de Eduardo foi entregue para sua família num caixão lacrado. A família ao abrir o caixão comprovou na hora a crueldade que fizeram com Eduardo, pois ele estava com dezenas de queimaduras pelo corpo, orelhas decepadas, dentes arrancados, escoriações, hematomas e cortes por todo o corpo. Assim termina a história, meus caros leitores, desse jovem mineiro de 25 anos. Eu gostaria muito de estar escrevendo outra coisa agora, eu gostaria de estar lhes dizendo que Eduardo lutou o bom combate, que venceu seus inimigos, ou que os mesmos tiveram misericórdia dele. Mais infelizmente não estamos aqui falando de um filme ou uma novela, nós estamos falando de ditadura militar, um sistema político em que pessoas e famílias foram destroçadas aqui em nosso país. Pensem bem meus amigos o sofrimento enfrentado por esse rapaz. A angustia, a dor, a humilhação que ele sofreu. Agora eu deixo aqui uma pergunta: Alguém estudou sobre Eduardo Collen Leite na 5ª ou na 6ª série? Aposto que não, pois eles preferem falar de Duque de Caxias. Fica aqui meus amigos esse texto para nossa reflexão dos que o conhecem e o admiram e para o conhecimento daqueles que ainda não ouviram falar de Eduardo Collen Leite, ou simplesmente BACURI. Ciro Campelo Oliveira - 24 anos Contato: ciro_campelo at hotmail.com Vitória - ES ============================================================================================================ + detalhes quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 Câmara de São Paulo homenageia Eduardo Collen Leite, o "Bacuri" ENTREGA POS-MORTEM DA MEDALHA ANCHIETA COM GRATIDÃO DA POPULAÇÃO DE SÃO PAULO AO "BACURI". "Nosso comandante, mártir e herói chamava-se Eduardo Collen Leite e passou por um tormento de 106 dias seguidos de torturas atrozes nas mãos do Esquadrão da Morte e do DOI-CODI/São Paulo até ser assassinado em 7 de dezembro de 1970. Durante esse período não forneceu aos inimigos sequer seu nome ou seu endereço. Tentamos por todos os meios resgatá-lo das mãos dos criminosos, mas não conseguimos.Tentamos capturar o comandante do II Exército para trocar um por um, mas também não conseguimos. Nossas tentativas fracassaram por vários motivos, inclusive pela ação de infiltrados que nos sabotaram. Foi anunciada sua fuga quando da morte do comandante Toledo. Ele foi escondido num quartel no Guarujá. Ficou como refém do inimigo. Quando houve a captura do embaixador suiço, o tiraram do quartel de madrugada e o mataram covardemente". Vamos homenagear esse grande brasileiro, que morreu jovem e serviu de exemplo para todos nós que lutamos contra a ditadura. Local: Câmara dos vereadores de São Paulo Data: 07 de dezembro Horário: 19h (Ivan Seixas - Fórum dos ex-presos políticos) ============================================================================================= + detalhes. BACURI - UM GUERRILHEIRO BRASILEIRO Quatro décadas se passaram da deflagração das guerrilhas urbanas, mas muitas sombras ainda pairam sobre aquele momento de turbulência da história do Brasil. A figura do guerrilheiro, transformada em terrorista pela propaganda do regime militar, ainda é um ponto nevrálgico e um caminho estreito para que se possa percorrer e identificá-lo. Heróis para uns, terroristas para outros, o guerrilheiro passou para a história como um enigma da violência ideológica, um instigante proclamador de uma revolução que nunca chegou, de uma ideologia que se esvaiu da atualidade do mundo. No contesto da luta armada no Brasil, nomes controversos emergiram numa história nem sempre contada com imparcialidade, quer pela direita, quer pela esquerda. Nomes ecoaram pelo país, guerrilheiros para os companheiros, terroristas para o regime militar. Com o fim da ditadura militar, a imagem do guerrilheiro foi dividida nos "redimidos" pela história, tendo muitos deles chegado ao poder; nos esquecidos, desaparecidos nas valas dos desconhecidos ou no ostracismo que o tempo lhes designou; e, nos eternamente malditos. Eduardo Collen Leite, o Bacuri, faz parte dos que ainda hoje são tidos como malditos. Sua morte, efetuada sob torturas, é considerada a mais cruel e violenta de todas as vítimas do regime militar. Eduardo Leite era conhecido pelo vigor da sua militância nas organizações de esquerda que resistiram ao governo militar. Enérgico, violento e objetivo, era o companheiro certo para a concretização dos planos logísticos de sobrevivência da esquerda, que incluíram assaltos a bancos, a quartéis e seqüestros de embaixadores. Bacuri, como era chamado pelos companheiros, foi o militante perfeito para a execução da parte sórdida da guerrilha. Destemido, enfrentou armas e fuzis, matou quando determinada operação o exigiu, tornou-se ao lado de Carlos Marighella e Carlos Lamarca, o mais temido e odiado dos guerrilheiros. Eduardo Leite, o homem, revelou-se para os poucos que com ele conviveram, passou despercebido pela sua época. Bacuri, o guerrilheiro, ainda é uma incógnita. Temido, odiado, exaltado. É daquelas personagens controversas que ainda não foram revisadas pela história. Sobre ele paira o estigma da violência dos seus atos, da complexidade que é uma ideologia morta e o seu significado naquela época. Bacuri faz parte de um momento da história, seu suplício não o faz mártir, mas sim vítima do seu tempo, do sistema da guerra fria. Atirou-se de cabeça em um caminho que não tinha volta. Pegou em armas, assaltou bancos, matou, seqüestrou; garantindo assim, a sobrevivência das células dos aparelhos e, a de muitos companheiros. Herói ou terrorista, só o tempo poderá decifrar Bacuri, um homem que se tornou guerrilheiro, e em nome da militância, viveu e morreu de forma violenta. Eduardo Leite e a Sua Época Eduardo Collen Leite, nasceu em 28 de agosto de 1945, em Campo Belo, Minas Gerais. Nascera no ano em que as nações encerraram a Segunda Guerra Mundial, e que uma paz aparente pairava sobre o planeta. No Brasil, a ditadura do Estado Novo chegava ao fim. Por um curto espaço de tempo, o país viveria uma democracia a engatinhar. Com a promulgação da Constituinte de 1946, couberam na nova história da nação até os que eram considerados velhos inimigos da elite, os comunistas, que obtiveram a legalização do PCB. Eduardo Leite cresceria nesse prelúdio democrático, que aos poucos foi minguando, ameaçado por golpes sucessivos. Se a tragédia da grande guerra passara, as nações desenhavam uma outra, a Guerra Fria, que dividiu o mundo entre duas ideologias: a capitalista, liderada pelos Estados Unidos e pela Europa Ocidental, e a socialista, liderada pela extinta União Soviética e a Europa do leste. As novas tendências no quadro político mundial obrigaram que as nações escolhessem o lado que iriam ficar. O Brasil ficou do lado dos norte-americanos, e em 1947, o PCB teve a legenda cassada, passando a vigorar na clandestinidade. Era o primeiro golpe à democracia instituída em 1946. Eduardo Leite mudou com a família para São Paulo ainda criança. Viveu na adolescência o efervescer das ideologias. Nunca no Brasil a mobilização política voltou a ser tão organizada, como naquele período que antecedeu ao golpe de 1964. As ligas camponesas, os sindicatos, as entidades estudantis, todos, sob a benção das ideologias de esquerda, ocupavam espaço na política do país, incomodando e assustando as elites do poder. No cenário internacional, a Revolução Cubana de 1959 dava um basta às oligarquias corruptas do seu país, acenando para o resto da América Latina, inspirando aos que sonhavam com a revolução proletária. O medo de que o Brasil viesse a ser uma nova Cuba, deixou a elite direitista em alerta. As reformas agrárias e sociais propostas pelo governo João Goulart foram determinantes para que a direita temesse a implantação de um governo sindicalista e de esquerda. O velho fantasma do comunismo foi usado como propaganda contra a esquerda, e serviu para aliciar o apoio da classe média e setores da população ao golpe militar. A década de 1960 foi a década da quebra dos tabus, das revoluções sociais a explodirem pelo mundo. Das ideologias de esquerda a se fragmentarem em várias linhas intelectuais e dogmáticas. O maoísmo chinês; o castrismo; a visão romântica da revolução de Che Guevara, de fazer da América Latina uma só voz socialista; os trotskistas; os stalinistas; os reformistas liderados pelos soviéticos. Um cenário em princípio caótico para a atualidade contemporânea, mas que influenciaria uma geração pensante e preste a quebrar todos os tabus moralistas até então impostos à cultura ocidental A juventude à qual Eduardo Leite pertenceu, assistiu a todas as tendências citadas. Vivera uma ínfima democracia, única até então na história da República, a ser encerrada pelos tanques e fuzis militares, naquele negro 1 de abril de 1964. Era tarde demais para aqueles jovens, acostumados ao debate político, à liberdade que em quinze anos marcara, ainda que de forma imperceptível, uma concepção diferente do Brasil e do mundo. Muito cedo, Eduardo Leite ingressou na militância política. Tinha dezoito anos quando o golpe militar foi instaurado. Como a maior parte da juventude do seu tempo, acreditava que a esquerda traria a solução para os problemas do mundo, e que o mundo velho e de velhos, teria que ruir em nome de uma revolução socialista. Repudiava a ditadura das elites, economicamente voltada para poucos, acreditava na ditadura do proletariado, extensiva para todos. Assim, integrou-se à Polop (Política Operária), entidade de esquerda. Codinome Bacuri Como bom cidadão do regime militar, em 1967 foi incorporado ao exército, servindo na 7ª Companhia de Guarda, e, no Hospital do Exército, no bairro do Cambuci, região central de São Paulo. Na época em que freqüentou o exército, a grande ala da esquerda dos oficiais de menores patentes, tradicionalmente históricas no Brasil, tinha sido completamente expurgada. O erro de avaliação do Partido Comunista Brasileiro quanto ao perigo de um golpe militar e, a falta de mobilização quando da sua concretização; a posição reformista e conciliatória com a burguesia; a luta pelo poder interno do comitê central, tudo contribuiu para que se fragmentasse em várias organizações. Em 1968, Eduardo Leite passou a integrar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma organização política armada de extrema esquerda. Mostrou-se um militante arrojado e destemido, que se iria notabilizar pela eficiência em executar as mais difíceis tarefas das guerrilhas urbanas. Para não ser identificado pelos serviços repressivos do regime, Eduardo Leite passou a usar o codinome de Bacuri, apagando de vez o antigo técnico de telefonia, tornando-se um ávido militante da esquerda opositora à ditadura. O codinome virou alcunha, grudou-se de forma indelével à pele e à alma de Eduardo Leite, que se despiu totalmente do pacato cidadão para dar passagem ao vigoroso guerrilheiro. Bacuri, descrito pelos companheiros de luta como simples, afável e bem-humorado, tornar-se-ia para o regime militar um terrorista sanguinolento e temível. Bacuri passou a ser uma lenda na história das guerrilhas da esquerda. A alcunha se lhe perseguiria até a sua morte. Assaltos e Mortes 1968 foi o ano das grandes manifestações estudantis francesas e européias, da Primavera de Praga, das grandes passeatas pelo Brasil. Desde 1964, que não se ousara tanto a enfrentar a ditadura militar. A resposta do regime não tardou, veio com o Ato Institucional número 5 (AI-5), que aboliu o hábeas corpus, permitindo que o governo dissolvesse partidos e cassasse parlamentares, prendesse supostos inimigos à segurança nacional, sem que lhe fossem dados os direitos legais. O regime recrudescera, fechando-se por completo a qualquer esperança de democracia e de liberdade civil. Sem as esperanças que haviam florescido em 1968 e encerradas com o AI-5, a esquerda decidira que a única solução era a luta armada, só ela atrairia as grandes massas, derrubaria a ditadura e consolidaria a revolução proletária. As diferenças de opinião quanto à estratégia da guerrilha; a dificuldade de reunir os militantes em grandes aparelhos, devido à vigilância intensa dos órgãos repressores; a carência de verba para manter os companheiros; fez com que surgissem várias organizações da extrema esquerda. O ano de 1969 despontou como uma ressaca do AI-5. Seria um dos anos mais violentos tanto para a ditadura, quanto para as organizações de esquerda. Em abril, Bacuri deixou a VPR para fundar a Resistência Democrática (REDE). Destacou-se rapidamente nas empreitadas da guerrilha urbana. Praticou dezenas de assaltos a bancos, supermercados e carros fortes, sem nunca se deixar apanhar. Sua reputação de perigoso subversivo logo se espalhou. Ainda naquele fatídico 1969, seu rosto aparecia estampado, ao lado de Carlos Marighella, nos cartazes de "Procurados" espalhados pelo país. Bacuri tornara-se uma lenda, um nome que incomodava os agentes da repressão. As operações de assaltos a bancos e supermercados envolviam grandes riscos, podendo vitimar tanto os assaltados quanto os assaltantes. Não era objetivo dos guerrilheiros matar inocentes, mas a pressão, a violência do ato, jamais poderia garantir quaisquer seguranças. Os assaltos tinham como finalidade levantar dinheiro para as operações de luta armada, além de poder manter a sobrevivência dos que viviam na clandestinidade, impedidos de trabalhar e ter o seu próprio sustento. Muitas vezes, dentro dos aparelhos, a fome falou mais alto do que a ideologia. Bacuri tornou-se o militante mais eficiente para executar essas operações, o que lhe acarretou uma vida de extrema violência e de mortes nas costas, aumentando-lhe a fama de "terrorista" perigoso. Entre os mortos nas operações de assalto, foram imputados direta ou indiretamente a Bacuri, as mortes de: Abelardo Rosa Lima, soldado da policia militar de São Paulo, metralhado numa tentativa de assalto ao Mercado Peg-Pag, em 6 de outubro de 1969. Além de Bacuri, participaram do assalto Walter Olivieri, Devanir José de Carvalho, Ismael Andrade dos Santos e Mocide Bucherone. A operação foi realizada em conjunto, pela REDE e pelo Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Orlando Girolo, bancário de uma agência do Bradesco em São Paulo, morto numa operação executada por Bacuri e Devanir José de Carvalho, representando a REDE e o MRT, respectivamente. João Batista de Souza, guarda de segurança da Companhia de Cigarros Souza Cruz, no Cambuci, em São Paulo. Bacuri foi identificado como o autor do assassínio, aumentando-lhe substancialmente a fama de guerrilheiro. A operação foi novamente executada pela REDE e pelo MRT, reunindo outros militantes das duas organizações. Participação em Dois Seqüestros O seqüestro do embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, realizado pela Aliança Libertadora Nacional (ALN) e pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), resultou na libertação de vários presos políticos, servindo de inspiração para novos seqüestros. Além dos assaltos a bancos, os seqüestros passaram a ser engendrados como meio de libertar a grande militância que se encontrava nos calabouços, sendo torturada e pondo em risco à segurança dos companheiros, caso não resistissem ao suplício e entregasse os nomes, além de chamar a atenção internacional para as atrocidades do regime. A competência de Bacuri nas operações de guerrilha, fez dele o militante ideal para novos seqüestros. Ao lado da mulher Denise Crispim, participou ativamente no seqüestro do cônsul do Japão em São Paulo, Nobuo Okushi. VPR, REDE e MRT, realizaram a operação, em 11 de março de 1970. As negociações com o governo resultaram na libertação de cinco prisioneiros políticos. No dia 11 de junho de 1970, em plena Copa Mundial de Futebol, realizada no México, mais uma vez Bacuri fazia parte de outro seqüestro, o do embaixador alemão Ehrenfried Von Holleben. Durante a operação de seqüestro, Bacuri disparou três tiros contra o agente da polícia federal Irlando de Souza Régis, matando-o com um tiro na cabeça. A morte do agente, que fazia a segurança do embaixador, gerou um recrudescimento dos órgãos de repressão do governo, que se lançaram implacáveis na perseguição aos guerrilheiros, em especial, na captura de Bacuri. Alfredo Sirkis, um dos seqüestradores, relataria mais tarde, que Bacuri aparecera sem capuz diante do embaixador, o que lhe causou constrangimento e irritação, pedindo que ninguém se apresentasse a ele com o rosto descoberto. A operação rendeu a libertação de quarenta presos, entre eles Fernando Gabeira e Vera Sílvia Magalhães, envolvidos no seqüestro de Charles Elbrick. Bacuri Negocia a Libertação da Mulher Grávida O caminho da guerrilha era sem volta. Ao ingressar nas organizações de luta armada, o guerrilheiro era tido como terrorista. Sob as garras do AI-5, não tinha direito a hábeas corpus, julgamento por júri popular, além de estar sujeito à pena de morte, prevista para os que praticavam atos que pusessem em perigo a segurança nacional, ou seja, que ameaçassem o regime ilegítimo dos militares. Com o desmembramento da REDE, Bacuri e a mulher, Denise Crispim, passaram a militar na ALN. Ele já tinha realizado operações sob o comando de Carlos Marighella, assassinado pelos militares em novembro de 1969. No dia 15 de julho de 1970, a militante Ana Bursztyn aguardava a hora para dirigir-se ao ponto combinado com os companheiros. Como estava adiantada, passou pela loja de departamentos do Mappin, pegando alguns cosméticos. Seu nervosismo atraiu as desconfianças de um fiscal; quando se dirigia ao caixa para pagar, o fiscal pediu para que abrisse a bolsa. Levada à sala do chefe de segurança, Ana Bursztyn apavorou-se quando pediram para revistá-la, sabia que na bolsa estava uma arma, o suficiente para incriminá-la. Ao ser descoberta, tentou fugir, puxou da arma, uma taurus 32, atingindo o chefe de segurança na perna. Ferimento suficiente para causar uma hemorragia e matá-lo. Ana Bursztyn foi presa, no dia seguinte os jornais anunciavam que se havia prendido a guerrilheira ladra. Submetida a intensas e ininterruptas torturas durante oito dias, Ana Bursztyn deixou escapar o endereço do aparelho de Bacuri. Como conseqüência, Denise, grávida de poucos meses, foi presa. Silenciosamente, à distância, Bacuri, ao lado dos companheiros Carlos Eugênio Paz e Ana Maria Nacinovic, assistiu à prisão da mulher. Mais tarde, tentando evitar que Denise fosse torturada, telefonou para o comandante do II Exército, identificando-se como Bacuri, guerrilheiro da ALN. Avisou ao militar que Denise tinha sido presa pelo DOI-CODI, e que se alguma coisa acontecesse a ela e à criança, iria matar o general-comandante do II Exército. Os militares só deram importância à ameaça, quando Carlos Eugênio voltou a telefonar, dando detalhes da rotina do general, ameaçando ceifar-lhe a vida. Acossados, os militares negociaram com Bacuri a libertação da mulher e do filho. Denise Crispim foi libertada mediante acordo para que se preservasse a vida do general. Foi a última vitória do guerrilheiro Bacuri sobre a ditadura. A partir de então, seria procurado e, se apanhado, sua vida não teria mais valor. Uma Morte Anunciada Quando a esquerda engendrava um triplo seqüestro de diplomatas, que tinha como objetivo libertar duzentos prisioneiros de uma só vez, Bacuri caiu nas mãos da repressão durante os levantamentos preliminares. Foi preso no Rio de Janeiro, em 21 de agosto de 1970, pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, tido como o carniceiro dos calabouços da ditadura. Durante 109 dias, consecutivamente, Bacuri foi brutalmente torturado, recebendo sobre o corpo, toda a ira que se projetara sobre ele. A tortura a que foi submetido talvez tenha sido a mais cruel de todos os supliciados pelo regime militar. Bacuri resistiu bravamente ao seu calvário, sem nunca entregar qualquer companheiro. Inicialmente, passou pelo Cenimar e pelo DOI-CODI do Rio de Janeiro, onde foi visto pela então presa política, Cecília Coimbra. Estava completamente mutilado e, já quase a não poder se locomover. Mais tarde, foi removido da prisão para uma casa particular. Os gritos que emitia durante as ininterruptas sessões de tortura chamaram a atenção da vizinhança, que assustada, chegou a chamar a polícia. Ao chegar à residência, os policiais depararam-se com a equipe do delegado Fleury, calmamente, pediram para que mudassem o local de torturas. O guerrilheiro foi levado de volta para o Cenimar. Algum tempo depois, foi transferido para o 41º Distrito Policial de São Paulo, covil do delegado Sérgio Fleury. O suplício de Bacuri continuou, foi diversas vezes transferido de lugar. Voltou ao Cenimar carioca, sendo ali torturado até setembro, quando retornou aos cárceres de São Paulo, sendo levado para a sede do DOI-CODI. Em outubro, Bacuri foi levado para o Dops de São, onde viveria os últimos dias do seu calvário, sendo encarcerado na cela 4 do chamado "fundão", que consistia em celas isoladas, reservadas aos presos mais perigosos. A prisão de Bacuri estava sendo ocultada, a sua morte começava a ser engendrada. No dia 23 de outubro, o então comandante da ALN, Joaquim Câmara Ferreira, foi morto sob tortura. Só no dia 25 de outubro, o Dops de São Paulo divulgou oficialmente sua morte para a imprensa. Na mesma nota, foi inserida a informação de que o temido Bacuri, mantido em prisão sigilosa por motivos de segurança, tinha conseguido fugir. Com aquela falsa notícia, a morte de Bacuri tinha sido anunciada. Mesmo vivo, Bacuri já era considerado morto. Os 109 Dias de Tortura No dia 25 de outubro de 1970, o comandante da equipe de choque do Dops, tenente Chiari, em um momento de crueldade sádica, mostrou ao guerrilheiro a nota divulgada na imprensa, anunciando a sua fuga. Das grades da carceragem, Bacuri, aos gritos, revelou aos presos o que acabara de saber. Lúcido, bradou: "Eu vou ser morto, tenho certeza". Ao serem informados do que se sucedia, os demais prisioneiros do Dops, montaram um esquema de vigilância à porta da cela de Bacuri, na vã tentativa de impedirem que o companheiro fosse assassinado. Para facilitar a retirada de Bacuri da sua cela, sem que os demais prisioneiros percebessem, o delegado responsável pela carceragem do Dops, Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, fez com que os presos fossem remanejados e o guerrilheiro transferido para a cela 1, que ficava em frente à sala dos carcereiros, longe da visão dos outros presos. As dobradiças da porta da cela foram lubrificadas, para que não rangessem quando da remoção do encarcerado. Àquela altura, Bacuri já era considerado oficialmente morto, tendo o seu nome retirado da relação de presos. Às 0h50 da madrugada de 27 de outubro de 1970, Bacuri foi retirado da cela, sendo carregado, pois já não conseguia andar devido às torturas que sofrera. Ao perceberem o que acontecia, cerca de cinqüenta presos que se encontravam no Dops, começaram a gritar e bater nas portas de metal com pratos e canecos. Bacuri jamais foi visto outra vez por qualquer preso político. Sua vida estava nas mãos dos torturadores. Um policial do esquadrão da morte, Carlinhos Metralha, disse que Bacuri tinha sido levado para o sítio particular de Fleury, usado para torturar os presos especiais e os que deveriam ser executados. No dia 7 de dezembro de 1970, o seqüestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher selou de vez o fim de Bacuri. Era certo que os guerrilheiros seqüestradores iriam acrescentar o nome do guerrilheiro à lista dos presos que deveriam ser trocados pelo embaixador. Não havia como apresentá-lo em público devido ao estado de mutilação que se encontrava. Elio Gaspari, no livro "As Ilusões Armadas", relata que Bacuri viveu o último dia da sua vida no forte dos Andradas, no Guarujá. Chegara ao local dentro de um saco de lona, sendo encarcerado em uma solitária erguida na praia do Bueno. Dali teria sido levado para um túnel do depósito de munições. No dia 8 de dezembro, segundo narrativa do soldado Rinaldo Campos de Carvalho, uma veraneio parou em frente à entrada do depósito, de onde saltaram um major e dois tenentes. Foram ao local onde Bacuri estava trancado, anunciando que iriam levá-lo para o hospital militar. Segundo o soldado, que ajudava o prisioneiro a encostar-se na pia para que se pudesse lavar, o major ordenou que saísse. Ele só ouviu uma pancada, que ambiguamente não sabe tratar-se de um tiro ou de uma cabeça a bater contra a parede. Testemunhou que, logo a seguir, o corpo foi retirado do banheiro no mesmo saco de lona em que fora para ali trazido. Acabaram-se os 109 dias da sua agonia. Oficialmente, as autoridades anunciaram para a imprensa que Carlos Collen Leite, o Bacuri, morrera em tiroteio em Boracéia, estrada que liga Bertioga a São Sebastião, litoral paulista, após oferecer selvagem resistência. Para confirmar a farsa, o laudo da sua morte, assinado pelos médicos legistas Aloysio Fernandes e Décio Brandão Camargo, responde "não" à pergunta se houve tortura. O corpo de Eduardo Leite foi entregue à família coberto de hematomas, cortes profundos, escoriações, queimaduras generalizadas por toda a parte, dentes arrancados ou quebrados, orelhas decepadas e olhos vazados, dois tiros no peito e outros dois na cabeça. No dia 13 de janeiro de 1971, após uma longa negociação, setenta presos políticos trocados pelo embaixador suíço, embarcaram em um avião da Varig para o exílio. Faltara o 71º, Bacuri, o arrojado e temido guerrilheiro. Bacuri, o Guerrilheiro Ao vestir a roupa do guerrilheiro Bacuri, Eduardo Leite escolheu para si uma vida mergulhada na violência. Em momento algum duvidou da ideologia pela qual ele e grande parte da sua geração lutaram, renunciando a si mesmo. Os que sobreviveram àqueles tempos, assistiram ao fim da ideologia. Bacuri congelou a sua vida no tempo, não desmoronou com o ruir dos ideais, não sentiu que perder a vida em nome de uma causa não lhe foi inútil. Dos nomes que a guerrilha urbana consagrou, Bacuri foi o retrato fiel do guerrilheiro brasileiro. Enquanto Carlos Marighella é o mentor, idealizador e intelectual da guerrilha; e, Carlos Lamarca o comandante que atraiu para si a admiração romântica da guerrilha; Bacuri é o guerrilheiro, o executor da guerrilha. Seu vigor, sua coragem e obstinação, fizeram com que ele matasse sem remorsos quando preciso. Assim como Marighella e Lamarca, estava condenado a não sobreviver ao seu tempo. A violência dos assaltos por ele praticado privou vários companheiros da fome e da miséria estabelecidas pela clandestinidade; com os seqüestros salvou a vida de muitos companheiros. Para Bacuri não houve tempo de analisar ou combater o ideal revolucionário, não houve tempo para avaliação ou uma autocrítica histórica do mundo ao qual se lançara. A autocrítica ficou para os que sobreviveram às torturas e à queda da guerra fria. Descritos como terroristas pela ditadura militar, os guerrilheiros ainda hoje causam polêmicas e controversas. No decorrer das décadas, muitos ex-guerrilheiros tiveram a sua imagem transformada e redimida diante da nação, que muitas vezes os temia, sem perceber a essência da causa. Muitos chegaram ao poder, como José Genuíno, Franklin Martins e Fernando Gabeira. Outros entraram para a história como o guerrilheiro romântico, caso do capitão Lamarca. Carlos Marighella, até pouco tempo considerado maldito, vem sendo revisado pela história. Falta Eduardo Leite, o Bacuri, perder o estigma de maldito. Ceifou vidas quando em combate corporal, mas jamais torturou e supliciou os que se lhe puseram na frente. Quem foi mais selvagem, ele que matou à queima roupa, ou os homens que o torturam brutalmente até matá-lo 109 dias depois? Lampião, um assassino da caatinga, aclamado o rei do cangaço, herói do sertão, matou sem piedade ou ideologia. Os mortos de Bacuri é um quase nada diante dos de Lampião. Cangaceiro e guerrilheiro, porque se redime um e execra-se o outro? Eduardo Collen Leite foi morto aos 25 anos, no esplendor da sua juventude. A mulher, Denise Crispim, exilou-se logo após a sua morte. Deixou uma filha, Eduarda, nascida no exílio, jamais a conheceu. Não se tornou um mártir da história nacional, mas um mártir da guerrilha, do seu tempo e dos seus ideais. ============================================================================================= + detalhes [PDF] NOS PORÕES DA DITADURA: PSICANÁLISE DA TORTURA AOS PRESOS ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de CR Figueiredo Filho - 2011 Ao Eduardo Collen Leite, o Bacuri da ALN (Aliança Libertadora Nacional), não foi dada a opção de escolha. Aliás, ela não foi dada a nenhum daqueles que em ... revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/5233/3763 =================================================================================== + detalhes. Morte de Bacuri e a cumplicidade da Folha Sex, 03 de Dezembro de 2010 08:46 Escrito por Redação Reproduzo matéria publicada no blog "Limpinho e cheiroso": Na próxima terça-feira, dia 7 de dezembro, às 19 horas, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, Eduardo Leite, o Bacuri, receberá, in memoriam, o título de Cidadão Paulistano por iniciativa dos vereadores Juliana Cardoso e Ítalo Cardoso. Para quem não o conheceu, trata-se de mais um dos casos de absoluta crueldade da repressão. Na madrugada da véspera de ser retirado do Dops para ser assassinado, a repressão lhe entregou - na cela onde estava sozinho - um exemplar da Folha da Tarde que noticiava sua "fuga". Para que jamais esqueçamos a história, a Folha da Tarde era aquele pasquim que o senhor Otávio Frias - pai do senhor Otávio Frias Filho - cedeu graciosamente ao esquadrão da morte durante os dois anos finais dos 1960 e que assim continuou até o final dos anos de 1970. Bacuri tem uma das histórias mais bonitas de nossa resistência. Quando foi preso, sua companheira - a camarada Denize - estava grávida. Meses depois, nasceu a Maria Eduarda. Quem não puder comparecer ao evento, envie uma mensagem dirigida a essas duas mulheres para o endereço da Denize Crispim Perez: zdenize at gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Leia a seguir, o texto sobre Bacuri que está no sítio Tortura Nunca Mais: Cumplicidade entre a mídia e a repressão O relato abaixo serve para demonstrar a ação combinada e orgânica entre a repressão da ditadura militar de 64 e os órgãos da mídia oligárquica no Brasil. O assassinato de Eduardo Collen Leite, o "Bacuri", é um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos, deixando-o completamente mutilado. Quando o corpo foi entregue aos familiares estava sem orelhas, com olhos vazados e com mutilações e cortes profundos em toda a sua extensão. Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe, quando chegava em sua casa. Passou pelo Cenimar/RJ e DOI-Codi/RJ, onde foi visto pela ex-presa política Cecília Coimbra, já quase sem poder se locomover. Do local da prisão, Eduardo foi levado a uma residência particular onde foi torturado. Seus gritos e de seus torturadores chamaram a atenção dos vizinhos, que avisaram a polícia. Ao constatar de que se tratava da equipe do delegado Fleury, pediram apenas para que mudassem o local das torturas. Após ser torturado na sede do Cenimar, no Rio de Janeiro, Eduardo foi transferido para o 41° Distrito Policial, São Paulo, cujo delegado titular era o próprio Fleury. Novamente transferido para o Cenimar/RJ, Eduardo permaneceu sendo torturado até meados de setembro, quando voltou novamente para São Paulo, sendo levado para a sede do DOI-Codi. Em outubro, foi removido para o Dops paulista, sendo encarcerado na cela 4 do chamado "fundão" (celas totalmente isoladas). Em 25 de outubro, todos os jornais do País divulgaram a nota oficial do Dops/SP relatando a morte de Joaquim Câmara Ferreira (comandante da ALN), ocorrida em 23 de outubro. Nesta nota, foi inserida a informação de que Bacuri havia conseguido fugir, sendo ignorado seu destino. Foi encontrado nos arquivos do Dops a transcrição de uma mensagem recebida do Dops/SP pela 2ª seção do IV Exército, assinada pelo coronel Erar de Campos Vasconcelos, chefe da 2ª Seção do II Exército, dizendo "que foi dado a conhecer a repórteres da imprensa falada e escrita o seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado". O tal roteiro falava da morte súbita de Câmara Ferreira após ferir a dentadas e pontapés vários investigadores. E mais adiante diz "Eduardo Leite, o Bacuri, cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades, havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira (...) Aproveitando-se da confusão, Bacuri (...) logrou fugir (...)". Estava evidenciado o plano para assassinar Eduardo Collen Leite O testemunho de cerca de 50 presos políticos recolhidos às celas do Dops paulista (entre eles, o gaúcho Ubiratan de Souza, da VPR) neste período prova que Eduardo jamais saíra de sua cela naqueles dias, a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura. Eduardo era carregado porque não tinha mais condições de manter-se em pé, muito menos de caminhar ou fugir, após dois meses de torturas diárias. O comandante da tropa de choque do Dops/SP, tenente Chiari da PM paulista, mostrou a Eduardo e a inúmeros outros presos políticos, no dia 25, os jornais que noticiavam sua fuga. Para facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, sem que os demais prisioneiros do Dops percebessem, o delegado Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, responsável pela carceragem do Dops àquela época, exigiu o remanejamento total dos presos, e a remoção de Eduardo para a cela n° 1, que ficava defronte à carceragem e longe da observação dos demais presos. Seu nome foi retirado da relação de presos, as dobradiças e fechaduras de sua cela foram lubrificadas de forma a evitar ruídos que chamassem a atenção. Os prisioneiros políticos, na tentativa de salvar a vida de seu companheiro, montaram um sistema de vigília permanente. Aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970, Eduardo foi retirado de sua cela, arrastado pelos braços, pela falta total de condições de pôr-se em pé, com o corpo repleto de hematomas, cortes e queimaduras, sob os protestos desesperados de seus companheiros. Segundo testemunho de Ubiratan, todos os presos chegaram junto às grades e estendiam braços e mãos para cumprimentar ou simplesmente tocar em Bacuri, ao mesmo tempo que vibravam talheres e copos metálicos no ferro das grades numa demonstração de protesto pela iminente morte de um companheiro. Todos sabiam que Bacuri seria executado. Eduardo não foi mais visto. Os carcereiros do Dops, frequentemente questionados sobre o destino de Bacuri, só respondiam que ele havia sido levado para interrogatórios em um andar superior. Os policiais da equipe do delegado Fleury respondiam apenas que não sabiam; apenas o policial conhecido pelo nome de Carlinhos Metralha é que afirmou que Eduardo estava no sítio particular do delegado Fleury. Tal sítio era usado pelo delegado e sua equipe para torturar os presos considerados especiais ou os que seriam certamente assassinados e, por isso, deveriam permanecer escondidos. Em 8 de dezembro, 109 dias após sua prisão, e 42 dias após seu sequestro do Dops, os grandes jornais do País publicavam nota oficial informando a morte de Eduardo em "um tiroteio nas imediações da cidade de São Sebastião", no litoral paulista. Era evidente o conluio entre a repressão e a mídia, nesta farsa montada para eliminar Eduardo Leite. A notícia oficial da morte de Eduardo teve um objetivo claro: tirar as condições da inclusão de seu nome na lista das pessoas a serem trocadas pela vida do embaixador da Suíça no Brasil, que havia sido sequestrado em 7 de dezembro. Seu nome seria incluído nessa lista e seria impossível soltar o preso Eduardo que, oficialmente, estava foragido e, além do mais, completamente desfigurado e mutilado pela tortura. As informações são do grupo Tortura Nunca Mais e de Ubiratan de Souza. =========================================================================================== + detalhes. Lembrar para nunca mais acontecer - O assassinato, sob cruéis torturas, de Eduardo Leite - 08/07/2008 Dá que ouçamos tua voz* José Damião de Lima Trindade** "- Meu pai contou para mim; eu vou contar para meu filho. - Quando ele morrer? Ele conta para o filho dele. - É assim: ninguém esquece". (Kelé Maxacali, índio da aldeia de Mikael, Minas Gerais, 1984)1 Blog de marlenesoccas O corpo de Eduardo Leite "Bacuri" foi entregue à família com os dois olhos vazados, as duas orelhas decepadas, todos os dentes quebrados ou arrancados, costelas partidas, cortes profundos, hematomas por pancadas e marcas de queimadura por brasas de cigarros em todo o corpo. Ele foi preso em agosto de 1970, no Rio de Janeiro, por oficiais do CENIMAR - Centro de Informações da Marinha, que o interrogaram e o transferiram para o Delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS paulista, que o interrogou e o repassou para o DOI-CODI de São Paulo, que o interrogou e o devolveu ao Delegado Fleury, que, então, "plantou na imprensa", no dia 25 de outubro, a "notícia" de que esse preso conseguira fugir dois dias antes... Chegaram a mostrar ao próprio Eduardo Leite, na cela do DOPS em que estava trancado, jornais com a notícia de sua "fuga" - isto é, de sua execução preparada para breve. Dois dias mais tarde, no início da madrugada de 27 de outubro (quatro dias após a suposta "fuga"), Eduardo Leite, sob protestos desesperados e impotentes de cinqüenta presos das outras celas, foi arrastado pelos braços para fora de sua cela - não conseguia mais pôr-se em pé após mais de cem dias de tortura - e nunca foi trazido de volta. Em 8 de dezembro daquele ano, novo comunicado do DOPS à imprensa, informando que o temível fugitivo fora "localizado" pelas forças da repressão no litoral norte paulista e morrera numa troca de tiros com policiais. Esse relato pode ser encontrado em vários livros de história sobre o período2. Eu teria imenso alívio em afirmar que esse foi o único, ou o pior, episódio de violência perpetrada pela ditadura brasileira. Não foi - nem o único, nem o pior. Dezenas de modalidades de tortura física e psicológica foram praticadas intensiva e extensivamente pelos órgãos de repressão política de todos os Estados do país contra milhares e milhares de brasileiros, chegando até ao homicídio deliberado de quase quatro centenas de presos políticos3. Foram mortes que, às vezes, eram apresentadas sob álibis descarados ("suicídio", "atropelamento acidental", "morte em tiroteio" etc.), outras vezes não passavam de execuções seguidas de ocultação dos cadáveres (os "desaparecimentos"). Os torturadores tiveram mãos livres para fazer de tudo - e fizeram de tudo. Estupraram presas4 . Torturaram bebês para obrigar seus pais a revelarem informações5 . Mataram pessoas empaladas6 . Mataram com injeção de inseticida7 . Mataram de muitos modos. A relação de horrores vai mais longe e é bem mais arrepiante do que normalmente estão dispostas a imaginar mesmo pessoas que se consideram bem informadas. Mas seria um equívoco supor que as torturas e assassinatos foram "excessos" cometidos por "psicopatas". Ao contrário, foram métodos adotados pelo Estado brasileiro para livrar-se de seus opositores. Sua aplicação dava-se, quase sempre, no interior de quartéis do Exército ou de delegacias das polícias estaduais e federal, em horários normais de expediente dessas repartições, sob conhecimento e orientação de autoridades superiores e sob inspiração da Doutrina de Segurança Nacional, desenvolvida na Escola Superior de Guerra entre 1965 e 19688. As equipes de tortura e de eliminação eram, quase sempre, chefiadas por oficiais das Forças Armadas ou por Delegados de Polícia. Apesar de muitas vezes manterem suas vítimas sob capuzes, quase trezentos desses criminosos fardados ou sem farda acabaram sendo identificados, tiveram seus nomes publicados. Passada a ditadura, prosseguiram normalmente em suas carreiras de funcionários públicos. A julgar pela idade que tinham na década de setenta - a maioria com menos de quarenta anos - muitos ainda devem continuar no serviço público, possivelmente no topo de suas respectivas carreiras civis ou militares. Nenhuma punição. A grande frente que foi se formando na luta contra a ditadura não conseguiu acumular forças suficientes para exigir a punição de seus crimes. Por isso, em 28 de agosto de 1979, o general João Batista de Figueiredo, ditador-presidente de plantão na época, promulgou a Lei n. 6.683 (lei da anistia política) com as conhecidas limitações e deformações: por um lado, a lei concedeu uma anistia política apenas parcial, dela excetuando todos os que tivessem sido condenados por práticas da luta armada - ou seja, todos os que exerceram o direito de rebelião contra a violência ilegítima dos usurpadores do poder; e, por outro lado, a mesma lei estendeu a anistia aos torturadores e homicidas - isto é, premiou com impunidade perpétua os que praticaram todas as violências a favor da ditadura. Mais tarde, a Constituição de 1988 corrigiu parcialmente a distorção, ampliando a abrangência da anistia. Mas a impunidade dos torcionários da ditadura ainda continua intocada. Contudo, apesar de limitada e deformada, a anistia de 1979 resultou, antes de mais nada, do crescimento da luta popular contra a ditadura militar. A bandeira da "anistia ampla, geral e irrestrita" havia conseguido, nos anos anteriores, unificar todas as correntes de oposição e conquistava apoio social e solidariedade internacional. Esquivando-se como podiam da repressão (e quando podiam...), sucediam-se atos públicos, abaixo-assinados, manifestos, greves de fome dos presos políticos, denúncias e mais denúncias. Então, em 1978, após anos vergados sob o peso de duríssima repressão, os trabalhadores conseguiram retornar à cena política, com as grandiosas greves operárias do ABC paulista, em afronta aberta às leis do regime militar. Isso acelerou a reorganização nacional do movimento sindical, estimulou manifestações de outros setores e deu impulso formidável à luta pela anistia. A correlação de forças começava a se inverter. A repressão "seletiva" não funcionava mais. A partir daquele momento, só um banho de sangue de proporções monumentais conseguiria deter a expansão da luta contra a ditadura - mas os golpistas não tinham mais condições políticas para isso. A anistia parcial de agosto de 1979 expressou exatamente esse momento crucial em que a ditadura, ainda com fôlego, foi forçada a concessões e iniciou seu período de declínio. Conseqüências imediatas da anistia: repatriação de milhares de exilados e libertação de grande parte dos presos políticos - o que, concretamente, injetou novas energias na frente de oposição à ditadura e preparou o terreno para as formidáveis mobilizações da campanha pelas Diretas Já, em 1984, que encerrariam, no início do ano seguinte, o longo ciclo - vinte e um anos! - do poder militar no Brasil O autor é Procurador do Estado de São Paulo________ * Este artigo também foi publicado no jornal da Associação Juízes para a Democracia, v. 5, n. 18, 1999, p. 5. ** Procurador do Estado, membro do Grupo de Trabalho de Direitos Humanos da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo e Presidente da Comissão Paulista de Anistia Política. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110408/1cd88f8f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5050 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110408/1cd88f8f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 8 19:28:10 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 8 Apr 2011 19:28:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__S=C3=81BADO_RESISTENTE_DISCUTE_FINANC?= =?utf-8?q?IAMENTO_DAS_TORTURAS__=2E___Data=3A_16_de_abril_e_2011?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Ivan Seixas Sábado Resistente discute o financiamento da repressão e das torturas Homenagem aos operários assassinados do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) O Sábado Resistente dá sua contribuição à implantação da Comissão da Verdade, a ser votada pelo Congresso Nacional, promovendo o debate sobre a participação de empresários no financiamento das torturas e da repressão política e apresenta provas. A participação de empresários no esquema de repressão e extermínio de militantes de oposição sempre foi tratado como tabu histórico, sob a alegação de ser uma demonstração de revanchismo. O Sábado Resistente encara esse debate e convoca os democratas para a luta em defesa da Verdade histórica. Programação 14h00 - Boas vindas: Kátia Felipini (coordenadora do Memorial da Resistência) - Apresentação: Maurice Politi (Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos ex-Presos Políticos de São Paulo) 14h15 - Exibição de extratos do filme "Cidadão Boilesen", de Chaim Litewski 15h00 ? Palestra e debate Participação: Eugênia Gonzaga (Procuradora da República - MPF) Pedro Asbeg (Produtor do filme Cidadão Boilesen) Coordenação: Alípio Freire (Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos ex-Presos Políticos de São Paulo) 17h00 Homenagem aos militantes do Movimento Revolucionário Tiradentes nos 40 anos do extermínio da Organização Aderval Alves Coqueiro - operário metalúrgico Daniel José de Carvalho - operário metalúrgico Devanir José de Carvalho - operário metalúrgico Dimas Ant??nio Casemiro - operário gráfico Joaquim Alencar de Seixas - operário mecânico Joel José de Carvalho - operário gráfico Data: 16 de abril e 2011 Local: Memorial da Resistência (Largo General Osório, 66 - LUZ) Horário: 14 horas Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pelo Memorial da Resistência de São Paulo, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais a o Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110408/9bd385e5/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 9 15:21:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 9 Apr 2011 15:21:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__H=C9LCIO_PEREIRA_FORTES______________?= =?iso-8859-1?q?_________________-CIV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem HÉLCIO PEREIRA FORTES (1948-1972) Filiação: Alice Pereira Fortes e José Ovídio Fortes Data e local de nascimento: 24/01/1948, Ouro Preto (MG) Organização política ou atividade: ALN Data e local da morte: 28/01/1972, São Paulo (SP) Nascido em Ouro Preto (MG), Hélcio passou a infância e a juventude em sua cidade natal. Desde muito cedo manifestou interesse pela história política e social do país, estando presente em todos os eventos e manifestações culturais de sua época. Habitualmente se reunia com um grupo de estudantes em torno do Grêmio Literário Tristão de Athayde (GLTA), em Ouro Preto. Terminou o ginásio no Colégio Arquidiocesano, aos 13 anos de idade, ingressando na Escola Técnica Federal. Era um amante da literatura, cinema, teatro. Participava intensamente da vida de sua cidade, escrevendo em jornais, criando e difundindo peças teatrais, promovendo jograis. Foi redator do Jornal de Ouro Preto e da Voz do GLTA. Fundou o Cineclube de Ouro Preto. Ativista político, atuou na União Colegial Ouropretense e na Escola Técnica Federal. Ingressou na Escola de Metalurgia, mas não chegou a concluir o curso. Desde 1963 era ligado ao PCB, sendo considerado a principal liderança, tanto entre estudantes quanto entre os operários da metalúrgica Alcan. Logo após abril de 1964 passou a viver na clandestinidade, inicialmente em Belo Horizonte, onde integrou o Comitê Municipal do PCB. Hélcio foi um dos principais dirigentes da Corrente/MG, que, após sofrer inúmeras prisões em 1969, se incorporaria à ALN. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde pertenceu ao comando regional dessa organização. Mesmo na clandestinidade, escrevia cartas à família, em que expressava sua saudade e as razões que o levaram a optar pela luta armada. Sua última mensagem foi no Natal de 1971. Em 22/01/1972, foi preso no Rio de Janeiro. Hélcio passou pelo DOI-CODI/RJ e foi levado para o DOI-CODI/SP. Os órgãos de segurança o acusavam de participação em várias ações armadas, inclusive de um assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, onde foram mortos três vigilantes de segurança. A requisição de exame ao IML/SP informa que "após travar violento tiroteio com os agentes dos órgãos de segurança, foi ferido e, em conseqüência, veio a falecer". Os legistas Isaac Abramovitc e Lenilso Tabosa Pessoa definiram como causa da morte anemia aguda traumática. A versão oficial distribuída à imprensa informava que ele tentara fugir dentro da rodoviária de São Paulo, morrendo ao resistir à prisão. No entanto, os documentos do IML e a certidão de óbito informam que o óbito ocorreu em outro local: Avenida Bandeirantes, esquina com Rua Jurupis. A família tomou conhecimento da morte de Hélcio no mesmo dia, pela televisão, e imediatamente dirigiu-se a São Paulo. O corpo já estava enterrado no Cemitério de Perus. Somente em 1975 foi possível levar os restos mortais para Ouro Preto, onde Hélcio foi enterrado na Igreja São José. Dentre os ferimentos descritos pelos legistas, um chama a atenção: orifício de entrada no canto externo do supercílio esquerdo e saída no ramo ascendente direito da mandíbula, após transfixar o olho esquerdo. Um tiro com tal trajetória, de cima para baixo, e ligeiramente de frente para trás, se disparado a média ou curta distância, caracteriza execução. Além disso, consta no processo formado na CEMDP um depoimento de Darci Toshiko Miyaki, militante da ALN presa por agentes do DOICODI/ RJ no Rio de Janeiro no dia 25/01/1972. Sob interrogatórios, Darcy calcula que foi no dia 27 que recebeu roupas e, encapuzada, soube que seria removida. Num corredor, pela costura esgarçada do capuz, viu Hélcio encostado na parede. Foram transportados na mesma viatura, Hélcio no chiqueirinho e ela entre o motorista e um agente, sendo conduzidos ao DOI-CODI/SP. Ali, foi colocada em uma cela isolada, no segundo andar, onde ficou por vários dias e dali ouviu os gritos de Hélcio. Sem saber precisar o dia, não mais foi conduzida à cela onde estava, mas a uma outra, com porta de ferro, sem luz e sem ventilação. Antes de ser colocada nessa solitária, ouviu do carcereiro que desse local havia saído um "presunto fresquinho". Darcy tem plena convicção de que o corpo que havia sido retirado da solitária era o de Hélcio Pereira Fortes, pois a partir de então não mais ouviu os seus gritos. Por último, foi localizado nos arquivos secretos do DOPS no Paraná um documento da Polícia Federal divulgando o conteúdo de um depoimento prestado por Hélcio, constituindo prova cabal de que esteve preso e foi mais um preso político executado. O requerimento do caso Hélcio foi aprovado por unanimidade na Comissão Especial. ================================================================================================================== + Informações. HÉLCIO PEREIRA FORTES Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAI (ALN). Nasceu em 24 de janeiro de 1948 em Ouro Preto/MG, filho de José Ovídio Fortes e Alice Pereira Fortes. Hélcio passou a infância e a juventude em sua cidade natal e desde muito cedo manifestou seu interesse pela história política e social do país, estando presente em todos os eventos e manifestações culturais de sua época. Habitualmente se reunia com um grupo de estudantes em torno do Grêmio Literário Tristão de Athaíde, em Ouro Preto. Terminou o ginásio no Colégio Arquidiocesano, aos 13 anos de idade, ingressando na Escola Técnica Federal. Era um amante da literatura, cinema, teatro e, acima de tudo, uma figura humana que a todos contagiava por sua extroversão e alegria. Participava intensamente da vida de sua cidade, escrevendo jornais, criando e difundindo peças teatrais, promovendo jograis. Fundou o Cine-clube de Ouro Preto. Ativista político, atuou na União Colegial Ouropretense e na Escola Técnica Federal. Ingressou na Escola de Metalurgia, mas não chegou a concluir o curso. Desde 1963, militava no PCB. Logo após o golpe passou a viver na clandestinidade, inicialmente em Belo Horizonte e posteriormente no Rio de Janeiro, quando já militava na ALN. Hélcio, embora clandestino, não deixava de se comunicar com a família, usando o meio que era possível: escrevia cartas em que expressava a sua saudade e as razões que o levaram a optar pela luta armada. A última vez que se comunicou com a família foi através de um telegrama, no natal de 1971. Preso no dia 22 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro, foi imediatamente levado à tortura no DOI/CODI daquela cidade, sendo em seguida transferido para o DOI-CODI/SP. Em São Paulo, as torturas continuaram durante vários dias, até que, em 28 de janeiro, Hélcio morreu, aos 24 anos de idade. A versão oficial distribuída à imprensa informa a morte de Hélcio como conseqüência de uma tentativa de fuga empreendida no interior da Rodoviária de São Paulo, ao resistir à prisão. Entretanto, foram localizados depoimentos policiais prestados por Hélcio que confirmam sua prisão. Testemunhos dos presos políticos do Rio de Janeiro e de São Paulo denunciam a prisão de Hélcio nos DOI-CODIs das duas cidades e comprovam seu assassinato sob tortura. Em documento encontrado no antigo DOPS/PR lê-se: "Encaminhamento n° 087/72-CO/DR/PR- origem CIE/ADF... morto em São Paulo ao tentar fugir da prisão." "Conforme recorte do 'O Globo' e 'Folha de S. Paulo' de 04 de janeiro de 1972, consta que o fichado foi reconhecido pelos órgãos de segurança..." Comparando os Relatórios dos Ministérios Militares aparecem contradições na "história" montada sobre sua fuga: No Relatório da Aeronáutica lê-se: "faleceu no dia 28 de janeiro de 1972 ao dar entrada no hospital das Clínicas em São Paulo, após travar tiroteio com agentes de segurança que o perseguiam". No relatório da Marinha: "morreu no dia 28 de janeiro de 1972 em tiroteio com agentes de segurança ao tentar fugir em um fusca após estabelecer contato com um companheiro". Segundo depoimento de seu irmão, Gélcio, a família tomou conhecimento de sua morte, no mesmo dia, pela televisão. Imediatamente dirigiu-se paraSão Paulo, mas o corpo já estava enterrado no Cemitério de Perus. Em 1975, conseguiu levar seus restos mortais para Ouro Preto, onde foi enterrado na Igreja São José. ===================================================================================== + detalhes. Depoimento de Mário Roberto Galhardo Zaconato a Otávio Luiz Machado. Ouro Preto: Projeto "A Corrente Revolucionária de Minas Gerais", 2004. OTÁVIO LUIZ MACHADO*: Qual o seu nome completo? MÁRIO ROBERTO GALHARDO ZACONATO: Mário Roberto Galhardo Zaconato. Fale um pouco das suas atividades profissionais atuais. Regressei ao Brasil em 1993 (do exílio em Cuba) e desde então trabalho no ABC paulista. Mário, um dos militantes mais importantes oriundos de Ouro Preto foi o Hélcio Pereira Fortes. Gostaria que traçasse um pouco sobre o lado humano e a atuação dele. Sobre o Ernesto - nome de guerra preferido do Hélcio - te direi que o conheci ainda no Partidão (Partido Comunista Brasileiro, PCB) nas discussões preliminares do VI Congresso (do PCB). Foi "paixão" à primeira vista. Seu entusiasmo, caráter forte e convicções firmes, marcavam sua pessoa e seu trato. Ele logo se identificou com nossas posições (José Júlio de Araújo, Gilney Amorin Viana. Ricardo Apgaua, eu e outros) do grupo de Belo Horizonte, que na fase final contava com o Mário Alves. Sucederam-se vários encontros até a cristalização da oposição ao núcleo que dominava o Comitê Estadual (do PCB) , que se identificava com o (Luís Carlos) Prestes. Já depois do racha, em Belo Horizonte, e no grupo dirigente da dissidência, ele foi destinado ao setor operário com base na Cidade Industrial (na época como a cidade de Contagem era conhecida). Foi um trabalho formidável tanto em extensão como em profundidade. O setor operário cresceu, consolidou-se em vários núcleos de fábrica, com publicações próprias , alguns trabalhos em conjunto com a AP (Ação Popular) e a POLOP (Organização Política-Marxista - "Política Operária"), etc. Hélcio foi incansável no trabalho ideológico, cultural e até de "alfabetização" da militância. Nesse setor não ficou ninguém com o Partidão. Nunca deixamos o trabalho de massas mas é certo que num determinado momento concentramos quadros, esforços e recursos na preparação de duas colunas guerrilheiras no campo: na área do São Francisco e na Rio-Bahia, cujos objetivos não vazaram ao Exército. O Hélcio participou ativamente nessa fase como um dos principais responsáveis. O Apgaua e o José Júlio já estavam no exterior (especificamente em Cuba, fazendo treinamento de técnicas de guerrilhas). Éramos o Gilney, o Hélcio, o "gringo" (Márcio) e eu. Chegamos a ter ramificações em áreas que só foram atingidas superficialmente pela repressão (Divinópolis, Montes Claros). O Gilney e o Hélcio tinham contato com algumas e eu com a maioria. Nessa altura muitos militantes estavam no setor armado, provenientes do interior, destacando-se Ouro Preto, do setor operário, e do estudantil. Também haviam oriundos do setor comerciário e/ou funcionalismo e até de outros estados , "cedidos" por outras dissidências do Partidão e pelo próprio (Carlos) Marighella. Logo eu fui preso; O Márcio pouco tempo depois; o Gilney alguns meses depois e o Hélcio destacou-se no Rio de Janeiro e São Paulo , onde morreu (em 1972). Não será esquecido jamais! Na Reunião da Corrente Revolucionária do PCB, em outubro de 1967, em Niterói-Rj, o Hélcio foi o representante de Minas Gerais. Poderia me relatar outros militantes de atuaram aí? Sobre esta reunião você conhece melhor os participantes do que eu aqui (o entrevistado se refere ao contato atual do pesquisador com alguns militantes daquele período, daquele período, e não a uma possível participação direta no episódio). O Hélcio - nosso representante nela - nunca os identificaria, pelo fato de que todos usavam nomes de guerra. No famoso 30o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna-SP, vocês enviaram para representar a Corrente Revolucionária de Minas Gerais (Corrente) um militante oriundo do movimento estudantil de Ouro Preto, que era o César Maia (atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro). Quem o orientou a ir representá-los? Foi uma decisão do comando. Fale sobre a sua prisão após um cerco policial, e a fuga do Hélcio Pereira Fortes. Fui preso num cerco a um bar, de madrugada, próximo à Praça da Estação (de Belo Horizonte). Eu estava com o Hélcio, que conseguiu escapar. Como um tenente da PM (Polícia Militar) foi ferido, nas primeiras horas eu quase não fui interrogado. Foi só castigo com muita violência. Fui levado para uma casa do comando da PM na Praça da Liberdade, ao lado do Palácio Episcopal e da sede do governo (de Minas Gerais). Eu me lembro que nem "nome" ou "endereço" de outras pessoas foram perguntados. Várias horas após, bem aturdido, vomitando e urinando sangue, vi um companheiro e várias pessoas que me olhavam. As pessoas eram as vítimas de várias ações armadas e faziam a identificação. Parece que o dono de uma casa de armas me reconheceu e só então é que chamaram os oficiais da G2. Já era de tarde quando chegou o tenente Rubi (nome de guerra) e gritou: 'mas se é o Xuxu! É o Xuxu!'. Aí começaram as torturas propriamente ditas. O companheiro, fiquei sabendo depois, tinha sido preso num aparelho que havia sido identificado pelo caixa de um banco que expropriamos. Ele havia reconhecido alguém na rua e o seguido até lá. Lamentavelmente esse companheiro, mesmo sem tortura, 'abriu' bastante e possibilitando várias outras prisões. Falhou a segurança, pois o Hélcio mesmo ferido já tinha dado o alarme muitas horas antes. À noite fui para Neves - sem torturas - e no outro dia fomos todos levados para um quartel da PM próximo do (Bairro) Barro Preto em Belo Horizonte. Aí foram feitas as identificações. De madrugada voltamos para Neves e só então começaram as torturas e interrogatórios pra valer. Comigo a tônica sempre foi sobre a extensão da organização e suas alianças (Carlos Marighella, Mário Alves). Comigo havia sido pego um esboço de planos de ações violentas para quinze dias. Só uma parte, pois consegui 'comer' a outra. Então era só sobre isso que me interrogavam durante um par de dias. Fantasiei bastante, errei algo e enganei outro tanto. Da mesma forma agi sobre nossas concepções e objetivos, com erros e acertos. O capitão Aécio se identificou como preparado pelo Canal do Panamá; nós só tínhamos muita firmeza ideológica e disposição. Não tive participação na queda de nenhum companheiro: não delatei aparelhos nem ações. Os inquéritos foram montados ação por ação e no final mostrou-se um para o curso da organização, com os dirigentes e estruturas mais ou menos próximos da verdade. Quem montava os depoimentos, ditados palavra por palavra era o capitão Portela, como pode assegurar qualquer dos companheiros. Depois nos dava pra assinar sob ameaças. Nem no Brasil nem no estrangeiro foi realizado nenhum julgamento sobre estes fatos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110409/9d4e162e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6489 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110409/9d4e162e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 9 15:21:48 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 9 Apr 2011 15:21:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Blog_da_Boitempo=3A_=22A_mercant?= =?iso-8859-1?q?iliza=E7=E3o_do_medo=22_=28coluna_do_Iza=EDas_Almad?= =?iso-8859-1?q?a=29?= Message-ID: <81990F250FD7430B9AE7E2F1F8583D41@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Caro Vanderley, passei a escrever quinzenalmente no blog da Editora Boitempo. Gostaria de contar com a sua ajuda na divulgação do blog. Abração, Izaías. Blog da Boitempo a.. Páginas a.. Seminário Mészáros b.. Sobre o blog c.. Tópicos recentes d.. A mercantilização do medo (Coluna do Izaías Almada) e.. Zizek no Brasil: Nosso melhor provocador (Coluna do Emir Sader) f.. Dona Maria ganha um prêmio (Coluna do Urariano Mota) g.. Boitempo indica - Semana de 05 a 11/04 h.. Coluna da Maria Rita Kehl A mercantilização do medo (coluna do Izaías Almada) Desde os primórdios da humanidade, daquilo que nos é dado a conhecer, pelo menos, o sentimento do medo é inerente a ação e ao comportamento humano. O confronto com a natureza, a proteção mística contra o desconhecido, a luta pela sobrevivência, o inevitável desejo de posse, a tentativa de suplantar a dor física e o sofrimento, para ficarmos com alguns exemplos, são atitudes que caracterizam o relacionamento entre o homem e a sensação de medo. Muito já terão os pensadores e cientistas sociais discorrido sobre o tema, em particular historiadores, sociólogos e psicólogos. O atual estágio de desenvolvimento humano, contudo, que para o bem e para o mal se confunde com o atual estágio do capitalismo, agregou a essa relação um componente perverso: transformou o medo numa mercadoria. Que o digam a indústria farmacêutica, a indústria armamentista, os bancos e o capital financeiro especulativo, as grandes seguradoras, os grandes conglomerados midiáticos ao redor do mundo. Apoiado numa monumental e cínica campanha de marketing, a mercantilização do medo está presente nas páginas dos jornais diários, dos grandes telejornais, nas histórias em quadrinhos, nos filmes de catástrofe e terror, nas novelas de televisão, nos programas de rádio, quando uma sucessão de tragédias, sejam elas individuais ou coletivas, ganharam e ganham destaque em nível nacional ou internacional. A história da guerra no Iraque é paradigmática. A invasão desse país pelos EUA, sob premissas falsas de procurar armas de destruição em massa, e o criminoso silêncio do mundo, terceirizou o uso de força, com a contratação de tropas e serviços mercenários. Milhões e milhões de dólares foram gastos com roupas, alimentos, remédios, combustível, armas e munições, colocando nos dois pratos da balança os polpudos cheques públicos nas mãos da empresa privada de um lado e o medo, simplesmente o medo, de outro. Os genocidas do governo Bush, entre eles o vice presidente Dick Cheney e a empresa Halliburton sabem exatamente o que significa essa mercantilização do medo. O medo ao terrorismo, o medo aos muçulmanos selvagens, o medo aos inimigos internos, o medo a culturas diferentes e à diversidade. O medo, enfim, a tudo que não seja branco e de olhos azuis. E que não fale o inglês do Texas ou da Câmara dos Lordes. Ou ainda, de forma mais prosaica, o medo ao desemprego, o medo ao assalto, o medo à infidelidade, o medo ao bullying, o medo à periferia, o medo aos juros bancários, o medo às enchentes, o medo aos terremotos, o medo, o medo, o medo. Quanto vale o nosso medo do dia a dia nas bolsas de Nova York, Xangai ou mesmo na Bovespa? *** Izaías Almada, mineiro de Belo Horizonte, escritor, dramaturgo e roteirista, é autor de Teatro de Arena (Coleção Pauliceia da Boitempo) e dos romances A metade arrancada de mim, O medo por trás das janelas e Florão da América. Publicou ainda dois livros de contos, Memórias emotivas e O vidente da Rua 46. Como ator, trabalhou no Teatro de Arena entre 1965 e 1968. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quintas-feiras. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110409/1a9b493f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 165661 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110409/1a9b493f/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 9 15:21:55 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 9 Apr 2011 15:21:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Cr=F4nica_da_Urda__=22As_estre?= =?windows-1252?q?las_de_Quintana=22?= Message-ID: <9D8C68EC2A654009854B9D42CA3979B2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem As estrelas de Quintana (Texto dedicado à Elfy Eggert, e à Magda do Canto Zurba) ?Se as coisas são impossíveis... ora! Não é motivo para não querê-las! Que tristes os caminhos se não fora A mágica presença das estrelas! (Mário Quintana) Complicado dizer mais do que Quintana disse, pois em quatro linhas ele já disse como que tudo! Em todo o caso... Penso na Estrela que está lá longe, lá distante, inatingível no céu do meu caminho, mas é por causa dela que o meu caminho é todo banhado em suave luz que faz com que eu queira sempre continuar caminhando por ele, seja dia ou seja noite. Penso na amiga a cujo velório fui ontem, jovem, linda e simpática, brutalmente assassinada[1] quando sonhava em ser mãe, conforme tinha me dito uma semana antes. Ao invés de gerar uma criança que seria filha do seu corpo, preparava-se para ter uma filha do coração. Até nome já tinha para aquela criança que viria: Bárbara. Ela sabia que se podia sonhar com o que se quisesse, acreditava em Quintana. Penso no povo palestino, neste momento praticamente como que morrendo à míngua, pois até a eletricidade e a água lhes foi cortada na Faixa de Gaza ? e a televisão mostrou o bombardeio da sua estação de energia elétrica como se fosse um grande espetáculo pirotécnico ? ah! Essa nossa imprensa que faz o jogo da Desgraça e do Poder do Capital! Quando haverá Justiça neste mundo onde vivo? Mas quase à míngua, o povo palestino não pára de estudar, por maiores que sejam os bombardeios sobre suas cabeças, não importando a quantidade de crianças e adultos que são estraçalhadas por mísseis enquanto estudam. É estudando sob o silvo dos disparos que eles conseguem manter acesas as estrelas de um Futuro ? que seria deles se não fosse a mágica presença das estrelas? As coisas parecem impossíveis, mas isto não quer dizer que não devamos querê-las, e então os palestinos estudam. Em algum momento haverá algum milagre, ainda não se sabe quando nem como. Porque há estrelas, e porque há um milagre em perspectiva, estudam. Leio aqui, em Paulo Freire ?... No momento em que a percepção crítica se instaura, na ação mesma, se desenvolve um clima de esperança e confiança que leva os homens a se empenharem na superação das ?situações limites?[2].? Um teórico e um poeta dizendo a mesma coisa. Que seria do caminho, Paulo Freire, se não fosse a mágica presença das estrelas? Ah! Quintana, como poderia o povo palestino resistir e querer coisas que parecem impossíveis, se não tivessem entendido a tua mensagem, que decerto os poetas deles também sabiam? E Elfy, minha pobre Elfy, para quem as estrelas pararam de brilhar de forma tão terrível? Mas decerto és agora uma estrela também, não é, minha pobre amiga? E agora que tu própria irradias luz, irás cuidar muito bem daquela filha que o teu coração gestava, e que vai estar aqui por este mundo, com outra mãe... Mas serás mãe dela do mesmo jeito, e com tua luz nova poderás iluminar o caminho dela e lhe mostrar que não há coisas impossíveis... Se ela duvidar da própria fé, vais lhe mostrar a fé dos palestinos, e lhe contar dos segredos de Quintana! E então penso no meu próprio caminho iluminado por estrela distante, inatingível. Que sentido teria minha própria vida se não houvesse tal Estrela? Ah! Quintana, queria escrever uma coisa bem bonita para ti, nestes teus 100 anos, e lembrando do teu poema que fala de todas as possibilidades ? mas aconteceu a tragédia da Elfy, e na Palestina as coisas estão como estão, e minha Estrela tenta cortar-me os pés para que já não possa continuar no caminho iluminado... Perdão Quintana, choro. Acho que vou para casa pendurar a bandeira da Palestina na varanda, e acender um milhão de velas coloridas para Elfy, para que, agora também estrela, ela possa ver que aqui estou a me lembrar tanto dela... Então talvez possa esquecer um pouco os meus pés cortados... Blumenau, 06 de Julho de 2006. Urda Alice Klueger Escritora. -------------------------------------------------------------------------------- [1] Elfy Eggert, funcionária do Departamento de Produções Culturais da Universidade Regional de Blumenau, assassinada em 04 de julho de 2006.. [2] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1987. P. 91 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110409/d49f06b3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 10 13:09:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 10 Apr 2011 13:09:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__OLAVO_HANSEN_________________________?= =?iso-8859-1?q?________________-CV-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem OLAVO HANSEN (1937-1970) \Filiação: Borborema Hansen e Harald Hansen Data e local de nascimento: 14/09/1937, São Paulo (SP) Organização política ou atividade: PORT Data e local da morte: 09/05/1970, em São Paulo. Dirigente do PORT assassinado sob torturas em São Paulo, em maio de 1970, Olavo fez o curso primário em Guarulhos e continuou os estudos no Ginásio Dona Leonor Mendes de Barros, em São Bernardo do Campo, onde passou a residir. Em 1954, mudou-se para Mauá e fez o científico no Colégio Américo Brasiliense, em Santo André. Ingressou na Escola Politécnica da USP, onde freqüentou até o 2º ano do curso de Engenharia de Minas, militando no Movimento Estudantil. Antes, tinha sido office-boy em várias empresas, trabalhou em bancas de jornal e montou a primeira escola de datilografia de Mauá, buscando sempre custear seus próprios estudos. Abandonou o curso de Engenharia para dedicar-se integralmente à militância sindical e política, passando a trabalhar como operário em uma fábrica de carrocerias no bairro de Vila Maria. Com o Sindicato dos Metalúrgicos sob intervenção após 1964, tornou-se ativo lutador da oposição sindical. Quando preso e assassinado sob torturas, trabalhava como operário na indústria química IAP, de fertilizantes, em Santo André. Em seu prontuário, encontrado nos arquivos do DOPS/SP, constam diversas prisões: 07/03/1963, por distribuir panfletos sobre Cuba; 07/11/1964, por suas atividades nas recentes assembléias do Sindicato dos Metalúrgicos, sendo solto através de habeas-corpus em 30/11/1965. E a referência à ultima prisão, da qual não saiu vivo: preso e colocado à disposição da Delegacia de Ordem Social em 02/05/1970 por estar distribuindo panfletos subversivos na praça de esportes do Sindicato dos Têxteis, no dia anterior. Olavo participava de atividades comemorativas do Dia Internacional do Trabalho, ao ser preso pelo DOPS/SP, junto com outras 18 pessoas, na praça de esportes da Vila Maria Zélia. Passou por diversos presídios - Batalhão Tobias Aguiar, QG da Polícia Militar, OBAN e finalmente DOPS, onde ficou detido na cela n° 2. No dia 5 de maio, foi retirado dessa cela e conduzido à sala de interrogatórios, onde permaneceu por mais de 6 horas. Na volta, os companheiros ouviram dele o relato das torturas sofridas: obrigado a despir-se, sofreu queimaduras com cigarros e charutos, choques elétricos oriundos do tubo de imagens de um televisor, palmatória nos pés e nas mãos, espancamentos e pau-de-arara com afogamentos. Os presos políticos passaram a exigir que fosse chamado um médico para prestar assistência a Olavo, o que só aconteceu no dia 6 de maio. Além dos ferimentos visíveis por todo o corpo, ele apresentava sinais evidentes de complicações renais e edema nas pernas. O médico que o assistiu, Geraldo Ciscato, lotado no DOPS/SP, recomendou somente que ingerisse água, providenciando curativos em alguns ferimentos superficiais. O estado de Olavo vinha se agravando a cada dia. Os demais presos políticos promoveram manifestações coletivas para que fosse providenciada assistência médica efetiva. Tudo em vão. Somente no dia 8 de maio, quando seu estado já era gravíssimo, o médico voltou a vê-lo, dando ordens para que fosse removido a um hospital. No dia 13 de maio, a família foi informada de que Olavo se suicidara no dia 9, intoxicado por ter ingerido o inseticida Paration. Assinou a solicitação de exame necroscópico o delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho e, o laudo, os legistas Geraldo Rebelo e Paulo Augusto Queiroz Rocha. Os legistas descreveram equimoses, lesões e ferimentos, registrando que tais lesões não teriam ocasionado a morte; e concluíram que poderia ter sido decorrente de envenenamento. Sua morte foi denunciada na Câmara dos Deputados por 27 sindicatos de São Paulo, cinco Federações Sindicais, pela Igreja, intelectuais e estudantes, como também por organizações sindicais latino-americanas, tendo como porta-voz o líder do MDB Oscar Pedroso Horta. Diante das denúncias, o governo viu-se na contingência de abrir um inquérito, que foi encerrado com o seguinte resultado: Olavo Hansen praticara suicídio ingerindo o inseticida Paration, que mantinha escondido em suas vestes após a prisão. Nenhum dos militantes presos com Olavo foi ouvido. Os presos políticos que se encontravam no DOPS acusaram os responsáveis pela morte de Olavo: delegado Ernesto Milton Dias e delegado Josecyr Cuoco, com suas respectivas equipes, sob o comando do investigador Sálvio Fernandes do Monte e, ainda, a colaboração do médico Geraldo Ciscato. Somente com a abertura de alguns arquivos da repressão política se pode constatar, pela requisição de necropsia ao IML e pelo laudo, que seu corpo fora encontrado no Hospital Central do Exército, e não no Museu do Ipiranga, conforme a versão do laudo e da nota oficial dos órgãos de segurança. O Relatório do Ministério da Aeronáutica, de 1993, registra sobrei Olavo "falecido em São Paulo, no Hospital Militar, em 8 de maio de 1970, de morte natural, segundo comprovado através de inquérito, cujo Relatório, bem como o despacho de arquivamento do Juiz Auditor, foram publicados no 'Correio da Manhã' de 20 de novembro 1970". O relator na CEMDP destacou que o processo protocolado incluía um detalhado depoimento da atriz Dulce Muniz, que esteve presa com Olavo Hansen. Explica ela que 13 sindicatos organizaram uma festa de 1º de Maio, no estádio Maria Zélia, com a participação de familiares, numa tentativa de reorganizar os trabalhadores. O grupo de presos foi levado para o Batalhão Tobias Aguiar e, depois, para a OBAN. Dulce tinha 22 anos e estava com o marido, Hélio, e mais 15 jovens. O mais velho era Olavo, com 30 anos, que tentava acalmar a todos. Já no DOPS, quando, uma tarde, Dulce desceu do interrogatório, Olavo quis falar com ela. Ele estava sentado no meio da cela e os companheiros tiveram que carregá-lo pelos dois braços para chegar até a janelinha da porta. Foi a última vez que o viu. Nesta mesma noite, Olavo foi levado em coma para o hospital. O relator concluiu que "é inaceitável a versão de suicídio e encontro do cadáver em via pública, devendo ser reconhecido, por esta Comissão, o falecimento de Olavo Hansen em 09/05/1970, por causa não natural, em dependência hospitalar militar, para onde foi levado em estado de coma, no dia anterior, estando preso, sem interrupção desde o dia 01/05/1970". ========================================================================================================================= + Informações. OLAVO HANSEN Dirigente do PARTIDO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO TROTSKISTA (PORT). Nasceu em São Paulo, capital, filho de Harald Hansen e Borborema Hansen, em 14 de dezembro de 1937. Olavo fez o primário em Guarulhos e continuou no Ginásio Dona Leonor Mendes de Barros, em São Bernardo do Campo, onde residia com seus familiares. Em 1954, sua família mudou-se para Mauá e Olavo fez o científico no Colégio Américo Brasiliense, em Santo André. Ingressou na Escola Politécnica da USP, onde frequentou até o 2º ano do curso de Engenharia de Minas. Sempre muito estudioso, nunca deixou de trabalhar para custear seus estudos. Foi ofice-boy em várias empresas, trabalhou em bancas de jornais e montou a 1ª escola de datilografia de Mauá. Militou no movimento estudantil e, nos anos 60, foi membro na União Nacional dos Estudantes, em São Paulo, participando das principais campanhas da entidade. Abandonou o curso para dedicar-se integralmente ao trabalho sindical e político, não hesitando em se empregar em uma fábrica de carrocerias no bairro de Vila Maria. Como o Sindicato dos Metalúrgicos estava sob intervenção do governo, Olavo tornou-se ativo lutador da oposição sindical. Várias vezes preso, nunca esmoreceu, pois afirmava que o homem só seria feliz quando existisse igualdade entre todos. Em seu prontuário, encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP, lê-se: - preso em 7 de março de 1963 por distribuir panfletos sobre Cuba; - em 1 de novembro de 1964 participou de assembléia do Sindicato dos Metalúrgicos, ocasião em que "formulou apelo para se lutar pelas liberdades democráticas e sindicais"; - preso no dia 7 de novembro de 1964 por suas atividades nas recentes assembléias do Sindicato dos Metalúrgicos; - solto através de um habeas corpus em, 30 de março de 1965; - "... consta em uma relação fornecida pelo II Exército de indivíduos que deverão ficar em observação especial durante os dias 26 a 29 de janeiro de 1968, sendo considerado perigoso"; - em 14 de outubro de 1969 teve sua prisão preventiva decretada; - preso e colocado à disposição da Delegacia de Ordem Social em 2 de maio de 1970, por estar distribuindo panfletos subversivos na praça de esportes do Sindicato dos Têxteis, no dia anterior. Preso pelo DEOPS/SP, juntamente com mais 18 pessoas no dia 1° de maio de 1970, na praça de esportes da Vila Maria Zélia, durante comemoração operária pela passagem do Dia Internacional do Trabalho e imediatamente levado para o DOI/CODI-SP, onde foi torturado. No dia 4 de maio, Olavo foi transferido para o DOPS, onde ficou detido na cela n° 2. No dia 5 de maio, foi retirado da cela e conduzido à sala de torturas, onde permaneceu por mais de 6 horas. Na volta, os companheiros de cela de Olavo ouviram dele o relato das torturas sofridas: obrigado a despir-se, sofreu queimaduras com cigarros e charutos, choques elétricos oriundos do tubo de imagens de um televisor, palmatória nos pés e nas mãos, espancamentos, pau-de-arara, com afogamentos e choques elétricos, agora aplicados por um aparelho mais sofisticado e conhecido como pianola Boilesen (este instrumento leva o nome de seu criador, o industrial Albert Henning Boilesen, fundador e financiador da Operação Bandeirantes, que posteriormente passou a se chamar DOI/CODI de São Paulo). Os presos politicos passaram a exigir que fosse chamado um médico para prestar assistência a Olavo, o que só foi realizado no dia 6 de maio. Além dos ferimentos visíveis por todo o corpo, Olavo apresentava sinais evidentes de complicações renais, anúria e edema das pernas. O médico que o assistiu, Dr. Geraldo Ciscato, lotado na época no DEOPS-SP, recomendou somente que ingerisse água, providenciando curativos em alguns ferimentos superficiais. O estado de Olavo agravava-se a cada dia. Seus companheiros de cela promoveram manifestações coletivas para que fosse providenciada assistência médica efetiva, tudo em vão. Somente no dia 8 de maio, quando Olavo já se encontrava em estado de coma, o Dr. Ciscato voltou a vê-lo, dando ordens para que fosse removido para um hospital, deixando claro que ele não tinha a mínima chance de sobrevivência. Foi levado às pressas para o Hospital do Exército no Cambuci. No próprio hospital, e na tentativa de fugir à responsabilidade do assassinato sob tortura, os agentes injetaram em Olavo o inseticida Paration, preparando a farsa da nota oficial que seria publicada no dia seguinte. No dia 13 de maio, a família de Olavo é informada de que ele se suicidara no dia 9. No atestado de óbito fornecido pelo IML, a causa-mortis foi intoxicação pelo inseticida Paration, constando também escoriações disseminadas pelo corpo, equimoses e a descrição de oito ferimentos. A tentativa de dissimular o assassinato sob tortura foi denunciada na Câmara Federal por 27 sindicatos de São Paulo, 5 Federações Sindicais, pela Igreja, intelectuais e estudantes, como também por organizações sindicais latino-americanas. Frente a estas denúncias, o governo viu-se na contingência de abrir um inquérito para apuração de possíveis irregularidades, inquérito este que foi encerrado dois meses após com o seguinte parecer: Olavo Hansen praticara o suicídio com Paration, que conseguira manter escondido em suas vestes após a prisão. A despreocupação na apuração real dos fatos fica evidente quando se constata que nenhum dos companheiros de cela de Olavo (de onde ele foi retirado em estado de coma e desenganado pelo Dr. Ciscato) foram arrolados como testemunhas, apesar de ainda se encontrarem presos e, portanto, à disposição das autoridades. Em denúncia pública, todos os presos políticos que se encontravam no DOPS, e que testemunharam as torturas que levaram Olavo à morte, acusaram seus assassinos, que são: delegado Ernesto Milton Dias e delegado Josecyr Cuoco, com suas respectivas equipes, sob o comando do investigador Salvio Fernandes do Monte e ainda a colaboração do Dr. Geraldo Ciscato. Assinaram a denúncia os seguintes presos políticos: Vitório Chinaglia, Rafael Martinelli, Patrocínio Henrique dos Santos, Maurice Politi, Dulce Moniz, Gilberto Beloque, Sonia Hipólito, Tarcísio Sigristi, Marco Antônio Moro, Bety Chachamovith, Carlos Russo Jr., Waldemar Tebaldi Filho, José Claudio Barighelli, Norma Freire, Humberto Veliame, Fernando Casadei Salles, João Manoel de Souza, Maria do Carmo e outros. Seu corpo foi entregue à familia em caixão lacrado, onde se via apenas o rosto, através de um visor e, embora fossem dezenas as testemunhas de sua prisão, tortura e assassinato, até hoje sua morte permanece sem ser esclarecida. Assina a solicitação de exame necroscópio o Delegado Alcides Cintra Bueno Filho e o laudo os legistas Geraldo Rebelo e Paulo Augusto Queiroz Rocha, dando como causa mortis intoxicação por Paration. O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz: "falecido em São Paulo, no Hospital Militar, em 8 de maio de 1970, de morte natural, segundo comprovado através de inquérito, cujo Relatório, bem como o despacho de arquivamento do Juiz Auditor, foram publicados no 'Correio da Manhã' de 20 de novembro 1970", versão que contraria o próprio laudo do IML. ================================================================================== + detalhes. Proin > Inventário DEOPS > Destaques Denúncia da morte de Olavo Hansen, preso em comemoração do 1º de maio Prontuário: Pasta 50-Z-09-79. Documento 14471A Pesquisador: Pádua Fernandes Este documento (reservado) reproduz o panfleto Denúncia ao povo brasileiro e à opinião pública internacional: Foi assassinado, após brutais torturas, Olavo Hansen, preso no ato dos sindicatos paulistas no dia 1º. de maio no Estádio de Maria Zélia, em S.Paulo. Trata-se de denúncia, não assinada, da morte de Olavo Hansen, e convocação para seu enterro em 14 de maio de 1970. Tinha 32 anos. Olavo Hansen era um sindicalista ligado ao Sindicato dos Metalúrgicos e um dirigente do PORT - Partido Operário Revolucionário Trotskista. Ele havia sido aluno de Engenharia na Universidade São Paulo, mas deixou os estudos para se engajar na política sindical. O folheto refere-se a suas prisões anteriores, que ocorreram devido à repressão ao sindicalismo. Em 1970, trabalhava em uma indústria química em Santo André. Em 1º. de maio de 1970, ele foi preso com outros sindicalistas, enquanto distribuía panfletos, por policiais militares, na praça de esportes da Vila Maria Zélia, em São Paulo, durante uma comemoração autorizada do dia do trabalho. Hansen foi torturado até o dia 5 de maio. Apesar dos protestos de outros presos políticos no DEOPS/SP, ele não recebeu assistência médica adequada e foi levado ao Hospital do Exército em Cambuci somente em 8 de maio, quando já estava em estado de coma. Em 13 de maio, sua família foi avisada que ele teria se suicidado no dia 9, e que seu corpo teria sido encontrado perto do Museu do Ipiranga. A morte gerou requerimentos de investigação junto ao CDDPH - Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, órgão ligado ao Ministério da Justiça, criado por lei no final do governo de João Goulart. O MDB - Movimento Democrático Brasileiro, partido da oposição, solicitou a investigação, a partir de denúncias de vários sindicatos, bem como Sobral Pinto, advogado que atuou em favor de vários presos políticos desde a ditadura de Getúlio Vargas. Como aconteceu durante todo o governo Médici, o CDDPH, presidido pelo Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, manteve-se inerte diante das denúncias. Foi instaurado um inquérito criminal em maio de 1970, por determinação do Secretário de Segurança do Estado de São Paulo. Um laudo atestava que a causa da morte era "indeterminada"; outro, posterior, que a morte foi causada pelo inseticida Paration. Afirmando que não se poderia determinar com os elementos presentes se tinha ocorrido suicídio ou homicídio, o juiz Nelson da Silva Machado Magalhães decidiu arquivar o caso em 19 de novembro de 1970, apesar das marcas de tortura terem sido apontadas no laudo. O caso levou ainda a denúncias, em junho e setembro de 1970, junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e, em junho de 1970, à Organização Internacional do Trabalho, por violação da liberdade sindical. O folheto conclamava a "opinião pública internacional e nacional" a se manifestar: "A opinião pública democrática do Brasil e de todo o mundo deve se manifestar maciçamente contra êste hediondo assassinato e sobretudo para parar a mão do setôr que vêm seguidamente cometendo torturas e assassinatos." =========================================================================================== + detalhes. Artigo publicado na edição nº 36 de junho de 2009. Tortura e assassinato no Brasil da ditadura militar: o caso de Olavo Hansen Pádua Fernandes e Diego Marques Galindo Introdução Olavo Hansen foi o primeiro operário morto no DEOPS/SP na ditadura militar brasileira. Seu assassinato em 1970, segundo Elio Gaspari, foi um primeiro "embaraço" ao governo Médici[*1], que buscava negar, a despeito das denúncias internacionais, que houvesse tortura em suas prisões. Esse caso foi o primeiro a ultrapassar o bloqueio que a ditadura militar tentava impor às denúncias contra o Brasil na Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA). O governo Médici impediu o representante da Comissão, Durward Sandifer, de ingressar no país para investigar o caso, o que afetou a imagem internacional do Brasil[*2]. O caso também gerou queixa junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT), que terminou de forma inconcludente. Este artigo, porém, não tratará dessas instâncias internacionais, e sim das tentativas de investigar o caso no âmbito das instituições nacionais: a denúncia do advogado Sobral Pinto ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e o inquérito policial militar aberto por determinação do Secretário de Segurança de São Paulo. 1. A morte de Olavo Hansen, sindicalista e militante comunista Olavo Hansen nasceu no Município de São Paulo em 1937. Militou no movimento estudantil e, nos anos 1960, foi membro da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Paulo. Membro do Partido Operário Revolucionário Trotskista (PORT)[*3], tendo o partido decidido pela proletarização de seus quadros, Hansen abandonou o curso de engenharia da Universidade de São Paulo e empenhou-se na política sindical. Em 1970, trabalhava na indústria química. Ele já havia sido preso em 1963 por distribuir panfletos sobre Cuba; em novembro de 1964, por participar de assembleia do Sindicato dos Metalúrgicos, sendo solto apenas em março de 1965[*4]. No dia 1º de maio de 1970, na praça de esportes da Vila Maria Zélia, foi preso novamente com mais 18 pessoas durante a comemoração operária do Dia do Trabalho, pelo 1º Batalhão de Polícia da Força Pública, devido à posse de panfletos subversivos. Enviados para o Quartel General da Polícia Militar, os prisioneiros foram postos nus no chão, sofreram agressões e ficaram sob a ameaça de metralhadora. Em seguida, foram levados para a OBAN (Operação Bandeirantes), "[...] onde estava todo o pessoal que tinha sido preso no Vale do Ribeira, da VPR, da guerrilha, e por isso, estava muito cheio. E o pau comendo"[*5], segundo Geraldo Siqueira, que era da célula do PORT que Hansen chefiava, e também foi preso com panfletos. No dia 4 de maio, Hansen e os outros presos foram enviados ao DEOPS, onde a tortura recomeçou. De acordo com Geraldo Siqueira, "Nós éramos carne nova para eles. E aí a coisa ficou ruim. Eles pegaram o Olavo e disseram: 'Esse aqui já conhece o caminho'. Já o separaram e mandaram para o pau. Ele começou a apanhar logo na entrada"[*6]. Conduzido à sala de torturas, Olavo Hansen foi obrigado a se despir e sofreu queimaduras com cigarros e charutos, choques elétricos oriundos do tubo de imagem de um televisor, palmatória nos pés e nas mãos, espancamentos, pau de arara e afogamentos. No dia 5, os outros presos políticos passaram a exigir que lhe fosse dada assistência médica, o que só foi realizado no dia 6. Além dos ferimentos visíveis por todo o corpo, apresentava sinais evidentes de complicações renais, anúria e edema das pernas, próprios de combatentes de guerra[*7]. O médico Geraldo Ciscato, lotado no DEOPS/SP, prestou apenas cuidados superficiais. Os outros presos voltaram a exigir uma assistência efetiva, mas somente no dia 8, quando Hansen tinha entrado em coma, Ciscato retornou e determinou que ele fosse levado para um hospital. Foi levado para o Hospital do Exército, em Cambuci, onde faleceu no dia 9[*8]. A polícia pretendeu que seu corpo teria sido encontrado em 9 de maio num terreno baldio no Ipiranga. Em 13 de maio, a família foi informada de que ele teria se suicidado no dia 9 de maio de 1970. Os presos políticos Vitório Chinaglia, Raphael Martinelli, Patrocínio Henrique dos Santos, Maurice Politi, Dulce Moniz, Gilberto Beloque, Sonia Hipólito, Tarcísio Sigristi, Marco Antônio Moro, Bety Chachamovith, Carlos Russo Jr., Waldemar Tebaldi Filho, José Claudio Barighelli, Norma Freire, Humberto Veliame, Fernando Casadei Salles, João Manoel de Souza, Maria do Carmo e outros, que testemunharam a prisão e o martírio de Hansen, apontaram como responsáveis pelo assassinato o "delegado Ernesto Milton Dias e [o] delegado Josecyr Cuoco, com suas respectivas equipes, sob o comando do investigador Sálvio Fernandes do Monte e, ainda, a colaboração do médico Geraldo Ciscato"[*9]. 2. O assassinato de Hansen e o sequestro da verdade: o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e o inquérito policial militar O assassinato de Hansen ganhou destaque na imprensa apesar da censura reinante. Em 21 de maio de 1970, o então Deputado Federal Franco Montoro, falando como líder do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), denunciou na Câmara dos Deputados: 1. a prisão arbitrária de 17 trabalhadores que participavam das comemorações pacíficas da data de 1º de Maio, no Campo de Esportes Maria Zélia, na Vila Maria, S.Paulo; 2. a tortura e a violência praticadas por autoridades públicas; 3. em consequência dessas violências, a morte de um dos presos, o trabalhador Olavo Hansen, empregado na firma I.A.P., e membro do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Química de Santo André.[*10] O Deputado solicitou a convocação do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) para investigar a morte do operário. Certidão de óbito assinada pelo médico legista Geraldo Rebello, em 14 de maio de 1970, considerara "indeterminada" a causa da morte[*11]. O CDDPH havia sido criado no âmbito do Ministério da Justiça, ainda durante o governo de João Goulart, por meio da Lei nº 4.319, de 16 de março de 1964, aprovada a partir de projeto do Deputado Federal Bilac Pinto, com a função de investigar as violações de direitos humanos. Era composto pelos seguintes membros, de acordo com o artigo 2º: Ministro da Justiça e Negócios Interiores, Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Professor Catedrático de Direito Constitucional de uma das Faculdades Federais, Presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Presidente da Associação Brasileira de Educação, Líderes da Maioria e da Minoria, na Câmara dos Deputados e no Senado. Em 1971, a Lei nº 5.763 aumentou o número de componentes, assegurando a maioria para o governo, reduziu pela metade a frequência das reuniões e tornou-as secretas. Essa alteração da lei deixou flagrante a oposição do governo Médici aos direitos humanos. Em seu governo, bem como no de Geisel, o CDDPH praticamente não funcionou; a reativação ocorreu apenas no governo Figueiredo[*12]. O Conselho, na expressão de Kenneth P. Serbin, era uma "farsa" e obstruía as investigações[*13]. Devido ao assassinato de Olavo Hansen pelos agentes da repressão, Heráclito Fontoura Sobral Pinto, um dos mais notáveis advogados da história do Brasil, dirigiu uma petição ao presidente do CDDPH, o Ministro da Justiça do governo Médici, Alfredo Buzaid, em 18 de maio de 1970 (pouco antes, portanto, da manifestação do MDB). Sobral Pinto, apesar de sua estreita adesão à Igreja Católica, não deixou de defender vários comunistas que sofreram perseguição política, como Luís Carlos Prestes. Victor Nunes Leal bem o caracterizou simultaneamente como "conservador" e "crítico vigilante da vida pública"[*14]. Na petição, Sobral Pinto escreveu: 2) Cumpre acentuar que o 1º de Maio é, nos tempos modernos, festejado em toda as nações civilizadas como o dia do trabalhador, sendo certo que a nação brasileira participa neste ponto de vista, uma vez que decretou feriado nacional, e com esta finalidade, o 1º. de Maio; 3) Por outro lado, a Constituição Federativa do Brasil, de 17 de Outubro de 1969, estabeleceu: "Todos podem reunir-se sem armas, não intervindo a autoridade senão para manter a ordem. A Lei poderá determinar os casos em que será necessária a comunicação prévia à autoridade, bem como a designação, por esta, do local da reunião." (Art. 153 - § 27); 4) Na hipótese, em se tratando de reunião em praça de esporte de jurisdição privada, não haveria necessidade de prévia autorização da autoridade pública para que ela se realizasse, mas, no empenho de afastar qualquer autorização foi requerida e deferida, consoante informação idônea recebida, em seu escritório de advocacia, pelo ora requerente; 5) É mister esclarecer, outrossim, que a Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem firmada em 1948, em Bogotá, pelo Brasil na Nona Conferência Internacional Americana, estatui: "Toda pessoa tem o direito de se reunir pacificamente com outras, em manifestação pública, ou em assembleia transitória, em relação a seus interesses comuns, de qualquer natureza que sejam." (Art. XXI)[*15] O primeiro de maio estava sendo comemorado na vila de esportes do Sindicato dos Têxteis. Os agentes à paisana do 1º Batalhão de Polícia da Força Pública, para prender o operário e militante trotskista, com outros militantes, simplesmente violaram a garantia de livre reunião prevista na Constituição de 1967 e na Declaração Americana de Direitos Humanos. O líder do MDB na Câmara dos Deputados, Oscar Pedroso Horta, em 30 de julho de 1970, discursou a respeito da morte de Olavo Hansen e pediu a apuração dos fatos[*16], o que não ocorreu no inquérito policial militar (IPM) que foi aberto por determinação do Secretário de Segurança do Estado de São Paulo, Cel. Danilo Darcy de Sá da Cunha e Melo. Os presos que presenciaram a prisão e a tortura de Olavo Hansen não foram ouvidos no IPM. Segundo um deles, o sindicalista Waldemar Rossi, Hansen teria contado, após voltar das torturas, que dele tentaram extrair, em vão, os nomes da direção do PORT no sul do país[*17]. O registro de óbito de Hansen havia apontado a causa da morte como indeterminada; contudo, o exame toxicológico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) do Estado de São Paulo, em 5 de junho, revelou que a morte se deu por envenenamento pelo produto químico Paration[*18], além de indicar diversos ferimentos. Sobral Pinto, em 30 de junho de 1970, escreveu um aditamento à denúncia que fez ao CDDPH, solicitando que a denúncia recebesse andamento, tendo em vista o envenenamento de Hansen e a tortura: O Laudo, que vai junto, revela as torturas de que foi vítima Olavo Hansen, uma vez que nele se lê o que se segue: 1) Ferimento contuso com perda da pele e células subcutâneas na região superior interna da pele direita; 2) Espoliação localizada na face interna do joelho direito; 3) Pequena escoriação localizada no centro da panturrilha da perna direita; 4) Escoriação localizada na face interna da perna esquerda; 5) Pequena escoriação circular na face anterior e terço superior da perna esquerda; 6) Escoriação localizada na região escrotal esquerda; 7) Pequena escoriação localizada no lado externo do cotovelo esquerdo; 8) Equimose localizada na região pré-cordeal.[*19] No mesmo dia, escreveu petições ao Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Janton Jobim, e ao Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro de Almeida Camargo, na condição de membros do CDDPH, enviando o aditamento à denúncia[*20]. Porém, o Conselho manteve-se omisso[*21]. A questão da tortura foi recalcada no IPM para incriminar a própria vítima pela morte. O médico Ciscato, em depoimento, afirmou que a equimose de Hansen era fruto de insuficiência renal[*22]. Segundo o delegado que presidiu o inquérito e defendeu a tese do suicídio, Silvio Pereira Machado, Hansen teria fácil acesso à substância química pela sua profissão, pois era empregado numa fábrica de fertilizantes, e, ao ser preso, teria escondido o veneno em suas vestes ou em alguma parte do corpo. Outra possibilidade é que tivesse feito uso do veneno para amenizar as dores provenientes de doença renal. No parecer de 4 de setembro de 1970, o Ministério Público, representado por Durval A. Moura de Araujo, requereu o arquivamento "por não ter ficado apurado que a morte tenha sido causada por crime ou tenha sido apurada a responsabilidade de terceiros como causadores da morte do investigado"[*23]. Em 19 de novembro de 1970, o Juiz-Auditor Nelson da Silva Machado Guimarães, seguindo parecer do Ministério Público, determinou o arquivamento do inquérito policial militar por alegadamente não existirem nos autos "elementos objetivos de que a morte tenha sido CAUSADA criminosamente"[*24] [grifo do autor]. Apesar do laudo que apontava marcas de agressão, não foram responsabilizadas as autoridades policiais, mas sim a própria vítima. O juiz, depois de apontar que Hansen estava com folhetos subversivos em que se pedia solidariedade aos povos do Vietnã e de Cuba, escreveu: [...] a afirmação de que Olavo Hansen, se estava distribuindo os aludidos panfletos numa concentração pacífica de trabalhadores, era, ao mesmo tempo, mais um AGENTE e VÍTIMA do sistema de ideias mais abominável e desumano que a mente humana até hoje elaborou. [grifo do autor][*25] O comunismo, pois, causaria insuficiência renal aguda. À guisa de conclusão: redemocratização e permanência de violações contra os direitos humanos O caso de Olavo Hansen foi um importante desmentido à propaganda do governo Médici de que não havia tortura no Brasil, e um exemplo expressivo da inação da OAB e da colaboração do Judiciário e do Ministério Público com a atuação ilegal dos órgãos de repressão, ao fecharem os olhos para as evidências da atuação ilegal dos órgãos de segurança. A ditadura foi militar, mas não é menos verdade que ela não poderia ter-se mantido sem a cumplicidade ou o silêncio de vários setores da sociedade brasileira[*26]. Nem mesmo o AI5 chegou a legalizar a tortura no país; porém, se a legislação de exceção pôde ainda garantir alguns direitos humanos, era porque os agentes da repressão sabiam que esses direitos não precisariam ser obedecidos, o que torna absurdo, em termos de teoria do direito, considerar que não havia um regime ditatorial nessa época. Não menos importante foi a repercussão internacional do caso, tendo em vista o desconhecimento, na opinião pública dos Estados Unidos e na Europa do início dos anos 1970, das políticas de violação dos direitos humanos da ditadura militar brasileira. Em 1996, foi reconhecida a responsabilidade do Estado brasileiro pela morte de Olavo Hansen no caso 82/96 da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), criada pela Lei nº 9.140, de 1995[*27]. Porém, persiste o problema do insuficiente comprometimento das forças de segurança, do Judiciário e do Ministério Público com os direitos humanos no campo do direito à integridade física. Trata-se de uma questão de classe social, pois os pobres continuam a ser torturados. A Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura, de 1985, foi ratificada pelo Brasil em 1986. No entanto, somente onze anos depois foi aprovada a Lei Federal nº 9.445, que tipificou o crime de tortura. A existência dessa lei era uma condição necessária para a sanção penal dos torturadores. A sua rara aplicação fez com que o então Relator da ONU contra a tortura, Nigel Rodley, solicitasse uma inspeção no Brasil, o que foi autorizado pelo governo brasileiro. Os resultados não foram lisonjeiros: O relatório foi divulgado em abril de 2001, no âmbito da Comissão de Direitos Humanos da ONU, e apontou que a ação criminosa da polícia era apoiada pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário brasileiros, que, quando tipificavam o crime, faziam-no como lesão corporal ou abuso de autoridade, e não como tortura, que é um tipo penal com penas mais severas.[*28] É provável que a forma como tenha sido realizada a transição política no Brasil, com o controle dos militares e dos setores civis mais envolvidos na repressão, se relacione com a permanência desse tipo de violação dos direitos humanos (que antecede, porém, a própria ditadura militar). Esse debate, que se situa no campo da justiça de transição, é matéria, contudo, para outros trabalhos. Referências bibliográficas Depoimento oral: Depoimento dado no evento Sábados resistentes: o papel da resistência da classe trabalhadora durante a ditadura militar e nos dias de hoje, organizado pelo o Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência. São Paulo, Memorial da Resistência, 2 maio 2009. Documentos do Arquivo Público do Estado de São Paulo - Acervo do DEOPS/SP 50-Z-09-14466. Certidão de óbito de Olavo Hansen. 1fl. 14 maio 1970. 50-Z-09-14467A. Denúncia da morte de Olavo Hansen ao Presidente do CDDPH por Sobral Pinto. 4 fl. 18 maio 1970. 50-Z-09-14468A. Petição de Sobral Pinto ao Presidente do CDDPH. 3 fl. 30 jun. 1970. 50-Z-09-14468. Petição de Sobral Pinto ao Presidente da ABI. 1fl. 30 jun. 1970. 50-Z-09-14467. Petição de Sobral Pinto ao Presidente do Conselho Federal da OAB. 1 fl. 30 jun. 1970. 50-Z-09-14471. Em nome de um milhão de trabalhadores, MDB dirige-se ao Conselho de Defesa dos Direitos Humanos. Discurso do Deputado Franco Montoro. 2 fl. 21 maio 1970. 50-Z-09-14473. Exame toxicológico no corpo de Olavo Hansen realizado pelo Instituto Médico-Legal do Estado de São Paulo. 1 fl. 5 jun. 1970. 50-Z-09-14909 a 50-Z-09-14907. Decisão de arquivamento do IPM sobre a morte de Olavo Hansen. Juiz Nelson da Silva Machado Guimarães. 8 fl. 19 nov. 1970. 50-Z-09-Pasta 106-fl. Depoimento dado pelo médico José Geraldo Ciscato no IPM sobre a morte de Olavo Hansen. 3 fl. 31 jul. 1970. 50-Z-09-Pasta 106-fl. 06 a 03. Parecer do Ministério Público no IPM sobre a morte de Olavo Hansen. Promotor Durval A. Moura de Araujo. 4 fl. 4 set. 1970. Livros e artigos: COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS; INSTITUTO DE ESTUDOS SOBRE A VIOLÊNCIA DO ESTADO. Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985). São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009. p. 195. COMISSÃO ESPECIAL SOBRE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS. Direito à Memória e à Justiça. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2007. DULLES, John W. F. Resisting Brazil's Military Regime: An Account of the Battles of Sobral Pinto. Austin: University of Texas, 2007. FERNANDES, Pádua. A produção legal da ilegalidade: os direitos humanos e a cultura jurídica brasileira. Domínio Público, 2005, p. 64. Disponível em: . Acesso em: 15 abr. 2009. GASPARI, Elio. A Ditadura Escancarada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. 6. ed. São Paulo: Ática, 2003. GREEN, James N. Clerics, Exiles and Academics: Opposition to the Brazilian Military Dictatorship in the United States, 1969-1974. Latin American Politics and Society. Spring 2003, vol. 45, n.1, p. 87-116. GRUPO TORTURA NUNCA MAIS. Olavo Hansen. In: Tortura Nunca Mais. Disponível em: . Acesso em: 15 abr. 2009. LEAL, Victor Nunes. Sobral Pinto, Ribeiro da Costa e umas lembranças do Supremo Tribunal na Revolução. Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica Editora, 1981. MELLO, Celso Delano de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Público. v. I. 12. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2000. p. 856. SERBIN, Kenneth P. Diálogos na sombra: Bispos e militares, tortura e justiça social na ditadura. Tradução C. E. Lins da Silva; M. C. de Sá Porto. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 371. . =========================================================================================== . + detalhes. Fequimfar completa 51 anos e homenageia trabalhador morto pela ditadura Escrito por Assessoria de imprensa da Fequimfar 28-Abr-2009 No dia 23 de abril, a Federação dos Químicos comemorou os 51 anos da entidade e recebeu o Voto de Júbilo da Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa do Vereador Cláudio Prado. Na ocasião, também foi realizada uma cerimônia em memória a Olavo Hansen, trabalhador do segmento químico, assassinado em 1970 pelas forças repressoras do regime militar. No evento estiveram presentes lideranças dos sindicatos filiados a Fequimfar, diretores da Força Sindical, Força São Paulo, CNTQ, Nova Central, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Sindicato dos Borracheiros, do Sindfucesp, do Fórum dos EXs presos e perseguidos políticos, Fundação Santo André e lideranças do PDT-SP. Após a entrega de uma placa da Câmara Municipal de São Paulo, em homenagem a Fequimfar, pelo verador Cláudio Prado, a diretoria da Fequimfar prestou uma homenagem ao companheiro Olavo Hansen, trabalhador da indústria química que foi assassinado em maio de 1970, pelos órgãos de repressão do regime militar. Olavo, foi morto, após ser sequestrado por forças repressoras da Ditadura Militar, num ato em comemoração ao dia 1º de maio, convocado pelos Sindicatos afiliados a Fequimfar, no ano de 1970, no Estádio Maria Zélia em São Paulo. Foi apresentado um pequeno resumo da vida de Olavo Hansen, junto ao posicionamento político da Fequimfar, sendo que na ocasião de sua morte, apesar das inúmeras perseguições políticas e do terrorismo de estado, a Fequimfar publicou uma série de artigos em seu jornal, denunciando, protestando e questionando a morte do companheiro Olavo Hansen. Sofrendo diversas conseqüências e perseguição política por esse fato. Maurice Politi (diretor do Fórum dos ex presos e perseguidos políticos de São Paulo) e Raphael Martinelli (presidente do Fórum dos ex presos e perseguidos políticos de São Paulo) deram seus testemunhos sobre a morte de Olavo. "Ficamos presos na cela 3, no dia 20 de março ao dia 20 de abril, quando chegou a cela, Olavo estava assustado e disse para nos que estava somente distribuindo jornal no estádio Maria Zelina, num 1º de maio, que tinha cerca de 200 pessoas. Após ser levado para ser torturado, retornou a cela com inconsciente e com diversas escoriações, quando tentamos ajudá-lo, fazendo massagens no peito e nas pernas. Chamamos por socorro, fazendo um grande estardalhaço para que ele fosse atendido. Posteriormente um médico o examinou e logo após retiraram Olavo da Cela. Na ocasião, pensamos que ele tinha sido socorrido, mas no dia seguinte seu corpo foi encontrado no Ipiranga. Mas devemos sempre ressalvar que Olavo não foi somente uma vítima, ele sabia que ele estava defendendo uma idéia, que estava lutando por uma causa. Olavo foi um homem de valor. Em seguida Raphael Martinelli prestou homenagem ao primeiro presidente da Fequimfar, Francisco Dezen e também saudou Olavo Hansen, "Olavo era um trabalhador, um operário honesto, correto. Quando voltou da tortura, gritamos muito para que ele fosse socorrido. Quando o retiraram, pensamos que tínhamos conseguido uma vitória, mas infelizmente não foi isso que ocorreu. Queriam que ele entregasse companheiros do Rio Grande do Sul, mas ele não disse nada", Martinelli saudou a Fequimfar, na pessoa de seu presidente, Danilo, lembrando que a primeira escola política do trabalhador é o sindicato. José Gaspar, vice presidente do PDT SP, declarou, "Temos obrigação de resgatar nossa história, precisamos ter memória. Quero destacar o trabalho do comitê dos ex presos políticos e seus diretores".Reafirmando o seu compromisso com a luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, a Federação dos Químicos deu o nome de Olavo Hansen ao seu auditório. Danilo Pereira da Silva, presidente da Fequimfar e da Força Sindical São Paulo, declarou, "Nossa homenagem ao companheiro e amigo, Olavo Hansen, morto em maio de 1970, pelos órgãos de repressão do regime militar, que arbitrariamente governou esse País. A democracia de hoje é fruto da luta e resistência de muitos companheiros que também lutaram pela liberdade, por seus direitos e por uma vida melhor. Companheiros que acreditaram num futuro melhor. A Fequimfar reafirma o seu compromisso com a luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, junto a lembrança desse grande companheiro, Olavo Hansen. Olavo Hansen, era operário da Indústria Química, trabalhava na empresa QuimBrasil. Olavo era técnico químico e militava numa organização trotskista. Foi morto, após ser sequestrado por forças repressoras da Ditadura Militar, num ato em comemoração ao dia 1º de maio, convocado pelos Sindicatos afiliados a FEQUIMFAR, no ano de 1970, no Estádio Maria Zélia em São Paulo. Olavo foi preso junto com outros 17 companheiros. Seu corpo apareceu numa várzea alguns dias depois de sua morte. Quando foi preso, estava distribuindo o jornal "Frente Operária", provavelmente ligado a organização Posadista, com outros companheiros. Sua missa de 7º Dia foi realizada no dia 12 de maio de 1970. De acordo com dados publicados a época, o relatório dos legistas informava que havia grande quantidade de veneno em seu sangue, provavelmente inserido pela veias. Na ocasião, o Jornal o Estado de SP, no dia 1º de agosto de 1970, publicou uma matéria, através de seu Jornalista, Evandro Carlos de Andrade, que relata partes do discurso do deputado Oscar Pedroso Horta, vice líder do MDB. O deputado faz furiosa crítica ao governo pedindo que os responsáveis fossem punidos exemplarmente para que tais ações não mais acontecessem na sociedade brasileira. (...)"preso em São Paulo em festa comemorativa do 1º de maio, foi morto na prisão. Doze dias depois de sua detenção,a família, por telefone, foi convidada a reconhecer o corpo no Ipiranga. O exame de cadáver demonstrou, pelas lesões apresentadas que Olavo Hansen foi submetido ao pau de arara. Feita a autópsia, verificaram os médicos legistas que os condutos do aparelho digestivo se apresentavam intactos, mas os rins estavam destruídos por veneno, o que impôs a condição, veiculada pelo Sr. Pedroso Horta de que a vítima não apenas morrera envenenada, mas teria recebido a dose fatal de veneno por injeção na veia, já que dela não havia vestígios na boca, no esôfago e no estômago". Numa matéria publicada também pelo jornal Estado de São Paulo, no dia 15 de setembro de 1970, pelo mesmo jornalista, Evandro Carlos de Andrade, a polícia chegou a insinuar que o operário poderia ter trazido em suas vestes, de forma escondida, o veneno "paration", um forte inseticida, presente nos rins destruídos do operário, dando a entender que o mesmo havia "suicidado". "O laudo dos legistas, lido e interpretado por Pedroso Horta [Deputado do MDB] indicava: ferimento contuso na região superior interna da perna direita, escoriações nas faces internas das pernas e no cotovelo - tudo indicativo de que Olavo Hansen fora submetido ao Pau de arara.(...) Além destes ferimentos, o laudo apontava escoriação da região escrotal, esquimose [acumulação de sangue abaixo da pele] na região pré-cordial [em frente ao coração] e hematoma do couro cabeludo - o que pode significar que alguma coisa a mais aconteceu com Olavo Hansen quando estava de cabeça para baixo". "O laudo dos legistas, lido e interpretado por Pedroso Horta [Deputado do MDB] indicava: ferimento contuso na região superior interna da perna direita, escoriações nas faces internas das pernas e no cotovelo - tudo indicativo de que Olavo Hansen fora submetido ao Pau de arara.(...) Além destes ferimentos, o laudo apontava escoriação da região escrotal, esquimose [acumulação de sangue abaixo da pele] na região pré-cordial [em frente ao coração] e hematoma do couro cabeludo - o que pode significar que alguma coisa a mais aconteceu com Olavo Hansen quando estava de cabeça para baixo". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110410/c1f1dd91/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12666 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110410/c1f1dd91/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Notem mais uma contradição em que vivemos, por um lado o egoísmo é mais do que reinante no meio social e familiar, e de outro a incapacidade de alguém realmente fazer algo em benefício de si mesmo ou de seu desenvolvimento. A máxima neurose que assisto no consultório é justamente quando o indivíduo sabota algo ou alguém que seria parte crucial de sua felicidade e satisfação. Essa violência contra si mesmo ou outra pessoa atrai a destrutividade que é a filha mais legítima da agressividade sem controle ou despropositada, sendo o fio condutor para toda situação que irá gerar caos, desarmonia e angústia, os demônios em linguagem popular. A verdade é que por incrível que pareça o homem moderno só sabe ser precavido em questões de natureza material, pois no terreno pessoal desconhece por completo que o mínimo erro pode não apenas gerar dano, mas uma perda irreparável. Alguém conhece nos tempos modernos algo que causa mais sofrimento pessoal afora as doenças é claro, do que a crueldade do arrependimento? Saber muito tarde que tal evento ou vivência nos era de extrema valia e nunca tínhamos realmente percebido tal fato, só agora no horror do luto. Alguns colocariam tal questão como o núcleo do apego, mas a diferença é que este último é não conseguir se desligar de nada, mesmo sabendo que determinada questão faz mal ou não nos é prazerosa; o arrependimento é o autoconhecimento tardio do núcleo de nossa satisfação, e como fomos extremamente tolos ou precipitados no trato com a mesma. É implorar por mais uma chance que na maioria das vezes não virá, salvo por algum elemento desconhecido de natureza mística, ou talvez uma mudança profunda no self do indivíduo lhe traga essa chance citada. Penso que na atualidade o instrumento condutor da neurose não é determinado padrão instintivo tipo o complexo de Édipo tão citado por Freud, ou a parada em determinada zona erógena. Diria que a neurose essencialmente deriva do fato de se ter uma família ou conviver num ambiente e não poder efetivamente gozar da mesma (diálogo aberto, apoio real no desenvolvimento e dificuldade de seus membros). A neurose sempre será uma espécie de economia dos afetos, ou ausência de um treino em perceber as presentes e futuras dificuldades dos membros da família, esta só será real e de valor se for realmente um porto seguro não apenas no âmbito material, mas principalmente no pólo emocional. Ser pai ou mãe, ou tê-los, e não vivenciar na plenitude tais papéis passa a ser uma experiência de crueldade. ********************************** Não se trata de culpar ninguém, como muitos pais se sentem, mas apenas perceber que quem deu a vida poderia ao menos ensinar um pouco como vivê-la de modo satisfatório. Há uma urgência de se combater o contra senso moderno, que prega tanto a estrutura familiar ao mesmo tempo em que a mesma é a maior geradora do fenômeno da solidão. Fala-se muito hoje em dia na questão da inteligência, sendo que a mesma é totalmente relativa. A verdade é que existem vários tipos e cada ser humano acaba se sobressaindo em algum: inteligência racional; intelectual; emocional; hormonal; orgânica (aqueles indivíduos que praticamente nunca adoecem); financeira; social e inteligência voltada para o poder. Como estive dizendo durante este estudo, a grande falha do ser humano moderno é não saber cuidar de algo que não seja do âmbito material. Todos sabem que ao contrário deste último, no plano emocional a maioria teve uma real oportunidade de um encontro realizador e profundo, cabendo a reflexão se realmente estavam abertos ao mesmo ou aproveitaram tal chance. Saudade assim como o arrependimento citado é um fenômeno comum a todos. A grande questão é como administrá-los, saber que apesar de perdas terríveis sempre haverá a possibilidade da reconstrução. A neurose moderna se evidencia naquele indivíduo incapaz de sentir ou desfrutar do prazer do outro, não se trata apenas da tão comum inveja, sempre negada por todos, mas o vício constante de sabotar o êxtase do companheiro. Mas por que isso acontece? A resposta básica é que o sucesso do outro escancara nossa incompetência em determinada área, mas será só isso? O medo de que o outro não necessite mais de nossa pessoa ou nos abandone? Sem dúvida esta alternativa é bem mais consistente. Ou então uma profunda insegurança arraigada, quase não acreditando que alguém poderia gostar de nossa pessoa, salvo na condição de sempre estarmos por cima. Esta denúncia do lado pessoal doentio é vital para que possamos evoluir no aspecto psicológico. Como a psicologia falhou ao não promover estudos profundos sobre tais fenômenos: inveja, solidão, disputa de poder, competição e avareza nos relacionamentos. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110411/adbc484e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 11 19:02:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 11 Apr 2011 19:02:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ODIJAS_CARVALHO_DE_SOUZA______________?= =?iso-8859-1?q?___________________________-CVI-?= Message-ID: <007247F1AA2F4664AC9B0DB6CBF4A223@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ODIJAS CARVALHO DE SOUZA (1945-1971) Filiação: Anália Carvalho de Souza e Osano Francisco de Souza Data e local de nascimento: 21/10/1945, Atalaia (AL) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 08/02/1971, Recife (PE) Estudante de agronomia e militante do PCBR, Odijas Carvalho de Souza foi preso na praia de Maria Farinha, no município de Paulista, hoje Abreu e Lima, Pernambuco, no dia 30/01/1971, junto com a jovem Lylia Guedes, de 18 anos. Odijas era líder estudantil na Universidade Rural de Pernambuco, estudava Agronomia, vendia livros e dava aulas particulares. Há inúmeros depoimentos detalhando as brutais torturas a que Odijas foi submetido na Delegacia de Segurança Social de Recife, praticadas por cerca de 10 policiais, denunciados mais tarde, nome a nome, por outros presos políticos, destacando-se entre os algozes o investigador Miranda, notório torturador que foi apontado como um dos assassinos do padre Henrique em 1969. Odijas foi levado para o Hospital da Polícia Militar de Pernambuco no dia 6 de fevereiro, em estado de coma, morrendo dois dias depois, aos 25 anos. A divulgação oficial de sua morte foi feita somente no dia 28 de fevereiro, alegando-se causa natural. Foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, sob o nome de Osias de Carvalho Souza. Os presos políticos Lylia Guedes, Alberto Vinícius de Melo, Cláudio Gurgel, Carlos Alberto Soares e Rosa Maria Barros dos Santos, além da esposa de Odijas, Maria Yvone de Souza Loureiro, também denunciaram a morte sob torturas em depoimentos prestados nas Auditorias Militares de Recife e Fortaleza. Embora o médico legista Ednaldo Paz de Vasconcelos tivesse atestado embolia pulmonar como causa mortis, Odijas apresentava várias fraturas de ossos, ruptura de rins, baço e fígado. A advogada Mércia Albuquerque conseguiu vê-lo no hospital, onde entrou disfarçada de enfermeira, encontrando Odijas divagando e golfando sangue. Depoimento do preso político Alberto Vinicius de Melo descreve em detalhes o suplício: "No dia 30 de janeiro de 1971 fui acordado cedo por uma grande movimentação. Por volta das 7h, Odijas passou diante da cela, conduzido por policiais. (...) Apesar da existência da porta de madeira isolando a sala do corredor, chegaram até nós os gritos de Odijas, os ruídos das pancadas e das perguntas cada vez mais histéricas dos torturadores. Durante esse período, Odijas foi trazido algumas vezes até o banheiro, colocado sob o chuveiro para em seguida retornar ao suplício. Em uma dessas vezes, ele chegou até minha cela e pediu-me uma calça emprestada, porque a parte posterior de suas coxas estava em carne viva. Os torturadores animalizados se excitavam ainda mais, redobrando os golpes exatamente ali. Em um determinado momento, nossa tensão, angústia e impotência eram tão grandes que Tarzan (outro preso político) resolveu contar os golpes e gritos sucessivos. Lembro-me que a contagem passou dos 300. Por volta das 2h, os torturadores, extenuados e vencidos,colocaram Odijas na cela. Passados alguns minutos, apareceu o delegado Silvestre. Visivelmente irritado, gritando com os torturadores, ordenou o reinício do assassinato que se prolongou até 4h do dia 31 de janeiro. Desse dia ao dia 5 não foi mais torturado fisicamente. Seu estado de saúde era gravíssimo. Estava com retenção de urina, vomitando sangue e sem alimentar-se. Foi retirado uma vez para um hospital, onde urinou por meio de sonda. O ódio e a selvageria dos torturadores deixaram que ele definhasse, sem assistência médica, até, finalmente, sem possibilidade de sobrevivência, ser retirado às pressas para um hospital, vindo a falecer três dias depois". O deputado Oscar Pedroso Horta, líder do MDB na Câmara dos Deputados e membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, colegiado pertencente ao Ministério da Justiça naquela época, protocolou denúncia sobre a morte de Odijas, mas o processo foi arquivado sem que os companheiros de prisão fossem ouvidos. Também o deputado estadual Jarbas Vasconcelos, mais tarde governador de Pernambuco, visitou os presos políticos que testemunharam as torturas de Odijas, denunciando o fato na tribuna da Assembléia Legislativa. De acordo com o general Oswaldo Pereira Gomes, relator do processo na CEMDP, "essa prova testemunhal de presos e companheiros de lutas têm valor se cotejadas e amparadas por outros indícios conforme passamos a expor: Odijas foi preso pela Polícia de Pernambuco em 30/01/1971 (doc. da SSP de Pernambuco); a vítima somente baixou ao HPM de Pernambuco no dia 06/02/1971; faleceu de embolia pulmonar no dia 8 de fevereiro. A baixa ao Hospital foi por problemas renais; a morte por embolia pulmonar, dois dias depois. A idade de Odijas: 26 anos; o fato de não haver qualquer notícia de que fosse uma pessoa doentia; o curto espaço de tempo da prisão: 6 dias; e principalmente a 'causa mortis' - embolia pulmonar, tudo a indicar que sofreu violenta ' agressão física". O requerimento foi aprovado por unanimidade na Comissão Especial. ========================================================================================================================== + Informações. Odijas Carvalho de Souza Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR). Líder estudantil de Agronomia da Universidade Rural de Pernambuco, natural de Alagoas. Foi preso na Praia de Maria Farinha, no município de Paulista, em Pernambuco, no dia 30 de janeiro de 1971, juntamente com Lélia Guedes. Os policiais responsáveis por sua prisão são: Edmundo de Brito, Fausto Venâncio da Silva Filho, Ivaldo Nicodemus Vieira e Severino Pereira da Silva, todos do DOPS/PE. Foi imediatamente torturado no DOPS/Recife, onde passou uma semana. Após esse período, foi levado às pressas para o Hospital da Polícia Militar de Pernambuco no dia 6 de fevereiro de 1971, morrendo dois dias depois em conseqüência das torturas sofridas. O assassinato foi denunciado a partir de testemunhos em depoimentos prestados na Auditoria de Guerra da 7ª Região Militar, por vários presos políticos, inclusive sua viúva, Maria Ivone de Souza Loureiro. O preso político Mário Miranda, uma das testemunhas oculares do assassinato, denunciou as torturas que culminaram com a morte de Odijas e também seus assassinos: delegado José Silvestre, do DOPS/PE, os agentes Ivanildo Nemésio e Miranda e o delegado Carlos Brito. O atestado de óbito, fornecido pelo IML/PE, foi assinado por Dr. Ednaldo Paz de Vasconcelos e tinha como causa-mortis embolia pulmonar. Mas na realidade, Odijas apresentava várias fraturas de ossos, ruptura de rins, baço e fígado. Foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, sob o nome de Osias de Carvalho Souza, e não Odijas, o que dificultou a localização de seu corpo. Também denunciam a morte de Odijas, em seus depoimentos os presos políticos Alberto Vinicius de Melo, Cláudio Gurgel, Carlos Alberto Soares e Rosa Maria Barros dos Santos. ============================================================================================ + detalhes. Seminário 30 anos de luta pela anistia "Pelo direito à memória e à verdade" 13 10 2009 O DCE da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Centro Cultural Manoel Lisboa (CCML), em parceria com o Diretório Acadêmico de História da UFRPE, organizaram, em 18 e 19 de agosto, na Universidade Rural, o seminário "Trinta Anos de Luta pela Anistia: Pelo Direito à Memória e à Verdade". O encontro reuniu ex-presos políticos, lideranças estudantis e sindicais, ativistas pelos direitos humanos e estudantes de várias universidades de Pernambuco, para discutir os 30 anos da anistia e a luta pela democracia e pelo socialismo em nosso país.No primeiro dia, no debate sobre a resistência da juventude e dostrabalhadores à ditadura militar, ex-presos políticos e liderançasestudantis da época - como Valmir Costa, presidente do DA deVeterinária da UFRPE (1968), Lula Falcão, vice-presidente da UNE (1979)e Zé Carlos, presidente do DCE-UFRPE (1977) - foram unânimes ao falar da importância da luta da juventude e da classe trabalhadora contra aditadura militar e ao relembrar aqueles que nela tombaram, como Manoel Lisboa e Odijas de Carvalho. O debate foi encerrado com o poeta e cordelista Allan Sales, que apresentou seu cordel sobre os trinta anos da anistia. No segundo dia, um grande ato de luta pela anistia e pela abertura dos arquivos da ditadura teve a presença de lideranças e entidades: Frederico Carvalho, representando o arquivo público de Pernambuco, Marcelo Santa Cruz (irmão de Fernando Santa Cruz, líder estudantil assassinado pela repressão) e Edival Nunes Cajá, ex-preso político e presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa. Eles disseram que a luta pela anistia hoje se faz muito atual na luta pela abertura dos arquivos da ditadura, para que a sociedade brasileira possa entender melhor o seu passado e punir, de fato, aqueles que torturaram, exilaram e mataram os melhores filhos do povo brasileiro. O seminário foi encerrado com um ato político durante o qual foi inaugurada, na sede do DCE-UFRPE, de uma placa em homenagem a Odijas Carvalho de Souza, estudante de agronomia da Rural assassinado pela ditadura militar, em 1971, por lutar por uma universidade melhor, pela democracia e pelo socialismo. Daniel Victor (estudante de História) ========================================================================================================================== + detalhes. Extra Alagoas - AL 22/12/2008 - 14:49 Após 40 anos, engenheiros agrônomos repudiam as torturas da Ditadura Militar O alagoano Odijas Carvalho, assassinado durante o Regime, foi homenageado pelos colegas de turma MARIA SALÉSIA O 8º encontro da turma de 1968 de Engenheiros Agrônimos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRP) foi marcado pela homenagem ao alagoano Odijas Carvalho de Souza, que era aluno da turma e foi barbaramente torturado e assassinados durante a Ditadura Militar. Os colegas enalteceram sua bravura e relembraram que mesmo sob tortura, não delatou os compa-nheiro de luta. Odijas tornou-se o símbolo de destaque daquela turma de 68. Durante a homenagem, os amigos se emocionaram e destacaram sua trajetória de luta e figura humana que era. Ele teve a reprodução de sua imagem em camiseta especial para o evento e o grupo demonstrou solidariedade aos seus familiares. Da Redação Odijas foi homenageado durante encontro da turma de Engenharia Agrônoma da UFRP de 1968 Em um trecho do documento, assinado pelos alunos da turma, traz a declaração de admiração dos companheiros por Odijas ao dizer que "a figura valente de um grande representante da turma, Odijas Carvalho de Souza, este colega alagoano foi relembrado por sua bravura, toda sua luta, com muita emoção e carinho por todo." Com esse gesto, os componentes da turma fizeram questão de relembrar um período negro da história do Brasil, onde foram perdidas várias vidas. Eles buscaram ainda deixar registrado um alerta para que esse lamentável episódio não seja esquecido pelas novas gerações e que o país passe a fazer parte das grandes nações como exemplo de democracia e que de fato "Torturas nunca mais" aconteçam no Brasil. Desde a colação de grau, em dezembro de 1968, o evento acontece a cada cinco anos. Dessa vez, foram três dias de confraternização na praia de Maria Farinha, em Pernambuco. O encontro, que contou com mais de 50 pessoas, celebrou a confraternização entre companheiros e fami-liares, renovada a alegria de se rever colegas que vivem em outros estados do País. Também abriu espaço para uma revisitação ao campus da UFRP, com renovação de princípios diante da árvore plantada em comemoração a formatura. Houve ainda o reconhecimento a vários professores da época e uma convocação da Universidade para um debate aberto sobre a importância da instituição na qualificação de seus graduados, visando uma contribuição maior e atualizada dos mesmos para com a sociedade. QUEM FOI ODIJAS Militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), o alagoano Odijas Carvalho de Souza era líder estudantil de Agronomia da Universidade Rural de Pernambuco. Foi preso na Praia de Maria Fa-rinha, no município de Paulista, em Pernambuco, no dia 30 de janeiro de 1971 e imediatamente torturado no DOPS/Recife, onde passou uma semana. Após esse período, foi levado às pressas para o Hospital da Polícia Militar de Pernambuco, no dia 6 de fevereiro de 1971, morrendo dois dias depois em conseqüência das torturas sofridas. O assassinato foi denunciado a partir de testemunhos em depoimentos prestados na Auditoria de Guerra da 7ª Região Militar, por vários presos políticos, inclusive sua viúva, Maria Ivone de Souza Loureiro. O atestado de óbito, fornecido pelo IML/PE, foi assinado por Dr. Ednaldo Paz de Vasconcelos e tinha como causa-mortis embolia pulmonar. Na realidade, Odijas apresentava várias fraturas de ossos, ruptura de rins, baço e fígado. Foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, sob o nome de Osias de Carvalho Souza, e não Odijas, o que dificultou a localização de seu corpo. ====================================================================================================== + detalhes. http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06837.pdf [PDF] Rodrigo Octávio faz libelo contra tortura Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat cesso, um dos presos, de nome Odijas Carvalho de. Souza, acabou morrendo ... morte de Odijas Carvalho de. Souza no dia 8 de fevereiro. ... www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06837.pdf - Similares ============================================================================================================ + Detalhes. Jornal do Commercio Recife - 12.05.99 Quarta-feira ENTREVISTA / Maria Yvone Loureiro Mulher de ex-militante constesta defesa de juiz A economista e ex-presa política Maria Yvone Loureiro, esposa do ex-militante Odijas Carvalho de Souza, contestou, ontem, as declarações do juiz Aquino de Farias Reis, que afirmou não ter presenciado nenhum ato de violência contra Odijas durante o período em que ele esteve de plantão na Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), onde o ex-militante foi torturado. "Meu marido começou a ser espancado horas depois de ser preso, justamente no dia em que esse juiz estava na função de delegado de plantão. Vários presos ouviram os gritos de Odijas sendo torturado. Realmente é muito estranho que, estando lá, ele não tenha visto nada", criticou. JORNAL DO COMMERCIO - O que a senhora acha da possibilidade de o juiz Aquino de Farias Reis ser promovido a desembargador? MARIA YVONE LOUREIRO - É um absurdo que o cargo mais alto da magistratura seja ocupado por uma pessoa denunciada pela prática de tortura. Mesmo que a promoção dele atenda ao critério de antigüidade, os outros desembargadores não podem deixar de lado a questão moral e ética na hora de escolher o nome de quem vai ocupar essa vaga. Ser desembargador significa deter poder, honrarias. A pessoa tem que ter idoneidade, uma vida pautada pelo respeito à vida. Não é um sentimento de retaliação ou de vingança, e sim de justiça. Não estamos pedindo punição, mas não é possível que um homem que torturou várias pessoas termine sendo promovido. JC - O juiz Aquino de Farias Reis concedeu uma entrevista, onde ele garante que durante o período em que esteve de plantão na delegacia Odijas não sofreu nenhum tipo de violência física. Como a senhora vê essas declarações? Yvone - Com grande estranheza. Temos vários testemunhos de pessoas que foram presas junto com Odijas e que viram ele ser torturado horas depois de chegar à Delegacia de Ordem Política e Social (Dops). Essas pessoas ouviam os gritos de Odijas e o intenso movimento de policiais entrando e saindo da sala onde ele estava sendo torturado. Isso tudo aconteceu justamente no dia em que o juiz estava como delegado de plantão. Realmente é muito estranho que, estando lá, ele não tenha visto nada e ainda afirme que, ao sair do plantão, Odijas estava bem e não havia sofrido nenhum tipo de violência. JC - A senhora acredita que a mobilização das entidades ligadas aos direitos humanos vai conseguir impedir a promoção do juiz? Yvone - Espero sinceramente que sim. O Ministério da Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado na morte de Odijas. Reconheceu que ele foi torturado, que houve um crime, mas não querem reconhecer que existem culpados. Acho que a sociedade tem o direito, pelo menos, de cobrar uma postura ética por parte daqueles que administram a justiça. É por isso que estamos lutando. ========================================================================================= + detalhes. Direito à memória da ditadura Urariano Mota La Insignia. Brasil, setembro de 2007. Há pouco, ao tentar escrever estas linhas, eu não sabia por onde começar. Confesso que ainda não sei agora, aqui, nesta altura. São idéias distintas que vêm ao encontro deste ponto. Elas vêm desordenadas, todas a clamar e a reclamar sua urgência. Acompanhem por favor a encruzilhada em que me encontro. O livro "Direito à memória e à verdade" é um livro grande, com 500 páginas, nas dimensões de 23 x 30 centímetros. É um livro incômodo, que não pode ser conduzido como uma novela para leitura em uma viagem, já se vê. Por suas dimensões físicas, é um livro que somente comporta ser conduzido como um escudo, como um símbolo de orgulho, para ser ostentado nas praças e nos coletivos. Isso porque todos perguntarão, ao nos verem com ele: que livro estranho e grande é esse que tão estranho sujeito conduz? Daí que somos levados à sua leitura em um canto, posto em sossego, com um minuto de silêncio, com vários minutos de silêncio, daquele silêncio que guardamos no espírito, porque sendo imune aos ruídos exteriores caminha sobre águas da maior tempestade. Acompanhem este passo, por favor. Divido com vocês o começo da Apresentação do livro: "Este livro-relatório tem como objetivo contribuir para que o Brasil avance na consolidação do respeito aos Direitos Humanos, sem medo de conhecer a sua história recente. A violência, que ainda hoje assusta o País como ameaça ao impulso de crescimento e de inclusão social em curso, deita raízes em nosso passado escravista e paga tributo às duas ditaduras do século 20. Jogar luz no período de sombras e abrir todas as informações sobre violações de Direitos Humanos ocorridas no último ciclo ditatorial são imperativos urgentes de uma nação que reivindica, com legitimidade, novo status no cenário internacional e nos mecanismos dirigentes da ONU. Ao registrar para os anais da história e divulgar o trabalho realizado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos ao longo de 11 anos, esta publicação representa novo passo numa caminhada de quatro décadas". "Direito à memória e à verdade"é um livro maior ainda por outros motivos. Coisa jamais vista no Brasil, e muito rara em todo o mundo, esse livro pode gerar uma crise militar em um governo eleito e legitimado pela maioria do povo. Para ser mais preciso, ele já deu causa a uma crise militar. O Comandante do Exército general Enzo Martins Peri, um oficial formado nos anos da Guerra Fria, como todo o alto comando de generais quatro estrelas, divulgou a seguinte nota oficial dois dias depois do livro vir a público: "1. Reuni o Alto-Comando do Exército, em Brasília, no dia 31 de agosto de 2007, para tratar de assuntos de interesse da Força e de fatos recentemente divulgados pela mídia. Com a sua concordância unânime, decidi reafirmar que: - o Exército Brasileiro, voltado para suas missões constitucionais, conquistou os mais elevados índices de confiança e de credibilidade junto ao povo brasileiro: - os Comandantes, em todos os níveis, ensinam, diuturnamente, em nossos quartéis, os valores da hierarquia, da disciplina e da lealdade, os quais têm sido cultuados como orientadores da ação permanente da Força; - a Lei da Anistia, por ser parâmetro de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade, até porque fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas. Colocá-la em questão importa em retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas. 2. Reitero aos meus comandados que: - não há Exércitos distintos. Ao longo da História, temos sido sempre o mesmo Exército de Caxias, referência em termos de ética e de moral, alinhado com os legítimos anseios da sociedade brasileira; - estamos voltados para o futuro e seguimos trabalhando, incansavelmente, pela construção de um Brasil mais justo, mais fraterno e mais próspero." Afora o lapso da nota, que considera o voltar à paz uma coisa ruim, negativa, e essa não deve ter sido a intenção do Comandante; afora a visão que julga ser o Exército uma instituição avessa às transformações da história, pelo menos no período de Caxias a 2007, importa mais destacar o que originou esse comunicado. Poderia ser dito que ele não se refere bem ao livro, mas às circunstâncias que cercam e cercaram o seu lançamento. Ou seja, ele se refere à solenidade oficial, com discursos do Presidente e do Ministro da Defesa, que em uma manifestação clara de autoridade avisou que protestos individuais receberiam uma resposta à altura. Mas o que isso quer dizer, afinal? Que o Exército pode fingir que nada houve no Brasil da ditadura, se um livro sobre esse período for lançado em silêncio? Ou, não sejamos despóticos, concedamos o contraditório: isso quer dizer que os comandos militares suportam, no limite da paciência e da disciplina, tudo o que os ex-terroristas escreverem sobre os crimes conforme a própria versão criminosa, mas com a condição de se portarem como subversivos regenerados, sem apoio oficial? Ah, bom, é isso, é isto: viveríamos então em uma democracia sob tutela, onde os comandos fingem que não têm poder político, como se fossem pais benevolentes. As crianças, os meninos são o poder civil, a República, o Presidente, os Ministros, o Congresso, a Justiça, as instituições de arremedo, de papel. Mas atenção, cuidado: o chicote e os ferros estão guardados, escória. Cuidado, não acordem estas feras. "Não estamos mortos. Mortos foram os seus", querem dizer. Isto é: o livro e sua repercussão indicam um sintoma dos limites da democracia que vivemos no Brasil. O acordo pelo alto, da concessão da Anistia, sem repercussão criminal para o terror de Estado pode ser tolerado. Mas não digam jamais que são criminosos quem torturou e assassinou cidadãos desarmados. Não cobrem punição para os terroristas pagos com o dinheiro público, porque, afinal, "todos fomos anistiados: os terroristas - vocês - e os patriotas, nós, os servidores da ordem". Se essa anistia for modificada, ah, o céu vem abaixo. E não só de quatro estrelas. Mas, se perdoam a digressão acima, o que mesmo exibe e informa a provocação, essa provocação rara e emocionante chamada "Direito à memória e à liberdade"? De um ponto de vista frio, e aqui fala um narrador que viu um homem a se concentrar sobre suas páginas, este é um livro que não se lê sem um estremecimento. É impossível percorrê-lo sem estremecimentos. O livro é como uma recondução a um mundo que se rebela contra a mediocridade, contra tudo o que for mesquinho e pequeno. Aquele homem que eu vi caminhava as suas páginas como o leitor de Crime e Castigo no ponto alto do assassinato das velhas usurárias. As suas mãos tremiam, eu vi. Ele não me disse, mas o seu movimento insinuava que ele estava possuído de um frêmito de alma, porque ali, naquelas páginas amarelas, quem lê suas letras lê o destino de homens, quem lê aquelas linhas lê a luta de uma geração. E, coisa mais interessante, este é um livro sem autor. Melhor, é um livro de autores, de muitos autores, um registro de vidas reunidas como em uma coleção de prontuários de polícia. Os seus perfis saem das páginas dos processos, e poucas vezes se viram processos tão antiprocessos. São homens e mulheres, são jovens e quase-crianças, são velhos, malditos e amaldiçoados pela dor na consciência. São renegados que se matam. São homens tornados seres desequilibrados, são gente, enfim, em condições-limite. "Maria Auxiliadora Lara Barcellos (1945-1976) Maria das Dores atirou-se nos trilhos de um trem na estação de metrô Charlottenburg, em Berlim... tinha sido presa 7 anos antes, Nunca mais conseguiu se recuperar plenamente das profundas marcas psíquicas deixadas pelas sevícias e violências de todo tipo a que foi submetida. Durante o exílio registrou num texto... 'Foram intermináveis dias de Sodoma. Me pisaram, cuspiram, me despedaçaram em mil cacos. Me violentaram nos cantos mais íntimos. Foi um tempo sem sorrisos. Um tempo de esgares, de gritos sufocados, de grito no escuro'.... Nilda Carvalho Cunha (1954-1971) Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar Lamarca e seu grupo. Foi liberada no início de novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas sofridas e morreu no dia 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Nilda tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa... 'Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. - Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. - Mas eu não sei quem é o senhor. - Eu matei Marighella. Vou acabar com essa sua beleza- e alisava o rosto dela.... Odijas Carvalho de Souza (1945-1971) Odijas foi levado para o Hospital da Polícia Militar de Pernambuco em estado de coma, morrendo dois dias depois, aos 25 anos... 'No dia 30 de janeiro de 1971 fui acordado cedo por uma grande movimentação. Por volta das 7 horas, Odijas passou diante da cela, conduzido por policiais. Apesar da existência da porta de madeira isolando a sala do corredor, chegaram até nós os gritos de Odijas, os ruídos das pancadas e das perguntas cada vez mais histéricas dos torturadores. Durante esse período, Odijas foi trazido algumas vezes até o banheiro, colocado sob o chuveiro para em seguida retornar ao suplício. Em uma dessas vezes ele chegou até a minha cela e pediu-me uma calça emprestada, porque a parte posterior de suas coxas estava em carne viva. Os torturadores animalizados se excitavam ainda mais, redobrando os golpes exatamente ali". Como vêem, difícil é manter a serenidade, a frieza, um ar apolíneo, razoável, sensato, diante desse mundo que se encontra submerso, mas jamais superado, morto, vencido. Eu, que não sabia como começar, confesso que também não sei como pôr fim a estas linhas. Eu havia escrito antes notas, reflexões, coisas digamos mais sociológicas, dignas de tese, que iludem toda a gente, que pode nos tomar como um ser culto, inteligente, sábio, espirituoso. Basta de falsidade, porque " - Teu nome completo é Mário Alves de Souza Vieira? - Vocês já sabem. - Você é o secretário-geral do comitê central do PCBR? - Vocês já sabem. - Será que você vai dar uma de herói? ... Horas de espancamentos com cassetetes de borracha, pau-de-arara, choques elétricos, afogamentos. Mário recusou dar a mínima informação e, naquela vivência da agonia, ainda extravasou o temperamento através de respostas desafiadoras e sarcásticas. Impotentes para quebrar a vontade de um homem de físico débil, os algozes o empalaram usando um cassetete de madeira com estrias de aço. A perfuração dos intestinos e, provavelmente, da úlcera duodenal, que suportava há anos, deve ter provocado hemorragia interna". É terrível que a importância de um livro, que a importância da palavra escrita, se dê em relatos tão cruéis. Mas a realidade não se escolhe. Quem toca nesse livro, toca em destinos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110411/2c733be6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10695 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110411/2c733be6/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110411/2c733be6/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 30790 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110411/2c733be6/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 11 19:02:19 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 11 Apr 2011 19:02:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Golpistas_querem_cancelar_novel?= =?windows-1252?q?a_do_SBT__=22AMOR_E_REVOLU=C7=C3O=22__-_assine_o_?= =?windows-1252?q?abaixo-assinado_contra_a_censura_dos_militares=2E?= Message-ID: <6FD4E05538D049D5989EAAB4979A210F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem segunda-feira, 11 de abril de 2011 Golpistas querem cancelar novela do SBT Reproduzo matéria publicada no sítio Vermelho: A novela "Amor e Revolução" vem rendendo. Desta vez, um portal militar resolveu fazer um abaixo-assinado contra a novela de Tiago Santiago, que aborda o período do regime militar no Brasil (1964-1985). Os donos do site ? provavelmente acostumados à censura que perdurou na ditadura ? querem que a trama seja proibida de ir ao ar no SBT. O novelista Tiago Santiago, autor de "Amor e Revolução", rechaçou o texto e se recusou a edulcorar a história em favor da visão obscurantista dos filhotes da ditadura. ?Achei uma iniciativa despropositada, que interessa apenas aos criminosos, torturadores e assassinos, que violaram as Convenções de Genebra, nos chamados ?anos de chumbo? da ditadura militar?. As acusações infundadas e difamatórias não param por aí. ?As Forças Armadas não devem permitir, dentro da legalidade, que tal novela seja exibida, pelos motivos óbvios abaixo declarados. Convém salientar que as Forças Armadas já se manifestaram negativamente a respeito da novela Amor e Revolução?. Os militares completam, em tom autoritário: ?Sendo assim, o efetivo da Forças Armadas, tanto da ativa como inativos e pensionistas, vêm respeitosamente através desse abaixo-assinado, como um instrumento democrático, solicitar do digno Ministério Público Federal, representado acima, providências em defesa da normalidade constitucional, vista o cumprimento da lei de anistia existente, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal. Nestes termos pede deferimento em caráter urgentíssimo". Para Tiago Santiago, o texto é ?despropositado? do começo ao fim. ?A novela é respeitosa com as Forças Armadas, mostrando herói militar e oficiais democratas, a favor da legalidade. Em diversos trechos da novela, há menções favoráveis a militares, evidenciando que nem todos participaram do golpe e da violenta repressão à oposição?. De acordo com o autor de "Amor e Revolução", ?o argumento de que a novela teria qualquer coisa a ver com o saneamento do Banco Panamericano também não procede. A proposta partiu de mim para o SBT, e não vice-versa. Comecei os trabalhos antes de saber que havia qualquer problema com o Banco e antes de saber também que a Dilma seria eleita presidente?. Para Renata Dias Gomes, colaboradora de Tiago Santiago em "Amor e Revolução", os tempos mudaram, mas os militares continuam com a cabeça na época do regime. ?Felizmente a ditadura e a censura acabaram ? e hoje a gente pode contar uma história sem medo. Ou deveria poder.? ========================================================================================= Abaixo-assinado Temos direito de assistir a novela Amor e Revoulucao sem censura como foi concebida Nós, abaixo assinados, queremos que a emissora SBT transmita até o fim (180 capitulos), segundo o roteiro originalmente previsto , a novela ?Amor e Revolução?, sem aceitar intimidações ou censuras, partam de onde partir , para que a geração presente e as futuras, tenham conhecimento de nosso passado recente. Este passado não pode e não deve ser esquecido. Os signatários Amigos(as), Acabei de ler e assinar este abaixo-assinado online: «Temos direito de assistir a novela Amor e Revoulucao sem censura como foi concebida» http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N8746 Pessoalmente, concordo com este abaixo-assinado e acho que você também pode concordar. Assine o abaixo-assinado e divulgue para seus contatos. Obrigado, Vanderley Caixe ----------------------------------------------------------------------------------------- Uma nota sua no email que envia a seus amigos pode fazer a diferença para um abaixo-assinado de grande sucesso. Todos devemos ajudar a promover o abaixo-assinado, e agora é sua vez. O poder da Internet está em suas mãos! Obrigado. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110411/33be3ca0/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 12 21:51:34 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 12 Apr 2011 21:51:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__=C2NGELO_PEZZUTI_DA_SILVA_____________?= =?iso-8859-1?q?_______________-CVII-?= Message-ID: <2167ACCBC267422187E3E542E5C8B2C3@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ÂNGELO PEZZUTI DA SILVA Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). Angelo Pezzuti da Silva, nasceu em Araxá, Estado de Minas Gerais, no dia 27 de abril de 1946, filho de Carmela Pezzuti e Theofredo Pinto da Silva. Cursou o primário no Grupo Escolar "Delfim Moreira" e o ginasial no Colégio "Dom Bosco", ainda em sua cidade natal. O curso científico, foi feito já em Belo Horizonte, no Colégio "Padre Machado". lngressou na Faculdade de Medicina da UFMG, em 1964, onde permaneceu até 1968, optando por se especializar em Psiquiatria. Ângelo tinha um temperamento alegre e extrovertido. Gostava de fazer amizades e cultivá-las. Desde criança desenvolveu o gosto pela leitura e pelos estudos. Ainda cursando o primário, dedicou-se ao estudo de piano durante 2 anos. O gosto pela música clássica, pela poesia, pelo teatro e pela leitura, principalmente dos autores regionais brasileiros mais intelectualizados e clássicos, acompanhou-o sempre. Possuía grande fluência verbal, o que facilitava a exposição de suas idéias. Vivia intensamente, como se o momento presente fosse o mais importante. Era senhor de uma ternura especial, mesclada de um certo ar irônico. Sua militância política iniciou-se, efetivamente, no Colégio Padre Machado, onde participou do curso de alfabetização de adultos. Aí também já sofreu os primeiros "cortes": foi eleito Presidente da Associação de Alunos e Diretor do Curso de Alfabetização, mas seu nome foi vetado pelo Diretor do Colégio, pelas suas posições políticas de esquerda e questionamentos religiosos. Na Faculdade de Medicina, de imediato integrou-se ao movimento de estudantes que visava a ampliação de vagas na Universidade Federal de Minas Gerais e a absorção dos chamados "excedentes". Sua participação seguiu-se no Centro de Estudos de Medicina - CEM, no Diretório Acadêmico, e no "Show Medicina". Em todas as frentes, lá estava o Ângelo participando. Em busca de outras alternativas políticas, ingressou na Política Operária (POLOP) e, em 1967, juntamente com outros companheiros (Apolo Heringer e Carlos Alberto Soares de Freitas) constituíram a primeira direção do COLINA (Comando de Libertação Nacional) que tinha como objetivo a luta armada como instrumento de transformação social. Sempre esteve à frente dos grandes projetos da Organização - foi uma liderança intelectual, e participou das primeiras ações armadas desde 1968. Em 13 de janeiro de 1969 foi preso pelo DOPS, em Belo Horizonte. Inaugura-se, aí, um tempo de passagem por várias prisões: em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e, depois, retornando a Minas, sendo levado para a prisão de Linhares, em Juiz de Fora. Sofreu, nesta trajetória, vários tipos de tortura física e psicológica. Entretanto, o que mais marcou foi a obrigação de assistir, na Vila Militar do Rio de Janeiro, a uma aula de tortura ministrada pelo Exército para 100 oficiais, onde alguns presos serviam de cobaia e, dentre os presos-cobaias, estava seu próprio irmão, Murilo. Estas aulas eram dadas por diversos torturadores, entre eles o contraventor "Capitão Guimarães". Juntamente com outros companheiros de Linhares, elaborou o "Documento de Linhares" denunciando as torturas e suas conseqüências dentro das prisões. Este foi o primeiro documento, no gênero, elaborado no Brasil e encaminhado às autoridades brasileiras que ignoraram o seu conteúdo. Foi amplamente divulgado no exterior. Em 1970, Ângelo foi banido do país, trocado juntamente com outros 39 companheiros, inclusive seu irmão Murilo, pelo Embaixador Alemão. Ficaram exilados na Argélia. Em 1971 foi para o Chile, onde se encontrou com sua mãe Carmela, também banida do Brasil por suas atuações políticas. E aí casou-se com Maria do Carmo Brito, com quem teve seu único filho, Juarez, que está com 23 anos cursando Ciências Biológicas na UNICAMP. Carmela vive hoje em Belo Horizonte sendo, ao lado de sua irmã Ângela, os maiores símbolos da fibra desta família na resistência à ditadura. Em 1972, por seus contatos com grupos chilenos que lutavam pelo socialismo, foi preso e torturado por policiais brasileiros que lá se encontravam, sendo libertado logo em seguida. Ainda no Chile, batalhou para provar a infiltração do cabo Anselmo nos meios revolucionários brasileiros, tentando convencer os companheiros que Anselmo era um traidor e responsável por várias quedas e mortes. Em seguida, veio o golpe chileno, o que o levou a pedir asilo na embaixada do Panamá. Sua permanência no Panamá foi curta, indo para a França, onde logo se integrou ao Comitê Brasileiro cujo objetivo era obter asilo na Europa para outros companheiros brasileiros, chilenos, uruguaios que estavam em situação irregular na América Latina. Com esse objetivo, viajou pela Europa fazendo contatos com as entidades de Direitos Humanos. Em Paris, participava de um grupo de estudos que analisava o movimento histórico da América Latina e de grupos de apoio aos presos no Brasil. Por duas vezes - a primeira no Chile e a segunda na França - Ângelo retornou aos seus estudos de Medicina, conseguindo formar-se, em Paris, em meados de 1975, como Psiquiatra. No dia 11 de setembro de 1975, Ângelo morreu em um acidente de motocicleta em Paris. Seu corpo foi cremado no Cemiterio Père Lachese onde estão os maiores heróis franceses e, em 1976, trazido para o Brasil. Suas cinzas foram colocadas no Cemitério das Paineiras em Araxá, sua terra natal. Sobre sua morte, seu amigo Herbert Daniel escreveu: "... não saberemos se foi seu gosto pela ironia que determinou a escolha da data, aniversário do golpe do Chile. Ângelo escapou da cadeia no Brasil, escapou do golpe no Chile; mas não escapou da sua ânsia de viver demais. Não viveu para ver nenhum resultado. Este é o resumo brutal de todas as mortes provisórias..." ===================================================================== + detalhes. 10.11.07 Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias O estudante Angelo Pezzuti da Silva, 23 anos, preso em Belo Horizonte e torturado no Rio, narrou ao Conselho de Justiça Mili­tar de Juiz de Fora, em 1970: 10.11.07 Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias Aulas de Tortura: os Presos-Cobaias O estudante Angelo Pezzuti da Silva, 23 anos, preso em Belo Horizonte e torturado no Rio, narrou ao Conselho de Justiça Mili­tar de Juiz de Fora, em 1970: (...); que, na PE (Polícia do Exército) da GB, verificaram o interrogado e seus companheiros que as torturas são uma instituição, vez que, o interrogado foi o instrumento de de­monstrações práticas desse sistema, em uma aula de que participaram mais de 100 (cem) sargentos e cujo professor era um Oficial da PE, chamado Tnt. Ayton que, nessa sala, ao tempo em que se projetavam "slides" sobre tortura, mos­trava-se na prática para a qual serviram o interrogado, MAU­RÍCIO PAIVA, AFONSO CELSO, MURILO PINTO, P. PAULO BRETAS, e, outros presos que estavam na PE-GB, de co­baias; (...) A denúncia é confirmada no mesmo Processo, por depoentes acima citados, como o estudante, de 25 anos, Maurício Vieira de Paiva: (...) que o método de torturas foi institucionalizado em nosso País e, que a prova deste fato não está na aplicação das tor­turas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o Interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias, aula esta que se realizou na PE da GB, foi ministrada para cem (100) militares das Forças Armadas, sendo seu instrutor um ten. HAYTON, daquela UM.; que, à concomitância da proje­ção dos "slides" sobre torturas elas eram demonstradas na prática, nos acusados, como o interrogado e seus companhei­ros, para toda a platéia; (...) (...); que, na PE (Polícia do Exército) da GB, verificaram o interrogado e seus companheiros que as torturas são uma instituição, vez que, o interrogado foi o instrumento de de­monstrações práticas desse sistema, em uma aula de que participaram mais de 100 (cem) sargentos e cujo professor era um Oficial da PE, chamado Tnt. Ayton que, nessa sala, ao tempo em que se projetavam "slides" sobre tortura, mos­trava-se na prática para a qual serviram o interrogado, MAU­RÍCIO PAIVA, AFONSO CELSO, MURILO PINTO, P. PAULO BRETAS, e, outros presos que estavam na PE-GB, de co­baias; (...) A denúncia é confirmada no mesmo Processo, por depoentes acima citados, como o estudante, de 25 anos, Maurício Vieira de Paiva: (...) que o método de torturas foi institucionalizado em nosso País e, que a prova deste fato não está na aplicação das tor­turas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o Interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias, aula esta que se realizou na PE da GB, foi ministrada para cem (100) militares das Forças Armadas, sendo seu instrutor um ten. HAYTON, daquela UM.; que, à concomitância da proje­ção dos "slides" sobre torturas elas eram demonstradas na prática, nos acusados, como o interrogado e seus companhei­ros, para toda a platéia; (...) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110412/cd83a191/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6656 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110412/cd83a191/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 12 21:51:41 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 12 Apr 2011 21:51:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Entrevista_a_Frei_Betto=2C_sobre?= =?iso-8859-1?q?_o_livro_=27Conversa_sobre_a_f=E9_e_a_ci=EAncia=27?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Entrevista a Frei Betto Clariana Zanutto Cultura News Adital Frei Betto participou de papo sobre o livro 'Conversa sobre a fé e a ciência'. Autor de mais de 50 livros entre memórias, romances e ensaios e vencedor de dois prêmios Jabuti, o jornalista, antropólogo, filosofo e teólogo, Frei Betto escreveu o livro 'Conversa sobre a fé e a ciência' em parceria com o físico Marcelo Gleiser. O diálogo foi mediado por Waldemar Falcão. Em entrevista concedida ao Cultura News, Frei Betto fala sobre seu livro, como podemos aplicar o conteúdo da obra em nosso cotidiano, a delicada relação entre ciência e fé e muito mais. Leia a conversa completa abaixo: Fale sobre o livro Conversa sobre a ciência e a fé. Foi uma honra elaborar este livro em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão. Gleiser é um renomado físico teórico, professor em universidade dos EUA, autor de obras importantes. Falcão, amigo de longa data, é um espiritualista dedicado ao diálogo inter-religioso, também autor de livros que retratam experiências espirituais hetedoroxas aos olhos da tradição cristã. Ficamos os três trancados três dias num hotel do Rio e creio que de nosso diálogo resultou um texto interessante para todos aqueles que se perguntam sobre a relação da fé com os dados da ciência, em que medida esses dois campos do saber e da experiência humanos coincidem, discordam, antagonizam-se e/ou se complementam. Em A obra do artista: uma visão holística do universo eu já havia dado meus primeiros passos na direção do diálogo entre espiritualidade e astrofísica e física quântica. Quais os assuntos abordados no livro? Abordamos desde o Big Bang, visto à luz da fé e das pesquisas científicas, até os fundamentalismos religiosos e ateístas, que andam em moda. Falamos de mística, experiências esotéricas, pesquisas sobre cosmologia etc. Cada um de nós descreveu sua trajetória de vida, formação, influências importantes. Estou convencido de que o livro revela que o diálogo entre a fé e a ciência é possível quando há tolerância e compreensão de que são duas áreas distintas, porém não excludentes. Como surgiu a parceria com Marcelo Gleiser e a ideia para escrever o livro? Surgiu de proposta da editora. O primeiro livro desta coleção foi Conversa sobre o tempo, um diálogo entre Luiz Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, mediado por Arthur Dapieve. Quais as grandes diferenças e semelhanças entre a ciência e a fé? As pessoas que têm fé dependem de avanços científicos e tecnológicos. E muitas, que conciliam os dois campos em suas consciências, sabem que não são saberes incompatíveis, pois não buscam dados científicos nos textos religiosos nem revelações teológicas nas constatações da ciência. A fé é uma luz que permite aos nossos olhos entender a dimensão transcendente de tudo isso que a ciência apura. Esta avança a partir de dados empíricos, experimentais, comprovados, enquanto a fé é um dom da inteligência, uma adesão a verdades reveladas. A fé não nos diz como o Universo surgiu, diz apenas que por trás do Big Bang há um Deus criador. A ciência conhece o fenômeno da morte mas não se atreve a afirmar o que há após o fim da vida. Como podemos aplicar no cotidiano o conteúdo da obra Conversa sobre a fé e a ciência? Creio que um dos méritos do livro é ajudar aqueles que têm dificuldade de conciliar fé e ciência, dados na Bíblia e comprovações científicas que não coincidem com ideias supostamente científicas propaladas pela tradição religiosa, como é o caso do conceito criacionista, que nega os avanços científicos de Darwin. É uma obra que quebra tabus, desmistifica preconceitos, mostra que há mais afinidades que diversidades entre fé e ciência. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110412/8f4cfd63/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 13 21:42:38 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 13 Apr 2011 21:42:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de__ALFEU_DE_ALC=C2NTARA_MONTEIRO_________?= =?iso-8859-1?q?________________-CVIII-?= Message-ID: <355B0BAD9C894B87882C1C9C5C805547@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem (OS PRIMEIROS MORTOS COM O GOLPE MILITAR DE 1964) ALFEU DE ALCÂNTARA MONTEIRO (1922-1964) Filiação: João Alcântara Monteiro e Natalina Schenini Monteiro Data e local de nascimento: 31/03/1922, Itaqui (RS) Organização política ou atividade: oficial da Aeronáutica Data e local da morte: 04/04/1964, Porto Alegre (RS) O tenente-coronel Alfeu de Alcântara Monteiro foi morto no quartel geral da 5ª Zona Aérea, em Canoas (RS), no dia 04/04/1964. Segundo o jornal Folha da Tarde, de 06/04/1964, a nota oficial sobre a morte do tenente-coronel aviador informava "a lamentável ocorrência acontecida no Quartel general deu-se devido à indisciplina do tenente-coronel, que não acatou a voz de prisão que lhe foi dada pelo seu novo Comandante". Teria ocorrido troca de tiros, sendo que "os ferimentos recebidos pelo excelentíssimo brigadeiro comandante são de natureza leve, encontrando-se hospitalizado, em pleno exercício de seu comando, o mesmo não acontecendo, entretanto, com o tenente-coronel Alfeu, cujo falecimento lamenta informar". Alfeu de Alcântara Monteiro ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1941, e no ano seguinte passou para a Escola da Aeronáutica, onde se formou aspirante em 1942. Serviu em Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Natal e Canoas. Tenente-aviador desde 1946, fez o curso de Estado-Maior da Aeronáutica em 1958, incorporando-se a esse colegiado no ano seguinte. Com folha de serviços repleta de elogios, o coronel Alfeu era nacionalista e defensor dos direitos e garantias constitucionais, engajando-se na linha de frente do movimento pela legalidade que o governador gaúcho Leonel Brizola e o comandante do III Exército, general Machado Lopes, encabeçaram em Porto Alegre contra a intervenção militar que tentou impedir a posse do vice-presidente João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros, em setembro de 1961. Alfeu tornou-se, na prática, comandante da Base Aérea de Canoas, naqueles dias, após acordo que ensejou a saída, daquela unidade, dos oficiais favoráveis à quebra da normalidade constitucional, amplamente rejeitada pela baixa oficialidade, sargentos e praças. Ele foi um dos responsáveis por impedir que os caças daquela base decolassem para bombardear o Palácio Piratini, sede da resistência legalista, desobedecendo ordens expressas que foram emitidas por autoridades militares superiores. Quanto ao episódio de sua morte, o coronel médico Medeiros (chamado dessa forma pelo jornal citado), da Aeronáutica, relatou, anos mais tarde, em depoimento ao jornal Zero Hora, de 03/04/1988, que no dia 04/04/1964 servia na Base Aérea de Canoas, onde Alfeu Monteiro era subcomandante e não aderira ao golpe militar, juntamente com seus subordinados, sargentos e soldados. Naquele dia, pela manhã, chegou o comandante recém-designado da 5ª. Zona Aérea, brigadeiro Nélson Freire Lavanere-Wanderley, que determinou a prisão de todos os rebelados. Faltava o coronel Alfeu. Quando chegou sua vez de receber a voz de prisão, ele reagiu: "Retira essa ordem!" - gritou Alfeu , "É ilegal. Eu estava defendendo a autoridade legítima, eleita pelo povo. Tu não podes me prender!" Há versões colidentes sobre o contexto exato da morte. Prevalece a versão de que o brigadeiro Lavanere e o coronel Roberto Hipólito da Costa trouxeram Alfeu para uma sala fechada, de onde se ouviram tiros após uma discussão. Num dos registros, o tenente-coronel teria sido vítima de rajada de metralhadora nas costas, com 16 perfurações apontadas numa perícia médica. Mas existem versões indicando que Alfeu teria sacado sua arma e efetuado disparos contra o novo comandante, sendo então baleado pelo coronel Hipólito, que teria respondido a processo por homicídio, sendo absolvido. Alfeu foi levado ainda com vida ao Hospital do Pronto Socorro, em Porto Alegre, falecendo meia hora depois. O brigadeiro Lavanere-Wanderley foi o primeiro ministro da Aeronáutica de Castello Branco, assumindo a pasta 16 dias após o grave incidente de Canoas. Marcio Gontijo, assessor jurídico da CEMDP, concluiu em seu parecer que, "a causa da morte de Alfeu, conforme auto de necropsia, deu-se em função de disparos de arma de fogo recebidos quando estava na Base Aérea de Canoas (RS), ocasião em que deveria ser preso em função de seu posicionamento diante do golpe militar de 1964. Portanto, seu falecimento esteve ligado à participação em atividades políticas e a morte causada por tiros recebidos em dependência assemelhada a policial, cabendo o reconhecimento de Alfeu Alcântara Monteiro nas disposições da Lei nº 9.140/95 ". O relator na CEMDP votou pelo deferimento. Em 15/12/1998 o general Oswaldo Pereira Gomes solicitou a revogação do ato que concedeu a indenização, baseando-se nos seguintes argumentos: "o deferimento da indenização por parte do Estado foi efetivado, basicamente pelo que afirma o Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos". Segundo o general, "a afirmação do Dossiê está muito longe da verdade uma vez que este membro da Comissão tomou conhecimento do Inquérito Policial Militar e do Processo Penal correspondente que correu na Justiça Militar. Nesses processos fica provado que Alfeu de Alcântara Monteiro foi morto no ato de tentar contra a vida de seu superior hierárquico major brigadeiro Nélson Freire Lavanere-Wanderley, no Gabinete de Comando deste; e neste ato criminoso acertou com tiro de arma de fogo, que empunhava, a cabeça e o omoplata direito do referido major, sendo nesse momento abatido com 2 tiros pelo coronel-aviador Roberto Hipólito da Costa. Tudo isso é comprovado em documentação anexa". O assessor jurídico Márcio Gontijo, analisando o requerimento da revogação do ato indenizatório, ponderou que: "(...) não cabe discutir se a morte ocorreu pelo exercício de legítima defesa ou por execução sumária, bastando que tenha ocorrido nas circunstâncias mencionadas na decisão da Comissão Especial. (...) De qualquer forma, o deferimento do pedido se deu por decreto presidencial, embora baseado no parecer da Comissão Especial, o que vale dizer que o órgão citado não tem competência para revogar o ato, que é do presidente da República, pelo que não há como a CEMDP atender ao pedido, já que não tem competência para tal". Em 15/09/2003 a conselheira Maria Eliane Menezes de Farias acolheu, na íntegra, as considerações constantes no parecer, votando pela manutenção da decisão da CEMDP. ========================================================================================================= + Informações. ALFEU DE ALCÂNTARA MONTEIRO Coronel Aviador. Fuzilado, no dia 4 de abril de 1964, na Base Aérea de Canoas, Rio Grande do Sul. A perícia médica constatou que foi assassinado pelas costas por uma rajada de metralhadora, tendo sido encontrados 16 projéteis em seu corpo. Com base nessa perícia e nos depoimentos de vários oficiais que presenciaram o assassinato, a família moveu um processo incriminando o principal responsável e autor dos disparos, o então Cel. Roberto Hipólito da Costa que, apesar das inúmeras evidências, foi absolvido. ================================================================================= + detalhes. Alfeu de Alcântara Monteiro Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Ir para: navegação, pesquisa Alfeu de Alcântara Monteiro Alfeu de Alcântara Monteiro (Itaqui, 31 de março de 1922 - Porto Alegre, 4 de abril de 1964), militar brasileiro, aviador, coronel da Força Aérea Brasileira, um dos primeiros oficiais legalistas a tombar em defesa da democracia no Brasil, vítima do golpe de estado de 1964.[1] [2] Ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1941, transferindo-se em 1942 para a Escola da Aeronáutica, de onde saiu como aspirante no final daquele ano. Serviu nas bases de Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Natal e Canoas. Em 1946 foi promovido a 1º tenente-aviador e fez o curso de Estado-Maior da Aeronáutica em 1958.[3] O militar, quando capitão-aviador, foi um dos primeiros instrutores para os bombardeiros B-25, recém chegados ao país (1947 - 1950) e em operação na Base Aérea de Natal. Alfeu Monteiro, desde 1961, ainda como tenente-coronel, compunha o efetivo do Quartel General da 5ª Zona Aérea, da FAB, situado em Canoas, estado do Rio Grande do Sul, quando da Campanha da Legalidade que assegurou a posse do presidente eleito João Goulart, contestada, na ocasião, pelos ministros militares. [4]. Liderando oficiais e sargentos, impediu que os aviões da base levantassem vôo para bombardear a cidade de Porto Alegre, onde o Governador Leonel Brizola comandava a resistência. [5] A superveniência, três anos depois, do golpe de 64, impropriamente chamado de revolução, deflagrado em 31 de março, rompendo a ordem constitucional e democrática, com o apoio da frota naval norte-americana liderada pelo porta-aviões USS Forrestal (Operação Brother Sam)[6], resultou em repúdio de vários segmentos das Forças Armadas, dentre estes, dos militares da 5ª Zona Aérea e seu comandante, o Coronel Alfeu, militar disciplinado e fiel aos princípios legalistas contidos na Constituição Federal. No dia 4 de abril, emissários dos golpistas liderados pelo brigadeiro Nelson Lavanére Wanderley, acompanhado do coronel-aviador Roberto Hipólito da Costa, este, conhecido por seus planos criminosos de abater o Viscount da presidência da República, uma aeronave da FAB que transportava o presidente, [7] adentraram no gabinete do comandante Alfeu e, diante das suas exortações pelo respeito à constituição vigente, o fuzilaram, imediatamente, restando-lhe tempo, apenas, de esboçar uma inócua reação com um revolver de pequeno calibre (cal. 32).[8] A Comissão Especial criada pela Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995, reconhecendo a responsabilidade subsidiária da União pelo ato criminoso que vitimou o militar concedeu aos seus familiares a indenização simbólica de cem mil reais.[9] Em homenagem à luta que empreendeu pela democracia no Brasil, a municipalidade da cidade de São Paulo concedeu o seu nome a uma rua do bairro de Jaçanã/Tremembé: - Rua Alfeu de Alcântara Monteiro.[10] ========================================================================================== + detalhes. Ai de ti, 64 Há uma praça de menos em Porto Alegre. Essa praça devia se chamar "Tenente-Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro". Esse gaúcho de Itaqui foi assassinado em 4 de abril de 1964, vítima do Golpe do dia 1º. Flávio Aguiar "Memento, homo, quia pulveris es, et in pulverem reverteris". (Gênesis: 3, 19) A Malena Monteiro Há uma praça de menos em Porto Alegre. Essa praça devia se chamar "Tenente-Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro". Alfeu de Alcântara Monteiro nasceu em Itaqui, Rio Grande do Sul, em 31 de março de 1922. A Semana de Arte Moderna tinha um mês e meio de realização. Naquele ano também seria fundado o Partido Comunista do Brasil. O menino Alfeu tinha três meses e meio de vida quando do episódio dos 18 do Forte, em Copacabana. Tinha dois anos mais ou menos quando o Capitão Luís Carlos Prestes começou a marcha de sua coluna, naquela região mesma em que nascera, as Missões. Tinha oito anos na Revolução de 30, dez na de 32, vinte quando o Brasil entrou na Segunda Guerra, ao lado dos aliados e da União Soviética, contra os nazi-fascistas e o Eixo. Teria 44 anos recém completos ao morrer, em 4 de abril de 1964, em conseqüência do golpe recém dado. Em 1941 ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, e em 1942 passou para a Escola da Aeronáutica, onde se formou como aspirante em 1943, designado para servir na base aérea de Fortaleza. Fez uma carreira bastante protocolar e rápida, marcada por elogios oficiais. Recebeu louvores individuais em diversas ocasiões. Em 1946 já era Tenente Aviador e estava na Base Aérea de São Paulo. Em 1947 estava de volta na Escola de Aeronáutica, no Rio de Janeiro, onde recebeu louvor, destacando "suas qualidades de caráter e esmerada educação, aliadas à correta noção de disciplina e dos assuntos profissionais, que o fazem apontar entre os oficiais de escol da FAB". Serviu ainda em Natal nesse período. Por seus méritos integrou a equipe de oficiais aviadores que em 1948 foi buscar aviões de combate adquiridos nos Estados Unidos. Nos dez anos seguintes serviu em Natal, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Recebeu vários elogios em sua folha de serviço por participação em eventos esportivos e em manobras de campo, simulando combates. Muitos desses elogios ressaltam sua capacidade de superar as dificuldades e precariedades provocadas por falta de suprimentos ou aparelhos adequados. Em 1957 recebeu um elogio por escrito do Brigadeiro do Ar Nelson Freire Lavanère Wanderely, do Comando da Primeira Zona Aérea. Em 1964 o já Tenente Coronel Alfeu Alcântara Monteiro seria acusado de tentar assassinar o Brigadeiro Lavanère Wanderley na Base Aérea de Canoas. Em 1958 fez o curso do Estado Maior da Aeronaútica no Rio de Janeiro. Em 1959 passou a integrá-lo, e em dezembro desse ano estava servindo na Sub-Seção do Exterior do Comando de Segurança Nacional. Nos elogios recebidos em sua folha de serviço nesta função, destacam-se os seguintes termos e expressões: "personalidade marcante", "destacado piloto da FAB", "impecável apresentação", "correção e franqueza de atitudes", "discreto, trabalhador e inteligente", "espírito de cooperação". Diz o elogio de 27 de julho de 1960: "Embora constantemente solicitado para cumprir seus deveres como piloto da FAB, tem em dia seus encargos". Em 31 de janeiro de 1964 recebeu o que provavelmente foi seu último elogio oficial, da parte do General de Divisão Ernestino Gomes de Oliveira, Diretor Geral de Saúde do Exército, nos seguintes termos: "Tenente Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro, oficial disciplinado, competente e proficiente, comandou com destreza e perfeição o transporte de que me utilizei. Sempre pronto para o serviço, o Ten. Cel. Alfeu deu demonstração cabal de pontualidade e de espírito militar. Louvo pois o Ten. Cel. Alfeu e auguro-lhe o melhor êxito em sua brilhante carreira". Tudo isso consta em cópia autenticada da folha corrida do Tenente-Coronel, que lhe foi passada em 23 de março de 1964, na Base Aérea de Canoas, de que tenho reprodução. Aqui vale a pena transcrever trecho do seu obituário, publicado em 5 de abril daquele ano, no Diário de Notícias de Porto Alegre: "[serviu] no Comando de Segurança Nacional até fevereiro de 1961. Foi exonerado nesse mês daquele órgão, ficando 90 dias sem função e sem vencimentos, ao que dizem por ser antijanista. Ao terceiro mês de afastamento foi classificado em Recife. Este fato levou-o a dirigir carta a um oficial do Ministério da Aeronáutica, dizendo-lhe que só lhe servia Porto Alegre, pretensão que lhe foi satisfeita um pouco mais tarde. Quando da renúncia do sr. Jânio Quadros e com a ida do Brigadeiro Aureliano Passos para o Rio, Alfeu Monteiro assumiu o comando da Quinta Zona Aérea, em face de sua ligação com o esquema organizado pelo Sr. Leonel Brizola''. O "esquema organizado pelo Sr. Leonel Brizola" era a Rede da Legalidade, para garantir a posse de João Goulart na Presidência da República em agosto/setembro de 1961, diante da disposição golpista dos ministros militares Odylio Denis, Sílvio Heck e Grum Moss para impedi-la. De fato, o Tenente-Coronel acabou tendo participação decisiva nos acontecimentos. No torvelinho político que se seguiu à inesperada renúncia de Jânio, a obstinação do governador do Rio Grande do Sul em não se dobrar diante da tentativa de golpe exasperou o comando militar em Brasília. Forçado pelas circunstâncias e por vários de seus comandados, entre eles os Generais Pery Bevilacqua e Oromar Osório, o Comandante do 3o. Exército, General Machado Lopes, decide também se insurgir contra o golpe. Nesse momento o Gabinete do Ministério da Guerra transmitiu ao General Machado Lopes a seguinte mensagem, às seis horas da manhã de 28 de agosto: "O 3o. Exército deve compelir imediatamente o Sr. Leonel Brizola a por termo à ação subversiva que vem desenvolvendo e que se traduz pelo deslocamento e concentração de tropas (.) Faça convergir sobre Porto Alegre toda a tropa do Rio Grande do Sul que julgar conveniente, inclusive a 5a. DI, se necessário. Empregue a Aeronáutica, realizando inclusive o bombardeio, se necessário(.)". Radioamadores captaram a mensagem. A senha definitiva para o ataque aéreo, que também chegou a ser transmitida era: "Tudo azul em Cumbica. Boa viagem.", porque os jatos da Base Aérea de Canoas, depois da missão, deveriam seguir para aquela base em São Paulo. Em Canoas seguiram-se momentos indescritíveis de tensão. Alertados pelo Capitão Alfredo Daudt, os sargentos da base aérea se insurgiram, decididos a impedir que os oficiais levantassem vôo. Estes se dirigiram a um dos prédios para vestir os uniformes. A partir daí os relatos são muitos. Uns dizem que os pneus dos jatos foram esvaziados. Outros dão conta de que os sargentos cercaram os oficiais no prédio, e que todos, de ambos os lados, dispunham de armamento pesado e estavam dispostos à luta. Os sargentos conseguiram enviar um jipe até o centro de Porto Alegre (naquele tempo o sistema de comunicações era muito precário) para pedir ajuda. O jipe quase foi virado por uma multidão enfurecida pela notícia da ameaça de bombardeio. Consta que um dos sargentos só conseguiu impedir o linchamento gritando que era parente de Brizola. Os emissários conseguiram passar, e o General Machado Lopes enviou uma força tarefa para assumir o controle da situação. Foi feito um acordo: o comandante da base, Brigadeiro Aureliano Passos, e os oficiais favoráveis ao golpe a abandonaram e foram para Cumbica. Assumiu o comando o Tenente Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro, legalista. Ao assumir o comando da base, o Tenente Coronel deu declarações no sentido de tranqüilizar a opinião pública. Anunciou - o que confirmava fatos sabidos da véspera - que o Brigadeiro Aureliano deixara a base com mais oficiais levando os jatos que seriam utilizados no bombardeio da cidade, em número de dez. Alegava que isso afastava o perigo do ataque, e, além disso, negava a existência da ordem que a base, de fato, recebera: "Na realidade os oficiais, inclusive o Comandante da Esquadrilha de Caças, estavam contrários à atitude das autoridades gaúchas, mas não houve nem intenção e muito menos ordem para que a FAB bombardeasse o Palácio de Governo ou qualquer outro local". Esse "qualquer outro local" seriam pelo menos as torres da Rádio Guaíba, base da Rede da Legalidade que o governo gaúcho já formara em escala nacional. Entretanto alguns dias depois, o Tenente Coronel daria nova entrevista ao mesmo jornal (o Jornal do Dia), em 3 de setembro, em que denunciava manobras dos ministros de Brasília para "desunir" as forças da Legalidade, segundo as quais ele não mais obedeceria à orientação prevalecente no Rio Grande do Sul. Diz o texto: "Trata-se de uma manobra do Ministério para tentar separar as forças do Rio Grande, Terceiro Exército, FAB e Governo do Estado. Estamos indissoluvelmente unidos e reina harmonia nas forças da Legalidade". Essa harmonia não devia ser tanta assim. A própria notícia, mais adiante, dizia curiosamente que na Base Aérea de Canoas havia 216 sargentos, cabos e soldados prisioneiros de cerca de 30 oficiais! Ou seja, isso mostra que houvera, ao lado da negociação sobre o impedimento do bombardeio do centro de Porto Alegre, uma negociação formal sobre o destino das ordens e contra-ordens dadas e recebidas. Os aviões tinham cumprido a ordem recebida, ou seja, decolaram de Canoas e pousaram em Cumbica. Se não realizaram o bombardeio, é porque não tinham bombas a bordo, impedidas de embarcar pelos sub-oficiais e pela presença da força-tarefa enviada pelo General Machado Lopes. Ao mesmo tempo os sub-oficiais e praças rebelados permaneceram sob a custódia dos oficiais remanescentes. Mantinha esse delicado equilíbrio e presença e o prestígio do Tenente-Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro. Não deixava de ser uma saída bem à brasileira: tudo estava de acordo com os manuais, e dessa forma a carreira de ninguém seria prejudicada, é o que se pode concluir. O fato é que a ordem de bombardeio houve, e só não se cumpriu graças à decisão contrária dos sargentos, dos sub-oficiais, e dos oficiais legalistas, logo a seguir amparada pela atitude do Tenente-Coronel, assumindo o comando da Base Aérea. O cumprimento da ordem teria conseqüências imprevisíveis: o Palácio Piratini, alvo do bombardeio, fica em bairro densamente povoado; nesta época já havia até alguns edifícios em redor. A Praça da Matriz, como a população ainda a chama, em frente ao Palácio, estava sempre cheia de povo, naqueles dias de mobilização. Haveria um morticínio, como o que houve em junho de 1955 em Buenos Aires, quando aviões da Marinha e da Aeronáutica bombardearam a Casa Rosada e outros prédios públicos numa tentativa de derrubar Perón. A importância dos acontecimentos de Canoas foi atestada pelo fato de que na Base Aérea, começaram as comemorações do Sete de Setembro seguinte, quando a crise da posse de Goulart já estava resolvida. Às nove da manhã houve um desfile que homenageava as autoridades que para lá se deslocaram, o governador Brizola, o General Machado Lopes, o Comandante da Brigada Militar, o Arcebispo do Rio Grande do Sul. No fundo, os homenageados por tal deslocamento eram os praças, sargentos, sub-oficiais e oficiais legalistas da Base. Nas fotos, o Tenente-Coronel Alfeu tem lugar de destaque. Neste momento o Vice-Presidente João Goulart já embarcara para Brasília, depois de chegar a Porto Alegre ao fim de uma longa viagem da China, onde estava quando da renúncia de Jânio, com escala final em Montevidéu. A ida de João Goulart para a capital da República, depois da sua aceitação da emenda parlamentarista, também teve participação especial da FAB. Chegou a se montar uma operação para derrubar o avião presidencial, a "Operação Mosquito". Contrária a ela, e com a participação de sargentos e sub-oficiais de Brasília, montou-se uma "Operação Tática", destinada a impedir que aviadores golpistas pudessem cumprir aquela determinação. A base da "Operação Tática" foi o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, de onde partiu o avião presidencial. Fizeram parte dela iniciativas como a de impedir que os demais aeroportos do caminho obtivessem informações sobre o plano de vôo, e de divulgação de dados meteorológicos enganosos sobre o sul do Brasil, como a de que chuvas torrenciais impediam o sobrevôo de Porto Alegre. O comandante da "Operação Tática" foi o Tenente Generoso Resende Lacerda, mas o responsável por todas as ordens mais as mensagens, enganosas ou não, para o resto do país, foi o Ten. Cel. Alfeu. Essa posição proeminente nos acontecimentos de 1961 valeu a ele algumas promoções a seguir. Duas são muito significativas. Chegou a ser piloto do avião presidencial, depois da posse de João Goulart. E foi nomeado para dirigir a Superintendência da Fronteira Sudoeste, que abrangia os estados sulinos mais o Estado do Mato Grosso (hoje, na região, Mato Grosso do Sul). Mas o Tenente Coronel Aviador não permaneceu nos cargos. Do primeiro não tenho informação de porque nem quando saiu. Mas do segundo afastou-se em 20 de janeiro de 1963, enviando o seguinte telegrama às autoridades competentes: "Informo Vossência serei substituído breve Superintendência Fronteira Sudoeste devido imposição Governador Leonel Brizola e Presidente PTB Rio Grande do Sul o estrangeiro [sic] João Caruso. Motivo real não mencionado Presidente Jango é que não sou político e assim jamais permitirei transformar órgão sob minha direção em cabide de emprego para cabos eleitorais que deverão agir próximas eleições para prefeito de Palegre e outros municípios do RGS. Adianto Vossência que pessoalmente só tenho prejuízos naquela função. Esses prejuízos estavam sendo compensados tendo em vista possibilidades promover patrioticamente desenvolvimento sócio-econômico área Fronteira Sudoeste, no menor espaço de tempo, com máxima economia, contando naturalmente cooperação governo objetivo e profícuo Vossência e demais governadores, conforme poderão testemunhar elementos credenciados [n]esse Estado e outros compreendidos fronteira Sudoeste, que lá estiveram e presenciara[m] a minha orientação administrativa imprimida ao Órgão. Lamento informar Vossência esses fatos mas faço pretendendo ressalvar minha responsabilidade no caso e dar nome aos bois, para que o povo dos quatro estados, que fazem parte da área, não fique às escuras sobre o assunto. Sentindo não mais poder dedicar meus esforços nessa direção, despeço-me atenciosamente. ALFEU DE ALCÂNTARA MONTEIRO. TENENTE CORONEL AVIADOR." Pouco depois de deixar a Superintendência, o Tenente-Coronel se envolveu numa luta de rua em Porto Alegre, ao ser interpelado por guardas de trânsito de forma que considerou inadequada. O episódio se passou às 23 horas de um sábado, no mês de fevereiro, e acabou na Chefatura de Polícia, além de ser publicado com estardalhaço em jornais do dia seguinte. Por esse tempo o Tenente-Coronel havia se separado de sua mulher e constituído nova família. A primeira foi residir no Rio. Mas ao longo de 1963 ele acabou reconsiderando sua situação. Reconciliou-se com a primeira mulher, decidindo ambos voltar a morar juntos. Querendo seguir para o Rio, dirigiu-se para a Base Aérea de Canoas a fim de colher documentos e pertences que lá deixara. E foi onde estava quando eclodiu o Golpe de Abril, depondo o Presidente João Goulart. O Comandante da Base, Brigadeiro Otelo da Rocha Ferraz, deixou o local, depois de ser nomeado novo Comandante pelos golpistas, o Brigadeiro Nelson Lavanère Wanderely. Mas os sargentos e sub-oficiais, incoformados, se rebelaram. E junto com eles estava o seu antigo Comandante Legalista. É difícil saber exatamente o que aconteceu a seguir. Lavanère Wanderley se apresentou na Base acompanhado pelo Coronel-Aviador Roberto Hipólito da Costa. Por volta das 21 horas do sábado, 4 de abril de 1964, reuniram-se numa sala do Comando. Estavam apenas os três. Segundo informações da imprensa, houve um tiroteio. A versão divulgada estabelecia que, ao receber ordem de prisão, ou de se apresentar no Rio de Janeiro, o Tenente-Coronel Alfeu se insurgiu, sacou da arma, fez cinco disparos contra o Brigadeiro, à queima-roupa, acertando um ou dois de raspão. No futuro, ao ser empossado como Ministro da Aeronáutica, o Brigadeiro tinha, segundo o Ministro que lhe transmitia o cargo, a cicatriz de um ferimento de raspão no olho. Uma versão diz que "elementos de segurança" acorreram e alvejaram o Tenente-Coronel. Outra, que foi a versão levada a julgamento, estabeleceu que o autor dos disparos contra o Ten. Cel. foi o Coronel Hipólito. A nota oficial distribuída pela Aeronáutica em 5 de abril dizia que o Tenente-Coronel fora morto por "circunstante". De um modo geral, os comentários ressaltavam que o oficial morto era de "tendências brizzolistas" (sic). Numa circunstância, pelo menos, foi chamado de "fanático". Tempos depois, o Coronel Hipólito foi a julgamento no Rio de Janeiro, sendo absolvido. Segundo o noticiário, a alegação da defesa foi a de legítima defesa de terceiros. O caso é até hoje mencionado em publicações de todos os tipos, impressas ou na internet, desde as que arrolam as vítimas da ditadura àquelas que fazem a apologia do golpe e acusam o Ten. Cel. de ter atentado contra a vida do Brigadeiro Lavanère. As versões extremas falam em assassinato com dezesseis tiros de metralhadora, ou com um único tiro, disparado pelo Coronel Hipólito em defesa do Brigadeiro. Sobre o acontecimento, obtive depoimento da filha do Tenente Coronel, Malena Monteiro. Conversamos em 22 de maio de 1983, em Brasília, depois de uma correspondência que começou em 1980. Caracterizou seu pai como um homem impulsivo, algo autoritário e ao mesmo tempo carinhoso, dividido em casa entre manter a ordem e cuidar das meias, dos sapatos e das roupas dos filhos. Era nacionalista, não de esquerda. Disse também que por ocasião da morte do pai a família recebeu cinco passagens para ir do Rio a Porto Alegre da Varig, mas chegaram atrasados ao enterro, que se deu no dia 5 de abril, no Cemitério de São Miguel e Almas, com honras militares. Depois, no Rio, foram perseguidos e ameaçados por oficiais da Aeronáutica, o que fez sua mãe mudar-se para a Inglaterra. No dia da morte do pai ela disse terem os três, Lavanère, Alfeu e Hipólito, se dirigido para um gabinete do QG. Fecharam-se lá dentro, e depois de uma discussão ocorreram os disparos. O Tenente-Coronel foi atingido por oito disparos, sendo quatro pelas costas e quatro pela frente. Como os disparos estavam em linha ascendente, suspeitou-se de uma metralhadora, mas é verdade que uma pistola automática faria o mesmo efeito. Supõe-se que ao ser atingido pelas costas ele tenha se virado, e recebido novos disparos pela frente. Um gesto desses levanta a hipótese de que o Brigadeiro Lavanère tenha sido atingido de raspão por uma das balas disparadas pelo Coronel Hipólito. Neste caso, o Tenente Coronel Alfeu não atirou primeiro, e se chegou a sacar a arma foi para se defender, ao contrário da versão oficial, em que ele foi o agressor. Há uma versão dos acontecimentos que afirma Ter o Ten. Cel. apenas ameaçado o Brigadeiro com sua arma, e que com a chegada do Coronel Hipólito e outros assessores começou "uma troca de tiros".* Mas segundo Malena, quem acorreu de fora para dentro foi o ajudante-de-ordens do Tenente-Coronel. Ele, ao entrar, deparou-se com a cena consumada. Disse-me que este rapaz também foi perseguido pelos vencedores do golpe, bem como vários sargentos e oficiais da Base, entre eles o Capitão Alfredo Daudt, que estava presente na base no momento do tiroteio. Seu pai foi levado para o Hospital do Pronto Socorro em Porto Alegre, onde chegou com vida e ainda sobreviveu por meia-hora. Não falou sobre os acontecimentos, só sobre os filhos. Ela disse que a família soube de alguns desses fatos por uma freira, que estava presente no hospital, e que o médico que atendeu seu pai resolveu calar-se, por medo das conseqüências. Na ocasião em que a entrevistei o Coronel Hipólito já tinha morrido. O Brigadeiro Lavanère também, ou morreu algum tempo depois. Em nenhum momento, em nenhum documento, encontrei referência a exame de balística nas armas presentes. O que se passou exatamente naquela sala? Jamais se saberá. Ela virou uma caixa-preta. Só poderia se saber com exames de balística nessa altura impossíveis, com o exame da sala em busca de possíveis vestígios que tenham ficado depois de quarenta anos, com a exumação dos restos mortais do Tenente Coronel, se ainda existirem. O depoimento de Malena, a partir do da freira e do ajudante-de-ordens, é consistente. A versão de que seu pai disparou cinco tiros à queima-roupa e errou todos é inverossímil. Também é a de que tenha sido atingido por um único tiro, pois ainda foi transportado para o Hospital do Pronto Socorro em Porto Alegre e lá sobreviveu por meia-hora, e falando. É mais provável mesmo que tenha sido atingido várias vezes e tenha morrido em conseqüência da hemorragia e da falência de órgãos atingidos. A versão de que foi atingido por "dezesseis tiros" cabe na de que levou oito, pois como se sabe, um tiro nas condições em que estavam, atravessa o corpo. Se o Tenente Coronel foi atingido por oito, teria dezesseis orifícios pelo corpo. E é possível mesmo que uma das balas disparadas pelo Coronel Hipólito tenha ferido o Brigadeiro, saindo do corpo do Tenente Coronel ou não, passando-lhe ao lado enquanto este se virava. As versões divulgadas oficial ou oficiosamente se desmentem na sua multiplicidade. Mas o importante a ressaltar é que o Golpe de 64 criou esse tipo de caixa-preta na vida de todo mundo. Sempre há algo para onde é difícil ou mesmo impossível olhar. No caso, essa caixa-preta se refere à vida de um homem com quem a cidade e o povo de Porto Alegre têm uma dívida imorredoura. Malena ressaltou que seu pai gostava de voar. Foi daí que pensei ser uma praça homenagem adequada a ele, já que elas costumam abrigar muitos pássaros, e estes também gostam de voar. De resto, só sei dizer que quando pedi a ela que me dissesse como era seu pai, ela teve um olhar que eu gostaria que vissem no rosto de minhas filhas, se a elas um dia perguntarem qualquer coisa sobre mim. (publicado na Carta Maior) *. > www.reservaer.com.br/estrategicos/deJKa64/movimentorevolucionario.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110413/7c38f931/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5460 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110413/7c38f931/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7441 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110413/7c38f931/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 204 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110413/7c38f931/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 13 21:42:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 13 Apr 2011 21:42:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Manifesto_pela_forma=E7=E3o_da_C?= =?iso-8859-1?q?omiss=E3o_da_Verdade_-_CBV-SP?= Message-ID: <9C4AF0FA24F5469AB3B9268F06539812@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ASSOCIAÇÃO CULTURAL NELSON WERNECK SODRÉ Manifesto pela formação da Comissão da Verdade - CBV-SP Opassado de um país é uma construção permanente e é ele que desenha o futuro. O povo que não olha para trás e o analisa com a arma afiada da crítica, desconhecendo seu passado, estará fraudando as novas gerações. A mancha que cobriu a história brasileira durante os anos da ditadura, instalada com o golpe militar de 1964, precisa ser desfeita. A obscuridade sobre o período infecta o corpo da sociedade. A Presidência da República enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que institui a Comissão da Verdade. O objetivo é que seja aprovado ainda este ano. Entretanto, para que este prazo seja cumprido e que a Comissão da Verdade seja realmente eficaz é preciso uma vasta mobilização popular. Para isso temos que agir como na época da criação do Comitê Brasileiro pela Anistia, em 1978. Partindo de pequenos grupos, foi tecida em pouco tempo uma grande rede que envolveu todo o país, incendiando os corações. E a vitória veio. Propomos que de forma rápida, os sindicatos, estudantes, grupos de direitos humanos, intelectuais, movimentos sociais em geral e personalidades se mobilizem para a criação de um Comitê Brasileiro pela Comissão da Verdade. Ele deverá ser amplo, sem exclusões e eficaz. Devemos recordar ainda que esta Comissão será instalada com extremo atraso e lembramos que este processo já foi exercitado em algo como quarenta países. Exprimimos nossa vergonha e indignação, por ainda termos arquivos fechados, assassinatos não esclarecidos, corpos insepultos. A nação brasileira não poderá jogar o papel que lhe compete no mundo se não sanar estas nódoas. Ao trabalho! A verdade já! Assine: ac.nelsonwerneck at gmail.com André Amano, Antonio Carlos Fon, Ary A. Normanha, Carlos Russo, Cloves de Castro, Daniela Câmara Ferreira, Darci Miyaki, Denise Santana Fon, Guiomar Lopes, José Luiz Del Roio, Pedro Pomar, Rose Nogueira, Takao Amano,Vanderley Caixe -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110413/2b65b837/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 14 20:15:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 14 Apr 2011 20:15:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____Hi?= =?iso-8859-1?q?st=F3ria_de_EDU_BARRETO_LEITE______________________?= =?iso-8859-1?q?______-CIX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem (OS PRIMEIROS MORTOS COM O GOLPE MILITAR DE 1964) EDU BARRETO LEITE (1940-1964) Filiação: Idê Barreto Leite e Assis Waldemar Leite Data e local de nascimento: 20/08/1940, Dom Pedrito (RS) Organização política ou atividade: sargento do Exército Brasileiro Data e local da morte: 13/04/1964, Rio de Janeiro (RJ) A morte do gaúcho Edu Barreto Leite - 3º sargento do Exército que trabalhava no serviço de Rádio do Ministério da Guerra - apenas 13 dias depois da deposição de João Goulart, foi anunciada pelas autoridades do novo regime como suicídio. Ele teria se atirado pela janela, pouco antes de agentes de segurança invadirem seu apartamento, na rua Frei Caneca, no Rio de Janeiro. Ao buscar maiores esclarecimentos sobre o ocorrido, porém, seu irmão Danton Barreto Leite ouviu do zelador do prédio uma história diferente. O zelador escutou muitos disparos e ruídos de luta corporal dentro do apartamento, testemunhando que Edu foi jogado pela janela. Uma moradora do prédio em frente estava acordada, com a luz apagada, junto à janela, e repetiu exatamente a mesma versão. Danton Barreto Leite foi avisado da morte por um amigo de Edu, que leu a notícia na imprensa. Na mesma noite, ligou para o Exército atrás de informações. Como ninguém lhe prestasse qualquer esclarecimento, no dia seguinte seguiu de Porto Alegre para o Rio, chegando ao Ministério da Guerra somente depois do enterro. Os militares alegaram não ter avisado a família por desconhecer o endereço, o que é pouco plausível na disciplina tradicional do Exército. Danton foi levado a uma sala de reuniões onde os militares tentaram convencê-lo de que o irmão, "comunista e subversivo", havia se suicidado, saltando do sétimo andar do prédio onde morava. Sentiu que se não concordasse com aquela versão seria detido, mas não ficou convencido. No dia 15 de abril, esteve no apartamento de Edu, lacrado pelo Exército, e conversou com algumas pessoas sem se identificar. Nessa ocasião, ouviu do zelador que cinco indivíduos esperavam Edu quando ele chegou à noite. Posteriormente, o Exército nomeou uma equipe para conduzir Danton ao apartamento. O local encontrava-se muito revirado e, segundo a noiva de Edu, também presente na ocasião, faltavam objetos pessoais e a máquina fotográfica. O que mais chamou a atenção do irmão foi a porta, com várias perfurações de bala, de fora para dentro, e nenhum vestígio de sangue. No Hospital Souza Aguiar, Danton foi informado de que Edu dera entrada vivo e com fraturas múltiplas no braço esquerdo e nas costelas. O laudo do legista Amadeu da Silva Sales não ajudou a esclarecer as circunstâncias da morte, determinando apenas que o óbito ocorreu em decorrência de "hematoma retro-peritonial ao nível de sigmóide, hematoma da parede vesical". As autoridades militares abriram inquérito, mas o 5° Distrito Policial apenas registrou o ocorrido. Um documento de 29/07/1964, assinado pelo presidente em exercício do Superior Tribunal Militar (STM), ministro Washington Vaz de Mello, relata que nos autos do IPM instaurado para apurar a responsabilidade de dois integrantes do Exército na morte de Edu havia evidências de que ele fora vítima de um acidente, não de um crime. No relatório para a CEMDP, a relatora observou que o depoimento de Hilton Paulo Cunha Portella, então comandante do Pelotão de Investigações Criminais do 1° Batalhão de Polícia do Exército, deixava clara a natureza política da morte: Edu era acusado de subversão por pertencer ao chamado "Grupo dos Onze". Em outubro de 1996, a Comissão Especial decidiu que, na falta de perícia, fotos ou do laudo necroscópico de Edu, deveria buscar informações e documentação no Exército. A relatora solicitou, então, a devolução do processo, ao qual também foi anexada a íntegra do IPM. O inquérito não contém documentos importantes para uma avaliação segura dos fatos, como as informações relativas às suspeitas com relação a Edu e o laudo de perícia do local. Também não foram ouvidas as pessoas com outra versão dos fatos. A relatora deu parecer favorável ao enquadramento legal do caso, mas o processo foi indeferido por 5 a 2, foi acompanhada no voto vencido por Nilmário Miranda. Em 04/01/2005, depois de reaberto o prazo para apresentação de novos requerimentos, por força da nova Lei, a CEMDP recebeu de outro irmão de Edu, Jacob Barreto Leite, solicitação de reabertura do processo. Em nova apreciação, já à luz da Lei nº 10.875, que reconhecia a responsabilidade do Estado em casos de suicídio - mesmo quando em versões oficiais tão inconsistentes como a relativa a Edu Barreto Leite -, o processo foi então deferido por unanimidade, sendo que a relatora recomendou deixar registrada a necessidade de investigação pelo Estado brasileiro das reais circunstâncias dessa morte sob a responsabilidade do Exército. =============================================================================================================== + Informações. EDU BARRETO LEITE 3º Sargento do Exército. Na madrugada de 13 de abril de 1964, Edu Barreto Leite deu entrada no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, com várias fraturas e escoriações. Os policiais que o escoltavam alegavam que tais ferimentos eram em conseqüência de uma queda do 8º andar do prédio em que morava, quando de sua tentativa de fuga ao resistir à prisão, que o teriam levado à morte. Seu corpo entrou no IML/RJ com a Guia n° 154 do Hospital Souza Aguiar, sendo posteriormente retirado e enterrado por sua família. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110414/e344dfb4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18388 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110414/e344dfb4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 14 20:15:32 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 14 Apr 2011 20:15:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_15_filhos_de_guerrilheiros_brasil?= =?iso-8859-1?q?eiros_falam_de_suas_vidas_em_meio_=E0_ditadura?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem 15 filhos de guerrilheiros brasileiros falam de suas vidas em meio à ditadura São pouco mais de 18 minutos de resgate de uma história interrompida: pais e filhos que tiveram suas vidas invadidas e destruídas pela ditadura. Filha que tinha que fingir desconhecer o pai. Sobrinho que "nunca tinha visto" a tia. Filha que não reconheceu o rosto da mãe, totalmente desfigurada pela tortura. Infância, adolescência, vida familiar roubadas, por aqueles que em 1964 se utilizaram do salário, treinamento, fardas, armas que lhes eram fornecidos pelo Estado para derrubar um governo democraticamente eleito. O filme é de 1996, gravado em Hi-8, com direção de Maria Oliveira e Marta Nehring, que também dão seus depoimentos. 15 Filhos" é um "documentário que retrata a época da ditadura militar através da memória de infância dos filhos de militantes presos, mortos ou desaparecidos. Esses depoimentos, dentre os quais se incluem os das diretoras do vídeo, mostram um ângulo pouco conhecido da violência política no Brasil. Foi projetado em vários países - Argentina, Chile, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, entre outros - e também em festivais internacionais e em universidades, escolas e em reuniões de diretos humanos. Desde seu lançamento, em 1996, o vídeo recebeu numerosos prêmios. Consta no catálogo da Unicef de Filmes sobre Direitos Humanos: "A broadcaster's guide to children's rights" e no "Panorama do Vídeo Brasileiro 1995-2001", editado pelo Ministério da Cultura.". http://blogdomello.blogspot.com/2011/04/15-filhos-de-guerrilheiros-brasileiros.html Para conhecer mais sobre o filme, suas diretores e os personagens visite esta página de onde tirei a sinopse acima. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110414/3de767a6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 14 20:15:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 14 Apr 2011 20:15:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Dia_19/abril_-_Projeto_Revolu=C3=A7?= =?utf-8?q?=C3=B5es_recebe_Frei_Betto_para_debate?= Message-ID: <0776F47FA58241DFB5A42F4A44AA17DA@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Projeto Revoluções recebe Frei Betto para debate "Imaginário, Futuro e Utopia" A conferência "Imaginário, Futuro e Utopia", com Frei Betto, é a próxima etapa do projeto Revoluções: Educação, História, Direitos Humanos, Cinema e Fotografia. Frade dominicano e escritor, Frei Betto é reconhecido no Brasil e no exterior por sua trajetória como intelectual e militante político. A atividade acontece no dia 19 de abril, terça-feira, às 19h30, na Sala de Leitura, 2º andar, SESC Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo - SP). A entrada é gratuita. Revoluções: Educação, História, Direitos Humanos, Cinema e Fotografia Qual o sentido das revoluções sociais no século XXI? Embora mais presente em algumas épocas do que em outras, a palavra revolução nunca deixou de povoar o imaginário contemporâneo, sendo capaz de provocar e trazer à tona as mais variadas e cruciais questões de uma sociedade. É com essa perspectiva que Revoluções: Educação, História, Direitos Humanos, Cinema e Fotografia se desenvolve. Partindo da constatação de que esta discussão se mantém, mais do que nunca, atual, principalmente após as manifestações populares que eclodiram recentemente. O projeto aborda as revoluções sociais a partir de dos eixos direitos humanos e o embate entre estética e política e é composto por várias etapas. Até agora, foram realizados o lançamento do site Revoluções (www.revolucoes.org.br), que abriga todo o material relacionado ao evento, e o curso Educação, Revoluções e seus direitos. O curso aconteceu entre 5 e 8 de abril e contou com a presença dos professores Costas Douzinas (Birkbeck College/ Universidade de Londres), Alysson Mascaro (USP), Olgária Matos (USP), José Sérgio Carvalho (USP) e Paulo Teixeira (deputado federal/ PT-SP). Entre os dias 20 e 21 de maio haverá o seminário: Revoluções - uma política do sensível, que contará com a presença do filósofo esloveno Slavoj ?i?ek ? que lançará os livros Em defesa das causas perdidas e Primeiro como tragédia, segundo como farsa (Boitempo Editorial) - e dos professores Emir Sader (UERJ), Marilena Chauí (USP), Vladimir Safatle (USP) e Eduardo Gunter (Universidade de Buenos Aires). Fazem parte da programação também as videoconferências do sociólogo Michael Löwy e do cineasta alemão Alexandre Kluge. No mesmo período haverá a abertura da exposição Revoluções, que apresentará o filme de nove horas e meia de Alexander Kluge, Notícias de antiguidades ideológicas: Marx, Eisenstein, o Capital. Nele, Kluge retoma o projeto do cineasta russo Eisenstein de filmar O Capital, de Karl Marx, a partir da estrutura de Ulysses, de James Joyce. A Versátil Home Vídeo fará, na ocasião, o lançamento de uma caixa com os três DVDs do filme, inédito no Brasil. Haverá também uma exposição baseada nas fotografias do livro Revoluções, organizado por Michael Löwy (Boitempo Editorial). O projeto conta ainda com uma oficina de Klemens Gruber, professor da Universidade de Viena, sobre Alexander Kluge, Mídia e Revolução, a partir da análise da obra de Kluge, nos dias 22 e 24 de maio. Revoluções é uma realização da Boitempo Editorial, SESC SP e Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil) da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) e conta com apoio do Instituto Goethe, da E-open e da Versátil. Todas as atividades acontecem nas instalações do SESC Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo) e são gratuitas. Calendário Revoluções 10 a 28/3 ? Inscrições no curso via site Revoluções 25/03 ? Lançamento do site Revoluções com o grupo teatral Folias 5 a 8/04 - Curso sobre Direitos Humanos: Educação, Revoluções e seus direitos 19/04 ? Debate: Direitos Humanos, Imaginário, Futuro e Utopia com Frei Betto 20 e 21/05 ? Seminário: Revoluções - uma política do sensível 21/05 ? Lançamentos dos livros Em defesa das causas perdidas e Primeiro como tragédia, segundo como farsa, de Slavoj ?i?ek (Boitempo Editorial) 21/05 - Abertura da exposição Revoluções com filmes e fotografias do livro Revoluções (Boitempo Editorial) organizado por Michael Löwy. 22 e 24/5 ? Oficina Mídia e Revolução, com Klemens Gruber (Universidade de Viena). A programação completa está disponível em www.revolucoes.org.br Siga o perfil do Revoluções no Twitter Acompanhe a página do Revoluções no Facebook -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110414/5cfb2e9a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 66793 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110414/5cfb2e9a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 15 19:45:28 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 15 Apr 2011 19:45:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de_MANUEL_ALVES_DE_OLIVEIRA_____________?= =?iso-8859-1?q?_____________________-CX-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem (OS PRIMEIROS MORTOS COM O GOLPE MILITAR DE 1964) MANUEL ALVES DE OLIVEIRA (1934-1964) Filiação: Maria Alves de Oliveira e Manoel Cândido de Oliveira Data e local de nascimento: 21/10/1934, Sergipe Organização política ou atividade: sargento do Exército Brasileiro Data e local da morte: 08/05/1964, Rio de Janeiro No livro Torturas e Torturados, Márcio Moreira Alves denunciou a prisão de Manuel Alves de Oliveira, 2º sargento do Exército, retido no Regimento Andrade Neves, em abril de 1964, onde respondia a IPM. O livro informa ainda que ele foi removido para o Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro, e morreu no dia 8/5, em circunstâncias não esclarecidas. O laudo necroscópico elaborado no IML/RJ confirma que o corpo deu entrada no dia 08/05/1964, procedente do HCE. Na primeira vez em que foi protocolado, o processo não chegou a ser analisado pela CEMDP, por estar fora do prazo estabelecido pela Lei nº 9.140/95, mas um novo processo foi apresentado em 12/12/2002. Entre os documentos apresentados, consta uma permissão para visitas da esposa de Manuel, em 22/04/1964, que confirma a prisão: "... este comando leva ao conhecimento de V. Ex que autoriza o 2º sargento Manuel Alves de Oliveira, preso em unidade dessa UG, a receber a visita de sua esposa, D. Conceição Martorelli de Oliveira, em caráter excepcional. "Em outro documento do HCE, o médico chefe do SDP, Samuel dos Santos Freitas, presta a seguinte declaração, em 23/4/1964: "Declaro que o 2º sargento Manuel Alves de Oliveira encontra-se baixado na 13ª enfermaria e devido às suas condições atuais encontra-se impossibilitado de assinar qualquer documento". Matéria do Correio da Manhã, de 16/9/1964, traz a seguinte notícia: "A viúva do sargento Manuel Alves de Oliveira, Norma Conceição Martorelli de Oliveira, disse ontem ao Correio da Manhã que o seu marido foi torturado no HCE, onde inclusive, aplicaram-lhe choques elétricos. 'Numa das poucas vezes em que consegui visitá-lo... verifiquei que o seu corpo estava coberto de marcas, que mais tarde soube serem de ferro quente. Estava transformado em um verdadeiro flagelado, com a barba e os cabelos crescidos'..".. A notícia continua: "... revelou ainda a viúva do militar torturado que as autoridades procuraram convencê-la de que seu marido era débil mental. 'Chegaram a dizer... que ele ficou despido na enfermaria 13 e colocou a roupa pendurada nas grades do cárcere. Se isso ocorreu, é porque as torturas já o haviam enlouquecido'..".. E mais: "... nem sei mesmo como explicar porque o internaram no HCE, pois quando Manuel saiu de casa estava em perfeita saúde. Não tinha nenhuma doença e jamais demonstrou qualquer desequilíbrio mental, como, aliás, prova o fato de ter 10 anos de Exército..".. "... Acrescentou a Sra. Norma que conseguiu avistar o marido apenas três vezes e depois teve suspensa essa ordem: 'Na primeira vez... apesar de seu estado, conseguiu dar-lhe comida na boca. Depois da proibição de visitá-lo, somente voltou a ter notícias suas quando já estava morto. 'Não consegui saber qual causa foi atribuída à sua morte e o atestado de óbito também não a esclarecia'..".. No livro de registros de enterros do cemitério do Realengo (RJ), onde o sargento foi sepultado no dia seguinte ao da sua morte, não há qualquer referência sobre a causa, revelando apenas que o sepultamento ocorreu às expensas do Grupo de Canhão Anti-Aéreo-90, onde servia. Segundo depoimento da esposa, Manuel foi preso em casa, na presença dos cinco filhos menores do casal, por um homem em trajes civis que chegou com outras pessoas sem farda, em uma Kombi. Somente dois dias depois, recebeu a confirmação de que ele estava preso e ficou surpresa ao descobrir que era mantido no HCE, pois não se encontrava doente ao sair de casa. Antes disso, no I Exército, disseram à esposa que o sargento estava preso em um navio-presídio, o que não era verdade. Segundo conseguiu apurar, a única acusação feita a seu marido foi ter sido candidato à presidência do Clube dos Subtenentes e Sargentos do Exército nas últimas eleições, sendo simpatizante do ex-presidente João Goulart. O arquivo público do Rio de Janeiro forneceu à CEMDP diversos documentos nos quais constam vários cidadãos com o nome de Manuel Alves de Oliveira, sem qualificação, mas todos fichados como militantes do PCB por órgãos de informação, o que serviu como evidência de sua militância política. Quanto à morte, ainda que não haja prova material conclusiva nos autos atestando as torturas a que Manuel foi submetido, o relator da Comissão Especial votou pelo deferimento. ==================================================================================================================== + Informações. MANUEL ALVES DE OLIVEIRA 2° Sargento do Exército. Conforme denúncia do livro "Torturas e Torturados", de Márcio Moreira Alves, Manuel foi preso no Regimento Andrade Neves, onde respondia a um Iinquérito Policial Militar, em abril de 1964. Posteriormente foi removido para o Hospital Central do Exército (HCE) do Rio de Janeiro. Faleceu em 8 maio, em circunstâncias não esclarecidas. O laudo necroscópico feito no IML/RJ confirmou que seu corpo deu entrada no dia 08 de maio de 1964, procedente do Hospital Central do Exército (HCE). ================================================================================ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110415/80958084/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6766 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110415/80958084/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 15 19:45:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 15 Apr 2011 19:45:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] BLOG DO MELLO -o-dia-que-durou-21-anos.html Message-ID: <6C23BDA7741B4F848F8F0295034F9F41@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Documentário em tres episódios exibidos pela TV Brasil . "O dia que durou 21 anos" clique http://blogdomello.blogspot.com/2011/04/exclusivo-o-dia-que-durou-21-anos.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110415/87e23d04/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110415/87e23d04/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 15 19:45:47 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 15 Apr 2011 19:45:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_v=EDdeo_feito_no_Festival_de_Curi?= =?iso-8859-1?q?tiba?= Message-ID: <3DD0B878D0314CB89D69DDCCD05737B0@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Vanderley você acha que dá para reproduzir no Berro esse vídeo feito no Festival de Curitiba? Se der, fico antecipadamente grato. Abração, Izaías. clique http://www.youtube.com/user/festivalcuritiba2011#p/c/11/Nd8ESQMSW8M -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110415/685f2033/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 24442 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110415/685f2033/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 16 16:11:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 16 Apr 2011 16:11:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_JONAS_JOS=C9_DE_ALBUQUERQUE_BARROS_e_I?= =?iso-8859-1?q?VAN_ROCHA_AGUIAR_______________________________-CXI?= =?iso-8859-1?q?-?= Message-ID: <5051176E3C1F478DAF95EB3A2120E31F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem (OS PRIMEIROS MORTOS COM O GOLPE MILITAR DE 1964) JONAS JOSÉ DE ALBUQUERQUE BARROS (1946-1964) Filiação: Antonieta Carolino de Albuquerque de Barros e Severino de Albuquerque Barros Data e local de nascimento: 15/06/1946, Recife (PE) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 01/04/1964, Recife (PE) IVAN ROCHA AGUIAR (1941-1964) Filiação: Luzinete Rocha Aguiar e Severino Aguiar Pereira Data e local de nascimento: 14/12/1941, Triunfo (PE) Organização política ou atividade: Movimento Estudantil Data e local da morte: 01/04/1964, Recife (PE) Esses dois estudantes pernambucanos foram mortos a tiros, no próprio dia 01/04/1964, em Recife, quando participavam de manifestação de rua contra a deposição e prisão do governador Miguel Arraes. De acordo com notícias veiculadas na imprensa, eles foram as primeiras vítimas fatais do regime militar naquele estado. O episódio é narrado no livro O caso eu conto como o caso foi, de Paulo Cavalcanti. O Jornal do Commercio, na edição do dia seguinte, assim descreveu o ocorrido: "Na esquina Dantas Barreto - Marquês do Recife, os soldados pararam. Os estudantes continuavam a gritar. Os soldados tomaram posição. Um disparo para o ar foi feito. Os estudantes continuavam a gritar. Novos disparos, agora já em todas as direções. Os gritos aumentaram e dois caíram, mortos. No solo, ainda, alguns feridos". Depoimento de Oswaldo de Oliveira Coelho Filho à Secretaria de Justiça de Pernambuco, que consta dos autos do processo na CEMDP, dá detalhes sobre o dia da morte dos estudantes. "Eles carregaram a bandeira brasileira, entoaram o Hino Nacional e, em seguida, passaram a gritar contra os soldados e a jogar-lhes pedras e cocos vazios, que se amontoaram no meio-fio. Então, o piquete militar fez disparos diretamente contra eles com tiros de revólveres". Inicialmente, ambos os processos foram indeferidos pela Comissão Especial, em reuniões de 1997 e 1998. Reapresentados depois da ampliação da Lei nº 9.140/95, foram aprovados por unanimidade quando entrou em vigor a nova redação introduzida em 2004. Conforme o relator dos dois processos, "a farta matéria jornalística juntada aos autos permite concluir que Jonas e Ivan foram vítimas de um conflito de rua na cidade do Recife, portanto em plena adequação à legislação vigente que contempla os 'que tenham falecido em virtude de repressão policial sofrida em manifestações públicas ou em conflitos armados com agentes do poder público'". De acordo com o laudo do legista Salgado Calheiros, a causa mortis do secundarista Jonas José de Albuquerque Barros, morto aos 17 anos, foi "hemorragia externa decorrente de ferimento penetrante da face com fratura cominutiva do maxilar inferior e coluna cervical por projétil de arma de fogo". Ivan da Rocha Aguiar havia sido secretário do Grêmio Joaquim Nabuco e, posteriormente, vice-presidente da União dos Estudantes de Palmares. No segundo processo impetrado pela família, o relator afirmou que a documentação não deixava dúvidas de que Ivan morrera em virtude de ferimentos a bala - em seu atestado de óbito, o legista Nivaldo Ribeiro, do Hospital Pronto-Socorro de Recife, registrou como causa da morte "hemorragia interna decorrente de ferimentos transfixiantes no hemitórax direito" - e votou pelo deferimento do processo. =========================================================================================================================== + Informações. IVAN ROCHA AGUIAR Estudante secundarista. Morto a tiros em manifestação de rua contra o golpe militar, em 1° de abril de 1964, em Recife, Pernambuco, conforme denúncia do livro "O caso eu conto como o caso foi", de Paulo Cavalcanti. JONAS JOSÉ ALBUQUERQUE BARROS Estudante secundarista. Morto a tiros em manifestação de rua contra o golpe militar, em 1° de abril de 1964, em Recife, Pernambuco, conforme denúncia do livro "O caso eu conto como o caso foi", de Paulo Cavalcanti. ===================================================================================== + Informações. Vinte anos da Anistia Depoimento de Marcelo Santa Cruz A Anistia Política, conquistada no dia 28 de agosto de 1979, é uma das mais importantes datas a serem comemoradas pelos democratas, em nosso País. Ela não veio como a queríamos - ampla, geral e irrestrita -, mas mesmo assim foi o coroamento de um dos principais movimentos de oposição ao regime militar. Representaram um papel fundamental nessa conquista o Movimento Feminino pela Anistia e os Comitês Brasileiros pela Anistia, surgidos em 1975 e 1978, respectivamente, e que rapidamente espalharam-se pelo país. A resistência contra a ditadura, entretanto, começou já no 1º de abril de 1964. Adolescente, participei nesse dia de manifestação de rua, no Recife, contra a deposição do governador Miguel Arraes, legitimamente eleito pelo povo pernambucano. E a poucos metros de mim vi tombar, vítimas de balas assassinas, os estudantes Ivan Rocha Aguiar e Jonas José de Albuquerque Barros, dois dos primeiros jovens mártires da luta pela redemocratização. Nos anos 60, durante a primeira fase do regime ditatorial, os estudantes desempenharam um importante papel político no País. Ao ingressar na Faculdade de Direito, em 1966, engajei-me na luta que então se travava, de resistência democrática e em defesa de uma universidade crítica e participativa, contra os acordos MEC/USAID. A violência governamental, entretanto, crescia aceleradamente, e a prática da tortura e dos assassinatos foi se tornando corriqueira. Cândido Pinto, por exemplo, estudante de engenharia e presidente da UEP, foi vítima de atentado a bala, que o deixou paralítico, em maio de 1969. Um mês depois, foi torturado e assassinado o Padre Henrique Pereira Neto, pároco da juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife. ============================================================================================================== + Detalhes. 4/04/2009 Jonas! Presente... Agora e Sempre! Livro recorda a vida do estudante Jonas Albuquerque, uma das primeiras vítimas da ditadura em Pernambuco Thayana de Oliveira Buscando preencher uma lacuna na História do Brasil, sobretudo na História Pernambucana, o livro Jonas! Presente... Agora e Sempre! relembra a história dos estudantes Jonas José de Albuquerque Barros e Ivan da Rocha Aguiar, as primeiras vítimas da Ditadura Militar em Pernambuco. Com fotos e recortes de jornais, o livro resgata o 1º de abril de 1964 em Recife, dia em que os jovens estavam reunidos com demais estudantes na antiga Escola de Engenharia, onde hoje funciona o tradicional Ginásio Pernambucano, escola em que Jonas estudava e era Presidente do Grêmio. Depois de serem expulsos de lá pelos militares os estudantes saíram em passeata contra o Golpe e a prisão do Governador Miguel Arraes. Durante a manifestação se depararam com um pelotão do Exército que atirou e matou Jonas e Ivan. Escrito pela irmã de Jonas, Marisa Barros, e editado pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, o livro foi lançado no dia em que se completou 45 anos do Golpe Militar, na sede do Governo do Estado. O cenário já era motivo de emoção, já que fora ali que Arraes foi preso pelos militares e era para lá que se dirigia a passeata liderada pelos dois estudantes. Recheado de depoimentos emocionantes de coetâneos de Jonas, além de algumas de suas poesias, o livro é um importante documento que pode e deve ser trabalhado nas escolas, principalmente nas aulas de História. Sem sombra de dúvidas a oportunidade de conhecer um momento da nossa História tão bem retratado por Marisa é uma contribuição valiosa para o resgate da memória política do Brasil. Esse é um livro, como definiu o escritor Raimundo Carrero, "para a alma". BARROS, Marisa. Jonas! Presente... Agora e Sempre! Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 2009. Thayana de Oliveira Santos é graduanda em História pela Universidade Federal de Pernambuco =============================================================================== + Detalhes. Passeata marca repúdio ao Golpe Militar. Além do Golpe Ato público homenageia estudantes mortos pela ditadura militar e reivindica cumprimento dos Direitos Humanos Por: Ana Lira A segunda-feira, dia 2 de abril, foi marcada por um ato público de repúdio ao Golpe Militar, que homenageou os estudantes Ivan da Rocha Aguiar e Jonas José de Albuquerque Barros e cobrou respeito aos Direitos Humanos e à democracia do país. A passeata foi organizada pela Associação Pernambucana de Anistiados Políticos (Apap), que iniciou a concentração na Praça da República, conhecida como Pracinha do Diário, às 15h, e, por volta das 15h40, iniciou a caminhada pela avenida Dantas Barreto até a frente do Edifício JK, antigo prédio do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Os participantes pararam na esquina da avenida Dantas Barreto com a rua Marquês de Olinda, local onde os estudantes foram mortos, ao tentar impedir que um tanque do exército avançasse contra a passeata que protestava contra a instauração do Regime Militar naquele ano. Os organizadores da passeata usaram um carro de som para conversar com os presentes e a população, que esperava ônibus ou transitava no local. "Este ato público é para lembrar as pessoas que no dia 1 de abril de 1964, dois estudantes foram assassinados pelo exército da Ditadura Militar. Lembrar é uma forma de protesto. Eles mataram dois estudantes com tiros de fuzil nas costas", dizia o representante da Apap, Aluízio Figueirôa. Jonas Albuquerque e Ivan Aguiar foram mortos nesta esquina do Edifício JK em 1964. Outra Versão - Embora, o ato público chamasse atenção, a grande maioria das pessoas que transitavam na área se resumiu a receber os panfletos elaborados pela organização e ficar nas calçadas ouvindo a história relatada. Poucas pessoas seguiram junto com o grupo que saiu inicialmente da Praça da República em direção a Praça Padre Antônio Henrique, onde está localizado o monumento Tortura Nunca Mais. "Essas manifestações a gente tem que fazer. Estar sempre lembrando as pessoas que lutaram, as pessoas que tombaram e as que ainda estão lutando, também", diz o professor Luiz Momesso, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, esta é a única maneira da população conhecer uma outra versão do que aconteceu em 1964. "A direita constrói a sua história e tenta apagar a nossa, o tempo todo. Mesmo que estes atos sejam pequenos, se a gente continuar alimentando, uma hora eles serão grandes com pessoas conscientes do que eles significam", disse Momesso, enfatizando que, além da Associação Pernambucana de Anistiados Políticos, a UFPE também está estruturando um Centro de Documentação que se propõe a ampliar a discussão sobre esta parte da história do país que vem tentando ser esquecida. Luis Momesso foi torturado durante a Ditadura Militar e acredita que atos públicos são importantes. Homenagem - A homenagem, propriamente dita, aos estudantes Ivan Aguiar e Jonas Albuquerque ganhou maior proporção no palco montado em frente ao monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora. No local, outros grupos e representantes de entidades estudantis e sindicais, como o Sindicato dos Bancários, esperavam para dar início à solenidade. Este ano, contudo, os organizadores não fixaram placas metálicas com a foto e os dados dos homenageados na Calçada da História - que agrega nomes de pessoas que foram perseguidas, torturadas ou mortas pelo Regime Militar. Segundo o representante da Apap, Antônio de Campos, muitas das placas existentes precisam ser refeitas porque o calor, a chuva e a maresia destruíram a maioria delas. "Antes de colocar novas placas estamos estruturando maneiras de reparar as antigas. Estamos prevendo que isso possa ser feito ainda este ano", disse. Por isso, Ivan Aguiar e Jonas Albuquerque foram lembrados com a saudação que marca as homenagens dos sobreviventes aos antigos companheiros. "Jonas José de Albuquerque Barros", grita o locutor, "Presente!", respondem os participantes. "Ivan da Rocha Aguiar", grita outra vez o locutor, "Presente!", exclamam mais uma vez os manifestantes. ==================================================================================== + Detalhes. Homenagem a Jonas José de Albuquerque Barros 13/04/2011 Autor(a): WILLIAN ARAÚJO SOUSA Homenagem a Jonas José de Albuquerque Barros Para Marisa Barros. Quem delicada "Mensagem" me trás? Dessas que estremecem o coração. Sejam a "Velha Menina Moça; fugaz, O Luar de Amor Ou da Criança a "Transformação""! Tanta delicadeza atina-me a ti Você, " Eu e a Música" esquecida Entre o "Início e Fim" está porvir O perfume, "A Vida e a Morte"; a "Partida" Vislumbres do "Desconhecido" Quem encantos trouxe-me do inaudito? De encantado, embevecido...e tantos outros particípios! Que adornam-te em meus elípticos. Numa quase cética viagem Ao "Rio, Fim da Tristeza" Você com tanta nobreza Aparece-me como miragem. Nos intervalos Nas matizes. Combinando seu talento "À Procura da Poesia" Doe-me lembrar o momento Em que a vida em ti se esvaíra Pura covardia Que um dia há de ser colhida Pelos "malefactors Draconianos" seja nessa ou em outra vida. DE: Willian Araújo Sousa Só posso externar minha mais nobre e pura gratidão. Por aprender hoje contigo o que é ser um irmão, irmão de todos os brasileiros,irmão em todos os chãos. A Jonas José de Albuquerque Barros, morto pelos militares em 01 de abril de 1964. ( Foi um prazer conhecer-te)(Jonas! Presente...agora e sempre!) Publicado no site: O Melhor da Web em 13/04/2011 Código do Texto: 74919 =========================================================================================================== + Detalhes. O golpe Antes de ser deposto e preso, Arraes defendeu legalidade pelo rádio Na madrugada de 31 de março de 1964 o general Olímpio Mourão Filho botou as tropas na rua para a derrubada de João Goulart. Saiu de Juiz de Fora (MG) em direção ao Rio de Janeiro. No Sudeste o tempo estava frio e choveria muito naquela noite. No Recife, o de sempre: sol a pino. E o mais tenso dos dias para o governador Miguel Arraes. Tropas do Exército espalharam-se por locais estratégicos da capital. E tropas da PM, favoráveis ao governador, ocuparam outras áreas, cercando o Palácio do Campo das Princesas para protegê-lo de invasão. À noite, a tensão aumentara. No Palácio, Arraes, o prefeito do Recife, Pelópidas da Silveira, e diversas outras pessoas. Havia quem defendesse a resistência. O comandante da PM, coronel Hangho Trench, tinha o planejamento para esta eventualidade, mas se sabia que não havia condições de enfrentar o Exército - na própria PM existia pelo menos um Batalhão, o II, favorável aos golpistas. Havia ainda a proposta (de um líder comunista) de distribuir armas para o povo e transferir a sede do Governo para Palmares. Em Palmares houve uma reunião de 186 camponeses ligados ao PCB, sob o comando de Gregório Bezerra. "Mas faltavam armas, faltavam armas...", lamentou Gregório, anos depois, em depoimento a Dênis de Moraes. "Eu já tinha pedido essas armas ao Governo Arraes (desde o início do mandato do governador, em 1963). Isso eu não perdôo nunca em Arraes". Jango havia deixado o Rio rumo a Brasília e, em seguida, a Porto Alegre. Lá encontrou-se com Leonel Brizola e o general Ladário Teles, comandante do III Exército. Brizola defendeu a resistência. Jango o nomearia ministro da Justiça e como ministro da Guerra o general Ladário. O Rio Grande do Sul seria o foco da resistência. Jango não aceitou. No dia 1º de abril a situação desmoronava. Muitos comandantes militares já haviam aderido ao golpe. À tarde, no centro do Recife, houve manifestações de rua, com a participação de estudantes e populares. Tropas do Exército dispersaram os manifestantes. Dois estudantes foram mortos: Ivan Rocha Aguiar eJonas de Albuquerque Barros. Antes de ser deposto e preso, Arraes fez um comunicado pelo rádio, defendendo o seu mandato e a legalidade. Preso, foi levado primeiro para um quartel em Socorro (Jaboatão) e, no dia seguinte, para Fernando de Noronha. Em 4 de abril, Jango exilou-se no Uruguai. Para Francisco Julião, o presidente foi "débil" ao não partir para a resistência: "Era dever dele permanecer no palácio lutando pelo mandato que o povo lhe concedera. Um presidente não pode desertar numa hora como aquela, porque o seu mandato é mais importante que sua vida". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110416/e7733a0c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 43253 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110416/e7733a0c/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 49 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110416/e7733a0c/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17645 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110416/e7733a0c/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 135 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110416/e7733a0c/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 16 16:11:30 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 16 Apr 2011 16:11:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22Amor_e_Revolu=E7=E3o=22_-_Todo?= =?iso-8859-1?q?s_os_capitulos=28na_=EDntegra=29_e_depoimentos_at?= =?iso-8859-1?q?=E9_14_de_abril=2E?= Message-ID: <302D71AC34B94D7BA907AA97EA17095D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Capítulos - Estreia: http://www.sbt.com.br/sbtvideos/media/?c=1767&id=2c9f94b62f21c77f012f27c14f2c039e Capítulo 2: http://www.sbt.com.br/sbtvideos/media/?c=1767&id=2c9f94b52f0e826c012f2ca0bd850c5d Capítulo 3: http://www.sbt.com.br/sbtvideos/media/?c=1767&id=2c9f94b42f2de0d9012f31e49ca40237 Capítulo 4: http://www.sbt.com.br/sbtvideos/media/?c=1767&id=2c9f94b42f2de0d9012f37187b3c05e8 Capítulo 5: 11 abr 11 http://www.sbt.com.br/sbtvideos/media/?c=1767&id=2c9f94b42f2de0d9012f4878f1e20bab Capítulo 6: 12 abr 1112/04/11 http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/videos/Default.asp?id=2c9f94b42f2de0d9012f4f6654dc0f06 http://www.sbt.com.br/sbtvideos/media/?c=1767&id=2c9f94b42f2de0d9012f4f6654dc0f06 Capítulo 7: 13 abr 11 http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/videos/Default.asp?id=2c9f94b42f55646f012f558f5627001f Capítulo 8: 14 abr 11 http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/videos/Default.asp?id=2c9f94b62f51621b012f56b48ba90262 -------------------------------------------------------------------------------- Depoimentos: Amelinha, Mª Amélia Teles http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=150 Jarbas Marques http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=152 Rose Nogueira http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=153 Meganha Curió e Coronel Passarinho http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=154 Ivan Seixas - 11 abr 11 http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=156 Criméia Almeida - 12 abr 11 http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=157 Julio Senra - 13 abr 11 http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=158 Francisco de Oliveira - 14 abr 11 http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/?c=159 -------------------------------------------------------------------------------- Geral - onde procurar pelos capítulos passados e depoimentos: http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/ http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/videos/ http://www.sbt.com.br/amorerevolucao/depoimentos/ http://www.sbt.com.br/sbtvideos/programa/?c=1767 http://www.sbt.com.br/sbtvideos/search/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 37077 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110416/0b59f9b5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 17 13:04:24 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 17 Apr 2011 13:04:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Som_do_Deserto_______________________?= =?utf-8?q?________________________________________________________?= =?utf-8?q?_HOJE_=C3=89_DOMINGO!__M=C3=9ASICA!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Som do Deserto Bandas de Mali combinam blues, rock e ritmos folclóricos e muito + MÚSICA Tuaregues Elogiada por David Byrne e músicos do TV On The Radio, a banda Tinariwen foi o primeiro dos grupos de tuaregues a ganhar popularidade. A banda chegou a tocar em Glastonbury, o mais importante festival de música da Europa, fez turnê pelos Estados Unidos e participou da cerimônia de abertura da Copa do Mundo da África do Sul. Incentivados pelo grande sucesso da banda, outros artistas seguem seu caminho com uma música capaz de transportar seus ouvintes para os desertos de Mali. 1. Tinariwen Primeira banda a fazer sucesso, é liderada por nomes como Ibrahim Ag Alhabib, Abdallah Ag Alhousseyni e Said Ag Ayad. Influenciados pelo som de bandas folclóricas de tuaregues, assim como por Led Zeppelin, Bob Marley e Santana, eles colocaram a música do deserto no centro das atenções da música pop. www.myspace.com/tinariwen 2. Tartif Formada por cinco mulheres e quatro homens que se encontram em um acampamento para refugiados em Burkina Faso, já percorreram o mundo com sua música com mensagens de paz e esperança. www.myspace.com/tartit 3. Terakaft Terakaft quer dizer ÂÂÂÂÂÂÂÂ?CaravanaÂÂÂÂÂÂÂÂ? em Tamashek (ou Tuaregue) e seus membros fundadores fizeram parte do Tinariwen. O vocalista e guitarrista Kedou ag Ossad é considerado um herói político em sua terra. Sua música, parecida com a da banda irmã, evoca a sensação de grandes espaços e jornadas pelo deserto e suas letras abordam temas como exílio e solidão. www.myspace.com/terakaft 4. Rokia Traoré Filha de um diplomata de Mali, Rokia Traoré é uma das artistas de Mali mais conhecidas no exterior. A cantora, compositora e guitarrista pertence à etnia Bambara e seu primeiro disco, Mouneïssa, vendeu 40 mil cópias na Europa. www.myspace.com/rokiatraore 5. Fantani Touré De família nobre, Fantani Touré é uma das vozes mais ativas a favor dos direitos humanos da mulher em Mali. Sua música contempla canções com mensagens feministas. Mas seu trabalho não para por aí, e a própria cantora trabalha junto a empresas locais para alocar mulheres a postos mais altos na cadeira produtiva. www.myspace.com/fantanitoure http://adoroviagem.uol.com.br/materias/top5/som-do-deserto?utm_source=boletim_av_20110406&utm_medium=20110406&utm_content=som-do-deserto&utm_campaign=boletim -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110417/bc55f810/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 29191 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110417/bc55f810/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 7647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110417/bc55f810/attachment-0011.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 17 13:05:12 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 17 Apr 2011 13:05:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_AUGUSTO_SOARES_DA_CUNHA_e_OT=C1VIO_SOA?= =?iso-8859-1?q?RES_FERREIRA_DA_CUNHA_________________________-CXII?= =?iso-8859-1?q?-?= Message-ID: <9FFA357ECABD4965BAA8D9E30028D84B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem (OS PRIMEIROS MORTOS COM O GOLPE MILITAR DE 1964) AUGUSTO SOARES DA CUNHA (1931-1964) Data e local de nascimento: 03/06/1931, Governador Valadares (MG) Filiação: Guiomar Soares da Cunha e Otávio Soares Ferreira da Cunha Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 01/04/1964, Governador Valadares (MG) OTÁVIO SOARES FERREIRA DA CUNHA (1898 - 1964) Filiação: Anna Soares de Almeida e Roberto Soares Ferreira Data e local de nascimento: 1898, Minas Gerais Organização política ou atividade: não definida Data e local da morte: 04/04/1964, Governador Valadares (MG) Em Governador Valadares, norte de Minas Gerais, na véspera do movimento que depôs João Goulart, ruralistas radicalizados haviam cercado e metralhado a residência de Francisco Raimundo da Paixão, conhecido nacionalmente como Chicão, sapateiro e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, líder das mobilizações regionais em defesa da Reforma Agrária. Nesse cerco, houve troca de tiros e restou morto um dos atacantes, genro do coronel Altino Machado. No dia do Golpe de Estado, o clima entre fazendeiros da cidade era, portanto, de mobilização por vingança. Nesse ambiente tenso, Augusto Soares da Cunha e seu pai Otávio Soares Ferreira da Cunha morreram também como vítimas do novo regime em seus primeiros momentos. O filho morreu no próprio dia 1º de abril de 1964 e o pai três dias depois, conseguindo sobreviver seu outro filho, Wilson, gravemente ferido no mesmo ataque. Segundo o processo nº 35.679, do Superior Tribunal Militar, no dia 1º de abril de 1964, o tenente coronel delegado de Polícia na cidade de Governador Valadares declarou que "devido à falta de elementos no destacamento policial convocou Maurílio Avelino de Oliveira, Lindolfo Rodrigues Coelho e Wander Campos, todos reservistas, para prestarem serviços localizando e interceptando elementos comunistas e conduzindo- os à Delegacia em virtude do 'Estado de Guerra' em que se encontrava o Estado de Minas Gerais, aliás expressamente declarado pelo general Olímpio Mourão Filho, comandante, da 4ª Região Militar, a cujo mando foi incorporada a PMMG". A "convocação" dos três fazendeiros para prestar serviços de natureza policial pelo delegado coronel Paulo Reis teria ocorrido às 8h da manhã do dia 1º/04/1964, apenas uma hora antes da ocorrência criminosa, cabendo deixar em aberto, portanto, a possibilidade de essa convocação ter sido tão-somente um expediente formal forjado a posteriori. Segundo o testemunho de Zalfa de Lima Soares, esposa de Wilson, e de Eunice Ferreira da Silva, empregada doméstica na residência da família, e levando em conta as declarações dos próprios assassinos, sabe-se que às 9 horas do mesmo dia, os três dirigiram-se à casa de Wilson Soares da Cunha, na rua Osvaldo Cruz, 203, naquela cidade mineira. Maurilio Avelino de Oliveira aproximou-se dos três ocupantes de um Jeep Land Rover - o pai Otávio e os filhos Augusto e Wilson - fazendo-se passar por amigo. Depois de retirarem a chave do jipe, os fazendeiros passaram a atirar. Augusto teve morte imediata. O pai, Otávio, então com 70 anos, já alvejado, ainda conseguiu sair do veículo, engatinhou tentando refugiar-se no interior da casa, mas foi perseguido por Lindolfo, que o atingiu no rosto. Faleceu três dias depois, no hospital. Wilson Soares da Cunha, gravemente ferido, sobreviveu. Os assassinos ainda foram ao hospital procurar o outro filho de Otávio, o médico Milton Soares, que foi protegido pelos colegas médicos e enfermeiros. O alvo principal da incursão seria o filho Wilson, que sobreviveu aos disparos, e sabidamente apoiava as atividades de Chicão em defesa da Reforma Agrária, tendo também ligações políticas com o jornalista Carlos Olavo, conhecido nacionalmente por defender as Reformas de Base e o governo João Goulart por meio do jornal tablóide O Combate, de Governador Valadares. O jornalista Carlos Olavo conseguiu escapar da cidade com a família, obteve exílio no Uruguai e só retornou ao Brasil em 1979, com a decretação da anistia. A viúva Guiomar Soares da Cunha conseguiu do delegado Paulo Reis a abertura de Inquérito Policial. Segundo o jornal Última Hora, em 72 horas o delegado Bastos Guimarães tinha o nome dos criminosos e os denunciou ao juiz Alves Peito, que decretou a prisão preventiva dos mesmos. Os assassinos passaram à condição de foragidos. A partir daí travou-se uma batalha política envolvendo os coronéis Pedro Ferreira e Altino Machado, o major do exército Henrique Ferreira da Silva, a Associação Ruralista de Governador Valadares e outros apoiadores do novo governo, resultando na decisão do coronel Dióscoro Gonçalves do Vale, comandante do ID-4, de requisitar, com base no primeiro Ato Institucional, que o processo das mortes fosse transferido para a Justiça Militar. O Inquerito Policial Militar (IPM) foi chefiado pelo Major Célio Falheiros. Em 19/08/1966, o Conselho Extraordinário de Justiça do Exército, na sede da Auditoria da 4ª Região Militar, homologou a farsa jurídica inicial. O promotor Joaquim Simeão de Faria pediu ao Conselho que decidisse se, "no dia do crime ainda se considerava em Estado Revolucionário, pois apesar dos tiros terem sido desfechados pelas costas, se estivessem em estado Revolucionário haveria de ser considerada a situação em que tais tiros foram desfechados" ou se os acusados simplesmente cometeram homicídio doloso. Os advogados dos criminosos alegaram que os três acusados "estavam no estrito cumprimento do dever legal", que a "situação era revolucionária e estavam em guerra", que "os acusados, ao receberem voz de prisão, tentaram a fuga, o que determinara a reação dos acusados, que somente poderiam tomar atitude enérgica e viril eis que de dentro da casa onde tentaram refugiar não se sabia o que de lá viria". Na decisão, o conselho mandou apurar as responsabilidades das pessoas apontadas como subversivas e, por maioria de votos, 4 contra 1, absolveu os acusados Wander Campos e Lindolfo Rodrigues Coelho e, por 3 a 2, absolveu o acusado Maurílio Avelino de Oliveira. O Ministério Público recorreu ao STM, que reformou a sentença. Em Governador Valadares, havia sido oferecida denúncia contra os assassinos em 17/05/1965. Os réus obtiveram no STF habeas-corpus recolhendo os mandados de prisão. Depois de uma série de tramitações judiciais, o STM, em 11/1/1967, condenou os três criminosos a 17 anos e meio de reclusão, por unanimidade. O jornal Estado de Minas de 03/11/1996, com o titulo Memória de um crime em matéria assinada por Tim Filho, informa que os criminosos foram indultados por intermediação do governador Rondon Pacheco. O relator na CEMDP concluiu que, "há decisões jurídicas comprovando que os três criminosos desempenhavam serviço de natureza policial convocados por autoridades militares. Tanto é que foram julgados, absolvidos e condenados no âmbito da Justiça Militar. Comprovada está também, fartamente, a motivação política dos crimes. Duas pessoas foram mortas, com tiros pelas costas e uma ferida, estando todas desarmadas, após receberem ordem de prisão. Preenchidos estão todos os requisitos exigidos pela Lei nº 9.140/95", e votou pelo deferimento do processo. O general Oswaldo Pereira Gomes solicitou vistas ao processo e lavrou o seguinte voto vencido: "Verificamos que o STF tomou uma decisão política por 4 a 3 votos, mandando julgar pela Justiça Militar um ato Revolucionário de civis que obviamente não poderiam ser punidos, por terem sido vitoriosos e, se fosse o caso de punir, o julgamento deveria ter-se realizado na Justiça Comum. Ao final de tudo e para reparar o absurdo, a pedido do austero governador Rondon Pacheco e sob a responsabilidade do inatacável homem público que foi o presidente Castelo Branco, os homicidas foram indultados. Essa Comissão não deve e não pode julgar com critérios políticos, sobretudo revanchistas; estaremos, se assim fizermos, cometendo atos ilegais e contrariando frontalmente a Lei nº 9.140/95, que nos obriga no art 2º a acatar o princípio da reconciliação e pacificação nacional, expresso na Lei nº 6.683,de 28/08/1979 - Lei de Anistia. Inaplica-se, pois, a Lei nº 9.140/95, no caso de pessoas baleadas em via pública, no dia 01/04/1964, às 9h no quadro de um movimento Revolucionário, vez que esses indivíduos não eram agentes públicos, nem poderiam sê-lo naquele momento quando o movimento não era ainda vitorioso; no caso os agentes eram simplesmente rebeldes". Os processos de Augusto e Otávio Soares Ferreira da Cunha tramitaram juntos e ambos foram aprovados por 4 votos a três pela CEMDP, com votos contrários do general Osvaldo Gomes, de João Grandino Rodas e de Paulo Gonet. ====================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110417/027e938c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5733 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110417/027e938c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 17 13:05:22 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 17 Apr 2011 13:05:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Fantasmas_da_Ditadura=2E__A_s?= =?windows-1252?q?=E9rie_de_reportagens=2C_=22Fantasmas_da_Ditadura?= =?windows-1252?q?=22=2C_resgata_esse_per=EDodo_obscuro_da_hist=F3r?= =?windows-1252?q?ia_do_pa=EDs=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Assista à série de reportagens "Fantasmas da Ditadura", A série de reportagens, "Fantasmas da Ditadura", resgata esse período obscuro da história do país. Se instaurada Comissão da Verdade poderá investigar assassinos e torturadores dessa época. Primeira parte Segunda parte Terceira parte Quarta parte -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110417/45d7680a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 18 19:17:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 18 Apr 2011 19:17:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__O_que_=E9_conjuntivite=3F_______?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_______HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_?= =?iso-8859-1?q?ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <26B14845E59F4C64B5B62FD8E5CB319E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O que é conjuntivite? P33tr / Domínio público Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva ocular causada por agentes infecciosos, alérgenos ou tóxicos. Sua principal característica são os olhos vermelhos e lacrimejantes Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva ocular, membrana fina e transparente que reveste o branco dos olhos e a parte interna das pálpebras. Ela se caracteriza, principalmente, pelo olho vermelho, coceira, sensação de desconforto e dor. Geralmente a conjuntivite afeta os dois olhos e leva de uma a duas semanas para desaparecer. A conjuntivite pode ser infecciosa, alérgica ou tóxica Na conjuntivite infecciosa, a inflamação é causada por vírus, bactéria ou fungo e, normalmente, é contagiosa. O contágio se dá por contato, em ambiente fechado em que haja pessoas contaminadas. O contato pode ser direto, pelo uso de objetos contaminados e pela água contaminada em contato com olhos. Geralmente a conjuntivite infecciosa afeta os dois olhos. Vírus são as causas mais comuns da conjuntivite infecciosa. Esse tipo de conjuntivite é especialmente contagioso em crianças. Lavar bem as mãos é a chave para evitar que se alastre o vírus, que é similar ao tipo que causa o resfriado comum. Bactérias são causas incomuns da conjuntivite. Muitos médicos receitam uma colítico antibiótico leve para a vermelhidão dos olhos para tratar a conjuntivite bacteriana. A conjuntivite alérgica não é contagiosa. Ela afeta os dois olhos de pessoas predispostas a alergias, como rinite ou bronquite, e é recorrente. Pessoas com conjuntivite alérgica devem procurar o médico para descobrir a causa da alergia. A conjuntivite tóxica se dá por contato direto com agente tóxico: colírio, sabonete, detergente, xampu e poluição. Neste caso, a pessoa deve se afastar do agente causador e lavar os olhos com água em abundância. Os principais sintomas da conjuntivite são: a.. Primeiro dia: Dilatação dos vasos sanguíneos locais, caracterizada por olhos vermelhos e lacrimejantes. Sensibilidade à luz. b.. Segundo dia: Inchaço do olho ou pálpebra. Sensibilidade à luz. c.. Demais dias: Sensação de areia ou de ciscos nos olhos, presença de secreção purulenta, visão borrada, febre, dor de garganta, dor de cabeça, ínguas. O diagnóstico da conjuntivite é feito por meio de exame clínico: visual e da análise da secreção do olho afetado. O tratamento depende da causa da conjuntivite. A conjuntivite alérgica pode responder ao tratamento das alergias básicas, ou pode desaparecer por conta própria quando o alérgeno que a causa é removido. Compressas frias podem ser reconfortantes para a conjuntivite alérgica. Antibiótico, geralmente em colírio, é eficaz contra a conjuntivite bacteriana. A conjuntivite viral desaparece por conta própria. O desconforto das conjuntivites infecciosas pode ser aliviado com a aplicação de compressas quentes (pano limpo embebido em água quente) nos olhos fechados. Para prevenir e evitar a contaminação da conjuntivite infecciosa, valem as regras da boa higiene: a.. Mantenha as mãos longe dos olhos. b.. Lave as mãos com frequência. c.. Mude as fronhas dos travesseiros com frequência. d.. Substitua os cosméticos para os olhos regularmente. e.. Não compartilhe cosméticos para os olhos. f.. Não compartilhe toalhas e e lenços. g.. Manuseie e limpe as lentes de contato de maneira adequada. . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110418/20a04561/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 31757 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110418/20a04561/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 18 19:17:49 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 18 Apr 2011 19:17:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____?= =?iso-8859-1?q?Hist=F3ria_de_JOS=C9_ROBERTO_SPIEGNER______________?= =?iso-8859-1?q?___________________-CXIII-?= Message-ID: <72BA96069E504D7EB66AEEB94B5A6CD5@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ ROBERTO SPIEGNER (1948-1970) Filiação: Szajna Spiegner e Jacob Spiegner Data e local de nascimento: 30/12/1948, Barra do Piraí (RJ) Organização política ou atividade: MR-8 Data e local da morte: 17/02/1970, no Rio de Janeiro (RJ) José Roberto cursou o antigo ginásio e científico no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, quando começou a participar do Movimento Estudantil, atuando no grêmio. Estudou também na Aliança Francesa e Cultura Inglesa, fazendo vários outros cursos como cinema e jornalismo. Participou de um concurso de cinema amador de curta metragem, obtendo o 1º lugar. Em 1966, ingressou na Faculdade de Economia da UFRJ, sendo aprovado em 1º lugar no vestibular. Tornou-se ativista do Diretório Acadêmico. Após a decretação do AI-5, passou a atuar na clandestinidade como integrante da Dissidência da Guanabara, que assumiria em setembro de 1969 o nome MR-8. Era, então, namorado de Vera Sílvia Araújo Magalhães, também militante do MR-8 que participou do seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, sendo posteriormente presa e torturada. Ela foi banida do país após o seqüestro do embaixador alemão no Brasil, Von Holleben, em junho de 1970. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar registram que, em abril de 1969, na III Conferência dessa organização clandestina, Spiegner foi escolhido como um dos três integrantes de sua Direção Geral, ao lado de Daniel Aarão Reis Filho e Franklin de Souza Martins, grupo que foi ampliado no final daquele ano com a entrada de Cid de Queiroz Benjamin, Stuart Edgard Angel Jones e Carlos Alberto Vieira Munizlll. Spiegner morreu aos 21 anos, em 17/02/1970, no Rio de Janeiro, na rua Joaquim Silva,nº 53, entrada 5, quarto 8, por agentes do DOICODI/ RJ, onde, segundo a versão oficial, teria ocorrido tiroteio. Seu corpo deu entrada no IML às 12h30min do dia 17/02/1970. No laudo de necropsia, assinado pelos legistas Ivan Nogueira Bastos e Nelson Caparelli, consta que, "a morte ocorreu às 05h30min do dia 17. Constana guia que ele foi "perseguido como elemento subversivo por agentes do DOPS, reagiu à bala ferindo policial, e finalmente foi alvejado mortalmente". O corpo foi enterrado pela família no Cemitério Comunal Israelita de Vila Rosali. O relator do caso na CEMDP, ao analisar o processo, ressaltou a estranha demora de sete horas entre o horário da morte e a entrada no IML. A verdade dos fatos foi obtida do próprio laudo do IML, que detalha os ferimentos no corpo. José Roberto recebeu vários tiros, sendo que dois deles contestam a versão oficial. Examinando as fotos de perícia de local, verifica- se que o corpo fora encontrado em uma sala com o piso acarpetado, onde não havia espaço para que pudesse ter sido atingido, de longe, na coxa. O outro ferimento é sintomático de execução. Afirmou o relator que o laudo descreve "na região temporal direita uma ferida estrelar de bordas escoriadas e queimadas com aspecto das produzidas por entrada de projétil de arma de fogo disparada com arma encostada a cabeça... ambas as regiões orbitárias estão ligeiramente tumefeitas e recobertas por equimoses arroxeadas (...) membro superior esquerdo revela três equimoses arroxeadas no cotovelo (...) duas escoriações pardo avermelhadas no dorso do punho; (...) dedos de ambas as mãos apresentam nas polpas tinta preta da usada para tomar impressão digitais". Agregou que as equimoses e escoriações descritas não são compatíveis com a versão de tiroteio e que "a forma das lesões localizadas na face direita da cabeça denota claramente execução, e ainda que as escoriações localizam-se em regiões do corpo humano que configuram tortura em pau-de-arara. Há ainda escoriações na região do punho, denotando que José Carlos foi algemado". Além disso, a identificação de José Roberto se deu antes de seu corpo ir para o IML, e mostra que o DOPS já o conhecia. Entre os documentos anexados ao processo na CEMDP, há também um requerimento da 1ª Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro, de 03/04/1970, solicitando o laudo ao IML e referindo-se à morte de José Roberto Spiegner "por acidente". O relator concluiu seu voto afirmando que José Roberto Spiegner foi morto quando se encontrava detido por agentes dos órgãos de segurança, sob custódia do Estado. =================================================================================================================== + Informações. JOSÉ ROBERTO SPIGNER Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Nasceu em 30 de dezembro de 1948, em Barra do Piraí, Estado do Rio de Janeiro. Já no antigo ginásio e científico, no Colégio Pedro II, José Roberto começou a participar do movimento estudantil, atuando no Grêmio. Estudou também na Aliança Francesa e Cultura Inglesa, fazendo vários outros cursos como cinema e jornalismo. Participou de um concurso de cinema amador de curta metragem, ficando em 1º lugar". Em 1966, entrou para a Faculdade de Economia da UFRJ sendo aprovado em 1º lugar, passando a militar no Diretório Acadêmico. Ingressou, à época, no MR- 8 e, em 1968, pelo agravamento geral da situação do país, entrou na clandestinidade. Em 17 de fevereiro de 1970, foi morto em tiroteio, no Rio de Janeiro, na rua Joaquim Silva, n° 53, entrada 05, quarto 08, por agentes do DOI/CODI/RJ. O corpo de José Roberto entrou no IML, pela Guia n° 01 do DOPS/RJ, sendo necropsiado pelos Drs. Ivan Nogueira Bastos e Nelson Caparelli que confirmam a morte em tiroteio e retirado por seu cunhado, Sérgio Leão Klein, sendo enterrado pela família no Cemitério Comunal Israelita de Vila Rosali (RJ). Sua irmã, Marilene Spigner, assim fala de José Roberto: "Desde muito cedo, inconformado com as diferenças sociais e dedicado às leituras filosóficas, passou a defender seus ideais no Grêmio do Colégio Pedro II e no jornal do colégio, veículo dos jovens daquela geração." ============================================================================ + Informações. José Roberto Spigner Fênix - Revista de História e Estudos Culturais Janeiro/ Fevereiro/ Março de 2006 Vol. 3 Ano III nº 1 ISSN: 1807-6971 Disponível em: www.revistafenix.pro.br [PDF] (veja o texto todo clicando no link) A LUTA CONTRA A DITADURA MILITAR E O PAPEL DOS INTELECTUAIS DE ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat 12....................................................... "Outros militantes, em seus depoimentos, aludem a processos de crise pessoal que de tão violentos redundam em atitudes tipicamente suicidas. Um exemplo disso pode ser observado ao longo do depoimento de Vera Sílvia Magalhães: Em 1969, já na clandestinidade, eu ficava dentro de casa o dia inteiro, lendo, armada, e com muito medo. Achava que podia cair, ser presa, morrer a qualquer momento. Não discutia isso com qualquer quadro da organização, senão podia ser malvista, mas discutia com algumas pessoas mais abertas, entre as quais o Zé Roberto Spigner, com que eu vivia... Ele achava que, se não íamos morrer todos, íamos morrer grande parte. A gente vivia acuado, não tínhamos mais nenhuma ligação com o exterior. [...]. Eu acho que houve uma opção pelo suicídio, e disse isso quando o Zé Roberto morreu. Essa minha idéia causou grande revolta na organização; eu achava que ele tinha se suicidado, mesmo sendo assassinado num tiroteio com a polícia. [...] Na verdade, Zé Roberto não resistiu à idéia de ser torturado. O companheiro que estava cercado com ele se rendeu e está vivo até hoje, embora tenha sido preso e torturado. O Zé Roberto preferiu descer a escada, atirando para matar um policial, e gritando "abaixo a ditadura", antes de ser morto. Foi ou não um suicídio? Evidentemente que foi. Ele não fez o ato clássico, mas fez com que alguém desse um tiro nele, à queima-roupa. [...]. A partir de um determinado momento, havia uma fidelidade àquilo que você queria ter construído, uma crise de identidade. E renunciar a uma identidade social é se dispor a uma pré-morte, ou à morte real. Quando eu entrei na esquerda, não fiz uma opção pela morte, mas pela vida. Mas, na medida em que a situação histórica foi evoluindo, eu me debati com esse problema... Eu queria a vida: meu movimento, ao entrar nisso, era no sentido de uma nova vida para a sociedade. Mas, para chegar nisso, tive que aderir a certos caminhos em que, como indivíduo, eu era levada diariamente ao contato com a morte; eu incorporei a morte ainda na trajetória de vida. Essa contradição é dilacerante... Acho que essa questão da opção pela morte não foi só individual. Não era só o suicídio revolucionário individual, mas, sobretudo, o suicídio revolucionário de uma perspectiva de transformação da sociedade, naquele caminho que a gente estava trilhando.20" ================================================================================================================= + detalhes. (veja o texto todo clicando no link) http://www.educacao.ufrj.br/artigos/n6/numero6-5_o_colegio_pedro_ii_durante_a_ditadura_militar.pdf ................................................................................ "O fato de alunos do Pedro II participarem dos movimentos estudantis dentro do colégio, nos grêmios e fora do colégio, nos movimentos estaduais e nacionais, levou-os, no momento de maior repressão, após o AI-5, a tomarem a decisão de fazer parte das outras formas de resistência à ditadura militar que se organizaram a partir de então. Engajaram-se numa luta mais radical, seja diretamente na luta armadas ou como simpatizantes de movimentos revolucionários que visavam, além da luta pela democratização, à revolução socialista. Foram os casos dos ex-alunos Marcos Nonato da Fonseca, Kleber Lemos, Roberto Spigner, Lucimar Brandão Guimarães, Alex Xavier Pereira e Fernando Augusto da Fonseca, que foram assassinados no início da década de 1970." ...................................................................... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110418/e20b6091/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6086 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110418/e20b6091/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 19 21:33:08 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 19 Apr 2011 21:33:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_NELSON_JOS=C9_DE_ALMEIDA______________?= =?iso-8859-1?q?____________________-CXIV-?= Message-ID: <91BE6D212FB245279E5162612E8D657F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem NELSON JOSÉ DE ALMEIDA (1947-1969) Filiação: Ana Tereza de Almeida e Manoel Cezalpim de Almeida Data e local de nascimento: outubro de 1947, Mendes Pimentel (MG) Organização política ou atividade: Corrente Data e local da morte: 11/04/1969, Teófilo Otoni (MG) O estudante mineiro Nelson José de Almeida era filho de camponeses humildes da região do Vale do Rio Doce. Aos 10 anos, mudou-se com sua família de Mendes Pimentel para Governador Valadares. Desde muito cedo já trabalhava, vendendo produtos agrícolas. Depois de terminar o antigo primário, mudou-se novamente, com a família, desta vez para Brasília, onde o irmão mais velho já estava morando. Nelson teve que encarar serviços pesados, como ajudante de pedreiro, apesar de sua pouca idade. Estudou, à noite, em Sobradinho, e assim concluiu o curso ginasial. Foi nessa época que passou a militar na Corrente, grupo dissidente do PCB em Minas Gerais, incorporado mais tarde à ALN. Documentos dos órgãos de segurança do regime militar o acusam de ter participado em algumas ações armadas em Belo Horizonte, sendo que no assalto a uma boate, em 01/12/1968, teria disparado contra um cozinheiro, que foi ferido mas sobreviveu. Nelson foi morto aos 21 anos, em 11/04/1969, na cidade de Teófilo Otoni. Na prisão, foi reconhecido pelo soldado, Artur Orozimbo, seu colega de infância, que avisou a família de sua morte. Há diferentes versões para as circunstâncias concretas da morte nos documentos oficiais, não tendo sido possível constatar a verdade, apesar do grande empenho do relator. Alguns documentos informam que teria morrido durante assalto a uma agência da Caixa Econômica Federal em Teófilo Otoni, assalto esse que nunca ocorreu. Outros documentos registram que fora capturado em diligência policial e que, ao tentar fugir foi baleado, tendo morrido em um hospital da cidade. Outra versão é dada no atestado de óbito, onde consta que Nelson falecera na via pública, à rua Wenefredo Portella - endereço da cadeia e do Quartel da PM e Tiro de Guerra. O assento de óbito foi feito em 12/04/1969, tendo sido declarante o cidadão João Gabriel da Costa, mais conhecido por "Siono", agente funerário da cidade durante meio século. O atestado foi firmado por Christobaldo Motta de Almeida, que declarou "rigidez, hipóstase dorsal, hipotermia, midríase". Como causa da morte, a indicação de "ferida perfuro contusa do tórax com lesão de órgão e víscera interna, dando em conseqüência grave hemorragia interna - conforme certidão da necropsia". Para a CEMDP, a prova definitiva foi localizada nos arquivos do STM, quando encontrado um documento da PM de Minas Gerais com o seguinte teor: "Belo Horizonte - 20 de maio de 1969 Do Major PM Rubens Jose Ferreira, Chefe Int. da G/2 Ao Senhor Tem. Cel. EB Manoel Alfredo Camarão de Albuquerque DD Encarregado de IPM OFICIO Nº 730-69 ASSUNTO: MATERIAL APREENDIDO DE NELSON JOSÉ DE ALMEIDA REFERÊNCIA: 'OPERAÇÃO CORRENTE' I - No dia 10 de Abril de 1969 esta Secção enviou a Teófilo Otoni, MG, o 1º Tenente PM MURILO AUGUSTO DE ASSIS TOLEDO, a fim de fazer o levantamento do 'Aparelho da Corrente', localizado naquela cidade e, se encontrado, prender os componentes da referida 'Organização' que poderiam ser ali encontrados. II - O Oficial, com a ajuda do Contingente Policial daquela cidade, localizou o endereço - Travessa do Rubim, 23 -, constatando a existência, de fato, do 'Aparelho'. III - Durante a diligência foi capturado, ao chegar no 'Aparelho', Nelson José de Almeida, que, posteriormente, ao forçar fuga, foi baleado e veio a falecer em Hospital de Teófilo Otoni". O relator do processo concluiu, com as provas apontadas, que sem dúvida Nelson fora preso e morto sob a custódia da PM. ======================================================================================================================== + Informações. NELSON JOSÉ DE ALMEIDA Militante da organização COMANDO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (COLINA). Morto aos 21 anos. Filho de camponeses humildes, nascidos e radicados em Minas Gerais , na cidade de Mendes Pimentel, região do Vale do Rio Doce. Aos 10 ou 11 anos, mudou-se com sua família para uma cidade maior, Governador Valadares. Aí concluiu o curso primário na Escola Israel Pinheiro, em 1963. Nelson trabalhava desde quando cursava o primário, vendendo produtos agrícolas aos construtores do prédio da USIMINAS. Terminado o curso primário, mudou-se mais uma vez com a família para Brasília. Lá já se encontrava trabalhando seu irmão mais velho. Nelson teve que encarar serviços bastante pesados, como ajudante de pedreiro, apesar de sua pouca idade. Estudou à noite, em Sobradinho, e assim concluiu o curso ginasial. Por essa época passou a compreender o significado do golpe militar de 64 e percebeu o grau de repressão política sobre aqueles que criticavam o acirramento das desigualdades sociais. Com o advento do AI-5, integrou-se à COLINA e foi para o interior de Minas. Em Teófilo Otoni, no dia 11 de março de 1969, foi preso no Quartel do Batalhão por agentes do DOPS. Na prisão foi reconhecido por um soldado, Artur Orozimbo, que tinha sido seu colega e também de seu irmão ainda no curso primário, em sua cidade natal, Mendes Pimentel. Este mesmo soldado deu à familia a notícia de sua morte. Segundo o Relatório do Ministério da Aeronáutica, Nelson "morreu durante um assalto à Caixa Econômica Federal, em Teófilo Otoni." A certidão de óbito tem como causa da morte "ferida perfuro-contusa do tórax com lesão de órgão e víscera interna, dando em conseqüência grave hemotórax". Assina o óbito o Dr. Christobaldo Motta de Almeida. Foi enterrado no Cemitério de Teófilo Otoni. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110419/83bcf82d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 25192 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110419/83bcf82d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 19 21:33:17 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 19 Apr 2011 21:33:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Pref=E1cio_de_Samuel_Pinheiro_G?= =?windows-1252?q?uimar=E3es_ao_livro_=22Rela=E7=F5es_Brasil-EUA_no?= =?windows-1252?q?_Contexto_da_Globaliza=E7=E3o=3A_Rivalidade_Emerg?= =?windows-1252?q?ente=22_=282011=2C_Editora_Senac=29=2C_de_L=2EA?= =?windows-1252?q?=2E_Moniz_Bandeira=2E?= Message-ID: <3EEEBDC0499B4136B6C1E9CEFFA62372@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Vila Vudu SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES: ?Nossos aliados são os vizinhos? Brasil - Estados Unidos: a rivalidade emergente 5/3/2011, Blog o Outro Lado da Notícia http://www.outroladodanoticia.com.br/inicial/9270-brasil-estados-unidos-a-rivalidade-emergente.html +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ ++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Ao acompanhar a evolução das relações do Brasil com os EUA, no período examinado por Moniz Bandeira, vemos que, de um lado, elas se entrelaçam e incidem sobre a aspiração de parte significativa da elite dirigente brasileira de promover o desenvolvimento industrial. Esta aspiração se confronta periodicamente com a política americana que decorre de sua convicção de que o desenvolvimento brasileiro teria de ser o resultado natural da ação das forças de mercado. Portanto, não necessitaria, nem deveria, ser estimulado ou conduzido pelo Estado brasileiro, a não ser para este adotar políticas de liberalização do comércio exterior e dos fluxos de ingresso e saída de capitais. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães, Carta Maior. ___________________________________ Prefácio de Samuel Pinheiro Guimarães ao livro "Relações Brasil-EUA no Contexto da Globalização: Rivalidade Emergente" (2011, Editora Senac), de L.A. Moniz Bandeira. O livro dá seqüência ao balanço sobre as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, iniciado com a publicação do primeiro volume, dedicado ao estudo da Presença dos EUA no Brasil, e que abarca o tempo histórico que vai desde o Brasil Colônia até a República. Passa pela era Vargas e a queda de Goulart. Este volume - "Rivalidade Emergente" - vai até 1995, mostrando como as relações Brasil-EUA continuam a ser alternadamente amistosas e conflitantes. ______________________________________________ Prefácio: Doces Ilusões, Duras Realidades "Você tem de dar-lhes um tapinha nas costas e fazer com que eles pensem que você gosta deles". J.Foster Dulles, Secretário de Estado, 1953-59 (1) A construção da hegemonia americana 1. Para compreender os episódios que se sucedem nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos é necessário examinar a natureza dessas relações. Esta somente pode ser entendida quando vista no contexto da estratégia mundial de política externa americana, traçada e desenvolvida a partir dos resultados da Segunda Guerra Mundial. É preciso notar que, até 1939, a política americana nunca havia sido de fato isolacionista, não intervencionista. Porém, seu ativismo se dirigia e se limitava à conquista do Oeste americano, à incorporação, por compra, de territórios como a Flórida e a Louisiana e, em seguida, à consolidação da área de influência no grande ?mar americano?, o Caribe. O México perdeu 2/3 de seu território para os Estados Unidos na guerra de 1846/48, provocada pelos Estados Unidos. A Nicarágua foi ocupada militarmente pelos Estados Unidos durante 21 anos; o Haiti, durante 19 anos. Cuba, Filipinas e Porto Rico foram ocupados após a derrota da Espanha na guerra provocada pelos Estados Unidos, em 1898. Ao final, os Estados Unidos haviam, praticamente, eliminado a presença e a influência das potências européias na região. Somente após 1945 os Estados Unidos deixariam de ser uma potência regional e passariam a ser uma potência com interesses mundiais, i.e. uma potência com interesses em cada continente, quase se poderia dizer em cada Estado. É verdade que a expedição do Comandante Perry ao Japão, em 1848, assim como o apoio às atividades missionárias na China, anunciavam o interesse americano pela Ásia. Mas era na Ásia incipiente essa presença. 2. Após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos emergiram como a maior potência militar, política, econômica, tecnológica e ideológica do mundo. Essa hegemonia era absoluta diante das nações derrotadas, destruídas e ocupadas, Alemanha, Japão e Itália; de extensos impérios coloniais, desmoralizados e combalidos, o francês e o britânico; de uma potência rival, em termos de organização social, política e econômica, a União Soviética, forte pela ocupação da Europa Oriental e debilitada pela devastação nazista, que deixara 20 milhões de mortos, e a economia abalada pelo esforço de guerra. A capacidade que parecia ter a União Soviética de competir e de enfrentar os Estados Unidos, e que parecia se tornar cada vez mais irresistível com a expansão do campo socialista após 1945, era aparente, como iria se revelar aos poucos, até culminar com a derrota pacífica, em 1991. 3. Diante desse extraordinário e glorioso, porém desafiador cenário mundial de 1945 os Estados Unidos viriam a definir os grandes objetivos e as grandes diretrizes de sua política externa. Em síntese, esses objetivos eram e são: manter e ampliar sua hegemonia política; manter e ampliar sua hegemonia militar; manter e ampliar sua hegemonia econômica; manter e ampliar sua hegemonia ideológica. 4. Em 1945, a decisão estratégica fundamental adotada pelos Estados Unidos foi preferir criar um sistema de organismos internacionais para, através deles, promover e manter sua hegemonia e expandir seus ideais, ao invés de procurar fazê-lo diretamente, o que implicaria elevadíssimos custos e o freqüente uso de força militar. Esses organismos viriam a ser de caráter universal, como as Nações Unidas e suas agências, inclusive o Fundo Monetário Internacional ? FMI e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento ? BIRD; ou de caráter regional, tais como a Organização dos Estados Americanos ? OEA, a Organização do Tratado do Atlântico Norte ? OTAN, o Tratado de Segurança Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos ? ANZUS e a Organização do Tratado do Sudeste Asiático ? SEATO, ou de caráter bilateral. Todos, de uma forma ou de outra, com sua origem na experiência do passado e nos ideais americanos de governança mundial, defendidos por Woodrow Wilson, em 1919, e incorporados ao tratado que criou a Liga das Nações, rejeitado pelo Senado americano. O pano de fundo dessa estratégia viria ser o confronto com a União Soviética, (que detonaria a arma nuclear em 1949), com base na Doutrina Truman, de contenção do comunismo, inspirada nas idéias de George Kennan, em seu artigo assinado Mr. X, publicado em 1947. 5. Ao implementar essa estratégia de múltiplas facetas e jogada em muitos tabuleiros de negociação, de ação e também de subversão, em todas as regiões e continentes, os Estados Unidos procuram evitar a emergência de Estados que possam se contrapor à sua hegemonia mundial ou regional. Sempre que necessário, procuram enfrentar e derrotar aqueles que à sua hegemonia se oponham, de modo total ou parcial, e assim dificultem ou impeçam o seu pleno exercício. 6. Ainda que em vários desses confrontos e embates, alguns armados, os Estados Unidos pudessem, à primeira vista, parecer ter sido derrotados, pelo menos em algumas instâncias como, por exemplo a do Vietnã, seus interesses viriam a prevalecer no médio prazo. Após a desmoralizante derrota militar americana, o novo Vietnã, unificado e comunista, viria a adotar, depois de alguns anos, um modelo capitalista, aberto às mega-empresas multinacionais, inclusive americanas. A República Popular da China é caso semelhante em que, após longo período de enfrentamentos se inicia, por decisão chinesa, um processo de reforma econômica que leva a uma simbiose com os Estados Unidos e na China se organiza um regime cada vez mais capitalista e aberto às mega-empresas americanas. O fim da hegemonia americana, que se exerce de formas variadas e complexas, ainda é um mito e uma ilusão perigosa. 7. Na área militar, os Estados Unidos tornaram permanentes, de forma muitas vezes desconhecida, a presença de suas tropas e de suas armas, inclusive nucleares, fora de seu território nacional, em países tais como a Alemanha, a Bélgica, a Itália, a Grécia, a Turquia e a Holanda. Seu controle militar se realiza através de uma rede de bases terrestres, de frotas navais e de acordos militares bilaterais ou regionais, como a OTAN, alguns hoje desativados, mas não todos, como o acordo militar com o Japão e o acordo ANZUS. O programa recente de instalação de um ?escudo de mísseis? na Europa Oriental, oficialmente dirigido contra o Irã e outras ameaças difusas, como o terrorismo, causa grande inquietação na Rússia e revela a determinação americana de manter e expandir sua hegemonia militar na Europa. 8. Por outro lado, de forma sistemática, os Estados Unidos procuraram criar mecanismos nacionais e internacionais de controle de transferência de tecnologia militar ou dual. Agem com tenacidade e persistência para promover a não-proliferação de armas de destruição em massa, i.e. a posse de armas por terceiros países enquanto não promovem o (seu próprio) desarmamento, como prometeram ao assinar o TNP. Sofisticam cada vez mais suas armas o que aumenta o hiato de poder militar, entre eles e os demais países, e ampliaram seu sistema de tratados de cooperação e assistência militar, base jurídica que permitiria justificar eventuais ações militares. 9. Assim, intervieram militarmente, sob variados pretextos, em todos os continentes: na República Dominicana, na Guatemala, no Vietnã, na Nicarágua, em Granada, no Panamá, no Líbano, no Iraque, na Somália, no Afeganistão etc. em uma longa lista de países que, de uma forma ou outra, se opuseram, com maior ou menor tenacidade, ao exercício de sua hegemonia, ou com o objetivo de fazer com que as pressões e eventuais intervenções viessem a servir de exemplo para Estados que parecessem ter a intenção de alcançar maior independência. 10. Não houve, praticamente, nenhum ano em que os Estados Unidos não estivessem em guerra, maior ou menor, desde 1945. Sempre que possível procuraram o aval e a autorização prévia de organizações internacionais de caráter universal, como o Conselho de Segurança da ONU, ou regional como a OEA e o CARICOM, ou de tratados bilaterais. Quando isto se revelou difícil ou impossível agiram unilateralmente, com a busca de apoio, ainda que simbólico, de outros países. No Iraque, a título de exemplo desse apoio simbólico, no momento da invasão, em 2003, os Estados Unidos tinham 148.000 homens e a segunda maior força era a do Reino Unido com 45.000 homens, seguida de contigentes muito menores de outros países. É preciso notar que os Estados Unidos não participam de nenhuma organização militar ou de nenhuma operação militar multilateral ou de coalizão em que suas tropas se submetam a comando estrangeiro. 11. Na economia, os Estados Unidos, confiantes na capacidade de competir de suas grandes empresas, que viriam a se tornar mega empresas multinacionais, em um mundo de economias destroçadas, em especial na Europa Ocidental, em um primeiro momento procuraram, através do BIRD e depois do Plano Marshall, reconstruí-lo e garantir o acesso a esses mercados, tanto de bens como de capitais. Viram eles no apoio aos movimentos nativos de descolonização uma oportunidade de reduzir o poder e o controle das potências coloniais e, ao mesmo tempo, de facilitar a penetração de suas mega-empresas nos mercados das futuras ex-colônias européias. Na área econômica, tem sido permanente o objetivo de garantir o acesso a matérias-primas estratégicas, como o urânio e, em especial, ao petróleo, dínamo essencial de sua economia, que se encontra na raiz das complexas questões do Oriente Próximo: Palestina, Iraque, Irã, Arábia Saudita etc. 12. Na execução de sua estratégia econômica procuram os Estados Unidos promover em todos os países a liberalização do comércio exterior e dos fluxos de capitais enquanto mantêm protegidos os seus mercados internos para aqueles setores menos competitivos, a começar pela agricultura. Isto sempre ocorreu, e os casos recentes são exemplares, como os do algodão, do suco de laranja e do etanol. Aí, perdedores em processos de arbitramento multilateral em organizações de que fazem parte, mantém suas políticas que foram consideradas ilegais. Em outra área, aplicam restrições a investimentos chineses e árabes, argüindo razões de segurança econômica e política. Sua devoção às livres forças de mercado é condicionada, portanto, a seus interesses nacionais e políticos e as vultosas operações de salvamento, pelo Estado americano, de seus bancos e mega empresas durante a crise, que se iniciou em 2008, bem confirmam esta interpretação de sua visão ideológica. 13. A restrição à difusão de tecnologia, em especial a tecnologia dual de ponta, i.e. de uso civil e militar, seria uma política indispensável para manter a hegemonia econômica e militar americana. O sistema de restrições à transferência de tecnologia sensível foi organizado tendo como o seu núcleo o Tratado de Não-Proliferação - TNP e arranjos conexos, tais como o MTCR ? Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis ?, o Acordo de Wassenaar, que coordena as exportações de itens de tecnologia sensível, e o NSG ? Grupo de Supridores Nucleares ?, e pelo permanente esforço de fortalecimento do sistema de patentes no âmbito da Organização Mundial de Comércio - OMC e de ameaças e sanções unilaterais a terceiros países, através das leis americanas de comércio. 14. Todavia, entre todos os seus objetivos de política externa o mais importante seria manter a hegemonia ideológica que fora conquistada em quase todas as sociedades devido a sua vitória sobre o hediondo regime nazista. Esta hegemonia corresponde à capacidade de convencer todos os países da superioridade do Estado americano e de sua sociedade e, em especial, a partir de 1945, em comparação com o modelo soviético; do caráter benigno, desinteressado, altruísta e sincero da política exterior americana; da eficiência superior de sua economia; da maior viabilidade de seu modelo econômico e da possibilidade de poder ser ele adotado por qualquer país. Os abismos 15. Um indicador da crescente hegemonia política norte-americana é a ressurreição do Conselho de Segurança das Nações Unidas após a ascensão de Boris Ieltsin e Alexandre Kozirev, que alinharam a política russa à política exterior americana. Na prática, este alinhamento redundou no desaparecimento dos vetos russos, que passaram de um total de 118 no período 1945-1991 para quatro no período 1992-2009. Como resultado, os Estados Unidos obtiveram, inclusive sem a oposição da China, apoio para suas ações de punição política, através de sanções comerciais e outras de toda a ordem, com base no Capítulo VI da Carta da ONU, e de ação militar, com base no Capítulo VII. Como cada país é obrigado pela Carta a cumprir as sanções impostas pelo Conselho a terceiros países, sem ter participado do processo de decisão do Conselho de Segurança, quer estas sanções contrariem ou não os seus interesses nacionais, a nova situação ampliou o exercício da hegemonia americana, inclusive sob o manto multilateral das Nações Unidas. Em decorrência da estratégia americana, o abismo político se aprofundou. 16. O hiato militar entre, de um lado, os Estados Unidos e, de outro, todos os demais países, tomados em conjunto, cresceu de forma significativa a partir de 1945, devido a duas políticas: a primeira, a de impedir que os demais países tivessem acesso à tecnologia nuclear e à tecnologia dual e, a segunda, a de desenvolver novas tecnologias, cada vez mais sofisticadas. Estas duas políticas fizeram com que a distância entre a América, mesmo entre ela e as potências industriais, e sobretudo em relação aos países subdesenvolvidos da periferia, se ampliasse e se tornasse um abismo, quando comparada à situação em 1945. 17. Em 1988, as despesas militares americanas eram de US$ 533 bilhões. Entre 1988 e 2009 tiveram um aumento acumulado de US$ 10.376 bilhões. O segundo país em despesas militares, a URSS (mais tarde Rússia) era, em 1988, de US$ 339 bilhões. O acumulado de despesas russas entre 1988 e 2009 foi de US$ 1.683 bilhões. A distância de poder militar, medida em termos de despesas, que refletem o acúmulo e a sofisticação dos armamentos, entre os dois países aumentou de US$ 199 bilhões em 1988 para US$ 8.693 bilhões em 2009. Entre os Estados Unidos, de um lado, e todos os demais países, de outro, esta distância aumentou muito mais. 18. Nos últimos 20 anos, a distância econômica, i.e., de nível de vida médio, de quantidade de bens à disposição para consumo e produção, entre os habitantes dos países desenvolvidos e os habitantes dos países subdesenvolvidos não cessou de crescer até a crise de 2008. Em 1988, a renda per capita média dos oito principais países desenvolvidos (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Austrália) era de US$ 18.000, e a renda média per capita dos oito principais países subdesenvolvidos (China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México, Argentina e África do Sul), era de US$ 1.300. A diferença de renda per capita era, em 1988, de US$ 16.700. Em 2008, a renda per capita média desses oito países desenvolvidos atingiu US$ 43.000 e a renda média per capita daqueles oito países subdesenvolvidos chegou a US$ 6.000. A diferença de renda per capita entre os dois grupos de países aumentou de US$ 16.700 para US$ 37.000. O abismo de renda, de nível de vida médio, se aprofundou. A hegemonia econômica americana, medida pela presença de suas mega empresas em todos os países, pela sua participação no comércio mundial, pela geração de novas tecnologias e pela dimensão de sua economia, sobrevive e se expande. 19. O abismo ideológico entre os Estados Unidos e os demais países aumentou. A criação de grandes conglomerados de entretenimento/informação; os canais globais televisivos de notícias; a desarticulação das estruturas nacionais de produção audiovisual, mesmo em países desenvolvidos; o predomínio do noticiário gerado pelas agências de notícias americanas; os vastos programas de formação educacional e profissional em todas as áreas, inclusive militar; a produção científica em termos absolutos e comparados; o número de prêmios Nobel conquistados; a capacidade de recrutar talentos em todo o mundo fazem com que a influência cultural, científica e tecnológica americana seja extraordinária, e maior do que era em 1945, devido à aceleração do progresso científico e tecnológico. O fosso aumentou e não há nenhuma outra civilização - russa, chinesa, brasileira ou japonesa - que disponha do mesmo arsenal de meios e recursos e da mesma flexibilidade do idioma e da cultura para se contrapor à americana. A história do Brasil no contexto da hegemonia 20. Diante do amplo e complexo panorama da estratégia de implementação dessas diretrizes de política exterior americana, se colocam as relações entre o Brasil e os Estados Unidos de 1950 a 1990, documentadas, descritas e analisadas, em todas as suas peripécias e tensões, por Moniz Bandeira, em sua obra ?Brasil-Estados Unidos: a Rivalidade Emergente?. Sua leitura é essencial a todos os brasileiros, políticos, diplomatas, militares, intelectuais, empresários e trabalhadores que desejarem melhor interpretar a política externa brasileira e é ela que provoca as reflexões desse prefácio. 21. Brasil e Estados Unidos são sociedades, economias e Estados que apresentam semelhanças estruturais. São países de grande dimensão territorial, semelhante e contínua. Ambos detêm em seu território uma variada gama de recursos minerais, suas agriculturas são muito produtivas e seus parques industriais, sofisticados. Brasil e Estados Unidos são países de grande população, sociedades multiétnicas, com grandes contingentes de origem européia e africana. Ambos são países democráticos e sua cultura é de origem e de matriz ocidental. O Estado brasileiro é, como o Estado americano, organizado sob a forma de federação, ainda que seu sistema jurídico seja fundado no direito romano e o dos Estados Unidos no direito anglo-saxão, cuja base é a common law, i.e., a jurisprudência e os costumes. 22. Os Estados Unidos são, desde o final do século XIX e ainda mais a partir de 1945, a maior potência econômica do mundo; seus exércitos e suas sofisticadas armas a fazem a maior potência militar do planeta; sua capacidade de gerar conceitos e de divulgá-los a tornaram a maior potência ideológica e cultural; sua criatividade e sua capacidade de atrair talentos de todas as partes a fazem a maior potência científica e tecnológica do mundo. Os Estados Unidos detêm, ademais, a moeda de reserva e de curso internacional, o dólar, e são, sem dúvida, para os grandes capitalistas, sejam eles mega empresas, mega bancos, mega fundos ou indivíduos de alta renda, o centro do sistema capitalista internacional e seu baluarte. Estes sucessos americanos se encontram, em realidade, entrelaçados. A elite americana está absolutamente convencida de que tudo o que se passa em todos os países que integram o sistema internacional é de interesse para sua sociedade e para sua sobrevivência. Os Estados Unidos se apresentam, com tranqüilidade, segurança e auto-estima, como o país líder da civilização ocidental e, hoje, como o líder mundial de todas as nações, o Estado mais democrático, a economia mais eficiente, a potência militar mais poderosa. Por essas razões se atribuem, com naturalidade, o direito de dizer a cada país como deve se organizar econômica e politicamente e como deve orientar sua política externa. Em casos extremos, se arvoram o supremo direito de exigir que mudem de regime político e, se falham a persuasão e a cooptação, o fazem através de sua política, denominada, sem disfarces, de ?regime change? (mudança de regime), em desafio aos princípios de não-intervenção e de auto-determinação, consagrados na Carta das Nações Unidas, princípios que exigem que os demais países cumpram. Os Estados Unidos são, sem sombra de dúvida, o centro do Império. 23. O Brasil, devido a circunstâncias históricas, políticas, econômicas e sociais, ainda é um país que está longe de ter desenvolvido todo o seu potencial. É um país cuja principal característica são suas extraordinárias e gritantes disparidades sociais e econômicas que fazem com que se classifique entre as quatro situações nacionais mais desiguais do mundo. O Brasil é um Estado vulnerável política e militarmente, apesar dos esforços feitos nos últimos anos e dos resultados que foram alcançados. Reduziu-se a vulnerabilidade externa, retomou-se a construção da infraestrutura física, estradas, energia, portos, e social (escolas, hospitais, etc); reduziram-se de forma radical a pobreza e a miséria e o Brasil passou, com galhardia, pela grave crise econômica e financeira, iniciada em 2008 e que ainda permanece em 2011. Enquanto os países do G-7, segundo o FMI, viram o seu PIB se reduzir em 3,5% em 2009, o PIB brasileiro caiu apenas 0,2%; enquanto os Estados Unidos perderam 7,3 milhões de empregos em 2008 e 2009, a economia brasileira gerou 2,5 milhões (e mais 2,5 milhões em 2010). O Brasil atravessa um momento de sua História em que as classes populares, conduzidas pelo PT e pelos partidos progressistas, sob a liderança do Presidente Lula, iniciaram um processo de transformação econômica, política e social para construir uma sociedade democrática de massas. Todavia, diferente dos Estados Unidos, é o Brasil um país subdesenvolvido, na periferia do sistema internacional. 24. É natural que os Estados Unidos, testemunhando a emergência de um país com a riqueza e o potencial do Brasil, se tenham sentido desafiados, quando se iniciou esse processo, por volta de 1950, com Getúlio Vargas, em sua hegemonia, que desejam incontestável nas Américas, a área geopolítica mais próxima de seu território. É natural que o Brasil, diante da aspiração e da obrigação histórica de sua sociedade de superar os desafios das desigualdades, das vulnerabilidades e da realização de seu potencial, tenha encontrado, desde que iniciou os primeiros esforços nesse sentido, a suspeita e mais tarde a rivalidade americana. Daí a propriedade do título que sintetiza a substância desta obra de Moniz Bandeira que examina esse período da história brasileira e as iniciativas de superação de sua condição de atraso e de semi-colônia: ?Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente, 1950-1990?. 25. O Brasil vive um momento de transformação da natureza da inserção de sua sociedade e de seu Estado no sistema internacional. A estrutura do comércio exterior se alterou, reduzindo muitíssimo a dependência da economia brasileira não só em relação a terceiros mercados como em relação a produtos específicos; os fluxos de investimento direto estrangeiro se diversificaram, com o aumento significativo da participação de capitais de novas origens; o Brasil passou de devedor a credor internacional, acumulando reservas que quase chegam a U$ 300 bilhões, maiores que as da França, da Inglaterra e da Alemanha; o Brasil passou a exportar capitais, através de empréstimos e investimentos diretos de empresas brasileiras no exterior. 26. Na política internacional, a participação do Brasil passou a ser a de um ator importante, e com presença cada vez mais solicitada, no trato político de questões como a do Oriente Próximo, do Haiti, da luta contra a pobreza, da reforma das Nações Unidas, da crise econômica internacional, da gestão do G-20 financeiro, da ação do G-20 comercial, da crise ambiental e na dinâmica política regional. Assim, o conhecimento não-midiático, não-jornalístico, das questões internacionais, da evolução da política externa brasileira e de sua estratégia se torna essencial para compreender e para participar, de forma não preconceituosa, do debate, cada vez mais intenso, sobre o novo papel internacional do Brasil. 27. O Professor Luiz Alberto Moniz Bandeira construiu, no curso de décadas, uma obra histórica que permite compreender, de um ângulo brasileiro, o sistema internacional, seu contexto e sua dinâmica e, em especial, entender o momento histórico que se inicia em 1950 quando começa a se transformar a natureza da inserção do Brasil no mundo. 28. Suas obras tratam com profundidade, e a partir da análise de extensa documentação, de temas de grande interesse para a política externa atual, desde O Expansionismo Brasileiro e a formação dos Estados na Bacia do Prata; De Martí a Fidel ? a revolução cubana e a América Latina; Brasil, Argentina e Estados Unidos ? conflito e integração na América do Sul; Formação do Império Americano; Fórmula para o Caos, e de tópicos da política interna e externa brasileira, tais como Presença dos Estados Unidos no Brasil (Dois séculos de história); O Governo João Goulart; As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos (De Collor a Lula) e Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente, que agora é re-editada, e revista, e que trata do período que vai de 1950 a 1990. Todas obras indispensáveis para aqueles que necessitam conhecer a história recente brasileira. 29. A importância dos Estados Unidos para a economia, a política e a sociedade brasileira foi, desde a II Guerra Mundial, e ainda é, extraordinária: a recíproca nunca foi verdadeira no passado nem ainda é, mas virá a ser, no futuro, igualmente extraordinária. 30. Alguns números servem para revelar essa importância e para explicar (mas não para justificar) o comportamento de líderes políticos brasileiros em determinados momentos face às demandas e às pressões americanas. Por volta de 1950, o café representava cerca da metade das nossas exportações, enquanto que os Estados Unidos não só compravam 50% do café brasileiro como eram, ademais, o nosso principal parceiro comercial, com uma parcela de cerca de 40% do intercâmbio externo brasileiro, importações mais exportações. Por volta de 1980, noventa por cento do petróleo utilizado no Brasil era importado e o petróleo representava mais de 50% de nossas importações. As variações de seu preço tinham grande impacto, para o bem ou para o mal, sobre a economia brasileira. Naquela época, as importações americanas provenientes do Brasil representavam cerca de 2% do total das importações americanas enquanto que as exportações americanas para o Brasil representavam cerca de 1,5% do total das exportações americanas para o mundo. 31. Diante dessa situação de dependência econômica é que se pode avaliar a importância e a coragem de ações decisivas para o desenvolvimento de nosso país, como foram a de negociar a participação na Segunda Guerra Mundial em troca do financiamento da construção da Companhia Siderúrgica Nacional ? CSN (o que somente ocorreu após relutante apoio americano) e a criação, por Getúlio Vargas, da Petrobrás, em 1954, essencial para alcançar a autonomia energética. Vargas, tão duramente combatido pelas mesmas correntes políticas que historicamente, e até hoje, se opõem à autonomia do Brasil, que defendem seu ingresso subordinado em outros blocos, de forma direta ou sob o eufemismo de abertura e de inserção, de qualquer forma, na globalização assimétrica e hegemônica, cujo ritmo se reduziu mas não desapareceu com a crise de 2008. Seu líder, o sociólogo e Presidente Fernando Henrique Cardoso, expressando o antagonismo das classes proprietárias tradicionais e das elites intelectuais cosmopolitas, em certo momento declarou de público: ?Nosso passado político ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas ? ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista?! 32. Hoje, o café representa 3% das exportações brasileiras, nosso maior parceiro comercial é a China, e o nosso principal produto, tanto no caso das exportações como no das importações, não ultrapassa dez por cento do total. Os Estados Unidos têm representado, em média, nos últimos anos, cerca de 17% de nossas exportações, se não considerarmos o ano crítico de 2009. A crise econômico-financeira internacional permanece, apesar das flutuações de atividade, nada indica seu fim próximo e, pelo contrário, tudo aponta para a possibilidade de seu agravamento (ou de sua permanência, com a economia em depressão). Mesmo após o fim da crise, a participação americana na pauta comercial brasileira não deverá voltar aos seus antigos e elevados níveis. 33. A importância dos Estados Unidos para o nosso comércio exterior (e para a parte de nossas elites a ele vinculada de uma forma ou de outra) se reduziu em muito. Assim, se esvaiu aos poucos a capacidade de os Estados Unidos utilizarem contra o Brasil os mesmos instrumentos de pressão comercial e política, que haviam utilizado no caso da Lei de Informática, em 1987, ou das patentes farmacêuticas. A possibilidade de que venham a ameaçar o Brasil com sanções é remota pois sabem que, caso tentassem implementá-las, essas sanções seriam ineficazes. Àquela época, as sanções por parte dos Estados Unidos poderiam ser tão eficazes que sua ameaça fez com que as próprias elites brasileiras, através de ampla campanha de mídia, e da mobilização de intelectuais e economistas ?modernos?, exigissem a revogação da Lei de Informática, o que viria a ocorrer no mandato do Presidente Fernando Collor. A partir do momento de sua posse, os ?desejos? americanos foram satisfeitos em cascata, e até mesmo por antecipação, na medida em que o Governo Collor decidiu alinhar-se, sem nada obter ou pedir em troca, politicamente ao Ocidente e ao Consenso de Washington, economicamente. 34. Um comentário decorre da reflexão sobre os eventos analisados, de forma magistral, por Moniz Bandeira. O Presidente José Sarney assumiu a Presidência em momento delicado da política brasileira, e foi capaz de conduzir a transição de um regime autoritário para um regime democrático, em situação de pertinaz crise econômica. Garantiu a liberdade de imprensa, iniciou um processo de firme aproximação com a Argentina, base do futuro Mercosul, resistiu às pressões para adotar medidas de arbítrio, convocou a Assembléia Constituinte, promulgou a Constituição de 1988 e presidiu, com serenidade, uma campanha eleitoral de grande violência verbal contra si e contra sua família. Desempenhou papel fundamental, garantindo o sucesso da transição democrática, após a queda do regime civil-militar de 1964, e apoiou programas estratégicos vitais para o Brasil, como os programas nuclear, o espacial e o cibernético. Ao resistir às pressões americanas para desmantelar esses programas, contrariou poderosos interesses, econômicos e políticos, nacionais e alienígenas. Talvez esta tenha sido a razão do antagonismo sistemático que viria a permear setores da mídia contra a sua pessoa. 35. Os investimentos diretos e os financiamentos, originários dos países exportadores de capital e que se destinam aos países subdesenvolvidos, frágeis econômica e politicamente, têm sido importantes na História para construir laços de dependência econômica e política. Esses laços tornam possível, sempre que as poderosas potências credoras julgam necessário, o exercício de pressões de toda ordem sobre os países subdesenvolvidos para que estes, mais fracos e devedores, modifiquem políticas internas e posições externas, circunstâncias que ficam expostas em diversas passagens da obra de Moniz Bandeira. 36. Os investidores e financiadores da economia brasileira e de suas elites foram, até a Grande Depressão de 1929, as casas bancárias européias, em sua grande maioria inglesas. A rede de ferrovias que ligava as áreas do café do interior paulista (atividade central da política e da economia do Império e da Primeira República), aos portos de exportação, foi financiada e construída por firmas inglesas, em um regime de garantia de retorno, i.e. de garantia de lucro, do investimento estrangeiro, através da inclusão nos contratos da cláusula ouro. Foram, por essas casas, financiadas a construção dos primeiros sistemas de transporte urbano e de iluminação pública nas principais cidades do país. 37. Até a Grande Depressão não havia indústria digna desse nome no Brasil. Foi o isolamento involuntário do Brasil em relação à economia mundial entre 1929 e 1945, período em que foi reduzida e quase eliminada a possibilidade de exportar café, que tornou difícil importar e transportar bens de consumo, o que estimulou o surgimento de indústrias no país, com o objetivo de produzir bens que substituíssem aqueles importados, consumidos principalmente pelas elites e classes médias urbanas. Dessa época datam a construção da primeira hidrelétrica projetada e construída por brasileiros, Paulo Afonso, e da usina de Volta Redonda, para produzir energia e aço, pilares indispensáveis à construção de qualquer parque industrial sólido. 38. Um parêntesis aqui para uma observação heterodoxa. Todo processo de desenvolvimento econômico de um país, que corresponde ao aprendizado daquela sociedade em produzir bens, se faz pela substituição gradual de importações. Seria impossível para qualquer sociedade agrária subdesenvolvida saltar do estágio primário-exportador para o estágio de produção e exportação de produtos industriais. Aliás, o estágio primário-exportador é caracterizado em todos os países pela liberdade de câmbio e tarifas baixas (usadas apenas para fins de arrecadação), inclusive porque os bens industriais de consumo têm de ser importados, o que dificulta o surgimento de indústrias locais (e de impostos sobre essa atividade). Assim, a idéia de alguns economistas de que os países subdesenvolvidos poderiam optar livremente entre um modelo de crescimento pelas exportações e um modelo de substituição de importações é irreal. O caminho natural do desenvolvimento se inicia pela substituição de importações e pelo fortalecimento do incipiente capital nacional, o que, de um lado, requer a proteção contra as importações estrangeiras mais competitivas e, de outro, faz surgir reclamações de nacionais importadores e de interesses estrangeiros exportadores. 39. A influência financeira americana no Brasil começa a se expandir com os primeiros empréstimos concedidos pela casa Dillon Reed, que viria a substituir os bancos ingleses, como a Casa Rothschild, enquanto que os investimentos diretos americanos viriam a substituir os capitais franceses e ingleses, que começaram a se retrair após a I Guerra Mundial, enquanto que, por breve período, surgiram os interesses alemães, em competição com os americanos. Quando as dificuldades em aumentar exportações, e assim gerar as divisas necessárias para realizar as importações de bens de capital e de bens de consumo de toda ordem, consumidos pelas elites e classes médias urbanas, tornaram necessário elevar as tarifas e implantar sistemas de administração e controle cambial, os investimentos americanos vieram para o Brasil aproveitar as oportunidades de mercado protegido que surgiram. 40. Os investimentos diretos americanos aumentaram, de forma significativa, no período entre 1945 e 1964, expandindo também sua participação no estoque de capital estrangeiro no Brasil. Nos últimos anos, a importância estratégica dos investimentos americanos na economia diminuiu devido a novos investimentos espanhóis, portugueses, e agora chineses, sendo que estes últimos já ultrapassaram a primeira dezena de bilhão de dólares. A participação do capital estrangeiro na formação de capital no Brasil não ultrapassa hoje 10%, ainda que se deva ressaltar sua importância para a transferência e assimilação de tecnologia proprietária. É verdade, por outro lado, que o aumento do estoque de capital estrangeiro dá, no futuro, origem a remessas significativas de lucros, o que é grave sempre que coincide com momentos em que o superávit comercial diminui devido à redução das exportações, ou aumento das importações o que leva a situações periódicas de dificuldades no balanço de transações correntes, em especial quando há crise econômica nos países de origem do capital. 41. Os financiamentos de organismos internacionais, que correspondiam a 1% do PIB, em 1984, não ultrapassam hoje 0,3%. A dívida externa, pública e privada, com bancos comerciais, que ameaçavam o País, e que levaram à moratória nos anos 80, não existe mais. Foi substituída pela emissão de títulos de crédito pelo Tesouro Nacional e pelas empresas e que são tomados por investidores estrangeiros às vezes institucionais, como fundos de pensão. Há forte entrada de capitais especulativos, atraídos pelas altas taxas de juro, que apesar de ser componente indesejável do ingresso de capital, devido a sua volatilidade, se tornou importante para o fechamento do balanço de pagamentos, permitindo equilibrar o déficit em transações que decorre das crescentes remessas de lucros, royalties, assistência técnica, etc. 42. No período que vai de 1950 a 1990, que Moniz Bandeira examina nesta sua obra, os empréstimos de bancos internacionais e de bancos oficiais eram essenciais para fechar as contas externas e foram instrumentos muitas vezes utilizados para procurar influenciar as políticas interna e externa brasileiras. Assim ocorreu, por exemplo, com a recusa americana de autorizar empréstimos do Fundo Monetário Internacional ? FMI a Juscelino Kubitschek e a João Goulart e a de autorizá-los rapidamente a Castelo Branco e a Jânio Quadros, conforme relata Moniz Bandeira. 43. O estrangulamento cambial é hoje uma arma política impossível de ser esgrimida por qualquer país contra o Brasil. O Brasil tem reservas de quase 300 bilhões de dólares, pagou os credores oficiais que se reúnem e se coordenam no chamado Clube de Paris e resgatou os títulos da dívida pública interna denominados em dólar. O Brasil saldou sua dívida com o FMI e, portanto, não está mais sujeito à sua fiscalização e à conseqüente imposição legal (devido aos compromissos assumidos nos acordos de empréstimo) de políticas fiscais, monetárias, cambiais e outras, inclusive no campo do trabalho, que são economicamente restritivas, e desestabilizadoras social e politicamente. 44. J. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, descreveu a política que os países desenvolvidos e os organismos internacionais, entre eles o FMI, recomendam e exigem dos países subdesenvolvidos: ?Nós pregamos aos países em desenvolvimento sobre a importância da democracia, mas então, quando se trata dos temas com os quais estão mais preocupados, aqueles que afetam sua subsistência, a economia, afirmamos a eles: as leis de ferro da economia permitem a vocês pequena ou nenhuma escolha; e já que vocês (através de seu processo político democrático) provavelmente farão uma trapalhada, vocês têm de ceder as decisões econômicas-chaves, digamos aquelas concernentes à política macroeconômica, a um Banco Central independente, quase sempre dominado por representantes da comunidade financeira; e para assegurar que vocês agirão de acordo com os interesses da comunidade financeira, dizemos a vocês que devem se focar exclusivamente na inflação ? não se preocupem jamais com empregos ou crescimento; e para ficarmos seguros de que vocês farão exatamente isto, dizemos a vocês para impor regras ao Banco Central, tais como expandir a oferta de moeda a uma taxa constante, e quando uma regra falha em conseguir o que se esperava, outra regra é recomendada, tal como metas de inflação? . (2) 45. Enfim, após um longo período de experimento, de crise e de estagnação neoliberal, a transformação iniciada pelo governo do Presidente Lula levou à recuperação da autonomia na política econômica, à redução da vulnerabilidade externa, à reconstrução da infra-estrutura, à construção de um mercado interno de massas, o que permite que a economia brasileira hoje se encontre menos dependente da economia internacional e menos sujeita, portanto, a pressões comerciais e financeiras de Grandes Potências, entre elas os Estados Unidos. O fato de que o grau de abertura da economia brasileira era considerado baixo em comparação com outros países e que isto seria um sinal de ?atraso? segundo alguns cosmopolitas, e que, portanto, sua inserção externa seria reduzida e o Brasil seria um país ?autárquico? seriam fatos que, ainda que verdadeiros, não permitem a dedução de ?atraso?. Em realidade, foi esta situação de menor inserção, inclusive na fraudulenta ciranda financeira, que permitiu que nos resguardássemos dos efeitos da crise e se salvasse a economia e a sociedade brasileira de mais uma década perdida. 46. Ao acompanhar a evolução das relações políticas do Brasil com os Estados Unidos, no período examinado por Moniz Bandeira, vemos que, de um lado, elas se entrelaçam e incidem sobre a aspiração de parte significativa da elite dirigente brasileira de promover o desenvolvimento industrial. Esta aspiração se confronta periodicamente com a política americana que decorre de sua convicção de que o desenvolvimento brasileiro teria de ser o resultado natural da ação das forças de mercado. Portanto, não necessitaria, nem deveria, ser estimulado ou conduzido pelo Estado brasileiro, a não ser para este adotar políticas de liberalização do comércio exterior e dos fluxos de ingresso e saída de capitais. Desse modo, as iniciativas do Estado de procurar o desenvolvimento autônomo da economia brasileira foram vistas com preocupação e resistência pelos Estados Unidos, que se recusaram sistematicamente a financiá-las. 47. Assim ocorreu com a recusa dos Estados Unidos de estender ao Brasil, país aliado que enviara tropas em 1944 à Europa e permitira o uso de seu território pelas forças americanas durante a Segunda Guerra Mundial, os esquemas de doação de capital e de empréstimo, a juros subsidiados e condições muito favoráveis, essência do Plano Marshall, concedidos aos antigos inimigos europeus. Tal recusa causaria impacto e consternação no Brasil, mesmo em sua elite política e econômica tradicional, e levaria, inclusive, à apresentação do chamado ?memorandum de frustração?, pelo Chanceler Neves da Fontoura, político conservador, às autoridades americanas, em 1953. 48. O Plano de Metas do Presidente Juscelino Kubitschek foi visto com reservas pelo governo dos Estados Unidos. As empresas americanas não se interessaram em participar, de forma significativa, das políticas de incentivo, i.e. de isenções de impostos, de importação sem cobertura cambial, de doações de terrenos etc., aos investidores estrangeiros (diferentemente das empresas européias, em especial alemãs). No campo político, a Operação Pan-Americana de Juscelino Kubitschek, inspirada pela fracassada viagem do Vice-Presidente Nixon pela América do Sul, em 1958, foi recebida com frieza pelo Presidente Eisenhower. Mais tarde J. F. Kennedy, substituindo a proposta do Brasil e distorcendo seu sentido desenvolvimentista, lançou a Aliança para o Progresso, de caráter assistencialista que, politicamente, permitiu se contrapor às mensagens da Revolução Cubana e recuperar a imagem dos Estados Unidos na região mas que, economicamente, em pouco resultou. 49. No período militar, de 1964 a 1985, os esforços brasileiros para desenvolver conhecimento e capacitação tecnológica em áreas sensíveis, como a nuclear e a informática, foram obstaculizados sistematicamente pelos Estados Unidos, que ameaçaram e implementaram sanções comerciais unilaterais, ilegais, contra o Brasil, como ocorreu no caso da Lei de Informática. 50. Na área nuclear, é possível verificar como se procurou construir, metódica e midiaticamente, o ?perigo? que representava a hipotética existência de uma corrida armamentista entre Brasil e Argentina. Idéia sem qualquer fundamento na realidade, devido ao estágio industrial incipiente dos programas nucleares em cada país, sendo que a mesma insuficiência se aplicava à área espacial. Aliás, o conflito militar entre Brasil e Argentina não teria motivações e causas profundas e, portanto, sua possibilidade prática era, em realidade, próxima de zero. As restrições americanas à transferência de bens e de tecnologia nuclear levaram, paradoxalmente, ao desenvolvimento da tecnologia nuclear pelos engenheiros e cientistas brasileiros e à fabricação gradual desses bens, o que viria a permitir o anúncio oficial do domínio completo tecnológico (mas não industrial) do ciclo nuclear, pelo Presidente Sarney, em 1988. 51. Ocorreram momentos de inflexão política devidos a cíclicas decepções: as elites tradicionais brasileiras entretinham, apesar de todos os reveses sofridos em suas esperanças neocoloniais, expectativas de cooperação com os Estados Unidos para obter tecnologia, para promover o desenvolvimento industrial, para expandir as exportações brasileiras. Faziam gestos e declarações e tomavam atitudes de alinhamento com as iniciativas políticas dos Estados Unidos e se defrontavam, na prática, a cada volta do caminho, com a reação de governos de diferente índole, com a sistemática recusa americana de cooperação, ou com sua relativa indiferença, resultado, aliás e inclusive, de um alinhamento político excessivo e subserviente aos Estados Unidos. Hegemonia e política externa 52. Vivemos o momento em que se desenvolve a estratégia de transformar a inserção ? política, econômica, tecnológica ? no mundo através de uma nova ação do Brasil na América do Sul, na África, no Oriente Próximo e nos organismos internacionais, diante das Grandes Potências e na conquista de autonomia frente ao FMI. Esta estratégia foi conduzida pelo Presidente Lula, implementada pelo Chanceler Celso Amorim, escolhido pela mais importante revista americana de política internacional, a Foreign Policy, e por um dos três mais prestigiosos jornais americanos, o Washington Post, como a sexta mais importante personalidade do mundo, à frente de Hillary Clinton, Angela Merkel e de 92 outras personalidades, e com o auxílio do Assessor para Politica Internacional do Presidente Lula, o Professor Marco Aurélio Garcia. O momento atual é decisivo para o futuro do Brasil. 53. É indispensável para o Brasil manter a estratégia de reduzir a vulnerabilidade econômica externa, o que significa o controle dos fluxos de capital especulativo e o estímulo ao ingresso de capital produtivo; de reduzir a vulnerabilidade militar, o que significa o desenvolvimento de forças armadas modernas, adequadas, equipadas, adestradas e democráticas; de reduzir a vulnerabilidade política, o que significa lutar, com perseverança e serenidade, para obter um assento permanente no Conselho de Segurança, órgão central do sistema político e militar (tecnológico também) internacional, a cujas decisões o Brasil hoje tem de obedecer sem participar do processo de negociação que leva a sua adoção; de eliminar a vulnerabilidade tecnológica, que requer uma política de indução firme de transferência de tecnologia pelo capital estrangeiro, que para aqui vem atraído pelas perspectivas de lucro, e desenvolver no Brasil as tecnologias mais sofisticadas; de resistir aos esforços internos e externos que levam, na prática, a aumentar a vulnerabilidade de política econômica, resistência que significa a recusa de se deixar incluir, formal ou disfarçadamente, em qualquer bloco econômico-político que não o sul-americano, em troca dos ?benefícios? desiguais de abertura assimétrica de mercados, acompanhados da redução de autonomia de instrumentos para promover políticas de desenvolvimento acelerado; de desenvolver nosso potencial humano, nossos recursos naturais e nosso capital, através da formação de um mercado de massas, de capacitação da mão-de-obra, do conhecimento dos recursos naturais, do fortalecimento de estruturas empresariais nacionais. 54. É necessário, prudente e proveitoso manter as melhores relações com as Grandes Potências, devido à sua importância no mundo em geral e para o Brasil em particular porém com fundamento nos princípios da igualdade soberana, da reciprocidade, da não-intervenção e da autodeterminação, sem jamais perder de vista que os interesses nacionais brasileiros, que são os de um país subdesenvolvido, porém de extraordinário potencial, não são idênticos aos interesses nacionais de cada uma das Grandes Potências em geral e, muito menos, daquela que é, de longe, a maior potência mundial, os Estados Unidos da América. 55. Uma política altiva, ativa, soberana, não-intervencionista, não-impositiva, não-hegemônica, que lute pela paz e pela cooperação política, econômica e social, em especial com os países vizinhos e irmãos sul-americanos, a começar pelos países sócios do Brasil no Mercosul, a quem nos une o destino comum, com os países da costa ocidental da África, nossos vizinhos igualmente, e com os países a quem somos semelhantes: mega-populacionais; mega-territoriais; mega-diversos; mega-ambientais; mega-energéticos; mega-subdesenvolvidos; mega-desiguais. Não podemos nos iludir. Nossos verdadeiros aliados são nossos vizinhos ? daqui e de além-mar - com quem nosso destino político e econômico está definitivamente entrelaçado ? e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia. NOTAS (1) ?You have to pat them a little bit and make them think you are fond of them.? Secretary of State John Foster Dulles, 1953. In SCHOULTZ, Lars: Beneath the United States: a History of US Policy Toward Latin America; Harvard University Press, 1998. (2) ?We tell developing countries about the importance of democracy, but then, when it comes to the issues they are most concerned with, those that affect their livelihoods, the economy, they are told: the iron laws of economics give you little or no choice; and since you (through your democratic political process) are likely to mess things up, you must cede key economic decisions, say concerning macroeconomic policy, to an independent central bank, almost always dominated by representatives of the financial community; and to ensure that you act in the interests of the financial community, you are told to focus exclusively on inflation ? never mind jobs or growth; and to make sure that you do just that, you are told to impose on the central bank rules, such as expanding the money supply at a constant rate; and when one rule fails to work as had been hoped, another rule is brought out, such as inflation targeting?. Foreword by J. Stiglitz, in POLANYI, Karl: The Great Transformation; Beacon Press, 2001. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110419/7a0dacd3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 20 19:44:04 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 20 Apr 2011 19:44:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__JOEL_VASCONCELOS_SANTOS______________?= =?iso-8859-1?q?__________________-CXV-?= Message-ID: <0278912AC32345A7B71D5042CF6436BF@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOEL VASCONCELOS SANTOS (1949-1971) Filiação: Elza Joana dos Santos e João Vicente Vasconcelos Santos Data e local de nascimento: 09/08/1949, Nazaré (BA) Organização política ou atividade: PCdoB Local e data do desaparecimento: 15/03/1971, Rio de Janeiro O nome de Joel também integra a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Baiano de Nazaré das Farinhas, no Recôncavo, afro-descendente, trabalhou inicialmente como sapateiro e começou, muito jovem, a desenvolver interesse por questões políticas. Sua mãe, Elza Joana dos Santos, tornou-se, após o desaparecimento do filho, uma incansável ativista do movimento dos familiares de mortos e desaparecidos. Em 1966, a família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde Joel estudou contabilidade na Escola Técnica de Comércio. Foi presidente da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas - AMES/RJ em 1970 e diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES em 1970 e 1971. Quando de sua prisão e desaparecimento, estava vinculado à União da Juventude Patriótica, organizada pelo PCdoB. Joel Vasconcelos e Antônio Carlos de Oliveira da Silva foram presos nas imediações do Morro do Borel, na esquina das ruas São Miguel e Marx Fleuiss, no Rio de Janeiro, em 15/03/1971, por uma ronda policial que desconfiou serem ambos traficantes de drogas. Por mais de três meses Joel e "Makandal", como era conhecido Antônio Carlos, ficaram detidos e incomunicáveis. Aos apelos de Elza Joana, os agentes da PE e os oficiais do Ministério do Exército com os quais conseguiu falar, responderam com evasivas. Primeiro confirmaram a prisão, mais tarde negaram e, pouco depois, informaram que ele já havia sido liberado. Mas os dois continuavam detidos. Elza Joana apelou a Dom Eugênio Salles, Dom Ivo Lorscheiter, aos jornalistas Sebastião Nery e Evaldo Diniz, ao presidente da OAB, ao senador Danton Jobim, ao deputado Chico Pinto e ao professor Cândido Mendes. Após enviar carta ao presidente da República, Garrastazu Médici, recebeu em sua casa uma visita de agentes do DOPS, que a levaram até o gabinete do general Sizeno Sarmento. O comandante do I Exército prometeu esclarecer completamente o episódio, mas nada foi informado. Makandal conta que ele e Joel conversavam numa esquina, quando passou o carro da polícia. Joel assustou-se e comentou que havia documentos políticos nos pacotes que carregava. Os policiais armados cercaram os dois e revistaram os pacotes. Foram algemados e levados ao 6° Batalhão da PM e, em seguida, ao quartel da PM na rua Evaristo da Veiga. De lá, foram encaminhados à Polícia do Exército, onde Joel permaneceu até o seu desaparecimento, sob constantes interrogatórios durante os quatro meses em que Makandal esteve preso. O preso político Luiz Artur Toríbio, em seu depoimento na Auditoria Militar, denunciou que um dos policiais do DOI-CODI/RJ afirmou "que se não confessasse teria o mesmo fim que 'Joel Moreno', que foi morto por policiais do DOI do RJ". Em depoimento transcrito no livro Desaparecidos Políticos, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, depois de descrever os espancamentos sofridos por ambos desde o momento da prisão e nas duas unidades da PM por que passaram antes de serem conduzidos ao Exército, Makandal relata: "Lá, na PE, começou tudo muito tranqüilo ao ponto de a gente imaginar que não iríamos ser torturados. Caiu a noite e começamos tudo novamente. (...) Era pau-de-arara, choque e tudo o mais. Um mês nesse sofrimento e nós já estávamos com queimaduras por todo o corpo em virtude dos choques elétricos. Levaram então o Joel para a 'esticadeira', com uma pedra amarrada nos testículos. Fiquei apavorado e me trancafiaram numa 'geladeira'. Depois me pegaram para assistir às torturas de Joel e me fizeram um montão de perguntas". Registros oficiais comprovando a prisão de Joel somente foram localizados em 1991, após a abertura dos arquivos do DOPS/RJ, onde foi encontrado documento do Serviço de Informações do Estado Maior da PM/2, do então Estado da Guanabara, datado em 17/03/1971, que confirma a prisão de Joel em 15/03/1971, descrevendo, inclusive, o material impresso com ele apreendido e, também, seu primeiro depoimento, quando informou o endereço da própria residência. Documentos do DOI-CODI do I Exército de 15/03/1971 e de 19/03/71 também trazem declarações de Joel. O Relatório apresentado pela Marinha, em 1993, ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, informa que Joel foi "preso em 15/03/1971 e transferido para local ignorado". ================================================================================================= + Informações. Joel Vasconcelos Santos Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Filho de João Vicente Vasconcelos Santos e Elza Joana dos Santos, nasceu em 09 de agosto de 1949, em Nazaré, Estado da Bahia. Desaparecido desde 1973, quando tinha 21 anos. Estudante de contabilidade na Escola Técnica de Comércio do Rio de Janeiro. Foi presidente da Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas (AMES/RJ), em 1970. Foi também diretor da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) em 1970/71. Já em 1970, militava na União daJuventude Patriótica (UJP), do Partido Comunista do Brasil. Joel Vasconcelos e Antônio Carlos de Oliveira da Silva (Makandall) foram presos nas imediações do Morro do Borel (esquina das ruas São Miguel e Marx Fleuiss), no Rio de Janeiro, no dia 15 de março de 1971. Por mais de três meses Joel e "Makandall" ficaram detidos e incomunicáveis, nas dependências dos órgãos de repressão. Aos apelos da mãe de Joel, Elza Joana, os agentes da P.E. e os oficiais do Ministério do Exército com os quais conseguiu falar, responderam com evasivas. Primeiro confirmaram a prisão, mais tarde negaram, e pouco depois informaram que ele já havia sido liberado. Apesar disso os dois continuavam detidos. Elza Joana escreveu cartas às autoridades da Igreja, parlamentares, jornalistas e até mesmo ao então presidente Médici. Após enviar a carta ao Presidente Médici, recebeu em sua casa uma visita de agentes do DOPS que a levaram até o gabinete do General Sizeno Sarmento. O comandante do I Exército prometeu esclarecer completamente o episódio e nada fez de concreto. Makandall, trabalhador na construção civil e morador do Morro do Borel conta que ele e Joel conversavam na esquina quando passou o carro da polícia. Joel assustou-se e comentou que havia documentos comprometedores nos pacotes que carregava. Os policiais cercaram os dois com metralhadoras e revistaram os pacotes. Ali mesmo começaram as torturas. Foram algemados e levados ao 6° Batalhão do PM, mais torturas e, em seguida, encaminhados ao quartel da PM na Rua Evaristo da Veiga e de lá encaminhados à P.E., onde Joel permaneceu até o seu desaparecimento, sendo ininterruptamente torturado durante os 4 meses em que "Makandall" esteve preso. No arquivo do DOPS/RJ, há documento da Polícia Militar do Estado da Guanabara(PMEG), de 17 de março de 1971, do Serviço de Informações do Estado Maior da PM/2, que confirma a prisão de Joel em 15 de março de 1971, descrevendo, inclusive, os materiais apreendidos com ele, em seu 1° depoimento, quando Joel em suas declarações dá o endereço de sua residência. Documento do DOI-CODI/I Exército de 15 de março de 1971, interrogatório N° 63, traz declarações de Joel, sob a página N° 42.1808-3 (número manuscrito). Ainda, um outro documento do DOI- I Exército de 19/03/71, interrogátorio N° 65, traz também declarações de Joel, sob a página N° 42.1808-5 (número manuscrito). Essas informações, confirmam a prisão de Joel em 15/03/71 e que, em 19/03/71, ainda estava vivo, sendo interrogado no DOI-CODI/RJ. O Relatório da Marinha diz que Joel, foi "preso em 15 de março de 1971 e transferido para local ignorado". O preso político Luiz Artur Toríbio, em Auditoria Militar, à época, denunciou que um dos torturadores no DOI-CODI/RJ, afirmava "que se não confessasse teria o mesmo fim que Joel, 'Moreno', que foi morto por policiais do DOI do RJ." ============================================================================================== + detalhes. (clique) http://marciacsilva.wordpress.com/2009/03/12/rio-de-janeiro-aqui-nasceu-a-uniao-juventude-patriotica-ujp/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110420/d076c03f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110420/d076c03f/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 20 19:44:11 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 20 Apr 2011 19:44:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Not=EDcias_dos_amigos_das_monta?= =?windows-1252?q?has?= Message-ID: <6D2055E27AFE4650B7FB0C5B685E7241@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger MARINELLY HERNÁNDEZ OROZCO, PRISIONERA DE GUERRA, SE DECLARA EM RUPTURA ANTE O JUIZ PENAL DO CIRCUITO ESPECIALIZADO DE QUIBDÓ. MARINELLY denuncia que como represália por ter ingressado nas FARC, ... o exército, em conturbemo com os paramilitares, assassinou seu pai. Por Traspasa los Muros. O passado 6 de abril de 2011, MARINELLY HERNÁNDEZ OROZCO, insurgente das FARC -EP e Prisioneira de Guerra do Estado Colombiano, foi conduzida pelo INPEC à audiência pública citada pelo Juiz Penal do Circuito Especializado de Quibdó, dentro do processo No. 2010002000. MARINELLY, de 33 anos de idade, membro de uma família campesina humilde, da vereda Água Bonita do Município de São Rafael do Departamento (estado) de Antioquía, logo de ser apresentada em audiência manifestou ao juiz que se ?declarava em ruptura?, por considerar a inexistência de garantias ao devido processo e, por desconhecer como autoridade o Estado colombiano, procedendo a entregar uma escrita, na qual sustentava sua declaração e, renunciou a qualquer tipo de defesa, manifestando textualmente ?NÃO NECESSITO NENHUMA DEFESA, POIS NÃO COMETI DELITO ALGUM, ME DECLARO EM RUPTURA COM O ESTADO COLOMBIANO E SUAS LEIS ANTI-POPULARES E INJUSTAS, TENHO SIDO UMA LUTADORA DO POVO?. Em sua narração escrita MARINELLY declarou que quando criança viveu em carne própria as continuas agressões e perseguições que o exército colombiano desatou contra seus pais e todos os camponeses de sua região pelo fato de serem militantes do Movimento Político União Patriótica e, na sua adolescência foi testemunha de muitos assassinatos de camponeses amigos, vizinhos e familiares, cujos corpos eram abandonados com sinais de tortura ou eram esquartejados. ?Todo isso foi parte da guerra suja e psicológica feita para atemorizar e assustar os lutadores populares. Por acaso com todas essas coisas que aconteciam no meu dia após dia, pode uma criança ou um jovem acreditar num Estado ou em algum tipo de justiça?? Ela atribuiu esses crimes à Polícia, o Exército e aos paramilitares e, como exemplo mencionou o massacre no Rio Nare onde ?o capitão Martínez com suas tropas assaltaram umas mineradoras nas que trabalhavam camponeses e, um dia antes, lançaram desde o ar boletins solicitando que fossem embora de seus lugares de trabalho. Mas, o dia seguinte chegaram com moto-serras e machados, amarraram os camponeses colocando-os em fileira e a cada um lhe deceparam os braços, as pernas e, de cada um deles recolhiam um só braço, uma só perna para jogar no rio ou nos buracos das mineradoras e, os outros eram deixados ai para os urubus." A guerrilheira revelou que as ações e violações do Estado colombiano contra o Povo indicaram-lhe o caminho que devia seguir, pois caso contrário corria o risco de "terminar massacrada, torturada e por causa dessas torturas ficar reduzida a uma cadeira de rodas, que é a sorte corrida por muitos camponeses, sem ter nada relacionado com o conflito, ou ter que fugir para a cidade deixando para atrás a roça" Para evitar isso, à idade de 14 anos e com todo o visto e ouvido e entendendo que "a vida não é respeitada e que só existe o símbolo da vida" ingressou nas FARC, considerando que era a única alternativa para preservar a vida, lutar por ela e reclamar nossos direitos" Em seu relato MARINELLY denuncia que como represália por ter ingressado nas FARC, o exército em conturbemo com os paramilitares assassinaram seu pai no ano 2.000..."o meu único irmão, também adolescente, teve que fugir, sem poder sequer sepultar o nosso querido pai...Ele se chamava HÉCTOR ALONSO HERNÁNDEZ. o exército junto com os paramilitares penduraram meu pai vivo de suas mãos como se fosse carne de açougue logo esfaquearam seu estômago e tudo sue corpo, depois cortaram seus lábios e, por último recebeu o tiro de graça na cabeça. Segundo medicina legal ou quem realizou o levantamento do cadáver, meu pai foi torturado vivo. Tinha 70 anos de idade. Como é possível que façam isso com um idoso? Acaso por eu ser revolucionária? Esse é o preço a pagar? Então, o que diríamos de todos os senadores julgados por parapolítica? Que todas suas famílias deveriam estar na cadeia ou deveriam ser torturadas e submetidas a vexames contra a humanidade? Cobardes os torturadores e assassinos de camponeses indefensos" Já tinha 16 anos nas FARC, quando MAEINELLY foi presa. Disse que lhe atribuem inúmeros delitos dos quais não é responsável. Apesar de ter sido capturada em condição de rebelde foi submetida a três juízos, condenada em dos deles e processada atualmente pelos delitos de rebelião, terrorismo, homicídio, entre outros, segundo suas próprias palavras "se repetindo a mesma doses que nos anteriores juízos para justificar uma nova condenação que legitime a cadeia perpetua de fato que se acostuma impor às prisioneiras e prisioneiros políticos na Colômbia". Não se surpreende que a mulheres como ela as chamem a juízo por terroristas, enquanto que "o acionar terrorista tem sido a bandeira dos governos durante os dois últimos séculos, mas, que nos últimos anos têm passado da ação encoberta à ação escancarada do exército colombiano que com uma atitude real de terror muda como o camaleão, não de cor mas de tática aproveitando a calada da noite para agir com facões e moto-serras para assassinar camponeses e, depois no dia seguinte de novo aparecem de farda como o 'glorioso exército da Colômbia....Denunciou juízes e procuradores cúmplices que perseguem com as leis a campesinos em massa pelo único delito de viver em regiões de alta influência do conflito armado....Como não chamar de TERRORISTA um Estado que castiga com fome e esquecimento seu povo e que produto disso morre grande quantidade de crianças em todo o país", salienta a prisioneira política. Logo de mencionar os altos níveis de pobreza e de desigualdade existentes na Colômbia e as prioridades dos governos em relação com a guerra mediante práticas de lesa humanidade como as 3.000 execuções extra-judiciais ocorridas durante o período presidencial de Álvaro Uribe Vélez, o despojo da terras dos campesinos e sua acumulação em poucas mãos, como a principal causa do empobrecimento dos trinta milhões dos quarenta e dois milhões oitocentos oitenta e oito mil habitantes que "segundo as cifras oficiais" tem Colômbia, MARINWLLY afirma que "é impossível achar uma solução para os profundos problemas econômicos, políticos e sociais do país se continuarmos sob a tirania de um regime que persista nas políticas que empobrecem mais e mais à maioria da população...o povo colombiano está sendo governado por bandidos que desde as diversas instâncias administrativas praticam crimes de lesa humanidade para se perpetuar no poder." É assim como ela assinala que nos processos políticos contra as revolucionárias e os revolucionários na Colômbia, se aplica uma "justiça de vingança privada com o uso das figuras públicas por parte da classe dominante" que impõe altas condenas que ceifam a liberdade, citando o guerrilheiro JACOBO ARENAS, que segundo a fonte, disse: na Colômbia há dois poderes, um é o poder formal, como quem diz, o poder que se nos apresenta em umas determinadas formas como os chamados poder executivo, o poder legislativo e o poder judicial; esse é o poder formal que nada decide porque nas condições de hoje é, digamos assim, algo decorativo, submetido ao verdadeiro poder real" Por fim, a prisioneira de guerra deixa claro que para ela o aparato da justiça no conflito colombiano é uma arma do governo. Por isso rechaça os supostos benefícios ou pactos que lhe oferecem, afirmando: "assumo todos os processos aos quais estou sendo submetida, incluindo o presente. Não aspiro a receber um trato benévolo, conheço a política de cadeia perpetua fixada para as e os prisioneiros políticos. Façam o que tenham para fazer. Não me interessa porque a história me absolverá e a justiça revolucionária condenará a quem como vocês tem-se colocado contra o povo. Senhor juiz, você não tem autoridade moral para me julgar, nem você, senhor procurador para me acusar. Estão equivocados aqueles que pensam que vou renegar de minha Organização e de meu Partido, pois apesar de ter sido condenada a 40 anos de prisão, me ratifico como ORGULHOSA FARIANA E NA BUSCA DO HOMEM NOVO E A MULHER NOVA! capazes de gerar as transformações que garantam o desenvolvimento de uma vida digna em todos os campos da produção, desenvolvimento que o atual sistema capitalista nunca fará,, pois no meu sentir, seus fins são contrários ao melhor estar do povo, razão pela qual luto contra esse sistema ... Desconheço o Estado capitalista que me julga e me mantém na prisão. Só reconheço para meu juízo os Documentos das FARC, por ser a única instituição que respeito e pela qual chegaria, sem dúvida, ao sacrifício. Da mesma forma, o Estado que respeito, amo e reconheço é o ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP e seu Secretariado, arvorando a espada e o pensamento de nosso Libertador Simón Bolívar , nosso pai espiritual, pela definitiva independência e a construção da Pátria Grande e o Socialismo" Na sua escrita MARINELLY HERNÁNDEZ OROZCO, pediu ao Juiz não requeri-la para futuras audiências nem nomear-lhe advogado para sua defesa, pois como iniciamos este artigo, considera não ter nada de que se defender por não ser responsável de delito algum. Entretanto, desde a Reclusão de Mulheres de Medellín, MARINELLY espera o desenvolvimento do conflito colombiano, "com cabeça e a moral revolucionária em alta" insistindo em citar a seu Camarada Jorge Briceño, onde diz: "Nas FARC não temos alma de traidores, mas de patriotas e revolucionários. Temos lutado e continuaremos nisso com valor, entrega e sacrifício até derrotar esse regime podre das oligarquias e construir outra ordem social?. Esse é o caso mais significativo de ruptura que durante a última década tem-se apresentado, pois representa a milhares de homens e mulheres que em seus anos de maior grau de produtividade são submetidos a cadeia perpetua, ficando para elas e eles como única esperança alcançar sua liberdade mediante a saída política ao conflito ou uma eventual Troca Humanitária de prisioneiros em poder das duas partes em conflito. Abril de 2011 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110420/8a2d28a0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7008 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110420/8a2d28a0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 21 13:57:21 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 21 Apr 2011 13:57:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__FELIX_ESCOBAR_SOBRINHO_______________?= =?iso-8859-1?q?___________________-CXVI-?= Message-ID: <9017D499FAEF433EA9AF2A27565EC12B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem FELIX ESCOBAR SOBRINHO. (1923-1971) Filiação: Emília Gomes Escobar e José Escobar Data e local de nascimento: 22/03/1923, Miracema (RJ) Organização política ou atividade: MR-8 Data e local do desaparecimento: setembro/outubro de 1971, Rio de Janeiro (RJ) Militante do MR-8, o nome de Feliz integra a lista anexa à Lei nº 9.140/95, estando desaparecido desde a prisão, em setembro ou outubro de 1971, provavelmente na Baixada Fluminense. Felix Escobar foi camponês, comerciário, pedreiro, servente de obras, instalador de persianas e também tesoureiro do Sindicato dos Empregados no Comércio em Duque de Caxias e São João de Meriti. Nascido em Miracema (RJ), instalou-se em Pilar, em 1942, na Baixada Fluminense. Casou-se com Raymunda Cardoso Escobar, com quem teve seis filhos. Depois de ficar viúvo em 1965, casou-se com Irani e tiveram dois filhos. Participou da campanha em defesa do petróleo brasileiro nos anos 1950 e atuou na diretoria do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro. Iniciando a militância política no Partido Comunista na década de 50, ele trabalhou muito para criar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Duque de Caxias (RJ), em 1962. Filho de um pequeno proprietário camponês, Felix viveu sempre humildemente. Dizem seus amigos que morava num casebre em péssimas condições. Mas atuava com vigor, em especial na organização dos camponeses nos distritos de Capivari, Xerém e São Lourenço, naquele município, chegando a mobilizar mais de mil camponeses para obter uma difícil vitória na disputa pela terra, conseguindo sustar uma ação de despejo determinada por um juiz local. Com o Golpe de Estado de 1964, permaneceu preso durante 12 dias. Libertado, passou a atuar na clandestinidade. Posteriormente, ligou-se ao MR-8. Não foi possível reunir mais informações acerca de sua militância nesse período. Sabe-se que sua casa foi cercada e invadida, no final de 1970, por dezenas de agentes dos órgãos de segurança, que espancaram um dos filhos de Felix para descobrir a possível localização de armas. Consta que, nesses dias, ele já residia em Feira de Santana e que, em 1971, teria morado na mesma residência de Iara Iaverberg, em Salvador, num arranjo em que se apresentavam como pai e filha em suas identidades clandestinas, conforme relato do jornalista Hugo Studart, em matéria publicada na revista IstoÉ, em fevereiro de 2007. Não há plena certeza a respeito do local e data de sua prisão, que teria ocorrido em setembro ou outubro de 1971. Uma das versões indica que ele teria sido preso em outubro, na casa de um companheiro, João Joaquim Santana, em Nova Iguaçu (RJ). Em outra versão, foi preso em Belfort Roxo. Felix foi visto pelo preso político César Queiroz Benjamim sendo conduzido por agentes do DOI-CODI na Polícia do Exército da Vila Militar, no Rio de Janeiro. No livro Desaparecidos Políticos, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, o preso político Nilson Venâncio relata: "Quando eu estava preso na Bahia, soube, por intermédio de José Carlos Moreira, preso na mesma circunstância, que teria saído no jornal o atropelamento de uma pessoa, de nome Felix Escobar Sobrinho. Um caso típico de tantas outras mortes que ocorriam no interior do DOI-CODI e que depois eram ditas como sendo atropelamento". Em matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 28/01/1979, um general com responsabilidade dentro dos órgãos de repressão política assumiu a morte de Félix e de mais 11 presos desaparecidos. No Relatório apresentado pelo Ministério do Exército ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, em 1993, consta que Felix foi preso por atividades terroristas e que freqüentava a pedreira de Xerém, em Duque de Caxias. =========================================================================================================== + Informações. FÉLIX ESCOBAR SOBRINHO Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Filho de José Escobar Sobrinho e Emília Gomes Escobar, nasceu no dia 23 de março de 1923 em Miracema/RJ. Desaparecido desde 1971, quando contava 47 anos de idade. Servente de pedreiro e ex-militante do PCB. Preso em Nova Iguaçu/RJ, na casa de um companheiro, João Joaquim Santana, em Outubro de 1971. O ex-preso político Cesar Queiroz Benjamim afirma que viu Félix chegar preso à Vila Militar no Rio de Janeiro. Em matéria publicada no jornal "Folha de São Paulo", em 28 de janeiro de 1979, um general, com responsabilidade dentro dos órgãos de repressão política, assumiu a morte de Félix e de mais 11 presos considerados desaparecidos. O Relatório do Ministério do Exército diz que "os dados apenas confirmam que já foi preso por atividades terroristas. ============================================================================================================= -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110421/6a0b4e07/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5337 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110421/6a0b4e07/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 21 13:57:31 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 21 Apr 2011 13:57:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_que_a_M=EDdia_N=C3O_vai_mostrar?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem O que a Mídia NÃO vai mostrar: I - KADDAFI, SEJA O BIZARRO QUE FOR, A ONU CONSTATOU EM 2007: 1 - Maior Indice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África (até hoje é maior que o do Brasil); 2 - Ensino gratuito até a Universidade; 3 - 10% dos alunos universitários estudam na Europa, EUA, tudo pago; 4 - Ao casar, o casal recebe até 50.000 US$ para adquirir seus bens; 5 - Sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus. Equipamentos de última geração, etc...; 6 - Empréstimos pelo banco estatal sem juros; 7 - Inaugurado em 2007, maior sistema de irrigação do mundo, vem tornando o deserto (95% da Líbia), em fazendas produtoras de alimentos.; E assim vai.... ================================================================================================================================ II - PORQUE DETONAR A LÍBIA ENTÃO?.... Três (3) principais motivos: 1 - Tomar seu petróleo de boa qualidade e com volume superior a 45 bilhões de barris em reservas; 2 - Fazer com que todo mar Mediterrâneo fique sob controle da OTAN. Só falta agora a Síria; 3 - E o maior provàvelmente . O Banco Central Líbio não é atrelado ao sistema mundial Financeiro. Suas reservas são toneladas de ouro, dando respaldo ao valor da moeda, o dinar, e desatrelando das flutuações do dólar. O sistema financeiro internacional ficou possesso com Kaddafi, após ele propor, e quase conseguir, que os países africanos formassem uma moeda única desligada do dolar. ================================================================================================================================ III - O QUE É O ATAQUE HUMANITÁRIO PARA LIVRAR O POVO LÍBIO: 1 - A OTAN comandada pelos EUA, já bombardearam as principais cidades Líbias com milhares de bombas e mísseis que são capazes de destruir um quarteirão inteiro. Os prédios e infra estrutura de água, esgoto, gás e luz estão sèriamente danificados; 2 - As bombas usadas contem DU (Uranio depletado) tempo de vida 3 bilhões de ano (causa cancer e deformações genéticas); 3 - Metade das crianças líbias estão traumatizadas psicológicamente por causa das explosões que parecem um terremoto e racham as casas; 4 - Com o bloqueio marítimo e aéreo da OTAN, principalmente as crianças, sofrem com a falta de remédios e alimentos; 5 - A água já não mais é potável em boa parte do país. De novo as crianças são as mais atingidas; 6 - Cerca de 150.000 pessoas por dia, estão deixando o país através das fronteiras com a Tunísia e o Egito. Vão para o deserto ao relento, sem água nem comida; 7 - Se o bombardeio terminasse hoje, cerca de 4 milhões de pessoas estariam precisando de ajuda humanitária para sobreviver: Água e comida. De uma população de 6,5 milhões de pessoas. Em suma: O bombardeio "humanitário", acabou com a nação líbia. Nunca mais haverá a nação Líbia. Foram varridos do mapa. SIMPLES ASSIM. Fonte : www.globalresearch.ca -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110421/b6720da5/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 21 13:57:39 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 21 Apr 2011 13:57:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Crise_sist=EAmica_global?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Crise sistêmica global Outono de 2011: Orçamento/Títulos do Tesouro/Dólar, as três crises americanas que vão provocar a Enorme Ruptura do sistema econômico, financeiro e monetário mundial. por GEAB [*] Em 15 de Setembro de 2010, o GEAB nº 47 intitulava: ?Primavera de 2011:Welcome to the United States of Austerity / Rumo ao enorme pânico do sistema econômico e financeiro mundial?. No entanto, no fim do Verão de 2010, a maior parte dos peritos considerava, por um lado, que o debate sobre o déficit orçamental dos EUA permaneceria um simples objecto de discussões teóricas no seio da Beltway [1] ; por outro, que era impensável imaginar os Estados Unidos a lançarem-se numa política de austeridade uma vez que bastaria ao Fed continuar a imprimir dólares. Ora, como todos podem constatar desde há várias semanas, a Primavera de 2011 trouxe a austeridade aos Estados Unidos [2], a primeira desde a Segunda Guerra Mundial, e o estabelecimento de um sistema global fundado na aptidão do motor americano a gerar sempre mais riqueza (real nos anos 1950-1970, depois cada vez mais virtual a partir desta data). Nesta fase, o LEAP/E2020 está pois em condições de confirmar que a próxima etapa da crise será realmente a "Enorme ruptura do sistema econômico, financeiro e monetário mundial"; e que esta ruptura acontecerá no Outono de 2011 [3]. As consequências monetárias, financeiras, econômicas e geopolíticas desta ?Enorme ruptura? serão de uma amplitude histórica e farão a crise do Outono de 2008 parecer aquilo que ela realmente foi: um simples detonador. A crise no Japão [4], as decisões chinesas e a crise das dívidas na Europa certamente desempenharão um papel nesta ruptura histórica. Em contrapartida, consideramos que a questão das dívidas públicas dos países periféricos daEurolândia não é mais o fator de risco dominante na Europa, mas que é o Reino Unido que se encontra na posição do ?doente da Europa? [5]. A zona Euro pôs em ação e continua a melhorar todos os dispositivos necessários para tratar destes problemas [6]. A gestão dos problemas grego, português, irlandês, etc. será feita, portanto, de maneira organizada. Investidores privados deverão arcar com descontos (como antecipado pelo LEAP/E2020 antes do Verão de 2010)[7], mas isso não pertence à categoria dos riscos sistêmicos, o que desagrada oFinancial Times, o Wall Street Journal e peritos da Wall Street e da City que tentam a cada três meses refazer o ?golpe? da crise da zona Euro do princípio de 2010 [8]. Em contrapartida, o Reino Unido fracassou completamente na sua tentativa de ?amputação orçamentária preventiva? [9]. Com efeito, sob a pressão da rua e nomeadamente dos mais de 400 mil britânicos que enchiam as ruas de Londres em 26/02/2011 [10], David Cameron viu-se obrigado a rever em baixa seu objetivo de redução das despesas de saúde (um ponto chave das suas reformas)[11]. Paralelamente, a aventura militar líbia obriga igualmente a rever seus objetivos de cortes orçamentais no Ministério da Defesa. Já havíamos indicados no último GEAB que as necessidades de financiamento público britânico continuavam a aumentar, sinal da ineficácia das medidas anunciadas cuja execução na realidade revela-se muito decepcionante [12]. O único resultado da política do tandem Cameron/Clegg [13]é por enquanto a recaída da economia britânica na recessão [14]e o risco evidente de implosão da coligação no poder na sequência do próximo referendo sobre a reforma eleitoral. Neste GEAB nº 54, nossa equipe dedica-se pois a descrever os três fatores-chave que determinam esta Enorme Ruptura global do Outono de 2011 e suas consequências. Paralelamente, nossos investigadores começaram a antecipar a evolução da operação militar franco-anglo-americana na Líbia que consideramos ser um poderoso acelerador do deslocamento geopolítico mundial e esclarece utilmente certas mudanças tectônicas agora em curso nas relações entre grandes potências mundiais. Além disso, no Índice GEAB $, desenvolvemos as nossas recomendações para enfrentar os perigosos trimestres que estão para vir. Fundamentalmente, o processo que se desenrola sob os nossos olhos, e de que a entrada dos Estados Unidos numa era de austeridade [15]é uma simples expressão orçamental, não é senão a sequência do apuramento dos 30 milhões de milhões de ativos fantasmas que invadiram o sistema econômico e financeiro mundial no fim de 2007 [16]. Se cerca da metade deles havia desaparecido durante 2009, eles em parte ressuscitaram desde então pela vontade dos grandes bancos centrais mundial e em particular pela Reserva Federal dos EUA e suas ?Facilidades quantitativas 1 e 2? (?Quantitative Easings 1 e 2?). Ora, nossa equipe estima que são 20 milhões de milhões destes ativos-fantasmas que se vão desvanecer em fumo a partir do Outono de 2011, e de um modo muito brutal sob o efeito conjugado das três mega-crises estado-unidenses em gestação acelerada: - a crise orçamental, ou como os Estados Unidos mergulham de bom grado ou à força nesta austeridade sem precedentes e vão com isso arrastar panos inteiros da economia e das finanças mundiais - a crise dos Títulos do Tesouro dos EUA, ou como a Reserva Federal atinge o "fim do caminho" encetado em 1913 e terá de enfrentar a sua falência qualquer que seja a camuflagem contabilística escolhida - a crise do dólar americano, ou como os sobressaltos da divisa dos EUA que vão caracterizar a travagem da Quantitative Easiang 2 no segundo trimestre de 2011 serão as premissas de uma desvalorização maciça (da ordem dos 30% em algumas semanas). Bancos centrais, sistema bancário mundial, fundos de pensão, multinacionais, matérias-primas, população americana, economias da zona dólar e/ou dependentes das suas trocas com os Estados Unidos [17]... Este é o conjunto dos operadores estruturalmente dependentes da economia dos EUA (de que o governo, o FED e orçamento federal tornaram-se os componentes centrais), dos ativos denominados em dólar ou das transações comerciais em dólares que vão sofrer o choque frontal de 20 milhões de milhões de ativos-fantasmas a pura e simplesmente desaparecerem dos seus balanços, das suas aplicações e provocando uma grande baixa nos seus rendimentos reais. Em torno deste choque histórico do Outono de 2011, que marcará a afirmação definitiva das tendências fortes antecipadas por nossa equipe nos GEAB anteriores, as grandes categorias de ativos vão experimentar grandes turbulências exigindo uma vigilância acrescida de todos os operadores preocupados com os seus investimentos e aplicações. Com efeito, esta tripla crise estadunidense marcará a verdadeira saída do ?mundo após 1945? que viu os Estados Unidos desempenharem o papel de Atlas e será portanto marcada por choques e réplicas múltiplas no decorrer dos trimestres que se seguirão. Exemplo: o dólar pode experimentar a curto prazo efeitos que reforçam o seu valor em relação às principais divisas mundiais (nomeadamente se as taxas de juros dos EUA elevarem-se muito rapidamente após o fim da Quantitative Easing 2), mesmo que, ao cabo de seis meses, sua perda de valor de 30% (em relação ao seu valor atual) seja inelutável. Não podemos, portanto, senão repetir o conselho figura à cabeça das nossas recomendações desde o princípio dos nossos trabalhos sobre a crise: no quadro de uma crise global de amplitude histórica como esta que atravessamos, o único objetivo racional para os investidores e os poupadores não é ganhar mais, mas sim tentar perder o menos possível. Isso vai ser particularmente verdadeiro para os próximos trimestres em que o ambiente especulativo vai-se tornar altamente imprevisível no curto prazo. Esta imprevisibilidade a curto prazo tem a ver nomeadamente com o fato de que as três crises americanas que desencadearão a Enorme Ruptura mundial do Outono não estão sincronizadas. Elas estão estreitamente correlacionadas, mas não de maneira linear. E uma dentre elas, a crise orçamentária, está diretamente dependente de fatores humanos muito influentes no calendário do seu desenrolar; ao passo que as duas outras (seja o que for que pensem aqueles que vêem nos responsáveis do FED deuses ou diabos [18]) doravante no essencial estão inscritas nas tendências fortes em que a ação dos dirigentes americanos tornou-se marginal [19]. A crise orçamentária, ou como os Estados Unidos mergulham de bom grado ou à força nesta austeridade sem precedente e vão arrastar vastos setores da economia e das finanças mundiais. Os números podem dar vertigens: ?6 milhões de milhões de cortes orçamentais em dez anos? [20], diz o republicano Ryan, ?4 milhões de milhões em doze anos?, replica o já candidato para 2012 Barack Obama [21], ?tudo isso está longe de ser suficiente? agrava uma das referências do Tea Parties, Ron Paul [22]. E de qualquer modo, sanciona o FMI, ?os Estados Unidos não são críveis quando falam em reduzir seus défices? [23]. Esta observação inabitualmente brutal do FMI, tradicionalmente muito prudente nas suas críticas aos Estados Unidos, é particularmente justificada em relação ao psicodrama que, por causa de um punhado de dezenas de milhares de milhões de dólares, quase fechou o estado federal por falta de acordo entre os dois grandes partidos. Um cenário que vai igualmente reproduzir-se proximamente a propósito do tecto de endividamento federal. O FMI não faz senão exprimir uma opinião amplamente partilhada pelos credores dos Estados Unidos: se por causa de algumas dezenas de milhares de milhões de dólares de redução dos déficits o sistema político americano atinge um tal grau de paralisia, o que se vai passar quando nos próximos meses vão-se impor reduções de várias centenas de milhares de milhões de dólares por ano? A guerra civil? Esta é a opinião em todo caso do novo governador da Califórnia, Jerry Brown [24], o qual considera que os Estados Unidos enfrentam uma crise de regime idêntica àquela que conduziu à Guerra de Secessão [25]. O contexto, portanto, já não é de simples paralisia, mas antes, de uma confrontação geral entre duas visões do futuro do país. Quanto mais a data das próximas eleições presidenciais (Novembro de 2012) se aproximar, mais a confrontação entre os dois campos irá intensificar-se e desenrolar-se com desprezo para com todas as regras de boa conduta, incluindo a salvaguarda do interesse geral do país: ?Os deuses tornam loucos aqueles que eles querem perder? diz Ulisses na Odisseia. A cena política washingtoniana vai assemelhar-se cada vez mais a um hospital psiquiátrico [26] nos próximos meses, tornando cada vez mais provável, tornando cada vez mais provável ?decisões aberrantes?. Se, para se tranquilizarem acerca do dólar dos Títulos do Tesouro, os peritos ocidentais repetem em uníssono que os chineses seriam loucos em se desembaraçarem destes ativos o que não faria senão precipitar a queda de valor, é porque ainda não compreenderam que é de Washington e dos seus comportamentos erráticos que pode vir a decisão que precipitará esta queda. E Outubro de 2012, com a sua votação tradicional do orçamento anual, vai proporcionar o momento ideal para esta tragédia grega que, segundo nossa equipe, não terá happy end pois não é Hollywood e sim o resto do mundo que vai escrever o cenário seguinte. Seja qual for o caso, por decisão política deliberada, por encerramento do governo federal ou por pressões externa irresistíveis [27] (taxa de juros, FMI + Eurolândia + BRIC [28]), é certamente no Outono de 2011 que o orçamento federal dos EUA se vai contrair maciçamente pela primeira vez. O prosseguimento da recessão conjugado com o fim da Quantitative Easing 2 vai fazer subir as taxas de juros e portanto aumentar consideravelmente o serviço da dívida federal, num fundo de receitas fiscais em baixa [29] por causa da recaída numa recessão forte. A insolvência federal doravante está logo ali na esquina segundo Richard Fisher, o presidente da Reserva Federal de Dallas [30]. A sequência no GEAB (para assinantes): - a crise dos Títulos do Tesouro dos EUA, ou como a Reserva Federal atingiu o ?fim do caminho? encetado em 1913 e deve enfrentar a sua falência seja qual for a camuflagem contabilística escolhida - a crise do dólar americano, ou como os sobressaltos da divisa estadunidenses que caracterizarão a travagem da Quantitative Easing 2 no segundo trimestre de 2011 serão as premissas de uma desvalorização maciça (da ordem dos 30% em algumas semanas). Notas: (1) Expressão americana que designa o núcleo político-administrativo de Washington, situado no interior da rodovia circular local, a Beltway. (2) Desde machadadas nos orçamentos da acção internacional dos Estados Unidos até às reduções dos programas sociais, das organizações públicas e de categorias inteiras da população americana (latinos, pobres, estudantes, reformados, ...) vão ser a partir de agora duramente afetados pelo que ainda não é senão uma gota de água nos ajustamentos necessários. Os protestos populares começam com os estudantes à cabeça. Fontes: House of Representatives , 13/04/2011; Devex , 11/04/2011; HuffingtonPost , 13/04/2011; Foxnews, 14/04/2011; Foxbusiness , 12/04/2011 (3) O sistema bancário mundial (Europa inclusive), sempre subcapitalizado e amplamente insolvente, é igualmente um dos elementos desta Enorme Ruptura do Outono de 2011. (4) No GEAB nº 55, nossa equipe apresentará suas antecipações sobre a questão do nuclear no mundo, incluindo a utilização do método de antecipação política como ferramenta de tomada de decisão neste assunto. (5) A amplitude da crise orçamental no Reino Unido é infinitamente mais grave do que contam os atuais dirigentes britânicos que contudo se jactam de ter um discurso da verdade. Há de fato dois meios de mentir a um povo: negar a existência de um problema (a posição do Labour de Gordon Brown) ou então não confessar senão uma parte da verdade (visivelmente a escolha do tandem Cameron/Clegg). Em ambos os casos, o problema não é resolvido. Fonte: Telegraph , 26/03/2011 (6) E, a partir de agora e do estabelecimento definitivo da Eurolândia como principal motor europeu aquando da cimeira de 11 de Março último, os quatro países que não participam no pacto "Eurolândia+" de estabilização financeira, ou seja, o Reino Unido, a Suécia, a Hungria e a República Checa, serão convidados a deixar a sala das cimeiras nas discussões sobre as questões financeiras e orçamentais ligadas ao pacto. O EUObserver de 29/03/2011 descreve o pânico que se apoderou das delegações destes quatro países cujos dirigentes desempenham o papel de brutamontes diante dos media e nos discursos destinados às suas respectivas opiniões públicas, mas que sabem muito bem que doravante estão encurralados num papel europeu de segunda classe. (7) Font: Irish Times , 22/03/2011 (8) É preciso ler a respeito o artigo muito pertinente e muito divertido de Silvi Wadhwa, correspondente na Europa da CNBC, que ridiculariza o caricatural discurso anti-Eurolândia e anti-alemão dos seus colegas dos outros media anglo-saxões; e que recorda muito justamente que as diferenças de situações econômicas são ainda mais importantes entre estados americanos do que no interior da Eurolândia e que os problemas de endividamento da Grécia ou de Portugal nada são quando comparados àqueles de um estado como a Califórnia. Fonte: CNBC , 12/04/2011 (9) Retornaremos mais especificamente ao caso britânico no GEAB nº 55, exatamente um ano após a vitória da coligação Conservadores/Liberais Democratas. (10) Este protesto contra os cortes orçamentais constituiu a mais importante manifestação em Londres desde há mais de vinte anos e foi acompanhada de graves violências ?anti-ricos? via ataques, por exemplo, contra o HSBC, o hotel Ritz ou a loja Fortnum & Mason. Como sublinhamos por diversas vezes no GEAB, é muitíssimo significativo constatar que esta manifestação histórica do Reino Unido praticamente não tenha se transformado em manchetes nos media, onde se tornou invisível 48 horas após o seu acontecimento. Quando milhares de cidadãos gregos ou portugueses se manifestam em Atenas ou em Lisboa, em contrapartida, temos direito a uma avalanche de imagens-choque e de comentários descrevendo países à beira do caos. Este "dois pesos e duas medidas" não devem enganar o observador lúcido. Por um lado, há graves dificuldades que doravante são geridas no seio de um conjunto poderoso, a Eurolândia; do outro, há grandes dificuldades que não conseguem mais ser geridas por um país completamente isolado. Acredite nos media ou então reflita por si mesmo para adivinhar a sequência! Fonte: Guardian , 26/03/2011 (11) Fonte: Independent , 03/04/2011 (12) Além disso, os mercados financeiros percebem e realmente já não acreditam na mensagem de austeridade marcial do governo britânico, arrastando de novo a libra esterlina numa espiral descendente. Fonte: CNBC , 12/04/2011 (13) Nick Clegg tornou-se o político mais odiado do Reino Unido por ter traído um a um quase todos os seus compromissos eleitorais. Fonte: Independent , 10/04/2011 (14) E empurrar as famílias britânicas para uma perda de poder de compra semelhante unicamente àquelas da crise do pós primeira guerra mundial, em 1921. Fonte: Telegraph ,11/04/2011 (15) Como fizeram os europeus desde 2010. (16) Estimativa média feita pelo LEAP/E2020 em 2007/2008. (17) Para além do comércio exterior tradicional, o gráfico abaixo mostra a amplitude da redução das transferências para os seus países de origem por parte dos trabalhadores emigrados nos Estados Unidos, devido à baixa do US dólar. Esta redução ainda vai ampliar-se mais a partir de Outono de 2011. (18) Nos Estados Unidos, hoje é a visão diabólica que está amplamente imposta na opinião pública, ao contrário de 2008 em que os responsáveis do Fed pareciam ser o último recurso. Esta mudança psicológica, como sublinhamos, não é um pormenor e contribui fortemente para limitar a margem de manobra dos dirigentes do FED. E não é a derrota judicial histórica do Banco Central dos EUA, que foi obrigado a revelar os destinatários das centenas de milhares de milhões de dólares de ajuda distribuídos após a crise da Wall Street de 2008, que vai obrigar melhorar esta situação, muito pelo contrário. Uma anedota simples, revelada pela revista Rollingstone, ilustra o agravamento das queixas do povo americano contra os seus banqueiros centrais: a título de beneficiários destas ajudas do Fed, encontram-se as mulheres de duas grandes figuras da Wall Street que criaram um instrumento sob medida permitindo-lhes receber US$200 milhões do FED para recompra de créditos apodrecidos... Com os benefícios revertendo-lhe e as perdas indo para o FED! Isto é infelizmente um exemplo dentre muitos outros que circulam atualmente na Internet e que romperam, já definitivamente, o respeito do povo americano para com a sua instituição monetária de referência. Uma situação explosiva no contexto da crise atual. Fonte:Rollingstone , 12/04/2011 (19) O destino do dólar, tal como o dos Títulos do Tesouro dos EUA, doravante no essencial está nas mãos dos operadores do resto do mundo que examinarão de maneira muito "clínica" a saída do Quantitative Easing 2 que se impõe ao Fed no decorrer do segundo trimestre de 2011. É a sua opinião colectiva (já muito crítica), e não a "comunicação" do Fed, que será decisiva. (20) Fonte: Politico , 04/04/2011 (21) Fonte: Boston Herald, 13/04/2011 (22) Fonte: Huffington Post , 11/04/2011 (23) E tanto mais que eles continuam a bater recordes de necessidades de financiamento para os seus déficits, e que o déficit previsto durante uma década pelos compromissos de Obama monta a US$9500 mil milhões. Por um lado, ele concebe políticas que aumentam o déficit, por outro anuncia objetivos de redução. Realmente pouco crível. Fontes: CNBC , 13/04/2011; Washington Post , 18/03/2011 (24) Brown é uma personalidade americana original que tem uma longa experiência política uma vez que já foi governador da Califórnia de 1975 a 1983, e duas vezes candidato à investidura democrática para o posto de presidente dos Estados Unidos. A sua opinião sobre o estado de ruína do sistema político dos Estados Unidos não é, portanto, para tomar de ânimo leve. Fonte: CBS , 10/04/2010 (25) Àqueles que consideram a imagem ousada, nossa equipe recorda que uma das principais causas da Guerra de Secessão foi a visão irreconciliável do que devia ser o estado federal e o seu papel. Hoje, em torno das questões orçamentárias, do papel do FED, das despesas militares e das despesas sociais, vê-se novamente emergirem duas visões diametralmente opostas do que deve ser e fazer o estado federal, com o seu cortejo de bloqueios institucionais crescentes e um ambiente de ódio entre forças políticas. Já demos numerosas ilustrações nos GEAB anteriores. Fonte: Americanhistory (26) Como qualificar de outra forma pessoas que, à custa de crises repetidas, conseguiram sacar algumas dezenas de milhares de milhões de um orçamento e que se põem agora a anunciar urbi et orbi que amanhã vão sacar mais milhões de milhões de dólares destes mesmos orçamentos? Loucos ou mentirosos? De qualquer forma inconscientes, pois acumulam-se constrangimentos que em todos os casos exigem reduções de déficits. (27) As dívidas públicas mundiais estão no ponto máximo desde 1945 e, com 10,8% do PNB, os Estados Unidos tornaram-se o primeiro grande país em termos de déficit público. Fontes: Figaro , 12/04/2011; Bloomberg , 12/04/2011 (28) A propósito dos BRIC (doravante BRICS, com a África do Sul), é muito interessante notar que a sua terceira cimeira, reunida na ilha tropical chinesa de Hainan, beneficia finalmente de uma cobertura mediática significativa da parte dos media ocidentais. Nós fizemos parte dos primeiros e das raras publicações ocidentais a mencionar a primeira cimeira (em Ekaterinenbourg) e a sublinhar a importância do acontecimento há três anos, mas, até o presente, a grande imprensa internacional persistia em considerar os BRICS como um simples acrônimo sem dimensão geopolítica séria. As coisas mudaram visivelmente. Além disso, desde a Líbia até o dólar, a cimeira de Hainan posicionou-se claramente em contrapeso aos Estados Unidos e seus procuradores (cada vez menos numerosos em relação ao que se passa na Líbia). Quanto ao dólar, os BRICS decidiram acelerar o processo que lhes permitirá utilizarem as suas próprias divisas no seu comércio: outro sinal de que nos aproximamos muito rapidamente de um violento choque monetário. Fonte: CNBC , 14/04/2011 (29) Aqueles que ainda acreditam uma melhoria da situação econômica americana, para além do efeito ?dopagem? da Quantitative Easing 2, deveriam dar atenção à moral das PME nos Estados Unidos que recomeça a degradar-se fortemente e à ficção da melhoria no emprego que será brutalmente corrigida (mesmo nas estatísticas oficiais) a partir do Verão de 2011. E remetemos aos GEAB anteriores quanto à crise fiscal dos estados federados. Fontes: MarketWatch , 12/04/2012; New York Post , 12/04/2011 (30) Fonte: CNBC, 22/03/2011 Abril/2011 [*] Global Europe Anticipation Bulletin - GEAB Comuniqué nº 54 de15 de abril de 2011 Este comunicado traduzido foi retirado de Resistir . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110421/4628daa3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 22 09:09:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 22 Apr 2011 09:09:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Homenagem_ao_centen=E1rio_de_nas?= =?iso-8859-1?q?cimento_de_Nelson_Werneck_Sodr=E9_=2E?= Message-ID: <8F2D47CE631F448FA69EAFFD8BC9EC12@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem -------------------------------------------------------------------------------- FUNDADOR E PATRONO: BARBOSA LIMA SOBRINHO Presidente de Honra : Maria Augusta Tibiriça Miranda MODECON CONVIDA Centenário de nascimento de Nelson Werneck Sodré . PALESTRANTE (S) Professor Lincoln de Abreu Penna. Historiador e Presidente do MODECON. TEMA Homenagem ao centenário de nascimento de Nelson Werneck Sodré . DATA 25/04/2011 - segunda-feira HORA 17h30min. LOCAL 7º andar do prédio da ABI - Rua Araújo Porto Alegre, 71 Centro, Rio de Janeiro. Solicitamos e agradecemos PONTUALIDADE aos participantes. COMPAREÇA - PARTICIPE Rua Araújo Porto Alegre, 71 - 10º andar - Centro - Rio de Janeiro - CEP 20030-010 Email.: modecon at globo.com - Telefax : (021) 2262-5734 Reuniões: segundas-feiras, às 17h 30min. - 7º andar -------------------------------------------------------------------------------- Prezados Amigos O MODECON (Movimento em Defesa da Economia Nacional) realizará, dia 25 de abril à partir das 17h30min, na Sala Belisário de Souza, 7º andar do prédio da ABI, uma homenagem ao centenário de nascimento do historiador Nelson Werneck Sodré. Está programada uma palestra sobre a obra do escritor, intelectual, militar legalista e nacionalista, crítico literário e grande historiador que faria 100 anos este mês. Até lá Lincoln de Abreu Penna Presidente do MODECON -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110422/d582bcb1/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6015 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110422/d582bcb1/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 22 09:09:40 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 22 Apr 2011 09:09:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Feliz_P=E1scoa!?= Message-ID: <3785DED8DF5D4739BEA24C9E84906AB8@vcaixe> Caras(os) Companheiras(os) e amigas(as) desta data até 3º Feira estaremos em viagem. Portanto a Carta O Berro não circulará nesse período. Desejamos à todos uma feliz Páscoa. Vanderley Caixe -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110422/f97c723f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 26 19:50:26 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 26 Apr 2011 19:50:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de_JO=C3O_ALFREDO_DIAS__e__PEDRO_IN=C1CIO?= =?iso-8859-1?q?_DE_ARA=DAJO_______________________-CXVII-?= Message-ID: <0BDDDBCF4B4F440E8B50482885BD0D6A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem JOÃO ALFREDO DIAS (1932-1964) Filiação: Amélia Gonçalo Dias e Alfredo Ulisses Gonçalo Data e local de nascimento: 23/06/1932, Sapé (PB) Organização política ou atividade: sindicalista rural/PCB Data e local do desaparecimento: setembro de 1964, João Pessoa (PB) PEDRO INÁCIO DE ARAÚJO (1909-1964) Filiação: Ana Maria da Conceição e Pedro Antônio Félix Data e local de nascimento: 08/06/1909, Itabaiana (PB) Organização política ou atividade: sindicalista rural/PCB Data e local do desaparecimento: setembro de 1964, João Pessoa (PB) Conforme denúncia de Márcio Moreira Alves no livro Torturas e Torturados Pedro Inácio e João Alfredo desapareceram juntos, em setembro de 1964, no 15° Regimento de Infantaria do Exército, em João Pessoa (PB), onde foram torturados. Tempos depois, dois corpos carbonizados apareceram na estrada que liga João Pessoa a Caruaru. De acordo com testemunhas, seriam os corpos de João Alfredo e Pedro Inácio de Araújo. A história da vida de João Alfredo, assim como de João Pedro Teixeira e outros camponeses, aparece no filme Cabra marcado para morrer, dirigido por Eduardo Coutinho. João Alfredo era sapateiro e camponês, militante do PCB. Foi o organizador das Ligas Camponesas de Sapé. Antes de 1964, esteve preso em várias ocasiões devido a seu trabalho político com os camponeses. Nas eleições municipais de 1963, foi eleito vereador em Sapé, com mais de três mil votos, tendo sido na ocasião um dos mais votados. Logo após o golpe que depôs o presidente Goulart, João Alfredo foi preso, torturado e ficou detido até setembro de 1964, quando desapareceu. Também filiado ao PCB, Pedro Inácio de Araújo, conhecido por Pedro Fazendeiro, era trabalhador rural e militou em defesa dos direitos dos trabalhadores rurais, com João Pedro Teixeira, líder camponês assassinado em 1962. Antes de 1964, sofreu ameaças de morte por parte dos latifundiários da região, tendo, em 1962, levado um tiro na perna. Foi vice- presidente da Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba, e membro da Federação das Ligas Camponesas. Morava em Miriri. No dia 08/05/1964, foi preso pelos órgãos de repressão e levado para o 15° Regimento de Infantaria do Exército, em João Pessoa, onde foi torturado. Respondia a inquérito presidido pelo coronel famoso Hélio Ibiapina Lima. Os nomes de João Alfredo e Pedro Inácio estavam incluídos entre os 136 da lista anexa à Lei nº 9.140/95, sendo portanto automaticamente reconhecidos, sem necessidade de escolha de relator ou realização de diligências pela CEMDP. ==================================================================================================================== + Informações. JOÃO ALFREDO DIAS Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nasceu no dia 23 de junho de 1932, em Sapé Paraiba , filho de Alfredo Ulisses Gonçalo e Amélia Gonçalo Dias. Sapateiro e camponês, organizador das Ligas Camponesas de Sapé, foi morto após o golpe militar de 1964. Várias vezes esteve preso, antes de 64, por seu trabalho de organização dos camponeses. A história de João Pedro, Elizabeth Teixeira, Alfredo e outros camponeses é contada no filme "Cabra marcado para morrer", dirigido por Eduardo Coutinho. Logo após o golpe, João Alfredo foi preso no 15° Regimento de Infantaria do Exército, em João Pessoa. Foi torturado e ficou detido até setembro de 1964. Foi liberado e preso novamente pelo Exército. Tempos depois, dois corpos carbonizados apareceram na estrada que vai para Caruaru e, de acordo com testemunhas, tratar-se-ia de João Alfredo e Pedro Inácio de Araújo (desaparecido). ================================================================================ + Informações. PEDRO INÁCIO DE ARAÚJO Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB) Foi Vice-Presidente da Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba e membro da Federação das Ligas Camponesas. Também conhecido como Pedro Fazendeiro. Morava em Miriri. Era trabalhador rural e militou com João Pedro Teixeira, líder camponês assassinado em 1962. Antes de 1964, sofreu ameaças de morte por parte dos latifundiários da região, tendo, em 1962, levado um tiro na perna, numa "tocaia". No dia 8 de maio de 1964 foi preso pelos órgãos de repressão e levado para o 15° Regimento de Infantaria, do Exército, em João Pessoa, onde foi torturado, junto com João Alfredo. Desde setembro do mesmo ano estão desaparecidos, conforme denúncia de Márcio Moreira Alves em seu livro "Torturas e Torturados". Respondia a Inquérito sob a responsabilidade do General Ibiapina Lima. Tempos depois, dois corpos carbonizados apareceram na estrada que vai para Caruaru e muitos afirmam tratar-se de Pedro Inácio e João Alfredo Dias. ============================================================================================= + Detalhes. Vídeo. http://nuap.ppgasmuseu.etc.br/MCCP/index.php?P=Videos&V=6 ===================================================================================================== + detalhes. João Alfredo Dias, o Nego Fuba Líder das Ligas Camponesas em Sapé (PB), João Alfredo Dias, sapateiro e trabalhador rural, conhecido como "Nego Fuba", foi uma das vítimas da repressão promovida pelo regime militar naquele estado. Preso e torturado pelos órgãos de segurança, João Alfredo, que era militante do PCB, desapareceu em setembro de 1964, quando foi solto do 15º Regimento de Infantaria do Exército, em João Pessoa, e estava respondendo inquérito sob a responsabilidade do major José Benedito Cordeiro. O nome de João Alfredo consta da lista dos 136 desaparecidos anexa à Lei 9.140/95, que reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro pelas mortes de opositores políticos no enfrentamento do regime militar. Antes de 1964, João Alfredo já havia sido encarcerado diversas vezes em função de suas atividades políticas. Nas eleições municipais de 1963, já um membro atuante nas Ligas, ele tinha sido eleito vereador em Sapé com mais de 3 mil votos. A irmã do líder camponês, Marina Dias, recorda-se que em meados de 1961, logo após o casamento dela, ele fez uma viagem de seis meses para Cuba e China para aprimorar sua formação política. Filho de um dos membros das Ligas em Sapé, Expedito Maurício da Costa, em relato para o livro Memórias do povo: João Pedro Teixeira e as Ligas Camponesas na Paraíba22, ele mencionava que João Alfredo não era letrado, mas falava como se fosse "um homem formado". Nos comícios, "ele falava em prol da reforma agrária, da defesa dos camponeses e abolição do chamado cambão nas fazendas", recordavase. João Alfredo era um orador entusiasmado e eloqüente. Marina Dias lembrava-se que, quando jovens, o irmão recebia muitos livros e, sem energia elétrica em casa, lia com a luz de querosene. Ela, analfabeta, não sabia como ele havia aprendido a ler. Em depoimento no seminário Memória Camponesa, realizado em João Pessoa (PB), em 2006, Marina contava que antes de seu irmão morrer, por três vezes, soldados invadiram sua casa, procurando por armas. Nunca encontraram nada. "Acordava de manhã cedo com eles na minha casa, a gente dormindo e eles lá na porta. E se nós não abríssemos a porta, eles invadiam, quebravam a porta e entravam". Ela relatou que no dia do golpe militar, em 31 de março de 1964, um médico da localidade que era amigo do irmão levou-o para uma fazenda, pois sabia que ele estava correndo riscos. Como João Pedro Teixeira havia sido assassinado dois anos antes, a ameaça pairava no ar - fosse pela ação de latifundiários, fosse pela ação da polícia, e agora, do Exército. João Alfredo foi descoberto pelos militares na fazenda onde estava escondido. Levado à prisão, foi espancado. Em um exercício de sadismo, os policias fizeram a irmã acreditar que ele já estava morto. Detalhes dolorosos que Marina nunca conseguiu esquecer: "Podem me cortar em 50 pedaços, mas serão 50 pedaços de um comunista" Acervo pessoal Marina Dias, Memória Camponesa, NuAP/UFRJ Bateram muito nele, depois, passaram na minha porta tocando uma música, cantando e falando. Eles inventaram: "O Nego Fuba está morto, cortado em não sei quantos pedaços, está dentro de um saco". Olha, isso foi uma dor muito grande que eu senti, lá dentro, quando eu senti aquelas palavras. Foi uma dor que eu não esqueço nunca. Depois meu irmão ficou preso três meses, incomunicável. Eu ia visitá-lo toda semana, mas não conseguia falar com ele. Depois de quase três meses foi que eu consegui falar com ele e com pouco tempo ele saiu, foi para casa. Com 15 dias, foi preso de novo e eu fui visitar ele, ainda o vi. Dessa última vez que ele foi preso, ele não vinha para a sala falar comigo. Nós falávamos por uma grade. E a última vez que eu o vi, ele falou assim: "Minha irmã, chega de sofrer, chega de fazer você sofrer. Eu não posso mais ver você sofrendo, eu vou embora, eu vou embora daqui". João Alfredo fazia esses planos para quando saísse da prisão. No último encontro, Marina deu ao irmão algum dinheiro para o momento em que fosse libertado. A família também vivia sérias dificuldades financeiras. A cada vez que ia a João Pessoa visitá-lo, Marina juntava todas as economias para a viagem. Recorda-se que, numa das vezes em que conseguiu abraçá-lo na prisão, percebeu que estava inchado. Tinha uma costela quebrada devido aos espancamentos e torturas que sofrera. No período de 15 dias em que ficou fora da prisão, João Alfredo recebia conselhos do pai e do irmão para que fosse embora da cidade porque corria o risco de ser morto. "Ele dizia que não, que o lugar dele era aquele ali e se ele morresse, que morria um homem e morria sendo um comunista. Cortava ele em quatro, dez, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta pedaços e eram cinqüenta pedaços de comunista", relatou Marina Dias à Irmã Antônia Ham, em entrevista reproduzida no livro Memórias do povo. Depois que ele voltou a ser preso, Marina o visitou outras vezes no quartel. "Lembro como se fosse hoje. Tinha um corredor comprido e eu entrava naquele corredor e ele vinha de lá de dentro e eu ficava na porta, uma porta larga. Ele ficava do lado de dentro e eu do lado de fora". No dia 7 de setembro de 1964, seu marido ouviu a notícia de que João Alfredo havia sido libertado dias antes. A informação era de que ele teria sido solto no dia 28 de agosto. Mas não apareceu em casa. Ela dirigiu-se ao quartel e lá recebeu a confirmação: "Ele foi solto no dia 27". No dia seguinte, retornou ao quartel: "Meu irmão não apareceu! Onde está meu irmão?" Nunca obteve a resposta. Uma notícia publicada em jornal da região dava conta que João Alfredo teria sido libertado. O que Marina sabe é que no dia 6 de setembro, uma segunda-feira, o irmão e outro trabalhador, Pedro Fazendeiro, foram transportados numa caminhoneta do Exército, e "no outro dia apareceu aquele corpo mutilado, com três dias". Ela se refere a uma foto publicada no jornal Correio da Paraíba, mostrando dois corpos carbonizados que haviam sido encontrados na estrada que vai para Caruaru, perto de Campina Grande. As cabeças estavam esfaceladas, mas Marina diz ter reconhecido o irmão pelo short listrado que ele usava. "O jornal era preto e branco, mas meu irmão era bem escurinho e na parte que era meu irmão era uma parte mais escura", relatou Marina. Ela notou ainda a imagem de Pedro Fazendeiro, que tinha uma perna mais curta do que a outra e, na foto, estava com a perna encolhida. Ex-companheiro de cela, Antônio Bolinha reconheceu também o calção que Pedro Fazendeiro usava na prisão. Com o jornal nas mãos, Marina voltou ao quartel e interpelou um militar pedindo notícias sobre o paradeiro do irmão. Sugeriram que procurasse o Coronel Macário. Ela foi até a casa do militar e o encontrou com o Major Cordeiro. Os militares lhe asseguraram que tomariam providências para localizar seu irmão. Mas nada foi feito. Dali em diante, Marina teve a sensação de que havia virado um monstro naquela cidade. Quando saía à rua, ouvia simpatizantes da UDN cochicharem: "Lá vai a irmã do Nego Fuba, a Nega Fuba". No ano seguinte, ficou viúva. A situação financeira da família era difícil, pois seu pai, que trabalhava na usina Santa Helena, havia sido afastado do trabalho depois da prisão de João Alfredo. Por causa das humilhações e dessas lembranças dolorosas, Marina mudou-se para o Rio de Janeiro. ========================================================================================== + Detalhes. Pedro Inácio de Araújo, o Pedro Fazendeiro Lavrador e dirigente das Ligas Camponesas de Sapé (PB), Pedro Inácio de Araújo, conhecido como Pedro Fazendeiro, estava preso no 15º Regimento da Infantaria da Paraíba quando foi solto em 7 de setembro de 1964 e, desde então, nunca mais foi visto. Juntamente com João Alfredo, ele respondia a inquérito no Nordeste, sob a responsabilidade do coronel Hélio Ibiapina Lima, que foi promovido posteriormente ao generalato. Em 1993, um relatório das Forças Armadas, divulgado pela Comissão Externa de Desaparecidos Políticos da Câmara Federal, reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte do trabalhador. Em entrevista em 1979, Francisco Julião denunciava: "Pedro Fazendeiro, da Liga de Sapé, na Paraíba, foi pendurado numa árvore e queimado com gasolina pelos grandes latifundiários da região". Antes de ser preso pelo regime militar, Pedro Fazendeiro, militante do PCB como seu colega João Alfredo, havia sofrido violências da polícia e de grandes proprietários de terra. Monsenhor Odilon Pedrosa escreveu, em seu livro de registros, que conheceu o líder camponês ao encontrá-lo em algumas manhãs no Hospital Sá Andrade, onde tratava de ferimentos que sofreu em decorrência de uma emboscada. Informações da imprensa local registram um atentadoa bala, além de ferimento de faca peixeira, que teria sido praticado pelo cabo da Polícia Militar Antonio "Gago". Na ocasião, testemunhas teriam impedido o Líder camponês foi pendurado numa árvore e queimado com gasolina assassinato. O policial foi um dos executores de João Pedro Teixeira, a mando de senhores de engenho. Na obra Que são as Ligas Camponesas?, publicada em1962, Francisco Julião refere-se ao fato de que o camponês Pedro Fazendeiro, da Liga de Sapé, foi emboscado por um pistoleiro e, baleado duas vezes, ficou aleijado de uma perna. O atentado teria ocorrido depois que uma delegação formada por camponeses, operários e estudantes tinha viajado a Cuba para assistir às comemorações do Dia do Trabalho. Neide Araújo, a filha de Pedro Fazendeiro, em depoimento no Seminário Memória Camponesa, realizado em 2006, em João Pessoa (PB), recordava-se da ocasião em que a casa da família foi cercada pelo Exército e os militares invadiram a residência procurando armas. Encontraram somente panfletos que o pai havia trazido da viagem a Cuba, feita com João Alfredo e outros companheiros. Recordo também das perseguições, quando ele estava no campo, às vezes trabalhando ou ajudando outros companheiros. A lavoura havia sido arrancada e ele ia com um grupo de camponeses e replantava a lavoura daquele camponês. A polícia surgia, comandada pelo Coronel Luiz de Barros, e prendia meu pai. Neide ainda era criança quando, certa vez, ao retornar do colégio, viu seu pai passar num caminhão do Exército. Eu não sei o que eles iam levando, se era um homem ou o maior bandido, como eles classificavam. (...) O certo é que meu pai ia escoltado em cima de um caminhão, com fileira de soldados... Aqueles caminhões que tinham bancos em cima, as fileiras de soldados de um lado e do outro e meu pai no meio deles. Na passagem dele, em casa, eu não sei distinguir o semblante dele, só sei que, para a gente, era muita tristeza. Logo após o golpe de 1964, Pedro Fazendeiro havia passado algum tempo escondido na fazenda Mussuré, de Álvaro Magliano. Depois de algum tempo, ele se apresentou ao 15º R.I., na companhia de um advogado. A família tinha medo da polícia, mas "ainda acreditava no Exército". Ao apresentar-se, porém, ele foi detido. As plantações que Pedro mantinha como posseiro, em Miriri, haviam sido destruídas. A última vez em que Neide viu o pai foi no dia 6 de setembro de 1964. Nesse dia, durante a visita da família, que só podia durar sete minutos, Pedro chorou. A filha conta que a mãe perguntou a ele: "Pedro, quando você sai?" Ele respondeu: "Eu não sei. Major Cordeiro quer que eu diga coisas que eu não sei". Acreditava que, na pior das hipóteses, ia passar ainda muito tempo na prisão. Quando voltaram para visitá-lo, no domingo seguinte, receberam a notícia que ele havia sido solto. Numa dessas ocasiões, carregando as roupas do pai que haviam sido levadas para lavar, a jovem perguntou ao Major Cordeiro sobre seu paradeiro. Ele respondeu: Major Cordeiro - Eu soltei seu pai. Neide - Não, o senhor não soltou meu pai! Major - Se o seu pai não chegou em casa é porque ele foi para Cuba... Neide - O meu pai não faria isso! Eu conheço o pai que tenho. Eu sei do amor dele pelos filhos e pela família. E eu sei que se meu pai fosse se ausentar para qualquer canto, houvesse o que houvesse, minha mãe seria comunicada. Diante da sua insistência, o major perguntou se ela queria percorrer o 15º R.I.. A jovem recusou, pois temia que, assim como poderiam ter matado seu pai, ela - que havia entrado sozinha na sala - e também seu irmão, que havia ficado na recepção, tivessem o mesmo fim. Muitas vezes voltou lá. Volta e meia aparecia algum homem na porta da casa, fingindo-se de mendigo e especulando se a família pensava em vingança. Ao mesmo tempo, chegavam cartas do IV Exército, de Recife, dirigidas a Pedro, convocando que se apresentasse. "Ora, se eles tinham matado o meu pai, como é que o meu pai ia se apresentar?" Com grande sacrifício, sua mãe, acompanhada de uma prima, ia até Recife. Quando chamavam pelo nome de Pedro Inácio, ela respondia: "Esse homem não chegou em casa. Esse homem desapareceu! Eu sou a esposa dele". Ouvia como resposta: "A senhora não pode responder por ele". Em meio à angústia do desaparecimento, a família lutava como podia contra a miséria. A única pista sobre o trágico fim de Pedro acabou sendo uma fotografia de dois corpos carbonizados encontrados perto de Campina Grande, que foi publicada no Correio da Paraíba em 10 de setembro de 1964. Quando eu vi o jornal, não tive a menor dúvida. Eu sabia que aquele homem era o meu pai, pela composição física dele, pela composição física do João Alfredo, porque eu também conhecia João Alfredo, então eu não tive a menor dúvida. E nos pulsos do meu pai tinha arame farpado, amarrado. Quem pegar a foto e olhar detalhadamente, como eu que sou filha e olhei, vai ver isso. Veio a anistia, só que eu não acredito nesta anistia porque anistia é uma coisa aberta, uma coisa assim para você saber tudo e até hoje eu não sei. Eu sei por comentários, que vazaram os olhos do meu pai com agave, que fizeram atrocidades, mas eu não sei pelas autoridades o que realmente aconteceu com meu pai. Sei que o fizeram passar por ladrão porque o jornal dizia assim: "Esquadrão da morte executa mais dois". (...) Então, o fizeram passar por ladrão, denegriram a imagem dele, mas eles denegriram a si mesmos, por serem tão covardes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110426/62302a8f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13224 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110426/62302a8f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 26 19:50:35 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 26 Apr 2011 19:50:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__49=AA_Caravana_da_Anistia_no_Rio?= =?iso-8859-1?q?_de_Janeiro=2Cna_ABI=2C_no_pr=F3ximo_dia_30_=E0s_14?= =?iso-8859-1?q?h30=2C_com_a_presen=E7a_do_Ministro_Jos=E9_Eduardo_?= =?iso-8859-1?q?Cardozo=2E_Em_homenagem_ao_Brigadeiro_Rui_Moreira_L?= =?iso-8859-1?q?ima=2C_militar_her=F3i_da_II_Guerra_Mundial_e_oposi?= =?iso-8859-1?q?tor_da_ditadura=2E?= Message-ID: <6539BCCF45174E56B18BA195B005810A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Paulo Abrão Pires Junior Prezados(as) Amigos(as), Em primeira mão divulgo a realização da 49ª Caravana da Anistia por ocasião dos 3 anos das Caravanas. A primeira delas ocorreu em 2007 na ABI, local onde retornamos no próximo dia 30 às 14h30, com a presença do Ministro José Eduardo Cardozo. A Caravana será em homenagem ao Brigadeiro Rui Moreira Lima, militar herói da II Guerra Mundial e opositor da ditadura. Será a primeira Caravana do novo Ministro da Justiça no Rio de Janeiro. Contamos com sua prestigiosa presença. Um forte abraço, Paulo Abrão Presidente da Comissão de Anistia 49ª Caravana da Anistia Data: 30 de abril de 2011 Hora: 14h30 Local: Associação Brasileira de Imprensa - ABI (Auditório Oscar Guanabarino) Endereço: Rua Araújo Porto Alegre, 71 - Centro - Rio de Janeiro/RJ l -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110426/0d536b1e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 28 20:15:54 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 28 Apr 2011 20:15:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_JOS=C9_PORF=CDRIO_DE_SOUZA__e__DU?= =?iso-8859-1?q?RVALINO_PORF=CDRIO_DE_SOUZA________________________?= =?iso-8859-1?q?____________________________-CXVIII-?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem JOSÉ PORFÍRIO DE SOUZA (1913-1973) Filiação: Maria Joaquina de Jesus e Teófilo de Souza Data e local de nascimento: 12/07/1913, Pedro Afonso (TO) Organização política ou atividade: PRT Data e local do desaparecimento: 07/07/1973, Brasília (DF) DURVALINO PORFÍRIO DE SOUZA (1947-1973) Filiação: Rosa Amélia de Faria e José Porfírio de Souza Data e local de nascimento: 23/10/1947, Pedro Afonso (TO) Organização política ou atividade: não definida Data e local do desaparecimento: 1973, Goiânia (GO) José Porfírio e seu filho Durvalino integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. A última informação acerca de José Porfírio data de 07/07/1973, na rodoviária de Brasília. Sobre Durvalino, não há qualquer registro de data, além do fato de ter desaparecido no mesmo ano em que o pai. José Porfírio foi o carismático líder camponês da legendária mobilização de posseiros em conflito com latifundiários e grileiros de terras, nos anos 50, na região de Trombas e Formoso, hoje municípios independentes, em Goiás, próximos à divisa com o atual estado de Tocantins, à direita da rodovia Belém-Brasília, distando em linha reta pouco mais de 200 quilômetros de Brasília. Casado duas vezes, teve 18 filhos nos dois matrimônios. Quando desapareceu, aos 61 anos, estava casado com Dorina Pinto da Silva. Foi militante do Partido Comunista, da AP e do PRT. Sua primeira mulher, Roseira, morreu após ter sido agredida por jagunços. Durvalino foi preso em 1964 e passou a ter distúrbios mentais como conseqüência das torturas sofridas. Estava internado em uma clínica para tratamento, de onde desapareceu. Outro dos filhos de José, Manoel Porfírio, passou sete anos preso em São Paulo, condenado pela Justiça Militar por ser militante do PRT. Ao sair, integrou-se à luta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, na busca dos restos mortais e das reais circunstâncias da morte do irmão e do pai. Manoel Porfírio morreu em um acidente de carro, em 1994. A história política de José Porfírio começou em 1949, quando tinha 36 anos e resolveu, juntamente com outros lavradores, deslocar-se de Pedro Afonso, sua terra natal no norte de Goiás, hoje Tocantins, e buscar terras melhores, numa região de serras e córregos na margem esquerda do rio Tocantins. Mais camponeses foram chegando, atraídos pela propaganda sobre colonização agrícola em Goiás. Por volta de 1951, foram iniciadas manobras cartoriais de grilagem das terras ocupadas pelos posseiros, que reagiram a todas as tentativas de expulsá-los. Teve início, então, uma tenaz resistência que se inscreveu como um dos capítulos mais importantes da luta pela reforma agrária no Brasil. Até hoje, publicações da imprensa, livros e teses universitárias pesquisam a história desse conflito agrário, mencionando muitas vezes a existência de uma "república" popular de Trombas e Formoso, pelo tipo de organização política, econômica e social ali vivida durante aqueles anos. O Partido Comunista foi um importante vetor nessa mobilização, sendo que seu dirigente nacional Gregório Bezerra foi deslocado de Pernambuco para atuar durante alguns anos em Goiás, contribuindo na formação dos quadros partidários que influenciaram a liderança política de José Porfírio até integrá-lo ao partido por volta de 1956. Entre 1954 e 1957, a área foi palco de persistentes conflitos, muitas vezes envolvendo enfrentamento armado, com um número não conhecido de mortes, seja entre os camponeses, seja entre jagunços e policiais a serviço de latifundiários. As lutas de Trombas e Formoso só tiveram desfecho quando Mauro Borges, eleito em 1962 governador de Goiás, iniciou a distribuição de cerca de 20 mil títulos de propriedade. Na mesma eleição de Mauro Borges, José Porfírio foi eleito deputado estadual de Goiás na coligação PTB-PSB, sendo o mais votado no estado. Pela primeira vez, um líder camponês chegava à Assembléia Legislativa de Goiás. Nesse período, ajudou a fundar a Associação dos Trabalhadores Camponeses de Goiânia e foi um dos organizadores do Congresso dos Camponeses de Belo Horizonte, em 1963. Cassado pelo primeiro Ato Institucional, de 09/04/1964, voltou para a região de Trombas e Formoso, tentando organizar alguma resistência ao golpe militar. Não obteve sucesso, a começar de seus próprios companheiros do PCB, que discordaram de qualquer tentativa de reação por considerarem mais prudente a atitude de recuo. Desligou-se, então, do partido e foi viver no sul do Maranhão, onde se vinculou, posteriormente, à AP. Data desse período a prisão de Durvalino, que foi torturado para informar sobre o paradeiro do pai, resultando das torturas problemas mentais irreversíveis. José Porfírio, em 1968, alinhou-se na AP com o grupo dissidente liderado pelo padre Alípio Cristiano de Freitas e pelo ex-presidente da UNE Vinicius Caldeira Brandt, que fundou o PRT - Partido Revolucionário dos Trabalhadores. Foi preso na Fazenda Rivelião Angelical, povoado de Riachão, no Maranhão, em 1972, e levado para o DOI-CODI de Brasília. Solto no dia 07/07/1973, foi almoçar com sua advogada, Elizabeth Diniz, que depois o levou até a rodoviária de Brasília para embarcar no ônibus para Goiânia. José já tinha a passagem comprada. Depois desse encontro, nunca mais foi visto. ================================================================================================================================ + Informações. JOSÉ PORFÍRIO DE SOUZA Militante do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Líder camponês da revolta na região de Trombas de Formoso. Nasceu em 27 de junho de 1912, em Pedro Afonso, Estado de Goiás. Casado duas vezes, teve 18 filhos dos dois matrimônios. Era pequeno proprietário. Desaparecido desde 1973 quando tinha 61 anos. Militou no PCB, AP e PRT. Ajudou a criar a Associação dos Trabalhadores Camponeses de Goiânia (1962) e foi um dos organizadores do Congresso dos Camponeses de Belo Horizonte (1963). Foi cassado com o AI-1, de 9 de abril de 1964. Deslocou-se para o sul do Maranhão, onde foi preso na Fazenda Rivelião Angelical, em 1972, e levado para Brasília. Foi solto no dia 7 de julho de 1973, tendo ido almoçar com sua advogada, Elizabeth Diniz. Esta levou-o até a rodoviária de Brasília, para embarcar no ônibus que o levaria até Goiânia, já tendo inclusive passagem comprada. Depois desse encontro, José Porfírio nunca mais foi visto. Era pai de Durvalino de Souza, também desaparecido. ============================================================================================== + Informações. DURVALINO DE SOUZA Filho de José Porfírio de Souza, líder camponês que comandou a rebelião em Trombas do Formoso, na década de 60, em Goiás, também desaparecido. Um de seus irmãos, Manoel Porfírio de Souza, foi preso político durante muitos anos em São Paulo, membro da CFMDP, atuou desde sua libertação na denúncia do desaparecimento do pai e irmão e dos crimes cometidos pela ditadura. Faleceu tragicamente num acidente de carro em 1994. Durvalino foi preso em abril de 1964 e torturado a fim de que informasse onde estava escondido seu pai. Como conseqüência dessas torturas, Durvalino enlouqueceu, sendo internado em um manicômio, em Goiânia. Desapareceu, inexplicavelmente, do manicômio, em 1973. ================================================================================================= + Detalhes. José Porfírio de Souza Nas palavras de uma de suas filhas, a morte de Zé Porfírio é narrada em sua face mais brutal: "Cadê os restos mortais? Por que esconder tanto? O que fizeram? Por que não dizer? O que querem com os ossos? Porque isso só interessa a nós, que somos a família. Temos esse direito, não temos?"5. Negar à família o direito de devolver à terra os restos mortais de Porfírio é como deixar na sombra o acontecimento passado, negando-lhe a memória. O Estado militar pretenderia por certo exterminar, junto com seu líder, toda a história daquela organização popular que, por tamanho sucesso, chegou a ser temidamente anunciada como um "Estado Comunista", a "República de Trombas e Formoso". José Porfírio de Souza nasceu em 1912 no município de Pedro Afonso (MA). Ali viveu e se casou com a primeira esposa, Rosa Amélia de Farias, com quem teve nove filhos. Do segundo casamento, com Dorina Pinto da Silva, viriam mais nove. Um dos filhos de Porfírio faleceu ainda bebê, outros três outros viriam a desaparecer; capturados por jagunços ou pela polícia, não se sabe ao certo, ao longo dos conflitos em Trombas e Formoso, Goiás. Também Zé Porfírio teve destino desconhecido. Principal liderança do movimento desapareceu depois de supostamente liberado pelo DOI-CODI, em 1973. Sua segunda esposa não gosta das lembranças."Nunca mais vi. Acharam quatro 'Zé Profiro', mas nenhum era ele. Eles mataram. (...) Ele não ficou lá nem um mês na cadeia". O início de sua história, assim como o trágico final, foi compartilhado por inúmeros lavradores e tantos outros migrantes camponeses pelo interior do país, rotineiramente expulsos de suas terras. Mas esta história foi particularmente intensa no estado de Goiás. Com a campanha varguista da "Marcha Para o Oeste", para ocupar "as terras sem homens" de Goiás, camponeses de diversos estados nordestinos chegaram em busca do prometido pedaço de terra na Colônia Agrícola de Ceres (CANG). Escutavam as palavras do então presidente Getúlio Vargas: "o sertão, o isolamento, a falta de contacto são os únicos inimigos do país"6. Mas quando José Porfírio chegou ao centro-oeste, ao final dos anos 40, e ele e sua família, assim como outros chegantes, não puderam se estabelecer na colônia, que já estava esgotada. Partiram então para a região de Uruaçu, onde havia os povoados de Trombas e Formoso. Ali, a ocupação de pequenas posses cresceu, tornando-se uma comarca, graças à qual foi nomeado o primeiro juiz de direito, que passou a trabalhar na fraude sistemática dos grileiros que então começavam a chegar. Com a abertura da rodovia Transbrasiliana - a futura Belém-Brasília dos Anos JK - as terras valorizavam-se. No lugar de abrigar gente, passavam a ser vistas como objeto de especulação. Para expulsar os que lá estavam, as estratégias de grilagem associavam-se a atos de violência explícita: casas e pertences eram incendiados, lavradores quaisquer eram ameaçados, quando não efetivamente capturados e mortos. Neste período de início dos anos 50, Porfírio iniciava-se como liderança do grupo, fazendo viagens a Goiânia, recorrendo às autoridades estaduais em favor do direito a trabalhar e viver das terras devolutas onde se encontravam ele e os seus. Voltando de uma destas viagens, encontrou sua casa em brasas. A mulher e os filhos, em estado de choque, choravam arrasados. Alguns meses depois, ela morreria em decorrência do sofrimento causado. Conta-se que, durante o enterro, Porfírio fez promessa aos seus santos: não permitiria mais que abusassem dele. Ao lado dos jagunços, a polícia local se esforçava para invadir Trombas e Formoso, que passou a viver entre trincheiras. Os camponeses viram-se então feito soldados: as armas outrora usadas na caça para o alimento transformaram-se em artilharia eficaz. Do lado de lá, soldados e pistoleiros tentaram contra os posseiros algumas incursões mal sucedidas. Em um desses episódios, um sargento é morto pelo posseiro Nêgo Carreiro, tornando-se o mote do acirramento da violência. A guerra estava declarada: soldados da Polícia Militar foram usados em uma sistemática operação de captura dos líderes posseiros; atrocidades inimagináveis passaram a ser cometidas pelos jagunços em conluio: aos amigos capturados de Porfírio, chegou-se a obrigar que comessem fezes e sapo vivo. Diante do fracasso das operações militares, os soldados usaram as mulheres e filhos dos posseiros como escudo humano, avançando em um caminhão sobre o qual os familiares gritavam em desespero. Mas a resistência dos posseiros incrementou-se, configurando-se ali uma organização comunitária politicamente coesa e economicamente próspera. Os lavradores se reuniam regularmente para discutir seus problemas e estratégias de luta: organizavam o plantio, os mutirões e a defesa da área; dividiam os lotes e os trabalhos de acordo com os chamados "Conselhos de Córregos", cada qual com um representante eleito pelos moradores de determinado córrego. Diz-se que a fama e a força dos camponeses de Trombas e Formoso fizeram com que o Batalhão de Formoso recebesse naquele momento uma enxurrada de atestados médicos de seus soldados: eles fugiam à luta por temor aos posseiros. A partir de 1954, chegaram ao local, enviados pelo Partido Comunista, Dirce Machado, seu marido José Ribeiro, João Soares, Geraldo Marques e Geraldo Tibúrcio. A notícia da mobilização camponesa ganhou repercussão nacional e Zé Porfírio figurava como herói de uma causa justa. Na cidade de Goiânia, estudantes universitários pressionavam a opinião pública em protestos e passeatas a favor dos posseiros. Em nome destes, José Porfírio escreveu a mão uma carta pública ao governador: "Não queremos terra de graça. Queremos comprá-las do estado. Achamos que o Governo deve vendê-las para nós que nelas trabalhamos e produzimos e não para parasitas que não trabalham. Para provar nosso interesse em comprar as terras estamos dispostas a entrar com parte do pagamento nesta safra. Nas nossas casas e nas nossas propriedades temos parte das nossas vidas, não podemos perdê-las. (...). Confiamos no Sr. Governador e em todos os homens de bem de Goiás. Apenas queremos trabalhar e viver em paz" 7. 7. "Carta de José Porfírio a Alfredo Nasser", Jornal de Notícias, 15 de março de 1957. Àquela época, a tensão em Goiás alimentava o discurso em oposição à construção de Brasília naquela "terra selvagem". A resistência camponesa estendia-se por meses enquanto os posseiros ganhavam seu espaço na terra e no ambiente político: os representantes do poder público retiraram- se da área e o vácuo representativo foi ocupado pela Associação dos Trabalhadores Agrícolas de Trombas e Formoso. Fundada por camponeses com o apoio dos militantes comunistas, a entidade obteve a filiação imediata e maciça dos camponeses de toda a região, e elegeu Zé Porfírio seu primeiro presidente. Em 1960, ele é eleito deputado estadual pela coligação PTB-PSD (o primeiro deputado estadual de origem camponesa da história do Brasil); seu companheiro Bartolomeu Gomes da Silva, também posseiro, elege-se prefeito de Formoso. Em 1962, o governador Mauro Borges concede aos posseiros 20 mil títulos de terra. Em 1963, apesar dos elogios ao governador, o deputado José Porfírio mantém sua posição em seus discursos na tribuna: "Continuo com meu ponto de vista de que, para se iniciar uma reforma agrária, primeiro temos que amparar quem trabalha na terra, depois levar para a terra quem nela quiser trabalhar. Esse é o primeiro passo, porque enquanto estiver faltando terra, e o dono da propriedade tirando quem nela está produzindo, não estamos caminhando para a reforma agrária, estamos caminhando para um problema social que os Senhores sempre se referem, o problema da agitação. Enquanto caminharmos por esse caminho, a agitação continua e continuará cada vez mais". Em 1964, contudo, o golpe de Estado vem calar a "agitação" por caminhos outros. "O 1º de abril de 1964 foi uma verdadeira bomba de azar, destruiu tudo", conta Dirce Machado. Os títulos das posses de Trombas e Formoso são revogados. Porfírio e Bartolomeu têm seus mandatos cassados. O primeiro escapa de Goiânia sob troca de tiros, e se refugia no Maranhão, onde passa a atuar junto à Ação Popular, acompanhando, em seguida, a dissidência que dá origem ao Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Em sua vida clandestina, empenha-se no trabalho de alfabetização de filhos de lavradores. Neste período, seu filho Durvalino Porfírio de Souza, aos 17 anos, é preso em Goiás e torturado para revelar o paradeiro do pai. Com a tortura, o rapaz enlouquece e, depois dos últimos dias internado em um hospital psiquiátrico, desaparece sem deixar rastro aos familiares. Em 1972, José Porfírio é enfim capturado. Denunciado por um fazendeiro do Maranhão à Polícia Federal é preso para ser solto pouco depois, em 1973, e desaparecer também sem deixar pistas. Na ocasião de sua prisão, Porfírio estava acompanhado de outro de seus filhos, que lembra, a voz hesitante, das humilhações ditas pelo policial ao líder camponês, levado amarrado por uma corda. Sabe-se que no DOI-CODI em Brasília, para onde José Porfírio foi levado, os presos ouviam Amada Amante, a música de sucesso na época, na voz de Roberto Carlos. A canção tocada era sinal de que um companheiro estava naquele momento sendo torturado, pois era posta a ser executada pelos torturadores, com o intuito de abafar os gritos de horror de suas vítimas políticas. É o que contaram os sobreviventes, lembra a companheira Dirce Machado. Não há relatos sobre as bárbaras torturas físicas e psicológicas sofridas por José Porfírio durante a detenção. O pior dos destinos lhe fora reservado, abafado no próprio gesto de violência. Já na prisão, Porfírio devia imaginá-lo, como conta seu filho Jeová, ao lembrar da visita que fez ao pai detento. "Ele disse que não sabia se ia voltar. Que se fosse solto, procurava a família. Se não, que a gente procurasse ser um bom cidadão, do jeito que ele tinha passado pra gente". ============================================================================================== + Detalhes. Porfírio - Um leitor do livro do Apocalipse publicado em 27/04/2007 Por Pedro Tierra O X - 1 era mais claro do que a cela 10 onde eu permanecera nos últimos meses. E maior. A cela coletiva dava para um pequeno pátio destinado ao banho de sol dos presos políticos. A estrutura do Pelotão de Investigações Criminais (PIC), no Setor Militar Urbano foi desenhada como uma ferradura de celas individuais contíguas que cerca duas celas coletivas com capacidade para vinte presos, cada uma. Cheguei ao X - 1 no final de uma tarde de janeiro de 1973. Fui recebido com a cuidadosa solidariedade e a prudente desconfiança que se misturam nessas ocasiões. Eram dezessete presos de diferentes organizações políticas que lutavam contra a ditadura militar. Entre eles um mito que assombrara durante anos os proprietários de terra do médio norte de Goiás, e a imaginação das crianças do vale do Tocantins e Araguaia: José Porfírio de Souza. Lavrador maranhense que migrara nos anos quarenta para a região de Trombas e Formoso. Contava então sessenta e dois anos. Era um homem pesado, com um rosto cavo que contrastava com o corpo, dois miúdos olhos azuis inquisitivos. Trazia consigo histórias comuns aos líderes comunitários do continente. Podiam ser contadas por ele ou, para lembrar um exemplo, por Genaro Ledesma, líder dos comuneros do norte Peru na luta contra a Cerro de Pasco Corporation. A saga de Porfírio inclui, como a de Ledesma, as mais singelas e comoventes formas de luta pela legitimação da posse da terra por suas comunidades: o amarrotado abaixo-assinado pleiteando a regularização das posses. Algumas assinaturas não eram mais que o nome precariamente escrito por alguma professora que dividia os rudimentos da língua que aprendera, ladeada como um selo pela digital correspondente. Ele levou, depois de um mês de viagem, pessoalmente ao Palácio do Catete, no Rio, na vã esperança de entrega-lo ao Presidente Vargas, no início dos anos cinqüenta. Nunca foi recebido. Talvez a experiência mais significativa - e mais duradoura - cultivada pelos camponeses, com o apoio do PCB, tenha sido a dos Conselhos de Córrego. Rede de vizinhos que se organizavam a partir dos cursos d'água que recortam o cerrado em busca do vale Tocantins. Estruturaram a partir dela uma eficiente forma de auto-governo para responder aos desafios da produção e da defesa de suas lavouras contra grileiros e a polícia, nos momentos mais agudos do conflito. O Estado brasileiro, para quem os trabalhadores do campo - herdeiros sociais dos escravos - eram invisíveis, mobilizou sua força quando, já na segunda metade dos anos cinqüenta, os posseiros de Trombas e Formoso realizaram as primeiras emboscadas contra grileiros de terra. Eles eram liderados por aquele mesmo Porfírio que, anos antes havia percorrido os sertões de Goiás e Minas para entregar uma petição na capital federal. Antes, o Estado ignorara aquele pacífico instrumento de quem se julgava cidadão, um abaixo-assinado. Agora o mesmo Estado mobilizava contra eles uma força combinada: a Polícia munida do instrumento jurídico e a milícia informal dos latifundiários, os jagunços encarregados da tocaia noturna e da disciplina nas fazendas. Tudo rigorosamente de acordo com a tradição. Assim fora em Canudos, em 97 do século XIX. Assim fora no Contestado, em 1912. Os trabalhadores do campo, no Brasil, só se tornam visíveis aos olhos do Estado quando se rebelam contra o fisco ou contra a força armada. Os posseiros de Trombas e Formoso venceram as milícias, a Polícia e parte da imprensa que os combatia para defender os interesses dos latifúndiários graças a uma efetiva campanha de solidariedade movida pelo PCB que sensibilizou amplos setores da sociedade, particularmente em Goiânia, capital do Estado. Porfírio se tornaria deputado estadual pela legenda do PTB de Jango, apoiado pelos comunistas. Não concluiu o mandato. Esteve na cabeça da primeira lista de cassações publicada pelos golpistas de 1964. Era um homem da terra. Reservado. Silencioso. Leu um único livro na vida: a Bíblia. E dela, o que mais gostava era o Livro do Apocalipse. Talvez o delírio e as premonições libertárias do universo de pastores arameus atiçassem seu imaginário de sertanejo lutador. José Porfírio de Souza deixou o Pelotão de Investigações Criminais (PIC), no Setor Militar Urbano, em Brasília, para encontrar-se com sua advogada, em Goiânia. Não chegou ao destino. Nunca mais foi visto. Foi dissolvido pela noite de terror. Incorporou-se à lista dos homens e mulheres desaparecidos a quem a ditadura militar negou tudo. Até uma sepultura identificada, para escapar à memória dos sobreviventes. *Pedro Tierra é poeta ============================================================================================== + Detalhes. Trombas e Formoso: o triunfo camponês Ana Lúcia Nunes Entrevista: Valter Waladares Em meados da década de 50, o meio-norte do estado de Goiás - hoje extremo norte, devido à divisão do estado - foi o palco de uma das mais importantes lutas camponesas do país, episódio conhecido como A guerrilha de Trombas e Formoso. A região foi ocupada no século XVIII, mas a decadência do ouro tratou de deixá-la inóspita logo depois. Na década de 50, com a construção de Brasília e da rodovia BR-153, a Belém-Brasília, a região valorizou-se. Os latifundiários da região procederam a uma verdadeira "corrida" - semelhante à do ouro - aliados a advogados e juízes corruptos para grilar a imensa quantidade de terras devolutas da região. O intento latifundiário teria apenas um elemento a vencer: o homem. Aquelas terras já tinham dono, que nelas colocou os pés e as mãos calosas do trabalho e produziu para o povo, coisa que o latifúndio jamais poderá fazer. E esse homem era o camponês, aquele que, uma vez conquistado seu pedaço de chão e, consequentemente, o direito de decidir o quê, como e para quem produzir, luta por mantê-lo até o último suspiro de vida. Os camponeses, apoiados por estudantes, operários e militantes comunistas enfrentaram e venceram vários combates contra os jagunços e as forças policiais, terminando por estabelecer a posse da terra e o poder político na região, que perdurou até a contra-revolução de 64. Quem nos conta esta vitória camponesa é Valter Waladares, participante da guerrilha. Valter foi um destacado líder secundarista em Goiânia. Na época do movimento era um jovem militante do Partido Comunista do Brasil (P.C.B.), que abandonou o emprego estável, por concurso público, na Assembléia Legislativa do estado para ir em apoio à luta camponesa. AND: Por que vocês decidiram participar da luta camponesa de Trombas e Formoso? Valter Waladares, durante a entrevista, na Universidade Federal de Goiás, Goiânia - Nós sempre tivemos a visão de que se haveria uma revolução operário-camponesa, aqui o nosso papel era fundamentalmente com as massas camponesas. Outro fator importante era que estávamos sob o fogo da vitória da Revolução Chinesa. A Grande Marcha nos causou um entusiasmo enorme, aí houve uma guinada à luta camponesa com o Manifesto de Agosto. Nós acreditávamos que, no Brasil, o movimento camponês era o início de um movimento de libertação nacional. O estado de Goiás era eminentemente agrário e por isso o P.C.B. tinha uma tradição muito grande de lutas no campo. Tanto é que houve uma participação forte do Partido nas lutas camponesas de Ceres, Rialma, Catalão, etc. Esta lutas permitiram o surgimento de líderes camponeses importantes, que puderam ir em auxílio do movimento. AND: Que fato deflagrou a luta? - Os camponeses viviam na região há mais de trinta anos. Com a construção de Brasília e da rodovia BR-153, a Belém-Brasília, houve uma valorização grande daquelas terras, que antes dos camponeses ali se instalarem eram inóspitas. Então dois conhecidos e poderosos grileiros da região, o Camapum e o Peroca, resolveram grilar aquelas terras também. Eles montaram todo o grilo e compraram o juiz. Logo após a sentença do juiz, iniciaram-se as intimações para a desocupação das terras. Paralelamente, os grileiros começaram a cobrar uma espécie de "arrendo" dos camponeses porque, afinal, "eles haviam utilizado uma terra que não era deles durante anos e deveriam pagar por isto". A ação dos grileiros dependia de quem era o camponês, de um eles tomavam toda a produção, de outros eles tomavam a metade. AND:Como foi o primeiro contato com os camponeses da região? - Neste tempo, nós tínhamos alguns companheiros em Uruaçu(GO), principalmente o José Sobrinho, que era o nosso grande apoio. O primeiro a tentar contato foi o Geraldo Tibúrcio, que era de Catalão e já atuava no movimento camponês. Ele foi procurar uma pessoa que tinha uma certa liderança na região, o Zé Firmino, mais ou menos em 1953, na região de Coqueiro do Galho, num dos córregos que cortava a região. Ele conseguiu ter a confiança do Firmino e eles combinaram que iriam uns companheiros daqui pra ajudar a organizar a resistência. AND: Este contato foi feito em nome do P.C.B.? - Não, foi feito em nome de uma organização de massas da qual Tibúrcio era presidente, a Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Goiás. AND: Em que nível estava a luta neste momento? - Por enquanto, se dava a tentativa dos oficiais de justiça de fazer as intimações de desocupação e, ao mesmo tempo, o pessoal dos grileiros estava ameaçando buscar o arrendo. Nesse momento a principal resistência era para não entregar a produção para os grileiros. AND:Quando vocês sentiram que a resistência iria se aprofundar? - Na verdade, houve um episódio, o do Nego Carreiro, que precipitou um pouco as coisas. O Nego Carreiro era um camponês, natural de Morrinhos (sul do estado), que havia se fixado no Coqueiro de Galho. Ele afirmava que não iria sair daquelas terras e, muito menos, entregar o que ele tinha conseguido produzir com tanto trabalho; dizia que era uma injustiça e fazia muita propaganda para os outros camponeses, no sentido de resisitir à ofensiva dos grileiros. Ocorreu que o Peroca, juntamente com um sargento - que já estava comprado para eliminar o Nego - e alguns soldados foram até a posse do Nego Carreiro. Como ele não estava, mandaram um menino ir chamá-lo. Quando o Nego chegou, o grileiro anunciou qual era o seu intento. Não sei o que o Nego disse, mas levou o sargento a sacar o revólver. Só que o Nego atirava muito bem e tinha um belo 38. Neste momento, o Nego caiu no chão, acertou o sargento no meio da testa e feriu um soldado. O resto do pessoal do grileiro correu, deixando o corpo do sargento abandonado, até que os próprios camponeses o enterraram. As coisas se precipitaram. Aí sentimos a necessidade de mandar logo as pessoas para ajudar. Tínhamos certeza de que viria uma resposta da polícia e dos grileiros, estes inclusive já estavam recrutando um grande número de jagunços. Neste momento, sentimos que a resistência iria se aprofundar, se tornar armada. Aí foi para lá inicialmente o Geraldão (líder camponês da Barranca, região da Colônia agrícola de Ceres); o Soares e o Zé (antigo mascate, ligado ao movimento camponês). Lá, eles começaram a organizar a associação, conversaram com os camponeses, fizeram algumas reuniões. Nesta época, nós prevíamos que as coisas se complicariam ainda mais porque era tempo de colheita e o Camapum estava mobilizando os jagunços para confiscar a produção. AND: Quando você foi para a região? - Eu era secretário do Partido em Goiânia e me perguntaram se eu não queria ir para a região. Aceitei a tarefa e fomos até Anápolis (55 km de Goiânia), onde um companheiro tinha um caminhão que nós enchemos de armas e munições. Logo após minha chegada, começamos a falar para os camponeses da necessidade de nos prepararmos para enfrentar os jagunços. No início, tínhamos uma visão romântica, pensávamos apenas em termos de jagunços, então estava tudo bem, tudo era bom... AND: Como foi esta "preparação para a luta armada" ? - Nós realizamos alguns treinamentos militares, incluindo alguma coisa de tiro... AND: Nesta fase houve algum combate? - A primeira experiência dos camponeses foi no início de 1954. Nesta época soubemos que os grileiros estavam enviando um caminhão para tomar a produção dos camponeses, na região do Coqueiro de Galho. Combinamos de fazer uma "tucaia" no colchete que havia na estrada porque, necessariamente, eles tinham que parar o caminhão para abrir o colchete. Aí ficaria mais fácil pegá-los. Dividimos em dois grupos: um foi fazer a "tucaia" e o outro ficou a uma certa distância com apoio logístico. Os camponeses decidiram que o melhor atirador deveria atirar na "boléia" do caminhão para atingir o motorista e o oficial graduado e outros atirariam na carroceria para atacar os jagunços. Quase tudo ocorreu. O tiro na boléia foi um tiro certeiro porque era mais consciente. Então morreu o filho do Camapum e um outro jagunço. E o pessoal atirou naqueles jagunços que estavam lá em cima. Para você ter idéia, foi uma quantidade imensa de tiro, mas não acertou ninguém. O motorista deu uma ré, saiu com os pneus furados e se mandou. Os camponeses expulsaram os jagunços. AND: A expulsão dos jagunços foi uma grande vitória. Quais as consequências? - Depois deste combate as coisas mudaram. Analisamos que havíamos de nos preparar melhor e buscar mais apoio. Muito provavelmente, viriam, não só os jagunços, mas a polícia no próximo ataque. Também aumentamos a politização. Falávamos do programa da Revolução Brasileira, da vitória da Revolução Chinesa, líamos um texto do Presidente Mao Tsetung, publicado na Revista Problemas, sobre a guerra de guerrilha etc. Nos reunimos e concluímos: temos que nos preparar para uma luta de outro nível. Nós tínhamos combinado com a direção do Partido que tão logo chegassem as notícias do primeiro choque, o Partido mandaria reforço de armas e, se possível, de mais alguns quadros dirigentes para uma cidade à esquerda de Porangatu, na rodovia, lá em Mutunópolis, porque nós tínhamos um companheiro lá que era dono de uma farmácia. Decidiu-se que iria lá um camponês que conhecia a região muito bem, além de mim. AND: Foi aí que ocorreu o famoso episódio do "mimeógrafo", pelo qual você ficou conhecido? - A história não foi bem assim. Andamos uns 70 Kms a pé. Chegamos à casa do companheiro Edson. Combinamos que ele iria ver se os companheiros de Goiânia estavam chegando, mas os companheiros não chegavam... Vieram dois companheiros numa caminhonete de um motorista daqui (Goiânia) trazendo armas, munição, miméografo, papel, etc. Parece que eles ficaram meio nervosos e, em alguma coisa que não existia, eles viram um piquete de soldados na estrada que ia para Mutunópolis e aí pararam, descarregaram a caminhonete e fizeram uma camuflagem ao pé de uma árvore. Como havia um companheiro da direção estadual, ele sabia que havia uma base do Partido naquela região de campo e foi lá fazer o contato. Quando o contato conseguiu ir à farmácia nos procurar eu já havia me atrasado vários dias. Fui à fazenda onde estavam os outros militantes e decidimos quem iria tentar furar o cerco para levar o material. No fim, foram quatro, cinco pessoas. Aí andamos mais 70 Km a pé, carregando um monte de armamentos, capangas cheias de balas de fuzil, papel, tinta e o danado do mimeógrafo. Quando chegamos, com vários dias de atraso, os companheiros não estavam mais no ponto combinado e já havia polícia e jagunço para todos os lados. No final, conseguimos chegar bem com os materiais. AND: Houve algum confronto com os policiais e jagunços que haviam no local? - Não. A polícia queria intimidar os camponeses, principalmente as mulheres, dizendo "se o seu marido abandonar esses comunistas, não vai haver nada, mas se não abandonar vai morrer". Outros diziam que o governo ia soltar uma bomba atômica, que todo mundo iria morrer. Depois disso, a cada manhã, víamos que duas, três famílias haviam deixado a luta. Chegou a um ponto em que estávamos reduzidos a oito, todos de fora. AND: Como vocês conseguiram reverter a situação? - Montamos acampamento na posse de um companheiro e ficamos lá até fazermos contato com o Zé Porfírio. Ele era um líder em Trombas, já tinha até reivindicado as terras do Formoso ao Getúlio... Depois que fizemos este contato combinamos de concentrar o trabalho na região de Trombas. AND: Como foi a construção do trabalho na região de Trombas? - Começamos a trabalhar no dia seguinte. A nossa meta era conseguir a confiança dos camponeses para que eles aceitassem o nosso apoio. A proposta era que os camponeses se unissem numa associação para resistir aos grileiros e à polícia que estava "acantonada" no Formoso. Fazíamos reuniões no fim de semana. Imprimíamos um folheto de acordo com a realidade para discuti-lo com os camponeses, nos dividíamos em duplas e íamos para os dois lados do córrego. Os soldados e os jagunços estavam por todos os lados. Então, entrávamos pelos fundos das casas dos camponeses. Como quase todo mundo ali era analfabeto, a gente lia o panfleto e fazia uma explicação para a família e deixava uma cópia na casa. Eles o escondiam embaixo do colchão e quando chegava outra pessoa que soubesse ler, eles davam com todo o prazer para que a pessoa pudesse lê-lo. Fizemos este trabalho de massas, mais ou menos clandestino, por alguns meses. O trabalho de politização das massas camponesas dependia, também, de conseguir furar o cerco policial e dos jagunços que cercavam as redondezas. AND: E a criação da associação? - Quando sentimos que já havia uma aceitação dos camponeses e, paralelamente, apoio de outras localidades, marcamos uma reunião para criar a associação dentro do Formoso, onde estavam as tropas da polícia. Os que não eram prata da casa como eu, o Geraldão, o José Soares não participaram da reunião para evitar provocações. Montamos ao lado um acampamento de apoio logístico, armado. No caso de haver alguma resistência, a gente poderia apoiar. O Porfírio entrou à frente dos camponeses no Formoso. Fizeram comícios e criaram a associação. Passamos, então, de um movimento clandestino de militantes para um movimento de massas, uma associação que tinha vários elementos que não tinham nada a ver com o Partido. AND: Em que consistiu o apoio que os camponeses receberam? - O trabalho para conseguir aliados tinha se concentrado em levantar o movimento estudantil e o sindicato dos trabalhadores da construção civil. Eles faziam manifestações de apoio aos camponeses... Na Assembléia Legislativa nós tivemos o apoio de alguns deputados que não tinham nenhuma participação nos movimentos populares, mas que eram contra o grilo e que formaram a comissão, que concluiu pela existência do grilo e a necessidade do governo intervir. Um deles, mais progressista, sobrevoou a área, soltando boletins de apoio aos camponeses. Após este ato de ousadia chamamos a reunião. Tínhamos também, a nosso favor, o próprio procurador do Estado, o Everardo de Souza, que não nutria nenhuma simpatia com o movimento, mas era contra a grilagem e tinha entrado com uma ação a favor da retomada das terras pelo Estado. AND: Quanto à associação, como os grileiros reagiram ? - Depois da criação da associação voltamos a nos preparar para um choque ainda mais violento com a polícia e os jagunços. Mas o nível de organização já era bem maior, englobando as massas. Organizamos piquetes e quando a polícia e os jagunços voltaram a associação já tinha força para enfrentá-los. Aí ninguém mais teve sossego. AND: Que tipo de organização enfrentou a reação nesta nova fase? - Instalamos duplas e sempre com a preocupação de não travar combates longos, não liquidar a polícia, e a nossa preocupação era baseada na experiência do Presidente Mao Tse-tung, de que quando o inimigo ataca, nós recuamos; quando o inimigo estaciona, nós fustigamos; quando ele recua, nós atacamos. Houve até justiçamento de um informante da polícia - com julgamento, é claro. AND: A Guerrilha de Trombas e Formoso foi uma das mais organizadas e consequentes lutas camponesas do período, e até por isso, a única vitoriosa. Houve um acordo com o governo para que os camponeses ficassem com as terras? - Os procuradores do Estado já tinham dado um parecer contra o registro, considerando a grilagem. O juiz de Uruaçu estava comprometido (corrupto). Os procuradores tinham entrado, em nome do Estado, pela anulação da venda. E como o movimento aqui na cidade fez muita pressão, o governo acabou por distribuir as terras. Temos que considerar que era um movimento nitidamente de grileiros e como estava clara a existência do crime era muito mais fácil, do que por exemplo, se fosse um movimento na fazenda do Ubirajara Caiado (tio do Ronaldo Caiado) que mantinha regime de escravidão. Aí, de forma alguma iriam permitir que o governo cedesse. O grileiro tem menos força que o latifundiário. AND: Como se organizaram os camponeses após a conquista da vitória? Há quem diga que se instalou na região um verdadeiro "governo popular"... - A Associação dos Lavradores do Formoso e de Trombas era realmente a grande força. Devido à vitória do movimento, o prefeito era da associação e a maioria da câmara dos vereadores. Naturalmente, a associação dominava a política na região. AND: Estes cargos políticos eram reconhecidos pelo Estado? - Era tudo legal. Os camponeses receberam até o título da terra. AND: O Zé Porfírio foi o líder mais conhecido da luta camponesa. Pode nos falar um pouco sobre ele? - Eu, por sorte, tinha como companheiro de dupla o Zé Porfírio. Andava com ele a semana inteira. Ele era um tipo formidável, muito inteligente, corajoso. Sabia ler, escrever. Ele era um verdadeiro dirigente de massas. Eu me lembro que quando a gente andava lá pelo Formoso, eu tinha a preocupação de dar ao Porfírio algumas noções do marxismo-leninismo. Nós andávamos muito e conversávamos muito também. Nós tínhamos que entrar no mato, arrumar um lugar para dormir, esperar o dia clarear para poder sair novamente. Então, nós tínhamos muito o que conversar. Ao mesmo tempo em que eu politizava o Zé Pofírio, eu me deliciava com as histórias dele. Ele conhecia quase toda a literatura de cordel, os trovadores do nordeste. O que mais me marcou foi uma vez, antes da gente criar a associação, em Trombas. Ao entrarmos para distribuir os folhetos na segunda casa, o morador falou: "A polícia está lá na pensão". Ele disse: "Nós não podemos mostrar medo. Nós temos que continuar e temos que entrar na pensão". Quando chegamos na pensão, o Zé Porfírio fez um pequeno discurso, deixamos os panfletos e saímos. O Zé era um camponês de uma coragem a toda prova, espetacular. AND: Durante a luta camponesa de Trombas e Formoso houve a elevação da consciência da luta pela terra (individual, econômica), para a destruição de todo o latifúndio, mais política ? - Não. A luta se restringiu, acabou com a conquista do pedaço de chão por cada camponês. Mas o nosso sonho inicial era o de transformar a luta dos posseiros do Formoso no início da luta armada pela libertação nacional. Se em relação ao nível de consciência nós não tenhamos conseguido dar um passo à frente, do ponto de vista da influência tivemos um trabalho muito importante. No Formoso existia o problema da posse da terra e da luta contra os policiais e jagunços. Mas a luta contra o latifúndio, como um todo, acabou por não ser tocada. O surgimento da luta e a vitória dos camponeses do Formoso, a conformação da associação praticamente como o órgão dirigente do município, tudo isso repercutiu em todas as cidades do estado. Em outras cidades foi mais fácil criar uma associação porque eles sabiam da vitória do Formoso e se estabeleceu um clima amistoso. AND: Apesar da luta de Trombas e Formoso não ter conseguido se transformar no início do movimento de libertação nacional, você ainda acredita que a Revolução é única saída para a miséria em que está mergulhado o nosso povo? - A Revolução não é um plano de vida individual, é uma necessidade coletiva. Independente de eu estar vivo, a Revolução vai acontecer porque é uma necessidade do povo brasileiro para que possa viver com dignidade e de forma justa. {mospagebreak} Moda dos posseiros Camponeses de Goiás, falo mal, peço perdão mas se não falo bonito, eu falo com o coração. Minha voz é um protesto contra a fome e a exploração. O grileiro, minha gente, é a maior flagelação, tira o que nós tem, sem deixar um só tostão, ranca o olho, chupa o buraco, corta a perna e come a mão." Extraído do livro Trombas: a guerrilha do Zé Porfírio, de Sebastião de Barros Abreu, Brasília. Goethe. 1985. ABC do Formoso 1 Pelo Trovador Pau Brasil 2 À memória do poeta Francisco Guerra Vascurado, autor do desafio "As quatro classes valorosas" (Lavradores, Operários, Vaqueiros e Pescadores), que morreu de fome em Goiânia, em abril de 1956, dedico este folheto. Aos que não conhecem, ainda, o heroísmo dos posseiros, desejo contar quem são esses heróis verdadeiros, que lutam pela justiça, contra a ganância e a cobiça dos desalmados grileiros. (...) A terra, portanto, deve pertencer ao lavrador, que, nela, planta a semente com seu sagrado labor para fazer a fartura; não deve servir de usura pra grileiro explorador. (...) Bela, rica, gigantesca é nossa terra, porém milhões que trabalham a terra um palmo dela não têm; não têm onde cair morto e vivem no desconforto, num eterno vai-e-vem. Batalha, luta, peleja pela vida o lavrador; mas, planta na terra alheia, pois de nada ele é senhor, e morre e não deixa nada pra família, escravizada nas unhas do explorador... Bem diferente seria a nossa situação se o Lavrador brasileiro tivesse seu próprio chão; não trabalhasse alugado, não vivesse condenado nas garras da exploração! Cada lavrador seria do seu chão proprietário; não mais haveria escravos para o latifundiário; a produção cresceria, a riqueza aumentaria pro nosso povo operário. (...) Eram donos, por justiça, porque eles foram os primeiros que trabalharam essas terras e são, hoje, seus posseiros, onde plantam honestamente, para o bem de nossa gente, de todos os brasileiros. (...) Gatuno se chama e é preso aquele que rouba um pão; mas, o grileiro, que rouba léguas e léguas de chão, toma e invade a casa alheia, pra esse não há cadeia... a "Lei" lhe dá proteção!... (...) Honra é palavra vazia para os tais exploradores, que, com documentos falsos, feitos por "certos doutores", queimam casas, matam gente e tomam, covardemente, a terra dos lavradores. Os posseiros se juntaram, como para um mutirão, unidos como um só homem, para defender seu chão... Abandonaram as enxadas, saíram pelas estradas, lutando de armas na mão... Porque todo mundo sabe o quanto vale a união; que o pobre nada consegue sem ter organização: por isto é que os lavradores, contra os seus exploradores, entram na associação. (...) Unidos, os lavradores, na sua Associação estão dispostos a tudo, para defender seu chão... São centenas de posseiros, transformados em guerreiros, contra o grileiro ladrão. Um por todos - é seu lema - e também todos por um! Contra o Juiz José Veiga, o Peróca, os Camapum. Se os grileiros fazem guerra para tomar-lhes a terra - tem que haver, mesmo, zum-zum... Um Posseiro trabalhando faz crescer a produção; grileiro tomando a terra só faz miséria e opressão: quer terra para vender, não planta, não faz render nada, pro bem da Nação. (...) Xingar os pobres posseiros, como fazem alguns jornais de "Assassinos", "Bandoleiros" e doutras calúnias mais, só interessa aos grileiros - não aos homens justiceiros do Brasil ou de Goiás. Xucro é o animal difícil, duro da gente lidar; ambicioso é o grileiro, que só quer mesmo enricar à custa da dor alheia, do arrendo, da terça ou meia, sem nem sequer trabalhar! Zangam-se aqueles que roubam, quando os chamamos ladrões; mas, é preciso apontar ao povo, esses tubarões, quer "Coronéis" ou "Doutores", que, roubando os lavradores, vão se enchendo dos milhões... Zoada daquela grossa pode inda haver no Formoso - os posseiros estão juntos, formam um grupo poderoso e vão pelejar, sem medo, pra derrotar, tarde ou cedo, o bando ganancioso. -------------------------------------------------------------------------- 1 Reproduzimos trechos do poema, que tem ao todo 88 estrofes, onde a luta de Trombas e Formoso é co(a)ntada com maestria e emoção. 2 Paulo Nunes Batista adotou, em seus versos de cordel, vários pseudônimos, como o de "Pau Brasil", com o fim de livrar-se da perseguição policial que, em todo o Brasil, movia-se contra os comunistas. ============================================================================== + Detalhes. [PDF] (clique ) REDESCOBRINDO A HISTÓRIA: A REPÚBLICA DE FORMOSO E TROMBAS A luta pela terra dos posseiros de Formoso e Trombas e a política .... Memórias, Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1980, p. ... ======================================================================================================== + Detalhes. [PDF] (clique ) ESPERANÇA CAMPONESA NO ESTADO DE GOIÁS: A LUTA PELA TERRA ============================================================================================================= + Detalhes. (clique) A Ditadura em Goiás - Depoimentos para a História A DITADURA MILITAR EM GOIÁS DEPOIMENTOS PARA A HISTÓRIA. Pinheiro Salles Coordenador. Download. www.assembleia.go.gov.br/.../ditadura...goias/default.htm - Em cache - Similares =============================================================================================================== + Detalhes. (veja :vídeos, fotos e textos sobre a luta de Trombas e Formoso.) http://www.trombaseformoso.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 12799 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110428/d2e77816/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 28 20:15:58 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 28 Apr 2011 20:15:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Meninos de rua no Recife por Urariano Mota Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Urariano Mota. Meninos de rua no Recife Publicado em 27/04/2011 por Urariano Mota Recife (PE) - As cidades se revelam mais nuas quando amanhecem. Há seis anos, quando eu caminhava às 6 da manhã pelo centro da cidade, pude notá-los. Os seus corpos enchiam a paisagem das ruas e avenidas do Recife. Amontoavam-se, como se, enfileirados, tangidos pela ordem do acaso, estivessem dispostos como cadáveres. Ninguém precisava chutá-los para ter a certeza de se estavam ou não mortos. Os meninos estavam imóveis, no chão, de bruços, ou com a cara para o sol, de boca aberta. Pareciam com cadáveres porque alguns dormiam sem fechar os olhos: ficavam a olhar vítreo para as marquises dos prédios, ao lado de floristas, íris do olho à meia-lua. Mais lembravam a foto do cadáver de Che Guevara, sem camisa, abatido na Bolívia. A diferença é que eram mais novos, e não estavam caídos por causa mais nobre além da urgente necessidade, de comida ou do afeto que o tóxico dá. As ruas, as avenidas onde jaziam têm nomes poéticos, belos: da Aurora, do Sol, da Boa Vista. Mas essa poesia não lhes colava na pele, ou melhor, neles se colava uma poesia invisível, até porque ninguém mesmo os via. Eles eram à semelhança de ratos pela madrugada, porque com ratos se confundiam ao sair das cavernas e cloacas da cidade, no escuro da noite. Então eles ficavam todos negros, na pele ou na camuflagem dos animais que corriam pelo asfalto da avenida. Ao amanhecer, jaziam como defuntos, misturados a latas e papéis no chão, acumulados ao longo da noite. Durante o dia, mais tarde, estariam em grupos na primeira refeição, com o tubo de cola à boca, que aspiravam. Então, mesmo em grupos, aos bandos, ninguém os via, ou melhor, às vezes, sim, quando rondavam como símios as bolsas e os relógios dos adultos. Viam-se sem serem vistos, assim como vemos e evitamos no solo um buraco, um obstáculo, ou grandes montes de merda. As pessoas faziam a volta e tratavam de assuntos mais sérios. Todos estavam já acostumados àqueles figurantes, no cenário. Os meninos eram personagens que nem falavam, porque estavam sempre em porre de sonho, delirantes, com a voz trôpega, plenos do sonho que a cola dá. De repente, alguns deles, os mais sóbrios, os que podiam, saltavam para a traseira de um ônibus. Então os meninos se transformavam em morcegos, à beira da morte nos testes que o motorista fazia, ao frear e acelerar e a fazer voltas velozes com os ônibus, para ver se os morcegos se estendiam no chão. Olhando-os bem, podia-se perceber que despertavam o amor e a compaixão em algumas almas caridosas. Olhando-os às seis da manhã, como quem faz um exame de corpo de delito, podiam-se ver os traços deixados pelo coração da melhor gente cidadã. Os meninos imóveis, a ressonar, tinham roupas de grife, bermudas, camisas com etiquetas. Roupas sujas, cheias de grude, é verdade, mas roupas caras. Ao vê-los assim, no desprezo da cidade, ficávamos a imaginar o impulso que movia o coração da gente que somente lhes queria bem. Ao chamamento de instituições religiosas, ?olha o teu irmão?, ao imperativo de que Deus também podia estar naqueles meninos de rua, as boas almas do ramo doavam algo mais chique. Mas o detalhe que unificava os meninos na tendência da moda era muito estranho. Todos estavam descalços. Todos. Devia haver alguma lei que impedisse os corações caridosos de caírem até os sapatos. Ou será que a gente mais cristã, quando via os meninos, não lhes via os pés? Ou será que achavam, os corações em boa fé, que andar descalço pelas ruas fosse uma festa? Talvez a moral cristã se preocupasse com a nudez das coxas até os ombros. Ou talvez, quem sabe, os meninos recebessem tênis e os atirassem às águas do Capibaribe, que por ser um belo rio gosta de andar calçado. Ou talvez os sapatos fossem um bem supérfluo para os pés dos meninos, assim como os bonés, porque neles não se viam bonés, como é costume nos irmãos caridosos de sua mesma idade. Ou talvez, enfim, os sapatos fossem trocados por cola, de sapateiro, como me garantiu um senhor educado, com nojo: ?eles vivem de cola?. A um dos meninos, certa manhã, perguntei a idade. ?Onze anos?, ele me respondeu. E eu, com minhas exatidões burras, de classe média: ?Vai fazer ou já fez??. Silêncio. Eu insisti, crente de que ele não me havia entendido. ?Você faz anos em que mês? Quando é o seu aniversário??. Então ele me ensinou, antes de correr até a esquina: - Tio, eu não tenho aniversário. E me deixou mudo, sem mais perguntas. Enviado por Direto da Redação -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110428/2a6de7a6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110428/2a6de7a6/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7560 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110428/2a6de7a6/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 29 19:47:16 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 29 Apr 2011 19:47:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__PARA_N=C3O_ESQUECER_JAMAIS!____H?= =?iso-8859-1?q?ist=F3ria_de__MARCOS_ANT=D4NIO_DA_SILVA_LIMA_______?= =?iso-8859-1?q?_______________________-CXIX-?= Message-ID: <6768AB1D64A548BFB06A03249C72F1AB@vcaixe> Nota: a carta o Berro de ontem sobre JOSÉ PORFÍRIO DE SOUZA e DURVALINO PORFÍRIO DE SOUZA , faz parte da série "Para não esquecer jamais!" Carta O Berro..........................................................repassem MARCOS ANTÔNIO DA SILVA LIMA (1941-1970) Filiação: Clarice da Silva Lima e Joaquim Lucas de Lima Data e local de nascimento: 21/10/1941, João Pessoa (PB) Organização política ou atividade: PCBR Data e local da morte: 14/01/1970, Rio de Janeiro (RJ) Paraibano de João Pessoa, afro-descendente e ex-sargento da Marinha, Marcos Antônio da Silva Lima foi um dos fundadores e, por duas vezes, vice-presidente da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, entidade que comandou importantes mobilizações reivindicatórias e políticas no âmbito da Armada, no período entre 1962 e março de 1964. Já nas vésperas do movimento que depôs João Goulart, 1113 marinheiros, reunidos em vigília no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, tiveram a prisão decretada por insubordinação aos seus comandantes militares, que já ultimavam, àquela altura do calendário, os últimos preparativos para o Golpe de Estado. Marcos Antônio estudou no Colégio Lins de Vasconcelos, em João Pessoa, na Escola Técnica de Comércio, em Campina Grande, e no Colégio Estadual Liceu Paraibano, também em João Pessoa. Ainda na Paraíba, foi jogador de futebol pelo time Estrela do Mar. Em 1958, iniciou sua formação de marinheiro na Escola de Aprendizes de Pernambuco. Trabalhou no navio Ary Parreiras e no Porta Aviões Minas Gerais. Como marinheiro de 1ª classe, viajou pelo mundo: Itália, Egito, França, Japão. Nos primeiros dias de abril de 1964, logo após ouvir pelo rádio a notícia de que havia sido expulso da Marinha por força do primeiro Ato Institucional, buscou asilo na Embaixada do México, deixou o País e transferiu-se para Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha num primeiro grupo de ex-militares que, sob a liderança de Leonel Brizola, constituíram o MNR, sigla às vezes traduzida como Movimento Nacional Revolucionário e, outras vezes, como Movimento Nacionalista Revolucionário. Em outubro de 1964, foi condenado a nove anos de prisão e, em 1966, a mais três anos. Retornando ao Brasil para engajar-se na resistência clandestina, instalou-se no Mato Grosso, em articulação com os militantes do MNR que tentaram organizar uma guerrilha na Serra do Caparaó entre fins de 1966 e abril de 1967. Nesse período, Marcos Antônio foi preso em São Paulo e transferido para a Penitenciária Lemos Brito, no Rio de Janeiro, ali chegando em março de 1967 Marinheiros e outros militantes ali reunidos, em boa parte militares, recrutaram alguns presos comuns e constituíram nova organização, denominada Movimento de Ação Revolucionária - MAR, que protagonizou audaciosa fuga daquele presídio, em 26/05/1969, escondendo-se o grupo na área rural de Angra dos Reis, até romper o cerco militar após algumas semanas. Mesmo assim, o MAR durou poucos meses, sendo que Marcos Antônio e a maioria de seus integrantes se engajaram no PCBR. Na noite do dia 14/01/1970, já moribundo, com uma bala na cabeça, foi deixado no Hospital Souza Aguiar, como desconhecido, morrendo em poucos minutos. Sua mulher recebeu por telefone a notícia da morte, com a orientação de aguardar a publicação do fato, para que não viesse a ser interrogada sobre suas próprias atividades e sobre como recebera a informação. A notícia somente foi divulgada uma semana depois, através de nota do comando da 1ª Região Militar, informando que Marcos Antônio morrera num tiroteio onde foi ferida e presa Ângela Camargo Seixas, também do PCBR, e dois agentes dos órgãos de segurança. O laudo de necropsia é assinado pelo legista Nilo Ramos de Assis, que definiu como causa mortis "ferida transfixante do crânio com destruição parcial do encéfalo". A irmã de Marcos Antônio, Marlene Lucas de Lima, só conseguiu retirar o corpo no dia 20 de janeiro, levando-o para sepultamento no Cemitério de Inhaúma. A CEMDP fez diligências ao Hospital Souza Aguiar, que respondeu não possuir qualquer registro do fato, e também às autoridades militares, buscando mais detalhes sobre a operação e a identificação dos agentes feridos. Não recebeu resposta. Depoimento de Ângela Camargo Seixas, em declaração pública enviada da Irlanda, onde vivia depois de exilar-se na Inglaterra, esclareceu amplamente os fatos. Relatou que Marcos Antônio e ela chegavam a sua casa, por volta das 23 horas do dia 13, e Marcos estava colocando a chave na porta quando os agentes de segurança, que já estavam no apartamento, começaram a atirar. O prédio estava cercado e, ao buscarem fugir pelas escadas, viu quando Marcos foi atingido. Ferida, perdeu a consciência e não sabe quanto tempo depois acordou, ainda no corredor, sendo presa. O relator do processo junto à CEMDP considerou que as provas apresentadas apontavam para a eliminação do militante, tomando como base esse depoimento, onde ficava claro que Marcos portava, mas não empunhava arma, e que não fora feita perícia de local, prática comum no Rio de Janeiro e, neste caso, do interesse dos agentes, já que houve policiais feridos. Considerou também significativo o silêncio das autoridades militares, que não ofereceram qualquer informação ou esclarecimento às indagações da Comissão Especial. ================================================================================================================== + Informações. MARCO ANTÔNIO DA SILVA LIMA Militante do MOVIMENTO ARMADO REVOLUCIONÁRIO (MAR). Ex-sargento do Exército, casado, foi fuzilado aos 29 anos de idade, no dia 14 de janeiro de 1970, pela PE do Rio de Janeiro, em Copacabana, ao resistir à voz de prisão. Após ser fuzilado pela repressão, foi deixado como desconhecido, no Hospital Souza Aguiar, já em estado de coma, com uma bala na cabeça, vindo a falecer 15 minutos depois. Foi removido para o IML, ainda como desconhecido, sendo necropsiado pelo Dr. Nilo Ramos de Assis, não constando o nome do 2° legista. Somente foi reconhecido em 20 de janeiro, por sua irmã, Marlene Lucas de Lima, quando foi retirado e enterrado por sua família, no Cemitério de Inhaúma (RJ). Seu óbito de n° 86.904 e o Registro de Ocorrência de n° 219, da 4ª D.P., nada mais esclarecem ========================================================================================== + detalhes. [PDF] (clique e veja) Todo o leme a bombordo: marinheiros, luta armada e ditadura civil ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de A da Silva Almeida - 1964 - Artigos relacionados Marco Antônio da Silva Lima e José Duarte, respectivamente (ROLLEMBERG, 2001: 29). Segundo Flávio Tavares, o foco do planalto teria a participação maciça de ... www.encontro2008.rj.anpuh.org/.../1212964283_ARQUIVO_ArtigoparaaANPUH%5B2%5D.pdf - Similares -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110429/e9ab21d4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9027 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110429/e9ab21d4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 29 19:47:23 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 29 Apr 2011 19:47:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Garagem_Olimpo_-_es_una_pel=EDcul?= =?iso-8859-1?q?a_argentina=2C_es_la_historia_de_la_detenci=F3n_cla?= =?iso-8859-1?q?ndestina=2C_tortura_y_muerte_arrojada_de_un_avi=F3n?= =?iso-8859-1?q?_de_Mar=EDa=2C_una_activista_=2E=2E=2E?= Message-ID: <29CA69D3925A43FE90D4D9DA820D33E4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Garagem Olimpo - es una película argentina, es la historia de la detención clandestina, tortura y muerte arrojada de un avión de María, una activista ... (assistam pela ordem númerica ao lado da película) a.. 9:18Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [1-11]por nuncamas3000023100 exibições a.. 9:34Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [2-11]por nuncamas3000018303 exibições a.. 9:34Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [3-11]por nuncamas3000014460 exibições a.. 9:32Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [5-11]por nuncamas3000022452 exibições a.. 9:31Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [4-11]por nuncamas3000012222 exibições a.. 9:32Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [6-11]por nuncamas3000013086 exibições a.. 15711 exibições a.. 9:33Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [8-11]por nuncamas300009314 exibições a.. 9:39Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [7-11]por nuncamas300009696 exibições a.. 9:40Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [9-11]por nuncamas3000010126 exibições a.. 2645 exibições a.. 7:33Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [10-11]por nuncamas300008935 exibições 6:49Adicionar aAdicionado à fila Garage Olimpo [11-11] Garage Olimpo es una película argentina, es la historia de la detención clandestina, tortura y muerte arrojada de un avión de María, una activista ... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Há duas versões sobre os fatos: ou foram presos no próprio apartamento em que residiam, ou conseguiram escapar dali e se refugiaram num ônibus que foi interceptado adiante, numa barreira dos agentes dos órgãos segurança que fechava a única saída daquele bairro densamente habitado por oficiais. Foram levados ao DOI-CODI/RJ, sendo torturados e mortos. Os dois nomes integram a lista de desaparecidos políticos anexa à Lei nº 9.140/95. Paulo era nascido em Juiz de Fora e filho do general de divisão da ativa do Exército Othon Ribeiro Bastos. Cursou o 1º e o 2º graus no Colégio Militar do Rio de Janeiro, ingressando na Faculdade de Engenharia da UFRJ. Concluiu sua graduação acadêmica em 1970 e trabalhou como engenheiro hidráulico no Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). Era casado com Tereza Cristina Denucci Martins. Estava atuando na clandestinidade e respondeu a vários processos por integrar o MR-8. No "livro negro" do Exército consta que ele teria participado, em 22/11/1971, de assalto a um carro forte da empresa Transport, em Madureira, quando um dos guardas foi morto e outros três baleados. Sergio nasceu em Serrinha (BA) e foi estudante de Economia da Universidade Federal da Bahia, passando a atuar na clandestinidade desde 1969. Integrou a Dissidência Comunista da Bahia, que se reuniu à Dissidência da Guanabara na constituição do MR-8. Respondeu a diferentes processos na Justiça Militar, sendo julgado à revelia, por participação em várias ações armadas, inclusive o assalto ao carro forte mencionado no parágrafo anterior. No próprio dia de sua prisão, Sérgio havia telefonado à mãe, para dar-lhe um beijo pelo Dia das Mães já transcorrido. No dia 24/07, seus pais receberam telefonema em Salvador, informando que o filho tinha sido preso no Rio de Janeiro. De imediato viajaram para lá, constituindo como advogado Augusto Sussekind, que impetrou habeas-corpus junto ao STM. Nunca conseguiram obter respostas sobre o paradeiro de Sérgio. Estiveram com o general Fiúza de Castro, que negou a prisão, e ainda escreveram ao presidente Emílio Garrastazu Médici mais tarde escreveram ao ministro da Justiça de Ernesto Geisel, Armando Falcão. Nos processos a que respondia como militante do MR-8, Sérgio continuou sendo julgado e foi condenado à revelia em alguns e absolvido em outros. Denúncias sobre a prisão dos dois militantes foram feitas nas auditorias militares por Paulo Roberto Jabour, Nelson Rodrigues Filho, Manoel Henrique Ferreira e Zaqueu José Bento. Em 1978, o ministro do STM general Rodrigo Octávio Jordão requereu ao tribunal que fosse investigado o desaparecimento de Paulo e Sérgio, mas nada foi apurado. O livro Desaparecidos Políticos, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, transcreve depoimento do preso político Paulo Roberto Jabour, escrito em 20/2/1979, quando se encontrava recolhido ao Presídio Milton Dias Ferreira, no Rio de Janeiro. Jabur reporta que "Durante o período inicial da minha prisão, tive algumas indicações sobre a prisão e morte de Paulo e Sérgio. Citarei aqui três delas: 1 - Já transferido para o 1º Batalhão de Guardas, em São Cristóvão, fui chamado, certo dia, no começo de agosto de 1972, à presença de um elemento pertencente aos órgãos de segurança que, de posse de uma fotografia de Paulo, pediu que eu o identificasse como sendo o militante que usava o codinome Luís, pois isto, segundo ele, melhoraria a situação de Paulo, seria melhor para ele. Presenciou esta entrevista o major Diogo, S-2 do citado quartel. 2 - Ainda no começo de agosto e no mesmo quartel, fui chamado a prestar depoimento no IPM instaurado para apurar as atividades do MR-8. A certa altura deste depoimento, o encarregado do inquérito, major Oscar da Silva (com o qual eu havia tido o meu primeiro encontro ainda no DOI-CODI, no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, durante a fase de torturas) insistiu para que eu nomeasse os militantes do MR-8 que eu conhecia. Tendo eu, em resposta a isso, apenas nomeado os companheiros dados publicamente como mortos ou sabidamente desaparecidos (...), o citado major, à guisa de intimidação, perguntou se eu não gostaria de incluir o nome de Sérgio Landulfo nesta lista. 3 - Respondendo a vários processos, tive que comparecer inúmeras vezes ao DOPS para prestar depoimento. Assim, pude constatar, durante o segundo semestre de 1972, que era voz corrente neste órgão repressivo que Sérgio Landulfo, o Tom, tinha sido morto. Idêntica constatação pode fazer Nelson Rodrigues - também conduzido freqüentemente ao DOPS. A Nelson, o escrivão chamado Bioni confirmou a veracidade da notícia da morte de Sérgio". A morte de Sérgio Landulfo Furtado também foi assumida na já mencionada entrevista que um general estreitamente vinculado aos órgãos de segurança do regime militar concedeu à Folha de S. Paulo em 28/01/1979. =========================================================================================================================== + Informações. PAULO COSTA RIBEIRO BASTOS Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Nasceu em 16 de fevereiro de 1945, em Juiz de Fora/MG, filho do General Othon Ribeiro Bastos e de Maria do Carmo Costa Bastos, cursou o 1° e 2° graus no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, terminando seu curso em 1970. Trabalhava como Engenheiro Hidráulico no Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). Foi preso com Sérgio Landulfo Furtado, em 11 de julho de 1972, no bairro carioca da Urca, tendo morrido sob torturas três dias depois. Estava clandestino e respondeu a alguns processos por integrar o MR-8. Há versões de que Sérgio e Paulo teriam percebido o cerco feito pelos órgãos de repressão na Urca e tentaram escapar como passageiros de um ônibus. Os policiais bloquearam a única saída do bairro, revistando todos os veículos. Num deles, prendendo os dois jovens. ============================================================================================ + Informações. SÉRGIO LANDULFO FURTADO Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (MR-8). Nasceu em 24 de maio de 1951, em Serrinha, Estado da Bahia, filho de George Furtado e Diva Furtado. Desaparecido, desde julho de 1972, aos 21 anos de idade. Estudante de Economia na Universidade Federal da Bahia. Entrou na luta clandestina em 1969, ligando-se ao MR-8. Respondeu a alguns processos, sendo julgado à revelia. Foi preso junto com Paulo Costa Ribeiro Bastos, em 10 de julho de 1972, no bairro da Urca por agentes do DOI/CODI-RJ, para onde foi levado e torturado, sendo transferido posteriormente para o CISA - Centro de Informação da Aeronáutica. Seus pais souberam de sua prisão por telefonema anônimo, em 24 de julho de 1972, e iniciaram desesperada procura. Nada conseguiram. Em depoimento do preso político Paulo Roberto Jabour, em 20 de fevereiro de 1979, quando ainda se encontrava no Presídio Milton Dias Moreira (RJ), há informações de que um escrivão, chamado Bioni, então lotado no DOPS/RJ, confirmou ao preso político Nelson Rodrigues Filho, que Sérgio morrera no DOPS/RJ em conseqüência das torturas sofridas. Também o preso político Zaqueu José Bento - segundo o depoimento de Jabour - afirmou que o torturador Ventura, no Rio de Janeiro, chegou a lhe dizer diversas vezes, mostrando a foto de Sérgio, que este estava morto, que "já era". Sua morte é assumida por um general estreitamente ligado ao aparelho repressivo em entrevista fornecida ao jornal "Folha de São Paulo" em 28 de janeiro de 1979. ======================================================================================== + Detalhes. [PDF] "OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER": histórias da luta armada em Salvador ... Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat de SRB DA SILVA - 2003 - Citado por 3 - Artigos relacionados In memorian, a Sergio Landulfo Furtado, um dos desaparecidos políticos da Bahia. Pelo amor e exemplo de caráter, pelo apoio estendido em todos os ... www.ppgh.ufba.br/.../Ousar_lutar_ousar_vencer_-_Sandra_Regina.pdf - Similares ======================================================================================== + Detalhes. [PDF] A BAHIA E O GOLPE DE ESTADO DE 1964 Formato do arquivo: PDF/Adobe Acrobat - Visualização rápida de MG Ferreira - Citado por 2 - Artigos relacionados Encabeçado pelos irmãos Júlio e Juca Ferreira, Sérgio Landulfo Furtado, Renato da. Silveira e José Carlos de Souza, este grupo, que também participou da ... www.fundaj.gov.br/licitacao/observa_bahia_02.pdf - Similares ========================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110430/cff9cdc1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4885 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110430/cff9cdc1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 30 15:14:45 2011 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 30 Apr 2011 15:14:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__=E2=80=9CA_doutrina_do_choque?= =?utf-8?b?4oCdIOKAkyBvIGZpbG1l?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br ?A doutrina do choque? ? o filme imperdível clique http://vimeo.com/21049802 Filme-documentário baseado no livro-denúncia ?A Doutrina do Choque - A Ascenção do Capitalismo de Desastre?, da pesquisadora e ativista política Naomi Klein. Vídeo com 1h e 18 min. de duração. Legendas em português. Assista, divulgue, debata, discuta. Redator: Cristóvão Feil http://diariogauche.blogspot.com/2011/04/doutrina-do-choque-o-filme-imperdivel.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110430/b4d191bd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 24442 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20110430/b4d191bd/attachment-0001.gif